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UNIVERSIDADE LUEJI A´NKONDE

ESCOLA SUPERIOR POLITÉCNICA DA LUNDA-SUL


DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

PROGRAMA DE LOGICA FORMAL/2016


Prof. Anatoli Ginga_928912410 Cidade: Saurimo Ano 2016
Email: anatolijingaa@gmail.com Turmas: Historia 1 e 2ºAno
Curso: Historia Periodo: Pos-laboral
Disciplina: Semestral Departamento: Ciências Sociais e Humanas
Carga Semanal: 3 horas
Pré-Requisitos Obrigam-se a feitura de 2 Provas
REGIME MODULAR parcelares e um trabalho prático + o
Exame
RESUMO:
Este programa, tende a introduzir nos estudantes, a lógica como um instrumento regulador para aquisição do
conhecimento, bem como o uso dos procedimentos lógicos na analise da investigação e demonstração de assuntos
ligados a tomada de decisão do conhecimento
IIº ANO DE IºANO DE IIº ANO DE HITORIA
CRONOGRAMA DE LÓGICA FORMAL HISTORIA HISTORIA
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO TURMA-B NOITE TURMA-A DIURNO TURMA _A

I .Da lógica Espontânea à Lógica Cientifica;


1.1. Conceito e objecto da Lógica 08.08.2016 13.08.2016 17.08.2016
1.2. Validade Material e Formal;
2. Os Princípios da Razão

3. O conceito e Termo
3.1. O que é o Conceito
3.2. Classificação do Conceito 15.08.2016 20.08.2016 24.08.2016
3.3. Compreensão e Extensão de um conceito

4. Definição
4.1. Significado e importância da definição 22.08.2016 27.08.2016 31.08.2016
4.2. Como se define um Conceito
4.3. Tipo e subtipo de definição
4.4. Regras da definição 29.08.2016 03.09.2016 07.09.2016
Exercícios (adaptação do conteúdos)

Iº PROVA PARCELAR (de 05 à 17 de Setembro) 12.09.2016 10.09.2016 14.09.2016


5. O juízo e a proposição
5.1. A natureza do Juízo;
5.2. Classificação do Juízo 19.09.2016 21.09.2016 24.09.2016

6. Inferências
6.1. Inferências Simples ou imediata 26.09.2016 28.09.2016 01.10.2016
6.2. Inferências Complexas ou mediatas

6.3. O silogismo.
6.4. A falácia. 03.09.2016 05.10.2016 08.10.2016

1
7. A lógica aristotélica e simbólica 10.10.2016 12.10.2016 15.10.2016
- Momentos decisivos da história da lógica 24.10.2016 19.10.2016 22.10.2016

IIº PROVA PARCELAR (de 24 de Outubro à 10 de 07.11.2016 09.11.2016 12.11.2016


Novembro)

Trabalho Com texto e inferências

PROGRAMA DE LOGICA

1. Da Lógica espontânea á Lógica Cientifica


Vamos dar entrada num domínio científico que, tendo nascido na Grécia, com Aristóteles, conheceu nos últimos
séculos, grandes desenvolvimentos e profundas transformações. Ao aprofundamento e sobretudo à aplicação das
investigações lógico-matematicos devemos nós, hoje, algumas das realizações tecnológicas mais complexas, entre
as quais sobressai, acima de todas, o computador.

Os sofisticados programas de tratamento de informação que hoje correm nos nossos computadores, mesmo nos
mais simples, operam na base de complexos dispositivos da cálculo lógico que lhe permite a realização de um
conjunto infindável de operações.

Não é propriamente dessa lógica matemática ou simbólica que iremos tratar nesse Capitulo. Nas disciplinas de
matemática e sobretudo métodos quantitativos, ai sim, serão dadas algumas noções básicas dessa lógica simbólica,
onde se procede ao cálculo lógico das proposições e de classes. Aqui, vamos limitar-nos antes à análise de algumas
noções da lógica tradicional, enquanto instrumento para uma boa condução do discurso racional ou do
pensamento discursivo.

1.1. Concito e Objecto da Lógica

O que é a lógica?
Para que vamos estudar a Lógica?
Que podemos esperar do seu estudo?

Bem sabemos, por experiencia própria, que nem sempre conduzimos com rigor os nossos pensamentos. Bem
sabemos que, por vezes, as nossas conclusões se revelam precipitadas e os nossos juízos falsos. Essa experiência de
erro obriga-nos a refazer os nossos raciocínios.
Descobrimos, então que a correcta condução do pensamento, ou seja, o trânsito lógico de uns juízos para outro
tem de obedecer a certos princípios e regras de que sempre tomamos consciência ou de que nem sequer temos
conhecimento.

Derivado do termo grego logos, a palavra lógica herda daquele termo o seu carácter plurívoco.
Como se anotou já, o conceito logos, consoante os contextos, foi traduzido:
a) Por razão ou pensamento, por um lado; e

2
b) Por linguagem ou discurso, por outro.

Assim, entendida como a ciência do logos, a Lógica poderá ser também definida de duas maneiras:
a) Como ciência da razão, ou do pensamento;
b) Como ciência do discurso racional;

Abreviadamente, poderíamos dizer que a lógica é a ciência que estuda a dimensão racional do discurso.

Uma vez constituída essa ciência, poder-se-á também dizer que a lógica está cometida a tarefa de regular o perfeito
discurso da razão e a de oferecer o bom caminho para o correcto exercício da linguagem e do pensamento na
procura da verdade. Mediante a leitura dos textos que se seguem, compreenderemos ainda melhor o conceito e o
objecto da Lógica.
Texto 1
Da lógica espontânea…
’’ A razão humana procede de acordo com uma ordem em todos os seus actos. Ao redigir a execução de
um trabalho, de um jogo, de um desporto ou qualquer outra actividade humana, a inteligência impõe uma
ordenação de uns actos com outros. O homem não age, ao contrário dos animais, pelo simples impulso dos seus
instintos. E para conhecer a verdade, o acto que por excelência compete à inteligência, o homem a de seguir
também uma ordem, a que chamamos ordem lógica, ordem racional ou lógica espontânea.
A lógica espontânea é a ordem que a razão humana segue naturalmente no seu processo de conhecer as
coisas. Ante a verdade cabe varias atitudes: para ensina-la é preciso seguir uma ordem pedagógica (por exemplo,
partir do que o aluno já sabe); para convencer os outros, existe uma ordem retórica ou persuasiva, em que se há-
de captar a atenção, o sentimento e o gosto dos que nos escutam; para conhece-la, há-de seguir-se a ordem lógica.
Ordem que primariamente brota da nossa própria natureza: trata-se de um modo de discorrer adequado à nossa
inteligência a à realidade das coisas, que se adquire espontaneamente, pelo uso natural da nossa razão. É a lógica
natural humana que, se não s segue, dá lugar a um pensamento confuso, ambíguo ou falso.
A ordem lógica espontânea é comum a todos os seres humanos. O uso da inteligência é muito variado,
segundo as diferentes ciências, características individuais, culturais, etc. Na lógica espontânea, certamente, se
mesclam muitos elementos culturais, que são resultado da nossa civilização e da educação recebida; o homem
primitivo tinha menos desenvolvido os recursos lógicos. Mesmo assim, todo o homem naturalmente conhece, tem
ideias raciocina de alguma maneira: existe um modo de pensar comum – base da comunicabilidade humana – que
se desprende da nossa natureza, e que sem dúvidas pode cultivar-se e desenvolver-se nas suas virtualidades.
O fim da lógica espontânea, assim como qualquer lógica científica, é o conhecimento da verdade. Isto é
óbvio, mas convém tê-lo presente desde o princípio: os processos de pensamento ordenam-se para a verdade, para
o conhecimento das coisas como são. Pela debilidade da sua inteligência, o homem pode desviar-se desta ordem,
afastar-se da realidade e cair no erro. Mas com a reflexão, aquele que se equivocou poderá reexaminar os seus
actos e rectifica-los, voltando assim à verdade.’’
J.J. Sanguinetti- Lógica. Pamplona, Ed. Universidad de Navarra, 1989, pp. 17-18

Texto 2
…à Lógica como ciência….
‘’A partir do modo espontâneo do discorrer, o ser humano é capaz de treinar para raciocinar com
habilidade e mestria; e pode ainda tomar os seus processos cognitivos (racionais) como objecto de estudo. No

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primeiro caso temos a lógica como arte e no segundo como ciência. A lógica é uma e outra coisa ao mesmo tempo.
(…).
Numa primeira aproximação, digamos que a lógica se ocupa do complexo mundo das nossas ideias, juízos,
raciocínios, processo de distinguir, abstrair, concretizar, relacionar, inferir, concluir, etc., na medida em que com
essas operações conhecemos as coisas ou nos aproximamos do seu conhecimento.
Mais exactamente, o objecto da lógica são os actos (ou operações) do pensamento enquanto essa se orienta
para o conhecimento da realidade.
Ao conhecer as coisas externas, estas entram de algum modo na nossa mente e adquirem nela um novo
estatuto. Por seu lado, os nossos actos de pensamento, ao conhecer as coisas externas, têm certos conteúdos que
só existem no pensamento.
Em ambos os casos, obtêm-se como consequência do conhecimento algo que não existe nas coisas reais,
mas unicamente no nosso conhecimento. Por exemplo, no juízo ‘a pedra é redonda’, pedra adquire o estatuto de
sujeito, e redonda o de predicado. Na realidade, a pedra não é um sujeito, nem a sua característica de redonda é
um predicado. No mundo real não existem predicados, premissas, ideias unívocas ou análogas, etc.
Mais ainda, há também ideias que já nada significam na realidade, mas que servem para ligar umas ideias
às outras (por exemplo, ou, e, portanto).
Estas propriedades nada seriam sem o conhecimento racional. Por isso se chamam propriedades lógicas
(propriedades exclusivas do nosso conhecimento das coisas inexistentes nas próprias coisas) e são sem dúvida
alguma o objecto próprio da Lógica como ciência.
A lógica propõe-se, pois, estudar o conjunto das relações que se produzem no nosso pensamento em
ordem ao conhecimento das coisas. (…) Pode dizer-se, em poucas palavras, que o seu objecto de estudo são as
propriedades ou as relações lógicas.’’

J.J. Sanguinetti- Lógica. Pamplona, Ed. Universidad de Navarra, 1989, pp.19-20

TEXTO 3
… e como arte ou técnica.

‘’ Como arte (a Lógica) tem um fim prático, que é o de servir de instrumento para conhecer correctamente, para
o que se constitui como saber normativo. (…).
Arte, para os antigos, é sinónimo do que hoje entendemos por habilidades pessoal para realizar um determinado
tipo de actividades, como podem ser o falar uma certa língua, conduzir um automóvel ou executar um qualquer ofício.
Neste sentido, S. Tomas define a lógica como a arte pela qual se conduzem os actos da razão, para proceder no
conhecimento da verdade ordenadamente, com facilidade e sem erro. Assim entendida, é uma habilidade que pode e deve
melhorar-se com o exercício, para que aprendamos a discorrer racionalmente com facilidade, a distingui, retirar
consequências, etc.
Todos necessitamos da Lógica, na medida em que necessitamos utilizar a inteligência em múltiplas circunstâncias
da vida. Necessidade que é maior para as ciências, pois estas empregam operações racionais com mais amplitude e rigor.
Como arte, a Lógica é instrumento das ciências. Os escolásticos chamavam-na ars arttium, arte das artes, pois
intervém em qualquer outras ciências ou tarefa prática do homem.
A Lógica como arte pode desenvolver-se também como uma técnica. A arte é uma qualidade pessoal, uma
habilidade subjectiva; mas toda a habilidade supõe um conjunto de procedimentos objectivos, aos quais chamamos
técnicas.’’
J.J. Sanguinetti- Lógica. Pamplona, Ed. Universidad de Navarra, 1989, pp.18-19.

TEXTO 4
Delimitação da Lógica.

4
‘’ Em geral, todos sabem que a lógica tem que ver com o raciocínio. Mas a maioria não conhece a relação exacta
que existe entre lógica e raciocínio. De facto, esta muito difundida a concepção errónea de que a lógica é a arte de
raciocinar e de que um curso de lógica poderá converter qualquer pessoa num perito em toda a espécie disputa intelectual.
Os que aceitam esta concepção errada e agem em conformidade com ele decepcionar-se-ão ao estudar a Lógica; e a razão
é que lhe pediram mais do que ela pode dar. O estudo da lógica, como o estudo de qualquer outra das ciências exactas,
tende a agudizar a nossa capacidade de raciocínio. Mas a verdade, nua e crua, é que a lógica está relacionada apenas em
pequeno grau com muitos dos diferentes processos a que damos o nome de raciocínios. O campo da sua aplicação, ainda
que grande, não é tão amplo como habitualmente se julga.
O domínio da lógica, considerada como ciência exacta, não abarca todas as espécies de raciocínio dedutivo, isto
é, todos os casos de raciocínios em que se deduzem conclusões das premissas, ou em que se manifestam incoerências ou
non sequiturs nos argumentos. Tem que ver somente com os casos de raciocínio dedutivo que são correctos ou erróneos,
validos ou inválidos em virtude somente da sua forma e de nada mais. Provisoriamente, podemos definir a Lógica dizendo
que é a ciência que investiga as formas das proposições (isto é, a forma dos enunciados) e das cadeias das proposições
que constituem casos de raciocínios dedutivos. É a ciência da dedução formal.
J.J. Sanguinetti- Lógica. Pamplona, Ed. Universidad de Navarra, 1989, pp.10-11

PROPOSTA DE TRABALHO

Exercício 1

Nas expressões seguintes encontramos umas que se reportam à lógica espontânea, outras à Lógica como ciência e outras
ainda à Lógica como arte. Qual dizem respeito a cada uma delas?

EXPRESSÕES ESPONTANEA CIÊNCIA ARTE


1.Aristoteles é considerado o pai da Lógica.
2. O discurso está construído com grande lógica.
3.O raciocínio não infringe as regras lógicas.
4.A lógica trata dos princípios de inferências validas.
5.Ciencias das leis da razão, e a arte de as aplicar correctamente à
investigação e à demonstração da verdade
6.A lógica trata da razão como instrumento do saber
7.A lógica é a arte de pensar
8.A lógica é a teoria formal das operações do pensamento
9.A lógica investiga o conjunto de princípios e das modalidades formais
do pensamento
10. A Lógica é a ciência dos sistemas dedutivos
11.A Lógica investiga o conjunto dos princípios e das modalidades
formais do pensamento
12.Nao veio lógica nenhuma no que dizes.

1.2. Validade Material e Formal

Como vimos nas definições anteriores a lógica é uma ciência sui generis. Contrariamente às outras, a Lógica não
se atem a verdade à validade material dos Juízos e dos raciocínios: enquanto a Física, a Biologia, a História, etc.,
se preocupam com a verdade ou falsidade dos enunciados, a lógica considera apenas

A sua verdade ou validade formal.


Atente-se nas seguintes afirmações:
1. Em 350 a.C. Platão enviou um fax ao seu discípulo Aristóteles;

5
2.O rectângulo é um polígono de três ângulos;
3.Este triângulo tem quatro ângulos;
4. Todo o triângulo é trilátero, portanto tudo o trilátero é triângulos
5.Todo triângulo é quadrilátero, logo alguns quadriláteros são triângulos;
6. Todos os homens são mortais. Como João é homem. Logo João é mortal.

Do Iº enunciado, diremos que ele é formalmente válido, correcto e legítimo. Sintacticamente bem construídos,
não contem contradições em si mesma. Não há incoerência entre os seus membros. Do ponto de vista da lógica,
nada lhe opõe, mas sua validade material, ou seja a sua conformação com a realidade que autorizaria a reconhece-
la como verdadeira peca. Em 350 a.C. Platão já tinha falecido e nem existiam faxes.
Do IIº enunciado diremos que, não obstante a sua correcta construção sintáctica, ele contem já uma
impossibilidade formal, porquanto a definição de rectângulo implica a existência de quatro e não de três ângulo.
Do IIIº Assim sendo os enunciados 2 e 3 não têm validade formal e não têm também validade material: são falsos.
Do IVº enunciado diremos que a inferência não é formalmente válida, embora seja, materialmente verdadeira.
Do Vº diremos pelo contrário, que a inferência é formalmente válida, ainda que as duas proposições constituinte
sejam falsas.
Do VIº Diremos que ele é formalmente válido, sendo correcto e legítimo o transito das premissa (as duas primeiras
afirmações) para a conclusão (última afirmação).

Do exposto conclui-se que:

a) Um pensamento (juízo ou raciocínio) tem validade material quando o seu conteúdo ou matéria se conforma
com a realidade; dizemos, então que se trata de um pensamento (juízo ou raciocínio) verdadeiro.
b)Um pensamento (juízo ou raciocínio) tem validade formal, quando os elementos que o constituem (conceitos
ou juízo, juízo ou raciocínio) formam um todo coerente, sem contradição interna e sem incompatibilidade.
c)Todo o pensamento verdadeiro implica a co-presença da validade formal e da validade material.
d) A lógica ocupa-se de validade formal do pensamento, enquanto as outras ciências se ocupam da validade
material.
e)Mas, porque a verdade implica a co-presença da validade formal e material, as ciências não podem prescindir
da lógica, ou seja, de proceder em conformidade com os princípios ou regras formais do pensamento.
f)Assim sendo, a Lógica tem de ser tomada como uma ciência em si mesma e como um instrumento (organon)
ao serviço das demais ciências.

2. Princípio da Razão (a fundamentação da lógica do pensamento)

Disse-se atrás que a lógica se ocupa da validade formal do pensamento, que ele investiga os princípios e as regras
formais do pensamento correcto.

Disse-se também que o pensamento é um discurso racional. Importa investigar e tomar conhecimento das
operações e dos procedimentos com que se concretiza o pensar, assim como dos princípios e das regras a que se
conforma o correcto discurso racional.

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Começaremos pela analisar os três grandes princípios em que se assenta qualquer discurso racional com pretensão
de validade; continuaremos, depois com a investigação das operações logico-discursivas e das regras particulares
a que obedecem essas operações.

Toda a investigação lógica conduziram ao reconhecimento de que o pensamento formalmente


correcto ou válido assenta em duas ou três leis gerais ou principio primeiros. Chamemo-los
Princípios primeiros ou leis gerais e distinguimo-los da regras ou leis particulares porque esses
princípios subjazem e determinam todos os procedimentos racionais, enquanto as segundas (as
regras) se aplicam apenas a casos/situações particulares. Leiamos o Poema de Cecília Meireles:

Ou isto ou aquilo
Ou se tem chuva e não se tem sol
Ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
Ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sabe nos área não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
Estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,


Ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo; ou isto ou aquilo.
E vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
Se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual o melhor: se isto ou aquilo.

Dizemos com frequência aos nossos interlocutores, no meio de uma discussão:


-Mas, afinal, é ou não é (branco, preto, verdade, mentira)?
-Se é, é; se não é! Deixa-te de meias-tintas!
-O que é, é; o que não é, não é! Ou é ou não é!
-Se é branco, não é preto! É verdade ou não é verdade?

Estas e outras expressões já feitas atestam que a possibilidade de entendimento humano implica
o respeito por algumas leis ou princípios mínimos e que o nosso discorrer racional não pode

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infringi-los, sob pena de contradição e até de incomunicação. Da análise desse procedimentos,
conclui-se, então que o pensamento correcto assenta em três princípios maiores.

Analisemos o seguinte texto:

«A lógica assenta-se em três princípios fundamentais, sem os quais não haveria pensamento
possível. Como todos os raciocínio se fundamentam nestes princípios, interessa falar deles.(...) A
lógica clássica formula-os em termos de «coisas», enquanto a lógica moderna e a logística os
exprimem em termos de proposições. Daremos as duas espécies de enunciados.»

1.Princípio de Identidade.
Enunciados do princípios de identidade:
I-Uma coisa é o que é;
II-O que é, é; e o que não é, não é.;
III-A é A (A designando qualquer objecto de pensamento).
IV-Uma proposição é equivalente a si mesma.

2.Príncipio de não contradição e a negação das proposições


I-Uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo, segundo uma mesma perspectiva. Não há
contradição quando a realidade de que falamos não é julgada, quer num instante, quer num mesmo
ponto de vista, mesmo quando se obtêm juízos que se opõem. Exemplo: «Estes camaleão é verde»
e cinco minutos mais tarde «este camaleão é castanho». Os dois juízos não são contraditórios,
visto que não se referem ao animal encarado num mesmo camaleão pôde mudar de cor, entretanto,
por mimetismo. Se dissermos «2x3=6» e «2x3 não são 6», há, evidentemente, contradição ou,
do outro modo, infringiu-se o princípio de contradição; com efeito, as duas proposições não são
encaradas segundo perspectivas diferentes e, além disso, o tempo não intervém no domínio das
matemáticas, pois estas são imutáveis.
II- Uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo (...)
III- Uma proposição e a sua negação não podem ser simultaneamente verdadeira (...)
IV- Duas preposições contraditórias não podem ser simultaneamente verdadeiras.

3.Princípio do meio excluído/ terceiro excluído e a negação dos conceitos


I- Uma coisa deve ser, ou então não ser; não há uma terceira possibilidade (o terceiro é excluído).
Em termos de proposições, temos os enunciados:
II -Uma proposição é verdadeira, ou então é falsa; não há outra possibilidade.
Introduzindo a negação:
III -Se encontramos uma proposição e a sua negação, uma é verdadeira e a outra é falsa, não há
meio-termo.
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Em termos de proposições contraditórias, temos:
IV -De duas proposições contraditórias, se uma é verdadeira, a outra é falsa, e se uma é falsa, a
outra é verdadeira, não há meio-termo.

Texto '' solidariedade dos três princípios''


«Numa lógica bivalente em que todo juízo é necessariamente verdadeiro ou falso, como a
lógica clássica e a logística sob sua forma habitual, os três princípios fundamentais da lógica são
estreitamente solidárias: não são verdadeiramente três princípios distintos mas três formulações
de uma mesma exigência.
Enunciamo-la sinteticamente deste modo:
Duas proposições contraditórias, quer dizer, que são a negociação uma da outra, não podem ser
nem ambas verdadeiras nem ambas falsas; se uma verdadeira, a outra é falsa, e reciprocamente, se
uma é falsa, a outra é verdadeira. Este principio único de três modalidades serve para garantir o
funcionamento do pensamento, o uso do verdadeiro e do falso, de modo que o edifício intelectual
que o pensamento que o pensamento engendra não se destrua a si mesmo. Noutro termos, estes
princípios garante a coerência do pensamento e impede-o de se contradizer. Diz-se de teoria que
é contraditória se ele a permite demonstrar simultaneamente uma proposição P e a sua negação
~P. Por meio de uma tal teoria, podemos demonstrar qualquer coisa. É absolutamente desprovida
de consistência e, por isso, inútil. Nela o próprio pensamento se destrói.
Nas formas extremas da lógica, como as lógicas trivalentes e a lógica probabilística, os
princípios de identidade e de contradição são dissociados do principio do meio excluído e este
deixa de se aplicável.»
Maurice Gex, Logique Formalle.

3. O conceito e o termo
Considerando os três grandes princípios, as leis maiores a que obedece todo o pensamento, todo
o discurso, todo o discurso racional, com este paragrafo, o estudo das operações do pensamento
e das regras a que aquelas se conformam.
Tradicionalmente, consideram-se três os principais domínios da Lógica: -a lógica do conceito; -
a lógica do juízo; e a lógica do raciocínio.
Em rigor, a lógica diz particularmente respeito ao raciocínio ou, como temos dito, ao discurso
correcto do pensamento no trânsito de umas proposições para outras. Mas, porque o raciocínio
pressupõe os juízos e estes os conceitos, importa dedicar-lhes alguma atenção antes de nos
debruçarmos sobre as inferências lógicas, em geral, e os raciocínios, em particular.

3.1. O que é um conceito.


No dia-a-dia usamos palavras como mesa, gato, homem, bom, beleza, etc. Ao uso linguístico de
cada um destes signos corresponde uma significação. A cada significado uma determinada
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realidade. Com cada uma destas palavras referimo-nos a objectos concretos e físicos, de que
possuímos até imagens, ou objectos ideias ou realidades abstractas de que temo alguma noção ou
ideia. Não significa isto que para cada objecto tenhamos uma palavra. Não temos termos
diferentes para cada uma das muitíssimas mesas que conhecemos. A todas elas damos o nome de
mesa. A todos os muitos gatos que já vimos (e de alguns recordamos ainda a imagem) aplicamos
o único termo gato.

Somos assim levados a admitir que a maior parte dos termos que utilizamos, são expressão
linguística de uma representação mental geral de objecto que tem determinada propriedades
comuns. Nem poderia ser de outra maneira. Se assim o nosso léxico já é tão grande, como seria
se para cada objecto concreto tivéssemos de usar termos distintos?

Mas entendamo-nos um pouco melhor.

De propósito, destacamos as palavras: signo, significado, imagem, ideia, realidade, etc. Todas elas
matem alguma relação com a palavra conceito, mas todas elas se devem distinguir.

Signo e significado pertencem ao domínio da linguística e não da lógica. O seu sentido foi tratado
antes. Não nos vamos ocupar dele. Relativamente à imagem, diremos que ela é apenas
representação particular e sensível deste ou daquele objecto, animal ou coisa, etc. Não se reveste,
por isso, de interesse para a Lógica.

As duas palavras que têm efectivo interesse para a Lógica são, então, o conceito e o termo.
Por vezes, opõe-se o conceito ao termo, tomando este como simples expressão daquele. A grande
maioria dos lógicos atribui, no entanto, ao termo um outro estatuto, introduzindo a distinção
entre termo metal e termo oral ou escrito.

Por termo mental entende-se o termo enquanto pensado; e neste sentido equivale ao conceito.
Por termo oral ou escrito entende-se a palavra falada ou escrita que exprime o conceito.

‘’O conceito ou ideia exprime-se na linguagem com a ajuda do termo, denominados por
certos lógicos termo oral para distinguir do termo mental que é o conceito.
O termo é um signo sensível e arbitrário das nossas ideias: os termos sugerem as ideias
implicadas de certa maneira nas imagens que eles evocam antes de mais.
É por intermédio dos termos orais que as ideia se podem comunicar de inteligência a
inteligência. Mas, antes de servirem deste modo, sob a forma de uma palavra exterior-termo oral-
, de veículo à transmissão do nosso pensamento, eles existem, antes de mais, sob a forma de uma
palavra interior- termo mental-signo pelos quais as nossas ideias se formam no universo mental.
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O conceito ou ideia chama-se também noção: parece que se emprega mais especificamente
esta palavra quando se quer fazer conhecer a outrem coisas novas por intermédio da linguagem.
Os termos orais têm, por sua vez, para sua expressão, os signos gráficos que podemos
chamar termos escritos.’’
Ande Hella –Précis de l’Argumentation. Paris, F. Nathan, p. 32.

Uma definição clássica diz que o conceito é representação universal de alguma coisa ou realidade,
dando aos termos coisa e realidade um sentido muito lato que não se restringe aos objectos físicos.

1- Diz-se representação porque, mediante o conceito, a razão tem, de alguma forma, presente
o que está ausente, o que não é ela.
2- Diz-se que essa representação é universal para distinguir da representação enigmática e
particular de objectos ou realidades singulares. Deste gato, desta mesa, etc., nós só temos
e só podemos ter uma imagem. Através dos nossos olhos, o nosso cérebro faz como que
uma fotografia de um dos objectos particulares e conserva-as.

Mas a nossa razão, ou intelecto, vai mais longe. Das muitas fotografias ou imagens dos objectos,
ela elabora como que uma cópia-modelo, desfazendo-se (diz-se abstraindo) das características
particulares individuais, para se ater apenas ao que é comum, ao que são características essenciais
dos objectos. A esta operação damos o nome de conceptualização por abstracção e ao seu produto
de conceito.

Obs: A definição de conceito como representação universal de algumas coisas ou realidades não
serve para definir os conceitos singulares ou mesmo particulares. Deste homem, do Pedro ou do
João eu não tenho obviamente uma representação universal, mas tão-só uma representação
singular. Mas também não tenho apenas uma imagem. Do Pedro ou do João eu tenho, de facto,
uma ideia ou conceito.

Se a maior parte dos conceitos que utilizamos resultam do referido processo de conceitualização
por abstracção, há, no entanto, muitos outros a que não correspondem objectos materiais alguns.
É o caso de conceitos tais como ‘’cinco, dez, maior, menor, fácil, difícil’’. Eu posso dizer a um
amigo ‘’ dá-me uma cadeira’’, ‘’aponta-me uma mesa’’, etc. Aos primeiros conceitos (mesa, casa,
cadeira), damos o nome de conceitos objectivos ou empíricos; aos segundos, o nome de conceitos
puros. Alguns autores chamam-lhes conceitos funcionais.

O carácter formal e abstracto dos conceitos puro é ainda mais notório.


O papel deste conceito é indispensável e decisivo para o entendimento da realidade e para a
produção do discurso sobre a realidade. Sem esses conceitos, que poderemos nos dizer? Não

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produzimos enunciado algum em que não aparece pelo menos um desses conceitos, sejam eles
advérbios, pronomes, verbos, etc. é por seu intermédio que pensamos, e exprimimos a (não)
existência da realidade, a relação, a quantidade, a qualidade, etc.

PROPOSTA DE TRABALHO.
Nas frases que se seguem, sublinha os conceitos objectivos ou empíricos e os funcionais ou puros.
1. O muro é mais baixo do que a sebe;
2. 5 é maior do que quatro;
3. O triângulo mede 180º;
4. O tempo está chuvoso;
5. Todos os homens são mortais.
3.2. Classificação do Conceito

CRITÉRIOS CLASSES CARACTERIZAÇÃO EXEMPLOS


Simples Que não tem (não pode ter) partes Ser (a ideia de)
A Compostos Que são disponíveis/divisíveis Homem, animal, planta
Segundo a COMPREENSÃO
Concretos Aplicáveis a sujeitos ou objectos Cão, gato, caderno
B Abstractos Aplicáveis a qualidades, acções ou estado
Beleza, amizade, alegria
Universais Aplicáveis a todos elementos de uma classe Homem, círculo, mesa
Particulares Aplicáveis apenas a parte de uma classe Alguns homens, estes livros
Segundo a EXTENSÃO
Singulares Aplicáveis apenas a um indivíduo Pedro, António, este carro
Ser/não ser. Branco/não
Segundo a Contraditórios Oposição e exclusão mútua branco
RELAÇÃO MÚTUA Contrários Oposição sem exclusão mutua Branco/preto; alto/baixo
Relativos Um não é sem o outro (implicação mutua) Pai/filho; direita/esquerda
Unívocos
Atribuem-se de modo idêntico a objectos Homem(Pedro ou Joana)
Segundo o diversos
MODO Equívocos Aplicam-se a sujeitos diversos em sentido Cão (dito do animal)
DE SIGNIFICAÇÃO totalmente distinto Cão (dito da constelação)
Saudável (aplicável ao
Aplicáveis a realidades diversas num corpo);
Análogos sentido que não é totalmente idêntico Saudável (aplicado ao
nem totalmente distinto. alimento)
A Quando representam com perfeição o Felino (a propósito do
Segundo a Adequado objecto tigre)
PERFEIÇÃO COM QUE Inadequado Quando representa incompatibilidade o Ave (a propósito do
REPRESENTAM O objecto morcego)
OBJECTO B Claros Quando suficientes para fazer reconhecer o objecto
Obscuros Quando insuficientes para fazer conhecer o objecto
C Distintos Quando permitem distinguir bem o objecto de outros
Confusos Quando não permitem distinguir suficientemente um objecto de outro

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3.3. Compreensão e Extensão

Em todos os conceitos podemos distinguir a sua compreensão e a sua extensão.

1. Compreensão – como se disse, na conceptualização, a razão, ou intelecto, abstrai das notas particulares de cada
objecto concreto e retém tão-só as notas constitutivas comuns dos múltiplos objectos a que o conceito se aplica.
Às notas comuns e constitutivas dos objectos a que convém o conceito chamamos, então, a compreensão do
conceito.

2. Extensão – o conceito vale e representa todos e cada um dos objectos do seu grupo de pertença. À totalidade
de objecto a que se aplica chamamos, então, a extensão do conceito. O conceito de cavalo estende-se a todos e a
cada um dos animais ditos cavalos.

Consideramos o conceito ser humano.

A sua extensão inclui todos os homens e mulheres que existiram, existem e existirão. A sua compreensão diz
respeito àquelas características que fazem dos homens e das mulheres seres humanos. Responder à questão de
saber quais são essas características é difícil. É mais fácil responder pela negativa. Não é a cor da pele ou dos
olhos, a altura, a cultura, a força, a religião. Etc.

Talvez possamos dizer que são características constitutivas universais do ser humano a corporeidade (o ter corpo),
a vida, a sensibilidade e a razão.

Há uma relação inversa entre compreensão e extensão de um conceito. Quanto maior é a compreensão de um
conceito, menor é a sua extensão, e reciprocamente. O conceito animal, por exemplo, é mais extenso do que o
conceito ser humano, mas tem, no entanto, menos compreensão do que esse. É que às notas corporeidade, vida,
sensibilidade, etc., que são comuns ao ser humano e ao animal, há que acrescentar as notas racionalidade, liberdade,
etc., que convêm ao ser humano.

PROPOSTA DE TRABALHO

1. Dispõe, por ordem crescente de compreensão, os seguintes conceitos:


a) Automóvel, veículos, Mercedes 190D, meio de transporte, viatura;
b) Publicação, jornal, diário, PÚBLICO, periódico.
c) T3, quatro, habitação, casa, apartamento.
II. Dispõe, por ordem crescente de extensão, os seguintes conceito:
a) Satélite, terra, corpo celeste, astro, sem luz própria, planeta;
b) Napoleão, francês, imperador
c) Vertebrado, mamífero, animal, cadela, canino, Laica.

4. Definição.

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Todos nós experimentamos já grandes dificuldades em definir certos conceitos e noções pertencentes às
disciplinas escolares. Somos, muitas vezes, levados a dizer como Santo Agostinho disse a propósito de tempo: se
ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei (Confissões, Livro XI,
14)
Mais prosaicamente dizemos: Eu sei, mas não sei dizer. Tenho uma ideia disso, mas não sei explicar.

4.1.Significado e importância da definição


A definição é uma das operações fundamentais do pensamento e um instrumento indispensável na organização
dos saberes.

Assume importância determinante na sistematização do conhecimento, em geral, e na produção do conhecimento


cientifico e filosófico, em particular.

O rigor científico depende, em boa parte, do rigor dos conceitos utilizados e das definições que produzem com
precisão esses conceitos.

A necessidade da definição rigorosa dos termos e dos conceitos a utilizar num determinado domínio científico é
uma das principais exigências de qualquer trabalho de investigação ou de qualquer publicação científica.

Quem pretende investigar um determinado domínio científico, aquele que deseja sustentar uma determinada tese,
todo aquele que procura desenvolver um determinado tema-problema deve começar por clarificar muito bem o
significado dos principais conceitos que vai utilizar. Se assim proceder, arrisca-se a que a sua comunicação não
seja entendida, que possa ser mal interpretada ou, até mesmo, deturpada.

4.2. Como se define um conceito


Feitas estas observações preliminares, tendentes a mostrar o significado e a importância da definição, situemo-nos
agora nas exigências que essa operação comporta.
O problema preocupou já Sócrates e Platão, para quem a definição de um conceito implicava a divisão das
realidades em função das respectivas propriedades essenciais. De resto, definir provem do termo latino, definitio,
vocábulo que inclui o termo finis que significa limite e fronteira. Nesse sentido, definir significa demarcar,
delimitar fronteiras de um conceito relativamente a outros.

‘’ Definir é delimitar. Poder-se-ia assim crer que a definição diz respeito à extensão dos conceitos. E é verdade,
mas isso é secundário. Uma vez que a extensão depende da compreensão, a definição depende, antes de mais. Mais
ela consiste em delimitar com exactidão a compreensão dum conceito, a fim de o distinguir dos outros.’’

Para filosofia tradicional, definir um conceito era situa-lo na classe a que pertencia e ao nível hierárquico
corresponde. A fórmula tradicional mais consagrada dizia que a ‘’ definição se faz pelo género próximo e pela
diferença especifica.’’ Assim, supondo que poderíamos ordenar a realidade como consta da Árvore de Porfírio.
O homem é um animal (género mais próximo) racional (diferença especifica);
O animal é um vivente (género mais próximo) sensitivo (diferença especifica);
O vivente é o corpo animado ou orgânico; e assim sucessivamente.

14
Importa, no entanto, dizer que este modo de definir se revela bastante limitado, frequentemente impraticável,
porquanto só raramente podemos classificar a hierarquizar com rigor a realidade. Ele propõe um critério que,
sendo valido, só pontualmente pode pôr-se em prática. É o caso, por exemplo, da Biologia, quando se trata de
taxionomias.

Mas há outro domínio em que assim se procede, até por necessidade pedagógica-didatica. Preferimos, por
exemplo, dizer: quadrilátero é um polígono (género próximo) de quatro lados (diferença especifica), em vez de
quadrilátero é uma figura geométrica (género muito distante) de quatro lados.

Nas práticas científicas recorre-se preferencialmente a outros tipos e subtipos de definições. As mais frequentes
são as definições reais nas suas modalidades físicas e descritivas. Subsidiariamente também se recorre as definições
causais e nominais. Merecem um tratamento particular as definições operacionais.

4.3. Tipos e subtipos de definições


TIPOS SUBTIPOS CARACTERIZAÇÃO OBSERVAÇÕES
Essencial ou Segundo as notas essenciais; genro próximo e diferença específica.
metafísica Ex: o homem é uma animal racional Intrínseca análoga
Mediante as propriedade externas das coisas a definir (propriedade
=notas essenciais). Intrínseca frequente em
Física ciências
Ex. Prótidos - compostos quaternários em cuja constituição entram
4 tipos de átomos deferentes: carbonos, oxigénio, hidrogénio e
Real azoto.
Mediante a descriminação de características físicas
Descritiva Ex.: Nucleo-região central do átomo, muito pequena, de cerca de
10ˉ¹° a 10¹m de raio, onde esta centrada a massa do átomo e onde Frequência m ciências
se encontram as partículas elementares da carga positiva.
Segundo a forma como foi produzido ou donde resulta
Genética Ex.: o macho é o resultado do cruzamento do cavalo com a burra
Extrínseca
Genética e Segundo a finalidade (objecto feito por…) Acessória
Causal Final Ex. Balança – aparelho que serve par a avaliar a massa de um corpo.
Ilustrativa
Complementar
Segundo o agente produtor (objecto feito por) ex. a corrente
eléctrica resulta do movimento ordenado dos electrões livres do
Insuficiente
Eficiente
metal, em sentido inverso ao convencional.
Segundo o étimo original da língua primitiva; não define Exploratório
Nominal Etimologia propriamente o conceito; apenas precisa o sentido do termo
utilizado. Ex. A democracia é o governo do (pelo) povo.
A filosofia é amor do (pelo) saber Aproximativa
Mediante um termo sinónimo mais conhecido
Sinonímica Ex. Um trilátero é um triângulo Linguística

Segundo as regras e/ou as operações que define o conceito. Característica das


Ex. Caloria é a quantidade de calor necessário para elevar a
temperatura de um grama de água liquida de 145º para ciências
Operacional Operacional 15,5º(centigrado).
Ex. Metro é igual à décima milionésima parte do quarto do Rigorosa técnica
meridiano terrestre.

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Obs: a melhor definição, aquela que, em rigor, é uma definição, é a definição real: em primeiro lugar, a essencial, a que mais convinha
à metafísica; em segundo lugar, a descritiva, aquele que as ciências privilegiam, quando têm de oferecer uma definição por
classificação.
Hoje, as ciências recorrem perfeitamente às definições operatórias.

4.4. Regras da definição


A- Regras Gerais.
É frequente incorrer-se em alguns erros quando se procura definir um conceito. Embora não seja possível fornecer
todas as regras a que deve obedecer uma definição, eis algumas das mais importantes:

1ºO termo do conceito a definir não pode entrar no corpo da definição; Também não se pode recorrer a palavras
da mesma família.
2ºA definição tem de ser mais clara do que o definido.
3ºA definição deve convir inteiramente a todo o definido, mas não mais (totó et soli definitivo).
4ºA forma da definição não deve ser negativa. Não deve limitar-se a forma do tipo: x (definido) não é…A
definição negativa pode prestar informações complementares, mas nunca é uma definição.
5ºA definição deve ser tão breve quanto possível, sem prejudicar, no entanto, a compreensão necessária do
conceito.

B - Regras Especificas.
Definição dos conceitos científicos deve conformar-se a algumas regras específicas. Propõe-se que se acrescentem,
às regras gerais, algumas das regras específicas a que deve conformar-se a definição dos conceitos científicos.
Para o efeito, deverão ler-se primeiramente os dois textos que se seguem ao presente quadro. Redigir-se-ão, depois,
três ou quatro regras deduzidas da leitura dos textos.
6º_______________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
7º_______________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
8º_______________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
OBS: na definição devem evitar-se termos muito vagos e genérico do tipo ser, realidade, substância, coisa, objecto,
em conformidade com a regra que diz que a definição se faz pelo género próximo e não por um género afastado
ou último.

Texto 1
‘’ Qualquer proposição faz parte de uma teoria está composta de termos ou vocábulos que formam a
proposição. (…) O risco de uso nos vocábulos de trabalho cientifico consiste na multiplicidade de significado
que os termos costumam ter me diferentes contexto de comunicação. Portanto, o primeiro trabalho para a
formulação de preposições teóricas consiste na definição validas, operativa e fidedigna dos termos.
Definir validamente um termo que r dizer indicar a classe geral e a subclasse de fenómeno a que esse
termo efectivamente pertence. Tanto a classe como a subclasse devem ser o mais próximas e relacionadas com o
significado em que o termo esta sendo usado. Por exemplo, dizer que a comunidade é um agregado de pessoas é
limitar-se à classe mais geral e mais remota. Se dizemos que ‘comunidade é um conjunto de seres humanos ligados

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por um objecto comum’, já enunciamos a classe geral, ‘agregado de gente’, e a subclasse, ‘ligados’ por um objectivo
comum’, em que podemos coloca-la.
Mas toda a definição científica deve ter, alem disso, a tríplice característica: ser empírica, ou seja, verificável
pela experiencia, não ser descritiva por meio de termos não observáveis, com o que cai fora da investigação
empírica; dentro do possível, deve ser operacional: operatividade é a qualidade de uma definição pelo qual, é
dentro dela, exprimimos a operação através do qual se chega a determinar empiricamente o objectivo de que
estamos a falar; fidedigna quer dizer que a definição seja formulada de modos que, dadas as condições nelas
expostas, qualquer investigador possa distinguir o objectivo definido dos demais objectivos. Definir, por exemplo,
um estudante, com a pessoa que deseja saber ao introduzir na definição a palavra «desejas» remetemo-nos para
um terreno impossível de observar se não for por meio de dedução, mais ou menos incertas, se, pelo contrario,
define a estudante como sendo a pessoa que foi inscrita numa universidade ou colégio reconhecido, para apresentar
5 cadeira no fim de um semestre, dentro de um curso académico que parece um documento dessa instituição,
todos e cada um dos termos são verificáveis e, portanto, compreensíveis, e ao mesmo tempo exprimo operação
por meio da qual o estudante propriamente dito é constituído como tal, a saber, a sua inscrição para fazer
determinado numero de disciplinas numa instituição reconhecida. Tal descrição pode ser manuseada por qualquer
investigador.’’
F.Pardinas- Metodologia y Tecnicas de Investigacion em Ciencias Sociales. Madrid, Siglo XXI, 1976, pp. 41-42.te

TEXTO 2

‘’ Só recentemente, por obra de Einstein, e mais explicitamente


de Heisenberg, a positividade da ciência se traduz na
operatividade dos conceitos científicos, segundo a qual um conceito não tem direito de cidadania em ciências se
não for definido mediante uma serie de operações físicas, experiencias e medidas ao menos idealmente possíveis.
Tal precisão permite, por um lado, reconhecer claramente a não positividade de conceitos como os de espaço e
de tempo absolutos e, por outro lado, admitir como positivos elementos não efectivamente experimentáveis,
quando a não experimentalidade é devida à impossibilidade prática e não teórica, como a noção de ciclo
perfeitamente reversível a toda astrofísica.
Tal previsão, alem disso, permite compreender também a positividade da matemática significa que as suas noções
são implicitamente definidas pelo conjunto de axiomas e postulados formulados na sua base e, segundo os quais,
as noções são utilizáveis.’’
F. Selvaggi – Enciclopédia Filosófica, Vol. 4, Roma, 1957, pp. 444-445.

PROPOSTA DE TRABALHO.
Exercício nº01
Para cada um dos conceitos abaixo definidos, oferecem-se quatro definições distintas:
a) Seleccione a que mais convêm em função da matéria, dos tipos e das regras da definição;
b) Classifique cada uma das definições em função dos vários tipos de definição aprendidos;
c) Discuta a validade e correcção de cada uma das definições dadas em função das regras de definição.
DEFINIÇÕES TIPOS
1.a) A lógica trata dos princípios de inferências validas;
b) A lógica versa sobre a arte de pensar;
c) A lógica é a arte que foi inventada por Aristóteles;
d) A lógica é a ciência que investiga os princípios, as modalidades e as regras formais do pensamento.
2.a) O triângulo é uma figura geométrica trilátera
b) O triângulo tem três ângulos.

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c) Chama-se triângulo à intercepção dos três semiplanos, cujas origens são rectas definidas
por aqueles pontos dois a dois que contem o outro ponto.
d) O triângulo tem três lados e três ângulos;
3.a) Chama-se ângulo raso a cada um dos semiplanos, cuja origem é a recta formada por duas semi-rectas opostas.
b) O ângulo raso é o que é igual ao dobro de um ângulo recto.
c) O ângulo raso é o que não é recto, nem agudo, nem obtuso.
d) O ângulo raso são dois ângulos rectos juntos.
4.a) O bronze é uma liga de cobre, estanho e zinco;
b) O bronze é feito de cobre e zinco;
c) O bronze não é só zinco, nem só estanho.
d) O bronze é uma liga bastante dura de que são feitos os sinos e canhões.

6. O JUÍZO E A PREPOSIÇÃO

5.1.A natureza do Juízo e da Preposição

O termo está para o conceito como a preposição está para o juízo. Assim como o termo não pode ser reduzido a
simples expressão do conceito, também a preposição não pode ser reduzida a puro instrumento expressivo do
juízo.
O juízo, tal como foi definido por Aristóteles e ainda hoje é entendido em lógica, é uma operação racional que
consiste em afirmar ou negar alguma coisa de outra. É constituído habitualmente por três elementos: dois
conceitos ou ideias de uma afirmação. Ex: A mesa é redonda.
- O conceito ( mesa ) do qual se afirma ou nega alguma coisa chama-se sujeito.
- O que se afirma ou nega do sujeito (redonda) chama-se predicado (ou atributo).
- A afirmação ou negação que consiste na atribuição ou não atribuição do predicado ao sujeito, levada a cabo pelo
verbo, chama-se cópula.

É verdade que existem alguns juízos constituídos apenas por dois elementos. Assim, João estuda e Deus existe são também considerados
juízos equivalentes a formulação do tipo João é estudante ou Deus é um Existente.

A natureza do juízo é complexa. Múltiplas são as definições que dela se dão. Diversas são as disciplinas que o
estudam.

O juízo reveste-se de interesse particular para a Psicologia, por se tratar de um acto (comportamento) mental, de
uma actividade psíquica.

O juízo interessa, ao menos indirectamente, à Linguística, na medida em que se encontra na origem dos enunciados
sobre que recai a análise linguística.

O juízo interessa à Teoria do Conhecimento, por se tratar também de um acto cognoscitivo.

Por fim o juízo interessa naturalmente à Lógica, por se tratar de uma operação racional-discursiva que se traduz
num enunciado ou proposição que, considerado em si mesmo como pensamento expresso, constitui objecto de
análise lógica.

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É já num sentido distinto que o juízo merece ainda a atenção da Moral e do Direito por se tratar de um acto por
meio do qual formamos uma apreciação em função de valores éticos ou legais. De resto, o significado primitivo
de juízo parece ser o de julgamento: sentença proferida pelo juiz em tribunal.

5.2. Classificação do Juízo

CRITÉRIOS CLASSE CARACTERIZAÇÃO EXEMPLOS


Segundo a Afirmativos Quando se estabelece uma relação afirmativa Os angolanos são africanos
Qualidade entre sujeito e predicado Ontem choveu
Quando se estabelece uma relação negativa Os chineses não são europeus
Negativos entre sujeito e predicado Os americanos não são europeus
Universais Quando o conceito-sujeito é usado em toda sua Todos os cidadão tem direito
Segundo a extensão politico
Todos os homens são livres
Quantidade Alguns africanos são brancos
Particulares Quando o conceito-sujeito é limitado na sua
extensão Certos políticos são honestos
Singulares Quando o conceito-sujeito esta reduzido a um Pedro é um excelente atleta
individuo (com nome próprio ou…) Este cão não tem dono
Segundo a Quando o predicado esta compreendido no O triângulo tem três ângulos
Não inclusão Analíticos sujeito (se acha na analise do sujeito) O todo é maior que a parte
do predicado no Sintéticos Quando o predicado não esta contido na noção Os italianos são românticos
sujeito de sujeito. Os americanos são altos
Segundo a a priori Cuja verdade pode ser conhecida O todo é maior que a parte
(in)dependência independentemente da experiência O triângulo tem três lados
a posteriori Cuja verdade só pode ser conhecida através da Os brasileiros são apreciadores de café
da experiência experiencia. Os coreanos são baixos.
Categóricos Quando há afirmação ou negação sem reservas, O homem é mortal
Segunda a sem condições Os angolanos são africanos
Se chover, não vou
Relação ou Hipotéticos Quando há afirmação ou negação sob
condições (condicional) Se não vieres, também não vou
Condição Disjuntivos Quando a afirmação de um predicado exclui Pedro estuda ou vê televisão
outros (incompatibilidade) João lê ou dorme
Assertórios Quando anunciam uma verdade de facto, Nagrelha é um bom músico.
Segundo embora não necessária logicamente
Problemáticos Quando enunciam uma possibilidade Os angolanos são provavelmente
a bons dançarinos de Kizomba
Modalidade Apodícticos Quando necessariamente verdadeiros Recta é a distância mais curta entre
dois pontos
Segundo Necessários Quando o predicado convêm e não pode convir O círculo é redondo
a ao sujeito A matéria é extensa
Agora está a chover;
Matéria Quando o predicado convém de facto ao Paulo aprovou com distinção no
Contingentes
sujeito, mas poderia, também, não convir exame
Possíveis Quando o predicado não convém ao sujeito, Pedro não aprovou no exame
mas pode convir. Ontem não choveu
Impossíveis Quando o predicado não pode convir mesmo O círculo é quadrado
ao sujeito. O triângulo é quadrilátero

7. Interferências
É com o estudo da inferência que entramos, em rigor, no domínio da lógica ou do discurso racional. Alguns
autores, como W. Kneale, define a lógica exactamente como a ciência que ‘’trata dos princípios das inferências
válidas.’’

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Inferir consiste em extrair uma ou várias proposições novas, portanto não conhecidas antes, de uma ou várias
proposições já conhecidas.
As primeiras damos o nome de conclusões, às segundas o nome de premissas.
Entre os diversos tipos de inferências distingue-se normalmente dois grupos maiores:
1. Inferência simples - aquelas que têm lugar a partir de uma única proposição, também ditas imediatas, por
não haver necessidade de intervenção de uma terceira.
2. Inferências complexas – aquelas que tem lugar a partir de duas ou mais proposição, também ditas
mediatas, por nelas se inferir por intermédio de outras proposições.

1.1.Oposição
1.Simples ou imediatas 1.2.Conversão
1.3.Outras
INFERÊNCIAS
2.1.Dedução ou racionais dedutivos
2.Complexas ou mediáticas 2.2.Indução ou raciocínio indutivo
(Racionais) 2.3.Sofismas
2.4.Paralogismo

6.1. Interferência Simple ou imediatas


De entre várias formas de inferências simples iremos analisar:
1. O quadrado lógico da oposição entre proposições;
2. A inferência por conversão de proposições.

A) o quadrado lógico da oposição entre proposições.

A combinação das proposições segundo a quantidade (universais ou particulares) e a qualidade (afirmativas ou


negativas) dá lugar a quatro modalidades ou tipos distintos de proposições cujas relações de oposição são de
quatro géneros distintos.
As letras A,E,I,O, as primeiras quatro vogais, são os signo tradicionalmente utilizados para designar e/ou
substituir cada uma delas.

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Da análise comparativa das relações de oposição assinaladas no quadro inferem-se diversos tipo de graus de
oposição.

1.A oposição é maior, total e completa, entre as proposições contraditórias A e O por um lado, e E e I, por
outro. Há uma oposição em quantidade e qualidade. São proposições completamente inconciliáveis. Não podem
ser ambas verdadeiras, nem ambas falsas ao mesmo tempo. Trata-se da maior oposição possível entre proposições.
2.A oposição é grande entre as proporções contrárias. Opõem-se em qualidade ainda que
3.não em quantidade. As duas não podem ser ao mesmo tempo verdadeiras, podendo, no entanto, ser as duas
falsas, se a(s) verdadeira(s) for(em) I ou O.
4.A oposição é ainda grande entre as proporções subcontrarias. Opõem-se em qualidade, ainda que não em
quantidade. As duas podem ser ao mesmo tempo verdadeiras, mais não podem ser ao mesmo tempo falsas.
5.A oposição menor é a que se infere da oposição entre as proposições subalternas. Se A é verdadeira, infere-
se que I também o será necessariamente, mas de facto de I ser verdadeira não se infere que A seja verdadeira.
De igual modo, se E for verdadeira, infere-se que O também o será, mas não o contrário.

PROPOSTA DE TRABALHO

Reconhecendo a metodologia utilizada no cálculo proporcional para a interferência correcta entre proporções,
propõe-se um exercício de interferência que consiste em completar o quadro que se segue com as inferências ainda
não realizadas.

AV- significa e lê-se: A proposição A é verdadeira (V).


EF- significa e lê-se: proposição E é falsa (F).
I - significa impossibilidade de interferência da verdade ou falsidade a partir da proposição conhecida

A E I O
V F V F
AV F F V
EV
? F V ?
IV
Infere-se F ? V
OV
De A F F ? V

EF ? F V ?
IF V F V
OF V F V

B) Interferência por conversão

Uma outra ária clássica de investigação lógica é a da inferência válida entre proposição por conversão dos seus
termos, ou seja por transposição d predicado para o lugar do sujeito, e do sujeito para o lugar do predicado. Por
outras palavras, a conversão consiste em interferir ou deduzir uma proporção de outra, transpondo-lhe os termos.
Assim, em vez de S e P teriam P e S.

21
Pergunta-se: - Em caso que é possível a conversão?

- Sob que condições?


- Em obediência a que regra?
Eis o que nos propomos indagar de imediato.
Para o efeito, retomaremos os quatro tipos de proposições constantes do “quadrado lógico”: as modalidades A,
E, I e O.

PROPOSTA DE TRABALHO

Sugere-se um trabalho por grupo para completar com as interferências/conversões validas assinalada com X nos
quatro quadros que se seguem.

Numa primeira fase, cada grupo procurará chegar a um acordo quanto ás conversões/interferência validas, sem
consultar as regras de inferência que se encontrão na pagina seguinte.
Numa segunda faz, cada grupo avaliará da correcção das suas respostas pelo conforto com as regras de conversão.
Numa terceira fase, já em grande grupo (toda turma), poder-se-á proceder a uma troca das conclusões, com
esclarecimento mútuo das dúvidas.

1º HIPOTESE DE INFERENCIA/CONVERSÃO VÁLIDA


-Quer dizer da preposição 1 nas proposições 1a, 1b, 1c, 1d?
-Qual das proposições 1a, 1b, 1c, 1d é (são) interferências validas da preposição 1?

V F
1 – Todos os zambianos são africanos . Tipo A x
1a- Todos os africanos são zambianos
1b- alguns africanos são zambianos
1c- alguns africanos não são zambianos
1d-Nenhum, africano é zambiano

2.HIPOTESE DE INFERENCIA/CONVERSÃO VÁLIDA


-Que dizer conversão da proposição 2 nas proposições 2a, 2b, 2c, 2d?
-Qual das proposições 2a, 2b, 2c, 2d é (são) inferências validas da proposição 2?

V F
2 – Nenhum americano é africano. Tipo E x
2a- Nenhum africano é americano
2b- Alguns africanos não são americanos
2c- Alguns africanos são americanos
2d-Todos os africanos são americanos

REGRA DE INFERENCIA POR CONVERSÃO.

Regra Geral.

22
A proposição não deve afirmar mais na forma invertida do que na forma primitiva; e, portanto, nenhum delas
deve ter maior extensão do que tinha antes.

Regra Particulares.
1.De uma proposição universal afirmativa (A) apenas se pode inferir uma proposição particular afirmativa. Ex:
Todo o homem é vertebrado converte-se em Algum vertebrado é homem.
2.A proposição particular afirmativa (I) converte-se em sem mudança; ou seja, é recíproca.
Ex: Alguns homens são sábios converte-se em alguns sábios são homens.
3.As preposições universais negativas (E) são igualmente recíprocas.
Ex: Nenhum africano é americano converte-se em nenhum americano é africano.
4.Duma proposição particular negativa (o) nada se pode concluir ou inferir por conversão.
Ex. de alguns homens não são médicos não se infere alguns médicos não são homens

INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR

Funções elementares da lógica proposicional

1. OBJECTOS

A lógica proposicional, o próprio nome indica, tem como objectivo, tem como objectivo de estudo as proposições:
tornando as como um todo, sem analisar nos seus elementos constituintes (todas elas ou são verdadeiras ou são
falsas)

Por esta razão, as únicas proposições que podem ser estudadas em lógica proposicional são os enunciados
afirmativos ou apofânticos – aqueles em que se descrevem estados de coisas.

Ficam de fora as proposições ou enunciados interrogativos, imperativos e exclamativos, justamente por deles se
poder dizer que são verdadeiros ou falsos.

2. PROPOSIÇÕES

As proposições estudadas ou são simples (e dizem-se atómicas) u são complexas (e dizem-se moleculares).

As proposições compostas ou moleculares, por oposição às proporções simples ou anatómicas:

a) São enunciados compostos por duas ou mais proporções simples articuladas entre si em unidade
de sentido;
b) Requerem uma pluralidade de predicados (pelo menos dois);
c) Resultam da pluralidade de relações entre as coisas (ou estado de coisas) ou de relações lógica;
d) Sendo a articulação assegurada por aquilo que se chama conectores.

3. SIMBOLIZAÇÃO

A linguagem formal da lógica proposicional recorrente às seguintes simbolização:

23
- As proposições atómicas são substituídas por um símbolo ou variáveis proporcionais tais como: p, q, r, s, etc.

-os conectores da linguagem corrente são assim substituído:

1º. O não (o negador) é simbolizado por ~I. Assim: ~p lê-se não p.


2º. O e (o conjutor) é simbolizado por ^. Assim p^q lê-se p e q.
3º. O ou (o disjuntor não exclusivo) é simbolizado por ˇ. Assim: p ˇ q lê-se p ou q.
4º. O se (o condicional ou implicador) é simbolizado por =>. Assim: p => q lê-se se p então ou quando p e então q-
5º. O se e só se (o bicondicional) é simbolizado por <=>. Assim: p <=> q lê-se p se e só se q.
6º. O ou… ou (o disjuntor exclusivo) por ˇ. Assim: p ˇ q lê-se ou p ou q.

4. INFERÊNCIA E CÁLCULOS PROPOSICIONAL


Inferência em proposição composta põe analise de proporção simples.

É a combinação das proposições simples nas compostas que se reveste de interesse particular para a lógica
proporcional. A verdade da proposição composta depende do nexo das proposições simples que a compõem,
naturalmente também, a verdade ou falsidade destas.

Pergunta-se: - Como se pode reconhecer a verdade ou a falsidade de uma proposição molecular?

Dito de outra maneira: - Como saber se uma proporção molecular resultante da articulação atómica é verdadeira
ou falsa?

- Como calcular o valor de verdade ou falsidade das proposições moleculares?

O estudo da lógica proposicional concretiza-se nos cálculos dos valores ou falsidade das proposições compostas
por análise das proposições simples.

Só a partir das diversas articulações possíveis das proposições entre si se pode inferir e calcular a verdade das
proposições conectadas. Vides tábua de verdade.

5. AS TÁBUAS DE VERDADE

A verdade das proposições compostas depende do nexo entre as proposições simples constituintes e da verdade
destas. A lógica proposicional, mediante as “tábuas de verdade”, determina mecanicamente a verdade ou falsidade
das proposições compostas, segundo a combinação dos valores de verdade ou falsidade das proposições, segundo
a combinação dos valores da verdade ou falsidade das proposições atómicas. São possíveis diversos casos,
correspondendo a cada um uma diferente tábua de verdade.

Propositadamente não concluímos algumas inferências. Propomos que se completem as frases.

5.1. Tábua de verdade do negador

P ~p

24
Seja V F a proposição Pedro dorme (P) e a sua negação Pedro não dorme (~p)
F V - Se p é verdadeira, ~p será necessariamente falsa.

- Se p é falsa, ~p será necessariamente verdadeira.

5.2.Tabua de verdade do conjuntos. Ex: João corre e salta (p^q)

pq p^q Sejam as duas proposições atómica João corre (p) e João salta (q)

VV V Se p e q são verdadeiras, a proposição p^q será também necessariamente verdadeira


VF F De p verdadeira e q falsa infere-se p^q será___________________________________
FV F De p falsa e q verdadeira infere-se p^q será falsa.
FF F De____________________________________________________________________

5.3. Tábua de verdade do disjuntor (não exclusivo) uma coisa ou outra; ou ambasEx. João come ou lê

pq Pvq Sejam as duas proposições atomica João corre (p) e João salta (q)
VV V Se p e q sao verdadeiras, a proposição pvq será tambem necessariamente verdadeira
VF V De p verdadeira e q falsa infere-se pvq será verdadeira.
FV V
FF F

5.4. Tábua de verdade do Condicional ou implicador. Ex. Se hoje chover, eu vou

pq P=»q Sejam as duas proposições atómica Hoje chove(p) e Eu vou (q)

V V Se p e q são verdadeiras, a proposição p=»q será também necessariamente verdadeira


V
VF F De p verdadeira e q falsa infere-se p=»q será falsa

FV V
FF V

5.5. Tábua de verdade bicondicional. Ex. Eu só vou se e só se chover.

pq p^q Sejam as duas proposições atómica Eu vou (p) e Chove (q)

V V Se p e q são verdadeiras, a proposição p«=»q será também necessariamente verdadeira


V
VF F De p verdadeira e q falsa infere-se p«=»q será falsa

FV F
FF F

5.6.Tabua de verdade do disjuntor (exclusivo) uma coisa ou outra: nunca as duas. Ex: João come ou dorme

pq pvq Sejam as duas proposições atómica João come (p) e João dorme (q)

25
V F Se p e q são verdadeiras, a proposição pvq será também necessariamente verdadeira
V
VF V De p verdadeira e q falsa infere-se pvq será verdadeira

FV V
FF F
TEXTO

A lógica simbólica

‘ Na lógica contemporânea todas estas locuções (da linguagem natural) são substituídas por símbolos, pois a
lógica contemporânea, alem de formal como a lógica clássica, é sistematicamente simbólica.

O simbolismo tem interesse lógico na medida em que se liga à criação duma língua artificial, com as propriedades
seguintes:

a) Esta «linguagem», um sistema de sinais escritos, de caracteres , não tem nenhuma relação com a linguagem
fonética, não exige tradução numa língua natural, em que há sempre um risco de a trair.
b) Escrita ideográfica (não fonética)-se a escolha dos sinais que representam as ideias é mais ou menos
arbitraria, subordinando-se apenas às exigências da comodidade e clareza, é, porem muito restrita a
liberdade de na escolha das ideias que convem representar pelos sinais.
c) Carácter essencial: substituição da forma gramatical pela forma lógica. Ainda que as formas gramaticais
usuais não sejam interiormente ilógicas, elas não só variam segundo a diversidade das línguas, como, numa
língua, sofrem só variam segundo a diversidades das línguas, como numa mesma língua, sofrem
irregularidades, algumas das quais se expõem a confusões: quer porque uma pluralidade de formas
gramaticais mascara a identidade duma mesma função lógica, quer porque, inversamente, a identidade
duma mesma forma gramatical convida a confundir funções lógicas diferentes. Estas discordâncias
incitam uma lógica que se quer formal a substituir a sintaxe das línguas naturais por uma sintaxe em que
a forma das expressões simbólica exactamente a forma lógica.
(...) «Um homem é o autor do seu destino»: eis uma proposição cuja forma gramatical é sensivelmente diferente
do nosso silogismo anterior: «todo o homem é mortal». O sujeito é determinado enquanto o predicado não é um
adjectivo mas uma certa combinação de substantivo (...) A escrita simbólica da lógica dará (...): (x). F (x) g (x),
que se pode ler: qualquer que seja x, se x é f (homem), então x é g (mortal ou autor só seu destino).~

Vejamos um raciocínio com a mesma forma gramatical do anterior, e que poderá parecer, por isso, valido, mas
no qual, contudo, reconhecemos um sofisma:

-Um homem é o auto do Ilíacas.


-Sócrates é um homem.
-Então Sócrates é o autor da Ilíacos.
Com a escrita simbólica aparece a diferença na forma lógica: (x), f (x), isto é: existe um tal x, tal que é o mesmo
tempo f(homem) e g (autor da Ilíada).
R. Blanché-Introduction à la Logique Contemporaine. Paris, Ed. A. Colin, pp.9-22.

26
6.2.Inferencias complexas ou mediatas

No parágrafo anterior, analisamos alguns casos de inferência imediata. Trataremos agora, das inferências
complexas ou mediatas, isto é, dos raciocínios.

O QUE E UM RACIOCÍNIO?

Uma boa definição poderá ser esta: operação racional discursiva mediante a qual de duas ou mais proposições
conhecidas se extraem(concluem) uma ou várias outras proposições.

R. Jolivet ofereceu esta outra definição: operação que consiste em extrair de dois ou mais juízos um outro juízo
contido logicamente nos primeiros.

Reexamine-se o exemplo que foi dado na página 15 a propósito da noção de discurso. Uma demonstração
geométrica é sempre um bom exemplo para ilustrar em que consiste raciocinar, ainda que nem todos os raciocínios
sejam de natureza dedutiva, como acontece na Geometria e nas Matemáticas.

A noção de raciocínio leva implícitas algumas ideia que importa explicitar:

1. O raciocínio é uma construção mental complexa e mediata, por oposição às inferências simples e
imediatas.
2. O raciocínio é uma operação lógica rigorosamente concludente, por oposição ao carácter pouco
probatório das inferências espontâneas.
3. O raciocínio é uma passagem do já conhecido para o ainda não conhecido.
4. Em todo o raciocínio há que distinguir a conclusão ou consequente das premissas ou antecedentes.
5. O raciocínio pode ser de dois tipos: dedutivo ou indutivo. Ao raciocínio dedutivo dá-se o nome de
dedução; ao raciocínio indutivo dá-se o nome de indução.
6. Ao raciocínio indutivo, e como sua extensão, é frequente acrescentar-se o raciocínio por analogia.

A) Raciocínio dedutivo
O raciocínio dedutivo, ou dedução, consiste em inferir, com necessidade lógica, de duas ou mais proposições
(ditas antecedentes) uma outra proposição (dita consequente) que ou está contida naquelas (dedução silogística),
ou é sua consequência lógica (dedução matemática).

A dedução silogística parte do mais geral para o menos geral ou universal para o particular.

Ex: todos os metais são bons condutores; Ora, o cobre é um metal; logo, o cobre é um bom condutor.

Trata-se de uma inferência puramente formal. Limita-se apresentar, sob nova forma, verdades já conhecidas. Não
produz, portanto, novos conhecimentos. Foi considerada, por isso, como estéril. É, no entanto, muito proveitosa
para expor e argumentar com rigor e clareza uma determinada tese. Tem inequivocamente vantagens pedagógicas.

A dedução matemática conclui o geral do geral.

Recorda-se uma vez mais o exemplo da demonstração geométrica.

27
Por exemplo, na demonstração do teorema segundo o qual a soma dos ângulos internos de um triângulo é igual
a dois anglos rectos, parte-se de um conhecimento geral e conclui-se por um conhecimento igualmente geral.

Trata-se de uma dedução produtiva ou construtiva e não apenas formal porque as proposições matemáticas ou
geométricas consequentes não estão incluídas nas antecedentes, embora estafam implícitas. Há, na dedução
matemática, uma descoberta de verdades novas, o que autoriza dizer que a dedução matemática não é estéril. Ex.

Plano 𝛼

X Plano 𝛽

A Y a Hipótese: a x b em y

𝛼 a⊥ 𝛼

𝛽 b⊥ 𝛽

tese: A𝑌̂X = A𝐵̂ C

Poderíamos formalizar a dedução matemática que infere a tese ou conclusão apartar das hipóteses ou premissas
nestes termos.

Se cada um dos dois triângulos (BAC e XAY) tem um ângulo recto.


Se os dois triângulos tem um ângulo comum em A. (os ângulos internos de todos os triângulos medem 180º.)
Então, o ângulo A𝑌̂X é igual ao ângulo A𝐵̂C.
B) Raciocínio indutivo.
O raciocínio indutivo, ou indução, era tradicionalmente definido como a operação racional mediante a qual se
conclui uma verdade universal ou geral a partir de verdades particulares. Podem-se, no entanto, distinguir dois
tipos de indução:
1. A Indução formal ou aristotélica.
Consiste em afirmar ou negar de uma totalidade de seres o que fora afirmado ou negado de todos e de cada um
em particular.
Estas modalidades de indução é também designada completa ou totalizante, exactamente porque transforma a
verdade de todos os casos particulares exaustivamente constatado numa verdade geral.
Ex. o homem o cavalo, o macho… vivem muito tempo.
Ora, o homem, o cavalo, o macho…não têm fel.
Logo, os animais sem fel vivem durante muito tempo.

Uma tal conclusão é inteiramente rigorosa e concludente sob a condição de admitir que todos os casos foram
constatados, ou seja, que o homem, o macaco, o macho… são os únicos sem fel. Por outras palavras, o raciocínio
é formalmente válido se o carácter vida longa pertence a todos os casos observados e se, por outro lado, os casos
observados recobrem a totalidade dos casos possíveis.

28
Assim sendo, trata-se de um raciocínio que:

a) É formalmente correcto;
b) É completo ou totalizaste;
c) Autoriza uma conclusão universal;
d) Mais não acrescenta conhecimentos novos aos já sabidos;
e) Tendo, no entanto a vantagem da simplificação.

2. A indução amplificante ou bacoiana (de Francisco Bacon)

Consiste em interferir uma verdade geral a partir das verdades particulares dos vários (não todos) os casos
constatados.

Afirmamos por exemplo, que os metais são bons condutores ou que o calor dilata os corpos porque, das várias
constatações particulares, concluímos a verdade daquelas proposições. Mas é sempre admissível que não
verificámos todos os casos.

Assim sendo, trata-se de uma raciocínio que:

a) Não goza a correcção formal;


b) É incompleto e não totalizante;
c) Autoriza uma conclusão tão só geral (não universal)
d) Tendo a vantagem de acrescentar conhecimentos novos;
e) É a forma de raciocínio que subjaz à investigação científica.

C) Raciocínio por analogia


“Os lógicos do século passado distinguiam três espécies de raciocínio: a dedução que vai do geral ao particular; a
indução, que vai do particular ao geral; e a analogia, vai de particular ao particular.

Esta tese não é mais aceitável.


Nós pudemos constatar que a natureza do raciocino por indução era ambígua. A do raciocínio por analogia é-o
ainda mais, e, em primeiro lugar, porque a própria palavra analogia tem diversos sentidos.

Aristóteles disse-o. Para ele, é a igualdade das relações: A está para B como C está para D.
A sua expressão mais nítida e mais completa encontra-se na proposição matemática:

A C
=
B D

Mas, na linguagem corrente, a analogia difere da proposição matemática, na medida em que ela não traduz uma
igualmente, mas afirma eléctrica, entre os brometos e os iodetos (enquanto estão sujeitos a ser decompostos pela
luz), entre os indivíduos de uma mesma espécie de um mesmo género. (…)

Desde que a analogia não represente mais uma igualdade matemática, é claro que a sua validade se degrada. A
noção de semelhança entra é, com efeito, muito flutuante. Ela não é percebida de igual modo por cada um. (…)

Com efeito, a analogia não tem um valor cientifico senão quando adoptado estritamente forma matemática.
Muitas das investigações empreendidas pela ciência contemporânea fundam-se na analogia das relações. Blanché
recorda este propósito « as analogias sucessivamente estabelecidas entre a luz e o som (Huyghens), entre a

29
electricidade e o magnetismo (Oersted), entre o electromagnetismo e a luz (Maxwell), enfim, entre a luz e a
matéria (L. de Broglie) »

É evidente que entre a analogia e a indução existem numerosas semelhanças, embora não seja sempre fácil precisa-
las. (…)

A analogia aparece, pois, como uma forma de indução. Os dados de que se parte são encontrados por intuição e,
como na indução, o movimento do pensamento consiste numa extensão.

Recorre-se frequentemente à analogia na vida prática: nos raciocínios a simili e a pari, que Aristóteles classificava
entre os raciocínio prováveis.
Raciocínio a pari: a pena exigida para um parricida deve ser igualmente exigido para um matricida.
Como é evidente, à medida que as relações deixam de exprimir uma igualdade para enunciar uma semelhança, o
raciocínio perde gradualmente o seu rigor e o seu valor demonstrativo. (…)
Seja a analogia muito usada que consiste em assimilar o chefe do governo a um capitão de navio. As duas relações
seriam:

𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑖𝑟𝑜 − 𝑚𝑖𝑛𝑖𝑠𝑡𝑟𝑜 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡ã𝑜 𝑑𝑒 𝑛𝑎𝑣𝑖𝑜


=
𝑔𝑜𝑣𝑒𝑟𝑛𝑜 − 𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑ã𝑜𝑠 𝑒𝑞𝑢𝑖𝑝𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜𝑠 − 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑎𝑔𝑒𝑖𝑟𝑜𝑠

O raciocínio completo seria:

O primeiro-ministro é semelhante ao capitão de navio.


Como o capitão de um navio dispõe de uma larga autoridade relativamente ao
equipamento e aos passageiros.
Então, o primeiro-ministro deveria dispor também de uma larga autoridade
relativamente ao seu governo e aos cidadãos.

(…) Constatar-se-á, de pronto, que o primeiro-ministro tem menos razoes do que um capitão de navio para ser
o «único senhor a bordo», uma vez que, à diferença do capitão, ele recebe ordinariamente os seus poderes do
eleitor, ao qual tem contas a prestar; que as suas competências estão fixadas na Constituição; que tem
obrigatoriamente de proceder a concentrações com os seus colegas, etc.

André Hella-Précis d´Argumantation. Paris, F.Nathan, 1983, pp. 27-30

6.3. O Silogismo

O silogismo é uma forma particular de raciocínio dedutivo, cuja diferença específica reside na sua forma peculiar
de extrair uma proposição, chamada conclusão, de duas e só duas outras proposições, chamada premissa.

Trata-se, portanto, de uma forma particular de interferência complexa ou mediata.

Também se pode dizer que o silogismo consiste num raciocínio no qual, de um antecedente que compara dois
termos (maior e menos) e um terceiro (médio), resulta necessariamente um consequente que une ou separa esses
dois termos. Há separação quando a conclusão é negativa; há união quando a conclusão é positiva.

A) A estrutura e a matéria do silogismo


(As proposições e os termos)
1. AS PROPOSIÇÕES

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Em conformidade com as regras do silogismo correcto ou legítimo que adiante se enunciam, todos silogismos é
constituído por três proporções, assim designadas:
a)Uma premissa maior – a que possui termo maior (P),
b)Uma premissa menor – a que contem termo menor (S),
c)Uma conclusão – a que articula o termo menor com o termo maior.
Seja o célebre silogismo enunciado por Guilherme d´Occam:

Todo o homem é mortal. maior


Como Sócrates é homem. Premissa menor (antecedente)
Então, Sócrates é mortal. Conclusão (consequente)

2. OS TERMOS

Ainda em conformidade com as regras do silogismo formalmente correcto (de acordo com a 1ª regra), são também
três os termos que intervêm no raciocínio silogístico:
a)O termo maior (P) – mortal, no exemplo dado,
- o que tem maior extensão, - o que ocupa sempre o lugar do predicado na conclusão;
b)O termo menor (S) – Sócrates, no exemplo dado,
- o que tem menor extensão; - o que ocupa sempre o lugar do sujeito na conclusão;
c)O termo médio (M) – homem, no exemplo dado; - o que permite o trânsito das premissas à conclusão,
- o que permite estabelecer determinada relação entre S e P,
- o que tem o papel intermediário,
- o que figura nas duas premissas, mas nunca na conclusão.

B) Os princípios e as regras da dedução silogística

1. OS PRINCÍPIOS

O valor e a legitimidade do silogismo formalmente correcto assenta em três princípios fundamentais:


a)O princípio lógico de igualdade
- Duas coisas iguais a uma terceira são iguais entre si. Assim: se P é M e S é M, segue-se, necessariamente, que S
não é P.
b)O princípio lógico da discrepância
- Duas coisas, uma das quais é idêntica a uma terceira e a outra não, são distintas entre si. Assim: se P é M e S
não é M, segue-se, necessariamente que S não é P.
c)O princípio “Dictum de omni, de nullo”
- Tudo o que se diz do universal há que afirma-lo de cada indivíduo; tudo o que se nega do universal do universal
há que nega-lo também de cada indivíduo.
Assim: se o homem é mortal, Pedro (e cada um dos homens) será também mortal.

2. AS REGRAS

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Para além dos princípios lógicos a que todo o silogismo com pretensão a legitimidade tem de submeter-se,
qualquer silogismo válido se deve conformar ainda às seguintes oito regras particulares: as 4 primeiras relativas
aos termos e as 4 seguintes relativas a proporções.

Regras relativas aos termos

1-REGRA. Não pede haver mais de três termos: maior menor e médio.
Ex.: O cão ladra. Ora o cão é uma constelação. Logo, uma constelação ladra.
Este raciocínio infringe a 1ª. regra por introduzir quatro termos. É que o termo cão, sendo equívoco, vale por
mais termos. De três passa-se assim a quatro termos.
2-REGRA. O termo não pode ter maior extensão na conclusão do que nas premissas.
Infringe a 2.ª regra o raciocínio:
Todo o sábio procura. Ora, todo o sábio é homem. Logo, todo o homem procura saber.
3-REGRA. O termo médio há-de tomar-se em toda a sua extensão ao menos uma vez.
Infringe a 3.ª regra o raciocínio.
O chumbo é pesado. Ora o ferro é pesado. Logo o chumbo é ferro.
4-REGRA. O termo médio não pode entrar na conclusão.
Infringe a 4.ª regra o raciocínio:
Alexandre foi pequeno. Ora. Alexandre foi general. Logo, Alexandre foi um pequeno general.
Regras relativas às proposições
5-REGRA. De duas premissas negativas nada se pode concluir.
Peca outra esta regra o raciocínio: As plantas não pensam. Ora, o homem não é planta. Logo, …
6-REGRA. De duas premissas afirmativas não se pode retirar uma conclusão negativa.
Peca contra a 6.ª regra o raciocínio: Alguns homens são filósofos. Ora o pinheiro é uma árvore. Logo, o pinheiro
tem vida vegetativa.
7-REGRA. De duas premissas particulares nada se pode concluir.
Infringe a 7.ª regra o raciocínio: Alguns homens não são filósofos. Ora, alguns filósofos são alemães. Logo, …
8-REGRA. A conclusão segue sempre a parte mais fraca.
Se uma é particular, a conclusão só poderá ser particular. Se uma premissa é negativa, a conclusão só poderá ser
negativa.

C) Figura e modos
Os silogismos podem assumir múltiplas formas: 256 no total. No entanto, só um pequeno número goza
legitimidade. As investigações lógicas só vieram a reconhecer 19 formas validas de silogismo. Todas as outras se
revelaram incorrectas por não se conformarem aos princípios e às regras do silogismo válidos, atrás enunciadas.

Cada forma particular resulta da combinação de uma figura com um modo. São 4 as figuras possíveis e 64 os
modos possíveis. Da combinação das 4 figuras com os 64 modos e que resultam as 256 formas.

1. AS 4 FIGURAS DO SLOGISMO

A figura, ou esquema, de um silogismo depende da disposição do termo médio (M) nas premissas (onde pode
ocupar o lugar de sujeito ou o lugar de predicado). São possíveis os seguintes 4 casos:

1.FIGURAS. Quando o termo médio (M) é sujeito na premissa maior e predicado na premissa menor.
Ex.: Todo o homem é mortal.

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Ora, Sócrates é homem. Sujeito na premissa maior
Logo, Sócrates é mortal. Predicado na premissa menor
2.FIGURA. Quando o termo médio é predicado na premissa maior e predicado também na premissa menor.
Ex.: Nenhum americano é europeu. Predicado na premissa maior
Todo o francês é europeu. Predicado na premissa menor
Nenhum francês é americano.
3.FIGURA. Quando o termo médio é sujeito na premissa maior e também sujeito premissa menos.
Ex.: Todo o filósofo é sábio. Sujeito na premissa maior
Todo o filósofo é homem. Sujeito na premissa menor
Algum homem é sábio.
4.FIGURA. Quando o termo médio é predicado na premissa maior e sujeito na premissa menor.
Ex.: Nenhum europeu é canadiano. Predicado da premissa maior
Todo o canadiano é norte-americano. Sujeito na premissa menor
Alguns norte-americanos não é europeu.

OBS: Se substituirmos os termos maior, médio e menor pelas letras P, M e S, respectivamente, podemos
representar as quatro figuras do seguinte modo:

1ª FIGURA 2ª FIGURA 3ª FIGURA 4ª FIGURA


M-P P–M M–P P-M
S–M S–M M–S M–S
---------- ---------- ----------- ----------
S–P S–P S–P S–P

2. OS MODOS DO SILOGIMO

Os modos do silogismo dependem da maneira como se combinam a quantidade e qualidade das 3


proposições que integram qualquer silogismo.
Como já sabemos, são possíveis quatro tipos proposições, resultante da combinação da quantidade com
a qualidade:
A representa as proposições universais afirmativas;
E representa as proposições universais negativas;
I representa as proposições particulares afirmativas;
O representa as proposições particulares negativas.
Eis duas das combinações possíveis e seu significado:
A A A – Representa um silogismo em que as duas premissas e a conclusão seriam proposições universais
afirmativas.
A E E – Neste caso, a premissa maior seria universal afirmativa; a premissa menor, universal negativa; e a
conclusão, universal negativa.

3. SILOGISMOS LEGÍTIMOS

O número total das combinações possíveis da quantidade e da qualidade nas 3 proposições que integram
qualquer silogismo é de 64 (43 ). Se multiplicamos esse 64 modos pelas 4 figuras assinaladas, obteremos
as 256 formas, hipoteticamente possíveis, de silogismo.

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Como se disse, a esmagadora maioria colide com algumas ou algumas das regras a que devem conformar-
se silogismos válidos.

Eis as 19 formas de silogismos legítimos, distribuídos pelas 4 figuras:


Da 1.ª FIGURA (suj./pred.) são aceitáveis apenas 4 modos:
A A A – Toda a virtude é boa. Toda a justiça é virtude.| Toda a justiça é boa.
E A E – Nenhum ser racional é animal. Todo homem é racional. nenhum homem é animal.
A I I – Todo homem é mortal. Algum filósofo é homem. |Algum filósofo é mortal
E I O – Nenhum homem é anjo. Algum ser racional é homem. |Algum ser racional não é anjo.

Da 2.ª FIGURA (pred./suj.) são aceitáveis também apenas 4 modo:


E A E – Nenhum utopia é realidade. Toda verdade é realidade nenhuma verdade é utopia.
A E E – Tudo o homem é racional. Nenhum animal é racional. |nenhum animal é homem.
E I O – (Dá um exemplo.)------------------------------------------------------
A O O - (Dá um exemplo.)------------------------------------------------------

Da 3.ª FIGURA (suj./suj.) são considerado legitimo os 6 modos:


A A I – A amizade é desejável. A amizade é uma virtude. | Alguma virtude é desejável.
E A O – (Dá um exemplo.)------------------------------------------------------
I A I – Algum homem é filósofo. Todo homem é mortal. | Algum mortal é filósofo.
A I I –(Dá um exemplo.)------------------------------------------------------
O A O – (Dá um exemplo.)------------------------------------------------------
E I O – Nenhum sofista é credível. Algum sofista é advogado. | algum advogado não é credível.
Da 4.ª FIGURA (pred/suj) são legítimos os seguintes 5 modos:
A A I – (Dá um exemplo.)------------------------------------------------------
A E E – (Dá um exemplo.)------------------------------------------------------
I A I – (Dá um exemplo.)------------------------------------------------------
E A O – Nenhuma europeu é canadiano. Todo o canadiano é norte-americano. Algum norte-
americano não é europeu.
E I O – Nenhuma europeu é canadiano. Algum canadiano é norte-americano. Algum norte-
americano não é europeu.

OBS.: os lógicos medievais inventaram uma série de palavra para poderem mais facilmente os modos válidos de cada figura.
São as vogais destas palavras que indicam os modos legítimos. Repara na correspondência entre as vogais dessas palavras de
cada uma das palavras as 19 formas que se acabam de apresentar.

1.ª figura: Barbara, celarent, darii, ferio


2.ªfigura: Cesare, Camestres, Feitino, Boraco.
3.ª figura: Darapti, Disamis, Datisi, Felapton, Bocardo, Ferison.
4.ª figura: Bramalip, Calemes, Dimatis, Fesapo Fresison.

PROPOSTA DE TRABALHO

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1. Verifique-se, a título de exemplo, por que razão os seguintes modos não podem ser considerados
formas legitimas de silogismo correcto;
1.1. O modo I I I (as três proposições particulares) colide com a 7.ª regra atrás assinalada.
Vide conteúdo da 7.ª regra.
1.2. O modo A I O (a premissa maior universal afirmativa, a premissa menor particular
afirmativa e conclusão particular negativa) colide com a 6.ª regra.
Vide conteúdo da 6.ª regra
2. Analise-se e justifique-se agora a (i)legitimidade dos seguintes modos silogismos:
2.1. O O E – Trata-se de um modo (i)legitimo por -----------------------
2.2. I A I – Trata-se de um modo (i)legitimo por -------------------------
2.3. A O A – Trata-se de um modo (i)legitimo por -----------------------
2.4. O O O - Trata-se de um modo (i)legitimo por -----------------------

INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR
Silogismo categórico e silogismo hipotético

Os exemplos de silogismos apresentados até este momento foram todos eles categóricos, ou seja,
independentes de qualquer condição.
A par dos silogismos categóricos, há aqueles outros chamados hipotéticos. Um silogismo hipotético é
aquele cuja premissa maior é hipotética. São três as modalidades de silogismos hipotéticos:
a) O silogismo condicional
- quando a premissa maior é uma proposição condicional. Vide quadro 1.
b) O silogismo conjuntivo
- aquele a premissa maior é uma proposição conjuntiva. Vide quadro 2.
c) O silogismo disjuntivo
- aquele a premissa maior é uma proposição disjuntiva. Vide quadro 3.

QUADRO 1 – FIGURA SILOGISMO CONDICIONAL


Figuras legítimas Figuras ilegítimas
1.ªFigura Se o Pedro, pensa, vive. 1.ªFigura Se o Pedro, pensa, vive.
Modo Como Pedro pensa Modo Como Pedro não pensa
Ponens Então, Pedro vive. Tollens Então, Pedro não vive.
2.ªFigura Se o Pedro, pensa, vive. 2.ªFigura Se o Pedro, pensa, vive.
Modo Como Pedro não pensa Modo Como Pedro pensa
Tollerns Então, Pedro não vive. Ponens Então, Pedro vive.

QUADRO 2 – MODO SILOGISMO CONJUNTIVO


Modo legítimo (ponendo – tollens) Modo ilegítimo (tollendo ponens)
A folha não pode ser simultaneamente branca e A folha não pode ser simultaneamente branca e
preta. preta.
Como a folha é branca (ponendo). Como a folha não é branca (tollendo).
Então, não é preta (tollens). Então, é preta (ponens).

QUADRO 3 – MODO SILOGISMO DISJUNTIVO


Modo legítimo (ponendo – tollens) Modo ilegítimo (tollendo ponens)

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João está parado ou anda. João está parado ou anda.
Como esta parado (ponendo). Como não esta parado (tollendo).
Então, não é anda (tollens) Então, anda (ponens)

NOTA: ponendo – quando se afirma; tollendo – quando se nega.

6.4. As falácias

Ao raciocinar, os seres humanos cometem frequentemente alguns erros. Umas vezes, cometem-nos
propositadamente, com a intenção de iludir terceiros; outras vezes, inadvertidamente. No primeiro caso, falamos
de sofisma; no segundo, de paralogismos.

Por sofisma entende-se um raciocínio erróneo que se apresenta com a aparência de verdadeiro.

Ao raciocínio erróneo que é apresentado como verdadeiro, foi dado o nome de sofisma por se atribuir, talvez com
pouca razão, aos filósofos sofistas gregos o uso e abuso desses tipo de procedimento.

Por paralogismo entende-se um raciocínio erróneo no qual inadvertidamente se infringem as regras lógicas da
interferência correcta.

Uma vez que a distinção entra boa e má-fé não é um critério lógico mas antes moral, deve reconhecer-se que, do
ponto de vista da lógica, sofisma e paralogismo são uma só e mesma coisa: raciocínios mal co conduzidos. A estes
raciocínios ilegítimos dá-se também o nome de falácias ou raciocínio (argumento) falaciosos.

Porque nos enganamos nós ao raciocinar?

Como é que é possível apresentar como raciocínio aparentemente correcto um raciocínio que é erróneo?
O erro pode ter origem em duas espécies de causa enganadoras:
- Há sofisma cujo erro de raciocínio radica na identidade indevida ou aparente de certas palavras, isso é, na má
ou incorrecta expressão das ideias (são os sofismas de palavras).
- Há sofismas cujo erro de raciocínio radica antes no conhecimento imperfeito das coisas ou no mau uso das
ideias sobre as coisas (são os sofismas de ideias).

A) Sofisma com palavras ( in voce)

1. O equívoco ou falácia de equivocação. Quando no raciocínio se toma como uma mesma e única
palavra em dois ou sentidos diferentes.
Ex.: O cão ladra. O cão é uma constelação. |Uma constelação ladra.

2. A falácia da composição. Quando se toma como um todo indistinto e indiviso o que na realidade
é distinto ou está dividido.
Ex.: Esta dividido não me arruinou. Aquela e aqueloutra também não. Portanto divida alguma
me arruinará.

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3. A falácia da divisão (o contrario da anterior). Quando se toma como parte o que na realidade é
indivisível.
Ex.: Quatro e dois são seis. Portanto, quatro seis e dois e dois também são seis.

4. A falácia da metáfora. Consiste em tomar a figura pela realidade. Sofisma muito frequente da
grande (mau) efeito erótico.

B) Falácias nas ideias ou conceitos (in re)

a) Sofismas de indução ilegítima


1. Falácia de analogia. Na indução por falsa analogia.
2. Falácia do acidental. Na indução em que se toma o acidental pelo essencial.
Ex.: Nos regimes democrático registam-se dissensões violentas entre cidadãos
Logo, a democracia é um regime intrinsecamente mau.
3. Falácia “non causa pro causa”. Na indução em que se toma como causa o que não é
verdadeiramente a causa. Quando, por exemplo, se toma como causa um simples antecedente
ou qualquer circunstância acidental.
Ex.: Após a aparição do cometa, houve uma epidemia.
Logo, os cometas são causas de epidemias.

b) Sofismas de dedução incorrecta


1. Petição de princípio. Consiste em toma por princípio de argumentação (por premissa)
precisamente o que esta em discussão e carece de ser provado.
2. Circulo vicioso. Consiste em argumentar a veracidade de uma primeira proposição a partir
de uma segunda e, também, a veracidade da segunda a partir da primeira.
A prova-se por B, e B prova-se por A.

c) Sofismas baseados em pressupostos falsos que informam as premissas.

PROPOSTA DE TRABALHO

Onde reside o erro do seguinte raciocínio?

Três caçadores almoçaram no restaurante “Coelho Bravo”. Após a refeição, pediram a conta. O empregado
informou-se de que deviam 300$00. Cada uma entregou uma nota de 1000$00. Solicitaram ao empregado que
dissesse ao patrão que, por ser cliente certo, mereciam um bom desconto. O patrão devolveu ao empregado
500$00 para o empregado os repartisse pelos três caçadores. O empregado teve dificuldade em dividir por três
os 500$00. A conta não dava resto zero. Decidiu então entregar apenas 100$00 a cada caçador metendo no bolso
200$00.

Assim sendo: Em vez de 100$00, cada caçador pagou apenas 900$00;


No total, os três caçadores pagaram 2700$00;
Como o empregado meteu só ao bolso 200$00;

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O total do dinheiro pago foi apenas de 2900$00.
Pergunta-se: Mas não foram 3000$00 o dinheiro inicialmente entregue pelos caçadores?
Aonde estão 100$00 que faltam?

INFORMAÇÃO COMPLETAR
Os paradoxos. Por paradoxos entende-se o enunciado ou raciocínio que vai de encontro ao senso comum (para+doxa) ou
bom senso lógico, cuja absurdidade não parece, à primeira vista, superável.
O paradoxo apresenta-se sempre como um “nun sens”, como uma contradição, como um indicidível. O paradoxo comporta
ainda algo de maravilhoso, algo de assombroso.
Na historia da filosofia, ficaram célebres os paradoxo de Zenão de Eleia, um dos quais é o cerebre “paradoxo de Aquiles e
da tartaruga”. Consulte-se uma História da filosofia.
Eis um segundo exemplo também muito conhecido pelo nome “paradoxo do mentiroso” ou “paradoxo de epiménides”,
como o qual iniciámos estes esse capítulo
Vejamos em que consiste o paradoxo.
Atribui-se a Epiménides a afirmação: - Todos os cretenses são metirosos.
Sabe-se também que Epiménides era cretense.
Pergunta-se: Epiménids dizia a verdade?
Qualquer que seja a resposta (sim ou não), conclui-se que a frase Todo os cretenses são mentirosos dá sempre lugar a uma
contradição, verdadeira a afirmação Epiménides era cretense.
Epiménides mente se e só se não mente (isso é, diz a verdade).
Epiméndes não mente (isso é, diz averdade) se e só mente.
Conclui-se assim que:
Todos os cretenses são mentirosos não ser uma afirmação verdadeira porque foi dita por Epiménides que, sendo cretense e,
portanto, mentiroso, não pôde ter dito a verdade.
Todos os cretense são mentirosos não pode ser uma afirmação falsa porque, se o fosse, implicava que os cretenses diriam
sempre a verdade e Epiménides, um cretense, ao mentir, torna-se verdadeira.

7. LÓGICA ARISTOTÉLICA E LÓGICA SIMBOLICA


Momentos decisivos da História lógica

É ao filósofo grego Aristóteles que devemos a primeira sistematização da ciência lógica. Em boa verdade, é ele o
seu fundador, embora já Platão tivsse admitido a sua possibilidade.

O filósofo deixou-nos nada mais nada menos do que cinco tratamentos sobre o assunto que viera mais tarde a ser
reunido na obra que leva o nome de organon que significa justamente “instrumento” (subentenda-se, de bem
conduzir a razão)

Os cincos tratados são:

 As categorias – que contém a teoria aristotélica dos termos que são a expressão dos
conceitos e procede ao inventário dos conceitos gerias ou género do ser: substância,
qualidade, quantidade, relação, etc.;
 Sobre Interpretação – que versa sobre a proposição ou enunciado susceptível de ser
verdadeiro ou falso e sobre a combinação das proposições e suas modalidades.

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 os Primeiros Analíticos – que considera a teoria da dedução, mais exactamente do
silogismo;
 os Segundos Analíticos – que consagra a teoria aristotélica da ciência com a sua
teoria da demonstração;
 e o Tópico – que se atém a alguma regra pratica e esquema típico da dialéctia da
demonstração; completados pelas Refutações dos Sofistas – que versam sobre a arte
de descobrir os raciocínios falazes, incluindo uma analise, classificação crítica das
sofismas e dos paralogismo.

Aristóteles deu atenção particular à lógica silogística que corresponde, em parte ao que hoje se cama a “lógica de
classe”.

Foram os estóricos que desenvolveram depois o silogismo hipotético (condicional e conjuntivo) e iniciaram o o
que posteriormente se veio a designar por “lógica profissional”.

Leibniz (1646 – 1716) representa a primeira grande viragem da lógica tradicional para lógica matemática. O seu
projecto ambicioso era de:

Fundar uma notação universal artificial que permitisse inventariar e simbolizar todas as ideias simples através de
“caracteres” simples e atómicos (characteristica universalis) – uma espécie de “alfabeto do pensamento”;

Desenvolver a arte de combinar esses caracteres primitivos simples para a produção de ideias complexas (ars
combinatória);

Estabelecer as técnicas de raciocínio automático e mecânicos em que pensamos e a intuição seriam substituindo
pelos cálculos sobre os signos (calculus ratiocinatior)

Mais é sobretudo, primeiro com George Boole (1815 – 1864) e depois com G. Frege (1848 – 1925), A. N.
Whitehead (1861 – 1947) e B. Russel (1872 – 1970) da lógica se transforma, de vez, numa álgebra e num
cálculo lógico.

Com G. Boole, o pai da algebrização da lógica a dedução silogística clássica passa a ser resolvida mediante equações
lógicas, cujo signo, regras e operações seguem, de perto, as regras de formação, de transformação de operação do
cálculo algébrico já antes constituído. Os instrumentos desse cálculo são:

Um certo número de signos primitivos: x, y, z, etc. – variáveis que podem representar qualquer classe;

Duas constantes: 1 ( a classe universal) e 0 (a classe nula);

Quatro operadores de base: +, -, x, =.

Com G. Frege passa-se da álgebra da lógica empreendida por Boole para a logística propriamente dita que consiste
antes numa logicização das matemáticas e para o logicismo (uma redução das matemáticas à lógica). A ele deve:

A definição dos princípios de formalização axiomática;

A sistematização do cálculo dos predicados;

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A introdução do uso dos quantificadores;

A definição das regras dos cálculos das proposições.

Com A. N. Whitehead e, sobretudo com B. Russel que escrevêramos principia mathematica (1910 – 1913),
conclui-se a grande empresa da logicização das matemáticas. São eles os grandes lógicos do séc. XX

OBS.: para uma maior informação sobre a história da lógica, consulte-se: R. Blanché – História da Lógica de
Aristóteles a Bertrand Russell. Lisboa, Edições 70

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