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ANESTESIA PARA PROCEDIMENTOS ODONTOLÓGICOS EM CÃES E GATOS


Lilian Bevilacqua, MV, MSc
Anestesista - Clínica Odontocão
e-mail: libevi5@onda.com.br

ANESTESIA GERAL
A anestesia geral é essencial para a realização dos procedimentos odontológicos em cães e gatos
por possibilitar o trabalho na cavidade oral sem riscos para o médico veterinário, além de bloquear os
estímulos dolorosos gerados, dependendo da qualidade anestésica.
A escolha de determinada técnica dependerá de vários fatores como o estado geral do paciente,
idade, presença de dor, tipo de procedimento, e outras doenças associadas. Existe também a afinidade do
anestesista por determinadas técnicas e agentes, o que cria diversos protocolos.
O ato anestésico é constituído por três etapas indispensáveis. No período pré-anestésico, o
anestesista se preocupa em preparar o paciente de modo adequado para a anestesia e a operação
propriamente dita. Durante o período trans-anestésico, o anestesista é responsável pela manutenção das
condições de homeostase do paciente e por impedir que ele sinta dor, estresse e os desconfortos da
operação, monitorizando seus sinais vitais, mantendo a sua temperatura e cuidando de sua integridade. Após
o término da operação, período pós-anestésico, o foco está no controle da dor, bem estar, temperatura,
enfim, da recuperação do paciente.
A primeira fase de atuação do anestesista é o preparo do paciente para a anestesia. Nesta fase,
deve-se realizar avaliação criteriosa com antecedência com o objetivo de: determinar sua condição física e
estimar o risco anestésico–cirúrgico (Tabela 1), indicar e avaliar exames complementares (Tabela 2),
recomendar o jejum adequado, escolher a melhor medicação pré-anestésica e selecionar a técnica
anestésica mais adequada ao paciente e ao ato operatório.

Tabela 1. Classificação do estado físico e risco anestésico segundo a American Society of Anesthesiology
Classificação Descrição Exemplos
I Paciente hígido Ausência de doenças sistêmicas
Animais submetidos a procedimentos eletivos
II Paciente com afecção Pacientes neonatos e geriátricos
sistêmica discreta Gestantes; obesos; cardiopatas compensados; infecções
localizadas; fraturas não complicadas.
III Paciente com afecção Desidratação moderada/hipovolemia; anorexia; caquexia; anemia;
sistêmica moderada fraturas complicadas.
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IV Paciente com afecção Choque; uremia; toxemia; desidratação grave; hipovolemia severa;
sistêmica grave anemia grave; doenças cardíaca descompensadas.
V Moribundos, sem Falência de múltiplos órgãos; choque em fase terminal; traumatismo
expectativas de craniano.
sobrevivência com ou
sem cirurgia nas 24
horas.
Fontes: ∗ FANTONI, DT; CORTOPASSI,SRG, 2002.

Tabela 2. Sugestão de exames auxiliares a serem realizados no período pré-anestésico de acordo com o
risco anestésico e a idade do paciente.
Idade
Classificação ASA Até 6 meses 6 meses a 6 anos Mais de 6 anos
I e II Hematócrito, proteína, Hematócrito, proteína, e Hematócrito, proteína, e
glicemia. função renal. função renal, urinálise e
ECG.
III Hemograma, proteína, Hemograma, glicemia, Hemograma, glicemia,
glicemia, função renal, proteína, função renal, proteína, função renal,
urinalise e hemogasometria função hepática, urinalise, função hepática, urinalise,
ECG e hemogasometria. ECG, eletrólitos (Na, K e Ca)
e hemogasometria.
IV e V Hemograma, glicemia, Hemograma, glicemia, Hemograma, glicemia,
proteína, função renal, proteína, função renal, proteína, função renal,
função hepática, urinalise, função hepática, urinalise, função hepática, urinalise,
ECG, eletrólitos (Na, K e Ca) ECG, eletrólitos (Na, K e Ca) ECG, eletrólitos (Na, K e Ca)
e hemogasometria. e hemogasometria. e hemogasometria.
Fonte: ∗ FANTONI, DT; CORTOPASSI,SRG, 2002.

Em pequenos animais, recomenda-se jejum alimentar prévio de 8 a 12 horas e hídrico de 2 horas. A


presença de conteúdo gástrico aumenta o risco de vomito e/ou regurgitação durante o ato anestésico. Nos
pacientes em aleitamento, o jejum não é recomendado pelo esvaziamento gástrico ser extremamente rápido.
A medicação pré-anestésica consiste na administração de fármacos específicos em período variável
de tempo que antecede a anestesia. Sua utilização pode ser de emprego opcional pelo anestesista. Em
algumas situações, principalmente em pacientes de alto risco, pode-se dispensar sua utilização com fármacos
que causam alterações cardiovasculares significativas como os fenotiazínicos e agonistas α2. Uma vez
admitida a necessidade de seu uso, deve ser utilizada de forma criteriosa, levando-se em consideração o
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estado físico do paciente, seu grau de apreensão e ansiedade, o tipo de procedimento a ser realizado e a
escolha da técnica de anestesia a ser utilizada.
Os propósitos da utilização da medicação pré-anestésica são diminuir a ansiedade, promover
sedação e miorrelaxamento, reduzir o metabolismo, promover indução e recuperação suaves da anestesia,
potencializar os efeitos dos anestésicos gerais, reduzir os efeitos colaterais associados a alguns anestésicos,
notadamente salivação, bradicardia, tosse e vômitos pós-anestésicos, bem como diminuir o estímulo doloroso
quando este possa ser aumentado durante o manuseio do paciente. Para isto são utilizados medicamentos
de grupos farmacológicos diversos, isolados ou em associação, como tranqüilizantes, benzodiazepínicos,
opióides, agonistas de receptores α2 e anticolinérgicos. (Tabela 3) O ambiente onde o animal é mantido ao
receber um agente pré-anestésico é de grande influência na eficácia da sedação/tranqüilização obtida. De
forma geral, após a administração do medicamento, os animais devem ser alocados em local calmo e sem
estímulos externos durante o período de latência do fármaco. Na maioria dos casos, o emprego da via
intravenosa resulta em período de latência relativamente curto (5 a 15 minutos), enquanto que a
administração pela via intramuscular ou subcutânea resulta em latência relativamente maior (30 minutos). Em
pequenos animais recorre-se às vias intramuscular ou subcutânea, as quais devido a absorção mais lenta
para a circulação sistêmica, possibilita maior tempo de adaptação do animal aos efeitos do fármaco,
minimizando alterações bruscas nos parâmetros fisiológicos (ex. pressão arterial e freqüência cardíaca).

Tabela 3. Medicamentos pré-anestésicos e analgésicos utilizados na anestesia de cães e gatos.


Dose (mg/kg)
Fármaco (ajustada de acordo com a condição do paciente) Observações
Cão Gato
Tranqüilizantes∗
Acepromazina 0,01 a 0,05 IV IM SC 0,01 a 0,05 IV IM SC Ação hipotensora dose-dependente e
Dose máxima: potencializada por anestésicos gerais. Distúrbios
3mg/animal do ritmo cardíaco: bloqueio sinoatrial e átrio-
Clorpromazina 0,2 a 0,5 IV IM SC 0,2 a 0,5 IV IM SC ventricular de diferentes graus.
Dose máxima: Recomendação: animais hígidos, doses reduzidas,
25mg/animal necessitam de função hepática íntegra.
Levomepromazina 0,2 a 0,5 IV IM SC 0,2 a 0,5 IV IM SC
Dose máxima
25mg/animal
Benzodiazepínicos∗
Midazolan 0,1 a 0,5 IV IM 0,1 a 0,5 IV IM Pouca interferência cardiovascular. Depressão
Diazepan 0,2 a 1 IV IM 0,2 a 1 IV IM respiratória discreta, potencializada pelos anestésicos
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gerais. Reduz ansiedade com tranqüilização mínima,


quando utilizados isolados pode promover excitação
paradoxal. Promove relaxamento muscular, utilizados
associados aos anestésicos dissociativos.
Opióides∗∗
Meperidina 3 a 5 IM cd 1-2h 3 a 5 IM cd 1-2h Analgésicos de grande eficácia. Efeito colateral dose-
Morfina 0,5 a 2 IM cd 2-4h 0,2 a 0,5 IM cd 2-4h dependente relacionado aos receptores µ (mi)
Metadona 0,5 a 1 IM cd 2-6h 0,1 a 0,5 IM (sedação, depressão respiratória e efeitos
Fentanil 2 a 5 µg/kg IV 1 a 3 µg/kg IV gastrintestinais).
cd 15 min cd 15 min Recomendações: sedação pré-anestésica e analgesia
Analgesia Cirúrgica Analgesia Cirúrgica perioperatória.
10 a 45 µg/kg/h 10 a 30 µg/kg/h
Butorfanol 0,1 a 0,4 IM cd 1-4h 0,1 a 0,4 IM cd 2-6h
Nalbufina 0,5 a 1 IV IM cd 1-4h 0,2 a 0,4 IV IM cd 1-4h
Naloxona 0,04 IV IM SC 0,04 IV IM SC
cd 40-70 min cd 40-70 min
Agonistas de receptores α2∗
Xilazina 0,2 a 1 IV IM SC 0,2 a 1 IV IM SC Normalmente não são utilizados, pois promovem
depressão nos sistemas cardiovascular e respiratório,
como bradicardia sinual, bloqueio atrioventricular de 1°
ou 2°, hipertensão inicial seguida de hipotensão arterial,
diminuição do volume corrente e da freqüência
respiratória e até mesmo apnéia.
Anticolinérgicos∗
Atropina 0,02 a 0,04 0,02 a 0,04 Pode promover taquiarritmias, seu uso deve se
IV IM SC IV IM SC restringir às situações de emergência e à administração
titulada.
Recomendações: antagonizar efeitos parassimpáticos
da acetilcolina, como salivação, secreção bronquial,
bloquear impulsos do nervo vago e estimular efeitos
vagais estimulados por outros fármacos.
Fontes: ∗ FANTONI, DT; CORTOPASSI,SRG, 2002. ∗∗ GAYNOR, JS; MUIR III, WW, 2009.

A anestesia geral é uma alteração do estado funcional do SNC de indução rápida e fácil reversão,
provocada por fármacos. Caracteriza-se por perda da consciência, analgesia, relaxamento muscular
esquelético e ausência de reflexos sensoriais e autonômicos à agressão. Independente da via de
administração, qualquer anestésico geral pode exercer estes efeitos, variando um pouco com a natureza do
fármaco, a dose e as circunstancias clínicas.
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A anestesia atual, denominada anestesia balanceada, envolve o uso de combinações de fármacos ou


técnicas anestésicas, cada um contribuindo com determinado efeito farmacológico. O fato de administrarmos
um número maior de agentes não implica em maior depressão cardiovascular e respiratória, pelo contrário,
consegue-se maximizar os efeitos benéficos de cada agente utilizado e minimizar seus efeitos adversos.
A anestesia geral é dividida em indução, manutenção e recuperação. A indução da anestesia é o
período de transição inicial do paciente que se encontra acordado para o estado de inconsciência,
característico da anestesia geral. Consiste em alcançar rapidamente o plano anestésico no qual há perda dos
reflexos laringo-traqueal sendo possível intubar o paciente. Ela pode ser feita tanto com um anestésico
intravenoso de curta duração, como o propofol ou o etomidato, quanto com a aplicação de um anestésico
inalatório através de uma máscara ou câmara de indução. A intubação é feita utilizando-se uma sonda
endotraqueal, preferencialmente com balonete. O laringoscópio é um instrumento útil para este procedimento.
Na manutenção da anestesia, podem ser utilizados agentes venosos e/ou inalatórios, administrados conforme
as necessidades individuais do paciente e de características do procedimento cirúrgico. Detalhes do período
de recuperação da anestesia serão abordados posteriormente.
A anestesia venosa tem sido utilizada na indução anestésica e suplementação da anestesia geral
inalatória, na sedação e complementação de anestesias regionais, como anestesia única em pequenos
procedimentos cirúrgicos ou procedimentos pouco dolorosos, ou ainda em infusão contínua para
procedimentos curtos ou prolongados.
O propofol (4 a 6 mg/kg) é um anestésico intravenoso indicado na indução da anestesia e na
manutenção, através de infusão continua, em animais hígidos. Apesar de causar depressão cardiovascular e
respiratória dose-dependente, possui como vantagem recuperação rápida.
O etomidato (1 a 2 mg/kg) é um agente hipnótico de curta duração, sendo indicado na indução da
anestesia. Sua principal vantagem é a manutenção dos parâmetros cardiovasculares, sendo o agente de
escolha nos animais com comprometimento hemodinâmico. A administração prévia de tranqüilizantes e
opióides e a aplicação lenta do agente (ao redor de 1 a 2 minutos) evita a ocorrência de mioclonias e
náuseas, sinais comumente verificados. Contra-indicado na manutenção anestésica através de infusão
continua por inibir, temporariamente, a esteriogênese adrenal no homem e no cão. Possui curta duração de
efeito, em decorrência de rápida hidrolise hepática, promovendo anestesia que não ultrapassa 10 a 15
minutos.
Os anestésicos dissociativos são utilizados em pequenos animais para uma ampla variedade de
procedimentos, sendo também utilizados como agentes de indução e manutenção anestésica para realização
de pequenos procedimentos cirúrgicos/ambulatoriais. A grande aplicabilidade destes fármacos pode ser
atribuída à sua grande margem de segurança e por poderem ser empregados tanto pela via intravenosa
como pela via intramuscular. Esta característica possibilita que estes fármacos possam ser empregados como
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agentes de contenção química e/ou indução anestésica em animais indóceis, onde o acesso venoso não
pode ser viável.
Os anestésicos dissociativos disponíveis para utilização em medicina veterinária são a quetamina e a
tiletamina. Devido aos seus efeitos colaterais como hipertonia muscular, hipersensibilidade a estímulos
ambientais e convulsão, são sempre empregados sob a forma de associações com outros fármacos como o
objetivo de abolir os efeitos indesejáveis e melhorar a qualidade de anestesia.
A tiletamina apresenta maior potência, efeito analgésico e duração de ação quando comparada à
quetamina. É apresentada no comércio sob a forma de pó liofilizado em associação com o benzodiazepínico
zolazepam, devido à sua ação miorrelaxante, ansiolítica e anticonvulsivante proporciona uma melhora na
qualidade da anestesia produzida pela tiletamina. Em cães, eventualmente observam-se fenômenos
excitatórios durante a recuperação da anestesia com tiletamina/zolazepam em decorrência da metabolização
e a excreção do zolazepam ocorrer mais rápido que o da tiletamina. Desta forma, torna-se também
necessário a associação de outros fármacos para melhorar a condição anestésica promovida pela associação
tiletamina/zolazepam.
Fármacos como os fenotiazínicos, benzodiazepínicos e agonistas α-2 adrenérgicos podem ser
utilizados associados aos anestésicos dissociativos. Os fenotiazínicos melhoram a qualidade da anestesia e
da recuperação anestésica devido ao seu efeito tranqüilizante prolongado, alem de auxiliar na supressão da
sialorréia ocasionada por estes agentes. A associação com fármacos opióides potencializa a sedação e o
efeito analgésico. Os efeitos anticonvulsivante, miorrelaxante e ansiolítico dos benzodiazepínicos viabilizam
sua associação por antagonizar os efeitos colaterais promovidos pelos anestésicos dissociativos. O uso da
atropina, apesar de inibir a sialorréia induzida pelo agente dissociativo, tem sido questionado por resultar em
taquicardia excessiva. Os agonistas α-2 adrenérgicos também têm sido utilizados, embora os efeitos
miorrelaxante, sedativo e analgésico resultem em potencialização da anestesia dissociativa, o uso destes
fármacos pode resultar em maior depressão cardiovascular. (Tabela 4)

Tabela 4. Associações para anestesia dissociativa em pequenos animais.


Fármacos/Associações Doses (mg/kg)
TÉCNICA A MPA: Acepromazina (0,05mg/kg IM) + Morfina (cão: 0,5mg/kg IM; gato: 0,3mg/kg
Acepromazina/OPIOIDE* IM) OU Metadona (0,5mg/kg IM) OU Butorfanol (0,2-0,4mg/kg IM)
Cetamina/Diazepam OU Midazolam 15 minutos após:
*Ex: Morfina; Metadona, Butorfanol. Cetamina (5mg/kg IV) + Diazepam (0,25mg/kg IV) OU Midazolam (0,2mg/kg IM)
Indicações: Indução da anestesia geral inalatória; Procedimentos ambulatoriais; Procedimento cirúrgico de curta duração
(30 minutos).
Período anestésico hábil: ~ 10-20 minutos (para prolongar efeito, administrar, 1/3 da dose original de diazepam ou
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midazolam + cetamina IV).


Não utilizar acepromazina na MPA em animais debilitados (usar somente opióide)
Efeitos miorrelaxante, ansiolítico e anticonvulsivante dos benzodiazepínicos atenuam hipertonia muscular e excitabilidade
da cetamina.
TÉCNICA B MPA: Acepromazina (0,05mg/kg IM) + Morfina (0,5mg/kg IM) OU Metadona
Acepromazina/OPIOIDE* (0,5mg/kg IM) OU Butorfanol (0,2-0,4mg/kg IM)
Cetamina/Diazepam OU Midazolam 15 minutos após:
*Ex: Morfina; Metadona, Butorfanol. Cetamina (15-20mg/kg IM) + Diazepam (0,5mg/kg IM) OU Midazolam (0,2mg/kg IM)
Indicações: Procedimento cirúrgico de média duração (até 40 a 60 minutos).
Período anestésico hábil: ~ 20-40 minutos (para prolongar efeito, administrar, 1/3 da dose original da cetamina IV).
Não utilizar acepromazina na MPA em animais debilitados (usar somente opióide)
Efeitos miorrelaxante, ansiolítico e anticonvulsivante dos benzodiazepínicos atenuam hipertonia muscular e excitabilidade
da cetamina.
TÉCNICA C MPA: Acepromazina (0,05mg/kg IM)
Acepromazina 15 minutos após:
Xilazina/Cetamina Cetamina (15-20mg/kg IM) + Xilazina (1mg/kg IM)
Indicações: Procedimento cirúrgico de média duração (até 40 a 60 minutos)
Período anestésico hábil mais prolongado que na técnica anterior (para prolongar efeito, administrar, 1/3 da dose original da
cetamina IV).
Miorrelaxamento e sedação da xilazina atenuam a hipertonia muscular e excitabilidade da cetamina.
Efeito analgésico complementar (analgesia visceral da xilazina e somática da cetamina)
Depressão respiratória.
Recuperação tranqüila devido aos efeitos prolongados da acepromazina.
Técnica contra-indicada em pacientes idosos, cardiopatas ou debilitados.
TÉCNICA D MPA: Acepromazina (0,05mg/kg IM) + Morfina (0,5mg/kg IM) OU Metadona
Acepromazina/OPIOIDE* (0,5mg/kg IM) OU Butorfanol (0,2-0,4mg/kg IM)
Tiletamina/Zolazepam 15 minutos após:
*Ex: Morfina; Metadona, Butorfanol. Tiletamina/zolazepam (7,5-10mg/kg IM)
Indicações: Procedimento cirúrgico de duração prolongada (até 60 a 90 minutos)
Período anestésico hábil mais prolongado que associação similar utilizado cetamina (para prolongar efeito, administrar, 1/3
da dose original de tiletamina/zolazepam IV).
Recuperação mais prolongada que associações utilizando cetamina.
Risco de excitação na recuperação de cães (minimizado com acepromazina)
Não utilizar acepromazina na MPA em animais debilitados; para evitar excitação na recuperação, associar diazepam (0,5
mg/kg IM) associado à primeira administração da tiletamina/zolazepam.
TÉCNICA E MPA: Acepromazina (0,05mg/kg IM)
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Acepromazina 15 minutos após:


Xilazina/ Tiletamina/Zolazepam Xilazina (1mg/kg IM) + Tiletamina/zolazepam (7,5-10mg/kg IM)
Indicações: Procedimento cirúrgico de duração prolongada (até 60 a 90 minutos)
Período anestésico hábil mais prolongado que associação similar utilizado cetamina (para prolongar efeito, administrar, 1/3
da dose original de tiletamina/zolazepam IV).
Efeito analgésico complementar (analgesia visceral da xilazina e somática da tiletamina).
Maior depressão cardiorrespiratória quando comparada à técnica anterior (Técnica D).
Recuperação tranqüila devido aos efeitos prolongados da acepromazina.
Técnica contra-indicada em pacientes idosos, cardiopatas ou debilitados.

A anestesia inalatória é a anestesia obtida por meio da absorção de um principio ativo pela via
respiratória, passando para a corrente circulatória e atingindo o sistema nervoso central, produzindo
anestesia geral. Pode ser utilizada na indução e na manutenção anestésica. Permite maior controle do plano
anestésico por parte do anestesista, que aprofunda ou superficializa a anestesia conforme a necessidade, em
uma velocidade que depende diretamente das características do agente que está sendo utilizado. De maneira
geral a recuperação anestésica é mais rápida quando comparada às técnicas de anestesia intravenosa total,
mas a velocidade é diretamente proporcional ao tempo de manutenção anestésica, ao tipo de indução
anestésica realizada e à medicação pré-anestésica administrada. A metabolização e eliminação do agente
anestésico inalatório são rápidas, sendo sua eliminação na forma intacta, em grande parte realizada pela via
respiratória.
Por outro lado, a realização da anestesia inalatória requer a aquisição de aparelhagem especifica e
de treinamento dos profissionais que deverão executá-la. É importante que haja monitoração contínua e
atenda do paciente, evitando-se erros na profundidade do plano anestésico.
Os anestésicos inalatórios halogenados (halotano, isofluorano e sevofluorano) se difundiram
amplamente para uso na anestesia veterinária. Entre estes, o isofluorano é o halogenado mais utilizado na
anestesia de pequenos animais. Este anestésico é indicado para pacientes de risco, confere mínimos efeitos
cardiovasculares, depressão respiratória dose-dependente, metabolização hepática mínima (0,2%) com baixa
capacidade de produzir nefrotoxicidade.

BLOQUEIOS REGIONAIS
Com a associação dos bloqueios regionais à anestesia geral, aumenta-se a eficiência analgésica
durante o procedimento cirúrgico, reduz-se o consumo do anestésico geral o que aumenta a segurança da
anestesia e minimiza complicações associadas a planos anestésicos profundos como hipotensão, bradicardia
e hipoventilação. Além disso, os pacientes mantidos em planos anestésicos mais superficiais recuperam-se
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mais rapidamente da anestesia. Estes bloqueios promovem analgesia residual no período pós-operatório,
determinando conforto para o paciente e redução da necessidade de analgésicos sistêmicos. As técnicas são
facilmente realizadas e praticamente não oferecem riscos, quando bem utilizadas.
O material utilizado para a realização destes bloqueios é constituído de agulhas, seringas e
anestésicos locais. As seringas recomendadas são de 1 ou 3 ml, uma vez que utiliza-se volumes pequenos
para cada bloqueio . Há a possibilidade de utilizar seringas de aço inoxidável próprias para procedimentos
odontológicos. A utilização destas seringas requer agulhas especiais apropriadas e frascos de anestésicos
locais de dosagem única (1,8 ml).

Recomenda-se agulhas de tamanhos 13 x 4,5mm ou 25-40 mm x 0,7 mm com bisel curto e pouco
cortante, já que há maior probabilidade de lesão nervosa com a agulha de bisel longo. O bisel de ponta
cortante, por sua vez, dificulta a sensação de resistência à introdução da agulha, não permitindo a definição
precisa de sua localização. Caso as agulhas padrão forem utilizadas, posicionar o bisel na mesma direção
das fibras nervosas para minimizar a ocorrência de incisão inadvertida das mesmas.

Para a realização dos bloqueios periféricos, podem ser utilizadas a lidocaína 0,5 a 2%, a bupivacaína
a 0,25 a 0,5%, e a ropivacaína a 0,5% e a 0,75% respeitando-se a dose tóxica de cada fármaco.(Tabela 5) A
adição de adrenalina ao anestésico, imediatamente antes de seu emprego, é vantajosa em razão da maior
duração do bloqueio, principalmente quando associada à lidocaína, e do menor nível sérico que acarreta.

Tabela 5. Doses máximas permitidas dos anestésicos locais em pequenos animais


Dose (mg/kg) Dose Tóxica Dose Tóxica
Anestésico Local Convulsiva (mg/kg) Letal (mg/kg)
Com Epinefrina Sem Epinefrina

Lidocaína 7 5 11-20 16-28

Bupivacaína 3 2 3,5-4,5 5-11

Ropivacaína 5 3 4,9 20

Fonte: SKARDA, 1996

A bupivacaína com ou sem epinefrina é o anestésico local de escolha na odontologia veterinária


devido ao seu longo período de ação comparado a outros fármacos. O volume de anestésico local
recomendado varia de acordo com o tipo de bloqueio realizado. O período de efeito é de 3 a 10 horas,
promovendo analgesia dos tecidos moles, de 6 – 8 horas (quando administrado dentro do forame), de 4 a 6
horas (quando infiltrado na região do forame) e, de 1,5 a 3 horas para polpa dentária.

As anestesias regionais realizadas na cabeça são obtidas principalmente através do bloqueio de


ramificações nervosas sensitivas do nervo trigêmeo.
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O nervo trigêmeo é o maior dos nervos cranianos. Sua origem aparente localiza-se no tronco
encefálico na região ventral do bulbo ou medula oblonga, logo após a ponte, e está constituído por um grande
ramo sensitivo e um pequeno ramo motor. O ramo sensitivo expande-se ao longo da superfície plana do
gânglio trigeminal, o qual dá origem a três grandes divisões: os nervos maxilar, mandibular e oftálmico.

Os bloqueios regionais normalmente utilizados para os procedimentos odontológicos promove


dessensibilização dos nervos maxilar e mandibular, bem como suas ramificações (Figura 1). Assim sendo, é
realizado o bloqueio do nervo infra-orbitário, o bloqueio do nervo maxilar, o bloqueio do nervo mentoniano e
alveolar mandibular.

Nervo Maxilar

Nervo
Infraorbitário

Nervo
Mandibular

Nervo Alveolar
Mandibular

Figura 1. Ramificações do nervo trigêmio. ( Fonte: Anderson & Anderson, 19941) Nervos Mentonianos
Caudal, Médio e Rostral

Bloqueio Regional do Nervo Infra-orbitário (Figura 2A): A agulha pode ser inserida pela parte interna ou
externa da boca, aproximadamente 1 cm cranialmente à protuberância óssea do forame infra-orbitário. Em
gatos, o forame localiza-se dorsalmente à bifurcação do terceiro dente pré-molar maxilar, entre a junção do
arco zigomático e o osso maxilar.

Região de anestesia: lábio superior e focinho, teto da cavidade nasal, pele ao redor do forame infra-orbitário,
dentes incisivos, caninos e pré-molares.

Bloqueio do Nervo Maxilar (Figura 2B): A agulha deve ser introduzida perpendicular à pele em um ponto
localizado cranial ao ramo vertical da mandíbula, na borda ventral do arco zigomático, aproximadamente 0,5
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cm caudal à comissura lateral do olho, devendo avançar a agulha o mais próximo possível da fossa
pterigopalatina.

Região de Anestesia: dessensibilização completa da maxila ipsilateral, dentes maxilares ipsilaterais, focinho e
lábio superior.

Bloqueio do Nervo Alveolar Mandibular: Há duas técnicas de administração: uma extra-oral e outra intra-oral.

Técnica extra-oral (Figura 2C): O paciente deve ser posicionado em decúbito lateral ou dorsal. A agulha deve
ser inserida através da pele, perpendicularmente ao ramo horizontal, próximo ao ângulo da mandíbula
acompanhando a face medial até a região do forame mandibular, onde o nervo alveolar mandibular adentra o
canal mandibular. Nos cães, este forame localiza-se ventralmente a um ponto médio de uma linha imaginária
traçada entre a proeminência caudal do processo angular mandibular e a junção rostral entre o processo
coronóide mandibular e o terceiro dente pré-molar. Nos gatos, o forame está localizado ventralmente ao ponto
médio da linha imaginária traçada entre a extremidade caudal do processo angular da mandíbula e a junção
caudal da coroa do primeiro dente molar e a gengiva

Técnica intra-oral (Figura 3): deve-se palpar o forame mandibular na cavidade oral, localizado na face lingual
da mandíbula a uma distância de dois terços entre o último dente molar e o processo angular da mandíbula,
sendo este último palpado externamente na maior projeção caudoventral da mandíbula. Uma vez localizado o
forame introduz-se a agulha pela face lingual da mandíbula até sua proximidade e injeta-se o anestésico.

Região de anestesia: mandíbula, dentes mandibulares, a língua e os tecidos moles referentes ao lado da
infiltração.

B A

C
Figura 2. Posicionamento das agulhas para os bloqueios regionais em cabeça:
D
Infraorbitário (A); Maxilar (B); e Mandibular (técnica extra-oral) (C) e Mentoneano (D)
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Figura 3. Bloqueio do nervo alveolar mandibular (técnica intra-oral)


Bloqueio Regional do Nervo Mentoniano (Figura 2D): Nos cães, o forame mentoniano médio localiza-se
ventralmente à raiz rostral do segundo dente pré-molar mandibular, imediatamente caudal ao frênulo labial.
Em gatos o forame mentoniano médio localiza-se caudalmente ao ápice do dente canino mandibular.

Região de anestesia: região rostral da mandíbula, os dentes caninos, incisivo e primeiro pré-molar mandibular
e o tecido mole da região de infiltração do anestésico local.

CONTROLE DA DOR PÓS-OPERATÓRIA

Dependendo da magnitude do procedimento odontológico, o estímulo doloroso gerado pode ter


duração pós-operatória de 24 a 72 horas sendo necessário também instituir tratamento analgésico durante
este período.
Os sinais sugestivos de dor pós-operatória são taquicardia, taquipneia, hipertensão, salivação,
palidez de mucosas e dilatação pupilar. Alterações de comportamento também podem estar associadas e
variam de letargia à agitação, vocalização associada à dor e/ou ansiedade e perda do apetite.
De modo geral, os fármacos mais utilizados para o controle da dor pós-operatória em procedimentos
odontológicos são os anti-inflamatórios e analgésicos adjuvantes como o tramadol (Tabela 6)

Tabela 6. Doses dos principais analgésicos no período pós-operatório

Fármacos Dose (mg/kg)


Cães Gatos
Cetoprofeno 2 mg/kg uma vez, via oral 2 mg/kg uma vez, via oral
Seguido de 1 mg/kg cd 24h via oral Seguido de 1 mg/kg cd 24 via oral
Carprofeno 2,2 mg/kg cd 12h, via oral; 2 a 4 mg/kg, dose única, SC
4,4mg/kg cd 24h via oral Dosagem altamente variavel
Firocoxibe 5 mg/kg cd 24h via oral -
13

Meloxican 0,2mg/kg uma vez via oral, IV, SC 0,1 - 0,2mg/kg uma vez via oral, SC
Seguido de 0,1mg/kg cd 24h via oral, IV, Seguido de 0,05 – 0,1mg/kg cd 24h via
SC, durante 1 a 3 dias oral, SC, durante 1 a 3 dias

Tramadol 2 - 5mg/kg VO cd 8 – 12h 1 – 3mg/kg VO cd 12 – 24h


Fonte: GAYNOR, JS; MUIR, WW, 2009

REFERÊNCIAS

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