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textos

Morte
e vida de
Homero:
três visões
do poeta grego
publicadas
no século
XVIII
André Malta
Reprodução

166 REVISTA USP • São Paulo • n. 94 • p. 166-175 • JUNHO/JULHO/AGOSTO 2012

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H
á muito já se deu tros – pelo menos no modo de produção e ANDRÉ MALTA é
professor de Língua
a devida atenção recepção de sua obra: alguém que produzira e Literatura Grega
ao fato de que o solitariamente, com toda a sua força criativa, do Departamento
de Letras Clássicas
sen­t ido primeiro e segundo determinadas convenções, poemas e Vernáculas
da palavra grega que eram lidos pelos que se interessavam por da FFLCH-USP.
“mito” (mûthos) é literatura, por suas qualidades literárias e
o de “fala”, isto é, pelo universo que descrevia. Nesse contexto,
“ato de vocalização”, “emissão sonora ver- os “atos de fala”, que, numericamente, ocu-
bal”. Esse sentido fica claro nas inúmeras pam mais da metade do total de seus versos,
vezes em que o termo aparece na Ilíada e na jamais podiam ser tomados como “vocali-
Odisseia, quase sempre em referência às tam- zações” de fato, como elementos que faziam
bém numerosas falas dos personagens, àquilo parte de outra realidade poética, em que a
que chamamos hoje de “discurso direto”. No escrita e a leitura não desempenhavam papel
entanto, essa constatação permaneceu obscu- importante (ou mesmo não desempenhavam
recida pelo fato de essas “falas”, em Home- papel algum) e a fruição do texto se dava
ro, terem sido frequentemente encaradas tal exclusivamente no plano acústico. Isso impli-
qual encaramos as “falas” dos personagens cava não só enxergar de um modo diferente
em uma obra como Eneida, Os Lusíadas ou o poeta Homero, mas também reavaliar toda
mesmo um romance moderno: manifestações a sua poesia – seu modo de composição e
verbais diretas que permanecem “mudas”, transmissão, sua inserção social, seu valor –,
porque tanto aquele que as cria quanto aquele ou seja, implicava enxergar os poemas homé-
que as recebe estão ligados pelos atos gêmeos ricos e seu autor a partir de uma perspectiva 1 Ainda assim, Homero
recebeu pouca aten-
da escrita e da leitura, nos quais cada voz par- nova, que lhes concedia uma condição, um ção até final do sécu-
ticular faz-se ouvir apenas no pensamento. tempo, necessariamente diversos daqueles lo XVI por causa do
pouco conhecimento
Homero, efetivamente, desde sua redes- contemporâneos. do grego antigo e da
coberta no Ocidente a partir do século XV A história da reavaliação do mais impor- ausência de traduções
para as línguas moder-
(as primeiras edições são de 1488-89)1, foi tante poeta da Antiguidade é uma história nas. Ver Myres, 1958,
em geral visto como um escritor como ou- da percepção de sua oralidade, uma história pp. 37-9.

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paulatina, descontínua, recheada de acertos jecturas Acadêmicas ou Dissertação sobre


e equívocos, que mobilizou inúmeros espe- a Ilíada (1715); o do italiano Giambattista
cialistas e se desenrolou à margem do grande Vico, autor de Sobre a Descoberta do Vero
público, trazendo resultados que transforma- Homero (1730); e o do inglês Robert Wood,
ram nossa maneira de ler (sim, continuamos com seu Ensaio sobre o Gênio Original de
a ler) a Ilíada e a Odisseia. Ela é, sobretudo, Homero (1769)2. A indicar o alcance da dis-
fruto do olhar histórico, que se volta para trás cussão, é interessante notar que os três livros
e busca, em cada objeto, sua origem e seu foram escritos em línguas diferentes; dado
desenvolvimento, porque tem consciência de mais relevante ainda é terem sido todos eles
tudo, e se dá segundo um processo de trans- postos em vernáculo, o que, por si só, mar-
formação no tempo e no espaço. É, portanto, ca uma diferença substancial em relação à
no século XVII e, com muito mais força, no abordagem científica do trabalho de Wolf.
século XVIII, que Homero passa a ser visto
como um “estrangeiro”, isto é, como um poe­
ta de outra época, com características pró-
ABADE DE AUBIGNAC
prias, que demandam uma visada crítica. E Desse grupo de antecessores, o texto do
se é verdade que essa abordagem nova levou Abade d’Aubignac é certamente o mais in-
a uma postulação quase que imediata da ori- teressante, não só por conta de seu desen-
gem oral da poesia homérica (ainda que vaga volvimento mais aturado e por antecipar a
e imprecisamente), é preciso dizer, contudo, visada analítica, mas também pelo fato de
que mais importante do que o rótulo foi o ter feito parte da rixa literária que tomou
debate sobre as implicações dessa oralidade, conta da França entre 1687 e 1716, batizada
não só em relação à imagem que se tinha de de “Querela dos Antigos e Modernos”. A re-
Homero, mas também em relação ao modo dação do livro, aparentemente, foi concluída
de se abordar sua poesia e seu tempo. apenas em 1670, poucos anos antes de sua
A obra fundamental para compreender morte (em 1673 ou 1676), mas foi na época
os principais caminhos seguidos pelos es- em que veio a público, 45 anos depois de es-
tudos homéricos nos últimos dois séculos crita, que Homero de fato se encontrou no
foi escrita em latim por um acadêmico de centro do debate entre os que, de um lado,
língua alemã, Friedrich August Wolf, e pu- defendiam a superioridade literária dos mo-
blicada em Halle no fim do século XVIII, dernos (liderados por Houdard de La Motte),
em 1795. Seu título original, Prolegomena e os que, no lado oposto do front, se afer-
ad Homerum (Prolegômenos a Homero), ravam à autoridade dos escritores antigos
não dá a exata medida do seu conteúdo, que (capitaneados por Anne Dacier). A eferves-
ambiciona ser bem mais do que um sim- cência é testemunhada pela quantidade de
ples prefácio ou introdução a Homero. Para publicações envolvendo a poesia homérica
entender o livro de Wolf, no entanto, seria (e a Ilíada em especial) nesse período, com
preciso primeiro situá-lo dentro do contexto ataques e contra-ataques, com “discursos”,
maior das discussões em que a poesia ho- “dissertações críticas”, “exames”, “apolo-
mérica estava envolvida no século XVIII, gias”, “defesas”, traduções, versões aperfei-
2 Adam Parry menciona e apontar alguns dentre seus vários precur- çoadas (!), criações para o teatro, etc. 3. O
também esses três no-
mes, mas os discute de
sores. Ainda que o alemão não receba uma abade – ele mesmo dramaturgo e tratadista,
maneira mais breve. influência decisiva desses que vou mencionar propositor da famosa regra das três unidades
Ver sua introdução
aqui, suas obras revelam que a ideia vaga de em sua obra A Prática do Teatro (de 1657)
em Parry (1971, pp. xii
e segs.). um cantor iletrado que recitava seus poe- – era um dos partidários da visão moderna
3 V
 er a edição crítica de mas já estava difundida no ambiente culto. então prevalecente, e isso se evidencia no
Victor Magnien, de Três nomes são fundamentais: o do francês tratamento cartesiano dispensado a Home-
1925, e sua introdu-
ção, especialmente
François Hédelin, Abade d’Aubignac, que ro, cuja obra não resistia ao teste de fogo
pp. xviii e segs. teve publicadas postumamente suas Con- das regras fundamentais da arte literária.

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Seu argumento central era bastante sim- seu filho Hiparco, no fim do século VI a.C.,
ples, mas extremamente audacioso para a “tendo chegado até nós nesse mesmo estado”
época (o que talvez explique o retardo na (Magnien, 1925, pp. 45-6 e 61).
publicação, e essa ter acontecido de modo É para sustentar essa sua hipótese que o
anônimo)4: a análise detalhada das inconsis- abade vai se voltar, na segunda parte (que
tências – morais, estilísticas, narrativas, etc. corresponde ao grosso do livro), para a análi-
– encontradas na Ilíada somada a algumas se da própria Ilíada: submetida ao crivo car-
informações históricas sobre a atividade rap- tesiano, ela se revelará uma narrativa repleta
sódica e a ausência de escrita indicavam cla- de problemas, todos eles a apontar cabalmen-
ramente para o abade que a obra não podia ser te a impossibilidade de ser a construção aca-
resultado do trabalho de um autor, mas sim o bada de um único autor. A começar pelo “de-
resultado de uma compilação de cantos, e que senho”, a lista de defeitos é evidente: o título
Homero, portanto, nunca existiu. A heresia não descreve convenientemente a ação; não
central consistia, naturalmente, em suprimir existe um eixo principal; não se narra o jul-
a existência do grande Homero, em “matar” gamento de Páris nem a tomada de Troia; a
o homem que tinha produzido os grandes invocação é limitada; o fim não é adequado;
monumentos da nossa literatura ocidental5. há excesso de narrativas incidentais, etc. É
Ciente da dimensão da empreitada, o conduzido pelas “regras da arte”, pela “razão
abade inicia sua obra pedindo permissão ao natural”, pela “verossimilhança” – ou seja,
leitor para falar com “inteira liberdade” so- por aquilo que o poeta deve em qualquer
bre Homero, para que assim se abandone a tempo fazer, segundo as suas concepções de
complacência em relação a esse “nome tão construção poética –, que o autor vai apon-
venerável, e que talvez não tenha sido outra tando as “excrescências” no que deveria ser
coisa senão um simples nome”, e sobressaia um “corpo perfeito” (apud Magnien, 1925,
o uso da razão (Magnien, 1925, pp. 1-4)6. Em p. 67). Para que se tenha ideia do enfoque,
seguida, na primeira parte do livro – mais basta mencionar a crítica que dirige à longa
curta, cujo título “Homero Não Existiu” trai conversa entre Diomedes e Glauco no Canto 4 É J. Davison (s.d., p. 243)
o gosto pela polêmica e a vontade de cho- 6: para o abade, “um poeta sábio, que traba- que atribui a demora
car –, o francês passa a expor, apoiado em lhasse por seu próprio gênio na fabricação
na publicação a um
possível choque com
relatos tradicionais, os dados históricos que de uma grande obra, tomaria o cuidado de o teor da obra. Mes-
corroborariam essa sua visão: 1) a ausência jamais fazer seus heróis contarem histórias mo sem a indicação,
a autoria nunca foi
de informações concretas relativas à vida do quando estão com armas nas mãos e prestes posta em dúvida. Ver
poeta; 2) a designação dos cantos da Ilíada a arrancar vidas” (Magnien, 1925, p. 72). Na Magnien, 1925, pp. xii
e segs.
e da Odisseia pelo termo “rapsódias”, termo sequência, a mesma censura, com base no
que originalmente indica “recolha de cantos que é plausível ou crível, vai se aplicar ao
5 É interessante notar
que o ano de 1715
costurados entre si” (Magnien, 1925, p. 33); diálogo de Menelau com Euforbo, no Canto marca também o iní-
3) os testemunhos antigos, sobretudo o de 17, e ao de Aquiles com Eneias, no Canto 20. cio da tradução da
Ilíada por Alexander
Flávio Josefo (século I), que no seu Contra Mais adiante, ao falar das divindades no Pope, na qual o poeta
Ápion (1.2) afirma que os poemas homéricos poema, o autor nega que tenham função ins- inglês ataca a visão
francesa “moderna”,
foram transmitidos oralmente até sua com- trutiva ou alegórica, e põe mais uma vez na de exaltação da arte
pilação tardia por escrito, o que explicaria conta da compilação a presença de “coisas virgiliana, em favor da
força criadora – e por
suas muitas inconsistências. A conjectura tão irracionais, tão distantes da natureza”, isso às vezes imperfei-
preliminar é de que a Ilíada representa a coisas que “um poeta inteligente” jamais te- ta – de Homero.
junção de quarenta poemas diferentes (de ria feito (Magnien, 1925, p. 89). O mesmo se 6 E não é porque Aris-
mais ou menos quatrocentos versos cada), aplica aos heróis: julgados “pelas regras do tóteles elogia o poeta
em sua Poética que
surgidos de maneira independente (mas que bom senso”, conclui-se que Aquiles e Aga- d eve m os s e gui - l o
jamais poderiam ter sido compostos por um mênon brigam por “motivo vil” e que não há (continua o abade):
suas verdades não são
homem só) e posteriormente reunidos pelas a “grande alma” (Magnien, 1925, pp. 93-4); infalíveis (Magnien,
atividades do tirano ateniense Pisístrato e de além do mais, a conduta “judiciosa” manda 1925, pp. 10-2).

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que se mantenha sempre o herói principal “à e da Odisseia com base nas suas supostas
vista dos leitores”, “sobre o palco” – e manda inconsistências; e, finalmente, a referência às
ainda (vale acrescentar) que ele e os demais repetições e ao uso dos epítetos – elementos
não sejam apresentados a toda hora em lá- que vão reaparecer, sob a capa do cientificis-
grimas, e sem serviçais para lhes preparar mo filológico, no século XIX, livres de certo
a refeição (Magnien, 1925, pp. 97 e 103-4)! amadorismo do abade, e permanecerão no
Finalmente, no trecho que encerra o tra- centro do debate no século XX.
balho encontramos a discussão específica Deve-se destacar que, no que diz respeito
sobre as “discordâncias diversas” (Magnien, à questão da oralidade, o abade7 não é claro.
1925, pp. 123-44); ela é importante porque se Embora se apoie, como vimos, em Flávio
apoia nas supostas contradições internas do Josefo (que postulava uma origem oral para
poema – ainda sem muita precisão – para de- a poesia homérica) e afirme que a Ilíada se
fender o caráter compósito da narrativa. Para formou a partir de cantos costurados entre si,
o abade, mais uma vez, “um único autor, ain- seu texto dá a entender que não postula uma
da que pouco hábil, não teria cometido tais época de produção poética exclusivamente
contradições, que se podem chamar de erros mnemônica, em que a escrita está ausente.
de julgamento; pois, tendo em vista a obra Veja-se este trecho:
inteira, ele teria observado a conveniência,
sem destruir uma coisa com outra” (Mag- “Uma vez que Homero não deixou absolu-
nien, 1925, p. 124). Entre as incongruências tamente por escrito as obras que levam seu
citam-se o modo como pinta certos perso- nome, deve-se concluir que ele jamais as
nagens, como Páris (covarde no Canto 3 e compôs, e, se ele jamais as compôs, deve-se
valente no Canto 11) ou Aquiles (amante do concluir que ele não existiu absolutamente.
butim no Canto 1 e indiferente aos presentes Pois como é possível que ele tenha composto
de Agamênon no Canto 19); a presença de essas poesias, sem jamais as ter posto por
repetições desnecessárias, como quando, no escrito, e se possa ter conhecimento delas,
Canto 1, Aquiles repete para a mãe a narra- contendo mais de trinta mil versos? Seria
tiva do início do poema; a mistura do tom preciso que tivessem sido repetidas durante
em geral elevado com o burlesco (presente toda a sua vida, e que as gentes não tivessem
no diálogo de Zeus com Hera no Canto 1); a feito outra coisa senão escutá-lo para poder
recorrência dos epítetos, tão destacadamente aprendê-las” (apud Magnien, 1925, pp. 40-1).
“que se tornam insuportáveis”, sendo muitos
deles aplicados indiferentemente a vários he- A conclusão que se pode tirar desse ra-
róis, com o agravante de que isso é feito “sem ciocínio um pouco frouxo é que, se Homero
qualquer conveniência, sem energia, sem au- tivesse existido, teria escrito seus poemas,
mentar a força do sentido e a graça da expres- sobretudo em se tratando de um conjunto de
são” – defeito que, segundo o abade, só veio versos tão extensos, que não poderiam ser
a aparecer porque a reunião de dezenas de preservados exclusivamente pela memória8.
poemas independentes, baseados num “bem Duas associações chamam a atenção aí: a
comum”, tornou o que era belo “vicioso”. entre criação poética (coerente) e escrita; e
Por esse breve apanhado, é possível notar a entre extensão poética e escrita. Como, nas
como a obra tocava, em fins do século XVII, Conjecturas Acadêmicas, parte-se da ideia
naqueles pontos que seriam fundamentais dupla de que a Ilíada não tem unidade artísti-
7 O abade parecia não
para o desenvolvimento dos estudos homé- ca e é um conglomerado de pequenos cantos,
conhecer bem o gre-
go, e se confunde em ricos: a importância de certas informações fica sim indicada a oralidade da produção
determinados mo - históricas sobre a oralidade e uma “recen- poética, mas ela não recebe uma atenção pró-
mentos. Ver Magnien,
1925, pp. xl, xli e 128-9. são” antiga dos poemas; o emprego de um pria e não se separa do letramento – elemento
8 Ver o que diz Luigi Fer-
racionalismo extremo (e arbitrário) na leitura que depois será fundamental.
reri (2007, pp. 152-3). crítica; a tentativa de decomposição da Ilíada Já sobre a intervenção de Pisístrato (ou

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O filósofo
Giambattista Vico

de seu filho Hiparco) na organização dos mente retórico, feito sob o prisma das regras
poemas, o abade não diz nada que não tenha do bem escrever então vigentes na França do
já aparecido no texto de autores que vieram Dezessete – unidade, verossimilhança, bom
antes dele, e que se apoiaram nas mesmas gosto, etc. –, à semelhança do que já precei-
fontes, embora não especifique se ela implica tuava Júlio César Escalígero em sua Poética
uma redação9. O que mais chama a atenção (1561), ao louvar a arte de Virgílio em detri-
no livro, sem dúvida, é a proposição de que mento da de Homero. Há, certamente, por trás
Homero não existiu. Por mais equivocado do seu arrazoado, uma ideia de progresso, se-
que tenha sido o caminho pelo qual chegou gundo a qual os “modernos” eram capazes de
a ela, o fato é que antecipa a ênfase que será produzir, a partir da imitação, e de uma pers-
posteriormente dada à tradição em detri- pectiva superior, obras mais acabadas que as
mento da figura do poeta-autor. Podemos antigas, cuja autoridade não era total; mas
medir o grau de perplexidade que essa ideia essa é uma visão evolutiva estática, que não
causava em sua época pela reação dos seus consegue sair da obra para o contexto, e que
próprios camaradas “modernos”, que igual- aplica indiscriminadamente ao passado suas
9 Para um detalhamen­­
to dos nomes, ver o
mente rejeitaram, junto com os adversários regras (que, paradoxalmente, de lá vieram). citado livro de Luigi
“antigos”, tamanho absurdo, um verdadeiro Ferreri (2007, p. 1), que
toma a questão homé-
paradoxo: uma obra que não tem autor e é
GIAMBATTISTA VICO rica como sendo, basi-
fruto do acaso (Ferreri, 2007, pp. 145 e segs.). camente, o “problema
da redação de Pisístra-
O fato é que, em perspectiva mais ampla, Essa determinação histórica vai surgir to”, e a investiga desde
nessas Conjecturas Acadêmicas não percebe- com mais clareza no texto célebre de Vico, o século XVI até o XVIII,
de modo exaustivo,
mos ainda uma visão propriamente histórica Sobre a Descoberta do Vero Homero, que incluindo autores em
a respeito do poema; o enfoque é essencial- corresponde ao livro terceiro de sua Ciência geral ignorados.

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Nova. Nele, a reflexão sobre Homero vem Em apoio ao que diz, cita a presença de De-
atrelada a dois elementos principais: 1) a módoco no Canto 8 da Odisseia e a possibili-
admissão de um estágio primitivo da huma- dade de o próprio nome “Homero” significar
nidade no seu processo de desenvolvimento “cego” (Cristofolini, 2006, p. 95).
(favorecida pela comparação com os povos Não é essa, no entanto, a formulação
indígenas das Américas, há pouco descober- mais debatida da obra. Vico guarda para o
tas); 2) a atribuição ao mito (que é o modo de último capítulo, intitulado justamente “A
pensar dessa época, essencialmente poético) Descoberta do Vero Homero”, a reflexão so-
de um sentido histórico e sociocultural, e bre o papel que se deve reservar ao Homero
não mais normativo e alegórico. Aplicadas histórico. Cito a tradução de Sonia Lacerda
a Homero, essas ideias resultam na visão de (2003, p. 283):
uma poesia representativa de uma Idade He-
roica do homem, cujos costumes ela retrata “Todas essas coisas agora nos compelem
em seu testemunho histórico. As fábulas, a afirmar que com Homero ocorreu justa-
segundo Vico, têm um sentido verdadeiro e mente como com a guerra troiana, a qual,
refletem as propriedades de um povo inteiro. conquanto tenha fornecido um afamado
São, portanto, os primeiros tempos da Gré- marco dos tempos à história, os críticos
cia que a poesia homérica nos mostra, e não mais precavidos julgam que nunca se travou
lições filosóficas escamoteadas. no mundo. E certamente, como da guerra
Mas a parte mais interessante é a que troiana, se de Homero não tivessem resta-
vem a seguir, que corresponde à segunda do certos vestígios tão grandes quais são
metade da obra (que, no total, não ultrapas- os seus poemas, diante de tantas dificulda-
sa as trinta páginas), quando Vico aduz as des se diria que ele foi um poeta de ideia, e
“provas filosóficas” e as “provas filológicas” não um homem particular existente na na-
relativas à descoberta do “vero” (“verdadei- tureza. Mas tais e tantas dificuldades, jun-
ro”) Homero. É nesse ponto que ganha desta- to com os poemas que dele nos chegaram,
que o papel atribuído à memória. Retomando parecem forçar-nos a afirmá-lo pela metade:
o já citado passo de Flávio Josefo, sobre a que este Homero tenha sido uma ideia ou
ausência de escrita na época do poeta épico caráter heroico de homens gregos, enquan-
(e supondo que os poemas foram ordenados to narradores, em cantos, de sua história”.
pelos pisistrátidas num período já letrado)10,
o filósofo napolitano reflete sobre a necessi- Logo em seguida, veremos ainda a afir-
dade de se recorrer, nessas circunstâncias, ao mação de que “esses povos gregos foram este
metro e ao ritmo para garantir a preservação Homero”, e que a representação tradicional
das informações. Nesse contexto, os rapso- de Homero não mais é do que a reunião,
dos desempenham papel fundamental: eles numa figura só, do que era característico
eram “homens do povo, que conservavam dos rapsodos (apud Cristofolini, 2006, p. 99).
um a um, de memória, os livros dos poemas Finalmente, ao tratar das diferenças entre a
homéricos. Porque Homero não deixou por Ilíada e a Odisseia, Vico abandona a visão
escrito nenhum de seus poemas” (apud Cris- exposta por Longino no seu tratado Do Su-
tofolini, 2006, pp. 71-9 e 85-7). Entenden- blime (de que a primeira corresponderia à
do também o termo “rapsodo” segundo sua fase madura do poeta, e a segunda, ao tem-
10 Flávio Josefo é men- difundida etimologia – como “o costurador po da velhice) para propor que cada epopeia
cionado nas páginas
71 e 85, e os pisistráti-
de cantos” –, Vico imagina que, na Grécia testemunha um período e um local diferentes
das, na página 87. Uti- antiga, esses cantores eram figuras pobres e no desenvolvimento da Grécia antiga. Com
lizo a edição de Paolo itinerantes; mais do que isso: que eram ce- isso, tira-se de Homero uma existência real
Cristofolini (2006).
gos, porque “é propriedade da natureza hu- e atribui-se a ele um valor simbólico, num
11 Ver discussão de So-
nia Lacerda (2003, pp. mana que os cegos tenham um desempenho contexto de produção coletiva oral com forte
290-4). maravilhoso no que diz respeito à memória”. sentido histórico11.

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Notamos, portanto, que, trabalhando com da obra, venha sua Visão Comparativa entre
as mesmas fontes históricas do abade, Vico o Estado Antigo e Presente da Trôade, com
propõe leitura bem diversa, não só valorizan- mapas e ilustrações, a coroar seu pendor para
do (com forte idealização pré-romântica) o a topografia e a análise in loco.
universo homérico, cuja espontaneidade poé- Como diz na advertência inicial ao leitor,
tica é sinal de vitalidade e retrato da infância ele se propõe a “ler a Ilíada e a Odisseia
humana, mas também dando efetivo relevo nas regiões em que Aquiles combateu, por
ao uso da memória e à produção oral. Se ele onde Ulisses viajou, e nas quais Homero can-
propõe, de outra maneira, também uma espé- tou. […] Portanto, se se quer fazer justiça ao
cie de “morte” do grande Homero, que surge poe­ta, deve-se realizar, o mais possível, uma
como ideia ou súmula de toda uma tradição aproximação com o tempo e o local, com o
primitiva (o verdadeiro Homero é... o povo), ‘quando’ e o ‘onde’ escreveu” (Wood, 1775,
fica claro que o faz não em decorrência de pp. v e ix).
uma análise exclusivamente literária e ana- Pode-se afirmar, em outras palavras, que
crônica, mas sim em função de uma tentati- sua meta consistia em manter um olho nos
va de posicionamento histórico-cultural – ou poemas (que deveriam estar sempre à mão)
seja, o faz de um modo realmente inovador, e outro na paisagem, para que se confirmas-
que confere à epopeia grega estatuto diferen- sem mutuamente13. Os títulos dos capítulos
ciado. Nesse contexto, a oralidade é índice do livro deixam claro o tipo de enfoque ado-
de um outro momento da marcha da huma- tado: “A Região de Homero”; “As Viagens de
nidade, e por causa do enfoque filosófico do- Homero e Sua Navegação”; “Os Ventos de
minante ela surge em Vico de modo ainda Homero”; “A Geografia de Homero”; “Des-
idealizado e abstrato, sem uma compreensão crição de Faros e Alexandria” (para discutir
de fato do que representa, com suas especi- a precisão de uma informação do Canto 4
ficidades, para a leitura da poesia homérica. da Odisseia); “A Religião e a Mitologia de
Homero”; “Os Costumes de Homero” (em
que se vale da analogia com os povos mais
ROBERT WOOD “atrasados” do Oriente Próximo para atestar
Se há algum avanço da perspectiva histó- a verdade do que dizia Homero); “Homero
rica no trabalho de Robert Wood, Ensaio so- Enquanto Historiador”; e “A Cronologia de
bre o Gênio Original de Homero e Seus Es- Homero”.
critos, de 1769, ele consiste na apresentação Sobre a existência do poeta, sua posição é
de um olhar a princípio menos teórico e mais bastante diferente da de Vico. Embora enfati-
material, próprio de quem não era filósofo, ze o papel da oralidade e do canto, Wood, ao
mas político, com gosto pelas viagens; como contrário do florentino, acredita que Homero
diz John Myres, seu ensaio vinha levantar foi um poeta de carne e osso. Se para o filó-
questão muito semelhante à de Vico, mas “de sofo descobrir o verdadeiro Homero signifi-
um modo tipicamente inglês” (Myres, 1958, cava torná-lo múltiplo e difuso, confundi-lo
p. 59)12. Está ali a mesma visão de um Home- com a tribo dos rapsodos e, em última instân-
ro historiador (que, segundo Wood, “pinta- cia, com o próprio povo, para o inglês, Ho-
va” a realidade à sua volta), que não aceitava mero era o “gênio” cuja sensibilidade – sem
mais a impostura da alegoria; que pertencia a mediação tirânica da norma – havia permi-
a uma época primitiva e rude, provavelmente tido um retrato tão contundente e preciso de
anterior ao surgimento da escrita, e guiada um período recuado da Grécia antiga. Nesse
única e exclusivamente pela memória. No en- contexto, a escrita, tomada como sinal de 12 É em seu livro que en-
tanto, ao contrário de Vico, o inglês se empe- refinamento e avanço, é vista como algo ine- contramos a discussão
mais aprofundada so-
nha numa exposição extensa que comprove xistente. A questão propriamente dita (“Até bre Wood (pp. 59-66).
a realidade da poesia homérica; não é por que ponto o uso da escrita era conhecido por
13 Ver o que diz em seu
acaso que, como uma espécie de apêndice Homero?”) é colocada apenas na página 248 livro na p. xiv.

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textos

do livro, e vai ocupar o autor ao longo das ela, “embora conhecida na Grécia durante a
próximas cinquenta, mas é importante que época em que o poeta viveu, era muito pouco
se diga que não está no centro das atenções, praticada” (Wood, 1775, p. 276). Essa con-
restringindo-se ao último capítulo, “A Lín- cessão decorre, certamente, daquele receio
gua e a Instrução de Homero”. de chocar o público a que se endereçava a
Wood aborda o tema com cautela, ante- obra: Wood tinha clara consciência de que
vendo “o espanto do leitor com a insinuação sua proposta “podia parecer ofensiva ao Po-
de que Homero não sabia ler nem escrever” eta, uma vez que lhe roubava uma parte res-
(Wood, 1775, p. 248). Mas sua conclusão é peitável do caráter, há muito reconhecida, e
de que a adoção de um registro gráfico da contradizia a opinião preferida a respeito de
fala “é resultado de uma reflexão e de um sua instrução”; no entanto, ele conseguia ver
pensamento muito profundos” (Wood, 1775, “algumas vantagens decorrentes desse esta-
p. 249), ainda ausentes na selvagem época do de iletramento que compensavam aquela
homérica. Para confirmar essa ausência, ele perda” (Wood, 1775, p. 279): Homero era o
promove um vasto inventário de evidências poeta da natureza avesso às regras, e a imper-
(que talvez seja o que há de mais contunden- feição da arte, os modos rudes e a sociedade
te e inovador no livro): o fato de não haver iletrada eram as condições que melhor se
nenhuma menção nos poemas à escrita; o ajustavam ao seu caráter. Essa simplicidade
uso restrito, lento e complexo da anotação se refletia, por fim, em seu estilo não escrito,
alfabética em sua fase inicial; a escassez de em que não têm lugar períodos desenvolvi-
materiais, que ficavam restritos à pedra e à dos e linguagem intricada, e “as repetições
madeira; o modo solene como Homero se de passagens inteiras (pelo que Homero é
dirige às Musas, filhas da Memória; a trans- censurado) eram não apenas mais naturais,
missão não escrita das leis nos primeiros mas também menos perceptíveis e, portan-
tempos; o testemunho de Flávio Josefo; e, to, menos ofensivas” (Wood, 1775, p. 281).
finalmente, a atribuição (principalmente a Temos aí então as reflexões centrais de
Pisístrato) de uma ordenação da Ilíada e da Wood: embora pertencente a uma época bár-
Odisseia, tomada como sinal da introdução bara, anterior aos refinamentos da cultura,
da escrita (Wood, 1775, pp. 278-9). Tudo isso Homero para ele é exato, verdadeiro e ori-
faz Wood colocar o poder da memória em ginal, e trabalhou (como o próprio Wood...)
primeiro plano – no que diz respeito a Ho- como um “viajante curioso e observador”
mero –, e estipular o ano de 554 a C. como o (Wood, 1775, p. 34), coletando e ordenando
período mais provável para a disseminação vasto material; além do mais, sua condição
do uso da escrita na Grécia antiga (Wood, é a de um poeta oral, que, por não recorrer
1775, p. 258). ainda à arte da escrita, só tem potencializa-
Em sua argumentação, Wood faz também das suas qualidades. No trabalho do inglês,
um levantamento das mais variadas ciências notamos de fato uma atenção especial à
em Homero (geografia, astronomia, medi- oralidade, mas a realidade é que o fato de
cina, pintura, anatomia, arquitetura, arte trabalhar com essa ideia de um Homero ge-
militar), para chegar à conclusão de que, na nial leva-o a não dar peso maior à tradição
obra do poeta, elas ainda não surgem como (como o faz Vico)14, e acaba traindo um olhar
ciências de fato, o que está de pleno acordo letrado e anacrônico, apesar das afirmações
com a simplicidade de sua época – anterior em contrário.
à fixação das artes e favorável à clareza, à No fim das contas, Wood parece trazer
originalidade e à verdade. O arrazoado – fica consigo o mesmo espanto que imagina em
claro – serve para encaminhar a constatação seu leitor perante a afirmação de que Ho-
de que, em consonância com as outras artes, mero não sabia ler nem escrever, e isso fica
14 Embora faça referên-
cia à “tradição oral” na também a da escrita deveria ser inexistente – indicado por sua insistência no uso do nome
página 259. mas nesse ponto o inglês recua e afirma que “Homero” (evidente nos títulos dos capítu-

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los), pelo destaque à sua grandeza como fazer suas analogias), cujo modo real de ope- 15 Wood faz menção à
autor e pela referência frequente aos seus rar, como poeta, permanece obscuro. Querela (sem citar a
obra do abade, que
“escritos” e a sua atividade de “escritor”. De qualquer modo, dos três trabalhos provavelmente des-
Essa contradição fica clara, por exemplo, vistos aqui, o de Wood foi o que teve maior conhecia) quando
trata dos costumes
no trecho citado acima, onde primeiro diz repercussão: dele foi publicada, em 1773, de Homero: “Os nos-
que “Homero cantou” para, logo na sequên- uma tradução para o alemão, encomendada sos polidos vizinhos
franceses parecem
cia, dizer que “Homero escreveu”. Trata-se, e prefaciada por Christian Gottlob Heyne. ficar muito ofendidos
naturalmente, de um “ato falho” decorrente Com seu ensaio, Wood ajudou a deflagrar com certos retratos da
simplicidade primiti-
de uma visão costumeira, muito arraigada, as abordagens antropológica, sociológica e va, tão distante dos
justamente a que ele quer combater, e ela por geográfica de Homero – além de anunciar modos refinados da
si só seria insuficiente para sustentar essa a arqueológica –, que teriam larga voga no sociedade moderna,
nos quais estão à fren-
crítica. O que parece sim indicar o acerto século XIX e fariam com que o poeta dei- te; e a isso podemos
dessa percepção é a ideia central com que xasse de vez de pertencer exclusivamente ao parcialmente atribuir
o tratamento duro que
trabalha e vai disseminada pelo livro: de que universo da poesia para surgir como teste- nosso Poeta recebeu
deve haver uma cabeça diretora por trás dos munho privilegiado de um outro tempo. Para da parte deles em fins
do século passado e
poemas (um pouco à maneira do abade, mas que isso acontecesse por completo, contudo, início deste. Embora
em chave positiva, porque Wood, de modo era necessário ainda que se fizesse uma abor- eu deva observar que,
fantasioso, valoriza a simplicidade como dagem do texto da Ilíada e da Odisseia e se nessa época encon-
trou inimigos injus-
obra do gênio rude)15. Por causa dessa ideia, se percebesse como sua própria constituição tos e nada generosos,
sentimos que seu Homero, apesar da descri- trazia problemas que ajudavam a esclarecer o encontrou também
alguns amigos calo-
ção vívida dessa outra época selvagem, não debate sobre sua origem oral. Foi esse, essen- rosos e respeitáveis”.
pertence a ela, e fica reduzido a uma figura cialmente, o trabalho de Wolf publicado em (Wood, 1775, p. 144,
nota “e”).
pitoresca e superficial (como os orientais, 1795, que marca o nascimento da filologia
especialmente os árabes, em cujos modos clássica como ciência e estabelece um enfo-
Wood – 1975, pp. 143-80 – se baseia para que da poesia homérica radicalmente novo.

B I B LI O G R AFIA

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