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O curriculum vitae morreu: o que funciona

então?

Flavia Gamonar
O mercado mudou, a tecnologia evoluiu, novas gerações estão
ditando mudanças em diversas áreas. Junto com o novo, o velho e
tradicional modo de fazer um curriculum vitae morreu. Pois é, sem
dó, nem piedade. E quem continuar apostando nas velhas práticas,
pode se dar mal.

Isso não quer dizer que este documento não continue sendo pedido
e que os candidatos devem deixar de fazê-lo, mas as coisas
mudaram bastante e neste artigo vou apresentar algumas ideias
para fugir do clichê e ser visto em meio a tantos candidatos.

Como era, como é


Quem se lembra daquela folha que comprávamos na papelaria e
preenchíamos à caneta, compondo o curriculum vitae? Era preciso
seguir à risca o que era pedido, não havia espaço para incluir
informações diferentes das que eram pedidas ali e nem sempre
conseguíamos preencher muitos campos, afinal, em outras épocas
era bem mais difícil fazer cursos e pós-graduações.

Depois disso, com a era digital, nos contentávamos em, com


dificuldade, usar um editor de textos para montar um currículo.
Muita gente até pediu pro amigo ou sobrinho, porque "não sabia

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mexer no computador". Nesse formato digital escrevíamos mais do
que devíamos, ou menos do que o necessário. A formatação não
ajudava, as informações ficavam estranhas e desorganizadas e só
quem era expert na ferramenta - e com pensamento bem claro e
organizado - conseguia fazer um currículo legalzinho em .doc.

O próximo passo? Imprimir ou enviar por e-mail, o importante era


se livrar dele o quanto antes! Parece que o simples fato daquela
"batata quente" não estar mais com a gente, já significava algo
como "fiz minha parte, se não me contratarem a culpa não é
minha".

Se depois de um tempo empregado o desemprego batesse a porta,


começávamos uma busca desenfreada nos cadernos de
classificados de jornais impressos e mais recentemente nos sites
de emprego. Também recorríamos a amigos, pedindo que eles nos
indicassem em suas empresas ou "caso soubessem de algo". O
problema é que nem sempre esse amigo realmente ajudava, às
vezes nem queria você trabalhando com ele, mas dizia que havia
enviado o documento ao RH.

Se o currículo chega até o departamento de Recursos Humanos,


certamente será amoitado ou jogado fora, porque vamos combinar
que nem sempre existe uma gestão desses papeis ou arquivos,
principalmente quando não existe vaga disponível naquele
momento. A verdade é que assim que surgir uma vaga existe uma
boa chance de grande parte das empresas nem se lembrarem de
olhar aquele arquivo, vão preferir anunciar a vaga em algum lugar.

Um amontoado de promessas
Por muito tempo o currículo resumiu-se a um amontoado de
informações e promessas, muitas vezes vazias, às vezes
enchedoras de linguiça, às vezes reais e às vezes aumentadas.
Tudo o que importou por muito tempo foi a quantidade excessiva
de informações e experiências descritas ali. E como é hoje? Não
necessariamente a quantidade enorme de itens listados significará
que alguém é bom. Nem sempre o que estudou numa instituição
renomada é melhor que o que buscou cursos na internet e estudou
sozinho. E se pensarmos em novas gerações, veremos saídas
rápidas de empregos, porque estamos diante de um pessoal que
pensa diferente: não é salário que vai prendê-los a um emprego.

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Por muitos anos nos acostumamos com currículo repletos de títulos
de cargos que não nos diziam muito sobre a atuação do candidato,
vimos cursos ou experiências "nada a ver" com a vaga pretendida.
Vimos números de CPF, fotos e citações que não cabiam naquele
momento. Cada um fez seu currículo como quis, alguns acertaram
e causaram boa impressão, outros erraram feio e foram eliminados
logo de cara, porque imagino, se o currículo já era desorganizado e
esquisito, o candidato devia ser também.

Mas ai as coisas evoluíram e novas ferramentas surgiram, como o


LinkedIn. E o problema é que muita gente achou que ele se tratava
de um currículo on-line e replicaram o mesmo comportamento que
tinham com o currículo de papel. Acreditaram que bastava
preencher alguns campos e pronto, um emprego milagroso pularia
na tela do computador. Quer uma comparação? Na educação,
muitos professores usaram tecnologias da mesma forma que
fariam no papel, apenas digitalizaram uma folha para exibi-la no
projetor multimídia, igual fariam num retroprojetor. Foi isso o que
muita gente fez com as redes sociais e as ferramentas focadas em
profissões e emprego.

E o tradicional currículo morreu


Para mim, hoje o currículo ou o processo de enviar um currículo
virou algo como "quero concorrer à vaga", só isso. Uma espécie de
assinatura digital, de aceite, e nada mais.

Lendo um currículo eu não consigo saber exatamente quem é a


pessoa, em alguns casos ele diz muito pouco. Em muitos casos eu
preciso eliminar por ser um documento tão ruim, tão malfeito, que
tenho a certeza de que a pessoa também trabalhará daquela forma
se eu a contratar.

Bato o olho nas informações e uma primeira impressão é formada.


Mas ai, eu vou dar uma olhada no Facebook, no LinkedIn, no
Google. Por mais que você me diga "ah, ali é vida pessoal", eu não
consigo não olhar. E entendo, sei separar vida pessoal numa boa.
Não sou recrutadora, apenas dirijo uma equipe e as vezes preciso
contratar. Vou adorar se o candidato tiver um blog, um texto
escrito por ele em algum lugar. ´É assim que eu costumo encontrar
candidatos e geralmente são esses que eu contrato. Em alguns
casos um portfolio é essencial: e acredite, ter um portfolio
organizado pode fazer milagres.

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Sou professora universitária e, por isso, acabo conhecendo
bastante gente. Meu marido também é. Existe algo ai que eu quero
revelar: já deixei de chamar pra entrevista ou contratar gente que
talvez fosse boa tecnicamente, mas que quando eu me lembrei de
algum comportamento que vi naquela pessoa quando ela foi meu
aluno ou mesmo quando meu marido me disse que não era um
bom aluno, desisti na hora.

As pessoas se esquecem que nossa imagem deve ser única o


tempo todo. Temos vida pessoal, brincamos, saímos e alguns até
bebem por ai, são escolhas. Mas tudo está sendo observado e pode
colocá-lo fora de uma boa vaga, sem você nem imaginar. Se por
um lado é preciso ser flexível e entender que um bom profissional é
um ser humano completo, com vida pessoal e hobbies, não um
robô que só trabalha, por outro, o velho e conhecido bom-senso
continua em alta.

A hora da entrevista
Bem, ai a pessoa vai para a entrevista e a verdade começa a ser
revelada. Em alguns casos o currículo era vago ou malfeito, mas a
pessoa se revelou um ótimo perfil. Deu sorte de ter sido chamada,
o currículo ruim poderia ter pesado contra.

Em outros, o currículo foi milimetricamente planejado, mas a


pessoa se revelou uma péssima opção ou eu percebi que tudo
aquilo que foi prometido no papel era forjado. E acredite, em
muitos casos a pessoa enviou o currículo sem ler a vaga, porque
quando foi entrevistada não cumpria nem metade dos requisitos
pedidos. Isso diz muito sobre a pessoa: desatenção. A verdade é
que a entrevista começa no primeiro contato e tudo está sendo
observado.

Pois bem, se o tradicional currículo e aquele jeito velho de fazê-lo e


de se comportar morreu, você não deve ficar esperando que um
emprego apareça baseado nesse formato antigo de escrever um
.doc, enviá-lo por e-mail e aguardar o milagre. Apenas. Vá atrás!
Hoje as possibilidades são bem maiores que do que fazer apenas
isso.

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Conheci gente que foi contratada para uma vaga que não existia,
ele a criou. Enviou um e-mail para o CEO ou diretor do negócio
apresentando uma solução para algo ou algum tipo de análise
sobre o negócio ou website do lugar e voilá, ganhou uma vaga. E
muita gente foi vista a partir de artigos publicados no LinkedIn
Pulse, por exemplo. É uma ferramenta que pode trazer uma
visibilidade incrível ao profissional se for bem usada (no meu caso
eu fiquei surpresa ao alcançar 10 mil pessoas me seguindo e
diversas propostas de trabalho ou participação em eventos,
pessoas que leram meus artigos e gostaram deles).

Um paralelo com o marketing de conteúdo


Vou fazer um paralelo: o marketing descobriu que diante de tanto
conteúdo e tanta competição pela atenção das pessoas, apenas os
bons conteúdos vão chamar a atenção de alguém. E ai começamos
a estratégia de marketing de conteúdo, que busca entregar valor
para sua audiência, resolver uma dor dela. Com o tempo, a marca
se torna referência naquela área e educa o mercado, e ai
provavelmente ela será a escolha do consumidor quando ele
precisar comprar. Digamos que conseguir emprego virou isso: o
quanto você é capaz de mostrar quem você é e o que pode
realmente fazer. A era das promessas acabou, a época de escolher
palavras lindas para enfeitar seu CV.doc já foi. Querem saber quem
você é de verdade e quanto você consegue entregar, fazer, ser.

É por isso que o LinkedIn não deve ser usado como fazem do
currículo tradicional. Não basta preencher: mostre-se, escreva um
artigo. Dê a cara a tapa! Um portfolio também é muito potente,
porque dependendo da área é preciso ver o que a pessoa foi capaz
de realizar.

Nos próximos meses eu aposto que outras novas formas de


currículo vão aparecer. Assim como já tem gente fazendo
entrevista por Skype, vai ter gente se destacando ou empresas
criando novos formatos: currículos em vídeo, vídeos integrados a
PDFs dinâmicos, portfolios interativos, novos usos das ferramentas
que já existem e outras ferramentas web específicas para esta
finalidade.

Em resumo, a palavra de ordem agora é ser um fazedor,


não um prometedor no papel. Você já pensou nisso como

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candidato? E como recrutador, você está aberto a novos
modelos e processos?
Como a entrega de um documento para sinalizar seu interesse em
uma entrevista ainda é exigida, veja algumas sugestões para sair
do clichê e fazer um currículo bem mais atrativo:

No LinkedIn:
 Complete seu perfil com o máximo de informações possíveis;

 Tenha sempre uma foto, esses perfis são mais vistos. Atualize-
se a cada 3 meses, mais ou menos, para mantê-la parecida com
sua aparência atual;
 As fotos devem ser profissionais (acredite, tem gente que põe
foto sem roupa, ressaltando o bíceps, com o cônjuge);

 Nunca escreva que seu cargo atual é "desempregado" ou


equivalentes, isso dificulta a busca por recrutadores, que vão
querer encontrar perfis de acordo com suas experiências;
 Movimente sua rede participando de grupos, comentando
postagens, socializando, publicando artigos próprios e relevantes e
parabenizando quem conquista algo novo, por exemplo;

 Siga empresas e influenciadores, mantenha-se atualizado e


por dentro das novidades;
 Ao adicionar uma pessoa personalize a mensagem, diga o
porque gostaria de adicioná-la, não seja mais um;

 Customize sua URL. Veja como fazer aqui.


 Use o http://resume.linkedinlabs.com/ para fazer currículos
incríveis de forma automática, conectando-o aos seus dados do
Linkedin;

Fica assim (um dos templates):

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 Se quiser um currículo em forma de infográfico utilize
o http://vizualize.me/ conectado ao seu Linkedin e veja que
maravilha ele cria pra você!
Veja um exemplo:

 Se quiser criar um site para você em alguns segundos, use


o https://branded.me/ e veja que incrível! O meu endereço
ficou http://flavia-gamonar.branded.me/

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Outra ferramenta incrível:
Trakto.io http://app.trakto.io/ permite criar um currículo lindo e
incrível, inclusive com vídeo de apresentação!

Fiz um post outro dia contando como foi minha visita ao LinkedIn
Brasil.Aproveitei pra perguntar algumas boas práticas para eles,
colo aqui o que o próprio LinkedIn recomenda:
Conversa com a Juliana do LinkedIn: dicas sobre seu perfil!
 A Juliana disse que quanto mais preenchido e completo for
seu perfil no Linkedin, melhor! A ferramenta tem algoritmos que
buscam em todo o seu perfil palavras-chave, portanto, cada
informação que você inserir faz a diferença. Infelizmente no Brasil
a qualidade da informação colocada em currículos não é muito boa,
precisamos melhorar, porque os favorecidos seremos nós mesmos;

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 Linkedin não é usado apenas pra conseguir emprego não, viu
gente. Hoje a maioria dos usuários usa a rede social para trocar
conhecimentos e acessar conteúdos especializados de
profissionais;

 Aliás, é bacana até mesmo citar possíveis promoções que


você tenha obtido em sua carreira, contando uma história mesmo,
descrevendo em seu perfil como foi cada experiência;
 A Juliana também disse que muita gente descreve vagamente
experiências e que seria legal descrever o contexto, afinal, o
escopo do trabalho muda conforme a área e a empresa. Então,
busque adicionar informações mais detalhadas sobre o que você,
em que projetos trabalhou, resultados, etc. Não coloque apenas o
nome do cargo que você já teve;

 A grande dúvida de quem está desempregado é se devemos


escrever esta condição naquele campo logo abaixo de nosso nome,
né? Eu perguntei pra ela o que fazer e ela disse que o ideal é ser
bem claro ali. Por exemplo, colocar algo como "Profissional de
marketing buscando oportunidades", algo desse tipo. Assim fica
mais fácil o recrutador entender que você está desempregado no
momento, mas veja que foi mantida a área do profissional, porque
colocar apenas "buscando recolocação" ou seus variantes, por
exemplo, não torna a área clara logo de cara;
 A oportunidade de escrever artigos e publicá-los no Linkedin
também é algo fantástico e traz muita visibilidade para o
profissional. Usar este espaço é aumentar suas conexões, conhecer
pessoas novas, ganhar conhecimento, compartilhar... É tudo isso
que eles querem oferecer ao usuário, essa troca entre profissionais,
porque tudo isso ajuda e os faz crescer;

 Como o Linkedin se preocupa muito com seus usuários, eles


querem oferecer sempre o melhor, seja para os usuários ou para os
recrutadores que usam outros tipos de soluções. Para o Linkedin o
"members first" é muito forte e valorizado. Eles se preocupam
demais com as pessoas e olham sempre esta questão humana com
cuidado;
 Pra vocês terem uma ideia, nem mesmo os perfis de
recrutadores tem acesso a informações pessoas não autorizadas a
serem divulgadas pelos usuários, como telefone e e-mail, por
exemplo. O Linkedin realmente procura respeitar seus membros;

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 A Juliana recomendou que no momento de preencher seu
perfil procurar pensar como o recrutador pensaria. O que ele
poderia buscar? O que seria interessante para ele ler? Que
informações ele gostaria de obter sobre aquele candidato que o
ajudariam a tomar uma decisão?

É isso ;)

Flavia Gamonar
Professora Mestra em Mídia e Tecnologia pela Unesp de Bauru
atuando como professora universitária e gerente de
marketing. Especialista em marketing de conteúdo e pesquisadora
apaixonada sobre tendências digitais, marketing, mídias sociais,
inovação e empreendedorismo.
Ministra cursos, palestras e consultoria.
Minha página no LinkedIn

Veja todos os artigos que escrevi:


https://www.linkedin.com/today/author/37137911
Meu blog: assine a newsletter e receba meus artigos
www.flaviagamonar.com
Leia mais:

 http://brasil.elpais.com/brasil/2013/10/24/estilo/1382639531_
448043.html?id_externo_rsoc=whatsapp
 O LinkedIn e o surgimento dos currículos vivos
 Tudo o que você ainda não sabe sobre o LinkedIn
 Será que todo mundo é tudo isso que aparenta ser?
 Os golpes e a falta de noção via LinkedIn
 Você sabe mesmo usar o LinkedIn?
 Histórias de quem comeu o pão que a demissão
 Como eu me reconstruí depois da minha primeira demissão
 Assuma-se "disponível" e use o Linkedin a seu favor
 Tudo o que não funciona para conseguir um novo emprego
 O que eu aprendi com minha primeira demissão

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