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CINEMA, LAZER E ESTUDOS CULTURAIS NAS

ESCOLAS DA REDE

INTRODUÇÃO

Discussões sobre valores, deveres, direitos, concepção de indivíduo e


de cooperação deveriam fazer parte do nosso cotidiano escolar. O grupo de
estudos ANIMA da UFRJ tem uma linha de intervenção que trabalha o
cinema como pratica cultural. E esse projeto pretende promover uma
educação para a sensibilidade através de filmes, na perspectiva da
animação cultural.
Victor Mello (2006) define a animação cultural:

”uma tecnologia educacional (uma proposta de intervenção


pedagógica) pautada na idéia radical de mediação (que nunca deve
significar imposição), que busca permitir compreensões mais
aprofundadas acerca dos sentidos e significados culturais
(considerando as tensões que nesse âmbito se estabelecem) que
concedam concretude à nossa existência cotidiana, construída com
base no princípio de estímulos as organizações comunitárias (que
pressupõe a idéia de indivíduos fortes para que tenham realmente
uma construção democrática), sempre tendo em vista provocar
questionamentos acerca da ordem social estabelecida e contribuir
para a superação do status quo e para a construção de uma sociedade
mais justa” (p.29).

Trabalhar com o cinema na perspectiva que dialoguem com a arte,


que discutam temas polêmicos, que identifiquem aspectos na educação da
própria comunidade, e finalmente, para que pensem em soluções conjuntas.
Ou seja, oferecer um espaço para discussões coletivas, para reviver,
repensar e recriar as práticas democráticas existentes no cotidiano. A
animação cultural fornece aos estudos culturais uma prática mais dinâmica
e reivindicativa na intervenção cultural e comunitária.
Fazer com que lidem de maneira critica com as forças dos meios de
comunicação, isso que chamamos de educação para a sensibilidade. E a
animação cultural tem essa proposta de quebra na unilateralidade no
processo de comunicação.
Dar condições aos indivíduos para que possam desenvolver ou não
seu potencial de sentir. Estimulá-los a se compreenderem como produtores
culturais. E fazê-los se questionarem sobre conceitos construídos pela
ideologia dominante.
Ainda segundo Victor Mello (2006), a maior contribuição da
animação cultural é “implementar uma idéia de revolução relacionada a
quebra da monotonia e a construção de uma idéia radical de liberdade e de
escolha”(p.25). Entendendo que para se escolher é necessário conhecer.
Enfim, introduzir sessões de filmes semanais para a comunidade será
criar uma dinâmica comunitária forte, para um maior desenvolvimento
cultural, para uma formação comunitária e para a consciência do poder que
tem cada um de nós.

Sobre os Estudos culturais...

As versões de cultura se modificam no decorrer da historia conforme


Victor Mello (2006):

“as relações de poder e os interesses envolvidos nos embates e


tensões entabulados pelos atores sociais que, por motivos diversos,
transitam no campo gerador e gerado ao redor do conceito”(p.20)

No século XVI cultura era uma atividade, ou seja, cultura de animais


e plantações. Já no século XVIII, compreendia o processo de progresso
intelectual e espiritual, construía-se um ideal de cultura e civilização. Essa
concepção na virada do século XVIII e XIX adota “conotações
imperialistas” (Mello, p.21) e num contexto de modernidade, essa
concepção legitima o poder da burguesia.
No século XIX, o processo acelerado de transformações da
modernidade, cultura passa a ser usada como remédio para civilizar os
bárbaros, ela aparece como salvadora, como algo transferível, pior, como
distinção social “para dar conta do rápido processo de transformação”
(Mello, p.21).
Na transição do XIX para o XX, vemos o nascimento de uma
sociedade do espetáculo e os primeiro passos de uma cultura de massas. O
desenvolvimento de novas tecnologias, como a eletricidade, por exemplo,
influenciavam nas produções e criações de novas formas de diversão. A
valorização do luxo, das formas de consumo e dos hábitos de lazer vão se
incorporando ao imaginário da sociedade moderna.
No século XX, a cultura ganha uma preponderância do uso
antropológico, cultura como modo de vida, como um conjunto de normas,
hábitos, valores, sensibilidades que concedem sentido e significado a vida
em sociedade. Segundo Cevasco (2008):

“No processo, uma de suas acepções de antes da guerra, a da


distinção social, cultura como posse por parte de um grupo seleto,
começa a desaparecer e a dar a luz à preponderância do uso
antropológico, cultura como modo de vida” (p.11)

Outro sentido de cultura se dá com a predominância da critica sobre


a criação, designando a arte.

“Usamos a palavra cultura nesses dois sentidos: para designar todo


um modo de vida – os significados comuns; e para designar as artes e
o aprendizado - os processos de descoberta e esforço criativo”
(CEVASCO,p.53)

Nesse contexto surgem os estudos culturais como disciplina na


Inglaterra em 1950, na educação de adultos pós guerra, com o
compromisso de não serem reprodutores de conteúdos. Nessa época o
debate era de uma política cultural mais democrática e militante. A
disciplina pretendia articular uma posição teórica, apoiada em uma visão
histórica e com vistas a uma intervenção política presente.
Raymond Williams um dos atores centrais dos estudos culturais,
percebia os primeiros passos da nossa “era da cultura”, assim denominada
pelo predomínio dos meios de comunicação de massa e pelo desvio do
conflito político e econômico para o cultural. Nessa concepção, os conflitos
atuais não são primordialmente ideológicos ou econômicos, mas culturais e
suas correlações com esses aspectos.
Nessa época discutia-se a abertura do acesso aos meios de produção
cultural. Ele traz uma percepção materialista de cultura: os bens culturais
são resultados de meios também eles materiais de produção. Nesse sentido,
deveríamos dominar os meios de produção cultural e resignificá-los.
Acreditava que dessa forma se daria a democratização das produções
culturais. A questão era dar condições para que todos fossem produtores de
cultura, não apenas consumidores de uma versão escolhida pela minoria.
Williams não era idealista de pensar que somente a luta cultural era
capaz de efetuar mudanças. A própria sociedade contemporânea, altamente
complexa, que tem seu funcionamento afinado com os meios de
comunicação de massa e seus procedimentos confirmados pela educação
encontra a cultura como um campo de lutas relevante.(CEVASCO, p55)
Mesmo sabendo que hoje não nos interessa dominar a industria
cultural, mas sim os meio, resta uma pergunta: até que ponto é radical
imaginar que é impossível opor-se a esses gigantes e lutar pela modificação
dos conteúdos e o aproveitamento social dessa nova tecnologia?
Hoje, cultura passou a ser tratada no plural, culturas. “O foco não é
mais a conciliação de todos nem a luta por uma cultura em comum, mas as
disputas entre as diferentes identidades nacionais, étnicas, sexuais ou
regionais” (CEVASCO, p.24). A política da cultura deixa de ser
secundária.
E “para lidar com as novas complexidades da vida cultural é preciso
um novo vocabulário e uma nova maneira de trabalhar” (MELLO, p.), isso
é um passo para a estruturação dos estudos culturais como um foco de
intervenção.
O campo do sensível explode e torna-se uma marca da
contemporaneidade. E o cinema, assim como o esporte, trabalha com o
espetáculo, a arte, a imagem,...

Objetivo e metodologia

Análises informadas e minuciosas a partir de filmes, anúncios e


transmissões de noticias pela televisão. Ou seja, compreensão das formas e
das formações culturais da comunidade pesquisada.
Na intenção de trabalhar os temas transversais que os PCNs tanto
estimulam e que pouco se consegue no cotidiano, pretende-se oferecer
sessões de filmes semanal, seguido de discussão/reflexão e finalizando com
uma tarefa conjunta/dinâmica em cada unidade escolar.
As sessões seriam abertas a toda a comunidade. Nesse sentido,
estaríamos também cumprindo uma exigência da LDB, ou seja, efetivando
um canal de diálogo escola- comunidade.
Acreditamos que seria um grande passo as sessões de cinema para a
comunidade (tendo intervenção e produção) de diferentes gêneros da
industria cultural do mundo. Conciliar trabalho universitário a prática
política. Gramsci já fez isso com muita propriedade.

RELEVANCIA

“Os projetos artísticos e intelectuais são constituídos pelos processos


sociais, mas também constituem esses processos na medida em que
lhes dão forma” (CEVASCO, p.64)

Os estudos culturais pretendem articular uma posição teórica,


apoiada em uma visão histórica e com vistas a uma intervenção política
presente.
A partir da necessidade política de estabelecer uma educação
democrática para os que tem sido privados do cinema, dessa oportunidade,
dessa prática cultural, esse projeto se apresenta como essencial para a
formação comunitária. Em outras palavras, é acreditar numa educação
pública e igualitária que forme uma sociedade de baixo para cima.
Talvez até criar uma nova disciplina que seja entendida por pessoas
comuns e possa ser utilizada em movimentos reais. Por em prática estudos
interdisciplinares na escola, isso esta na base dos estudos culturais.
Enfim, estaríamos educando para a sensibilidade, reconhecendo
momentos históricos e relacionando real-imaginário. Considerando o
cinema como uma pratica cultural pouco explorada nas comunidades, esse
projeto proporcionaria um aprendizado para a vida e para a inserção
cultural dessas famílias com a arte do cinema.

Ana Carolina C Cruz


Professora de Educação Física