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Cálculo de áreas de polígonos sobre o elipsóide usando


projeções equivalentes

Chapter · January 2003


DOI: 10.13140/2.1.3233.0240

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3 authors:

Mauricio Galo Galera Monico


São Paulo State University São Paulo State University
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Leonardo Oliveira
Instituto Militar de Engenharia (IME)
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CÁLCULO DE ÁREAS DE POLÍGONOS SOBRE O
ELIPSÓIDE USANDO PROJEÇÕES EQUIVALENTES 1

Autores:
Mauricio Galo
João F. Galera Mônico
Leonardo Castro de Oliveira

1
GALO, M.; MONICO, J. F. G.; OLIVEIRA, L. C. de Cálculo de áreas de polígonos sobre o
elipsóide usando projeções equivalentes. In: MITISHITA, E. A. (Editor chefe). Série em
Ciências Geodésicas – Volume 3 - Novos Desenvolvimentos em Ciências Geodésicas.
Imprensa Universitária da UFPR, Curitiba - PR, p. 465-479, 2003. (ISBN 88-88783-04-05)
CÁLCULO DE ÁREAS DE POLÍGONOS SOBRE O
ELIPSÓIDE USANDO PROJEÇÕES EQUIVALENTES

Mauricio Galo1
João F. Galera Monico1
Leonardo Castro de Oliveira2
1
Universidade Estadual Paulista – UNESP, Departamento de Cartografia
galo@fct.unesp.br, galera@fct.unesp.br
2
Instituto Militar de Engenharia - IME -, Departamento de Engenharia Cartográfica
leonardo@ime.eb.br

RESUMO

O cálculo de áreas de figuras elipsoidais é freqüentemente necessário em algumas


aplicações geodésicas. Para os casos em que os lados dos polígonos são arcos de
paralelo ou de meridiano, o cálculo é mais simples. No entanto, em situações onde
os lados são formados por arcos de paralelo, arcos de meridiano e linhas geodésicas,
a solução não é trivial. Algumas soluções consideram a divisão da área original em
triângulos, usando a triangulação de Delaunay, sendo a área de cada triângulo
calculada usando expressões da trigonometria esférica. Nesse caso, o raio médio de
curvatura para o centro do triângulo é usado como raio da esfera de cada triângulo
esférico. Como alternativa propõe-se que seja realizado o cálculo da área a partir da
segmentação dos lados do polígono em segmentos menores, criando pontos
adicionais, seguido da transformação das coordenadas geodésicas de todos os pontos
(originais e adicionas) para coordenadas em uma projeção plana equivalente sobre o
elipsóide, para então realizar o cálculo da área do polígono projetado através da
fórmula de Gauss. A proposta apresentada foi implementada e os resultados indicam
que essa alternativa pode ser utilizada em aplicações que requerem grande rigor de
qualidade, proporcionando erros relativos em área da ordem de ppb (partes por
bilhão) ou mesmo ppt (partes por trilhão), desde que sejam utilizados intervalos
adequados para a segmentação dos lados.

Palavras-chave: Área de polígonos elipsoidais, Projeções equivalentes, Divisão de


linhas geodésicas, meridianos e paralelos.

465
AREA COMPUTATION ON THE ELLIPSOID SURFACE
USING EQUIVALENT PROJECTION

ABSTRACT

The computation of areas on the ellipsoid surface is frequently necessary in some


geodetic applications. For the cases where the sides of the polygons are arcs of
meridians and parallels, the computation is simple. However, in situations where
arcs of parallels, arcs of meridians and geodesic lines compose the polygons, the
solution is not trivial. At some solutions, it is considered the division of the original
area in triangles, using Delaunay triangulation, and the area of each triangle is
computed using expressions of spherical trigonometry. In this case, the average
radius of curvature of the center of the triangle is used as local radius for the
spherical triangle. As an alternative, it is proposed to segment the borders of the
polygon in small parts, followed by transformations of the geodetic coordinates into
an azimutal equivalent projections coordinates over the ellipsoid. Finally, the area of
the projected polygon is computed by Gauss equation. The proposed approach was
implemented and the results indicate that relative error of ppb (parts per billion) or
even ppt (parts per trillion) can be obtained by this method. Consequently, this
approach can be considered in applications requiring very high quality area
computation on the elipsoidal surface, since adequate interval for the borders
segmentation is used.

Keywords: Area computation on the ellipsoid, Equivalent projections,


Segmentation of geodetic lines, meridians and parallels.

1. INTRODUÇÃO e OBJETIVOS

Algumas aplicações em Geodésia e Cartografia requerem, freqüentemente, o


cálculo de áreas de polígonos, cujos lados sejam formados por arcos de paralelo,
arcos de meridiano e linhas geodésicas. O cálculo das áreas de tais figuras não é
trivial, a não ser que os lados sejam formados apenas por arcos de paralelo e de
meridiano. No caso da figura ser composta por vários "quadriláteros elipsoidais",
pode-se fazer a segmentação em n quadriláteros, sendo cada quadrilátero limitado
por dois paralelos (ϕi e ϕi+1) e por dois meridianos (λi e λi+1). Logo, a área total (AT)
da figura é calculada pelo somatório das áreas de todos os n quadriláteros, ou seja:
n
AT = ∑ Q j , (1)
j =1

onde a área de um dado quadrilátero é obtida por


466
Q ( ϕ i , ϕ i +1 , λ i , λ i +1 ) = Sϕ i +1 − Sϕ i λ i +1 − λ i , (2)
sendo λi e λi+1 expressos em radianos e
 2 3 4 
Sϕ i = b 2  sen ϕ i + e 2 sen 3 ϕ i + e 4 sen 5 ϕi + e 6 sen 7 ϕi + ...  . (3)
 3 5 7 
Na Equação 3, Sϕi é a área compreendida entre dois arcos de meridiano de
amplitude igual a um (1) radiano, entre o equador e o paralelo de latitude ϕi, como
descrito em Bugayevsky & Snyder (1995, p. 52).
Esta solução só é possível na situação em que os "lados" sejam formados por
arcos de paralelo e meridiano, o que é comum em algumas aplicações, como por
exemplo, no cálculo de blocos de exploração e produção de petróleo (Araujo &
Varella, 1999). A solução apresentada por Araujo & Varella (1999) para este
problema considera a divisão dos blocos de exploração em sub-blocos, podendo
resumir a solução nas seguintes etapas: fazer a divisão da área em sub-blocos de
amplitude igual a 9,375" em latitude e longitude; calcular a área plana de cada sub-
bloco usando a Projeção Policônica; calcular o fator de escala; fazer a correção da
área com o fator de escala calculado; e, finalmente, realizar o somatório da área de
cada um dos sub-blocos.
Em Diaz & Oliveira (2001) é apresentada uma solução para o cálculo da área de
polígonos elipsoidais baseada na divisão do polígono original em uma série de
triângulos. Inicialmente o polígono é dividido em regiões triangulares, usando a
triangulação de Delaunay, sendo a área de cada triângulo elipsóidico aproximada
pela área de um triângulo esférico no qual o raio de curvatura do triângulo é igual ao
raio médio de curvatura calculado para o ponto médio do triângulo. Nessa solução a
área total do polígono elipsoidal é dada pela soma da área de cada triângulo esférico.
Posteriormente, cada triângulo é sucessivamente subdividido em quatro triângulos e
a área é recalculada. O processo finaliza quando o valor da área estabiliza. Segundo
os autores, o erro relativo obtido, quando foi calculada a área do elipsóide adotado
para o Brasil, é da ordem de 1×10-11, o que eqüivale a 0,01 ppb (partes por bilhão).
Pode-se observar pelas duas alternativas apresentadas que a área total de uma
figura composta por quadriláteros elipsoidais e de um polígono genérico no
elipsóide, respectivamente, é obtida pelo somatório de áreas de quadriláteros
elipsoidais ou de triângulos esféricos. Em Moraes (2001) é apresentada uma solução
para o cálculo da área de polígonos delimitados por linhas geodésicas que se baseia
no cálculo da área entre cada uma das linhas geodésicas e o equador. Assim,
considerando que o contorno do polígono seja composto de L geodésicas, a área do
polígono será obtida pela composição (soma ou subtração) da área entre cada um
dos L lados e o equador. Esta solução só é válida para figuras formadas por linhas
geodésicas, o que nem sempre é o caso.
Deste modo, o objetivo deste trabalho é propor uma solução que considere
figuras onde os lados não sejam apenas linhas geodésicas, e nem apenas arcos de

467
paralelo e meridiano; e que, além disso, não seja necessário fazer a divisão da figura
em sub-regiões.
Como alternativa sugere-se que seja feita a segmentação das bordas do polígono
original, pela inclusão de pontos adicionais, permitindo o cálculo da área do
polígono elipsoidal por meio de um polígono equivalente, obtido a partir do uso de
uma projeção plana equivalente. Uma vez que se pretende obter a área sobre o
elipsóide de revolução, considera-se que a projeção plana utilize como superfície de
referência o elipsóide de revolução.

2. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA E PROPOSTA DE SOLUÇÃO

Dado um polígono formado por um conjunto de pontos geodésicos {(ϕ1,λ1),


(ϕ2,λ2), (ϕ3,λ3),... (ϕj,λj),...(ϕn,λn)}, com j∈{1, 2, ...n}, sobre a superfície de
referência (elipsóide de revolução), o problema se resume no cálculo da área deste
polígono sobre essa superfície (ASR - área sobre a superfície de referência).
Como mencionado anteriormente, uma alternativa para a solução é o cálculo da
área do polígono equivalente, obtido considerando uma certa projeção cartográfica.
Das classes de projeções possíveis, considerando os diversos critérios utilizados na
classificação das projeções, uma de especial interesse é aquela formada por
projeções equivalentes. Nesta classe de projeções a razão entre as áreas na superfície
de projeção (ASP) e superfície de referência (ASR) pode ser obtida por
A SP
= m 0 m 90 = 1 (4)
A SR
onde m0 e m90 são os fatores de escala ao longo das curvas paramétricas. A razão
mostrada na Equação 4 é obtida ao considerar a condição de equivalência, que é
atingida a partir da igualdade entre as áreas de paralelogramos diferencias sobre
ambas superfícies, como se pode ver em Richardus & Adler (1972).
Como normalmente as projeções equivalentes são utilizadas para escalas
médias, a superfície normalmente adotada como referência para estas projeções é a
esférica, seja a projeção desenvolvida sobre o plano, sobre o cilindro ou sobre o
cone. Dentre os critérios que podem ser considerados na escolha do raio da esfera,
um que merece destaque é aquele que se baseia na equivalência das áreas entre as
superfícies, dando origem à esfera equivalente, ou esfera autálica, que possui a
mesma área que a superfície do elipsóide de revolução. No entanto, para o caso
colocado, onde se deseja calcular a área sobre o elipsóide de revolução, o adequado
é considerar uma projeção equivalente que utiliza como superfície de referência o
elipsóide de revolução. Dentre as alternativas de projeção tem-se, por exemplo, a
Projeção Azimutal Equivalente de Lambert.
Um elemento importante ao utilizar as projeções azimutais é a determinação do
ponto de tangência (ϕ0,λ0). Assumindo que se tem inicialmente um conjunto de n

468
pontos com coordenadas geodésicas conhecidas, pode-se assumir que o ponto de
tangência seja obtido por
 n n 
(ϕ0 , λ 0 ) =  1 ∑ ϕi , 1 ∑ λi  . (5)
 n i =1 n i =1 
De posse do ponto (ϕ0,λ0), utilizando-se da lei de formação da projeção e
dispondo dos pontos {(ϕ1,λ1), (ϕ2,λ2), (ϕ3,λ3),...(ϕj,λj),... (ϕn,λn)}, com j∈{1, 2, ...n},
pode-se obter estes n pontos na projeção, ou seja: {(x1,y1), (x2,y2), (x3,y3),... (xj,yj),...
(xn,yn)}. Considerando esses conjuntos de pontos e a propriedade dada pela Equação
4, a área na superfície de projeção poderá ser calculada indiretamente ao aplicar a
tradicional fórmula de Gauss ao polígono projetado, uma vez que ele se localiza
num plano.
A princípio esta solução é correta. No entanto, observa-se que a propriedade da
equivalência não é imediata, uma vez que nem sempre um lado representado como
um segmento de reta na projeção, corresponde a um segmento de reta no
quadrilátero original. Neste caso, haverá uma razão unitária entre as áreas (na
superfície de referência e na projetada) se a quantidade de pontos do contorno for
adequada (representativa). A Figura 1 mostra um exemplo para o caso em que se
tem um polígono irregular onde os pontos extremos são transformados para a
Projeção Azimutal Equivalente de Lambert, e então são ligados por segmentos de
reta. Posteriormente os lados são divididos em pequenos segmentos, sendo todos os
pontos transformados para a projeção e mostrados na mesma figura. Na Figura 1b é
mostrado um detalhe, onde se pode observar as discrepâncias entre esses dois
conjuntos de pontos.

a) b)
FIGURA 1 - POLÍGONO ORIGINAL E SUBDIVIDIDO, ONDE OS PONTOS SÃO LIGADOS POR
SEGMENTOS DE RETA (a). EM (b) É MOSTRADO UM DETALHE AMPLIADO DO MESMO
POLÍGONO.

Pode-se, portanto, observar pela Figura 1b a discrepância entre o polígono


original, onde os pontos são ligados por segmentos de reta, e os lados após a divisão

469
das bordas em pequenos segmentos, obtendo-se uma maior quantidade de pontos
(cruzes).
Deste modo, a proposta para o cálculo da área pode ser resumida nas seguintes
etapas: 1) leitura dos vértices do polígono em coordenadas geodésicas; 2) divisão
dos lados em vários segmentos, pela criação de pontos adicionais; 3) cálculo do
ponto de tangência (ϕ0,λ0); 4) conversão de todos os pontos para a Projeção
Azimutal Equivalente de Lambert; e 5) cálculo da área do polígono final pela
Fórmula de Gauss. Este procedimento é detalhado no fluxograma que compõe a
Figura 2.

Leitura do arquivo
Inicio com os pontos do
polígono (ϕ,λ) ti=3 Caso 3: Geodésica

Determinação Divisão da
do número de Geodésica
N
lados (n) S
ti=2 Caso 2: Meridiano
Leitura do passo
(p) usado na divisão Divisão do
Meridiano
N
i=1 S
ti=1 Caso 1: Paralelo

Verificação do tipo
Divisão do
do lado i:
Paralelo
ti={1,2,3}
N
i>n i=i+1
S
Para todos os pontos Cálculo da área
calcular* do polígono Fim
x=f(ϕ,λ) e y=g(ϕ,λ) final.

FIGURA 2 - FLUXOGRAMA DO ALGORITMO PARA O CÁLCULO DA ÁREA


(*Projeção Azimutal Equivalente de Lambert sobre o Elipsóide)

Pode-se observar pelo fluxograma apresentado que na divisão dos lados


considera-se que os lados do polígono sejam formados por arcos de meridiano, arcos
de paralelo ou linhas geodésicas.
Na seqüência são apresentadas as equações que permitem a conversão das
coordenadas geodésicas em coordenadas na Projeção Azimutal Equivalente de
Lambert, considerando como superfície de referência o elipsóide de revolução, com
semi-eixo maior a e excentricidade e.

2.1 PROJEÇÃO AZIMUTAL EQUIVALENTE DE LAMBERT

Dadas as coordenadas geodésicas de um ponto genérico (ϕ,λ) e assumindo que


o plano de projeção seja tangente ao elipsóide de revolução em (ϕ0,λ0), as
470
coordenadas na Projeção Azimutal Equivalente de Lambert deste ponto genérico
poderão ser calculadas, segundo Snyder (1982, p. 173), por:
x = BD cos Φ sen(λ − λ 0 )
B . (6)
y= [cos Φ 0 sen Φ − sen Φ 0 cos Φ cos(λ − λ 0 )]
D

Nesta equação, Φ representa a latitude autálica do ponto de latitude geodésica ϕ


e Φ0 representa a latitude autálica do ponto de latitude geodésica ϕ0. A latitude
autálica corresponde a latitude de um ponto, sobre a esfera autálica, ou esfera
equivalente, como definido anteriormente. Mais detalhes podem ser obtidos em
Snyder (1982) e Richardus & Adler (1972).
Nas Equações 6 os termos B e D podem ser obtidos por:
B = R q {2 / [1 + sen Φ 0 sen Φ + cos Φ 0 sen Φ cos(λ − λ0 ) ]}1 / 2
am0 , (7)
D=
R q cos Φ 0
com
(
Rq = a qp / 2 )1/ 2 , (8)
e
 q 
Φ = arcsen   , (9)
 qp 
 
sendo Rq o raio da esfera autálica. Os termos q e m podem ser obtidos por:
 sen ϕ 1 1 − e sen ϕ 
q = (1 − e 2 )  − ln , (10)
1 − e sen ϕ 2e 1 + e sen ϕ 
2 2

cos ϕ
m= . (11)
1 − e 2 sen 2 ϕ
Nas Equações 8 e 9 o termo qp representa o valor de q estimado a partir da
Equação 10 para ϕ=90º. Para mais detalhes sobre estas equações e sobre a
interpretação geométrica de alguns destes elementos, sugere-se Snyder (1982) e
Richardus & Adler (1972).

2.2 SEGMENTAÇÃO DE ARCOS DE MERIDIANO, DE PARALELO E DE


LINHAS GEODÉSICAS

A partir do fluxograma da Figura 2 percebe-se a necessidade da divisão dos


lados, que podem ser arcos de meridiano, de paralelo ou de linhas geodésicas.
Pressupõe-se, portanto, no algoritmo implementado, que apenas estas três categorias

471
de curvas sejam aceitas e caso os lados não sejam paralelos nem meridianos, eles são
considerados geodésicas.
É relevante lembrar que apenas duas classes de curvas poderiam ser
consideradas, arco de paralelo e linhas geodésicas, uma vez que todo meridiano é
uma geodésica. No entanto, manteve-se estas três classes pois o número de
operações necessárias para a divisão de um arco de meridiano é inferior ao
necessário para dividir uma linha geodésica.
Para que o algoritmo faça a classificação de cada um dos lados do polígono
original, utilizam-se como dados de entrada as coordenadas das extremidades de
cada lado e, uma vez que a divisão é realizada sobre as coordenadas geodésicas, é
necessário converter o passo (p), dado em metros, para o passo (pa), dado em
unidade angular. Nesta conversão é utilizado o raio médio de curvatura para o ponto
de tangência ( R ϕ 0 ) e realizada a operação pa = p / R ϕ 0 .
No Quadro 1 são apresentados os algoritmos para a divisão de paralelos e de
meridianos. Na coluna da esquerda considera-se que os pontos extremos do paralelo
possuem coordenadas (ϕ,λA) e (ϕ,λB). Os termos em negrito correspondem àqueles
que são modificados ao considerar os meridianos (na coluna da direita no Quadro 1),
sendo os demais mantidos iguais e, por isso, não foram repetidos. No caso de arcos
de meridianos considera-se que os pontos extremos possuem as coordenadas (ϕA,λ)
e (ϕB,λ).

QUADRO 1 - ALGORITMO PARA A SEGMENTAÇÃO DOS PARALELOS (esquerda) E DOS


MERIDIANOS (direita).
1) Cálculo de S=SINAL(λ λB-λλA ) S=SINAL(ϕ ϕB-ϕ
ϕ A)
2) λA
λINICIAL=λ ϕA
ϕINICIAL=ϕ
3) i=1
4) Se S>0 Então
5) λi = λINICIAL + S*pa ϕi = ϕINICIAL + S*pa
6) Se λi<λ
λB Então ϕi<ϕϕB
7) Salvar (ϕ ϕ,λ
λ i) ϕi,λ
(ϕ λ)
8) λINICIAL=λ
λi ϕINICIAL=ϕ
ϕi
9) i=i+1
10) Vá para (5)
11) Se não
12) Vá para (22)
13) Se não
14) λi = λINICIAL + S*pa ϕi = ϕINICIAL + S*pa
15) Se λi>λ
λB Então ϕi>ϕϕB
16) Salvar (ϕ ϕ,λ
λ i) ϕi,λ
(ϕ λ)
17) λINICIAL=λ
λi ϕINICIAL=ϕ
ϕi
18) i=i+1
19) Vá para (14)
20) Se não
21) Vá para (22)
22) Paralelo Segmentado Meridiano Segmentado

472
Para a divisão das linhas geodésicas deve-se utilizar as equações que
possibilitam realizar o problema direto e inverso da Geodésia. Deste modo, podem
ser consideradas diversas equações, como por exemplo, as mostradas no Quadro 2.

QUADRO 2 - ALGUMAS EQUAÇÕS UTILIZADAS PARA O TRANSPORTE DE COORDENADAS


GEODÉSICAS COM O RESPECTIVO ALCANCE.
Fórmula Alcance*
Correta para linhas de 50 ou 60
Fórmula de Puissant
milhas.
Correta para linhas da ordem de
Fórmula de Tardi
150 milhas.
Fórmula de Clarke (Utilizada pelo USGS para Correta para linhas de 200 a 250
linhas longas) milhas.
Fórmula de Graaff-Hunter Correta para linhas de 300 milhas.
Extensão de Rainsford para a fórmula
aproximada de Clarke. (A fórmula de Clarke
Correta além de 500 milhas.
foi desenvolvida para L<100milhas e
Rainsford acrescentou outros termos.)
Fórmula de Clarke (Clarke’s best formula) Correta além de 500 milhas.
Correta para 500 milhas (e
Fórmula de Rudoe provavelmente para qualquer
distância (Bomford, 1952, p. 84)).
Erro menor que 0,01 mm para
Equações de T. Vincenty (Vincenty, 1975)
linhas de até 18000 km.
* Foram mantidas as unidades usadas nas fontes: Bomford (1952) e Vincenty (1975).

O algoritmo para a divisão da geodésica é apresentado na seqüência. Considera-


se nesse caso que os pontos extremos da geodésica são dados por (ϕA,λA) e (ϕB,λB) e
que o intervalo usado na divisão seja p.

QUADRO 3 - ETAPAS DO ALGORITMO PARA A SEGMENTAÇÃO DAS GEODÉSICAS.


1) Cálculo da distância geodésica entre A e B (DAB)
2) Cálculo do azimute da geodésica em A (AzAB)
3) i=1
4) di=i*p
5) Se di<DAB Então
6) ϕi= F(ϕA,λA,AzAB,di)
7) λi= G(ϕA,λA,AzAB,di)
8) Salvar (ϕi,λi)
9) i=i+1
10) Vá para (4)
11) Se não
12) Vá para (13)
13)Geodésica segmentada

No algoritmo anterior, as funções F e G permitem calcular a latitude e a


longitude de um dado ponto (ϕi,λi), dadas a posição do ponto origem (ϕA,λA), o
azimute da geodésica que liga os pontos A e B e di, sendo di a distância contada
sobre a geodésica entre o ponto origem e o ponto (ϕi,λi). Para o caso de polígonos
473
onde os lados sejam inferiores a 50-60 milhas (92-111km) recomenda-se o uso da
Fórmula de Puissant. Para o caso de polígonos de maiores dimensões, pode-se
utilizar outras formulações, como as apresentadas por Bomford (1952) e
Vicenty (1975), ambas descritas no Quadro 2. No presente trabalho considerou-se a
formulação de Vicenty (1975), por meio de adaptações de subrotinas
disponibilizadas pelo NGS (National Geodetic Survey) no endereço
www.ngs.noaa.gov/PC_PROD/Inv_Fwd/.

3. EXPERIMENTOS E RESULTADOS

Nesta seção são apresentados os resultados dos experimentos realizados a partir


da implementação do procedimento proposto.

3.1. AVALIAÇÃO DA ÁREA DO ELIPSÓIDE

O procedimento proposto foi aplicado no cálculo da área do elipsóide de


revolução oficialmente utilizado no Brasil, o Elipsóide de Referência de 1967, cujos
parâmetros foram definidos pela IUGG (International Union of Geodesy and
Geophysics) em 1967. Os valores do semi-eixo maior e achatamento deste elipsóide
são, respectivamente, a=6378160,000m e f=1/298,25. A área da superfície do
elipsóide, calculada a partir do uso da Equação 2 e usada como referência, é igual a
510.069.272,7375059 km2.
Para a aplicação do procedimento proposto considerou-se o elipsóide dividido
em quadriláteros de 15o de latitude por 15o de longitude, situados entre os paralelos
0o a 15o, 15o a 30o, 30o a 45o, 45o a 60o, 60o a 75o e 75o a 90º. Foram calculadas as
áreas destes quadriláteros, utilizando o procedimento proposto, sendo a área do
elipsóide de revolução obtida pela soma das áreas de todos os quadriláteros
calculados. Diferentes intervalos foram considerados na divisão dos lados dos
quadriláteros, sendo mostrado o erro absoluto e o erro relativo na Tabela 1.
Ao observar os valores da Tabela 1 pode-se notar que o erro é menor à medida
que diminui o intervalo usado na segmentação dos lados, o que já era esperado.
Apenas como elemento de comparação, em Lukatela (2000) o erro relativo em área
para o elipsóide de revolução, usando polígonos de Voronoi, é da ordem
1/11.090.113, o que corresponde a aproximadamente 90,17 ppb. Em Diaz &
Oliveira (2001) o erro relativo obtido, usando a divisão sucessiva dos triângulos de
Delaunay, é da ordem de 0,01 ppb.

474
TABELA 1 - ÁREA DO ELIPSÓIDE OBTIDA PELA SOMA DA ÁREA DE QUADRILÁTEROS DE
15ox15o, USANDO DIFERENTES PASSOS NA SEGMENTAÇÃO DOS LADOS.
Intervalo usado na Erro absoluto em área Erro em ppb
segmentação dos lados (m2) (partes por bilhão)
(m)
15 267,5 0,0005
30 1155,6 0,0023
50 3238,8 0,0063
100 13069,1 0,0256
150 29446,8 0,0577
200 52371,6 0,1027
250 81838,6 0,1604
300 117862,7 0,2311

Pode-se portanto observar que, pela escolha de um passo adequado na divisão


dos lados, o procedimento proposto pode ser aplicado de modo a obter erros
relativos iguais ou menores que os obtidos por outros procedimentos, como os
descritos no parágrafo anterior, não sendo necessário fazer a segmentação da região
em sub-regiões, mas apenas do seu contorno.

3.2. INFLUÊNCIA DA DIMENSÃO DA REGIÃO E DA LATITUDE

Na seqüência são apresentados os erros relativos, em ppb - partes por bilhão, ao


considerar uma área de 1ox1o em diferentes latitudes e divididas com diferentes
intervalos. As latitudes consideradas no processamento foram 0o, 15o, 30o, 45o e 60o,
como pode ser visto na Figura 3.

FIGURA 3 - ERRO RELATIVO PARA UMA ÁREA DE 1ox1o USANDO DIFERENTES PASSOS NA
DIVISÃO DOS LADOS, EM DIFERENTES PARALELOS.

Pode-se notar que para os intervalos mostrados no gráfico da Figura 3, o maior


erro relativo é inferior a 1,2 ppb.
475
Na Figura 4 são apresentados os erros relativos para polígonos de 1ox1o, 5ox5o,
10 x10o, 15ox15o e 20ox20o, considerando diferentes passos na segmentação.
o

Embora o erro relativo seja proporcional à área do polígono, pode-se observar que
mesmo para polígonos de dimensão 20ox20o o erro relativo é inferior a 0,8 ppb para
o passo de 500m usado na divisão dos lados, podendo ser reduzido pela escolha de
um passo inferior.

FIGURA 4 - ERRO RELATIVO EM ÁREA PARA POLÍGONOS DE DIFERENTES DIMENSÕES.

3.3. COMPARAÇÃO DO PROCEDIMENTO PROPOSTO COM O USO DA


PROJEÇÃO UTM

O próximo experimento realizado visa comparar o resultado obtido pelo


procedimento proposto com o obtido pelo uso da Projeção UTM - Universal
Transversa de Mercator. Esta projeção tem como propriedade principal a
conformidade, ou seja, a manutenção da forma de pequenas áreas, sendo uma das
projeções mais utilizadas no país. Nessa projeção, como o fator de escala independe
da direção, pode-se escrever m0 = m90 = m (ou k). Deste modo, diferentemente das
projeções equivalente, na qual a razão entre ASP e ASR assume o valor 1 (Equação 4),
nesta projeção tem-se:
A SP
= m 0 m 90 = m.m = m 2 ( ou k 2 ) . (12)
A SR
Logo, uma vez calculada a área (ASP) a partir da projeção conforme, para obter a
área correspondente na superfície de referência deve-se fazer a operação:
A SP
ASR = . (13)
k2
O inconveniente do uso da Equação 13, ou de projeções conformes para o
cálculo de áreas, se deve ao fato de que k varia ponto a ponto. Por outro lado,
embora na Equação 4 os valores de m0 e m90 variem ponto a ponto, o produto m0m90
se mantém constante para toda a projeção, o que não ocorre com as projeções que
não são equivalentes.
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Para avaliar a diferença entre os valores das áreas obtidas pela projeção UTM
com as obtidas pelo procedimento proposto, foi feito o cálculo da área de alguns
quadriláteros, todos situados próximo ao paralelo 20º. Considerou-se ainda estes
quadriláteros em duas posições dentro do fuso UTM, uma próximo ao centro do fuso
e outro na borda do fuso.
A Figura 5 mostra o erro em área (em hectares) quando se utiliza o
procedimento proposto, que se baseia no uso da Projeção Equivalente de Lambert -
PEL e também quando se usa a projeção UTM. Para a aplicação do procedimento
proposto considerou-se como intervalo para a segmentação dos lados o valor 50m.
No cálculo da área usando a Projeção UTM foi utilizada a fórmula de Gauss e as
coordenadas, no plano UTM, dos pontos originais do polígono.

FIGURA 5 - ERRO EM ÁREA PARA REGIÕES DE DIFERENTES DIMENSÕES, USANDO A


PROJEÇÃO EQUIVALENTE DE LAMBERT (PEL) E A PROJEÇÃO UTM.

Pode-se notar claramente pela Figura 5 que ao usar a projeção UTM, na sua
forma "bruta", isto é, sem corrigir as deformações, têm-se uma ampliação das áreas
quando se está próximo aos bordos do fuso e uma redução quando se está próximo
ao centro do fuso, tal como preconiza a teoria. No entanto, ao utilizar o
procedimento sugerido, o erro em área é inferior, independente da localização da
região dentro do fuso UTM.
Ao aplicar a Equação 13 às áreas obtidas pela projeção UTM ocorre uma
compensação da área, como mostra o gráfico da Figura 6.

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FIGURA 6 - ERRO EM ÁREA AO USAR O PROCEDIMENTO PROPOSTO E A PROJEÇÃO UTM
APÓS A CORREÇÃO DO FATOR DE ESCALA.

Pode-se observar pelos resultados mostrados na Figura 6 que mesmo após a


aplicação do fator de escala médio ao valor da área obtida pela projeção UTM, o
procedimento sugerido neste trabalho apresenta discrepâncias inferiores, indicando
que seu uso é mais adequado.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho abordou-se o problema do cálculo de áreas de polígonos sobre o


elipsóide. O procedimento proposto baseia-se na segmentação dos limites da área,
seguida da transformação das coordenadas geodésicas para as coordenadas na
Projeção Azimutal Equivalente de Lambert. Esta projeção foi escolhida devido a
propriedade de equivalência e também por considerar o elipsóide de revolução como
superfície de referência.
Um ponto importante a ser considerado consiste no fato de que é mais fácil
segmentar curvas no espaço do que superfícies. Por esta razão procurou-se
considerar a segmentação dos limites (bordas). Na segmentação dos paralelos e
meridianos considera-se a interpolação das longitudes e latitudes, respectivamente.
No caso da segmentação das linhas geodésicas são utilizadas as mesmas equações
utilizadas na solução dos problemas direto e inverso da Geodésia.
Considerou-se neste trabalho que os polígonos utilizados podem ser formados
por arcos de meridiano, arcos de paralelo e linhas geodésicas. A partir dos
experimentos e das análises realizadas conclui-se que é possível chegar a estimativas
de áreas com erros da ordem de ppb (partes por bilhão) e até menores, desde que se
faça a escolha adequada do intervalo de segmentação dos limites dos polígonos.

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REFERÊNCIAS

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