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CÉLULAS VIVENDO AS
ESTAÇÕES ©2015 de Murilo Dantas

1° Edição: abril de 2015

Todos os direitos reservados por:


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Nenhuma parte desta publicação pode ser utilizada ou reproduzida – em qualquer
meio ou forma, seja mecânico, fotocópia, gravação, etc. – nem apro-priada ou
estocada em banco de dados sem a expressa autorização do autor.
Todas as citações bíblicas foram extraídas da Nova Versão Internacional
(NVI), salvo indicação em contrário.

Editor Geral: Murilo Dantas

©
Colaboradores: Andrei Alves, Editora ConradoPfanemüller, Inspire Cristina
Piccino, Fábio Albuquerque, Flávio Chaves, Keóla Dantas, Leila Paes, Rafael Migowski e
Viviam Ribeiro.
Coordenação editorial: Mariana C. Madaleno e Heliete Oliveira
Revisão: Heliete Oliveira
Capa: Jamille Almeida
Projeto Gráfico e Diagramação: Jamille Almeida

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Maurício Amormino Júnior, CRB6/2422)

D192c
Dantas, Murilo.
Células vivendo as estações: modelo orgânico de liderança celular / Murilo
Dantas. – São José dos Campos (SP): Inspire, 2015.
191 p. : 15 x 21 cm

Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7708-111-0

1. Ensino religioso. 2. Liderança cristã – Estudo e ensino. I. Título.


CDD-254.5
SUMÁRIO

PREFÁCIO ____________________________________________________ 07
APRESENTAÇÃO _______________________________________________ 11
1. PERFIL DO LÍDER CÉLULA ______________________________________13
2. VISÃO GERAL DA PIB EM SJCAMPOS E ICS ______________________ 23
3. VISÃO GERAL DE CÉLULAS ____________________________________41
4. CÉLULA INFANTIL, JUNIOR E ADOLESCENTE _____________________61
5. PROCESSO DE DISCIPULADO NA PIB EM SJCAMPOS _____________ 75
6. CIRCUITO VIDA _____________________________________________ 93
7. DISCIPLINA E CUIDADO PASTORAL ____________________________ 109
8. PRINCÍPIOS DE ACONSELHAMENTO ____________________________ 119
9. ESTUDO BÍBLICO ____________________________________________129
10. VIDA FINANCEIRA___________________________________________ 141
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11. BATALHA ESPIRITUAL ________________________________________ 157

12. GESTÃO DE PESSOAS _______________________________________ 171


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PREFÁCIO

Estou feliz que você esteja com este recurso em mãos para iniciar seu pro-cesso
de treinamento de liderança de células no modelo das estações. Neste curso você
será equipado para liderar melhor a Igreja de Cristo, ganhando e gerando
discípulos saudáveis alinhados com a visão da igreja. Gostaria de começar
fazendo algumas perguntas, que poderiam ser as suas, e esboçan-do algumas
respostas.

Todo processo de discipulado produz maturidade? Absolutamente, não! Alguns


processos de discipulado podem gerar conhecimento, mas não necessariamente
transformação. Podem gerar religiosidade, mas não ma-turidade; podem gerar
ativismo, mas não capacitação.

Uma estrutura educacional sem o discipulado um a um formado por uma


rede de células pode gerar genuíno discipulado? Absolutamente, não. Embora existam

exceções©Editora deirmãosque Inspire setornaram bons cristãos sem o


discipulado pessoal, os exemplos negativos e crentes desviados, infelizmen-
te, estão em maior número em nossos dias.

Por mais de 20 anos pastoreando uma igreja local, tendo experimentado a


realidade de uma igreja tradicional sem células e, nos últimos 10 anos, vivendo a
realidade do pastoreio através das células, posso dizer que real-mente não existe
um processo orgânico, natural e efetivo de discipulado em uma igreja local sem a
adoção das células. A verdade é que, simples-mente, nem a celebração, a Escola
Bíblica ou o ministério são ambientes realmente efetivos sem a vida orgânica das
células. Uma igreja pode reali-zar treinamentos nas salas de aula, mas ela sabe
que o discipulado eficaz só se efetivará no processo um a um por meio de um
rebanho em células, no qual o mais novo é recebido e discipulado pelo mais
velho.

Acredito na formação espiritual por meio das células e através do discipu-lado


pessoal. Nossa igreja tem sido transformada por Deus por meio desta realidade,
temos uma igreja mais saudável e crescente a cada ano.

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Basta ter pequenos grupos ou células? Também não! Por 7 anos, aplicamos os
pequenos grupos e depois as células sem um ciclo natural de multi-plicação; no
máximo, chegamos a 100 células, nunca ultrapassamos esta barreira. Contudo,
quase 5 anos depois de implementar as células vivendo as estações e há 2 anos o
discipulado pessoal, já estamos chegando a 800 células. Se uma célula, um
organismo vivo, não se multiplicar, assim como a célula biológica,
inevitavelmente, ela morrerá.

Acreditamos na vida comunitária da igreja local, assim como foi a realida-de da


igreja primitiva, com sua herança judaica. Acreditamos também na importância
da reunião no templo em um determinado local, onde reali-zamos as celebrações,
como está escrito: “E permaneciam constantemente no templo, louvando a
Deus” Lucas 24.53. E também: “Ao chegar a Cesaréia, subiu até a igreja para
saudá-la, e depois desceu para An ioquia” Atos 18.22.
Acreditamos também na força da rede de células vivendo em unidade as
estações de Deus, por meio dos ciclos naturais de vida, como lemos em
Ezequiel 34.26-27: “Na estação própria farei descer chuva; haverá chuvas de
bênçãos. As árvores do campo produzirão o seu fruto, e a terra produzirá a sua
safra; e as ovelhas estarão seguras na terra.” Como na natureza, na igreja
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celular temos o ciclo do Cultivo (Evangelismo), Cuidado (Ministério), Cres-
cimento (Discipulado) e Colheita (Adoração/Celebração) e durante todo ano
temos a Comunhão. Assim vivemos os ciclos anualmente através dos eternos
propósitos bíblicos da Palavra de Deus.
Acreditamos na importância do discipulado pessoal, ou seja, vida na vida,
crescimento, maturidade, mentoria e prestação de contas. Assim temos os GDP -
Grupos de Discipulado Pessoal, cada discípulo tem o seu grupo, assim como
nosso Mestre: “Jesus saiu do templo e, enquanto caminhava, seus discípulos
aproximaram-se dele para lhe mostrar as construções do templo.”
Mateus 24.1. Formam, assim a sua rede de DP – Discípulos Pessoais/Disci-
puladores Pessoais. Como Jesus também tinha o seu: “Jesus tomou consigo Pedro,
Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em par icular, a um alto monte”
Mateus 17.1. E, para que possamos gerar os discípulos, temos o nosso GA –
Grupo de Amigos. “Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e lhe
disse: Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje” Lucas 19.5.

Através das nossas celebrações, células e discipulado pessoal, acreditamos que


a hora de devocional pessoal entre o discípulo e seu Senhor é indispen-

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sável. A isso chamamos de GPS - Guiado pelo Senhor (hora devocional pesso-al).
Como fez Jesus: “De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou--se,
saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando” Marcos 1.35. E também:
“Mas Jesus re irava-se para lugares solitários, e orava” Lucas 5.16.

Tudo isso trabalha alinhado com um único alvo e foco, que é a aplicação de tudo
que aprendemos no púlpito em nossas celebrações, nos estudos das cé-lulas, na
mentoria do discipulado e na meditação da Palavra no devocional pessoal. Todo
ensino recebido deve ser aplicado à vida! Como está escrito: “Os discípulos foram
e fizeram o que Jesus inha ordenado” Mateus 21.6. Aprendiza-do sem aplicação
gera religiosidade. Devemos receber, celebrar e aplicar toda a vida de Jesus e os
mandamentos e preceitos da Palavra de Deus.

Boa leitura e estudo!

Carlito Paes
Pastor sênior da PIB em SJC e da Rede de Igrejas da Cidade.
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APRESENTAÇÃO

O texto de Gênesis 3.8, diz: “Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Se-
nhor Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam--
se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim”. Neste verso, per-
cebemos a primeira célula liderada pelo próprio Deus. Havia um encontro diário
onde Criador e as criaturas se reuniam, para um tempo de qualidade juntos.
Talvez Deus contasse um pouco mais sobre como havia formado cada criatura, ou
como ele os amava. Também deveria dar instruções de como cuidar do Éden,
além de presenteá-los com Sua presença perfeita de onde emanavam Suas
virtudes.

Hoje precisamos entender que nosso lar aberto para receber pessoas e ministrar
em vidas, é também o lugar onde Deus se manifesta através da presença do
Espírito Santo. Precisamos perceber as células primeiramente
como algo espiritual. A célula é um ambiente espiritual de relacionamen-tos
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espirituais.
Dessa forma, notamos a responsabilidade e a bênção de receber uma célula da
igreja em nossa casa. A Bíblia ilustra com clareza esses fatores, no episódio da
Arca da Presença contido em 1 Crônicas 13.13,14. Havia em todo o povo o temor
a respeito da proximidade com tal arca, por se tratar da manifestação da presença
do próprio Deus entre os homens. Apesar da necessidade de clara percepção
acerca do respeito com este utensílio, o tex-to também expõe que Odebe-Edom
levou-a para casa e, durante três meses, sua família e tudo o que ele possuía foi
abençoado.

Queremos lhe encorajar a iniciar a sua trajetória de liderança entendendo que é,


sim, uma responsabilidade cuidar de outras pessoas. Mas também a presença da
glória de Deus estará no meio de sua sala através da célula. Isso significa que
você não deve se deixar levar pela escassez dos possí-veis prejuízos com o sofá
ou de aparentemente estar mais doando do que recebendo. Ter uma célula em
casa é atrair a benção de Deus para cada integrante de sua família e para tudo o
que você possui.

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Este curso foi preparado para que você conheça mais claramente os temas
relacionados com essa tarefa divina de cuidar de pessoas numa célula, além de
lhe conduzir a um crescimento espiritual. Este material é direcio-nado
prioritariamente para a formação de líderes de célula na Primeira Igreja Batista
em São José dos Campos e nas Igrejas da Cidade. Ele conduzi-rá o futuro líder a
caminhar com maior tranquilidade a partir de ensina-mentos sólidos contidos na
Palavra de Deus, organizados em doze temas. Tais temas estão completos o
suficiente para ajudá-lo na compreensão do conteúdo. No final de cada disciplina,
você terá exercícios de fixação para lhe ajudar a estudar, além da bibliografia e
indicação de leitura.

Finalmente, abra seu coração, pois vamos começar uma linda, surpreen-dente
e abençoadora jornada de ser ministrados pelo Espírito Santo de Deus. Ele nos
alegrará com alimento farto e nos guiará a ministrar nas vidas que teremos o
privilégio de receber para cuidar.

Bem-vindo ao curso de Liderança de Célula!

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1. PERFIL DO
LÍDER DE CÉLULA
Cada vez mais em nossa igreja, a célula tem ido além de um conceito e tem se
transformado em um estilo de vida. Para a nossa igreja, a célula é hoje um valor
conquistado inegociável. É neste microambiente que todo o corpo recebe alimento
adequado e é impulsionado a viver segundo os propósitos eternos de Deus.

A célula é essa pequena e imprescindível parte do Corpo de Cristo, onde cada


indivíduo exerce a sua função: ele cuida e é cuidado. Com isso, todo o Corpo
está ajustado.

Como é em um corpo, as células seguem um comando central e sauda-velmente


realizam a sua parte, complementando-se umas às outras a fim de
proporcionarem ao Corpo o viver, o realizar e o cumprir os sonhos de
Deus. Como vemos em relação ao Seu tratar da nação de Israel, o Senhor sempre

pensa e se© moveEditora Inspire


nocoletivo,assim comoreconhece o
valor indivi-dual. Pela Palavra vemos como Ele valoriza a harmonia, o sentimento de
unidade, a preocupação com o todo, que é o que acontece em um corpo.

Portanto, a célula sendo uma ação de um pequeno grupo de pessoas


complementa simetricamente a ação pastoral e ministerial da igreja no grande
ajuntamento ou grande grupo, como chamamos. Como duas asas do grande
avião chamado igreja local, as ações do grande grupo e as do pequeno grupo
fornecem estabilidade para que a igreja se desenvolva e cresça saudavelmente.
Isso é uma continuidade do texto de Atos 5.42: “To-dos os dias, no templo e de
casa em casa, não deixavam de ensinar e proclamar que Jesus é o Cristo”.

Para que a célula seja uma realidade em nossa comunidade cristã, o Líder de
Célula é uma pessoa muito estratégica. Ele é a referência para o grupo tanto de
ensino, quanto de cuidado, motivação, lealdade, fidelidade e en-volvimento no
Reino de Deus. Além disso, ele demonstra na prática o que é ser discípulo e
como discipular pessoas, conduzindo-as a Cristo.

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QUEM É O LÍDER DE CÉLULA?

Toda célula possui um líder. Este líder é a pessoa que dirige e direciona o
desenvolvimento do grupo. Em geral, o líder de célula é aquele que foi esco-lhido
para discipular e cuidar pastoralmente de um grupo que está sob sua
responsabilidade. Portanto, apesar de o líder não ter talvez uma formação
teológica formal, ou já ter sido ordenado pastor, ele exerce o pastoreio do
pequeno rebanho, compartilhado por nosso pastor-líder.

Neste sentido, é importante destacar a relevância do líder de célula. Ele é aquela


pessoa que representa nossa liderança pastoral. Isso significa que o líder de
célula tem o privilégio de ser uma referência para o grupo. As pes-soas veem no
líder alguém que pode trazer direção e orientação geral para a vida em todos os
aspectos, sejam do cotidiano, sejam espirituais, sempre apontando para Cristo e
servindo de exemplo.

Entretanto, isso também é uma responsabilidade! É preciso que o líder seja uma
boa referência para a célula. Ele precisa de fato representar a lide-rança pastoral
da igreja e não substitui-la. Na prática, é liderar como se o
próprio pastor sênior estivesse liderando aquela célula. Por exemplo: como o pastor sênior
cuidaria ©desteEditorapequenorebanho?InspireComoele o motivaria?
Como seria o estudo ministrado por ele? Como o pastor-líder passaria os
avisos e as orientações para o grupo?

Isso ajusta a expectativa de todos. Do ponto de vista da liderança da igreja,


haverá a segurança de que o líder de célula que compreende essa instru-ção
entregará alimento correto para seu grupo. Já para o líder de célula, a perspectiva
é a de estar sempre coberto espiritualmente e dentro de uma rede de cuidado
mútuo, onde cuida, mas também é assistido. Finalmente, para o membro da
célula, a percepção é de que ele faz parte de um grande movimento de Deus,
onde o grande rebanho está sendo guiado numa dire-ção única, através da
organização em grupos menores.

O QUE É ESPERADO DO LÍDER DE CÉLULA?

O foco principal de um líder de célula é o desenvolvimento da célula. Para que


isso seja possível é preciso que o líder esteja se desenvolvendo como pessoa e
interessada a ampliar sua ação de cuidado.

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Toda célula é reflexo de seu líder. Se ele cresce, sua célula está crescendo
saudavelmente. Escrevendo a seu discípulo Timóteo em sua primeira carta, Paulo
o ensina a lidar com vários aspectos importantes do ministério de cuidar de
pessoas. Em 1 Timóteo 4.15 ele enfatiza: “Seja diligente nessas coi-sas; dedique-
se inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso”. Isso nos
impulsiona a querer crescer intencionalmente.

CRESCIMENTO PESSOAL

Há vários livros instrutivos e histórias marcantes sobre liderança. Eles são uma
fonte primorosa para nosso crescimento e preparo como líderes. A grande
maioria destes materiais destaca a importância de, antes de liderar um grupo, o
líder ter clara compreensão de que ele precisa crescer pro-gressivamente, desde
como pessoa, passando pela família, até alcançar a liderança de um grupo numa
dada igreja.

Crescimento em relação à sua iden idade

Tudo começa pela ©identidadeEditoradolíder


eInspiretambémporsuas qualidades para certas tarefas específicas (KOHL
e BARRO, 2006). O bom líder de célula é aquele que conhece sua identidade em
Cristo. Ele está consciente de suas virtudes, mas também de suas limitações. Por
isso, celebra a sua recupera-ção diariamente e permite que o Espírito Santo
explore cada vez melhor seu próprio potencial. Sua atenção está em Cristo e em
como Ele pode o conduzir a uma dinâmica de vida renovada nos diversos
aspectos de sua história. Talvez o primeiro grande desafio do líder de célula seja
cuidar de seu próprio ser, de seus pensamentos e de sua emoção: “Acima de
tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” Provérbios 4.23.

Crescimento em relação à família

Assim como conhecer-se melhor é importante, é preciso que o líder de


célula cuide de sua família. A própria Bíblia traz esse indicativo:

“Estaafirmaçãoédignadeconfiança:Sealguémdesejaserbispo,dese-
jaumanobrefunção.Énecessário,pois,queobisposejairrepreensível,

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maridodeumasómulher,moderado,sensato,respeitável,hospitaleiro e apto
para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas
simamável,pacíficoenãoapegadoaodinheiro.Eledevegovernarbem sua
própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a digni-dade. Pois,
se alguém não sabe governar sua própria família, como
poderá cuidar da igreja de Deus?” 1 Timóteo 3.1-5.

Esse texto é uma orientação pastoral, que pode ser bem aplicada ao líder de
célula. Ele traz orientações para o viver do líder e como ele pode conduzir sua
própria família. Se o líder de célula não souber cuidar de sua família, como
poderá aconselhar a outros?

Crescimento nos relacionamentos

O bom líder também cuida de seus relacionamentos. Um excelente texto sobre


esse assunto é o livro O líder que brilha de David Kornfield. Baseado num
estudo sobre o que diferenciava numa lista de 500 empresas, as boas
das excelentes, o autor escreveu sobre a distinção entre bons líderes e

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líderes excelentes. Para ele, “o Inspire
quefazalguém sergrandeou
excelente é sua habilidade de desenvolver relacionamentos comprometidos e saudáveis”
(KORNFIELD, 2007). Sendo assim, ele traça a partir do Grande Mandamen-to
(Mateus 22.36-40) e da Grande Comissão (Mateus 28.18-20) a base dos sete
relacionamentos mais importantes para um líder: com Cristo, consigo mesmo,
com sua família, com um grupo pastoral, com sua equipe, com seu discipulador e
com amigos íntimos.

Crescimento em conhecimento

Além disso, é esperado que um líder de célula continue sempre estudando e


disposto a ler. Paulo demonstrou essa característica quando escreveu em 2
Timóteo 4.13: “Quando você vier, traga a capa que deixei na casa de Carpo, em
Trôade, e os meus livros, especialmente os pergaminhos”. Isso significa que o
líder de célula deve estar continuamente estudando e se aperfeiçoando. Como
diria o Pr. Bill Hybels em seu livro Axiomas, o bom líder lê tudo o que pode. Não
podemos negligenciar nossa necessidade de ler. Há muitos bons livros sendo
escritos sobre liderança e sobre como enfrentar problemas

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relativos à liderança de pessoas. Precisamos decidir ler tais livros para apri-morar
nossa ação como líderes. A percepção que temos da necessidade de “liderar com
interesse” (Romanos 12.8) é que vai determinar se temos tido a responsabilidade
diante de Deus de melhorar constantemente.

Certamente, se alguém quer ampliar sua influência, precisa estar aberto a


conhecer melhor a Deus, entender melhor a Sua Palavra, a compreender as
necessidades e anseios humanos, além de desenvolver e a aperfeiçoar as
estratégias e as avaliações do trabalho em equipe. Um bom líder de célula tem
um coração aprendiz. É ensinável. É firme, mas flexível. Há diversas formas de
aprender, mas certamente, ler é uma das mais confiáveis.

Crescimento no caráter cristão

O líder de célula cuida firmemente de sua integridade e caráter, pois reco-nhece


que o caráter determinará seu legado. É ter vontade de “fazer o que é certo,
mesmo quando isso é difícil” (STANLEY, 2008). Como líderes, somos
constantemente desafiados a desenvolver um caráter divino (CLINTON,
2009). Ele está envolvido com o valor da retidão e da santidade. Conhece
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suas limitações, mas está empenhado em superar todas elas. Se pecar, logo se
arrepende e busca não fazê-lo mais. Está convicto que deve ser leal à sua
liderança. É franco e humilde em abordar suas dúvidas e inquietações, sem jamais
expor seus líderes.

AO CUIDAR DO GRUPO

A saúde de um rebanho pode ser medida pelo investimento de seu pastor ou líder.
O foco do cuidado com o grupo deve estar inicialmente com o alimento fornecido
às pessoas. Na Primeira Igreja Batista em São José dos Campos (PIB-SJC) e nas
Igrejas da Cidade (ICs) os estudos e orientações são desenvolvidos pelo
colegiado pastoral e corpo de ministros da igreja. Há todo um processo de
avaliação e consideração da relevância e das teolo-gias bíblica e sistemática
abordadas nesses materiais. Sendo assim, o líder de célula jamais deve suplantar
o ensino e a orientação recebidos de seus líderes diretos. Ao contrário, devem até
conferir se tal ensino condiz com a orientação de nosso pastor sênior.

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Valores como amor a Deus, à Sua Palavra e às pessoas, discipulado inte-gral,
cuidado mútuo, multiplicação do cuidado e da visão, exercício do ministério,
pastoreio na célula, grandes celebrações, comprometimento com o Reino de
Deus e visão elevada, devem ser ensinados com paixão. O líder de célula deve
transmitir a visão da igreja constantemente, pois “a visão vaza”, segundo Bill
Hybels. Ou seja, as pessoas tendem a esquecer-se rapidamente da visão e da
orientação. Relembrar a visão aos irmãos na fé constantemente é uma de nossas
funções.

O bom líder de célula cuida de seu grupo intencionalmente. Não é mera-mente


receber pessoas em sua casa por algumas horas. É ir adiante: é atuar como
discipulador. É ser alguém que as pessoas queiram seguir e estar perto. O bom
líder de célula cuida de seu grupo como quem cuida equili-bradamente de sua
família. A célula com o passar do tempo, torna-se um grupo de grandes amigos.

Entretanto, estar comprometido não é manter o grupo eternamente. Estar


comprometido com as pessoas é estar empenhado com todas as pessoas. É
querer difundir a visão de redenção para todos. É querer alcançar a todos. Para
que isso seja possível, é preciso ensinar a seus discípulos a serem

discipuladores, apresentando©Editora ofluxodavida Inspire cristã(João15):


receber todo o alimento que vem por meio do Espírito Santo; regozijar, ao se alimentar
através da conexão com Jesus; e repar ir, externando o amor de Deus atra-vés
dos frutos da alegria. Assim cada líder vai levar seu discípulo a multi-plicar, a
seguir ganhando pessoas para Jesus e cuidando delas, formando novos
discípulos que irão discipular outros, assim por diante.

O bom líder de célula também procura estar atento espiritualmente e ter dis-
cernimento aguçado pelo Espírito Santo. Ele tenta ouvir além do que é dito
verbalmente. Ao ouvir com o coração, aponta passos coerentes para trilhar o
Caminho. Ou seja, é aquele que já está na jornada há um pouco mais de tem-po,
conduz seus discípulos através das ferramentas oferecidas e disponíveis na igreja.
É um líder que conhece bem experiências marcantes com Deus, mas também
valoriza processos para o devido crescimento do rebanho.

Finalmente, o bom líder de célula deve exercer o modelo de liderança de Jesus


Cristo. Como bem expõe Wander Proença em KOHL e BARRO (2006), “Jesus
não manipula os homens, mas desafia-os a tomar o caminho do Reino, a
assumirem responsabilidades, a serem participantes ativos no pro-cesso
libertador”. Se a intenção do discipulado é promover transformação na sociedade,
os princípios da vida de Jesus estão nele evidenciados.
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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Encontre versículos na Bíblia que justifiquem a estratégia de se ter a gran-de


celebração e a célula na igreja local. Dica: procure no livro de Atos.

2. Por que os encontros na grande celebração e na célula são importantes?

3. Quais características definem um líder de célula?

4. Quais são as virtudes que um líder de célula precisa desenvolver como


pessoa?

5. Apresente as principais atitudes de cuidado pastoral com a célula que o líder


de célula precisa desenvolver e ensinar aos discípulos.

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BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000. CLINTON,

J.R. Etapas na vida de um líder. Londrina: Curitiba, 2009.

EARLEY, D. 8 hábitos do líder eficaz de grupos pequenos. Curitiba: Minis-


tério Igreja em Células no Brasil, 2006.
HYBELS, B. Axiomas. São Paulo: Vida, 2010.

KOHL, M.W. e BARRO, A.C (orgs.). Liderança cristã transformadora. Lon-


drina: Descoberta, 2006.
KORNFIELD, D. O líder que brilha. São Paulo: Vida, 2007.

MIZOGUCHI, P. As estações de Deus nos pequenos grupos. São José dos


Campos: Inspire, 2012.
STANLEY, A. O líder da próxima geração. São Paulo: Vida, 2008.

© Editora Inspire

SUGESTÃO DE LEITURA

EARLEY, D. 8 hábitos do líder eficaz de grupos pequenos. Curitiba: Minis-


tério Igreja em Células no Brasil, 2006.

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2. VISÃO GERAL DA PIB
EM SJCAMPOS E ICS
Deus nos ama tão intensamente que decidiu enviar seu Filho Jesus para morrer
por nós. Foi através da morte e da ressurreição de Cristo que rece-bemos acesso
definitivo ao Pai. Em Cristo somos um Corpo como sua Igreja amada.

Nesse tempo específico, em Sua Graça, o Senhor escolheu trabalhar em nossa


igreja, a PIB em SJCampos, juntamente com as ICs, para refletirmos Seu amor
ao mundo sendo sal e luz, além de inspirar nações enquanto caminha para o
alvo, que é Cristo.

A PIB em SJCampos e ICs são lugares de fé, esperança e amor. Conforme nosso
pastor sênior, Carlito Paes, em suas pregações,“continuaremos a ser uma igreja
contextualizada, dinâmica, ágil, vibrante, cheia de fé, que valo-
riza pessoas acima de regras humanas e estruturas organizacionais, porque somos ‘a igreja

do Deus vivo, © EditoracolunaefundamentoInspiredaverdade” 1 Timóteo 3.15


De acordo com o Seu agir durante anos, o Senhor foi talhando a nossa igreja
quase centenária, para ser uma igreja voltada para amar os que Ele ama, muito
expressivamente. Assim, Ele nos entregou graciosamente um chamado
específico como igreja.

Nesta disciplina abordaremos os pontos vitais norteadores da PIB em


SJCampos e suas ICs.

VISÃO, MISSÃO E VALORES DA PIB em SJCampos

Visão: ganhar todas as pessoas para Jesus e transformar cada membro em um


extraordinário discípulo de Cristo.
Missão: ganhar todas as pessoas para Jesus, incluir na família, ajudar a desco-
brir seus dons e ministérios, discipular pessoal e intencionalmente como Cris-to
e enviar para plantar novas igrejas no mundo para glória global de Deus!
Nossa abordagem: equilíbrio nos cinco propósitos.

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Nosso es ilo de adoração: contemporâneo.

Nosso alvo: alcançar os “sem-Cristo”.

Nossa liderança: compartilhada em colegiado pastoral e ministerial.

Nossa metodologia: os pastores e líderes treinam e equipam os membros para


desenvolverem seus dons e ministérios.
Nossa estratégia: levar cada membro a compromissos ainda maiores de
intimidade com Cristo.
Nossa metodologia de cuidado mútuo: células.

Nosso lema: um lugar para descobrir o propósito da vida.

Nossa estratégia de plantação de igrejas: uma igreja, muitos lugares. Plan-


tação de Igrejas da Cidade.

Assim, conforme nosso pastor líder, Carlito Paes, somos “uma igreja dirigi-da
por propósitos bíblicos, informal, contextualizada, ágil e transparente em suas
ações, que valoriza pessoas acima de estruturas ou programas”.
Isso é reflexo do equilíbrio e do foco. Conforme Rick Warren em seu livro Uma igreja
com ©propósitosEditora,oscincoInspirepropósitossão vividos na igreja
composta pelas chamadas bases, as quais vão conduzir toda a igreja local a viver
os propósitos de Deus como estilo de vida. Cada base possui líderes específicos
que atuarão estrategicamente ao lado do pastor sênior. Esses líderes de bases têm
a função de pensar na essência do propósito e como isso será transmitido para
toda a igreja.

ELEMENTOS BÁSICOS NA IGREJA LOCAL

Nossa igreja é orientada por uma missão e uma agenda totalmente pautadas pela
Palavra de Deus. Entendemos que uma igreja precisa ser relevante em to-das as
suas ações pela natureza de sua missão e pela demanda da sua agenda.
Missão da Igreja

Em Lucas 10.1 (ACF) é possível apreender características dessa missão.


Vejamos:
1. É dada pelo próprio Senhor Jesus (v. 1a): “... designou o Senhor”.

23
Jamais devemos nos esquecer de que estamos em uma missão orientada e liderada
pelo Senhor Jesus. Nossa missão não é chefiada por homens e sim pelo Senhor.
Ele mesmo nos designou para missão! É assim que a igreja deve desenvolver seu
trabalho.
2. Envolve a todos nós (v. 1b.): “... outros setenta...”.

A missão da igreja de Cristo não é tarefa de alguns, do pastor ou da dire-toria,


mas é de todos os salvos. O fato de enviar outros setenta revela que outros grupos
já haviam sido enviados antes. Como nós, muitos já foram e outros irão! Agora é
nossa vez de juntos realizarmos a missão que Jesus nos confiou.

3. É pioneira (1c.): “... enviou adiante de si”.

Os discípulos foram enviados aonde Jesus ainda não havia ido e a lugares e
situações nunca alcançados. Do mesmo modo, nós seremos enviados a
experimentar situações diferentes do que estamos acostumados! Jesus de-seja
que sua igreja e seus discípulos tenham visão, não atrás do seu tempo,
mas sim à frente, adiante do seu tempo, antecipando boas novidades para o Reino de
Deus. A Igreja ©precisaEditoraserprecursoraInspireenãocopiadora.
4. É coopera iva (1d.): “...de dois em dois...”.

A missão da Igreja de Cristo nunca foi realizada por uma única pessoa. Ela já
começou com 13 pessoas, pois a tarefa é muito grande! Isso significa que é
preciso desenvolver um trabalho em equipe e não numa “euquipe”. Se quisermos
fazer um trabalho grandioso e relevante, precisamos caminhar juntos, de dois em
dois, lado a lado, para partilharmos as tristezas e as vitó-rias, e sempre
participando do Corpo de Cristo ativamente.
5. É universal (1e.): “... a todas as cidades e lugares...”.

O texto bíblico em Atos 1.8 reafirma isto. A igreja deve realizar a obra do
evangelho de Jesus na cidade, na região, no estado, no Brasil e em todo o
mundo. A visão da igreja deve ser da Terra, plantada fisicamente em um local,
mas sonhando e atuando em todo o mundo. Cremos numa igreja mobilizadora,
que vai e envia missionários a todas as cidades e lugares, sempre em nome do
Senhor Jesus!

24
Agenda

De Lucas 10.2-12 (ACF) podemos extrair lições para a agenda da igreja.


Vejamos:
1. É sempre desafiadora (v.2): “... os obreiros são poucos e grande é a seara”.

Se fossem muitos os obreiros, não teríamos desafios! A missão da Igreja de


Cristo sempre foi realizada pela minoria fiel e consagrada. Não podemos esperar
pela maioria. Vários exemplos bíblicos refletem a relação “pouca gente somada a
muito trabalho”. Foi assim com Noé, com Gideão, com os profetas e com Jesus!

2. É marcada por grandes riscos (v. 3): “... eis que vos envio como ovelhas no
meio de lobos”.

A Igreja de Cristo vive dias maus e sempre precisou ser um movimento an-
ticultural, conforme a Bíblia (Efésios 5) e a História. Por isso, ela precisa ser ágil,
estar alerta e atenta, por estarmos justamente no meio de uma grande batalha
espiritual (1 Pedro 5.8). Santos em guerra sempre vão correr riscos para fazer se
cumprir a agenda do Senhor no mundo!
3. É marcada pela©fé (vEditora.4a):“...NãoleveisInspirenembolsa,nem alforje”.

A Igreja precisa mostrar fé no exercício de sua missão, promovendo e instalando


o Reino de Deus pela fé. A obra do Senhor só se realiza na sua totalidade e na
eficácia que o Senhor deseja, se for realizada por homens e mulheres de fé.

4. Precisa ser desenvolvida com urgência (v. 4b.): “... a ninguém saudeis
pelo caminho...”.

Jesus está voltando! Maranata! Não podemos perder tempo. Acreditamos que
precisamos de menos conversa e mais “pé na estrada”. 55 mil pessoas morrem
por dia sem conhecer a Jesus Cristo como Senhor de suas vidas.
Muitas crianças morrem de fome por hora no mundo ou estão sendo trafi-cadas
pelo preço de um cappuccino.
5. É desenvolvida em paz (vs. 5-7): “... dizei primeiro, paz seja com esta casa”.

Levamos uma mensagem de paz, pois Jesus é o Príncipe da Paz. Portanto, a


igreja deve desenvolver sua agenda em paz.

6. É lexível, de acordo com as necessidades locais (v. 9): “... curai os enfer-
mos que nela houver...”.

25
A agenda deve ser flexível para atender a necessidade do momento. A igreja
local pode planejar muitas coisas, mas precisa sempre estar aberta ao mover do
Espírito de Deus em sua execução.
7. É de natureza profé ica (vs. 11-12): “Dizei... está próximo Reino de Deus”.

Somos nós, na execução da agenda, que estaremos dizendo ao mundo que Jesus
está voltando. Temos uma mensagem profética que precisa ser proclamada já,
condenando o pecado e revelando a brevidade da segunda vinda de Cristo!

Liderança

Para uma igreja seguir cumprindo sua missão numa agenda completamen-te
guiada pelo Espírito Santo precisa de líderes que reconhecem e admitem seu
chamado. Todos os que já se arrependeram e entregaram suas vidas para Jesus
Cristo, como seu Salvador e Senhor foram chamados para a vida e para frutificar.

Líderes devem investir no preparo para responder ao chamado com exce-


lência. Quem já tem o chamado ©Editora eentendeu Inspire isto,precisasaber
claramente da parte de Deus, que tipo de formação deve ter para exercer este chamado.

Além disso, o líder precisa ter sensibilidade para ouvir a Deus através de sua
liderança. Isso o conduzirá à disponibilidade para servir em qualquer lugar ou
situação. Sensibilidade e disponibilidade são dois elementos ne-cessários para
cumprir o projeto de Deus!

Há alguns axiomas em nossa igreja que devem fazer sentido para todos os
líderes em nossa igreja, especialmente os líderes de célula:
1. Não menospreze os pequenos começos: “Eu lhes digo a verdade: Quem
lhes der um copo de água em meu nome, por vocês pertencerem a Cristo, de
modo nenhum perderá a sua recompensa” Marcos 9.41.
2. Orgulhe-se do seu chamado: “Portanto, não se envergonhe de testemunhar
do Senhor” 2 Timóteo 1.8.
3. Honre sua santa vocação: “Que nos salvou e nos chamou com uma santa
vocação” 2 Timóteo 1.9.
4. Sirva para eternidade: “Ele tornou inoperante a morte e trouxe à luz a
vida e a imortalidade por meio do evangelho” 2 Timóteo 1.10.

26
5. Reconheça seus dons: “Deste evangelho fui cons ituído pregador, apóstolo e
mestre” 2 Timóteo 1.11.
6. Passe pela refinaria de Deus: “Por essa causa também sofro, mas não me
envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou bem certo de que ele é
pode-roso para guardar o que lhe confiei até aquele dia” 2 Timóteo 1.12.
7. Mantenha seu foco: “Retenha, com fé e amor em Cristo Jesus, o modelo
da sã doutrina que você ouviu de mim” 2 Timóteo 1.13.

NOSSO JEITO DE SER IGREJA

Toda igreja saudável e crescente possui princípios que são o fundamento para a
sua ação. Para nós como igreja, tais princípios são consequência da visão que
Deus nos deu, conforme apresentamos acima. A seguir, apresen-tamos estes
princípios da PIB em SJCampos e das ICs, em sua maioria, des-critos mais
detalhadamente no livro Igrejas que prevalecem (PAES, 2009).
1. Aplicar a Bíblia de forma ainda mais efe iva em nosso ministério: “Os
bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensa-gem com

grande interesse, ©Editoraexaminando todos InspireosdiasasEscrituras,


para ver se tudo era assim mesmo” Atos 17.11.

2. Preparar líderes servos para liderar com excelência: “Se é exercer lide-
rança, que a exerça com zelo” Romanos 12.8b.
3. Executar a instrução dada por Deus: “Somente seja forte e muito corajoso!
Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo Moisés lhe ordenou;
não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja
bem-sucedido por onde quer que andar” Josué 1.7.

4. Viver uma a itude vibrante e posi iva no ministério: “Vocês sairão em


júbilo e serão conduzidos em paz; os montes e colinas irromperão em canto
diante de vocês, e todas as árvores do campo baterão palmas” Isaías 55.12.
5. Empreender ainda mais ações pelo Reino de Deus: “Somente temam o
Senhor e sirvam-no fielmente de todo o coração; e considerem as grandes
coisas que ele tem feito por vocês” 1 Samuel 12.24.
6. Ser dirigido pelo Espírito Santo: “A igreja passava por um período de paz
em toda a Judéia, Galileia e Samaria. Ela se edificava e, encorajada pelo
Espírito Santo, crescia em número, vivendo no temor do Senhor” Atos 9.31.

27
7. Avaliar frequentemente nossas ações: “Assim diz o Senhor dos Exércitos:
‘Vejam aonde os seus caminhos os levaram!” Ageu 1.7.

8. Con inuar a desmontar e a montar novamente: “Nesse meio tempo fomos


reconstruindo o muro, até que em toda a sua extensão chegamos à metade da sua
altura, pois o povo estava totalmente dedicado ao trabalho” Neemias 4.6.
9. Encarregar todos do ministério de Cristo: “Portanto, que todos nos conside-
rem como servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus” 1 Coríntios 4.1.

10. Pra icar perdão e aceitação: “Bem-aventurados os misericordiosos, pois


obterão misericórdia” Mateus 5.7.
11. Evangelizar de modos não convencionais: “Para com os fracos tornei-me
fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma
forma salvar alguns” 1 Coríntios 9.22.

12. Viver a prá ica de uma comunidade viva autônoma: “A igreja de Deus
que está em Corinto, com todos os santos de toda a Acaia” 1 Coríntios 1.2.
13. Manter as boas tradições sem nos tornarmos tradicionalistas: “Portan-
to, assim como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, con inuem a viver nele, enraizados e
edificados nele, © firmadosEditoranafé,comoInspireforamensinados, transbor-
dando de gra idão. Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias
vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios
elementares deste mundo, e não em Cristo” Colossenses 2.6-8.

14. Inves ir nos relacionamentos entre nossos membros: “Sirvam uns aos
outros mediante o amor” Gálatas 5.13b.

15. Contextualizar nossa liturgia à realidade do nosso povo: “Ao pôr-do-sol,


o povo trouxe a Jesus todos os que inham vários ipos de doenças; e ele os curou,
impondo as mãos sobre cada um deles” Lucas 4.40.

16. Adotar prá icas espirituais diferentes e de forma inovadora: “Todas


essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as
distribui individualmente, a cada um, como quer” 1 Coríntios 12.11.

17. Ampliar nossa pregação encorajadora e prá ica: “Além de ser sábio, o
mestre também ensinou conhecimento ao povo. Ele escutou, examinou e colecio-
nou muitos provérbios. Procurou também encontrar as palavras certas, e o que
ele escreveu era reto e verdadeiro” Eclesiastes 12.9-10.

28
18. Inves ir na formação de nossa liderança: “Assim, Paulo ficou ali durante
um ano e meio, ensinando-lhes a palavra de Deus” Atos 18.11.

19. Mo ivar nosso povo para a segunda vinda do Senhor Jesus: “Estejam
prontos para servir, e conservem acesas as suas candeias” Lucas 12.35.

20. Inves ir em novas gerações para o ministério: “Com o fim de preparar os


santos para a obra do ministério” Efésios 4.12.

21. Expandir o alcance do nosso ministério em equipe: “Escolheu doze, desig-


nando-os apóstolos, para que es ivessem com ele, os enviasse a pregar” Marcos 3.14.

22. Ampliar nossa rede de pastoreio em células: “Par iam o pão em suas casas, e
juntos par icipavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração”
Atos 2.46.

23. Inves ir e irar grande proveito da mídia: “Escreva claramente a visão


em tábuas, para que se leia facilmente” Habacuque 2.2.

24. Atuar amplamente em ministérios sociais: “Ao ver as mul idões, teve
compaixão delas, porque estavam a litas e desamparadas, como ovelhas sem
pastor” Mateus 9.36.
© Editora Inspire
25. Plantar novas igrejas pelo Brasil e pelo mundo: “Portanto, vão e façam
discípulos de todas as nações, ba izando-os em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu
estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” Mateus 28.19,20.

ESSÊNCIA DA NOSSA IGREJA

Nossa igreja é uma Igreja com Propósitos (ICP). Toda ICP está direcionada por
meio de grandes áreas denominadas propósitos ou bases de ação. Ao todo são
cinco bases fundamentadas nos propósitos extraídos do Grande Mandamento
(Mateus 22.36-40) e da Grande Comissão (Mateus 28.18-20): adoração,
comunhão, discipulado, ministério e missões. A partir destes textos bíblicos, o Pr.
Rick Warren explana o conceito dos propósitos bíbli-cos com foco na igreja em
Uma Igreja com propósitos e com foco na vida pessoal no livro Uma vida com
propósitos.

Estes propósitos devem ser a força motriz de nossa vida, ministério e igreja, como
ensinado por Jesus (FIELDS, 1999). Na célula não pode ser diferente:

29
é através da célula que anunciamos a salvação aos “sem igreja”, começan-do
pelas pessoas de nossas próprias casas, aos nossos amigos e vizinhos (Atos 1.8).
Alguns deles, talvez, jamais entrariam em uma igreja em algum momento de suas
vidas; na célula realizamos uma forma livre de louvor e adoração a Deus, sem
nos preocuparmos com formas ou rituais (João 4.24); também na célula
desenvolvemos relacionamentos pessoais de confiança, camaradagem e amor ao
próximo (Atos 2.42-47); na célula edificamos a nós mesmos e aos demais,
conduzindo todos a serem imitadores de Cristo, sendo verdadeiros discípulos (1
Coríntios 11.1); e, por fim, na célula temos o privilégio de descobrir em que área
Deus tem nos capacitado para poder-mos servir à Igreja (Romanos 12.3-8).

Em termos práticos, na igreja cada propósito é representado por uma base


conforme sua designação. Cada base possui um líder com a função de pensar na
essência do propósito e como isso será transmitido para toda a Igreja através de
sua equipe. A seguir, apresentamos cada base e alguns de seus ministérios no
contexto de nossa igreja.

Base de Adoração © Editora Inspire


Adorar é expressar o nosso amor a Deus por quem Ele é, pelo que Ele disse e por
aquilo que Ele faz. Nossa vida é uma expressão do amor de Deus sobre nós, visto
que tudo o que somos e temos vem Dele. Nós respondemos a esse amor
comprometido vivendo de modo que expresse o nosso amor a Deus em tudo o que
fazemos, em todos os momentos e em todo o nosso viver.

Como igreja, procuramos proporcionar atmosfera e ambiente para que cada filho
amado de Deus descubra o caminho de ser um adorador em espírito e em
verdade, através de uma vida devocional rica e de crescimen-to na intimidade
com Deus. Vivendo para adorar ao Senhor, trazemos para a casa de Deus a
colheita dessa alegria, em celebrações semanais que tem diferentes propósitos,
por isso são diferentes também. Essas reuniões pro-clamam o amor de Deus e O
anunciam às pessoas que ainda não tem Jesus, de modo que essas são atraídas a
Ele.

Precisamos tornar a mensagem de Deus compreensível às pessoas. Por isso, temos


um cuidado especial em nossas celebrações para que a mensagem possa ser
entendida por todos, sem o uso de vocabulário restrito apenas aos que já tem
vivência na igreja. Além disso, não existe música cristã e sim

30
“letra cristã”, que pode ser revisada para assegurar a correção doutrinária. Nossas
celebrações em geral buscam criar uma atmosfera motivadora, alegre
encorajadora, familiar, renovadora e informal, apresentando às pes-soas a rica
oportunidade do relacionamento com Jesus. Exemplos de minis-térios ligados à
Base de Adoração: Bandas, Intercessão, Teatro e Imagem.

Base de Comunhão

O objetivo principal da Base de Comunhão é o de transformar os frequen-


tadores em membros, edificando a congregação, conforme Efésios 2.19:
“Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos
dos santos e membros da família de Deus”.

Para isso, precisamos criar um ambiente onde as pessoas desejem unir-se à igreja,
através do amor e da aceitação. Assim, todos compreenderão que somos
chamados para nos unirmos à Família de Deus e não a uma institui-ção. Ser
família é um valor da vida cristã.

As pessoas devem ser estimuladas a passar pelos processos para se torna-


rem membros da igreja ©Editora comoreflexo do Inspire cuidadopastoral. Para
isso, em nossa igreja temos várias etapas todas elas estruturadas pela liderança da
igreja com o intuito de que a pessoa possa receber amor e cuidado.

A Base de Comunhão também atua na construção de relacionamentos


saudáveis centrados em Cristo Jesus. Por isso, em nossas práticas atuais
encorajamos as pessoas que trouxeram uma pessoa à célula ou à igreja, sigam
como seu discipulador pessoal, no caso de pessoas de mesmo sexo,
encorajando, estimulando e orientando esta pessoa nos seus primeiros passos
com Deus.

Hoje, o líder de célula é responsável por ministrar o Curso de Batismo ao novo


decidido. Ele também é responsável por fazer a primeira entrevista dessa pessoa.
Dessa maneira, o processo acontece de maneira muito natu-ral e assim
cumprimos aquilo Jesus orientou em Mateus 28.19,20:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome


do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as
coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu
estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”.

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Exemplos de ministérios ligados à Base de Comunhão: Águas que marcam,
Recomeço, Aconselhamento e Ceia do Senhor.

Base de Discipulado

O objetivo da Base de Discipulado é desenvolver membros maduros, conduzindo


pessoas a se tornarem comprometidas com Jesus, conforme Efésios 4.12,
querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do minis-tério, para
edificação do Corpo de Cristo.

A maturidade é algo intencional e está disponível a todos os cristãos conforme


orientação do apóstolo Paulo em 1 Timóteo 4.7: “Rejeite, porém, as fábulas
profanas e tolas, e exercite-se na piedade”. Esse crescimento é um processo que
leva tempo, mas acontece dia após dia, momento a momento, enquanto
permanecemos em Jesus, como afirma João 15.1-4:

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, es-tando em mim não dá
fruto, ele corta; e todo aquele que dá fruto, ele poda, para que dê mais fruto ainda. Vocês já
estão limpos, pela palavra que lhes

tenhofalado.Permaneçamemmim,eeupermanecereiemvocês ©EditoraInspire.Nenhum
ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês
também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim.”.

Sendo assim, a Base de Discipulado desenvolve ferramentas que estimulam esse


crescimento através de devocionais, livros, conferências, seminários, cursos,
estudos e retiros, dentre diferentes metodologias de ensino. É também
responsável por apresentar a essência do discipulado pessoal conduzindo toda a
membresia a ter uma vida frutífera e cheia de significado, vivendo segundo os
propósitos de Deus com o objetivo de se tornarem extraordinários discípulos de
Jesus. Exemplo de ministérios ligados à Base de Discipulado: retiros Inspiração,
Satisfação, Rendição e Restauração; Instituto Propósitos de Ensino; Editora
Inspire; cursos Conhecendo Mais a Deus e Fundamentos.

Base de Ministério

Esse propósito foi revelado por Deus através do Grande Mandamento o qual
ensina que amar ao próximo não é uma escolha, mas um dever.

32
O objetivo desta base é desenvolver na igreja o coração de servo. Isso significa
que todos devem amar sem parar. Precisamos estar atentos às necessidades das
pessoas identificando onde e como podemos agir para compartilhar o amor de
Deus.

As células exercem um papel fundamental nesse contexto, pois elas devem estar
alinhadas e envolvidas com as dinâmicas dos ministérios, potencia-lizando as
ações e viabilizando a entrega de amor através do seu grupo. Ao amarmos de
forma prática por meio do serviço, nós nos tornamos instrumen-tos de Deus para
que as pessoas sejam tocadas e transformadas por Jesus.

A Base de Ministério ainda é responsável por ajudar as pessoas a criarem um


novo ministério, pois novas necessidades surgem e outras podem desa-parecer
com o tempo. Sendo assim, o ministério permanece enquanto ele atingir uma
necessidade específica dentro da missão que Deus deu à igreja.
Além disso, faz parte das funções desta base o aprimoramento dos minis-térios como um todo,
através de treinamentos, formação de novos líderes, estabelecimento de padrões de excelência,
suporte material, infraestrutura, divulgação, gestão de voluntários etc. Exemplos de ministérios

ligados à Base de Ministério: ©Estacionamento,EditoraFotografia,InspireRecepção e


Alimentação.

Base de Missões

Todos são chamados para seguir a Jesus e alcançar vidas. Precisamos viver
missões como um estilo de vida, pois não se pode terceirizar a ação de alcançar
pessoas para Cristo. Somos todos chamados por Jesus, conforme Mateus 4.19:
“E disse Jesus: ‘Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens’”.
Em seu livro Igreja Brasileira com Propósitos, o Pr. Carlito Paes ensina que:

“AIgrejadevedefiniroalvoevangelísticolevandoemconsideraçãofatores
geográficos,demográficos(faixaetária,estadocivil,rendamédia,ocupação etc.),
culturais e espirituais (...). Afinal os sem Igreja não são todos iguais”.

Essa mentalidade é reflexo do ensinamento paulino: “Sejam sábios no pro-


cedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades”
Colossenses 4.5.

33
Isso significa que não devemos perder a capacidade de nos comunicar com o
mundo. Por isso, é preciso conversar com as pessoas e descobrir suas ideias, seus
anseios e questionamentos. Se não fizermos as perguntas certas, não teremos as
respostas adequadas e isso, certamente, compromete o desenvolvimento de uma
estratégia eficaz.

Em geral, as pessoas não frequentam encontros cristãos, não porque são ateus,
mas muitas vezes porque a mensagem não lhes alcança o coração. É importante
avaliar se sua célula está preparada para receber todo tipo de pessoa. Sua célula
vive missões como estilo de vida? As pessoas sem-igreja conseguem se sentir
acolhidas nos encontros?

As necessidades das pessoas devem ser o elemento direcionador para as ações


evangelísticas. São tais necessidades que priorizam a ação da igreja para alcançar
pessoas para Jesus, desde que não o façam de qualquer manei-ra. É preciso
desenvolver diferentes estratégias, montar um projeto-piloto, fazer pesquisa,
coletar dados e colocar-se em oração! Exemplos de ministé-rios ligados à Base de
Missões: ABAP, Capelania Hospitalar e Eleve Resgate.

© Editora Inspire
ALCANÇANDO DIFERENTES IDADES

Para que a mensagem de Jesus chegue a todos, é necessário definir aborda-gens


diferenciadas para as faixas etárias. Em nossa igreja cada faixa etária tem a sua
celebração e cada vez mais novos nichos vão surgindo dentro delas. Assim,
temos as seguintes faixas etárias:
1. Crianças
a. Ignição Baby (0 a 2 anos).
b. Ignição Turmica (2 a 3 anos).
c. Ignição Kids (4 a 8 anos).
d. Ignição Junior (9 a 12 anos).
2. Adolescentes: Eleve Xtreme (13 a 18 anos).

3. Jovens
a. Eleve Livre: solteiros (19 a 29 anos).
b. Eleve UP: solteiros (30+ anos).
c. Eleve A3: recém-casados, namorados e noivos.

34
4. Adultos: A3+ casados com filhos e adultos em outras situações (35 a
60 anos).
5. Terceira Idade: Master (61+ anos).

O alvo das faixas etárias é estimular as pessoas a viverem os cinco propósi-tos


como estilo de vida de acordo com a sua idade. Dessa maneira, dentro da sua
organização interna, cada faixa tem um líder para cada base apresenta-da acima.
Esses líderes devem receber a essência do líder principal da base na igreja e
colocar essa essência em uma linguagem adequada à sua faixa etária. Por
exemplo: o líder da Base de Comunhão da igreja define o conteú-do e o processo
do Batismo na igreja. O líder de Comunhão do Ignição deve transformar este
material para que uma criança apta ao batismo possa com-preendê-lo. É por isso
que temos o Curso de Batismo para Adultos, Juniores, Adolescentes e Juventude.
O material e a mensagem são contextualizados.

Cada faixa etária pode ainda criar ministérios que atendam a demandas apenas
das pessoas de tal idade, como por exemplo, o Acampamento de Adolescentes
Oxigênio. Deve também partir da Visão e Missão da igreja
para desdobrar a sua visão e missão específicas. Por exemplo, a visão da igreja é alcançar
a ©todosEditoraparaJesus,masInspireoalvodajuventude é alcançar os
jovens dentro desta visão.

Assim como os adultos recebem cuidados através de ferramentas especifi-cas,


crianças, adolescentes e jovens também recebem cuidados personaliza-dos. Um
exemplo disso é o Celebrando Recuperação, um ministério da Base de
Discipulado que foi adaptado a todas as faixas etárias. Outro exemplo é o
ministério de bandas, uma oportunidade de serviço ministerial presente em todas
as faixas etárias.

O líder de célula precisa estar alinhado com as faixas etárias para que cada pessoa
receba suporte adequado ao crescimento espiritual. Se há jovens numa célula de
adultos, estes devem ser estimulados e encorajados a de-senvolverem
relacionamentos com pessoas da mesma idade em ambientes promovidos pelo
pastor de jovens. O mesmo deve ocorrer com crianças e adolescentes, pois o líder
de célula é chamado para cuidar da família.

Diante disso, onde há uma célula de adultos, estimulamos que tenha também
uma célula para as crianças que receberá o estudo de acordo com a sua
linguagem. Orientamos que a esposa do líder inicie essa célula de

35
crianças e depois poderá desafiar um casal da sua célula para assumir essa
responsabilidade, se assim preferir. Todas as células devem ter não apenas a casa,
mas seus corações abertos ao pastoreio dos menores.

MATRIZ 5x5

A relação entre Bases e Faixas Etárias é chamada de Matriz 5x5. Essa estru-tura
alinha as ações ministeriais; aumenta a unidade da equipe estratégica; direciona a
distribuição dos recursos, pois a igreja investe com equilíbrio em cada propósito;
conduz a gestão de todos os ministérios; mede os re-sultados perguntando, por
exemplo, como cada faixa etária está de acordo com cada propósito; define os
programas conforme a equação: público alvo + propósito = programa; orienta o
planejamento; produz excelência nas ações ministeriais; e realiza a supervisão de
cada ministério ligado às Bases. Todos os ministérios da igreja estão ligados a
pelo menos uma Faixa Etária e a uma Base. Veja ilustração a seguir:

Figura 2.1: Matriz 5x5 – destaque para a relação entre Adoração e Adolescentes.

© Editora Inspire
MISSÕES ADORAÇÃO COMUNHÃO DISCIPULADO MINISTÉRIO

Infantil

Adolescentes

Jovens

Adultos

3ª idade

Na intersecção na Matriz 5x5, enquanto a Base foca na essência, a Faixa Etária


foca na forma e em realizar a supervisão de cada ministério ligado à

36
Faixa Etária. A Figura 2.1 ilustra a relação entre a Base de Adoração e a Fai-xa
Etária dos Adolescentes. Enquanto a Base de Adoração define quais são os
sonhos e estratégias do ano para conduzir a igreja para viver adoração como
estilo de vida, a Faixa Etária trabalha para comunicar tal essência aos
adolescentes, neste exemplo.

Assim, entendemos que somos chamados por Deus para ganhar todas as pessoas
para Jesus, e Ele tem nos ensinado muitas coisas nesse caminho. Louvamos ao
Pai por tudo o que Ele tem proporcionado à nossa igreja nes-se tempo e por
poder andar com Ele em Seus maravilhosos planos.

© Editora Inspire

37
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Descreva a Visão, a Missão e os Valores da PIB em SJCampos. Como você


aplica esses elementos no seu dia a dia como membro da PIB?

2. Quais são os elementos básicos na igreja local? Escreva com suas palavras a
relevância desses elementos.

3. Quais são os princípios fundamentais que determinam a ação em nossa


igreja e o nosso jeito de ser igreja local?

4. Qual a diferença entre as bases e as faixas etárias em nossa igreja? Como


elas se relacionam?

5. Quais são as bases relacionadas aos propósitos em nossa igreja? Qual o


objetivo de cada uma delas?
6. O que é a Matriz 5x5?
© Editora Inspire

38
BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000. FIELDS,

D. Um ministério com propósitos. São Paulo: Vida, 1999.

MASTON, T.B. A Igreja e o mundo. 3ª ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1987.

PAES, C.M. Igrejas que prevalecem. 2ª ed. São Paulo: Vida, 2009.

PAES, C.M. Igreja brasileira com propósitos: A explicação que faltava. São
Paulo: Vida, 2012.
WARREN, R. Uma igreja com propósitos. 2ª ed. São Paulo: Vida, 2013.

© Editora Inspire

LEITURA OBRIGATÓRIA

PAES, C.M. Igreja brasileira com propósitos: A explicação que faltava. São
Paulo: Vida, 2012.

39
3. VISÃO GERAL
DE CÉLULAS
A nossa igreja está sempre alinhada com a direção que o Espírito Santo nos
conduz. Por isso, procuramos desenvolver a visão que Deus entregou aos nossos
pastores líderes, Pr. Carlito e Pra. Leila Paes. Esta visão é bíblica e coerente com
os ensinos de Jesus.

Como Paulo bem ilustrou em sua primeira carta aos coríntios, formamos um
corpo de muitos membros: “Ora, assim como o corpo é uma unidade, em-bora
tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só
corpo, assim também com respeito a Cristo” 1 Coríntios 12.12. Ou seja, como
Igreja, somos o Corpo de Cristo. Este corpo é um organismo vivo, onde cada
membro tem seu lugar e função.

Assim, todo aquele que nasce de novo é inserido nesta estrutura que foi
criada por Deus para um propósito específico. Ele não deixou um membro do corpo

sequer sem utilidade!©Editora Destemodo, Inspire todosnósque


fazemos parte da Igreja de Cristo, precisamos descobrir o propósito para o qual fomos
criados e onde devemos estar para que possamos cumpri-lo.

As células, unidades fundamentais de um corpo humano, serão nossa metáfora


para as ministrações nas casas. Quando elas todas se juntam formam um corpo;
quando fazemos os ajuntamentos nos templos, por exemplo, fazemos parte de
um só corpo. Células saudáveis deixam o orga-nismo saudável!

Nesta disciplina veremos que a célula é um conceito bíblico. Ela promove um


cuidado mais pessoal em nossas casas. Nós compreendemos que este tipo de
cuidado traz vida, pois é um ajuntamento orgânico, que valoriza a presença de
Deus no ambiente e desfruta a vida de Cristo e do Espírito Santo.

Sendo assim, o líder de célula deve estar comprometido e convencido em seu


coração de que a célula é realmente um chamado de Deus para ele nes-te tempo.
Isso o conduzirá a abraçar a visão com segurança a respeito dela e gerará
encontros vivos cheios de unção, onde se busca a revelação da Palavra e que
resultam em impacto e transformação de vida nas pessoas.

40
DEFINIÇÃO DE CÉLULA

Também conhecida pela expressão pequeno grupo, o conceito de célula tem sido
explorado e redefinido por muitos autores. No livro Manual do líder de célula,
Ralph Neighbour Jr. define um pequeno grupo como um “lugar em que pessoas
são evangelizadas, discipuladas, equipadas para ser-vir; é o lugar em que os
membros se edificam mutuamente. O grupo serve como comunidade em que
cristãos podem prestar contas e manter total transparência entre si”
(NEIGHBOUR JR, 2006).

Joel Comiskey, o define como “um grupo de três a quinze pessoas que se en-
contram semanalmente fora dos prédios da igreja com o propósito de evan-
gelismo, comunhão e discipulado, com o alvo da multiplicação do grupo”
(COMISKEY, 2008). Já Paulo Mizoguchi a considera “uma ação estratégica que
nosso Deus planejou para que a eficiência no cuidado mútuo, na integra-ção e na
comunhão fosse algo real em cada membro” (MIZOGUCHI, 2012). Para ele, a
célula “é uma das ferramentas mais eficazes de terapia informal pessoal, conjugal
e familiar dentro da igreja local” (MIZOGUCHI, 2012).
Assim, cremos que a célula é um grupo de alguns membros da igreja, juntamente com
seus © convidadosEditora.AprincipalInspireaçãodeste grupo é a reunião
regular semanal em uma casa, para evangelizar, estudar a Bíblia, aprofun-dar o
relacionamento com Deus e uns com os outros, além de facilitar o crescimento
em maturidade cristã de cada discípulo de Jesus. Essa reunião conduzirá as
pessoas a viverem saudavelmente os propósitos de Deus ex-postos em Sua
Palavra no Grande Mandamento e na Grande Comissão.
Razões para termos células em nossa igreja:

1. A célula é uma estratégia bíblica.

2. A célula desperta, mobiliza e sustenta o crescimento da igreja.

3. A célula garante o pastoreio intencional e personalizado.

4. A célula é o melhor lugar para a integração e processo de formação


espiritual.

5. A célula não se limita ao ambiente físico do templo.

6. A célula desenvolve um ambiente de aceitação e cura para as crises no


mundo.

41
FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA PARA CÉLULAS

A visão das células é bíblica, e é por isso que temos na Palavra de Deus o
respaldo para tudo o que fazemos neste sentido. Traçando uma visão pano-râmica
na Bíblia, podemos perceber aspectos dos grandes e dos pequenos ajuntamentos,
tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Já na descrição bíblica da natureza de Deus, percebemos que Ele é único, mas


subsiste em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ou seja, o próprio
Deus reflete o aspecto da comunidade. Ele é uma trindade que revela uma
triunidade. Ele mesmo tem, por Sua própria natureza e de eter-nidade a
eternidade, vivido nas riquezas que somente existem na comuni-dade. Aliás, a
palavra comunhão só existe onde Deus estiver, pois Ele é a própria essência
disto.
O texto de Gênesis 1.26-27 demonstra esse atributo do Eterno: “Façamos o homem à
nossa imagem, conforme a nossa semelhança. (...) Criou Deus o homem à sua
imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (grifo nosso para
demonstrar a pluralidade divina). Se o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm sempre
experimentado deste relacionamento, não deveríamos nós também?
© Editora Inspire
Ainda no Antigo Testamento, quando Moisés se sentiu cansado, por causa do
peso do trabalho, ele recebeu uma orientação dada por Deus através de seu sogro
que nos lembra das células. Todo o povo deveria ser dividido em grupos de mil,
de cem, de cinquenta e de dez pessoas, cada um com seu líder, segundo Êxodo
18. Foi uma estratégia aprovada, pois é impossível um único líder cuidar pessoal
e simultaneamente de centenas de pessoas.

O próprio Jesus priorizou um grupo pequeno de pessoas em seu ministério. E,


apesar de ter gasto um tempo considerável ensinando nas sinagogas e ao ar livre,
Jesus deu especial atenção a grupos menores. Ele separou setenta e os enviou de
dois em dois (Lucas 10.1), e isso também aconteceu nas inú-meras vezes em que
ministrou nas casas (Marcos 1.29-34; 2.15; 3.20-34; 7.17; 9.28; Mateus 10.12-14;
Lucas 10.5-7).

Foi dentro de algumas casas que o Senhor proferiu alguns dos seus mais
preciosos ensinos e, foi quase sempre dentro de uma casa que Ele falou aos Seus
discípulos os mistérios do Reino dos Céus. Naquele dia em que Jesus curou um
paralítico em Cafarnaum havia muitas pessoas dentro da casa, ali se ouviu:
“Filho, os seus pecados estão perdoados” (Marcos 2.1-12).

42
Na casa de Mateus, o Senhor conversou com pecadores e explicou que não tinha
vindo chamar justos, mas pecadores ao arrependimento (Marcos 2.13-17). Ao
ressuscitar a filha de Jairo, Ele o fez na intimidade da casa. Além disso, foi na
casa de Simão, o leproso, que o Senhor predisse a sua morte (Mateus 26.6-13).

Durante os três primeiros séculos, a igreja não tinha templos. Foi nesse período
que ela experimentou o maior crescimento de sua história. Basi-camente, os
crentes se reuniam nos lares e usavam lugares neutros como sinagogas e
anfiteatros apenas para evangelizar (Atos 2.46).

Naquela primeira pregação de Pedro quase três mil se converteram, de-


monstrando o princípio dos grandes ajuntamentos. Mas como aqueles 120
discípulos reunidos de Atos 2 poderiam cuidar de tantas pessoas? Parte do
segredo é que eles também passaram a se reunir de casa em casa, conforme Atos
5.42: “Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e
proclamar que Jesus é o Cristo”.

Quando Pedro encontrou Cornélio com a sua família e amigos, houve ali
um fluir natural e espontâneo na forma como eles foram trazidos para o Reino de

Deus. Tudo © Editora


isso aconteceuno Inspire contextodeuma casa.
Essa era a forma normal de cuidado mútuo para a igreja naqueles dias e que provo-
cava seu crescimento saudável (Atos 10.22-48). O livro de Atos é um livro que
expõe o início da História da Igreja. É interessante perceber muitos encontros da
igreja em grandes ajuntamentos no templo ou em ambientes públicos, mas
também os inúmeros pequenos encontros nas casas.

Os textos de Paulo também revelam essa dinâmica dos grandes e pequenos


encontros: falando aos presbíteros de Éfeso, ele lembra que jamais deixou de
anunciar coisa alguma proveitosa, de ensinar publicamente e também de casa em
casa (Atos 20.20); depois de saírem da prisão, Paulo e Silas fo-ram à casa de
Lídia, onde se encontraram com os irmãos e os encorajaram (Atos 16.40); a carta
que Paulo escreveu para os cristãos de Roma foi escrita para os irmãos que se
reuniam em casas (Romanos 16.3-5); além da Igreja que havia na casa de Áquila
e Priscila, havia também uma igreja na casa de Aristóbulo e Narciso (Romanos
16.10,11); quando Paulo escreveu uma carta para seu amigo Filemon, ele mandou
saudações para a igreja que estava na casa dele (Filemon 1.2); em Colossenses
4.15, Paulo saúda os irmãos de Laodicéia, à Ninfa e à Igreja que ela hospedava
em sua casa; escrevendo aos

43
coríntios, Paulo menciona a igreja que se reúne na casa de Áquila e Priscila (1
Coríntios 16.19). A respeito deste casal é importante dizer que eles inicial-mente
moravam em Roma, onde tinham uma igreja em sua casa. Por causa de um
decreto do imperador romano, todos os judeus foram expulsos de Roma e eles
foram morar em Éfeso onde mais uma vez tiveram uma igreja em sua casa.
Depois se mudaram para Corinto e a história mais uma vez se repetiu. A vida
deles nos mostra que esse era o padrão da Igreja Primitiva: a igreja ia com as
pessoas. O próprio Paulo usou a sua casa como um centro ministerial próximo ao
final de sua vida. Em sua casa alugada ele recebia a todos e ensinava todos os
dias. A igreja nas casas não era uma reunião temporária, mas uma prática normal
da Igreja.

BREVE HISTÓRICO DAS CÉLULAS

Como vimos na seção anterior, as células faziam parte do padrão bíblico para os
encontros entre os crentes viverem as mutualidades cristãs. A Igreja Primi-tiva
viveu essa realidade e difundiu assim o evangelho com muita assertivida-
de. Quando olhamos para a História da Igreja, notamos que a igreja nas casas foi desde o

início, uma das©formasEditoradeexpressãoInspirecomumdaIgreja Cristã.


Quando o imperador romano Constantino simpatizou com o Cristianismo, houve
uma grande mudança da adoração subterrânea nas catacumbas e das igrejas nas
casas para as catedrais. O primeiro templo foi construído por Constantino em 323
d.C. Isso significa que durante mais de trezentos anos a igreja cresceu e
conquistou o Império Romano sem precisar dos templos. Com a mudança
provocada pelo imperador, pode-se dizer que a igreja perdeu um pouco de sua
essência orgânica e absorveu uma vulnera-bilidade para a religiosidade. A igreja
nas casas, que tinha sido o símbolo de comunidade e espiritualidade, desapareceu
da estrutura da Igreja.

Depois dessa época, parte do movimento monástico e alguns grupos sec-tários


continuaram com a igreja nas casas como uma atividade paralela. Na época da
Reforma Protestante, a corrente principal da reforma conti-nuou atada às
catedrais, mas os anabatistas, que inicialmente não tinham prédios, se reuniam em
casas para a adoração e crescimento espiritual. Depois da Reforma, os pietistas se
tornaram a expressão mais marcante da igreja nas casas.

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As células têm sido praticadas em toda a História da Igreja. Um importante
personagem da história da igreja foi João Wesley. Ele criou os chamados clubes
de san idade. Estes se tornaram a base para o movimento metodista. Wesley
trabalhou aproximadamente por 30 anos. Quando ele morreu havia mais de 27
mil metodistas. Passados 70 anos, um em cada trinta ingleses era metodista.

As igrejas que mais crescem hoje no mundo são as igrejas que consideram as
células em sua organização. Isso acontece pela ação poderosa do Espí-rito Santo,
que está restaurando a noiva de Cristo, para ter a glória do pri-meiro século. A
maior delas, a Igreja do Evangelho Pleno de Yodo, em Seul, na Coréia, foi a
pioneira a aplicar as células em sua estrutura integral da igreja. Em 2010 tinha
700 mil pessoas frequentando células. A igreja Elim em El Salvador possui mais
de 150 mil membros e mais de 8 mil células. É hoje uma das igrejas com células
mais influentes no mundo.

No Brasil podemos citar a Igreja da Paz em Santarém e região, com 65 mil


membros, todos engajados em células em 2004. Em 2005, Pr. Abe Huber foi
para Fortaleza com 20 casais para implantar uma nova igreja.
Inaugurada em 2006, pouco mais que 7 anos depois a igreja passou para

© Editora Inspire
7 mil membros. Esta expansão se deu através do cuidado intencional das células
(HUBER, 2011).

Finalmente, nossa igreja também pode ser considerada neste histórico. Fundada
em 1942, a Primeira Igreja Batista em São José dos Campos-SP está organizada
como uma igreja com propósitos e é liderada pelo pastor Carlito Paes. Ele faz
parte da liderança da igreja desde 1997. Possuindo um campus de 203 mil m2, a
igreja está em franca expansão se reunindo em um ambiente para 2,5 mil pessoas
sentadas. Atualmente, a igreja está construindo o audi-tório principal para 6,5 mil
lugares e recebe semanalmente cerca de 10 mil pessoas nas celebrações de fim de
semana. Ela possui mais de 100 ministérios oferecendo diversas oportunidades de
serviço, além de mais de 700 células.

CARACTERÍSTICAS DAS CÉLULAS DA PIB

As células têm características específicas em nossa igreja. Não podemos


confundir a célula com um grupo apenas de estudo da Bíblia, ou de oração, por
exemplo. Nada disso é ruim, mas por si só não pode ser chamado de célula.
Dentre suas principais características, podemos destacar:

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1. Encontro regular: a célula deve ter um local fixo para o encontro,
registrado na igreja em sistema específico.
2. Encontro intencional: todos os encontros devem ser planejados e
direcionados. A Igreja fornece o estudo e ele não deve ser alterado. No dia
do encontro da célula, o líder deve estar em oração preparando o ambiente
para receber as pessoas.
3. Foco no relacionamento através do discipulado: o número de partici-
pantes regulares em uma célula pode variar de 3 e 10 pessoas, permitindo um
relacionamento interpessoal mais íntimo entre os participantes.

4. Obje ivo compar ilhado: os alvos entre os participantes devem ser


comuns, como o pastoreio compartilhado, a expansão da Igreja, os
relacionamentos pessoais e o desenvolvimento de ministério. Mesmo com
dinâmicas variadas, os propósitos são conhecidos. Todos conhe-cem, todos
participam e, com isso, a missão da igreja com propósitos é cumprida.

5. Cuidado mútuo: cada pessoa orando uma pela outra, visitando, enco-
rajando, conduzindo em todas as ferramentas de crescimento da igreja.
© Editora Inspire
6. Valor à honra: lugar onde a liderança espiritual é reconhecida e
honrada. Todos nós somos ovelhas dos nossos pastores Carlito e Leila.
7. Lugar de edificação em Cristo: as pessoas devem ser cada vez mais
parecidas com Cristo, conforme 1 Coríntios 11.1.

VALORES ESSENCIAIS DAS CÉLULAS

As células possuem valores que são essenciais para seu desenvolvimento


saudável e adequado. Sem tais valores, o grupo rapidamente perde o foco na
visão e demonstra sinais de adoecimento. Sendo assim, é preciso que cada
célula desenvolva:
1. Prestação de contas: voluntariamente devemos estar prontos a pres-tar
contas aos nossos discipuladores, para apoio e encorajamento.
2. Evangelismo intencional: cada membro tem o compromisso de ex-pandir
a comunidade de crentes em Jesus. Para isso ele poderá compar-tilhar sua fé e
suas experiências, além de participar da obra missionária

46
visando a expansão do Reino de Deus “até os confins da terra” através das
estratégias que o líder apresentar debaixo da orientação da igreja.
3. Qualidade de apoio: é importante criar um ambiente onde os mem-bros
da célula apoiem-se e cresçam, edificando-se mutuamente em Cristo.
4. União: cada participante deve buscar ser sensível às necessidades,
sentimentos, vida e situações uns dos outros, dentro de um espírito de união
e participação recíproca.
5. Envolvimento: os membros da célula devem dispor seus recursos
pessoais (tempo, atenção, ideias, bem como recursos materiais) para
servirem uns aos outros.
6. Núcleo de amor: a célula deve desenvolver o amor verdadeiro entre
os membros.

7. Obje ivos comuns: os membros da célula trabalharão para atingir


objetivos comuns, que sejam bons para todos e para a igreja.
8. Socorro: a célula é um lugar de socorro e apoio ao necessitado, onde
ele possa encontrar refrigério para sua alma, saúde, bem estar emocio-nal e
espiritual, ©etambémEditoraalguma necessidadeInspirefísica quando possível.
9. Garantia de honestidade: para se construir um ambiente de confiança
entre os membros da célula, é preciso que sempre se fale a verdade, mas em
amor.
10. Reprodução: a célula deve crescer e reproduzir-se, levando adiante o
alvo de ter mais e mais pessoas conectadas ao Corpo de Cristo, com o
objetivo de manter o processo de multiplicação saudável e constante.
11. Um lugar de transparência: a transparência nos relacionamentos
promove a honestidade tão necessária para uma boa comunicação.
12. Persistência: os componentes da célula devem permanecer e perse-verar
diante dos desafios e diferenças e buscar a pessoa que porventura tenha se
afastado.
13. Oração: a oração sempre nos lembra do quanto precisamos de Deus, e
também do quanto Deus nos ama e se importa conosco.
14. Sigilo: As confidências serão respeitadas e só divulgadas à liderança
(coordenador e supervisor) quando necessário para auxílio das pessoas.

47
ESTRUTURA DE CÉLULA NA PIB

Atualmente, nossas células estão dispostas em agrupamentos consideran-do a


organização, na tentativa de manter o equilíbrio em termos de volume de pessoas;
e o cuidado, tendo como princípio cada pessoa cuidando dire-tamente de até cinco
pessoas. Este grupo de cuidado direto é denominado de Grupo de Discipulado
Pessoal (GDP), que tem o efeito multiplicativo de que cada pessoa discipula
alguém e é discipulado por alguém. Na discipli-na cinco terá uma explicação
sobre o conceito de discipulado com mais detalhes de ideias correlacionadas,
como o GDP, por exemplo.

Como num sistema em árvore, a estrutura começa de um casal, os pastores


Carlito e Leila, e se ramifica em redes, que se ramificam em supervisões, que se
ramificam em coordenações e que se ramificam em células (veja Figura 3.1). As
redes são quatro: Infanto-Juvenil, Juventude, Adultos e Igrejas da Cidade. Elas
são lideradas pelos pastores de rede que compõem o GDP dos pastores Carlito e
Leila. Cada pastor de rede tem até cinco supervisões lideradas por um casal de
supervisores. Esse grupo de supervisores é o GDP do pastor de rede. Ou seja, o
pastor de rede é disci-
pulado pelo pastor sênior, mas discipula seus supervisores. Essa dinâmica

© Editora Inspire
se repete em toda a estrutura, conforme Figura 3.2.

Sendo assim, os supervisores cuidam de cinco coordenadores como discípulos,


sendo sempre casais cuidando de casais (veja Figura 3.3). Já os coordenadores
cuidam de cinco líderes de célula ou de coordenadores aprendizes, também
como discípulos (veja Figura 3.4).

Os líderes de célula têm em sua célula uma média de até 10 pessoas. En-tretanto,
seus discípulos diretos serão entre 3 e 4 pessoas, formando o seu GDP. Se a célula
é de casais, a esposa do líder cuida da esposa dos discípu-los do seu esposo. Esses
discípulos cuidam das demais pessoas que estão na célula, promovendo assim
cuidado para todos. Os discípulos recém-chega-dos e que ainda não possuem
discípulos iniciam seu GDP como um Grupo de Amigos, ou GA. Este é um grupo
com foco inicial no evangelismo, mas que logo se transformará num GDP,
multiplicando a visão. O discipulado, o GDP e o GA na rede Infanto-Juvenil e nas
células de adolescentes têm uma dinâmica diferente que será abordada na
disciplina quatro logo a seguir.

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Figura 3.1: Organização da Rede de Células na PIB.

© Editora Inspire

Figura 3.2: Discipulado pessoal distribuído na rede de células.

49
Figura 3.3: Organização do discipulado na coordenação.

© Editora Inspire

Figura 3.4: Organização do discipulado na célula.

50
Nas células, um princípio importante é o da homogeneidade. Elas precisam ter
sempre um perfil majoritário. Por exemplo: células de casais, mulheres, homens
ou de jovens. Uma célula de mulheres só poderá acolher mulheres e uma célula de
homens, acolherá apenas homens.

Entretanto, uma célula de casais pode acolher inicialmente um jovem, mas com a
missão de integrá-lo em uma célula da sua faixa etária, para que ele desenvolva
relacionamentos com pessoas de sua idade e possa usufruir de tudo que a sua rede
oferece, sempre usando o bom senso. Mesmo numa célula de juventude que seja
mista, por exemplo, o discipulado só pode acontecer de homem para homem e de
mulher para mulher.

Liderança e funções na rede de células

1. Pastor de Rede: coordena e orienta toda a liderança da sua rede de


células, cuida para que a visão bíblica aconteça de modo saudável em cada
célula e discipula os seus supervisores, ensinando-os a pastore-ar a rede.

2. Supervisor © de Células: Editora Inspire


atuajunto aopastorde
rede, cooperando com ele para que o cuidado e orientação para a rede aconteçam;
realiza reuniões com seus coordenadores para alinhar atividades e
planejamento; realiza as entrevistas dos novos líderes e discipula seus
coordenadores.
3. Coordenador de Células: atua junto aos supervisores, cooperando no
cuidado e orientação para as células na realização das propostas e
atividades da igreja; visita cada uma das células de sua coordenação uma
vez a cada dois meses, para cuidado, alinhamento e orientação dentro da
visão da igreja; reúne-se com seus líderes de célula quando necessário;
acompanha eventuais problemas de disciplina e assuntos de membresia;
auxilia na multiplicação de novas células; apoia na visitação aos membros
das células; e discipula seus líderes de célula apoiando-os em suas
necessidades no pastoreio.
4. Líder de Célula: lidera a reunião de sua célula proporcionando que sejam
seguidas as orientações, aplicado o estudo, conduzindo as dis-cussões e
interação com sabedoria e bom senso; comunica claramente a visão da igreja e
sobre todos os ministérios, eventos e serviços para

51
ajudar e esclarecer bem nossas ovelhas; pastoreia os membros de sua célula;
recolhe os alimentos para doação e ajuda aos necessitados; rea-liza o
discipulado com três dos membros de sua célula orientando-os no discipulado
dos demais.

Toda a estrutura de liderança apresentada acima precisa estar semanal-mente


presente no Treinamento Pastoral de Liderança (TPL) e possui um suporte
direto dos pastores de campus e extensões, além dos seguintes ministérios da
igreja: Central de Células, Capelania de Adictos, Capelania Prisional e
Capelania Hospitalar.

SISTEMA COMPUTACIONAL FACEPIB

A organização das redes de células está implementada num sistema


computacional chamado de Facepib ou Eklesia. É através deste sistema que
todas as ações na rede são registradas. Todas as pessoas desde a sua primeira
decisão são cadastradas neste sistema de Banco de Dados não compartilhado
com outras instituições. À medida que a pessoa vai
tomando mais decisões ao longo de sua caminhada, tais decisões vão
© Editora Inspire
sendo registradas montando um histórico da trajetória de cada pessoa na igreja,
incluindo nas ICs.

Todas as pessoas, exceto os menores de idade, podem acessar o Facepib pelo


endereço eletrônico www.facepib.com.br. Nele, as pessoas podem atualizar seus
dados cadastrais e se matricularem em ações da igreja como retiros e cursos.
Como líder é possível: ter acesso aos contatos das pessoas da sua célula; fazer a
entrevista de batismo; verificar o histórico do que cada pessoa da célula já fez na
igreja; baixar o estudo e outros materiais; enviar e-mails automaticamente;
cadastrar visitantes; e, principalmente, fazer relatórios da sua célula.

Os coordenadores, supervisores e pastores de rede podem acompanhar toda a


evolução de suas respectivas células, coordenações e supervisões, de modo
hierárquico. A Central de Célula disponibiliza manual e treinamento do sistema,
além de oferecer suporte diário para os líderes.

52
CÉLULAS E ESTAÇÕES

Em nossa igreja usamos da metáfora de quatro estações para a vida anual da


célula, demonstrando um ciclo de saúde e vida orgânica. São elas: Cultivo,
Cuidado, Crescimento e Colheita. Tal ciclo é inspirado nas estações climáti-cas
anuais refletindo o texto bíblico de Ezequiel 34.26-27: “Na estação própria farei
descer chuva; haverá chuvas de bênçãos. As árvores do campo produzirão o seu
fruto, a terra produzirá a sua safra e as ovelhas estarão seguras na terra”.

Cremos que os tempos de Deus são essenciais para a plenitude da igreja, pois
somos um corpo, um organismo vivo e Deus tem um propósito para nós em cada
estação. As estações, além de trazer essa cultura da vida orgânica natural, também
nos remetem de maneira didática à vivência dos cinco propósitos. Por isso somos
uma igreja com propósitos cujo pastoreio é realizado através das células.

Deus tem nos dado, a cada ano, novos sonhos para que possamos crescer sau-
davelmente, desfrutando da satisfação em Jesus sem parar em cada estação!
Queremos estimular cada líder para, junto com sua célula, viver este grande
momento com muita alegria e disposição para ver o crescimento exponen-cial de pessoas
transformadas ©EditoraporJesusInspire.Oresultadodisso será a abertura
de lares para novas células, um número cada vez maior de pessoas sendo
cuidadas e a capacitação contínua de líderes sempre em ampliação.

Com isso, as estações são ênfases trimestrais com o objetivo de alcançar maior
desempenho das ações em célula. A integração, comunhão e cres-cimento
espiritual acontecem de forma eficaz no ambiente das células, através dos
relacionamentos desenvolvidos. Essas ênfases gerarão um pro-cesso natural de
cultivo, cuidado, crescimento e colheita. Vamos semear e arar a terra (missões),
proteger e cuidar (serviço), fazer crescer e frutificar (discipulado) e colher os
frutos celebrando a multiplicação (adoração) em um ambiente saudável de
intensa comunhão e mutualidade o ano todo (comunhão). Além disso, tais
estações visam também estabelecer uma comunicação clara e motivadora que
impulsione a todos à integração em célula, pois a expansão da igreja, o alcance
de sua visão e o equilíbrio nos propósitos de Deus dependem e são
potencializados pelas células.

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A seguir apresentamos um resumo de cada estação:

Estação do CULTIVO

• ÉPOCA DO ANO: março a maio.

• AÇÕES: arar, semear e germinar.

• PROPÓSITO: missões.

• OBJETIVO: ganhar/alcançar/atrair pessoas para Jesus. São três meses


intensos de ações, estratégias e campanhas envolvendo toda a igreja e
especialmente as células.

Estação do CUIDADO

• ÉPOCA DO ANO: junho a agosto.

• AÇÕES: proteger e desenvolver.

• PROPÓSITO: ministério.
• OBJETIVO: cuidar/consolidar/integrar as pessoas que foram alcan-
© Editora Inspire
çadas para Jesus. São três meses intensos focados no cuidado e início da
formação espiritual dos novos decididos. A igreja se mobiliza para servir e
suprir as necessidades da comunidade também.

Estação do CRESCIMENTO

• ÉPOCA DO ANO: setembro a novembro.

• AÇÕES: crescer e frutificar.

• PROPÓSITO: discipulado.

• OBJETIVO: discipular/treinar/capacitar as pessoas que foram alcança-das


para Jesus. São três meses intensos de aprendizado, capacitação e formação
espiritual. As células iniciam o discipulado um a um entre os níveis de
liderança. A igreja se mobiliza para fazer o processo de formação espiritual
da PIB em SJCampos, denominado Circuito Vida, que será abordado na
disciplina seis.

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Estação da COLHEITA

• ÉPOCA DO ANO: dezembro a fevereiro.

• AÇÕES: colher e celebrar.

• PROPÓSITO: adoração.

• OBJETIVO: celebrar/colher/enviar as pessoas alcançadas para Jesus. São


três meses intensos de adoração, envio e celebração da multipli-cação das
células. A igreja celebra as multiplicações e acompanha os novos líderes e
frutos colhidos pelas vidas, que agora, estão ganhando outros ou
pastoreando outros.

ESTRUTURA DO ENCONTRO DE CÉLULA

A célula tem como principal atividade o encontro semanal das pessoas. Este encontro
deve ter no máximo a duração de 1 hora e 30 minutos. O próprio estudo de célula traz
orientações a este respeito. Esta estrutura não pode ser modificada, pois ela foi
pensada para que todos tenham o mesmo ambiente que

©Editoraumacélula daInspirePIBemSJCampos e ICs.


caracteriza
É muito importante ressaltar que a célula é mais do que o encontro sema-nal.
Existe um movimento de cuidado e pastoreio que acontece todos os dias em
estarem juntos na celebração, quando as pessoas vão aos retiros e cursos, quando
se batizam, quando recebem um telefonema no aniversário etc. Tudo isso é a
célula acontecendo, e o encontro semanal é então o fruto desse movimento. Você
precisa ter outros contatos com sua célula. Para isso, use a tecnologia e as
celebrações da igreja.

A reunião da célula não deve ser cansativa, sendo flexível, podendo termi-nar em
no máximo 10 minutos após o tempo estipulado. A abertura deve ser sempre no
horário. O líder deve gerar esse ambiente em oração. Nos minutos que antecedem
a chegada dos membros da célula, orientamos que o líder não ligue sua TV, mas
que prepare a casa para o encontro com uma música ambiente, por exemplo, já
arrumando as cadeiras e a mesa onde serão servidos os lanches do encontro, logo
no início.

O lanche deve durar aproximadamente 30 minutos e deve acontecer logo no


início para conduzir as pessoas a interagirem e conversarem naturalmente.

55
O lanche precisa ser simples e compartilhado, para não sobrecarregar o líder, nem
o hospedeiro. Além disso, os participantes não se sentirão obriga-dos a
oferecerem lanches muito elaborados ao se tornarem líderes. Esse tem-po de
oração agradecendo pela presença, alimento e comunhão acontece no início da
reunião. Isso facilita para quem vai ao encontro direto do trabalho. Aproveite
também este início para dar avisos e dicas dos eventos da igreja.

Em seguida começa o momento do estudo. Durante este tempo, você pode deixar
petiscos disponíveis para as pessoas opcionalmente. O estudo deve durar no
máximo 20 minutos. É uma explanação simples, direta e voltada para a prática
cristã. Nesse momento, os participantes podem anotar suas dúvidas para o
momento de interação realizado ao final do estudo. O mate-rial para estudo que é
fornecido pela igreja nunca pode ser substituído por outro. Este material é
abordado nas reuniões do TPL, onde há a ministra-ção do estudo para que os
líderes o recebam com antecedência.

Após o estudo, acontece por 10 minutos o momento de interação conduzi-do por


perguntas chaves proferidas pelo líder e orientadas no material de estudo. Caso
alguém tenha tido um entendimento errado de algum ponto,
o líder deve corrigir de imediato em amor, conduzindo para a abordagem

© Editora Inspire
correta exposta no estudo.

Na sequência, vem o momento de pedidos de oração. Esse momento dura até 10


minutos e pode ser conduzido em duplas, onde pedidos são compar-tilhados
individualmente. Neste caso é importante a orientação de oração entre pessoas do
mesmo sexo ou entre casais casados. Orar em duplas faci-lita e agiliza o término
do encontro. Já na finalização do encontro, a oração final pode ser realizada com
aquele que precisa de um milagre. Deve ser motivadora e impulsionadora para as
pessoas. Elas devem sair do encon-tro, encorajadas a enfrentarem com disposição
mais uma semana.

Finalmente, há dois elementos importantes no encontro de célula: primei-ro, a


cadeira do milagre, onde oramos especificamente por um participante que precisa
de um milagre de Deus. Este se senta na cadeira e os demais oram por ele. O
poder não está na cadeira, mas ela serve como um recurso didático para as
pessoas. Já o segundo elemento é a cadeira vazia. Ela é
um lembrete para todos da necessidade de alcançar mais um para Jesus. Ao
completar as 10 cadeiras da casa há um sinal de que a multiplicação já deve
estar prestes a se concretizar.

56
Estamos aqui porque desejamos alcançar todos para Jesus! Somos uma igreja que
tem clareza do seu chamado e vamos cumpri-lo até que Jesus volte. Tenha
consciência de que quem o chamou foi o próprio Deus. Por-tanto, submeta-se com
alegria a todos os processos para os quais o Senhor o direcionar. Deixe seu
coração sempre focado na abundância, já neste iní-cio de caminhada, pois por
vezes, tudo pode logo dar certo, ou talvez haja dificuldades no caminho.
Tranquilize-se! Estamos todos em um processo contínuo de aprendizado. Peça
ajuda ao seu coordenador, seu discipulador, supervisor e pastor de rede. Deus e a
sua igreja desejam que você alcance muitos discípulos para o Reino cumprindo a
Grande Comissão:

“Portantoide,fazeidiscípulosdetodasasnações,batizando-osemnome do Pai,
e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que
eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a
consumação dos séculos. Amém” Mateus 28.19-20.

© Editora Inspire

57
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Qual a definição de célula?

2. Cite algumas bases bíblicas para as células.

3. Destaque as principais características de uma célula

4. Quais as funções de cada um na rede de células?

5. Como funciona o mecanismo de estações e qual a ênfase de cada uma


delas?

© Editora Inspire

58
BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000.

COMISKEY, J. O grupo pequeno cheio do Espírito. Curitiba: Ministério em


Células, 2008.
HUBER, A. Discipulado um a um. Fortaleza: MDA Publicações, 2011.

MIZOGUCHI, P. As estações de Deus nos pequenos grupos. São José dos


Campos: Inspire, 2012.
NEIGHBOUR JR, R.W. Manual do líder de célula. Curitiba: Ministério em
Células, 2006.
PAES, C. Vivendo as estações de Deus. São José dos Campos: Inspire, 2011.

WIEMAN, R. Manual de primeiros socorros para ministério com peque-


nos grupos. São Paulo: Vida Nova, 2009.

© Editora Inspire

LEITURA OBRIGATÓRIA

MIZOGUCHI, P. As estações de Deus nos pequenos grupos. São José dos


Campos: Inspire, 2012.
WIEMAN, R. Manual de primeiros socorros para ministério com peque-
nos grupos. São Paulo: Vida Nova, 2009.

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4. CÉLULA INFANTIL,
JUNIOR E ADOLESCENTE
Qual desses grupos de palavras você acha que estão mais associadas com as
características de Jesus?
GRUPO 1: cólera, ira, irritação, ódio, enfado, impaciência, repulsa e revolta.

GRUPO 2: benevolência, calma, serenidade e sossego.

O primeiro grupo de palavras contém sinônimos da palavra “indignação” e o


segundo grupo contém seus antônimos. Você consegue imaginar Jesus indig-
nado? A palavra indignação sugere um sentimento de revolta diante de uma
circunstância que demonstra indignidade ou injustiça. A Bíblia nos aponta
algumas circunstâncias em que Jesus demonstrou exatamente esse tipo de
sentimento. Veja alguns exemplos: ao combater a religiosidade, curando no
sábado e gerando um embate contra os fariseus hipócritas; ao combater a
prepotência, proferindo palavras duras contra Pedro, quando este tentou
© Editora Inspire
dissuadi-lo de seu sacrifício; e ao combater a ganância (Mamom), agindo de
maneira violenta quando expulsa os cambistas de dentro do templo.

Certamente, religiosidade, prepotência e ganância são coisas que desper-tam a


indignação de Jesus. Líderes de célula não devem ter a intenção de deixar Jesus
indignado. Nesta condição de líderes da igreja, geralmente fazemos de tudo
para extirpar a religiosidade, a prepotência e a ganância de nossa vida e de
nossa comunidade.

Entretanto, há outra circunstância na Bíblia na qual Jesus demonstrou uma


indignação tão forte, que no grego, utilizou-se a palavra aganachthos
(agan = forte + achthos = ira, aversão, mágoa) para expressar o sentimento do
Mestre. Essa circunstância está narrada no Evangelho de Marcos 10.13-16:

“AlgunstraziamcriançasaJesusparaqueeletocassenelas,masosdiscí-
pulososrepreendiam.QuandoJesusviuisso,ficouindignadoelhesdisse:
‘Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus
pertenceaosquesãosemelhantesaelas.Digo-lhesaverdade:Quemnão receber
o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele’. Em se-
guida,tomouascriançasnosbraços,impôs-lhesasmãoseasabençoou”.

60
Infelizmente, mesmo depois de 2 mil anos, muitos discípulos de Jesus insis-tem
em cometer o mesmo erro, impedindo crianças e adolescentes de serem
abençoados pelo Mestre! Isso acontece quando um adulto: não dá o exemplo,
criticando os líderes e a igreja, ou seja, com insubmissão, deslealdade e mur-
muração; vive uma vida superficial e religiosa, sendo uma coisa na igreja e outra
em casa, sem considerar que as palavras convencem, mas o exemplo arrasta;
considera as crianças e os adolescentes como uma categoria menor de crente sem
lembrar que Jesus pôs Suas mãos sobre as crianças e disse que elas possuem
características típicas de um cidadão do Reino dos Céus; considera os ministérios
de crianças ou de adolescentes, ministérios de baixo escalão ao reter os líderes em
potencial, considerando que tais ministérios seja perda de tempo ou uma atividade
muito insignificante para si; e coloca seu conforto, interesse e bens materiais na
frente das crianças e dos adoles-centes, ao se recusar a cuidar deles por serem os
“baderneiros”.

Em nossa igreja, o tratamento que dispensamos aos menores é diferente! É muito


significativo o fato de termos um colégio comprometido com a redenção da
educação de nossas crianças e adolescentes. Muitos de nossos
pastores mais estratégicos foram pastores de crianças ou de adolescentes em nossa igreja.
Além © disso,EditoranossaigrejaInspireinvestepara termos a maior estru-
tura de um Ministério Infantil no Brasil.

Como igreja, cremos que o ministério infantil e o ministério de adolescen-tes


não são um espaço para simplesmente “guardar” uma criança ou um
adolescente, enquanto os pais estão no culto ou em outra programação. Também
cremos que tais ministérios não são meramente iscas para atrair os pais, nem um
trampolim para os voluntários se promoverem ministe-rialmente! Pelo contrário,
estes ministérios em nossa igreja têm o compro-misso de discipular crianças,
juniores e adolescentes!

QUEM É A CRIANÇA?

Elas são a igreja do amanhã

É notável o fato de que Deus sempre se preocupou com o ensino das crianças.
Isso é perceptível na História de Israel. Infelizmente, é perceptível também o fato
de que o povo negligenciou essa função e, por causa disso, contemplamos com
horror um povo tão dedicado a Deus ter se corrompido na geração seguinte e
padecer na época dos juízes.

61
Deus havia instruído Seu povo a orientar desde cedo seus filhos e o salmis-ta
relembra esse importante ensino:

“O que ouvimos e aprendemos, o que nossos pais nos contaram;


Nãoosesconderemosdosnossosfilhos;contaremosàpróximageração os
louváveis feitos do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez.
Ele decretou estatutos para Jacó, e em Israel estabeleceu a lei, e
ordenouaosnossosantepassadosqueaensinassemaosseusfilhos,de
modoqueageraçãoseguinteaconhecesse,etambémosfilhosqueain-da
nasceriam, e eles, por sua vez, contassem aos seus próprios filhos. Então
eles porão a confiança em Deus; não esquecerão os seus feitos e
obedecerão aos seus mandamentos” Salmo 78.3-7.

É triste ver um profeta tão ungido, como o profeta Samuel, ser sucedido por filhos
tão displicentes. Ou, ver o grande e humilde rei Davi, sofrer pela disputa de poder
com seu filho Absalão; ver o sábio rei Salomão ser sucedido pelo filho, o tolo
Roboão; ou ainda, ver o rei Ezequias, tão temente a Deus, ser sucedido pelo filho
Manassés, o pior rei que Judá já teve.

©
Mesmo com o passar dos tempos, Editora Inspire
muitascoisas nãomudaram
com rela-ção a essa ruptura entre gerações. Muitas igrejas estão sendo vendidas
na Europa, para se transformarem em hotéis, bares ou cabarés! Isso está
acontecendo, pois uma geração inteira foi perdida e, de alguma forma, seus pais
não fizeram o que o Salmo 78 orienta, indignando o Mestre e desprezando as
crianças!

Onde estarão os grandes homens e mulheres de fé que conduzirão a igreja de


Cristo e revolucionarão o mundo? Todas as semanas, ungimos esses escolhidos
no ventre de suas mães, trocamos as fraldas deles no berçário, ensinamos
princípios bíblicos para a vida deles, cuidamos dos espaços para que eles
desfrutem de um momento gostoso e ímpar nas celebrações e buscamos para
conseguir líderes que os discipulem nas células.

Temos a expectativa de que o nosso teto espiritual, será o assoalho de nossas


crianças! Essa deve ser a percepção de todos com relação às nossas crianças.
Esse não é um ministério qualquer, mas um dos ministérios
de maior importância da igreja! O reino das trevas se organiza com suas
estratégias para arrebatar nossas crianças, porque sabe que deles depende a
renovação dos líderes espirituais da igreja.

62
Elas são a igreja de hoje

Entretanto, é um grande erro achar que nossas crianças são apenas a igreja do
amanhã; que poderão fazer grandes coisas no futuro, mas, agora, tudo que podem
fazer é se preparar! Ao contrário, o texto de Atos 2.17-21 nos mostra que o único
requisito para um ser humano fazer coisas grandes, não é a idade, o gênero ou seu
status social, mas se ele possui o Espírito Santo de Deus! Veja:

“Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os
povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões,
os velhos terão sonhos. Sobre os meus servos e as minhas servas
derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão. Mostrarei
maravilhas em cima no céu e sinais em baixo, na terra, sangue, fogo e
nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas e a lua em sangue, antes que
venha o grande e glorioso dia do Senhor. E todo aquele que invocar o
nome do Senhor será salvo!” Atos 2.17-21.

Repare que o texto faz uma aparente inversão: “Os filhos e as filhas profe-
izarão!” Parece-nos ©queEditoraseriamaiscoerenteInspirequeoautor bíblico
dissesse que os velhos profetizariam, afinal, para muitos, profetizar é algo para
pessoas maduras na fé!

O autor também diz: “os velhos terão sonhos!”. Parece-nos, contudo, que seria
mais coerente dizer que os jovens é quem sonhariam! Afinal, quem melhor para
sonhar do que os jovens, que têm a vida inteira pela frente? Mas o autor diz que
os filhos e as filhas é que profetizariam e os velhos é que teriam sonhos! Assim,
cremos que o Espírito Santo não age de acordo com a idade, ele simplesmente
age!

As crianças não são apenas a igreja do amanhã! Elas são a igreja de hoje! Elas
podem falar em línguas estranhas, curar enfermos, expulsar demônios e operar
grandes sinais e maravilhas através de sua oração!

Aliás, é esse tipo de fruto que temos colhido no ministério infantil de nossa igreja.
Um exemplo é o caso do Vinícius, o menino de 7 anos que doou todo o seu
dinheiro para a construção do novo templo; ou a juniora que orou pelo primo
morto no ventre de sua tia e no nome de Jesus fez a criança ressuscitar. E isso é
só o começo!

63
Para que uma criança se desenvolva espiritualmente, basta que os adul-tos saiam
da frente dela! Buscar a Jesus e deleitar-se com sua presença é algo muito natural
para uma criança, mas nós adultos as impedimos com nossos preconceitos, da
mesma forma que os discípulos fizeram, trazen-do indignação a Jesus!

A criança possui uma fé muito mais apurada que a de um adulto! Não é à toa que
80% das pessoas que se decidem por Cristo, fazem isso antes dos 15 anos de
idade! O problema é que o reino das trevas sabe muito bem como atuar para
impedir que as crianças cheguem até Jesus e nós não cuidamos delas como
deveríamos.

QUEM É O ADOLESCENTE?

No texto bíblico de Lucas 2.40-52 vemos a história de uma pessoa demons-trando


a naturalidade de uma criança e a clareza de um adulto. Trata-se do adolescente
Jesus, que já não seria mais chamado nem tratado como meni-no. O Mestre
passou por essa fase da vida e mais uma vez deixa a importante
lição que é possível agradar ao Pai em todo tempo e de todas as formas.

© Editora Inspire
A adolescência é um momento de vida muito complexo para todos os seres
humanos. Em geral, são marcados pelas mudanças frequentes, intensas
e necessárias desse período da vida. As evidentes alterações físicas têm efeitos
psicológicos marcantes, e vice-versa. Além disso, as certezas são tão absolutas
como as de um ancião, quanto passageiras como as de um bebê.

O adolescente não é uma criança

Aquele que já chegou à adolescência já deixou para trás algumas carac-terísticas


e posições de criança, e muitas vezes, em estatura, já está do ta-manho dos
adultos. Já não fala mais como criança e não pensa mais como uma delas,
deixando muito do pensamento concreto para o mais abstrato.

O adolescente não é um adulto

Mesmo tendo tamanho e buscando ser tratado como adulto, o adolescen-te ainda
é uma pessoa que carece de supervisão de perto, do qual ainda

64
não se podem esperar comportamentos adultos e tomada de decisão como se
fosse adulto. Ele ainda precisa ser guiado, e ainda precisa de receber provisão
farta para o seu “tanque emocional”, bem como limites para continuar
crescendo rumo a ser um adulto seguro.

O adolescente é autên ico como uma criança

A vontade de dizer a verdade sufoca a polidez e muitas vezes a inconsequên-cia


da infância vence a tentação da rebeldia que logo aparece. No texto bíbli-co de
Lucas 2.49, Jesus respondeu a seus pais com franqueza: “Por que vocês estavam
me procurando? Não sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai?”.
É por isso que o apóstolo Paulo nos alerta: “... pais não irritem seus filhos”.

O adolescente é brilhante como um adulto

Se você tem um adolescente na sua família, certamente sabe que ele tem uma
característica admirável. Eles costumam ser impressionantes! As
pessoas que têm uma expectativa limitada a respeito deles, normalmente são
surpreendidas ©comEditoradesempenhos Inspireacimadamédia em compreensão e
aptidão. Veja a reação dos doutores que conversavam com Jesus, confor-me o
texto de Lucas 2.47: “Todos os que o ouviam ficavam maravilhados com o seu
entendimento e com as suas respostas”.

Alguns dos principais dilemas atuais na adolescência

1. Sexualidade e limites. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do


Escolar 2012 (PENSE, 2015), revelaram que 30,5% dos escolares do 9º ano do
ensino fundamental já haviam tido relação sexual alguma vez na vida. A maior
proporção é para os meninos (43,7% do que para as meninas (18,7%), bem como
para aqueles que estudam em escola pública (33,1%)
e com idade acima de 15 anos (47,3%). O uso do preservativo na última relação
sexual foi de 75,9%, e também foi a “camisinha” (74,7%) o método
contraceptivo mais utilizado na última relação sexual. Além disso, essa pesquisa
aborda também um dado interessante nesse sentido: o percentual de escolares
frequentando o 9º ano do ensino fundamental, cujo(s) respon-sável(is) sabia(m) o
que o escolar fazia durante o tempo livre, nos últimos 30 dias. Na rede pública,
66.8% sabiam e na rede privada, 53.9% sabiam.
65
2. Privacidade e uso do celular. A adolescência é uma fase em que a pessoa
começa a aprender a tomar decisões, mas a falta de limites é muito danosa. Os
pais precisam participar das escolhas dos filhos no sentido de orientá-los em
todos os sentidos, como o uso da chave da casa, o acesso a equipamentos
eletrônicos e à Internet, principalmente, quando o filho for menor de idade.

3. Educação e futuro. Cremos que as escolhas por carreiras podem ser


orientadas, mas devem estar ligadas à aptidão, aos interesses e à fé. Não se pode
decidir uma profissão somente a partir do mercado de trabalho ou do dinheiro. É
importante que se tenha um canal de comunicação entre os pais e os filhos. Se
isso for estabelecido desde a infância, o filho será sábio e acolherá a instrução do
pai (Provérbios 13.1).

NOSSO PRINCIPAL DESAFIO

Nosso maior desafio é ter um número de líderes crescendo proporcional-mente


à necessidade das células. A falta de líderes limita o cuidado e o
crescimento adequado. Além de demonstrar interesse, é preciso que líderes
© Editora Inspire
dessas faixas etárias possuam algumas características muito importantes:
1. Líderes capacitados para ensinar: além do conhecimento bíblico,
indispensável ao líder de uma célula, o modelo de ensino divino é atual e
eficaz. Há três características que precisam ser a marca de quem ensina para as
crianças e adolescentes:
a. Ensino Diver ido: diversão é a chave para o aprendizado! Hoje
a mídia oferece grandes oportunidades de entretenimento e nosso desafio é
fazer a Palavra de Deus muito mais atrativa para a criança do que a TV ou o
videogame! Cuide para que sua casa ofereça um am-biente divertido para as
crianças e adolescentes. É bom lembrar que a diversão tem um foco muito
maior do que meramente atrair a criança para uma célula, mas também de
fixar conceitos e valores de forma profunda e inesquecível em sua vida.

b. Ensino Cria ivo: o lúdico é uma parte muito importante para o desen-
volvimento de uma criança! Não devemos extirpar a imaginação delas, mas
saber utilizá-la com prudência para que o ensino encontre grande força de
impacto em sua vida! É necessário que o líder de célula surpreen-

66
da a criança a cada encontro; dando vida aos mais loucos sonhos de uma
criança, de uma forma que glorifique a Jesus. No caso dos adolescentes não é
muito diferente, mas há a necessidade de encontrar uma identidade para o
grupo. Isso exige criatividade, pois eles são muito relacionais.
c. Ensino Relevante: o líder precisa falar uma linguagem que seus dis-cípulos
entendam. Uma linguagem conforme a idade de cada um! É por isso que as
células se beneficiam de: divisão etária, de 4 a 8 anos (Kids), de 9 a 12 anos
(Juniores) e de 13 a 18 anos (Adolescentes); e dos gêneros separados
(meninos e meninas) para juniores e adolescentes. No que diz respeito aos
adolescentes, o ambiente da célula é perfeito para respon-der aos
questionamentos básicos e complexos, que normalmente são feitos
simultaneamente. É muito importante ouvi-lo.
2. Líderes que sejam sensíveis aos con litos da criança e do adolescente:
precisamos de pessoas que tenham a ótica da criança ou do adolescente, ou pelo
menos, que estejam dispostos a desenvolvê-la. Precisamos de homens e mulheres
que: saibam se divertir com o desenho que elas assistem e ex-trair deles
importantes lições espirituais; saibam brincar de bola, videoga-
me e em cada momento aproveitar os conflitos para discipulá-los; saibam

© Editora Inspire
aconselhar indicações de jogos, filmes e livros, com a devida fundamenta-ção de
sua indicação, principalmente no caso dos adolescentes; entendam o peso
emocional que uma rejeição tem sobre a vida de uma criança, mes-mo as mais
simples, como a de ficar de fora de uma brincadeira; saibam identificar um
coração ferido por trás de cada mau comportamento.

3. Líderes comprome idos: precisamos de pessoas que: amem as crianças e os


adolescentes ao ponto de dedicar suas vidas a elas; saibam que esse trabalho não
pode ser feito de qualquer jeito e possui um peso e relevância espirituais
tremendos para a vida da igreja; estejam dispostas a atender a ordem de Jesus:
“Cuide dos meus cordeiros!” João 21.15

O versículo de João 21.15 foi escolhido para estampar nosso uniforme do


ministério infantil, porque há algumas coisas especiais sobre ele que nos lembram
de nosso compromisso ministerial, perfeitamente aplicável aos adolescentes:

1. Quem está falando isso? Foi Jesus quem disse “apascenta os meus cor-
deiros”! Antes de qualquer coisa, precisamos lembrar que os cordeiros são de
Jesus! Não são nossos!

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2. Quem são os cordeiros? São os filhotes das ovelhas. Jesus está fazendo
uma referência clara aos mais novos na fé, pois na sequência do versículo ele
fala sobre as ovelhas, fazendo uma distinção entre cordeiros e ovelhas! É sobre
nossos pequenos que ele está falando!
3. Para quem Jesus está falando isso? Para Pedro! Ele exercia uma função de
liderança sobre os demais apóstolos, juntamente com Tiago e João (Gálatas 2.9).
É notável que Jesus tenha deixado essa responsabilidade com Pedro e não com
Maria Madalena ou um discípulo menos influente. Ou seja, grande é a nossa
função que cuidamos dos pequenos.
4. Em que ocasião Jesus está dizendo isso? No momento de cura e recon-
ciliação de Pedro. Após ter negado Jesus três vezes, Pedro teve que declarar três
vezes o seu amor por Cristo. É de se esperar que Jesus respondesse à sua
declaração com um caloroso abraço e um emocionante “eu também te amo!”
Mas, ao invés disso, limitou-se a declarar seu amor com a frase “cuide dos meus
cordeiros!” Jesus estava dando uma nova oportunidade para Pedro, confiando a
ele o que Jesus tinha de mais precioso: os Seus cordeiros, comprados pelo Seu
próprio sangue!

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PERFIL DAS CÉLULAS

Células infan is

Idade: 4-8 anos (mistas).

Local: sempre ligadas a uma célula de adultos.

Líder: responsabilidade da esposa do líder da célula de adultos. Caso a célu-la de


adultos tenha outra pessoa para assumir o cuidado da célula infantil, ela pode
dispor essa pessoa.

Células de juniores

Idade: 9-12 anos (divididas por gênero).

Local: numa célula de adultos ou na casa de um membro adulto da igreja.

Líder: formado no curso Liderança de Célula, mas aperfeiçoado no ministério.

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Células de adolescentes

Idade: 13 a 18 anos (divididas por gênero).

Local: casa de um membro adulto da igreja.

Líder: formado no curso Liderança de Célula, mas aperfeiçoado no ministério.

COMO SE TORNAR UM LÍDER

Uma pessoa com 18 anos ou mais, pode se tornar um líder de crianças, de


juniores ou de adolescentes, seguindo as seguintes etapas abaixo.
Células de crianças e de juniores

1. Entrevista: mediante a recomendação de seus líderes de célula, você


agendará uma entrevista com algum coordenador da rede Infantil.
2. Estágio: o líder passará a atuar como um líder aprendiz em uma célula já
existente, sendo mentoreado por um líder experiente, até que esteja apto a
assumir sua célula.

Se sua célula possui ©umaEditoracéluladecriançasInspireoudejuniores


associada, é preciso cadastrá-la no sistema da igreja, cuidando para que o líder tenha
passado por todas as etapas descritas anteriormente. Caso contrário, esta célula estará
na clandestinidade!

Células de adolescentes

1. Indicação do líder de célula atual.

2. Aprovação no curso Fundamentos.

3. Aprovação no curso Liderança de Célula.

4. Entrevista específica com a supervisão de adolescentes.

PERGUNTAS FREQUENTES

1. Minha célula tem crianças menores de 4 anos. Elas podem par icipar da
célula infan il? Não, a célula infantil é de 4 a 8 anos, pois o nosso com-
promisso é discipular as crianças e não entretê-las. Uma criança abaixo dessa
idade não compreenderá o que está sendo ministrado e ainda pode

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prejudicar o ensino das outras. É necessário que as células com crianças
menores se organize para desenvolver um trabalho de cuidado com essas
crianças. Nossos líderes da rede infantil não estão autorizados a receber
crianças abaixo de 4 anos.

2. Minha célula tem crianças maiores de 8 anos. Elas podem par ici-par da
célula infan il? Não. Contudo, os juniores são muito habilidosos e podem ser de
grande ajuda ao líder no desenvolvimento da célula. Isso não exime o junior de
participar de uma célula de juniores, sendo isso um requisito para ele servir. Ou
seja, ele pode ajudar na célula infantil desde que esteja frequentando em outro
horário uma célula de juniores.

3. Sou esposa do líder de minha célula, mas não tenho habilidade com
crianças, posso terceirizar essa missão? Você pode levantar alguém para
assumir o compromisso de ministrar na célula infantil, mas isso não exime você
de sua responsabilidade que é garantir que a célula infantil aconteça. Assim, em
caso de saída da outra pessoa, a esposa do líder precisa assumir até providenciar
outra pessoa.
4. Tenho um lar hospedeiro e muitos juniores ou adolescentes. Só preci-so de um líder

para começar ©Editoraotrabalho.O que Inspireeufaço?O ministério


Igni-ção e o ministério Xtreme se comprometem a treinar e a capacitar líderes,
mas é importante saber que todos nós somos responsáveis de levantarmos esses
líderes. Na dinâmica das células infantis, de juniores e de adolescen-tes, não há
multiplicação de liderança como acontece nas demais redes.
Hoje temos um grande déficit de líderes!
5. Posso dar qualquer estudo para as crianças? Não! Todas as células
seguem um currículo e é imprescindível que o líder de célula infantil siga esse
currículo.

6. Só mulheres podem ser líderes de células infan is (4-8 anos)? Não! Os


homens são mais do que bem-vindos: são necessários! A figura masculina
precisa estar presente desde cedo nas crianças.

7. Meu marido é o líder da célula de adultos, mas às vezes ele preci-


sa viajar e eu assumo o estudo. Como faço para dar o estudo na célula infan
il quando isso acontece? Assim como acontece na célula de adultos, é
imprescindível que o líder de célula infantil tenha ao seu lado um líder aprendiz
que possa suprir essa necessidade.

70
8. Qual é a idade máxima permi ida para se trabalhar com células infan is?
200 anos! Na verdade a terceira idade é muito bem acolhida pelas crianças e
juniores, basta que tenha disposição e esteja sintonizada com os conflitos dessa
geração para aconselhá-los de forma eficaz.

9. Por que uma criança ou um junior não pode assumir uma célula? Não se
trata de capacidade, mas de uma responsabilidade jurídica. É preciso ter alguém
maior de idade que possa assumir a responsabilidade pela célula.
Mas nada impede que, mediante a supervisão de um líder adulto, a criança ou o
junior ministre o estudo em um determinado dia.

As crianças e os adolescentes são por demais preciosos para Jesus e para nós!
Assim, louvamos a Deus pelos líderes que se levantam para pastorear os
pequeninos e o faz com compromisso profundo. Todas as nossas células
precisam ter a preocupação de levantar lideres para as células infantis, de
juniores e de adolescentes. É preciso apoiá-los a fim de que cumpram seu
chamado sem jamais desistir.

© Editora Inspire

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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Qual a importância de pastorear crianças, juniores e adolescentes?

2. Quem é a criança?

3. Quem é o adolescente?

4. Quais são as características mais importantes esperadas num líder de célula


para crianças, juniores ou adolescentes?

5. Quais são os perfis de células de criança e como elas funcionam?

6. Quais são os perfis de células de juniores e como elas funcionam?

7. Quais são os perfis de células de adolescentes e como elas funcionam?

© Editora Inspire

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BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000.

PAES, C.M. Família para sempre. São José dos Campos: Inspire, 2013.

WEBGRAFIA

PENSE. Disponível em:


http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/pense/2012.
Acessado em: mar/2015.

© Editora Inspire

73
5. PROCESSO DE
DISCIPULADO NA PIB
EM SJCAMPOS

Na perspectiva cristã sobre a experiência humana, há claramente um pro-pósito


definido e pessoal em Deus ter criado o homem. A compreensão de como
podemos desenvolver nossas potencialidades depende da percepção que temos
deste ato criativo de Deus.

O fundamento de nossa concepção acerca da criação está em Hebreus 11.3:


“Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de
maneira que o visível veio a exis ir das coisas que não aparecem”. Este verso,
como todo o texto bíblico, pressupõe o ser de Deus, nos fazendo crer que Ele é
o ser eterno que antecede a toda a criação. Ele não se confunde com
a matéria e ela não é sua extensão. Além disso, este texto nos informa que

© Editora
nossa compreensão sobre a criaçãoédirigidaInspire pelafé.Sem fé não
podemos ter uma compreensão adequada de Deus e é pela fé que entendemos que a
criação foi um ato da vontade livre de Deus: não houve pressões externas nem
necessidades internas ou carências que o impulsionaram a criar.

Deus nos fez à Sua imagem, que nos é então intrínseca. Ou seja, só há
humanidade com essa imagem e isso permite um relacionamento pessoal e
consciente com Deus. Desta forma, podemos afirmar que o ser humano é uma
criatura criativa, não oriunda de um processo evolutivo. A existência humana só
foi possível pela vontade e pela intenção divinas.

Assim, compreendemos que a existência humana é dependente de Deus. A


própria ideia de criação nega a independência. Deus desejou e trabalhou para a
nossa existência. Isto significa que não viveríamos sem Ele, já que tudo vem
Dele. Não podemos dar para Ele parte do nosso tempo ou dinhei-ro, por
exemplo, pois tudo é Dele (1 Crônicas 29.14-17)!

Diante desta revelação, discipular pessoas é conduzi-las à compreensão cristã de


vida plena condicionada à dependência de Deus num processo de crescimento
espiritual. O ponto de partida mais inicial reflete uma tenta-

74
tiva de vida completamente independente de Deus. Compreendemos este ponto
como o nível do descompromisso para com Deus, seja consciente ou
inconsciente. Com isso, passando por alguns estados gradativos e inter-mediários
de compromisso, o objetivo do discipulado é que os discípulos restaurem sua
intimidade com Deus através de Sua revelação por meio de Cristo, num nível de
profundo compromisso com ele.

Todo processo de discipulado cristão precisa atuar na correção da distorção do


senso de independência para a total dependência de Deus. Ser cristão, portanto,
implica em romper com o destino de alienação e morte para com Deus,
promovido pelo pecado. A vida proveniente disso encaminhará o cristão a
conduzir outras pessoas de um estado de total descompromisso com Deus numa
tentativa desenfreada e inútil de vida independente, para um compromisso de
intimidade, refletindo a inten-ção original de Deus ao criar o ser humano.

IMPORTÂNCIA E APLICAÇÃO DO DISCIPULADO


Cremos que o discipulado é mais do que obtenção de conhecimento, do que
© Editora Inspire
um modelo de inspiração, ou de uma busca por mais santidade. Na verda-de, para
nós cristãos, o discipulado é um lindo e natural relacionamento de amor com
nosso Deus.

O relacionamento com Deus tem como fundamento a sua Palavra. É preciso


ensinar através dos princípios bíblicos as pessoas a se tornarem discípulas de
Cristo. Cremos como Josué Campanhã que “discípulos sem ensino se tornam
crentes raquíticos; crentes que não são discípulos se tornam membros ativistas;
discípulos com ensino bíblico transformam o mundo!” (CAMPANHÃ, 2012).

O discipulado foca na formação espiritual de pessoas. São oportunidades e


estímulos para promover o crescimento que só Cristo pode dar. Isso é crucial para
a vida do cristão. Esse crescimento exige uma mudança de perspectiva e, muitas
vezes, que abramos mão de coisas não prioritárias na vida, do ponto de vista
espiritual. Citando a obra chamada Discipulado de Dietrich Bonhoe-ffer, Dallas
Willard aborda essa necessidade ou “preço a ser pago”, mas enfa-tiza que “o
preço da falta de discipulado é muito mais alto que o preço pago para andar com
Jesus e aprender com ele constantemente” (WILLARD, 2008).

75
Assim, o objetivo do discipulado é que ele aperfeiçoe a todos em sua inte-
gralidade formando o caráter do discípulo; desenvolvendo uma espiritua-lidade
cristocêntrica que privilegia o servir; dando conhecimento bíblico e teológico
essencial; e moldando a liderança através da prática. É ajudar as pessoas a se
tornarem parecidos com Jesus levando-as a desenvolverem um estilo de vida ao
mesmo tempo dinâmico e dependente de Deus, tendo como produto final pessoas
criativas e satisfeitas ao se relacionar com Deus e depender Dele como fonte de
vida. Tal discipulado deve acontecer em três eixos de formação espiritual:
pessoal, através de Cristo agindo na pessoa e gerando experiências espirituais no
desenvolvimento de um ca-ráter elevado; educacional, através do ensino de
conteúdos relevantes à fé cristã; e relacional, através da interação e do
relacionamento com outras pessoas para a edificação mútua e capacitação ao
exercício do ministério.

Eixo pessoal

Algo que é fundamental para um líder é o seu caráter. O caráter molda os


pensamentos, as motivações e as atitudes das pessoas. A definição do processo de

formação espiritual ©EditoraprecisacontemplarInspireinstrumentos


que con-frontem o futuro líder nas áreas mais obscuras de seu caráter. O líder pre-cisa
ser conduzido num processo de autodescoberta, onde possa comparar e corrigir
pensamentos, motivações e atitudes através do modelo de Cristo.

Esse processo deve contemplar a integralidade da pessoa. Envolve a sua sexu-


alidade, integridade moral, palavra, autenticidade, suas compulsões, seus re-
lacionamentos pessoais, sua identidade, seu relacionamento com o dinheiro, sua
temperança e seu domínio próprio, confrontando algumas características
negativas como o orgulho, o desânimo, a procrastinação e a preguiça.

Nesse processo de formação é preciso identificar e desenvolver algumas


características de um líder, através do modelo de Cristo. Segundo Paes (2012),
um bom líder é:
1. Trabalhador: enfatiza o serviço.

2. Aprendiz: está sempre disposto a mudar estratégias, desenvolver-se e ter


novas ideias.
3. Corajoso: aceita desafios maiores inerentes a um movimento saudável que
cresce.

76
4. Agregador: entende a importância da equipe e paga o preço pelo traba-lho
em conjunto, percebendo que em equipe se vai mais longe.
5. Consciente de suas fraquezas espirituais: tem claro para si qual é a sua
maior luta.
6. Disponível para uma causa: luta por algo maior que ele mesmo.

7. Conhecedor da renúncia: segue o exemplo dos discípulos quando


foram convidados por Jesus.

Finalmente, para atingir o objetivo de formar adequadamente o caráter do fu-turo


líder, podem-se usar instrumentos de ensino com conteúdos específicos tratando
desses assuntos. Além disso, podem ser usadas ministrações específi-cas gerando
oportunidades de crescimento da fé, oportunidades de confron-tação individual
com um mentor ou discipulador; e ocasiões de interação com pessoas que já
superaram suas deficiências em seu caráter e com pessoas que estão no início do
processo, para que ocorra o estímulo aos outros.

Eixo educacional
© Editora Inspire
Ao decidir ser discípulo de Jesus, a pessoa traz consigo uma história de vida.
Algumas pessoas tiveram um envolvimento com a religiosidade, com pecados
escravizadores ou até com demônios. Outras se envolveram ilici-tamente com
outras pessoas através da sexualidade promíscua, alianças comerciais ilegais,
conchavos políticos etc. Além disso, há aquelas pessoas que tiveram um ensino
antibíblico ou anticristão.

A formação espiritual do discípulo deve contemplar instrumentos de ensino que


abordem o ensino bíblico readequando sua formação espiritual. Assim como na
formação do caráter, é preciso oferecer oportunidades de ministrações em
diferentes níveis e o acompanhamento através de seu dis-cipulador. Além disso, é
preciso ter instrumentos que permitam a forma-ção espiritual mútua através da
interação com outras pessoas.

A aplicação desses instrumentos para formação espiritual pode ser variada.


Retiros espirituais específicos são excelentes ferramentas para o ensino de
maneira mais dinâmica, fortalecendo os conceitos aplicados através de uma
programação bem planejada e focada. Outra maneira de aplicar tais instrumentos
são os programas de apoio, onde o discípulo

77
pode ser confrontado e ter um espaço para expor suas lutas e seu dia a dia. Além
disso, é possível fazer uso dos Grupos de Discipulado Pessoal (GDP 1), que abrem
espaço para o discipulado um a um, para o ensino--aprendizagem num nível mais
pessoal e para a confrontação e prestação de contas. O discipulado um a um é
uma ferramenta muito eficiente, pois fomenta essa formação no individual e abre
espaço para o desenvolvi-mento de uma espiritualidade autêntica.

O processo de formação de um discípulo precisa oferecer oportunidades de ensino


bíblico e teológico em diferentes níveis. Desde os primeiros dias na comunidade,
o discípulo deve receber um ensino bíblico e sistemático de maneira progressiva.
Segundo Warren (2008), “os cristãos irão crescer mais rápido se você lhes
designar uma trilha a ser por eles percorrida”.

Tal ensino deve conter níveis de aprofundamento adequados a cada está-gio do


desenvolvimento do discípulo. Precisa contemplar as demandas e as diferenças
das faixas-etárias. Quanto ao conteúdo, deve abordar o estudo bíblico
sistemático, contemplando as doutrinas da fé cristã, o estudo bíblico panorâmico
(por exemplo, na análise de um livro bíblico ou até
mesmo do Antigo ou do Novo Testamento) e o estudo temático específico

© Editora Inspire
de acordo com sua relevância e importância.

Além do estudo bíblico, a formação teológica sólida deve fazer parte dessa
formação de discípulos abordando a História da Igreja; as técnicas de inter-
pretação da bíblia; as diferentes teologias, e o treinamento para a reflexão
teológica e a prática do ministério.

Este eixo de formação está organizado na prática no que denominamos de


Circuito Vida (CV). Este circuito de ações demarca o avanço das pessoas nos
Estados de Compromisso com Deus2 do cristão e está apresentado em mais
detalhes no capítulo a seguir.

Eixo relacional

O desenvolvimento do discípulo neste eixo se dá principalmente através da célula.


Como vimos nos Capítulos 3 e 4, a célula é um grupo de até 10 pesso-as que
decidem caminhar juntas na fé cristã. São pessoas que edificam-se mutuamente
através de um relacionamento saudável e inspirador, vivendo os cinco propósitos
bíblicos como estilo de vida.

1 Este conceito será explicado na próxima subseção.


782O conceito de Estados de Compromisso com Deus será apresentado mais à
frente neste capítulo.
Além do contexto da célula, como igreja, o nosso alvo central é o discipu-lado um
a um. Cremos que discipular é fazer uma transferência da vida de Jesus para
alguém e o discipulador é um instrumento de transferên-cia. O discípulo aprende
vendo, ouvindo, perguntando e praticando. O discipulador ensina em todo o
tempo, em todo o lugar, com a vida e com a Palavra de Deus.

A essência do discipulado de Jesus entre os seus discípulos foi uma profun-da e


completa ministração na vida deles, através de relacionamento, vivên-cia e
exemplo. Seguindo o seu exemplo, queremos proporcionar a vivência dessa
experiência entre nós, debaixo da estrita condução do Espirito Santo de Deus para
cada passo.

Na prática, isso acontece em nossa igreja através do Discipulado Pessoal (DP).


Todas as pessoas são estimuladas a serem discípulos e a terem discípulos. Como
foi apresentado no Capítulo 3, essa ação começa no membro e no líder de célula
sendo estimulados a terem, pelo menos, três discípulos cada um no contexto da
própria célula, inclusive inserindo pessoas novas no grupo, fazendo-o crescer.
Além disso, essa relação do
DP está aplicada na própria estrutura celular em rede. Por exemplo: um líder de célula é
naturalmente ©EditoradiscípuloInspiredeseucoordenador e é o disci-
pulador de membros de sua célula. Isso está organizado em toda a rede de célula
de modo que todos discipulem e sejam discipulados. O conjun-to de discípulos
de alguém neste contexto é o que chamamos de Grupo de Discipulado Pessoal
ou GDP.

Por meio do GDP, promovemos o cuidado pastoral pessoal e intencional, um a


um. Nele, um discípulo é apoiado por um discipulador, que, por sua vez também
é acompanhado por outra pessoa. Toda essa ação visa o de-senvolvimento
natural e sustentável de novos discípulos, conforme Lucas 6.40: “O discípulo
não está acima do seu mestre, mas todo aquele que for bem preparado será
como o seu mestre”.

Assim, tanto como discipuladores quanto como discípulos, continuare-mos


sempre aprendizes do Mestre Jesus, servos uns dos outros na igreja e
missionários na sociedade. Estaremos sempre focados a ter um coração cheio de
amor a Deus. Cada um fazendo sua parte e crescendo em tudo, fortaleceremos
nossa rede de células e nos tornaremos uma grande igreja,
que independentemente do número crescente de membros, será uma igreja
saudável em que todos crescem, cuidam e são cuidados!

79
DISCÍPULOS E DISCIPULADORES

Nesta estrutura de discipulado um a um baseado no contexto da rede de células,


tanto os discípulos, quanto os discipuladores possuem caracterís-ticas que
enfatizam cada condição. A seguir, apresentamos características esperadas nos
discípulos e nos discipuladores de nossa igreja.
Caracterís icas do discípulo

1. Aceitou a Jesus e foi batizado.

2. Está empenhado em conhecer Jesus por meio da leitura da Palavra de Deus


todos os dias.

3. Ora diariamente ao Senhor Jesus.

4. Busca conhecer o Espírito Santo de Deus e tornar-se seu amigo.

5. Participa ativamente das celebrações da igreja, pelo menos uma por se-mana,
ouvindo de Deus e, também, retribuindo seu amor com entrega e devoção.

6. Participa ativamente do Circuito Vida, cumprindo as etapas e experi-ências


de crescimento © espiritualEditora. Inspire
7. Procura participar das campanhas da igreja, lendo os devocionais e prati-
cando em unidade com ela as disciplinas espirituais do voto e do jejum.

8. Participa de uma célula de nossa igreja.

9. Recebe a indicação de quem será seu discipulador e inicia um relacio-


namento de amizade, vida na vida, com ele.

10. Busca conhecer seu discipulador, ouvi-lo e compreender o que Deus está
dizendo por meio da vida dele.

11. Pergunta sempre que tem dúvidas sobre a fé ou sobre algum assunto
relacionado à igreja e à vida com Jesus.

12. Procura intencionalmente estar com seu discipulador com regulari-dade,


acompanhando-o em atividades quando for possível e marcan-do
momentos em que possam orar e conversar.

13. Procura prestar contas de seu viver, buscando ajuda para ouvir a voz de
Deus, entender Sua vontade e cumpri-la.

80
14. Caso encontre em seu discipulador alguma discordância de conduta ou
orientação com o que está na Palavra de Deus, busca falar com o
supervisor ou coordenador dele e, se não for possível, com um dos
pastores da igreja.

15. Busca ser fiel mordomo das finanças, sendo fiel dizimista e generoso
ofertante na casa de Deus.

Caracterís icas do discipulador

1. Decide crescer em seu relacionamento com Jesus com empenho.

2. É um líder comprometido com a visão e a missão da igreja.

3. É um discípulo fiel, dizimista, ofertante e primiciador na casa do Se-nhor.

4. É um exemplo de vida cristã, vivendo como Jesus viveria em todas as


circunstâncias.
5. Continuamente está crescendo em seu relacionamento de amizade e apoio
com seu ©discípuloEditora. Inspire
6. Pratica as disciplinas espirituais e se inclui nos movimentos espirituais que o
Senhor traz para a igreja, como campanhas, jejuns e leituras em unidade.

7. Recebe seus discípulos e procura conhecê-los, desenvolvendo um


relacionamento de amizade, apoio e crescimento. Aponta sempre para Jesus,
para a Sua vida e Seu modo de viver, orientando o discípulo a sempre agir
desta forma, corrigindo-o em amor, quando necessário.

8. Fornece apoio para o crescimento espiritual de seu discípulo, indican-do


ferramentas e conduzindo-o por meio do Circuito Vida.

9. Fornece os meios para que o discípulo o encontre sempre que precisar de


orientação e oração.

10. Busca a ajuda de seu discipulador ou líder imediato na rede de célu-las


para situações que fogem à sua alçada.

11. Está disponível para orientar e apontar para Jesus no que diz respeito ao
viver de seu discípulo, mas não o controla, não abusa de sua

81
autoridade, muito menos ordena ou exige. O discipulador explica, ensina
e aponta para Jesus.

12. Está atento para não causar aparência do mal em nenhuma situação, nem
um mau testemunho público.

13. Ouve a Deus com extremo zelo e perseverança, a fim de orientar sem-pre
de acordo com o que Deus diz e não de acordo com seu próprio
entendimento.

14. Inclui o discípulo em atividades de crescimento espiritual e em lide-rança


junto consigo.

15. Está atento a sinais de dificuldades ou problemas na vida do discípulo e


procura ajudar com graça, sabedoria e perseverança.

16. Está sempre pronto para servir, com “sua toalha e sua bacia”.

17. Entendeu a orientação bíblica dada pela igreja sobre paternidade


espiritual.

18. Está sempre atento a ter sua vida financeira em dia diante de Deus e
da sociedade.
© Editora Inspire
Princípios do GDP

A ação do discipulador com seu GDP está sintetizada em quatro grandes


princípios, presentes inclusive no seu logotipo (ver a Figura 5.1). São elas:
cobertura espiritual, encorajamento, prestação de contas e ministério.

Figura 5.1: Logo do Grupo


de Discipulado Pessoal.

82
1. Cobertura espiritual: a proteção acontece física, emocional e espiritu-
almente. Um discipulador precisa prezar por seu discípulo, antevendo
situações perigosas e cercando-o de cuidado e proteção.
2. Encorajamento: precisa haver, da parte do discipulador, esforço para ajudar
o discípulo a manter o curso e viver tudo o que Jesus ensina nas diferentes
atividades que envolvem o discípulo sejam em ambientes relacionais,
profissionais ou ministeriais.
3. Prestação de contas: entendendo que, como o discípulo terá um nível alto
de cuidado, acompanhamento e suporte, este precisará ser o mais sincero e
transparente possível, a ponto de confessar seus pecados e pedir ajuda nas
tentações, para evitar recaídas.
4. Ministério: um discipulador sempre precisa ter em mente que ele serve a seu
discípulo. Ele precisa assim proteger seu coração dos abusos de liderança e
evitar que o discípulo tenha obrigação de prestar um serviço além do que o
Espírito Santo direcionar. Assim, o discipulador também dá ao discípulo o
exemplo de como proceder com seus futuros discípulos.

© Editora Inspire
ESTADOS DE COMPROMISSO COM DEUS

Após compreendermos a importância do discipulado na vida de um cristão e


como se dá a relação entre discipuladores e discípulos no contexto da célula e do
GDP, é preciso expor aquilo que entendemos biblicamente como os Estados de
Compromisso com Deus, alcançados através de passos gradativos no processo do
discipulado. Cada estado reflete a condição atual da pessoa em relação a Deus, à
igreja e à fé cristã.

Portanto, o objetivo do processo de discipulado é conduzir pessoas de uma


condição de total descompromisso com Deus, para o estado de maior com-
promisso com Deus, que é se relacionar com Ele em intimidade. O processo está
ilustrado pela Figura 5.2. Ele tem o formato de círculos concêntricos imersos na
condição de descompromisso para denotar a ideia de que viver em intimidade
deve ser o objetivo de nossa caminhada de fé, refletindo o centro da vontade de
Deus em abandonarmos as trevas e caminharmos em direção à plenitude da
verdade. As ferramentas para a execução deste processo estão contidas no
Circuito Vida, apresentado no Capítulo 6.

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© Editora Inspire

Figura 5.2: Estados de Compromisso com Deus.

Conforme abordamos no início do capítulo, a tentativa insana de viver


independente de Deus reflete a realidade vivida por grande parte da sociedade
hoje, numa condição de total descompromisso bíblico com Deus. Tal condição
abrange desde pessoas desacreditadas em Deus, pessoas que acreditam em outras
“divindades” e ainda pessoas que possuem uma perspectiva completamente
diferente do Deus crido através dos princípios bíblicos e professado pela fé cristã
evangélica.

Portanto, consciente ou inconscientemente, há nesta condição uma falta de


percepção, seja pelo entendimento e ou pela experiência, acerca da ação e do
relacionamento com Deus através do Espírito Santo. Entretan-to, como igreja,
queremos ser um povo que é comprometido com Deus até as ultimas
consequências. Esse compromisso abrange aquilo que Deus ama: Sua Igreja e as
pessoas.

84
Assim, nosso papel como igreja é ajudar as pessoas a se relacionarem com Deus
num nível profundo de intimidade com Ele. Em nossa percepção bí-blica, esse
processo pode ser organizado em cinco estados de compromisso. Veja a seguir (as
ferramentas oferecidas pelo Circuito Vida em cada estado serão apresentadas no
Capítulo 6).

Primeiro Estado de Compromisso com Deus: ENCONTRO

Este círculo refere-se a todas as pessoas que, embora estejam em nossa ci-dade e
circunvizinhança, não estão em uma igreja, nem tomaram nenhum
posicionamento espiritual positivo a respeito do Deus que cremos descrito na
Bíblia. Mesmo assim, elas já são alvo de nossas orações e estratégias
evangelísticas.

Por causa da presença de Deus e de Seu povo é possível que tais pessoas
venham a começar um compromisso, que nasce no conhecimento e no
relacionamento com Deus. Assim, um encontro com Deus acontece e elas vão
se deparar com um Deus de amor que se importa com elas. Sua visão
de mundo muda e elas passam para uma realidade espiritual de vida e de

esperança. © Editora Inspire


Caracterís icas deste estado:

1. Público-alvo: pessoas sem compromisso declarado com o Deus que cre-


mos revelado plenamente em Cristo.

2. Obje ivo: falar do amor de Jesus e fazer a igreja conhecida, como um


lugar de fé, esperança e amor.
3. Estratégias: atingir pessoas sem compromisso, mas que estão ansiando
por libertação, cura, paz e conhecimento de Deus, mesmo sem querer estar
numa igreja. É preciso apresentar um caminho para que o encon-tro com
Deus aconteça genuinamente. O propósito mais evidente neste estado é o
de Missões.

Segundo Estado de Compromisso com Deus: CONVIVÊNCIA

Este nível é formado por pessoas que tomaram a decisão por Cristo, foram
impactadas pelo convencimento do Espírito Santo e passaram a ser chama-

85
das de filhos de Deus. Entretanto, tais pessoas ainda não têm um compro-misso
com a igreja local. Elas recebem a essência da família de Cristo, mas apenas
frequentam as celebrações ou as células. Em geral, participam na adoração, nos
louvores e nas intercessões. Estão interessadas pela paz e pela alegria que
experimentamos nos ambientes de celebração. Também percebem a igreja como
um novo lugar para se estar e a cada dia vão se vendo mais apaixonadas por ela,
embora ainda apresente resistências e ressalvas para com um maior
envolvimento.
Caracterís icas deste estado:

1. Público-alvo: pessoas ainda sem compromisso com a igreja.

2. Obje ivo: revelar a importância em ser Igreja de Cristo e como ela é rele-
vante para cada pessoa.
3. Estratégia: trabalhar para que esta pessoa perceba na igreja um ambien-te
de cuidado. Para que um convívio passe a acontecer a fim de que ela cresça
e se fortaleça, precisamos considerar os interesses e as necessida-des, a fim
de que a pessoa seja levada a ligar-se à igreja local. O propósito mais
evidente neste estado é o de Adoração.
© Editora Inspire
Terceiro Estado de Compromisso com Deus: RELACIONAMENTO

Este estágio abrange as pessoas que decidiram ou estão por decidir a se tornar
membros da igreja local. Tais pessoas entenderam que esta é a igreja que Deus
tem para elas, se adequaram à visão, ao estilo e ao jeito de ser da igreja, mas ainda
não firmaram um compromisso maior de estar em célula ou servir em algum
ministério.
Caracterís icas deste estado:

1. Público-alvo: membros que precisam fortalecer seu compromisso com a


igreja local.

2. Obje ivo: trazer para o coração desta pessoa que, uma vez que ela faz parte
desta família espiritual, é necessário que ela se permita ser cuidada. Além
disso, é importante ressaltar a importância dela quanto a servir e a atuar com
seus dons e talentos na edificação do corpo de Cristo.

86
3. Estratégia: instruir a pessoa a desenvolver seu papel dentro da igreja e
tomar uma decisão de começar a crescer e ser cuidada. O propósito mais
evidente neste estado é o de Comunhão.

Quarto Estado de Compromisso com Deus: DOAÇÃO

Neste círculo temos pessoas que acabaram por decidir tanto estar em célu-las,
quanto servir em ministérios. Saíram das “arquibancadas” e decidiram “jogar”.
Seu compromisso agora está totalmente alinhado com a visão
da igreja local e passam do estágio de membro para discípulo. Há uma
demonstração do desejo e do chamado para cuidar de outros, podendo se tornar
um líder de ministérios e/ou de células.
Caracterís icas deste estado:

1. Público-alvo: membros que estão se tornando discípulos.

2. Obje ivo: que cada membro saiba seu papel no corpo através de cuidado e
direcionamentos, preparando-se servir e para cuidar de outros.
3. Estratégia: um cuidado intensivo, específico para solidificar sua identi-
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dade em Cristo e sua função no Reino. O propósito mais evidente neste
estado é o de Ministério.

Quinto Estado de Compromisso com Deus: INTIMIDADE

Chegamos ao núcleo dos Círculos Concêntricos. Neste estado percebere-mos


não só o grau máximo de compromisso com Deus e com a igreja, mas também a
essência amplamente entendida da presença do Espírito Santo de Deus. Neste
nível, o discípulo caminha de forma natural para uma profundidade espiritual,
chegando cada vez mais a níveis mais sólidos de maturidade espiritual. Agora
ele é discipulado bem de perto e já tem um grupo de discípulos dos quais cuida.

Caracterís icas deste estado:

1. Público-alvo: cristãos vivendo o discípulo como estilo de vida.

2. Obje ivo: cada membro sendo discipulado, se tornando um discipulador e


vivendo com uma linda e profunda intimidade com o Senhor a ponto de
poder caminhar segundo a vontade de Deus.

87
3. Estratégias: apoiar e potencializar a prática de um caminhar natural de
discípulos maduros com Deus por si só. O propósito mais evidente neste
estado é o de Discipulado.

O discipulado é uma caminhada. Em cada etapa conhecemos, recebemos,


vencemos obstáculos e nos tornamos capazes de ajudar a outros a percor-rer o
mesmo caminho. Esse percurso nos traz, de maneira muito preciosa, o que
precisamos para a próxima etapa, de modo que a maturidade nos transforma para
melhor. A sabedoria da parte de Deus vai se transforman-do em companheira
para cada momento. Deus, na Sua bondade, preparou tudo para que pudéssemos
trilhar esse caminho, em nossa igreja, com suporte. Assim vamos trabalhar para
que todos aos quais tivermos acesso o façam e desfrutem de todos esses presentes
do Pai para nós.

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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Qual a importância de um processo de discipulado para o ser humano?

2. Como podemos definir o discipulado?

3. Quais são os três eixos de formação espiritual em nossa igreja?

4. Como se dá o discipulado pessoal na prática em nossa igreja?

5. Cite ao menos cinco características de um discípulo e de um discipulador.

6. O que é o GDP? Quais são seus princípios?

7. Quais são os Estados de Compromisso com Deus? Explique como eles


podem contribuir para alcançar o objetivo do discipulado em conduzir as
pessoas à completa intimidade e dependência de Deus.

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BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000. CAMPANHÃ,

J. Discipulado que transforma. São Paulo: Hagnos, 2012.

PAES, C.M. Igreja brasileira com propósitos: A explicação que faltava. São
Paulo: Vida, 2012.
WARREN, R. Uma igreja com propósitos. 2ª edição. São Paulo: Vida. 2008.

WILLARD, D. A grande omissão. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

LEITURA OBRIGATÓRIA
© Editora Inspire
WELLS, M. Discipulado celes ial. Santo Amaro: Abba Press, 2007.

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6.CIRCUITO VIDA

O Circuito Vida (CV) é um conjunto de ações propostas como ferramentas para a


igreja com o intuito de motivar o crescimento espiritual às pessoas. Tais ações
fornecem a estrutura de ensino e ministração necessária para o desenvolvimento e
a maturidade cristã. Assim, o CV contribui na formação dos discípulos ao longo
de sua caminhada com Cristo, conduzindo-os para serem discipuladores, líderes
de célula e de ministérios, cumprindo cada um saudavelmente seu chamado
ministerial.

Portanto, o CV se propõe a oferecer ensino bíblico e ferramentas para a


transformação de vidas, de maneira criativa, contextualizada e eficaz. Cremos
que os elementos do CV promovem uma vida integral e saudável formando
uma espiritualidade sadia. Por isso, a expressão “Vida”, pois
o objetivo final é que todos tenham vida plena e abundante. Além disso,
acreditamos que aqueles que percorrerem o caminho de alcançar uma vida
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de intimidade com Deus através do Espírito Santo, continuarão crescendo nesta
intimidade ao conduzir pessoas pelo mesmo caminho que percorreu. Por isso, a
expressão “Circuito”.

Assim, cada pessoa de nossa comunidade é estimulada a cumprir o CV para: ser


ministrada conforme a visão de nossa igreja; aprender mais sobre o cha-mado de
Deus em nossa comunidade; avançar desde o estado de completo
descompromisso com Deus até o estado de compromisso de intimidade com
Deus; conhecer mais sobre a Bíblia e a fé cristã; servir melhor em sua atuação
pastoral ou ministerial; e conduzir pessoas pelo mesmo caminho de crescimento.
Para um líder de célula, estar nesse caminho é fundamental, pois o CV pode ser
muito útil no acompanhamento de seus discípulos.

Como abordado no capítulo anterior, os conteúdos para a formação es-piritual


de discípulos são fundamentais em seu processo de discipulado. Tal processo se
inicia para uma pessoa com sua decisão em ser cristão.
O novo cristão é tido biblicamente como um filho recém-nascido que inspira
cuidados para seu crescimento. A orientação divina a Israel foi muito enfática na
formação dos filhos: “Que todas as palavras que hoje lhe

92
ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Con-
verse sobre elas quando es iver sentado em casa, quando es iver andando pelo
caminho, quando se deitar e se levantar” Deuteronômio 6.6-7.

Decidir se tornar cristão implica numa nova vida para quem o faz. A igreja local
tem um papel fundamental no cuidado dos que passaram pelo novo nascimento.
Ela precisa investir no crescimento das pessoas através do ensino. De certo
modo, a igreja local está reeducando um povo. Segundo Lawrence Richards
(1983), a “comunidade cristã torna-se um todo dinâmi-co, transformador,
ajudador e educador mútuo”. A igreja deve, portanto, extrapolar o conceito
tradicional de educação, onde o objetivo é apenas a transferência de informações
entre o mestre e o aluno. Todo processo de formação espiritual precisa incluir
conteúdos atitudinais, conceituais, fac-tuais e procedimentais em todas as formas
de ensinar (RICHARDS, 1983).

A formação espiritual, numa igreja saudável que cresce, passa inexoravelmen-te


por um processo de discipulado abrangente. Esse discipulado é a base para a
difusão da visão da igreja, pois ao discipular corretamente um novo decidido ele
vai reproduzir com eficiência esta visão e se tornar apto a expandi-la.

© Editora Inspire
COMO DISCIPULAR PESSOAS

Antes de passar qualquer informação sobre cursos, retiros ou programas, o


discipulador deve sempre verificar em qual situação a pessoa está na igreja e qual
a sua necessidade imediata. Ela é um novo decidido? Já é membro? Está numa
célula? Em qual estado de compromisso ela se en-contra? Além disso, é
importante considerar o perfil da pessoa: sua idade e sua agenda no momento.
Quanto mais considerar essas questões, mais assertiva será a ação do
discipulador.

É vital que não se tenha pressa no discipulado. Como discipulador é importante


apresentar as possibilidades para o discípulo. Mas também é fundamental que o
ensine o valor da disciplina, da perseverança e da paciência. Em geral somos
movidos pela ação. Isso muitas vezes atrapa-lha o agir de Deus em nós através
da solitude e dos processos gradativos. Em qualquer momento é importante
sempre falar da célula, que é o local mais apropriado para ela receber cuidado e
orientação em sua caminha-da de relacionamento com Cristo.

93
Além disso, é preciso evitar o uso de siglas. Pessoas novas na igreja não
conhecem sua dinâmica e nem a sua linguagem. Não se pode focar no que ela
não fez ou em quanto tempo ela está sem participar de algo. É preciso ser
positivo: valorizar a decisão de hoje e o que ela pode aproveitar de agora em
diante. É ter sensibilidade ao que o Espírito Santo está fazendo na vida dela.

Um bom discipulador ou líder jamais deve estimular que a pessoa pule etapas.
Tudo tem seu tempo e seu pré-requisito. Em seu ritmo, o discípulo participará de
tudo e dará muitos frutos. Os pré-requisitos não são impe-dimentos, mas
direcionamentos dados pela liderança de nossa igreja para que ele se desenvolva
da maneira mais saudável e protegida possível. Tudo o que nossa liderança
planeja e desenvolve tem por objetivo disponibilizar o melhor de Deus para a
vida de todos que frequentam nossa igreja. Tudo é feito com muito amor, carinho
e cuidado.

ESTRUTURA DE APOIO AO DISCIPULADO

Todo o processo de discipulado precisa de uma estrutura de apoio. Promo-


ver cursos, retiros e ministrações específicas requer o devido planejamento
© Editora Inspire
e espaço físico. A seguir, apresentamos aquilo que Deus foi nos concedendo de
modo especial para viabilizar a visão.

Acampib

O Acampamento da PIB ou Acampib é um ambiente natural, familiar e un-gido


especificamente para nossas ministrações. Ele atualmente possui: um auditório
para 300 pessoas totalmente equipado com som e multimídia; uma piscina de
médio porte; uma sauna; um campo de futebol; refeitório para 200 pessoas;
cozinha industrial; churrasqueira; estacionamento e dormitório para 120 pessoas.
Além disso, possui um rio que passa dentro da propriedade permitindo algumas
atividades. Sua agenda é distribuída prioritariamente para os retiros ao longo do
ano, servindo também a con-fraternizações e encontros de grupos específicos.

94
Editora e Inspire Bookstore

O Ministério Propósitos Brasil, desde 2001 vem realizando treinamentos e


editando recursos dentro da perspectiva do movimento de vida e igreja com
propósitos. Com isso, sabemos que este ministério tem inspirado milhares de
líderes e igrejas em todo o nosso país.

A nossa Editora Inspire surge a partir deste contexto inspirando a mem-bresia,


líderes, pastores e igrejas locais para viver uma vida equilibrada e saudável. Isso
só é possível pelo fato de a editora estar no contexto e na vivência de uma igreja
local muito bem sucedida em sua missão e um mi-nistério interdenominacional
estratégico e visionário. Nossa meta é fazer uma conexão entre a realidade de
uma igreja local e as necessidades da
liderança e da membresia de outras igrejas, através dos recursos disponibi-lizados
em sua rede de livrarias (EDITORA, 2015).

Colégio Inspire

O Colégio Inspire é uma importante porta de comunicação com a socieda-


de. Através dele podemos©Editora apresentaro Evangelho Inspire jáatravés do
seu Projeto Político-Pedagógico fundamentado na Educação por Princípios Bíblicos. Seus
objetivos são: (i) oferecer formação acadêmica baseada na Educação por Prin-
cípios Bíblicos, promovendo o desenvolvimento cognitivo, emocional, físico,
social e espiritual; (ii) proporcionar formação ética e desenvolvimento da
autonomia intelectual e do pensamento crítico; (iii) prestar serviços educacio-nais
à comunidade, preparando os educandos para o exercício da cidadania e para o
papel que desempenham na sociedade; (iv) proporcionar ao educando a formação
necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades, com vistas à
autorrealização e ao prosseguimento nos estudos; e (v) propiciar um ambiente
educacional que possibilite o relacionamento cooperativo baseado no respeito
mútuo e na participação criadora (COLÉGIO, 2015).

Além disso, o Colégio expõe a mensagem redentora através de sua excelên-cia na


gestão, na condução de suas ações e na infraestrutura disponibiliza-da. Esta
infraestrutura é composta por 4000m2 de área construída; amplas e modernas
salas de aula equipadas com multimídia, lousa digital e ar-con-dicionado;
laboratório de informática; laboratório de ciências; refeitório para 100 pessoas e
complexo poliesportivo com campos e diversas quadras. Todo esse aparelho está
disponível para cursos e ações de ensino.

95
Áreas da igreja

A viabilização do Circuito Vida acontece também em função do envolvi-mento


de outros setores da igreja, como:
1. Compras: efetua todo o processo de aquisição de materiais em pratica-
mente todas as ações.
2. TI: fornece suporte computacional de computadores, impressoras,
sistemas e rede com acesso à Internet.
3. Infraestrutura: age na manutenção e produção de materiais físicos
requeridos em aulas e ministrações específicas.
4. Financeiro: viabiliza a organização dos recursos através de sua gestão, além
de recebimentos e pagamentos.
5. Editora: finaliza a produção de livros e apostilas.

6. Livrarias: atua na divulgação e venda de livros e apostilas.

7. RH: conduz a gestão de pessoas contratadas para agir diretamente em


ações relacionadas ao CV, como no IPE, na recepção dos retiros etc.
8. Jurídico: © Editora Inspire
auxilia principalmente na documentação de contratos e dá suporte
à gestão da igreja e suas empresas, como o Colégio, o IPE, a Editora etc.

9. Produtora: colabora na produção e edição de vídeos.

10.House: viabiliza as artes gráficas para divulgação.

11. Multimídia e Som: prepara equipamentos para uso em aulas e


ministrações.

Sistemas computacionais

Nas diferentes ações do discipulado, a estrutura computacional é funda-mental.


Destacamos aqui a estrutura computacional: computadores, rede e impressoras;
sistemas de gestão escolar e acadêmica; aplicativos de escritó-rio, como o
Microsoft Office e o Google Docs. Para tornar o processo mais abrangente e
assertivo, é necessário investir em sistemas computacionais que contribuam para
a produtividade dos gestores, colaboradores e voluntários.

96
Gestão, produção e voluntários

Toda a ação do Discipulado, inclusive no Circuito Vida demanda a forma-ção


de equipes de trabalho. É preciso ter pessoas envolvidas na gestão das ações
atuando na coordenação de cursos, na organização de turmas, na documentação
e no direcionamento dos colaboradores e voluntários.

Também é fundamental o desenvolvimento de textos e materiais de apoio para


que todo o processo se desenvolva. A criação de livros e apostilas com bom
conteúdo e correção doutrinária é um trabalho árduo e que exige pes-soas dotadas
de boa formação teológica com apurada capacidade de escrita e construção de
textos. Tais pessoas podem viabilizar a criação com o enca-minhamento para a
Editora Inspire que atua na finalização dos materiais.

Além disso, é possível formar um bom grupo com alguns funcionários chaves
com formação específica e um grupo motivado de voluntários inte-ressados que
acreditam na visão da igreja. Essas pessoas são fundamentais no processo, pois se
dispõem a colocar seus dons e habilidades de ensino a favor da educação do povo
de Deus.
Uma das ações da Base de Discipulado neste sentido é o de revitalizar o
© Editora Inspire
chamado ministerial dos mestres da igreja. Entendemos que eles são essen-ciais
para o desenvolvimento estruturado da igreja local protegendo-a das heresias,
como ensino relevante e de alta qualidade teológica e técnica.

ORGANIZAÇÃO DO CIRCUITO VIDA

Todas as ferramentas disponibilizadas no CV estão organizadas em função dos


Estados de Compromisso com Deus apresentados no capítulo anterior. Essas
ferramentas abrangem diferentes metodologias de aplicação de conte-údo,
considerando processos variados no processo de ensino-aprendizagem. Além do
formato de aulas e treinamentos, temos a abordagem dos retiros.

Os retiros espirituais são um instrumento maravilhoso dado pelo Senhor para o


cuidado, cura, libertação e maturidade de nossa comunidade local. Eles foram
desenvolvidos de forma natural ao longo do tempo, tiveram
o apoio de nossa liderança e a aceitação dos membros e frequentadores. Eles
acontecem em sua maioria no acampamento da igreja chamado Acampib,
apresentado acima.

97
Nossos retiros proporcionam uma pausa necessária para dedicar tempo a Deus, à
sua Palavra e ao crescimento no relacionamento com Ele. Eles são uma
oportunidade de ensino intensivo, sempre ligado à prática da vida cristã, levando a
um entendimento claro do que Deus espera de cada um de nós e a oportunidade
imediata de praticar o que Ele pede.

Nos retiros trazemos foco aos assuntos, criando ambiente temático e


ministrações relevantes; proporcionamos que a pessoa seja separada da
agitação de sua rotina e das atividades estressantes do seu cotidiano;
aplicamos uma metodologia de ensino voltada à vivência; e fornecemos
acompanhamento direto da equipe.

Todos os retiros e cursos são ministrados pelos pastores e ministros da igreja ou


voluntários sob a devida supervisão. Sendo assim, seguem as fer-ramentas
oferecidas no CV de formação espiritual, de acordo com o Estado de
Compromisso com Deus da pessoa.

Estado do ENCONTRO
1. Re iro Inspiração:
©éumEditoraretiro100%evangelísticoInspire.Oobjetivo
é alcan-çar os não-crentes através de um final de semana focado em gerar um
encontro com Deus. A proposta é apresentar Jesus às pessoas de maneira clara,
profunda e impactante com expectativa de salvação e integração ágil na igreja
por meio das células. Neste retiro abordamos temas como nosso relacionamento
com Deus versus religião. Mostra-mos que há uma separação entre o homem e
Deus através do pecado. Entretanto, apresentamos a graça de Deus e a
possibilidade de um retorno genuíno para Deus através do arrependimento, que
precisa-mos demonstrar, e do perdão que Deus nos concede através de Jesus.
Mostramos qual o significado de recebermos uma nova vida e perce-ber que
tudo se fez novo, esclarecendo sobre o Batismo. O retiro dá uma oportunidade
muito clara para se receber Jesus e ser batizado ao final, se assim o participante
desejar. Oferecido pela Base de Missões.

2. Programa de Prevenção às Drogas: atualmente este programa é composto


por ações como palestras e cursos, tanto para vulneráveis, quanto para
adictos e familiares de adictos. As palestras são oferecidas em escolas,
fundações e comunidades com conteúdo específico para

98
três faixas etárias: 08 a 13, 14 a 18 e acima de 18 anos. Há palestras pre-
ventivas, instrutivas ou voltadas para a restauração da pessoa. Além disso,
são oferecidas palestras voltadas para as famílias no que tange à
codependência. Dependendo da demanda, as palestras podem ser únicas ou
num contexto de ciclos, contemplando também a formação de monitores
(pessoas com mais de 18 anos) para lidar com um adicto em substância
psicoativa. A agenda dessas palestras depende das soli-citações, mas a igreja
mantém palestras fixas aos sábados, além de ofe-recer atendimentos
individuais. O programa pretende oferecer mais cursos voltados para uma
formação básica de como orientar, atender e mentorear um adicto e seu
familiar no assunto endêmico das drogas. Oferecido pela Faixa Etária de
Adultos.

3. Celebrando Recuperação: o Celebrando Recuperação (CR) é um progra-ma


de longo prazo que visa lidar com traumas, maus hábitos e vícios, todos
altamente prejudiciais à saúde espiritual e emocional do ser humano. No CR,
encontramos apoio e ajuda para vencer essas situações e para viver
plenamente a graça de Cristo. A visão do ministério é: “ver
todas as pessoas vivendo de forma saudável e equilibrada em seus rela-

©com
cionamentos:

EditoraDeus,consigomesmoInspireecomos outros”. Já a sua


mis-são é: sensibilizar e encorajar as pessoas para o crescimento espiritual e
emocional, oferecendo um ambiente seguro onde as mesmas possam
experimentar da graça curadora de Jesus, livrando-se assim de todos os tipos
de traumas, vícios e maus hábitos. Seus valores são: dependência de Deus,
autenticidade nos relacionamentos, responsabilidade pessoal, encorajamento
diário e autoavaliação continua. Ele acontece como um programa anual com
encontros semanais organizados em dois momentos: a celebração com a
palestra e a partilha em grupo de apoio temático. Nossa igreja tem vivido o
Celebrando Recuperação como esti-lo de vida. Essa ferramenta é usada por
Jesus para agregar valor à nossa vida e transformar nossas dores, feridas,
vícios, maus hábitos e pecados em ministérios, pois onde Jesus nos curou
podemos ser usados como canal da cura ao compartilharmos essa cura em
todos os nossos relacio-namentos. Por isso, a importância de todos passarem
por esse processo em suas vidas e serem, assim, agentes de multiplicação,
primeiro em si mesmo, depois em suas células, GDP, família e em todos os
relaciona-mentos. Oferecido pela Base de Discipulado.

99
4. Re iro Rendição: é um retiro para os que estão frequentando o Cele-brando
Recuperação, pois no caminho dos 12 passos, o quarto é: “Farei um
minucioso e destemido inventário moral de mim mesmo.” (Roma-nos 12.1).
Este inventário propicia um momento para que a pessoa rece-ba revelação do
Espírito Santo para perdoar, compreender e amar mais. É sua última olhada
para o passado para receber cura. O retiro nasceu em virtude de ser este passo
um momento crítico na vida dos que frequentam o CR, pois até então eles
recebem conteúdo e ministrações, sem movimentação dos participantes.
Como o inventário é um trampo-lim para uma completa recuperação e muitos
desistem ou pulam esta etapa, há uma notável diminuição nesta fase dos que
frequentam o CR. Neste retiro, temos ajuntamentos esclarecedores com
liberação para a escrita de sua história de vida, sempre incentivando,
cuidando e orando para que a pessoa sinta-se a vontade para escrever seu
inventário. Para participar é preciso ser, no mínimo, um frequentador da PIB
ou Igreja da Cidade, que esteja fazendo o CR. Oferecido pela Base de
Discipulado.

5. Curso de Gestantes: curso livre para fornecer conhecimentos práticos


para pais grávidos, além de ministração ao bebê. Duração de 7 encon-tros quinzenais
aos©domingosEditora.OferecidoInspirepelaFaixaEtária dos Adultos.
6. Conhecendo mais a Deus: curso livre para apresentar aspectos da vida
cristã para o suporte ao crescimento espiritual do participante. Dura-ção de
12 encontros semanais em diferentes dias da semana. Oferecido pela Base de
Discipulado e pelo Instituto Propósitos de Ensino (IPE).

Estado da CONVIVÊNCIA

1. Aconselhamento Cristão: curso livre para formação de conselhei-ros


cristãos no contexto da igreja. Duração de dois anos com aulas mensais
aos sábados. Oferecido pelo IPE em parceria com o Instituto Integração da
Família (INIF).
2. Aliança com Deus: curso livre que aborda princípios bíblicos para o
relacionamento conjugal a namorados ou noivos com vista ao casa-mento e a
casais casados que desejam investir em seu relacionamento. Duração de 10
encontros semanais aos domingos. É aberto para casais não evangélicos.
Oferecido pela Faixa Etária dos Adultos.

100
3. A Rede: é uma ferramenta para que os universitários cristãos possam levar o
Evangelho a seus colegas e professores de maneira contextu-alizada e
criativa. O intuito dos encontros nas faculdades é ajudar os universitários
cristãos a criar um ambiente propício para falarem dos seus valores e estilo
de vida, ou seja, de Cristo. Além disso, o objetivo de aRede é proporcionar a
criação de amizade verdadeira entre os estudantes através de testemunho
vivo. E também para instigar os não cristãos a questionarem sua percepção
de verdade e valor. Os univer-sitários de aRede se reúnem nas universidades
uma vez por semana, geralmente (mas não obrigatoriamente) no horário do
intervalo. Ofere-cido pela Faixa Etária da Juventude.

4. Casados para sempre: curso livre para casais aprimorarem conheci-


mentos sobre o relacionamento conjugal baseado em princípios bíbli-cos.
Duração de 14 encontros em dias e horários variados. Oferecido pela Faixa
Etária dos Adultos.

Estado do RELACIONAMENTO
© Editora Inspire
1. Retiro e Encontro Satisfação: baseia-se nas metáforas de João 15 e
ministra diretamente na identidade do que recebeu a salvação em Cristo
Jesus. Percebemos que há um pensamento norteando a maioria dos crentes,
de que é necessário um grande esforço para chegarem a algum lugar e para
crescerem. Entretanto, cremos que uma coisa só é preciso: estar conectados
à Videira para recebermos, regozijarmos e repartirmos. Este retiro foi
inspirado nos livros:
A vida que sa isfaz (MCCORD, 2008); Discipulado celes ial (WELLS,
2007), Problemas, oração e presença de Deus (WELLS, 2004) e Perdido no
Deserto (WELLS, 2008). Para participar a pessoa precisa ser, no mínimo, um
frequentador da PIB ou Igreja da Cidade. Oferecido pela Base do
Discipulado.

2. Conhecendo mais a Igreja: este curso é livre e visa apresentar a igreja e o


jeito de ser da PIB para aqueles que já são crentes oriundos de outra igreja. É
pré-requisito para a integração e membresia na PIB. Sua duração é de 13
encontros com aulas semanais em diferentes dias da semana. Oferecido pela
Base de Comunhão.

101
3. Conhecendo mais a Bíblia: este curso é livre e visa apresentar um re-sumo
do panorama bíblico com seus livros e personagens. Duração de 12
encontros semanais em diferentes dias da semana. Oferecido pela Base de
Discipulado e pelo IPE.
4. Conhecendo mais a Fé Cristã: curso livre com a missão de conduzir a
pessoa ao entendimento das doutrinas mais elementares da fé cristã, sob a
perspectiva de nossa igreja. Duração de 12 encontros semanais em
diferentes dias da semana. Oferecido pela Base de Discipulado e pelo IPE.

5. Re iro Feminina: este retiro reforça a ação do gênero em nossa


espiritualidade e, através de cura, resgatam a essência da mulher na
identidade espiritual. Oferecido pela Faixa Etária de Adultos.

6. Básico em Teologia: curso livre para formação intermediária em Teologia.


Duração de um ano com aulas dois dias na semana. Ofere-cido pelo IPE.

7. Básico em Missões: curso livre para formação intermediária em Missões.


Duração de um ano com aulas dois dias na semana. Oferecido
© Editora InspirepeloIPE.
8. Águas que marcam: curso livre para instruir o participante a respeito dos
assuntos bíblicos relacionados ao Batismo. Sua duração é de duas horas e
ele acontece semanalmente em dias variados na semana. Ofe-recido pela
Base de Comunhão.
9. FORMA: ajuda o participante a descobrir o seu próprio ministério e con-
tribuir no Reino de Deus com seus dons, suas habilidades e suas aptidões. O
curso tem duração de 2 horas e acontece em todo 2º domingo do mês.

Estado da DOAÇÃO

1. Káris: curso livre para formação de ministradores na área de cura e


libertação no contexto da igreja. Sua duração é de um ano e suas aulas são
oferecidas aos domingos quinzenalmente. É necessário ser indi-cado por um
pastor ou pelos líderes dos ministérios CR, Intercessão, Libertação ou Retiro
Restauração.

102
2. Re iro Restauração: tem como objetivo levar as pessoas a uma auto
avaliação perante Deus, trazendo à mente o passado que ainda é presente. A
pessoa é levada a conhecer a verdade em Cristo, confiar e acreditar no
sacrifício de Jesus de modo que, tanto as pequenas, quan-to as maiores
situações em sua vida, estão sob o olhar atento do Se-nhor Jesus. Ao
reconhecermos tudo isso perante Deus, reconhecemos e identificamos
pontos relevantes em nossas vidas que precisam ser tratados como: quebra
de alianças passadas, confissão de pecados que ainda fazem parte de nossas
vidas e reconquista de relacionamentos perdidos. É um retiro de cura interior
e libertação no qual abordamos como temas: arrependimento, orgulho,
perdão, vida financeira, pater-nidade, submissão, contaminação espiritual,
pecados escravizadores, herança geracional, Espírito Santo, e restauração de
sonhos. Para participar, a pessoa precisa ser um membro há mais de 6 meses
da PIB ou Igreja da Cidade e ter feito o Retiro Satisfação. Além disso,
precisa estar em uma célula. Organizado pela Base de Discipulado.

3. Re iro Homens de Honra: este retiro reforça a ação do gênero em nos-


sa espiritualidade e, através de cura, resgatam a essência do homem na
identidade © espiritualEditora .Temcomo Inspire pré-requisito
o Retiro Restauração. Oferecido pela Faixa Etária de Adultos.
4. Liderança de Célula: curso livre para formação de líderes de célula no
contexto da igreja. O curso tem duração de 14 semanas e as aulas são
semanais. Oferecido pela Base de Discipulado e pelo IPE.
5. Formação em Teologia: curso livre em formato de graduação em
Teologia. Duração de três anos com aulas semanais durante toda a
semana. Oferecido pelo IPE.

Estado da INTIMIDADE

Este estado é marcado pelo desenvolvimento de hábitos espirituais natu-rais. Por


isso, são valorizados ambientes de solitude, contemplação, ado-ração, leitura da
Palavra, reflexão teológica, confissão e oração, os quais só são possíveis depois
de uma caminhada longa e processual. Nesta caminhada, cremos que é o próprio
Espírito Santo quem forja e cuida de nós, possibilitando um nível de intimidade
profundo com Deus. Quando

103
chegamos a este nível somos Guiados Pelo Senhor (GPS) em nosso pleno
potencial para com Ele. Esta interação com o Espírito Santo acontece também nos
outros estados, durante toda a vida do cristão. No estado de intimidade isso é
plenamente natural. Neste ponto cada membro é incentivado a fazer os
devocionais da igreja, a participar das Madrugadas de Oração, das vigílias, das 24
Horas de Adoração etc.

© Editora Inspire

104
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. O que é o Circuito Vida?

2. O que precisamos considerar como relevante na decisão de discipular


alguém?

3. Cite os elementos que fornecem estrutura de apoio ao discipulado.

4. Revise as ações do Circuito Vida em cada Estado de Compromisso com


Deus.

© Editora Inspire

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BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000.

MCCORD, C. A vida que sa isfaz. São José dos Campos: Propósitos Treina-
mentos e Recursos, 2008.
RICHARDS, L.O. Teologia da Educação Cristã. 2ª edição. São Paulo: Vida
Nova, 1983.

WELLS, M. Perdido no deserto. 4ª ed. Santo Amaro: Abba Press, 2008.


WELLS, M. Discipulado celes ial. Santo Amaro: Abba Press, 2007.

WELLS, M. Problemas, presença de Deus e oração. 3ª ed. Santo Amaro:


Abba Press, 2007.

LEITURA OBRIGATÓRIA

RICHARDS, L.O. Teologia da Educação Cristã. 2ª edição. São Paulo: Vida


Nova, 1983.

WEBGRAFIA

COLÉGIO. Disponível em: http://colegioinspire.com.br/. Acessado em:


abr/2015.

EDITORA. Disponível em: http://www.lojainspire.com.br/. Acessado em:


abr/2015.

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© Editora Inspire

107
7. DISCIPLINA E
CUIDADO PASTORAL
A Igreja existe por causa do perdão dos pecados, que oferece ao ser huma-no
uma nova chance de se achegar a Deus. Entretanto, algumas pessoas se
esquecem desta prioridade, transformando o seguir a Jesus num fardo de culpa e
de religiosidade. São pessoas que preferem viver atualizando listas e mais listas
de pecados, sendo que o mais importante é o valor incalculá-vel do ser humano,
reflexo do sangue do Autor da vida.

É o amor infinito de Deus que cria condições de comunhão entre o homem e Seu
Espírito que é Santo. Por isso, viver com Deus exige santidade. A san-tidade é a
bússola da Igreja para seguir a Jesus. O próprio Deus nos orienta quanto a isso:
“Pois eu sou o SENHOR, o Deus de vocês; consagrem-se e sejam santos, porque
eu sou santo” Levítico 11.44a.
A Palavra de Deus descreve a Igreja como noiva. Nunca vimos uma noiva desarrumada

ou suja no©diaEditoradoseucasamentoInspire.Nestedia,ela deve estar


adornada e enfeitada. Como líderes da Igreja, somos responsáveis pela
beleza dessa noiva. Torná-la desejável faz parte do processo de apressar a vinda
do Noivo. As bodas do Cordeiro dependem do avanço do Reino e do aprontar da
noiva. Talvez por isso, exista mesmo a sensação de um “atraso” nesse casamento:
a noiva ainda não está devidamente pronta. Mas uma coisa pode ser afirmada: o
Noivo está pronto. Precisamos, portanto, apron-tar a noiva. Afinal, como o
Espírito Santo mora nessa casa, temos tudo que precisamos para enfeitá-la através
dos mandamentos do Senhor: “Os teus mandamentos permanecem firmes e fiéis;
a san idade, SENHOR, é o ornamento perpétuo da tua casa” Salmo 93.5.

Assim, como líderes, todos devemos viver em santidade exemplarmente, como


se não houvesse outra opção. Daremos conta da espiritualidade de nossos
discípulos a Deus. O Jesus que apresentamos é o modelo a ser segui-do. O
apóstolo Paulo advertiu assim a seu discípulo Timóteo:

“Continue a lembrar essas coisas a todos, advertindo-os solenemente


diante de Deus, para que não se envolvam em discussões acerca de

108
palavras; isso não traz proveito, e serve apenas para perverter os ou-vintes.
Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que
se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da
verdade.Eviteasconversasinúteiseprofanas,poisosquesedãoaisso
prosseguem cada vez mais para a impiedade” 2 Timóteo 2.14-16.

Nesse processo de santificação da Igreja, a disciplina se faz necessária. Indicar o


caminho para aqueles que estão numa nova vida com Cristo, às vezes implica
em disciplina. Isso reflete amor e zelo pelos filhos: “Pois o Senhor disciplina a
quem ama, e cas iga todo aquele a quem aceita como filho”
Hebreus 12.6. Conforme Oswaldo Carreiro (2015),

“Através da Sua Palavra, o Senhor já concedeu, aos seus filhos e Igreja,


instruções claras quanto à disciplina. Muito antes de nós pensarmos na
disciplina eclesiástica, Deus já planejou tudo para o crescimento sadio da
Sua Igreja. Cabe a nós aplicarmos o que Ele já estabeleceu. Ao
escreveraoscoríntios,Pauloutilizouafigura‘bebêsemCristo’paraca-
racterizaroscoríntiosimaturos(1Coríntios3.1),porquenãomanifesta-
ram sinais da sua filiação divina, mas sim, humana e carnal. Através
© Editora Inspire
do ensino bíblico, o cristão é encorajado a pensar e agir de forma a
imitaroseuSenhor,evitandooserrosdeignorânciaenegligência.‘En-
sinar’,‘exortar’,‘educar’,‘admoestar’,‘repreender’,‘corrigir’,sãotermos
encontradosnoNovoTestamentoparaadisciplinaeclesiástica.Afalta da
disciplina ‘positiva’, através do ‘ensino’, contribui para problemas mais
graves, e, consequentemente, leva à disciplina ‘negativa’, ou seja,
o afastamento da comunhão até que o pecador se arrependa.”

PROPÓSITOS DA DISCIPLINA

Oswaldo Carreiro (2015) sistematizou bem a finalidade da disciplina. Ele


expõe biblicamente que o objetivo principal da disciplina não é afastar o
ofensor da igreja, mas, sim, de recuperá-lo. É a Igreja quem possui a
responsabilidade de proferir o perdão ou o juízo aos que insistirem no
pecado, conforme Mateus 18.15-17. Sendo assim, os propósitos da disciplina
expostos na Bíblia, são (CARREIRO, 2015):

109
1. Glorificar a Deus: Mateus 18.15-19, Romanos 16.17, 1 Coríntios 5, 1 Tes-
salonicenses 5.14, 1 Timóteo 5.20, Tito 1.13; 3.10 e Apocalipse 2.14, 20.
2. Recuperar o ofensor: Mateus 18 e 2 Tessalonicenses 3.15.

3. Manter a pureza e a consagração da Ceia: 1 Coríntios 5.6-8; 11.27.

4. Exigir a integridade e a honra de Cristo e da Sua Palavra: 2 Coríntios


2.9, 17.
5. Impedir que Deus se volte contra a Igreja: Apocalipse 2.14-25; 3.3.

6. Impedir que outros caiam em pecado: 1 Timóteo 5.20.

Russel Shedd (1983) enfatiza o amor como elemento principal na execução da


disciplina na igreja. Antes, a exortação deve ser à base de compreensão, afeto e
carinho. Para compreender essa ação tão importante na igreja, Shedd destaca
expressões bíblicas relacionadas à disciplina. Tais expressões apon-tam o sentido
da disciplina, além de sua intensidade. Eis algumas delas:
1. Ensino (didaskalia e didachē): o ensino é fundamental ao discipulado.
Aquele que recebe a devida instrução evita o pecado e a desobediência. Em todo

o Novo Testamento ©EditoraháumdestaqueInspireespecial


para o ensino das verdades de Deus. Jesus investiu muitas horas no ensino aos
seus discípulos, já que eles precisavam interiorizar as verdades de Seu ensino,
além de serem preparados para liderarem a Igreja. Percebemos essa dedicação
também em Paulo. Havia nele um anseio em apresentar toda a verdade de Deus.
A disciplina só faz sentido numa comunidade que recebeu o bom ensino dos
desígnios de Deus.

2. Exortação (paraklesis): expressão relacionada à função do Espírito Santo.


Muito ligada ao lembrar ou conduzir a pessoa o caminho de vida em
santidade. É “exercer influência sobre a vontade e as decisões de outrem
com o intuito de encorajá-lo a observar certas instruções. A exortação
sempre pressupõe algum conhecimento prévio” (BROWN, 2000). Portanto,
exortar é uma tarefa do próprio Espírito Santo, mas não somente Dele. As
cartas paulinas demonstram Paulo exortando seus discípulos, como em
Romanos 12.1, Gálatas 1.7-9, Efésios 4.1, 1 Coríntios 4.21, 2 Coríntios
13.10 e Filipenses 3.3-9.
3. Educação (paideia): esta expressão denota para uma compreensão
abrangente da disciplina do Novo Testamento. Está relacionada com a

110
correção aplicada aos filhos pelo pai que ama e pressupõe a possibili-dade do
castigo. É uma expressão comum no texto de Hebreus 12.4-11 que aborda o
método educacional de Deus com o seu povo. Tal método quase sempre gera
tristeza (Hebreus 12.11), pois reflete uma mudança de curso. Aquele que está
sendo educado por Deus precisa ter uma atitude de reverência e temor
(Hebreus 12.5). Toda disciplina comporta um processo educativo, onde Deus
é o único capaz de executar, apli-cando o devido castigo ou correção para
aquele que resistem uma vida de completa rendição e santidade.

4. Admoestação ou Advertência (nouthēsia): enquanto a exortação tem um


sentido de encorajamento a fazer o que é certo, a admoestação é mais
aplicada como uma advertência a um perigo iminente. Admoes-tar é mais
intenso que exortar. É quando o pai deixa explícito o desejo de que o filho
amadureça (1 Coríntios 4.14-16). Disciplinar neste senti-do, não é só aplicar
a vara como na educação, mas advertir quanto aos perigos e às
consequências de andar longe do devido ensino, sendo a principal delas, a
possível não comunhão com a Igreja.
5. Repreensão e convicção (elegxix, elegchos, elegmos): a convicção e a re-
© Editora Inspire
preensão fazem parte do processo de disciplina na Igreja. O próprio Es-pírito
Santo age nessa tarefa. Essa ação profunda de Deus no pecador é o que
determina o sucesso da disciplina, pois é o Espírito Santo quem convence o
pecador do pecado, da justiça e do juízo. Há três aspectos envolvidos aqui: (i)
o convencimento do pecado, individualmente, em grupo ou diretamente pela
igreja local (Mateus 18.15-17), considerando a possibilidade de desligamento
(Mateus 18.18) pela falta de humildade e arrependimento; (ii) a
responsabilidade da igreja em convencer os pecadores de seus erros (2
Timóteo 4.2 e Tito 1.12, 13). O próprio Pedro foi repreendido por Jesus
(Marcos 8.31-33) e por Paulo (Gálatas 2.11, 14) quando agiu de maneira
errada propiciando o surgimento de heresias; e (iii) a ação da igreja em
repreender a iniquidade no mundo (Efésios 5.11). O cristão deve reprovar as
obras infrutíferas das trevas.

Como ensina Russel Shedd (1983), “a igreja local tem a responsabilidade de


manter a disciplina, excluindo quem recusa admitir que pecou e rejeita o único
caminho para a restauração pela confissão e arrependimento”.

111
SITUAÇÕES QUE EXIGEM DISCIPLINA

Somos uma igreja bíblica. Isso significa que o padrão de conduta deve estar
baseado nas Escrituras. A disciplina se aplica quando há a quebra dos padrões
bíblicos na comunidade. A igreja local exerce o papel de promover a devida
correção a partir da verdade e da instrução bíblicas.

A disciplina torna-se necessária nos seguintes casos:


1. Quando o amor cristão for violado por ofensas: Mateus 18.15-18.

2. Quando a unidade cristã for violada por aqueles que formam facções e
dividem a igreja local: 1 Coríntios 1.10-17, Romanos 16.17, 18 e Tito 3.10.
3. Quando a lei cristã for violada por aqueles que vivem escandalosa-
mente: Tito 1.16, Mateus 15.19, 20, Romanos 13.8-14, Efésios 4.25-28, 2
Timóteo 3.2-5 e 1 Tessalonicenses 4.1-10.
4. Quando a verdade cristã for violada por aqueles que negam as dou-
trinas essenciais da fé: 1 Timóteo 1.19-20; 6.3-5, 2 João 7-11, 1 João 1.8;
3.14-17; 2.22; 4.2 e 5.5-8.

©
5. Quando o nome de Cristo Editora forblasfemado Inspireporaqueles
que “naufra-garam na fé”: 1 Timóteo 1.19-20.

Em todos os casos acima, podemos observar que a causa de medidas disciplinares


mais severas será sempre a ausência de arrependimento. Considerando a
perspectiva do cuidado, quem lidera precisa eventualmen-te disciplinar o que se
encontra sob sua responsabilidade. Como pastores e líderes, precisamos agir
sempre como uma ovelha que ensina outro a ser ovelha. A disciplina não pode ter
como foco machucar as ovelhas. São os lobos que querem machucá-las.

Quando Jesus ensina Seus discípulos a orar em Mateus 6, primeiro Ele explica o
que não é oração, este mesmo método pode ser usado aqui para explicar a ideia
bíblica de disciplina: não podemos confundir disciplina com punição, ou
vingança. A punição pressupõe infligir penalidade; a vingança, fazer sofrer
aquele que fez sofrer. Já a disciplina envolve a pro-moção do crescimento e a
compaixão no cuidado. É corrigir se colocando no lugar daquele que errou e
necessita de correção. O resultado da boa disciplina traz segurança para o ofensor
arrependido e para a comunidade que aprende pelo exemplo.

112
PROCESSO DE DISCIPLINA NA IGREJA

Disciplina sem processo vira punição. É preciso estabelecer, caso a caso, um


processo de disciplina quando o pecado fica evidenciado em uma ovelha. A base
para este processo é o ensino do próprio Jesus:

“Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro.
Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Mas, se ele não o ouvir,
leveconsigomaisumoudoisoutros,demodoque‘qualqueracusação
sejaconfirmadapelodepoimentodeduasoutrêstestemunhas’.Seele se
recusar a ouvi-los, conte à igreja; e, se ele se recusar a ouvir tam-
bém a igreja, trate-o como pagão ou publicano” Mateus 18.15-17.

Por vezes, antes de qualquer contato ou confrontação, o irmão já é tratado como


inimigo da igreja e de Deus, ou as pessoas começam a falar do assun-to para toda
a igreja menos para a pessoa. Entretanto, a orientação é muito clara no texto
bíblico acima. Ela precisa ser seguida com a devida contextu-alização, aplicando-
se diretamente à realidade de nossa igreja.
Dessa forma, existem pecados que serão tratados apenas no âmbito da célula com mera
ciência ©EditoradocoordenadorInspire.Jáoutros,serão levados adiante
dentro de nossa rede de cuidado e responsabilidade. Alguns passos devem ser
considerados neste processo: confissão, confrontação, tratamento, re-paração e
reconciliação. Todo o processo de disciplina deve levar em conta sempre o tempo
de vida cristã da pessoa, a publicidade do pecado cometido e os danos e as
pessoas envolvidas.

Precisamos entender que Deus trata cada indivíduo de forma pessoal e específica.
Não há um regimento interno para o comportamento dos mem-bros da PIB. Este
material pretende auxiliar o líder no trato com pessoas
e seus pecados numa perspectiva bíblica, alinhada com a visão da igreja,
considerando algumas experiências anteriores e suas consequências em nossa
comunidade.

A Palavra de Deus enfatiza o zelo com Deus e com a Igreja, além do cuida-do
com o ofensor como motivações para a disciplina. A forma como Paulo trata a
imoralidade da igreja de Corinto demonstra para nós um princípio importante: o
pecado deve gerar em nós indignação e certa tristeza, mas não devemos tolerá-lo,
sem causar injustiças ou exageros:

113
“Portodaparteseouvequeháimoralidadeentrevocês,imoralidade que não
ocorre nem entre os pagãos, a ponto de um de vocês possuir a mulher
de seu pai. (...) O orgulho de vocês não é bom. Vocês não sabem que
um pouco de fermento faz toda a massa ficar fermenta-da? (...) Já lhes
disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais.
Com isso não me refiro aos imorais deste mundo nem aos avarentos,
aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair
deste mundo. Mas agora estou escrevendo quenãodevemassociar-
secomqualquerque,dizendo-seirmão,seja imoral, avarento, idólatra,
caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com
tais pessoas vocês nem devem comer.” 1 Coríntios 5.1, 6, 9-11.

Segundo o texto bíblico acima, é preciso considerar as pessoas da comu-nidade


muito mais valiosas do que seus comportamentos, como Cristo fez. Servimos a
um Deus que lança mão de processos. Seguimos um Jesus que se define como
Caminho. Só existe um jeito de andar num caminho: um passo de cada vez. O
equilíbrio não se confunde com apatia ou covar-dia, conforme 2 Timóteo 1.7:
“Pois Deus não nos deu espírito de covardia,
mas de poder, de amor e de equilíbrio”. Provérbios 14.29 declara: “O homem

© Editora Inspire
paciente dá prova de grande entendimento”.

Para respeitar essa ideia, cada situação deve ser observada atentamente com o
máximo de informação possível. Cada pessoa deve ser ouvida, pois toda
história tem mais de um lado. Então, ao saber de um fato que exija disciplina é
preciso atentar para algumas considerações importantes:

1. Levante todas as informações possíveis e ouça todos os lados.

2. Diga a quem veio contar a situação, que precisará eventualmente levar o


caso ao conhecimento de líderes e do ofensor. Será preciso abordar quem
trouxe a informação e como ela chegou a você. Quem trouxe a in-formação
precisará sustentar o que disse diante de quem for necessário.

3. Chame as partes para conversar, separadamente e depois juntas.

4. Dependendo das complicações, diga que terão outra conversa e então


chame seu coordenador. Dependendo da gravidade será necessário chamar
em outras instâncias, como seu supervisor até o pastor de rede.

5. Considere que cada caso é um caso. Não generalize procedimentos.

114
6. Depois de um consenso, estabeleça um processo de recuperação e alguém
para acompanhar. A pessoa deve ser afastada de todas as suas atividades
ministeriais para focar na recuperação. Exemplo: participar do CR, fazer um
retiro específico, ir a um culto específico etc.

7. Em alguns casos será necessário a pessoa confessar na célula, ou em outro


ambiente com grupo pequeno e diretamente ligado ao fato.

8. Os familiares próximos precisam ser avisados. No caso de menores de idade


isso é fundamental.

9. Se houver necessidade de reparação financeira, é necessário levantar a dívida


e como será paga.

10. Se o problema envolver questões jurídicas, é preciso considerar o en-


volvimento de profissionais do Direito, envolvendo os devidos órgãos
específicos responsáveis por processos peculiares.

11. Toda disciplina tem prazo para acabar e posturas a serem avaliadas
posteriormente.
12. Uma vez terminada a disciplina, a pessoa é reintroduzida às ativi-dades
normais, © Editora
mas duranteumtempo Inspire éacompanhada
de perto e precisará prestar contas de suas atividades e funções.

Negligenciar a disciplina bíblica significa correr o risco de permitir que a igreja


tenha brechas e sofra. Como crentes devemos nos disciplinar a nós mesmos (1
Coríntios 9.24-27) e, como igreja, temos o dever de seguir a ordem bíblica:
“Tudo deve ser feito com decância e ordem” 1 Coríntios 14.40. O alvo da igreja
é buscar todos os meios e medidas pelas quais possa crescer em santificação. É
procurar ter seus membros cada vez mais parecidos com Cristo em toda a sua
maneira de viver, a fim de ganhar muitos para Jesus, apressar sua volta e honrar a
cruz de Cristo em todos os sentidos.

115
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Qual a importância da disciplina para a Igreja? Dica: reflita na ideia de que


a Igreja é a noiva de Cristo.

2. Quais são os propósitos da disciplina? Use textos bíblicos para o devi-do


embasamento.

3. Aborde as expressões bíblicas relacionadas com a disciplina aborda-das por


Russel Shedd e explicitadas acima.

4. Quais são as situações que exigem a disciplina?

5. Cite considerações importantes no processo de disciplina.

© Editora Inspire

116
BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000.

BROWN, C. O Novo Dicionário de Teologia do Novo Testamento. São


Paulo: Vida Nova, 2000.
SHEDD, R.P. Disciplina na igreja. São Paulo: Vida Nova, 1983.

LEITURA OBRIGATÓRIA

SHEDD, R.P. Disciplina na igreja. São Paulo: Vida Nova, 1983.

© Editora Inspire

WEBGRAFIA

CARREIRO, O. Disponível em: http://www.ibcu.org.br/escolabiblica/Esco-


la%20B%EDblica%20-%20Recursos%20Dispon%EDveis/Doutrinas_Eclesio-
logia-Igreja%20Hoje/20101226/Eclesiologia-aula5.pdf.
Acessado em: abr/2015.

117
8. PRINCÍPIOS DE
ACONSELHAMENTO
O conselheiro cristão procura levar pessoas a um relacionamento pessoal com
Jesus Cristo, ajudando-as, assim, a encontrar perdão e a se livrar dos efeitos
incapacitantes do pecado e da culpa. Como lemos em Colossenses 3.16a: “Habite
ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem--se uns aos
outros com toda a sabedoria”. O objetivo final do cristão é ajudar outros a se
tornarem discípulos de Cristo e a discipular outras pessoas.
Assim, no ambiente de célula, temos a oportunidade de usar essa ferra-menta para
que aqueles a quem Deus ama cresçam no conhecimento de Cristo, sigam Seus
passos e orientações e vivam a vida plena por Ele pro-metida. Como lemos em 1
Tessalonicenses 3.12: “Que o Senhor faça crescer e transbordar o amor que
vocês têm uns para com os outros e para com todos, a exemplo do nosso amor
por vocês”.
O conselheiro procura estimular o crescimento espiritual do aconselhando
© Editora Inspire
e encorajar a confissão dos pecados para recebimento do perdão divino. Além
disso, ajuda a moldar padrões, atitudes, valores e estilo de vida cristãos. Apresenta
a mensagem do Evangelho, encoraja o aconselhando a entregar sua vida a Jesus se
ainda não o fez e estimula-o a desenvolver va-lores e padrões de conduta
baseados nos ensinos da Bíblia, em vez de viver de acordo com os modos,
maneiras e cultura humanas. Ele faz tudo isso em um ambiente seguro,
assegurando-se de que nunca quebrará o sigilo das conversas que manteve com
seus discípulos, a não ser em casos excepcio-nais em que isso é necessário, e
sempre com a ciência do aconselhando, assim sempre merecendo a confiança dos
seus líderes e de seus liderados, como convém aos que servem ao Senhor.

O ACONSELHAMENTO CRISTÃO NA CÉLULA

A célula é o ambiente propício para que a ferramenta do aconselhamento seja


usada para a formação de discípulos de Cristo. Este é o lugar onde as dúvidas,
os anseios, as circunstâncias do dia a dia são vistas e vividas de perto. É o
ambiente de um pastoreio próximo e contínuo. Para isso, temos

118
que nos lembrar de um princípio: o maior objetivo de um aconselhamento na
célula é guiar o outro a fazer o que Jesus faria em cada situação.

Certamente, Jesus é o melhor modelo que temos, pois Ele é o nosso “mara-vilhoso
conselheiro” Isaías 9.6. Dependendo da situação, das características da pessoa
aconselhada e da natureza do problema, Jesus usava maneiras diferenciadas de
abordagem. Às vezes, Ele simplesmente ouvia com aten-ção, sem dar nenhuma
orientação direta. Em outras ocasiões, ensinava com palavras claras e firmes.
Jesus animava e amparava, mas também questionava e contestava. Acolhia os
pecadores e necessitados, mas tam-bém requeria deles arrependimento, obediência
e ação.

O que torna o aconselhamento cristão realmente único é justamente a in-fluência


e a presença do Espírito Santo. É Ele quem capacita o conselheiro, dando-lhe as
características que o tornam mais eficiente no desempenho de sua tarefa: amor,
paz, longaminidade, benigdade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio
(Gálatas 5.22-23).

O aconselhamento bíblico está fundamentado sobre o seguinte princípio:


Deus tem-nos falado por meio das Escrituras. Nela, Ele tem nos revelado tudo

quanto precisamos ©Editora sabersobreEle,


sobre o mundo ao nosso redor (2 Pedro 1.3).
Inspirenósmesmos e

Considerando o quanto Deus revelou acerca da Sua pessoa e de nós mesmos,


vemos que o conselho oferecido pelas Escrituras é amplo em seu alcance, ao
tratar não apenas o conjunto dos problemas da vida, mas também dos problemas
típicos da atualidade como depressão, ansiedade, amargura, vícios e assim por
diante. Saber que a Palavra de Deus não si-lencia a respeito de qualquer desafio
com o qual podemos nos deparar é de grande conforto para nós (2 Timóteo 3.16-
17). Por isso devemos conhecê-la profundamente e estudá-la com afinco, estando
prontos para usá-la com segurança e propriedade sempre que for necessário.

O aconselhamento bíblico leva em conta que todos os aspectos da vida são


vividos diante de Deus e procura lidar com esta característica central da nossa
vida. Ele é completo somente quando considera nosso relacionamen-to com Deus
e nos dirige a Ele e a tudo que Ele ensina e mostra.

119
PSICOLOGIA À LUZ DA BÍBLIA

Temos grande influência secular no aconselhamento. No Brasil, ele é realizado


principalmente nas salas de psicologia. A palavra “psicologia” significa,
literalmente, “o estudo da alma”. Antes de Sigmund Freud, o pai da psicologia
moderna, o estudo da alma era tido como uma disciplina espiritual. Estava
inerentemente ligado à vivencia espiritual. A principal contribuição (negativa) de
Freud foi definir a alma humana e o estudo do comportamento humano em
termos absolutamente seculares. Ele separou completamente a antropologia da
esfera espiritual e, por conseguinte, abriu espaço para teorias ateístas, humanistas
e racionalistas acerca do comportamento humano, que hoje permeiam nossa
cultura e afastam o homem Daquele que melhor o entende: o seu Criador.

Assim, mais do que qualquer coisa, precisamos da ajuda do Alto, em todo o


tempo. É claro, o Senhor usa profissionais psicólogos e psiquiatras para ajudar
os que Ele ama também, mas sempre vamos colocar os conselhos à luz da Bíblia
e segui-los, apenas, se forem condizentes com ela.

O CONSELHEIRO © Editora Inspire


Com tudo isto em mente, podemos resumir como alguns dos requisitos
básicos para o conselheiro bíblico:

1. Ter um relacionamento pessoal com Cristo (Efésios 2.8-9; 2 Timóteo 1.8-


9).

2. Estudar regularmente as Escrituras (Salmo 119.11).

3. Ter uma vida firme de oração (1 Tessalonicenses 5.17; Colossenses 4.2;


Lucas 6.12; Mateus 6.5-9).

4. Estar comprometido com a igreja local (Filipenses 1.1).

5. Possuir uma teologia sadia e biblicamente correta (1 Timóteo 4.16).

6. Possuir um caráter aprovado (2 Timóteo 2.15).

7. Estabelecer como alvo de vida a semelhança com Cristo (Romanos


8.28).

8. Cultivar uma atitude de servo (Marcos 10.42-45)

120
Durante o aconselhamento, o conselheiro deve sempre:

1. Orar.

2. Sempre citar a Palavra de Deus para basear toda a conversa.

3. Confrontar gentilmente com os princípios bíblicos.

4. Encorajar o aconselhado a se envolver nas atividades da igreja, como


Circuito Vida, seus cursos e retiros e o Celebrando Recuperação, bem
como as celebrações e todas as atividades da célula.

PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA O ACONSELHAMENTO

Existem algumas características essenciais às conversas para aconse-lhamento.


Vamos abordar algumas das mais importantes. Em primeiro lugar, precisamos de
empatia para toda a nossa ação enquanto acon-selhamos e não apenas simpatia.
Essa palavra deriva da palavra grega empatheia, que significa “sentir em” ou
“sentir com”. No aconselhamento, o ajudador eficaz procura ver e entender o
problema do ponto de vista do

© Editora
ajudando. “Por que está tãoperturbado?”Inspire poderíamos perguntar.
“Como ele vê a situação?”. “Se eu fosse ele, como me sentiria?”. A empatia procu-
ra se colocar no lugar do outro, ver de seu ponto de vista, para daquele ponto
poder levá-lo para o que Cristo ensina.

O calor humano é quase um sinônimo de importar-se com alguém e é


extremamente necessário em situações de aconselhamento. É uma amabi-lidade e
consideração que se revelam na expressão do rosto, no tom da voz, nos gestos, na
postura, no contato com os olhos e qualquer outro compor-tamento não verbal tal
como cuidar do conforto do ajudando. O calor diz: “importo-me com você”. Aqui,
como em tantos aspectos do comportamento humano, as ações falam mais alto do
que as palavras. O ajudador, que realmente se importa com as pessoas, não
precisará anunciar verbalmente sua solicitude, todos poderão percebê-la.

Outro ponto necessário é a autenticidade. Ela significa que as palavras do


ajudador são consistentes com as suas ações; ele pode dizer: “faça o que eu faço
e não apenas o que digo”. Procure ser honesto com o auxiliado e evite qualquer
declaração ou comportamento que possa ser considerado falso ou insincero.
Seja sempre autêntico. Cabe aqui lembrar que, muitas

121
vezes, os conselheiros impõem sobre si mesmos um fardo, o de acreditar que
devem ser perfeitos, saber sempre o que dizer e o que fazer, nunca cometer erros e
ter sempre o conhecimento e a habilidade necessários para resolver qualquer
problema. Conselheiros deste tipo têm dificuldade de admitir suas próprias
fraquezas e falta de conhecimento em algum assunto ou questão. Eles ficam tão
ansiosos de serem bem sucedidos que se tornam artificiais, distantes e até
pretensiosos. Fuja disso.

Nos momentos de aconselhamento, precisamos optar pela cautela, e evitar toda e


qualquer precipitação. Devemos ouvir muito antes de falar qualquer coisa.
Precisamos fazer perguntas e procurar entender bem o que está acontecendo. Não
podemos, de maneira alguma, ser rápidos em julgar uma situação! Não podemos,
nunca, “dar vereditos” sem saber todas as implica-ções envolvidas na situação.
Sempre use de muita cautela. Alguns con-selheiros rotulam as pessoas com muita
rapidez (por ex. “cristão carnal”, “solteirão despreocupado”, ou “um tipo
fleumático”) e depois despacham os indivíduos com avaliações precipitadas, uma
rápida confrontação ou um conselho inflexível. Ninguém gosta de ser tratado com
tanto desrespeito.
A cautela também é muito importante no que diz respeito ao aconselha-
© Editora Inspire
mento de sexo oposto. Poderão haver, sim, momentos de ajuda, mas eles nunca se
prolongarão muito. Homens aconselham homens, mulheres aconselham mulheres,
essa é a regra geral. Quando for preciso aconselhar alguém do sexo oposto, isso
acontecerá em local público ou aberto, e sem-pre haverá muita cautela e respeito.
Sempre se encaminhará essa pessoa para ser aconselhada por alguém do mesmo
sexo, em seguida. Sempre evite toques inapropriados, elogios excessivos: use de
bom senso. Lembre-se sempre de fazer o que Jesus faria.

Use sempre de imparcialidade e vigie para não se deixar levar por pré--conceitos.
Há momentos em que o aconselhando precisa ser confron-tado por causa de um
pecado ou comportamento inadequado, mas isso não é o mesmo que condenar ou
pregar para a pessoa durante a sessão de aconselhamento. Jesus nunca fez vista
grossa para o pecado, mas entendia os pecadores e sempre demonstrava bondade
e respeito por aqueles que desejam aprender, arrepender-se e mudar seu estilo de
vida, como a mulher no poço de Jacó.

122
Jamais dê ordens em vez de explicar. Este é um erro comum e pode ser um
reflexo do desejo inconsciente do conselheiro de dominar e exercer controle.
Quando os aconselhandos recebem instruções sobre o que devem fazer, como
ordens, eles acabam confundindo a opinião do conselheiro cristão com a vontade
de Deus, sentem-se culpados e incompetentes se não seguirem o conselho
recebido e raramente aprendem como amadurecer espiritual e emocionalmente,
até o ponto de decidirem tomar todas as suas decisões sem qualquer ajuda. Assim,
o conselheiro deve sempre guiar o aconselhando ao que Jesus faria, apontar para
Ele, mostrar na Palavra o que o Senhor ensina e pemitir que o aconselhando tome
as suas próprias decisões, de maneira sadia e firme em Cristo.

Não permita envolvimento emocional; em vez disso, use de objetividade. O


excesso de envolvimento emocional (pena, dó, ajudar sem permitir que o
aconselhando “aprenda a pescar”, permitir que o aconselhando se torne
dependente do conselheiro, entre outros) pode fazer com que o conselheiro perca
a objetividade, o que reduz a eficácia do aconselhamento. O conse-lheiro deve
colocar limites para manter o foco do aconselhamento.
Não seja impaciente, mas seja realista. Alguns deixam-se tomar pelo desâ-
© Editora Inspire
nimo quando não veem progresso imediato. No entanto, o mais comum é levar
um tempo até que o aconselhando abandone sua maneira de pensar e seu
comportamento anteriores, substituindo-os por algo novo e melhor.

Alguns conselheiros podem, vez ou outra, se sentir ameaçados durante o


aconselhamento. A capacidade de ouvir com empatia fica bloqueada quando
estamos sendo criticados, quando temos consciência de que não estamos
ajudando, quando nos sentimos culpados ou, ainda, quando o aconselhando
parece que vai nos agredir. Nesse caso, precisamos usar da graça de Jesus sobre
a nossa vida, e, percebendo a nós mesmos, não ficar na defensiva, mas
continuar usando de empatia durante toda a conversa. Cheios de misericórdia
pelo aconselhando, manter-se em oração no seu
coração, sempre encontrar uma saída de paz, que inclusive pode ser apenas deixar
o aconselhando ir. Continue orando a Deus, peça a Ele para lhe dar sabedoria no
trato com essa pessoa. Deixe que o Espírito Santo lhe mostre o que você poderia
ter feito diferente, para que você possa crescer e apren-der. Sempre procure fazer
o que Jesus faria.

123
ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Lembre-se: quem faz todas as transformações é o Senhor.

2. Não vamos nos colocar entre Deus e a pessoa. Se ela precisar viver o
tratamento de Deus em sua história, não vamos evitar que isso aconte-ça sob
pena da pessoa não crescer!

3. A Bíblia é a fonte de tudo o que dizemos.

4. O amor de Deus é o modo como olhamos a pessoa.

5. Entre o que nós achamos que deve ser e o que Deus acha, vamos sem-pre
optar pelo que Deus diz!

6. Ouvir, ouvir e ouvir antes de falar.

7. Não julgar.

8. O livre arbítrio foi entregue por Deus às pessoas e elas fazem uso dele! É
preciso permitir que pessoas usem a sua capacidade de fazer escolhas e
lembrar de que ninguém escolhe por ninguém. Nosso papel
é apontar para Jesus.
9.
© Editora Inspire
Muito cuidado em dar profecias. Precisamos ter muito temor em falar em
nome de Deus, de maneira extrema. Ai de nós se falarmos algo em nome do
Senhor que não venha Dele.

10. Você precisa buscar preparo. Estude.

11. Se a pergunta que a pessoa está fazendo tem resposta clara na Bíblia, é o
que vamos mostrar para ela. Em situações da vida em que a pessoa precisa
tomar decisões, como com quem vai se casar ou se vai vender sua casa, é o
caso de orar com ela, estudar os princípios bíblicos e per-mitir que a pessoa
escolha. Nós não somos Deus na vida das pessoas!
12. Encaminhe sem medo os casos difíceis para pessoas mais experientes ou
para as que têm instrumentos para ajudar.

13. Encaminhe a pessoa para as ferramentas de crescimento oferecidas pela


igreja. Não desperdice esses instrumentos de Deus para a cura.
14. Na dúvida, pergunte ao pastor.

15. Se não souber, não invente.

124
16. Tenha em mente que Deus não é “padronizado”. Ele é criativo, amo-roso
e, para Ele, cada indivíduo é um indivíduo! No aconselhamento também é
assim.
17. Casos de polícia precisam ser encaminhados para a polícia.

18. Se o aconselhando trouxer para você uma situação que precisa ser tratada
e que não pode ser mantida em sigilo, você esclarecerá que terá que levar
a situação adiante. Por exemplo, se uma adolescente está grávida, você
explicará a ela que precisará falar com seus pais e vai ajudá-la a fazer isso.

19. Lembrar que a pessoa que está à sua frente para ser aconselhada é alguém
por quem Cristo morreu na cruz. Ela é do Senhor, e não “sua”.

20. O Espírito Santo é o grande guia em todas as palavras e gestos.

© Editora Inspire

125
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Qual o objetivo final do aconselhamento cristão?

2. Quais características o conselheiro deve desenvolver? Quais destas áreas


você poderia aprimorar como líder?

3. De que forma o aconselhamento não se transformará em controle? O que


devemos fazer para que isso não aconteça?

© Editora Inspire

126
BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo Despertar. 1a ed. Tradução. Tamboré: Sociedade Bíblica do


Brasil, 2000.
COLLINS, G. Aconselhamento Cristão – Edição século 21. São Paulo: Vida
Nova, 2011.
ADAMS, J. E. O manual do conselheiro cristão. 5ª ed. São Paulo: Editora
Fiel, 2000.

LEITURA OBRIGATÓRIA
© Editora Inspire
COLLINS, G. Aconselhamento Cristão – Edição século 21. São Paulo: Vida
Nova, 2011.

127
9.ESTUDO BÍBLICO

Todo estudo bíblico, assim como a pregação, é um milagre! Eles consistem na


transmissão de algo perfeito por alguém limitado. É por isso que todo aquele que
ensina deve iniciar sua missão na completa dependência do Es-pírito Santo. É
Ele o comunicador perfeito das intenções divinas perfeitas. O que cabe a nós é
vivermos nesta conexão e a partir disso, usar todas as ferramentas disponíveis
para levar as boas novas a todo o mundo.

Como líder de célula, você será desafiado constantemente a ministrar o es-tudo


nas reuniões da célula ou, eventualmente, uma mensagem em alguns contextos:
aniversários, reuniões de multiplicação, encontros de oração, chás de casamento
ou de bebês, ou até em cultos fúnebres. Portanto, cada vez mais você precisa
estar preparado para situações como essas e ser assertivo na comunicação da
Palavra de Deus.

É muito importante que© Editora


olíder Inspire
nãoatrapalhe ocultoaDeus
ministrando estudos sem relevância e prejudiciais ao povo, conforme o conselho de
Paulo em 2 Timóteo 2.15: “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como
obrei-ro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a
palavra da verdade”. Para isso, tal líder precisa desenvolver as qualidades
bíblicas que um ministro do Evangelho deve demonstrar. É possível também
aplicar táticas para vencer o medo de falar em público e de se expressar melhor.

Além disso, devemos compreender que o mérito do bom estudo consiste em


atingir diferentes tipos de pessoas. A mensagem é influenciada pelos diferentes
tipos de personalidade, tanto de quem ensina, quanto de quem aprende; por
como nossa mente é ativada no processo de aprendizagem; pela dinâmica na
mudança constante de cosmovisão e, em especial, pela forma como o homem
enxerga o mundo em seu contexto. É fundamental que o líder de célula leia
atentamente o mundo pós-moderno em que vive-mos (MARINHO, 2008).

Há também várias maneiras de melhorar a comunicação evitando estudos “sem


rumo”, que deixam o ouvinte perdido (STANLEY e JONES, 2010). A eficiência
de um estudo está intimamente ligada à sua organização. A esco-

128
lha de um tema atraente é um fator fundamental no desenvolvimento do estudo,
pois é o assunto que ligará o ouvinte e seus problemas às verdades bíblicas. Para
isso, é fundamental ter um objetivo claro, conhecer bem o assunto e os ouvintes,
levando em conta fatores psicológicos, sociológicos e espirituais, tudo isso
seguindo um roteiro organizado.

Existem vários tipos de estudo bíblico, cada um com suas vantagens e


desvantagens. Conhecer cada tipo pode nos ajudar no preparo adequado da
mensagem. Neste processo de criação e preparo para o estudo, precisamos
ressaltar a necessidade de explorar melhor o texto bíblico escolhido, através de
princípios básicos de interpretação. Esse é um dos requisitos para o bom
planejamento do estudo voltado para a transformação de vidas (PAES, 2009).

O líder precisa preparar-se adequadamente para organizar estudos através do


contínuo estudo da Palavra de Deus. Isso envolve disciplinas espirituais como
leitura diária da Palavra; estudos bíblicos sistemáticos como os cur-sos oferecidos
pela PIB no âmbito do IPE, por exemplo. Esse aprimoramen-to deve ser
ininterrupto, pois a Palavra de Deus é inesgotável e se renova continuamente,
gerando vida: “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras,
porque pensam que nelas vocês tem a vida externa. E são as Escrituras que teste-
© Editora Inspire
munham a meu respeito” João 5.39.

PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

A interpretação da Bíblia é uma das questões mais importantes que os cristãos


enfrentam atualmente. Dela resulta o que cremos, como vivemos e como nos
relacionamos. O processo de entendimento da Bíblia dura toda a vida, mas temos
a responsabilidade de procurar conhecer a verdade conforme apresentada na
Palavra de Deus.

Roy Zuck (1994) afirma que “um dos maiores motivos porque a Bíblia é um
livro difícil de entender é o fato de ser antigo”. Por isso, neste processo,
precisamos transpor as barreiras cronológicas, geográficas, culturais, lin-guísticas
e literárias. Daí a necessidade de interpretação, para removermos os obstáculos à
comunicação e ao entendimento.

De maneira simplificada podemos dizer que a interpretação da Bíblia é um


processo de recriação. Para entender o que a passagem bíblica significa,
precisamos descobrir o que o autor da passagem queria transmitir para

129
seus leitores originais. Portanto, neste processo é o autor do texto quem
determina o que o texto bíblico significa e não o leitor.

Princípios básicos na interpretação bíblica

1. Princípio da Fé: a Bíblia se constitui na revelação inspirada por Deus. Deus


falou aos homens mediante os profetas (2 Timóteo 3.16, 1 Coríntios 2.13 e 2
Pedro 1.21). Pelo fato de ser um livro divino a Bíblia é inerrante (Hebreus
6.18, João 17.17), possui autoridade (João 10.35, Marcos 11.17, Mateus
22.29) e apresenta unidade. Isso significa que um texto deve ser interpretado
com referência ao ensino total das Escritu-ras e, os textos obscuros, devem
ser interpretados à luz das passagens que possuam um significado claro e
inconfundível.
2. Princípio Cristológico: a Bíblia em sua totalidade aponta em uma única
direção: Cristo. O Antigo Testamento preparou o caminho para Cristo, os
evangelhos descrevem Suas atividades, as epístolas explicam o significado
teológico de Sua morte e ressurreição e os livros apoca-
lípticos apontam para o Seu retorno triunfal. Este princípio reconhece
© Editora Inspire
que há unidade entre o Antigo e Novo Testamento.
3. Princípio da Revelação Progressiva: este princípio refere-se ao proces-so
pelo qual Deus preparou Seu povo escolhido para sua mais elevada revelação
em Jesus Cristo. Sua mais alta revelação não estava na Lei, mas a Lei foi um
estágio na preparação para a vinda de Cristo, assim como o ensino dos
profetas e o exílio. O Antigo Testamente sozinho é uma revelação
incompleta. Ele deve ser interpretado e compreendido à luz do Novo
Testamento, onde a plenitude da revelação de Deus se fez conhecida através
de Cristo.

Fases da interpretação bíblica

1. Determinação do conteúdo: o conteúdo é a base de informação para


interpretar o texto. É a sua matéria-prima. Nesta etapa, a leitura minuciosa do
texto trará informações preciosas para entender o que o autor do texto está
dizendo. Leia com atenção, repetidamente, pacien-temente, em oração,
seletivamente e com propósito. Procure responder

130
às seguintes questões: Quem está presente no texto? Onde e quando ele
acontece? O que acontece? Por que e para que? Há termos enfatizados ou
repetidos? Há contrastes ou semelhanças?
2. Entendimento do contexto: o contexto é o meio envolvente do texto. Ele é
importante para nos dar uma visão mais abrangente do significa-do do texto.

a. Contexto teológico: procura identificar onde a passagem está no fluxo


das Escrituras. É preciso identificar quais os objetivos do autor ao
escrever o livro no qual o texto está inserido e como a pas-sagem bíblica
se encaixa neste livro. Leia com atenção os versículos que vêm
imediatamente antes e depois do texto e procure entender a relação deles
com a passagem estudada.
b. Contexto geográfico: o contexto geográfico procura conhecer a geografia
das terras bíblicas. Como era o terreno e o clima? Quais as distâncias
entre as cidades? Como o local era conhecido? A locali-zação estratégica
de Corinto como cidade portuária, por exemplo, influi nos problemas
morais dentro da igreja daquela cidade.
© Editora Inspire
c. Contexto histórico-cultural: entender o contexto histórico-cultural nos
auxilia a encontrar a verdade que nunca muda em um mun-do que sempre
muda. Conhecer este contexto amplia muito a sua visão na interpretação
bíblica. A cultura envolve o que as pessoas pensam, creem, dizem, fazem
e produzem. A Bíblia menciona a mu-dança de governantes no Egito
durante o tempo de José e o grande impacto que este acontecimento
político teve na vida dos judeus na-quele país. É importante responder
perguntas como: Quando o fato ocorreu? O que aconteceu no mundo na
mesma época? Quais eram as influências sociais, políticas e culturais do
povo em questão? Para isso, verifique se o costume da cultura bíblica tem
um signifi-cado diferente em nossa cultura. Se o significado é diferente,
descu-bra o princípio eterno que o norteia e verifique como esse princípio
pode ser expresso em um equivalente cultural.

d. Contexto literário-grama ical: este contexto busca identificar a


categoria ou o tipo de escrito caracterizado por determinada forma ou
conteúdo. Durante o processo de interpretação é importante sabermos se
estamos estudando uma narrativa, uma poesia, uma

131
parábola, uma metáfora ou alegoria, uma literatura profética ou
apocalíptica etc. A identificação dos diversos tipos de literatura e ex-
pressões gramaticais nas Escrituras, nos auxilia a interpretá-las com
maior precisão. O estilo literário de cada livro ajuda a transmitir a
essência do livro, de forma que versículos e parágrafos possam ser vistos
à luz do todo. Quando o contexto literário é considerado fica mais fácil
evitar o problema de tirar o versículo do seu contexto.

3. Inves igação dos termos: muitas vezes para descobrir o que o autor
pretendia transmitir, precisaremos investigar a origem das palavras--chave do
texto. Para isso podemos pesquisar em que outros textos bíblicos esta mesma
palavra é encontrada, verificar quais dos signifi-cados essa palavra assume
no contexto do texto bíblico e ainda investi-gar a origem da palavra em sua
língua original. Algumas ferramentas como concordâncias bíblicas e bíblias
de estudo de palavras-chave poderão auxiliar nesta etapa.

4. Aplicação: procura responder à seguinte pergunta: Como este princí-pio


bíblico funciona para mim e para as outras pessoas? Ela estabelece
a conexão entre a Palavra e o mundo atual. O conhecimento da Bíblia

© Editora Inspire
e sua interpretação correta são essenciais, mas somente isso não basta.
Precisamos ter o coração aberto e a disposição de apropriar as verdades
bíblicas para nossa vida. Fazemos isso através da aplicação. A interpretação
nos dá novas visões para o relacionamento com Deus, consigo mesmo e
com outras pessoas.

Assim, o princípio eterno identificado no texto bíblico através da interpre-tação é


a ponte entre as Escrituras e o contexto atual. É através deste prin-cípio que
iremos aplicar a Palavra de Deus. O princípio eterno deve refletir o conteúdo do
texto; deve ser de natureza eterna; não deve ser vinculado à cultura; deve
concordar com o restante das Escrituras e deve ser relevante tanto ao público
alvo original do texto bíblico como ao contemporâneo.

COMO PREPARAR E ORGANIZAR UM ESTUDO BÍBLICO

Prepare-se

Na preparação do estudo devemos seguir os seguintes passos:

132
1. Dependência do Espírito Santo.

2. Escolha da passagem.

3. Estudo exegético da passagem: interpretação da passagem.

4. Descoberta do foco principal da passagem: qual é o princípio eterno?

5. Construção do esboço do estudo.

6. “Recheando” o esboço: desenvolvimento das ideias.

7. Preparo da conclusão, introdução e do título.

Desenvolva um esboço

Todo estudo bíblico precisa ter uma estrutura ou esboço. Tal esboço não deve
conter ambiguidade; não deve conter material alheio ao tema principal; deve
apresentar continuidade de pensamento nas ideias; e deve dirigir-se para a
aplicação.
Seguem abaixo elementos de um esboço típico de estudo ou mensagem bíblica. Um
dos objetivos ©EditoradesteformatoInspireéqueoesboço sirva de auxílio
visual, possibilitando ver à mensagem inteira rapidamente.
1. Título: é geralmente um dos últimos itens a serem preparados. É a ex-
pressão do assunto e do tema, formulado para servir de anúncio ade-quado
ao estudo. Deve ser breve, pertinente ao texto ou à mensagem e interessante.
É preciso ter atenção com títulos rudes, irreverentes ou sensacionalistas!

2. Texto: é composto pelo texto base do estudo.

3. Introdução: assim como o título, é geralmente um dos últimos itens a serem


preparados. O objetivo é despertar a mente dos ouvintes/leitores de tal
maneira que fiquem interessados na mensagem do estudo. Deve ser breve e
contextualizada ao público-alvo, despertando interesse pelo tema. Isso pode
ser feito despertando a curiosidade, relacionando o tema às situações da vida
ou mencionando o contexto histórico, cultu-ral e geográfico do texto bíblico.

4. Proposição: é uma declaração simples do assunto que se propõe a


apresentar, desenvolver ou explicar. Consiste em uma afirmativa

133
clara do princípio eterno da passagem principal e indica claramente o rumo
que o estudo deve tomar. O ideal é que seja uma frase afirmativa, devendo
ser específica e não apresentar ambiguidade ou imprecisão.
5. Oração de transição: tem por objetivo ligar a proposição ao restante do
estudo, unindo a proposição às divisões, fornecendo uma progressão suave
para elas. Deve sempre conter uma palavra-chave que delineie a
característica dos pontos principais.
6. Divisões principais: são as seções principais de um estudo ordenado. Seu
objetivo é promover clareza de ideias e unidade de pensamento. As divisões
esclarecem os pontos principais do estudo e auxiliam as pessoas a recordá-
los. Cada divisão contribui para o desenvolvimento da proposição e devem
ser distintas umas das outras e, se possível, dispostas em forma de
progressão. É necessário que cada divisão con-tenha sua própria discussão,
ilustração e aplicação.
a. A discussão é o desdobramento das ideias contidas nas divisões.

b. A ilustração é para o estudo bíblico o que uma janela é para a casa.


Assim como a janela permite a entrada da luz, uma boa ilustração permite o

esclarecimento©EditoradamensagemInspire.Jesusutilizava
muitas ilustrações em seus sermões, pois elas trazem clareza ao estudo e o
tornam mais interessante. Dão vida e ênfase à verdade bíblica. Pode ser uma
parábola, uma analogia, uma história, o relato de uma experiência pessoal, um
acontecimento histórico etc.

c. A aplicação é um dos momentos mais importantes do estudo e, em geral,


é feita no final de cada divisão. Se as verdades expostas no estudo não
forem aplicadas à medida que o estudo progride, corre-se o risco do
estudo tornar-se pesado e difícil de acompanhar. A aplicação deve ser
específica e definida.
7. Conclusão: é o ponto culminante do estudo, onde tudo o que foi dito se
concentra com intensidade, a fim de produzir um impacto profundo. Não é o
lugar do estudo apropriado para se introduzir novas ideias,
e sim, o local onde os ouvintes são incentivados a responder pessoal-mente
ao desafio apresentado. Deve ser breve, expressa com poucas orações ou
frases. Pode ser uma recapitulação, uma ilustração, um apelo ou uma
motivação através do pensamento principal do estudo, de um texto bíblico,
de uma citação, de um poema etc.

134
Para mais tipos de formatos de esboços de estudos e mensagens bíblicas, leia:
STANLEY e JONES (2010), PAES (2009) e MARINHO (2008). Essas fon-tes
possuem riquíssimas ilustrações e modelos.

Decida comunicar para transformar

Sempre que for desenvolver ou aplicar um estudo, tente responder às per-guntas


abaixo, pois elas conduzem para a transformação do ouvinte:

1. Para quem irei pregar?

2. O que a Bíblia diz acerca de suas necessidades?

3. Qual é a maneira mais prática de dizê-lo?

4. Qual é a maneira mais positiva de dizê-lo?

5. Qual é a maneira mais encorajadora de pregar?

6. Qual é a maneira mais simples de pregar?

7. Qual é a maneira mais pessoal de dizê-lo?


8. © Editora Inspire
Qual é a maneira mais interessante de dizê-lo?

Invista no seu ministério

1. Adquira uma Bíblia de Estudos: NVI de estudos, Palavra-Chave, Shedd,


Thompson, Genebra, Pentecostal etc.

2. Tenha Bíblias com outras traduções: NVI, Viva, NTLH, ARA, ARC etc.

3. Adquira livros para estudo que o auxiliem na exegese, como comen-tários


bíblicos, dicionários bíblicos etc. e livros que o despertem a desenvolver
um relacionamento maior com Deus.

4. Assista noticiário de TV e filmes com o objetivo de extrair mensagens.

5. Assista mensagens, grave e aprenda no seu coração.

6. Estude e leia sobre outros assuntos gerais.

7. Tenha um bom testemunho, pois ele fala mais alto que a sua voz.

8. Desenvolva hábitos espirituais.

135
ESTUDO BÍBLICO PARA A CÉLULA

É muito importante o líder de célula ter bem claro o conceito de célula abordado
na Disciplina 3, acima. Veja na página 30. Isso é fundamental, pois o líder de
célula não pode deduzir que o estudo bíblico é o único objeti-vo da reunião
semanal da célula. Ao invés disso, há outros elementos na reunião igualmente
importantes.

No contexto da PIB, o estudo aplicado na célula é produzido por um grupo de


pastores e ministros orientados e escolhidos pela Base de Discipulado. Essa
produção considera temas avulsos ou em série ao longo do ano, pre-viamente
escolhidos.

Um dos segredos do sucesso do pastoreio em células é a unidade do estudo. Em


muitas igrejas, a escolha, a preparação e a aplicação do estudo ficam a cargo do
líder de célula. Isso gera um potencial arriscado de mul-tiplicidade de visão,
minando a unidade da igreja. Ter o estudo unificado é fundamental para guiar o
rebanho numa única direção. Sendo assim, o líder de célula tem por obrigação
usar o estudo previamente disponibili-zado no Sistema Facepib.

© Editora Inspire
Portanto, o líder de célula deve adquirir o estudo através do sistema supracitado
com antecedência. Com o esboço já preparado, o líder deve estudá-lo, de modo a
contextualizá-lo ao perfil de sua célula (por exemplo: juventude, adolescentes
etc.). Geralmente, o estudo possui alguns pontos de aplicação. Na aplicação, o
líder tem a liberdade de ser sensível ao Espírito Santo a ponto de, não
necessariamente, ter que aplicar todos os pontos do estudo. Relembre a estrutura
do encontro de célula nas páginas 58, 59 e 60, na Disciplina 3.

136
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Por que é importante o líder de célula saber montar estudos bíblicos?

2. Quais são os princípios básicos na interpretação bíblica?

3. Exercite as fases da interpretação bíblica mencionadas acima no texto de Atos


1.8.

a. Procure responder as questões da primeira fase e veja quantas


informações você extrairá apenas da leitura minuciosa do texto.

b. Faça um estudo sobre os contextos descritos na segunda fase no texto


em questão.

c. Investigue os termos “poder” e “testemunha”.


d. Qual é o princípio eterno no texto de Atos 1.8? Como este princípio pode ser

aplicado©Editoraàsuavida? Inspire
4. Explicite elementos de um esboço de estudo bíblico.

5. Como o estudo bíblico deve ser aplicado no encontro de célula na PIB?

137
BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000.

MARINHO, R.M. A arte de pregar. São Paulo: Vida Nova, 2008.

PAES, C.M. Como preparar mensagens para transformar vidas. São Paulo:
Vida, 2009.
STANLEY, S. e JONES, L. Comunicação que transforma. São Paulo: Vida,
2010.
ZUCK, R.B. A interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 1994.

LEITURA OBRIGATÓRIA
© Editora Inspire
PAES, C.M. Como preparar mensagens para transformar vidas. São Paulo:
Vida, 2009.

138
© Editora Inspire

139
10. VIDA FINANCEIRA

O tema vida financeira é um assunto de muita relevância nas situações da vida.


Como líder de célula, você precisa estar bem seguro do que a Palavra de Deus nos
ensina, exorta e capacita a respeito da vida abundante descrita em João 10.10:
“Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente”. Esta plenitude também
inclui a área financeira, por meio da obediência aos mandamentos e ensinos de
Jesus a respeito deste assunto.

A Bíblia tem mais versículos sobre dinheiro do que sobre salvação. Con-tudo,
há muitas famílias lutando nessa área; você conhece algumas delas, ou você
mesmo esteja vivendo dias difíceis. Vamos, então, estudar juntos, começando
pelo que a Bíblia nos esclarece sobre o assunto.

PANORAMA BÍBLICO ACERCA DO DINHEIRO


© Editora Inspire
Em Mateus 6.24, encontramos as seguintes palavras de Jesus: “Ninguém pode
servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e
desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”. Neste texto,
encontramos dois antagonismos: odiar versus desprezar e dedicar versus
desprezar. Rick Warren, escrevendo sobre este texto em seu livro Uma vida com
propósitos ressalta a impossibilidade de servirmos, amarmos ou dedicarmo-nos a
Deus e ao Dinheiro. O texto não diz “vocês não devem servir”, mas “vocês não
podem”. É impossível fazer ambos.

Outras traduções bíblicas trazem, ao invés da palavra Dinheiro, a tradução


original do grego Mamom. Assim, Mamom significa, literalmente, dinheiro; e
consta como um dos chamados sete pecados capitais, também nomea-do como
ganância ou avareza. Em seu livro, Derrote Mamom, o pastor Pr. Fabiano Ribeiro
esclarece: “Mamom é uma potestade maligna, cujo alvo é desviar a nossa
adoração a Deus” (RIBEIRO, 2013).

No livreto Guia prá ico de Dízimos & Ofertas – 100 perguntas e respostas
bíblicas, o autor complementa: Mamom é um deus que age em relação ao
dinheiro. Uma potestade que atua na área financeira, a mando de Satanás,

140
para trazer destruição e desviar o nosso coração de Deus, atraindo nossa
atenção para o poder, status e dominação (RIBEIRO, 2014).

Mamom atua em nossas vidas de diferentes formas. Um dos pastores de nossa


igreja conta que, certa vez, durante uma viagem, pôde perceber o quanto isso é
verdade. Ao fazer uma viagem longa de carro, levando consigo sua esposa e sua
sogra, de idade avançada, programou-se para fazer paradas a cada duas ou três
horas. Mentalmente, foi escolhendo os postos em que iria parar, pois conhecia
bem a estrada e suas paradas. Como sabia que precisava de um café para manter-
se bem acordado, foi escolhendo os lugares onde
o cafezinho era mais barato. Ele, então, conta que a certo ponto, o Espírito Santo
perguntou-lhe: “não é melhor escolher os postos onde os banheiros femininos
são mais limpos?” Ele então percebeu o quão “muquirana” estava sendo,
decidindo comprar o mais barato apenas porque é mais barato.

Ele conta ainda que, ao entrar em um destes postos durante a viagem, pen-sou
em comprar uma goma de mascar – uma das marcas mais conhecidas
– para ir mastigando e espantando o sono. Depois decidiu não comprar, mas, de
repente, viu no caixa que aquela marca estava realizando um sorteio de
um carro. “Oba! Vou levar”, ele pensou. E logo se deparou com uma pergun-

© Editora Inspire
ta: “Qual a chance de ganhar um carro comprando um chiclete?” Viu que,
daquela vez, a “deusa sorte” estava prestes a influenciar uma decisão.

A Bíblia diz por meio do profeta Isaías que esses tipos de influências espiri-tuais
são verdadeiros ladrões, pois desejam roubar nossa fé em Jeovah Jireh, o Deus
da Provisão.

“Masvocês,queabandonamoSenhoreesquecemomeusantomonte, que põem


a mesa para a deusa Sorte e enchem taças de vinho para o deus Destino, eu
os destinarei à espada, e todos vocês se dobrarão para a degola. Pois eu os
chamei, e você nem responderam: falei, e não me deram ouvidos. Vocês
fizeram o mal diante de mim e escolheram o que me desagrada.” Isaías
65.11, 12.

Se uma pessoa joga na loteria, participa intencionalmente de negócios em que a


sorte é um fator preponderante (como rifas e prêmios), ou em esquemas para
receber dinheiro fácil com o mínimo ou nenhum esforço (como o caso de
pirâmides), ela está se colocando numa posição influen-ciável para este tipo de
demônio.

141
Isaías também alerta sobre outro tipo de demônio, chamado aqui de deus Destino,
que podemos interpretar como o outro lado da moeda; há a sorte de um lado, e o
destino de outro. Este destino refere-se a pensamentos recorrentemente negativos
quanto à fé em nós mesmos e em nosso posi-cionamento aliado à benção divina.
Há pessoas que tendem a entregar sua situação a um fatalismo em que creem que
coisas boas não acontecerão com elas. De nada adiantará estudar, preparar-se
melhor ou ser o melhor funcionário da empresa, porque o reconhecimento não
virá. Se você reco-nhece esse pensamento de “freio de mão puxado” na área
financeira da sua vida, pode ser que tenha se rendido à influência maligna nessa
questão.

O profeta Isaías nos orienta a confiar em Jeovah Jireh, o Deus da Provisão, que,
como um Pai amoroso, deseja premiar seu esforço e abençoá-lo com o melhor
dessa terra, dando-lhe, por exemplo, a paz de espírito quando você recebe seu
holerite, o sentimento de gratidão por tudo que você já tem e a satisfação de uma
vida plena em Cristo.

Em todo o relato bíblico, contudo, vemos Satanás usando a deusa Sorte ou o deus
Destino para que pessoas desconfiassem de Jeovah Jireh. Deus nunca
trará uma palavra profética ou um sonho divino em que oriente o jogo

© Editora Inspire
com a sorte. Como diz o apóstolo Paulo, seja anátema qualquer profecia,
sonho ou ensino que venha neste sentido (Gálatas 1.9).

ATESTADO DE POBREZA

Em algumas circunstâncias, algumas pessoas são levadas a assinar um atestado de


pobreza, um instrumento legal que comprova que uma pessoa não tem recursos
financeiros para determinado fim. Contudo, existem pessoas que assinam
verdadeiros atestados de pobreza em sua mentalidade e modo de ser; atestam a si
mesmas que vivem e pertencem a uma situação miserável, o que são palavras
muito fortes para trazermos a nós mesmos. Pessoas que vivem desta forma já
estão sob o domínio maléfico de Mamom e abrem ainda mais espaço para que
este atue por meio de um espírito de miséria que assola as esferas da vida.

Em nosso país, toda uma cultura é regida pela chamada “lei de Gerson”. Na
verdade, ela é mais antiga do que o episódio que lhe deu o nome, mas foi muito
bem representada por um jogador da seleção brasileira de futebol

142
em 1970, torneio em que ganhamos definitivamente a Taça “Jules Rimet” no
México. Em um lance do jogo, um jogador do time adversário cometeu uma falta
contra o jogador brasileiro Gerson. O juiz não apitou e ele continuou a jogada.
Mas os jogadores do time contrário, reconhecendo a falta, para-ram de jogar. O
brasileiro, então, deu um passe para um gol. Os adversários reclamaram, pois
esperavam que ele parasse a bola ao invés de continuar, levando vantagem no
erro do juiz. Foi um lance muito discutido. O episódio ficou conhecido como a
“Lei do Gerson”, por conta de uma propaganda de cigarros que, na época, apenas
mostrou esta faceta da cultura brasileira: a de sempre dar um “jeitinho” e tentar
levar vantagem em tudo.

Há uma história em que um rei poderosíssimo da antiguidade queria conhecer a


“essência do universo”. Então, pediu aos sábios do seu grande reino que
trouxessem para ele qual seria esta essência, esta lei maior que resumisse todas as
verdades. Os sábios se reuniram durante seis meses e depois trouxeram a
resposta escrita em um livro dez vezes maior do que a Bíblia. O rei disse: “Eu
sou um rei poderoso; vocês acham que eu tenho tempo para ler tudo isso? Vocês
têm um mês para resumir essa essência do
universo em algo que eu possa ler. Se fizerem, receberão muitos presentes, caso contrário,
receberão©Editoraamorte.”UmInspiremêsdepois,chegaram os sábios
com um papelzinho em que constava, em uma frase, a “essência do univer-so”:
“Não existe almoço grátis.”

Existem pessoas que são levadas pelo pensamento de que precisam sempre
ganhar, normalmente à custa de outras pessoas. Se o outro ganha, ela sente--se
lesionada. Este pensamento de “levar vantagem”, estar sempre ganhando, é uma
verdadeira traça, uma ferrugem que corrói vidas e relacionamentos.

E qual é o nome deste demônio? Mesquinhez. E este é sempre acompanha-do


pela soberba – a crença de achar que somos o centro do universo.

ACUMULADORES

Há um programa de TV a cabo bastante famoso que retrata pessoas que


acumulam tudo, ou um objeto em específico, a ponto de suas casas ficarem
inabitáveis. Estas pessoas agem assim porque pensam que pode ser que, algum
dia, possam vir a precisar daquilo que deveriam doar ou jogar fora.

143
Houve um episódio que mostrou a história de um homem não jogava os jornais
fora, e sua casa ficou tomada por pilhas de jornais. Um dia, uma pilha caiu em
cima dele e trancou a porta. Ele ficou soterrado por dias até que morresse, pois
ninguém mais o visitava. Os vizinhos só descobriram o ocorrido pelo cheiro de
morte, depois de algum tempo.

Se você tem contas de luz ou água pagas datadas do século passado, antes de
2000, não se preocupe, pode jogá-las fora! Há uma lei que determina quantos
anos você deve guardar certos documentos (alguns até 20 anos), mas faça uma
revisão em seu guarda roupa, no seu escritório, na sua casa e na sua mesa.
Certamente há coisas das quais você pode e deve se desfazer, e outras que vão ser
benção na vida de outras pessoas; você deve doá-las, e rápido.

Se você percebe em você atitudes de miséria, escassez ou mesquinharia, ore a


Jesus e pedindo perdão, entregue-os a Ele agora mesmo.

COMO SER LIBERTO

Existem alguns passos muito importantes para que livremo-nos definiti-

© Editora
vamente das influências de Mamomemnossas Inspire vidas.Em
primeiro lugar, devemos identificar, em nós mesmos, quais são estes espíritos ou pensa-
mentos malignos. Não devemos olhar para o outro, mas fazermos uma
autoanálise sincera e dirigida pelo Espírito de Deus. Em segundo lugar, devemos
viver esta libertação que temos em Jesus diariamente. Precisamos praticar todos
os dias uma nova mentalidade financeira. Como fazer isso? Falaremos de três
princípios.
1. Credibilidade. Ganharmos credibilidade significa removermos toda
legalidade em nossas vidas. Algumas ações incluídas neste quesito são:

a. Pague seus impostos devidamente (Mateus 17.24-27).

b. Rejeite diariamente a “Lei de Gerson” e o ímpeto de levar vantagem.

c. Pratique a satisfação em Jesus, destruindo a mesquinhez.


d. Não faça dívidas (“Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de
uns pelos outros” Romanos 13.8a).
2. Fidelidade. Demonstre sua total confiança no Deus da provisão por meio
de atitudes de fidelidade em:

144
a. Dízimos e ofertas programadas:

“Queméfielnopouco,tambéméfielnomuito,equemédesonestonopou-
co,tambémédesonestonomuito.Assim,sevocêsnãoforemdignosdecon-
fiançaemlidarcomasriquezasdestemundoímpio,quemlhesconfiaráas
verdadeirasriquezas?Esevocêsnãoforemdignosdeconfiançaemrelação ao
que é dos outros, quem lhes dará o que é de vocês?” Lucas 16.10-12.

b. Contratos e compromissos (escritos e/ou verbais). “Seja o seu ‘sim’, ‘sim’ e


o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno” Mateus 5.37.
3. Generosidade. A generosidade é uma das marcas mais fortes daqueles que
entregaram definitivamente suas vidas financeiras a Deus. “Há maior
felicidade em dar do que em receber” Atos 20.35.

Para viver uma vida de credibilidade, fidelidade e generosidade, teremos de ser


guiados pelo Espírito Santo. Ele mesmo nos conduzirá nesta jornada:

“Porquevocêssepreocupamcomroupas?Vejamcomocrescemoslíriosdo campo. Eles não


trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Sa-

lomão,emtodooseuesplendor,vestiu ©EditoraInspire-
secomoumdeles.SeDeusvesteassim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no
fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens (e mulheres) de pequena fé?” Mateus 6.28-30

PRINCÍPIOS DA VIDA FINANCEIRA EQUILIBRADA

Em primeiro lugar, precisamos entender o que é uma vida financeira equilibrada,


ou, uma vida com liberdade financeira. Ao contrário do senso comum, isso não
significa necessariamente ter muito dinheiro, mas ter uma vida ausente de:

a. Dívidas;

b. Transações financeiras desonestas;

c. Preocupação por falta de dinheiro;

d. Impossibilidade de ser generoso.


1. Reconhecimento. A vida financeira equilibrada passa por reconhecer que
tudo o que possuímos pertence a Deus. Isso inclui todos os nossos bens e
recursos financeiros. A percepção de Jó deve ser a mesma que

145
a nossa: “Saí nu do ventre da minha mãe, e nu par irei. O Senhor o deu, o
Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor” Jó 1.21.

Quando temos este entendimento, podemos servir a Deus e ao Reino com os


bens que recebemos dos céus. Nosso amor e devoção estarão depositados
no lugar certo.

“Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor
do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a
cobiça dos olhos e a ostentação dos bens – não provém do Pai, mas do
mundo. O mundo e sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de
Deus, permanece para sempre” 1 João 2.15-17.

2. Serviço. Em vez de usar o dinheiro apenas em benefício próprio ou para


adquirir mais bens, devemos servir como administradores da propriedade
divina que está em nosso nome, de forma a comunicar o amor de Deus ao
mundo e satisfazer as necessidades de outros, à medida que Deus nos
capacita e orienta. Devemos entender que tudo o
que temos e o que adquirimos são apenas meios para que cumpramos o propósito de

Deus ©em Editoranossavida. Inspire


Se nossos objetivos se limitarem a ganhar dinheiro ou adquirir bens com
esse dinheiro, então, nosso sistema de valores está errado. Alguns sintomas
de um sistema inadequado de valores são:

a. Estar pronto a sacrificar coisas mais importantes do que o dinheiro por


causa do dinheiro, tais como um bom nome e uma consciência limpa.

b. Tentar usar o dinheiro para comprar coisas que não podem ser com-
pradas tais como amor, paz de espírito, segurança, amizades etc.

c. Esquecer-se de Deus ou negligenciar a responsabilidade com Ele e com


sua família, igreja e célula.
3. Dízimos e ofertas. Uma vida financeira equilibrada é caracterizada pela
capacidade em dar a Deus o dízimo com obediência e alegria, con-forme a
orientação bíblica: “Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que
haja alimento em minha casa” (Malaquias 3.10a).
4. Necessidades x Desejos. Outra característica é que passamos a
compreender que Deus prometeu suprir nossas necessidades básicas

146
como alimento e roupas. Tudo o que recebemos além disso comprova a
abundância de Deus em nossas vidas. “Pois nada trouxemos para este
mundo e dele nada podemos levar, por isso, tendo o que comer e com que
ves ir-nos, estejamos com isso sa isfeitos.” 1 Timóteo 6.7-8.
É certo que existem muitas coisas além do alimento e roupa que podem
tornar a vida mais agradável e produtiva, como casa própria, um carro
confortável para a família, a possibilidade de uma viagem a passeio etc. No
entanto, é importante fazer uma distinção entre a necessidade e o desejo. Está
aí um ponto central da questão. Grande parte dos problemas da vida
financeira nascem da dificuldade de fazer esta distinção. A maioria das
pessoas que sofrem por dívidas, está en-dividada por conta de desejos, e não
de necessidades. Percebemos, pela Palavra de Deus, que Ele tem prometido
suprir as nossas necessidades (comida e roupa), mas, não está comprometido
com os nossos desejos que podem, inclusive, estar contaminados pela
“cobiça da carne, a cobi-ça dos olhos e a ostentação dos bens” 1 João 2.16.
Deus não nos assina um “cheque em branco”, mas credita a nós o que será
preciso para suprir nossas necessidades e, como é um Pai amoroso,
eventualmente atende

desejos na medida©Editora queabençoamos Inspire pessoasque Ele


deseja abençoar. Esta afirmação pode ser confirmada na leitura do Salmo 37.

5. Flexibilidade. Seja flexível em ajustar-se a um ganho, ou a uma perda


inesperada. Paulo aprendeu a viver desta forma:

“Seioqueépassarnecessidadeeseioqueéterfartura.Aprendiosegredo
devivercontenteemtodaequalquersituação,sejabemalimentado,seja com
fome, tendo muito, ou passando necessidade.” Filipenses 4.12

O segredo da tranquilidade financeira é nos ajustarmos, quando necessá-rio, às


possibilidades de nossa renda. Assim, em tempos de abundância, poderemos
dar e investir com sabedoria, em vez de pagar dívidas antigas.

6. Perspec iva. Mantenha suas finanças na perspectiva correta. A Bíblia nos


exorta: “Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a
ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam”
Mateus 6.20. Devemos nos lembrar de que não vivemos para as coisas deste
mundo, mas para a eternidade. Até lá, temos a promessa de que seremos
cuidados por Deus:

147
“Lembrem-se: aquele que semeia pouco também colherá pouco, e
aquele que semeia com fartura, também colherá fartamente.
Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por
obrigação, pois Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para
fazer que lhes seja acrescentada toda a graça, para que em todas as coisas,
em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em
toda boa obra.” 2 Coríntios 9.6-8.

Certamente, estes seis princípios para uma vida financeira equilibrada não
esgotam o assunto, porém, são bases essenciais à nossa vida. A partir da adoção
destes princípios, podemos passar a abordar um assunto muito importante, uma
ferramenta de auxílio para o equilíbrio financeiro.

ORÇAMENTO FAMILIAR SIMPLES

É importante que saibamos montar um orçamento familiar simples. Vamos


começar com um exercício. Suponha que você tenha uma entrada (salário)
de R$ 1.000,00. Quais são os itens do seu orçamento? Monte uma sugestão na tabela abaixo,

escrevendo©osEditoraitensevalores referentesInspireàssaídas (despesas):

Tabela – Orçamento Familiar Simples (Exercício)


ENTRADAS Salário R$ 1.000,00

SAÍDAS

148
Veja uma sugestão abaixo de como poderia se organizar este orçamento:

Tabela – Orçamento Familiar Simples (Exemplo)


ENTRADAS Salário R$ 1.000,00
Dízimo R$ 100,00
Ofertas R$ 50,00
Necessidades Mensais
R$ 600,00
(70%)
SAÍDAS
Investimentos (15%) R$ 150,00
Provisão (10%) R$ 100,00

Atualmente, existem muitos recursos gratuitos para auxiliar você


a organizar suas finanças familiares em sites e aplicativos para celulares, como:
GuiaBolso (guiabolso ©Editora .com.br); Minhas InspireEconomias
(minhaseconomias.com.br); MoneyWise e Orçamento Inteligente.

SAINDO DA CRISE FINANCEIRA

Existem situações em que a prioridade para a saúde financeira será a de nos


livrarmos de crises geradas pelo acúmulo de dívidas. Como sair deste “poço”?
Existem alguns princípios básicos a serem seguidos.

1. Não faça dívidas; comece a comprar à vista

A provisão financeira de Deus indicará a importância e o tempo de cada


aquisição. Dê chance a Deus de prover o que é necessário, antes de com-prá-lo
precipitadamente. Lembre-se de que Ele pode prover, ao diminuir as contas e/ou
aumentando a renda. Contudo temos que fazer a nossa parte e um dos primeiros
passos em situações de crise é parar de usar cartão(ões) de crédito, utilizando
apenas o débito. Isso fará com que você viva sob o princípio de viver com aquilo
que tem. A Bíblia fala sobre o perigo de nos endividarmos, pois “Quem toma
emprestado é escravo de quem empresta” Pro-

149
vérbios 22.7b. Por isso, é a orientação bíblica: “Não devam nada a ninguém, a
não ser o amor de uns pelos outros...” Romanos 13.8.
2. Seja resistente às compras não planejadas

Estamos cercados de publicidade e propagandas por todos os lados, tentando nos


convencer de que precisamos de algo de que realmente não precisamos, ou ainda,
de que temos que aproveitar aquela oportunidade para adquirir um bem. Muitos
caem nesta armadilha e se descontrolam com compras não previstas, o que leva
ao caos financeiro e seu aprofundamento. Seja sábio ao não se deixar ser
vulnerável a este tipo de sugestão consumista.
3. Fuja de emprés imos, em especial para itens supér luos

Seja extremamente criterioso para adquirir empréstimos. O melhor é não ter de


fazê-lo, mas, se for necessário, limite-se a adquirir somente para casos
essenciais. Não empreste dinheiro, de pessoas ou instituições finan-ceiras, para
custear seus gastos diários. Ore, pondere e consulte alguém especializado antes
de tomar esta decisão.
4. Avalie-se honestamente
© lugar,EditoraavaliarporqueInspireacrisese instalou e qual
É importante, em primeiro

a razão pela qual seus meios, aparentemente, não têm sido suficientes para seus
gastos. Talvez houve descontrole nos gastos, com coisas supér-fluas; talvez haja
alguma raiz de pecado envolvida ou mesmo um cenário espiritual mais
abrangente familiar. Talvez Deus esteja testando sua fé ou preparando você para
mudanças. Busque a ajuda do Espírito Santo e de sua igreja para responder a estas
questões.
5. Fuja radicalmente das dívidas

Precisamos entender que, quando temos dívidas, nossa vida, família,


ministério e o próprio nome de Deus e da igreja são afetados. É preciso
decisão e atitude resolutas para que estejamos livres de dívidas, ainda que
sacrifícios sejam necessários. O Senhor dará os meios necessários para
honrarmos a Ele neste processo.

Você pode utilizar esta tabela a seguir para avaliar suas dívidas. Se necessá-rio,
faça isso com a ajuda de seu discipulador. Primeiro, liste todas as suas dívidas e
valores. Depois, responda ao questionário.

150
AVALIAÇÃO FINANCEIRA
1. Faça uma relação de todas as dívidas
Devo
Dinheiro Juros Quantia Avaliação
Compras vender?
que devo a anuais total
SIM NÃO

(Um ponto para cada a rmação.


AVALIAÇÃO DE CADA ITEM: Total nos quadrinhos de avaliação)

Não aumenta ©minhaEditoraeciência InspireAumenta minha e ciência


em servir a Deus em servir a Deus

Não é absolutamente essencial É absolutamente essencial.

Não contribui diretamente para Contribui diretamente para a


a unidade e harmonia da família. unidade e harmonia da família

Pode ser substituído por algo Não pode ser substituído por
mais barato. algo mais barato.

Não proporciona mais tempo Proporciona mais tempo para


para eu gastar com a família eu gastar com a família

Seu valor não está aumentando Seu valor está aumentando


mais do que os juros e a in ação.

Requer gastos de manutenção Não requer gastos de


manutenção.

SIM DEVO VENDER? NÃO

151
COMO ORIENTAR NA CÉLULA SOBRE FINANÇAS

Ao orientar pessoas em sua célula acerca de suas finanças reforce sempre os


princípios a seguir:

1. Como líder, tenha sempre uma vida financeira equilibrada. Seu exem-plo
falará mais alto!

2. Compartilhe como ter uma vida financeira equilibrada, contando o seu


testemunho.

3. Use o livro Derrote Mamom (Ed. Inspire, 2011) como referência de estu-do,
o que pode ser feito individual ou coletivamente.

4. Desenvolva junto com seu liderado um orçamento familiar simples.

5. Acompanhe mensalmente a aplicação do orçamento planejado.

6. Saiba onde procurar ajuda. Indique o Celebrando Recuperação, que oferece


grupos de apoio específicos. Nossa igreja também pode ofere-cer auxílio
para consultorias e orientações financeiras. Para negociar dívidas vencidas
em bancos, procure ajuda jurídica.
©DeusEditoradaprovisãoparaInspiretodasasnecessidades.
7. Interceda! Deus é o

Certamente uma vida financeira saudável trará paz de espírito e grandes


possibilidades de viver a generosidade que o Senhor nos ensina!

152
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Como você definiria uma vida financeira saudável?

2. Com base neste estudo, monte o seu orçamento familiar simples.

3. Com base neste estudo, preencha também sua tabela de Avaliação


Financeira.

© Editora Inspire

153
BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000.

COY, L. Curso Con litos da Vida. Hollywood: Successful Life Ministries,


1988.
RIBEIRO, F. Derrote Mamom. São José dos Campos: Inspire, 2011.

LEITURA OBRIGATÓRIA

RIBEIRO, F. Derrote Mamom. São José dos Campos: Inspire, 2011.


© Editora Inspire

154
© Editora Inspire

155
11. BATALHA ESPIRITUAL

Somos advertidos, na Palavra de Deus, que travamos uma luta espiritual que não é
contra as pessoas e sim contra potestades espirituais. Ter uma consciência clara
disso faz com que não haja desgastes com pessoas, não se quebre relacionamentos
e não se veja as forças esmorecem por aplicar-se energia no lugar errado. Nossa
luta não é contra pessoas! Lembre-se de que Jesus morreu por elas: “Pois a nossa
luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os
dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas
regiões celes iais” Efésios 6.12.

Precisamos ter conhecimento, sabedoria e discernimento para as batalhas


espirituais que enfrentamos. É certo que teremos batalhas, pois ao entregar nossas
vidas a Jesus, já nos posicionamos espiritualmente, declarando sub-missão a Deus
e rebelião contra Satanás. Veja que a Bíblia o descreve como
príncipe da potestade do ar: “Em que noutro tempo andastes segundo o curso

© Editora Inspire
deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora
opera nos filhos da desobediência” Efésios 2.2 (ACF).

Você não deve ter medo, pois tem uma aliança com Jesus e está debaixo da
proteção do Seu sangue. Portanto, revista-se da armadura de Deus (Efésios 6).
Lembre-se: “Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que
está em vocês é maior do que aquele que está no mundo” 1 João 4.4.

O objetivo deste estudo não é esgotar, tampouco abordar o tema de forma muito
aprofundada, mas trazer uma abordagem equilibrada e conheci-mento bíblico
básico para nortear suas ações que, com certeza, contarão com a ajuda
imprescindível do Espírito Santo.

BUSCANDO O EQUILÍBRIO

Quando o assunto é batalha espiritual, percebemos hoje dois erros que chegam
aos extremos: um é o excesso e outro a escassez na atenção dada a este assunto.
Há igrejas em que, a cada pecado, conflito ou problema que as pessoas passam,
coloca-se a culpa em demônios que devem ser, então,

156
expulsos. Algumas chegam a colocar uma pessoa endemoninhada em cima do
altar, fazem perguntas, deixam-no falar no microfone, expõem-na em programas
de TV etc. Entretanto, esquecem-se de que o Diabo é o pai da mentira; além de
mentir numa circunstância assim, também está expondo a pessoa ao
constrangimento.

Outro extremo praticado por algumas igrejas é a postura de ignorar


completamente a esfera da batalha espiritual. Tornam-se, então, passivas em
relação ao assunto. Por esse motivo, muitas igrejas têm sido atacadas, com suas
famílias destruídas e ministérios findados. Negar a existência do Diabo e suas
ações faz parte da sua ação maligna para impedir as pessoas de serem livres.

Portanto, procuramos sempre ter uma postura equilibrada. Não damos ênfase em
nossas celebrações a nenhuma manifestação, pois o alvo da cele-bração é a
adoração a Deus e é exatamente isso que o Diabo deseja roubar.

“Há dois erros iguais, mas opostos, nos quais nossa raça pode cair, com
respeito aos demônios. Um deles é descrer em sua existência. O outro, é
crer neles e sentir por eles um interesse doentio. Os próprios demônios
© Editora Inspire
sentem-se bem, igualmente, quando esses erros ocorrem, e saúdam um
materialista ou um mágico com o mesmo deleite.” C. S. Lewis

Em todas as situações, Jesus é nosso principal exemplo no contexto da ba-talha


espiritual. Observe como Ele lidou com os ataques diretos de Satanás:

“Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo
Diabo. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. O
tentadoraproximou-sedeleedisse:SeésoFilhodeDeus,mandequees-
taspedrassetransformemempães.Jesusrespondeu:Estáescrito:Nem só de
pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do
templo e lhe disse: Se és o Filho de Deus, joga-te daqui para bai-xo. Pois
está escrito: Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos
eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra.
Jesuslherespondeu:Tambémestáescrito:NãoponhaàprovaoSenhor, o seu
Deus. Depois, o Diabo o levou a um monte muito alto e mostrou--lhe
todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E lhe disse: Tudo isto te

157
darei, se te prostrares e me adorares. Jesus lhe disse: Retire-se, Satanás!
Pois está escrito: Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto. En-
tão o diabo o deixou, e anjos vieram e o serviram” Mateus 4.1-11.

CONCEITOS IMPORTANTES

Batalha espiritual é um conflito constante que o cristão enfrenta contra as


influências do mundo, contra a sua própria natureza pecaminosa (carne) e contra
o Diabo. A batalha é um combate com um propósito específico, den-tro de um
determinado período ou época. No mundo espiritual, entendemos que a guerra
existe desde a fundação do mundo e acabará no final dos tem-pos, quando
Satanás for totalmente aprisionado, juntamente a todos os seus demônios.
Enquanto isso, levantam-se batalhas espirituais em todo o tempo.

Os personagens deste cenário são: eu e você, anjos e demônios, Deus e Satanás.


Lemos em 1 João 2.16: “Pois tudo o que há no mundo - a cobiça da carne, a
cobiça dos olhos e a ostentação dos bens - não provém do Pai, mas do mundo”.
E também: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder
do Maligno” 1 João 5.19.

A Bíblia nos revela alguns©aspectosEditoraimportantesInspireacercadebatalhas espirituais:

• Batalha espiritual é Deus derrotando Satanás com o sopro da sua boca:


“Então será revelado o perverso, a quem o Senhor Jesus matará com o
sopro de sua boca e destruirá pela manifestação de sua vinda”
2 Tessalonicenses 2.8.

• Batalha espiritual é a luta entre a carne e o espírito: “Quem vive se-gundo a


carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de
acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja”
Romanos 8.5.
• Batalha espiritual é a luta entre anjos e demônios: “Houve então uma
guerra nos céus. Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão, e o dragão e
os seus anjos revidaram” Apocalipse 12.7.

• Batalha espiritual é vencer as aflições do mundo pela fé: “Eu lhes disse
essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão
a lições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” João 16.33.

158
• Batalha espiritual é livrar pessoas da morte: “Liberte os que estão sendo
levados para a morte; socorra os que caminham trêmulos para a
matança” Provérbios 24.11.

Muitos cristãos assumem a batalha espiritual como se ela fosse uma


responsabilidade unicamente sua e isso não é correto. É muito importante
entender que somos apenas instrumentos nas mãos de Deus, a batalha é do
Senhor! O motivo de crentes desistirem do ministério ou fracassarem na fé é
justamente não terem clareza desse papel. Querem ver resultados imediatos,
mobilizados por si mesmos.

Podemos apresentar três tipos de batalhas espirituais, que acontecem em


diferentes níveis. O primeiro deles é a luta espiritual no nível do solo (pes-
soa/pessoa); o segundo nível é a batalha espiritual no nível das instituições; a
igreja local como linha de frente em uma cidade ou comunidade (organi-
zação/organização); e o terceiro nível é a própria guerra espiritual (a Igreja de
Cristo contra Satanás).

Nível 1: A batalha espiritual no nível do solo


© Editora Inspire
A batalha a nível solo é, na verdade, uma luta individual travada contra a ação de
Satanás e seus demônios na vida de uma pessoa. Quando acontece um processo
de cura e libertação, isto não é uma expulsão de demônios, mas um processo de
libertação dentro de uma reeducação de vida espiritu-al para que não haja mais
reincidências.

Nível 2: A batalha espiritual no nível das ins ituições

Quando pecou no Jardim do Éden, o homem entregou o direito legal dado por
Deus sobre a Terra a Satanás; isto é, passou uma “procuração em branco” para
que o adversário se tornasse posseiro, por meio do enga-no, daquilo que pertence
a Deus e foi entregue nas mãos do homem. Há, portanto, um nível mais amplo de
batalha espiritual quando um conjunto de soldados, ou seja, a igreja ou várias
igrejas guerreiam unidas em uma esfera mais estratégica, por exemplo, ao agirem
para conquistar uma cida-de para Cristo. Lemos em Mateus 12.28: “Mas se é
pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de
Deus”.

159
Nível 3: Guerra espiritual

A guerra espiritual é uma referência a esta guerra em caráter geral, à luta total
travada pela Igreja contra Satanás, universalmente. É neste contexto maior que
entendemos a missão da Igreja de Cristo e a de cada um de nós:
“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão
minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins
da terra” Atos 1.8. E também Marcos 16.15: “E disse-lhes: Vão pelo mundo todo
e preguem o evangelho a todas as pessoas”.

Muitos encontram dificuldades com a falta de estratégia ou a falta de cora-gem


para conquistar um território. Não é fácil, pois o Diabo não quer perder o seu
lugar, ou territórios, então, é preciso ter estratégias para conquista.

ESTRATÉGIAS DIVINAS PARA UM LÍDER DE CÉLULA

Como líder de uma célula que está em uma cidade, é muito importante que você
compreenda que sua família e célula fazem parte da estratégia de
Deus dada à nossa igreja para conquista desta cidade para o Senhor Jesus. O exemplo de

Josué nos ©relembraEditoraacercadesteInspireposicionamento.


“Nasétimavez,quandoossacerdotesderamotoquedetrombeta,Josué ordenou
ao povo: Gritem! O Senhor lhes entregou a cidade! A cidade,
comtudooquenelaexiste,seráconsagradaaoSenhorparadestruição. Somente
a prostituta Raabe e todos os que estão com ela em sua casa
serãopoupados,poiselaescondeuosespiõesqueenviamos.Masfiquem longe
das coisas consagradas, não se apossem de nenhuma delas, para
quenãosejamdestruídos.Docontráriotrarãodestruiçãoedesgraçaao
acampamento de Israel. Toda a prata, todo o ouro e todos os utensílios de
bronze e de ferro são sagrados e pertencem ao Senhor e deverão ser
levadosparaoseutesouro.Quandosoaramastrombetasopovogritou. Ao som
das trombetas, e do forte grito, o muro caiu. Cada um atacou
do lugar onde estava, e tomaram a cidade” Josué 6.16-20.

Como líder de célula você deve ter uma vida de constante oração e ado-ração a
Deus. Lembre-se de orar em seu lar e inspirar sua célula a orar também. Participe
dos movimentos de oração convocados pela igreja, tais como 24h de Oração e
Adoração e as Madrugadas de Oração. Você faz par-

160
te de um santo exército levantado por Deus para proclamar Seu Reino aqui na
terra. Não precisamos ter medo do Diabo, mas precisamos ter consciên-cia das
ciladas que ele procura armar contra todos nós.

Além disso, você deve desenvolver os frutos do Espírito, tendo uma vida de
santidade e lealdade. Esteja atento a comportamentos de pessoas que
confrontam os valores bíblicos; saiba diferenciar dúvida de combate. Há
pessoas que não conhecem a Palavra de Deus, mas sempre se posicionam
contra o que a Bíblia diz.

Cuidado com a deslealdade. Há uma diferença entre ter uma opinião dife-rente e
se posicionar contra um direcionamento dado a igreja por nossa li-derança. Essas
pequenas ações refletem a necessidade de oração específica. Cuidado também
com pessoas que tentam atingir suas emoções, fazendo-o se sentir desqualificado
para liderar, deixando-o com baixa autoestima.
Às vezes o inimigo usa pessoas para nos desequilibrar e nos enfraquecer
espiritualmente, portanto, tenha uma consciência clara de quem você é em
Jesus. Sua identidade firmada em Jesus não permitirá que você sofra ataques
em sua mente.

Cuidado com o ambiente ©Editora Inspire


dasuacasa. Objetos quefaziam
parte de uma aliança espiritual fora da presença de Deus devem ser deixados para trás.
Converse sobre isso com seus pastores. Seja sábio e equilibrado sempre, nunca
tomando decisões sozinho, mas sempre alinhado com seu coordena-dor,
supervisor e pastor de rede.

A leitura bíblica e devocional são ações simples e poderosas que nos auxi-liam
em nossas batalhas diárias. Comece seu dia sempre entregando suas primícias
ao Senhor Jesus em oração e leitura da Palavra. Tenha hábitos de orar em sua
casa, pelos seus filhos, ungindo-os, tendo a adoração em família como um estilo
de vida.

OS ADVERSÁRIOS

As pessoas precisam saber que o Diabo existe, assim como seus demônios. Não
devem se manter na passividade, fazendo de conta que ele não atacará os filhos de
Deus. Podemos comprovar sua existência e a de seus liderados (demônios) pela
Palavra de Deus. Mas entenda que Deus não os criou, tudo começou pelo orgulho
e rebelião. Veja o texto bíblico:

161
“Você estava no Éden, no jardim de Deus; todas as pedras preciosas o
enfeitavam: sárdio, topázio e diamante, berilo, ônix e jaspe, safira,
carbúnculoeesmeralda.Seusengasteseguarniçõeseramfeitosdeouro; tudo
foi preparado no dia em que você foi criado. Você foi ungido como um
querubim guardião, pois para isso eu o designei. Você estava no monte
santo de Deus e caminhava entre as pedras fulgurantes. Você era
inculpável em seus caminhos desde o dia em que foi criado até que se
achoumaldadeemvocê.Pormeiodoseuamplocomércio,vocêencheu--se de
violência e pecou. Por isso eu o lancei em desgraça para longe do
montedeDeus,eeuoexpulsei,óquerubimguardião,domeiodaspedras
fulgurantes.Seucoraçãotornou-seorgulhosoporcausadasuabeleza,e
vocêcorrompeuasuasabedoriaporcausadoseuesplendor.Porissoeuo atirei à
terra; fiz de você um espetáculo para os reis” Ezequiel 28.13-17.

É impossível que o que acontece no mundo espiritual passe despercebido. Todo


crente é vítima de ataques constantes que ocorrem no viver de cada dia. É
preciso, urgentemente, acordar do sono da indiferença e da posição derrotista de
que tudo é assim mesmo, conformando-se com uma vida
medíocre, pobre, infeliz e fracassada. A batalha espiritual acontece contra

© Editora Inspire
cada um dos adversários daqueles que creem:

A batalha contra a carne

A Palavra de Deus fala da guerra interior existente na alma do cristão, travada


entre a carne (natureza pecaminosa) e o espírito. A carne, com sua
concupiscência, deseja o pecado, mas o espírito deseja as coisas de Deus,
conforme Gálatas 5.17: “Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o
Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em con lito um com o outro, de
modo que vocês não fazem o que desejam”. A igreja dispõe de várias ferramen-
tas que nos ensinam a lutar contra nossa carne: Celebrando Recuperação, Retiro
Satisfação, Retiro Restauração e cursos diversos.

A batalha contra o mundo

“Mundo” significa os valores malignos que regem as relações terrenas e


pecaminosas da humanidade. Por isso, nossa luta requer uma mudança de

162
postura em nossas decisões, ética e em nossas ações. 1 João 5.19 afirma que
“o mundo todo está sob o poder do Maligno”. Paulo, em 2 Coríntios 4.4 diz: “O
deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do
evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” 2 Coríntios 4.4.

Tudo que o Diabo quer é ganhar este mundo trazendo sua influência para alcançar
aqueles que não estão abertos para Cristo e até mesmo os cristãos. “Esse é o
espírito do an icristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já
está no mundo” 1 João 4.3b. As pessoas precisam saber que o Diabo não brinca
de ser Diabo, então, os filhos de Deus não podem brincar de “serem crentes”.

Outro aspecto da oposição do mundo são as suas aflições peculiares, pois o


cristão pertence ao Reino de Deus e, portanto, sofrerá oposição do reino deste
mundo: “Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes me odiou. Se vocês
pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não
são do mundo, mas eu os escolhi, irando-os do mundo; por isso o mundo os
odeia” João 15.18-19. Jesus disse que venceu o mundo, com suas aflições (João
16.33). Nós podemos também vencer, Nele.

© Editora Inspire
A batalha contra Satanás

Observe que a Palavra de Deus nos convoca a estarmos alertas em rela-ção a


Satanás: “Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor
como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar” 1 Pedro 5.8. Satanás
utiliza de algumas estratégias para enganar as pessoas a respeito de si mesmo:

1. Ele deseja que as pessoas não creiam na sua existência. Existem pesso-as
que creem que Satanás é um mito inventado pela religião. Admitir sua
existência é necessário para combatê-lo.

2. Ele coloca uma lente de aumento em si mesmo para provocar medo nas
pessoas. Muitos têm uma atitude medrosa para com o Inimigo. Atribuem a
ele muitas coisas. Procuram conhecer as profundezas de Satanás e vivem
cheias de superstições. Devemos procurar conhe-cer mais de Deus e da sua
Palavra, isso sim, nos dará condições de sermos vitoriosos: “Portanto,
submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês” Tiago 4.7.

163
POSSESSÃO DEMONÍACA

Satanás e seus demônios querem habitar em homens, mulheres e crianças que são
vazias do Espírito Santo, os filhos das trevas. Os espíritos malignos, então,
possuem a pessoa e a obrigam a fazer coisas que ela jamais faria em sã
consciência. A possessão demoníaca se dá quando um ou mais demônios entram
em uma pessoa e ficam ali, usando-a sob seu controle, expressan-do todo o seu
ódio e maus propósitos através dela. A própria expressão “possessão demoníaca”
já diz que é alguém que está sob posse de Satanás. Mas o Espírito Santo habita
nos filhos de Deus e os usa para fazerem obras grandiosas conforme a vontade de
Deus.

“Eles atravessaram o mar e foram para a região dos gerasenos.


Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo
veiodossepulcrosaoseuencontro.Essehomemvivianossepulcros,e
ninguémconseguiaprendê-lo,nemmesmocomcorrentes;poismuitas
vezeslhehaviamsidoacorrentadospésemãos,maselearrebentaraas
correntesequebraraosferrosdeseuspés.Ninguémerasuficientemen-
te forte para dominá -lo. Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras
©os sepulcrosEditoraenas colinasInspire.Quando ele viu Jesus de
entre
longe, correu e prostrou-se diante dele, e gritou em alta voz: Que que-res
comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me
atormentes! Pois Jesus lhe tinha dito: Saia deste homem, espírito imundo!
Então Jesus lhe perguntou: Qual é o seu nome? Meu nome é Legião,
respondeu ele, porque somos muitos” Marcos 5.1-9.

Pessoas de ambos os sexos e de idades diferentes são mencionadas na


Bíblia em casos de possessão demoníaca.
• Crianças: “Então, eles o trouxeram. Quando o espírito viu Jesus, imedia-
tamente causou uma convulsão no menino. Este caiu no chão e começou a
rolar, espumando pela boca” Marcos 9.20.

• Jovens: “Essa moça seguia a Paulo e a nós, gritando: Estes homens são
servos do Deus Altíssimo e lhes anunciam o caminho da salvação. Ela con
inuou fazendo isso por muitos dias. Finalmente, Paulo ficou indigna-do,
voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo eu lhe ordeno que
saia dela! No mesmo instante o espírito a deixou” Atos 16.17-18.

164
• Adultos: “Enquanto eles se re iravam, foi levado a Jesus um homem
ende-moninhado que não podia falar. Quando o demônio foi expulso, o
mudo começou a falar” Mateus 9.32-33.

Outras pessoas que sofreram essa situação:

• Saul: “O Espírito do Senhor se re irou de Saul, e um espírito maligno,


vindo da parte do Senhor, o atormentava” 1 Samuel 16.14.
• Judas: “Então Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes, um dos
Doze” Lucas 22.3.

• Pessoas que se envolveram com ocul ismo como bruxaria, fei içaria,
idolatria e espiri ismo: “Não permitam que se ache alguém entre vocês
que queime em sacrifício o seu filho ou a sua filha; que pra ique adivi-
nhação, ou dedique-se à magia, ou faça presságios, ou pra ique fei içaria
ou faça encantamentos; que seja médium ou espírita ou que consulte os
mortos. O Senhor tem repugnância por quem pra ica essas coisas, e é por
causa dessas abominações que o Senhor, o seu Deus, vai expulsar aquelas
nações da presença de vocês. Permaneçam inculpáveis perante o Senhor, o
seu Deus. As nações que vocês vão expulsar dão ouvidos aos que pra icam
© Editora Inspire
magia e adivinhação. Mas, a vocês, o Senhor, o seu Deus, não permi iu
tais prá icas” Deuteronômio 18.10-14.

Assim como há a possessão demoníaca, há também a libertação espiritual por


meio do nome de Jesus. Não existe dom de expulsar demônios. Qual-quer crente
pode expulsá-los, usando o poder que há no nome de Jesus. Mas para usar o
poder que há nesse nome, o crente precisa ter uma vida de consagração e
comunhão com Deus. Expulsar demônios exige vida de ora-ção e jejum e
sensibilidade ao Espírito Santo, numa vida de conexão diária com Jesus. “Estes
sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsa-rão demônios;
falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno
mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes
ficarão curados” Marcos 16.17-18.

Quem expulsar demônios deve apenas usar o nome de Jesus com autorida-de.
Não se deve “entrevistar” estes espíritos malignos, tudo o que falarem não tem
nenhum valor, já que eles são mentirosos e enganadores. Repeti-mos que Satanás
é conhecido como pai da mentira. Quem usa a autoridade que há no nome de
Jesus para expulsar demônios não precisa agredir o en-

165
demoninhado, nem nada parecido. Jesus não entrava em luta corporal com o
possesso, apenas usava Sua autoridade. Tudo deve ser feito com a maior discrição
e muito respeito ao ser humano pelo qual Jesus morreu na cruz.

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

Cada pessoa e cada situação demandará uma total dependência do Espírito Santo
para a instrução de como agir naquele momento. Existem, também, algumas
orientações gerais que devemos ter como princípios:

• Esteja revestido de sua armadura espiritual diariamente, por meio de uma


vida de santidade e posicionamento.

• Use a autoridade que Deus deu a você.

• Dê ordens aos demônios para silenciar e evitar qualquer dano à


pessoa e ao ambiente.

• Mande pegar tudo o que pertence a ele e que vá para o lugar onde Jesus
determinar.
• Se estiver com mais ©deEditoraumapessoao
acompanhando, Inspire apenas uma ministra, as outras intercedem.
Precisamos lembrar de que o direito legal para que um demônio esteja em uma
pessoa precisa ser renunciado por ela mesma. Esta base legal pode ser por pecado
pessoal ou por atitudes na herança familiar com envolvi-mentos ocultistas.

Conduza esta pessoa, então, a um processo de libertação e cura. Este é um longo


caminho e precisa ser acompanhado bem de perto. Comece pelo Celebrando
Recuperação; ela pode também frequentar uma campanha no culto de libertação,
mas a todo tempo incentive a leitura da Palavra e oração. Posteriormente, que
esta pessoa possa participar dos Retiros Satis-fação e Restauração.

VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO

Temos a nossa parte a fazer nestes enfrentamentos, porém sozinhos não


venceremos. Precisamos de Deus e do Seu poder para vencer. Você deve

166
colocar toda sua suficiência em Jesus Cristo porque você é povo adquirido,
sacerdócio santo de Deus: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real,
nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que
os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” 1 Pedro 2.9. Deus tem um
imenso prazer em tornar pessoas livres, salvas e plenas. Além disso, servi-mos a
um Deus Todo-Poderoso: o Senhor é um homem de guerra (Êxodo 15.3); Deus é
o Senhor dos exércitos (Zacarias 4.6b, 1 Samuel 1.11); o Senhor peleja pelo seu
povo (Êxodo 14.14) e a guerra é do Senhor (1 Samuel 17.47b).

Você ainda pode ler o livro Cobertura Espiritual (Ed. Inspire), do nosso Pr.
Carlito Paes, material que fornecerá mais informações sobre como
proteger sua casa, seus filhos e seu lar das ações malignas. Esse livro é uma
importante ferramenta para sua formação espiritual nesta área.

Louvado seja o Senhor pela vitória que Ele mesmo nos concedeu, pela Sua graça
e Seu poder. Sigamos as orientações bíblicas e, destemidamente, denun-ciemos as
obras das trevas para a liberdade de todos os que amam a Jesus.

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167
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. Cite um texto bíblico que comprove a existência do Diabo e sua ação na


terra e outro que nos ensina como deve ser nossa postura espiritual diante
das batalhas espirituais aprendidas nessa lição.

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168
BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000.

ANDRADE, M. A. Vida em abundância: Através da libertação e quebra de


maldições. São Paulo: Ágape Reconciliação, 2001.
ANDERSON, N. T. Quebrando correntes. São Paulo: Mundo Cristão, 2010.

BORGES, M. S. (Coty). Pastoreamento inteligente: O padrão de aconselha-


mento na libertação. 2ª ed. Almirante Tamandaré: Jocum, 2011.
SOUZA FILHO, J. A. de. A arte da guerra espiritual. Bragança Paulista:
Mensagem Para Todos, 2009.

© EditoraInspire
LEITURA OBRIGATÓRIA

PAES, C. Cobertura Espiritual – como proteger sua casa do Inimigo. São


José dos Campos: Inspire, 2011.

169
12. GESTÃO DE PESSOAS

Lidar com pessoas é uma tarefa árdua, mas necessária em todas as esferas da vida
humana. Não fomos criados para viver sozinhos! Estamos cercados de pessoas
em casa, no trabalho, na escola ou no trânsito. Relacionar-se
é uma ação intrínseca a todos nós. É verdade que nos relacionamentos existem
diferentes graus de intimidade e que vivemos neles grandes dores, mas também
grandes alegrias. Como líderes, aprender a nos relacionar bem e a fomentar bons
relacionamentos é um de nossos maiores e mais importantes desafios.

Algumas pessoas podem pensar que nascem com o talento natural para cuidar,
mobilizar e atrair pessoas; outras, porém, podem se sentir grande-mente
desafiadas. Ser um líder é pastorear pessoas e isso certamente re-quer certas
habilidades, dons e talentos. Eles podem vir mais naturalmente,
mas também, podem e devem ser ampliados e enriquecidos por meio de

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treinamentos, leituras e capacitações.

Você é um líder! Então, tem que desenvolver sua capacidade em gerir pessoas,
viabilizar projetos e formar novos líderes. Talvez não haja muitas pessoas sob sua
liderança, mas você pode começar liderando a si mesmo! Se você está neste
curso, é porque pessoas reconhecem em você este poten-cial. Então, encare de
frente o desafio de sempre aprender e crescer ainda mais, seja na gestão de
pessoas, seja em outras áreas de sua liderança. Todas as suas limitações podem
ser alvos de seu investimento em oração, treinamento e capacitação.

PRINCÍPIOS BÍBLICOS DE LIDERANÇA

A Palavra de Deus é cheia de exemplos para nos ensinar sobre a tarefa


abençoadora de cuidar de outras pessoas. Antes de tudo, lembre-se de que
liderança provém Dele, e não de você mesmo. Por isso, devemos pedir a Deus
por direcionamento e sabedoria a cada desafio de liderar.
“E, se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá

170
livremente” Tiago 1.5a. De fato, isso não deve ser feito de qualquer forma, mas
deve ser alvo de nosso esforço e atenção! “Procure obter sabedoria; use tudo o
que você possui para adquirir entendimento” Provérbios 4.7.

1. O exemplo de Barnabé

Um dos exemplos bíblicos mais inspiradores que temos sobre liderança


mobilizadora foi o de Barnabé. Leia sobre este homem no texto a seguir:

“Quando chegou a Jerusalém, tentou reunir-se aos discípulos, mas todos


estavam com medo dele, não acreditando que fosse realmente um
discípulo. Então Barnabé o levou aos apóstolos e lhes contou como, no
caminho, Saulo vira o Senhor que lhe falara, e como em Damasco ele
havia pregado corajosamente em nome de Jesus. Assim,
Sauloficoucomeles,eandavacomliberdadeemJerusalém,pregando
corajosamente em nome do Senhor. Falava e discutia com os judeus de
fala grega, mas estes tentavam matá-lo. Sabendo disso, os irmãos o
levaram para Cesaréia e o enviaram para Tarso” Atos 9.26-30.
© Editora Inspire
Segundo o relato bíblico, podemos entender que “Barnabé” era um apelido dado a
este homem (Atos 4.36-37). A palavra “Bar” significa “filho”; Barjonas, por
exemplo, seria “filho de Jonas” e “Bartimeu”, “filho de Timeu”. “Nabé” vem do
grego paraclises, da mesma raiz para paracletos, palavra usada para designar o
Espírito Santo, como o Consolador ou Amigo. Um dos significa-dos do nome
Barnabé, portanto, é “Filho do Espírito Santo”, o que aplicou-se muito bem às
atitudes deste homem (HUBER, 2011). Além disso, a palavra paracletos vem de
para (ao lado) e cletos (ajuda). Promover o cuidado também está na essência de
seu nome. Barnabé era generoso (vendeu um campo e depositou todo o dinheiro
aos pés dos apóstolos), possuía um bom caráter e era amoroso para com todos. Ser
guiado pelo Espírito Santo é a primeira mar-ca de sua liderança. Para liderar e
mobilizar pessoas, é preciso ser guiado pelo Espírito e deixar seu caráter ser
moldado por Ele.

Outra característica marcante do ministério de Barnabé foi a perseve-rança. A


transformação de vidas requer tempo e paciência. Não espere resultados rápidos.
Tudo acontece por meio de conversas, conselhos e muitas vezes, até repetições.
Valores menos importantes requerem menos

171
fé e menos esforço; se pessoas são o que há de mais importante, elas vão
requerer grande esforço de nossa parte.

Barnabé foi um instrumento fundamental para formação do apóstolo Paulo.


Quando as pessoas desprezaram ou duvidaram daquele homem que antes
perseguia os cristãos, Barnabé foi aquele que decidiu andar perto. Portanto, não
desista das pessoas! Desenvolver hábitos espirituais leva tempo. Amadurecer é
um processo. Quando etapas não são respeita-das, muitas vezes o que se
recebemos é um fruto sem sabor. No processo de pastorear pessoas, é
fundamental estar atento aos primeiros passos daqueles que estão à nossa volta.
Paulo teve dificuldade em se integrar e alguns duvidaram da sua conversão:
“Quando chegou a Jerusalém, tentou reunir-se aos discípulos, mas todos
estavam com medo dele, não acreditando que fosse realmente um discípulo”
Atos 9.26.

Também aprendemos com o exemplo de Barnabé que a liderança mo-bilizadora


passará por priorizarmos nosso tempo. Ajudar pessoas em sua formação
espiritual é uma tarefa que exige tempo e paciência, amor e cuidado. Observe
que Barnabé modificou a sua agenda, reservou tempo e
foi em busca de Paulo. “Então Barnabé foi a Tarso procurar Saulo e, quando
© Editora Inspire
o encontrou, levou-o para An ioquia” Atos 11.25. Você tem estado disposto a
mudar o rumo, o calendário, o plano do dia para liderar e abençoar aqueles que
estão perto de você? Não desista dos desafios que o Senhor coloca à sua frente.
Em atitude de amor, persevere, para que grandes líderes sejam formados por meio
de você; quem sabe, assim como Paulo e Barnabé, eles irão muito além que nós
mesmos!

2. O exemplo de Eliseu

Outro exemplo marcante sobre liderança mobilizadora está na vida de Eliseu.


Este líder nos ensina que a liderança, além de precisar ir em direção às pessoas,
também permite que pessoas venham nos buscar.

“Em seguida, Elias lhe disse: Fique aqui, pois o Senhor me enviou ao rio
Jordão. Ele respondeu: Juro pelo nome do Senhor e por tua vida que não
te deixarei ir só! Então partiram juntos. Cinquenta discípulos dos profetas
os acompanharam e ficaram olhando a distância, quando Elias e Eliseu
pararam à margem do Jordão. Então Elias tirou o manto, enrolou-o e com

172
elebateunaságuas.Aságuassedividiram,eosdoisatravessaramemchão seco.
Depois de atravessar, Elias disse a Eliseu: O que posso fazer em seu favor
antes que eu seja levado para longe de você? Respondeu Eliseu: Faze
demimoprincipalherdeirodeteuespíritoprofético.DisseElias:Seupedido é
difícil; mas, se você me vir quando eu for separado de você, terá o que pe-
diu;docontrário,nãoseráatendido.Derepente,enquantocaminhavame
conversavam,apareceuumcarrodefogoepuxadoporcavalosdefogoque
os separou, e Elias foi levado aos céus num redemoinho” 2 Reis 2.6-11.

A liderança de Eliseu nos mostra que um bom líder ensina por meio de seus
exemplos e a itudes. Suas ações têm poder maior que suas palavras! Na tare-fa de
ensinar valores e princípios a outros, um líder eficaz precisa, antes de tudo, ter
essas mesmas práticas em sua vida.

Também aprendemos com Eliseu que bons líderes possuem bons mentores. “Só
os tolos não aprendem com os bem sucedidos”, diz Carlito Paes. Mentores ou
discipuladores são pessoas que encorajam, dão cobertura espiritual e
impulsionam a seguir os passos de Jesus. Todo bom líder deve, antes de tudo, ser
um excelente liderado, um aprendiz convicto e um discípulo atento.
© Editora Inspire
Eliseu nos mostra que o liderado acompanha o seu líder. Eliseu tinha um
compromisso com Elias; havia em seu coração uma predisposição a ir com seu
mestre. Precisamos estar perto de pessoas que nos inspirem e nos permitam, em
humildade, a aprender com elas. Por isso, o discipulado é um processo maior que
afinidade pessoal. Por vezes, temos muitos amigos, mas nem todos eles são uma
inspiração para nós. Ter um discipulador e discipular está numa esfera maior que
a amizade, pois é uma tarefa espiri-tual. Se você é um líder que busca crescer por
meio do exemplo de pessoas cheias de Deus, seus liderados também serão
inspirados pelo seu exemplo.

Outra lição que aprendemos com Eliseu é que o liderado tem experiências
sobrenaturais com seu líder. Como lemos: “Quando o SENHOR levou Elias aos
céus num redemoinho, aconteceu o seguinte: Elias e Eliseu saíram de Gilgal, e
no caminho disse-lhe Elias: Fique aqui, pois o SENHOR me enviou a Betel.
Eliseu, porém, disse: Juro pelo nome do SENHOR e por tua vida que não te
deixarei ir só” 2 Reis 2.1-2. No Reino de Deus não há espaço para carreira solo.
Jesus sempre esteve cercado de pessoas. Quantas experiências Seus discípulos
tiveram ao Seu lado! Quando lideramos e mobilizamos pessoas, vivemos
experiências que nunca poderíamos experimentar sozinhos.

173
Eliseu também nos ensina que a liderança passa pela prestação de contas. Eliseu
reconhecia o poder de Deus na vida de Elias e buscava a ele como seu mentor.
Como líderes, devemos ter o valor da prestação de contas e então compartilhá-la
com nossos liderados. A partir do exemplo, teremos autoridade para ouvir aqueles
que estão nosso seu cuidado. O líder respeita e almeja a unção de seu mentor.
Precisamos ter uma visão clara dele: todo homem de Deus é suscetível a falhas;
porém, isto não deve ferir o princí-pio do respeito e da busca por chegar até onde
alguém já chegou. Apenas recebemos da unção que respeitamos. Veja o pedido
de Eliseu: “Depois de atravessar, Elias disse a Eliseu: O que posso fazer em seu
favor antes que eu seja levado para longe de você? Respondeu Eliseu: Faze de
mim o principal herdeiro de teu espírito profé ico” 2 Reis 2.9.

Quando você honra aqueles por quem é liderado, você inspira aqueles que lidera.
Filhos que tratam bem seus pais, viram seus pais tratarem bem seus avós. Quanto
mais você honrar aquele que lhe dá cobertura espiritual, mas confiantes com sua
liderança ficarão seus liderados. Contudo, não se es-queça de que pessoas são
imperfeitas, todos somos crentes em recuperação!
Quando focamos nas falhas, esquecemo-nos do poder de Deus sobre aquela pessoa. Ao
©emEditoraoraçãoaDeus, Inspirecertamenteessa será a atitude
levarmos isso
de nossos liderados quando eles tiverem de lidar com nossas falhas.

ESTILOS DE LIDERANÇA

Nem todos os líderes são iguais. Existem diferentes perfis de liderança, e será
muito útil que você conheça suas características ao liderar. Bill Hybels, em seu
livro Liderança Corajosa (HYBELS, 2010), descreve estilos que considera os
principais perfis de liderança, os quais apresentaremos a seguir. Estes estilos
não são excludentes, mas podem surgir e se comple-mentar de acordo com a
situação.

1. O es ilo de liderança visionário

O líder visionário tem em mente uma imagem clara do que o futuro pode tra-zer.
Prega visões poderosas deste futuro e possui um entusiasmo incansável para
tornar essas visões em realidade. Não sente qualquer inibição em convi-dar
qualquer pessoa a fazer parte desta visão. O líder visionário é idealista e

174
cheio de fé e não é facilmente desencorajado ou dissuadido. Coloque-o diante de
um grande número de pessoas, e ele exibirá a visão para todo mundo. Pode ou não
possuir habilidade natural para formar equipes, alinhar talentos, estabelecer metas
ou administrar o progresso em caminho. Por vezes, terá de achar outras pessoas
que possam ajudá-lo, ou terá de trabalhar arduamente para desenvolver as
habilidades que não lhe são naturais. O líder visionário transmite a visão, atrai
pessoas a ela e morrerá tentando realizá-la.

2. O es ilo de liderança direcional

Este estilo de liderança tem a habilidade, dada por Deus, para escolher o
caminho certo para uma organização quando ela chega a um impasse decisivo.
Avalia cuidadosamente os valores da organização, a missão, os
pontos fortes e os fracos, os recursos, o pessoal e a capacidade de aceitação para
mudanças. Com extraordinária sabedoria, o líder direcional coloca a igreja ou um
ministério na direção certa. É uma liderança extremamente importante, pois erros
em momentos decisivos podem arruinar organiza-
ções. Líderes direcionais podem ou não ser conhecidos em uma organiza-ção; podem

ter ou© Editora


não acapacidadede
destacar em uma liderança pública.
Inspireenfrentaropúblico e se

3. O es ilo de liderança estratégica

O líder estratégico tem a habilidade, dada por Deus, de tomar uma empol-gante
visão e fragmentá-la em uma série de fases alcançáveis e sequenciais. Possibilita a
uma organização marchar de forma consciente para a concre-tização de sua
missão. Forma um plano estratégico que todos podem com-preender e no qual
todos podem participar. Ele, então, desafia os membros da equipe a realizar o
plano. Esforça-se para alinhar os vários subgrupos de uma organização, de forma
que toda a energia da organização se concentre na realização da visão.

4. O es ilo de liderança gerencial

O líder gerencial tem a habilidade, dada por Deus, de organizar pessoas,


processos e recursos, no esforço de cumprir uma missão. Ele fica com

175
“água na boca” ao pensar em trazer ordem ao caos. Sente profunda satis-fação em
monitorar e em ajustar processos, motivando os membros da equipe ao
estabelecer as devidas marcações pelo caminho, até chegarem ao objetivo final.

5. O es ilo de liderança mo ivacional

O líder motivacional é o que tem a habilidade, dada por Deus, de manter seus
companheiros de equipe empolgados. Está à procura de “ombros encurvados e
olhos embotados” e é rápido em injetar o tipo certo de inspiração naque-les que
mais precisam dela. O líder motivacional possui um senso aguçado sobre quem
precisa de reconhecimento público e quem precisa apenas de uma palavra de
encorajamento em particular. Percebe que mesmo nossos melhores companheiros
de equipe ficam cansados e se desconcentram. Ele não fica amargo ou vingativo
quando a moral do grupo afunda.

6. O es ilo de liderança pastoral


Este líder monta uma equipe ©Editoralentamente,amaInspireosmembros da
equipe profundamente, acalenta-os gentilmente, apoia-os firmemente, escuta-os
pacientemente e ora por eles constantemente. Traz os membros da equipe para uma rica
experiência comunitária, de forma que o coração deles começa a transbordar boa vontade,
estimulando-os a realizar sua missão.

Este líder tende a apascentar e acalentar um grupo de pessoas tão perfeita e


profundamente que, quando a questão é a causa, os colegas de equipe
normalmente dizem: “Se é uma missão honrosa para Deus e que podemos fazer
juntos, conte comigo. Enquanto pudermos estar em comunidade, mantendo o
nosso pastor, o faremos”.

7. O es ilo de liderança de formar equipes

Este líder possui uma percepção sobrenatural acerca de pessoas, o que lhe
permite ter êxito em achar e desenvolver pessoas certas, com habilidades certas,
o caráter certo e a apropriada combinação com os outros membros. Em seguida,
sabe como dispor essas pessoas nas posições corretas, pelos motivos corretos,
liderando-os assim para que produzam os resultados

176
certos. O ponto forte do formador de equipe é o seu completo domínio da
estratégia e uma arguta percepção sobre as pessoas. Isso permite que ele coloque
pessoas certas nas posições de liderança mais críticas. Encontrar pessoas certas
para as tarefas certas, em concordância com seus melhores talentos, é a marca
inconfundível do estilo do líder que forma equipes.

8. O es ilo de liderança empreendedor

O líder empreendedor tem facilidade em iniciar tarefas. Se esse líder não puder
iniciar algo novo regularmente, começa a perder energia. Uma vez que um
projeto esteja em funcionamento e operando plenamente, passan-do a exigir um
gerenciamento estável e contínuo, ou, logo que ocorram complicações, exigindo a
necessidade de intermináveis discussões a respei-to de políticas, sistemas e
controles, a maioria dos líderes empreendedores perde o entusiasmo, a
concentração e, às vezes, até mesmo a confiança.

9. O es ilo de liderança reformista

O ponto forte do líder © reformistaEditoraéalterarInspireumambiente.


Ele volta aos fun-damentos da organização entusiasticamente, a fim de descobrir a
missão original e o motivo pelo qual a equipe se desviou dela. Reavalia pessoal, es-
tratégia e valores. Reúne-se constantemente com membros da equipe para ajudá-los a
compreender onde o “antigo” deu errado e como o “novo” deve ser. Gosta de arrumar,
ajustar e revitalizar departamentos ou organizações danificadas. Quando tudo volta
aos eixos e a funcionar suavemente, esses líderes podem ou não sentir motivação para
continuar engajados.

10. O es ilo de liderança consensual

Este líder possui uma enorme flexibilidade; é um diplomata, com uma habili-dade
sobrenatural inspirada para contemporizar e negociar. É especialmente talentoso
para ouvir, compreender e raciocinar de forma ampla. Ama o desafio de se
relacionar com diversos grupos de pessoas e sente-se mais em-polgado a enfrentar
o desafio de unir e satisfazer as necessidades de vários grupos. Lidar com a
complexidade é o ponto forte do líder consensual, o que faz deste líder uma
contribuição importante para grandes organizações.

177
COMO VIABILIZAR PROJETOS

Enquanto líder, você terá a tarefa de mobilizar pessoas e realizar projetos. Ao


realizar um ato de bondade, um evento ponte com sua célula ou uma ação
missionária, você estará executando um projeto. Por isso, é impor-tante que
você conheça alguns conceitos básicos sobre a organização e realização de
projetos.

Um projeto é um plano para a execução de um objetivo traçado. É um


empreendimento planejado, um conjunto de “atividades inter-relacionadas e
coordenadas, com o fim de alcançar objetivos específicos dentro dos limites de
um orçamento e de um período de tempo dados” (PROCHONW, 1999).

A palavra “projeto” vem do latim projectus, que refere-se a algo lançado para a
frente. Um projeto pensa acerca de uma realidade que ainda não aconte-ceu e traz
ideias de como torná-la real. Projetar é analisar o presente como oportunidade
para realizar o futuro. Dentro de um projeto, existe um plane-jamento de como
antecipar esta realidade, contudo, teremos sempre de lidar com imprevistos,
mudanças e as variáveis de um trabalho em equipe.
A formulação de um projeto consiste em relacionar as etapas necessárias
© Editora Inspire
para que suas ideias transformem-se em ações. Para isso, é preciso que
estejam claros:

• Seus obje ivos. Qual o problema a ser solucionado? Ele deve existir
numa esfera mensurável a administrável.
• Seus stakeholders. Quais são as partes envolvidas? Quais são as pesso-as
ou instituições necessárias para alcançar seu objetivo?
• Seus recursos. Quais são os recursos humanos, físicos e financeiros
necessários?
• Seus prazos. Quanto tempo espera-se para cada etapa e qual o prazo para
a conclusão de seu objetivo?

Formulação de um Projeto

A formulação de um projeto pode ser, resumidamente, apresentada com


seguintes itens a seguir:
1. Título. Comunica de forma clara e concisa o objetivo de seu projeto.

178
2. Jus ifica iva. Apresenta o porquê da existência deste projeto e qual
problema ele visa endereçar.

3. Obje ivos. Mostra de que forma este problema será pontualmente


endereçado. Existem objetivos gerais do projeto e objetivos específicos, que
são definidos para cada fase do projeto.
4. Metas. As metas não são exatamente os objetivos em si, mas como se
pretende mensurar estes objetivos. Metas qualitativas e quantitativas nos
ajudam a avaliar os resultados gerados.
5. Metodologia. Apresenta com detalhes como o problema será ende-reçado.
Responde às perguntas: Como? Com o que? Onde? Quanto? A
metodologia estabelece estratégicas, processos e responsabilidades. É
importante pesquisar a metodologia de projetos semelhantes.
6. Cronograma. Responde à pergunta: Quando? Projetos bem planejados têm
datas de início e término para cada atividade proposta. O crono-grama deve
ser conhecido por todos da equipe.
7. Orçamento. O orçamento traz um cronograma financeiro do projeto, mostrando

quando ©EditoraecomoosrecursosInspireserãousados, bem como


quais serão suas fontes.

ATOS DE BONDADE: MOBILIZAÇÃO NA PRÁTICA

Como líder de célula, uma das ações em que você experimentará o desafio de
mobilizar e liderar pessoas são os atos de bondade. Um ato de bondade pode
acontecer individual ou coletivamente, porém acontece de forma especial por
meio das células, com o intuito de abençoar pessoas que estão à nossa volta.
Como descreve Carlito Paes, no ato de bondade “Serviremos indepen-dentemente
de religião às pessoas da nossa comunidade, como fez Jesus nos-so Salvador,
Senhor e Mestre. Ir ao encontro dos que mais precisam é nossa missão!” (Revista
Felizcidade, Pastoral, Semana 28 de 10 a 16 de julho, 2011).

Existem muitas formas e ideias para realizar um ato de bondade com a sua célula.
Um fator em comum a todos eles é que você, como líder, tem recur-sos e tempo
limitado para fazê-lo. É aqui que sua criatividade, mobilização e liderança serão
colocados à prova. Lembre-se de que as melhores ideias surgem quando os
recursos são limitados!

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Diante deste desafio, alguns passos são muito importantes antes da concep-ção e
da realização de um ato de bondade:

• Identificar áreas de atuação;

• Identificar o perfil das pessoas;

• Identificar as necessidades das pessoas;

• Identificar equipes e materiais.

Como referência e fonte de inspiração, colocamos abaixo ideias criativas para que
você mobilize sua célula nos desafios propostos pela igreja, dentro do contexto
dos atos de bondade, ou mesmo fora dele, como eventos ponte e outras ações
esporádicas. Por mais criativa que seja, toda ação deve envolver a oração e total
dependência do Espírito Santo. Deve-se ainda comunicar sua liderança para que
tudo o que você faça tenha uma cobertura espiritual.

Sugestões Atos de Bondade

1. Entregar um lanchinho em ambientes de fila, por exemplo, em repar-tições


públicas. © Editora Inspire
2. Visitar, com presentes, um asilo, um orfanato, casas de transição para
crianças, juniores e adolescentes, hospitais etc.

3. Escrever cartas anônimas para presidiários (com orientação do pastor de


Capelania Prisional).

4. Homenagear profissionais que atuam em áreas sem um reconheci-mento


maior (limpeza pública, enfermeiros, seguranças de prédios, policiais e
bombeiros, motoristas de ônibus, cobradores, professores, taxistas etc.).

05. Revitalizar a casa de alguém (pintura e móveis).

6. Lavar os carros dos vizinhos ou ajudá-lo nos afazeres domésticos. Ajudar a


finalizar paredes com massa fina ou até mesmo pintar. Dife-rentemente de
revitalizar, mas finalizar algo que se percebe por muito tempo inacabado.

07. Presentear os vizinhos com um bolo ou torta especial e abençoá-los.

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08. Fazer o enxoval de uma gestante carente.

9. Levar roupas novas em uma casa de recuperação de dependentes quí-micos


(toda orientação com pastor da área).

10. Sair às ruas com os líderes do ministério de Evangelismo Urbano.

11. Promover um dia especial para crianças e suas famílias em uma região
carente da cidade (brinquedos, jogos, lanches e roupas).

12. Organizar uma visita especial para o centro de tratamento com pacien-tes
psiquiátricos (com toda a orientação do pastor da área).

13. Evangelizar no centro da cidade, entregando um material evangelístico.

14. Realizar uma caminhada de oração e evangelismo nos parques da cidade.

15. Revitalizar praças públicas (em parceria com a prefeitura).

16. Levar isotônico para os ambientes públicos de esporte na cidade e um


folheto evangelístico para os atletas.
17. Promover um evento para que os vizinhos tragam seus pets e repartir o
amor do Deus com eles.

© Editora Inspire
18. Fazer um cine especial para levar princípios cristãos com as crianças da
vizinhança.

19. Levar carinho, música e presentes para as crianças do GACC (Hospital em


SJCampos).

20. Realizar apresentação de expressões artísticas nas escolas.

21. Fazer apresentações acústicas com evangelismo nas praças da cidade.

22. Fazer evangelismo com porteiros de prédios e hospitais.

23. Organizar um mutirão para limpeza da cidade. Coleta de lixo reciclá-vel e


evangelização.

24. Realização de lashmob pela cidade.

25. Servir algum tipo de lanchinho em postos de saúde, em diversos horários.

26. Oferecer um grande café comunitário para os desabrigados.

27. Realizar impactos evangelísticos em bairros estratégicos, incluindo


cultura, entretenimento, esportes e serviço sociais.

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28. Oferecer serenatas para os vizinhos.

29. Realizar dia da beleza para as mulheres em regiões mais carentes da


cidade (envolver profissionais ligados a corte de cabelo e manicure).

30. Incentivar e auxiliar os empresários da igreja a abençoar outros em-


presários com atitudes práticas.

31. Levar flores para o ambiente de trabalho e compartilhar com os seus colegas.
Coloque uma mensagem motivadora, em um cartão preso a cada flor.

32. Fazer um “kit antiestresse” para os universitários e entregar em sala de aula.


Você pode comprar uma bolinha antiestresse (de espuma), alguns doces e
chocolates, uma folha com 10 piadas (conteúdo sadio) e um livreto: Você
não está aqui por acaso.

33. Colocar corações de papel com uma mensagem “Você é especial para Deus.
Lembre-se disso!” e prenda nos para-brisas dos carros estaciona-dos na
faculdade.

34. Mobilizar seus colegas de trabalho a trazerem alimentos com um mês de


© Editora
antecedência e ao final ircomelesentregar Inspire emum dia
especial na ABAP. Chegando, faça uma oração e dê uma palavra de gratidão.

35. Ligar ou visitar para uma pessoa que está longe de casa e não vê a
família há muito tempo.

36. Decidir elogiar e agradecer pelo menos uma pessoa por dia.

37. Escrever um bilhete e dar um presente de agradecimento para alguém que


influenciou sua vida positivamente.

38. Presentear policiais com cartas de gratidão ilustradas por crianças com
alguns presentes.

39. Deixar outro motorista parar na sua vaga de estacionamento.

40. Dar uma gorjeta generosa com uma mensagem “Jesus te ama” para o
garçom, frentista e outros.

41. Descobrir uma necessidade de alguém que presta serviço a você e sur-
preendê-lo, suprindo esta necessidade.

42. Ajudar alguém a se reconciliar com algum amigo ou parente próximo.

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43. Pagar para a pessoa que estiver atrás de você na fila do cinema. Se ela
perguntar o motivo, diga a ela que foi Deus quem pediu para você fazer
isso.

44. Deixar uma nota de valor expressivo no bolso de alguém que você sabe estar
passando por dificuldade financeira.

45. Enviar uma cesta de café da manhã para uma família necessitada, com um
cartão feito por cada pessoa da sua família ou célula.

46. Realizar uma disputa de games (mobilize seus filhos na organização) com
premiação. No acontecimento dê uma palavra objetiva e ore pelos
convidados.

47. Prender uma sacolinha na porta do quarto de cada membro da família. Por
uma semana, coloque um presentinho, doce, ou bilhete na porta cada dia,
para que eles encontrem quando acordar de manhã.

48. Ajudar um amigo ou vizinho que perdeu o emprego a fazer um currículo.

49. Deixar um “crédito extra” em uma lanchonete para aquela pessoa que
estiver perto, aparentemente sem condições.
© Editora Inspire
50. Distribuir 40 livros que trará benefícios para a vida das pessoas (Suges-tões
da Editora Inspire: Quebre os mitos que te fazem sofrer, Palavras de Maria,
Código JMR).

51. Surpreender alguém em sua casa com um café da manhã na cama.

52. Desafiar os seus filhos na escolha de 02 brinquedos e 01 peça de roupa para


doar (condição nova ou seminova). Vá com eles a um orfanato e deixe-os
entregar a doação. O mesmo pode ser feito às crianças amigas de famílias
pobres.

53. Pedir a sua célula doação de um computador ou laptop usado. Doe para
uma pessoa necessitada e dê um curso de noção de informática e internet.
Pode ser uma pessoa idosa, vocês podem criar um e-mail e um perfil em
Rede Social para ela e passar a interagir com ela.

54. Oferecer aconselhamento jurídico, psicológico ou faça pesquisas para


idosos ou pessoas de baixa renda.

55. Conversar com sua célula e fazer uma semana para perdoar dívidas. Cada
um deve perdoar uma dívida.

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56. Matricular um adolescente carente no Colégio Inspire e custear um ano
de estudos.

57. Ajudar alguém a fazer uma mudança.

58. Transformar a república de um jovem.

59. Entregar um kit com doces e um livro para funcionários do shopping.

60. Estabelecer na sua empresa o costume de sempre dar um bom livro


cristão quando fechar um negócio.

61. Anunciar um curso de culinária gratuito, o participante deve trazer


apenas o material anunciado antes.

62. Fazer um dia de festa especial com as crianças de uma creche.

63. Fazer um mutirão de abraços grátis oferecendo cafezinho e pão às


pessoas em centros comerciais.

64. Visitar pessoas que estão afastadas da igreja que estejam em seu raio de
convívio.
65. Dar um suporte maior aos órfãos e viúvas de nossa igreja/comunidade.
© Editora Inspire
Fazer uma compra e levar roupas novas a viúvas, crianças, juniores e
adolescentes órfãos.

66. Entregar Bíblias em áudio no hospital Pró-Visão.

67. Fazer um encontro com professores da rede pública para dar um su-porte
físico e espiritual. Entregar algo que demonstre gratidão a eles.

68. Chegar mais cedo em seu trabalho e deixar um bombom com um reca-do
inspirador na mesa de cada colega.

69. Abençoar com palavras de fé as pessoas nos elevadores, nas filas etc.

70. Comprar presentes como livros, CDs ou DVDs e esperar na porta do Re-
começo (ministério que recebe novos convertidos após as celebrações) para
presentear alguém que aceitou Jesus.

71. Oferecer um suco, refrigerante ou uma fruta ao carteiro ou ao coletor de


lixos que passar em sua rua durante o dia.

72. Colocar em sua rede social pelo menos 03 frases inspiradoras por dia
durante 15 dias.

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73. Organizar visitas a Casas de Recuperação para levar amor e suprimen-tos
(com orientação do pastor da área).

74. Realizar um campeonato beneficente de futebol com os amigos. Doar para


a ação social (ABAP) valor adicional das inscrições.

75. Fazer um dia de contação de história para crianças da sua vizinhança e


presenteá-las com livros infantis cristãos (Sugestão Editora Inspire:
Série Iden idade: Monique & Henrique).

76. Fazer uma oficina de brinquedos artesanais para meninas e meninos e colocar
princípios espirituais nesse encontro para deixar uma semente ao coração
delas.

77. Ficar com os filhos de amigos para que o casal tenha uma noite especial.

78. Levar uma família amiga, que precisa de um descanso, para um fim de
semana de viagem e entretenimento.

79. Realizar consertos de roupa para a comunidade.

80. Juntar e doar brinquedos novos para a nossa creche.


81. Adotar uma praça © pertoEditoradasuacélulaInspire(procureorientação na Prefeitura).
82. Plantar em local direcionado, árvores frutíferas.

83. Distribuir bexigas e pirulitos para as crianças em locais de aglomera-ção na


cidade. Usar artes circenses (envolver o ministério da igreja).

84. Doar um dia de beleza e higiene para o pet (cão, gato) do seu vizinho.

85. Comprar pão e leite pelo menos três vezes na semana para um vizinho.

86. Recolher as folhas da calçada do seu vizinho.

87. Emprestar o seu carro reserva para alguém que não tenha carro para
passear com sua família.

88. Fazer uma compra significativa em um açougue e entregar para uma


família.

89. Ajudar durante uma semana uma mãe com bebê recém-nascido (dar todo
suporte).

90. Auxiliar uma família que esteja passando por um momento de


enfermidade.

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91. Promover um chá da tarde para mulheres.

92. Melhorar o estado do carro de alguém.

93. Ajudar a terminar uma construção da casa própria de alguém.

94. Demonstrar gratidão aos times de São José dos Campos (Futsal, Vôlei,
Basquete etc.) pela campanha nos campeonatos. Levar presentes aos
jogadores e literatura de espiritualidade.

95. Fazer uma carreata de oração com sua célula pela cidade.

96. Enviar pelo site da prefeitura palavras de bênçãos e gratidão para o nosso
prefeito.

97. Dar uma oferta exponencial para alguém (peça para Deus lhe mos-trar a
pessoa).

98. Colocar crédito no celular e ir a rodoviária e oferecer as pessoas para ligar


para seus familiares.

99. Oferecer um almoço para os seus pais e surpreendê-los com um pre-sente


e gestos de amor.
© Editora Inspire
100. Pagar por um espaço publicitário em jornais, sites importantes da cida-de e
outdoor para colocar a frase: Eu amo a minha cidade e oro por ela!

101. Dar uma pequena lembrança às pessoas que inspiram você.

102. Colocar corações com recados ou passagens bíblicas e pendurar nas


árvores de uma praça perto da sua célula.

103. Fazer pedalada musical. Com sua célula, convidar amigos para andar de
bicicleta e cantar canções durante o trajeto.

104. Fazer vasos decorativos com materiais reciclados e distribuir para as


pessoas do seu condomínio.

105. Fazer um dia de lava carro gratuito para as pessoas do seu condomínio.

106. Fazer um café da manhã para as pessoas da rua onde acontece sua célula.

107. Montar uma tenda na praça ou centro da cidade e oferece oração


gratuita às pessoas.

108. Montar uma tenda na praça ou centro da cidade e oferece livros cris-tãos
gratuitos às pessoas.

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109. Pagar a compra de supermercado de um idoso em bairro carente.

110. Organizar ajuda orfanatos, asilos, creches e convidar amigos não cren-tes
para “Dia do Serviço Amigo”.

111. Organizar encontros para integrar amigos não crentes na célula (fute-bol, noite
da pizza, churrasco).

112. Marcar um jantar de gratidão a um amigo não crente que o ajudou em um


momento importante da sua vida.

113. Usar as redes sociais para abençoar a vida das pessoas.

114. Organizar com usa célula a doação de 1 semana das férias em ação
missionária (Lar Batista-orfanato, Haiti, Senegal etc.).

O VALOR DA FORMAÇÃO DE LÍDERES

Um é um número muito pequeno para quem pretende fazer grandes coi-sas.


Precisamos de outras pessoas. Este é um dos princípios abordados por
John Maxwell, em seu livro 17 Incontestáveis Leis do Trabalho em Equipe, que
reflete sobre o exemplo ©EditoradeliderançadeInspireJesus.
Uma coisa é certa: Jesus e Seus discípulos são modelos realmente con-fiáveis
para o trabalho em equipe eficaz. Ainda que a Bíblia esteja cheia de ilustrações
de líderes individuais, Jesus distingue-se porque escolheu desenvolver uma
equipe. Com apenas três anos para completar Sua obra, Jesus optou pela árdua
tarefa de formar uma equipe como método primor-dial de Seu ministério.
Certamente, poderia ter uma velocidade maior tra-balhando sozinho, pois Ele é
Deus. Porém, optou por cumprir Sua missão por meio de uma equipe.

O exemplo de Jesus nos ensina que pessoas estão acima das tarefas. Ele não
deixou de cumprir as tarefas, mas deu muito valor àqueles que estavam perto. Ao
liderar e mobilizar pessoas, nunca se esqueça de que pessoas estão acima de
projetos, metas e números. Como sempre falamos em nossa igreja, os eventos
passam, as pessoas ficam. Elas são nosso maior investi-mento e o seu mais alvo
como líder.

A missão de Jesus tinha um tempo específico para acontecer, mas Sua equipe foi
o instrumento usado por Deus para a continuidade da missão de

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Cristo na Terra. Como Jesus nos ordenou: “Portanto, vão e façam discípulos de
todas as nações, ba izando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,
ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com
vocês, até o fim dos tempos” Mateus 28.19-20. Formar novos líderes está no
coração de nossa missão.

John Maxwell nos lembra que “formar uma equipe é uma tarefa dura, mas rende
grandes resultados” (MAXWELL, 2008). A equipe de Jesus é o melhor exemplo
desta máxima, e este também pode ser o exemplo de sua célula. O trabalho em
equipe e a formação de novos líderes realizados Jesus gerou o avanço do Reino,
uma multiplicação do fruto de Sua ação. Portanto, seja intencional e persistente
ao liderar pessoas e formar novos líderes.

Por vezes, teremos de enfrentar sentimentos de insegurança, egoísmo, orgulho,


medo ou controle. Liderar pessoas não é fácil. Nem mesmo Jesus deixou de ser
traído por um membro de sua equipe. Contudo, persevere! Quando somos
dirigidos pelo Espírito Santo, seremos “Barnabés” e “Eliseus” de nossa geração.
Grandes resultados virão a partir de sua liderança!

© Editora Inspire

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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

1. De acordo com o texto, destaque algumas características do modelo de


liderança de:

a. Barnabé

b. Eliseu

2. Quais são os estilos de liderança com os quais você mais se identifica? Cite
pelo menos dois.

3. Escolha uma sugestão de Atos de Bondade e, sucintamente, esboce uma


apresentação de projeto para sua concretização, utilizando os pontos
apresentados nesta lição.

© Editora Inspire

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BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. São Paulo: Vida, 2000.

HUBER, A. Discipulado Um a Um. Fortaleza: MDA Publicações, 2011.

HYBELS, B. Liderança Corajosa. São Paulo: Vida, 2010.

MAXWELL. J. 17 Incontestáveis Leis do Trabalho em Equipe. São Paulo:


Thomas Nelson, 2008.

PROCHONW, Schaffer, 1999 apud ONU, 1984.

©EditoraInspire
LEITURA OBRIGATÓRIA

KORNFIELD, D. O líder que brilha. São Paulo: Vida, 2007.

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