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NÚCLEO DE ESTUDOS PRÓ-VIDA MANAUS

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DESCONSTRUINDO ALGUNS ARGUMENTOS ABORTISTAS

Todos já nos deparamos com os argumentos clássicos dos defensores do aborto,


repetidos incessantemente nos meios de comunicação da mídia, redes sociais, “estudos” e nas
palavras dos ativistas favoráveis à liberdade de “interromper a gestação”.

Trata-se, infelizmente, de uma discussão muitas vezes apelativa e sentimental, em que


os abortistas confiam no apelo emocional de seus discurso e no financiamento de fundações
internacionais, mais que na sustentação racional de suas teses:

Critérios superficiais, sem aprofundamento e precipitados são adotados


para justificar procedimentos traumáticos, que geram remorso, complexo
de culpa, dramas psicológicos em mães que abortam sem ter a devida
informação do que lhes possa acontecer. Parece que a única preocupação
está em encontrar alternativas e justificativas para se ‘livrar’ de uma
gravidez indesejada. Não se leva em conta o valor absoluto da vida humana
nem as diversas implicações ao redor deste procedimento agressivo.1

Porém, será que esses argumentos sobrevivem a um exame mais apurado? Abaixo,
listamos, alguns dos principais argumentos defensores do aborto, e como eles não se sustentam
diante da realidade:

1 – DEVE SER PERMITIDO O ABORTO NO CASO DO ESTUPRO

“Se uma criança é concebida a partir de estupro ou incesto, por que é justo sujeitá-la a nove meses
de gravidez que envolve uma lembrança todos os dias do que ela passou?”

Em primeiro lugar, trata-se de uma falsidade estatística. Nos Estados Unidos, por
exemplo, onde o aborto é legalizado há décadas, e onde várias organizações tanto a favor quanto
contra o aborto coletam estatísticas, as análises mais recentes demonstram que os abortos por
violação e incesto representam menos de 1% de todos os casos2.

1 Cartilha Aos Jovens com Afeto, Setor Juventude – CNBB.


2 http://www.operationrescue.org/about-abortion/abortions-in-america/
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Isso acontece primeiro porque há menos estupros do que se alardeia, segundo porque
nestes casos, o próprio trauma da situação faz com que as mulheres tenham dificuldade de
engravidar. E mesmo naqueles casos em que isso acontece, é um erro supor que permitir o aborto
aliviará o sofrimento da mulher.

Além disso, os defensores do aborto se esquecem que, se levar a gravidez até o fim é
fonte de sofrimento e fere a liberdade da mulher, de outro lado a perca relativa ao bebê por nascer
é muito maior, pois este perde o bem jurídico supremo, que é a vida. Nenhum nível de sofrimento
pode justificar o assassinato de um inocente, pois o bebê fruto do estupro não escolheu estar nessa
situação, e não pode ser penalizado como se fosse culpado:

Quanto à gravidez, raramente, ocasionada por estupro, é irrefutável que é


traumática e dolorosa, entretanto questiona-se: quem deverá ser punido?
Ficará a vítima, a mulher, isenta de traumas após o aborto? Não se
compreende que à violência que a infelicitou e que a deplora será somada
a uma violência maior, praticada conscientemente e com sentimento de
vingança? E o ser que se desenvolve que culpa lhe é facultada para que seja
condenado à morte? Não seria mais humana, mais sensata, a criação de
um programa de apoio (psicológico, médico, financeiro) à mulher e ao
bebê?3

Por fim, independente da origem consensual ou não da gravidez, a biologia ensina que
o corpo da mulher se prepara, física e hormonalmente, para receber o bebê, com profundas
consequências também no campo psicológico. Interromper esse processo, longe de diminuir,
muitas vezes agrava o trauma da gestante, que leva muito mais tempo para se recuperar. O que nos
leva ao próximo ponto.

3Fernanda Patrícia Lopes Matos. Aborto: liberdade de escolha ou Crime. Universidade Presidente Antônio Carlos.
Barbacena/MG, 2011.
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2 – NÃO HÁ TRAUMAS FÍSICOS NEM PSICOLÓGICOS NA PRÁTICA DO ABORTO

“Se o aborto fosse legalizado, as mulheres poderiam ter acesso a um procedimento seguro e
higiênico, e sairiam dele sem maiores complicações, nem traumas. Impedir a prática do aborto é
traumatizar as mulheres”.

Vende-se a ideia de que, legalizado o aborto, não haveria maiores complicações para a
mulher, que sairia da clínica ou do hospital despreocupada e sem maiores consequências; contudo,
a prática empírica e a produção científica, há muitos anos, concluem em sentido contrário.

Diversas publicações acadêmicas e periódicos nas áreas de medicina, direito,


enfermagem e psicologia dão prova de que há muito tempo se sabe que todo aborto, legal ou ilegal,
espontâneo ou provocado, agride profundamente o corpo e também a saúde mental da mulher que
passa por essa situação:

No que diz respeito às complicações, é importante ressaltar que as


complicações físicas do aborto podem estar presentes em decorrência do
próprio processo de abortamento ou pelos procedimentos realizados para
tratamentos. Essas complicações podem ser classificadas em grandes
hemorragias, perfurações uterinas decorrentes de sondas ou cânulas,
ulcerações do colo ou vagina por uso de comprimidos, infecções,
esterilidade secundária a salpingite, salpingite crônica, algias pélvicas,
transtornos menstruais e complicações obstétricas, tais como inserção
anormal da placenta, abortamentos habituais, partos prematuros, dentre
outras4.

E ainda:

O aborto não é isento de risco. As complicações resultantes dele são das


mais diversas ordens, e a mulher nesta situação poderá apresentar ou não:
hemorragia, infecção, perfuração uterina, laceração cervical, esterilidade,
culpa, depressão e morte materna.5

4Carvalho GM. Enfermagem em obstetrícia. São Paulo (SP): EPU; 1990;


5 Burroughs A. Uma introdução à enfermagem materna. Traduzido por Thorell AMV. 6a ed. Porto Alegre: Artes Médicas;
1995. p.339-41; 376-9.
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Em artigo publicado em uma famosa revista brasileira de enfermagem, foram


enumeradas as seguintes consequências da prática do aborto:

dor relacionada com as cólicas abdominais e com contrações da


musculatura uterina; alteração da autoestima relacionada com os
sentimentos de culpa pelo abortamento; risco de traumatismo relacionado
com a retenção de tecido e a exigência de cirurgia para o esvaziamento
uterino; estresse causado pelo não cumprimento dos ritos religiosos
fúnebres do casal e/ou da mulher; riscos de traumatismos relacionados
com a possível isoimunização de uma mãe portadora de fator Rh negativo6.

De fato, o trauma enfrentado pelas mulheres que abortam, mesmo involuntariamente,


é tão vastamente documentado pela prática da medicina, enfermagem e psicologia que recebe um
nome próprio, Síndrome Pós-Aborto, assim descrita em um livro de Medicina Publicado no Brasil:

As mulheres sofrem de Síndrome Pós-aborto, experimentando o “luto


incluso”, uma dor que na maioria das vezes é negada mesmo quando uma
morte real ocorreu. Por causa desta negação, o luto “não pode”
praticamente existir. Mesmo assim, a dor da perda ainda está presente e
muitas têm “flashbacks” da experiência do aborto e inclusive pesadelos
sobre o bebê e até mesmo sofrimento no aniversário da morte.7

Assim, longe de resolver, a legalização do aborto tem o potencial de aumentar, e muito,


o trauma na vida das mulheres. Isso porque, se toda experiência abortiva é potencialmente
traumática, no caso do aborto provocado, o trauma costuma ser muito maior. Uma pesquisa médica
realizada no exterior chegou à seguinte conclusão:

O aborto, no caso de ser provocado, causa ansiedade, depressão, culpa e


vergonha por até cinco anos. Os abortos naturais causam depressão e
ansiedade apenas durante os seis primeiros meses depois da perda do

6 Solange Maria dos Anjos Gesteira, Vera Lúcia Barbosa e Paulo César Endo. O luto no processo de aborto provocado.
Revista Acta Paul Enferm, 2006, 19(4): 462-7;
7 Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas; 1994;
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bebê, enquanto que os abortos provocados têm um efeito mais negativo


psicologicamente e mais duradouro.8

Como se pode ver, portanto, os defensores da causa pró-vida possuem grande


embasamento científico em sua luta pela preservação da integridade física tanto do bebê por nascer
quanto da sua mãe. Não é, como gostam de afirmar os defensores do aborto, uma posição apenas
dogmática, religiosa.

Aliás, esse também é um mito que vale a pena destruir.

3 – O INÍCIO DA VIDA NA CONCEPÇÃO É UMA POSIÇÃO RELIGIOSA

“Vocês são contra o aborto por causa da religião. Não existe base científica para ser contrário ao
aborto. Isso é a Igreja querendo impor a sua visão moralista, dogmática, atrasada. A ciência não vê
problema na prática do aborto no início da gestação, pois não se está diante de uma vida humana”.

Mesmo já tendo enumerado várias produções científicas ao longo dos anos, algumas
listadas neste material, que demonstram cabalmente como o aborto é comprovadamente
prejudicial e traumático para a mulher em qualquer caso, os defensores do aborto geralmente
insistem que a defesa da vida trata-se de uma posição religiosa, sem nenhuma base científica, e que
a Igreja quer impor a sua visão aos cientistas e à sociedade, especialmente ao dizer que a vida
humana começa na concepção, quando na verdade o bebê no início da gestação seria apenas um
amontoado de células.

Porém, na verdade para muitos estudiosos do tema foram os avanços da ciência que
influenciaram na tomada de posição da Igreja, e não o contrário. A defesa da vida desde a concepção
nasceu inicialmente no meio científico, e a partir das conclusões da ciência foi que a Igreja firmou
posição no sentido de defender a vida humana desde a concepção:

Em 1827 Karl Emst von Boar descreveu pela primeira vez o processo de
concepção, e em meados do século XIX os médicos estavam já
completamente convencidos da existência desse processo. Muitos
médicos começaram então uma campanha para proibir o aborto. A frase

8 Broen AN, Moum T, Bodtker AS, Ekeberg O. The course of mental after miscarriage and Induced abortion: a
longitudinal, five-year follow-up study. BMC Med 2005; 3:18.
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que todos pensam ter sido inventada pelo Vaticano ‘a vida humana
começa no momento da concepção’, data, de fato, dessa campanha
iniciada pelos cientistas no século XIX9.

Além disso, há inúmeros exemplos históricos de pessoas absolutamente


descomprometidas com a religião, e que mesmo assim sempre se posicionaram contra o aborto,
por argumentos científicos e filosóficos.

Na Grécia antiga, Hipócrates, pai da Medicina, cujo juramento é até hoje recitado por
médicos no dia de sua graduação mundo afora, já havia chegado à conclusão de que a vida humana
se inicia no momento em que a semente do homem encontrava-se com a semente da mulher, e que
a partir daí já se estava diante de uma nova vida, cuja continuidade não poderia ser interrompida.
É por isso que no juramento que ele elaborou para os médicos se lê:

A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho


que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma
substância abortiva10.

O pensamento de Hipócrates era defendido pelo menos desde o século II pela Escola de
Alexandria, uma importante corrente filosófica do início de nossa era, absolutamente desvinculada
de crenças religiosas. Esses filósofos eram conhecidos como ecléticos justamente porque seu
objetivo era procurar a verdade onde quer que se encontrasse, independente de preconceitos ou
de crenças anteriormente formadas.

Aliás, quem também argumentava, junto com Hipócrates e com os alexandrinos que um
novo ser humano ocorria no que hoje se chama concepção eram os epicuristas, que hoje seriam
considerados, ateus ou pelo menos indiferentes do ponto de vista religioso:

Hipócrates defendia que o novo ser surge da fusão do sêmen masculino


com o sêmen feminino (...) posição defendida pelos epicuristas e pela
Escola de Alexandria11.

9 Fernanda Patrícia Lopes Matos. Aborto: liberdade de escolha ou Crime. Universidade Presidente Antônio Carlos.
Barbacena/MG, 2011;
10 https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Historia&esc=3

A dignidade do Embrião Humano. Diálogo entre Teologia e Biotética. Mário Antonio Sanches, José Odair Vieira e
11

Evandro Arlindo de Melo. Editora Ave-Maria, São Paulo, 2012, p. 44.


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Também um dos primeiros pensadores cristãos a se debruçar sobre a matéria, São


Basílio, que viveu na região hoje correspondente à Turquia, quando se manifestou sobre o aborto,
não invocou argumentos religiosos, mas filosóficos. Para ele, como não era possível saber onde ao
certo se origina a vida humana, intervir na gravidez em qualquer momento seria assumir o risco de
matar um ser humano inocente, o que é inaceitável mesmo nas ordens jurídicas dos Estados laicos,
que não professam nenhuma fé religiosa nem usam a religião como parâmetro para suas ações.

Esse mesmo raciocínio foi desenvolvido em tempos mais recentes pelo filósofo Olavo de
Carvalho, também em argumentação desvinculadas de qualquer sentido religioso:

Não havendo certeza absoluta da inumanidade do feto, extirpá-lo


pressupõe uma decisão moral (ou imoral) tomada no escuro. Podemos
preservar a vida dessa criatura e descobrir mais tarde que empenhamos
em vão nossos sentimentos éticos em defesa do que não passava, no fim
das contas, de mera coisa. Mas podemos também decidir extirpar a coisa,
correndo o risco de descobrir, tarde demais, que era um ser humano. Entre
a precaução e a aposta temerária, cabe escolher? (...) Apostar na
inumanidade do feto é jogar na cara ou coroa a sobrevivência ou morte de
um possível ser humano (...). Nenhuma vantagem defensável ou
indefensável, nenhum benefício real ou hipotético para terceiros pode
justificar que a vida de um ser humano seja arriscada numa aposta12.

Igualmente, quando no século XIII Santo Tomás de Aquino argumenta a favor da


existência de uma alma, de um princípio vital no feto por nascer, não é apelando à Deus ou à Bíblia,
mas a argumentos racionais retirados da filosofia:

Alguns disseram que as operações vitais que se manifestam no embrião


não provém de sua alma, mas da alma da mãe, ou ainda de uma potência
formativa presente no sêmem. Ambas as opiniões são falsas. De fato, as
operações vitais, como sentir, alimentar-se, crescer, não podem provir de
um princípio exterior. Portanto, é preciso dizer que a alma preexiste no
embrião.13

12 Olavo de Carvalho. O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Record, 2013, São Paulo, p. 384.
13 Suma Teológica, V, questão 118, a.2 e a.3.
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Portanto, foi o avanço da ciência, e não o dogmatismo, que levaram a Igreja a defender
a vida humana desde a concepção. A Igreja não tomou uma decisão anticientífica, pelo contrário, a
sua posição a respeito da defesa humana desde a concepção começou a se propagada com firmeza
a partir das descobertas científicas.

Especialmente a Biologia, e especialmente a Genética, permitem concluir sem sombra


de dúvidas de que, desde a fecundação, já se está diante de um ser humano:

Desde a concepção a criança é um organismo complexo, dinâmico e em


rápido crescimento. Na sequência de um processo natural e contínuo o
zigoto irá, em aproximadamente nove meses, desenvolver-se até aos
trilhões de células do bebê recém-nascido. O fim natural do
espermatozoide e do óvulo é a morte, a menos que a fertilização ocorra.
No momento da fertilização um novo e único ser é criado, o qual, embora
recebendo metade dos seus cromossomos de cada um dos progenitores, é
completamente diferente deles14.

E ainda:

O desenvolvimento humano começa depois da união dos gametas


masculino e feminino durante um processo conhecido como fertilização
(concepção) (...). Este óvulo fertilizado, conhecido como zigoto, é uma
larga célula diploide que é o começo, o primórdio de um ser humano15.

Inclusive dentro do Direito, que também é ciência, não faltam aqueles que, sem
necessidade de qualquer argumento religioso, defendem a necessidade de preservação da vida
intrauterina. O Ministro aposentado do STF Eros Grau, em recente artigo jornalístico, assim se
pronunciou:

Fetos são seres humanos que podem receber doações, figurar em


disposições testamentárias e ser adotados, de modo que a frustração da
sua existência fora do útero materno merece repulsa. Fazem parte do

14 Books, 1997, p. 39. Relatório do American College of Obstretics and Gynecology para a Suprema Corte dos EUA, de
Outubro de 1971, nº 70-18, Roe vs. Wade, e nº 70-40, Doe vs. Bolton.
15 Morre, Keith L. Essentials of Human Embryology. Toronto: B.C. Decker, 1998, p.2.
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gênero humano, são parcelas da humanidade. Há, neles, processo vital em


curso16.

Ainda no campo do Direito, em julgamentos anteriores no STF, quando ainda não era
ocupado por pessoas ideologicamente comprometidas, vemos outra linha de argumentação em
defesa da vida humana que nada tem de religiosa:

A dignidade da pessoa humana é princípio tão relevante para a nossa


Constituição que admite transbordamento, transcendência ou irradiação
para alcançar, já no plano das leis infraconstitucionais, a proteção de tudo
que se revele como o próprio início e continuidade de um processo que
deságue, justamente, no individuo-pessoa. Caso do embrião e do feto,
segundo a humanitária diretriz de que a eminência da embocadura ou
apogeu do ciclo biológico justifica a tutela das respectivas etapas. Razão
porque o nosso Código Civil se reporta à lei para colocar a salvo, ‘desde a
concepção, os direitos do nascituro’ (...) que são direitos de quem se
encontre a caminho do nascimento. (...) Pois essa aptidão para avançar,
concretamente, na trilha do nascimento é que vai corresponder ao
conceito legal de ‘nascituro.’17

Na verdade, tanto o impedimento do aborto não é uma questão religiosa que até entre
os mais famosos ateus de nossa época se encontram pessoas contrárias à sua prática. Exemplo é o
do escritor Christopher Hitchens, falecido em 2011, que foi uma das vozes fortes a nível mundial
contra a religião e a favor de seu abandono em favor da “ciência” do século XXI, e que ao ser
questionado se já se estava diante de uma vida humana a partir da concepção, disse:

Eu já tive muitas discussões com alguns dos meus colegas materialistas e


secularistas sobre este ponto, mas acho que, se o conceito de ‘criança’
significa alguma coisa, o conceito de ‘criança ainda não nascida’ também
pode significar algo. Todas as descobertas da embriologia, que têm sido
muito consideráveis na última geração, parecem confirmar aquela opinião,
que eu acho que deve ser inata em todos nós. É inato no juramento de

16 https://oglobo.globo.com/opiniao/juizes-que-fazem-as-suas-proprias-leis-20622275;
17 STF, ADPF 54, p. 169.
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Hipócrates. É o instinto de qualquer um que já viu um ultrassom. Portanto,


a minha resposta é ‘sim’18.

Fica claro, portanto, que o entendimento de que a vida humana se inicia na concepção
não é uma posição exclusivamente religiosa, pelo contrário, são as conclusões da ciência e da
filosofia que são segurança para que os religiosos defendam a vida desde a concepção.

Porém, os abortistas não desistem e argumentam que o bebê é apenas um amontoado


de células dentro da barriga da mãe. Isso também não é verdade.

4 – O FETO É APENAS UM AMONTOADO DE CÉLULAS NO CORPO DA MÃE

“Humano ou não, no início da gestação ele é apenas um amontoado de células que não vive fora do
corpo da mãe. Não sente dor, não pensa, não tem interesses próprios. Não há problema em expulsá-
lo. Meu corpo, minhas regras”.

Alguns abortistas não apenas negam que o bebê dentro da barriga da mãe seja uma vida
humana. Vão mais longe e afirmam mais ainda, dizem que, pelo menos no início da gravidez, não se
poderia sequer considerar o bebê como um ser vivo autônomo, mas apenas um amontoado de
células dentro da barriga da mãe, de forma que a mulher pode expulsá-lo quando bem entender.

De princípio, vale dizer que, ainda que o feto fosse uma parte do corpo da mãe, isso
seria irrelevante em uma discussão séria. Segundo o professor de filosofia da Universidade do
Estado de Nova Iorque em Buffalo, David Herhenov:

Na verdade, não importa se o feto é uma parte do corpo da mãe. Vamos


considerar gêmeas siamesas que compartilham partes do corpo que são
vitais para cada uma. Nenhuma das duas deveria ser capaz de controlar
essas partes compartilhadas e tomá-las para si em uma separação
cirúrgica. Então tal partilha não importa moralmente, pois não há limites
para o que uma pessoa pode fazer com as partes do seu próprio corpo. O

18 https://pt.aleteia.org/2014/08/11/uma-poderosa-argumentacao-laica-e-ateia-contra-o-aborto/
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que importa moralmente são outros fatores, como o valor das gêmeas
siamesas e a sua capacidade de serem prejudicadas e beneficiadas19.

De fato, ainda que se considerasse um feto como sendo apenas uma parte da mulher,
isso ainda não seria suficiente para justificar o seu abortamento. Pensar diferente seria admitir que
qualquer um de nós pode, livremente, arrancar o próprio braço, ou a perna, ou um pulmão. Porém,
trata-se de uma loucura.

Se matar inocentes fosse permitido apenas quando eles fossem partes,


então recém-nascidos poderiam ser mortos antes de cortar o cordão
umbilical, enquanto embriões que ainda não se prenderam à parede
uterina não poderiam ser descartados20.

De fato, quer-se afirmar que a dependência do feto da mãe, especialmente quando


ainda não é viável fora do útero, ou seja, não é capaz de viver sozinho, justifica o argumento de que
seria apenas uma parte das entranhas da mulher.

Porém, por esse raciocínio, até mesmo solitárias e lombrigas, que não possuem
viabilidade fora do organismo humano, deveriam ser considerados partes dele, e o ato de tomar
remédios para matar os vermes deveria ser considerado um atentado contra a própria integridade
física.

É fácil de ver, portanto, que esse argumento não se sustenta. Pois o que determina uma
nova vida não é a dependência temporária de um hospedeiro ou a complexidade do organismo:

A diferença crucial não a complexidade; é que, no caso da vida, as peças


têm potencial ativo de se auto-organizar e não dependem, à primeira vista,
de um princípio ordenar extrínseco. A razão de um organismo vivo lhe é
intrínseca. Por isso não há nada mais estranho do que a expressão ‘apenas
um amontado de células’ para justificar o aborto (44)21.

19https://www.gazetadopovo.com.br/justica/dez-argumentos-ruins-mas-populares-a-favor-do-aborto-

0sjxgcpngro835cveciup2umn.

20 Idem.
21 Francisco Razzo. Contra o aborto. Record, 2017, Sâo Paulo, p. 44.
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Como já vimos anteriormente, a partir da concepção nasce um novo ser com material
genética diferente do da mãe. É um patrimônio genético único, que já possui em si mesmo todo o
princípio ativo de seu desenvolvimento:

O nascituro atende aos critérios determinados pela própria biologia: é um


organismo vivo e sem dúvida da espécie humana. Assim como atende a um
critério filosófico: é um indivíduo cuja capacidade de
autodesenvolvimento para vida racional e consciente futura configura sua
própria condição.22

Argumentar que o bebê não é um ser autônomo porque ainda não possui pensamentos
e vontade própria, porque ainda não possui consciência, é o mesmo que dizer que o ser humano só
conserva esta capacidade enquanto está acordado.

Pessoas em coma, em estado vegetativo ou mesmo dormindo não poderiam ser


consideradas humanas e poderíamos mata-las sem problemas. Isso não é verdade nem nos casos
de ausência de consciência prolongada (no caso de comas que se arrastam por meses ou anos),
como poderá ser num caso em que se sabe que, dentro em pouco tempo, o cérebro estará formado?

O ser humano não deve ser considerado uma pessoa somente a partir do
momento em que ele desenvolve o sistema nervoso central capaz de
consciência e racionalidade (...): é por ele já ser uma pessoa que
desenvolverá o sistema nervoso central capaz de consciência e
racionalidade.23

Porém, os abortistas ainda possuem uma úlima carta na manga, que é a de apelar para
o fato de que o aborto seria uma questão humanitária a nível mundial.

22 Francisco Razzo. Contra o aborto. Record, 2017, Sâo Paulo, p. 62.


23 Francisco Razzo. Contra o aborto. Record, 2017, Sâo Paulo, p. 63.
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5 – LIBERAR O ABORTO É UMA QUESTÃO HUMANITÁRIA

“Precisamos liberar o aborto pois é uma forma de garantir que não faltem alimentos, nem espaço.
É resolver o problema da superpopulação e ajudar os pobres a melhorarem a sua condição social.
Permitir o aborto é fundamental para o desenvolvimento da humanidade”.

Os defensores do aborto gostam de enxergar a si mesmos como pessoas que defendem


o mais elevado grau de altruísmo possível. Não se trata apenas de ser a favor das mulheres, mas a
favor da humanidade. Em um mundo com tanta desigualdade, fome, pobreza, não se pode permitir
que nasçam pessoas em excesso, especialmente em famílias de baixa renda. O aborto é vendido
como uma maneira de garantir a ascensão econômica dos mais pobres e ao mesmo preservar o
planeta, já que o menor número de seres humanos implica no menor consumo de recursos naturais.
Historicamente, porém, a legalização do aborto nos tempos modernos está
indissociavelmente ligada ao preconceito e à discriminação, especialmente contra os negros,
indígenas, e contra os pobres. Para se ter uma ideia, uma das primeiras nações a planejar o aborto
como programa de governo foi a Alemanha nazista de Hitler. O plano era legalizar o aborto nos
países da União Soviética que fossem conquistados pela máquina de guerra alemã, para garantir
que, a longo prazo, os eslavos fossem exterminados por ausência de nascimentos suficientes para
repor a população, o que ficou conhecido como genocício diferido ou genocídio de efeito retardado.

Os planos estão amplamente detalhados em documentos daquela época:

Deve-se incutir na população russa, por todos os meios de propaganda,


particularmente pela imprensa, rádio, cinema, panfletos, folhetos e
conferências, que um grande número de filhos não é, senão, um pesado
fardo. Deve-se insistir nas despesas que os filhos dão, nas boas coisas que
poderiam ter com o dinheiro gasto com eles. Poder-se-ia até mesmo
mencionar os perigos que os partos representam para a saúde da mulher
(...). Ao mesmo tempo, deve-se estabelecer uma propaganda ampla e
poderosa a favor dos produtos contraceptivos. Deve-se criar uma indústria
apropriada para este objetivo. A lei não castigará nem a divulgação, nem a
venda dos produtos contraceptivos, nem tampouco o aborto. A criação de
instituições especiais para o aborto deverá ser facilitada; treinar para isso
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as parteiras ou enfermeiras (...). Os médicos devem participar sem que isso


atente contra sua honra. A propaganda deve recomendar igualmente a
esterilização voluntária24.
E não apenas na Alemanha nazista, mas também nos Estados Unidos, a promoção do
aborto está ligada diretamente a práticas de eugenia, ou seja, de favorecimento de uma raça ou de
uma classe econômica em detrimento daqueles considerados indesejáveis para a sociedade. O
exemplo mais emblemático é a Planned Parenthood, maior rede de clínicas de aborto daquele país:

Criada em 1916 por Margaret Sanger, ícone do movimento feminista, a


Planned Parenthood (Paternidade Planejada) começou como um centro de
informações e consulta sobre sexualidade e contracepção para mulheres
no Brooklyn. Hoje, é responsável pela metade dos abortos legais feitos nos
Estados Unidos25.
Desde a sua fundação, a organização recebe as mais diversas acusações, desde a venda
de partes de bebês para a indústria de cosméticos até a manipulação de exames para induzir as
mulheres que comparecem aos seus consultórios para abortarem em decorrência de uma suposta
gravidez de risco. Mas isso não é tudo:

A organização também carrega acusações de racismo, que têm origem na


fundadora, Margaret Sanger, e o apoio dela, nas primeiras décadas do
século XX, à eugenia — ideologia pseudocientífica por trás dos horrores do
nazismo. Em um texto de 1921, Sanger foi clara quanto à defesa da
eugenia: ‘O problema mais urgente hoje é como limitar e desencorajar a
fertilidade dos deficientes físicos e mentais’26.

De fato, apesar de o aborto ser legalizado nos Estados Unidos, e sendo a Planned
Parenthood a maior empresa de aborto na América do Norte, suas clínicas são
desproporcionalmente localizados em bairros pobres e da periferia, o que tem levado à progressiva
diminuição do percentual de população negra nos Estados Unidos.

24 Dr. Wetzel, recomendações escritas a pedido de Himmler, com relação às populações dos territórios russos a serem
ocupados. Disponível em Cultura da Morte – o grande desafio da Igreja. Monsenhor Juan Claudio Sanahuja, Editora
Katechesis, 2014, p. ;
25 http://www.gazetadopovo.com.br/ideias/o-que-e-a-planned-parenthood-e-por-que-ela-esta-na-mira-do-partido-
republicano-162oizhag4fmvukpufw7ksony;
26 http://www.gazetadopovo.com.br/ideias/o-que-e-a-planned-parenthood-e-por-que-ela-esta-na-mira-do-partido-
republicano-162oizhag4fmvukpufw7ksony;
NÚCLEO DE ESTUDOS PRÓ-VIDA MANAUS

Deixai vir a mim as criancinhas (Mt 19, 14) Página 15 de 16

Essa situação é descrita no documentário Blood Money27, que denuncia o extermínio da


população negra nos EUA pela via do aborto, bem como muitos outros escândalos envolvendo a
indústria do aborto legalizado.

Na verdade, ao contrário do que querem veicular os defensores do aborto, a sua defesa


nada tem de humanitário. Longe de melhor a situação dos países que o legalizam, a maioria das
nações que aprova o aborto enfrenta, a longo prazo, graves crises econômicas decorrentes da falta
de jovens para sustentar a previdência e preencher os postos de trabalho.

Além disso, a solução do aborto esconde uma profunda indiferença pelos pobres,
dando-lhes a permissão para que matem seus próprios filhos, ao invés de que sejam tomadas
efetivas medidas na distribuição justa de alimentos e outros recursos ao redor do mundo. A via do
aborto na verdade permite que os ricos e as nações prósperas se liberem do dever de ajudar os
países subdesenvolvidos, situação que foi denunciada pelo Papa Paulo VI diversas vezes nas Nações
Unidas:

Perante as dificuldades que se devem superar, a tentação de se dedicar,


com autoridade, a diminuir o número dos convidados, em vez de
multiplicar o número do pão a ser dividido, é sem dúvida forte28.

E ainda:

É inadmissível que aqueles que controlam as riquezas e os recursos da


humanidade tratem de resolver o problema da fome proibindo que
nasçam pobres ou deixando morrer de fome crianças cujos pais não se
encaixam na estrutura dos planos teóricos baseados em puras hipóteses
sobre o futuro da humanidade (...).

Ora, não é uma nova forma de fazer a guerra impor às nações uma política
demográfica restritiva para assegurar-se que não reclamarão a parte que
lhes corresponde dos produtos da terra?29

27Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6i5m6j6ffrM;


28 PapaPaulo VI, discurso à Assembleia Geral da FAO, 16/11/1970.
29 Papa Paulo VI, Discurso para a FAO, 1970.
NÚCLEO DE ESTUDOS PRÓ-VIDA MANAUS

Deixai vir a mim as criancinhas (Mt 19, 14) Página 16 de 16

Em verdade, muitas agências de desenvolvimento econômico condicionam o


fornecimento de ajuda financeira a países subdesenvolvidos à aprovação do aborto na legislação
dessas nações. Não é o humanitarismo, mas a imposição do assassinato de bebês não nascidos a
povos que se encontram em situações desesperadoras.

Por fim, vale ressaltar que, ao contrário das abortistas, normalmente são os pró-vida
que ajudam as mulheres que se encontram em situação de vulnerabilidade, como demonstra, a
nível de Brasil, o eloquente testemunho da ex-fundadora e líder do FEMEN (um dos principais
movimentos feministas no mundo) no Brasil, Sara Winter.30 Ela deixa claro que, por trás do suposto
humanismo pró-aborto, na verdade se esconde muitas vezes uma profunda indiferença com a vida
humana. Inclusive a das mulheres.

30 https://www.youtube.com/watch?v=16xzYj4lONU.