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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Editorial
Faze o que tu queres há de ser tudo da lei.
Qual é a importância do estudo e da pesquisa quando se trata de ocultismo e do
cotidiano? Na era que nos encontramos, a do conhecimento, lotados de informação por
todos os lados, o que nos faz cair em condições de conhecimentos superficiais, a
pesquisa ajuda ter uma noção aprofundada de cada assunto, podendo assim analisar os
prós e contras, evitando cair em contradições. Podemos notar um certo extremismo nos
diálogos, que naturalmente deveria nos levar uma reflexão mais aprofundada sobre a
humanidade. Alguns questionamentos devemos fazer a nós mesmos como humanos,
qual é a nossa condição, qual é a do outro e como nós nos projetamos no outro aquilo
que somos. Existe um fenômeno muito comum na psicologia Freudiana chamada
projeção mais aprofundada e definida por Peter Gay: “a operação de expulsar os
sentimentos ou desejos individuais considerados totalmente inaceitáveis, ou
muito vergonhosos, obscenos e perigosos, atribuindo-os a outra pessoa ”.
Reconhecer quem somos é um fator fundamental para o autoconhecimento, e um
trabalho árduo que poderá ser iniciado a qualquer momento. Isso vale para o que
desejamos conservar, se é o nosso desenvolvimento potencial ou aquilo no qual
odiamos, que são nossos e projetamos nas pessoas como se fossem delas. Esse é o
ensejo e o desejo, a mão estendida ao diálogo, e a pesquisa que nos levou ‘a esta
produção comemorativa de 1 ano da Revista 777, assim gostaríamos de agradecer a
todos os nossos leitores, a todos que escreveram seus ensaios, estudos, poesias, toda a
arte disponível, nosso muito obrigado a IAO131 pelo hexagrama unicursal “brasileiro”
por ele presenteado a nós, assim como a primavera, florimos a todos nossa revista
repleta de estudos e pesquisas que colorem, cheiram, pulsam e vibram e torcemos que
você vibre nesse exercício de humanidade junto conosco. Boa leitura! E Aquele 93!

Amor é a lei. Amor sob Vontade.

Soror Adler, e frati H418, I156, Alhudhud e Amaranthus

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Índice

As vantagens de não ser invisível ……………………………………………………….… 04

NuISIS …………………………………………………………………………………………..… 08

Uma Introdução ao Estoicismo ………………………………………………………..….… 09

Kephra ………………………………………………………………………………………….…. 17

Thelemagick: Sobre Estudo E Prática - Ou A Arte De Não Perder Tempo ……... 18

Primeira Verdade …………………………………………………………………………….…. 26

A vida de Parsons …………………………………………………………………………….... 27

Ninfa …………………………………………………………………………………………….… 33

Para além de Dion Fortune ………………………………………………………………..... 34

Leila Wadell ……………………………………………………………………………………... 39

Thelema Contemporânea: Estudos Diminutos sobre o Liber 44 …………….... 40

Aleister Crowley ……………………………………………………………………………….. 47

Vodoutrônicos Criativos E Outras Frequências Zothrianas …………………..…….. 48

A Cabala do Novo Éon e A Manifestação ……………………………………………….. 50

Mulher em vermelho ……………………………………………………………………….... 55

A voz da Grande Mãe ………………………………………………………………………... 56

Uma Introdução Ao Iluminismo Livre Ou Como Não Comecei Um Movimento .. 57

Alguns pensamentos sobre Thelema ……………………………………………………. 62

Mulher em verde ……………………………………………………………………………... 65

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As vantagens de não ser invisível


Faz o que tu queres vai ser o todo da Lei.

Vou discorrer aqui a respeito da minha experiência pessoal sobre a santa


ordem Astrum Argentum, mas dado o tamanho continental do Brasil, que faz com
que as vezes outro thelemita mais próximo esteja a centenas de quilômetros
reforçando a sensação de isolamento, falarei também sobre a comunidade
thelêmica brasileira em geral.
Desde novo sempre curti as interações sociais que vinham disso e que
proporcionavam isso, o bom e velho rolê, quando era RPG tinha o EIRPG, no
anime tinham os encontros em parques e fóruns, na música eletrônica tinha as
festas lado B em casas abandonadas, na magia não podia ser diferente, e isso fez
toda diferença no meu processo iniciático.
Antes de começar, vamos ventilar aqui um equívoco que as vezes é
reproduzido pela patrulhinha da verdadeira vontade, o de que membros da santa
ordem “não podem se conhecer”, ou seja, haveria uma proibição de que dois
membros tomassem uma cerveja juntos e batessem um papo. Sinceramente a
polêmica nem faz muito sentido, já que Crowley deixou explicito em suas
instruções o contexto que isso não seria adequado e o porquê.

The Chancellor of the A ∴ A ∴ views without satisfaction the


practice of Probationers working together. A Probationer
should work with his Neophyte, or alone. Breach of this rule
may prove a bar to advancement 1
(Equinox volume I número 7)

There is also a rule that the Members of the A.'.A.'. shall not
know each other officially, save only each Member his superior
who introduced him and his inferior whom he has himself
introduced.
This rule has been relaxed, and a “Grand Neophyte”
appointed to superintend all Members of the Order of the G.D.
The real object of the rule was to prevent Members of the
same Grade working together and so blurring each other’s
individuality; also to prevent work developing into social
intercourse.2
(Liber 185)

Na primeira citação, a limitação é explicita contra probacionistas e


especialmente relacionada a dinâmica de instrutor-instruído dentro da santa
ordem.

1A Chanceler da A ∴ A ∴ não vê com bons olhos a prática de Probacionistas trabalhando em conjunto. Uma probacionista
deve trabalhar com sua Néofita ou sozinha. Quebra desta regra pode resultar em impedimento ao avanço. (Tradução livre)
2Também existe uma regra que membros da A ∴ A ∴ não devem conhecer uns aos outros oficialmente, exceto pela pessoa
superior a cada membro que a introduziu e seu inferior que ela mesmo introduziu.

Esta regra foi relaxada, e um "Grão Neófito" designado para supervisionar todos os membros da da A.D. O real objetivo
desta regra era prevenir membros do mesmo grau de trabalharem juntos, desta forma tornando turva a individualidade de
cada um; também para evitar que trabalho se torne um evento social.

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A segunda mostra que, mesmo no caso específico onde por determinação


da própria Besta membros não deveriam “se conhecer oficialmente”, essa
demanda foi flexibilizada visto que coordenar todos os novatos se tornou
trabalhoso demais.
Como explicitado, o objetivo da regra era impedir que duas pessoas do
mesmo grau interferissem no trabalho um do outro, deixando turva a
individualidade de cada um, viciando escolhas. Essa característica é muito
plausível de se imaginar no contexto da santa ordem. Quando aquele seu colega
que você estima como super avançado, produtivo, culto, fala que está fazendo
assim ou assado em seu trabalho de grau, ou mesmo quando aquele cara que
você não leva muito a sério está num caminho e com resultados similares aos
seus, a tendência é nos aproximarmos ou nos afastarmos das conclusões e
elementos que aquela outra pessoa está trabalhando. Subitamente alguns
caminhos ou práticas se tornam mais legais e outros mais inúteis, calando um
pouco a voz da iniciação e prestando atenção no nosso Santo Ego Guardião.
Mas não falar detalhes íntimos da sua prática magicka não é lá um grande
desafio para qualquer pessoa com bom senso. Assim como não é razoável para a
maioria das pessoas que seus amigos partilhem intimidades gratuitamente como
com que frequência você vai ao banheiro, não desenvolver sobre as técnicas e
conclusões que se está tendo no processo parece uma delimitação de intimidade
justa de se esperar.

Superada essa regra constantemente mal interpretada, sobre uma suposta


proibição de membros da ordem de se encontrarem socialmente pra bater um
papo, vamos recortar aqui o interlocutor desse texto: Nada contra a volumosa
categoria dos “magos de sofá” que como pontua David Shoemaker, vão fazer um
ritual assim que terminarem aquele último livro que está faltando, assim que
comprarem tudo que precisam, mas a proposta aqui é dialogar com aquela
pessoa que já faz o ritual menor do pentagrama vez ou outra, que sonha em
entrar numa ordem por que acha que “só lá da pra aprender magia de verdade”,
e principalmente para aqueles que não tem contato com gente que está a mais
tempo no rolê e por conta deixa a imaginação e o ego tomarem as rédeas sobre
como um “mago de verdade deve ser”.

Fora dos grandes centros urbanos, em especial da cidade do Rio de Janeiro,


que tem mais thelemita por metro quadrado do que muitos países, existem
pessoas que por um motivo ou por outro tem pouco ou nenhum contato com
outros thelemitas. Essas pessoas estão isoladas seja pela geografia, timidez,
escassez material, tempo ou uma combinação destes e de outros fatores.
Seria totalmente leviano conclamar que as pessoas simplesmente
“convivessem mais” sem ter atenção para os mais diversos fatores que levam
alguém a não querer conviver com outros thelemitas. É fato que o ambiente
virtual é extremamente hostil, para não listarmos os diversos istas que podem
adjetivar negativamente esse espaço. Também existe a predominância de alguns
discursos em detrimento de outros, o que faz parecer que “só quem pensa X ou Y
pode chegar junto e ser um ‘Thelemita de verdade’”, além disso existe o medo
natural de sermos enganados, enrolados, cair nas mãos de um charlatão, e
obviamente o medo de sermos destratados de alguma forma.
Como um cara introvertido, tenho ojeriza as filosofias do “o não você já
tem” ou “você não tem nada a perder”, de fato não temos, mas a sociedade
constrói um monstro sobre a vergonha de escorregar e cair na rua, como se a

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queda fosse transmitida ao vivo no youtube. Não tem macete fácil para juntar
coragem e “ir lá” dar a cara a tapa, opinar, mas ver valor nessa empreitada já
não deixa a pessoa tão desamparada.
E por que essa empreitada tem valor? Para que você veja que as pessoas
são zoadas, que vacilar é quase uma constante universal.
Assim que eu comecei a me identificar seriamente com Thelema, quando o
anzol finalmente me fisgou, eu tive o privilégio de poder conviver intensamente
com outros thelemitas, em especial irmãos da mesma linhagem da A ∴ A ∴ à qual
eu sou ligado hoje e mais do que qualquer outro grande afeto, trabalho, risadas e
apoio que eu recebi, eu pude ver em primeira mão que a galera falha.
Quando eu digo falha, não é no pedantismo de “adeptos também cagam”
ou que um grande iniciado pode ficar doente, mas de que tem gente no rolê que
está com dívidas, ou que é enrolado com compromissos, outros tem dificuldade
para se expressar ou para se conectar, tem uns que as vezes bebem demais e
passam mal, outros são inconvenientes sem perceber.
E essa constatação, de que “todo mundo tem problemas” pode parecer
simples ou boba, mas a grande maioria das sacadas iniciáticas são justamente
nas frases mais simples e que estavam o tempo todo na sua cara.
Uma vez antes de pedir admissão na A ∴ A ∴ uma pessoa comentou que
“me disseram que é a ordem mais difícil de se entrar” e independente do quão
verídico esse boato é, primeiro isso me travou, e depois me impulsionou como
um desafio.
Eu acredito que seja difícil separar o probacionismo do sentimento de
solidão (que é diferente de abandono), e nessa solidão é comum as reflexões
sobre se você é boa o suficiente, se é digna desse acesso e outras baboseiras
trazidas pelo Santo Ego Guardião.
Com o isolamento esse sentimento só tende a crescer, aquela pessoa longe
que está te instruindo, deve ser um adepto de alto grau, com pleno controle das
suas capacidades e condições, o ultimate mago implacável que não enfrenta
adversidades, e dai para se convencer de que estamos longe desse ideal, é um
pulo.
Lembro com extrema clareza de desabafar com meu instrutor sobre um
problema sério que eu tive durante a probação e que estava pensando em
desistir, por que eu não me achava capaz de aguentar esse tipo de tranco ao
longo da minha vida.
Ao invés de me consolar ele me contou sobre uma vez que ele se fudeu,
perdeu algo de grande valor para ele, e a moral da história é que a vida tem
dessas coisas mesmo, nem sempre tem aquela epifania linda e compensa todo o
esforço e a perda imediata de algo, as vezes a gente perde, fica mal, e faz o
possível pra seguir em frente e melhor.
Por algum motivo que eu ainda não mapeei suficientemente, isso me deu
um imenso alivio para continuar.
Acreditem, não precisa de muita coisa, as vezes na angústia uma voz que
diz “é foda mesmo, eu ralei muito, mas tô aqui” promove um acalento enorme a
alma.

Então, mais do que uma história edificante eu acredito que seja


fundamental pontuar para toda e qualquer pessoa interessada em viver e
praticar Thelema, que apesar de não haver qualquer obrigação de interagir com
uns outros, e conhecer muita gente não te fazer de forma nenhuma “mais

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thelemita” do que alguém que está proposital ou circunstancialmente isolado,


estar em contato com os outros te mune de uma ferramenta fantástica.
E como conciliar o que é quase paradoxal? A importância da comunidade
Thelemica como ferramenta magicka e o custo que muitas vezes ela cobra como
aturar gente com demandas bem diferente ou mesmo pessoas ruins?
Obviamente não tem fórmula, mas eu me apoio em “Todo homem e toda
mulher é uma estrela” e de “Não existe deus se não o homem”. Tem muita gente
escrota e babaca em Thelema, de todos os tipos origens e nichos, mas também
tem bastante gente legal, e dessas pessoas, algumas dezenas não serão omissas
se você achar que o espaço é importante mas tá zoado e precisa melhorar e
verbalizar isso.
Não é simples, nem fácil, requer coragem além de uma série de
superações, mas essa ferramenta magicka está disponível para você, seja para
você não querer, ou decidir que se tem direito vai exercer esse “direito divino”.
O espaço de convivência Thelemico, seja real ou virtual, possui uma
inversão de valores curiosa. É de se esperar que quanto mais a pessoa avance no
sistema, menos exposta ela esteja, o que nos traz a ótima dica de que você
dificilmente vai ver um Adeptus Exemptus xingando alguém no facebook. Então
se alguém aparecer dando carteirinha de Mestre Secreto a regra é correr na
direção oposta ou colocá-lo para fazer isso.
Salvo questões internas e específicas de ordens ninguém manda e ninguém
e se alguém disser que para estar em Thelema é preciso fazer X ou Y, ser do jeito
A ou B, confronte e veja outras perspectivas, talvez você esteja em um espaço
inadequado para o que você busca.
Se você quer realmente conhecer um ponto seguro e honesto em Thelema,
fale com a pessoa olhando no olho, e pergunte para ela não só as histórias de
sucesso, mas onde a pessoa mandou mal.
A comunidade Thelemica só vai continuar maneira, ser rica, florescer e ter
gente maneira, enquanto pessoas como você que leem textos como esse forem
lá e falem “estou aqui”. Aprenda a separar o que é de fato uma grosseria
desnecessária da “franqueza thelemica”. Dizer “esse programa que você tá me
chamando não é do meu interesse” é a injunção mais honesta que alguém pode
receber de um Thelemita, apesar de pra quem está de fora soar seco e distante.
Comente nos posts, mande e-mails, puxe papo, compartilhe, frequente
festas, missas, eventos abertos, participe de grupos de whatsapp, veja vídeos no
youtube, ouça podcasts, faça cursos, ouça os lados de grupos que se criticam
mas trabalham juntos e conheça o que tem de legal e o que tem de caído para
você nesse cenário que também é seu. Pouco tempo depois você vai sentir com
alguma clareza com quem vale a pena colar e quem não vale.

O amor é a lei, amor sob vontade.


Bibliografia:
● CROWLEY, Aleister - The Equinox vol I n.7
● CROWLEY, Aleister - One star in Sight
● ESHELMAN, James A. - The Mystical and Magical System of the A .'. A .'. -
The Spiritual System of Aleister Crowley & George Cecil Jones Step-by-Step
● SHOEMAKER, David - Living Thelema

Por Frater F.V.L

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NuISIS

Vesica-piscis, hipérbole, reta, sumidouro.

Sua dor é minha dor, e seu prazer é em mim, odor.

Prazer e dor, eterno movimento pendular do Samsara,

Ciclo indefinidamente grande de Nirvana.

Passeio no Vazio da sua continuidade.

Meu infinito quase-amor se dissolve, revolvente.

Perco-me ao me encontrar.

Encontre-me ao me perder.

NADA faz sentido ao me ver conduzido pela luz infinita,

de suas estrelas infinitas.

Mirar, observar, admirar, é minha sina.

Ler o vazio no espaço das entrelinhas.

Sozinho.

Sozinho, não há Deus onde Eu Sou.

Eu estou sozinho.

Sozinho na continuidade Eu Sou.

Sou eu sozinho: abominação e desolação.

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Uma Introdução ao Estoicismo

Finn, de A Hora de Aventura, se deleita


estudando o manual de Epiteto.

Existe em mim uma qualidade quase imbecil de estoicismo. Eu simplesmente não sou
capaz de me incomodar em me preocupar com perigos ou dificuldades de qualquer tipo a
não ser que sua ação esteja em minha percepção imediata. – Confessions of Aleister
Crowley, Capítulo 55

Estoicismo é um ramo da filosofia que iniciou com o filósofo Zenão de Cítio, que
perdeu todas as suas riquezas em um naufrágio e acabou indo parar na Grécia,
onde estudou filosofia. Zenão reunia pessoas no Pórtico Pintado em Atenas ( Stoá
Peisianákteios) para discutir seus ensinamentos, daí foram chamados de
“estóicos” (de Stoá). A filosofia estóica atraiu pessoas de todas as classes, gente
como o imperador Marco Aurélio e o escravo aleijado Epiteto.

Assim como os magistas da Aurora Dourada almejavam a “Felicidade Perfeita”, o


filósofo estóico almeja a Eudaimonia3, a felicidade, por meio da aplicação de
Arete, virtude ou excelência. Em busca dessa felicidade, descobriram que uma
das principais causas da tristeza são os erros de julgamento, a maneira como
assentimos às impressões que se tornam emoções, e assim desenvolveram
técnicas para lidar com os infortúnios da vida.

É muito bonito dizer que “os sofrimentos são apenas como sombras; eles passam
& estão acabados; mas existe aquilo que resta”, mas quando a água bate na
bunda precisamos elaborar um pouco mais sobre isso. A filosofia estóica é uma
3εὐδαιμονία, que literalmente significa “eu habitado por um daemon”, um bom gênio.

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ferramenta para isso, um “mecanismo de coping”, uma maneira de encarar e


lidar com os obstáculos da vida.

Lógica Estóica

O principal tema na lógica estóica é a descrição de como o conhecimento é


adquirido. Quando nós nascemos, nossa mente é como uma folha de papel em
branco, sobre a qual nós escrevemos. Nada vem do zero, tudo é desenvolvido,
até mesmo concepções comuns que todos têm.

Nós escrevemos nesta folha quando obtemos informações sobre o mundo


externo através de experiências sensórias e impressões.

1. Primeiramente, recebemos a impressão de um evento externo através de


nossos órgãos dos sentidos. Algo que nosso olho viu, nosso ouvido escutou,
nosso nariz cheirou, etc.
2. Essa impressão causa uma reação involuntária e um julgamento de valor,
classificamos como “bom” ou “ruim”.
3. Após essa reação automática, nós avaliamos a impressão conscientemente
e julgamos se ela é adequada ou inadequada.
4. Se a impressão for adequada, consentimos com ela e aí temos a reação
voluntária ou consciente.

Quando julgamos uma impressão como adequada, não nos preocupamos em ser
infalíveis, mas julgamos seu grau de exatidão relativo às evidências que temos:
sua história, referência a outras impressões e as condições dos nossos órgãos
dos sentidos. Se não temos informações o suficiente, suspendemos o julgamento
e não consentimos com a impressão.

Para os Estóicos, essa forma de aquisição de informação não é conhecimento,


mas sim cognição. O conhecimento é um conhecimento científico e sistemático.
A diferença é mais ou menos como aquela entre Conhecimento (Daäth) e
Entendimento (Binah) / Sabedoria (Chokmah).

Física Estóica

De acordo com o Estoicismo, somente corpos existem. Isso não quer dizer que
apenas coisas tangíveis existem, porque corpos são quaisquer coisas que agem
ou sobre as quais se pode agir. É o ativo e o passivo, onde o ativo informa o
passivo para criar formas:

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● Aquilo que age, o ativo, Deus.


● Aquilo sobre o qual se age, o passivo, a matéria.

O cosmos é espelhado no nível humano: o mesmo relacionamento que existe


entre a alma (ativo) e o corpo (passivo) do cosmos também existe entre a alma e
o corpo do ser humano.

“[...] o objetivo de qualquer cerimônia mágicka é unir o Macrocosmo e o Microcosmo. [...] Você
deve deixar seu Macrocosmo e Microcosmo exatamente equilibrados, verticalmente e
horizontalmente, ou as imagens não coincidirão.” - Magick em Teoria e Prática, Capítulo
VIII.

Essa força que forma o mundo material é chamada de Pneuma, e ela possui três
princípios: coesão (a força que dá unidade aos objetos físicos); natureza (a força
pelo qual se diz que algo está vivo, principalmente em organismos como plantas)
e alma (a força nos animais pelos quais eles têm capacidade de percepção,
movimento e reprodução). No ser humano existe ainda um quarto princípio, a
alma racional (a razão nos humanos adultos).

Os estóicos são criticados por usar Deus como um mero rótulo para Natureza,
mas isso não quer dizer que todos os estóicos são ateus. Alguns consideram que
os processos da natureza são inteligentes, conscientes e providenciais, que Deus
é um ser consciente e vivo, mesmo sendo a própria Natureza.

“Tu deves: (1) Descobrir qual é a tua Vontade. (2) Fazer a tua Vontade com: (a) unidade de
propósito; (b) desprendimento; (c) paz. Então, e somente então, tu estás em harmonia
com o Movimento das Coisas, tua vontade parte da, e portanto igual à, Vontade de Deus. E
desde que a Vontade não é mais que o aspecto dinâmico do ente, e desde que dois entes
diversos não podem possuir vontades idênticas; então, se tua vontade é a vontade de
Deus, Tu és Aquilo.” – A Mensagem do Mestre Therion

Aquilo que emprega a razão é superior a aquilo que não a emprega, e como nada
é superior ao cosmos, o cosmos emprega a razão. Como somos conscientes e
parte do cosmos, então o cosmos também é consciente.

“Através de nossos olhos, o universo percebe a si mesmo. Através de nossos ouvidos, o universo
está ouvindo suas próprias harmonias. Nós somos as testemunhas através das quais o
universo se torna consciente de sua própria glória, de sua própria magnificência.” ― Alan
Wilson Watts

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Ética Estóica

A base da ética estóica é que o instinto básico que dirige todos os animais é a
autopreservação. Nossas escolhas mais primitivas se baseiam nisso, se aquilo
que faremos irá nos beneficiar ou prejudicar.

Para animais irracionais, isso significa suprir necessidades básicas, como


alimento, água, abrigo, saúde, etc. Para o homem, isso envolve algo mais. Não
basta viver, é preciso viver adequadamente. Buscamos a autopreservação do
nosso ser racional, da nossa excelência.

Tendo em vista isso, todas as coisas podem ser classificadas em três grupos:

● Bom: a excelência (virtude) e as coisas que participam dela;


● Ruim: o vício e as coisas que participam dele;
● Indiferente: todo o resto

Para os Estóicos somente a excelência (virtude) é boa porque ela contribui para
nossa sobrevivência como seres racionais. Comida, abrigo, riqueza, etc. não são
“bons”, eles apenas têm valor para nós, portanto são indiferentes. A própria vida
é um indiferente. Tais coisas não podem ser boas, porque também podem ser
más. Então não são nem boas e nem más, são indiferentes. A posse de coisas
externas não pode garantir a felicidade, mas a posse da virtude sim.

“[...] a Espada liberta as percepções da teia da emoção. [...] As percepções em si são sem
significado; mas as emoções são piores, pois elas enganam suas vítimas fazendo-as
acreditar que tais emoções são significativas e verdadeiras.” – Liber ABA, Parte II: Adaga.

No entanto, existem os indiferentes que são preferidos. A gente prefere


indiferentes como saúde, riqueza, etc. do que indiferentes como a doença,
pobreza, etc. Indiferentes preferidos são aqueles que contribuem para o nosso
bem-estar físico.

Epíteto introduz uma categorização ainda mais simples em seu Enchiridion. Para
ele as coisas se dividem em duas: o que está sob o nosso controle o que não está
sob o nosso total controle.

● Bom: coisas que dependem de nós, concepção, escolha, desejo, aversão,


reação, etc.
● Ruim: coisas que não dependem de nós, riqueza, doença, propriedades, o
congestionamento no trânsito, o mau humor do chefe, etc.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

A única coisa sob nosso total controle é a escolha. Como agir, como reagir.
Focando nas coisas que estão sob nosso controle, podemos assegurar a virtude.

“Somente na absoluta calma do laboratório, onde o observador se sente perfeitamente


indiferente ao que pode acontecer, só preocupado em observar o que aquele
acontecimento é, em medi-lo e pesá-lo por meio de instrumentos incapazes de emoção,
pode-se começar a esperar por um registro fiel dos eventos. [...] Então que o Estudante
praticante a observação daquelas coisas que normalmente lhe causariam emoção; e que
ele, tendo escrito uma descrição cuidadosa do que vê, verifique com o auxílio de uma
pessoa que tem familiaridade com tais coisas.” – Liber ABA, Parte II: Adaga.

Para os estóicos, as emoções são produto de julgamentos. Conforme a Lógica


Estóica, nós recebemos uma impressão através de nossos órgãos dos sentidos;
então nós disparamos um julgamento de valor automático, que causa uma
reação (primeiro movimento); só então avaliamos a impressão, e se assentimos,
causamos uma reação emocional.

Exemplo: você chega no prédio antigo onde você trabalha. Você entra naquele
elevador suspeito (quando será que foi a última manutenção dele?) e aperta o
botão “11”. O elevador dá aquela tremida usual e sobe. Lá pela altura do nono
andar, a luz pisca e o elevador parece cair cinco centímetros, que para você
pareceram dez metros. Você imediatamente sente um frio na barriga e pensa que
o elevador vai cair. O susto passa e o elevador continua subindo, chegando em
segurança no décimo-primeiro andar. Esse primeiro “susto” não é uma emoção
genuína, foi só um primeiro movimento. Agora, se você assentir com esse
primeiro julgamento sem avaliar a impressão adequadamente, você borra as
calças.

Como emoções genuínas são o produto de um assentimento, e assentimentos


estão sob nosso controle, as emoções estão sob nosso controle. É mais fácil
falar do que fazer, mas através de contínua prática é possível fazer o cérebro
ponderar as impressões com mais calma antes de assentir. Mesmo sem esse
mecanismo, é possível pelo menos rever uma conclusão errônea para acabar ou
minimizar uma emoção como a raiva, ansiedade ou tristeza.

“Toda emoção é uma obsessão; a mais horrível das blasfêmias é atribuir qualquer emoção a Deus
no macrocosmo, ou à alma pura no microcosmo. Como pode aquilo que é auto-existente,
completo, ser movido? [...] Mas se o ponto em si pudesse ser movido, ele deixaria de ser
quem é, pois posição é o único atributo do ponto. Portanto o Magista precisa tornar-se
absolutamente livre em respeito a isso.” – Liber ABA, Parte II: Adaga.

Um ser racional se preserva cultivando a virtude, buscando ações apropriadas,


ou seja, aquelas que buscam os indiferentes preferíveis e as coisas relacionadas
à virtude ou excelência. A virtude é identificada com a felicidade, e ela não
depende de nada fora de nós.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Para viver virtuosamente é necessário viver de acordo com a natureza. Isso se


aplica em três níveis:

1. viver harmoniosamente consigo mesmo (livre de conflito emocional


interno);
2. viver de acordo com sua própria natureza (como um ser racional, ao invés
de reagir passivamente a forças externas);
3. colocar-se em harmonia com a Natureza como um todo (uma vez que nós
somos uma parte da Natureza, não existe conflito entre viver de acordo
com sua natureza e a Natureza).

“Seu dever para consigo mesmo. [...] Explore a Natureza e Poderes de seu próprio Ser. Isso inclui
tudo que é, ou pode ser para ti: e você deve aceitar tudo exatamente como é em si, como
um dos fatores que compõe seu Verdadeiro Self. Assim este Verdadeiro Self por fim inclui
todas as coisas, sejam quais forem; sua descoberta é Iniciação (a viagem em direção
interna) [...] Não reprima e nem restrinja qualquer instinto verdadeiro de sua Natureza;
mas devote tudo em perfeição apenas ao serviço de sua única e Verdadeira Vontade. –
Dever.

Alguns Exercícios
A Revisão de Sêneca

Antes de ir dormir, faça uma avaliação de como foi o seu dia em seu Diário
Mágico, avaliando sob cada um destes aspectos:

● o que eu fiz de bom, ou seja, voltado à excelência?


● o que eu fiz de ruim?
● o que eu deixei de fazer?

Lembre-se que aqui tratamos dos conceitos de “bom” e “ruim” segundo os


estóicos, sem nenhuma conotação moral de “certo” e “errado”.

A Visão de Cima de Marco Aurélio

Quando tiver um problema ou estiver rabugento e de mal com a vida, pense em


quão infinitesimal você é em comparação ao seu bairro, à sua cidade, ao seu
país, ao seu continente, ao seu planeta, ao sistema solar, à galáxia, ao universo.
Seu problema não parece tão importante agora, né?

Assista ao vídeo “Você sabe com quem está falando?”, de Mario Cortella:
https://youtu.be/P3NpHryB-fQ

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O Autocontrole de Epiteto

Durante o seu dia, sempre que surgir alguma situação com a qual você se sente
mal, pergunte-se: “Que controle eu tenho sobre isso?”. Faça disso um hábito.
Segundo Epiteto, apenas a escolha está sob nosso controle.

Premeditatio Malorum

Defina um objetivo. Agora acrescente “se der tudo certo”. Por exemplo: “vou
pescar amanhã, se tudo der certo”.

Pense em todos os problemas que podem surgir entre você e o seu objetivo. Pode
ser que chova, que sua vara quebre, que o barco afunde, que o carro enguice,
que ocorra uma emergência no trabalho, que você fique doente, etc. Perceba
como é natural que problemas aconteçam. Se não der certo, não se lamente.

“[...] a unidade de existência consiste em um Evento, um Ato de Casamento entre Nuit e


Hadit; ou seja, a realização de um certo Ponto-de-Vista. [...] Cada Evento é um Ato de
Amor, e assim gera Alegria: toda a existência é composta apenas de tais Eventos. Então
como pode ser que exista até mesmo uma ilusão de Sofrimento? Simples; por tomar uma
Visão parcial e imperfeita. [...] de fato, as ‘Sombras’ das quais o nosso livro fala são
aquelas interferências com a Luz causadas pela parcialidade de nossa apreensão.” -
Pequenos Ensaios em Direção à Verdade.

Conclusão

O filósofo estóico se dedica a aplicar os conceitos de sua filosofia ao dia a dia


para tornar-se uma pessoa mais feliz. Ele não se preocupa em perder incontáveis
horas discutindo somente para medir sua sagacidade e vencer argumentos. Para
ele não importa o que uma pessoa fala, mas sim como ela se comporta, aquilo
que ela faz. Ele acredita que tem mais valor uma pessoa com experiência, porém
sem embasamento teórico, do que uma pessoa com farta bagagem intelectual e
nenhuma experiência prática.

Essa atitude quase causou o fim do Estoicismo, porque muitos destes filósofos
não estavam interessados em escrever livros e promover suas ideias, então
grande parte do que temos hoje são escritos de alunos sobre seus mestres ou de
outros filósofos criticando os estóicos. No entanto, um bocadinho de teoria
sobreviveu até os tempos atuais e embasa a prática do Estoicismo.

Essa foi apenas uma breve introdução aos conceitos básicos do Estoicismo de
acordo com a obra de John Sellars, que resume tudo o que foi dito pelos antigos
estóicos, seus críticos e comentadores. Para saber mais sobre o Estoicismo e
suas práticas, consulte a bibliografia a seguir, especialmente O Manual da Vida

15
Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Boa (O Enchiridion), editado por Dr. Chakrapani, um texto breve e direto que
provavelmente chamará a sua atenção.

AURELIUS, Marcus. The Meditations. Wisehouse Classics, 2015.


EPITETO. O Manual da Vida Boa: O Enchiridion de Epiteto. The Stoic Gym
Publications, 2018.
SELLARS, John. Stoicism. University of California Press, 2006.
SENECA. Letters From A Stoic: All Three Volumes. Enhanced Media, 2014.

por Frater Set Rah

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Kephra

Liantony Lopes

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Thelemagick: Sobre Estudo E Prática - Ou A Arte De


Não Perder Tempo

Vejo pessoas desistindo de suas práticas e estudos mágicos e sempre me


perguntei o que as fazia desistir, mesmo algumas sendo adeptas do caminho
solitário. A resposta a que cheguei é que as pessoas querem aprender e praticar,
mas não fazem do jeito certo - não tem independência cognitiva para tal. A falta
de progresso é o que mais constatei quando as pessoas desistem em várias
áreas: seja na Magia, no trabalho, na faculdade, em cursos, seja na música ao
aprender algum instrumento. Qualidades como estudo/prática autorregulados e
conhecimento de métodos cognitivos e metacognitivos é de vital importância,
principalmente para o estudante solitário. Muitos até mesmo aderem a esse tipo
de análise, mas se deixam guiar mais pela intuição do que pela técnica em si.
As pessoas estão cheias de métodos intuitivos disponíveis: não escolhem o
que estudar (usam o que lhes é dado, e apenas), não se questionam como ou
porquê das coisas, e acabam se dispersando pela quantidade de material e
indefinição de objetivos. Esse texto visa quebrar essa visão de que o melhor
método é o seu método, e que a intuição é o melhor guia. Muitos dos métodos de
prática mágica são contra-intuitivos - sequências nem sempre óbvias, palavras
nem sempre compreensíveis, etc. O problema de se guiar pela intuição é tão
enraizado que mesmo pessoas experientes caem nisso: por falta de orientação,
desenvolvem métodos intuitivos que acreditam ser os melhores e os repassam à
frente, numa cadeia de pessoas fazendo coisas aleatórias e achando que estão
seguindo o caminho ótimo da experiência mágica. Métodos contra-intuitivos são
mais difíceis de adotar justamente por não serem óbvios - e portanto exigem
atenção, seja à racionalidade, às emoções, aos sentidos. Um exemplo comum é
atribuir a famosa frase ZAZAS ZAZAS ao idioma Enoquiano, do qual não
evidência alguma e nem mesmo pista.

AFINAL, PRECISO DE UM INSTRUTOR?


Não. Não precisa. Apesar de haver muitas pessoas experientes em Magick,
poucos deles dedicam-se suficientemente à transmissão de Magick o que me
leva a concluir que: infelizmente existem poucos bons e experientes instrutores e
os ruins podem adquirir ainda mais maus hábitos - quando não mau caráter! Isso
não significa que um instrutor, pelo menos no começo, não tenha utilidade.
Primeiro porque algumas coisas semânticas de uma Tradição podem ser
rapidamente explicadas e também alguns rituais são mais simples quando
explicados por alguém que esclareça dúvidas que possam surgir no estudo ou
prática. Imaginem ter que ler 30 livros mais famosos de Yoga antes de praticar
Asana? O instrutor pode te mostrar instantaneamente como se executa um
gesto, enquanto estudando por conta você precisará imaginar o gesto feito, ver
videos no youtube, se certificar que é aquilo mesmo e só então praticar.
Um instrutor qualificado tem experiência suficiente e gerará confiança no
estudante, se limitando a transmitir o que ele realmente conhece. Compare o
aprendizado mágico ao do violão. Um cara estudando violão sozinho (e que não
tenha senso crítico e contra-intuitivo) se torna passível de realizar mais de quinze
erros: coordenação da mão esquerda nas frestas, controle de volume, ritmo,
velocidade, tempo, posição do corpo incorreta, dedos incorretos, sem
musicalidade, sem fluência, etc. O professor apenas localiza esses erros

18
Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

imediatamente e os corrige. Um exemplo básico e corriqueiro: a maioria das


pessoas tendem a olhar para a mão esquerda enquanto tocam violão. Mas e se
elas precisarem olhar para uma partitura ou para outra direção? Se perdem
totalmente. Confiar no tato é altamente desejável e é apenas um exemplo de
condições não ótimas que adotamos intuitivamente.
Seja para o estudante instruído ou solitário tornar o estudo e a prática
ÓTIMOS é uma tarefa importantíssima: economiza tempo e esforço, você fica
menos cansado, absorve mais das suas experiências, se frustra menos. E quando
descobrir a Verdadeira Vontade, poderá atingir níveis altíssimos de controle. Isso
tudo é treinado na A.’.A.’. com asana, pranayama, memorização de textos… Tudo
para nos tornar mais focados e eu diria inteligentes em prol da execução ótima
da verdadeira vontade. Infelizmente o método científico é negligenciado muitas
vezes e o método intuitivo é mais endorsado por (parecer) ser mais natural e
espontâneo.

MÉTODO CIENTÍTICO E ARTE


Tendo uma ampla experiência na área de pesquisa científica, notadamente
óptica e optoeletrônica, e atuando na área de resolução de problemas - alguns
escabrosos, admito! - posso refutar o que as pessoas dizem que “Ciência” e
“Magia” e “Arte” andam de mãos separadas, a anos luz de distância. O esforço
que um artista faz para abstrair e conduzir sua obra para uma direção exata e
inequívoca é tão grande quanto o esforço do cientista montando sua
aparelhagem óptica com a intenção de detectar plasmons de ressonância. Não
creio que exista uma pré-disposição para esse ou aquele campo profissional,
embora ache que a infância e a pré-adolescência modelem grande parte dos
nossos interesses na vida adulta. Tenho notado que, dentre os praticantes de
magia, a maioria é apaixonada por Arte ou Ciência.
Acho que a falta de aplicação dos conceitos científicos na magia decorre
porque as pessoas não entendem bem o conceito de ciência e a que ela serve.
Ciência é um campo especializado no avanço e na aplicação do conhecimento.
Essa definição é muito mal interpretada e com certeza diversos leitores
discordam dela. Para quem não gosta de formalismos, tem uma segunda opção
de definição: ciência é aquilo que funciona. E essa funcionalidade é facilmente
comprovada na prática, no nosso dia a dia: quando não sabemos de algo,
facilmente conseguimos achar alguém que saiba ou algum artigo do qual
possamos aprender. Mais uma propriedade da ciência: a comunicabilidade.
A experiência mostra que podemos ter o máximo de eficiência em qualquer
campo se seguirmos alguns poucos passos, se mostrando importante como
qualidade para qualquer estudante. Ter eficiência implica gastar menos energia,
ter mais tempo e aproveitar mais os resultados. O método intuitivo é - por razões
que vou desenvolver ao longo do texto - ineficiente quando se trata de
aprendizado e experiências que tenham algum objetivo. Portanto, se você não é
um gênio ou super inteligente, o método intuitivo só fará você perder tempo, já
que intuição é como um filtro e nada mais: ainda caberá a nós escolhermos qual
a melhor variável dentre uma gama de opções. Confiar na intuição apenas é um
chute no escuro, em qualquer coisa que façamos. Além de perigoso pela
potencialidade de conduzir ao preconceito e à impulsividade.
Os sistemas e métodos vem justamente para driblar essas condições
naturais de ir sempre pelo caminho aparentemente correto sem questionar. Um
método é o modo como uma investigação é feita. Sistema é um grupo de

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

variáveis interdependentes que formam um todo. Arte é atividade diversa que


expressa a habilidade imaginativa ou técnica do artista, com intenção de causar
algum impacto nas pessoas seja pela beleza, pela emoção que gera. Técnica é o
procedimento para completar uma tarefa. Definidos “Método”, “Sistema”, “Arte”
e “Técnica”, transformar nossos estudos e práticas Magickas em sistemas, com
métodos e técnicas claras (e claro: um objetivo), utilizando o componente
abstraído (arte e intuição) como conciliadores é resumido no lema da Santa
Ordem: O Método da Ciência, o Objetivo da Religião. Descrevo resumidamente
alguns passos para que as pessoas possam utilizar tanto em suas práticas e
estudos pessoais. Tenho certeza que se aplicados farão com que o leitor possa
experimentar mais dos resultados de suas práticas e estudos em muito menos
tempo, aumentando sua confiança, independência cognitiva, autorregulação e
eficiência.

O QUE?
Aqui vem a primeira dica para os incautos: não perca tempo com definições
não claras. Busque explicações objetivas da matéria que você quer explorar. O
que é um celular? Um celular é um aparelho móvel que permite comunicação à
distância. Definir claramente o que são as coisas é essencial para que você não
se desvie. Assim, se estiver praticando o ritual menor do pentagrama, foque
nele, por mais que haja diversos itens nele que o levará à Cruz Cabalística,
Arcanjos, Pentagramas, etc. Cada item é uma definição por si: saiba qual é, da
forma mais simples e objetiva possível. Sem definição, qualquer discussão é
perda de tempo. Se você quer um resultado científico, é preciso analisar também
o que se espera de determinada matéria ou prática.

COMO e POR QUE?


A segunda dica nos incita à pesquisa. Quando eu estava no laboratório de
fotônica na universidade tínhamos que fazer experimentos, obter dados,
documentar resultados de forma que qualquer pessoa pudesse entender e
reproduzir. Isso poderia ser aplicado à magia de forma eficiente, mas não é - a
velha discussão de que cada um é cada um e os “meus” resultados não
importam a ninguém. Mas não é só magia: arte e música tem muito disso.
Grandes artistas raramente deixam documentadas suas técnicas. Grandes
pianistas raramente escreveram livros e documentaram seus insights ou coisas
úteis em suas práticas e performances. Na A.’.A.’. o diário é de grande
importância, mas ainda assim, somente seu dono pode se beneficiar de seu
conteúdo. A pesquisa, na minha opinião, deve focar em responder essas
questões: POR QUE e COMO. Por que fazer o ritual do pentagrama? Por que as
pessoas o acham relevante? Por que EU deveria executar? Depois de respondido
isso, COMO é a coisa mais importante: como fazer? Respondendo essas
perguntas, o estudante já terá uma definição clara e noção de motivação da
matéria. Faço muito isso com livros: em vez de lê-lo completamente e decidir se
tratou do tema que eu desejava, dou uma olhada geral em todos os capítulos,
assuntos, imagens. Economizo muito tempo eliminando conteúdo que não vai
agregar ao meu objetivo.
Vale também saber as motivações de pessoas experientes. Um professor
que dá aula por trinta anos e é muito elogiado deve saber talvez explicar quais
são suas técnicas! Explicações são muito mais importantes que procedimentos -
e isso é incrivelmente ignorado em Magia. É importante ter uma teoria básica

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

sobre o tema. Uma técnica que uso no piano e é muito reconhecida é estudar
com mãos separadas: primeiro a mão esquerda, depois a direita, só para então
juntá-las. O porquê disso é simples: simplificar passagens difíceis. Essa é a teoria
básica da aplicação das mãos separadas. O legal de ter uma teoria básica é que
podemos avançar para outras por conta própria: sabendo que tocar com mãos
separadas facilitará minha vida, eu posso também aplicar isso às passagens
fáceis, diminuindo o tempo necessário para aprendizado.
A busca da eficiência deve ser constante na magia: perder menos tempo
possível testando uma grande diversidade de práticas para depois vivê-las! Uma
recomendação aos estudantes e probacionistas da A.’.A.’.: estudem
exaustivamente, mas não percam muito tempo estudando. Façam a sua tarefa e
avancem. O mesmo para probacionistas: experimentem de tudo, mas não fiquem
estagnados aí esperando dez anos para tomar a decisão de buscar novos
horizontes!

COMUNICAÇÃO
Por fim, tendo o assunto definido, estudado e experimentado, é hora de
comunicar. Comunicar é importante pois ajuda a localizar e eliminar - seja qual
for sua ideia de - erros. Quando escrevemos uma experiência estamos revivendo
o ato: podemos analisar novamente qualquer coisa que tenha saído do controle.
Posso confirmar também que isso ocorre na pesquisa científica. Inúmeras vezes
fiz experimentos variados e as maiores respostas surgiam quando eu estava
analisando e escrevendo, e não fazendo a experiência em si! Comunicar também
não é apenas escrever no diário, mas discutir com outras pessoas experientes na
matéria de interesse, e claro: interagir ativa ou passivamente com sua prática.
Comunicar é uma importante ferramenta de síntese e de aprendizado e vale a
pena tentar explicar o conteúdo absorvido, mesmo que seja para você mesmo!
É legal e útil levar as sessões de estudo mágicko e prático como projetos.
Diante de um tema, precisamos definir: objetivo, estimar tempo e esforço
necessários, recursos disponíveis, saber como quer concluí-lo e então criar um
plano de ação. Usarei como exemplos o estudo do Liber AL. Essa parte inicial do
objetivo pode ser feito com os passos acima: respondendo as questões básicas
de o que, por que, como, onde e quando. Depois de definidos o objetivo, tempo
que durará o estudo, esforço necessário, o que tenho à disposição, e sabendo o
resultado que espero, faço o plano que pode simplesmente ser uma lista de
tarefas. Isso não precisa ser extremamente destrinchado, mas cada livro ou
material pode ser um projeto.
Os sentidos são a base de entrada de informação no cérebro. Durante a
infância dos 0 aos 7 anos os sentidos tem papel fundamental no
desenvolvimento cerebral. Tentar usar múltiplos sentidos no aprendizado é uma
prática estudada e comprovadamente leva a resultados eficientes no
aprendizado. Se por exemplo você precisa estudar o capítulo I de Liber AL vel
Legis você pode iniciar uma leitura geral concluindo o que fala cada verso. Em
seguida pode relacionar cada verso com um cheiro, um gosto, uma imagem, ler
em voz alta ou imaginar alguém falando, e ter uma memória tátil do que é dito.
Por exemplo se estudamos o primeiro versículo, temos:

“A Manifestação de Nuit”

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Sabendo os conceitos de “manifestação” e “Nuit” sem ambiguidade


através do método anterior - O que? Por que? Como? Quando e Onde? - , a tarefa
acima se torna fácil: visualizar Nuit, invisível ou no breu, surgindo instantânea.
Esse aparecimento pode ser com um som que remeta ao aparecimento. Por ser
um movimento, pode gerar um leve calor no corpo. E pode preencher tudo, pela
magnitude de Nuit. Isso parece longo, mas com prática se torna instantâneo. As
associações que você fizer com cada palavra automaticamente suscitarão outras
inconscientes. Impressões e relações podem ser escritas, como sendo um
componente físico do estudo.

Ter claramente o objetivo da prática, como executá-la, em quanto tempo


permitirá que você diminua a ansiedade por saber exatamente o que e porque
está fazendo. Assim se eu escolho fazer o Rubi Estrela, não preciso
necessariamente estudá-lo mas devo saber o que ele é, como se faz e qual o
motivo para eu fazê-lo. Sabendo que um ritual demora dez minutos em média
para ser feito me permite organizar meu dia para que esse ritual caiba nele sem
danos a outras coisas. Saber o seu tempo permite se organizar e evitar
frustrações.
Para concluir, deixo uma dica: não sigam cegamente sua intuição. Muitos
vão me xingar provavelmente aqui, mas eu repito: não sigam! Uma intuição boa
depende de uma mente boa e bem treinada, altamente estimulada, o que
infelizmente não é o caso da grande maioria das pessoas. A intuição erra
inúmeras vezes e isso é normal, estatístico. Imagine que tenhamos 1000
caminhos para escolher entre o ponto A e o ponto B. Pense agora que você quer
chegar rápido de um ponto ao outro. Só haverá um caminho mais eficiente de A a
B, e 999 caminhos mais longos. Sua mente tentará intuir o melhor caminho, mas
é mais provável que ela escolha um dos outros caminhos, pois é mais fácil
escolher um de 999 do que exatamente o correto, por pura estatística e pela
velocidade “ansiosa” da intuição! É por isso que o lema do Probacionato é vencer
a dispersão e inércia: escolhendo um dos 999 você demorará mais para chegar;
ficando parado em A você não chegará nunca a B. Mas se você parar para pensar
e conhecer os caminhos, poderá ESCOLHER aquele que é o caminho ótimo. Isso é
ser metódico. Isso é ser sistemático. E quando você faz uma escolha, todo o
universo conspira a seu favor.

COMO ESCOLHER CONTEÚDOS E PRÁTICAS


Escolher uma profissão, um namorado ou uma cidade para morar pode
trazer boas ou desastrosas consequências para a vida. Claro que a maioria das
escolhas - como se vamos beber água, se vamos ou não transar com alguém, se
vamos comer frango ou filé mignon - são facilmente resolvidas. Mas quando se
trata de questões vitais - e a vida “espiritual” é algo vital, já que trata da mente e
do corpo numa disciplina para a vida -, a ansiedade, a obscuridade, a falta de
informação podem atrapalhar e uma reflexão antes das escolhas é bem vinda.
Neruda disse que somos livres para escolher mas que somos prisioneiros das
consequências. Pegue todos os Libri que não são nem 1% da literatura Magicka
disponível e trace um plano de praticar tudo em 10 anos. Você conseguiria
executar esse plano? Eu não! Que tal pensar não sobre o que estudar/praticar,
mas sim um passo antes: como escolher o que estudar/praticar?
Como falei cem vezes acima o tipo de escolha mais comum é a intuitiva. É o
caminho mais fácil sempre: instintiva, baseada em experiências que tivemos.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Esquecemos de considerar porém que cada dia na nossa vida, apesar da rotina, é
diferente do anterior. A vida no automático é bem mais fácil para todo mundo:
menos tempo, esforço gastos - totalmente compreensível. Além disso tem aquele
sentimento de confiança quando intuímos algo, já que a intuição coaduna quase
100% com nossas emoções, experiências passadas, lições aprendidas. Mas
decidir se vai morar em Jacarepaguá ou Quixeramobim, se vai casar com a
Madonna ou com a filha do Imperador Hiroito, se vai entrar na Ordem Mágica X
ou Y não deveriam ser decisões jogadas aos ventos e digo mais: mesmo aos
oráculos (confesso que eu uso como desempate!). Aquela ideiazinha de um texto
bem divulgado que fala que nossas escolhas tem 50% de chance de dar certo e
que isso vale pra todo mundo só serve à poesia mesmo, pra mim. A chave da boa
decisão está em seguir os caminhos não óbvios: fugir da nossa intuição.
Não adianta falar também que uma decisão, para ser boa, tem que ter um
resultado bom. Há eventos todos os dias que mostram que uma decisão ruim
pode ter um final positivo. A realidade é que a sorte e a intuição guiam grande
parte do nosso dia, seguindo o método natural do menor esforço. Fazer uma
escolha boa pode não ter necessariamente resultados bons, mas a chance de
acertar aumenta. Uma das perguntas mais constantes que observo em fori e
comunidades de redes sociais relacionadas a Magia e Ocultismo é: “Qual é a
melhor ordem para se começar?”. Essa pergunta, se realmente buscarmos, deve
pulular diariamente nesses grupos e comunidades. Pior que a maioria das
pessoas que responde a esse tipo de pergunta responde coisas tão vagas quanto
“isso não é relevante”, e não param para notar que, se uma grande quantidade
de pessoas faz a pergunta, ela é SIM importante e relevante. Estendendo isso
para além de Ordem, vamos discutir como escolher Ordens, Grupos, Estudos e
Práticas.
Quando falamos em Sistema Mágicko estamos falando não de uma coisa
que começaremos hoje, executaremos por cinco ou dez horas e mudaremos
amanhã. Muitas disciplinas do Ocultismo devem ser aplicadas em teoria por
longos períodos. Sejam períodos de trinta ou sessenta dias, sejam até anos. Não
deve ser muito legal chegar num ponto X após quinze anos de práticas
devotadas e descobrir que a escolha não foi tão boa, que o tempo foi
praticamente perdido, e que o Sistema é falho. Muitos podem me questionar:
“Ah, mas cada um é cada um”. Sim, isso é muito bom mas novamente: fazer as
coisas baseadas em evidência é muito melhor do que apenas chutar (quando
temos um objetivo, claro). Temos mais pontos semelhantes do que divergentes, e
isso garante a possibilidade de existir sistemas mais e menos eficientes para
cada um. Não é garantia de nada, é apenas probabilidade um pouco maior
mesmo de acertar. Além disso, saber escolher sistemas e práticas tem uma
utilidade: são centenas de sistemas, mais ou menos complexos, e muitos deles
exigem longos períodos de estudo e prática para serem bem experimentados
numa era em que um trabalho de 8 ou 9 horas e um trajeto de trem ocupam
quase 75% do nosso dia.
Vou começar falando o que eu acho que vai atrapalhar você na escolha de
qualquer Sistema ou Método de práticas Magickas e em seguida uma alternativa
para resolução:

0. Desmotivação. Não ter um motivo e objetivo pode ser até bonitinho; mas
tê-lo pode diminuir em anos o tempo que você levará para a Consecução e ter
pequenos objetivos ajudará a identificar melhor seus resultados. Se souber de

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

forma clara seu Objetivo ou sua Aspiração, você terá mais facilidade de corrigir
erros de percurso e direcionar suas práticas e escolhas para essa Aspiração,
mesmo com o dinamismo aparentemente inato da Verdadeira Vontade;
1. Ansiedade. Escolher as coisas depressa demais e com ansiedade;
normalmente seguimos nossa intuição cegamente, mas esquecemos que ela é o
caminho mais curto de escolha com base em coisas que já conhecemos. Isso se
resolve seguindo, por exemplo, os passos dados nesse texto: seguir um método,
calma e sistematicamente;
2. Dispersão. Sem uma organização, mesmo pensando muito podemos
chegar numa decisão ruim. O resultado será uma bagunça de opções e variáveis
não muito objetivas. Foque no mais importante: você, sua personalidade, suas
capacidades, seus sentimentos e ideais como base para as decisões de sistemas
mágicos;
3. Inércia. Às vezes queremos uma decisão perfeita, temos medo de errar
ou mesmo incerteza. Todos compreensíveis, mas a inércia deve ser evitada. O
resultado será baixa produtividade já que você postergou com a decisão a prática
do Sistema escolhido. E baixa produtividade em Magick é ficar longe da Grande
Obra;
4. Autoconfiança exagerada. A maioria das pessoas superestimam suas
capacidades. Isso faz com que diversos aspectos negativos passem
despercebidos, inclusive no momento de avaliar opções e práticas. Autoconfiança
exagerada fará com que você erre e pior: não aprenderá com o erro, repetindo
ele diversas e diversas vezes. Ter uma mente aberta é uma solução para isso.

Um exemplo de boa reflexão: a A.’.A.’. é uma fraternidade Thelemita - mas


eu sou Thelemita? Uma organização TEM que ser Thelemita para mim? Quais são
as outras organizações Thelemitas? Por que eu quereria uma organização desse
tipo? A pergunta inicial, antes de querer saber sobre as ordens, é saber o que
você quer - ou pelo menos ter uma vaga ideia sobre os sistemas para saber a
qual se adequa. E mesmo sem saber exatamente o que se busca, qual será o
processo de decisão pelo Sistema? O que você irá considerar como sendo fatores
relevantes? Não tenha pressa de pensar em todas as variáveis. Isso se estende
também às práticas que consumirão seu precioso tempo. Certa vez eu participei
de uma Ordem Druídica baseada na França, na região de Auvergne.
Entusiasmado, depois de três anos seguindo a roda do ano, me informaram que
daquele ponto em diante eu só poderia prosseguir se me mudasse para a França.
Tudo bem até aí; o problema era que não me avisaram antecipadamente.
Resultado: não aconteceu de eu ir, fiquei anos ligado à Ordem sem poder ter
contato com os membros, sem instruções, troca de informações e acabei
frustrado por não poder continuar. E ainda descobri que odiavam mortalmente
Crowley: foi a gota d’água descobrirem que eu era afeiçoado a Thelema e estava
na A.’.A.’.. Não me arrependo das práticas e dos anos dedicados, mas a
frustração bateu forte com essas limitações de localidade e ideológicas.
Nesse processo de escolha, não delegue às outras pessoas a sua parte no
trabalho. Pesquise o que VOCÊ acha importante num Método ou Sistema; não
saia perguntando para todo mundo o que ELAS acham que tem valor. Não estou
dizendo para não escutar as pessoas experientes ou não seguir as tarefas que
lhe aplicaram; reforço que não deve segui-las sem critério, ainda mais no período
de autoconhecimento que precede a decisão por um sistema místico ou mágicko.
Para não ficar muito tempo parado e depois reclamar que “deveria ter começado

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

antes”, defina um período para essa decisão, algo entre um e seis meses creio
ser suficiente. Não perca muito tempo também se decidindo: experimentar e agir
tem seus valores. Qual a coisa mais importante que você busca numa
ordem/estudo/prática? Você precisa dela? O que seria positivo e negativo em
participar de um grupo ou destrinchar um sistema sozinha?
Depois de definidos os pontos importantes para você, é hora de pesquisar
conforme os métodos indicados anteriormente. Ao longo do período de escolha,
você terá já uma lista de opções. Quanto mais alternativas tiver e conhecê-las
bem, maior será a probabilidade de escolher uma coisa boa e sair contente com
a decisão. Considere sempre também a probabilidade de sucesso na prática e
estudo - e busque saber se há algum resultado esperado. Se eu não sei Sânscrito
e tenho dificuldades com qualquer idioma novo, teria sentido eu entrar para uma
Ordem Tibetana que exige proficiência em Sânscrito? Bacana até. Mas quão
frustrante seria se eu não conseguisse entrar por conta do idioma? Vale o
esforço? O que eu encontraria lá é algo raro o suficiente que justifique o tempo e
custo dedicados? Lembre-se também que existem tradições que exigem
dedicação exclusiva: elas podem fechar a porta para outras organizações/temas
que você tenha interesse.
Talvez nenhum parágrafo seja tão importante quanto este: onde falamos de
planos de contingência. Um plano de contingência serve para resolver - definitiva
ou paliativamente - um problema em caso de crise. Imagina que você tem uma
apresentação importantíssima no trabalho, às 19:00, para um grupo de
investidores que só vieram à cidade para essa reunião. Seus slides podem se
perder, o projetor pode pifar, o computador travar. Diversos problemas podem
ocorrer. Um plano de contingência assegurará que, se algum problema ocorrer, a
solução será aplicada o mais rapidamente possível. Um bom planejamento
também deve ser feito caso a sua decisão seja errada: o que fazer se um
estudo/prática/sistema não está agradando? Alguns investidores em bolsa de
valores relatam gastar 90% do tempo pensando nas merdas que podem ocorrer
no mercado, e apenas 10% do tempo pensando em como lucrar.
Resumindo, dei alguns passos de como tornar o estudo e prática mágickos
mais eficiente e ganhar tempo. Os passos decorrem de analogias feitas em
outros campos de atuação como a Ciência, Artes e Música e da minha
experiência própria na aplicação delas. E não se engane quem acha que só é um
método válido para mim: estudei muitos artigos durante os anos para achar a
batida quase perfeita para organizar meus estudos e práticas, sejam de trabalho,
universidade, magia, música ou arte. Se você aplicar as ideias desses métodos à
sua própria personalidade, acredito muito que terá sucesso. Por enquanto só vale
a palavra mor de motivação: aplique. Prove. Teste. Experimente. Conclua. E que
possamos nos guiar cada dia melhor e mais livres no caminho da Arte sem nome.

Amaranthus

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Primeira Verdade (2018)

Pulsa, pulsa…

Vibra o cio

Naturam loquitor

És toda nossa

Somos todos seus

Bate o tambor

Pulsa a vida

Retumba o ventre

É fértil a terra

É sangue, é flor, é vinho

Prima Vera

Na ponta da língua

Apoteose dos sentidos

Queima a retina

Grávida de cores

Pulso, Vibro,

Louco, Viril

Dançamos nus

Em fricção elétrica

Testemunham as estrelas

H418

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

A vida de Parsons

A velocidade do desenvolvimento tecnológico é algo que todos podem sentir,


mas não podem prever. Agora que temos esse céu acima de nossas cabeças,
quase todos os dias, não sabemos quais foguetes foram lançados com sucesso.
No entanto, antigamente, se alguém dissesse que iria construir um foguete,
estima-se que seria ridicularizado por todos. Porque, aos olhos do público, os
foguetes só existiam na ficção científica.

Não existia incentivo para uma pesquisa, o mundo estava desencadeando um


aumento na decolagem de aviões. Sob tal era de "todas as pessoas voando em
aviões", havia um grupo de "traidores" que especificamente "fizeram foguetes".
Von Braun, da Alemanha, Shegel Korolev, da União Soviética e Von Karmen, dos
Estados Unidos, não deveriam achar isso estranho.

Parsons usou a sua fórmula exclusiva para desenvolver o primeiro combustível


para foguetes composto do mundo, que promoveu grandemente o seu
desenvolvimento. Além disso, ele também contribuiu para a tecnologia de
aceleração Jet-Fuel e foi um dos co-fundadores do Jet Propulsion Laboratory (JPL)
da NASA . Durante o dia, ele era um cientista vestido com um casaco branco. E à
noite, se tornava um mago com seu manto negro e estudava ocultismo.

Qian Xuesen começou a ser obcecado com o estudo da "função extraordinária"


em seus últimos anos. A misteriosa direção de pesquisa de Qian Xuesen também
foi especulada como relacionada ao estudo de Parsons sobre magia.

Jack Parsons nasceu em 1914 em Pasadena, Estados Unidos. Embora seus pais
tivessem se divorciado desde a infância, estava indo muito bem com a mãe.
Além disso, a família dos avós era muito rica e a família na qual foi criado não
existia problemas financeiros.

No entanto, ele estava acostumado a ser um garoto solitário. O status da social


de classe alta o fez menos popular no ensino médio, foi muitas vezes excluído e
intimidado por colegas de classe.

Porém, esse período de solidão passou e logo se tornou amigo de Edward


Foreman, que possuía a mesma paixão que Parsons, desde então iniciou
experimentos com no cânion próximo e no jardim da família Parsons.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Deram aos seus próprios mísseis de pesquisa um slogan: por aspera ad astra
(faça o meu melhor para chegar ao céu).

Na época, Parsons era apenas um estudante de 14 anos do ensino médio e a


consequência dessa amizade é que seus estudos começassem a enfraquecer,
então sua mãe irritada o envia para uma escola militar.

Sem poder fazer seus testes explosivos no jardim dos fundos de sua casa,
Parsons só tinha uma opção, que era experimentá-los nos banheiros da escola.

Como resultado - o banheiro foi explodido, e Parsons obteve com sucesso na


conquista de ser expulso do colégio.

Depois disso, Parsons só poderia ir a uma faculdade e continuar estudando.

No entanto, na época da Grande Depressão dos Estados Unidos e da morte de


seu avô, a família começou a ter problemas financeiros.

Para estudar, Parsons começa a trabalhar em uma empresa de pólvora depois do


horário escolar, de tempos em tempos, roubava os materiais e ia para casa para
criar seu arsenal de fogos de artificio. Apesar de tais condições difíceis, Parsons
aderiu à sua própria carreira e foi admitido na Universidade de Stanford. Não
muito tempo depois da universidade, Parsons abandonou a escola porque não
podia pagar suas mensalidades. Abandonar a escola não era algo
necessariamente ruim para Parsons, pois ele possuía mais tempo para se
concentrar em algumas teorias e pesquisas. Mesmo sem diploma, Parsons e o
bom amigo Edward, envolveram-se no então California Institute of Technology.
Seu entusiasmo atraiu um novo membro, Ph.D. Frank Malina, um estudante de
doutorado na Caltech.

Desde então, estabeleceram formalmente um esquadrão especializado em


realizar experimentos, que eram extremamente caros e Parsons, que não é mais

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

um menino rico, viu que o equipamento de laboratório não era suficiente e


utilizou do método “faça você mesmo”.

Felizmente, o mentor de Malina foi o famoso Von Karmen² e os "Três


Mosqueteiros" foram finalmente ensinados por ele.

Em 1936, o grupo conseguiu seu próprio laboratório e obteve com sucesso o


patrocínio do Instituto Galt de Aeronáutica e Tecnologia da Califórnia (GALCIT), foi
a partir deles que também surgiu o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA
(JPL), que existe até hoje.

Embora eles tenham conseguido seus próprios laboratórios, devido aos seus
experimentos, alguns laboratórios acabaram explodindo, deixando os
laboratórios vizinhos com problemas.

Naquela época, alguns professores e alunos faziam piadas a respeito e os


apelidaram de “esquadrão suicida”.

As reclamações aumentaram, então resolveram se mudar para os vales na


Califórnia para ter um lugar melhor para a realização das pesquisas.

No entanto, ao mesmo tempo em que o seu desenvolvimento decolou, isso não


foi empecilho para Parsons abandonar a magia. Na época, Parsons começou a ser
mago, juntando-se à Abadia de Thelema fundada por Crowley

Por causa do conhecimento da ciência, Parsons usa frequentemente a física


quântica para explicar a magia. Foi inspirado no livro da antiga alquimia e
referenciou o método de fazer o fogo grego (que era uma arma incendiária usada
pela marinha bizantina. Os bizantinos o usavam em batalhas navais para maior
efetividade, pois ele podia continuar queimando ao flutuar na água) e criou uma
cola como agente aglutinador para aumentar a estabilidade do combustível.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Todos ficaram muito surpresos com o fato de que este problema que assolava o
combustível por muitos anos foi resolvido por Parsons sem educação superior. Por
causa dessa pesquisa inovadora de Parsons, o governo dos EUA investiu
pesadamente na equipe de Parsons.

Em 1942, Parsons estabeleceu a Aerojet como um dos dois co-fundadores. Sob a


orientação de Parsons, eles também desenvolveram com sucesso um novo tipo
de combustível de jato líquido, que avançou muito o desenvolvimento do
foguete. Além disso, Parsons também contribuiu com a tecnologia de decolagem
assistida por combustível de jato.

Parsons, cuja carreira é tão grande, ele mesmo estabeleceu uma Abadia para si.
Para este fim, comprou uma casa grande chamada "Parsonage".

Nesta grande casa, ele frequentemente convidava vários atores, poetas,


escritores, xamãs, etc. para realizar várias cerimônias de magia. Havia muita
reclamação da vizinhança, que no jardim de sua casa tinha garotas nuas
segurando tochas e dançando com música ensurdecedora.

Mas toda vez que a polícia chegava ao local, sabiam que ele era um jovem
cientista famoso e não seria mais solicitado que ele se retirasse e seu
comportamento social começou a piorar.

Em 1943, ele foi retirado da empresa por outro fundador da Aerojet. Decidiu usar
dinheiro que ele conseguiu com a venda de ações da Aerojet, pois queria se
dedicar a magia. Conheceu Ronald Hubbard, um romancista de ficção científica e
que também era um fã de magia.

Hubbard agiu falsamente e tirou todo o dinheiro de Parsons, isso fez com que ele
sofresse muito, ele voltou a realizar sua pesquisa sobre foguetes. O infortúnio
não foi unilateral, em 1950, ele era suspeito de estar envolvido em espionagem
pelo FBI, dizendo que ele vendeu dados de equipamentos para o governo
israelense. Como resultado, a carreira de pesquisa que ele queria retornar ao
foguete teve que ser finalizada.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Nos próximos anos, Parsons aceitou apenas alguns trabalhos casuais, como
reparar eletrodomésticos ou projetar efeitos explosivos para filmes de Hollywood.
Em 1952, Parsons foi morto em uma lesão grave quando ele estava testando
foguetes em sua casa.

A causa de sua morte tornou-se um mistério, não foi concluído se ocasionou


suicídio ou assassinato.

Quando Parsons morreu, ele tinha apenas 39 anos de idade. Suas realizações
absurdas e geniais em apenas algumas décadas são surpreendentes.

Seis anos após sua morte, o Jet Flying Propulsion Laboratory que ele fundou (JPL,
a equipe original de suicidas) também se tornou parte da NASA.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Em reconhecimento por sua contribuição para as viagens espaciais e o


desenvolvimento de foguetes americanos, uma cratera na Lua recebeu o seu
nome.

Algumas pessoas dizem que gênio e louco são separados por uma linha.
Parsons foi ambos. Tanto o foguete quanto a magia, vêm de sua curiosidade e
busca do mundo.
Fontes das imagens: https://baike.baidu.com/tashuo/browse/content?id=f60e3010949dece8b2a48b39

Soror Adler

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Ninfa

Liantony Lopes

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Para além de Dion Fortune

Há muito tempo venho flertando com esse texto; um levantamento de mulheres


que foram de alguma forma deixadas de lado ou semi esquecidas na história,
mulheres que deveriam ter seu espaço no hall da memória coletiva pois muitas
delas deram grandes contribuições ao nosso modo de olhar, tanto no passado
mais distante quando no passado próximo e presente. Embora tenha escrito o
desenvolvimento deste texto em poucos dias ele vem sendo construído há um
bom tempo.

Eu sempre senti um desconforto ao ver que nas comunidades que discutem


magia/Misticismo ocidental/ magia cerimonial/ thelema há uma ausência notável
de mulheres tanto dentro das ordens como nos grupos, em workshops e em
aulas. E fica mais gritante a diferença quando olhamos no grande espectro do
que chamamos esoterismo. Perguntei para muitas pessoas do meio o motivo da
discrepância e obtive as mais diversas respostas. Houveram respostas que vão
do absurdo e preconceituoso à tentativas sinceras de tentar explicar essa
comprovação. Todavia, um ponto sempre surge… seriam poucas a quantidade de
mulheres que deixaram legados, especialmente textos e livros e por isso não
reverberam tanto o quanto os homens de seu tempo, pois um livro sempre pode
ser consultado enquanto a pessoa apenas no seu tempo de existência e daqueles
que conviveram com a pessoa. Então comecei a caçar a veracidade dessa
afirmação e não só encontrei um número grande de mulheres importantes, como
muitas delas foram autoras de textos em livros e magazines muito influentes em
seu tempo.

Motivado pelo meu maravilhamento e espanto resolvi fazer na época uma


compilação pessoal desses nomes para pesquisas futuras, mas muita vezes me
peguei utilizando esta mesma lista de mulheres notáveis em discussões, em
grupos de celular e conversas de bar, geralmente para mostrar que existia um
número representativo delas. Outras vezes me pediram a lista e enfim resolvi
fazer esse levantamento com algumas delas.

Este texto tem como objetivo mostrar as principais escritoras falecidas e indicar
pelo menos um texto de referência e um ponto sobre sua importância e
influência nos conceitos chaves do esoterismo moderno e quando possível,
mostrar quem elas influenciaram diretamente. O Outro motivo de usar como
parâmetro as falecidas há algum tempo é me auxiliar, com a ajuda do
distanciamento histórico qual a importancia da autora. Para que haja um
distanciamento histórico seguro que permita identificar uma linha de influência
gerada, apenas serão comentadas autoras já falecidas. E como parâmetro utilizei
a autoras que contribuíram diretamente em livros e revistas de
ocultismo/esoterismo, por isso deixo de as artistas plásticas Pamela cold smith e
Lady Harris e a revisora do Liber Abba, Soror Estai, ou outras pessoas
importantes como Mari Deste, Soror Alostrael, Soror Laylah, e Rose Kelly.
Esse texto não foi pensado para entrar nas minúcias dessa problemática, e creio
que há outras pessoas com mais propriedade pra expressar ponto a ponto os
possíveis motivos, como o machismo cultural e perversões de poder na relações
inter comunitárias e o porquê delas terem sido apagadas ou seja, o motivo por
trás desse esquecimento seletivo. Deixo de exercício para o leitor. .. e digo que se

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

eu conseguir retirar a frase “é porque elas não escreviam e só faziam artes


plásticas e dança” do imaginário da comunidade terei conseguido êxito com o
texto.

Antes de começar a lista algumas ressalvas. Primeira: não se trata de um top 10,
também não está em ordem de importância. Segundo: Algumas estão tendo seu
devido valor resgatados, seja por biografias, seja por condecorações post
mortem. Terceiro: Como se trata de autoras menos mainstream, não faz sentido
falar das mais conhecidas como Blavatsky, Fortune, Dorien Valente, ok?

Vamos a lista:
Alice Bunker Stockham (1833-1912) – ginecologista, promovia equidade de
gênero, e prazer sexual como essencial para um bom casamento e advogava
sobre os benefícios da masturbação, com apesar de ter escrito diversos livros e
publicações, sua principal importância foi ter cunhado o termo Karezza,, método
de sexo sem gozo como forma de realização pessoal.Esse termo e prática fora
absorvido e é praticado até hoje em muitas ordens iniciáticas.

Ida Craddock – Após uma vida de restrições devida a sua criação cristã, teve
uma “revelação” orgástica que ela chamou de sexo com Anjos. Seus textos foram
amplamente elogiados pelo A.C, e outros de sua época. Membro da Sociedade
Teosófica, e influenciada pela Alice Stockham e Pascal Beverly Randolph, ela
defendia a busca pelo descobrimento da sexualidade, especialmente a feminina.
Ela é a precursora dos termos, Alphaismo, Dianismo, além de outros conceitos
que foram amplamente absorvido aos estudos de Sex magick, as vezes
recebendo o devido crédito, outras não. Escritora é conhecida pelo seus textos
Psychic Wedlock, Heavenly Bridegroom e Spiritual Joys.

Emma Hardinge Britten - Escritora espírita e pioneira da Sociedade Teosófica,


Emma praticava “mesas brancas” numa modalidade conhecida como sermão em
transe (muito parecido com o falar em línguas praticado pelos Evangélicos),
escreveu livro importantes para comunidade esotérica da época,porém fora
bastante criticada pelo espíritas ortodoxos (os que só reconheciam os livros de
Alan Kardec como espíritas- sim isso já existia no século XIX), Seus livros Modern
America Spiritualism e Nineteenth Century Miracles, são duas obras excelentes
sobre o zeigeist. Mas há um texto dela chamado Art Magic que é uma pérola. Ela
antecipa o conceito de Gnose sexual neste texto e é perceptível o diálogo com
Jenning e sua Hermetic Brotherhood of Luxor e a Hermetic Brotherhood of Light
do RPB. De acordo com Allen Greenfield, ela foi uma figura decisiva para o
encantamento do Gen.Olcott (fundador da Sociedade Teosófica) e após uma briga
da Blavastky com a Irmandade de Luxor, resultou na Sociedade Teosófica buscar
mais o misticismo hindu como solução
Ler sobre ela me fez rever meu preconceito com o movimento espírita e alem de
cruzar as informações sobre quem ela ela mantinha contado na época (por
exemplo: Rene Guenon e Peter Davidson, Olcott, RPB) também fica inegável sua
influência em todo o movimento egiptológico e da magia sexual na geração dela.

Anna Mary Bonus Kingsford – Presidente da seção inglesa da Sociedade


Teosófica, feminista e vegetariana, seu maior registro na forma escrita é o livro
The Perfect way: The Finding Christ e Clother in the Sun. Figura política e ativista

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

em diversos campos, fundadora da Sociedade Hermética, sua influência é


essencial nos grupos de misticismo e esoterismo ocidental, sendo uma das bases
da Golden Dawn. Elogiada pelos notórios Westcott, Mathers e Crowley.
Especialmente no conceito de Vontade (e verdadeira vontade), Aeon Christico e
Sophia como parte integral do Mistério. Esses conceitos influenciaram Jules
Doinel e sua Igreja Gnóstica, por exemplo, e ela é peça chave para a introdução
da idéia de busca do Feminino Divino no final do século XIX não seria a mesma

Alice Bayley – membra da Sociedade Teosófica, editora da revista The


Messenger e chefe da Krotona, centro teosófico em Hollywood, e crítica da Annie
Besant, seus textos e práticas influenciou tantos grupos dentro do movimento
New Age e no neopaganismo, que fica difícil elencar diretamente e indiretamente
o tanto que ela foi importante. Mas por seus texto partirem de teorias raciais
prefiro não expor muito aqui seus trabalhos mas pra quem conseguir ler sem se
irritar a cada 3 palavras, o livro importante dela é o Initiation, Human and Solar.

Flowrence Farr (Soror Sapientia Sapienti Dona Data) – atriz, diretora de teatro,
pioneira do movimento New Woman, ela escreveu diversos textos internos da
Golden Dawn, assim como parte dos Pergaminhos Voadores e junto com Yeats
fora a peça chave pros dramas iniciáticos da magias cerimoniais da Ordem. Ao
fim da vida escreveu textos para a revista The New Age, Sua participação em
todos esses palcos e sua eterna busca pelo novo olhar ao feminino é notória.
Como recomendação fica os livros Egyptian Magic: Occult Mysteries in Ancient
Egypt, o The Music of Speech e importante também o Modern Women: Her
intentions.

Nota: A Golden Dawn não teve só a Flowrence Farr de mulher importante na


escrita do Flyng Scrolls, não poderia fechar essa parte sem citar Annie Horniman,
Maud Gonne e Mina Bergson, que cada uma influenciou e foi influenciada pela
Ordem, Sem as 4 a Golden Dawn perderia muito em seu formato. Mas falar das
mulheres da Golden Dawn é um ensaio por si só.

Maria de Naglowska – a poetiza e jornalista também conhecida como a Mulher


satânica, trouxe sua Simbologia de Satan como força libertadora que por vez é
peça fundamental para entender o Satanismo contemporâneo. Para além da
fama de satanista, ela também é importante para continuação da teoria da gnose
sexual, com sua releitura dos textos de RPB. Ela que apesar de ser amiga do
Julius Evola foi força motriz para o esoterismo mais libertário. Todos os 4 livros
dela especialmente o The light of Sex são leituras recomendadas para quem
gosta do assunto

Rosaleen Norton – artista plástica também conhecida como “a Bruxa de Kings


Cross” fez trabalhos inspirados em estudos de qliphas e magia sexual, em 2009
saiu um livro chamado Thorn in the Flesh: A Grim-memoir com textos sobre suas
viagens e teorias mágickas. Como eu não sou conhecedor profundo da teoria
tiphoniana e ela se relativamente nova em comparação as anteriores coloquei
aqui mais como alguém que neste momento não está sendo discutida,

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Soror Meral: poetisa, mantenedora tanto da AA, quanto da OTO, criadora de 2


outros grupos de cultura thelêmica, o College of thelema e a Temple of Thelema,
Publicou durante anos o periódico In the continuum, que, além de produzir seu
material autoral, também o utilizava para reproduzir materiais thelêmicos de
Aleister Crowley e recentemente saiu dois livros com o compilado de seus textos
pela editora College of Thelema of Northern California, (mas é possível ter acesso
a tudo no link do College.)

Soror Nema: quase não escrevi sobre ela, pois sua morte foi bem recente, e
ainda sua falta e energia ainda é sentida. Thelemita que nos agraciou com suas
publicações ao longo de 25 anos de produção, influenciou diretamente muitos; e
indiretamente todo mundo após 1970. Ela sua Arte segue como continuação do
trabalho de Frater Achad e depois de Kenneth Grant, seu primeiro escrito Liber
Pennae Praenumbra é uma peça fantástica de uma operação mágica que, além
de trazer ao debate a palavra Ipsos, gerou todo um debate em cima dessa peça.
Você pode não ter lido os livros delas mas pode ter certeza que a maioria dos
autores modernos leram. Seu trabalho culmina no livro Maat Magic: a Guide to
Self-Initiation. Ela é umas das pontes que linkam thelema, tiphoniana e
neopaganismo e desta lista é a única que no processo de criação da revista, nós
tivemos contato direto através de mensagens e e-mail. E ela quase escreveu um
texto pra nós.

Até aqui foram algumas pessoas especiais que somadas a Dion Fortune foram
parte integrantes do movimento ocultista, sem elas e seus textos muito do
moderno não existiria. Essa lista poderia continuar com autoras mais
contemporâneas ou com autoras menos expressivas mas para evitar o
pensamento “ah, mas hoje em dia é diferente”, cito que outras autoras escrevem
tanto em quantidade, como Catherine Yronwode (17 publicações), Mellie Uyldert
(30 publicações) quanto em publicações influentes, seja como o ativismo de
Starhawk e da sensibilidade da Dolores Ashcroft seja no trabalho mais teórico da
Cath Thompson a Erica Cornelius.

Ao longo do texto, foi importante me contextualizar a épocas que elas viveram


para entender o porquê dos aspectos das suas personalidades eram
expressavam e nesse ponto cabe lembrar que, várias dessas autoras viveram em
épocas muito complicadas quando abordamos o assunto do feminino, da
liberdade e direitos então por mais que pareça boba a contribuição aos nossos
olhos contemporâneos, elas viveram em épocas que o olhar da sociedade para
as mulheres era muito, mas muito, pior do que é hoje;

Outro fator que me saltou aos olhos é como muitas delas estavam debatendo em
seus momentos históricos com muita propriedade, e redefinindo e discutindo
pontos que até então eram ditos tradicionais, e sem dúvida a contribuição delas
é fundamental para entender o por que a magia do século XX tem esse espírito
de quebra de paradigma.

Não é desconhecido que quando mais se tenta romper com o que dito como
normal, mais se cria resistência para com o mesmo, e nesses momentos onde a
resistência se apresenta mais notória no cotidiano é bom ressaltar e indicar onde
houveram aquelas que transgrediram.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Fontes bibliográficas:
https://oto-usa.org/usgl/lion-eagle/
https://web.archive.org/web/20140115202014/http://www.alice.bailey.it/index.php
/testi-bailey-in-inglese
Women of Golden Dawn GREER Mary K. ISBN-10: 0892816074;ISBN-13: 978-
0892816071;

Alhudhud

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Leila Wadell

Natasha Naia
Leila Wadel: Aquarela e pastel

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Estudos Diminutos sobre o Liber 44 ou a Missa da


Fênix.

Carambolas! Macacos me mordam...Missa em Thelema? Missa na A.:A.:? Pra que isso?


Mas que saco...eu detesto a missa católica dizem alguns, missa me causam asco dizem
outros. Sim temos não só uma como 2 rituais de missa escritos pelo profeta de Thelema,
uma que é o fruto do nosso artigo Liber 44 ou a Missa da Fênix e Liber XV a missa
utilizada pela EGC da Fraternidade OTO e mais um monte de missais escritos por outros
thelemitas competentes e utilizado em outras Ecclesias Thelêmicas como a Ecclesia
Gnostica Universalis ou a Thelemic Gnostic Church of Alexandria e ainda a Gnostic
Church of L.V.X só para citar alguns desses movimentos gnósticos que dão um sabor
especial ao cenário ainda efervescente e novo de Thelema + Gnose. Mas para acalentar
os corações gélidos queria esclarecer alguns pontos e dali partiremos juntos nesse
diminuto estudo.

Gnose, vem da palavra grega Gnosis (γνῶσις), conhecimento, um processo pelo qual,
através de uma prática, de um insight, de uma experiência produz-se um conhecimento
iluminado, isto é um ato de sabedoria. Favor não confundir com qualquer movimento
iniciático, ocultista etc..., visto que Gnosis é uma auto realização.
Porém a missa gnóstica é um ritual que faz muitas vezes alusão a uma celebração, onde
em especial um ou mais sacramentos podem ser ministrados, vide que sacramento,
além de sagrar, tornar sacro, pode ser entendido como conjugar, e dentro de qualquer
missa o sacramento mais importante é o da transubstanciação ou Eucaristia.

Uma Eucaristia é uma cerimônia em que elementos comuns são imbuídos de forças
divinas e depois consumidos. Ou seja, transubstanciar-se nessa celebração das forças
com a natureza, Crowley em seus Confessions expõe: “Eu resolvi que meu ritual [a Missa
Gnóstica] deve celebrar a sublimidade da operação de forças universais sem introduzir
discutíveis teorias metafísicas. Não gostaria de fazer nem implicar qualquer declaração
sobre a natureza que não seria aprovada pelo homem mais materialista da ciência.
Superficialmente isto pode parecer difícil; mas na prática eu achei que era perfeitamente
simples para combinar as mais rigidamente racionais concepções de fenômenos com a
celebração mais exaltada e entusiástica de sua sublimidade.”
Aleister Crowley em Liber Aleph fez mais: recomendou o desempenho diário da missa,
para isso ele fez a Missa da Fênix, que é projetada para ser realizada diariamente ao pôr
do sol. Ele também adaptou a Missa da Fênix para uma cerimônia congregacional
chamada "Ritual Ordenado pelo Serviço Público". Foi realizado pela O.T.O. antes da
publicação da missa gnóstica eucarística Liber XV, após, este Ritual ordenado foi
perdendo seu uso.

Segundo nosso entusiasta Iao131 que nos presenteou com o hexagrama com a bandeira
do Brasil para a revista 777, em seu excelente ensaio “The Symbolic Dimensions of the
Gnostic Mass” toda a Missa Gnóstica mostra a transformação psicológica do
Mago/Sacerdote, passando de uma identificação com a persona de uma identificação
com o Self arquetípico, que abrange a totalidade da psique, tanto consciente e
inconsciente. Todo o processo pode ser resumido como: o Sacerdote se identificar com
Persona → Sacerdote identificação com Ego → encontro com a Sombra → com o Anima
→ com o Anima para “libertar” ou acessar o Self com o qual o Sacerdote finalmente
identifica.
- Por mais Junguiano que possa parecer esse conceito ele carrega em si um trabalho que
todos conhecemos bem, que é o Assunção Forma Deus em Liber O, e que prova ser
bastante eficaz no que se propõe. E toda a questão da missa da Fênix ocorrer ao pôr do

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

sol ou seja a descida de TUM pelo barco infinito ao reino da noite onde teremos o sol da
meia noite Kephra até o novo nascer do Sol em Rá no seu levante, vemos claramente a
intenção de mais trabalho e esforço dentro da fórmula do neófito da antiga GD que em
Thelema é muito própria e cara ao Probacionista, para isso os interessados acharão
vasto material em Magick ou Liber 4.

Minha parca experiência com o ritual me faz tecer algumas considerações bem práticas
a respeito, fruto de percepções que compartilho com vocês, sem ânsia de resultado
algum, a título de fomentar ideias:

Uma verdadeira Eucaristia Mágica individual


O encerramento ritual do Neófito da Golden Dawn inclui uma eucaristia de cinco
elementos que influenciaram fortemente a Missa da Fênix de Crowley, então além da
fórmula do Neófito vale dar uma lida neste ritual propriamente dito.
Na obra Magia em Teoria e Prática, Parte II, cap. XX e Livro 4, Parte II, cap. IV. Existe uma
eucaristia que de certa forma contempla essa ideia com certos elementos que os
indianos chamam de 3 Gunas, Tamas (inércia), Rajas (movimento) e Sattvas (ritmo)
importante notas como essas três forças representam bem a condição de Malkuth de
Assiah.

Sobre o polêmico “Pai Nosso” thelêmico, ou as sete petições. Therion estudou e muito
Inácio de Loyola, Molinos e grandes doutores da lei cristã. O que temos que entender
que tal oração serve para nos conectarmos à Egrégora do Novo Aeon em Malkuth de
Assiah, ao analisarmos as sentenças, há um momento devocional e dessa vez na minha
opinião de que o SAG possa se manifestar através de seus eflúvios até a nossa realidade
no “Reino” ele mostra seu “Dharma” nos livrando do Mal e do Bem, nos leva por Nossa
Senhora Babalon através da tentação, ou da Meia Noite até o Sol, aqui eu indico aos
leitores a 2ª meditação de Liber HHH, e por fim que sua realidade de Rei seja manifesta
em mim mesmo com a Opressão, Saciedade, Riqueza e Ruína. Enfim a verdadeira
Imagem de uma Imagem tal qual Liber LXV I,8.

Sobre os Bolos de Luz ou Hóstias:


Os Bolos de Luz contêm farinha, mel e óleo para sua base. Tal qual uma refeição contém
carboidratos, gorduras (óleo) e proteínas (mel). Carboidratos, óleos e gorduras são
macronutrientes essenciais aos organismos vivos. Os Bolos de Luz também têm para seu
simbolismo os cinco elementos: farinha (Prithivi, Terra), mel (Vayu, Ar), água (Apas,
água), óleo de Abramelin, azeite (Tejas, Fogo) e sangue (Akasha, Espírito). Alguns
identificam o Bolo de Luz com o Sol, ou pelo menos é nessa substância que ele sofrerá a
transubstanciação. A receita para os pães de luz é encontrada no terceiro capítulo do
Liber AL vel Legis, e facilmente na internet. O uso de sangue dentro deste rito é
importante por mostrar os ciclos de criação e dissolução, o eterno ciclo de recorrência
que o mago percebe e do qual se liberta. Os Bolos da Luz são universalmente aplicáveis;
eles contêm farinha, mel e óleo (carboidratos, gorduras e proteínas, três coisas
necessárias à nutrição humana): também perfume dos três tipos essenciais de virtude
mágica e curativa; o princípio sutil da vida animal em si é fixo nelas pela introdução de
sangue vivo fresco. Uma variação deste ritual é fazê-lo apenas com sêmen ou fluidos
sexuais. É uma boa ideia experimentá-lo de diferentes formas por um período,
meditando na natureza da vida em suas variadas formas tais como sofrimento e alegria,
como recorrência eterna e como força imortal. Pra ser sincero já utilizei também com
outras substâncias, como gosto muito de cozinhar tentei fazer hóstias, não consegui o
resultado esperado, mas ficou com algo parecido, já usei hóstias compradas em lojas,
(viajo muito a trabalho, as vezes a praticidade vence o legalismo), já usei bolo de nozes
(essa não sei explicar porquê, porém me sentia pleno com eles) como também já realizei

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

a prática sem bolo algum nem hóstias utilizando apenas a imaginação. Embora não
tenha no ritual eu utilizava uma fórmula sacramental com o vinho também, há uma
gnose na mistura da água e do vinho ( ou melhor do sangue com o vinho hehehe),
porém o uso do suco de uvas integral foi o campeão da força na minha experiência, e
sim podem me chamar de blasfemo, aceito e incentivo a experimentação, ninguém
segue a receita do bolo ipsis líteris, nem quem a escreveu.

Sobre o Mantram ABRAHADABRA


Muito material subjacente pode ser encontrado em "O Templo de Salomão, o Rei" do
Equinox Vol1 N4 e muito estudo sobre o mantram Abrahadabra.
1. Abrahadabra - a recompensa de Ra-HoorKhuit. Nós já vimos que Abrahadabra é o glifo
da fórmula da Rosa e da Cruz. Assim também a Grande Obra, o equilíbrio do 5 e do 6, é
mostrado neste Deus; cinco vezes como um guerreiro Hórus, seis vezes como o Ra solar.
Khuit é um nome de Khem, de modo que o deus inteiro representa no simbolismo
cabalístico que alguns autores discordam de como nominar por isso deixo assim
inominado, porém simbolizo, e de novo na minha opinião, como o Triângulo Vermelho
descendente - a única coisa visível. Hadit e Nuit estão mais além, num plano não
manifesto. Abrahadabra é traduzido por Gustav Davidson em seu Dictionary of Angels
como “Eu abençoo os mortos”, e é um dos três Nomes Sagrados usados para abençoar
uma espada (Clavis Salomonis?). Davidson também afirma que é derivado do hebraico
“ha brachah dabarah” ou “Speak the blessing”. É usado como um amuleto para curar e
afastar o mal. Quando cantado, é reduzido letra por letra. (Já tentei fazer assim, porém
me dei melhor com cantar por extenso como uma palavra, numa melodia que ouvi na
minha cabeça e até hoje faço assim, com bons resultados)

Ele sugere ainda uma relação entre o mantra e uma "divindade" gnóstica mais antiga,
Abraxas, ou "o supremo desconhecido", e fonte das 365 emanações da teologia persa.
Também é encontrada em vários textos mágicos e místicos hebraicos, incluindo A
Espada de Moisés e O Livro do Anjo Raziel. Na teologia gnóstica, é usada como um termo
para deus, ou como um mediador entre a criação e a divindade.
Crowley escreve isso para que ele some 418 em gematria (19 x 22) ou 22 usando a
“Cabala das Nove Câmaras”. Várias fórmulas são elaboradas para mostrar significados e
relações ocultas entre as letras, das quais a mais importante parece ser sua sugestão de
"duplo poder" de efetuar tanto o Pentagrama quanto o Hexagrama; e dando o axioma
Rosacruz da "Luz, Vida e Amor" na expressão numerológica.

“Luz, Vida e Amor nunca se perdem, mas podem ser evocados eternamente da Unidade
Cósmica em que habitam”. Afirma um ritual Rosacruz.

Observemos que Ra-Hoor : RAHVVR = 418. Tal qual ABRAHADABRA, para maiores
detalhes a consulta ao Liber 777 págs. 45 ou 46 dependendo da edição há um bom
ensaio a respeito.

O SANGRAR DO PEITO
DuQuette em “A magia de Aleister Crowley” escreve: "É óbvio no texto que o Magista
deve realmente fazer sangrar para consagrar o Bolo de Luz antes de consumi-lo. Mas em
nenhum lugar é indicado que dor, cicatriz ou ferimento é um elemento requerido pela
cerimônia. Ela é uma Eucaristia, não um ritual de automutilação." O Sangue como dizem
é o veículo do ego, e talvez ai nesse ato magicko há a prova física da eucaristia quando
entregamos parte do ego e parte do “serviço” na simbologia do bolo e da hóstia e
comungamos à nossa Aspiração, ou à Divindade segundo outros, nesse momento a
parte de que a Eucaristia é só uma ferramenta para o processo mágicko se torna
evidente. Nunca fiz o símbolo todo no peito, senão ia viver com cicatrizes, fazia com o

42
Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

instrumento próprio o símbolo no astral do meu corpo, ou meu duplo etérico e no fim me
cortava somente ao ponto de tirar poucas gotas de sangue, conheço magistas
experientes que faziam no braço, uma certa época cheguei a fazer sem tirar sangue
algum somente “arranhando” o símbolo sobre a pele, assim como não havia bolo ou
hóstia alguma, porém a primeira opção para mim foi a melhor.
LMD adverte o uso de um instrumento esterilizado, tal como um riscador de mecânico
(ou um estilete), para arranhar levemente a marca na pele. Em certo momento, um leve
aumento na pressão será o bastante para produzir uma pequena gota de sangue para o
Bolo ou hóstia.

Finalizando esse diminuto estudo sobre o Liber 44, é importante ter o material como
uma sineta ou um gongo pequeno, um turíbulo de mesa, o que mais gosto é o de
cerâmica facilmente encontrado em casa de artigos religiosos afro brasileiros, lá mesmo
acha se fácil carvão para Narguilé, queimam fácil e via de regra são de coco, tudo que
possa facilitar sua concentração ou simplesmente lhe dar prazer estético para a prática
é bem-vindo, a Estela da Revelação, seu Liber Al, uma vela, uma arma magicka, um
incenso etc... e no mais ter a noção de que o Ritual te propõe uma mudança de estado
de consciência, que via de regra terá como reflexo uma mudança no estado de sua vida.
Não há meia transubstanciação, nem meia transmutação, nem almoço gratuito, na
realização deste ritual você devera perceber que cada vez mais entrará em contato com
forças poderosas que fazem parte de sua natureza interior e a forma de proceder deste
contato é o que chamaremos de Gnose pessoal, a última dica: a última sentença do
Ritual: Ele vai Adiante...é o começo de tudo!

Força e fogo, são de nós.


H418
abadiahetheru@gmail.com

LIBER44

O RITUAL

O Magista, com o seu peito nú, está em pé diante do altar onde estão seu Cinzel, seu
Sino, seu Turíbulo, e dois Bolos de Luz. Com o Sinal do Entrante, ele avança para o
Oeste, cruzando o Altar, e clama:

Salve Rá, que segue em tua barca


Adentrando as cavernas das Trevas!

Ele faz o sinal Hoor-pa-kraat, e leva o Sino, e Fogo, em suas mãos.

O Leste do Altar me vê de pé

Com Luz e Músicka em minha mão!

43
Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Ele golpeia Onze vezes no Sino 333-55555-333 e coloca o Fogo no Turíbulo.

Eu toco o Sino: Eu acendo a Chama;


Eu pronuncio o Nome misterioso:
‫( אבראהאדאברא‬ABRAHADABRA)

Ele golpeia onze vezes no Sino.

Agora eu começo a prece: Tu Criança,


Sagrado e imaculado é teu Nome!
Teu reino é chegado; Tua vontade é feita.
Aqui está o Pão; aqui está o Sangue.
Leva nos através da meia-noite para o Sol!
Salve-me do Mal e do Bem!
Que aquela Tua única coroa de todas as Dez
Mesmo aqui e agora seja minha. AMÉM.

Ele coloca o primeiro Bolo no Fogo do Turíbulo.

Eu queimo o Bolo-Incenso, proclamo


Estas adorações em Teu nome.

Ele as faz como em Liber Al, e toca de novo Onze vezes o Sino. Então, com o Cinzel, ele
faz sobre seu peito o sinal apropriado.

Veja este meu peito sangrando


Marcado com o sinal sacramental!

Ele põe o segundo Bolo na ferida.

Eu estanco o Sangue; a hóstia absorve


e o sumo sacerdote invoca!

Ele come o segundo Bolo.

44
Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Este Pão que eu como. Este Juramento que eu rogo


Conforme eu me inflamo com a oração:
"Não há nenhuma graça: não há nenhuma culpa:
Esta é a Lei: FAZE O QUE TU QUERES!"

Ele golpeia Onze vezes no Sino, e grita

ABRAHADABRA

‫אבראהאדאברא‬
Eu entrei com aflição; com alegria
Agora sigo em frente, dando graças,
Para realizar meu prazer na terra
Entre as legiões dos viventes.

Ele segue adiante.

COMENTÁRIO

Do Livro das Mentiras:

"Este é o número especial de Hórus; é o sangue hebraico; e a multiplicação de 4 pelo 11,


o número de Magick, explana 4 em seu melhor sentido. Mas veja em particular os relatos
em Equinox I, 7, sobre circunstâncias do Equinócio dos Deuses. A palavra "Fênix" pode
ser tida como incluindo a ideia de "Pelicano", o pássaro que, diz a fábula, alimenta seus
filhotes com o sangue de seu próprio peito. Contudo as duas ideias, apesar de cognatas,
não são idênticas, e "Fênix" é o símbolo mais exato. Este capítulo explica o capítulo 62.
Seria impróprio comentar mais sobre um ritual que tem sido aceito como oficial pela
A.'.A.'..

Capítulo 62 do Livro das Mentiras:

Compreendestes tu? A Fênix tem um Sino para Som; Fogo para Visão; Faca para Toque;
dois bolos, um para provar, outro para cheirar. Ele se põe diante do Altar do Universo ao

45
Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Pôr do Sol, quando a vida terrena se desvanece. Ele convoca o Universo, e coroa-o com
Luz MÁGICKA para substituir o sol de luz natural. Ele ora a, e homenageia, Ra-Hoor-Khuit;
a Ele, ele então sacrifica. O primeiro bolo, assado, ilustra o lucro tirado do esquema de
encarnação. O segundo, misturado com o sangue de sua vida e comido, ilustra o uso da
vida inferior para alimentar a vida superior. Ele toma, então, o Juramento e torna-se livre
- incondicionado - o Absoluto. Ardendo na chama de sua Prece, e renascida - a Fênix!

Entendeste tu? Também a Fênix usa gravetos para acender o fogo no qual se queima.

No Magick, O Livro 4, Crowley comenta que a Missa da Fênix "deverá ser realizada
diariamente ao pôr do sol por todo magista".

SINAL APROPRIADO

O texto original do ritual não explica qual é o sinal "apropriado" ou


"sacramental". Duas possibilidades são o círculo e a cruz ou a "Marca da Besta".

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Aleister Crowley

Natasha Naia
Aleister Crowley: Aquarela, acrílico, pastel e lápis

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Vodoutrônicos Criativos E Outras Frequências


Zothrianas

A Ordo Templis Orientis Antiqua não pode ser considerada uma ordem na
compreensão maçônica onde um conjunto de rituais confere graus e uma dada
ascensão espiritual dentro de um sistema formal de magia. A OTOA tem sua
origem em 1921 no dinâmico ambiente gnóstico do ocultismo francês e
caribenho, onde encontramos uma órbita em torno de Papus e do maior
movimento gnóstico francês que deu origem ao Episcopati Vagantii ou Bispos
errantes que trabalham no campo do iluminismo gnóstico. A OTOA também
estava sujeita à influência de seu fundador, Jean-Maine, bispo e vodouisant,
membro de várias sociedades secretas, das quais o Zobop de La Couleuvre Noire
ou o Culto da Cobra Negra influenciou o trabalho feito nessa ordem específica - E
ainda o faz.

O que isto significa na prática é que OTOA é mais para ser considerada um
laboratório espiritual, uma universidade oculta onde o estudante é livre para
experimentar nos vários níveis de desdobramento espiritual e hierarquias que
medem isto contra o seu próprio ser e assim geram uma ontologia mágica
particular e única. Este trabalho é feito com base no curso de 4 anos lançado
pelo Monastério dos Sete Raios que no decorrer desses anos apresenta material
que o aluno utilizará para seus experimentos, a fim de iniciar a construção de um
catecismo correspondente a uma verdade ontológica do ponto de vista do
estudante.

Abordamos a magia com a mente do cientista inspirado usando o “Espiritismo”,


rituais e objetos como ferramentas e caminhos para a compreensão e o uso de
freqüências cósmicas tanto no trabalho mágico quanto na Grande Obra. Ao
explorar uma variedade de universos mágicos, o estudante realizará conexões
entre o que está fora e o que está dentro e gradualmente perceberá o que Martin
Heidegger chamou de “ding-s-sich”, ou a coisa em si, uma compreensão pura
através do entendimento e do contato espiritual que amplia e estabelece o
universo mágico do aluno de maneira particular e sutil. Por isso, encontramos a
grande importância em nosso trabalho relacionado a Bawon Zariguin, a lwa(lowa)
aranha, um dos Guedes que assegura a rede de comunicação no "outro lado" ou
Meon. Naturalmente, isso serve apenas como metáfora de como nos colocamos
como a aranha Rei ou Rainha no centro de nossa rede mágica sempre em
expansão que nos dá acesso a viagens entre muitos e variados planos, túneis e
mundos para buscar conhecimento e compreensão do mundo e de nós mesmos,
à medida que gradualmente percebemos o mundo mágico ao nosso redor e a
que zonas de poder naturalmente temos acesso e com as quais podemos gerar
conexões.

Este objetivo para o pesquisador ocultista abre naturalmente o caminho para


uma linguagem mágica única, porque é somente dessa maneira que podemos
revelar a semântica entre as forças trabalhadas e estudadas nessa abordagem
criativa, sem estarmos vinculados ao seu domínio habitual e suas crenças
religiosas pregressas. Neste trabalho, o uso de correspondências é natural para

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

formular hipóteses para o trabalho em si, mas como o cosmos em constante


mudança se reformula em formas e tons novos e diferentes, da mesma forma
segue a realização mágica.
O trabalho é abordado com seriedade e de forma lúdica, um ludens mágico que é
encenado nos mundos onde dançamos no espelho do mundo para que o Eu
possa refletir a Si mesmo no todo e possamos perceber o centro de nós mesmos
em qualquer realidade mágica e entender o uso oculto das frequências
descobertas nesta grande teia que está sempre se expandindo e mudando.

Logo, a OTOA é um corpo mágico de pesquisadores ocultistas que podem


trabalhar sozinhos ou em conjunto com outros. Dada a natureza do trabalho
realizado, será sempre impossível definir a OTOA como apenas uma única coisa,
uma vez que qualquer definição levará, por necessidade, à adição de; "Sim, mas
também é muito mais". Por isso, tratamos de uma abordagem nova e única dos
mistérios que se correlacionam com o próprio ser que é abordado com essa
atitude particular, não para quebrar o que é, mas para uma maior compreensão
do "que é" e da descoberta do centro e da conexão com os muitos mundos.
Nesse sentido, podemos dizer que o que estamos fazendo em última análise é a
filosofia mágica e a pesquisa oculta guiada pela espiritualidade cósmica e a
conexão inevitável com os guias espirituais e os "mestres-espíritos" que
naturalmente vêm como conseqüência desse trabalho.

Nisto encontramos também uma grande abertura para um abismo ainda maior
de ilusão. Nisto precisamos ter a austeridade e fundamento suficientes para
separar a fantasia que se move do desejo e da vontade e a conexão genuína
realizada através da iluminação pura. A verdadeira iluminação mantém a
capacidade de expansão cósmica e, naturalmente, elimina o auto-engano em
favor da grandeza mágica que nos conecta a todos os mundos, de tal forma que
o ser cósmico é revelado, e não o ser inferior rastejando na psique limitada.

por Frater Selwanga XVI°


Tradução H418

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

A Cabala do Novo Éon e A Manifestação


Faze o que tu queres há de ser tudo da lei.

É impossível ver Thelema sem a expressão do feminino como sua tônica


fundamental, e para isso é preciso tocar em alguns arquétipos essenciais a esse
entendimento. Nosso livro sagrado começa no desvelar da companhia do céu,
onde surge a voz de Nossa Senhora das Estrelas, revelada por Aiwass e seu
escriba:

••• Ain (não): “que os homens não falem de Ti como Uma, mas como
Nenhuma” (AL I:27).
•• Ain Soph (sem limite): “Eu sou o Espaço Infinito (...)” (AL I:22).
• Ain Soph Aur (luz infinita): “(…) de Estrelas Infinitas.” (AL I:22). E ainda:
“Adorai então o Khabs, e contemplai minha luz derramada sobre vós! ” (AL I:9).

Como ferramentas de auxílio utilizarei livremente dos textos sagrados, e


dos ATVS do TARO, e a Qabala Inglesa, Cabala Novo Eônica ou Cifra-11 como a
apelidei, e para efeitos de simplificação C11. Oficialmente estudada por James
Lee e Cath Thompson já desde 1976, e pelos 30 anos subsequentes, termina por
se tornar um sistema completo, incluindo a cabala prática, um método de
exegese do livro sagrado, correspondências filosóficas e segundo Cath uma
“mandala estável”. Seja como for para mim é desonesto negar que já no seu
Liber 31 frater Achad (Charles Stansfield Jones) dá a primeira pista para a nova
cifra: “Então eu percebi outra coisa muito importante. Eu estava me perguntando
por que razão A e L deveriam ser escolhidos, ou melhor, por que L, a 12ª letra do
alfabeto hebraico, deveria seguir A, a primeira”. O que Lee fez foi apenas
continuar seu raciocínio, contando então mais onze letras, e chegando então a
letra W.
3
1
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Se seguirmos contando espaços de onze letras, e numerando


consecutivamente as casas, chegaremos então a uma nova ordem, e novo valor
ao alfabeto inglês, exatamente como pede o verso 55 do capítulo II, do Liber AL.
A nova ordem seria então: A, L, W, H, S, D, O, Z, K, V, G, R, C, N, Y, J, U, F, Q, B,
M, X, I, T, E, P. Nessa ordem atribuiríamos os valores numéricos em ordem
crescente, chegando então a algo assim:

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z
1 20 13 6 25 18 11 4 23 16 9 2 21 14 7 26 19 12 5 25 17 10 3 22 15 8
* expresso aqui na ordem natural do alfabeto para facilidade de entendimento.

Lee notou, que as três primeiras letras em valor seriam ALW, um notariqon

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

de Azure Lidded Woman (Mulher Coberta de Azul), que aparece no verso 19 do


capítulo I: “Ó mulher coberta de azul, curva-te sobre eles!”. A expressão Azzure
Lidded nesse novo sistema cabalístico possui o mesmo valor da palavra Universe.
Quando visto dessa forma fica confirmada a ideia de criação do universo pela
divisão, de que trata o capítulo. Talvez o que Thompson tenha falhado em ver, ou
mais provavelmente omitido em detalhar, é que todo esse trabalho parece
apontar também na idéia do culto de Ma-Ion.

Culto de Ma-Ion (ManifestatIon), é como Aossic-Aiwass (Kenneth Grant)


descreve a visão particular de Achad sobre Thelema. É conhecido que Achad diz
ter recebido a palavra do éon ALLALA (ALLA = Deus, LA = Não) em 1926, pois o
livro da lei deixa aberta um enigma: Se a palavra da lei é Thelema, e
Abrahadabra é a fórmula mágica do éon e o fim das palavras (AL III:75), qual é a
palavra do éon ?

Bem há aqui duas alternativas, se Abrahadabra é o fim das palavras, ou o


éon não tem palavra, ou ela estaria para ser descoberta, no caso por Achad - O
filho de mágico, ou quem sabe Soror Nema. Com palavra ou sem palavra,
embora seja uma curiosidade interessante, não nos interessa nesse momento. O
que realmente nos interessa é que em 1948, Achad anuncia o éon de Maat e
funda a “Fellowship of Ma-Ion”. Tal irmandade seguiu seu próprio curso como um
trabalho derivativo da AA, e como uma igreja gnóstica por um certo Frater
Robertus, e teve sua existência um tanto quanto clandestina como relata T. Allen
Greenfield em seu “Secret Cipher of the Ufonauts”. Interessante que seja a
história ela foge ao escopo dessa humilde e curta especulação cabalística. Sendo
assim pegarei também livremente emprestado das ideias desses personagens
chave para construir meu raciocínio.

Já defendi que Nuit estaria expressa no ternário (Ain, Ain Soph, Ain Soph
Aur,) e que seus cabelos são as árvores da eternidade (AL I:59), uma alusão a
natureza fractal da árvore da vida, em que em cada mundo há uma árvore
correspondente e interconectada, assim como em cada sephira, este padrão
sendo infinitamente repetido como é de praxe na geometria fractal.

4 Ilustração contida no “Anatomy of the Body of God” de Charles Stansfield Jones (ed. 1973, Samuel Weiser Inc.)

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Em sua revelação: - “Eu sou Nuit, e minha palavra é seis e cinquenta ” (AL
I:24), sua palavra é cinquenta e seis (56), que é o valor numérico da palavra
ISIS, na C11. A palavra Nuit possui o valor 78, da qual se pode derivar o mesmo
56 multiplicando seus algarismos: 7 x 8. O mesmo ainda no mais conhecido jogo
de palavras do AL: “Pois eu sou Espaço Infinito de Estrelas Infinitas ” (Infinite
Space Infinite Stars – AL I:22). Prestando a atenção a capitalização das letras:
Isis. Nuit-Isis aparece outra vez, agora como arquétipo da Manifestação, ligando
Kether a Tipharet pelo caminho de Gimel: A Alta Sacerdotiza. Essa carta se refere
a lua, uma associação que vai do mais baixo até o mais alto, como dito no livro
de Thoth, uma referência ao caminhao de Gimel mas também ao verso 16 do
capítulo I do AL: “Pois ele é sempre um sol5, e ela uma lua6”. A eterna virgem é o
aspecto mais exaltado da lua. Também a palavra mulher (woman), soma 46, o
mesmo valor da palavra um (one), que é Kether, princípio da divisão pois o que
antes era Não agora é Um, que são três: ligando pai (kether), filho (tipharet) e
Isis. Também a soma da palavra virgem (virgin) soma 93, o mesmo valor de mãe
(mother), e nos remete a mãe/útero em Binah.

Uma terceira vez, Nuit aparece agora como Babalon, ou a Mulher Escarlate,
em Binah. No Apocalipse de João a primeira imagem de uma mulher é descrita
em XII:1-3: “Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida do sol,
com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça.
Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar à luz. Então apareceu
no céu outro sinal: um enorme dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres,
tendo sobre as cabeças sete coroas ”. Numa exegese puramente cristã essa
mulher não é exatamente a mesma prostituta que aparece mais adiante, mas
vamos prosseguir e ter a imagem de uma mulher entronada pela lua, “vestida”
do sol, grávida, e com um certo dragão com sete cabeças, e vamos fazer um
exercício de imaginação onde essas sete cabeças-sephiroth estariam
posicionadas abaixo de tal mulher grávida envolta em símbolos pagãos. O dragão
é símbolo da força bestial, e do impulso incontrolável, e o vermelho mostra a
natureza dessa força: ígnea.
Há um outro registro de uma operação feita alguns anos mais tarde que o
apocalipse de João, que é importante para o imagético de Babalon, mas a
invocação foi do espírito Madimi, precisamente em 23 de Maio de 1587, por John
Dee and Edward Kelly, não vou entrar em detalhes sobre o tipo de operação
pouco ortodoxa que foi sugerida pelo espírito aos dois cristãos, ou sobre o fato do
espírito aparecer nu diante deles, mas me chama a atenção um oráculo intitulado
“Filha da Fortitude”, recebido por eles, que eu apresento numa tradução livre e
oportunamente numerado com alguma relevância cabalística aqui:

“1. Eu sou a filha da Fortitude

2. E violada a todo momento, pela minha juventude.

3. Pois comtemple, eu sou Entendimento, a ciência habita em mim, e o paraíso


me oprime.
Cobiçam e desejam-me com infinito apetite; pois nenhum profano me possuiu,
pois eu estou obscurecida pelo Círculo de Pedras, e coberta com as nuvens da
manhã.
5 Sol (sun) na C11 tendo valor 36.
6 Lua (moon) na C11 tendo valor 49.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

4. Meus pés são mais rápidos que os ventos, e minhas mãos mais doces que o
orválho da manhã.

5. Meus trajes são os do princípio, e minha morada é em mim mesma.

6. O leão conhece Não onde eu caminho, e Nenhuma das bestas dos campos me
entende. Eu sou deflorada, ainda que virgem; Eu santifico, e Não sou santificada.

7. Feliz é aquele que me possuir: pois durante a noite eu sou doce, e no dia cheia
de prazer.

8. Minha companhia é a harmonia de diversos símbolos, e meus labios mais


doces que a saúde em si.

9. Eu sou uma meretriz pois assim me forçaram, e uma virgem que alguns
conhecem Não:
Pois IO, Eu sou amada por muitos, e eu sou uma amante para muitos; tantos
quantos venham até mim deverão ter o meu entretenimento.

10. Limpem suas ruas, Ó filhos dos homens, e lavem seus cavalos; façam-te
santos, e ponham-te corretos. Expulsem suas velhas concubinas e queimem suas
roupas; abstenham-se da compania de outras mulheres que são sujas, que são
sórdidas, e não tão formosas e belas como Eu, e então então eu habitarei
convosco: E contemple, Eu lhes darei crianças, e eles serão os filhos do amor. Eu
abrirei minhas vestimentas, e me postarei nua diante de ti, para que o teu amor
seja inflamado a mim.

11. Ainda assim, Eu caminho nas nuvens; E ainda, Eu sou carregada pelos
ventos, e não posso descer até tua multitude de abominações, e a imunda
repulsividade de tuas moradas.”

Não sei se consigo fazer tão clara quanto é para mim, mas há sempre uma
noção de mulher deflorada e virgem ao mesmo tempo, com suaves variações no
grau dessas características a medida que a manifestação avança em seu
caminho a forma. E falando mais em forma e menos em conceito, o número 93
parece bater em teclas simultâneas aqui quando coincide mãe, virgem, mas
também tempo (time), num mesmo valor. Há uma virgem-mãe dando a luz ao
tempo, sendo que Rainha do Espaço é também um título de Nuit no primeiro
capítulo, verso 27.
Duas curiosidades gemátrica que encontrei foram que Mulher Escarlate
(Scarlet Woman) e Máquina de Guerra (War-Engine), duas palavras do terceiro
capítulo possuem o mesmo valor, o que causa certo arrepio ao pensar no verso
III: “Eu vos darei uma máquina de guerra”. Longe de ter uma visão “objetificada”
da Mulher Escarlate como instrumento, mas com referência a um outro verso
esse novamente do capítulo I, foco dessa breve análise, o 15 onde é dito: “ Agora
vós sabereis que o sacerdote e apóstolo escolhido do espaço infinito é o príncipe-
sacerdote a Besta; e na sua mulher chamada a Mulher Escarlate todo o poder é
concedido”. Sendo obviamente a Besta, e a Mulher Escarlate, avatares, e não
apenas arquétipos ou conceitos cabalísticos mais. Ah! A palavra Babalon guarda
o valor 65…

53
Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

A quarta mulher a se manifestar é Maat, que é a Deusa da Justiça e


também da Verdade, mas também é a matéria, ou tudo aquilo que tem forma,
englobando tudo que está abaixo de Daath. Exatamente como Achad “resumia” a
árvore da vida em 4 sephiroth, no seu Anatomia do Corpo de Deus. Sendo assim
essa “sephira” que resume de Daath até Malkuth, contém toda a manifestação
dos planos da forma, e ainda seu princípio de contradição (MAAT-TAAM). Se Nuit é
o espaço infinito de estrelas infinitas, Maat soma 47, que é o mesmo valor de
estrelas (stars), no plural. Se cada estrela é uma possibilidade, Maat é um
conjunto de estrelas que representa uma verdade, uma manifestação particular
no universo, é consciência encarnada, por isso representada em sua ultima forma
adorada de deusa da Justiça e Verdade.

O presente artigo visa ser não uma exposição de fatos ou verdades, mas
uma exploração de um trabalho pouco conhecido dentre aqueles que se colocam
como “thelemitas ortodoxos”, e fruto de experiências pessoais que jamais me
deixaram ignorar tais perspectivas. Muito ainda ficou como não dito por pura
falta de habilidade e receio em relatar, mas as referências e informações foram
lançadas para aqueles que se identificam e aspiram de forma semelhante, para
que cada um por si se lance a desbravar seu próprio caminho na selva. A cabala
do novo éon constitui um sistema único de exegese, e também prático, para
além da mera especulação: é algo sólido e por si só se prova válido, ou validável.
Um não precisa aceitar para si a existência de um “Aeon de Maat” para sacar
proveito de tal poderosa ferramenta. Thelema se apresenta não como um
caminho para ovelhas seguidoras de mestres, por mais que esses tenham
existido e provado seu valor, Thelema é um caminho para “lobos em pele de
cordeiro”, agora parafraseando LaVey.

Amor é a lei. Amor sob Vontade.

I.156

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Mulher em vermelho

Natasha Naia
Mulher em vermelho: Lápis e desenho a pastel.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

A voz da Grande Mãe

Eu sou A (de fato há mais de uma, são muitas) voz da Grande Mãe Libertadora que foi
invocada durante séculos sob a companhia do NUIT. Aqueles (pluralmente) que ouvirem
sua voz se reunirão comigo e nós orbitaremos juntos sob a luz de nossa estrela
PESSOAL, guiando e nos uniremos (em dias santos) como um espelho universal um ao
outro, unida(o)s pelo caminho. E no espírito que nasceu em nossos corações.
Eu me preocupo com os direitos de todos neste planeta e o direito universal do
consentimento de todos, de justiça, não importa como eles escolham viver suas vidas e
serem excluídos e julgados. Não há maneira certa de alguém viver.
Todo mundo tem o direito de se expressar e de ser autorizado a ser quem é, e a ser
respeitado, independentemente de suas escolhas.
A natureza escolhe como nascemos, que raça somos, qual situação vimos ao mundo. A
vida é amor e aceitação para todas as criaturas e para a vida. Estamos todos
conectados. Devemos ser capazes de proteger, aceitar e amar nossa família, amigos e
os que nos amam.
Estou apenas esclarecendo as coisas para aqueles que não conseguem ver minhas
intenções. Eu pensei que compartilharia meus pensamentos com o estado atual das
coisas e julgamentos. É pegar ou largar. Apenas outra opinião em 7,6 bilhões de outras
opiniões.
Todos (pessoas, plantas, animais, humanidade, natureza) devem ser felizes e não viver
com medo. Ter um lar seguro e o direito de viver em uma biosfera não tóxica.
Livres de perseguição ou ódio apenas por serem o que nasceram. Por serem quem e o
que eles são.
Humanitariamente falando: Se todos nós fossemos exatamente os mesmos, seria um
mundo entediante, agora, para todos enxergarem a si mesmos, apenas devemos nos
aperceber que todos merecem amor, vida, liberdade, respeito e igualdade. Somos todos
reflexos uns dos outros.
Sem gênero. Sem religião. Sem rótulo. Sem idade. Sem bairrismos. Nenhuma
nacionalidade. Nenhuma tribo. Nenhum estado financeiro. Nenhum estado mental.
Nenhum lado político. Sem deficiências. Nenhum estado físico. Nada deve ser usada
para ferir ou discriminar alguém.
Amor é a lei, amor sob vontade.

Shin Aserah Iustus


Temple of Venus Genetrix
Bispa da EGnU uma Ecclesia Thelemita.
Alguns pensamentos sobre Thelema

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Uma Introdução Ao Iluminismo Livre Ou Como Não


Comecei Um Movimento
Este é um movimento importante, porque preenche uma necessidade - bastante
abrangente - do que o Iluminismo Livre é, e não é.

"O movimento do Novo Pensamento foi um casamento perfeito das tendências


gêmeas de anti-ritualismo e individualismo. Ele saiu das lojas ou nasceu em
muitas delas, e enfatizou que a magia não precisava de nenhum ritual real. O
Novo Pensamento iniciou uma trajetória no esotérico que se confundiu com uma
fragmentação de comunidades para nos dar pregadores do Segredo de Oprah,
onde se pode obter iniciação simplesmente observando uma tela, ou
simplesmente acreditando no desejo de alguém. O resultado foi um fraternismo
fast-food: um tipo de fé na magick moderna sem frescuras, criada para caber em
qualquer coisa.
"Tal consciência de prosperidade tornou as reuniões da Loja desnecessárias.
Através dos ensinamentos de Wayne Dyer ou Tony Robbins, era possível baixar a
iluminação como um aplicativo."
"... O livro do professor Putnam (Bowling Alone, escrito na década de 1990,
perdeu tendências recentes, o domínio da cultura da Internet e aparelhos
eletrônicos, como iPods e smartphones, que parecem ter aumentado a sensação
de isolamento do público, a aceleração da tecnologia conectou as pessoas a uma
variedade de comunidades virtuais em vez de físicas. Em vez de trabalhar no
Santuário da Gnose na OTO, qualquer um pode-se simplesmente juntar-se a eles
num grupo no Facebook.
"E ainda assim as comunidades continuam, seja o Iluminismo Congregacional do
ex-luminar da OTO Allen Greenfield, que se cansou da OTO e está executando
uma estrutura diferente fora das Lojas - ou simplesmente se reunindo em um bar
de esportes, que pode ser visto como uma Loja moderna, ou um show de Lady
Gaga. Os americanos não são livres de rituais, eles são simplesmente variados, e
seus alvos não conseguem notar o impacto em suas psiques. A vulnerabilidade
ao processamento inconsciente de grupo permanece, talvez a manifestação mais
óbvia. no palco ritual de uma eleição presidencial ". - Craig Heimbichner, RItual
America, pp. 312-313

Tenho sido erroneamente creditado como sendo o "fundador" do Iluminismo Livre, mas -
enquanto eu lutava e aparecia com o termo, minha longa busca era pela verdade
espiritual - particularmente a verdade operativa - que me levou ao suposto autoritário "
Templário de Ordem da Antiguidade” que me ensinou que não apenas o segredo é
incomparável com a Verdade, mas que a hierarquia e o dogma concomitante são
incompatíveis com o dogma. A maquinaria que me permitiu ver isso foi fortemente
influenciada pelo meu contato com Michael Bertiaux e por trabalhar com os Points
Chauds.7 No entanto, eu não me tornei tanto um seguidor das organizações lideradas
por Bertiaux quanto sua filosofia como apresentada em nossos intercâmbios pessoais e
suas obras primas, como o Voudon Gnostic workbook e o Monastério dos Sete Raios
intimamente relacionado. No curso de estudo do Monastério dos Sete Raios, eu adquiri o
Episcopado e uma carta de alto grau no antigo Rito Egípcio de Memphis e Misraim do
qual Bertiaux é o Patriarca. A medida que comecei e avançei no trabalho, lentamente o
conceito de autoridade ia azedando e desvanecendo per se, confiando mais na egrégora
7Point Chauds – Pontos Quentes, uma técnica utilizada por Bertiaux em suas fraternidades que
tem por base a Acunpressão de certos pontos físicos em nosso corpo que causarão uma
iluminação.

57
Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

da transmissão, graças aos facilitadores tardios W.W. Webb e especialmente Tim Coutu,
entrei em estreita associação com a Ordem QBLH, fundada em 1960 por Robert Dunlop,
Bill Webb e sua esposa. Na época em que me envolvi, o foco era a arte mística e um
sistema de Qabala que eu chamava de New Aeon English Qabala. Na prática eu me
envolvi cada vez mais com a QBLH e a Loja Babalon em Atlanta (acabei morando na Loja
por um ano e meio enquanto ainda atuava nos “templários corporativos” 8), aquela época
era quase o que agora é chamado de Iluminismo Livre; apoiavamos nos mutuamente,
mas sem dogmas e oficiais que agem mais como facilitadores do que chefes ou gurus
corporativos.

Vamos pular para a virada do século 21 da Era Vulgar, outros estavam começando a se
alinhar no caminho iluminista, um caminho sem os "chefes", “califas” ou "gurus", com
certeza um caminho melhor para a iluminação do que organizações dogmáticas com
programas pré estabelecidos e líderes ad vitam. Uma manifestação interessante foi a
Ecclesia Gnostica Universalis fundada em grande parte por Tau Aleph 9 como uma versão
não-dogmática da Igreja Católica Ecclesia Gnostica dentro da estrutura corporativa
iniciática da corporação dos Templários Orientais. Outro foi o "Free Thelema", de Mort
Shaporo. Ao me afastar da autoridade e do dogma corporativo, achei que o termo
"Thelema" não era suficientemente inclusivo para aqueles que desejassem seguir o
caminho discutido neste ensaio, então, quando comecei a perder os os cargos oficiais da
empresa Templária10 e falar contra uma abordagem corporativa para a Iluminação, eu
pensei em termos mais amplos que poderiam incluir pessoas de muitas e distintas
crenças buscando a Luz Sem Fronteiras e ligadas em livre comunhão voluntária, e
começaram a usar o termo "Free Illuminist" (Iluminismo Livre).

Com base na egrégora que recebi de uma variedade de fontes, começando com
Bertiaux, inclusive sendo um Conservador do Rito (APRM+M), comecei a fundar
corpos iluministas livres, construídos em seus próprios termos e não respondendo
a qualquer outra coisa além de sua própria razão, consciência e intuição. Não
discordo de modo algum do uso da egrégora das linhagens apostólicas (e de
outros) para os diversos fins aqui descritos, e concordo especialmente que
aqueles que desejam a consagração devem ser bem estudados tanto na história
da energia quanto no trabalho em si. Sucessão Apostólica, Sucessão Gnóstica,
história gnóstica antiga e moderna, e o conceito de egrégora, antes e depois da
consagração. Parece também que se alguém aceita a consagração em um
contexto iluminista livre, deve-se aprender o que é, e o que não é o Iluminismo
Livre. O mesmo se aplica a um Templo ou Loja de Memphis-Misraim no modo
Iluminista livre. Eu tenho a tendência de considerar a egrégora dessas
consagrações e cartas como manifestação daquela energia autoconsciente
subjacente descrita como Orgônio, Força Ódica, Chi, Prana, Energia Escura, etc..,
modificada pelas "vibrações" de cada pessoa que por elas passou e, como
ensinado por Michael Bertiaux, modificado pelo tempo. Curiosamente, Bertiaux
nunca me perguntou sobre minhas convicções espirituais ao me consagrar, e
tenho razões para acreditar que ele sempre assumiu, com razão, que sou judeu
por nascimento e convicção. (ele se refere a isso de passagem em cartas e no
próprio nome da loja que ele fundou e me presenteou). Eu tenho a tendência de
considerar a energia passada como uma ignição mágica, aplicável em uma
ampla variedade de contextos, e não carregando consigo nenhum dogma

8Termo ao qual o autor se refere a Ordo Templi Orientis.


9Tau Aleph foi um bispo da EGC consagrado ainda por Grady McMurtry (H. Alpha) que saiu da
OTO e junto com outros três bispos dessa linhagem além de outros fundaram a EGnU, uma
Eclésia Thelemica não dogmática.
10O autor teve importantes cargos dentro EGC-OTO.

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

exclusivista. Quando comecei a realizar consagrações com maior frequência (há


cerca de 9 anos atrás), eu até então só havia consagrado duas pessoas em quase
20 anos, sem contar consagração cruzada e assistir às consagrações / iniciações
corporativas da OTO VII. Minha principal razão foi que a consagração, o que quer
que ela fizesse, fortalecia o corpo de luz do receptor, que eu achava necessário
para trabalhar com os points chauds. Eu tomo a atitude que se consagrar ou não,
se dar patentes ou não, é a minha decisão, mas, uma vez feito, é soberano em si
e não algo para eu ter mais do que uma opinião sobre como ele é usado ou não
usado. Poucas vezes me arrependi, mas tenho alguns. Vejo agora de forma mais
ampla, não apenas como estender a egrégora para o corpo de luz, mas também
como capacitar outros iluministas livres para fazerem seu próprio Trabalho que,
como uma clareira para o iluminismo livre, considero meu "Trabalho" específico
na Assembleia do Conhecimento e Sabedoria de Salomão e da Loja dos Filhos e
Filhas de Arão, os quais evoluíram para corpos de manifestação de câmara de
compensação relacionados.

* A palavra "egrégora" deriva da palavra grega egrêgorein, "velar, vigiar". A


palavra aparece na tradução da Septuaginta do Livro das Lamentações, bem
como no Livro dos Jubileus e no Livro de Enoque. É minha convicção que os
poderes espirituais verificáveis são demonstravelmente atribuíveis a várias
linhagens de sucessão espiritual, seja esta a chamada "Sucessão dos Apóstolos"
(que desce da antiga religião do Estado Romano através do Cristianismo
Romano), vários não-apostólicos, mas linhas semelhantes de sucessão (Santos
dos Últimos Dias, Doinel e os Gnósticos, New Aeon, e outros), ou linhagens de
sangue, como nos brâmanes hindus hereditários ou hebraicos Kohenim, dos
quais eu descendo. Eu professo apenas duas convicções fundamentais nesses
esforços: eu defendo o Iluminismo Científico, ou o método da ciência empregado
na busca dos objetivos da religião, e mantenho firmemente a convicção de que o
mundo como ele é insuficientemente insuficiente que a exploração de quase
qualquer alternativa ética "fora da caixinha", não convencional, vale o esforço.
Consideramos este Tikkun Olam, a tentativa de melhorar o mundo como previsto
em nossa grande tradição nativa do Hebraico. Eu defendo também com Tau
Michael Bertiaux que a "Sucessão Apostólica" é valiosa como uma continuação
dos mais antigos sacerdócios do Egito e de Roma através do Comunhão, e que os
poderes místicos especiais "objetivamente" são transferidos pela consagração
nestas linhagens. Minha afirmação particular é que isso pode ser verificado
objetivamente através da experimentação científica, similar àquela realizada na
parapsicologia com os curadores espirituais. A continuidade das fontes espirituais
mais antigas deveria ser óbvia aqui, e seu valor histórico em continuidade para o
Novo Aeon igualmente válido, todas as outras considerações e teorias à parte.
Eliphas Lévi, em Le Grand Arcane ("O Grande Arcano", 1868) identifica
"egrégoras" com a tradição a respeito dos pais dos nefilins, descrevendo-os como
"seres terríveis" que "nos esmagam sem piedade porque desconhecem nossa
existência". " O conceito da egrégora como forma de pensamento em grupo foi
desenvolvido em obras da Ordem Hermética da Golden Dawn e dos Rosacruzes e
foi mencionado por escritores como Valentin Tomberg. Gaetan Delaforge, na
revista Gnosis, em 1987, define uma egrégora como um tipo de mente coletiva
que é criada quando as pessoas se unem conscientemente para um propósito
comum ". O conceito teve uma popularidade renovada entre os praticantes do
Chaos Magick, seguindo a série de Metabolismo Corporativo de artigos de Paco

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Xander Nathan, publicados em 2001. O resultado de uma sinergia de


pensamento poderia ser a descrição mais concisa desse estado mental. A noção
de "egrégora" também aparece em Roza Mira, de Andreev, onde representa o
espírito brilhante e nebuloso associado à Igreja. É uma crença comum na Rússia
que a palavra "egrégora" se originou deste livro espiritual. O movimento ocultista
russo DEIR, liderado por Dmitry Verischchagin, também emprega esse conceito.
O livro "The Art of Memetics" fornece uma explicação detalhada e multifacetada
do que é uma egrégora, incluindo instruções sobre como cultivá-las. Egrégora em
vez de fé – profissão. Eu fui consagrada por Tau Silenus, William Gary Keith
Breeze no Brooklyn em 19 de novembro de 1988. Reconsagrado com Tau
Apiryon, David Forrest Scriven em Atlanta GA em 10 de dezembro de 1993. Fui
reconsagrada por Scriven, e Lynn Scriven (Soror Helena) Ajudando na casa de
Scriven em Riverside, Califórnia, 25 de maio de 1997. Eu fui anteriormente eleito
para o Episcopado pelo Santo Sínodo da Igreja Gnóstica Neopitagórica em 21 de
agosto de 1986, e fui consagrado pelo Patriarca Bertiaux em Chicago IL EUA em 4
de dezembro de 1993. Desde então, consagrei me com uma variedade de outras
correntes desta egrégora, assim como recebi outras linhas de sucessão
egregórica - esotéricas e "apostólicas" independentes de Tau Michael Bertiaux e
dos “templários corporativos”.

ILUMINISMO LIVRE - SOMOS MUITO DIFERENTES


1. O crescimento espiritual é incompatível com a estrutura autoritária.
2. O Iluminismo Científico requer uma abordagem experimental não dogmática.
3. Uma sociedade livre ligada em comunhão livre deve ser atualizada.
4. Nós facilitamos, nós não conduzimos, nem lideramos. Nós fazemos o trabalho,
não extraímos juramentos ou dívidas, nem exigimos crenças dogmáticas.

T. Allen Greenfield
Free Illuminist Facilitator
APRM+M Conservador e Bispo Gnostico Ecclesia Gnostica Spiritualis, EGnU dentre
outras

Tradução H418

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

The Kneeph por Tau Palamas

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Alguns pensamentos sobre Thelema

A grande maioria dos aspirantes percebe claramente o caminho da Magick e do


Misticismo. Nós corretamente definimos tudo até agora, porém quando se trata de
Thelema, parece que nossa mente se remexe toda, como se fosse de mercúrio em vez
de ouro. De todo o barulho que criamos hoje, não podemos ouvir a voz de Thelema. A
partir daqui, o trabalho se torna mais difícil.

Se entendemos que Magick e misticismo é o nome e sobrenome da realidade, thelema


seria então o seu apelido. E assim como a maioria de nós é conhecido oficialmente pelo
seu nome e sobrenome, ainda viramos o rosto na rua se alguém grita nosso apelido.
Pense nisso, seu apelido não está escrito em nenhum dos seus documentos públicos.
Existe um ano de seu nascimento, vários registros públicos, lugares e nomes, e ainda
assim a maioria pessoas que são íntimas e queridas nos chamam pelo apelido que
muitas vezes não tem semelhança alguma com o nome nem com o sobrenome.

No Rāja Yoga real, a ideia de Thelema também está presente, mas não está reservada
para o início. Embora Yama e Niyama no antigo sistema sejam introduzidos antes de
Asana, muitos aspirantes lidam com ele em paralelo ou depois de Asana e Prāṇāyāma.
Existem várias razões para isso e certamente teremos a oportunidade de discutir isso
mais tarde. Depois da prática em Āsana e Prāṇāyāma vem o treinamento de nossa moral
e ética, e é exatamente onde Thelema pode ser encontrado. Treinamento de moral e
ética. Eles podem ser treinados? Não é o modo de Thelema em sua liberação estuprar
padrões de comportamento dentro de nossa alma com suas intenções furiosas e saltar
como o bode de Pan ao longo das estradas espessas de ordinariedade? Thelema é uma
condição para toda boa Magick, não o contrário; somente depois de entender isso, um
trabalho sério pode começar e não há palavras que possam mais direcionar nossos
alunos a aceitar esse princípio sagrado.

Um aspirante adequado não equaliza o Misticismo com o Yoga, pois ele não identifica a
Magick com Thelema. É claro que essa equação não precisa estar na técnica, mas sim na
conceituação. Ao contrário da Magick, que é mais prática na natureza, Thelema é um
sistema filosófico que depende unicamente do seu progresso pessoal. E acima de tudo
na sua inteligência pessoal. Você não pode aprender ou ler sobre Thelema. Ou você sabe
disso ou não. Não há prática nem exercício que possa lhe dar uma visão sobre Thelema.
Costumo dizer que Thelema é apenas uma das maneiras pelas quais um diálogo entre
você e seu Deus está sendo feito; ainda mais, Thelema é exatamente isso o “entre”.

Não podemos saber com certeza se Thelema é a causa ou conseqüência de uma


mudança no desenvolvimento humano. Mas do nosso ponto de vista, Thelema é sempre
a causa da boa Magick. Pense nisso, a relação entre Magick e Thelema é como o valor de
um dólar. Magick é um dólar em sua carteira, Thelema é o valor desse papel em um
mercado de ações. Hoje, com um pedaço de papel, você pode ser um milionário, e
amanhã esse papel pode não valer um centavo. Magick é uma conquista, Thelema
determina quão válida e valorosa é essa conquista. Um monte de notas não tem valor se
você se encontrar em uma nevasca. Tudo o que você pode fazer é queimá-los e obter
um pouco de calor. Pense nessa relação.

No final, gostaria de revisar brevemente o Juramento do Probacionista. O mais


importante é entender completamente o significado do Juramento em si, porque dentro
do enquadramento que essas palavras dão está o que exatamente o trabalho inteiro

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

cobre. Se um Probacionista pudesse ter a total ciência de cada palavra de seu


Juramento, naquele momento ele se encontraria como um Adepto, portanto, requer
paciência aqui, este trabalho é impossível de fazer às pressas e leva tempo. E um ano de
provação é precisamente para esse propósito.

Juramento do Probacionista é o seguinte:

Eu, ______________________, sendo de mente sã e Corpo, neste ___ dia de ______ (Um _____
☉ em ____ ° de ______) por meio deste resolvo: na Presença de ______________________, um
Neófito da A∴A∴ Para perseguir a Grande Obra : isto é, obter um conhecimento científico
da natureza e poderes do meu próprio ser.

Que a A∴A∴ coroe o trabalho, empreste-me de sua sabedoria no trabalho, permita-me


entender o trabalho!

Reverência, dever, simpatia, devoção, fidelidade, confiança eu trago para a A∴A∴, e em


um ano a partir desta data, posso ser admitido no conhecimento e na conversação da
A∴A∴!

O estudante expressa que ele adquirirá “conhecimento científico” que pode ser obtido
apenas pela observação científica de todos os fenômenos e processos dentro de seu
próprio ser. Deve-se sempre pensar que nosso método é a ciência, pois nosso objetivo é
a religião. O que é necessário é obter um conhecimento científico da natureza e dos
poderes do nosso próprio ser. É precisamente neste “próprio” que esta natureza está se
escondendo, enquanto que no “conhecimento científico” está todo o poder. O juramento
é um enigma brilhante, mas mais do que qualquer coisa é um poste de sinalização.
Pense nisso.

Uma das armas mais poderosas nisso é certamente o relatório científico, que em
primeiro lugar deve ter a forma do registro do experimento. Toda a sua Provação é um
experimento, que deve indicar se ele é adequado ou não, e nada mais. E tanto quanto
ele faz o seu melhor para obter conhecimento científico sobre a natureza e os poderes
de seu próprio ser, ele estará tão perto desse ser. Sua adequação à Ordem consiste em
que ele toca esse ser, para sentir a forma e o conceito de “seu” e de acordo com isso
para determinar a forma dele. Existe algo mais poderoso do que conhecer a natureza,
não é a Conversação possível quando o Conhecimento passa pelo aspirante?

Sim, nosso método é ciência e nosso objetivo é religião. Pense nisso sempre. Mas a
intuição, essa prostituta divina, mãe e virgem, sempre nos modificando da maneira que
ela quer. E sempre e constantemente do mesmo jeito, escolhemos o que já foi realizado.
Porque o que você quer e o que você não quer é a mesma coisa. Essa é a dança do Pan.
Independentemente da abordagem científica em seu trabalho, o aspirante deve sempre
ter uma relação aberta em relação à sua intuição. Que de forma alguma significa que ele
vai ouvi-la.

Hoje, muitos Thelemitas condenam os costumes do velho aeon; por exemplo, uma das
diatribes favoritos em Thelema é a questão do casamento, e, na verdade, mais e mais
pessoas acham absurdo dar a assinatura e a obrigação matrimonial. Se alguém quiser
estar com alguém, ele será, não importa o que aconteça, e se não, então toneladas de
assinaturas e juras farão nenhum bem. O anel de casamento nos remete a união, mas
não pode dar algo se lá nada houver. E se nos estamos em união a alguém, há

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

necessidade de lembrar? Um homem não leva sua carteira de identidade com ele só
para saber quem ele é. Thelemitas recusam acreditar em um príncipe em um cavalo
branco e eles falam de amor sob vontade; quando, onde e com quem eles querem.

Mas qual é a função de assinar o juramento do Probacionista, não é o papel como


qualquer outro? Qual é a diferença em relação ao juramento de casamento? Ainda mais,
no casamento, temos uma pessoa concreta que está agora e aqui ao nosso lado,
enquanto que com o Juramento da A∴A∴ nos entregamos ao Conhecimento e
Conversação, algo que não temos ideia do que significa, algo que nunca sabe o que é,
mesmo através de outras pessoas que mais uma vez ouvem falar sobre alguma terceira
parte. Se formos tão ousados que estamos questionando o casamento, nós nos
atreveremos a questionar o nosso Juramento da A∴A∴? Para questionar nosso próprio
pensamento sobre o Conhecimento e Conversação? O juramento da A∴A∴ é uma
consequência do nosso Grau ou o nosso Grau é uma consequência do nosso juramento?
Quanto somos realmente puros para aceitar que tudo isso pode ser o mesmo modelo de
pensamento e o mesmo mecanismo mental? Uma menina se recusa a acreditar em um
príncipe em um cavalo branco, por que você então acreditaria no seu Sagrado Anjo
Guardião? Nós nos dirigimos para alcançá-lo através de um programa que é mais como
um conto de fadas do que qualquer outra coisa, estamos prontos para desistir quando se
trata de uma conclusão de que tudo isso é apenas uma grande história vazia? Por que
alguém deveria dar um juramento? A quem? Para o que? Podemos livremente
ambicionar um Anjo livremente, aberta e incondicionalmente? Será que o fato de não
termos nem jamais teremos asas nos impedirá de nos esforçar em direção aos céus?

Essas são as questões que precisamos colocar abertamente diante de nós mesmos e, no
espírito de Thelema, permitir que elas sejam colocadas em consideração científica,
assim como as questões de casamento, trabalho, sexo ou dinheiro. Em cada tópico,
vemos um Anjo e em cada Anjo vemos suspeita; aqui tudo é possível e nada é certo.

Você poderia queimar seu juramento? Esse pensamento perturba você? Você veria algo
mais do que matéria morta naquela cinza? Um relacionamento com o Anjo seria o
mesmo? Mas um aspirante da A∴A∴ deve tanto adorar essa chama quanto aquela cinza.
Para ele tanto é o Juramento quanto o Anjo, e ele faz parte desse mesmo tipo; neste
lugar tudo tem um valor infinito mas nada vale, apenas uma coisa diante dele é digna de
julgar todos os outros valores. Ele deve estar ciente de que todas as moléculas e átomos
e suas conexões no universo fazem parte de um mesmo mecanismo, e que todo
Juramento está ligado ao próximo, já que cada molécula está relacionada à outra pelas
leis da natureza viva.

Cada Juramento é primariamente um fenômeno natural ou mais precisamente - uma


ocorrência natural, e sua doação não pode ser restrita a palavras, a forma dos lábios, um
rabisco em um pedaço de papel, mas por Will. Uma vez proclamada, não é a expressão
da vontade de todo o universo? Quem então dá um juramento quando aquele universo é
aquela caneta, e aquele papel onde o Juramento foi escrito, e aqueles lábios que o
pronunciam, e aquele que o testemunha, e aquele que o jura? De maneira semelhante,
como mencionamos anteriormente, o Juramento do Aspirante é o elo mágico do mais
alto tipo, o Aspirante sabe que todo ato no universo é apenas uma forma diferente de
uma decisão:

"Para perseguir a Grande Obra: isto é, para alcançar o conhecimento e a conversação do


Sagrado Anjo Guardião."

Frater Aureus 273∴ - Tradução: Alhudhud

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Revista 777 – A ponta de lança da Thelema Brasileira

Mulher em verde

Natasha Naia
Aquarela e pastel

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“Pois duas coisas estão feitas e uma terceira coisa está no
começo. Ísis e Osíris foram lançados ao incesto e adultério.
Hórus salta três vezes armado do útero de sua mãe.
Harpócrates, seu gêmeo está oculto dentro dele. Set é a sua
santa aliança, que ele revelará no grande dia de M.A.A.T., que
está sendo interpretado pelo Mestre do Templo da A∴ A∴,
cujo nome é Verdade.”
(Liber A’ash vel Capricorni Pneumatici, verso 7)