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Universidade de Brasília

IREL – Instituto de Relações Internacionais


História das Relações Internacionais Contemporâneas
Docente: Pio Penna Filho
Discente: EMANUEL LUCAS XIMENES LEAL

Ensaio sobre "O Legado da Questão Judaica no Congresso de Viena"

Tratar da questão judaica a partir do que se moldou na Europa com o Congresso de


Viena não faria sentido sem se considerar fatos anteriores, especialmente conquanto à
influência que Napoleão exerceu no continente pelos ideais da Revolução Francesa, tendo
como marco histórico 1789, os quais, determinaram a ocorrência do evento.

Napoleão não apenas expandiu territórios em suas conquistas, mas difundiu ideais.
Ideais estes que marcaram e influenciaram mentes, povos e culturas, que culminaram com o
sentimento de cidadania dos contemporâneos Estados-nação. Foi um poder muito mais
efetivo, inclusive para sua própria derrocada, que suas empreitadas militares, poder esse que
não visualizou ou por ventura subestimou.

Povos que anteriormente não se viam como cidadãos, com seus direitos respeitados,
como detentores de poder de transformação, se viram empossados de uma nova dinâmica e
desejo de autodeterminação. Com os ideais de liberdade e igualdade, em essência civil-
jurídica, como constituintes de um conjunto de nacionais, percebeu-se a importância desse
conjunto de valores compartilhados para a ação política, tanto de ordem interna como externa.

Porém, com a derrota de Napoleão e a tentativa de reestabelecimento da ordem


anterior vigente pelas potências vencedoras (Grã-Bretanha, Áustria, Prússia e Rússia) e um
apanhado de outros Estados, definiram no Congresso como se daria a ordem internacional na
Europa, inclusive com anseio de mitigar os ideais de liberdade e igualdade para todo o povo
dos Estados. Mas isso não seria aceito por muitos povos após experimentarem um certo nível
de cidadania, ao molde francês, o que levou a diversos levantes no continente com estopim
em 1848, a Primavera dos Povos. Essa experiência de preocupação e descontentamento
ocorreu também com os judeus, tema deste trabalho.

No redesenho das fronteiras e do poder durante o congresso, diversas delegações


judaicas de toda a Europa participaram a fim de garantir os direitos conquistados na era
napoleônica: manter sua emancipação. Isso se dava, no caso judaico, de uma cultura e ação
histórica cristã contra os judeus, que se mantinha, e que com o congresso, com determinada
influência religiosa, poderia tender ao recrudescimento dessa garantia, caso de maior atenção
nas nações com povo germânico, a exemplo de Áustria e Prússia.
A preocupação não era infundada. Em Viena a população judaica crescia, ao passo
que famílias “toleradas” aumentavam, dada sua importância econômica. Somente em 1811
conseguiram obter autorização local para criar uma Betstube, ou sala de orações, o que era
proibido, pois desde 1671 não se permitiam templos não católicos, salvo escondidos da rua, e
somente em 1824 puderam construir uma sinagoga.

Influência da Igreja no Congresso...

Em Viena isso se refletia de forma bastante contundente, a julgar por também ser o
local das reuniões, pois “apesar das discriminações medievais que ainda vigoravam sobre os
judeus vienenses, alguns deles, devido à sua riqueza e cultura, eram tidos em altíssima
consideração pelas elites européias. Durante o Congresso, os Rothschilds, Arnsteins, Eskels,
von Herz e Itzongs abriram seus salões para os participantes do Congresso, levantando a
questão judaica junto a seus freqüentadores. Os salões culturais de anfitriãs judias, como
Fanny von Arnstein e sua irmã, já eram famosos endereços freqüentados pelas elites
européias, inclusive por José II, imperador da Áustria” (MORASHA, 2015)

Destaque importante nesse intento teve Metternich , que sob influência de Salomon
Rothschild, barão austríaco, demonstrou apoio à causa judaica. Mas sofrendo forte oposição,
terminou o congresso sem uma solução contundente, apesar das declarações de
______________________, e com a criação da Confederação Germânica presidida pela
Áustria dos autoritários Habsburgos, que indicavam objeção à resolução efetiva da causa com
uma reforma. Os judeus saíram perdendo.

Nas décadas seguintes ao congresso surgiu um movimento conservador nacionalista


germânico com fortes laços religiosos cristãos, se utilizando de caráter racional e teórico, e
que alcançou adeptos na população, fomentando assim o antissemitismo e agressões, como
restrições e tributação diferenciada, que culminou em pogroms, a exemplo de 1819.

Dada falta de igualdade frentes aos demais austríacos, em 1848, judeus vienenses
abraçaram a causa revolucionária espalhada pela Europa, a fim de solucionar questões como
cidadãos austríacos e de sua condição enquanto povo judeu, tendo líderes no movimento,
como Adolf Fischhof e Ludwig August. Nesse intento “o imperador Fernando I é obrigado a
aceitar o parlamentarismo e uma Constituição, que reconhecia os direitos iguais e a liberdade
de credo a todos os cidadãos”, todavia o movimento contrarrevolucionário absolutista fez com
que Fernando I abdicasse em nome de seu filho Francisco José suspendendo as reformas.

Porém, mesmo com a ad-rogação quanto às discriminações contra judeus, se permitiu


a liberdade religiosa, além de “alguns direitos, entre os quais a autorização para formar sua
própria comunidade religiosa e, em 1860, a permissão aos judeus da Baixa Áustria para
adquirir propriedades. Finalmente, em 1867, quase um século após a Revolução Francesa, os
judeus do império austro- húngaro são emancipados.”

Como em todo discurso histórico, há sempre o problema quanto à apreensão do que


seria real e quanto às fontes, pois muitas delas estão a cargo daqueles que detém o poder e
controle delas, especialmente as “oficiais”, criando monumentos linguísticos que se
perpetuam como verdades em função do presente e de um projeto vigente, e que somente
outras fontes, podem elucidar um caminho diferente para perspectivas de diversas retóricas.

Por isso a literatura pode se tornar uma fonte importante para se conhecer fatos e
ações tidos por muito tempo como marginais, mas que demonstram a realidade de outras
perspectivas. Para a situação judaica resultante de 1815 para as sociedades germânicas no
período, a obra Die Judenbuche (A faia dos judeus), uma novela de Annette
von Droste-Hülshoff, publicada em 1842 é importante para compreender
essa dinâmica, como bem exposto por Magdalena Nowinska (2015).

O texto foi compreendido pela autora como um “quadro de


costumes”, ou seja, uma representação realista e ao mesmo tempo crítica
de costumes e moralidades de uma sociedade, neste caso um vilarejo na
Westfália. O quadro inclui também personagens judaicos e eu pretendo
aqui analisar o texto por meio da questão feita no título deste artigo, ou
seja, se os judeus são representados nesse texto como parte da
sociedade ou como uma sociedade à parte, como outsiders. A análise é
inserida dentro do contexto histórico da publicação da Judenbuche. Fazer
essa pergunta significa naturalmente pressupor que esse tipo de questão
existia, o que de fato era o caso. Die Judenbuche foi publicada em um
período no qual a posição de judeus na sociedade alemã era discutida e
negociada publicamente, ou seja, em uma época de debates acerca da
emancipação dos judeus, cujo ponto central era a questão se os estados
alemães deveriam conceder a eles os mesmos direitos da população
cristã – ou seja, se eles deveriam ser tratados como cidadãos iguais e
como parte da sociedade alemã. (O termo “emancipação” refere-se a
medidas políticas de diversos estados europeus, desde a declaração de
direitos humanos em 1789 na França, de garantir aos judeus igualdade
como cidadãos. Na Alemanha, a emancipação foi introduzida por Napoleão
durante a ocupação dos territórios alemães. As medidas foram em parte
revisadas depois do Congresso de Viena em 1815. Igualdade completa foi
concedida aos judeus na Alemanha apenas com a Constituição de Weimar
de 1919. Cf. GEISS, I. Geschichte griffbereit. Band 4: Begriffe. Die
sachsystematische Dimension der Weltgeschichte. Gütersloh & München:
Wissen.de Verlag, 2002, p. 612s), SCHUBERT, K. Jüdische Geschichte. 6.
ed. München: Beck, 2007, e ELON, A. The Pity of It All: A Portrait of the
German-Jewish Epoch 1743-1933. New York: Picador, 2002.Literaturae
Sociedade 2171)

Esse debate iniciou-se lentamente em meados do século XVIII,


acelerando-se no final desse século e, ao mesmo tempo, foi sendo
ampliado e em parte radicalizado. O debate acerca da emancipação foi
acompanhado por um processo de assimilação dos judeus alemães, ou
seja, um esforço por parte dos judeus de se igualar em diversos aspectos
à sociedade cristã, abrindo mão de certos costumes, da religião, da língua,
enfim, de uma identidade compreendida como judaica e não alemã. Em
1842, o ano da publicação da Judenbuche, pode-se dizer que o debate já
estava adiantado e que mudanças dentro da sociedade alemã eram
visíveis, embora mais nas cidades do que no campo. O tema estava sendo
discutido publicamente e já se viam os primeiros (Os assim chamados
Hep-Hep-Krawalle, “a primeira explosão de um antissemitismo
embrionário” (GEISS, op. cit., p. 681), foram tumultos antijudaicos em
diversas cidades alemãs no decorrer do ano 1819, durante os quais
lojas de proprietários judeus foram destruídas e judeus foram
agredidos e mortos. Para Elon, “nada parecido havia sido visto desde
a Idade Média” (ELON, op. cit., p. 102) Os tumultos resultaram em parte de
uma crise econômica na Alemanha depois do Congresso de Viena de 1815,
mas também são vistos em parte como reação à emancipação de judeus
desde a Revolução Francesa em diversos estados europeus, entre eles a
Alemanha (cf. GEISS, op. cit., p. 681). Sobre isso cf. também ERB, R.;
BERGMANN, W. Die Nachtseite der Judenemanzipation: Der Widerstand
gegn die Integration der Juden in Deutschland 1780-1860. Berlin: Metropol
Verlag, 1989; ROHRBACHER, S. “Die ‘Hep-Hep-Krawalle’ und der
‘Ritualmord’ des Jahres 1819 zu Dormagen”. In: ERB, R.; SCHMIDT, M.
(eds.). Antisemitismus und jüdische Geschichte: Studien zu Ehren von
Herbert A. Strauss. Berlin: Wissenschaftlicher Autorenverlag, 1987, p. 135–
148; e ROHRBACHER, S. “The ‘Hep Hep’ Riots of 1819: Anti-Jewish Ideology,
Agitation and Violence”. In: HOFFMANN, C.; BERGMANN, W.; SMITH, H. W.
(eds.). Exclusionary violence: antisemitic riots in modern German history.
Social history, popular culture, and politics in Germany. Ann Arbor, Mich.:
University of Michigan Press, 2002, p. 23–42.)

Referências

Acesso em: 10/09/2018. Disponível em: <http://www.morasha.com.br/comunidades-da-


diaspora-1/os-judeus-de-viena-da-idade-media-a-emancipacao.html>