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Percepção e Atenção

Percepção
Não há percepção sem atenção. A percepção é a função cerebral que atribui significado a
estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas. Através desta, um indivíduo
organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para atribuir significado ao seu meio.
Consistem na aquisição, interpretação, seleção e organização das informações obtidas
pelos sentidos.

A percepção pode ser estudada do ponto de vista estritamente biológico ou fisiológico,


envolvendo estímulos elétricos evocados pelos estímulos nos órgãos dos sentidos. Do ponto
de vista psicológico ou cognitivo, a percepção envolve também os processos mentais, a
memória e outros aspectos que podem influenciar na interpretação dos dados percebidos.

A cegueira à mudança,“change blindness”, é o mecanismo pelo qual o cérebro somente


percebe mudanças nas partes de uma imagem nas quais está explicitamente prestando
atenção. Há uma alteração na atenção prestada à imagem. Quando induzida por flicker, é
visível desvanecimento da imagem, que faz com que atenção na imagem se desloque, sem que
haja uma percepção da real alteração da imagem. Pode ser ainda induzida por mud splashes e
por mudança gradual, “slows continuous”. Outros exemplos adicionais de cegueira prendem-se
com a mudança do interlocutor, com o estudo de simons, e através dos cortes de realização de
um filme.

Já na cegueira inatencional, “inatencional blindness”, não se presta atenção ao que não se está
à espera, isto é, se nos é pedido para contarmos o número de passes entre a equipa preta, não
iremos prestar atenção aos da equipa branca nem conseguiremos ver o urso a fazer
moonwalking.

A perceção é uma atividade construtivista, na qual é feita uma analogia entre a percepção
visual e a câmara fotográfica, que é falsa, e na qual a representação é perceptiva parcial e
incompleta logo desde o ponto de vista sensorial, como no caso do blind spot, o ponto cego.
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A acuidade visual corresponde à capacidade do olho de distinguir entre dois pontos próximos é
chamada acuidade visual, a qual depende de diversos fatores, em especial do espaçamento
dos fotorreceptores na retina e da precisão da refração do olho. Na retina encontramos
respostas eletrofisiológicas, responsáveis pela formação de imagens, que retém as imagens e
faz a tradução para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico.

O nervo óptico capta as informações através dos cones e bastonetes presentes na retina que
são estimulados pela luz projetada em objetos. As informações visuais são captadas e enviadas
ao lóbulo occipital do cérebro para as áreas 17, 18 e 19 que são responsáveis de processar esta
informação, gerando resultados de cor, forma, tamanho, distância e noções de espaço. O
ponto cego é insensível à luz, e dele emergem o nervo óptico e os vasos sanguíneos da retina.

A atividade construtiva da percepção socorre-se de diferentes escalas. Há conhecimento a


operar na percepção, mas só é “nosso” num sentido muito limitado. O princípio de
interpretação da profundidade ocorre em função do sombreamento: a luz vem de cima. Há
imagens onde é possível ver um movimento que é apenas aparente, isto é, devido sobretudo
ao uso do sombreamento para proporcionar o mesmo. Ao observar duas imagens com esferas
na mesma posição, mas uma com o uso de sombra e outra não, afirmamos que a que é
acompanhada de sombra efetua um movimento “flutuante”.

A percepção convive com a ambiguidade e mesmo com a impossibilidade, como no exemplo


da bailarina que gira no sentido dos ponteiros do relógio e contra este, e que em sempre é
possível observar os dois movimentos quando se vê um deles. A organização que suporta a
nossa “percepção estável” das coisas não se baseia na noção de “representação verdadeira”,
tendo por exemplo duas imagens, em que duas cores iguais aparentam ser diferentes ou de
formas que são reconhecidas, mas que no entanto a imagem não tem nenhuma dessas.

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Em suma, a visão não recebe imagens, processa informação, e por isso, é considerada uma
atividade construtiva que opera a diferentes escalas, que incorpora conhecimentos que não
são transparentes ao organismo que percebe. Funciona e decide na ambiguidade e não
pressupõe nos seus mecanismos uma representação verdadeira da realidade.

A Sensação na Percepção
Basicamente, são as seguintes questões que podem pôr-se assim a propósito da sensação:

(1) Onde começa para nós a zona de estimulação eficaz - questão do 'limiar absoluto'
da sensação.

(2) De onde a onde vai a zona de estimulação eficaz (limites inferiores e superiores)? –
questão da amplitude de variação dinâmica útil dos estímulos

(3) Com que grau de distinção a nossa sensibilidade consegue analisar esse domínio de
variação? (questão da “resolução”, mais ou menos grosseira consoante a capacidade
dos nossos sistemas sensoriais, para aí produzirem distinções de intensidade mais ou
menos finas; questão do 'limiar diferencial' da sensação).

O termo estética deriva do grego aisthetikos, que significa “sensível”. Esta última palavra
derivou por sua vez de aisthanomai, que significa “eu percebo,sinto”. A sensação envolve a
questão da realidade do que é percebido: o “sentir” fundamental. Se algo não for percebido,
não existe. No estudo da Psicofísica a sensação determina ao existência de algo.

G. Berkeley como um contraexemplo: “If a treefalls in a forestand no oneisaround to hearit,


does itmake a sound?”, que diz respeito ao tratado sobre os princípios do entendimento
humano: esse est percipi (aut perciere) [Ser é ser percebido (ou perceber)].

Qual o estatuto dos «qualia» perceptivos – a cor, o som, etc.?Serão alucinações sem
ancoragem no real?Por exemplo, os alucinados têm o problema de acreditar na realidade de
algo que não existe. Os «qualia» são as qualidades perceptivas, contudo, a cor não existe na
física, estas são um produto da variação das ondas electromagnéticas, mas existe uma relação
entre a sensação e a realidade.

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Uma resposta fornecida pela psicofísica é que a sensação (subjetiva) mantém uma relação
direta e interna com as energias exteriores (“objetivas”). O “problema” inicial da psicofísica foi
exatamente o da relação entre os “excitantes externos” e as “sensações internas”.

A sensibilidade recorta o domínio onde se exerce numa gama de intensidades ou energias,


definindo aí um mínimo – limiar absoluto - e um máximo – limiar da dor, abaixo e acima do
qual não sentimos, bem como um “grau de resolução” ou acuidade com que discrimina as
intensidades físicas no seu domínio de variação útil (limiar diferencial).

Desta forma, o limiar absoluto é o início da sensação de audição, o limiar da dor não está
relacionado com a sensação de audição, mas sim quando o estímulo é reconhecido como
doloroso, sendo que a dor pura sem diferenciação do estímulo e o limiar de tolerância à dor é
o momento em que o estímulo alcança tal intensidade que não mais pode ser aceitavelmente
tolerado.

A psicofísica pretende estabelecer o que há entre o limiar absoluto e o limiar da dor.

A sensação envolve a questão do inconsciente perceptivo, associada à questão dos limiares (da
percepção consciente).

Gottfried Wilhelm Von Leibniz (1614-1716), na sua obra “Novos Ensaios sobre o Intelecto
Humano”, estuda as pequenas percepções, que quando abaixo do limiar de audição, processa-
se quando não é alcançada a sensação consciente traduz-se em percepções inconscientes, isto
é, as pequenas percepções.

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Fechner e Leibniz pretendiam responder à questão “Há ou não sensação abaixo do limiar de
sensação?” Há sensações “inconscientes”?Relação com a noção de “limiar sensorial”. Há
atividade sensorial abaixo do ponto onde começamos a sentir conscientemente (o Limiar
Absoluto)?

A correspondência da variação dinâmica de intensidades depressão sonora com a amplitude


de variação da sensibilidade auditiva humana (limiar de sensibilidade, em baixo, limiar da dor,
em cima).

T(Período) = 1/f (Frequência)

F(Frequência) = 1/T (período)

Quanto às propriedades da onda sonora, a amplitude está associada à força ou intensidade


subjetiva do som e a frequência, associada à altura do som, exemplo ao que faz dele um dó,
um mi, um lá, etc.

As dimensões constituintes da onda sonora, que são a base da percepção: a amplitude da


onda, que corresponde à força e à oscilação da onda; a frequência, que se traduz em
qualidade, no ritmo da onda e é o número de ocorrências num determinado período de
tempo; e o comprimento de onda, a distância entre valores repetidos num padrão de onda, e
que tem uma elação direta com os recortes de energia.

Quanto à relação da sensibilidade com as “configurações energéticas” do meio, existem as


bandas de frequências eletromagnéticas.

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A sensibilidade recorta o domínio onde se exerce numa gama de intensidades ou energias,


definindo aí um mínimo e um máximo (abaixo e acima do qual não sentimos), bem como um
“grau de resolução” ou acuidade com que discrimina as intensidades físicas no seu domínio de
variação útil.

C= Intensidade do Contraste

As frequências espaciais são as representação das propriedades de frequência e amplitude


intensidade do contraste). A rapidez da alternância entre barras claras e escuras define a
frequência (ciclos/grau). A diferença de intensidade entre o escuro e o claro (i.e, a intensidade
do contraste, corresponde à amplitude).

Face à alternância entre as barras brancas e pretas, quando a transição é mais lenta,
corresponde a uma frequência de onda baixa, ou seja, menos perceptível, pela redução da
intensidade da energia. Este mede o limiar absoluto em diferentes locais, dando preferência
pelas zonas médias, isto é, é mais perceptível.

Ilustração da Função de Sensibilidade ao Contraste (Privilégio das frequências médias)

A frequência média permite distinguir preto e branco mais facilmente do que as frequências
altas e baixas.

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Modelo Clássico do Limiar Absoluto= % - 100%

O problema da psicofísica prende-se em como é que os estímulos externos se tornam


sensações?É necessário o processamento da informação pelo cérebro para ser considerado
como sensação.

A noção “pontual” de limiar absoluto (LA): intensidade abaixo da qual não é possível detectar o
estímulo (0% de probabilidade de detecção) e acima da qual se percebe sempre o estímulo
(100% de probabilidade de detecção).

Deslocação necessária para uma definição probabilística (e convencional) de LA: intensidade


do estímulo percebido em 50% dos casos. O problema do limiar absoluto permanece no facto
de que mesmo que a intensidade de um estímulo seja repetida, esta nem sempre é sentida,
mas este foi resolvido, pois os 50% das respostas dadas como “sim” correspondiam agora ao
limiar absoluto do sujeito.

O observador A tem um LA mais baixo do que o observador B.

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O observador C é mais preciso do que observador D (apesar deterem o mesmo LA). O declive
superior da curvado observador C indica uma menor zona de incerteza(intervalo em que uma
intensidade do estímulo é uma vezes percebida e outras vezes não)

Ernst Heinrich Weber (1795 – 1878)

Lei de Weber:

Não se trata de uma verdadeira lei psicofísica, porque nela não é feita referência explícita à
sensação (S). O seu enunciado envolve essencialmente a noção de limiar diferencial (I –
diferença minimamente discriminável entre dois estímulos, ou jnd [Just noticeable
difference]). Uma implicação da Lei de Weber é a de que as intensidades dos estímulos
evoluem em passos crescentes e proporcionais à intensidade de partida (e.g.: I2 = I1 + I1*K).

Segundo Weber, cada modalidade sensorial possuía o seu valor de K específico, e podia assim
ser quantitativamente resumida por ele.

Representações gráficas da Lei de Weber (com I em ordenada; com K em ordenada).

De acordo com a Lei de Weber, o valor da chamada Fração de Weber (ΔI/I = K) é uma
característica de cada modalidade sensorial. A lei de Weber corresponde a uma regularidade
nos limiares diferenciais, para se perceber duas intensidades diferentes.

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As frações de Weber com valor mais alto indicam uma sensibilidade discriminativa menor (a
fração constante do estímulo inicial que é necessário acrescentar-lhe para dar lugar a uma
nova sensação é maior) (cf. gráfico da direita)

A psicofísica clássica
As medidas que a Psicofísica Clássica pretende fazer da sensibilidade envolve, na realidade, um
misto de sensibilidade e atitude de resposta (ou atitude decisória).

Apresentação breve da experiência de Smith e Wilson (1953) com três grupos de participantes
a quem foi calculado um limiar absoluto de audição para um tom puro: os participantes
correspondentes ao grupo “conservador” foram instruídos a só responder positivamente
quanto interrogados sobre a existência de uma sensação quando tivessem a certeza absoluta
de que sentiam; os participantes designados como “radicais” receberam ao contrário a
indicação de que deveriam assinalar a presença de uma sensação à mínima impressão de que
detectavam um estímulo; finalmente, um grupo designado como “liberal”, recebeu instruções
intermédias (responder positivamente quando estivesse razoavelmente certo de que sentia).
Os resultados ilustraram enormes diferenças no valor do 'limiar absoluto' (correspondente ao
valor do estímulo percebido em 50% dos casos) em função das instruções, com os
participantes do grupo “radical” a fornecerem praticamente 50% de respostas de detecção
quando nenhum estímulo estava na realidade a ser apresentado (ensaios ditos “brancos”). Os
limiares avaliados correspondiam assim a um misto não analisado de sensibilidade e atitude.
Tendo em conta que o critério inicialmente utilizado nos laboratórios de Psicologia
Experimental (a começar pelo de Wundt) era o de treinar os participantes a responder
positivamente apenas em caso de certeza absoluta, os valores dos limiares então calculados

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traduziam tanto a sensibilidade dos participantes como uma atitude de resposta


“conservadora”. Esta confusão entre sensibilidade e atitude não pode ser desfeita no quadro
da psicofísica clássica, e só obteria um princípio de solução com a Teoria de Detecção de Sinal
(TDS), estabelecida nos anos 60 do século XX.

Gustav Theodor Fechner – 1801-1887

S= Sensação , I= Intensidade do Estímulo

Objetivo de G. Fechner enquanto fundador da psicofísica era o de estabelecer as leis da


relação entre a intensidade dos excitantes (estímulos definidos fisicamente) e a intensidade
das sensações (estados mentais produzidos), a que chamava “psicofísica externa”.

A Lei de Fechner assenta em dois pilares:

1) A aceitação da lei de Weber como um enunciado empírico válido.

2) O pressuposto de Fechner quanto às sensações (cada diferença minimamente


perceptível, ou “limiar diferencial”, equivale, do lado da sensação, a uma unidade
subjetiva, sendo o “zero” desta escala subjetiva indicado pelo “limiar absoluto”); Da
conjugação das duas condições resulta a lei logarítmica de Fechner: S = Clog I - isto é, a
sensação é uma função do logaritmo da intensidade do estímulo).

A metáfora dos dois contadores (externo-observável e interno inobservável) utilizada por


Fechner para estabelecer a possibilidade de medida das sensações a partir das noções de
limiar absoluto (“0” do contador interno) e de limiar diferencial (unidade do contador interno)

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As leis psicofísicas relacionam a magnitude dos excitantes com a magnitude das sensações. A
lei de Weber ainda não é verdadeiramente psicofísica porque não faz referência expressa à
sensação (S), ou seja, não há inferência às sensações, mas sim às intensidades de sensação.
Esta é no seu total o equivalente a diz que mede o limiar diferencial. Já na lei de Fechner:

Há uma expressão gráfica com ilustração do “pressuposto quanto às sensações”: Cada


diferença minimamente perceptível, ou limiar diferencial, corresponde a uma unidade
constante de sensação: . Sempre que discrimina dois estímulos corresponde a uma
unidade de informação, ou seja, a diferença entre M1 e M2 corresponde à diferença
minimamente perceptível.

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Na progressão aritmética, temos presente as sensações, enquanto que a progressão


geométrica (K+1) relaciona as intensidades externas com as internas.

Na lei logarítmica de Fechner, as intensidades evoluem em progressão geométrica, e as


sensações em progressão aritmética (uma a uma).Este adopta a lei de Weber, com todos os
problemas que daí advém.É influenciado por Weber e Bernoulli, e dá conta da psicofísica no
domínio da percepção e da sensação. Este é o seu objeto de estudo.

Contudo é difícil distinguir percepção e sensação, pois a sensação acompanha a percepção. A


sensação é algo interno, em que há uma apropriação dos estímulos do exterior.Ex: Limiar
absoluto depende da frequência do som.

Lei Logarítmica da Utilidade (Bernoulli, 1738)

Esta é uma lei compressiva, contudo nem todas as modalidades são compressivas, muitas são
expansivas.Esta é o antecessor histórico da lei de Fechner: a lei logarítmica que Bernoulli
propôs para a utilidade (ou “fortuna moral”) do dinheiro.

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Concluindo, a sensação envolve a relação dos nossos sentidos com o domínio das energias
físicas que utilizamos como meio de percepção. Os nossos sentidos talham um espaço num
domínio de energia com limites abaixo dos quais e acima dos quais não percebemos
(exemplos: a região do espaço das frequências físicas e da pressão sonora –espaço a duas
dimensões – no qual podemos ouvir a fala, a música, os sons; a zona de radiação
electromagnética, entre os 400 e os 700 nanómetros, na qual somos capazes de visão).

Teste Empírico do “Postulado de Fechner”

O Jnd (diferença minimamente perceptível) é uma unidade de sensação.

A crise prática da psicofísica decorre do modo de controlo mais as concepção associacionista


do psiquismo; esta concepção entendia que o psiquismo regia-se por leis de associação (como
semelhança e contiguidade) que se aplicavam aos elementos mais simples (como a sensação)

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de modo a produzir elementos de ordem superior (como o raciocínio). Assim, na sua prática, a
psicofísica devia resumir-se ao estudo das sensações. Já a crise teórica da psicofísica tem a ver
com o dualismo cartesiano, a inspiração geral da psicofísica, que consistia na incongruência
entre os planos do método (manipulação dos estímulos) e o objeto a que a disciplina se
propunha – estados e conteúdos da consciência.A influência do positivismo traduz-se no
objetivo de estabelecer leis funcionais, descritivas e gerais que desconsideravam as diferenças
individuais e a explicação. Tinham em conta a objetividade e o positivismo por restrição.

Caso o postulado de Fechner se verificasse, entre os 40 e os 100 deb deveria encontrar-se para
o som de 60 c/s, um número de unidades de sensação, isto é, de diferenças minimamente
perceptíveis (jnd), idêntico ao registado entre os 0 e os 100 deb, para o som de 1000 c/s. Os
valores encontrados foram, todavia, de 30 jnd no primeiro caso, e de 360 jnd no segundo.

Limites empíricos da lei de Weber

A lei de Weber tinha alguns problemas, pois esta não se aplica nas altas intensidades sonoras,
onde a fração decresce, i.e., no “near-miss of the Weber Law” de Riesz (1928), que primeiro foi
verificado com tons puros, mas depois também generalizado ao ruído. Esta lei também não se
aplica à altura do som (“tom”, pitch) e não se aplica à percepção e produção de intervalos de
tempo. Também falha no domínio da ação guiada visualmente (percepção-para-a-acção).

Ainda existem algumas violações à lei de Weber, como a lei do Mínimo, que corresponde a um
desajuste das Lei de Weber nas intensidades baixas e a lei do Máximo, provocado pelo
desajuste das Leis de Weber nas intensidades altas, ou seja, ambas são desvios à lei.
Empiricamente, não há motivos para considerar a lei de Weber uma lei, devendo ser sim
considerada uma regularidade. Desta forma, a lei de Weber é muitas vezes denominada da “lei
que nunca foi”. É de notar ainda que a lei de Fechner apresenta os mesmos problemas ao
basear-se na primeira.

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Em suma, a lei de Weber tem problemas de generalidade, entre outros uma tendência para a
elevação do valor e K nas intensidades mais baixas (intensidades próximas do limiar) e mais
altas. Estes desvios à lei ficaram conhecidos como, respectivamente, Lei do Mínimo e Lei do
Máximo. Com o objectivo de ultrapassar o desvio associado à Lei do Mínimo, foram
introduzidas versões corrigidas da lei de Weber, todas formalmente muito semelhantes. Uma
das mais conhecidas é a chamada correcção de Miller (1947): I/(I +a)= k. A constante “a” é
interpretada como uma pequena intensidade correspondente ao ruído sensorial interno;
encontrando-se no denominador da fração, faz baixar o valor de K nas baixas intensidades,
mas deixa-o praticamente inalterado (em virtude da sua pequenez comparativa) nas médias e
altas intensidades. Além disso, conhecem-se modalidades em que a Lei de Weber ou não se
aplica (caso da percepção das durações) ou se aplica apenas em parte da gama dos estímulos
(caso da altura do som).

Implicações para a Lei de Fechner

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Os limites da Lei de Weber afectam a generalidade e validade da Lei de Fechner, que se baseia
naquela. A interpretação mais geral do significado da lei logarítmica de Fechner é que
corresponde a uma forma de comprimir enormes amplitudes de variação das intensidades
externas na amplitude de variação da nossa sensibilidade. Na realidade, a Lei de Fechner
estipula que enquanto as “excitações” (intensidades externas) variam em progressão
geométrica (segundo uma razão multiplicativa = [K(fração de Weber)+ 1], as “sensações”
(intensidades internas ou mentais) variam em progressão aritmética, isto é, num certo sentido,
“mais devagar”.

Os limites da Lei de Weber afectam a generalidade e validade da Lei de Fechner, que se baseia
naquela. A interpretação mais geral do significado da lei logarítmica de Fechner é que
corresponde a uma forma de comprimir enormes amplitudes de variação das intensidades
externas na amplitude de variação da nossa sensibilidade. Na realidade, a Lei de Fechner
estipula que enquanto as “excitações” (intensidades externas) variam em progressão
geométrica (segundo uma razão multiplicativa = [K(fração de Weber)+ 1], as “sensações”
(intensidades internas ou mentais) variam em progressão aritmética, isto é, num certo sentido,
“mais devagar”. Não é possível afirmar que a Lei de Fechner é a verdadeira Lei Psicofísica, ou
sequer que haja uma Verdadeira Lei Psicofísica. É possível mesmo que Fechner tenha lançado
a primeira psicologia experimental numa corrida enganosa em busca da verdadeira Lei
Psicofísica. No essencial, a sua lei mantém-se apenas como uma razoável descrição da relação
não linear que existe entre as intensidades e a nossa resposta/avaliação (como exemplos, a
classificação adotada para a magnitude das estrelas é ainda hoje, desde Hiparco, logarítmica;
autores como Dehaene têm defendido recentemente, com base também em dados de
neuroimagiologia, que a nossa representação dos números é logarítmica e obedece à Lei de
Weber). Provavelmente, um dos contributos inquestionáveis de Fechner foi, isso sim, a
proposta dos primeiros métodos sistemáticos de medida dos limiares: método dos limites,
método constante, método do “erro médio” (também dito “do ajustamento”, no caso dos
limiares diferenciais)

Limites do “pressuposto de Fechner”

Experiências visando verificar o pressuposto de Fechner foram conduzidas por acústicos


durante os anos 30 e40. Para um som de 60 Hz o limiar absoluto situa-se perto dos 40 dB NA,
enquanto num som de 1000 Hz se situa virtualmente nos 0 dB NA. Estes dois tons são por sua

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vez sentidos como de intensidade subjetiva igual nos 100db NA. O pressuposto de Fechner de
que cada "diferença minimamente perceptível" corresponde a uma unidade de sensação
implicaria assim que o mesmo número de diferenças (ou limares diferenciais) fosse
encontrado nas duas frequências – entre os 40 e os 100 dB no caso do som de 60 Hz e entre os
0 e os 100 dB no caso do som de100 Hz. Os resultados foram bem diferentes do esperado, com
muito mais "diferenças minimamente perceptíveis" na frequência de 1000 Hz (360, contra 30
no caso do som de 60 Hz).

Lei de Weber com e sem correcção de Miller

Os problemas encontrados com a Lei de Weber nas baixas e altas intensidades (Lei do Mínimo
e Lei do Máximo) levaram à adoção de formas corrigidas da Lei. A correcção de Miller à Lei de
Weber, aqui ilustrada graficamente, corrige o problema associado à Lei do Mínimo), através da

fórmula , em que a é a constante que diminui o valor de K, e que nas pequenas


intensidades pesa bastante sobre K, pois sobre as altas intensidades, esta constante não tem
grande efeito. O objetivo principal é corrigir o desajuste nas baixas intensidades, pois nas altas
intensidades não há uma grande violação do princípio da Lei de Weber, ao afirmar que quanto
maior a intensidade, maior o .De forma sucinta o pequeno ruído sensorial corresponde a
esta constante a, mas este não resolve o problema do desajuste.

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Esta correcção resolve o problema da Lei do Mínimo (o denominador fica maior com a), pois a
lei do Mínimo implica que sofra uma alteração contrária à estabelecida pela Lei de Weber
estamos perante intensidades baixas.

A lei de Fechner é afectada por estes problemas relacionados com a de Weber, ainda mais
porque há operações logarítmicas que têm o mesmo efeito que a de Fechner, pelo que esta
não se pode considerar uma medida psicofísica.

Métodos Psicofísicos Clássicos para a Determinação dos Limiares Absolutos e


Diferencial
Fechner legou três métodos clássicos de medida dos limiares, que se mantêm ainda hoje em
uso e deram entretanto lugar a diversas variantes: o método do ajustamento, o método dos
limites e o método constante.

Introdução à lógica do método dos limites: apresentações ordenadas, ascendentes e


descendentes, da intensidade dos estímulos, buscando determinar o valor do estímulo a partir
do qual sentimos e abaixo do qual deixamos de sentir. Este método exprime diretamente a
primeira concepção, ingénua, de limiar sensorial, assimilado a um ponto na escala sensorial
acima do qual sentimos e abaixo do qual deixamos de sentir (concepção pontual do limiar). Na

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realidade, a apresentação ordenada das séries de estímulos revelou a existência de diferentes


“limiares instantâneos”, que não apenas flutuavam com cada nova apresentação da série de
estímulos como diferiam sistematicamente em função do sentido, ascendente ou
descendente, da apresentação (valores inferiores nas séries descendentes, e, reciprocamente,
superiores nas ascendentes). A solução adotada para, através das flutuações dos limiares
instantâneos, determinar ainda assim um valor de “limar absoluto”, consistiu em calcular as
medianas (valor correspondente à posição de ordem (n+1)/2 após ordenação dos valores) das
séries descendentes, por um lado, e descendentes, por outro, fazendo em seguida a média
destas duas medianas. Na realidade, o método dos limites ilustrava com as suas dificuldades a
inadequação da concepção pontual do limiar sensorial, apontando para a necessidade de uma
definição probabilística. O método constante também introduzido por Fechner corresponde
exatamente a essa nova definição.

Determinação do limiar absoluto

Introdução à lógica do método dos limites: apresentações ascendentes e descendentes da


intensidade dos estímulos, buscando determinar o valor do estímulo a partir do qual sentimos
e abaixo do qual deixamos de sentir. Este método exprime a primeira concepção de limiar
sensorial, assimilado a um ponto na escala sensorial(concepção pontual). A apresentação
ordenada das séries de estímulos revelou a existência de diferentes “limiares instantâneos”,
que flutuavam com cada nova apresentação da série de estímulos e diferiam sistematicamente
em função do sentido, ascendente ou descendente, da apresentação. A solução adoptada para
determinar ainda assim um valor de “limar absoluto”, consistiu em calcular as medianas das
séries descendentes e descendentes, fazendo em seguida a média destas duas medianas. Na
realidade, o método dos limites ilustrava com as suas dificuldades a inadequação da
concepção pontual do limiar, apontando para a necessidade de uma definição probabilística. O
método constante corresponde exatamente a essa nova definição.

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As medidas foram afetadas medidas de ordem, e não apenas por diferenças sensoriais. Isto é
visível quando se compara a série ascendente com a descendente, pois sensações antes não
detectadas na ascendente são sentidas nas série descendente. Para cálculo, é utilizada uma
medida de tendência central, neste caso a mediana (Pegando na primeira da série ascendente,
depois da descendente e de seguida a mediana de ambas).

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Método Constante

O método constante para o cálculo do limiar absoluto assenta na definição do limiar como “o
valor do estímulo percebido em 50% dos casos”. A definição deste valor de probabilidade
envolve uma convenção: exprime a ideia de “máxima incerteza”. A característica do método
constante é que as intensidades do estímulo são apresentadas aleatoriamente, calculando-se
no fim a proporção de vezes em que cada uma dessas intensidades foi percebida. O valor de
intensidade correspondente a uma taxa de detecção de 50% é o valor do “limiar absoluto”.

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Ao utilizar a regra de três simples para cálculo do limiar absoluto neste método implica admitir
que haja uma regressão linear, pois esta calcula uma proporcionalidade. Ao utilizar uma curva
normal, é calculada a probabilidade de certo estímulo ser menor do que X, por exemplo, estar
abaixo de 4, como demonstra o gráfico. A curva de Galton permite ajustar os dados quando
estes estão desorganizados, dando ordem aos mesmos.

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O papel da curva normal ou de Laplace-Gauss: Fechner adoptou a curva normal como modelo
da distribuição de probabilidade do limiar sensorial (ou, o que é o mesmo, da distribuição de
probabilidade do “ruído sensorial” que faz flutuar o valor do limiar). A curva normal indicaria a
probabilidade de o limiar corresponder a um certo valor do estímulo. A curva normal
acumulada indicaria a probabilidade de um dado estímulo ser percebido: essa probabilidade
depende não apenas da probabilidade de o limiar absoluto coincidir com o valor do estímulo,
como de se encontrar abaixo dele. Esta função normal acumulada é genericamente designada
como ogiva de Galton. Uma das vantagens da ogiva de Galton é possibilitar um método
conveniente de determinação do limiar por interpolação gráfica. Depois de ajustar uma curva
normal acumulada aos resultados de uma experiência psicofísica basta interceptar essa curva a
partir do valor 50% da ordenada, projectando depois a intersecção sobre a abcissa (onde se
encontram os valores do estímulo), para encontrar o valor do limiar. Uma vez que ogiva de
Galton é aproximadamente linear na sua porção intermédia, este modelo da função psicofísica
justifica que, no caso de nenhum dos estímulos ter sido percebido em 50% dos casos, se utilize
uma regra de três simples, ou interpolação linear, para determinar o valor do estímulo que
corresponderia à proporção de 50%.

Breve caracterização do método do ajustamento, identificado pelo facto de ser o sujeito quem
controla a intensidade dos estímulos. No caso da determinação do Limiar Absoluto, ao sujeito
cabe elevar a intensidade do estímulo até começar a percebê-lo, e baixar-lhe em seguida a
intensidade até deixar de percebê-lo. A média dos valores de intensidade assim obtidos é
tomada como o valor do LA. O método do ajustamento sofre de vários limites, entre os quais o
de não permitir uma medida direta do Limiar Diferencial.

23
Determinação do limiar diferencial

A determinação do limar diferencial envolve a apresentação de 2 estímulos: (1) o estímulo


padrão (EP), que permanece constante e serve de termo de comparação; (2) o estímulo
variável, que o sujeito deve decidir se é maior, igual (quando os juízos de igualdade são
admitidos pelo experimentador) ou menor do que o estímulo padrão.

No caso do método dos limites, a apresentação do estímulo variável é efectuada de modo


ascendente ou descendente. A diferença em relação à determinação do limiar absoluto é que,
em cada uma das séries são determinados não um, mas dois pontos liminares (pontos onde a
natureza da resposta do sujeito muda, “de menor para igual” e de “igual para maior” nas
séries ascendentes, de “maior para igual” e de “igual para menor”nas séries descendentes).
Estes pontos têm os nomes de “ponto liminar superior” e “ponto liminar inferior”,consoante
separem a zona das respostas “maior” da zona das respostas “igual", ou a zona das respostas
“menor” da zona das respostas “igual”. Dependendo do sentido da série, são qualificados
como “descendentes”ou “ascendentes”. Temos assim o “ponto liminar inferior ascendente”
(PLIA), o “ponto liminar superior ascendente” (PLSA), o “ponto liminar superior descendente”
(PLSD) e o ponto liminar inferior descendente”(PLID). A diferença entre cada um destes pontos
liminares e o estímulo-padrão (EP) corresponde a um limiar diferencial: (1) EP-PLIA = Limiar
Dif. Inf. Ascendente; (2) PLSA-EP = Limiar Dif. Sup. Asc.; (3) PLSD-EP = Limiar Dif. Sup.
Descendente; (4) EP-PLID= Limiar Dif. Inf. Desc. O limiar diferencial é a média destes quatro
limiares diferenciais.A média dos 4 pontos liminares corresponde à noção de “Ponto de
Igualdade Subjectiva” (PIS), e pode definir-se como a representação sensorial que o sujeito faz
do estímulo-padrão (EP). A diferença entre o PSI e o EP é designada como Erro Constante (EC)
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[PSI-EP = EC]. Breve referência à definição do LD, no método constante, como a "diferença
entre dois estímulos que é percebida em 75% dos casos".

Ilustração da variabilidade entre sujeitos quanto ao uso das resposta de "igualdade”: a opção
de suprimir as respostas de igualdade (obrigando os sujeitos à escolha forçada entre "inferior"
ou "superior") inviabiliza a definição do LD como uma "diferença percebida em 50% dos casos"
(os 50% de juízos de inferioridade ocorriam forçosamente no mesmo ponto onde se
verificavam os 50% de juízos de superioridade). Passou por isso a adoptar-se correntemente,
no método constante, o valor de 75% para a definição operacional do LD.

Variantes dos métodos clássicos dos limites e do ajustamento

O método dos limites é hoje largamente empregue sob a forma do “método da escada”
(staircase); o método do ajustamento, por sua vez, é largamente utilizado, sobretudo nos
domínios da avaliação audiológica e da sensibilidade visual ao contraste, numa variante
“moderna” conhecida como “método da perseguição dos limiares”. Em ambos os casos se
trata de variantes adaptativas dos métodos clássicos: “adaptativo” significa, neste contexto,
que a apresentação dos estímulos é condicional às respostas anteriores dos sujeitos.

Decisões requeridas para a utilização do método da escada:

1. Escolher o nível de partida do estímulo. Esta escolha é na verdade de pouca


importância, já que, qualquer que ele seja, o método converge para a banda liminar.

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2. Escolher o «passo» para a evolução do estímulo, isto é, o intervalo entre dois níveis
sucessivos. Para que seja informativo, o intervalo não poderá ser excessivamente
grosseiro nem demasiado fino.
3. Fixar a regra para a inversão do sentido da apresentação. A mais simples consiste em
inverter sempre que se verificar uma alteração na natureza da resposta do sujeito.
Contudo, trata-se de uma convenção, e outras poderiam ser utilizadas, por exemplo,
uma dupla ou tripla alteração de resposta.
4. Fixar a regra de paragem, isto é, o critério decide do termo da experiência.

Método da Perseguição dos Limiares – Variante adaptativa do método do ajustamento (Von


Békésy)

Método da Perseguição dos Limiares - Psicofísica Animal

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A Psicofísica Directa de Stevens


Contra os métodos a que chamou indirectos ou “de confusão”, em que cabia ao
experimentador quantificar as sensações do sujeito com base na percentagem de respostas
“sinto”/”não sinto”, S. S. Stevens promoveu a utilização de métodos “directos”, nos quais o
sujeito se exprimia directamente sobre a magnitude das suas sensações através da utilização
de números. Entre os vários métodos que considerou, os dois mais importantes designam-se
como estimação de magnitudes e emparelhamento intermodal.

Tipicamente, o método da “estimação de magnitudes” envolve a apresentação de um


“estímulo de referência”, associado a um valor numérico convencional (por exemplo, 10) a que
se chama módulo. Tendo o estímulo de referência o valor convencionado (isto é, 10), o sujeito
deve então dizer quantas vezes mais (ou menos) intensos, ou quantas vezes maiores (ou
menores), são os estímulos subsequentemente apresentados: por exemplo, se considera um
desses estímulos como duas vezes mais intenso do que o primeiro, deverá então responder
20; se 10 vezes mais intenso, deverá responder 100; se o percebe como tendo metade da
intensidade do primeiro, deverá responder 5. O que deste modo se pede ao sujeito é, no
fundo, que se pronuncie sobre as razões de magnitude das suas sensações.

Utilizando sobretudo o método da estimação de grandezas ou magnitudes, Stevens propôs


como a melhor descrição funcional das relações entre o estímulo e a magnitude da sensação a
função de potência – S = CI - que passou assim a constituir a grande alternativa histórica à
função logarítmica proposta por Fechner cerca de 100 anos antes. Nos seus gráficos, Stevens
colocava em abcissa as intensidades dos estímulos (I) e em ordenada as médias geométricas

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das estimações de magnitude fornecidas pelos sujeitos (as médias geométricas constituem
uma forma de agregar dados provenientes de relações multiplicativas ou divisivas – razões -
como as que os sujeitos são solicitados a avaliar e exprimir nas suas estimações de magnitude).

Deste modo, a admitir-se a função de potência como verdadeira lei psicofísica, cada
modalidade sensorial fica caracterizada por um dado valor do expoente que indica o modo
como as sensações evoluem em função das intensidades do estímulo.

O método de Stevens pertence, assim, à categoria da estimação, em que, dado um conjunto


de estímulos e um leque de categorias expressas numericamente, permite distribuir os
primeiros pelos segundos, e numa razão de grandeza, visto que dados dois estímulos e o valor
atribuído a um deles (módulo), permite estimar a grandeza do segundo estímulo em função do
módulo.

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A Lei de Stevens face à Lei de Weber


As duas leis – Logarítmica e de Potência – conduzem a previsões diferentes que podem ser
testadas. A lei de Fechner prevê uma proporcionalidade da Sensação ao logaritmo da
intensidade do estímulo. Assim, num gráfico de coordenadas semilogarítmicas (com o
logaritmo das intensidades em abcissa) e a sensação em ordenada, prevê uma recta de
proporcionalidade directa. Exprimindo logaritmicamente a Lei de Potência – log S = log I – a
previsão é a de que a proporcionalidade directa, expressa por uma recta de proporcionalidade,
se deverá observar em coordenadas bilogarítmicas, com o logaritmo das intensidades em
abcissa e o logaritmo das sensações (estimativas de magnitude) em ordenada.

Realização de uma pequena demonstração, utilizando o método da estimação de magnitudes


para exprimir o comprimento de linhas, do confronto possível entre as duas previsões, com
resultados favoráveis às previsões de Stevens. No entanto, o melhor ajuste das previsões
baseadas na função de potência apenas se observa quando se utilizam os métodos directos de
razão propostos por Stevens. Com a utilização dos métodos de Fechner, é tipicamente a lei
logarítmica, e não a de potência, o que suscita de novo a necessidade de um outro critério
para decidir qual é a "verdadeira" função psicofísica.

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O significado do expoente.
Stevens atribui ao expoente característico de cada modalidade um sentido de adaptação
biológica. Quando o expoente de uma função de potência é > 1, a função apresenta-se
acelerada (côncava vista de cima); quando = 1, a função é linear; quando < 1, a função é
desacelerada (como a função logarítmica, é então côncava vista de baixo). Estes três tipos de
situação indicam, respectivamente, que (1) a razão de crescimento das sensações é superior à
razão de crescimento das intensidades do estímulo; (2) a razão de crescimento das sensações
é igual à dos estímulos; (3) a razão de crescimento das sensações é inferior à dos estímulos.

Se admitirmos uma amplitude constante da nossa capacidade de sentir (isto é, uma amplitude
característica da nossa sensibilidade), e duas modalidades sensoriais em que, num caso, a
gama de energias físicas úteis (intensidades do estímulo) possui um espectro muito amplo –
como no caso das intensidades luminosas ou sonoras – enquanto no outro possui um banda de
variação útil relativamente estreita (como na temperatura, ou no olfacto), é compreensível
que a razão de crescimento das sensações seja menor (mais lenta) do que a das intensidades
no primeiro caso ( <1), de modo a incluir um espectro amplo de intensidades nas nossas
capacidades de expressão sensorial, e mais rápida do que a das intensidades no segundo caso (
> 1), permitindo diferenciar melhor, nos limites da nossa capacidade de sentir, o pequeno
número de intensidades físicas relevantes. Isto corresponde, no fundo, a uma compressão das
intensidades no primeiro caso ( <1) e a uma amplificação das intensidades ( > 1) no segundo

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caso. Esta função de compressão ou amplificação permite uma adaptação às características


específicas do domínio de energias em que funciona cada modalidade sensorial, e é uma das
tarefas essenciais da transdução sensorial (transformação das energias físicas pela operação
da maquinaria biológica – isto é, dos sistemas receptores - subjacente à nossa sensibilidade).

O significado funcional da Lei de Potência - iguais razões entre intensidades são expressas por
iguais razões entre sensações. A lei de Stevens assenta, tal como a de Fechner, na aceitação da
Lei de Weber como lei empiricamente válida. Difere, porém, na adopção de um outro
pressuposto quanto às sensações, segundo o qual ΔS/S = C, isto é, a diferença entre duas
sensações contíguas (na escala sensorial) é uma fracção constante da sensação inicial. Dado
que esta relação equivale a admitir que um equivalente da Lei de Weber (ΔI/I = K) rege
também o domínio das sensações, equivale a admitir que tantos os estímulos como as
sensações evoluem em progressão geométrica (isto é, através de uma razão multiplicativa). A
Lei de Potência afirma assim, no fundo, que “iguais razões entre estímulos se exprimem por
iguais razões entre sensações”, com o expoente da função a exprimir a relação entre a razão
de evolução das sensações e a razão de evolução dos estímulos (> 1 se a primeira for maior do
que a segunda e <1 no caso contrário). Uma das vantagens reclamadas pela psicofísica directa
é justamente a de fornecer medidas de "nível de razão" (isto é, com um 0 conhecido).

O emparelhamento intermodal é o critério de validação da Lei de Potência. O verdadeiro teste


à validade da Função de Potência repousa, segundo Stevens, na derivação de previsões
testáveis pelo método do emparelhamento intermodal. De acordo com a lei de potência, pedir
o emparelhamento (igualização subjectiva) de duas sensações em modalidades distintas
equivale a relacionar a intensidade de dois estímulos físicos elevados ao expoente
característico de cada uma das modalidades sensoriais correspondentes: S1 = S2 <=> I1 1= I2 2.
Em formulação logarítmica: 1 log I1 = 2 log I2.

Daqui é possível derivar o expoente previsto para reger a relação entre as intensidades físicas
das duas dimensões envolvidas (I1 e I2), igual a 2/1 (isto é, à razão entre os dois expoentes
característicos). Torna-se assim possível, conhecendo os expoentes de duas modalidades
sensoriais, calculados anteriormente, executar uma experiência de emparelhamento
intermodal para verificar o ajuste das previsões teóricas quanto ao novo expoente. Esse ajuste
(que Stevens quase sempre pôde verificar empiricamente) constitui tanto o critério de
validação da lei de potência – mostrando que os expoentes anteriormente calculados com

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base nessa lei permitem boas previsões -, como o critério de que os sujeitos foram capazes de
atribuir números às sensações de acordo com a regra pretendida, isto é, foram capazes de
exprimir consistentemente as razões entre as magnitudes das suas sensações.

O emparelhamento intermodal torna possível a aplicação da psicofísica de Stevens a estímulos


sem métrica física (e.g., prestígio de profissões, gravidade de quadros clínicos, juízos estéticos,
etc.). Se, por exemplo, a gravidade de diferentes quadros clínicos for avaliada por uma
resposta dinamométrica, por um lado (primeiro emparelhamento), e pela indicação de
diferentes comprimentos de linha, por outro (segundo emparelhamento), o expoente que
relaciona o comprimento de linhas e a pressão dinamométrica quando estas modalidades são
emparelhadas directamente (exprimir comprimentos de linha através de pressões
dinamométricas e vice-versa)deverá emergir igualmente quando são emparelhadas
indiretamente, através da dimensão sob avaliação (a gravidade dos quadros clínicos). Se tal
acontecer, isso constitui, segundo Stevens, um critério de validação do escalonamento feito
pelos sujeitos da dimensão de interesse ao nível de razão.

A transdução sensorial: interesse de Stevens pelos correlatos neurais.


Enquanto para Fechner a lei logarítmica operava entre o "corpo" e a "alma", para Stevens a
sede da transformação de potência encontra-se na fisiologia dos órgãos receptores (isto é,
opera entre as "intensidades externas" e o "corpo"). A sua lei de potência é por isso também
concebida por ele como uma lei da “transdução(transformação de uma forma de energia
numa outra) sensorial”, que deveria encontrar-se já ao nível das respostas neurais, e não
apenas das respostas declaradas pelos sujeitos (nas sensações).

Ilustração de alguns resultados de coincidência entre o expoente psicofísico e o expoente


obtido com respostas neurais (Borg e a relação entre os potenciais registados na chorda
tympani e a magnitude estimada pelos sujeitos das suas sensações de "doce" e de "ácido").

O alargamento da psicofísica a fenómenos “para lá” da sensação: o exemplo da psicofísica


da memória.
Um dos limites da psicofísica clássica resultava da sua circunscrição ao estudo de sensações
simples, efeito directo da apresentação de estímulos fisicamente definíveis. A psicofísica
directa de Stevens permite considerara medida psicofísica de processos mais complexos e
distantes da estimulação directa.

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Exemplificação com um estudo de psicofísica da memória da dor realizado por Algom e Lubel
(1994). O expoente característico da recordação da dor produzida em diferentes momentos do
parto mostrou ser superior ao da percepção da dor nos momentos correspondentes
(aproximadamente o quadrado do primeiro, sugerindo que o mesmo expoente operou duas
vezes, para determinar a magnitude da sensação/percepção a partir das intensidades,
primeiro, e a da memória dessa sensação, em seguida).

Teoria da Gestalt – A Questão da Organização Percetiva


Os estudos iniciais da Gestalteoria: Wertheimer e a percepção do movimento aparente. O
problema fundamental da organização perceptiva. A Escola de Berlim foi a mais relevante na
Teoria Gestalt, realizando trabalhos sobre o movimento aparente. O problema da teoria era a
falta de recursos para comprovar as suas descobertas.

Princípio geral: o todo é mais do que a soma das suaspartes, definindo-se sobretudo pelo
sistema das relações entre elas. A mera associação de sensaçõeselementares não responde
assim, ao contrário do que defendia o estruturalismo (Titchener) e, em geral, todas asformas
de elementarismo, ao problema da "organização perceptiva" (isto é, da emergência de formas
ouconfigurações perceptivas).

A perceção corresponde a estruturas organizadas, isto é, aumentando o detalhe de um objeto,


diminui o entendimento da figura como um todo, pelo que é necessário haver uma
organização. Como se organiza a perceção?

Persistência Retiniana

Esta não é um movimento aparente, mas antes uma sensação de arrastamento do objeto.
Contudo a persistência não pode ser a base do movimento. Por outro lado, o movimento tem
uma base binocular, estando assim relacionado com as pupilas.

Estádios do Movimento Aparente (Wertheimer, 1912)

O estudo do movimento aparente por M. Wertheimer (1912). Da conjunção temporal e


espacial de estímulos estáticos resulta, em virtude das suas relações, um fenómeno de
movimento aparente. Diferentes fases do movimento aparente em função de diferentes
relações temporais entre os estímulos (ISI – intervalo inter estímulos): movimento parcial,

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fenómeno phi (impressão de movimento sem objecto ou impressão "pura" de movimento),


movimento óptimo ou Beta.

No movimento Phi (“PhiMotion”), o movimento do objeto é apenas uma impressão, pelo que
este movimento aparente não é devido às impressões sensoriais. Já o movimento Beta (“Beta
Motion”) é um movimento aparente, num nível intermédio, que depende das variáveis
intervalo e distância. Quando o intervalo é demasiado rápido não temos sensação de
arrastamento, o denominado Flickering, assim como demasiado lento. Este é um movimento
ótimo.Ao aumentar o tempo de intervalo, o movimento é mais lento, o que se traduz em
arrastamento. O movimento Phi tem um intervalo de tempo menor que o movimento Beta,
que corresponde a uma maior rapidez.

Irredutibilidade do movimento aparente (na base do "cinema", sob a forma do “movimento


óptimo”, também dito movimento Beta) ao mecanismo da persistência retiniana: é possível
obter o fenómeno phi apresentando cada um dos estímulos, respectivamente, a um e outro

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olho. As condições do movimento aparente não são assim periféricas (situadas ao nível dos
receptores), mas centrais, e correspondem a uma estrutura determinada de relações espaciais
e temporais entre os estímulos estáticos apresentados.

A lei de Korte (1915) está relacionando entre si a intensidade dos estímulos, o


intervalotemporal (ISI: "interstimulusinterval") e a distância espacial entre eles. Importância
particular da terceira lei querelaciona as distâncias e os intervalos de tempo entre
estimulações, sugerindo a preferência do sistema visualpor uma velocidade particular do
movimento.

1. Para um mesmo ISI, a intensidade deve crescer com à distância (e vice-versa)

2. Para uma mesma distância, a intensidade deve crescer à medida que o ISI aumenta.

3. Para uma mesma intensidade, o ISI deve aumentar com a distância (Esta lei sugere a
existência de uma “velocidade preferida” no movimento aparente)

Importância Fundamental das Reações Espaciais e Temporais

O fenómeno tem lugar mesmo quando as cores, as formas ou as orientações mudam.

Ilustração da predominância das relações espácio-temporais sobre, por exemplo,


características como a cor dos objectos (ilustração com o movimento aparente obtido a partir
de 2 círculos estáticos de cor diferente: o objecto animado de “movimento aparente” apenas
parece mudar de cor – Kolers e Von Grunau, 1976).

As alterações de cor do objecto não impedem a percepção do movimento aparente. O objecto


é percebido como deslocando-se e mudando subitamente de cor durante o trajecto.

Breve referência a aspectos associados da neurofisiologia da detecção do movimento: os


detectores de Reichardt. Tal como nas experiências de movimento aparente de Wertheimer,
são as relações espaciais e temporais incorporadas no mecanismo do detector que
determinam a sua resposta, e portanto a “percepção” do movimento.

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Detetores do Movimento de Primeira Ordem

Os detectores simples de Reichardt ilustram um mecanismo fisiológico de detecção selectiva


de movimentos numa certa direcção, com uma certa velocidade. O seu príncipio de
funcionamento, assentando nas relações espaciais e temporais entre a estimulação das duas
unidades de base (círculos a cinzento) corresponde bem as condições de produção do
movimento aparente estabelecidas por Wertheimer.Nos detectores de Reichardt, os efeitos de
um movimento real e de duas estimulações descontínuas obedecendo aos constrangimentos
espaciais e temporais do detector são o mesmo.

Ilustração da presença de populações de detectores de movimentos selectivos para a


orientação e a velocidade, organizadas de maneira antagónica, através de “pós-imagens” de
movimento na direcção oposta à do movimento observado.Os detectores de Reichardt
correspondem à percepção do movimento aparente e contínuo para acederem à mesma
“maquinaria”. O contorno é também importante para o movimento.

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Organização Antagónica das Populações de Detectores do Movimento

A adaptação neural corresponde aos neurónios que captam o mesmo movimento, que são
seletivos para os critérios direcção e movimento.

Ilustração da existência e organização oponente de "receptores de movimento" selectivos à


direcção e a velocidade (tal como os detectores de Reichardt) através de fenómenos de pós-
imagem de movimento ("expansão" ilusória de porções da imagem estática de um "Buda"
após adaptação a um movimento de "contracção" de frequências espaciais em direcção a um
foco; a ilusão equivalente da "queda de água" – waterfall illusion).

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A percepção verdadeira é posta em causa pelas regras de organização perceptiva do sistema


visual.

O Problema da Correspondência

O "problema da correspondência" no movimento aparente: quando os estímulos são mais


complexos do que um simples ponto (quando, por exemplo, envolvem vários pontos, ou
diferentes objectos), o sistema visual deve estabelecer quais os objectos entre os quais
ocorreu o movimento (isto é, quais os objectos que se correspondem através do movimento).
Ilustração da importância das relações temporais e espaciais - em particular de um princípio
genérico de "proximidade" - na resolução deste problema.

Ternus (1926) e o estudo do movimento aparente em ecrãs com três pontos (o modo como o
movimento é percebido depende do valor do ISI).

Em situações mais complicadas do que a da apresentação de um só elemento, o movimento


aparente exige que o sistema visual resolva o “problema da correspondência” entre os

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elementos presentes na primeira apresentação (1ª frame) e na segunda apresentação (2ª


frame).Os problemas de Ternus ilustram o papel do intervalo inter-estímulos (ISI) na resolução
deste problema:

Ilustração do “Efeito Wagon-Wheel”:

A ilusão da "roda-de-carroça" (waggon-wheel) e o princípio da correspondência pela menor


distância/proximidade).

O sistema visual parece utilizar uma regra de “proximidade” para decidir o sentido da rotação,
que depende da velocidade: A) Baixa B) Intermédia, C) Elevada.

O sistema visual aplica um principio da proximidade para fazer corresponder elementos entre
dois “frames” sucessivos. Isto explica o efeito “Wagon Wheel”.

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Base Possível da Percepção do Movimento:

A distinção entre os sistemas Parvo Celular e Magno Celular, e a projecção dos últimos para as
áreas MT (V5) e SMT. (Livingstone & Hubel, 1988)

Circuitos do «quê?» e do «onde?» - Vias Dorsal-Parietal e Ventral-Temporal

A impressão de movimento “sem objecto” – fenómeno phi – poderia ter por base a via do
“onde”, vocacionada para a análise do movimento e da profundidade e, pelo menos
parcialmente, dissociável da via do “que”, vocacionada para a análise da forma e para a
identificação de objectos.

O problema da Abertura

O “problema da abertura”: incapacidade dos detectores de movimento de primeira ordem,


limitados pela extensão do seu campo receptor, de detectarem a coerência de movimentos
globais dos objectos; as suas indicações sobre a direcção do movimento de um objecto ou
superfície permanecem assim ambíguas enquanto não forem integradas noutras estruturas
neurais capazes de extrair coerência das informações de movimento locais. Ilustrações do
problema da abertura.

O chamado “problema da abertura”(aperture problem) ilustra a insuficiência dos detectores de


movimento do córtex primário para resolver sem ambiguidade o problema da direcção do
movimento.Este problema assinala a necessidade de um outro nível de tratamento das
informações relativas ao movimento, combinando a informação proveniente de múltiplos
detectores de Reichardt, de modo a fornecer uma percepção global (e coerente, não ambígua)
dos padrões de movimento.Esse nível adicional de tratamento deverá ter lugar em áreas do

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córtex extra-estriado, para onde a área V1 apresenta várias projecções. Várias evidências
apontam para a área MT (também chamada V5) como um candidato plausível a efectuação
deste género de tratamento.

Problema da abertura corresponde à necessidade de integrar a informação de movimento


proveniente de “detectores primários” (nos círculos),com um reduzido campo receptor, de
modo a extrair o movimento coerente/global da forma em movimento (dado pela seta longa, à
esquerda)

Integração/coerência do movimento (o problema da abertura)

Quando os recetores têm um campo limitado a perceção do objeto muda, por isso, não serve
para testar a coerência do movimento – insuficiência dos detetores de movimento. As células

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de deteção primária dão muito importância a ponto descontínuos. O problema da


ambiguidade do movimento era resolvido se se desse importância aos extremos.

Importância fundamental da possibilidade de perceber a coerência global do movimento:


segregação da forma pelo movimento, percepção da profundidade a partir do movimento,
percepção do movimento biológico (um exemplo de movimento não-rígido).

Coerência global de movimentos rígidos (intervenção de novos príncipios gerais de


organização espacial do tipo dos enunciados pela Gestalt: por exemplo, fechamento; boa
forma, completamento amodal, segregação forma-fundo)

Qual a resolução para a ambiguidade do movimento? Harmonização das informações locais a


partir de uma maquinaria capaz detetar uma perceção global.São sugeridos dois algoritmos: o
espaço de velocidade, que se todas as direções forem coerentes cabem no mesmo círculo e
indicar-nos-à a direção do movimento e a linha de constrangimento: a direção do movimento
é ditada pela interseção das linhas de constrangimento.

O privilegio dos pontos únicos (pontos extremos, vértices) ao nível do processamento do


movimento pelos receptores primários (sujeitos, exactamente, ao "problema da abertura"). A
"heurística" do ponto-único e as T-junctions. Ilustração com a ilusão do "barber-pole".

Integração do Movimento Local (Adelson & Movshon, 1982 ; Movshon et. L, 1985)

Papel da área V5/MT na integração dos sinais de movimento locais, projectados a partir da
área V1 (córtex visual primário) no estabelecimento de movimentos globais coerentes. A
distinção entre a via de processamento dorsal parietal (via do "onde'" ou da "percepção para a
acção"), na qual se encontra justamente a área V5, e a via ventral-temporal (via do "o quê?").

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Circuitos do “quê?” e do “onde?” (vias dorsal-parietal e ventral-temporal)

A impressão de movimento “sem objecto” – fenómeno phi – poderia ter por base a via do
“onde”, vocacionada para a análise do movimento e da profundidade e, pelo menos
parcialmente, dissociável da via do “quê”, vocacionada para a análise da forma e para a
identificação de objectos.

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Distinção geral dos sistemas magno e parvocelulares: propriedades distintivas das


vias magno e parvo
Magno: alta resolução temporal (sensibilidade às altas frequências temporais), baixa resolução
espacial, resposta transiente (transitória), transmissão rápida dos sinais, ausência de
discriminação da cor, especialização no “movimento” (onde/perigo), é alimentado por
informação retiniana localizada maioritariamente da periferia.

Parvo: baixa resolução temporal (sensibilidade às baixas frequências temporais), alta resolução
espacial (detalhe), resposta sustentada (demorada), transmissão mais lenta dos sinais,
discriminação da cor, especialização na “cor e no detalhe” é alimentado por informação
retiniana procedente maioritariamente da fóvea.

Base possível da percepção do movimento


Características das vias Parvo Celular e Magno Celular
Parvo Celular – O quê? Magno Celular - Onde?
Discriminação da cor Cegueira á cor
Resposta sustentada Sensível á mudança (contraste)
Mais lenta a transportar informação (Axónio Mais rápida a transportar informação
mais pequeno) (Diâmetro maior do axónio)
Responde a ritmos de frequência temporal Responde a ritmos de frequência temporal
baixa alta
Sensibilidade espacial alta (Fobia- nítido) Sensibilidade espacial baixa (Periferia)
Especialização no detalhe da cor – não Especialização no movimento- não consegue
percebe onde ela está localizada ver quando os brilhos estão equalizados
Linearidade Espacial Espaço não-linear
Precisam de trabalhar em conjunto
A distinção entre os sistemas Parvo Celular e Magno Celular, e a projecção dos últimos para as
áreas MT (V5) e SMT.

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Base possível para a perceção do movimento: Células ganglionares da Retina- as células parvo
e magnocellulares- que correspondem aos dois hemisférios- o quê? (ventral-temporal) e onde?
(dorsal-parietal)

Possível "motivação física" das leis Gestaltistas. As "leis do agrupamento" poderão constituir
heurísticas (regras que não conduzem a um resultado correcto com 100% de probabilidade) do
sistema perceptivo para detectar objectos físicamente prováveis (a proximidade, o destino
comum, a boa continuação, a semelhança, todas estas leis capturam aspectos gerais da
maioria dos objectos, como a coesão, continuidade e homogeneidade textural das suas
partes). As leis do agrupamento determinam a constituição de Regiões. Mas, para que passem
a formas, estas regiões têm que se destacar sobre um fundo e adquirir um contorno ou
fronteira (isto é, serem segregados perceptivamente).

As leis de agrupamento correspondem assim aos princípios estruturais da coerência do


movimento (leis com um valor descritivo e não explicativo), que contribuem para a teoria da
Gestalt. Assim, temos as seguintes leis:

Proximidade: tendemos a agrupar as coisas que se encontram próximas no espaço

Semelhança: tendemos a agrupar coisas semelhantes (com base na cor, na orientação, no


brilho, no tamanho)

Fechamento: tendemos a tornar as nossas experiências tão completas (fechadas)quanto


possível. É visível a importância do agrupamento dos fenómenos de oclusão na segregação de
planos de profundidade.

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Boa continuação: elementos dispostos segundo linhas rectas ou curvas suaves tendem a
constituir uma unidade.

Destino comum: elementos que partilham uma mesma direcção de deslocamento tendem a
ser agrupados e constituir uma unidade. Aqui, demonstra-se a importância do agrupamento
fronteira-textura na segregação perceptiva.

Conclusão: O cérebro recorre ao principio da Gestalt (estrutura) de modo a ignorar a


informação pontual para ter uma perceção global do objeto, para obter coerência. No entanto,
há que notar que as leis da Gestalt não implicam o predomínio do global sobre o local – as
condições do agrupamento são frequentemente locais. Estas leis não agem de forma
independente e assim podem entrar em conflito.

Exemplo de outras “Leis”:

Lei da Região Comum– Na imagem observa-se que o circulo delimita dois pontos, o que nos
leva a percepcionar uma região que os liga.

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Lei da Sincronia – Agrupamento por sincronia de “flickering” entre uma região e a fronteira (O
“piscar” da fronteira leva à sua sincronia com a fronteira – Semelhante à Lei do Destino
Comum)

Actuação Conjunta das Leis de Organização Perceptiva – As leis da Gestalt não agem
independentemente, podem actuar de modo convergente ou em conflito. São leis do tipo
“Ceteris Paribus” (Tudo o resto igual)

Conflito entre factores de agrupamento

As leis do agrupamento não implicam um predomínio absoluto do “global” sobre o “local”: As


condições de agrupamento são frequentemente “locais” ou “proximais” (cf. exemplos abaixo)

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Motivação física das Leis do Agrupamento: a percepção como inferência provável?

Há uma relação admissível/intuitiva entre as leis de agrupamento da Gestalt e as propriedades


dos objectos reais. Para cada uma das leis pode facilmente imaginar-se um “correlato” de
probabilidade física.

Proximidade: a maioria dos objectos são feitos de material coeso e opaco, donde resulta que
dois pontos próximos numa imagem têm mais provavelmente origem num mesmo objecto do
que dois pontos mais afastados entre si(limites: por exemplo, os fenómenos de transparência)

Semelhança: as superfícies dos objectos tendem a ser compostas de material homogéneo,


apresentando por isso uma textura relativamente uniforme.

Boa continuação: a forma dos objectos tende a variar gradualmente, especialmente quando os
objectos foram moldados por forças naturais e pela erosão.

Destino comum: Sendo os objectos usualmente coesos, se um objecto se move as suas partes
tendem a mover em conjunto. Diferentes regiões duma imagem em movimento numa mesma
direcção têm uma razoável probabilidade de corresponder ao movimento de um mesmo
objecto.A procura da simplicidade, fechamento e regularidade na forma (lei da Boa Forma)
poderia neste sentido corresponder a uma heurística de Simplicidade que estabelece uma
correspondência adaptativa entre o Simples para a organização perceptiva e o Provável(não
certo) do ponto de vista do ambiente físico.

Leis da Segregação Perceptiva em Relação ao Fundo

Lei da figura e do fundo: todas as formas se destacam sobre um fundo, pertencendo a


fronteira à figura e não ao fundo.

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Lei da reversibilidade dinâmica figura-fundo: toda a passagem do fundo a figura se


acompanha de um movimento aparente na profundidade em direcção ao observador:
reciprocamente, toda a passagem da figura a fundo se acompanha de uma deslocação na
profundidade para mais longe do observador.

Princípio da Boa Forma ou da forma pregnante nas condições de percepção disponíveis, o


sistema visual procurará organizar a experiência perceptiva através de uma forma tão
simétrica, simples, fechada e regular quanto possível.

Factores de Pregnância

Pregnância - saliência, qualidade da forma, grau em que resiste à intrusão/destruição.

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Inclusão: uma forma incluída é mais pregnante do que uma forma “continente”.

Direcções privilegiadas do espaço: as orientações vertical e/ou horizontal favorecem a


pregnância da forma

Direcções Privilegiadas (Horizontal-Vertical)

Simetria: formas simétricas são mais facilmente percebidas e preservam-se mais facilmente
enquanto formas

Disposição em altura no campo visual: formas dispostas na porção inferior do campo visual
(solo) são mais facilmente percebidas como formas.

Convexidade: Elementos convexos são mais facilmente percebidos como formas do que
elementos côncavos.

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Familiaridade/experiência: Estruturas familiares ou ligadas por experiência a um contexto


ocorrente são mais facilmente percebidas como formas

Factores de Pregnância

Possível equivalência entre a lei geral da “boa forma” (a mais simples) e o princípio da
preferência pelo ponto de vista genérico (mais provável) ou a recusa do ponto de vista
acidental (menos provável), empregue em várias das teorias modernas da percepção.

A Simplicidade como uma estratégia para a detecção do Fisicamente Provável?

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Simplicidade e ponto de vista “genérico” (A) (recusa do ponto de vista acidental) (B)

A instabilidade da forma e as figuras ambíguas/reversíveis. Graduação da prevalência de uma


das interpretações possíveis de uma figura sobre a interpretação alternativa através da
manipulação de factores de pregnância (e.g., simetria, convexidade, direcção no espaço, etc.).
Ilustração com diferentes variantes das figuras "vaso-caras" e "mulher-sogra" de Edgar Rubin.

Sistema visual funciona a partir de hipóteses, o que está sujeito a erros. Quando o ponto de
vista não é acidental, é possível ver um maior número de possibilidades, mas quando se aceita
que esta é acidental, ocorrem as ilusões de ótica. Simetria anexa as extremidades com a figura
central.

Formas Pregnantes (Estabilidade da Forma)

Instabilidade da forma – Figuras Reversíveis

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Figuras Reversíveis

Reversibilidade Figura Fundo

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Reversibilidade Figura Fundo – Biestabilidade da forma

Quando há mudança de face no cubo, há um movimento de profundidade, isto é, uma


alteração. A Boa Forma da Gestalt ocorre quando uma é simples, o que faz com que seja vista
em três dimensões.

Organização Interna da Figura - Reversibilidade sem movimento na profundidade:


Instabilidade da articulação interna

Contraste entre a instabilidade da articulação interna e a instabilidade da figura e do fundo

A reversibilidade no cubo de Necker e na figura bi-estável de Rubin implica uma alteração da


relação da forma com o seu fundo (deslocação na profundidade ou reversibilidade dinâmica da
figura e do fundo). Na figura pato-coelho a alternativa entre uma e outra forma de apreensão
depende unicamente da orientação funcional da figura (quais os vértices que definem a
polaridade” frente-trás da figura), sem intervenção da reversibilidade figura-fundo

Um exemplo de raciocínio experimental: Os contornos subjetivos (Kanizsa)

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Propriedades Funcionais. Ilusão de Ponzo e de Poggendorf

O fenómeno dos contornos subjectivos (sem gradiente de contraste físico) - Gaetano Kanizsa
(1976). Crítica da tentativa de explicação dos contornos subjectivos pela activação de
"detectores de traços". É possível obter contornos subjectivos utilizando apenas pontos
indutores, segmentos desalinhados (que resultam em contornos subjectivos curvos) e
contornos ortogonais aos elementos indutores.

Propriedades Funcionais. Ilusão de Poggendorf e de Zoeliner

Propriedades Funcionais. Pregnância dos Contornos Subjetivos

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Crítica da Hipótese dos detetores de contornos subjetivos

Stadler & Dieker (1969) – Ativação de “neurónios discriminadores de contornos”

Ilustração de campos recetores de células simples do córtex visual primário que poderiam
funcionar como detetores de traços seletivos a determinadas orientações.

Contornos com orientações diferentes das implicadas pelos segmentos de reta

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Contornos subjetivos curvos

Crítica da hipótese do contraste

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Crítica da tentativa de explicação dos contornos subjectivos pelo mecanismo dos "contrastes
de brilho": é possível reduzir drasticamente os contrastes físicos sem prejuízo da robustez do
fenómeno, e obtendo mesmo, em certos casos, o seu fortalecimento. Ilustrações.

A proposta de explicação dos contornos subjectivos pela "lei do fechamento" (G. Kanizsa): a
função do contorno subjectivo na pregnância e robustez da forma (regularidade, simplicidade,
simetria, fechamento).

Breve referência à explicação gestaltista da profundidade através da Lei da Boa Forma: o


recurso à terceira dimensão como forma de estabilizar, regularizar ou tornar mais simples e
simétricas formas que se apresentariam como mais complexas em duas dimensões. Referência
aos critérios estabelecidos por Hochberg & Brooks (1960) como favoráveis à apreensão

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tridimensional de figuras 2 D (nº de ângulos, heterogeneidade dos ângulos, nº de linhas


contínuas):

Anel de Koffka

Importância do agrupamento nos fenómenos de brilho e contraste . O anel de Koffka é uma


configuração espacial determinada pela proximidade e pela boa continuação que
determinariam a perceção do contraste.Koffka foi um psicólogo da Gestalt que estudou a
importância do agrupamento no fenómeno de perceção. No caso de brilho, ele mostra que o
anel cinzento num fundo claro/escuro parece ser uniforme, mas quando as duas metades são
separadas, elas parecem diferentes. Uma nova variante, a mostrada no fundo, onde as
metades são separadas verticalmente, dando um efeito de transparência. Mesmo quando as
duas metades estão formatadas com o mesmo fundo em cada caso, a aparência depende da
configuração espacial geral.

A explicação para a lei do fechamento e a boa forma

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A profundidade como caso particular de boa forma

Tentativa de definição de um critério objetivo da noção de “boa forma”(Hochberg & Brooks,


1960)

Hochberg & Brooks efectuaram diversas medidas em diferentes figuras para perceberem quais
delas se correlacionavam mais com juízos de tridimensionalidade. A
irregularidade/complexidade das figuras aumenta com o número de ângulos diferentes entre
si.

Factores principais:

Nº de ângulos que uma figura apresenta (o mais importante), pois parece representar a
complexidade de uma figura. Quanto mais ângulo mais a figura se torna bidimensionalmente
complexa, maior probabilidade de ser percebida como representação de um objeto mais
simples em 3D.

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Nº de ângulos com diferentes tamanhos (o 2º mais importante) – “medida” de assimetria da


figura 2D porque muitos ângulos com a mesma amplitude garantem simetria.

Nº de linhas contínuas – parece ser uma “medida” de descontinuidade – quanto mais linhas
contínuas houver, necessariamente, maior a descontinuidade entre elas.

Breve referência à diferença entre a concepção gestaltista da percepção 3D e a que ocorre nas
teorias computacionais “modernas”, como as de Marr (passagem da imagem retiniana,
centrada no sujeito, à imagem 3D, centrada no objecto, através de uma longa série de
tratamentos algorítmicos) ou de Biederman (os “geones” [geons – contracção de “geometrical
icons”] como unidades de base, pré-construídas, do reconhecimento de objectos).

Garner (1974) – Rotation & Refletion

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Esquema da Teoria de D.Marr (1945-1980)

Da imagem retiniana (2D, view-centered) ao Objeto (3D, object-centred) – David Marr, 1982

3D – Blocos constituintes: Os “Geons” de Biederman (1987)

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Pistas de profundidade
Introdução às pistas de profundidade: classificação em não visuais (e.g., óculo-motoras) e
visuais e, dentro das últimas, em binoculares (envolvendo o funcionamento dos 2 olhos) e
monoculares (podendo ainda estas serem estáticas e de movimento).

As pistas oculo-motoras, associadas aos músculos extraoculares (que regulam os movimentos


de convergência dos olhos na fixação) e aos músculos ciliares (que regulam a acomodação do
cristalino na focalização). Limitação da eventual utilidade destas pistas a distâncias não
superiores a 2 metros.

Músculos ciliares (intra-oculares) são os que permitem ter a focalização do objeto, o que pode
ser uma pista para a profundidade dos objetos, relacionando-se com o Grau de Convergência e
de focalização, que quanto maior o grau, mais próximo está o objeto. Se o olho tivesse
trigonometria, seria possível recuperar a distância a que está o objeto de uma forma
quantitativa e não apenas qualitativa como agora. Quando o objeto se situa para lá dos dois
metros não é necessário haver focalização através do movimento do olho, pelo que não é
necessária convergência na zona da fóvea.

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Limitação prática da utilidade da convergência dos olhos como pista informativa para a
profundidade (seria apenas útil até uma distância de cerca de dois metros)

Estereoscopia
Esteroscopia(a disparidade retiniana como pista binocular): a estereoscopia tem por base a
existência de dois olhos com uma separação média de cerca de 6,5 - 7 cm, resultando na
existência de diferenças entre o que é visto por um olho e pelo outro (disparidade retiniana). A
base geométrica da estereoscopia é o facto de a maiores separações na profundidade entre
objectos corresponderem maiores disparidades entre os dois olhos. Para tirar partido desta
relação o sistema visual e o cérebro têm de encontrar forma de combinar a informação
proveniente dos dois olhos de modo a produzir uma única imagem (fusão estereoscópica), na
qual os objectos se encontram ordenados na profundidade.

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Fusão estereoscópica
A fusão estereoscópica é obtida numa franja de disparidades que não pode ser excedida (a
área de fusão de Panum). No centro da área de fusão pode imaginar-se um arco
correspondente à situação em que a disparidade entre os dois olhos é zero (o horóptero),
significando isso simultaneamente que um mesmo ponto do objecto estimula áreas
correspondentes nas duas retinas (é o que acontece com o ponto fixado pelo observador, que
cai na fóvea de cada uma das retinas, direita e esquerda) e que os objectos se encontram no
mesmo plano de profundidade. Para aquém e para além do ponto de fixação (e do horóptero)
existem disparidades (ditas"cruzadas" para aquém dele e "descruzadas" para além dele) que o
sistema visual resolve na área de Panum e que dão lugar a diplopias (imagens duplas) fora da
área de Panum, isto é, quando os valores de disparidade ultrapassam as capacidades de fusão
estereoscópica do sistema visual. A estereoscopia é, necessariamente,uma função de nível
central/cortical, dada a inexistência de combinação entre a informação procedente das duas
retinas até que as "radiações ópticas" saídas do corpo geniculado lateral atinjam o córtex
visual primário.

Disparidade Binocular: quando se foca (foveando) um objeto (A) a sua imagem cai na fóvea de
cada uma das retinas, que constituem pontos retinianos correspondentes. As imagens de um
objeto B a uma distância diferente de A relativamente aos olhos do observador caem então
em pontos não correspondentes (dispares) de cada retina.

Os olhos estão focados sobre um objeto situado em A e a imagem de A incide sobre os dois
pontos retinianos correspondentes (a1 e a2). As imagens de um objeto B mais afastado
incidem sobre pontos díspares das duas retinas (b1 e b2)
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Objetos para lá de F produzem disparidades (imagens duplas ou diplopias) não cruzadas;


localizados aquém de F produzem disparidades cruzadas, em direção nasal. Isto significa que
tudo é disparidade quando não há localização na mesma zona.

Ilustração da fusão esteroscópica com recurso a um esteroscópio. Limites da estereoscopia: é


uma pista útil em zonas relativamente próximas, mas não quando os objectos se encontram
muito distantes (+ de 30 metros).Porque requer condições particulares para o seu normal
estabelecimento (o estrabisbo, a anisotropia e a ambliopia, por exemplo, comprometem a
visão estereoscópica se ocorrerem em períodos críticos do desenvolvimento) uma
percentagem importante da população (5 a 10% das pessoas) apresentam limites significativos
na visão estereoscópica.

Horópteros teórico (linha a cheio) e empírico (linha a tracejado)

O horóptero é um plano imaginário que marca a posição de todos os objetos localizados à


mesma distância percebida do observador (disparidade zero (0)) Os objetos mais distantes,
para além do ponto de fixação produzem disparidades não cruzadas (área sombreada),
enquanto que os objetos próximos do ponto de fixação produzem disparidades cruzadas (área
sem sombreado). Os pontos de zero disparidade correspondem a pontos que são vistos como
se estivessem no mesmo plano pelo campo de visão – o horóptero. Para o campo de visão ver
os dois objetos no mesmo plano, implica que haja uma curvatura dos objetos.

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Quando a disparidade entre as imagens apresentadas a cada um dos olhos ultrapassa as


capacidades de fusão estereoscópica verifica-se a “rivalidade binocular”. Nesse caso, o sistema
visual oscila entre uma e outra imagem(ignorando a outra), apresentando ocasionalmente
padrões de transição correspondentes à passagem de uma a outra imagem.

A amplitude das disparidades que o sistema visual pode resolver através da visão
esteroscópica (fusão na profundidade) é limitada a uma área vizinha do horóptero – a área
fusional de Panum. Disparidades acima desse valor (para lá ou para cá da área de Panum) dão
lugar não à fusão estereoscópica, mas a rivalidade binocular.

Disparidade binocular sem figura (Bela Julezs, 1960)

Os "estereogramas de pontos aleatórios" (random dot stereograms ou RDS) construídos pela


primeira vez por Bela Julesz, bem como os autoesterogramas (criados na década de 70)

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tornam claro que o sistema visual nãoprocede à fusão estereoscópica através da


correspondência entre os contornos presentes (e visíveis monocularmente) em cada uma das
imagens. Na realidade, não há contornos visíveis nos RDS ou nos autoestereogramas; por
conseguinte, a análise das formas na imagem não tem que ocorrer antes da fusão
esteroscópica. A evidência disponível sugere que as frequências espaciais têm um papel
importante no estabelecimento das correspondências necessárias para a fusão, mas uma
explicação completa e consensual para o problema está ainda longe de existir.

Autoestereogramas (Tyler & Chang, 1977)

Fontes de informação (pistas) sobre a profundidade

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Paralaxe do movimento (pista monocular de movimento, também dita, por isso “dinâmica”): o
movimento de translação do observador fornece informações sobre a separação de planos de
distância entre objectos. Para objectos situados entre o observador em movimento (por
exemplo, o passageiro de um comboio que olha pela janela) e o seu ponto de fixação existe
um fluxo óptico de sentido contrário ao do movimento, tanto mais rápido quanto mais
próximos do observador se encontram os objectos, e um fluxo óptico orientado no mesmo
sentido que o do observador, tanto mais rápido quanto mais distante do observador,
correspondendo aos objectos situados para lá do ponto de fixação (estas diferenças de fluxo
óptico representam-se por vectores cuja orientação e comprimento indicam, respectivamente,
a direcção e a velocidade do fluxo). Apesar de útil para a localização relativa de objectos em
profundidade, a paralaxe não fornece informação sobre a distância absoluta a que um objecto
se encontra do observador, nem uma informação precisa sobre as distâncias relativas entre
objectos na profundidade (indica sobretudo os que estão para além e os que estão para
aquém do ponto de fixação). É uma pista que pode ser usada monocularmente (isto é,
utilizando um só olho).

Pistas Visuais Monoculares Estáticas: Oclusão/Interposição, Perspectiva Atmosférica,


Sombreamento, Gradientes de Textura, Perspectiva Linear, Altura relativa no campo visual,
Tamanho Relativo, Tamanho – Distância Percebida. Ilustrações.

Paralaxe do Movimento
Quando nos movemos no mundo os objetos mudam constantemente de posição dentro do
nosso campo de visão. Os objetos mais próximos, aquém do ponto de fixação, parecem fluir
em oposição à direção do movimento atual. Os objetos mais longínquos, além do ponto de
fixação, parecem mover-se também, mas na mesma direção do movimento atual

A paralaxe do movimento consiste no movimento relativo aparente dos objetos dentro do


nosso campo de visão sempre que nos movemos. É uma pista de profundidade relativa dos
objetos muito eficaz.

Pistas monoculares da profundidade

Paralaxe do movimento: os pontos aquém do ponto de fixação F deslocam-se da esquerda


para a direita (sentido contrário ao do movimento do observador – representado por vetores

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de fluxo ótico orientados para a direita); os pontos para além de F deslocam-se no sentido do
observador – representado por vetores orientados para a esquerda)

Fluxo Ótico: Importância do movimento do observador como fonte de informação sobre a


direção e a profundidade

Catch – Para ir ao encontro da bola, o atleta deverá manter o olhar fixo na bola mantendo-a no
seu campo de visão sempre com o ângulo relativo à bola constante.

Kinetic depth effect (efeito de profundidade cinética) - Importância do movimento imprimido a


projeções 2D do objeto como fonte de informação sobre a profundidade. Importância do
movimento imprimido a projeções 2D do objeto como fonte de informação sobre a
profundidade (a lua é vista como animada de um movimento de translação na profundidade).

Acreção/Elisão de Texturas

Pistas Estáticas

Oclusão/Interposição
O desenho na esquerda parece
ser um objeto branco ocludindo
parcialmente um objeto preto,
enquanto a da direita parece um
objeto preto com uma região
branca no meio

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Uma barra ilusória (Esquerda) e


uma barra real (direita), ambos
ativam neurónios na Área V2 do
córtex visual.

Perspectiva Atmosférica

Sombreamento

Gradientes de textura

Perspectiva Linear

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Ilusão de Ponzo – Relação com a perspetiva linear

Altura Relativa no campo visual (posição relativa ao horizonte)

Tamanho Relativo

Tamanho – distância percebida

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Combinação de Pistas Monoculares – Distância percebida/tamanho/textura/perspetiva


linear

Parecem as mesmas São as mesmas

Figuras Impossíveis

Exemplo de pistas conflituantes (altura relativa e interposição)

Ilusões Ótico-Geométricas

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Ilusões de tamanho: Müller-Lyner e Ponzo

Ilusão de Müller-Lyer Ilusão de Ponzo

Ilusões: Ponzo, Poggendorf, Müller-Lyer e T

Ilusão de Ponzo – Relação com as indicações de profundidade

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Ilusão de Ponzo – Relação possível com a profundidade

Relação da ilusão de Ótico-Geométrica com a profundidade (A profundidade elimina a ilusão


de Poggendorf)

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Matéria complementar
A noção de Tempo de Reacção (TR) – variável dependente muito utilizada no estudo da
Atenção e da Percepção. Definição de TR; importância do Período Preparatório.

Tempo de Estímulo Tempo de Resposta

Tempo de Reacção

O tempo de reacção inclui execução e resposta. Este é o tempo médio entre a apresentação de
um estímulo e inicio de uma resposta voluntária a esse estímulo. Antes de um estímulo tem de
haver uma sinalização, um intervalo do sinal de preparação de um estímulo.

Sinal S R

Tempo de resposta é medido em milissegundos.


S= Sinalização
R= Resposta

O período preparatório tem de ser validado para evitar que os sujeitos comecem a responder a
cadência, ou seja, automaticamente. Quanto maior o período preparatório, maior o controlo
sobre a experiência.

Pouco depois dos anos 50 e 60, ou seja, depois da Revolução Cognitiva, tinha-se em vista o
processamento da informação, a forma como as pessoas recebem, tratam, etc., a informação.
Entre o estímulo e a resposta, há tratamento de informação, que sofre influência da
interpretação dos tempos de reacção. A informação não é o mesmo que o estímulo, mas é
transportado pelo estímulo.

Shannon e Weaver são os responsáveis pela teoria matemática da informação, na qual a


informação é tudo o que se reduz a certeza e é o que diminui a quantidade de certeza. A
produção de incerteza é a base da teoria da probabilidade, que afecta os acontecimentos
equiprováveis, em que este é correspondente ao número de alternativas. Por exemplo, tendo

quatro alternativas, existe de probabilidade de ocorrer.

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A psicologia empírica surge da necessidade dos psicólogos medirem e quantificarem as


variáveis. A quantificação é uma forma de redução da incerteza. Neste exemplo, tenho oito
alternativas, que logo é reduzida a metade, e com as quatro alternativas restantes, no final
apenas sobram duas. Isto implica que sejam feitas três perguntas ao sujeito de forma a
diminuir a incerteza. Cada uma destas perguntas corresponde a uma unidade de informação.

A noção formal de Informação: redução da incerteza. Unidade de Informação: toda a


informação que reduz a incerteza a metade. Fórmula de cálculo da quantidade de informação
(em bits): H(x) = log2 N (com N = número de acontecimentos equiprováveis).Contudo, isto é
insuficiente para a quantificação que a Psicologia procurava.

A Lei de Hick-Hymann: relação entre TR e quantidade de informação (em bits). O TR é


directamente proporcional à quantidade de informação contida no sistema dos estímulos.
Diferença de previsões relativamente à lei mais antiga de Merkel: o TR é directamente
proporcional ao número de estímulos. Esta é medida por , em que ,
TR, o tempo de reacção e K a constante de proporcionalidade.

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O significado "moderno" na Lei de Hick: uma assinatura do processamento de informação


atencial.

Ilustração da utilização do tempo de reacção (TR) como variável dependente na distinção entre
processos seriais(atencionais) e paralelos (não atencionais): o paradigma de Sternberg na
busca da memória de curto prazo(MCP).

Tipos de Memória

Memória Curto Memória Longo


Sensorial
Prazo Prazo

Memória de De duração
Icónica Ecóica Trabalho - A ilimitada, que
manipulação da permite o
informação é conhecimento
condicionada duradouro
Depois de ser
Sensação de pelo tempo.
ouvida uma frase,
arrastamento há informação
que é retida.
Curta duração -
Impressão Cerca de 30 sg.
retiniana dura
mais do que
obter um novo Capacidade de
estímulo armazenamento
reduzida

Para que a memória de curto prazo passe a memória de longo prazo é necessário que hajam
processos de codificação, armazenamento e recuperação dessa mesma memória. Contudo, um
dos problemas que afeta a memória a curto prazo é a recuperação da informação. G. Miller
fala mesmo que a memória tem uma capacidade de sete elementos, mais ou menos dois
(“magic number seven plus or minus two”).

A atenção tem várias classificações, entre elas, tem como característica a seleção e está
comprometida com a seriação.

Apresentação da lógica da experiência de Sternberg: busca serial, busca paralela; busca serial
auto-terminada ebusca serial exaustiva. Resultados e conclusões de Sternberg.

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Processo Serial Processo Paralelo

Não

Sim Não

Sim

Processo Serial Exaustivo Processo Serial Auto-Terminado

A noção de compatibilidade estímulo-resposta. Juntamente com o treino intensivo, constitui


uma das formas de transitar do funcionamento “serial”, com forte envolvimento atencional
(basicamente, obedecendo à Lei de Hick) ao funcionamento “paralelo” (não-atencional), com
violação da Lei de Hick.

Ilustração breve dos fenómenos de pop-out, “conjunção ilusória” e segregação textural na


ausência de atenção.A teoria da interpretação das características estabelece uma relação com
a Neuropsicologia. A combinação de forma e cor gera dúvida, mas identificar forma e cor
separadamente não o faz. O curto espaço de tempo dado produz maiores dificuldades em
combinar elementos.As conjunções ilusórias permitem detetarcaraterísticas sem esforço,
mesmo trocando as combinações. Isto demonstra que não é necessário prestar atenção para
detetar elementos simples.

Pop-Out: Define os alvos quando estes são definidos por traços simples. Acontece mesmo
quando há um grande número de elementos, mas apenas quando uma característica é
ressaltada. Contudo, quando há mais do que uma característica, o “pop-out” deixa de
acontecer.

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Cancelamento de Pop-Out

Conjunções Ilusórias:Os traços simples dependem do Método de Busca Visual, desta forma, a
“maquinaria” organiza o que é simples ou não. O sistema visual agrupa numa mesma área
figuras que se assemelham. Algo simples como a apresentação vertical é detetado como um
elemento simples, semelhantes entre si.

Breve exposição dos princípios da Teoria da Integração de Características de A. Treisman.

1. Busca em paralelo do campo visual, através de módulos que detectam automaticamente a


presença de características simples (e.g.,uma cor, uma orientação, uma curvatura);

2.Intervenção necessária da atenção na fase de "colagem" ou integração das características


isoladas: passagem ao processamento serial da informação. O problema do "binding".

Semelhança entre a lógica de Treisman e a de Sternberg:

1) elevação do TR em função da extensão do conjunto a examinar como critério de


processamento serial (atencional);

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2) indiferença do TR à extensão do conjunto no caso do processamento paralelo


(automático).

Diferenças entre o paradigma de Treisman e de Sternberg.

1) o primeiro diz respeito à percepção visual (a extensão do conjunto é dada pela


variação do número de distractores presentes no campo, e não por um número de
coisas a reter em MCP);

2) o primeiro utiliza três Variáveis Independentes (VIs): a) extensão do conjunto; b)


resposta sim/não; c) condição disjunção (o alvo é uma característica
simples)/conjunção (o alvo é definido por uma conjunção de características- p.exº.:
forma T & cor verde.

Caracterização dos resultados obtidos por Treisman:

1) busca serial auto-terminada na situação de conjunção;

2)busca paralela na situação de disjunção.Passagem da dicotomia entre busca paralela


e serial para a noção de busca mais e menos eficiente.

Alguns factores moduladores da eficiência da busca:

1) semelhança alvo-distractor;

2) heterogeneidade dos distractores;

3) Familiaridade do alvo;

4) relações estruturais de parte-todo entre as características que definem o alvo.

Busca Visual - Treisman


Treisman: Deteção de Traços (Segregação Textual)

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Na experiência apresentada e comparando “L” invertido, “T” vertical e “T” oblíquo, o campo
visual reconhece que o “L” invertido é mais semelhante a “T” vertical, do que “T” vertical
comparado a “T” oblíquo, o que nos leva a ver duas áreas e não três como suposto durante o
pouco tempo que há para realizar a experiência. Segundo Treisman, esta é uma experiência de
detecção de traços (segregação textural)

As experiências D. Hubel e T. Wiesel expandiram o conhecimento científico do processamento


sensorial. Estas foram realizadas colocando um microelétrodo no córtex visual primário de um
gato anestesiado. Eles projectaram padrões de luz e escuridão numa tela em frente do gato, e
descobriram que alguns neurónios disparam rapidamente quando apresentados com linhas
num determinado ângulo, enquanto outros respondem melhor a um outro ângulo. Eles
chamaram a esses neurónios células simples . "Outros neurónios ainda eram denominados
" células complexas ", que respondem melhor às linhas de um determinado ângulo movendo
numa direção.Esses estudos mostraram como o sistema visual constrói uma imagem a partir
de estímulos simples em representações mais complexas.

Com esta informação podemos confirmar que existe um disparo das células individuais
neuronais que correspondem à frequência das ligações que interessavam ao gato, ou seja, há
neurónios que se dedicam a certas formas, direcções e velocidades, o que permite o
tratamento de informação neuronal. De forma generalizada, existem capacidades inatas e
primitivas no nosso campo visual/neuronal.

Esta experiência de Treisman pretendia encontrar módulos dedicados a encontrar as formas


primitivas. A atenção é a focalização ocular, que funciona como cola para as característica, e
que se prende com o problema de “binding”, de atenção, que por sua vez depende dos lobos
temporais. Nos gatos, comprovou-se que há certas formas que mais são realçadas.

Detetores de Traços (Primitivas do Sistema Visual)

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Materiais característicos da tarefa de deteção de um alvo em condições de disjunção e


conjunção de características (A. Treisman)

a) Disjunção –Quando há um elemento que se distingue dos outros por uma


característica simples. No exemplo, o T azul que contrasta com os restantes T verdes.
b) Conjunção – Nas situação em que um elemento se distingue dos restantes por duas
características que o acompanham. Neste exemplo T assume a cor verde,
confundindo-se que os X que também são acompanhados por esta característica.

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Primeiro vemos a estrutura – o global- e depois os elementos –o local. Para resolver o debate,
são utilizados os tempos de reação com interferência, que é o prejuízo causado a um
processamento de informação concorrente.

A lógica do método prende-se com a situação de atenção quando são combinados dois traços,
como a cor e a forma.

A visão da percepção começa por elementos simples até chegar aos elementos complexos, tal
como a Teoria da Gestalt, que afirma que a percepção tem o seu inicio em estruturas
organizadas.

Distinção entre processamento paralelo e serial

Tarefas de Busca Visual – Paradigma de Treisman

Para Treisman, os tempos de reação podem aumentar ou diminuir, mas não seu estudo ela
não contempla essa descida. Contudo, é este o fenómeno de organização dos estímulos. Os
resultados de Treisman traduzem-se em mapas cognitivos, que são registos associados à
população neuronal. Há um mapa para cada organização. A cada grupo de células corresponde
um módulo, que se dedica ao tratamento da informação das formas independente de outros
módulos, e assim sucessivamente, ou seja, cada um tem a sua especificidade. A Psicologia
empírica estudava estes módulos, afirmando que cada mapa era resultado de módulos.
Contudo, a independência de cada mapa é um problema, pois surge a concepção da atenção,
pelo que é necessária para que dois mapas trabalhem em conjunto. A atenção de base espacial
une duas informações, que se foca no estímulo atencional. Sem isto, surgem as noções
ilusórias.

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Evidência da relação da atenção com a localização

Problema de “Binding”

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O cérebro representa a informação através de padrões de ativação num largo número de


neurónios. Isto pode causar problemas quando há vários itens apresentados em simultâneo.
Como saber que neurónio corresponde a cada representação? Devemos ter em atenção o
papel da atenção.

Dicotomia paralelo-serial: A evidência acumulada mostrou que existe todo um espectro de


buscas mais e menos evidente. O número de vezes que o olho focou o alvo não corresponde a
um grande aumento. Contudo, há uma relação entre o tempo de reacção e da fixação do olho,
pois quando aumenta uma a outra também, e mais o olho pousa no alvo. É a denominada
busca atencional quando não o vê. Isto era visível na experiência, em que se relacionava o
tempo de reacção quando a resposta era negativa. A atenção visual é a focalização para
Treisman, mas outros autores defendem uma atenção separada da focalização.

Há várias formas de buscas – ineficientes, eficiente, moderadamente eficientes, etc., que


correspondem a diferentes cargas atencionais na busca, que é modelada por factores. A
dificuldade é modelada por factores mesmo quando o elemento é disjuntivo, com apenas uma
característica.

Fatores que modulam a eficiência da Busca Visual

Semelhança Alvo-Distratores: Discriminar um elemento quando o distrator é semelhante pode


requerer atenção.

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Semelhança Alvo-Distratores e Heterogeneidade dos Distratores: Heterogeneidade de


distratores também requer atenção, mesmo que o distrator seja caracterizado por um
elemento simples.

Familiaridade

Efeito Top-Down (Figura Invertida): Aqui há uma busca visual guiada pois o efeito top-down
orienta a busca do elemento.o efeito “top-down” não é explicado pelos mapas cognitivos,
contudo a estrutura do objecto facilita a busca .

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Relações Parte-Todo (facilitam a conjunção): Permitem tornar eficientes buscas em que o alvo
é definido por uma conjunção de traços (por ex., ser vermelho e azul)

Enns & Rensink (1992:) Os “traços” que aqui determinam o pop-out especificam objectos
tridimensionais no mundo real e não “traços” na imagem retiniana.

Assimetrias da Busca Visual

Assimetrias na busca visual (Treisman & Souther, 1985) provocam dificuldades com a
correspondência simples “situação de disjunção-processamento paralelo”.

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Situações de aparente disjunção em que, num caso (círculo com traço entre círculos sem
traço), a busca é paralela, mas no outro (círculo sem traço entre círculos com traço) é serial.

Situações de aparente disjunção em que, num caso (traço oblíquo entre traços verticais), a
busca é paralela, mas no outro (traço vertical entre traços oblíquos) é serial.

É mais fácil detetar uma das formas que correspondem a um processamento semelhante ao
paralelo, embora ambos os processos sejam situações de disjunção. Treisman considera este
factor uma vantagem e não um problema, o que facilita a explicação da busca visual em
termos neuronais.

Treisman: Deteção de Traços (Assimetrias)

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Pop-Out

Os sujeitos procuram uma letra “O” vermelha entre letras vermelhas e letras verdes . Apesar
da conjunção, ao aumentar os elementos verdes o tempo de reacção torna-se paralelo. Se
aumentar os vermelhos, o tempo de reacção aumenta também, pois há mais uma
característica a procurar.

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Face ao reaparecimento dos fenómenos de organização ao nível do processamento inicial dos


estímulos visuais, a simetria surge como propriedade emergente.

Efeitos de Superioridade Configural

Candidatos aos fatores básicos

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Manon, através do seu artigo “the forest before the tree”, pretende demonstrar a precedência
do global sobre o local

Quando perante letras compostas, existe a possibilidade de ler a letra de duas formas, uma
global e outra local, demonstrando a sua congruência ou incongruência, consoante se pode ler
a mesma letra de modo global e local, ou não.

Esquematização dos resultados:

Local

Há interferência entre o global e o


local.

O aumento do tempo de reação


corresponde a um aumento do
prejuízo.
Global

Congruente Neutro Incongruência

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A percepção opera a diferentes escalas de frequência.

Respostas de uma célula ganglionar ON-Center

Efeitos dos diâmetros dos campos receptores das células ganglionares (Percepção por canais)

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Diferenças de dimensão entre os campos receptores das células ganglionares: Fundamento da


Percepção Multicanal

Grelhas de Hermann (ilustração dos efeitos do funcionamento antagonista, i.e., de inibição


lateral, dos campos receptores)

As grelhas de Hermann podem ser explicadas neuronalmente pelo ponto de fixação, onde
existe uma resposta maior e outra menor.

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Distribuição do diâmetro dos campos receptores em função da excentricidade retiniana

Aqui são representadas as frequências espaciais, que dizem respeito às propriedades de


frequência e amplitude, e que é visível na intensidade do contraste.

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Operações de combinações de frequências espaciais

Teoria multicanal (Campbel e Robson, 1968): o sistema visual como um “analisador de


fourier”: análise e combinação de planos de frequência espacial.

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Condições da experimentação

Para que as experiências sejam realizadas sobre as mesmas condições, é necessário


estabelecer uma distância ao estimulo que permita que o ângulo de visão seja sempre igual.
Quanto maior a distância ao estimulo, menor o ângulo visual ( , que é vísivel comparando
ambas as imagens. Medindo o ângulo de entrada, é possível conhecer a extensão da retina.
São necessários dois graus na extensão da retina para que a fobia seja impressionada, o que
permite estandardizar a variável de um estímulo, isto, mantendo a condição.

Estímulo Extensão da Retina

Ângulo de Entrada

CA CA = ?

5 cm
CO CO = 10 cm =2o

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Atenção às Dimensões: Efeito Stroop e Garner


Efeito Stroop

A interferência Stroop é tida classicamente como a ilustração de uma fracasso/vulnerabilidade


da atenção selectiva na inibição da “activação automática”. É um indicador dos fenómenos de
interferência, como o aumento dos tempos de reacção. É ainda um processamento
automático, atencional e controlado.

Modelos de processamento dual (dualidade do “automático” e do “controlado/atencional”)

Nas classificações mais recentes da atenção, Stroop ilustra um fracasso/vulnerabilidade da


atenção executiva.

A partir do seu local de controlo no córtex cingulado anterior, a rede de atenção executiva
realiza várias funções, incluindo o controlo da memória de trabalho, da orientação visual e do
processamento das características visuais.

Stroop Cores-Palavras

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Estamos perante um conflito entre a semântica e a cor impressa, que se traduz num
aumento dos tempos de reacção e do erro. Podemos confrontar três dimensões: a
relevante, que intervêm diretamente na experiência, a irrelevante, que não conta para a
experiência, mas que a influencia (como o exemplo da semântica, que é um processo
automático, inatencional, pois a leitura é sobreapreendida o necessário para que esta se
torne automática), e o neutro, onde não há uma segunda dimensão.

Segundo Treisman, na sua teoria da busca visual, a atenção é dada ao “local”, mas no
entanto pode ser uma atenção ao objecto ou às dimensões do objecto, pelas três
dimensões descritas a seguir. A dimensão atencional não pode interferir na automática,
pois só é admitida a atenção da dimensão automática para a controlada, num único
sentido.

O efeito de Stroop é o processo de selecção perante uma interferência automática


(hábito), que é fruto da impulsividade, que por sua vez é medida pelo automatismo. No
entanto, associado a esta surge a rigidez cognitiva, que surge quando não há capacidade
de adaptar as soluções aos problemas, o que contradiz assim a flexibilidade cognitiva.

Stroop Espacial

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Stroop Numérico

Stroop Emocional

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Tarefa de Classificação Acelerada (Garner)

Classificar em “escuro” e “claro”

Condição base – Uma só dimensão, relevante, em variação

Classificar em “círculo” e “quadrado”

Condição base – Uma só dimensão, relevante, em variação.

Condição base – duas dimensão em variação, uma relevante (forma), a outra irrelevante
(brilho). As dimensões relevantes e irrelevantes estão correlacionadas, o que se pode traduzir
em possíveis benefícios.

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Condição base – Duas dimensão em variação, uma relevante (forma), a outra irrelevante
(brilho). As dimensões relevantes e irrelevantes são ortogonais, pelo que existem possíveis
interferências de Garner.

Orientação Encoberta da Atenção Visual - M. Posner

Pista dada no centro


Endógenas do ecrã, indicando a
direcção
Paradigma de Pistas
Pista aplica-se onde
Exógenas pode surgir o
estímulo.

Distinguem-se nas suas


propriedades

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Pistas endógenas

A quantidade e custo da pista é elevado, pela probabilidade que tem de ser errónea. Quando a
pista é correcta, o tempo de reacção é menor, o que corresponde a um ganho, pela deslocação
da atenção para onde aponta a pista. Quando é incorrecta, sucede o oposto.

Tarefa de Orientação Espacial - Pistas Exógenas

A tarefa modelo pode apresentar uma pista na própria localização do alvo, chamada pista
periférica. À direita vemos uma caixa onde o alvo vai aparecer e que se acende para chamar à
atenção do sujeito.

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Ganhos e custos tornam-se mais drásticos. A eficiência aumenta com o CTOA. Neste gráfico, as
pistas exógenas têm a sua máxima eficiência aos 100 milissegundos, enquanto que as
endógenas têm a partir dos 300 milissegundos, pois significa que a atenção se desloca para
onde aponta a pista, o que custa tempo, mas no primeiro caso, a pista aponta para onde a
atenção se deve deslocar, o que se processa quase de forma automática.

Circuitos do “quê?” e do “onde?” (vias dorsal-parietal e ventral-temporal)

A dualidade de funcionamento entre as pistas periféricas (exógenas) e centrais (endógenas)


parece reflectir a diferenças entre dois circuitos da percepção visual - o dorso-parietal,
associado à questão “onde?”, e o ventro-temporal, associado à questão “o quê”?

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As pistas
endógenas
despoletam o
fenómeno da IOA

Tempos mais baixos correspondem a um benefício das pistas, mas a partir dos 200
milissegundos, as pistas contribuem para um aumento dos tempos de reacção,
desenvolvendo-se um processo inibitório.

Inibição de Retorno

A definição proposta de IOR é a de que esta corresponde “… a uma prioridade perceptiva


reduzida da informação localizada numa região que beneficiou recentemente de uma alta
prioridade”

Operações envolvidas na orientação encoberta da atenção visual (por pistas)

Pensa-se que este conjunto de operações mentais tem lugar quando uma pista indica o local
do campo visual ao qual deve prestar-se atenção. A operação de Mover muda a atenção para a
localização da pista, a operação ligar faz com que os disparos sejam acrescidos no córtex, no
local corresponde à pista.

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Posner considera que a atenção espacial está relacionada com três processos: desligar, que
suspende os processos de atenção; mover, na qual a atenção que se move consoante a pista; e
ligar, onde os processos atencionais são reativados.

Performance característica de pacientes com lesão parietal direita (dificuldades na orientação


encoberta para o campo contralateral)

Foi pedido a pessoas com lesões nos lobos parietais que realizassem a tarefa-modelo com
pistas periféricas. Quando a sua atenção foi atraída por uma pista para o lado da lesão, mas
com os alvos a serem apresentados no lado oposto ao da lesão (contralateral), os tempos de
reação aumentaram muito. Este estudo é baseado em sujeitos com lesões que provocaram

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problemas atencionais, que é um problema no processo de desligar. O gráfico demonstra que


as lesões no hemisfério direito são mais significativas no aumento dos tempos de reação no
alvo contralateral, o lado oposto à lesão. Quando os tempos de reação são semelhantes,
Implica que as pistas exógenas captem a atenção mesmo quando a pista dada é errada.

Rede de Atenção de Orientação (Posner)

As três áreas da rede de orientação desempenham as três funções necessárias para orientar a
atenção. O foco de atenção é, antes de mais, desligado de uma pista e, posterioramente,
destacado para o local previsto para o alvo, e finalmente, é realçado o alvo no local que
constituiu o centro da atenção. A partir do seu local de controlo no córtex cingulado anterior,
a rede de atenção executiva realiza várias funções, incluindo o controlo da memória de
trabalho, da orientação visual e do processamento das características visuais.

1. Lobo Parietal(Desligar)
2. Encéfalo (Mover) – Colículo superior (Relacionado com os movimentos oculares)
3. Pulvinae (Realçar)

Redes de Atenção de Orientação e de Vigilância (M. Posner)

As áreas dos lobos parietal direito e frontal direito podem constituir uma rede de vigília que
mantém o estado de vigilância.

Efeito Meridiano nas Pistas Endógenas –


Músculos Externos do Olho
O músculo quando funciona tem regras
dadas pelos músculos (Reto lateral,
superior, medial), que determinam o
movimento ocular/circular. Contudo
nem todos funcionam ao mesmo tempo.

Quanto à teoria pré-motora da Atenção


Visual, pode haver um engano quanto
ao movimento ocular, demonstrando a
relação entre a planificação ocular e o
grau de contração.

Teoria Pré-Motora da Atenção Visual (G.Rizzolati)

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Os estímulos dispostos na experiência de Rizzolatti – Quatro possíveis configurações das


caixas, duas horizontais e duas verticais, foram usadas. Apenas uma configuração foi mostrada
em cada condição experimental. Cada configuração consistiu numa fixação na caixa central
com fixação vista por dentro, e quatro caixas, marcadas por um dígito adjacente para o a
apresentação do estímulo .

Imaginaria Mental - As Rotações Mentais

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Exemplo de uma “rede de conhecimentos simbólica” - a representação de canário nesta rede


não mantém qualquer semelhança (analogia) intrínseca com um canário. O desenho mantém
uma analogia enquanto que a semântica não.

A imaginaria mental permite demonstrar a duração do trajeto em mapas mentais, contendo


uma analogia com as propriedades métricas do espaço e a relação distância/tempo de trajeto.

Era pedido aos sujeitos que imaginassem o percurso de uma viagem mental e a partir daí
estimavam o tempo que estes demoravam a “chegar lá”. Quanto maior era a distância, maior
era o tempo de reação, o que demonstra a proporcionalidade, ou seja, o tempo é proporcional
à distância. Há então uma representação analógica do espaço, tanto psicológico como físico.

As experiências de “inspeção de imagens” demonstram que a inspeção do detalhe consome


tanto ou mais tempo quanto menor a extensão retiniana ocupada pelo objeto; o mesmo
sucede com as “imagens mentais”.

Aqui foi pedido que os sujeitos imaginassem um coelho ao lado do elefante e depois ao lado
de uma mosca, e demonstrou-se que há um maior ganho quando se analisa um objeto maior
comparativamente a um objeto menor, ou seja, há uma redução do tempo de reação.

Rotação Mental (Equivalência funcional) (Shepard & Metzler, 1971)

109
Este gráfico demonstra como há um crescimento linear do tempo até aos 180 graus (no eixo
horizontal). Contudo, entre os 0 e os 14 graus e 315 e os 380 graus o objeto já está perto da
posição vertical o que faz com que não seja necessário invertê-la.

Perceção-Imagem (equivalência funcional) (Cooper & Shepard, 1973)

Depois de calculada a velocidade de rotação mental de cada um dos sujeitos utilizados nestas
experiências, Lynn Cooper pedia-lhes que rodassem para a direita um polígono irregular de
referência. A dado momento, apresentava uma versão “normal” ou uma versão “em espelho”
desse polígono, com um certo grau de rotação, para que o sujeito decidisse o mais
rapidamente possível de que versão se tratava.

Quanto mais próxima a orientação do polígono-teste se encontrasse do grau de rotação que


em função da velocidade de rotação do sujeito, teria sido imprimido durante esse tempo ao
polígono de referência “dentro da cabeça”, mais rápida mostrou ser a resposta dos sujeitos.

O resultado foi interpretado como favorável a uma rotação mental contínua (análoga à
verdadeira rotação espacial, física, dos objetos) do polígono de referência.

As representações dinâmicas são tidas como revelando um processo interno de transformação


das representações mentais, apresentando usualmente analogias com as regularidades do
mundo físico (e.g., gravidade representacional, fricção representacional, momento
representacional).
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Boundary Extension – Expansão das fronteiras do campo visual

Perceção-Imagem (Equivalência Funcional)

Dispositivo para a medida do campo visual utilizando três alvos com distintas frequências
espaciais. O mesmo dispositivo foi utilizado para a medida do campo visual utilizando os
mesmos três alvos, mas imaginados no círculo central. Tratou-se sempre de assinalar o
momento em que, ao deslocar os olhos ao longo dos raios a partir do centro (onde se
encontrava ou se imaginava o alvo), deixava de ser percetível a diferença entre as duas
metades, superior e inferior, do alvo.

111
A rotação mental de mãos

Nas experiências de Parsons para além da diferença nos tempos de reação entre movimentos
“difíceis” e “fáceis”, os sujeitos reportavam experienciar sentimentos quinestésicos quando
em situação de simulação mental dos movimentos. Existe, por exemplo, o estudo
cronométrico da rotação mental de letras e mãos em pessoas com Paralisia Cerebral. Outros
estudos remetem para a dor (Schwoebel et al., 2001); doentes com Parkinson (Dominey et al.,
1995); hemiplegias (pós-traumáticas) (Johnson-Frey, 2004); amputados; pessoas nadas com
uma só mão (Funk & Brugger, 2002).

Imaginaria visual vs. imaginaria motora:

Existem duas teses quanto à relação funcional entre Imaginaria motora e visual: a dissociação
(Sirigu & Duhamel, 2001), que assentam em recursos distintos, visuais e motores, e por isso,
funcionalmente dissociadas e que dependem do tipo de estímulo ou perspetiva assumida; e a
comunalidade (Wexler et al., 1998), que permite o envolvimento geral do sistema
sensoriomotor nas transformações visuais durante a rotação mental (Johnston et al., 2004;
Wohlschlager & Wohlschlager, 1998). Toda a rotação mental procede originariamente da
simulação latente de uma rotação motora (Wexler et al., 1998).

Na experiência de rotação mental de mãos, a tarefa é decidir o mais rapidamente possível se


uma mão rodada a diferentes graus é “esquerda” ou “direita”.
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Os resultados demonstram que, qualitativamente, o perfil de tempos é semelhante, mas os


tempos de reação são muito superiores nos sujeitos com paralisia cerebral.

Existe uma diferenciação entre as tarefas, porque existe maior dificuldade dos sujeitos com
paralisia cerebral nas tarefas que implicam imaginaria motora, traduzida por menor precisão
(maior taxa de erro); latências superiores da resposta; e valores de DIFF superiores (evidência
de constrangimentos biomecânicos mais acentuados).

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Percepção e Atenção
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
Universidade de Coimbra

Contudo existe uma precisão equivalente dos dois grupos nas tarefas visuopespaciais, o que
sugere o envolvimento mais direto de representação motoras na imaginaria associada à tarefa
de imaginaria visual (rotação de letras, objeto externo).

Já os fatores transversais às duas tarefas demonstram a lentificação geral da imaginaria, tanto


visuo-motora como visuo-espacial no grupo PC. Numa tarefa de rotação de letras, que não
envolve partes do corpo, os sujeitos com paralisia cerebral produzem igualmente tempos de
reação superiores. Os resultados sugerem o envolvimento genérico dos esquemas motores em
tarefas de rotação mental.

Relações Perceção-Ação

O movimento em 2D de pontos que, em cada frame estática, não se distinguem de


distribuições aleatórias, permite recuperar um movimento biológico organizado em
profundidade (G. Johanson, 1972). O reconhecimento é efetuado facilmente e desde muito
cedo (bebés de 3 a 5 meses) e observa-se também em muitas espécies no que se refere aos
conspecíficos.

A rotação mental de partes do corpo é mais rápida do que a de objetos externos. Ao construir
equivalentes “corporais” dos cubos de Metzler, M.-A. Amorim encontrou um abaixamento dos
tempos de reação em tarefas de rotação implícita.

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A mera introdução de um eixo corporal (através de uma cabeça esquemática) nos “cubos de
Metzler” teve efeitos na aceleração da rotação Em contraste, a adição de um cilindro segundo
o mesmo eixo não teve esses efeitos.

A utilização de “posturas (anatomicamente) impossíveis” estruturalmente equivalentes a


“cubos de Metzler” não produz os efeitos de aceleração obtidos através de posturas
biologicamente possíveis”.

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