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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS

ESCOLA DE DIREITO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS


CURSO DE DIREITO

TEORIA GERAL DO PROCESSO


Profa. Ms. Carolina Chaves Soares

Email: carolchaves10@gmail.com
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PLANO DE ENSINO 2016-2

ESCOLA DE DIREITO E RELAÇOES INTERNACIONAIS

CURSO: DIREITO 2016-2


PROFESSOR (A): CAROLINA CHAVES SOARES E-mail:
carolchaves10@gmail.com
DISCIPLINA: TEORIA GERAL DO PROCESSO Site:
PUC GOIÁS → Site docentes
CÓDIGO CR CH HORÁRIO PER PRÉ- TURMA SALA
REQUISITO
JUR 1140 4 80 H 3ª e 6ª 2º B03
13:30 – 15:00

EMENTA
Estudo da propedêutica processual. Institutos comuns ao Direito Processual. Direito
processual: evolução histórica, princípios gerais e fontes. Formas de solução de conflitos:
autodefesa, autocomposição e processo. Natureza jurídica, finalidade e objeto do processo.
Jurisdição e equivalentes jurisdicionais. Organização, funcionamento e competência dos
órgãos judiciais. Ação e exceção. Relação jurídico-processual. Outros institutos
processuais.

OBJETIVO GERAL
Fornecer ao aluno, por meio de método dinâmico e interativo, noções dos institutos
fundamentais do direito processual.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Introduzir o aluno no estudo do direito processual como instrumento da jurisdição para
composição de conflitos.

Estudar os fundamentos históricos, conceituais e hermenêuticos do direito processual


brasileiro.

Possibilitar a compreensão da trilogia processual formada pela ação, jurisdição e processo,


capacitando o aluno a absorver os demais ensinamentos posteriores e saber como utilizá-
los na prática.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
UNIDADE I. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
UNIDADE II. FONTES DO DIREITO PROCESSUAL
UNIDADE III. PRINCÍPIOS GERAIS DO PROCESSO
UNIDADE IV. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO PROCESSUAL
UNIDADE V. JURISDIÇÃO E EQUIVALENTES JURISDICIONAIS.
UNIDADE VI. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DOS TRIBUNAIS
UNIDADE VII. DA COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS JUDICIAIS
UNIDADE VIII. DA AÇÃO E EXCEÇÃO
UNIDADE IX. NATUREZA JURÍDICA DO PROCESSO
UNIDADE X. RELAÇÃO JURÍDICA PROCESSUAL
UNIDADE XI. OUTROS INSTITUTOS PROCESSUAIS

ATIVIDADE EXTERNA DA DISCIPLINA (AED)

A AED tem como objetivo compor a carga horária e, simultaneamente, concorrer para o
aprofundamento dos estudos por meio da pesquisa que estimule o rigor científico. Ela
consistirá na resposta aos questionários constantes do Roteiro de Aulas da disciplina.
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I - Objetivo da AED: complementar o estudo do Direito Processual.

II – Descrição da AED: responder ao questionário constante ao final desse material.

III – Cronograma: as respostas ao questionário devem ser entregues até o dia 25 de


novembro de 2016.

IV – Forma de Registro: as respostas ao questionário devem ser entregues impressas. O


aluno deve fazer referência aos textos consultados (ABNT).

V – Critério de Avaliação: serão atribuídas até 08 frequências, bem como serão atribuídos
até 3 pontos para a 1ª N2. O aluno que não apresentar as atividades terá as faltas
acrescentadas.

VI – Bibliografia de Consulta

DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de direito processual civil. Salvador: Juspodivm, 2016. vol.
1.

LIMA, Renato Brasileiro. Curso de Processo Penal. Niterói: Impetus, 2013.

NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Novo Código de Processo Civil Comentado. Salvador:
Juspodium, 2016.

NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal comentado. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2016.

MATERIAL DE APOIO

Roteiro de aulas da disciplina, elaborado pela professora.

Facebook: Direito em Cartaz.

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. Novo Código de Processo Civil anotado. Porto
Alegre: OAB RS, 2015.

METODOLOGIA

As atividades serão desenvolvidas mediante os seguintes procedimentos de ensino: aula


expositiva e dialogada; perguntas/ problematizações; estudos escritos; atendimento a
alunos; estudo de caso e pesquisa bibliográfica com resposta a questionário.

AVALIAÇÃO

N1:
- A 1ª N1 será aplicada em 06/09/16.
- A 2ª N1 será aplicada em 04/10/16.
- A N1 vale 10 pontos e tem peso 4.

N2:
- A 1ª N2 será aplicada em 04/11/16.
- A 2ª N2 será aplicada em 09/12/16.
- A N2 vale 10 pontos e tem peso 6.
- 3 pontos da 1ª N2 referem-se ao questionário da AED; 1 ponto da 2ª N2 refere-se à
atividade de estudos interdisciplinares; 1 ponto da média de N2 refere-se à nota da
avaliação interdisciplinar. Consequentemente, a prova da 1ª N2 valerá 6,0 e a da 2ª N2
valerá 8,0.
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Regras comuns às avaliações:


- A média para aprovação é 5,0 (cinco).
- As avaliações serão feitas por múltiplos instrumentos, podendo conter questões objetivas,
subjetivas e estudos de caso.
- Eventual reclamação quanto à correção da prova deverá ser feita no dia da devolução da
atividade, que é sempre o 1º dia de aula após a sua realização.
- As datas acima previstas poderão ser alteradas em caso de imprevistos no calendário
acadêmico.
- O profissional do Direito precisa entender a sociedade na qual está inserido, devendo
estar informado sobre o que acontece em âmbito nacional e internacional. Assim, em todas
as avaliações haverá uma questão extra sobre atualidades/ conhecimentos gerais.
- Essa professora somente aplica as avaliações descritas nesse plano de ensino (não há
trabalhos extras, prova de repescagem, etc.), devendo o aluno alcançar a média mínima
de 5,0 com essas atividades (a média não é 4,9 ou 4,95).

Prova substitutiva:
- A professora não aplica 2ª chamada de trabalho ou prova.
- Nos casos de deferimento de avaliação substitutiva, via processo administrativo, será
aplicada uma única avaliação para a N1, no dia 11/10/16, e outra para a N2, no dia
16/12/16. A prova abordará todo o conteúdo dado até o dia de sua realização.

Informes sobre a avaliação interdisciplinar:


- A prova será aplicada pela PUC-GO, em 10 de novembro de 2016.
- A avaliação conterá 40 questões, sendo 10 de formação geral e 30 de formação
específica.
- A avaliação interdisciplinar vale 1 ponto na média da N2.

Frequência:
- O aluno é reprovado se não obtiver 75% de presença na disciplina.
- Como já explicitado no tópico próprio, deverão ser desenvolvidas 8 horas-aula a título de
AED. O aluno que não fizer as atividades terá acrescidas 8 faltas.

Estudos interdisciplinares:
- O tema dos estudos interdisciplinares em 2016-2 é “O Direito e a Economia”.
- Os estudos interdisciplinares são planejados e organizados pela Coordenação do Curso
de Direito. As datas e horários dos eventos serão divulgados na página Direito em Cartaz
(Facebook), bem como o modo de inscrição.
- O aluno deve participar de um dos debates e apresentar cópia do respectivo certificado,
sendo a atividade valorada em 1 ponto na 2ª N2.
- Na impressão do certificado, deve-se ter o cuidado para que apareça o código de
validação.
- O prazo máximo para apresentação do certificado é 06 de dezembro de 2016. O aluno
que deixa para fazer a atividade em cima da hora corre o risco de não conseguir emitir o
certificado a tempo; a professora não assumirá o ônus da escolha do aluno.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

ALVIM, José Eduardo Carreira. Teoria geral do processo. 17 ed. Rio de Janeiro: Forense,
2015.

CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido


Rangel. Teoria geral do processo. 31. ed. São Paulo: Malheiros, 2015.

DANTAS, Francisco Wildo Lacerda. Teoria geral do processo. São Paulo: Método, 2009.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
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DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de direito processual civil. 17. ed. Salvador: Juspodivm,
2015. vol. 1. (atualizado conforme novo CPC)

ROCHA, José de Albuquerque. Teoria geral do processo. São Paulo: Atlas, 2009.

SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva,
2012. vol. 1.

OBSERVAÇÕES

1) Todas as informações relativas às aulas e às avaliações são dadas em sala de aula. É


responsabilidade do aluno se manter informado, principalmente se ele tiver faltado à aula.

2) Em hipótese alguma essa professora aceita atividades fora do prazo.

3) Atividades plagiadas (da internet ou entre alunos) não serão valoradas.

4) O aluno deve obter sua nota no decorrer do semestre, realizando as avaliações acima
descritas. Não há outras atividades nem concessão de pontuação fora do estabelecido
nesse plano de ensino.

5) Os únicos critérios de aprovação são presença e nota. O aluno que é bolsista, que
depende de ajuda familiar para pagar o curso, que trabalha o dia todo, etc., deve ter plena
consciência de sua situação do início ao fim do semestre.

6) Conforme previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o aluno pode faltar a 25%
das aulas. Os acontecimentos da vida estão abrangidos nesses 25% de falta, ou seja, não
há abono em caso de aniversário, compromisso profissional, comparecimento a eventos,
ida a dentista, mal estar, etc.

7) A chamada pode ser feita em qualquer momento da aula, sendo obrigação do aluno
estar presente do início ao fim. A professora não atribuirá presença ao aluno que não
estiver em sala no momento da chamada.

8) A professora não atribui falta ao aluno que responde à chamada. Assim, alegações do
tipo “mas eu não tive essas faltas” são inúteis, porque não haverá alteração do que foi
registrado.

9) É obrigatório levar o Vademecum em todas as aulas.

10) O estudo do direito processual exige a compreensão de uma sequência: cada aula que
o aluno falta ou chega atrasado interfere negativamente em sua aprendizagem.

11) Se o aluno tem compromissos no período de aula, deve se matricular em outro horário.

12) Os livros constantes da bibliografia são uma indicação, mas o bom livro é aquele que
o aluno gosta de ler. Entretanto, resumos, sinopses e apostilas são obras destinadas a
recordação, não constituindo em fonte de estudo para o aluno de graduação.

13) Não se esqueça de desligar o celular ao entrar em sala de aula.

14) O processo de ensino aprendizagem exige um ambiente próprio: evite conversas


paralelas, elas atrapalham os colegas e a professora. Da mesma forma, os aparelhos
eletrônicos devem ser utilizados apenas para fins acadêmicos.
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15) As carteiras da sala de aula devem estar alinhadas. Encontrou-as bagunçadas?


Colabore com o bom rendimento da aula, organizando a sua.

16) O atendimento ao aluno é feito em sala de aula ou por email


(carolchaves10@gmail.com).

17) Não há como aprender Direito sem ler! O aluno deve estudar o conteúdo da
disciplina através de livro doutrinário.
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APONTAMENTOS DE AULA1

1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

Necessidade de paz, ordem e bem comum → direito é o meio para tornar possível a
convivência e o progresso social.

Ubi societas, ibi jus → onde existe sociedade, existe o direito.

Direito: conjunto de normas jurídicas que regula as relações de um povo em determinado


momento histórico.

Necessidades ilimitadas x bens limitados → conflitos de interesses.

Carnellutti:
- pretensão: é “a exigência de subordinação do interesse de outrem ao interesse próprio”,
- lide: “conflito de interesses, qualificado por uma pretensão resistida ou insatisfeita”.

Primórdios da história humana – os litígios eram solucionados por seus titulares e,


normalmente, o mais forte vencia o mais fraco.

Posteriormente, o Estado assume para si, em caráter exclusivo, a responsabilidade de


solucionar os conflitos e proíbe que os envolvidos o façam.

Ao aplicar a lei, geral e abstrata, a um caso concreto, o Estado busca a pacificação social.

Estado:
- poder uno, com funções separadas,
- a divisão do Estado em poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), independentes entre
si, funciona como mecanismo contra o despotismo, pois desconcentra os poderes de uma só
mão,
- um mesmo poder poderá exercer mais de uma função, ainda que algumas delas atípicas.
Distinção de um poder do outro através de sua função típica,
- Poder Legislativo: atividade legislativa, ou seja, formação da ordem jurídica,
- Poder Executivo: atividade de aplicar o direito em nome do bem comum, sem ser provocado
para tanto,
- Poder Judiciário: atividade de pacificar as lides, quando provocado para tanto.

Solução dos conflitos:


- parcial: pelos próprios litigantes (autodefesa e autocomposição),
- imparcial: mediante decisão de um terceiro, alheio ao litígio (arbitragem e processo).

Direito material e processual:


- direito material: conjunto de normas que buscam o regramento da vida em sociedade,
regulando as diversas relações jurídicas (entre pessoas e pessoas e bens),
- direito processual: conjunto de normas que regem o exercício da jurisdição.

Processo:
- instrumento de que se serve o Estado para, no exercício da função jurisdicional, resolver os
conflitos de interesses,
- o conflito é solucionado pelo juiz.

1
Atenção: essa não é uma apostila para estudo. O estudo do Direito Processual deve ser feito
por meio de livros. Esses apontamentos servem apenas para que o aluno acompanhe as aulas.
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Objeto do processo:
- imediato: aplicação da lei ao caso concreto,
- mediato: reestabelecer a paz entre os particulares e, com isso, manter a da sociedade.

2) LEI PROCESSUAL

2.1) Fontes

Fonte: de onde provém a norma jurídica.

Fonte material:
- origem do Direito Processual,
- é a União: art. 22, I, CF.

Fonte formal:
- imediata: lei,
- mediatas: costumes, doutrina e jurisprudência.

2.2) Natureza jurídica

O direito processual tem natureza de direito público.

DIREITO PÚBLICO DIREITO PRIVADO


Relação de sujeição Relação de coordenação
Normas cogentes Normas dispositivas
Predomínio do interesse público Predomínio da autonomia da vontade

2.3) Eficácia da lei processual no tempo e no espaço

Eficácia da lei processual no tempo:


- a lei que se aplica em questões processuais é a que vigora no momento da prática do ato
processual,
- art. 14 NCPC e 2º CPP,
- processos findos: não se aplica a lei processual nova,
- processos a serem iniciados: aplica-se a lei processual que estiver em vigor,
- processos em andamento por ocasião da vigência da lei nova: a lei nova não atinge os atos
processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar
(sistema do isolamento dos atos processuais).

Eficácia da lei processual no espaço:


- princípio da territorialidade (lex fori): o exercício da jurisdição em território nacional rege-se
pelas normas processuais brasileiras, ressalvados tratados internacionais,
- art. 16 NCPC e 1º CPP.

3) PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PROCESSUAL

Normas = princípios + regras

a) devido processo legal (due process of law)


- art. 5º, LIV, CF,
- direito ao processo justo, ao processo em conformidade com o Direito.

(...)
O SÚDITO ESTRANGEIRO, MESMO AQUELE SEM DOMICÍLIO NO BRASIL, TEM
DIREITO A TODAS AS PRERROGATIVAS BÁSICAS QUE LHE ASSEGUREM A
9

PRESERVAÇÃO DO "STATUS LIBERTATIS" E A OBSERVÂNCIA, PELO PODER


PÚBLICO, DA CLÁUSULA CONSTITUCIONAL DO "DUE PROCESS". - O súdito
estrangeiro, mesmo o não domiciliado no Brasil, tem plena legitimidade para impetrar o
remédio constitucional do "habeas corpus", em ordem a tornar efetivo, nas hipóteses de
persecução penal, o direito subjetivo, de que também é titular, à observância e ao integral
respeito, por parte do Estado, das prerrogativas que compõem e dão significado à cláusula
do devido processo legal. - A condição jurídica de não-nacional do Brasil e a circunstância
de o réu estrangeiro não possuir domicílio em nosso país não legitimam a adoção, contra
tal acusado, de qualquer tratamento arbitrário ou discriminatório. Precedentes. - Impõe-
se, ao Judiciário, o dever de assegurar, mesmo ao réu estrangeiro sem domicílio no Brasil,
os direitos básicos que resultam do postulado do devido processo legal, notadamente as
prerrogativas inerentes à garantia da ampla defesa, à garantia do contraditório, à
igualdade entre as partes perante o juiz natural e à garantia de imparcialidade do
magistrado processante. A ESSENCIALIDADE DO POSTULADO DO DEVIDO
PROCESSO LEGAL, QUE SE QUALIFICA COMO REQUISITO LEGITIMADOR DA
PRÓPRIA "PERSECUTIO CRIMINIS". - O exame da cláusula referente ao "due
process of law" permite nela identificar alguns elementos essenciais à sua
configuração como expressiva garantia de ordem constitucional, destacando-se,
dentre eles, por sua inquestionável importância, as seguintes prerrogativas: (a)
direito ao processo (garantia de acesso ao Poder Judiciário); (b) direito à citação e
ao conhecimento prévio do teor da acusação; (c) direito a um julgamento público e
célere, sem dilações indevidas; (d) direito ao contraditório e à plenitude de defesa
(direito à autodefesa e à defesa técnica); (e) direito de não ser processado e julgado
com base em leis "ex post facto"; (f) direito à igualdade entre as partes; (g) direito
de não ser processado com fundamento em provas revestidas de ilicitude; (h) direito
ao benefício da gratuidade; (i) direito à observância do princípio do juiz natural; (j)
direito ao silêncio (privilégio contra a auto-incriminação); (l) direito à prova; e (m)
direito de presença e de "participação ativa" nos atos de interrogatório judicial dos
demais litisconsortes penais passivos, quando existentes. - O direito do réu à
observância, pelo Estado, da garantia pertinente ao "due process of law", além de
traduzir expressão concreta do direito de defesa, também encontra suporte
legitimador em convenções internacionais que proclamam a essencialidade dessa
franquia processual, que compõe o próprio estatuto constitucional do direito de
defesa, enquanto complexo de princípios e de normas que amparam qualquer
acusado em sede de persecução criminal, mesmo que se trate de réu estrangeiro,
sem domicílio em território brasileiro, aqui processado por suposta prática de
delitos a ele atribuídos.
(...)
(HC 94016, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 16/09/2008,
DJe-038 DIVULG 26-02-2009 PUBLIC 27-02-2009 EMENT VOL-02350-02 PP-00266 RTJ
VOL-00209-02 PP-00702)

b) contraditório e ampla defesa


- art. 5º, LV, CF,
- contraditório = participação + poder de influência,
- direito à prova: sem produção de prova não há como influenciar no convencimento do juiz,
- contraditório “inútil”: não se permite decisão CONTRA a parte que não foi ouvida,
- contraditório diferido ou postergado: decisões provisórias.

Direito processual civil. Embargos à execução. Ausência de contraditório reconhecida.


Anulação do processo após a juntada do documento não contraditado. Afastamento da
multa prevista no art. 557, § 2º, do CPC.
- Se à parte não é conferida oportunidade de se pronunciar a respeito de documento
relevante para o julgamento da demanda, é nulo o processo, por desrespeito ao
indeclinável contraditório.
- Não se pode impedir o acesso às vias recursais legalmente previstas, notadamente
quando a parte tem a obrigação de esgotá-las para ter facultado o ingresso de sua
pretensão junto à Corte Superior, sob pena de ter cerceado o seu direito de defesa.
Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido, apenas para afastar a
multa prevista no art. 557, § 2º, do CPC.
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(REsp 785.360/DF, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em


16/10/2008, DJe 28/10/2008)

PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO MORAL E MATERIAL. CONTA-


POUPANÇA. TRANSFERÊNCIA INDEVIDA. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE.
AUSÊNCIA DA NECESSÁRIA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. CERCEAMENTO AO
DIREITO DE DEFESA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ANULAÇÃO DE OFICIO DA
SENTENÇA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. POSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL A
QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. Evidenciada a necessidade da produção de provas requeridas pela autora, a
tempo oportuno, constitui cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide,
com infração aos princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e devido
processo legal.
2. A violação a tais princípios constitui matéria de ordem pública e pode ser conhecida de
ofício pelo órgão julgador.
3. Recurso especial não-provido.
(REsp 714.467/PB, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
02/09/2010, DJe 09/09/2010)

c) inafastabilidade da jurisdição e acesso à justiça


- art. 5º, XXXV, e LXXIV, CF,
- a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito,
- o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência
de recursos.

Súmula Vinculante 28. É inconstitucional a exigência de depósito prévio como


requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a
exigibilidade de crédito tributário.

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO


EXTRAORDINÁRIO TRABALHISTA. INADMISSAO DO RECURSO DE REVISTA.
ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA E NEGATIVA DE PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL. 1. Os princípios constitucionais que garantem o livre acesso ao
Poder Judiciário, o contraditório e a ampla defesa, não são absolutos e hão de ser
exercidos, pelos jurisdicionados, por meio das normas processuais que regem a
matéria, não se constituindo negativa de prestação jurisdicional e cerceamento de
defesa a inadmissão de recursos quando não observados os procedimentos
estatuídos nas normas instrumentais. 2. Recurso de Revista inadmitido, porque a
solução da lide aplicaria no reexame das provas carreadas para os autos, porque não
demonstrada a divergência jurisprudencial. Controvérsia a ser dirimida à luz da legislação
ordinária que disciplina a matéria, e não viabiliza a instância extraordinária. Agravo
regimental improvido.
(AI 152676 AgR, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, julgado em
15/09/1995, DJ 03-11-1995 PP-37245 EMENT VOL-01807-02 PP-00249)

d) juiz natural
- art. 5º, LIII, CF,
- juiz investido de jurisdição e com competência para análise do caso,
- impede a criação de tribunais de exceção – art. 5º, XXXVII, CF,
- imparcialidade do juiz.

EMENTA Habeas corpus. Princípio do juiz natural. Relator substituído por Juiz
Convocado sem observância de nova distribuição. Precedentes da Corte. 1. O
princípio do juiz natural não apenas veda a instituição de tribunais e juízos
de exceção, como também impõe que as causas sejam processadas e
julgadas pelo órgão jurisdicional previamente determinado a partir de
critérios constitucionais de repartição taxativa de competência, excluída
qualquer alternativa à discricionariedade. 2. A convocação de Juízes de 1º grau
11

de jurisdição para substituir Desembargadores não malfere o princípio


constitucional do juiz natural, autorizado no âmbito da Justiça Federal pela Lei nº
9.788/99. 3. O fato de o processo ter sido relatado por um Juiz Convocado para
auxiliar o Tribunal no julgamento dos feitos e não pelo Desembargador Federal a
quem originariamente distribuído tampouco afronta o princípio do juiz natural. 4.
Nos órgãos colegiados, a distribuição dos feitos entre relatores constitui, em favor
do jurisdicionado, imperativo de impessoalidade que, na hipótese vertente, foi
alcançada com o primeiro sorteio. Demais disso, não se vislumbra, no ato de
designação do Juiz Convocado, nenhum traço de discricionariedade capaz de
comprometer a imparcialidade da decisão que veio a ser exarada pelo órgão
colegiado competente. 5. Habeas corpus denegado.
(HC 86889, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Primeira Turma, julgado em
20/11/2007, DJe-026 DIVULG 14-02-2008 PUBLIC 15-02-2008 DJ 15-02-2008
EMENT VOL-02307-03 PP-00525 RTJ VOL-00209-03 PP-01135)

A designação de juiz para atuar, de forma genérica, em uma determinada


vara, não ofende o princípio do juiz natural. Configura nulidade processual
apenas a designação específica, casuística, de magistrado para atuar em
determinado feito. Diante do pedido de afastamento do juiz titular, por motivo de
foro íntimo, o processo deve ser encaminhado para o outro juiz, designado pelo
Tribunal de Justiça, ante o acúmulo de processos, para ter exercício naquela vara.
(RHC 89.890, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 5-12-2006, 1ª T, DJ de 2-3-2007).

e) duplo grau de jurisdição


- princípio implícito,
- possibilidade de a decisão ser revista por órgão jurisdicional, normalmente de hierarquia
superior àquele que proferiu a decisão,
- não há previsão de que para todas as decisões é possível a interposição de recurso.

f) igualdade processual
- art. 5º, caput, CF,
- garantia de tratamento igualitário,
- paridade de armas,
- ex.: tramitação prioritária e benefício da assistência.

Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. REPERCUSSÃO GERAL


RECONHECIDA. RITO DOS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS. PRERROGATIVA DE
INTIMAÇÃO PESSOAL DOS OCUPANTES DE CARGO DE PROCURADOR FEDERAL
(ART. 17 DA LEI Nº 10.910/2004). INAPLICABILIDADE. PRINCÍPIO DA PARIDADE DE
ARMAS. CONTRADITÓRIO (ART. 5º, LV, DA CRFB). ACESSO À JUSTIÇA (ART. 5º,
XXXV, DA CRFB). SIMPLICIDADE DO PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO (ART. 98, I, DA
CRFB). ART. 9º DA LEI Nº 10.259/01. AGRAVO CONHECIDO E RECURSO
EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. 1. A isonomia é um elemento ínsito ao princípio
constitucional do contraditório (art. 5º, LV, da CRFB), do qual se extrai a
necessidade de assegurar que as partes gozem das mesmas oportunidades e
faculdades processuais, atuando sempre com paridade de armas, a fim de garantir
que o resultado final jurisdicional espelhe a justiça do processo em que prolatado.
Doutrina (FERNANDES, Antonio Scarance. Processo penal constitucional. 4. ed. – São
Paulo: RT, 2005. p. 66; DINAMARCO, Cândido Rangel. Fundamentos do Processo Civil
Moderno. São Paulo: RT, 1986. p. 92; CINTRA, Antonio Carlos de Araújo. O princípio da
igualdade processual. Revista da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, São Paulo,
v. 19; MOREIRA, José Carlos Barbosa. A garantia do contraditório na atividade de
instrução. RePro 35/231). 2. As exceções ao princípio da paridade de armas apenas
têm lugar quando houver fundamento razoável baseado na necessidade de remediar
um desequilíbrio entre as partes, e devem ser interpretadas de modo restritivo,
conforme a parêmia exceptiones sunt strictissimae interpretationis. 3. O rito dos
Juizados Especiais é talhado para ampliar o acesso à justiça (art. 5º, XXXV, da CRFB)
12

mediante redução das formalidades e aceleração da marcha processual, não sendo outra
a exegese do art. 98, I, da Carta Magna, que determina sejam adotados nos aludidos
Juizados “os procedimentos oral e sumariíssimo”, devendo, portanto, ser apreciadas cum
grano salis as interpretações que pugnem pela aplicação “subsidiária” de normas alheias
ao microssistema dos Juizados Especiais que importem delongas ou incremento de
solenidades. 4. O espírito da Lei nº 10.259/01, que rege o procedimento dos Juizados
Especiais Federais, é inequivocamente o de afastar a incidência de normas que alberguem
prerrogativas processuais para a Fazenda Pública, máxime em razão do que dispõe o seu
art. 9º, verbis: “Não haverá prazo diferenciado para a prática de qualquer ato processual
pelas pessoas jurídicas de direito público, inclusive a interposição de recursos”. 5. Não se
aplica aos Juizados Especiais Federais a prerrogativa de intimação pessoal dos
ocupantes de cargo de Procurador Federal, prevista no art. 17 da Lei n.º 10.910/2004,
na medida em que neste rito especial, ante a simplicidade das causas nele julgadas,
particular e Fazenda Pública apresentam semelhante, se não idêntica, dificuldade
para o adequado exercício do direito de informação dos atos do processo, de modo
que não se revela razoável a incidência de norma que restringe a paridade de armas,
além de comprometer a informalidade e a celeridade do procedimento. 6. Agravo
conhecido para negar provimento ao Recurso Extraordinário.
(ARE 648629, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24/04/2013,
PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-069 DIVULG 07-04-
2014 PUBLIC 08-04-2014)

g) publicidade
- art. 93, IX, CF,
- protege as partes de julgamentos secretos ou arbitrários,
- permite o controle público das decisões,
- é possível restringir a publicidade processual, para preservação da intimidade ou por
interesse público,
- restrição à publicidade externa (para terceiros) e não interna (partes e advogados).

h) motivação
- art. 93, IX, CF,
- importância do art. 489, § 1º, CPC.

EMENTA: Habeas Corpus. 1. "Operação Navalha". Inquérito no 544/BA, do Superior


Tribunal de Justiça. 2. Alegações de falta de fundamentação do decreto de prisão
preventiva e de ofensa ao direito constitucional do paciente permanecer em silêncio (CF,
art. 5º, inciso LXIII e CPP, art. 186). 3. Decreto prisional fundamentado em supostas
conveniência da instrução criminal e garantia da ordem pública e econômica. 4. Segundo
a jurisprudência do STF, não basta a mera explicitação textual dos requisitos
previstos pelo art. 312 do CPP, mas é indispensável a indicação de elementos
concretos que demonstrem a necessidade da segregação preventiva. Precedentes.
5. A prisão preventiva é medida excepcional que demanda a explicitação de fundamentos
consistentes e individualizados com relação a cada um dos cidadãos investigados (CF,
arts. 93, IX e 5º, XLVI). 6. A existência de indícios de autoria e materialidade, por si só,
não justifica a decretação de prisão preventiva. 7. A boa aplicação dos direitos
fundamentais de caráter processual, principalmente a proteção judicial efetiva, permite
distinguir o Estado de Direito do Estado Policial. 8. Na medida em que o silêncio
corresponde a garantia fundamental intrínseca do direito constitucional de defesa, a mera
recusa de manifestação por parte do paciente não pode ser interpretada em seu desfavor
para fins de decretação de prisão preventiva. 9. Não se justifica a prisão para a mera
finalidade de obtenção de depoimento. 10. Ausência de correlação entre os elementos
apontados pela prisão preventiva no que concerne ao risco de continuidade da prática de
delitos em razão da iminência de liberação de recursos do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC). 11. Motivação insuficiente. 12. Ordem deferida para revogar a prisão
preventiva decretada em face do paciente.
(HC 91514, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 11/03/2008,
DJe-088 DIVULG 15-05-2008 PUBLIC 16-05-2008 EMENT VOL-02319-04 PP-00741)
13

i) proibição de provas ilícitas


- art. 5º, LVI, CF.

E M E N T A: FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA - APREENSÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E


DOCUMENTOS FISCAIS REALIZADA, EM ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE, POR
AGENTES FAZENDÁRIOS E POLICIAIS FEDERAIS, SEM MANDADO JUDICIAL -
INADMISSIBILIDADE - ESPAÇO PRIVADO, NÃO ABERTO AO PÚBLICO, SUJEITO À
PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL DA INVIOLABILIDADE DOMICILIAR (CF, ART. 5º, XI) -
SUBSUNÇÃO AO CONCEITO NORMATIVO DE "CASA" - NECESSIDADE DE ORDEM
JUDICIAL - ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA - DEVER DE
OBSERVÂNCIA, POR PARTE DE SEUS ÓRGÃOS E AGENTES, DOS LIMITES
JURÍDICOS IMPOSTOS PELA CONSTITUIÇÃO E PELAS LEIS DA REPÚBLICA -
IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO, PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, DE PROVA
OBTIDA COM TRANSGRESSÃO À GARANTIA DA INVIOLABILIDADE DOMICILIAR -
PROVA ILÍCITA - INIDONEIDADE JURÍDICA - "HABEAS CORPUS" DEFERIDO.
ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA - FISCALIZAÇÃO - PODERES - NECESSÁRIO
RESPEITO AOS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS DOS CONTRIBUINTES E DE
TERCEIROS. - Não são absolutos os poderes de que se acham investidos os órgãos e
agentes da administração tributária, pois o Estado, em tema de tributação, inclusive em
matéria de fiscalização tributária, está sujeito à observância de um complexo de direitos e
prerrogativas que assistem, constitucionalmente, aos contribuintes e aos cidadãos em
geral. Na realidade, os poderes do Estado encontram, nos direitos e garantias individuais,
limites intransponíveis, cujo desrespeito pode caracterizar ilícito constitucional. - A
administração tributária, por isso mesmo, embora podendo muito, não pode tudo. É que,
ao Estado, é somente lícito atuar, "respeitados os direitos individuais e nos termos da lei"
(CF, art. 145, § 1º), consideradas, sobretudo, e para esse específico efeito, as limitações
jurídicas decorrentes do próprio sistema instituído pela Lei Fundamental, cuja eficácia -
que prepondera sobre todos os órgãos e agentes fazendários - restringe-lhes o alcance
do poder de que se acham investidos, especialmente quando exercido em face do
contribuinte e dos cidadãos da República, que são titulares de garantias impregnadas de
estatura constitucional e que, por tal razão, não podem ser transgredidas por aqueles que
exercem a autoridade em nome do Estado. A GARANTIA DA INVIOLABILIDADE
DOMICILIAR COMO LIMITAÇÃO CONSTITUCIONAL AO PODER DO ESTADO EM
TEMA DE FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA - CONCEITO DE "CASA" PARA EFEITO DE
PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL - AMPLITUDE DESSA NOÇÃO CONCEITUAL, QUE
TAMBÉM COMPREENDE OS ESPAÇOS PRIVADOS NÃO ABERTOS AO PÚBLICO,
ONDE ALGUÉM EXERCE ATIVIDADE PROFISSIONAL: NECESSIDADE, EM TAL
HIPÓTESE, DE MANDADO JUDICIAL (CF, ART. 5º, XI). - Para os fins da proteção jurídica
a que se refere o art. 5º, XI, da Constituição da República, o conceito normativo de "casa"
revela-se abrangente e, por estender-se a qualquer compartimento privado não aberto ao
público, onde alguém exerce profissão ou atividade (CP, art. 150, § 4º, III), compreende,
observada essa específica limitação espacial (área interna não acessível ao público), os
escritórios profissionais, inclusive os de contabilidade, "embora sem conexão com a casa
de moradia propriamente dita" (NELSON HUNGRIA). Doutrina. Precedentes. - Sem que
ocorra qualquer das situações excepcionais taxativamente previstas no texto
constitucional (art. 5º, XI), nenhum agente público, ainda que vinculado à
administração tributária do Estado, poderá, contra a vontade de quem de direito
("invito domino"), ingressar, durante o dia, sem mandado judicial, em espaço
privado não aberto ao público, onde alguém exerce sua atividade profissional, sob
pena de a prova resultante da diligência de busca e apreensão assim executada
reputar-se inadmissível, porque impregnada de ilicitude material. Doutrina.
Precedentes específicos, em tema de fiscalização tributária, a propósito de escritórios de
contabilidade (STF). - O atributo da auto-executoriedade dos atos administrativos, que
traduz expressão concretizadora do "privilège du preálable", não prevalece sobre a
garantia constitucional da inviolabilidade domiciliar, ainda que se cuide de atividade
exercida pelo Poder Público em sede de fiscalização tributária. Doutrina. Precedentes.
ILICITUDE DA PROVA - INADMISSIBILIDADE DE SUA PRODUÇÃO EM JUÍZO (OU
PERANTE QUALQUER INSTÂNCIA DE PODER) - INIDONEIDADE JURÍDICA DA
PROVA RESULTANTE DE TRANSGRESSÃO ESTATAL AO REGIME
CONSTITUCIONAL DOS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS. - A ação persecutória
14

do Estado, qualquer que seja a instância de poder perante a qual se instaure, para
revestir-se de legitimidade, não pode apoiar-se em elementos probatórios
ilicitamente obtidos, sob pena de ofensa à garantia constitucional do "due process of
law", que tem, no dogma da inadmissibilidade das provas ilícitas, uma de suas mais
expressivas projeções concretizadoras no plano do nosso sistema de direito positivo. A
"Exclusionary Rule" consagrada pela jurisprudência da Suprema Corte dos Estados
Unidos da América como limitação ao poder do Estado de produzir prova em sede
processual penal. - A Constituição da República, em norma revestida de conteúdo
vedatório (CF, art. 5º, LVI), desautoriza, por incompatível com os postulados que regem
uma sociedade fundada em bases democráticas (CF, art. 1º), qualquer prova cuja
obtenção, pelo Poder Público, derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional,
repelindo, por isso mesmo, quaisquer elementos probatórios que resultem de violação do
direito material (ou, até mesmo, do direito processual), não prevalecendo, em
conseqüência, no ordenamento normativo brasileiro, em matéria de atividade probatória,
a fórmula autoritária do "male captum, bene retentum". Doutrina. Precedentes. - A
circunstância de a administração estatal achar-se investida de poderes
excepcionais que lhe permitem exercer a fiscalização em sede tributária não a
exonera do dever de observar, para efeito do legítimo desempenho de tais
prerrogativas, os limites impostos pela Constituição e pelas leis da República, sob
pena de os órgãos governamentais incidirem em frontal desrespeito às garantias
constitucionalmente asseguradas aos cidadãos em geral e aos contribuintes em
particular. - Os procedimentos dos agentes da administração tributária que
contrariem os postulados consagrados pela Constituição da República revelam-se
inaceitáveis e não podem ser corroborados pelo Supremo Tribunal Federal, sob
pena de inadmissível subversão dos postulados constitucionais que definem, de
modo estrito, os limites - inultrapassáveis - que restringem os poderes do Estado
em suas relações com os contribuintes e com terceiros. A QUESTÃO DA DOUTRINA
DOS FRUTOS DA ÁRVORE ENVENENADA ("FRUITS OF THE POISONOUS TREE"): A
QUESTÃO DA ILICITUDE POR DERIVAÇÃO. - Ninguém pode ser investigado,
denunciado ou condenado com base, unicamente, em provas ilícitas, quer se trate
de ilicitude originária, quer se cuide de ilicitude por derivação. Qualquer novo dado
probatório, ainda que produzido, de modo válido, em momento subseqüente, não
pode apoiar-se, não pode ter fundamento causal nem derivar de prova
comprometida pela mácula da ilicitude originária. - A exclusão da prova
originariamente ilícita - ou daquela afetada pelo vício da ilicitude por derivação -
representa um dos meios mais expressivos destinados a conferir efetividade à
garantia do "due process of law" e a tornar mais intensa, pelo banimento da prova
ilicitamente obtida, a tutela constitucional que preserva os direitos e prerrogativas
que assistem a qualquer acusado em sede processual penal. Doutrina. Precedentes.
- A doutrina da ilicitude por derivação (teoria dos "frutos da árvore envenenada")
repudia, por constitucionalmente inadmissíveis, os meios probatórios, que, não
obstante produzidos, validamente, em momento ulterior, acham-se afetados, no
entanto, pelo vício (gravíssimo) da ilicitude originária, que a eles se transmite,
contaminando-os, por efeito de repercussão causal. Hipótese em que os novos
dados probatórios somente foram conhecidos, pelo Poder Público, em razão de
anterior transgressão praticada, originariamente, pelos agentes estatais, que
desrespeitaram a garantia constitucional da inviolabilidade domiciliar. - Revelam-se
inadmissíveis, desse modo, em decorrência da ilicitude por derivação, os elementos
probatórios a que os órgãos estatais somente tiveram acesso em razão da prova
originariamente ilícita, obtida como resultado da transgressão, por agentes
públicos, de direitos e garantias constitucionais e legais, cuja eficácia
condicionante, no plano do ordenamento positivo brasileiro, traduz significativa
limitação de ordem jurídica ao poder do Estado em face dos cidadãos. - Se, no
entanto, o órgão da persecução penal demonstrar que obteve, legitimamente, novos
elementos de informação a partir de uma fonte autônoma de prova - que não guarde
qualquer relação de dependência nem decorra da prova originariamente ilícita, com
esta não mantendo vinculação causal -, tais dados probatórios revelar-se-ão
plenamente admissíveis, porque não contaminados pela mácula da ilicitude
originária. - A QUESTÃO DA FONTE AUTÔNOMA DE PROVA ("AN INDEPENDENT
SOURCE") E A SUA DESVINCULAÇÃO CAUSAL DA PROVA ILICITAMENTE OBTIDA -
15

DOUTRINA - PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RHC 90.376/RJ,


Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.) - JURISPRUDÊNCIA COMPARADA (A EXPERIÊNCIA
DA SUPREMA CORTE AMERICANA): CASOS "SILVERTHORNE LUMBER CO. V.
UNITED STATES (1920); SEGURA V. UNITED STATES (1984); NIX V. WILLIAMS (1984);
MURRAY V. UNITED STATES (1988)", v.g..
(HC 93050, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 10/06/2008,
DJe-142 DIVULG 31-07-2008 PUBLIC 01-08-2008 EMENT VOL-02326-04 PP-00700)

HABEAS CORPUS. QUEBRA DO SIGILO TELEFÔNICO. PROCESSO CIVIL. INDÍCIOS


DE COMETIMENTO DE CRIME. SUBTRAÇÃO DE CRIANÇA. DESCUMPRIMENTO DE
ORDEM JUDICIAL POR FUNCIONÁRIO DE COMPANHIA TELEFÔNICA, APOIADO EM
ALEGAÇÕES REFERENTES AO DIREITO DA PARTE NO PROCESSO. INEXISTÊNCIA
DE FUNDADO RECEIO DE RESTRIÇÃO IMINENTE AO DIREITO DE IR E VIR. NÃO
CONHECIMENTO.
1.- A possibilidade de quebra do sigilo das comunicações telefônicas fica, em tese,
restrita às hipóteses de investigação criminal ou instrução processual penal. No
entanto, o ato impugnado, embora praticado em processo cível, retrata hipótese
excepcional, em que se apuram evidências de subtração de menor, crime tipificado
no art. 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente.
2.- Não toca ao paciente, embora inspirado por razões nobres, discutir a ordem judicial
alegando direito fundamental que não é seu, mas da parte processual. Possibilitar que o
destinatário da ordem judicial exponha razões para não cumpri-la é inviabilizar a própria
atividade jurisdicional, com prejuízo para o Estado Democrático de Direito.
3.- Do contexto destes autos não se pode inferir a iminência da prisão do paciente. Nem
mesmo há informação sobre o início do processo ou sobre ordem de prisão cautelar.
Ausentes razões que fundamentariam o justo receio de restrição iminente à liberdade de
ir e vir, não é cabível o pedido de habeas corpus.
4.- Habeas corpus não conhecido.
(HC 203.405/MS, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em
28/06/2011, DJe 01/07/2011)

E M E N T A: "HABEAS CORPUS" - FILMAGEM REALIZADA, PELA VÍTIMA, EM SUA


PRÓPRIA VAGA DE GARAGEM, SITUADA NO EDIFÍCIO EM QUE RESIDE -
GRAVAÇÃO DE IMAGENS FEITA COM O OBJETIVO DE IDENTIFICAR O AUTOR DE
DANOS PRATICADOS CONTRA O PATRIMÔNIO DA VÍTIMA - LEGITIMIDADE
JURÍDICA DESSE COMPORTAMENTO DO OFENDIDO - DESNECESSIDADE, EM TAL
HIPÓTESE, DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL - ALEGADA ILICITUDE DA PROVA
PENAL - INOCORRÊNCIA - VALIDADE DOS ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO
PRODUZIDOS, EM SEU PRÓPRIO ESPAÇO PRIVADO, PELA VÍTIMA DE ATOS
DELITUOSOS - CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL DA
ILICITUDE DA PROVA - ALEGAÇÃO DE INÉPCIA DA DENÚNCIA - EXISTÊNCIA, NO
CASO, DE DADOS PROBATÓRIOS MÍNIMOS, FUNDADOS EM BASE EMPÍRICA
IDÔNEA - PEÇA ACUSATÓRIA QUE SATISFAZ, PLENAMENTE, AS EXIGÊNCIAS
LEGAIS - PEDIDO INDEFERIDO.
(HC 84203, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 19/10/2004,
DJe-181 DIVULG 24-09-2009 PUBLIC 25-09-2009 EMENT VOL-02375-02 PP-00871 RTJ
VOL-00211-01 PP-00303 RMP n. 43, 2012, p. 197-209)

j) razoável duração do processo


- art. 5º, LXXVIII, CF,
- todo processo demora: contraditório, prova e recurso exigem um tempo mínimo,
- o processo deve durar o tempo necessário, não pode ser demora excessiva,
- é errado falar em princípio da celeridade.

E M E N T A: PROCESSO PENAL - PRISÃO CAUTELAR - EXCESSO DE PRAZO -


INADMISSIBILIDADE - OFENSA AO POSTULADO CONSTITUCIONAL DA DIGNIDADE
DA PESSOA HUMANA (CF, ART. 1º, III) - TRANSGRESSÃO À GARANTIA DO DEVIDO
PROCESSO LEGAL (CF, ART. 5º, LIV) - "HABEAS CORPUS" CONHECIDO EM PARTE
E, NESSA PARTE, DEFERIDO. O EXCESSO DE PRAZO, MESMO TRATANDO-SE DE
DELITO HEDIONDO (OU A ESTE EQUIPARADO), NÃO PODE SER TOLERADO,
16

IMPONDO-SE, AO PODER JUDICIÁRIO, EM OBSÉQUIO AOS PRINCÍPIOS


CONSAGRADOS NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, O IMEDIATO RELAXAMENTO
DA PRISÃO CAUTELAR DO INDICIADO OU DO RÉU. - Nada pode justificar a
permanência de uma pessoa na prisão, sem culpa formada, quando configurado
excesso irrazoável no tempo de sua segregação cautelar (RTJ 137/287 - RTJ 157/633
- RTJ 180/262-264 - RTJ 187/933-934), considerada a excepcionalidade de que se
reveste, em nosso sistema jurídico, a prisão meramente processual do indiciado ou
do réu, mesmo que se trate de crime hediondo ou de delito a este equiparado. - O
excesso de prazo, quando exclusivamente imputável ao aparelho judiciário - não
derivando, portanto, de qualquer fato procrastinatório causalmente atribuível ao réu
- traduz situação anômala que compromete a efetividade do processo, pois, além de
tornar evidente o desprezo estatal pela liberdade do cidadão, frustra um direito
básico que assiste a qualquer pessoa: o direito à resolução do litígio, sem dilações
indevidas (CF, art. 5º, LXXVIII) e com todas as garantias reconhecidas pelo
ordenamento constitucional, inclusive a de não sofrer o arbítrio da coerção estatal
representado pela privação cautelar da liberdade por tempo irrazoável ou superior
àquele estabelecido em lei. - A duração prolongada, abusiva e irrazoável da prisão
cautelar de alguém ofende, de modo frontal, o postulado da dignidade da pessoa humana,
que representa - considerada a centralidade desse princípio essencial (CF, art. 1º, III) -
significativo vetor interpretativo, verdadeiro valor-fonte que conforma e inspira todo o
ordenamento constitucional vigente em nosso País e que traduz, de modo expressivo, um
dos fundamentos em que se assenta, entre nós, a ordem republicana e democrática
consagrada pelo sistema de direito constitucional positivo. Constituição Federal (Art. 5º,
incisos LIV e LXXVIII). EC 45/2004. Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Art.
7º, ns. 5 e 6). Doutrina. Jurisprudência. - O indiciado ou o réu, quando configurado excesso
irrazoável na duração de sua prisão cautelar, não podem permanecer expostos a tal
situação de evidente abusividade, ainda que se cuide de pessoas acusadas da suposta
prática de crime hediondo (Súmula 697/STF), sob pena de o instrumento processual da
tutela cautelar penal transmudar-se, mediante subversão dos fins que o legitimam, em
inaceitável (e inconstitucional) meio de antecipação executória da própria sanção penal.
Precedentes.
(HC 85237, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 17/03/2005,
DJ 29-04-2005 PP-00008 EMENT VOL-02189-03 PP-00425 LEXSTF v. 27, n. 319, 2005,
p. 486-508 RTJ VOL-00195-01 PP-00212)

Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL.


DECISÃO MONOCRÁTICA. INEXISTÊNCIA DE ARGUMENTAÇÃO APTA A MODIFICÁ-
LA. MANUTENÇÃO DA NEGATIVA DE SEGUIMENTO. EXCESSO DE PRAZO.
COMPLEXIDADE DO FEITO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. INOCORRÊNCIA.
CONEXÃO E DESMEMBRAMENTO. ANÁLISE DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIO.
INADEQUAÇÃO DA VIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A inexistência de
argumentação apta a infirmar o julgamento monocrático conduz à manutenção da decisão
recorrida. 2. O reconhecimento da inobservância da duração razoável do processo
não se traduz mediante análise aritmética dos prazos, mas deve ser compreendida
à luz da complexidade da marcha processual. Hipótese de ação penal originária em
que dezenas de delitos são imputados a 44 (quarenta e quatro) acusados, a revelar
especial intrincamento que justifica minimamente o elastecimento, mormente se
considerado o encerramento da instrução processual e as informações prestadas pelo
Tribunal local que dão conta da contribuição da defesa para a produção desse resultado.
3. A teor da Súmula 704/STF, “atração por continência ou conexão do processo do co-réu
ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados” não viola o devido processo
legal. Em tais casos, a unicidade de processamento e julgamento decorre das
particularidades do caso concreto, notadamente da especial correlação entre as supostas
infrações penais, razão pela qual esse juízo não é sindicável pela estreita e célere via do
habes corpus, avessa ao reexame do acervo fático-probatório. 4. Agravo regimental
desprovido.
(HC 130441 AgR, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Primeira Turma, julgado em
31/05/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-134 DIVULG 27-06-2016 PUBLIC 28-06-
2016)
17

4) JURISDIÇÃO E EQUIVALENTES JURISDICIONAIS

4.1) Conceito

Breve noção da trilogia estrutural:


- ação: direito ao exercício da atividade jurisdicional,
- jurisdição: função do Estado de solucionar os conflitos que lhe são apresentados,
- processo: instrumento através do qual a jurisdição opera.

Jus dicere: dizer o direito.

Função estatal, exercida pelo Poder Judiciário, que tem como finalidade resolver os conflitos
a ela apresentados.
 Fredie Didier Jr.: função atribuída a um terceiro imparcial de realizar o Direito.

4.2) Princípios fundamentais

a) Investidura:
- a jurisdição só pode ser exercida por quem o Estado investiu de poder para tanto,
- o cargo inicial para ingresso na carreira da magistratura é o de juiz substituto → aprovação
em concurso público de provas e títulos, exigindo-se do bacharel em direito no mínimo 3 anos
de atividade jurídica (art. 93, I, CF).

b) Territorialidade ou aderência ao território:


- o juiz deve exercer a função jurisdicional dentro de certo território definido pela lei
(competência).

c) Indelegabilidade:
- as atribuições jurisdicionais só podem ser exercidas pelos órgãos judiciais, não podendo ser
delegadas a outrem,
- atos de mero expediente, sem caráter decisório: art. 93, XIV, CF.

d) Inevitabilidade:
- a jurisdição é manifestação de um poder estatal e impõe-se imperativamente,
- as partes hão de submeter-se ao decidido pelo órgão jurisdicional (partes em situação de
sujeição).

e) Indeclinabilidade:
- monopólio estatal da jurisdição: os órgãos judiciais têm a obrigação de prestar a tutela
jurisdicional quando invocada, não lhe sendo mera faculdade,
- proibição de non liquet: o juiz não pode deixar de julgar alegando omissão na lei.

f) Inafastabilidade:
- art. 5º, inc. XXXV, da CF,
- a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.

g) Juiz natural:
- art. 5º, LIII, CF,
- juiz investido de jurisdição, com competência para análise do caso e imparcial,
- impede a criação de tribunais de exceção – art. 5º, XXXVII, CF.

4.3) Características

a) Unidade
- a jurisdição é uma só: manifestação de poder estatal,
18

- solução de conflitos de qualquer natureza,


- a divisão de trabalho entre os julgadores (competência) apenas facilita a atuação da
jurisdição.

b) Substitutividade:
- monopólio da atividade jurisdicional,
- o Estado substitui a vontade das partes, para solucionar o conflito ou efetivar um direito.

c) Definitividade ou imutabilidade:
- segurança jurídica: as decisões judiciais tendem a se tornar imutáveis (coisa julgada),
- ação rescisória e revisão criminal.

d) Inércia:
- a atividade jurisdicional deve ser provocada pela parte.

4.4) Jurisdição contenciosa e voluntária

Por meio da jurisdição contenciosa, solucionam-se conflitos entre as partes.

Jurisdição voluntária:
- o Judiciário realiza atividade de integração da vontade dos interessados, buscando a
produção de um efeito jurídico jurisdição,
- ex.: retificação de registro civil, interdição, divórcio com filho incapaz,
- para a corrente majoritária, não é atividade jurisdicional, é atividade administrativa exercida
por juiz (administração judicial de interesses privados).

TEORIA ADMINISTRATIVISTA TEORIA JURISDICIONALISTA


Não há lide, há interesses comuns. Não precisa haver lide, mas pode haver.
Não há partes, só interessados. Há partes.
Não há ação, há requerimento. Há ação.
Não há processo, há procedimento. Há processo, pois há contraditório.
Não há coisa julgada, há preclusão. Há coisa julgada.

4.5) Limites

A legislação interna de um país pode excluir a tutela jurisdicional em casos determinados


(limites internos). Da mesma forma, a necessidade de coexistência dos Estados também
acarreta limites no âmbito internacional.

a) Limites internacionais:
- ditados pela legislação interna,
- regra: o Estado exerce jurisdição no limite de seu território,
- ex.: arts. 16, 21, 22 e 23 NCPC, art. 1º CPP, art. 5o CP e art. 114 CF.

b) Limites internacionais de caráter pessoal:


- estados estrangeiros,
- chefes de estados estrangeiros,
- agentes diplomáticos

c) Limites internos:
- impossibilidade jurídica do pedido,
- controle de atos administrativos (o Judiciário pode controlar a legalidade do ato
administrativo, não o seu mérito).
19

4.6) Equivalentes jurisdicionais

São as formas não jurisdicionais de solução de conflitos.

Autotutela/ autodefesa:
- é a solução do litígio por um dos litigantes, pela força (justiça privada),
- em regra, é proibida (crime de exercício arbitrário das próprias razões/ abuso de poder),
- exemplos: desforço incontinenti (reação do possuidor quando alguém vai esbulhar – art.
1210, § 1º, CC), direito de retenção, legítima defesa (art. 25 CP), estado de necessidade,
direito de greve.

Autocomposição:
- solução dada pelos próprios litigantes, sem a interferência de terceiros,
- espécies:
 transação ou acordo,
 renúncia,
 reconhecimento do pedido.

Mediação:
- solução dada pelos próprios litigantes, com a colaboração de um terceiro, que os auxilia na
condução do acordo.

Arbitragem:
- a solução do conflito é dada por um terceiro escolhido pelas partes (árbitro),
- regida pela Lei n. 9.307/96,
- as partes envolvidas no conflito devem ser capazes (art. 1º),
- o litígio deve referir-se a direito patrimonial disponível (art. 1º),
- a arbitragem pode se fundamentar no Direito ou em equidade (art. 2º),
- convenção de arbitragem (arts. 3º):
 cláusula compromissória: cláusula contratual (art. 4º),
 compromisso arbitral: não há acordo prévio, a parte interessada manifestará à outra
parte sua intenção de firmar o compromisso (art. 6º e 9º),
- o árbitro precisa ser capaz e ter a confiança das partes (art. 13),
- o árbitro profere uma sentença, que vale como um título executivo judicial (arts. 31 e 515,
VII, NCPC),
- não cabe recurso da sentença arbitral e ela não pode ser revista pelo Poder Judiciário (art.
18),
- se houver vício na sentença arbitral, ela pode ser objeto de uma ação anulatória, perante o
Poder Judiciário (arts. 32 e 33),
- o árbitro tem poder de solucionar o conflito, mas não de executar suas decisões (art. 29). A
execução da sentença arbitral se dá perante o Poder Judiciário (art. 516, III, NCPC).
20

5) ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DOS TRIBUNAIS

5.1) Estrutura do Poder Judiciário brasileiro – art. 92 CF

SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL
(STF)
Ministros

TRIBUNAL SUPERIOR TRIBUNAL SUPERIOR


SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR SUPERIOR DO TRIBUNAL DE
ELEITORAL (TSE) (STM) TRABALHO (TST) JUSTIÇA (STJ)
Ministros Ministros Ministros Ministros

TRIBUNAIS TRIBUNAIS TRIBUNAIS


TRIBUNAIS TRIBUNAIS DE
REGIONAIS REGIONAIS DO REGIONAIS
MILITARES JUSTIÇA (TJ)
ELEITORAIS TRABALHO FEDERAIS (TRF)
Desembargadores Desembargadores
Desembargadores Desembargadores Desembargadores

JUÍZES DO
JUÍZES ELEITORAIS JUÍZES MILITARES JUÍZES ESTADUAIS JUÍZES FEDERAIS
TRABALHO

a) Supremo Tribunal Federal (STF):


- é o guardião da Constituição Federal,
- composto por 11 ministros, escolhidos entre cidadãos que preenchem os requisitos do art.
101 CF,
- tem sede na Capital Federal e jurisdição em todo o território nacional (art. 92, § 1º e 2º, CF),
- competência: originária (art. 102, I, CF) e recursal (art. 102, incs. II e III, CF).

b) Superior Tribunal de Justiça (STJ):


- uniformiza a interpretação da legislação federal,
- composto por 33 ministros, escolhidos entre cidadãos que preenchem os requisitos do art.
104 CF,
- tem sede na Capital Federal e jurisdição em todo o território nacional (art. 92, § 1º e 2º, CF),
- competência: originária (art. 105, I, CF) e recursal (art. 105, incs. II e III, CF).

c) Justiça eleitoral
- integra a justiça especializada,
- disciplinada nos arts. 118 a 126 CF,
- exerce função administrativa, jurisdicional, normativa e consultiva,
- registra e cassa o registro de partidos políticos, diretórios de partidos e candidatos; cria novas
zonas eleitorais; julga os crimes eleitorais; expede títulos eleitorais, etc.

d) Justiça militar
- integra a justiça especializada,
- disciplinada nos arts. 122 a 124 CF,
- tem competência para julgar os crimes militares.

e) Justiça do trabalho
- integra a justiça especializada,
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- disciplinada nos arts. 111 a 116 CF,


- julga controvérsias decorrentes da relação de trabalho, ações que envolvem o exercício do
direito de greve, ações sobre representação sindical, etc.

f) Justiça Federal:
- integra a justiça comum,
- disciplinada nos arts. 106 a 110 CF,
- julga os conflitos que envolvem, como autoras ou rés, a União Federal, suas autarquias,
fundações e empresas públicas federais, além de questões de interesse da Federação
(exemplo: disputa sobre direitos indígenas, crimes cometidos a bordo de aeronave ou navio e
crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro),
- tribunais regionais federais x seção judiciária x subseção judiciária x varas federais x
juizados.
 TRF 1ª Região: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão,
Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins.
 TRF 2ª Região: Espírito Santo e Rio de Janeiro.
 TRF 3ª Região: Mato Grosso do Sul e São Paulo.
 TRF 4ª Região: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
 TRF 5ª Região: Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e
Sergipe.

g) Justiça Estadual:
- integra a justiça comum,
- disciplinada nos arts. 125 e 126 CF e nas Constituições Estaduais,
- a competência dos TJ´s e dos juízes estaduais é residual,
- tribunal de justiça x comarcas x varas (cíveis, criminais, de família e sucessões, da fazenda
pública, etc) x juizados.

h) Conselho Nacional de Justiça (CNJ):


- disciplinado no art. 103-B CF,
- é um órgão administrativo do Poder Judiciário,
- exerce controle interno da magistratura, nos âmbitos administrativo, financeiro e disciplinar,
- é composto por 15 membros, com mandato de 2 anos, admitida 1 recondução,
- atos praticados pelo CNJ: expede atos normativos e recomendações; define o planejamento
estratégico e a avaliação institucional do Poder Judiciário; recebe reclamações contra
membros ou órgãos do Judiciário; julga processos disciplinares, etc.

CUIDADO: Tribunais de Contas (da União, do Estado ou dos Municípios), Tribunal de Justiça
Desportiva e Tribunal Marítimo são órgãos administrativos.

5.2) Funções típicas e atípicas do Judiciário

O Estado exerce suas funções pela atuação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário
(artigo 2º CF).

A função preponderante de cada poder é denominada função típica e a exercida


secundariamente é a função atípica.

5.3) Garantias dos magistrados

a) Garantias de independência

Vitaliciedade
- uma vez vencido o estágio probatório de 2 anos, o juiz permanecerá vitaliciamente no cargo
de magistrado,
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- o magistrado vitalício só pode ser exonerado do cargo por sentença judicial transitada em
julgado; durante os 2 anos de estágio probatório, o juiz vitaliciando pode ser exonerado por
decisão administrativa,
- em tribunais, a vitaliciedade é imediata (com a posse).

Inamovibilidade
- garantia de o juiz não ser removido de um lugar para outro, salvo a pedido,
- exceção: remoção compulsória, se configurado interesse público (ex.: quando há desvio de
conduta).

Irredutibilidade de subsídio:
- garantia econômica do magistrado, que não estará sujeito à redução de seu salário,
- art. 39, § 4º, CF: o vencimento do magistrado é por subsídio, em parcela única, sendo vedado
qualquer acréscimo,
- há pagamentos não abrangidos nos subsídios (ex.: indenizações).

b) Garantias de imparcialidade

A Constituição Federal e a legislação processual preveem impedimentos à atuação do


magistrado, visando garantir sua imparcialidade.

Vedações (proibições):
- exercer outro cargo ou função, salvo uma de magistério,
- receber custas ou participação em processo,
- dedicar-se à atividade político-partidária,
- receber auxílios ou contribuições de pessoas naturais ou jurídicas,
- exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos 3 anos do
afastamento do cargo, seja por aposentadoria ou exoneração.

6) COMPETÊNCIA

a) Noções introdutórias

Jurisdição una → diversos órgãos jurisdicionais.

Competência:
- é o critério pelo qual se estabelece qual o órgão jurisdicional idôneo para julgar uma causa,
- todo juiz competente possui jurisdição, mas nem todo juiz que possui jurisdição possui
competência.

b) Critérios determinantes da competência

b.1) Em razão da pessoa:


- determinada pela qualidade da parte,
- ex.: causas contra a União tramitam na Justiça Federal.

b.2) Em razão da matéria (material):


- determinada pela relação jurídica material, ou seja, pela matéria objeto do conflito,
- ex.: ação de divórcio é julgada na vara de família; ação penal é julgada na vara criminal.

b.3) Em razão da função (funcional ou hierárquica):


- determinada segundo a função desempenhada pelo órgão jurisdicional,
- ex.: competência do Tribunal de Justiça para julgar apelação de sentença proferida pelo juiz
estadual.
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b.4) Em razão do valor da causa:


- determinada pelo valor que se atribui à causa no momento da propositura da ação,
- ex.: juizados especiais.

b.5) Em razão do lugar (territorial):


- determinada pelo local onde a demanda deve ser ajuizada,
- ex.: a ação de reparação de dano sofrido em razão de acidente de veículos pode ser
proposta no foro do domicílio do autor ou do local do fato.

c) Qualidade da competência

COMPETÊNCIA ABSOLUTA COMPETÊNCIA RELATIVA


1 . Determinada pelo interesse público 1. Determinada para atender interesse
particular
2. Inderrogável pela vontade das partes 2. Derrogável pela vontade das partes
3. Pode ser conhecida de ofício 3. Não pode ser conhecida de ofício
4. Pode ser alegada por qualquer forma e 4. Só pode ser alegada pelo réu, na 1ª
em qualquer tempo e grau de jurisdição oportunidade que lhe couber falar nos
autos, sob pena da prorrogação de
competência
5. Em regra, as competências em razão da 5. Em regra, as competências em razão do
matéria, da pessoa e da função são lugar e do valor da causa são relativas
absolutas
O reconhecimento da incompetência acarreta a remessa dos autos ao juízo competente.
Os atos já praticados pelo juízo incompetente serão mantidos, até que o juízo competente
os reanalise.

d) Perpetuatio jurisdicionis: regra da perpetuação da competência

Determina-se a competência no momento em que a ação é proposta (registro ou distribuição


da petição inicial), sendo irrelevantes as modificações de fato ou de direito ocorridas
posteriormente.

Há duas exceções à regra da perpetuação da competência:


- se o órgão judiciário for suprimido,
- se houver alteração de competência absoluta.

e) Modificações da Competência (prorrogação, prevenção e eleição)

Ocorre quando se amplia a esfera da competência de um órgão judiciário para conhecer de


certas causas que, ordinariamente, não estariam enquadradas em sua esfera de atribuição.
 Somente a competência relativa pode ser modificada.

A prorrogação pode ser:


a) voluntária:
 as partes estabelecem foro de eleição em contrato,
 ou o réu não alega a incompetência relativa no prazo legal,
b) legal ou necessária:
 a lei prevê a reunião de ações que tramitam em juízos diferentes, para julgamento em
conjunto, evitando, com isso, decisões contraditórias. Decorre de conexão ou
continência.

Conexão:
- duas ou mais ações são conexas quando a causa de pedir ou o pedido delas é comum,
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- as ações somente são reunidas se ainda não tiver sido proferida sentença,
- é possível reunir-se ações sem conexão, para se evitar decisões conflitantes.

Continência:
- há continência entre duas ou mais ações quando há identidade quanto às partes e a causa
de pedir, mas o pedido de uma abrange o das demais,
- se a ação continente (mais ampla) foi proposta anteriormente: a ação contida (menos ampla)
é extinta sem resolução do mérito,
- se a ação contida foi proposta primeiramente, as ações devem ser reunidas.

f) Conflito de competência

Há conflito de competência quando mais de um órgão judicial se considera competente ou


incompetente para julgar a mesma causa. Será:
- positivo: quando 2 ou mais juízes se declaram competentes para a mesma causa,
- negativo: quando 2 ou mais juízes de declaram incompetentes para a mesma causa.

O conflito pode ser suscitado pelas partes, pelos juízes conflitantes ou pelo Ministério Público.

O conflito é julgado pelo tribunal hierarquicamente superior aos juízes/ tribunais onde se deu
o conflito. Exemplos:
- juiz estadual de Goiânia x juiz estadual de Anápolis: TJGO,
- juiz federal de Brasília x juiz federal de Goiânia: TRF 1ª Região,
- juiz federal de Goiânia x juiz federal de São Paulo: STJ,
- juiz estadual de Goiânia x juiz federal de Goiânia: STJ,
- TRF x TJ: STJ,
- TJGO e STJ: STF.

7) AÇÃO

a) Noções Introdutórias

A jurisdição é inerte: o cidadão precisa provocar sua atuação diante de um caso concreto.

Ação é o direito de exigir o exercício da atividade jurisdicional.

b) Natureza Jurídica

O reconhecimento da autonomia do direito de ação é um marco da aceitação do direito


processual como ciência.

A ação é um direito subjetivo, público, autônomo e abstrato:


- direito subjetivo porque a parte tem o direito de exigir do Estado o exercício da função
jurisdicional,
- direito público porque provoca a atuação do Estado,
- direito autônomo porque o direito de ação é diferente do direito subjetivo material a ser
tutelado,
- direito abstrato porque o direito de ação independe da existência efetiva do direito material
alegado.

c) Elementos da ação

Uma ação se identifica ou se difere de outra pela existência e configuração de três elementos:
partes, causa de pedir e pedido.
 Litispendência: duas ações idênticas tramitam ao mesmo tempo.
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 Coisa julgada: foi proposta uma nova ação, idêntica a uma primeira que já foi julgada.

Partes:
- são as pessoas envolvidas no litígio (autor e requerido, exeqüente e executado, etc.).

Causa de pedir:
- são os fundamentos de fato e de direito que justificam o pedido formulado,
- fundamentos de fato: fatos que caracterizam a ameaça ou a violação do direito,
- fundamentos jurídicos:
 são as consequências jurídicas que são extraídas dos fatos,
 fundamento jurídico não é fundamento legal: o juiz conhece o direito (“dê-me os fatos
que lhe darei o direito”).

Pedido:
- a parte vai a juízo para requerer uma providência (ou um provimento) do Poder Judiciário,
- o provimento solicitado visa tutelar um bem da vida.

d) Classificação

Ação de conhecimento: o juiz analisa as alegações das partes para dizer quem tem o direito.
Nessas ações, pode-se fazer pedido:
 condenatório: quando a parte visa o reconhecimento de uma obrigação de pagar,
fazer, não fazer ou entregar coisa,
 declaratório: a parte busca a declaração de existência, inexistência ou modo de ser de
uma relação jurídica,
 constitutivo: quando se pede a criação, modificação ou extinção de uma relação
jurídica.

Ação de execução:
- o direito está reconhecida num título executivo (documento que representa uma obrigação),
que pode ser judicial ou extrajudicial,
- o juiz adotará as medidas necessárias para a efetivação/ satisfação do direito representado
no título executivo.

8) PROCESSO

O processo completa a trilogia processual, pois, provocada a jurisdição pela ação, o juiz
solucionará o conflito mediante o processo.

a) Natureza jurídica e conceito

Natureza jurídica:
- o processo surge como instrumento de que dispõe o Estado-juiz para realizar o direito
subjetivo material violado no caso concreto,
- como a jurisdição é inerte, cumpre ao pretenso detentor do direito provocá-la, mediante a
ação,
- a ação se manifesta através de uma relação jurídica, de natureza processual, que se
denomina processo.

A relação jurídica processual é triangular: ao mesmo tempo em que há vínculo entre as partes
e o juiz, há também pontos de contato direto entre as partes.

Conceito: processo é a relação jurídica processual que une autor, juiz e réu, e que se
exterioriza e se desenvolve por uma sequência ordenada de atos.
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b) Processo, procedimento e autos

Procedimento é o aspecto formal do processo, a coordenação de atos que se sucedem,


conforme determinação legal. Pode ser:
- comum,
- especial.

Autos: são a materialidade dos documentos em que se corporificam os atos do procedimento.

c) Sujeitos do Processo

São sujeitos do processo:


- autor: ocupa o polo ativo, ou seja, acionou a jurisdição pelo exercício da ação,
- réu: ocupa o polo passivo e vai responder a demanda,
- juiz: responsável pela solução do conflito.

d) Pressupostos processuais

Para que o processo exista e seja válido, alguns requisitos devem ser preenchidos.

Pressupostos processuais de existência:


- subjetivos:
 órgão investido de jurisdição,
 capacidade de ser parte (quem tem personalidade civil, tem capacidade de ser parte),
- objetivo:
 existência de demanda (ato de provocação da atividade jurisdicional, que se
materializada através da petição inicial/ denúncia/ queixa-crime).

Pressupostos processuais de validade:


- subjetivos:
 competência do juízo e imparcialidade do juiz (o juiz não pode ser impedido ou
suspeito),
 capacidade processual ou capacidade de estar em juízo (apenas aqueles que são
habilitados à prática de todos os atos da vida civil têm essa capacidade. Os incapazes
precisam estar representados ou assistidos),
 capacidade postulatória (em regra, para postular em juízo, a parte deve estar
representada por um advogado),
- objetivos:
 respeito ao formalismo processual (ex.: petição inicial apta, citação válida, escolha
correta do procedimento, etc.),
 inexistência de:
 litispendência (repetição de uma ação que está em curso),
 coisa julgada (repetição de uma ação que já foi decidida, em que houve trânsito
em julgado),
 perempção (perda da faculdade de demandar contra o réu, pelo mesmo objeto,
quando o autor já deu causa, em outras três oportunidades, à extinção do
processo por abandono da causa),
 convenção de arbitragem (acordo entre as partes no sentido de que o conflito
será decidido por arbitragem).

e) Legitimidade e interesse

Legitimidade de partes:
- é o atributo jurídico conferido a alguém para discutir determinada situação jurídica litigiosa,
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- haverá legitimidade se houver vínculo entre os sujeitos da demanda e a situação jurídica


discutida,

- legitimidade ordinária: a parte pede, em nome próprio, direito próprio (é a regra),


- legitimidade extraordinária: a lei autoriza que alguém esteja em juízo em nome próprio
defendendo interesse de outrem.

Interesse processual:
- a prestação jurisdicional solicitada no caso concreto deve ser necessária e adequada,
- necessidade: impossibilidade de satisfação do direito alegado sem a intervenção estatal,
- adequação ou utilidade: relação entre a situação lamentada pelo autor ao vir a juízo e o
provimento jurisdicional concretamente solicitado.

9 – FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA

a) Ministério Público

É uma instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a


defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais
indisponíveis (art. 127 CF).

É considerada uma instituição sui generis, pois não está subordinada aos Poderes Judiciário,
Executivo ou Legislativo.

O MP pode atuar como:


- parte: em regra, como autor de demandas (ex.: ação penal, ação civil pública, ação de
improbidade administrativa, etc.),
- fiscal da ordem jurídica (custus legis): quando o processo envolve interesse publico ou social,
interesse de incapaz e litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.

O Ministério Público se divide em:


- MP da União:
 MP Federal (Procuradores da República),
 MP do Trabalho (Procuradores do Trabalho),
 MP Militar (Procurador Militar)
 MP do Distrito Federal e Territórios (seus membros em 1º grau são chamados de
Promotores de Justiça e, nos tribunais, de Procuradores de Justiça),
- MP dos Estados
 membros em 1º grau: Promotores de Justiça,
 membros nos tribunais: Procuradores de Justiça.

b) Advocacia

O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e


manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei (art. 133 CF).

O advogado pode atuar nas esferas privada e pública. Os advogados públicos defendem os
interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (administração direta
e indireta).

Advocacia Geral da União:


- a carreira de divide em:
 Advogado da União,
 Procurador Federal,
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 Procurador da Fazenda Nacional.

Procuradoria Geral do Estado:


- os advogados dos Estados e do Distrito Federal são denominados de Procuradores do
Estado.

Procuradoria do Município:
- os advogados dos municípios são denominados de Procuradores do Município.

c) Defensoria Pública

É uma instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe,


fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa dos
direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados (art. 134 CF).

Há Defensoria Pública:
- da União,
- dos Estados.

10 – AUXILIARES DA JUSTIÇA

Consideram-se auxiliares da justiça as pessoas que auxiliam o juiz na realização dos atos
processuais.

Escrivão:
- é responsável por documentar e executar atos processuais, bem como fazer o registro das
audiências e emitir certidões,
- incumbe a ele a formação dos autos do processo, bem como sua guarda e responsabilidade
em cartório,
- é auxiliado pelos escreventes.

Oficial de justiça:
- é responsável por realizar atos de comunicação processual (ex.: citação e intimação) e de
constrição judicial (ex.: penhora e busca e apreensão).

Perito:
- assiste o juiz quando a prova de um fato depende de conhecimento técnico ou científico,
- é profissional de confiança do juiz, devendo, preferencialmente, ter nível universitário, estar
inscrito no órgão de classe e ser especialista na matéria sobre que deverá opinar.
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QUESTIONÁRIO AED – vide plano de ensino

1) Estabeleça a relação do direito processual com o Direito Constitucional, o Direito Penal e o


Direito Civil.

2) Diferencie o direito processual civil e o direito processual penal.

3) Compare os princípios e as regras, apontando semelhanças e diferenças.

4) Diferencie o devido processo legal formal e o substancial.

5) Explique o que é um tribunal de exceção.

6) Tanto o Código de Processo Civil quanto o Código de Processo Penal estabelecem


causas que devem tramitar em segredo de justiça. Quais são elas?

7) Em relação aos tribunais brasileiros, conceitue o quinto constitucional.

8) Quais são os requisitos para alguém ser nomeado ministro do Superior Tribunal de
Justiça? E para o Supremo Tribunal Federal?

9) Com o Código de Processo Civil de 2015, a doutrina diverge se continuam a existir as


condições da ação.
9.1) Quais eram as condições da ação no CPC 1973? Explique cada uma delas.
9.2) Cite 2 argumentos no sentido de que as condições da ação continuam a existir no CPC
2015.
9.3) Cite 2 argumentos no sentido de que as condições da ação não mais existem no CPC
2015.

10) Quanto às condições da ação no processo penal:


10.1) explique cada uma delas,
10.2) elas sofreram alguma alteração em razão do CPC/2015?

11) Quanto à competência territorial:


11.1) qual a regra geral de competência territorial no processo civil?
11.2) qual a regra geral de competência territorial no processo penal?