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DOI: 10.1590/1413-81232017221.

19492015 321

L’Abbate S, Mourão LC, Pezzato LM, organiza- na produção de pesquisas, de livros, de projetos, de

RESENHAS BOOK REVIEWS


dores. Análise institucional & Saúde Coletiva. serviços. Esse e outros conceitos da análise institu-
São Paulo: Hucitec; 2013. cional são abordados nesse livro.
A obra é aberta com apresentação e prefácio de
Cinira Magali Fortuna 1 duas referências: de um expoente da Saúde Coletiva,
1
Departamento Materno-Infantil e Saúde Pública, Gastão Wagner de Souza Campos e de uma eminente
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universi- analista institucional brasileira, Heliana de Barros
dade de São Paulo. Conde Rodrigues, o que já indica o cruzamento des-
ses dois campos extravasando as fronteiras do livro.
Segundo Gilles Deleuze1 os livros são máquinas com- Na introdução, Solange L’Abbate nos apresenta
plexas e “Escrever é um fluxo entre outros que não de modo muito interessante a história do encontro
tem qualquer privilégio relativamente aos outros, e entre a análise institucional e a saúde coletiva, que
que entra em relações de corrente, de contracorrente, é também a história de um encontro pessoal e de
de turbilhão com outros fluxos”. Esse autor destaca formação dela com os professores franceses da
duas formas possíveis de se ler um livro: uma mais Universidade Paris 8 – Saint Denis - França, René
conhecida, a que busca significados e significantes e Lourau e Antoine Savoye.
outra mais “esquizo” que propõe o livro como máqui- Uma particularidade desse livro é que ele per-
na assignificante, cuja questão não é a interpretação mite ser lido de modo não linear ou em sequência
que fazemos dele, mas se funciona e como funciona, possibilitando inúmeras entradas, e até sua leitura
quais afetos dispara1. Quando fazemos resenhas, em por partes. Assim, é possível ler um tópico do final
geral, estamos no primeiro modo, na interpretação. e, sem problemas, voltar a um capítulo do meio ou
Aqui o ensaio é o de ficar entre os dois modos de ler, do início. Penso que meramente por fins didáticos a
se é que isso é possível. obra esteja organizada em seis partes, apresentadas
Os livros nos convidam a adentrar em paisagens a seguir na própria sequência encadeada.
e passagens pelas suas linhas e entrelinhas: podemos Na primeira parte, “Análise institucional, contri-
passar cruzando-as, entrelaçando-as, desatando-as e buições teórico-metodológicas”, três pesquisadores
desconectando-as. franceses, que viveram o momento de criação e de
Se os livros nos endereçam convites, diria que esse, anúncio da profecia inicial da análise institucional
intitulado “Análise Institucional & Saúde Coletiva” socioanalítica, fundada por René Lourau e Georges
convida-nos a uma reflexão sobre as instituições que Lapassade, com quem conviveram na Universidade
nos atravessam e modulam, ao mesmo tempo em de Paris 8, trabalhando e refletindo sobre as interven-
que as inventamos, as perpetuamos e até as dissol- ções realizadas, abordam três temáticas: Monceau, ao
vemos. Assim, os autores nos apresentam possíveis atualizar o modo de operar da socioanálise, propõe,
conexões entre duas instituições: a Saúde Coletiva e descreve e debate os oito princípios da socioclínica
a Análise Institucional, convidando-nos através de institucional. A seguir, Marchat, apresenta pontos
conceitos, experiências, experimentações e diferentes conectivos entre a análise institucional e a sócio
tipos de investigações e intervenções a compor novas -história. A partir de três exemplos, Marchat ilustra
paisagens. As instituições não são prédios, empresas a complexidade e a riqueza proveniente desses dois
ou estabelecimentos de trabalho, elas são formas e campos. No terceiro e último texto dessa parte, é a
forças que se expressam em movimentos instituídos, vez de Samson apresentar a escrita no trabalho de
instituintes, em processos de institucionalização, institucionalização e o efeito Goody, incorporado
conformando um movimento dialético contínuo. à Análise Institucional por Lourau e revisitado por
Elas se constituem, histórica e socialmente, ao mesmo Samson, indicando que as normas da escrita, por
tempo que nos constituem em nossa subjetividade. exemplo, da escrita acadêmica, já antecipa e condi-
A linguagem, a divisão técnica e social do trabalho, ciona a forma como a pesquisa é conduzida. A autora
a saúde, a educação, são exemplos de instituições. nos convida a pensar a partir de um exemplo vindo
Nelas se conforma aquilo que é permitido e correto da saúde, mais especificamente da enfermagem,
de se dizer, sentir, pensar e fazer, o que é proibido: o em que o modo como a anotação na passagem de
proscrito e o prescrito2. plantões entrelaça-se com o processo de institucio-
A Análise Institucional se propõe a dar visibilida- nalização da enfermagem, desde seus primórdios e
de e “dizibilidade” às inúmeras instituições que nos nos dias atuais com a busca da cientificidade e recusa
atravessam e compõem nossas práticas e relações. Para à subordinação médica.
a análise institucional estamos todos implicados nas Na segunda parte, “Arranjos teórico-metodológi-
instituições, em múltiplas ao mesmo tempo, e daí a cos em Análise Institucional: contribuições teórico-
importância da análise de implicação especialmente metodológicas”, estão as produções/investigações
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que nos convidam às reflexões sobre os caminhos A quinta parte é dedicada à articulação entre
metodológicos que escolhemos. A primeira é a “Análise institucional e saúde mental”. Luzio nos
contribuição a um debate muito atual de Pezzato apresenta o contraponto entre a atenção psicosso-
e Prado sobre as diferenças e as aproximações cial e a psiquiatria biológica em sua historicidade.
entre a pesquisa-ação e a pesquisa-intervenção. Jesus se dedica a analisar a institucionalização
No segundo texto, Sól reconstitui, à luz da análise de um serviço de saúde mental em um pequeno
institucional, na abordagem sócio-histórica, a município. Severo e Dimenstein discutem o am-
trajetória da medicina geral comunitária no Brasil. bulatório de saúde mental como analisador da
No terceiro, Jesus, Pezzato e Abrahão tratam do política de atenção psicossocial. Dorigan traz os
tema do uso de diário em pesquisas filiadas à AI, fóruns colegiados da saúde mental revisitados pela
trazendo reflexões sobre o uso dessa ferramenta análise institucional.
para o profissional de saúde. Na sexta e última parte, “Compartilhando re-
A terceira parte, “Análise institucional na flexões em análise institucional e outras análises”,
Atenção Primária: intervenções e novas análises”, o professor Emerson Merhy, de acordo com suas
apresenta textos relativos às pesquisas desenvolvi- próprias palavras, um autor implicado e militante3,
das em Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Nesse elabora um diálogo muito rico entre micropolí-
sentido, temas que vêm sendo abordados recente- tica do trabalho, educação permanente e análise
mente no campo da saúde como doenças crônicas institucional; Nascimento & Tedesco analisam os
degenerativas, grupos educativos com diabéticos efeitos de contágio entre a cartografia e a análise
e práticas integrativas e complementares, ganham institucional e Figueiredo aborda sua experiência
cores e contornos muito interessantes. Bilharinho com a formação acadêmica em Saúde Coletiva na
Júnior apresenta um estudo sobre o Lian Gong perspectiva da análise institucional socioanalítica
através de depoimentos dos seus praticantes, em e da esquizoanálise.
grande parte idosos; Fernandes Júnior aborda a Finalizando, não poderia deixar de exercitar
articulação entre o planejamento e a utilização das “minimalistamente” minha análise de implicação,
UBSs no cuidado às doenças crônico-degenerati- registrando aqui meu afeto e gratidão a todos
vas e Malaman analisa criticamente as atividades esses autores que são referências bibliográficas
de grupo desenvolvidas com diabéticos como um de minha formação acadêmica e referências de
analisador do caráter educativo desses arranjos. humanidade e generosidade na minha formação
A quarta parte, “Análise Institucional e im- inacabada de pessoa: que privilégio lê-los, que
plicações nas práticas profissionais”, é aberta por privilégio conhecê-los!
Abrahão trazendo a relação entre a gestão e a sub- Sem dúvida, este é um livro de grande rele-
jetividade nas equipes de saúde; a seguir é Spagnol vância para os estudiosos que buscam outros re-
que que interroga sobre os conflitos vivenciados e ferenciais para análise dos objetos de investigação
produzidos nas equipes de enfermagem, propondo e intervenção no campo da Saúde Coletiva, campo
o dispositivo socioanalítico para abordá-los. Os esse em tessitura, tensionado por forças instituídas
textos que vêm a seguir tratam da formação dos e instituintes: campo aberto para a invenção de
trabalhadores da saúde: Mourão e Luzio trazem novas formas de viver e de cuidar.
a trama da formação em medicina e psicologia
intermediada pelo dispositivo da vivência dos es- Referências
tudantes em unidades de saúde. Pensar a residência
médica e a análise de implicação dos residentes 1. Deleuze G. Conversações. Rio de Janeiro: Editora 34;
1992.
como dispositivo de formação é uma aposta de
2. Baremblitt G. Compêndio de análise institucional e
L’Abbate. A seguir, Vivot e Osório discutem a re- outras correntes: teoria e prática. Belo Horizonte: FGB/
levância da educação permanente em saúde para a IFG; 2012.
produção de redes de combate à dengue. Por fim, 3. Merhy EE. O conhecer militante do sujeito implicado:
Garcia retrata a vigilância e as redes de atenção, o desafio de reconhecê-lo como saber válido. In: Franco
TB, Peres MAA, organizadores. Acolher Chapecó: uma
abordando o processo de institucionalização da
experiência de mudança do modelo assistencial, com
atual vigilância em saúde. base no processo de trabalho. São Paulo: Hucitec; 2004.
v. 1. p. 21-45.