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Análise de Ergonomia e
Conforto no Posto de
Cobrador
Mateus Castellar¹
Universidade de Brasília
Área Especial 02 lote 14 – Setor Central, Caixa Postal 8114
Gama – DF – Brasil – 72405-210
-
2018
Índice

Introdução----------------------------------------------------------------------------------------------------------1
Metodologia--------------------------------------------------------------------------------------------------------1
Contextualização--------------------------------------------------------------------------------------------------1
Dados Experimentais--------------------------------------------------------------------------------------------5
TABELA 1-----------------------------------------------------------------------------------------------------------5
Survey---------------------------------------------------------------------------------------------------------------6
TABELA 2-----------------------------------------------------------------------------------------------------------7
Discussão-----------------------------------------------------------------------------------------------------------9
Conclusão-----------------------------------------------------------------------------------------------------------9
1
Resumo

Esse trabalho corresponde ao resultado de uma pesquisa realizada na cidade do Gama,


DF. Tem por objetivo analisar e estipular os requisitos mínimos para que o posto de trabalho
designado para a função de cobrador seja ergonômico, confortável e atenda, em
conformidade com as leis de não discriminação, aos todos os percentis antropométricos
entre 5% (feminino) e 95% (masculino). Para isso foi feito uso de uma revisão bibliográfica
bem detalhada e subsequentemente survey e medições física conduzidas no local de
trabalho.

Introdução

Ergonomia, a área de estudo que trata dos efeitos do trabalho e condições do ambiente de
trabalho, tem por objetivo analisar, quantificar e mitigar os riscos da profissão. Com o
crescimento contínuo do mercado de trabalho, é cada vez mais necessário certificar-se de
que a atividade profissional associada à um posto de trabalho não seja causa de doenças
ou condições de saúde crônicas e irreversíveis. Para tanto, as variabilidades populacionais
devem ser levadas em conta de forma que as medidas de segurança adotadas sejam não-
discriminatórias. É importante também levar em consideração as próprias limitações e
fragilidades do corpo humano, e respeitar as condições mínimas de conforto em para
atividades prolongadas.

Metodologia

Foi realizada uma revisão bibliográfica em torno dos assuntos de ergonomia do trabalho
no tocante à fatores relativos ao posto de trabalho de um cobrador. Esse embasamento
referencial é de grande importância para a definição dos riscos biomecânicos e dos fatores
ambientais do trabalho. Dessa forma, de acordo com o que foi levantado após a análise da
literatura disponível, foram realizados procedimentos experimentais para o caso específico
do qual se trata esse estudo. Além disso, foram distribuídos formulários de avaliação do
posto de trabalho para 10 profissionais usuários desse posto, de forma anônima.

Contextualização
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A fim de proporcionar ao estudo um levantamento efetivo dos fatores relacionados à


atividade laboral em questão, diversos artigos, livros e dissertações foram levados em
conta. Após a filtragem, aquelas bibliografías que se mostraram relevantes foram mantidas.
Para cada tópico a seguir estão brevemente descritas as características que determinam
seu teor e influência na saúde do trabalhador.

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Postura
Períodos prolongados de trabalho em posições desfavoráveis à postura podem causar
diversos tipos de lesão. Para a posição específica do posto em questão, o maior fator de
influência no conforto e na saúde dos cobradores é a ergonomia do assento. Logo, existem
requisitos que tipificam as dimensões e características mecânicas do mesmo.

12 - POLTRONA DO COBRADOR
12.1 A poltrona do cobrador deve ser anatômica, regulável,
acolchoada, e possuir ventilação, suspensão e amortecimento hidráulico ou
similar, e instalada sobre patamar de 0,15m a 0,20m acima do assoalho, no
caso de ônibus TIPO II, levando-se em consideração os aspectos
funcionais e de conforto do cobrador, minimizando o seu desgaste físico e
mental.
12.1.1 A poltrona do cobrador deve ter apoios laterais acolchoados
para os braços, sendo do lado de acesso, escamoteável.
12.1.2 No posto do cobrador deve existir apoio para os pés.
12.2 A poltrona deve permitir variações na altura entre 0,40m e
0,53m.
12.3 O assento da poltrona deve ter as seguintes dimensões:
a) largura entre 0,40m e 0,50m;
b) profundidade entre 0,38m e 0, 45m.
12.4 O encosto deve ser de forma trapezoidal, permitir ajustamentos
de forma contínua ou, pelo menos, em 5 (cinco) estágios de inclinação, de
95° (0,5277 π rad) a 105° (0,5833 π rad) com a horizontal, e ter as
seguintes dimensões:
a) base inferior variando de 0,40m a 0,50m;
b) base superior variando de 0,34m a 0,46m;
d) altura variando de 0,48m a 0,55m.
(ALVES, 1988, pág 10)

Vibração

De acordo com Silva e Mendes (2005) a vibração de corpo-inteiro (VCI) pode causar
efeitos adversos na coluna vertebral como lombalgia, degeneração precoce da região
lombar e hérnia de disco, entre outros. Boa parte da vibração que chega ao posto do
cobrador é proveniente do motor, sendo outra parte dependente da interação pneu/solo e
das características dinâmicas do veículo.

É plausível supor que a exposição à vibração em rodoviários esteja


associada à vigência de dores em mais de uma região corporal. Sabe-se
que trabalhadores do transporte estão especialmente expostos à vibração
de corpo inteiro, cujo efeito é potencializado pelo estado de conservação
das vias com destaque para os impulsos vibratórios gerados pelos
movimentos frequentes de parada e arrancada dos ônibus.
(SIMOES et al., 2016, pág 1371)

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Ruído
É considerado ruído o som ininteligível, persistente e incômodo que pode chegar às vias
auditivas do indivíduo. Se esse ruído se encontra em excesso, as capacidades cognitivas
do trabalhador podem ser afetadas. O aspecto emocional do trabalho também pode ser
afetado, podendo ocorrer estresse e desgaste intensificado, etc.

Uma peculiaridade da realidade de trabalho de motoristas de ônibus


urbano, é a exposição constante ao ruído e o conseqüente risco de perda
auditiva induzida por ruído (PAIR) […] A avaliação audiológica desses
motoristas revelou prevalência de PAIR de 46% no grupo considerado
como exposto e de 24% no definido como não exposto.
(SILVA & MENDES, 2005, pág 9 à 13)

Luminosidade

A correta iluminação do ambiente de trabalho é indispensável para manter local onde o


trabalhador se mantenha atento, disposto e confortável. Assim como a falta de iluminação, o
excesso pode levar o rendimento do indivíduo a ser prejudicado. Existem especificações em
relação aos níveis de luminosidade que devem ser aderidos no posto de cobrador.

18 - ILUMINAÇÃO INTERNA
18.1 A iluminação artificial do veículo deve ser produzida por fonte de
luz fluorescente ou equivalente com o comando da iluminação colocado
junto ao posto do motorista, sendo a alimentação feita por, no mínimo, dois
circuitos independentes.
18.2 O arranjo das luminárias deve oferecer uma iluminação
uniforme, com um índice de luminosidade não inferior a 200 lux para ônibus
TIPO II e 140 lux para ônibus TIPO 1, 1,0 m acima do nível do assoalho.
18.2.1 Deve-se assegurar um índice de luminosidade nunca inferior
a 200 lux sobre a mesa de trabalho no posto do cobrador […]
(ALVES, 1988, pág 10)

CO₂

O dióxido de carbono é um gás comum em qualquer ambiente, e não é considerado


tóxico. Entretanto, não é recomendável que haja exposição contínua, mesmo em ‘baixas’
concentrações. Já que a ventilação para esse posto de trabalho ser proveniente do ar
contaminado de gases de exaustão veicular, um cobrador pode estar exposto a níveis
prejudiciais de CO₂.
Exposições crônicas a baixas concentrações podem causar estresse e
mudanças emocionais, tais como aumento da irritabilidade, dor de cabeça,
problemas de visão, etc […] Pela legislação brasileira o limite de tolerância
4

para 48 horas/semana de trabalho é de 3.900 ppm ou 7.020 mg/m3 […] o


método de coleta para a análise de dióxido de carbono em ambientes de
trabalho, vem a ser a coleta de amostra em sacos e sua posterior análise
em laboratório.
(CARDOSO, 1989, pág.12 e 13)

Doenças Infecto-contagiosas

Qualquer ambiente pelo qual transitam grande número de pessoas, com origens e
destinos diversos, é foco de transmissão de doenças infecto-contagiosas. O transporte
público rodoviário não é exceção. Apesar disso, não existe grande risco de transmissão
direta (pelo toque), sendo significativo apenas o risco de transmissão pelo ar (espirros,
tosse, etc.).
Os indivíduos que trabalham com manipulação habitual de numerários
foram incluídos no grupo dos “expostos”, comparados com os “não
expostos” […] Não houve diferença estatisticamente significativa no número
de licenças médicas e no total de dias perdidos por doença infecto-
contagiosa nos dois grupos […] O contato laboral habitual com notas de
dinheiro não aumentou o risco de licenças médicas por doenças infecto-
contagiosas.
(HYEDA & COSTA, 2018, pág 1)

__________________________________________________________________________
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Dados Experimentais
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No dia 30 de setembro de 2018 foram coletados os dados experimentais disponíveis


a seguir. As medições foram realizadas numa corrida da linha de integração A203, indo do
terminal BRT no sentido rodoviária do Gama, iniciando-se às 18:00h. Em intervalos de cinco
em cinco minutos foram coletadas as medições de luminosidade, e a cada 7 minutos as
medições de ruído e vibração. Os resultados obtidos através de app's de celular podem ser
observados na tabela a seguir.

TABELA 1 V1 V2 V3 V4 V5

Luxímetro (lx) 295 219 271 215 264

Acelerômetro (G)

Decibelímetro (dB)
6
Além disso, foi feita uma pesquisa (survey), anônima, entre os profissionais que se
voluntariaram a responder o questionário a seguir.
7
Dez voluntários completaram as respostas do questionário. Cada participante da
pesquisa recebeu um número de identificação (ex: N₁, N₂, …), a fim de preservar seu
anonimato. A relação de respostas pode ser encontrada a seguir (TABELA 2)

TABELA 2 N₁ N₂ N₃ N₄ N₅ N₆ N₇ N₈ N₉ N₁₀

Qual atividade provoca maior cansaço?


Interação com 4 3 2 4 2 5 1 2 5 5
passageiros

Contar dinheiro 5 1 3 2 5 2 4 1 2 4
Comunicação com o 3 4 1 3 4 4 3 5 4 3
motorista

Ativar o leitor de cartões 1 2 5 1 3 3 2 4 3 1


Auxiliar usuários 2 5 4 5 1 1 5 3 1 2
preferenciais

Qual é a maior fonte de estresse?


Vibração 3 1 2 1 3 3 4 2 5 5
Calor/Frio 5 3 5 5 2 1 5 4 1 2
Barulho 1 2 1 3 1 4 3 5 3 1
Posição 2 4 3 2 4 5 2 1 4 3
Excesso/Falta de 4 5 4 4 5 2 1 3 2 4
iluminação

Após a jornada de trabalho, sente dores na cabeça?

sim não sim sim não não sim sim sim não

Sente dificuldade de ouvir ao chegar em casa?

não sim não não sim sim não sim não sim

Contrai gripes, intoxicação alimentar ou outras viroses com frequência?

sim não não não sim não sim não não não

Sente dificuldade de concentração, ou acha difícil contar dinheiro?

não sim não sim não não não não não não

Acha que seu fôlego tem diminuído desde que entrou na profissão?

não não sim não não sim não não sim sim

8
Em relação às porcentagens de desconforto respondidas em cada formulário foram
somadas e divididas pelo total de participantes. Dessa forma, o gráfico de colunas a seguir
representa a porcentagem de desconforto relativo em cada região A à L.

Foi também capturada uma imagem do posto de trabalho. Esse posto é configurado
por um assento amortecido certificado pelo Inmetro, uma caixa registradora e o terminal de
controle do leitor de cartão.

0,5m

1m

0,
4m m
0,4

0,45m
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Discussão
__________________________________________________________________________

De acordo com as medições das cotas realizadas no posto de trabalho, o assento se


encontra em conformidade com a norma do Inmetro (ALVES, 1988, pág 10). Portanto, é
razoável assumir que todos os percentuais antropométricos entre 5% (feminino) e 95% (masculino)
podem ser alocados ergonomicamente nesse posto de trabalho.
A média das medições de luminosidade (252,8 lx) é maior que o valor mínimo aceitável de
200 lx. Já que as medições foram realizadas num dos horários de menor luminosidade, é possível
considerar que os níveis de iluminação nesse posto de trabalho são aceitáveis em qualquer dado
momento.
Os dados obtidos pelo acelerômetro representam a aceleração nos três eixos ortogonais (x,
y, z) na caixa registradora. Como esse anteparo não é amortecido, foi possível notar um nível muito
alto de vibração. De acordo com a ISO 2631/1 de 1997, um valor de aceleração r.m.s maior que 2
m/s² é considerado extremamente desconfortável. Esse fator pode estar relacionado à intensidade de
desconforto elevada na área ‘G’ do formulário. Os valores médios de aceleração indicados eixo z são
muito maiores do que o que se encontra no plano horizontal, devido à irregularidades na pista. É
importante ressaltar que apesar do risco apresentado por esse anteparo, o assento possui encostos
próprios para o braço. Sendo assim, o contato com a caixa registradora não deve ser prolongado,
evitando apoiar-se na mesma.
O ruído no interior do veículo foi uma das fontes de estresse mais citada pelos voluntários da
pesquisa. Embora, a média dos valores medidos (79,5 dB) estar em conformidade com o limite legal
de 80 dB para um turno de 8h. Esse fator pode estar associado a intensidade de desconforto na àrea
‘A’ , além do fato de que metade dos voluntários demonstrou ter percebido uma perda parcial da
audição.

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Conclusão
__________________________________________________________________________

Diante dos fatos apresentados e da análise ergonômica do trabalho no posto de


cobrador realizada, é possível notar que a função exercida pelo cobrador nessa linha de
ônibus é relativamente segura. Os riscos apresentados estão nos limites estipulados pela lei
trabalhista, e não impõe dano irreversível ao trabalhador. No caso do excesso de vibração
vertical na caixa registradora é possível fazer melhorias no design do suporte, para que seja
integrado um conjunto mola-amortecedor no mesmo.
Embora as condições nesse posto de trabalho não sejam demasiadamente ruins, a
tendência dessa função é ser extinta. Na própria linha BRT, somente existem cobradores
nos ônibus de integração. Isso pode ser um resultado do custo humano para essa função
está sendo cada vez mais próximo do custo monetário. Levando as empresas de transporte
a preferirem automatizar essa função.
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Referências
__________________________________________________________________________

[1] AUTOR, Nome abreviado. Título (itálico). Ano de Apresentação. Número de Folhas.
Categoria – Insitituição, Local, ano.
[2] ALVES, R. C. CARROÇARIA DE ONIBUS URBANO : Padronização Regulamento
Técnico. 1988. 13. resolução nº 14/88 – CONMETRO, Brasília.
[3] CARDOSO, L. Determinação de Dióxido de Carbono por Titulação Potenciométrica
(gran) Após Absorção em Hidróxido de Sódio. 1989. 122. Dissertação – Instituto de
Química, Universidade de São Paulo.
[4] HYEDA A.; COSTA E. Análise da relação entre a manipulação habitual de notas de
dinheiro e o risco de doenças infeto-contagiosas. 2018. volume 5, 36-44. Artigo – Revista
Portuguesa de Saúde Ocupacional, online.
[5] SILVA L.F.; MENDES R. Exposição combinada entre ruído e vibração : seus efeitos
sobre a audição de trabalhadores. 2005. 9-17. Artigo – Rev Saúde Pública, São Paulo.
[6] SIMOES, M. R. L.; ASSUNÇAO, A. A.; MEDEIROS, A. M. Dor musculoesquelética em
motoristas e cobradores de ônibus da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Brasil. 2016.
12. Artigo – Ciência & Saúde Coletiva, Belo Horizonte.