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Da Metáfora à metáfora paterna

Marta D’Agord
2003

Introdução

Freud e Lacan encontram, na expressão latina Pater semper incertus est, uma
inscrição cultural para pensar a problemática da função do pai. O que é o Nome-do-Pai? Ele
é o nome próprio ao pai como nome, nomeado e também nomeante, e o nome do conjunto
dos nomes do pai. A nomeação “este pai, aquele pai” converte a linguagem em discurso,
permite a passagem da língua à fala (enunciação). O Nome-do-Pai está no limite entre o
significar (o nome) e o mostrar (este pai), e este limite é o lugar da linguagem.

A linguagem, na fala ou na escrita, pode ser utilizada para dizer mais do que
simplesmente informar ou comunicar. A estilística estuda os processos de linguagem que
nos permitem sugerir conteúdos (para além do conteúdo comunicado) por meio da
organização das palavras na oração. Do conjunto de recursos estilísticos, há um sub-grupo
chamado de recursos semânticos, cujas figuras de linguagem (tropos) principais são a
metáfora e a metonímia.

METÁFORA: designação de um objeto ou qualidade mediante uma


palavra que designa outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma
relação de semelhança (p.ex., ele tem uma vontade de ferro, para designar
uma vontade forte, como o ferro). ETIM lat. metaphòra,ae 'metáfora', do gr.
metaphorá,âs 'mudança, transposição', p.ext. em ret 'transposição do sentido
próprio ao figurado, metáfora'. Na base de toda metáfora está um processo
comparativo.

“Senti a seda do seu rosto em meus dedos”


"Há corações-hotéis, onde todo mundo entra, escandalosamente...”

METONÍMIA: 1 figura de retórica que consiste no uso de uma palavra fora do seu
contexto semântico normal, por ter uma significação que tenha relação objetiva, de
contigüidade, material ou conceitual, com o conteúdo ou o referente ocasionalmente pensado
[Não se trata de relação comparativa, como no caso da metáfora.] 1.1 relação metonímica de
tipo qualitativo (causa, efeito, esfera etc.): matéria por objeto: ouro por 'dinheiro'; pessoa por
coisa; autor por obra: adora Portinari por 'a obra de Portinari'; divindade: esfera de suas
funções; proprietário por propriedade: vamos hoje ao Venâncio por 'ao restaurante do
Venâncio'; morador por morada; continente pelo conteúdo: bebeu uma garrafa de
aguardente por 'a aguardente de uma garrafa'; conseqüência pela causa: respeite os meus
cabelos brancos por 'a minha velhice'.
“Meus olhos estão tristes porque você decidiu partir”
“Que bem verdade é que doze anos de lágrimas envelhecem a gente.”
“Comerás o pão com o suor do teu rosto. Esse pão custará lágrimas.”

Obs. A metonímia que indica a substituição do todo pela parte ou da parte pelo todo é
também chamada de sinédoque.

“Os olhos dela achavam sempre um par de olhos que iam em sua procura.”

Aplicação do conceito de metáfora na formulação do conceito de


metáfora paterna

Para compreender como Lacan toma o conceito de metáfora e o aplica ao conceito de


metáfora paterna, vamos seguir Etkin (1996), na análise de um exemplo clássico (extraído da
Poética de Aristóteles): a velhice está para a vida assim como a tarde está para o dia.

Velhice Tarde
Vida Dia

Parra que se possa fazer uma metáfora, tem que haver uma semelhança entre
velhice em relação à vida, como tarde em relação ao dia. A semelhança é o fator em
comum e é um significado. Nesse caso, o significado comum é declínio, que torna
equivalente velhice-vida, tarde-dia; poder-se-ia dizer: a velhice é o declínio da vida, do
mesmo jeito que a tarde é o declínio do dia. O termo que está entre velhice-vida, tarde-dia é
declínio, isso quer dizer, afirma Etkin (1996) que “esses quatro termos estão percorridos por
um mesmo significado, razão pela qual a constituição desses quatro termos é a condição de
possibilidade de se fazer uma metáfora que, segundo Aristóteles, a partir daqui se pode
construir esta frase, a metáfora propriamente dita: A velhice é a tarde da vida. (1996, p. 87)
Aristóteles diz que se deve substituir o segundo termo pelo quarto, ou seja, colocar o
segundo termo no lugar do quarto termo, que desaparece. Esse termo (dia) pode
desaparecer porque está em relação com os outros três termos.

Velhice Tarde → Velhice Tarde


Dia (4) Vida (2) Dia Vida

É importante considerar, como propõe Juranville (1987), que “na teoria lacaniana da
metáfora não se faz alusão a uma semelhança, mas à semelhança em geral. Para Lacan, a
metáfora é, radicalmente, o efeito da substituição de um significante por outro numa cadeia,
sem que nada de natural o predestine a essa função de –phora, exceto o tratar-se de dois
significantes, como tal redutíveis a uma oposição fonemática. (p. 138)

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Análise da metáfora contida no verso de Booz Adormecido: “Seu feixe não era avaro
nem odiento” (Vitor Hugo, escritor francês)

Na concepção comum, trata-se apenas de significado, e a palavra feixe é um signo


que significa determinado tipo de objeto. Mas Lacan parte da proposição, tal como está
escrita. A proposição afigura-se como um contra-senso, já que nenhum feixe manifesta
sentimento. Contudo, no seio desse contra-senso, e pelo fato de graças a ele as palavras
reencontrarem todo o seu poder significante, a significação irá emergir.

A similaridade entre feixe e Booz é dada pela posição. É pela similaridade de posição
que o feixe é literalmente IDÊNTICO ao sujeito Booz.
A sintaxe, a articulação posicional, nos diz o que é o sujeito e o que são seus
atributos. A condição da metáfora é essa articulação posicional que SEPARA (faz a
distinção) o sujeito de seus atributos. É isso o que nos indica que Feixe pode estar
substituindo Booz. O vínculo posicional é o que numa língua instaura essa dimensão da
ordem das palavras (sintaxe). Pedro mata Paulo não é a mesma coisa que Paulo mata
Pedro.
Se o feixe remete a Booz, é por substituí-lo na cadeia significante, no exato lugar que
o esperava. Se o doador desaparece junto com o dom, é para ressurgir naquilo que cerca a
figura em que ele se aniquilou. Pois há a irradiação da fecundidade – que anuncia a surpresa
celebrada pelo poema, a promessa que o ancião receberá de seu advento à paternidade.
Portanto, é entre o significante do nome próprio de um homem e aquele que o abole
metaforicamente que se produz a centelha poética, ainda mais eficaz aqui, para realizar a
significação da paternidade.

“A poesia moderna e a escola surrealista fizeram-nos dar um grande passo ao


demonstrar que qualquer conjunção de dois significantes seria equivalente para constituir
uma metáfora (...) A centelha criadora da metáfora não brota da presentificação de duas
imagens, isto é, de dois significantes igualmente atualizados. Ela brota entre dois
significantes dos quais um substituiu o outro, assumindo seu lugar na cadeia significante,
enquanto o significante oculto permanece presente em sua conexão (metonímica) com o
resto da cadeia.” (Lacan, 1998, p. 510).

Uma metáfora deve ser suportada e tomada num discurso. Qual é o significado? O
significado em geral do significante. E é o protótipo de qualquer metáfora, a metáfora
paterna, que permite determiná-lo.

A fórmula da metáfora:

S S’ → S I
S’ x s

Onde os S maiúsculos são significantes,


x é a significação desconhecida;
s é o significado induzido pela metáfora, que consiste na substituição, na cadeia
significante, de S’ por S. A elisão de S’, aqui representada pelo seu risco (S’), é a condição

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do sucesso da metáfora. O símbolo I (inconsciente) nos lembra que S’ foi recalcado graças à
substituição de S.

A metáfora exerce-se por um mecanismo de substituição que coloca um significante S


no lugar de outro significante S’. Qual é a conseqüência dessa substituição? Produz-se no
nível de S’ uma mudança de sentido. O sentido de S’, digamos s’, torna-se o novo sentido,
que chamaremos de s, por ele corresponder a S maiúsculo. É preciso que o S tenha entrado
em relação com o S’ para que o s minúsculo possa produzir o s’’(usamos s’’ para mostrar
que o sentido não é mais o anterior s’). A metáfora é sempre bem-sucedida desde que,
sendo isso executado, exatamente como numa multiplicação de frações, os termos se
simplifiquem e se anulem. O sentido é então realizado, depois de entrar em função no
sujeito.

Isso se aplica, assim, à metáfora do Nome-do-Pai, ou seja, à metáfora que coloca


esse Nome em substituição ao lugar primeiramente simbolizado pela operação da ausência
da mãe.
O significante primário S', para aquele a quem designamos de sujeito, é a mãe como
desejante, o desejo da mãe. Mas o que ela quer? Para essa pergunta a resposta deve ser
trazida justamente pela metáfora paterna. Quando a mãe deseja o pai tal como o bebê
deseja a mãe (e é esse desejo que faz do desejo da mãe um significante), isso significa que
é aquilo que falta à mãe, e que o pai possui, que se torna o significante efetivo do desejo do
bebê. Ou seja, o falo. O Nome-do-Pai não é o objeto, mas o significante-mestre. Sua
presença organiza o fato de que o homem em geral está inscrito no desejo que lhe é
intimado ao mesmo tempo que o valor do significante fálico (Juranville, 1987, p. 140)

Nome do Pai Desejo da Mãe → A


Nome-do-Pai
Desejo da Mãe Significado para o sujeito Falo

O Nome-do-Pai está para o desejo da mãe, assim como o desejo da mãe está para o
significado para o sujeito.

Lacan propõe: “Tentemos agora conceber uma circunstância da posição subjetiva em


que ao apelo do Nome-do-Pai corresponda, não a ausência do pai real, pois essa ausência é
mais do que compatível com a presença do significante, mas a carência do próprio
significante” (Lacan, 1998, p. 563).

Essa carência do significante deve ser entendida como carência da eficácia, como
carência de significância. É assim que Lacan, no Seminário III (As psicoses), aborda a
função simbólica, a realização simbólica e a função real do pai.

1. O pai enquanto função simbólica transmite é o nome (sobrenome);

2. A Realização simbólica do pai por via do conflito imaginário equivale ao Édipo


freudiano, isto é, seria pela via do conflito imaginário que se faria a integração simbólica.

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Esta dimensão imaginária aparece no fenômeno de agressividade contra o pai, no sentido de
querer ocupar o lugar do pai.

3. O pai enquanto real. “No delírio é a função real do pai na geração que vemos surgir
sob uma forma imaginária” (Lacan, 1985, p. 243).

No Seminário V, (As formações do Inconsciente), Lacan formaliza o complexo de


Édipo como estrutura, introduzindo o conceito de Metáfora Paterna. Enquanto estrutura,
estão em questão os lugares e as funções.
O pai é pai simbólico. O pai, no complexo de Édipo, é uma metáfora, isto é, um
significante que surge no lugar de outro significante. A função do pai no complexo de Édipo é
ser um significante que substitui o primeiro significante introduzido na simbolização, o
significante materno. Segundo a fórmula acima, o pai vem no lugar da mãe, S em lugar de S’,
sendo S’ a mãe como já ligada a alguma coisa que era o x, ou seja, o significado na relação
com a mãe.
É a mãe que vai e que vem. É por eu ser um serzinho já tomado pelo simbólico, e por
haver aprendido a simbolizar, que podem dizer que ela vai e que ela vem. Em outras
palavras, eu a sinto ou não sinto, o mundo varia com a sua chegada e pode desaparecer.
A pergunta é: qual é o significado? O que quer essa mulher aí? Eu bem que gostaria
que fosse a mim que ela quer, mas está muito claro que não é só a mim que ela quer. Há
outra coisa que mexe com ela: é x, o significado. E o significado das idas e vindas da mãe é
o falo.
A criança pode conseguir vislumbrar desde muito cedo o que é o x imaginário, e uma
vez tendo compreendido, fazer-se de falo. Mas a via imaginária deixa sempre alguma coisa
de aproximativo e insondável, ou até de dual, que gera todo o polimorfismo da perversão.
Qual é a via simbólica? É a via metafórica. Retomando o esquema acima. É na
medida em que o pai substitui a mãe como significante que vem a se produzir o resultado
comum da metáfora.
O elemento significante cai e o S se apodera, pela via metafórica, do objeto do desejo
da mãe, que então se apresenta sob a forma de falo.

“A presença do significante no Outro é, com efeito, uma presença vedada ao sujeito


na maioria das vezes, já que, comumente, é em estado de recalcado que ela persiste ali, que
dali insiste em se representar no significado, através de seu automatismo de repetição.(...) A
Verwerfung será tida por nós como foraclusão do significante. No ponto em que é chamado o
Nome-do-Pai, pode responder no Outro um puro e simples furo, o qual, pela carência do
efeito metafórico, provocará um furo correspondente no lugar da significação fálica. (Lacan,
1998, p. 564).

Que o falo seja um significante impõe que seja no lugar do Outro que o sujeito tem
acesso a ele. Mas, como esse significante só se encontra aí velado e como razão do desejo
do Outro, é esse desejo do Outro como tal que se impõe ao sujeito reconhecer, isto é, o
outro enquanto ele mesmo é um sujeito dividido pela Spaltung significante. Assim se formula
o fato kleiniano de que a criança apreende desde a origem que a mãe “contém” o falo.
Mas é na dialética da demanda de amor e da experiência do desejo que se ordena o
desenvolvimento. Se o desejo da mãe é o falo, a criança quer ser o falo para satisfazê-lo.
Assim, a divisão imanente ao desejo já se faz sentir por ser experimentada no desejo do
Outro, por já se oporá que o sujeito se satisfaça em apresentar ao Outro o que ele pode ter
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de real que corresponda a esse falo, pois o que ele tem não vale mais que o que ele não tem
para sua demanda de amor que quereria que ele o fosse. (Lacan, 1998, p. 700, texto: A
significação do Falo).
É preciso, em um outro momento, abordar como Lacan propõe a aplicação do
conceito de metonímia (deslocamento de sentido) à relação entre a cadeia significante
(cadeia simbólica, a fala, uma palavra depois da outra) e a cadeia significada (corrente de
significação, comparável à imagem do ponto de basta na estofaria).

Referências

Houaiss. Dicionário da Língua Portuguesa. Edição Eletrônica.


Etkin, G. (1996). Uma introdução a Lacan: o real e a metáfora paterna. Salvador (Ba):
Máthesis.
Juranville, A (1987) Lacan e a filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Lacan, J. (1985). O Seminário: Livro III: As psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Lacan, J. (1998). Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
“A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud”;
“A significação do Falo”;
“De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose”.
Lacan, J. (1999). O Seminário: Livro V: as formações do inconsciente (1957-1958). Rio
de Janeiro: Jorge Zahar.
Porge, E. (1998) Os nomes do pai em Jacques Lacan. Rio de Janeiro: Companhia de
Freud.