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CRÍTICA ELEIÇÕES 2018 (HTTPS://WWW1.FOLHA.UOL.COM.

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Jingles da campanha refletem crise criativa da


música popular
Candidatos misturam ritmos nordestinos ao sertanejo e cantam mudança

26.ago.2018 às 2h00

EDIÇÃO IMPRESSA (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/fac-simile/2018/08/26/)

Thales de Menezes

SÃO PAULO Quem escutar as músicas de campanha


(https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/com-crise-economica-jingles-de-presidenciaveis-defendem-volta-por-

já lançadas por candidatos à Presidência da República pode até


cima.shtml)

pensar que os compositores encarregados da tarefa tinham de seguir duas


regras rígidas: misturar apenas ritmos brasileiros populares, como sertanejo
e forró, e escrever as letras das canções a partir do verbo “mudar”.

A insatisfação com a crise econômica empurra os letristas a clamar por


mudanças. É curioso perceber que, entre as músicas divulgadas, apenas dois
candidatos não empregam esse verbo nos jingles. Talvez porque enfrentem
um impedimento semelhante.

Lula (PT) e Henrique Meirelles (MDB) podem estar associados demais à


situação instaurada no Brasil. Lula, pela quase década e meia de governo do
PT. Meirelles, porque há algumas semanas estava no comando econômico do
país.
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Qualquer um deles que falar em mudança corre o risco de oferecer um


convite ao descrédito imediato. A reação de algumas pessoas pode ser
perguntar por que então não mudaram alguma coisa antes, quando estavam
no poder.

Assim, as músicas de Lula e Meirelles falam, no máximo, em “melhorar” a


situação. Poeticamente, as duas letras usam o mesmo recurso no refrão, o
verbo “chamar”. Uma diz para chamar o Lula que ele dá jeito. A outra, para
chamar o Meirelles que a esperança vem bater à sua porta.

Musicalmente, essas duas seguem uma cartilha comum a todas: iniciar a


música em ritmo lento, quase uma balada, e logo injetar uma pulsação forte,
algo que muitos classificariam de “contagiante”.

Essa música para levantar correligionários é uma mistura disforme,


construída com violas caipiras, sanfonas e batuques. Uma espécie de trilha
sonora genérica para uma festa entre o caráter nordestino e o sertanejo.

De vez em quando, pode descambar para um peso maior, com pitadas de


reggaeton ou puro axé, caso da música de Ciro Gomes (PDT). Esta usa a
sonoridade do nome do candidato como mote rítmico, cantando “Cirô, ô, ô,
ô!”.
As canções mais rançosas são as escolhidas por Álvaro Dias (Podemos) e
Geraldo Alckmin (PSDB). Entre as inúmeras incitações às mudanças, têm
letras pueris, como jingles de candidaturas de décadas passadas.

Os versos de apoio a Dias são os mais antiquados, defendendo que ele é “o


cara que faz”. Quem não ouviu essa declaração antes em campanhas que
levante a mão. Já Alckmin traz uma letra que reforça sua marca como
“Geraldo”, recurso óbvio pela dificuldade que parte do eleitorado no país tem
para lidar com a grafia e a pronúncia de seu sobrenome.

Depois de “mudar”, outra palavra-chave para as músicas é “coragem”. Não


basta querer modificar as coisas, é preciso ter peito para impor as mudanças,
não?

Assim, é natural que essa palavra esteja nas letras das músicas dos
candidatos associados a discursos mais virulentos. Jair Bolsonaro (PSL) e
Ciro Gomes são retratados nos versos como homens “de coragem”. A letra
feita para a campanha de Bolsonaro é simplória, repetitiva, gruda no ouvido.

Já os compositores de Ciro exageraram. Apesar do refrão forte, aquele com


“Cirô, ô, ô, ô”, escreveram quatro estrofes diferentes para quase três minutos
de música. Além da conta.

Em oposição aos homens corajosos, Marina Silva (Rede) vem suave, com uma
música que abre como balada sertaneja para depois ganhar algum peso
percussivo. Não é nada marcante, não funciona. Mas vale registrar que é a
única que cita nos versos o nome do candidato a vice, Eduardo Jorge.

O hit parade da eleição apenas espelha a crise criativa que assola a música
popular no país. E até agora despreza o rap, que poderia contribuir com suas
letras de urgência e palavras de ordem.

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refletem-crise-criativa-da-musica-popular.shtml