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Mapa de Danos de edifícios modernos: Proposta para representação gráfica do

estado de conservação de fachadas em concreto aparente

Damage map of modern buildings: Proposal for graphical representation of the


state of conservation of facades in exposed concrete

Geovanna BRASIL1, Vanda ZANONI2


1
Universidade de Brasília, Brasília, Brasil, geovanna.brasil@aluno.unb.br
2
Universidade de Brasília, Brasília, Brasil, vandazanoni@unb.br

Resumo: O mapa de danos é um dos documentos pertencentes ao processo de inventário, cuja função é
registrar graficamente as manifestações patológicas da edificação patrimonial. No entanto, como
ferramenta sistematizada para os estudos do estado de conservação do patrimônio moderno, ainda há
pouca publicação. Além disso, nota-se uma carência de referências teóricas para a representação gráfica
padronizada das manifestações patológicas e sua gravidade. A não sistematização dos procedimentos para
representação gráfica no mapa de danos podem contribuir para a insuficiência de informações ou o
comprometimento do registro das mesmas, tanto nos processos de inventário quanto durante as fases de
manutenção ou reabilitação da edificação. Portanto, o objetivo deste artigo é apresentar um conjunto de
padrões, fundamentados pela Cartografia, para a representação gráfica das manifestações patológicas
características e recorrentes em fachadas em concreto aparente, sistema este representativo do
patrimônio moderno. Os procedimentos metodológicos propostos para a representação gráfica das
manifestações patológicas em mapa de danos foram aplicados em um estudo de caso. O resultado gráfico
obtido mostrou que o padrão adotado facilitou a leitura e a identificação das tipologias de danos, inclusive
a sua gravidade, garantindo um registro documental das informações do estado de conservação que pode
ser usado e atualizado ao longo do tempo de existência do patrimônio cultural.

Palavras-chave: Patrimônio Moderno, Mapa de Danos, Representação Gráfica, Modelo Padronizado,


Concreto Aparente.

Resume: The damage map is one of the documents belonging to the inventory process, whose function is to
record graphically the pathological manifestations of the patrimonial building. However, as a systematized
tool for the studies of the state of preservation of the modern patrimony, there is still little publication. In
addition, there is a lack of theoretical references for the standardized graphical representation of the
pathological manifestations and their severity. Failure to systematize the procedures for graphical
representation in the damage map can contribute to the insufficient information or the commitment of the
registry of the same, both in the inventory processes and during the phases of maintenance or reconversion
of the building. Therefore, the purpose of this article is to present a set of patterns, based on Cartography,
for the graphic representation of characteristic and recurrent pathological manifestations in facades in
exposed concrete, a system that is representative of modern patrimony. It is intended to establish some
methodological procedures for the graphic representation of the respective pathological manifestations, in
order to obtain a graphic result in the form of a damage map, in order that this information can be used and
updated in the patrimonial asset conservation processes.

Keywords: Modern Heritage, Damage Map, Graphic Representation, Standardized Model, Exposed Concrete.

1
1. Introdução

A representação gráfica, por meio da imagem, pertence a um sistema de sinais criado pelos homens para
armazenar, compreender e comunicar as suas observações (ARCHELA, 1999).
Quanto aos estudos sobre a conservação de edifícios patrimoniais, essas simbologias gráficas podem
contribuir com a identificação tipológica, frequência, extensão e localização de seus danos (SOUZA; RIPPER,
2009).
No entanto, muitos autores de mapas de danos adotam representação gráfica própria, baseada em
preferências pessoas, indicando a ausência de um padrão de referência que oriente o registro gráfico do
estado de conservação. Segundo Tinoco (2009), a existência de recomendações que pudessem estabelecer
procedimentos e interpretação de dados colhidos servem como suporte para as ações de conservação e
restauro, contribuindo para a autenticidade da materialidade e integridade da edificação.
Dessa forma, buscam-se alguns fundamentos da Cartografia para tratar os dados específicos que se deseja
representar no mapa de danos, com o propósito de padronizá-los e, consequentemente, otimizar a
comunicação das informações representadas no documento, ao longo do tempo da existência do bem
patrimonial.
No que diz respeito aos mapas de danos já publicados na literatura brasileira, grande parte desses
exemplares referem-se aos edifícios pertencentes à arquitetura tradicional e histórica, identificando-se
escassez de publicações sobre mapas de danos de edifícios patrimoniais modernistas.
Neste contexto, este trabalho apresenta um conjunto de padrões, embasados nos estudos cartográficos,
para a representação gráfica das principais manifestações patológicas características e recorrentes em
fachadas de concreto aparente em edifício modernistas. De modo a testar os padrões de representação
gráfica propostos, o trabalho traz a aplicação do método elaborado em um estudo de mapa de danos para o
Palácio Itamaraty em Brasília, capital do Brasil.
Considera-se que a proposta de um método que oriente os registros sobre o estado de conservação das
edificações patrimoniais é um facilitador para os procedimentos de gestão da manutenção, pois torna-se
uma ferramenta que permite o acompanhamento da evolução do estado de conservação e a fiscalização das
rotinas de preservação do patrimônio moderno.

2. Estudos sobre representação gráfica

Cada fenômeno a ser representado exige certa especificidade de imagem, ou seja, existem certas
representações gráficas que são mais adequadas que outras. Para Bertin (1967), a Semiologia Gráfica
promove relações de semelhança, de ordem e de proporcionalidade entre o conjunto de dados, a partir de
propriedades do plano, definindo um sistema de sinais. Qualquer associação entre os objetos a serem
exibidos podem ser expressos por meio de seis variáveis visuais, quatro níveis de organização de dados e três
modos de implantação, ilustrados na Figura 1.
Bertin (1967) denominou de variáveis visuais as seguintes propriedades: tamanho, valor, cor, forma,
orientação e granulação. Cada uma dessas variáveis visuais pode ser caracterizada pelo seu modo de
implantação, ou seja, por meio de pontos, linhas ou áreas (zonas). A associação entre os fenômenos e seus
objetos pode ser expressa por meio de relações quantitativas, quando os dados são de natureza numérica, e
são estabelecidas relações de proporção entre eles; relações de ordem, quando os dados apresentam
hierarquia; relações seletivas, quando os dados apresentam diferença entre si; e relações associativas,
quando os dados apresentam semelhança entre si.

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


Figura 1 - Quadro-Resumo da Semiologia Gráfica de Bertin. Fonte: CASTRO (2004); baseado em BERTIN (1967).

A variável cor possui poder de expressão e traz consigo um significado, podendo ser vista como um meio de
comunicação (ARHNEIM, 1994; GUIMARÃES, 2000). Goethe (2011) afirma que o cinza é o equilíbrio entre o
claro e o escuro, e que a noção perceptiva do grau de escuridão ou claridade proporcionado por determinado
tom de cinza pode variar de acordo com o fundo onde a imagem se encontra, podendo ser considerado um
indicativo de profundidade (SALLES, 2000; BACH JÚNIOR, 2015).
Guimarães (2000) explica que um objeto com cor passa a se tornar um signo. Dessa forma, a cor pode ser
vista como um elemento da linguagem visual, podendo assumir inclusive uma codificação cultural, como por
exemplo, em sistemas de segurança e alerta. O vermelho transmite a ideia de perigo e proibição,
contrapondo a mensagem do verde que transmite a ideia de permissão e segurança. Dessa forma, nota-se
que o signo que passa uma informação negativa tende a ser mais forte.

2.2 A cartografia como método científico

Archela (1999) ressalta que uma das formas de se estudar as imagens é analisar seus elementos e as relações
entre suas partes, na tentativa de compreendê-la pelo processo de decodificação. Considerando a imagem
do tipo figurativa e simbólica (onde o signo antecede a palavra), a imagem gráfica é monossêmica (BERTIN,
1967).

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


Dessa forma, Archela (1999) considera que, por definição, a interpretação e discussão sobre a palavra é
automaticamente determinada. Sob este olhar, a imagem é tão exata e objetiva quanto a matemática, pois
já é dedutiva a partir das definições iniciais: é uma imagem abstrata por dedução e precisamente codificada.
Uma representação gráfica efetiva e visualmente organizada permite a memorização de um grande volume
de informações. No entanto, o controle dos elementos “estéticos”, ou seja, reduzir a polissemia da imagem,
é um trabalho exaustivo.
O Quadro 1 descreve algumas etapas para a elaboração de uma representação gráfica.

Quadro 1 - Etapas para a elaboração de uma representação gráfica.


Fonte: BERTIN (1986); ARCHELA (1999).

ETAPAS DE DECISÃO INTERVENÇÃO GRÁFICA

Definir o problema Análise matricial do problema


Construir o quadro de dados (definir as questões)

Adotar uma linguagem de tratamento


Tratamento gráfico da informação
Tratar os dados, categorizando os dados
(descobrir as respostas)
exaustivos

Interpretar para decidir e comunicar os Representação gráfica de comunicação


dados simplificados (comunicar as respostas esperadas)

É possível considerar os estudos cartográficos como uma metodologia de pesquisa porque permite a análise
de um problema por meio de questões pertinentes, tais como: que tipo de relações existem entre as coisas
e que tipo de coisas os signos simplificam. Portanto, para a construção de um mapa, deve-se inicialmente
colocar no papel todos os elementos gráficos de uma mesma componente e suas possíveis posições ou
coordenadas, devendo ser feitos questionamentos do tipo: onde (diz respeito à sua posição), o que, em que
ordem e quanto (ARCHELA, 1999).
Toda representação gráfica começa por uma tabela de dados ou matriz. Nessa matriz estão alocados os
grupos de objetos e os grupos de atributos (relações Z). Dessa forma, a representação cartográfica é o
tratamento e transcrição desta matriz (ARCHELA, 1999).
Em relação ao tratamento gráfico dessas informações, esta etapa corresponde à forma de intervenção
gráfica. Nesse momento são escolhidas as representações gráficas por meio da simplificação e análise da
matriz, com o intuito de descoberta das relações entre os dados. A representação gráfica pode ser vista,
portanto, como a simplificação da informação complexa que facilite a memorização e o tratamento dos
dados, e deve ser formatada de tal modo que seja possível a leitura tanto do detalhe quanto do conjunto, e
vice e versa (ARCHELA, 1999).
Tanto o pesquisador que elabora o mapa quanto o leitor devem possuir a mesma noção perceptiva diante
da matriz. Dessa forma, ao ser elaborada a representação gráfica, deve-se analisar as questões (implícitas e
explícitas) que podem ser feitas pelo usuário (ARCHELA, 1999).
Archela (1999) enfatiza que a representação gráfica não se limita a imagem. Ela deve ser vista como um
instrumento de memorização, capaz de estabelecer classificações e categorizações. Por esse motivo, a
representação gráfica deve ser formatada por várias vezes, até que se consiga revelar todas as possíveis
relações de seu conteúdo.

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


2.3 Referenciais normativos

O documento técnico italiano NORMAL 1/88 traz padrões de representação com uma descrição, terminologia
e definições de alterações identificadas em materiais de pedras naturais e artificiais. Apesar de esta norma
ter sido substituída pela UNI 11182:2006, a análise de suas representações é relevante para o presente
trabalho.
Enquanto a NORMAL 1/88 trazia a simbologia gráfica juntamente com o registro fotográfico, a descrição e a
denominação do dano, a UNI 11182:2006 não contempla a representação gráfica por meio de símbolos, mas
estabelece a fotografia como a única forma de registro visual.
No entanto, ao observar o registro fotográfico da UNI 11182:2006 e a simbologia adotada pela NORMAL
1/88, percebe-se certa compatibilidade visual entre todas as representações, com clara semelhança visual
entre o que é apresentado na fotografia e a sua representação simbólica gráfica. Nota-se, portanto, uma
preocupação em representar o fenômeno pelo efeito visual que ele provoca.
Gallois (2009) produziu para o IPHAN uma normativa para representação de danos de materiais lapídeos,
baseada na metodologia da ICCROM-UNESCO (Stone Conservation Course, Venezia, 2009) e na normativa
italiana UNI 11182:2006, já mencionada. Utilizando o mesmo exemplo dos documentos normativos
anteriores, percebe-se certa semelhança gráfica entre as simbologias, e mesmo sendo um documento
baseado na normativa UNI 11182:2006 mais atualizada, ainda assim, a autora optou pela simbologia gráfica
ao invés do registro por meio de fotografia.

3. Proposta de método para representação gráfica de manifestações patológicas em fachadas


modernistas em concreto armado aparente

A partir de uma sequência de procedimentos, o método proposto no presente trabalho estabelece algumas
etapas principais para a elaboração gráfica de padrões de representação gráfica de manifestações
patológicas recorrentes em fachadas modernistas em concreto armado aparente. O método proposto
consiste em estabelecer um conjunto de dados a serem representados e suas correlações. Essas associações
trazem como resultado final a composição de uma matriz. Na sequência, a matriz é analisada e os padrões
de representação gráfica são finalmente definidos.

3.1 Etapa 01: Decisões gráficas prévias


Esta etapa consiste na escolha e definição dos dados que serão representados no mapa de danos e como
essas informações estão correlacionadas. Define-se como tema central o registro gráfico, por meio de um
documento conhecido por mapa de danos, de informações relacionadas com o estado de conservação de
fachadas de edificações modernistas em concreto armado aparente.
Entre essas informações1, encontram-se como conteúdo do desenho gráfico do mapa de danos:

 A superfície da fachada, contendo os principais elementos e componentes construtivos que


compõem a edificação;
 As manifestações patológicas ocorridas no concreto armado aparente da edificação;
 As regiões reabilitadas feitas com algum componente para reparo, realizadas nas fachadas em
concreto aparente;
 O estágio de gravidade das manifestações patológicas diagnosticadas e representadas
graficamente.

1No presente método, não foram contempladas anomalias congênitas, tais como: junta de forma, ninho de concretagem, abertura
de forma e mancha de concretagem.
Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente
Especifica-se a forma como serão abordadas as representações gráficas:

 As manifestações patológicas e regiões reabilitadas serão representadas no desenho gráfico da


edificação, por meio dos recursos visuais dos símbolos pontuais, linhas, manchas de texturas e
cores. Essas representações promovem associações seletivas entre os dados;
 As cores serão utilizadas apenas como indicador visual de gravidade dos danos representados.
Essas representações promovem associações de quantidade e de ordem entre os dados.

As informações presentes no desenho gráfico do mapa de danos podem ser categorizadas como
componentes gráficos. Determina-se, portanto, os dados gráficos e modo de implantação, correspondentes
a cada componente.
O Quadro 2 detalha todos os parâmetros cartográficos adotados. Após a escolha e definição dos parâmetros
cartográficos do mapa de danos proposto, determina-se no Quadro 3, a entidade de cada componente
gráfico.

Quadro 2 - Parâmetros cartográficos do mapa de danos proposto.


Fonte: AUTORAS, 2018; baseado em BERTIN, 1986 apud ARCHELA, 1999.
COMPONENTE MODO DE VARIÁVEIS
DADO GRÁFICO
GRÁFICO IMPLANTAÇÃO VISUAIS
Vegetação Ponto Forma
Fissura Linha Forma
Manifestações
Patológicas Mancha Área Forma
Perda de seção Área Forma
Corrosão de armadura Ponto/linha Forma
Estágio 1 - Cor

Estágio 2 - Cor
Gravidade
Estágio 3 - Cor

Estágio 4 - Cor
Concreto armado aparente Área Cor
Elementos e Componentes Fachada Cortina
Área Cor
Construtivos (caixilhos metálicos e panos de vidro)
Componente para reparo Área Cor

Regiões reabilitadas Reparos nas fachadas de concreto aparente Ponto/linha/área Forma

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


Quadro 3 – Entidade de cada componente gráfico.
Fonte: AUTORAS, 2018; baseado em BERTIN, 1986 apud ARCHELA, 1999.
COMPONENTE GRÁFICO ENTIDADE
Manifestações patológicas Objeto
Gravidade Atributo
Elementos e componentes construtivos Atributo
Regiões reabilitadas Objeto/Atributo

Para que seja possível atribuir gravidade ao componente gráfico manifestações patológicas, foram listadas e
codificadas as suas principais categorias. O Quadro 4 traz essa subdivisão.
Com base nas decisões e escolhas feitas até então, sintetiza-se a ideia geral da representação gráfica
proposta por meio da formatação de uma matriz das informações gráficas já definidas, a qual pode ser
melhor observada no Quadro 5.

Quadro 4 - Categorias de manifestações patológicas e seus respectivos códigos. Fonte: AUTORAS, 2018.
DADO GRÁFICO CATEGORIAS CÓDIGO
Micro vegetações daninhas V1
Vegetação Vegetações daninhas com caule e raízes frágeis V2
(V) Vegetações daninhas com raízes firmes e superficiais V3
Vegetações daninhas com raízes profundas V4
Para aberturas menores que 0,2 mm F1
Fissuras Para aberturas iguais ou maiores que 0,2 mm e menores que 0,4 mm F2
(F) Para aberturas iguais ou maiores que 0,4 mm e menores que 0,6 mm F3
Para aberturas iguais ou maiores que 0,6 mm F4
Sujidade localizada M1
Alteração cromática M2
Biológica - Bolor M3
Pontos de umidade M4
Manchas Sujidade generalizada M5
(M) Pichação M6
Início de eflorescência M7
Umidade localizada M8
Eflorescência avançada M9
Umidade generalizada M10
Lascamento ou esfoliação pontual do concreto PS1
Desagregação do concreto PS2
Perda de seção
(PS) Destacamento de concreto com exposição da armadura PS3
Destacamento, esfoliação ou desagregação de concreto com perda
PS4
significante de massa do elemento estrutural
Pontos de corrosão sem fissuras CA1
Corrosão de armadura Manchas de corrosão com fissuras CA2
(CA) Manchas de corrosão com fissuras e perda de seção do aço CA3
Barra de aço seccionada CA4

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


Quadro 5 – Matriz de informações gráficas para o mapa de danos.
Fonte: AUTORAS, 2018 baseado em BERTIN, 1986 apud ARCHELA, 1999.
ATRIBUTOS
Gravidade Intervenção

Regiões reabilitadas
Estágio 01 Estágio 02 Estágio 03 Estágio 04
na fachada de concreto

V1 X
F1 X
M1 X
PS1 X
V2 X
F2 X
M2 X
M3 X
M4 X

Concreto Aparente
M5 X

Elementos e componentes construtivos


M6 X
PS2 X
V3 X
F3 X

ATRIBUTOS
OBJETOS

M7 X
M8 X
PS3 X
V4 X
F4 X
M9 X
M10 X
PS4 X
CA1 X
Armadura

CA2 X
CA3 X
CA4 X
Componente
para reparo

R X

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


3.2 Etapa 02: Manipulações gráficas
Nesta fase, as informações gráficas passam por análises e posterior intervenção gráfica. De modo a facilitar
este processo, foram estabelecidas algumas tarefas principais.

3.2.1 – Tarefa 01: Análise da matriz

A análise da matriz (Quadro 5) contempla estudos sobre as relações formadas entre os objetos e seus
atributos e quanto à natureza do problema exposto pela representação gráfica. No caso das manifestações
patológicas, a análise contempla questionamentos sobre o tipo de atribuições que cada objeto pode assumir:
tipos de materiais, gravidade e de que forma isso pode ser implantado visualmente.

3.2.2 - Tarefa 02: Tratamento gráfico dos dados

Nesta etapa são feitas as devidas composições gráficas entre os objetos e seus atributos e são finalmente
decididas as representações gráficas que entram na composição do produto gráfico final.

3.2.3 - Tarefa 03: Composição entre os componentes gráficos

Decidiu-se pela composição entre os componentes gráficos gravidade e manifestações patológicas, de forma
a indicar por meio de cores o estado de gravidade das manifestações patológicas diagnosticadas e
representadas, conforme já apresentado na etapa 01. De acordo com os parâmetros escolhidos para medir
o nível de gravidade, apresentados no Quadro 5, define-se o critério utilizado para as correspondências
(manifestação patológica - gravidade) e a sua respectiva cor (variável visual do componente gráfico
gravidade):

 Estágio 01 (baixa gravidade): corresponde ao mais baixo nível de gravidade, indicando


regiões que possuem manifestações patológicas em estágio inicial. Decidiu-se pela cor verde:
padrão RGB2, de coordenadas (128,255,128);
 Estágio 02 (moderada gravidade): corresponde a um nível médio de gravidade, indicando
regiões que já apresentam algum tipo de manifestação patológica significativa e em evolução
para um nível superior. Decidiu-se pela cor amarelo: padrão RGB, de coordenadas
(255,255,0);
 Estágio 03 (alta gravidade): corresponde a um nível alto de gravidade, indicando regiões que
já apresentam manifestações patológicas em estado crítico. Decidiu-se pela cor laranja:
padrão RGB, de coordenadas (255,140,0);
 Estágio 04 (gravidade avançada): corresponde a um nível muito alto de gravidade, indicando
regiões que possuem manifestações patológicas em estágio avançado. Decidiu-se pela cor
vermelho: padrão RGB, de coordenadas (254,0,0).

O Quadro 5 apresenta em qual nível de gravidade cada categoria de manifestação patológica está
enquadrada. Entretanto, de modo a facilitar o entendimento e utilização dessas correspondências, foram
formatadas algumas réguas graduadas de gravidade.

2 De acordo com Gaspar (2009), o modelo conhecido por padrão RGB, sigla que significa: red, green e blue (tradução: vermelho, verde
e azul), considera que todas as cores estão dispostas em um espaço tridimensional. Dentro desse espaço, os eixos correspondem às
cores vermelho, verde e azul, estando graduados de 0 a 255. Dessa forma, cada cor corresponde a uma coordenada RGB (x,y,z)
específica, variando de 0 a 255.
Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente
 Régua graduada de gravidade para vegetação

A manifestação patológica causada pelo crescimento de vegetação nas edificações foi dividida em estágios
de gravidade, conforme pode ser observado na Figura 2.

Figura 2 - Régua graduada de gravidade para vegetação. Fonte: AUTORAS, 2018.


Explicam-se os diferentes estágios de progressão da vegetação parasita como: estágio 1, codificado por V1,
indica o surgimento de micro vegetações daninhas. O estágio 2, de código V2, indica a existência de
vegetações daninhas pequenas com caules e raízes finas e de aspecto frágil. O estágio 3, indicado por V3, já
são observadas vegetações daninhas com sinais de crescimento de raízes para dentro do substrato da
edificação. Finalmente, o estágio 4 (codificado por V4) indica a presença de vegetações com raízes profundas,
de difícil extração, podendo provocar danos de destacamento e entrada de umidade.

 Régua graduada de gravidade para fissuras

A régua graduada apresentada na Figura 3 indica cada estágio de gravidade do dano fissura. A dimensão de
sua abertura será o parâmetro de classificação de gravidade, melhor representado por quatro diferentes
estágios.

Figura 3 - Régua graduada de gravidade para fissuras.


Fonte: AUTORAS, 2018; baseada em GASPAR, 2009; NBR 6118:2014 e NBR 15575-2:2013.

De acordo com a Figura 3, as cores ficam cada vez mais forte à medida que a dimensão de abertura da fissura
aumenta. Dessa forma, nomeia-se de estágio 1 todas as fissuras menores que 0,2 mm. As pertencentes ao
estágio 2 são todas aquelas aberturas com dimensão igual ou maior que 0,2 mm e menores que 0,4 mm.
Todas as fissuras de dimensões iguais ou maiores que 0,4 mm e menores que 0,6 mm pertencem ao estágio
3. No estágio 4 estão todas aquelas fissuras iguais ou maiores que 0,6 mm.

 Régua graduada de gravidade para manchas

No caso das manchas, o parâmetro de análise de gravidade é atribuído à sua origem ou causa. Dessa forma,
obedecerá a régua graduada da Figura 4.

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


Figura 4 - Régua graduada de gravidade para manchas. Fonte: AUTORAS, 2018; adaptado de GASPAR, 2009.

As diferentes tipologias de mancha resultam em diferentes graus de gravidade. Portanto, dependendo da


origem, causa ou mecanismo da mancha, ela será representada por cores diferentes, conforme o estágio de
gravidade determinado pela régua graduada.

 Régua graduada de gravidade para perda de seção

Criou-se, como parâmetro de classificação de gravidade para a manifestação patológica perda de seção, a
régua graduada da Figura 5.

Figura 5 - Régua graduada de gravidade para perda de seção.


Fonte: AUTORAS, 2018; baseada em GDE/UnB, 2009.

A cada etapa de avanço desse tipo de manifestação patológica, haverá uma maior exposição dos
componentes às intempéries. Portanto, quanto mais avançada for a manifestação patológica, maior será seu
nível de gravidade.

 Régua graduada de gravidade para corrosão de armadura

No caso da corrosão de armadura, o parâmetro de análise de gravidade obedece a régua graduada da Figura
6.

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


Figura 6 - Régua graduada de gravidade para corrosão de armadura.
Fonte: AUTORAS, 2018; baseado em ANDRADE, 1992.

Como pode ser observado, estabeleceu-se alguns estágios de avanço da manifestação patológica, desde seu
início até o seu estágio mais avançado. Atentou-se também para os critérios de segurança do componente
estrutural armadura: conforme o processo de corrosão alcança estágios mais avançados e mais distantes dos
fatores de segurança, mais grave a manifestação patológica se apresentará.

3.3 Escolha das representações gráficas

Como forma de registro gráfico dos componentes e elementos construtivos, foram escolhidas texturas
sólidas de tonalidades na cor cinza, conforme a régua graduada da Figura 7.

Figura 7 – Régua graduada de tonalidade na cor cinza para registro gráfico dos componentes e elementos
construtivos. Fonte: AUTORAS, 2018.

Os Quadros 6 e 7 trazem, por sua vez, os padrões de representação gráfica escolhidos para as regiões
reabilitadas e para as tipologias de manifestação patológica recorrentes no concreto armado aparente.

Quadro 6 – Padrões de representação gráfica para regiões reabilitadas nas fachadas de concreto armado aparente.
Fonte: AUTORAS, 2018.
DADO GRÁFICO ELEMENTO GRÁFICO PADRÃO DE REPRESENTAÇÃO GRÁFICA
Símbolo pontual/
Símbolo linear/
Região reabilitada
Textura formada por
símbolos pontuais

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


Quadro 7 – Padrões de representação gráfica de manifestações patológicas mais recorrentes no concreto armado
aparente. Fonte: AUTORAS, 2018 com adaptações de NORMAL 1/88.
PADRÃO DE REPRESENTAÇÃO
DADO GRÁFICO ELEMENTO GRÁFICO
GRÁFICA

Vegetação Símbolo pontual

Fissura Símbolo linear

Mancha por sujidade Textura formada por símbolos pontuais

Mancha por
alteração Textura formada por símbolos pontuais
cromática/textura

Mancha biológica Textura formada por símbolos pontuais

Mancha de pichação Textura formada por símbolos pontuais

Mancha por Símbolo pontual/


umidade Textura formada por símbolos pontuais

Mancha química Textura formada por símbolos pontuais

Mancha de Textura formada por símbolos pontuais


eflorescência

Textura formada a partir da repetição geométrica,


Perda de seção em polígonos concêntricos de tamanhos variados,
contornando a área da manifestação patológica

Corrosão de Símbolo pontual/


armadura Símbolo linear

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


4. Aplicação do método

O método proposto foi aplicado em um mapa de danos da fachada principal do Palácio Itamaraty, sede do
Ministério das Relações Exteriores do Brasil, situado em Brasília, capital do Brasil, com Arquitetura Moderna
de Oscar Niemeyer. O mapa de danos utilizado para a aplicação do método proposto foi obtido do trabalho
desenvolvido por Costa (2014). O resultado gráfico pode ser observado na Figura 8.
A Figura 9 mostra em detalhe a representação gráfica das manifestações patológicas que, por meio de seus
símbolos e cores padronizados, identifica a tipologia e a gravidade do dano encontrado.

LEGENDA

Figura 8 – Visualização geral sobre o estado de conservação da fachada do Palácio Itamaraty.


Fonte: AUTORAS, 2018; modificado de COSTA, 2014.

LEGENDA

Figura 9 – Detalhe do estado de conservação da fachada do Palácio Itamaraty. Fonte: AUTORAS, 2018.
Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente
5. Conclusões

Os referenciais teóricos da Cartografia adotados no presente estudo mostraram-se satisfatórios, pois


forneceram os parâmetros necessários para a elaboração do método de representação gráfica do mapa de
danos, facilitando a comunicação desejável.
A utilização do recurso cromático conseguiu provocar o efeito visual esperado: as cores trazem por si só
informações sobre a gravidade das manifestações patológicas. O destaque que cada uma provoca, a partir
de uma leitura visual, é compatível com a importância do nível de gravidade equivalente.
Os textos normativos UNI 11182:2006, NORMAL 1/88, normativa IPHAN (Gallois, 2009) e a metodologia do
ICCROM-UNESCO (Stone Conservation Course, 2009) forneceram alguns parâmetros que auxiliaram na
escolha dos padrões de representação gráfica. Constatou-se também, a partir da análise desses textos, que
os desenhos devem assemelhar-se ao dano visualmente observado. No entanto, nem sempre isto é possível,
visto que alguns tipos de degradação não possuem semelhança com um símbolo que possa traduzir o
fenômeno em processo evolutivo.
Durante a escolha da representação por meio de simbologias, constatou-se que as formas gráficas podem
ser semelhantes ao dano visualmente observado. No entanto, nem sempre isto é possível, visto que alguns
tipos de degradação não possuem semelhança com um símbolo que possa traduzir o fenômeno em processo
evolutivo. Em outros casos, os danos não são facilmente visualizáveis. Nestas situações, a fotografia ou a
descrição textual do fenômeno são considerados eficientes registros complementares ao mapa de danos.
A fotografia é um recurso visual utilizado na intenção de capturar a imagem real, no instante da inspeção,
favorecendo o entendimento do estado de conservação. No entanto, alerta-se que o uso desse recurso visual
fica sujeito à interpretação do leitor. Por mais que o registro fotográfico consiga transmitir o fenômeno de
forma fidedigna, estes registros são passíveis de várias interpretações, conforme o nível de conhecimento e
experiência do leitor. Por outro lado, o uso da simbologia gráfica consegue traduzir de forma mais objetiva
os fenômenos observados. Os símbolos revelam o que realmente foi visualizado e facilitam a comunicação
com o leitor. Desde que bem fundamentados e descritos na legenda, deixam pouca margem para a
subjetividade. Quando o fenômeno observado passa pelo processo de representação gráfica, a leitura torna-
se única e isenta de ambiguidades, reduzindo, portanto, a subjetividade.
Enfim, recomenda-se que sempre seja feita uma documentação complementar ao mapa de danos, contendo
informações técnicas sobre as manifestações patológicas representadas, com levantamentos fotográficos e
textos descritivos.
No que se refere ao procedimento metodológico proposto no presente trabalho, a matriz formatada
apresentou bons resultados, pois conseguiu simplificar as informações desejadas e facilitou o tratamento
gráfico dos dados.
A aplicação do método em um caso prático mostrou que as escolhas feitas para os padrões de representação
gráfica foram satisfatórias e conseguiram estabelecer a comunicação desejada. O estabelecimento de
padrões de representação gráfica facilita a leitura e identificação das tipologias de danos, garantindo um
registro documental do estado de conservação ao longo do tempo de existência do patrimônio cultural.

Agradecimentos
À CAPES, pela concessão da bolsa de estudos.

Proposta para representação gráfica do estado de conservação de fachadas em concreto aparente


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