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6491
A33
1841
ADÁGIOS,
PROVÉRBIOS, RIFAÕS, E ANEXINS
D â

língua portugueza,
Tiralos dos melhores Autores Nacionacs , e recopilados por
ordem Alfabética

POR

F. R. I. L. E. L.

NOVA EDIÇÃO CORRECTA , E AUGMENTADA,

LISBOA,
NA TYPOGRAPHIA ROLLA N DIA N A.
IVUUU\UviWVt1
1841
La Sagesse , et la Prudençe de chaque Nation consiste en ses Proverbes.
ADÁGIOS,
PROVÉRBIOS, RIFAÕS, E ANEXINS
D A

LÍNGUA portugueza.
Abarcar. orelha , e parte na Igreja , desejava pa-
Quem muito abarca , pouco abraça. ra seu filho a velha.
Quem tudo abarca , pouco ata. Vai-se o bem para o bem, e as abelhas pa-
Abastar. ra o mel.
A fazenda de raiz farta , mas naó abasta. Anno de ovelhas , anno de abelhas.
De vinho abastado , de razão mingoado. Morto por morto, antes á abelha que ao
Naó serás abastado , se primeiro naõ fores porco.
honrado. De Deos vem o bem , e das abelhas o mel.
O muito se gasta, e o pouco abasta. Miguel, Miguel, naõ tens abelhas, e ven-
Abbade. des mel.
Abbade donde canta , dahi janta. Quando te vires , ou estiveres morto , tor-
Eoa Abbade , Alissa á tarde. na-te a abelha , e ao porco.
Como canta o Abbade, assim responde o O segredo da abelha.
Sacristão, Abismo.
Ao Medico, ao Advogado, e ao Abbade Hum abismo chama outro abismo.
fallar verdade. Aborrecer*
Abaixar* Cresce aborrece.
Abaixaó-se as cadeiras , levantaó-se as tri- Cresceis naó aborreceis.
peças. Abraçar*
Abaixaó-se os muros, levantaó-se os mon- Quem muito abraça , pouco aperta.
turos. Abrasar.
Naõ te exalces por riqueza , nem te abaixes Muitas filhas em casa , tudo se abrasa.
por pobreza. Abrigo.
Abelha. A boi velho naõ cates abrigo.
Naõ morde a abelha , senaõ a quem trata Homem sem abrigo, pássaro sem ninho.
com ella. Abril.
Morta he abelha que dava me! , e cera.
a Abril a»uas mil coadas por hum mandil ,
,

Diz a abelha, traze-me cavalleira , darei e em Maio três e quatro.


mel , e cera. Abril frio, paó , c vinho.
Quem tem abelha , ovelha, e moinho en- Abril frio , e molhado , enche o celleiro , e
trará com el Rei em desafio. farta o gado.
Quanto chupa a abelha, mel torna; e quan- A ti chova todo o anno, ea mim chova

to a aranha , peçonha. Abril , e Alaio.


Abelhas , e ovelhas tem suas defezas. Altas, ou baixas em Abril vem as Páscoas.
O Rei das abelhas
naó tem a«uilhaõ. Do grau te sei contar, que em Abril naó ha
Abelha, e ovelha, e a penna detraz da de estar nascido , nem por semear.
A
2 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
E.n Abril queijos mil em Maio três , ou
; e Accrescentar,
quatro. Quem conta hum conto sempre , lhe ac-
Em Janeiro secca a ovelha suas madeixas ao crescenta hum ponto.
fumeiro , e em Março no prado e em Acenar.
,

Abril as vai ordir. Acenai ao discreto , dai-o por feito.

Em Abril vai onde has de hir , e torna ao Aceno,


teu covil. Para os entendidos acenos bastão.
Bosta de Março tira nódoas quatro , bosta Acertar.
de Abril tira nódoas mil. Quem todos crô , erra , e quem a ne-
a

Frio d: Abril nas pedras vai ferir. nhum , naõ acerta.


No principio, ou no fim, Abril soe ser ruim. Mais vai errar por conselho alheo , que a-
Por todo Abril , máo he descobrir. certar pelo próprio.
Somno de Abril , deixa-o a teu filho dor- Acha» .

mir. De bom madeiro boa acha*,

Fica-te embora Mundo , deixar-me-has A- Sahe a acha ao madeiro.


bril , e Maio. De tal acha , tal racha.

Guarda paõ para Maio, lenha para Abril. Achacoso,


Vai-te embora, Janeiro, deixar-me-has A- Corpo achacoso , naõ he cheiroso»
bril e Maio. Achaque.
Huma agua de Maio
, e três de Abril , va- Naõ ha morte sem achaque.
lem por mil. Ao que faz mal , nui ca lhe faltaÕ" acha-
Se chover em Maio, carregará o Rei o car- ques.
ro ; e em Ahril o carril ; e entre Abril Achaques á Sexta feira , pela naõ jejuar.
e Maio , o carril e o carro. Achaques ao odre que sabe ao pez. ,

Sòliio de Abril , abre-lhe a maó e deixa-o Em o Veraó , por calina e o Inverno por ,

ir. frio , naõ lhe falta achaque de vinho.


Por Abril dorme o moço ruim; e por Maio Achar.
o moço , e o amo. Com taes me acho , taes me faço.
Entre Abril , e Maio moenda para todo o Quem guarda , acha , e quem cria , mata.
anno. Acommctter.
Quem me vir e me ouvir , guarde paõ A homem nobre ninguém acommetta.
,.

para Maio, e lenha para Abril. Acommetter para vencer.


Se naõ chover entre Maio e Abril , vende- Acommetta quem quizer ,
que o forte es-
rá eí Rei o carro e o carril. pera.
A rez perdida , em Abril cobra a vida. Quem sempre olha o derradeiro , nunca
As manhãs de Abril saõ doces de dormir. acommette bom feito.
Abrolhos. De ruim a ruim , quem acommette , ven-
Quem abrolbos semea , espinhos colhe. ce.
Por mal de costado , bom he abrolho. Acompanhado.
Absolvição. Antes só , ou Alais vai só ,
que mal acom-
Doníe vem a excommunhaõ , de lá vem a panhado.
absolvição. Aconselhar.
Abster. SA me conselhei , só me chorei.
No soffrer , e abster está todo o vencer. Quem comsigo se aconselha, comsigo se
Acabar. cfepenna.
Obra começada , meia acabada, Quem só se aconselha , só se depenna.
AcecnAer. Aço.
Lenha verde , nem se queima , nem se ac- Tu es aço , e eu feno que te maço.
cende.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 3
Açor, Advento»
A donzelJa e o açor com a espalda ao sol. Toda a cousa , ou tudo quer , ou tudo tem
Em Janeiro nem galgo leboreiro, nem açor seu tempo , ou vem a seu tempo , e os
perdigueiro. nabos no Advento.
O açor e o falcaõ na maõ. Afagar.
Açougue, A fortuna afagando espreita.
He manha do açougue ,
quem mal falia, Afago.
peor ouve. A mula com afago , o cavallo com castigo
No açougue quem mal falia, mal ouve. A mula , e a mulher com afagos fazem os
Quando o velho se naõ ouve , ou he entre mandados.
néscios , ou em açougue. Afanar»
Ac juirir. Afanar , afanar , e nunca medrar.
Eens mal acquiridos naõ se lograó , vaõ-se Afastar.
como vieraõ. Ao bom dara's , e do máo te afastarás.
Quem mal acquire para bem gastar, naõ he Metteo os cães na mouta, e afasto^-se fora.
de louvar. Afeitar.
Ac útil ado. Afeita hum cepo , parecerá mancebo.
Naõ ha melhor Cirurgião , que o bem acuti- Afeição.
Jado. Affeiçaõ cega a razaõ.
Açúcar. Quem tem affeiçaõ, naõ tem inteira razaõ.
Com açúcar e com mel ate as pedras sabem Afiar.
bem. Mais fere a má palavra que espada afiada.
Adail. Afilhado.
Naõ ha melhor adail para desmandados ,
Do paõ de meu compadre grande fatia , ou
que os mesmos Mouros. grande pedaço a meu afilhado.
Adem. Morto he o afilhado, de que, ou por que tí-
A adem, a mulher, e a cabra, he má cousa nhamos ocompadrado.
sendo magra. Morto o afilhado, desfeito, o compadrado.
Adiantar, Afofar.
Quem embica, e naõ cahe, caminho adian- Quem em mais alto nada , mais presto se
ta. afoga.
Adiante. Afogar-^eem pouca agoa, he embaraçar-se
Quem adiante naõ olha , atraz fica. com qualquer difficuldade.
Adivinha, Mais vai arrodear , que afogar.
Se eu fora adivinha , naõ morrera , ou naõ Quem naõ entrar no mar , naõ se afogará.
fora mesquinha. Quem naõ se louva , de ruim se afoga.
Adivinhar. Agoa , ou Agua.
Arrenegai do velho que naõ adivinha. Na agoa envnlta pesca o Pescador.
Velho que naõ adivinha, naõ vai huma sar- Isto demanda mais agoa.
dinha. A agoa o dá , a agoa o leva.
Adoecer. A agoa tudo lava.
A mulher sara, e adoece quando quer. Agoa de trovaõ n'huma parte dá, e n'outra
Comer até adoecer , curar até sarar. naõ.
Com o que Pedro sara , Sancho adoece. Agoa , e paõ comida de caõ.
Quem de si adoece , tarde ou nunca guare- Tanto dá a agoa na pedra até que quebra.
ce. Agoa molle em pedra dura , tanto dá , até
Adulador, que fura.
O casal de ruim lavrador, e a vinha de bom Quem tanta agoa ha de beber, ha mister de
adubador. comer. A 2
4 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
As agoas descem ao Mar , e todas as cousas Quanto mais agoa , mais sede
ao seu natural. A agoahe fria mas mais o he , quem com
,

Bebedice de agoa nunca se acaba ella convida.


Buscar agoa em fonte secca. Agoa vertida naõ he toda colhida.
Levar a^oa ao Mar Agoa sobre agoa , nem suja nem lava. ,

Sol roxo , agoa a olho. Com agoa passada naó moe o moinho.
mu , coadas por hum mandil,
Abril agoas mil Já que a agoa naõ vai ao moinho, vá o moi-
Agoa de Fevereiro mata o onzeneiro. nho á agoa.
Agoa de Janeiro todo o anno tem concerto. Mais apaga boa palavra, que caldeira de
Agoa de Março peor he , que nódoa no fa- agoa
to. Agoa fria, e paõ quente, nunca fizeraó
Agoa de Agosto açafrão , mel , e mosto. bom ventre.
Agoa.de Joaó tira vinho , e naó dá paõ.
S. De longe vem agoa ao moinho.
Agoa de Maio paõ para todo o anno. Agoa ao figo , e á peta vinho.
Com agoa , e com sol , Deos he Creador. Agoa- sobre mel sabe mal , e naõ faz bem.
Curuja deseraõ 9 agoa na maõ. Agoa fria , sarna cria.
Horta sem agoa , casa sem telhado. Agoa de serra , e sombra de pedra.
Huma agoa de Maio, e três de Abril valem Agoa , que deres a teu Senhor, naõ a olhes
por mil. ao Sol.
Quem tem vida^ a agoa fria lhe he mezinha. Geada sobre lama asjoa demanda.
Mais vai agoa do Geo , que todo o recado. Naó te fies em villaõ , nem bebas agoa de
Dias de Si Vicente roda a agoa he quente* charqueiraõ.
Quando o Rio naó faz ruido , ou naó leva Jurado tem as agoas , que das negras naõ
agoa , ou vai crescido. fa-çaó alvas.
Gato escaldado de agoa friahamedor Lua com circo agoa traz no pico;
Agoa salobra na terra secca he doce. Naó digas desta agoa naõ beberei, nem des-
Branca geada , mensageira de agoa. te paõ comerei.
Grande calma , sinal de agoa. Se queres agoa limpa , tira-a da fonte.
Naõ ha agoa mais perigosa , que a que naõ Queimada a casa , acode com agoa.
soa< Quem crê de ligeiro, agoa recolhe no seio.
Vá o rio por onde vaõ as agua*. Neve sobre lama agoa demanda.
Agoa roxa sarna escoxa. Agora.
A quem Deos quer dar vida, acoa fria , oa Agora lhe lembra a moite de Joaõ Grand-e.'
agoa da fonte lhe he mezinha. Agora dá paõ e mel ; depois dará paõ , e
Chama huma agoa a outras agoas , hum er- fel.

muitos erros.
ro a Agora ,
que tenho ovelha
, e borrego , to-

Da agoa mansa te guarda •, que da rija ella dos me dizem


venhais embora , Pedro.
te apartará. Agora de pobre Bispo pobre serviço.
Ao moinho vai a agoa. Agosto,
Agoa colhe em joeira quem se cré de ligei- Agoa de_ Agosto , açafrão , mel , e mos-
ra. to.
Agoa e paõ de corrida se vaõ. Agosto , e vindima naõ he cada dia.
As agoas do mar ao mar , e todas as cousas Agosto madura , Setembro vindima.
ao s u natural. Agosto tem a culpa , Setembro leva a fru-
Fazer bem a velhacos, he- deitar agoa no ta.
Mar. Agosto frio em rosto.
Onde soheja a açoa , o gosto falta. A quem naó tem paõ semeado , de Agosto
Naõ poso ter a bjca cheia de agoa, e asso«* se faz Maio.
prar o fogo»
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. J
A quem em Maio come sardinha, em Agos- Aguardar.
to lhe pica a espinha. Máo anno has de aguardar ,
por naõ peo-
Em Agosto h3 bulha o preguiçoso. rar.

Em Agosto sardinhas , e mosto. Raposa que muito tarda , caça aguarda.


Em Agosto aguilhoa o preguiçoso. Águia.
Por Santa IV' ária de Agosto repasta a vacca As águias naõ produ2em pombos.
hum pouco. Agtàlhaô.
A terra lavrada em Agosto á estercada dá Naõ couceies , ou naó des couces contra o
de rosto. aguilhaó.
Quando chover em Agosto, naó mettas teu O Rei das abelhas naó tem aguilhaõ.
dinheiro cm
mosto. A^uilhoada.
Quem naó debulha em Agosto , debulha Mais vai huma
agutlh^ada , que dous arresV
com moo rosto. Agulha.
Luar de Janeiro naó tem parceiro , seoaó Donasem sobrado , agulhas em saco, e cá-
de Agosto que lhe dá no rosto , ou mas gados cm charco } naõ podem estar que
lá vem o de Agosto que lhe dá de rosto. naó deitem a cabeça fora.
Junho, Julho , e Agosto , Senhora , naõ Cada bofannbeuo Jouva suas agulhas , ou
seu vosso. alfinetes.
Nem em Agosto caminhar, nem em De- Fio, e agulha, meia costura.
zembro marear. Alfaiate pob&
a^ulna se lhe dobre.
a

Lá vem Agosto c*os seus Santos ao pesco- A ma visinba da a agulha sem linha.
ço. * O ladraó da agulha ao ouro, e do ouro á for-
Maio come o trigo , Agosto bebe o vinho. ca.
Naô he bom o mosto colhido em Acoito. Se queres ser polido , traze agulha , e mais
Primeiro dia de Agosto, primeiro dia de In* fio.
verno. Agulhe ta.
Queres ver teu marido morto , dá-lhe cou«< Ladraõsinho d'agulneta , depois sobe a bír-
ves em Agosto. juleta.
Agouro. Ahi.
Os agouros nem crê-los , nem experimen- Ahi dou , ahi te
te darei.
ta-los. Onde te querem , ahi te convidai.
Agraço. Ai.
A vinha posta em bom compasso , o pri- Quando o enfermo diz ai a o Medico dii%
meiro anno agraço. dai.
Avinha que se põe de espaço, antes de Ainda.
hum anno dá agraço. Ainda que sejas prudente
, e velho , naó
Nunca boa olha com agraço. desprezes conselho.
Agradecer. Ainda agora comem o paó da boc*a.
Agradecei- mo j amigos ,
que quero bem a Ainda que vistais a mona de seca, mona se
meus filhos. queda.
Quem boa ventura tem , a Deos o agracíe- Ainda naó he nascida , já espirra.
ça. Afnda que sou to*ca , bem vejo a mosca.
Quem melhor dita tiver , a Deos agradeça. 1
Ainda que a malícia escurece a verdade
Agradecido. naõ a pôde apanhar
Ao agradecido mais do pedido.
, Ainda que a garça voe alta , o falcaó a ma-
Do homem agradecido todo o bem he crido. ta.
Agro. Ainda que teu sabujo he manso 3 naõ o
Oposto danado jul^a por doce o agro. mordas no beiço.
6 ADÁGIOS , PROVÉRBIOS , &C.
Conselho de quem bem te quer , ainda que Alcaide ? Busca-me aqui alguém,
te pareça mal escreve-o. Alcaide do campo , ou coxo , ou manco.
A verdade , ainda que amarga , se traga Alcaide em andar , moinho em moer, ga-
Ainda Deos está onde estava» nhão de comer.
Ainda se naõ acabou o dia de hoje. Alcaide sem alma , ladrões na praça.
Ainda tem muitas noites que dormir fora O nosso Alcaide nunca dá passada de balde.
Ainda naõ está na cabaça ja he vinagre. O Alcaide, e o Sol , por onde quer entraõ,
Ainda naõ sei íamos já cavalgamos. Fugi do Alcaide, cahi no IVleirinlio.
Ainda estas lamas haõ de ser pó Pouco medo tem o Juiz do Alcaide.
Ainda que somos da Beira , naõ nos lançaõ Prendeo-me o Alcaide, soltou-me o Mei-
da Igreja. rinho.
Ainda que nos naõfal lemos, bem nos que- Alcançar»
remos. Alcança quem naõ cança.
Ainda que somos negros , gente somos , e Curtas tem as pernas a mentira , e alcança*
alma temos. se azinha.
Ajuda. A perseverança toda a cousa alcança.
Naõ ha formosura sem ajuda. O que se pede naõ se alcança de graça.
Maõ posta ajuda he* Quem segue alguma cousa, ou alcança par-
Al. te , ou toda.
O que naõ pode ai ser , deves soffrcr. Quem de vagar ou tarde anda, pouco alcan-
Nós em ai , e a velha no portal. ça.
Como vires á Primavera , assim pelo ai es- Todos quereriamos ser bons, e alcançamo»
pera. lo os menos.
Como vires o faval , assim espera pelo ai. Aldeã.
Debaixo do saial , ha ai. Vida de aldeã , Deos a dê a quem a deseja.
As mãos no pandeiro, e em ai o pensamen- Amigo de aldeã teu seja.

to. Quem deixa a villa pela aldeã , venha-lhe


Oorficial tem officio , e ai. má estreia.
O amor de Deos vence , todo o ai perece. Quem ? o naõ de minha aldeã.
te fez rico
Alargar* Estais na aldeã naõ vedes as casas.
,

Quem dos seus se aparta, do remédio se Juiz da aldeã hum anno manda , outro na
alarga. cadea.
Alazaõ. Juiz de aldeã , quem o deseja , o seja.
Alazaõ tostado, antes morto que cansado. Na aldeã , que naõ he boa , mais mal ha ,

Cavallo alazaõ , muitos o querem , e pou- que soa.


cos o haõ. Fazenda em duas aldeãs , paõ em duas ta-
Cavallo alazaõ , naõ esteve comtigoo S. leigas.

Joaó. Vesporas da aldeã ,


põe a mesa e a cca.
Albarda, Aldcãa.
Darei a vida , e a alma , mas naõ a albarda. Aldeãa he a gallinha , e come-a o de Coim-
Albardeiro. bra.
O ofício d'albardeiro, mette palha, e tira di- Alegria»
nheiro. Para hospedes a melhor iguaria , he a ale-
Alcaides. gria.

Em linhagem longas Alcaides, e Pregoei- A' mulher , e á vinha, o homem lhe dáa-
ros. legria.

Honra he sem honra , Alcaide de Aldeã , e. Tristeza sobre alegria , dobrada fadiga.
Padrinho de boda. Em Paço escuro naõ entra alegria.
DA LÍNGUA POBTUGUEZA. J
Fa7e da noite noite , e do dia dia , viverás Melhor he fumo em minha casa , que na
em alegria. alhea.
Alegria secreta, candea morta. Quem o alheo veste , na Praça o despe.
Alegrias Entrudo, que amanhã será Cin2a. Sempre o alheo suspira por seu dono.
Na casa de quem joga, alegria pouca mora. Quem â\i mal do seu , mal callará o alheo.
Seméa e cria , ter^s alegria. Avicenna , e Galeno trazem a minha casa o
Aleivoso. bem alheo.
A hum tredo dous aleivosos. Melhor he roto ,
que alheo»
Formoso e aleivoso. Alhos.
Aleixar, Quem queima , alhos come.
se
Quem de Deos , a Deos leixa.
se aleixa Se naó houvera mais alhos que canela , o
Alem. que elles valem valera tila.
Alem, ou aquém, vejas sempre comquem. Muitos alhos em hum gral mal se pisaõ.
Alfaces. Fallo-lhe em alhos , respoude-me em bu-
Para taes beiços taes alfaces. galhos.
Alfaia. Em tempo nevado, o alho vai hum cavallo.
Quem trabalha , tem alfaia. Teso como hum alho.
Alfaiate, 8e queres ser bom alheiro ,
planta os alhos
Alfaiate de encrusilhada põe as linhas de em Janeiro.
Moça a quem sabe bem o naõ
, perdido he
sua casa.
Alfaiate pobre a agulha se lhe dl bre. o alho que lhe daó.
Alfaiate mui vestido , sapateiro nul calça- Onde alhos ha , vinho haverá.
do. Villaó farto de alhos.
Se naõ houvera sentir frios, acabarão os al- Alimpar,
faiates. Mais valem alimpaduras da minha eira, que
Alfeloas. o tri«o da tulha alhea.
Naõ sabe o asno que cousa saó alfeloas. Com vento alimpaó o trigo, e os vicios com
Alforges. castigo.
Quem tem alforges , e asno ,
quando quer Quem mal cospe , duas \e2es se alimpa.

vai ao mercado. Alchimi*.


Ida de Joaõ Gomes , foi em seita , tornou Alchimia he provada, ter renda, e naõ gas-
em alforges. tar nada.
Alforjas. Alma.
Comprar vender a onças.
a alforjas , Ainda que somos negros ,
gente somos , e
Algarvia. alma temos.
Em casa de Mouro , naó falles algaravia. Naó venha tanto á alma , quanto passa.
Algo. Alcaide sem alma , ladroes á pr;-ca.
Homem que madruga-de algo tem cura. Minha arca cem h , minha alma sií.
Quem se g.»ba cm 3lgo se atreve. O que ha de haver á alma , escrito está na.
Alguidar. palma.
A arma e o alguidar naó se haõ de empres- Em quanto vai , e vem , alma tem. »
tar. Alma da padeira ( he aquelle vaó , ou so-
,

Perda de marido, perda de alguidar , hum vado , que as vezes se acha no meio do
quebrado , outro no poial. paó. )
Alhca , e Alheo. Alma namorada de pouco he assombrada.
Com a cousa alhea , o homem mal se hon- Conselho sem remédio he corpo sem alma.
ra. Em minha alma o deixas , meu he o isno.
Farei primeiro aos meus* entaó aos aiheos. Mouro , que naó podes haver , forra-o por
tua alma.
8 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS , &C.
O homem crê , e alma duvida. Quem ama sabe o que deseja , e naô sabe
,

Al moeda. o que lhe cumpre.


Na almoeda tem a bolsa queda. Quem te naõ ama , em praça ou em jogo
Almofada, te diffama.
A' boa moça , e á má , põe-lhe a almofa- Amarra.
da. Mais ha na amarra, que faze-la, e fura-la.,
Alo endro. ^Ameaçar.
Flor de aloendro , formosa , e sem provei- O ameaçador faz perder o lugar da vingan-
to. Ça -
Alveitar. Quem ameaça , sua ira gasta.
Cavallo fouveiro á porta do alveitar, ou do Quem ameaça , huma tem , e outra guar-
bom cavai lei ro. da ou espera.
Que siso de alveitar ! Mula morta , man- Quem ameaça e naõ dá medo ha.
, ,

da-a sangrar. Também os ameaçados comem paõ.


Alveloa, Ameaça muitos ,
quem affronta hum.
Quem mata alveloa , sabe mais que ella. Ameixieira.
Amador. Abraçou-se o asno com a ameixieira , e a-
Velho amador, Inverno com flor. cháraó-se parentes.
Amanhar» Naõ busques o na ameixieira.
figo
Cada qual como se amanha. Amêndoas.
Amanhecer. O papagaio treme maleitas, porque lhe naó
Amanhecera' , far-nas-ha Deos mcrcé. daõ amêndoas confeitas.
Nem por muito madrugar , amantiece mais Ametade.
asinha , ou mais cedo. Ametade da obra tem feito , quem começa
Amansar, com tempo.
Casarás , e amansarás. Bom principio he ametade.
Amanse sua sanha, quem por si mesmo en- Do dinheiro, ,e da verdade, ametade ds
gana. ametade.
Naõ debalde se diz , casareis , e amansa- ..Amigos,
rei*. Naõ se pode viver sem amigos.
Pouco damno espanta , e muito amansa. Erezo , e cativo naõ tem amigo.
Amar, Nos trabalhos se vem os amigos.
Quem ama a Beltrão ama o seu caõ. ,
Amigo velho mais vai que dinheiro." ,

Quem ama a mulher cazada, traz a vida em- Amigos que se desavem por hum paõ de
,

prestada. ou a fome he muita, ou o amor


centeio,
Quem o feio ama
formoso lhe parece.
,
pequeno.
Bem ama , quem nunca se esquece. Amigo anojado, inimigo dobrado.
Tu*1o acaba senaô o amar a Deos. Amigo de todos , e da verdade mais.
Ama-se a traição , aborrece-se o traidor. Amigo quebrado soldará , mas naõ sarará.
Ama quem te ama, responde a quem te Amigo de todos , e de nenhum , tudo he
chama andarás carreira ch?a.
, hum.
Amar , naõ pode sei , ou a poucos
e saber Amigo de bom tempo, muda-se com o ven-
se concede, to.
A mulher que a dous ama , a ambos enga- A mortos , e a idos , naõ ha amigos.
na. Ao bom amigo., com teu paõ , e com teu
T>o< filhos ,o que falta , esse mais se ama. vinho.
O bom pai ame-se , o máo soffra-se. Aquelle he teu amigo , que te tira do arroi-
Quem ama o frade , ame-lhe o capello. do.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 9
À falta do amigo ha de se conhecer , mas Mais valem amigos na praça 9 que dinhei-
naõ aborrecer. ro na arca.
A amigo naõ encubras teu segredo, que da- Melhor he deixar a inimigos , que pedir a
rás causa a perde-lo. amigos.
A teu amigo ,
ganha-lhe hum jogo , e be- Muitos amigos em geral , e hum em espe-
be-o logo. cial.
Barca jogo , e caminho do estranho fazem
,
Muitos saõ os amigos , e poucos os escolhi-

amigo. dos.
Quem a seu amigo dá de seu lugar , naõ o Naõ ha melhor espelho , que amigo velho.
quer de si apartar. Naõ me pago do amigo, que come o seu só,
A casa do amigo rico irás sendo requerido , e o meu comigo.
e a casa do necessitado sem ser chamado. Amigo que naõ pre>ta, e faca que naõ cer-
A condição do bom vinho como a do bom ta , que se perca pouco importa.
amigo. Bem estou com -meu amigo , que come o
Azeite , vinho e amigo , o mais antigo. seu paó comigo.
Agradecei-mo , amigos, que quero bem a Bocado comido naõ ganha amigo.
meus filhos. Bons amigos , boivs conselhos.
A teu amigo dize-lhe mentira, se te guar- Amigos e mulas falecem a ouras.
dar verdade , dize-lhe puridade. Conselho de amigo vai hum rrino.
Cada hum dança como tem os amigos na De amigo lisonjeiro, e de hade sem mos-
sala. teiro , naõ cu^es.
Com teu amigo , e com teu inimigo o di- Entre amigos naõ se soflfre coração dobra-
nheiro bolsinho. do.
Com todos faze pasto , e com teu amigo De máos filhos, máos amigos.
quatro. Guarde-vos Deos de am-go reconciliado.
De amigo sem sangue , guarte naõ te enga- Naõ tç fies em c^o estreiiado, nem em ami-
ne. go rtconctliatio.
Conta de perto amigo de longe., A mái , e a filha por dar saõ , ou se fazem
De amigo reconciliado , e de caldo requen- am-gas.
tado nunca bom bocado.
, Choraõ olhos de teu amigo, e elle enterrar-
De amigo.que naõ ralha, e de faca, que naõ te-ha vivo.
talha naõ me da migalha.
, Nunca esperes que te faça o teu amigo o
De teu amigo o primeiro conselho. que tu puderes.
Diogo he bom amigo , mas mence de con- Nunca queiras do teu amigo mais do que
tino. e!le quizer comtigo.
Dize ao amigo segredo , e pôr-te-ha o pé O amigo ha de se levar com a sua tacha.
no pescoço. O palreiro agudo faz do seu amigo mudo.
Do amigo , o que te qmzer dizer. Arrenego do amigo que come o meu comi-
Dous amigos de huma bolsa , hum canta , o go , e o seu comsigo.
outro chora. Quem tem bom ninho , tem bom amigo.
Em tempo de figos naõ ha amigos. Amigo de hum , inimigo de nenhum.
Este he meu amigo, que moe no meu moi- Aquelles saõ ricos que tem amigos.
nho. O convidado mostra-se amigo , mas na6
Honra , que em baixo amigo se procura ,
letrado.
pouco dura. Onde ha amigos ha riquezas.
Já os mortos naõsaõ nossos , nem os vivos Siso em prosperidade amigo em, necessi-
bons amigos. dade , e mulher rogada casta , raramen-
Mais vai hum bom amigo, que parente, te se acha.
nem primo. B
IO ADAGtOS, PROVÉRBIOS, &C.
Tem o amigo por leal , e logo o será. dniôr.
Naô se pôde viver sem amigos. Amor de Pai que todo o outro he ar. ,

Naó proves o amigo em cousa de interesse. Amor e Reino naó quer parceiro. ,

Nem herva no trigo, nem suspeita no ami- Amor de menino, agoa em cestinho.
go- Amor, fogo , e tosse a seu dono descobre.
No jogo se perde o amigo, e se ganha o ini- Amor dinheiro, e cuidado , naõ está dis-
,

migo. simulado.
No queijo , e pernil de toucinho, conhe- Amor , amor, principio máo , e fim peor.
cerrfs o teu amigo. Amor de rameira , e convite de estalaja-
O amigo fingido, conhece-lo-has no arroi- deiro , naõ pôde ser ,
que naõ custe di«
do. nheiro.
O amigo , e o genro , naõ te achaó pela Amor louco , eu por ti , e tu por outro.
Inverno, As sopas, e os amores , os primeiros saõ
A amigo da Aldeã teu seja. os melhores.
Quem de todos he amigo, ou he mui pobre, Estado Real naõ tira amor natural.
ou muito rico. Guerra , caça , e amores por hum prazer,
Renego do amigo , que cobre o perigo. cem dores.
Vida sem amigo , morte sem castigo. Hum cravo tira outro, hum amor faz esque-
Amigos , e picheis de vinho , tudo acabaó. cer outro. .

Amigo como a cabra do cutello. O


amor verdadeiro naõ sorTre cousa encu-
Amigo sdde beijo-vo-las mãos. berta.
Amigo só de chapeo. O
amor dos asnos entra a couces , e sahe a
O moço , e o amigo , nem pobre, nem bocados.
rico. O
amor a ninguém dá honra, e a muitos dá
Amo. dor.
Em quanto o amo bebe , o criado espere. O amor , e a fé nas obras se vê.
Honra he dos amos , o que se faz aos cria- Obras saõ amores , e naõ palavras doce*.
dos. Pelos amores novos , esquecem os velhos.
Manda o amo ao moço, o moço ao gato, e Mais vai pedaço de paó com amor, que gal-
o gato ao rabo. linha com dor.
Máo he ter moço , mas peor he ter amo. Quem
tem amor atraz da portella, tanto
S. Miguel , e S. Joaõ passado , tanto man- olha até que cega. ,

da o amo , como o criado. Quem em caça , guerra , e amores se rrret-


Taõ bom he Fedro como seu amo. te , naõ sahirá quando quizer.
Anda a teu amo a sabor , se queres ser bom Amor com amor se paga.
servidor. Amor , e Senhoria , naó quer companhia.
Com teu amo naõ jogues as peras. amor naõ tem lei. O
Máo amo has de agradar por medo de em- Amor loco , yo por vós y vós por otro. ,

peorar. A chaga do amor , quem a faz a sara.


O melhor penso do cavallo he o penso de A maó na dor , e o olho no amor.
seu amo. Esquivança aparta amor.
O olho do amo engorda o cavallo. Naó ha esperança sem temor , nem amor
Que chova que naó chova , meu amo me
, sem receio.
dará que coma. Nem sabbado sem sol , nem moça sem a»
Sô moço bem mandado, comerás á mesa mor.
com teu amo. Ninguém larga sem dor o que possue com
Tal amo , taes criados. amor.
Amos o daó , servos o chorão. O amor no velho traz culpa , mas no man-
cebo frueto.
DA LÍNGUA POSTUGUEZA. i|
Por amor que naô convém , nasce muito Quem com o Demo
anda , com elle acaba.
mal , e pouco bem. Andar por onde anda a raposa.
Por amor tudo se acaba. Andar no cavallo dos Frades
Todo o imigo se ha de temer , mormente Andar , e andar , ir morrer a Beira.
o amor. Aquelle vai mais saó , que anda pelo chão".
Amores de Freira, flores de amendoeira, No andar , e no beb^r , conhecerás a mu-
cedo vem , e pouco duraó. lher.
Pobreza nunca em amores faz bom feito. Andar, andar, corpo a enterrar.
Quem casa por amores , máos dias , peo- Quem mal anda , em mal acaba.
res noites. iUal vai ao fuso , quando a barba naó anda
Quem casa por amores , sempre vive em em cima.
dores. Andar de mal em peor.
Quem tem amores naô dorme. Anda e anda , nunca transpõe.
Andar, . -Besta de andar chaó para mim e para meu
Anda o carro diante dos bois. irmaó.
A mulher , e a gallinha , por andar se per- Quem naó pôde andar que corra. ,

de asinha. Quem a fama tem perdida, morto anda em


Andar a pago naó pago , naó he obra de fi- vida.
dalgo. Esse mal farás , que andes e naõ comas.
Quem naó anda naõ ganha. Quem de vagar anda , pouco alcança.
Ao revés o vesti ande-se assi. ; Ko andar , e no vestir , serás julgado entre
Quem primeiro anda primeiro ,
manja. cem mil.
Ande eu quente , ria-se a gente. A' besta que muito anda, nunca falta quem
Andem as mãos ,
que pintaó as uvas. tanja.
Andando ganha a azenha , e naó estando Quem muda fito , com mal anda.
queda. Em chaó de couce , quem naó pode anda*
Andar a paó emprestado , fome põe. que chonce.
O ganho, e a lazeira aodaô de feira em fei- Andar como gnto por brara*.
ra. Andar como sapo por alqueives.
Quem naó anda por frio , e por sol , naõ Andar como tempo.
faz seu prol. Carrega a náo trazeira , andará a vela dian-
Quem naõ se aventura , naó anda em ca- teira.
vallo , nem em mula. Andar ventura , ate sepultura.
Anda o mundo as avessas. Dize-me com quem andas , dir-te-hei que
Andar com furaó morto á caça. manhas has.
Andar para traz , como o carantrueijo. .And adora.
Anda cabra de roca em roça
a , como o bo- Minha comadre andadora , tirando a sua ca-
cejo de boca em boca. sa, em todas as outras mora.
Anda o homem a trote, por ganhar capote. Andeira,
Assim anda o Demo as avessas, e o carro A mulher andeira diz de todos , e todos di-
com os bois. zem delia.
Andava na egoa , e perguntava por ella. Andorinha.
Anda na forja o teu negocio. Huma andorinha naó faz veraó.
Anda como Dromedário. Aunei,
Anda a raposa aos grillos. A espada e o annel, segundo a maó em que
Quem anda em demanda, como Demo an- estiver.
da. Anno.
Alcaide em andar , moinho em moer ,
ga- Anno de neves muito paó , e muitas cres-
nhão de comer. centes. B 2
12 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Amo de neves, anno de bens. Muitos dias ha no anno.
Anno de beberas, nem de peras nunca o Naó ha mal que cem annos dure, nem bem
vejas. que os ature.
Anno de ovelha* , anno de abelhas. Quem bem se estrêa, bom anno lhe venha.
Anno caro , padeira em todo o cabo. S. Miguel das uvas , tarde vens , e pouco
Em anno chuvoso o diligente he preguiço- auras , se duas vezes vieras no anno, naó
so. estivera com amo.
Em anno bom o graó he feno, e em, o máa Antes,
a palha he graó. Antes moreira , que amendoeira.
Longo e estreito como anno mao,
, o. Antes eu minta , que as novidades.
Máo anno has de aguardar, por naó empeo- Antes barba branca para tua filha , que mo-*
rar. ço de barba partida.
Melhor he o anno tardio , que. vasio. -» Antes que cases , olha o que fazes , que
Mais pró faz o anno que o campo bem ,. la-» naó he nó que desates.
vrado. Antes velha com dinheiro , que moça com-
Naó ha máo anno>ppr pedra , mais guai de* cabello..
quem acerta» „ Antes perderei a soldada , que tantos man-
Naõ fia máo anno por muito paó. dados faça.
Naó digas mal do anno y até que naó seja Antes minha face com fome amarella, que
passado* com vergonha nella.
O-máo anno em Portugal entra nadando. , Antes de mil annos , todos seremos bran-
Quem se veste de ruim panno, veste-se cos.
duas vezes no anno. Antes torto, que cego de todo.
Remenda o panno , dur ar- te- ha outro an- Antes. cegues , que mal vejas.
no. Antes que jantes , naõ passes de Abrantes*
Q.que perde o mez , naó perde o anno.- Antes que conheças , nem louves , nem
Soccorrer ao correr com alvaiade, que seis- offendas.
centos annos naó se vaõ de balde, Antes quebrar , que dobrar*
Anno nevoso , anno formoso. Antes morto por ladrões , que por couce
A chova todo o anno , e a mim Abril , a
ti de asno* -

Maio. Antes a lã se perca, que a oveíha.


A vinha posta em bom compasso, o primei- Antes bom Rei , que boa lei.
ro anno heagraço. Antes com bons a furtar , que com mãos a
De. cem em cem annos se fazemdos Reis orar.
villaós , e aos cento e seis , dos villaõs Antes forno- por visinho , que escudeira-
Reis. mesquinho. -

Em máo anno, e-em bom anno, aveza bem Quem naó tem bois , ou semea antes , ou
teu papo. depois.
Entre Abril , e Majo , moenda para todo o Hj*mem honrado , antes morto ,
que inju*
anno. riado.
Foi Maria ao banho , teve que contar todo Quem dá o seu antes de morrer , appare-
o anno. lh*-se a bem soffrer.
Homem necessitado, cada anno apedrejados Quem do seu sexiesaposia antes da morte,
Huma sebe dura três annos, três sebes hum dêm-lhe com hum maço na fonte.
caó três cães hum cavallo, três cavai-
, Escreve antes que d<ls , e recebe antes que
loshum homem três homens hum cer-
, escrevas.
vo , três cervos hum «elefante. Aitetempo.
Major he o anno que o mez* A boa. ceia antetempo se enxerga.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. fj
Aonde* Aporfiar,
Aonde o ouro falia , tudocalla. Cantar mal , e aporfiar.
Aonde irá o boi , que naó lavre ,
pois que Apostar,
sabe ? Porfiar, mas naó apostar.
Aonde Évora Monte, fazer barris.
hís ? a Jlpparetcr.
Aonde te conhecem honra te fazem. Aos parvos apparecem os Santos.
Apagar* Ap parelho.
Mais apaga boa palavra, que caldeira d'a- Ainda que estejas mal com tua mulher, naõ
goa. he bom
conselho que cortes o apparelho.
Mal apaga o fogo com a estopa.
se Aprazer.
Apaixonado. Do mal que faz o lobo , apraz ao corvo.
Homem apaixonado naó admitte conse- Naó me apraz porta , que a muitas chaves
lho. faz.
Apalpar. Apregoar,
A carneiro capado naõ apalpes' o rabo. Furtar gallinha , apregoar rodilha.
Apanhador. Apre itter.
Apanhador de cinza , derramador de fari- Aprende alta e baixa, e como te tangerem,
nha. assi dança.
Apanhar.' Aprende chorando , e rirás ganhando,
A quem Deos quer ajudar, o vento lhe apa- Aprende por arte , e irás por diante.
nha a lenha. Aprender até morrer.
Quem primeiro anda , primeiro apanha* Lenha verde mal se accende , quem muito
A par. dorme pouco aprende.
Casamento d'a par do lar-, compadre d'a* Na barba do tolo aprende o barbeiro novo.
lem do mar. Quem dorme muito pouco aprende.
Nem o invejoso medrou , nem quem a par Aprendi*.
morou.
delle Aprendiz de Portugal naó sabe cozer quer
,
Naõ se pode fazer a par, comer, e assoprar. cortar.
Tarde dar , e negar , estaó a par. Apressado.
Aparar, A apressaria^ergunta , vagaíosa resposta.
Pafa que apara a maçã , quem lhe ha de Nem por apressados , melhorados.
comer a casca ? Aproveitado.
Apartar. Muitos saó os chamados poucos os apro-
,
Filha desposada , filha apartada. veitados.
Quem dos- seus se aparta ,- do remédio se Aproveitar,
alarga. Aproveita-te do velho, valerá teu voto em
Apelrol conselho.
Em casa de ferreiro peor apeiro.-
'
Apurar.
Apertar. Quem as cousas muito apura, na5 tem a vi-
Alaisquero pedir á minha peneira hum paó da segura.
apertado , que á minha visiona empres- Farinha apurada naó ta veja a sogra, nem a
tado. cunhada.
Quanto mais gêa , mais aperta. Aaitelle,
Aplacar, Aquella he bem casada, que naõ tem sogra,
As dádivas aplacaô* os homens e os deoses. nem cunhada.
Apontar. Aquella he boa , e honrada, que est^viu-
Fallar sem cuidar
y he tirar sem apontar. va sepultada.
Ainda que Joaõ Vaz tem besta, naó deixaó Aquelle he teu amigo, que te tira do arroi- 4

de lhe apontar atesta. do.


»4 ADAGíOS, PROVÉRBIOS, &C.
Aquelles saõ ricos, que tem amigos. He fallar com huma arca encouradai
Aquelle naõ faz pouco , que seu mal dieta Minha arca cerrada , minha alrr.a sã.

a outro. Do soldado que naõ tem capa, guarda a tua


Aquelle vai mais saõ , que anda pelo chaõ. na arca,
Aquelle perde venda, que naÓ tem que ven- O bom panno na arca se vende.
da. Ao bom panno na arca lhe sohe o amo.
Aquelle deo
, e outro te dará ,
te mal haja Nem com toda a fome á arca, nem com to-
quem deseu naõ ha. dasede ao cântaro.
a
Aquelle ha de chorar, que teve bem, e veio Nem olho em carta , nem maõ em arca.
a mal. O marido barca , e a mulher arca.
Aquentar, Paú da Ilha %, arca cheia , barr
barriga vazia.
A pimenta aquenta. Arder.
Pela bocca se aquenta o forno. Arde o fogo segundo a lenha do bosque.
Quem mais perto está do fogo mais se a- Arde o verde pelo secco , e pagaõ justos
quenta. por peccadores.
Aqui, Qjantas vezes te ardeo tua casa ? quantas
Aqui se pagaõ cilas. cases rilhas.
Aqui tendes para peras. Argneiro.
Aqui está a chave do jogo. Ha olhos que de argueiros se pagaõ.
Aqui se remataó as contas. Arma , e Armar.
Aqui está a conta dos ovos. A arma , e o alguidar ,naõ se naõ de em-
Aqui haveis de mostrar a vossa habilida- prestar.
de. A arma , com que
te defendes , a teu ini-
Aqui vê o filho do homem
se migo naõ emprestes.
a
Aqui torce a porca o rabo. O prudente tudo ha de provar , antes de
Quando aqui naò fores , comerás comi- armas tomar.
go. Viste-te em guerra, e arma-te em paz.
Arar , e Arado. Naõ tardo mais em armar-me , que tftn
O arado barbudo , e o lavrador barbado, quanto a bri^a se acabe.
O bom solJado tira-o do arado». Ninguém venha com engano que naõ fal- .,

Q.iem ara , e fia , ouro cria. tará quem mear me vo laço.


Quem naõ tem boi , nem vacca 3 toda a Quem laço me armou , nellecahio.
noite ara. A. mais obriga hum rosto bem assombrado ,
Naõ ha terra taõ brava que resista ao arado, que hum homem armado.
nem homem ta 5 manso , que queira ser Quem naõ tiver que fazer, arme navio, cu
mandado. tome mulher.
Má-» de carro , peor de arado.- Armeo.
O boi trava pelo arado , mas a mal de seu Ou he lobo, ou rãa, ou feixe de lenha, ou
grado. armeo de lãa.
Cunhados e ferros de arado debaixo do chaõ Arneiro.
saõ logrados. Quem semêa em arneiros , semêa moios
Deixa ao boi mijar , e farta-o de arar. e colhe quarteiros.
Aonde irá o boi que naõ are ? Aro.
Arca, Bem cego he quem muito xà por aro de pe-
Na arca aberta o justo pecca. neira.
Mais vjI penhor na arca, que fiador na pra- Arrabalde.
ça. Melhor he huma casa na villa ,
que duas no
Na arca do avarento, o diabo jaz dentro. arrabalde.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 15-
Arranhar. Arrenego do cavallo ,
que se enfrêa peio
Bom amigo he o gato , senaô* que arranha. rabo.
Arranhado, quem te arranhou ? outro ar- Arrepender,
ranhado , como eu. Comprar , e arrepender.
Quer em jogo , quer em sanha , sempre o Quem se detém em dar o que promette ,
galo mal arranha. que se arrepende.
claro está ,

Arrecadar. De calar ninguém se arrependeo , de fallar


O que tarda, arrecada. sempre.
Quem tarda , arrecada. Quem cedo determina, cedo se arrepende.
Tarde madruguei ; mas bem arrecadei. Quem prestes se determina, de vagar se
Arrecear. arrepende.
O bom pagador naó arreceia pena. Quem pouco tem , e isso dá , cedo se ar-
Arredar, rependerá.
Quem arreda aio , arreda peccado. Arroido.
Lá te arreda ganho , naó me dés perda. O amigo fingido , conhece-lo-has no arroi-
Mettes os cães na mouta, e arredas-te fora. do.
Quem mente , ou quer , §a quizer mentir De arroidos guarte , naó serás testemunha,
arrede testemunhas. nem parte.
Arrefentar. Finçe arroido por melhor partido.
Entendimento ha cá de casta da boca da ra- Aquclle he teu amigo , que te tira de arroi-
posa , de quíin dizem as velhas , que do.
aquenta , e arrefenta. Arroido, arroido, deo a mulher no marido.
Nem aquenta, nem arrefenta. Homens bons , e picheis de vinho , apazi-
Arregaçar. guaó o arroido.
Tal grado haja quem a velha arregaça» -
Quem acorda o caó dormido, vende a paz,
Arreganhar. e compra arroido.
Têmpora he acastanha, que por março ar- Arraia,
reganha. Sahio do Iodo, e cahio no 3rroio.
Artemangar. Arroitpar-se.
Ao comprar te arremanga. Arroupa-te ,
que sua*.
Arrendar. Arruda.
Ao arrendar cantar , e ao pagar chorar. Se soubesse mulher a virtude da arruda,
a
Quando arrendar, cantar, e ao pagar, cho- busca-la-hia de no te á lua. ;

rar. Arrufos.
Naó arrendes ao coutado rendas , nem ca- Arrufos de namorados saõ amores dobra-
vai lo. dos.
Naó fies , nem porfies , nem arrendes , vi- Arrugar%
verás entre as gentes. Mãi , casai-me logo ,
que se me arruga o
Arrenegar. rosto.
Arrenego da besta, que de inverno tem ses- O velho a estirar , o diabo a arrugar.
ta. Arte.
Arrenego da terra , donde o ladrão leva o Aprende por arte , e irás por diante.
juiz á cadeia. Coração sem naó cuida maldade.
arte ,

Arrenego de grilhões , ainda que sejaó de Para prospera vida, arte, ordem, e medida.
ouro. Quem por rodeios falia , com arte anda.
Arrenego de tigelinha de ouro, em que hei Tudo ha mister arte , e o comer vontade.
de cuspir sangue. Arteiro,
Arrenego do amigo , que cobre o perigo. A senhor arteiro , servidor ronceiro.
l6 ADÁGIOS, PROVER RIOS , &C.
Dos escarmentados se fazem os arteiros Caminhante cançado sobe em asno, senão
Arvore. tem cavallo.
De tal arvore , tal fruto. Em Maio deixa a mosca o boi , etomao
Quem a boa arvore se acolhe , boa sombra asno.
o cobre. Cresces , e aborreces como o filho do asno.
Asinha. Deraõ-lhe miolos de asno.
Na casa chea asinha se faz a cea.
, Graõ de milho em boca de asno
Asinha he dito , o que he bem dito. Primeiro voará hum asno para o Ceo.
Quem prego naó tira , .
pendura mais asi- Sopa de mel naõ se fez para a boca do.asno.
nha. Antes morto por ladrões , que couce de as-
O tramposo asinha engana o cobiçoso. no.
A muiher e a gailinha por andar se per-
,
,
Eem sabe o asno em cuja casa rosna.
de asinha. brincaicom o asno, dar-vos-ha na barba
Curtas temias pernas^a mentira , e apanha- com o rabo.
se asinha. Asno contente vive eternamente.
Dá Deos azas á formiga , para que se perca Com raiva dq asno , torna-se á albarda.
mais asinha. Em minha alma o deixas meu-he o asno.,

Hospede , que se convida , despede-se asi- Em morrer o asno, naõ perde o lobo.
nha. Ensaboar a cabeça do asno, peida do sabap.
Mais as nha se toma hum mentiroso do que Entre ponto, e ponto, morõVíiia de asno.
hum coxo. Ha hum armo, que inorreo o asno,, e agora
JVleíte o touro no laço, que asinha vem o lhe cheira o rabo.
prazo. Máo recado perdeo o seu asno.
Muitas maõs , e poucos cabellos , asinha>os Quem o asno gaba , talíiJho lhe nasça.
depennaó. Abraçou-se o asno com a amendoeira ,e
Mulher, vento, e ventura, asinha se muda. acháraõ-se parentes.
Por muito madrugar naõ amanhece mais Que queira ^que naõ queira 3 o asno ha de
asinha. ir á feira.

Quem pouco sabe asinha o ,


-Mais quero asno ,,que? me leve , que cavai-
reza.
Quem quizer plantar asinha lo , que me derrube.
, seja de espan-

co , e naõ com fadiga. Que no cabo, que no rabo, sempre o nos-


Rato , que naõ sabexnais que hum bujracq, so asno ha 4e parecer aspo.
asinha he tomado. O
filho do asno huma hora no dia orneja.
Vindima molhada , pipa asinha despejada. Naõ he o bom bocado para a boca do asno.
Asna, Naõ he .o mel. para a boca do asno.
A 'ta vai a velha na asna. Palha e cevada quanta basta a hum asno ,
Asna velha , cinta amarella; assentai-lhe a paga.
Asno. Asno desovado de longe aventa as pegas.
Asno , que tem fome*, cardos come. Asno he quem asno tem, mas mais asno
Asno morto , cevada ao rabo. quem o naó tem.
Asno de muitos , lobos o comem. De mim e do meu asno haja pensado , que
Asno, que entra em devezaalhea, sabiri do mal alheio naõ hei cuidado.
carregado de lenha. Naó sabe o asno que cousa saõ alfeloas.
Asno seja , quem asno vozéa. Guarde-vos Deos de Physico experimenta*
Asno oiáo , junto de casa corre sem páo. dor, e de asno ornejador.
Asno por lama, o drino o tanja, e pelo pó, Mais vai ruim cavallo , que ter asno.
o demo haja delle dó. Mais vai ruim asno , que ser asno.
Amor dos asnos entra a couces, e sahe.a Mulo ou mula, asno ou burra, rocim niwi*
bocados. ca'.
DA LÍNGUA PORTUGITEZA. \J
Perdida ou por demais he a decoada em ca- Assim.
beça de asno pardo. Assi se faz do escudeiro rapaz.
Bar mais que o asno se queira fazer cavallo, Assi anda o demo. ás avessas, e o carro com
sempre ha de ficar asno. os bois.
Aso. Assim como fai , fni.
Pequeno aso faz grande damno. Assim como virmos faremos.
Áspide. Assim como vive o Rei , vivem os vassal-
Hum áspide naõ mata outro. los.

O áspide e a vibora se emprestao a peço- Assim se cria o horto , como o porco.


nha. Assim medre meu sogro, como caõ de trat
Assado. do fogo.
G-rammatico desfavorecido , naõ tem assa- Assi he o marido amarei lado., como casa
do , e come cozido. sem trinado.
Assanhar. Segundo o natural de teu filho , assi lhe dá
A quem has de rogar , naõ hasde assanhar. o conselho.
Naó te assanhes com o castigo 5 que te naõ Assi fedemos , que fará , se peixe vender-
dá o teu inimigo. mos.
Assaz. Como vires a Primavera , "assim pelo ai es-
Assaz pede, quem bem serve. pera.
Assaz he de pouco saber , quem se mata Como vires o faval assim espera o ai.
,

pelo que naõ pôde haver. Como canta o Abbade assim responde , o
Assaz he pobre, e delgado , quem conta Sacristão.
seu gado. Como me tangerem assi bailarei. ,

Assaz caro compra , quem roga.J Ao revez o vesti ande-se assi.


.

Assaz tem, quem se contenta com o que Aprende alta e baixa, e como te tangerem
tem. assim dança.
Assaz escasso he , quem das palavras tem As palavras bo»s saó , se assim fosse o co-
dó. ração.
As segar ar. Por onde vás , assim como vires, assim
Boa hea tardança ,
que assegura, farás.
Assem. O mez de Janeiro como bom
, cavalleiro^
A carne de assem he pouca , e sabe bem ,
assim acaba como a entrada.
mas naõ para quem filhos tem. Assinalado,
Assentar. Guarde-vos Deos de homem mal assinala-
Quem seu inimigo assenta em seu lugar ,
do.
delle se quer tirar. Homem assinalado , ou mui bom , ou mui
A' tua meia , nem á alheia naó te assentes bravo.
com a bexiga cheia. Assinar.
Faze o que manda teu senhor , e assentar- Naõ bebas cousa que naõ vejas, nem assines
te-has com elle ao sol. carta que naõ leias.
GasaF-me quero , terei o olho da panella , e Assombrar.
assentar-me-hei primeiro. A
hum rostro bem assombra-
mais obriga
Naõ tem que comer, assenta-se á mesa. do, que hum homem armado.
O ruim se assenta na me/a, talhada , que Alma namorada, de pouco he assombrada.
toma , a todos peza. Mais quero o velho que me honre, que o mo-
Quem entra em casa feita ou se assenta ço que me assombre.
,

mesa posta , naó sabe o que custa.


á Assoprar.
Quemquizer comer comigo , traga em que Quem tem boca , naõ diga ao outro ,
asso-
se assentar» pra. C
i3 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS &C. r,

Naõ posso ter a boca chea de agoa, e asso- Bom caõ de caça até á morte da' ao rabo.
prar ao fogo. Bom saber he calar até ser tempo de fallar.
Ha sujeitos ,
que a mesma fortuna lhe vai Cada hum estenda a perna até onde tem a
assoprando as palhinhas. coberta.
O homem he fogo, e a mulher estopa, vem Comer até adoecer , curar até sarar.
o diabo , assopra. Dôr de mulher morta
dura até á porta.
Astroso. '
Leite sem paõ até á porta vai.
Homem astroso , barba até o olho. Naõ digas mal do anno até que seja passa-
Nas barbas do homem astroso se ensina o do.
barbeiro novo. Naõ fio nada até ámanhãa.
Março ventoso, Abril chuvoso , do bom Naõ louves até que proves.
colmeal fará astroso. Naõ me chames bem fadada até me veres
Quem faz bem ao astroso, naõ perdetlelle, enterrada.
ou parte , mas perde todo. O
filho do bom vá até que bem lhe vá,
Astuta, Quem tem amoratrazda porteila tanto o*
A pergunta astuta , resposta aguda* lha até que cega,
Ataca. Atear.
A calças curtas ,. atacas longas. A
guerra e a céa começando se atêa.
Naõ admitte ponto , nem ataca. ,.
Atirar.
Atado» Besteiro torto, atira aos pés, e dá no rostro.
Ao delicado, pouco mal o tem atado. Besteiro mão, aos seus atira.
Atalho. Fallar sem cuidar , he atirar sem apontar.
Quem caminha por atalhos, nunca sahe de Quem tem telhado de vidro , naõ atirape»
sobresaltos. dras ao do visinho.
Tomar atalhos novos s e deixar caminhos Feitos de villaõ, atirar a pedra, e esconder
velhos. a maõ.
Naõ ha atalho sem trabalho. Besteiro que mal atira ,
prestes tem a men-
Naõ deixes caminho por atalho. tira.
Atar. Atormentar.
Naõ ata , nem desata. Onecessario deleita,eo desnecessário ator-
Ata curto , pensa largo , ferra baixo , te- menta.
rás cavallo. Só a necessário deleita, e o sobejo atormen-
O sisudo naõ ata o saber a' estaca. ,ta-
Quem bem ata bem desaba. ,
Atrevido,
Quem quizer olho saõ ate a maõ. Homem atrevido, odre de bom vinho, e
Vê bem que ,
que desates.
ates vaso de vidro , pouco duraõ.
Ataviado. Homem atrevido dura como \aso de vidro.
A moço ataviado 9 mulher ao lado. Attentar.
Até. Quando a creatura denta , morte attenta.
Agoa molle em pedra dura , tanto dá ate Aturor.
que fura. Quem em casa da mãi naõ atura, na da ma-
Andar ventura até a sepultura. drasta naõ espere ventura.
Até a formiga quer companhia. Avacha ou Avoche.
Até á morte pé forte. Avacha a ti , avacha a ti naõ , ficará nadt
Até ao lavar dos cestos ha vindima. para mim.
Até o S. Pedro ha o vinho medo. Mais vai hum avache , que douste darei»
Até prometter ser escasso. Avançar.
A torto e a direito, nossa casa até ao tecto. Carro ,
que canta , a seu dono avança.
DA LINGTJA PORTUGUEZA. 19
Avarento. Avessa,
Ao avarento tanto lhe falta o que tem, co- Este homem naõ tem avesso, nem direi-
mo o que naõ tem. to.
O avarento rico naõ tem parente , nem a- Avezar,
migo. Avezou-se a velha aos bredos , lambe lhe
Máo ou ruim he o rico avarento', mas peor os dedos.
he o pobre soberbo. Avezou-se a velha ao mel , comer se quer.
Na arca do avarento o diabo jaz dentro. Em máo anno , e em bom anno , aveza teu
O avarento por hum real perde cento. papo.
O dinheiro do avarento duas vezes vai á Avicena.
feira. Avicena e Galeno trazem a minha casa o a-
Avareza. lheio.
A avareza he summa da virtude. Mais matou o Ceo que sarou Avicena.
Avaro. Avisado.
Ao avaro tanto lhe falta o que tem, como o He dourado , avisado , e formoso como as
que naó tem. trempes.
O avaro naõ tem e o pródigo naõ terá.
,
Avisinhar,
Ave. Quem com máo visinho ha de avisinhar ,
Ave de casa mais come do que vai. com hum olho ha de dormir , e com ou-
Ave por ave , o carneiro se voasse. tro velar.
Aquella ave he má, que em seu ninho suja. Aviso,
Ave de bico encurvado , guarte deila como Donde o sandeu se perdeo , ô bom fWô avi-
do diabo. so colheo.
Duas aves de rapina naõ se guardaõ compa- Quando o sandeu se perdeo , o sisudo avi-
nhia. so colheo.
O leaó he ás vezes manjar de pequenas a- Avô , Avó,
ves. Deixemos pais e avós , e por nós outros se-
Avêa. jamos bons.
De trigo e de avêa minha casa chia. Quem com seus avós se honra , comsigo
Sega na avêa quem ganhar deseja. traz deshonra.
Avel.irios. Vaó-se os dias máos , e vaõ-se os bons , fi-
Sabe vender bem os seus avelorios. caõ os filhos de ruins avós.
Avença, Oliveira de meu avô , figueira de meu pai,
Mais vai má avença ,
que boa sentença. e a vinha que eu puzer.
^ventar. Éramos trinta , pario nossa avó.
Asno desovado de lon^e aventa as pegas. Autor,
Burra velha de longe aventa as pegas. De má companhia guarte , de ser autor
Aventurar, nem parte.
Quem naõ se aventura, naõ anda a cavallo, Axa,
nem em mula. Axa foi ao banho , e teve que contar hum
Q^uem se naõ quer aventurar , naõ passe o anno.
mar. Axa naõ tem que comer , e convida hospe-
Quem murmura , a muito se aventura. des.
Quem se naõ aventurou, nem perdeo, nem Azado.
ganhou. Azado he o páo para a colher.
Avessas (<4'j). Azáfama.
Assi anda o demo ás avessas, e o carro com Azáfama , padeiras , que minha mãi quer
os bois. hum paõ.
C a
20 ADÁGIOS,. PROVÉRBIOS , &C.
Azar. Bácoro de meias , naõ he meu,
Huma hora acaba o que muitas naó pudwaó O bácoro , e a fome, e o frio fazem gran«
azar. de roido.
Azares* A-uiáo bácoro, boa lande.
Homem velho , sacco de azares. Bainhas.
Azedo. Naõ corta as bainhas : diz-se de quem tem
Pouco fel faz azedo muito mel. pouco saber.
Azeitada, Naó cabe na bainha idit-sc de quem teJir
A salada bem salgada, pouco vinagre, bem viuita. prejumpçaõ.

azeitada. BaldaÔ.
Azeite. Baldão de Penhor , e de marido.
Azeite, vinho ,amigo o mais antigo»
e Rostro alegre com perdaõ , vingança he do
Quem azeite mede , as mãos unta. baldaó.
Quem muito mel, ou azeite tem, nas ver- Bajihar,
sas o deita. Banhar- se em agoa de flor.
Quem azeite colhe antes de Janeiro ,: azei- Banho.
te deixa no madeiro. Foi- Maria ao banho , teve que contar todo».
Azeite de -riba., mel do fundo, vinho do, o an no.
meio. Axa foi ao banho , e teve que contar hun»
Bilha de leite , por bilha de azejte. arjno. .

Naõ deites azeite no.fogo. Baraço.


Azeite de Oliva todo o mal tira. Em casa deladraó , naõ lembrar baraço*
A yerdade e o azeite andaó á decima*. Baralha ? e Baralhar.
Azeitona* Boca fechada , tira-me da baralha.
Aazeitona , e a fortuna , ás vezes muita , Naõ bulas baralhas velhas, nem mettas
e ás vezes nenhuma. maô entre duas pedras.
Nem bebas da alagoa , nem comas mais que Quando hum naó quer , dous naõ baralhaõ.
;

huma azeitona. Barato.


Huma azeitona ouro , segunda prata ,. ter- Faze barato venderás porcento.
3 . .

ceira mata. O caro he barato , e o barato he caro.


Azenha, Mercadoria barata roubo das bolsas.
Andando ganhaa azenha., que naó estando Mais barato heo cnmprado , que o pedidov
queda. :
Embora vá tal barato
Azo., Barba , Barbeiro.
Guarte e guarte-ha Deos dos
dos- azos ,
A barba ca se entrega á moça louçã.
peccados. Antes, barba branca para ma filha j que mo-
§uem arreda o azo , arreda o peccado. . ço de barba partida.
irados os azos, tirados os peccados. Barba de três cores , barba de traidores»
De barba a barba honra se cata.
Falso por natura , cabello negro , e barba,
ruiva.
Bácoro. Homem astroso barba até o olho.
Naõ quero bácoro com chocalho. Queixadas sem barbas, naó. merecem ser
A cada bacorinho vem seu S. Martinho. honradas.
Bácoro de Janeiro , com seu pai vai ao fu- Mais honra ha , que a barba.
meiro. Bem sabe o gato , cujas barbas lambe.
Bácoro fiado , bom Inverno , e máo Veraõ* Dia de barba , semana de porco , anno de.
Bácoro em celleiro , naõ quer parceiro... cazado.
DA LÍNGUA PORTUGUE2A. 21
Ouça* de palma naõ o tira toda a baiba. De cossario a cossario, naõ se perdem mais
ha barba do néscio aprendem todos a rapar. que os barris.
Nas barbas do homem asuoso se ensina o Barro.
barbeiro novo. Tirar barro á parede.
Na barba do tolo aprende o barbeiro novo. Batalhar.
Barba remolhada , meia rapada. Quando hum naõ quer, dous naõ batalhafl.
Mal vai o fuso , quando a barba naõ anda Beber.
em cima. Ninguém diga desta agoa naõ beberei.
O ferreiro com barba , e as letras com ba- Se naõ bebo na taverna , folgo nella.
ba. Bebe como funil.
Barba com dinheiro , honra ao cavalleiro. Bebe como hum forneíro.
Mais vai migalha , que pello de barba. Depois de beber , cada hum dá seu parecer»
Fal em cartas , calem barbas. 1
! Onde entra o beber , sahe o saber.
Quando vires arder as barbas do teu visr- Quem muito pede, e muito bebe, a si
nho, deita as tuas emremoliio. damna, e a outro fede.
Morrem barbas , apparecem cartai. Ao bom comer , ou mio comer, três ve-
Comer á custa da. Barba longa. zes beber.
Nem o oiHcial novo , nem o barbeiro ve- Comer sem beber cegar , e naõ vir» ,-

lho. Nem bebas da alaima , nem comas- m«ij


Isso me dá barbeiro , que odreiro , tudo que huma azeitona.
he tosquiar cabello. Naó te fi.-s em villaõ , nem bebas agoa de'
Nem barbeiro mudo , nem cantor surdo. charqueiraõ.
O ruim barbeiro naõ deixa couro , nem ca*» A mulher ,
que mujto bebe , tarde paga o
bello. quedeve.
Desejo de doente , vista de barbeiro , ser- Bebe-lo, ou verte-lo.
vi cojde mulher. Naõ bebas cousa, que naõ vejas , nem as-
Barca , e Barco. sines carta, que naõ leias.
O marido barca , a mulher arca. Bebes vinho , naõ bebas o sizo.
'

Quem falia na barca ^ quer ir para a terra v Beberas.


e quem mais mette na barca , mais saca. Anno de beberas , nem de peras , nunca o
Naõ faças do queijo barca , nem do paõ S. vejas.
Bartholomeu. Beiços.
A barca he rota , sa!ve-se quem puder. Pôr a alguém o mel pelos beiços»
Se naõ for nesta barqueta , irá em outra , Morder os beiços de raiva.
que se calafeta. Beira.
Naõ se ha de dar com a barca no monte por Andar , andar , vir morrer á Beira.
qualquer cousa. Bem.
Por velho que seja o barco sempre passa a Alaihe acabar-se o bem.
váo. Fazei vós o bem , que digo , e naõ o mal
Vede-'<t vai , e vede-la vem como -> barco- que faço,
de Sacavém. Ao bem , busca-lo , e ao mal estorva-lo. ,

Alto para váo , baixo para barco'. O bem n.ó se conhece senaõ depois que
Barriga. se perde.
Barriga quente , pc dormente. Onde bem me vai , tenho pai , e mãi.
Palavras naõ enchem barriga. Quem bem está , naõ se levante.
Paõ da Ilha , arca chêa , barriga vasia. Quem bem está , e mal escolhe , por mal ,.

Barris. que lhe venha , naõ se anoje.


Aonde his ? a Évora Monte 3
fazer barris. O bem soa , o mal voa.
12 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Por bem fazer mal haver.
, Bem cego he quem muito ,
vê por aro de
Quem faz o bem, e naõ faz o bonete, quan« peneira.
to faz , tanto perde. Bem fiei pois meu filho criei.
,
Ch ega-se o bem para o bem , e o mal para Bem toucada naõ ha mulher feia.
quem o tem. Bem parece minha comadre , se naó fora
Quem naó sabe do mal naõ sabe do bem. aquelle Deos vos salve.
Naó ha mal sem bem , cata para quem. Bem cheira a ganância , donde quer que
Com bem venhas , se vieres só. vem.
Ha mal , que vem por bem. Bem criado e mal fadado. ,

Quem se bem estrea , bem lhe venha. Bem sabe mandar quem soube obedecer. ,
Bem ama, quem n-unca se esquece. Bem sabe este onde a bugia tem o rabo. ,

Bem parece o rego entre mim e meu com- O bem apercebido está meio combatido.
,

panheiro. Berço.
Bem sabe o asno , em cuja casa rosna. O que o berço dá , a cova o tira.
Bem estavas no teu ninho pássaro pinto. Berenjena.
,

Bem sabe a rola , em que maõ pousa. De mala berenjena nunca buena cafabaça. ,

Bem canta Martha ; depois de farta. Beringelas.


Bem sabe o bom bocado se naó custasse Alvoradas á Villa que beringelas ha no
, ,

caro. açougue.
Bem se lambe o «ato depois de farto. Besta.
Bem corne o villaõ se lho daó. , A besta comedeira , pedra* na cevadeira,
Bem canta o Francez papo molhado. ,
A besta louca , recoveiro maduro.
Bem sei o que digo quando paõ pido. ,
Arrenego da besta , que no Inverno tem
Deita-te a enfermar , saberás quem te quer sesta.
bem e quem te quer mal.
, Grande pé, e grande orelha, sinal de gran-
Naõ dá quem tem senaõ quem quer bem», de besta.
Bailo bem , deitais-me do curro. Besta de andar chaõ para mim , e para meu
Bem baila a quem a fortuna faz o som. irmaó.
Bem joga oda pella mas perdeaella. , A' besta que muito anda, nunca falta quem
Bem haja o píõ ,
que presta. a tanja.
Bem comprar , he gentileza , mal comprar, Homem grande , besta de páo.
naó he fraqueza. Grande carga , fraca besta , dizem os cor-
Bem estamos de roupa , se nos naõ mo- vos nossa he esta.
,

lharmos. Naõ ha besta fera que se naõ alegre com a


Donde esperança homem naõ tem , a's ve- sua companheira.
zes lhe vem o bem. Besta.
Bem parece o ladraõ na forca. Besta de amigo , rija de armar , e froxa de
Vai-se o bem para o bem , e o mal para tiro.
quem o tem. Naõ he regra certa caçar com besta.
Bem parece o dinheiro entre mim , e meu Ainda que Joaó Vaz rem besta, naó deixaõ
companheiro. de lhe apontar á testa.
Mais custa mal fazer ,
que bem fazer. Besteiro,
Bem vai ao romeiro , se lhe esquece o bor- Bdsteiro que mal atira prestes tem a menti-
dão. ra.

Bem perdido he, quem tra7 o perdido anda. Besteiro mio ao* seus atira.
Bem sabe o demo cujo fraçalho rompe., Porfia inata veado, e naõ besteiro cansa-
Bem sabe a espinha onde finca. , do.
Bem sabe o fogo , cuja casa queima. Besteiro torto atira aos pés , ê dá nõ rosto.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 23
Quem a meu filho beija, minha boca ado-
A* tua mesa , nem á alheia, naó te assentes ça.
combexiga cheia.
a Pela boca morre o peixe , e a lebre tomaõ-
Nadar sem bexiga. na a dente.
Be terrinha. Bocado.
Fezerrinha mama todas as vaccas mamma. Bem sabe o bom bocado, se naó custasse
Bezerrinha , que soe mammar ,
pousa-lhe o caro.
paJar. Bocejo.
Bicho. Bocejo longo , fome , ou somno.
Bom bicho he fulano , ou fulano he grande Boceta.
bicho. Ter alguém n'huma boceta.
Bico, Bochecha.
Quem te fez o bico , te fez rico. Desfaço as suas sentenças com huma bo-
Bigorna. checha de agoa.
Quando fores bigorna , soff re ; e quando Boda.
malho , malha. Quem naó roga , naó lhe vaõ á boda.
se
Bilha. Honra he sem honra 3 alcaide de aldêa , e
Bilha de leite por bilha de azeite. - padrinho de boda.
Boca. A' boda do ferreiro , cada hum com seu di*
Quem tem boca, va? a Roma. nheiío.
Da maõ a boca se perde a sopa. A boda , nem bautizado naó vás sem ser
Quem tem boca naõ diga ao outfo, assopra. convidado.
Naó posso ter a boca cheia de agoa , e asso* Ainda agora comem o paó da boda.
prar o fogo. A magra baila na boda , e naó a gorda.
A huma boca , huma sopa.
Abre a tua bolsa, abrirei a minha boca. - Naó ha voda , sem torna voda.
Boca de mel , coração de fel. Nem boda sen» conto , nem morte sem
Boca , que errou s naó merece pena , nem pranto.
que paó lhe falte. Tomai lá o que vos vem da boda.
O mal , que de tua boca sahe , em teu seio QueiD se anoja na
boda , perde-a toda.
cahe. Na boda dos pobres , tudo saó vozes.
A boca do fraco , esporada de vinho. As mais fcas , que todas 3 humas a Outra»
Quem má boca tem , má bostella faz. fazem as bodas.
Saúde come quem naó tem boca grande. Bòd*.
Na boca do discreto , o público he secreto. Beijo-te, bride ,
porque has de ser odre.
Todos fallaó por huma boca. Bojes.
Pela boca morre o peixe. Tem máos bofes
Pela bo\.a se aquenta o forno. Bolonioi
Sois boca de praga. He humbolonio.
Tudo vos suecede a pedir de ou por boca. Bolsa.
Dizer quanto lhe vem á boca. Bolsa sem dinheiro , chama-lhe couro.
Em boca cerrada , naó entra mosca. Quem tem quatro , e casta cinco , na - ha
Foi-se lhe a boca á verdade. mister bolsa , nem bolsinho.
Boca , que erra , nunca lhe paó falleçai Quem paó , e vinho compra, mostra a
Boca que diz sim , diz naó. bolsa.
Boca fechada , tira- me de baralha. Abre tua bolsa , abrirei a minha boca.
Cerra a boca , e coze o sizo. Por dar esmola , nunca falta a bolsa.
Chora á boca fechada , e naõ dês conta a Quem tem doença abra a bolsa , e tenha
quem lhe naõ dá nada. paciência.
24 ADÁGIOS PROVÉRBIOS , &C.
Cheire-me a bolsa , fecha-me a boca. Caó azeiteironunca bom coelheiro.
3
Fazei primeiro conta com a bolsa. De má mata nunca boa ca-ça.
,

Bolsa vasia , e casa acabada , faz o homem Castiga o bom, melhorará ; castiga o-máo,
sesudo , mas tarde. peorará.
Caminho Je Roma , nem mula manca ,
A boamaó do rocim faz cavallo ; e a ruim
nem bolsa vasia. do cavailo faz rocim.
Na almoeda , tem a bolsa queda. A bom cavallo , espora ; e ao bom escravo,

Bom Boa. açoute.


Do bom tudo do.ruim nada.
, , , Bom caó de caça , até á morte dá ao rabo.
Do bom, sem penhor, e do máo, nenhum Cresce o ouro bem bat ido , como a-mirlher
penhor, nem fiador. com bom marido.
Em bons dias , boas obras. De bons, e de melhores, á minha filha
Todos queríamos ser bons, e alcançaõ-no- venhaõ,
lo os menos. Em quanto fui sogra , nunca tive boa nora.
Bons , emáos mantém cidade. Em quanto fui nora, nunca tive- boa sogra.
O bom homem goza o fructo. Bom de convidar , máo de fartar.
O bom por se gaba. si Bom.comer , traz mio comer.
O bom soffre que o máo naõ pode.
,
Nunca boa oíha comagraço.
O grande junto ao pequeno fica maior , e o Quem bom , e máo naõ pôde soffrer , a
bom junto do máo fica melhor. grande honra naó pôde vir ter.
De boa casa boa braza.
, Se queres ter bom moço, antes que nasça,
Bom heoque Deos dá. obusce.
Boa parte em máo sujeito. A bom dia abre a porta, e- ao máo te appá««
Bons costumes, e muito dinheiro faraó a relha.
meu filho cavai leiro. Ao bom pagador naõ doe o penhor.
O bom vinho escusa pregão. Boas~saõ mangas depois de festa.
O bom vinho a venda traz comsigo.
, Bom he saber , que paó te rn de manter.
O bom mosto sahe ao rosto. Bom he hum paó com dous pedaços.
Naó he bom o mosto , colhido em Agosto. Do bom logo , bom fogo.
Quando naó chove em Fevereiro , naõ ha Em máo anno,e em bomannoj aveza bem
bom prado nem bom centeio.
,
teu papo.
Amigo do bom tempo , muda-se com o O bom ganhar , faz o bom gastar.
vento. Antes com bons a furtar ,
quecommáosa
Ao bom amigo , com teu paó , e com teu orar.
vmho. O bom dia , rrette-o em casa.

Mais vai hum bom amigo ,


que teu paren- O bom visinho faz obomem desapercebi-
te , nem primo. do.
Anda a teu amo a sabor , se queres ser bom O bom Pai ame-se e o máo soffra-se. ,

servidor. O bom pagador he herdeiro no alhei


, >.

Naó he o bom bocado para a boca do asno. O bom pagador naó arreceia pena.
As paiavras boas saõ, se assim fosse o cora- Para o bom pede ,
para o mal deseja.
-çaõ. Quem he bom de contentar , menos tem
Cobra boa fama , faze o que quizeres. que chorar.
Companhia de dous , companhia de bons. Boa he.a tardança, que assegura.
De ruim ninho sahe bom passarinho. Filho bastardo , ou muito bom , ou mui-
Faze boa farinha , e naó toque bozina. to velhaco.
De bons propósitos está o Inferno cheio , e O filho do bom ,
passa o máo , e passa o
oCeo de boas obras. bom.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 2Ç
'O filho do moo ,
quando sahe bom lie ra- A sciencia he loucura, se o sizo a
, narj-cuia.
zoado. A boa ventura com outra dura. ,

Offilhodo bom vá, até que bem lhe vá. A boa ventura de huns ajuda aos outros.
Bácoro fiado , bom Inverno , e máo Veraõ. Desleal, e bom servidor , virás a ser Se-
De rabo de poreo , nunca bom virote. nhor.
Naõ he bom fugir em soccos. Dormirei , boas novas acharei.
Quem sempre olha o derradeiro, nunca &s queres bom cabaço, semea-o em Março.
commette bom feito. Bom he ter Pai , e Alai , mas o comer ra-
Naõ he boa a falia, que todos naõ entendem. pa tudo,
O moço de bom juizo , quando velho ,4ie Boa parte em máo sujeito.
adivinho. Arrima-te aos bons , serás hum dellcs.
Boa conta , má conta-, tudo he conta. Boíjuitorto.
Boa meza , máo testamento. Ruim thesoura faz a meu marido boquitor*
Ao bom darás , e do máo te afastarás. to.
Bom amigo he o gato , senaõ que arranha. Borda 6.
Debaixo dobom saio está o homem mao. Máo he o romeiro , que diz mal de seu bor-
O máo ao bom anoja, que o máo naõ ousa. dão.
A bom correr ou máo comer , três vezes
, Bem vai ao romeiro , st lhe esquece o
beber. bordaõ.
A bom bocado grande»
, Mudança de tempos , bordaõ de néscios.
As boas novas > a
todo o tempo , e as más Borracha.
pela manhã. Naõ he tacha beber por borracha , quando
Boa he a truta , bom o salmaõ , bom he naõ ha tar;a.
sável , quando he de sazão. Borracha vasia , naõ tira secura.
O que he bom para o ventre , he máo para Naõ me contenta nada moça com leite, ,

o dente. nem borracha com agoa.


Pouco mal , e bom gemido. Naõ vás sem borracha caminho , e quando
A mulher boa , prata he que muito soa. a levares , naõ seja sem vinho.
Aquella he boa , e honraJa , que e^tá viu- Contas na maÕ , e borracha a cinta.
va sepultada. Bosa/te.
O bom panno na arca se vende. Arde o fogo secundo a lenha do bosque.
Bom principio , he ametale. Boys , ou Bois.
O bom apparelho Uz o bom oflficiál. Quem naõ tem boys , ou semea antes , oo
Con bom sol se estende o caracol. depois.
A bom pedrlor , bom tenedor. Quem naõ tem boy , nem vacca , toda a
A bo n dizidor , bom ouvidor. noite ara.
A bom entendedor , poucas palavra». Quem tem casal de renda , semente do
Bom saber he calar, até ser tempo de fallar. meias boys de aluguer , quer o tjue
,

Bom coração quebrama má ven'or<\. Deos naõ quer.


Do traidor farás leal com bom fallar» Quem tudo contou , com boys naõ arou.
De hum homem nesck), ás vezes bom con- Quem semea em caminho , cança os boys*,
selho. e perde o trigo.
Prata he o bom fallar , ouro he o bom cal- Quem seu carro unta , seus boys ajuda.
lar. O boy trava pelo arado , mas a mal de^set!
Se queres bom conselho , pede-o ao velho. grado.
Se queres ser bom Juiz , ouve o que cada A boy velho naõ cates abrigo.
hum diz. A boy velho , chocalho novo.
Boa he a cozinha , onde ha carne. Ao boy pelo corno , e ao homem pela pa-
lavra. D
20 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS &£.
A vacca que naõ come com os boys, 04
,
Bragas.
cnmeo antes , ou comerá depois. A más fadas mis bragas.
,

Boy luzido nunca tem fastio. A xjuem naõ traz bragas as costuras , o ma»,
Boy solto delambe-se todo. taõ.
Boy velho , rego direito. Quem as bragas naõ ha em douto, as costu-
Boy máo em corno cresce. ras lhe fazem nojo.
Boy que me escornou , em boa parte me Branco.
deitou. Todo o branco naõ he farinha.
Morre o boy e a vacca , e fica o demo em Antes de mil annos , todos seremos bran-
casi. cos.
Aonde irá o boy que naõ are ? Ratos arriba, que todo o branco he farinha.
De pequeno verás , que boy terá'*. Bravo.
Deixa ao boy mijar , e farta-o de arar. O meu dinheiro, que he manso, naõ o que-
Discreto , como os boys de Joa5 Affonso , ro fazer bravo , ( dizem os Alcm-Tejôes
que focem da relva para a herva. dos que naõ aiterem emprestar dinheiro» )
Mais come o boy de huma lambida , que a Branca.
ovelha em todo o dia. Chegar a braza á sua sardinha.
Mal vai á corte , onde o boy velho naõ tos- Braza deita no seio quem se honra com erro
se. alheio.
Naõ ha boy cançado , nem cantor bem me- Bredos.
drado. Avezou-se a velha aos bredos , lambe-lhe
O boy bravo , mudando a terra , he muda- os dedos.
do. Avezou a velha os bredos ; souberaõ-lhe
O boy, bravo na terra alheia se faz manso. bem , lambeo os dedos.
O boy da tua vacca o moco da tua braga.
, Engou a velha os bredos ; souberaõ-lhe
O boy y e o leitão em Janeiro criaó tinha. bem , lambeo os dedos.
O ruim boy folgado se descoroa. Bugalhos*
Aonde hirá o boy, que naõ lavre > pois Fallaó em alhos , responde em bugalhos.
que ?abe ? Bugio Bugia.
De boy manso, me guarde a mim Deos ;
Feros de bugio , ameaças vãas.
do bravo eu me guardarei. Bem sabe este onde a bugia tem o rabo.
Vai buscar pé de boy. Buraco.
A geira de Maio vai os boys , e o carro , e O buraco chama o laclraõ.

de Julho vai os boys , e o jugo. Recebido o damno , tapa o buraco.


Por Santa Eria toma os boys , e semea. Acolhi o rato no meu buraco.
Braçadas, Depressa se toma o rato , que só sabe hum-
O mal entra a's braçadas , e sahe a's pollega- burato.
das. Burel.
Braços, Mais vai palmo de panno ,
que pedaço de
A obra pagada braços quebrados.
, burel.
Naõ dcs a todos a torcer teu braço, Barra , e Barro.

Cada hum despende , como seu braço se . A burra velha , cilha amarella
estende. A burra de villaõ , mula he de Verão.
Dita alcança , que naõ braço longo. Burra velha , de longe aventa as pegas.
O
braço de Rei, e a lança , longe alcança. De noite á candea, a burra parece donzella.
Bradar. Quem sua burra mal pea , nunca a veja.
Quando os enfermos bradaõ, os médicos Já a burra jaz no pó.
ganhaó. Cada feira vai menos , como o burro de
Vicente.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 27
Fulano de dar bom burro ao dizimo
lia Boa he a fazenda , quando naõ sobe i cabe-
Qpara nada presta, ) ça.
Com c'.'b-ça de lobo , ganha o raposo.
Escarmentar em cabeça alheia.
Ainda que Joaõ Vaz tem besta , naõ deixaõ
Cá, de Jhedar na cabeça.
Ca me entendo. Cabeçal.
Cãas. Emboravds mal onde , te põem bom cabe-
A cãas honradas , naó ha portas fechadas. çal. . »
Cabaça, Mal sobre mal , pedra por cabeça!.
Tanto anda a que vai á cabaça.
linhaça , até Cabeceira.
Nem no Inverno sem copos , nem no Ve- Em meza redonda naõ ha cabeceira.
rão sem cabaça. Naõ está fora de canceira, quem os pês mu-
Ainda naõ está na cabaça , ]i he vinagre. da para a cabeceira.

Queres bom cabaço , semea-o em Março. Cabello,


Cabeça. Mal alheio peza como hum cabello.
Naõ te mettas em contenda, naó te quebra- Naõ quero gabaó , se me -ha de encher de
rão a cabeça. caSellos.
A cabeça com comer endireita. Muitas maõs , e poucos cabellos asinha se
A dor de cabeça minha e as vaccas nossas. , depennaó.
Quebras-me a cabeça , untas-me o casco. Cabellos , e cintar naõ fazem bom enxo-
Tal cabeça, tal sizo. val.
Ditoso de quem experimenta em cabeça a- Mais va' velha com dinheiro, que moça
Iheta. com cabello.
Isto vos ha de dar na cabeça. Madrinha fazei o topete, e ulloccbello.
•Munca lavei cabeça , que me naõ sahisse ti- Cabra.
nhosa. A ovelha louçã disse á cabra , dá-me a fâ\
Naõ nos doa a cabeça até la'. Anda a cabra de roça em roça, como o bo-
Quem naó tem cabeça, naó ha mister cara- cejo de boca em boca.
puça. Cabra de mecha deo na outra.
Çuem em pedra duas vezes tropeça, naô he Cabra manca naõ tem sesta.
muito quebrar a cabeça. Cabra vai pela vinha , por onde vai a mai ,
Quintas cabeça^ , tantas carapuças. vai a filha.

Nao sejais torneira , se tendes cabeça de Donde sahio a cabra , entra o corde ro. ;

manteiga. Quem cabra ha bem pagara. ,

Fnsaboar a cabeça do asno, perda do sabaõ. Quem tem cabra esseamamma. ,

A cabeei do vesugo, come o se*u lo , e da A cabra de minha visinha , mais leite dá


boga dá a sua sogra. que a mii^ha.
Quem pedra para cima deita , cahe-Ihe na 4Juem cabrtos vende , e cabras naó tem ,
cabeça. donde lhe vem ?
Se queres enfermar , lava a cabeça, e vai- Saltou a cabra na vinha, também saltará
te deitar. sua filha.
'O mulato sempre parece asno, quer na ca- Toma a cabra a silva , ea porca a pocilga.
beça , quer no rabo. Cabrito.
Preguiça naó lava a cabeça, e se a lava, naó Naõ he cabrito para o mesquinho.
a penteia. O cabrito de hum mez , o queijo de três.
A quem tem cabeça , naó lhe falta carapu- Quem cabritos vende , e cabras naó tem ,

ça. donde lhe vem ?

D a
a3 ADÁGIOS., PROVÉRBIOS , Szc.
Caça. Cada hum despende , como.seu braço se
De má mata nunca boa caça.* estende.
Quem quizer caça , vi á praça. Cada hum veja o paô, que lhe ha de abastar.
Porfia mata caça. Cada hum diz da feira como lhe vai nella»
,

Nem moça boa na praça , nem homem ri- Cada hum acode aonde lhe mais doe.
co por caça. (
Cada hum faz no que sabe.
Ir á guerra , nem caçar ^ naõ se deve acon- Cada hum chega a braza á sua sardinha.
selhar. Cada hum folga como seu igual..
Naõ he regra certa , caçar com besta. Cada hum faz como quem he.
Se caçares. , naó te gabes , e se naó caçares,, Cada hum falia do que trata.
naõ te enfades. Cada hum falia da festa, como lhe vai nella.
Guerra, caça, e amores,.. por hum pra- Cada hum em sua casa he Rei.
zer cem dores. Cada hum colhe como semea.
,

Bom caõ de caça, até á morte dá ao rabo.. Caçla hum como se amanha.
Andar com furaõ morto a.caça. Cento de hum ventre , cada hum de sua»
Caçador* mente.
A! porta de cac-yior ouriça grande monturo* Cada qua},,
Mal haja o caçador doudo, que gasta a vida. Cada qual com seu igual*
cpm hum pássaro..^ Cada qual em seu officio.
Mentiras de caçadores saõ as maiores. Cada qual he senhor de sua vontade.
Sede de caçador , e fome de pescador. .
Cada qual sabe para seu proveito.
Cada. Cada qual sente o seu mal.
Cada formiga tem sua ira. Cada-qual com seu pedaço de máo caminho*
Cada cabello faz sua sombra naferra... Cadeiras,
Cada mosca faz sua sombra. .
Abaixaõ-se as cadeiras , levantaõ-se as, tri->
Cada terra com seu costume. peças»..
Cad.a bofariuheiro louva seus alfinetes*. Cal.
Cada ovelha com sua parelha. Este negocio he de pedra , e cal.
Cala carneiro por seu pé pende. Cal.tr.
Cada dia peixe , amarga o caldo*. De calar ninguém se arrependeo , de fallar
Ca^a cousa a seu tempo, sempre.
f ala cuba cheira ao vinho Fallem cartas , calem barbas..
, que tem.
Gada feira vai menos , como burro de Vi- Ao bom calar , chamaõ santo. .

cente.. vence. Quem cala,


Cada porco tem seu S. Martinho. , consente. Quem cala
Cada dia tre; , e quatro , chegarás ao fun- Mais vai calar , que mal fallar,
do -do sacco. O
parvo calado , por sábio he reputado»
Cada hum. Calar , cobrar pela terra , e pelo mar.
Cajá hum dança , como tem os amigos na- Bom saber he calar, at<í ser tempo de fallar.v
sala. A mulher de bondade , outrem falle, e ella
Cada hum, canta como tem graça , e casa cale.
como tem ventura. Se a moqa for louca , andem as maõs , e
Carla hum falia .como quem he. cale aboca.
Cada hum sente o seu. Prata he o bom fallar, ouro he o bom calar.
Cada hum trate de si e deixe os outros.
.,
Calças.
Cada hum sente o frio, como anda vestido.. calças curtas , atacas longas.A
Cada hum séconteotecomoque Deoslheda\ Cfldela.
Cada hum estenda a perna ate onde tem a Nem por coima de figos á cadeia.
cuberta*.
DA LÍNGUA VOU TU GUEZA. 29
Caldeira, Todos es cami nhos vaõ ter á ponte, quan-
Caldeira de Pedro Botelho , ( toma-sc pelo do o rio vai de monte a monte.
Iiifcmo. ) Solas vinho andaó caminho.
, e
Caldeiradas, Pés maõs caminho andaó.
, e
Em cada casa comem favas , e na nossa a* Quem embica, e naõ cahe,caminho adianta.
caldeiradas. Tomar atalhos novos , e deixar caminho
Caldo. velho.
Cada dia peixe amarga o caldo.
, Camisa,
De caldo requentado , nunca bom bocado*. A mulher que pouco ha, sempre faz ruim
Prova teu caldo , naô perderás teu paõ. camisa.
Caldo de nabos, nem o queiras, nem o dês Quem naõ tem mais de huma camisa, ca-
a teus criadas. da Sabbado tem mão dia.
Caldo de raposa , frio , e queima. Naó se fia , nem da camisa , que traz ves-
Come caldo, vive em alto , anda quente j tida, .

viverás longamente. Começado , e acabado , como camisa do


De caldo requentado , e de vento de bura- enforcado.
co , guardar dei le como do diabo. Saúde he a que joga, que naó camisa nova.
Cama. Mãi velha , e camisa roca naõ deshonra.
Quem boa cama fizer , nella se deitará. Alai , vestem huma camisa.
e filha
Coma de chão, cama de caó. Campa,
Se queres boa fama, naó. te tome sol na Campa quebrada nunca sára^
cama. Canceira.
Deita-te em cama , cuida em tua casa.
tua A quem tem mulher formosa , castelloem
Naõ haja dó de quem tem muita roupa, e faz fronteira, vinha na carreira, naõ lhe falta
má cama. canceira.
A frade naó faças cama, eatua mulher naõ Ca nde a.
faças ama. De pequena candea ,
grande fogueira»
Em cama estreita deitar primeiro.' O ignorante, e a candea a si queima, e
Caminhar. outros alumeia.
Caminha pela estrada 9 acharás pousada* Alegria certa , candea morta.
O que caminha a cavallo , vive pouco , e Meia vida he a candea 5 eo vinho he outra
o que anda a pé , contaõ por morto. meia.
Queirucaminha por atalhos , nunca sahe de Naó ha santidade sem candea.
sobreditos. Quem pede para a candea , nunca se deita
Caminíw, sem cea.
Fazer de hum caminho
dous mandados. Abafou-me na almotolia de noites candea.
Cuidado anda caminho, que naõ moço fral-* O trigo , e a tea á candea.
dido. Alegria secreta , candeia morta.
Em caminho Francez , vende-se gato por De noite á candea a hurra parece donzella.
rez. Canela.
O caminho naô tem prazo. Se naó houvera mais alhos que canela, o que
Naó sem borracha caminha , e^jirando'
vás elles valem valera el la.

naó seja sem vinho.


a levares, Cantar.
Quando fores de caminho , naó digas mal Quem mal canta brm razoa.
de teu inimigo. Como canta o Abbade , assim responde o
Naó deixes caminho por atalho. Sancristaõ.
Paó , e vinho anda caminho, que naó mo- Quem canta , seus males espanta.
ço garrido. Cantar. mal > e aporfiar.
30 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Canta Marta depois de farta. Casa em que naõ , ha caõ , nem gato, he
Conhecerás a loucura em cantar, e jogar, casa de velhaco.
e correr a mula. Perdido he o gado , onde naõ ha caõ que
,
Ao arrendar cantar , e ao pagar chorar. ladre.
O Abbade donde canta , dahi janta. Ou para homem , ou para caõ ^ leva a tua
Carro que canta , a seu dono avança. espada na maõ.
Cântaro* Muitos cães einraõ no moinho, mal pelo
Cântaro que vai muitas vezes á fonte , ou que achao dentro.
deixa a aza , ou a fronte. A caõ mordido todos o n>ordem.
Nem com toda a fome á arca, nem com to- Quem o seu caõ quer matar , raiva lhe
da a sede ao cântaro. põe nome.
Muito trigo tem meu Pai em hum cântaro. Mettes os cães na mouta, e arredas te pa-
Caõ. ra fora.
Caõ , que lobos mata , lobos o mataõ. Quem tem medo , compra hum caõ.
Dous lobos a hum caõ bem o comcráõ. , Melhor he fazer agastar hum caõ , que hu-
A o caõ, e ao palreiro, deixa-os no sen- ma velha.
deiro. Metteo os c<es na mouta, e afastou-se fora.
Guarte de caõ prezo , e de moço Gallego Huma sebe dura tresannos, três srbes hum
Aborrece-me como caõ morto. caõ , tre cães humcavallo, três cavallos
Espertar o caõ , que dorme , ou quem acor- hum homem , três homens hum corvo ,
dar o caõ dormido, vende a paz, e com- e três corvos hum elefante.
pra r uido. Ca paõ.
A grande caõ, grande osso. Docapaõ a perna , da gal tinha a titella.
A* hora má , naõ ladrão cães. Capaõ de oito mezes ,
para a me7a de Reis.
Amor de mulher, e festa de caõ, só atten- A viuva , e o capaõ quanto comem , assim
taõ para a maõ. o daó.
Caõ , que naõ ladra , guarda delle. CapellaS.
Caõ , que muito lambe, tira sangue. A máo Capellaõ , máo Sancristaõ.
Ladre-meo caõ , naõ me morda. Capello.
Mal ladrão caõ , quando ladra de medo. Quem ama o frade , ame-lhe o capello.
Caõ , que muito ladra., nunca bom para a Capello sobre capello, nunca o veste o máo
caca. mancebo.
Na boca do caõ naõ busque* o paõ, ti em no Em Janeiro sete capellos, e hum sombrei-
focinho da cadella a manteiga. ro.
Nunca falta hum caõ , que vos ladre. Naõ o quero , naõ o quero , deita-mo nes-
O caõ com raiva de seu dono trava. te capello.
O caõ no osso , a cadella no lombo. Ao máo vento, volve-lhe o capello.
O caõ velho, quando ladrada comei ho. Capaz,
Caõ de palheiro nem come , ntm deixa co- "Cupaz de malha , esse he o que me arma*
mer. Cara
Cio que muito ladra , pouco morde.
, Boa cara, e má bofe.
Qual he o caõ , tal he o dono. Cara de Páscoa , £cara alegre.*)
Quem om cães se lança, com pulgas se
c
le- Conheço-lhe na cara o mal , que me quer.
vanta. Carambola,
3?on caõ de caça , até á morte dá ao rabo. Viva o Maio carambola, que elle vai jogan-
Ca"> ateiteiro, nunca bom coelheiro. do a bola. ( Anexim
pueril. )
Naõ crie caõ , que lhe naõ sobeja paõ. Carapuças,
Bole o rabo o caó , naõ por ti , senaõ pelo Quantas cabeças , untas carapuças.
paó.
DA LÍNGUA PORTUGUEZ*. 31
Carga, Carneiro filho de ovelha , naõ erra quem
Grande carga leva a carreta , maior a leva o seu semelha.
o dono delia. Cor pinteh 9.
Grande carga , fraca besta , dizem os cor- Pelo mal do ferreiro, u.araó o carpintei-
vos , nossa he esta. ro.
A carga bem se leva , a sobrecarga causa a Quando o carpinteirotem marleira que la-
queda. vrar , e amulher paõ que amassar , naô
Cargo* lhe falta paõ que comer , nem lenha que
Quem quizer vero villaô, metta-lhe ocar^ queimar.
go na mao. Carrilho.
Carne. Comera duas faces , ou a dous carrilhos.
Carne magra de porco gordos Carro.
Carne mal lograda , cozida , entaó assada. Carro ,
que canta , a seu dono avança.
Carne de peito, sem proveito. Quem seu carro unta , seus bois ajuda.
Carne nova de vacca velha. Máo de carro , peor de arado.
Carne de acem , he pouca , e sabe bem O carro entornado , todos daõ de maó.
mas naõ he para quem filhos tem. Quem caminha em carro , nem vai a pé ,
Carne carne cria. nem a cavallo.
Carne de perna tira do rosto a ruga. Carta.
Paõ de hoje , carne de hontem , vinho de Morrem barbas , apparecem cartas.
outro verão fazem o homem saó. Nem olho em carta , nem maõ em arca.
Quem come a carne , roa o osso. Carvaó.
He má carne. Nem carvão , nem lenha compres ,
quando
Carne , que baste 3 vinho , que farte ,
paõ, gea.
que sobre. Nem compres do ladraó , nem faças fogo
Quem da carne alhea ha de comer , da sua de carvaó.
ha de perder. 1\>do se con verteo em carvaó (/aliando de
Carne sem osso , proveito sem trabalho. huma cousa que se mallogra. )
A' carne de lobo dente de caõ. Carvoeiro.
Quem se levanta tarde , nem ouve Missa , Como sacco de carvoeiro , máo de fora ,
nem toma carne. peor de dentro
Carneiro, Ne^ro he o carvoeiro, branco he o seu di-
Ave por ave , o carneiro se voasse. nheiro.
A carneiro capado naõ apalpes o rabo. Casa.
Cada carneiro por «eu pé pende. Em casa de ferreiro espeto de páo.
Farto está o carneiro , quando marra com Casa ,vinha , potro 9 faça-o outro.
o companheiro. Casa , em
que naõ ha caõ , nem gato , he
Pe manhã em manhã perde o carneiro a lã. casa de velhaco.
Tantos morrem de carneiro*, como de cor- Casa de Pai , vinha de Avô.
deiros. Casa de terra , cavai !o de herva , amigo de
Tens vontade de morrer , ceia carneiro as- palavra , tuc^o he nada.
sado , e deixa-te adormecer. Casas, em que caibas, vinho quanto bebas,
Furtar o carneiro , e dar os pés por amor de terras quantas vejas.
Deos. Casas tu praça, as hoi breiras tem de prata.
A pescada de Janeiro vai carneiro. Casa hospedada, bem comida, pouco hon-
Lá vem Fevereiro , que leva a ovelha , e rada.
o carneiro. Ca<a varrida , e meza posta , hospedes es-
Demandar sete pés ao carneiro. pera.
32 ADAGíOS, PROVERBI05, &C.
Comprirem feira, vender em casa. Casamentê.
Deixa a tua casa , e vem-te á minha , terás Casamento a par do lar , -compadre d'alem
negro dia. do mar.
Deica-te em tua cama, e cuida em tua casa. Casar,
Depois de casa feira , a deixa. Casar , casar , soa bem , e sabe mal.
De trigo , e de avea , minha casa cheia. Ga^ar , casar , quer bem , quer mal.
Ditosa casa, donde hum só gasta. Casar , casar , e que do governo.
Em casa de cavalheiro , vacca , e carneiro. Casar, e comprar, cada hum com seu igual.
Em casa do sezudo, se faz o paõ miúdo. Casar-me quero, terei o olho da panella ,
Huma hora cahe a casa , -que naÕ cada dia. e assentar-me-hei primeiro.
Em casa do mesquinho , mais pode a mu- Casaras , e amansaras.
lher , que o marido. Casareis , e em manténs alvos comereis.
Melhor he fumo em minha casa, que naa- Casa*-te , e verás perder o sono , e nunca
Ihêa. dormirás.
Negra he a cêa em casa alhêa. Casa o filho quando quizeres, e a filha quan-
Quantas vezes te ardeo tua casa ? quantas do puderes.
casei filhas. Cada hum canta , como tem graça, e casa
A torto e a direito, nossa casa ate ao tecto. como tem ventura.
Quem entra em casa feita, ou se assenta á Com cousa velha, nem t-e cases, nem tè al-
mesa posta , naõ sabe o que cusra. faies.
Mal vai á casa , onde a roca manda á espa- Com teu visrnho casarás teu filho, e bebe-
da. ras teu vinho.
Melhor he curar goteira ,
que casa inteira. Quem casa com mulher rica , e fea , tem
Minha casa, e meu lar cem soldos vai, c es- tuim cama , e boa meza.
tlmou-se mal , porque mais vai. Quem longe vai casar , ou vai- enganado ,
Melhor he huma casa na Villa, que duas no ou vaienganar.
arrabalde. Quem naõ tem sogra , nem cunhada he
Na casa cheia -asinha se faz a cea.
, bem casada.
Na casa > onde naõ ha paõ , todos peleijaõ 9 Quem tarde casa mal casa. ,

nenhum tein razaõ. Seja Maria^bem casada , e a outra haja má


Naõ mettas em tua casa, quem dous olhos fada.
hajt ,seoaõ trigo , e cevada. Se queres bem casar casa com teu igual. ,

Nem em tua casa galgo , nem á tua porta A filha casada sahem-lhe genros. ,

fidalgo* Antes que cases , vê o que fazes , porque


Qual heelle , tal mantém.casa naõ he nó , que desates.
De cal linhas , e más fadas se enchem as ca- Com verdade, e com mentira casou a velha
sua filha.

O homem na praça , e a mulher em casa. Ao velho recem-casado rez-r lhe por finado»
Queimada a casa , acode com agua. A quem faz casa , ou se casa , a bolsa lhe
De boa casa, boa braza. fica rasa.
Decaia do gato , naõ vai o rato farto. Naõ compres mula manca , cuidando que
Qurím faz a casa na praça, Mim dizem, que ha de sarar , nem cases com mulher má,
he alta , outros , que he baixa. cuidando que se ha de emendar.
Estar como villaõ em casa de seu sogro. De dia em dia casarás Maria.
Em sua casa , cada qual he Rei. Em Janeiro te casa companheiro.
Casal. Moça com velho casada, como velha se tra-
O casal He ruim lavrador, e a vinha de bom ta.

adubador. Nem de menina te ajuda , nem cases com


viuva.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. JJ
O filho de tua visinha , tira-lhe o ranho ,
Cavalleir*.
e ca-sa-o com tua filha. Mais abranda o dinheiro ,
que palavras de
O homem rico, com a fama casa seu fi- cavalleiro.
lho. Em casa de cavalleiro , vacca, e carneiro.
Para ma! casar , mais vai nunca casar. Hontem vaqueiro hoje cavaHeiro. ,

Por cobiça de florim , naõ te cases com Por hum cravo se perde hum cavallo por ;

ruim. hum cavallo hum cavalleiro; por hum


Por affeiçaõ te casaste , a trabalho te en- cavalleiro hum exercito.
tregaste. Earba com dinheiro honra ao cavalleiro. ,

Por casa , nem por vinha naõ cases com Queijo ,


paó , e pero , comer de cavallei*
mulher parida. ro.
Quem casa sua filha depennado fica., Pela ponte do madeiro passa o doudo ca-
Quem casa por amores, máos dias, e peo- valleiro.
res noites. Fazer de huma pulga hum cavalleiro arrra*
Cascalho» do.
Nem vinha em baixo, nem trigo em casca- Bons costumes, e muito dinheiro , faraó'
lho. cavaHeiro.
a teu filho
Cascavéis. Cavallo fouveiro , á porta do alveitar , ou
Vo ruge ruge se fazem os cascavéis. do bom cavalleiro.
Casco, O mez de Janeiro , como bom cavalleiro ,
Depois de escalavrado , untar o casco. assim acaba , como a entrada
Quebrar-me a cabeça , untar-me o casco. Conta feita , mula morta , cavalleiro , an-
Castanha, dai a pc.
Têmpora he a castanha , que por Março Á dama de monte , cavalleiro de corte.
arreganha. Almocreve cavalleiro , naó ganuadeiro.
A castanha , e o vesugo em Fevereiro naõ Cavallo.
tem sumo. Cavallo corrente , sepultura aberta.
Castigar , Cast-go. Cavallo, que ha de ir á guerra, nemeorra
Castiga o bom , melhorará , castiga o máo , lobo , nem o abane egoa.
peorará. Cavallo ruço corre o molle , e o duro.
Castigar velha , e espulgar caõ , duas dou- Cavallo rusilho, ou ditoso , ou mofino.
dices saó. Cavallo alazaó muitos o querem , e poucos
Canigo de velha , nunca fez mossa. o haõ.
Castigo de dura , huma no cravo , outra na Cavaílo alazsõ , naõ esteve comtigooS.
ferradura. Joaó.
O castigo faz ao doudo ter siso. Cavallo rifador , e odre de bom vinho pou-
Quando vem ao soberbo o castigo , vem- co se logr3Õ.
Ihe mais lijo. Cavallo fouveiro , á porta do alveitar ,t>u
Quem a hum castiga a cento fustiga., do bom cavalleiro.
Quem mal vive por onde pecca por
, ,
hi Cavallo, que voa , naõ quer espora.
se castiga. Cavallo formoso de potro «arnoso.
Com vento alimpaó o trigo, eosvicios Cavallo galgaz corre á carreira.
com castigo. A boa maõ do rocim faz cavallo , e a roim
Bento he o Varaõ , que por si se castiga 5 do cavallo faz rocim.
e por outrem naõ. A cavallo novo , cavalleiro velho.
Criaste , e naõ castigaste , naõ criaste. A cavallo roedor , cabresto curto.
Naõ te as <anhes com o canigo que te dá o A cavallo dado , naõ olhes o dente.
teu inimigo. A mula com afago , o cavallo com castigo.
34 ADÁGIOS PROVÉRBIOS &C. ,

Ao bom cavallo espera, e a bom escravo Sobre comer dormir, sobre cear passos dar»
açouta. Duas ceas más em hum ventre cabem.
Arrenego do cavallo. , que se enfrea pelo Mais quer a cea , que toalha secca.
rabo. Negra he a cea em casa alheia.
Ata curto ,
pensa largo , ferra baixo , terás Vésperas de aldeã , póe a meza , e cea»
cavallo. A boa cea ante tempo se enxerga.
Cabresto de cavallo naõ enfrea boi. A fome alheia me faz prover minha cea.
De numa pancada naó se derruba o cavai- Por fazenda alheia ninguém perca a cea.
lo. A guerra , e a cea , começando se atea.
Eu , o máo cavallo
e , ambos temos hum Quem pede para a candea , nunca se deita..
cuidado. sem cea.
Andar no cavallo dos frades. Mais matou a cea , que sarou Avicena.
Mab ruim cavallo , que ter asno.
vai Quem se eleita sem cea, toda a noite deva»,
O cavallo alimpa a egoa. nea.
O melhor penso do cavallo , he penso de Cebolinha.
seu amo. Mctter-se como cebolinha em restea.
O olho do amo engorda o cavallo. C.jHo.

Naó arrendes ao coutado rendas , nem ca- Quem cedo determina, cedo se arrepende.
vallo. Jantar tarde , e cear cedo , tiraó a meren-
Ofo:im em Maio torna-se cavallo. da de permeio.
Prado faz cavallo e naó monte largo*
, Se queres cedo engordar, come com fome,
Quem compra cavallo , compra cuidado. bebe de vagar.
Quem quer cavalio sem tacha , sem.elle se A peixe fresco , gasta-o cedo, e havendo
acha. tua rilha crescido , dá-lhe marido.
Seja ruço o cavallo, e seja qualquer-. Quem tudo quer vingar, cedo quer aca-
Cautela. bar,
Com huma jautela , outra se quebra. Naó ha segredo ,
que tarde , ou cedo naõ
A grandes cautelas , maiores. seja descoberto.
A muita cautela , damno naó causa. Filho tardio , rua orfaó cedo.
Se naó fores casta , sê cauta. Deita-te tarde, levanta te cedo y verás teu
Dai-me Mãi acautelada , dar-vos hei filha mal , e o alheio.
guardada. Donde tiraó , e naó põem , cedo chegaó ao
Cca. fundo*
Por fazenda alhêa ninguém perca a côa.
,
A/> porco , e ao genro , mostra -Jhe a casa,
Quem á mesa alhúa come , janta e cca com virá cedo.
fome. Soj de Inverno sahe tarde, e póe-se ce-
Quem a maó alhêa espera , mal janta , e do.
peor cca. Cegar , Cega*
Quem pouco tem , e isso dá , cedo se ar- Antes cegues , que mal vejas.
rependerá. Comer sem beber cegar , e naó ver.
,

Se mal jantas ,
peor cea* , mingoantes as Quem tem amor atraz da portella , tanto
carnes , crescentes as vias. o ha até que cega.
Quem bem quizer cear, a sua casa o vá bus- Sonhava o cego que via.,

car. Naó ha cego, que se veja , nem torto, que


A quem has de dar de cear , naõ te doa dar- se conheça.
Ihe de merendar. Na terra dos cegos o torto he rei. ,

Quem cea , e se vai deitar, má noite ba de Bem cego he , quem muito vê por aro d»
passar. peneira.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA, 15
Ceileiro. Até o lavar dos cestos
ha vindima ,

Hum graõ naõ enche o ceileiro , mas ajuda Cevada,


a seu companheiro. Cevada grada , a outro dia cega-h.
Abril frio , e molhado , enche o ceileiro , Cevada sobre esterco , espera cento , e se
e farta o gado. o auno for mo'hado , perde o cuidado.
De flor de Janeiro, ninguém enche o ceilei- Asno morto cevada ao rabo.
ro. Tudo henada, sena> trigo, e cevada.
Horta, nem ceileiro, naó quer companheiro. C*i(iv.',

Outubro, Novembro, Dezembro , bus- Preguiça , chave de pobreza.


ques o paõ no mar mas torna a teu cei- .,
Naõ me apraz porta, que a muitas chaves
c abre teu mialheiro.
leiro ,
faz.

Bácoro em ceileiro , naó quer parceiro. Aqui está a chave do jogo.


Cento. A chave na cinta íaz a mim boa, e á minha
Cento de vida , cento de renda , e cem le- visiona.
goas de parentes. Cerra tua porta , e dá-me a chave, e quem
Quem deve cento, e tem cento e hum, naõ vier , brade.
teme a nenhum. Chi ta o.
Cento de hum ventre , cada hum de sua Com El Rei , e com a Inquisição chitaõ.
mente. Chorar.
Quem no jogo faz hum erro faz cento. Chorar com hum olho
, , e rir com our ro.
Quem faz hum cesto fará cento. , Choraõ os olhos de teu amigo, e elle enter-
Mais vai hum dia dodi.creto, que cento rar te-ha vivo.
do néscio. Chora boca fechada, e naõ desconta a
á
Dia de S. Pedro
vê teu olivedo , e se vi-
,
quem naõ dá na la.
lhe
res hum tjraõ , espera por cento. Mais quero estar trabalhando, que choran-
Hum sabor tem cada caça, mas o porco cen- do.
to alcança. Quem he bom de contentar menos tem ,
Cepa. que chorar.
A boa cep* , em Maio a deita. Naó vejas por extremos, nem chores dolos
De boa cepa plaita a vinha , e de boa MSi alheios.
a filha. Aquella lu de chorar, que teve bem , e veio
Cepo, a mil.
Afeita hum cepo , parecera' mancebo. Sapateiro , porque choras ? porque naõ te-
Cera. nho solas
Como acera he sobeja logo queima a Igre- Naó de olhos , que choraõ, senaó de maõs,
ja. que trabalhão.
Cerejas. Desde que inaos chorei , cada dia merece
Fava? das mais caras , cerejas das mais ba- porque.
ratas. Quem tem quem o chore , cada dia mor-
A mulher , e a cereja ,
por seu ma! se en- re.
feita. Quem com donas anda , sempre chora , e
A homem farto , as cerejas amnrgaó. naõ canta.
Cesto. Folguemos em quanto podemos, outra ho-
Cesteiro que faz hum cesto , fará cento. ra choraremos.
Gaba-te cesto, que vender-te quero. Aprende chorando , e rirás ganhando.
Gaba-te cesto , que has de ir á vindima. Quem primeiro nasce , primeiro chora.
Nem com toda a fome ao cesto , nem com Donos daó , e servos choraõ.
toda a sede ao pote. Hum em sacco , outro em papo , e chora
pelo do prarto. E a
g6 AD.AGiOS, PR r VERBIOS , &C.
Ao arrendar cantar , e ao pagar chorar. Peleijaõ as comadres , descobrem-se as ver-
Na) crieis gallinha , onde a raposa mora , dades.
nem creais a mulher que chora. Comadres, e visinhas a revezes h?õ fari-
Mãi . que cousa he cazar ? filha, fiar , pa- nhas.
rir , e chorar. Ide comadre á feira , e vereis , como vos
A mulher, que se fia de homem jurar , o vai nella.
cue ganha , he chorar. Bem parece minha comadre , se naõ fora a-
Chover, queile , Deos vos salve.
A ti chova todo o an no , e a ruim , Abril Comadre andeja naõ vou a parte , onde a
e Maio. naõ veja.
Que chova , que naõ chova , meu amo me Comer,
dará que coma. Coma o máo bocado , quem comeo o bom*
Quando chover em Agosto, naõ mettas teu Come caldo , vive em alto , anda quente
dinheiro em mosto. viverás longamente.
Quando chove, e faz sol, alegre está o Come para viver , pois naõ vives para co-
pastor. mer.
Quando naõ chove em Fevereiro , naõ ha Comer á custa da barba longa-
bom prado nem bom centeio.
, Comerá sapos e lagartos. ,

Chove a cântaros. Comer, e coçar, tudo está em começar.


Quando Deos quer , com todos os ventos Comer paõ com côdea.
chove» Comeo a velha os ixedos.
Se naõ chover entre Março , e Abril , ven- Comer a duas faces, ou a dous carrilho?.
derá El Rei o carro > e o carril. Guarda que comer , naõ guardes que fazer.
Chove nelle , como na rua. Esse mal farás , que andes , e naõ comas..
Dn todos os Santos ate o Natal , bom he Bem come o villaõ > .se lho daó*.
chover, melhor nevar. Bom comer y traz máo comer.
Choute. Comi papas para engordar, sahíraõ-mepor
Em chaõ de couce ,
quem naõ p.uder,andar cea, e por jantar.
choute, Comei mangas aqui , que a, vós honraõ , e>
Cinza, naõ a mim.
Alegrias Entrudo,que amanhã será' Cinza, Comer toda a vianda , tremer toda a.molej-
Citirnõ, ra.
Trigo de cizjraõ ,
pequena massa ,
grande Duro de>cozer , duro de comer.
paõ. Em casa de Mar'a parda.hu ns comem leite,
Cobras» outros nata.
Sabe mais ,
que as cobras. Em cada casa comem favas , e na nossa ás
Côdea, caldeiradas.
Fulano he hum côdea. Fazei- vos mel , comer-vos-haõ as moscai.
Cpgombro. Grande saber he , naõ escutar , e comer.
Aborreci ao cogombro, e cahio*me no hom- Hir-se-haõ os hospedes , comeremos o pa^
bro. to.
Colmeal. Melhorhe podre , que mal comido.
Março ventoso, Abril chuvoso do bom coU Naõ ha prazer , onde naõ ha comer.
meai faráõ astroso. Quem quizer comer comigo , traga em que
Colmeciro. se assentar.
Vender mel. ao colmeeiro. Naõ comas cardos com dentes emprestados.
Comadre, Naõ se pode fazer a par , comer, e asso-
Minha comadre andadora, tirando a sua ca- prar.
sa em todas as outras mora».
DA LWGUA ?OKTTJGUE2\. 37
Naõ tem que comer assenta-se á meza.
, A cabeça com comer endireita.
$iaó comas muito queijo , nem do moço A bom comer ou máo comer , , três vezes
esperes conselho. beber.
No comer , e no fallar he a moça igual. Quem come a papa , reze o Pater Nostcr.
No tempo ,
que se come , naó se envelhe- Comer sem beber , cegar , e naõ ver.
ce. Cr>mer truta , ou jejuar.
O que come minha visinha , naó aproveita Comer até adoecer , curar até sarar.
á minha tripa. Come que a hora de comer he a fome.
,

O que houveres de comer , naó o vejas fa- Come menino criar-te-has come velho,
, ;

zer. viverás.
Osso ,
que acabas de comer, naõ o tornes Muitocome o tolo, mas mais tolo he quem
a roer. lho dá.
Ovo brando , comer embaraçado. Comer verdura e deitar má ventura.
,

Panella de muitos mal comida , e peor me- Come com elle e guarte dcile. ,

xida. Naó comas cru , nem andes com pé nú.


Paócomesto, companhia desfeita. Como,
Para que apara a maçã , quem lhe ha de co- Como me crescerão favores , me recresce-
mer a casca ? ,
rão as dores.
Por isso se come toda a vacca, porque -hum Como vires a Primavera , assim pelo ai es*
quer d&perna , outro da espalda. pêra.

Sueijo, pêro, e paó , comer de viMaó. Como vires o faval , as«?im espera o ai.

uem á meza alheia come , mal jaula , e Quando o trigo he louro , he o barbo como
peor cea. touro.
Quem bem come e bebe faz o que deve*
, , S. Miguel , e S. Joaó passado , tanto man-
Quem come a carne roa o osso. , da o amo coma o criado.
Quem come e deixa duas vezes põe a
, > Cada feira vai menos , como burro de Vi-
meza. cente.
Quemescudella d'outro espera 3 fria a co- Sol de Março pega como pegamaço, e fere
me. como maço.
Quem quizer comer , migue» Ao avaro tanto lhe falta o que tem , como
Quem se queima , alhos come. o que naó tem.
Qjem tanta agoahade heber , ha mister de Se assim corres , como bebes, vamo-nos ás
comer. lebres.
Se comeres antes ,
que vás á Igreja , des* • Tal te vejas entre inimigos , como pássaro-
pois naó te poráõ a meza. na maõ de meninos.
Tem- te em teus pés , comera's por três. Ao marido, serve-o, como amigo, e guar-
Tudo ha mister arte , e o comer vontade. te delle como inimigo.
Axa naó tem que comer , e convida hospe- Assim medre meu sogro , como caõ de traz
des. do fogo.
Versas, que has de comer, naó as cures Assim he o Marido amarellado , como casa
de mexer. sem teltado.
Quer chova , quer naõ chova , meu amo me Cada hum canta , como tem graça , e ca-
dará que coma. sa como tem ventura.
Come do teu , e chama-te meu. Cresce o ouro bem ba,tido , como a mulher
Bem jejua , quem mal come. com bom marido.
Quem só come seu gallo , só sella seu ca- Taõ bom he Pedro , como seu amo,
vallo. Naó ha tal. venda , como a primeira.
Caõ de palheiro nem come , nem deixa co- O que deve , naõ repousa como quer,
mer,
38 ADÁGIOS PROVÉRBIOS , &C.
Se naõ como queremos, passamos como po- Melhor de comprar ,
que de rogar.
demos. Nem carvaõ , nem lenha compres quando
Como criastes tanto? filhos ? Querendo gea.
mais aos pequeninos. Quem compra, e mente, na bolsa o sente.
Por onde vas , assim como vires , assim fa- Quem compra o que naõ pôde, vende o
rás. que naõ deve.
Passem os potros , como os outros. Quem diz mal da cousa , esse a compra.
Compadraio. Quem paõ, e vinho compra, mostra a bol-
Morto o afilhado , desfeito o compadrado. sa.
Compadre, Vende a esposado, e compra a enforcado.
Quem bem me faz , he meu compadre. Vende publico , e compra secreto.
Do páÕ de meu compadre , grande pedaço Quem te conhece , te compre.
ameu afilhado. Ao comprar te arremanga.
Nunca ruim por compadre. Confeitos.
Companheiro. Confeitos de enforcado.
Com a mulher , e o dinheiro 5 naõ zombes, Conhecer.
companheiro. Quem te conhece , te compre.
Sobre dinheiro, naõ ha companheiro. Quem a si mesmo naõ conhece , vivendo
Hum graó naõ enche o celleiro , mas ajuda desfalece.
a seu companheiro. Quem te naõ conhece , te compre.
Horta, nem celleiro, naõ quer companhei- Conselho.
ro. Reinem conselho ,
perde o seu , e naõ ga-
Farto está o carneiro ,
quando marra com nha no alhCo.
o companheiro. Ainda que sejas prudente, e velho, naõ
Moça em cabello , naõ ma louves compa- desprezes conselho.
nheiro. Segundo o natural de teu filho , assi lhe dá
Companhia. o conselho.
Duas aves de rapina naõ se guardaõ compa- Homem néscio dá ás vezes bom conselho.
nhia. Homem apaixonado naõ admi; te conselho.
Companhia de dous , companhia de bons. Officio de conselho , honra sem proveito.
Companhia de três , he má rez. A coelho ido , conselho vindo
Companhia de amigo, que come o meu co- Conselho sem remédio^ he corpo sem al-
miço , e o seu comsisjo. ma.
Até a formiga quer companhia. Conselho de quem bem te quer , ainda que
De má companhia guarte de ser author ,
pareça mal , escreve-o.
nem parte. Se queres bom conselho, pede-o ao velho.
Queres conhecer tua filha , olha-lhe a com- Ao feito, remédio ; ao por fazer conselho.
panhia. Põe o teu dinheiro em conselho hum dirá, .

Veio Dos a vér sem companhia. he branco , outro he vermelho.


Paõ co nesto compaihia desfeita.
, Mudado o tempo, mudado o conselho.
Merenda comida , companhia desfeita. A novo negocio , novo conselho.
Comprar. Aproveita-te do velho, valerá teu voto em
Bem comprar he gentileza , mal comprar conselho.
naõ he fraqueza. Conselho de amigo vai hum reino.
Comprar a alforvas , e vender a onças. O que te disser o espelho, naõ to diráõ em
Comera , que vendas. conselho.
Comprar cm feira vender em casa.
, O tempo dá remédio , onde falta o conse-
Comprar , e arrepender. lho.
DA LÍNGUA pORTTJGUEZA. 39
Quando fores ao conselho , falia do teu ,
De grande coração he soffrer ; de grande
deixa o alheio. Senhor he ouvir.
Coração determinado, naõ soffre conselho. Melhor he vergonha no rosto , que mágoa
Quem naõ tem conselho , perde o seu , e no coração.
naõ ganha o alheio. Feitos te farei, que ao coração te cheguem.
O mal alheio da conselho. Quaes palavras te dizem , tal ccraçaõ te fa-
Em conselho as paredes ouvem. zem.
Do velho conselho.
j Co»açaõ sem arte naõ cuida maldade.
De teu amigo , o primeiro conselho. Qual te dizem , tal coração te fazem.
Ainda que estejas mal com tua mulher, naõ Quem seu coração quer vingar , sua casa vê
he bom conselho que cortes o apparelho. prear.
Contar. Fazer das tripas coração.
Quem conta hum conto, sempre lhe accres- Cordeiro»
centa hum ponto. Do curral alheio , nunca bom cordeiro.
Contas, Donde sahio a cabra entre o cordeiro. ,

A contas velhas , baralhas novas. Tantos morrem de carneiros, como de cor-


Aqui seremataõ as contas. deiros.
Renego de contas com parentes , e de dí- Cordeiro manso mamma suamãi, eaa-
vidas com ausentes. lueia.
Fazer conta sem a hospeda. Corno,
Naõ fez bem as suas contas. Sobre corno aperreado.
Convidar, Por mais ajuda sobre cornos penitencia.
Onde querem , ahi te convidao*.
te Coruja.
Hospede , que se convida , despede-se asi- Coruja de seraõ , agoa na maõ.
nha. Corvos«
Axa naõ tem que comer , e convida hospe- Corvos a corvos naõ se tiraõ os olhos.
des. De máo corvo , máo ovo.
Hum convidado convida outro. Do mal ,
que faz o lobo , apraz o corvo.
A boda nem bautizadonaó vás
, , sem ser Grande carga , fraca besta , dizem os cor-
convidado. vos ,nossa he esta.
Bom de convidar , máo de fartar. Naõ pôde o corvo ser mais negro , que as
O convidado mostra-se amigo , mas naõ azas , ou já o corvo naõ ha de ter as azas
letrado. mais negras.
A agua he fria, ma* mais o he quem com corvo, tirar-vos-ha o olho.
Criai o
ella convida. Cossario.
Coração. De cossario a cossario perdem-se os barris.
Coração partido , sempre combatido. De cossasio a cossario naõ se perdem mais
Hum coração hc espelho de outro. que os barris.
Lá vaõ os pés , onde quer o coração. Cotovelada,
Na face , e nos olhos , se lê a letra do co- Dôr de cotovelada , e dôr de marido , ain-
ração. da que doa, logo he esquecido.
Por teu coração julgamos o de teu irmaõ. Couces.
A mulher do escudeiro , toucas alvas , co- Quem pés naõ tem , couces promette.
ração negro. Naõ couccjes , ou naõ dês couces contra o
Bom coração quebraria má ventura. aguilhaõ.
O bom coração soffre , e o bom sizo ouve. Coutadv.
Contas na maõ, e o demónio no coração. Naõ arrendes ao coutado rendas , nem ca-
Coração determinado, naõ soffte conselho. vallo.
40 ADÁGIOS , PROVÉRBIOS , &C.
Creatura. Amor dinheiro , , e cuidado naôesta' dis-
Quando a creatura denta , morte atten ta. simulado.
Crer. Cuidar,
Quem a todos crê, erra ; e quem a nenhum, Cuidar naõ he saber.
naõ acerta. Cuida-lo bem , e faze-lo mal.
Quem naõ crê boa mãi , crê má madrasta. Cuida na pega , se he branca, se he preta.
Cré com crê , lê com lê. Fallar sem cuidar , lie tirar sem apontar.
Criada, Cuidar muitas cousas , fazer huma.
Em quanto o amo bebe , espere o criado. O máo sempre cuida com enganos.
Senhores empobrecem, criados padecem. Cuidando donde vás , te esqueces donde
S. Miguel , e S. Joaõ passado tanto man- , vens.
da o amo como o criado. Deita-te em tua cama, cuida em tua casa.
Honra he dos amos o que se faz aos criados. Quando cuidas metter o dente em seguro ,
Quem tem criados , tem inimigos naõ es- toparás o duro.
cusados. O homem occupado naõ cuida cousas más,
Filhos , e criados , naõ os amimar, se os nem as faz.
amimares naõ os queres lograr.
, Naõ compres mula manca cuidando que ,

A cabo de hum anno , tem o criado as ma- ha de sarar ; nem cazes com mulher má,
nhas do amo. cuidando se ha de emendar.
A criado novo , paõ , e ovo , depois de Cuida bem no que fazes , naõ te fies em ra«
velho , paõ , e demo. pazes.
Caldo de nabos , naõ queiras , nem o dês Néscio he quem cuida , que outro naõ cui-
a teus criados. da.
Criar. Cunhados.
Criaste , e naõ castigaste , naÔ criaste. Cunhados e ferros de arado debaixo do chaõ
Cruzados. saõ logrados.
Lá vaõ leis onde querem cruzados,, Cuspir.
Cu. Arrenego de tigeiinha de ouro, em que hei
Cu de Judas. de cuspir sangue.
Cuha. Quem mal cospe , duas vezes se alimpa.
Cada cuba cheira ao vinho , que tem. Quando Deos queria , ao longe cuspia ; a-
A cuba cheira ao vinho , que tem em si. gora que naõ posso , cuspo aqui logo
Cuidado. Quem cospe para o Ceo , na cara lhe cahe.
Naõ serás amado
se de ti só tens cuidado.
, Cuspo para o Ceo, cahe-me no rosto.
Horta sem agoa , casa sem telhado, marido
sem cuidado , de graça he caro.
A poeira do gado , tira o lobo de cuidado.
Cuidado anda caminho, que naõ moço fral- Dadivas.
dido. As dadivas aplacaõ os homens , e os deo-
Eu, eo meu cavallo , ambos temos hum ses.
cuidado. Dadivas quebrantaõ penhas.
Estando alegre , nao !eas carta logo , por- Dançar,
que naõ nasça cuidado novo. Aprende alta e baixa , e como te tangerem,
O farto do j«jum naõ tem cuidado algum. assi dança.
Filhos casados , cuidados dobrados. Dar.
Manda , e faze-o , tirar-te-ha o cuidado. A dar está obrigado a quem haõ dado.
,

Quem compra cavallo , compra cuidado. A quem te der huma passara , dá-lhe sua a*
Tem cuidado de o ganhar ,
que tempo.fica za.

para o gastar.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 41
A qirem dá o capaõ dá-lhe a perna. Cale o que deo e falle o que recebeo.
, ,

Quem dá bem vende se naõ he ruim o Dar hehonra e pedir deshonra.


, , , ,

que recebe. A quem has de dar de cear naõ te doa dar- ,

Dá Oeos o frio conforme a roupa. Ihe de merendar.


Tarde dar , e negar , estaó a par. Huma figa ha em Roma , para quem lhe
Dar-lhohaõ , e dar-nos-ha , e dar-vo-ío- daõ, e naõ toma.
• liemos. Debaixo.
Tal he dado , como seu dono. Debaixo dos pés se JevantaÓ desastres.
Darei a vida , e alma, mas naõ a albarda. Debaixo do huma ruim capa, jaz hum bom
Quem dá o seu , antes de morrer , appa- bebedor.
-feihe-se a bem soffrer. Cunhados , e ferros de arado , debaixo do
Ou me darás o potro, ou te matarei a egoa. chaõ saõ logrados.
Mais vai hum toma , que dous te darei. O nabo, e o peixe debaixo da geada cresce.
Nem a todos dar , nem a todos porfiar. Folga o trigo debaixo da neve, comoa ove-
Melhor he dar a ruins , que pedir a bons. lha debaixo da pelle.
O liberal busca occasiaõ para dar. Debaixo do sahal , ha ai.
Quem dá , e sempre naõ dá , tanto perde, Debaixo de boa palavra , ahi está o enga-
quanto dá. no.
Quem do que lhe doe naõ der , naõ haverá Debaixo do bom saio , está o homem máo.
o que quizer. Dedos.
Naõ dá quem tem , senaõ quem quer bem. Os dedos da maõ naõ saõ iguaes.
Quem sabe dar , sabe tomar. Naõ dês o dedo ao villaõ , porque te toma-
Quem tudo dá , tudo nega. rá a maõ,
Ri-se o diabo, quando o faminto dá ao far- Mettei-lhe o dedo na boca.
to. Nem hum dedo faz maõ , nem huma ando-
Ao bom do máo te afastará*.
darás , e rinha faz veraõ.
Sempre promette em dúvida , pois ao dar Morder-se os dedos.
ninguém te ajuda. Lamber os dedos.
$* te da o pobre, he para que mais te tome, Avezou se a velha aos bredos , lambe-lhe
Q ie m se detém em dar o que promette , os dedos.
claro está , que se arrepende. Em rio q»edo naõ mettas teu dedo.
,

Dai-me dinheiro , naõ me deis conselho. Hum mesmo canivete me corta o paõ , e ò
Dizem os sinos de Santo Antaõ , por dar ,
dedo.
daó ou por dar , daõ-, dizem os tinos
; Curello máo corta o dedo , e naõ corta ò
de Santo Antaõ. pá o.
Naõ des o dedo ao villaõ , porque te toma- Hum dedo máo duas mãos suja.
rá a maõ. Deitar.
Naõ deves dar mal por mal , nem creas of- fem cama estreita deitar primeiro,
fichl. Deita-te sem cea , amanhecerás sem d/vN
Aquelle que te deo , e o outro te dará , mal da.
haja quem de seu naõ ha. Deita-te tarde, levanta-te cedo, verás teu
Do rico he dar remédio , e do velho conse- mal , e o alheio.
lho. Quem boa cama fizer , nella se deitará.
Donde as daõ , as tomaõ. Deitar azeite no fogo.
A quem daõ , naõ escornaõ. Deitar em sacco roto.
A quem daõ , naõ escolhe. Deixar.
Dá Deos o frio conforme a roupa. Deixar o certo pelo duvidoso.
Gança quem dá , e naõ cança quem toma. Deixemos de zombar, e fallemos de siso>
F
42 ADÁGIOS PROVÉRBIOS , &C.
Deixar meninice*. A quem Deos quiz bem, no rosto lho vêm
Deixemos Pais , e Avós e por nos seja Da Deos nozes a quem naõ tem dentes.
mos bons. Dá Deos a roupa segundo he o frio.
Deixou o com a boca aberta. Lá me leve Deos , aonde estaõ os meu?.
Deixou-me nas pontas do touro. Mais pode Deos ajudar que velar , e ma- ,.

Delicado. drugar.
Ao delicado ,
pouco mal o tem abado. Mais vai quem Deos ajuda, que quem mui-
Ao homem comedor nem , cousa delicada^ to madruga.
nem appetite no sabor. Naõ ha pressa , em que Deos naõ seja,.
Denodado» Naõ fez Deos a quem de sem parasse.
Deos euarde de peida, e de damno^ede
te Quando Deos naõ quer, Santos naõ rogaó.
homem denodado. Quem boa dita tem , a Deos agradeça.
Dentar» Quem naõ falia, naõ o ouve Deos.
Quando a creatura denta , morte attenta. Voz do Povo , voz de Deos.
Dentes. Deos desavenha , quem nos mantenha»
Deo com língua nos dentes.
a Guardado he o que Deos guarda.
Alais perto estad os dentes , que parente*.. Homem propõe, e Deos dispõe.
Os velhos aodaõcom os dentes , e os man- Quem boa ventura tem, a Deos o agradeça..
cebos com os pés. Quem se muda Deos ajuda. ,

Mais quero para meus dantes ,


que para Amanhecerá , far-nos-ha Deos mercê.
meus parentes. Ainda Deos esta onde estava.
Naõ comas cardos com dentes empresta- Deixar fazer a Deos , que he Santo velho.
dos. De Deos vem o bem , e das abelhas o mel*
Quando cuidas metter o dente em seguro , Deos consente , mas naõ sempre.
toparás o duro. Deos he o que sara, e o mestre leva a prata.
A carne do lobo , deote do caô. Deos te dê saúde, e gozo,e casa com quin-
A quem doe o dente , doe a dentuca. tal , e poço.
Dôr de parente dôr de dente»
,.
Deos te guarde de perda , e damno , e de
Melhor he dente podre , que cova na boc- homem denodado.
ca* Deos naõ se queixa , mas o seu naõ deixa..
Dá Deos nozes a quem naõ tem dentes.. Deos me de contenda com quem me en-
Lá vai a lingua , onde o dente grita. tenda..
Oque he bom para o ventre , he máo para Deos naõ come, nem bebe, mas julga o que
o dente. entende*
Nem sapateiro sem dentes > nem escu- Deos te mate filho , e o Povo a meu inimi-
deiro sem parentes.
Naõ digas mal d'e)Rey , nem entre dentes, Deos diante o mar he chaõ.
porque em toda a parte tem parentes. Deos te dé bem • e casa em que o tenhas.
Valente do dente. Deos paga a quem em mãos passos anda..
Defender a unhas , e a dentes. Deos te dê ovelhas , e filhos para ellas.
Cousa , que tem dente de coelho. Deos naõ fia toucas , que tira a humas, e dá
Dentuca, a outras.
A quem doe o dente , doe a dentuca. Em pequena hora- Deos melhora.
Deos. Deos ajuda aos que trabalhão.
A Deos , e a el Rey , naõ errarei. Deo»; esta diante dos amigos.
Melhor he hum paó com Deos, que dous A mãos lavadas Deos lhe dá quecomaõ*
com o demo. Deos sabe o que nos está melhor.
A quem Deo» quer ajudar, o vento lhe apa- Deos te guarde de parrajo de Legista â e de
nha a lenha.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 43
infra de Canonista, e de etcetcra de Es- Quem deve cento , e tem cento e hum naó
crivão , e de recipe de Matasaõ. teme a nenhum.
Ter a Deos por hum pé. Quem deve a Pedio , e paga a Gaspar ,
que
De tudo se Deos serve. torne a pagar.
Quem naó busca a Deos na vida , he dei- Que monte de trigo, se naõ estivesse de-
xado de Deos na morte. vido.
Juízo de Deos. O que me deves , me paga , o que te devo
Aquém nada tem , Deos mantern. he nada.
Encommendar a Deos , botar a nadar. A rico naó devas, e a pobre naõ ptomettas.
Ventura te dè Deos, filho, que saber pou» Deve os olhos da caia.
co te basta. Deve a capa.
O amor de Deos vence , todo o ai perece. Quem teme , algo deve.
Depenna. Pedir mais do que se deve para cobrar o de-
Quem $6 se aconselha , só se depenna. vido.
Quem se empenna, sem ter penna, depois Quem naó deve , naõ teme.
se depenna. De vagar.
Depressa* O que bem parece , de vagar cresce.
Quem depressa foi , depressa tornou. Quem quizer Tolher asinha , plante de va-
Más fadas , carpi-las depressa. gar, esem fadiga.
De vagar pensa , e obra depressa. Se queres cedo engordar , come com fome,
A má herva depressa nasce, e depressa en- e bebe de vagar.
velhece. De vagar pensa , e obra depressa.
Depressa se toma o rato ,
que só sabe hum De vagar vaõ ao longe.
buraco* Quem de vagar anda pouco alcança.
Quem depressa se cura , tarde sarou. Se a ser rico queres chegar , vai de vagar.
Derradeiro. Dia.
Quem sempre olha o derradeiro , nunca Ao quinto dia , verás, que me* terás.
commette bom feito* Naó saó todos os dias iguaes.
Quem derradeiro nasce primeiro chora. ,
O dia de amanhã ninguém o vio.
Ao derradeiro morde o caó. Por Santo André , todo o dia noite he.
Entende primeiro , e falia derradeiro. Santa Luzia cresce a noite , mingoaodia.
Desassombrar. Do Naral a Santa Luzia , cresce hum palmo
A morte com honra desassombra. * o dia»
Desbarbar. Em bons dias , boas obras.
Mulher casada naõdesbarba. Ao bom dia abre a porta, e ao máo te appa-
Descarnar. relha.
O ruim boi , folgado se descorna» O bom dia rnette-o em tua casa.
Despir* O que se naó fez em dia de Santa
Maria se
Quem o alheio veste na praça o despe.
,
ao outro dia.
faz
Despontar. O que se naõ faz em dia de Santa Luzia, faz*
As letras naó despontarão a lança. se em outro dia.
Destetar. Dia de purga , dia de amargura.
Pôde destetar meninos de feo. * Muitos dias ha no anno.
Dever. Quem casa por amores , máos dias , petres
Naõ o tenha , e naõ o deva. noites.
Paga o que deves , sararás do mal que tens, ,
Vaõ-se os dias máos , e vaõ-se os bons , e

O que deve , naó repousa como quer. fícaõ os filhos e netos de ruins Avós.
,
Quem deve , ou pague , ou rogue. Hum dia frio , e outro quente , logo hum
homem he doente. F a
44 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Algum dia fomos gente. Vem o teu inimigo humilhado , guarda-te
Hum dia melhor , que outro. , como do diabo.
delle
Naó se fez Roma em hum dia. Da ave de bico encurvado , guarda-te del->
Quem naõ tem mais que huma camisa, ca- la como do diabo.
,

da sabbado tem máodia. De ruun homem e dissimulado, guarda»


,

Mais vai hum só dia do discreto, que cento te delle como do diabo.
do néscio. Melhor he hum paó com Deos , que dous
Naõ ha dia sem t3rde. com o demo.
Trinta dias tem Novembro, Abril, Junho, Quem demos .compra demos
, vende*
e Setembro , vinte e oito tem hum , os Mulher que dá no homem., na terra do de-*
outros trint3 e hum. mo mora.
Cada dia peixe , amarga o caldo. Vá: se o demo para o demo , venha Maria,
Diabo , Demo , Demónio. para casa.
De porta cerrada o diabo se torna. Quem tempo tem > e tempo espera , tem-
De pai santo filho , diabo. po he que o demo lhe leva.,
v

Irade irmãos , ira de diabos. Vio-se o demónio em soccos , e quiz pisar


Pai naõ tiveste , mãi naó temeste, diabo os outros,
te fizeste.. Morre_oboi e a vaca , e fica o demo em ca-
Q homem he fogo , a mulher estopa , vem sa.
o diabo , assopça. No rosto, de minha filha , vejo quaoto-o
A .Cruz nos peitos , e diabo nos feitos. demo tomaa.meu genro.
Ri se o diabo, quando o faminto dá ao far- Dinheiro.
to. Ninguém seria- vendeiro , se naõ fosse di%
Eu como tu,e tu como eu, odiabo te me nheiro.
deo- Mais abranda o dinheiro , oue palavras de.
Q velho o diabo a amigar.
a estirar , cavaileiro.
Quando o diabo reza , enganar te quer. De quem do sen foi máo dispenseiro , naó*
He diabo para os ratos. fieso teu dinheiro.
Na arca do avarento, o diabo jaz dentro.-. O dinheiro sobre penhor ,e sabre palavra,'
Naó he o diabo taó feio , como o pintaó. e tendo pela fralda.
Nem sempre o diabo está de. traz da porta.. Perdendo tempo , naó se ganha dinheiro».
Q diabo, to disse. Paz, e saúde , dinheiro a quem o quizer.
O mal ganhado , leva- o o diabo. Quem dinheiro tiver , fará o que quizer.
Tal he o demo como sua mãi. Quem dinheiro quer cobrar , muitas voltas
Eem sabe o demacujo fragalho rompe. ha de dar.
Coutas na maõ e o demónio no coração.
, Traz trabalho vem dinheiro com descanso.
Quem o demo tomou huma vez ,. sempre Dinheiro faz batalha , e naõ braço largo. .

lhe fica hum geito. Quem naó tem calças em Inverno, naó fies
Minha filha Tareja hum diabo a toma , ou- delle teu dinheiro..
tro a deixa. Meu dinheiro , teu dinheiro , vamos i ta«
Homem vergonhoso o .demo o trouxe ao verna..
Paço. Amor faz muito , o dinheiro tudo.
Assi anda o demo ás avessas, e o carro com Tudo pôde o dinheiro.
os bois. Bons costumes , e muito dinheiro , fará5
Asno por Jama , o demo o tanja ; e pelo pó a meu filho cavaileiro.
o demo haja delledó. Dai-me dinheiro , naó me deis conselho.
Quem anda em demanda com , o demo an- Dinheiro empreitaste , inimigo ganhaste^
da. Eni quanto ha dinheiro , ha amigos.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 4£
O dinheiro naõ mata a fome. Vê hum dia do discreto , e naõ toda a vida
Negro he o carvoeiro , branco he o seu di- do néscio.
nheiro.. Mais vai hum dia do discreto ,
que cento
O terreiro, e seu dinheiro. do néscio.
O officio de albardeiro , mette palha , e Na boca do discreto, o público he secre-
tira dinheiro. to.

Naó ha mal , taó lastimeiro , como naõ ter Divida,


dinheiro. Melhor he dívida nova , que peccado ve-
Dinheiro he a medida de todas as cousas. lho.
Dinheiro tinha o menino > quando moia o Quem paga^dívida , faz cabedal.
moinho. Renego de contas com parentes , e de di-
Dinheiro de onzena , com seu dono come vidas com ausentes.
á meza. Dteiite.

Do dinheiro, e da verdade , a metade- da Hum dia frio , e outro quente, logo hum
metade. homem he doente.
A pouco dinheiro j pouca saúde. Naó ha moço doente , nem velho saõ.
O dinheiro do avarento, duas vezes vai á O saó ao doente em regra o mette.
feira. Em casa da parida
, ou doente , o lugar naó

Naó h i
pouco dinheiro.
gallinha gorda de seaquente.
Grande bem me quer minha mulher , se da Quando o doente diz ay, o Fysico diz, dai.
banda do punhal ha dinheiro,que lnedar. Quando os doentes bradaó , os Fysicos ga-
Mais vai a velha cora -dinheiro , que moça nhão.
com cabello. Quando o Medico he piedoso , he o doen-
Quem naõ tem dinheiro , naõ tem graça. . te perigoso.
Quando a velha tem dinheiro, naõ tem car- Donde.
ne o carniceiro. Ponde fogo naõ ha , fumo naõ se levanta.
De ferreiro a ferreiro naõ passa dinheiro* Donde foste pagem, naó serás escudeiro.
Officio alheio custa dinheiro. Donde tiraõ , e naó põem , cedo chegaó ao
Põe o teu dinheiro em conselho , hum dirá fundo.
he branco , outro he vermelho. Donde muitos- cospem , lama fazem*
Sobre o dinheiro naõ ha companheiro. Cuidan Jo donde vás , te esqueces donde
Amor de rameira, e convite de estalaja- vens.
deiro , naõ pôde ser , que naó custe di- Donde sahio a cabra ? entre o cordeiro.
nheiro. Donde és homem ? donde he minha mu-
Querei-me pelo que vos quero, naó me lher.
falíeis em dinheiro. Donde vindes aranha? de casa de minha cu-
Po*.dinero baila el perro. .
nhada.
Donde te querem muito , naó vás a miu-
Diogo he bom amigo , mas mente de con- de.
tino. Donde perdeste a capa , dahi te guarda.
Direito, Donde te querem , ahi te convidaó.
Onde forqa naõ ha , direito se perde. Donde o Clérigo canta , dahi janta.
Rogo , ç direito fazem o feito. Nas unhas , e nos pés , semelharás don-
Naõ. he muito , que percas teu direito, naó de ven<.
sabendo fazer teu effeito. Donde veioa Pedro fallar gallego.
O bom direito , bom he ajuda-lo. Dono
Discreto. Amor , fogo , e tosse , a seu dono desce- t

Acenai ao discreto , dai-o por feito, bie.


46 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Carro que canta , a seu dono avança. Por Abril dorme o moço ruim , e por Maio
QujI he o caõ , tal he o dono. o moço , e o amo.
Grande carga leva a carreta , maior a leva o Somno de Abril , deixa-o a teu filho dor-
dono delia. mir.
Naó cava de coração , senaó o dono do fo- A raposa dormida , naõ lhe cahe nada na
raõ. boca.
Vaso novo , primeiro bebe , que seu dono. Barriga quente , pé dormente.
Tal he o dado , cimo seu dono. Ainda tem muitas noites que dormir fora.
,

Dadiva de ruim a seu dono parece. Dorme como arganaz , como pedra em po-
Sempre o alheio suspira por seu dono. ço.
Mal conhecido , com seu dono morre. Dormir a môr levar.
Donos daõ , e servos chorão. Manhas de Abril , doces de dormir.
Perde-se o bem ganhado , e o mal , elle 3 e Quem tem inimigos , naõ dorme.
seu dono. Dormir quieto ( estando seguro do negocio* )
Dinheiro de onzena, com seu dono come á Se naõ dorme meu olho , folga meu osso.
meza. Sobre comer, dormir, sobre cear, passos
Fazenda , teu dono te veja. dar.
Fuzada miúda , a seu dono ajuda. Sobre a sombra da nogueira naõ te deites a
Trigo acamado , seu dono alevantado. dormir.
Dôt\ Somno de Abril , deixa-o a teu filho dor-
Dòr de cotovelo , e dòr de marido, ainda mire o de Maio a teu cunhado.
,
que doa , logo he esquecida. Moça de Meijaó , naõ dorme somno sem
Como me crescerão os favores , logo me seratf.
recrescerão as dores. Se queres ser pobre sem o sentir, mette
Pode haver soffrimento na dòr , e naó no obreiro , deita-te a dormir.
temor. Quando durmo , canço ;
que fará quando
Dôr de mulher morta dura até a porta., ando.
Quem naõ crê na dòr , creia na côr. Lenha verde mal se accende , quem muito
Leve he a dôr , que o sízo encobre. dorme pouco aprende.
Dôr de parente , dôr de dente. Quem com máo vninho ha de visinhar
A maõ na dôr , e o olho no amor. com hum olho ha de dormir , e com ou-
Ninguém larga sem dôr o que possue com tro vigiar.
amor. Para quem ganhas ,
ganhador ? para quem
Quem casa por amores , sempre vive em dormindo ao sol.
está
dores. O ciúme sentido, ás vezes acorda o caõ dor-
Dormir. mido.
Cobra boa fama , deita-te a dormir. Quem acorda o caõ dormido, vende a paz, e
Deita-me , e farta-me , e se naó dormir , compra arroido.
mata-me. Doudo.
Quem muito dorme , o seu com o alheio Os doudos fazem a festa , e os sesudos gos-
perde. taõ delia.
Quem dorme muito , pouco aprende. Hum doudo fará cento.
Quem dorme dorme-lhe a fazenda.
,
De doudo pedrada , ou má palavra.
Vem-me o mal , que me soe vir ,
que de- Doudos , e porfiados fazem grandes sobra-
pois que me farto , me ponho a dormir. dos.
Dormirei , boas novas acharei. No riso he o doudo conhecido.
Qjindo a má ventura dovme , ninguém a O doudo faz doudos , damna a muitos , e
desperte. ensina a poucos.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 47
Taõ duro he ao doudo calar , como ao se- Empenar.
sudo fallar. Quem se empena, e naõ tem pena, depois
O que faz o doudo á derradeira , faz o sesu- se depena, e vive em pena.
do á primeira. Emprestar.
Quem com doudo ha de entender , muito Quem empresta, suas barbas arrepella.
siso ha mister. Quem me empresta ajuda-me a viver. ,

Guarte do alvoroço do povo , e de travar Quem come emprestado, come de seu sac-
com doudo, co.
GuaHe-vos Deos da irado Senhor , alvo- Emprestaste , e naõ cobraste , e se cobras-
roto do povo , e de doudo em Jugar es- te , naó tanto , e se tanto , naó tal ; e se
treito. tal inimigo mortal.
Ao doudo , e ao totiro dá-lhe o curro. Mais quero pedir á minha peneira hum paô
A pega no souto , naó a tomará o néscio , apertado , que á minha visinha empres-
nem o doudo. tado.
Naó percas o siso pelo doudo de teu visi- Quem ama a mulher casada, a vida trazem»
nho. prestada.
Dize ao doudo , mas nnó ao surdo. Quereis do amigo inimigo , emprestai-Ihe
Zombai com o iloudo em casa , zombará o vosso , e pedi-lho.
comvosco na praça. Se queres saber quanto vai hum cruzado ,
Dromedário» bu«?ca-o emprestado.
Anda como dromedário. Lá vas emprestado , donde venhas melho-
Duro. rado.
Duto de cozer , duro de comet. A quem naó traz calças em Janeiro, naõ
Mais vai duro , que nenhum. emprestes teu dinheiro.
Melhor he paó duro , que figo maduro. Dinheiro emprestaste , inimigo ganhaste.
A paó duro , dente agudo. Enfadar.
Duro com duro naÕ faz bom muro. Se caçares, naó te gabes ; e se naó caçares,
O que he duro de passar , he doce de lem- naó te enfades.
brar. Naõ ha prazer , que naõ enfade , e mais se
Duro he , deixar o usado. se houver de balde.
Taõ duro he ao doudo calar coma ao sesu- Quem más fadas naó acha , das boas se en-
do fallar. fada.
Vós ás durai , eu á« maduras. Naó ha manjar
,
que naó enfastie , nem vi*
Quem come as duras , coma as maduras. cioque naó enfade.
,

Dúzias. Enfermar*
He Médico , ou Pregador de dúzias. Se queres enfermar , lava a cabeça , evai-
te deitar.
+*+* MW«A»//«/Af///////W///y< Mais vai suar que enfermar.
Naõ me peza de meu filho enfermar, senaô
Egoa» pelo costume, que lhe ha de ficar.
Quem diz da egoa , esse a compra.
rral Com o que sara o figado , enferma o baço.
O cavallo alimpa a egoa. Tempo cura o enfermo , que naõ o un-
Egoacançada prado acha. guento.
Couces de egoa , amores para rocim. Quem de doudice enfermou , nunca , ou
O couce da egoa naó faz mal ao potro. tarde sarou.
Embica. Mulher se queixa , mulher se doe , mulher
Quem embica, e naõ cahe, caminho adian- enferma , quando el la quer.
ta. Deita-te a enfermar , sabv-rás quem te quer
bem , e quem te quer mal.
48 ADÁGIOS , PROVÉRBIOS , &C.
Enganar. Quem pergunta , naõ erra , se a pergunta
Quando o diabo reza , enganar te quer. naõ he néscia.
Quem a raposa ha de enganar , cumpre- Boca , que errou , naõ merece pena , nem
Ihe madrugar. que paõ lhe falte.
O tramposo asinha engana ao cobiçoso. Naõ erra , quem a seus semelha.
Por muito que o engano se encobre , elle Taó grande he o erro , como o que erra.
mesmo se descobre. Erva.
Quem me mente, naõ me engana. Erva ma' naõ lhe empece a geada. ,

Quem mentio e jurou iiaó me enganou. Erva crua deita-la na rua.


, , ,

Quem te faz festa naõ soendo fazer ou A má erva depressa nasce e depressa
, , , en-
te quer enganarou te ha mister.
, velhece.
Quem te honra mais do que soe, ou te quer Filho das ervas , (aquelle de quem se desco-
enganar ou vêr se pôde.
, nhecem os Pais )
De amigo sem sangue , guarte naõ te enga- Escarmentar.
ne. Quem se naõ escarmenta de huma vez, naõ
Huma vez engana ao prudente , e duas ao se escarmenta de três.
innocente. Dos escarmentados se fazem os arteiros»
Quem longe vai casar., ou vai enganado , Escornar.
ou vai enganar. A quem daó , naõ escornaõ.
Enganaste-me huma vez, nunca mais me Escrever.
enganareis. Escreve antes que dês , e recebe antes que
Amanse sua sanha ,
quem por si mesmo se escrevas.
engana. Escrivão.
A hum engano outro engano., Quando a rameira fia , o letrado reza , e o
Em melhor panno ha maior engano. , escrivão pergunta quantos saó do oiez ,
O máo sempre cuida em enganos. mal vai a todos três.
Boas palavras,, e máos feitos , epganaõ se- Escudeiro,
sudos, e néscios. Tal he a casa de dona sem escudeiro, como
Engordar. fogo sem trafogueiro,
O olho do amo engorda o cavàllo. O escudeiro deita-se -tarde, e la vanta-se ce-
Comi papas por engordar, faltaõ-me por do.
cea , e por jantar. Assim se faz do escudeiro rapaz.
Quem em velho engorda,, de boa mocida- Ao escudeiro mesquinho , rapaz adivinbo.
de se logra. Escude lia , Escude liar.
Se queres cedo engordar , come.com fome> Quem escudelia d "outro; espera , fria a co*
bebe de vagar. me.
Entrudo. Naõ quero escudelia d'ouro , em que cuspa
Alegrias, Entrudo, que ámanhãa será Cin- sangue.
za. No escudellar verás quem te quer bem,
Enxotar, ou maj.
Vem o demo de fora , enxota as gallinhas Esmola.
da casa. Ouvir Missa naõ gasta tempo ; dar esmola
Quem pássaro ha de tomar , naõ o ha de naõ empobrece.
enxotar. Por dar esmola , nunca falta a bolsa.
Errar, Esmolou.
Quem a todos crê, erra, e quem a nenhum, Esmolou S. Mattheus, esmolou para os
naõ acerta. seus.
Quem erra , e se emenda , a Deos se en- Naõ mores em despovoado , nem esmoles
.commenda. do furtado.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 49
Espadai
manda *+******+*+»+***+*+*++***+•**
Mal vai ácasa , donde a roca á espa-
da.
Dedo de espada, e palmo de lança, he gr5 Face,
vantagem. Naõ vai mal í face , onde a espinha carnal
Ou para homem , ou para caó leva tua es- nasce.
pada na maó. O mal , e o bem á face vem.
Espada na maó do sandeu , perigo de quem Comer a duas faces ou a dous carrilhos.
,

lha deo. Fadas.


Também nossa espada corta. A más más bragas.
fadas
,

Levar tudo á ponta da espada. Cere más fadas , cuidais tomar pou-
as , e
Mais fere a má palavra que espada afiada. cas , e vem dobradas.
A espada e o enfiei-? segundo a maó em que De gallinhas, e más fadas, cedo se enchem
estiver. -as casas.

Espelho. Quem más fadas naó acha , das boas se en-


O que te disser o espelho , naõ to diráó em fada.
conselho. Cá , e lá más fadas ha.
Naõ ha melhor espelho, que o amigo velho. Fado.
A mulher do velho reluz como espelho. Muitos vaõ ao mercado , e cada hum com
Tiráraó-me o espelho por fea , e deraó-no seu fado.
á cega. Mette a maó no teu 9eio , naódirás do fado
Levantou-se a torta , e pôz-se ao espelho. alheio.
Espinha. Faísca,
A espinha , quando nasce, leva o "bico De huma queima huma vflta.
faísca se
diante. A faísca ,
quando fenece , mais se accen-
Quem abrolhos semea , espinhos colhe. de.
Nal tires espinhas , aonde naõ ha espiga*. Faltar.
A quem em Maio come sardinha, em Agos- A panelh em soar , e o homemem fallar.
to lhe pica a espinha. Quem fallasse , e naõ bri?as«tc.
Bem sabe a espinha onde fincar. O mais ruim do lugar porfia mais em fallar.
Etvilgar. Naó falle^como doente, nem mores entre
Castigar velha , e tspugar caó , duas don- vil gente.
dices saõ. Naõ falles sem ser perguntado , e se ás es-
Quem ao moinho e naõ madruga
vai , , os timado.
outros moem , elle se espulga. Quem muito falia , e pouco entende ,
poi
Eujuivaiça. ruim se vende.
Esquivança aparta amor. Fallarsem cuidar , he tirar sem apontar.
Esquivança aparta amor, boas obras homi- Fallar claro , e mijar á parede.
zio. Fallai no máo , apparelbai o páo.
Estopa. ? nem muito falia delle dana.
Mal se apaga o fogo com a estopa. uem muito falia pouco acerta. ,

Estrear. Fallo-lhe em alhos , responde me em bu-


Quem bem se estréa, bom anno lhe venha. galhos.
Evora-Monte. Muito fallar , muito errar.
Aonde hís ? a Evora-Monte fazer barris. O muito fallar enrouquece , e o muito co-
;çar escose.
Quem por rodeios falia , com arte anda.
3Jem fallar pouco custa , e muito vai.
G
JO ADÁGIOS, PROVÉRBIOS , &C.
Cala hum falia , como quem he. Cobra boa fama , deita-te a dormir.
Cada hum falia do que trata. A má chaga sara , e a má fama mata.
Do tra'dor farás leal com bom fallar. Perca-se tudo , fique a boa fama.
Como falíamos de fora. O homem rico com a fama casa.seu filho.
,

Como fallardesassim ouvireis.


, Quem a fama tem perdida, morto anda
Como fallaõ no ruim , logo apparece. nesta vida.
Donde veio a Pedro fallar gallego ? Faminto.
FalJais de farto. Mal se doe o farto , e rico do pobre famin-
Falia pouco , e bem , ter-te-haõ por al- to.
guém. Ri-se o diabo, quando o faminto dá ao far-
Bom saber hecallar , até ser tempo de fal- to.
lar. O faminto naó morre de fastio.
Entende primeiro , e falia derradeiro. l.obo faminto naó tem assento.
O pouco fallar lie ouro, e o muito he iodo. Quem sua vianda vc apparclhar , farta-s«
Mais vai callar , que mal fallar. antes de ce3r.
Muito vai , e pouco custa ao máo fallar Naó ha casa farta , onde a roca naõ anda»
boa reposta. Fantasio,
No açougue quem mal falia , mal ouve. Já tendes fantasia mancebinho do verdoso.
Prata he o bom fallar , ouro heo bom cal- F ardil.
lar. Fardel de pedinte nunca he cheio.
Quando fores ao conselho , falia do teu, F are lios,
deixa o alheio. A máo pagador em farellos.
Taó duro he ao doudo callar , como ao se- Aproveitador de farellos , esperdiçador de
sudo fallar. farinha.
Guarte do homem, que naõ falia, c do caõ, Quem com farellos se mistura, máos cães o
que naõ ladra comem.
Fallará sobre cabeça de tinhoso. Farinha.
Fallar de coração , e com bofes lavados. Deos me dê pai , e mãi na villa , e em casa
F^Nar por duas bocas. trigo , e farinha.
Fallar , fallar naó enche barriga. Comadres , e visinhas , a revezes haõ fa-
Faiia-nos muito, por ver, e saber. rinhas.
Isto he fallar Portuguez. Faze boa farinha , e naõ toques bosina.
Quem naó falia , naó no ouve Deos , ou Farinha apurada , naõ ta veja sogra s nem
Dcos naõ o ouve. cunhada.
Mais vai callar , que fallar. Todo o branco naó he farinha.
Moito fallar ,
pouco saber. Quem naó tem farinha , escusa peneira.
O moço mal cri?do , de seu muito falia , e Naõ fazem boa farinha.
perguntado, calla. Se se moer , entaõ fará boa farinha com to-
Falso. dos.
Falso por natureza , cabello negro , c barba Apanhador de cinza, derramador de farinha
ruiva. Ratos arriba , que todo o branco he fari-,
Fama- nha.
Em má hora nasce , quem má fama cobra. Fartar , Farto.
Se queres ter boa fama , naõ te tome o sol Fom de convidar , máo de fartar.
na cama. Deita-me , e farta-me , e se naó dormir,
Digna he de nome , c fama , a mulher que mata- me»
na") tem fama. A fazenda de raiz farta , mas naõ abasta.
A quem má fama tem , nem acompanhes Fartar gatos , que he dia de entrudo.
nem digas bem.
DA LÍNGUA POUTUGUEZA. Jl
O farto do jejum naó tem cuidado algum. Quem dorme , dorme-lhe a fazenda.
Bem canta Martha depois de farta.
,
Fa zer.
Ao homem far-:o , as cerejas lhe
amargaõ. Fazeis muito por valer pouco.
Está farta , e cheia como colmeia. Fazeis huma cousa, e rogais a Deos por ou-
FaJiaii de farto. tra.

Mal se doe o farto do faminto. Faze o que te manda teu Senhor, assentar-
Morra Martha , e morra farta. te-has com elle ao sol.
A mulher, que cria , nem he farta , nem Quem naõ tem que fazer , faz colheres.
limpa. Quem naó tem que fazer, despe-se, e ves?
Quem nau trabalha , naõ mantém casa far- te-se.
ta. Quem mais faz menos merece.
Ri-se o diabo, quando o faminto dá ao far- Guarda que comer , naõ guardes que fazer.
to. Faze por ter , vir-te- haõ ver.
De casa do gato naõ vai o rato farto. Fazer bem nunca se perde.
Homem farto naô he comedor. Fazer de pessoa.
Ovelha farta , do rabo se espanta. Fazer extremos por dá cá aquella palha.
Favas, Fazer tudo ás pancadas.
Em cada casa comem favas , e na nossa ás Quem naõ faz mais que outro , naõ vai
caldeiradas. mais que outro.
Favas , das mais caras ; cerejas , das mais Quem nega , e depois faz , quer paz.
baratas. Faze bem , naõ cates a q:iem.
Hir á fava ,
(he mandar brincar.} Faze bem ao bom varaó , haverás galardão.
Como vires ao faval , assi espera o ai. Faze mal , e espera outro tal.
Em cada parte se cozem favas. Mais custa mal fazer , que bem fazer.
favores. Quem má cama faz , nella jaz.
Como me crescerão favores , me recresce- De farei , farei , nunca me pagarei.
rão as dores. Dize-me com quem vás , dir-te-bei o que
Mais vai ás vezes favor ,
que justiça , nem farás.
razaó. Braz , bem o diz , e mal o f;>z.

Fazenda. Cada hum faz como quem


, he.
Fazenda herdada he menos estima.la. Bem parece o bem fazer.
Fazenda alheia naó fftt 'ierd iro. Bem fazer nunca se perde.
Fazenda esfarrapada , vai pouco , ou nada. As«i como virmos , faremos.
Fazenda por ter ; vir-te-haó ver. O bem fazer florece , e todo o mal perece.
Fazenda em duas aldeias , paó em duas ta- As«i como fai , fai.
leigas. Fazer das suas.
Fazenda , teu dono te veja. Quem faz pelas cousas , ha-as.
Fazenda de sobrinho, queime-a o fogo ,
Feira»
e leve-a o rio. Vas-te feira , e eu sem capa.
Boa fazenda he negros, se naó custassem di- Ide comadre á feira, e vereis como vai nel-
nheiro. la.
Fazenda da índia naõ luz. Cada feira vai menos , como burro de Vi-
Boa he a fazenda , quando naõ sobe á cabe- cente.
1

ça. Cada hum diz da feira , como lhe vai nella.


Tem fazenda e olha bem donde venha.
, , Revolvera feira.
A fazenda de raiz farta mas naõ abasta. , Feitio,
Por fazenda alheia , ninguém perca a cea. Perder o feitio.
A quem naõ tem fazenda , naõ lhe peças Mais vai o feitio a
queopanno.
peita. G 2
Cl ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C
Fel. Fermosura , ou Formosura»
Pouco fel faz amargo nuiito mel. Fermosura de mulher naõ faz rico ser*
Feno. Naó ha fermosura sem ajuda.
Em anno bom o graó he feno, e em o máo, Sorírer rasgadura por ter fermosura.
a palha he sraó. Tive fermosura, e naõ tive ventura.
Feno, ou alto , ou baixo, em. Junho he Ferreiro.
segado. De naõ passa dinheiro,
ferreiro a ferreiro
Meu ventre cheio , se quer de feno. Em casa de ferreiro peor apeiro.
,

Feio , c Feia. Pelo mal do ferreiro mataõ o carpinteiro.


,

Quem ama ao feo , formoso lhe parece* O- ferreiro , e seu dinheiro , tudo he ne»
Bem toucada , naó ha mulher feia. gro.
As mais feias que^todas, hiunas.a outras fa- CHferreirocom barbas , e as letras com ba*
zem as bodas.. bas.
Nem taó formosa que mate ; nem taõ feia Em casa-de ferreiro espeto de páo.
que espante. Ferro,
Tirárao-me o espelho por feia , e deraó-.no Do ouro,, e do ferro, tudo hehumpezo#
á cega. Quando o ferro está accendido , entaó ha
Naõ lie o drabo taô feio como o pintaó. de ser abatido.»
Da feia , e da formosa , a mais proveitosa. A tesoura do caldeireiro naó corta panno ^
SorTrerei filha goiosa , e muito fea, mas e corta ferro.
naõ janelleira. ,
A força de villaó , ferro em meio.
Feixe, Carregado de ferro , carregado de medo.
Ou he lobo , ou rãa, ou feixe dejenha* ou* Ferro, que naõ se usa , enche-se de ferru*
armêo de lãa. gem.
Fermosa , ou Formosa. Ferrugem,
Fermosa he do rosto a que he boa do seu A ferrugem gasta o ferro.
corpo. Festa,
Dizei-lhe que he fermosa, e tornar-*e-.ha Os doudos fazem a festa , e os sesudos gosK
douda. taõ delia.
Da feia , e da fermosa , a mais proveitosa. Ruim he a festa que nací tem oitavas.
,

A quem tem mulher fermosa , castello em Quem. te faz festa, naõ soendo fazer cu ,

fronteira , vinha na carreira , naó lhe fal- quer enganar , ou te ha mister.


te
ta canceira. Corpo del)eos de Livbca, Santo Espirito
Mulher fermosa , ou douda',, ou presump- de Alenquer-, Ladainhas de Coimbra,
çosa. Trindade de Évora , Surreiçaó de fcéja f
Quem quizer mulher fermosa, aoSabbado Ramos d'Alhos Vedros saó fest3S, que ,

a escolha , naõ ao Domingo na-boda. cm Portugal.se celebraõ com singular so->

Quem de verde se veste , por fermosa se lemnidade.


teve. Sem mim naó se faz a festa.-
Soffrer por ser fermosa.
,
AJgum dia será fesra da nossa terra.
Quem ama ao feio , fermoso lhe parece. Acabar a festa , tomar o panete.
>lenino , e hmeo antes manso, que fer- Acabada a festa, tomai o tolle*
moso. M Fevereiro.
Fermoso, e aleivoso. A castanha , e o vesugo em Fevereiro naõ
Mulher mal toucada , ou he fermosa , ou tem sumo.
mal casada. Agoade Fevereiro mata o onzeneiro.
Flor de aloendro , formosa e sem provei- Fevereiro couveiro faz a perdiz ao poleiro.
to. Fevereiro coxo em seus dias vinte e oito*-
DA LÍNGUA POBTUGUEZA. _ e/g
Fevereiro , feveras cie frio, e naõ de linho. Nem em mar tratar, nem em muitos fiar.

Lá vem Fevereiro , que leva a ovelha , e o Naõ fies , nem porfies , nem arrendes ; vi-
carneiro. verás entre as gentes.
Para parte de Fevereiro, guarda lenha. Fiarei delle ouro em pó.
Janeiro gioso , Fevereiro nevoso , Março Naõ fiarei delle hum figo podre.
molinhoso , Abril chuvoso , Maio ven* Naõ se fia , nem da camisa , que traz ves-
toso faz o anno formoso. tida.
Quando naõ chove em Fevereiro , naõ ha Cuida bem no que fazes , naõ te fies em ra-
bomprado , nem bom centeio. pazes.
Fevereiro faz dia , e logo Santa Maria. Queres fazer do ladraõ fiel , fia-te delle.
Fiador, Naõ nada até amanhã.
fio

A boca naõ quer fiador. Naõ te has de fiar senaõ com quem comerei
Mais vai penhor na arca , que fiador na pra- hum moio de sal.
ça. A mulher , que se fia do homem jura/^ <r
Fiandeira. que ganha , he chorar.
Fiandeira naõ ficastes ,
pois em Maio naõ Qu<rm naõ tem calças «m Inverno, naõ fiei
Hastes. delle teu dinheiro.
De boa filha boa fiandeira. Fidalgo.
Fiandeira preguiçosa, ao Domingo heagu» O fidalgo , e o nabo , raroí
cosa. Andar a pago , naõ pago , naõ rrc obrar de'
Fiandeira , fiai manso ,
que me estorvais ,
fidalgo.
que estou rezando. Mercador fidalgo , nunca o verás medrado;
A boa fiandeira , de S. Bartholomeu toma O fidalgo, e o galgo , e o laleigo do sal
,
a velha , e a mais boa , daMagdalena. junto do fogo os haõ de achar.
,

Que fiandeira eu era , se ventura houvera. Nem ruim letrado , nem ruim fidalgo ,
Fiar. nem ruim gaigo.-
Lá vai quanto Martha fiou. A mulher de fidalgo, pouco dinheiro, gran»
Fiar delgado. de trançado.
Fiar taõ delgado q»e se quebre o fio* Fiel.
A fiar , e tecer , ganha a mulher de comer. Ninguém he quem
soe temer.-
fiel a
Quem fia , e tece , bem lhe parece* Faz«r do ladraõ fieh
Dizem em Roma , que a mulher fie , e co* Qu-m huma vez furta , fiel nunca.
ma. Figa.
O linho, quem o alinha , esse o fia. '
Mijar claro , dar huma figa ao medico.
Quando rameira fia , o letrado reza , e o
a Huma figa ha em Roma , para quem lhe
escrivão pergunta quantos saõ do mez , daõ , e naõ toma.
ma-l vai a todos três. Figosí
Bem fiei
,
pois meu filho criei. Em tempo de figos, naé ha amigos.
A mulher que pouco fia , sempre faz ruim Naõ darei por i^so hum figo podre.
camisa. Naõ busques o figo na ameixieira.
Mãi , que cousa he casar ? filha , fiar ,
pa- O figo cahido para o senhorio , e o que es-
rir , e chorar. tá quedo ,
para mimo cjuero;
Digo huma, digo outra ; quem naõ fia, naõ A branca com frio , naõ vai hum figot
tem touca. Nem por coima de figos á cadea.
Naõ quebra por delgado , senaõ por gordo Naõ fiarei delle hum figo podre.
e mal fiado. Figueira.
Pouco , e pouco fia a velha o copo. Lenha de figueira, rija.de fumo , fraca df
Qual fiamos , tal andamos. madeira.
54 ADÁGIOS PROVÉRBIOS, &C.
Seja tua a figueira , esteja eu á beira» O filho bastardo, e mula cada dia fazem hu-
Oliveira de meu avò , e figueira de meu ma.
pai , e a vinha que eu puzer. O filho do bom vá , até que bem lhe vá.
Pela Magdalena recorre tua figueira. Ganhe meu inimigo, e conserve meu fi-
Filha. lho.
A boa filha duas vezes vem para casa. Hum pai par3 cem filhos , e naõ cem filhos
Dai-me mai acautelada, dar-vos- hei filha para hum pai
guardada. Meu filho virá barbado mas nem parido , ,

Mãi , e filha vestem huma camisa. nem prenhado.


Herdade por herdade filha na velha idade. Meu filho Pedro antes mestre , que discí-
,

Mãi aguçosa , fiiha preguiçosa. pulo.


Alai , que cousa he casar ? filha, fiar, parir, Naõ cures filho alheio ,
que naõ sabes qual
e chorar. sahirá.
Levar má noite, e parir filha. Naõ ha tal filho como o nascido. ,

Ao peixe fresco , gasta-o cedo , e havendo Naõ me peza de meu filho enfermar , senão
tua filha crescido , dá-lhe marido. pelo costume que lhe ha de ficar.
,

Casa o filho quando quizeres, e a filha quan- Naõ te dê Deos mais mal , que muitos fi-

do puderes. lhos pouco paó.


, e
Quem casa filha , depennado fica. Meus filhos criados , meus trabalhos dobra-
Quantas vezes te ardeo tua casa ? quantas dos.
casei filhas. Filhos, e criados , naõ os amimar, se os
Qual he Maria , tal filha cria. queres lograr.
Qjando entrares na villa, pergunta primei- A filha farta , e despida , e o filho vesti-
ro pela mái , que pela filha. do , e faminto.
Filha desposada , filha apartada. A teu filho , e a teu amigo ,
paõ , e castigo.
De bons, e melhores á minha filha venhaõ. A teu filho bom nome e bom officio.
, ,

A filha farta , e despida , e o filho vestido ,


Aonde ha filhos nem parentes , nem ami-
,

e faminto. gos.
F.lha 5 nem nasça , nem morra. Como criaste tantos filhos ? querendo mais
De boa filha, boa fiandeira. aos mais pequeninos.
Minha filha Tareja , hum diabo a toma, De filhos , e herdeiros , campos cheio?.
outro a deixa. De huns fazeis filhos, e de outros enteados.
Minha filha Tareja , quanto vè , tanto de- De pai santo , filho diabo.

seja. Dos filhos o que falta , esse mais se ama.


Queres conhecer tua filha , olha-lhe a com- Faze a teu filho teu herdeiro, e naõ teu dis-
panhia penseiro.
Filho alheio , mette-o pela manga , sahir-
Quem naõ tem filha , naõ tem amiga.
Soffrerei filha golosa , e muito feia , mas te-ha pelo seio.
naõ janelleira. Filho alheio , brada no seio.
A homem ventureiro, a filha lhe nasce pri- Filho és , e pai serás , assim como fizeres,
meiro. assim haverás.
Ora pela pêra , ora pela maçã , minha filha Filho de viuva, ou mal criado, ou mal cos-
nunca hc sã. tumado.
hilho. Filhe bastardo , ou muito bom , ou mui-
O filho do bom ,
passa o máo , e passa o to velhaco.
bom. Filhos , dous ou três , ha prazer ; sete ou
O filno do máo , quando sahe bom , he ar» oito , he fogo.
razoado. Filho aborrecido, nunca teve bom castigo.
DA LÍNGUA FORTUGUEZA. JJ
Filho máo , melhor he doente , que saó. Flamengo.
Filho tardio , fica orfaó cedo. Naõ conheço Flamengos á meia noite.
Filhos casados , cuidados dobrados. Flor.
Qual o pai , tal o filho ; qual o filho , tal Flor de aloendro, formosa e sem proveito.
o pai. Velho amador 9 inverno com flor.

Quem a meu filho tira o monco, a mim me Focinhos.


beija no rosto. Cahir de focinhos."
Quem de mim escarnece , seus filhos naó Deraó lhe nos focinhos , ou racháraó-lhe
vê. os focinhos.
Quem em terra alheia tem filho , morto o Dar com os focinhos n'huma parede.
tem , e espera-o vivo. Estar de máo focinho.
Quem filhos tem ao lado, naó morre de en- Que máo focinho tem fulano.
fastiado. Naõ era isto para os teus focinhos*
Quem íàlhostem naõ reve7a. , Fogo.
Quem filhos tem bem pôde allegar. , Onde fogo naõ ha fumo , naõ se levanta.
Quem te matar teu pai naó lhe cries , o fi- Do bom logo, bom fogo.
lho. Mal se apaga o fogo com a esto pa.
Quem tem filho varaó , nem de vozes ao N;!Õ cabíamos ao fogo , e veio meu sogro.
ladrão. Pequenas rachas accendem o fogo, e os ma-
Segundo o natural de teu filho , assim lhe deiros grossos osustentaõ.
dá o conselho. Bem sabe o fogo cuja casa queima.
Vaó-se os dias máos
vaõ-se os bons , e
, e Quem muito ao fogo se chega , queima-se.
ficaó os filhos , e netos de ruins avôs. Sempre o fogo faz gazalhado.
Todos somos filhos de Adaó , e Eva ; só Reino sem porto , chaminé sem fogo.
a vida nos differença. Tirar a castanha do fogo com a maõ do ga-
Agradecei-mo , amigos , que quero bem a to.
meus filhos» Arde o fogo segundo a lenha do bosque.
Bem fiei , pois meu filho criei. Por hum cabellinho se pega o fogo no Ji-
Aqui se vê o filho do homem. nho.
Quem a meu filho beija minha boca adoça. Levantou-se o preguiçoso a varrer a casa, e
Quem te ensinou a remendar filhos peque- pòz-lhe o fogo.
ninos ,
pouco paó tem para lhes dar. Amor , fogo , e tosse , a seu dono desco-
Fingir, bre.
Finge arroido por melhor partido. Por me escudar do fogo cahi nas brazas.
Viê. Fome.
Se queres ser polido traze agulha , e mais A fome alheia me faz prover minha cea.
fio. Andar a paó emprestado , fome põe.
Pelo fio tirarás o novello , e pelo passado o A paó de quinze dias , fome de três sema-
que está por vir. nas.
Fio , e agulha , meia costura. Fome do rio , sede do mato.
De li imo mordido , nunca bom fio. Se queres cedo engordar come com fome ,
Fiar taõ delgado , que se quebre o fio. bebe de vagar.
Fito. A boa fome naó ha máo paõ.
Quem muda fitos com mal anda. , Fome , e frio mette a pessoa com seu ini-
Ao cego , muda- lhe o fito. migo.
Fiusa. O bácoro , e a fome , e o frio fazem gran-
Em fiusa de parentes busca ,
que meren- de ruido.
des. Quem tem fome , cardos come.
ADÁGIOS PROVÉRBIOS , &C.
Bocejo longo , fome , ou sorrmo. Para forno quente huma torga semente.
De fome a ninguém vi morrer , a muitos Naó te ponhas a soalhar com quem tem for*
sim de muito comer, no , e pdde altar.
A necessidade naó tem lei , mas a da fome Descançai mulheres, que cahio o forno.
sobre todas pode. Fortuna.
A fome chega á porta do oícial , mas naõ Ao homem on;ado a forHsna lhe dá a maõ.
pode lá entrar. Ao homem de esforço a fortuna lhe põe o
Homem pobre , depois de comer, ha fome. h ombro.
Homem magro , e naô de fome , guarte A fortuna afagando espreita.
delle como de outro homem. A roda da fortuna nunca he huma.
Nem com toda a íómea hucha ,. nem com A muito entendimento fwrtuoa pouca.
toda a sede ao pote. Naó pude passar o mar, sem da fortuna me
Foráô. queixar.
Andar com foráô morcaá caca. Bem baila a quem a fortuna faz o som.
Naó cava de coração , senaó o dono do fc- - Frade.
ráó. Clérigo, que foi frade, nem por amigo ,
Forca. nem por compadre.
Quem muitas vezes vaia cadeia , sinal he As migalhas de frade muitas vezes sabem
de forca. bem.
Vai-te a' forca. Moço de frade , mandai-o comer , e naô
Eem parece o ladraõ na forca. que trabalhe.
IV^áo caminho leva o Juiz , quando vai pa- O ladrão , que anda com o frade , ou o fra-
ra a forca. de será ladraõ , ou o ladrão frade.
O ladraõ da agulha ao ouro, e do ouro á A frade naõ faças cama , e a tua mulher naó
forca. faças ama.
A forca nunca perde o seu. Quem ama o frade, ame^he ocapello.
.Formiga. Fi'ancex. %

Dá Deos azaii formiga , para que se perca Bem cantão Fraocez papo molhado. ,

mais asinha. Roupa de Francezes.


Naõ ha sal doutrina , como a da formiga.
1

Portuguez pela vida, e Francez pela comida.


Segue a formiga, se queres viver sem fadi- . Freira-
-<g a > ou como
dizem outros , segue afar- Amores de freira , flores de amendoeira ,
miga , viverás com fadiga. cedo vem , e pouco duraó.
Sou fraca formiga para a empreza. .
Frio.
Também formiga tem catarro.
a Cada hum sente o frio^como anda vestido.
Até a formiga quer companhia. Fome, e frio mettea pessoa com seu ini-
Cada formiga tem sua ira. migo.
Quem está em ventura , a formiga o ajuda. O bácoro , a fome, e o frio fazem grande
Fornada* ruido.
Cozer a fornada. O caldo quente , e a injúria em frio.
Forneira. j
A cada qual dá Deos o frio conforme o vei-
No inverno forneira , e no verão tavernei- tido.
ra. Fevereiro , feveras de frio , e naó de linho;
Naõ sejais forneira , se tendes a cabeça de Abril frio , paõ , e vinho.
manteiga. Abril frio , e molhado , enche o celJeiro ,
Forno. e gado.
No forni se ganha , no forno se perde. Agosto , frio em rosto.
Pela boca se aquenta o forno. I Se naõ houvera sentir frios , acabarão os al-
faiates.
DA LÍNGUA POftTUGUEZA, 57
Dá Deos o frio conforme a roupsu
Fugir,
Naô he bom fugir em soccos.
Ao inimigo , que foge , ponte de prata.' Godo.
Muito corre quem bem corre, mas mais cor- Quem tem gado
naô deseja ma'o annoJ
,

re quem bem foge.' Tardes.de Março , recolhe teu g3do.


Foges de quem te quer bem, e queres bem Sol , e boa terra fazem bom gado que na5
,

•a quem te mata. pastor afamado.


Fugi do alcaide , cahi no meirinho. • A poeira do gado tira o lobo de cuidado.
Fugi do lodo , e cahi no arroio. A gado pouco a sábio redondo.
Fugir -á vela , e remo. Guarda prado , criarás gado.
Fugir da volta do touro. De noite deita teu gado na herva de teu
Fugir do fumo , e cahir nofbgo. prado.
Do mal , que o homem foge, desse mor- Em gado tratarás , e medrarás.
re. Perdido he o gado , onde naó hacaõ ,
que
Do irado foge hum pcuco , e do inimigo de ladre.
todo. E's mais para o gado
, que para o paço.

Mostrais ourelo , e fugis com o panno. Gole no.


Quem naõ tem esforço, foge mais que cor- Avicenna e Galeno trazem a -minha casa o
ço. bem alheio.
Fumeiro. Galgo.
Em Janeiro , hum pouco ao sol , outro ao A galgo velho , deita-lhe a lebre , e naô
fumeiro. coelho.
Em Janeiro, sua a ovelha suas madeixas no Nem em tua casa galgo , nem á tua porta
fumeiro , e em Março no prado , e em fidalgo.
Abril vai ordir. Em Dezembro a huma lebre, galgos cento.
Bácoro de Janeiro com seu pai vai ao fumei- Galgo que muitas lebres levanta , nenhu-
ro. ma mata.
'Fumo. O fidalgo
, e o «algo , ~e o taleigo do sal
,
Melhor he fumo em minha casa , que na a- junto do fogo os haó de achar.
Jheia. Galgo, ou muito velhaco, ou muito mofino.
Furtar. Galgo , compra-lo , e naõ cn'j-lo.
A quem coze, e amassa, naó furtes foga- O çalso á larga , a lebre mata.
ça. Em Janeiro , nem galgo íeboreiro , nem
Furtar gallinfra , apregoa»' rodilha. açor perdiguefro.
Antes com bons a furtar ,
que com máos De casta lhe vem ao galgo ter ò rabo longo.
a orar. De quem corre muito ,
principalmente se vai
O que se herda , naõ se furta. Juí(i-ido , ditemos, que o naõ alcançará o
Fuso, galgo.
Çuem faz tudo , naô enche fuso. Gallegoi.
Mal vai ao fuso
,
quando a barba naõ anda Somos e naõ nos entendemos.
gallegos ,

em cima. Jejua gallego que naõ ha paõ cozido.


,

Perdi a roca , e o fuso naô acho ; três dias Guarte do caõ prezo , e do moço gallego.
ha , que lhe ando pelo rasto. Ga l linha.

Fuiada. Graõ à graõ enche a gallinha o papo.


Filiada miúda , a seu dono ajuda. Ao bom marido ceva-lo com gallinhas da
par dog3llo.
^Triste da ca*a, onde a gallinha canta , t
o gallo calla. H
5*8 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS,
A gallinha efe minha visinha he mais gorda, Ganhar*
que a minha. Tem cuidado de o ganhar , que tempo fi-
Furtar gallinha , e apregoar rodilha. ca para o gastar.
Se o viliaõ soubesse o valor da gallinha em Perdendo tempo , naõ se ganha dinheiro*
Janeiro , nenhuma deixaria no poleiro. Para quem ganhas,.ganhador? para quem es-
A velha gallinha faz gorda a cozinha. tá dormindo ao sol.
Boi he a gallinha , que outrem cria. O bom ganhar , faz o bom gastar.
Aldcà he a gallinha , e come-ao de Coim- Mais vai ganhar no lodo, que perder no ou-v
bra. ro.
A gallinha aparta-lhe o ninho , e- pôr- te-, Quem ganha sem despender, naõ lhe lenw
ha o ovo. bra que ha de morrer , nem que her-
,

Da gallinha a preta., da pata a parda , da deiros ha de ter.


mulher a- sarda. Perde-se o bem ganhado ; e o maí , elle ,,
Mais vai pedaço de paõ com amor, que gal- e seu dono.
linha com dôr.
De gallinhas , e más fadas , cedo se, enchem, Almocreve cavalleiro
naõ ganhadeiro*
as casas. Gaspar,
Em casa de Gonçalo mais pode a gallinha y Quem deve a Pedro, e paga a Gaspar, que
que o gallo. torne apagar.
Disso vos podeis despedir , como a galli- Gastador.
nha dos dentes. A pai guardador , filho gastador.
Doze gallinhas, e hum gallo comem tan- A gastador nunca falta que gastar , nem ao
to como humcavallo. jogador , que jogar.
Onde está o ga4lo , naõ canta a gallinha., Gastar.
Folgar gallinhas, que o gallo he em vindi- Alchimia he provada , ter renda , e nad
mas. gastar nada.
Gallinha naõ põe do gallo , senaõ Ao papo. muito se gasta , e o pouco abasta. O
Gallinha naõ nasce , que naõ esgaravate. Ditosa a casa , onde hum só gasta.
Gallinha , que em casa fica s sempre pica. bom ganhar , faz o bom gastar. O
N?.ó ha gallinha gorda de pouco dinheiro. Por naõ gastar o que baste , o escusado se
Onde a gallinha tem os ovos , lá se lhe vaõ gasta.
os olhos. Quem tem quatro , e gasta cinco , naõ ha
Rainha he a gallinha, que põe ovos na vin- mister bolsa , nem bolsinho.
dima. Três cousas destroem ao homem , muito
A mulher e a gallinha ,
por andar se perde fallar , e pouco saber ; muito gastar ,
asinha. e pouco ter ; muito piesumir 3 e pouco
Máhea gallinha que naó esgaravata para si. valer.
Vem o demo de fora , enxota as gallinha* Tem cuidado de o ganhar ,
que tempo fiei
de casa. para o gastar.
Viva a gallinha , viva com sua pevide.. Quem gasta mais do que tem , mostra ,
que
Fulano hc huma gallinha. siso naõ tem.
Gallo. Gastais largo á custa dr. barba longa.
Muito pôde o gallo cm seu poleiro^ Q.iem muito tem , muito gasta ; quem
O mo<jo , e o gallo hum só anno. pouco tem , pouco Ih » basta; quem na-
Onde está o gallo , naõ canta a gallinha. da tem . Dcos o msneem; quem gasta
Em casa de Gonçalo mais pôde a gallinha ,,
menos do que tem, he prudente; quem
que o gallo. gasta o que tem, he Christaõj quem
GaH'» bom nunca foi gordo. gasta o que naõ tem , he iadraõ*
Fará doze gallinhas basia huoi gallo.
DA LÍNGUA PORTUGUESA, 5-9
Gato. Do gaviaô maneífb se faz o cafaro, e rio ça-
Andar como gato por brazas. faro o maneiro , segundo a tempera do
Bem sabe o gato , cujas barbas lambe. citreiro.
Bem se lambe o gato , depois de farto. Gaviaõ temporaõ, Sa^ta Marinha na maõ
Dar ao gato o que ha de levar o rato. Nunca bom gaviaõ de francelho ,
que vem
De casa do rato naõ vai o gato farto. á ma 5.
Do mal guardado come o gato. Gear , Geada.
De noite todos os gatos saó pardos. Herva má naõ lhe empeces a geada.
,

Fartar, gatos, que he dia de entrudo. Naõ hei medo ao frio , nem á geada , senaÕ
Do contado come o gato. á chuva porfiada.
Isto sabem-no cães , e gatrts. Geada sobre lama , agoa demanda.
Naõ faz a vestidura quartapizada ao gato. Nem carvaõ , nem lenha compres quando
Manda o amo ao moço , o moço ao gato ,
gêa.
e o gato ao rabo. O nabo , e o peixe , debaixo da geada cres-
Faze bem saltar-te-ha na cara.
á gata , ce.
Gato escaldado da agoa fria ha medo. Franca geada mensageira da agoa.
,

Quer em jogo ,
quer em sanha , sempre o Quanto mais gêa , mais aperta.
gato mal arranha. Genro.
Em Março nem rabo de gato molhado. A filha catada sahem-lhe gtmro*.
Mais vai magro no mato, que gordo no pa- Amizade de genro , sol de Inverno.
po do gato. Genro pelo papo me vai tangendo.
Muito sabe o rato , mas mais sabe o gato. Mão , ou bom , teu genro sou.
O que ha de levar o rato , dá ao gato , e ti- O sacco do genro nunca he cheio.
rar-te-bas de cuidado. O porco , e o genro , mostra-lhe a casa ,
Gato , a quem morde a cobra, tem medo e virá cedo.
á corda. Geração.
Vaó-se os gatos estendem-se o* rato*.
, Nem rio sem váo , nem geração* sem ma'o.
Quando em casa naõ está o gato , estende- Naõ ha geração sem rameira , ou ladraõ.
se o rato. Em longa geração , ha Conde , e lad raõ.
Consciência de gato de Portalegre , que fi- Quem sua geração gaba , cousa alheia ga-
cou com o dinheiro , e tornou a pelle. ba.
Ao g.ito por ladraõ na<í lhe desde maó Gonçalo.
M rcelta , que o gato leva , gualdida vai Em ca<a de Gonçalo mais pôde a gallinha
Cava em 0ue naõ ha caó , nem gato , he que o gallo.
casa de velhaco. Gordo.
Bo n amigo he o gato , se rraõ que arranha.' A velha gallinha faz gorda a cozinha.
Esta a carne no garavato , porque naõ ha Naõ ha gallinha gorda de pouco dinheiro.
gato. A magra balha na boda , e nnò a gorda.
Em caminho Francei, vende-str o gato por A galíinha de minha visinha , he mais gor-
rez. da que a minha.
Palavras de Santo, e unhas de gato. Carne magra , de porco gordo.
Unhas de gato , e habito de beato. Ou magro , ou gordo , aqui está o porco lo-
Guarte do moço grunhidor , e gato mea- do.
dor. Perdigão gordo passara magra.
,

Hum olho no prato , outro no gato. Vede-la gorda , e vermelha , pelo papo lhe
Lançar o gato nas barba*. entra , que naõ pela orelha.
G avia 6. Quem a vacca d'elRei come magra , gorda
Quando ao gaviaõ lhecahe a penna , tam- a paga.
bém Jhe cahem as azas. H a
6o ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C,
Mais vai magro no tear, qSe gordo no mon- Mais vai guardar , que pedir.
te. Quem guarda.acha; e quem cria-, mata..
Gosto» Guardado he o que Deos guarda.
O gosto danado jol^a por doce o agro. Por teu liei peleijaste, tua casa guardaste.
Onde sobeja a agoa o gosto falra. Quem ameaça , numa tem , e outra guar-
Ao gosto danado ou estragado o , , doce. he da.
amargo. Guarda paõ para Maio , e lenha para, Abril»
Geleira. Guarda na mocidade para a velhice.
A continua goteira faz sinal na pedra., Cousa mui desejada , naõ ha guarda-la,
Gotta. A quem descobriste a cilada, desse. te guar-
Gotta , e gotta, o mar se esgota* da. «

Grammaiico.. Da,,agoa mansa te guarda, que da rija, ella


Grammatico desfavorecido, naô terrvassa- te apartará*
do j e come tozido.. Come com elle , e guarda-te del.lew
Gr ao. Donde perdeste a capa , dalu te guarda*.
Hum graõ naô enche o celleiro , mas ajuda Do sojdado , que naõ tem capa , guarda a
a seu companheiro» tua na arca.
Em anno bom, o graõ he feno , eem.o Quem se guardou, naõ,errou.,
máo , a palha he graõ. Guandar daqueli.es
,
que a natureza assina-
Do graõ te sei contar, que em Abril naõ. ha lou.
de estar nascido , nem por semear. Guarda docaõ ,
que manqueja.
A sraõ e graõ enche a gallinha o papo, Do que faço , disso me guardo.
Guarte de caõ prezo , e de moço galJego.. *
1

Gra;i de milho.em boca de asno..


Muita palha , e pouco graõ. Guarte de moço grunhidor, e gato mea-
Grilhões, dor.
Arrenego de grilhões ainda que sejaõ de ou- Guarte de homem , que naõ falia , e de
ro. cao , que naõ ladra.
Grilfo. Guarte de alvoroço do povo , e de travar
Mal vai á raposa quando anda. aos .grillos» com doudo.
Guardar. Da má companhia guarte de ser author, nern
O que lavra , crie, e.o que guarda , naõ parte.
fie. . Da ave de b'co encurvado., guarte delia co-
Vara parte de Fevereiro guarda lenha. mo do diabo.
O enxame de Maio , quem to pedir , dá- De arroidos suarte + naõ serás testemunha,
Iho ; e o de Abril , guarda para ti. nem parte.
Do mal guardado come a gato. - Guarte de ináo.vijsjnhp i e de homem mes-
Duas aves de rapina , naô se guardaõ com- quinho.
panhia. Guarda que comer , naõ guardes que fazer.

O que naõ tem mulher , cada dia a mata ,


Guarda o que naõ presta, acharás o qu»
mas quem a tem , bem a guarda.. has de mister.
Guarda prado , acharas gado. Guerra.
Jejuar o dia , guardar a véspera. Boa guerra faz boa paz.
A justiça a todos guarda , mas ninguém a Guerra , caça , e amores , por hum prar
quer em sua casa.. zer cem dores.
Quem lei estabelece ,
guarda-la deve. Entre guerra, e paz , quem mal sahe , mal
Guarda moço , acharás velho. jaz.

Guardar que comer , e naõ guardar que fa- A guerra , e a cea , começando se ateia.
zer* Guerra de S. Joaõ ,
paz de todo o anno*
DA LÍNGUA PORTUGUESA. 6l
Hir á guerra , nem caçar , naó se deve a- Hoje somos , amanhã naõ.
conselhar. Homem.
O Juiz de guerra , o fim delia. Homem honrado , antes morto ,
que inju-
Muitos morrem na guerra , mas mais vaõ riado.
a ella. Homem morto naõ ganha soldo.
Nem todos os que vaõ á guerra , saõ sol- Homem vergonhoso , o demo o trouxe ao
dador. Paço.
Raz de caiado , guerra he. Homem sem proveito he o mel no dedo.
Quem naó vai. á guena , naõ morre nella. Homem grande besta de páo.
,

Yeste-te em guerra , e arma-te ein paz. Homem sem abrigo passòro sem ninho. ,

Bem parece a guerra, a quem.está longe Homem atrevido dura como vaso de vidro»
delia. Homem atrevido odre de bom vinho e
, ,

Doce lie a guerr3 , pa*a quem naõ andou vaso de vidro pouco duraõ..
nella. Homem apercebido meio combatido.
Muitos dizem mal da guerra, e naõ deixaô" Homem de bem tem palavra como Rei.
, ,

de hir a ella Homem de teu orneio te;i inimigo. ,

Quem anda nn guerra , dá , e leva. Homem apaixonado naõ admitte conselho.


Tempo de guerra, mentiras por mar, e por Homem astioso barha ate o olho.
,

terra.. Honnm farto naó he comedor.


Homem, que falia como mulher , livre-ma
*++*+* 4+ *++*++*** Deos delle.
Homem ndscio dá ás vezes bom conselho.
Habito. Homem honrado, no eivei demanda, e
O habito naõ faz o monge. no crime he demandado.
Herdar. Homem assinalado , ou mui bom , cu mui
O que se herda , naõ se furta. hravo.
Hir. Homem pobre com pouco se alegra.
Vai e vem quem de seu tem.
, Homem pobre , taça de prata, caldeira de
Ve.ie-la vai , e vede-la vem ,como barco cobre.
de Santarém, Homem pobre depois de comer ha fome.
Em Maio vai , e torna com recado. Homem necessitado, cada anno apedrejado.
Muito gasta o que vai , e vem , mas mais Ho nem folgazão, no trabalho somnorento.
o que se detcm. Homem põe e Deos dispõe.
,

Por onde vás , assim como vires , assim Homem magro, e naõ de fome, guarte del-
farás, le , como doutro homem.
Eis-me vou , e venho a hum olival , que Homem velloso, ou valente, ou luxurioso.
tenho. Homem , cjue madruga , de al^o tem cuia.

Em Abril , vai adonde hás de hir , e torna Homem provido , naó vive mesquinho.
1

a teu covil. A homem ruivo, e mulher barbuda , de


Fi-lo vai, ei-lo vem de Lisboa a Sant3rerru longe os saúda.
Cuidando donde vás, te esqueces , doiv» Anda o homem a trote, r°r ganhar capote.
de vens. Ao homem maior dá-lhe honra. ,

Aprende por arte , e hirás por diante. Ao homem de esforço a foi tuna , lhe põe
Hoje. o hon.bro.
Hontem vaqueiro , hoje cavalleiro. A homem pobre ninguém o acommetta.
,

Paô de hoje , carne de hontem , vinho de A homem fa-to as cerejas lhe amargaó.
outro veraó , fazem o homem saõ A homem ousado a fortuna lhe dá a ma'.
Hoje em nossa figuia 3 e amanhã na sepul- A homem ventureiraa filha lhe nasce pri»
tura. meiro.
6l ADÁGIOS, PROVÉRBIOS &C. ,

A sua casa traz o homem , com que cho Aonde te conhecem , honra te fazem.
re. De barba a barba honra se cata.
,

Deita se homem pelo chaõ , por ganhar ga- Hora.


bão. Em huma hora naõ se ganhou CJamora.
Donde és homem? donde he minha mulher. Em pequena hora Deos melhora.
O homem occupado naõ cuida cousas más, De hora a hora , Deos melhora.
nem as faz. De huma hora para outra , cahe a casa.
O homem na praça , e a mulher em ca?a. Huma hora cahe a casa , que naó cada dia,
O homem anda com tento, e a mulher naõ Huma hora melhor que outra.
lhe toque o vento. Que horas ,
para colher amoras?
O homem hefogo, e a mulher estopa, vem Nascido na má hora.
o diabo, assopra. Naó vejo a hora de &c.
Os homens se encontrão, e naõ os montes. Horta.
O homem queremos ver, que os vestidos Nasce- na horta o que naõ semea o hortelão.
saó de lã. A vinha , onde pique , e a horta , onde re-
Três cousas fazem mudar a natureza do ho- gue.
mem , a mulher, o estudo , e O vinho. Naõ fara's horta em sombrio , nem edifi-

Naó ha homem sem nome, nem nome sem ques a par de rio.
sobrenome. Horta com pombal, he paraíso terreal.
Vi hum homem ,
que vio outro homem ,
Horta para passatempo, posta com tempo.
que vio o mar. Horta sem agoa , ca«;a sem telhado , mari-
Kaõ ha terra brava , que resista ao arado ; do sem cuidado , de graça he caro
nem homem taõ manso , que queira ser Horta, nem celleiro, naõ quer companheiro.
mandado. Horto.
Ou para homem 3 ou para caõ , leva tua A Judeo, nem a porco, naó mettas no teu
espada na maõ. horto.
Guarte de máo visinho, e homem mesqui- Assim se cria o horto , corroo porco.
nho. Hospeda , e Hospede.
Homem de palha vai mais , que mulher de Fazer conta sem a hospeda.
ouro. Hospeda formosa damno faz á boi- a.
Homens bons e picheis de vinho , apazi- Hospede de maõ vasia , ande lá via ; o hos-
guaõ o arroido. pede , e o peixe , aos três dias fede.
Por falta de homens fizeraõ a meu pai juiz. Para hospedes , a melhor iguaria , he a ale-
Honra. gria.
Honra, e proveito naõ cabem em hum sac- Hir-se-haõ os hospedes , comeremos o pa-
co. to.
Honra he dos amos , o que se faz aos cria- Casa varrida, e meza posta , hospedes es*
dos. pêra.
Honra, que em baixo amigo se procura Hospedes em casa , dia Santo he.
pouco dura. Hospede tardio naó vem vasio.
Honra sem honra he alcaide de aldeia , e Hospedes jeiraõ , senhores se fara'õ.
padrinho de boda. Hospede , que se convida , despede-se asi-
Mais honra ha, que a barba. nha.
Orneio de conselho, honra sem provei- Hospede , que jejua , e naõ cea , bem vin-
to. do seja.
Onde naõ ha honra , ha deshonra. Hospede com sol , fia honor.
Onde te abrem, honra te fazem. Hum.
Ao homem maior , dar-Ihe honra* Hum Deos, hum Rei, huma F^, huma Lei,
DA LÍNGUA pORTUGUEZA. 63
Hum por dentro outro por fora. , Em Janeiro mette obreiro , mez meante ,
Quem naó tem mais que hum, naó tem ne- que naõ dante.
nhum. Janeiro molhado , se naõ he bom para o
Hum graó naõ enche o celleiro , mas ajuda paó , naó he máo para o eado.
a seucompanheiro. Janeiro, poucos em sendeiro , hum dia ,
Hum romeiro naõ quer outro por parceiro. e naó cada dia.
Huma andorinha naó faz veraó. Luar de Janeiro naó tem parceiro ; mas lá
Nunca falta hum caõ 9 que vos ladre. vem o de Ago«to , que lhe da de rosro.
Onde o lobo acha hum cordeiro,* busca ou- Se queres ser bom alheiro , planta os alhos
tro. em Janeiro.
Hum em papo outro em sacco. , Mingoante de Janeiro , corta madeiro.
Hum ovo ha mister sal e fogo. , O mez de Janeiro c^mo bom cavaileiro, as-
Em huma hora naó se ganhou Çamora. sim acaba , como na entrada.
Hum só polgar tarde vai ao tear. , Obreiro em Janeiro , paó te comerá , mas
Huma cousa se deseja , outra he bem que obra te fará.
seja. Primeiro dia de Janeiro , primeiro dia de
Hum aggravo consentido outro vindo. , veraó.
Hum doudo fará cento. Qualquer ramo em Jaueiro , torcido esta*
Hum tinhoso queria que todos o fossem. quedo.
Huma foi que nunca errou.
, a Quem azeite colhe antes de Janeiro, azeito
Hum , e nenhum
, tudo he hum. deixa no madeiro,
Huma vez engana ao prudente , e duas ao Sol de Janeiro sempre anda de traz do oi-
innocente. teíro.
Hum só acto naõ faz habito. Em Janeiro nem galgo leboreiro, nem açor
perdigueiro.
Em Janeiro seca a ovelha sua* madeixas no
fumeiro , e em Março no prado , e em
P- Abril , as vai ordir.

Já no mar, já na terra , U est , sem consis- Janeiro gioso , Fevereiro nev"0 y Março
tência. molhinoso, Abril chuvoso , Maio vento-
Já o corvo naó ha de ter as azas mais ne- so , fazem o anuo formoso.
gras. Vai-te embora Janeiro , cá fica o meu cor-
Já tendes fantasia , mancebinho de verdo- deiro.
so. O madeiro para tua casa, corta-o cm Ja-
Já come o paó aos meninos. neiro.
Ja naó sou , quem ser sohia.; tenho o san- Vai-te embora Janeiro, deixar-me-has A-
gue frio. bril , e Maio.

Já aquelle jaz. Janellclra.


Já a burra jaz no pó. A mulher janelfeira , uva* de parreira.
Janeiro. Soffrerei filha golosa , e muito feia }
mas
Da flor de Janeiro, ninguém encheo o cel- naó janelleira.
leiro. Jantar,
Em Janeiro põe-te no oiteiro, se vires ver- Antes que jantes, naó passes d ? Abrantes.'
degar ,
póe te a chorar, e se vires ter- Jantar tarde , e cear cedo , tiraó a merenda
rcar póe-te a cantar.
, de permeio.
Em Jaoeiro sete capellos, e hum sombrei- Quem a maó alheia espera, mal janta, e peor
ro- cêa.
Em Janeira hum , pouco ao sol , outro ao Quem á mesa alhea come, janta, e cca com
fumeiro» fome.
64 ADÁGIOS PR0VE&BT05 , &C.
Jarro, pois tanto valem mais os empregos, que
Melhor me parece o teu jarro amolgado, que os retornos.
o meu saõ. Inimigo.
Ida, O cabedal de teu inimigo, ou em dinheiro,
Ida boa , tornada nunca. ou em vinho.
Ida sem vinda , como potros a' feira. Desprezas teu inimigo, serás logo vencido.
Ida de Joio Gomes , foi em sella , e tor- Dobrado tem o perigo , quem foge ao ini-
nou em alforges. migo.
Jejuar. Quem inimigo poupa, ás suas mãos morre.
Bem jejua ,
quem mal come. Quando fores de caminho , naõ digas mal
Jejuar o dia , guardar a véspera. de teu inimigo.
Jejua gallego , que naõ ha paõ cosido. Quem tem inimigos , naõ dorme.
Jejum. Ao inimigo , t}ue te viraa espalda , ponte
O farto do jejum naõ tem cuidado algum. de prata.
O ventre em jejum naõ ouve a nenhum., A arma , com que te defendes , a teu ini-
Hum dia de jejum , três dias máos para o migo naó a emprestes.
paó. Fome , e frio mette a pessoa com seu ini-
Ignorante. migo.
O ignorante , e a candeia , a si queima , <j Quem heteu inimigo > o official de teu of-
outros állumeia. rlcio.
O ignorante a todo* re-prehende , e falia Mais soffrivel fie inimigo prudente , que
mais do que menos entende. amigo impertinente.
O ignorante he o que mais falia. Quem seu inimigo assenta em seu lugar, del-
Ilha, le se quer tirar.
Paó da Ilha , arca cheia , barriga vasia. Naõ te assanhes com o castigo que te dá o
índia. tetí inimigo.
Os Portugueses práticos, c experimentados Invejoso.
dissernõ o que se segue : Nem o invejoso medrou , nem quem a par
A índia he sepultura de homens honrados. delle morou.
Aindiahe pra<ca de cavalleiros. Inverno.
He huma feira de feitos illustres inverno e máo vernõ.
Bácoro fiado , bom ,

He fronteira de inimigos. A vacca do vil laõ seno inverno da leite,


H^ huma mistura de homens. melhor o dará no vera.^.
He huma medida igual de pessoas desiguaes. Quem naõ tem calcas no in verno na6 fies ,

He huma vida livre ou liberdade de vida.


,
delle teu dinheiro.
Naindia todos saó ricos , porque lhes basta Ao veraõ taverneira e ao inverno padeira. ,

pouco. Primeiro dia de Agosto, primeiro dia dein*


Na índia primeiro os homens devem , do verno.
que tenhaõ. Sol de inverno sahe tarde , e põe-se.
Na índia os mais vivem de esperança , e o Veraõ fresco , inverno chuvoso , estio pe-
commum morre sem paga. rigoso.
A* índia mais vaõ do que tornaô. Amizade de genro , sol de inverno.
h:\ I »dia mais morrem do que escapaõ. Em o veraõ por calma , e o inverno por
A índia , ou vende caro o que tem , ou O frio , naõ lhe falta achaque de vinho.
troca com vantagem. Nem no inverno sem capa , nem no veraS
Da 'índia melhor fora a nomeação , que o sem cabaça.
senhorio ; melhor a propriedade que o Arrenego da besta , que no inverno tem
uso ; melhores as parias , que as rendas , léítt.
DA LÍNGUA PORTlíGUEZA, ój
J*a$. Isto he fallar Portuguez ,
(clavo.*)

Ida de Joaõ Gomes , foi em sella , tornou Isto he muito iresler.

em alforges. Isto está ainda muito verde.


Ainda que joaõ Vaz tem besta, naõ deixaõ Isto quer Martinho , sopas de vinho.
de lhe apontar á testa. Isto me dá barbeiro 9
que odreiro , tudo he
Agora lhe lembra a morte de Joaõ Grande. tosquiar cabello.
S.Miguel , e S. Joaó passado , tanto man- Direi isto em duas palavras.
amo como o criado.
da o Com mo me embalarão.
Discreto como os bois de Joaõ Affonso, que Juiz.
fogem da relva para a herva. Juii piedoso faz o povo cruel.
J*S°> e J Z ar - Juiz de aldeia , quem o deseja o seja.
No jogo se perde o amigo, e se ganha o ini- Juiz de aldeia hum anno manda , outro na
migo. cadeia.
Mais descobre huma hora de jogo, que hum O juiz ladraõ , com os pés na maõ.
anno de conversação. Arrenego da terra, onde o ladraõ leva o juiz
Quem no jogo faz hum erro, faz hum cen- á cadea.
to. A juiz fraco estomenta-Io.
Todo o pescado he freima , e todo o jogo Máo caminho leva o Juiz , quando vai para
postema. a forca.
Isto he jogo de meninos. Ninguém he bom Juiz em causa própria.
Agora lhe destes jogo. Por falta de homens, flzeraõ a meu pai Juiz,
Na casa de quem jo»a , alegria pouco mora. J unho.
Quem jogou ,
pedio , furtou ;
jogara., pe- Em Junho fouce em punho
dirá , furtará. Fenaalto , ou baixo , em Junho he sega-
Naõ jogo os dados , mas faço outros peo- do.
res baratos. Junho, Julho, e Agosto , Senhora , nao"
Aqui está a chave do jogo. sou vosso.
Com teu amo naõ jogues as peras.
Quem te naõ ama, em praça ou em jogo te
diffama.
IrmaÕs. Lá.
Três irmãos três fortalezas.
, Li vai quanto Martha fiou.
Partamos como i/maós , o meu meu , e o La vaõ leis , onde querem Reis.
teu de ambos. Lá te vás emprestado , donde venhas me-
Cortaõ me pés, e maõs, e metfcem-me en- lhorado.
tre meus irmaõs. Lá vem Fevereiro ,
que leva a ovelha , ie
Entre pai innaós naõ mettasas maõs.
, e o carneiro.
Ira de irriiõs , ira de diabo*;.. Lá , para dia de S. Serejo.
Irmaõ maior , pai menor. Lá vai o ruço , e as canastras.
Quem naõ tem irmaõ , naõ tem pé, nem Lá vaõ leis onde vós quereis.
maõ. Lá vaõ leis onde querem cruzados.
Isto, Lá vai a lingua , onde doe a gengiva.
Isto saõ cocos de menino* Lá vai a lingua , onde o dente grita.
Isto he escopeta de Ambrósio. Lá vai o mal , onde comem o ovo sem sal.
Istosabem-no cães , e gatos. Lá me leve Deos , onde estaó os meus.
Isto tem dente de coelho. Lua , ou LÕ.
Isto vos ha de dar na cabeça. À' ovelha louçã , disse a cabra , dá-me a
Isto demanda mais agoa. láa.
66 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS 5
&C,
Antes a I.ía se perca , que a ovelha. Avezou-se a velha aos bredos , lambe-lhe
A iuim ovelha a 15a se peja. os dedos.
De manhã e.n manhã perde o carneiro a laa. Avezou , ou engou a velha os bredos , sou-
O homem queremos ver ,
que os vestidos beraõ-lhc bem , lambeo os dedos.
saó de láa. Lastimas.
Canta a rãa e naõ tem cabello , nem Ha. Quem lastimas escuta , está perto de per-
Ir pnr lãa , e vir tosquiado doar.
O j he Inbo , ou rãa, ou feixe de lenha, ou Lavar,
ariiiéo de Jáa. Huma maõ lava a outra e ambas o rosto.
,

La Ira 6» Até o lavar dos cestos ha vindima.


Em longa geração ha Conde , e Íadraõ. Em veraõ cada hum lava seu panno.
Arrenego da terra , onde o ladraô leva o Agoa sobre agoa, nem suja , nem lava.
Juiz á cadeia. Maõ lavada , sug idade tira.
A Juiz !a iraó com o pé na maõ. Lav ador.
Alcaide sem alma , ladrões á praça. A lavrador descuidado os ratos lhe comem
Eem parece o ladraó na forca. o semeado.
Fazer do ladrão fiel. O casal de ruim lavrador, e a vinha do bom
Lidraõsinho d'agulheta depois sobe a barju- adubador
leta. O arado barbudo , e o lavrador barbado.
O buraco chama ao íadraõ. Lavrar.
Naõ hi ladíao sem encobridor. Lavra por S. Joaõ , se queres haver paõ.
Peleijaó os ladrões , descobrem-se os fur- Lavra com tempo , e vá por ambos.
tos. Lavra o meu boi pelo folgado , e o teu por
Quem engana ao ladrão , cem dias ganha de afamado.
perdão. Mais prô fazoanno , que o campo bem la-
O ladraô da agulha ao ouro , e do ouro á vrado.
forca. A terra lavrada em Agosto , á estercada dá
O ladraô cuida que todos taes saô*. de rosto.
Queres fazer do Íadraõ fiel fia-te delle. ,
LcaS.
Contas na maõ , e o olho no Íadraõ. O leaõ he ás vezes manjar de pequenas a-
O Íadraõ que anda com o frade, ou o frade ves.
será Íadraõ , ou o Íadraõ frade. Lebre.
Ao gato por Íadraõ naõ lhe dês de maõ.
, A lebre he de quem a levanta , e o coelho
Quem tem filho varaõ , naõ de vozes ao de quem o mata.
ladraó. A galgo velho , deita-lhe a lebre , e naõ
Naõ ha geração , sem rameira , ou Íadraõ. coelho.
Com os grandes ladrões enforcaõ os meno- A's vt?7es mais corre o demo ,
que a lebre.

res. Fm Dezembro a huma lebre galgos cento.


Naõ levantes lebre , que outrem leve.
Ladre-me o cal , naõ me morda Levantas a lebre, para que outrem medre.
Mal ladra o caõ , quando ladra de medo. 8e as«im corres como bebes, vamo-no!> ás
Nunca falta hum caõ , que vos ladre. lebres.
O caõ velho , quando ladra , dá conselho. Naõ ha carne perdida , senaõ lebre assada ,

Lamber. e perdiz cozida.


Caõ , que muito lambe , tira sangue. Pressa mette lebre á caminho.
Eem 'abe o gato , cujas barbas lambe. Pe'a boca morre o peixe , e a lebre ao den-
Bem Ifl lambe o gato depois de farto. te.
Entrar lambendo , e sahir mordendo. Vender gato por lebre.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 67
Lei Língua.
A lei efe reinar lie como a de amar. A lingua longa he sinal de maõ curta.
Esse lieRei , que naó conhece lei. A* má lingua , tesoura.
]\láo Rei , bom Rei , a toda a lei , viva el- Com a lingua te posso ajudar, mas naó com
Rei. o meu te dar.
Qual o Rei , tal a lei; qual alei, tal a Lá vai a lingua , onde doe a gengiva.
grei. Naó diga a lingua , por onde pague a cabe-
Novo Rei neva lei. , ça.
Naó JaÕ boas as leis porque mandão, mas ,
Lingua de praga.
porque se guardaõ. Perro velho naó aprende lingua.
Lá vaõ leis , onde querem Pveis. Vencer a lingua , he mais que vencer ar-
Feita a lei , cuidada a malicia. raiaes.
Antes bom Rei , que boa lei. Dar com a lingua nos dentes.
Lá vaó leis , onde querem cruzado?» Mente ,
quem dá com a lingua no dente.
Lá vaó leis onde vós quereis. Linhagens.
Leite. Em linhagens longas , alcaides e pregoei-
Queijo de ovelhas , manteiga de vaccas , e ros.
leite de cabras. Linho.
Disse o leite ao vinho, venhas embora ami- Do linho arestoso faze camizas a teu espo-
go * so.
Naó me contenta nada moça com leite, O linho apuradodá lenço dobrado.
nem borracha com agoa. Por hum cabellinho se pega o fogo no li- t

Leite sem paõ até porta vai. a* nho.


O que no leite se mamma , na mortalha se Ao bebedor naó lhe falta vinho , nem á
derrama. fiandeira linho.
Bilha de leite por bilha de azeite. O
linho , quem o aíinha , esse o fia.
Em casa de Maria Parda huns comem leite, Lisonjeira.
e outros nata. A* lisongeira fazer máo rosto.
A cabra de minha visinha mais leite dá que Listra.
a minha. Pela listra se conhece a touca.
Lenha, Lobo.
A bom mato vindes fazer lenha. Guarda do lobo , quando se enoja.
Naó <abe , em que mato vá fa/er lenha. A mulher he loba no escolher.
A quem Deos quer ajudar , o vento lhe a- Faltai no lobo , ver-lhe-heis a pelle.
panha a lenha. Bem folga o lobo com o couce da ovelha.
Lenha verde mal se accende , quem muito Do contado come o lebo.
dorme , pouco aprende. Nunca hum lobo mata outro.
Arde o fogo segundo a lenha do bosque.l Com cabeça de lobo ganha o raposo.
Lenha verde nem se queima , nem se ac- Do mal que faz o lobo , apraz ao corvo.
cende. Dous lobos a hum caó , bem o comerão.
Levar. Fartura de lobo três dias dura.
Levar as lampas. Lobo tardio naó toma vazio.
Levar a negra. Lobo faminto naó tem assento.
Levar a todos pela mesma esteira. Lobo que preza toma , inda que se vai , naó
Levar agoa ao mar. cerra a boca.
Leva couro, e cabello. Naó compres do lobo carne.
Leve a fortuna tantas agulhas ferrugentas. O
lobo muda a pelle , mas n;ó o vezo.
Levar má noite , e parir rilha. O
lobo perde os dentes , mas naó o costu-
me. I 2
6? ADAGíOS, PROVÉRBIOS, &C.
Caõ que lobos mata , lobos o mataõ
, Com os raios da lua, naõ madurecem as
On<1e o lobo acha hum cordeiro , busca ou- uvas. QDiz-se dos que naõ tem poder ou
y
tro. vontade cjficaz no que emprchendem.')
O qne a loba faz , ao lobo praz. Se soubesse a mulher a virtude da arruda-,
Quando o lobo c me outro , fomeha.no busca-la-hia de noite á lua.
souto.
Quando o lobo vai furtar, longe de casa vai 0* e*t***t*t****e ********* ;&****&****»

cear.
Asno de muitos , lobos o comem. Maça , ou Massa,-
Primeiro de Maio corre o lobo , e o veado. A quem coze, e amassa naó furtes a ma*sa. ,

Quando O lobo vai por seu pé naõ come , Homem demossa maça com quem nos a* ,

o que quer. massamos*


Ou he lobo, ou rãa , ou feixe de lenha,, Maçãa , ou Maçã.
ouarmeo de lãa. Das cores a grã ; das frutas a maçãa.
A' carne do lob:> , dente de caõ. Este a maçã, e madureça , lá virá quem
A poeira do ga4<> tira o lobo cie cuidado. a mereça.
Tirar da boca do lobo. Para .,que apara a maçã , quem lhe ha de
Louçã: comer a casca ?

A-barbacãse entrega á moca louçãs Ora pela pêra , ora pela maçãa, minha filha
Huma irmã a outra irmã naó quer ver mais nunca he sãa.
louçã. Machado,
Mulher muito louçã , dar- se quer ávida Pequeno machado derruba grande carva-
vã lho.
Moça louçã cabeça vã* , Madra>sia, <

Louco. Quem na casa da mãi naõ atura, na da ma-


O louco pela pena lie cordcv drasta naõ espere ventura.
Hum louco faz cem loucos. Madrugar.
De medico, e de louco, cada hum tem hum Madruga , e verás, trabalha r e tera's.
pouco. Tarde madruguei , mas bem arrecadei.
Cada louco com sua teima. Mais pôde Deos ajudar , que velar , e ma*
Pela pena o louco se fazsabio. drugar.
A palavras loucas orelhas moucas. Nem por muito madrugar , amanhece mais
Poucos , e loucos , e mal avindos. cedo*.
Eu poderei pouco , ou dkáõ , que naõ sou Mais vai quem Deos ajuda, que quem mui-
louco. to madruga.
Louvar. Homem que madruga , de algo cem cura.
Quem naõ se louva, de ruim se afoga. Por muito madrugar naõ amanhece mais a*
Louvor. sinha.
Naõ, pede lonvoT,.. quem o merece. Madurar , e Madwo.
Grandes louvores sem inteireza naõ sega-* Agosto madura , e Setembro vindima.
nhaõ. Qoem come as duras , coma as maduras.
Lua. Entre doa* verdes huma madura..
Quando mingoar a lua , naõ comeces cou-. Vai ás duras , t eu ás maduras.
sa alguma Magra.
Estar a 1 -a sobre o forno (se diz do doudo A magra balha na boda , e naõ a gorda*
com fúria em lua cheia ; e aijui se toma o Carne magra de porco gordo.
forno pela cabeça do homem ,
porque entaõ Ou magro , ou gordo , aqui está o porco
Refervem os miolos. todo.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 69
Perdigão* gordo ,
pagara magra. Primeiro k de Mayo corre o lobo , e o vea-
Q íein a vacca d'elRei come magra ,
gor- do.
da a paga. Quanto Alayo acha nado , tudo deixa espi-
Mãi. gado.
Mãi velha , e camisa rota , naõ deshonra. Quem em Mayo relva , naõ tem paõ , nem
Mãi aguçosa , filha preguiçosa. herva.
Mãi , e filha vestem huma camisa. Quem em Mayo naõ merenda , aos mortos
Mãi 3 e filh is por dar , e tomar saõ amigos. se encommcnda , e aos finados encom-
Mai., casai-me logo, que se me arruga o menda.
rosto. Touro ,
gallo, e barbo , todos tem sazaó
Mãi ,
que cousa he casar ? filha 3 fiar, parir, em Alayo.
e chorar. Se naõ chover entre Mayo e Abril , dará o
Tal he o demo , como sua mãi. Rei o carro e o carril por huma fogaça Q
Quando entrares pela villa , perguntai por hum funil , e a filha a quem a pedir.
primeiro pela mal , que pela filha. Se chover em Mayo, carregará o Rei o car-
Dai-me mãi acautelada , dar-vos-í>ei filha ro j e em Abril o carril ; e entre Abril
guardada. e Mayo , o carril e o carro.
Dizem que três mais boas parem três filha* Mais.
ruins a verdade pare o ódio ; a muita
: Mais vai duro ,
que nenhum.
conversação desprezo ; a paz ociosidade. Mais qu< r a cea ,
qiic toalha secca.
A mãi e a filha por dar iaó , »a se fazem a- Mate dias ha linguiças.
migasr Mais qoero para meus dentes ,
que para
Azáfama , padeiras ,
que minha mãi quer meus parentes.
hum paõ. Mais valem dous bocados de vacca , que
Paca melhores fadís me criava minha mãiV sete de pata.
Maijo , ou Maio, Mais quero o velho, que me honre , que
A quem em Maio come sardinha, em Agos- moço , que me assombre.
to lhe pica a -espinha; Mais vai ruim cavallo, que ter asno.
Camarás de Mayo , saúde de todo o anno. Mais quero asno que me leve , que cavai- ,

Em Mayo vai , e torna com recado. lo, que me derrube.


Enxame de Mayo , quem to pedir , dá-lho, Mais vai hum pássaro na maõ, que dous que
e^de Abril ,'guarda-o para ti. vaó voando.
Em Mayo a quem naó tem , basta-lhe o Mais vai magro no mato, que gordo no pa^
saio. po do gato.
Guarda paõ para Mayo, e lenha para A- Mais vai hum bom amigo, que parente ,
bril. nem primo.
Huma agoa de Mayo , e três de Abril va- Mais valem amigos na praça , que dinhei-
lem por mil. ro na arca.
Somno de Abril , deixa-o a reu filho dor- Mais descobre huma hora de jogo, que hum
mir , eode Mayo a teu cunhado. anno de conversação.
Mayo couveiro , naõ he vinhateiro. Mais guarda- a vinha o medo y que o vinhèi-
Mayo come o trigo , e Agosto bebe o vi- ro.
nho. Mais prò faz o anno, que o campo bem la-
Mayo hortelão , muita palha , pouco paõ. vrado.
Mayo pardo , Junho claro. Ma's va'em alimpndnras da minha eira, que
Mayo pardo faz o paõ grado. o trigo da tulha alheia.
Paõ tremez , naó o comas , nem o dês ,: Mais vai agoa do Ceo , que todo o regado.
mas guarda-o para Mayo. Mais abra-ida o dinheiro , que palavra de^
cavallciro.
7° ADAGK5S, PROVÉRBIOS, &C.
Mais quem
faz quer, que quem pôde. Mais custa mal fazer , qtte bem fazer.
Mais lia quem suje a casa, que quem a var- Mais vai vergonha na cara f que mágoa no
ra. coração.
Mais quero estar trabalhando , que choran- Mais matou o Ceo , que saro» Avicenna.'
do. Mais vai ?uar , que enfermar.
Mais vai vacca em paz ,
que pombo em Mais asinha se toma hum mentiroso , que
guerra. hum coxo.
Mais quero pedir á .minha peneira hum pao Mais ha na boa , que ser casta.
apertado , que á minha visinha empres- Mais puxa moça , que corda.
tado. Mais vai velha com dinheiro , que moca
Mais vai magro no tear ,
que magro no com cabello.
monturo Mais fere a má palavra , que espada afiada»
Mais vai palmo de panno ,
que pedalo de Mais vai pedir , e mendigar , que na forca
burel. pernear.
Mais sabe o sandeu no seu , que osesudo Mais vai arrodear , que afogar.
no alheio. Mais ha na amarra , que faze-!a, e fura-la»
Mais vai guardar , que pedir. Mais vai que sobeje , que naó falte.
Mais vai pedaço de paó com amor, que gal- Mais sabes do que te eu ensinei.
linha com dor» Mais vai hum dia de discreto , que cento
Mais vai bem de longe , que mal de perto , de néscio.
e sim tardio , que o massio , e ter fome Mais vai saber , que haver.
que fastio. Mais vai perder , que mais perder.
Mais vai penhor na arca, que fiador na pra- Mais vai callar , que mal fallar.
ça. Mais vai migalha , que pello de barba»
Mais vai boa regra , que boa renda. Mais tem o rico , quando empobrece , do
Mais vai ganhar no lodo, que perder no ou- que o pobre , quando enriquece.
ro. Mais corre ventura, que cavallo, ou mula.
Mais vai casa , donde a roca manda ,
que Mais vai tarde , que nunca.
a espada. Mais vai quem Deos ajuda, que quem mui»
Mais vai perder-se o homem, que o nome, to madruga.
se elle he bom. Mais vai o feitio , que o panno.
Mais come o boi de huma lambida , que a Mais custa a mecha , que ocebo.
ovelha em todo o dia. Mais barato he o comprado , que o pedido.
Mais apaga boa palavra , que caldeira de Mal.
agoa. Mal por mal , melhor era o de hontem.
Mais vai só , que mal acompanhado. Aquelle naó faz pouco, que seu mal deita a
Mais honra ha que a barba. outro.
Mais vai merecer honra , e naó a ter , que A quem mal vive , o medo segue.
tendo-a , naó a merecer. Besteiro que mal atira ,
prestes tem a men-
Mais vai néscio , que porfiado. tira.

Miis velha he a Igreja , e vaõ a ella. Do mal ,


que fizeres , naõ tenhas testigo ,

Mais vai ás vezes favor , que justiça , nem ainda que seja teu amigo.
razaó. Mal por mal naõ se deve dar.
Mais são os casos , que as leis. Mal alheio peza como hum cabello.
Miii vai salto de mata, que rogos de ho- O bem soq , e o mal voa.
mens bons. Por bem fazer mal haver.
Mais dn' ocrú , que o nú. Ninguém faz mal , que o naó venha a pa-

Mais vai hum toma , que doui te darei. gar.


DA LÍNGUA, POBTUGVEZA. yi
Malícia.
Quem faz mal espere outro tal.
1) que vive ma' , pouco vive. Feita alei, cuidada a malícia.
Quem diz ma! do seu, mal calfará o alheio. Olho máo , a quem vío , pegcli malícia.
A pequeno m«l grandctrapo. Ainda que a malicia escurece a verdade ,
Donde va'< mal í orfcle ha mais mal. naó a pode apagar.
Embora vas mal , onde te põem bom ca- Mancebo,
beçal. Melhor he máo mancebo , que feixe de le-
JVlal conhecido com seu dono mcrre. nha.
JWal sobre mal , pedra por cabeçal. Enfeitai o cepo , parecerá mancebo.
Mal prolongado , morte no cabo. O
amor no velho traz culpa, mas no man-
Naõ ha mal , que ó tempo naó cure. cebo fructo.
Naõ he d'agora o mal , que naó melhora. Mandar,
O mal largo , e a morte no cabo. Mandar naõ quer par.
O mal alheio dá conselho. Manda o amo ao moço, o moço ao gato,
O mal do olho cura-se com o cotovelo. e o gato ao rabo.
O mal , que naó tem cura , he loucura. Rou , rou , faça-se o que dRei mandou.
€) mal , e o bem á face vem. Rogos de Rei mandados saó.
Pouco mal , e bom gemido. Naõ faltará Rei que nos mande , nem Papa
Naó ha mal, que cem annos dure, nem bem, que nos e\commu'gue.
que os ature. Pelo caminho do bem obedecer se chega ao
Para mal de costado , bom he abrolho. òo bem mandar.
Para mal , que hoje acaba , naó ha remédio , O
moço official faça o que lhe mandaó , e
o de amanhã naó basta. naõ fará mal.
Quando o nó se faz piolho ,com mal anda Manda , e descuida , naõ se fará cousa ne-
o olho. nhuma
Quem mal padece , mal parece. Manda ,. e faze-o , tirar-te-ha cuidado.
Pontas , e o collar encobrem muito mal. Manda o sábio com embaixada , e naõ lh«
Vai de mal em peor. digas nada.
Há males , que vem por bem. Mancas.
Ao que faz mal , nunca lhe faltaõ achaques. Quem más manhas ha , tarde ou nunca as
Ma) haja quem calvo pentea* perderá.
Wiald'aqui , peor d'alli. Manilha.
Mal de muitos , gozo he. Ha homem com manilha , que com todos
Mal me querem minhas comadres , porque trinca.
lhes digo as verdades. Maijar,
Mal alheio naõ cura minha dor. Naó ha manjar que naó enfastie, nem vi-
Mal vai á corte , onde o boi velho naõ tos- cio que naó enfade.
se-- Mão.
Mal me serves , peor te pagarei. Máo vira . que bom te fa^á.
Mal vai á casa , onde a roca manda a' espa A mancebo máo , cm maó , e com pa'o.
da. Ao bom dia abre a porta, e ao máo te appa-
Mal vai ao passarinho na maó do menino. reJha.
Mal vai á raposa
,
quando vai aos grillos. Debaixo de bom saio cst^' o homem máo.
Mal vai ao rato
,
quando naó sabe mais de Do fogo te guardarás , c do máo homem
hum buraco naó podf rás.
Malbaratar, O máo ao bem anoja ,
que ao máo naõ ou-
Quv-m adiante naõ cata , atrás cahe , e mal- sa.
barata. O máo visinho vê o que entra ;
mas naó o
que sabe.
7» ADÁGIOS , PROVÉRBIOS , &C,
Paiosmáos perdem os bons. ficaõ os fiihos, e netos de ruins avós.
O más sempre cuida com enganos. Boi máo no corno cresce.
Amor, amor , principio máo, e -fim peior. De gal linhas , e más fadas ceda.se enchem
Sacco de carvoeiro , máo de fora ,
peior de as casas.
dentro. Onde naó ha morte , naõ ha má sorte.
Em anno bom , o graõ he feno , e em o Sáraó cutiladas , e naó más palavras.
máo , a pai ha he graõ. Melhor he máo mancebo , que feixe de le-
Naõ ha máo anno por muito paõ. nha.
Naó ha máo anno por pedra, mas guarde O bom sòffre que o máo naõ pôde. ,

quem acerta. Nem rio sem váo , nem geração sem máo.
O máo anno em Portugal entra nadando. Boa conta , má conta , tudo he conta.
Quem tem gado naõ deseja máo anno. Besteiro máo , aos seus atira.
Quem tem vinha em máo lugar , a olho vê De doudo pedrada , ou má palavra.
seu mal. Janeiro molhado , se naõ he bom para o
De máo corvo máo ovo. paõ , naó he máo para o gad«.
De máo ninho naó crieis passarinho. Quem naó debulha em Agosto , debulha
Asno máo junto de casa corre sem páo.
, , com máo rosto.
Do bom, bom penhor, e do máo, nenhum Má hora vá comtigo.
penhor , nem, fiador. Em má hora nasce quem má fama cobra.
Aquella ave he má , que em seu ninho su- Quem más fadas naõ acha , das boas se en-
ja. fada.
Em cada parte ha pedaço de máo caminho. Hum dia em jejum , três dias máos para o
Ribeiras de Hortugal , poucas , e más de paõ.
passar. Máo caminhe leva o. Juiz ,
quando vai pa-
A máo Capellaõ máo Sacristão. , ra a forca.
A má lingua tesoura. , Companhia de três , he má rez.
A más fa«las -más braga?. , Olho máo , a quem vio pegou malícia. ,

Castiga o bom.. v melhorará; castiga o máo, As boas novas a todoo lempo , eas-más
peiorari. pelamanhã.
Quem casa por amores , máos dias ,
peio- Bocado de máo pàõ r naõ o comas , nem o
•res noites. dês a teu irmaõ
A máo moço , máo amo. O que he bum para o ventre , he máo para
Quem bom , e máo naó pode soffrer , a o dente.
grande honra naó pôde vir ter, Quem má boca tem , má hoste Ha faz.
A* boa moça , e á má , póe-lhe almofada. Quem heanáo na sua villa , peor será em
Bons , e máos mantém cidade. Sevilha.
Era máo anno, e em bom anno, aveza bem Quem má demanda tem » a brados a met-
teu papo. te.
O bom pai ame-se , e o máo soffra-se.
,
A má irmã naõ te ama.
bom pede , para o máo deseja.
Para o A má visinha dá agulha sem linha.
Quem com máo visinho ha de visinhnr Naó he má a mulher aque faz o que óqo. ,

com hum olho ha de dormir , e com ou- Nenhum dia he máo, se a morte vem a ho-
tro vigiar. ras.

O filho do bom ,
passa o máo , e passa o Sinal he de má besta , suar detraz da ore-
bom- lha.
O filho do máo quando sahe bom , he ra- Cutelo máo corta o dedo , e naó corta o
zqado. pão.
Vaõ-se os dias máos , e vaó-se os bons , e Ao máo vento i volta-lhe o capei lo.
DA LÍNGUA POKTUGUEZA. 73
A má chaga sira t a ma* fama mata.
,
O que maós naõ lavaõ paredes o achaõ. ,

A má sorte, invidar forte. A maós lavadas Deos lhe dá que con aõ. ,

Aomáo costwme quebrar«-lhe,a perna. Jtejja o homem a maó, que quizera ver cor»
,

Ao mao caminho dar*lhe pressa. ,


tada.

A quem má fama tem nem acompanhes Mette a maõ em teu seio naõ dirás do fa-
, , ,

nem bem.
digas do alheio.
Boas palavras , e máos feitos enganaõ sesu- Maõs de mestre unguento saõ.
des , e néscios. Quem quizer olhosaõ , ate a maó.
Com má gente, <he remédio muita terra em Maõ sobre maó , como mulher de escrivão*
meio Todo o homem póe a maõ no chaõ de
De raá companhia guarte de ser author. quando em quando.
nem parte. Vencer ás maõs lavadas.
Naõ ha taó máo tempo , que o tempo naõ Maõ posta , ajuda he.
allivie seu tormento. Põe tu a maõ, e Deos te ajudará.
Naó ha palavra má , se a puzerem em seu .Quem quizer ver o villaõ metta-lhe ocarg»
lugar. na maõ.
Máo Rei i bom Rei , a toda a lei , viva el- O que nosso for á maõ nos virá.
Rei. Contas na maõ , e borracha á cinta.
O máo som damna a cantiga. Mar.
A máo bácoro boa lande. Alto mar , e naõ de vento , naõ promettc
Veso máo , tarde he deixado. seguro tempo.
Huma pasjada má quem quer ,
a passa. Jornada de mar naó se pôde taxar.
Faltai no máo, apparelhai o páo. Quem naó entrar no mar , naó se afogará.
Antes com bons a furtar ,
que com máos t Quem se naõ quer aventurar , naó passe o
orar. mar.
"Nãos ^ t MaS. Se queres aprender a orar , entra no mar.
Também tenho duas maós. Ó mar , quem se vira casado !

Ao villaõ daõ-lhe o pd, e toma a maõ. Nem tanto ao mar , nem tanto á terra.
Conheçn-o , como as minhas mãos. Outubro , Novembro , Dezembro , naô
Dar bofetada , e esconder a maó. busques o paó no mar.
Dar com a maó na testa de rizo. Quem quizer medrar , viva em pé de serra,
Contas na maó , e o olho ladraô*. ou em porto de mar.
A maó no peito , e o pé no leito. Vi hum homem , que vio outro homem ,
Sol de Abtil , abre a maó , deixa-o ir. que vio o mar.
A língua longa he sinal de maó curta. Por ter a vista bella, olha o mar, e moía na
Huma maó lava a outra , e ambas orosto. terra.
Mais vai hum passarinho na maõ,x]ue dous Marçâ.
que vaó voando. Agoa de Março, peor he que nódoa no pan-
Mal vai ao passarinho na maó do menino. no.
Naõ mettas a maó em prato, onde te fi- Em> Março queima velha o maço.
a
quem as.unhas. Em IVIarço nem rabo de gato molhado.
Quem a maõ alheia espera , mal janta., e Março marce^aó, pela manhã rosto de caõ,
peor cea. á tarde de bom veraõ.
NaÔ passes o pé além da maõ.' Março marcegaõ , pela manhã cara de caõ ,
Maõ lavada sugidade tira. á tarde cara de rainha, e á noite cava
Muitas maós , e poucos cabellos , asinha os "com a foucinha.
dçpennaõ. Março ventoso , Abril chuvoso , do boW
O que te cahe da maõ , dá-o a teu irmaõ. -«olmeal faraó astroso.
K
74 ADÁGIOS. PROVÉRBIOS. &C.
Quando troveja cm Março ,appareiha os Quem mais naó pôde, de sua mazella mor-
cubos , e o braqo. re.
Quetn naô pôde em Março, vindima no re- Quem tem mazella
, tudo lhe dá nella.
gaço. Médicos.
Se naô ch~ver entre Março, e Abril, ven- Médicos de Valença, grandes fraldas, pou-
derá elRei o carro , e o carril. ca sciencia.
Sol de Março pega como pegamaço , e fere Mijar claro , dar huma figa ao medico.
como maço. Nem com cada mal ao medico % nem com
Se queres bom cabaço , semea em Março. cada trampa ao Letrado.
Marido. Os erros do medico a terra os cobre.
O marido barca mulher arca.
, e a Quando o medico he piedoso , he o doen**
Arroido, arroido, deo a mulher no marido. te perigoso.
Queres ver teu marido morto, dá-lhe cou- Ao medico , confessor , e letrado , naó os
ves em Agosto. tenhas enganado.
Ao bom marido ceva-lo com gallinhas da Quando o enfermo diz, ai , o medico diz,
par do gallo. dai.
Ao marido , serve-o comoamigo , e guar- De medico, e de louco , cada hum tem
tedelíecomo inimigo. hum pouco.
Assim lie o marido amarellado g como casa Medo.
sem telhado. Ao que mal vive j o medo o persegue.
Dor de cotovelo , e dor de marido , ainda A quem medo haó , o seu logo lhe daó.
que doa , logo he esquecido. Naó hei medo ao frio , nem á geada , senaõ
Cresce o ouro bem batido , como a mulher á chuva porfiada.
com bom marido. Medo ha Paio pois reza.
,

Naó he nada , senaõ que mataõ a meu ma- Medo haverei mas bom nunca o serei.
,

rido. O medo guarda a vinha, que naó o v arnei-


O marido , e o linho naõ he escolhido. ro.
O marido , antes com hum só olho , que O medo mette a lebre a caminho.
com hum filho. Quem tem medo compra hum caõ.
,

Seja marido , e seja grão* de milho. Medrar,


Seja o marido caõ , e tenha paó. Quem naõ herda, naó medra.
Em do mesquinho mais pode a mulher
casa Quem quízer medrar, viva em pé de serra,
que o marido ou perto de mar.
Pe-lo marido Rainha , e pelo marido mes- Três cousas fazem ao homem medrar 9
quinha. sciencia , e o mar , e a casr. real.
P:Io marido vassoura , e pelo marido Se- Nem o invejoso medrou , nem o que par -

nhora. delle morou.


Perda de marido , perda de alguidar , hum Afanar , afanar , e nunca medrar*
quebrado , outro no poial. Meirinho.
Marido , naó vejas ; mulher , cega naõ se- Fugi do alcaide , cahi no meirnho.
jas. Prendeo-me o alcaide, soltou-me o meiri-
Mata. nho.
Da mata sahequem a queima. Seja eu meirinho i e seJ3 de hum moinlo.
De mn mata j nunca boa caça. Mel.
Nem de cada malha peixe , nem de cada Quem com mel trata, sempre se lhe ape;,a.
mata feixe. Caro he o mel para o golo^o.
Mazella. Com assucar , e com mel , ate' as pedras sa-
De pequena bostella , se levanta graõ ma- bem bem. .

zella.
DA LÍNGUA PORTUGITE7A. 75-
Avezou-se a velha ao mel, comer sequer. Melhor he callar , que faJJar mal.
Fazei-vos meJ , comer-vos-haó as moscas. Melhor me parece teu jarro amolgado , qut
Naó lie o mel para a boca do asno. o meu saó.
Vender me) ao colmeeiro. Melhor he podre que mal comido.
Homem sem proveito he o mel no dedo.
, Melhor he fazer agastar hum caõ , que hu-
Boca de mel , maós de fel. ma velha.
Azeite de riba , mel do fundo , vinho do Melhor he paõ duro , que figo maduro.
meio. Melhor he o meu , que o nosso.
Agora dá paó , e mel , depois dará' paó , e Melhor he fazer debalde, que estar debalde.
fel. Melhor hc roto , que alheio.
Boca de mel coração de fel.
, Melhor he huma casa na vilJa , que duas no
Do mel , o menos. arrabalde.
Mel novo , vinho velho. Melhor he fumo em minha casa ,
que na
Mel pelos beiços. alheia.
Migi#çl , Miguel , naó tens abelhas , e ven- Melhor he sapato roto , que pc formoso.
des mel ? Melhor he dívida nova, que peccado velho.
Pouco fel damna muito mel. Melhor he comprar , que rogar.
Agoa sobre mel , sabe mal , e naó faz bem. Melhor he curar goteira , que casa inteira.
O mel bailando se quer. Melhor he a gallinha da minha visinha, que
Melão. s a minha.
O melaõ, e a mulher máos saó de conhecer. Melhor he volta, que revolta.
O me/aó , e o queijo , toma-lo a pezo. Melhor he máo mancebo , que feixe de le-
Mellior. nha.
Melhor he errar com muitos , que acertar Melhor he dar a ruins , que pedir a bons.
com poucos. Melhor he dente podre , que covú na boca.
Melhor he prevenir , que ser prevenido. Melhor he ser torto , que cego de todo.
Melhor he mudar conselho , que perseve- Melhor he rosto vermelho, que coiaçaó nc-
rar no erro. gfO.
Melhor he migalha de Rei , que merco de Melhoria.
Senhor. Por melhoria , minha casa deixaria.
Melhor he só , que mal acompanhado. Menina , e Menino.
Melhor he muitos poucos, que poucos mui- Amor de menino agoa em cestinho.
,

tos. Dos meninos se fazemos homens.


Melhor he vergonha no rosto , que ma'goa Menma , e vinha, peral , e faval, máos
no coração. saó de guardar.
Melhor he anno tardio , que vasío. Nem de menina te ajuda , nem cases com
Melftoi hc pa ha , que nada.
!

viuva.
Melhor he perder por temporaó , que por Menino , e moço , antes manso ,
que for-
serodeo. moso.
Melhor he des oser , que romper. Come menino , criar-te-has ; come velho,
Melhor he dobrar , que quebrar. viverás.
Melhor he deixar a inimigos que pedir a Naó digas ao velho que se deite , nem ao
,
amigos. menino que se levante.
Melhor he máo concerto ,
que boa deman- Dinheiro tinha o menino , quando moia o
da. moinho*
Melhor he hum paõ com Deos , que dous O leitaõ com vinho , torna-se menino.
com o demo. Mal vai ao passarinho na maõ do menino.
Melhor he hum passarinho nas maós , que A moça , e o menino no veraó haó frio.
dous voando. K a
76 ADÁGIOS , PROVÉRBIOS , &C.
Quem se lava com vinho , torna-se meni- A -teu amigo dize-lhe mentira , se teguar-

no. dar verdadre dize-lhe puridade'.


Tal te vejas entre inimigos , como pássaro Mentirosos,
na maõ de meninos. Mais asinha se toma hum mentiroso , qu«
O"menino , e o cachorrinho hum coxo.
donde lhe fa-
zem o mimo. Cuida o mentiroso , que talhe o outro.
Nao tem homem siso mais que querem os O
homem mentiroso larga a honra a pouco
meninos. preço.
Mentir, Mercado,
Medite Pedro , porque o tem de vezo. Muitos- vaô ao mercado , e cada hum com
Menos se mentiria, se de mentir se pa-- seu fado.
gasse siza. .,
Merendai
Mente quem dá com a lingua no dente* Merenda comida , companhia desfeita.

Mente majs do que dá por amor de Deos^ Mesa , ou Meta,


Mente Martha , como sobrescrito de carta. Nem mesa ,< qtre bula , nem pedra na ser-
O mentir na© paga siaa. vi lha.
O velho na sua terras
e o moço na alheia f Naó tem que comer , assenta-se á mesa.
sempre mentem de huma maneira. Nem mesa sem paõ, nem exercito sem Ca-
Quem mente , ou quer , ou quizer mentir, pitão.
arrede testemunhas. Quem
á mesa alheia come, janta, ecea
8rem me.mente , engana.
naó* me com* fome.
aem mente , e jurou , naó me enganou*- Se comeres- antes-que vás á Igreja , depois *

Quem sempre mente, vergonha naõ sente. naõ te poráõ a mesa.


Menti; 9 nem zombando. Vésperas da aldeia , põe- a mesa , e a cea.
Quem mente naõ vem de boa gente. A
moço mal mandado, ponde a mesa, man-
Culpa fea he mentir; mas muito mais men- dai-ocom recado.
tincto-ao verdadeiro. Sê moço bem mandado , comerás á mesa-
O homem que mente, he instrumento des- com teu amo.
temperado. . Casa^varrida^ e mesa posta , hospedes es—
Mentira. pêra.
Besteiro, que mal atira, prestes tem a men- Em
mesa redonda naõ ha cabeceira.-
tira Naõ compres de regateira , nem te descui-- 1

A mentira sempre he vencida. des em mesa.


A mentira naõ tem pejo. Quem entra em casa feita, ou se assenta erm
De longas vias , longas mentiras. mesa posta , naó sabe o que custa.
Mentiras de caçadores saõ as maiores. Chamar a hum debaixo da mesa (At quando \
Huma mentira acarreta outra. naõ vindo a horas de comer , lhe comem a
Huma mentira descobre outra. sua raçaO )
.

Curtas tem as pernas a mentira , e apanha- A tua mesa , nem á alheia , naó te assen-
f

se asinha. tes com a bexiga cheia.


Q«sem folga de ouvir mentiras , estuda-as Mesquinha r e Mesquinho.
para dizt-las. A mulher mesquinha de traz do lar acha a
A verdade he clara , a mentira he sombra. espinha.
Naõ ha saber , que baste , para contrafazer Pelo marido Rainha , e pelo marido mes-
muito tempo mentiras quinha.
O Rei deve de ser triaga contra a mentira. Neste mundo mesquinho , quan !o ha para
A v erdade dá estima , e a mentira privan- paõ , naõ ha para vinho.
O homem mesquinho depois de comer ha -

frio.
DA LÍNGUA PORTUGVEZA. 77
Se eu fora "mesquinha, naõ fora masqui- S. Miguel das uvas , tardt
lu ,uevcns , e pouco

nha, duras ; se duas veies vieras no anno, naô


A escudeiro mesquinho , rapaz adivinho. estivera com amo.
Saramago com toucinho, he manjar de ho- Quem se aluga pelo S. Miguel , naõ sahe
mem mesquinha fora quando quer.
H^mem provi«,\a naô vive mesquinho. S. Miguel , e S. Joaõ passado , tanto man-
Guarte de iiiao visinho , e de homem mes- da o amo como o criado.
quinho. Mijar.
Mestre. Mijar claro , e dar huma figa ao medico.
De bom mestre bom discípulo. Mijar claro , e dar máo grado aos mestres.
Discípulo com cuutado , e o mestre bem S. Miguel, e S. Joaõ passado, taju o man-
gago- da o amo como o criado.
Metter, Mingoa:
Metter os cães na moita , e ficar de fora. Naõ vou lá , nem faço mingoa.
Metter r palha na albarda , {enganar:') Missa.
Metter a papa na boca. Quando otossario promette ftUssas , exe->
Mette o ruim em teu palheiro , qaereri ser rapor mal anda o galeaó.
,

teu herdeiro. Nem tanto amcn , que se damna a Missa.


Naó me»tas ern^ua quem dous olhos
casa, Ouvir Missa naõ gasta tempo ; dar esmola
haja ,- senão trigo e cevada.
, naó empobrece.
Metre a maó no seio , naõ dirás do fado* a- Missa , nem cevada naõ estorva a jornada.
lheio. Missa de caçador.
Mettei-lhe o dedo na boca. Missar.
Metter , onde o naõ chamaó. Bom he missar , e a casa guardar.1
Metteo-o nas encospeas, (Jaze-lo caUar,*) Moça.
O borrrdia mette-o em tua casa. Moça virtuosa , Deos a esposa.
Entre pai , e irmaós , naÔ" metfas as maõs. Moça com velho casada , como- velha-se
Naõ mestas a maÕ no prato, onde te fiquem 1 trata.
as unhas. Nem moça'boa na praça ,* nem homem ri-
Naó mettereiíom ellepé em barca. -
co por caça.
Naõ vos mettais na eira alheia. Mais vai velha com dinheiro, que moça com
Meu* cabello.
Meu dito , meu feito. Moça em cabreiro , naõ ma louves compa-
Meu ventre cheio , se quer de feno. nheiro.
Farei primeiro aos meus , entaõ^aos fa- Moça garrida , ou bem ganhada , ou bem
lhei os perdida.
Melhor he o meu , que o nosso. Moça he Maria , quando se tosquia.
Minha casa , e meu lar , cem soldos vai \ Moça louçã , cabeça vã.
e estimou-se mal , porque mais vai. Naõ me contenta nada moça com leite r ,

Meus filhos criados , meus trabalhos dobra- nem borracha com agoa.
dos. Peior he a moça de casar , que de criar.
Meu dinheiro , teu dinheiro , vamos á ta* Vai a moça ao rio, conta o seu, e o de seir
verna. visiono.
Mez. A moça como he Criada 4 a estopa como*
Maior he o anno que o mez. he fiada.
Miguel, A moça no telhado naó anda a bom reca-'
Miguel^ Miguel , naõ tens abelhas , e vsnv do.
des mel ? A moça em se enfeitar, e a velha em be«*
ber a
gastaó todo seu haver.
-
7$ ADÁGIOS, PROVÉRBIOS
Mais puxa moça ,
que corda. O moço , e o gálio , hum só" anno.
Se a moça for louca , andem as maõs, e cal- O moço , e o amigo nem pobie , nem ,

iea boca. rico.


A' boa moça , e á má , póe-lhe almofada. Moeda,
Moça a quem sabe bem opaó , perdido he Moeda de noite passa.
falsa
o alho que lhedaó.
,
Paguei-lhe na mesma moeda.
A moça que seja boa , e o moço que tenha Moenda.
officio, naó lhes podes dar melhor be- Em Abril e Maio , moenda para todo o an-
neficio. no.
Moça de meijaõ , naõ dorme somno , nem Moinho,
seraõ. Quem tem abelha , e ovelha , e moinho,
Mocidade, entrará com elRei em desafio.
Mocidade ociosa naó faz velhice contente. Esse he meu amigo, que moe no meu moi-
Moço. nho.
O moço ataviado , mulher ao lado. Nem moinho por contínuo , nem porco
O moço por- naõ querer, e o velho por naõ por visinho
poder , deixaó as cousas perder. Dinheiro tinha o menino , quando moia o
Moço de quinze annos tem papo , e naõ moinho.
tem maós. Com agoa passada naõ moe o moinho.
Moço bem criado , nem do seu falia, nem Seja meu inimigo, venha moer a meu moi«
perguntado calla. nho.
Menino , e moço , antes manso , que for- Por de mais he a citola no moinho, quando
moso. o moleiro he surdo.
O moço de bomjuizo, quando velho, he Já que a agoa naõ vai ao moinho, vá o moi-
adivinho. nho á agoa.
Perde-se o velho por naõ poder , e o mo- Seja eu meirinho , e seja de hum moinho.

ço por naó saber. Molher. oa Mulher.


Naó ha moço doente , nem velho saò. Molher formosa , ou douda , ou presum-
O moço dormindo sara e o velho se aca- , pçosa.
ba. Molher , vento , e ventura , asinha se mu-
O morto apodrece e o moço cresce. , da.
O velho na sua terra e o moço na aldeia , Molher palreira diz de todos , e todos del-
sempre mentem de huma maneira. ia.

Cuidado anda caminho, que naó moço fral- Molher se queixa, molher se doe, mo*
dido. lher enferma , quando ella quer.
Moço de frade , mandai-o comer y e naó A molher que muito bebe , tarde paga o
que trabalhe. que deve.
Moçogoloso naó he bom para tendeiro. A molher mesquinha de traz do lar acha
A máo moço máo amo. a espinha.
A moço mal mandado, ponde a meza, man- A molher , que dá no homem , na terra
dai o com recado. do demo morre.
Manda o amo ao moço , e o moço ao gato, A molher he lobo no escolher.
e o gato ao rabo. A molher , e a gallinha , com sol recolhi-
Se moço bem mandado , comerás á meza da.
com teu amo. A molher de bondade , outrem falle , e el-
Se queres ter bom moço , antes que nasça, la calle.

o busca. A molher , que te quizer , naõ ditf o que


Máo he ter moço , mas peior he ter amo. em ti houver.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 79
A molher , de noite á candeia.
e a seda , A molher que pouco fia , sempre faz ruim
A molher ,
que se fia de homem jurar , o camisa.
que ganha he chorar. A mula , e a molher, com afagos fazem os
A molher , e o vidro, sempre estaó em mandados.
perigo. A molher , e a vinha , o homem lhe da' a-
A molher , e a cachorra , a que mais calla , legria.
he mais boa. A quem tem molher formosa ,castello em
A molher , e o vinho , tiraô* o homem d* fronteira , vinho na carreira , naó lhe
seu juizo. falta caoceira.
A molher por rica que seja , se he pedida , As molheres , onde estaõ , sobejaõ , e on-

mais deseja. de naõ estaõ , faltaõ.


A molher polida , a c^sa suja , e a porta A molher louvada naõ tem espada , e se a
varrida. tem naõ mata.
A molher que perde a vergonha, nunca a Bem toucada naó ha molher feia.
cobra. Com a molher , e dinheiro , naõ zombes
A molher janel'eira uvas de parreira.
, companheiro. -

A molher boa prata he que muito soa.


,
Cresce a molher com bom marido , como
A molher e a lima a mais lisa.
, , o ouro bem batido.
A molher e o pedrado quer-se pisado.
, , Da laranja , e da molher , o que ella dér.
A molher de escudeiro toucas alvas co- , , Da-me pesra sem manha , dar-te-hei mo-
ração negro. lher sem tachn.
A molher d'outro marido , e a burra com Da molher , e da sardinha , a mais peque-
burrinho, nunca se mette a caminho. nina.
A molher do velho reluz como espelho* Da ma molher te guarda , e da boa naõ fies
A molher casada , naõ desbarba. nada.
A molher brava , corda larga. Digna he de nome , e fama a molher ,
que
A molher do escudeiro, grande bofsa, pou- naó tem fama.
co dinheiro. Dizem em Roma , que a molher fie , e co-
A molher de Fidalgo , pouco dinheiro, ma.
grande trançado. Do mar se tira o sal , e da molher muito
A molher que cria , nem he farta, nem mal.
limpa. Em casa de mulher rica ella manda , e el-
A molher de bom recado enche a casa até o la grita.
telhado. Formosura de molher, naõ faz rico ser.
A molher mal toucada , ou he formosa , ou Grande bem me quer minha mulher , se da
mal casada. banda do punhal ha dinheiro, que lhe
A molher composta a seu mirido tiradou- dar.
tra parte. Maõ sobre maÕ, domo molher de escrivão.
A molher parida, eateaordida, nunca A molher sara , e adoece , quando quer.
lhe falta guarida. Molher muito louçã, dar-se quer á vida vã.
A molher quanto mais olha a cara , tanto Mula que faz him , e molher que falia La-
mais destroe a casa. tim , raramente ha bom fim.
A molher casada no monte he alojada. Naó he brava a molher , que cabe em casa.
A molher , e a pega , falia o que dizeis na No andar , e no- beber conhecerás a mo-
praça lher.
A molher , e a cereja , por seu mal se en- O homem na*praça , c a rrolherem casa.
feita. O homem andecoir tento t e a moinei
naõ
A molher , que naõ \4lg , naõ faz grande lhe toque o vento.
leia»
8o ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Quem quizer molher formosa , ao Sabba- M$n*.
do a escolha , naõ ao Domingo na voda. Ainda que vistais a mona de seda , mona
Nem molher de outro , nem couce de po- se queda*
tro. Monge,
Naó ha molher formosa no dia da voda, se- O habito naõ faz o monge.
não a noiva. Mcotojihez.
O que naó tem molher , cada dia a mata, O montanhez por defender.huma parvoíce,
mas quem a tem a guarda. dirá três.
Toma casa eom lar , e mulher que saiba Monte,
fiar. A' Dama do Montes Cavalleiro de Corte.
Pia de Santo André quem naõ tem porco Montes vêm , paredes ouvem.
mata a molher. )Ds homens se encontrão, e naõ os montes.
Quem naõ tem molher, muitos alhos ha Mulher casada no monte he alojada.
mister, Dos pequenos grãos se ajunta grande mon-
A molher barbada , naõ lhe dês pousada. te.
A molher , o fogo , e os marres ,. saõ ires ^MoiHuro,
males. Abaixaõ-se os muros, bvantaó-se os mon-
A molher , e a gallinha por andar seperde turos.
asinha. He fogo de monturo r ou queima sem fazer
A adem , a molher, e a cabra , he má cou- lavareda.
sa sendo magra. A' porta do caçador , nunca grande mon-
A molher andeira diz de todos , e todos di- . turo.
zem delia. ^Vlais vai magro no tear, que gordo no mon-
A molher que a dous ama , a dous engana. turo.
Siio em prosperidade , amigo em necessi- M*t<Ur,
dade , e molher rogada.casta , raramen- Morder a quem morde.
te se acha. Caõ que ladra naó morde.
Arroido , arcoido , -deo a molhes iJO.mari- Morrer,
do, Quem dá o seu antes^de morrer, apparelhe-
O homem he Fogo, e<a molher estopa, vem se a bem soffrer.
o diabo, assopra. /Tanto morre o Papa , como o que naó tem
Dor de mulher morta , *3ura.afcé á poeta. capa.
A homem ruivo , e a molher barbuda , de <Tanto morrem dos cordeiros , como dos
longe os saúda. carneiros.
A frade naõ faças cama, e a tua molher naó :
Morra Martha , morra farta.
faças ama. Morra Sansaõ a e quantos com elle saõ.
Ainda que estejas mal com tua molhe*, naõ Do mal que o homem foge , de»se morre.
he bom conselho que cortes o apparelho. Duas mortes soffre , quem por maó alheia
Se soubesse a molher a virtude da arruda ,
morre.
busca-la hia de noite á lua. Já morreo , por quem Ungiaõ.
O marido barca , e a molher arca. JMorre o boi > e a vacca , e fica odemo em
Moço ataviado , molher ao lado. casa.
Quem naõ tiver que fazer , arme navio, Norreo o nosso macho , ainda agora lhe fe-
ou tome molher. de o rabo.
Molle. Quem em cárceres vive , em cárceres quer
Ir. seu molle molle. morrer.
Molle molle , longe vai o homem. Hajamos paz , morreremos velhos,
Molle molle , se vai longe. jyiuitos morrem na guerra , maunais vai
aella.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 8t
Quem naõ vai â* guerra , naõ morre nelía. Nem boda sem canto, nem moitc sem
Mal conhecido , com seu dono morre. pranto.
Tens vontade de morrer , cea carneiro as- Morto %
sado , e deixa-te adormecer. Homem morto naõ falia.

Vive o pastor com sua rudeza , e morre o A Mouro morto ,


grã lançada.
físico , que a física reza. Dòr de mulher morta dura até á poria.
A mulher , que dá no homem , na terra do Depois de morto , nem vinha , nem hor-
demo morre. to.
Vaô* á Missa os sapateiros , rogaõ a Deos Faze-te morto , deixar-te-ha o touro.
que morraó os carniceiros. Morto o afilhado , desfeito o com pairado.
Pela boca morre o peixe , e a lebre ao den- Os mortos aos vivos abrem os o lios.
te. Que siso de alveitar mula morta manda !

Quem filhos tem-ao lado, naõ morre de en- sangrar.


fastiado. Rei morto , Rei posto.
Quem ganha sem despender, naõ lhe lem- Conta feita mula morta , cavalleko , an-
bra que ha de morrer , nem que herdei- dai a pé.
ros ha de ter. A mortos , e a idos , naõ ha amigos.
Aprender até morrer. O morto apodrece , e o moço cresce.
Morte. Mosca.
Mal prolongado morte no cabo., Em boca cerrada naõ entra mosca»
O mal largo morte no cabo.
, e a Cada mosca faz sua sombra.
Quando a creatura denta, morte attenta. Em Maio deixa a mosca o boi, e toma o as-
Nenhum dia he máo, se a morte vem a ho- no.
ras. Quem se faz mel , as moscas o comem.
Onde naó ha morte , naõ ha má sorte. Ainda que sou bem vejo a mosca.
tosca ,

Quem a morte pertendia , suspeitosa dei- Mostarda.


xa a vida. Boa mostarda he a fome.
Quem morte alheia espera , a sua lhec-he- Chcgou-lhea mostarda ao nariz.
ga. Mosto.
Agora lhe lembra a morte de Joaõ grande. Naõ he bom o mosto , colhido em Agosto.
Mudar costume , parelha da morte. O bom mosto sahe ao rosto.
Fará tudo ha remédio , senaó para a morte. Quando chover em Agosto, naõ mettas
A' morte o remédio he abrir-lhe a boca. teu dinheiro em mosto.
Naõ ha morte sem achaque. Se quueres ser bem disposto, bebe vinho,
Na morte ninguém fiupe , nem he pobre. e naõ já mosto.
A' morte naó ha c«s| forte. Agoa de Agosto , açafrão 3 mel , e mosto.
A morte que der a ventura , essa se soffra. Movediça,
A moite com honra desassombra. Pedra movediça nunca cria bolor.
,

Aos olhos tem a morte 5 quem no cavallo Mouro.


passa a ponte. Naõ ha melhor adail para desmandados
Quem do seu se desapossa antes da morte , que os mesmos 'Mouros.
dêm-lho com hum maço na font-e. Quem poupa seu Mouro, poupa seu ou-
Quem morte alheia espera , longa soga ti- ro.
ra. Vinho , nem Mouro , naõ he thesouio.
Até á morte , pé forte. A Mouro morto , grã lançada.
Contra a morte naõ ha remédio. Nunca de bom Mouro bom Christaõ.
Longa corda tira , quem por morte alheia E-m casa de Mouro naó falles algaravia,
suspira. Servir como hum Mouro.
L
Si ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C«
Mouta. Muitas vezes á cadeia he sinal de forca.
Mettes os cães na mouta, e arredas-te fora. Muitos concertadores desconcertaõ a noi«
Metteo os cães na mouta , e afasiou-se fo- va
ra. Muito fallar , muito errar.
Mudar. Muitos faliaõ , e exhortaõ , poucos obrao.
Quem se muda, Deos ajuda. Muitos dizem mal da guerra , e naó deixaó
Muda- te , mudar-se-te-ha a fortuna. de ir a ella.
Mu.lado o tempo, mudado o conselho» Muito vai de alhos a bugalhos.
JVludar costume , parelha da morte. Muito vai em dar couce em ventre de dona*
Mudar fato , e cabana. Muitos dizem mal da guerra, mas mais
O lobo
muda o pello , mas naõ o vezo. vaó a ei!a.

Quem muda os fitos , com mal anda. Quem muito pede , e muito bebe , a si

Muito , c Muita. daima^ e a outro fede.


Po pouco pouco , e do muito muito. Quem muito falia , e pouco entende , por
De muitos poucos se faz hum muito. ruim sé vende.
Nem muito ao mar , nem muito a terra. Muitos cães entraó no moinho , mal pelo
Vai muito de humacou*a a outra. que achaó dentro.
Muito vai de Pedro a Pedro. Muito prometter he espécie de negar.
Muitos Pedreannes ha na terra* Muitos vaó ao mercado, cada hum com seu
Muitas mãos e poucos cabe! los , asinha os fado.
depennaó. Quem muito dorme , pouco aprende.
Muito pede o sandeu, mas mais o he quem O muito he muito.
lhe da o seu. Muito vai, e pouco custa, a máo fallar boa
Muitos alhos em hum gral , mal se pisaó. repoua.
Muitas maçarocas fazem a tea, que naó nu- Fazeis muito por valer pouco.
ma cheia* He necessário poder muito, para honrar
O muito se gasta , e o pouco abasta. pouco e basta poder pouco, para affron-
Pouco , e em paz , muito se me faz* tar muito.
Do pouco pouco , e do muito nada. Dous muitos , e dous poucos fazem hum*
Muito fallar , pouco saber. pessoa cedo rica.
Muito prometter he sinal de pouco dar. Muita cobiça , e muita diligencia , pouca
Muito pôde o gallo no seu- poleiro. vergonha , e pouca consciência.
Muita palha , e pouco graó. Muito come o tolo, mas mais tolo he quem
Muito paó tem Castella , mas quem o naõ lho dá.
tem lazera. Muh.
Muito trigo tem meu pai em hum cântaro» Mula nvfina , ou m á , ou fina.
Muito paó , e má colheita. . Mulo, ou mula, asno, ou burra , rocim
O paõ puxa que naõ ha herva muita.
,
nunca.
Quem muitas estacas mette , alguma lhe A mula velha , cabeçadas novas.
prende. A mola com afago , o cavallo com castigo.
Muitos amigos em geral , e hum em espe- A mula com matadura , nem cevada , nem
cial. ferradura
Muitos saõ os amigos, poucos os escolhi- Caminho largo , ou mula , ou mulato.

dos Conta feita, mula morta, cavalleiro cm


Muito fol^a o lobo com o couce da ovelha. pé.
Muito sabe o rato ; mas mais <abe o gato. Naó compres mula manca, cuidando que
Muito sahe a raposa ; mas mais sabe quem lia de *arar ; nem cases com mulher má,

a toma* cuidando que se ha de emendar.


DA LÍNGUA PORTVGVEZA. 83
O filho bastardo?, c a mula cada dia faz nu- Quem sempre se recata, nunca acaba prda.
ma. Com ouro ou prata bisnaga ou
, , , nada.
Que sisodealveitar ! mula morta manda De má mulher te guarda, e da boa naõ fies

sangrar. nada.
A mula , e a mulher , com afagos fazem os Melhor he palha ,
que nada.
mandados. Do bom tudo , e do ruim nada.
Mula que faz him , e mulher que falia La- Nadar.
tim , raramente ha bom fim. Nadar sem bexiga.
Muro. Quem em mais alto nada, mais presto se
Dnro com duro naõ faz bom muro. afoga.
Abaixaó-se os muros , levantaõ-se os mon- Sobre peras vinho bebas , e seja tanto, que
turos. nadem ellas.
Musgo. Encommendar a Deos , botar a nadar.
Pedra movediça , naõ cria musgo. Em Portugal entra a fome nadando , ( at
grandes chuvas saó cousa da esterilidade dê
terra. )
Nadar, ir morrer abeira.
e nadar,
Nabal , e Nabo. Namorados.
Sol na eira , chuva no nabal. Arrufos de namorados saó amores dobra-
Comprar nabos em sacco. dos.
O nabo, e o peixe, debaixo da geada cres- Nâo*
ce. Carrega a náo ttazeira , andará a vela dian-
O Fidalgo , e Nabo , ralo. teira.
Tudo vem a seu tempo, e os nabos no Ad-
Natal.
vento. Por Natal ao jogo , e por Páscoa ao fogo.
Caldo de nabos, nem o queiras, nem o dés Do Natal a Santa Luzia, cresce hum palmo
a teus criados. o dia.
Nada. Do d ia de Santa Cathari na ao Natal mez igual?
Nada duvida , quem naõ «sabe. O
Natal ao soalhar ; e a Páscoa ao lar.
Nada tem, quem se naõ contenta com o Natal na praça , e Páscoa em casa.
que tem. Navio.
Naõ tem nada , quem nada lhe basta, Quem naõ tiver que fazer, arme navio, ou
O nada , faze- lo em casa. tome mulher.
Tudo naia entre dous prato*. Necessidade*
Tudo he na la , senaó trigo , e cevada. A necessidade naõ tem lei.
Nada lhe encapa. A necessidade he mestra.
Nada lie bim para os olhos. Fazer da necessidade virtude.
Naõ he nada ,
se naõ queimarão a meu ma- Ne cio , ou Néscio,
rido. Mais vai necio , que porfiado.
Naõ he nada , que de fumo chora. Mudança de tempos , bordaõ de necios.
Naõ fio nada ate amanhã. Dá hum homem necio ás vezes bom conse-
O que me deves , me paga , qut o que te lho.
devo \ naõ he nada. Quem pergunta naõ erra , se a pergunta
Fazenda esfarrapada vai pouco , ou nada. naõ he necia.
Casa de terra , cavaJlo de hervâ , amigo de Vé hum dia do discreto , e naõ toda a vida
palavratudohe nada.
, do necio.
Manda o sábio com embaixada, e naõ lhe A pega no souto , naõ a tomará o necio ,
digas nada. nem o doudo.
L a
84 ADAGTOS, PROVÉRBIOS, &C,
Mais vai hum dia cie discreto, que cento do Nem compres de regateir a , nem te descui-
necio. des erri meza.
Necio lie quem cuida, que outro-naó cui- Nem atodos dar , nem com todos porfia*..
da. Nem carvão , nem lenha compres quan- ,
Na barba do necio aprendemtodos a rapar. do :ea.
IV cgflr. Nem no inverno sem capa , nem no veraõ
Tarde dar , e negar , èstaó a par. sem cabaça».
Negros, Nem em tua casa galgo ,
nem a' tua porta
Ainda que negros ,
gente somos , calma fidalgo.
te nos. Nem te abaixes por pobreza , nem. te ale-
Jurado tem as agoas , das negras naõ faze- vantes por riqueza.
rem alvas. Nem tanto ao mar , nem tanto á terra.
Negro he o carvoeiro , branco he o seu di- Nem em mar tratar , nem em muitos fiar.
nheiro. Nem bebas da lagoa, nem comas mais qu«
Negra gallinha , e negro carneiro. huma azeitona.
Negra he a çea em casa alheia. Nem moinho por cont/nuo , nem porco
por visinho.
Nem compreis malhada, nem vinha desam- Nem todos osxjue vaõ á.gucrra saõ solda-
parada. dos.
Nem vinha em baixo , nem trigo em casca- Nem moça boa na praça , nem homem ri-
lho. co, por caça.
Nem herva no trigo, nem suspeita no ami- Nem ruim letrado, nem ruim fidalgo, nem
go- ruim galgo.
Nem de cada malha peixe, nem de cada ma- Nem. rio sem vao , nem geração sem máó*
ta feixe. Nem tanto Amen ,
que se damne a Missa.
Nem em Agosto caminhar , nem em De- Nem com cada mal ao medico , nem com
zembro marear. cada trampa ao letrado.
Nem por coima de figos á cadeia. Nem comas cru nem andes com pé nú.
,

Nem o moço por ranhoso , nem o pobre Nem pernada de potro , nem resgadura de
por sarnoso. hum com outro.
Nem taó velha ,
que caia , nem taõ moça Nem te fies em villaó 3 nem bebas agoa de
que salte. charqueiraó.
Nem de menina te ajuda, nem te cases Nem dona sem escudeiro , nem fogo sem
com viuva. trasfogueiro.
Nem mulher de outro , nem couce de po- Nem .estopa com tições , nem o rouxinol
tro. decantar, nem a mulher de fallar.
Nem voda sem canto, nem morte sem Nem taõ formosa a que mate , nem taõ fea,
pranto. que espante.
Nem com toda a fome á arca , nem com to- Nem o oíficial novo , nem o barbeiro ve-
da a sede ao cântaro. lho.
Nem meia que bula , nem pedra na servi- Nem sapateiro sem dentes , nem escudei-
Iha. ro sem parentes.
Nem meza sem paõ, nem exercito sem Ca^ Nem barbe iro mudo nem cantor surdo. ,

pitaõ. Nem com homem zombador brigues nem ,

Nem comer muito queijo, nem do moço com teu maior.


esperes conselho. Nem digat , desta agoa naõ beberei , nem
Nem te direi que te vis , mas far-te-hei o* deste paõ naõ comerei.
b/aspara isso. Nem ante Rei armado , nem ante Povo
alvoroçado.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 85
Nem de todo o pao se faz mercúrio. Ninguém se metta no que naõ sabe.
Nem todos tem as mesmas partes. Ninguém vê o argueiro no seu olho.
Nem por muito madrugar amanhece mais Ninguém pôde servir a dous senhores.
cedo. Ninguém se contenta com sua »órte.
Nem cada dia rabo de sardinha. Ninguém he bom senhor , se naõ foi bom
Nem preso nem cativo tem amijjo.
, servidor.
Nem as donas em sobrado nem as rás em Ninguém he bom
, fuiz em causa própria.
charco, nem as agulhas em sacco podem Ninguém diga , desta agoa naó beberei , ou
estar sem deitar a cabeça fora. deste paó naõ comerei.
Nem sempre o diabo está atraz da porta. Ninha.
Nem sempre o homem está de lua ou de De máo ninho naõ crieis , o passarinho.
vez. Ao pequeno passarinho , pequeno ninho.
Nemtaô bom , .que o papem a? moscas. Bem estavas em teu ninho, passarinho pin-
Nem tanto , nem taó pouco. to.
Nem. tanto puxar , que se quebre a corda. Aquella ave he má , que em seu ninho su-
Nem todo o mato he ouregaos.
Nem tudo o que he verdade , se diz. Em lugar realengo faie teu assento , c em
Nem zombando , nem de veras , com te» terra de senhorio naó faças teu ninho.
amo jogues as peras. Por máo vivinho naó desfaças teu ninho.
Nem tudo o que luz he ouro. Ninho feit-o pega morta.
Nenhum. Naó sahir do ninho.
Hum nenhum , tudo he hum.
, e Quem tem bom ninho , naó mude jazigo.
Amigo de todos , e de nenhum, tudohe Ninho de Guincho.
hum. Nobre.
Onde muitos mandão , e nenhum obede- Serve ao nobre ainda que pobre, que tem-
ce , tudo fenece, po virá que to pagará.
Obra de nenhum obra de hum* > Nódoa.
Obra do commum obra de nenhum. Em bom panno cariem as nódoas.
Neve, Noite.
Boa he a que em seu tempo vem.
neve ,
Faze da noite noite , e do dia dia , viverás
Folga obrigo debaixo da neve , como a o* em alegria.
velha debaixo da pelle. Noiva.
Por dia de S. Nicoláo a neve no chaô. Quem he inimigo da noiva, como dirá bem
Por todos os Santos , a neve nos campos. do noivo.
Neve sobre lama , agoa demanda. Naó ha mulher formosa no dia da voda, se-
Anno deneves, annodebens. não a noiva.
Anno de neves, muito paõ, e muitas cres- Quem gabará a noiva ? (diz-sc de quem locr-
centes. va a si , c coitiat próprias. )
Névoa* Nora.
Névoa em alto , agoa em baixo. Nora. rogada panei la repousada.
Ninguém. Em quanto fui sogra , nunca tive boa no-
Ninguém faz mal , que o naó venha a?a«* ra.
gar. Em quanto fui nora, nunca tive boa so-
Ninguém se metta onde o naó chamaó. gra.
Ninguém sempre acerta. Naó se lembra a sogra , que foi nora.
Ninguém venha com engano quenaõ fal- , Foi levar o amo á nora.
tará quem lhe arme o laço. Notes.
Ninguém seria vendeiro, se naó fosse o di- Dá Deos nozes a quem naó tem dentes.
nheiro.
86 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS , &C.
Nane a.
Nunca falta hum caó que vos ladre.
Nunca se matou ouriço cacheiro ás punha-
das. Obra,
Nunca de bom Mouro bom Christaõ. Obra começada meia acabada.
Nunca Deos fez , a quem desamparasse. Obra de commum , obra de nenhum.
Nunca esperes , que te faça teu amigo, O Obra de nenhum , obra de hum.
que puderes. Obra começada, naó ta veja sogra , nem
A* porta de caçador nunca grande montu- cunhada.
ro. Obra feita dinheiro espera.
Nunca bom gavião de francelho ,
que vem A boa obra se vai pedida , já vai comprada,
a' maõ. c bem vendida.
Nunca se perde o bem fazer. A metade da obra tem feito quem começa
Nunca lobo mata outro. com tempo.
Nunca mettas escaravelho por cosinhei- Se bem me quer Joaó , suas obras o diráó.
ro. As obras mostraó quem cada hum he.
Nunca boa olha com agraço. Obras saõ amores , e naõ palavras doces.
Nunca muito custou pouco. Pelas obras , e naõ peio vestido , heo ho-
Nunca ruim por compadre. mem conhecido.
Nunca de rabo de porco , bom virote. Vossas obras diráó quem vós sois.
Nunca lavei cabeça, que me naó sahisse ti- Em bons dias , boas obras.
nhosa. De bons propósitos está o inferno cheio , o
Nunca de má arvore bom fruto. Geo de boas obras.
Nunca foi bom amigo , quem por pouco De Juizes naõ me curo, que minhas obras
quebrou a amizade. me fazem seguro.
Nunca o castigo tarda , a quem o tempo a- Óculos.
visa , e naõ se guarda. Boa caixa de óculos he fulano. (Di* o vulgê
Tem ama quem nunca se esquece. de quem naõ tem préstimo. )
Huma foi a que nunca errou. Odre.
Quem huma vez furta fiel nunca. , Beijo-te bode porque has de ser odre.
,
O bem nunca enfada. Quem troca odre por odre , algum delles
Mu' )ou mula , asno , ou burra , rocjm
y
he podre.
nunca. Achaque ha no odre ,
que sabe ao pez.
A besta, que muito anda, nunca falta quem Vaza-se como odre.
a tanja. Oficial.
Quem sempre se recata , nunca acaba na- Quem he teu inimigo ? o official de teu of-
da. ficio.

De caldo requentado nunca bom bocado. Mulher de mercador, que fia, escrivão que
Comamos e bebamos , nunca mais valha-
, pergunta pelo dia , officisl que vai á ca-
mos. ( Este Adagia he para porcos , c ça , naõ ha mercê que Deos lhe faça.
homens ímpios, ) Naõ deves dar mal por mal , nem creas of-
Ida boa , tornada nunca. ficial.

Quem caminha por atalhos, nunca sahe Nem o official novo, nem o barbeiro velho.
de sobresaltos. As maõs do envoltas em sendal.
official

Castigo de velha nunca fez mossa. A fome chega á porta do official , mas na5
pôde lá entrar
Official tem officio , e cabedal.
O official tem officio , e ai.
DA LÍNGUA PORTUGTJEZA. 87
O moço official faça o que Jhe mandão, e Olho máo a quem vio ,
pegou malícia.
naó farámal. Quebrarei a mim hum olho, por quebrar-te
O bom apparelho faz o bom official. a ti outro.
Oficio. Quando o nó se faz piolho , com mal anda

Cada qual em seu orfkio. o olho.


Quem he teu inimigo ? o official de teu of- Se naõ dorme meu olho , folga meu osso»
ício. Se naó vejo pelos olhos , vejo pelos ócu-
Quem tem o^cio naó morre de fome. los. ,

pa-lhe officio ao villaó conhecc-lo


, lias. Quem quizer olho saõ ate a maõ.
Homem de teu officio teu inimigo. Os que fallaõ com olhos fechados , que*
O officio de maus naó aparta irmãos. rem vêr os outros enganados.
Offitio alheio custa dinheiro. Mais vêm dous olhos , que hum.
O officio de albardeiro, meite palha, e ti- Fui para me benzer , e quebrei hum olho.
ra dinheiro. A palha no olho alheio , e naó a trave no
Ruim he o officio, que naó dá de comer a nosso.
seu dono. O mal do olho cura-se com o cotovelo.
A teu filho bom nome , e bom officio. Naó o posso ver do< olhos.
Levando em Valhadolid a enforcar hum O cavallo engorda com o olho de seu do*
homem por ladrão cortaboha* disse hu- no.
ma velha : Coitado , naó te fora melhor Tem olhos de toupeira.
aprender hum respondeo elle Viaja
ojficio} : Ve-lo com o olho cor elo com a testa.
,

tonta, no lo tema j/o bueno^ si mt-dçxaran Onde a gallinha tem os ovos , ia se lhe vao
mar dei ? os olhos.
Olha. Paó com olhos , e queijo sem olhos , e vi-
Nunca boa olha com agraço? nho que salte nos olhos.
Olhar. Seus saó os olhos , e meus saõ os dolos.
Quem ao diante naó olha atraz fica. Aos olhos tem a morte , quem no cavallo
Quem adiante naó olha, atraz cahe, e mal- passa ponte.
a
barata. Os mortos aos vivos abretn os olho*.
Quem ao longe naõ olha , ao perto se fere. Corvos a corvos naó se tiraó os olhos.
Queres ver o por vir , olha o passado. Graça de olhos , tarde envelhece.
Se naõ olhaó a ve-la , olhaó o que leva. Os olhos , e os annos naó medem de humt
Olho. maneira
A maó na dor , e o olho no amor. Graça de olhos força a peitos livres a dar O
Nem olho em carta , nem maó em arca. coração de graça.
Alais vêm quatro olhos que dous. O ma; kjo antes com hum só olho 3 que com
Quem naó he mulher, muitos olhos ha mis- hum filho.
ter. Tenhas porcos , e naó tenhas olhos.

Na face , e nos- olhos se lé a letra do cora- Hum olho no prato , e outro no gato.
ção. Naõ ha cousa encuberta , senaó aos olhos
Quem com máo visinho ha de vizinhar , da toupeiía.
com hum olho ha de dormir , e com o Ha olhos que de arqueiros se pagaó.
nutro vigiar. Oliveira.
Olhos verdes , em poucos os veredes. Oliveira de meu avô , figueira de meu pai,»
Com o olho , e com a fé , naó zombarei. ea vinha que eu ruzer.
Ao invejoso emmagrece-lhe o rosto, e ia- Ombreiras.
cha-lhe o olho. Ca«as naprac^a, as ombreiras tem de pra-
Coutas na maó , e olho ladraõ. ta.
88 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Onças Tenhas ovelhas , e nao* tenhas orelhas.
Nesta vida os prazeres saõ por onças , e os Grande pé e grande orelha , he sinal d«
,

pezares por arrobas. grande besta.


Onde. OrtelaB , ou Hêrtclaô.
Onde entra o beber , sahe o saber. Maio ortelaõ , muita palha , e pouco paó.
Onde entra condueto, naó entra para mui- Nasce na horta , o que naõ semea o orte-
to. laõ.
Onde te querem , ahi te convidaó. Osso,
Onde o lobo acha hum cordeiro , busca A outro caó com esse o<«o.
outro. O caó no osso , a cadella no lombo.
Onde bem me vai acho -pai , , e mãi. Quem te dá hum osso , naõ te quer vêr
Onde o real se deixou achar , outro deveis morto.
hir buscar. Osso ,
que acabas de comer , naó o tornes
Onde he o gosto maior , que o proveito , a roer.
dai o trato por desfeito. Quem come a carne , roa o osso.
Onde fogo naó ha , fumo naõ se levanta. Se naó dorme meu olho , foljj^meu osso.
Onde vai mais fundo o rio , ahi faz menos Ovelha,
ruido. Ovelha de casta ,
pasce de graça, e o filho
Onde a gallinha tem os ovos , lá se lhe vaó da casa.
os olhos. Quem tem ovelhas , tem peleijas.
Onde fores tarde , naó te mostres covar- Se queres ter ovelhas , anda trazellas.
de. A mais ruim ovelha do fato.suja o tarro.
Onde naó ha morte , naó ha má sorte. Tenhas ovelhas , e naõ tenhas orelhas.
Onde força naõ ha , direito se perde. Ovelha, que berra , bocado perde.
Donde vás mal ? onde ha mais mal. Abelhas e ovelhas em suas defe/as.
,

Onde sobeja a agoa , a -saúde falta. Anno de ovelhas anno de abelhas. ,«

Onde ha bom saber, poucas vezes ha repre- Antes a lã se perca , que a ovelha.
hender. A* ovelha louçã disse a cabra, dá-mealã.
Onde ha muito riso ha pouco siso. , A ruim ovelha a lã lhe peja.
Onde Ias dan ias llevan.
, Barbas parelhas , naó guardaó ovelhas.
Onde está o gallo , naõ canta a gallinha» Cada o\ elbatrom sua parelha.
Onde naõ ha honra , naó ha deshonrat Pelle de ovelha tem a barba teza.
Onde te abrem honra te fazem.
, Ovelha farta do rabo se espanta*
,

Onde perdeste a capa , ahi a cata. Ovelha cornuda, vacca barriguda , naõ a
Onde irá o boi , que naõ are ? troques por nenhuma.
Onde ventura falta , diligencia he escusa- Em Janeiro secca a ovelha suas madeixas
da. flo fumeiro , e em Março no prado , e
Onde naõ vai dono , vai dolo. em Abril as vai ordir.
Onde muitos mandão, e nenhum obedece, Queijo de ovelhas , manteiga de vaccas , e

tudo fenece. de cabras.


leite
Orar, Mais come o boi de huma lambida , que a
Quem bem ora , por si ora. ovelha em todo o dia.
Orelhas. Quem tem ovelha , abelha e moinho en-
Fazer orelhas de mercador. trará com elRei em desafio.
A palavras loucas orelhas moucas. Abelha, e ovelha, e a penna de traz da
Torcera orelha. orelha , e parte na Igreja , desejava pa-
Suar de traz da orelha , sinal de má besta. ra o seu filho , a velha.
Vele-la gorda , e vermelha , pelo papo lhe Deos.te de ovelhas , -e filhos paraellas.
entra , que naó pela orelha.
DA LÍNGUA POUTUGUEZA, 89
Agora que tenho ovelha , e borrego, todos Arrenegodc grilhões, ainda que sejaó de ou»
me dizem , venhais embora Pedio. ro.

Folga o trigo debaixo da neve > como a o- Pr-ata he o bom fallar , ouro he o bom cal-
velha debaixo da pelle. iar.

Ot>o. Mais vai ganhar no lodo, que perder no ou-


Está cheia como hum ove. ro.
Ao frigir dos ovos o vereis. Cresce a mulher com bom marido , como
Hum ovo ha mister sal , e fogo. o ouro bem batido,
Ovo de Portugal uan ha mister sal. Sou bainha de ouro , e faca de-chumbo.
Ovo brando , comer embaraçado. Ser como sete mi! oures.
Ovo assado , meio; ovo cozido , ovo in- Ousado.
teiro ; frito , ovo e meio. Ao homem ousado, a fortuna lhe dá a maõ.
De foro nem hum ovo. Ouvir,
Naõ o hei pelo ovo , senaó pelo foro. Quem bem ouve bem responde.,

Cacarear , e naó pôr ovo, Quem escuta de si ouve.


A' gallinha aparta-lheo ninho, e pôr-te- Quem diz o que quer ouve o , que n-al
ha ovo. quer.
Deo-me Deos hum ovo , e es-se goro. Se queres ser bom Juiz , ouve o que cada
Rainha he a gallinha, que põe ovos na vin- hum diz.
dima. De glande coração he soflírer , de grande
Aqui esta' a conta dos ovos. Senhor he ouvir.
Lá vai o mal , onde comem o ovo sem sal. O bom coração soffre , o bóm siso ouve.
Nunca de corvo bom ovo. No açougue quem mal falia mal ouve. ,

Parece sahistes da casca do ovo. Manha de açougue ,


quem mal falia peor
Q.iem me dá Imui ovo, naõ me quer mor- ouve.
to.
Ouricei ***+*+S*+e+r**HH*+»+J'

Nunca se matou ouriço cacheiro ás punha-


das. Vadaro.
Ouro. De todos os Santos atd o Natal, perde a pa-
Nem tudo o que luz he ouro. deira o cabedal.
Prometter montes de ouro. Azáfama padeiras ,
que minha mãi quer
Ao inimigo que foge, fazer huma ponte de humpaó.
ouro. Paõ de padeira nem farta , nem governa.
Comprar huma cousa a pezo de ouro. Ao veraó taverneira , ao inverno padeira.
Este homem está cozido em ouro. Anno caro padeira em todo o cabo.
Ouro he o que ouro vai. Por algum a paõ de padeira.
Naõ quero fazer isto por todo o ouro do Padrinho.
mundo. Honra he sem honra alcaide de aldda, e pa-
Vai este homem o ouro que peza. drinho de boda.
De ouro , e do ferro tudo he hum pezo. Pagador.
Naó quero escudela de ouro, em que cus- Ao bom pagador naó doe o penhor.
pa sangue. O bom pagador naó arrecea pena.
Quem ara , ecria, ouro fia. O bom pagador he herdeiro no aiheio»
Naó ha cerradura , se de ouro he a gazúa. Ter fama de bom pagador.
Aonde o ouro falia tudo calia. De ruim pagador em farellos.
Conquistar com lanças de ouro. Pagar,
Quem poupa seu Mouro , poupa-seu ouro. Pagar na mesma moeda.
M
9o /DAGT0S, PROVÉRBIOS, &C.
Pagar a cea a quem nos deo de cear. Palanque,
Paga o justo pelo peccador. Ver os touros de palanque,
Pagar os altos de vasio , ( /tf diz de quem Palavras,
naó icw juiio. ) A bom entendedor poucas palavras.
Ninguém faz mal , que o naó venha a pa- A palavras loucas orelhas moucas.
gar. O boi pela ponta , e o homem pela pala-
O que me deves- me paga ,
que o que te de- vra.
vo naó he nada. As palavras mostraó quem cada hum he.
Quem o fez o pague. Palavra fora da boca, pedra fora da maó.
Aqui se pagaó elias. Palavras naó custaó dinheiro.
Pagarei pelo corpo ,. como S. Francisco. Palavras , e plumas , o vento as leva.
Pagar he desinchar. Mais apaga boa palavra ,
que caldeira de a-
P.iga o que deves , sararás do mal que tens. goa,
Quem deve , ou pague , ou rogue. Mais fere a má palavra , que espada afiada»
Quem deve a Pedro, e paga a Gaspar,, que Palavras boas saõ , se assim fosse o cora-
torne a pagar. ção.
Quem paga. o que recebeo , o que lhe fica Casa de terra , cavaMo de her.va, amigo de
he seu. palavra tudo he nada.
,

Ao arrendar cantar , e ao pagar chorar. Quaes palavras te dizem, tal coração te fa-
Quem berri paga he herdeiro no alhêo. zem.
Arde o verde pelo secco , e pagaó justos Siíraó cutiladas ; e naó más palavras.
por peccadores. Homem de boa lei tem palavra, como Rei.
De fareifarei , nunca me pagarei. A duas palavras, três porradas.
Menos se mentina , se de mentir se pagasse Debaixo de boa palavra , ahi está o engano.
sisa. Palavra, e pedrada solta , naó volta.
Andar a pago naó pago , naó he obra de fi- Palavra de Rei he escritura.
da lgo. Naó lia má palavra , se a puzerem em seu
Quem paga divida , faz cabedal.. Jugar.
Pai. Boas palavras , e máos feitos , enganaó si-
Entre pai , e irmaós.naó metias as maÓs. sudos , e néscios.
De pai sanro filho diabo. Palavras de santo , e cenhas de gato.
Hum pai para cem filhos , e naó cem filhos Naó haveria má palavra , se naó fosse mal
para hum pai. tomada.
Jfmaõ maior , pai menor. Naó ha palavra mal dita , se naó fora mal
Pai naô tiveste,, mãi naó temeste , diabo entendida.
te fizeste. Isto he outra cousa , que palavras.
Pai velho, manga rota naó he deshonra. De palavra em palavra : (de huma razaõ p*~
Quem quer que he , a seu pai' parece. ra outra. )
Qual o pai tal o filho \ qual o filho tal o Palha,
pai. Melhor he palha , que rada.
Quem te matar teu pai , naó lhe cries o fi- Maio hortelão , muita palha pouco pa^.
lho. A palha no olho alheio , e naó a rave no
Onde bem me vai , tenho pai , e mãi. nosso.
Filho és , e pai serás , assim como fizeres ,
Em anuo bom o grau he feno, e em o máo»
assim haverás. a palha he graó.
Deixemos pais e avós, e por nós outros se- Dia de S. Bernabé , se secca a palha pela
jamos hons. Pé.
O bom pai aine-se , o máo soffra-ie. ©meio de albaideiro , ruette palha , e tira
dinheiro.
DA LÍNGUA TORTUGUEZA, Ç|
Mettcr palha na albarda de alguém. Em melhor panno ha melhor engano-
Palreiro. Em bom panno cabem as nódoas.
O palreiro he vasilha sem fundo. Páo.
Ao caó, e ao palreiro , deixa-os no sen- Fallaino máo aparelhai o páo. ,

deiro. A mancebo máo , com maó , e com páo.


O palreiro agudo de seu amigo mudo.
, faz Homem grzuide , besta de ,pao.
Mulher palreira diz de todos , e todos del- Em quanto o páo vai, e vem, folgaõ as cos-
ia. tas.

Amor palreiro sempre he covarde. Azado he o páo para a colher.


Panai, Em casa de ferreiro espeto de páo.
Mandei-Ihe hum panai de palha. Po 6.
Dar o panai ao companheiro. Muito paó , e má colheita.
P, ir.de iro. Muito paó rem Castella , mns quem o naó
As maós no pandeiro, e em ai o pensamen- tem , lazera.
to. Naõ ha máo anno por muito paõ.
Nem he tudo verdadeiro , o que diz o pan- O paõ puxa , que nao a herva muita,
deiro. Outubro , Novembro , Dezembro , naõ
Panella. busques o paó no mar , mas torna a teu
Panelía de muitos , mal cozida, e bem co- celleiro , e abre teu mialheiro*
mida , ou , e peor mexida. Paó nascido , nunca perdido.
Panella que muito ferve , o sabor perde. Quem dá o paó sem castigo , naó vai ao
Panella sem sal , faze conta que naó tem Paraiso.
manjar. Melhor he hum paó com Deos, quedou»
Panella de viuva , pequena , e bem cheia. com o demo.
Costas saó que levaõ , e naõ pauellas que Paó , e vinho anda caminho , que naó mo-
quebraó. ço garrido.
A panella em soar , e o homem em fullar. Paó , e vinho , hum anno meu , outro de
Casar me quero , terei o olho da panella , meu visinho.
e assentar-me-hei primeiro. Bem sei que «ligo quando
ti
,
paõ pido.
Naó ha panella taó feia , que naó ache seu Bole com o rabo o caó naõ , por ti , senaó
cubertouro. pelo paó.
Nora f»ija la , panella repousada. Naó dê Deos mais mal
te ,
que muitos fi-
Haó ha panella sem testo. lhos e pouco paõ.
,

Patino, Naó faças do queijo barca, nem do paõ Saõ


Ao bom panno na arca lhe sahe o amo. Bartholomeu.
Mais vai palmo de panno, que pedalo de Nem meza sem paõ, nem exercito sem Ca-
burel. pitão.
Nunca se queixe do encano, quem pda O paõ pela côr , o vinho pelo sabor.
mostia compra o panno. Por carne . vinho , e paõ , deixo quantos
Panno que outrem usa , pouco dura. manjares saõ.
Remenda o panno , durar-te-ha outro an- Paõ que sobre , carne , que baste , e vinho
no. que falte.
Panno largo , e bom feitor, fazem rico ao Paó de centeio, melhor he no ventre, que
Commendador. no seio.
Quem de ruim panno, veste-se
se veste Paõ comesto , companhia desfeita.
duas vezes no anuo. Paó de visinho tira o fastio.
Corpo , corpo , que Deos dará o panno Paõ , e vinho , e parte no Paraiso.
Mostrais ourello , e fugis com o panno. Paõ alheio caro custa.
M %
r- ADÁGIOS, PK0VERBT05, &C.
Paó molle, e uvas, a? mocas põem mudas, Paõ, e queijo , meza posta he.
e ás velhas tira rugas. Paó afatiado, naô.Carta-rapaz esfaimado.
P«ó quente .
t
muita na maõ , e pouco no Quem em Maio relva , nem tem paó, nem
ventre. herva.
Paó quente , fome mette. Semea cedo , colhe tardio , colherás paõ ,
P.u> com paõ , e a serra com a maó. e vinho.
Paó jcom olhos , e ,queijo sem olhos e vi- Trigo-centeoso-, paó proveitoso.
nho que salte nos olhos. Trigo de ciziraõ ,
pequena massa , grande
Papas sem paó , abaixo se vaó. paó.
Qjem malenforna , tira os. Pães tontos. A' mingua de paõ , boas saó tortas.
Queijo, paó ,e peco, comer de Cavallei- Cada hum veja o paó , que lhe ha.de abai-»
ro. tar.
Queijo, pêra, e paõ, comer de villaõ..: Dure o que durar ,. comoeolher de paó.
Prova teu caldo, naó perderas teu paõ. Seja o mando caõ , e tenha paó.
A pouco paó i tomar primeiro. Melhor he paó duro , que figo maduro.
Po paó de meu compadre grande pedaço a Mais vai. pedaço de paó. com amor, que gal-
meu afilhado. linha com dôr.
A' criado novo, paõ , e ovo; depois de A teu filho , eateuamigo, paó, ecas»
velho paó , e demo.
,
ligo,,
Andar a paõ emprestado , fome põe». Dos cheiros o paó , e do sabor o sal.
Azáfama, padeiras., que minha mãi quet> Ainda que entres na vinha , e soltes o gi-
hum paó. bão, se naó trabalhares, naõ tedaráÕ paõ*
A paõ de quinze dias , fome de três sema-, A' fome naó ha paó duro.
nas. Por muito paõ nuiKa máo anno.
A.paóduro, dente agudo* Quem terá as maõs quedas a paõ fresca , e-
Be.n haja o paó , que presta. beringelas ?

Bom he o paóçom dous pedaços. Quem tiver muitos filhos , e pouco paõ ,
Bom he saber , que paó te ha de. manter* tqme-osda maó , e diga-íhes hunia can»-
Em casa do sisudo ». se faz o paó miúdo. çaõ.
Na casa onde naó ha paó , todos gritaó , e A terta branca naó dá bom paõ.
ninguém tem razaó. Papagaio,
Paõ de padeira > nem farta., nem gover? O papagaio trema maleitas porque lhe na5
na. daõ amêndoas confeitas.
Tampem os ameaçados comem paó. Fallacomo papagaio.
Hum dia de jejum três dias. máos para. o
, Papa»
paó. Corai papas por engordar , sahiraõ-me pot
Mal haja o ventre ,
quedopaocomido.se ceia , e por jantar.
esquece. Papas sem paó , abaixo <e vaó.
Inveja traz o paõ á limpeza ,.eo nobre a Quem come a papa reze a Patex noster. .

mais nobreza. Papos,


Bocado de niáo paó,,. naó o comas, nem o, Comer papos de Anjos. ,

dés a teu irmaó. Graó , e uraó ou bago


, , e bago , encha
O paó põe força , e naõ outra cousa» a £al linha o papo.
Paó de hoje , carne de hontem , vintio.de Comida sem caldo , papo deseccado.
outro veraó , fazem o homem saó. o Fraocez, papo molhado.
J.cin cauta
Poódallha, arca cheia , barriga vazia. Ora ha hum anno me mordeo o sapo , e a-
Tanto paó , como hum ppllegar , torna a gora me inchou o papo.
alma a seu lugar. Hum em papo, outro em sacep , e çuoia
pelo do pi ato.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA.
Gallinha naõ* põe do gallo , senaó do pa- Paredes.
po. O que maõs naó lavaõ , paredes o achaó.
Genro pelo papo me vai tangendo. Filha sé boa, mãi que aranha vai por aquel-
Em máo anuo , e em bom anno aveza teu
, la parede.
papo. Naó saõ todos homens , os que mijaó i
Moço de quinze annos tem papo, e naó tem p3rede.
maõs. Montes vem 3
paredes ouvem.
Ved» -Ia gorda , e vermelha , pelo papo lhe parentes.
entra., que naó-pela orelha.s Quem sinal tem sobre os dentes , he hon-
Par. ra de seus parentes.
Tarde dar , e negar , estaõ a par. Naó ha sapateiro sem dentes, nem escudei*
Parceiro. sem parentes.
ro
Quem achar remédio primeiro, ajude par* Emfiusade parentes, busca que merendes.
ceiro. Naõ digas mal ifeIRti , nem entre dentes,
Bácoro em celleiro , naõ quer parceiro. porque em toda a p.artetcin parente».
Luar de Janeiro naõ tem parceiro , mas Já Quando o villaó esta rico , naó tem paren-
vem o de Agosto , que lhe dá de ros'.o. te nem amigo»
Hum romeiro naó quer outro por parcei* Cento de vida , cento de renda, e cem le-
ro. goas de parentes.
Pardaes., Dôr de parente , dor de dente.
Passarinhos , e pardaes-, todos querem ser Primeiroestaó dentes , que parentes.
iguaes. Aonde ha filhos, nem parentes , nem a-
Dous pardaes em huma espiga , nunca ha niigos.
liga. Parir.
Estorninhos, e. pardaes todos somos iguaei» Fario-o pela manga da camisa.
Pardo. Éramos trinta , pario nossa avó.
Maio pardo , Junho claro. Parreira.
De -noite todos os gatos saã pardos. A mulher janelleira uvas de parreira.
Maio pardo faz o paó grado. Partilha.
Da igajlhvha a preta , da pata a parda , da Partilha de Lisboa com Almada , huma le-
mulher a sarda. va tudo , outra nada.
Parecer. Partir.
O que bemparece de vagar cresce. Partir de casa he a maior jornada.
Melhor me parece teu jarro amolgado ,
Parvo.
que.o meu saõ. A cada parvo agrada sua pousada.
Bem me parece o ladrão na forca. O parvo se he caltado , por. sábio he repu-
Dadiva jruim a seu dono parece. tado.
O mulato sempre parece asno, quer na ca> Aos parvos apparecem os santos.
beça , quer no rabo. Páscoa,
Quem mal padece , mal parece. Naó lie car*a dia Páscoa nem vindima.
Enfeitai o cepo , parecerá mancebo. Por Natal ao jogo , e por Páscoa ao fogo.
Bem parece o rego.entre mim, e meu com«* O Natal ao soalhar , e a Páscoa ao lar.
pa a beiro. Altas ou baixas , em Abril vem as Páscoas*
Quem quer que he , a. seu pai parece. Natal na praça -, e Pa«coa em ca--a.
Naõ basta ser boa , senaó parecê-lo. Por Natal sol , e po« Pastoa carvão.
A festa dure pouco , e bem pareça. - Passada.
Quem fia , etece, bem lhe parece. O nosso alcaide nunca dá passada de F«afde..-
Quem o feio ama, formoso lhe parece. O moço. preguiçoso por naõ dar huma pasr--
sada , da oito.
y4 ADÁGIOS PROVÉRBIOS, &C.
Pastado. Moeda falsa de noite passa.
O passado passado. Pasto.
Passarinho. Com todos faze pasto , e com teu amigo
Passarinho, que na agoasecria, sempre quatro.
por ella pia. Pataca,
Passarinhos , e pardaes , todos querem ser Naõ vê pataca.
iguaes. Naõ sabe pataca.
A pequeno passarinho pequeno ninho. Pato, e Pata.
De máo ninho naõ cries o passarinho. O leitaõ, e o pato docutello ao espeto.
De ruim ninho sahe bom passarinho. Da galiinha a preta , da pata a parda.
Gente do Minho veste panno de linho Vós pagareis o pato.
bebe vinho de enforcado , e come paõ Ir-se-haõ os hospedes, comeremos o pato.
de passarinho. Mais vai dous bocados de vacca , que sete
Passara , Pássaro. de pata.
A quem te der huma passara , dá-lhe sua Tenhamos a pata,entaõfallaremos nasalsa.
aza. O pato pela maõ do escasso.
O pássaro dormente , tarde entra o cevo Pátria.
no ventre. Ao bom varaõ terras alheias pátria saõ.
Bem estavas no teu ninho , pássaro pin- Pavaõ.
to. Todos tem seu pé de pavaõ.
Quem pássaro ha de tomar, naõ o ha de en- Pai.
xotar. Mais vai vacca em paz ,
que pombo em
Tal te vejas entre inimigos , como passa* guerra.
ro na maõ de meninos. Paz, e saúde , dinheiro a quem o quizer.
Vai mais hum pássaro na maõ quedousa Pouco, e em paz, muito se me faz.
voar. Hajamos paz , morreremos velhos.
Passar, Boa guerra faz boa paz.
Naõ pude passar mal , sem da fortuna me Entre guerra , e paz , quem mal sahe mal
queixar. jaz.
O que he duro de passar , he doce de lem- Naõ ha par entre gente , nem entre as tri-
brar. pas do ventre.
Elles por se vingar , passarão mal. Paz de cajado guerra he.
Tu ribeira alta vás , naõ te passarei , naõ Quem acorda o caõ dormido , vende a
me levarás. paz , e compra ruído.
Rio tortodei vezes se passa.
, Vestc-te em guerra , e arma-te em paz.
Huma má , quem quer a passa.
passada Guerra de S. Joaõ , paz de todo o anuo.
Pela ponte de madeira passa o doudo Ca- Quem nega , e depois faz ,
quer paz.
valleiro. Pé.
Por velho que seja o barco , sempre passa Naõ tem pé , e quer dar couce.
o váo. Ao pé do fétaõ naõ busques tâmaras.
Ribeiras de Portugal , poucas, emas de Barriga farta , pc dormente.
passar. Bem sabe por onde põe os pés.
Passem os potros como os outros. Cahe-lheo coração aos pés.
Naõ passes o pé alem da maõ. Sapato roto , ou saõ , melhor henopé,
Se naõ como queremos , passamos como que na n.aÕ.
podemos. Debaixo dos pés se levantaõ desastres.
Bogar ao Santo até* passar o barranco. Demandar sete pés ao carneiro.
O rio passado , o Santo naõ lembrado. Accommodar o pé ao sapato , e naõ o sa-
pato ao pé.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. p^
Lançar o pé além da maó. Mais vai pedaço de paõ com amor , que
Naó he esta bota para seu pé. gallinha com dòr.
Naõ póe pé em ramo verde. Mais vai palmo de panno ,
que pedaço de
Naõ tem pé* , nem cabeça. burel.
Os velhos aiulaócom os dentes, e os man- De tal pedaço , tal retraço.
cebos com os pés. Em cada parte ha pedaço de máo caminho.
Põe seu pé seguro. pedir.
Tenho- lhe o pc no pescoço. Mais vai guardar , que pedir.
Ter a Deos por hum pé. Mais quero pedir á minha peneira hum paó
A mentira naõ tem pés apertado , que á minha visinua empres-
Naó está fora de canceira* quem os pé? mu- tado.
da para a cabeceira. Quem deo, dará , e quem pedio, pedirá.
Se queres que teu filho cresça^ lava-Ihe os Muito pede o sandeo , ma% mais o he quem
pés , e rapa-lhe a cabeça. lue dá o seu.
Até morte , pc forte.
á Quem muito pede , muito fede.
Pes costumados a andar , naó podem estar Peixe de Maio , quem to pedir dá-lho.
quedos. Mais vai pemr , e mendigar , que na forca
Pés e maós caminho andaó. pernear.
Conta feita, mula morta, cavalleiro an- De mim digaó , e a mim pidaó.
dai a pé Bem sei o que digo ,
quando paó pido.
Grande pé , e grande orelha , sinal lie de Para o bom pede ; para o mao deseja.
grande besta. A mulher ,
por rica que seja , se he pedi*
A verdade naõ tem pés , e anda. da mais deseja.
Achou forma de seu pé. Pedras,
Entrar em algum lugar com pé direito. Traz apedrejado chovem pedras.
Quem naõ tem irmaõ , naó tem nem pé , Pedra movediça , naó cria bolor.
nem maó. A besta comedeira , pedras na cevadeira.
Cada carneiro por seu pé pende. Nnó ficar pedra sobre pedra.
Naó passes o pé. além da maó. Feitos de villaó , tirar pedra , e escondei
Dar ao pé , que tempo he. a maó.
Pear. Matar dous pássaros com huma pedra.
Quem sua burra mal pea , nunca a veja. De lá. nos venhaó as pedras, donde estaõ os
Peccado. nossos.
Melhor he dívida.nova, que peccado ve- Quem se cala y e pedras apanha , tempo
lho. vem que derrama.as
Quem arreda o azo, arreda o peccado. Quem em pedra duas vezes tropeça , naõ
Isto foraõ meus peccados, he muito quebrar a cabeça.
Peccado confessado , he meio perdoado.. Agoa de serra , e sombra de pedra.
Pcccar. Mal sobre mal , pedra por cabeçal.
Quem mal vive, por onde pecca , por hi Pedra sobre pedra T ás vezes chega.
se castiga. Quem filhos naó tem , mais duro he que as
Na arca aberta o justo pecca.
, pedras.
Peçonha. Agoa molle em pedra dura , tanto dá ate
O áspide c a vibora se emprestaó a peço- que fura.
nha. Palavra , e pedra solta , naõ volta.
Pedaços. A pedra he dura , e a gota d'sgoa he miú-
Bom he hum paõ com dous pedoços. da % mas cahindo de continuo, fai-ca*»
Do paõ de meu compadre grande uedaço & vadufa.
meu afilhado».
96 ADÁGIOS PROVÉRBIOS &C. ,

Frjoem Abril pedras vá ferir.


, Quem pesca hum peixe pescador he. ,

Quem em pedra pousa, em pedra se torna. O peixe e o cochino a vida em agoa e , , ,

Com assucar e com mel até pedras sa-


, a morte em vinho.
,

bem bem. O hospede e o peixe aos três dias fede. ,

Quem pedra para cima deita , cahe-Ihe na Cada , amarga o caldo.


dia peixe
cabeça. Filho de peixe naõ aprende a nadar.
Quem muitas pedras bole , em huma se fe- Ao peixe fresco , gasta-o cedo , e haven*
re. do tua filha crescido , dá-lhe marido.
pedreanes. Assim fedemos, que fára se peixe vender-
Muitos Pedreanes ha na terra. mos ?

Pedro. Depo-k do peixe ma'o he o leite.


Meu filho Pedro , antes mestre ,
que discí- Nem de cada malha peixe , nem de cada
pulo. moita feixe.
Muito vai de Pedro a Pedro. Naõ he peixe , nem carne.
Pica-me Pedro , picar-te-hei cedo. Naõ he peixe podre.
Bem está S. Pedro em Roma. De grande rio grande peixe.
Achou Pedro o seu cajado. Do peixe a pescada, eda carne a perdiz.
Mente Pedro porque o tem de
,
vero. O velho , e o peixe ao sol apparcceuu
Dia de Pedro tapa rego.
S. Estou como o peixe na agoa.
Dia de S. Pedro vc tai olivedo , e se vires Pellc.
hum bago , espera por ceiuo. Da pelle alheia grande correia.
Quem ensinou a Pedro fallar gallego ? Tratar bem da sua pelle.
Velho he Pedro para cabreiro. Naõ caber na pelle decontentamento.
Taobom he Pedro , como seu amo. Jurei-lhe pela pelle.
Are *>. Pedro ha o vinho medo. Má pelle he fulano.
Quem deve a Pedro, « paga- a Gaspar, que Peito.
torne a pagar. Ruivo de máo pello mette o demo no ca-
Com o que Pedro sara 'Sancho adoece.
, pello.
Pega. Veio a pello f ( a tempo , a propósito. )
Dizem , e diráô , que a pega naõ* he gavião. Naõ hajas medo, que prezo vai p*lo pello.
A pe?a no souto naõ a tomará o néscio, O prllo muda a raposa , mas o natural naô
nem o doudo. des poja.
Quando pegas gallinhas ,
quando gallinhas Como te fizestes calvo ? pello pelando.
pegas. peneira.
A mulher e a pega falia o que dizeis na pra- Quem naõ tem farinha , escusa peneira.
ça. Bem cego^he quem muitos ê por aio de pe-
Cuida na pega , se he branca , se
he preta. neira.
Mais quero pedira' minha peneira hum paô
1

Dá-me pega sem mancha, da-r-te-hei mu-


lher sem tacha. apertado , que á minha visinha empres-
Asno desovado de longe aventa as pegas. tado.
J3urra velhade longe aventa as pegas. Penhor.
Niuho feiro pega morta. Mais vai penhor na arca, que fiador na pra-
Ta no pica a pega na raii do trovisco, que ça.
quebra o bico. O dinheiro sobre penhor, e sobre palavra
Peixe. e tendo pela fralda.
Pela bo-a morre o peixe, e a lebre aotlente. Penhor que corre , nineuem o tome»
PHx- de MtiO quem ro pedir dá^lho.
,
A bom pagador , naõ doe o penhor.
Quaõ grande o peixe uó grande o sabor. Do bom bom penhor , e do máo nenhum
penhor , nem fiador.
DA LÍNGUA PORTUGUESA. 97
J>.enna, Teria,
Carne de penna tira do rosto a ruga. Deos te guarde de perda, e de damne, e de
Pensar. homem denodado.
De vagar pensa , e obra de pressa. La te arreda ganho , naõ me dés perda.
Ata curto , pensa largo , ferra baixo, tera's PcrdíiÕ.
cavallo. Quem engana ao ladraõ , cem dias merece
Penso. de perdaó.
O melhor penso do cavallo , he o penso de Perder.
seu amo. Perdes o feitio.
Pentelar. Mais vai perder , que mais perder.
Tal grado haja quem o asno penteia. Naó percas o siso pelo doudo de teu visi-
Pepino. nho.
De pequenino se torce o pepino. Onde perdeste a capa ahi a cata.
Pequeno. Aquelle perde venda, que naó tem que ven-
Se o grande fosse valente , e-o pequeno pa- da.
ciente , e o ruivo leal , todo o mundo Quem se anoja na voda , perde-a toda.
seria igual. Onde força naõ ha , direito se perde.
Peq-ueno machado derruba grande soverei- De cessano a cossario naõ Ee perdem mais
ro. que os barris.
De pequena bostella se levanta grande ma- As graças perde , quem se detém no que
zela. promette.
De pequenos grãos se ajunta grande m»n- Em tempo , o perder he ganhar.
e lugar
te. Quem dá , e sempre naó da , tanto perde
De pequeno verás que boi tenís. ,
quanto dá.
De pequenino se torce o pepino. Antes a lã se perca, que a
ovelha.
Pequenas rachas accendem o fogo, eos ma- Perca se tudo , e fique a bor. fama.
deiros grossos o sustentaó. O que perde Christo , ganha o fisco.
Pequeno machado parte grande carvalho. O bem naó se conhece , senaó depois que
Grande esforço em pequeno corpo. se perde.
Peras. Perdendo tempo , naó se ganha dinheiro.
Sobre peras vinho bebas , e seja tanto, que Quem da carne alheia ha de comer , da sua
nadem ellas. ha de perder.
A mulher , e a pêra , a que calla , he boa Quem todo lo quiere , todo lo pierde.
Anno de beberas , nem de peras , nunca o KtçaÓ de Faço ,
quem a perde , naó ha
vejas. grado.
Alsuma hora minha pereira terá peras. Da maó boca se perde a sopa.
á
Aqui tendes para peras. O que perde o mez , naõ perde o anno.
Ora pela pêra ora pela macÍ3 , minha fi-
, De manhã em manhã perde o carneiro a la.
lha nunca he sáa Por hiiiTi cravo se perde hum cavallo , por
Com teu amo naó jogues as peras. hum cavallo hum cavalleiío, por hum
Quem da maó a pêra , comer quer del- cavaJleíro hum exercito.
ia. Por temor naõ percas honor.
Vinho de peras naõ o bebas. Pelos máos perdem os bons.
Quem naõ quer dar das suas peras, naõ es- Da nó nau perderas ponto.
,

pere das alheias. No forno se ganha o paó , no forno se per-


Naõ dês peras em Janeiro. de.
Agoa ao figo , e á pêra vinho. Quem hum sabor quer , outro ha de per-
Algum dia a minha pereira terá peras. der.
N
98 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C,
N<> jogo se perde o amigo , e se ganha o Perdoar.
inimigo. Perdoar ao miohe dizer-lhe que o seja.
,

Em morrer o asno , naõ perde o lobo. Ao que erra perdoa-! he huma vez , e naõ
Quem faz bem
ao astroso , naó perde par- três.
te senaó todo. Perdoo-te o mal , que me fazes ,
pelo bem
Quem se nau aventurou, naõ perdeo, nem que me sabe«.
ganhou. Nafí perdoa o vulgo tacha de ninguém.
Mais va! perder-seo homem, que o nome, Perecer.
se elJe he bom. O amor de Deos vence, todo o ai perece.

Quem muito dorme, o seu com o alheio per- Pergunta.


de. A apressadi pergunta , vagarosa resposta.
Para o mal somos taõ vivos, que perdemos A pergunta astuta , resposta aguda.
por carta de mais , e no bem somos taõ Perguntar.
simplices , que perdemos por carta de Quem pergunta , vai a Roma.
menos, e finalmente tudo he perder. . Quem pergunta quer saber.
Ovelha que berra , bocado que perde. Erro he igual naõ sabendo responder , e sa-
perdido. bendo perguntar.
A moça a quem sabe bem o paõ ,
perdido Naõ falles sem ser perguntado ,. e sera's es-
he o alho y
que lhe daõ. timado.
Moça garrida , ou bem ganhada, ou bem Moço bem criado nem de seu falia , nem
,

perdida. perguntado calb.


Ao perdido, perder-lhe o sentido: Anilava na egoa , e perguntava por ella.
Perdiz he perdida, se quente naó he comi- Quando entrares na vil la , pergunta pri-
da. meiro pela mãi , que pela filha.
Paõ nascido , nunca perdido. Perigo.
Perdido heo gado , onde naó hacaô ,
que Zombaria de siso , mette os homens em
Jadre. perigo.
Bem perdido, he conhecido. Ao perigo com tento, e ao remédio com
Perdido he quem traz perdido anda. tempo.
Per diga*. He bemaventurado quem nos perigos a-
Perdição gordo , passara maçra. Iheios se faz precatado.
Perdigão perdeo a penna , naó ha mal que Dobrado he o perigo , quem foge ao inimi-
lhe naõ venha. go.
Perdigueira Espada na maõ do sandeo perigo de quem
Em Janeiro nem galgo lebreiro , nem açor lha deo.
perdigueiro. Quem por cobiça veio a ser rico, corre mais
Perdiz. perigo.
Perdiz he perdida, se quente naó he comi- Arrenego do amigo , que cobre o perigo.
da. A mulher , e o vidro sempre estaó em pe-
Perdiz derreada perdigotinhos guarda. rigo.
Do peixe a pescada , e da carne a per- Pernas.
diz. As tripas estejaó cheias ,
que dias levaõ as
A perdiz com a maõ no nariz. pernas.
Naó ha carne perdida senaó lebre assada , e Do capaó a perna , da gallinha a H'ella.
perdiz cozida. Curtas tem as pernas a mentira, e alcança-
Fevereiro couveiro, faz a perdiz ao poleiro; se asinha.
Março três , ou quatro ; Abril cheio está A quem dá o capaó , dá-lhe a perna.
o covil; Maio pio , pio pelo mato. Cada hum estenda a perna até onde tem s

cuberta.
Nas más pernas 5
nascem
DA LÍNGUA PORTUGUEZA.
as frieiras. Pintar como querer.
w
Perro. Naó he o diabo taó feio, ou na5 he taó bra-
Perro lavrador , nunca bom caçador. vo o leaõ , como o pintaõ.
A perro velho naó digas Bux. , Bui. Pintura.
O perro com raiva a seu amo morde. A pintura , e a peleija de longe se veja.
A outro perro com esse osso. Piolho.
Perro velho naó aprende língua. Quando o nó se faz piolho , com ma! anda
O perro cio hortelão naó come as versas ,
o olho.
nem a outrem as deixa comer. Pipa.
Perseverança, Vindima molhada ,
pipa asinha despejada.
A perseverança tudo alcança. Pisar.
Pescada. Muitos alhos em hum gral mal se praõ.
A pescada de Janeiro vai carneiro. Pleito.
Pescado. Quem máo pleito tem a vozes o defende.
Todo o pescado he f(eima , e todo o jogo Pobre,
postema. A rir-» naõ deva*, ea pobre naõ promera\
Pescador. Ao pobre, e ao nogal , todos ihe fazem
O cevo he o que engana , que naó o pesca- mal.
dor , que tem a cana. Ao pobre naõ he proveitoso acompanhar
Pescador de cana mais come do que ganha ; com o poderoso.
mas quando a dita corre, mais ganha do Assaz he pobre, e delgado, quem conta
que come. seu gado.
Pescar. A vergonha no pobre , fa-lo mais pobre.
Quem quer pescar ha-se-de molhar.
, Da-mo pobre, dar-to hei aborrecido.
Quem pesca hum peixe pescador he.,
De traz da porta do pobre , toda a vileza se
Peso. esconde.
Ao couro, e ao queijo, comprado por peso. Na ca<;a do homem pobre , todo« p Jejaõ %
Do ouro , e do ferro , tudo he hum peso. e naó sabem de que ; e he porque naó
Pevide. tem que comer.
Viva a gallinha , e viva com a sua pevide. Naõ he pobre , senaó o que se tem por po-
Phijsico , ou Fysico. bre.
Quando os doentes bradaó , os physicos Naõ te faças pobre a quem te naõ ha da fa-
ganhaõ. zer rico.
Quando o d lente diz ai, o physico diz dai. O homem pobre a dobrado custo come.
Se tens physico teu amigo, manda-o a ca- O testamento do pobre na unha se escre-
ía de teu amigo. ve.
Vive o pastor com sua rudeza , e morre o O preguiçoso sempre he pobre.
physico , t,ue a physica reza. Serve ao uob-e amda que pobre , que tem-
Picheis. po virá , que to pagará.
Homens bons , e picheis de vinho , apazi- Homem pobre com pouco se alegra.
guai) o arroido. Ntffl he pobre o que tem pouco , senaõ o
Pimenta. quecubiça muito.
Preta hea pimenta, e vaõ porella á tenda, Mal se doe o farto, e tico do pobre famin-
e alvo he o leite, e vendem-no pela Ci- to.
dade. Se 'queres ser pobre sem o sentir , mette
A velhice da pimenta, engelhada, e negra. obre>ro , deita-te a dormir.
A pimenta aquenta. Homem pobre , ta^u de prata , caldeira de
Pinta. cobre.
Conhecer pela pinta. N a
IOO ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Homem pobre, depois de comer ha fome. Se naõ deres o que quizeres, faze o que pu-
A Quaresma, e a cadeia para pobres he fei- deres.
ta. Em casa de Gonçalo mais pôde a gallinha ,
Quem mette a Judas com as almas dos po- que o gallo.
bres ? O bom sofFre , que o máo naõ pôde.
E's pobre tenha* gosto.
, rraõ Do fogo te guardarás , do máo homem naõ

O homem pobre, e honrado, morreo tem- poderás.


po que viveo. Quem te honra mais do que soe, ou te quer
Dai-mo pobre, dar vo lo-hei lisonjeiro. enganar , ou ver se pôde.
Trcs géneros de homens se naõ soffrem no Polegar.
mundo pobre soberbo , velho na-
,
Hum só polegar tarde vai ao tear.
morado j e rico mentiroso. Tanto paõ como hum polegar, torna a al-
A homem pobre ninguém o acommetta. ma a seu lugar.
Se te dá- o pobre , he para que mais te to- Poleiro,
me. IVluito pôde o gallo no «eu poleiro;
Na boda dos pobres tudo saõ vozes. Pinto de Janeiro vai com sua mãi ao polei-
A gente pobre moeda miúda. ro.
O moço 3 e o amigo , nem
pobre , nem ri- Fevereiro recoveiro faz hir a perdiz ao po-
co. leiro , Março três ou quatro.
Na morte ninguém finge , nem he pobre. Se o villaõ soubesse o valor da gallinha em
Naõ ha casamento pobre 3 nem mortalha Janeiro , nenhuma deixaria no poleiro.
rica. Pombal.
Pobreza. Em pombal cahido por de mais he deitaf
A pobreza naõ be vergonha* trigo*
Naõ contes tua pobreza a quem te naõ ha Horta com pombal , be Paraíso terreal.
de dar de sua fazenda. Pombo.
Naõ te exaltes por riqueza,, nem te abaixes Tenho no laço pombo rrocaz..
por pobrez3i. As águias naõ produzem pombos.
Pobreza nunca em amores fez bom frito. Ponte,
Quem diz que pobreza~naõ he vileza , naõ Pela ponte de madeira passa o louco caval-
tem siso na cabeça Jeiro.
Quem pobreza tem , dos parentes he des- Todos os caminhos va« t« á ponte, quan-
j

dém. do o rio vai de monte em monte.


A'casta a pobreza lhe faz fazer vileza. Ao inimigo , que te vira a esbalda , ponte
A pobreza obriga a vilezas-. de prata.
Em desterro a pobreza dá mais tormento. Setembro ou secea as fontes ,
ou leva as

Naõ te aconselhes sobre tua riqueza com pontes.


quem está em pobreza. Aos olhos tem a morte ,
quem no cavallo
Poder. passa a ponte.
Mais faz quem quer , que quem pode. Ponto.
Nunca esperes que te faça o amigo o que tu Quem conta hum conto, sempre lhe ac
puderes. cre^centa hum ponto.
Naõ posso ter a boca cheia de agoa, e as- Naõ dá ponto sem no.
soprar o fogo. Por hum ponto perdeo Martinho a capa.

Mais pôde Deos ajudar ,


que velar , nem Porca.
madrugar Toma a cabra a silva, e a porca a pocilga
Quem quando pode , naõ quer ;
quando A porca ruiva o que taz , isso cuida.

quer , naõ pode. Aqui torce a porca o. rabo.


DA LÍNGUA PORTUGUEZA. IOI
Porco. Porta.

O peior porco cone a melhor lande. Ao bom dia abre a porta , eao mão te ap-„
Porcos com frio , e homens com vinho , parelha.
fazem grande ruído. Cerra a tua porta , e da'-me a chave, quem
Vitraó porcos do monte , lançaõ-nos da vier brade.
nossa corte. Cerra tua porta , fara's rua visinha boa.
Nem moinho por contínuo , nem porco De porta cerrada o diabo se torna.
por visiono. Nem em tua casa galgo , nem á tua porta

A Judeo , nem a porco naó metias no teu fidalgo.


horto. Naõ me apraz porta , que a mui tas chaves
Quem a porcos ha medo, asmoutaslhe faz.

roncaõ. Tudo farei, casas de dua* portas naõ guar-


Tenhas porco? , e naõ tenhas olho*. darei.
Hum sabor tem cada caça, mas o porco cen- Dõr de -mulher morta dura até á porta.
to alcança. Casas velhas portas nova":.
Nunca de rabo de porco bom virote. Hum ruim se nos vai da porta , outro
Ou magro, ou gordo, aqui está o porco to- vem , que nos consola.
do, Fechar as porta* , que soltaó os touro*.
Dia de Santo André , quem naó tem porco De traz da porta do pobre toda a vileza se
mata a mulher. esconda
Ao porco , e ao genro , mostra-lhe a casa, A essoutra porta, que esta naõ se abre.
e virá cedo. Leite sem paõ até á porta vai.
Cada porco tem seu Saõ Martinho. Fallei nomáo , olhai para a porta.
Quem porcos busca, a cada mouca- lhe gru- Portalegre.
nhem. Consciência do gato de Portalegre , que fi-
Dia de barba, semana de porco , anno de cou com o dinheiro , e tornou a pelle.
casado. Portella*
Assim se cria o horto , como o porco. Quem tem amor atraz da portella , tanto
Qjando estiveres morto , torna-te a abe- olha acé quecega.
lha , e ao porco. Porta.
Quem com farellos se mistura, porcos o Reino sem porto , eh iminc sem fogo.
comem. Ptrttigiii.
Annel de ouro em focinho de porco. Aprendi* de Portugal naõ sabe cozer, quef
Carne magra de porco gordo. cortar.
Porfiar. Potro.
Quem porfia mata a caça. Nem mulherde outro, nem couce de potro.
Porfiar , mas naõ apostar. Domar potros , porém poucos.
Mais vai néscio , que porfiado. Cavallo formo") de porro sarnoso.
Naõ fies, nem porfies, vivera's entre as O couce da -goa naó faz mal ao potro.
gentes. Nem o moco por ranhoso, nem o potro
Doudos , e porfiados fazem grandes sobra- por sarnoso.
dos. Passem os potros como os outros.
O mais ruim do lugar porfia mais por fal- Casa, vinho, e porro, faça-o outro.
iar. Ha sem vinda , como potros á feira.
Porfia mata veado, e naó besteiro cançado. Ao primeiro potro de outro , e depois de
Nem a todos dar , nem com todos porfiar, meu visinho , e depois meu , e de meu
O peso, e a medida tiraó o homem de por- amieo.
fia* Nem pernada de potro , nem rasgadura de^
hum pé com outro.
iCl ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Potro de atormentar cavalete de tratos.
, Quem faz casa na praça huns dizem que
Pouco. he alta outros que he baixa.
,

Pouco , e em paz , muito se me faz/ Mais vai penhor na arca , qne fiador na pra-
Pouco fel damna muito mel. ça.
Pouco rosalgar naõ faz mal. Nem moça boa na praça , nem homem ri*
Naó faz pouco ,
quem sua culpa lança a ou- co por caça.
tro. O homem na praça , e a mulher em casa»
Pouco e pouco
velha o copo. fia a Alcaide sem alma , ladroes na praça
Melhor he muitos poucos, que poucos mui- Quem o alheio veste , na praça o despe.
tos» Quem te naõ ama , em praça ou em jogo
O que outrem sua ,
pouco dura. te diffama.
Quem pouco tem , e isto dá , cedo se ar- Tanto vai cada hum na praça ,
quanto vai
rependerá. o que tem na caixa.
A muito entendimento fortuna pouca. Prado.
Destes , e dos ungidos escapaó poucos. Prado fazcavallo , e naó monte largo.
Pouco damno espanta , e muito amansa. Em cada prado iiuma Villa, e em cada bair-
Pouco mal e bom gemido. , ro hum a tia.
Falia pouco , e bem , ter-te-haó por al- Em Janeiro sécca a ovelha suas madeixa*
guém. no fumeiro, e em Março no prado, e em
De pouco pouco e do muito muito. , Abril as vai ordir.
De muitos poucos se faz hum muito. Quando naõ chove cm Fevereiro , nem ha
Três cousas destroem ao homem muito , bom prado , nem bem centeio.
fallar , e pouco saber ; muito gastar e De noite deita teu gado na hei va do prado*
,

pouco ter ; muito presumir , e pouco Guarda prado , c liarás gado.


valer. Pranto.
Nunca muito custou pouco. Nem boda sem canto , nem morte sem
O pouco basta, o muito se gasta, e a quem pranto.
naó tem Deos o mantém. P>ata.
Quem pouco sabe , pouco teme. A mulher boa prata he ^ que muito soa.
Povo, Deos he o que sara, e o mestre le\ a' a prata.
Também vossê he povo. Casas na praça as hombreiras tem de prata.
Poupar, Praa he o bom fallar , ouro he o bom cal-
O escravo , e a besta muar se ha de pou*- lar.

par. Homem pobre, taça de prata, caldeira de


Quem ao inimigo poupa , nas suas maõs cobre.
morre. Prato,
Pousada. Naó mettas a maó em prato , em que te fi-

Caminha pela estrada , acharás pousada. quem as unha*.


Peregrinos a muitas pousadas , e poucos Hum olho no prato , outro no gato.
amigos. Prazer.
Ao ruim falta pousada quer fora quer Naó ha prazer, que naõ enfade , e mais se
, ,
em casa se houver de balde.
Que a cera acabada e
A cada parvo agrada ma pousada* prazer de marido , ,

Praça. elle vivo.

Quem quizer caca , vá á praça. Naõ ha prazer , onde naõ ha comer.


Mais valem amigos na praça , que dinheiro Graõ prazer naõ escusa comer.
na arca Filhos doou , ou três , ha prazer ; sete , ou
De bezerros , e vaccas vaõ pelles ás praças. oito he fogo.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. I03
Prazo. Presunçosa , 9ti Presumpçosa,
O caminho naó tem orazo. Mulher formosa , ou douda , ou presunço-
Mette o touro do laço , que asinha vem o sa.

prazo. Prevenir.
Prear. Melhor prevenir , que ser prevenido.
lie

Quem seu coração quer vingar, sua casa vê Primavera.


prear. Como vires a primavera , assim pelo ai es-
Pr eÇ o, pera.
Engane-me no preço , e naó no que mer- Primeiro.
co. Quem derradeiro nasce ,
primeiro chora.
A muita conversação he causa de menos O que faz o doudo á derradeira , faz o si-
preço. sudo á primeira.
Prepàça, Vaso novo primeiro bebe que seu dono.
Preguiça , nunca fez bom feito. Entende primeiro , e falia derradeiro.
Preguiça , chave de pobreza. A hum ventureiro a filha lhe nasce primei-
Preguiça naõ lava a cabeça , e se a lava ,
ro.
naó a pentea. Primeiro estaõ os dentes que parentes.
Preguiçoso , e Preguiçosa. Primeiro que cases , vc o que fazes.
O preguiçoso sempre he pobre. Primeiro voara hum asno pura o Ceo.
O moço preguiçoso, por naó dar huma pas- Naó serás abastado , *e primeiro naó fores
sada dá oito. honrado.
Levantou-se o preguiçoso a varrera casa , Quem primeiro anda , primeiro ganha.
e pôz-lheo fogo. Quem primeiro achar remédio, ajude a par-
Em Agosto aguilhoa o preguiçoso. ceiro.
Em armo chuvoso o diligente he preguiço- Quando entrares na ViMa, pergunta pri-
so. meiro pela mãi que pela filha.
Fiandeira preguiçosa ao Domingo he agu- Naó ha tal venda , como a primeira.
çosa. De teu amigo o primeiro conselho.
Mãi aguçosa , filha preguiçosa. Quem primeiro vem , primeiro moe.
Naó sejas preguiçoso , naó serás desejoso. Quem primeiro se levanta ,
primeiro se
Prender, calça.
Piendeo-me o alcaide , soltou-me o mei- A pouco paó , tomar primeiro.
rinho. Farei primeiro bem aos meus , entaó aos
Preso , e cativo naó tem amigo. alheios.
Pressa. Em cama estreita deitar primeiro.
A mór pressa maior vagar. Principio,
Ao máo caminho dar-lhe pressa» Principio querem as cousas.
A a caminho.
pressa mette lebre Neste principio me fundo, por mais que eu
Nas maiores Deos acode
pressas faça , naõ hei de emendar o mundo.
Quem tem pressa vai por terra , que via- Ao principio , e ao fim Abril costuma ser
gens de mar naõ saó certas. ruim.
Quem tem pressa vá por terra , que por Bom principio he ametade.
mar póde-se afogar. Pródigo.
Prestes. O avaro naó tem , o pródigo naó terá.
Besteiro que mal atira, prestes tem a men- Prometter.
tira. Quem promette , deve.
Quem em mais alto nada , mais prestes se Prometter naó he dar, mas a néscios con-
afoga» tentar*
104 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Ao rico naó devas, e ao pobre naó promet- Qual he elle , tal casa mantém.
tas.
Q ua ' he o caóhe o dono.
, tal
Prometter montes de ouro. Quaes palavras te dizem , tal coração te fa«
zem.
Sempre promette em dúvida , pois ao dar Qual cabeça , tal siso.
ninguém te ajuda. Qual he Maria , tal fiiha.cria.
Ate prometter sede escaco. Qual fiamos , tal andamos.
As graças perde , quem se detém no que Qual pergunta farás tal reposta terás.
,

promette. Qual o t<tempo tal o tento. ,

Quem pés naó tem couces promette.


s iais , qual menos, toda ala he pe-
Qual mai
Quem se detém em
dar o que promette ,
los*
claro está que se arrepende. Quando*
Muito prometter he espécie de negar. Quando mingoar a Lua , naó comeces cou-
Propósitos. saalguma-
De bons propósitos está o inferno cheio , o Quando chover em Agosto , naó mtttas
Ceo de boas obras
Provar,
Naó louves até que o proves.
A quem bem nega , nunca se lhe prova.

Dia de S. Martinho prova teu vinho.


Proveito.
Honra , e proveito naó cabem em hum
sacco.
Officio de concelho , honra sem proveito.
Onde he o gosto maior que o proveito, dai
o trato por desfeito.
Carne de peito sem proveito.
Falia de lisonjeiro sempre vã , e sem pro-
veito.
Prover*
A fome alheia mefaz prover minha çea.
Pulga.
Fazer de huma pulga hum cavalleiro arma-
do.
Quem com-cães se deita, com pulgas se le-
vanta.
Fulano tem muita pulga.
Purga.
Dia de purga , dia de amargura.
Puridade.
A quem dizes tua puridade , dás tua liber-
dade.

Qual o
Qual o qual a lei , tal a
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. IO?
Quando o trigo anda pela eira, anda o paó Quando o ferro está accendido , entaó ha
pela amassadeira. de ser batido.
Quando cuidas metter o dente em seguro ,
Quando cahe a vacca , aguçar os cutellos.
toparas o duro. Qj.innt-0.

Quando o gosto he sobejo, mais custa a me- Quanto mais gea , mais aperta.
cha , que ocebo. Quanto Maio acha nado , tudo deixa espi-
Quando o cossario promette Missas , e ce- gado.
ra por mal anda o galeaó. Quanto mais te daó ,
quanto mais amigos
Quando o velho naó ouve , ou he entre
se saó.
néscios , ou em açougue. Quanto mais a vacca se ordenha , maior
Quando a creatura denta , morte attenta. tem a teta.
Quando Deos queria , ao longe cuspia ; a- Quantas vezes te ardeo a casa ? quantas ca-
gora que naõ posso , cuspo aqui logo sei filhas.
Quando o medico he piedoso , he o doen- Quanto mais rogaõ ao mim , peor.
te perigoso. Quanto se faz no villaõ, tudo he maldição.
Quando o nó se faz piolho , com mal anda Quanto mais vivemos , tanto mais sabe-
o olho. mos.
Quando os doentes bradaõ, os Fysicos ga- Quanto mais temos , mais desejamos.
nhão. Quanto faz com a cabeça desmancha com ,

Quando o diabo re2a enganar-te quer.


, o rabo.
Quando a velha tem dinheiro, naó tem car- Quanto hum mais alto sobe , maior queda
ne o carniceiro. dá
Quando entrares na Villa , pergunta pri- Quanto chupa a abelha, mel torna, e quan-
meiro pela mãi , que prií filha. to a aranha, peçonha.
Quando naó tenho vontade de fiar , deito Em quanto o amo bebe o criado espere. ,

O fuso a nadar. Em quanto vai e vem alma tem.


, ,

Quando fores ao conselho , falia do teu , Em quanto a grande se abaixa, a pequena


deixa o alheio. varre a casa.
Quando fores á casa alheia , chama de fo- Por carne , vinho , e paõ deixo quantos
ra. manjares saõ.
Quando fores bigorna , soffre ; e quando Minha filha Tareja quanto vê , tanto dese-
inaluo , malha. ja.
Quando o sandeo se perdeo , o sisudo avi- Morra Sansaõ , e quantos cm
elle saõ.
so colheo. Naõ tem homrm siso, mais que quanto
Quando o villaõ está rico , naò tem paren- querem os meninos.
te nem amigo Qttattiros.
Quando a ma ventura dorme , ninguém a Quem semea em arneiros , semeia moios ,
desperte. colhe quarteitos.
Quand te derem o porquinho , acode com
> Quartilho.
o baracinho. Naõ ha legoa pequena, nem quartilho gran-
Quando pegas, gallinhas; quando galli- de.
nhas , pegas Qtiosiquasi.
Quando vires arder as barbas de teu visi- Toda a terra he numa, e a gente quasiqua-
nho , deita as tuas em
remolho. st.
Quando o enfermo diz ai , o medico diz Quatro.
dai. Meu naõ o cercaõ quatro.
filho esforçado
,

Quando hum naõ quer, dons naõ baralhnõ. Ellesmatarão de nós quatro , e nós fuita-
Quando Peos naõ quer, Santos naõ rogaõ. mos-lhe hum sacco.
io6 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C,
Quatro bois a hum carro se bem tiraó para Queijo, pêro, e paó comer de villaó.
cima , melhor para baixo. Queijo , paó , e pêro comer de Cavalleiro.
Mjís vêm quatro olhos , que dou*. Quando fores ao mercado, paó leve, e quei-
Sc esta cotovia mato, faltaó-me três para jo pezado.
quatro. Rabãos, e queijo mantém a Corte em pezo»
Abril queijos mil, e em Maio três, ou qua- O melaó , e o queijo tomá-lo a pezo.
tro. Paó, e queijo , meza posta he.
Faze barato , venderás por quatro. Paó com olhos , e queijo sem olhos , e vi-
Bola de quatro cantos, naó chega aos páos. nho que salte nos olhos.
O escnço cuida que poupa hum , e gasta Para rábaó , e queijo naó ha mister trom-
quatro. beta.
Quebrada, O cabrito de hum mez , o queijo de três.
Campa quebrada , nunca ssra. Em Abril queijos mil , e em Maio três , ou
Quebrantar, quatro.
A reposta branda a ira quebranta. Naó comas muito queijo, nem do moço
Bom coração quebranta má vontade. esperes conselho.
Dádivas quebrantaó penhas» Ao couro, e ao queijo comprado por pezo;
Quebrar, No queijo , e pernil de toucinho conhece-
Quebrarei a mim hum olho , para quebrar rás teu amigo.
a ti outro. Queimar,
Ao máo costume quebrar-lhe a perna. Naó faz pouco, quem sua casa queima, que
Jarras quebradas , mar bonança. espanta os ratos , e aquenta-se á lenha.
Melhor he dobiar, que quebrar. A muita cera queima a Igreja.
Antes quebrar que dobrar. ,
Fazenda de sobrinho, queime-a o fogo ,
Naó quebra por delgado , senaó porgordo, ou leve-a o rio.
e mal fia. lo. Quando o carpinteiro tem madeira , que
Obreiro pago , braço quebrado. lavrar , e a mulher paó , que amassar ,
A cana fosse quebrada , e naó soada. naó lhe falta paó que comer, e lenha que
Fui para me benzer , e quebrei hum olho. queimar.
Perda de marido, perda de alguidar , hum Em Março queima a velha o maço.
quebrado , outro no poial. Da mata sajie quem a queima.
Queda, De huma faisca se queima huma Villa.
A carga bem se leva , a sobrecarga causa a Qlieite,
queda. Malhar no ferro , em quanto está quente.
Andando ganha a azenha , que naó estando Naó se fdrá , se naó se malhar no ferro %
queda. quando está quente.
Em quanto tem saúde, quedos estaó os Anda o negocio quente.
Santos. Ter as costas quentes em alguém.
Ca^ar casar , e quedo governo. Dia de Saó Vicente , toda a agoa he quen*
Na almoeda tem a bolsa queda. te.
Pés costumados a andar , naó podem que- Ande eu quente , ria-se a g^nte.
dos estar. Paó quente , muito na maõ , pouco no
Qualquer ramo em Janeiro , torcido está ventre.
quedo. Paó quente fome mette.
Queijo, Perdiz he perdida ., se quente naó he comi-
O queijo do Alemtejo , o vinho de Lame- da.
go» Hum dia frio e outro quente
, , logo o ho-
Queijo de ovelhas , manteiga de vaccas , e mem he doente.
leite de cabras. ,
DA LÍNGUA rORTUGUEZÀ. 107
Come caldo , vive em alto , anda quente, Se naõ deres o que quizeres, faze o que pu-
viverás largamente. deres.
O caldo em quente , a injúria em frio. Mulher se queixa , mulher se doe - mulher
Querer , enferma , quando ella quer.
Querei-me pelo que vos quero , naõ me Mulher sara e adoece quando quer.
,

falíeis em dinheiro. Tal virá que tal queira.


,

Quem tudo o quer tudo o perde. , Rei vai aonde pôde , e naõ aonde quer.
Quem bem quer de longe vê. , A quem mal queiras , hum rocim lhe vejas,
Fintar como querer. e a quem mais mal 9 hum par.
Quem me quer bem , diz-me o que sabe , A mulher que te quizer , naõ dirá o que em
e dá-me o que tem. ti houver.
Quem quer mais que bem , a mal vem. Cobra boa fama , faze o que quizeres.
Queres que te siga o caõ , dá-lhe paó. Em tal signo nasci , que mci«- quero paia
Quem te dá hum osse, naõ te quer ver mor» mim ,
que para ti.

to. Quando Deos naõ quer , Santos naõ rogaõ.


Elle o quiz. O que deve , naõ repousa como quer
Quem dá maõ a' pêra , comer quer delia. Quem faz o que quer , naõ luz o que deve.
Se bem me quer Joaò , suas obras o diráõ. Se queres , que faça por ti , faze por mim.
Deita-te a enfermar , saberás quem te quer Naõ o quero , naõ o quero , deita-mo nes-
bem , e<quem te quer mal. te capello.
Quem diz o que quer, ouve o que naõ quer. Que queira ,
que naõ queira , o asno ha de
Lá vaõ os pes , por onde quer o coração. ir á feira.
Conselho de quem bem te quer , ainda que Quintal.
te pareça mal , escreve-o. A como vai o quintal
,
que quero onça , e
Naõ ri á quem tem , senaõ quem quer bem. meia ?
Aonde te querem muito, naõ vás a miude. Arrobas naõ saõ quintaes , nem as cousas
Onde te querem , ahi te convidaõ. saó iguaes.
Prudência he naõ querer o que se naõ pô- Quinto , e Quinta,
de haver. A quinta roda ao carro , naõ faz senaõ em-
Ainda que nos naõ fal lemos, bem nos que- baraço.
remos Ao quinto dia, verás que mez terás.
Mais faz quem quer , que quem pôde.
Quem mais tem , e mais quer * com seu ****** tê /*«//////'/'/«///#////«/#« *4 ****** ******

mal morre.
Quem quer enricar emhumanno, a sei* Rãa.
mezes o enforcaõ. Ou he lobo , ou rãa , ou feixe de lenha , ou
Isto quer Martinho , sopas de vinho. armeo de lãa.
Mais queracea, que toalha secca. Rabê.
Como ciiastes tantos fi hos ? querendo O rabo he o peor de esfolar.
mais aos mais pequeninos. Manda o amo ao moqo , o moço ao gato ,
A quem Dcos quer bem , o vento lhe apa- e o gato ao rabo.
nha a lenha. Asno morto , cevada ao rabo.
A quem Deos quiz bem , no rosto lho Brincai com o asno , dar-vos-ha na barba
vem. com o rabo.
Quem bem quizer cear, a sua casa o vá bus- Ha hum armo , que morreo o asno , e ago-
car. ra Uie cheira c rabo.
Quem dinheiro tiver fará o que quizer. Fom caõ de caça até á morte dá ao rabo.
, ,

Quem quando pôde naõ quer, quando quer Da casta vem ao galgo , ter o rabo largo.
naõ pôde. O a
ioS ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
A carneiro capado naõ apalpes o rabo.
, Ranhoso.
O mulato sempre parece asno , quer oa ca- Nem o moço por ranhoso, nem o potro por
beça , quer no rabo. sarnoso.
Morreo vosso macho > inda agora lhe fede Rapar.
o rabo. Depois de capar , naõ ha que tosquiar.
De rabo de porco nunca bom virote. Na barba do néscio aprendem todos a ra-
Aqj-i inrce a porca o rabo. par.
Qiicm rabo cóíta ,
por de trai se desco- Se queres que teu filho cresça , lava lhe os
bre. pes , erapa lhe a cabeça.
Bóie com o rabo o caõ , naõ por ti , senaõ Qtitm tapa tachos, com razaõ se chama go-
pelo paõ. loso.
Ovelha farta do rabo se espanta. Rapazes.
Nem cada dia rabo de tardinha. Cuida bem no que fazes, naõ te fies em ra-
Em Março nem rabo de gato molhado. pazes.
Arrenego do cavallo , que se enfrea pelo Assim se faz do escudeiro rapaz.
rabo. A escudeiro mesquinho rapaz adivinho.
Bem sabe este onde a bugia tem o rabo. Rnpesa.
Rachas, Mal vai a raposa
,
quando anda aos griílos,
Pequenas rachas accendem o fogo, e os ma- e peor quando anda aos ovos.
,

deiros grandes osustentaõ. Muito sabe a raposa , mas mais.sabe quem


Raiiha. a toma.
Naõ ha Rainha sem sua visinha. Pela semana faz a raposa com que naõ vai
Raio. no Domingo á Mi<sa.
He raio» Riposa, que muito tarda , caça aguarda.
Disse-lhe raios. Pela semana faz a raposa, com que ao Do-
Raiva. mingo vai a Igreja.
Quem o seu caõ quer matar, raiva lhe Caldo da raposa frio , e queima.
põe nome. Quem a raposa ha de enganar, cumpre- lhe
Com raiva do amo
torna se á albarda.
, madrugar.
O caõ com raiva em
seu dono trava. Naõ cries gaiPnha, onde a raposa mora ,
Ralo. nem creias a mulher que chora.
Quem ralo semea , rala leva a pavea. Raposa dormida , naõ lhe cahe nada da bo-
O fidalgo , e o nabo ralo ca.
Rameira. Com cabeça de lobo , ganha o raposo.
Naõ ha geração sem rameira , ou ladrão. Rasto]
Quando a rameira fia , o letrado reza , e o Faz rasto , sem pôr pegada.
tescrivaó pergunta quantos saõ do mez , Rastolho.
mal vai a todos três. Quem semeia em raUolho, chora com hum
Amor de rameira, e convite de estalajadei- olho; e eu que naõ semeei , com dous
ro , naõ pode ser , que naõ custe dinhei- chorarei.
ro. Rato.
Raino. Muito sabe o rato , mas mais sabe o gato.
Naõ lhe deixaõ pôr pé em ramo verde. Rato que naó sabe mais que hum bui aco f
,

Peleijaõ os touros , mal pelos ramos. asinha he tomado.


Qualquer ramo em Janeiro , torcido está Ratos arriba, que todo o branco he farinha.
quedo. O rato depois de velho , para fazer peni-
O bom vinho naõ ha mister ramov tencia se metteo no queijo.
Ramos molhados , saõ louvados, O que ha de levar o rato , dá-o ao gato r t
tiur-te-has de cuidado.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. I09
Acolhi o rato no meu buraco. A mulher de bom recado enche a casa até

A lavrador descuidado os ratos lhe comem o telhado.


O semeado. Recniar.
Da casa da gato naõ vai o rata farto. Quem sempre se recata , nunca acaba nada.
Razão. Receber.
A razaó da liberdade. Calle o que deo , e fatie o que recebeo.
A razaó tira o medo. Quem pa^a o que recebeo , o que lhe fica
A razaó -dá- costas ao covarde. he seu.
A razaó he molde do bem. Recontros.
A razaó he prova da verdade. Recontros muitos, mas a bataJha escusada.
A razaó he dos homens. Rede.
Affeiçaõcega 1*7*4. Todos alli andáraõ as redes.
Quem tem affeiçaó naó tem inteira razaó. Refulsado.
Segue a razaó , ainda que a huns agrade , a Do sangue misturado , e do moço refalsa-
outros naó. do me livre Deo*.
Razaó quanta mais , tanto melhor. Regado,
Quem está perto da tazaó , rica. longe da Mais vai agoa do Ceo , que todo o regadt>.
culpa. Re gate ira.
Contra razaó naó ha armas, pode haver for- Naó compres de regateira , nem te descui-
ças , que he a mesma semrazaó. des em meza.
He fallar com mouco, dar razaó a quem naó
entende. Rego aberto meia gena
, he.
O que se naó faz com razaó , naó se soffre Rego vai , rego vem.
por vontade. Reij , ou Rei.
Quem naõ ouve a razaó do pobre , louva a O braço de Rey , e a lançi longe alcança.
semrazaó do poderoso. Fidalgo como eIRey , dinheiro naó tanto.
Tudo obedece á razão, senaô o desarrasoa- Rey moço Rey perigoso ; Rey morto Rey
do. posto.
Razoes apparentes destroem os Estados. Rey por natureza , Papa por ventura.
A razaó alheia deve ser adjectiva, e naó sub- Rey se nomee , quem naó teme.
sfantiva. Rogos de Rey mandados saó. £hi .
\

Muito deve doer torcedura da razaó.


a Rou-rou-, faça-se o que eIRey mandou»
Quem se naõ vence da sua razaó , naó pôde Sen e a eIRey , ou a ninguém-
julgar a alheia. Tudo he vento , se naõ ha Rey , ou Prior
O poderoso deve somente usar do poder em Convento.
da razaó. A Deos , e a eIRey naò errarei.
Onde a razaó se naó ouve , doudo he quem Quem a vacca d'elRey come magra , gorda
se naõcalla. a paga.
Real. Quereis que vos sirva , bom Rey , dai-ms
O avarento por hum real ,
perdeo cento. de que viva.
O escaco do real faz ceitil ; e o liberal de De cem em cem annos se fazem dos Reys
hum ceitil faz real. villaós , e aos cento e seis, dos vilJaõs
Realengo, Reys.
Em lugar realengo faze teu assento , e em Antes bom Rey que boa lei.
terra de Senhorin naó fa^as teu ninho. Que nohreza de Rey , que sem nos conhe-
Recado. cer , nos <auda.
Fm Maio vai e torna com recado.
, Pagn-*e o Rey da traição , mas do traidor
A moça ao telhado naó anda a bom reca» naõ.
do. Palavra de Rey he escritura.
HO ADÁGIOS, PROVER RIOS , &C.
O l\çy das abelhas naõ tem aguilhaõ. Remendar,
O Rey, que naó toma quando do , seu Quem te ensinou a remendar filhos peque-
naó ha , a vós do seu dá. nos , pouco paó para lhes dar.
Novo Rey nova lei. Fidalgo antes roto , que remendado.
Nem ante Rey armado , nem ante povo al- Remenda o teu panno, chegar te-ha ao an-
voroçado. no.
Naó digas mal d'elRey , nem entre dentes, Remexer.
porque em toda a parte tem parentes. Versas, que naó has de comer, naó as quei-
Naó tem seguro seu EstadoRey desarmado. ras remexer.
Melhor he mjgaiha de Rey , que mercê de Remplhuda.
Senhor. Barba remolhada , ineia rapada.
Máo Rey bom Rey , a toda a lei vivael* Remolho.
Rey. Quando vires arder as barbas de teu visi-
Lá vaõ leis onde querem Reys.
, nho , deita as tuas em remolho.
El Rei aonde pôde , e naò aonde quer. Rendas.
EIRei por Senhor , e naó por devedor. A teu Rei nunca offendas , nem lances em
Por teu Rey peleijaste, tua casa guardas- suas rendas.
te. Mais boa regra , que boa renda.
vai
A" voz d'elRey naó ha cousa forte» Quem tem casal de renda , semente de
A teu Rey nunca offendas , nem lances em meias, bois de aluguer, quer o que Deos
suas rendas. naó quer,
Ante elRey calla , ou cousas acceitas falia. Alchimia he provada, ter renda, e naô gas-
Ao R?i pertence usar de franqueza , pois tar nada.
tem por certo , naó cahir em pobreza. Rendeiro.
E^te he Rey , que naó conhece lei. O homem para a cova , o rendeiro para a
Em casa cada qual he Rey.
s ia cadea.
A cabo de cem annos os Reys saó villões ,
Repartir,
e a cabo de cento e seis os villões saõ O que reparte toma a melhor parte.
R ys. Repartio-se o mar , e fez- se sal.
Naó ha Rey sem privado , nem privado Repostar.
sem idolo. Por Santa Maria de Agosto repasta a vacca
O Rey he como o sol ,
que quanto vê , hum pouco.
alenta. Repicar.
Se naó chover entre Março , e Abril , ven- Viuva rica com hum olho chora , ecom
derá el Rey o carro, e o carril. outro repica.
Remar. Repousar.
Remar contra agoa ou contra a marc. , O que deve naó repousa como quer.
Remédio. Requeijão
Quem achar remédio primeiro , ajude par- Nao fartes o criado de paó , naó te pedirá
ceiro. requeijão.
Com má gente he remédio muita terra em Requentado.
meio. De amigo reconciliado , e de caldo requen-

Conselho sem remédio he corpo sem alma. tado nunca bom bocado.
Quem dos seus se aparta, do remédio se Resguardo.
alarga. Na bocca do sacco está a regra, e o resguar-
O tempo dá remédio, onde falta o conse- do.
lho. Responder.
Do rico he dar remédio , e do velho conse- Quem bem ouve , bem responde.
lho.
Como canta o Abbade ,
DA LÍNGUA PORTUGUEZA.
Em casa de mulher rica,
assim responde o ella manda,
mcila
Sancristaó. grita.
Resposta. A viuva rica , com hum olho chora e com '

A pergunta astuta resposta aguda. ,


outro repica.
A apressada pergunta vagarosa resposta. ,
A viuva rica, casada fica.
Qual pergunta farás , tal resposta terás. Naó ha casamento pobre, nem mortalha
Retalhos. rica.

He falso , como manta de retalhos. O homem rico , a fama casa seu filho.
Reter. Quem casa com mulher rica s e feia , tem
O que te naó aproveita , e naò has mister ,
ruim cama , e boa meza.
naó deves reter. Quem por cobiça veio a ser rico , corre
Naó pôde reter as agoas. mais perigo.
Retrace. Quem te fez o bico , te fez rico.
De tal pedaço , tal retraço. Aquelles saó ricos , que tem amigos.
Revelar, Panno largo , e bom feitor , fazem rico ao
A quem tudo se lhe revela*
vela ,
commendador.
Rei. Naõ te faças pobre , a quem te naó ha de
Em caminho Francez, vende-se o gato por fazer rico.

rez. O moço , e o amigo , nem pobre nem ri-


Triste rez he fulano. co.
A rez perdida em Abril cobra a vida. Quem a trinta naó tem siso , aos quarenta
Rez por réz ( ao justo. ) naó he rico.
Reza. Formosura da mulher ," naõ faz rico ser.
Quem pouco sabe , asinha o reza. O avarento rico, naó tem parente , nem
Medo ha Paio , pois reza. amigo.
Vive o pastor com sua rudeza , e morre o Máo hc o rico avarento , mas peior he o
fysico , que a fysica reza. pobre soberbo.
Rezar, Ri 'ih a o.
A velho recém casado , rezar-lhe por fina- O boi , e o leitaõ em Janeiro criaõ rinhaó.
do. Rio.
Quando o diabo reza , enganar-te quer. Em grande passar derradeiro.
rio
Fiandeira fiai manso , que me estorvafs,
,
Em rio quedo , naó mettas teu dedo.
que estou rezando. Rio torto , dez vezes se passa.
Quem mal canta bem reza. , Quando o rio naó faz ruído , ou naó leva
Quem come a papa , reze o Pater Nostcr* agoa , ou vai crescido.
Ribeira. Fazenda de sobrinho, queime-a o fogo y.
Tu, ribeira, alta vás , naó te passarei ,
ou leve-a o rio.
naõ me levarás. Oque rio achega , o rio leva.
Ric a t e Rico. Naó sou rio para naó tornar atraz.
,

A naõ devas, e a pobre naõ prometias.


rico De grande rio , grande peixe.
De rico a soberbo naõ ha palmo inteiro. Vai a moça ao rio, conta o seu , eoder
Do rico he dar remédio» e do velho conse- seu visinho.
lho. Ripa/iço.
Mais tem o rico , quando empobrece , que E's como ripanço, que só serve de huma
o pobre , quando enriquece. cousa.
Quando o villaõ está rico , naõ tem paren- Faz officio de ripanço.
te , nem amigo. Riqtteza.
Se queres ser rico , calça de vacca , e veste Naó te exaltes por riqueza , nem te abaix**
de fino. por pobreza.
HZ ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Rir. Quanto mais rogaõ ao roim ,
pecr he.
Ande eu quente , ria-«e a gente. Quem te naõ roga naõ lhe vás á boda»
,

Ri-se o diabo, quando o faminto dá ao Quem deve , ou pague , ou rogue.


farto. Vaõ á Missa os sapateiros
, rogaõ a Deos
Aprende chorando , e rirás ganhando. que morraó os carneiros.
Rir ás paredes (fora de tempo. ).~ Quando Deos naõ quer , Santos naõ rogaõ.
Rir-se ás paredes ( chularia ). Roga ao Santo , até passar o barranco.
Ri para o demónio. Melhor he comprar , que rogar.

Riso. Rogo.
Onde ha muito riso , ha pouco siso ; ou o A' cousa mal feit3 , r^go , ou peita.
muito riso he de poucosinal siso. Rogo , e direito fazem o feito.
No riso he o doudo conhecido. Rogo de grandes , mandamento he.
Roca, Rogos de Rei , mandados saó.
Mal vai á casa , onde a roca manda a espa- Roim , ou Ruim.
da. O roim cuida que he industria a maldadet
,
Naó ha casa forte , onde a roca naõ anda. Roim seja , -quem por roim se tem.
Perdi a roca, e o fuso naõ acho, três dias ha, Roim seja por quem ficar.
que lhe ando pelo rasto. Todos ao roim , e o roim a todos.
Sabbado á noite , Maria, dá-me a roca. Ao roim , roim e meio.
Roça. De roim gos^o nunca bom feito.
Anda a cabra de roça em roça , como o bo- De roim nunca bom bocado
cejo de boca em boca. Naõ ha taõ roim terra, que naõ tenha algu-
Rocim. ma virtude.
A boa maô do rocim faz cavallo , e a roim De roim pagador , em farelos.
do cavallo faz rocim. De roim panno nunca bom saio.
O rocim em Maio tornase cavallo. Quem naõ se louva , de roim se afoga.
C^uce de egoa amores para rocim. no roim , logo apparece.
Fatiais
A quem mal queiras, hum rocim lhe vejas, Hum roim com outro se quer.
e a quem mais mal hum par. Hum roim conhece outro roim.
Mulo , ou mula , asno , ou burra rocim , Hum roim se toma com outro roim.
nuoca. Quem quizer conhecer o roim , dc-lí'e cf-
Com latim, rocim 9 e florim, andarás man- ficio.
darim. De roim roim pouca he a melhoria.
a
Rodilha. De roim roim , quem acommette vence.
a
Furtar gallinha , apregoar rodilha. Dádiva de roim a seu dono p.mce.
Roedor. Mette o roim em teu palheiro , quererá
A cavallo roedor cabresto curto. ser teu herdeiro.
Roer. Gente ro m naõ ha mister chocalho.
;

Osso ,
que acabas de comer , naõ o tornes A dous roins , e dous tições , nunca bem
a roer. lhe compões.
Dizer bem por diante , e roer por de traz. Ao roim quanto mais o rogaõ , mais se es-
Rogar. tende.
A quem has de ro?;ar , naõ has de assanhar. Quem roim he em sua terra , roim he fora
Assaz caro compra , quem roga. delia.
Naõ ha cousa rogada , que naõ seja cara. Hum roim se nos vai da porta , outro vem,
Os males naó vem rogados. que nos consola.
Fazeis numa cousa , e rogais a Deos por O mais roim do lugar porfia mais no fallar.
outra. Nem roim letrado , nem roim fidalgo, nem
roim galgo.
DA LÍNGUA PÕRTUGUEZA. II3
O roim me compre o"amigo ,
que o bom Romper.
logo he vendido. Melhor he descozer que romper. ,

Por cobiça de florim naó te cases com roim. O demasiado rompe o saceo.
Nunca roim por compadre. Bem sabe o demo , cujo fragalho rompe.
Em roim gado , naó lia que escolher. Coze, que cozas , naó que rompas.
e
Roim Senhor , cria roim servidor. Roncar,
A roim ovelha do fato suja o tarro. Quem a porcos ha medo , as moutas lhe
O roim se assenta na ineza, talhada que to- roncaõ.
ma , a todos peza, Também ronca o mar , e mijo nelle.
A cada roim seu dia máo. Rosa.
Melhor he dar a roins , que pedir a bons. Junto da ortiga nasce a rosa.
De roim moça hum bolo bast3. Foi mará de rosas.
Quem dá bem vende, se naõ be roim o que Rosalgar.
recebe. Pouco rosalgar naó faz mal.
Por Abrif dorme o moço roim, e por Maio Rosnar
o moço , e o amo. Bem sabe o asno , em cuja casa rosna.
Do bom tudo , e do roim nada. Rosto.
De roim ninho sahe bom passarinho. Tem tento, quando te der no rosto o vento.
Em roim Vi lia briga cada dia. Melhor he vergonha no rosto , que magoa
Quem muito falia, e pouco entende por no coração.
roim se vende. A mais obriga hum rosto bem assombrado
Roim he a festa , que naó tem oitavas. que hum homem armado
Rala. Cuspo para o Ceo , cahe-me no rosto.
Bem sabe a rola , em que maó pousa. Luar de Janeiro naó tem parceiro , mas lá
Roma. vem o de Agosto , que lhe dá de ro>-to.
Naõ irei pela pendência a Roma. Quem naó debulha em Agosto, debulha
Aonde está o Papa , ahi'he Roma. com máo rosto.
Roma naó se fez iVhum dia. Mái , casai-me logo, que se me arruga o
Caminho de Roma, nem mula manca, nem rosto.
bolsa vasia. Besteiro torto atira aos pés , e dá no rosto.
Bem está S. Pedro em Roma. Melhor he rosto vermelho , que coração
Huma figa ha em Roma, para quem lhe daõ, negro
e naó toma. Huma maÓ lava a outra , e ambas o rosto.
Dizem em Roma ,
que a mulher fie , e co- Rosto alegre com perdaó, vingar- se he de
ma. baldaõ.
Quem tem boca vai a Roma. O bom mosto sahe ao rosto.
Romarias. Ao invejoso emmagrece-lhe o rosto , e in-
A's romarias , e ás vodas vaõ as loucas to- cha-lhe o olho.
das. A quem Deos quiz bem, no rosto Ibe vem.
De taes romarias taes perdoes. Carne de penna tira do rosto a ruga.
Romeiro. Formosa he do rosto , a que he boa de seu
Naó ha romeiro , que diga mal do seu bor- corpo.
dão : ou máo he o romeiro, que diz mal Enojar-se de outro , he ferir-se no rosto.
do seu bordão. No rosto de minha filha , vejo quando o
Bem vai ao romeiro se lhe esquece o bor- demo toma a meu genro.
dão. R#t#.
Hum romeiro naõ quer outro por parcei- Pai velho, manga rota , naó he deshorwra.
ro. Fidalgo antes roto, que remendado.
114 . ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Mái velha e camisa rota , nau deshonra Sabbado á noite , Maria , dá-me a roca.
Melhor lie roto , que alheio. Quem quizer mulher fnrmosa , ao Sabbado
A barca he rota , salve-se quem puder. a escolha , naó ao Domingo na voda.
Melhor he sapa'o roto, que pé formoso. Sabaô-
Roa , Rou. Ensaboar a cabeça do asno , perda do sa-
Rou, rou, faça-se o que eIRei mandou. bão.
Ra upa. Saber.
Naõ haja dó de quem tem muita roupa , e Quem pouco sabe , asinha reza.
má cama.
faz Cuidar naó he saber.
Bem estamos de roupa, se nos naó molhar- Erro he igual, naõ sabendo responder , e
mos. sabendo perguntar.
Dá Deos o frio conforme a roupa. Naõ he muito que percas teu direito , nad
Dá Deos a roupa , segundo he o frio. sabendo fazer teu effeito.
Roupa de Francez. Por novas naõ penareis , far-se-haó velhas,
Rouxinol. sabe-las-heis.
Nem o rouxinol de cantar , nem a mulher Bem sabe este , onde a bugh tem o rabo.
de fallar. O parvo sabe a sua custa.
Rita. Todos querem saber, mas ninguém pagar.
Dá- me ventura , e deita-me na rua, Segredos queres saber ,busca-os no pczar,
Herva crua deitá-la na rua. e no prazer.
Ruga, Mais vai saber , que haver.
Carne de perna tira do rosto a ruga. Nada duvida , quem nada sabe.
Paó molle , e uvas , ás moças põe mudas, Ninguém se metta no que naõ sabe.
e aos velhos tira as rugas. O bom saber hecallar, até o tempo de fal-
Ruge. lar.

Do ruge ruge se fazem os cascavéis. Para seu proveito cada hum sabe.
Ruído. Quanto mais vivemos, tanto mais sabe-
O bácoro , a fome , e o frio fazem grande mos.
ruido. Se queres saber quem heovillaó, mette-
Onde vai mais fundo o rio , ahi faz menos Ihe a vara na maõ.
ruido. Quem naõ sabe , pergunta.
Quem tem bom vi<inho , naó teme ruido. Sabe as pancadas ao vinte.
Ruivo. Sabem-no cães , e gatos.
Ruivo de máo pello, mette o demo no Sabe como sete pelliteiros.
capello. Sei isto , como as minhas mãos.

Se o grande fosse valente, e o pequeno pa- Naó sabe qual he sua maõ direita.
ciente , e o ruivo leal , todoo mundo Quem para si naõ sabe , naó ponha escola.
seria igual. Quem ler, lea para saber ;
quem souber ,
Falso por natura , cabello negro, e barba saiba para obrar.
ruiva. Quem naó sabe de mal naõ sabe de bem. ,

Manhã ruiva , ou vento , ou chuva. Quem naõ sabe soffrer naó sabe reger. ,

Rtis filho. Quem de trinta naó pôde, de quarenta naô


Cavallo russilbo , ou ditoso , ou mofino. sabe , e de cincoen'a naõ tem , naõ po-
de , nem sabe , nem tem.
009* 9* 00 ** ****0* ****** 0*0 00*********** 0***** ******** Muito fallar , pouco saber.
Quem sabe da luta , luta ; e quem naõ sa-
Sahbado. be da luta , labuta.
Nem Sabbado sem sol , nem moça sem a- Quem me quer bem , diz-me o que sabe ,

mor. dá-me o que tem.


DA LÍNGUA PORTUGUEZA. "S
Quem mais vive , mais sabe. Sacavem.
Grande saber he , naó fallar , e comer. Vede-la vai , vede-Ja vem , como barco
Alais se sabe por experiência , que por a- de Sacavém.
prender. Sueca.
Mais sabe o tolo no seu , que o sisudo no Honra , e proveito naõ cabem n'hum sac-
alheio. co
Onde lia bom saber ,
poucas vezes ha re- A cobiça rompe o sacco.
prehender. O sacco do genro nunca he cheio.
Ate as crianças sabem isto. Deitar em sacco roto.
Onde entra brber , sabe o saber. He sacco roto.
Se queres saber quanto vai hum cruxado , Naõ o botaste em sacco roto.
busca o emprestado. Elles matáraõ de nós quatro , e nós furta-
Ventura te dê Deos, filho, que saber pou- mos-lhe hum sacco.
co te basta. Diga minha visinha, e tenha meu sacco fa-
Pcrde-se o velho por naó poder , e o mo- rinha.
ço por naõ saber. Por S. Marcos bogas a saccos.
Quem sabe dar , sabe tomar. Quem come emprestado, come do seu sac-
El que las sabe las tanhe. co.
Bem sabe o gato , cujas barbas lambe. Hum em papo, outro em sacco , e chora
Bem sabe o demo , cujo frag.ilho rompe. pelo do prato.
O sisudo naó ata o saber á estaca. Calladocomo toucinho em sacco.
Naõ sabe o que tem. Boca do sacco , a regra , e o resguardo.
Naó sabe como governar , quem a todos Cada dia três , e quatro , chegaras ao fun-
quer contentar. do do sacco.
Naõ sabe dizer palavra. Metter tudo a sacco.
Naó sabe da Missa ametade. Saa-istaS,
O que naó sabe o que ha de saber , he bru- Dinheiros de sacristão, cantando vem, can-
to entre os homens ; o que sabe mais do tando vaó.
que ha mister , he homem entre os bru- Sahir.
tos o que sabe tudo o que pôde saber ,
; Sahi-me ao sol , disse mal ouvi peor. ,

he Deos entre os homens (Estava escri- Saio do lodo , caio no arroio.


to nas portas da Academia de Ptjtluigo- Sabem cativos ,
quando saõ vivos.
rat). O mal que da tua boca sahe , em teu seio
Sabor. cahe.
Panella que muito ferve , o sabor perde. O mao visinho vê o que entra , mas naó o
O paõ pela eór ,eo vinho pelo sabor. que sahe.
Se o villaÓ soubesse o sabor da gallinha em Sahir das conchas.
Janeiro , nenhuma deixaria no poleiro. Sabia de hum atoleiro , e metteo se neu-
Hum sabor tem cada caça , mas o porco tro.
cento alcança. Naó saias ao luar ,
que naó sabes quem te
Quem hum sabor quer , outro ha de per- quer bem , nem mal.
der. Naó sahir do caminho.
Anda a teu amo a sabor, se queres ser bom Naó da vossa esfera.
saiais fora
servidor. Entrar lambendo , e sahir mordendo.
Quaó grande o peixe , taó grande o sabor. O filho do mao , quando sahe bom , he ra-
Dos cheiros o paó , do sabor o sal. zoado.
Sabnjo, Naó cures filho alheio ,
que naó sabes qual
Ainda que teu sabujo he manso, naó o mor- sahir a.
das no beiço. P a
IIÓ ADÁGIOS, PROVÉRBIOS , &C.
Sal. Muito pede o sandeo, mas mais o he quem
O salquanto salga , tanto vai. lhe dá o seu.
Ovo de Portugal naó ha mister sal. Espada namaó do sandeo, perigo de quem
O taleigo de sal quer cabedal. lha deo.
Reparti D-se o mar , e fez-se sal. Quando o sandeo se perdeo , o sisudo avi-
Sal vertido , nunca bem colhido. so colheo.
O fidalgo , e o galgo , e o taleigo do sal , Donde o sandeo se perdeo , o bom siso a-
junto do fogo os haó de achar. viso colheo.
Dos cheiros o paó , e do sabor o sal. Quem de sandice adoece, tarde ou nunca
Hum ovo quer sal , e fogo. guarece.
Lá vai o mal , onde comem o ovo sem sal. Sanfonlnheiro»
O velho-, e o peixe a sal apparecem. > Nunca de ruim bom sanfoninheiro.
gaiteiro
Panella sem sal, faie conta que naó tem Sangrar,
ma íjar. Sangrai-o, purgai-o , e se morrer , enter-
Naó tem sal , nem onde o deitar. rai-o.
Do mar se tira o sal , e da malhei muito Que siso de alveitar ! mula morta manda-a
mal. sangrar
Naõ te has de fiar , senaó com quem co- Sangrar em saúde.
meres hum moio de sal» Sangue.
Salada* Todo o sangue he vermelho»
Salada b-^m salgada 3 pouco vinagre , bem Tem sangue no olho.
azeitada. O bom vinho faz bom sangue.
Quem sobre salada naõ bebe , naó sabe o Do sangue misturado , e do moço refalsa-
bem que perde. do me livre Deos.
Salamanca. De amigo sem sangue , guarte naô te en-
Salamanca a huns sara , a outros manca.* gane.
Salobre, Quem tem sangue , faz chouriços.
Agoa salobre he doce. Caõ que muito lambe , tira sangue.
,

Salsa. Naõ quero escudei la de ouro , em que cus-


Salsa de S. Bernardo. pa sangue.
Tenhamos a pata, entaô fallaremos na sal- A letra com sangue entra.
sa. Estar com o sangue na guelra»
Saltar. Arrenego da tigellinha de ouro, em que
Saltou a cabra na vinha, também saltará hei de cuspir sangue.
sua filha. Sanha.
Nem taó velha , que caia , nem taõ moça, Amanse sua quem por si mesmo se
sanha
,

que saite. engana.


Fwe bem á gata , salrar-te-ha na cara. Santo , Santa , e Santos.
Salva. Deixar fazer a Deos , que he Santo velho.
A verdade da boca do máo deve-se tomar O rio pa'sado , o Santo naõ lembrado.
com salva. Rogar o Santo até pasmar o barranco.
Sandeo , Sandice. Lá vem Agosto com os seus Santos ao pes-
O sandeo trata do alheio , deixando o seu. coço.
Quem pôde ser seu y em ser doutrem he Palavras de Santo , e unhas de gato.
sandeo. Quando Deos naõ quer, Santos naó rogaõ.
Quem pôde ser todo seu, emserd'outro Pelos Santos novos esquecem os velhos.
he sandeo. A bom Santo encommendaste.
Mais sabe o sandeo no seu , que o sisudo no Em quanto tem saúde , quedos estaó os
alheio. Santos.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. II7
A^ bom callar chamaõ Santo. Se queres viver saô* , faze-te velho ante

D zem os sinos de Santo Antaõ ,


que por tempo.
dar , daõ. Sapateiro , ou Çapatciro.
Sais i de«S. Beroado. Nem sapateiro sem dentes , nem escudei-
Agna de S. Joaõ , tira vinho, e naó dá ro sem parentes.
paó. Tornai- vos a vosso* mister ,
que sapatei-
Dia de Sant-Iago vai á vinha acharás bago. ro só heis de ser.

Ate' S. Pedro ha- o vinho medo. Vaó á Missa os sapateiros , rogaõ a Deos
Dia de S. Pedro tapa o rego. que morrão os carniceiros.
Dia de S Pedro vê teu ohvedo , e se vires Alfa ate mal vestido , sapateiro mal cal-
hum graõ , espera por cento. çado.
Dia de S. Mathias começaõ as enxertias. Sapato , on Ç a pato.
Dia de S Vicente toda a agoa he quente. Sapato roto , ou t saõ , melhor he no pé r
Dia de S. Bernardo secca-se a palha pelo que na maõ.
pé. Fazer o pé para o sapato.
S. Miguel das uvas- tarde vens } e pouco Naõ lhe dá pelo bico do sapato.
duras ; se duas vtzes vieras no anno , Andar com sapatos de feltro.
naó estivera com amo. Metter-se em hum sapato.
Por S. Francisco semea teu trigo , e a ve- Sapato, quanto duras? quanto me untas.
lha que o dizia semeado o tinha.
, S opa.
Por S Lucas sabem as uvas. Ora ha hum anno me mordeo o sapo , e a-
Por Santa Iria , toma o boi, e semea. gora me inchou o papo.
Por S. Simaô , e Judas colhidas saõ as u- Andar como sapo por alqueives.
vas. Sarar,
Dia de Martinho prova teu vinho.
S. Comer até adoecer 9 curar are sarar.
Por S. Martinho nem favas , nem vinho. Quem de pressa se cura tarde sarou. ,

Por S. Clemente alça a maõ da semente. Quem de doudice enferma, nunca, 0«


Fevereiro faz dia , e logo Santa Viária. tarde sarou.
Por Santa Maria vai vêr tua vinha , e taJ a Sinal mortal naõ desejar sarar.
achares, taJ a vindima. O moço dormindo sara , e o velho se aca-
For Santa Maria de Agosto , repasta a vac- ba.
ca hum pouco. Mais matou a cea , que sarou Avicena.
De dia de Santa Catharina ao Natal , mez Naó compres mula manca , cuidando que
igual. ha de sarar , nem cases com mulher má,
Dia de Santa Luzia cresce hum palmo o cuidando que se ha de emendar.
dia. Salamanca a huns iara , a outros manca.
Dia de Santa Luxia mingua a noite , e cres- Amigo quebrado soldará , mas naõ sarara.
ce o dia. Sardinlia.
De pai santo filho diabo. Cada hum chega a bra7a á sua sardinha.
Aos parvos apparecem os Santos. Da mulher , e da sardinha a mais pequeni-
Por todos os Santos a neve nos campos. na.
Por todos os Santos semea trigo, colhe car- O que sardinha quer , he picar, e beber.
dos. Quem quizer mal á sua visinha , dê- lhe em
Por todos os Santos até ao Natal perde a Maio hum a sardinha
padeira o cabedal. Velho , que naõ adivinha , naó vai huma
Saõ, sardinha.
Filho máo, melhor he doente , que saõ. Deitai outra sardinha, que outro ruim vera
Naõ ha moço doente , nem velho saõ. da- vinha.
íí8 ADÁGIOS , PROVÉRBIOS , &C.
Nem cada di»rabo de safidinha. Se naõ faz vento , na# faz máo tempo.
Em Agosto sardinha , e mosto. Se naõ chover entre Março , e Abril , ven-
Em tua casrt na» tens r
- sardinha , e na alheia derá elRei o cairo , e o carril.
peies gallinha. Se caçares naõ te gabes , e se na» caçares
Com huina sardinha comprar huma truta. naõ te enfades.
A quem em Maio come sardinha , em A- Se assim corres como bebes , vamo-nos ás
gosto lhe pica a espinha. lebres.
Saudades. Se esta cotovia mato, três me faltaõ para
Bom he largar saudades^-, quando o tempo quatro.
desengana. Se queres aprender a orar , entra no mar.
Saudade he fraco remédio, mas he doce en- Se queres bem casar , casa com teu igual.
gano. Se naõ bebo na taverna , folgo nella.
As saudades saõ filhas do amor, e enteadas Se naõ houvera mais alhos , que canella , o
do engano. que elles valem , valera ella.
Se saudades matassem , muita gente mor- Se mal jantas , peor ceias mingoanteás
reria. carnes , crescente as veias.
Saudades saõ securas , meu amor, dá ca a Se queres ter boa fama, naõ te tome o
borracha. sol na cama.
Saudar. Se comeres antes que vás á Igreja , depois
Os que se conhecem de longe se saudaõ.
,
naõ fre poráõ a me7a.
Que nobreza de Rei , que sem nos conhe- Se queres ter bom moço antes que nasça,
cer nos saúda. o busca.
A homem ruivo, e] a mulher barbuda de Se no valle neva , que será na serra.
longe os saúda. Se queres ser bem servido , serve a ti mes-
Saúde, mo.
Paz , dinheiro a quem o quizer.
e saúde ,
Se naõ deres o que quizeres, faze o que pu-
S#igrar em saúde. deres.
A pouco dinheiro pouca saúde. Se queres saber quanto vai hum cruzado,
Em quanto tem saúde , quedos estaó os busca-o emprestado.
Santos. Se queres ser pobre sem o sentir , mette
Saúde come , que naõ boca grande. obreiro, deita-te a dormir.
Saúde he a que joga , que naõ camisa nova.Se queres cedo engordar . come com fome,
Camarás de Maio , saúde de todo o anno. e bebe de vagar.
A saúde nos velhos he mui remendada. Se naõ como queremos, passamos como po-
Sáveis. demos.
Sáveis por S. Marcos enchem os barcos. Se a ser rico queres chegar , vai devagar.
Sáveis de Mato , maleitas de todo o anno. Se O grande fosse valente , e o pequeno
Boa he a truta , bom o salmaõ , bom he o paciente , e o ruivo leal , todo o mundo
sável , quando he de sazaõ. seria igual.

Sayo. Se queres enfermtr , ceia , e vai-te deitar.


Em Maio a quem naõ tem , baste-lhe o Se queres que faça por ti , faze por mim.
sayo. Se te dá o pobre , he para que mais te to-
S*. me.
Se queres ser bom Juiz Se queres a agoa limpa, tira a da fonte viva»
, ouve o que cada
hum diz. Se queres viver saõ , faze-t« velho ante
Se queres bom conselho , pede-o ao ve- tempo.
lho Se tens fysico teu amigo , manda-o a casa
Se queres ter ovelhas , anda traz eHas. de s-«u inimigo.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. u9
Se queres q»e o teu filho cresça , lava-lhe Segredo.
os pés , rapa Ilie a cabeça. Quem seu segredo guarda, muito mal es-
Se te fizeres rrul comer-te-haó as moscas.
, cusa.
Se soubesse a mulher a virtude da arruda, Aquém disseste teu segredo , fizeste-lo se-
busca-la-hia de noite á lua. nhor de ti.
Se queres ser bem disposto, bebe vinho, e Segredos queres saber , busca-os no pezar,
manja mosto. e no prazer.
Se a pi rola bem soubera , naõ se dourara Dize ao amigo o segredo, e pôr-te-hao
por fora. pé no pescoço.
Se naó dormem os olhos , folgaó os ossos. A teu amigo naó encubras teu segredo ,
Sangrai-o, purgai-o , e se morrer enter- que darás causa a perde-lo.
rai-o. Teu amigo he trefo , se te encobre seu se-
Se a moça for louca , andem as mãos , e gredo.
callea boca. O fraco de todos diz mal em segrede.
Se nai fores casta , sê cauta. Seguir.
Se Maria bailou , tome o que achou. Segue a formiga , se queres viver sem fa-
Se queres testamento , faze-o estando snó. diga.
Se queres saber quem be o villaõ , mette- Segue a formiga , viverás com fadiga.
ihe a vara na maó. Segue a razaó , posto que a huns agrada ,
Se queres ser rico , calça de vacca , e ves- outros naó.
a
te de fino. Seguir o bem parado.
Se estiveres em tua tenda , naó te acharáó Segara , e Seg/iro.
na contenda. Quanto maior he a ventura , tanto menos
Se eu fora adivinha , naó fora mesquinha. he segura.
Sebe. Alto mar , e naó de vento , naó promette
Huma sebe dura três annos , três sebes seguro tempo.
hum caó 9 três cães hum cavallo três Quem corre pelo muro naó dá passo se-
, ,

cavollos hum homem três homens hum guro. ,

cervo três cervos hum elefante.


, Quando cuidas metter o dente em seguro,
Sebe dura três annos , o caó três vidas de toparás o duro.
sebe , o cavallo três vidas de caó , o ho- De Juizes naó me curo , que minhas obrai
mem três vidas de cavallo , o corvo trdl me fazem seguro.
vidas de homem. Em povo seguro naó ha mister muro.
Sebo. Sellor.
Quando o gosto he sobejo, mais custa a Ainda naó sellamos , já cavalgamos.
mecha ,
que o sebo. Sem.
Secco. Naó ha Rey sem privado , nem privado
Arde o secco pelo verde, e pagaó justos sem idoto.
por peccadores. Semear.
Secreto. Cada hum colhe , segundo semêa.
Em pessoa de sceptro , naó ha vicio secre- Do graó te sei contar , cjue em Abri! naÕ
to. ha de estar nascido , nem por semear.
Na boca do discreto , o público he secreto. Dia de S. MatCfaus vindimaó os sisudos, e
Naó ha secreto, que tarde , ou cedo naó. semeaõ os sandeos.
seja descuberto. Em tal lugar ftem quero colher , nem se-
Segar. mear.
Sega a sua avéa ,
quem ganhar óesejt* Por todos os Santos semea o trigo, colhe
Cevada grada , a outro dia segada». caídos.
120 ADAGíOS, PROVÉRBIOS, &C,
Nata!em sexta feira por onde puderes se-
,
Senhor,
mea, em Domingo vende os bois, com- Perdi meu senhor , mal fallando , ouvindo
pra trigo. peor.
Por Francisco semea teu trigo , e a ve-
S. Quem dous Senhores ha de servir , a al-
a
lha que o dizia, semeado o tinha.
9 gum ha de mentir.
Por Santa Iria toma os bois , e semea. Quem serve a dous Senhores, a algum del-
Quem em terra boa semea , cada dia tem les ha de aggravar.
boa estrea. Serve a Senhor , saberás que he dôr.
Quem naõ tem bois , ou semea antes , ou A quem dizes teu segredo , faze-lo senhor
depois. de ti.
Quem semea em caminho , cança os bois ,
Baldaó de Senhor , e de marido.
e perde o trigo. Ruim Senhor , cria ruim servidor.
Quem semea recolhe. Hospedes juraõ , senhores se faráõ.
Quem semea em Deos espera. De leal, e bom servidor, virás a ser se-
Quem semea em restolho, chora com hum nhor.
olho , e eu que naõ semeei , com dous Pelo marido vassoura , e pelo marido Se-
chorarei. nhora.
Quem semea em arneiros , semea moios , Quem senhora he em casa , senhora he pe-
colhe quarteiros. la Villa chamada
Queres bom cabaço, semea em Março. Faz« o que manda teu Senhor , e assentat-
Quem semea , rsla leva a pavêa.
ralo te-has com elle ao sol.
Semea cedo , colhe tardio , colheras paô ,
Senhorio,
e vinho. O figo cahido para o senhorio , e o que es-
Semea , e cria , terás alegria. tá quedo para «mim o quero.
,

A quem naõ tem paó semeado , de Agosto Em lugar realengo , faze teu assento, e em
Maio.
se lhe faz terra de senhorio , naõ faças teu ninho.
Ao lavrador descuidado , os ratos lhe co- Sentar.
mem o semeado. Senta-te no teu lugar, naõ*e faráõ levan-
Cousa, que se naõ colhe, ninguém a se- tar.
rhee. Sentir.
Quem abrolhos semea , espinhos colhe. Cada hum
sente o seu mal.
Sempre, Quem naõ sente o mal alheio, ninguém
Sempre o fogo faz agasalho. sente o seu.
Sempre a verdade sahio vencedora. Sepultura.
Deos consente , mas naõ sempre. Cavallo corrente , sepultura aberta.
Sempre promette em dúvida , pois ao dar O vicio da natureza ate á sepultura chega.
ninguém te ajuda. Hoje em nossa figura , e amanhã na sepul-
Sempre o rabo he máo de esfolar. tura.
Quem sempre se recata, nunca acaba nada. Serpe.
Quem sempre mente, vergonha naõ sente. He mais velho que a serpe.
Quem com donas anda sempre chora e , ,
Serviço.
naõ canta. Naõ ha maior serviço , que o bom serviço.
Aquém , ou além, veja eu sempre com Servidor.
quem. Anda a teu amo a sabor , se queres ser bom
Quem mal marida , sempre tem que diga. servidor.
A mentira sempre he vencida. Servir,
Sendal. Quem a outrem serve naõ he livre. ,

As mãos do Oficial, envoltas em sendal. Quem bem serve galardão merece. ,


DA LÍNGUA PORTUGUEZA. 12!
Quem dous senhores ha de servir , a ne-
a De quem do seu foi máo dispenseiro , naõ
nhum ha de servir. fies teu dinheiro.
Por isso te sirvo , porque me sirvas. Muito pede o sandeo ) mas mais o he quem
Quem serve a moco, e a mulher, e a com- dá o seu.
tituni , naó serve a nenhum. Se i)o , ou Seio. .

Quem serve a dous senhores, a algum del- Filho alheio, braza no seyo.
les ha deaggravar. Filho alheio , mette-o pela manga , sahir-
Se queres ser bem servido , serve a ti mes- te-ha pelo seyo.
mo. Mette a maõ em o teu seyo , naó dirás do
Servea senhor , saberás que he dôr. fado alheio.
As*azpede, quem bem serve. Quem crê de ligeiro, agoa recolhe no seyo.
Serve ao nobre, ainda que pobre ; que tem- Braza deita no seyo , quem se honra com
po virá em que to pagará. erro alheio.
Nmguem pode servir dous senhores. O mal que da tua boca sahe, tm teu seyo ca-
Quereis que vos sirva , bom Kei , dai-me be.
de que viva. Paó de centeio , melhor he no ventre , que
Por mais servir , menos valer. no seyo.
Quem a dous senhores ha de servir , a al- Si.

gum ha de mentir-. Naó dar já por si , nem pela albarda.


Naó peças a quem pedio, nem sirvas a quem Sim.
sérvio. Poca que diz sim , diz naó.
Quem serve ao commum, serve a nenhum. Sim sim , naõ naõ.
Servo. Sig"o.
Amos o daõ , servos o chorão. Em tal signo nasti , que mais quero para
Setembro. mim ,
que para ti.
Agosto madura , Setembro vindima. Sinal.
Agosto tem a culpa , Setembro leva a fru- Sinal mortal , naõ desejar sarar.
ta. Sinal he de má besta , suar de traz da ore-
Setembro ou secca as fontes ,-ou leva as lha.
pontes. Virtudes vencem sinaes.
Sen. Quem sinal tem sobre os dentes , he honra
A quem medo haó logo lho seu daõ.
, de seus parentes.
Cada bofarinheiro louva seus alfinetes , ou Língua longa , he sinal da maõ curta.
suas agulhas Grande colma , he sinal de agoa.
Chora o seu pelo seu dono. Muitas vezes á cadeia he sinal de forca.
Cada hum sente o seu. Sisa,
Cada qual em seu officio. O mentir naó paga sisa.
Tem de seu o que lhe basta. Siso.
Quem dá o seu antes de morrer , appare- Naõ percas o siso pelo doudo de teu visi-
lhe-sea bem sorTrer. nho.
Mais sabe o tolo no seu, que o sisudo no Naõ tem homem siso , mais que querem os
alheio. A meninos.
A forcanunca perde o seu direito. O bom coração soffre , e o bom siso ou-
A cada bacorinho vem o seu S. Martinho. ve.
Vai , e vem , quem de seu tem. Bebas vinho , naõ bebas o siso.
Quem muito dorme, o seu com o alheio Quem com doudo ha de entender , muito
perde. siso ha mister.
Quem do seu se desapossa antes da morte, A sciencia he loucura, se o bom siso naõ
dém-lhe com hum maço na fonte. a cura.
Q
Ill ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Quem pobreza he vileza, naó tem
diz que a Sobejar.
siso na cabeça. As mulheres onde estaó , sobejaõ , e on-
Leve hea dòr que o siso encobre. de naõ estaó, falraó.
Qua! cabeça . tal siso. A quem naó sobeja paó , naõ crie caõ.
Que siso de alveitar ! mula morta manda Quando o gosto he sobejo , mais custa a
sangrar. mecha , que o cebo.
Qum a trinta naó tem siso, a quarenta naõ Mais vai que sobeje , que naõ falte.
he rico. Sobre,
Castigo faz o doudo ter siso. Sobre comer , dormir.
Zombaria de siso , mette os homens em Sobre cear , passos dar.
perigo. Sobre peras vinho bebas, e seja tanto, que
He raro na prosperidade o siso. nadem ellas.
Sisudo, Sobre mim fiqu*.
Quando o sandeo se perdeo , o sisudo avi- Sobre vossa pelle se trata.
so colheo. Sobre negregura naó ha tintura.
O que faz o doudo á derradeira , faz o sisu- Sobre dinheiro naõ ha companheiro.
do primeira.
á Agoa sobre agoa nem suja , nem lava.
O sisudo , e o doudo se descobre no jogo. Sobrenome.
Boas palavras , e máos feitos enganaõ si- Naõ ha homem sem nome, nem nome sem
sudos , e néscios. sobrenome.
Os doudos fazem a festa ,eos sisudos gos- Soccos,
taõ delta. Vio-se o demónio em soccos , e quiz pi-
O sisudo naõ ata o saber á estaca. zar os outros.
Só. Naõ he bom fugir em soccos.
Bem venhas , se vieras só. Pés tortos naó haõ mister soccos.
O marido , antes com hum só olho ,
que Sojfrcr.
com hum filho. Quem naó sabe soffrer naõ sabe reger.
Melhor he estar só ,
que mal acompanha- Quando fores bigorna soffre , e quando
do. malho, malha.
Só me aconselhei , só me chorei. Quem soffreo , venceo.
Sou só , como espargo no monte. O bom coração soff<e, e o bom siso ouve.
Em o que podes só , naõ esperes a outro. SoíTra quem penas tem , que traz tempo
Soalhar. tempo vem,
O Natal ao soalhar , e a Páscoa ao lar. No Soffrer , e abster , está todo o vencer.
Naó te ponhas a soalhar com quem tem for- O bom soffre , que o máo naõ pôde.
no , e pé de altar. De grande coração he soffrer, de grande se-
Soar. nhor he ouvir.
A panela cm soar 5 e o homem em fallar. Quem bom , e máo naó pôde soffrer , a
A mulher boa, prata he , que moiro soa. grande honra naõ pôde vir ter.
Na Aldeã , que naõ he boa , mais mal ha , Morrer por ter , e soffrer por valer.
que soa. Soffrer rasgadura , por ter formosura.
Naó ha agoa mais perigosa , que a que naó Soffrer por ser f >rmosa.
soa. Duas mortes soffre quem por maõ alheia
O bem soa , e o mal voa. morre.
Casar , casar , soa bem , e sabe mal. Soffre por saber , e trabalha por ter.
Sob. O que naõ pôde ser deves soffrer.
ai ,

Sob a sombra da nogueira , naõ te deites a O bom pai ama-se o máo soffre-se.
,

dormir. Quem dá o seu antes de morrer , appare-


lhe-se a bem soffrer.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. **3
Alguma cousa se ha de soffrer ,
para bran- Quem naó anda por frio 5 e por sol naó Uz
quecer. seu prol.
Sogra , e Sogro. Se queres boa fama , naó te tome o sol na
Em quanto fui sogra , nunca tive boa no- cama.
ra. Visita de quem naó tiveres dòr , á tarde ,
Em quanto fui nunca tive boa sogra.
nora , e sem sol.

Naó se lembra a sogra ,


que foi nora. Sahi-me ao sol , disse mal , e ouvi peior.
Quem naó tem sogra , nem cunhada , he O alcaide , e o sol por onde quer entraó.
bem casada. A donzella , e o açor com a espalda ao sol.
Obra começada, naó te veja sogra, nem Em Janeiro hum pouco ao sol , e outro ao
cunhada. fumeiro.
A cabeça do vezugo , come o sisudo , e da Por Natal sol , e por Páscoa carvão.
boga dá á sua sogra. A mulher , e a gallinha com sol recolhida.
Estcnde-se como villaó em casa de seu so- Agoa, que deres a teu Senhor, naó a olhes
gro. ao sol.
Para mim naó posso , e poderei para meu Abala pastor com as espaldas no sol.
sogro. Com bom sol se estende o caracol.
Assim medre meu sogro, como caó de traz Dous soes naó cabem no mundo.
do fogo. Soldada.
Naó cabíamos ao fogo , e veio meu sogro. Antes perderei a soldada, que tantos man-
Sol, dados faça.
Sol que muito madruga , pouco dura. Sol/ia.

Sol roxo , agoa ao olho. Solho de Abril , abre-lhe a maó , e deixa-o


Sol posto , obreiro solto. ir.

Sol na eira , chuva no nabal. Solitários,


Sol , e boa terra fazem bom gado , que naó Lugares solitários saó jardins de corações
pastor afamado. affligidos.
Sol de Abril , abre a maõ , deixa-o ir. Sombreiro.
Sol de Janeiro sahe tarde , e póe-se cedo. Em Janeiro sete capellos, e hum sombrei-
Sol de Inverno sempre anda de traz do ou* ro.
teiro. Sombrio.
Sol de Março pe*ga como pcgamaço , e fe- Naó farás horta em sombrio, nem edifiques
re como maço. a par do rio.
Nem Sabbado sem sol , nem moqa sem a- Sonhar,
mor. Sonhava o cego ,
que via.
Com agoa , e com sol , Oeos he creador. Pois tudo sabeis , e eu naó sei nada , dizei-
Pastor descuidado , ao sol posto busca o me
o que esta manhã sonhava.
gado. Dormindo sonhaó como vos faraó do c^o
Faze o que manda o Senhor , assentar-te- cebola.
has com elle ao sol. Seno t ou Somno,
Quando chove, e faz sol, alegre está o Bocejo Jongo , fome , ou sono.
pastor. Sono de Abril, deixa-o a teu filho dormir,
Ha chuva , que secca , e sol ,
que rega. e o de Maio a teu cunhado.
Por sol que faça , naó deixes a capa em ca- Sopa.
sa. Cahio-lhe sopa no mel.
a
Amizade de genro sol de Inverno.
, Naó ficou sopa por molhar.
Hospede com sol ao lavor. Da maõ á boca se perde a sopa.
Para quem ganhas, ganhador ? para quem Deitar sopas, e sorver, naó pôde tudo
está dormindo ao sol. ser. Q a
124 ADÁGIOS PROVÉRBIOS , &C.
Sopa de mel naô se fez para boca de asno. Dá-me pega sem mancha 9 dar-te- hei mu-
As sopas , e os amores os primeiros saõos lher sem tacha.
melhores. Tal.
Isso que Martinho sopas de vinho. Quem mal , espere outro tal.
faz
A huma boca huma sop* Taes fomos nó* , taes sereis vós.
Sorte. Taes como taes. Tal por tal.
Onde naô ha morte naó ha , ma' sorte» Taes alfaces para taes beiços.
A má sorte envidar forte. Tal vai de guerra.
Que n a sorte alheia estima , a sua deses- Tal he o servo , como o Senhor.
ti ma. Qual o Rei , tal a grei.
SotrancaS. Tal te vejas entreinimigos , como pássa-
Dai-me hum homem sotrancaÕ. dar-vo« ro na maóde meninos
lo-hei malicioso Tal genro , como o sol de inverno.
Suar. Tal he o dado , como seu dono.
Mais vai suar que enfermar.
, Tal he a casa da dona sem escudeiro, como
Sub ai a. fogo sem trás fogueiro.
De grande subida , grande cahida. Qual o pai , tal o filho ; qual o filho , tal
Sujar , ou Çnjar. o pai.
Quem m ai falia, sua língua suja» Tal grado haja , quem o asno pentea.
Surdo. Qual cabeça , tal siso.
Naô ha peor surdo, que o que naõ quer ou- Tal he o rábaô pela manhã , como a Iaranj*
vir. á tardfe.
Dize ao doudo , mas naõ ao surdo. Qual he Maria , tal filha cria.
Nem barbeiro mudo , nem cantor surdo. Tal he o demo , como sua mãi..
Por demiis he a citola no moinho, quando Tal virá , que tal queira.
o moleiro he surdo. Qual he o caõ , tal he o dono.
Taõ surdo beaquel leque ouve , e naõ en- A tal posta tal talho.
,

tende , como aquelle que naõ ouve. Com taes me acho tal me , faço.
Dês que me naõ pagaõ , surdo me faço. Emprestaste , e naõ cobraste , e se cobras-
Sempre o alheio suspira por seu dono- te naõ tanto , e se tanto naõ tal, esc
tal inimigo mortal.

O ladraó cuida , que todos taes saÕ.


Tahigas.
Taharêo. Fazenda em duas aldeias , paõ em duas ta-
Tabardo , e botas cobrem as costas. leigas.
Tabola. O taleigo de sal quer cabedal.
Fulano he íábola ,
que naõ joga. O fidaleo, e o gal*'», e o taleigo do sal jun-
Taboleiro. to do fogo os haõ de adiar.
Contra Piaõ feito Dama naõ pára peça no Talh«<la.
taboleiro. O ruim se assenta na meza , talhada ,
que
Taça. toma , a todos peza.
Naõ he tacha beber por borracha , quando Talhar.
naõ ha taça. Talhai passo , que hai pouco panno.
Tacha. Já passou o dia, que eu talhava , e cozia.
Quem quer cavallo sem tacha , sem elle se Também, -

acha. Também a formiga tem catarro , ou tam-


Naõ perdoa o vulgo tacha de ninguém. bém Joaõ Vaz tem besta.
Naõ he tacha beber por borracha quando Também tenho duas mãos
, , ou também,
naõ ha taça. nossa espada cóiía.
DA LÍNGUA POBTUGUEZA. 125
Tanchar. Raposa que muito tarda , caça aguarda.
Quem muitas estacas lancha , alguma lhe Naó tardo mais em armar-me , que em
lia de quebrar. quanto a briga se acaba.
Tange dor. Nunca o castigo tarda , a quem o tempo
Em casa do tangedor cada hum he dança- avisa , e naó se guarda.
dor. Tarde.
Tanger. O fim loura a vida , e a tarde o dia.
Aprende alta, e baixa , e como te tange- Tal he o rabaó pela manhã , como a laran-
rem assim dança ou como me tange-: ja á tarde.
rem assm. bailarei.
, Março maicegaõ pela manhã rosto de caô ,
Genro pe lo papo me vai tangendo. e á tarde de bom veraó.
Já morrto por quem tangiaó. Naó ha dia <em tarde.
Asno por lama o demo o tanja , e pelo pó Tardes de Março recolhe teu gado.
o demo hija delle dó. Onde fores tarde naó te mostres covarde.
A besta que muito anda , nunca falta quem Tarde dar , e negar estaóa par.
a tanja. O sol de inverno sahe tarde , e põe-se ce-
Tanto. do.
Tanto se dá disso, como de chiar hum Quem torto nasce tardese endireita.
car- ,

ro. Quem tarde ca?a mal casa. ,

Tanto tienes, quanto valer. Hum só pollegar tarde vai ao tear.


Tanto morre o Papa, como o que naó tem Quem tarde se levanta , todo o dia trata.
capa. Veso máo tarde he deixado.
Tanto dáagoa na pedra , até que quebra.
a Quem tarde vier comerá do que trouxer.
Tanto pica a pega na raiz do trovisco, que Deita-te tarde , Ievanta-te cedo, verás teu
quebra o bico. mal , e o alheio.
Tantos morrem dos cordeiro» , cómodos Mais vai tarde , que nunca.
carneiros. Mulher que muito bebe , tarde paga o que
Tantas vezes vai o cantarinho á fonte , até deve.
que quebra. Tarde madruguei , mas bem arrecadei.
Quanto sabes , tanto valer. Quem de doudice enfermou , nunca , ou
Tanto anda a linhaça, até que quebra a ca- tarde sarará.
baça. Quem depressa se cura , tarde sarou.
Tanto heagraz que já despraz.
, Quem se levanta tarde , nem ouve Missa,
Tanto vai a cousa , quanto daó por ella. nem toma carne.
Tanto paõ* , como hum pollegar , toma a Quem más malhas ha, tarde, ou nunca
alma a seu íugar. as perderá.
Tanto vales, quanto has , e o saber por Tardio.
demais. Semeacedo, colhe tardio , colherás paó y
Tanto vai cada hum na praça ,
quanto vai e vinho.
o que tem na caixa. Melhor he anno tardio , que vazio.
Nem tanto ao mar , nem tanto á terra. Lobo tardio naó toma va?io.
Doze gallinhas, e hum gallo comem tanto, Hospede tardio naó vem vazio.
como hum cavallo. Mais vai bem de lo^ge , que mal de perto ;
Tardança. e fim tardio , que o massio , e ter fome
Boa he a tardança ,
que assegura.- que fastio.
Tardar. Filho tardio fica 01 faó cedo.
Quem vem , naó tarda. Taverna,
Quem tarda arrecada. Se naó bebo-na taverna , folgo nel la,
i2Ó ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C
A tu por tu , como em taverna. Perdendo tempo, naõ se ganha dinheiro.
Meu dinheiro , teu dinheiro , vamos á ta- Soffra-se quem penas tem ,
que atraz de
verna. tempo tempo vem.
Taverneira. Alto mar , e naõ de vento, naõ promette
No inverno torneira no veraó taverneira.
, seguro tempo.
Taxar. O tempo cura o enfermo, que naó o un-
Jornada de mar naó se pôde taxar. guento.
Tea. No ternpo , em que se come , naó se en-
Muitas maçarocas fazem a tea ,
que naô velhece.
numa cheia. Tempo de guerra , mentiras por mar, e
O trigo , e a tea á candea. por terra.
A tea bem tecida ao curar mais embebida. Tempo , e hora naõ se ata com soga.
A mulher parida , e a tea ordida nunca lhe Naó põeDeos tempo em mudar tempo.
falta guarida. Distingue o ternpo , e concordarás o direi-
A mulher que naó vela, naô faz grande tea. to.
Tear. O tempo do amor he naõ tê-lo.
Hum só pollegar tarde vai ao tear. O tempo he relógio da vida.
Mais vai magro no tear , que gordo no O tempo he mestre de tudo.
monturo. Neste tempo ou todos saó ma'os , ou se diz
Telhas. mal de todos os bons.
Fallar das telhas abaixo. Mudado o tempo , mudado o conselho.
Quebrar telhas. Muda-se o tempo , mudado o pensamento.
Telha de Igreja sempre goteja. Tempo tem a choca , e tempo tem quem
Telhado. a joga.
Assim he o marido amarellado , como ca- Qual o tempo , tal o tento.
sa sem telhado. O tempo dá remédio, onde falta conselho.
Quem tem telhado de vidro, naó atire pe- Naõ ha taó máo tempo , que o tempo naó
dras ao do visinho. allivie seu tormento.
Horta sem agoa , casa sem telhado , mari- Bom saber he callar , até ser tempo de fal-
do sem cuidado , de graça he caro. lar.
A moça no telhado naõ anda a bom recado. Ao perigo com tento, ao remédio com tem-
Temer. po.
Quem naó deve , naó teme. Boa he a neve , que a seu tempo vem.
Quem pouco sabe , pouco teme. Horta para passatempo , posta com tempoí
Rei se nomee , quem naó teme. Lavra com tempo , e vá por ambos.
Ninguém he fiel a quem soe temer. Tempo traz tempo , e chuva traz vento*
Temor. A boa ceia ante tempo se enxerga.
Pôde haver soffrimentona dôr , e naõ no Tempo á choca , e tempo a quem a joga.
temor. Tenda,
Por temor naó percas honor. Alquimia he provada , ter tenda , e naõ
O temor he huma mortal dôr. gastar nada.
O temor sempre suspeita o peior. Tendeiro.
Tempo. Moço bom para tendeiro.
goloso naó he
K seu tempo vem as uvas , e as maças ma- Tento.
duras. O homem ande com tento , e a mulhef
Vai-se o tempo , como o vento. naó lhe toque o vento.
O tempo anda , e desanda. Ter.
Quem tempo tem , e por tempo espera Faie por ter , vir-te-haó ver.
tempo he , que o demo lhe leva.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. I27
Naó tem real , nem seitil. O boi b ravo na terra alheia se faz manso.
Naó tt-m eira, nem beira, nem ramo de Vê o mar , e sé na terra.
figveira. Com má gente he remédio, muita terra em
Naó tem nada ,
quem nada lhe basta. meio.
Mais tem o rico quando empobrece , do Terrear.
que o pobre quando enriquece. Em Janeiro, põe te no outeiro , e se vi-
Quem muito mel, ou azeite tem, nas ver- res verdear , póe-te a chorar , e se vires
sas o deita. terrear , põe-te a cantar.
Tem fazenda , e olha bem donde venha. Tesoura.
Tanto vai cada h< m na praça , quanto vai Ruim tesoura faz a meu marido boquitor-
o que tem na caixa. to
Quem a muitos ha de manter , muito ha A tesoura do caldeireiro naó corta panno ,
de ter c coita fe»ro.
Quem muito tem , muito gasta ; quem Testamento.
pouco tem pruco lhe basta ; quem na-
, Se queres testamento , faze-o , estando
da tem, Deos o mantém. saó.
Quem deve cento , e tem cento e hum , Boa meza , máo
testamento.
naó teme a nenhum. Testemunha.
Terça* De arrojdos guarte, naõ serás testemunha,
Para ir i meza, mais se requer , que ser nem parte.
hora de terça. Teu.
Ttrra. Come do teu , chama-te meu.
e
A terra, posto que fértil, se naó descança, Com homem interessai naó juntes teu ca-
faz se estéril bedal.
A agoa salobra na terra secca he doce. Dei'a-te tarde , levanta-tecedo , verás teu
A terra lavrada em Agosto á estercada dá mal , eo alheio.
de rosto. Tições.
A terra ,
que naó cobre a si , mal cobrirá a Nem estopa com tições, nem mulher com
mim. varões.
Os erros dos médicos a terra os cobre. Dous ruins, e dous tições nunca bem os
Deita terra sobre terra , saberás o paó , que compões.
leva. Tigella , e Tigel linha.
Quem em terra boa semea , cada dia tem Fidalgo de meia tigella.
boa estreia Fidalgo de quarto de tigella.
Deita esterco ao paó , que as terras to pa- Arrenego de ugellinha de ouro , em que
garão. hei de cuspir sangue.
Cunhados , e ferros d*arido debaixo da ter- Tinha.
ra prestaó. Por linha vem a tinha.
Tola a terra he huma , e a gente quasi qua- Se a inveja fosse tinha ,
que pez lhe basta*»
si. ria.
Em terra de senhorio
naó faças teu ninho. Se a inveja fosse tinha muita gente era ti-
Nem tanto ao mar , nem tanto á terra. nhosa.
Cada terra com seu costume 9 ou em cada Pe^sa mezinha ponde vós nessa tinha.
terra seu uso. Hum tinhoso queria que todos o fossem.
Cada terra com seu uso, cada roca com seu Nunca lavei cabeça , que me naó sahisse
fuso. tinhosa.
O boi bravo , mudando a tetra , he muda- Tirar.
do. Tirar a castanha do fogo com a maó do ga-
to.
128 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Tirar com
barro á parede até que pegue. Toma casa com lar , e mulher ,
que saiba
Tirar forças da fraqueza. fiar.

Tirar o bocado da boca e dá-lo a outrem., Tomai lá o que vos vem da boca.
Tirar á cega lagarta. A pouco paõ tomar primeiro.
Tirte-lá ganho , naó me dês perda. Penhor , que corre , ninguém o tome.
Donde tiraõ , e naó põem , cedo chegaõ ao Ao viilaô, dá- lhe. o pé , e toma a maõ.
fundo. Cousa de dar , e tomar (he a que he de lei),
Manda , e faze-o , tirar-te-ha do cuidado. Tomar o Ceo com as mãos.
Pezo , e medida , tiraõ o homem de fugi- Tomar o freio nos dentes.
da. Tomar experiencia em cabeça alheia. t

Cria o corvo, tirar-te-ha o olho. Tomar as de vi Ha diogo (Jie botar afugir).


Jantar tarde , e cear cedo , tiraõ a meren- Toma a garça no ar.
da de permeio. Tomais sesta porbalhesta.
Ouçaó de palma , naõ o tira toda a barba. Arrenego das Senhoras , que saõ de aqui o
Se queres agoa limpa, tira-a da fonte viva. tomaõ alli o deixaõ.
,

Titela. Se te dá o pobre he para que mais te to-


,

Do capaõ a perna 3 da gallinha a titela. me.


Todo , cToda. Quem sabe dar , sabe tomar.
Quem faz bem ao astroso , naõ perde par- A quem o demo toma huma vez , sempre
te , senaõ todo. lhe fica hum geito.
Quem segue alguma cousa, ou alcança par- Cança quem dá , e naó cancã quem toma.
te , ou toda. O Rei ,
que naõ toma , quando do seu naó
Toda a cousa tem lugar, a quem abençoar. ha, a vós do seu dá.
Nem de todo o páo se faz mercúrio. Quem passara ha de tomar , naõ o ha de
Toda a terra he huma, e a gente quasi qua- enxotar.
#si. Mãi , e filhos por dar , e tomar saõ amigos.

Todos os caminhos vaó ter á ponte, quan- Ao villaõ dá-lhe o dedo, tomar-te-ha a
do o rio vai de monte a monte. maõ.
Estorninhos, e pardaes, todos somos O prudente tudo ha de tomar, antes de
iguaes. armas tomar.
Quien todo lo quiere , todo lo pierde. O que r-eparte , toma a melhor parte.
Tolo, Topete.
He duas vezes tolo , quem faz o mal , eo Far-te-hei a barba , far-ane-has o topete.
apregoa. Quem te mette, Joaó Topete com a carapu-
Tolo he Affonso , mas naõ de todo. ça de gurumete.
Mais sabe o tolo no seu , que o sisudo no Tordo.
alheio. Doença de tordo, rosto magro, corpo gor-
Na barba do tolo aprende o barbeiro novo. do.
Quem a tolo conselho pede , mais tolo he Torga.
que «He. Para forno quente , huma torga somente.
Quem tolo vai a Santarém , tolo vem. Tomada.
Zombai com o tolo na casa , zombará com- Ida boa , tornada nunca.
vosco na praça. Tomar.
Tomar, Tornar á vacca fria.
Se queres ter boa fama , naõ te tome o sol Tornar a engatinhar.
na cama. Tornar para traz como caranguejo.
Mai< vai hum toma , que dou* te darei. Tornará o Maio de lagos.
Huma fica In em toma, para quem lhe daô, Naõ sou rio , por naõ tornar para traz.
e naó toma.
DA LÍNGUA pORTUGUEZA I2 9
Em Abril vai onde has de ir , e torna a teu Toupeira.
covil. Naó ha cousa encuberta , senaõ aos olhos
Tornavoda. da toupeira.
Naó ha voda sem tornavoda. Towinhas.
Tortas, He como as tourinhas, sempre cahe em
De taes vodas , taes tortas. pé.
A' mingoade paó boas saó tortas., Touro.
Torto , e Torta. Mette o touro no laço, que asinha vem
Melhor -he ser torto , que cego de todo. o prazo.
Levantou-se a torta , e poz-se ao espelho. Peleijaõ os touros , mal pelos ramos.
Na terra dos cegos o torto he o Rei. Fechar as poitas , que soltaó os touros.
Naó ha cego ,
que se veja , nem torto que Deixou-me nas pontas do touro.
se conheça. Guarda da volta do touro.
Quem torto nasce , tarde se endireita. Touro , galgo , e barbo , todos tem sezaó
Besteiro torto atira aos pés , e dá no rosto. em Maio.
Rio torto dez vezes se passa. Ao doudo , e ao touro , dá-lhe o curro.

Quem ma! enforna , tira a pá da torta. Faze-te morto , deixar-te-ha o touro.


Pés tortos naô haó mister socco. Certos saó os touros.
A torto , e a direito. Deitar a capa ao touro.
Tosquiar. Ter-se visto nos cornos do touro.
Isso me dá barbeiro , que odreiro ,
que lie Quando x) trigo he louro, he o barbo como
tosquiar. touro.
Depois de rapar naô ha que tosquiar. Trabalhar.
Moça he Maria, quando se tosquia. Mais quero estar trabalhando , que choran-
Ir por lã , e vir tosquiado- do.
Tosse. Quem trabalha, tem alfaia.
Amor , fogo , e tosse , a seu dono desco- Trabalhar com todo o -corpo.
bre. Quem naó trabalha , na6 come.
Touca. Madruga , e verás , trabalha , e terás.

Digo huma , e digo outra , quem naó fia Moço de frade mandai-o comer , e naó que
naô tem touca. trabalhe.
Deos naó fia toucas , que tira a humas Inda que entres na Villa , e soltes o gabaõ,
e dá a outras. se naó trabalhares , naó te daráó paó.
A mulher do escudeiro , toucas alvas , co- Naó de olhos que chorão , senaõ de maós
ração negro. que trabalhão.
Toucada. Quem naó trabalha , naó mantém casa far-
Bem toucada naó ha mulher feia. ta.

A mulher inal toucada, ou he formosa , ou Soffrer por saber , e trabalhar por ter.
mal casada* Mais vai bom
,
que máo trabalhar.
folgar
Toucinho. Traz trabalho vem o dinheiro com descan-
CaMado como toucinho em «acco. ço.
Disse de vós o que naó disse Mafoma do Trabalho he caminhar a cavallo , que a pé
toicinho* he morrer.
Naó ha sef maô sem Santo Agostinho , nem Por affeiçaó te calhste , a trabalho te en-
panella sem toucinho tregaste.
Saramago com toucinho he manjar de ho- Naó ha trabalho sem trabalho.
mem mesquinho. Tragar.
No queijo , e pernil de toucinho conhece- A verdade , inda que amarga , se traga.
rás a teu amigo. R
I JO ADÁGIOS ,
PROVÉRBIOS , &C„
Traidor. homem , a mulher ,
o estudo , e o vi*
Para hum traidor dons aleivosos. nho
Naõ vive mais o leal 3 que quanto quer o O leitaó de hum mez o pato de três. ,

traidor. O cabrito de hum mez o queijo de três. ,

Paga-se o Rei da traição , do traidor naõ. Ajuntáraó-se seis para pezo de três.
Barba de três cores barba de traidores.
, Tem-te em teus pés , comerás por três.
Do traidor farás leal com bom fatiar. Quem naõ se escarmenta de hum a vez, naô
Trampa. se escarmenta de três.
Nem com cada ma! ao medico, nem com Filhos dous ou três , ha prazer ; sete, ou
,

cada trampa ao letrado. oito he fogo.


Trampvso. Hospede , e o peixe , aos três dias fede.
O tramposo asinha engana ao cobiçoso. Deslmnrou-me minha visinha huma vez , e
Trançado, eu deshonrei-me três.
A mulher de fidalgo, pouco dinheiro, gran- Ajuntaõ-se três para pezo de seis
de trançado. Cada dia três , ou quatro , chegarás ao fun-
Trapo. do do sacco.
A pequeno mal ,
grande trapo. A bom comer , ou máo comer , três ve-
Fe- lo hum trapo. zes beber.
Língua de trapos. Ao que erra, perdoa-lhe huma vez , e na6
Trasfugueiro. três.
Nem dona sem escudeiro , nem fogo sem Barba de três cores , barba de traidores.
trás fagueiro. Hum dia de jejum, três dias máos para paõ#
Trasposta. Circo de Lua , pastor enxuga , se aos três
Planta muitas vezes trasposta nem cresce ,
dias naõ enxurra.
nem medra. A duas palavras três porradas.
Trcâo. A paó de quinze dias fome de três semanas.
A hum tredo , dous aleivosos. Trigo.
Trefo. Muito trigo tem meu pai em hum cântaro.
Teu marido he o trefo , se te encobre seu Nem vinha em baixo, nem trigo em cas-
segredo. calho.
Tremer. Natal em Sexta feira ,
por onde poderes ,

Comer toda a vianda , tremer toda a ma- semea ; em Domingo, vende os bois ,
leita. compra trigo.
e
Tremeço. Trigo de ciziraõ , pequena massa , e gran-
Naõ faço mais caso disso ,
que de hum tre- de paó.
moço. Tri^o centeoso , paó proveitoso.
.Tr empes. Trigo acamado dono alevantado.
, seu
He dourado , avisado , e formoso como as De trigo e de avOa minha casa cheia.
,

trempes. Naó vendas a teu amigo, nem de rico com-


Três. pres trigo.
Três irmãos , três fortalezas. O trigo , e a tea , á candeia.
Três cousas fazem ao homem medrar , Que monte de trigo se naó estivesse divi-
sciencia e o mar , e casa real.
, dido.
Três causas destroem ao homem , muito Tudo he nada, senaó trigo , e cevada.
faltar 9 e pouco saber ; muito gastar , e Naõ he todo trigo.
pouco ter muito presumir , e pouco
-, Maio come o trigo , e Agosto bebe o vi-
valer. nho.
Três cousas fazem mudar a natureza do Com vento alimpaó o trigo , e os vícios
com castigo.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. *3*
Deos me dé pai , e mãi na Viila , e em ca- Ta,
sa trigo , e farinha. A tu por tu , como em taverna.
Quando o trigo he louro, he o barbo como Eu como tu , e tu como eu o diabo , te me
touro. deo.
Quando o trigo anda pela eira , anda o paõ Tudo.
pela amassadeira. Tudo se diz e tudo se sabe.
,

Por todos os Santos semea trigo , colhe Tudo se quer em meio.


cardos. Do bom tudo e do roim nada. ,

Por Francisco semea teu trigo , e a ve-


S. Tudo ha mister arte e o comer vontade. ,

lha que o dizia , semeado o tinha Tudo he nada senaò trigo e cevada. ,

Quem semea em caminho , cança os bois, Tudo tem seu tempo e a arraia oo Ad- ,

e perde o trigo. vento.


Nem herva no trigo, nem suspeita no ami- Tudo farei , casas de duas portas naõ guar-
go- darei.
Mais valem alimpaduras da minha eira, que Quem tudo quer vingar, cedo quer acabar.
o trigo da tulha alheia. Tudo he vento se naó ha Rei ou Prior , ,

Trinta. em Convento.
Quem de trinta naó pôde , e de quarenta Tudo enfada só a variedade recrea.
,

naõ sabe , e de cincoenta naõ tem , naó Tudo ha DO mundo.


pôde, nem sab e , nem tem. Tudo pôde o dinheiro.
Tripas. Tudo põe sobre si isto he Naõ tem mais , :

Tripa cheia , nem foge , nem peleija. que o que veste.


As tripas peleijaó no ventre. Tudo vos suecede a pedir por ou de boca.
As tripas estejaõ cheias , que ellas levaõ as Tudo acaba senaõ amar a Deos.
,

pernas. Quem tudo dá tudo nega. ,

Fazer das tripas coração. Quem faz tudo naõ enche fuzo.,
Trombetas» Talha.
Para rábaó , e queijo , naõ ha mister trom- Mais valem alimpaduras da múaha eira, que
beta. o trigo da tulha alheia.
Ou comer com trombetas , ou morrer en-
forcado. ******************************************** ********

Tropeçar,
Quem em pedra duas vezes tropeça , naõ Vacca.
he muito quebrar a cabeça. Quanto mais a vacca se ordenha, maior tem
Trovão. a teta
Agoa de trovão em partes dá , em partes Por Sinta Maria de Agosto repasta a vacca
naõ. hum pouco.
Escapei do trovão , e dei no relâmpago. Mais valem dous bocados de vacca , que
Trovisco. sete de pata.
Tanto pica a pega na raiz do trovisco, que Por isso se come toda a vacca, porque hum
quebra o bico. quer da perna , outro da espalda
Truta. Em ca<a do Cavalleiro vacca , e carneiro.
Truta cara naõ he sã. Mais vai vacca ern paz , que pombo em
Naó se tomaõ trutas a bragas enxutas. guerra.
Comer truta , ou jejuar. A vacca, que naõ come com os bois, ou có-
Boa he a truta , bom he o salmaõ , quan- rneo antes , ou comera depo».
do he de sa2aó. A vacca do villaõ se no Inverno, dá leite
Com huma sardinha comprar huma truta. melhor o dará no Verau.
a R
«3* ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Da vacca magra a língua , e a pata» Tanto vales quanto has , e o saber per
De bezerros, e vaccas vaõ pô-las ás praças. de mais.
O boi da tua vacca , o moço da tua braga. Tanto vai cada hum na praça , quanto vai
Ovelha cornuda , vacca barriguda , naô a o que tem na caixa.
troques por nenhuma Se naó houvera mais alhos , quecaneha , o
Bezerrinha mansa todas as vaccas- mamma. que elles valem , valera ella*
Quem a vacca d'elRei come magra , gorda De amigo que naõ valha , e de faca que naõ
a paga. talha , naó me dá migalha.
De quem he fraco , dizemos que he huma O sal quanto salga , tanto vai.

vacca. Mais vai agoa do G*o , que todo o rega-


Quem n ao tem boi . nem vacca , toda a* do.
noite ara Valle.
Carne nova de vacca velha* Sono valle neva , que fará na serra ?
A dôr de cabeça minha , e as vaccas vossas. Vço.
Quando cahe vacca , aguçar os cutelos.
a Por velho que seja o barco , sempre passa-
Valente. o vrio.
Hum valente acha outro. Váo de orelha he perigoso.
Homem, velloso, ou valente, ou luxurioso. Nem Ho sem váo , nem geração sem mác«
Se o grande fosse valente, e o pequeno pa- Alto para váo, baixo para barco.
ciente , e o ruim leal , todo o mundo se- Vifa , ou Vã.
ria igual. Gloria vaa florece , e naõ grandece.
Valente de dente. Mulrrer muito louçã dar-se quer á vida vãa*
V ateu te , como «serpe. Mo^a louca, cabeça vãa.
Valer. Vaqueiro.
Quanto sabes tanto vales.
, Hontem vaqueiro , hoje cavalleiro.
Dze-me quanto tens , dij-te-hei quanto Vaa lã n/i a.
vales. Corre a vaquinha 9 quanto corre a cordi-
Comamos s e bebamos, e nunca mais va- nha.
lhamos. VaraS.
Tanto vai a cousa ,
quanto daõ por ella. Ao bom varaõ, terras alheiar sua pátria-
Morrer por ter , e soffrer por valer. saõ.
Minha casa, e meu lar cem soldos vai ; e Bento he o varaõ , que por si se castiga ,
estimou-se mal , porque mais vai. e por outrem naõ.
Por mais servir menos valer. Fa?e bem ao bom varaõ , haverás galardão.
Mais vai vergonha no rosto , que mágoa Varrer.
no coração. Mais ha quem suje a casa ,
que quem a var-
Mais vai amigo na praça ,
que dinheiro na ra.

arca. A mulher polida a casa suja, e a porta var-


Mais vai hum toma , que dous te darei. rida.
Mais vai callar , que fallarmal. Levantou- se o preguiçoso a varrer a casa, e
Mais vai hum passarinho na maó, que dous pôz-lhe o fogo.
que voando vaó. Casa varrida , e meza posta , hospedes es-
Mais vai o feitio , que o panno. pera.
Mais vai saber , que haver Vasto.
Mais vai penhor na arca , que fiador na pra* Borracha vasia, naõ tira seceura.
ça. Hospede tardio naó vem va«io.
Mais vai tarde , que nunca. Paó da Ilha,, arca cheia, barriga vasia»»
Mais vai quem Deos ajuda, que quem mui- Melhor he anno tardio , que vasio*
to madruga.
DA LÍNGUA POKTUGUEZA. 1
33
Vaso. Fazer bem a velhacos, he deitar agoaao
Vaso máo nunca quebra. mar.
Vassoura. Velhice.
Pelo marido vassoura, e pelo mando Se- Velhice he mal desejado.
nhora. A vida passada faz a velhice perada.
Vcha. A velhice da pimenta, engelhada , e negra.
Nem com toda a fome á ucha , nem com Mocidade ociosa naó faz velhice contente,
toda sede ao pote
a Velho.
Veado. Ao velho recem-casado rezar-lhe por fina-
Porfia mata veado , e naõ besteiro cança* do.
do. Mais quero o velho , que me honre , que
Veejar. o moço, que me assombre.
Da gordura da terra vecejaó os enxertos. Moça com velho casada , como velha se
Velar. trata.
Mais pôde Deos ajudar > que velar , nem Naõ concorda com o velho a moça.
madrugar Ainda que sejas prudente , e velho , f*a6
A quem vela , tudo se lhe revela* desprezes conselho.
Velha. Guarda moço , acharás velho.
Castigo de velha nunca fez moça, O
moço por naó querer, e o velhopor na5
Castigar velha , e e«pulgar caô , duas dou- pnder , deixaõ as cousas perder.
dices saó. Hajamos paz , morreremos velhos.
Antes velha com dinheiro , que moçaconrr Perde-se o velho por naó poder , e o moço
esbelta, por naó saber.
Nem taõ velha que caia , nem taó moça' O
moço de bom juizo quando velho he adi-
que salte. vinho.
Mais velha he a e vaõ a ella.
Igreja a Quando o velho se naõ ouve , ou he entre
A moça em se enfeitar , e a velha em be- 00 em açougue.
néscios ,

ber , gastaõ todo seu haver. Velho que naó adivinha , naó vai huma
A velha , e a cortiça curadas se querem. sardinha.
Pouco a pouco velha o copo.
fia a Quem quizer ser muito tempo velho , co*
Avezou se a velha aos bredos, jambe-lhe os mece-o a ser cedo.
dedos. Naó ha moço doente, nem velho saó.
Àvezou-se a velha ao mel , e comer se- Naó digas ao velho que se deite , nem ao

quer. meninoque-se levaote.


A-belha 4 e ovelha, e a penna de trar da' Quem em velho engorda, de boa mocidade-
orelha, e parte na Igreja , desejava pa- se logra.
ra seu filho a velha. O
velho , e o peixe ao sol apparecem.
Hoje se serra a velha pelo meio ; isto ht : o O
velho , que-se cura cem annos dura. ,

dia de ametade da Quaresma. O


velho a estirar , o diabo a amigar.
Nós em ai , e a velha no portal. O
moço dormindo sara , e o velho se aca-
Tal grado haja quem a velha arregaça» ba.
Alta vai a velha na asna. Se queres viver saó , faze-te velho ante
Melhor- he fazer agarrar hum caó , que hu* tempo.
ma velha. O
velho na sua terra s e o moço na alhe a > ;

Velhaco. sempre mentem de huma mineira.


Casa , em que naõ ha caó , nem gato , he Velho amador, inverno c^m flor.
casa de velhaco. Arrenegai do velho qoe naõ adivinha»
Filho bastardo , ou muito bom , ou muito* Homem velho , sacco de azares.
velhaco.
1^4 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
O amor no velho traz culpa, mas no man- Vencer.
cebo friiJto. Vencer ás mãos lavadas.
Por velho que seja o barco , sempre passa Vencer-se a si he mais que vencer o mundo.
o váo. Vencer lingua lie n ais que vencer arraiaes.
A perro velho naó digas buz buz. Quem calla, vence.
A contas velhas, baralhas novas. Quem quizer vencer
aprenda a soffrer. ,

Aproveita-te do velho, valerá teu voto em No soffrer , e abster está


todo o vencer.
conselho. Quemsoffreo, venceo.
Do velho o conselho. Acommetter para vencer.
O velho muda o conselho. Despreza teu inimigo , serás logo vencido.
Em o velho, e menino o beneficio he per- De ruim a ruim , quem acommette , ven-
dido. ce.
O velho torna a engatinhar. Venda,
Se queres bom conselho, pede-o a homem O bom vinho a venda traz comsigo.
velho. . Vendeiro.
Yelho centenário. Ninguém seria vendeiro, se naó fosse o di-
Velho como a serpe.
, nheiro.
Velho gaiteiro , velho menino. Vender.
Vinho valho , amigo velho. Naó perde venda, senaó quem naõ tem que
Ouro velho. venda.
Ninguém he mais velho que o tempo. ,
Quem demos compra , demos vende.
§aude de velhos he mui remendada. Vende a esposado , e compra a enforcado.
Naó ha melhor espelho , que amigo velho. Vende público , e compra secreto.
A burra velha cilha amarella. Quem cabritos vende , e cabras naó tem 5
A velha gallinha faz gorda a cozinha. donde lhe vem ?

£utra velha de longe aventa as pegas. Comprar alforvas , e vender a onças»


A cavallo novo Cavalleiro velho. Compra que vendas.
Paó mol le , e uvas as moças põe mudas % e
Comprar em feira , vender em casa.
aos velhos tira as rugas. Péza justo , e vende caro.
A casas velhas portas novas. Quem dá, bem vende, se naó he ruim quem
Pai velho, manga rota , naó he deshonra. recebe.
Come menino , criar-te-has, come velho, O dado dado eo vendido vendido.
,

viverás. O ruim me compre o amigo que o bom ,

Por novas naõ penareis, far-se-haó velhas logo he vendido.


sabe- las heis. Naó vendas a teu amigo, nem de rico com-
Alai vai á corte, onde o boi velho naó tos- pres trigo.
se. Vende gato por lebre.
A mula velha cabeçadas novas. Vende em casa, e compra na feira, se que-
Qiem tem velho , naó tem novo. res sahir de lazeira.

Tomar atalhos novos , e deixar caminhos Quem compra o que naó pôde , vendeo
velhos. que naó deve.
Carne nova de vacca velha» Vender mel ao colrneeiro.
Boi velho , rego direito. Cousa que naó se vende, ninguém a se-
A boi velho naó cates abrigo. mee.
A boi velho chocalho novo. Gaba te cesto , que vender te quero.
Naó ha cousa velha, se he dita a propósito. Quem se te encommenda , caro se te ven-
Vence lho. de,
Dar o conselho e o vencel.h<k lyiiguei , Miguel naó tens abelhas , «ven-
,
des mel.
DA Í.INGUA PORTUGUESA. 1 35-
Vento. Agoa fria, e paó quente , nunca fizeraó*

Se chove , chova ; se neva , neve ; que se bom ventre.


naó vento , naó faz máo tempo. Ventura.
Com vento alimpaó o trigo , e os vícios A boa ventura com diligencia.
com castigo. Vem a ventura a quem a procura.
A quem Deos quer bem , o vento lhe apa- O que as cousas muito apura ,
põt-nas
nha a lenha. em muita ventura.
De caldo requentado , e de vento de bura- Vem ventura , e dura.
co ,
guardar delle , como dó diabo. Vento, e ventura, pouco dura.
Tem tento, quando te der no rosto o ven- Ventura te dê Deos , filho ,
que saber pou-
to. co te basta.
Lugar ventoso , lugar sem repouso. Quando a má ventura dorme , ninguém a
Vento, e ventura, pouco dura. desperte. >

Tudo he vento , se naó ha Rei , ou Prior Quanto maior he a ventura , tanto menos
em Convento. he segura.
Quando Deos quer , com todos os ventos Quem está em ventura a formiga o ajuda. ,

chove. A boa ventura de huns ajuda aos outros.


Vai se o tempo , como o vento. A boa ventura com outra dura.
O homem ande com tento, e a mulher naó Andar ventura ate á sepultura.
lhe toque o vento. Dá-me ventura deita-me na rua.
,

Mulher , vento , e ventura , asinha se mu- Alais corre a ventura , que cavallo , ou mu-
da. la.

Amigo de bom tempo , muda-se como Onde ventura falta, diligencia he escusa-
vento. da.
Tempo fai tempo , e chuva trai vento. Rei por natura , Papa por ventura.
Alto mar , e na6 de vento , naó promet- A Deos , e a ventura , botar a nadar.
te seguro tempo. Quem em casa da rhãi naó atura, na da ma-
Manhã ruiva , ou vento , ou chuva. drasta naó espere ventura.
Ventre. Que fiandeira eu era, se ventura houvera.
Duas ceias más em hum ventre cabem. Tive formosura , naó tive ventura.
Meu ventre cheio sequer de feno. A morte que der a ventura , e<sa se sr fTra.
O ventre em jejum naó ouve a nenhum. Rluda-te , mudar-se*te*hà a ventura.
Muito vai em dar couce em ventre de do- Bom coração quebranta má ventura.
na. Mulher, vento, e ventura asinha se mu-
Naó ha pai entre a gente, nem entre as tri- da,
pas do ventre. VeniUtciro.
Mal haja o ventre ,
quedo paó comido se A homem ventureiro , a filha lhe rtírsce pfi-
esquece. meiro.
O que he bom para o ventre , he máo pa- Vêr.
ra o dente. Vé bem que ates que deites. ,

Cento de hum ventre , cada hum de sua Vê o mar e está na terra


,

mente. Vc hum dia do discreto , e náó toda â tida


As tripas peleijaõ no ventre. do néscio.
O ventre ensina ás pegas , beijo as mãos a Farenda , teu dono te veja.
v m. Faze por ter , vir-te-haó èr. *

A pássaro dormente tarde entra o cevo no Vede la vai, vede-la vem, como barco
ventre. de Sacavém.
Paó quente , muito na maõ , e pouco no Alsirvém do us olhos que hfum.
,
ventre.
1^6 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS, &C.
Vê mais que hum lynce. Em veraõ cada hum lava seu panno.
Ve-Io com hum olho , come-lo com a tes« Veraõ fresco , inverno chuvoso , estio pe»
ta. rigoso.
Ver os touros de palanque. A burra de villaõ , mula he de veraõ.
Ver as estrellas ao meio dia. Verdade , e Verdades.
Mais vêm quatro olhos que dous. A verdade naõ tem pés 3 e anda.
Por onde vás assim como vires
, , assim A verdade , e o azeite andaõ de cima.
farás. A verdade anda na herdade.
Sonhava o cego , que via. A verdade , .ainda que amarga , se traga.
O homem queremosvêr , que os vestidos Dizer mentira por tirar a verdade.
saõ de !ã. Mal me querem as comadres , porque lhes
Estais na aldeia naõ vedes as casas, digo as verdades.
Vi hum homem ,
que vio outro homem, Do dinheiro , e da verdade ametade da me-
que vio o mar. tade.
O máo visinho vê o que entra , mas naõ o Onde fallecem as verdades , prevalecem os
que sahe. enganos.
Olho máo a quem vio , pegou malícia. As más suspeitas destroem as verdades.
Se naõ vejo pelos olhos , vejo pelos ócu- A verdade naõ sofTredissimuiaçaõ.
los. Sempre das cinzas de mahpremiados resus-
Os que fallaõ com os olhos fechados , que- citaõas verdades.
rem vêr os outros enganados. Ainda que enterrem a verdade , a virtude
Inda que sou tosca , bem vejo a mosca.
'

naõ se sepulta.
Ide, comadre, i feira, vereis como vos Amigo de todos , e da verdade mais.
vai nella. A teu amigo , se te guardar puridade , dize-
Aquém, ou além, veja eu sernprecom lhe<verdade.
quem. A teu amigo, dize-lhe mentira , sete guar-
Naõ bebas cousa , que naõ vejas , nem as- dar verdade , dize lhe puridade.
sines carta , que naõ lèas- Naõ ha peior zombaria ,
que a verdade.
Queres vero por vir , olha o passado. Peleijaõ as comadres , descobrem-se as ver-
O dia de amanhã ninguém o vio. dades.
Comer sem beber , cegar , e naõ vêr. Dobrada he a maldade _, feita com côr de
O que houveres de comer , naõ o vejas fa- verdade.
zer. Ao Medico , e ao Advogado , e ao Abbade
Verap. fallar verdade.
A inverno chuvoso , veraõ abundosoi Quem me naõ crê , verdade me naõ diz.
Março marcegaõ, pela manhã rosto decaõ, A verdade naõ quer enfeites.
ea tarde de bom veraõ. Vai-se a lingua á verdade.
No inverno forneira , e no veraõ tavernei- Sempre a verdade sahio vencedora.
ra. A verdade e o azeite andaõ á tona d agoa.
Paõ de hoje carne de hontem , vinho de
, A verdade amarga.
outro veraõ , fazem o homem saõ. O amigo que falia verdade, he espelho saõ,
Nem no inverno sem capa , nem no veraõ diz o que he.
sem cabaça.
Em o veraõ por calma , e no inverno por
frio, naõ lhe falta achaque de vinho.

O menino , e o bezer rinho no veraõ haõ


frio.

Bácoro fiado , bom inverno,* máo veraõ.


DA LINGUA rORTUGUEZA. I 37
tem número huma a saúde
; , muitas as
Verdades Ethicas , PoliticasEconómicas ,
, e doenças; huma a harmonia , muitas as
extrahidas de vários Autores Portugue- dissonâncias ; ao homem
por lhe parecer
ÍCS, que hum só bem o naó pôde fazer fclue,
busca muitos , e basta que se afieiçoe a
VERITAS ODIUM PARIT, hum só , que he a virtude*
A mujíos parece o bom ensino impertinên-
Quanto mais tontas verdades juntas ? cia , a natureza naõ sahe adulta ; na pri-
mavera da idade naõ pôde o homem ser
Tudo he vaidade , excepto amar, e servir a maduro; trate com sábios, e doutos,
Deos. saberá sem estudar ; aprenderá sem ser
Amar a Deos he a maior das virtudes , ser discípulo
amado de Deos , he a maior das felicida- Seja o homem senhor do seu semblante ,
des. naó permuta que os olhos , e geitos da
A Deos poderás mentir, mas naô podes en- cara mexeriquem o que elle tem no co-
ganar a Deos. ração.
A quem ama Deos , nao pode faltar pre-
a Para homens inquietos o descançohe tor-
mio , porque o próprio Deos he o pre- mento c tal vez os mais quietos do seu
;

mio de quem o ama. descanço se enfastiaó , porque no ho-


O primeiro bem do mundo, que o homem mem , naturalmente amigo de mudan-
ha de procurar , he bom nome ; só des- ças , causa tédio a própria bemaventu-
te nome temos a propriedade; de todos rança.
os mais temos o uso. Se o homem tímido naõ tem coração , o
O maior mal do homem he naõ se conhecer teimoso naó tem cabeça ; porque naó
a si próprio: tarde procurara emendar-se, conhece que seodo o errar hum só de-
,

quem se naó conhece. feito , o sustentar o erro , saõ dous.


Quasi todos querem ensinar com razões ; O homem felice sempre deve temer , sem-
com exemplos poucos ensinaó. pre deve esperar o infelice.
Naõ ha homem sem coração , nem coração Naó ha cousa mais cara, que a que custa ver-
sem desejos. Conheça o homem o que gonha.
deseja, e conheça-se a si mesmo, por Ordinariamente a necessidade he pensaõ d»
naó desejar cousas fora da sua esfera. belleza.
O homem, que quer que o appetite ven- Bellezas ajudadas saõ prata ,
que tem duas
ça a razaõ , dá a entender que nelle naó partes de liga.
ha outra razaõ , que o appetite. Ciúmes mal fundados , e mal pedidos mais
Muitos homens teriaõ no mundo grande lu» parecem buscados , que temidos.
gar , se conhecessem , e procurassem ter Naó ha encarecimento, que naó seja dispa»
hum naõ sei que , que lhes falta. rate.
As obras , e rtã/6 a duração , saõ a medida Atraz dos indignos anda a fortuna com pré-
certa da vida humana. mios , atraz dos bons com desgraças.
Entendimento , e coração ,
juizo , e valor Nas más novas naó ha graça.
fazem ao homem grande parecem op- ; Ao vassallo dá méritos a privança do Rei.
postos , hum tímido, outro animoso
;
A alma do desejo na privação se gera.
mas unidos tudo vencem. Saó tantos os que haó errado, que fazem fá-
Deve o homem saber igualmente o mal , e cil a desculpa.
o bem , para obrar este , e fugir daquel- Até naõ reinarem nos peitos , naó reinaõ
le. os Potentados.
O bem he hum , o mal se divide , e naõ A affeiçaõ he principio de aprender.
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I38 ADÁGIOS PROVÉRBIOS , &C,
Em alma* naó In Rei que mande. Quem naõ quer graças do bem, duas vezes
Mal finge quem quer bem. com el!e obriga.
A ingratidão lie sombra do beneficio. Este risco tem as acções sinceras, que vis-
Aonde ha desigualdade, vive a afFeiçaó tas á luz da malicia naõ o parecem.
violenta. Taes saó os bens da fortuna , que carecer
Quantidades iguaes daó firmeza ao amor. delles he miséria , e possui-lo- perigo.
O esposo aborrecido poucas vezes fica hon- Para a conservação das cousas próprias naõ
rado. he necessário enganar , senaõ procurar
De muitas cousas deve hum discreto guar- naõ ser enganado.
dar-se ,e em primeiro lugar do amigo ; A fortuna naõ consiste em a ter, senaõ em
porque o amigo sabe cousas , que o ini- a merecer ; porque o primeiro he virtu-
nvgo naó sabe; guarde-se o discreto de de , e o segundo he diligencia , ou aca-
oflfender ao poderoso ; guarde-se de sa- so.
hir quando ha perigo ; guarde-se de ser Tarde , ou cedo dá o tempo a cada hum o

fiador de ninguém; guarde se de escre- que merece.


ver cartas , em que pôde haver cousa que Já mais teve o mundo tantos , que ensi-
damne , porque por vinte testemunhas nassem virtudes, como agora , e nun-
vai huma carta com firma» ca houve menos , que se dessem a ellas.
Casa sem dono tudo he atrevimento. Muitas ve2es saõ reprehendidos os Auto-
Com inveja , e com ciúmes he aspid a me- res , naõ dos que sabem compor Obras
,
lhor mulher, senaõ dos que naõ sabem entende-las ,
Porfiar naô he cortezia , naõ he descortezia nem ainda le-las.
o rogar. Naõ ha caso, por perdido que seja, que pos-
Amar com ingratidão h& perdição discreta. to na «naó de hum Sábio , delle naó es-
Quem lastimas escuta , está perto de per- peremos remédio; e naõ ha caso , por
doar. ganhado que seja , que posto na maõ de
Semore o medo nasceo da culpa. algum simples , naô* se espere perde-lo.
Para desvalidos ainda a vista he ausência. Nos casamentos todo o erro está em cobi-
Quando o Príncipe he bom , naõ pôde ha- çar a fazenda , que está na bolsa , e naó
ver Alinistro máo. examinara pessoa , que traz a sua casa.
Para humildes corações nascerão as invejas. Nem todos os que nos açrádaó na Praça ,
A mais nobre grandeza he o ter para dar. nos agradarão se os mettermos em casa.
Facilmente se louva tudo o que se naõ in- Todas as boas obras podem ser condemna-
veja. das ; porém a boa condição tem tal pri-
Naõ he favor aquelle , que sem vontade de vilegio , que no inao a louva o bom , e
seu dono se adquire. no bom a approva o máo.
Por reinar , qualquer perigo he decente. Sempre os máos saó dobradamente mãos ,
Perdoar he vencer. porque trazem armas defensivas para os
Naõ lastimaõ as desgraças dos que se naõ- males próprios, e offensivas para os bens
conhecem. alheios
Donde naõ ha perigos.
ha valor , Nenhum homem sofTre tanto a sua muíber,
Ainda que enterrem a verdade , a virtude que naó seja obrigado a sotTrer mais.
naó se sepulta. O coração do homem he mui generoso , e o
Sempre he valente a innocencia. da mulher mui delicado ;
quer por pou-
Donde naõ ha amor , pedir ciúmes he lou- cobem muito premio , e por muito mal
cura. nenhum castigo.
O temor naõ he de homens fortes , ntm o A mulher, que se casa por formosa, espere
agouro de homens sábios. na velhice ter má vida.
DA LÍNGUA PORTUGUEZA. f.jj
O homem tendo a mulher feia , tem a fa- Commettemos a culpa , vendo vir por
ma segura. ella apena podendo ir pela ponte, ro-
;

A cousa mais fácil do mundo he dar conse- deamos pelo váo estando o vao seguro
;

lho a outrem , e a mais árdua he toma- nos aventuramos ao golfo , e naufraga-


lo para si. mos no pego porque nos tenhaõ por
;

Donde a sensualidade reina , a razaõ se dá bons assestamos ao alvo das virtudes ,


,

por despedida e desarmamos no terreiro dos vicios.


Na Corte ha parcialidades antigas , dissen- Em vaõ aos moços vãos damos conselhos ,
sões presentes; juizos temerários, e tes- porque a mocidade he sem experiência
temunhos evidentes ; entranhas de ví- do que sabe, suspeita do que ouve , e
boras , e línguas de serpentes ; malsins incrédula do que lhe dizem ; desprezado-
muitos, amigos poucos ; nella todos to- ra do conselho alheio , e mui pobre do
maõ voz de República, e cada hum bus- seu próprio.
ca a utilidade própria; todos publicaõ Naó ha velha taõ carregada de annos , nem
bons desejos , em más obras todos se oc- velho de taõ podres membros , que naó
cupaõ. Na Corte cada dia mudafi Senho- tenha o coiacaó saó para cuidar ruinda-
res , renovaõ Leis , despertar") paixões ,
des , e a lingua inteira para dizer menti-
levantaõ ruidos, abatem os Nobres, fa- ras
vorecem os indignos, desterraõ os inno- O maior dos infortúnios he quando pode
centes , honraõ os roubadores , amaó os pouco, e quer muito ; e a maior das
lisongeiros , desprezaõ os virtuosos , a- fortunas he quando o homem quer
braçaõ os deleites , escouceaó as virtu- pouco , e pode muito.
des , choraõ pelos mãos , e rim-se dos Assim se tempere o ri^or da Justiça , que
bons. os Ministros mostrem compaixão , e naó
A hum Príncipe virtuoso tudo se lhe ren- vingançi; c os culpados tenhaó (C asiaó
de ; a hum Príncipe vicioso parece que de emendar as culpas passadas, e naó
aterra se lhe levanta. vingar a injúria presente.
O que governa a República, e commette Quanto mais a arvore se detém em criar ,
todo o governo aos velhos , mostra ser tanto mais tarda em envelhecer ; das de
inhabil ; o que o fia dos moços , he le- que comemos depressa seu fruto no ve-
viano ; o que a rege por si só , he atrevi- rão , nos aquentamos a seu fogo no in-
do ; e o que por si só , e por outros , he verno.
prudente. Naó "he possivel, que quem aparta as ore-
O remédio ha de vir dos ricos , e a conso- lhas de ouvir verdades , applique seu
lação dos sábios. coração a amar virtudes.
O cio he muito antigo entre os filhos da Notável cousa he para hum homem vergo-
vaidade, a hngua pairar mui depressa , nhoso , tomar officio, no qual para cum-
e as mãos obrar mui de v.igar. prir com todos, ha de mostrar o tosto
Mais asinha morrem os mui sãos com en- de fora contrano ao que sente de den-
fermidade de poucos dias , que os mais tro.
fracos com mal de muitos annos. A mulher de boa vida naó teme ao homem
Despei*-se o mundo sem dizer-nos nada de má lingua.
;

co isome-se a carne , sem que ninguém A mulher , que quizer ser boa , nem do si-
o sinta; passa- se a nossa floria, como so de sisudos fie sua pessoa , nem da li-
se nunca fora, e saliea nos a morte , viandade de liviauos sua fama
sem chamar primeiro á porta. O amor de todas as mulheres di-jirir-se-ha
Com seus desatinos , tem o mundo tanto com huma pílula , e a p<óxaõ de iiuma
tino, que nos traz todos desatinados. só naó a desopilatá todo o ruibaíbo de
Alexandria- S a
I40 ADÁGIOS, PROVÉRBIOS , &C.
Cousa he mui commum aos néscios tratar O ponto naó está em dar razões ,
que sem-
de livros , e aos cobardes blazonar de ar- pre sobejaó , se naó em ter razaó ,
que
mas. muitas vezes falta.
Os corações generosos quanto se regalaõ, e Todas cousas mal feitas certa gente tem
as
gloreaó de dar a outros , tanto se affron- por sua parte, que as approva , como
ta5 em receber serviços , porque dando as que saó acertadas.
se fazem senhores, e recebendo se tor- Os olhos, e a boca saó os caminhos , por
naó escravos. onde o animo se descarrega do pezo, com
Para chegar á gloria o mais breve caminho que naó pôde.
he o da virtude ; naó necessita de fazer Tanto mal faz ás vezes o sobejo bem, como
larga viagem , quem quer obrar com a- a falta delle.
certo. A experiência he o fruto, que secolhe dos
Pervle a obra o Artífice naó publica ,
,
que a erros.
ou para a admiração , ou para o ensino. Entaó se acaba a vida , quando se acabaó as
Grande infelicidade, que se entregue o go- cousas , que o fazem estimar.
verno de huma monarquia ao que ignora Bocejos saó grimpa de enfadamento.
o governo de sua casa. Huma pessoa desconsolada , e falta de fa-
O sinal mais certo da declinação de huma vores , até fingidos os tem por bons.
prosperidade , he haver chegado ao mais Quem naó se guarda do que receia , naó se
sublime ponto da sua grandeza. espante quando vir o que teme.
As verdades hoje perdem grande parte da Dous olhos naó bastaõ para chorar grandes
sua estimação, se saô despidas da elo- males.
quência. Diga-se a verdade, porém com Toda a consolação he escusada , quando os
o vestido , que lhe tem dado o tempo. males saó sem remédio.
Muitos naó alcançaó o que desejaõ , por Naó he honra acabar cousas pequenas.
em seus desejos.
faltar-lhes a razaó Os Profetas falláraó verdade, e morr-êraó
A ingratidão he sepultura do amqr. por ella, e estoutros Contraprofetas tra-
Para alcançar glorias do mundo , naó deve taó sempre mentiras e vivem delias.
,

o homem aspirar a mais do que pede a Hum palmo de preguiça accrescenta dez de
sua capacidade. dam no.
A razaó caminha de vagar
, mas vagar tudo A esperança he huma dôr comprida.
faz seguro
naó perdida a occasiaó.
, Naó se vence perigo sem perigo.
Quem mente , naó quer que creiaó. Os Juizes saó como rio , que daó s e tiraÓ ,
O costume he engano da gente , e descul- segundo á parte se inclinaó.
pa de muitos erros. He estrella de máos consumir a fazenda
Quem está perto da razaó, fica longe da com letrados , e a vida com fysicos.
cuipa. Perdemos a obrigação do b j m passado com
A Fé naó tem olhos , quem quer vêr naó queixa do mal presente
a
tem Fé. Os prudentes louvaó os fundamentos das
Ser attentado , naó he ser cobarde. cousas , e os ignorantes os suecessos ,
Grandes cousas cura o tempo e assim saó , que a ventura dá.
melhores os seus meios , que nenhum Quem ama , sabe o que deseja , mas naó
outro remédio. vô o que lhe convém.
Próprio he á gente de pouca idade , alvoro- A formosura he hum engano mudo ; e he
çar-se com novidades. peior que o fogo , porque este queima a
A quietação do animo he o verdadeiro des- quem o toca , e el la abraza de longe. A-
canço do corpo. ristoteles , a qut-m lhe pergunto» , por-
Quem mostra