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Projeto

temático

BULLYING

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Sumário
Afinal, o que é leitura literária e por que ela é importante
na vida escolar e não escolar de crianças e jovens? 3
Projetos temáticos: todos juntos com
um objetivo comum 5
Bullying: relevância do tema na escola 7
Proposta de projeto escolar com o tema “Bullying” 8
Procedimentos metodológicos 11
11
Educação Infantil

Ensino Fundamental I 14

Ensino Fundamental II 18

Fechamento do projeto “Bullying” 25

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Afinal, o que é leitura literária e por que ela
é importante na vida escolar e não escolar
de crianças e jovens?
É sabido que existe consenso tanto na escola quanto na sociedade quan-
do se diz que a leitura é importante. Se perguntarmos a diferentes pessoas,
sejam elas profissionais da educação ou de outras áreas, alunos, pais ou res-
ponsáveis, se a leitura é importante, teremos quase unanimidade na resposta:
a leitura é muito importante, sim.
Contudo, poucas pessoas têm clareza das razões para a valorização da
leitura, não só a literária, mas todo e qualquer tipo de leitura. Para entender
essas razões, temos primeiro de responder à pergunta: o que é a leitura?
Podemos definir leitura, de modo geral, como um processo de interação
entre o leitor e o texto, sendo esses dois elementos muito complexos. O leitor,
ao interagir com o texto, acessa seus conhecimentos prévios, seus conheci-
mentos de mundo, seus conhecimentos linguísticos, seus valores e suas cren-
ças, sua bagagem cultural. O texto também é um produto sócio-histórico e
cultural: traz em si aspectos do gênero textual a que pertence, do tempo e do
espaço em que foi produzido, dos valores da sociedade em que foi concebido,
das intenções de seu produtor e das relações com outros textos. Essa comple-
xidade vale para qualquer tipo de texto, de leitura e de gênero textual.
Se a leitura é interação e construção de sentidos, ela abre uma espécie
de conversa entre o texto e o leitor. Os textos abordam diferentes temas, com
variadas visões de mundo, são produzidos em diferentes épocas, com finalida-
des diversas, tudo ao alcance do leitor.
E o que dizer da leitura de textos literários?
A leitura literária também é um processo de interação. O texto literário
tem particularidades que possibilitam um trabalho com a experiência vivida
pelo autor, com as histórias contadas, com as elaborações poéticas por meio
da linguagem e com a abertura para novas perspectivas, novas maneiras de
ver e entender o mundo, por meio da ficção, do faz de conta e das brincadeiras
com a linguagem. Nesse tipo de leitura, o texto pode tocar o leitor, levando-
-o também a expressar sua subjetividade e a elaborar sua maneira de ver o
mundo, o que é sempre enriquecedor, principalmente para crianças e jovens.
Na escola, podemos trabalhar a leitura de literatura, com textos verbais
e não verbais, como atividade lúdica de construção e reconstrução de sen-
tidos, a fim de levar o aluno a desenvolver a criatividade e a imaginação na
interação com textos que apresentam “mundos possíveis”1.
Literatura é arte, envolve fruição do texto, admiração pela qualidade es-
tética da linguagem empregada. O desafio do professor é ajudar o aluno a per-
ceber essas características e a elaborar ou rever suas interpretações iniciais,
sem descartar suas leituras originais, ou seja, o professor não deve apresentar
ao aluno leituras prontas, únicas e previamente consideradas “corretas”, mas
ajudá-lo a construir sentidos com base no que o texto traz para a interação,
levando em conta a visão de mundo e os conhecimentos prévios desse aluno.

1 MARTINS, I. A literatura no Ensino Médio: quais os desafios do professor?. In: BUNZEN, C.; MENDONÇA,
M. Português no Ensino Médio e formação do professor. São Paulo: Parábola, 2006.

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Desse modo, a leitura deve envolver um aluno ativo no levantamento de
hipóteses sobre os sentidos do texto, o que o torna de fato um leitor, em um
processo que envolve todos os professores, de todos os segmentos e em todas
as disciplinas, e não apenas o professor de Língua Portuguesa.
Para formar leitores, o professor precisa estimular o interesse do alu-
no pela leitura por meio da participação em atividades diversificadas e
não necessariamente veiculadas ao livro didático. Ler não pode ser uma
tarefa escolar, uma obrigação de reportar conteúdo. Quanto mais desvin-
culada da obrigatoriedade, melhor. E isso não é suficiente. Como ensina
Angela Kleiman:

[...] somente quando se ensina o aluno a perceber esse objeto que é o texto em
toda sua beleza e complexidade; isto é, como ele está estruturado, como ele
produz sentidos, quantos significados podem ser aí sucessivamente revelados,
ou seja, somente quando são mostrados ao aluno modos de se envolver com
esse objeto, mobilizando os seus saberes, memórias, sentimentos para assim
compreendê-lo, então há ensino da leitura. [...]2.

Assim, nosso papel é fornecer um conjunto de instrumentos e de es-


tratégias para o aluno realizar esse trabalho de forma progressivamente
autônoma.
Disponibilizar esse conjunto de instrumentos e estratégias de leitura e
elaborar interpretações com o aluno é ensiná-lo a gostar de ler. Ou seja, o pra-
zer da leitura é um prazer aprendido, como defende Marisa Lajolo3, e não algo
inato. E isso tem relação com a história de leitura que construímos com os
alunos – história que pode ser sempre transformada, principalmente quando
alguns deles afirmam não gostar de ler.
Dessa forma, a leitura literária contribui para a formação humana e para
sua abertura ao conhecimento, despertando a curiosidade, a imaginação e a
capacidade de se transportar para outros lugares, de se colocar no lugar do
outro e de refletir sobre seu lugar no mundo e sobre a interação com ele. Tal
capacidade desenvolve o respeito e a admiração pela diversidade, por diferen-
tes culturas, pelo inusitado, desenvolve a observação e a análise crítica, além
de tornar o leitor mais atuante e plenamente inserido no contexto social em
que vive.
Diante de todas essas possibilidades oferecidas pela leitura literária, fica
claro que precisamos ler para e com os alunos e que, para que eles também
considerem a leitura essencial, nós, professores, temos de reservar tempo
para a leitura em sala de aula, de maneira planejada e articulada com outros
conteúdos escolares, abordando temas de importância para a formação hu-
mana e cidadã dos alunos. Essa é a proposta deste Caderno.

2 KLEIMAN, A. Contribuições teóricas para o desenvolvimento do leitor: teorias de leitura e ensino. In:
ROSING, T.; BECKER, P. (Org.). Leitura e animação cultural. Repensando a escola e a biblioteca. Edição bilíngue.
Passo Fundo: UPF, 2002. p. 27-68.
3 LAJOLO, M. Meus alunos não gostam de ler... O que eu faço? Campinas: Unicamp, 2005.

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Projetos temáticos: todos juntos com
um objetivo comum
Os projetos temáticos no âmbito escolar têm como foco principal criar
a oportunidade de diferentes anos escolares de um mesmo segmento e/ou
de segmentos diferentes discutirem, de forma construtiva e coerente, temas
relevantes para a formação dos alunos. Os projetos tornam a leitura na escola
uma ação integrada e integradora, que propicia aos alunos perceber vários
pontos de vista, apresentados por alunos de vários anos escolares e faixas
etárias, e seu contato com obras de diferentes autores e gêneros textuais.
Quando falamos em projetos escolares, mesmo com uma variedade de
denominações e linhas teóricas a seguir, tratamos de uma série de atividades
desenvolvidas por um grupo de alunos para alcançar um objetivo comum.
Acreditamos que, dessa forma, há engajamento no estudo, no planejamento e
na execução das ações, além de grande possibilidade de troca de experiências
entre os alunos.
Em projetos, o que geralmente guia as atividades é a participação em
uma prática social: uma exposição de arte, uma feira científica, um sarau, um
jornal mural, uma campanha comunitária. O projeto proposto deve ter base
em um interesse real dos alunos e possibilitar o trabalho sistematizado de vá-
rios conteúdos, partindo do que é familiar ao aluno para, então, trazer o novo,
o diferente, o que ainda não foi visto, introduzindo o aluno em práticas sociais
que vão permitir a ele maior eficácia na atuação em sociedade.
O tema escolhido serve como ponto de partida para o trabalho pedagó-
gico, que será ler e produzir textos para serem apresentados em uma prática
social (pode ser campanha, mostra, exposição, pesquisa ou ainda a confecção
de um livro – um almanaque, uma antologia de contos, poemas ou ditos po-
pulares, por exemplo, ou ainda um livro de receitas)4.
Para a execução dos projetos, os alunos organizam-se e dividem-se para
alcançar um objetivo comum, sem que todos tenham de realizar necessaria-
mente as mesmas atividades. Essa organização e divisão pode ser voluntária,
ou seja, os próprios alunos decidem com quais colegas trabalharão em cada
atividade, ou mediada pelo professor. Nesse caso, sugerimos mesclar os alu-
nos em diferentes grupos a cada atividade, evitando a formação de “panelas”
e a concorrência exacerbada entre grupos e visando possibilitar mais oportu-
nidades de convivência entre os alunos.
Para despertar o interesse dos alunos, os projetos devem envolver a lei-
tura de textos que circulem na sociedade e a produção de textos que serão
lidos por outras pessoas além do professor, em um trabalho coletivo de alu-
nos e professores, respeitando-se sempre a capacidade e o nível de leitura de
cada um. Assim, os projetos transformam objetivos circulares, como “escre-
ver para aprender a escrever”, “ler para aprender a ler” ou “estudar para me-
morizar conteúdos”, em ler, escrever e estudar para compreender e aprender
aquilo que for relevante para o desenvolvimento e a realização do projeto.5

4 As diferentes propostas de pedagogia baseadas em projetos apoiam-se na ideia do engajamento dos


alunos tendo em vista um tema ou uma prática social. Aqui, baseamo-nos na proposta de projetos de
letramento da educadora Angela Kleiman.
5 KLEIMAN, A. Projetos de letramento na Educação Infantil. In: Caminhos em Linguística Aplicada. Taubaté:
Unitau, 2009. v. 1, n. 1.

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Nesse tipo de planejamento, mais do que dominar conteúdos, o professor pre-
cisa identificar os interesses da turma, orientá-la a levantar dados e informa-
ções relevantes para atingir as metas do projeto; a fazer perguntas instigado-
ras para, coletivamente, obter respostas; a identificar dificuldades e propor
conteúdos necessários para saná-las. Aprender a buscar, a continuar apren-
dendo e a participar de práticas de letramento são aprendizagens funcionais
ao longo da vida.
Ao promover esse planejamento, nada impede que o professor sistema-
tize conteúdos, proponha atividades de interpretação, desenvolvendo diferen-
tes habilidades de leitura, sugira atividades de alfabetização e/ou ortografia,
ou ainda que proponha jogos para memorização de uma regularidade da lín-
gua, por exemplo. Segundo Angela Kleiman:

[...] da perspectiva da criança, ela se engaja em atividades que lhe interessam,


com resultados satisfatórios, do ponto de vista lúdico, estético, afetivo, cogniti-
vo, linguístico-discursivo. Produz petecas e bonecos, delicia-se com pratos gos-
tosos, brinca e faz das personagens de livros seus amigos, planeja e executa
uma campanha de conscientização na escola. Aprende formas de registrar essas
experiências e, por isso, o desenho e a escrita estão presentes em praticamente
todas essas atividades, porém nunca como objetivos destas, a serem focalizados,
sistematizados, testados, mas como meios, estratégias para entender o mundo.6

Essa prática também promove uma relação positiva da criança com a


escrita: ela percebe as funções que a escrita pode ter em sua vida e aprende
a agir conscientemente por meio dela. Além disso, num trabalho lúdico e
participativo, a criança cria uma relação prazerosa e afetiva com a leitura,
abrindo possibilidades de adentrar novos mundos e de elaborar novas com-
preensões destes.
Em projetos como o sugerido neste Caderno, a avaliação é processual e
ativa. Processual porque o professor observa e avalia o envolvimento do aluno
durante todo o projeto e acompanha suas produções conforme os objetivos
traçados; ativa porque os alunos são envolvidos na avaliação: a turma pode
avaliar se apresentou o resultado esperado e se contribuiu de maneira satis-
fatória com o projeto da escola e com as outras turmas. Em vez de o professor
assumir o papel de leitor e juiz exclusivo do texto e das diversas produções do
aluno, ele passa a ter um comportamento de mediador da leitura, abrindo o
leque das interações: os próprios alunos podem ler, analisar e criticar os tex-
tos e as diversas produções dos colegas.7

6 KLEIMAN, A. Projetos de letramento na Educação Infantil. In: Caminhos em Linguística Aplicada. Uni-
tau, Taubaté, v. 1, n. 1, 2009, p. 9.
7 ANTUNES, I. Avaliação da produção textual no Ensino Médio. In: BUNZEN, C.; MENDONÇA, M. (Org.).
Português no Ensino Médio e formação do professor. São Paulo: Parábola, 2006.

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Bullying: relevância do tema na escola
A prática do bullying caracteriza-se por agressões intencionais, que, no
contexto escolar, podem ser verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva e
frequente, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying
tem origem na palavra inglesa bully, que significa “valentão, brigão”. Ou seja, o
bullying é uma situação de violência específica, que tem continuidade e pode
envolver indivíduos – o agressor e a vítima – ou grupos.
Em reportagem para a revista Nova Escola1, Telma Vinha, doutora em Psi-
cologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que, para ser considerada bullying, a
agressão física ou moral deve apresentar quatro características: a intenção do
autor em ferir o alvo de alguma forma, a repetição da agressão, a presença de
um público espectador e a concordância do alvo com relação à ofensa. Sobre
esse último ponto, um pouco polêmico, a estudiosa afirma: “Quando o alvo
supera o motivo da agressão, ele reage ou ignora, desmotivando a ação do au-
tor”. Ou seja, segundo ela, o incômodo causado no agredido ajuda a alimentar
a continuidade da perseguição.
Entretanto, é preciso diferenciar bullying de discussões ou brigas pontuais,
que fazem parte dos conflitos diários esperados na convivência escolar e preci-
sam de intervenção e mediação, mas de maneira distinta à prática do bullying. 
Porém, não é fácil para a vítima do bullying reagir ou ignorar as agressões,
de modo a interromper seu ciclo, o que traz consequências negativas psico-
lógicas, sociais e de aprendizagem ao aluno. Além de um possível isolamento
ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por hu-
milhações preconceituosas, difamatórias ou separatistas podem apresentar
doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma. Em alguns casos
extremos, o bullying pode levar o jovem ao suicídio.
Hoje, o bullying se alastra para fora dos muros da escola. Com os meios
eletrônicos, como a internet, os apelidos pejorativos e as perseguições foram
tomando proporções maiores com a prática do cyberbullying: os momentos de
humilhação e perseguição podem se tornar constantes com o uso de redes so-
ciais, e-mails e aplicativos de mensagens instantâneas, causando mais trans-
tornos à vítima em uma escala sem limite, já que na internet todos podem ter
acesso aos apelidos e às ofensas.
Nas redes sociais, o anonimato e a distância física podem aumentar a
crueldade dos comentários e das ameaças, e os efeitos podem ser piores do
que no ambiente físico. A perseguição se torna tão presente que tanto o au-
tor quanto a vítima têm dificuldades de sair desses papéis e retomar valores
esquecidos ou ainda formar novos valores, como a empatia, o respeito e o
companheirismo.
O autor da prática de bullying costuma agir dessa forma por querer ser
mais popular, sentir-se poderoso e consolidar uma boa imagem de si mesmo.

1 21 perguntas e respostas sobre bullying. Ago. 2009. Disponível em: <http://novaescola.org.br/formacao/


bullying-escola-494973.shtml>. Acesso em: 13 set. 2016.

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Dessa maneira, o grupo todo é envolvido no processo: o agressor, a vítima e os
espectadores, que ou validam a imagem positiva do agressor ou são omissos.
Também são considerados espectadores os que atuam como plateia ativa ou
como torcida, reforçando a agressão, rindo ou dizendo palavras de incentivo.
Um dos problemas é que essas atitudes muitas vezes são encaradas
como naturais e corriqueiras dentro do ambiente escolar. Por isso, o proje-
to aqui proposto busca conscientizar a toda a comunidade escolar quanto à
perversidade dessa prática e à necessidade de impedir que ela ocorra. Além
da necessidade de atitudes imediatas de professores, coordenadores e diretor,
que não devem se omitir ou tratar o bullying como brincadeira, é preciso in-
vestir na criação de um ambiente de respeito e boa convivência na escola, o
que requer uma constante conscientização de pais, responsáveis, alunos e da
equipe escolar para destruir a visão positiva que o agressor e os espectadores
têm do bullying.
A literatura é uma poderosa ferramenta para o exercício de se colocar
no lugar do outro, de viver outras histórias e poder falar de si mesmo por meio
da ficção, de poder comparar situações reais com situações vividas por perso-
nagens, ou seja, de trabalhar a empatia. Acreditamos que, sensibilizando os
alunos por meio da literatura, eles próprios se tornem agentes de conscienti-
zação de toda a comunidade escolar.
Antes de partirmos para a proposta do projeto, veja os conselhos dos
especialistas Cléo Fante e José Augusto Pedra, autores do livro Bullying escolar
— perguntas e respostas (1. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008. 132 p.):
Incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças por
meio de conversas, campanhas de incentivo à paz e à tolerância, trabalhos
didáticos, como atividades de cooperação e interpretação de diferentes pa-
péis em um conflito;
desenvolver em sala de aula um ambiente favorável à comunicação entre
os alunos;
quando um estudante reclamar de algo ou denunciar o bullying, procurar
imediatamente a direção da escola.

Proposta de projeto escolar com


o tema “Bullying”
A proposta aqui desenvolvida direciona o trabalho com o tema em foco
para um produto comum a três segmentos de ensino: Educação Infantil, En-
sino Fundamental I e Ensino Fundamental II. Toda a escola será envolvida
no tema para que os grupos de alunos apresentem seus resultados. Assim, o
projeto se organiza em um objetivo geral, comum a todos os segmentos, e em
objetivos específicos para cada etapa.
Apresentamos a seguir esses objetivos. Na próxima seção, serão detalha-
dos os procedimentos metodológicos para cada segmento.

Objetivo geral
Envolvendo alunos, pais, professores e funcionários da escola, organizar uma Campanha de
Conscientização contra o bullying e a violência.

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O despertar para o tema será feito por meio das leituras literárias pro-
postas. O faz de conta ajuda a criar espaços para abordar temas delicados e
estimula o exercício da empatia. Além disso, o projeto será desenvolvido por
meio de filmes, brincadeiras, trabalhos em grupos e contações de histórias,
proporcionando a reflexão sobre as causas e consequências do bullying e da
violência na escola.
Cada segmento vai contribuir com diferentes produções para a Cam-
panha de Conscientização. O interessante é que, para conscientizar os ou-
tros, é preciso que os próprios alunos saibam dos males da prática do bullying.
Assim, até chegar aos produtos finais, será realizado todo um processo de
diálogo e construção conjunta de ideias de empatia e respeito ao outro e à
diversidade.
Para manter uma sinergia entre os segmentos, é importante que os coor-
denadores e professores dialoguem durante a organização e que o projeto seja
integrado ao cotidiano escolar.
Vejamos, então, os objetivos específicos por segmento.

Educação Infantil
Nesse período da infância, as crianças estão construindo sua identidade.
O trabalho com a diversidade contribui para que elas entendam que são di-
ferentes umas das outras e que isso é próprio dos grupos humanos. O(A) pro-
fessor(a) pode estimular a valorização da diversidade e a construção tanto de
uma identidade positiva para os alunos quanto de relações respeitosas entre
os colegas, independentemente das relações de amizade. Nessa etapa, os alu-
nos já entendem que podem não ser amigos de todos na turma, mas devem
construir relações positivas e respeitosas com todos.
Para este segmento, o objetivo específico é que, baseadas nos livros lidos
e trabalhados em sala de aula, as turmas contribuam para a campanha com
desenhos e contações de histórias.
A produção de desenhos é uma maneira de possibilitar aos alunos des-
sa faixa etária a expressão e a interação por meio de outras linguagens além
da verbal-oral. Eles podem expor sua compreensão das histórias lidas e de si
mesmos como sujeitos que compõem a diversidade social, em uma lingua-
gem adequada ao segmento de ensino em que estão e ainda começar a dife-
renciar o registro verbal escrito de outros registros, como o desenho.
A contação de histórias pressupõe a compreensão e a exploração da his-
tória lida, possibilitando um trabalho aprofundado com a interpretação de
textos. Além disso, a postura, os gestos e a entonação da voz são outros as-
pectos a serem desenvolvidos em atividades como esta, habilidades que serão
requisitadas ao longo da vida escolar dos alunos.
As leituras e as contações, por meio do faz de conta, possibilitam aos
alunos iniciar o exercício de se colocar no lugar do outro – os personagens – e
de imaginar outras realidades possíveis. Vários estudos mostram que o faz de
conta infantil traz avanços para o desenvolvimento da criança: ela desenvolve
sua independência, reconhece-se como alguém distinto dos demais e passa a
querer atuar como os mais velhos.2

2 MARTINS, M. S. C. Oralidade, escrita e papéis sociais na infância. Campinas: Mercado de Letras, 2008.

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Ensino Fundamental I
Nesta faixa etária, os alunos, aos poucos, passam a compreender melhor
os motivos das regras de convivência no ambiente escolar. Esses motivos po-
dem ser explorados a partir das leituras, de modo a auxiliar no trabalho das
turmas para a campanha.
A ideia é que os alunos deste segmento desenvolvam, a partir dos livros li-
dos, pesquisas tanto de dados gerais sobre o bullying no Brasil como dados da
própria turma e da escola e exponham em forma de infográficos em cartazes con-
feccionados por eles. A interdisciplinaridade com Matemática na construção dos
infográficos possibilitará a aplicação dos conteúdos trabalhados. Além disso, algu-
mas turmas criarão cartazes com frases, poemas e trechos de canções para cons-
cientizar a comunidade escolar sobre a necessidade de respeito entre as pessoas.
Os textos podem ser tanto de autoria de outras pessoas como da própria turma.
O ideal é que os cartazes se aproximem da linguagem cotidiana dos alu-
nos, que passará a ter uma função social relevante dentro da esfera escolar: a
conscientização do outro por uma causa. Também é importante que os cartazes
explorem as linguagens visuais e o gênero pesquisa, tão utilizado ao longo da
vida escolar e, posteriormente, na vida acadêmica e/ou profissional. Com essa
atividade, busca-se reorientar o que entendemos por pesquisa na escola:
[...] é muito comum, na escola, solicitarmos pesquisas a nossos alunos. Contudo,
muitas dessas pesquisas não partem de uma curiosidade ou dúvida real dos alu-
nos e acaba se tornando uma atividade de cópia: o aluno acessa a internet, digita
a palavra-chave no site de buscas e copia o conteúdo do primeiro ou segundo
link que aparece. Muitas vezes, o estudante nem mesmo lê o texto que entrega
ao professor (DE GRANDE, s.d.). [...]3

Diferentemente de pesquisas soltas, sem objetivos específicos ou pro-


blemas a serem solucionados, este projeto tem em vista o direcionamento
de ações e a busca de compreensão para conscientizar a comunidade escolar
sobre o problema do bullying.

Ensino Fundamental II
Nesta faixa etária, os alunos podem encarar de maneira mais séria o
problema e as consequências do bullying. O objetivo deles será organizar se-
minários na escola com temas relacionados ao bullying, à violência e sua pre-
venção. Os próprios alunos apresentarão seminários, mas também poderão
convidar especialistas para falar a pais, responsáveis, alunos e professores. A
ideia é que os grupos abordem as diferentes formas como o bullying acontece,
incluindo o cyberbullying.
A escolha por seminários neste segmento do ensino deve-se ao fato de
ser um gênero oral público formal relevante para desenvolver nos alunos ha-
bilidades importantes nessa fase. Planejar a fala, traçar objetivos, selecionar
informações, pensar no público-alvo, articular a linguagem oral com a lingua-
gem visual e escrita dos suportes ao seminário (cartazes ou apresentações di-
gitais), ser claro, saber responder às perguntas do público são aprendizagens
a serem desenvolvidas com a exploração desse gênero.

3 Plataforma do letramento. Experimente – despertar o espírito investigativo da turma... Disponível em:


<www.plataformadoletramento.org.br/acervo-experimente/915/despertar-o-espirito-investigativo-da-
turma.html>. Acesso em: 13 set. 2016.

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Procedimentos metodológicos
Educação Infantil
Todas as turmas de Educação Infantil vão contribuir para a Campanha
de Conscientização produzindo desenhos baseados nos livros lidos. Os alunos
também podem aproveitar as histórias lidas para decorar as salas de aula
com reproduções de imagens dos personagens e das capas das obras, ou ain-
da com mais desenhos feitos por eles, com títulos e trechos dos livros e com
imagens de seus autores e ilustradores. Dessa forma, o próprio ambiente da
sala de aula já será um espaço de valorização da diversidade e de conscienti-
zação. Além disso, as turmas podem recontar as histórias para outras turmas
na Campanha de Conscientização contra o Bullying e a Violência na Escola.
Para a produção dos desenhos, você pode prosseguir deste modo:
Faça uma roda de conversa com a turma. Pergunte se os alunos já passaram
por situações em que sofreram com apelidos pejorativos, com exclusão em
brincadeiras ou se eles próprios já deram apelidos maldosos a alguém ou dis-
criminaram colegas ou zombaram deles por algum motivo (estar acima do
peso, ser magro demais, usar óculos, ser vesgo, ter o cabelo diferente, ter sar-
das, usar bota ortopédica, ter os dentes tortos, usar aparelho ortodôntico, etc.).
Explique aos alunos que situações que incluem apelidos ofensivos, brinca-
deiras intimidadoras, chacotas ou até impedimento de um colega participar
de atividades coletivas constituem bullying. Pergunte como eles se sentem
quando algo parecido acontece com eles. Na conversa, mostre que ninguém
gosta de ser excluído, apelidado de maneira ofensiva ou de ser alvo de zom-
barias e que sempre devemos pensar em como o colega se sente, ou seja,
colocarmo-nos no lugar do outro.
Então, apresente a Campanha de Conscientização contra o Bullying e a Vio-
lência na Escola. Diga à turma que todos vão produzir desenhos que serão
expostos no evento, e que os desenhos representarão maneiras de respeitar
os outros e de se colocar no lugar do próximo, pensando: como eu me senti-
ria se alguém agisse assim comigo? Eu posso mostrar os meus sentimentos?
Como demonstrar o que eu sinto aos colegas sem brigar?
Para continuar a abordagem do assunto, faça uma leitura coletiva. Veja as
sugestões a seguir:

Faixa etária Obra Sugestões de trabalho

Livro de imagens que conta a história de Nerina,


rejeitada pelo rebanho por ser negra. Ela vai
embora e encontra um lobo, negro como ela.
Nerina, a ovelha Ele propõe que ela se passe por ele para vingar-
negra, Michele -se das ovelhas. Na verdade, ele quer usar Nerina
3 e 4 anos Iacocca, Ática, 1. para atrair o rebanho. Ela aceita, mas quando
ed., 2012, tudo parece perdido, Nerina mostra que pode
32 páginas. fazer a diferença e salvar o dia! Esta obra pode
ser trabalhada com os alunos para mostrar a eles
que às vezes, para agradar alguém e sentir-se
aceito, acabamos ofendendo outras pessoas.

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Faixa etária Obra Sugestões de trabalho

Serafim é um menino que tem medo de arriscar


para não errar, para não perder ou ficar para o
fim. Assim, ele perde várias oportunidades de se
divertir, de aprender. Aos poucos, ele se integra
à turma e passa a dividir momentos com seus
Serafim, Bel colegas na escola. É interessante, a cada página,
Linares e Alcy, procurar com a turma onde está Serafim e o que
5 anos
Formato, 1. ed., ele está fazendo. Chame a atenção dos alunos
2013, 40 páginas. para a timidez do personagem: é comum crianças
tímidas não se integrarem ao grupo e acabarem
excluídas de brincadeiras e de atividades. Por
outro lado, é importante destacar também que é
preciso respeitar as vontades das pessoas e não
obrigá-las a fazer o que não querem.

Leia o livro uma primeira vez para a turma, sempre mostrando as páginas
aos alunos. Faça perguntas sobre o enredo e as personagens: como são as
personagens, o que gostam de fazer, onde vivem, onde a história se passa, o
que aconteceu na história que mais chamou a atenção, como era a relação
entre as crianças da história, como elas se sentiam. O exercício é levar os
alunos a se colocar no lugar das personagens e pensar em como se senti-
riam em cada situação vivida.
Peça aos alunos que atentem para as características dos personagens, dan-
do destaque à diversidade presente na história e na própria turma. É impor-
tante que eles percebam que são diferentes entre si e vejam as diferenças
de maneira positiva.
Nerina, a ovelha negra é um livro de imagem, ou seja, sem texto. Com esse,
faça o inverso: incentive os alunos a contarem a história antes de você. Eles
vão inventar o enredo a partir da sequência de imagens do livro e produzir
histórias diferentes ou até similares, porém com níveis de detalhamento
diversos. Deixe-os explorar as páginas, as minúcias das ilustrações, as co-
res, o formato do livro. A interpretação de imagens por crianças é bastante
diferente da interpretação de imagens por adultos. Aproveite para explorar
essa percepção mediando a leitura e explicando que a gente não lê apenas
letras e palavras, mas também gestos, comportamentos, sinais, imagens,
figuras. Os livros de imagem são importantes para ativar nas crianças a
criatividade, a observação, a associação de imagens a palavras e a criação
de repertório. São ótimos instrumentos também para trabalhar produção
de textos pelos alunos, principalmente em fase de alfabetização.
Proponha aos alunos conhecer os autores e ilustradores do livro lido. Para
isso, leia com eles as respectivas biografias, encontradas no final do livro ou
em outra parte dele.
Conforme a faixa etária da turma, explore o vocabulário da obra lida: peça
aos alunos que identifiquem palavras que não conhecem e ajude-os a infe-
rir os significados.
Em outro momento, pergunte aos alunos se eles se lembram da história
lida. Faça um reconto coletivo com a turma. Esse reconto já pode ser um
ensaio para a contação de histórias que eles irão preparar para a campanha.
12

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Então, diga aos alunos que você vai ler mais uma vez a mesma história e
peça a eles que imaginem o que está acontecendo para depois fazerem um
desenho do que mais gostaram na história. No caso do livro de imagem,
esta pode ser a hora de você fazer a sua própria leitura em voz alta, sem,
entretanto, impor sua interpretação como absoluta. Enfatize tratar-se de
mais um enredo possível ou, ainda, aproprie-se de elementos das narrativas
produzidas pelos alunos e misture-as na sua.
Após a segunda leitura da mesma história, deixe a turma desenhar.
Na aula seguinte, cada aluno pode mostrar seu desenho e explicá-lo para os
colegas.
Diga que, na campanha, além dos desenhos, a turma pode colocar títulos e
frases que chamem a atenção dos participantes para a importância do res-
peito mútuo, da amizade e da compreensão dos sentimentos dos colegas.
Ajude os alunos a pensar em títulos para seus desenhos e a escrevê-los.
Para a segunda leitura, você pode propor o reconto das histórias em carta-
zes, com desenhos e a escrita das passagens mais importantes das histórias.
Como as crianças ainda não são alfabetizadas, peça-lhes para narrar a você
as passagens mais importante para elas e transcreva-as literalmente no
cartaz, reproduzindo a interpretação autêntica de cada aluno.
Montagens com colagem e confecção de fantoches também são boas op-
ções para desenvolver a experiência de se colocar no lugar do outro. Com
os fantoches, os alunos podem experimentar viver as situações das histó-
rias para perceber como se sentem. Se for possível confeccionar os fanto-
ches, a turma pode usá-los para apresentar os recontos orais em um dia
da campanha.

DICAS
• Nestes sites há um passo a passo para a confecção de fantoches: <http://criancas.
uol.com.br/album/passoapasso_fantochereciclado_album.jhtm> e <http://
pt.wikihow.com/Fazer-um-Fantoche-de-Meia>.
• Passe para a turma o clipe da música “Normal é ser diferente”, de Jair Oliveira,
para o álbum Grandes Pequeninos “O Mundo é grande e pequenino”: <www.
youtube.com/watch?v=oueAfq_XJrg>. A música pode introduzir a apresentação do
projeto às crianças.
• Outra música que pode ser mostrada aos alunos é a “Diferenças”, interpretada em
Libras pela arte-educadora Margareth Darezzo, autora da obra Canteiro (Ática):
<www.youtube.com/watch?v=x2smKCe72C0>. Se quiser saber mais sobre a obra,
acesse: <http://sites.aticascipione.com.br/canteiro/>.
• Recomendamos a leitura da matéria “Existe bullying na educação infantil?”, da
Fundação Maria Cecília Souto Vidigal: <http://desenvolvimento-infantil.blog.br/
existe-bullying-na-educacao-infantil/>.
• O Ministério Público do Rio de Janeiro disponibiliza a cartilha on-line Bullying –
práticas positivas de prevenção na escola. Sobretudo a Parte II contém informações
que podem ser aproveitadas na Campanha proposta neste projeto: <www.mprj.
mp.br/documents/112957/1490663/cartilha_mprj_bullying_praticas_positivas_de_
prevencao_na_escola.pdf>.
Todos os sites foram acessados em 22 dez. 2016.

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Ensino Fundamental I
No Ensino Fundamental I, as turmas vão contribuir para a Campanha
da escola com cartazes informativos, que contenham dados sobre o bullying
na escola, no Brasil e no mundo, e com cartazes de conscientização, que te-
nham frases, poemas, trechos de livros e canções. Veja uma sugestão de tipo
de cartaz por ano do segmento:

1º ano 2º ano 3º ano 4º ano 5º ano

Cartazes com Cartazes com Cartazes Cartazes com Cartazes com


frases, figuras frases, poemas, com trechos infográficos infográficos
recortadas, trechos de de canções, sobre o bullying sobre o bullying
trechos de canções e dos fotografias, no Brasil e na escola.
livros. livros lidos. imagens e no mundo.
histórias em
quadrinhos.

Outro aspecto importante é ler com os alunos as biografias presentes


nos próprios livros, para que conheçam os autores e ilustradores das obras.
Para a realização do projeto, sugere-se o seguinte procedimento:
Faça uma roda de conversa e pergunte aos alunos: Vocês sabem o que é
bullying? Vocês já se sentiram mal com apelidos depreciativos, zombarias
ou agressões de colegas da escola? O que aconteceu? Já viram algum cole-
ga passar por uma situação assim? Já apelidaram alguém ou “zoaram” um
colega, mesmo sabendo que ele não gostava? Como se sentiriam se algo
parecido acontecesse com vocês? Deixe que falem livremente, mas evite
acusações e brigas: peça que se concentrem em dizer como se sentiram ou
se sentiriam.
Explique aos alunos que situações de apelidos maldosos, de impedimen-
to de um colega participar de atividades coletivas, de zombarias frequen-
tes, sobretudo baseadas em algum aspecto físico do colega, ou até de
agressão física são práticas de bullying. Conte que o colégio organizará
uma grande Campanha de Conscientização contra o Bullying e a Violên-
cia na Escola... Então, proponha à turma a confecção de cartazes para
conscientizar os alunos e funcionários da escola, os pais, os responsáveis
e a comunidade sobre o que é bullying e como evitá-lo. Todos os cartazes
deverão ter frases, imagens ou dados que façam as pessoas refletirem
sobre a importância do respeito ao próximo e que levem-nas a pensar:
“Como eu me sentiria se alguém agisse assim comigo?”.
Selecione o primeiro livro a ser lido. Para os mais longos, divida a leitura em
dois ou três dias, criando suspense e curiosidade na turma. Sempre faça a
leitura com a exploração das ilustrações. Veja as sugestões para cada ano
do segmento:

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Ano Obra Sugestões de trabalho

O livro conta a história de Daniel, chamado de Zero Zero Alpiste


pelos colegas da escola por ser bochechudo e ter sardas. Um dia, o
Zero Zero Alpiste,
pai dele diz que “homem não chora”, o que faz o menino segurar
Mirna Pinsky,
a dor dentro de si, até que uma flor ensina a ele a importância
Formato, 17. ed.,
de chorar. Obra ideal para enfatizar aos alunos a importância de
2014, 24 páginas.
expressar os sentimentos, não seguir rótulos e compreender os
outros.

A fábula aborda de maneira perspicaz o tema do bullying e ensina


O recreio da a importância de respeitarmos uns aos outros. Para isso, conta
bicharada, Luciana a história da bicharada no recreio: todos adoram brincar, mas,
Garcia, Caramelo, quando os coleguinhas começam a apontar os defeitos uns dos
1. ed., 2011, 32 outros, o que era diversão vira uma grande confusão! A obra
páginas. pode ser utilizada para destacar aos alunos a diferença entre
brincadeira e bullying.

Diferente de todos, Rick era o mais estudioso da classe e tinha


Rick, o nerd um estilo que a turma considerava estranho. Ele acabava sempre
1º ano
detetive, Walcyr sozinho, excluído pelos colegas. Quando a taça conquistada pelo
Carrasco, Ática, time da escola desaparece, Rick mostra tudo o que sabe para ajudar
1. ed., 2011, 40 a todos. A história possibilita o exercício de se colocar no lugar do
páginas. outro e não julgar ou excluir as pessoas. Destaque para a figura do
nerd, geralmente rotulado e incompreendido pelos colegas.

Laís muda de cidade e, na nova escola, seus colegas não param de


Laís, a fofinha, lhe dar apelidos desagradáveis. Isso a faz se sentir muito feia, triste
Walcyr Carrasco, e retraída. A história mostra como a menina vai guardando para
Ática, 1. ed., 2011, si o sofrimento do bullying e, com apoio, consegue enfrentar a
40 páginas. perseguição e realizar seu sonho. Oportunidade de trabalhar com a
turma os efeitos psicológicos causados pela depreciação verbal.

Pinote, o fracote,
e Janjão, o fortão, Linguagem de história em quadrinhos que conta como o
Fernanda Lopes de personagem mais fraco, Pinote, derrubou o fortão Janjão. A
Almeida, Ática, história ajuda a refletir sobre como romper o ciclo do bullying e
19. ed., 2008, fortalecer as possíveis vítimas dessa prática.
32 páginas.

Sandra é nova no prédio e tem um jeito muito peculiar de arrumar


Do jeito que você
o cabelo, de se vestir. As crianças passam a comentar sobre ela,
é, Telma Guimarães
cochichar, dar risadas. Mas aos poucos percebem como todos são
Castro Andrade,
diferentes e podem se divertir juntos. A obra trata do respeito a
Formato, 1. ed.,
personalidades excêntricas ou “fora dos padrões” preestabelecidas
2009, 24 páginas.
2º ano pela sociedade.

O garotinho narrador do livro se incomoda com as cobranças


Eu sou assim,
da família para que seja de um ou outro jeito, para que aja de
viu?, Márcia Leite,
uma ou outra maneira. Então, ele resolve responder e mostrar
Formato, 1. ed.,
seu ponto de vista. A obra possibilita trabalhar com os alunos a
2008, 32 páginas.
autoestima e como se comportar para se fazer respeitado.

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Ano Obra Sugestões de trabalho

Horror, humor & Martim foi convidado para jogar baralho na quadra e achou que
quadrinhos – As era uma atitude de amizade, mas os colegas queriam mesmo é
vítimas do mico que ele pagasse um mico. Para lidar com o bullying e combatê-lo,
3º ano contra o trio do o menino usa a arte e a literatura, criando suas histórias. A obra
terror, Heloisa pode inspirar a campanha de conscientização e dar ideias para
Prieto, Ática, 1. ed., a utilização de quadrinhos e outras linguagens, além de mostrar
2011, 48 páginas. que é possível combater o bullying de maneira criativa.

Asa Curta é um passarinho muito inteligente e habilidoso, mas


Um outro jeito
que não sabe voar. Após ser muito questionado e caçoado por
de voar, Gilberto
isso, ele mostra outra maneira de voar para todos os pássaros.
Mansur, Formato,
Obra que aborda a superação do bullying, demonstrando que não
13. ed., 2004,
se pode mudar um aspecto físico nato, mas que isso não é motivo
32 páginas.
para baixa autoestima.

Nicolau é um menino que todos consideram diferente, estranho,


Apenas diferente,
calado demais. Na verdade, Nicolau tinha um mundo só dele,
Anna Claudia
4º ano entre histórias do avô, leituras e suas criações escritas. Uma
Ramos, Formato,
obra que ensina a respeitar a individualidade do próximo e a
3. ed., 2009,
não julgá-lo por quem ele é, principalmente se ele for muito
48 páginas.
diferente do esperado.

Celeste muda com a família de Santa Catarina para o interior de


São Paulo. A menina tem dificuldades de se adaptar à nova vida,
Princesas são
principalmente na escola, onde não é chamada para conversas
diferentes, Tânia
e brincadeiras durante o recreio. Mas, aos poucos, novas
Alexandre Martinelli,
amizades começam a mudar o rumo de sua vida. Oportunidade
Atual, 1. ed., 2007,
de trabalhar com os alunos a integração de novas pessoas a um
48 páginas.
grupo já formado, o acolhimento, a receptividade, ajudando-as a
sentirem-se aceitas.

O livro traz uma história divertida e misteriosa do menino-zumbi


Espião, nem
Nathan Abercrombie, que mal se acostumou a sua vida de zumbi
morto!, David
e uma nova aventura se anuncia: uma misteriosa organização
Lubar, Caramelo,
internacional o procura para se tornar o primeiro espião-zumbi do
1. ed., 2012,
mundo. Além disso, na escola, o fortão e valentão Rodney é uma
160 páginas.
ameaça, que ele precisa enfrentar.
5º ano

Caminho de volta, O narrador se lembra de sua infância e relata as dificuldades


Luís Fernando enfrentadas na escola, principalmente com o bullying e com
Pereira, Ática, 1. ed., o fato de ser sobrinho da diretora. A história mostra como ele
2006, 80 páginas. enfrentou a situação e como se sentiu ao longo da jornada.

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Após a primeira leitura, faça com a turma um exercício de reconto oral da
história.
Para as turmas de 1º a 3º anos, peça que selecionem trechos, palavras ou
imagens do livro lido que possam compor um cartaz contra o bullying. Lem-
bre-os de, no cartaz, inserirem a fonte de onde a citação e/ou a imagem
foram retiradas.
Para animá-los na tarefa, mostre os murais escritos pelo Profeta Gentileza
no Rio de Janeiro. Eles podem utilizar uma estética semelhante, criando um
diálogo com essas obras.

DICA
• Para saber mais sobre o Profeta Gentileza, acesse: <https://oimpressionista.
wordpress.com/museu-virtual-gentileza/> e < www.revistadehistoria.com.br/secao/
capa/gentileza-e-premonicao>. Acesso em: 13 set. 2016.

Após a escrita das primeiras frases e seleção de imagens, monte um cartaz


com a turma para a Campanha de Conscientização da escola.
Para os 4º e 5º anos, depois de feita a primeira leitura, proponha um de-
bate com as turmas. A fim de fomentar o debate, assista com os alunos a
uma série de reportagens exibidas no programa Fantástico, da rede Glo-
bo, sobre o bullying na escola (disponível em: <http://g1.globo.com/fantas-
tico/videos/t/edicoes/v/eu-amo-quem-sou-ensina-a-dar-volta-por-cima-e-
derrubar-bullying-de-vez/4657965/>. Acesso em: 13 set. 2016).
Após assistir às reportagens, pergunte aos alunos: Algum de vocês já pra-
ticou ou sofreu bullying? Como você se sentiu? Por que você acha que isso
aconteceu? Relembre que o enfoque é dizer como eles se sentem e analisar
como e por que o bullying acontece, e não brigar com os colegas.
Informe aos alunos que o combate ao bullying em escolas agora é lei: a Lei
nº 13.185, de 6 de novembro de 2015, caracteriza a prática. Essa informa-
ção pode compor um dos infográficos a serem produzidos pelos alunos. A
íntegra da lei está disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-
2018/2015/Lei/L13185.htm>. Acesso em: 22 dez. 2016.
Como primeira atividade de exposição de dados numéricos, conte o nú-
mero de alunos que declara já ter sofrido ou praticado bullying. Monte
tabelas e gráficos com as turmas, semelhantes aos que aparecem na re-
portagem assistida.
Os alunos de 5º ano vão se organizar para levantar mais dados da escola so-
bre quem sofreu ou praticou bullying e montar novas tabelas e gráficos para
expor em cartazes na campanha. Se achar pertinente, você também pode
orientá-los a registrar depoimentos de vítimas para expor com os dados,
sempre garantindo o anonimato dos participantes da pesquisa.
Os alunos de 4º ano vão pesquisar dados do Brasil e do mundo e reprodu-
zi-los nos cartazes. A pesquisa pode ser feita na internet e/ou em jornais e
revistas. Essa pesquisa pode ser feita com o apoio dos professores de Inglês
e de Espanhol, pois há dados internacionais disponíveis em outras línguas.
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Para a segunda leitura, permita aos alunos que escolham um dos livros su-
geridos e o leiam em silêncio. A leitura também pode ser feita como tarefa
de casa. Estabeleça um prazo para o término. Depois, faça uma rodada de
contação de histórias, em que cada um possa compartilhar o que leu e fazer
uma reflexão crítica sobre o bullying.
Com as turmas de 1º a 3º anos, busque poemas, canções e histórias em
quadrinhos que tratem da amizade, do respeito, do exercício de se colocar
no lugar do outro. Leia o material com os alunos e selecionem juntos quais
seriam interessantes para compor os cartazes para a campanha.
Procure imagens para acompanhar os textos escritos. Os alunos podem re-
produzir imagens dos livros lidos, buscá-las na internet ou ainda produzir
desenhos e fotografias.
Com as turmas de 4º e 5º anos, organize debates regrados para que expo-
nham e discutam os dados encontrados nas pesquisas. Algumas perguntas
que podem incitar o debate: 1) o número de alunos envolvidos em bullying é
grande?; 2) por que os alunos costumam se envolver nessa prática?; 3) quais
são as consequências dessa prática na vida dos alunos envolvidos?; 4) como
poderíamos evitar o bullying?
Anote as conclusões dos alunos na lousa e, com isso, proponha a confecção
de mais cartazes para a campanha, com os dados numéricos da escola, do
Brasil e do mundo e com medidas para evitar o bullying.

DICAS

• Antes de iniciar os debates em sala de aula, sugerimos passar para a turma alguns
vídeos com campanhas antibullying: <www.youtube.com/watch?v=HFldY6lORpE>
e <www.youtube.com/watch?v=nWJut7KQhI4> (em inglês).
• No site <www.chegadebullying.com.br> há muitos dados sobre o tema que podem
ser úteis na confecção de gráficos pelos alunos.
• Para a formação do professor, sugerimos a leitura de RABELO, Carina. Bullying, um
crime nas escolas. IstoÉ, ed. 2026, 3 set. 2008. Disponível em: <http://istoe.com.
br/9028_BULLYING+UM+CRIME+NAS+ESCOLAS/>.
• Na página do IBGE Teen é possível acessar dados e matérias sobre o tema: <http://
teen.ibge.gov.br/especiais-teen/pense/pense-pag-7.html>.
• Na notícia “Nas capitais mais violentas, 42% dos alunos já foram agredidos na escola”
(Paulo Saldaña, Folha de S.Paulo, 21 mar. 2016. Disponível em: <www1.folha.uol.com.
br/educacao/2016/03/1752178-nas-capitais-mais-violentas-42-dos-alunos-ja-foram-
agredidos-na-escola.shtml>), há uma série de infográficos que podem ser aproveitados
pelos alunos nos cartazes que produzirem.
Todos os sites foram acessados em 22 dez. 2016.

Ensino Fundamental II
As propostas para o Ensino Fundamental II são a organização e a produ-
ção de seminários sobre bullying, cyberbullying e violência, que objetivam levar
a pensar em medidas para sua prevenção na escola, debatendo sobre respeito
e empatia. Com base na leitura dos livros e em pesquisas sobre convivência e
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empatia, os alunos vão preparar seminários em grupos e convidar, se possível,
profissionais que possam falar sobre o assunto na escola. Caso haja possibi-
lidade, os alunos podem produzir programas audiovisuais para seminários
digitais. Além disso, podem promover, em horários diferentes, debates ou me-
sas-redondas com professores da escola e outros especialistas, abordando te-
máticas relacionadas à questão do bullying.
Conte aos alunos que será organizada uma grande Campanha de Conscien-
tização contra o Bullying e a Violência na Escola. Então, faça uma roda de
conversa e pergunte aos alunos: vocês sabem o que é bullying? Vocês já se
sentiram mal com apelidos pejorativos, zombarias ou agressões de colegas
da escola? O que aconteceu? Então, proponha à turma a organização de
uma série de seminários que falem sobre bullying, cyberbullying e violência,
sem deixar de abordar também os sentimentos de amizade e empatia. Os
seminários serão realizados por grupos de alunos e por convidados especia-
listas em assuntos relacionados, como psicólogos, psiquiatras, pedagogos e
outros profissionais.
Selecione o primeiro livro a ser lido. Para os mais longos, divida a leitura
em dois ou três dias, criando suspense e curiosidade. Sempre faça a leitura
com a exploração das ilustrações. Veja algumas sugestões para cada ano
do segmento:

Ano Obra Sugestões de trabalho

O livro conta a história de um time reserva do


colégio, formado por garotos aparentemente
Desprezados F.C., Júlio esquisitos, que conquista a confiança da
Emílio Braz, Saraiva, 2. torcida com raça, determinação e autoestima
ed., 2009, 80 páginas. inabalável. A obra contribui para refletir sobre
preconceito, julgamento pelas aparências e
menosprezo.

Um time de futebol de salão incomum e com


visual que não impõe respeito constrói uma
Um time muito
relação de amizade tão especial que une e
especial, Jane Tutikian,
fortalece os jogadores. Essa amizade os leva
Atual, 14. ed., 2009,
a aprender muitas coisas importantes! Obra
80 páginas.
6º ano indicada para trabalhar a autoestima e a
autoaceitação.

História da chegada de Vânia a uma escola


Pretinha, eu?, Júlio em que é a única aluna negra. Nas orelhas do
Emílio Braz, Scipione, livro há a biografia do autor e sua descoberta
3. ed., 2008, 72 páginas. como negro. Permite trabalho sobre amizade e
relações interpessoais e inter-raciais.

Tânia, menina negra de 10 anos, muda com


Nó na garganta, Mirna
a família da cidade grande para o litoral e
Pinsky, Atual, 53. ed.,
passa a sofrer muito preconceito racial. A obra
2009, 88 páginas.
aborda conflitos, descoberta, autoestima.

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Ano Obra Sugestões de trabalho

Histórias de violência típicas de nosso


As faces da violência: cotidiano acompanhadas de reflexões
Como entender e teóricas para ajudar o leitor a compreender
tratar a agressividade, o comportamento dos agressores, a
Pierre Mezinski, Ática, 1. resignação das vítimas e a cumplicidade dos
ed., 2007, 104 páginas. espectadores, trazendo possibilidades de
enfrentamento das situações.

Na escola, um grupo de alunos passa a


roubar o lanche dos mais novos. Cândido
A guerra do lanche,
reúne seus amigos Fuzilica e Bolota para
Lourenço Cazarré,
enfrentar o bando que age no recreio. Aí
Ática, 4. ed., 2016, 144
a confusão cresce e se torna A Guerra do
páginas.
Lanche! Com esta obra, pode-se trabalhar as
diferentes formas de enfrentar o bullying.

Patrícia é uma garota linda e inteligente.


Com a mudança de colégio, ela passa a
Patty palito, Susana sofrer com as gozações por parte dos colegas
Klassen, Scipione, 1. ed., por ser gordinha e começa a se sentir feia
2004, 112 páginas. e desinteressante. Isso a faz partir para um
regime radical que acaba lhe trazendo sérios
7º ano problemas de saúde, como a anorexia.

Uma garota de 13 anos negra narra sua


A cor do azul, Jane turbulenta transformação de menina em
Tutikian, Atual, 22. ed., mulher. A autoaceitação, as mudanças físicas
2005, 104 páginas. na adolescência e a vontade de integrar-se
são motes desta narrativa sensível.

A história aborda os conflitos e as reviravoltas


na relação de Laura com sua família após
Vínculos, Lúcia Pimentel
ela descobrir que foi adotada. Depois de sair
Góes, Atual, 26. ed.,
de casa e mudar de cidade, uma gravidez
2009, 104 páginas.
inesperada faz com que se reaproxime da
família e da mãe.

O livro não só traz à tona os dramas de uma


vítima de bullying e cyberbullying, como
também aborda os mecanismos que agem no
De cabeça baixa, Mirna
interior dos agressores. Isso é feito por meio
Pinsky, Atual, 1. ed.,
da história de Sofia, menina que se muda
2014, 72 páginas.
de cidade e, na nova escola, passa a ser
discriminada por um grupo de meninas que
se autodenominam “MAGNÍFICAS”.

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Ano Obra Sugestões de trabalho

Conor enfrenta a doença grave da mãe,


o distanciamento do pai e a pesada
perseguição da qual é vítima na escola. Em
seus pesadelos, a árvore próxima a sua casa
se transforma em um monstro que sabe
O chamado do
que Conor esconde um segredo. Todos os
monstro, Patrick Ness,
dias, sete minutos depois da meia-noite, o
tradução de Antonio
monstro aparece. Ele lhe conta três histórias
Xerxenesky, Ática, 1. ed.,
que o obrigarão a enfrentar seus maiores
2011, 216 páginas.
temores. Se houver possibilidade, como
forma de enriquecimento após a leitura,
recomende à turma assistir ao filme “Sete
minutos depois da meia-noite”, baseado
nesta obra, que estreou em 2017.

Camila luta pelo sonho de ser atriz e,


quando está realizando o que tanto deseja,
Veneno digital, Walcyr um e-mail com fotos comprometedoras,
Carrasco, Ática, 1. ed., porém falsas, abalam sua determinação.
2013, 136 páginas. Camila tem de fazer uma escolha:
abandonar o sonho ou lutar para descobrir
8º ano quem são os responsáveis pela armação.

Mateus é um adolescente que gosta


de ficar em seu quarto, dedicando-se
a seu hobby favorito: seus peixes e seu
Bullying no aquário, aquário. Mas na escola ele é perseguido
Ivan Jaf, Atual, 1. ed., por um grupo de colegas liderados por
2012, 96 páginas. Alexandre, que o apelidam e zombam
dele. Alexandre mora no mesmo prédio
de Mateus, e a convivência entre os dois
se torna um desafio.

Luciana fica muitas horas em seu


computador, trocando mensagens com
seus amigos e interagindo em redes sociais.
A face oculta, Maria Ela acha que sua vida virtual é bem mais
Tereza Maldonado, interessante que a real. Contudo, a menina
Saraiva, 1. ed., 2009, se torna vítima de cyberbullying e fica
96 páginas. transtornada sem saber quem é seu inimigo.
Oportunidade de trabalhar com os alunos
o anonimato possível nas redes sociais
relacionado ao bullying.

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Ano Obra Sugestões de trabalho

Best-seller em que Clay recebe um pacote com


treze fitas cassetes. Ao apertar o play, ouve a
Os 13 porquês, Jay
voz de Hannah, morta há algumas semanas por
Asher, Ática, 1. ed.,
overdose de remédios. Nas gravações, Hannah
2009, 256 páginas.
revela os treze motivos que a fizeram acabar
com a própria vida, entre eles, o bullying.

Leo e Malu são dois adolescentes que sofrem


Perseguição, Tânia
com a perseguição do bullying. Os dois não
Alexandre Martinelli,
sabem o que fazer para resolver o problema e
Saraiva, 1. ed., 2009,
o sofrimento. Cada um, a sua maneira, escolhe
104 páginas.
9º ano um caminho para lidar com a situação.

Leo vai para o Ensino Médio. Com a autoestima


abalada pelo bullying sofrido em Perseguição,
o garoto passa por momentos de dúvidas para
Leo na corda bamba, saber como ser aceito no grupo, como manter
Tânia Alexandre amizades, como ser notado pelas meninas da
Martinelli, Saraiva, escola. Embora tenha o mesmo protagonista
1. ed., 2014, da obra anterior, o livro pode ser lido de
152 páginas. maneira independente. Ótima oportunidade
para trabalhar com a turma as duas obras na
sequência, como leituras complementares,
realizadas por grupos diferentes.

Antes de iniciar os debates, passe para os alunos o vídeo disponível em


<www.youtube.com/watch?v=PI-VKatg1Zk> (acesso em: 22 dez. 2016), da
Human Rights Campaign (em inglês). A ajuda do professor de Inglês pode se
fazer necessária ou, ainda, esse vídeo pode constituir uma das aulas desse
profissional, uma vez que toda a escola deve estar envolvida na campanha,
não apenas os professores de Língua Portuguesa.
Após a leitura do primeiro livro, faça um debate regrado com a turma sobre
bullying. Algumas perguntas podem guiar a discussão:
• O que configura a prática de bullying? Qualquer briga ou desentendimento
é bullying?
• Por que alguém pratica bullying?
• As pessoas que não cometem, mas assistem ao bullying, podem fazer algo
a respeito?
• O que muda quando falamos de cyberbullying?
• Como evitar essas atitudes?
• Como agir quando você é vítima?
Para falar sobre bullying, cyberbullying e violência, é interessante trazer
exemplos de pessoas conhecidas pelos alunos, como as celebridades, de

22

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forma a mostrar que ninguém está imune ao preconceito. Mostre a história
de alguns famosos, navegando com os alunos pelos links <http://educacao.
uol.com.br/album/2013/08/09/veja-historias-de-famosos-que-ja-sofreram-
bullying.htm#fotoNav=8> e <http://revistamonet.globo.com/Listas/noticia/
2015/07/famosos-internacionais-que-sofreram-bullying-na-infancia-e-
adolescencia.html> (acessos em: 28 nov. 2016). Se não for possível acessar a
internet, leve a matéria impressa para a sala de aula e leia-a para a turma.
Anote na lousa as principais conclusões da turma e peça aos alunos que as
copiem, já que, na campanha, se espera que todo o público chegue a con-
clusões semelhantes para combater o bullying.
Após o debate, as turmas podem assistir a filmes com a temática traba-
lhada. Este pode ser o momento de exibir, se disponível, o filme baseado
em uma das obras lidas, O chamado do monstro. Outra opção é “As melhores
coisas do mundo” (Brasil, 2010. 107 min. 14 anos), da cineasta Laís Bodanzky.
Em seguida, vocês podem preparar uma discussão entre alunos e professo-
res sobre o filme.

DICAS
• A seguir, listamos mais alguns filmes que tratam do assunto, que podem introduzir
debates e mesas-redondas:

• BULLYING VIRTUAL (Cyberbully). Direção: Charles Benamé. Estados Unidos,


2011. 95 min. 12 anos.
• KARATÊ KID – A HORA DA VERDADE (The Karate Kid). Direção: John D.
Avildsen. Estados Unidos, 1984. 126 min. Livre.
• O site Stop Bullying, desenvolvido pelo governo norte-americano por meio
de seu Departamento de Saúde e de Serviços Humanos, em parceria com o
Departamento de Educação e o Departamento de Justiça, contém vasto material
sobre bullying e sobre como combatê-lo: <www.stopbullying.gov>. Acesso em:
22 dez. 2016. (em inglês)

Para os seminários, cada ano do Fundamental II pode ficar com uma te-
mática ampla. Dentro das turmas, os grupos vão preparar seminários com
temas mais específicos relacionados ao bullying. Veja as sugestões:

6º ano 7º ano 8º ano 9º ano

Bullying – definição Bullying – definição Respeito e Cyberbullying:


e medidas de e medidas de empatia: o que é, como
prevenção. prevenção. desenvolver prevenir.
atitudes contra
Temas Público: alunos. Público: professores, o bullying e a Público: alunos,
amplos pais e responsáveis. violência. pais, responsáveis
e professores.
Público: alunos,
pais, responsáveis
e professores.

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6º ano 7º ano 8º ano 9º ano

• O que é bullying • O que é bullying e • O que é • O que é o


e como identificar como perceber se empatia cyberbullying,
que você é vítima um aluno ou filho e como como surgiu e
dessa prática. é uma vítima dessa desenvolvê-la. quais são suas
• Os espectadores prática. • Conflitos: consequências.
do bullying: • Como evitar que como resolvê- • Que práticas na
cumplicidade e um aluno ou filho -los com internet podem
responsabilidade. seja um autor de diálogo. ser consideradas
• O autor do bullying. • Respeito pelo cyberbullying.
bullying: limite • Medidas na família outro: atitudes • Como agir
Temas
entre brincadeira para evitar ou positivas na em casos de
específicos
e violência. mediar situações escola. cyberbullying:
• Medidas que os de bullying para • Atitudes da dicas para
alunos podem vítimas, autores e família para vítimas e
tomar contra o espectadores. desenvolver a espectadores.
bullying. • Relação entre empatia e o • Família e
família e escola respeito nos professores:
contra o bullying. filhos. como perceber
se alguém é
vítima dessa
prática.

Divida a turma em grupos e oriente as pesquisas sobre os temas escolhidos.


Todos terão de pesquisar e trazer sugestões de possíveis profissionais, da
escola e de fora dela, que possam ministrar um seminário na campanha
da escola.
Veja dois sites que podem auxiliar nas pesquisas: <www.psicoafins.com.br/
empatia/> e <http://flaviogikovate.com.br/o-que-e-se-colocar-no-lugar-do-
outro/>. Acesso em: 13 set. 2016.
As sugestões estão em sintonia com os livros de literatura que podem ser
lidos pela turma para trabalhar os assuntos. Após cada leitura, debates re-
grados podem ser realizados para ajudar na reflexão sobre os temas e para
trazer a diversidade de opiniões.
Para a segunda leitura, permita aos alunos que escolham um dos livros
sugeridos e o leiam em silêncio. Depois, faça uma rodada de recontos orais
das histórias lidas, seguidos de conclusões sobre a prevenção e o combate
ao bullying.

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Fechamento do projeto “Bullying”
Todos prontos? Então é hora de reunir as produções dos diferentes
segmentos e planejar a organização da Campanha de Conscientização con-
tra o Bullying e a Violência na Escola.
As tarefas comuns da campanha podem ser distribuídas entre as tur-
mas: confecção de convites para seminários e outras apresentações, decora-
ção dos ambientes, organização dos cartazes no espaço, recepção dos convi-
dados e registro fotográfico do grande evento.
É interessante que os alunos sejam estimulados a expor seus trabalhos,
a falar sobre eles, a contar um pouco da história das produções. Os pais e res-
ponsáveis também devem ser envolvidos na campanha para saberem como
podem estimular o respeito e a empatia nos filhos. Além disso, cada turma
deve circular pelo evento e conferir o que as outras turmas produziram.
A avaliação deve ocorrer ao longo do projeto. Faça um registro das con-
tribuições de cada aluno para a participação da turma no projeto em cada
uma de suas propostas. Após a exposição, faça também uma autoavaliação
orientada com a turma para que todos possam avaliar se contribuíram de
maneira satisfatória para a exposição, se poderiam ter feito mais e melhor
em algum momento, se poderiam fazer diferente em uma próxima expe-
riência. Os registros feitos por você e a autoavaliação dos alunos podem
compor uma avaliação final do projeto.

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