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 Edital Organizado
 Resolução CJF 67/09 – 407/16

CADERNO DE ANOTAÇÕES ORGANIZADO CONFORME EDITAL DA


MAGISTRATURA FEDERAL RESOLUÇÃO 67/2009 CJF, ALTERADA PELA
RESOLUÇÃO 407/2016.
 Bloco I – Direito Constitucional; Direito Previdenciário; Direito Penal; Direito
Processual Penal; e Direito Econômico e de Proteção ao Consumidor.
 Bloco II - Direito Civil; Direito Processual Civil; Direito Empresarial; e Direito Financeiro
e Tributário.
 Bloco III - Direito Administrativo; Direito Ambiental; e Direito Internacional Público e
Privado.
SUMÁRIO
1. DIREITO CONSTITUCIONAL
1.1. TEORIA GERAL DO DIREITO CONSTITUCIONAL
1.1.1. Neoconstitucionalismo e constitucionalismo
1.1.2. Poder Constituinte – Teoria Geral do Estado – Conceitos
1.1.3. Hermenêutica
1.1.4. Classificação
1.1.5. Normas Constitucionais e histórico
1.2. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
1.2.1. Direitos Individuais
1.2.2. Direitos Humanos – Políticas Públicas - Remédios

1 1.2.3.
1.2.4.
Direitos Sociais
Nacionalidade
1.2.5. Direitos Políticos
1.3. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS – ORGANIZAÇÃO DOS ENTES
1.3.1. Organização dos entes
1.3.2. Competência Legislativa
1.3.3. Intervenção Federal e Estadual
1.4. PODER LEGISLATIVO
1.4.1. Regime Jurídico dos Deputados e Senadores
1.4.2. Processo Legislativo
1.4.3. Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI
1.4.4. Casas Congressistas
1.4.5. Controle Externo
1.5. PODER EXECUTIVO
1.6. PODER JUDICIÁRIO
1.6.1. Estatuto da Magistratura – Magistrados
1.6.2. Tribunais – Questões Constitucionais – RPV – Reclamação – Recursos - SV
1.6.3. Competências Judiciais
1.6.4. CNJ
1.7. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
1.8. FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA
1.8.1. Ministério Público
1.8.2. Advocacia Pública
1.8.3. Defensoria Pública
1.9. DEFESA DO ESTADO
1.9.1. Militares
1.10. DIREITO DE PROPRIEDADE. ECONÔMICO. COMUNICAÇÃO. CULTURA. EDUCAÇÃO. DESPORTO. CRIANÇA. IDOSO.
INDÍGENAS. GERAL
1.10.1. Educação
1.10.2. Dos Índios e Quilombolas

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2. DIREITO PREVIDENCIÁRIO
2.1. SEGURIDADE SOCIAL. SAÚDE, PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA. DISTINÇÕES.
2.2. CUSTEIO – VALOR DE BENEFÍCIO – TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO
2.3. RGPS – SEGURADOS E DEPENDENTES
2.3.1. Segurados e dependentes
2.4. BENEFÍCIOS EM ESPÉCIE
2.4.1. Aposentadoria por idade
2.4.1.1. Aposentadoria devida ao portador de deficiência (idade e tempo)
2.4.2. Aposentadoria por tempo de contribuição
2.4.3. Pensão por morte
2.4.4. Auxílio-doença e aposentadoria por invalidez
2.4.5. Auxílio-acidente
2.4.6. Aposentadoria especial
2.4.7. Professores e aposentadoria
2.4.8. Auxílio-reclusão
2.4.9. Salário-maternidade
2.4.10. Salário-família
2.5. APOSENTADORIA RURAL – SEGURADO ESPECIAL
2.6. ASSISTÊNCIA SOCIAL – LOAS
2.6.1. Seguro-defeso
2.7. REGIME PRÓPRIO
2.8. PREVIDÊNCIA PRIVADA E COMPLEMENTAR
2.9. PROCESSO ADMINISTRATIVO PREVIDENCIÁRIO

2 3.
2.10. AÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DEMAIS QUESTÕES DA LEI 8.213
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
3.1. INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL
3.1.1. Princípio da insignificância
3.2. APLICAÇÃO DA LEI PENAL
3.3. TEORIA DO CRIME: FATO TÍPICO – ILÍCITO/ANTIJURÍDICO - ERROS
3.3.1. Dolo
3.3.2. Crime impossível
3.3.3. Cosunção, absorção, subsidiariedade e especialidade
3.3.4. Desistência voluntária, arrependimento eficaz e posterior
3.3.5. Teoria dos erros
3.3.6. Teoria da ilicitude – antijurídico - excludentes
3.4. TEORIA DO CRIME: CULPABILIDADE
3.5. TEORIA DA PENA – EFEITOS DA CONDENAÇÃO – CONCURSO DE CRIMES
3.5.1. Dosimetria: aplicação de qualificadoras, agravantes, atenuantes
3.5.2. Das Penas: regime
3.5.3. Pena de multa
3.5.4. Efeitos da condenação
3.5.5. Concurso de agentes
3.5.6. Concurso de crimes e crime continuado
3.6. MEDIDA DE SEGURANÇA
3.7. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE – REABILITAÇÃO E PERDÃO JUDICIAL
3.7.1. Prescrição
3.7.2. Perdão judicial
3.7.3. Livramento condicional
4. DIREITO PENAL – PARTE ESPECIAL
4.1. DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
4.1.1. Crimes funcionais
4.1.2. Crimes contra a fé pública
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4.2. CRIMES CONTRA A PREVIDÊNCIA SOCIAL


4.3. CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
4.4. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
4.5. CRIMES DIVERSOS PREVISTOS NO CÓDIGO PENAL
5. LEGISLAÇÃO PENAL EXTRAVAGANTE: PENAL E PROCESSO PENAL
5.1. LEIS DIVERSAS
5.2. CRIMES HEDIONDOS – LEI 8.072/90
5.3. LEI DE DROGAS – LEI 11.343/06
5.4. CRIMES NAS LICITAÇÕES – LEI 8.666/93
5.5. CRIMES POLÍTICOS
5.6. CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – SFN – LEI 7.492/86
5.7. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA E ECONÔMICA – LEI 8.137/90
5.8. CRIMES CONTRA A ORDEM ECONÔMICA – LEI 8.176/91
5.9. OCULTAÇÃO DE BENS E LAVAGEM DE DINHEIRO – LEI 9.613/98
5.10. CRIMES DE RESPONSABILIDADE – LEI Nº 1.079/50 E DL Nº 201/67
5.11. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA – LEI 12.850/13
5.12. TRATADOS INTERNACIONAIS EM MATÉRIA PENAL
5.12.1. Corrupção
5.12.2. Organização Criminosa
5.12.3. Tráfico de pessoas, armas, terrorismo e escravidão
5.12.4. Estatuto de Roma
5.13. ECA
5.14. RACISMO/DISCRIMINAÇÃO – LEI 7.716/89
3 5.15. GENOCÍDIO – LEI 2.889/56
5.16. TORTURA
5.17. LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE
5.18. LEI DE ARMAS – LEI 10.826/03
5.19. LEI ANTITERRORISMO
5.20. INVASÃO DE TERRAS DA UNIÃO
5.21. IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL E PERFIL GENÉTICO – LEI 12.037/09
5.22. PROTEÇÃO À VÍTIMAS E TESTEMUNHAS AMEAÇADAS – LEI 9.807/99
5.23. CÓDIGO PENAL MILITAR (COM)
5.24. CRIMES NO CDC
5.25. LEI DE PROCEDIMENTO EM TRIBUNAL – LEI 8.038/90
5.26. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA – LEI 9.296/96
5.27. JUIZADOS ESPECIAIS – LEI 9.099/95
6. DIREITO PROCESSUAL PENAL
6.1. INTRODUÇÃO E TEORIA GERAL PROCESSUAL PENAL
6.2. INQUÉRITO POLICIAL
6.3. AÇÃO PENAL – AÇÃO CIVIL EX DELICTO
6.3.1. Denúncia e queixa-crime
6.3.2. Ação civil ex delicto
6.4. SUJEITOS DO PROCESSO: PARTES, MP, JUIZ, ASSISTENTE
6.4.1. Juiz
6.4.2. Assistente de acusação
6.4.3. Acusado e defensor
6.5. ATOS PROCESSUAIS: DECISÕES – SENTENÇAS
6.5.1. Sentença
6.6. COMPETÊNCIA – FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO/PRIVILEGIADO
6.6.1. Justiça Federal
6.6.2. Justiça Estadual
6.6.3. Justiça Militar

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6.6.4. Foro por prerrogativa de função / foro privilegiado


6.7. QUESTÕES INCIDENTES: MEDIDAS ASSECURATÓRIAS
6.7.1. Sequestro, arresto
6.7.2. Busca e apreensão
6.7.3. Insanidade mental
6.8. TEORIA GERAL DA PROVA
6.9. PRISÕES E MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO
6.9.1. Medidas cautelares diversas da prisão
6.9.2. Prisão em flagrante
6.9.3. Prisão preventiva
6.9.3.1. Atos infracionais e prisão preventiva
6.9.4. Prisão domiciliar processual X domiciliar executória
6.9.5. Prisão temporária
6.9.6. Liberdade provisória e Fiança
6.10. PROCEDIMENTOS
6.10.1. Crimes de responsabilidade dos funcionários públicos
6.10.2. Tribunal do Júri
6.11. RELAÇÃO JURISDICIONAL COM AUTORIDADE ESTRANGEIRA
6.12. NULIDADES
6.13. TEORIA GERAL DOS RECURSOS – AÇÕES AUTÔNOMAS DE IMPUGNAÇÃO
6.13.1. Recurso em sentido estrito
6.13.2. Apelação
6.13.3. Habeas corpus
6.13.4. Mandado de segurança
4 6.13.5.
6.13.6.
Revisão criminal
Controle externo da atividade policial
6.14. EXECUÇÃO PENAL
6.14.1. Remição
6.14.2. Crimes hediondos
7. DIREITO ECONÔMICO
7.1. TEORIA GERAL: INTRODUÇÃO, CONSTITUIÇÃO E CONCEITOS
7.2. DIREITO CONCORRENCIAL – LEI ANTITRUSTE
7.3. COMÉRCIO INTERNACIONAL - OMC
7.3.1. OMC
7.3.2. Infrações no comércio exterior
8. DIREITO DO CONSUMIDOR
8.1. RELAÇÃO DE CONSUMO: GERAL
8.1.1. Contratos de consumo: geral, prescrição, responsabilidade
8.1.2. Cadastro de proteção de crédito
8.1.3. Infrações
8.1.4. Plano de saúde
8.2. OBJETO DE CONSUMO: PRODUTO E SERVIÇO
8.3. ATIVIDADES E APLICAÇÃO DO CDC
8.3.1. Atividade bancária
9. DIREITO CIVIL
9.1. LINDB, PESSOAS NATURAIS, DOMICÍLIO, ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
9.1.1. LINDB
9.1.2. Pessoa – capacidade – personalidade
9.2. PESSOAS JURÍDICAS – DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
9.2.1. Desconsideração da personalidade jurídica
9.3. BENS

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9.4. FATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS; DAS PROVAS


9.4.1. Fato e Negócio jurídico
9.4.2. Prescrição e Decadência
9.4.3. Ato ilícito e boa-fé
9.4.4. Fraude contra credores X Fraude à execução
9.4.5. Das provas
9.5. OBRIGAÇÕES
9.5.1. Juros
9.6. CONTRATOS
9.6.1. Arras e cláusulas penais
9.6.2. Seguro
9.6.3. Locação
9.6.4. Fiança
9.6.5. Alienação fiduciária
9.6.6. Extinção contratual
9.7. RESPONSABILIDADE CIVIL – ATOS UNILATERAIS
9.8. DIREITOS REAIS
9.8.1. Sistema financeiro de Habitação
9.9. DIREITO AGRÁRIO
9.10. ESTATUTO DA CRIANÇA/ADOLESCENTE. ESTATUTO DA JUVENTUDE. ESTATUTO DO IDOSO.
10. DIREITO PROCESSUAL CIVIL
10.1. TEORIA GERAL DO PROCESSO: NORMAS, JURISDIÇÃO, AÇÃO, EQUIVALENTES JURISDICIONAIS
10.1.1. Direito Intertemporal no CPC
5 10.1.2. Arbitragem
10.2. COMPETÊNCIA
10.2.1. Justiça Federal
10.3. SUJEITOS DO PROCESSO
10.3.1. Gratuidade da justiça
10.4. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS: LITISCONSÓRCIO, ASSISTÊNCIA, DENUNCIAÇÃO A LIDE, DESCONSIDERAÇÃO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA, CHAMAMENTO AO PROCESSO E AMICUS CURIAE
10.4.1. Litisconsórcio
10.4.2. Assistência
10.4.3. Denunciação da lide
10.4.4. Chamamento ao processo
10.4.5. Desconsideração da personalidade jurídica
10.4.6. Amicus curiae
10.5. DOS ATOS PROCESSUAIS
10.5.1. Das nulidades
10.6. TUTELAS PROVISÓRIAS
10.7. PROCEDIMENTO: FORMAÇÃO, EXTINÇÃO, PROCEDIMENTOS.
10.8. TEORIA GERAL DAS PROVAS
10.9. DA SENTENÇA E DA COISA JULGADA.
10.9.1. Coisa julgada
10.9.2. Remessa necessária
10.10. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA
10.11. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
10.11.1. Contra a Fazenda Pública
10.12. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS
10.12.1. Embargos de terceiro
10.12.2. Ação monitória
10.12.3. Ações possessórias
10.13. PROCESSO DE EXECUÇÃO
10.14. PROCESSOS NOS TRIBUNAIS – MEIOS DE IMPUGNAÇÃO

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10.14.1. Reclamação
10.14.2. Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas
10.14.3. Incidente de Assunção de Competência
10.14.4. Ação rescisória
10.15. RECURSOS
10.15.1. Apelação
10.15.2. Agravo de instrumento
10.15.3. Agravo interno
10.15.4. Recurso Extraordinário e Recurso Especial
10.15.4.1. Repercussão geral
10.15.5. Embargos de divergência
10.15.6. Embargos de declaração
10.15.7. Recurso adesivo
10.16. JUIZADOS ESPECIAIS
10.17. AÇÕES CONSTITUCIONAIS
10.17.1. Mandado de segurança
10.17.2. Habeas data
10.17.3. Mandado de Injunção
10.18. AÇÕES COLETIVAS
10.18.1. Regra geral de Direito Coletivo
10.18.2. Ação Civil Pública
10.18.3. Ação Popular
10.18.4. Mandado de segurança coletivo
10.18.5. Mandado de injunção coletivo
6 10.19. FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO
10.19.1. Suspensão de segurança
10.19.2. Intervenção anômala
11. DIREITO EMPRESARIAL
11.1. TEORIA GERAL DO DIREITO DE EMPRESA
11.2. EMPRESA: ATIVIDADE EMPRESARIAL, RESPONSABILIDADE, ESTABELECIMENTO, TRESPASSE.
11.3. DIREITO SOCIETÁRIO: SIMPLES, EMPRESARIAL, ESPÉCIES
11.3.1. Sociedades anônimas
11.4. TÍTULOS DE CRÉDITO
11.5. PROPRIEDADE INDUSTRIAL
11.6. CONTRATOS EMPRESARIAIS
11.6.1. Alienação Fiduciária
11.6.2. Franquia
11.6.3. Contratos bancários
11.6.4. Arrendamento mercantil
11.6.5. Factoring
11.7. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL / SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO – SFH
11.7.1. Liquidação – instituição financeira
11.8. RECUPERAÇÃO E FALÊNCIA
11.9. COMÉRCIO ELETRÔNICO
12. DIREITO FINANCEIRO
12.1. ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO. FINANÇAS NA CONSTITUIÇÃO DE 88.
12.2. ORÇAMENTO PÚBLICO
12.3. DESPESA PÚBLICA - PRECATÓRIOS
12.3.1. Precatórios
12.4. DÍVIDA PÚBLICA – CRÉDITO PÚBLICO - DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO
12.5. RECEITA PÚBLICA
12.6. RESPONSABILIDADE FISCAL E LEI 4.320

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12.7. CONTROLE DA ATIVIDADE FINANCEIRA – POLÍTICAS PÚBLICAS


13. DIREITO TRIBUTÁRIO
13.1. SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL - INTRODUÇÃO
13.2. TRIBUTOS EM ESPÉCIE
13.2.1. Taxa e Tarifa/preço público
13.2.2. Contribuições
13.2.3. Contribuição de melhoria
13.3. LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR: IMUNIDADES E PRINCÍPIOS
13.4. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA
13.5. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA
13.6. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
13.7. CRÉDITO TRIBUTÁRIO: SUSPENSÃO, EXCLUSÃO E EXTINÇÃO.
13.7.1. Suspensão
13.7.2. Extinção
13.7.2.1. Prescrição e decadência
13.7.3. Exclusão
13.8. GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
13.8.1. CADIN
13.8.2. CDA
13.9. IMPOSTOS FEDERAIS
13.9.1. IR
13.9.2. IPI
13.9.3. IOF
7 13.9.4.
13.10.
ITR
IMPOSTOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS
13.10.1. Impostos Municipais
13.10.2. Impostos Estaduais
13.11. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL TRIBUTÁRIO
13.11.1. Processo administrativo
13.11.1.1. Medida Cautelar Fiscal
13.11.2. Execução fiscal
13.11.2.1. Redirecionamento de execução fiscal
13.11.2.2. FGTS
14. DIREITO ADMINISTRATIVO
14.1. INTRODUÇÃO. PRINCÍPIOS.
14.2. PODERES ADMINISTRATIVOS
14.3. ATOS ADMINISTRATIVOS
14.4. PROCESSO ADMINISTRATIVO
14.5. ESTRUTURA DA ADMINISTRAÇÃO: ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA
14.5.1. Administração Direta
14.5.2. Autarquias
14.5.3. Autarquias especiais
14.5.4. Fundações Públicas
14.5.5. Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista
14.5.6. Consórcios e convênios
14.5.7. Terceiro Setor
14.6. SERVIÇOS PÚBLICOS
14.6.1. Parceia Público Privada
14.7. INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE
14.7.1. Desapropriação
14.7.2. Tombamento
14.7.3. Limitações administrativas

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14.7.4. Servidão Administrativa


14.7.5. Ocupação temporária
14.8. BENS PÚBLICOS
14.9. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
14.10. CONTROLE ADMINISTRATIVO
14.10.1. Inscrição de entes em cadastro de inadimplência pela União
14.10.2. Tribunais de Contas
14.11. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. LEI ANTICORRUPÇÃO
14.11.1. Improbidade
14.11.1.1. Indisponibilidade de bens em caso de improbidade administrativa
14.11.2. Lei anticorrupção
14.12. AGENTES PÚBLICOS: REGIME, CONCURSO, PREVIDÊNCIA.
14.12.1. Concurso Público
14.12.2. Aposentadoria – Regime Jurídico – RPPS
14.12.3. Lei 8.112/91
14.12.4. Competência de ações envolvendo servidores
14.13. LICITAÇÕES E CONTRATOS
14.13.1. RDC
14.14. A SAÚDE PÚBLICA
15. DIREITO AMBIENTAL
15.1. CONSTITUIÇÃO. COMPETÊNCIA. PRINCÍPIOS. BIODIVERSIDADE
15.2. POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE
15.2.1. Instrumentos da PNMA
8 15.2.2. Zoneamento Ambiental
15.3. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – SNUC
15.4. CÓDIGO FLORESTAL: APP E RESERVA LEGAL
15.4.1. Reserva legal
15.4.2. Área de Preservação Permanente
15.4.3. Pequena Propriedade Rural
15.5. LICENCIAMENTO AMBIENTAL – PODER DE POLÍCIA AMBIENTAL
15.5.1. Licenciamento Ambiental
15.5.2. Avaliação de Impacto Ambiental
15.5.3. Poder de Polícia Ambiental
15.6. RESPONSABILIDADE AMBIENTAL – LEI 9.605
15.7. FLORESTAS PÚBLICAS – PROTEÇÃO ÀS FLORESTAS – MATA ATLÂNTICA
15.7.1. Mata Atlântica
15.8. ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS (OGM)
15.9. PATRIMÔNIO GENÉTICO, CONHECIMENTO TRADICIONAL ASSOCIADO AO PATRIMÔNIO GENÉTICO. (LEI
13.123/15)
15.10. POLÍTICA NACIONAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
15.11. POLÍTICA NACIONAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS – PRODUTOS TÓXICOS
15.12. MINERAÇÃO – POLÍTICA ENERGÉTICA
15.13. EFETIVAÇÃO DA PROTEÇÃO AMBIENTAL PELOS PODERES.
16. DIREITO INTERNACIONAL
16.1. INTRODUÇÃO. FONTES. PRINCÍPIOS.
16.2. TRATADOS INTERNACIONAIS. ATOS INTERNACIONAIS.
16.3. SUJEITOS DO DIREITO INTERNACIONAL - DIPLOMACIA
16.3.1. Consulados e embaixadas – Diplomacia
16.3.2. ONU
16.3.3. OIT
16.4. NACIONALIDADE; ESTRANGEIRO; PERSONALIDADE INTERNACIONAL.
16.4.1. Documentos do estrangeiro

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16.4.2. Nacionalidade
16.4.3. Estatuto da Igualdade – Portugueses e Brasileiros
16.4.4. Expulsão, extradição e deportação
16.5. DIREITO DE INTEGRAÇÃO – DIREITO COMUNITÁRIO
16.5.1. MERCOSUL
16.6. CONFLITOS INTERNACIONAIS; PROCESSOS INTERNACIONAIS; TPI
16.6.1. Tribunal Penal Internacional – TPI
16.7. DOMÍNIO PÚBLICO INTERNACIONAL
16.8. RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL
16.8.1. Lei anticorrupção e pessoas jurídicas internacionais
16.9. DIREITOS HUMANOS
16.9.1. Global
16.9.2. Regional
16.9.2.1. Corte Interamericana e Comissão Interamericana
16.9.2.2. Corte Europeia
16.10. CONVENÇÕES EXTRAVAGANTES
16.10.1. Alimentos e Crianças
16.11. DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO
16.11.1. Homologação de sentença estrangeira
17. NOÇÕES GERAIS DE DIREITO E FORMAÇÃO HUMANÍSTICA
17.1. SOCIOLOGIA DO DIREITO
17.2. PSICOLOGIA JUDICIÁRIA
17.3. ÉTICA E ESTATUTO JURÍDICO DA MAGISTRATURA NACIONAL
9 17.4. FILOSOFIA DO DIREITO
17.4.1. Positivismo
17.4.2. Interpretativismo – Pós-positivismo
17.5. TEORIA GERAL DO DIREITO E DA POLÍTICA

1. DIREITO CONSTITUCIONAL
1.1. Teoria Geral do Direito Constitucional
Constituição. Conceito. Classificação. Elementos. Poder constituinte: originário e derivado.
Hermenêutica constitucional. O constitucionalismo brasileiro. A ordem constitucional
vigente. Emendas à Constituição. Disposições gerais e transitórias. República e federação no
direito Constitucional em geral. Sistema brasileiro.
1.1.1. Neoconstitucionalismo e constitucionalismo
● Neoconstitucionalismo: resposta aos horrores ocorridos na 2ª Guerra, se consagrando a partir
das novas constituições europeias, principalmente a Lei Fundamental de Bonn (Constituição
Alemã de 1949).
o Conceito: concepção teórica que busca superar concepções positivistas, valorizando a
razão prática no âmbito jurídico e buscando soluções não meramente legais/subsuntivas
para os denominados hard cases. Parte de uma nova concepção dogmática,
principiológica e de caráter eminentemente axiológico.
o Brasil:
▪ Seu 1 º marco ocorre com a publicação da CF de 1988.
▪ 2º marco: pilares principais:
● Reconhece a força normativa da Constituição: deixa de considerar a
Constituição como documento político e de caráter programático. A força

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normativa irradia perante todo o ordenamento, devendo ser, além de


moldura, a razão, através de seus princípios e dogmas.
● Expansão da jurisdição Constitucional: centraliza os direitos fundamentais
na discussão jurídica, de modo que o judiciário passa a ser visto como
protetor dos direitos, havendo a criação de mecanismos para a sua tutela,
como as ações de controle de constitucionalidade e demais ações
constitucionais. Tema relevante para Jurisdição Constitucional.
● Desenvolvimento de nova dogmática de interpretação constitucional:
novas leituras das cláusulas gerais (sem previsão de resultado no texto
legal) e conceitos indeterminados (há opção para o juiz no texto legal);
distinção qualitativa entre princípios e regras de criação de postulados para
resolver a colisão de normas constitucionais, com a aplicação, dentre
outros, da técnica da ponderação.
▪ Marco filosófico: pós-positivista (jusnaturalismo + positivismo) defesa
de valores caros para a sociedade atual, particularmente a defesa da
dignidade humana, de influência kantiana. Propõe reconstruir o
significado da ordem jurídica, não se podendo considerar como mero
sinônimo de neoconstitucionalismo e sim seu fundo filosófico.
Influencia tanto a dogmática quanto a própria doutrina constitucional.
● Estado de coisas inconstitucionais e neoconstitucionalismo: tratou-se sobre o principal item
defendido no neoconstitucionalismo: dignidade humana. Através da irradiação dos princípios
10 constitucionais, verificou-se o estado calamitoso em que os presídios encontravam-se (ADPF
347). Controle de políticas públicas.
● Neoconstitucionalismo é pós-positivista, e não positivista.
● Constitucionalismo ocidental:
o Francês: traz a ideia de Poder Constituinte, de que o poder é anterior, pré-
jurídico, ilimitado. Jusnaturalismo.
o Norte-Americano: coloca a constituição como fonte de poder, bem como os
direitos fundamentais na constituição. (Limitação e organização do Poder)
o Poder constituinte material: conjunto de forças político-sociais que vão
produzir o conteúdo de uma nova Constituição, a partir da ruptura jurídico-
política. Ou seja, é a ideia de direito, fruto desse conjunto de forças político-
sociais.
o Poder Constituinte formal: é aquele que vai formalizar a ideia de direito
construída por meio do Poder Constituinte Material. O Poder Constituinte
Formal será o grupo encarregado de redigir a Constituição.
o Pelo critério jurídico-formal, a manifestação do poder constituinte derivado
decorrente mantém-se adstrita à atuação dos estados-membros para a
elaboração e suas respectivas constituições, não se estendendo ao DF e aos
municípios, que se organizam mediante lei orgânica.
● Princípios são comandos de otimização que exigem que algo seja realizado na máxima
medida possível dentro das circunstâncias fáticas e jurídicas, enquanto regras são comandos
definitivos, os quais exigem apenas que certa conduta seja realizada

1.1.2. Poder Constituinte – Teoria Geral do Estado – Conceitos

● Poder Constituinte Supranacional: “virada kantiana” – o estado tem que defender o indivíduo.

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o -1945: fim da 2ª Guerra Mundial. Antes, o indivíduo era considerado sujeito


apenas no plano nacional. A soberania estatal era considerada absoluta, não
havendo proteção do indivíduo em relação ao poder do estado.
o -Após, o sujeito passa a ser visto no plano internacional e a soberania estatal
deixar de ser absoluta para ser relativa. Foi guiada pelo princípio da dignidade
da pessoa humana. Foi criada a ONU, com sistema normativo internacional.
Assim, nasce a visão do Poder Supranacional.
● Os estados estão condicionados a POVO, TERRITÓRIO e GOVERNO SOBERANO, e não a uma
Constituição. Logo, nem todo Estado possui uma Constituição.
● Ferdinand Lassale: Sentido sociológico. Para ele existe duas constituições que convivem
paralelamente. A constituição real e efetiva seria resultado da soma dos fatores reais de
poder.
o Real: real e efetiva, que corresponde à soma dos fatores reais de poder e que regem
esse país. Em caso de conflito com a constituição escrita, a constituição real prevalece.
▪ Fatores reais de poder: Forças reais que mandam no país. Lassale diz que está
ligado aos anseios dos detentores de poder na realidade dos fatos do que com a
forma que o poder emana do povo. São as forças que atuam na política, e
legitimamente, como monarquia, banqueiros, grande burguesia.
o Escrita: folha de papel, que só teria validade se correspondesse a constituição
real, ou seja, se tivesse suas raízes nos fatores reais de poder.
● Carl Schmitt: documento que determina as normas fundamentais e estruturais (ele faz
11 a divisão entre leis constitucionais, normas materialmente constitucionais). Decisão
política fundamental. Normas Constitucionais e Leis constitucionais.
o A constituição não se apoia em suas normas, mas na decisão política que lhe
dá existência.
● Hans Kelsen: dever ser, fruto da vontade racional do homem, sistema normativo
piramidal. Há dois sentidos que fundamentam uma Constituição para ele:
o Lógico Jurídico: se fundamenta em uma norma hipotética fundamental.
o Jurídico-positivo: é a norma que o ordenamento fundamenta sua validade.
● Poder Constituinte Difuso é o fundamento da aplicação mutação constitucional, ou
seja, alteração no significado e sentido interpretativo do texto constitucional em
virtude de mudança na percepção política, social e econômica.
● Não se admite um poder constituinte derivado de terceiro grau. Só os Estados (poder
de 2º grau) possuem poder constituinte derivado. Assim, o município, ao editar sua lei
orgânica, não o faz sob fundamento de poder constituinte e nem mesmo sua lei é
paradigma para algum controle de constitucionalidade. ATENÇÃO: não tem poder
constituinte derivado decorrente em municípios. Ele não possui Constituição, mas LEI
ORGÂNICA. Não há Poder Constituinte Derivado Decorrente de 3º grau.
o Isso deve ser lembrado em caso de CPI municipal, que não possui poderes
próprios de autoridade judicial, como as CPIs Federais e Estaduais.
● A constituição nova não torna inconstitucional a legislação anterior quando da edição da lei,
mas tão somente as revoga/não recepciona. Não existe inconstitucionalidade superveniente.
o ATENÇÃO: a teoria moderna aceita a inconstitucionalidade superveniente,
conceituando esta como lei que sofreu um processo de inconstitucionalização,
considerando o tempo e as mudanças verificadas no cenário jurídico, político,
econômico e social do país. Não há uma sucessão de Constituições, mas uma
desarmonia com a CF e com o tempo, tornando-se incompatível com o texto

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constitucional. Essa inconstitucionalidade se dá com relação à constituição


vigente, e não uma Constituição antiga.
● Em relação ao Poder Constituinte Originário, o Brasil adotou a teoria POSITIVISTA, para a qual
o poder constituinte originário é ilimitado e pré-jurídico (político).
● As normas que no advento da Constituição anterior eram de competência da União e, com a
constituição nova, passam a ser do Estado ou Município, são recepcionadas, permanecendo
válidas até que o ente disponha de modo diverso.
● Teorias que fundamentam o Poder Constituinte Originário:
o Positivistas (constituinte): Como para Kelsen todo o poder estatal é um poder
positivado, se o poder constituinte é pré-estatal, então ele é um poder de fato,
e não jurídico, pois o direito só surge quando já há um Estado. Não aceita o
direito natural. Não há como uma Constituição surgir sem um fundamento de
validade. Logo, é um Poder de Fato.
o Jusnaturalistas (constituinte): é um poder de Direito, porque se fundamenta
em um direito já existente, que é o Direito Natural.
● O poder constituinte originário é político (poder de fato), pois é uma decisão. Já o derivado, é
jurídico (direito), pois advém de um conjunto de normas positivadas.
● O poder constituinte material diz o que é constitucional, o formal materializa e sedimenta a
constituição no documento final.
● Poder constituinte atípico: é aquele que após a elaboração da Constituição não se dissolve, e
se converte em poder Constituído, passando a exercer as funções de legislador ordinário. É o
12 Congresso Nacional. O poder típico é dissolvido após a elaboração da Constituição.
● Segundo o CESPE o poder de constituinte originário tem o condão de instaurar nova ordem por
uma nova constituição ou por ato institucional.
● Escolas teóricas sobre a separação dos poderes:
o Escola FRANCESA: separação rígida de poderes. As atribuições do Estado são
entregues praticamente com exclusividade ao órgão. Não há destaque para o
sistema de freio e contrapesos.
▪ Contencioso Administrativo.
o Escola INGLESA: faz a separação de poderes sem exclusividade aos órgãos, de
modo flexível.
▪ Unicidade de jurisdição.
● Emmanuel Sieyés – O que é o terceiro estado:
o Poder constituinte: poder de elaborar a estrutura do Estado e dividir os
Poderes.
o Poder constituído: os Poderes reconhecidos pela Constituição, Legislativo,
Executivo e Judiciário.
o O terceiro estado é a burguesia, maioria e detentora da economia. Ela que
deveria ser o titular do Poder, ou seja, a nação, e não o Rei ou o Clero. Essa foi
a razão da revolução francesa: o povo como titular do Poder. Liberdade,
igualdade, fraternidade.
o Ele defendia a representatividade do povo, e não a participação direta.
o A teoria da soberania popular considera que o poder constituinte é de
titularidade do povo, esse compreendido como complexo de forças políticas
plurais, “grandeza pluralística”, ou seja, como uma pluralidade de forças
culturais, sociais e políticas tais como partidos, grupos, igrejas, associações,
personalidades, decisivamente influenciadoras da formação de opiniões,

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vontades, correntes ou sensibilidade políticas nos momentos preconstituintes


e nos procedimentos constituintes.
o Nesta obra, pela primeira vez, alguém racionalmente tratou do poder
constituinte.
● Titular do Poder Constituinte:
o Teoria Clássica (Sieyés): é a NAÇÃO, sendo esta um conjunto de valores
morais compartilhados, e não um grupo de indivíduos.
o Teoria Contemporânea (Rosseau): é o povo, como um conjunto coletivo de
pessoas cidadãs, comprometidas com aquela sociedade.
● Teoria da dupla revisão: a teoria estabelece que é legítima a vontade do Poder Constituinte
Originário em impedir a modificação da Constituição em alguns pontos, porém, aceita que
esses parâmetros protegidos sejam modificados pelo Constituinte Derivado, permitindo, a
partir daí, a dupla revisão da Constituição. Assim, seria possível abolir o rol de cláusulas
pétreas e depois modificar qualquer princípio base da Constituição. NÃO ADOTADA NO
BRASIL.
● Desconstitucionalização: recepção de norma da Constituição anterior, compatível
materialmente (só material) com a Constituição atual, com status de lei. Deve vir
expressamente previsto na Constituição nova. Como regra geral, a constituição atual não
prevê expressamente desconstitucionalização. A Lei Maior anterior inteira fica superada. Nada
impede que a constituição atual diga que determinado dispositivo da constituição anterior
vigerá, ainda que temporariamente.
13 o ATENÇÃO: deve estar expressamente previsto na nova constituição, não
bastando a compatibilidade material da norma anterior. Em regra, a
constituição anterior fica inteiramente revogada.
o Para recepção da norma e sua desconstitucionalização, ela deve ser
constitucional formal e materialmente com o ordenamento anterior.
● A CF contempla hipótese configuradora do denominado fenômeno da recepção material das
normas constitucionais, que consiste na possiblidade de a norma de uma constituição anterior
ser recepcionada pela nova constituição, com status de norma constitucional.
o Por força de norma expressa do ADCT (art. 34), houve manutenção de
aplicação de determinados dispositivos da constituição de 67, por prazo
certo e em caráter precário. Neste artigo, a CF88 manteve o sistema
tributário nacional anterior por cinco meses e, após, entraria em vigor o STN
da CF88.
o Recepção: acontece com normas infraconstitucionais que são recebidas como
normas infraconstitucionais
o Desconstitucionalização: acontece com normas constitucionais que são
recebidas como normas infraconstitucionais
o Recepção material de normas constitucionais: acontece com normas da
constituição anterior que são recebidas como normas constitucionais.
o
● Súmula 654-STF: A garantia de irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da
constituição da república, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado.
● Não há direito adquirido à manutenção dos critérios legais de fixação do valor da
remuneração.

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1.1.3. Hermenêutica
● Hiato constitucional: nome que se dá nos casos em que se constata discrepância entre o
conteúdo da Constituição política e a realidade social, podendo ser verificado fenômenos
como convocação de Assembleia Nacional Constituinte, mutação constitucional, reforma
constitucional e hiato autoritário (outorga de poder autoritário).
● Técnicas de interpretação constitucional:
o Construtiva: estende-se o alcance desta para abranger hipótese não
expressamente prevista.
o Evolutiva: atualiza-se o sentido desta para abranger hipótese não existente
quando de sua elaboração e claramente contemplada nas possibilidades
semânticas do texto.
o Nenhum dos dois se confundem com a mutação constitucional. A mutação é
a mudança no sentido da norma, em contraste com entendimento pré-
existente, ou seja, a mutação ocorrerá quando se estiver diante da alteração
de uma interpretação previamente existente.
● Mutação constitucional e superação de jurisprudência consolidada: a) mudança na percepção
do direito; b) modificações na realidade fática; c) consequência prática negativa de
determinada linha de entendimento.
o Mutação constitucional: não ofende o texto da lei quando da sedimentação do
novo entendimento.
o Mutação inconstitucional: ex: as decisões definitivas de mérito em controle
14 concentrado de constitucionalidade admitem efeito vinculante. Entretanto, o
STF, por meio de decisão, admitiu-se o efeito vinculante da decisão liminar,
com nítida ofensa à literalidade da constituição.
● O princípio da força normativa está contido na máxima efetividade, e não o contrário.
● A decisão do STF sobre mutação constitucional acerca do artigo 52, X, que confere a ideia de
que o Senado só dá publicidade às decisões do STF de inconstitucionalidade, é um exemplo de
inobservância do princípio da conformidade funcional, pois um poder se imiscui no outro.
o Houve um julgado aqui que abre possibilidades para a abstrativização do
controle difuso, no caso do AMIANTO: Para essa corrente, o art. 52, X, da
CF/88 sofreu uma mutação constitucional e, portanto, deve ser
reinterpretado. Dessa forma, o papel do Senado, atualmente, é apenas o de
dar publicidade à decisão do STF. Em outras palavras, a decisão do STF, mesmo
em controle difuso, já é dotada de efeitos erga omnes e o Senado apenas
confere publicidade a isso.
● De acordo com o positivismo de Hans Kelsen, a escolha de uma interpretação dentro da
moldura de possibilidades proporcionada pela norma jurídica realiza-se segundo a livre
apreciação do tribunal, e não por meio de qualquer espécie de conhecimento preexistente.
Por conta da abstração e indeterminação da norma jurídica, ela deve ser como uma moldura,
de modo que a sua interpretação deve ocorrer sob a ótica desse molde. Kelsen defende que
não há vinculação de qualquer espécie de conhecimento do direito preexistente, devido ao seu
viés positivista, e não naturalista.
● Robert ALEXY: Princípios Constitucionais são mandamentos de otimização que conduzem à
única resposta correta a uma interpretação efetivadora de normas atinentes a determinadas
situações jurídicas.
● Interpretação CONFORME:

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o O intérprete não pode contrariar o texto literal e o sentido da norma


interpretada, a fim de obter concordância com a Constituição.
o A interpretação conforme a Constituição só é admitida quando existe, de fato,
um espaço de decisão/interpretação em que sejam admissíveis várias
propostas interpretativas, estando pelo menos uma delas em conformidade
com a Constituição, que deve ser preferida às outras, em desconformidade
com ela.
o No caso de se chegar a um resultado interpretativo de uma lei
inequivocamente em contradição com a Constituição, não se pode utilizar a
interpretação conforme.
o Deve o interprete zelar pela manutenção da vontade do legislador, devendo
ser afastada a interpretação conforme a Constituição quando dela resultar
uma regulação distinta daquela originariamente almejada pelo legislador, sob
pena de transformar o interprete em legislador positivo.
● Concordância prática e harmonização: coordenação e combinação de bens jurídicos em
conflito de forma a evitar o sacrifício total de uns em relação aos outros. É a utilização da
ponderação.
● Justeza e conformidade funcional: não se pode chegar a uma interpretação que subverta,
altere ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pelo constituinte
originário.
● Método Normativo-Estruturante: trabalha com a concepção de que a norma jurídica não se
15 identifica com seu texto – expresso -, pois ela é o resultado de um processo de concretização;
texto da norma, então, não tem normatividade, mas apenas validade. A normatividade não é
produzida pelo texto (que é apenas a forma da lei atuando como diretriz e limite a uma
determinada concretização), mas resulta da implementação de uma decisão (governamental)
que concretize a norma.
● A Constituição dirigente busca por programa a serem realizados, possuindo inspiração
ideológica socialista. Foge-se, portanto, da visão tradicional de constituição que concebe como
lei processual ou instrumento de governo, definidora de competências e reguladora de
processos. Assim, não implica a adoção de uma concepção procedimentalista, mas sim
buscando programas econômicos e sociais a serem realizados.d
● A derrotabilidade da norma jurídica significa a possibilidade, no caso concreto, de uma norma
ser afastada ou ter sua aplicação negada, sempre que uma exceção relevante se apresente,
ainda que a norma tenha preenchido seus requisitos necessários e suficientes para que seja
válida e aplicável.
o Por força da doutrina da derrotabilidade das regras (defeasibility), uma norma
pode alojar infinitas exceções implícitas e imprevisíveis que, em um dado caso
concreto, justificam seja episodicamente afastada, a pretexto de se fazer
Justiça ou de assegurar os seus fins, permanecendo íntegro o texto que
alberga o seu comando. Na feliz síntese de Carsten Bäcker, “derrotabilidade
deve ser entendida como a capacidade de acomodar exceções”
o Derrota-se a norma, jamais o texto que a abrigou. Declara-se a “norma”
inconstitucional, no sentido de que naquela ocasião, ela é inconstitucional.
Trata-se de uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto.
o Hart percebeu que em razão da impossibilidade de as normas preverem as
diversas situações fáticas, ainda que presentes seus requisitos, elas contém, de
forma implícita, uma cláusula de exceção (tipo: a menos que), de modo a
ensejar, diante do caso concreto, a derrota/superação da norma
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o A não ser por meio de dons premonitórios, é impossível ao legislador


antever todas as hipóteses reais que justificariam fosse excepcionada a regra
que pretende elaborar.
o A derrotabilidade (ou superabilidade) de uma regra implica a não incidência
de uma norma existente, válida e eficaz, ou seja, embora tenha percorrido
todos os degraus da escada ponteana, não se sagra vitoriosa no caso que
normatizou.
o Nisso se distingue do controle de constitucionalidade, afinal, enquanto a
sindicância de constitucionalidade aquilata a validade das normas, a
derrotabilidade trabalha com uma norma válida, mas episodicamente afastada
em nome do que é (ou parece ser) justo.
● A constituição como processo público é aquela da sociedade aberta dos intérpretes, de Peter
Häberle, onde pode ser interpretada em qualquer espaço, e não apenas por juristas no bojo
dos processos.

1.1.4. Classificação
● Quanto ao papel, as Constituições podem ser classificadas em Constituição-lei, Constituição-
fundamento e Constituição-moldura.
● Quanto à finalidade, em garantia, balanço e dirigentes
16 ● Quanto ao MODO de ELABORAÇÃO:
o Históricas: juridicamente flexíveis, pois pode ser modificada pelo legislador
ordinário, mas, normalmente, são política e socialmente rígidas, sendo
raramente modificadas.
o Dogmáticas:
● Quanto à origem:
o Promulgada
o Outorgada
o Cesarista
● Quanto ao CONTEÚDO: formal ou material.
● Quanto à extensão: sintética ou analítica.
● A CF é DIRIGENTE OU PROGRAMÁTICA, pois abundam normas programáticas.
● Em constituição flexível, a lei ordinária altera a Constituição caso esta seja contrária à nova lei,
pois não há hierarquia.
● Constituição negativa ou garantia é típica do Estado Liberal, pois visa coibir os ataques do
Estado através do estabelecimento de garantias aos indivíduos. Já a Constituição dirigente,
possui normas programáticas em seu bojo, dando atenção especial à implementação de
programas pelo Estado.
● Constituição Balanço: explicita as características atuais da sociedade, trazendo parâmetros que
devem ser observados à luz da realidade econômica, política e social existente.
● Constituição simbólica: A preocupação com a implementação de dispositivos constitucionais
e, em particular, de suas promessas sociais, não é central. As controvérsias constitucionais são
decididas com base nos códigos da política e conforme conflitos de interesse. Nessa luta,
acabam preponderando os interesses dos grupos mais poderosos, dos denominados
“sobrecidadãos”, que conseguem utilizar a Constituição e o Estado em geral como instrumento
para satisfazer seus interesses. A juridicidade da Constituição fica comprometida pela
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corrupção da normatividade jurídica igualitária e impessoal, conforme o binômio legal-ilegal.


As controvérsias constitucionais são decididas com base no código do poder.
1.1.5. Normas Constitucionais e histórico
● As normas internas que forem contrárias ao tratado internacional de direito humanos, seja ele
equivalente à emenda constitucional ou supralegal, têm sua eficácia normativa suspensa.
● Reserva legal: submissão à lei.
o Simples: a CF autoriza que a lei restrinja algo, sem definir o que deverá constar
na lei.
o Qualificada: a CF, além de autorizar a restrição, estabelece os fins
necessariamente a serem perseguidos ou os meios a serem adotados pelo
legislador.
● Necessário se faz compreender a distinção entre eficácia meio e eficácia fim.
o A primeira, presente em todas as normas, traz consigo um efeito negativo
(negação às normas inferiores que lhe são contrárias), um efeito interpretativo
(vetor de interpretação para as demais normas, ainda que pendente a sua
regulamentação), e um efeito de vedação do retrocesso (o conteúdo da norma
fica protegido contra forças retroativas). É o que acontece com as normas de
eficácia limitada.
o Já a segunda diz respeito à aptidão da norma de, independentemente de
qualquer intermediação legislativa, produzir seu efeito finalístico de regular o
comportamento nela previsto.
17 ● A CF não positivou expressamente a regra de que as leis não podem atingir fatos ocorridos no
passado, adotando, na verdade, a teoria subjetiva de proteção dos direitos adquiridos em face
de leis novas.
o Teoria subjetiva dos direitos adquiridos: veda a retroatividade das leis e a
incidência de normas de ordem pública sobre efeitos futuros de negócios
jurídicos celebrados no passado.
o Nesse sentido, os princípios constitucionais do direito adquirido e do ato
jurídico perfeito não se mostram aptos a proteger as posições jurídicas
contra eventuais mudanças dos institutos ou dos próprios estatutos jurídicos
previamente fixados.
o Não há direito adquirido a regime jurídico de um instituto de direito. Ex:
direito de propriedade, regime jurídico único,
● A União não pode invocar direito adquirido contra lei federal que suprima direitos da própria
União.
o Súmula 654 STF: A garantia de irretroatividade da lei, prevista no artigo 5º,
XXXVI, da constituição da república, não é invocável pela entidade estatal que
a tenha editado.
● Servidor público não tem direito adquirido à manutenção dos critérios legais de fixação do
valor da remuneração. O que não pode haver é a redução do valor global.
● Diante de aparente antinomia entre normas principiológicas ou constitucionais, não é correto
falar em conflito, mas em momentâneo estado de tensão ou de mal-estar hermenêutico, cuja
solução não se dá pela exclusão de uma norma do ordenamento jurídico, como ocorre com as
regras em geral, mas pela ponderação entre os princípios, em cada caso concreto.
● A constituição do império foi a que mais vigorou: 1824 a 1891.
● A Constituição de 1891 deu autonomia aos Estados, contemplando o Poder Derivado
Decorrente. Foi a inauguração da forma federativa.
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● A EC 01/69, ainda que haja divergências, apresentou-se como uma nova Constituição, vez que
não retirou seu fundamento da Constituição anterior.
● O controle de constitucionalidade só existiu na CF de 1891, sendo o Controle difuso. No
império vigorava somente a Soberania do Parlamento e o Poder Moderador. O modelo
concentrado surge só na CF de 1934, com a ADI interventiva.
● A EC 16/65 cria a ADI genérica, aprimorada na CF 88.
● A norma que prevê gratuidade dos transportes coletivos urbanos aos que tenham mais de
sessenta e cinco anos de idade possui eficácia plena e aplicabilidade imediata.
● A norma que prevê imunidade recíproca dos entes e imunidade por extensão às entidades é
de aplicabilidade imediata e eficácia contida.

1.2. Direitos e Garantias fundamentais


Direitos Humanos. Direitos e Garantias Fundamentais. Processo eleitoral. Plebiscito.
Referendum. Iniciativa Popular. Direitos e garantias individuais. O rol da constituição
brasileira. Direitos explícitos e implícitos. Classificação dos direitos explícitos. Abuso de
direito individual ou político. Direitos políticos e partidos políticos. Alistamento. Elegibilidade
e inelegibilidade. Suspensão e perda dos direitos políticos. Sufrágio: natureza e forma.
Nacionalidade.
 Imprescritíveis: ação armada contra o Estado democrático de Direito; Racismo.
18  Inafiançáveis e insuscetível de graça ou anistia: Tráfico, Tortura, Terrorismo, Hediondo
1.2.1. Direitos Individuais
● Extradição de brasileiro naturalizado:
o Crime comum: só os cometidos antes da naturalização.
o Tráfico de drogas: a qualquer tempo.
● Os direitos e garantias fundamentais enunciados na maioria do artigo 5º da CF são normas que
produzem seus efeitos típicos independentemente da atuação do legislador
infraconstitucional.
● Georg Jellinek: o indivíduo está vinculado ao Estado e é dotado de personalidade jurídica. A
sua teoria trabalha as funções dos direitos e garantias fundamentais.
o Ativo: participação ativa do indivíduo na formação da vontade política do
Estado. Cidadania
o Passivo: o Estado vincula seus indivíduos por meio de proibições,
mandamentos, ordenações.
o Positivo: o indivíduo pode exigir uma prestação positiva do Estado, uma ação.
o Negativo: o indivíduo tem direito de exigir do Estado uma abstenção.
● O fato de ser livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
não impede que tal direito seja limitado pelo legislador, permitindo-se, por exemplo, a
proteção da reputação das demais pessoas, da segurança nacional, da ordem pública e da
saúde.
● A adoção de critérios diferenciados para o licenciamento dos militares temporários, em razão
do sexo, não viola o princípio da isonomia.
● O Estado, observado o binômio Laicidade do Estado (art. 19, I) / Consagração da Liberdade
religiosa (art. 5º, VI) e o princípio da igualdade (art. 5º, caput), deverá atuar na
regulamentação do cumprimento do preceito constitucional previsto no art. 210, §1º,

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autorizando na rede pública, em igualdade de condições, o oferecimento de ensino


confessional das diversas crenças, mediante requisitos formais e objetivos previamente fixados
pelo Ministério da Educação. Dessa maneira, será permitido aos alunos que voluntariamente
se matricularem o pleno exercício de seu direito subjetivo ao ensino religioso como disciplina
dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, ministrada de acordo com
os princípios de sua confissão religiosa, por integrantes da mesma, devidamente credenciados
e, preferencialmente, sem qualquer ônus para o Poder Público.
● Laicidade X Laicismo
o Laicidade: neutralidade religiosa por parte do Estado. É a característica do
Brasil.
o Laicismo: atitude de intolerância e hostilidade estatal em relação à algumas
religiões.
● “O habeas data é a garantia constitucional adequada para a obtenção, pelo próprio
contribuinte, dos dados concernentes ao pagamento de tributos constantes de sistemas
informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos administração fazendária dos entes
estatais”.
● A administração pode monitorar o conteúdo do e-mail corporativo de seus servidores.
● A divulgação de elementos cadastrais dos beneficiários de decisão proferida em ação civil
pública que determinou o pagamento dos expurgos inflacionários decorrentes de planos
econômicos configura quebra de sigilo bancário.
● Direito de informação: liberdade de informar, de se informar e de ser informado.
19 ● Censura X Limitação à liberdade de expressão:
o Censura: pressupõe controle prévio da programação, para evitar a veiculação
de conteúdo atentatório à lei. Jamais pode ser admitida, uma vez que vedada
pela CF e, além de limitar o conteúdo ilícito, cria barreiras ao conteúdo lícito,
pois haveria submissão ao exame de autoridade antes da divulgação.
o Limitação da liberdade de expressão sem censurar: impedimento de reprise
de certo programa, recolhimento de impressos, imposição do direito de
resposta e a indenização por danos são mecanismos válidos para proteger
outros direitos frente ao excesso cometido no exercício na liberdade de
expressão.
▪ STF: admite restrições legais à liberdade de expressão, desde que
promovam outros valores e interesses constitucionais também
relevantes e respeitem o princípio da proporcionalidade.
▪ É possível que seja por normas infraconstitucionais ou por tutela
inibitória. Quando uma programação exceda os limites da liberdade de
expressão e se mostre ofensiva a valores constitucionais, pode o Poder
Público adotar medidas para restringir ou impedir sua veiculação. O
importante é que o juízo de restrição se faça com vistas ao princípio da
proporcionalidade e as ações adotadas sejam aquelas estritamente
necessárias para afastar o abuso da liberdade de expressão.
● A simples disponibilização de aparelhos de rádio e TV em quartos de hotéis, motéis, clínicas e
hospitais autoriza a cobrança de DIREITOS AUTORAIS por parte do ECAD.
o Súmula 63 STJ: São devidos direitos autorais pela retransmissão radiofônica de
músicas em estabelecimentos comerciais.
o Tanto o hotel quanto a empresa de fornecimento de TV à cabo tem que pagar
os direitos autorais ao ECAD, pois são fatos geradores distintos: captação e

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transmissão de radiofusão em local coletivo e a própria radiofusão sonora ou


televisiva pela empresa.
● É CONSTITUCIONAL lei municipal, de iniciativa parlamentar, que veda realização de eventos,
em imóveis públicos, patrocinados por produtoras, distribuidoras, importadoras ou
representantes de bebidas alcoólicas ou cigarros, com a utilização da respectiva propaganda.
o Não se trata de limitação de propaganda de competência da União, mas de
restrição da Administração sobre o bem público, e não sobre as empresas.
● Liberdade religiosa: consciência, crença e culto.
● O estado não pode opor a teoria da reserva do possível quando não atingiu o mínimo
existencial. Somente depois de atingido o mínimo existencial é que se poderá opor a reserva
do possível em relação aos recursos remanescentes.
o Lembre-se da frase: A interpretação da norma programática não pode
transformá-la em PROMESSA CONSTITUCIONAL INCONSEQUENTE”  [...]
Nesse viés, de acordo com o Supremo Tribunal Federal, o reconhecimento, pelo
Poder Judiciário, da validade jurídica de certos programas sociais, como a
distribuição gratuita de medicamentos a pessoas hipossuficientes, faz-se
imprescindível para que se confira efetividade a preceitos fundamentais da
Constituição da República, sob pena de, não o fazendo, estar o Estado
substituindo de forma ilegítima seu dever impostergável, transformando
referido direito social em verdadeira promessa constitucional inconsequente,
meramente estampada no texto normativo.
20 o Por esse motivo, não havendo comprovação objetiva da incapacidade
econômico-financeira da pessoa estatal, inexistirá empecilho jurídico para que
o Judiciário determine a inclusão de determinada política pública nos planos
orçamentários do ente político. Só se aplica a reserva do possível quando se
comprove objetivamente a incapacidade econômico-financeira.
● A mera intuição de que está havendo tráfico de drogas na casa não autoriza o ingresso sem
mandado judicial ou consentimento do morador.
● A requisição de informações bancárias dos contribuintes pelo Fisco não é quebra de sigilo, mas
transferência de sigilo, e prescinde de autorização judicial. (LC 105/01)
● O direito à informação pode ser voltado exclusivamente ao atendimento de interesse
particular, como escrever uma obra literária sobre a ditadura militar.
● O direito à informação incide também, em regra, sobre os registros de áudios de sessões e
também sobre os autos de processo que tramitaram no STM.
● Ainda que classificada como ultrassecretas as informações, seu sigilo só pode durar por, no
máximo, 25 anos, nos termos da lei 12527/2011.
● STF já admitiu que direção do presídio intercepte correspondência dirigida ao preso,
devidamente fundamentado em razões de segurança pública, de disciplina prisional ou de
preservação da ordem jurídica.
● A Constituição de 1988 contempla essas três dimensões da igualdade. A igualdade formal
vem prevista no art. 5º, caput: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza”. Já a igualdade como redistribuição decorre de objetivos da República, como
“construir uma sociedade livre, justa e solidária” (art. 3o, I) e “erradicar a pobreza e a
marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” (art. 3o, III). Por fim, a igualdade
como reconhecimento tem lastro nos objetivos fundamentais do país de “promover o bem de
todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação” (art. 3o, IV), bem como no repúdio ao racismo (art. 5o, XLII)” Palavras do
Barroso na ADC 41
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● O estatuto do torcedor é formal e materialmente constitucional.


● No estado de coisas inconstitucionais, relacionados ao presídio, o preso em situação
degradante deve ser indenizado em pecúnia, não cabendo compensação pela remissão da
pena. Cabíveis danos morais.
● Ao tratar do alcance da liberdade de expressão em relação ao chamado "discurso do ódio"
(“hate speech”), o STF sustentou que o direito à liberdade de expressão é um direito relativo,
objeto de ponderação, à luz dos princípios da dignidade humana, proporcionalidade e
razoabilidade, não podendo acolher a incitação ao ódio racial ou religioso.
o Só haverá racismo se o discurso dessa religião supostamente superior for de
dominação, opressão, restrição de direitos ou violação da dignidade humana
das pessoas integrantes dos demais grupos.
▪ A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas
e seus seguidores não está protegida pela cláusula constitucional que
assegura a liberdade de expressão. Assim, é possível, a depender do
caso concreto, que um líder religioso seja condenado pelo crime de
racismo (art. 20, §2º, da Lei nº 7.716/89) por ter proferido discursos
de ódio público contra outras denominações religiosas e seus
seguidores. STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red.
p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018 (Info 893). Atenção.
Compare com RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
29/11/2016 (Info 849).
21 o Por outro lado, se essa religião supostamente superior pregar que tem o dever
de ajudar os "inferiores" para que estes alcancem um nível mais alto de bem-
estar e de salvação espiritual e, neste caso não haverá conduta criminosa.
● As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios podem requisitar diretamente das instituições financeiras informações sobre as
movimentações bancárias dos contribuintes. Esta possibilidade encontra-se prevista no art. 6º
da LC 105/2001, que foi considerada constitucional pelo STF. Isso porque esta previsão não se
caracteriza como "quebra" de sigilo bancário, ocorrendo apenas a “transferência de sigilo”
dos bancos ao Fisco.
o Vale ressaltar que os Estados-Membros e os Municípios somente podem obter
as informações previstas no art. 6º da LC 105/2001, uma vez regulamentada a
matéria de forma análoga ao Decreto Federal nº 3.724/2001, observados os
seguintes parâmetros: a) pertinência temática entre a obtenção das
informações bancárias e o tributo objeto de cobrança no procedimento
administrativo instaurado; b) prévia notificação do contribuinte quanto à
instauração do processo e a todos os demais atos, garantido o mais amplo
acesso do contribuinte aos autos, permitindo-lhe tirar cópias, não apenas de
documentos, mas também de decisões; c) sujeição do pedido de acesso a um
superior hierárquico; d) existência de sistemas eletrônicos de segurança que
fossem certificados e com o registro de acesso; e, finalmente, e)
estabelecimento de mecanismos efetivos de apuração e correção de desvios.
o A Receita Federal, atualmente, já pode requisitar tais informações bancárias
porque possui esse regulamento. Trata-se justamente do Decreto
3.724/2001 acima mencionada, que regulamenta o art. 6º da LC 105/2001. O
art. 5º da LC 105/2001, que permite obriga as instituições financeiras a
informarem periodicamente à Receita Federal as operações financeiras
realizadas acima de determinado valor, também é considerado constitucional.

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o Fisco Estadual, Distrital e Municipal: SIM, podem transferir, desde que


regulamentem, no âmbito de suas esferas de competência, o art. 6º da LC
105/2001, de forma análoga ao Decreto Federal 3.724/2001.
o Não é nula a condenação criminal lastreada em prova produzida no âmbito da
Receita Federal do Brasil por meio da obtenção de informações de instituições
financeiras sem prévia autorização judicial de quebra do sigilo bancário. Isso
porque o STF decidiu que são constitucionais os arts. 5º e 6º da LC 105/2001,
que permitem o acesso direto da Receita Federal à movimentação financeira
dos contribuintes.
o CPI: SIM (seja ela federal ou estadual/distrital) (art. 4º, § 1º da LC 105/2001).
MUNICPAL, não pode, porque não tem judiciário!
● 1 – O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua
classificação de gênero no registro civil, não se exigindo para tanto nada além da manifestação
de vontade do indivíduo, o qual poderá exercer tal faculdade tanto pela via judicial como
diretamente pela via administrativa.
● 2 – Essa alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a inclusão
do termo “transgênero”
● 3 – Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato,
vedada a expedição de certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio interessado
ou por determinação judicial.
● 4 – Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar, de ofício
22 ou a requerimento do interessado, a expedição de mandados específicos para a alteração dos
demais registros nos órgãos públicos ou privados pertinentes, os quais deverão preservar o
sigilo sobre a origem dos atos.
● O efeito horizontal mediato/indireto: Segundo essa corrente, os direitos fundamentais não
ingressam no cenário privado como direitos subjetivos, sendo necessária a intermediação do
legislador. Para que se possa invocar esse direito contra outro indivíduo, é necessário que o
legislador regulamente de que maneira os direitos fundamentais serão aplicados. O
pressuposto disso é a existência de um direito geral de liberdade, que só poderia ser
restringido nas relações de particulares se existisse uma lei regulamentando. Para os adeptos,
uma aplicação direta causaria a desfiguração do direito privado e ameaçaria a autonomia
privada.
● O efeito horizontal imediato/direto: Admite a aplicação direta dos direitos fundamentais às
relações entre particulares, embora entenda que essa não deva ocorrer com a mesma
intensidade da aplicação em relação ao Estado, por ser necessário levar em consideração a
autonomia privada.
1.2.2. Direitos Humanos – Políticas Públicas - Remédios
● O Estado deve manter seus presídios com padrões mínimos de humanidade e caso assim não o
faça, terá a obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos
detentos em decorrência da falta ou insuficiência das condições legais de encarceramento.
ADPF 347
 “O Ministério Público é parte legítima para ajuizamento de ação civil pública que vise ao
fornecimento de remédios a portadores de certa doença”.
● O Ministério das Relações Exteriores não pode negar a fornecer o nome de quem recebe
passaporte diplomático por motivos de interesse público.

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● A decisão judicial que impõe à Administração Pública o restabelecimento do plantão de 24


horas em Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e à Juventude não constitui abuso
de poder, tampouco extrapola o controle do mérito administrativo pelo Poder Judiciário.
● Constitui obrigação do poder público o fornecimento de medicamentos não incorporados em
atos normativos do SUS, desde que presentes, cumulativamente, os seguintes requisitos
o 1 - Comprovação, por meio de laudo médico fundamentado e circunstanciado
expedido por médico que assiste o paciente, da imprescindibilidade ou
necessidade do medicamento, assim como da ineficácia, para o tratamento da
moléstia, dos fármacos fornecidos pelo SUS;
o 2 - Incapacidade financeira do paciente de arcar com o custo do medicamento
prescrito; e
o 3 - Existência de registro do medicamento na Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa)
● STJ: A substituição de um medicamento postulado na inicial por outro para tratar a mesma
doença NÃO constitui novo pedido, o qual é o próprio tratamento médico.
● Há solidariedade passiva entre a União, Estados e Municípios, considerando a unicidade do
Sistema Único de Saúde, referente às ações cuja pretensão é o fornecimento de
medicamentos, tratamentos e congêneres imprescindíveis à saúde de pessoa carente.
(TRF2/2018)

23 1.2.3. Direitos Sociais


● Lei federal de 20% de cotas para concursos:
o Aplica-se em todos os poderes.
o Não se aplica para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. No entanto,
caso estes entes editem leis semelhantes, elas também são consideradas
constitucionais.
o Aceitável critério de heteroidentificação, não podendo violar os direitos
individuais.
● A diferença de classe no SUS é inconstitucional, admitir que um usuário do SUS pague uma
diferença para obter tratamento personalizado subverte completamente a lógica de um
sistema que é regido pelo princípio da equidade. Assim, não pode um paciente pagar para ter
acomodações superiores ou ser atendido por médico de sua preferência no SUS.
● É constitucional o ressarcimento previsto no artigo 32 da Lei 9.656/1998, o qual é aplicável aos
procedimentos médicos, hospitalares ou ambulatoriais custeados pelo SUS e posteriores a
04/06/1998, assegurados o contraditório e a ampla defesa no âmbito administrativo em todos
os marcos jurídicos”
● Para o exercício de toda e qualquer profissão, é necessário que a pessoa se inscreva no
respectivo Conselho Profissional (ex: o músico é obrigado a se inscrever na Ordem dos Músicos
do Brasil)? NÃO. Nem todos os ofícios ou profissões podem ser condicionados ao cumprimento
de condições legais para o seu exercício. Na verdade, a regra é a liberdade. Assim, apenas
quando houver potencial lesivo na atividade é que pode ser exigida inscrição em conselho de
fiscalização profissional (exs: advogado, médico etc.). A atividade de músico prescinde de
controle. Constitui, ademais, manifestação artística protegida pela garantia da liberdade de
expressão. Logo, para que o músico exerça sua profissão não é indispensável a sua prévia
inscrição na Ordem dos Músicos do Brasil. STF. Plenário. RE 414426, Rel. Min. Ellen Gracie,
julgado em 01/08/2011.
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● Uma ação com o pedido de suplemento para criança lactente não perde o objeto pelo fato de
terem se passado vários anos sem julgamento.
● O Judiciário pode obrigar o município a fornecer vaga em creche. A educação infantil em
creche e pré-escola é uma prerrogativa constitucional indisponível, garantida às crianças de
até 5 anos de idade, sendo, portanto, um dever do Estado.
o Art. 30. A educação infantil será oferecida em:
o I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade;
o II - pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade.
● Licença adotante possui o mesmo prazo da licença maternidade. Inconstitucional prazo
diferente. Os prazos da licença-adotante não podem ser inferiores ao prazo da licença-
gestante, o mesmo valendo para as respectivas prorrogações. Em relação à licença-adotante,
não é possível fixar prazos diversos em função da idade da criança adotada.
● A administração pode ser obrigada a manter estoque mínimo de remédio.
● Somente estrangeiro com residência fixa no país, bem como, que esteja em situação regular,
terá direito à benefício assistencial LOAS, preenchidos os requisitos legais.
● Segundo o STF, a constituição consagrou o critério da territorialidade para definir os titulares
dos direitos fundamentais. Assim, os estrangeiros em situação regular no país que preencham
os requisitos definidos em lei possuem direito ao LOAS.
● A taxa progressiva de juros não se aplica às contas vinculadas ao FGTS de trabalhadores
qualificados como avulsos. Como visto acima, é condição básica para a obtenção desse direito
a “permanência na mesma empresa” por certo tempo. Para o STJ, não se pode confundir
24 permanência na mesma empresa com permanência na mesma atividade profissional. O
trabalhador avulso não permanece trabalhando anos “na mesma empresa”. Ao contrário, ele
presta serviços a diversas empresas, sem vínculo empregatício. Súmula 571-STJ: A taxa
progressiva de juros não se aplica às contas vinculadas ao FGTS de trabalhadores qualificados
como avulsos.
● A vedação do salário mínimo como fator de indexação visa a evitar pressão para reajuste
menor do salário-mínimo; evitar cadeia automática de aumentos em decorrência da vedada
indexação; não pode ser utilizado como base de cálculo de rubrica remuneratória ou
indenizatória.
● O cargo de técnico de futebol não se cuida de profissão privativa daqueles que sejam
formados em educação física, não sendo, outrossim, necessário a seu exercício a prévia a
inscrição pelo profissional no Conselho Regional de Educação Física.

1.2.4. Nacionalidade
● O brasileiro que adquiriu dupla cidadania pode ter seu nome retificado no registro civil do
Brasil, desde que isso não cause prejuízo a terceiros, quando vier a sofrer transtornos no
exercício da cidadania por força da apresentação de documentos estrangeiros com sobrenome
imposto por lei estrangeira e diferente do que consta em seus documentos brasileiros.
● O STF considera que tais hipóteses são excepcionais e, portanto, taxativas. Assim, a aquisição
de nacionalidade estrangeira fora das precitadas hipóteses gera a perda da nacionalidade
brasileira

1.2.5. Direitos Políticos


● O plebiscito e o referendo, formas de consulta popular, determinados exclusivamente pelo
Congresso Nacional, NÃO VINCULA o Legislativo sobre o assunto.

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● A perda do mandato por infidelidade partidária não se aplica a cargos eletivos majoritários,
sob pena de violação da soberania popular e das escolhas feitas pelo eleitor. Porém, aplica-se
para os candidatos eleitos pelo sistema proporcional.
● As ações de impugnação de mandato eletivo tramitam necessariamente em segredo de justiça.
● Cabe ação rescisória para readquirir direitos políticos perdidos por cancelamento de
naturalização em virtude de ação transitada em julgado.
● A perda de mandato legislativo independe de votação pela casa do parlamentar quando esta
se der em virtude de condenação por improbidade administrativa, uma vez que esta
suspende os direitos políticos.
● Partido político não se equipara às entidades paraestatais.
● Partido político não é entidade paraestatal, pois não realiza atividade de interesse público. Há
previsão expressa nesse sentido.
● É possível que haja relação com entidades não nacionais e o partido político com fins de
estudo, pesquisa e doutrinação política.
● Os filiados dos partidos possuem iguais obrigações e deveres.
● A condenação por abuso do poder econômico ou político em ação de investigação judicial
eleitoral, transitada em julgado, “ex vi” do artigo 22, inciso XIV, da Lei Complementar 64/90,
em sua redação primitiva, é apta a atrair a incidência da inelegibilidade do artigo 1º, inciso I,
alínea "d", na redação dada pela Lei Complementar 135/2010, aplicando-se a todos os
processos de registros de candidatura em trâmite.
o Inelegibilidade não é sanção. Ostenta natureza jurídica de “requisito negativo
25 de adequação do indivíduo ao regime jurídico do processo eleitoral.”
o Retroatividade mínima: a nova lei altera as consequências jurídicas de fatos
ocorridos antes da sua edição.
o Retrospectividade: a nova lei atribui novos efeitos jurídicos, a partir de sua
edição, a fatos ocorridos anteriormente.
o STF: É válida a aplicação do prazo de oito anos de inelegibilidade àqueles que
foram condenados pela Justiça Eleitoral, por abuso do Poder Econômico ou
político anteriormente à edição da Lei Complementar 135/2010.

● ADPF 45: Controle de Políticas públicas. Saúde. Mínimo existencial VS. Reserva do possível. Se
não implementado o mínimo existencial, não há como se alegar a reserva do possível. Deve-se
demonstrar objetivamente a incapacidade financeira de realizar os preceitos mínimos da
Constituição.
● ADPF 347: Estado de coisas inconstitucionais. O STF deferiu a medida liminar para deferir os
pedidos de audiência de custódia e liberação de verbas do FUNPEN.
1.3. Repartição de competências – Organização dos Entes
Repartição de competências. União: bens e competência. Competência exclusiva,
competência de normas gerais, competência comum e competência concorrente. Os Estados-
membros na Constituição. Organização, natureza e conteúdo da autonomia constitucional
do Estado-membro. Competências estaduais. Intervenção federal nos Estados-membros, no
Distrito Federal e nos Territórios. Os Municípios na Constituição. Competência municipal,
organização política e administrativa dos Municípios. Intervenção nos Municípios.
1.3.1. Organização dos entes
● A lei de incorporação, divisão e desmembramento de estados é LEI COMPLEMENTAR.

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● Para que sejam alterados os limites territoriais de um Município é necessária a realização de


consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, nos termos do
art. 18, § 4º da CF/88.
● Os documentos públicos produzidos pelos diversos entes da federação gozam de fé pública
perante os demais.
● A CF determina que Lei Complementar deverá estabelecer não apenas o número total de
deputados federais, como, também, a representação por Estado e pelo DF. Assim, é
inconstitucional Lei Complementar que delega a fixação de parlamentares federais ao TSE.
● Polícia civil, polícia militar e o corpo de bombeiros militar do DF:
o Quem organiza ,mantém e legisla sobre vencimentos – SV 24: a União (art. 21,
XIV);
o A quem estão subordinados: ao Governador do DF (art. 144, § 6º).
● Criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios – requisitos:
o Lei complementar federal fixando período do qual poderá ocorrer. (não existe
até hoje)
o Lei ordinária federal prevendo requisitos genéricos exigíveis e a forma de
publicação dos estudos de viabilidade municipal.
o Divulgação dos estudos de viabilidade municipal.
o Consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos municípios
envolvidos.
o Lei ordinária estadual formalizando a criação.
26 ● As normas constitucionais de observância obrigatória pelos Estados, limitam a capacidade de
auto-organização destes – é talhado como “normas centrais”, que podem ser explícitas ou
implícitas. Segundo o STF, são de três tipos:
o Normas de PREORDENAÇÃO: organizam, na CF, as instituições ou Poderes dos
Estados Membros.
o Princípios SENSÍVEIS: se desrespeitados ensejam intervenção federal.
o Princípios EXTENSÍVEIS: organizam as estruturas da União, porém, por
extensão, são aplicáveis aos Estados-membros, sendo exatamente essa
extensão que pode ser expressa ou implícita no texto constitucional.
o Princípios ESTABELECIDOS: normas limitadoras que não se restringem à
disciplina de natureza organizacional ou institucional, como os princípios
Administrativos do 37, da ordem econômica do 170 e os direitos
fundamentais.
● Normas de observação/ REPRODUÇÃO PROIBIDA:
o Reconhecida pela jurisprudência do STF.
o O condicionamento de instauração de processo criminal contra o Presidente
da República à prévia licença do Poder Legislativo qualifica-se como norma
constitucional de reprodução proibida nas Constituições Estaduais. Assim, não
podem os Estados membros transpor para suas Constituições, em benefício
dos respectivos Governadores, regras de imunidade à prisão processual ou à
persecução criminal. Ademais, sendo a matéria afeta ao processo penal, é de
domínio legislativo da União.
o As normas constitucionais que conferem a Presidente da República a
competência para nomear Ministros de Tribunais Superiores representam
disciplina que não pode ser reproduzida pelos Estados-membros em suas
constituições.

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o O mesmo pode se dizer sobre a inciativa exclusiva de leis que disponham


sobre matéria tributária e orçamentária dos Territórios, por se tratar apenas
de uma exceção justificada pela natureza peculiar dos Territórios: b)
organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária,
serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios;
● Crime de responsabilidade de Governador:
o Nos Estados, em relação ao processo dos crimes de responsabilidade dos
Governadores, o julgamento será feito por um Tribunal Especial, composto de
5 membros do Legislativo e de 5 Desembargadores, sob a presidência do
Presidente do Tribunal de Justiça local, que terá direito de voto no caso de
empate.
▪ Escolha dos membros: Legislativo por eleição da Assembleia; Judiciário
por sorteio.
o STF entende que a delegação de disciplina diversa pela CE/Lei Estadual é
incompatível com a CF/88, já que tanto a matéria processual quanto a material
referentes aos crimes de responsabilidade passaram a ser de competência
privativa da União.
o Súmula Vinculante 46: A definição dos crimes de responsabilidade e o
estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento são da
competência legislativa privativa da União.
● NO STF prevalece a natureza criminal dos crimes de responsabilidade, de modo que só cabe à
27 ●
União legislar sobre crimes de responsabilidade.
STF: não é de reprodução obrigatória para os Estados, que a Assembleia Legislativa permita
recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente, não obstante o §4º
do artigo 57 estabeleça essa vedação para o Congresso Nacional, uma vez que não se constitui
em um princípio constitucional estabelecido. (membros de mesas)
● É vedada a criação de Tribunais de contas MUNICIPAIS. Assim, é vedado criar os Tribunais de
Contas Municipais. Os já existentes podem continuar, bem como, também podem ser extintos,
uma vez que não há vedação Constitucional nesse sentido.

1.3.2. Competência Legislativa


● Estado não pode legislar sobre NORMAS GERAIS de licitação, sendo competência privativa da
União. Entretanto, podem SUPLEMENTAR. Para se analisar se a suplementação feita pelos
Estados, DF e Municípios foi válida ou não, deverá ser feito um exame em duas etapas:
o 1ª) identificar quais são as normas gerais fixadas pela União no caso concreto
como modelo nacional;
o 2ª) verificar se as inovações feitas pelo legislador estadual, distrital ou
municipal sobre o tema são compatíveis com as normas gerais impostas pela
União.
o É inconstitucional lei estadual que exija Certidão negativa de Violação aos
Direitos do Consumidor dos interessados em participar de licitações e em
celebrar contratos com órgãos e entidades estaduais. É inconstitucional lei
estadual que cria requisitos/restrições não previstas na lei de geral de
licitações, a exemplo dessa certidão negativa.

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● Lei estadual que dispõe sobre instalação de bloqueadores de sinal de celular em presídio é
INCONSTITUCIONAL, uma vez que se trata de competência da UNIÃO legislar sobre
comunicação.
● Inconstitucional Constituição Estadual conceder meia passagem aos estudantes usuários de
transportes coletivos MUNICIPAIS.
● O Município tem competência para legislar sobre a atividade de mídia exterior (propaganda
comercial) utilizada nos espaços urbanos. Não se confunde com a competência da União em
legislar sobre propaganda.
● É constitucional lei estadual que faculta a matrícula escolar antecipada de crianças que
venham a completar seis anos de idade até o final do ano letivo de matrícula, quando lei
federal impunha indigitada idade mínima como requisito para cursar o ano letivo.
● Lembrar que, em regra, não há iniciativa privada para matéria tributária, SALVO quando for
para matéria tributária dos Territórios, pois é iniciativa privativa do Presidente da República:
organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e
pessoa da administração dos Territórios

1.3.3. Intervenção Federal e Estadual


 Intervenção Federal
o De ofício pelo Presidente: integridade nacional; invasão estrangeira/unidade de
federação; por tremo a comprometimento da ordem pública; reorganizar finanças
de Estado.
28  CN 24h + ouvir Conselho da República e Conselho de Defesa
o A pedido dos Poderes: livre exercício de qualquer dos Poderes
 Legislativo e Executivo: solicita ao Presidente para intervir, submete ao CN
24h.
 Judiciário: Requisita ao Presidente, submete ao CN 24h.
o Garantir execução de ordem judicial: depende de requisição do TSE, STJ e STF,
conforme a matéria.
 Não precisa de apreciação do CN, pois a intervenção foi determinada em
bojo de ação judicial.
o Representação do PGR ao STF: garantir execução de lei federal; princípios
constitucionais sensíveis.
 ADI interventiva: STF aceita e leva a conhecimento do Presidente para que
em 15 dias expeça decreto de intervenção/nomeie interventor,
 A decisão do STF é vinculante, não cabendo discricionariedade ao
Presidente.
 O Decreto limita-se a suspender a execução do ato impugnado, se essa
medida for suficiente.
 Não é necessária apreciação do CN.

1.4. Poder Legislativo


Poder Legislativo. Organização e atribuições. O processo legislativo. Cláusulas pétreas.
Natureza. Espécies. Iniciativa legislativa. Normas constitucionais e processo legislativo.
Orçamento. Princípios constitucionais. Fiscalização financeira e orçamentária. O Tribunal de
Contas. Natureza e atribuições.
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1.4.1. Regime Jurídico dos Deputados e Senadores


● A imunidade parlamentar é aferida através da ligação das palavras com a atividade
parlamentar, não importando o meio de veiculação das palavras.
o As manifestações devem ter cunho minimamente político, e não estritamente.
Nesse sentido, podem dizer sobre fatos que estejam sob debate público,
investigação em CPI ou em órgãos de persecução penal, tema de interesse da
sociedade, do eleitorado, de organizações ou quaisquer grupos representados
no parlamento ou com pretensão à representação democrática.
● A Constituição Federal não consagra imunidade formal/processual para vereadores, ou de foro
por prerrogativa de função. Assim, não pode a legislação local criar imunidade
formal/processual. Entretanto, poderá criar foro de prerrogativa de função, como ocorre em
algumas Constituições Estaduais. Ex: vereador será julgado por crime comum no TJ. Mas
atenção, foro previsto em Constituição Estadual não prevalece sobre a competência do
Tribunal do Júri. Súmula 721 do STF.
● Vereadores não gozam da incoercibilidade pessoal relativa (freedom from arrest), ou seja, não
possuem as imunidades formais dos Congressistas e Deputados Estaduais. Assim, é
plenamente possível que juiz de primeiro grau determine afastamento do vereador de seu
cargo, não havendo que se falar em autorização da Câmara para isso.
● Crimes cometidos ANTES da diplomação:
o Não precisa dar ciência à Casa do recebimento a denúncia,
29 o Nem de licença da Casa.
● Crimes cometidos APÓS a diplomação:
o O STF recebe a denúncia independentemente de licença da CASA e os
comunica, que poderão sustar a ação.
● A licença para exercer cargo de Ministro de Estado suspende a imunidade parlamentar,
entretanto, não faz com que o mandato seja perdido. (art. 56)
● Membro do Congresso Nacional que se licencia do mandato para investir-se no cargo de
Ministro de Estado não perde os laços que o unem, organicamente, ao parlamento. Apesar de
perder sua imunidade em relação às palavras proferidas, não perde a prerrogativa de foro em
matéria penal, competindo ao STF julgar os Ministros de Estado em crimes comuns e crimes de
responsabilidade, salvo se, neste último, os crimes dos Ministros forem conexos com o do
Presidente, ocasião em que será competente o Senado.
● Não é possível renunciar às imunidades parlamentares. As imunidades são do cargo, e não da
pessoa.
● As imunidades não abrangem aos suplentes.
● A imunidade dos parlamentares abrange a prisão civil por alimentos, uma vez que o texto
constitucional não faz qualquer distinção.
● O STF entende que o Poder Judiciário dispõe de competência para impor, por autoridade
própria, as medidas cautelares a que se refere o artigo 319 do CPP. Entretanto, sendo a
finalidade da imunidade formal proteger o livre exercício do mandato parlamentar contra
interferências externas, a razão da norma constitucional não pode ser contornada pela via de
medidas cautelares diversas da prisão. Assim, o ato emanado do Poder Judiciário que houver
aplicado medida cautelar que impossibilite direta ou indiretamente o exercício regular do
mandato legislativo, deve ser submetido ao controle político da Casa Legislativa respectiva,
nos termos do art. 53, §2º da CF.

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 Edital Organizado
 Resolução CJF 67/09 – 407/16

● “Parlamentares não têm imunidade formal quanto à prisão em caso de condenação definitiva.
Ademais, o § 2º do art. 53 da CF/88 veda apenas a prisão penal cautelar do parlamentar, não
proibindo, portanto a prisão decorrente da sentença transitada em julgado.” (STF. AP 396
QO/RO )
● Se o STF condenar criminalmente um Deputado Federal ou Senador, haverá a perda
automática do mandato ou isso ainda dependerá de uma deliberação (decisão) da Câmara ou
do Senado, respectivamente? A condenação criminal transitada em julgado é suficiente, por si
só, para acarretar a perda automática do mandato eletivo de Deputado Federal ou de
Senador? 1ª Turma do STF: DEPENDE. • Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de
120 dias em regime fechado: a perda do cargo será uma consequência lógica da condenação.
Neste caso, caberá à Mesa da Câmara ou do Senado apenas declarar que houve a perda (sem
poder discordar da decisão do STF), nos termos do art. 55, III e § 3º da CF/88. • Se o Deputado
ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou semiaberto: a condenação
criminal não gera a perda automática do cargo. O Plenário da Câmara ou do Senado irá
deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, da CF/88, se o condenado deverá ou não perder o
mandato. STF. 1ª Turma. AP 694/MT, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 2/5/2017 (Info 863).
STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018 (Info 903). 2ª Turma do
STF: NÃO. A perda não é automática. A Casa é que irá deliberar. O STF apenas comunica, por
meio de ofício, à Mesa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal informando sobre a
condenação do parlamentar. A Mesa da Câmara ou do Senado irá, então, deliberar (decidir)
como entender de direito (como quiser) se o parlamentar irá perder ou não o mandato eletivo,
conforme prevê o art. 55, VI, § 2º, da CF/88. Assim, mesmo com a condenação criminal, quem
30 decide se haverá a perda do mandato é a Câmara dos Deputados ou o Senado Federal. STF. 2ª
Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904) (obs: o Relator
Edson Fachin ficou vencido neste ponto)

1.4.2. Processo Legislativo


● O STF vem entendendo, em nome do pluralismo político, prestigiar os poderes políticos dos
Estados e Municípios, considerando possível a abertura de novos espaços legislativos aos entes
locais, o que, ela mesmo prenuncia, pode ser acompanhado de superação de jurisprudência
contrária ali firmada. Entende que não se deve inflacionar a competência legislativa da União.
Caso do amianto, que contrariava as leis federais. As leis estaduais que proibiam amianto
foram consideradas, portanto, Constitucional.
● O poder constituinte de reforma não pode criar cláusulas pétreas, apesar de lhe ser facultado
ampliar o catálogo dos direitos fundamentais criado pelo poder constituinte originário. O
catálogo dos direitos fundamentais constantes da Carta da República pode ser ampliado pelo
poder constituinte de reforma desde que os novos direitos estabelecidos não sejam
cláusulas pétreas, as quais podem ser criadas somente pelo poder constituinte originário.
CESPE E GILMAR MENDES
o MAS ATENÇÃO: É possível que uma emenda à Constituição acrescente
dispositivos ao catálogo dos direitos fundamentais sem que, na realidade,
esteja criando direitos novos. A emenda pode estar apenas especificando
direitos já concebidos pelo constituinte originário. O direito já existia,
passando apenas a ser mais bem explicitado. Nesse caso, a cláusula pétrea já o
abrangia, ainda que implicitamente. É o que se deu, por exemplo, com o
direito à prestação jurisdicional célere somado, como inciso LXXVIII, ao rol do
art. 5º."

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 Resolução CJF 67/09 – 407/16

o Logo: (i) EC não pode criar cláusula pétrea, mas pode ampliar o rol de direitos
fundamentais; (ii) o novo direito fundamental não será tido como cláusula
pétrea, salvo se explicitar um direito e garantia fundamental originário
(cláusula pétrea).
● Competência dos Estados para legislar, conforme artigo 24:
o SUPLEMENTAR, NÃO-CUMULATIVA, quando exerce apenas a complementação
à norma geral federal. Não está cumulando a competência da União para
legislar sobre norma geral.
o PLENA, CUMULATIVA, quando assumem plenitude do poder de legislar sobre a
matéria, por ausência de norma geral da União. Cumula a competência da
União para legislar sobre norma geral.
● Energia elétrica não pode ser tratada por lei estadual, isso porque essa lei trata sobre energia
elétrica, matéria de competência privativa da União (art. 22, IV, da CF/88), além de interferir
nos termos da relação contratual estabelecida entre o poder federal e as concessionárias que
exploram o serviço de fornecimento de energia elétrica no Estado-membro.
● Súmula vinculante 46-STF: A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das
respectivas normas de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da
União. Porque o STF entende que definir o que seja crime de responsabilidade e prever as
regras de processo e julgamento dessas infrações significa legislar sobre Direito Penal e
Processual Penal, matérias que são de competência privativa da União, nos termos do art. 22,
I, e art. 85, parágrafo único, da CF
31 ● Súmula vinculante 54: A medida provisória não apreciada pelo congresso nacional podia, até a
Emenda Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias,
mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição.
Atualmente (depois da EC 32/2001) Antes da EC 32/2001 (texto originário
da CF/88)
As MPs possuem prazo de eficácia de 60 dias. As MPs tinham prazo de eficácia de 30
dias.
A medida provisória será prorrogada uma única vez por igual
período se, mesmo tendo passado seu prazo de 60 dias, ela Não havia número máximo de
não tiver sido ainda votada nas duas Casas do Congresso reedições das medidas provisórias.
Nacional.
Enquanto não fossem votadas pelo
Dessa forma, o prazo máximo da MP é 120 dias (60 + 60). Congresso Nacional, elas podiam ficar
sendo reeditadas quantas vezes o
Se não for aprovada neste período, ela será considerada Presidente da República quisesse.
rejeitada por decurso do prazo, perdendo a sua eficácia desde
a sua edição. A MP 2.096, por exemplo, foi
reeditada mais de 80 vezes (durou
É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida mais de 6 anos até ser votada).
provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua
eficácia por decurso de prazo (§ 10 do art. 62 da CF/88).
 Art. 246. É vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição
cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre 1º de janeiro de 1995
até a promulgação desta emenda, inclusive.
 A CF não abre qualquer exceção para MP legislar sobre matéria penal, processual penal ou
processual civil, não obstante o STF já tenha se manifestado no sentido de caber MP para
matéria penal benéfica.
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 Resolução CJF 67/09 – 407/16

 O Quorum para derrubar VETO é MAIORIA ABSOLUTA.


 Lei de conversão de MP não convalida os vícios formais porventura existentes em medida
provisória, podendo estes vícios formais ser objeto de análise do STF.
 O trancamento de pauta das MP só obsta votar matérias passíveis de serem tratadas por MP.
Assim, é possível tratar sobre EC, LC, e outras matérias vedadas à MP.
 Emenda parlamentar em MP só pode se tiver relação temática com a MP submetida à
apreciação. Se tiver objeto diverso ela deve ser considerada inconstitucional. “Contrabando
legislativo”
● ATENÇÃO: decretos legislativos e leis ordinárias possuem mesma força, mesmo nível
hierárquico, sendo utilizados em matérias diferentes. Ambos tiram seu fundamento de
validade diretamente da Constituição.
● Não há hierarquia entre LEI COMPLEMENTAR/ORDINÁRIA e DECRETO AUTÔNOMO. Ambos são
normas primárias, que podem inovar a ordem jurídica.

1.4.3. Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI


● Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é formada por deputados para conduzir uma
investigação a partir da tomada de depoimentos e análise de documentos, pelo prazo máximo
de seis meses (120 dias + 60 dias de prorrogação). A CPI precisa investigar um fato específico,
não genérico. O pedido de instalação de CPI deve conter a assinatura de 1/3 dos deputados, ou
seja, 171. Na Câmara, só podem funcionar cinco CPIs simultaneamente.
32 ● O que a CPI pode fazer:
● convocar ministro de Estado;
● tomar depoimento de autoridade federal, estadual ou municipal;
● ouvir suspeitos (que têm direito ao silêncio para não se autoincriminar) e testemunhas (que
têm o compromisso de dizer a verdade e são obrigadas a comparecer);
● ir a qualquer ponto do território nacional para investigações e audiências públicas;
● prender em flagrante delito;
● requisitar informações e documentos de repartições públicas e autárquicas;
● requisitar funcionários de qualquer poder para ajudar nas investigações, inclusive policiais;
● pedir perícias, exames e vistorias, inclusive busca e apreensão (vetada em domicílio);
● determinar ao Tribunal de Contas da União (TCU) a realização de inspeções e auditorias; e
● quebrar sigilo bancário, fiscal e de dados (inclusive telefônico, ou seja, extrato de conta e não
escuta ou grampo).

O que a CPI não pode fazer:


● condenar;
● determinar medida cautelar, como prisões, indisponibilidade de bens, arresto, sequestro;
● determinar interceptação telefônica e quebra de sigilo de correspondência;
● impedir que o cidadão deixe o território nacional e determinar apreensão de passaporte;;
● expedir mandado de busca e apreensão domiciliar; e
● impedir a presença de advogado do depoente na reunião (advogado pode: ter acesso a
documentos da CPI; falar para esclarecer equívoco ou dúvida; opor a ato arbitrário ou abusivo;
ter manifestações analisadas pela CPI até para impugnar prova ilícita).
● As CPIs não possuem todos os poderes instrutórios dos juízes. Elas apenas investigam fatos
determinados, mas não processam e julgam.

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 Resolução CJF 67/09 – 407/16

● CPI não tem poder jurídico de, mediante requisição, a operadoras de telefonia, de cópias de
decisão nem de mandado judicial de interceptação telefônica, quebrar sigilo imposto a
processo sujeito a segredo de justiça. Este é oponível a CPI, representando expressiva
limitação aos seus poderes constitucionais.
 Mandados de segurança contra CPI: extinta a CPI, qualquer mandado de segurança contra ela
perde o objeto, seja lá qual for o motivo. Assim, é irrelevante o fato de o mandado de
segurança impugnar suposta ilegalidade do relatório final, e não de atos investigatórios
praticados pela CPI. Tal circunstância, ao contrário, reforça a inviabilidade desta ação, dado
que voltada à antecipação de um pronunciamento judiciário que apenas se dará se e quando
ajuizada a concernente ação penal.
 É firme a jurisprudência deste STF no sentido de que a extinção da CPI prejudica o
conhecimento do habeas corpus impetrado contra as eventuais ilegalidades de seu relatório
final, notadamente por não mais existir legitimidade passiva do órgão impetrado
 O Judiciário pode rever os atos de determinada CPI que extrapolem o postulado da reserva
constitucional de jurisdição.
 Poderes das CPIs: “terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais”
o Não abrange o poder geral de cautela.
o Não podem decretar constrição cautelar sobre os bens ou sobre a pessoa.
o Não pode decretar prisão preventiva.
o Admite prisão em flagrante.
o Não podem formular acusações
o Não podem punir delitos
33 o Não podem desrespeitar o privilégio contra a autoincriminação de indiciado ou
testemunha.
o Não pode investigar (indiciar) pessoa que possui foro de prerrogativa de função.
Deve encaminhar os elementos informativos ao Tribunal respectivo, sendo
vedado o indiciamento formal pela CPI.
o A atividade tipicamente jurisdicional de magistrado é absolutamente IMUNE à
investigação realizada pelas CPIs.
o Não é regra haver contraditório em CPI, pois é uma investigação. Mesmos
princípios de inquéritos.

1.4.4. Casas Congressistas


● Não há necessidade de prévia autorização da Assembleia Legislativa para que o STJ receba
denúncia criminal contra o Governador de Estado. Ainda, recebida a denúncia, o governador
não ficará automaticamente suspenso de suas funções, uma vez que o afastamento do cargo
não se dá de forma automática. É necessária a prévia decisão judicial fundamentada do STJ.
o Esse entendimento é recente, pois antes entendia que era válido a autorização
das Assembleias Legislativas para afastamento do cargo de Governador, após a
decisão do STJ. TESE: “É vedado às unidades federativas instituírem normas
que condicionem a instauração de ação penal contra o Governador, por crime
comum, à prévia autorização da casa legislativa, cabendo ao Superior Tribunal
de Justiça dispor, fundamentadamente, sobre a aplicação de medidas
cautelares penais, inclusive afastamento do cargo".
o Em relação aos parlamentares federais, a EC 35 produziu modificação de
relevo: excluiu a necessidade de licença da Casa Legislativa para o
processamento do parlamentar, só sendo deliberada a prisão em flagrante
pelo parlamento. Isso não mudou nada em relação aos governadores. Só em
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2017, com mudança de entendimento, ficou sedimentado a desnecessidade


de autorização legislativa e o afastamento do cargo pelo recebimento de
denúncia.
● STF: não é de reprodução obrigatória para os Estados, que a Assembleia Legislativa permita
recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente, não obstante o §4º
do artigo 57 estabeleça essa vedação para o Congresso Nacional, uma vez que não se constitui
em um princípio constitucional estabelecido.
● A competência das casas parlamentares para dispor sobre o vencimento de seus servidores é
só quanto à iniciativa da lei, devendo ser sancionada pelo presidente.
● LEMBRE-SE! É o CONGRESSO NACIONAL que susta os atos normativos e leis delegadas
exorbitantes, e NÃO O SENADO.
● O plebiscito e o referendo são de autorização e convocação exclusiva do Congresso Nacional.

1.4.5. Controle Externo


Assunto tratado em Direito Administrativo com profundidade.
● Inconstitucional norma estadual que disponha que os presidentes da câmara
municipal/assembleia legislativa terão suas contas fiscalizadas pela casa, uma vez que é
competência do Tribunal de Contas, vez que se trata de contas administrativas.

34 1.5. Poder Executivo


Poder Executivo. Evolução do conceito. Atribuições e responsabilidade do Presidente da
República. Poder regulamentar, poder regulador e agências administrativas. Do Conselho da
República. Do Conselho de Defesa Nacional.
● O réu em processo criminal não pode assumir como substituto o cargo de Presidente da
República.
● O Presidente e o Vice-Presidente não poderão se ausentar sem licença do CN, por período
superior a 15 dias, sob pena de perda de cargo.
● A imunidade penal relativa (não ser preso por fatos estranhos ao exercício da Presidência) do
Presidente da República não é extensível aos parlamentares federais, não sendo admitido, por
sua natureza restritiva, qualquer interpretação que amplie sua incidência a outras autoridades.
o O presidente não pode ser preso por crimes estranhos ao exercício do seu
mandato, inclusive se o flagrante crime for inafiançável. Diferentemente dos
Parlamentares, que podem ser presos em flagrante de crime inafiançável.
● A suspensão do exercício do cargo de Presidente pelo recebimento de denúncia na Câmara dos
Deputados é ex lege, uma vez que é imposta expressamente pela CF.
o ATENÇÃO: É inconstitucional a mesma extensão aos Governadores de Estado,
já que o afastamento das funções, medida cautelar pessoal que é, reclama
decisão judicial fundamentada, não podendo se dar por força de comando
legal. Assim, desnecessária a autorização da Assembleia Legislativa para
afastamento do cargo de Governador em virtude de recebimento de denúncia
criminal e vedado o afastamento automático por previsão de Constituição
Estadual.
● ADPF 378 (impeachment):
o Não há direito à defesa prévia antes do recebimento da denúncia pelo
Presidente da Câmara dos Deputados. Não é uma exigência.

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o Habeas corpus não é o instrumento adequado para pleitear trancamento de


processo de impeachment. A finalidade constitucional do habeas corpus é a da
proteção do indivíduo contra qualquer ato limitativo ao direito de locomoção.
o Não se pode exigir isenção e imparcialidade dos membros da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal. Na realidade, o “impeachment” é uma
questão política que deve de ser resolvida com critérios políticos. A garantia
da imparcialidade está no alto quórum exigido para a votação.
o Compete ao Senado decidir se deve receber ou não a denúncia cujo
prosseguimento foi autorizado pela Câmara. O Senado não está vinculado à
decisão da Câmara. A Câmara apenas autoriza o processo, não havendo
vinculação/determinação. Cabe ao Senado instaurar.
o Lei 1079: Resolução do Senado constará de sentença que será lavrada pelo
Presidente do STF, sobre a decisão do impeachment.

1.6. Poder Judiciário


Poder Judiciário. Natureza da função jurisdicional. As garantias do Poder Judiciário. O
princípio da reserva legal na apreciação de lesão ou ameaça de lesão a direito individual e a
direito coletivo. Poder Judiciário Federal e Poder Judiciário Estadual. O Conselho Nacional de
Justiça, o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça, o Conselho da Justiça
Federal e os Tribunais Regionais Federais. A Justiça Federal de 1º Grau. Lei Orgânica da
Magistratura Nacional.
35 1.6.1. Estatuto da Magistratura – Magistrados
● A mera solicitação em inquérito civil para apurar improbidade de magistrado não se confunde
com a intimação do juiz. Trata-se de um mero pedido que pode ou não ser atendido pelo
magistrado. Assim, o Parquet pode solicitar o depoimento de magistrados em sede de
inquéritos civis, mas o juiz poderá decidir a seu critério, livre de qualquer ônus processual, se
irá comparecer ou não no depoimento.
● A LOMAN prevê o afastamento de juízes que praticam crime comum, quando recebida a
denúncia ou queixa. O Tribunal ou o órgão especial poderá afastar o juiz por decisão de 2/3
dos membros. O STF considera que tal previsão não viola o princípio da presunção de
inocência.

1.6.2. Tribunais – Questões Constitucionais – RPV – Reclamação – Recursos -


SV
● Junto ao STJ funcionarão: Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados;
Conselho da Justiça Federal – ENFAM e CJF
● Os Estados-membros podem editar leis reduzindo a quantia considerada como de pequeno
valor, para fins de RPV, prevista no art. 87 do ADCT da CF/88.
o Na ausência: União 60 SM, Estados 40 SM.
● Incabível reclamação preventiva, pois pressupõe um ato que efetivamente tenha usurpado a
competência do Tribunal, violado a autoridade das decisões vinculantes ou incidido em outra
hipótese de cabimento da reclamação.
● Constitucional previsão de reclamação na Constituição dos Estados. Não implica invasão de
competência para legislar sobre direito processual. Não possui natureza jurídica de recurso, é
um direito constitucional de petição.

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o ATENÇÃO: STF mudou de entendimento quanto à natureza. Ele entende


possuir natureza jurídica de ação, uma vez que há necessidade de
contraditório prévio através do ingresso do beneficiário do ato como parte.
Assim, há condenação em honorários.
● STF reafirmou sua jurisprudência no sentido de que SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA se
submetem ao regime de precatório quando prestadoras de serviço público de atuação própria
do Estado e de natureza não concorrencial.
● SV 47: “Os honorários advocatícios incluídos na condenação ou destacados do montante
principal devido ao credor consubstanciam verba de natureza alimentar cuja satisfação
ocorrerá com a expedição de precatório ou requisição de pequeno valor, observada ordem
especial restrita aos créditos dessa natureza. ”
● Não é necessária prévia autorização da Assembleia Legislativa para que o STJ receba denúncia
e instaure ação penal contra Governador de Estado por crime comum.
● Súmula 637-STF: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de Justiça que
defere pedido de intervenção estadual em Município.
o O recurso extraordinário destina-se a impugnar decisões judiciais (em sentido
estrito). Quando o Tribunal de Justiça decide um pedido de intervenção
estadual essa decisão, apesar de emanar de um órgão do Poder Judiciário,
reveste-se de caráter político-administrativo (e não jurisdicional). Logo, por se
tratar de uma decisão político-administrativa proferida pelo Poder Judiciário,
contra ela não cabe recurso extraordinário já que não existe uma “causa
36 ●
judicial
ATENÇÃO: em súmula vinculante, acrescenta-se os seguintes legitimados em relação à ADI:
o VI - o Defensor Público-Geral da União;
o XI - os Tribunais Superiores, os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal e
Territórios, os Tribunais Regionais Federais, os Tribunais Regionais do Trabalho, os
Tribunais Regionais Eleitorais e os Tribunais Militares.
● Para que haja intervenção federal em estado membro que deixa de pagar precatório, deve
ficar demonstrado que esse inadimplemento se deu de forma voluntária e intencional.
Dificuldade financeira não justifica intervenção.
● Conflita com a Constituição Federal norma de Constituição Estadual que junge à aprovação da
Assembleia Legislativa a escolha de candidato à vaga do quinto em Tribunal. A CF não exige
aprovação do Legislativo.
● Constituição Estadual não pode prever foro por prerrogativa de função para os Delegados de
Polícia considerando que não há previsão semelhante para os Delegados Federais na
Constituição Federal (STF ADI 2587)
1.6.3. Competências Judiciais
● Não compete originariamente ao STF processar e julgar execução individual de sentenças
genéricas de perfil coletivo, inclusive aquelas proferidas em sede mandamental. Tal atribuição
cabe aos órgãos judiciários competentes de primeira instância.
● O artigo 109, §2º, da CRFB/88, não trata das autarquias federais. Entretanto, o STF entende
que se aplica às autarquias também. Então, fique ligado nas questões ok? A CF não fala nada,
mas o STF sim.
● O STF é competente para julgar ação que for de interesse de toda magistratura. Porém, se for
de interesse de mais algum servidor, ele não é competente. Assim, o STF entende que não é
competente para julgar originariamente ação intentada por juiz federal postulando a
percepção de licença-prêmio com fundamento na simetria existente entre a magistratura e o

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Ministério Público. Isso se deve à interpretação restritiva que é dada às competências do STF.
Logo:
o A LOMAN não trata sobre licença prêmio aos magistrados.
o A LOMP versa sobre licença prêmio na lei do MP.
● Compete ao STF: Quando a causa interessar a totalidade dos juízes, ou ficar configurado após
o julgamento na primeira instância o impedimento de mais da metade dos desembargadores
para apreciar o recurso voluntário/remessa necessária → STF.
o Inclusive em sede de ACP/Ação Popular.
● Competência do STF para conflitos federativos:
o Diferença entre conflito entre entes federados e conflito federativo: no
primeiro, pelo prisma subjetivo, observa-se litigância judicial promovida pelos
membros da Federação, no segundo, além da litigância, a conflituosidade da
causa importa em desestabilização do próprio pacto federativo. O STF só atua
nesta última, e não incluiu os litígios e as causas envolvendo municípios como
ensejadores de conflito federativo apto a exigir a competência originária da
Corte.
o O artigo 102 da CF que determina a competência do STF em conflito federativo
deve ser interpretado restritivamente. (Lá fala conflito entre os estados ou
entre a união e os estados).
o Não cabe execução de título extrajudicial ou de sentença, proposta por um
estado contra um ente federal, pois é um litígio judicial, e não um conflito
37 federativo que desestabilize o pacto federativo. A competência será da Justiça
Federal.
● Ações contra CNJ e CNMP
o Ações ordinárias: juiz federal de 1ª instância
o Ações tipicamente constitucionais: MS, MI, HC e HD: STF
● Competência para julgar ação de improbidade contra Ministro do STF é do próprio STF.
● De quem é a competência para julgar as ações envolvendo FGTS? Depende: • Se a ação for
proposta pelo trabalhador contra o empregador envolvendo descumprimento na aplicação da
Lei n.? 8.036/90, a competência será da Justiça do Trabalho; • É da competência da Justiça
Estadual autorizar o levantamento dos valores relativos ao PIS/PASEP e FGTS, em decorrência
do falecimento do titular da conta (Súmula 161-STJ); • Se a ação for proposta pelo trabalhador
contra a CEF em sua atuação como agente operadora dos recursos do FGTS, a competência
será da Justiça Federal considerando que a CEF é uma empresa pública federal (art. 109, I, da
CF/88).
o Súmula 82-STJ: Compete à Justiça Federal, excluídas as reclamações
trabalhistas, processar e julgar os feitos relativos à movimentação do FGTS.
o Súmula 249-STJ: A Caixa Econômica Federal tem legitimidade passiva para
integrar processo em que se discute correção monetária do FGTS.

1.6.4. CNJ
● Súmula 649 STF: são inconstitucionais os Conselhos Estaduais de Justiça, ainda que criados
pela Constituição Estadual e ainda que portadores de atuação estritamente administrativa. São
inconstitucionais, quer sejam internos, quer sejam externos. Somente a CF pode prever tal
espécie de órgão.

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● O prazo de 1 ano para o CNJ rever¸ de ofício ou mediante provocação, os PAD de juízes e
membros de tribunais só se aplica para REVISÃO. Para PAD de competência
originária/autônoma NÃO!
● O CNJ é constitucional, desde que mantida sua natureza estritamente administrativa, que não
abrange, porém, ingerência sobre o STF, mantido este órgão como cúpula do Poder Judiciário.
o O fato de o CNJ ter como membros estruturais advogados e cidadãos não o
torna inconstitucional.
▪ Em relação a estes, há aplicabilidade direta dos impedimentos
impostos na Constituição Federal aos magistrados, entre os quais a
vedação à advocacia, à atividade política e à ocupação de cargo
público diverso do magistério. Ou seja, as vedações aplicam-se aos
agentes externos ainda que não expressamente a eles dirigidos.
● Não cabe ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cujas atribuições são exclusivamente
administrativas, o controle de controvérsia que está submetida à apreciação do Poder
Judiciário.
● A CF conferiu competência originária e concorrente ao CNJ para aplicação de medidas
disciplinares. A competência constitucional do CNJ é autônoma (e não subsidiária). Assim, o
CNJ pode atuar mesmo que não tenha sido dada oportunidade para que a corregedoria local
pudesse investigar o caso.
● A competência originária do CNJ para a apuração disciplinar, ao contrário da revisional, não se
sujeita ao parâmetro temporal de um ano previsto no artigo 103-B, §4º, V, da CF.
38 ● CNJ no exercício do controle administrativo, pode deixar de aplicar lei inconstitucional. CNJ
pode determinar que Tribunal de Justiça exonere servidores nomeados sem concurso público
para cargos em comissão que não se amoldam às atribuições de direção, chefia e
assessoramento, contrariando o art. 37, V, da CF/88. Esta decisão do CNJ não configura
controle de constitucionalidade, sendo exercício de controle da validade dos atos
administrativos do Poder Judiciário.
o O presente julgado, no entanto, aponta, de forma categórica – mais do que em
outros julgados anteriores, que já pareciam caminhar nessa direção - que o
CNJ detém competência para afastar, por inconstitucionalidade, a aplicação
de lei invocada como fundamento para o ato administrativo objeto do
processo de controle instaurado perante aquele órgão, por ato expresso e
formal tomado pela maioria absoluta de seus membros. Isso não equivaleria
à declaração de inconstitucionalidade da lei, já que não decretaria – muito
menos com eficácia erga omnes – a sua invalidade, projetando o efeito de sua
decisão unicamente aos órgãos submetidos ao seu poder fiscalizatório.
o Demais disso, pôs-se em evidência o entendimento, bastante corrente na
doutrina, de que as leis inconstitucionais não são normas atendíveis, porque
colidem com uma Lei Maior, ou seja, a Constituição (princípio da juridicidade).
Ainda que essa linha de orientação seja costumeiramente invocada para
justificar a possibilidade de o chefe do Poder Executivo deixar de aplicar uma
lei por tê-la como contrária à Constituição, essa mesma linha de pensar
estende-se aos chamados órgãos administrativos autônomos,
constitucionalmente incumbidos da tarefa de controlar a validade dos atos
administrativos, tais como o TCU, o CNMP e o CNJ. Súmula 347-STF: O Tribunal
de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a
constitucionalidade das leis e dos atos do poder público.

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● Não cabe MS contra ato de deliberação negativa (ausência de decisão) do CNJ ou CNMP, por
não se tratar de ato que gere a substituição ou a revisão do ato praticado por outro órgão do
Judiciário. Se o órgão não decidiu nada, não há ato a ser atacado no STF.
o Não compete ao STF apreciar originariamente pronunciamento do CNJ que
tenha julgado improcedente pedido de cassação de ato normativo editado por
vara judicial.
o Decisões negativas: aquelas que simplesmente tenham mantido decisões de
outros órgãos, nada fez. Pode ser reconhecimento de sua incompetência ou
recusa de intervir em determinado procedimento.
● CNJ pode anular e avocar processo administrativo disciplinar por falta de quorum e
imparcialidade dos julgadores. O Regimento Interno do CNJ e precedentes do Supremo
Tribunal Federal autorizam o exercício dessa competência pelo CNJ, notadamente quando se
verifique a insuficiência de quórum para produzir uma decisão cristalina por maioria absoluta.

1.7. Controle de Constitucionalidade


O controle de constitucionalidade das leis e dos atos normativos. Conceito. Natureza.
Espécies. A Ação Declaratória de Constitucionalidade e a Ação Direta de
inconstitucionalidade. A ação de Inconstitucionalidade por Omissão. Ação de
Descumprimento de Preceito Fundamental.
 A partir da publicação da ata de julgamento no DJU (e não do acórdão), a decisão da Ação de
39 ●
Constitucionalidade já possui efeitos vinculantes, de modo que é cabível reclamação.
Controle de constitucionalidade CONCENTRADO
o Quorum de instalação: 2/3 (8 de 12)
o Medida cautelar em todas: MAIORIA ABSOLUTA + quórum de instalação.
▪ Exceção: é em recesso, ocasião em que pode ser DEFERIDO
monocraticamente. Já para INDEFERIR, é desnecessário cláusula de
reserva de plenário.
o Declaração final: MAIORIA ABSOLUTA + quórum de instalação.
o Modulação dos efeitos: 2/3 dos ministros presentes na sessão + quorum
o Súmula Vinculante: 2/3 dos ministros do STF.
● Se não atinge o quórum, a norma é mantida no ordenamento como constitucional, em
respeito ao princípio da presunção de constitucionalidade das leis.
● No controle difuso a norma é declarada inconstitucional inter partes, pois o quórum é maioria
simples da Turma ou Plenário = REx.
● A ADPF é, via de regra, meio inidôneo para processar questões controvertidas derivadas de
normas secundárias e de caráter tipicamente regulamentar. STF. Plenário. ADPF 210 AgR, Rel.
Min. Teori Zavascki, julgado em 06/06/2013.
● STF: A sanção do projeto de lei não convalida o vício de inconstitucionalidade resultante da
usurpação do poder de iniciativa.
● O advogado que assina a petição inicial da ação direta de inconstitucionalidade precisa de
procuração com poderes específicos. A procuração deve mencionar a lei ou ato normativo que
será impugnado na ação. Repetindo: não basta que a procuração autorize o ajuizamento de
ADI, devendo indicar, de forma específica, o ato contra o qual se insurge. Caso esse requisito
não seja cumprido, a ADI não será conhecida. Vale ressaltar, contudo, que essa exigência
constitui vício sanável e que é possível a sua regularização antes que seja reconhecida a

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carência da ação. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
6/6/2018 (Info 905).
● Segundo a jurisprudência do STF, a ADPF, como instrumento de fiscalização abstrata das
normas, está submetida, cumulativamente, ao requisito da relevância constitucional da
controvérsia suscitada e ao regime da subsidiariedade.
● A ADPF e a ADI são fungíveis entre si. Assim, o STF reconhece ser possível a conversão da ADPF
em ADI quando imprópria a primeira, e vice-versa. No entanto, essa fungibilidade não será
possível quando a parte autora incorrer em erro grosseiro. É o caso, por exemplo, de uma APF
proposta contra uma Lei editada em 2013, ou seja, quando manifestamente seria cabível a ADI
por se tratar de norma posterior à CF/88
● Não cabe arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) contra decisão judicial
transitada em julgado. Este instituto de controle concentrado de constitucionalidade não tem
como função desconstituir a coisa julgada. STF. Decisão monocrática.
● A decisão proferida em medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade estadual não
se submete à cláusula da reserva de plenário, não havendo falar, em decorrência, de violação
da Súmula Vinculante n.º 10/STF. (...) o Relator atua monocraticamente como longa manus do
órgão colegiado na presença do periculum in mora.
● É desnecessária a submissão à regra da reserva de plenário, quando a decisão estiver fundada
em jurisprudência do Plenário do STF, de modo que pode ser julgado por turma.
● A interpretação conforme a constituição é um tipo de situação constitucional imperfeita, pois
somente atenua a declaração de nulidade em caso de inconstitucionalidade de alguma
40 interpretação. Isso porque, em alguns casos, a interpretação conforme a Constituição é
equiparada a uma declaração de nulidade sem redução de texto. Para MENDES, ao fixar como
constitucional dada interpretação da norma, a decisão não declara a inconstitucionalidade de
todas as outras possíveis interpretações da norma (MENDES et. al., 2008, p. 1252-1253), daí a
situação constitucional imperfeita.
o A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a
interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de
inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e
efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração
Pública federal, estadual e municipal."
● É possível a modulação dos efeitos da decisão proferida em recurso extraordinário com
repercussão geral reconhecida. Para que seja realizada esta modulação, exige-se o voto de 2/3
(dois terços) dos membros do STF (maioria qualificada). STF. Plenário. RE 586453/SE, rel. orig.
Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 20/2/2013 (Info 695). É
possível a modulação dos efeitos da decisão proferida em sede de controle incidental de
constitucionalidade. STF. Plenário. RE 522897/RN, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
16/3/2017 (Info 857).
● O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 prevê o seguinte: “(...) a concessionária poderá contratar
com terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao
serviço concedido, bem como a implementação de projetos associados.”
o Se o órgão fracionário de um Tribunal (ex: uma das Turmas do TRT) julga ilegal
a terceirização contratada por uma concessionária do serviço público,
afastando a aplicação do art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95, esta decisão viola a
súmula vinculante 10?
o SIM. O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 permite a terceirizaçãoda atividade-fim
das empresas concessionárias do serviço público. Logo, se um órgão

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fracionário do TRT afasta a aplicação deste dispositivo, haverá afronta à


súmula vinculante 10 por violação à cláusula da reserva de plenário.STF. 1ª
Turma.Rcl 27068/MG, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Luís
Roberto, julgado em 5/3/2018 (Info 896).
o NÃO. O ato reclamado, ao considerar ilegal a contratação de empregado, por
empresa interposta, para prestar serviços essenciais à atividade fim da
tomadora, nos termos da Súmula 331, I, do TST, não declarou expressamente,
nem implicitamente, a inconstitucionalidade de qualquer norma especial de
regência aplicável ao caso. É firme a jurisprudência do STF no sentido de que
não se exige reserva de plenário para a mera interpretação e aplicação das
normas jurídicas que emerge do próprio exercício da jurisdição, sendo
necessário, para caracterizar violação à cláusula de reserva de plenário, que a
decisão de órgão fracionário fundamente-se na incompatibilidade entre a
norma legal e o Texto Constitucional. STF. 1ª Turma. Rcl 24284/SP, rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info 848).
STF. 2ª Turma. Rcl 26408 AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 07/11/2017.
o O TEMA É POLÊMICO AINDA!
● Mutação constitucional inconstitucional: aquela que contraria o texto da constituição, como
conferir efeito vinculante à medida cautelar em ADI.
● Juiz singular pode declarar inconstitucionalidade de Emenda Constitucional.
● SV-10: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de
41 tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.
● Mudança de interpretação como interpretação sem redução de texto, interpretação conforme,
não exige reserva de plenário.
● Decisão de primeira instância e reserva de plenário. É inviável a aplicação da SV33 ou da
cláusula de reserva de plenário, dirigida a órgãos judicantes colegiados, à juízo de caráter
singular (juízo de primeiro grau), por absoluta impropriedade, quando da realização de
controle difuso de constitucionalidade em julgamento de competência singular (monocrático).
● É possível aplicar o princípio da fungibilidade entre ADI e ADPF, vice-versa. Para tal, a dúvida
deve ser razoável.
● Controle de regimento interno, atos interna corporis: A jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal é no sentido de não caber ao Poder Judiciário, a pretexto de realizar o controle de atos
legislativos, imiscuir-se em matérias interna corporis, sob pena de violação do princípio da
separação dos Poderes. Eventual ofensa à Constituição Federal seria meramente reflexa,
motivo porque sequer caberia o controle de constitucionalidade difuso via recurso
extraordinário.
o Atenção para uma EXCEÇÃO! É que o próprio STF entendeu que é possível
fazer o controle de constitucionalidade de norma de regimento interno
quando o dispositivo possuir caráter normativo e autônomo, criando
efetivamente um direito. Numa situação como esta, o controle pode ser,
inclusive, através de ADI. Ex: benefícios aos servidores.
● Medida cautelar em ADIN – art. 10 da lei 9868:
o Pode ser ouvido o órgão que elaborou o ato normativo impugnado, salvo
excepcional urgência;
o Podem ser ouvidos AGU e PGR;
o Podem ser feitas sustentações orais;

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o Se colegiado o julgamento da cautelar (salvo recesso), aplica-se o quórum de


maioria absoluta.
o STF: Procedimento simplificado: cumprida a ritualística da medida cautelar e
considerando-se o tribunal pronto para julgar o mérito, é possível converter a
cautelar em mérito, evitando-se, com efeito, repetição na realização dos atos
já concluídos: Embora adotado o rito previsto no art. 10 da Lei nº 9.868, de 10
de novembro de 2009, ao processo de ação direta de inconstitucionalidade ou
de descumprimento de preceito fundamental, pode o Supremo Tribunal
Federal julgar a causa, desde logo, em termos definitivos, se, nessa fase
processual, já tiverem sido exaustivas as manifestações de todos os
intervenientes, necessários e facultativos admitidos. Isso foi tentado no
julgamento das MC das ADC 43 e 44.
● Amicus Curiae:
o Não possui legitimidade para opor embargos de declaração ou outro recurso.
Em ADI, só o legitimado ativo possui legitimidade para recorrer das decisões
da ADI, ou seja, para opor embargos de declaração, já que são relativamente
irrecorríveis.
o Não se admite recurso do despacho que admite o amicus curiae.
● Não aceitação da transcendência dos motivos determinantes: É reiterada a jurisprudência do
STF no sentido de que os efeitos vinculantes de decisão proferida em ADI referem-se
unicamente a sua parte dispositiva, de modo que tais efeitos não aproveitam a
42 fundamentação de tal decisão, ainda que se alegue na reclamação a transcendência dos
motivos determinantes da decisão do Supremo na ADI.
● ATENÇÃO: em súmula vinculante, acrescenta-se os seguintes legitimados em relação à ADI:
o VI - o Defensor Público-Geral da União;
o XI - os Tribunais Superiores, os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal e
Territórios, os Tribunais Regionais Federais, os Tribunais Regionais do Trabalho, os
Tribunais Regionais Eleitorais e os Tribunais Militares. STx, TSx, TJs, TRFs, TRTs,
TREs.
o Os municípios podem propor alteração de súmula incidentalmente nos
processos em que sejam parte.
● A legitimidade recursal em ADI é a mesma dos legitimados a proporem a ADI. Não pode o
Estado membro recorrer em ADI proposta pelo Governador. Somente este seria legitimado.
● A alteração do parâmetro constitucional antes que a ADI seja julgada não prejudica o
conhecimento da referida ação, pois não se admite constitucionalidade superveniente no
sistema jurídico pátrio, devendo ser analisada em face do dispositivo vigente quando da época
de sua edição.
o ATENÇÃO: a teoria moderna aceita a inconstitucionalidade superveniente,
conceituando esta como lei que sofreu um processo de inconstitucionalização,
considerando o tempo e as mudanças verificadas no cenário jurídico, político,
econômico e social do país. Não há uma sucessão de Constituições, mas uma
desarmonia com a CF e com o tempo, tornando-se incompatível com o texto
constitucional.
● Uma lei considerada inconstitucional sob a égide de determinada Constituição ou Emenda,
após edição de emenda constitucional que permita o normativo legal, não se torna
constitucional, uma vez que não há em nosso ordenamento a chamada “constitucionalidade
superveniente”. Para que aquele conteúdo normativo seja válido, sob a égide da nova
alteração constitucional, se faz necessária edição de nova lei. A constitucionalidade da lei é
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verificada quando do seu nascimento, sendo a inconstitucionalidade vício insanável impassível


de convalidação, mesmo por Emenda Constitucional.
o CASO DO ICMS e do consumidor que importa mercadoria para consumo
próprio. Antes da EC 33 era inconstitucional cobrar ICMS deles. Depois, passou
a ser possível, mas os estados tiveram que editar novas leis sob a égide da
EC33.
o Caso da cobrança de contribuição dos inativos e pensionistas antes de EC que
criou tal tributo.
o Ainda que uma lei anteriormente constitucional torne-se inconstitucional em
virtude de EC posterior, pode ser declarada a inconstitucionalidade dela, com
parâmetro à norma vigente à promulgação do texto normativo.
● Lei revogada pode ser objeto de controle de constitucionalidade através de ADPF, assim como
as normas de eficácia exaurida.
● Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis
municipais/estaduais utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que
se tratem de normas de reprodução obrigatória pelos Estados.
● ADI, em regra, não deverá ser conhecida caso o ato normativo que estava sendo impugnado
seja revogado do antes do julgamento, salvo:
o Se a revogação foi feita com o intuito de fraudar o processo.
o Demonstração de que o conteúdo impugnado está repetido em outro diploma
ou que seu texto permaneceu com a inconstitucionalidade alegada.
43 o Quando o STF já julgou o mérito da ação e não houve comunicação prévia de
que houve revogação da norma objeto de ADI. É dever do autor comunicar ao
Tribunal sobre a vigência da norma.
● A revogação, ou substancial alteração, do complexo normativo impõe ao autor o ônus de
apresentar eventual pedido de aditamento, caso considere subsistir a inconstitucionalidade na
norma que promoveu a alteração ou revogação. (info 890, dezembro de 2017).
o Se foi revogado, há perda superveniente do objeto da ADI.
o Se foi alterada a lei, deve demonstrar a permanência da inconstitucionalidade,
sob pena de perda superveniente do objeto da ADI,
▪ SALVO: fraude processual; repetição do conteúdo, em sua essência,
em outro diploma normativo; caso o STF tenha julgado o mérito da
ação sem ter sido notificado da revogação da norma atacada.
● As decisões proferidas em controle difuso não possuem efeitos vinculantes, mas sim FORÇA
EXPANSIVA. Não se admite abstrativização do controle difuso.
o A pessoa que foi parte no processo pode utilizar da reclamação, após
esgotadas as instâncias ordinárias.
o Terceiro qualquer não pode utilizar de reclamação para requerer aplicação do
que foi decidido em controle difuso, uma vez que a decisão não lhe alcança.
▪ ATENÇÃO! NCPC agora permite reclamação para respeitar decisão
proferida em controle difuso, com repercussão geral reconhecida,
desde que esgotada as instâncias. Ver artigo 988 do NCPC.
o ATENÇÃO!!! ABSTRATIVIZAÇÃO DO CONTROLE DIFUSO PASSOU SER ACEITO
PELO STF EM SESSÃO PLENÁRIA, INFO 886, NOVEMBRO DE 2017. Esperar
uma manifestação mais contundente do STF, pois há especulações diversas.
o João Lordelo tem um importante artigo sobre tal tema.

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o ATENÇÃO!!! STF AINDA não adota a transcendência dos motivos


determinantes em sede de controle de constitucionalidade, mas apenas a
abstrativização do controle difuso. No INFO 886, Carmen Lúcia disse que o
STF se aproxima de julgar não só a constitucionalidade de cada ato
normativo, mas da própria matéria que nele se contém. Ainda não se dá
para dizer que foi aceita a tese de abstrativização do controle difuso, visto
que foi dado em sede de ADI e aplicou os efeitos vinculantes e erga omnes à
uma questão incidental da ADI.
● “Em ação direta de inconstitucionalidade, com a proclamação do resultado final, se tem por
concluído e encerrado o julgamento e, por isso, não pode haver a sua reabertura para fins de
modulação.”
● Teoria da transcendência dos motivos determinantes: não admitida pelo STF. Só o dispositivo
possui efeito vinculante. Incabível reclamação fundada na transcendência dos motivos
determinantes.
● Lei de conversão de MP não convalida os vícios formais porventura existentes em medida
provisória, podendo estes vícios formais ser objeto de análise do STF.
● Não se aplica prazo em dobro para a Fazenda Pública apresentar recursos Extraordinários
contra decisão do TJ em controle concentrado de leis locais. ATENÇÃO: a última decisão do
STF em 2016, em sede de ADI, disse que não cabia prazo em dobro.
● APLICA-SE PRAZO EM DOBRO para a Fazenda Pública apresentar recursos Extraordinários
contra decisão do TJ em controle CONCRETO (REX) de leis locais.
44 ● Declaração de inconstitucionalidade por órgão fracionário de ato normativo infralegais como
decreto legislativo de efeitos concretos (exaure-se com sua promulgação), não viola a cláusula
de serva de plenário, pois a cláusula de reserva de plenário sujeita a LEI ou ATO NORMATIVO
geral e abstrato.
● Não viola cláusula de reserva de plenário decisão de órgão fracionário que deixa de aplicar
norma infraconstitucional por entender não haver subsunção aos fatos ou que a incidência
normativa seja resolvida mediante a sua interpretação, sem potencial ofensa direta à CF.
● Admite-se controle de constitucionalidade das leis orçamentárias independentemente de seu
caráter concreto ou abstrato.
● Nos processos do controle objetivo (concentrado/abstrato) de constitucionalidade, a conexão
ocorre somente em função da identidade do pedido/objeto entre as ações, e não
excepcionalmente, visto que no controle abstrato, a causa de pedir é aberta (fundamento).
o O STF, ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade, não está
vinculado aos fundamentos jurídicos invocados pelo autor. Assim, pode-se
dizer que na ADI, ADC e ADPF, a causa de pedir (causa petendi) é aberta. Isso
significa que todo e qualquer dispositivo da Constituição Federal ou do
restante do bloco de constitucionalidade poderá ser utilizado pelo STF como
fundamento jurídico para declarar uma lei ou ato normativo inconstitucional.
o Foi o que aconteceu na ADI em relação às legislações estaduais e o amianto. O
STF entendeu constitucional todas as normas estaduais que proíbam o uso de
amianto, declarando de maneira incidental (incidental significa que não é o
pedido principal) inconstitucional a norma federal que permite o uso de
amianto. aqui o DOD disse que houve abstrativização do controle difuso. Eu,
particularmente, DISCORDO.
● Aditamento em petição inicial de ADI só é admitido se anterior à requisição das informações.
o Há exceções:

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▪ Mudança textual irrelevante admite-se após requisição de


informações.
▪ Alguns julgados de ADI contra MP não fixam limite para aditamento,
apenas dizendo que deve-se aditar em caso de substancial alteração
da norma. EXCEÇÃO! Pois se for alteração substancial, deve-se propor
NOVA ADI.
● Não cabe aditamento de petição inicial em controle de constitucionalidade de MP quando
esta foi reeditada e alterada em seu conteúdo de modo substancial. Deve ser intentada outra
ADI, pois a mudança foi substancial.
o Se meramente formal e irrelevante a alteração textual, ADMITE-SE o
aditamento.
o ADI contra MP não perde o objeto se quando da sua conversão em lei não
houve mudança substancial no seu texto. Isto porque houve o que se
denomina de “continuidade normativa entre o ato legislativo provisório e a lei
que resulta de sua conversão”.
● Representação de Governador por advogado ou procuradoria do Estado em ADI é
desnecessária, vez que legitimado a propor diretamente ADI. Ademais, não pode a
procuradoria propor, vez que esta é representante do ESTADO, e não do Governador.
● Não é função constitucional da arguição de descumprimento de preceito fundamental atuar
como instrumento de desconstituição da autoridade da coisa julgada em sentido material”.
Incabível ADPF contra decisão transitada em julgado.
45 ● Em regra, não é cabível ADI sob o argumento de que uma lei ou ato normativo violou um
tratado internacional. Em regra, os tratados internacionais não podem ser utilizados como
parâmetro em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Exceção: será cabível ADI
contra lei ou ato normativo que violou tratado ou convenção internacional que trate sobre
direitos humanos e que tenha sido aprovado segundo a regra do § 3º do art. 5º, da CF/88. Isso
porque neste caso esse tratado será incorporado ao ordenamento brasileiro como se fosse
uma emenda constitucional. Ex: convenção de nova York sobre direito das pessoas com
deficiência. Nem mesmo os tratados SUPRALEGAIS, como Pacto de San José da Costa Rica
pode, pois não possuem envergadura constitucional.
o Todas essas espécies de tratados estão sujeitas a serem controladas, ou seja,
poderão vir a ser declarados inconstitucionais caso violem os limites da CF. Ou
seja, qualquer dessas modalidades de tratados poderá vir a ser objeto de
controle de constitucionalidade. (Status de emenda, supralegal, status legal)
● É admissível ADPF mesmo que tenha como pano de fundo a impugnação de decisões judiciais
de primeira e segunda instâncias.
● Não fica afastada a subsidiariedade da ADPF pelo fato de o ato impugnado na ADPF estar ou
puder ser veiculado em processo subjetivo e, neste, ser cabível sua desconstituição em sede
recursal ordinária ou extraordinária. Logo: Ainda que caiba REX, é possível utilizar a ADPF. A
subsidiariedade da ADPF se dá em relação às ações objetivas, como ADI e ADO.
● A perda do mandato parlamentar que tenha proposto a ação de controle preventivo (MS) de
constitucionalidade à EC implicará tornar o prosseguimento da ação IMPOSSÍVEL, na forma da
jurisprudência do STF, uma vez que há ausência de legitimidade para a causa.
o Diferente é a perda de representatividade congressista quando um partido
ingressa com ADI. A ADI irá ter continuidade.
● A distinção entre inconstitucionalidade e inconveniência também é aplicável no que concerne
às Emendas Constitucionais: aquele primeiro juízo tem como parâmetro a interpretação da

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Constituição Federal, este último pode ter diversos parâmetros (econômicos, políticos, sociais,
culturais, etc.), não tendo aptidão para invalidar a norma.
● A Emenda Constitucional só pode ser declarada inconstitucional materialmente se ferir
cláusulas pétreas, logo, está adstrito às limitações materiais, explícitas ou implícitas, diferente
das leis, que basta desrespeitar qualquer norma constitucional para ser declara
inconstitucional. Por isso, diz-se que o parâmetro de constitucionalidade das EC é
estreitíssimo.
● Papel do AGU nas ações de controle de constitucionalidade.
o É citado para defender o ato impugnado. (CF e lei 9868)
o A atuação do AGU é um múnus público, que pode ser mitigado quando houver
entendimento do STF quanto à inconstitucionalidade do ato impugnado.
o Quando já tiver manifestado em parecer sobre a inconstitucionalidade da
norma.
● É possível a celebração de acordo num processo de índole objetiva, como a ADPF, desde que
fique demonstrado que há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito), que
comporta solução por meio de autocomposição. Vale ressaltar que, na homologação deste
acordo, o STF não irá chancelar ou legitimar nenhuma das teses jurídicas defendidas pelas
partes no processo. O STF irá apenas homologar as disposições patrimoniais que forem
combinadas e que estiverem dentro do âmbito da disponibilidade das partes. A homologação
estará apenas resolvendo um incidente processual, com vistas a conferir maior efetividade à
prestação jurisdicional.
46 ● Efeito repristinatório: a declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os
atos pretéritos com base nele praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício
jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as
situações constituídas sob a sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos
jurídicos validos. A declaração de inconstitucionalidade, seja ela lei permanente ou
temporária, encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição
deferida ao STF, consistente em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal
inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as consequências
daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia das leis e das normas afetadas pelo
ato declarado inconstitucional.
o De um lado, há a suspensão cautelar de eficácia do ato reputado
inconstitucional, de outro, a restauração das normas estatais revogadas pelo
diploma objeto da ADI.
o EXCEÇÃO: não haverá efeito repristinatório se a norma anterior padecer do
mesmo vício de inconstitucionalidade
● Os Conselhos Federais de Fiscalização Profissional (ex: Conselho Federal de Corretores de
Imóveis – COFECI) não podem propor ações de controle concentrado de constitucionalidade
porque não estão no rol do art. 103 da CF/88, que é taxativo. Os conselhos de fiscalização
profissional têm como função precípua o controle e a fiscalização do exercício das profissões
regulamentadas, exercendo, portanto, poder de polícia, atividade típica de Estado, razão pela
qual detêm personalidade jurídica de direito público, na forma de autarquias. Sendo assim, tais
conselhos não se ajustam à noção de entidade de classe, expressão que designa tão somente
aquelas entidades vocacionadas à defesa dos interesses dos membros da respectiva categoria
ou classe de profissionais.STF. Plenário ADC 34 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 05/03/2015.
STF. Plenário. ADPF 264 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 18/12/2014.
o Exceção: o Conselho Federal da OAB é legitimado para propor ADI ADC e ADPF
(art. 103, VII, da CF/88).
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 Resolução CJF 67/09 – 407/16

● Os princípios da razoabilidade e proporcionalidade servem como verdadeiro parâmetro de


aferição da constitucionalidade material dos atos estatais. STF.
● De acordo com a CF, os tratados internacionais de direitos humanos que forem aprovados, em
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos
membros, terão status de norma constitucional. Tais tratados podem fundamentar tanto o
controle de constitucionalidade quanto o controle de convencionalidade.
● Não se aplica cláusula de reserva de plenário para as TURMAS do STF, vez que elas possuem a
competência regimental para declaração de inconstitucionalidade sem ofensa ao artigo 97 da
CF. Se possuem competência para julgar o Recurso Extraordinário, por óbvio que possuem
competência para declarar inconstitucionalidade.
● O Supremo Tribunal Federal altera sua jurisprudência, de modo a admitir a legitimação das
"associações de associações de classe", de âmbito nacional, para a ação direta de
inconstitucionalidade.
● Não basta para uma associação de classe que deseja fazer questionamentos sobre a
constitucionalidade de um dispositivo legal apenas dizer em seu estatuto que possui
abrangência nacional. Associações de classe precisam comprovar representatividade em, pelo
menos, nove estados da federação para serem consideradas aptas a ajuizar ações de
controle concentrado de constitucionalidade.
o Tomando de empréstimo, por analogia, o critério do caráter nacional do art.
8º da Lei nº 9.096/1995 para o registro de partidos políticos, firmou-se a
47 jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal no sentido de que suficiente a
prova da existência de membros ou associados em pelo menos um terço dos
Estados da Federação – nove Estados – para que configurado o caráter
nacional da entidade de classe a que alude o art. 103, IX, da Lei Maior.

1.8. Funções essenciais à Justiça
Funções essenciais à justiça. Do Ministério Público. Da Advocacia e da Defensoria Pública. Da
Advocacia-Geral da União. Da Administração Pública. Princípios e Disposições Gerais. Dos
servidores civis e militares. Acumulação remunerada. Garantias. Responsabilidade jurídica
das pessoas públicas. (Ver isso em Direito Administrativo)
1.8.1. Ministério Público
● O MP Estadual pode ser parte em processo diretamente no STJ/STF, sendo desnecessário
atuação do MPF. Pode atuar tanto como parte, como custos legis, em ações civis ou criminais.
Ministério Público Estadual tem ampla possibilidade de postular, autonomamente, perante
tanto o Supremo Tribunal Federal quanto o Superior Tribunal de Justiça, atribuição que,
ademais, estende-se aos processos em que originariamente tenha funcionado como custos
legis.,
● A autonomia do Ministério Público Estadual em relação ao PGR é tanto processual quanto
administrativa.
● A destituição do PGR se dá por iniciativa do Presidente da República, devendo ser precedida de
autorização da maioria absoluta do Senado Federal.
● Não se aplica o princípio da unidade entre MPU e MPE, sendo órgãos distintos para atuarem
no STF.
● Teoria dos poderes implícitos: Quando um órgão recebe determinado poder para atingir um
fim, recebe por consectário lógico todos os poderes que garantam os meios para atingir este
fim. Assim, quem deve elaborar e sustentar a acusação, poderá investigar, que é o caso do MP.

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 Resolução CJF 67/09 – 407/16

● Se o CNMP decidir avocar um PAD que está tramitando na Corregedoria local por suspeita de
parcialidade ao Corregedor, ele poderá aproveitar os atos instrutórios praticados regularmente
na origem pela comissão processante. Aplica-se aqui o princípio do pás de nullité sans grief.
● Se um membro do MP pratica falta administrativa que também seja CRIME, o prazo de
prescrição para ingressar com a ação civil para a aplicação da pena administrativa de perda
de cargo só terá início com o trânsito em julgado da sentença condenatória no âmbito penal.
● O membro do Ministério Público que atua perante o Tribunal de Contas possui legitimidade e
capacidade postulatória para impetrar mandado de segurança, em defesa de suas
prerrogativas institucionais, contra acórdão prolatado pela respectiva Corte de Contas.
● O termo inicial da contagem do prazo para impugnar decisão judicial é, para o Ministério
Público, a data da entrega dos autos na repartição administrativa do órgão, sendo irrelevante
que a intimação pessoal tenha se dado em audiência, em cartório ou por mandado.
● O Ministério Público Federal é parte ilegítima para ajuizar ação civil pública que visa à
anulação da tramitação de Projeto de Lei do Plano Diretor de município, ao argumento da
falta de participação popular nos respectivos trabalhos legislativos. No caso concreto, o MPF
ajuizou ACP contra o Município de Florianópolis e a União argumentando que o Poder
Executivo Municipal teria encaminhado à Câmara de Vereadores o projeto de Lei do Plano
Diretor da cidade sem a realização das necessárias audiências públicas, o que violaria o
Estatuto da Cidade. O STJ entendeu que a legitimidade para essa demanda seria do Ministério
Público estadual (e não do MPF).
● MPDFT: Julgado por TRF; O PGJDFT pode ser destituído antes do término do mandato por
48 voto de maioria absoluta do SENADO FEDERAL, e não da Câmara Legislativa do DF.

1.8.2. Advocacia Pública


● O AGU deve ter mais de 35 anos.
● Inconstitucional norma estadual que autorize ocupante de cargo em comissão a desempenhar
atribuições de assessoramento jurídico, no âmbito do Poder Executivo, uma vez que a
atividade de assessoramento jurídico do Poder Executivo dos Estados deve ser exercida por
procuradores do estado, organizados em carreira.
1.8.3. Defensoria Pública
● A defensoria pública possui autonomia administrativa, orçamentária e financeira, de modo que
é inconstitucional a tentativa de fixação de orçamento, bem como, considerar esta entidade
uma Secretaria do Estado, uma vez que atenta contra sua autonomia.

1.9. Defesa do Estado


Da defesa do Estado e das instituições democráticas. O Estado de Defesa e o Estado de Sítio.
Das Forças Armadas. Da Segurança Pública.
● Para que se admita intervenção federal em estado membro por falta de pagamento de
precatórios, deve ficar demonstrado que a falta de pagamento se deu intencionalmente e
voluntariamente, uma vez que dificuldade financeira não justifica intervenção.
● O estado de sítio é a única fase ou momento da vida coletiva que, pela sua excepcional
gravidade, a Constituição toma como fato gerador de restrições à liberdade de imprensa, na
forma da lei.
● O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias, podendo ser
prorrogado uma vez por igual período, se persistirem as razões que justificaram a sua
decretação.
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 Resolução CJF 67/09 – 407/16

o O Estado de sítio, no caso comoção grave de repercussão nacional ou


ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o
Estado de Defesa só pode perdurar por trinta dias, podendo ser prorrogado
tantas vezes, pelo mesmo prazo.
o O Estado de sítio, no caso de declaração de guerra ou resposta a agressão
armada estrangeira poderá ser decretado por todo tempo que perdurar a
guerra ou a agressão armada estrangeira.
● Estado de sítio: ouvir Conselho da República e o Consleho de Defesa Nacional.
● Conselho da República: pronunciar-se sobre: estabilidade da União
o intervenção federal, estado de sítio, estado de defesa, bem como,
o questões relevantes para estabilidade das instituições democráticas.
● Conselho de Defesa Nacional:
I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos
desta Constituição;
II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção
federal;
III - propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do
território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e
nas relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer
tipo;
49 IV - estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a
garantir a independência nacional e a defesa do Estado democrático
1.9.1. Militares
 O oficial só poderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele
incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou, de
tribunal especial, em tempo de guerra.

1.10. Direito de Propriedade. Econômico. Comunicação. Cultura.


Educação. Desporto. Criança. Idoso. Indígenas. Geral
Direito de propriedade. Função social da propriedade. Desapropriação por necessidade ou
utilidade pública. Desapropriação por interesse social. Desapropriação judicial. Usucapião.
Regime das jazidas. Direito urbanístico. Ordem Econômica. Princípios. Intervenção no
domínio econômico. Formas e limites de intervenção. Repressão do abuso do poder
econômico. Empresa pública e sociedade de economia mista. Da comunicação social. O
planejamento na ordem constitucional. Os direitos constitucionais dos trabalhadores.
Organização sindical. Família, Educação e Cultura. Da Ciência e da Tecnologia. Da criança, do
adolescente e do idoso. Dos índios.
● A expropriação do artigo 243 da CF pode ser afastada, desde que o proprietário comprove que
não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in elegendo, por se tratar de
responsabilidade subjetiva, devendo ter um mínimo nexo de causalidade.
o Em caso de condomínio, havendo boa-fé de apenas alguns dos proprietários, a
sanção deve ser aplicada e ao proprietário inocente cabe buscar reparação dos
demais.
1.10.1. Educação
Observação: Ler o resumo do ênfase na pasta de procurador federal.

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● A gratuidade de ensino é só em estabelecimentos oficiais, independentemente de algumas


privadas serem subvencionadas com recursos públicos. Logo, nem sempre as privadas
subvencionadas com recursos públicos serão gratuitas.
o A gratuidade de ensino na CF não diz que é para o ensino básico, médio ou
superior, mas só em estabelecimentos oficiais.
● Competência concorrente: educação, cultura, ensino e desporto.
● Competência concorrente para legislar sobre ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e
inovação.
● Constitucional a fixação da data limite de 31 de março para que estejam completas as idades
mínimas de quatro e seis anos para ingresso, respectivamente, na educação infantil e no
ensino fundamental. Procedente para declarar a constitucionalidade dos artigos 24, inciso II,
31 e 32, caput, da LDB e assentar que a idade limite (seis anos) deve estar completa até o início
do ano letivo (31 de março). NOVINHO!
● Competência privativa da UNIÃO: diretrizes básicas da educação.
● “O ensino elementar (primário) é obrigatório e gratuito” – Declaração Universal dos Direitos
Humanos.
● Educação secundária (técnica) não é gratuita, segundo o tratado internacional, mas deve haver
implementação progressiva de gratuidade, assim como o ensino superior.
● - A educação infantil, por qualificar-se como direito fundamental de toda criança, não se
expõe, em seu processo de concretização, a avaliações meramente discricionárias da
Administração Pública, nem se subordina a razões de puro pragmatismo governamental.
50 ● O exercício da advocacia somente se pode dar, entre outras condições, por aqueles que
tenham concluído o curso de Direito em instituição de ensino credenciada e autorizada pelo
MEC. Não obstante a tal fato, o STJ disse que a inscrição na OAB não pode ser impedida pelo
fato de o curso de direito não ter sido reconhecido pelo MEC.
o O Estatuto da OAB não exige reconhecimento de curso — apenas sua
autorização e o credenciamento.
● STF: é constitucional a previsão normativa asseguradora, ao militar e ao dependente
estudante, do acesso a instituição de ensino na localidade para onde é removido, não
podendo, contudo, mostrar-se como mecanismo para obter-se a transposição da seara
particular para a pública.
● São absolutamente impenhoráveis os créditos vinculados ao programa Fundo de
Financiamento Estudantil - FIES constituídos em favor de instituição privada de ensino.
Fundamento: art. 833, IX, do CPC/2015. O FIES tem por objetivo conceder financiamento a
estudantes de cursos superiores que sejam integrantes de famílias de menor renda. Se fosse
permitida a penhora dos recursos públicos transferidos às instituições particulares de ensino
para custear o FIES, isso poderia frustrar a adesão ao programa e, em consequência, o
atingimento dos objetivos por ele traçados
● Súmula 595-STJ: As instituições de ensino superior respondem objetivamente pelos danos
suportados pelo aluno/consumidor pela realização de curso não reconhecido pelo Ministério
da Educação, sobre o qual não lhe tenha sido dada prévia e adequada informação.
● É inconstitucional lei estadual que preveja que o escritório de prática jurídica da Universidade
Estadual deverá manter plantão criminal nos finais de semana e feriados para atender pessoas
hipossuficientes que sejam presas em flagrante. Esta lei viola a autonomia administrativa,
financeira, didática e científica assegurada às universidades no art. 207 da CF/88
(inconstitucionalidade material). Além disso, contém vício de iniciativa (inconstitucionalidade

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formal), na medida em que foi usurpada a iniciativa privativa do Governador. – Cabe à


defensoria pública a defesa dos hipossuficientes.
● É inconstitucional que instituição pública de ensino profissionalizante cobre anuidade para
custear despesas com a alimentação dos alunos.
● STJ: A IES não pode recusar a matrícula de aluno aprovado em vestibular em razão de
inadimplência em curso diverso anteriormente frequentado por ele na mesma instituição, não
se mostrando razoável que se faça uma interpretação extensiva dos artigos 5 e 6 da Lei 9870
de modo a prejudicar o consumidor.
o A referida lei somente autoriza, excepcionalmente, que a IES não renove a
matrícula de alunos que estejam inadimplentes há mais de 90 dias no âmbito
da mesma relação contratual.
● O estabelecimento por Resolução de marco para verificação de idade completa da criança para
enquadramento em pré-escola ou ensino fundamental NÃO VIOLA a LDB.
● Hipótese em que houve conclusão de curso superior antes do trânsito em julgado da decisão
em que se discutia a idoneidade do ato de matrícula do aluno, manifestou-se pela aplicação da
teoria do fato consumado à espécie.
● O estabelecimento de condições para a concessão do financiamento do FIES insere-se no
âmbito da conveniência e oportunidade da Administração, e, portanto, não podem ser
modificados ou afastados pelo Judiciário, sendo reservado a este Poder apenas o exame da
legalidade do ato administrativo, sendo-lhe defesa qualquer incursão no mérito
administrativo”
51 ● A LEP (execução penal) determina obrigatoriedade de ensino médio, regular ou supletivo, com
formação geral ou educação profissional de nível médio, em obediência ao preceito
constitucional de sua universalização.
● LDB: Português e matemática são obrigatórios nos três anos do ensino médio, assegurada às
comunidades indígenas, também, a utilização das respectivas línguas maternas.
● Não cabe interpretação extensiva para admitir participação de estudante que cursou
gratuitamente o ensino médio em sua totalidade em instituição filantrópica sem fins
lucrativos, mantida com verba de Município, no processo seletivo para preenchimento de
vagas reservadas a estudantes de escolas públicas. Não pode interpretar extensivamente, sob
pena de inviabilizar o fim buscado por meio de ação afirmativa.  Estudar em instituição
filantrópica não se equipara à escola pública, não havendo direito à cota.
● Constitucional LEI ESTADUAL que fixa número máximo de alunos por sala.
● Inconstitucional cobrança de anuidade por instituição pública de ensino profissionalizante com
intuito de custear despesas com a alimentação dos alunos. Viola a legalidade e, ainda que
instituído por lei, violaria a gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais.
● Educação básica: ensino infantil, fundamental e médio.
● Os percentuais de aplicação obrigatório na educação COMPREENDEM as receitas proveniente
de transferências.
● Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos às escolas
comunitárias, confessionais ou filantrópicas, nos termos da lei.
● Norma estadual que assegura ao aluno, mediante a apresentação de requerimento, o direito
de não realizar provas e exercícios escolares em dias considerados de guarda pela religião, em
universidade, É INCONSTITUCIONAL, pois afronta a autonomia didático-científica e de gestão
financeira e patrimonial das universidades.
● O ensino médio não é obrigatório, mas sim gratuito. A obrigatoriedade é de ensino dos 4 aos
17 anos.

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● I - A função de magistério não se circunscreve apenas ao trabalho em sala de aula, abrangendo


também a preparação de aulas, a correção de provas, o atendimento aos pais e alunos, a
coordenação e o assessoramento pedagógico e, ainda, a direção de unidade escolar. II - As
funções de direção, coordenação e assessoramento pedagógico integram a carreira do
magistério, desde que exercidos, em estabelecimentos de ensino básico, por professores de
carreira, excluídos os especialistas em educação, fazendo jus aqueles que as desempenham ao
regime especial de aposentadoria estabelecido nos arts. 40, § 5º, e 201, § 8º, da Constituição
Federal. Aposentam com redução de 5 anos. III - Ação direta julgada parcialmente
procedente, com interpretação conforme, nos termos supra. (É o atual entendimento!) –
Superada a súmula 726 do STF
● Cotas Nível Superior – em CADA processo seletivo.
o 50%, no mínimo, para estudante que cursou integralmente ensino médio em
escolas públicas.
▪ 50% para estudante com renda familiar per capta igual ou inferior à 1,5
salário mínimo
▪ 50% independentemente da renda familiar, bastando estudar em escola
pública.
o As vagas serão preenchidas por turno e curso, por autodeclarados pretos,
pardos e indígenas, em proporção igual a de pretos, segundo o último censo
do IBGE.
o Em caso de não preenchimento nos termos acima, as vagas remanescentes
52 deverão ser preenchidas por estudantes que tenham cursado integralmente o
ensino médio em escola pública.
● Cotas Ensino Técnico de Nível Médio – em CADA processo seletivo.
o 50%, no mínimo, para estudante que cursou integralmente ensino fundamental
em escolas públicas.
▪ 50% para estudante com renda familiar per capta igual ou inferior à 1,5
salário mínimo
▪ 50% independentemente da renda familiar, bastando estudar em escola
pública.
o As vagas serão preenchidas por turno e curso, por autodeclarados pretos,
pardos e indígenas, em proporção igual a de pretos, segundo o último censo
do IBGE.
o Em caso de não preenchimento nos termos acima, as vagas remanescentes
deverão ser preenchidas por estudantes que tenham cursado integralmente o
ensino fundamental em escola pública.
● Constitucional cobrança de taxa de especialização (pós graduação lato sensu) pelas
universidades. Já doutorado e mestrado (stricto sensu) é gratuito! Essas duas últimas estão
ligadas à manutenção e desenvolvimento das instituições de ensino de magistério superior,
e não podem ser cobradas.
o A conclusão é de que o princípio da gratuidade do ensino público, no que
concerne às universidades públicas, se restringe às atividades de ensino e
àquelas necessárias à sua manutenção. Não abrange, portanto, as atividades
de pesquisa e extensão.
● É legal a exigência feita por universidade (não há óbice na LDB), com base em resolução por ela
editada, de prévia aprovação em processo seletivo com condição para apreciar pedido de
revalidação de diploma obtido em instituição de ensino estrangeira. Logo, não há
automaticidade em revalidação de diplomas obtidos no estrangeiro. Deve-se garantir às

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universidades a liberdade para editar regras específicas acerca do procedimento destinado à


revalidação, em consonância com a autonomia didático-científica e administrativa.
● O servidor público, civil ou militar estudante, transferido ex officio, e seu dependente
estudante, tem direito à matrícula em instituição de ensino superior da nova localidade, desde
que congêneres as instituições de ensino, em respeito ao princípio da isonomia.
o Exceção: a regra será excepcionada em caso de inexistência de
estabelecimento de ensino da mesma natureza no local da nova residência ou
em suas imediações.
▪ ATENÇÃO: 19/09/2018 (RE – Repercussão Geral) – Tese: “É
constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese de
transferência ex officio de servidor, a matrícula em instituição pública,
se inexistir instituição congênere à de origem”.

o Ratio decidendi: afronta aos princípios da proporcionalidade, moralidade,
impessoalidade, violação do artigo 206, I da CF, que assegura igualdade de
condições para acesso e permanência nas instituições de ensino.
● É LEGAL a exigência de prestação de garantia pessoal para celebração de contrato de
financiamento estudantil vinculado ao FIES.
● A Constituição admite a destinação de recursos privados – oriundos de pagamentos por alunos
– às atividades de pesquisa e extensão: §2º do artigo 213: As atividades universitárias de
pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do poder público. – Se pode receber
53 ●
verba pública, é porque presume o custeio por recursos privados.
Súmula Vinculante 12: A cobrança de matrícula como requisito para que o estudante possa
cursar universidade federal viola o artigo 206, IV da CF.
● A denúncia do termo de adesão do ProUni pela universidade privada, não implicará ônus para
o Poder Público nem prejuízo para o estudante beneficiado pelo ProUni, que gozará do
benefício concedido até a conclusão do curso. O ônus será da universidade privada.
● Segundo o STJ, é da Justiça Estadual, via de regra, a competência para julgar a ação em que se
discute a legalidade da cobrança de instituição de ensino superior estadual, municipal ou
particular de taxa para expedição de diploma de curso, salvo quando se tratar de mandado de
segurança cuja impetração se volta contra ato de dirigente de universidade pública federal ou
de universidade particular, hipótese de competência da Justiça Federal.
● STJ SÚM 570: É de competência da JF o processo e julgamento de demanda que discute
ausência ou obstáculo ao credenciamento de instituição particular de ensino superior no
Ministério da Educação como condição de expedição de diploma de ensino a distância aos
estudantes.
o Pode ser ação de conhecimento, normal.
o Compete à Justiça Federal, ainda que a instituição seja privada, ação proposta
em razão da demora na expedição de diploma de conclusão de curso em
instituição privada de ensino superior.
o A competência da Justiça Federal dá-se nos casos em que se requer a
expedição de diploma eis que há competência do Ministério da Educação para
registrá-lo, o que caracteriza interesse da União, o que não é o caso dos autos,
quando pretende a autora unicamente o recebimento de indenização por
danos morais suportados pela mesma
AÇÃO COMPETÊNCIA
Se a ação proposta for mandado de segurança Justiça Federal

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Ação (diferente do MS) discutindo questões privadas relacionadas ao contrato


de prestação de serviços firmado entre a instituição de ensino e o aluno (exs: Justiça Estadual
inadimplemento de mensalidade, cobrança de taxas etc.).
Ação (diferente do MS) discutindo registro de diploma perante o órgão público
competente ou o credenciamento da entidade perante o Ministério da
Educação (obs: neste caso, a União deverá figurar na lide). As universidades Justiça Federal
integram o Sistema Nacional da Educação, presente, portanto, o interesse da
União no feito.

● Segundo o STJ, é possível a extinção de curso superior por Instituição Educacional em razão da
ausência de quorum mínimo de alunos inscritos, com base no princípio da autonomia
universitária, preconizado no artigo 53, inciso I, da Lei Federal n.° 9.394/1996, desde que
forneça adequada e prévia informação de encerramento do curso.
● É cabível indenização por danos morais ao aluno universitário que fora compelido a migrar
para outra instituição educacional pelo fato de a instituição contratada ter extinguido de
forma abrupta o curso, ainda que esta tenha realizado convênio, com as mesmas condições e
valores, com outra instituição para continuidade do curso encerrado.
● Competência no caso de ações envolvendo o FUNDEF
I — Ação PENAL: a competência será sempre da Justiça Federal. Ratio: há interesse
federal (art. 109, IV, da CF), considerando que o texto constitucional atribuiu à União
função supletiva e redistributiva em matéria educacional, bem como o interesse na
universalização de um padrão mínimo de qualidade do ensino, nos termos do § 1º do
54 art. 211 da CF/88. II — Ação de IMPROBIDADE:
▪ Se houve complementação de recursos pela União: competência da Justiça
Federal.
▪ Se não houve complementação de recursos pela União: competência da Justiça
Estadual.
● O Ministro não é autoridade competente para determinar a expedição do diploma, não
detendo legitimidade passiva para MS. A Universidade possui autonomia específica para
prática de tal ato. Legitimidade da Universidade para figurar em polo passivo de MS para
expedição de diploma.
● REVALIDAÇÃO DE DIPLOMAS ESTRANGEIROS: art. 48 LDB
o Graduação: a cargo das universidades públicas.
o Pós graduação stricto sensu (mestrado e doutorado): pode ser feito por
também por instituições particulares.
● O regime de progressão continuada (aprovação automática) só pode ser implantada no ensino
fundamental, não se aplicando ao ensino médio.
● Os dispositivos do art. 4º, caput, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 11.738/2008 não amparam a tese de
que a União é parte legítima, perante terceiros particulares, em demandas que visam à sua
responsabilização pela implementação do piso nacional do magistério, afigurando-se correta a
decisão que a exclui da lide e declara a incompetência da Justiça Federal para processar e
julgar o feito ou, em sendo a única parte na lide, que decreta a extinção da demanda sem
resolução do mérito.
● Em outras palavras, os Estados prejudicados com o cálculo incorreto do valor mínimo nacional
por aluno deverão ser indenizados por conta do montante pago a menor a título de
complementação pela União no período de vigência do FUNDEF, isto é, nos exercícios
financeiros de 1998 a 2007. Essa indenização abrange apenas os danos materiais, não sendo
devidos danos morais coletivos por conta desse repasse a menor. O valor da complementação

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da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de


Valorização do Magistério (Fundef) deve ser calculado com base no valor mínimo nacional
por aluno extraído da média nacional. STF. Plenário
Não se aplica o CDC aos contratos de crédito educativo, porque o objeto do contrato é um
programa de governo, em benefício do estudante, sem conotação de serviço bancário.
1.10.2. Dos Índios e Quilombolas
● Possuem o usufruto exclusivo do solo, rios e lagos. Subsolo NÃO. A propriedade é da União.
● Aproveitamento dos recursos hídricos e potenciais energéticos, pesquisa e lavra das riquezas
minerais: autorização do CN + ouvir as comunidades afetadas + participação da comunidade
nos resultados da lavra.
● Remoção de indígenas: em regra é vedado, salvo por referendo do CN nos casos de catástrofe,
epidemia que ponha em risco a população indígena OU interesse da soberania do País, após
deliberação do CN, garantido o retorno imediato após cessação do risco.
● As benfeitorias derivadas de ocupação de boa-fé em terras indígenas podem ser indenizadas
em ação contra a União. Do contrário não.
● Os índios, suas comunidades e organizações possuem legitimidade para ingressarem em juízo
em defesa de seus direitos, intervindo o MP em todos os atos do processo.
● As terras ocupadas por comunidades quilombolas ou tradicionais que façam uso coletivo da
área serão regularizadas de acordo com as normas específicas, aplicando-se-lhes, no que
couber, os dispositivos desta Lei. STF deu interpretação conforme, sem redução de texto, ao
55 referido parágrafo, a fim de afastar qualquer entendimento que permita a regularização
fundiária das terras públicas ocupadas por quilombolas e outras comunidades tradicionais da
Amazônia Legal em nome de terceiros ou de forma a descaracterizar o modo de apropriação
da terra por esses grupos. (art. 4, §2º, Lei 11.952)
● É necessária a participação da FUNAI em procedimento de licenciamento ambiental de
atividade que possa vir a impactar terras indígenas.
● Súmula 650 STF: As ocupações indígenas por aldeamento extintos e, assim, remotas, não
qualificam como públicas (da União) as áreas, com o que são legítimos os títulos particulares
formados após a cessação da ocupação.
o Deve haver, quando da promulgação da CF/88, se não ocupação indígena
pacífica, ao menos renitente esbulho por particulares, que se qualifica por
conflito atual de fato ou judicial sobre a posse, conflito que inexiste, por
exemplo, se já desocupadas as terras pelos indígenas, ainda que de forma
forçada.

● A alegação de que a demarcação da terra indígena não observou os parâmetros estabelecidos


pela CF/1988 não justifica a remarcação ampliativa de áreas originariamente demarcadas em
período anterior à sua promulgação.
● A CF/88 determinou que são nulos os atos que reconheçam direitos de ocupação, domínio
(propriedade) ou a posse relacionados com imóveis localizados dentro de terras indígenas.
Logo, se um “não índio” possuir uma escritura pública registrada no cartório de registro de
imóveis afirmando que ele é proprietário de um lote existente dentro de uma terra indígena,
esse registro é nulo e extinto, não produzindo efeitos jurídicos.
● Terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, independentemente de demarcação,
pertencem à União, não havendo se falar em terras devolutas pertencentes ao ESTADO,

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alegando desapropriação indireta da União. Isto posto, incabível indenização por alegação de
terra devoluta de propriedade do Estado.
● As hipóteses previstas no DL 3365/41 para desapropriação por utilidade pública são taxativas,
não sendo prevista destinação de terra aos QUILOMBOLAS. Assim, a desapropriação para
concessão de domínio de terra aos remanescentes dos quilombos é de interesse social,
cabendo a desapropriação prevista no artigo 184 (interesse social – pagamento por TDA) da
CF. O imóvel desapropriado não vai servir à administração Pública, e sim ao interesse da
comunidade, está-se diante de interesse social e não de utilidade pública, visto que o escopo
da desapropriação em causa é a preservação do patrimônio cultural do povo quilombola.
● A União deverá figurar como litisconsorte necessária em ação na qual se discute com
particulares se determinada área é remanescente das comunidades dos quilombos (art. 68
do ADCT), mesmo que na ação já exista a presença da Fundação Cultural Palmares (fundação
federal).
● É inconstitucional qualquer interpretação que permita a regularização fundiária das terras
ocupadas por quilombolas e outras comunidades tradicionais da Amazônia Legal em nome de
terceiros ou de forma a descaracterizar o modo de apropriação da terra por esses grupos. Em
outras palavras, os quilombolas e outras comunidades tradicionais não podem perder suas
terras em caso de regularização fundiária.
● QUILOMBOLAS: a competência para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação
e titulação das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos é do
INCRA, sem prejuízo da competência concorrente dos Estados, DF e municípios, que também
56 ●
poderão fazer.
O processo de demarcação, regulamentado pelo Decreto nº 1775/96, é o meio administrativo
para identificar e sinalizar os limites do território tradicionalmente ocupado pelos povos
indígenas. Nos termos do mesmo Decreto, a regularização fundiária de terras indígenas
tradicionalmente ocupadas compreende as seguintes etapas, de competência do Poder
Executivo: 1) Estudos de identificação e delimitação, a cargo da Funai; 2) Contraditório
administrativo; 3) Declaração dos limites, a cargo do Ministro da Justiça; 4) Demarcação física,
a cargo da Funai; 5) Levantamento fundiário de avaliação de benfeitorias implementadas pelos
ocupantes não índios, a cargo da Funai, realizado em conjunto com o cadastro dos ocupantes
não-índios, a cargo do Incra; 6) Homologação da demarcação, a cargo da Presidência da
República, por meio de Decreto Presidencial; 7) Retirada de ocupantes não-índios, com
pagamento de benfeitorias consideradas de boa-fé, a cargo da Funai, e reassentamento dos
ocupantes não-índios que atendem ao perfil da reforma, a cargo do Incra; 8) Registro das
terras indígenas na Secretaria de Patrimônio da União, a cargo da Funai e; 9) Interdição de
áreas para a proteção de povos indígenas isolados, a cargo da Funai.
o Assim também dispõe a Lei n.º 6.001, de 19 de dezembro de 1973 (Estatuto do
índio):Art. 19. As terras indígenas, por iniciativa e sob orientação do órgão
federal de assistência ao índio, serão administrativamente demarcadas, de
acordo com o processo estabelecido em decreto do Poder Executivo. Desta
forma, a demarcação deve ser homologada por Decreto do Presidente e não
por meio de resolução.
● A realização da etapa de levantamento da área a ser demarcada é imprescindível, ainda que
já tenham sido realizados trabalhos de identificação e delimitação da terra indígena de
maneira avançada.
o O descumprimento dessa etapa configura violação do devido processo legal
administrativo e enseja vício de nulidade da demarcação.

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● A alegação de que a demarcação da terra indígena não observou os parâmetros estabelecidos


pela CF/1988 não justifica a remarcação ampliativa de áreas originariamente demarcadas em
período anterior à sua promulgação. Desde o julgamento da Pet 3.388-RR (Caso Raposa Serra
do Sol), a jurisprudência passou a entender que é vedada a ampliação de terra indígena já
demarcada, salvo em caso de vício de ilegalidade do ato de demarcação e, ainda assim,
desde que respeitado o prazo decadencial de 5 anos (art. 54 da Lei nº 9.754/99). É inegável
que a CF/88 mudou o enfoque atribuído à questão indígena e trouxe novas regras mais
favoráveis a tais povos, permitindo a demarcação das terras com critérios mais elásticos, a
partir da evolução de uma perspectiva integracionista para a de preservação cultural do
grupamento étnico. Isso, contudo, não é motivo suficiente para se promover a revisão
administrativa das demarcações de terras indígenas já realizadas, especialmente nos casos em
que se passou o prazo decadencial.
● Segundo já decidiu o STF, é vedada a remarcação de terras indígenas demarcadas em período
anterior à CF/1988, tendo em conta o princípio da segurança jurídica. A União poderá até
ampliar a terra indígena, mas isso não deverá ser feito por meio de demarcação (art. 231 da
CF/88), salvo se ficar demonstrado que, no processo originário de demarcação, houve algum
vício de ilegalidade e, ainda assim, desde que respeitado o prazo decadencial de 5 anos (art.
54 da Lei nº 9.754/99).  possibilidade de remarcação. No caso concreto, essa remarcação
não seria possível porque, ainda que tivesse havido alguma ilegalidade, como afirma o
Ministério da Justiça, já teria se passado o prazo decadencial para rever esse ato. STF. 2ª
Turma. RMS 29542/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 30/9/2014 (Info 761).

57 A demarcação de terras indígenas é realizada mediante processo administrativo disciplinado
pelo Decreto nº 1.775/96. Este Decreto não exige que eventuais interessados na demarcação
(ex: pessoas que possuem títulos de propriedade da área a ser demarcada) sejam notificados
diretamente a respeito da existência do procedimento. Basta que seja publicado um resumo
do relatório circunstanciado nos Diários Oficiais da União e da unidade federada onde se
encontra a área sob demarcação - publicação essa que também deve ser afixada na sede da
Prefeitura Municipal da situação do imóvel (art. 2º, § 7º do Decreto nº 1.775/96). Isso já é
suficiente para garantir o contraditório. Vale ressaltar, no entanto, que nesta publicação
deverá constar o nome do interessado ou de sua propriedade rural (ex: Fazenda Terra Boa).
Assim, não há nulidade em processo de remarcação de terras indígenas por ausência de
notificação direta a eventuais interessados, bastando que a publicação do resumo do
relatório circunstanciado seja afixada na sede da Prefeitura Municipal da situação do imóvel.
● Caso Raposa Serra do Sol. Principais pontos decididos pelo STF no julgamento dos embargos
de declaração: 1) Pessoas miscigenadas, ou que vivam maritalmente com índios, podem
permanecer na área. 2) Presença de autoridades religiosas e templos: cabe às comunidades
indígenas o direito de decidir se, como, e em quais circunstâncias seria admissível a presença
dos missionários e seus templos. 3) Escolas públicas: as entidades federadas devem continuar
a prestar serviços públicos nas terras indígenas, desde que sob a liderança da União (CF, art.
22, XIV). 4) Passagem de não índios pelas rodovias: os índios não exercem poder de polícia e
não podem obstar a passagem de outras pessoas pelas vias públicas que cruzem a área
demarcada. 5) Ações individuais: quanto às ações individuais que questionam a boa-fé dos
portadores de títulos de propriedade, proveu-se o recurso para explicitar que ao STF não
foram submetidos outros processos a respeito de questões individuais relacionadas à área,
devendo eles ainda serem julgados pelos juízes naturais. 6) Posse das fazendas desocupadas:
eventuais disputas do tipo devem ser resolvidas pelas comunidades interessadas, com a
participação da FUNAI e da União, sem prejuízo da intervenção do Ministério Público e do
Judiciário. 7) Condições estipuladas na decisão: as condições integram o objeto da decisão e
fazem coisa julgada material. Portanto, tais diretrizes não podem ser objeto de
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questionamento em outros processos. Isso não significa transformação da coisa julgada em ato
normativo geral e abstrato, vinculante para outros processos que discutam matéria similar. Em
outras palavras, essas condições estipuladas para a Raposa Serra do Sol não vinculam os
juízes e tribunais quando forem julgar questões envolvendo outras terras indígenas. Vale
ressaltar, entretanto, que é natural que o entendimento do STF sobre o tema sirva de força
argumentativa para outros casos semelhantes. STF. Plenário. Pet 3388 ED — Terceiros/RR, rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 23/10/2013 (Info 725).
● É a própria comunidade que atesta a autoatribuição como remanescentes quilombolas.
● O processo de demarcação de terras indígenas, tal como regulado pelo Decreto nº 1.775/1996,
não vulnera os princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que garante aos
interessados o direito de se manifestarem.
● Como regra, se os índios não estavam na posse da área em 05/10/1988, ela não será
considerada terra indígena (art. 231 da CF/88). Existe, contudo, uma exceção a essa regra.
Trata-se do chamado renitente esbulho. Assim, se, na época da promulgação da CF/88, os
índios não ocupavam a terra porque dela haviam sido expulsos em virtude de conflito
possessório, considera-se que eles foram vítimas de esbulho e, assim, essa área será
considerada terra indígena para os fins do art. 231. O renitente esbulho se caracteriza pelo
efetivo conflito possessório, iniciado no passado e persistente até o marco demarcatório
temporal da data da promulgação da Constituição de 1988, materializado por circunstâncias
de fato ou por controvérsia possessória judicializada. Vale ressaltar que, para que se
caracterize o renitente esbulho, é necessário que, no momento da promulgação da CF/88, os

58 índios ainda estivessem disputando a posse da terra ou tivessem sido delas expulsos há
pouco tempo. Se eles foram dela expulsos muitos anos antes de entrar em vigor a CF/88, não
se configura o chamado “renitente esbulho”. Exemplo: no caso concreto apreciado pelo STF, a
última ocupação indígena na área ocorreu no ano de 1953, data em que os índios foram
expulsos da região. Nessa situação, a Corte entendeu que não estava caracterizado o renitente
esbulho, mas sim “a desocupação forçada ocorrida no passado” já que, no momento da
promulgação da CF/88, já havia se passado muitos anos da saída dos índios do local e eles não
mais estavam em conflito possessório por aquelas terras. STF. 2ª Turma. ARE 803462 AgR/MS,
Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 9/12/2014 (Info 771).
● Texto importante sobre o tema:
A proteção das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios representa um aspecto
fundamental dos direitos e das prerrogativas constitucionais assegurados ao índio.
Sem ter a garantia de que irá permanecer nas terras por eles já tradicionalmente ocupadas, os
índios ficam expostos ao risco da desintegração cultural, da perda de sua identidade étnica, da
dissolução de seus vínculos históricos, sociais e antropológicos e da erosão de sua própria
consciência.
Entretanto, somente são reconhecidos aos índios os direitos sobre as terras que
tradicionalmente ocupem se a área estiver habitada por eles na data da promulgação da CF/88
(marco temporal) e, complementarmente, se houver a efetiva relação dos índios com a terra
(marco da tradicionalidade da ocupação).
No caso concreto, por exemplo, o relatório elaborado pela FUNAI indicou que há mais de 70
anos não existia comunidade indígena ou posse indígena no local em disputa. Logo, o marco
temporal não estava preenchido, sendo, portanto, impossível reconhecer a posse indígena
daquelas terras. Em outras palavras, não estavam atendidos os requisitos necessários para se
reconhecer aquela área como sendo uma terra tradicionalmente ocupada por índios, nos
termos do art. 231 da CF/88.
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No entanto, mesmo a terra não se enquadrando no conceito do art. 231, caput e § 1º da


CF/88, a União pode decidir acolher as populações indígenas naquela área. Para isso, porém,
terá que desapropriar as terras, pagando justa e prévia indenização em dinheiro aos
proprietários, considerando que, não sendo terras tradicionalmente ocupadas por índios,
essa área não se constitui em bem da União (art. 20, XI).
 O art. 68 do ADCT estabelece que “aos remanescentes das comunidades dos quilombos que
estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado
emitir-lhes os títulos respectivos.”
Em 2003, foi editado o Decreto nº 4.887, com o objetivo de regulamentar o procedimento
para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas
por remanescentes das comunidades dos quilombos.
O STF entendeu que este Decreto não invadiu esfera reservada à lei. O objetivo do Decreto foi
tão somente o de regular o comportamento do Estado na implementação do comando
constitucional previsto no art. 68 do ADCT. Houve o mero exercício do poder regulamentar da
Administração, nos limites estabelecidos pelo art. 84, VI, da Constituição.
O art. 2º, caput e § 1º do Decreto nº 4.887/2003 prevê como deve ser o critério utilizado pelo
Poder Público para a identificação dos quilombolas. O critério escolhido foi o da
autoatribuição (autodefinição). O STF entendeu que a escolha desse critério não foi
arbitrária, não sendo contrária à Constituição. O art. 2º, §§ 2º e 3º, do Decreto preconiza que,
na identificação, medição e demarcação das terras dos quilombolas devem ser levados em
consideração critérios de territorialidade indicados pelos remanescentes das comunidades dos
59 quilombos. O STF afirmou que essa previsão é constitucional. Isso porque o que o Decreto está
garantindo é apenas que as comunidades envolvidas sejam ouvidas, não significando que a
demarcação será feita exclusivamente com base nos critérios indicados pelos quilombolas.
O art. 13 do Decreto, por sua vez, estabelece que o INCRA poderá realizar a desapropriação
de determinadas áreas caso os territórios ocupados por remanescentes das comunidades
dos quilombos estejam situados em locais pertencentes a particulares. O STF reputou válida
essa previsão, tendo em vista que em nenhum momento a Constituição afirma que são nulos
ou extintos os títulos eventualmente incidentes sobre as terras ocupadas por remanescentes
das comunidades dos quilombos. (AQUI É DIFERENTE DOS ÍNDIOS, QUE SÃO NULOS OS
TÍTULOS)Assim, o art. 68 do ADCT, apesar de reconhecer um direito aos quilombolas, não
invalida os títulos de propriedade eventualmente existentes, de modo que, para que haja a
regularização do registro em favor das comunidades quilombolas, exige-se a realização do
procedimento de desapropriação.
Por fim, o STF não acolheu a tese de que somente poderiam ser consideradas terras de
quilombolas aquelas que estivessem sendo ocupadas por essas comunidades na data da
promulgação da CF/88 (05/10/1988). Em outras palavras, mesmo que na data da promulgação
da CF/88 a terra não mais estivesse sendo ocupada pelas comunidades quilombolas, é
possível, em tese, que seja garantido o direito previsto no art. 68 do ADCT.

2. DIREITO PREVIDENCIÁRIO
2.1. Seguridade Social. Saúde, Previdência e Assistência.
Distinções.
Seguridade Social. Conceitos fundamentais. Natureza. Princípios. Fontes do Direito da
Seguridade Social. Interpretação, aplicação, integração e eficácia das normas. Direito
intertemporal. Direito adquirido e expectativa de direito.

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● Irredutibilidade dos benefícios:


o Valor REAL: benefícios PREVIDENCIÁRIOS.
o Valor NOMINAL: saúde pública e assistência social.
● SEGURO-DESEMPREGO não é benefício previdenciário, sendo gerenciado pelo Ministério do
Trabalho, e não pela Previdência Social.
● São as fontes materiais que interferem na produção das normas jurídicas de direito
previdenciário, e não as fontes formais.
● A Lei Eloy Chaves foi o nascimento da previdência social PRIVADA. Doutrina majoritária e
CESPE.
● Uniformidade entre as prestações urbanas e rurais: os benefícios devem ser os mesmos,
entretanto, o valor da renda mensal é equivalente, mas não igual, uma vez que o custeio do
rural é diferente dos urbanos.
● STJ: A substituição de um medicamento postulado na inicial por outro para tratar a mesma
doença NÃO constitui novo pedido, o qual é o próprio tratamento médico.
● Não confundir TRÍPLICE forma de custeio com a gestão QUADIPARTITE.
o Custeio: empregados, empregadores, sociedade.
o Gestão: empregados, empregadores, órgãos públicos e aposentados.

2.2. Custeio – Valor de benefício – Tempo de contribuição


Financiamento da Seguridade Social. Princípios. Fontes de custeio. Contribuições sociais.
Natureza e espécies. Prescrição. Decadência. Cálculo do valor dos benefícios. Salário de
60 contribuição. Salário de benefício. Limites. Fator Previdenciário. Renda Mensal Inicial. Valor
teto. Reajustes. Revisões. Tempo de contribuição para fins previdenciários. Prova do tempo
de contribuição. Reconhecimento do tempo de filiação. Atividade rurícola e o regime de
economia familiar. Contagem recíproca. Benefícios especiais: ex-combatentes, ferroviários e
anistiados.
● Incide contribuição previdenciária sobre o pagamento das FÉRIAS e sobre o pagamento do
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS?
o * FÉRIAS GOZADAS: incide. É verba salarial.
o * FÉRIAS INDENIZADAS: não incide (art. 28, § 9º, “d”, Lei 8.212/91).
o * TERÇO DE FÉRIAS GOZADAS: não incide. É verba indenizatória.
o * TERÇO DE FÉRIAS INDENIZADAS: não incide (art. 28, § 9º, “d”, Lei 8.212/91).
● Na contagem recíproca de tempo de serviço entre regimes diferentes, a contribuição do
contribuinte individual e facultativo, se recolhida na alíquota de 11% e 5% respectivamente,
deverão ser complementadas retroativamente, no valor de 9% ou 15 %, respectivamente, para
alcançar a 20%, acrescida dos encargos legais.
● Contribuinte Individual: em regra, recolhe 20% do salário de contribuição.
o Se presta serviço às empresas, poderá deduzir 45% da contribuição do
empregador, que é de 20%, de sua contribuição. Ou seja, ele irá descontar 9%
dos 20%, recolhendo 11%. O empregador, neste caso, pagará seus 20%.
o Se prestar serviços para entidades beneficentes de assistência social, será de
20%, e não de 11%, pois as entidades são imunes à contribuição social.
o Se o contribuinte individual não trabalha para empresas, ele pode optar a
recolher 11% sobre o salário mínimo, mas não terá direito à aposentadoria por
tempo de contribuição, só podendo se aposentar por idade ou invalidez. O
mesmo se aplica ao facultativo. Caso queira aposentar por tempo de
contribuição deverá recolher a alíquota total de 20%.
o MEI recolhe 5% sobre o salário mínimo.
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● O STF entende que é INCONSTITUCIONAL a imposição de restrições, por legislação local, à


contagem recíproca do tempo de contribuição na Administração Pública e na atividade privada
para fins de concessão de aposentadoria. Leis como essa violam o § 9º do art. 201 da CF/88.
Assim, é inconstitucional lei municipal ou estadual que exija um número mínimo de
contribuições do servidor ao sistema municipal ou estadual para autorizar a contagem de
tempo de serviço por ele prestado na iniciativa privada.
● O princípio da contagem recíproca do tempo de contribuição só vale para UM benefício
previdenciário: a APOSENTADORIA. As provas tentam enganar colocando “benefícios
previdenciários do RGPS”.
● ATENÇÃO: o princípio da automaticidade (prestou serviço, deverá pagar) das prestações
previdenciárias NÃO ESTÁ EXPRESSO NA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
● Em regra, a contribuição patronal é de 20%. Porém para: bancos comerciais, bancos de
investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito,
financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras,
distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil,
cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos
de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, paga
MAIS 2,5%.
o SÚM 584 STJ: As sociedades corretoras de seguros, que não se confundem com
sociedades de valores mobiliários ou agentes autônomos de seguro privado, estão
FORA DO ROL de entidades constantes do artigo 22, §1º da Lei 8212, NÃO se sujeitando
61 à alíquota de 22,5%, nem à majoração da alíquota do COFINS.
o Obs: a lei do SFN diz que se equipara a instituição financeira a PJ que capte, administre
seguros, câmbio, consórcio, capitalização ou qualquer tipo de poupança, ou recurso de
terceiros. Corretora de seguro está fora.
● Considera-se baixa renda o trabalhador que aufira renda mensal de até 2 (dois) salários
mínimos. A contribuição do trabalhador de baixa renda será de 5% do salário mínimo.
● A comprovação do tempo de serviço ou de contribuição, inclusive mediante justificação
administrativa ou judicial, só produzirá efeito quando baseada em início de prova material,
não sendo admitida prova exclusivamente testemunhal, salvo na ocorrência de motivo de
força maior ou caso fortuito.
● Súm 142 STJ: cabe ação declaratória para reconhecimento de tempo de serviço para fins
previdenciários.
● Não se admite prova exclusivamente testemunhal para comprovar tempo de serviço, salvo na
ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito, conforme disposto no Regulamento.
● Não é inconstitucional a inclusão de sócios e administradores de sociedades e titulares de
firmas individuais como contribuintes obrigatórios da previdência social. – São contribuintes
individuais. Súmula 466 STF.
● Não incide contribuição previdenciária sobre auxílio-transporte (vale-transporte), mesmo
que pago em pecúnia. STJ 2017
● É contado como tempo de contribuição o tempo exercido na condição de ALUNO-aprendiz (e
não MENOR aprendiz, que SEMPRE é computado para fins de aposentadoria) referente ao
período de aprendizado profissional realizado em escola técnica, desde que comprovada
REMUNERAÇÃO, mesmo que indireta, à conta do orçamento público e o vínculo empregatício.
Deve apresentar certidão do estabelecimento de ensino frequentado.
o Súmula 18 TNU; Súmula 24 AGU: Provado que o aluno aprendiz de Escola
Técnica Federal recebia remuneração, mesmo que indireta, à conta do

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orçamento da União, o respectivo tempo de serviço pode ser computado para


fins de aposentadoria previdenciária.
● O GILRAT só incide aos empregados e trabalhadores avulsos, não havendo previsão para a
empresa recolher sobre o serviço prestado por contribuinte individual (há divergência quanto
a tal fato).
o GILRAT ou SAT: 1% a 3% sobre o total pago da contribuição do empregado
(20%+2%), para custeio de benefícios por incapacidade a TODOS seus
empregados.
o Adicional GILRAT: para custear a aposentadoria especial do próprio segurado,
ao empregado especificamente, pago por empregado específico (12%, 9% ou
6%). Logo, (20%+sat+adicional gilrat)
● Súmula 351 do STJ: “a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho – SAT –
é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou
pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro”
● Cota patronal, em regra, pode extrapolar o teto do RGPS, SALVO a de empregado doméstico.
o O empregado sim, este sempre contribuirá de acordo com o TETO do RGPS.
● A noventena começa a contar da PUBLICAÇÃO DA LEI que instituiu/majorou o tributo
● O 13º não é contado para fins de cálculo de salário-benefício, mas é contado para salário-
contribuição, incidindo contribuição.
● O INSS não arrecada nenhuma contribuição, estando todas a cargo da RFB.
o ATENÇÃO: PGF inscreve em dívida ativa em caso de benefício previdenciário
62 ●
pago INDEVIDAMENTE ou ALÉM DO DEVIDO, aplicando-se a LEF.
As contribuições previdenciárias descontadas pela massa falida, dos salários dos empregados,
e não repassadas aos cofres previdenciários, DEVEM SER RESTITUÍDAS à previdência antes do
pagamento de qualquer crédito, ainda que trabalhista, porque se trata de bens que não
integram o patrimônio do falido. (são as importâncias passíveis de restituição, que estavam tão
somente em poder do falido).
● Os juros moratórios na repetição do indébito tributário são devidos a partir do trânsito em
julgado. Aplica-se às contribuições.
● A EBAS que possuir isenção/imunidade da sua cota patronal não fica isenta de recolher, como
responsável pela retenção, a cota do empregado, pois trata-se de obrigação do recolhimento
(retenção e pagamento).
● Preservado o valor nominal do montante principal dos atrasados, é possível aplicação dos
índices negativos de correção monetária. Os negativos acabam se compensando com os
positivos supervenientes. Entendimento em vigor.
● No gozo do salário-maternidade, o empregador só recolhe a cota patronal, uma vez que o
patrão não efetua o pagamento do salário, e sim o INSS, que desconta a contribuição devida
da empregada ao pagar a ela o benefício.
● A redução de proventos de aposentadoria, quando esta foi concedida em desacordo com a lei,
não ofende o princípio da irredutibilidade dos vencimentos.
● A partir da entrada em vigor da lei 8870, o décimo terceiro salário não integra o salário de
contribuição para fins de cálculo do salário de benefício. (Incide contribuição sobre o décimo
terceiro, mas não é integrante do cálculo de salário benefício, ou seja, não é salário para
cálculo do SB)
● O auxílio quebra de caixa consubstancia-se no pagamento efetuado mês a mês ao empregado
como uma forma de compensar os riscos assumidos pela função exercida que envolve guarda
e conferência de dinheiro. Incide contribuição previdenciária sobre o auxílio quebra de caixa. O
auxílio quebra de caixa tem nítida natureza salarial e integra a remuneração. Logo, possuindo
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natureza salarial, conclui-se que esta verba integra a remuneração, razão pela qual incide
contribuição previdenciária.

63 ●

 A EC 20/98 alterou a redação do artigo 195, I, da CF, ampliando a autorização para instituição
do PIS e COFINS incidentes sobre o resultado da atividade econômica (trocando a expressão
faturamento pela expressão receita ou faturamento, bem como para instituição das
contribuições previdenciárias, trocando a expressão folha de salários por folha de salários e
demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título. Acrescentou-se ainda
na contribuição patronal a contribuição para o autônomo que lhe preste serviço, mesmo que
sem vínculo empregatício.
o A COFINS e o PIS são duas contribuições para o financiamento da seguridade social. A
primeira, COFINS, incide sobre a receita ou o faturamento (CF, 195, I, b), paga por todos
os contribuintes, lucrativos ou não. Já o PIS incide sobre o lucro líquido, de forma que os
contribuintes que registram prejuízos no exercício não estão sujeitos a seu pagamento.
A partir de tal Emenda, resolve-se a questão dos rendimentos financeiros (juros)
o STF - empregado: tanto no período anterior, quanto no período posterior à EC 20/98, a
contribuição previdenciária patronal pode incidir sobre os ganhos habituais do
empregado a qualquer título, ainda que não estritamente qualificado como “folha de
salários”, como adicionais de periculosidade e insalubridade, gorjetas, prêmios, etc.
Aqui a jurisprudência não se alterou. A contribuição social a cargo do empregador
incide sobre ganhos habituais do empregado, quer anteriores ou posteriores à Emenda
Constitucional 20/1998. STF. Plenário. RE 565160/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
em 29/3/2017 (repercussão geral) (Info 859).
o STF - empregador: antes da vigência da EC20/98, não era possível incidir contribuição
patronal sobre valores pagos àqueles que não eram empregados, como os autônomos,
sócio-gerente, sócio-administrador e avulso que prestam serviço ao empregador. Aqui
a jurisprudência se alterou, pois passa ser obrigatório recolher.

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 O sócio gerente só é segurado obrigatório na qualidade de contribuinte


obrigatório quando receber remuneração pelo seu trabalho – pró labore.
Se for remunerado tão somente pela distribuição de lucros, não é
considerado segurado obrigatório.
 A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos HABITUAIS do empregado,
quer anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional 20/1998.
 É inconstitucional a incidência, sobre proventos de inativos e pensionistas, de contribuição
compulsória para o custeio de serviços médico-hospitalares, uma vez que o foge do escopo do
RPPS, não podendo ser custeados compulsoriamente, devendo ficar aberta a possibilidade de
adesão voluntária do servidor a plano oferecido pelo ente estatal.
 Decisão do STF sobre contribuição de inativos antes da existência de autorização
constitucional (importante - constitucionalidade superveniente). O STF não aceita
constitucionalidade superveniente. A Lei estadual nº 12.398/98 do Paraná, que criou a
contribuição dos inativos no Estado do Paraná, por ser inconstitucional ao tempo de sua
edição, não poderia ser convalidada pela Emenda Constitucional nº 41/03. Deve ser editado
novo diploma legal, sob égide da EC41. 
o Trata-se da doutrina americana que prega nulidade das leis inconstitucionais. “The
inconstitucional statute is not a law at all”. Estudamos em Constitucional. Apostila 02
do Costurando a Toga.
o Após a edição da EC 41/2003, passou a ser permitido a cobrança de contribuição
previdenciária sobre os proventos de aposentadoria e pensões do RPPS, APENAS dos
64 benefícios que ultrapassem o teto do RGPS.
 No contexto acima, a emenda 47/2005 reduziu a incidência tributária sobre os
portadores de doença incapacitante, de modo que só incide contribuição se
receberem mais do que o dobro do teto do RGPS.
 A contribuição do empregador rural pessoa física (FUNRURAL) não configura bis in idem, uma
vez que esta incide sobre o resultado da produção, desobrigando-o de contribuir sobre a folha
de salários. Assim, o único pagamento que se continua a recolher sobre a folha de salários, não
é a contribuição patronal, mas sim a contribuição devida pelos EMPREGADOS, sendo que os
empregadores rurais são meros responsáveis pela retenção.
o A indigitada norma é MATERIAL e FORMALMENTE constitucional, uma vez que a lei
10.256 foi editada depois da EC 20/98, que previu a contribuição sobre a receita bruta
proveniente da comercialização da produção, e, conforme sabido, contribuições
tributárias previstas na constituição são passíveis de instituição por lei ORDINÁRIA, não
havendo vício quanto a isso. A discussão de alteração do caput e manutenção dos
incisos foi vencida. O que prevaleceu foi o caput.
 O segurado especial, se comercializa seu produto, deve contribuir (deve-se analisar). Se não
comercializa, não deve contribuir. Sua principal diferença em relação ao empregador rural
pessoa física é a impossibilidade de o segurado especial ter empregados permanentes, já que
sua produção é individual ou familiar.  O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário
rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades
em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a
seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização
da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei.

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2.3. RGPS – Segurados e dependentes


Relação Jurídica de Previdência Social. Filiação. Inscrição. Período de carência. Segurados e
dependentes. Qualidade de segurado: manutenção e perda. Período de graça.
● STF: verificação de requisitos legais necessários para obtenção de benefício previdenciário
depende da análise da legislação previdenciária, motivo pelo qual não tem repercussão geral.
● Lembrar que, em regra, são proibidas as aposentadorias especiais, pois a CF prevê que a lei
não pode adotar requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos
beneficiários do regime geral. EXCETO: Lei complementar poderá prever critérios diferenciados
para pessoas que exercem atividade sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física E para segurados portadores de deficiência.
o Ficar ligado na SV-33 aqui.
o Vale ressaltar que a SV 33-STF somente trata sobre a aposentadoria especial
do servidor público baseada no inciso III do § 4º do art. 40 da CF/88 (atividades
sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física),
não abrangendo as hipóteses do incisos I (deficientes) e II (atividades de
risco). SV33= aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do
regime geral da previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o
artigo 40, § 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei
complementar específica. APOSENTADORIA ESPECIAL de SERVIDOR PÚBLICO.
▪ “No que couber”: Não se pode aplicar as regras de conversão do
tempo especial em tempo comum, previstas para os trabalhadores em
65 geral (RGPS), para os servidores públicos, considerando que a lei que
vier a ser editada regulamentando o art. 40, § 4º, III da CF/88 não
estará obrigada a conceder este fator de conversão aos servidores.
● Havia abono de permanência no RGPS, mas deixou de existir em 1994, pela lei 8870.
● Havia pecúlios (pagamento único, em certo valor, aos segurados e dependentes), sendo
devido, dentro outras hipóteses, ao segurado que se incapacitasse antes de ter completado o
período de carência.
● Segurado facultativo tem período de graça de SEIS MESES após deixar de contribuir.
● Somente o benefício que substitua o rendimento do trabalhador terá valor mínimo de um
salário mínimo.
o Não é o caso do auxílio-acidente, que serve como complemento à renda do
trabalhador e lhe é pago cumulativamente com o trabalho.
o Entretanto, o salário de benefício que serve de base para o cálculo do auxílio-
acidente não pode ser menor do que o salário mínimo, de modo que a renda
mensal do auxílio-acidente nunca pode ser menor do que meio salário
mínimo, já que sua RMI é 50% do SB. O salário-família é outro benefício cuja
renda é menor do que um SM.
● A alteração posterior da legislação sobre o cálculo da RMI não se aplica aos benefícios
anteriormente concedidos.
2.3.1. Segurados e dependentes
● Contribuinte individual não tem direito à aposentadoria por tempo de contribuição se optar
por recolher 11%. Se optar por recolher 20%, possui direito. O mesmo pode-se dizer do
facultativo e o contribuinte de baixa renda.
● O segurado deficiente poderá se aposentar com:
o Tempo de contribuição reduzido, de acordo com o grau de deficiência, ou;

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o Com idade reduzida, independentemente do grau de deficiência, aos 60 anos


se homem e 55 se mulher.
● Não é inconstitucional a inclusão de sócios e administradores de sociedades e titulares de
firmas individuais como contribuintes obrigatórios da previdência social. – São contribuintes
individuais. Súmula 466 STF. Inovação da EC 43
● Princípio da territorialidade de contribuição
o Empregado:
▪ Brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para
trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa
nacional no exterior.
▪ Presta serviço no BR à missão diplomática ou a repartição consular de
carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros
dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência
permanente no BR e o brasileiro amparado por legislação do país de
origem.
▪ O empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em
funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de
previdência social. ou trabalha no Brasil para a ONU
o Contribuinte individual:
▪ Brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo internacional
do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e
66 contratado, salvo quando coberto por RPPS. trabalha na ONU para a
União
● A previsão de área máxima de 4 módulos fiscais é só para agropecuária. Seringueiro e
extrativistas NÃO.
● O segurado especial fica excluído desta categoria quando tornar-se segurado obrigatório do
RPPS. Isso porque o segurado especial deve viver precipuamente sua atividade campesina.
● É vedada a filiação ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado
facultativo, de pessoa participante de regime próprio de previdência social, salvo na hipótese
de afastamento sem vencimento e desde que não permitida, nesta condição, contribuição ao
respectivo regime próprio
● Somente

2.4. Benefícios em espécie


Prestações Previdenciárias. Concessão. Suspensão. Cancelamento. Restabelecimento.
Cumulação de Benefícios. Abono anual. Prescrição e Decadência. Benefícios previdenciários.
Espécies. Aposentadorias, auxílios, salário-maternidade e pensão por morte. Aposentadoria
da pessoa com deficiência. Serviço social. Habilitação e reabilitação profissional.
 Regra Geral de aposentadoria:
o Aposentadoria por idade:
 Proporcional
 65 anos
 180 contribuições
 RMI: 70% + 1% a cada 12 meses.
 Reduz 5 anos para professor no tempo de contribuição
o Aposentadoria por tempo de contribuição: não exige idade.
 100% do salário de benefício + fator previdenciário.

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 35H 30M
 Para excluir fator cabe a regra 85/95
 Aqui reduz 5 anos para professor no tempo de contribuição

2.4.1. Aposentadoria por idade


● Aposentadoria por idade será devida desde:
o DER: desde que realizada a idade mínima e a carência.
o Empregado e doméstico: se dentro de 90 dias após o desligamento do
emprego, a data será o desligamento do emprego.
o Sem desligamento ou após 90 dias da extinção do vínculo: desde a DER
● A aposentadoria (compulsória) por idade pode ser requerida pela empresa, desde que o
segurado empregado tenha cumprido o período de carência e completado 70 anos de idade,
se do sexo masculino e 65 anos de idade, se do sexo feminino, caso em que deve ser garantida
ao empregado a indenização prevista na legislação trabalhista. Não é obrigatório pedir a
aposentadoria compulsória.
● A perda da condição de segurado não será considerada para a concessão da aposentadoria por
idade, desde que a pessoa conte, com no mínimo, o tempo de contribuição correspondente ao
exigido para efeito de carência na data do requerimento do benefício. ESTATUTO DO IDOSO.
o A concessão da aposentadoria por idade, por tempo de contribuição e especial
independe da manutenção da condição de segurado. Isto posto, basta que seja
67 preenchido os requisitos para se aposentar. Assim, seus dependentes terão
direito à pensão por morte.
● O STJ pacificou a tese da consolidação/congelamento da carência para aposentadoria por
idade àqueles inscritos antes de 24/07/91 (regra de transição – tabela do art. 142). Mesmo
que o segurado não tenha a carência exigida para a idade, pode cumpri-la posteriormente pelo
mesmo número de contribuições previstas para a respectiva idade.
● RMI: 70% + 1% a cada 12 contribuições. Logo, já começa com 85%. Se tiver 30 anos, será
100%.
● STJ: os efeitos financeiros do deferimento da aposentadoria devem retroagir à data do
primeiro requerimento administrativo, independentemente da adequada instrução do pedido.
Ou seja, se no primeiro requerimento ele tinha direito, mas foi negado por faltar um
documento, e posteriormente ele entrar com novo requerimento que demonstra que no
primeiro requerimento havia direito, os efeitos financeiros devem retroagir ao primeiro
requerimento.

2.4.1.1. Aposentadoria devida ao portador de deficiência (idade e tempo)


● Aposentadoria por idade: Deficientes também possuem redução de 5 anos para
aposentadoria por idade, desde que comprovem a deficiência, independentemente do seu
grau, pelo prazo de carência de 15 anos.
o 60 anos se homem, 55 se mulher + 15 anos de contribuição – Aposentadoria
por idade.
o RMI: 70% + 1% a cada 12.
● Aposentadoria por tempo de contribuição – varia conforme o grau de deficiência:
o Grave: 25 anos se homem, 20 se mulher.
o Moderado: 29 e 24;
o Leve: 33 e 28.
o RMI: 100% do SB.
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● A aplicação do fator previdenciário é sempre facultativa, em ambas aposentadorias.


● Perceba que o tempo de contribuição só varia na aposentadoria por tempo de contribuição.
Na aposentadoria por idade só há a redução de 5 anos para idade.
● É assegurada a contagem recíproca.
● Não se pude cumular a diminuição de atividade especial, em relação ao mesmo período, com a
redução pela deficiência.
● O período em atividade especial pode ser convertido para aposentadoria do portador de
deficiência, mas o contrário não.
● É possível reconhecer o surgimento de deficiência em data anterior à entrada em vigor da LC
123, de modo a majorar o benefício comum percebido pelo deficiente já aposentado por
aposentadoria comum, mas os efeitos financeiros não poderão retroagir. É uma hipótese de
desaposentação específica.
2.4.2. Aposentadoria por tempo de contribuição
● Foi assegurado o direito adquirido de todos os segurados que preencheram os requisitos para
a aposentadoria por tempo de contribuição até 28.11.1999 (publicação da lei do fator
previdenciário) ao cálculo da sua aposentadoria por tempo de contribuição sem a incidência
do fator previdenciário.
2.4.3. Pensão por morte
● Os menores tutelados e enteados, equiparam-se a filho mediante declaração do segurado e
comprovada dependência econômica.

68 ● Compete à Justiça Estadual – e não à Justiça Federal – processar e julgar ação que tenha por
objeto a concessão de pensão por morte decorrente de óbito de empregado ocorrido em
razão de assalto sofrido durante o exercício do trabalho.
● Art. 120. Nos casos de negligência quanto às normas padrão de segurança e higiene do
trabalho indicados para a proteção individual e coletiva, a Previdência Social proporá ação
regressiva contra os responsáveis.
● O art. 120 da Lei nº 8.213/91 prevê que "nos casos de negligência quanto às normas padrão de
segurança e higiene do trabalho indicados para a proteção individual e coletiva, a Previdência
Social proporá ação regressiva contra os responsáveis." Assim, este dispositivo autoriza que o
INSS proponha ação de regresso contra o ex-empregador pedindo o ressarcimento dos
valores que pagou e ainda irá pagar a título de pensão por morte. É possível aplicar este art.
120 para outros casos que não envolvam acidente de trabalho? SIM. O STJ decidiu que: É
possível que o INSS ajuíze ação regressiva contra o autor do homicídio pedindo o
ressarcimento dos valores pagos a título de pensão por morte aos filhos de segurada, vítima
de homicídio praticado por seu ex-companheiro. O art. 120 da Lei 8.213/91 não é numerus
clausus (taxativo) e, assim, não exclui a responsabilidade civil do causador do dano prevista no
art. 927 do CC
● Perde o direito à pensão por morte o cônjuge, o companheiro ou a companheira se
comprovada, a qualquer tempo, simulação ou fraude no casamento ou na união estável, ou a
formalização desses com o fim exclusivo de constituir benefício previdenciário, apuradas EM
PROCESSO JUDICIAL no qual será assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa
● Viúva que recebe pensão por morte de seu marido não deve pagar ao filho posteriormente
reconhecido em ação de investigação de paternidade a quota das parcelas recebidas antes da
sentença de reconhecimento da paternidade, em respeito à situação jurídica definitivamente
constituída. No caso concreto, a retroatividade da sentença esbarra em um obstáculo: o fato
de que as verbas previdenciárias recebidas pelo beneficiário ostentam caráter alimentar e
mostram-se irrepetíveis já que tem por objetivo garantir a subsistência, salvo má-fé.

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● O cônjuge separado de fato deverá demonstrar a dependência econômica.


● O cônjuge separado de fato que já recebia pensão alimentícia, concorre em igualdade de
condições com os dependentes do 16, I.
● STF/STJ: não há condição de dependente de segurado do concubino, pois se cuida de relação
paralela ao matrimônio.
● STJ: O reconhecimento de morte presumida para fins previdenciários não se confunde com a
declaração de ausência dos diplomas cíveis e processuais.
● STJ: compete à JF a ação judicial para reconhecer a morte presumida para fins de percepção de
pensão por morte.
● Em caso de prova do desaparecimento do segurado em consequência de acidente, desastre ou
catástrofe, seus dependentes farão jus à pensão provisória independentemente da declaração
de morte presumida e do prazo de 60 dias de ausência.
● Fica desobrigado os dependentes no caso de reaparecimento do segurado.
● No caso dos absolutamente incapazes, pois contra eles não correrá a prescrição, a
jurisprudência e o INSS entendem que o benefício será devido desde a data do falecimento,
mesmo que o requerimento seja protocolizado após 90 dias do óbito.
o Assim, no caso de paternidade reconhecida anos depois do absolutamente
incapaz (menor de 16), o menor pode pleitear todo valor retroativamente
desde a data do óbito.
o O que importa é que seja ABSOLUTAMENTE incapaz na data do óbito.
o Não haverá retroação se algum dependente já havia se habilitado, pois o INSS
69 não poderá pagar em duplicidade se não sabia da existência do menor que não
se habilitou a bom tempo.
● Súm 63 TNU: A comprovação de união estável para efeito de concessão de pensão por morte
prescinde de início de prova material.
● Súmula 416-STJ: É devida pensão por morte aos dependentes do segurado que, apesar de ter
perdido essa qualidade, preencheu os requisitos legais para a obtenção de sua
aposentadoria até a data do seu óbito.
o A concessão da aposentadoria por idade, tempo de contribuição e especial
independe da manutenção da condição de segurado. Isto posto, basta que seja
preenchido os requisitos para se aposentar. Assim, seus dependentes terão
direito à pensão por morte.
● Termo inicial da pensão por morte REGRA:
o Dependente levou menos de 90 dias para requerer: o termo inicial será a
data do ÓBITO. ·
o Dependente levou mais de 90 dias para requerer: o termo inicial será a data
do REQUERIMENTO.
● Termo inicial da pensão por morte - EXCEÇÃO:
o Se o dependente for MENOR, INCAPAZ ou AUSENTE, a pensão por morte será
devida desde a data do óbito, ainda que ela tenha sido requerida após 90 dias
da data do óbito.
o EXCEÇÃO DA EXCEÇÃO (volta para a regra): Ainda que o dependente seja
menor, a pensão por morte terá como termo inicial a data do requerimento
administrativo - e não a do óbito - na hipótese em que o benefício foi pedido
mais que 90 dias após o óbito, se a pensão já estava sendo paga integralmente
a outro dependente previamente habilitado. Não há direito à percepção de
pensão por morte em período anterior à habilitação tardia da dependente

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incapaz, no caso de seu pai já receber a integralidade do benefício desde o


óbito da instituidora.

● Súmula 336-STJ: A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à
pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica
superveniente.
● Ao menor sob guarda é garantido o direito à pensão por morte. O ECA deve prevalecer sobre a
modificação legislativa na Lei RGPS, em homenagem ao princípio da proteção integral e
preferência da criança e adolescente
● Súmula TNU 52: Para fins de concessão de pensão por morte, é incabível a regularização do
recolhimento de contribuições de segurado contribuinte individual posteriormente a seu
óbito, exceto quando as contribuições devam ser arrecadadas por empresa tomadora de
serviços. É vedada contribuição post mortem de contribuinte individual.
● A jurisprudência vem deferindo pensão por morte ao segurado que percebe auxílio-acidente e
não trabalha mais e nem contribui.
● STF: impossibilidade de revisão de pensão por morte cuja RMI antiga era inferior à 100%.
Mesmo argumento do auxílio-acidente: tempus regit actum.
● Deve ser reconhecido aos avós do segurado falecido o direito ao recebimento de pensão por
morte em razão de terem sido os responsáveis pela criação do neto, ocupando verdadeiro
papel de genitores, observada o requisito de dependência econômica.
● Para a concessão de pensão por morte, é possível a comprovação da união estável por meio de
70 ●
prova exclusivamente testemunhal.
O exercício de atividade remunerada, inclusive na condição de microempreendedor individual,
não impede a concessão da parte individual da pensão por morte PREVIDENCIÁRIA do
dependente com deficiência mental.
● Art. 112. O valor não recebido em vida pelo segurado só será pago aos seus dependentes
habilitados à pensão por morte ou, na falta deles, aos seus sucessores na forma da lei civil,
independentemente de inventário ou arrolamento. – Mesma coisa as verbas trabalhistas e o
FGTS depositado.
o Assim, em caso de falecimento do autor no curso de ação ou execução, os
dependentes habilitados na previdência social do autor falecido poderão
habilitar-se, comprovando o óbito e a condição de dependentes
previdenciários, mediante certidão fornecida pelo próprio INSS.
● O benefício cessará em:
o Filho e irmão: até os 21 anos, salvo se inválido ou tiver deficiência intelectual
ou mental ou deficiência grave.
o Filho e irmão inválido/deficiente: até a cessação da invalidez/deficiência.
▪ Ao dependente deficiente, não cessará a pensão por morte, bem
como não impede a sua concessão, ainda que ele exerça atividade
remunerada, inclusive na condição de MEI.
o Cônjuge ou companheiro se inválido ou com deficiência: cessação da
invalidez/deficiência, respeitado o período mínimo de 4 meses
▪ Se permanecer inválido, não importa se verteu menos de 18
contribuições ou se estão juntos a menos de 2 anos. A pensão
permanecerá enquanto persistir a condição incapacitante.
o Se verteu menos de 18 contribuições ou possui menos de 2 anos de união
estável ou casamento, cessa em 4 meses . EXCEÇÕES

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a) Prazo indefinido: se o cônjuge sobrevivente for inválido ou


deficiente.
b) Conforme a tabela abaixo: se a morte ocorrer por acidente de
qualquer natureza.
o Cônjuge:
▪ Mais de 18 contribuições e pelo menos 2 anos de casado OU
ACIDENTE de qualquer natureza.
o No caso de invalidez/deficiência, respeita-se o período
mínimo.
● 3 anos: com menos de 21 anos de idade.
● 6 anos: entre 21 e 26 anos de idade.
● 10 anos: entre 27 e 29 anos de idade.
● 15 anos: entre 30 e 40 anos de idade.
● 20 anos: entre 41 e 43 anos de idade.
● Vitalícia: com 44 ou mais anos de idade.
No
● Defere-se pensão por morte ao cônjuge homem, independentemente de ser válido ou
inválido, quando sua morte ocorreu anteriormente à CF 88. Antes da Lei 8213 só deferia aos
maridos inválidos. Aí o STF mandou pagar a todos a partir da promulgação da CF em 88.
Posteriormente reviu seu entendimento e mandou pagar ainda que a morte seja anterior à 88.
Princípio da isonomia. Afronta ao exigir invalidez de cônjuge varão supérstite.
71 ● Súmula 336-STJ: A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à
pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica
superveniente.
o Relendo: A pessoa que não exerceu o direito à prestação alimentícia na
separação judicial, no divórcio, na dissolução de união estável ou de relação
homoafetiva, terá direito à pensão por morte em decorrência do falecimento
do respectivo segurado, desde que demonstrada a necessidade econômica
superveniente, até a data do óbito, através da prestação de alimentos in
natura, ou de qualquer outro auxílio substancial que conduzisse à dependência
econômica.
● O agente que praticou ilícito do qual resultou morte do segurado deve ressarcir as despesas
com o pagamento do benefício previdenciário, mesmo que não se trate de acidente de
trabalho. Logo, o INSS pode impetrar ação regressiva contra os responsáveis pela causa mortis.
● O menor sob guarda tem direito à concessão do benefício de pensão por morte do seu
mantenedor, comprovada sua dependência econômica, nos termos do art. 33, § 3º do Estatuto
da Criança e do Adolescente, ainda que o óbito do instituidor da pensão seja posterior à
vigência da Medida Provisória 1.523/96, reeditada e convertida na Lei n. 9.528/97. Funda-se
essa conclusão na qualidade de lei especial do Estatuto da Criança e do Adolescente
(8.069/90), frente à legislação previdenciária.
2.4.4. Auxílio-doença e aposentadoria por invalidez
● Acréscimo de 25% nos benefícios, para necessidade de assistência permanente de terceiros:
por enquanto, é só na aposentadoria por invalidez que se defere. STJ tem entendido que não
cabe estender aos outros benefícios, no mesmo sentido, a TNU. Importante ressaltar que,
atualmente, o tema está afetado sob a sistemática dos recursos repetitivos no STJ, tema 982,
suspenso todos os processos no território nacional.

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o Ao julgar recurso repetitivo (Tema 982) sobre o assunto, a seção fixou a


seguinte tese: "Comprovada a necessidade de assistência permanente de
terceiro, é devido o acréscimo de 25%, previsto no artigo 45 da Lei
8.213/1991, a todas as modalidades de aposentadoria.” A situação de
vulnerabilidade e necessidade de auxílio permanente pode acontecer com
qualquer segurado do INSS 22/08/2018
o O pagamento do adicional cessará com a morte do aposentado, o que
confirma o caráter assistencial do acréscimo.
o Os 25% somados ao benefício podem ultrapassar o TETO do RGPS.
● Férias e auxílio-doença: não tem direito a férias o empregado que, no curso do período
aquisitivo tiver recebido por mais de 6 meses prestações de acidente de trabalho ou de
auxílio-doença, embora descontínuos.
● Não encontra previsão legal a exigência de comprovação de que o segurado esteja
completamente incapaz para o exercício de qualquer trabalho para concessão do benefício de
auxílio-doença.
● O segurado aposentado por tempo de serviço que sofreu, após retornar à atividade laboral (SE
FOR ACIDENTE DOMÉSTICO, SEM TRABALHAR, NÃO TEM DIREITO), acidente de trabalho que
lhe causou absoluta incapacidade, gerando a necessidade da assistência permanente de outra
pessoa, tem direito à transformação da aposentadoria por tempo de serviço em
aposentadoria por invalidez e, com a conversão, ao recebimento do adicional de 25%
descrito no art. 45 da Lei n. 8.213/1991 a partir da data de seu requerimento administrativo.
72 ● Súmula 72 TNU: é possível o recebimento de benefício por incapacidade durante período em
que houve exercício de atividade remunerada quando comprovado que o segurado estava
incapaz para as atividades habituais na época em que trabalhou.
● O STJ entendeu ser ilegal a alta programada para segurados do INSS, uma vez que é necessária
perícia para verificar se houve a cessação da incapacidade.
o ATENÇÃO: Lei alterada em 2017 após o julgamento superou o entendimento.
Agora é possível o INSS fixar o prazo que entender cabível e, não fixando, será
de 120 dias, salvo se o beneficiário requerer sua prorrogação perante o INSS.
Artigo 60, §8 e §9.
● Súmula 26 da AGU: Para concessão de benefício por incapacidade, não será considerada a
perda da qualidade de segurado decorrente da própria moléstia incapacitante.
o O Período de Graça não corre.
o STJ: o segurado que deixa de contribuir para a Previdência Social, por estar
incapacitado para o labor, não perde a qualidade de segurado.
o Deve-se avaliar se na DII ainda havia manutenção da qualidade de segurado.
● O empregado beneficiário de auxílio-doença que tiver o benefício cessado e for acometido
novamente da doença incapacitante, dentro de 60 dias da cessação, desobriga a empresa de
arcar com os 15 primeiros dias, considerando-se como prorrogação do benefício e
descontando-se do benefício os dias trabalhados, se for o caso.
● A DIB de auxílio-doença que não se consegue aferir a Data de Início da Incapacidade será a
citação, quando não for possível retroagir à data do requerimento administrativo. STJ.
● Nos 15 dias de pagamento de auxílio-doença pelo empregador, o STJ entende que possui
natureza indenizatória, motivo pelo qual é isento de contribuição previdenciária.
● § 3º Se o segurado empregado, por motivo de doença, afastar-se do trabalho durante quinze
dias, retornando à atividade no décimo sexto dia, e se dela voltar a se afastar dentro de
sessenta dias desse retorno, em decorrência da mesma doença, fará jus ao auxílio doença a
partir da data do novo afastamento. § 4º Na hipótese do § 3º deste artigo, se o retorno à
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atividade tiver ocorrido antes de quinze dias do afastamento, o segurado fará jus ao auxílio-
doença a partir do dia seguinte ao que completar os quinze dias de afastamento, somados os
períodos de afastamento intercalados. (Feito para não prejudicar o empregador em razão de
atestados picotados)
● ATENÇÃO: O auxílio-doença do segurado que exercer mais de uma atividade abrangida pela
previdência social será devido mesmo no caso de incapacidade apenas para o exercício de uma
delas, devendo a perícia médica ser conhecedora de todas as atividades que o segurado
estiver exercendo.
o Nesse caso, o auxílio-doença será concedido em relação à atividade para a
qual o segurado estiver incapacitado, considerando-se para efeito de carência
somente as contribuições relativas a essa atividade.
o Quando o segurado que exercer mais de uma atividade e se incapacitar
definitivamente para uma delas, deverá o auxílio-doença ser mantido
indefinidamente, não cabendo sua transformação em aposentadoria por
invalidez, enquanto essa incapacidade não se estender às demais atividades.
o O valor poderá ser inferior ao salário mínimo, desde que somado às demais
remunerações recebidas resultar um valor superior ao salário mínimo.
● A concessão da aposentadoria por invalidez deve considerar não apenas os elementos
previstos no art. 42 da Lei nº 8.213/91, mas também aspectos socioeconômicos, profissionais e
culturais do segurado, ainda que o laudo pericial tenha concluído pela incapacidade somente
parcial para o trabalho.

73 Em hipótese de doença com estigma social, como AIDS e obesidade mórbida, ainda que não
tenha sido reconhecida a incapacidade do requerente para sua atividade pessoal, o julgador
PODE analisar as condições pessoais e sociais para concessão de benefício por incapacidade.
o Súmula 78 da TNU: Comprovado que o requerente de benefício é portador do
vírus HIV, cabe ao julgador verificar as condições pessoais, sociais, econômicas
e culturais, de forma a analisar a incapacidade em sentido amplo, em face a
elevada estigmatização social da doença.
● Ao portador de HIV, constatada a incapacidade laboral, porém, capacidade para vida
independente, não pode obstar a percepção de LOAS, pois o benefício não pode ser concedido
só quando o indivíduo não pudesse se locomover, o que não parece ser o intuito do legislador.
● Se a incapacidade surgir posteriormente ao requerimento administrativo, o termo inicial do
benefício por incapacidade concedido judicialmente deverá ser fixado na data da citação
● O benefício por incapacidade conta como salário-de-contribuição. MAS, o afastamento
contínuo da atividade sem contribuição não pode ser considerado como carência para calcular
aposentadoria por invalidez precedida de auxílio-doença. Só conta se for intercalado com
trabalho, pois senão estaria a se admitir irrazoavelmente a contagem ficta. Assim, para ser
contabilizado, deve haver período de trabalho entre os benefícios. Súmula 73 da TNU.
o Logo: desde que tenha sido intercalado com o exercício de atividade
laborativa, o período em que o segurado se beneficiar de auxílio-doença ou
aposentadoria por invalidez deverá ser considerado para fins de cômputo de
carência e para o cálculo do tempo de contribuição na concessão de
aposentadoria por invalidez, conforme entendimento do STF. – Súmula 73 da
TNU.
o ATENÇÃO: no caso de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez decorrente
de acidente de trabalho, é desnecessário que sejam intercalados por períodos
contributivos, sendo contabilizados como carência e tempo de contribuição.

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● STJ: é possível considerar, além dos elementos legais, os aspectos socioeconômicos,


profissionais e culturais do segurado, ainda que o laudo pericial tenha concluído pela sua
incapacidade apenas parcial para o trabalho.
● O magistrado não está vinculado à prova pericial e pode concluir pela incapacidade laboral
levando em conta os aspectos socioeconômicos, profissionais e culturais do segurado.
● SÚM. TNU 47: uma vez reconhecida a incapacidade parcial para o trabalho, o juiz deve analisar
as condições pessoais e sociais do segurado para a concessão de aposentadoria por invalidez.
● A previdência social deverá processar de ofício o benefício quando tiver ciência da
incapacidade do segurado sem que este tenha requerido auxílio-doença.
● Os empregados serão considerados como licenciado, conforme o artigo 476 da CLT.
● A empresa que garantir ao segurado licença remunerada ficará obrigada a pagar-lhe durante o
período de auxílio-doença a eventual diferença entre o valor deste e a importância garantida
pela licença.
● Em caso de benefício oriundo de acidente, o empregado terá garantido, pelo prazo mínimo de
doze meses, a manutenção de seu contrato de trabalho na empresa, independentemente de
percepção de auxílio-acidente. Art. 118 da lei 8213. NÃO ESTENDIDO AO DOMÉSTICO.
● Exceções/dispensa de carência: em ap. invalidez e aux. doença, independe de carência
quando a moléstia decorrer de acidente de qualquer natureza ou de doença profissional ou
do trabalho, bem como nos casos que, após filiar-se ao RGPS, for acometido de alguma
doença da lista do Min. Da Saúde.
2.4.5. Auxílio-acidente
74 ● Súmula 507-STJ: A acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria pressupõe que a lesão
incapacitante e a aposentadoria sejam anteriores a 11/11/1997, observado o critério do art. 23
da Lei nº 8.213/1991 para definição do momento da lesão nos casos de doença profissional ou
do trabalho.
● O auxílio-acidente é devido no caso de acidentes de qualquer natureza, independentemente
de carência.
● É vedada sua percepção com qualquer APOSENTADORIA.
● Súmula 226 STJ: O MP tem legitimidade para recorrer na ação de acidente do trabalho, ainda
que o segurado esteja assistido por advogado, haja vista o interesse público.
● Comunicação de acidente do trabalho à Previdência Social é exclusivamente responsabilidade
do empregador.
● Único benefício que possui natureza exclusivamente indenizatória.
● Deve ocorrer a
o Perda funcional para o trabalho que o segurado habitualmente desenvolvia
OU
o Impossibilidade de desempenho da atividade que exercia a época do
acidente, porém, permita o processo de reabilitação profissional.
● STJ: tem entendido que é caso de deferir o benefício mesmo no caso de reversibilidade da
lesão acidentária, entendendo que a irreversibilidade da moléstia não constitui requisito legal
para a concessão de auxílio acidente.
o Se o acidente causar incapacidade total e permanente, será cabível
aposentadoria por invalidez, e não auxílio-acidente, firmando a tese: será
devido o auxílio-acidente quando demonstrado o nexo de causalidade entre
a redução de natureza permanente da capacidade laborativa e a atividade
profissional desenvolvida, sendo irrelevante a possibilidade de
reversibilidade da doença.

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● Quem tem direito: empregado doméstico, empregado, segurado especial e trabalhador


avulso.
o Contribuinte individual NÃO.
o 50% do salário-de-benefício, podendo ser inferior ao salário mínimo.
o Não é só para acidente de trabalho (justiça estadual), podendo ser para outros
acidentes (justiça federal).
o Será devido o auxílio-acidente quando demonstrado o nexo de causalidade
entre a redução de natureza permanente da capacidade laborativa e a
atividade profissional desenvolvida, sendo irrelevante a possibilidade de
reversibilidade da doença.
o Acumula-se com outros benefícios ou salários, exceto aposentadoria.
o Súmula 75: só é possível acumular auxílio-acidente e aposentadoria antes de
11/11/97.
o A perda da audição, em qualquer grau, somente proporcionará a concessão do
auxílio-acidente, quando, além do reconhecimento de causalidade entre o
trabalho e a doença, resultar, comprovadamente, na redução ou perda da
capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. Isto é, “não será
qualquer acidente que ensejará o pagamento do auxílio-acidente em razão da
perda da audição, mas apenas os decorrentes de acidente de trabalho e
equiparados”
● Nas demandas ajuizadas pelo INSS contra o empregador do segurado falecido em acidente
laboral, visando ao ressarcimento dos valores decorrentes do pagamento da pensão por
75 morte, o termo inicial da prescrição quinquenal é a data da concessão do referido benefício.
Só com o pagamento do benefício é que surge o direito da autarquia, conforme a teoria da
actio nata.
● ACIDENTE DO TRABALHO: doença profissional ou doença do trabalho.
o Doença profissional: produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho
PECULIAR a determinada atividade e constante da respectiva relação
elaborada pelo MTPS. (doença típica, idiopatia, própria de determinado tipo
de atividade)
o Doença do trabalho: adquirida ou desencadeada em função de condições
especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente,
também constante da relação elaborada pelo MTPS. (mesopatia, moléstia
comum, que pode atingir qualquer pessoa)
● SE a doença não estiver incluída como profissional ou do trabalho, mas que tenha resultado
das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relacione diretamente, o
INSS deverá considerá-la como acidente do trabalho.
● ATENÇÃO! O auxílio-acidente não integra o salário-de-contribuição (não é tributado) para fins
de cálculo da contribuição. Mas TÃO SOMENTE para fins de cálculo do salário-benefício de
qualquer aposentadoria. Assim, há consideração do valor para fins do cálculo de salário-
benefício, de modo a elevar a futura aposentadoria, MAS, não incidirá contribuição.
o Considera-se contribuição para fins de cálculo do SB.
● STJ: para a concessão de auxílio-acidente fundamentado na perda de audição, é necessário
que a sequela seja ocasionada por acidente de trabalho e que haja uma diminuição efetiva e
permanente da capacidade para a atividade que o segurado habitualmente exercia.
o STJ 44: a definição, em ato regulamentar, de grau mínimo de disacusia
(problema auditivo), não exclui, por si só, a concessão do benefício
previdenciário.

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● STJ: não havendo concessão de auxílio-doença, bem como ausente prévio requerimento
administrativo para a percepção do auxílio-acidente, o termo a quo para recebimento do
auxílio-acidente é a data da citação do INSS.
● Não é possível acumular dois: Caso surja direito a um novo benefício de auxílio acidente, é
vedada a percepção de dois, de modo que será mantido o benefício mais vantajoso em relação
à RMI.
● STF/AGU/TNU: incabível revisão de benefícios antigos concedidos com RMI menor ao atual,
50%, em homenagem ao princípio tempus regit actum.
● O segurado especial, cujo acidente ou moléstia é anterior à vigência da Lei n. 12.873/2013, que
alterou a redação do inciso I do artigo 39 da Lei n. 8.213/1991, não precisa comprovar o
recolhimento de contribuição como segurado facultativo para ter direito ao auxílio-acidente.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.361.410-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 08/11/2017
(recurso repetitivo) (Info 619). Obs: depois da Lei nº 12.873/2013 o segurado especial continua
tendo direito ao auxílio-acidente sem precisar comprovar o recolhimento de contribuição
como segurado facultativo. Assim, a tese seria melhor redigida se afirmasse o seguinte: O
segurado especial, seja antes ou depois da Lei nº 12.873/2013, tem direito ao auxílio-acidente
sem precisar comprovar o recolhimento de contribuição como segurado facultativo

2.4.6. Aposentadoria especial


● Na hipótese de atividades concomitantes sob condições especiais, no mesmo ou em outro
vínculo empregatício, será considerada aquela que exigir menor tempo para a aposentadoria
76 especial.
● STJ: o rol de agentes nocivos é exemplificativo.
● Não há presunção de atividade como especial, exigindo-se efetiva demonstração em concreto
da exposição do segurado aos agentes nocivos à saúde. Assim, a concessão de aposentadoria
especial exige a comprovação da exposição efetiva, habitual e permanente do segurado aos
agentes agressivos, não sendo suficiente apenas o seu enquadramento em determinada
categoria profissional.
● Atividades exercidas até 2/12/1998 são tidas como especiais, mesmo que a informação sobre
o uso de equipamento de proteção individual (EPI) eficaz conste no Perfil Profissiográfico
Previdenciário (PPP)
● SAT: alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo
grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de
risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
● Conforme a jurisprudência atual do STF, o fornecimento de equipamento de proteção
individual – EPI – realmente eficaz ao empregado afasta o direito ao benefício da
aposentadoria especial (REGRA), uma vez que o equipamento foi capaz de neutralizar a
nocividade do agente.
o (EXCEÇÃO) Todavia, o mesmo entendimento não se aplica quando se tratar de
exposição do trabalhador a ruído acima dos limites de tolerância, ainda que
fazendo uso de EPI.
● STJ/TNU: É possível a realização de perícia indireta, por similaridade, em casos em que as
empresas nas quais a parte autora trabalhou estiverem inativas, sem representante legal e não
existirem laudos técnicos ou formulários que possam comprovar condições de insalubridade,
que ensejem o reconhecimento de tempo especial de serviço.

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● SUM 82 TNU Categorias profissionais que possuem direito à aposentadoria especial: Além dos
profissionais da saúde, contempla os trabalhadores que exercem atividades de serviços gerais
em limpeza e higienização de ambientes hospitalares.
● Em aposentadoria especial inexiste diferença entre homens e mulheres, sendo 100% do SB,
não incide fator previdenciário.
● O aposentado especial que retornar à atividade especial terá o benefício suspenso. A lei não
veda o retorno à atividade comum.
● Aposentadoria especial segundo o texto de lei, é concedido ao empregado, trabalhador avulso
e contribuinte individual somente se cooperado filiado à cooperativa de trabalho ou de
produção. Isto porque somente nesses casos há a respectiva fonte de custeio prévia. (GILRAT).
Atenção, o STJ considerou o artigo 64 do RPS ilegal, motivo pelo qual é cabível o benefício ao
contribuinte individual.
o Essa menção de “somente se cooperado e filiado à cooperativa existe em
virtude do fato de que apenas quanto à contratação do contribuinte individual
descrito, há a previsão de incidência da contribuição do 22, II, da 8212, que
financia a aposentadoria especial (§6º, art. 57, lei 8213)
o Não há vedação legal para contribuinte individual, desde que comprove a
exposição a agentes nocivos à saúde ou à integridade física. Neste sentido é a
súmula 62 da TNU. Alguns divergem aqui. Acompanhar essa tese em prova!
● A atividade especial é considerada como tempo de trabalho permanente, não ocasional nem
intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do
77 segurado.
o SUM 49 TNU: a exposição aos agentes nocivos à saúde ou integridade física
não precisa ocorrer de forma permanente.
● ATENÇÃO: considera-se como atividade especial os períodos de descanso, férias, afastamento
decorrentes de gozo de benefícios de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez
acidentária, percepção de salário-maternidade, desde que, à data do afastamento, o segurado
estivesse exercendo atividade considerada especial.
● SUM 68 TNU: o laudo pericial não contemporâneo ao período trabalhado é apto à
comprovação da atividade especial do segurado.
● SUM 55 TNU A conversão do tempo de atividade especial em comum deve ocorrer com
aplicação do fator multiplicativo em vigor na data da concessão da aposentadoria.
o ATENÇÃO Exceção ao tempus regit actum, pois não considera o fator
multiplicativo vigente na época da atividade laboral.
o ATENÇÃO: a atividade exercida como especial é disciplinada pela lei vigente à
época da prestação do serviço, passando a integrar, como direito adquirido, o
patrimônio jurídico do trabalhador, não se aplicando retroativamente a
legislação nova restritiva.
● SUM 50 TNU: é possível a conversão do tempo de serviço especial em comum do trabalho
prestado em qualquer período.
o ATENÇÃO: não se converte tempo comum em especial, a partir de 1995.
● Atividade especial: acima de 80 decibéis até 1997. De 97 a 2003, 90 decibéis. De 2003 em
diante, 85 decibéis.
● APOSENTADORIA ESPECIAL AO DEFICIENTE:
o Não incide fator previdenciário. Só se for benéfico ao deficiente.
o A renda é 100% do SB.

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o Há redução em cinco anos na idade para o deferimento do benefício de


aposentadoria por idade. (se benéfico ao deficiente e independentemente do
grau de deficiência.
● Se, no momento do pedido administrativo de aposentadoria especial, o segurado já tiver
preenchido os requisitos necessários à obtenção do referido benefício, ainda que não os tenha
demonstrado perante o INSS, o termo inicial da aposentadoria especial concedida por meio
de sentença será a data do aludido requerimento administrativo, e não a data da sentença.

2.4.7. Professores e aposentadoria


● STF: a função de magistério não se circunscreve apenas ao trabalho em sala de aula,
abrangendo também a preparação de aulas, a correção de provas, o atendimento aos pais e
alunos, a coordenação e o assessoramento pedagógico e, ainda, a direção de unidade escolar.
● Fica excluída da atividade de magistério os especialistas em educação, vez que não se tratam
de professores, pois não são habilitados a dar aula.
● A súmula 726 está superada.
● No Regime Próprio: há a redução de 5 anos na IDADE e no TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO para a
aposentadoria integral por idade, para o professor que comprove exclusivamente tempo de
efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil.
● No Regime Geral: há a redução somente do tempo de contribuição.
● O fator previdenciário incide na aposentadoria por tempo de contribuição diferenciada do

78 professor, salvo em relação ao beneficiário que tenha adquirido o direito à aposentadoria


antes da edição da Lei n.º 9876/99. A aposentadoria só tem direito à benesse de redução de 5
anos, aplicando-se o fator previdenciário. Novo entendimento da TNU
o A EC 18/81 exclui a atividade de professor de atividade penosa, passível de
aposentadoria especial. Com a CF 88, o professor somente tem direito a
redução de 5 anos no período de contribuição, não havendo afastamento da
aplicação do fator previdenciário, ressalvados os casos em que o segurado
tenha completado tempo suficiente para a concessão do benefício antes da Lei
9876/99.
 Não é possível a conversão do tempo de exercício de magistério para qualquer espécie de
benefício, salvo se implementou todas as condições até 29 de julho de 81 (EC18/81).

2.4.8. Auxílio-reclusão
● O recluso que trabalhar e contribuir ao RGPS o fará como segurado facultativo.
● O preso não tem direito a auxílio-doença e aposentadoria durante a percepção, pelos
dependentes, do auxílio-reclusão, ainda que, nessa condição, contribua como contribuinte
individual ou facultativo. Mas é PERMITIDA a opção, desde que manifestada, também, pelos
dependentes, ao benefício mais vantajoso.
● Os dependentes de segurado preso em regime fechado ou semiaberto fazem jus ao auxílio-
reclusão ainda que o condenado passe a cumprir pena em prisão domiciliar.
● É possível a concessão de auxílio-reclusão aos dependentes do segurado que recebia salário de
contribuição pouco superior ao limite estabelecido como critério de baixa renda pela
legislação da época de seu encarceramento. Assim, é possível a concessão do auxílio-reclusão
quando o caso concreto revelar a necessidade de proteção social, permitindo ao julgador a
flexibilização do critério econômico para deferimento do benefício pleiteado, ainda que o
salário de contribuição do segurado supere o valor legalmente fixado como critério de baixa
renda no momento de sua reclusão.
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● Na análise de concessão do auxílio-reclusão, o fato de o recluso que mantenha a condição de


segurado pelo RGPS estar desempregado ou sem renda no momento em que foi preso
demonstra que ele tinha “baixa renda”, independentemente do valor do último salário de
contribuição. O critério econômico da renda deve ser aferido no momento da reclusão, pois é
nele que os dependentes sofrem o baque da perda do provedor. Se, nesse instante, o
segurado estava desempregado, presume-se que se encontrava em baixa renda, sendo,
portanto, devido o benefício a seus dependentes.
● Para a concessão de auxílio-reclusão (art. 80 da Lei n. 8.213/1991), o critério de aferição de
renda do segurado que não exerce atividade laboral remunerada no momento do
recolhimento à prisão é a ausência de renda, e não o último salário de contribuição. (STJ, info
618, fev/2018)
2.4.9. Salário-maternidade
● Na própria lei 8213, há prorrogação de salário-maternidade, por mais duas semanas nos
períodos anteriores e posteriores, ou seja 14 antes e 14 depois, mediante atestado médico
específico, em casos excepcionais.
● Poderá o benefício ser requerido em 5 anos a contar da data do parto (prescrição), haja vista a
ausência de fixação de prazo máximo para o seu requerimento.
● A lei 8213 foi alterada no artigo 71-A, garantindo o salário-maternidade na adoção ou guarda
judicial para fins de adoção por 120 dias, independentemente da idade da criança. Foi
estendido aos homens segurados da Previdência.
● No gozo do salário-maternidade, o empregador só recolhe a cota patronal, uma vez que o
79 patrão não efetua o pagamento do salário, e sim o INSS.
● O salário-maternidade tem natureza salarial, e incide contribuição PATRONAL e o INSS
recolherá a parte do empregado.
● Devido a todas seguradas, sem exceção.
● A RMI é calculada conforme determinado em lei, pois substitui a remuneração. Assim, não se
calcula com base no salário de benefício.
● Considera-se parto o evento que gera certidão de nascimento ou certidão de óbito.
● Em caso de aborto não criminoso a segurada terá direito ao benefício por duas semanas.
● A segurada aposentada (por idade ou tempo de contribuição) que retorna à atividade fará jus
ao salário maternidade.
● Não se aplica o teto do RGPS ao salário maternidade, no caso de empregada e avulsa, mas se
aplica o teto do STF para percepção. Ainda, salário maternidade é considerado para fins de
salário-contribuição, devendo incidir contribuição sobre ele. Já auxílio-acidente só é
considerado para fins de salário-benefício, não sendo considerado como salário-contribuição
(não tributa).
● O salário-maternidade é o único benefício considerado como salário-contribuição para fins de
cálculo e incidência da contribuição.
o O salário-paternidade é ônus da empresa, não se trata de benefício
previdenciário. Logo, sendo verba de natureza salarial, a jurisprudência diz que
incide contribuição sobre o salário paternidade.
o O pagamento de indenização trabalhista à empregada demitida sem justa
causa, em valor comprovadamente correspondente a todos os salários
relativos ao período em que a gestante gozaria de estabilidade, exclui a
necessidade de concessão o benefício de salário-maternidade.
o O salário maternidade é pago pelo empregador, MAS, compensado em
contribuições, sendo ARCADO pela PREVIDÊNCIA.

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● STJ em caso de demissão sem justa causa durante a gestação, é do INSS – e não do
empregador – a responsabilidade pelo pagamento do salário-maternidade à segurada
demitida sem justa causa durante a gestação.
● Com o objetivo de aliviar o MEI, o salário-maternidade da segurada empregada é pago
diretamente pelo INSS.
● O não preenchimento do requisito etário exigido para filiação ao RGPS como segurado especial
não constitui óbice à concessão de salário-maternidade a jovem menor de 16 anos impedida
de exercer trabalho rural em economia familiar.
● O salário-maternidade não poderá ser cumulado com benefício por incapacidade, vez que os
dois são criados para substituir a remuneração.
● Durante o período de graça é cabível salário-maternidade.
● Súmula 45 TNU: o salário-maternidade deve receber correção monetária desde à época do
parto, independentemente da data do requerimento administrativo.
● Entende-se que é possível conceder salário-maternidade para trabalhadoras rurais menores de
16 anos, vez que são consideradas seguradas-especiais. O mesmo pode-se dizer para indígenas
(em provas de PGF defender que não)
2.4.10. Salário-família
 Objetiva complementar as despesas domésticas com os filhos menores de 14 anos de idade
ou inválidos de qualquer idade.
 Devido aos enteados ou tutelados menores de 14 anos, sendo necessário a comprovação de
dependência econômica, que não é presumida.
80  É pago em 2 cotas fixas que serão atualizadas anualmente.
 Quem faz jus: empregado, trabalhador avulso, aposentado por invalidez ou por idade com
mais de 65H e 60M, na qualidade de empregado, empregado doméstico e avulso. Empregado
doméstico passou a ter direito com a LC 150.
 É pago na percepção do auxílio-doença e salário-maternidade.
 Deve haver baixa renda, conforme fixado pelo artigo 13 da EC 20/98.
 Inexiste carência. Não há cálculo.
 É possível a percepção de dois salários-família, em razão do mesmo filho, desde que ambos
os pais sejam responsáveis pelo mesmo infante e se caracterizem individualmente como baixa
renda.
 A empresa efetua o pagamento, efetivando-se a compensação quando do recolhimento das
contribuições, conforme regulamento
 Exige-se apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória; comprovação semestral de
frequência à escola do filho ou equiparado. Não exigido para empregado doméstico, devendo
só apresentar certidão de nascimento.

2.5. Aposentadoria rural – Segurado Especial


● Segurado Especial: pessoa física, residente em imóvel rural ou em aglomerado urbano ou rural
próximo a ele que, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com auxílio
eventual de terceiros, a título de mútua colaboração, na condição de produtor, seja
proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado, parceiro ou meeiro outorgados, comodatário,
ou arrendatário rurais, que explore atividade:
o Agropecuária em área de até 4 módulos FISCAIS, e não módulos RURAIS.
o Seringueiro ou extrativista vegetal como principal meio de vida, não
importando o tamanho da área.

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o Pescador artesanal, que faça da pesca profissão habitual ou principal meio de


vida. Aqui se enquadra os que exercem atividade auxiliar à de pesca,
lembrando que estes últimos não possuem direito ao seguro-defeso.
o Cônjuge, filho maior de 16 anos, que trabalhem com a família.
o ATENÇÃO: extração mineral – garimpo, é contribuinte individual, e não
segurado especial, entretanto, ele possui a redução de 5 anos previsto na
Constituição.
o Quem pode ser: empregado rural, esporádico/eventual (contribuinte
individual), o avulso rural e o segurado especial.
o O ÍNDIO pode ser considerado segurado especial. O estatuto do índio diz que
não haverá discriminação entre trabalhadores indígenas e os demais
trabalhadores, aplicando-se-lhes todos os direitos e garantias das leis
trabalhistas e de previdência social.
▪ Cabe à FUNAI expedir a certidão de que índio se enquadra como
trabalhador rural – segurado especial, a qual deverá ser homologada
pelo INSS.
▪ São irrelevantes as definições de indígena aldeado, indígena não-
aldeado, índio em vias de integração, índio isolado ou índio integrado,
desde que exerça a atividade rural em regime de economia familiar e
faça dessa atividade o principal meio de vida e de sustento.
o Boia-fria: em regra, era para ser contribuinte individual, pois não é segurado
especial nem trabalhador avulso. Porém, a jurisprudência diz que “o
81 trabalhador rural boia fria, diarista, ou volante é equiparado ao segurado
especial, de modo que não se exige a demonstração de contribuições para
haver o benefício de aposentadoria rural por idade.” – ATENÇÃO:
JURISPRUDÊNCIA NÃO PACÍFICA, portanto, em questões de concurso,
defender apenas que: em regra, não são segurados especiais e nem
trabalhadores avulsos, uma vez que não há relação de emprego nem
intermediação de serviço pelo sindicato.
● Súmula 577-STJ: É possível reconhecer o tempo de serviço rural anterior ao documento mais
antigo apresentando, desde que amparado em convincente prova testemunhal colhida sob o
contraditório.
● Fica assegurado: aposentadoria por idade, por invalidez, auxílio-doença, auxílio-reclusão,
auxílio-acidente.
o Todos os benefícios, se recolher facultativamente ao RGPS.
o Salário-maternidade: comprovar exercício de atividade rural nos 12 meses
imediatamente anteriores.
● A prova exclusivamente testemunhal é insuficiente para comprovação da atividade laborativa
do trabalhador rural “boia-fria”, sendo indispensável que ela venha corroborada por razoável
início de prova material, conforme exige o art. 55, § 3º, da Lei nº 8.213/1991.
● Súmula 6-TNU: A certidão de casamento ou outro documento idôneo que evidencie a condição
de trabalhador rural do cônjuge constitui início razoável de prova material da atividade
rurícola.
● Não é necessário o recolhimento de contribuições previdenciárias relativas ao exercício de
atividade rural anterior à Lei nº 8.213/1991 para fins de concessão de aposentadoria urbana
pelo Regime Geral da Previdência Social, salvo em caso de mudança de regime previdenciário,
do geral para o estatutário. (Contagem recíproca de RURAL  RPPS)

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● Contagem recíproca de trabalhador RURAL que passa para RPPS: deve indenizar todo o
período trabalhado. A contagem recíproca não aceita sem contribuir.
● Trabalho rural de menor de idade. SUM 5 TNU: A prestação de serviço rural por menor de 12
a 14 anos, até o advento da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, devidamente comprovada, pode
ser reconhecida para fins previdenciários.
● Aposentadoria híbrida: pode ser concedida tanto para trabalhador urbano que queira
computar o período rural; quanto para trabalhador rural que queira computar período urbano.
Nestes casos não se aplica a redução de 5 (cinco) anos de idade para os trabalhadores rurais.
● Não se computa para EFEITO DE CARÊNCIA, o trabalho rural para APOSENTADORIA POR
IDADE.
o Computa-se como tempo de contribuição para fins de APOSENTADORIA POR
TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO, pois o tempo de serviço é computado como tempo
de contribuição.
o A APOSENTADORIA POR IDADE EXIGE CARÊNCIA. Assim, não é possível
aproveitar o trabalho rural para aposentar no RGPS A aposentadoria por
idade rural é diferente, devendo-se comprovar o labor rurícola no período
imediatamente anterior ao requerimento administrativo em relação ao
tempo de carência exigido para o benefício específico.
● Para concessão de aposentadoria rural, a atividade rural deverá ser comprovada através do
início de prova material (documentos) produzido contemporaneamente ao período probando,
mesmo que de maneira descontínua, no período de 180 meses imediatamente anterior ao
82 requerimento do benefício ou à data do implemento da idade mínima, salvo força maior.
Súmula 34 e 54 TNU.
● Não se exige que o início de prova material corresponda a todo o período equivalente à
carência do benefício. Súmula 14 TNU.
● A certidão de casamento ou outro documento idôneo que evidencie a condição de trabalhador
rural do cônjuge constitui início razoável de prova material. Súmula 6 TNU.
o A certidão de casamento na qual conste que o cônjuge do requerente da
aposentadoria é agricultor pode ser considerada como início de prova
material?
o REGRA: SIM. A certidão de casamento na qual conste que o cônjuge do autor é
lavrador é suficiente para comprovar início de prova material. Essa é a posição
tanto do STJ como da TNU (Súmula 06).
o As certidões de casamento e de óbito prestam-se como início de prova
material do labor campensino, desde que corroboradas por robusta prova
testemunhal, apta a ampliar sua força probante. A ocorrência do falecimento
do cônjuge, em momento anterior ao implemento da idade para a obtenção
do benefício de aposentadoria rural por idade, não tem o condão de afastar a
certidão de casamento como início de prova material do labor rurícola, desde
que acompanhada de prova testemunhal suficiente. STJ. 2ª Turma. AgRg no
AREsp 782695/SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 05/11/2015.
o
o EXCEÇÃO: essa certidão de casamento não será considerada como início de
prova material quando ficar demonstrado que o cônjuge, apontado como
rurícola, vem a exercer posteriormente atividade urbana.
● SÚMULA 577 STJ: é possível reconhecer o tempo de serviço rural anterior ao documento mais
antigo apresentado, desde que amparado em convincente prova testemunhal colhida sob o
contraditório.

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● Súmula 05 TNU: Tempus regit actum: “a prestação de serviço rural por menor de 12 a 14 anos,
até o advento da lei 8213, devidamente comprovada, pode ser reconhecida para fins
previdenciários.
● Súmula 76 da TNU: A averbação de tempo de serviço rural não contributivo, prestados
anteriormente à lei 8213, não permite majorar o coeficiente de cálculo da RMI de
aposentadoria por idade previsto no art. 50 da 8213. STJ entende igual.
● A regra que limita a 120 dias o limite que o segurado especial pode deixar de exercer atividade
rural só se aplica após a publicação da lei em 2008. Em período anterior é vedada tal restrição.
● A sentença trabalhista pode ser considerada como início de prova material, sendo apta a
comprovar o tempo de serviço, mesmo que o INSS não tenha participado da relação jurídico-
processual-trabalhista, se corroborado por outro meio de prova. STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp
988325/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 20/04/2017.
● Após a lei 8213, o trabalhador rural, na condição de segurado especial, sujeito à contribuição
obrigatória sobre a produção rural comercializada, somente faz jus à aposentadoria por
tempo de serviço se recolher contribuições facultativas (como contribuinte indivudual –
sumula 272 do STJ). Ou seja, deve recolher como contribuinte individual para ter direito ao
benefício. Apenas o funrural não lhe gera direito. O funrural só lhe geral o direito de
aposentadoria por idade com o benefício no valor de um salário mínimo.
● O segurado especial terá direito ao benefício de um salário mínimo, salvo se recolher como
contribuinte facultativo ou individual, ocasião em que poderá aposentar por tempo de
contribuição e a BC será realizada conforme a contribuição efetivada.
83 ● STJ: é possível considerar o tempo de serviço rural anterior ao advento da lei 8213 para fins de
carência de aposentadoria híbrida por idade, sem que seja necessário o recolhimento de
contribuições previdenciárias para este fim. No entanto, perderá a possibilidade de redução
de 5 anos.
o ATENÇÃO: o trabalho rural anterior à lei 8213, em caso de aposentadoria por
tempo de contribuição, não será computado para efeito de carência, conforme
o artigo 55, §2º, mas tão somente como tempo de serviço.
o A aposentadoria híbrida pode ser concedida ainda que a última atividade do
segurado seja urbana, ou seja, ele começou na atividade rural e depois migrou
para a urbana.
● A ausência de prova de atividade rural extingue o processo sem resolução do mérito por
carência de pressuposto de constituição e desenvolvimento válido do processo, não gerando
coisa julgada.
● Súmula 149-STJ: A prova exclusivamente testemunhal não basta à comprovação da atividade
rurícola, para efeito da obtenção de benefício previdenciário.

2.6. Assistência Social – LOAS


Assistência Social. Princípios. Benefício de prestação continuada ao idoso e à pessoa com
deficiência.
 STJ – Repetitivo: Aplica-se o parágrafo único do artigo 34 do Estatuto do Idoso (Lei n.
10.741/03), por analogia, a pedido de benefício assistencial feito por pessoa com deficiência
a fim de que benefício previdenciário recebido por idoso, no valor de um salário mínimo, não
seja computado no cálculo da renda per capita prevista no artigo 20, § 3º, da Lei n. 8.742/93.

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o Qualquer benefício, assistencial ou previdenciário, não será computado em


caso de LOAS.
● Somente estrangeiro com residência fixa no país, bem como, que esteja em situação regular,
terá direito à benefício assistencial LOAS, preenchidos os requisitos legais. O estrangeiro em
situação REGULAR no país, com residência fixa, possui direito à LOAS, não cabendo falar em
reciprocidade. Não importa reciprocidade.
● O INSS pode suspender ou cancelar administrativamente o “benefício de prestação
continuada” (LOAS) que havia sido concedido judicialmente, desde que garanta previamente
ao interessado o contraditório e a ampla defesa. Não se aplica, ao caso, o princípio do
paralelismo das formas. Verificado que o interessado não preenche mais os requisitos e
garantido o contraditório e ampla defesa, é possível cancelar/suspender o LOAS.
● Menor SOB GUARDA não integra conceito de família para LOAS, mas só o MENOR TUTELADO.
● IN da AGU: para a concessão de LOAS IDOSO é possível desconsiderar, na aferição da renda
per capita familiar, o benefício previdenciário consistente em aposentadoria ou pensão por
morte, instituída por idoso, no valor de um salário mínimo, recebido por outro idoso com 65
anos ou mais que faça parte do mesmo núcleo familiar.
● DEFICIENTE INTELECTUAL ou MENTAL/ DEFICIÊNCIA GRAVE:
o O exercício de atividade remunerada, inclusive na condição de
microempreendedor individual, não impede a concessão/manutenção da
parte individual da pensão por morte PREVIDENCIÁRIA do dependente com
deficiência mental. (irmão ou filho maior de 21 anis) ATENÇÃO: NO LOAS
84 IMPEDE, havendo SUSPENSÃO do LOAS!!!
o O benefício de prestação continuada será SUSPENSO pelo órgão concedente
quando a pessoa com deficiência exercer atividade remunerada, inclusive na
condição de microempreendedor individual. – Diferente da pensão por morte.
o A contratação de pessoa com deficiência como aprendiz NÃO acarreta a
suspensão do benefício de prestação continuada, limitado a 2 (dois) anos o
recebimento concomitante da remuneração e do benefício
● Para concessão de LOAS deficiente não se exige incapacidade absoluta. O que a lei exigiu foi
impedimento de longo prazo, superior a dois anos. Assim, não pode o interprete trazer
requisitos mais rígidos do que os previstos em lei. STJ 2017.
● O STF, em controle concentrado (REX), decidiu que o critério de ¼ da renda mensal para LOAS
é inconstitucional, por estar defasado, motivo pelo qual a análise da situação de
miserabilidade deverá ser feita no caso concreto e com base em outros parâmetros diversos
da renda. O INSS continua aplicando administrativamente, pois decisão em controle
concentrado não possui efeitos vinculantes e erga omnes.
o Lei 13146: prevê adoção de outros elementos probatórios para comprovar
condição de miserabilidade do grupo familiar e situação de vulnerabilidade,
conforme regulamento. Porém, o regulamento não foi editado.
● BPC não possui gratificação natalina.
● Ao portador de HIV, constatada a incapacidade laboral, porém, capacidade para vida
independente, não pode obstar a percepção de LOAS, pois o benefício não pode ser concedido
só quando o indivíduo não pudesse se locomover, o que não parece ser o intuito do legislador.
Assim, verificado que ele não consegue trabalhar, entretanto, consegue ter uma vida
independente, há de se analisar as circunstâncias econômicas e sociais de modo a deferir o
LOAS. LOAS não é para um vegetal, é para aquele que não consegue se manter, ainda que
consiga andar em casa e ser independente nas necessidades pessoais.

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§ 4o O benefício de que trata este artigo não pode ser acumulado pelo beneficiário com
qualquer outro no âmbito da seguridade social ou de outro regime, salvo os da assistência
médica e da pensão especial de natureza indenizatória.
§ 5o A condição de acolhimento em instituições de longa permanência não prejudica o direito
do idoso ou da pessoa com deficiência ao benefício de prestação continuada.
● § 8o A renda familiar mensal a que se refere o § 3o deverá ser declarada pelo requerente ou
seu representante legal, sujeitando-se aos demais procedimentos previstos no regulamento
para o deferimento do pedido.
§ 9o Os rendimentos decorrentes de estágio supervisionado e de aprendizagem não serão
computados para os fins de cálculo da renda familiar per capita a que se refere o § 3o deste
artigo.
● § 11. Para concessão do benefício de que trata o caput deste artigo, poderão ser utilizados
outros elementos probatórios da condição de miserabilidade do grupo familiar e da situação
de vulnerabilidade, conforme regulamento.
§ 3o O desenvolvimento das capacidades cognitivas, motoras ou educacionais e a realização
de atividades não remuneradas de habilitação e reabilitação, entre outras, não constituem
motivo de suspensão ou cessação do benefício da pessoa com deficiência.
● Art. 21-A. O benefício de prestação continuada será suspenso pelo órgão concedente quando
a pessoa com deficiência exercer atividade remunerada, inclusive na condição de
microempreendedor individual.
● § 1o Extinta a relação trabalhista ou a atividade empreendedora de que trata o caput deste
85 artigo e, quando for o caso, encerrado o prazo de pagamento do seguro-desemprego e não
tendo o beneficiário adquirido direito a qualquer benefício previdenciário, poderá ser
requerida a continuidade do pagamento do benefício suspenso, sem necessidade de
realização de perícia médica ou reavaliação da deficiência e do grau de incapacidade para
esse fim, respeitado o período de revisão previsto no caput do art. 21.
● § 2o A contratação de pessoa com deficiência como aprendiz não acarreta a suspensão do
benefício de prestação continuada, limitado a 2 (dois) anos o recebimento concomitante da
remuneração e do benefício.
● Desconsidera-se qualquer valor de benefício assistencial ou previdenciário no valor de um
salário-mínimo no caso de LOAS idoso e deficiente.
● Aplica-se o parágrafo único do art. 34 do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), por analogia,
a pedido de benefício assistencial feito por pessoa com deficiência a fim de que benefício
previdenciário recebido por idoso, no valor de um salário mínimo, não seja computado no
cálculo da renda per capita prevista no art. 20, § 3º, da Lei nº 8.742/93.

2.6.1. Seguro-defeso
● SEGURO-DEFESO: devido ao pescador artesanal que exerça sua atividade exclusiva e
ininterruptamente, de forma artesanal, individualmente ou em regime de economia familiar.
o Valor de 1 salário-mínimo mensal enquanto durar o período de defeso.
o Não pode ser superior a 5 meses.
o Ininterruptamente significa: atividade exercida durante o período
compreendido entre o defeso anterior e o defeso em curso; ou 12 meses
imediatamente anteriores ao defeso em curso, dando-se preferência ao que
for menor.
o O segurado não fará jus a mais de um benefício no mesmo ano decorrente
de defesos relativos a espécies distintas.

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o A concessão do benefício não é estendida às atividades de apoio à pesca e


nem aos familiares do pescador profissional que não satisfaçam os requisitos e
as condições estabelecidas na lei.
▪ ATENÇÃO: as atividades de apoio, considera-se assemelhado ao
pescador artesanal, enquadrando-se como segurado especial, mas
não tem direito ao seguro-defeso. Atividade de apoio é reparo de
petrecho, embarcação, etc.
o Vedado percepção de LOAS e seguro-defeso concomitante.
o Para fazer jus, o pescador não poderá estar em gozo de nenhum benefício
decorrente de benefício previdenciário ou assistencial de natureza continuada,
exceto pensão por morte e auxílio-acidente.
o
2.7. Regime Próprio
 Só no regime próprio existe aposentadoria por invalidez proporcional ao tempo de
contribuição, exceto se decorrente de acidente de serviço, moléstia profissional ou doença
grave, contagiosa ou incurável. No RGPS o RMI é sempre 100%.
 Aposentadoria voluntária:
o Há dois tipos e ambas exigem:
 10 anos de efetivo exercício no serviço público
 5 anos de exercício no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria.
o Integral:
86  60H + 35 anos de contribuição
 55M + 30 anos de contribuição
 Só nessa modalidade incide redução de idade e contribuição de 5 anos
para professores.
o Proporcional:
 65H
 60M
 Aqui não incide redução para professores. Só na integral
exclusivamente como professor.
● A seguridade social dos servidores abrange maternidade, adoção e paternidade.
● Aposentadoria com proventos integrais: 10 anos de serviço público e 5 anos no cargo efetivo.
o 60 anos de idade e 35 anos de contribuição – HOMEM
o 55 anos de idade e 30 anos de contribuição – MULHER.
● Aposentadoria com proventos proporcionais ao tempo de contribuição: 10 anos de serviço
público e 5 anos no cargo efetivo.
o 65 anos de idade - HOMEM
o 60 anos de idade – MULHER
● Promoção dentro da mesma carreira e aposentadoria: STF: a promoção por acesso do servidor
público é forma de provimento derivado e não implica ascensão a cargo diferente daquele em
que o servidor já estava efetivado, sendo, portanto, inaplicável o prazo de cinco anos de
efetivo exercício no cargo para o cálculo dos proventos de aposentadoria.
● A lei 8112 faculta aos servidores regido pela lei que recolham facultativamente ao RPPS
quando estiverem licenciados ou afastados sem remuneração. Assim, não é possível ser
contribuinte facultativo do RGPS mesmo quando afastado e sem remuneração no RPPS.
● Com a EC 70/2012, entendeu-se que as aposentadorias por invalidez integral, decorrente de
doença grave, moléstia incurável ou contagiosa, acidente de trabalho, etc., para servidores que

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ingressaram antes da EC 4/2003, passaram a ser concedidas com proventos equivalentes à


integralidade da última remuneração do cargo em que se der a aposentadoria.
o Em relação às demais aposentadorias, serão concedidas com proventos
proporcionais ao tempo de contribuição, sendo que a proporcionalidade
aplicar-se-á ao valor recebido em atividade, ou seja, última remuneração do
cargo no qual ocorrer a inatividade.
● Integralidade é igual a última remuneração da ativa. Proventos integrais é o cálculo feito que
demonstra não ser proventos proporcionais. Ou seja, a renda mensal é igual ao salário de
benefício.
 Antes, da EC 41/2003, as aposentadorias por invalidez decorrente de acidente, moléstia grave,
incurável, era com base na integralidade. Após esta EC, ficou com base nos proventos
integrais.
● Não é necessário o recolhimento de contribuições previdenciárias relativas ao exercício de
atividade rural anterior à Lei nº 8.213/1991 para fins de concessão de aposentadoria urbana
pelo Regime Geral da Previdência Social, salvo em caso de mudança de regime previdenciário,
do geral para o estatutário. (Contagem recíproca de RURAL  RPPS)
● Contagem recíproca de trabalhador RURAL que passa para RPPS: deve indenizar todo o
período trabalhado. A contagem recíproca não aceita sem contribuir.
● Vale ressaltar que a SV 33-STF somente trata sobre a aposentadoria especial do servidor
público baseada no inciso III do § 4º do art. 40 da CF/88 (atividades sob condições especiais
que prejudiquem a saúde ou a integridade física), não abrangendo as hipóteses do incisos I
87 (deficientes) e II (atividades de risco). SV33= aplicam-se ao servidor público, no que couber, as
regras do regime geral da previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo
40, § 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei complementar específica.
APOSENTADORIA ESPECIAL de SERVIDOR PÚBLICO.
o “No que couber”: Não se pode aplicar as regras de conversão do tempo
especial em tempo comum, previstas para os trabalhadores em geral (RGPS),
para os servidores públicos, considerando que a lei que vier a ser editada
regulamentando o art. 40, § 4º, III da CF/88 não estará obrigada a conceder
este fator de conversão aos servidores.
o Os parâmetros alusivos à aposentadoria especial, enquanto não editada a lei
exigida pelo texto constitucional, são aqueles contidos na Lei nº 8.213/91, não
cabendo mesclar sistemas para, com isso, cogitar-se de idade mínima. Assim,
inaplicável a idade mínima + tempo de contribuição. Na aposentadoria
especial do RGPS é só o tempo de contribuição (incide fator) o requisito
necessário.
 É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria
aos beneficiários, exceto:
o Atividades de risco: NÃO ESTÁ NO RGPS essa opção (art. 201, §1)
o Deficiente: verificar legislação.
o Atividades que prejudiquem a saúde ou a integridade física: SV33

2.8. Previdência Privada e Complementar

● Súmula 563-STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às entidades abertas de


previdência complementar, não incidindo nos contratos previdenciários celebrados com
entidades fechadas.

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● Súmula 291-STJ: A ação de cobrança de parcelas de complementação de aposentadoria pela


previdência privada prescreve em cinco anos.
● cabe à Justiça Comum julgar processos decorrentes de contrato de previdência complementar
privada.
● Súmula 427-STJ: A ação de cobrança de diferenças de valores de complementação de
aposentadoria prescreve em cinco anos contados da data do pagamento.
● STJ: Nos planos de benefícios de previdência complementar administrados por entidade
fechada, a previsão regulamentar de reajuste, com base nos mesmos índices adotados pelo
RGPS, não inclui a parte correspondente a aumentos reais. A previdência complementar
possui suas normas próprias.
● É possível a inclusão de companheiro como beneficiário de suplementação de pensão por
morte quando existente, no plano de previdência privada fechada, apenas a indicação de ex-
cônjuge do participante. STJ. 3ª Turma. REsp 1715485-RN, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 27/02/2018 (Info 620)
● ATENÇÃO: Previdência Complementar só se aplica aos cargos efetivos. Não se aplicam aos
cargos em comissão. Isso porque estes contribuem ao RGPS, ocasião em que poderão
recolher à previdência privada.
● O benefício de previdência privada fechada é excluído da partilha em dissolução de união
estável regida pela comunhão parcial de bens. STJ. 3ª Turma. REsp 1.477.937-MG, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/4/2017 (Info 606). #OLHAOGANCHO: Apenas a título
de reforço de argumentação, vale ressaltar que a aposentadoria pública (benefício pago pelo
88 INSS) também não é incluída na meação como "bem", sendo incomunicável.
● É possível a inclusão de companheiro como beneficiário de suplementação de pensão por
morte quando existente, no plano de previdência privada fechada, apenas a indicação de ex-
cônjuge do participante.
● Os valores recebidos de boa-fé pelo assistido, quando pagos indevidamente pela entidade de
previdência complementar privada em razão de interpretação equivocada ou de má aplicação
de norma do regulamento, não estão sujeitos à devolução.
● Nos planos de benefícios de previdência privada patrocinados pelos entes federados –
inclusive suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e empresas controladas
direta ou indiretamente -, para se tornar elegível a um benefício de prestação que seja
programada e continuada, é necessário que o participante previamente cesse o vínculo
laboral com o patrocinador, sobretudo a partir da vigência da Lei Complementar nº 108/2001,
independentemente das disposições estatutárias e regulamentares

2.9. Processo administrativo previdenciário


Processo Administrativo previdenciário. Atendimento aos segurados. Direito ao melhor
benefício. Fases do procedimento administrativo. Reafirmação da DER. Justificação
administrativa.
● Art. 115. Podem ser descontados dos benefícios:
I - contribuições devidas pelo segurado à Previdência Social;
II - pagamento de benefício além do devido;
III - Imposto de Renda retido na fonte;
IV - pensão de alimentos decretada em sentença judicial;
V - mensalidades de associações e demais entidades de aposentados legalmente
reconhecidas, desde que autorizadas por seus filiados.
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VI - pagamento de empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e operações de


arrendamento mercantil concedidos por instituições financeiras e sociedades de
arrendamento mercantil, ou por entidades fechadas ou abertas de previdência
complementar, públicas e privadas, quando expressamente autorizado pelo
beneficiário, até o limite de 35% (trinta e cinco por cento) do valor do benefício, sendo
5% (cinco por cento) destinados exclusivamente para:
a) amortização de despesas contraídas por meio de cartão de crédito; ou
b) utilização com a finalidade de saque por meio do cartão de crédito.
§ 1o Na hipótese do inciso II, o desconto será feito em parcelas, conforme dispuser o
regulamento, salvo má-fé.
-Esse desconto prevalecerá frente ao pagamento de empréstimos, financiamentos,
cartões de crédito e operações de arrendamento mercantil concedidos por instituições
financeiras.
● Revisão de benefício e requerimento administrativo Em regra, não é necessário. Exceção: é
necessário se o pedido de revisão envolver análise de matéria de fato.
● Justificação Administrativa: recurso utilizado para suprir a falta ou insuficiência de
documentos ou para produzir prova de fato ou circunstância de interesse dos beneficiários,
através de testemunhas.
o Não será admitida justificação administrativa quando o fato a comprovar exigir
89 registro público de casamento, de idade ou de óbito, ou de qualquer ato
jurídico para o qual a lei prescreva forma especial.
o Para provar tempo de serviço ou contribuição só produzirá efeito quando
baseada em início de prova material, ou seja, não será admitida prova
exclusivamente testemunhal, salvo força maior
o Dependência econômica, identidade e relação de parentesco admite todas as
provas produzidas em direito, inclusive justificação administrativa.

2.10. Ações previdenciárias e demais questões da Lei 8.213


Ações previdenciárias. Competência. Juizados Especiais Federais: questões previdenciárias.
Prévio ingresso do pedido de benefícios na via administrativa. Intervenção do Ministério
Público. Gratuidade da Justiça. Prioridade de tramitação dos feitos.
 O juiz pode conceder ao autor benefício previdenciário por incapacidade diverso do requerido
na inicial, desde que preenchidos os requisitos legais atinentes ao benefício concedido, sem
que isso configure julgamento extra petita ou ultra petita. Não obstante, segundo o STJ, não
pode o Tribunal, em reexame necessário, sem recurso do segurado, conceder benefício mais
vantajoso.
● Súmula STJ 204: Os juros de mora nas ações relativas a benefícios previdenciários incidem a
partir da citação válida.
● Súmula 111-STJ: Os honorários advocatícios, nas ações previdenciárias, não incidem sobre as
prestações vencidas após a sentença.
● Súmula 178-STJ: O INSS não goza de isenção do pagamento de custas e emolumentos, nas
ações acidentárias e de benefícios, propostas na Justiça Estadual.
● Súmula TNU 81: Não incide o prazo decadencial previsto no artigo 103 da Lei 8123/91, nos
casos de indeferimento e de cessação de benefícios, bem como em relação às questões não
apreciadas pela administração no ato da concessão.

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o O artigo 103 é para revisão ou para a hipótese em que o benefício não é


concedido de acordo com o desejo do segurado.
● Decadência decenal: o prazo decadencial de 10 anos aplica-se, também, aos benefícios
concedidos antes da inserção desta regra.
o Não incide o prazo decadencial para tratar de fatos não apreciados pela
Administração no ato da concessão.
o Revisão do benefício: a contar do dia primeiro do mês seguinte ao do
recebimento da primeira prestação.
o Impugnação de indeferimento parcial: a contar do dia em que tomar
conhecimento da decisão que o benefício não é concedido de acordo com o
desejo do segurado .
● Em caso de má-fé não corre a decadência para rever os atos da previdência social.
● Súmula 175-STJ: Descabe o depósito prévio nas ações rescisórias propostas pelo INSS.
● O art. 115 da Lei nº 8.213/91 prevê expressamente a possibilidade de inscrição em dívida ativa
do valor correspondente a benefício previdenciário ou assistencial indevidamente recebido e
não devolvido ao INSS. A inscrição em dívida ativa será por conta da PGF. Só pode inscrever
em dívida ativa os créditos constituídos após a publicação da MP que foi convertida em lei,
do referido dispositivo. Neste caso, é a própria PGF que irá cobrar o débito em execução
fiscal.
● Valores recebidos por força de decisão/sentença/acórdão: é para benefícios PREVIDENCIÁRIOS e
ASSISTENCIAIS

90 Segurado recebe o benefício por força de...


Devolverá os
valores?
1ª) tutela provisória, que é, posteriormente, revogada na sentença. STJ (REPETITIVO) e
TNU: SIM
2ª) sentença, que é, posteriormente, reformada em 2ª instância.
STF: NÃO
3ª) sentença, mantida em 2ª instância, sendo, no entanto, reformada
NÃO
em Resp.
4ª) sentença transitada em julgado, que posteriormente, é
NÃO
reformada em Ação rescisória.
**Em provas objetivas, atentar para o enunciado da questão para verificar se ele fala
em STF ou STJ. No entanto, se não mencionar nada, marque o entendimento do STJ
(deve devolver). Isso porque no STF o tema ainda não está consolidado enquanto que
no STJ já existe até precedente em recurso especial repetitivo.
● STJ: Os valores pagos em virtude de tutela judicial cassada NÃO podem ser ressarcidas por
desconto do benefício previdenciário com fundamento no artigo 115, II, da Lei 8213, pois só
pode utilizar-se de tal dispositivo para reaver os valores além do devido concedidos
administrativamente. Para reaver os valores pagos em virtude de tutela judicial, o INSS deverá
manejar ação judicial de cobrança.
● Súm 142 STJ: cabe ação declaratória para reconhecimento de tempo de serviço para fins
previdenciários.
● A anotação em CTPS produz prova fidedigna e possui presunção de veracidade, iuris tantum.
● Desaposentação: somente lei pode criar benefícios e vantagens no âmbito do RGPS, não
havendo, por ora, direito à desaposentação.
● Se a ação foi proposta perante juizado itinerante, não precisa de requerimento administrativo.

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● Se a ação foi proposta sem prévio requerimento administrativo, mas o INSS já apresentou
contestação de mérito, o processo também deverá prosseguir normalmente (não será extinto).
Isso porque o fato de o INSS ter contestado e de ter refutado o mérito da pretensão
demonstra que há resistência ao pedido (a autarquia não concorda com o pleito), de forma
que existe interesse de agir por parte do autor.
● Nas ações em Tribunal/Turma Recursal em que estiver ausente o prévio requerimento
administrativo, o feito será baixado em diligência ao Juízo de primeiro grau, onde permanecerá
sobrestado, a fim de intimar o autor a dar entrada no pedido em até 30 dias, sob pena de
extinção do feito por falta de interesse de agir. A partir daí, o INSS terá o prazo de até 90 dias
para se manifestar.
• Caso negue o benefício, a ação judicial continuará normalmente, uma vez que ficou
demonstrado o interesse de agir.
• Caso o benefício seja concedido administrativamente, o processo judicial será
extinto.
• Caso o autor não dê entrada no requerimento administrativo no prazo de 30 dias, o
processo também será extinto.
o Se o benefício for concedido (seja administrativamente, seja pela via judicial),
a data do início da aquisição do benefício deverá retroagir à data em que teve
início o processo judicial. Em outras palavras, a DIB será a data em que foi
ajuizada a ação, devendo o INSS ser condenado a pagar as parcelas
retroativamente a esse dia.

91 Sentença trabalhista pode ser utilizada como início de prova material, desde que fundada em
elementos que demonstrem o labor exercido na função, bem como os períodos alegados pelo
trabalhador, sem que seja necessário que o INSS tenha integrado a contenda trabalhista.
o Sentença trabalhista homologatória não tem valor, salvo se baseada em
elementos que demonstrem o labor e os períodos alegados, uma vez que não
houve instrução probatória.
● Para restar configurado o dano moral previdenciário, deverá ser demonstrada a existência do
dano indenizável; a verificação do nexo de causalidade entre o dano e uma ação praticada por
agente público no exercício do cargo; a ilegalidade do ato comissivo causador da lesão
patrimonial e, ainda, a ausência das excludentes da obrigação de indenizar. Assim, caso não
comprovada lesão que caracterize dano moral, bem como tendo o INSS dado ao fato uma das
interpretações possíveis, não se extraindo do contexto conduta irresponsável ou
inconsequente, diante do direito controvertido apresentado, não é devida indenização por
dano moral.
o A jurisprudência não é pacífica em relação ao tema quanto em virtude de que
não se poder alçar qualquer dissabor, seja a discordância do pretendido pela
pessoa, ainda que posteriormente seja reconhecido o direito em ação
judicial, à condição de dano moral, mormente em se tratando de
indeferimento de pedido em sede administrativa, que deve obedecer ao
princípio da legalidade nos termos do art. 37 da CF/88
● Jurisprudência desta Corte Superior de Justiça firmou entendimento no sentido de ser nula a
sentença que submete a procedência ou a improcedência do pedido à ocorrência de fato
futuro e incerto, como no caso em apreço, no qual o que se pretende é o direito à
complementação de aposentadoria que ainda não se efetivou.
● O juiz pode conceder ao autor benefício previdenciário diverso do requerido na inicial,
desde que preenchidos os requisitos legais atinentes ao benefício concedido. Isso
porque, tratando-se de matéria previdenciária, deve-se proceder, de forma menos

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rígida, à análise do pedido. Assim, nesse contexto, a decisão proferida não pode ser
considerada como extra petita ou ultra petita
● Os chamados "soldados da borracha" têm direito à pensão mensal vitalícia no valor de
2 salários-mínimos, nos termos do art. 54 do ADCT. Para ter direito à pensão, o
indivíduo deverá comprovar que trabalhou como seringueiro na Região Amazônica,
durante a Segunda Guerra Mundial, nos termos do art. 1º, caput e parágrafo único, da
Lei nº 7.986/89. Como é (era) feita essa comprovação? É necessário que o requerente
apresente documentos?
o Antes da edição da Lei nº 9.711/98: a comprovação desse trabalho podia ser
feita por todos os meios de prova admitidos em direito, inclusive mediante
justificação administrativa ou judicial. Não se exigia início de prova material.
o Depois da edição da Lei nº 9.711/98: a comprovação somente produzirá efeito
quando baseada em início de prova material. Assim, se for realizada
justificação, administrativa ou judicial, essa prova só produzirá efeitos se for
acompanhada de início de prova material. Não se admite prova
exclusivamente testemunhal.
o Para recebimento do benefício previsto no art. 54 do ADCT/88, a justificação
administrativa ou judicial é por si só, meio de prova hábil para comprovar o
exercício da atividade de seringueiro quando requerida na vigência da Lei nº
7.986/89, antes da alteração legislativa trazida pela Lei nº 9.711/98, que
passou a exigir início de prova material.
● Incide contribuição previdenciária sobre os valores recebidos a título de CORREÇÃO
92 MONETÁRIA em execução de sentença na qual se reconheceu o direito a reajuste de
servidores públicos. Por outro lado, não há incidência de contribuição previdenciária sobre os
JUROS DE MORA relativos às diferenças remuneratórias pagas aos servidores públicos. Assim,
os juros moratórios consectários de condenação judicial que reconheceu a mora da
Administração Pública no pagamento de diferenças remuneratórias aos servidores não
integram a base de cálculo da contribuição para o PSS, prevista no art. 16-A da Lei nº
10.887/2004
● O abono de permanência em serviço (vulgarmente conhecido como “pé-na-cova”), outrora
previsto no art. 87 da Lei 8.213/91, se encontra, hoje, revogado no âmbito do RGPS.
● É devido abono anual (gratificação natalina) ao segurado e ao dependente da Previdência
Social que, durante o ano, recebeu auxílio-doença, auxílio-acidente ou aposentadoria, pensão
por morte ou auxílio-reclusão”. Não há salário-maternidade, portanto. Abono anual é uma
renda extra devida ao segurado e ao dependente da Previdência Social que, durante o ano,
percebeu auxílio-doença, auxílio-acidente ou aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-
reclusão. Tem por objetivo assegurar ao segurado ou seu dependente uma gratificação de
Natal extra no fim do ano, com alguma semelhança ao 13º salário ou gratificação natalina
previsto na Lei nº 4.090, de 1962.
● Compete à Justiça Estadual – e não à Justiça Federal – processar e julgar ação que tenha por
objeto a concessão de pensão por morte decorrente de óbito de empregado ocorrido em
razão de assalto sofrido durante o exercício do trabalho.
● Correção monetária dos valores em atraso calculada de acordo com o Manual de Orientação
de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal até a promulgação da Lei nº 11.960/09
(INPC), a partir de quando será apurada, conforme julgamento proferido pelo C. STF (IPCA-E),
sob a sistemática da repercussão geral (Tema nº 810 e RE nº 870.947/SE), pelos índices de
variação do IPCA-E, tendo em vista os efeitos ex tunc do mencionado pronunciamento. Isso foi

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o que o STF entendeu em sede de repercussão geral. Aí o STJ em repetitivo disse,


posterioremente:
o De acordo com o STJ, a utilização do INPC é lícita enquanto tal índice for capaz
de exprimir o fenômeno inflacionário (não deve ser aplicado para sempre, mas
tão somente enquanto refletir a realidade inflacionária nacional). Explica o
colendo STJ que a adoção do INPC não configura afronta ao que foi decidido
pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral (RE 870.947/SE).
Isso porque, naquela ocasião, determinou-se a aplicação do IPCA-E para fins
de correção monetária de benefício de prestação continuada (BPC/LOAS), o
qual se trata de benefício de natureza assistencial (índole não previdenciária),
previsto na Lei nº 8.742/93. Assim, é imperioso concluir que o INPC, previsto
no art. 41-A da Lei nº 8.213/91, é o índice mais apropriado para reger a
correção monetária do benefício de caráter previdenciário.

93

3. DIREITO PENAL – parte geral


3.1. Introdução ao Direito Penal
Introdução ao Direito Penal. Conceito, caracteres e função do Direito Penal. Princípios
básicos do Direito Penal. Princípios de normas penais contidas na Constituição Federal de
1988. Relações com outros ramos do Direito. Direito Penal e política criminal. Criminologia:
noções gerais. Norma Penal. Conflito aparente de normas. Teoria Geral do Delito.
● Em se tratando de extinção da punibilidade pela abolitio criminis, persiste o efeito civil da
reparação do dano.
o Efeitos penais: extinguem-se – reincidência e antecedentes penais.
o Efeitos extrapenais: persistem – art. 91 e 92.
● A absolvição em revisão criminal, faz desaparecer a força executiva, mesmo se já tiver sido
iniciada a execução civil.
● A despeito da Constituição Federal vedar expressamente a veiculação de medidas provisórias
em matéria de Direito Penal, o Supremo Tribunal admite a validade e aplicação ao caso
concreto de normas penais não incriminadoras veiculadas nestes diplomas legislativos.
● Norma não incriminadora Permissiva:
o Exculpante: afasta a culpabilidade
o Justificante: afasta a ilicitude.

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● A diferença entre interpretação analógica e analogia reside na voluntas legis: na primeira,


pretende a vontade da norma abranger os casos semelhantes por ela regulados; na segunda,
ocorre o inverso: não é pretensão da lei aplicar o seu conteúdo aos casos análogos, tanto que
silencia a respeito, mas o intérprete assim o faz, suprindo a lacuna. Assim, a interpretação
analógica é válida, pois necessária para possibilitar a aplicação da lei aos inúmeros e
imprevisíveis casos que as situações fáticas podem apresentar.
● O Presidente da República, somente por meio de Decreto, pode legislar sobre indulto e
comutação de penas. Trata-se de competência privativa instituída pela Constituição Federal
vigente, embora possa tal atribuição ser delegada por aquele aos Ministros de Estado, ao
Procurador-Geral da República e ao Advogado-Geral da União.
● Parte da doutrina considera a transação penal exceção à regra da jurisdição necessária,
podendo ser aplicada nas hipóteses de ação penal pública condicionada à representação.
3.1.1. Princípio da insignificância
● Princípio da insignificância x Bagatela imprópria:
o Insignificância (bagatela própria): não se aplica o direito penal em razão da
insignificância da lesão ou do perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. O
interesse tutelado não sofreu nenhum dano ou ameaça de lesão relevante. A
conduta é formalmente típica, mas materialmente atípica. É o desvalor do
resultado/conduta e é causa de exclusão da tipicidade material do fato.
o Bagatela Imprópria: Conquanto presentes o desvalor da conduta e do
resultado, evidenciando-se conduta material/formal típica, antijurídica e
94 culpável, a aplicação da pena, considerando-se as circunstâncias do caso
concreto, em especial o histórico do autor do fato, torna-se desnecessária. É o
valor ínfimo da culpabilidade em concurso com requisitos post factum que
levam à desnecessidade da pena no caso concreto. A pena não é meramente
retributiva, devendo sempre ser aplicada,
 Súmula 599: Não se aplica o princípio da insignificância nos crimes contra a Adminsitração
Pública. Obs: aceita no descaminho.
 Rádio Clandestina
o STJ: Não se aplica a insignificância, mesmo que seja de baixo potência, vez
que se trata de delito formal de perigo abstrato, que dispensa a
comprovação de qualquer dano ou do perigo, presumindo-se este
absolutamente pela lei.
o STF: Sim, é possível aplicar a insignificância em casos excepcionais, desde que
a rádio clandestina opere em baixa frequência, em localidades afastadas dos
grandes centros e em situações nas quais ficou demonstrada a inexistência de
lesividade.
 A conduta em questão, ainda que aplicado o princípio da
insignificância, teria seu sancionamento suficiente na esfera
administrativa.
o De acordo com o STF, o crime do art. 183 da Lei nº 9.472/97 somente ocorre
quando houver habitualidade. Se esta estiver ausente, ou seja, quando o
acusado vier a instalar ou se utilizar de telecomunicações clandestinamente,
mas apenas uma vez ou de modo não rotineiro, a conduta fica subsumida no
art. 70 da Lei 4.117/62, pois não haverá aí um meio ou estilo de vida, um
comportamento reiterado ao longo do tempo, que seria punido de modo mais
severo pelo art. 183 da Lei nº 9.472/97 (STF. HC 93870/SP, rel. Min. Joaquim
Barbosa, 20.4.2010).

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o STJ: A prática de atividade de telecomunicação sem a devida autorização dos


órgãos públicos competentes subsume-se no tipo previsto no art. 183 da Lei
9472/97, divergindo da conduta descrita no art. 70 da Lei 4117/62, em que se
pune aquele que, previamente autorizado, exerce a atividade de
telecomunicação de forma contrária aos preceitos legais e aos regulamentos.
 A conduta de transmitir sinal de internet, via rádio, como se fosse um provedor de internet,
sem autorização da ANATEL, configura o crime do art. 183 da Lei nº 9.472/97?
o STJ: SIM. A transmissão clandestina de sinal de internet, via radiofrequência,
sem autorização da ANATEL, caracteriza, em tese, o delito previsto no art. 183
da Lei nº 9.472/97. Nesse sentido: STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1077499/SP,
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 26/09/2017.
 SUMULA NOVINHA 606 STJ: Não se aplica o princípio da insignificância
aos casos de transmissão clandestina de internet via radiofrequência
que caracterizam o fato típico previsto no art. 183 da lei 9472.
o STF: Tem recente julgado em sentido contrário, mas a maioria do STF entende
da mesma maneira que o STJ
● STF: É possível a concessão de habeas corpus de ofício pelo judiciário quando caracterizado
aplicabilidade do princípio da insignificância. Ademais, o trânsito em julgado da condenação
NÃO IMPEDE seu reconhecimento. Trata-se de causa supralegal de excludente da ilicitude,
afastando a tipicidade material do fato considerado crime.
o Requisitos objetivos: mínima ofensividade da conduta; ausência de
periculosidade social da ação; reduzido grau de reprovabilidade do
95 comportamento; inexpressividade da lesão jurídica.
o Requisitos subjetivos: condições pessoais do agente
▪ Reincidente:
● REGRA: aplica-se princípio da insignificância na reincidência
genérica. Deve-se analisar caso a caso.
● EXCEÇÃO: não se aplica à reincidência específica, como o caso
de descaminho.
▪ Criminoso habitual: não se aplica.
▪ Militares: vedada a utilização
● 1. A aplicação do princípio da insignificância, de modo a tornar a conduta atípica, exige sejam
preenchidos requisitos estabelecidos na legislação infraconstitucional, posto controvérsia de
natureza infraconstitucional, não revela repercussão geral apta a tornar o apelo extremo
admissível, consoante decidido pelo Plenário do STF, na análise do AI n.º 747.522–RG, Relator
Min. Cezar Peluso, DJe de 25/9/2009. 2. A aplicação do princípio da insignificância exige que a
conduta seja minimamente ofensiva, que o grau de reprovabilidade seja ínfimo, que a lesão
jurídica seja inexpressiva e, ainda, que esteja presente a ausência de periculosidade do agente.
In casu, não há elementos suficientes a fim de se apreciar o preenchimento de todos os
pressupostos hábeis à aplicação do aludido princípio, a fim de trancar a ação penal.
● Furto qualificado não é compatível com o princípio da insignificância, vez que demonstra a
periculosidade do agente.
● Súmula 502 STJ: Presentes materialidade e autoria, afigura-se típica, em relação ao crime
previsto no artigo 184, §2º do CPB, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas. Não há
que se falar em princípio da adequação social ou insignificância.

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3.2. Aplicação da lei penal


Da aplicação da lei penal: princípio da anterioridade; lei penal no tempo; lei excepcional ou
temporária; tempo do crime; territorialidade; lugar do crime; extraterritorialidade; pena
cumprida no estrangeiro; eficácia de sentença estrangeira; contagem de prazo; frações não
computáveis na pena; aplicação da parte geral do Código Penal aos fatos incriminados por
lei especial.
● A interpretação judicial é não vinculante?? ERRADO, súmula vinculante é interpretação!
● A comunis opinio doctorum é admitida no âmbito penal: isso é interpretação doutrinária!
● Lei intermediária caracteriza hipótese em que ocorre, ao mesmo tempo, ultratividade e
retroatividade da lei penal mais benéfica.
● A interpretação teleológica busca a finalidade social buscada pelo legislador com a edição da
norma.
● Crime contra vice-presidente não é extraterritorialidade incondicionada, mas apenas contra
Presidente.
● Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional:
o as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou;
o privadas a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem
como as;
o aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada,
que se achem, respectivamente, no espaço aéreo brasileiro correspondente
ou em altomar.
96 ● É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de
o aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se
aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo
correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.
● O complemento da lei penal em branco em sentido estrito, se possuir caráter regulador, como
as tabelas oficiais, segue a regra do artigo 3º do Código Penal, que estabelece a ultratividade
das leis temporárias e excepcionais.
● Atenção aos enunciados: prestar atenção se quer método de interpretação ou de integração,
ok? Em analogia o TRF2 já tentou confundir o candidato, colocando o conceito correto de
analogia e pedindo método de interpretação no enunciado.
● A jurisprudência é no sentido da impossibilidade de combinação de leis penais para beneficiar
o agente.

3.3. Teoria do crime: fato típico – ilícito/antijurídico - erros


Do crime: relação de causalidade; superveniência de causa independente; relevância da
omissão; crime consumado; tentativa; desistência voluntária e arrependimento eficaz;
arrependimento posterior; crime impossível; crime doloso; crime culposo; agravação pelo
resultado; erro sobre elementos do tipo; descriminantes putativas; erro sobre a ilicitude do
fato; coação irresistível e obediência hierárquica; exclusão da ilicitude; excesso punível;
estado de necessidade; legítima defesa; estrito cumprimento de dever legal e exercício
regular de direito.
● Princípio da culpabilidade: o Estado só pode impor sanção penal ao agente imputável, com
potencial consciência da ilicitude, quando dele exigível conduta diversa. Aqui estamos falando
do terceiro elemento do crime – culpabilidade.
o Não se confunde com princípio da responsabilidade subjetiva. Neste, não
basta que o fato seja materialmente causado pelo agente, ficando sua

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responsabilidade penal condicionada à existência de voluntariedade (dolo ou


culpa). Aqui estamos falando do primeiro elemento do crime (fato típico –
doloso ou culposo)
 Agravação pelo resultado: o resultado que agrava a pena de maneira especial só é imputável
ao agente que o houver causado, ao menos culposamente (consciência da ilicitude). Assim, se
um homem, sem ter o conhecimento que uma mulher está gravida, causar a ela lesões
corporais que a leve a abortar, não poderá responder pelo resultado agravado, vez que não
tinha ciência.
o Deve haver pelo menos culpa para aplicar agravantes pelo resultado.
o Os delitos qualificados pelo resultado procedem da teoria, elaborada pelo
Direito Canônico, do chamando versari in re illicita, conforme a qual qualquer
pessoa responderá, ainda que não tenha culpa (dolo – respondendo de
maneira culposa), por todas as consequências que derivam de sua ação
proibida. Não aplicada no nosso ordenamento, por configurar
responsabilidade penal objetiva.
● O STF determinou o trancamento da ação penal afirmando que não se pode invocar a teoria
do domínio do fato, pura e simplesmente, sem nenhuma outra prova, citando de forma
genérica o diretor estatutário da empresa para lhe imputar um crime fiscal que teria sido
supostamente praticado na filial de um Estado-membro onde ele nem trabalha de forma fixa.
Em matéria de crimes societários, a denúncia deve apresentar, suficiente e adequadamente, a
conduta atribuível a cada um dos agentes, de modo a possibilitar a identificação do papel
desempenhado pelos denunciados na estrutura jurídico-administrativa da empresa. Não se
97 pode fazer uma acusação baseada apenas no cargo ocupado pelo réu na empresa
● A culpabilidade do artigo 59 é a reprovabilidade social do crime e em relação à pessoa do
agente, e não o grau de culpa em sua atuação.
● A concausa superveniente relativamente independente que por si só produz o resultado deve
estar fora do desdobramento físico da conduta do autor. Deve ser independente e produzir
por si só o resultado, sem nenhuma interferência do autor. Do contrário, responde pelo
resultado por ter dado causa.
● Nos crimes omissivos impróprios é necessária uma qualificação especial do agente, ou seja,
autores delimitados, descritos pela lei Penal.
● Lembrar que não é cabível a autoria mediata em crimes culposos, pois o resultado
naturalístico é produzido involuntariamente pelo agente, não sendo possível a utilização de
um inimputável para a prática de um crime que não se pretendeu produzir pelo agente
mediato.
● Crime habitual: a pluralidade de atos é um só crime, trata-se de hipótese em que a ação é
hábito, como no exercício ilegal da medicina.
● Crime continuado: cada ato é punível e o conjunto de delitos constitui um delito só, por
dependência de todos eles. Há um liame entre eles de modo, tempo e lugar.
● Crime permanente: é aquele em que seus efeitos perduram pelo tempo.
● Responsabilidade penal da pessoa jurídica: a CF prevê hipóteses, como o artigo 173, §5º, nos
crimes contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular, bem como no
artigo 225, §3º, nos crimes ambientais.
o STJ: entendia pela necessidade da dupla imputação. Depois que o STF se
manifestou pela inaplicabilidade, o STJ mudou seu entendimento adequando-
o ao entendimento do STF.
o STF: diz que a CF não fez essa obrigação, entendendo pela possibilidade de
condenação da pessoa jurídica dissociada da pessoa física.
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● Sociedade de risco do direito penal: perigos que podem surgir com a evolução das sociedades,
de modo que é preciso adequar os tipos penais à realidade. Hoje, temos a preocupação com os
direitos difusos, havendo a criação de tipos abstratos e cumulativos.
● Crimes/tipos de perigo abstrato: diante da probabilidade de uma ação ser considerada
perigosa, o legislador antecipa a proteção do direito penal ao dano propriamente dito,
punindo uma conduta entendida como perigosa ao bem jurídico a ser protegido. O tipo penal
visa evitar não o dano, mas o próprio perigo do dano. Ex: soltar balão de fogo. Liquefação.
Espiritualização.
● Crimes/tipos cumulativos: punição da conduta que, de forma isolada, não seria relevante, mas
se praticada generalizadamente traria prejuízos para sociedade. Ex: delitos ambientais. Logo:
não pune a conduta por sua lesividade, mas para prevenir a prática generalizada, que é capaz
de provocar perigo supraindividual.
● Direito Penal Negocial: resposta à expansão do direito penal, que passa a tutelar bens
jurídicos supraindividuais, ameaçados por novos riscos sociais. Nesse modelo, o Estado abre
mão de parcela do ius puniendi e incorpora institutos negociais no ordenamento, sob a
justificativa de redução de custos com o aparato judicial e de maior eficiência no combate à
criminalidade organizada.
● Crimes Plásticos: são tipos penais criados para determinadas épocas, em virtude da evolução
social, como os crimes contra o sistema financeiro, crimes digitais, etc.
● Crimes Naturais: São os crimes que são importantes em todos os momentos históricos, como
no caso do homicídio, furto, roubo, etc.
98 3.3.1. Dolo
● Crime PROGRESSIVO x PROGRESSÃO CRIMINOSA:
o Crime PROGRESSIVO: queria desde o início o crime mais grave, mas tem que
passar pelo menos grave. Não mudou o dolo.
o PROGRESSÃO Criminosa: Primeiro o agente praticou um crime menos grave
(era o objetivo). Depois ele resolveu progredir e praticar um crime mais grave.
Muda o DOLO.
●  Crime Progressivo = C vem antes de P. A vontade vem antes.
● Progressão Criminosa = C vem depois de P. A vontade vem depois.
● O roubo impróprio constitui exemplo de progressão criminosa, existindo inicialmente,
a intenção do agente de subtrair a coisa e, depois, o emprego de violência ou grave
ameaça para garantir a apropriação do bem.

● DOLO:
o Dolo direto: determinado, intencional, imediato, incondicionado. O agente
prevê um resultado e dirige a sua conduta na busca de realiza-lo.
▪ Primeiro grau: é o dolo em relação ao fim proposto e aos meios
escolhidos.
▪ Segundo grau: é o dolo em relação aos efeitos colaterais,
representados como necessários, sem os quais o efeito desejado não
ocorre. Ex: bomba em avião para matar um sujeito, e acaba matando
outros.
o Dolo indireto: é aquele em que o agente não tem a vontade dirigida a um
resultado certo e determinado. O agente não dirige sua conduta a uma
finalidade precisa.

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3.3.2. Crime impossível


● O Código Penal adotou a teoria objetiva moderada em relação ao crime impossível. Isso
porque o artigo 17 exige, para a caracterização do crime impossível, que o objeto seja
absolutamente impróprio ou o meio seja absolutamente ineficaz, caracterizando-se a
tentativa quando os meios sejam relativamente eficazes ou impróprios.
● Para a teoria objetiva pura, não há distinção entre inidoneidade absoluta ou relativa, já que em
ambos os casos não haveria bem jurídico em perigo, sendo o fato, portanto, impunível.
● Para a teoria subjetiva, não importa se o meio ou o objeto são absoluta ou relativamente
ineficazes ou impróprios, pois que, para a configuração da tentativa, basta que o agente tenha
agido com vontade de praticar a ação penal. O agente, no caso, seria punido apenas pela
intenção.
● Crime putativo: quando o agente acha estar cometendo um crime. Só em sua órbita subjetiva
ele acha. Espécies: erro de tipo e erro de proibição.
3.3.3. Cosunção, absorção, subsidiariedade e especialidade
● Quando o falso é meio para o descaminho, fica por ele absorvido.
● É possível a absorção de um crime meio mais grave por um crime fim mais leve.
● Prescrito o crime fim, inviável o início da ação penal quanto ao crime meio já absorvido.
● Contravenção penal não absorve crime tipificado no Código Penal.
● O princípio da consunção pode ser aplicado mesmo que o crime a ser absorvido (crime-meio)
seja mais grave do que o crime-fim. O que importa é que o crime-meio tenha exaurido a sua
99 potencialidade lesiva, segundo se extrai da Súmula 17-STJ ("Quando o falso se exaure no
estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido"). Assim, admite-se que uma
infração penal de maior gravidade (maior pena em abstrato), quando utilizado como simples
instrumento para a prática de delito menos grave (menor pena), seja por este absorvido (STJ
AgRg no REsp 1274707/PR).
3.3.4. Desistência voluntária, arrependimento eficaz e posterior
● A desistência voluntária e o arrependimento eficaz só ocorrem se forem capazes de romper o
nexo de causalidade e evitar o resultado. Se ocorrer o resultado, o agente responde pelo crime
consumado.
● Ponte de ouro: Trata-se da desistência voluntária e do arrependimento eficaz. São causas de
exclusão da tipicidade em relação aos crimes desejados inicialmente, por isso, é uma ponte de
OURO. Responde só pelos resultados realizados. Ex: queria matar, mas só lesiona, se houve
essas causas ele responde só pela lesão.
● Ponte de prata: trata-se do arrependimento posterior, pois sua ocorrência só diminui a pena,
na terceira fase.
● A desistência voluntária contenta-se com a voluntariedade, não se exigindo que seja
espontâneo. Ou seja, ainda que a vontade tenha nascido por circunstância que não originária
na vontade do agente, desde que não oriunda de coação física ou moral, é possível que haja a
desistência voluntária. Já a espontaneidade, não é exigida, sendo esta caracterizada pela ação
de livre coação, ou pedido, de iniciativa própria do agente, ou seja, não pode agir por sugestão
de outrem.
● Não se admite desistência voluntária em relação à prática de delito unissubsistente,
admitindo-se arrependimento eficaz apenas com relação à prática de crimes materiais. Para
beneficiar-se dessas espécies de tentativa qualificada, que, por si sós, não beneficiam os
partícipes, o agente deve agir de forma voluntária, mas não necessariamente de forma
espontânea.

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3.3.5. Teoria dos erros


● Teoria limitada: divide em erro de tipo e erro de proibição. (ADOTADA)
● Teoria extremada: há só erro de proibição.
● O erro de tipo exclui sempre o dolo, seja evitável ou inevitável; como o dolo é elemento do
tipo, a sua presença exclui a tipicidade do fato doloso, podendo o sujeito responder por crime
culposo, desde que seja típica a modalidade culposa, se vencível (art. 20, CP).
● Erro de tipo é o propriamente dito, podendo ser classificado em vencível e invencível. Ocorre,
no caso concreto, quando o indivíduo não tem plena consciência do que está fazendo; imagina
estar praticando uma conduta lícita, quando na verdade, está a praticar uma conduta ilícita,
mas que por erro, acredite ser inteiramente lícita. O erro sobre o fato típico diz respeito ao
elemento cognitivo, o dolo, vale dizer, a vontade livre e consciente de praticar o crime, ou
assumir o risco de produzi-lo, que resta ausente no caso.
● Erro de tipo essencial: ele recai sobre elementares, qualificadoras, causas de aumento de
pena e agravantes, ficando-as excluídas se o erro foi escusável. Portanto, nesta forma, o
agente não tem plena consciência ou nenhuma de que está praticando uma conduta típica, em
virtude de uma falha na percepção da realidade. Sempre excluirá o dolo, seja escusável ou
inescusável.
o Inescusável/Vencível/Evitável: tem o poder de excluir o dolo, podendo ser
punido a título de culpa se houver previsão Culpa imprópria.
o Escusável/Invencível/Inevitável: exclui o dolo e a culpa. Erro de tipo
permissivo.
100 ● Erro de tipo acidental/irrelevante: recai sobre circunstâncias secundárias do crime. Não
impede o conhecimento sobre o caráter ilícito da conduta, o que por consectário lógico não
obsta a responsabilização do agente, devendo responder pelo crime.
o Erro de execução: aberractio ictus. A execução imperfeita acaba atingindo um
terceiro que, em regra, não fazia parte do seu “animus”
▪ Resultado único: responde por um só crime em, levando-se em conta
as condições da pessoa que queria atingir.
▪ Resultado duplo: concurso formal: responde pelo resultado doloso
desejado e pelo resultado culposo do erro de execução.
o Erro sobre a pessoa: responde pelo dano causado à pessoa inicialmente
visada.
o Erro sobre o objeto: o agente supõe estar praticando a conduta contra o
objeto material que deseja, mas por erro acaba atingindo outro. O erro nesse
caso é irrelevante, respondendo pelo crime.
o Resultado diverso do pretendido: aberratio criminis/delicti. Quer dar um soco
no vidro do carro, mas acerta o motorista.
▪ Resultado único: responde pelo resultado realizado. (motorista)
▪ Resultado duplo: concurso formal. (vidro + motorista)
o Erro sobre o curso causal: aberratio causae, dolo geral, erro sucessivo. O meio
inicialmente projetado pelo agente será o utilizado para o fim de subsunção
dos fatos à norma penal. Ex: mulher acha que, primeiramente, matou o
marido envenenado, e posteriormente atira 5x no suposto cadáver, que morre
pelos tiros, e não pelo veneno. Será aplicada a qualificadora do veneno.
o Erro sobre as qualificadoras: acha que está cometendo com a presença de uma
qualificadora.

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● Terceiro que determina o erro: responde pelo crime o terceiro que determina o erro. Ex:
médico que coloca veneno em seringa e dá para enfermeira aplicar. Só o médico responde por
homicídio.
● Erro de proibição: erro de proibição indireto/ erro de permissão: exclui a culpabilidade, por
inexistência de potencial conhecimento de ilicitude em virtude de circunstâncias que o fazem
acreditar que seu ato não é um ilícito. O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a
ilicitude do fato:
o Inevitável, isenta de pena;
o Evitável, poderá diminuir a pena de um sexto a um terço
o Erro direto: o agente acredita sinceramente que sua conduta é lícita
o Erro indireto: o agente supõe que sua ação, ainda que típica, é amparada por
alguma excludente de ilicitude
o Se exige é uma potencial consciência ( ou como afirmava Mezger: “Valoração
Paralela do Profano”), que decorre necessariamente do conjunto de valores
éticos e morais de cada indivíduo.
● Descriminante putativa: artigo 20, §1º, do CP, segundo o qual "é isento de pena quem, por
erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse,
tornaria a ação legítima. – Descriminantes putativas – excludente da ilicitude. Descriminante
putativa é causa de exclusão da ilicitude que não existe concretamente, mas apenas na mente
do autor de um fato típico. Seria, portanto, a conduta de o agente considerar presentes as
descriminantes do artigo 23, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias. Ex: estado

101 de necessidade putativo, legítima defesa putativa, estrito cumprimento de um dever legal
putativo e exercício regular do direito putativo.
● No erro de tipo há exclusão do fato típico, enquanto que na descriminante putativa há
excludente da ilicitude.

3.3.6. Teoria da ilicitude – antijurídico - excludentes


● O consentimento do ofendido, causa supralegal de justificação, só é válida se manifestado
antes ou durante a prática da infração. Posteriormente, a ilicitude não é excluída, mas pode
configurar perdão ou renúncia em caso de ação penal privada.
● A excludente de estado de necessidade não afasta a autoria do dano civil e a ocorrência deste
dano. Logo, mesmo cometendo um ato lícito, se gerar dano, o autor deverá indenizar.
● A diferença entre ilicitude formal (proibição legal - ação) e ilicitude material (perigo a bem
jurídico penalmente tutelado - resultado) é irrelevante, uma vez que o motivo de a norma
penal proibir determinada conduta sob ameaça de uma sanção, é porque aquela conduta ou
causa lesão ou expõe a perigo o bem juridicamente protegido, ou seja: independe do resultado
(ilícito material), podendo ser punido pela mera ação (crime abstrato – ilícito formal).
● Ratio cognoscendi: quando o fato for típico, provavelmente será ilícito, salvo uma causa de
justificação da ilicitude.
● Ratio essendi: fato típico e ilicitude constituem o tipo total de injusto, de modo que exige a
caracterização dos dois elementos para que haja concretização da tipicidade.
● Estado de necessidade justificante: ficaria afastada a ilicitude porque o mal causado, pela sua
natureza e importância, é consideravelmente inferior ao mal evitado
● Estado de necessidade exculpante: por existir um conflito entre bens de igual valor, “o agente
atua num estado de alteração motivacional que faz com que não se possa dele exigir uma
conduta distinta da que realizou, lesionando um bem jurídico, esta inexigibilidade de conduta
diversa é a base da inexistência de uma censura ao agente e, portanto, da culpabilidade. O fato

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é típico e antijurídico, quer dizer, objetivamente não está valorizado de forma positiva pelo
Direito, ainda que, por não ser censurável, o agente deva ficar impune”.
● O código penal adotou a teoria unitária, de modo que se o bem sacrificado for de menor valor,
ou o bem protegido for de maior valor, haverá excludente de ilicitude. Se o bem sacrificado for
de maior valor do que o bem protegido, haverá, então, causa de diminuição. Art. 24.

3.4. Teoria do crime: culpabilidade


Da imputabilidade penal: agentes inimputáveis; menoridade penal; emoção e paixão;
embriaguez.
● Manifestantes que ocupem local público e descumprem ordem para retirada não cometem
crime. São acobertados por causa supralegal de exclusão da culpabilidade. Direitos
fundamentais. Causa inovadora. Danos irrelevantes.
● O distribuidor e o revendedor que não tem ciência de ilícito perpetrado por fabricante, não
auxiliando em sua conduta, não responde por crime, uma vez que não há responsabilidade
penal objetiva no direito penal brasileiro.
● A teoria da actio libera in causa vem solucionar casos nos quais, embora considerado
inimputável, o agente tem responsabilidade pelo fato. É o clássico exemplo da embriaguez
preordenada, na qual a pessoa se embriaga exatamente para cometer o delito.
● Se o juiz apura, pelas características pessoais do indígena, sua integração social – escolaridade,
102 fluência na língua portuguesa ou outros elementos de convicção -, dispensa-se a realização de
exame antropológico para mesma finalidade.
● A instauração de incidente de insanidade mental pressupõe a configuração de dúvida razoável
sobre a própria imputabilidade criminal do acusado, ou seja, não é de ser deferido apenas
porque apresentado pela defesa.

3.5. Teoria da pena – efeitos da condenação – concurso de crimes


Das penas: das espécies de penas; das penas privativas da liberdade: reclusão e detenção;
regras do regime fechado; regras do regime semiaberto; regras do regime aberto; regime
especial; direitos do preso; legislação especial relativa aos direitos e ao trabalho do preso e a
outras questões relativas à execução penal; superveniência de doença mental; detração
penal; das penas restritivas de direitos: normas gerais sobre as penas restritivas de direitos;
conversão das penas restritivas de direitos; prestação de serviços à comunidade ou a
entidades públicas; interdição temporária de direitos; da pena de multa: normas gerais sobre
a pena de multa; pagamento da multa; suspensão da execução da multa; da cominação das
penas; penas privativas da liberdade; penas restritivas de direitos; pena de multa; da
aplicação da pena: fixação da pena; critérios especiais da pena de multa; multa substitutiva;
circunstâncias agravantes; agravantes no concurso de pessoas; reincidência; circunstâncias
atenuantes; concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes; cálculo da pena; concurso
material; concurso formal; crime continuado; multas no concurso de crimes; erro na
execução do crime; resultado diverso do pretendido; limite das penas; ordem de execução
das penas no concurso de infrações; da suspensão condicional da pena: requisitos da
suspensão da pena; revogação obrigatória e facultativa da suspensão da pena; prorrogação
do período de prova; efeito do cumprimento das condições da suspensão condicional da
pena; do livramento condicional: requisitos do livramento condicional; soma de penas
relativas a infrações diversas, para fim do livramento condicional; condições a que fica
subordinado o livramento condicional; revogação obrigatória e facultativa do livramento
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condicional; efeitos da revogação; a declaração de extinção da pena e o crime cometido na


vigência do livramento condicional; dos efeitos genéricos e específicos da condenação; da
reabilitação.
3.5.1. Dosimetria: aplicação de qualificadoras, agravantes, atenuantes
 Compensação de reincidência com confissão espontânea:
o STJ: é possível. Em regra, a reincidência e confissão se COMPENSAM.
Exceções: se o réu for multirreincidente ou reincidente específico, casos em
que prevalecerá a reincidência.
o STF: não há repercussão geral na matéria, tratando-se de tema
infraconstitucional.
 O simples fato de o réu exercer um mandato popular não é suficiente para fazer incidir a causa
de aumento do art. 327, § 2º, do CP. É necessário que ele ocupe uma posição de superior
hierárquico ou “imposição hierárquica”.
● O artigo 59: a aplicação da pena base (exasperação da pena base) é discricionário do juiz,
devendo pautar-se em elementos concretos constantes dos autos. STJ e STF não podem
revisar pena base, devendo remeter, em regra, ao juízo de primeiro grau, salvo flagrante
ilegalidade. Do contrário fosse, as Cortes passariam a ser casas revisoras.
● ATENÇÃO: o ato infracional JAMAIS poderá ser utilizado para valorar negativamente os
antecedentes, a conduta social ou qualquer circunstância do artigo 59. Atos infracionais não
podem ser considerados maus antecedentes para a elevação da pena-base e muito menos
servem para configurar reincidência
103 ● Se as circunstâncias judiciais do art. 59 forem desfavoráveis, é possível que o juiz se
fundamente nesses dados para impor ao condenado regime inicial mais gravoso que o previsto
para a quantidade de pena aplicada. Se as penas-base de ambos os crimes são fixadas acima
do mínimo legal em face da valoração negativa das circunstâncias do art. 59 do Código Penal,
não há ilegalidade na imposição de regime inicial mais gravoso do que o abstratamente
previsto de acordo com a quantidade de pena aplicada
● Na dosimetria da pena de tráfico, o juiz não pode aumentar a pena base utilizando como
argumento o fato de terem sido encontradas muitas trouxinhas com o réu, se o peso delas era
pequeno (7,1 gramas), sendo esse fato preponderante. De igual modo, o magistrado não pode
aumentar a pena pelo simples fato de a venda da droga ocorrer dentro da própria casa do
condenado. Isso porque esse fato, por si só, não enseja uma maior reprovabilidade da conduta
delituosa. Por fim, o julgador não pode aumentar a pena do réu porque este declarou, em seu
interrogatório, que era usuário frequente de droga. O uso contumaz de drogas não pode ser
empregado como indicativo de necessidade de agravamento da reprimenda, visto que a
conduta do réu que vende drogas para sustentar o próprio vício é menos reprovável do que a
daquele que pratica esse crime apenas com intuito de lucro.
● O juiz, ao fundamentar o aumento da pena acima do mínimo legal, deve fazê-lo de forma
individualizada para o caso concreto, não podendo valer-se de argumentos abstratos que
valem para qualquer pessoa que praticou aquele crime. Isso porque a valoração abstrata já
foi feita pelo legislador. A valoração a ser realizada pelo juiz é a do caso concreto
● Condenação criminal não pode ser utilizada como "maus antecedentes" e também como
"personalidade" negativa, sob pena de bis in idem.
● Os antecedentes sociais do réu não se confundem com os seus antecedentes criminais. São
circunstâncias distintas, com regramentos próprios. Assim, não se mostra correto o magistrado
utilizar as condenações anteriores transitadas em julgado como "conduta social desfavorável".
● É vedado utilizar IPL ou ação penal em andamento para AGRAVAR A PENA BASE. Só se pode
reincidência e maus antecedentes se transitada em julgado. No mesmo sentido, não se pode
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empregar para exasperar a pena base, seja a título de maus antecedentes, seja a título de
conduta social ou personalidade do agente.
● STJ: não é possível considerar a condenação transitada em julgado, correspondente a fato
posterior ao narrado na denúncia, para valorar negativamente antecedentes, conduta social
ou personalidade do agente. APENAS CRIMES ANTERIORES, ainda que o trânsito em julgado
seja superveniente ao crime cuja a ação penal se refere
● • Crime continuado do caput do art. 71 do CP: o critério para se determinar o quantum da
majoração (entre 1/6 a 2/3) é apenas a quantidade de delitos cometidos. Assim, quanto mais
infrações, maior deve ser o aumento. • Crime continuado específico (art. 71, parágrafo único,
do CP): a fração de aumento será determinada pela quantidade de crimes praticados e
também pela análise das circunstâncias judicias do art. 59 do Código Penal. STJ. 5ª Turma.
REsp 1718212/PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/04/2018.

3.5.2. Das Penas: regime


 Pena Privativa da Liberdade – regras gerais.
o Detenção
 Semiaberto
 Aberto
o Reclusão
 Fechado
 Semiaberto
 Aberto
104  Fundamentadamente, o juiz pode fixar regime mais gravoso.
 Se o agente tiver 70 anos na data do fato, terá mais do que 70 na data da sentença, ocasião
em que haverá atenuante.
● Se houver fundamentação adequada o juiz poderá condenar o réu a um regime mais gravoso
do que o previsto no CP. A dosimetria da pena e o regime inicial estão fundamentados em
quatro circunstâncias desfavoráveis: culpabilidade, motivos, circunstâncias e consequências do
crime.
o A fixação de regime de pena não decorre tão somente do quantum, mas da
análise das circunstâncias do 59.
o A gravidade apta a demonstrar a fixação de regime mais gravoso deve ser
aferida com elementos do caso concreto.
o A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para
justificar a fixação do regime mais gravoso. A imposição de regime de
cumprimento de pena mais gravoso deve ser fundamentada, atendendo à
culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente,
aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao
comportamento da vítima (art. 33, § 3°, do CP). Não importa se o crime seja
tráfico de drogas.
o INCONSTITUCINAL a obrigatoriedade de início do cumprimento de pena no
regime fechado aos condenados por crimes hediondos ou equiparados.
▪ Interpretação da súmula vinculante 26: o regime integral fechado
é inconstitucional e a progressão, antes de 2007, se faz com 1/6 (CP). A
lei que alterou a progressão para 2/5 e 3/5, por ser mais prejudicial,
em verdade (em que pese aparentemente seja mais benéfica), não
retroage para crimes cometidos antes de sua vigência.

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● Súm STF 718: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui
motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena
aplicada.
● Súm STF 719: A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada
permitir exige motivação IDÔNEA.
o Tal motivação deve se prender exatamente às circunstâncias judiciais. Deve
ser demonstrado concretamente a existência de circunstâncias judiciais
desfavoráveis.
o Isto posto, não cabe motivo mais gravoso por quantidade de droga
apreendida.

3.5.3. Pena de multa
 É suspensa a execução da pena de multa, se sobrevém ao condenado doença mental. Se o
condenado morre, a pena de multa é extinta.
 Na fixação da pena de multa, o juiz deve atender, principalmente, à situação econômica do
réu.
● A execução de pena de multa é da Fazenda Nacional, porém, o Ministério Público pode adotar
medidas assecuratórias para garantir o pagamento desta. Art. 142 CPP.
● O indulto da pena privativa de liberdade não alcança a pena de multa que tenha sido objeto de
parcelamento espontaneamente assumido pelo sentenciado.
 A prescrição da pena de multa se dá em dois anos se for a única pena cominada; ou, no
105 mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade, quando a multa for
alternativa ou cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada.
 A pena de multa deve ter relação de proporcionalidade com a pena privativa de liberdade, e
não com a condição econômica do réu. Devem ser utilizados os mesmos parâmetros para o
cálculo da pena privativa de liberdade e da pena de multa.

3.5.4. Efeitos da condenação


● STJ entende que a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos não
tem o condão de afastar o efeito disposto no artigo 92 do código penal (perda do cargo se
condenado a crime com pena privativa da liberdade igual ou superior a um ano).
● Reabilitação não retira os efeitos penais secundários da condenação, dentre eles a
reincidência.
o A reabilitação no caso de perda de cargo público e pátrio poder é parcial.
▪ I) Perde o cargo público, mas reabilitado, poderá fazer novo concurso
público.
▪ II) Perde o pátrio poder sobre o descendente vítima de estupro. Mas,
reabilitado, poderá ter pátrio poder sobre outro filho que porventura
tiver.
o A reabilitação só é integral no caso de inabilitação para dirigir veículo
 A perda em favor da União, dos instrumentos do crime que constituem ilícito, e do
produto/proveito é AUTOMÁTICA/IMEDIATA, não precisando constar expressamente.

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 A pena de perdimento de cargo deve ser restrita ao cargo ocupado ou função pública exercida
no momento do delito, à exceção da hipótese em que o magistrado, motivadamente, entender
que o novo cargo ou função guarda correlação com as atribuições anteriores.
 Prevalece o entendimento que, se o crime for relacionado ao exercício profissional, é possível
ao juiz cominar pena de suspensão da atividade pelo tempo da condenação.

3.5.5. Concurso de agentes


 Teoria monista ou unitária: A regra é que responde pelo mesmo crime o autor e os partícipes,
ainda que estes, com conhecimento do todo, tenham participado da execução em parte. É o
mesmo crime, e não pena única, pois violaria o princípio da individualização da pena, previsto
constitucionalmente. O nosso código, com a reforma da parte geral, sofreu influência do
modelo italiano, com a adoção da teoria monista, o que fez nosso sistema desviar-se daquilo
que vinha do Código Criminal do Império, que considerava para cada agente um crime.
 Assim:
o Não há como um responder pela forma consumada e outro pela forma
tentada.
o Para comprovar a coparticipação não é necessário identificar os demais
elementos, bastando que seja provada a execução por dois ou mais agentes.
 A teoria do domínio do fato não permite que a mera posição de um agente na escala
hierárquica sirva para demonstrar ou reforçar o dolo da conduta. Do mesmo modo, também
106 não permite a condenação de um agente com base em conjecturas. Assim, não é porque
houve irregularidade em uma licitação estadual que o Governador tenha que ser condenado
criminalmente por isso.
 Autoria colateral se DISTINGUE de concurso de agentes, porque neste o agente adere
subjetivamente à ação de seu consorte, o que inexiste naquela, que ocorre exatamente
quando os consortes atuam sem intenção de aderir um à ação do outro. VISÃO DO STF!
 A autoria colateral desconfigura o concurso de pessoas, pois entre os sujeitos não havia liame
subjetivo. A autoria colateral não é a mesma coisa que coautoria, pois não há concurso de
pessoas. Ocorre a autoria colateral quando dois ou mais agentes estão agindo na mesma
circunstância, objetivando o mesmo fim, mas sem existir entre eles o liame subjetivo.

3.5.6. Concurso de crimes e crime continuado


 O fato de os delitos terem sido cometidos em concurso formal não autoriza a extensão dos
efeitos do perdão judicial concedido para UM dos crimes, se não restou comprovada, quanto
ao outro, a existência do liame subjetivo entre o infrator e a outra vítima fatal.
 Crime continuado – continuidade delitiva:
o O fato de serem cometidos em comarcas contíguas não retira o caráter de
continuidade por ausência de mesmo local. Entende-se que comarcas
contíguas são mesmo local para fins de continuidade delitiva.
o Habitualidade: não é crime contínuo. Na habitualidade o agente faz da ação
criminosa um estilo de vida, como exercício ilegal da medicina.
o A prescrição conta em relação a cada crime isoladamente, não se lhe
aplicando a causa de aumento.

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3.6. Medida de segurança


Das medidas de segurança: espécies; da imposição de medida de segurança para o
inimputável; prazos de duração das medidas de segurança; da perícia médica; da
desinternação ou liberação condicional; da substituição da pena por medida de segurança para
o semi-imputável; dos direitos do internado.

3.7. Extinção da punibilidade – reabilitação e perdão judicial


Da extinção da punibilidade: hipóteses de extinção da punibilidade; da prescrição antes de
transitar em julgado a sentença; da prescrição das penas restritivas de direitos; da prescrição
depois de transitar em julgado a sentença final condenatória; do termo inicial de prescrição
antes de transitar em julgado a sentença final; do termo final da prescrição após a sentença
condenatória irrecorrível; da prescrição no caso de evasão do condenado ou de revogação do
livramento condicional; da prescrição da multa; da redução dos prazos de prescrição; das
causas impeditivas da prescrição; das causas interruptivas da prescrição; da reabilitação penal;
do perdão judicial.
 Abolitio criminis: não afeta os efeitos extrapenais da condenação.
o STJ: declarada a prescrição do crime, a determinação de reparação de danos
não poderá subsistir. Isso não obsta, contudo, buscar na via cível a
responsabilização por ato ilícito.
 Em se tratando de extinção da punibilidade pela abolitio criminis, persiste o efeito civil da
reparação do dano.
107 o Efeitos penais: extinguem-se – reincidência e antecedentes penais.
o Efeitos extrapenais: persistem – art. 91 e 92.

3.7.1. Prescrição
 STJ e DOUTRINA: O recebimento da denúncia por magistrado absolutamente incompetente
não interrompe o curso do prazo prescricional. De outro lado, a denúncia recebida por um juiz
relativamente incompetente interrompe a prescrição.
 Tratando-se de denúncia recebida por órgão colegiado, o marco interruptivo da prescrição é a
data da sessão de julgamento (data que se tornaram pública tais decisões), não a data de
publicação do acórdão na imprensa oficial.
 No concurso de crimes, a pena deve ser tomada individualmente em relação a cada crime
(como se não houvesse concurso) para cálculo da prescrição, daí não ser cabível no cálculo a
aplicação da causa de aumento em decorrência de continuidade.
 O juiz poderá, de ofício ou a requerimento das partes, inclusive dos próprios réus, conceder
perdão judicial, com a consequente extinção da punibilidade, desde que, sendo réus primários,
tenham efetiva e voluntariamente colaborado com a investigação e com o processo criminal e
dessa colaboração tenha resultado a identificação dos demais coautores ou partícipes da ação
criminosa, a localização da vítima com a sua integridade física preservada e a recuperação total
ou parcial do produto do crime.(lei de proteção à vítimas e testemunhas)
 Se o Ministério Público não recorreu contra a sentença condenatória, tendo havido apenas
recurso apenas da defesa, qual deverá ser o termo inicial da prescrição da pretensão
executiva? O início do prazo da prescrição executória deve ser o momento em que ocorre o
trânsito em julgado para o MP? Ou o início do prazo deverá ser o instante em que se dá o
trânsito em julgado para ambas as partes, ou seja, tanto para a acusação como para a defesa?
o Posicionamento pacífico do STJ: o termo inicial da prescrição da pretensão
executória é a data do trânsito em julgado da sentença condenatória para a
acusação, ainda que a defesa tenha recorrido e que se esteja aguardando o

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julgamento desse recurso. Aplica-se a interpretação literal do art. 112, I, do CP


considerando que ela é mais benéfica ao condenado.
o Entendimento da 1ª Turma do STF: o início da contagem do prazo de
prescrição somente se dá quando a pretensão executória pode ser exercida.
Se o Estado não pode executar a pena, não se pode dizer que o prazo
prescricional já está correndo. Assim, mesmo que tenha havido trânsito em
julgado para a acusação, se o Estado ainda não pode executar a pena (ex: está
pendente uma apelação da defesa), não teve ainda início a contagem do prazo
para a prescrição executória. É preciso fazer uma interpretação sistemática do
art. 112, I, do CP.
 Em regra, para se beneficiar da redução de prazo prevista no art. 115 do CP, o condenado
deverá ser maior de 70 anos no dia em que a sessão de julgamento for realizada, uma vez que
em tal data a prestação jurisdicional penal condenatória tornar-se-á pública.
o Existe, no entanto, uma situação em que o condenado será beneficiado pela
redução do art. 115 do CP mesmo tendo completado 70 anos após a sessão de
julgamento: isso ocorre quando o condenado opõe embargos de declaração
contra o acórdão condenatório e esses embargos são conhecidos. Nesse caso,
o prazo prescricional será reduzido pela metade se o réu completar 70 anos
até a data do julgamento dos embargos.

108 ● 3.7.2. Perdão judicial


O fato de os delitos terem sido cometidos em concurso formal não autoriza a extensão dos
efeitos do perdão judicial concedido para UM dos crimes, se não restou comprovada, quanto
ao outro, a existência do liame subjetivo entre o infrator e a outra vítima fatal. Ex: atira no
filho sem querer e mata o vizinho também.

3.7.3. Livramento condicional


● Lembrar que não há revogação do livramento condicional se a condenação do agente for por
contravenção penal, o que, portanto, não impede a extinção da punibilidade (art. 86)

4. DIREITO PENAL – parte especial


Dos crimes previstos na parte especial do Código Penal: dos crimes contra a pessoa; dos crimes
contra o patrimônio; dos crimes contra a propriedade imaterial; dos crimes contra a
organização do trabalho; dos crimes contra a dignidade sexual; dos crimes contra a
incolumidade pública; dos crimes contra a paz pública; dos crimes contra a fé pública; dos
crimes contra a administração pública.´
4.1. Dos crimes contra a Administração Pública
● Determinado Deputado Federal integrava a cúpula de um partido de sustentação do governo
federal. Como importante figura partidária, ele exercia pressão política junto à Presidência da
República a fim de que Paulo Roberto Costa fosse mantido como Diretor de Abastecimento da
Petrobrás. Como “contraprestação” por esse apoio, o Deputado recebia dinheiro do referido
Diretor, quantia essa oriunda de contratos ilegais celebrados pela Petrobrás. O STF entendeu
que esta conduta se enquadra no crime de corrupção passiva (art. 317 do CP). Obs: foi a
primeira condenação do STF envolvendo a chamada “operação Lava Jato”

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● Desacato: para a configuração do crime, não é necessário que o funcionário público se sinta
ofendido, sendo indispensável que o menoscabo tenha alvo certo, de forma que a vítima deve
ouvir a palavra injuriosa ou sofrer diretamente o ato. É essencial para a configuração do delito
que o funcionário público esteja no exercício da função, ou, estando fora, que a ofensa seja
empregada em razão dela. Deve, pois, haver o chamado nexo funcional. A crítica ou a censura
sem excessos, por sua vez, não constituem desacato, ainda que veementes.
 O STF tem entendido que em caso de decisão que determina alguma providência, sob pena
de multa diária, esta multa diária já é a pena, não havendo que se utilizar do direito penal
para punir por desobediência.
 Ainda subsiste o crime de desacato no ordenamento jurídico. Não prevalece a tese de
inconvencionalidade com base no Pacto de San José da Costa Rica
o Desacato não viola a liberdade de expressão
o Descriminalizar o desacato não traria benefícios porque o fato constituiria
injúria
o Corte IDH admite que excessos na liberdade de expressão sejam punidos
o A figura penal do desacato não tolhe o direito à liberdade de expressão, não
retirando da cidadania o direito à livre manifestação, desde que exercida nos
limites de marcos civilizatórios bem definidos, punindo-se os excessos.
 Para configurar denunciação caluniosa basta a instauração do inquérito policial, não
necessitado o indiciamento da pessoa cuja conduta criminosa foi imputada, de modo que não
haverá desclassificação para o crime de comunicação falsa de crime ou contravenção.

109  Falso testemunho se dá na esfera judicial e administrativa.


4.1.1. Crimes funcionais
● Atípica a conduta de utilizar de mão-de-obra de outro servidor público para, em determinados
momentos, fazer com que este preste serviços particulares a ele, não obstante possa ser
caracterizado como improbidade administrativa.
o Entretanto, se utiliza verba pública para pagar salário de empregado
particular, haverá o crime de peculato. É o caso de cargo em comissão que
realiza atividades exclusivamente privadas para o agente do crime, sendo
remunerado por verba pública.
● Peculato USO:
o Bem infungível e não consumível: não é fato típico.
▪ Segundo a doutrina e jurisprudência majoritárias, é atípico o “uso
momentâneo de coisa infungível, sem a intenção de incorporá-la ao
patrimônio pessoal ou de terceiro, seguido da sua integral restituição
a quem de direito.”
o Bem fungível ou consumível: é fato típico.
o EXCEÇÃO (DL 201-67): peculato uso por prefeito
▪ é fato típico à luz do artigo 1º, II, do DL 201-67.
▪ Deve ser coisa INFUNGÍVEL, pois se for coisa fungível, pratica o
peculato do CP.
● Peculato: não exige que tenha a posse do bem, podendo simplesmente valer-se da qualidade
de servidor público e da facilidade para subtrair o bem. Basta concorrer para que a coisa seja
subtraída.
o Situação 1. Servidor público que se utiliza da mão-de-obra de outro servidor
público (normalmente seu subordinado) para, em determinados momentos,
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fazer com que este preste serviços particulares a ele. Esta conduta não
configura peculato nem qualquer outro crime. Atenção: se o indivíduo que se
utilizou do servidor público for Prefeito, ele cometerá o delito do art. 1º, II, do
DL 201/67.
o Situação 2. Servidor público que utiliza a Administração Pública para pagar o
salário de empregado particular. Aqui o chefe contrata um indivíduo
supostamente para ser servidor público (cargo comissionado), mas, na
verdade, ele manda que a pessoa contratada preste exclusivamente serviços
particulares ao seu superior. Esta conduta, em tese, configura peculato.
o O depositário judicial que vende os bens sob sua guarda não comete o crime
de peculato (art. 312 do CP). O crime de peculato exige, para a sua
consumação, que o funcionário público se aproprie de dinheiro, valor ou outro
bem móvel em virtude do “cargo”. Depositário judicial não é funcionário
público para fins penais, porque não ocupa cargo público, mas a ele é
atribuído um munus, pelo juízo, em razão do fato de que determinados bens
ficam sob sua guarda e zelo. STJ. 6ª Turma. HC 402949-SP, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018 (Info 623). Obs: vale ressaltar
que o STJ decidiu apenas que a conduta do depositário judicial que vende os
bens sob sua guarda não comete o crime de peculato, pois não é funcionário
público e não ocupa cargo público. No entanto, a depender das peculiaridades
do caso concreto, a conduta pode configurar, em tese, os tipos penais dos arts.
168, § 1º, II, 171 ou 179 do Código Penal.
110 o Para configurar peculato exige-se um valor patrimonial. Diferente de
corrupção, que pode ser favores relacionados ao cargo.
● A configuração do crime de prevaricação exige demonstração da vontade livre e consciente de
deixar praticar ato de ofício, como também do elemento subjetivo específico do tipo, qual
seja, a vontade de satisfazer interesse ou sentimento pessoal.
● A causa de aumento do 327, §2º, pressupõe de que o crime deve ter ocorrido em decorrência
de direção, imposição hierárquica. Não basta mero exercício de cargo Parlamentar
● Na concussão o agente exige a vantagem indevida, apenas. Não há violência ou grave ameaça.
Se for cometido com violência ou grave ameaça será extorsão.
● O simples fato de o réu exercer um mandato popular não é suficiente para fazer incidir a causa
de aumento do art. 327, § 2º, do CP. É necessário que ele ocupe uma posição de superior
hierárquico (o STF chamou de "imposição hierárquica").
o A causa de aumento de pena prevista no § 2º do art. 327 do CP aplica-se ao
Chefe do Poder Executivo (ex.: Governador do Estado) e aos demais agentes
políticos. STF. Plenário. Inq 2606/MT, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 4/9/2014
(Info 757). Vale ressaltar, no entanto, que: O simples fato de o réu exercer um
mandato popular não é suficiente para fazer incidir a causa de aumento do art.
327, § 2º, do CP. É necessário que ele ocupe uma posição de superior
hierárquico (o STF chamou de "imposição hierárquica")
● Corrupção passiva: não precisa de ser ato de ofício, entretanto, se em consequência da
vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar ato de ofício ou o pratica
infringindo dever funcional, a pena é aumentada de um terço.
o Não é necessário demonstrar o ato de ofício especificamente praticado em
contrapartida, mas, apenas, que a vantagem indevida guardou liame causal
com o exercício das funções públicas pelo funcionário, de modo que o

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funcionário público pratique atos funcionais dirigidos ao responsável pelo


pagamento da propina.
● Não se configura o crime de desobediência na hipótese em que as notificações do responsável
pelo cumprimento da ordem foram encaminhadas por via postal, sendo os avisos de
recebimento subscritos por terceiros. Para caracterizar o delito de desobediência, exige-se a
notificação pessoal do responsável pelo cumprimento da ordem, demonstrando a ciência
inequívoca da sua existência e, após, a intenção deliberada de não cumpri-la
● O reconhecimento da inépcia da denúncia em relação ao acusado de corrupção ativa (art. 333
do CP) não induz, por si só, ao trancamento da ação penal em relação ao denunciado, no
mesmo processo, por corrupção passiva (art. 317 do CP). Prevalece o entendimento de que,
via de regra, os crimes de corrupção passiva e ativa, por estarem previstos em tipos penais
distintos e autônomos, são independentes, de modo que a comprovação de um deles não
pressupõe a do outro.
● No caso de advocacia administrativa, a pena depende da legitimidade ou não do interesse
patrocinado perante a administração pública.
● A conduta de excluir indevidamente os dados corretos dos sistemas informatizados ou bancos
de dados da Administração Pública é apenas DOLOSA e deve ser permeada pelo fim de obter
vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano. Se não for dolosa não há
crime, mas um mero acidente.
● O particular que entrega vantagem exigida num crime de concussão não comete fato típico.
Se não há corrupção ativa nem pelo ato de dar a vantagem solicitada pelo funcionário
111 público autor de corrupção passiva, com muito mais razão se há de ignorar a entrega da
vantagem exigida na concussão.
● Extingue-se a punibilidade do falso testemunho ou da falsa perícia se ao gente, antes da
sentença no processo em que ocorreu o ilícito, se retrata ou declara a verdade.
● Denunciação caluniosa pode ser em relação à CRIME, CONTRAVENÇÃO, ou qualquer
procedimento oficial.
● STF: se o advogado instruir a testemunha a mentir em depoimento judicial responde como
partícipe do crime de falso testemunho. Trata-se de verdadeira exceção à impossibilidade de
participação em crimes de mão própria.
4.1.2. Crimes contra a fé pública
● É possível a condenação de agente pela prática do crime de uso de documento falso sem a
realização de prova pericial no documento utilizado. Com fundamento em documentos e
testemunhos constantes do processo, acompanhados da confissão do acusado
● O STJ reafirmou o seu entendimento no sentido de que é atípica a mera declaração falsa de
estado de pobreza realizada com o intuito de obter os benefícios da justiça gratuita, uma vez
que o documento possui presunção relativa que comporta prova em sentido contrário.
● O falso, quando realizado para acobertar descaminho, é por este absorvido, ainda que a pena
do crime de falso seja maior do que o crime formalmente tributário (descaminho). Assim,
aplicado o princípio da insignificância sobre o delito de descaminho, não há que se falar em
denúncia por crime de falso, pois este foi absorvido pelo descaminho.
● Falsidade ideológica, segundo Hungria, somente se configura se o papel tiver sido confiado ao
agente, para ulterior preenchimento. Se o agente se tivesse apossado (à revelia do signatário)
do papel que preencheu, o crime é de falsidade material.
● É aplicável o princípio da consunção quando os crimes de uso de documento falso e falsidade
ideológica – crimes-meio - são praticados para facilitar ou encobrir a falsa declaração, com
vistas à efetivação do pretendido crime de sonegação fiscal – crime-fim -, localizando-se na

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mesma linha de desdobramento causal de lesão ao bem jurídico, integrando, assim, o iter
criminis do delito-fim”.
● No crime de atribuição de falsa identidade, o agente pode perpetrar a ação tanto oralmente,
com poder de ludibriar, quanto por escrito, preenchendo um formulário falso.
● Não é típica a conduta de inserir, em currículo Lattes, dado que não condiz com a realidade.
Isso não configura falsidade ideológica (art. 299 do CP) porque: 1) currículo Lattes não é
considerado documento por ser eletrônico e não ter assinatura digital; 2) currículo Lattes é
passível de averiguação e, portanto, não é objeto material de falsidade ideológica. Quando o
documento é passível de averiguação, o STJ entende que não há crime de falsidade ideológica
mesmo que o agente tenha nele inserido informações falsas
● Prefeito que assina documentos previdenciários com conteúdo parcialmente falso não deve
ser condenado por falsidade ideológica se não foram produzidas provas de que ele tinha
ciência inequívoca do conteúdo inverídico da declaração. Neste caso, ele deverá ser absolvido,
nos termos do art. 386, III, do CPP, por ausência de dolo, o que exclui o crime.
● Configura crime de contrabando a importação de colete à prova de balas sem prévia
autorização do Comando do Exército. A importação de colete à prova de balas não se
enquadra em nenhum tipo penal previsto no Estatuto do Desarmamento. Aquele que poderia
gerar algum tipo de dúvida seria justamente o art. 18. Ocorre que colete à prova de balas não
pode ser considerado acessório. Isso porque a palavra "acessório" mencionada no art. 18 é
acessório de arma de fogo, ou seja, algo que complementa, que se agrega à arma de fogo para
melhorar o seu funcionamento ou desempenho. Exs: silenciador, mira telescópica etc. O colete
112 à prova de balas é uma proteção contra armas de fogo e não um acessório desta. STJ. 6ª
Turma. RHC 62851-PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/2/2016
● Moeda falsa e falsificação grosseira:
o A doutrina e a jurisprudência diz que falsificação grosseira é estelionato (artigo
171, CP), com possibilidade de sursis. A competência passa a ser da Justiça
Estadual.
▪ Aqui, conforme o caso, é possível aplicar o princípio da insignificância.
o Se for uma falsificação grosseira ao extremo, a ponto de ser perceptível a olho
nu, não possuindo imitatio veri, sequer poderá ser estelionato, sendo conduta
atípica.
o Os padrões a serem utilizados são técnicos (periciais) e sociais, devendo
enganar a sociedade, tendo aparência física de verdadeira.
o Ainda que a moeda falsa seja de menor valor, é INAPLICÁVEL princípio da
insignificância, pois o bem jurídico tutelado é amplo, abrangendo a fé pública e
a segurança das transações financeiras.
o O crime de moeda falsa é formal e de perigo abstrato, tendo em vista que a
mera execução da conduta típica presume absolutamente o perigo ao bem
jurídico tutelado, sendo prescindível a obtenção de vantagem ou prejuízo a
terceiros para a consumação.
o É um crime pluridimensional, pois, além de proteger preponderantemente a fé
pública, de forma mediata, assegura o patrimônio particular e celeridade das
relações empresariais e civis.
o Lembrar que se o mesmo agente falsifica e coloca em circulação/utiliza, esse
último é consumido pelo primeiro crime. Trata-se de post factum impunível.
● Nos casos de prática do crime de introdução de moeda falsa em circulação (art. 289, § 1º, do
CP), se a nota falsificada é repassada para “ascendente, descendente, irmão ou cônjuge” ou
para “criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida”, incidirão as

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agravantes previstas nas alíneas "e" e "h" do inciso II do art. 61 do CP. Isso porque o sujeito
passivo desse delito não é apenas o Estado, mas também a pessoa lesada com a introdução da
moeda falsa.
● Não se aplica o instituto do arrependimento posterior ao crime de moeda falsa. No crime de
moeda falsa — cuja consumação se dá com a falsificação da moeda, sendo irrelevante
eventual dano patrimonial imposto a terceiros —, a vítima é a coletividade como um todo, e o
bem jurídico tutelado é a fé pública, que não é passível de reparação. Desse modo, os crimes
contra a fé pública, semelhantes aos demais crimes não patrimoniais em geral, são
incompatíveis com o instituto do arrependimento posterior, dada a impossibilidade material
de haver reparação do dano causado ou a restituição da coisa subtraída.
● Aquele que recebe moeda de boa-fé e descobre posteriormente ser falsa e coloca de volta em
circulação, responde por moeda falsa na modalidade privilegiada, punida com pena de
detenção de seis a dois anos e multa.
● É possível a condenação pelo crime de uso de documento falso (art. 304 do CP) com
fundamento em documentos e testemunhos constantes do processo, acompanhados da
confissão do acusado, sendo desnecessária a prova pericial para a comprovação da
materialidade do crime, especialmente se a defesa não requereu, no momento oportuno, a
realização do referido exame. O crime de uso de documento falso se consuma com a simples
utilização de documento comprovadamente falso, dada a sua natureza de delito formal

113 ● 4.2. Crimes contra a Previdência Social


De quem é a competência para julgar o crime de omissão de anotação de vínculo empregatício
na CTPS (art. 297, § 4º, do CP)? *
o STJ: Justiça FEDERAL. O sujeito passivo primário do crime omissivo do art. 297,
§ 4.º, do Diploma Penal, é o Estado, e, eventualmente de forma secundária, o
particular, terceiro prejudicado, com a omissão das informações, referentes
ao vínculo empregatício e a seus consectários da CTPS. Cuida-se,
portanto de delito que ofende de forma direta os interesses da União,
atraindo a competência da Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV, da
CF/88. Nesse sentido: STJ. 3ª Seção. CC 145567/PR, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 27/04/2016. *
o 1ª Turma do STF: Justiça ESTADUAL. Nesse sentido: 1ª Turma. Ag.Reg. na Pet
5084, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 24/11/2015.0
● Em crimes de sonegação fiscal e de apropriação indébita de contribuição previdenciária, o STJ
pacificou a orientação no sentido de que a sua comprovação prescinde de dolo específico,
sendo suficiente para sua caracterização a presença de dolo genérico, consistente na
omissão voluntária do recolhimento, no prazo legal, dos valores devidos.
o Prescinde de animus sibi habendi.
● TRF2: o bem jurídico nos crimes não é do trabalhador, mas sim de todos aqueles que fazem
parte do sistema previdenciário.
● A prescrição da pretensão punitiva permanece suspensa no crime de apropriação indébita
previdenciária enquanto a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa em razão de
decisão de antecipação dos efeitos da tutela no juízo cível, uma vez que o Estado-acusação
não está sendo inerte por vontade própria. O mesmo se pode dizer de eventual parcelamento
do débito tributário.
● ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO: natureza binária (praticado pelo beneficiário e por terceira
pessoa/agente público). Não se aplica o princípio da insignificância.
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o Quando praticado pelo beneficiário, é crime permanente (o momento


consumativo prolonga-se no tempo), a ofensa ao bem jurídico é reiterada mês
a mês, enquanto não descoberta a fraude. O termo inicial de prescrição se dá
com o último recebimento indevido do benefício.
▪ DIFERENTE EM CASO DE MORTE E SAQUE INDEVIDO: Se a pessoa,
após a morte do beneficiário, passa a receber mensalmente o
benefício em seu lugar, mediante a utilização do cartão magnético do
falecido, pratica o crime de estelionato previdenciário (art. 171, § 3º,
do CP) em continuidade delitiva. Segundo o STJ, nessa situação, não
se verifica a ocorrência de crime único, pois a fraude é praticada
reiteradamente, todos os meses, a cada utilização do cartão
magnético do beneficiário já falecido. Assim, configurada a reiteração
criminosa nas mesmas condições de tempo, lugar e maneira de
execução, tem incidência a regra da continuidade delitiva prevista no
art. 71 do CP.
o Quando praticado por terceira pessoa ou funcionário da previdência não
beneficiário, o crime é instantâneo e de efeitos permanentes (consuma-se
num só momento e os efeitos se prolongam no tempo) – uma vez feito,
consumou-se. Ex: amigo falsifica documento para uma pessoa conseguir
benefício previdenciário.
o Tratando-se de apropriação indébita previdenciária (art. 168-A, § 1º, I, CP), o
pagamento integral do débito tributário, ainda que após o trânsito em
114 julgado da condenação, é causa de extinção da punibilidade do agente, nos
termos do art. 9º, § 2º, da Lei nº 10.684/03. Não se aplica o princípio da
insignificância, pois a lesividade transcende o âmbito individual e abala a
esfera coletiva. NOVO
● Apropriação indébita previdenciária:
o Não se exige elemento subjetivo específico para caracterização do crime de
apropriação indébita previdenciária. Basta o dolo genérico consistente na
omissão voluntária do recolhimento, no prazo legal, dos valores devidos.
o É um delito omissivo próprio, em todas as suas modalidades, e consuma-se no
momento em que o agente deixa de recolher as contribuições, depois de
ultrapassado o prazo estabelecido na norma de regência, sendo, portanto,
desnecessário o animus sibi habendi.
o Para que o juiz deixe de aplicar a pena ou aplique somente a pena de multa, o
agente deve:
▪ Ser primário e de bons antecedentes;
▪ O valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, deve ser igual
ou inferior àquele estabelecido pela previdência social,
administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de
suas execuções fiscais.
▪ Conforme a Lei 12.382, fica suspensa a pretensão punitiva do estado
no caso de parcelamento, desde que seja formalizado antes do
recebimento da denúncia. Fica suspensa, também, a prescrição da
pretensão PUNITIVA, e não executória.
▪ Ocorrendo o pagamento integral dos débitos, extingue-se a
punibilidade.

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o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e


efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as
informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal.
o STJ: é cabível, eventualmente, a incidência da inexigibilidade de conduta
diversa para afastar a culpabilidade na apropriação indébita previdenciária,
quando demonstrado que era impossível ao agente efetuar o repasse, e não
simplesmente em razão de dificuldades financeiras.
o É crime formal, dispensando-se o locupletamento ou efetivo prejuízo ao
erário.
4.3. Crimes contra a organização do trabalho
● O fato de um empregador impedir a ascensão funcional de um empregado na empresa
configura delito resultante de preconceito, e não contra a organização do trabalho.
● O tipo de reduzir alguém à condição análoga a de escravo é misto alternativo, a permitir a
exasperação da pena, quando o exame das circunstâncias judiciais, se o autor realiza mais de
um núcleo verbal descrito na lei.
4.4. Crimes contra o patrimônio
 O latrocínio é crime contra o patrimônio, não afeto ao Tribunal do Júri.
 A pluralidade de vítimas atingidas pela violência no crime de roubo com resultado morte ou
lesão grave, embora único o patrimônio lesado, não altera a unidade do crime, devendo essa
circunstância ser sopesada na individualização da pena. Para que haja concurso de crimes deve
115 ficar demonstrado, de modo inequívoco, a vontade do agente de atingir mais de um
patrimônio.
 O atual entendimento do STJ é no sentido de que o uso de arma de brinquedo, em roubo, NÃO
autoriza a incidência da causa especial de aumento de pena baseada no emprego de arma.
Esta deve ter potencial lesivo. É roubo, mas não é majorante.
o Arma absolutamente ineficaz não incide majorante. Se relativamente ineficaz,
incide.  Arma branca também incide. Quaisquer artefatos lesivos.
o Cabe ao réu demonstrar a ausência de potencial lesivo. (STJ diz que ausência
de potencial lesivo não dá causa para majorante, STF diz que não importa o
potencial lesivo)
o A majorante da pena está vinculada ao potencial lesivo.
o No porte ilegal de arma de fogo aplica-se o princípio da consunção,
considerando que o porte ilegal de arma de fogo funciona como crime meio
para a prática do roubo (crime fim), sendo por este absorvido.
o Desnecessária apreensão e da realização de perícia na arma, desde que
provado o seu uso no roubo por outros meios de prova.
 É legítima a incidência de causa de aumento por crime cometido durante o repouso noturno
no caso de furto praticado na forma qualificada. Assim, o juiz condena pelo crime qualificado
(1ª fase) e posteriormente aplica a causa de aumento (3ª fase).
 Latrocínio – 2 mortes em um único ato criminoso:
o STF e doutrina majoritária: um único crime de latrocínio.
o STJ: concurso formal impróprio, pois houve vontade mediante uma única ação
de matar os dois.
 Ameaçar de causar um mal espiritual para conseguir vantagem econômica indevida configura
extorsão.
 Saque indevido com cartão clonado é FURTO MEDIANTE FRAUDE, e não estelionato. STJ.
o No estelionato a vítima incorre em erro e entrega o bem espontaneamente.
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o No furto mediante fraude a o bem é retirado em que a vítima perceba.


 Os bens materiais de valor econômico é que podem ser objeto de furto. Os de mero valor
afetivo podem levar à reparação na esfera cível, mas não tipificam o crime.
 Para incidência da majorante por crime noturno, não importa se os moradores não estão
dormindo. A vulnerabilidade é objetiva pelo simples fato de praticar o crime durante a noite,
período de maior vulnerabilidade, e não comporta exceções.
 Se o réu que furtou energia elétrica paga o valor antes de ser oferecida a denúncia, há extinção
da punibilidade pelo princípio da subsidiariedade do direito penal.
 O pagamento do débito oriundo de furto de energia elétrica (art. 155, § 3º do CP) antes do
oferecimento da denúncia é causa de extinção da punibilidade, nos termos do art. 9º da Lei nº
10.684/2003?
o 6ª Turma do STJ: SIM O valor fixado como contraprestação de serviços
públicos essenciais como a energia elétrica e a água, conquanto não seja
tributo, possui natureza jurídica de preço público, aplicando-se, por analogia,
as causas extintivas da punibilidade previstas para os crimes tributários. STJ. 6ª
Turma. AgRg no AREsp 796250/RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
26/09/2017. STJ. 6ª Turma. REsp 1.687.826/RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior;
DJE 27/09/2017.
o 5ª Turma do STJ: NÃO O furto de energia elétrica não pode receber o mesmo
tratamento dado aos crimes tributários, considerando serem diversos os bens
jurídicos tutelados e, ainda, tendo em vista que a natureza jurídica da
remuneração pela prestação de serviço público, no caso de fornecimento de
116 energia elétrica, é de tarifa ou preço público, não possui caráter tributário, em
relação ao qual a legislação é expressa e taxativa. Nos crimes patrimoniais
existe previsão legal específica de causa de diminuição da pena, qual seja, o
instituto do arrependimento posterior, previsto no art. 16 do CP. STJ. 5ª
Turma. HC 412208-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 20/03/2018 (Info
622). STJ. 5ª Turma. RHC 98.045-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
21/06/2018.
 O STF e o STJ adotam a teoria da amotio, segundo a qual dá-se a consumação do furto/roubo
quando a coisa subtraída passa para o poder do agente, mesmo que num curto espaço de
tempo, independentemente de deslocamento ou posse mansa e pacífica.
 O roubo, com ou sem violência real, é crime, não importando se a real intenção do agente era
subtrair para ficar com o bem ou apenas substrair para usar momentaneamente.
 No estelionato, a fraude pode ser empregada para induzir ou manter a vítima em erro.
o Induzir: cria a falsa percepção da realidade.
o Manutenção: a própria vítima se encontra equivocada e o fraudador faz
mantê-la em erro, não desfazendo o engano percebido. Caso do
estacionamento.
 O furto qualificado privilegiado (primário, bons antecedentes..., diminui de 1 a 2/3) é figura
harmônica com o sistema penal no qual vige a interpretação mais favorável das normas penais
incriminadoras, havendo compatibilidade com o furto de res furtiva de pequeno valor
independentemente de circunstâncias qualificadoras.
 Receptação:
o O eventual desconhecimento da origem ilícita dos bens ou sua conduta
culposa deve ser comprovada pela defesa, não constituindo inversão do ônus
da prova.

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o Talonário de cheques pode ser objeto material do crime de receptação, dada a


existência de valor econômico do bem e a possibilidade de posterior utilização
fraudulenta para obtenção de vantagem ilícita.
o É inaplicável o princípio da consunção entre os crimes de receptação e porte
ilegal de arma de fogo, por serem delitos autônomos e de natureza jurídica
distinta, devendo o agente responder por ambos os delitos em concurso
material.
 Se procede mediante representação, se o crime, cometido sem violência ou grave ameaça a
pessoa, tem como vítima tio ou sobrinho, com quem o agente coabita. A coabitação não pode
ser passageira, mas duradoura. (Crimes contra o patrimônio).
 A ECT é empresa pública, é pessoa jurídica de direito privado, prestadora de serviço postal, de
natureza pública e essencial (art. 21, X, da CF). O art. 180, § 6º, CP prevê, expressamente, a
incidência da majorante quando o crime for praticado contra "bens e instalações do
patrimônio da (...) empresa concessionária de serviços públicos", estando, dessa forma,
abrangida a ECT na sua tutela, não havendo falar em interpretação extensiva desfavorável ao
conceito de bens da União. Assim, no delito de receptação, os bens pertencentes aos Correios
(ECT) recebem o mesmo tratamento que os da União e, por isso, caso a receptação envolva
tais bens, é cabível a majoração da pena prevista no § 6º do art. 180 do CP.
 O delito de estelionato consuma-se no local em que ocorre o efetivo prejuízo à vítima, ou
seja, na localidade da agência onde a vítima possuía a conta bancária. Assim, a competência
para o processo e julgamento do estelionato deve ser o local em que a vítima mantém a conta
bancária.
117 Crime de dano praticado contra a CEF é qualificado, aplicando-se o artigo 163, parágrafo único,
inciso III do CP.
 Se um indivíduo que tinha uma fazenda em uma terra indígena, ao receber ordem para
desocupar o local, destrói as acessões (construções e plantações) que havia feito no local, ele
pratica, em tese, o delito de dano qualificado (art. 163, parágrafo único, III, do CP). Isso porque
essas terras pertencem à União (art. 20, XI, da CF/88), de forma que, consequentemente, as
acessões também são patrimônio público federal.
4.5. Crimes diversos previstos no Código Penal
● A divulgação de discurso, em vídeo editado por deputado federal, com o objetivo de difamar
um colega de parlamento, poderá levar a responsabilização criminal do agente. A imunidade
está relacionada com as palavras proferidas em relação ao cargo.
 Em estupro de vulnerável, o STF entende que o consentimento do menor e sua prévia relação
de afeto com o agente não são hábeis a afastar a tipicidade penal da conduta deste, não se
alterando a conclusão pelo fato de já ser ela iniciada na prática sexual. Isto porque o artigo
217-A não exige que a relação sexual tenha se dado mediante violência ou grave ameaça,
diferentemente do estupro. O tipo protege os menores. Ademais, o tipo possui figura
qualificada para caso de lesão corporal grave ou morte.
 Não é inepta a denúncia que se fundamenta no art. 129, § 9º, do cp – lesão corporal leve
qualificada pela violência doméstica – tão somente em razão de o crime não ter ocorrido no
ambiente familiar.
o O tipo penal não exige que as agressões tenham sido praticadas em ambiente
doméstico, ou ainda coabitação, podendo ocorrer em qualquer lugar, desde
que a vítima seja ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro,
ou com quem conviva ou tenha convivido. Logo, uma briga entre irmãos em
local de trabalho pode configurar a qualificadora de violência doméstica.

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o Briga entre irmãos aplica-se a qualificadora da violência doméstica, mas não


Maria da penha.
 Feminicídio: homicídio praticado contra a mulher por razões do seu sexo, considerando-se
violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
o O crime é fruto de tratado internacional para diminuir a violência contra a
mulher.
o Foi considerado crime HEDIONDO.
o Trata-se de uma qualificadora de natureza subjetiva (em dos valores do sujeito
ativo em relação à mulher), sendo incompatível com o homicídio na forma
privilegiada, que também possui natureza subjetiva (violenta emoção)
 O crime de dano absorve o crime de risco. Se o autor do perigo é o próprio causador das
lesões, não haverá crime de omissão de socorro, mas sim de lesão ou homicídio, conforme o
caso.
o É necessária a presença do agente para que seja constatada a omissão de
socorro. Aquele que toma ciência sobre perigo não é obrigado a ajudar. A
omissão é egoísmo, indiferença ou algo semelhante. O código penal é para
crime, e não um código de ética.
o O risco pessoal que afasta o crime de omissão de socorro é o risco à vida. O
risco patrimonial não pode ser motivo para esquivar-se de prestar socorro.
 A Súmula 608 do STF permanece válida mesmo após o advento da Lei nº 12.015/2009. Assim,
em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada
mesmo após a Lei nº 12.015/2009. Súmula 608-STF: No crime de estupro, praticado mediante
118 violência real, a ação penal é pública incondicionada.
 A fabricação de substância/material explosiva é tipificada no artigo 253 do CP, constituindo
crime contra a incolumidade pública; já fabricar, possuir, deter ou empregar engenho ou
artefato explosivo é crime previsto na lei de armas.
 Se o artefato for mina terrestre antipessoal, é crime previsto em lei especial (10.300)

5. LEGISLAÇÃO PENAL EXTRAVAGANTE: penal e processo


penal
5.1. Leis diversas
● O representante legal de sociedade empresária contratante de empreitada não responde pelo
delito de desabamento culposo (art. 256, parágrafo único, do CP) ocorrido na obra contratada,
quando não demonstrado o nexo causal, tampouco pode ser responsabilizado, na qualidade
de garante, se não havia o dever legal de agir, a assunção voluntária de custódia ou mesmo a
ingerência indevida sobre a consecução da obra.
● No crime de invasão, ocupação, com o fim de esbulho possessório em terreno ou unidade
residencial, construída ou em construção, objeto de financiamento do SFH (sem violência e
grave ameaça, o que o difere do art. 161, §1º do CP, é isento de pena o agente que,
espontaneamente, descocupa o imóvel antes de qualquer medida coativa. Lei 5.741/71.
● Deixar de observar as normas de segurança ou de proteção relativas a instalação nuclear ou ao
uso, transporte, posse e guarda de material nuclear, expondo a perigo a vida, integridade física
ou o patrimônio de outrem é crime previsto no art. 26 da lei 6453.
● Concorrência desleal: comete o crime quem emprega meio fraudulento, para desviar
(ELEMENTO ESPECIALIZANTE), em proveito próprio ou alheio, clientela de outrem
(ELEMENTO ESPECIALIZANTE) e usa, indevidamente, nome comercial, título de

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estabelecimento ou insígnia alheios ou vende, expõe ou oferece à venda ou tem em estoque


produto com essas referências. Se ocorrer de uma conduta servir de meio para outra
igualmente tipificada, no mesmo contexto fático, há crime único. Pena: detenção 3m – 1ª.
o Expor à venda, oferecer produto declarando-o objeto de patente depositada,
ou de desenho industrial registrado, que não o seja, ou menciona-o em
anúncio ou papel comercial, como depositado ou patenteado, sem o ser.
● Contra registro de marca: 9279/96: pune a conduta de reproduzir, no todo ou em parte,
marca registrada ou imitá-la de modo que possa induzir confusão, sem excepcionar a hipótese
de constar, de forma expressa, ressalvas a respeito de produto semelhante.
● Pela mesma lei supra, fica punida a conduta de quem divulga, explora ou utiliza, sem
autorização, resultados de testes ou outros dados não divulgados, cuja elaboração envolva
esforço considerável e que tenham sido apresentados a entidade governamentais como
condição para aprovar a comercialização de produtos. Entretanto, não se aplica quanto a
divulgação por órgão governamental competente para autorizar a comercialização de produto,
quando necessário para proteger o público.

5.2. Crimes hediondos – Lei 8.072/90


● O Plenário do STF, ao julgar o HC 111.840/ES, declarou incidentalmente a
inconstitucionalidade do § 1º, do art. 2º, da Lei nº 8.072/90, com a redação que lhe foi dada
pela Lei nº 11.464/2007, afastando, dessa forma, a obrigatoriedade do regime inicial fechado
para os condenados por crimes hediondos e equiparados, incluído aqui o crime de tortura.
119 ● O regime inicial nas condenações por crimes hediondos ou equiparados (ex: tráfico de drogas)
não tem que ser obrigatoriamente o fechado, podendo ser o regime semiaberto ou aberto,
desde que presentes os requisitos do art. 33, § 2º, alíneas b e c, do Código Penal. Assim, será
possível, por exemplo, que o juiz condene o réu por tráfico de drogas a uma pena de 6 anos de
reclusão e fixe o regime inicial semiaberto.

5.3. Lei de drogas – Lei 11.343/06


 Súmula 587-STJ: Para a incidência da majorante prevista no artigo 40, V, da Lei 11.343/06, é
desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre estados da federação, sendo
suficiente a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico interestadual.
 Súmula 607 – STJ: a majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei 11.343/06)
se configura com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a
transposição de fronteiras.
 O STJ e STF consideram suficiente o aspecto espacial para incidência da causa de aumento da
prática da conduta nas proximidades do estabelecimento de ensino, hospital, metrô e
prisionais, sendo desnecessária a efetiva comprovação de mercancia ou que o comércio visava
atingir os estudantes. A norma visa proteger as pessoas próximas do local ao risco inerente à
atividade criminosa de narcotraficância.
o A prática do delito de tráfico de drogas nas proximidades de estabelecimentos
de ensino (art. 40, III, da Lei 11.343/06) enseja a aplicação da majorante,
sendo desnecessária a prova de que o ilícito visava atingir os frequentadores
desse local. Para a incidência da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei
nº 11.343/2006 é desnecessária a efetiva comprovação de que a mercancia
tinha por objetivo atingir os estudantes, sendo suficiente que a prática ilícita
tenha ocorrido em locais próximos, ou seja, nas imediações de tais
estabelecimentos, diante da exposição de pessoas ao risco inerente à
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atividade criminosa da narcotraficância. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp


1558551/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 12/09/2017. STJ. 6ª Turma.
HC 359088/SP. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 04/10/2016. Não
incide a causa de aumento de pena prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº
11.343/2006, se a prática de narcotraficância ocorrer em dia e horário em
que não facilite a prática criminosa e a disseminação de drogas em área de
maior aglomeração de pessoas. Ex: se o tráfico de drogas é praticado no
domingo de madrugada, dia e horário em que o estabelecimento de ensino
não estava funcionando, não deve incidir a majorante. STJ. 6ª Turma. REsp
1719792-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018
(Info 622).
 Tráfico privilegiado NÃO É HEDIONDO, tendo a progressão de regime por crime normal, bem
como livramento condicional. Ainda, o réu passa ter, em tese, direito à concessão de anistia,
graça e indulto, desde que cumpridos os demais requisitos.
 Caso o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos não esteja previsto nos artigos
33 a 37 da lei de drogas, o réu responderá pelo crime da lei de drogas + corrupção de menores
do ECA. De outro lado, se o crime praticado por ambos estiver nos artigos 33 a 37, o réu
responderá tão somente pela lei de drogas + a causa de aumento do artigo 40, VI, não sendo
punido por corrupção para evitar bis in idem.
 É possível utilizar inquéritos e ações penais em andamento para afastar o tráfico privilegiado
(§4º do artigo 33)

120  Se o réu é primário e possui bons antecedentes, o juiz pode, mesmo assim, negar o benefício
do art. 33, § 4º da LD argumentando que a quantidade de drogas encontrada com ele foi muito
elevada? O tema é polêmico.
o 1ª Turma do STF: encontramos precedentes afirmando que a grande
quantidade de droga pode ser utilizada como circunstância para afastar o
benefício. Nesse sentido: não é crível que o réu, surpreendido com mais de
500 kg de maconha, não esteja integrado, de alguma forma, a organização
criminosa, circunstância que justifica o afastamento da causa de diminuição
prevista no art. 33, §4º, da Lei de Drogas (HC 130981/MS, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 18/10/2016. Info 844).
o 2ª Turma do STF: a quantidade de drogas encontrada não constitui,
isoladamente, fundamento idôneo para negar o benefício da redução da pena
previsto no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (RHC 138715/MS, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017. Info 866). STF. 2ª Turma. RHC
138715/MS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017 (Info 866).
Obs: o tema acima não deveria ser cobrado em uma prova objetiva, mas caso
seja perguntado, penso que a 2ª corrente é majoritária.
 Inconstitucional vedar liberdade provisória, não podendo ser ex lege a conversão do flagrante
em preventiva, sendo indispensável a fundamentação judicial concreta idônea.
o Entretanto, é CONSTITUCIONAL a vedação legal à concessão de anistia ao
condenado por tráfico de droga. Trata-se de previsão constitucional.
(Insuscetível de graça ou anistia).
 STJ: o tráfico de drogas praticado por menor, em que não há violência ou grave ameaça, não
acarreta a medida socioeducativa de internação, conforme previsto no artigo 122 do ECA.
 É inviável o reconhecimento de reincidência com base em único processo anterior em desfavor
do réu, no qual - após desclassificar o delito de tráfico para porte de substância entorpecente
para consumo próprio - o juízo extinguiu a punibilidade por considerar que o tempo da prisão
provisória seria mais que suficiente para compensar eventual condenação. Situação concreta:
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João foi preso em flagrante por tráfico de drogas (art. 33 da LD). Após 6 meses preso
cautelarmente, ele foi julgado. O juiz proferiu sentença desclassificando o delito de tráfico
para o art. 28 da LD. Na própria sentença, o magistrado declarou a extinção da punibilidade do
réu alegando que o art. 28 não prevê pena privativa de liberdade e que o condenado já ficou 6
meses preso. Logo, na visão do juiz, deve ser aplicada a detração penal analógica virtual, pois
qualquer pena que seria aplicável ao caso em tela estaria fatalmente cumprida, nem havendo
justa causa ou interesse processual para o prosseguimento do feito. Essa sentença não vale
para fins de reincidência. Isso significa que, se João cometer um segundo delito, esse primeiro
processo não poderá ser considerado para caracterização de reincidência
 Não há bis in idem no fato de o agente ser condenado por importação(art. 33) ou importação
ilícita de substância entorpecente ao mesmo tempo em que a pena é majorada pela
transnacionalidade (art. 40, I). Como o crime é de ação múltipla, fica afastada a alegação de bis
in idem, pois trazer consigo a droga já conduz a configuração da tipicidade formal,
enquadrando no 33, restando plenamente justificada a incidência da majorante do art. 40.
 Causa de aumento: 1/6 a 2/3 se praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de
fogo ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva.
o Porte ilegal de arma, absorvido pelo tráfico de drogas ou não? DEPENDE:
 SIM: se porta exclusivamente para praticar o tráfico, sendo um meio
para se atingir um fim.
 NÃO: se o porte estiver fora do contexto fático do tráfico, surgindo
concurso material de crimes.

121  Se o agente age apenas como informante do grupo, organização ou associação destinados ao
tráfico, responde apenas pelo delito do artigo 37 da LD. Lado outro, se a atividade dele integra
a própria associação, responde por associação.
 Um réu condenado por associação para o tráfico não pode ser reconhecido como agente de
tráfico privilegiado no mesmo feito, haja vista a incompatibilidade de ordem subjetiva
(pessoal, por integrar a associação) preconizada pela lei antidrogas.
 Súmula 492 STJ: O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz
obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente.
 STF: em caso de flagrante de tráfico de drogas, afasta-se a possibilidade de aplicação da
atenuante da confissão espontânea, já que esta circunstância se aplica somente se o relato do
criminoso for capaz de contribuir para o esclarecimento da verdade real, o que não ocorre na
situação em que ele é preso cometendo o crime.
 Laudo preliminar de constatação de substância entorpecente é mera peça informativa, mas
suficiente para a lavratura do auto de prisão em flagrante e da oferta de denúncia, nos
termos dos arts. 20, §1º, da Lei 6.368/76 e 28, §1º, da Lei 10.409/02. Uma vez juntado aos
autos o laudo pericial definitivo, atestando a ilicitude da substância, resta, portanto, suprida
eventual irregularidade na fase inquisitorial.
 Apesar da redação do tipo penal do artigo 25 (duas ou mais pessoas se unirem para praticar as
condutas do art. 33), ele está muito mais próximo do artigo 288 do CP, do que do mero
concurso de agentes, ou seja, o fato de duas ou mais pessoas praticarem crime de tráfico em
coautoria não induz automaticamente o reconhecimento da associação ao tráfico do artigo
35. A configuração de associação ao tráfico exige prova da estabilidade e permanência do
liame mantido entre os agentes.
o Para configuração do delito de associação para o tráfico de drogas é
necessário o dolo de se associar com estabilidade e permanência, sendo que
a reunião de duas ou mais pessoas sem o animus associativo não se subsume
ao tipo doa art. 35 da LD.

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o Ausente a estabilidade e permanência, há mero concurso de agentes, e este


não é apto, per si, a caracterizar o artigo 35 da LD.
 O simples fato de ajustar a realização do tráfico de drogas, sem ter iniciado executado o núcleo
do tipo – POSSE e, não havendo associação (art. 35, LD), não houve subsunção ao tipo. Meros
atos preparatórios ao tráfico de drogas não configuram crime (Nino Toldo – TRF3). O direito
penal só pode punir os atos executórios; os preparatórios não, salvo se constituírem crime.
 O artigo 42 da LD, que fala sobre as circunstâncias acerca da dosimetria, não diminuem as do
artigo 59 do CP, mas as circunstâncias do artigo 42 tem maior relevância em relação às demais
circunstâncias do art. 59. Em sentença penal deve-se fazer referência às duas normas, que
devem ser aplicadas conjuntamente.
 É possível exasperar a pena base pela quantidade de drogas apreendida na primeira fase. STJ.
STF. Isso não impede de conceder o tráfico privilegiado na terceira fase.
o No mesmo sentido, eu posso deixar de exasperar a pena base na primeira fase
em relação à quantidade de droga apreendida e utilizá-la só na terceira fase,
para diminuir a fração da causa de diminuição do tráfico privilegiado.
 A aplicação do tráfico privilegiado está condicionado ao preenchimento dos requisitos
cumulativos: a)primariedade; b)bons antecedentes; c) não se dedicar a atividades criminosas;
d) não integrar organização criminosa.
o ATENÇÃO: conquanto inquéritos policiais e ações penais em andamento não
possam ser utilizados para agravar a pena base, é perfeitamente possível para
AFASTAR a causa de diminuição do tráfico privilegiado, por DEDICAR-SE A
ATIVIDADES CRIMINOSAS.
122  STF tem precedentes que é possível considerar o contexto da prática delituosa, a quantidade e
a natureza da droga no afastamento na causa de diminuição da pena, a fim de concluir que o
réu possa integrar organização criminosa, afastando o tráfico privilegiado. (controverso).
 Lembre-se: não se pode exasperar a pena base com a quantidade de drogas e utilizar na
terceira fase para aumentar ou ser causa da diminuição da fração do tráfico privilegiado.
o STJ E STJ: Não se admite, segundo reiterada jurisprudência dos Tribunais
Superiores, a utilização, concomitante, da natureza, da quantidade e da
variedade da droga para elevar a pena-base e para modular a fração de
redução do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006.
o ATENÇÂO: não há bis in idem quando a exasperação da pena base ocorre em
razão da natureza das substancias entorpecentes apreendidas, ao passo que a
redução da reprimenda na terceira fase, em razão da incidência da causa
especial de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/06,
é fundamentada na quantidade de drogas apreendidas, configurando, assim,
fundamentos diversos. (uma hora é NATUREZA, outra hora é QUANTIDADE)
 A pena de multa deve ter relação de proporcionalidade com a pena privativa de
liberdade, e não com a condição econômica do réu. Devem ser utilizados os mesmos
parâmetros para o cálculo da pena privativa de liberdade e da pena de multa.
 Tanto o regime INTEGRALMENTE fechado quanto o regime INICIAL fechado foi
declarado inconstitucional para os crimes hediondos (drogas).
o Para o regime inicial do tráfico de drogas, deve-se considerar as
preponderantes do artigo 42 da LD, em relação às circunstancias do 59 do CP:
natureza e quantidade de droga.
o Tráfico privilegiado não é hediondo.
o Inconstitucional a vedação à liberdade provisória em tráfico de drogas. STF
repercussão geral.

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 É inconstitucional a vedação do artigo 44 da LD, que vedava a substituição da pena


privativa da liberdade em restritiva de direitos
o E o sursis da pena, vedado pelo art 44 da LD, é inconstitucional? STJ diverge:
 SIM: desproporcional justamente em razão da possibilidade de
substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de
direito. (OBS: só cabe sursis se for incabível a substituição)
 NÃO: STF só julgou inconstitucional a vedação de substituição por
restritiva de direitos. Incabível sursis
 Súmula 607-STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei nº
11.343/2006) configura-se com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não
consumada a transposição de fronteiras. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 11/04/2018, DJe
17/04/2018.
o

5.4. Crimes nas licitações – Lei 8.666/93


● A fraude em licitação do artigo 96 da lei 8666 não contempla fraude em licitação instaurada
para contratação de serviços, mas tão somente para aquisição ou venda de bens e
mercadorias. STJ: O tipo penal deveria prever expressamente a conduta de contratação de
serviços fraudulentos para que fosse possível a condenação do réu, em respeito ao princípio
da taxatividade, não podendo haver intepretação extensiva em prejuízo do réu.
● A multa do crime de licitação diverge do sistema bifásico geral estabelecido no CPP, uma vez
123 que consiste em pagamento de quantia fixada em percentuais calculados na vantagem
efetivamente obtida ou potencialmente auferível pelo agente, cujos não poderão ser
inferiores a 2% nem superiores a 5% do valor do contrato licitado ou celebrado com dispensa
ou inexigibilidade de licitação.
o O valor da pena de multa será revertida para Fazenda Pública prejudicada, e
não ao FUNPEN, conforme preconiza o CP.
● ATENÇÃO: Artigo 89 da lei 8666 (divergência quanto ao resultado danoso STF e STJ)
o STJ: o crime do artigo 89 da Lei 8666 exige dolo específico de causar dano ao
erário a e a caracterização de efetivo prejuízo – crime material.
o STF: consuma-se tão somente com a dispensa ou inexigibilidade de licitação
fora das hipóteses legais. Deve haver DANO ou a FINALIDADE de
enriquecimento ilícito, INTENÇÃO ESPECÍFICA DE LESAR O ERÁRIO, devendo
estes requisitos se situarem no plano subjetivo. Não se exige prova de
prejuízo financeiro ao erário, uma vez que o bem jurídico tutelado não se
resume ao patrimônio público, mas coincide com os fins buscados pela CF, ao
exigir que a licitação assegure igualdade de condições a todos concorrentes.
o STF: INFO 891, março de 2017
▪ Exige especial fim de agir consistente na intenção específica de lesar o
erário ou obter vantagem indevida.
▪ Exige-se descumprimento de formalidades mais violação aos
princípios da Administração Pública: irregularidades pontuais não é
causa para tipificar Se houve apenas irregularidades pontuais
relacionadas com a burocracia estatal, isso não deve, por si só, gerar a
criminalização da conduta. Deve violar os princípios fundamentais da
Administração Pública, sob pena de atipicidade material.

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▪ Decisão amparada em parecer técnico e jurídico: não haverá crime se


a dispensa se deu com base em parecer, salvo se o parecerista estiver
de conluio com o administrador, o que pode ser demonstrado.
● Deve ser analisado alguns critérios para verificar se o ilícito administrativo configura
também crime do artigo 89.
o A) existência ou não de parecer jurídico autorizando a dispensa ou a
inexigibilidade. O parecer faz que a boa-fé seja presumida, não sendo
presunção absoluta, de sorte que o dolo pode ser provado. Havendo parecer,
é possível afirmar seu dolo através dos elementos dos autos, pois o agente
pode estar de conluio com o parecerista.
o B) a denúncia deverá indicar a existência de especial finalidade do agente de
lesar o erário ou de promover enriquecimento ilícito.
o C) a denúncia deverá descrever o vinculo subjetivo entre os agentes.
● Artigo 89 é improbidade do artigo 10!!! – punido a título de DOLO e CULPA em caso de
improbidade – “frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente.
o O artigo 10 da 8429, em regra, precisa da demonstração de danos ao erário,
MAS, no caso de dispensa indevida de licitação, o STJ entende que o prejuízo
ao erário é presumido, in re ipsa para configurar IMPROBIDADE (ATENÇÃO: no
crime o STJ exige o dano)
o Já o artigo 11 da Lei 8429 (IMPROBIDADE) exige tão somente o dolo genérico
de ferir os princípios da administração.

124 ● 1) A declaração de emergência feita por Governador do Estado, por si só, não caracteriza
situação que justifique a dispensa de licitação; 2) O crime do art. 89 da Lei de Licitações não é
inconstitucional nem viola o princípio da proporcionalidade; 3) O aditamento realizado
descaracterizou o contrato original e, portanto, configura, em tese, a prática do art. 92; 4) O
fato de a dispensa de licitação e de o aditamento do contrato terem sido precedidos de
parecer jurídico não é bastante para afastar o dolo caso outros elementos externos indiciem a
possibilidade de desvio de finalidade ou de conluio entre o gestor e o responsável pelo
parecer.
● Artigo 90 da 8666 – frustrar, fraudar o caráter competitivo, com intuito de vantagem com a
adjudicação do objeto da licitação:
o Embora o texto fale “mediante ajuste de preços” o preceito legal insere
também “qualquer outro meio”, de modo que podem autorizar a
interpretação analógica para outras ações.
o O tipo subjetivo, finalidade específica, é “obter, para si ou para outrem,
vantagem decorrente da adjudicação do objeto da licitação. ”
o STF: configura crime de fraude ao caráter competitivo fracionar licitação para
utilizar-se de modalidade licitatória distinta da determinada por lei.
● Não há qualquer fundamento, segundo o STF para que se tenha a decisão do TCU como
condição de procebilidade de ação penal referente à crimes de licitação.
o Ainda que haja prévia decisão do TCU julgando REGULARES as contas
relacionadas aos crimes de licitação, tal decisão NÃO VINCULA a esfera penal,
que pode receber a denúncia pelos mesmos fatos, já que independente as
instâncias, não tendo o TCU atribuição de interditar investigação criminal.
o Os inquéritos civis – improbidade ou ilícitos civis – são aptos à esfera
criminal, podendo ser oferecido denúncia base neles.

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o Ainda que um laudo técnico, produzido por órgão do MP, não cumpra com as
formalidades do CPP em relação às perícias, constituem documento, que pode
ser valorado segundo a fé que merecer pelo juiz.

5.5. Crimes políticos


 Como a Constituição não define crime político, cabe ao intérprete fazê-lo diante do caso
concreto e da lei vigente. 2. Só há crime político quando presentes os pressupostos do artigo
2º da Lei de Segurança Nacional (Lei nº 7.170/82), ao qual se integram os do artigo 1º: a
materialidade da conduta deve lesar real ou potencialmente ou expor a perigo de lesão a
soberania nacional, de forma que, ainda que a conduta esteja tipificada no artigo 12 da LSN, é
preciso que se lhe agregue a motivação política.
 O réu ingressou clandestinamente em uma Usina Hidrelétrica e alterou a posição da chave da
bomba de alta pressão de óleo. O MPF denunciou o agente pela prática do delito de
sabotagem, previsto no art. 15 da Lei de Segurança Nacional (Lei nº 7.170/83), que consiste em
crime político. O STF entendeu que não houve crime político considerando que:
o Não houve lesão real ou potencial a um dos bens jurídicos listados no art. 1º da
Lei nº 7.170/83 (requisito objetivo); e
o O agente não tinha motivação política (requisito subjetivo).
o Além disso, o Tribunal entendeu que se tratava de crime impossível, considerando
que essa alteração da posição da chave não tinha condão de provocar qualquer
embaraço ao funcionamento da Usina.
125 
5.6. Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional – SFN – Lei
7.492/86
● Uma operadora de plano de saúde que pratica fraudes na gestão só pode ser enquadrada
como instituição financeira, a atrair a incidência da Lei 7.492/86 e, via de consequência, a
competência da Justiça Federal, se atuar como entidade seguradora. Do contrário, a
competência é da Justiça Estadual.
● A absolvição quanto ao crime de emissão, oferecimento ou negociação de título fraudulentos –
tipificado no art. 7º da Lei Federal nº 7.492/86 – não ilide a possibilidade de condenação por
gestão fraudulenta de instituição financeira, previsto no art. 4º, caput, da Lei Federal nº
7.492/86, uma vez que este delito não possui relação de dependência com o delito de
emissão.
● No crime de aplicação indevida de financiamento concedido por instituição financeira oficial, a
reparação voluntária e integral do dano, antes do recebimento da denúncia, não extingue a
punibilidade do agente, mas permite a incidência do arrependimento posterior e:
o Caso ocorra a restituição após o recebimento da denúncia e antes do
julgamento, configurará atenuante de reparação do dano.
● O delito de gestão fraudulenta, capitulado no art. 4º da Lei Federal nº 7.492/86, muito embora
seja crime próprio, não impede que um terceiro, estranho à administração da instituição
financeira, venha a ter participação no delito, desde que ancorado no art. 29 do Código Penal.
● Agiotagem não é crime contra o SFN. Ele não está enquadrado como os agentes do art. 25.
● Os crimes do SFN são todos dolosos, não há previsão culposa, não obstante haja divergência
quanto gestão fraudulenta/temerária, conforme abaixo.
o Entende-se que a gestão temerária dos crimes contra o SFN é doloso, pois se o
agente cria o risco, assume o possível dano, sendo este mera consequência do
risco criado.
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● SFN: o crime de evasão de divisas exige especial fim de agir, consistente em promover a
evasão de divisas. Art. 22.
● Segundo o STJ, nos casos de evasão de divisas praticada mediante operação do tipo “dólar-
cabo”, não é possível utilizar o valor de R$ 10.000,00 como parâmetro para fins de aplicação
do princípio da insignificância.
o Art. 22. Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de
divisas do País:
Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem
autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver
depósitos não declarados à repartição federal competente.
 É suficiente à consumação do delito tipificado no artigo 22 da lei 7.492/86 a existência de
operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas.
● Prevaricação financeira não exige especial fim de agir (satisfazer interesse pessoal), bastando a
realização do tipo. Art. 23.
● O STJ, em algumas oportunidades, assentou que só há a conduta descrita no art. 19
(financiamento mediante fraude) da Lei Federal nº 7.492/86 (“financiamento”) quando os
recursos obtidos junto à instituição financeira possuem destinação específica (CC 123.967, CC
122257), não se confundindo, assim, com mútuo obtido a título pessoal, conduta que
caracteriza o crime de estelionato. Logo, como o leasing revela, na prática, verdadeiro tipo de
financiamento bancário, para aquisição de bem específico, em instituição financeira, a conduta
126 se encontra tipificada no artigo 19 da Lei Federal nº 7.492/86.
o Destinação prevista: financiamento mediante fraude.
o Mútuo pessoal/sem destinação: estelionato.
● Não se aplica princípio da insignificância aos crimes contra o SFN, pois o Estado é o sujeito
passivo PRIMÁRIO, interesse público.
● Compete aos Juízes Federais julgar: os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos
determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira. SFN.
● Gestão temerária: atuar de forma a expor a instituição financeira a operações de risco
excessivo de maneira habitual, o que é necessário para caracterização do delito.
● STJ – GESTÃO FRAUDULENTA: simulam negócio jurídico para obter vantagem indevida. Crime
formal, próprio, perigo concreto (risco o patrimônio dos investidores), doloso.
o Crime formal: demonstra-se com a mera gestão fraudulenta ou temerária,
independentemente de prejuízo.
o Habitual impróprio (crime único): o crime de gestão fraudulenta, consoante a
doutrina, pode ser visto como crime habitual impróprio, em que uma só ação
tem relevância para configurar o tipo, ainda que a sua reiteração não
configure pluralidade de crimes (trata-se de crime único)"
o Pressupõe a existência de instituição financeira autorizada.
o Operação ilegal de instituição financeira não pode coexistir com gestão
fraudulenta, pois esta pressupõe existência de instituição financeira
autorizada. Logo, os delitos não coexistem na mesma conduta.
● As operações financeiras realizadas podem ocasionar dois delitos autônomos, como
empréstimo vedado e gestão temerária, não se configurando bis in idem. Assim, os delitos
podem ser processados em concurso formal.
● Crimes contra o SFN em coautoria/participação, a confissão espontânea que revelar a trama
delituosa é causa de redução de pena de um terço a dois terços.

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● A utilização de terceiros (“laranjas”) para aquisição de moeda estrangeira para outrem, ainda
que tenham anuído com as operações, se subsome à conduta tipificada no art. 21 da Lei nº
7.492/86. O bem jurídico resta violado com a dissimulação de esconder a real identidade do
adquirente da moeda estrangeira valendo-se da identidade, ainda que verdadeira, de
terceiros.
● A conduta prevista no art. 21, Lei nº 7.492/86, pressupõe fraude que tenha o potencial de
dificultar ou impossibilitar a fiscalização sobre a operação de câmbio, com o escopo de impedir
a constatação da prática de condutas delitivas diversas ou mesmo eventuais limites legais para
a aquisição de moeda estrangeira.
● O crime de insider trading consuma-se com a mera negociação, independentemente da efetiva
obtenção de vantagem ou causação de prejuízo a terceiro.
o A princípio, o crime em questão – insider trading -, tipificado no art. 27-D da
Lei n. 6.385/76, não atrairia a competência da Justiça Federal, levando-se em
conta o art. 109, VI, da CF, cujo texto reza que compete à Justiça Federal
processar e julgar os crimes praticados contra o sistema financeiro e a ordem
econômico-financeira nas hipóteses determinadas por lei; a Lei n. 6.385/76
assim não dispõe.
o Ocorre que, mostra-se claro que a conduta delituosa prevista no seu art. 27-
D afeta diretamente o interesse da União, porquanto a utilização de
informação privilegiada pode gerar lesão ao Sistema Financeiro Nacional, ao
pôr em risco a confiabilidade dos investidores no mercado de capitais,

127 aniquilando a confiança e a lisura de suas atividades. Nesse caso, aplica-se o


inciso IV do art. 109 da Carta Magna, que fixa a competência da Justiça
Federal quando o delito ofender bens, serviços ou interesses da União ou
suas entidades autárquicas ou empresas públicas
● Na fixação da pena do crime de evasão de divisas (art. 22, parágrafo único, da Lei nº 7.492/86),
o fato de o delito ter sido cometido por organização criminosa complexa e bem estrutura pode
ser valorado de forma negativa a título de circunstâncias do crime.
● Compete à Justiça Federal processar e julgar a conduta daquele que, por meio de pessoa
jurídica instituída para a prestação de serviço de factoring, realiza, sem autorização legal, a
captação, intermediação e aplicação de recursos financeiros de terceiros, sob a promessa de
que estes receberiam, em contrapartida, rendimentos superiores aos aplicados no mercado.
Isso porque a referida conduta se subsume, em princípio, ao tipo do art. 16 da Lei 7.492/1986
(Lei dos Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional), consistente em fazer “operar, sem a
devida autorização, ou com autorização obtida mediante declaração falsa, instituição
financeira, inclusive de distribuição de valores mobiliários ou de câmbio”. Ademais, nessa
hipótese, apesar de o delito haver sido praticado por meio de pessoa jurídica criada para a
realização de atividade de factoring, deve-se considerar ter esta operado como verdadeira
instituição financeira, justificando-se, assim, a fixação da competência na Justiça Federal.
● A absolvição quanto ao crime de emissão, oferecimento ou negociação de títulos fraudulentos
(art. 7º da Lei nº 7.492/86) não ilide a possibilidade de condenação por gestão fraudulenta de
instituição financeira (art. 4º, caput, da Lei nº 7.492/86).
● A depender da espécie da operação realizada, pode ou não ficar configurada a obtenção
fraudulenta de empréstimo, que caracteriza crime contra o SFN, ou poderá ser estelionato.
o Estelionato: Mútuo obtido a título pessoal, caracteriza o crime de estelionato.
o Financiamento fraudulento (SFN): Quando os recursos obtidos junto à
instituição financeira possuem destinação específica.

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● O art. 6º da Lei nº 7.492/86 prevê o seguinte delito: Art. 6º Induzir ou manter em erro, sócio,
investidor ou repartição pública competente, relativamente a operação ou situação financeira,
sonegando-lhe informação ou prestando-a falsamente: Pena — Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis)
anos, e multa. Podem ser sujeitos ativos do crime previsto no art. 6º da Lei 7.492/86 pessoas
naturais que se fizeram passar por membro ou representante de pessoa jurídica que não tinha
autorização do Bacen para funcionar como instituição financeira. Configura o crime do art. 6º
da Lei nº 7.492/86 (e não estelionato do art. 171 do CP) a falsa promessa de compra de valores
mobiliários feita por falsos representantes de investidores estrangeiros para induzir
investidores internacionais a transferir antecipadamente valores que diziam ser devidos para a
realização das operações.
● CVM e BACEN podem ser assistentes nas ações, cada um na sua competência.
● Na fixação de pena de multa relativo aos crimes previstos na lei em comento, o limite do
Código Penal pode ser estendido até o décuplo, se verificada a situação cogitada no art. 49,
§1º.

5.7. Crimes contra a ordem tributária e econômica – Lei 8.137/90


● STJ: é possível a aplicação da Súmula Vinculante n. 24 a fatos ocorridos antes da sua
publicação, por se tratar de consolidação da interpretação jurisprudencial e não de caso de
retroatividade da lei penal mais gravosa. A súmula vinculante não é lei nem ato normativo, de
forma que a SV 24-STF não inovou no ordenamento jurídico. O enunciado apenas espelhou
(demonstrou) o que a jurisprudência já vinha decidindo.

128 ● A prescrição do crédito tributário em nada influi na punibilidade da esfera penal, pois a
obrigação tributária nasceu regularmente, gerando o dever de pagamento do tributo e,
consequentemente, a consumação do delito.
● Crime único que gera sonegação de mais de um tributo é considerado como um crime só, não
havendo concurso formal.
o Não há concurso formal, mas crime único, na hipótese em que o contribuinte
declara Imposto de Renda de Pessoa Jurídica com a inserção de dados falsos,
ainda que tal conduta tenha afetado o lançamento de outros tributos.
● STF: tem prevalecido o entendimento de que, em matéria de crimes societários, a denúncia
deve apresentar, suficiente e adequadamente, a conduta atribuível a cada um dos agentes, de
modo a possibilitar a identificação do papel desempenhado pelos denunciados na estrutura
jurídico-administrativa da empresa.
● STF afirmou que não se pode invocar a teoria do domínio do fato, pura e simplesmente, sem
nenhuma outra prova, citando de forma genérica o diretor estatutário da empresa para lhe
imputar um crime contra a ordem tributária. Para o STF, é imprescindível demonstrar um nexo
de causalidade, expresso por meio de veiculação de ordens a pessoas que executam
materialmente o delito.
● ATENÇÃO: o inciso V do artigo 1º da Lei 8137 não é crime tributário material “negar ou deixar
de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de
mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a
legislação.” Não sendo crime tributário material, PRESCINDE de instauração de processo
administrativo-fiscal para desencadeamento da persecução penal, não se submetendo à SV 24,
uma vez que é crime FORMAL, mesmo que no rol do artigo 1 da lei.
● A fluência do prazo prescricional dos crimes contra a ordem tributária, previstos no art. 1º,
incisos I a IV, da Lei n. 8.137/90, somente tem início após a constituição do crédito tributário,
o que se dá com o encerramento do procedimento administrativo-fiscal e o lançamento
definitivo.

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● Nos crimes de sonegação, a causa de aumento prevista em caso de grave dano à coletividade
não se aplica somente se o valor dos tributos sonegados forem maior do que dez milhões. Isso
porque o dispositivo da Receita Federal define “quantia vultuosa” para fins internos de
acompanhamento prioritário pela Fazenda Nacional dos processos de cobrança, não limitando
ou definindo o que seja grave dano à coletividade.
● O reconhecimento da prescrição tributária em execução fiscal não é capaz de justificar o
trancamento da ação penal referente aos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei
8.137.
● SV 24: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, do inciso I a IV do art. 1º da Lei
8137, antes do lançamento definitivo do tributo.
● Descaminho é crime tributário formal (não se restringe ao valor sonegado, mas também às
atividades comerciais dentro do país).
o A causa extintiva da punibilidade pelo pagamento do tributo NÃO SE APLICA
aos crimes tributários formais (descaminho e contrabando), mas só aos
crimes TRIBUTÁRIOS MATERIAIS.
o Aplica-se o princípio da insignificância ao descaminho, mas não se aplica ao
contrabando, uma vez que atinge toda sociedade.
● Agente fiscal que exige dinheiro para deixar de emitir auto de infração de débito tributário
comete crime especial previsto na lei 8137, e não concussão.
● Pagamento de penalidade pecuniária imposta ao contribuinte que deixa de atender às
exigências da autoridade tributária quanto à exibição de livros e documentos fiscais não se
129 adéqua a nenhuma da hipóteses de extinção da punibilidade previstas no §2º do artigo 9 da lei
10864.
● Em se tratando de crime funcional contra a ordem tributária, o pagamento do tributo não
extingue a responsabilidade penal do agente público.
● Pagamento integral, parcelamento e insignificância:
No caso dos seguintes delitos:
•crimes contra a ordem tributária (arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90);
•apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP); STJ acolhe o entendimento
do STF, aplicando os 20mil como limite para aplicação da insignificância nos crimes
tributários formais!!!
•sonegação previdenciária (art. 337-A do CP):
o O pagamento integral do débito tributário, a qualquer tempo, até mesmo após
o trânsito em julgado da condenação, é causa de extinção da punibilidade do
agente, nos termos do art. 9º, § 2º, da Lei nº 10.684/2003.
o O parcelamento do crédito tributário suspende a prescrição penal.
o A pendência de procedimento administrativo em que se discuta eventual
direito de compensação de débitos tributários com eventuais créditos
perante o Fisco não tem o condão, por si só, de suspender o curso da ação
penal, eis que devidamente constituído o crédito tributário sobre o qual
recai a persecução penal.
● É possível que o magistrado, na sentença, proceda à emendatio libelli, majorando a pena em
razão das causas de aumento previstas no artigo 12, inciso I, da lei 8137, quando houver na
denúncia expressa indicação do montante do valor sonegado.
● Obtenção indevida de restituição de IR por meio de inserção de informações falsas na
declaração de IR:
o Jurisprudência oscila entre estelionato e crime contra a ordem tributária;
o Estelionato: obtém-se vantagem indevida por meio fraudulento.
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o Contra a ordem tributária: insere-se informações falsas nos sistemas


fazendários com o fim de reduzir a BC do tributo.
o STJ: entende sendo crime contra a ordem tributária.
● O reconhecimento de prescrição tributária em execução fiscal não é capaz de justificar o
trancamento de ação penal referente aos crimes contra a ordem tributária previstos nos
incisos I a IV do art. 1º da Lei nº 8.137/90. A constituição regular e definitiva do crédito
tributário é suficiente para tipificar as condutas previstas no art. 1º, I a IV, da Lei nº 8.137/90,
não influenciando em nada, para fins penais, o fato de ter sido reconhecida a prescrição
tributária.
● A pendência de procedimento administrativo em que se discuta eventual direito de
compensação de débitos tributários com eventuais créditos perante o Fisco não tem o
condão, por si só, de suspender o curso da ação penal, eis que devidamente constituído o
crédito tributário sobre o qual recai a persecução penal
● Pedido de extradição de estrangeiro que tenha sonegado tributo no exterior não segue as
mesmas regras Brasileiras, de modo que não precisa respeitar a regra da constituição definitiva
do tributo.
● A constituição do crédito tributário após o recebimento da denúncia não tem o condão de
convalidar a ação penal que foi iniciada em descompasso com as normas jurídicas vigentes e
com a SV24 do STF. Desde o nascedouro, essa ação penal é nula porque referente a atos
desprovidos de tipicidade. (2ª Turma. A 1ª turma entende que se já sentenciou e a constituição
do crédito foi após a deflagração da ação penal, não há mais como trancar por HC)
130 o Se essa denúncia tivesse sido proposta antes da SV 24-STF, então, nesse caso,
a solução poderia diferente e a superveniência da constituição definitiva do
crédito tributário poderia convalidar a ação proposta sem esse pressuposto.
Isso porque antes da súmula havia muita polêmica sobre a matéria, sendo
razoável, em nome da segurança jurídica, convalidar esses atos.
● Não existindo o lançamento definitivo do crédito tributário, revela-se ilegal a concessão de
medida de busca e apreensão e de quebra de sigilo fiscal, em procedimento investigatório,
visando apurar os crimes em apreço.
o Há exceção, quando imprescindível para viabilizar a fiscalização.
● Mesmo não tendo havido ainda a constituição definitiva do crédito tributário, já é possível o
início da investigação criminal para apurar o fato.
● O simples fato de o acusado ser sócio e administrador da empresa constante da denúncia não
pode levar a crer, necessariamente, que ele tivesse participação nos fatos delituosos, a ponto
de se ter dispensado ao menos uma sinalização de sua conduta, ainda que breve, sob pena de
restar configurada a repudiada responsabilidade criminal objetiva.
● Para que seja proposta ação penal por descaminho não é necessária a prévia constituição
definitiva do crédito tributário. Trata-se de um crime formalmente tributário. Não se aplica a
Súmula Vinculante 24 do STF. O crime se consuma com a simples conduta de iludir o Estado
quanto ao pagamento dos tributos devidos quando da importação ou exportação de
mercadorias.
● A principal diferença entre os dois crimes é a seguinte:
Art. 1º, I Art. 2º, I
É crime material. É crime formal.
Para a sua consumação, exige-se que haja a Para a sua consumação, basta que o agente
efetiva supressão ou redução do tributo, caput. tenha feito a declaração falsa, omitido
Em suma, o tipo penal exige que tenha havido declaração ou empregado outra fraude com o
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sonegação. objetivo de se eximir do pagamento do tributo.


O tipo penal não exige que tenha havido
sonegação. Aliás, se o agente conseguir
efetivamente a sonegação, ele não responderá
pelo art. 2º, I, mas sim pelo art. 1º, I.
É indispensável a constituição definitiva do Não é necessária a constituição definitiva do
crédito tributário. crédito tributário.
Aplica-se a SV 24-STF. Não se aplica a SV 24-STF.
 É descabida a discussão sobre a nulidade ou não do procedimento administrativo fiscal em
processo criminal. A alegação de vícios no referido procedimento deve ser manejada na esfera
adequada para o exercício da pretensão anulatória do crédito tributário, e não no âmbito da
Justiça Criminal.
 É possível a exasperação da pena base aplicada ao crime de sonegação fiscal pela análise do
montante de crédito tributário suprimido ou reduzido a partir da ação delituosa.
 Expor à venda produtos impróprios para consumo – deixa vestígios, razão pela qual a perícia é
indispensável para a demonstração de materialidade delitiva.
 A malversação dos recursos oriundos do FINAM e administrados pela SUDAM se amoldam no
tipo penal da lei 8137.
 A garantia aceita na execução fiscal não possui a natureza jurídica de pagamento da exação e,
portanto, não fulmina a justa causa para a persecução penal, pois não configura hipótese
131 taxativa de extinção da punibilidade do crime tributário.
 Os crimes previstos na Lei nº 8.137/1990 não violam o disposto no art. 5º, inc. LXVII, da
Constituição da República. Os crimes contra a ordem tributária não violam a CF, pois não
instituem a prisão por dívida. A punição decorre do ato de sonegar, do desvalor de fraudar o
fisco. O simples não pagar não é crime. Portanto os atos são sim criminosos e constitucionais.

5.8. Crimes contra a ordem econômica – Lei 8.176/91


● É indispensável a perícia para comprovação de que o produto é impróprio para o consumo.

5.9. Ocultação de bens e lavagem de dinheiro – Lei 9.613/98


● Lavagem de dinheiro precisa de especial elemento subjetivo, não havendo, portanto, a
modalidade culposa de lavagem de dinheiro. (CESPE) porém há divergência.
● O crime antecedente deve ter caráter patrimonial ou de alguma forma ostente caráter
econômico.
● Não se aplica o artigo 366 do CPP, devendo o acusado que não comparecer nem constituir
advogado ser citado por edital, prosseguindo o feito até o julgamento, com a nomeação de
defensor dativo!
● Lavagem de dinheiro pode ter como delito anterior CRIME ou CONTRAVENÇÃO. A lei fala em
infração penal, que engloba ambas espécies delituosas.
● Nos crimes de Lavagem de dinheiro, há interdição de cargo e direção das pessoas jurídicas de
direito público pelo DOBRO do tempo da pena privativa da liberdade aplicada. – Artigo 7º, II.

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● Senador que solicita propina destinado à campanha política, de modo que o dinheiro é
entregue ao partido, como se fossem doações eleitorais, pratica corrupção passiva e lavagem
de dinheiro.
o Político que com sua influência mantém pessoa como diretora de determinada
entidade pública para que esta facilite contrato com construtora pratica
corrupção passiva.
● O delito de lavagem de bens, direitos ou valores (“lavagem de dinheiro”), previsto no art. 1º da
Lei nº 9.613/98, quando praticado na modalidade de ocultação, tem natureza de crime
permanente. A característica básica dos delitos permanentes está na circunstância de que a
execução desses crimes não se dá em um momento definido e específico, mas em um alongar
temporal. Quem oculta e mantém oculto algo, prolonga a ação até que o fato se torne
conhecido. Assim, o prazo prescricional somente tem início quando as autoridades tomam
conhecimento da conduta do agente.
● A transgressão da lei por parte de quem usualmente é depositário da confiança popular para
o exercício do poder enseja juízo de reprovação muito mais intenso do que seria cabível em se
tratando de um cidadão comum.
● A pena-base pode ser aumentada, no que tange às “circunstâncias do crime”, se a lavagem de
dinheiro ocorreu num contexto de múltiplas transações financeiras e de múltipla
transnacionalidade, o que interfere na ordem jurídica de mais de um Estado soberano.
● Se a lavagem de dinheiro envolveu valores vultosos, a pena-base poderá ser aumentada
(“consequências do crime”) tendo em vista que, neste caso, considera-se que o delito violou o
132 ● bem jurídico tutelado de forma muito mais intensa do que o usual.
Justa causa duplicada: ocorre nos crimes de lavagem de dinheiro, devendo o MP demonstrar
(i) a descrição fática do crime de lavagem de capitais e (ii) a origem ilícita dos bens,
provenientes de infração antecedente, acompanhadas de indícios suficientes do crime
antecedente.
● O crime de lavagem de capitais pode ser conexo ou não com o crime antecedente, tratando-se
de faculdade e não de obrigatoriedade.
● Eventualmente, o julgamento do crime antecedente poderá influir no julgamento do crime de
lavagem de captais, quando, v.g., for considerada inexistente suposta infração anterior. Aqui
cabe HC para trancar a ação por lavagem de captais ou até mesmo revisão criminal, caso
transitada em julgado a sentença penal condenatória.
● Simples fato de ter recebido a propina em espécie não configura lavagem de dinheiro. O mero
recebimento de valores em dinheiro não tipifica o delito de lavagem, seja quando recebido
pelo próprio agente público, seja quando recebido por interposta pessoa. STF. 2ª Turma. AP
996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904). Recebimento de propina em
depósitos bancários fracionados pode configurar lavagem. Pratica lavagem de dinheiro o
sujeito que recebe propina por meio de depósitos bancários fracionados, em valores que não
atingem os limites estabelecidos pelas autoridades monetárias à comunicação compulsória
dessas operações. Ex: suponhamos que, na época, a autoridade bancária dizia que todo
depósito acima de R$ 20 mil deveria ser comunicado ao COAF; diante disso, um Deputado
recebia depósitos periódicos de R$ 19 mil para burlar essa regra. Para o STF, isso configura o
crime de lavagem. Trata-se de uma forma de ocultação da origem de valores.

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5.10. Crimes de responsabilidade – Lei nº 1.079/50 e DL nº 201/67


● Se o prefeito é denunciado por um crime do DL201/67 e outro crime, deve ser oportunizado a
defesa prévia da lei especial para ambos os crimes, e não só do DL, uma vez que o
procedimento especial prevalece sobre o procedimento comum.

 Nem o STF nem a doutrina admite a culpa por presunção ou responsabilidade objetiva de
prefeitos em relação aos atos praticados por terceiros por ele nomeado para exercer algum
cargo. É imprescindível demonstrar concretamente o liame de seu comportamento com as
irregularidades.
 Os crimes de responsabilidade estão previstos:
 • Quanto ao Presidente da República: no art. 85 da CF/88 e Lei nº 1.079/50.
 • Quanto aos Governadores de Estado: na Lei nº 1.079/50.
 • Quanto aos Prefeitos: no DL 201/67.
 Caso o agente seja condenado por crime de responsabilidade, ele não receberá sanções penais
(prisão ou multa), mas sim sanções político-administrativas (perda do cargo e inabilitação para
o exercício de função pública).
● Aqui peculato uso é crime.
● I — O Estado-membro não pode dispor sobre crime de responsabilidade, ainda que seja na
Constituição estadual. Isso porque a competência para legislar sobre crime de
responsabilidade é privativa da União, nos termos do art. 22, I, e art. 85 da CF/88. II — As
Constituições estaduais não podem prever que os Governadores serão julgados pela
133 Assembleia Legislativa em caso de crimes de responsabilidade. Isso porque o art. 78, § 3º da
Lei 1.079/50 afirma que a competência para julgar os Governadores de Estado em caso de
crimes de responsabilidade é de um “Tribunal Especial”, composto especialmente para julgar o
fato e que será formado por 5 Deputados Estaduais e 5 Desembargadores, sob a presidência
do Presidente do Tribunal de Justiça. STF. Plenário. ADI 4791/PR, Rel. Min. Teori Zavascki; ADI
4800/RO e ADI 4792/ES, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgados em 12/2/2015 (Info 774).
● Súmula 703-STF: A extinção do mandato do Prefeito não impede a instauração de processo
pela prática dos crimes previstos no art. 1º do DL 201/67. • Importante. • Vide Súmula 164 do
STJ.
● Prefeito pode ser denunciado, processado e condenado pelos crimes do DL 201/67 mesmo
que continue no cargo. O processo penal pode seguir seu curso normalmente mesmo que ele
não sofra impeachment.
● O Prefeito que estiver sendo investigado pela prática de crime pode ser afastado
cautelarmente de seu cargo mesmo antes do oferecimento da denúncia, com base no art. 319,
VI do CPP que revogou tacitamente o art. 2º, II, do DL 201/67. A lei não prevê um prazo
máximo de afastamento cautelar, mas o STJ possui julgados sustentando que não deve ser
superior a 180 dias, pois tal fato caracterizaria uma verdadeira cassação indireta do mandato.
STJ. 5ª Turma. HC 228023-SC, Rel. Min. Adilson Vieira Macabu, julgado em 19/6/2012.
● A pena de inabilitação para exercício de cargo/função pública, prevista no art. 1.º, § 2.º, do
Decreto-Lei 201/67, é extinta, necessariamente, se houver prescrição da pena privativa de
liberdade. Assim, conforme a jurisprudência do STF, do STJ e do TSE, extinta a pena privativa
de liberdade pela prescrição da pretensão punitiva, também terá o mesmo fim a pena dela
decorrente de inabilitação para o exercício de cargo ou função pública. STJ. 5ª Turma. AgRg
no REsp 1381728-SC, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 17/12/2013 (Info 533).
● O crime do art. 1º, I, do Decreto-Lei 201/1967 é próprio, somente podendo ser praticado por
prefeito, admitida, porém, a participação, nos termos do art. 29 do CP. Exemplo: Deputado
Federal apresentou emenda parlamentar ao orçamento da União autorizando o repasse de
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recursos para o Município “X”, verba destinada à aquisição de uma ambulância. O recurso foi
transferido, foi realizada a licitação, mas o certame foi direcionado em favor de determinada
empresa que superfaturou o preço. Ficou demonstrado que o Prefeito, o Deputado e os
donos da empresa vencedora estavam em conluio para a prática dessa conduta. Desse modo,
todos eles irão responder pelo delito do art. 1º, I, do DL 201/67. STF. 2ª Turma. Inq 3634/DF,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 2/6/2015 (Info 788).
● O art. 1º, XIV, do DL 201/67 prevê que o Prefeito pratica crime quando nega execução a lei
federal, estadual ou municipal, ou deixa de cumprir ordem judicial, sem dar o motivo da
recusa ou da impossibilidade, por escrito, à autoridade competente. Para configuração do
delito em tela, é indispensável que o MP comprove a inequívoca ciência do Prefeito a respeito
da ordem judicial, não sendo suficiente que a determinação judicial tenha sido comunicada a
terceiros. Para que o Prefeito pudesse ser responsabilizado criminalmente, seria indispensável
a sua intimação pessoal. STF. 1ª Turma. AP 555/SC, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em
6/10/2015 (Info 802).

5.11. Organização Criminosa – Lei 12.850/13


● Exige MAIS DE TRÊS integrantes, ou seja, QUATRO ou mais. Só três é associação criminosa do
CPP.
● ORCRIM é feita para a prática de infrações penais (crime ou contravenção), cujas as penas
sejam SUPERIORES a 4 anos, ou sejam de caráter TRANSNACIONAL
134 ● Organização criminosa: exige permanência e estabilidade. Do contrário, em crimes isolados, é
mero concurso de agentes. § 1o Considera-se organização criminosa a associação de 4
(quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas,
ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de
qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam
superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.
● ATENÇÃO: nenhuma sentença será proferida com fundamento apenas nas declarações de
agente colaborador (delação premiada).
o O juiz é impedido de participar das negociações da delação. A iniciativa de
delação é independente de reserva de jurisdição, cabendo ao MP e ao
Delegado.
● A decisão de juiz que nega a réu denunciado com base em colaboração premiada ao acesso a
outros termos de declarações que não digam respeito aos fatos pelos quais ele está sendo
acusado, especialmente se tais declarações ainda estão sendo investigadas NÃO VIOLAM A SV
14 STF.
● Em delação premiada, segundo o STF, o sigilo sobre o conteúdo de colaboração premiada deve
perdurar, no máximo, até o recebimento da denúncia, podendo, no entanto, ser levantado
antes de sua propositura. Prevaleceu o entendimento de que esse dispositivo não traz uma
regra de observância absoluta, mas sim um termo final máximo. Para que o sigilo seja
mantido até o recebimento da denúncia, deve-se demonstrar a existência de uma
necessidade concreta. Não havendo essa necessidade, deve-se garantir a publicidade do
acordo.
● O sigilo da colaboração pode imperar até o recebimento da denúncia, possuindo como
função resguardar interesse privado (segurança do colaborador e pessoas a ele próximas) e
interesse público (efetividade das investigações).
● A colaboração é um negócio jurídico processual, ainda que tenha aptidão para interferir nas
sanções penais. O negócio é tido como personalíssimo do colaborador com o Estado, motivo
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pelo qual não se admite sua impugnação por terceiros, ainda que referidos nas informações
prestadas pelo colaborador.
o É possível que delatado questione o acordo se a impugnação estiver
relacionada com as regras constitucionais de prerrogativa de foro.
● O papel do juiz ao homologar colaboração é meramente em relação aos aspectos formais: só
se faz juízo de valor sobre a consistência probatória quando a colaboração seja invocada como
fundamento para pedido afeto à apreciação judicial.
● Homologação de acordo de colaboração premiada por juiz de primeiro grau, que mencione
autoridade com foro de prerrogativa por função, não traduz em usurpação de competência do
Tribunal. Ao descobrir fortuitamente indícios do envolvimento de pessoa com prerrogativa de
foro, os autos devem ser encaminhados imediatamente ao foro prevalente, o qual é o único
competente para resolver sobre a existência de conexão ou continência e acerca da
conveniência do desmembramento do processo.
● A lei de crime organizado limita-se a exigir a voluntariedade do agente em sua colaboração,
não requerendo a espontaneidade.
● Se a colaboração premiada for posterior à sentença, a pena poderá ser reduzida até a metade
ou será admitida a progressão de regime ainda que estejam ausentes os requisitos objetivos.
● As declarações do agente colaborador, ainda que se consubstanciem em única prova judicial,
NÃO autorizam a prolação de sentença condenatória.
● O Ministério Público poderá, no caso de colaboração premiada, quando o colaborador não
for o líder da organização criminosa e for o primeiro a prestar efetiva colaboração, deixar de
135 ● oferecer denúncia.
Nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciará, na presença de seu defensor, ao
direito ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade
● Não obstante o acordo de colaboração premiada, o colaborador poderá ser ouvido em juízo a
requerimento das partes ou por iniciativa da autoridade judicial. Nos depoimentos que
prestar, o colaborador renunciará, na presença de seu defensor, ao direito ao silêncio e
estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade.
● Competência para homologação do acordo de colaboração premiada se o delatado tiver foro
por prerrogativa de função: Se a delação do colaborador mencionar fatos criminosos que
teriam sido praticados por autoridade (ex: Governador) e que teriam que ser julgados por foro
privativo (ex: STJ), este acordo de colaboração deverá, obrigatoriamente, ser celebrado pelo
Ministério Público respectivo (PGR), com homologação pelo Tribunal competente (STJ). Assim,
se os fatos delatados tiverem que ser julgados originariamente por um Tribunal (foro por
prerrogativa de função), o próprio acordo de colaboração premiada deverá ser homologado
por este respectivo Tribunal, mesmo que o delator não tenha foro privilegiado. A delação de
autoridade com prerrogativa de foro atrai a competência do respectivo Tribunal para a
respectiva homologação e, em consequência, do órgão do Ministério Público que atua perante
a Corte. Se o delator ou se o delatado tiverem foro por prerrogativa de função, a homologação
da colaboração premiada será de competência do respectivo Tribunal.
● Análise da legitimidade do delatado para impugnar o acordo de colaboração premiada: Em
regra, o delatado não tem legitimidade para impugnar o acordo de colaboração premiada.
Assim, em regra, a pessoa que foi delatada não poderá impetrar um habeas corpus alegando
que esse acordo possui algum vício. Isso porque se trata de negócio jurídico personalíssimo.
Esse entendimento, contudo, não se aplica em caso de homologação sem respeito à
prerrogativa de foro. Desse modo, é possível que o delatado questione o acordo se a
impugnação estiver relacionada com as regras constitucionais de prerrogativa de foro. Em
outras palavras, se o delatado for uma autoridade com foro por prerrogativa de função e,
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apesar disso, o acordo tiver sido homologado em 1ª instância, será permitido que ele impugne
essa homologação alegando usurpação de competência.
● O descumprimento de acordo de colaboração premiada, por si só, não justifica a decretação da
prisão preventiva. Isto porque não há uma relação direta entre a prisão preventiva e o acordo
de colaboração premiada, tampouco há previsão legal neste sentido. É necessário verificar, no
caso concreto, a presença dos requisitos da prisão preventiva, não podendo o decreto
prisional ter como fundamento apenas a quebra do acordo.
o Logo, o STF rechaça a tese do acoplamento estrutural entre a colaboração
premiada e a prisão preventiva, uma vez que não consta na lei de organizações
criminosas a prisão como consequência da quebra do acordo, bem como
porque o artigo 312 do CPP não contempla tal hipótese.
o Prisão preventiva não é moeda de troca ou punição antecipada.

5.12. Tratados internacionais em matéria penal


Normas das convenções e dos tratados de Direito Internacional relativos ao Processo Penal e
aos tratados bilaterais de auxílio direto. Convenção da ONU contra a corrupção. Cooperação
Internacional – tratados bilaterais celebrados pelo Brasil em matéria penal. Tratados e
Convenções em matéria criminal. A Convenção das Nações Unidas contra o Crime
Organizado Transnacional.
5.12.1. Corrupção
136 5.12.2. Organização Criminosa
5.12.3. Tráfico de pessoas, armas, terrorismo e escravidão
5.12.4. Estatuto de Roma
5.13. ECA
● No caso de crime por pedofilia por internet (241-A), o crime praticado por computador em SP
pode ser julgado pelo juízo do PR se ficar demonstrado que a conduta do agente ocorreu com
investigações que tiveram início em Curitiba, onde um grupo de pedófilos ligados ao agente
foi preso e, a partir daí, foram obtidas todas as provas. Neste caso, a competência do juízo de
Curitiba ocorrerá por conexão, não havendo ofensa ao princípio do juiz natural.
● No crime do artigo 239, envio de criança para o exterior de forma ilegal, se o envio possui
como finalidade a obtenção de lucro, o STJ considera que é típico, mesmo que feito com a
finalidade lícita. (Ex: enviar sem observação do procedimento legal criança para o exterior para
competir nas Olimpíadas)
o Em relação ao formado do direito, presume-se conhecimento da gravidade do
ilícito em patamar superior ao verificado no homem médio, o que se presta a
majorar a pena base à guisa de desvalor na culpabilidade.
o A fraude que qualifica este delito, no parágrafo único, pode se configurar na
falsidade material e ideológica perpetrada, podendo ser tanto contra a criança
quanto contra a Administração.

5.14. Racismo/discriminação – Lei 7.716/89


● Para o STF, o artigo 20 da Lei 7.716/86 pune a discriminação ou preconceito incidentes sobre
raça, a cor, a etnia, a religião ou a procedência nacional, NÃO contemplando a discriminação
decorrente da opção SEXUAL (HOMOAFETIVIDADE). Isso porque, como toda norma

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incriminadora, possui rol exaustivo de conditas tipificadas, cuja lista não contempla
discriminação decorrente de opção sexual.
● A incitação ao ódio (hate speech) contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores
não está protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão.
o Diferente é a crítica a outras religiões.
● Proferir manifestação de natureza discriminatória em relação aos homossexuais NÃO
configura o crime do art. 20 da Lei nº 7.716/89, sendo conduta atípica.
● O crime de racismo/discriminação pressupõe a ideia de segregação em função da raça ou da
cor, etnia, religião ou procedência nacional.
● Injúria Racial: ofensa praticada com conotação racial. Injúria qualificada.

5.15. Genocídio – Lei 2.889/56


 Especial fim de agir: destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso,
se aplicando a todas as figuras típicas da Lei de genocídio.
 Embora seja inafiançável, por ser hediondo, não é imprescritível.
 A tentativa, diferentemente do CP, é punida com 2/3 da pena do respectivo crime.
 O genocídio não será considerado crime político para efeitos de extradição.
 Caso o Governador de um Estado da Federação ordene a retirada compulsória de tribo
indígena de determinada região, de modo a evitar a demarcação do território e com o escopo
de submeter intencionalmente o grupo a condições de causar-lhe a destruição física total ou
137 parcial, há crime de genocídio. A pena é agravada de metade por se tratar de delito praticado
por governante.
 Mesmo se a morte for de um único integrante, havendo o elemento subjetivo de destruir o
grupo, haverá crime de genocídio, e não de homicídio.
 Se o agente efetua manipulação genética com a finalidade de impedir nascimentos no seio de
determinado grupo nacional, étnico, racial ou religioso, há genocídio.
 Pratica genocídio quem, com o especial fim de agir já mencionado no primeiro item, transfere
forçadamente crianças de um grupo para outro. Aplica-se o conceito de CRIANÇA do ECA
5.16. Tortura

5.17. Lei de abuso de autoridade


● Crimes que atentem contra a concessão de asilo político não são crimes de abuso de
autoridade, uma vez que não está elencado na lei.
● A busca pessoal independe de mandado nas seguintes hipóteses: a) no caso de prisão; b)
quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de
objetos ou papéis que constituam corpo de delito: caso a busca pessoal seja executada sem
que haja fundada suspeita, como no exemplo em que a autoridade a executa tão somente
para demonstrar seu poder, a conduta do agente policial pode caracterizar o crime de abuso
de autoridade (Lei n° 4.898/65, art. 3°, "a"); c) quando a medida for determinada no curso de
busca domiciliar: no cumprimento de busca domiciliar, as pessoas que se encontrem no
interior da casa poderão ser objeto de busca pessoal, mesmo que o mandado não diga de
maneira expressa.

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5.18. Lei de armas – Lei 10.826/03


● É típica e antijurídica a conduta de policial que, mesmo autorizado a portar ou possuir arma de
fogo, não observa as imposições legais previstas no Estatuto do desarmamento, que impõem
registro das armas no órgão competente.
● Portar granada de pimenta ou gás lacrimogênio não se enquadra em explosivo.
● LEI 13.497/2017. Altera a Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, para incluir o crime de posse
ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito no rol dos crimes hediondos.
● Os tipos penais dos arts. 12 e 16 da Lei nº 10.826/2003 tutelam bens jurídicos diversos e, por
essa razão, deve ser aplicado o concurso formal quando apreendidas armas ou munições de
uso permitido e de uso restrito no mesmo contexto fático. O art. 16 do Estatuto do
Desarmamento, além da paz e segurança públicas, também protege a seriedade dos cadastros
do Sistema Nacional de Armas, sendo inviável o reconhecimento de crime único, pois há lesão
a bens jurídicos diversos. STJ. 5ª Turma. AgRg nos EDcl no AREsp 1122758/MG, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 24/04/2018. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1619960/MG, Rel. Min. Reynaldo
Soares da Fonseca, julgado em 27/06/2017.

5.19. Lei Antiterrorismo

5.20. Invasão de terras da União


138 5.21. Identificação criminal e perfil genético – Lei 12.037/09

5.22. Proteção à vítimas e testemunhas ameaçadas – Lei 9.807/99


● O juiz poderá, de ofício ou a requerimento das partes, inclusive dos próprios réus, conceder
perdão judicial, com a consequente extinção da punibilidade, desde que, sendo réus primários,
tenham efetiva e voluntariamente colaborado com a investigação e com o processo criminal e
dessa colaboração tenha resultado a identificação dos demais coautores ou partícipes da ação
criminosa, a localização da vítima com a sua integridade física preservada e a recuperação total
ou parcial do produto do crime. Parágrafo único. A concessão do perdão judicial levará em
conta a personalidade do beneficiado e a natureza, circunstâncias, gravidade e repercussão
social do fato criminoso.

5.23. Código Penal Militar (COM)


● Art. 298: pune o desacato cometido por militar contra outro militar de hierarquia superior;
● Art. 299: pune o desacato cometido por qualquer pessoa contra militar no exercício de função
de natureza militar ou em razão dela;
● Art. 300: pune o desacato cometido contra funcionário civil no exercício de função ou em
razão dela, em lugar sujeito à administração militar.

5.24. Crimes no CDC


● De acordo com o artigo 82, III e IV e art. 80 do CDC, os PROCONs e associações de defesa dos
direitos dos consumidores podem ajuizar ação penal subsidiária da pública, em relação a

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ofendidos indeterminados. Trata-se de exceção à regra de que o legitimado ativo deve ser
pessoa individualizada.
● Configura agravante aos crimes previstos no CDC se o fato é praticado em época de grave crise
econômica ou por ocasião de calamidade.

5.25. Lei de procedimento em Tribunal – Lei 8.038/90

5.26. Interceptação telefônica – Lei 9.296/96


● Admite-se que a interceptação telefônica seja executada diretamente e sob responsabilidade
do MP, por autoridade própria, e que a transcrição seja feita diretamente pelos servidores do
MP, sob supervisão do promotor de justiça.
● TEORIA DA QUEBRA DA CADEIA DE CUSTÓDIA DA PROVA: não se pode utilizar fragmentos de
interceptação telefônica para suporte probatório em processo penal, dada a perda da unidade
da prova. Inviabiliza a ampla defesa.
● Teoria do juízo aparente: não é nula a interceptação telefônica deferida por juiz que,
posteriormente, ao descobrir os fatos, este se torne absolutamente incompetente.
● A admissibilidade do empréstimo de prova de interceptação telefônica é ampla, inclusive
quando descobertos ilícito praticados por quem não é parte na investigação.
● Não previnem a competência decisões de juiz de plantão, nem as facultadas, em caso de
urgência, a qualquer dos juízes criminais do foro. Assim, a decisão prolatada em plantão que
139 determina a interceptação telefônica não possui o condão de definir a competência da futura
ação penal por prevenção.
● As prorrogações sucessivas de interceptações telefônicas podem ser feitas durante o recesso
forense pelo Ministro Relator do STF.
● É admitido como meio probatório as escutas ambientais, captações e interceptações de sinais
eletromagnéticos, óticos ou acústicos em escritório de advocacia, pela noite, mediante ordem
judicial, quando o próprio advogado é suspeito de prática de crime, sobretudo consumado no
âmbito desse local de trabalho, sob pretexto de exercício de profissão.
● O simples fato de o advogado do investigado ter sido interceptado não é causa, por si só, para
gerar a anulação de todo o processo e da condenação que foi imposta ao réu. Se o Tribunal
constatar que houve indevida interceptação do advogado do investigado e que, portanto,
foram violadas as prerrogativas da defesa, essa situação poderá gerar três consequências
processuais: 1ª) Cassação ou invalidação do ato judicial que determinou a interceptação; 2ª)
Invalidação dos atos processuais subsequentes ao ato atentatório e com ele relacionados; 3ª)
Afastamento do magistrado caso se demonstre que, ao assim agir, atuava de forma parcial. Se
o próprio juiz, ao perceber que o advogado do investigado foi indevidamente "grampeado",
anula as gravações envolvendo o profissional e, na sentença, não utiliza nenhuma dessas
conversas nem qualquer prova derivada delas, não há motivo para se anular a condenação
imposta.
● A prova produzida durante a interceptação não pode servir apenas aos interesses do órgão
acusador, sendo imprescindível a preservação da sua integralidade, sem a qual se mostra
inviabilizado o exercício da ampla defesa, tendo em vista a impossibilidade da efetiva
refutação da tese acusatória, dada a perda da unidade da prova.
o É obrigatória a disponibilização aos acusados de todo o conteúdo das conversas
gravadas em interceptação telefônica.

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● Compete à Justiça Federal (e não à Justiça Militar) decidir pedido de quebra de sigilo telefônico
requerido no âmbito de inquérito policial instaurado para apurar a suposta prática de crime
relacionado ao uso de artefato incendiário contra o edifício-sede da Justiça Militar da União,
quando o delito ainda não possua autoria estabelecida e não tenha sido cometido contra
servidor do Ministério Público Militar ou da Justiça Militar.
● A interceptação telefônica poderá ser determinada pelo juiz, de ofício, ou a requerimento da
autoridade policial, na investigação criminal, ou do MP, na investigação criminal e na ação
penal.
● Ocorrerá em autos apartados, apensados ao IP ou ao Processo, preservando-se o sigilo das
diligências, gravações e transcrições.

5.27. Juizados Especiais – Lei 9.099/95


Juizados Especiais Federais Criminais: normas constitucionais e legais. Procedimento Especial
nos Juizados. Termo Circunstanciado. Transação Penal. Suspensão Condicional do Processo.
Sistema Recursal.
● A concessão de suspensão condicional do processo não é óbice ao manejo de habeas corpus,
uma vez que ainda pode haver ameaça da liberdade de locomoção.
● É possível a revogação do sursis processual mesmo depois de transcorrido o período de prova,
desde que os fatos ensejadores da revogação tenham ocorrido no curso da suspensão.
● É possível estabelecer obrigações equivalentes, do ponto de vista prático, a sanções penais,
140 mas que, para fins de sursis processual, apresentam tão somente como condições para
incidência.
● O ato de composição entre denunciado e vítima visando à reparação civil do dano, embutido
na decisão concessiva de suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei nº 9.099/95), é
título judicial apto a lastrear eventual execução CÍVEL
● As consequências geradas pela transação penal são apenas as definidas no instrumento do
acordo. Além delas, único efeito acessório gerado pela homologação do ato é o de impedir
novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos. Os demais efeitos penais e civis
decorrentes das condenações penais não são constituídos.
● A suspensão condicional do processo é automaticamente revogada se, no período de prova, o
réu vem a ser processado pela prática de novo crime, em obediência ao art. 89, § 3º, da Lei nº
9.099/95, ainda que posteriormente venha a ser absolvido, de forma que deixa de ser
merecedor do benefício, que é norma excepcional, para ser normalmente processado com
todas as garantias pertinentes.
 O Ministério Público, ao não ofertar a suspensão condicional do processo, deve fundamentar
adequadamente a sua recusa. Se a recusa do MP foi concretamente motivada não haverá
ilegalidade sob o aspecto formal.
 É constitucional a norma do art. 89 da Lei nº 9.099/95, que estabelece os requisitos para a
concessão do benefício da suspensão condicional do processo, entre eles o de não responder o
acusado por outros delitos. Assim, a existência de ações penais em curso contra o denunciado
impede a concessão do sursis processual por força do art. 89 da Lei nº 9.099/95
 En.243 da Súmula deste Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da suspensão do processo
não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso
formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja
pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano".
o 2. O mesmo entendimento é aplicável à transação penal, que não pode ser
ofertada aos acusados de crimes cuja pena máxima, considerado o concurso

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material, ultrapasse 2 (dois) anos, limite para que se considere a infração de


menor potencial ofensivo. Precedente.
 1) A Lei 10.259/01, ao considerar como infrações de menor potencial ofensivo as
contravenções e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos, não
alterou o requisito objetivo exigido para a concessão da suspensão condicional do processo
prevista no artigo 89 da Lei 9.099/95, que continua sendo aplicado apenas aos crimes cuja
pena mínima não seja superior a um ano.
 2) É cabível a suspensão condicional do processo e a transação penal aos delitos que preveem
a pena de multa alternativamente à privativa de liberdade, ainda que o preceito secundário
da norma legal comine pena mínima superior a um ano.
 3) A suspensão condicional do processo não é direito subjetivo do acusado, mas sim um poder-
dever do Ministério Público, titular da ação penal, a quem cabe, com exclusividade, analisar a
possibilidade de aplicação do referido instituto, desde que o faça de forma fundamentada.
 4) Se descumpridas as condições impostas durante o período de prova da suspensão
condicional do processo, o benefício poderá ser revogado, mesmo se já ultrapassado o prazo
legal, desde que referente a fato ocorrido durante sua vigência. (Tese julgada sob o rito do
artigo 543-C do CPC/73 - TEMA 920)
 5) Opera-se a preclusão se o oferecimento da proposta de suspensão condicional do processo
ou de transação penal se der após a prolação da sentença penal condenatória.
 6) O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais
cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena

141 mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite
de um ano. (Súmula 243/STJ)
 7) A existência de inquérito policial em curso não é circunstância idônea a obstar o
oferecimento de proposta de suspensão condicional do processo.
 8) A extinção da punibilidade do agente pelo cumprimento das condições do sursis processual,
operada em processo anterior, não pode ser valorada em seu desfavor como maus
antecedentes, personalidade do agente e conduta social.
 9) É constitucional o artigo 90-A da Lei 9.099/95, que veda a aplicação desta aos crimes
militares.
 10) Na hipótese de apuração de delitos de menor potencial ofensivo, deve-se considerar a
soma das penas máximas em abstrato em concurso material, ou, ainda, a devida
exasperação, no caso de crime continuado ou de concurso formal, e ao se verificar que o
resultado da adição é superior a dois anos, afasta-se a competência do Juizado Especial
Criminal.
 11) O crime de uso de entorpecente para consumo próprio, previsto no artigo 28 da Lei
11.343/06, é de menor potencial ofensivo, o que determina a competência do juizado especial
estadual, já que ele não está previsto em tratado internacional e o artigo 70 da Lei 11.343/06
não o inclui dentre os que devem ser julgados pela justiça federal.
 12) A conduta prevista no artigo 28 da Lei 11.343/06 admite tanto a transação penal quanto a
suspensão condicional do processo.
 Tratando-se de concurso material, a competência é definida pela SOMA das penas
abstratamente cominadas. Caso resulte somatório superior a dois anos, fica afastada a
competência do juizado especial, pois ultrapassado o limite previsto no art. 61 da Lei 9099.
 Os únicos recursos previstos na Lei 9099/95 são a apelação e os embargos de declaração.
Logo, na hipótese de denegar a apelação ou a julgar deserta, cabíveis seriam apenas o habeas
corpus ou mandado de segurança, a depender se a sentença redunde em riscos à liberdade de
locomoção ou não.

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 No Juizado Especial Criminal, o prazo para a interposição de apelação é de 10 dias, já inclusas


as razões recursais
 A suspensão condicional não é direito público subjetivo do réu, mas um poder-dever do MP, e
o magistrado, caso discorde do não oferecimento, deve aplicar, por analogia, o art. 28 do CPP
e remeter os autos ao PGJ

6. DIREITO PROCESSUAL PENAL


6.1. Introdução e Teoria Geral Processual Penal
Conceito. Finalidade. Caracteres. Princípios gerais. Fontes. Repartição constitucional de
competência. Garantias constitucionais do processo. Aplicação da lei processual penal.
● Juiz pode conceder HC de ofício.
● Ne bis in idem:
o No concurso material de crimes, os crimes são independentes, bem como sua
dosimetria. Assim, a dupla utilização da reincidência decorrente de uma
mesma condenação anterior pode elevar a pena em cada um dos crimes sem
ser considerado bis in idem.
o Nos crimes funcionais, a violação do dever de agir com probidade, a depender
do cargo exercido, pode ser considerada pelo juiz especialmente mais
142 reprovável, desde que fundamentada.
o Nos crimes tributários, não há obstáculo em utilizar o uso da extensão do dano
a fim de valorizar negativamente a conduta e encontrar especial
reprovabilidade que justifique uma pena mais elevada.
o Havendo diversas condenações anteriores com trânsito em julgado, uma pode
servir para maus antecedentes, e outra para reincidência, sem que seja
configurado bis in idem, desde que uma delas seja utilizada para exasperar a
pena-base e a outra, na segunda fase da dosimetria.
o Exceção: ação penal pública de extraterritorialidade INCONDICIONADA. Não
há bis in idem em ser julgado e aqui.
● CPP brasileiro adota o sistema acusatório flexível ou não ortodoxo. O juiz não é mero
espectador estático da instrução penal, de modo que possui alguns poderes para agir de ofício,
como requisitar as provas que entender necessárias ao deslinde da lide.
● O CPP possui fortes traços do sistema inquisitivo (controle de arquivamento, ordena provas de
ofício, ordena provas em fase de inquérito consideradas urgentes e relevantes, pode alterar a
capitulação legal pela emendatio libelli, pode dar novo enquadramento jurídico ao fato
narrado, provocando o MP para aditar a inicial pela mutatio libelli).
● O IPL, apesar de fortes traços inquisitoriais, deve assegurar a presença do indiciado, quando
possível, na produção probatória, em respeito aos direitos fundamentais.
● O CPP não adota o sistema acusatório puro, pois o juiz pode ter iniciativa probatória, conceder
habeas corpus de ofício, decretar a prisão preventiva, ordenar e modificar as medidas
cautelares, bem como requerer provas de ofício.
● Ainda que gere prejuízo ao réu, a lei processual penal admitirá interpretação extensiva e
aplicação analógica (art. 3°, CPP).
● Em penal é vedado a motivação per relationem genérica, que apenas confirma decisão
anterior, podendo usar a motivação per relationem, desde que faça referência concreta às

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peças que pretende encampar, transcrevendo partes que julgar interessantes para legitimar
o raciocínio lógico que embasa a conclusão a que se quer chegar.
● ANALOGIA: forma de integração. Ubi eadem ratio, ubi idem ius. Onde existe a mesma razão,
deve ser aplicado o mesmo direito. Fato não regido pela norma jurídica, de modo que se
aplica a disposição legal aplicável a fato semelhante. Na esfera processual goza de ampla
aplicação, diferente da penal, que não pode ser em prejuízo do réu. Deve-se respeitar a
liberdade e as garantias CF.
o Analogia legis: aplicação da LEI aplicável a um caso semelhante.
o Analogia juris: aplicação de PRINCÍPIOS aplicáveis a um caso semelhante.
● Atenção: a analogia não é feita com a LEI, mas com todo o ORDENAMENTO jurídico.
● Súmula 501 do STJ: não é possível a combinação de leis, devendo ser aplicado na íntegra o
dispositivo que favorece ou réu, seja ele anterior ou posterior.
● Súmula 611 do STF: Caso a sentença condenatória já tenha transitado em julgado, caberá ao
juízo das execuções a aplicação da lei nova benigna.
● Em caso de norma híbrida (penal e processual – heterotopia), não pode haver cisão. Assim, se
o aspecto penal for benéfico, retroage, e o aspecto processual aplica-se desde já, pelo tempus
regit actum, não retroagindo.
● Não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, embora não transcreva a
denúncia ou a queixa, ou não resuma os fatos em que se baseia. Não viola o princípio do
contraditório.
● O direito ao silêncio e de não produção de provas não é absoluto. O acusado não tem direito
143 de se recusar a fornecer dados sobre a sua identidade, tampouco recusar-se a se submeter a
reconhecimento pessoal, que é meio de prova.
o STJ: É legal a prova com material genético descartado, ainda que não tenha
havido consentimento do investigado – 2018.
● A absolvição não pode ser afastada por revisão criminal, ainda que a decisão tenha sido
proferida por juízo absolutamente incompetente. Assim, não pode alguém ser julgado mais
de uma vez por fato do qual já tenha sido absolvido por decisão passada em julgado.
o Ainda, diante do trânsito em julgado de duas sentenças condenatórias contra
o mesmo condenado, por fatos idênticos, deve prevalecer a condenação mais
favorável ao réu. Não importa qual processo tenha iniciado antes ou em qual
deles tenha ocorrido primeiro o trânsito em julgado. O que irá prevalecer é
a condenação que foi mais favorável ao réu.
● Súmula 707 STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer
contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprimindo a nomeação de
defensor dativo. O MESMO SE APLICA PARA ALEGAÇÕES FINAIS.
● Aspectos da presunção de inocência para Barroso:
o Positivo – regra de prova: somente se qualifica como prova apta à condenação
aquela que demonstre a culpa acima de dúvida razoável, que é exatamente o
standard anglo-saxônico “proof beyond a reasonable doubt”
o Negativo – vedação à condenação prematura, isto é, anterior à devida
formação da culpa.
● O princípio da oficialidade mitiga o princípio da igualdade das armas. Isto porque o Estado e o
MP possuem aparatos e recursos para investigação do qual o réu não dispõe, como o apoio da
polícia, perícia, etc. Isto posto, há alguns meios para tentar garantir a isonomia substancial,
como a revisão criminal (vedada a revisão para piorar) e os embargos infringentes criminais.
● Deve-se lembrar que, tanto para o STF quanto para o STJ, há crime na conduta de
autoatribuição de falsa identidade, não estando a medida abarcada como direito de defesa.
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Isto posto, o réu não possui direito ao silêncio e ao nemo tenetur se degetere de forma
absoluta
● A vedação de prova ilícita pode ser mitigada quando: a) a prova ilícita seja fundamental para
não condenar o réu injustamente, com base em critérios de razoabilidade e proporcionalidade,
não prejudicando terceiros; b) a prova aparentemente ilícita deve ser reputada como válida,
quando a conduta do agente está amparada em excludente de ilicitude.
● O CPP adota a teoria do isolamento dos atos processuais, que prevê que a lei processual nova
se aplica desde logo, mantendo válidos, contudo, os atos praticados sob a lei anterior. Assim,
não aplica-se a teoria da unidade dos atos ou unidade processual.
● Há algumas normas no CPP que buscam a paridade de armas entre a acusação, que possui
maiores condições probatórias, e a defesa (réu), a exemplo dos embargos infringentes e de
nulidade, que são exclusivas de defesa.
● As respectivas defesas têm direito de participar e de fazer perguntas nos interrogatórios dos
corréus. Entretanto, estes não são obrigados a responder, em face da prerrogativa contra a
autoincriminação, de que também são titulares.
o O corréu que é advogado não pode ouvir o interrogatório do outro réu,
ocasião em que deverá ser nomeado um defensor para ele.
● O juiz pode declarar o réu indefeso, mesmo naquelas hipóteses em que a ausência de defesa
técnica resulte de conteúdo nulo de peça produzida por advogado constituído pelo próprio
acusado. O juiz deve velar pelo respeito à indisponibilidade do direito de defesa.
● O direito ao silêncio refere-se apenas às condutas delitivas narradas na denúncia, não
144 abrangendo a qualificação pessoal do acusado. É crime atribuir falsa identidade perante
autoridade policial.
● O silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo da
defesa.

6.2. Inquérito Policial


Persecução penal. Inquérito Policial. Procedimento. Garantias do investigado. Atribuições da
autoridade policial. Intervenção do Ministério Público no inquérito policial. A investigação
criminal promovida pelo próprio Ministério Público. Outros meios de colheita de indícios da
infração. Comissão Parlamentar de Inquérito. Arquivamento do inquérito. Denúncia.
● Inconstitucional lei estadual que prevê a tramitação direta do inquérito policial entre a Polícia
e o Ministério Público. Porém, é legal a tramitação direta, conforme a Resolução do CJF. O
Estado não pode legislar sobre Processo Penal. Competência privativa da União.
● Caso o MP opine pelo arquivamento do inquérito, o juiz só deve apreciar e nada mais. O juiz
NÃO pode requerer novas diligências probatórias caso o MP requeira o arquivamento do feito.
● Quando um delegado indicia uma pessoa, o HC contra o ato da autoridade policial é julgado
por juiz de primeiro grau.
● Quando um procurador da república requer a instauração de IP, o HC contra esse ato é julgado
por TRF, vez que a autoridade coatora será o Procurador da República.
● O inquérito policial, por ser peça informativa, é dispensável para a propositura da ação penal,
mas sempre acompanhará a inicial acusatória quando servir de base para a denúncia ou a
queixa.
● Mesmo em caso de sigilo decretado no IP, a autoridade policial terá de encaminhar ao
instituto de identificação os dados relativos à infração penal e à pessoa do indiciado.

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● Não existe fundamento jurídico que autorize o magistrado, após receber denúncia, requisitar
ao Delegado o indiciamento de determinada pessoa, vez que se trata de atribuição exclusiva
do Delegado.
● Não é necessário o delegado fazer a classificação do crime cometido.
● Arquivamento de IPL e coisa julgada:
o Material (não desarquiva):
▪ Atipicidade: prova nova não pode tornar conduta típica.
▪ Excludente da culpabilidade: há divergência doutrinária.
▪ Extintiva da punibilidade: prova nova não pode demonstrar que a
extinção da punibilidade não ocorreu.
● Exceção: certidão de óbito falsa.
o Formal (desarquiva):
▪ Ausência de pressuposto processual ou de condição da ação;
▪ Ausência de autoria e materialidade (justa causa); e
▪ Exclusão da ilicitude, pois pode surgir novas provas (STF).
▪ Ausência de base empírica (ausência de provas) : NÃO HÁ COISA
JULGADA MATERIAL, a decisão é rebuc sic stantibus. O MP que
decide se há base empírica ou não. Súmula 524 STF.
● No âmbito do STJ, se o MPF requere o arquivamento do IP, não há aplicação analógica ao
artigo 28 do CPP, não podendo o magistrado encaminhar os autos à CCR. O Sub-Procurador

145 ● Geral da República atua como longa manus do PGR.


O pedido do PGR de arquivamento por base empírica/ausência de provas, sendo o PGR
autoridade competente para aferir se há ou não provas para denunciar, o STF entende ser
impositivo o acolhimento. O Ministro do STF é o supervisor do IP. O STF não pode requerer,
pois ele não é órgão de acusação.
● Apesar de constar no CPP que o juiz pode requisitar a instauração de inquérito, entende-se
que tal inciso não foi recepcionado. Mas atente-se: está previsto no CPP.
● A instauração de IPL contra portador de foro por prerrogativa de função depende de
autorização do Ministro Relator do STF. Ainda, o PGR também pode requerer a instauração ao
Ministro. (Atenção: lembrar da interpretação restritiva dada pelo STF em relação ao foro por
prerrogativa de função: crimes relacionados ao mandato).
● A nulidade do reconhecimento de pessoas, em sede de inquérito policial, não contamina a
ação penal, uma vez que lá só se produzem peças informativas, e na ação penal há,
efetivamente, a produção de provas, sob o crivo do contraditório e ampla defesa.
● O arquivamento de IPL por excludente de ilicitude realizado com base em provas fraudadas
não faz coisa julgada material, podendo ser reaberto mesmo que não tenha sido baseado em
provas fraudadas, vez que pode surgir provas novas. Se for com provas fraudadas, com maior
razão pode ser feito o desarquivamento.
● É a instrução em juízo que tem como escopo colher provas para demonstrar a legitimidade da
pretensão punitiva ou do direito de defesa. O IPL tem como objetivo a obtenção de dados
informativos para que o órgão acusatório analise a viabilidade de propositura da ação penal.
● De acordo com o art. 107, CPP, “não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos
autos do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal”.
● Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá
requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no
prazo marcado pelo juiz.

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o Se ele estiver preso e precisar de mais diligências, significa que não tem tanta
certeza da sua autoria/materialidade, de modo que não se pode deixar o
investigado preso.
● O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser
avocado ou redistribuído por superior hierárquico, mediante despacho fundamentado, por
motivo de:
o Interesse público ou;
o Nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento
da corporação que prejudique a eficácia da investigação.
● Em regra, a decisão de arquivamento do inquérito policial é irrecorrível. Há duas exceções
legais quanto à recorribilidade de decisões de arquivamento de IP:
o Quanto aos crimes contra a economia popular ou contra a saúde pública, há
previsão legal de recurso de ofício (Lei nº 1.521/51, art. 7º);
o E, no caso das contravenções do jogo do bicho e de corrida de cavalos fora do
hipódromo, há previsão legal de recurso em sentido estrito (Lei nº 1.508/51,
art. 6º, parágrafo único).
● A denúncia anônima pode dar início à investigação, desde que corroborada por elementos
informativos prévios que verifiquem a verossimilhança da comunicação, o que pode surgir por
meio de investigações preliminares.
● Ainda que o delito seja de menor potencial ofensivo, a lei 9099 não veda a instauração de
inquérito policial. A regra é a lavratura de termo circunstanciado, mas se o caso for complexo e
146 exigir a realização de investigações, pode ser instaurado inquérito policial, como permite o §2º
do art. 77 da lei 9099.
● Se o MP deixa de oferecer denúncia em relação a alguns fatos ou investigados, isso não obsta
que ele ofereça depois, podendo, perfeitamente, promover ao aditamento da denúncia antes
da sentença final, desde que não extinta a punibilidade, devendo ser garantido o contraditório
e a ampla defesa.
● Não é ilegal a portaria editada por Juiz Federal que, fundada na Res. CJF n. 63/2009, estabelece
a tramitação direta de inquérito policial entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.
● É INCONSTITUCIONAL lei estadual que preveja a tramitação direta do inquérito policial entre a
polícia e o Ministério Público. É CONSTITUCIONAL lei estadual que preveja a possibilidade de o
MP requisitar informações quando o inquérito policial não for encerrado em 30 dias, tratando-
se de indiciado solto.
● No STJ não se aplica o artigo 28 do CPP (promotor do 28), uma vez que no STJ, os membros do
MPF atuam sob delegação do PGR. Assim, se o membro do MPF manifesta requer o
arquivamento, não há o que fazer senão acolher o pedido, ainda que o Min. Relator discorde.
● O delegado, quando verificar ausência de sanidade mental do investigado, não poderá realizar
de ofício, devendo representar ao Juiz competente o incidente. (art. 149, §1º)2

6.3. Ação Penal – Ação civil ex delicto


Da ação penal: ação penal pública e de iniciativa privada; da ação penal no crime complexo;
da irretratabilidade da representação; da decadência do direito de queixa ou representação;
da renúncia expressa ou tácita ao direito de queixa; do perdão do ofendido;
 Nas ações penais privadas, existindo vício na procuração, este deve ser corrigido dentro do
prazo decadencial de 6 (seis) meses, sob pena de decadência e extinção da punibilidade.
 O CPP brasileiro adotou a teoria eclética ou mista, segundo a qual as questões concernentes
ao estado de pessoas é motivo de remessa obrigatória ao juízo extrapenal. Já no caso de
questões diversas destas, fica a cargo do juiz deliberar se enfrenta, ou não, a controvérsia
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6.3.1. Denúncia e queixa-crime


● A acusação deve ser certa, incabível denúncia alternativa, como regra. O STJ só admite
denúncia alternativa se houver compatibilidade lógica entre as imputações.
● Não havendo qualificação completa do acusado e não sendo possível sua identificação
criminal, a parte acusadora pode apontar os esclarecimentos pelos quais seja possível
identificá-lo. O fato de ser desconhecida a identificação completa do acusado não é óbice ao
oferecimento da peça acusatória, desde que se possa mencionar seus traços característicos,
permitindo distingui-lo de outras pessoas.
o Constatado equívoco quanto à individualização do acusado, a inicial pode ser
retificada a qualquer momento para a correção do nome ou de qualquer dado
referente à sua identificação, nos termos dos artigos 259 e 569 do CPP.
● Quando se trata de crime societário, a denúncia não pode ser genérica. Ela deve estabelecer o
vínculo do administrador ao ato ilícito que lhe está sendo imputado. É necessário que
descreva, de forma direta e objetiva, a ação ou omissão da paciente. Do contrário, ofende os
requisitos do CPP, art. 41 e os Tratados Internacionais sobre o tema.
● Não existe fundamento jurídico que autorize o magistrado, após receber denúncia, requisitar
ao Delegado o indiciamento de determinada pessoa, vez que se trata de atribuição exclusiva
do Delegado.
● O Ministério Público, como fiscal do princípio da indivisibilidade, não pode aditar a queixa
crime. Tendo o Ministério Público vista dos autos na ação de iniciativa privada (art. 45, CPP) e
percebendo o órgão ministerial que o particular omitiu-se dolosamente em processar todos os
147 envolvidos, resta, em parecer, manifestar-se pela extinção de punibilidade, pois houve
renúncia tácita à ação privada pelo querelante.
o A omissão de um dos autores do fato na queixa crime é sinônimo de renúncia
tácita ao direito de queixa, salvo a comprovação de que o ofendido não tinha
conhecimento desta pessoa faltante na queixa.
● A mera posição hierárquica do querelado como titular da empresa de comunicação não é
suficiente para o recebimento da queixa-crime por agressões verbais. Seria necessário que o
querelante tivesse descrito e apontados elementos indiciários que evidenciassem a vontade e
consciência do querelado de praticar os crimes imputados. Não tendo isso sido feito, a
queixa-crime deve ser rejeitada por ausência de justa causa.
● A denúncia contra Prefeito por crime ocorrido em licitação municipal deve indicar, ao menos
minimamente, que o acusado tenha tido participação ou conhecimento dos fatos
supostamente ilícitos. O Prefeito não pode ser incluído entre os acusados unicamente em
razão da função pública que ocupa, sob pena de violação à responsabilidade penal subjetiva,
na qual não se admite a responsabilidade presumida. STF. 1ª Turma. AP 912/PB, Rel. Min. Luiz
Fux, julgado em 7/3/2017 (Info 856).
● STF já se manifestou no sentido de que há ausência de preclusão judicial, com o recebimento
da denúncia, das matérias processuais de ordem pública, tais sejam as condições da ação e os
pressupostos processuais. Assim, ainda que a denúncia tenha sido admitida, a matéria
processual que deu esse provimento pode ser revisitada quando vier o juiz a analisar a
resposta à acusação, uma vez que nesta o juiz poderá apreciar com profundidade as questões,
sob o crivo do contraditório.
● Salvo quando nula a decisão de primeiro grau, o acórdão que provê o recurso contra a
rejeição da denúncia vale, desde logo, pelo recebimento dela.
● É possível o aditamento da denúncia a qualquer tempo antes da sentença final, garantidos o
devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, especialmente quando a inicial ainda

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não tenha sido sequer recebida originariamente pelo juízo competente, como ocorreu no caso
concreto. O membro do MP possui total liberdade na formação de seu convencimento (opinio
delicti). Assim, a sua atuação não pode ser restringida ou ficar vinculada às conclusões jurídicas
que o outro membro do MP chegou, mesmo que este atue em uma instância superior. Em
outras palavras, o Promotor de Justiça que passou a ter atribuição para atuar no caso não está
vinculado às conclusões do Procurador-Geral de Justiça que estava anteriormente funcionando
no processo. Desse modo, é irrelevante que outros membros do Ministério Público com
atribuição para atuar em instância superior, em virtude da análise dos mesmos fatos, tenham,
anteriormente, oferecido denúncia de diferente teor em face do réu, uma vez que, conforme
ficou reconhecido pelo STJ e pelo TJDFT, a competência para o processo criminal era da 1ª
instância, de forma que o promotor natural do caso era o Promotor de Justiça que atua na 1ª
instância. Portanto, o fato de o promotor natural — aquele com atribuição para atuar na 1ª
instância — não se encontrar tecnicamente subordinado e apresentar entendimento jurídico
diverso, afasta qualquer alegação de nulidade decorrente de alteração do teor da peça
acusatória oferecida contra o réu Paulo.
6.3.2. Ação civil ex delicto
● Considerando que a norma não limitou e nem regulamentou como será quantificado o valor
mínimo para a indenização e considerando que a legislação penal sempre priorizou o
ressarcimento da vítima em relação aos prejuízos sofridos, o juiz que se sentir apto, diante de
um caso concreto, a quantificar, ao menos o mínimo, o valor do dano moral sofrido pela
vítima, não poderá ser impedido de fazê-lo. Desde que requerido pela parte ou MP.
148 (patrimoniais ou extrapatrimoniais)
o Para que seja fixado, na sentença, o valor mínimo para reparação dos danos
causados à vítima (art. 387, IV, do CPP), é necessário que haja pedido
expresso e formal, feito pelo parquet ou pelo ofendido, a fim de que seja
oportunizado ao réu o contraditório e sob pena de violação ao princípio da
ampla defesa (STJ. 5ª Turma. HC 321.279/PE, Rel. Min. Leopoldo de Arruda
Raposo (Des. Conv. do TJ/PE), julgado em 23/06/2015).
o Na sentença penal, o juiz fixará um valor mínimo. Assim, a vítima poderá
executar desde logo este valor mínimo e pleitear um valor maior que o fixado
na sentença, bastando, para isso, que prove que os danos (MATERIAIS) que
sofreu foram maiores que a quantia estabelecida na sentença. Essa prova é
feita em fase de liquidação pelo procedimento comum, regulado pelos arts.
509, I e 511 do CPC/2015.
o O STJ já decidiu que o juiz somente poderá fixar este valor se existirem provas
nos autos que demonstrem os prejuízos sofridos pela vítima em decorrência
do crime. Desta feita, é importante que o Ministério Público ou eventual
assistente de acusação junte comprovantes dos danos causados pela infração
para que o magistrado disponha de elementos para a fixação de que trata o
art. 387, IV do CPP.
o Danos morais não precisa de prova, devendo ficar demonstrado o abalo
psíquico de determinada situação.
● Antes de o magistrado conhecer a ilegitimidade ativa do Ministério Público para propor ação
civil ex delicto, é indispensável que a Defensoria Pública seja intimada para tomar ciência da
demanda e, sendo o caso, assumir o polo ativo da ação.

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6.4. Sujeitos do processo: partes, MP, juiz, assistente


Sujeitos do processo. Juiz. Ministério Público. Acusado e seu defensor. Assistente. Curador do
réu menor. Auxiliares da justiça. Assistentes. Peritos e intérpretes. Serventuários da justiça.
Impedimentos e suspeições.
6.4.1. Juiz
● O magistrado que atuou como corregedor em processo administrativo instaurado contra o réu
não está impedido de participar como julgador no processo criminal que tramita contra o
acusado. A situação não se amolda em nenhuma das hipóteses do art. 252 do CPP. O STF
entende que não é possível criar, por meio de interpretação, novas causas de impedimento
que não estejam descritas expressamente nesse dispositivo.
6.4.2. Assistente de acusação
 STJ: o titular de interesse patrimonial não tem garantido o interesse de intervir o processo
penal. A seguradora não foi vítima do crime. O objeto tutelado é a vida. O fato de existir
eventual ofensa ao patrimônio da seguradora não a torna vítima desse crime.
 A jurisprudência entende que só se justifica a presença do assistente de acusação, apesar de
não haver delimitação expressa no CPP, quando o bem jurídico atingido pelo crime seja de
titularidade determinável, ou seja, quando se possa identificar a vítima que é titular do bem
jurídico lesado ou posto em perigo pela conduta típica.
6.4.3. Acusado e defensor
 O fato de estar representada pela DPU não a isenta dessa obrigação. Afinal, para que a isenção
(custas) seja concedida é preciso que haja pedido expresso nesse sentido, e não havia essa
149 informação no enunciado. O simples dato de estar representado pela DPU não enseja
hipossuficiência, devendo haver pedido expresso nesse sentido.

 O CDC dispõe expressamente que é possível que pessoa jurídica seja assistente de acusação,
dispensada autorização assemblear.
 Durante os debates no Plenário do Tribunal do Júri, o Promotor de Justiça pediu a absolvição
do réu, tendo ele sido absolvido pelos jurados. O assistente de acusação, que intervinha no
processo, tem legitimidade para recorrer contra essa decisão? SIM. O assistente de acusação
possui legitimidade para interpor recurso de apelação, em caráter supletivo, nos termos do
art. 598 do CPP, ainda que o Ministério Público tenha requerido a absolvição do réu. STJ. 6ª
Turma. REsp 1.451.720-SP, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min.
Nefi Cordeiro, julgado em 28/4/2015 (Info 564).
 Quando a Defensoria Pública atuar como representante do assistente de acusação, é
dispensável a juntada de procuração com poderes especiais. O Defensor Público deve juntar
procuração judicial somente nas hipóteses em que a lei exigir poderes especiais. Atuar como
representante do assistente de acusação não é considerado um poder especial, não se
exigindo procuração especial. A participação da Defensoria Pública como representante do
assistente de acusação pode ser negada sob o argumento de que a vítima ou seus sucessores
não são hipossuficientes (“pobres”)? NÃO. Compete à própria Defensoria o direito de apurar o
estado de carência de seus assistidos.
 Não há nulidade processual na hipótese em que o assistente de acusação, por não ter
arrazoado recurso interposto pelo MP após ter sido intimado para tanto, deixe de ser intimado
quanto aos atos processuais subsequentes.
 O assistente da acusação tem direito à réplica, ainda que o MP tenha anuído à tese de legítima
defesa do réu e declinado do direito de replicar.

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 Resolução CJF 67/09 – 407/16

 Súmula n.° 448-STF: O prazo para o assistente recorrer supletivamente começa a correr
imediatamente após o transcurso do prazo do MP.
o O prazo para o assistente de acusação habilitado nos autos apelar é de 5
(cinco) dias, após a sua intimação da sentença, e terminado o prazo para o
Ministério Público apelar. Incidência do enunciado da Súmula n.º 448 do STF.
● Do despacho que admitir ou não assistente à acusação, não caberá recurso, devendo,
entretanto, constar dos autos o pedido e a decisão.
● STJ: o assistente de acusação possui legitimidade para interpor recurso de apelação, em
caráter supletivo, nos termos do artigo 598 do CPP, ainda que o MP tenha requerido a
absolvição do réu em plenário.

6.5. Atos processuais: decisões – sentenças


Atos processuais. Comunicações. Citações e intimações. Revelia. Despachos. Decisões
interlocutórias. Audiência de Instrução. Sentença: tipos, estrutura, efeitos. Fixação da pena.
Normas sobre a informatização do processo judicial.
● O STJ reafirmou o seu entendimento no sentido de que é atípica a mera declaração falsa de
estado de pobreza realizada com o intuito de obter os benefícios da justiça gratuita.
● O fato de o PGR dar entrevista com manifestação de opinião não caracteriza, por si só,
150 hipótese de impedimento e suspeição. Ademais, é possível arguir a suspeição do MP tanto
quando ele atua como parte como também como custos legis.
● Em penal é vedado a motivação per relationem genérica, que apenas confirma decisão
anterior, podendo usar a motivação per relationem, desde que faça referência concreta às
peças que pretende encampar, transcrevendo partes que julgar interessantes para legitimar
o raciocínio lógico que embasa a conclusão a que se quer chegar.
o

6.5.1. Sentença
● Não viola o princípio da congruência o reconhecimento de ofício pelo juiz de causa de
aumento ou agravante. Isto porque, o réu se defende dos fatos imputados a ele na denúncia, e
não da capitulação jurídica nela estabelecida. O juiz, na sentença, pode reconhecer incidência
de causa de aumento não prevista na denúncia, desde que esteja narrada nos fatos. A
sentença deve guardar RELAÇÃO COM OS FATOS IMPUTADOS, e não com a definição jurídica.
o No mesmo sentido, não há ofensa ao princípio da correlação quando há
reconhecimento da reincidência na sentença, pois esta agravante não
modifica a figura penal objeto da persecução e assim não precisa estar narrada
na denúncia. O seu reconhecimento nada mais é do que o exercício de
jurisdição, não violando o direito de defesa ou o contraditório. Além disso, há
previsão legal expressa, contida no art. 385, do Código de Processo Penal.
o Diz-se que o pedido no processo penal é o de condenação, e não para
condenar por tal crime.
o O STF diz que é preferível a emendatio libelli por ocasião da sentença.
o O juiz, como se atém aos fatos, pode dar capitulação jurídica diversa mais
gravosa.
● A sentença proferida por juízo absolutamente incompetente impede o exame dos mesmos
fatos ainda que pela justiça constitucionalmente competente, pois, ao contrário, estar-se-ia
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não só diante de vedado bis in idem como também na contramão da necessária segurança
jurídica que a imutabilidade da coisa julgada visa garantir”. Masson afirma que entre ne bis in
idem e o juiz natural, deve preponderar o ne bis in idem, de modo a não rediscutir os mesmos
fatos.
o Porém, havendo duas coisas julgadas, a primeira por juiz absolutamente
incompetente e a segunda por juiz competente, com pena mais branda, deve
ser relativizada a coisa julgada da primeira sentença, prevalecendo a situação
mais favorável ao réu. Dignidade da pessoa humana.
o A vedação do bis in idem impede a imputação ao agente de um crime (e de
uma nova ação penal), cometido no contexto fático de outro delito, o qual era
desconhecido na ação penal a este correspondente.
● Havendo duas sentenças condenatórias envolvendo fatos idênticos, a segunda delas não será
necessariamente aquela a ser anulada. Diante do trânsito em julgado de duas sentenças
condenatórias contra o mesmo réu, por fatos idênticos, deve prevalecer o critério mais
favorável em detrimento do critério temporal (de precedência). Isso em homenagem aos
princípios do favor rei e favor libertatis
● É possível a realização de emendatio libelli em segunda instância no julgamento de recurso
exclusivo da defesa, desde que não gere reformatio in pejus, nos termos do art. 617 do CPP.
● O órgão jurisdicional (juiz ou Tribunal) não tem competência para substituir-se ao Ministério
Público, titular da ação penal pública, e retificar (consertar) a classificação jurídica proposta na
denúncia. Por esse motivo, o entendimento dominante é o de que, em regra, o momento

151 adequado para a emendatio libelli é na prolação da sentença e não no recebimento da


denúncia. Isso se justifica, ainda, pela posição topográfica do art. 383 no CPP (que está no
título que trata sobre sentença) e pelo fato de que o acusado se defende dos fatos imputados,
e não da classificação que lhes atribuem.
o De forma excepcional, jurisprudência e doutrina afirmam que é possível
antecipar o momento da emendatio libelli nas hipóteses em que a inadequada
subsunção típica (tipificação):
▪ • macular a competência absoluta;
▪ • macular o adequado procedimento; ou
▪ • restringir benefícios penais por excesso de acusação.
● Havendo dúvida resultante da omissão cartorária em certificar a data de recebimento da
sentença conforme o art. 389 do CPP, não se pode presumir a data de publicação com o
mero lançamento de movimentação dos autos na internet, a fim de se verificar a
ocorrência de prescrição da pretensão punitiva. Portanto, em havendo dúvida resultante
da omissão do cartório em certificar a data de recebimento da sentença, deve-se
considerar como data de publicação o primeiro ato que demonstrou, de maneira
incontestável, a ciência da sentença pelas partes (e não a data do mero lançamento de
movimentação dos autos na internet).

6.6. Competência – foro por prerrogativa de função/privilegiado
Jurisdição. Competência: pelo lugar da infração, pelo domicílio ou residência do réu, pela
natureza da infração, por distribuição, por conexão, por continência, por prevenção e por
prerrogativa de função. Outras disposições especiais sobre competência, nos crimes
cometidos fora do território brasileiro, nos crimes cometidos a bordo de embarcações
marítimas, lacustres ou pluviais, ou a bordo de navios ou aeronaves. Competência da Justiça
Federal, dos Tribunais Regionais Federais, do STJ e do STF. Perpetuatio jurisdictionis. Conflito

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de competência. Julgamento por colegiado de juízes de 1º grau de jurisdição em crimes


praticados por organização criminosa.
 Zona Econômica Exclusiva está fora do mar territorial brasileiro, dessa forma, não há sujeição
da legislação penal brasileira o homicídio de estrangeiro contra estrangeiro praticado em
embarcação particular. ENTENDIMENTO ADOTADO PELO CESPE!!!!!!!!!
 Cisão do artigo 80: Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem
sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo
número de acusados e para não lhes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo
relevante, o juiz reputar conveniente a separação.
o Trata-se da separação de feitos conexos ou com relação de continência.
o A prerrogativa de foro não afasta a cisão, sendo certo que o STF tem
procedido à separação para manter na Corte somente o feito em relação ao
agente que possua foro.
o A cisão é um caráter meramente facultativo fundada em qualquer das
hipóteses previstas no artigo 80. Deve haver ocorrência de motivo relevante,
podendo haver cisão ainda que se trate de conexão/continência.

6.6.1. Justiça Federal
● A Justiça Federal não julga contravenção, salvo quando o autor da referida infração penal
tenha foro por prerrogativa de função no TRF. Assim, um juiz federal contraventor será julgado
pelo TRF. Aqui o foro é pela função, e não pela matéria.
152  As fraudes praticadas na administração de operadora de seguro de plano de saúde que não
seja seguradora (leia-se instituição financeira), como no caso das cooperativas, é da Justiça
Estadual. Se for seguradora, considerada como instituição financeira da Lei 7492, a
competência é da Justiça Federal.
 Compete ao TRF onde ocorreu o ilícito a ação penal contra Procurador da República que
cometeu crime, ainda que seja lotado em região diversa.
 Os indígenas abordaram produtores rurais que estavam trabalhando nas terras pertencentes à
comunidade indígena, pedindo a paralisação das atividades. Os produtores rurais reagiram
agredindo os indígenas com socos e chutes. A competência para julgar o fato é da Justiça
Federal. Isso porque a motivação dos delitos gira em torno de disputa por terras indígenas,
situação na qual a jurisprudência entende que há interesse de toda a comunidade indígena, a
justificar o deslocamento da competência para a Justiça Federal (art. 109, XI, CF/88). Não se
aplica a Súmula 140 do STJ quando o crime envolve interesses coletivos da comunidade
indígena. Um dos produtores rurais agressores era cunhado de um indígena, circunstância que
foi considerada irrelevante pelo STJ para a definição da competência da Justiça Federal tendo
em vista que a desavença entre eles não estava ligada a seu convívio familiar. STJ. 3ª Seção. CC
156.502/RR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/02/2018.
 Compete à Justiça Federal (e não à Justiça Militar) decidir pedido de quebra de sigilo telefônico
requerido no âmbito de inquérito policial instaurado para apurar a suposta prática de crime
relacionado ao uso de artefato incendiário contra o edifício-sede da Justiça Militar da União,
quando o delito ainda não possua autoria estabelecida e não tenha sido cometido contra
servidor do Ministério Público Militar ou da Justiça Militar.
 Competência para julgar o crime de omissão de anotação de vínculo empregatício na CTPS
(art. 297, § 4º, do CP)? *
o STJ: Justiça FEDERAL. O sujeito passivo primário do crime omissivo do art. 297,
§ 4.º, do Diploma Penal, é o Estado, e, eventualmente, de forma secundária, o
particular, terceiro prejudicado, com a omissão das informações, referentes ao

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vínculo empregatício e a seus consectários da CTPS. Cuida-se, portanto de


delito que ofende de forma direta os interesses da União, atraindo a
competência da Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV, da CF/88.
o STF: Justiça ESTADUAL. Só é interesse do trabalhador.
 O STF fixou a seguinte tese:
o Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes consistentes em
disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo criança ou
adolescente (arts. 241, 241-A e 241-B do ECA), quando praticados por meio da
rede mundial de computadores (internet). STF. Plenário. RE 628624/MG, Rel.
orig. Min. Marco Aurélio, Red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28
e 29/10/2015 (repercussão geral) (Info 805). O STJ, interpretando a decisão do
STF, afirmou que, quando se fala em “praticados por meio da rede mundial de
computadores (internet)”, o que o STF quer dizer é que a postagem de
conteúdo pedófilo-pornográfico deve ter sido feita em um ambiente virtual
propício ao livre acesso.
o Por outro lado, se a troca de material pedófilo ocorreu entre destinatários
certos no Brasil, não há relação de internacionalidade e, portanto, a
competência é da Justiça Estadual.
o Assim, o STJ afirmou que a definição da competência para julgar o delito do
art. 241-A do ECA passa pela seguinte análise:
 Se ficar constatada a internacionalidade da conduta: Justiça FEDERAL.
Ex: publicação do material feita em sites que possam ser acessados
153 por qualquer sujeito, em qualquer parte do planeta, desde que esteja
conectado à internet.
 Nos casos em que o crime é praticado por meio de troca de
informações privadas, como nas conversas via Whatsapp ou por meio
de chat na rede social Facebook: Justiça ESTADUAL. Isso porque tanto
no aplicativo WhatsApp quanto nos diálogos (chat) estabelecido na
rede social Facebook, a comunicação se dá entre destinatários
escolhidos pelo emissor da mensagem. Trata-se de troca de
informação privada que não está acessível a qualquer pessoa. Desse
modo, como em tais situações o conteúdo pornográfico não foi
disponibilizado em um ambiente de livre acesso, não se faz presente a
competência da Justiça Federal. STJ. 3ª Seção. CC 150564-MG, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 26/4/2017 (Info 603).
 Compete à Justiça Federal o processamento e o julgamento da ação penal que versa sobre
crime praticado no exterior, o qual tenha sido transferido para a jurisdição brasileira, por
negativa de extradição, aplicável o art. 109, IV, da CF/88. STJ. 3ª Seção. CC 154656-MG, Rel.
Min. Ribeiro Dantas, julgado em 25/04/2018 (Info 625).
 Prefeitos:
o Súmula 702, STF: A competência do TJ para julgar prefeitos restringe-se aos
crimes de competência da justiça comum estadual; nos demais casos, a
competência originária caberá ao respectivo tribunal de 2 grau.
o S: 208 STJ: Compete a justiça federal processar e julgar prefeito por desvio de
verba sujeita à prestação de contas perante órgão federal;
o S: 209, STJ: Compete à justiça estadual processar e julgar prefeito por desvio
de verba transferida e incorporada ao patrimônio municipal.
o Crime Comum - TJ

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o Crime Comum Federal - TRF


o Crime Eleitoral - TRE
o Crime De Responsabilidade Próprio - Câmara de vereadores.
o Crime De Responsabilidade Improprio - TJ.
 Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes de violação de direito autoral e contra a
lei de software decorrentes do compartilhamento ilícito de sinal de TV por assinatura, via
satélite ou cabo, por meio de serviços de cardsharing.
6.6.2. Justiça Estadual
 Compete à Justiça ESTADUAL o julgamento de crime ambiental decorrente de construção
de moradias de programa habitacional popular, nas hipóteses em que Caixa Econômica
Federal atue, tão somente, na qualidade de agente financiador da obra.
 Não compete à Justiça Federal julgar queixa-crime proposta por particular contra outro
particular pelo simples fato de as declarações do querelado terem sido prestadas na
Procuradoria do Trabalho. A competência é da Justiça Estadual.
 É da competência da Justiça estadual o julgamento de contravenções penais, mesmo que
conexas com delitos de competência da Justiça Federal. A doutrina afirma que existe uma
exceção na qual a Justiça Federal julgaria contravenção penal. Trata-se da hipótese de
contravenção penal praticada por pessoa com foro privativo no Tribunal Regional Federal.
Seria o caso, por exemplo, de contravenção penal cometida por Juiz Federal ou Procurador da
República. Em tais situações, o julgamento ocorreria no TRF (e não na Justiça Estadual). É a
posição, dentre outros, de Renato Brasileiro de Lima.
154  Crime de tortura praticado contra brasileiro no exterior: trata-se de hipótese de
extraterritorialidade incondicionada (art. 2º da Lei 9.455?97). No Brasil, a competência para
julgar será da Justiça Estadual. O fato de o crime de tortura, praticado contra brasileiros, ter
ocorrido no exterior não torna, por si só, a Justiça Federal competente para processar e julgar
os agentes estrangeiros. Isso porque a situação não se enquadra, a princípio, em nenhuma das
hipóteses do art. 109 da CF/88. STJ. 3ª Seção. CC 107397-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado
em 24/9/2014 (Info 549).

6.6.3. Justiça Militar


● Súmula 90 STJ: Compete à Justiça Estadual Militar processar e julgar o militar pela prática do
crime militar, e a comum pela prática do crume comum simultâneo àquele.
 A competência da Justiça Militar é para os crimes militares “tourt court”, e não para os crimes
dos militares. Não se trata de competência ratione personae.
 Mesmo para civis, em tempos de paz, há tipos penais militares que, incidindo no caso,
tornarão o fato afeto ao foro especial em questão.
 Compete à Justiça Militar processar e julgar o crime de furto, praticado por civil, de patrimônio
que, sob administração militar, encontra-se nas dependências desta. Caso concreto: civil
furtou, dentro de estabelecimento militar, pistola que estava na posse de soldado da
Aeronáutica. Fundamento: art. 9º, III, “a”, do Código Penal Militar. STJ. 3ª Seção.CC 145721-SP,
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 22/02/2018 (Info 621).

6.6.4. Foro por prerrogativa de função / foro privilegiado


● Foro de prerrogativa por função:

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o Vale a regra da atualidade entre o crime e o exercício da função. Enquanto for


detentor do foro, o crime permanecerá no Tribunal designado. Após, descerão
para a instância primária. EXCEÇÃO:
▪ Se o julgamento já tiver sido iniciado.
▪ Se a renúncia ao foro se caracterizou como uma fraude processual.
o Após iniciada a ação penal perante determinado juízo, caso ocorra a
modificação de competência em razão da investidura do réu em cargo que
atraia foro por prerrogativa de função, serão válidos os atos processuais –
inclusive o recebimento da denúncia – realizados antes da causa
superveniente de modificação da competência, sendo desnecessária, no
âmbito do novo juízo, qualquer ratificação desses atos.
● Em caso de réu que detenha foro de prerrogativa no STF e tenha havido usurpação de
competência pelo juízo de primeiro grau, eventual nulidade será tão somente em relação
ao agente que detenha foro por prerrogativa de função, de modo a não alcançar os
investigados que não detenham foro por prerrogativa.
● O mero fato de o nome do agente com prerrogativa de foro ter sido mencionado na
investigação não é suficiente para remessa imediata dos autos à Corte. Somente deverá haver
a remessa da investigação para o foro por prerrogativa de função se ficar constatada a
existência de indícios da participação ativa e concreta do titular da prerrogativa em ilícitos
penais. Em suma: a simples menção ao nome de autoridades detentoras de prerrogativa de
foro, seja em depoimentos prestados por testemunhas ou investigados, seja em diálogos
155 telefônicos interceptados, assim como a existência de informações, até então, fluidas e
dispersas a seu respeito, são insuficientes para o deslocamento da competência para o
Tribunal hierarquicamente superior.
● Segundo o entendimento da Corte Especial do STJ, ocorrendo a descoberta fortuita de indícios
do envolvimento de pessoa com prerrogativa de foro, os autos devem ser encaminhados
imediatamente ao foro prevalente, definido segundo o artigo 78, III, do CPP, o qual é o único
competente para resolver sobre a existência de conexão ou continência e acerca da
conveniência do desmembramento do processo.
● Em crimes que possuam autoridade com foro por prerrogativa de função, havendo conexão
(parlamentar no mesmo fato investigado), devem os feitos conexos, TODOS serem
remetidos ao Tribunal, sendo este, exclusivamente competente para decidir sobre o
desmembramento ou não do feito. O juiz de primeiro grau NÃO pode continuar
investigando, como também NÃO pode decidir sobre o desmembramento do feito em
relação aos demais investigados.
o O mesmo se diz quando houver apelação pendente de julgamento quando
o réu acaba de ser diplomado Deputado Federa/Senador. O recurso deve
subir para o STF julgar.
● Inexiste prazo em lei para remessa de autos à instância superior quando houver investigado
com foro e diligência em andamento, lembrando-se que, em matéria de prazos processuais
penais, até mesmo de prisão, adota-se o princípio da razoabilidade para caracterização de
excesso de prazo e investigações complexas. Com isso, considerou que a existência de
diligências urgentes em curso e o prejuízo manifesto a elas com a remessa à instância
superior (perda de diálogos a serem interceptados) seria e elemento que, de alguma
forma, deveria ser levado em consideração para mitigar tal rigor no prazo de envio dos
autos à instância superior.
● Crime eleitoral e prefeitos:
o O indiciamento não pode ser feito livremente pela autoridade policial.

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o A competência para ação e investigação é do T.R.E, e não do juiz eleitoral.


● As normas da Constituição de 1988 que estabelecem as hipóteses de foro por prerrogativa
de função devem ser interpretadas restritivamente, aplicando-se apenas aos crimes que
tenham sido praticados durante o exercício do cargo e em razão dele. Assim, por exemplo,
se o crime foi praticado antes de o indivíduo ser diplomado como Deputado Federal, não se
justifica a competência do STF, devendo ele ser julgado pela 1ª instância mesmo ocupando
o cargo de parlamentar federal. Além disso, mesmo que o crime tenha sido cometido após
a investidura no mandato, se o delito não apresentar relação direta com as funções
exercidas, também não haverá foro privilegiado. Foi fixada, portanto, a seguinte tese: O
foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o
exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas.
STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018.
o Após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de
intimação para apresentação de alegações finais (fixação de
competência), a competência para processar e julgar ações penais não
será mais afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo
ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo. STF. Plenário.
AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018.
Situação Atribuição para investigar
Se o crime foi praticado antes da
diplomação
Polícia (Civil ou Federal) ou MP.
156 Se o crime foi praticado depois da
Não há necessidade de autorização do STF
diplomação (durante o exercício do cargo),
mas o delito não tem relação com as Medidas cautelares são deferidas pelo juízo
funções desempenhadas. de 1ª instância (ex: quebra de sigilo)
Ex: homicídio culposo no trânsito.
Se o crime foi praticado depois da
Polícia Federal e Procuradoria Geral da
diplomação (durante o exercício do cargo) e
República, com supervisão judicial do STF.
o delito está relacionado com as funções
desempenhadas. Há necessidade de autorização do STF para
o início das investigações.
Ex: corrupção passiva.
● O foro por prerrogativa de função no caso de Governadores e Conselheiros de Tribunais de
Contas dos Estados deve ficar restrito aos fatos ocorridos durante o exercício do cargo e em
razão deste. Assim, o STJ é competente para julgar os crimes praticados pelos Governadores e
pelos Conselheiros de Tribunais de Contas somente se estes delitos tiverem sido praticados
durante o exercício do cargo e em razão deste.
● Autoridades que dependem da Constituição Estadual (algumas Constituições preveem que a
competência para julgar os crimes por elas praticados é do Tribunal de Justiça): Vice-
governadores; Vereadores. Se a Constituição estadual não trouxer nenhuma regra, tais
autoridades serão julgadas em 1ª instância.

6.7. Questões incidentes: medidas assecuratórias


Questões e mental processos incidentes. Questões prejudiciais. Exceções. Incompatibilidades
e Impedimentos. Medidas assecuratórias: sequestro, hipoteca legal e arresto. Incidentes de

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falsidade e de insanidade do acusado. Restituição das coisas apreendidas. Perdimento de


bens. Alienação antecipada de bens.
 Quando o juiz criminal deve aguardar o deslinde da controvérsia na esfera cível?
o Só quando houver dúvida séria e fundada sobre o ESTADO CIVIL das pessoas e,
o Para casos diversos, o juiz poderá suspender o curso do processo após a
inquirição das testemunhas, por prazo estipulado.
 O CPP brasileiro adotou a teoria eclética ou mista, segundo a qual as questões concernentes
ao estado de pessoas é motivo de remessa obrigatória ao juízo extrapenal. Já no caso de
questões diversas destas, fica a cargo do juiz deliberar se enfrenta, ou não, a controvérsia

6.7.1. Sequestro, arresto
 O sequestro, no processo penal, terá como objetivo a constrição de bens imóveis que sejam
fruto da infração penal, como aquele adquirido pelo acusado com recursos auferidos com sua
conduta delituosa, ainda que já tenham sido transferidos a terceiros.
o Basta a existência de indícios da proveniência ilícita dos bens, prescindindo da
certeza.
o Ainda, poderá recair sobre os bens transferidos a terceiros.
o A decisão de embargos (do réu ou do terceiro) não poderá ser pronunciada
antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória.
o Cabe sequestro de bens móveis se não for cabível a busca e apreensão.
o O juiz poderá decretar o sequestro de ofício, ainda que se trate de crime
157 sujeito à ação penal privada, em qualquer fase do processo, mesmo antes de
oferecida a denúncia/queixa. Não se exige, sequer, a instauração de IP, sendo
possível o deferimento da medida com base em PIC, do MP.
o Pode ser embargado por terceiro ou pelo réu.
o Após o trânsito em julgado da sentença condenatória, o juiz manda avaliar e
leiloar os bens.
 A HIPOTECA LEGAL recai sobre o patrimônio adquirido licitamente pelo acusado.
o Pode ser requerida pelo ofendido em qualquer fase do processo, desde que
haja CERTEZA da infração e indícios suficientes de autoria.
o Aqui só pode ser feito com a existência da ação penal. Antes não.
o O MP só poderá requerer a hipoteca legal se for à interesse da Fazenda
Pública, ou em benefício do ofendido que seja pobre e requeria ao Parquet a
adoção de tal medida.
o Passado em julgado a sentença condenatória, os autos serão remetidos ao
juízo cível, a fim de serem liquidados os danos sofridos pelo ofendido.
 Arresto: só utiliza preventivamente à hipoteca legal, até que se registre a referida hipoteca. O
prazo máximo é de 15 dias. Entretanto, é possível arresto em bens móveis, quando os imóveis
forem insuficientes ou inexistirem, facultada a hipoteca legal dos imóveis também.

6.7.2. Busca e apreensão


● Salvo na hipótese de o suspeito utilizar o veículo automotor como residência, a apreensão de
documentos no interior de um veículo se equipara juridicamente a uma busca pessoal,
dispensando autorização judicial para tanto, quando houver fundada suspeita de que em seu
interior estão escondidos elementos necessários à elucidação dos fatos investigados.
 A mera intuição de que está havendo tráfico de drogas na casa não autoriza o ingresso sem
mandado judicial ou consentimento do morador.

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 A negativa em permitir que a polícia entre na casa durante a noite para prender uma pessoa
que lá está é exercício regular de um direito do proprietário, não se tratando de
desobediência, favorecimento real ou resistência.
 Lugares abertos ao público, como lojas de departamento, não necessitam de mandado judicial
para realização de busca. Também hotel em caso de estar desocupado. Regra: fechado ao
público, necessita de mandado. Aberto ao público, não necessita de mandado.
 A negativa em permitir que a polícia entre na casa durante a noite para prender uma pessoa
que lá está é exercício regular de um direito do proprietário, não se tratando de
desobediência, favorecimento real ou resistência.
 A existência de denúncias anônimas somada à fuga do acusado, por si sós, não configuram
fundadas razões a autorizar o ingresso policial no domicílio do acusado sem o seu
consentimento ou determinação judicial.
● Sem fundada suspeita, a busca e apreensão pode configurar crime de abuso de autoridade.
● Quando a medida de busca e apreensão for determinada no cumprimento de busca domiciliar,
as pessoas que se encontrem no interior da casa poderão ser objeto de busca pessoal, mesmo
que o mandado não o diga de maneira expressa.
● A busca pessoal independe de mandado nas seguintes hipóteses: a) no caso de prisão; b)
quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de
objetos ou papéis que constituam corpo de delito: caso a busca pessoal seja executada sem
que haja fundada suspeita, como no exemplo em que a autoridade a executa tão somente
para demonstrar seu poder, a conduta do agente policial pode caracterizar o crime de abuso
158 de autoridade (Lei n° 4.898/65, art. 3°, "a"); c) quando a medida for determinada no curso de
busca domiciliar: no cumprimento de busca domiciliar, as pessoas que se encontrem no
interior da casa poderão ser objeto de busca pessoal, mesmo que o mandado não diga de
maneira expressa.
o (STF: a suspeita deve ser objetiva, exigindo elementos concretos que indiquem
necessidade da revista)
● WhatsApp:
o Se o telefone celular foi apreendido em busca e apreensão determinada por
decisão judicial, não há óbice para que a autoridade policial acesse o conteúdo
armazenado no aparelho, inclusive as conversas do Whatsapp. Pode ler.
o Não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem
prévia autorização judicial, na hipótese em que seu proprietário - a vítima - foi
morto, tendo o referido telefone sido entregue à autoridade policial por sua
esposa, com autorização desta. Pode ler.
o Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por
meio da extração de dados e de conversas registradas no Whatsapp presentes
no celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o aparelho tenha sido
apreendido no momento da prisão em flagrante. Não pode ler.

6.7.3. Insanidade mental


● O incidente de insanidade mental é prova pericial constituída em favor da defesa. Logo, não é
possível determiná-lo compulsoriamente na hipótese em que a defesa se oponha à sua
realização.

6.8. Teoria Geral da Prova


Provas. Teoria Geral da Prova. Procedimento probatório. Sistemas probatórios. Classificação.
Provas em espécie. Exame do corpo de delito e perícias em geral. Prova oral: prova

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testemunhal, depoimento do ofendido, interrogatório do acusado. Confissão.


Reconhecimento de pessoas e coisas. Acareação. Prova documental. Presunções. Indícios.
Busca e apreensão. Ônus da prova. Valoração da prova. Interceptação de comunicações
telefônicas e do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. Quebra de
sigilo fiscal, bancário e de dados. Provas ilícitas. Meios de obtenção de prova previstos na Lei
que define organização criminosa. A delação ou colaboração premiada. Normas sobre a
identificação criminal do civilmente identificado. Coleta de perfil genético como forma de
identificação criminal. Normas do Programa Federal de Assistência a Vítimas e Testemunhas
Ameaçadas, e de proteção de acusados ou condenados que voluntariamente tenham
prestado efetiva colaboração à investigação policial e ao processo criminal. Normas
procedimentais para a ação penal de competência originária dos Tribunais.
 A condução coercitiva de réu ou investigado para interrogatório, constante do artigo 260 do
Código de Processo Penal (CPP), não foi recepcionada pela Constituição de 1988.
o O CPP, ao tratar sobre a condução coercitiva, prevê o seguinte: Art. 260. Se o
acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou
qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá
mandar conduzi-lo à sua presença. O STF declarou que a expressão “para o
interrogatório” prevista no art. 260 do CPP não foi recepcionada pela Constituição
Federal. Assim, não se pode fazer a condução coercitiva do investigado ou réu
com o objetivo de submetê-lo ao interrogatório sobre os fatos. STF. Plenário. ADPF
395/DF e ADPF 444/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 13 e 14/6/2018 (Info
906).
159 o Para que a condução coercitiva seja legítima, ela deve destinar-se à prática de
um ato ao qual a pessoa tem o dever de comparecer, ou, ao menos, que possa
ser legitimamente obrigada a comparecer. Ex: Também será admitida a prisão
preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou
quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o
preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se
outra hipótese recomendar a manutenção da medida.
 Não há nulidade na decisão que indefere pedido de incidente de falsidade referente à prova
juntada aos autos há mais de 10 anos e contra a qual a defesa se insurge somente após a
prolação da sentença penal condenatória, uma vez que a pretensão está preclusa.
 A antecipação da prova testemunhal prevista no artigo 366 do CPP pode ser justificada
como medida necessária pela gravidade do crime praticado e possibilidade concreta de
perecimento, haja vista que as testemunhas poderiam se esquecer de detalhes importantes
dos fatos em decorrência do decurso de tempo. Tal medida não traz prejuízo às garantias
inerentes à defesa, uma vez que quando o processo retomar seu curso, caso haja algum
ponto novo a ser esclarecido em favor do réu, basta que seja feita nova inquirição.
 É justificável antecipação de prova de policiais?
o STJ: Sim, pois atuam no crime e podem esquecer pela frequência
com que ocorrem os crimes ou pela similitude dos fatos.
o STF: Não.
 Serendipidade. Crime achado. Encontro fortuito de provas: trata-se de prova obtida em
uma investigação sobre um crime não conhecido, mesmo que não seja conexo com o crime
objeto de investigação, tratando-se de uma prova lícita.
 Ainda que um laudo técnico, produzido por órgão do MP, não cumpra com as formalidades do
CPP em relação às perícias, constituem documento, que pode ser valorado segundo a fé que
merecer pelo juiz.
 Íntima convicção/certeza moral: adotado pelos JURADOS em Tribunal de Júri.

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 A) Provas cautelares, não repetíveis e antecipadas PODEM ser utilizadas na formação da


convicção judicial, ainda que coletadas na fase investigatória, conforme regra insculpida no
art. 155, do Código de Processo Penal. O que não pode é fundamentar a decisão
exclusivamente com base em elementos informativos colhidos na investigação.
o As provas cautelares são aquelas produzidas diante de uma situação de urgência,
de molde a evitar o desaparecimento do objeto da prova, postergando-se o
contraditório, que será diferido. É o exemplo da interceptação telefônica.
o Por provas não repetíveis compreendem-se aquelas que não podem ser
renovadas ou novamente produzidas, pois há desaparecimento da origem
probatória, como, por exemplo, diversos exames periciais realizados logo após o
crime. Também aqui o contraditório é diferido.
o Já as provas antecipadas são aquelas produzidas antes do momento processual
legalmente previsto, em decorrência da urgência e relevância, mediante
contraditório real. Exemplo: coleta antecipada de depoimento de testemunhas
por enfermidade ou idade avançada na fase do art. 366, do CPP.
 A cadeia de custódia da prova é todo o caminho percorrido pela prova, desde o momento em
que é colhida até o final do processo penal. É de extrema importância que essa cadeia de
custódia seja preservada de forma a impedir qualquer manipulação da prova que possa gerar
questionamentos acerca da sua autenticidade. Uma vez quebrada a cadeia de custódia, a
prova estará maculada, devendo ser anulada, bem como aquelas dela decorrentes. (art. 157,
§1º)

160  As cartas particulares poderão, sem o consentimento do signatário, ser exibidas em juízo pelo
réu dela destinatário.
 Não é nula a condenação criminal lastreada em prova produzida no âmbito da Receita Federal
do Brasil por meio da obtenção de informações de instituições financeiras sem prévia
autorização judicial de quebra do sigilo bancário. Isso porque o STF decidiu que são
constitucionais os arts. 5º e 6º da LC 105/2001, que permitem o acesso direto da Receita
Federal à movimentação financeira dos contribuintes.
 A utilização pelo Ministério Público de documentos enviados por outros países para fins de
investigação por meio de cooperação jurídica internacional é legítima mesmo não havendo
ainda legislação específica no Brasil regulamentando o tema. Isso porque a transferência de
procedimento criminal encontra abrigo em convenções internacionais sobre cooperação
jurídica, cujas normas, quando ratificadas, assumem status de lei federal. Dessa forma, é
legítima a providência da autoridade brasileira de, com base em material probatório obtido da
Confederação Suíça, por sistema de cooperação jurídica internacional, investigar e processar o
congressista em questão pelo delito de evasão de divisas, já que se trata de fato delituoso
diretamente vinculado à persecução penal objeto da cooperação, que tem como foco central
delitos de corrupção e lavagem de capitais. STF. Plenário. Inq 4146/DF, Rel. Min. Teori
Zavascki, julgado em 22/6/2016 (Info 831).
 A apresentação do custodiado algemado à imprensa pelas autoridades policiais não afronta o
Enunciado 11 da Súmula Vinculante. A SV 11 refere-se apenas a situações em que o emprego
abusivo da algema decorre de decisão judicial, ou seja, no âmbito de um ato processual. Não
abrange hipóteses em que seu uso decorreu de ato administrativo da autoridade policial.
 Acusado não pode assistir interrogatório do corréu, mesmo que seja advogado atuando em
causa própria. O réu que seja advogado em causa própria não poderá ver o interrogatório do
corréu na qualidade de advogado. Deverá ser nomeado um defensor para ele.
 É denominada testemunha fedatária aquela que assina o auto de prisão em flagrante,
testemunhando a apresentação do preso à autoridade policial. Elas não prestam depoimento
sobre a prática delituosa ou sobre o mérito da ação penal, mas sobre a regularidade de um
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fato ou ato processual, tal como as testemunhas que acompanham os condutores do preso em
flagrante delito.
 O depoimento prestado em sede policial pela testemunha deve ser por ela reproduzido em
juízo, não bastando, para tanto, a mera afirmação de que ratifica o depoimento prestado no
inquérito policial.
 As testemunhas que não estão obrigadas a depor, caso o façam, não estão sujeitas ao
compromisso de dizer a verdade, previsto no artigo 203 do CPP.
o Tratando-se de testemunha com fortes laços de afetividade com o réu, não se
pode exigir-lhe que diga a verdade, justamente em detrimento da pessoa pela
qual nutre afeição, pondo em risco até mesmo a própria unidade familiar.
o Ainda que o membro da família seja o único que possa elucidar os fatos, ele pode
se recusar a depor, não se lhe exigindo a verdade dos fatos.
 STJ: lembre-se: para caracterização do crime de falso testemunho não é necessário o
compromisso, a advertência.
 São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão,
devam guardar segredo, salvo se desobrigadas pela parte interessada, o que não ocorre se a
pessoa que deva guardar sigilo for o advogado do acusado. O advogado pode se recusar a
depor sobre o caso mesmo que desobrigado pela parte interessada, conforme preconizado
pelo artigo 26 do Código de Ética e Disciplina da OAB.
 A falsidade de documento pode ser arguida por escrito, pelas partes ou o juiz poderá, de
ofício, proceder à verificação da falsidade. Qualquer que seja a decisão, não fará coisa julgada
em prejuízo de ulterior processo penal ou civil.” Logo, nunca fará coisa julgada material.
161  Teoria da tinta diluída (purged taint exception): teoria da mancha purgada, conexão
atenuada. Conceito: não se aplica a teoria dos frutos da árvore envenenada se o nexo causal
entre a prova ilícita originária e a derivada forem atenuados em virtude de causas
supervenientes no curso do processo ou por decurso do tempo, ou quando não se verifique o
nexo causal entre a prova ilícita primária e a derivada.
 A prova que deixa vestígios só pode ser suprida por prova testemunhal quando desaparecido
os vestígios ou não puderem ser constatados pelos peritos. Assim, nos crimes em que há
majorante de rompimento de obstáculo, a perícia é indispensável, salvo nos casos aqui
mencionados.
 O fato do exame de corpo de delito ser subscrito por apenas um perito oficial, conquanto
caracterize nulidade, à luz do disposto no artigo 159, §1º, do CPP, é vício de natureza relativa,
que pressupõe a alegação no momento oportuno, bem como a verificação de prejuízo para a
parte.
 O interrogatório judicial não é ato privativo do juízo, já que admite perguntas feitas pelas
partes diretamente ao acusado, como forma de se assegurar o contraditório. (é
presidencialista).

6.9. Prisões e medidas cautelares diversas da prisão


Prisão em flagrante. Prisão temporária. Prisão preventiva. A manutenção ou a imposição da
prisão preventiva na sentença de pronúncia e na sentença penal condenatória. Medidas
cautelares diversas da prisão. Princípio da necessidade. Princípio da adequação. Prisão
especial, prisão albergue, prisão domiciliar e liberdade provisória. Fiança. Audiência de
Custódia.

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6.9.1. Medidas cautelares diversas da prisão


● Não se aplica medida cautelar de monitoramento eletrônico do acusado no caso da infração
que lhe é imputada não ser punida com pena privativa de liberdade, seja de forma isolada,
cumulativa ou alternativa.
● Impossível medida cautelar de incomunicabilidade com a família.

6.9.2. Prisão em flagrante


 A autoridade competente para lavrar o auto de prisão em flagrante é a do local da prisão. Não
é a autoridade do local em que se consumou a infração, e a eventual lavratura de auto de
prisão em flagrante por autoridade diversa daquela que efetuou a prisão, por si só, não torna a
prisão em flagrante ilegal. Instauração do inquérito policial: autoridade que realizou o
flagrante. Condução do IP: autoridade do local onde o crime se consumou.
 Caso uma pessoa que esteja sendo perseguida penetre em uma residência, é possível que a
polícia entre na residência sem o consentimento do proprietário, uma vez que se trata de
prisão em flagrante.
 A prisão ilegal será imediatamente relaxada. Sendo ilegal, independe de fiança.

6.9.3. Prisão preventiva


162 ● Pressupostos e requisitos para o STF
o Pressupostos: prova de existência do crime (materialidade) e indícios
suficientes de autoria.
o Requisitos: garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência
da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal.
● Réu que praticou apenas lavagem de dinheiro de uma organização criminosa voltada ao
tráfico, mas já desfeita (presos), pode ser beneficiado com medidas cautelares diversas da
prisão.
● Não há um prazo estanque para prisão preventiva, devendo ser demonstrado que a demora na
formação da culpa é da acusação ou do Poder Judiciário, com base em razoabilidade. Excesso
de prazo não decorre de simples soma aritmética ou razões infundadas.
● A complexidade, por si só, não enseja prisão preventiva, devendo estar presentes os requisitos
do artigo 312 e 313, juntamente com a atividade processual dos intervenientes, e a diligência
do juízo na condução do processo.
● A complexidade da ação não equivale a pura demora Estatal injustificada, ou seja, a prisão
preventiva só é excessiva quando o motivo da demora for culpa do Estado, não sendo caso de
um processo complexo que envolve mais de 40 réus, em diversos locais do país, organização
criminosa complexa.
● O preso preventivo DEVE ficar separado dos presos definitivos. É obrigação do Estado prover a
estrutura.
● Não há prisão especial para jurados por prática de crime comum.
● Reincidência específica, crimes da mesma espécie, autoriza a prisão preventiva ainda que o
delito seja punido com detenção: a prisão poderá ser decretada se o acusado for reincidente
em crime doloso. Em reincidência específica dolosa não importa se o crime é punido com
reclusão ou detenção, muito menos o quantum de pena dos delitos.
● Na hipótese de prisão por falta de conhecimento quanto à identidade civil do réu, não há
limite quanto à natureza do crime (doloso ou culposo) ou quanto à quantidade de pena.
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● Não se admite prisão preventiva quando o juiz verificar das provas colhidas nos autos que o
agente praticou o crime acobertado por uma causa excludente da ilicitude, ou seja, em estado
de necessidade, legitima defesa, estrito cumprimento de dever legal e no exercício regular de
direito. Por analogia, estende-se para os casos previstos na parte específica e leis especiais que
possuem justificantes.
o Ressalvada a hipótese de inimputabilidade, a doutrina entende que não se
deve decretar prisão preventiva quando ficar demonstrado a existência de
excludente da culpabilidade, salvo inimputabilidade. (erro de direito, coação
moral irresistível, obediência hierárquica, coação física ou material) e
excludentes da ilicitude.
● O requisito negativo para prisão foi expressamente previsto no CPP sendo ele: “A prisão
preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida
cautelar”.
● O relaxamento da prisão em flagrante não impede a decretação da prisão preventiva ou
temporária, nem tampouco a decretação das medidas cautelares diversas da prisão, desde que
presente os requisitos legais. Não se confunde a legalidade da prisão em flagrante com o juízo
de necessidade das medidas cautelares.
o O que não se admite é o relaxamento da prisão em flagrante, porque ilegal, e a
subsequente e automática decretação de prisão preventiva, somente sendo
possível quando presente o fumus comissi delicti, consubstanciado na prova da
materialidade e de autoria, e o periculum libertatis, garantia da ordem pública,

163 ordem econômica, da aplicação da lei penal e conveniência da instrução


criminal, de desde que se revelem inadequadas ou insuficientes as medidas
cautelares diversas da prisão.
● Para o STF, uma vez revogada a preventiva, somente pode ser novamente decretada pelo
mesmo juízo se invocados fatos posteriores à revogação.
● O concreto risco à ordem pública, segundo o STF, deve-se inferir com olhos voltados ao
acusado, ou seja, há risco à ordem pública na soltura daquele que revele periculosidade social,
periculosidade, esta, depreendida do modus operandi do crime, ou de seus antecedentes.
o Assim, a repercussão social do delito ou a necessidade da justiça se impor não
interfere na análise da decretação da prisão preventiva
o Não se pode fundamentar prisão preventiva unicamente com o argumento da
credibilidade das instituições públicas, nem a repercussão nacional de certo
episódio, nem o sentimento de indignação da sociedade.
o A motivação que dá suporte à prisão preventiva está em consonância com a
jurisprudência assentada no STF no sentido de que a periculosidade do agente
e a reiteração delitiva demonstram a necessidade de se acautelar o meio
social, para que seja resguardada a ordem pública, e constituem fundamento
idôneo para a prisão preventiva.
o A gravidade em concreto do delito, ante o modus operandi empregado e a
reincidência delitiva, permitem concluir pela periculosidade social do paciente
e pela consequente presença dos requisitos autorizadores da prisão cautelar,
elencados no artigo 312 do CPP, em especial garantia de ordem pública.
o Para a prisão preventiva, a análise da gravidade em concreto da conduta
passada se faz com olhos no futuro, isto é, com apreciação prospectiva.
Portanto, para a preventiva, a gravidade em concreto do crime não é utilizada
para apenar, mas, sim, para avaliar a periculosidade social (prospectiva,
portanto) do agente. Julgado: Nesse campo, impende enfatizar que a

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gravidade do crime, para fins cautelares, deve ser compreendida sob um


enfoque prospectivo. Em outras palavras, não se trata de aferir a gravidade
delitiva para fins de retribuição penal, já que as medidas cautelares não podem
figurar como instrumento de punição antecipada. Contudo, em determinados
casos, as peculiaridades do delito podem evidenciar maior reprovabilidade e,
nessa medida, tais particularidades podem robustecer o receio de reiteração
delituosa e, por consequência, o risco à ordem pública.
● Os fundamentos da prisão preventiva devem persistir durante toda a vigência da prisão, não
apenas anteriormente, quando decretada, se, com o tempo, afastar-se, por exemplo, a
periculosidade social do acusado, surge seu direito à soltura ou à fixação de cautelar menos
gravosa. Portanto, a influência do tempo, como fator jurídico da prisão é aplicada à
manutenção ou não da prisão.
o “[que as] medidas cautelares pessoais se destinam a tutelar uma determinada
situação de fato, à qual se referem, razão por que, desaparecida a sua base
fática legitimadora, impõe-se a sua cessação. Como aduz Maurício Zanoide de
Moraes , ‘toda a medida de coação determinada poderá ser substituída por
outra que se mostre mais adequada e eficiente diante das novas situações
naturalmente proporcionadas pela passagem do tempo’, seja para
recrudescer, seja para minorar a restrição.
● Súmula 697: A proibição de liberdade provisória nos processos por crimes hediondos não veda
o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo.
o Não há mais vedação da concessão de liberdade provisória em hediondos.
164 ● Na análise do excesso de prazo o STF rejeita o critério aritmético, impondo análise das
peculiaridades do caso concreto à luz do princípio da razoabilidade para, por exemplo,
rechaçar excesso de prazo quando justificado à luz da complexidade do feito ou do
comportamento da defesa.
● Credibilidade da justiça não é argumento idôneo a permitir a segregação cautelar.
● STF: inidônea a fundamentação de prisão preventiva lastreada em circunstâncias genéricas e
impessoais.
● Não é fundamento suficiente para a manutenção da prisão preventiva a alusão ao fato do
acusado ter permanecido preso durante toda a instrução criminal. No mesmo sentido, a
invocação da gravidade em abstrato do delito ou a mera referência aos requisitos
autorizadores da decretação da prisão preventiva, sem base empírica idônea.
● Incompatibilidade da prisão preventiva com o regime prisional semiaberto, por exemplo,
sendo cabível, nesse caso, a determinação de que a prisão cautelar seja cumprida no regime
adequado.

6.9.3.1. Atos infracionais e prisão preventiva


● A prática de atos infracionais anteriores serve para justificar a decretação ou manutenção da
prisão preventiva como garantia da ordem pública, considerando que indicam que a
personalidade do agente é voltada à criminalidade, havendo fundado receio de reiteração.
Não é qualquer ato infracional, em qualquer circunstância, que pode ser utilizado para
caracterizar a periculosidade e justificar a prisão antes da sentença. É necessário que o
magistrado examine três condições:
o a) a gravidade específica do ato infracional cometido, independentemente de
equivaler a crime considerado em abstrato como grave;

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o b) o tempo decorrido entre o ato infracional e o crime em razão do qual é


decretada a preventiva; e
o c) a comprovação efetiva da ocorrência do ato infracional.
o ATENÇÃO: o ato infracional JAMAIS poderá ser utilizado para valorar
negativamente os antecedentes, a conduta social ou qualquer circunstância do
artigo 59.
o Súmula 605-STJ: A superveniência da maioridade penal não interfere na
apuração de ato infracional nem na aplicabilidade de medida socioeducativa
em curso, inclusive na liberdade assistida, enquanto não atingida a idade de
21 anos. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 14/03/2018, DJe 19/03/2018.
o
● O STF reconheceu a existência de inúmeras mulheres grávidas e mães de crianças que estavam
cumprindo prisão preventiva em situação degradante, privadas de cuidados médicos pré-
natais e pós-parto. Além disso, não havia berçários e creches para seus filhos. Também se
reconheceu a existência, no Poder Judiciário, de uma “cultura do encarceramento”, que
significa a imposição exagerada e irrazoável de prisões provisórias a mulheres pobres e
vulneráveis, em decorrência de excessos na interpretação e aplicação da lei penal e processual
penal, mesmo diante da existência de outras soluções, de caráter humanitário, abrigadas no
ordenamento jurídico vigente. A Corte admitiu que o Estado brasileiro não tem condições de
garantir cuidados mínimos relativos à maternidade, até mesmo às mulheres que não estão em
situação prisional. Diversos documentos internacionais preveem que devem ser adotadas
165 alternativas penais ao encarceramento, principalmente para as hipóteses em que ainda não
haja decisão condenatória transitada em julgado. É o caso, por exemplo, das Regras de
Bangkok. Os cuidados com a mulher presa não se direcionam apenas a ela, mas igualmente
aos seus filhos, os quais sofrem injustamente as consequências da prisão, em flagrante
contrariedade ao art. 227 da Constituição, cujo teor determina que se dê prioridade absoluta à
concretização dos direitos das crianças e adolescentes. Diante da existência desse quadro,
deve-se dar estrito cumprimento do Estatuto da Primeira Infância (Lei 13.257/2016), em
especial da nova redação por ele conferida ao art. 318, IV e V, do CPP, que prevê: Art. 318.
Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; Os critérios para a
substituição de que tratam esses incisos devem ser os seguintes: REGRA. Em regra, deve ser
concedida prisão domiciliar para todas as mulheres presas que sejam - gestantes - puérperas
(que deram à luz há pouco tempo) - mães de crianças (isto é, mães de menores até 12 anos
incompletos) ou - mães de pessoas com deficiência.
● EXCEÇÕES: Não deve ser autorizada a prisão domiciliar se:
o 1) a mulher tiver praticado crime mediante violência ou grave ameaça;
o 2) a mulher tiver praticado crime contra seus descendentes (filhos e/ou netos);
o 3) em outras situações excepcionalíssimas, as quais deverão ser devidamente
fundamentadas pelos juízes que denegarem o benefício.
o Obs1: o raciocínio acima explicado vale também para adolescentes que
tenham praticado atos infracionais.
o Obs2: a regra e as exceções acima explicadas também valem para a
reincidente. O simples fato de que a mulher ser reincidente não faz com que
ela perca o direito à prisão domiciliar.

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6.9.4. Prisão domiciliar processual X domiciliar executória


● O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ao alterar as hipóteses autorizativas
da concessão de prisão domiciliar, permite que o juiz substitua a prisão preventiva pela
domiciliar quando o agente for gestante ou mulher com filho até 12 anos de idade
incompletos (art. 318, IV e V, do CPP).
● Não basta que a mulher presa tenha um filho menor de 12 anos de idade para que receba,
obrigatoriamente, a prisão domiciliar. Será necessário examinar as demais circunstâncias do
caso concreto e, principalmente, se a prisão domiciliar será suficiente ou se ela, ao receber
esta medida cautelar, ainda colocará em risco os bens protegidos pelo artigo 312 do CPP.
● A prisão domiciliar aludida na Lei de Execução Penal tem a índole de pena, pressupondo,
portanto, ao menos a possibilidade de execução provisória da reprimenda aplicada. Pode ser
concedida quando se tratar de: a) condenado maior de 70 (setenta) anos; b) condenado
acometido de doença grave; c) condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental; d)
condenada gestante.
o “A previsão insculpida na lei reformadora do art. 318 do Código de Processo
Penal não é de caráter puramente objetivo e automático, cabendo ao
magistrado avaliar em cada caso concreto a situação da criança e, ainda, a
adequação da benesse às condições pessoais da presa” (RHC 83.488/SP, j.
23/05/2017).
o Pode ser aplicada nas situações em que o condenado tem direito a progredir
do regime fechado para o semiaberto, mas o sistema penitenciário não tem
166 estrutura para garantir a progressão. De acordo com a orientação dos
tribunais superiores, a manutenção do preso em regime mais severo do que
determina a lei é uma forma de constrangimento ilegal.
o Note-se, no entanto, que a prisão domiciliar não é a primeira medida a ser
adotada; e nem sempre a manutenção do preso no mesmo estabelecimento é
causa de constrangimento ilegal. Súmula vinculante 56 e INFO 861
o É aplicada em favor dos condenados que cumprem pena em regime aberto,
mas, como bem lembra Renato Marcão, há “algumas situações excepcionais
em que se tem concedido a modalidade domiciliar mesmo quando o
sentenciado não está no regime aberto e dentre elas sobressaem aquelas em
que o preso se encontra em estado grave de saúde” (Curso de Execução Penal,
Ed. Saraiva, p. 186). É o que tem decidido o STJ: “O Superior Tribunal de Justiça
tem decidido que é possível a concessão de prisão domiciliar ao sentenciado,
em cumprimento de pena em regime fechado ou semiaberto, quando
comprovada sua debilidade extrema por doença grave e a impossibilidade de
recebimento do tratamento adequado no estabelecimento prisional” (HC
365.633/SP, j. 18/05/2017).
o
● Segundo dispõe o art. 318 do Código de Processo Penal, a prisão preventiva pode ser
substituída pela domiciliar quando o agente for: a) maior de 80 (oitenta) anos;
b) extremamente debilitado por motivo de doença grave; c) imprescindível aos cuidados
especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência; d) gestante; e) mulher
com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; f) homem, caso seja o único
responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos.
o

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6.9.5. Prisão temporária

6.9.6. Liberdade provisória e Fiança


● Para concessão de fiança pela autoridade policial, este deverá levar em conta no cálculo da
pena máxima em abstrato, o concurso de crimes, as causas de aumento e qualificadoras.
● A quebra de fiança, segundo o STJ, consiste em hipótese autorizadora da prisão preventiva,
uma vez que, sendo medida cautelar pessoal, descumprida esta, é possível decretar a prisão,
pois as cautelares foram insuficientes para atender aos objetivos da instrução criminal.
● Quebra da fiança:
o Deixa de comparecer a ato quando regularmente intimado; deliberadamente
pratica ato de obstrução do processo; descumpre medida cautelar imposta
cumulativamente com a fiança; resiste injustificadamente a ordem judicial;
pratica nova infração penal dolosa.
o Efeito: perda da metade do seu valor, cabendo ao juízo decidir sobrea
imposição de outras medidas cautelares, ou, se for o caso, a decretação da
prisão preventiva.
● Perda da fiança: quando o condenado não se apresenta para o início do cumprimento da
pena definitivamente imposta.
o Efeito: perda total do valor, deduzidas as custas e mais encargos a que o
acusado estiver obrigado, sendo recolhida, o restante, ao FUNPEN.

167 6.10. Procedimentos


Ação Penal. Processo: finalidade, pressupostos e sistemas. Procedimento Comum Ordinário.
Procedimento Comum Sumário. Procedimentos Especiais: do Tribunal do Júri, nos crimes de
abuso de autoridade, nos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, nos crimes
contra a honra e nos crimes contra a propriedade imaterial. A restauração de autos
extraviados ou destruídos. Normas especiais previstas na Lei que dispõe sobre o processo e o
julgamento colegiado em primeiro grau de crimes praticados por organizações criminosas.
Normas especiais previstas na Lei que dispõe sobre a repressão à produção não autorizada e
ao tráfico ilícito de drogas. Disposições especiais e medidas assecuratórias previstas na Lei
que dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores.
Disposições especiais previstas na Lei que dispõe sobre os crimes ambientais. Disposições
especiais previstas na Lei que dispõe sobre as licitações e os contratos administrativos.
Disposições especiais previstas na Lei que dispõe sobre os crimes contra o sistema financeiro
nacional. Normas especiais previstas na Lei que define a situação jurídica do estrangeiro no
Brasil.
● Defeito de citação, ainda que tenha corrido a ação penal, pode ser alegada a qualquer tempo,
inclusive no tribunal. Citação circunduta é aquela que foi anulada em razão de vício insanável.
● O art. 400 do CPP prevê que o interrogatório deverá ser realizado como último ato da
instrução criminal. Essa regra deve ser aplicada: • nos processos penais militares; • nos
processos penais eleitorais e • em todos os procedimentos penais regidos por legislação
especial (ex: lei de drogas e licitação).
o A norma geral do 400 do CP prevalece sobre as normas especiais.
o Essa tese acima exposta (interrogatório como último ato da instrução em
todos os procedimentos penais) só se tornou obrigatória a partir da data de
publicação da ata de julgamento do HC 127900/AM pelo STF, ou seja, do dia
11/03/2016 em diante. Os interrogatórios realizados nos processos penais
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militares, eleitorais e da lei de drogas até o dia 10/03/2016 são válidos mesmo
que tenham sido efetivados como o primeiro ato da instrução. Após, são nulos
os interrogatórios realizados como primeiro ato de instrução, fora do rito do
artigo 400.
● Se o prefeito é denunciado por um crime do DL201/67 e outro crime, deve ser oportunizado a
defesa prévia da lei especial para ambos os crimes, e não só do DL, uma vez que o
procedimento especial prevalece sobre o procedimento comum.
● Os interrogatórios são feitos separadamente. Assim, se o réu advoga em causa própria, ele não
poderá ouvir os interrogatórios dos corréus na qualidade de advogado, devendo ser
constituído um defensor para ele.
● O interrogatório judicial não é ato privativo do juízo, já que admite perguntas feitas pelas
partes diretamente ao acusado, como forma de se assegurar o contraditório. (é
presidencialista).
● Quando o agente é processado por dois crimes com procedimentos diversos, deve-se dar
prioridade ao que lhe forneça maiores garantias constitucionais, e não o mais célere.
● Prevalece na doutrina que o interrogatório é meio de defesa, realizado em contraditório, e as
perguntas são iniciadas pelo juiz, seguido das partes.
o Ao contrário do que se dá com os depoimentos de testemunhas e do
ofendido, em relação aos quais vigora o sistema do exame direto e cruzado
(CPP, art. 212), o interrogatório continua submetido ao sistema
presidencialista, devendo o juiz formular as perguntas antes das reperguntas
168 das partes. Apesar de a maioria da doutrina entender que o interrogatório
tem natureza jurídica de meio de defesa, tem prevalecido o entendimento de
que quem repergunta primeiro é a acusação (Ministério Púbico, querelante,
ou assistente), seguindo-se as perguntas da defesa”
● Em fase de defesa prévia, a oitiva de todas as testemunhas indicadas pela defesa dos pacientes
fora indeferida, ao fundamento de que o requerimento seria protelatório, haja vista que as
testemunhas não teriam, em tese, vinculação com os fatos criminosos imputados aos
pacientes. Evidente a infringência à matriz constitucional do devido processo legal, visto que
frustrou a possibilidade de os acusados produzirem as provas que reputam necessárias à
demonstração de suas alegações.
6.10.1. Crimes de responsabilidade dos funcionários públicos
● No procedimento do artigo 514 do Código Penal, de crimes de responsabilidade dos
funcionários públicos, o STF entende não haver ofensa ao contraditório pela não apresentação
de defesa prévia do artigo 514 do CPP quando o crime praticado por servidor público é
exercido com violência e grave ameaça.
o Dispensa-se o presente procedimento quando precedido de inquérito policial.

6.10.2. Tribunal do Júri


 Para compatibilização do duplo grau de jurisdição com a regra da soberania dos vereditos do
júri, o STF impõe os seguintes limites à revisão pelo tribunal de apelação das sentenças do
tribunal do júri:
o Matéria de fato: se a decisão dos jurados for manifestamente contrária às
provas dos autos;
o Matéria de direito: nulidades processuais ou erro na aplicação do direito
material;

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 São, em regra, executáveis as condenações prolatadas pelo júri, não violando a presunção de
inocência, prestigiando a soberania dos vereditos, pois, em regra, o tribunal de apelação não
pode substituir a decisão do júri, salvo as situações acima descritas.

6.11. Relação jurisdicional com autoridade estrangeira


Relações jurisdicionais com autoridade estrangeira. Cartas rogatórias. Homologação de
sentença estrangeira. Extradição. Expulsão. Deportação.
6.12. Nulidades
Nulidades. Espécies. Princípios. Rol legal.
● Súmula STF 431: É nulo o julgamento de recurso criminal, na segunda instância, sem prévia
intimação, ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus.
● Súmula 160 STF: É nula decisão do Tribunal, que acolhe contra o réu, nulidade não arguida no
recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício.
● Art. 565: Nenhuma das partes poderá arguir nulidade a que haja dado causa ou para que
tenha concorrido, ou referente a formalidade cuja observância só à parte contrária
interesse... Tal regra NÃO SE APLICA AO MP, isso porque ele é fiscal da lei, podendo sempre
arguir NULIDADE.
● O STF não diferencia as nulidades absoluta e relativa no que concerne a aplicação do princípio
pas de nullité sans grief, de forma que também para a declaração da nulidade absoluta o
prejuízo deve ser comprovado. Assim, aplica-se o princípio do pas de nullité sans grief a
169 ● qualquer espécie de nulidade, seja relativa ou absoluta.

6.13. Teoria Geral dos Recursos – ações autônomas de impugnação


Recursos. Teoria Geral dos Recursos. Embargos de declaração. Apelação. Recurso em sentido
estrito. Protesto por novo júri. Embargos infringentes e de nulidade. Carta testemunhável.
Correição Parcial. Recursos especial e extraordinário. Agravo em execução penal. Coisa
julgada. Revisão criminal. Habeas corpus. Mandado de segurança em matéria penal. Medida
cautelar em matéria penal.
 Não é possível interposição de recurso por fax, pois não se equipara a FAX ou fac-símile, uma
vez que não possui a mesma segurança de transmissão e registro de dados. Mesmo com o
envio da peça por sistema de transmissão de dados e fac-símile, deve ser juntado o original.
 Em regra, a decisão do recurso interposto por um dos réus aproveita os demais. A extensão
dos efeitos benéficos dos recursos não se aplica quando:
o De caráter exclusivamente pessoal.
o Quando o réu que requerer o benefício não participar da mesma relação
jurídico-processual daquele que foi beneficiado.
o Quando se invoca extensão da decisão para outros processos que não foram
examinados pelo órgão julgador, pois senão estaria pretendendo obter a
transcendência dos motivos determinantes.
 Em matéria criminal, não deve ser conhecido recurso especial adesivo interposto pelo
Ministério Público em desfavor do réu, pois, admitir-se a interposição de tal recurso pelo MP,
veiculando pedido em desfavor do réu, conflita com a regra do artigo 617 do CPP, que prevê
que o Tribunal não poderá agravar a pena se apenas o réu houver recorrido.
 A suspensão nacional prevista no §5º do artigo 1035 é discricionária do Ministro Relator. Esta
possibilidade aplica-se aos processos de natureza penal, suspendendo-se o prazo prescricional
da pretensão punitiva relativa aos crimes objeto das ações penais. Tal suspensão não
abrangerá IP ou procedimentos investigatórios conduzidos pelo Ministério Público, muito
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menos réu preso provisoriamente. Em qualquer caso, o juiz de primeiro grau poderá proceder
à produção de provas de natureza urgente.
 Não é extemporâneo recurso interposto antes da publicação do acórdão. Sob o ângulo da
oportunidade, a publicação do acórdão impugnado é elemento neutro, podendo a parte,
ciente da decisão proferida, protocolar o recurso. Assim por exemplo, admite-se a interposição
de embargos declaratórios oferecidos antes da publicação do acórdão embargado e dentro do
prazo recursal.
 A depender do fundamento da sentença absolutória, remanesce ao réu o direito de recorrer,
mormente quando o fundamento da sentença puder repercutir na esfera civil (por exemplo,
quando é absolvido por insuficiência de provas).
 O CPP expressamente previu a fungibilidade recursal no artigo 579: Salvo a hipótese de má-fé,
a parte não será prejudicada pela interposição de um recurso por outro. Parágrafo único. Se
o juiz, desde logo, reconhecer a impropriedade do recurso interposto pela parte, mandará
processá-lo de acordo com o rito do recurso cabível.
 Súmula 707 STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer
contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de
defensor dativo.
 No Juizado Especial Criminal, o prazo para a interposição de apelação é de 10 dias, já inclusas
as razões recursais
 Cabem embargos infringentes para o Plenário do STF contra decisão condenatória proferida
em sede de ação penal de competência originária das Turmas do STF. O requisito de

170 cabimento desse recurso é a existência de dois votos minoritários absolutórios em sentido
próprio. Voto absolutório em sentido próprio: significa que o Ministro deve ter expressado
juízo de improcedência da pretensão executória. STF. Plenário. AP 863 EI-AgR/SP, Rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 18 e 19/4/2018; HC 152707/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 18
e 19/4/2018 (Info 898).


6.13.1. Recurso em sentido estrito
● As hipóteses de cabimento de RESE trazidas pelo artigo 581 são:
o Exaustivas
o Admitem interpretação extensiva (faltou dizer algo que cabe).
o Não admitem interpretação analógica (não disse).
● Assim: a decisão do juiz que revoga a medida cautelar diversa da prisão cabe RESE com base
na interpretação extensiva do 581, V, uma vez que o incisivo V permite RESE contra a decisão
do juiz que revoga a prisão preventiva.
● Cabe RESE, por interpretação extensiva, contra decisão que indefere a prisão temporária.
● Contra a decisão que julga procedente as exceções de litispendência, coisa julgada,
ilegitimidade de parte e incompetência será cabível o recurso em sentido estrito, salvo
suspeição.
o Não cabe RESE contra julgamento de exceção de suspeição (incompetência
cabe). Isto porque, se ele aceita a suspeição, o juiz remete os autos ao
substituto; ou, se ele nega a suspeição, os autos são remetidos ao Tribunal que
competir o julgamento.
● O RESE só cabe quando for julgado procedente as exceções de incompetência, litispendência,
ilegitimidade de parte e coisa julgada.
● A absolvição sumária, como regra, é atacada por apelação, porém, em caso de extinção da
punibilidade é atacada por RESE. A decisão de absolvição sumária por extinção da
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punibilidade não é um veredito absolutório, mas sim uma decisão declaratória, podendo existir
ainda o ilícito. Tem discussão doutrinária aqui. Uns dizem ser apelação, outros RESE.
● O agravo da execução penal não possui rito legal, seguindo-se as mesmas normas do RESE –
Súmula 700 do STF. Tal agravo não possui efeito suspensivo.
● Efeito regressivo: o juiz pode rever a sua decisão quando interposto RESE e contrarrazoado.
o Com a resposta do recorrido ou sem ela, será o recurso concluso ao juiz, que,
dentro de dois dias, reformará ou sustentará o seu despacho, mandando
instruir o recurso com os traslados que Ihe parecerem necessários. Se o juiz
reformar o despacho recorrido, a parte contrária, por simples petição, poderá
recorrer da nova decisão, se couber recurso, não sendo mais lícito ao juiz
modificá-la. Neste caso, independentemente de novos arrazoados, subirá o
recurso nos próprios autos ou em traslado
● Da decisão que decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta a punibilidade, caberá
recurso em sentido estrito, mas nesta não haverá efeito suspensivo. Esta é uma das únicas
situações vigentes em que o recurso em sentido estrito não admite efeito suspensivo.
6.13.2. Apelação
 Não viola o princípio do juiz natural o julgamento de apelação por órgão colegiado presidido
por desembargador, sendo os demais integrantes juízes convocados, desde que haja previsão
legal para isso.
o Salvo se o regimento interno dispor que deva ser julgado só por
desembargadores.
171
6.13.3. Habeas corpus
● Incabível arguição de nulidade em sede de habeas corpus para impugnar a sentença que foi
prolatada exclusivamente em prova emprestada. Isto porque não se admite reanálise fático-
probatória em sede de HC.
● Juiz pode conceder HC de ofício.
● O art. 28 da LD não prevê a possibilidade de o condenado receber pena privativa de liberdade.
Assim, não existe possibilidade de que o indivíduo que responda processo por este delito sofra
restrição em sua liberdade de locomoção. Diante disso, não é possível que a pessoa que
responda processo criminal envolvendo o art. 28 da LD impetre habeas corpus para discutir a
imputação. Não havendo ameaça à liberdade de locomoção, não cabe habeas corpus. Em
suma, o habeas corpus (preventivo) não é o meio adequado para discutir crime que não enseja
pena privativa de liberdade.
● O habeas corpus não é o meio adequado para se buscar o reconhecimento do direito a visitas
íntimas. Isso porque não está envolvido no caso o direito de ir e vir
● O Tribunal pode conceder habeas corpus de ofício, mas para isso acontecer é necessário que
ele seja o Tribunal competente para apreciar eventual pedido de habeas corpus relacionado
com este caso.
● Ministro Relator do STF ou STJ pode decidir HC nas hipóteses autorizadas pelo regimento?
o STF diverge: não, pois cabe ao colegiado. SIM (majoritário), pode.
● Não cabe HC para reexame dos pressupostos de admissibilidade de recurso interposto no STJ.
● Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra
decisão do relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar.
● Não cabe HC contra decisão monocrática de ministro do STF. Só agravo regimental ao plenário.

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● Em regra, não cabe HC de decisão monocrática do Ministro do STJ que não conhece ou que
denega o HC.
o É necessário que o impetrante esgote as vias recursais cabíveis, como no caso,
agravo regimental.
o Exceção: essa regra pode ser afastada em casos excepcionais, quando a
decisão se mostra teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou
manifestamente contrária à jurisprudência do STF.
● A liminar é feita por julgamento monocrático. O que o STF não admite é julgamento
monocrático terminativo (não resolve o mérito) do mérito do HC, por ofensa ao princípio da
colegialidade. O julgamento do mérito em HC em tribunais é sempre colegiado.
● O HC pode ser impetrado para impugnar medidas cautelares de natureza criminal diversas da
prisão. Obs: sursis também.
o As medidas são onerosas ao réu.
o O seu descumprimento enseja conversão em prisão, havendo risco à liberdade
de locomoção.
● É possível que o Ministro Relator do STJ ou do STF decida monocraticamente o habeas corpus
nas hipóteses autorizadas pelo regimento interno?
• Precedente divulgado no Info 857: NÃO. Cabe ao colegiado o julgamento de
habeas corpus.
• Posição amplamente majoritária no STF: SIM. O Ministro Relator pode decidir
monocraticamente habeas corpus nas hipóteses autorizadas pelo regimento
172 interno, sem que isso configure violação ao princípio da colegialidade
 O habeas corpus substitutivo ocorre quando o impetrante, ao invés de interpor o recurso
cabível contra a decisão, opta por questioná-la ajuizando novo habeas corpus, dirigido à
instância superior. Na prática, os advogados e Defensores Públicos preferem valer-se do
HC substitutivo por ser este mais simples e rápido que o recurso.
A jurisprudência admite a utilização do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio (o
chamado “habeas corpus substitutivo”)?
o 1ª corrente: NÃO. Posição do STJ e da 1ª Turma do STF (mas
pode ser conhecido HC de ofício).
o 2ª corrente: SIM. Posição da 2ª Turma do STF.
 É cabível habeas corpus contra decisão judicial transitada em julgado?
o 1ª) SIM. Foi o que decidiu a 2ª Turma no RHC 146327/RS, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/2/2018 (Info 892).
o 2ª) NÃO. É a posição majoritária no STF e no STJ. Vale
ressaltar que se houver alguma ilegalidade flagrante, o
Tribunal poderá conceder a ordem de ofício.
 Não cabe habeas corpus para reexame dos pressupostos de admissibilidade de recurso
interposto no STJ. Ex: o STJ deu provimento ao recurso interposto pelo MP e, com isso, piorou
a situação do réu; a defesa impetra HC no STF contra o acórdão alegando que o STJ, no recurso
especial, reexaminou provas, o que é vedado pela Súmula 7 da Corte (A pretensão de simples
reexame de prova não enseja recurso especial.). Esse HC não será conhecido pelo STF porque o
impetrante busca questionar os pressupostos de admissibilidade do Resp.
 A pessoa, sem ter capacidade postulatória, impetra um HC e este é negado. Essa mesma
pessoa poderá ingressar com recurso contra a decisão? Para se interpor o recurso contra a
decisão denegatória do HC, a capacidade postulatória também é dispensada?
o STF: SIM (posição levemente majoritária no STF).
o STJ: NÃO (posição pacífica no STJ).
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 A competência para julgar determinados habeas corpus é de uma das duas Turmas do STF (e
não do Plenário). Ex: HC contra decisão do STJ, em regra, é de competência de uma das
Turmas do STF. O Ministro Relator do HC no STF, em vez de submetê-lo à Turma, pode levá-lo
para ser julgado pelo Plenário? SIM. Essa possibilidade encontra-se prevista no art. 6º, II, “c” e
no art. 21, XI, do RI/STF. Para fazer isso, o Relator precisa fundamentar essa remessa? É
necessário que o Relator apresente uma justificativa para que o caso seja levado ao Plenário?
NÃO. É possível a remessa de habeas corpus ao Plenário do STF, pelo relator, de forma
discricionária, com fundamento no art. 6º, II, “c” e no art. 21, XI, do RI/STF. STF. Plenário. HC
143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11 e 12/4/2018 (Info 897)
 A superveniência de sentença condenatória que mantém a prisão preventiva prejudica a
análise do habeas corpus que havia sido impetrado contra o título originário da custódia. Se,
após o habeas corpus ser impetrado contra a prisão preventiva, o juiz ou Tribunal prolata
sentença/acórdão condenatório e mantém a prisão anteriormente decretada, haverá uma
alteração do título prisional e, portanto, o habeas corpus impetrado contra prisão antes do
julgamento não deverá ser conhecido.
 Na decisão do STF que concedeu o HC coletivo a mulheres, eles, diante da falta de legislação
específica, utilizaram-se da Lei de Mandado de Injunção para fixar o entendimento de que a
legitimidade ativa para impetração de HC coletivo é do: a) partido político com representação
no Congresso; b) organização sindical e entidade de classe ou associação legalmente
constituída e em funcionamento há pelo menos um ano; c) Defensoria pública; e d) Ministério
Público.

173  691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus
impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior,
indefere a liminar.
● Não se admite habeas corpus para se questionar nulidade cujo tema não foi trazido antes do
trânsito em julgado da ação originária e tampouco antes do trânsito em julgado da revisão
criminal. A nulidade não suscitada no momento oportuno é impassível de ser arguida através
de habeas corpus, no afã de superar a preclusão, sob pena de transformar o writ em
sucedâneo da revisão criminal
● É possível que o Tribunal, ao julgar um recurso, mantenha a sentença do juiz fazendo a
suplementação da fundamentação da dosimetria e da fixação do regime de cumprimento de
pena, sempre que não haja agravamento da pena do réu. Isso é possível em razão do efeito
devolutivo amplo de recurso de apelação, não se configurando reformatio in pejus. STJ. 6ª
Turma. AgRg no HC 425.361/SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 06/03/2018.

6.13.4. Mandado de segurança


● O mandado de segurança em processo penal - ao contrário do habeas corpus, que dispensa
advogado - deve ser impetrado por advogado e tutela direito líquido e certo, como no caso de
decisão arbitrária que não admita a habilitação do assistente de acusação.
 Súmula 604-STJ: O mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a
recurso criminal interposto pelo Ministério Público.
o Se a lei não confere efeito suspensivo para aquele recurso, não se pode dizer
que a parte tenha direito líquido e certo de obtê-lo. Logo, se não existe direito
líquido e certo, não é caso de concessão de mandado de segurança.
6.13.5. Revisão criminal

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6.13.6. Controle externo da atividade policial

 Difuso: Exercido por todos os membros do Ministério Público com atribuição criminal, quando
do exame dos procedimentos que lhes forem atribuídos.
 Concentrado: Exercido por alguns membros do MP que tenham a atribuição específica de
realizar o controle externo da atividade policial, conforme disciplinado no âmbito de cada
Ministério Público
 O Ministério Público, no exercício do controle externo da atividade policial, pode ter acesso a
ordens de missão policial (OMP). Ressalva: no que se refere às OMPs lançadas em face de
atuação como polícia investigativa, decorrente de cooperação internacional exclusiva da
Polícia Federal, e sobre a qual haja acordo de sigilo, o acesso do Ministério Público não será
vedado, mas realizado a posteriori.
 O controle externo da atividade policial exercido pelo Ministério Público Federal não lhe
garante o acesso irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos pela Diretoria de
Inteligência do Departamento de Polícia Federal, mas somente aos de natureza persecutório-
penal. O controle externo da atividade policial exercido pelo Parquet deve circunscrever-se à
atividade de polícia judiciária, conforme a dicção do art. 9º da LC n. 75/93, cabendo-lhe, por
essa razão, o acesso aos relatórios de inteligência policial de natureza persecutório-penal, ou
seja, relacionados com a atividade de investigação criminal. O poder fiscalizador atribuído ao
Ministério Público não lhe confere o acesso irrestrito a "todos os relatórios de inteligência"
produzidos pelo Departamento de Polícia Federal, incluindo aqueles não destinados a
174 aparelhar procedimentos investigatórios criminais formalizados.

6.14. Execução Penal


Execução Penal. Competência. Execução das penas privativas de liberdade, das penas
restritivas de direito e das medidas de segurança. Regimes de cumprimento da pena.
Progressão e regressão. Das faltas disciplinares, Suspensão condicional da pena. Livramento
condicional. Incidentes da execução. Graça. Anistia. Indulto. Comutação da pena.
Reabilitação. Remição. Regime Disciplinar Diferenciado. Execução das penas pecuniárias.
Modificações das condições da execução, coisa julgada e aplicação da lei benéfica. Inclusão e
transferência de presos para presídios federais. Monitoramento eletrônico. Execução penal
no âmbito dos Juizados Especiais Federais.
 O cumprimento de pena em penitenciária federal de segurança máxima por motivo de
segurança pública não é compatível com a progressão de regime prisional. STF. 2ª Turma. HC
131.649/RJ, rel. orig. Min. Cármen Lúcia, rel. p/ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/9/2016 (Info
838). O Juízo competente para processar e julgar os incidentes da execução é o que detém a
custódia do apenado, no caso, o Juízo responsável pelo presídio federal. Não lhe é permitido,
contudo, conceder a progressão de regime prisional ao condenado que esteja recolhido em
presídio federal de segurança máxima, uma vez que os motivos que justificaram sua
transferência ou manutenção no sistema federal mostram-se totalmente incompatíveis com
a concessão do benefício, ficando condicionado o deferimento da progressão à ausência dos
motivos que justificaram a sua remoção para o estabelecimento federal. STJ. 3ª Seção. CC
137.110/RJ, Rel. MIn. Ericson Maranho (Desembargador Convocado do TJ/SP), julgado em
22/4/2015.
 É inviável a remoção de apenado para outro Estado com fundamento em suposto tratamento
privilegiado. Apenas razões excepcionalíssimas e devidamente fundamentadas poderiam

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legitimar essa medida. STF. 2ª Turma. HC 152720/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
10/4/2018 (Info 897).
 A alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios, em razão da
unificação das penas, não encontra respaldo legal. Assim, não se pode desconsiderar o período
de cumprimento de pena desde a última prisão ou desde a última infração disciplinar, seja por
delito ocorrido antes do início da execução da pena, seja por crime praticado depois e já
apontado como falta disciplinar grave. Se isso for desconsiderado, haverá excesso de execução
(Repercussão Geral)
 Súmula 192, STJ: Compete ao Juízo das Execuções Penais do estado a execução das penas
impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a
estabelecimentos sujeitos a Administração Estadual.
 Manutenção de tornozeleira eletrônica sem fundamentação concreta evidencia
constrangimento ilegal ao apenado.
 A prisão preventiva é o marco inicial do tempo para a progressão de regime, desde que não
ocorra condenação posterior por crime que possa acarretar falta grave. Isto porque o preso
provisório deve ter os mesmos direitos do preso definitivo.
 Não se pode, diante da ausência de estabelecimento adequando ao regime prisional imposto,
ser dado ao apenado tratamento mais gravoso, isto é, tendo direito, por exemplo de cumprir
pena ao regime aberto, não pode ser obrigado a permanecer no semiaberto.
o É possível que um condenado ao regime semiaberto vá para o presídio, não no
regime fechado, mas em um local destinado aos presos deste regime,
conforme as condições deste regime. O que não pode é manter presos do
175 fechado com os do semiaberto e aberto.
 Súmula vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção
do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nesta hipótese, os
parâmetros fixados no Recurso Extraordinário (RE) 641320
o a) A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do
condenado em regime prisional mais gravoso; “Constitui flagrante ilegalidade
a manutenção do apenado em regime mais gravoso durante a execução da
pena, em decorrência da ausência de vagas no estabelecimento prisional
adequado, devendo ser, excepcionalmente, permitido ao paciente o
cumprimento da pena em regime aberto ou em prisão domiciliar até o
surgimento de vaga. Precedentes” (HC 386.300/RS, DJe 06/04/2017).
o b) Os juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos
destinados aos regimes semiaberto e aberto, para qualificação como
adequados a tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos que não se
qualifiquem como “colônia agrícola, industrial” (regime semiaberto) ou “casa
de albergado ou estabelecimento adequado” (regime aberto) (art. 33, §1º,
alíneas “b” e “c”, do CP);
o c) Havendo déficit de vagas, deverá determinar-se: (i) a saída antecipada de
sentenciado no regime com falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente
monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em prisão
domiciliar por falta de vagas; (iii) o cumprimento de penas restritivas de direito
e/ou estudo ao sentenciado que progride ao regime aberto;
o d) Até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser
deferida a prisão domiciliar ao sentenciado. STF. Plenário. RE 641320/RS, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/5/2016 (repercussão geral) (Info 825).
 Advogado e sala de estado maior em fase de execução provisória da pena
o Lei: SIM, até o trânsito em julgado.
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o STJ: Não, a prerrogativa não se aplica no caso de execução provisória.


o STF: não se manifestou, no entanto não admite reclamação contra decisões de
tribunais que determinam prisão de advogados condenados em 2ª instância.
 Não é possível a execução provisória da pena se foram
postos embargos de declaração contra o acórdão condenatório proferido pelo Tribunal de 2ª
instância e este recurso ainda não foi julgado. A execução da pena depois da
prolação de acórdão em segundo grau de jurisdição e antes do trânsito em julgado da
condenação não é automática quando a decisão ainda é passível de integração pelo
Tribunal de Justiça.
 Não é possível execução provisória da pena se ainda não foi esgotada a segunda instância, ou
seja, se ambas as partes não foram intimadas.
 Súmula 717-STF: Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em
sentença não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão especial.
 Súmula 716-STF: Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação
imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença
condenatória.
o A jurisprudência é no sentido de que o processo de execução criminal
provisória pode ser formado ainda que haja recurso de apelação interposto
pelo Ministério Público pendente de julgamento, não sendo este óbice à
obtenção de benefícios provisórios na execução da pena (STJ RHC 31.222/RJ,
julgado em 24/04/2012).

176  O STF firmou o entendimento de que o sistema do regime disciplinar diferenciado (RDD) é
constitucional, desde que demonstrados no caso concreto a necessidade da medida imposta, o
que significa dizer que, aos presos que demonstrem alta periculosidade, conforme o artigo 50
da LEP, deve-se aplicar regime mais rigoroso, em respeito à individualização da pena.
o Aqui, é importante dizer que não viola direitos fundamentais, vez que há
visitas, porém, controladas, mediante agendamento.
 A hipótese do art. 318, II, do CPP é chamada de prisão domiciliar humanitária. Em um caso
concreto, o STF entendeu que deveria conceder prisão humanitária ao réu tendo em vista o
alto risco de saúde, a grande possibilidade de desenvolver infecções no cárcere e a
impossibilidade de tratamento médico adequado na unidade prisional ou em estabelecimento
hospitalar — tudo demostrado satisfatoriamente no laudo pericial. Considerou-se que a
concessão da medida era necessária para preservar a integridade física e moral do paciente,
em respeito à dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF).
 O STJ consolidou entendimento no sentido de que a situação irregular do estrangeiro no País
não é circunstância, por si só, capaz de afastar o princípio da igualdade entre nacionais e
estrangeiros, razão pela qual a existência de processo ou mesmo decreto de expulsão em
desfavor do estrangeiro não impede a concessão dos benefícios da progressão de regime ou
do livramento condicional, tendo em vista que a expulsão poderá ocorrer, conforme o
interesse nacional, após o cumprimento da pena, ou mesmo antes disto
 É inviável a remoção de apenado para outro Estado com fundamento em suposto tratamento
privilegiado. Apenas razões excepcionalíssimas e devidamente fundamentadas poderiam
legitimar essa medida
 Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar será necessária a oitiva prévia do
condenado em processo administrativo (Súmula 533-STJ). No entanto, é possível que seja
determinada a regressão cautelar do reeducando que praticou falta grave mesmo sem a sua
prévia oitiva. Assim, para fins de regressão cautelar não é necessária a prévia instauração ou
conclusão do procedimento administrativo - PAD e a oitiva do sentenciado em juízo. Tais
providências são exigíveis apenas no caso de regressão definitiva. É imprescindível a realização
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de audiência de justificação apenas quando o Juízo da execução penal proceder à regressão


definitiva do apenado a regime mais gravoso, de modo que a regressão cautelar prescinde de
prévia oitiva judicial. STJ. 5ª Turma. RHC 81.352/MA, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
18/04/2017. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 423.979/RS, Rel. Min. Maria Thereza De Assis Moura,
julgado em 06/03/2018. Prática de falta grave e regressão:
o Regressão definitiva: é necessária oitiva prévia do condenado.
o Regressão cautelar: não é necessária oitiva prévia do condenado.

6.14.1. Remição
 A remição pode se dar com estudo; 12h de estudo dá direito a remir 1 dia de pena. As 12 horas
devem ser divididas em no mínimo 3 dias.
 É possível que o condenado cumule a remição pelo trabalho e pelo estudo, desde que as
horas diárias de trabalho e de estudo sejam compatíveis.
 A LEP dispõe sobre remição em DIAS = 3 dias trabalhados dá direito a remir 1 dia de pena.
o Só se aplica ao fechado e semiaberto. Não se aplica ao aberto e livramento
condicional.
o A jornada de trabalho deve ser de no mínimo 6h e de no máximo 8h.
o O STJ adota o sistema legal de DIAS. Entretanto, há exceções:
 Quando o preso trabalhar mais de 8h, as horas excedentes poderão
ser aproveitadas e, quando completarem 18h (mínimo para 3 dias),
autoriza a remição de 1 dia.
177  Se um apenado trabalha apenas 4h ao dia, por determinação da
direção do presídio, o horário deverá ser remido, ainda que não esteja
conforme a lei (6h a 8h), pois gerou expectativa de que tal horário
fosse aproveitado, não sendo possível desprezá-lo, proteção da
confiança e segurança jurídica, pois o ato não derivou de insubmissão
ou de indisciplina do preso.
 É vedada a remissão ficta ou virtual, uma vez que deve o preso, pessoalmente, desempenhar
atos próprios tendentes à ressocialização. (RDD ou ausência de estrutura para
trabalho/estudo)
o Embora o Estado tenha o dever de prover trabalho aos internos que desejem
laborar, reconhecer a remição ficta da pena, nesse caso, faria com que todas
as pessoas do sistema prisional obtivessem o benefício, fato que causaria
substancial mudança na política pública do sistema carcerário, além de invadir
a esfera do Poder Executivo. O instituto da remição exige, necessariamente, a
prática de atividade laboral ou educacional. Trata-se de reconhecimento pelo
Estado do direito à diminuição da pena em virtude de trabalho efetuado pelo
detento. Não sendo realizado trabalho, estudo ou leitura, não há que se falar
em direito à remição.
o A lei não autoriza o trabalho interno no presídio pelo preso, no caso de RDD, já
que sua saída da cela se resume ao banho diário de sol por duas horas, não
havendo inconstitucionalidade na medida.
 O preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no trabalho ou nos estudos, continuará a
beneficiar-se com a remição.
 É possível a remição de pena com base no trabalho exercido durante o período em que o
apenado esteve preso em sua residência (prisão domiciliar). A fim de evitar uma interpretação
restritiva da norma, impõe-se o reconhecimento dos dias trabalhados, ainda que em prisão

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domiciliar. Em se tratando de remição da pena é possível fazer uma interpretação extensiva


em prol do preso e da sociedade.

6.14.2. Crimes hediondos


 Interpretação da súmula vinculante 26: o regime integral fechado é inconstitucional e
a progressão, antes de 2007, se faz com 1/6. A lei que alterou a progressão para 2/5 e 3/5, por
ser mais prejudicial, em verdade (em que pese aparentemente seja mais benéfica), não
retroage para crimes cometidos antes de sua vigência.
 SV 26: Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou
equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei nº 8.072,
de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os
requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo
fundamentado, a realização de exame criminológico.
 É inconstitucional o cumprimento de pena em regime integralmente fechado em crimes
hediondos, conforme foi preconizado na lei 8072, artigo 2.
 Em crimes hediondos, a progressão se dará após o cumprimento de 2/5 da pena, se primário, e
3/5 da pena, se reincidente. Tal legislação só se aplica APÓS 2007, quando da edição da lei.

178 o Antes da lei, vigorava o regime integral fechado, que foi declarado
inconstitucional, ou seja, nasceu morto tal regime. Assim, antes da lei, a
progressão de pena era 1/6 para primário. SV26
 A hediondez ou a gravidade abstrata do delito não obriga, por si só, o regime prisional mais
gravoso, pois o juízo, em atenção aos princípios constitucionais da individualização da pena e
da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, deve motivar o regime imposto
observando a singularidade do caso concreto. Assim, é inconstitucional a fixação de regime
inicial fechado com base unicamente na hediondez do delito. STF. 1ª Turma. ARE 935967 AgR,
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 15/03/2016. STF. 2ª Turma. HC 133617, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 10/05/2016.

7. DIREITO ECONÔMICO
7.1. Teoria Geral: introdução, constituição e conceitos
Constituição Econômica Brasileira. Ordem constitucional econômica: princípios gerais da
atividade econômica. Tipologia dos sistemas econômicos. Ordem jurídico-econômica.
Conceito. Ordem econômica e regime político. Sujeitos econômicos. Intervenção do Estado
no domínio econômico. Liberalismo e intervencionismo. Modalidades de intervenção.
Intervenção no direito positivo brasileiro.

● O Princípio da Livre Concorrência NÃO faz com que os agentes econômicos estejam LIVRES
para ESTABELECER AS REGRAS de competição, pois cabe ao Estado Interventor elaborar as
regras.
● O princípio da defesa do meio ambiente é previsto na Constituição Econômica, no artigo 170,
dispondo que poderá haver tratamento diferenciado às empresas, conforme o grau de
impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação.

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● Diante da competência da União de explorar, diretamente ou mediante autorização,


concessão ou permissão, os portos marítimos, fluviais e lacustres, o serviço de docas tem
necessariamente natureza pública.
● Para o texto constitucional, em regra, desde que uma empresa seja brasileira (constituída no
Brasil e sujeita às leis brasileiras), a origem do seu capital é irrelevante. Assim, em relação às
empresas de segurança privada:
o Empresas constituídas no exterior são proibidas de atuar no setor de
segurança privada.
o Empresas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e
administração no País são consideradas “empresas brasileiras”, conforme o
artigo 1126 do Código Civil, sendo irrelevante que tenham na sua composição
societária, direta ou indiretamente, participação ou controle pelo capital
estrangeiro.
● Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade
econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança
nacional OU a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. – Os requisitos não são
cumulativos.
● EP e SEM que presta atividade econômica estão submetidas ao regime trabalhista, motivo pelo
qual o constituinte estadual não pode tratar de temática relativa a direito do trabalho no
âmbito de EP e SEM. Não poderão ter tratamento diferenciado, salvo as prestadoras de
serviços públicos.
179 ● O direito econômico é tratado de forma autônoma pela Constituição Federal, uma vez que o
artigo 24 prescreve que compete concorrentemente a União, estados e DF legislar sobre
direito econômico.
● Art. 173: apenas em duas hipóteses o Estado poderá exercer atividade econômica em sentido
estrito: quando houver previsão constitucional ou quando houver permissão legal. Entretanto,
nesse último caso, os imperativos da segurança nacional ou relevantes interesses coletivos
devem estar presentes
● O princípio da igualdade econômica é meramente formal, sendo este uma vertente da livre
iniciativa e garantidor da liberdade de concorrência.
● A liberdade econômica possui duas vertentes: a) liberdade de empresa (livre-iniciativa),
segundo a qual há livre escolha da atividade a desempenhar, bem como dos meios para o fiel
desempenho; b) liberdade de concorrência, baseada na livre disputa de mercados. A liberdade
econômica não pode ser limitada e nem mitigada, como regra, regulando-se por interesse
essencialmente privado.
● À concessionária, é garantida a propriedade do produto da lavra  Só em relação à minérios.
Petróleo não.
● Ao proprietário do solo, é garantida a participação, na forma e no valor que dispuser a lei.
● Não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do potencial de energia
renovável de capacidade reduzida.
● STF: A União, na qualidade de contratante, possui responsabilidade civil por prejuízos
suportados por companhia aérea em decorrência de planos econômicos existentes no período
objeto da ação.
● CIDE: não existe óbice para cobrança de CIDE ao INCRA mesmo em relação ás empresas
urbanas.
● Revogado: art. 171, §1º da CF, que permitia à Lei conceder à empresa brasileira de capital
nacional, proteção e benefícios especiais temporários para desenvolver atividades

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consideradas estratégicas para a defesa nacional ou imprescindíveis ao desenvolvimento do


país. (Distinção entre empresas estrangeiras e nacionais com base em seu capital. Agora
entende-se como nacional aquela constituída sob as leis brasileiras e no brasil, pouco
importando seu capital)
● De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, os produtos da lavra das jazidas
de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos, podem ser atribuídos a terceiros
sem que implique afronta à reserva de monopólio da União.
o A propriedade é da União. Porém, a União pode delegar o serviço de
exploração, de modo que a propriedade (relativa) do produto da lavra pode
ser atribuída à empresa delegada. NÃO É CONCESSÃO! Os exploradores de
petróleo não podem ser chamados de concessionárias, vez que são titulares
de um tipo de propriedade diverso daquele do qual são titulares os
concessionários das jazidas e recursos minerais do artigo 176.
▪ A propriedade do petróleo, das empresas, não é plena, mas relativa,
sua comercialização é administrada pela ANP (autarquia).
▪ A petrobrás não é concessionária, não presta serviço público. É
empresa pública que explora atividade econômica em sentido estrito,
sujeitando-se ao regime jurídico de pessoa privada e atuando em
concorrência
▪ Em suma: as empresas estatais ou privadas que lavrem jazidas de
petróleo, mediante acordo firmado com a União, não podem ser
180 denominadas concessionárias, ante a natureza da propriedade da qual
são titulares.
o Ler STF ADI 3273. O executivo pode atribuir royalties a terceiros, desde que
assegurada a participação ou compensação financeira ao Ente Federado
produtor sobre o resultado decorrente da extração, ainda que em percentual
inferior a 10% (Obs: pode ser até no mínimo 5%, tendo em conta os riscos
geológicos e expectativas de produção) (previsão dos percentuais é de origem
legal, e não constitucional). A CF prevê a participação dos entes federados no
resultado da exploração, mas não a limita a qualquer porcentagem.
o A importância cobrada das concessionárias que exploram recursos minerais é
classificada como receita originária, não integrante do sistema tributário
nacional, mas sim da ordem econômica. O fato de a prestação pecuniária
compulsória ser instituída por lei não torna necessariamente um tributo a
participação nos resultados ou da compensação financeira.
▪ CFEM é calculada à alíquota máxima de 3% (três por cento) sobre o
valor do faturamento líquido resultante da venda do produto mineral
Quanto ao particular proprietário do solo, é assegurada a
PARTICIPAÇÃO nos resultados da lavra, e não COMPENSAÇÃO
FINANCEIRA. A previsão de tal arrecadação é a do artigo 20, §1º, da
CF.
● O Supremo Tribunal Federal entende que é constitucional a Contribuição de Intervenção no
Domínio Econômico instituída pela Lei 10.168/2000 em razão de ser dispensável a edição de lei
complementar para a instituição dessa espécie tributária, e desnecessária a vinculação direta
entre os benefícios dela decorrentes e o contribuinte. Mas sim, vincular aos fatos previstos na
CF.
● Constitucional lei municipal que regula tempo de espera em fila de banco, e não horário de
funcionamento de banco.
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● Lembrar que para petróleo e jazidas, a União pode contratar com empresas privadas ou
estatais a realização de exploração destas. Já para materiais nucleares, NÃO, sendo permitida
tão somente, através de permissão, comercialização, utilização e produção de radioisótopos
com 2h de meia-vida inferior ou igual a 2h, e para uso médico, agrícola e industrial.
● Lembrar que empresas públicas que prestam serviços públicos podem gozar de privilégios
especiais não concedidos ao setor privado.
● Princípio da proteção transparente: não há vedação ao tratamento protecionista em relação
ao produto equivalente de origem nacional. A proteção deve ser realizada essencialmente por
tarifa, tida como uma forma transparente de divulgação do grau de proteção que determinado
país dispensa a seus produtos. Esse princípio é considerado como o que menor provoca
distorção ao comércio internacional.
● Falhas de mercado: situações contrárias à teoria da mão invisível, tendo em vista que a busca
pelo desejo individual pode acabar prejudicando a sociedade caso não haja regulação estatal.
As falhas são:
o Deficiência na concorrência: ocorre quando não há condições favoráveis no
mercado aptas a envolver os agentes econômicos numa situação de concorrência
equilibrada, como ocorre em cenários de monopólios ou oligopólios;
o Deficiência na distribuição dos bens essenciais coletivos: quando o mercado não é
capaz de prover os bens necessários à coletividade;
o Externalidades: consequências observadas quando uma atividade econômica
exercida por um agente causa reflexos negativos sobre terceiros, como no caso da
181 poluição gerada pela exploração de minério de ferro etc.;
o Assimetria informativa: quando as informações para o consumidor e para o
Estado são imperfeitas, geralmente ocorrendo com a adoção de práticas ardilosas
pelos agentes econômicos que lhes possibilitará algum ganho diferenciado;
o Imobilidade dos fatores de produção: representa a falta de agilidade de
modificação dos fatores de produção, a fim de se poder reagir aos sinais
indicativos, representados pelos preços, revertendo automaticamente certas
situações indesejáveis.
● É constitucional a cobrança de CIDE para financiar projetos da reforma agrária de empresas
urbanas.
● O zoneamento urbano não pode violar direitos e garantias constitucionais, sob pena de serem
ilegítimos, assim, dispõe a súmula vinculante 49 que: “Ofende o princípio da livre concorrência
lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
determinada área.”
● Súmula vinculante 38-STF: É competente o município para fixar o horário de funcionamento de
estabelecimento comercial. Ratio: é matéria de interesse local, cuja competência é do
município. O horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais deve atender às
características próprias das cidades, análise a ser feita pelo Poder Legislativo local.
o Exceção: A competência para definir o horário de funcionamento das instituições
financeiras é da União. Isso porque esse assunto (horário bancário) traz
consequências diretas para transações comerciais intermunicipais e
interestaduais, transferências de valores entre pessoas em diferentes partes do
país, contratos etc., situações que transcendem (ultrapassam) o interesse local do
Município. Enfim, o horário de funcionamento bancária é um assunto de interesse
nacional (STF RE 118363/PR).
o Os Municípios podem legislar sobre medidas que propiciem segurança, conforto e
rapidez aos usuários de serviços bancários (STF ARE 691591 AgR/RS, julgado em

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18/12/2012). Exs: tempo máximo de espera na fila (“Lei das Filas”), instalação de
banheiros e bebedouros nas agências, colocação de cadeiras de espera para
idosos, disponibilização de cadeiras de rodas, medidas para segurança dos clientes
etc. Tais assuntos, apesar de envolverem bancos, são considerados de interesse
local e podem ser tratados por lei municipal.
● Os correios prestam SERVIÇO PÚBLICO, e não atividade econômica. Ademais, o serviço público
de serviço postal e correio aéreo nacional são de EXCLUSIVIDADE da União, sob o regime de
PRIVILÉGIO, e não MONOPÓLIO. O Monopólio é ínsito às atividades econômicas. STF:
“Monopólio é de atividade econômica em sentido estrito, empreendida por agentes
econômicos privados. A exclusividade da prestação dos serviços públicos é uma expressão de
uma situação de privilégio.”
● Inconstitucional atribuir responsabilidade solidária aos sócios da pessoa jurídica, uma vez que
há estabelecimento de confusão entre os patrimônios da PF e PJ, importando desconsideração
ex lege objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando sociedades limitadas.
Irrazoabilidade e inibição da livre iniciativa.
● Inconstitucional exigência pelo fisco de fiança, garantia real ou fidejussória para impressão de
notas fiscais de contribuintes em débito com o Fisco. Trata-se de sanção política e violação ao
livre exercício de atividade econômica, devido processo legal e proporcionalidade. Só execução
fiscal pode cobrar créditos.
● Princípios de econômicos de INTEGRAÇÃO: são os que objetivam resolver os problemas da
marginalização regional e social. Estão no 170, V a VIII. 
182 o defesa do consumidor,
o defesa do meio ambiente,
o redução das desigualdades sociais e a
o busca pelo pleno emprego.
● Lembrar que o ESTADO não pode regular a atividade econômica de interesse local dos
MUNICÍPIOS. Viola o pacto federativo. Ex: isenção de passagem, através de lei estadual, ao
transporte coletivo municipal.
● 1. No mérito, a jurisprudência da Casa já assentou o entendimento de que a imunidade
recíproca prevista no art. 150, VI, “a”, e §§ 2º e 3º, da Constituição Federal é extensível à ECT,
prestadora de serviços públicos essenciais, obrigatórios e exclusivos do Estado, quais sejam, o
serviço postal e o correio aéreo nacional (art. art. 21, X, da CF/88). Esta imunidade subsiste em
relação a todas as suas atividades, incluídos os serviços não exclusivos, dispensados em
regime concorrencial, os quais se prestam, via subsídio cruzado, ao financiamento do serviço
postal deficitário.
● Ordem econômica em sentido amplo disciplina as relações privadas na economia.
● O Estado Liberal surgiu para substituir o Estado Absolutista, valorizando as liberdades
individuais. Surgiu para aliviar a intervenção do Estado na economia, aquecendo as relações
comerciais.
● A liberdade econômica, que consiste na manifestação da liberdade no ciclo econômico
(produção, circulação/distribuição e consumo), não pode ser limitada nem mitigada,
regulando-se pelo interesse essencialmente privado.
o O princípio possui duas espécies: liberdade de empresa, segundo a qual há livre
escolha da atividade a desempenhar, bem como dos meios para o fiel
desempenho, e a liberdade de concorrência, baseada na livre disputa de
mercados.

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● O princípio da igualdade econômica é meramente formal e nivela os agentes detentores do


poderio econômico com os que, apesar de não deterem parcela significativa do mercado, dele
participam, sendo vitais para a sua salutar manutenção.
● É inconstitucional, por infringir o princípio da razoabilidade e inibir a iniciativa privada, norma
de lei ordinária que imponha aos sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada
a responsabilidade solidária, mediante seus bens pessoais, pelos débitos da pessoa jurídica
para com a seguridade social.
o Só lei complementar pode dispor sobre isso, pois trata do sujeito passivo
tributário.
● A ordem econômica vigente é imposta pelo modelo político do Estado adotado no Brasil.
● As normas de direito econômico são tanto de natureza estatutárias/preceptivas quanto
diretivas.
● A liberdade de comércio e de indústria representa um dos corolários do princípio da livre
iniciativa, marco no Decreto d’Allarde. Esse decreto foi editado na França, em 1791, sendo um
dos corolários do liberalismo, preconizando liberdade do comércio e da indústria, como defesa
à livre concorrência e livre mercado. É uma das vertentes oriundas do iluminismo.
● O Estado intervencionista pode interferir na economia nacional de forma proativa, de modo
que o mercado pode ser regulado por leis consumeiristas, econômicas e financeiras, que
passaram a limitar a livre iniciativa.
● A função social da propriedade é aplicada, inclusive, à propriedade empresarial, incluída os
bens de produção (propriedade dinâmica). É no plano da empresa, motor da economia
183 ● moderna, que o princípio da função social da propriedade se realiza em toda sua plenitude.
A ordem econômica da CF de 88 é aberta, porque permite atualização pelo legislador
ordinário, desde que seja respeitado o núcleo do sistema maior.
o Não é um modelo acabado, porque a CF 88 tem mecanismos que permitem ao
legislador ordinário decidir sempre em busca do interesse social.
● Monopólio da União:
o Pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos
fluidos. Minérios não. Minério tem sua exploração autorizada pela União em
favor de terceiros, de modo que os Estados/Municípios podem fiscalizar seu
exercício.
o Refinação do petróleo nacional ou estrangeiro.
o Importação ou exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das
atividades previstas nos incisos anteriores;
o Transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados
básicos de petróleo produzidos no país, bem assim, o transporte por meio de
conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás de qualquer origem.
o A pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o
comércio de minérios e minerais NUCLEARES e seus