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 CONSERVADORISMO NA PERIFERIA - A NOVA ONDA CONSERVADORA NAS

PERIFERIAS (PERIFA É DE DIREITA?! [?????])

Por Emanuel Lucas Ximenes Leal

No Brasil o conservadorismo não é como eu outros lugares, assim como o


liberalismo; é um liberalismo no lugar errado. Assim, a onda de direita nacional é um
produto típico brasileiro, é um produto único, uma jabuticaba liberal à brasileira, a
modernidade (que tanto apregoa o liberalismo - e fruto dele - pelo progresso) incompleta.
As ondas recentes conservadoras, que se colocam como novidade, não têm nada
de novo: uma mistura de liberalismo quando convém, um apelo individualista àqueles que
ganham, as elites, não permitindo esse mesmo movimento individualista - que os
defensores do modelo que apregoam - a todos, aos mais pobres, às periferias: é uma
incoerência demagógica - o liberalismo das elites.
Oportunidades são para aqueles que já as tem, aos outros relega-se o
conformismo (embora haja resistências, especialmente na periferia, como no movimento
do RAP, em matéria desta edição). O que há de "novo", embora nem tão novo assim, é o
efeito que se pôs às periferias, em que muitos pobres, grupos discriminados, como os
negros, aderem a essa causa "libertadora" do conservadorismo. A direita avança nas
periferias; há o surgimento de um "conservadorismo de favela".
A exemplo, em pesquisa feita em São Paulo no ano de 2017, pela Fundação
Perseu Abramo, foi apontado que mais pobres valorizam o individualismo e a meritocracia,
por busca de ascensão social por si só. Em outras palavras, a periferia está se tornando
um antro de direita infiltrada.
O que explica esse fenômeno?
De início, apontaram que não percebiam uma diferença clara, uma cisão, entre a
"burguesia" e a "classe trabalhadora". O sucesso do patrão e do operário está interligado,
um depende do outro (muito disso colocado por diversos grupos e veículos de
comunicação, em que nas periferias diversas pessoas compraram essa ideia).
Para eles, o embate está entre a população e o Estado, e não entre periferia e as
elites. Fatores como burocracia (em verdade suas disfunções), impostos altos, má
condução econômica, etc. prejudica o desenvolvimento econômico e crescimento de
empresas. Para eles, pagam muito e recebem pouco - um verdadeiro cálculo
mercadológico liberal do custo-benefício, meramente individual.
Apesar das palavras serem dos moradores, coincide com o discurso de elites, os
mesmos temas e recalques. Parece que houve uma difusão de valores e ideais, uma
verdadeira aculturação com a periferia (muito parecido com o que ocorre ao RAP em
outra matéria dessa edição, em que na própria periferia há preconceitos ao movimento).
Sobre a meritocracia, muitos querem provar que são capazes de progredir
também - competindo... - pelos próprios esforços, sem depender de ninguém, transformar
a vida e a sociedade pela ação individual e trabalhar para merecer isso. Esse dicurso vai
de encontro com o vereador de São Paulo Fernando Holiday, também coordenador do
MBL - Movimento Brasil Livre. Negro, nascido e criado na periferia, é contra as cotas
raciais, acreditando no esforço individual, em conjunto com muitos outros que pensam
assim.
O que esses jovens não se lembram, é que muitas das condições que atualmente
permitem a eles requerer essa "competição meritocrática" em igualdade de oportunidades,
que estão mais próximos hoje, é fruto justamente do reconhecimento das disparidades e
das ações afirmativas, levadas pelo Estado desses governos entre 2000 e 2012, como as
cotas, ProUni, Bolsa Família, etc.
Mas o que ocorreu? A partir de uma melhora de condições e compartilhamento de
espaços com elites a partir de ações afirmativas, absorveu-se um ideário de progresso, ao
molde deles (ganhar, enriquecer, ganhar, "melhorar"), um aburguesamento (como bem
explicou Miliband) de seus valores, bem como uma supervalorização do modelo de vida
dessas elites como ideal, pois ao adentrar seus espaços, elas colocam como um modelo
melhor, e fazem com que aqueles da periferia se sintam fora de lugar e de seus valores,
seu modo de vida seja algo inferior a ser superado. Em paralelo, levam a isso uma grande
onda da supervalorização de um modelo tradicional e fechado de família dominadora e
uma superficialidade religiosa (em grande parte das vezes sem adentrar os valores da
religião, mas afim de moldar discursos para justificativas político-econômicas).
Dessa onda liberal-autoritária pela conservação das diferenças, voltam-se às
antigas, porém "inovadoras", noções de ordem e progresso (tema positivista de nossa
bandeira) - a repressão e o capital (ou o primeiro pelo segundo). Nesses discursos, e
fomentando essa nova onda, Jair Bolsonaro encontrou solo fértil para seu discurso de
ódio e conservador contra os que sofrem opressão, em um tempo que vinha justamente
de redescoberta das forças da periferia e de resistência, e por esse movimento,
reacionários de plantão capitaneados por esse protofascista jabuticabano. Os negros se
tornam alvos principais, pois além da questão racial, grande parte sofre pela questão
também social, pela construção histórica de negação que sofreu.
Esse discurso atualmente nomeado como "bolsonarista", se tornou voz de
diversas pessoas e grupos, como do bloco Porão do Dops, e por Douglas Garcia, homem
negro, da favela Americanopólis em São Paulo. Essa região é dominada pelo PCC
(Primeiro Comando da Capital), local que a além da violência pelo crime, sofre constantes
ingerências policiais, em nome da "segurança" (que não defende a todos, na verdade).
Filho de diarista e pastor evangélico que dirige condução escolar para se manter,
e que foi beneficiário do Bolsa Família e defende uma ditadura que jamais soube ou que
realmente é, hoje também defende a retirada do programa do Bolsa Família, sendo um
"desserviço ao país", em nome de redução de impostos que ampliaria ação da iniciativa
privada e privatizações para diminuir a dívida pública, e a burocracia, em favor dos pobres
(para mais emprego).
Diz que antes "vestia a camisa" esquerdista, mas não aceitava temas como
legalização de aborto, liberação de drogas e outras bandeiras "progressistas", tendo forte
cunho religioso familiar (como se isso fosse padrão do esquerdismo, e grande parte da
elite de direita à brasileira não defendesse essas "bandeiras progressistas", mesmo que
por baixo dos panos, mantendo-se como exemplo de religiosidade e moral familiar a
vistas de seus pares - demagogia).
O cofundador do Direita São Paulo, também ex-beneficiário do Bolsa Família, em
entrevista à Folha de São Paulo diz "a maior parte da favela já é conservadora", sem
enxergar a grande diversidade e resistência que há na comunidade, defensor de
Bolsonaro para presidente e de Douglas (deputado estadual) e Alexandre Frota (deputado
federal). Em seu discurso, aponta a estratégia da onda conservadora para angariar
adeptos, apelando para a "moral religiosa", na qual adentra outras formas de repressão,
como a de gênero, e que foi um dos cooptados "Você consegue convencer as pessoas
atacando a questão moral. Fala pro cobrador de ônibus se ele apoia que o filho João
possa ser chamado de Maria. Vai dizer que não. Mas você não consegue se chega
dizendo que vai tirar o Bolsa Família".
Fica claro que há uma onda para inflar o ideário conservador nas periferias,
tentando fomentar anseios de origem elitista àqueles que anseiam por transformações,
aproveitando-se das fragilidades sociais desses meios e que o próprio movimento causa,
mas vendendo um produto ilusório que o tempo mostrará quão errôneo é. Nesse sentindo,
outros movimentos, outras “ondas” (que apesar desse tipo de qualificação passageira é
algo resistente e com bases sólidas) se opõem, como diversos movimentos culturais de
periferia e negro, como as expressões do sampa, do funk, do rap, etc.
Douglas Garcia, bolsonarista, de Americanópolis, SP – em entrevista à Folha de São Paulo, 2018