Anda di halaman 1dari 320

F LA GUIA Bft amo.

^
" BIBLIOTECA ECONOMICA. PAPULAR, AUXILIAR BEL CLEBO.
------ 6=-f=^*^=)t3------

ALBUM CRISTIANO.
CO L E C C IO N DE P O E S I A S I L E Y E N D A S R E L I G I O S A S .

P R O P IE T A R IO ,

D. ANTONIO DIAZ QUINTANA.

MADRID,
• REDACCION Y ADMINISTRACION,
I calle de Alcalá, núm, 56, cuarto 3 / I
1865.
ALBUM CRISTIANO.

COLECCIONDEPOESÍASYLETEMDAI RELIGIOSAS

DE

NUESTROS PRIMEROS ESCRITORES.

PR EC ED ID A S

DE CONSIDERACIONES MORALES.

PARA INSTRUCCION REI PÜERLO CRISTIANO.

POR

» . A N T O N IO D I A Z Q U IN T A N A .

PRIMERA EDICION.

MADRID,
REDACCION Y ADMINISTRACION,
calle de Alcalá, núm. 36, cuarto 5 /
ISG5.
ÍNDICE.

PríHiiiiÉ.

D e d ic a t o r ia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . , . . . . 5
Aprobación y censura eclesiástica....................... 7
Introducción, ............................................. ... . . , 9
I.—Id e a «le la divinidad.—A tr ib u io s
g - c s i ü i - a l e s s ......................................................... 21
Omnipotencia de Dios, por Fr. L. de León. . . 20
La presenciado Dios, por Me leiulcz Yaidés. . . 32
La providencia, por D. A. L ista........................... 55
XI.—E x is te n c ia de d e m o s t ra ­
da, |ío i * la s u i a r a v i S l n s de l a m a t o i -
i'a le z a y el tórdeia de 5a creaeSoit. 30
Oda, de Fr. L. de León.............................. . . - 42
A la s estrellas, por líelendez Yaldós................... 45
La tempestad, por el Sr. Zorrilla.......................... 52
La tempestad, por Melcndcz Yaidés. 50
A las nubes, por Dona C, Cpronado................... 61
P a g in a s .

Las aguas, por D. J. M. Berriozabal................. G5


I I I . '—L a r e l i c H o n d e L u z b e l . — E l p e ­
c u l i o o r i g i n a l . ........................................... G9
Diversos trozos del poema la Inocencia perdi­
da, por Reinoso.............. ... . 70, 74, 78 y 80
I V . —V>Ai*edcncion.— L a le y an tigu a,
— L o a B * r o f e ta .s ......................................... 85
Consistorio divino para la redención del hom ­
bre, por Reinoso, : ............................... . . . 85
Traducción del salmo 2.", por G. Carvajal. . . 90
Idem del salmo 21, por idem............................... 95
Idem del salmo 103, por Fr. L. de León. . . . 07
V .— L a .le y de gracia»'—E l n a c im ie n ­
to «leí ¡S alv a d o r............................. 101
Al nacimiento del Salvador, villancicos, por
Gómez Tejada..................................................... 104
Al niño Jesús, por Lope de Vega..................... 107
Villancicos, por A. de Bonilla................. 109
Idem del cancionero de Ubeda. - ...................... 111
Egloga en loor de María Santísima y el niño Je­
sús, por Lope de Vega................. . . . . . . 112
V I . — L a re d e n c ió n .— E l c a lv a rio . . . 120
La muerte de Jesús, por D, A, Lista.................. 124
Salutación de Cristo á la Cruz, al ponerla sobre
sus hombros para marchar al Calvario, por
el P. Ilojeda...................................................... 127
P á g in a s .

A Jesús, soneto, porD . F. D. de Tejada. . * . 129


Soliloquio amoroso de un alma á Dios, por Lo- -
pe de V e g a . ..................................................* 130
Las siete palabras, por D. F. Yelnzquez. - . . 131
Tradúcelon del himno Stabal Malar, por Lope
de Vega. ........................................................... ...142
María al pié de la Cruz, por el Sr. Z orrilla.. . 145
Dolorosa! por D. B. López García......................... 152
La muerte de Jesús, por Doña M. del P. Sinués
de Marco................................................................155
El Salvador en Ja Cruz, por D. J. E. ITarzem-
busch................................................................... ...158
VII.—l a SScsurrcccioik «Ic «Icsus.—
La A s c e n s ió n .— L a v en id a del
Es|tíi‘ílu S íu iío .-P r e d ic a c io u d e l
E v a n g e lio . . ................................... ... ... 161
A la Resurrección de Jesús, por J. M. Roldan. 165
A la Ascensión del Señor, por D. A. Lista. . . 167
A la Ascensión, p o rF r. L. de León.................. 170
A la venida del Espíritu Santo, por D. J. M.
Roldan. .............................................................. ... 171
Predicación del Evangelio, por el Sr. Zorrilla. 177
Los siglos ante Jesucristo, por D, T. Aguilo. . 180
V I I I . — L a V ir g e n A la r ía ........................191
Plegaria, pgr el Sr. Zorrilla. * ..........................194
Alabanzas de María, por D. J. de Jaúregui. . 196
P .íg m n s .

A Nuestra Señora, por F r. L. de León. . . . . 199


A íiuesLra Señora, soneto, por el P. Fr. fie Hi­
nojos» y Carvajal. ............................................ 203
A Nuestra.Señora, soneto, por Fr. L, de León. 204
A Nuestra Señora, octavas, por ídem...............205
La aurora de la gracia, por A. de Bonilla. . . 207
Lirio entro espinas, atribulo de María San-'
tisima, por ídem................................................213
Traducción del himno Ave maris stella, por
Lope de Vega..................................................... 2IG
María, amparo de todos, por elP . R. García. . 217
A la limpísima Concepción de Nuestra Señora,
por übeda............................................ 2K*
La Natividad de Nuestra Señora, por D. A.
Lista. ................................................................. 221
La Purificación, por el P. R. García. . . . . . 224
— Mj ¡i c x p f ta c io a i, leyenda religiosa origi­
nal, por D. R. de la Sota y Lastra. . . . . 228
X . — &Te e e * i d a d d e a m a r v t i 'i b i g t a p
e u l l i o á 3 ) i o s , « o r n o o f á g e i i «le i o ­
d o Iiic d i y |>oa* 3«»s s e B a a la d o s f a -
yo pcs q m c d e S il l i e m o s i* c v iliid o . 281
Soneto, por San Francisco Javier...................... 282
Glosa, por el P. F r. Paulino de la Estrella. . 284
A Dios, oda, por D. F. Diez de Tejada.", . . . 28(>
Glosa, por D, Pedro Calderón de la Barca, . . 291
P á g in a s .

G lo sa , por Santa Teresa de Jesús......................29o


X I . —ID esiL uio e íe l SaocsiiSíi'C.— Infisaon1-
ta lid U m l slell a 3 s B ia .- - l2 x á s ¿ e n c ia a c ­
t u a l . —V£<9a S i t i a r a . — ^ ío v á s É m o s
ó p o s t r ñ s n e r í a s i .........................................207
La nada de !a vida, por F r. L. üe León, . . . 298
Vanidad del poder y la grandeza, por D. F. do
Qucvcilo................................................................... 500
Soneto, por Lope de Vega. . . ........................... 501
A una calavera, por G. Silvestre....................... 503
De un pecador hablando con Cristo en la hora
de la m uerte, por el P. Fr. Paulino cíe la Es­
trella.....................................................................500
Glosa, por Fr. Pedro de los Reyes......................508
Las quince señales que aparecerán antes del ju i­
cio universal, por el P. F r. Paulino de la Es*
trella.................................................. ... 311
El ángel exterm inados por el Sr. Zorrilla. . . 316
C o n c l u s i o a t ............................. ... .........................519
DEDICATORIA
AL CLERO ESPAÑO L.

E ste lib r o d e l A lbum Cr istian o , e n el q u e h e ­


m os p ro c u ra d o r e u n ir alg u n o s d e los trozos m a s
selectos d e n u e s tro s poetas re lig io so s, p a ra q u e
el pueblo cató lico se a c o s tu m b re a a d m ir a r la s
b ellezas q u e n u e s tr a S an ta R elig ió n e n c ie r r a ,
p u ed e, en n u e s tro c o n c e p to , se r u n a o b ra su*
m á m e n te ú lil p a ra a u x ilia r al Clero e n s u s a n t a
y su b lim e m isió n .
P e rm íta se n o s, p u e s, d e d ic a r este tra b a jo á la
clase q u e ta n to nos fav o rece y d e la q u e r e p e ti­
d a m e n te recib im o s señ alad o s fav o res. A e lla , q u e
in fa tig a b le m e n te v ela p o r la ilu stra c ió n y e n s e ­
ñ an za d e los fieles., es a q u ie n c o rre sp o n d e e ste
p eq u eñ o trib u to d e afecto q u e le re n d im o s .
La su b lim e c ru z a d a q u e los M inistros d e la
Iglesia v ie n e n so sten ien d o c o n tra el e rro r y la
im p ied a d , m e re c ie ra s in d u d a , q u e se e n sa lz a ra
en m agníficos c a n to s. Ya q u e esto no n o s sea
p o sib le, re c ib a n en esta c o leccio n d e poesías„
todas e n h o n o r de n u e s tr a R elig ió n , u n a p e q u e ñ a
o fren d a q u e nos a tre v e m o s á p re s e n ta rle s .

Antonio D ía z Quintana*
CENSURA Y APROBACION ECLESIÁSTICA-

limo. Sr.:

Én vista del atento oficio de Y. S, 1. en el que se sir­


ve disponer proceda al examen y censura del tomo de
la obra titulada A lb u m C r i s t i a n o , entregado por el se­
ñor D. Antonio Díaz Quintana, Director y propietario
del periódico L a G u i a d e l C l e r o ; hago presente á
V, S. I , :
Que, lá expresada obra no contiene cosa alguna que
sea contraria á los dogmas de nuestra sacrosanta Reli­
gión y pureza de la moral cristiana; antesal contrario,
en mi humilde modo de apreciarla, será de suma uti­
lidad su lectura á la juventud, agradable para las fa­
milias, é instructiva para todo buen cristiano; por lo
cual, creo debería ser roeomendada por el Clero á sus
feligreses y en particular á los Maestros de primera
educación para su lectura en las aulas, por la varie­
dad de sus poesías, en las que con admirable belleza se
cantan con entusiasmo y magnificencia la alabanzas de
nuestra sacrosanta Religión.
No encuentro por lo tanto inconveniente alguno en
que se la dé publicidad; sin embargo, V. S. I. con su
especial conocimiento dispondrá lo que juzge mas acer­
tado.
Dios guarde á Y. S. I. muchos años,—Madrid 10 de
Mayo de 1865,— Sebastian Fernandez*—limo. Sr. V i'
cario Eclesiástico de Madrid y su partido.— Es copia.

IVos el Dr. 0 . «fosé de Lorenzo y Ara­


gonés , Presbítero, Consejero Real
de Instrucción pública, Director del
Real Atonte de Piedad r Vicario Ecle­
siástico de esta Villa y sn partido, etc*

P o r la p re s e n te y p o r lo q u e á N os.
to ca, co n c e d e m o s n u e s tr a U cen cia p a ra
q u e p u e d a im p rim irs e y p u b lic a rs e la
o b ra titu la d a A lbum C ristiano , p o r Don
A ntonio Díaz Q u in ta n a , D ire c to r del pe­
rió d ico L a G uia del Cl e r o , m e d ia n te
q u e de n u e s tr a o rd e n h a sido e x a m in a ­
d a, y n o c o n tie n e , se g ú n la c e n s u ra ,
cosa a lg u n a c o n tra ria al do g m a Cató­
lico y san a m o ral.
M adrid o n c e d e Mayo de m il o c h o ­
c ie n to s se se n ta y c in c o .— D r. L orenzo.
— P o r m a n d a d o de S. S. I .— S egundo de
la C u e rd a ,— Hay u n sello.
INTRODUCCION.

Con el noble .propósito de formar una Biblioteca.


P ó p a l a s * , que al mismo tiempo que sea útil á los se-
, proporcione enseñanza provechosa
y agradable al pueblo cristianoy la redacción de L a
G u i a « le í C l e r o ha pensado en procurar á sus:fa­
vorecedores un libro de lectura amena é instructiva,
que satisfaga principalmente la segunda de dichas as­
piraciones, despues de haber inaugurado sus tareas con
otras obras de índole y naturaleza muy distinta: un li­
bró escrito parala familia cristiana, que pueda descen­
der hasta la humilde cabaña y subir hasta la-mas sun­
tuosa morada, sin grandes pretensiones pero de forma
literaria, de piadosa doctrina, que atraiga la atención
del inocente niño, del honrado labriego, de la modesta
joven, y que reemplace con ventaja á tantas insulsas ó
perjudiciales obras como por desgracia acoge con avi­
dez el pueblo; un libro escrito mas con el corazon que
con la cabeza, cuyas páginas no lleven en sí un mortí­
fero veneno, sino que contengan un bálsamo consola­
dor en nuestras aflicciones; un libro que sea para el
que lo examine lo que todo libro debiera ser, un ver-
ALBUM. 2

c* <
- 10 —

dadero amigo que nos fortalezca en nuestros infortunios


y calme los dolores que experimentamos en este para
nosotros siempre valle de lágrimas ; un libro , en fin,
que corra de mano en mano sin peligro alguno, sin
temor de que su contacto nos inficione; y en el que,
en vez de predicar utopias irrealizables, en vez de al-
hagar á las masas, despertando enconados údios contra
las clases privilegiadas, ó de satisfacer la vanidad y los
caprichos de éstas, infiltremos suavemente en el cora-
zon de todos los hom bres, que esos bienes por los
cuales tanto suspiran, solo pueden hallarlos en las san­
tas y consoladoras máximas de nuestra divina Religión.
Tal es nuestro pensam iento; esta es la aspiración
que guia nuestra pluma al inaugurar con este trabajo la
sección literaria de la Biblioteca de La Guia
del Clero. No nos dirigimos hoy principalmente á la
respetable clase que nos favorece y anima en nuestras
tareas con-su eolaboracion y sus consejos; pero la ofre­
cemos en este tomo una obra que los venerables Pár­
rocos pueden poner sin temor alguno en manos de sus
feligreses , consiguiendo por medio de ella , al propio
tiempo que con su celo, predicación y ejemplo, que se
fortalezca y se desarrolle mas y mas el saludable ger­
men que on los corazones de éstos depositan aquellos
con incansable afan y extraordinario celo.
La literatura puede ser un poderoso auxiliar para
conseguir la moralización de todas las clases. Sin em­
_ 11 _

bargo, ejemplos funestísimos estamos viendo todos los


dias, que nos dem uestran que el genio indisputable de
ciertos escritores se emplea, no én realizar esta grande
obra, sino en difundir la semilla del erroT y del mal.
Por desgracia, vemos á cada paso que corren en manos
del público obras que se presentan con grandes pre­
tensiones filosóficas, que presum en abarcar la resolu­
ción de todos los problemas nocíales, y cuya lectura es
peligrosísima, pues en ellas, aun bajo elpretesto de com­
batir, el vicio, sé exhibe con todos sus deslumbradores
atavíos, se procura que el pueblo se aficionen los pre­
tendidos héroes que se señalan como autores de proe­
zas en la senda del extravío y del crimen: funestísimo
error, que hace que uno de los mas poderosos elemen­
tos de civilización, la imprenta, se convierta en un
instrum ento de inmoralidad y de perdición: peligrosa
afición la de la lectura de tales obras, que es causa de
qUe la juventud pervierta su corazon y su inteligencia,
juzgando de la sociedad en que vive por la pintura de­
masiado atractiva ó despreciable que se la liace de ella,
y que arrastra á tan lamentables consecuencias, á tan
funestos desvarios.
A las emociones fiiertés, á las pasiones tumultuosas,
que cual torrente desolador todo lo devastan; á e3a
sed insaciable de deseos, que tantos escritores saben
déspertar; á esa fiebre devoradora, que amenaza con­
sumir á las generaciones presentes y venideras; á ese
- 12 -

verdadero suplicio de Tántalo, á que se nos quiere con­


ducir; á ese fruto del árbol prohibido, áesa ciencia dej
bien y del. mal; sustituyamos las dulces sensaciones
que abriga un alma tranquila en el ejercicio de la vir­
tud, esa dichosa calma en que la conciencia recta des-?
cansa f y demos preferencia á los sosegados goces de
aquella, y á la satisfacción que proporciona el cumpli­
miento de todos los deberes. Que-el libro sea para nos­
otros, no el terrible humean que levante tempestades, en
nuestra alm a, y abrase y destroce sin piedad las flo­
res de la pureza del corazon; sino la benéfica lluvia,
que vuelva la vida al agostado campo de nuestras ilu­
siones, ó el róuío bienhechor, cuyas gotas sean las
lágrimas que el arrepentimiento haga brotar de nuestros
ojos.
Entonces, la poesía, esa pura aspiración del alma,
ese períume delicado del corazón que hasta la antigüe­
dad pagana nos representó bajo Ja forma de sus fabu­
losas deidades, será la dulce compañera en nuestras
tribulaciones, y mezclándose sus acentos con nuestras
sentidas plegarias, y consagrándose principalmente á
cantar las bellezas de la virtud, los sublimes misterios
de la Religión, y á difundir la moral entre los hombres,
llegará á se rá no dudarlo purísima fuente de inagota­
bles y dulces sensaciones que podremos aspirar sin te­
mor alguno en nuestra breve y laboriosa peregrinación
sobre la tierra.
— 13 —

;Entónces serán sus ecos como el puro aroma del in­


cienso que sube envuelto en nubes hacia el cielo, como;
el digno holocausto que podamos ofrecer al Señor de
todo lo criado, como la expresión del dolor del alma des-1
terrada que suspira por la felicidad perdida en el Edem
y que nuevamente le deparan los inagotables tesoros
de la gracia: sus cánticos servirán también para exe­
crar el vicio, paratecordar, si vamos perdidos por sen­
da extraviada, el poderoso acento del profeta, cuyas
terribles predicciones anunciaron la ruina de la ciudad
del'm al, levantada por el eterno enemigo del género
humano j)ara hacernos olvidar con sus mentidos goces
las inefables delicias de la celestial Jerusalem.
Entonces la lira del poeta no servirá de ignominioso
escabel para asaltar el puesto codiciado en la escena
del mundo; no alhagará las torpes y mezquinas pasio­
nes de la soberbia y de la envidia, no se postrará á los
pies de ningún ídolo humano desconociendo su misión
divina, ni el genio, á trueque de conquistar fallos lau­
reles y glorias perecederas, olvidará tos inmarcesibles
lauros que sus legítimos y vefdáderos triunfos han de
hacerle alcanzar. ;
Y para esto ¿qué es necesario? ¿Nosotros, hijos de
una nación de cristianos .sentim ientos, de gloriosa"
historia, de magníficas tradiciones, de poéticos re­
cuerdos y de privilegiada fantasía, hemos de ir á ins­
pirarnos en la nebulosa musa de otros países menos
- 14 -
favorecidos por la naturaleza? ¿Hémos de coasentir que
penetre y se naturalice y se acoja sin contradicción en
nuestro suelo una literatura llena de pavorosas imáge­
nes; de lúgubre colorido, de funestas tendencias ¿ que
seque en nuestra alma los gérmenes de la v ir tu d é in ­
troduzca el desaliento y el escepticismo en nuesLros co­
razones? ¿Hemos también de contribuir á esa obra de
demolición universal que amenaza envolverlo todo en­
tre sus ruinas, y hemos de perder la fé, no solo en el
orden religioso, sino en todas las grandes aspiraciones
del espíritu hum ano; esa fé que parece próxima á ex­
tinguirse, siguiendo la torcida senda por laq u e á cie­
gas caminamos?
No: el libro puede ser para el puebla español, á quien
consagramos nuestras tareas; para el pueblo cristiano,
á quien dedicamos nuestros esfuerzos, raudal purísim a
de benéfica doctrina, elemento poderoso de educación.
La poesía puede venir en nuestro auxilio, y secundar
nuestros deseos, inculcando, con las galas del lengua­
je, con el brillo de las imágenes, las sublimes ver*
dades de Ja Religión que profesamos, la grande ense­
ñanza del dogma y de la moral cristiana. Lejos de re­
chazar el arte, la Religión se valió siempre de él para de­
mostrar las inmensas bellezas que sus grandes verdades
encierratv El espíritu religioso de nuestra patria, la
santa fé de nuestras mayores que ereó en nuestra bis-,
toria la magnífica epopeya de siete siglos, comenzada.
— 15 -

en Covadonga y term inada en los muros de Granadal;


que conserva tan preciosas tradiciones de la edad m e­
dia, ligadas con nuestras costumbres; que nos ha dad»
toda nuestra fuerza y nuestra grandeza; que inspiró á
Rafael, á Zurbarány á MuriHo las magníficas creaciones
de sus pinceles, y á San Juan de la Cruz, á Santa Tere-^
sa de Jesús, á F. Luis de León y á Calderón sus subli­
mes conceptos; que levantó aquí, como en otros paí­
ses, los soberbios templos cuya grandeza y cuyos
primores exceden á cuanto la imaginación pudiera de­
sear; que nos ha hecho, en fin, comprender toda la su­
blimidad y belleza que encierra nuestra santa Religión,
no puede amortiguarse, ni estinguirse, sino que es pre­
ciso que se desarrolle y viva entre nosotros porque va
unido á todas nuestras creencias y á todas nuestras tra­
diciones.
La antigüedad que en el arte rindió culto á la forma
y no alcanzó otra belleza ni otra sublimidad mas que la
que nacía de la personificación de la naturaleza huma-*
na, ha sido sin duda superada por el espíritu cristiano*
como ha demostrado brillantemente el inspirado autor
del Genio del Cristianismo. Las bellezas que la Religión
encierra, la sublimidad d« las concepciones de los ar*
listas cristianos, la grandeza de las imágenes que excita
«1 interés por conocer lo» insondables misterios dei
nuestra sacrosanta y verdadera revelación, ha cien com­
prender claramente que nuestra literatura no puede*
— 16 —

sin desconocerse á sí propia, despojarse del espíritu


cristiano de qué están impregnadas sus mas bellas y
sentidas composiciones. Así, el cristianismo es para
nosotros la fuente inagotable de todo lo verdadero y
de todo lo bello, de toda la ciencia y de todo el arte, de
toda nuestra grandeza histórica y de todas nuestras
aspiraciones del porvenir.
Que esta verdad sea reconocida y proclamada por el
pueblo cristiano, por la comunion de líeles, que ligados
por el vínculo mas fuerte que existe sobre la tierra, el
de la Religión, siguen su peregrinación en el mundo,
fijos los ojos en la celestial m orada, en la patria ver­
dadera, cuyas puertas les abren los inefables misterios
de la divina gracia: que el pueblo se acostumbre á m i­
rar en la Religión su salvación eterna y la única realidad
de todas sus aspiraciones en la tierra: que los puros
goces del corazon, la felicidad que pueda conseguirse
eriesta terrenal morada vayan también unidos al pen­
samiento de los destinos futuros; hé aquí el magnífico
ideal que desearíamos ver realizado, y que no es difícil
r&alizar cuando alienta la fé en el corazon de todos los
cristianos. ¡
Tal es, al menos, el propósito de la sección literaria de
Eja Guia del Clero; yamos en ella á difundir entre
las masas el conocimiento de las bellezas que la Reli­
gión encierra: vamos á entresacar de nuestros grandes
modelos de escritores cristianos los trozos de magnífi-
— 17 —

ca poesía que mas puedan cautivar y embelesar el áni­


ma de nuestros lectores: vamos á ofrecer una lectura
sana y agradable para la ilustración de la familia cris­
tiana, á tratar dft sustituir al veneno de ciertos libros el
antídoto mas eficaz, á procurar que el pueblo prefiera á
la lectura de insulsos romances de ciego la de nuestros
primeros escritores clásicos, y que, en vez de las proe­
zas de algún faínoso bandido, cuya narración por des­
gracia hoy hiere poderosamente su imaginación, recite
las sublimes trozos de nuestros poetas místicos, como
los gondoleros venecianos prefieren en sus cantos las
magníficas estrofas del Tasso ó del Ariosto.
Así, cuando el trabajador, fatigado de las labores del
dia, vuelva á su pobre morada á buscar entre su espo­
sa y sus hijos las santas y puras satisfacciones del ho­
gar doméstico; cuando el labrador regrese por la noche
á la aldea; cuando el dueño de la fábrica ó del taller
haga cesar en sus faenas á sus operarios, después de d a r
gracias al Señor por los beneficios recibidos on el dia,
tendrán un rato de agradable solaz y de provechoso en­
tretenimiento dedicando algunos instantes á esa lectu­
ra, que al mismo tiempo que forme su gusto literario y
satisfaga su afición á la poesía más ó menos innata en
el hom bre, predisponga su corazon favorablemente pa­
ra que en él se desarrollen los gérmenes de todas las
virtudes y se fortifiqúe su fó en la religión que profesa.
Así, también, el venerable Párroco de la aldea mas
— 18 —

humilde, podrá, sin temor alguno, perm itir esta agra­


dable -lectura entre sus feligreses, puesto que ella será
un medio eficaz para conseguir su mayor anhelo el de
difundir la moral cristiana entre Lodos ellos. Su pre­
dicación en el pulpito, sus exhortaciones en el tribunal
déla Penitencia, podrán entonces ser recibidas si cabe
con mayores frutos y resultados, porque el pueblo amará
la virtud , no solo por convicción, y obediencia á los
preceptos de nuestra sacrosanta R eligión, sino por el
encanto de la virtud misma, y encontrará en la practi­
ca de todos sus deberes, la satisfacción de su conciencia
y las aspiraciones de sus sentimientos.
De esta manera, no lo dudemos, el pueblo confun­
dirá todas sus aspiraciones en una sola, y, lejos de
agitarse por conseguir satisfacer todos sus caprichosos
deseos, ó de entregarse á la desesperación, al ver las
desigualdades sociales, aprenderá á sufrir las contra­
riedades de la vida, y á jijar su pensamiento en otra
esfera mas elevada, donde deben cumplirse y reali­
zarse por completo los verdaderos y mas sublimes
destinos del género humano.
Este es, á nuestro pobre juicio, el principal objeto á
que debiera dirigirse la literaLura contemporánéa. No
es ciertamente lo que hace falta conmover las institu­
ciones tradicionales en los pueblos, atacar las bases de
la organización social, buscar soluciones de pavorosos
problemas, agitarse sin fin en un océano de vacilado-
— 19 —

nes, de dudas, de incertidum bres, de temeridades: lo


que es preciso, lo que es indispensable, es reanim ar
por todos los medios posibles la fé perdida; desterrar
esa indiferencia tan funesta, que domina en todas las
clases de la sociedad; sustituir al cálculo y al interés
los pensamientos elevados; al egoísmo la abnegación
cristiana y los goces de la caridad; al materialismo, que
todo lo invade y lo avasalla, el esplritualismo derivado
de la Religión; al paganismo de nuestras costumbres
la pureza de los primeros cristianos, la enseñanza su­
blime del Evangelio y las consoladoras máximas incul­
cadas por el Divino Redentor.
Quizá hemos dado demasiada extensión á las ante­
riores líneas: sin em bargo, necesitábamos hacerlo para
manifestar en todo su desarrollo nuestro pensamiento.
C reem os,por otra parte, que esta misma introducción
puede muy bien considerarse como un prim er capitu­
lo, y que su lectura será útil á todas las personas á
quienes la consagramos.
Si acertásemos á realizar los deseos de nuestros fa­
vorecedores, la satisfacción que esto nos proporcionará
sería nuestra mas grata recompensa; si desgraciada­
m ente así no sucediese, supla al menos la sinceridad de
nuestros deseos, y lo elevado de nuestras aspiraciones,
la pequenez de nuestra obra, ó el poco acierto en su
desempeño.
1
].

Dios.—Idea de la divinidad.—Atributos
generales.

D ios: hé aquí la gran palabra de todos los siglos, el


límite de todas las inteligencias, la síntesis de toda filo­
sofía, el principio de toda ciencia, el fundamento de
toda existencia, la poesía sublime de todos los hom­
bres, de todas las naciones.
Ante la idea de la divinidad, el pensamiento se abis­
ma en nna inmensidad desconocida. Nuestra ciencia
solo sirve para, hacernos comprender la diferencia en­
tre el Criador y la criatura, para hacernos ver esa dis­
tancia insuperable, que es en sí misma inmensa, como
el término á que pretendemos acercarnos. La idea de
Dios todo lo absorve, todo lo comprende. Su nombre
es la plenitud de toda sabiduría; por eso la sublime pa­
labra Jehovah encerraba para los hebreos el conjunto
de la verdad absoluta, aspiración, de la inteligencia hu­
mana.
La afirmación de Dios es una exigencia tal de la ra­
zón, al propio tiempo que del sentimiento humano, que
el ateísmo solo puede concebirse como el delirio mas
_ 52 —

monstruoso de la mente hum ana, porque implica , no


solo el excepticismo mas absoluto, sino la negación
mas terminante-de toda moral y de toda idea de bien,
al mismo tiempo que contradice todos nuestros sen­
timientos y todas nuestras aspiraciones. El ateismo
es el desvarío de un dem ente, la enfermedad del espí­
ritu, la apariencia engañosa que, en un mpmento de
vértigo, puede haber puesto ante los ojos de la criatura
el demonio del orgullo.
Y sin embargo, si el ateismo no se presenta en los
tiempos modernos en toda su repugnante desnudez,
porque el menor esfuerzo d éla inteligencia del hombre
bastaría para rechazarlo y com batirlo, es lo cierto que
se ofrece bajo veladas formas, bajo brillantes ropajes,
para deslumbrar por un momento la fantasía humana,
Verdadero Proteo tras formase de mil maneras para huir
de las armas que le combaten, y levanta por do quier
su astuta cabeza, proclamando diferentes errores bajo
los nombres de panteísmo, naturalismo, etc.
Asi pareen que, en todos tiempos y en todas épocas,
cuando el hombre se aparta de la divinidad y se en­
trega ú los sueños de su imaginación, está destinado á
levantar en vano gigantescas torres pon el intento de
escalar el cielo, y á desistir de su temerario empeño,
entre la babelieal confusion de la inteligencia humana-
Solo cuando su pensamiento se eleva á la idea de
Dios; solo cuando empieza por esta idea, que es fuente
de todo conocimiento, es cuando puede decir que está
en laüenda déla ve¡rdad. Por eso la aspiración de! hom­
bre á Bios, la afirmación de un Ser Supremo, es tal,
— 23 —

que se impone aun á las inteligencias mas groseras, y


aparece hasta entre las tinieblas de los errores religio­
sos mas graves.
¡Todos los siglos cantan a Dios! dice un poeta. El
indio le divisa en sus bosques y corre tras El; Moisés le
muestra á los hebreos en medio del trueno y de los re­
lámpagos; David lo explica 'en sus versos; Jeremías le
bendice enmedio de sus desgracias; los Profetas le
anuncian en sus pronósticos, y el cristiano, en fin, le
reconoce en el Evangelio, le admira en la Biblia y le
adora en la cruz. ¡Todos los hombres cahían á Diosl
El sáhio le adivina en su retiro, el poeta le revela en
sus cantos y el cenobita lo alaba en la soledad. Esta
palabra, es la aspiración do todas las naciones, la in­
teligencia de todos los sabios.
La idea de la divinidad sostiene nuestros débiles pa­
sos en la carrera de la vida, es el ángel consolador que
cierra nuestros ojos en el borde del sepulcro: esta idea
se halla impresa en nuestro corazon escrita por el dedo
de Dios, y, revelada á nosotros por las palabras de la
madre cariñosa y tierna que mece nuestra cuna, ali­
menta nuestros primeros dias, guia nuestros pasos, se
hace confidente de nuestras primeras impresiones, se
identifica, en fin, con nuestro ser,,
La idea de Dios nace con nosotros, se fortalece en­
medio de nuestras desgracias, se mezcla con nuestras
lágrimas, y viene á consolarnos en nuestros últimos
momentos; todos los liombres han tenido altares, todos
han hecho oracio n ; sin ella, la humanidad hubiera ca­
recido de fin.
— 24 —

El corazon se eleva incesantemente de este mundo á


la mansión del Criador; todas las pasiones nobles y ele­
vadas se convierten en viles apetitos, luego que- se
apartan de la idea del deber, en cuanto dejan de ser la
admiración háeia lo bello, y la misma ciencia se rinde
fatigada bajo su propio peso si entre las sombras in­
ciertas que la rodean no busca la luz, el principio del
saber. Sin la fé en Dios, en fin, la humanidad peregri­
naría por el mundo sin dejar el mas pequeño rastro de
$u existencia, si sus recuerdos no estuvieran 'escritos
en himnos dirigidos al Ser Supremo.
De la manera que el sol tiene tan entero su resplan­
dor, que no le falta nada, dicc uno de nuestros p ri­
meros escritores místicos, y llenando su astro rebosa
en los demás, de ese modo, aunque con infinitas venta­
jas, está tan entera y llena de bienes la Divinidad, que,
siendo ella una sola y bastándose á sit se derrama en
las criaturas, á las cuales perfecciona, como causa efi­
ciente y ejemplar de todas.
«Así como el sol,'dice Laclando, que nace cada dia,
aunque sea uno, por lo cual le pareció á Cicerón se lla­
maba sol, porque aparece solo oscureciendo las estre­
llas, con todo eso, porque es verdadera luz, y de per­
fecta plenitud, con gran calor y resplandor clarísimo
alumbra todas las cosas.»
Así Dios, siendo uno solamente, ilu stra , sustenta,
fomenta y llena todas las criaturas con su debida p e r - ,
feccion, dándola El á todas sin recibirla El de nadie; es­
tando tan lleno de bienes que le sobra para todos.
iTánta es la grandeza y la majestad de Dios! ¡Tántos
— 25 —

son loé misterios incomprensibles que encierra-su di­


vino nombre! Paita formar imperfecta idea: de su qm?
nipotencia se necesitan <todos los esfuerzos del saber
humano* toda la elocuencia, de los mas inspirados, je&r
critores. La sublimidad se siente, pero rara ve^puedé
expresarse, y el orador y el poeta decaen casi siempre
cuando quieren acomodar al lenguaje humano la idea
que les deslumhra y que aparece en su inteligencia, ¡¡
; Oigamos, sin embargo, lo que acerca de lia idea de
Dios dice el venerable P. Granada, el primero de .nues­
tros escritores místicos. i
«Esto se verá mas claro, si consideramos la diferen**
ciaque hay de aquel sér ño criado á todo otro sér cria*
do, que es del Criador á sus criaturas; porque todas
ellas vemos que tuvieron; principio y pueden tener
fin. Mas El ni tiene principio , ni puede tener fin.
Todas ellas reconocen superior y dependen de otro; E l
no reconoce superior ni depende de nadie. Todas ellas
son variables y sujetas á mudanzas; en El no cabe m u­
danza ni variedad. Todas ellas son compuestas cada
cual de su manera; mas en El no hay compósieion por
su suma simplicidad; porque si fuera, compuesto de
partes, tuviera componedor que fuera primero qué El*
lo cual es imposible. Todas ellas pueden ser m ás de |o
que sony tener mas de lo que tienen y saber.m as derlto
que saben; mas El ni puede ser mas de lo que és, porqtie
en El está todo el ser, ni tener mas de lo que tiene por­
que E le s el abismo d e todas lasriquezás; ni saber mas
de lo que sabe por la infinidad de su saber y«por la ex­
celencia de su eternidad, á la cual está todo presenté;
ALBUM. 2
26 —

■Por la cual causa le llama Aristóteles acto puro, que


quiere decir última y suma perfección; tal que no sufre
añadidura, porque no es posible ser mas de lo que es
ni imaginarse cosa que le falte. Todas las criaturas m i­
litan debajo la bandera del movimiento, para que, como
pobres y necesitadas, se puedan mover á buscar lo que
les falta; mas El no tiene para que moverse, pues nin­
guna cosa le falta y porque en todo lugar está presen­
te. En todas las otras cosas así como hay diversas par­
tes, asi se distinguen lásunas de las otras; mas en El no
puede haber distinción de parles diversas por su suma
simplicidad. De manera, que su ser es su esencia, y su
esencia es su poder, y su poder es su querer, y su que­
re r es su voluntad, y su voluntad es su entendimiento,
y su entendimiento es su entender, y su entender es su
-ser, y su ser es su sabiduría, y su sabiduría es su bon­
d ad , y su bondad es su justicia, y su justicia és stí mi­
sericordia, la cual, ¡aunque produce contrarios efectos
-que la justicia (cuales son perdonar y castigar) realmen­
t e en El son tan una cosa, que su misma justicia efvsu
¡misericordia, y su misericordia es su justicia.
>• »Y así, en El caben obras y perfecciones al parecer
contrarias y admirables, como dice San Agustín. P or­
g u é El es secretísimo y presentísimo, hermosísimo y
ifortisimo^estable é incomprensible, sin lugar y en tp-
dp ilugaT, invisible y que todo, lo vé, inmutable y que
tcd|o lom uda; él que siempre obra, y siempre está quie-
■"tojf el <\u¡s¡ todo lo hinche sin estar encerrado; y ¡t0d©ilx>
pcoVeesjnqueÜar'disíraüdo; d iq u e es grande sin cuan­
tidad.^ y por. eso inmenso y¡ bueno' sin cualidad; ry ¡por
— 27 —
asa verdadera y sumamente bueno: antes ninguno es
Jmeno sino El. Finalm ente, todas las cosas criadas, asi
^orao tienen limitada- esencia que las comprende, asi
tienen limitado poder á que se extienden, y limitadas
íibras en que se ejercitan, y limitados nombres, conque
se significan, y particulares definiciones con que se dfl-
rc)aran, y señalados predicamentos ó géneros donde se
¡encierran*. Mas aquella soberana sustancia asi como es
infinita en el sér, así también lo es en el poder y en tü-
-dít'lo demás, y así ni tiene definición que la aclare,, ai
■género que la encierre, ni lugar que la determine, ni
nombro que la signifique por su propio concepto. Antes,
como dice San Dionisio, con no tener nombre, tiene ta ­
rdos los nombres, porque en sí contiene todas las per­
fecciones, significadas por esos nombres.
•Estas son aquellas tinieblas que el-profeta David d ic e ,
-que puso Dios al derredor de su tabernáculo para dar
•¿.¡entenderlo que el Apóstol significó' mas claramente
* -cuando dijot que Dios moraba en una luz inaccesible
i donde nadie podia llegar, lo cual el profeta llama ti­
nieblas que impiden la vista y comprensión de Dios.
Porque, según dijo muy bien un filósofo, así como nin­
guna cosa hay mas clara ni mas visible que el sol, pero
con todo esto ninguna hay que menos se rea por la
excelencia de su claridad y por la flaqueza de nuestra
vista, así ninguna hay que de suyo sea mas inteligible
que Dios y ninguna que menos en esta vida se entienda
por esta misma razón.»
Cuando yo busco á mi Dios, dice San Agustin (1), no
(1) Conf, lib. ]Q. S qIí I. cují. 31.
- 28 -

buscó1forma de cuerpo, ni herm osura de tiempo, iii


blancura de luz, ni melodía de canto, ni olóhísde fld-
rés¿ nisunguentos aromáticos, ni miel, ni maná deleita­
ble al gusto, ni otra cosa que pueda ser tocada ó abra­
zada con las manos: nada de esto busco cuando busco
á mi Dios. Mas con todo esto, busco una luz sobre tOf-
da luz, que no ven los ojos; y una voz, sobre toda vóa,
qué no perciben los oidos; y u n olor, sobre todo -olor
que no siento el olfato; y una dulzura, sobre toda dulzu­
ra, que no conoce el gusto; yun abrazo, sobretodo abra-
izo, qué no siente el tacto: porque esta luz resplandece
donde no hay lugar, y esta voz suena donde el aire no ta
lleva y este olor se siente donde el viento no le derrama,
y este sabor deleita donde no hay paladar qué guste, y
este abrazo se recibe donde jamas se aparta.
Sublimes palabras son las que acabamos de reprodu­
cir, las mas elevadas q'ú<\ en nuestro concepto puede em­
plear el lenguaje humano para hablar del Supremo Ha­
cedor. Como complemento de ellas insertamos las si­
guientes composiciones dedicadas á ensalzar la Omni­
potencia divina.
O m iP O T E W C U ft>E DIOS,

SALMO 103.

Alaba,,oh alm a^á Dios: Señor, tu alteza


¿Qué lengua hay que la cuente?
Vestido estás de gloria y de beljeza.i
Y luz resplandeciente. -
Encima de los cielos desplegados :
Al agua diste asiento; ;
Las nubes son tu ^arrp , tus alados
Caballos son el viento. : . s. .
Son fuego a b ra sa d o r tus mensajeros,
Y trueno y torbellino;
Las tierras sobre asientos duraderos
Mantienes de contino;
Los mares las c u f ia n de primero.
Por cima los collados, ,
Mas visto de tu voz el trueno fiero,
Huyeron espantados. , : ;
Y luego los ¡su id o s montes crecen,
Humillansft los valles, . ; ¡ j: ,
Si ya entre 4 hinshadps-.se p n jJ?rav e^, j
No pasarán las calles: - ,.v ¡; .
Las calleé; qm te s ^iste* iy; los JLindsms*;
— 30 -
Ni anegarán las tierras:
Descubres minas de agua en los oteros,
T corre entre las sierras
El gamo, y las salvajes alimañas
Allí la sed quebrantan,
Las aves nadadoras allí bañas,
Y por las ramas cantan.
Con lluvia el monte riegas de tus cumbres,.
Y das hartura al llano:
Ansí das heno al buey, y mil legumbres
Para el servicio humano.
Ansí se espiga «il trigo y la vid crece
Para nuestra alegría:
La verde oliva ansí nos resplandece,
Y el pan da valentía.
De allí se viste el bosque y la arboleda,.
Y el cedro soberano,
A donde anida la ave, á donde enreda
Su cámara el milano.
Los riscos á los corzos dan guarida,
Al conejo la peña.
Por tí nos mira el sol, y su lucida
Hermana nos enseña
Los tiempos. Tú nos das la noche oscura*
En que salen las fieras,
El tigre, que ración con hambfe dura
Te pide y voces ñeras.
Despiertas el aurora y de consunó
Se van~á sus inoradas.
Da el hombre á su labor sin miedo alguno
- 51 —
Las horas situadas.
¡Cuán nobles son tus hechos y cuán llenos
De tu sabiduría!
Pues ¿quién dirá el gran mar, sus anchos senos»
Y cuantos peces cria?
¿Las naves que en él corren, la espantable
Ballena que le azota?
Sustento esperan todos saludable
De tí, que el bien no agota.
Tomamos, si tu das: tu larga mano
Nos deja satisfechos.
Si huyes, desfallece el sér liviano,
Quedamos polvo hechos.
Mas tornará tu soplo y renovado
Repararás el mundo;
Será sin ñn tu gloria y tu alabado
De todos sin segundo.
Tú que los montes ardes, sí lo&^)cas,
Y al suelo das temblores.
Cien vidas que tuviera y cien mil bocas
Dedico á tus loores.
Mi voz te agradará y á mí este oficio
Será mi gran contento:
No se verá en la tierra maleficio,
Ni tirano sangriento.
Sepultará el olvido su memoria:
Tú* alma, á Dios da gloria.

F . L. db L eón.
EA P R E S E N C IA D E DIOS.

Do quiera que los ojos..................... " :


Inquieto torno eií cuidadoso anhelo :
Allí, gran Dios, presenté
Atónito mi espíritu te siente.
Allí estás; y llenando
La inmensa creacioíi, sí el alto empíreo
Velado en luz te asientas,
Y tu gloria inefable á un tiéinpo ostentas’.
La humilde yerbe cilla
Que huello, el monte que de eterna; nieve
Cubierto séHfevanta
T ■ ,1 ■. 1 ! . I..
Y esconde en el abismo' su honda planta;
El aura que en las hojas : ’ i ■ ! l:
Con leve pluma susurrante juega, !
Y el sol qué en la alta cima!
Del cielo ardiendo el universo anima; 1,1
Me claman que en la llam a!
Brillas del sol; que sobré éj rau&o viento
Con ala voladora
Cruzas del Occidente hasta la aurorá.
Y que el monte encumbrado
Te ofrece un t'róiio en su elevada cima;
La yerbecilla crece
— 53- ; —
Par-tu soplo vivífico y florece.: ■.. ■¡
Tu inmensidad lo llena ü;/ r Y
- Todo, Sáñoív y¡mas; del invisible 1,■ ¡’ "
Insecto al elefante, ■■. -J ;
Del átomo al cometa rutilante. ; . • -- !
Tu á la tiniebla oscura ' : - >;j 1
Das su'pardo capuz y el sutil velo , V
A la alegre mañana -
Sus huellas matizando de óro y g ra n a .,
Y cuando primavera ‘ -
Desciende el anobo mundo, afable rica ,
Entre sus gayas flores - : ’ ■ Y
Y te Aspiro énjstís plácidos olores ■- •
Y cuando el inflamado
Sitió mas arde en congojosos fuegos,11 ;
Tú las llenas de espigas ’; ; :í:
Volando mueves y sü ardor mitigas J
Si entonce al bosque umbrío •i
Corro; en su sombra estás; y alli atesoras
El frescor regalado 1 - :í
Blando'alivio'á mi espíritu cansador -U
Un religioso miedo ■ ■ ■■i^ >
-Mi-pecho turba } una-voz me grita**: ..Y
En este misterioso « ' ¡ 1
Silenció m'orav Adórate ¡humildoso. ' .'!
Pero á par ea las ondas-; .
Té? H a l l o déPhdndó m ar; los vientosllariáas
Y á tu saña lo entregas
O si 'te- plac'e:fa¥ furor sosiegas.
Por do quiera, infinito
— 34 —
Te encuentro^ y siento en el florido prado,
Y en el luciente velo ’
Con que tu umbrosa noche entolda el cielo.
Que d e l átomo eres
El Dios, y el Diósdel sol, del gusanillo
Que en g1 v i l lodo m ora
Y el ángel puro que su lumbre adora.
Igual sus himnos oyes
Y oyes su humilde voz, de la cordera
El plácido balido
Y del león el hórrido crugido,
Y á todos, dadivoso
Acorres Dios inmenso, en todas partes
Y por siempre presente
¡Ay! oye á un hijo en su rogar ferviente.
Oyelo blando y mira
Mi deleznable sér; dignos mis pasos
De tu presencia sean,
Y do quier tu deidad mis ojos vean.
Hinche el corazon mió
De un ardor celestial, que á cuanto existe
Como tu se derrame,
Y, ó Dios de amor en tu Universo te ame.
-Todos tus hijos somos;
El tártaro, el lapOn, el indio ru d o ;
El tostado africano
Es un hom bre, es tu imagen, es un hermano.

Mblendez V,
L A P R O V ID E N C IA .

De la miseria ein él profundo seno


"El infeliz decia;
•No hay Dios; en vano su esplendor sereno
El padre de la luz al orbe envía.»
»En vano sometida á ley conátante
Gira la inmensa efeferá,
Y en curso igual el Orion radiante'
Sobre el mar del ocaso reverbera.
í¿Qué es el lazo eternal, con que natura
Los seres encadena*:
Si un Dios injusto su mejor hechura
A delinquir y á padecer ¿ondena?
»Yo vi, yo vi á las nubes sublimado
Y triunfante al im p ío ;' '
Y de placer y glíM-iü citcunda^io '
P or la tierra extender su señorío»
• Y mientras goza; él inocfcrite g im é ;
En prisión oscura;
Y al son dé la cadena que le oprira*
Llora infeliz su indigna desventura.
»E1 pan d e k f ic c ió n es su alimento¡
Y ti lloro su bebida
Y ansiando'por el último momento
36 —
Arrastra el peso de su amarga vida.
»No hay Dios donde hay maldad; la espada impía
Es el Dios del humano; / . ‘:
Su trono, la sañuda tiranía
Y la triste virtud un nombre vano*»
Dijo; y del cielo al muro diamantino
Lanza gemido ardiente;
Y el poder blasfemando del destino, .
Cubre entre polvo vil la faz doliente.
Mas la verdad sus rayos trilladores . - .
Desde el empíreo.envía; ' fl
Y el velo disipó:délos errores,; ¡. ■ .
Que la ofuscada mente oscurecía. , ;
Yió entonces;derrocars<?en;el: averno. ¡
Elsólio del malvado; . ¡ ; r -,
Y eterna maldición y llanto eterno , /
Exhalar de su pecho atormentado. ,, :' ■
Y al justo ,en las mansiones de la vida.: ¡
Unido al Dios, que implora, • _ i ;¡.
Bendecirla inocencia perseguida;, , j ¡vV
De las pruebas del hado triunfadora. ,. =; ;
Mortal, necio mortal, que un solo instante
Para m orir animas, - r ;; i.
¿Presumes tú dar leyes álítonante ¡ ¿
Que hace temblar las celestiales ¡cimas? ¡ f ■■
Deja que á>la:virtud hermosa y pura ¡.1 ^
La adversidad persiga,.i : ¡¡-i m ■/
Y que al ^malvado Infortuna imputa? j.j
De rosa y de laurel corone amigan i--: ..'n.if
Deja al desófíien quje domine; elíraundp ;^:.
— 57 —

Y que grite el cielo «la venganza es mía.»


El alma es inmortal; puede una hora
Labrar tu eterna suerte;
Ejerce la virtud......á Dios adora.......
Y lo demás te enseñará la muerte.

D. A. L is t a .
XI.

Existencia «le Dios demostrada por Íin»


niara villa» de la naturaleza y el órdew
de la creación.

¿Quién hay tan insensato, decia un filósofo de la an­


tigüedad, que, levantando la vista al cielo, no conoat^a
que hay un Dios? ¿Quién , al contemplar el orden nja-
ravitloso del universo, te belleza de la creación no fe-
monta su.pensamiento á la idea del Criador ¡3e tantas
-maravillas?
¿Qué es^ la inteligencia humana, por mas que se precie
de sus couquistas y sus descubrimientos ante el mi$mo
espectáculo de la naturaleza? Su ciencia «ncuentea.obs­
táculos á cada paso, y cada nuevo descubrimiento que
hace, ensancha, si.es posible, lats límites de lo desqo-
noádo iqüe antes concibiera.¡Levanta portentosos mo­
numentos , acomete grandiosas^ empresas,, pretende
.borfar el tiempp y el espacio en aljis di? la eleptijiiciíJ^d
y del vapqr;:aprovecha de todos lo$ n1 im posibles, jas
fuerzas de la naturaleza y las dirige á los fip#£,;q^i)e
parecen convenientes; y sim embargo, tod^ pu p i e r i o ,
4oda;su grandeza; no ;alcan2an:á creaj el ;átoiB,o n^aa, iso-
..pjerceptlhpJ^ ^ ím ítte n ia .in i á'dftPiei ínas, leve,sopla[^e
vida á la existencia del mas insignificante sér. ¡Tan
cierto es, que para pasar de la nada á la creación, se
necesita todo el esfuerzo de la Omnipotencia sumaí
¡Tan fuera de toda duda está, que para crear la mas pe­
queña hoja del árbol, ó el menor insecto, se ha necesi­
tado uh poder infinitamente mayor, que para hacér to­
adas las maravillosas obras de la industria humana!
El estudio de la naturaleza, sú contemplación cons­
tante, eleva sin cesar nuestro pensamiento á la idea de
la divinidad. A la vísta de esa innumerable multitud
de estrellas que pueblan el espacio, globos, muchos de
ellos, al lado de los cuales, es la tierra que pisamos
átomo im perceptible, nos sentimos dominados por la
grandeza de toda esta maravillosa creación, y como fas­
cinados por tan admirable conjunto. Y á proporcion
qué la ciencia adelanta, el asombro crece, pues se ofre­
cen A nuestros sentidos mundos ignorados. El telesco­
pio, aumentando el alcance de nuestra vista, aumenta
prodigiosamente el número de los astros que podemos
percibir, y nos hace apreciar las portentosas leyes dfc
su movimiento, trazadas por la mano del Omnipotente
desde los primeros dias de la creación; el microscopio
ensancha también para nosotros el mundo de los séres
que con nosotros m oran, y cuya prodigiosa m ultitud,
; no puede percibir la imperfección de nuestros sentidos.
¡Los cielos y la tierra claman por do quiéra, la gloria
"del Señor!
¡ ¡Qúé admirable concierto! ¿Qué complicada máquina
es esta que contemplamos todos los dias, cuya existen­
cia se debe solo á la palabra'divina y cuya duración!dé-
__ 41 —

pende solo también de su voluntad Omnipotente? ¿Qué


armonías misteriosas son las que percibimos en este
orden de la naturaleza, tan sábiamente regido por las
leyes que plugo señalar al Todopoderoso? ¿Será esta
obra del acaso, de la fuerza misma de la m ateria, del
fatalismo ciego, como la incredulidad y el escepticismo
han proclamado alguna vez? ¡Insensata teoría, demencia
inconcebible, parecida á ía de aquel que, cegado por el
fuego del sol pretendiera negar su existencia; audacia
igual á la del guerrero de la íliada que en las pavoro­
sas sombras en que *e yeia envuelto, decia, levantando
su frente al cielo y dirigiéndose al rey del Olimpo: \Da~
nos luz y combatiremos contra til
La contemplación del órden del universo ha sido
siempre una de las pruebas mas directas que á todas
las inteligencias pueden ocurrir para dem ostrar la exis­
tencia de Dios. Esto explica que en la infancia de los
pueblos y entre los errores de la idolatría tan vivamen­
te heria la imaginación de los hombres este órden del
universo que incurrieron en el extremo de confundir la
■obra con el Criador y adorar á la misma naturaleza,
Pero cuando la luz de la verdadera Religión vino á di­
sipar las tinieblas de la ignorancia, comprendióse la di­
ferencia que hay del efecto ála causa, y del ser contin­
gente al necesario; y el estudio del universo sirvió para
deducir la necesidad de la existencia del Supremo Ha­
cedor.
En la naturaleza, pues, pudiéramos decir que hay m is­
teriosas voces que á cada momento nos recuerdan que
debemos elevar nuestro pensamiento á Dios. Los cam-
ALBUM. 4
— 42 —

pos esmaltados de flores, los aires poblados de milla­


res de aves que nos embelesan con sus melodiosos tri­
nos; las aguas, en cuya inmensidad vive.tan portento­
sa variedad de sérns; la aparente bóveda del cielo en
que se ven suspendidas las estrellas como otras tan­
tas lámparas que lucen perpetuamente en honor del
Omnipotente en el templo de la creación; las bellezas y
maravillas que por do quiera admiramos, nos excitan á
cada momento á pensaren la Omnipotencia divina y en
sus inagotables bondades.
Por eso el poeta, cuya misión sobre la tierra es ele­
var el-pensamiento humano á las regiones de la supre­
ma belleza y d éla sublimidad á que puede alcanzar, ha
cantado en todos tiempos las maravillas de la creación,
y ha interpretado su misterioso lenguaje como el eco
confuso que hasta nosotros llegara de los sublimas
acentos que resuenan en las moradas del cielo.
Oigamos al primero de nueslros poetas místicos ea
úna de sus mas magníficas y estimadas composiciones,
llena de inspiración y sentimiento.

ODA.

¿Cuándo será que pueda


Libre de esta prisión volar al cieloí,
Felipe, y en la rueda,
Que huye mas déí suelo .
— 45 —

Contemplar la verdad pura sin duelo?


Allí á mi vida junto,
En luz resplandeciente convertido
Veré distinto y junto
Lo que es, y lo que ha sido,
Y su principio propio y escondido.
Entonces veré como
La soberana mano echó el cimiento.
Tan á nivel y plomo,
Do estable y firme asiento
Posee el pesadisimo.elemento.
Veré las inmortales
Columnas do la tierra está fundada,
Las lindes y señales
Con que á la mar hinchada
La Providencia tiene aprisionada.
Porqué tiembla 5a tierra,
Porque las hondas mares se embravecen;
Do sale á mover guerra
El cierzo, y porque crecen
Las aguas del Océano y descrecen;
De do manan.las fuentes;
Quien ceba y quien bastece de los rios
Las perpétuas corrientes;
De los helados fríos
Veré las causas, y de los estíos;
Las s o b e ra o s aguas
Del aire en \& región quién las sostiene;
De los rayos las fraguas;
Do los tesoros tiene
_ 44 —

De nieve Dios; y el trueno donde viene.


¿No ves cuando acontece
Turbarse el aire todo en el verano?
El dia se ennegrece,
Sopla el gallego insano,
Y sube hasta el cielo el polvo vano;
Y entre las nubes mueve
Su carro Dios ligero y reluciente,
Horrible son conmueve,
Relumbra fuego ardiente,
Treme la tierra, humillase la gente.
La lluvia baña el techo,
Envían largos rios los collados;
Su trabajo deshecho,
Los campos anegados,
Miran los labradores espantados.
Y de allí levantado
Veré los movimientos celestiales,
Ansí el arrebatado
Como los naturales,
Las causas de los hados, las señales;
Quien rige las estrellas
Veré, y quien las enciende con hermosas
Y eficaces centellas;
Porque están las dos osas
De bañarse en el mar siempre medrosas,
Veré este fuego eterno
Fuente de vida y luz do se mantiene;
Y porque en el invierno
Tan presuroso viene;
— 45 —

Quien en las noches largas le detiene.


Yeré sin movimiento
En la mas alta esfera las moradas
Del gozo y del contento,
De oro y luz labradas,
De espíritus dichosos habitadas.
F . L. de L eón,

Al admirar la multitud de los astros que pueblan el


firmamento, en el silencio de la noche, parece tam bién
que se siente el hombre inclinado á una meditación
profunda, y que instintivamente rinde adoracion al Au­
tor de todo lo criado. La noche encierra indudable­
mente indefinible encanto y excita á la medilacion.
Parece como que el hombre se abstrae completamente
del mundo exterior, cuyos rumores cesan entonces y
se acerca mas á su Criador. El pensamiento se rem on­
ta al cielo en el misterio de la noche, procurando son~
dear otros sublimes misterios. Véase como lo expresa la
siguiente bellísima composicion.

A L A*S E S T R E L L A S .

¿Do estoy? ¿Qué presto vuelo


De alada inteligencia me levanta
Desde la tierra vil á los reak s
Alcázares del cielo?
Parad, soles ardientes,
Lámparas eternales,
Que huís girando en ligereza tanta;
Las alas esplendentes
Coged, coged; y en vuestra luz gloriosa
Abísmese mi vista venturosa.
Por do quiera fulgores,
Y viva acción y presto movimiento.
El Dios del universo aquí ha sentado
Su córte entre esplendores:
Del infinito coro
De ángeles acatado,
Grato aquí escucha el celestial concento
De sus laudes de oro;
Cual alma celestial el orbe alienta;
Y en sola una mirada lo sustenta.
¿Qué es de la tierra oscura?
Este átomo de polvo, que orgulloso
Devastándolo agita el hombre insano
jAy! ora en guerra dura?
Despareció: y perdido
Su sol con ella: en vano
Ansia el ánimo hallarlo cuidadoso
Entre tanto éncendido
Fanal, ni á sus planetas: allí estaba
La blanca luna; y Marte allá tornaba.
Sobre ellos sublimado
Corro en la inmensidad: la Lira ardiente,
El Orion, las Pléyadas lluviosas,
— 47 —

y á tí, ó Sirio, inflamado


En viva hermosa lumbre
Dejo atrás, y las Osas,
Sobre el fanal del polo refulgente
Del empíreo á la cumbre
Trepo: la mente aun mas allá se lanza,
Y de la creación el fin alcanza.
¡Qué digo el fin!... empieza
Oiro y otro sistema, y otros cielos,
Y otros soles y globos cristalinos
De indecible belleza.
¿Qué serafín glorioso
En sus vagos caminos
Podrá alcanzarlos con sus raudos vuelos?
Mi espíritu congojoso
Por do quier halla mas, si mas desea;
Y el infiniLo en tom o le rodea.
Si, sí, que la inefable
Diestra del Hacedor no se limita
Cual la m ente humanal á cerco breve.
El mar ancho, insondable
Tan nada 1c ha costado
Cual la arenilla leve:
Lo propio un claro sol, que esa infinita
Multitud que ha sembrad-o +
Como el polvo en el anchó firmamento,
Y hoy de nuevo encender miles sin cuento.
Ante él como la nada
Así es la creación, menos que un puro
Rayo so lará su orbe luminoso:
— , 48 —

Ni fin su mente sagrada


* Hay hasta aquí: su diestra
Jamás yace en reposo,
Del punto que animando el caos oscuro,
En soberana muestra
De su alto m andóle intimó: fenece;
Y á esta ancha, inmensa bóveda aparece.
jOjalá en ella unido
A algún cometa ardiente su carrera
Rápida, inmensurable, acompañára!
En el éter perdido,
Curioso indagaría
Tanta y tanta luz clara.
Ya en su giro cien siglos me escondiera:
Ya cabe eWol veria
De do su llama sempiterna viene,
Quebrazo así colgado le sostiene;
Qué es el opaco anillo
Del helado Saturno, y si al radiante
Júpiter los satélites aumentan
Su benéfico brillo;
En la cándida zona
Cuántos soles se cuentan;
Cuántos en el zodíaco centellante;
Quién puso la corona
Do está, y la Hidra, y el Centauro ñero;
Do la Andrómeda brilla, y do el Boyero.
Y á todos demandara
Por su infinito autor; ¿dónde asentado
Entre esplendores y eternal ventura
— 49 —

Su excelso trono alzára?


¿Por cuál feliz camino
La humilde criatura
Puede trepar a su inefable estado?
¿Do su confín divino
Toca, y qué sol le alumbra? ¿ó dónde dijo,
De mis obras el térm ino aqui fijo?
Cesemos: este sea
Postrer lucero, el vallador lumbroso
A la gran obra que vivia acordada
En mi inefable idea:
Columna majestuosa
Entre el ser y la nada
Alzada por mi brazo poderoso.
Mi bondad ve gozosa
Del postrer mundo al átomo primero;
Y en todo brilla, y mi supremo esmero.» '
Decid pues, encendidos
Globos; que ardéis sin número, fanales
Que ornáis el manto de la noche umbría,
Los hombres embebidos
Alzando hasta la altura
Del Sér grande que os guia
Rodando en esas playas eternales:
Vosotros que segura
Senda al sábio mostráis, que os mira atento
Por él tendido líquido elemento;
O en voluble semblante
Dierais al labrador en la apartada
Edad lecciones, como fiel partiese
— 50 —

Su trabajo incesante,
Y la rauda presteza.
De los tiempos midiese:
Decid, globos, decid ¿dónde le agrada
De su faz la belleza
Mostrar á ese gran Ser? ¿dónde mi anhelo
La verá de su gloria caído el velo?
Buscárale cuidoso
Por todo el ancho mundo, á la indistinta
Variedad de los seres demandando
Por su Hacedor glorioso.
El insecto brillante
Me responde sonando:
El que de oro y azul mis alas pinta
Esta mas adelante:
Está mas adelante, me responde
La garza que en la nube audaz se esconde.
Y la naar procelosa
Mas adelante, rebramando suena,
Y el fiero Leviatan en su hondo abismo;
En la aura vagarosa
Trinando al pueblo alado
Decir oigo lo mismo;
Y el rayo asolador que el mundo llena
En su vuelo inflamado
De horror y pasmo, mas allá, me clama,
Mora el que enciende mi sonante llama.
¿Dónde, soles gloriosos,
Está ese mas aliá, que nunca yeo?
¿Jamás ni un alma vencerá atrevida
— 51 —

Los lindes misteriosos


De este imperio inefable,
Por mas que enardecida
Avance en su solicito deseo?
¡Ah! siempre Inmensurable
Al hombre agoviará naturaleza,
Abismado en su misera bajeza.
Siempre, lumbres sagradas,
Vosotras ardereis: en pos la mente
Vuestro áureo giro seguirá afanosa
Con alas desmayadas,
¥ caerá sin aliento.
La noche misteriosa
Colgará con su velo refulgente
El ancho firmamento;
Y yo en mi amable error luego embriagado
Tornaré inquieto á mi feliz cuidado.

J. Melendez V.

Pero no es solo la belleza de la creación lo que nos


hace pensar en el Ser Omnipotente. A veces el espec­
táculo de la naturaleza excede los limites de lo brillo y
entra en la región délo sublime. Desencadénase el h u ­
racán, agítanse los mares con horrible furia, apiñánse
Las nubes en el espacio, retumba el trueno, brilla el ra­
yo y el hombre aterrado conoce su pequenez y lagran-
ieza del poder que le cerca y alza al cielo los atribula­
dos ojos y la oracion aparece instintam ente en sus lá*
— 52 —

bios. El terror que el cataclismo, de la naturaleza pro­


duce, decían también los paganos que había hecho
creer en Dios

Ccelo tonantem, credidimus Jovem.

y aunque no es esto cierto, pues la revelación aparece


constantemente auxiliando los débiles pasos de la inte­
ligencia humana, da una idea aproximada de cuán po­
deroso es este sentimiento para despertar en nosotros
la creencia de que somos tan débiles seres que pode­
mos desaparecer á cada momento de la tierra, y que
hay un Sér superior á cuya poderosa voz obedecen los
elementos desencadenados.
Las dos siguientes composiciones, cada una de di­
verso género expresan perfectamente cuanto sobre este
punto pudiéramos indicar.

LA TEM PESTAD.

¿Qué quieren esas nubes que con furor se agrupan


Del aire trasparente por la región azul?
¿Qué quieren cuando el paso de su vacío ocupan
Del Zenit suspendiendo su tenebroso túl?
¿Qué instinto las arrastra? ¿Qué esencia las mantiene?
¿Con qué secreto impulso por el espacio van?
— 55 -

¿Qué ser velado en ellas atravesando viene


Sus cóncavas llanuras, que sin lumbrera están?;
¡Cuál rápidas se agolpan! ¡Cuál ruedan y se ensanchan
Y al firmamento trepan en lóbrego monton,
Y el puro azul alegre del firmamento manchan
Sus misteriosos grupos en torva confusion!
Resbalan lentamente por cima de los montes,
Avanzan en silencio sobre el rugiente mar;
Los huecos oscurecen de entrambos horizontes
El orbe en las tinieblas bajo ellas va á quedar.
La luna huyó al mirarlas; huyeron las estrellas;
Su claridad escasa la inmensidad sorbió;
Ya reinan solamente por los espacios ellas,
Do cjuier se ven tinieblas, mas firmamento nó.
JEn vano nuestros ojos se afanan por hallarle
Del tenebroso velo que le embozó detras,
Que cuando mas los ojos se empeñan en buscarle
Se esconde el firmamento de nuestros ojos mas.
¡Las nubes solamente! ¡Las nube3 se acrecienten
Sobre el dormido mundo! ¡Las nubes por do quierí
A cada instante que huye la lobreguez aumentan,
Y se las vé en m ontones sin limites crecer.
Ya montes gigantescos semejan sus contornos
Al brillo de un relámpago que aumenta la ilusión,
Ya de volcanes ciento los inflamados hornos,
Ya de movibles monstruos alígero escuadrón.
Ya imitan apiñadas délos espesos pinos
Las desiguales copas y el campo desigual,
Ya informes pelotones de objetos peregrinos
Que mudan de colores, de forma y de local.
— 54 —
¿Qué brazo las impele? ¿Qué espíritu las guia?
¿Quién habla dentro de ellas con tan gigante voz
Guando retumba el trueno y cuando va bravia
Rugiendo por su vientre la tempestad veloz?
Acaso en medio de ellas á visitar los mundos
El I-Iaeedor Supremo del universo va,
Y envuelto en sus vapores sus senos mas profundos
Estudia, y sus cimientos, por sí caducan ya.
Acaso de su carro tras la viviente rueda
Con impotente saña caminará Luzbel,
Y porque allí cegarle su resplandor no pueda
Agolpará sus nubes entre su gloria y él.
Y acaso, alguna de ellas será la formidable
Que circundó la cumbre del alto Sinai,
En tanto que el ardiente m isterio im penetrable
Que iluminó al Profeta se fermentaba allí.
Acaso será alguna, la que vertió en Sodoma
En inflamadas fuentes la cólera de Dios.
Acaso sejrá alguna la que en los mares toma
Las aguas de un diluvio que la acompaña en pos.
¡Señor yo te conozco! Lá noche azul, serena
Me dice desde lejos; «tú Dios se esconde allí.»
Pero la noche oscura, la de nublados llena,
Me dice mas pujante; «tú Dios se acerca átí.»
Te acercas, sí; conozco las orlas de tu manto
En esa ardiente nube con que ceñido estás;
El resplandor conozco de tu semblante santo
Cuando al cruzar el éter relampagueando vas.
Conozco, sí tu som bra que pása sin colores
Detrás de esos nublados que bogan en tropel;
— 55 —
Conozco en esos grupos de lóbregos vapores
Los pálidos fantasmas, los sueñes de Daniel.
Conozco de tus pasos las invisibles huellas
Del repentino trueno en el crugientc son,
Las chispas de tu carro, conozco én las centellas
Tu aliento en el rugido del rápido Aquilón.
¿Quién ante tí parece? ¿Quién es en tu presencia
Mas que una arista seca que el aire va a romper?
Tus ojos son el dia; tu soplo es la existencia;
Tu alfombra el firmamento; la eternidad tu sér.
(Señor! Yo te conozco, mi corazon te adora;
Mi espíritu de hinojos ante tus píes está;
Poro mi lengua calla, porque mi lengua ignora
Los cánticos que llegan al grande Jchová.
Palomas de Jos valles, prestadme vuestro arrullo;
Prestadme, claras fuentes, vuestro gentil rumor;
Prestadme, amenos bosques, vuestro feliz murmullo,
Y cantaré á par vuestro la gloria del Señor,
Si su hálito llegara al harpa del poeta.
Si á mi, Señor, bajara tu espíritu inmortal,
Mi corazon henchido del fuego del Profeta
Cantara, y no tuvieran mis cánticos igual.
Mi voz fuera mas dulce que el ruido de las hojas
Mecidas por las auras del oloroso abril,
Mas grata que del Fénix las últimas congojas,
Y mas que los gorgeos del ruiseñor gentil.
Mas grave y majestuosa que el eco del torrente
Que cruza del desierto la inmensa soledad,
Mas grande y mas solemne que sobre el mar lúrviente
El ruido con que rueda la ronca tem pestad.
— 56 —
¡Mas ay! que solo puedo postrarme con mi lira
Delante de esas nubes con que ceñido estás,
Porque mi acento débil en mi garganta espira
Guando al cruzar el éter relampagueando vas.
Tu espíritu infinito resbala ante mis ojos
Aunque mi vista impura tu aparición no vé,
Mi alma se estremece, y an te tu faz de hinojos
Te adora en esas nubes mi solitaria fé*

S u . Z o r r il l a .

L A TE M PE ST A D .

¿Oyes, oyes el ruido


Del Aquilón que en la selva
Entre los alzados robles
Con rápidas alas vuela?
¡Oh! ¡cuál silba! |CÓmo agita
Las ramas! sus hojas tiernas
En torbellinos violentos
Desparce con rabia fiera.
Una nube le acompaña
De negro polvo: la niebla
Se lanza en un m ar undoso
Del cóncavo dé las peñas
Y cubre el cielo. La llama
Del sol desparece envuelta
En caliginosas nubes,
Y la noche á reinar entra.
Los aves huyen medrosas:
De espanto inmóvil se queda
El tardo buey, y el establo
Azorado á hallar no acierta.
Crece el huracan: del trueno
La imperiosa voz resuena,
Que el Omnipotente anuncia
A la congojada tierra.
Ya llega: otra vez horrible
El trueno la voz aumenta,
Y los relámpagos hacen
Del cíalo una inmensa hoguera,
¡Señorl ¿Señor! compasivo
Mi albergue m ira: tu diestra
No lo aniquile: perdona
A un ser que te adora y tiembla.
Tú eres, Señor: le descubro
Entre el manto de tinieblas,
Con que misterioso al mundo
Tu faz y tu gloria velas.
Tú eres, Señor; poderoso
Sobre los vientos te llevan
Tus ángeles: de tu carro
Retumba la ronca rueda.
Tu carro es de fuego. El trueno
El trueno otra vez: s¡e acerca
ALBUM.
— 58 —
El Señor: su trono en medio
De la tempestad asienta.
La desolación le sigue:
Y el rayo su V02 espera
Prestas las alas: lo manda;
Y el monte abrasado humea.
Arden las nubes: veloces
Los relámpagos serpean
Del Eterno en torno. Impíos,
¡Ay! temblad que Jehová llega.
Jehová la cóncava nube
Retumba, las hondas vegas
Jehová, sonoras responden,
Jehová las altas esferas.
Despavorido al estruendo
El libertino despierta;
Y confundido el ateo
Su inefable sér confiesa.
De miedo y horror transidos
Al Dios que insultaron ruegan
Temblando; y ante sus iras
Aniquilarse quisieran.
El entretanto imperioso
Domina; la frente excelsa
Mueve; la torm enta crece,
Y los montes titubean.
Llama al áspero granizo;
Y que anonade le ordena
De la vid él dulce fruto,
Y las ricas sem enteras,
— 59 —
Le obedece; y con funesto
Estrépito se despeña
Al bajo suelo, y lo tala.
¡Señor! tus iras modera,
Mira al labrador que inmóvil
De espanto la obra eontampla
De tu poder, sus hijuelos
Y su esposa le rodean.
Todos lloran; todos tienden
A tilas manos, y.esperan
El pan de tí qeie hoy les robas.
¡Buen Dios! ¿üó está tu clemencia?
¿Yienes á asolarnos? ¿Vienes
A mover al hombre guerra?
¿No hay un justo que te implore?
;,0 á las suplicante niegas?
Tú, en quien un padre oficioso
Hasta el vil insecto, encuentra,
Que á millones de vivientes
Abres la mano y sustentas;
¿Olvidas hoy á tus hijos?
¿O dejarás que perezca
Sin pan el pobre?'T;us iras -
Ya desarma la inocencia.
Del justo el humilde ruego
Prevaleció: Jehová reina
Sobre el trueno: su aHo cetro
Pasó sobre mi cabeza.
Ledo pasó: yo asombrado
No osé .alzar la frente. ¡Oh! deja,
— 60 —
Señor, que humilde on el polva
Adore tu Providencia,
Que ya la benigna lluvia
De tu bendición recrea
La árida tierra; ya baja,
Y blanda el aura refresca.
Con júbilo la reciben
Las aves; y en dulces lenguas-
Por el mundo agradecido
Tu inmensa bondad celebran.
Pasó ei nublado: la mano*
Del Señor la ardiente fuerza
Del rayo imperiosa calma,
Y ei viento y el trueno arredra..
Quiérelo; y las torvas nubes
Rajo sus pies se congregan;
Mándalo; y rápidas parten
De su trono mil centellas.
Oyónos; y á la montaña
La tempestad voló presta.
¿No oís el hórrido estruendo?;
¿Y cuál el bosque se anega? •
Ya, Padre, ya nos indultas;
Y el iris de paz nos muestras
En señal de la alianza
Que has jurado con la tierra..
Al cielo el Excelso toma:
Mortales, su omnipotencia
Cantad; y que el universo
Un himno á su gloria sea. J. Melendi
— 61 —
Mas no siem pre va en pos de las nubes la tempestad
con su temeroso aspecto* con su horrible y sublime
majestad. No siempre hemos de admirar la grandeza
de Dios entre el fragor del trueno, ni escuchar su voz
poderosa como resonaba en Sinah A veces en la tran­
quila calma de la naturaleza, se deslizan por el azul del
cielo afectando caprichosas formas los leves vapores
que arrastrados p o r el aire, surcan laim ensidad de los
espacios. Y entonces también admiramos la belleza
que encierran esas flotantes gasas que se destacan pre­
sentando mil colores, siempre en variadas formas y con
m ultitud de aspectos:

A I jAS NUBES.

¡Cuán bellas sois las que sm fm vajiimlo


En la espaciosa altura,
Inmensas nubes, pabellón formando
Al aire suspendido;
Inundáis de tristura
Y de placer á un tiempo mi sentido!
¡Cuán bellas sois bajo el azul brillante
Las zonas recorriendo,
Ya desmayando leves un instante
Entre la luz perdidas,
Ya el sol oscureciendo
_ 62 —

Y con su llama ardiente enrojecidas!


Y ya brilláis Gomo la blanca espuma.
En las olas del viento,
Y ya fugaces como leve pluma,
Y de sombras ceñidas,
Cruzáis el firmamento
Las pardas frentes de vapor henchidas.
¡Cuán dulce brilla en su mortal desmayo*
Rompido en vuestro seno
Del sol ardiente el amarillo rayo!
¡Y cuán dulce y templado
El resplandor sereno
Del astro de la noche sosegado!
Y cuanto ¡oh nubes vuestro errante- g n u
Place á mi fantasía!
Triste y callada y solitaria os miro
Flotar allá en el viento,
Y por celeste via
Melancólico vaga el pensamiento.
Y yo os adoro si con tibio anhelo>
Adormís las centellas
Del vivo sol en el tendido cielo;
Si en delicioso manto
Veláis de las estrellas
Y la pálida luna el triste encanto.
jOh, yo os adoro del espacio inm enso
Deidades vago rosas,
No cuando hirvientes desde el seno denso
En ronco to rb e llin o .
Arrojáis espantosas'
— 63 —
Vividas llamas del furor divino.
¡Ay! que medrosa entonces se ahuyentara
La inspiración sublime;
Ni medrosa la cítara ensalzára
Del cielo la belleza,
Cuando mi sien oprime
Nubloso manto de mortal tristeza.
Muda contemplo de vapor cercada
La turba misteriosa
Que en pos del huracan revuela osada,
A si errante la vida
Se arrastra lastimosa
A la senda fatal do el mal se anida.
Allá en la inmensidad os muevan guerra.
Furiosos aquilones:
Así de desventuras en la tierra
Nos cerca turba insana;
Así de las pasiones
Es juguete infeliz la vida humana.
Ella varía también la faz ostenta,
Y brilla y se oscurece,
y cual vosotras rápida se ahuyenta,
Y es nube que exhalada
El aire desvanece,
En la corriente de la triste nada.
Mas ¡ay! vosotras revagad en tanto
Que la cítara mía
Os pueda consagrar su débil canto.
Del sol al rayo bello
Tended el ala umbría,
— 64 —
Y apacible volvedme su destello.
Y dadme inspiración; yo mis cantares
Daré á vuestra hermosura.
Las que sorbéis el agua de los mares,
Vagad tranquilamente
Con nevada blancura
En la encendida cumbre del Oriente.

C. Coronado.

Pero acaso uno de los objetos de la creación en que


mas se manifiesta la grandeza de Dios es el espectáculo
del mar. Ante esa inm ensa masa de agua, que nuestros
sentidos pierden bien pronto, y que parece confundirse
con el cielo mismo, comprendemos desde luego nues­
tra pequenez y pensamos en lo infinito. Porque cierta­
mente allí desaparece todo lím ite y el Océano asemeja
la inmensidad misma. ¿Qué es la débil barquilla com­
batida por las Olas poderosas, sino un reflejo fiel de la
azarosa vida del hombre combatida por las tum ultuo­
sas pasiones que le agitan? El espectáculo imponente
del mar, bien sea tranquilo, ó tum ultuosam ente agi­
tado por la torm enta, es, á no dudarlo, á propósito pa­
ra abismar al hombre, en m ultitud de reflexiones sobre
la inmensidad del Criador.
— 65 -

LAS AGUAS.

Magnífico, gran Dios, y bondadoso,


Te muestras en la rica muchedumbre
De las aguas que corren por la tierra.
¡Oh cuán bello al torrente estrepitoso
Ver despeñarse de enriscada cumbre
Cual si volara férvido á la guerra,
Bullir formando borrascosa espuma
Y llevar piedras como leve pluma!
¡Oh cuán bello al arroyo bonancible
Ver deslizarse con murmullo blando
Lamiendo plantas, árboles y flores,
Y con su curso plácido, apacible,
Los ojos y el oido deleitando!
¡Oh cuán bello del sol los resplandores
Yer pintarse con vivido reflejo
Del agua cristalina en el espejor
¡Oh cuánta majestad y poderío
Por hondo lecho, rápido corriendo
Con alto orgullo bramador desple^i
El formidable, caudalosa rio!
¡Ay si con lluvias en furor creciendo
A desbordarse impetuoso llega!
Cual bravo toro la barrera salta,
— 66 —
El campo, el pueblo y la ciudad asalta.
En la m ar se me pierde el pensamiento;
Mis atónitos ojos por el orbe
Con mudo asombro giro, y por do quiera
Inmensidad de acuático elemento
Veo. al mundo envolver; mi mente absorbe
Grandeza, cuyo fin jamás se viera,
Que el mar siempre principia, nunca acaba,
Y en él tu inmensidad, Señor, se alaba.
¿Quién sino tú crear pudo al gigante,
Cuyas ondas abarcan toda tierra?
¿En su profundo reino borrascoso
Su prepotente furia rebram ante
Quién si no tú reprime? ¿quién encierra
Su anhelo de conquista proceloso
En frágil muro al hórrido guerrero,
Que sin cesar-sus lindos bate fiero?
Tú solamente, ó Dios, que al agua pura
Das infinitas próvido virtudes
Por tí de mil y mil enfermedades
El agua fria en Alemania cura;
Con ella innumerables multitudes
De vivientes sus cien necesidades
Continuamente satisfacen, beben,
y la salud y vida al agua deben.
¡Ay si faltara el agua' ¿Que seria?
Por ella el campo da copiosos frutos,
Por ella reverdecen bosques, prados,
y come el labrador, y si hay sequía
y los ojos del cielo están enjutos,
— 67 —
Los ojos de los pobres colorados
Están de llorar lanto por la falta
Del agua, cuya ausencia sobresalta.
Nuestra madre la Iglesia se interpone
Tu piedad implorando dolorosa
Con públicas, solemnes rogativas
Y cantas procesiones que dispone
Para aplacar tu indignación celosa,
Y tú mosLrando entrañas compasivas
De tu querida esposa por el ruego
La vivífica lluvia envías luego.
Y renace en los pechos la ^legria,
Y en los campos la risa y la frescura,
La esperanza, la vida y la cosecha;
Y el árbol que en tristeza se moría,
De verde pompa linda vestidura
Placentero recobra, y aprovecha
Al pez, al ave, al hombre y su ganado
El agua que del cielo le has enviado.
Yo también, ó mi Dios, agradecido
Te estoy porque con agua bienhechora
Has benigno aliviado mis dolores,
Y en placidez fresquísima extinguido
Mi devorante sed abrasadora,
Templando mis volcánicos ardores,
Y veces mil el delicioso hiiño
Filé lenitivo á mi doliente daño.
Ni olvidará un instante mi memoria
Cuanto debo á las aguas del bautismo,
Que lavaron mi mancha primitiva
— 68 —
Y de hijo tuyo diéronme la gloria
Cuando naciera esclavo del abismo.
Y este insigne favor mientras yo viva
Bendeciré, ensalzando la excelencia
Del agua que m edió santa inocencia.

J, M. de B e rrio z a b a l,
III.

L a r e b e lió n d e L u z b e l.—E l pecad o


o rig in a l.

Habia Dios criado al hombre a su imagen y seme~


janza, colocándole en estado de gracia, rodeándole de
los placenteros goces de la vida¿ poniéndole en ua deli­
cioso vergel donde rendían tributo al Rey de la crea­
ción los demás serés, y donde la naturaleza desplegaba
lodas b u s galas corno queriendo festejarle. Los fieros
brutos que poblaban los bosques, venían humildemente
á lamer sus piés; las aves le saludaban con apacibles
trinos acercándose sin temor alguno al alcance de su
mano; las brisas de eterna primavera llevando en sus
alas los perfumes de flores de una belleza no imaginada
refrescaban con apacible aliento su frente y los capullos
de las rosas se deshojaban para ofrecerle con sus deli­
cados pétalos mullido lecho en su tranquilo é inocente
sueño.
Feliz el hombre en el estado de su inocencia primi_
tiva, solo le quedaba que reconocer las inmensas bon „
dades de Dios y admirar aquella infinita sabiduría que
le habia creado, y aquella suma providencia que pater­
nalmente velaba so'bre él, y ofrecía á su contemplación
tan innumerables maravillas.
— 70 —
¡Qué inefables delicias! ¡Qué puras satisfacciones
debieron ser las que llenaron el pecho del primer
hombre en los primitivos dias de la creación! ¡Qué
santos y puros goces los de su inocencia! ¡Qué tra n ­
quilidad la de su conciencia, donde no habia nun la
mas ligera mancha, ni todavía rugía aterrador el Re­
mordimiento! La calma de la naturaleza correspondía
á la de su corazon, y el estado de su alma guardaba
perfecta consonancia con el mundo exterior en que
moraba. En la plenitud de la vida, sin estar sujeto á
las aflicciones de la enferm edad, ni afligido por el te­
mor de'la muerte; su único pensamiento, al recorrer el
paraíso, debió ser dirigir un himno de alabanza al Se­
ñor, que pródigamente lo habia dispensado tantas
bondades.
He aquí como describe este momento el inspirado
imitador de'Milton, el autor de la Inocencia p e rd id a .

Tercera vez la celestial lumbrera


A la noche rasgaba el pardo velo,
Derramando sus brillos por la esfera,
Que i;l aire hienden en sereno vuelo.
Fugada ya la lobreguez primera
Que vistió de negror el rudo suelo,
La blanda luz resbala por las flores,
Y levanta réflejos y colores.
El ave sin haber labrado nido
Las plumas bate sobre el aura fría,
Y prueba á sostenerse, el cuello erguido,
O'ie mil cambiantes con1la luz envia:
— 71 —
Y cuando ya el poder ha conocido
Délas temblosas alas, su alegría
Publica, variando el dulce acento
Que balbuciente imita el mudo viento:
El viento en antes mudo, que pausado
Al despuntar de la primera aurora.
Osó apenas de aljófaresba fiado
Besar las llores que lá luz colora;
Mas al hallarse aúbito'sembrado
Délos medidos tonos que aun ignora,
Se esconde por las grutas y suave
Remeda el canto que escuchó del ave.
En tanto la ovejuela en la llanura
Gozoso el pecho con la nueva vida.
Celebra al p a rd d bobo su ventura
Y á triscar con alhagos Je convida,
O si vuelve los ojos á Ja altura
Délas aves vagar embebecida;
Y á sus cantares de ella no sabidos,
Responde simplecilla con balidos.
Mas cuando el Hacedor con Hicrle mano
Los mudos senos lóbregos quebranta
De la nada vacia, y el humano
Del no ser á la vida se levanta,
Unidos corren en tropel ulano
Cuantos animan á besar su planta,
Manso el tigre, y la víbora inocente
Con sus lenguas le alhagan blandamente.
Y en mil*y mil hileras agolpados
Cual las olas de Océano se estienden
Cubriendo en tom o los herbosos prados,
Que T igris y Cebón sonoros hienden.
Lo? pájaros al aire derramados
En colorida turba se desprenden,
Cual nube que matiza en oro y grana
Coronada de lirios la mañana.
Las alas plegan con murm urio blando
Y en medio alzado, cual Señor, el hombre,
Se posan silenciosos, esperando
La multitud reciente les de nombre.
Adán las palmas al Empíreo alzando,
MjOh Eterno clam a... En inm ortal renombre
^Decidle ¡gloria oh cielos! ¡Decid gloria,
»Y ensalzad oh vivien tes su m em oria!»
«Himnos, gloria decid»... Al sacro acento
Responde con dulcísima armonía
El cojo de Jas aves: ledo el viento
Los blandos sones por la esfera envía.
Jamás gozó natura tal contento,
Ni dorando á Himalaya el nuevo dia
Tal alborada oyó. Las arpas de oro
Pulsa el empíreo al cántico sonoro.
Del alto solio de zaíir luciente
Do en eterno explendor velado porsa
Sobre llamas, que el manto trasparente
Penetran á la noche silenciosa,
Con el cetro apartó el Omnipotente
Las nubes que su gloria misteriosa
Esconden al mortal, y en la alta cumbre
Se vió ó Jehová vestido en viva lumbre
— 73 —
. Y el rostro excelso que los cielos dora
Cuando de la alta frente nace el dia,
Tomando al hombre despidió á deshora
Un mar de luz por la región vacia. :
Adán postrado al Hacedor honora
En himnos mil y cantos de alegría: ,
El gran Dios se complace en ver su hechura
Y se inunda de júbilo natura.

De esta manera se figura el inspirado poeta lo que


debió suceder en aquel éxtasis de nuestro prim er Pa­
d re, al contemplar las bellezas de la Creación, si­
guiendo en cuanto expone el parecer de los mas doctos
escritores y Padres de la Iglesia, y describiendo con las-
galas que su imaginación le presta todas las circuns­
tancias del lugar y del momento. Y en verdad, que no
otra cosa debió suceder, ni otros pensamientos debie­
ron cruzar por la mente de Adán, al encontrarse colo­
cado por la Omnipotente mano en medio de tantas ma­
ravillas.
Mas todavía quiso el Señor sorprenderle con otro
nuevo é inesperado don. A pesar de las excelencias de
que estaba adornado, faltábale aun otra, si cabe mayor
excelencia con que á la mente divina plugo dotarle.
Era esta la de la sociabilidad, esto es su existencia con
otros seres semejantes á él, con otros seres con quie­
nes debía establecer lazos de amor y de recíproco
cariño. Faltábale una tierna compañera, que siendo do
la elevada naturaleza del hombre, compartiese con él
las dulzuras del feliz estado en que vivia; puesto que
ALBUM. 6
— 74 —
no era un sér destinado á vivir aisladamente, sino á co­
municarse con otros semejantes á él.
Y al despertar un día, sorprendióle encontrar á su
lado una criatura de extraordinaria belleza, que el Se­
ñor durante su sueño habia formado de su misma carne,
cuyo destino era análogo al suyo; debiendo caminar
ambos por La senda de la vida, auxiliándose y protegién­
dose mútuamente y reuniendo entre los dos las per­
fecciones de la naturaleza humana; ¡No formó Dios á la
mujer de tierra como al primer hombre; sino que para
demostrar que ambos eran de la misma naturaleza y
que el género humano reconocía un origen común, la
formó de sus huesos y de su propia carne, con ló cual
dice un autor, multiplicó entre ambos las causas de
amor por la semejanza que entre ambos existia y p o r­
que habiendo sido unos en el cuerpo debían ser tam ­
bién unos en el alma. Asi por derecho natural instituyó
el Señor en et Paraíso el santo lazo del matrimonio que
despues se habia de elevarse á la dignidad del Sacra­
mento por el Divino Redentor.
Adán y Eva admiraron juntos las maravillas que el
Edem encerraba y recorrieron sus dilatados espacios
de la manera que el poeta sigue describiendo.

l o s dos lazados en sabroso nudo


Pisaban inespertos los vergeles
t Del aromoso Edem: so el pie desnudo
, : De, Adán se elevan súbito claveles
; Do fija Eva sus plantas: el menudo
Cesped brota azucenas, en pos fieles
— 75 —
Les dan aves y fieras vasallaje.
iPadres felices; de infeliz linaje!
Alza la vista Adán: por la ancha esfera
Morada inmensa del radiante dia,
Ve al sol nadar en luz y en, su carrera
Llover vida á los seres y alegría.
El frutecido suelo considera;
Del mar bullen te la tenaz porfía ,
Por asaltar la tierra; y dueño solo
Se ve de Cinosura al otro polo.
Las tiernas flores de la frente ufano
Desciñe Febo al estrellado toro,
Y mezcla en la balanza al rubio grano
De la doncella alígera tesoro.
Sube al fogoso carro; y de su mano
Desparce rosas entre espigas de oro,
Y embalsamando el céfiro de aromas
Racimos llueve y olorosas pomas,
Vó el universo Adán; vé su morada
Y (jueda inmóvil, cual del suelo Parió
Brilla en real jardín piedra animada
'' Por mano de famoso estatuario.
■> Eva lo vé, y examinar le agrada
Las varias plantas, el ramaje vario
; Que en colgantes stis flores,eslabona,
Y entolda e l prado y el pensil corona.
Mueve el pie terso bácia el nevado rio
1 Que por cauces de lirios resbalando,
Aquí el ¿azmin retrata, allá sombrío
Mecido el olmo por el aire blanda;
Alzan las crestas sobre el lecho frió
De argentados vivientes mudo bando
Por ver á su señora, y ella en paga
Los lleva á su regazo y los alhaga.
Tal vez se llega quedo á la onda pura
Por saber lo que guarda el blanco seno,
T entre guijuelas de oro su figura
Mira temblar bajo el cristal sereno.
Ya en la frente del toro con blandura
La palma asienta: ya en el bosque ameno
Párase á oír la alondra que gozosa
Vuela del árbol y en su mano posa.

Mas ¡ah! bien pronto trocóse en amargo duelo la en­


vidiable felicidad de que gozaban los padres del linage
humano. Bien pronto á aquel estado de gracia, sucedió
el de la culpa, y el hombre personificado en Adán ar­
rastró en su caida á la humanidad que en él estaba con*
tenida.
La soberbia, ese infernal vicio causa de nuestras ma­
yores desventuras y de nuestras mas frecuentes culpas,
habíase apoderado tam bién de algunos de los espíritus
celestiales que moraban jun.to al Trono de Dios. El án­
gel rebelde, espíritu dotado de extraordinaria belleza,
atrevióse á creerse igual á Dios, y en su insensato orgu-
o, pretendió luchar con el poderío del que le habia
también criado,. Los cielos se estremecieron ante tan
horrible rebelión, y Luzbel en justo castigo de su inau­
dito crimen fué precipitado con los ángeles malos á los
profundos abismos, por toda la eternidad. Desde en-
— 77 -
tónces el espíritu del mal en abierta guerra con teda
la creación, pretendió saciar su rencorosa sed dé ven­
ganza, y se declaró enemigo implacable del^g&iiero h u ­
mano; puesto que el hombre era también el sér mas
perfecto de todos los criados.
Las puras alegrías d e l Paraíso iban bien pronto á
trocarse en los dolores y aflicciones mas vivas. Luzbel
veia con furor la dicha de los dos prim eros esposos, y
los himnos que en alabanza deí Criador se elevaban en
aquel feliz recinto resonaban en sus oidos comd otras
tantas terribles maldiciones lanzadas en contrá suya.
El rugia en los profundos abismos entre indeciftieá to r­
mentos, en tanto que todo sonreía en la creación; él era
la única criatura desgraciada, cuando todas eran feli­
ces; él era el que llevaba sobre su frente una eterná mal­
dición, y lodos los demas séres vivían en el estado de
pureza en que habían salido de las manos del Criador.
Ante ese pensamiento, arrastrado por su soberbia,
dominado por la envidia, cegado por el mol, eri cuya
satisfacción se gozaba; ya que no podia alzaf sil cabe­
za al cielo, sin ser confundido por el rayo del Eterno,
propúsose perseguir sin tregua al hombre, criatura
finita, en la cual podian tener cabida sus pérfidas su­
gestiones. Y desde entónces empeñóse la lucha entre
fll bien y el mal, y desde aquel momento congregáronse
todos los infernales espíritus, secundando las miras
xdel rey de los abism os, para esparcir sobtfe¡ el niundo
todos los gérmenes de las malas pasiones, todós los
desastres, todos los horrores de los vicios queafUgená
la humanidad. 1
- 78 —
; Vé'ase como sigue el poeta describiendo el momento
. en que Satanás se dirige al mundo para tentar á nues­
tros prim eros padres.

Al mundo se fulmina; en vivo fuego


Nadando; giran los sangrientos ojos;
: Sus pasos la soberbia sigue luego, <
Y audaz saciar ofrece sus enojos.
¡Disforme, horrendo monstruo! El rostro ciego
t Los cielos amenaza; en sus arrojos ■,
, Tiende las negras alaSí y sombría
Cubre el dorado sol y roba e l día.
La torpe inobediencia le acompaña
El duro cuello erguido; corre presta
La descarnada m uerte, y su guadafia
Aún üo teñida á la batalla apresta;
La crin revuelta, y en hirviente saña
Brotando sangre toda, el hierro asesta
La guerra impía; y-la traición de flores
Cubre el dardo que vibra en sus rencores. ;
Con tardo paso láflgüida camina
; La ham bre desmayada: ronco gime, ¡
. Y laplegada faz el llanto inclina;
Regando el suelo del humor que esprime;:
La enfermedad pcgi^a se avecina
: A-la arada vejez^ vil hierro oprime 3
■'L aitriste esclavitud. Siguen fatales, ,
- Los vicios, la impiedad, todos los males. ■
¡Y ahullando ronco el ominoso bando*
Cual negra tempestad corre sangriento: , ; 1
— 79 —
Los árboles destronca; el giro blando
Detiene al ave con su torpe aliento;
La alma inocencia, el escuadrón inlando
De lejos vé; con m aternal lamento
Vuela al hombre; y en lágrimas deshecha
A su regazo tímida la estrecha.
¡Dia de horror! ¡infausto! Tu el prim ero
En abundosa vena, el lloro diste
A Jos mortales; lloro lastimero,
Que en sollozos ahoga mi voz triste,
Tú, oh sol, subiendo alegre el hemisfero,
A Adán, dominador del orbe viste;
Y apagando en el mar tu viva lumbre,
Viste á Adán en acerba servidumbre.

El .espíritu del mal, afectando la forma de un ¡astuto


y venenoso reptil, sorprendió primeramente á Eva;
bien porque contase mas seguro su triunfo, por la fra­
gilidad ó deseos de la mujer, bien porque creyese que
el hombre se vencería mas fácilmente, llevado del amor
que profesaba á ésta*. Y en efecto, la infernal serpiente
halló medios de persuasión y alhago tan eficaces, que
la mujer accedió á quebrantar el precepto impuesto
por el Sumo Hacedor; comiendo é induciendo al hom­
bre á comer de la fruta vedada, de aquel árbol prohi­
bido de la ciencia del bien y del mal; con el cual la
aseguraba el espíritu de las tinieblas que serian ella y
el hombre iguales á Dios. Asi un pecado de desobe­
diencia y de insensato ergullo, los gérmenes siempre
mas fecundos del mal, hicieron perder á nuestros pri-
meros padres-, y con ellos á toda la humanidad, que
habia de sucederles, aquel estada de inocencia y de
gracia» en el cual habian salido de manos del Criador.

En medio el Paraíso su guirnalda


Sobre palma y ciprés frondoso extiende
Arbol bello, que en ramos de esmeralda
Lucientes pomas de carmín suspende.
Arbol funesto á cuya umbrosa espalda
Blandida al aire su guadaña extiende
La Parca hambrienta del fatal tributo
A que convida el engañoso fruto.
Eva le entrevé y tiembla, no se atreve
A adelantarla temerosa planta;
Alza los ojos paso, y ya mueve
Curiosidad de ver belleza tanta.
Late el pecho anheloso y lanza en breve
1 E l comprimido aliento, ya adelanta
El pie,— ¡In felice! huye; muerte, muerte
El' tronco infausto de sus ramos vierte
* Llega al árbol fatal... Profeta santo
Dame lágrimas, ¡ay!; tu lloro triste
Me da, y el verso do con flébil canto
El cautiverio de Sion gemiste,
; ¿Podrán cien lenguas el eterno llanto
Decir del Universo? Tú, me asiste;
Tú esfuerza mí sentir. ¡Llorad vivientes...
TPodós rais á morir, futuras gentes!...

Desde entonces, arrojados Adán y Eva del Paraíso,


— 81 —
sujetos á las miserias y penalidades de la vida, en cum­
plimiento del terrible castigo que les impuso el Señor
ppr su desobediencia, quedó el género humano viciado
por la culpa prim itiva, y condenado á todas las conse­
cuencias de su trasgresion. Y Luzbel, con inmenso re ­
gocijo, por el triunfo que habia consegido, desplegó
nuevamente todas sus astucias, y se dispuso á aprove­
char cuantas ocasiones le fueran posiblespara tender al
hombre sus insidiosos lazos.
Y desde entonces , el hombre que habia sido Greado
á imágen y semejanza del Cnador, halló que su pureza
se hallaba manchada por aquel prim er delito, y que su
naturaleza se resentía de aquella culpa primitiva; vién­
dose dominado por el vicio y arrastrado continuamen­
te hácia la pendiente del mal. Dando rienda suelta á
sus pasiones, anteponiendo sus viles apetitos, y deján­
dose llevar por los estímulos poderosos de sus m ate­
riales goces, se vió continuamente combatido en su
misma existencia, luchando á cada paso con la ex­
celencia de su naturaleza espiritual y las sugestiones de
sus insaciables deseos, y necesitando implorar de con­
tinuo el auxilio divino para librarse de la constante
tentación, con que, por do quier, le persigue el común
enemigo del género humano.
A la prim era culpa, origen de todas las demás, su­
cedieron bien pronto otros delitos. Adán y Eva vieron
en su descendencia un horible fratricidio, segundo cri­
men cometido por el hom bre, y primera sangre derra­
mada sobre la tierra, en la que tanta se habia de derra­
m ar despues, Y aquella descendencia, contaminada por
— 82 —
el pecado, dio lugar también áotro terrible castigo que
envió la Omnipotencia Divina; siendo preciso para li­
brar al mundo de aquella envilecida raza , que los ma­
res se extendiesen sobre las mas altas cumbres, y la s
cataratas del cielo se desatasen sobre aquella tie rra ,
donde tan*hondas raicea- habia adquirido el vicio. Solo
pudo salvar de aquella universal catástrofe la familia
de un santo patriarca, destinada otra vez á repoblar él
mundo, y con el cual plugo al Señor hacer una alianza;»
que tan grandes frutos debia producir para la salvación
del género humano.
IV .

La i'edcnciou.-La ley anilina.—Lo«


Profetas.

Mas si tan grande habia sido la culpa del hombre,


mayores debían ser aun los frutos de la bondad Divina.
El género humano contaminado por el pecado, vivía ea
la esclavitud de la culpa, sujeto en sus propios hiewos
y doblando cada vez la horrible cadena con que el espí­
ritu de las tinieblas le habia aprisionado. La humani­
dad gemía y esperaba un libertador.
Pero ¡oh incomprensible misterio de la bondad di­
vina! Para salvar al hombre ent necesario un eminente
: sacrificio, y este sacrificio plugo hacerle á la misma di­
vinidad. En sus inescrutables designios dispuso que v i­
niese al mundo un Redentor, y este Redentor fué el
i mismo Dios hecho hombre, el Verbo Divino, la segunda

persona, de la Trinidad Santísima, que se dispuso á ser


la víctima expiatoria que había de dar su sangre pre­
ciosísima por la redención del género humano.
Es tan alto, tan admirable el misterio de la encar­
nación del Verbo Divino en la naturaleza humana; ma­
nifiéstase en él de tal manera la bondad sin límites
■de: la Suprema sabiduría, que el espíritu humano afito-
dadado ante tanta grandeza, solo debe atreverse á ado*
rar con el mayor respeto esta última y suprem a mani­
festación del amor de Dios á sus criaturas.
La rehabilitación del hombre por la ley de gracia, la
posibilidad de cumplir los altos destinos que la Provi­
dencia le señalaba á pesar de la transgresión y de la
primera culpa, es una de las mayores pruebas en favor
de la divinidad de la sublime Religión que profesamos
y que de tal manera nos eleva y enaltece. Dios no es
solo la Providencia que invisiblemente vela por la
suerte de sus criaturas, no es solo el Señor eñ quien U
.justicia y misericordia se confunden como atributos
esenciales'de su mismo ser; sino que además se revela
bago forma sensible al hombre para que le conozca y
siga sus pasos y le guia incesantemente por el sendero
de la vida, mostrándole cuál es la verdadera ley y cuál
el objeto á que constantemente debe dirigirse*
Suponed, dice uno de los oradores sagrados contem­
poráneos, que por la luz de la razón hubierais dlcanüa-
~do el conocimiento de las mas altas verdades morales:
que hubieseis adquirido el convencimiento de la exis­
tencia de Dios, y que reconocieseis sus principales atri­
butos. Aun en esta hipótesis inadmisible os faltaria el
amor á Dios; el amor que os ha debido inspirar la pa­
labra divina, pues la palabra es la expresión mas alta
de la personalidad. Para amarle cual corresponde á la
criatura os ha dado una señal visible de El mismo; os
ha dado la palabra eterna, os ha dado la revelación
conservada en una institución permanente fundada por
El mismo y la cual derrama sobre vosotros pródiga­
mente los tesoros de la bondad divina.
— 85 —
Hé aquí de qué manera sigue describiendo el poeta
antes citado el momento en que el Verbo Divino se
ofrece al Eterno Padre, como victima para la redención
del género humano. Las bellezas en que abunda el si­
guiente trozo de poesia nos dispensan de todo comen­
tario .

CONSISTORIO DIVINO PARA LA REDENCION BEL HOMBRE.

Airóse Dios, y en la encendida mano


Presto el rayo nació: la ondosa llama
En puntas sube, y por el aire vano*
Brotando entre los dedos se derrama;
Iba á lanzarlo ya, y el Soberano
Verbo, alzado en su trono, el cielo inflama
De un esplendor de gloria y ambrosia,
Que amor, su faz bañando, despedía.
Cuando al morir los siglos caiga ardiendo
Desde su cumbre el sol, y e] régio trono
Sobre su hoguera asiente, y al estruendo
De la trompa y los rayos, en su encono
Lance los astros al abismo horrendo,
No así parecerá. Dulce patrono
Hora del triste humano, amor le apiada.
Amor le ofrece ante la diestra alzada,
Padre, «dice, (y los cielos-la carrera
Suspenden á su voz:) Padre, mi gloria,
¿Tú bella imágen á la saña fiera
Entregas de Luzbel? ¿De su victoria
El impostor se jactará? El espera
¡ Vengar de su castigo la memoria
Con el castigo del mortal amado,
Objeto dulce de tu excelso agrado.»
<t¿Y triunfará el traidor? Piedad inmensa,
Sola piedad y amor; es nuestra hechura,
Es tu hijo el mortal: su grande ofensa
Dá mayor gloria á nuestra gran dulzura.
¡Oh! ¡viva ti hombre! Tu poder, suspensa,
Y mi poder admira la natura;
Ora admire tu amor: llore el impío
Que sus engaños frustre el amor mió.»
«Sus engaños: osado en su- malicia
Pecó el ángel; el hombre seducido
Cayó en dura batalla: su injusticia
Un nuevo crimen de Luzbel ha sido.
Es así, Padre: la eternal justicia
Debe ser aplacada; no, no pido
Que el rayó dejes sin vengar tu nombre.
¡Oh! lánzale en tus iras sobré el hombre;»
«Mas ved el hombre en mi: yo su delito,
Yo he de satisfacer: arde inexhausto
Por salvarle-mi amor: seré el precito,
Seré tu maldición: joh! sí, el infausto
Viva, yo moriré: venga infinito
Sobre mí tu furor. El holocausto
De mi pasión, ó Padre, tú recibe,
— 87 —
Y sepa el hombre que en mi muerte vive.»
Hablaba el Hijo, y de rosada lumbre
Iluminado en visos aparece
Ledo el iris de paz: sobre su cumbre
' Alzada la cruz santa resplandece.
Ante ella la celeste muchedumbre
Se postra silenciosa: desparece
Súbito el rayo de la eterna diestra,
Y mezclado en su ceño amor se muestra.»
«lié aqui, Padre, mi triunfo,® el sacro Verbo
Prosigue: «el ara ved en que inmolado
Hostia del mundo, figurado en siervo
Mi sangre verteré por el culpado.
O Padre, parto: el sacrificio acerbo
Me espera; parto de tu seno amado
A salvar á los hombres: tú Dios fuerte,
Recíbelos por hijos en mi muerte.»
«Sea, el Padre responde: así en mi mente
Lo ordené ante los tiempos, cuando ungido
Naciste de mi luz, saber potente,
Por quien los siglos hice. Fuiste oido.
En el tiempo agradable. Tú la gente
Congregarás dispersa; y atraído
Cuanto aquilón y el mar y el austro alcanza,
Del mundo harás conmigo la alianza.»
«Yo Dios, yo lo he jurado. Tú el eterno
Sacerdote serás: serán tu herencia .
Los pueblos y naciones; tu gobierno
Son las lindes del mundo: tú sentencia,
Tú lo juzga. Tu diestra el hondo averno
Postrará; y el autor de inobediencia,
En cien cadenas á tu cruz atado,
Llorará el torpe solio derrocado, d
«Cíñete y triunfa: en tu derecha mano
La fortaleza va: tú el poderoso.
Mueres, sí; mas mi brazo soberano
Te alzará de la tumba glorioso,
Primicias de los m uertos. Este arcano
En medio de los siglos portentoso
Se mostrará al mortal: en tanto llore,
T en tristes votos su salud im plore.»
El Altísimo dijo: y den tro el seno
Lazado el Verbo y el Amor divino,
En su almo rostro de cariño lleno
Al hombre anuncian su feliz d estin o .
Depuso la justicia el raudo trueno
Que al brazo vengador sirve contíno,
Y abrazó á la piedad, que en blando sello
El labio imprime en su semblante bello.
Y «Santo, Santo.» en himno de alegría
Los serafines claman: á tí gloria,
Gloria al Dios Sabaot. La frente impía
Del dragón tú domaste: la victoria
Es el asiento de Jehová. ¡Oh! envía
A tu Cristo, y el hombre la memoria
De tus piedades con eterno canto
Celebrará bañado en dulce llanto.»

R e in o s o .
— 89 —
Las promesas divinas habían sido anunciadas á los
hombres de diversas maneras. Ya elige prim eramente
el Señor el medio de revelarse ó manifestarse á sus ele­
gidos, ya dirige visiblemente al pueblo escogido pro­
mulgando su§ eternas leyes, la ley natural rodeada de
toda su majestad y grandeza en la cumbre del Sinai.
La profecía ó anuncio de sucesos que están por venir,
y que no pueden pronosticarse según las leyes natu­
rales, es una de las pruebas también mas visibles de la
divinidad de la Religión. Y la ley antigua contiene,
bajo símbolos y figuras representativas, lo que debía
tener su completa realización en la ley de gracia.
¡Qué de poéticas bellezas pudiéramos hacer, resaltar
en esas narraciones sublimes que encierra el antiguo
Testamento] en la historia de los primeros Patriarcas,
en esos tiempos en que la virtud y la pureza de cos­
tumbres nos hacen recordar la primitiva edad de la
inocencia; en esas admirables narraciones, en que se
pinta al pueblo escogido, caminando por el desierto,
guiado por la misteriosa columna de fuego, atravesando
á pie enjuto el Mar Rojo, dirigido y gobernado por
Moisés,^ el cual entona un himno de incomparables ala­
banzas al Dios de Israel, que ha confundido en los abis­
mos d élo s mares á las huestes, carros y caballos de
Faraón.
Pero donde especialmente se nota la sublimidad de
que están llenos los libros sagrados, donde se m ani­
fiesta en toda su grandeza la poesia bíblica, es en los
salmos, cantos proféticos en su mayor parte, en que
con la mas sublime inspiración se dirigen al Ser Su-
ALBUM. 7
— 90 —
premo sentidas plegarías, ó so anuncia al mundo que
se aproximan los tiempos en que han de cumplirse las
sagradas promesas. Nada creemos mejor sobre este
punto que trasladar á nuestro libro algunas de las
buenas traducciones que tenemos en nuestro idioma
de tan elevadas composiciones, además de otras del
inimitable F. L. de León, que ya anteriormente hemos
insertado.
La grandeza de las imágenes, el vigor admirable, la
viveza del colorido y de las descripciones que se ad­
vierten en estos himnos sagrados, han inspirado sin
duda mas de una vez á nuestros privilegiados genios.
Parécenos escuchar los sublimes acentos del rey Pro­
feta, los ecos armoniosos de aquella arpa de oro, que
tan admirablemente llegó á reproducir las celestiales
armonías.

SALM O

A dstitcrunt reges te m o

¿Por qué entre los paganos


Tanto rum or, tan áspero/tumulto?
¿Por qué á proyectos vanos
Neciamente, se entrega el pueblo culto?
Los reyes de la tierra
Y los principes ya juntarse veo,
— 91 —
Y declarar la guerra
Al Señor y á su Cristo; y el deseo
Con que dicen: rompamos
De uno y otro las fuertes ataduras,
El jpgo sacudamos.
Mas el Señor que habita en las alturas
De ellos se está riendo,
De ellos se burlará. Cuando su día
Llegare, con trem endo
Enojo hablarles ha. Su valentía
Turbará el encendido
Furor con que les diga: yo nombrado
Por el Señor he sido
Rey y legislador en el sagrado
Sion, su santo monte.
El me ha dicho: tu eres hijo mió,
Hoy te engendré, proponte
Qué pedirme podrás: el poderío
Sobre todas las gentes
En herencia te doy: tus posesiones
Serán los diferentes
Términos de provincias y regiones
Que la tierra rodean.
Con cetro mandarás de hierro duro;
Y los que no te sean
Leales; como vaso que de oscuro
Barro, forja el ollero,
Mil pedazos los haz. De tal ruina
El ejemplo severo,
Reyes.aprovechaA: tomad doctrina
— 92 —
Jueces y tribunales.
Servid pues al Señor con temor santo*
Aplaudidle leales,
Y respetadle con temblor y espanto:
La divina enseñanza g
Apreciad, y tomad con fiel esmero;
No, por justa venganza
El Señor irritado, del sendero
De la justicia un dia
Separaros permita eternamente.
¡Ay! que dura agonía
Será ver encendida de repente
Su ira abrasadora,
¿Feliz el que no tema aquella hora!

T uad. de G. C a r v a ja l.

En el siguiente salmo se contiene, según la opinioa


de los teólogos mas distinguidos, una verdadera profe­
cía de lo que habia de acontecer á la m uerte del Salva­
dor. Las palabras con que empieza quare me dereliquis -
ti* son casi las mismas que pronunció el Señor en el
santo árbol de la Cruz, y en él se alude de ía misma
manera simbólica á la m ultitud que cercó el Calvario, a l
acto en que se sorteó entre los soldados la túnica del
Redentor y á otras particularidades admirablemente
realizadas en la sagrada pasión y m uerte de Nuestro
Señor Jesucristo. Es sumamente notable por la valentía
de las imágenesy el vigor de la expresión*
SA LM O « 1

D eus, D eus maus respice in m e


¿quarc mo dcrelíqiiisti?

¿Porqué mi Dios, mi Dios asi me dejas?


Mirámesolo aquí. ¿Pero cargado
Del peso del pecado,
Esperanza tendré de que mis quejas
Oigas y me libertes? ¿Sin provecho
Clamaré todo el dia?
¿De noche clamaré sin ser oido?
¿Y se tendrá por necia mi porfía?
¡Oh! tu que habitas en el alto techo
D éla Santa Sion, ilustre gloria
De Israel, ten memoria
De como en tí esperaron
Nuestros padres, y libres por tí fueron,
Y como á ti clamaron
Y clamando salvarse consiguieron,
Y á su fé firme asidos,
Jíunca en ella se vieron confundidos.
Yo no soy hombre, sino vil gusano,
Desprecio de la plebe,
Mengua y oprobio del linaje humano.
Todo el que me vé asi, luego se atreve
A insultarm e, y moviendo la cabeza
Con desprecio me dice:
«Este es el que esperaba
»De Dios en la grandeza;
»Venga pues á salvar al infelice.
»Si es que tanto lo amaba
»¿Cómo no viene ya, cómo no acaba?»
Tú oh Dios, eres mi padre,
Que del materno claustro me has sacado „
A tu cargo nací, niño y colgado
Del pecho de mi m adre.
Ya yo esperaba en tí: y aun encerrado
En su vientre yacía,
Cuando ya por mi Dios te conocía:
De mi 110 te separes
Ni en tal tribulación me desampares,
Porque es muy recia y cruda
Y otro no tengo á.quien pedirle ayuda.
De indómitos novillos, de feroces
Toros, ¡ay! rodéalo
Me veo, que veloces
Aparecen por uno y otro lado,
Con las bocas abiertas, como fiero-
Rapaz león que ruge
Y amenaza. Mi cuerpo lodo entero
Cual agua se disuelve, y seco cruje .
Del dolor de los huesos desunidos^
Derrítese en el pecho como cera
Mi triste corazou: y consumido*
Los jugos naturales
Agotada y enjuta mi prim era
Robustez y frescura,
Y con ansias mortales *
— 95 —
A las fauces la lengua ya pegada,
Yco la muerte dura
Acercarse, y la triste sepultura.
Circúndame un enjambre de malvados t
Que al derredor me ladran
Como fieros sabuesos,
Las manos me taladran
Y los pies, y contar pueden mis huesos.
Míranme y me rem iran muy pausados:
Reparten entre si mis vestiduras:
La túnica separan, y en lo s dados
Buscando el azar ciego
Premio la constituyen de vil juego.
Tú pues Señor en tantas am arguras -
No retardes tu auxilio soberano:
A mi favor atiende:
Bel rigor inhumano
De la espada sangrienta me defiende,
Y del furor de tanto can rabioso.
Líbrame piadoso
Del león carnicero;
Y del asta feroz y tan temida;
Del unicornio fiero.
Salva mi triste vida
En tanta confusion tan abatida.
Yo daré á conocer á mis hermanos
La gloria de tu nombre
Rodeado de pueblo numeroso
Yo, con alto renombré
Ensalzaré tus hechos soberanos,
- 96 -
Y diré fervoroso:
«Vosotros que de Dios el temor santo
• Conocéis, alabadle:
•Hijos y nietos de Jacob, en cuanto
•Podáis, glorificadle
•Respete de Israel la descendencia
»A1 Señor que del pobre con desvío
»No deshecho el clamor, y en su demencia
•Encuentra el ruego mió
«Dulce condescendencia,
*Y en su rostro benigna complacencia.»
En tan innumerable
Asamblea de pueblos á mí unidos,
Tuyas serán las alabanzas mías,
Y mis votos allí serán cumplidos
En la presencia amable
De los que con tu santo temor guias.
Los pobres comerán y satisfechos
Serán hasta la hartura:
Los que del Señor buscan la dulzura
Lo alabarán, y dentro de sus pechos
La suave comida
0.
Por siglos ya sin íin les dará vida.
De todos los confines de la tierra
Volverán en su acuerdo convertidos
A su Señor, los ciegos moradores*
Y todos le serán adoradores
Que es de Dios el supremo señorío
Y no hay nación de su dominio exenta.
Los príncipes de grande poderío
— 97 —
Postrados con fé atenta
Su manjar comerán. A los mortales
Todos, llegará el día
De rendirse á su voz. Con El en tanto
Vivirá el alma mia
P o r siglos eternales,
Y mis hijos leales
Atenderán á su servicio santo.
En la feliz generación futura
Será annnciado á toda criatura
El Señor; su justicia bienhechora
Anunciará también la voz sonora
De los cielos al pueblo ya íercano
A nacer, exigido por su mano.

G. Carvajal.

Eí siguiente, debido al inimitable m aestro P . L. de


León que se refiere al cautiverio de los judíos, es tam ­
bién una de las mas bellas composiciones que han sa­
lido de la pluma del primero de nuestros poetas mis-
ticos

SALMO 136.

S u p er ilum ina.

Cuando presos pasamos


Los rios de Babilonia sollozando.
— 98 —
Un rato nos sentamos
A descansar llorando
De ti dulce Sion, nos acordando.
Alli de descontentos
Colgamos de los sauces levantados
Los dulces instrum entos
.Que en Sion acordados
Solían tañer á Dios salmos sagrados.
Colgárnosles de enojo
De ver que aquellas bárbaras naciones.
Tuviesen cruel antojo
De oir cantar canciones
A quien hacen llorar mil sinrazones
Ellos corno se vieron
Cerca de Babilonia, en su región;
Canta y tañe, dijeron
y no cualquier canción
Sino uno de los cantos de Sion.
Con amargos extremos
Les respondimos.— «Presos en cadena
¿Nos mandais que cantemos
Salmos, en tierra agena
De Dios y de toda cosa buena?
Si yo m ientras viviere
De tí Jerusalem no me acordara
Do quiera que estuviere
Que ausente me hallare
De mi me olvide y o , si te olvidare.
Si en tal prisión y mengua
Puesto, por mi canción fuera cantada
— 99 —
La voz ronca y la lengua ,
Al paladar pegada
Quede de haber cantado castigada.
Si tuviere contento '
Sin Lí Sion, mi bien y mi alegría
Con áspero tormento
Pague el placer de un día
Con mil años de pena el alma mia
Ten, ¡oh Señor! memoria
De los hijos de Edon en la alegría
De tu ciudad y gloría,
Vengando en aquel dia
Su furia, crueldad y tiranía.
Castiga estos feroces
Guerreros, que venciendo no contentos
Dicen á grandes voces
¡Derribadlos cimientos,
Asolad, asolad los fundamentos!
¡Oh Babilonia triste,
Dichoso el que te diere el justo pago
Del mal que nos hiciste
Y dijera:— «Yo hago
En nombre.de Sion aqueste estrago !»
Y en la justa venganza
Mas bendito será, quien mas llevare
Por rigor la matanza,
A los niños que hallare
Con piedras sin piedad despedazare.

F . L. de L eó n .
V.

La ley de gracia.—El nacimicato del


Salvador*

Acercábase ya la plenitud de los tiempos: iban á cum­


plirse las setenta semanas de Daniel y el Mesías prom e­
tido y anunciado por los profetas se hallaba próximo
á realizar su divina misión. Las naciones 1c esperaban,
y particularmente los judíos creían en la proximidad de
su llegada: por eso primeramente le confundieron cou
el Bautiáta y fueron á preguntar á este si era él efecti­
vamente el Redentor; por eso también despues reci­
bieron en Jerusalem á Nuestro Señor con palmas y r a ­
mos y en medio de entusiastas aclamaciones.
Sin embargo, aquel Rey poderoso de Israel, aquel
Monarca, cuya grandeza no era comparable á la de los
mayores monarcas del mundo, no iba á nacer entre la
opulencia y el fausto, ni en dorados palacios, ni en ri­
quísimos pañales; sino en un pobre portal, expuesto á
todas las inclemencias del tiempo y combatido por la
naturaleza misma de quien era supremo legislador;
¡grandeza incomparable, humildad desconocida, miste-
— 102 —
rio incomprensible, ante e] cual nuestra pequenez no
puede hallar explicación suficiente!
Y al encarnar en la humana naturaleza el eterno Yer­
bo; al descender á esta morada de aflicción y tormentos,
elige también las mas humildes personas para poderles
dar el dictado de padres en la terrenal morada. El
Santo Patriarca, el honrado carpintero de Nazareth, es
el destinado por el Eterno para ser el esposo en la tier­
ra, de aquella Virgen sin mancilla, de aquella Santísima
doncella y al mismo tiempo Madre y Señora Nuestra,
concebida sin mancha del original pecado y á quien el
Eterno habia destinado para ser también la co-redes-
tora del género humano.
¡Gloria, repiten los cielos y la tierra!— ¡Gloria áDios
en las alturas! El esperado de las -naciones, el Monar­
ca de la casa de David, el Rey de Israel, el Mesías p ro ­
metido, anunciado por los Profetas, ha venido al mun­
do. El anciano Simeón ha tenido la dicha de recibirle
en: sus brazos antes de morir, como Moisés tuvo la fe­
licidad de ver la tierra prometida antes de exhalar su
postrer aliento: Ana la sacerdotisa, le ha visto tam bién
en los últimos años de su vida: los magos de la Persia,
conducidos por una misteriosa estrella, han venido á
adorarle y á ofrecerle preciosos dones en el miserable
establo en que ha nacido: los pastores de Belen, á
quienes un ángel ba anunciado tan grata nueva, han
venido á verle y á presentarle sus rústicas y sencillas
ofrendas. El mundo entero se ha regocijado á su vista*
y los justos de! seno de Abraham han gozado de inefa­
ble alegría al sentir aproximarse su santo advenimiento.
— 105 —
¡Regocijaos hijos de Israel! La redención del género
humano va á verificarse: las sagrarlas profecías, van á
tener su exacto cumplimiento. El tierno Infante y su di­
vina Madre, son los que van á quebrantar la cabeza de
la infernal serpiente. ¡Regocijaos, cielos y tierra pues
ha venido al mundo el Mesías prometido, el libertador
deí género humano!
En aquel pobre portal, en aquel mísero albergue es
donde tiene principio tan grande obra; donde va á co­
menzar la realización de tan alto misterio. Los pobres
y los humildes son los primeros que se llegan á adorar
al Señor, porque de ellos es la bienaventuranza y el
reino de los cielos. Y en aquellas sencillas canciones,
en aquellas puras alegrías, parece que se reproducen
otra vez los sublimes goces de la edad de la inocencia.
[Felices, paslorcillos de Belen! ¡Cuán pura fue la ale­
gría de vuestros corazones al postraros ante aquel tier­
no Niño, ante aquel inocente cordero destinado á qui­
tar los pecados del mundo! ¡Cuán sencilla y adecuada
la expresión de vuestras alabanzas! ¡Cuán bellos vues­
tros sencillos cantares con que saludabais la .llegada
del Mesías! ¿Qué lengua podrá im itar vuestras inocen­
tes expresiones, vuestra sencillez y vuestro cariñoso
afan por ver á aquel Supremo Rey de reyes?
Oigamos algunas de las imitaciones de aquellas tier­
nas y sentidas canciones, que fueron sin duda los
cánticos de alabanza de tan sencillas gentes:
— 104 —

AL NACIMIENTO DEL SALTADOR.

Villancicos.

Viene en el invierno
La primavera,
Venga enhorabuena;
Viene á media noche
La aurora florida
Í3ea bienvenida.

Albricias zagales
Que nacido ha
El mas bello niño
De nuestro lugar:
El que al hombre preso
Viene á libertar;
Y este ea Paraíso
Del segundo Adán.
El soldado fuerte
Diestro capí tan,
Que de los abismos
— 105 —
Muerto triunfará;
Por quien Eva en Av«
Se pudo mudar
Para que Dios coma;
¡Oh fénix manjar!
El príncipe noble
De la casa real,
De David pimpollo
Fruto de Abraham;
¡Que de profecías
Escritas están
Que en la tierra ingrata
El Niño ha de obrar! ■
Su rostro divino
Quisiera pintar
Mas los seralines
Apenas podrán.
Su cabello de oro,
Frente de cristal,
Cada eeja suya
Iris celestial;
Sus ojos estrellas
Y nortes del m ar,
O soles que el cielo
Siempre lian de alumbrar;
En sus dos megillas
Compitiendo están
Clavel yjazm in
Con gloriosa paz;
Su boca es de háeaf
ÁLBUM. 8
— 40G —
Que perlas dará
Entre los dos labios
De fino coral.
Parió una doncella
A raste humilde Isaac
Que al monte en sus hombros
Leña llevará:
Virgen cuya planta
Fuerte ha de pisar
El cuello soborbio
Del vil Leviatan;
Judit invencible,
Ester en piedad,
Hermosa Raquel
Y casta Abisag.
¡Ay Dios, quien le viera
En aquel portal
Producir el trigo
Para darnos pañí
Que á no conocer
Al Dios de Judá
P or Dios le adorara,
Tal es su beldad.
Seguidme pastores,
Vamos á besar
Los piés á la Reina
Y Rey celestial.
Yo toco el salterio,
Celia tocará
Su adufe, y albogues
— 107 —
Toque el buen Pascual.
-Sus perlas hermosas
Vamos á enjugar.
V al niño de perlas
Alegres cantad.
«Zagalejos venid á Celen,
Que nos dá en invierno el abril
A media noche dos albas
Y en una flor, ñores mil.»

C . G óm ez T e j a d a .

AL JESUS*

No lloréis mis ojos,


Niño Dios, callad
¿Que si llora el cielo
Quién podrá cantar? .
Si de hielo y frío
Niño Dios, lloráis
Turbárase el ciclo
Con tal tempestad;
Serenad los soles
Y el hielo podrá
Deshacer los hielos
Que os hacen llorar.
— 108 —
Cantarán los hom bres
E n la tierra paz:
¡Que si llora el cielo
Quién pod rá cantar?
V uestra m adre herm osa
Que cantando está
L lorará tam bién
Si ye que lloráis.
O es fuego, ó es frió
L a causa que os dan:
Si es am or, mis ojos
Muy pequeño am ais;
Enjugad las perlas
Nácar celestial;
¿Que si llora el cielo
Quién podrá cantar?
Los angeles bellos
Cantan que Ies dais
A los cielos gloria
Y á la tierra paz.
De aquestas m ontañas
D escendiendo ván
P asto res, cantando
P o r daros solaz:
Niño de m is ojos
Ea, no haya m as;
Que si llora el cielo
lQuién podrá cantar?

L o pe de Vega.
—. 109 —
Los altos m isterios que la encarnación del Verbo en ­
cierra, están adm irablem ente presentidos por algunos
de n uestros mas esclarecidos poetas, dem ostrando bajo
la form a de una com posicion sencilla elevadísimos
pensam ientos. P udiéram os citar en corroboracion de
cuanto decimos, m uchos trozos del Cancionero de
Ubeda, de los Conceptos espirituales de Alfonso de
L edesm a, del Nuevo j a r d í n de flores divinas de Alfonso
de Bonilla y otros m uchos esc rito re s, gloria de n ues­
tra literatura sagrada. Mas como solo nos proponem os
en .nuestro libro hacer despertar la afición al estudio
de las bellezas literarias, que, en el género religioso se
encuentran en nuestros autores clásicos, darem os, para
que nuestros lectores form en una idea aproxim ada al­
guna m uestra de ellas.
Véase el ingenioso diálogo siguiente que se figura
en tre dos pastores:

— ¿Qué hora es Gil?—Saberlo has


P or el sol; sin faltar nada;
La una, por Dios, es dada.
— ¿Sol de noche?— Loco estás.
— No te m aravilles Blás,
D eque el sol salga á deshora,
Pues por m ostrar esta hora
Diez lineas ha vuelto atrás,
— ¿Dime Gil, quién es patente
E sta hora peregrina?
— Una palabra divina
E ngendrada eternam ente.
— 110 —

— ¿Pues quién dio, no me dirás


Esta palabra engendrada?
— P o r el padre Dios, fuédada
— Pues ¿no tuvo que dar mas?.
— N itu v o , ni pudo Bliís:
. Que esta es el sol y es la hora,
Que por dar luz á.deshora
Diez lineas ha vuelto atrás.
— ¿Y en reloj tan peregrino
No hay som bra que lo señale?
— Del m ism o sol som bra sale
•Que es su espíritu divino.
— ¿Y este bello sol de hoy m as -
Hará, de noche jornada?
— Si: que es la noche acabada.
.— ¿No ha de anochecer jamás?
— Ya os nuestra la noche, Blás
Porque el sol que en carne llora
P ara nacer á deshora
Diez lineas ha vuelto atrá s.

A. de B o n il l a *

La sutileza de con cep to s,de la anterior com posicion


en que se revela un profundo teólogo, hállanse ta m ­
bién en otras del mismo género. La siguiente es sum a­
m ente delicada, y m erece citarse como una de las m e­
jores que nuestros antiguos poetas han escrito bajo es­
ta forma, acerca del nacim iento del Salvador..
— 111 —
—¿Niño Dias, quién os dá guerra?
¿Quién os hace ansí llorar?
— Amores me han de m atar
P or ellos vengo á la tierra.
— ¿Si venís, preso de am or
Como estáis, mi Dios, llorando?
— Estoyme considerando
Las ansias del pecador.
— Muy gran m isterio se encierra
Mi Dios en vuestro llorar.
— Sí: que am or me ha de m atar
Y p o r él vengo á la tierra.
— ¿Frió, lágrim as, pobreza
Tenéis mi Dios, Soberano?
— P or d ar al linage humano
Calor, placer y riqueza. ,
— Amor, mi Dios os d a t ie r r a
A m or os trajo a penar, ,
A m or os hace llo ra r,
Am or os tiene en la tierra.
— P or am or vengo del cielo,
Do estoy con m i E terno P adre,
Y de la Y írgen mi Madre
P o r am or nazco en ei suelo.
A m ores me hacen ia guerra
Y me hacen tanto am ar
Que al cabo m e han de m atar
Pues me han traído á la tierra.

U deda-
— 112 —
T erm inarem os este punto, este alto misterio» en cu­
ya alabanza tanto han brillado n u estro s prim eros au­
to res, insertando la siguiente com posición «n form a
de égloga del renom brado poeta que m ereció el dictado
de F énix de lo$ ingenios.

JGLOGA IN LOOR DE MARIA SANTISIMA Y DEL NIÑO JESUS.

HELIO \ LAURO.

. Lauro.

A tí por siem pre, celestial M aría,


A tí m i voz y m i instrum ento cante,
Esforzando su rústica arm onía.

Helio.

¿A quién invocaré que me levante


D« la bajeza del estilo mió
En alabanza del divino Infante?

Lauro.

¿Será p arte Talia ó la aliña Clio


— 113 —
P ara cantar de tí? Mas sen hum anas,
Y del favor hum ano me desvío.

Dclio.

No quiero yo invocar m usas profanas,


Sino á tu Madre, que es divina m usa,
Tesoro de las gracias soberanas.

Lauro.

Tu luz, divino Infante, no se excusa,


P ues canto de la Virgen, que te encierra,'
E n quien toda la gracia está difusa.

Relio.

Va te espera, Señor, la hum ilde tierra,


Dichoso el dia, que del seno santo
Salgas á ser la paz de nuestra guerra.

Lauro.

¿Virgen, qué te dirá m i hum ilde canto?


D iráque eres oliva, h uerto y fu e n te ,
Del cielo gloria y del infierno espanto.

Delio*

Niño, que agora luz indeficiente


—■ 114 —
Estás en los cristales de María,
A la fé de las almas trasp aren te.

Lftui'o.

Virgen mas clara que la luz del día,


P uerta del cielo, celestial aurora,
De los m ortales cam pos alegría.

O d io .

N iño, que im aginado me enam ora,


Cifrado en la virgínea esfera bnsve,
Que te m erece y te sustenta agora.

Lauro.

Virgen, mas pura que la blanca nieve.


Que de la boca procedió del au stro ,
Cuando en los m ontes la condensa y llueve.

Delio.

Niño, que en ese intacto y virgen claustro


Te coronan m as luces que á la estrella,
Que vá delante del luciente plaustro;

Lauro.

Virgen, mas que la luna casta y bella>


— 115 —
Palm a sobre los m ontes idum eos,
Que el sol corona y que se T is te dé e lla .

Delio.

Niño David, que á tantos filisteos


Has de co rtar el cuello con su espada
Y consagrar al templo sus trofeos.

Lauro.

P erdona si m i lira mal tem plada,


O Virgen, no celebra tu h erm osura,
De los divinos coros celebrada.

Delio.

P erd o na, N iño, tú por la blandura ■. ■■


Y divina hum ildad con que has cifrado.
Tu sol en esa luna b l a n c a ^ pura., ;

L au ro .

O V irgen, como .esto y enam orado,


No es mucho que me falten las ra z o n e s, .
Que es propio á un grande am or hablar turbado.

# Delio.

Infante robador de corazones, ¡ ;


— 116
Allá te llevas donde estás, el mió,
Mira, m i dulce bien, donde le pones.

Lauro.

Mis suspiros y lágrim as te envío,


Pastora de la fértil P a le stin a ,
Cándida piel del celestial rocío.

Delio.

¡O quién cuando pasaba peregrina


P o r este prado al m onte de Judea,
Viera á tu Madre celestial, divina!

Lauro.

¡Purpúrea V irgen, donde Dios em plea


Su saber y poder, quién tan dichoso
Te viera al paso de su pobre aldeal

Delio.

Lauro, no dudes que de aquel frondoso


L aurel las ram as, y las verdes bacas
S em brára por el suelo venturoso.

Lauro.

Estáis agora, cordilleras, flacas,


— 117 —
No hay yerba, que los aires del invierno
A rranca á los rediles las estacas.

Helio.

Yo le buscára un corderillo tierno,


Que aun retozar no sabe á quien la cria,
P ara la Madre del Cordero eterno. -

Lauro.

Yo blanca leche de una oveja m ia,


Que en la yerba olorosa la cosiera,
Que por buena se llam a de Maria,

Helio.

Yo conservados nísperos tru jera


E n paja y heno que en el heno y paja
E l m ando el fruto de su vientre espera.

Lauro.

U nqueao tengo yo que en m i tinaja


Aceite incorruptible le conserva,
Que en su hum edad la sequedad ataja.

Delio.

P uesta en las flechas ponzoñosa yerba


lis —

Saliera al m onte yo, que no muy lejos


Tiene su albergue una pintada cierva.

rain»o.

No faltarán los tímirlos conejos


O algunos tordos, m irlas y zorzales,-
Que vuelan por las hayas y los tejos.

Helio.

¡0 que trujera yo de los zarzales,


Que cercan esta fuente y de aquel m onte
M adroños, como cuentas de co rales....!

L a u ro »

No m ereció tu luz nuestro horizonte,


Celosía del sol* herm osa Niña,
Que m ucho que á otra cielo se trasm onte.

Helio.

Rosa de Jericq, de Engadí viña»


D erram a ya ese bálsam o precioso,
Que de olor celestial los prados ciña.

L au ro .

Dános, ó palm a, ese racim o herm oso,


— 110 —
Dános, ó fuente, ese cristal divino,
Dános, abeja, ese panal sabroso.

H e lio .

¿Qué la llena de gracia, Lauro, vino


P o r nuestro valle? ¿Qué aquí estuvo el cielo
Y qué no le salim os al camino? ■

Lauro,

¿Cómo daría plácido consuelo


A su prim a Isabel y á sus pastores
La que al Dios dol altura trujo al su*lo?

Helio.

¡Ay, Lauro, qué dulcísim os am ores


Debieron de decirle á dulces coros,
Dando á s u s plantas lágrim as y flores!

L au ro .

Que la com arca tenga dos tesoros


Como María y este Niño santo;
¿Y no se rom pan sus te rrestre s poros?

Helio.

Produzca el lirio, el nardo y el acanto


— 120 —

E n vez de coloquíntidas el suelo,


Que m ereció, pastores, favor tanto.

Lauro.

D iscurra el tiem po al revolver del cielo,


T raiga los siglos que no habrá ninguno
De tanta dicha ni m ayor consuelo,
A unque entre todos ellos form en uno.

L ope d e V e g a .
V I.

|La Redención.—El Calvario.

¡Sublimes acentos del P rofeta, santa inspiración que-


ilum inó el espíritu de los que pudieron sondear el p o r­
venir; celestiales coros de las etéreas m oradas, resonad
en este m om ento y sed fieles interpretes de las em ocio­
nes que agitan al ulma ante la com tem placion del m is­
terio que se acabó de realizar en la cum bre del Gól-
gotha!
M isterio de inefable am or, de grandeza incom parable,
de bondad sin lím ites; m isterio de la om nipotencia su­
m a sobre el cual nunca m editará bastante el hom bre.
Acto de sublim e am or de la bondad divina, que debe
causar nuestro asom bró y m over n u estro em pedernido
corazon continuam ente hacia A quel que m urió en una
cruz p ara redim ir los pecados del m u n d o .
El Mesías prom etido, el Salvador esperado habia ve­
nido al m undo y enseñado lá ley de gracia, la buena
nueva, por la cual suspiraban todas las naciones. H abia
proclam ado la unidad del género hum ano, habia ense­
ñado que todos los hom bres eran herm anos, como h i­
jos de un mismo P adre celestial, les habia excitado
ALBUJf, 0
— 122 —
á am arse unos á otros; habia dado consuelo á los afligi­
dos, esperanza á los oprimido?, vista & los ciegos, vida
á los m uertos y muchas pruebas ostensibles de la san­
tidad de su d o c trin a ; dem ostrando con m ultitu d de
prodigios que El era el unigénito Hijo del E terno, el
Yerbo divino, hecho carne que venia á cum plir sobre
la tierra la m isión que ab (vterno plugo á la Suprem a
sabiduría que debiera realizar.
El m undo sin em bargo, buscó el suplicio mas atroz
y afrentoso para derram ar la sangre del ju sto , y pagó
con la ingratitud m as horrenda los beneficios que reci­
bía del Señor. La pasión y m uerte de N uestro S eñor
Jesucristo es testim onio fehaciente de cuan ingrato es
el hom bre, y cómo al separarse de Dios, com ete el cri­
m en mas horrible que puede concebirse. ¿Qué lengua
puede referir sin estrem ecerse el sangriento espectáculo
del Calvario?
Escuchem os al prim ero de nuestros escritores m ís­
tic o s, cuyas palabras son las mas elocuentes que p u ­
diéram os escoger.
«Alábenos Señor los cielos, y los ángeles prediquen
siem pre vuestras m aravillas. ¿Qué necesidad teníades
vos de nuestros bienes? ¿Ni qué perjuicio-os venía de
n u estro s males? ¿Si pecases, dice Jo b , qué m al le h a­
rás? Y si se m ultiplicasen tu s m aldades, ¿en qué le d a­
ñarás? ¿Y si bien hicieses? ¿qué le d a rá s, ó qué podrá
E l recibir de tu s manos? Pues aquel Dios tan rico y tan
exento de m alas, aquel, cuyas riquezas, cuyo poder,
cuya sabiduría ni puede crecer ni ser m as'de lo que es:
aquel que ni antas de la creación del m undo, ni agora
— 125 —
despues de criado es m ayor ni m enor de lo que era:
ni porque todos los ángeles y hom bres se salven y le
alaben es en sí mas h o n rad o , ni porque todos se con­
denen y le blasfem en menos glorioso: este tan gran Se­
ñor, no por necesidad, sino p o r caridad, siendo nos­
otros sus enem igos y traidores, tuvo por bien de incli­
nar los cielos de su grandeza, y descender á este lugar
de destierro y vestirse de nuestra m ortalidad, y tom ar
sobre sí todas nuestras deudas, y padecer por ellas
los m ayores torm entos que jam ás se padecieron ni
padecerán. P o r mí, Señor, naciste en un e s ta b lo , por
mí fuiste reclinad» en un pesebre, por mí circundado
al octavo d ia, por m í desterrado en Egipto; y p o r m í,
finalm ente, perseguido y m altratado con infinitas m a­
neras de injurias. P or mí ayunaste, velaste, cam inas­
te , su d aste, lloraste y probaste por esperiencia todos
los malea que habia m erecido mi culpa; no siendo Tú
el culpado sino el ofendido. P o r m í3 finalm ente, fuiste
p reso , presentado ante unos y otros tribunales y ju e ­
ces y ante ellos acusado, abofeteado, infam ado, escupi­
do, escarnecido, azotado, blasfem ado, m uerto y sepul­
tado; finalm ente, rem ediástem e m uriendo en una cruz
y acabando la vida en presencia de vuestra Santísim a
M adre, con tan grande pobreza que no tuvisteis una
sola gota de agua en la hora de vuestra m u e rte , y con
tan gran desam paro de todas las cosas, que de vuestro
P ad re m ism o fuistes desam parado. Pues ¿ q u e jo sa de
m ayor espanto que venir un Dios de tan grande m a­
jestad á acabar así la vida en un m adero con título de
malhechor?»
_ m —

Nada hallam os mas elocuente sobre este alto m iste­


rio de la Redención, que las palabras qne acabamos d&
citar. Los poetas cristianos de nuestra patria tam bién
han cantado con la mas elevada inspiración este gran
m isterio. Muchas y magníficas com posiciones pudiéra­
m os reproducir sobre este a s u n to ; vam os, sin em bar­
go , á elegir algunas de aquellas en que brille m as el
sentim iento religioso y la inspiración poética.

JLA MUERTE DE JESUS.

¿Y eres tú el que velando


La excelsa m ajestad en nube ard ie n te
F ulm inaste en Siná? Y el impío bando
Quu eleva contra ti la osada frente,
¿Es el que oyó m edroso
De tú rayo el estruendo fragoroso?
Mas ora abandonado
¡Ay! pendes sobre el-Gdlgotlia, y al cielo
Alzas gimiendo ro stl’° lastim ado;
Cubre tus bellos ojos m ortal velo,
Y su luz estinguida
E n am argo suspiro das la vida.
Así el am or lo ordena;
A mor mas poderoso que la m uerte;
P or el de la m aldad sufre la pena
— m —
El Dios de las v irtu d e s y león fuerte
Se ofrece al golpe fiero
Bajo el vellón del cándido cordero.
i Oh victim a preciosa
A nte siglos de siglos degollada!
Aun no ahuyentó la noche pavorosa
P or vez p rim e ra el alba nacarada
Y hostia del am or tierno
M oriste en los decretos del E terno.
tAy ¡Quién podrá m irarte
O paz, ó gloria del culpado mundo!
¿Qué pecho em pedernido-no se parte
Al golpe acerbo del dolor profundo
Yiendo que en la delicia
Del gran Jehová descarga su justicia?
¿Quién abrió los raudales
De esas sangrientas llagas am or mió?
¿Quién cubrió tus mejillas celestiales
De h o rro r y palidez? ¿Cuál trazo impío
A tu frente divina
-Ciñó corona de punzante espina?
Cesad, cesad, crueles;
Al santo perdonad, m uera el malvado;
-Si sois de un ju sto Dios m inistros fieles
Caiga la dura pena en el culpado:
Si la im piedad os guia
Y en la sangre os cebáis, verted la mia.
Mas ¡ay! que eres tú solo
X a victim a de paz que el hom bre espera:
Si del Oriente al escondido polo
— 126 —
Un m ar de sangre crim inal corriera,
Ante Dios irritado
No expiación, fuera pena del pecado*
Que no cuando del cielo
Su cólera en diluvios descendía,
Y á la maldad que dom inaba el suelo
Y á la s malvadas gentes envolvía
De la diestra potente
Depuso Sabaoth su espada ardiente.
Venció la excelsa cum bre
De los m ontes el agua vengadora,
El sol am ortecida la alba lum bre
Que el firm am ento rápido colora
P o r la esfera somb,ria
Cual pálido cadáver discurría.
Y no el ceno indignado
De su sem blante descogió el Eterno,
Mas ya, Dios de venganzas, tu hijo amado
Domador de la m uerte y del averno
Tu cólera infinita
E stinguir en su sangre solicita.
¿Oyes, oyes cuál clama;
«Padpe de am or, por qué me abandonaste?
Señor, extingue la funesta Uama
Que en tu furor al m undo derram aste,
De la acerba venganza
Que su fre el justo, nazca la esperanza.»
¿No veis como se apaga
E l rayo entre las m anos del potente?
Ya de la m uerte la tiniebla vaga
— 127 —
P o r el sem blante de .Tesus doliente,
Y su triste gemido
Oye el Dios de las iras com placido.
Ven, ángel de la m uerte,
Esgrim e, esgrim e la fulmínea espada,
Y el últim o suspiro del Dios fuerte
Que la hum ana m aldad deja expiada,
Suba al solio sagrado
Do vuelva en padre tierno al indignado.
Rasga tu seno, ó tierra;
Rom pe, oh tem plo Lu velo. M oribundo
Yace el Criador; m as la maldad aterra
Y u n grito de furor lanza el profundo:
M uere... gem id hum anos,
¡Todos en él pusisteis vuestras manos!

D. A. L ista*

Salutación tic Cristo á la cruz al


ponerla sobre sus hombros para mar­
char al Calvarlo*

«Ven estandarte de inm ortal m em oria,


Que has de triunfar del espantoso infierno,
Y, siem pre digno de alabanza y gloria,
F un darás en la Iglesia mi gobierno,
- 428 -
Y en el final juicio con victoria
U niversal y resplandor eterno
L ucirás, y entre nobles com pañías
De ilustres santos y en perpetuos dias...
Arbol de vida y árbol de la ciencia
Del mismo b ie n , y palma victoriosa !f
De donda cogerá con m as prudencia
Que Eva el fruto de am or, m i bella esposa,
Ven, que en tí m i suave Providencia
Som bra le ha de hacer m aravillosa.
P ara que ya descanse, ya se aliente,
H asta que á verme suba claram ente.
Ven, ¡oh sagrada cruz! dám e tus brazos
Que yo te doy con caridad los m io s,
Y te regalo con estrechos la z o s,
P ara m i fuertes, para el hom bre píos;
Y si á tu am or no bastan m is ab ra zo s,
Yo te prom eto de m i sangre ríos *
Con que lavada, y bella y dulce quedes,
Y rica al fin para ofrecer m ercedes.
Ven que en ti hollarán los pecadores
De infinita bondad la fuente abierta,
Y de gracia, dulzuras y favores
Los ju sto s franca la dichosa puerta,
Salud del m undo, el cielo resplandores,
Su triunfo D ios, su vida el hom bre cierta,
Ven, cruz, y vamos-» Dijo y recibióla
Con un beso de paz y levantóla.

H oí eda .
A JESUS*

SONETO,

Con sublime y heroica m ansedum bre


De un áspero m adero ensangrentado,
Pende Jesús, que escucha resignado
Los gritos de !a ciega m uchedum bre;
Pálido el sol por la celeste cum bre
Gira con negras nubes enlutado,
Que al ver al Criador crucificado.
Tem bló en los aires y perdió su lum bre.
Al exalar el último gemido,
La tierra vaciló sobre, su .asiento
Y el piélago lanzó ronco bram ido;
Murió Jesús á im pulsos del torm ento,
Mas de su m uerte triste y dolorida
Brotó el raudal de nuestra eterna vida.

F . D. de T e ja b a .

Al contem plar en aquel áspero m adero al sagrado


cuerpo del R edentor; al ver taladradas con agudos hier­
ro s aquellas delicadas carnes y d erram arse poco á poco
aquella preciosa sangre, ¡qué mucho que la naturaleza
entera se conmoviese, que se oscureciese el sol, tem -
_ 150 —

blára la tie rra y arrojara de su seno á los m uertos que


creyeron sin duda llegada la hora de com parecer ante
aq u el m ism o Juez que vendrá segunda vez lleno de
su explendor y gloria en aquel terrible dia de recom ­
pensas y castigos!
Los fariseos se estrem ecen asustados de su propia
obra; sus pontífices y sus sacerdotes se aterran á la vis­
ta de tantos prodigios; el m alhechor clavado en otra
cruz confiesa que aquel es el Dios verdadero é im plora
su m isericordia; el centurión se convierte, y em pieza á
verificarse tam bién la conversión del pueblo que ha
asistido al afrentoso suplicio. Y, ciertam ente, el ánim o
m as em pedernido, la conciencia m as endurecida debie­
ra conm overse á la vista de tan doloroso espectáculo,
de tan horrible m artirio, y al contem plar tantos m ila­
grosos sucesos que dabiin bien á conocer cuán ciegos
habían sido !os judíos al d ec reta rla m uerte del que ve­
nia á darnos la vida.
La c ru z , el m isterioso em blem a de la Redención,
debe ex c ita r en nosotros siem pre esos im pulsos del
am or divino que tan bien han pintado nuestros poetas
m ísticos y que se expresan en la siguiente cóm posicion:

SOLILOQUIO AMOROSO D i UN ALMA A BIOS.

Manso cordero ofendido


Puesto en una cruz por mi,
Que mil veces os vendí
— 131 —
Despues que fuistes vendido.
Dadme licencia, Señor,
P ara que deshecho en llanto,
Pueda en vuestro rostro santo
L lorar lágrim as de am or.
¿Es posible, vida m ia ,
Que tanto mal os causé?
¿Que os dejé? ¿que os olvidé,
Ya que vuestro am or sabia?
Tengo por dolor mas fuerte
Que el veros m uerto por mi,
El saber que os ofendí,
Cuando supe vuestra m uerte.
Que antes que yo la supiera,
Y doior tanto os causara,
Alguna disculpa hallara;
P ero despues no pudiera.
¡Ay de mi que sin razón
Pasé la flor de m is años
E n medio de los engaños
De aquella ciega afición!
¡Qué de locos desatinos
P o r m is sentidos pasaron,
M ientras que no me m iraron
Sol, vuestros ojos divinos!
Lejos anduve de vos,
H erm osura celestial,
Lejos, y llenos de mal,
Como quien vive sin Dios.
Mas no m e haber acercado
— 152 —
A ntes de. ahora sería,
Ver, que seguro os tenia,
Porque estabades clavado.
Que á fé que si yo supiera, .
Que os podiades h u ir,
Que yo os viniera á seguir
P rim ero que me perdiera.
¡O piedad desconocida
De mi loco desconcierto,
Que donde vos estáis m uerto,
E stá segura mi vida!
¿Pero quó fuera de m í,
Si me hubierades llam ado,
En m edio de mi pecado,
Al tribunal que ofendí?
Bendigo vuestra piedad
Pues me llam ais á que os quiera
Como si de m i tuviera
V uestro am or necesidad.
¿Vida m ía, vos á m í
En qué me habéis m enester,
Si á vos os debe mi sér,
Cuanto soy y cuanto fui?
¿Para qué puedo im portaros
Si soy lo que vost sabéis?
¿Que necesidad teneis?
¿Qué cielo tengo que claros?
¿Qué gloria buscáis aquí?
Que sin vos, mi bien eterno,
Todo parezco un infierno,
— 155 —
Mirad como entráis en m i. »
¿Pero quién puede igualar
A vuestro divino amor?
¿Cómo vos am ais, Señor*
Qué serafín puede amar?
Yo os amo, Dios soberano,
No como vos m ereceis,
Pero cuanto vos sabéis
Que cabe en sentido hum ano,
Hallo tanto que querer,
Y estoy ta n tierno por vos,
Que si pudiera ser Dios,
Os diera todo m i sér.
Toda el alm a de vos llena
Me saca <J.e m i, Señor,
Dejadme llorar de am or,
Como otras veces de pena.

Lope de V ega.

E n tre la sublim idad que encierra la gran expiación


que por el género hum ano se ofreció á p resta r el d iv i­
n o V erbo, deben llam ar m uy particularm ente n u e stra
atención y excitar n uestros se n tim ie n to s, las subli­
m es palabras pronunciadas por el R edentor, cuando ae
hallaba ya pendiente en la cruz, palabras de am or, de
te rn u ra sin lim ites, dirigidas ii su E terno P ad re, á su
S antísim a Madre que traspasada de dolor contem plaba
el horrendo espectáculo, á sus enem igos y á todo el gé­
nero hum ano; palabras .que solo u n Dios pudiera p ro -
— 134 —
nunciarlas en tan atribuladas m om entos. Estas palabras
han inspirado un bellísim o libro á un dignísim o Sacer­
dote é inspirado poeta m ístico, y las bellezas de que
abundan sus cantos nos m ueven á reproducir aquí al­
gunos'de sus magníficos trozos.

LAS SIETE PAL AURAS -

Dios m ió, Dios m ió, ¿p or qué me bas


desamparado?

E ra s e s ta , y con negra catadura


Y en tre aparato lóbrego é inniundo
D erram ando pesar, dando pavura,
Se levantan las som bras del profundo. 1
Ya á oscurecer; to rre n te s de am argura
D entro un instante in undarán el m undo,
Cierta señal de am enazar vecina,
Del m undo m ism o, la com pleta ruina.
Desparécese el sol; lejos se escucha
Del aquilón el lento rebram ido;
Yaga la luz con la tiniebla lu c h a ...
La noche vence; el dia ha sucum bido.
El estupor, la conm ocion es m ucha,
Y el pensam iento, im bécil, aterido,
Im agina que horrísono retum ba
Crim en horrendo en la sellada tum ba.
— 135 —
Y no en vano; en redor está sentada
Del Gólgotha, infeliz naturaleza,
M ustia, despavorida, am edrentada,
D esaliñado el m anto, y sin belleza;
La alam eda florida, em balsam ada,
Hoy vestida de abrojos y maleza
Da testim onio á ingrata criatura
De que perece quien la dio su hechura.
Todo es pavor. Las aves enm udecen,
Do quiera huyendo por buscar asilo;
T urbia el agua, las plantas languidecen;
El sauce llora, se lam enta el tilo,
P o r e) aire, fatídicos se m ecen
Con agitar horrible é intranquilo
E spectros m iH '^ue vomitando m iedo
So» de la P arca funeral rem edo.
E ra sesta; y el cuerpo que pendia,
Taladrado en la Cruz, aun respiraba;
Tanto mas era am arga la agonía,
Cuanto m as en Jesús se dilataba.
Ora los lábios sin hablar movia,
Suspiros ora el corazon ahogaba;
Sangre vertiendo sin cesar sus venas.
Rotas al choque de insondables penas.
E ra sesta, y Jesús agonizante
Blanco de los satánicos enojos,
Y erta la frente, lívido el sem blante,
Cárdenos lábios y eclipsados ojos,
Se abism a en esterto r; esposo am ante,
Quiere legar sus últim os despojos,
— 136 —
Y no hay á quien, porque de polo á polo
Solo se encuentra, se contrista solo.
«Voy á m orir, y com pasion no encuentro;.
»Yoy á espirar, en su aflicción exclam a,..
»No hay corazon en m í; del pecho dentro
«Le ha consum ido inestinguible llam a.
»Ya no soy hom bre; fuera de m i centro,
»En hálitos m i ser se desparram a,
»Y ayes eternos m i esperanza anegan
aQue de m i P adre ante el um bral no llegan.
»Voy á espirar. Acércase el m om ento,
»E1 últim o m om ento de una vida
»Que en su m iseria alim entó al ham briento,
»Que del dolor cicatrizó la herida.
»Yoy á espirar, y en m i agoní^ siento
»Que éste me deja cuando aquel me olvida,
»Sin que á salvarm e en el aprisco hum ano
»Zagal encuentre que me dé la mano,
»De enem igos do quier estoy cercado
»Y em bestido de indóm itos novillos;
«Lobo rapaz en mi redil ha entrado
«Devorando m is tiernos cabritillos.
»¿Dónde mi m adre, ni mí Juan am ado?... .
«Huyeron mis A póstoles sencillos,
»Y contra m í de enm arañados cerros
sT rahilla viene de rabiosos perros.
«Desmayó el corazon, y cual la cera
»Se d errite arrim ada ju n to al fuego
«Mis fuerzas se extinguieron, no hay quien quiera
nCalmar mis ansias, escuchar m i ruego.
— 157 —
»Débil cansancio á m i vigor su p e ra ...
«Caerán mis ca rn es... pesaráam e luego...
»Y el impío Judá que m e escarnece,
»Cuanto padezco mas, mas enloquece.
»En mi ya no hay hum ana catadura;
»Por los golpes mis m iem bros m acerados.
»Sin sonido mi voz, mi vista oscura,
«Rotas m is palm as y inis piés clavados.
»Mis huesos suspendidos en la altura,
»Sin articulación, descoyuntados...
«Y en la angustia m ortal que me anonada,
«Seca m i lengua, al paladar pegada.
»Mc cansé de g rita r. Ronco he quedado,
»Y al im plorar socorro nó me oyeron.
«Siempre en el rostro de mi Dios am ado
«Clavadas m is pupilas estuvieron.
»P or encrespadas olas acosado
»Que el líbre respirar ya m e im pidieron,
«Busqué la tierra que pisar debia,
»Y el pié tras ella sin valor se hundía.
«Cargué de mi bondad por un exceso,
«Sobre mis hom bros de la culpa agena
«El ofensivo incalculable peso;
s A rranqué de sus m anos la cadena
«Que al hom bre tuvo en su m iseria preso,
«Ese hom bre que hoy me juzga y me condena;
»Y ahora, Señor, mis fuerzas agotadas,
•Llam o á tu s puertas cuando están cerradas.»
Tal Jesús, desangrado y anhelante,
De cuanto via en rededor pensaba,
ALBUM. 10
— 158 —
Do quier despavorido su sem blante
Tornó á m irar, el desconsuelo hallaba;
Pero enarcando el pecho palpitante
Al esfuerzo postrer que le quedaba ,
«Dios mió, grita en su sudor bañado;
»Dios mío ¿porque m e has desam parado?
No de otro modo en el confin sereno
P eñas, m ontes y arbustos conm oviera
Estallando el fragor del ronco tru en o ,
Cual la voz de Jesús extre m eciera
E l Calvario de h o rro r, de sangre lleno,
Mas brillantes que el rayo refulgiera,
Chispearon diabólicos cien ojos
Con el triunfo al soñar de sus enojos.
Como en el golfo ha poco bonancible,
Jugueteaban trasparentes olas,
Y en bergantín intrépido invencible,
Coronado de gayas banderolas,
Todo fuera solaz, viento apacible,
Y conciertos y paz y barcarolas,
H asta que ya anunciada la torm enta,
Crece el m urm ullo y el te rro r aum enta:
Así se dibujara en el Calvario
Tem pestad que terrible am enazaba;
Y en el que hace un m om ento, solitario
E l tum ulto apiñándose observaba,
Y solo algún gem ido funerario
Roto p o r un insulto se escuchaba,
H om bres, niños, m ujeres que se agitan,
Van y vienen, se afanan, correp, g ritan.
— 159 —
Y ondulando divisas y ropages,
Poco á poco atraídos se agruparon;
Y corao caravana de salvajes
E n rededor del árbol se apiñaron,
No á trib u ta r rendidos hom enajes
Al sol á cuya luz se calentaron,
Sino á atizar con insolente lábio,
La hoguera ardiente del injusto agravio.
«Vedle, exclam an, allí que acobardado,
»Porque no puede m3s, invoca al cielo;
«Su Dios sin com pasion le ha abandonado,
»Y está sordo á las voces de su anhelo.
«¡Acabemos con El! Hem os triunfado;
»Ni rem isión alcance, ni haya duelo,
®¿Dónde está .su poder, cuando así lucha
«M endigandofavor, y nadie escucha.»
Y feroces epítetos siguieron,
Y de Jesús los ojos se cerraron,
Y á lo que sus oidos percibieron
Sus lábios de coral no contestaron.
Unas gentes m irarle no quisieron,
Y otras gentes ansiosas le m iraron;
Que Lodos, cuanto m as le escarnecían '
Y le insultaban m as, mas le tem ían.
¡Alerta, m iserables pecadores!
Ya satisfecha* la trem enda ira
Del Dios de A braham , á costa de dolores:
Se alza glorioso, triunfador se m ira
E l Arbol de la Cruz seco y sin flores,
M ortales, acudid; Jesús espira,
— 140 —
Y A ltar de expiación y do indulgencia»
Allí su sangre nos dará en herencia.
Esa sangre fructífera, abundosa,
Que ingrata m ano á derram ar se atreve,
Esa sangre sublim e, m isteriosa,
Maná divino,* que en el airna Hueve.
Sangre al que la recoje muy preciosa...
Sangre de salvación al quo la beb e...
Sangre que m ana de m ortal herida
Para sellarnos con eterna vida.
S angre, sí, que saltando al firm am ento,
Para nosotros hasta allí cerrado,
Será pan celestial para el ham briento
P or Dios, en sus dolores, am asado;
Balsámico licor para el sediento;
Suma felicidad al desdichado;
Antorcha del m ortal que clame luego
P orque, m irando al m undo, quedó ciego.
Cumple como hombre., al exhalar su boca
Las quejas, al m orir, de su abandono;
Se qní.\j;¡ á Dios, pero á su Dios no invoca,
E stá á su diesLra, su luciente trono.
Todas sus ansias ju n to á sí convoca;
Quéjase allí de nuestro ciego encono;
— «¿Dios m ió!»— dice; y repitiólo el viento,
Doblando su ru m o r el sentim iento. ■
«Dios mió, ¿por qué me has desamparado?
»Si aun resta que sufrir, ¿dónde te fuiste?
nSobre mí tus venganzas has lanzado;
»Tu airada mano sobre mí tendiste,
_ 141 —

»Y en el desierto páram o he quedado


^H uérfano, solo, m oribundo y triste ,
»En esta Cruz loa hom bres me pusieron
»Y al oirm e clam ar ensordecieron.»
, Y el N azareno, de dolor transido,
En la cum bre del G ólgotba se agita,
Vuelve á clam ar; su plañidor gemido
Al que atento y piadoso le m edita,
Es el eco de un hijo condolido;
Que en el hum ano corazon g rav ita,..
[Bella lección donde aprender debemos
A llam ar á Josus, cuando espiremos!

D. F , Velazquez.

E n tre estas sublim es palabras que el Salvador pro­


nunció pendiente del santo leño de la Cruz, debe p ar­
ticularm ente fijarse el cristiano en las que dirigió á
su Santísim a M adre, que en aquel angustioso m om ento
veia traspasado su corazon con la dura espada como
Sim eón profetizó. ¡La m adre m as cariñosa y tiern a,
modelo de m adres, la que co nstantem ente se habia
desvelado por los cuidados que la inspiraba su divino
Hijo tuvo los agudísimos dolores de ver aquel horrible
suplicio, y de seguir en todos sus horrorosos detalles
la sangrienta escena que se verificó en la cum bre del
Gólgotha!
Si al corazon m as duro traspasa el espectáculo de
tan doloroso cuadro, ¿cómo podrem os figurarnos el
d o lo r que sintió el am orosísim o corazon de Marist?
— H2 —

¿Qué palabra p odrá explicar lo que padeció la Santísim a


Y irgen, en ei m om ento en que depositaron en sus bra­
zos aquel sagrado cuerpo tan cruelm ente lacerado y
m altratado p o r los torm entos. «¡Oh ángeles de paz»
dice el V. G ranada describiendo este¡m om ento, llorad
con esta sagrada Y írgen; llorad cielos y llorad estrellas
de la m añana, y todas las criaturas acom pañad el llanto
de M aría!... jOh dulce Madre!— ¿Es éste, por ventura
vuestro dulcísim o Ilijo? ¿Es éste el que concebísteis
con tan ta gloría y disteis á luz con tan ta alegría? Pues
¿qué se hicieron vuestros gozos pasados? ¿Dónde se
fueron vuestras alegrías antiguas? ¿Dónde está aquel
espejo de h erm osura en que os mirábais?»

JEI llanto «le la Virgen, ó traducción del


himno, Stabat llatcr.

La Madre piadosa estaba


Junto á la Cruz, y lloraba
M ientras el Ilijo pendia,
Cuya alma triste y llorosa,
T raspasada y dolorosa
F iero cuchillo tenia.
jOh cuán triste! ¡Oh cuán aflitaf
Se vio la Madre bendita
De tantos torm entos llena,
— 143 —
Cuando triste contem plaba,
Y dolorosa m iraba
Del Hijo amado la pena.
¿Y cuál hom bre no llorara,
S i la M adre contem plara
De Cristo en tanto dolor?
¿Y quién no se en tristeciera,
Piadosa M adre, si os viera
S ujeta á tanto rigor?
P o r los pecados del m undo
Vio á Jesús en tan profundo
T orm ento la dulce Madre;
Y m uriendo el Hijo am ado,
Que rindió desam parado
El espíritu á su P adre.
¡Oh Madre, fuente de am or,
Hazm e sen tir tu dolor,
P ara que llore contigo!
Y que por mi Cristo amado
Mi corazon abrasado
Mas viva en él, que conmigo;
Y porque á am arle me aním e,
E n m i corazon im prim e
L as llagas que tuvo en sí,
Y de tu Hijo, Señora,
Divide conm igo ahora
L as que padeció por mí.
Hazme contigo llorar,
Y de veras lastim ar
De sus penas, m ientras vi v o ;
— m —

Porque acom pañar deseo


En la Cruz, donde le veo,
Tu corazon com pasivo.
Virgen de Vírgenes santas.
L lore yo con ansias tantas,
Que el llanto dulce me sea,
Porque su pasión y m uerte
Tenga en mi alma de suerte,
Que siem pre sus penas vea:
Haz que su Cruz me enam ore
Y que en olla viva y m ore,
De m i fé y am or indicio,
Porque me inflame y me encienda,
Y contigo me defienda
E n el dia del ju ic io .
Haz que me am pare la m uerte
De Cristo, cuando en tan fuerte
T rance vida y alm a estén;
P orque cuando quede en cídmá
El cuerpo, vaya mi alm a
A su eterna gloria, Amen.

L ops de V e g a .
— 145 —

M A R IA AL P I E » E ¿ A CRUZ.

Allí la hom icida turba


Como una sierpe gigante
Sobre sí m ism a furiosa
Se arrem olina, y com bate
P o r contem plar del profeta
E l suplicio m iserable:
¿Y dó está Miriam entonces? (1)
— {Pobre Madre!
A rrastrar vió al inocente
E n m edio á dos c rim in ale s;
Mira tres cruces tendidas
Sobre la tie rra culpable,
Y hom bres de rostros crüeles
Que abren los hoyos fatales;
¿Mas donde está el Hijo suyo?
— ¡Pobre Madre!
Al fin pareció; ¡mas cielo!
¡Qué vista tan lam entable!
¡Sin un harapo siquiera
Sobre sus desnudas carnes,

(1) Miriim signiflci en siriaco señora, ioobrana, y en hebreo m u a L L i


II LA HAR.
— 146 —
De cuyas hondas heridas
B rota á to rrentes la sangre!
¡El tan 'honesto y tan puro!
— ¡Pobre Madre!
Mas los feroces verdugos
Con ciega furia arrastrándole
De la cum bre m aldecida
Al sitio m as culm inante
E spusierónle á la mofa
De aquella turba salvaje;
¡Que horrendo cuadro á la vista
De una Madre!
Tienden al Justo en seguida
Sobre la cruz infam ante,
Lecho de honor que los hom bres
De su am or en grem io d á n le ;
¡O ingratitud! ¡ó demencia!
¡O ceguedad lam entable!
¿Donde está entonces María?
— ¡Pobre Madre!
A una cercana caverna
Magdalena y Juan am antes
La arrastran : sordo m urm ullo
Tal cual la voz de los m ares
O de borrascas rem otas
Al rebram ar sem ejante
¡Llega trem endo al oido
De la Madre!
De vez en cuando confusos
Elevábanse en los aires
— 147 —
Rechiflas y m aldiciones,
R isotadas espantables,
Y denuestos furibundos
De aquel pueblo de chacales...
¡Y lain felice los oye!
— ¡Pobre Madre!
Mas un silencio profundo
R eina por breves instantes:
¿Acaso le compadecen?
¿O alguna nueva barbarie
De la feroz m uchedum bre
Calma el furor anhelante ?
¿Piedad del tigre 110 esperes
P o b re Madre!
P ro n to el silencio rom piendo
Como de golpe que cae
A u n tiem po sobre m aderas
Y despezadas carnes,
Oyese un sordo rüido
Allá en la cum bre distante,
Y otro despues, y otro luego:
— ¿Pobre Madre!
Y al ru m o r siniestro, pálida
Cual la azucena del valle,
Tiem bla Miriam convulsiva,
Como si agudos clarasen
E n su pacho los sayones
Sus dam asquinos puñales.
¡Y vive em pero y escucha 1
— ¡Pobre Madre!
— m —

¡Jam ás confesor alguno,


Jam ás valeroso m ártir
E n fiero potro extendido
Sufrieron torm entos tales
¡Y u m p e ro d e su s dolores
Aun vá el suplicio á aum entarse
¡Flaca m ujer, in felice!
— ¡Pobre Madre!
Bien pronto el agudo roce
De m aderas y cordages
Se percibe, y lentam ente
Se alza la cruz en los aires;
¡Y en ella al Hijo del hom bre
Cual vencedor estandarte
Contem pla atónito el m undo!
— ¡PobreM adre!
Yuelto al rem oto occidente
E l desgarrado sem blante,
P rom ete á aquellas regiones
Que por tan grandes edades
Aguardan la luz, fecundos
Sus generosos raudales.
¿Y dó está entonces María?
— ¡Pobre Madre!
E ntonce <1 reprobo pueblo
Alzó con voz form idable
Un prolongado rugido
De feroz triu n fo :— ¡Salve
Le gritan, rey poderoso!
Si eres hijo de Dios, ¡baje
— 149 —

Tu poder desde esa altu ra


Do ora yace;
¥ á su izquierda un fo vagido
De otra negra Cruz colgante,
De su penosa agonía
E n los postrim eros vales,
Aun le maldice sañudo;
Y El;con palabras am antes
Así exclama», ¡Padre mío
Perdonadles!
Mas el m om entáneo asilo
Deja M iriam, y sin ayes
Ni lágrim as, ni sollozos,
Pocos á dolor tan grave,
Ilácia el lugar del suplicio
Ya con planta vacilante
Como el m árm ol blanca y fria
— ¡Pobre Madre!
Del ara del sacrificio
A pocos pasos distantes,
Los furibundos sayones
Tigres sedientos de sangre
La vestidura inconsútil
P o r suerte en tre sí reparten,-
Y ella contem pla el despojo...
— ¡Pobre Madre!
Los turbios ojos desvia
Del h o rro r insoportable
Ilácia el cíelo, y la m irada
Del Dios m oribundo, cae
— 150 —
D esgarrando una por una
Sus entrañas m aternales:
¡Por fin llegada es la hora!
— ¡Pobre Madre!
E n los anali-s del m undo
E l hora m as m em orable;
Vencida en ella es la m uerte,
Vencidos los infernales
E spíritus, y aun la sum a
Justicia; aquel satisface
Sumo holocausto, inaudito
¡De tal sangre!
E n ta n to , en m edio del día
Sanguinolentos celajes
Velan el sol; sobre el m undo
Caen las tinieblas palpables:
L as águilas roncos gritos
L anzan de horror en los aires,
Y ahullan sobre la tierra
Los chacales.
Y del calvario funesto
El lóbrego paisaje
De negro m árm ol parece
U n catafalco gigante
Reina el silencio del m iedo
E n las tu rb as crim inales,
Y de h o rro r tiem blan unidos
T ierra y m ares.
En tanto no olvida el Justo
Los que á su amor son leales;
— 151 —
Y vuelto á Juan y María
Con voz de am or inefable;
Vé en él al hijo que pierdes
Dice á M iriam , y al am ante
. D iscípulo, m ira en ella
¡A tu Madre!
Y luego á m ira r cum plidos
Los proféticos anales
De las santas E scrituras,
«Sed tengo» exclam ó— ¡en vinagre
Bañada una grande esponja,
Dieron el crudo breva]e
Al que es m anantial de vida
Los infames!
Y gustado ya el veneno
Con am oroso sem blante
Clamó «Todo está cumplido»
Y lanzando un grito grande
Inclinó la sacra frente
Y espiró.— Trém ulos ayes
P ueblan el aire confusos...
— ¡Pobre Madre!

S. Z o r r il l a .

La descripción pue contiene la com posición que aca­


bam os de in se rtar, unida al sentim iento y te rn u ra que
respira y al encanto de la form a en que está escrita nos
dispensan de todo elogio. P roponiéndonos en este libro
dar á conocer las bellezas que se encuentran en los au­
— 152 —
tores mas antiguos como en los m as m odernos escrito ­
res, siem pre que hayan consagrado su estro divino á
ensalzar los m isterios de la Religión, term inarem os este
párrafo con la com posicion siguiente:

OOLOROSA...!

jP obre Madre! está llorando


Al pie del santo m adero;
El pueblo m urm ura fiero
P or la m ontaña girando,
Y ruge la m ar hinchada,
Y el huraean se em bravece,
Y el m undo entero estrem ece
Las bóvedas de la nada.
;P obre Madre! A nte los sones
De sus acentos divinos,
Tiem blan de los asesinos
Los cobardes corazones*
Y el ángel llora y se arredra,
Gimen los m ares inquietos,
Y se alzan los esqueletos
Sobre sus tum bas de piedra.
Porque es ta n ta la aflicción
De la Madre angelical,
Que llora el mismo puñal,
— *53 —
Al rom per su corazon.
Ella suspira sin calma
Mirando al hijo en la m u e rte ......
Cada lágrima que vierte
Es un pedazo del nlma.
P orque ella le vió nacer
Sus ensueños realizando;
Ella le durm ió cantando
Las endechas del placer,
Ella, con án^ia divina,
Dejó sus plácidos lares;
Cruzó de Judá los m ares;
Las cum bres de P alestina,
Y siem pre del hijo en pos
Le siguió am ante y serena,
Como sigue e! alma buena
La som bra santa de Dios.

H oy... ¡pobreM adre!... lo mira


Sobre el Golgota sangriento,
S uspiros lanzando al viento
Que en lom o del át'bol gira.
Lo m ira triste llorando
P o r el pueblo su asesino;
Y oye su acento divino
¡Perdón! perdón! m urm urando;
Vé su sienes desgarradas
P o r las espinas crueles;
Vé m arcados los cordeles
En sus manos veneradas.
\LI3UM. 11
— 154 —
Y si oye, de su ánsia en pos,
Del pueblo el acento fijo,
Yé que le m atan al hijo
Por el crim en de se r Dios.

Tem plo que gloria respira;


Arca de santo te ?o ro ,
Cáliz que recoge el lloro
DeT pecador que suspira;
Celeste y cándido lirio
P or los ángeles cuidado;
P uro clavel perfum ado
Con la esencia del m artirio;
Yo vengo, M adre, á húsar
Las estrellas de tu m anto;
Vengo á regar con mi llanto
Los m árm oles del altar*
Yo padezco á tu dolor;
Lloro al m irar tu agonía;
Yo tengo por tí, María,
Rico m anantial de am or.
Dame tu aliento fecundo;
Quita el mal de mi m em oria,
Y yo cantaré tu gloria
P ara el cíelo y para el m undo.
B. L ó p e z G a u c i A.

P o r últim o, las siguientes com posiciones, cada una de


un género especial, deben ocupar un lugar preferente
en nuestro libro.
3LA MUERTE 2*E ^ESIIS.

¡Mueres, Señor por redim ir al m ando


Du los tirantes brazos su sp e n d id o !
¡151 Hijo que es de Dios, santo y querido,
Espira en una cruz!
■inclinas ¡ay! en lu dolor profundo
La fronte non tristísim a agonía!
¡Los m uertos se alzan de la tum ba fría
Y n ú b lasela luz!
¡Mirad la Madre que una espada aguda
Lleva en el santo corazon clavada!
¡Miradla de pesar enagenada
M asque el Hijo sufrir!
¡Pálida, absorta, desolada y m uda,
Velados de dolor están sus o jo s!..,.
¿La veis ante la cruz puesta de hinojos?
¡También quiere morir!
¡Mirad sus ojos ¡ay! tanto lloraron,
Que en ellos ya no hay lágrim as, ni vida;
Vedla m irando de dolor transida
¿VI Hijo de su amor!
■¡Sus clavos horrorosos traspasaron
El pecho de la Virgen am orosa;
— 156 —
Su diadem a de espinas afrentosa
L a m ala de dolor!
¿Tan culm inante fué„ l'ué tan nociva
N uestra falta, Señor, que era forzoso
Sufrieras el torm ento doloroso
Y la horrible pasión?...
¿A lavar nuestra culpa prim itiva
Solo bastó tan sm igual m artirio
Tan em bargada estaba de delirio
La m isera razón?
¡Quisiste en tus bondades que ultrajasen
A tu divino cuerpo m acerado;
Quisiste que rasgara tu costado
Traidora lanza infiel!
¡Quisiste que de injurias te llenasen,
Y que la turba vil te escarneciese,
Y en la sed que te abogaba, te ofreciese
La infam e, am arga hiel!
¡Mas eras tam bién hom bre, y sufrir tanto
La frágil carne, sop o rtar no puede!
¡Al peso de sus ansias, al fin cede
E l Dios de inm enso amor!
Rendido por la angustia y el quebranto,
T riste m irada al firm am ento alzaste......
— ¡Padre, Padre! ¿porqué me abandonaste?
¡Gritaste con dolor!
Y al escuchar tu voz, encapotaron
Sus luces m il las vividas estrellas,
Y la luna veló, tam bién como ellas,
Su lim pido fanal.
— 157 —
Los puros resplandores se nublaron
Del rojo sol, que se tornó sangriento,
Y retem bló con furia el firm am ento,
De luto ¡ay! en señal.
Y oscilando tam bién Jos altos m ontes,
Y el lejano confin d éla ancha tierra,
Y cuanto el m undo en su,extensión encierra
Al punto retem bló.
Y los puros tendidos horizontes
Rasgaron mil relám pagos de fuego,
Y el viento bram ador con fu ro r ciego
Las alas extendió.
jAy! que m urió Jesús, tembló la tie rra ;
T em erosas las piedras se chocaron,
Los m uertos que en las tum bas d esca n saro n ,
Se ven resucitar.
¡Murió, m urió Jesús, y en cruda guerra»
B ram áronlos reñidos elem entos,
Y de te rro r horrible los lam entos
Se escuchan sin cesar!

¡Llorad m ortales, que el Señor del m u n d o


Lanzó del pecho el ,postrim er suspiro,
Y alzó al E terno, de piedad henchido,
Su voz al sucum bir!
P o r sus verdugos, con dolor profundo,
Pidió al cie'lo indulgente y g eneroso...
¡Perdónalos, gritó, Padre am oroso!
S intiéndose m orir.
— 158 —

¡Llorem os, ay, que el rey del firm am ento


P o r nosotros m urió con pena fiera!
¡Paguém osle con lágrim as siquiera
La angustia que sufrió!
¡Y lleve nuestro am or el raudo viento
H asta el trono de Dios om nipotcnlo
Que nuestras culpas redim ió clem ente
Y el cielo nos abrió!

Sí. d e l P . Sinues d e M a u c o .

EL SA L V A D O R E S LA CRUZ.

Quien dio la vista al ciego,


Quien dió la voz al m udo,
Quien nueva vidn pudo
A Lázaro infundir;
Hoy pende de un m adero,
Y espira escarnecido
Del pueblo fem entido
Que viene ú redim ir;
Q uebrántasela roca,
Sin luz se queda el cielo,
R etiem bla, rolo el velo.
E l arca del Señor;
— 150 —
Y al ver los querubines
La cruz que los aterra,
D irigen á la tierra
Miradas de furor;
— «La sangre que lian vertido
Los clavos y la la m a,
Pidiendo están venganza .
Dejádnosla lom ar.
Descienda m iestro rayo,
Y que haga furibundo
Cenizas ese m undo
Rebelde sin cesar.»
E n tanto que al E tern o ,
'In m ó v il en su trono,
Acusa de abandono
La hueste de Miguel;
Bendicen el arcano,
De am or ardiente lleno,
Los justos en el seno
Del padre d elsra eL
Que ya de su ventura
Llegó por fin el dia,
Y al Hijo de María
Unidos volarán;
Dejando el Paraíso
La víctim a inocente
A bierto al descendiente
Del ya feliz Adán.

P ero si hoy en patíbulo espira,


— m —
Juez vendrá severísim o luego,
Mas terrible* entre nubes de fuego
Que en su cima le vi ó Sínai.
j Ay entonces del que haya perdido
De la gracia el divino tesoro!
Yo, Señor, tus piedades im ploro,
Yo pequé; ¡desgraciado de mí!

J. E. H a r t z e k ü ü s c íi.
V II.

L a H csiirrcvcion «le J e s ú s ,—L a A sc e n ­


sión.—La Venida del EspsrStn Santo.—
PrciHcncion ilel Sí vaE?.£‘elío.

Las sagradas profecías habían anunciado que des­


pués dii m uerto y sepultado el Salvador había de resu­
citar al tercer dia. Los ju d ío s que aun dudaban de su
divinidad, creyeron que era preciso custodiar con una
guardia su se p u lc ro , recelando que los A póstoles y
discípulos intentasen su stra er el sagrado cuerpo. Sin
em bargo, todas estas precauciones fueron in ú tiles, la
sagrada prom esa se cum plió , y al te rc er dia ro m ­
piéndose las cadenas de la m u erte, y el hielo de las
tum bas apareció rodeado de gloria y de celestiales r e s ­
plandores, aquel cuerpo antes m artirizado sin piedad,
llenando de te rro r y asom bro á los quo estaban encar­
gados de vigilar el sepulcro.
La Resurrección de J e sú s, de la cual dieron te s ti­
monio los m ism os ju d ío s, interesados en ocultar este
p ro d ig io , su aparición á la Magdalena y al A póstol, y
su Ascensión á los cielos, fueron como el com plem en­
to de todos aquellos prodigios que se liabian verificado
en su sagrada pasión y m uerte. Ya n in g u n a duda po-
— m —

d ia abrigar el hom bre, ya habían tenido exacto cum*


pliiniento los porm enores mas pequeños referidos en
todas las profecías; era innegable que el Hijo de Dios,
la segunda persona de la Trinidad Santísim a hecha
h o m b re, había venido al mundo y habia dado su p re­
ciosa sangre por la redención del género hum ano.
Dejaba una'sublim c enseñanza m oral, que era in d u ­
dablem ente divina, puesto que los h om bres por los es­
fuerzos de su inteligencia, no podrian nunca alcanzar
la excelencia de una doctrina sem ejante: dejaba abier­
tas las puertas de la salvación por medio de la ley de
gracia: abiertos los tesoros de ésta con la institución de
los Sacram entos; y establecida otra institución que vi­
viría hasta la consum ación de los siglos, depositaría
de la fé y dispensadora de los inestim ables beneficios
que la Redención nos habia prodigado
E l m isterioso lazo de unión entre*la tie rra y el cie­
lo, quebrantado por la malicia del pecado, aparece ya
sólidam ente reanudado. Jesucristo da al A póstol la
prim acía é instituye su Iglesia. «Sobre esta piedra edi­
ficaré mi Iglesia, le dice: yo le daré las llaves del re i­
no de los cielos, y cuanto atares y desalares sobre la
tie rra , será tam bién atado y desatado en el cielo.» Y
p ara hacerles com prender la misión qu« la Iglesia ha
de desem peñar en la tierra, añade: «yo estaré con vos­
otros hasta la consum ación de los siglos, y contra mi
Iglesia nunca prevalecerán las puertas del infierno.»
La R esurrección, es pues, uno de los m as altos m is­
te rio s, y digno de ensalzarse debidam ente por la poe­
sía cristiana. La elevación que brilla en la com posicion
— lGo —
siguiente en que se trata este asunto, creem os que e s­
cede á cuantas consideraciones pudiéram os nosotros
hacer.

A L A KESURK ECCSO IW » E J E S U S .

Yacía envuelto en polvo y sangre yerta


Bajo la losa fria
El Saulo de Israel, el pecho herido,
La tem plorosa faz de h o rro r cubierta;
T riste el m undo gem ia
E n densa niebla y en tem or sum ido:
E n medio la a lU cum bre
D oliente el sol oscureció su lum bre.
La despiadada m uerte poderosa*
Blandiendo su guadaña,
Con la divina sangre ya teñida,
E n torno del sepulcro silenciosa
Gira con fiera sañ a,
Y al hum anal linaje, envanecida,
Con poderoso hierro
E n pena arrastra del antiguo yerro.
Mas Jehová de esplendores inm ortales
E n densa luz velado,
Del alto em píreo en el suprem o asiento,
Do sustenta del orbe los quiciales,
— m —

Y el curso arrebatado
Fija á los asiros su im perioso acento;
Habló con v o ztonante,
Que sonó de la aurora al m ar de A tlante.
«¿Y vencerá Luzbel? ¿El pueblo insano
Dice del Inocente
El nom bre ha de borrar? ¿El almo nom bre
Que el firm am ento adora? No; que en vano
Contra el brazo potente
Osó el abismo* T riunfará, y el hom bre
De antigua tiranía
Será de hoy libre: la victoria esm ia.»
No encendido tan súbito en la altura
Globo de luz brillante,
P or el aire en la noche se desprende,
Cual del padre A braham la m ansión pura
El ánim a triu n fan te
Rápida deja y el sepulcro hiende*
Síguela el coro santo
Que anheló su venida en largo llanto.
La oscura tum ba en célicos fulgores
Se inflama: nueva vida
El pecho sangrentado hinche glorioso,
Y el rostro baña en cándidos albores*
Se alzó, y en voz subida
«Yencí» dice: y con eco arm onioso
T ierra y m ar resonaron, r
Y del orbe los polos retem blaron,
«Yencí. Del cielo las eternas p u ertas
Con plañía venturosa
— 165 —
E l hum ano entrará. Sillón impío
Logró en vano con artes encubiertas
La estirpe num erosa
Del hom bre esclavizar: ya et reino um brío
Cayó: mi fuerte mano
Rompió los hierros del audaz lirano.
«Salud, m ortales: el am argo lloro
DesLerrad: nuevo dia
A la tierra nació-, piadoso el cielo
De inm arcesibles bienes el tesoro
A bundoso es envía:
De b ienes, que de E dén.el grato suelo
Jam ás'¡oh! feo Lindaran
Y en vano vuestros padres suspiraran.
» ¡Oh Dios! Tu brazo lú e , tu lo ju raste.
La espada que potente
Me ceñiste, triunfó. T u la s naciones
A mis pies, y los pueblos subyugaste.
"Vuela de gente en gente
Mi nom bre: victoriosos m is pendones
Del tártaro profundo,
Trem olan por los ám bitos del m undo.
* »Cayó, cayó Salen. Rom a, tu solio
¿Do está? ¿Do las que el viento
E nseñas vanas desplegó ondeantes?
Mi Cruz P edro arboló en el Capitolio,
Y fijó eterno asiento
Mi Religión. Ante ella vacilantes
Cayeron derrum badas
Al ciego erro r las aras levantada?.
— 166 —
del trueno vuela: el pueblo ibero
En tu celo ardoroso
Feliz su goloria cifra: eterna gloria
Reservada ú la fé. Del nom bre fiero
lün conflicto dudoso
Triunfó H esperia: mi Cruz es la victoria.
¡Oh Vírgenes sagradas!
Cantad del yugo infame libertadas.»
Dijo: y la cruda parca el sacro acento
Oyó, y .011 triste nhullido
Lanzóse presto al tenebroso lago,
líslrem cciúso el a vernal asiento;
Y con ronco alarido
Luzbel gim iendo su fatal estrago,
Saltó del negro trono,
Y rom pió el cetro con feroz encono.

J. M. R o u u n ,

Realizado tan gran m isterio, el Salvador á la vista de


sus Apóstoles, se eleva á los cielos con toda*su m ajes­
tad y gloria, para sentarse á la diestra del E terno Pa~
tire, hasta el dia que venga á juzgar á los vivos y á los
m uertos.
Los Apóstoles contem plan absortos aquel nuevo p ro ­
digio, y quedan sin la presencia de su divino M uestro,
como aquel que habiendo contem plado el fulgor del
sol y el esplendor del dia se encuentra de rep en te en la
mayor oscuridad.
— 107 —

A L A A S C E S S a© ;* U E L S lllito K .

Himnos de honor las puertas e teníales


Resuenan: el em píreo «gloria» chima:
«Gloria» el inmenso espado re v e rb e ra .
Los giros celestiales
Deja, luciente1, sol: mas pura llama
Que ¡a que crece en tu inm ortal hoguera
Los cielos dora: el R edentor glorioso
Asciende vencedor esclarecido:
Su nom bre aplaude el pueblo redim ido
En cántico gozoso.
«Elevad, cantad, príncipes celestes,
Las puertas e le v a d lo s atrios de oro
A brid á vuestro rey: al rey triunfante
A brid, aladas liuesLes.»
Y «¿quién es nuestro rey?» el santo coro
E ntona en las alm enas do diam ante.
«E! fuerte, el grande, el Dios de la victoria:
Abre, ó cielo, tu alcázar refulgente,
De las virtudes el señor pótenle
Es el rey de la gloria.»
? a , ya la puerta del em píreo gira
Sobre el áureo quicial, y del Inm enso
D escubro la m ansión, ¿Yoces m oríales
— 168 —
La dirán? lú me inspira,
Querub, y cantaré. F ulgor intenso
Circula por las gradas eternnles:
El P adre Dios la inaccesible cim a,
Yelado de su ser, augusto mora:
Brota á sus piés la llam a engendrad ora,
Que ciclo y tierra anim a.
El Hijo de H aría entra g’orioso,
De angélicas escuadras aclam ado,
F orm ándole su grey noble corona:
Y el hom bre venturoso,
En la m ansión celeste ya heredado,
E l him no alegre de victoria entona.
«¿Quién sube del E terno al solio sanio?
El varon'do inocencia, el ju sto , el fuerte:
E l que bajó, triunfando du la m uerte,
Al reino del quebranto.»
E nam ora los cielos su m irada;
Y cual la luz de la naciente aurora
Vence el sol del zenit, su frente brilla
De triunfo coronada.
P ostrado el ángel su beldad adora.
Y el abrasado serafín se humilla;
Del E terno á la gloria m erecida
Sobre cielos de cielos se levanta,
Y7 el trono huella con sublim e planta
Del padre de la vida.
«P adre, dice (y los orbes enm udecen
Para escuchar su voz) v en cí: la tierra
Liberté ya de su enemigo eterno,
— í 69 —
No e;n ella se enfierecen
Ya los querubes pérfidos, que encierra,
Ligados por mi d iestra, el hondo averno.
En los torrentes de mi sangre yace
Su m aldad extinguida y tu venganza:
Y el m ortal abatido á la esperanza
Y á la virtud re n a c e .»
Libres vienen, mi Lriunf’o acom pañando,
Los siervos de la antigua tiranía.
Tu inm udable decreto ya he cumplido*
Ora el suprem o mando,
La gloria, el esplendor, la gloria m ía,
La que rae diste ante los tiem pos pido.
Yo te ensalcé en la tierra: la criatura
P or mi tu augusto nom bre alli bendice.»
Habló el Hijo eternal: y así le dice
■El P adre d é la altura:
«Ven, Hijo de mi sér, triunfa y dom ina:
Yo vi tu hum illación; tu triunfo ahora
Cielo y tierra verán. El m onstruo impío
De tu planta divina
Será vil escabel. Pide, y la aurora
Y el ocaso serán tu señorío.»
Dijo: de nuevo el cielo se alboroza
En him nos; y en su seno reclinado
El gran Jehová recibe al Hijo am ado,
Y eterno en él se goza,

A l b e r t o L tsta .

‘ALBUM. 12
E .\ LA ASCENSION DEL SEÉO R.

¡Y dejas, P asto r santo,


Tu grey en este valle hondo, oscuro,
Cbn soledad y llanto,
Y tu rom piendo eí puro
Aire, te vas al inm ortal seguro!
¿Los antes bien-hadados
Y los agora tristes y afligidos,
A tus pechos criados,
De tí desposeídos,
A dó convertirán ya sus sentidos?
¿Qué m irarán los ojos,
Que vieron de tu rostro la herm osura,
Que no les sea enojos?
Quien oyó tu dulzura
¿Qué no tendrá por sordo y desventura?
¿Aqueste m ar turbado
Quién le pondrá ya freno? ¿quién concierto
Al viento fiero airado?
E stando tú encubierto
¿Qué norte guiará la nave al puerto?
¡Ay! nube envidiosa
Aun de ese breve gozo que te aquejas
¿Dó vuelas presurosa?
¡Cuán rica tu te alejas!
¡Cuán pobres y cuán ciegos ;ay! nos deja!

. F . L. dk L eón .

Después de la Ascensión gloriosa del Salvador, los


Apóstoles se preparan para cum plir'sus órdenes. «Id y
predicad á todas las naciones, bautizad á todos en el
nom bre del P adre, del Hijo y del E sp íritu S anto." P ara
que puedan cum plir este m andato, se verifica á los cua­
ren ta diafc la venida del E spíritu Santo, que infu nde so­
bre ellos la gracia, y les com unica la v irtu d necesaria
para com prender y expresar el lcnguage de todos los
pueblos.
Las lenguas de fuego que descienden sobre las cabe­
zas de los destinados á difundir el Evangelio, son el
m isterioso em blem a de que la palabra del Señor puede
ser escuchada por todo el universo, sin que oponga
obstáculo la diíicultud del idioma extraño; así como la
existencia de dicho obstáculo nos recuerda que fué el
que dispersó á los hom bres, cuando su orgullo levantó
la to rre de Babel para escalar el cielo.

JL LA VEKIDA DEL 15PI1UTU S .H T 0.

¡Qué divino esplendor el alto cíelo


E n viva luz enciende!
Arde Olimpo: la llama hrilladora
Cual lluvia despartida, en presto vuelo
P o r las auras sonoras se desprende.
De ardientes globos se corona el m uro
De Salen y Sion: las cimas dora
A P alestina infiel su fulgor puro.
Canta jó mi lira! tu sublim e acento
P enetre la alta esfera:
Him nos canta á Jeiiová vivificante,
Que hoy de los cielos baja en raudo viento
Y resonante llam a. Su carrera
Anduvo sobre el trueno y torbellino:
De ciencia y vida, y de valor triunfante
Llenó el orbe su espíritu divino.
«Murió, dijo Satén: fenezca el nom bre
De ese Cristo Ungido.
Su grey perezca: cual arista leve
Al fuego puesta acabe su renom bre.»
¿Contra el Santo, Sion! E l cuello erguido
Sinedrio alzó y la voz; y nuevo ensayo
Dicta contra el Excelso. ¡Y el aleve
Así provoca el vengativo rayo!
Mas ¿quién contra Jehová? Del alto trono,
Dó con diestra extendida
Sacó los orbes de la oscura nada,
Yió de Moria, la cum bre; el fiero encono
De sus principes vio. Despavorida
La hum ilde grey se oculta y enm udece.
Viola el potente Dios, y desvelada
La faz, en dulce lum bre resplandece.
— 175 —
Lum bre que eterno am or vierte inflamado
E n el inm enso seno,
Y el esplendor de su sem blante aviva.
Depone el rayo en su furor alzado,
Y al gremio tris te inclina el rostro lleno
De ternura y am or. «Pequeña grey,
A lienta, dice, y triunfa: eterno viva
Tu nom bre, esposa fiel del almo Rey.»
H abló el P adre, y del pecho viva llam a
S úbito nace fuera,
Y el ancho cielo lleno de am brosía.
S ereno el viento de su luz se inflama ,
Y la tie rra en mil brillos reverbera.
A rde de Pedro la m ansión dichosa
En vellones de luz. ¡Salen impía!
¡Ay! solo cegó á ti su lum bre herm osa!
Las vírgenes en gozo arrebatadas,
Del hondo pecho herviente
E n fuego celestial, sacros loores
Al alto m im en cantan inspiradas.
El ternezuelo ni fio balbuciente
Refiere su visión al justo anciano;
¡Feliz! que ya penetra sin errores
De la salud del m undo el gran arcano.
En medio la infiel turba alzado P ed ro
Ensalza la victoria
Del Ungido de Dios, y cual vencida
Yace la fiera parca, y Lorna arredro
Su descarnarla Taz. Dice la gloria
Del que sentado en la celeste cum bre
— 174 —
De em píreo, igual al P adre, nueva vida
Manda á su pueblo en fulgurante lum bre.
¡Cual su lenguaje! ¡ó Dios! Oyóle el griego,
Y en sones no aprendidos
Los m isterios entiende, que el linage
Maldice de Jacob, en ira ciego;
Le oyó el rom ano; oyóle el que floridos
Los prados huella del Ofir arabio:
Y el orbe entero al Dios rinde hom enage,
Que anuncia en lenguas m il el sacro labio
Mas ¿quién surca los plácidos raudales
Que vierte en honda pura
Sonoroso el Jordán? Prole divina
Nace al mundo entre gozos celestiales
R eengendrada en sus aguas. Del altura
Nueva Salen desciende: allí el Inm enso
Nuevos altares á su honor destina,
Do mas puro se eleve el grato incienso.
Del culto im pío las sangrientas aras
Yacen en*vil escoria.
No ante Moloc,en holocausto horrendo
Hiere con filo atroz víctim as caras
El hom bre; de Jehová y su viva gloria
El eterno esplen d o res sacrificio:
Es la victima ya, que al Dios Lremendo
El rostro airado tornará propicio.
¿Quién de Marte tos bárbaros pendones
Plegó en paz deliciosa?
Alzó P edro la cruz, y el Vaticano
Paz clamó: en tierno lazo las naciones
— 175 —
Se estrechan abrazadas. Paz gozosa
La tie rra en derredor; paz, de su asiento
El m ar resuena: el P adre soberano
Paz y herm andad grabó en el firm am ento.

h M. Roldáis'.

La predicación del Evangelio y su adm irable p ropa­


gación, es una prueba palpable de la divinidad de su
enseñanza, y de los m edios sobrenaturales eon que se
difundía. Aquellos doce A póstoles, hom bres de e s­
casa instrucción, de la clase del pueblo, adquieren por
v irtud de la gracia com unicada por el Espíritu Santo,
una superioridad tan grande que ellos y *sus discípu­
los son bastantes para conm over el corazon de las m a­
sas, de aquel pueblo endurecido íju*i habia visto la
afrenLosa m uerte del Salvador sin convertirse por com ­
pleto. El Evangelio se difundo con una maravillosa ra­
pidez , y la Iglesia prim eram ente proscrita y persegui­
da, alcanza al fin preponderancia bastante en el órden
tem p o ral, para que Constantino la dé la paz, y se de­
clare la Religión Católica Religión del Estado.
¡Admirable triunfo, gloriosa victoria, para la cual no
se han necesitado mas arm as que la persuasión, la
constancia y el ejemplo! ¡En vano ios em peradores han
derram ado la sangre de los m ártires para sofocar el
progreso de aquella sublim o Religión! ;En vano se lian
inventado.los mas horrorosos suplicios para a rre d ra rá
los cristianos: su constancia, su valor han vencido todos
— 176 —
los obstáculos, y los perseguidores han visto con asom­
bro d isp u tarle la palm a del m artirio!
Y sin em bargo, la nueva Religión que se predica no
alhaga nada las pasiones y los deseos hum anos, antes
exige el sacrificio, la abnegación, 1;i pobreza, el perdón
de las in ju rias, la resignación y la-hum ildad. Opónese
radicalm ente al paganism o, le com bate con energía y
se censuran los vicios de aquella sociedad, con la in ­
dignación de los que poseen una conciencia tranquila.
¿Cómo es, sin em bargo, quo se propaga, que se acepta
y que la m ultitud corre ansiosa á ¿prender esas v erda­
d e s , y á practicar esas virtudes que la antigüedad pa­
gana, y aun la filosofía estoica no alcanzaron á com ­
prender? Desde luego debem os atribuirlo á una fuerza
m isteriosa y sobrenatural, á la necesidad de que se
cum pliera por com pleto la sagrada prom esa; y que la
Iglesia se estableciera como sociedad perm anente y
eterna hasta la consum ación de los siglos, como señal
visible de que por medio de la ley de gracia seguia es­
tando-con nosotros Je su c risto , el Unigénito Hijo del
E terno, el Verbo divino que había tom ada carne, y ves­
tido el tosco traje de la hum ana naturaleza, para cum ­
p lir los altos designios de lo Omnipotencia divina, y la
gnm obra d é la Redención.
P R E U IC A C IO il D E L E V A Ü G E L IO .

Sonó por fin la afortunada hora


Eli el reloj del tiem po no cansado
Jam ás.— ¡Lució por fin la lim pia aurora,
El mom ento anhelado,
Qua habia en sus designios señalado
Et H acedor profundo
De eterna vida y iibertad al mundo!
E l hora en que el m entido paganism o
Con sus groseros sím bolos y altares
Se hundiera para siem pre en el abism o;
Y que en tierras y mares
F u n d irá indestructibles sus sillares.
Del mismo Dios en hom bre,
Aquella Religión» salud del hom bre.
Ya por su propio peso quebrantados
Vacilan los im perios conm ovidos;
Los prepotentes cetros respetados,
Los tronos carcom idos,
Caen en m enudo polvo convertidos;
Y ya el antiguo culto
Es objeto de mofas y de insulto.
Los oráculos callan. Las sibilas
— 178 —
A bandonan sus antros sepulcrales,
Y no m anchan sus bóvedas tranquilas
Conjuros infernales,
Sacerdotes augures y vestales
No dan torcido ejem plo
Bajo los arcos del im puro tem plo.
Y agitación oculta y m isteriosa
Hierve en el corazon de los hum anos;
Yolcan que so la mole ponderosa
D$ m ontes soberanos,
Do la tierra en los cóncavos arcanos
A su pesar sum ido,
Anuncia su poder con su rugido.
Desplóm anse á la vez cultos y leyes,
Ruedan confusos pueblos y naciones,
Sacerdotes y sím bolos y re y e s;
— ¿Qué inspirados varones,
Qué fuertes é im pertérritas legiones
Vendrán del m undo m uerto
A repoblar el árido desierto?
Do aquel peñasco, apenas conocido,
De N azareth, brol6 en raudal escaso
Un arroyo entre zarzas escondido;
Mas que ha de abrirse paso
En breve del O riente hasta el O caso,
Al Norte y Mediodía,
Llevando la salud y la alegría.
Gota pequeña, cristalina y pura,
Apenas a la sed de un pajarillo
B astante; luz que trém ula fulgura
— 179 —
De débil lucerillo;
Y en breve, m ar de luz; já cuyo brillo
Esplenden en lo oscuro,
Lo pasado y presento y lo futuro!
' Y aquella Cruz, pfiLibulo afrentoso
Que presenció del Hijo de María
El lento padecer y la agonía,
F u é el signo esplendoroso,
Lábaro de un im perio poderoso,
Al aire trem olado,
Do el m undo se agrupó regenerado.
La eterno y triunfadora fé c ristia n a ,
De eterna vida m anantial fecundo.
De donde todo bien copioso m ana;
Del poder sin segundo
La buena nueva prom etida al mundo;
Y aquella voz divina
Dijo al m uerto; «¡L evántaley camina!»
Y el C3dáversti alzó:—galvanizada
Se irguió la conm ovida m uchedum bre;
R esp iróla m ujer em ancipada;
De abyecta servidum bre,
Ya al hom bre no oprim ió la pesadum bre;
¡Y ante su Dios iguales
Se abrazaron felices los m ortales!
Brilló el Sol de Justicia, inm enso faro
Suspendido en m itad del firm am ento,
Al ciego luz, al desvalido am paro;
Y el m agnate opulento,
Y el tirano en sus iras tu rb u le n to ,
— 180 —
E n su maldad tem blaron
¡Y ante el poder E terno se hum illaron!

S. Z o r r il l a ,

Contemplemos ahora desarrollarse la serie de los


siglos, y veamos lo que ha sido la hum anidad ante esa
gran idea, conservada en ello s, como el sacro fuego de
las antiguas vestales, Yeámoslos unas veces alzarse
orgullosos con su ciencia, pretendiendo sacudir el yugo
siem pre suave que la verdad revelada opone á su o r­
gullo ; veámoslos otras veces im pulsados por el se n ti­
m iento cristiano elevarse á las mas sublim es concep­
ciones, y acom eter las m ayores em presas cuando la fé
ha alentado en todos los corazones.

LOS SIGLOS ANTE JESUCRISTO.

V1SIO.V

Misterioso clamor el sueño mió


Vino á turbar; m edrosos del espanto,
Mis ojos trás el párpado som brío
Se ocultaron inm obles y sin llanto.
Resonaba entre tan to ,
— 181 —
Solemne cual la voz del m oribundo,
Aquel clam or que el pecho estrem ecía;
Porque era el esterto r de la agonía,
O el canto funeral del m uerto m undo.
Mis ojos á pesar de las tinieblas
Un m onte divisaron, cuya cima
Envolvía un capuz do gruesas nieblas,
Teniendo un m ar sin olas por tarim a.
T risteza daba y grima
Ver aquel m onte erial: sus peñas huecas
Con pisada de bruto no gem ían,
Y solo escasos árboles cubrían
De am arillo festón sus ram as secas.
Y vi cuarenta siglos, cual soldados
De pánico te rro r sobrecogidos,
De aquel m onte bajar precipitados,
Y huir y resbalar despavoridos.
Y viles luego hundidos
En las aguas del m ar que se ce rraro n ,
Cual losa de sepulcro, y ni siquiera
P o r signo de inscripción perecedera
Un efímero círculo trazaron.
¿Y quién les acosaba? Ni una rueda
Que solLára en su cum bre diestra m ano,
P o r el declive aquel de enjuta greda
Con mas velocidad bajara al llano,
¿Quién m iedo ta n insano
Pudo así derram ar? Solo el vagido
Que en su inocente cuna un niño exhala,
R um or tan apacible que aun no iguala
— 182 —
De tiernos corderinos al balido.
Y yo este niño vi, le vi ya adulto
Clavado en una cruz por fiero encono:
Bram aba en torno de El maligno insulto,
Y E l m uriendo gomia su abandono
Mas luego vi que un trono
E ra la cruz plantada en aquel m onte;
R esonaron cien gritos de victoria,
Y vi que ilum inaba nn sol de gloria
De confín á coníin el horizonte.
'E ra este nuevo sol la faz del Cristo,
Y eje del m undo fue la cruz aquella:
Desque en la tie rra el hom bre Dios fue visto
El em píreo giraba en torno de ella.
De sus piés vi la huella
Estam pada en el polvo mas m enudo,
Y súbito los vientos rebram aron,
Y contra ella soplaron y soplaron,
Mas borrarla su es Tuerzo nunca pudo.
Del hoyo de la cruz cuatro raudales
Saltaron á la vez, y sus corrientes
Cayendo por los puntos cardinales
Cascadas parecían refulgentes.
Del m onte las vertientes
Cubrió luego un tapete de verdura,
Y vi salir de lóbrega caverna
Feroces bestias que en la yerba tiern a
Ensayaban su horrible m ordedura.
D élos futuros siglos estandarte
Alzábase la cruz; mas al m om ento
— 185 —
Se rebelaron ellos, y con artñ
Y con furor m inaban su cim iento.
F ru stró su loco intento
E l Cristo que la tuvo por su lecho, .
Y de gloria radiante y Jaez Suprem o
Llamo al rebelde ejército blasfemo
Que de rubor velaba su despecho.
Yo vi pasar tres siglos, tres herm anos;
En rostro sem ejaban y en figura,
De irritado verdugo eran sus m anos,
Y de ham briento león su caladura.
Rom ana vestidura
Y diadem a de Césares ceñían:
Cuerpos sin corazon; sus pechos huecos
Ni al crujido del potro, ni á los ecos
De m oribunda victim a latian.
Con sus palm as de hierro quebrantaban
A los hijos de Dios sonriendo ledos
Que sangre de sus m iem bros destilaban
P o r é n tre la abertura de sus dedos:
Y ni estuvieron quedos
Hasta que un lago hirvió de hum or sanguino
Y em briagados de gozo fu rib u n d o ,
Creyeron ¿am bullir en lo profundo
El sol que á deslum brar sus ojos vino.
Mas solo en aquel lago se ahogaron
Los dioses que abortó su fantasia;
Los ídolos de bronce que adoraron
La antorcha de la félos derretía.
El Olimpo crujia;
— 184 —
Befaba Roma al Júpiter proscripto,
Y Grecia sus mil rábulas diversas,
Apagarse su sol vían lo s P ersas,
Y ú su buey pereciendo los de Egipto,
Y en los tem plos de núm enes henchidos.
Donde el silencio no turbaba un voto,
Sonó el eco de lúgubres gem idos
Al em igrar los dioses de su coto.
Y vino un terrem oto,
Que del globo en la faz no se sentía,
Los tem plos derrocó; de sus escom bros
Nuevos tem plos se alzaron, y en sus hom bros
La baldonada cruz resplandecía.
Vencidos en tan larga y cruenta guerra
Los gigantes sosten del paganism o,
El him no de la paz canló la tierra,
Y un grito de furor lanzó el abismo.
Yo vi en el m onte m ism o
P arecer nuevo m onstruo, la heregía,
Caos de som bra y luz; en sus pezuñas
P rocuraba ocultar las fieras uñas
Que corvas hacia dentro recogía.
Falaz doblaba solo una rodilla
A nte el Cristo á quien m ira de reojo,
Y en el trigo esparciendo vil sem illa
Cubrióse el vasto cam po de gorgojo.
T enia abierto un ojo
E l otro sin pupila; y las astucias
Uniendo á la porfía, al claro acento
De la verdad un oido daba aten to ,
— 185 —
Y del erro r el otro á las argucias.
De pie delante el Cristo cara á cara
Osó m irarle con desden impío»
Y sin te m er que un dia le juzgara»
Dijo un su orgullo: todo el m undo es mió.
Y luego de ancho rio
E l dique levantó la ruda m ano
De un siglo que seguia, y u n to rre n te
¡Bajó del septuntrion, y su creciente
Inundó las cam piñas del rom ano.
Era un to rren te de salvajes hordas
Que arrastraba en sus olas sus penates,
Y ajilaba del S ur las auras sordas
Con los cantos de Odin y de T eutates.
Cesó de los com bates
E l fragor y la sangre; las sem illas
Del sem brador adverso recrecieron;
Mas los pueblos su tósigo escupieron,
Y ante la cruz doblaron las rodillas.
M ontado en corpulento drom edario,
Y lleno de la arena del desierto,
Vi un gigante acercarse tem erario
Del fulgor de la luna allí cubierto.
L levaba u n libro abiérto
F orm ado con las hojas que arrancara
A los libros de Dios y á los del hom bre,
Y de profeta dábase renom bre
P o r los sueños que en el intercalara.
A rm ado con su acero y su rapsodia
Los pueblos arrastraba en su cam ino,
ALBUM. *3
— 186 —
Que bañara de arom as su parodia,
Y de sangre su alfange dam asquino.
Y brazo á brazo vino
Con el Cristo á luchar; y lucha im pía
Y h orrenda fué. De aliento desprovisto
A las plantas al Un cayó del Cristo,
Pero m uerto no estaba todavía.
Otro siglo despues aparecía
Que del Cristo rasgó la vestidura;
. La parte que en sus m anos retenía
F u é perdiendo su nítida blancura.
L a cruz, que ilesa y pura
Sus brazos entendía en la m ontaña
Desde la roja aurora al O ccidente,
A m ortiguó su brillo en el Oriente
Como terso cristal que un soplo em paña.
Ante el Cristo, esplendor del P adre sum o
Se alzó negro cual noche sin estrellas
U n siglo que era ciego, y denso hum o
E n torno aglom eraba de sus huellas.
Y y] en profundo cieno sepultado
Este siglo fatal, y de im proviso
De todas arm as un coloso arm ado
Al fulgor del crepúsculo diviso.
E ra el fulgor rem iso,
Mas vi que"las naciones soñolientas
Del Cristo á una voz se esperezaban,
L a cruz en sus broqueles adoraban,
Y en el puño de espadas ya san grientas.
Otro siglo ante el Juez fué pareciendo
— 187 —
Que cien m anos á un tiem po rem ovía,
Cada mano cien plum as dirigiendo,
Cada plum a cíen libros escribia.
Y con risada im pía,
«Tú vencido serás en esta guerra,»
Dijo á su Juzgador: m as él severo,
«Tú llevarás m i luz al rnnndo entero.»
Palenque de su lid es hoy la tierra.
La banda occidental del ancho m onte
Que en m i ensueño fantástico yo vía,
Cubierto era de niebla, y su horizonte
Confuso entre sus pliegues se perdía;
Y vi que la rompia
Un siglo em prendedor; un m ar estenso
Y tierra m as allá vi con espanto,
Y adorar otro m undo el leño santo
Que brillaba al través del m ar inm enso.
Mas enfrente brotaban las m alezas,
Y m erm aban del m onte los raudales:
Feroz hidra agitaba cien cabezas,
Y ponzoña vertía en sus cristales.
Los rayos celestiales
De la alta cruz atm ósfera y diadem a
Su brillo inm enso pálido volvían,
Y uno ú uno de allí se desprendían
Como arrugadas hojas que el sol quem a.
F iero al par de bridón que se encabrita
Y resiste al ginete y rom pe el freno,
E ste siglo altanero solicita
La luz exam inar del ^ol sereno.
— 188 —
Y en un lago de cieno
Que quiebra en ondas m il su linfa im pura
F uese á m irarle en cada roto espejo,
Sin ver que aquella luz era un reflejo,
Y que solo arde el sol allá en la altura.
Otro gigante vi, m as ¡ay! ninguno
T an feroz, tan horrendo habia visto;
Su frente alzaba sin pudor alguno,
De arm as y fuerzas y rencor provisto.
Y dijo, guerra al Cristo,
A plastad al infam e; el hondo abism o
De espanto retem bló y el alto cielo,
Y el m onstruo prosiguió con loco anhelo
«Guerra á Dios» y adoróse él á sí m ism o.
Con un com pás el suelo iba m idiendo,
Y observando las plantas y los m ares,
l a s auras y las piedras requiriendo,
Y abriendo de la tie rra los hijares.
Del tem plo los pilares
Creyó que desplom ar podía entonces,
Y abarcólos furioso con sus brazos,
Y dijo: «veré al Cristo hecho pedazos,
De su obra al desquiciar los rudos gonces.»
Y dio un em bionsupechtf] y dio bram idos
De cólera su labio. Mas, ¡ó pasmo!
R esisten los pilares conm ovidos
De la rabiosa fiera al entusiasm o.
E ntonces el sarcasm o
Que contra el H om bre-Dios lanzar le plugo .
Que cayera temió sobre si m ism a,
— 189 —
Y apeló de las flechas del sofisma
A la segur sangrienta del verdugo.
Y de sangre un to rre n te vi espum oso
P or la colina abajo rebram ando,
Y cebar un incendio pavoroso
Que estaba cien altares abrasando.
E staba allí luchando
Aquella hoguera atroz en torho duelo
Con- la divina luz que el m onte llena,
Mas d erretir no pudo la cadena
Que eslabona la tie rra con el cielo.
Sin rendirse m urió, legando su obra
De h o rro r y destrucción al que seguía,
Y yo el fin esperaba con zozobra
De tan cruda y sacrilega osadía.
Mas él no parecía,
Que del m onte durm iéndose en la falda
De floridos rosales á la som bra,
Con el cuerpo oprim ía muelle alfom bra,
Con la sien deshojaba una guirnalda.
No era el sueño el de plácida inocencia,
Quizás algún espectro le acosaba;
Mas el terco sopor de su indolencia
Del sueño á los deleites le tornaba.
Yi al Cristo que bajaba
P ara tocarle con su pie divino,
Y el su rostro volvió por un instante,
Mas luego reclinóle, que inconstante
Temo encontrar y olvida su destino.
T ornó El Cristo á«’llam arlo cariñoso.
— 190 —
Tornó el siglo á dorm ir en torpe holganza:
Yo tem ia un un com bate desastroso,
Yo anhelaba u n abrazo por alianza.
Congoja y esperanza
Me ajitaban al par; en este em peño
E stenderse vi súbito ancha niebla,
E l m onte d e visiones se desp u eb la,
Y desparece el m onte con mi ensueño.

T. A g m l o .

■UT>JO
V III.

l a Víi'g’cp H aría,

H ora es ya de que invoquemos el Santísim o nom bre


de n u estra cariñosa M a d re , Esposa del E terno, Inm a­
culada V irgen y Madre tam bién del divino Verbo, A
Vos, excelsa Señora, dirigim os nuestra hum ilde voz y
pedim os el aliento necesario para realizar nuestro p ro ­
pósito, para lograr que el pensam iento que hem os con­
cebido no sea infecundo y obtengam os el m ejor acierto
en su desem peño.
No hem os intentado escribir un poema en el sentido
literario de la frase; pero hem os querido, si, tejer una
herm osa guirnalda en honor de la verdadera Religión,
con las flores mas preciosas que ha producido el ame­
no pensil de la poesía religiosa española. El m érito, si
resultase del conjunto, no será nuestro, sino de las
ricas piedras que hemos elegido para form ar tan in es­
tim able joya. Y al hacerlo así, por un m ovim iento im ­
pulsivo de nuestro corazon, liemos de dirigirnos á la
Soberana E m peratriz de cielos y tierra, A la Virgen sin
m ancilla y M adre de m isericordias, y la ofrecemos des­
de luego nuestro pequeño tributo de hum ilde adm ira­
ción y santo am or.
Ella es la m ediadora incesante entre la débil hum a-
— is a —
nidad y el Dios de justicia y do bondad; á ella llega­
mos siem pre que en nuestras tribulaciones necesitam os
invocar un nom bre sagrado y divino; ella es la Madre
am orosa, cuyo cariño puede m ejor disculpar nuestros
funestos extravíos: por eso involuntariam ente el nom ­
bre de María llega siem pre á nuestros labios.
Cuando el hom bre m ide en su pensam iento la dis­
tancia que le separa de Dios; cuando, al contem plar el
insondable abism o que media entre el Criador y la
c ria tu ra, entre el ser infinito y necesario y el ser lim i­
tado y c o n tin g e n te , entre la O m nipotencia sum a y la
flaqueza d é la s fuerzas hum anas, entre la inm ensa sa­
biduría y la ignorancia de todas las causas á que se
halla reducido, reflexiona sobre todo esto un m om ento,
quizá retrocede im presionado por tanta grandeza, an o ­
nadado por ta n ta m ajestad , turbado y sin fuerzas al
considerar, que é l, m ísero gusano de la tie rra , tiene
que levantar sus ojos al cielo y fijar su atrevida m ira-
da*en otra luz, de la cual es solo un débil y pálido des­
tello, aquel astro del dia que ciega con sus rayos, A
quien se atreve á m irarle frente á frente.
Y si acaso contem pla la bondad inm ensa del S upre­
mo H acedor y la ingratitud sin lím ites del género h u ­
m ano, la horrible fealdad de la culpa y la herm osura
de la gracia; el sublim e m isterio de la Redención y la
eficacia de los Sacram entos; necesariam ente ha de sen­
tirse indigno de los favores celestiales, que tan pródi-
gam ente se le han d ispensado, y forzosam ente ha de
tem b lar ante quien, a! m ism o tiem po que es la infinita
m isericordia, es tam bién la infinita justicia.
— 195 —

E n to n c e s, para fortalecer su santo p ro p ó sito , para


abrirle con su m ediación las m isteriosas pu ertas de la
celestial Jerusalem , para in terceder coa el Hijo am ado
sentado á la eterna diestra del P ad re; se ofrece la So­
berana S eñora, á quien acude siem pre solícito com o
á una Madre llena de virtudes y gracia, pródiga en sus
inestim ables beneficios, que es tam bién Madre de todos
los cristianos, y cuyo nom bre va siem pre unido á sus
o raciones; la S antísim a V irg en , en cuya persona tan
altos conceptos se significan, la S eñ o ra, cuyas bonda­
des no im ploram os nunca sin obtener opim os frutos;
la M adre solícita que oye nuestras fervientes súplicas
corao la m ejor de todas las m adres, que m ejor que to­
das está dispuesta á perdonar nuestras c u lp a s; y pedir
á su Divino Hijo, que derram e sobre nosotros los teso­
ros de su infinita gracia é inagotable misericordia*
Invoquem os, por lo tanto, su dulcísim o nom bre,
como prenda segura de a c ie rto , como perenne fuente
de toda inspiración del sentim iento cristiano. Su santo
nom bre, que debe involuntariam ente salir de nuestros
lábios en los mayores infortunios y en las alegrías mas
inefables; ese no m b re, que encierra tan grandes m is­
terios, tan preciosas significaciones, y cuya dulzura es
tal que, como dice un escritor sagrado, los ángeles
m ism os desean oírle pro nunciar para gozar de delicia
tan inefable.
PLEGARIA.

M aría, cuyo nom bre


Como conjuro santo
A huyenta con espanto
L a sa ñ a de Luzbel,
E scríbem e en el pecho
Tu nom bre om nipotente,
Porque jam ás in ten te
A posentarse en él.
María, Soberana
De cuanto el orbe encierra,
Rocío de la tie r ra ,
E strella de la m ar;
Tu nom bre m isterioso
Será el fonal tranquilo
Que alum brará el asilo
De m i terreno hogar.
María, cuyo nom bre
E s fuente de pureza
Que lava la torpeaa
Del frágil corazon,
Tu nom bre será el agua
Que eí m ío purifique
— 195 —

De cuanta en él radique
Maligna inclinación.
Maria. luz del cielo,
Cuya brillante esencia
Es luz de toda ciencia,
Y del saber raudal,
Tu nom bre sea antorcha
Cuyo fulgor ahuyente
De mi acotada m ente
La lobreguez letal.
María, cuyo nom bre
Es m úsica mas suave
Que el cántico del ave
Y que del agua el son,
T u nom bre sea fuente
Do beban su arm onía
Mi tosca poesía,
Mi pobre inspiración.
María, á cuyo nom bre
La divinal justicia
Al pecador propicia
Se inclina á perdonar,
Tu nom bre sea, cuando
La eternidad se me abra,
La últim a palabra
Que exhale al espirar.

S . Z oR R IL L i
— 1% —
Con esta invocación, parécenos adquirir nuevo aliento
para realizar nuestro propósito en favor del pueblo c ris­
tiano. Los tesoros que nuestra literatura inspirad a por el
sentim iento religioso nos ofrece, serán m ejor apreciados
p o r nosotros al llevar como norte de nuestra em presa
fijo nuestro pensam iento en el dulcísim o nom bre de
María. Nada que sea indigno de Vos, Soberana Señora,
n ada que desm erezca de vuestro altísim o respeto ñ iq u e
pueda ofender vuestros virginales oídos, podrá te n er
cabida en nuestro libro, por grande que su m érito lite­
rario fuese, que á nosotros nos parece que la m isión
del poeta no es a rrastra rse por el fango de las m iserias
de la v id a, sino levantar sus ojos á la celestial esfera,
y hacer resonar en su lira him nos de adm iración y gra­
titu d en honor del S eñor y de su Santísim a Madre,
n u estra mas constante protectora.

ALABAMZAS D£ «ARIA.

Sois palm a excelsa, oh Yirgen, triunfadora


Del árbol del erro r: sois verde oliva
Que en lo suprem o de las aguas m ora,
Verde á pesar de su diluvio y viva:
Sois vid que el golpe de la hoz ignora,
Ciprés que, exento de la m uerte esquiva,
— 197 —
Anuncia m uer Le con funesta guerra
Al que esperaba derribarle en tierra.
Sois lirio asido á la pungente y dura
Ram a de espinas y jam ás violado;
Rosa, cuya beldad intacta y p u ra
No m architó la noche y viento helado.
¡Oh sin igual purísim a criatura!
Que preservada del com ún p ecad o ,
Sois en desprecio suyo victoriosa
P alm a, oliva, ciprés, vid, lirio y rosa.
Sois plátano de ram as tan copioso
Al fértil riego de perpetua fuente
Que nunca el hielo su verdor frondoso
Ha penetrado ni el agosto ardiente:
M irra escogida, bálsam o oloroso,
Cuya interna virtud perpetuam ente
Os reservó incorrupta y sin ofensa
Contra el contagio de la culpa inm ensa.
Sois el cm am o de fragan te y fina
Especie, oculto en aspereza ta n ta ,
Que ni guadaña al tronco se avecina,
Ni falta un ram o de la fértil planta.
¡0 en los hum anos excepción divina
Del Criador im agen sacrosanta!
P o r m il blasones dignam ente os llam o
P látano, m irra, bálsam o, cinam o.
Sois torre ebúrnea, altísim a y fundada
P ara asilo feliz del bando amigo,
Pues su notoria inm unidad sagrada
F u é siem pre incontrastable al enem igo:
— 198 —

Ciudad, en cuya cerca levantada


No ab rió el contrario entrada ni postigo;
Escala del em píreo, inaccesible
Al píe atrevido de la bestia horrible.
P u e rta que aun antes que su autor la abriera
Ya estaba al adversario defendida:
F u en te que al áspid y culebra fiera
Dios negó de sus ondas la bebida*
¡Oh en soberanas honras la prim era
Sin som bra de pecado concebida!
Bien sois con sem ejanza preem inente
T o rre, ciudad, escala, puerta y fuente*
Sois encendido sol, y tan fogoso,
Que no perm ite congelar nublado,
Ni el factor de las, som bras espantoso
H a visto el globo de su luz turbado:
Sois lucero del alba lum inoso,
Que en los solares rayos inflamado
Huye el eclipse lóbrego, funesto,
Cercano siem pre al sol y nunca opuesto,
N orte, que de las ondas se retira
Sin ver jam ás en ellas triste ocaso:
L una, que ai sol suprem o siem pre m ira,
Ni el m undo estorba de su vista el paso.
¡Oh singularidad que al cielo adm ira!
Rindo á tan p ura luz mi ingenio escase,
Pues no se incluye en alabanza alguna
V uestro dol y lucero, norte y luna.

J. se Játjregui*
— 199 -

A MUESTRA SEÑORA.

Virgen que el sol mas pura,


Gloria de los m ortales, luz del cielo,
E n quien es la piedad como la alteza;
Los ojos vuelve al s u e lo ,
Y m ira un m iserable en cárcel dura,
Cercado de tinieblas y tristeza;
Y si m ayor bajeza
No conoce ni igual juicio hum ano,
Que el estado en que estoy por culpa agena»
Con poderosa mano
Quiebra» Reina del cielo, la cadena.
Virgen en cuyo seno
Halló la deidad digno reposo,
Do fué el rigor en dulce am or trocado*
Si blando ni vigoroso
V olviste, bien podrás volver sereno
Un corazon de nuhes rodeado;
D escubre el deseado
R ostro, que adm ira el cielo, el suelo adora;
Las nubes huirán, lucirá el d i a ,
T u luz» alta S eñora,
Venza esta ciega y triste noche mia.
— 200 —
Virgen y Madre ju n to .
De tu H acedor dichosa engendradora*
A cuyos pechos floreció la vida*
Mira como em peora
¥ crece m i dolor mas «ada pu n to ;
E l odio cunde, la am istad se olvida;
Sí no es de tí valida
La justicia y verdad que tu engendraste,
¿Adonde hallará seguro am paro?
Y pues m adre eres, baste
P ara contigo el ver m i desam paro.
Virgen del sol vestida,
De luces eternales coronada,
Que huellas con divinos pies la luna;
E nvidia em ponzoñada,
E ngaño agudo, lengua fem entida,
Odio cruel, poder sin ley ninguna,
Me hacen g uerra á u n a.
P ues contra un tai ejército m aldito
¿Cuál pobre y desarm ado será parte,
Si tu nom bre bendito,
M aría, no se m uestra p o r m i parte?
V irgen por quien vencida
Llora su perdición la sierpe fiera,
Su daño eterno, su burlado intento,
Miran de la rib era,
Seguras, m ucha gente m í caída,
E l agua violenta, el flaco aliento:
Los unos con c o n ten to ,
Los otros con espanto, el m as piadoso
— 201 —
Con lástim a la inútil voz fatiga;
Yo, puesto en ti el lloroso
R ostro, cortando voy onda enem iga.
V irgen del P adre esposa
D ulce m adre del Hijo; tem plo santo
Del inm ortal Amor; del hom bre escudo,
No veo sino espanto,
Si m iro la m orada, es peligrosa;
Si la salida incierta; el favor m udo,
E l enemigo crudo,
D esnuda la verdad, m uy proveída
De arm as y valedores la m e n tira,
L a m iserable vida
Solo cuando me vuelvo á ti respira.
V irgen que al alto ruego
No m as hum ilde si diste que honesto,
E n quien los cielos contem plar desean;
Com o.terrero puerto,
Los brazos presos, de los ojos ciego.
A cien flechas estoy que m e rodean,
Que en h erirm e se em plean,
Siento el dolor, mas no veo la m ano,
Ni m e es dado el h u ir ni el escudarm e,
Q uiera tu soberano
H ijo, M adre de am or, por ti librarm e.
V irgen lucero am ado,
E n m ar tem pestuoso clara guia,
A cuyo santo rayo calla el viento,
Mil olas á porfía
H unden en el abism o un desarm ado
ALBUM, 14
— 202 -
Leño de vela y rem o, que sin tiento
El húm edo elem ento
Corre; la noche carga, el aire tru en a ,
Ya por el cielo va, ya él me lo toca,
Gime la rota antena;
Socorro antes que em bista en dura roca.
V irgen no enílcionada
De la com ún m ancilla y m al prim ero
Que al hum ano linaje contam ina,
Bien sabes que en ti espero
' Dende mi tierna edad, y si.m alvada
F uerza, que m e venció, ha hecho indina
De tu guarda divina
Mi vida pecadora; tu clem encia
T anto m ostrará mas su bien crecido,
Cuanto es m as la dolencia,
Y yo m erezco m enos ser valido.
V irgen, el dolor fiero
Anuda ya la lengua; y no consiente
Que publique la voz cuanto desea;
Mas oye tú al doliente
Animo que contíno á tí vocea.

F r . L u is d b L e ó n *

Mas á pesar de cu a n to en alabanza de la excelsa Se­


ñ ora, n u estra cariñosa M adre, p u diéram os reproducir,
¿cómo lograríam os jam ás hacer el m erecido elogio de
sus adm irables perfecciones? ¿Qué lengua p u ed e expre­
sarlas, ni que idiom a revestirlas con sus m erecidas ga*
— 203 —

las? Tan alta está para considerarla como criatura h u ­


m ana, que apenas concebim os que haya m orado en la
tie rra en algún tiem po: tan ccrca de nosotros para con­
solarnos en nuestras aflicciones, para interceder p o r
n u estro s pecados, que á cada m om ento invocam os su
nom bre, y buscam os su sagrada im agen á n uestro lado
com o el niño vuelve los ojos á su solícita y cariñosa
M adre. ¡Cuán adm irablem ente expresa el poeta la di­
ficultad de can tar las excelencias de María!

A IS U E S T R A S E Ñ O R A .

SONETO.

No sois vos, Virgen santa y escogida,


Un Dios, que rige el estrellado velo,
Ni sois tam poco vos, el m istqo cielo,
No luna, sol ó estrella conocida.
. Ni sois tam poco vos la m ism a vida, ■ .
No ángel de ligero y presto vuelo,
Ni como cosa alguna, acá del suelo
P o r m as bella que sea y m as lucida.
Digo lo que no sois, porque deciros
L o que sois, im posible me parece;
A Dios es reservado tal tesoro.
— 204 —
Solo el que solo pudo produciros*
A quien toda esta m áquina obedece,
Podrá decir de vos, bocados de oro.

P . F r. de H inojos a y Carvajal.

T otro de nuestros escritores dice tam bién al m ism o


propósito:

A N U E ST R A SEÑO RA.

Un adm irable cam bio y nunca oido


E s el que vos y Dios, V irgen, lucistes,
Que ha sido Dios p o r vos, lo que no ha sido,
Y vos fuístes por E l lo que no fuístes,
E terno era antes D ios, y ya nacido;
Virgen éradgs vos, y ya paristes;
Quedando eterno Dios, es c ria tu ra ;
Quedando M adre vos, sois V irgen pura.

F u . Luis de L eón .

P ero principalm ente debem os fijar nuestra conside­


ración en la de que la Santísim a V irgen, es tam bién la
Co-Redentora del género hum ano. E lla contribuye á la
— 205 —

gran obra de la R edención, por el adm irable m isterio


de la E ncarnación del Yerbo en sus purísim as entrañas:
por el nacim iento del S alvador, por los dolores agudí­
sim os que experim entó en el songriento sacrificio del
Calvario, y de que en otro lugar hem os procurado dar
una rem ota idea. E ste carácter es el que se hace n o ta r
en la siguiente com posicion:

A l l I E S T R A SEÑ O R A.

No viéram os el rostro al P adre E terno


Alegre, ni en el suelo al Hijo am ado
Q uitar la tiranía del infierno,
Ni el fiero espitan encadenado,
V iviéram os en llanto.sem piterno,
D urara la ponzoña del bocado,
Serenísim a V irgen, si no hallára
Tal M adre Dios, en vos donde encarnára.
Que aunque el am or del hom bre ya liabia hecho
Mover al P adre E terno á que enviase
Al único engendrado de su pecho
A que encarnado en vos le reparase
Con vos se rem edió nuestro derecho
H icístes n uestro bien se acrecentase,
E stuvo n u estra vida en que quisístes
— 206 —

Madre digna de Dios, y ansí vencísles.


No tuvo el P adre, m as V irgen, que daros
P u es quiso que de vos Cristo naciese
m vos tuvisteis m as que desearos
Siendo el deseo tal, .que en vos cupiese
H abiendo de ser M adre, contentaros
P udíérades de serlo de quien fuese
Menos que Dios, aunque para tal Madre
B ien estuvo ser Dios el Hijo y Padre.
Con la hum ildad que al cielo enriqueciste»
V uestro se r sobre el cielo levantastes
Aquello que fué D ios, solo no fuístes
Y cuanto no fue Dios, atrás clejastes
A lm a santa del P adre concebi&tes
Y al Verbo en vuestro vientre le cifrástes
Que lo que el cielo y tie rra no abrazaron
V uestras santas entrañas encerraron.
Y aunque sois Madre, sois V irgen entera
Hija de Adán, de culpa preservada
Y en órden de nacer vos sois prim era
Y antes que fuese el cielo sois criada;
P iadosa sois, pues la serpiente fiera
P o r vos vid su cabeza quebrantada
A D ios, de Dios bajais del cielo al suelo
Del hom bre, al hom bre alzais del suelo al cielo.
E stáis ahora Virgen generosa
Con la perpetua T rinidad sentada
Do el P adre os llam a Hija; el Hijo, Esposa
Y el E spíritu Santo, dulce am ada,
De allí con larga mano poderosa
— 207 —
Nos repartís la gracia que os es dada
Allí gozáis, y aquí para m i plum a
Que en la esencia de Dios está la sum a.

F r . L uis de L eón .

E sta adm irable participación que la S antísim a V ir­


gen tiene en la obra de salvación del género hum ano,
h a hecho que se la dé el justísim o dictado de Madre de
la divina gracia, ó como dice uno de n uestros antiguos
e scrito res, es la aurora de la gracia que brilló en el
m u n d o con m isteriosa y desusada luz para realizar
n u estra R edención.

U AURORA I»E IA GRACIA.

L uchó toda la noche el esforzado


Jacob con el espíritu valiente,
Mas la lucha cesó cuando el rosado
R ostro el alba m ostró por el O riente:
M iserias en la noche del pecado
L uchaban con el hom bre inobediente
H asta que el m undo vio tu aurora bella,
Que está el Oriente de la gracia en ella.
Los dos prim eros padres eran soles,
— 208 —

Pero eclipsados por la culpa oscura


P erdieron los divinos arreboles
De aquella luz de la inocencia pura;
Mas porque sus defectos acrisoles,
Y restaures su luz con tu herm osura,
N aciste, A urora bella, arrebolada
Con la luz de inocencia no eclipsada.
Si el alba m atutina reverbera
Con sus m ejillas de arreboles rojos,
Es porque el sol de la voluble esfera
Le rin de sus reflejos por despojos;
T así porque tu A urora verdadera,
Siem pre agradase á los divinos ojos,
Te vistió de los rayos de su lum bre
E l sol que habita en la paterna cum bre.
Son de la Iglesia m ontes superiores
Los ju stos en la gracia quilatados,
Y m ares los contritos pecadores
t De lágrim as que al fin lavan pecados:
Y como de tu A urora resplandores
Lucen en todos géneros de estados,
Con áureas luces tu beldad qiúlata
Oro en los m ontes y en los m ares plata.
Es antepuesto el tiem po deleitoso
Del alba á todos á quien ta u to excede,
Que al pecho m as inquieto y cuidadoso
E n tre sueño vital quietud concede;
Y el de la tuya fu é ta n poderoso
P ara con Dios, que (si decirse puede)
P o r ser tan dulce y regalada hora
— 209. -
Dio á su ju sto rig o r sueño tu A urora.
E s el nacer el alba en el O riente
U na excelencia que, si bien se m ira,
S e proporciona peregrinam ente
Con tu beldad que al universo adm ira;
P ues no nació tu A urora refulgente,
E n quien el Sol eterno se rem ira,
Al O ccidente de la culpa oscura,
Sino al O riente de la gracia pu ra.

El roció m aterno deseando


Las plantas y las flores sem iabiertas,
E stán la A urora cándida esperando
Porque les abra sus rosadas puertas;
Y las plantas de A dán, casi espirando.
E speraban m architas y desiertas
Que les diese tu A urora soberana
El rocío de Dios en carne humana'.
Quiso con la m ortal naturaleza
Dios desposarse, de su am or h e rid o ,
Y á tu A urora bajó, cuya b clk za
Quiso elegir p o r tálam o florido:
Fué el ser hum ano en tu inm ortal pureza
Inseparablem ente á Dios unido;
Que el Esposo es un sol, y así ha quedado
E n tálam o de A urora desposado.
La ley m osaica fué dura y pesada,
Y en las piedras así la dejó escrita;
Mas la de gracia, en tierno am or fundada, •
E n tiernos corazones deposita:
— 210 —
Aquella en truenos y en erro r fue dada,
E sta en tu aurora, que pavores quita;
E n dar la escrita se m ostró guerrero,
Y en la de gracia am ante verdadero.
P ártese el cielo en dos jurisdicciones
Que es de la ju sticia y la clem encia,
Y aunque am bas son de Dios, pues divisiones
No hay en el reino de su eterna esencia;
Como es lu A urora m ar de intercesiones,
Dios adjudica al sol de- su potencia
Su n atu ral ju sticia, y á tu A urora
La infinita clem encia que atesora.

Y si es la aurora la piadosa m adre


De aquellos que al jo rn a l son conducidos,
Forzoso es que á tu piedad le cuadre
Ser m aterno confugio de afligidos;
P ues Dios hum ano, de familias padre,
Dió en su viña jornales nunca oidos
Después que con tu aurora de alegría
Amaneció del Evangelio el día
Con la presencia de la au ro ra clara
Se im piden latrocinios, huyen fieras:
A légranse de ver su herm osa cara
E jércitos de flores lisonjeras:
T u A urora im pide á la serpiente avara
H orribles hurtos de alm as prisioneras,
Vida á las flores dá de los m ortales
Y en fuga pone á fieras infernales.
El Sol de sem piternos resplandores,
— 211 —
Antes que por tu A urora descendiera,
T alaba los inm undos pecadores
Con duros rayos de tonante esfera:
Mas tem plando tu A urora sus rigores,
No arroja ya su condicion sevéta
Rayos de ardiente fuego que confunden,
Sino rayos de luz que vida infunden.
P ara dar luz al hom bre (extraño caso)
Bajó aquel Sol de la infinita cum bre,
"Y fué tu A urora el peregrino paso
De su inefable y poderosa lum bre:
Y así quien preten d iere un solo paso
D ar p ara que la luz de Dios colum bre,
P o r tu A urora ha de se r que es el cam ino
P o r donde busca al hom bre el Sol divino.
De la A urora la nítida blancura
Se encum bra y m ira á la celeste parte,
Y del color purpúreo la herm osura
A la tie rra se inclina y se reparte:
E s de la tuya sím bolo y figura,
P u es Dios los dos im perios quiso darte
Que obedeciesen tu glorioso nom bre,
Las dos naturaleza, ángel y hom bre.
Es de fé que cualquier naturaleza,
P lan ta , bruto» ángel, hom bre, pez ó ave,
Nace del sol de la inm ortal grandeza,
A donde todo lo infinito cabe:
Mas de tu A urora sacra (cuya alteza
No hay criatura que dignam ente alabe)
Nació aquel Sol, de cuyas luces puras
— 212 —
Nacen infinidad de criatu ras.
D icen m uchos científicos autores,
Cuyos ingenios Dios ilustra y d o ra ,
Que dio tu nacim iento resplandores
Al m ism o punto que los dá la aurora;
Y pues naciste para dar favores
E n el fin de la noche, nadie ignora
Que en tu A urora acabó la noche larga
Que el m undo vino por la culpa am arga.
Sale con sus auríferas vislum bres /
Bordando nubes y esm altando prados
E l alba pura; y en tus bellas lum bres
Yiven tales efectos retratad o s;
P u es bordas con tus gracias m uchedum bres
De alm as que eclipsan nubes de pecados,
Y esm altas de floridas perfecciones
A tribulados, yerm os corazones,,

A. de B onilla.

Como la flor del lirio se ostenta entre las d em ás flo­


res por su belleza, y descuella en m edio de ellas, d ije­
ron tam bién n u estro s escritores que era M aría la h e r­
m osa flor, la m ística ro sa que habia brotado- en el
m u n d o , entre las espinas y ásperos abrojos que en él
habia producido el pecado de A dán. Al lirio entre es­
pinas, la com pararon adm irablem ente por los concep­
tos que se expresan del siguiente m odo:
limo mm espinas, atributo de mima santísima.

Cuando las m anos por esencia santas


F ab ricaron á A dán, tantos favores
Quisieron darle y perfecciones tantas
Que lo hicieron ja rd ín de bellas flores;
Mas como en él se m architaron cuantas
Produce de infinitos pecadores,
Todos en vez de flores olorosas
Son por Adán espinas dolorosas.
P ues viendo el P rod u cto r de lo,criado
Que el hom bre se trocó tan de im proviso
Ett áspero zarzal p o r el pecado,
H abiéndole form ado paraíso,
Del ja rd ín de su am or, m onte encum brado,
E n este valle lacrim oso quiso
T rasplantar una flor tan p ura y bella
Que conociesen á su au to r por ella.
No quiso que otra flor se com parase
Con su divina y singular belleza,
A unque p o r com petir se desflorase
L a angélica, ó m ortal naturaleza:
Y asi para que el nom bre le cuadrase,
P uesto que fué de Dios digna grandeza,
— 214 —
Mostró sus excelencias peregrinas
Llam ándola su autor L irio en tre E s p in a s .
L irio que entre infinitas excelencias
T ienes por excelencia el se r piadoso,
Y tanto que en tre abrojos de conciencias
Tiene tu planta celestial reposo;
Pues tu divina flor las influencias
Recibe de aquel Sol m as poderoso,
R eparte con Adán de tus favores,
Y se verán nuestras espinas flores.
Mas sí es cierto que el lirio eutre zarzales
Ha de costar! e sangre á quien le coge,
¿Cómo ba querido entre asperezas tales
P la n ta rte aquel que para sí te escoge?
P ero como entre am antes son señales
Que uno por otro á padecer se arroje,
Dá por señal de am or el que te planta
Cogerte á costa de su sangre san ta.
Lirio entre espinas, m as que el ciclo herm oso,
Solo un secreto quiero preguntarte:
¿Cómo am ándote ta n to el Poderoso
E n tre espinas de Adán quiso plantarte?
Mas ya lo entiendo, el caso es m isterioso
Que como Dios profesa el respetarte,
P or no talar nuestras espinas fieras .
P lantado en m edio quiso que estuvieras.
La zarza donde Dios quiso ponerse
Bien puedo, flor, contigo com pararse,
Porque en carne de Adán m ancha no verse
Es como fuego en zarza sin quem arse:
— 215 —
Solo de tu beldad pudo en ten d erse
Que fué entre espinas ftor sin espinarse,
Que en tre espinas tu lirio está del m odo
Que el sol incorruptib le sobre el lodo.
De la resurrección gloriosa y santa
Es la azucena sím bolo y figura,
Pues dividida de su tronco y planta
Conserva en agua cándida frescura:
Cortó tu ñor la m uerte, m as fué tanta
L a beldad que conserva, por ser pura,
Que su resurrección y su m em oria
D ura en las aguas de la eterna gloria.

A. de B o n il l a ,

Tero seria prolija tarea hacer m ención de todas las


co m p aracio n es, de todas las sem ejanzas im perfectas
siem pre, que se han querido en contrar en relación con
los atributos de María S antísim a, para elogiar como se
debe á tan Soberana Sefiora. E s la rosa de Jericó por
ía celestial belleza que en ella resplandece, la m isterio­
sa puerta del cielo que se nos abre p o r los tesoros de
su infinita m isericordia, el arca de la alianza donde se
encerraba el cum plim iento de las sagradas prom esas,
la Reina de los ángeles, de los P a tria rc a s, de los con­
fesores y de los m á rtire s, y es en fin, el conjunto de
innum erables perfeccionas de que solo podem os form ar
u n a idea aproxim ada.
TRADUCCION DEL HIMNO
AVE M AR IS S T E L L A .

Salve del m ar estrella,


Salve Madre sagrada
De Dios, y siem pre V irgen,
P u erta del cielo santa.
Tom ando de G abriel
El Ave V irgen alma;
Mudando el nom bre de Eva,
Paces divinas trata.
La visLa restitu y e,
Las cadenas desata,
Todos los m ales quita,
T odos los bienes causa.
M uéstrate Madre, y llegue
P o r tí n u estra esperanza
A quien por daros vida,
Nació de tus entrañas.
E n tre todas piadosa
V irgen, en nuestras almas
L ibres de culpa infunde
V irtud hum ilde y casta.
Vida nos presta pu ra,
— 217 ^
Camino fírm e allana,
Q ue quien á Jesús llega,
E terno gozo alcanza.
AI P a d re , al Hijo, al Sanio
E spíritu alabanzas,
Una á los tres le dem os,
Y siem pre eternas gracias.

L o í ’e de V eg a ,

MARIA AMPARO DE TODOS.

¡Oh tú que en hora enlutada


Viste á lu m adre llorada
Q uedar en huesa de horror,
Y para m as sentim iento
No te m itiga entre ciento
N ingún am igo el dolor!
Vuelve la vista llorosa,
Y en Madre mas am orosa
Seno mas dulce hallarás;
Seno que encierra la vida;
Y pues con él te convida,
No ya pupilo serás.
Y tú , que náufrago luchas
ALBUM . 15
— 218 -
Y en íieras hondas escuchas
Del hondo abism o el hervor,
A lzala frente cansada,
Ye apa re re ríe llam ada
La viva estrella de am or.
Consoladora dei mundo
Que dice al m ar iracundo:
«Baja la altiva cerviz»
P ídete m ano, y la atiendes.
Olas intrépido hiendes,
P isas la arena feliz.
¿Quién desdichado se nombra?
¿Es el que á fúnebre som bra
De oscura cárcel bajó?
¿O á quién el débil estam bre
Víctima infausta del ham bre
Casi la m uerte cortó?
¿O es el herido soldado
E n propia sangre volcado
P or lanza ó plomo cruel?
¿O esd o lo ro sa doncella
D esam parada y aun bella
Cual solitario vergel?
Manden á ti, V irgen santa,
Ayes de ronca garganta, -
G ritos de íiel corazon.
Digan á tí su agonía,
Que eres salud y alegría
De todo siglo y nación.
Que sabes, am as y puedes,
— 219 —
Y m anantial de m ercedes
B rotando corre de tí;
De tí que el cíelo realzas;
De tí que á pobres ensalzas,
Solo diciendo que sí.

P. R . G a r c ía ,

E ntre las singulares excelencias de que por la gracia


divina fué dotada la Santísim a Virgen, m erece un alto
lugar el celestial favor que alcanzó de se r concebida sin
la m ancha del original pecado. D eclarado hoy como
punto dogm ático tan alto m isterio q u e , sin em bargo,
estaba recibido como tradición constante por la Iglesia,
ha sido ensalzado y celebrado por nuestros m odernos
escritores con m ultitud de poesías á que no podríam os
dar cabida, y de las cuales por otra p arte conocerán
nuestros lectores las mas principales. Insertam os, p o r
consiguiente, una de las de nuestros mas antiguos poe­
tas, que se hace no tar por la elevación de sus con­
ceptos,

A LA LIMPISIMA CONCEPCION DE NÜESTM SEÑORA.

(8 DE d i c i e m b r e ).

De ti se espera soberana estrella,


El claro sol divino de justicia;
Tu concepción, oh virginal doncella,
— 220 —
Quita del m undo la m ortal codicia,
Considerando que vendrá por ella
A m orir del pecado la malicia,
Pues ab esten io Dios tuvo ordenado
P ag ar la culpa siendo en tí encarnado.
Si con soberbia la m ujer prim era
Tal pecado. á su Adán ha persuadido,
Que á todos nos causó ia m uerte fiera,
De que vos, Virgen, libre habéis salido;
Vos con vuestra hum ildad p ura y entera
Al celestial Adán habéis movido
A que, encarnando en vos, despues m uriese
Tal m uerte que ¡i los m uertos vida diese.
Con caridad tan alta os levaniastes,
Que á Dios cuanto os ha dado le volvistes;
Si vida tem poral del alcanzástes;
A él m esm o tem poral vida le distes;
Y si con esta vida negocias tes
La vida perdurable que adquirístes,
Con la vida que á Dios habéis vos dado
Mayor gloria que vos ha negociado.
Con esto cesó, Virgen escogida,
P u erta del cielo y singular entrada*
Pues no hay quien os alabe en esta vida
Si no es de no poder ser alabada;
Porque imagen de punto tan subida,
Con tan alto prim or de Dios pintada,
No hay quien por retratarla no la borre, i
Si algún favor divino no le corre.
U beDAí :
— m —
Así debem os considerar el nacim iento1de la -sacro­
santa V irgen, como uno de los favores m as grandes
que debem os ó la O m nipotencia sum a; pues era la m u­
je r elegida que iba á q u eb ra n tarla cabeza d é la infernal
serp ien te que en otro tiem po incitó á la prevaricación
del género hum ano; é r a la M adre'cariñosa que habia
de darnos el preciosísim o fruto que rescatase al hom bre
de aquella original culpar en que nuestra prim era Ma­
dre nos sum ergió al com er de otro fruto v edado, y al
desobedecer el precepto del Sumo H acedor. P o r eso los
ángeles y los querubes, los cielos y la tierra saludaron
con júbilo la natividad de N uestra S eñora.

LA NATIVIDAD DE NOESTRA SEÑORA.

(8 DE s e t i e m b r e ).

Cuando am anece el angustiado m undo


La sacrosanta V irgen,
De la m ancha prim era preservada,
Detiene absorta la celeste esfera
Su raudo m ovim iento, ,
Y retiem bla de gozo el firm am ento.
Júbilo nuevo en las etéreas cum bres
El angélico bando
— 222 —
Siente añadirse á su placer eterno:
Jehová depone el rayo vengativo:
Y la inocencia am ada
Brilla otra vez del hom bre en la m orada.
E ntonces U riel, á quien fué dado
El gobierno del dia,
Y en el ardiente sol fijó su trono,
E sparciendo su voz por cuanto alum bra
E l flam ígero vuelo,
Así cantó el placer de tie rra y ciclo.
«¿Cual es esta, que sube vencedora
Del seno tle la nada
A ilu s tra r las m ansiones de la vida?
La plateada luna no es mas bella
E n tre el coro estrellado,
Ni el sol mas puro en el cénit rosado.»
«¡Cómo nuevo verdor y vida nueva
Recobran las m ontañas,
Do á ser delicia de la tie rra nace!
Jú b ilo , N azareth: salud., Carmelo:
De Jericó la rosa
Ya florece en tu suelo m as herm osa.»
«¡Cuánto pavor infunde su sem blante,
Del ángel dulce encanto,
A la hueste infernal de las tinieblas!
¿Oís , oís cual bram a enfurecido
El orgulloso bando?
¿Cuál sus puertas se cierran restallan d o ?»
«No mas terrible intrépida falange
Al débil enemigo
— 225 —
Marcha para el combaLe y la victoria.
T riunfa, herm osa m ujer: el Dios potente
Su rayo te confia
Y su te rro r ante tu faz envia.»
«¿Quién como tú , gran Dios? Angeles puros;
Altas inteligencias,
Bendecid su piedad. ¿No veis cuál m ira
La triste tie rra con benignos ojos?
¿No veis ya disipado
El ceño, que ocultó su rostro airado?
«Himno de triunfo al Verbo* al A m or santo
Bendición sem piterna.
M ortales, respirad, que ya fenece
El largo cautiverio; el sol divino
Ya seguirá á la a u ro ra ,
Cuyo esplendor vuestras m ansiones dora.
Angeles: ensanzadla. Del Dios sumo
H ija, m adre y esposa.
Y reina vuestra es. ¡Dichoso el dia
Que nace para el bien de los m ortales!
A su belleza y gloria
H im nos de am or cantad y de victoria.» ■
_ Dijo U riel, y con el cetro de oro
Señala en la alta esfera
El instante feliz. Cánticos nuevos
Las em píreas regiones enam oran;
Y á su herm osa criatura
L edo sonríe el P adre de la altura.

A l b e r t o L is t a .
— 224 —

E s , sin em bargo, la Santísim a V irgen; Reina y S e­


ñora N u estra, tal conjunto de perfecciones que su h u ­
m ildad iguala á su grandeza, dándonos así el maá n o ­
table ejem plo de estas virtudes. Aunque exenta.de toda
m ancha y de toda culpa, considérase movida por esta
m ism a h um ildad, como no m erecedora de los favores
que la dispensa el O m nipotente. Y suponiéndose com o
la iiltim a de las criaturas, cree necesario tam bién so ­
m eterse á las m ism as leyes que las dem ás, y la vem os
acudir á s u purificación, como si su pureza necesitara
m ayor brillo ó realce.

LA PURIFICACION.

H erm osa doncella


Delicia de Dios,
¿A donde cam inas
Con paso veloz?
¿A que vas al templo
Del rey Saiomon,
Y tórtolas llevas
De pardo color?
¿Porque tu sem blante
Colora el rubor;
Si mas pura eres
— 225 —
Y herm osa que el sol?
¿Si al punto que el cielo
T u rostro m iró,
De gala vestido
Sus puertas abrió?
¿Si e! Dueño infinito
Con alas de am or
A lbergue en tu seno
D ulcísim o halló?
¿Si tierno y herm oso
De tí nos nació,
Cual brota de Mayo
La cándida flor?
¡Si al,pecho le tienes,
Su dulce prisión,
■Del ósculo cerca
■P or alto favor?
Mas tú vas al tem plo
Llevando al Señor
De, santas virtudes
R iquísim odon*
. D e hum ilde obediencia
; Fragancia y prim or,
Y en un lazo juntos
: Pureza y am or.
. Corred, fieles hijas
Del m onte Sion,
•Besando su&huellas,
fJDiciéndole en pos:
¡Bendito el in stan te
Que Dios te crio!
¡Bendita la hora
Que el m undo te vio!

P . R. García.

La devocion á Marín, es. una lleuda de g ratitu d , de


am or, que nos exigen loa grandes bondades de tan divi­
na S eñora, que nos im pone un sentim iento que debe
b ro tar aun en el corazon m as em pedernido, en la con­
ciencia mas depravada. P or eso el culto d é la Santísim a
"Virgen, es tan universal y tan constante entre los cris­
tianos; por eso en nuestra patria, en cada ciudad, en
cada pueblo, se conserva en m ultitud de tradiciones re ­
ligiosas la m em oria de los beneficios recibidos por la
Señora, la historia de su m ilagrosas y constantes apari
ciones, y de los innum erables favores que nos ha d is­
pensado. Las m ilagrosas apariciones de las im ágenes
del P ilar de Zaragoza, de-la Almudena y A tocha, en esta
Córte; de M onserrat, y otras m uchas que pudiéram os
citar, nos atestiguan la predilección con que nuestra
am orosísim a Madre m ira á sus hijos mas fieles, los
hijos de esta nación, que lleva unida á la historia de
su engrandecim iento, ]h del fervor religioso que cons­
tantem ente ha brillado en ella.
E n la im posibilidad de-reproducir varias d é la s tra ­
diciones religiosas, que se conservan en nuestra patria
respecto ú la devocion profesada por todos sus hijos á
la Santísim a V irgen, insertam os en el siguiente párrafo
una leyeeda que oreemos que verán con gusto nuestros
lectores, publicada recientem ente y prem iada en un
certam en poético abierto para solem nizar el segundo
aniversario de la instalación de una institución, dedica­
da ¿en salzar la gloria de María Santísim a (1).

(1) I.a A cadem ia B iL liográfico-M am na.


IX .

L A EX PlA C IO iV i

LEYENDA RELIGIOSA ORIGINAL.

A la M adre de Dios y M adre mía


Dudico yo mi tosca p o esía .

I.

Una mañana de Enero


T riste, nebulosa y fria
Solitario un caballero
P o r un áspero sendero
Hácia M ontserrat subia.
Al ver la rota arm adura
De polvo y sangre m anchada,
Y la cabeza vendada,
Y la varonil figura
Pálida y desencajada;
Que de la guerra venido
E l caballero aquel era.
— 250 —
Y que venia vencido,
Desconsolado y^ierido
A divinara cualquiera.
L ástim a verlo causaba
P o r la m ontana subiendo,
Que á cada paso que daba
El infeliz se paraba
Casi extenuado gim iendo.
Y besando un medallón
Que de su cuello pendia
Con evidente em ocion
E xclam aba:— «Virgen m ía,
»Consoladme en mi aflicción.
«Señora: fuerza me dad
nPor vuestro am or y bondad,
»Paru que logre cum plir
*Mi penitencia y vivir
«Encerrado en M ontserrat,
«Que allí á vuestros pies postrado
»Y del todo arrepentido'
»Yo lloraré mi pecado
*H asta que com padecido
»Me lo haya Dios p erd o n a d o .«—
Callaba y volvía á andar;
Pero pasado un m om ento
E ra tanto su penar
Que tenia que parar
Falto de fuerzas y aliento.
Y aum entaban su tristeza
Las impoi tunas m em orias
— 251 —
De sus guerreras victorias,
De su pasada grande/u,
De sus eclipsadas glorias.
Recordaba con dolor
Cuantas horas de placer
Y cuantas horas de am or
Hizo desaparecer
De su destino el rigor.
El pesar del vencim iento
Acongojaba su almn,
Y horrible rem ordim iento
No dejaba al pensam iento
Un solo instante de calma.
P ara m itigar sus penas
A la imagen de María
Que en el medallón tenía
De am or y ternura llenas
Las m iradas dirigía,
Y en la imagen santa hallaba
A sus pesares consuelo,
Porque su llanto unjligaba,
Y dando gracias al cielo
Mas tranquilo cam inaba.
H asta que por fin llegó
Del m onasterio á la puerta
-Que anhelante golpeó,
Y apenas la m iró a b ie rta
E l dintel atravesó,
Y dijo al por tero:— Herma tío,
Quercis nacerm e el favor
— 252 —
De avisar á vuestro P rio r
Que hu tnilde besar su mano
Solicita un pecador?—
Quedó sorpendido el lego
Al caballero m irando,
Mas su cansancio notando
E xclam ó:— Sentaos luego;
Que lo estáis necesitando.
D escansad aquí u n m om ento,
Y decidm e si t]uereis
Que os traiga algún alim ento.
P edid, Señor, que podéis
M andarme sin m iram iento.—

El caballero.

E stim o, buen religioso,


V uestra oferta generosa,
No necesito otra cosa
Que dar al cuerpo reposo,
P u es la subida es penosa.

El lego,

Mucho creo que sufrís.


P o r vuestro trage adivino'
Que de la guerra venís*
¿Estáis herido?
i
E li c a b a l l e r o .

El destino
Lo quiso com ó'decís.
— 233 —

El lego.

Caballero: perdonad
Si en preguntar me entretengo,
P o rq u e com pasión os tengo.
Voy á avisar: E sperad.
El caballero.
G racias.

El lego.

Al in stan te vengo.— *
E l caballero quedó
A solas con sus dolores;
Mas pronto el lego volvió
Y á seguirle le invitó
P o r los largos corredores.

II.

E n una tranquila celda


De aquel santo m onasterio
Cortés y afable recibe
E l P rio r al caballero.
E n un sillón-de baqueta
L e m anda tom ar asiénto,
Y ordena al lego que sirva
Al instante un refrigerio.
Hace trae r ropa lim pia
P ara m udar al enferm o
Q ue la que viste m ojada
Y sucia se halla en extrem o.
ALBUM» 16
— 234 —
D ispone venga en seguida
De la casa el enferm ero,
P ara que la herida cure
Con balsám icos ungüentos.
Y porque no falte nada
P id e que se encienda fuego
Que el frió tiene ateridos
De su buen huésped los m iem bros.
Agradecido y gozoso
E ste adm ite los obsequios,
Y con palabras corteses
Y con llanto verdadero
Revela á su bienhechor
La g ratitud de su pecho.
P ara que con libertad
P ueda hablar el caballero
Ordena el P rio r que todos ' -
Se salgan del aposento.
Verificado lo cual
Le suplica placentero .
Que la historia de sus penas
Vaya despacio exponiendo.
A invitación sem ejante -
Responde el huésped atento,
Y de su vida empezó
E l relato en estos térm inos:
— Nací de padres hum ildes,
H onrados, aunque pecheros,
Que con su sudor ganaban
El necesario sustento.
— 235 —
E n tré á servir desde niño
Al Señor de nuestro pueblo, ■
Al Conde García Tellez,
De caballeros espejo.
E ra herm oso, era valiente,
E ra cristiano com pleto,
Afable con sus iguales,
Benigno con los plebeyos.
Desde que em pecé á servirle
Cobróme cariño inm enso
Y m as que u n amo hallé en él
Un padre am oroso y tiern o .
Yo era sabedor de todos,
De todos sus pensam ientos,
P o rque jam as el buen Conde
Tuvo para mi secretos.
Se enam oró de una joven
H erm osa como un lucero,
*De honestísim as costum bres,
P u ra como un ángel bello.
P o r esposa al padre anciano
Pidióla el Conde al m om ento,
Que m otivo no quería
Dar á las gnntes del pueblo
P ara m u rm u rar acaso
De sus am ores honestos.
En cuanto corrió la nueva
E n tre grandes y pequeños
De que se casaba el Conde,
Todo fué gozo y contento.
— 256 —
Solo un hom bre, u n niño casir
L loraba de dolor lleno,
P o rque á la jó ven am aba
B astante m as que á sí mesmo*
P erd id a toda esperanza,
R abioso de am or y celos
L e asaltaron veces mil
Crim inales pensam ientos.
¡Oh que angustias ta n terrib les L
¡Qué dolores ta n acervos!
¡Qué tristre s dias y noches
Pasó el infeliz mancebo!
E ste era yo P adre m ió:
H ace ya diez años de esto
Y con h o rro r todavía
Aquellas horas recuerdo,
Al verm e tan triste el Conde
Me dijo:— ¿Qué tienes Mendo?
¿Qué pesares son los tuyos
Que de continuo te observo
Afligido, cabizbajo,
Y á veces llanto vertiendo?
H abla, hijo m ió, ya sabes
L o m ucho que yo te quiero,
D ám e cuenta de tu s penas
Y busquém osles consuelo.
P ad re m ió, estas palabras
De vergüenza m e cubrieron,
P o rq u e el cariño del Conde
Jam as m erecí yo m enos.
— 237 —
P o r u n am or im posible
Troqué en aborrecim iento
L a g ratitu d que debia
A quien me am aba en extrem o.
¡A yque todas las pasiones
Si no se contienen luego ■
C onvierten al hom bre en m onstruo
Y m as que las ñeras fiero!
Le co n testé, procurando
O cultar m is sentim ientos:
— Que el m otivo de m is penas
Sobre pueril era necio,
Que sin poder rem ediarlo
Yo m e m oría de tedio.
P ensando solo en la dicha
De quien nació caballero.
Oyóme el Conde y repuso:
— Bien puedes llegar á serlo,
Si con valor en la guerra
P ro cu ras ser el prim ero-
P o r fortuna ó p o r desgracia
Muy pronto A la guerra iremos*
Que el Rey apresta sus huestes
Contra el rebelde agareno.
jOh con qué placer tan grande
E scuché yo decir esto!
Y sin poder contenerm e,
P o rq u e m e ahogaba el contento,
L e p regunté si partíam os
P o r m i ventura muy presto.
— '338 —
Contestó:— M añana m ism o
Si hem os de llegar á tiem po
A B arcelona, antes que
Haya salido el ejército.
E l Rey á todos nos llam a,
Y pide que le ay udem os:
A tendiendo yo á m i honra
D etenerm e aquí no puedo.
— ¿Y cuándo entonces, señor,
Se hará vuestro casam iento?
Yolví ¿ p re g u n ta r, y el Conde
Respondióm e al p u n to :— Mendo,
Mañana al rayar el d ia ,
Si m e lo perm ite el cielo,
A Doña Constanza dar
E l nom bre de esposa quiero.
Pues pudiera suceder
Que el h a d ó m e fuese adverso;
Y con m i vida perdiera
Mi am ada esposo y respeto.
Con que ánim o, que si llegas
Como creo á m erecerlo,
Has de ver realizados
Esos am biciosos sueños.—
Despidióme: pensativo
E ncerróm e en m i a p o se n to ;
Y m il fantasm as de gloria,
Y m il proyectos quim éricos
La tranquilidad robaron
A m i cansado cerebro.
— 239 —
Al dia siguiente el Conde,
Lo que rae dijo cum pliendo,
Casó con D oña Constanza;
Y despues de haberlo heoho
D espidióse de su esposa
E n tre lloroso y contento.
E lla al separarse am ante
L e dijo:— P erm ita el cielo
Que coronado de gloria
Yolvais á m is brazos luego.
Y para que nunca os hiera,
Señor, enem igo hierro
E sta im agen de María
De M ontserrat os entrego*
Llevadla, Conde, llevadla
S iem pre ju n to á vuestro pecho,
Que os defenderá m ejor
Que una coraza de acero.—
R etiróse derram ando
B e sus ojos hechiceros
Copioso raudal de lágrim as
Que al esposo enternecieron.
P o r fin, partim os al son
De bélicos instrum entos:
M archaba apenado el Conde,
M archaba yo placentero.

El huésped suspendió por un instante


De su vida la h isto ria poco grata;
— 240 —
Mas p ro n lo coordinando sus ideas
Volvió de esta m anera á continuarla.
N inguna cosa de contarse digna
Acaeció d u ran te n u estra m archa:
Y entram os en la herm osa B arcelona
Al co n clu irla sétim a jo rn ad a.
Sus huestes ya m ovia el Rey Don Jaim e,
E l m ism o valeroso las m andaba,
Cumpliendo á Don Alfonso de Castilla
De ayudarle en la g uerra la palabra
Contra el m oro de M urcia rebelado
A la obediencia y á la fé ju rad a s.
Doce días despues el enem igo
Ya sentía el poder de nuestras arm as;
Y sucesivam ente conquistam os
Sus m ejores castillos y sus plazas,
O tros á n u estra vista se rendían
P ru d en tes acogiéndose á la gracia
De nuestro Rey, que concedía á todos
El perdón, si sum isos lo im ploraban.
Yo, p o r m i su erte, distinguim e siem pre;
D espreciando la vida en la batalla
Donde habia peligro com batía,
Y donde habia gloria la buscaba.
Así el reino de M urcia recorrim os,
S om etida dejando la com arca
Que días antes el pendón rebelde
A trevida en los aires levantaba.
U na noche, entre ta n tas, ju n to á un bosque
P lantam os nuestras tiendas de cam paña;
- U í —

Y antes de que el ejército en el sueño


De sus fatigas el descansa hallara,
E l Rey dispuso reco rrer el campo
P ara evitar p rudente una celada.
Tocó reconocer el bosque espeso
A la valiente gente catalana,
Y á los dem ás el Conde y yo dejamos
De nosotros detrás á.gran distancia.
D íjom e entonces dolorido el Conde:
— ¿Qué estará haciendo ahora m i Constanza?
Sin duda piensa en mí y por mí suspira,
Y por m i ausencia llora desolada.
T am bién yo sufro recordando am ante
La im ágen bella de m i esposa- casta,
Y pido al cielo me conceda pronto
La dicha inesplicable de abrazarla.—
A m is rabiosos celos acallados
S irvieron de aguijón estas palabras,
Y del crim en la idea presentóse
A m i pobre razón debilitada.
¡Ay de m i, desgraciado y m iserable,
Que en vez de resistir y rechazarla
Contento la acogí considerando
Que todo para el crim en me ayudaba!
Con siniestra intención repliqué al Conde;
— S eñor, esos suspiros os d egradan,
Que no es de corazones esforzados
L lo rar como hem bras, ni flaqueza ta n ta .—
Irritado repuso Don García:
— ¿Has olvidado, M eado, con quién hablas?
— 242 —
— Perdonad, contesté, contra su pecho
L a p u n ta dirigiendo de m i espada:
P ero p u d iera ser que la Condesa
De vos y de su honra se olvidára
Y el nom bre de su esposo esclarecido
Condenára, S eñor, á etern a infamia*—
F urioso el Conde contra m í volviendo
De la injuria to m ar quiso venganza,
Mas antes de que diera un solo paso
Tendido lo dejé de una estocada.
Lanzó un ¡ay! de dolor y de agonía,
Y con voz que su angustia revelaba
— ¿Qué has hecho, Mendo? Dijo, de este m oda
Lo m ucho que te-quiero, ingrato, pagas?
A cércate... no tem as... no vaciles...
L a vida por m om entos se me acaba...
Y deseo besar por vez postrera
La ím ágen de María inm aculada.
E l m edallón que me entregó m i esposa
Sobre mi herido corazon descansa^
A yúdam e á sacarlo, que las fuerzas
P ara efectuarlo siento que m e faltan.—
Dominado por voz tan suplicante
Sum iso ejecuté lo que im ploraba:
P u se la ím ágen en sus frías m anos,
Y á sus lábios llevóla veces varias.
— A Dios, Mendo, me dijo, te perdono...
Siem pre te q u ise ... ignoro por qué causa
Airado el pecho mío atravesaste
Gozando en ver m i sangre derram ada.
— 245 —
Y Vos, Reina del cielo, Virgen pura,
D epositaría de celestes gracias
A lcanzadme el p erdón de m is pecados
Y llevadm e á la bienaventuranza.—
Del esfuerzo rendido espiró al punto
D espues de concluida esta plegaria’
Y yo atrevido de su m ano inerte
Al m om ento arranqué la im ágen santa.
E s esta que aquí veis, pues desde entonces
A todas p artes siem pre m e acom paña,
Y por ella el perdón de m i pecado
E sp ero yo con toda confianza.
Quedé en presencia de m i Conde m uerto
De atroz rem ordim iento presa el alm a,
S in pensar que pudiera ser hallado,
Si nu estras gentes por allí llegaban.
De repente salvaje gritería
E strem eció del bosque las entrañ as:
E n m í volviendo, fieros enemigos
Vi que esgrim ían sobre mí sus arm as,
R esistí valeroso y denodado,
De salvarm e perdida la esperanza’
Mi situación prestábam e las fuerzas
P ara seguir !a lucha necesarias.
Oyeron, por mi suerte, los cristianos
D el enemigo el ruido y la algazara,
A cudieron veloces, y el com bate
Trabóse en m edio de la noche opaca.
N inguno á su enem igo conocía,
Alguno con su am igo peleaba,
— 244 —
Los ayes de dolor del m oribundo
De estím ulo servían á la rab ia.
Los cristianos pusieron fuego a l bosque,
Y al resplandor d é la s rojizas llam as
Yímos que el m oro preparado habia
N um erosa y traidora una em boscada.
El Rey m ism o en el sitio presentóse
E u donde con furor se peleaba,
Y mas de un enem igo cayó m u e rto
Al fuerte em puje de su aguda lanza.
Todo era horrib le, todo extrem ecia,
G ritos, im precaciones, am enazas,
E l crugiente chasquido de los robles
E n los cuales el fuego se cebaba,
De los aceros el chispante ruido,
E l golpear de las pesadas mazas
Y el son agudo de guerreras tro m p as
Que á com batir á todos anim aba.
E l Rey en m edio del m ayor peligro
Cuidando de su vida poco ó nad a,
Metióse á pelear, am bicionando
De la victoria conseguir la palm a.
Pronto rodeado de enem igos vióse:
P o r m om entos su vida peligraba,
Y á defenderlo se lanzaron luego
Aquellos que mas próxim os se hallaban.
Yo tam bién acudí en aquel instante:
Del Rey á la persona veneranda
Un caudillo enemigo dirigía
El filo de su corva cim ita rra .
— 245 —
Sin p erd er un m om ento con m i cuerpo
A nim oso y leal-el del M onarca -
Cubrí; cayendo al suelo m al herido
A im pulso de una fiera cuchillada.
Lo que pasó despues, Señor, lo ignoro,
Que habían trasc u rrid o dos sem anas
A ntes que mi razón se esclareciera*
A ntes de que la fiebre me dejára.
E n to n ces supe que creían todos
Que el Conde habia m uerto en la batalla;
Yo con mis engañosas relaciones
L a general creencia confirm aba.
Volvimos con honor á B arcelona
D espues de concluida la cam paña;
Y allí nuestro buen Rey agradecido
P agó m i lealtad acrisolada.
Blasones dióm e para honrar m i escudo,
E n una feracísim a com arca,
Me donó pingües tie rra s, caballero
A rm óm e él m ism o, y confió la guarda
De su m ejor castillo fronterizo
A m i esfuerzo, valor y vigilancia.
E ntonces vi m is am biciosos sueños
R ealizad os; solo m e faltaba
Conseguir el am or de la Condesa
P ara m i dicha contem plar colm ada.
A fectando dolor y sentim iento
P o r la m uerte del Conde, una m añana
A cerquém e á la p u erta del castillo
D onde vivia triste y solitaria,
— 246 —
Honrando la m em oria de su esposo ■
L lorando su viudez Doña Constanza.
Solicite perm isu para verla;
Y apenas le anunciaron m i llegada,
De la m uerte del Conde Don García
Deseando saber las circunstancias
De la boca del único testigo,
Mandó que á su presencia m e llevaran.
Yo le digfí que el Conde m uerto habia
E n defensa de Dios y de su p atria,
Besando el m edallón que la Condesa
Al p a rtir á la g uerra le entregára.
Escuchó cuanto quise referirle
Con interés y derram ando lágrim as,
Y suplicóm e al fin que algunos dias
Con ella en el castillo me quedara,
P ara poder oir á todas horas
La triste narración de su desgracia.
A su ruego accedí con alegría,
P ro nto tuve con ella confianza.
Y antes de separarm e de su lado
Se com prendían ya nuestras dos alm as,
De María la im agen regalóm e,
L a cual como un tesoro yo guardaba,
Y desde entonces ni una sola noche
Dormí sin antes im plorar su gracia.
A los dos años nuestra unión dichosa
Un M inistro de Dios santificaba,
Y otros siete pasam os disfrutando
N uestra felicidad nunca turbada.
— 247 —
M iento: que m uchas noches cuando todos
Dorm ían con sosiego y dulce calma
E l sueño de m is párpados huía,
Y espantosa visión me atorm entaba.
De Don García la sangrienta som bra
Unas veces benigna, otras airada,
El aposento todo reco rría,
Y al lado de m i esposa se acostaba.
E ntonces de te rro r sobrecogido
E n los revueltos pliegues de mi canoa
E scondía cobarde la cabeza
P ara evitar la vista del fantasm a.
Mas apenas cubierto yo scnlia
Que la mano del Conde fría, helada
De m i m ano con furia apoderándose
T ocar m e hacia su sangrienta llaga.
E n aquellos m om entos horrorosos
A la Madre de Dios me encom endaba,
Y al punto la visión desparecía
Y con ella el espanto d e jn ia lm a .
Dos hijos dióm e el cielo; .al recordarlos
P erd o n ad, padre mió; si las lágrim as
D escienden á raudales de m is ojos.
Pues vais ¿ oir ahora m i desgracia.
De Yalencia los m oros subleváronse;
A castigar su furia y arrogancia
Salí de m i castillo con mi gente
Al d esp u ntar el sol una m añana.
Hoy hace trein ta dias con las huestes
Enem igas trabam os la batalla,
— 248 —
Y á pesar de que fieros com batim os
Acom etiendo em presas tem erarias,
V encidos fuimos y quedaron m uertos
Los que. conm igo por su Rey luchaban.
E n el campo quedé yo desm ayado
Con toda la cabeza destrozada,
Y entonces tuve una visión herm osa,
Que explicarse no puede con palabras.
Ilum inóse el cielo de repente,
E n treab rió se la bóveda azulada,
E l sol, la luna y las estrellas ju n ta s
Sus esplendentes rayos derram aban.
U na lluvia de flores nunca vistas
E sparcía en el aire su fragancia,
Y herm osos querubines con sus cánticos
Mi pobre corazon em belesaban.
E n m edio de ellos celestial P rincesa
Sobre n ubes de p ú rp u ra y de nácar
A m i atónita vista presentóse
E n toda su belleza sobrehum ana.
E ra la V irgen p u r a ; era la m ism a
V irgen de M o n tserra t; yo la m iraba
Con respeto y am or em bebecido
P u es siem pre habia sido m i abogada, *
P ro n to m i corazon sobrecogióse
P o rq u e vi prosternado ante sus plantas
Al Conde Don García por su herida
D erram ando la sangre en abundancia.
U na vez escuché de tal dulzura
Que no im itan la cítara ni el arpa,
— 049 —
Ni el viento suspirando entre los árboles,
Ni el m urm ullo apacible de las aguas.
Voz que en idiom a celestial m é dijo:
Oyeme, Mendo, entre m o rta’es ansias
E l Conde perdonó tu alevosía:
Si deseas que sea perdonada
T am bién por Dios, retíra te del mundo»
Y á M onserrat en cuanto puedas m archa.
Haz allí rigorosa penitencia,
Y con tu llanto tu pecado lava.
No volverás á v e r nunca á tu esposa:
La señal de que Dios de tí se apiada
Será el día que abraces á tus hijos.
Yo velaré por ti: Tén confianza.
Calló la voz y m i conocim iento
Recobré, la visión extraordinaria
Juzgué entonces efecto del delirio
Y no quise volver á recordarla.
Lleno de pena y de dolor, en'bu.sca
De mi castillo y de mi esposa am ada
Siete soles me vieron cam inando
E n una situación digna de lástim a.
Llegue por fin, tristísim o espectíirnlo
Se ofreció á mis atónitas m iradas,
E n cenizas y escom bros m iserables
Se había convertido mi m orada:
P o r mis hijos y esposa pregunLando
De pueblo en pueblo fui* de casa en c asa,
Ninguno satisfizo á mis preguntas,
La su erte de ellos todos ignoraban.
ALBUM. 17
— 250 —
E ntonces com prendí no era un delirio
La visión que despues de la batalla
A m i em bargada m ente presentóse.
Recordé que la Virgen rae m andaba
V enir á M ontserrat, y mi pecado
L lorar aquí con lágrim as am argas.
Al punto resolvím e: y el cam ino
P resuroso tom é de esta m ontaña,
Decidido á cum plir m i penitencia
De alcanzar el perdón con la esperanza.

Había el buen religioso


La relación escuchado
Con interés evidente
Sin d a r señales de pasm o.
Mas apenas el guarrero
H ubo silencio guardado,
Cuando el P rio r empezó,
De aquesta m anera hablando:
— Hijo m ío, gravem ente
P or desgracia habéis pecado,
Pero ya que arrepentido
Venís á este lugar santo,
E n nom bre de Dios clem ente,
De Cristo crucificado,
La absolución os concedo:
Haced que no sea en vano.
Desde hoy vuestra expiación
Em pieza, si con buen ánimo
— 251 —
Conseguía al fin llegar,
No juzguéis ser desgraciado.
Pedid, pedid, á la Virgen
Siga siendo vuestro am paro,
Ya que m ilagrosam ente
Benigna quiso avisaros.
V eslireis en penitencia
De nuestro instituto el hábito
Y el últim o en esta casa
Sereis entre los herm anos.
A los oficios m as viles
Aquí estareis dedicado,
N unca concediendo al cuerpo
El mas pequeño regalo,
O bedecereis contento,
Del superior los m andatos
Y si alguno os injuriare
No despegareis los labios.
A todos servir deheis
Sin buscar jam as descanso,
Y á la oracion y al ayuno
Constantem ente entregaros.
El altar de nuestra Virgen
E stará á vuestro cuidado
P ant que gustéis delicias
En medio de los trabajos.
Ea, pues, mi penitente,
De todo el m undo olvidaos:
Ya no es Mendo vuestro nom bre,
Desdo hoy os llam areis Pablo.
— 252 —
Id á orar á nuestro tem plo,
A María enco m en d ao s/
Y en su presencia bellísima
D erram ad copioso llanto;

III.

Poco despues se veia


P rosternado al penitente,
A nte el altar de María
Orar fervorosam ente.
Hábito tosco vestía
Y de ceniza en la frente
Llevaba una cruz m arcada
Símbolo de nuestra nada.
Allí el pecador contrito
A su. suerte resignado,
P edia á Dios infinito
El perdón de su pecado;
E l dulce nom bre bendito
De Jesús Sacram entado
Junto con el de María
Sin descansar repetía.
Y como Dios sin consuelo
Nunca deja á quien lo implora»
ISTi se hace sordo al anhelo
De aquel que doliente llo r a ,
D erram ando desde el cielo
Su gracia consoladora
Sobre los tristes m ortales
— 253 —
Que le invocan en sus m ales.
P ronto el alm a de Don Mendo
E n d u lc e calma reposa;
Y tal bienestar sintiendo,
A la imagen m ilagrosa
Las m iradas dirigiendo
Con expresión am orosa,
Con sonrisa placentera
Le dijo de esta m anera:

Virgen de M ontserrat, á vuestras plantas


T e n e isu n pecador arrep en tid o .
¡Cuántas veces y cuántas
De su Dios los preceptos dió al olvido!
Interceded» Señora,
P o r un alm a doliente y pecadora.
Náufrago desgraciado
E n el revuelto m ar de las pasiones
Aquí m e be refugiado,
Creyéndome salvado
El aire al aspirar de estas m ansiones.
Dichoso me contem plo,
En medio de m is penas y p e sa re s,
E n vuestro sanio tem plo
D erram ando las lágrim as á m ares.
Yo deseo cum plir mi peniten cia
Con hum ildad, con fé y con esperanza,
P ara dejar tranquila mi conciencia,
Y conjurar del cielo la venganza*
Yo deseo borrar de m i m em oria
— 254 —
Los recuerdos de am or, de poderío
Y de terrena gloría,
Y la terrible historia,
Que me atorm enta, del pecado m ió,
Purísim a M aría,
Libradm e de la sangre derram ada,
Que al cielo está clam ando todavía
ConLrami, no juzgándose vengada.
P o r vos fué perdonado
De Juan Garin el h órrido pecado,
Despues que con terrible penitencia
Le expió largo tiem po arrepentido
E n b ru to convertido,
H asta que la Divina O m nipotencia
Satisfecha del pobre penitente
M anifestóle m ilagrosam ente
Que acepto el sacrificio habia sido.-
Yo tam bién expiar m i culpa anhelo:
P ara ello á vos acudo,
Vos sereis m i consuelo,
Mi am paro vos sereis, sereis m i escudo.
Desde hoy en adelante
E stará vuestro altar á m i cuidado
Y dia y noche el corazon am ante
E n adornarlo se hallará ocupado.
E n cuanto el sol sus rayos bienhechores
S ó b re la tierra, pródigo, derram e
Los cálices abriendo de Jas flores,
Las mas lindas y bellas
Escogeré yo entre ellas
— 255 —
P ara que en vuestro altar su lozanía
O stenten olorosas todo el dia.
Y si la noche con su triste som bra
De esa pintada alfom bra
M architar los colores inten lára
Con raí llanto de am or yo la regara.
No d ejará un in stan te
De lu cir v uestra lám para argentina
P ara que pueda ilum inar constante
V uestra santa belleza peregrina.
Y en m is tribulaciones,
Y en las que espero horribles tentaciones
V endré á postrarm e á vuestros pies gim iendo
Con golpes de dolor el pecho hiriendo:
Hacedm e entonces la m erced, Señora,
De ser de este infeliz la defensora.—

Don Mendo desde aquel dia


Su expiación em pezó,
Y con hum ildad cum plía
Cuanto el P rior le ordenó.
Allí su m elancolía
Poco á poco disipó,
Y a sus penas el consuelo
Benigno concedió el cielo.
Siem pre prestaba obediencia
A-todos en el convento,
Y ejercitar la paciencia
E ra su m ayor contento.
P o r cum plir su penitencia
— 256 —
Llevaba con sufrim iento
D esdenes, burlas, desprecios
Y hasta injurias de los necios.
De continuo castigaba
Su cuerpo debilitado.
El á pan y agua ayunaba
P ara purgar su pecado.
Poco del sueño gozaba
A unque se hallase cansado
Y á todos con alegría
Hum ilde, Mendo servia.
Adornaba con prim or
D éla Virgen e! altar,
Y si podia una flor
H erm osa en él colocar
Lo Irada con gran fervor,
Con devocicn ejem plar:
Y claram ente m ostraba
Cuanto á la Virgen am aba.
Asi tres años pasaron
Y otros tres se sucedieron,
Sus virtudes adm iraron,
Porque bien las com prendieron
Los que m as le despreciaron
Y mas injurias le hicieron
Y por santo le tenían
Y como ú tal lo querían.
P ro n to se empezó á contar,
Y la gente lo afirm aba,
Que cuando Mendo el aliar
— 257 —
De la V irgen adornaba
Se solia ilum inar
El cam arín donde estaba;
Y basta alguno aseguró
Que la im ág en m ism a habló.
Y la protección buscando
De aquel santo penitente
Al m onasterio llegando
Todos los dias fue gente
Que sus males deplorando
Le pedia reverente
Que ú María se dignara
Suplicar que los curara.
Y muchos, muchos volvieron
De M ontserrat consolados,
Y los valles recorrieron
AJegres y alborozados
Contando que consiguieron
Verse del lodo curados
P o r un m ilagro p atente
Del devoto penitente.
Pero Satanás furioso.
La conversión de Don Mendo
Desde su antro tenebroso
Con ira rabiosa viendo
T entar quiso al religioso
Para que al m undo volviendo
E n un m om ento perdiera
Lo que en años consiguiera.
Empezó por d espertar
— 258 —
Aquel corazon d o rm id o ,
Haciéndole palpitar
Con am oroso latido,
Obligóle á com parar
Lo que era y habia sido
Y le trajo á la m em oria
Todos sus dias de gloria.
El recuerdo de su esp o sa,
Amante y enam orada
Que nunca anheló otra cosa
Que ser de su esposo am ada,
De la vida religiosa
Tan tranquila y sosegada
A rrepentirse le hacia,
y al m undo volver quería .
En sus hijos cariñoso
Otras mil veces pensaba,
Y en el tiem po venturoso
En que con ellos gozaba;
Del m onasterio el reposo
Entonce* le incom odaba,
Y su estancia allí creía
E xtravagante m a n ía .
En algunas ocasiones
F igurósele escuchar
De los guerreros bridones
El sónoro galopar;
Oyó del clarín los sones
Llam ándole á pelear
Y ofreciéndole la g loria
— 259 -
De conseguír la victoria.
E ntonces se enardecía
Toda su sangre en las venas,
Y el'corazon le latía
Olvidado de sus pen as:
E sta r sin arm as sentía
Lejos de tales escenas,
Y le infundía el convento
A troz aborrecim iento.
Cuando con mas devocion
Ante la Y írgen oraba
Im plorando su perdón,
Duda fiera le asaltaba;
Creyendo su expiación
In útil, determ inaba
No hacer mas aquella vida
Tan triste y tan aburrida.
Lleno á veces de im paciencia
H aber juzgnba alcanzado
Con su larga penitencia
E l perdón de su pecado,
Que con tranquila conciencia
Podía cam biar de estado
A bandonando el convento
Sin ningún rem ordim iento.
Todas estas tentaciones
Con que el diablo le oprim ía
Con ayunos y oraciones
Al in stan te com batía;
P ara dom ar sus pasiones
- 260 -
Castigaba noche y día
Su cuerpo terriblem ente
El infeliz penitente.
Con esto y con el favor
De la Virgen socorrido
Siem pre Mendo vencedor
Del dem onio habia sido:
P or lo que éste en su fnror
No dándose p o r vencido
Otra vez quiso probarlo
Creyendo al fin dominarlo^

IV.

Una m añana al en trar


E n el convento Don Mendo
Quedóse parado viendo
U n caballero llegar.
E ste cortés y cum plido
D escubrióse y salu d ó ,
Y muy cortés contestó
Don Mendo al recien venido.
Despues que los dos cam biaron
Los usados cum plim ientos,
F órm ulas y ofrecimientos*
E ste diálogo entablaron:

E l caballero*

¿Es, acaso, el Superior


Del convento con quien hablo?
— 261 —

Alendo.

Yo soy el herm ano Pablo,


De esta casa el inferior.

£11 caballero.

Me encanta vuestra hum ildad,

Alendo.

E s la verdad,-Caballero,
Y decirla considero
S iem pre una necesidad.

ÜK c a lia lk ro .

Cautivais mi corazon,
Y de veras os adm iro.

Siendo.

Si quereis, dad otro giro


A nuestra co n v e rsad o s.

E l caballero»

Lo que deseáis haré. .


A unque el m orir no me aterra,
Al p artir para la guerra
N unca de Dios me olvide.
H acedm e, pues, el favor
De este dinero entregar,
P ara m isas celebrar
P o r m í, á vuestro S u p e rio r.1,
— 262 —

Hiendo (suspirando.)

¿A la guerra entonces vais?

£1 caballero.

A la guerra voy, herm ano,


Contra el fiero m ahom etano.
¿Qué teneis que suspiráis?

Alendo.

Locos recuerdos de ayer.


Yo tam bién guerrero he sido,
T al oíros no he podido
Un suspiro contener.

E l c a b a lle ro »

¿Vos habéis sido soldado,


Y cuando toda la tie rra
Contra el infiel mueve guerra
Moráis aquí descansado?
Hoy m as que vuestra oracion
E n esta casa bendita
V uestro brazo necesita
N uestra santa Religión.
P erdonad m i atrevim iento,
Pues m ejor que yo sabéis
Vos, herm ano, lo q u e hacéis
Viviendo en este convento.
Mas si en mi lugar os vierais
De todos abandonado,
— 265 -
Afligido y deshonrado
Creo que otra cosa hicierais.
Sabed que estando yo ausente
De m is estados, un dia
El m oro á la gente mi a
Acometió de repente.
T aló, quem ó, saqueó
Cuanto encontró por doquier;
Mis hijos y mi m uger:
Consigo feroz llevó.
C om prender la rabia mia
T al noticia al recibir.
De dolor pensé m o rir
Al saber que en A lm ería
Hijos y esposa queridos
H abían sido ¡olí furor!
P o r el crüel vencedor
Como carneros vendidos,
Rescatarlos he ju rad o
O m orir, porque no quiero
Que m e tache el m undo entero
De haberlos abandonado.
Que en Almería tam bién
Hijos y esposa de Mendo
Arbés están padeciendo,
Sin haber hallado quien
E n su triste situación
P o r ellos tom e in terés
¡Desgraciado Mendo Arbés!
T ú no tienes corazon.
— 2C4 —

Si puedes un solo instante


"Vivir tranquilo y contento,
Sin ningún rem ordim iento,
M ientras que. tu esposa am ante
De todos abandonada
Pasa un dia y otro dia
La triste cárcel som bría
C oa tus hijos encerrada.
¿Dónde ocultar has logrado
Que no resuena en tu oido
E l angustioso gem ido
De sus pechos escapado?
¿Cómo lias podido olvidar
Todo u n pasado de am or,
Sin espirar de dolor
Ni de vengarte tratar?
¿Sabes tu de alguna fiera
Que se m uestre indiferente
Y no resista valiente
Al que arrebatarle quiera
Sus hijos, y con furor
Al punto no se decida
A sacrificar su vida
P ftrlo s bijos de su amor?
Yo, herm ano, en el alm a llevo,
P ensando en hijos y esposa,
P ena terrible y rabiosa,
Que á m itigar no me atrevo,
Pues juzgo que es un baldón
P ara mí alegre vivir,
M ientras tienen que gem ir
P rendas de m i corazon.
Si yo pudiera cam biar
P o r su libertad la m ia
Del todo concluiría
E ste mi agudo penar.
Pero esto ser no pudiendo
Al m oro com batiré
M ientras que yo vivo este,
P o r no parecerm e á Mendo.
Alendo con in terés.
¿Y ese Mendo donde está?
£1 caballero.
Se ignora su paradero.
Meado.
Pues entonces, caballero,
Quizás haya m uerto ya.
£1 caballero.
Se sabe que no m urió,
Y m o rir mas le valiera,
Cuando la m orism a fiera
Su castillo destruyó.
Medroso y despavorido
P o r estos m ontes huyendo
Muchos hallaron á Mendo
Solitario y m a lh e rid o .
N uestro Rey en cuanto oyó
Referir tal cobardía,
ALBUM.
— 266 —

¡Aunque mucho le quería!


B o rrar su escudo m andó.
ftle m fo con dolor.
¡Es posible!!!
E l c a b a lle ro .
¿Lo extraíiuis?
Yos no lo habéis meditado»
Si habiendo sido soldado
N atural no lo encontráis.
P o r valiente y buen guerrero,
P o r su mucha bizarría
H onrádolc el Rey había
A rm ándole caballero-
Llegó á com prender después
Que se habia equivocado;
Y entonces creyó acertado
D egradar á Mendo A rbés.
E n fin, herm ano, tom ad
E ste dinero, que el dia
Se pasa, y para A lm ería
P artim os. Con Dios quedad.

fflciitlo .
¿Contra Almería es la guerra?

El caballero.

Sí. ¿Queréis acom pañarm e?


Quizá me hagais alegrarm e
De haber subido esta sierra.
— 207 —

M endo.
E sperad: voy á pedir
Perm iso ü nuestro P rior,
El eulíalíevo,
Marchar al punto es mejor
Si estáis resucito á p artir:
Que el P rior nunca os dará,
n o rm an o , el consentim iento
Para salir del convento;
Al contrario, se opondrá.
Pues como hom bre de oracion,
Sin quererle yo ofender,
Creo 110 debe entender
Mucho nuestra obligación,
¡ftlcmlo.
Sin su perm iso salir
De aquí, sabed, que no puedo.
El üidjalkii'o.
Ya veo que tennis miedo
De volver á com batir.
Alendo.
Os habéis equivocado,
Que al que caballero ha sitio
Ni vencedor ni vencido
Se lu verá acobardado.
E l cab allero.
(¡;i bal tero Mendo Arbés
— 268 -
Era, y sin embargo pu d o
A su blasonado escudo
De infamia cubrir despues.
Alendo.
Caballero, por probaros
Que en valor á nadie cedo
Ni aquí me detiene el miedo,
Voy ni punto á acompañaros;;
Mas £in armas ni armadura,
Sin caballo ni escudero,
Sin amigos ni dinero,
I r á la guerra es locura.
El caballero.
H ermano, venid conmigo,
Porque no os lia de faltar
Ni eaballo que montar,
Ni dinero, ni un amigo.
Alendo.
Hacedme la cortesía
De esperarme un solo instante,.
Mientras me despido amante
De la hermosa Virgen mia.
El caballero.
Bastante habéis ya rezado,
Y aunque os quiero complacer
No me puedo detener,
Que está el dia adelantada.
Partam os.
— 2G9 —

Alendo.

Solo partid,
Supuesto que no podéis
E sperarme.

El caballero.

Ya lo veis,
Teneis miedo.

Alendo.

Con Dios id,


Que yo de aquí no saldré
Sin enviar mi despedida
A mi patrona querida,
A quien siempre tanto amé.
El caballero.
Algo natural encuentro
Yuestra preocupación,
Id á hacer vuestra oracion,
E n tre tanto yo aquí dentro
:Mi limosna entregaré.
Alendo.
Hasta luego caballero.
El caballero.
Que pronto acabéis espero.
Alendo.
No temáis, breve seré.
— 270 —

El caballero.

Pensad algo en mi agonía,


E n que me vais ayudar
Valeroso á rescatar
Toda la familia mia.—

Don Mendo en el templo entró


Y el otro quedó esperando
Maldiciendo y blasfemando
E n cuanto dentro le vio.

V. '

¿Qué es lo que Mendo


Buscando vá
Ante la imágen
De Montserrat?
¿P orqué compone
Tanto el altar?
P or qué suspira
Con tanto afan?
¿Por qué á la Virgen
Jío osa mirar,
Como ¿i fuera
Un criminal?
Es porque al despedirse de aquel lugar sagrado
E n donde tantos años gozó felicidad,
La voz de la conciencia al corazon turbado
Le dice quu camina á su infelicidad.
— 271 —
Es porque en aquel templo delante de María
En sus penas crueles consuelos ene o ntró,
Y aquella santa imagen que abandonar quería
Sus lágrimas amargas mil veces enjugó.
Es porque recuenta que llegó al convento
Solo, mal herido, lleno de aflicción,
Y en aquellos claustros encontró el contento
De que carccia triste el corazon.
Es porque recuerda cu untas amarguras
En el m undo siempre tuvo que sufrir,
Y que disfrutando mil y mil dulzuras
En el monasterio consiguió vivir.
Si el rostro hermoso de la Yírgen santa
No se atreve Don Mendo ú contemplar
Y su cobarde corazon se espanta
De verse prosternado ante el altar;
Es porque bien recuerda los favores
Que María le quiso conceder
Cuando á sus piés las mas hermosas ñores
Acudía solícito á poner.
Pobre Don Mendo, cuanto sufría!
De su conciencia por escuchar
La voz terrible que le decia
«Nunca debieras abandonar
Estos lugares, donde encontraste
Dícba, ventura,.felicidad,
Estos lugares, donde gozaste
Pura y hermosa tranquilidad!»
Por eso en silencio sumido
Y al suelo inclinada la frente
_ 272 -
De aquella actitud reverente
No puede el cuitado salir.
P or eso con lágrimas solo
Revela su pena terrible
T el hondo pesar indecible
Que le hace doliente gemir.
Y piensa que en adelante
Por haber abandonado
El monasterio sagrado
Elevar ya no podrá
Con la-misma confianza
Sus oraciones al cielo,
Ni será ya su consuelo
La Yírgen de Montserrat.
Y el escándalo teme
Asi que conocida
Allí sea su huida
Que habrá de producir;
Y lo que digan todos
Los que antes le admiraban,
Y santo le llamaban
También le hace sufrir.
' Mas piensa cjuü arrastran
Sus hijos y esposa
Cadena afrentosa
Del moro en poder;,
Y el ir á l a guerra,
Qu# va á libertarlos
Y de ella librarlos,
Lo juzga un deber.
— 273 —
También recuerda
Desconsolado
Que deshonrado
Su escudo está;
Y le parece
Fácil, sencillo,
Su antiguo brillo
Reconquistar.
Ya se mira
Cabalgando,
Peleando
Con furor
Y p o r todos
Yictoreado,
Aclamado
Vencedor.
Alegre
Respira
Pues mira
Volrer
El dia
Dichoso
Gozoso
De<ayer.
jPobre
Mendo!
Siendo

Juguete de sus míseras pasiones,
A las cuales al fin sucumbirá.
— 274 —
Mas recordando que pasaba el dia
Salir de aquel oslado decidió,
Y con voz balbuciente de María
Al cabo el infeliz se despidió.
A salir iba ya del lemplo san io,
Cuando la imágen se paró á m irar;
Y al verla sus mejillas bañó «l llanto,
Y comenzó afligido á suspirar.

«Me marchaba, Madre mía,


Dijo á l a Virgen; mas siento
Terrible rem ordim iento.
Y deseara saber
Si me dais vuostro permiso,
Señora, para marcharme;
Porque sin él ausentarm e
Nunca lo podré yo hacer,»—
Apenas estas palabras
Pronunciado Mendo habia,
La lámpara que lucía
Ante el altar se apagó.
Y la imágen de la Virgen,
Animada de repente,
Contestóle dulcemente
Un imperceptible «no.»
Cayó el infeliz de hinojos
Perdón al cielo pidiendo,
Pues tal maravilla viendo
Pudo muy bien comprender
Que satisfecho no habia
Lo bastante su pecado,
Y propuso resignado
A María obedecer.
Salió buscando al guerrero:
Mas quedó sobrecogido
Oyendo espantoso ruido
Horrísono retumbar.
Y vió con medroso asombro
Hundirse en la tierra luego
E ntre columnas de fuego
Al mismo que iba á buscar.
La cuerda de la campana,
Sin com prender lo que hacia,
Entre tanto sacudía
Mendo temblando de horror;
Y al escuchar de aquel bronce
El sonido discordante
Acudió al templo al instante
Con los monges el Prior.
Refirióles espantado
Lo que habia sucedido,
Y pedia arrepentido-
Al Prior la absolución.
Al pronto no le creyeron,
Y hasta algunos se burlaron;
Pues por delirio tomaron
De Mendo la relación.
Mas cuando fueron al sitio
Por donde este les decía
— 276 —
Que sepultado se había,
Se horrorizaron al ver
Ancha hendidura en la tierra,
Con la cual quedó probado
Que quien habia allí estado
Era el mismo Lucifer.
Arrodilláronse todos
Gracias á Maria d a n d o ,
Y al mismo tiempo implorando
Los mirase con piedad.
Y para siempre librarse
De los lazos infernales
Los Salmos Penitenciales
Rezó la Comunidad.
Su expiación desde entonces
Con mayor rigor cumpliendo,
Intentó captarse Mendo
De la Virgen el amor.
Con disciplinas, ayunos
Y continuas oraciones
Procuró de sus pasiones
Acabar con el furor.

VI.

Veinticinco años después


De Montserrat en la iglesia
A los piés de aquella imagen
De María, sus cadenas
Fueron á depositar
— Til —

Cumpliendo piadosa oferta;


tíos cristianos que cautivos
Pasaron la vida finiera.
P reguntáronles los monjos
De donde venidos eran,
Y contestando uno de ellos
Les dijo de esta manera:
— Nacidos somos los dos
E n el reino de Valencia,
Pero desde niños fuimos
Llevados á extraña tierra.
Cautivos en Almería,
Sufriendo mil y mi! penas
Treinta y tres anos pasamos
Llorando la suerte nuesLra.
Y lo que mas aumentaba
Nuestro dolor y tristeza
E ra ver á nuestra madre
Cautiva, triste y enferma.
E ra su nombre Constanza,
E ra su figura bella,
E ra su talento grande,
E ra su piedad inmensa.
Todo cristiano cautivo
Miraba su madre en ella,
P orque á todos los quería
Como si sus hijos fueran.
El nombre de nuestro padre
Repetía con frecuencia.
Y muchas veces nos dijo
— 278 —
Que había muerto en la guerra
Menilo escuchaba en silencio
Y sin respirar.apenas,
Por no perder d e h historia
Una frase, ni una letra.
Mas sin poder contenerse
Dijo al que estaba mas cerca:
— ¿Y a dondi: dejado habéis
A vuestra madre?— La tierra
Hace veinte años la cubre.
— Dios en su gloria ía tenga,
Respondió el interpelado
De gran dolor dando muestras.
— Et nombre de vuestro padre
Decidme pronto ¿cual era?
Volvió á preguntarle Mendo,
Y recibió esta respuesta:
— Se llamaba Mendo Arbés.
— ¡Dio»mió, bendito seas!
Mendo llorando esclamó,
Cumpliré mi penitencia.
Hijos mío», abrazadm e......
Soy vuestro p adre...... mi lengua
No puede expresar la dicha
En que el alma se recrea.—
Quedaron todos pasmados
Y sín poder darse cuenta
De lo que Mendo denia,
Y juzgáronlo demencia.
Mas el infeliz contó
— 279 —
Dolo que afirmaba en prueba
De su viJa y sus amores
Toda la historia completa.
Abrazáronle sus hijos
Y besáronle la diestra,
Y los monjes admiraron
Entonces su penitencia.
Pasóse todo aquel día
En pláticas placentera?,
Y en gratas demostraciones
De am or.y de complacencia.
Para dar gracias del cielo
A la Soberana Reina
Quiso el P rio r celubrar
Una religiosa tiesta:
Despues á Mendo le dijo—
Que al mundo cuando quisiera
Para disfrutar volviese •
Sus honores y riquezas. -4
Contestó Mendo.— Los años
Que ya de vida me restan
Deseo pasar tranquilo
En mi reducida celda.—
También los hijos quisieron
P rudentes seguir su huella,
Y quedarse si el Prior
Les otorgaba licencia.
Concedióla el religioso
De alegría su alma llena,
P ara que el padre y los hijos
— .280 —

Contentos allí vivieran.

Algunos Jiíis d e sp u e s
Que Lodo esto su c e d ió ,
De la Virgen á los piés
Una mañana se halló
Cadáver á Mendo Arbés,
Y los monjes enterraron
Debajo del mismo altar,
Donde m uerto lo encontraron,
Y e l nombre suyo grabar
Sobre la losa mandaron.
Largos años su memoria
Se conservó en el convento,
Reinando el convencimiento
De que por santo en la gloria
Tendría sublime asiento.
La tradición asegura:
Que muchas veces salía
Mendo de au sepultura,
Y en el altar de María
Una azucena ponía.
Y que lodo el que lograba
Coger la flor milagrosa,
De sus dolencias curaba,
Si con fe so encomendaba
De Dios á la Madre hermosa.

R. de la S ota y L astra
X.

Necesidad de amar y tributar culto á


Utos, como origen de todo Men y por
los señalados favores que de El hemos
recibido.

Hasta aquí hemos seguido históricamente la acción


incesante de la Omnipotencia divina sobre la criatura,
y hemos tratado de m ostrar los g rande s beneficios que
el género humano debe al Supremo Hacedor, y el s u ­
blime sacrificio de amor que se ha verificado por el
insondable misterio de la Redención. Vamos ahora á
tratar del destino humano y de la necesidad de que no
siendo el hombre ingrato á los beneficios recibidos,
procure cumplir ios altos fines que le están reservados,
y sobre todo, la gran obra de su salvación eterna, que
debe ser su constante y suprema aspiración.
Dios ha dado al hombre un alma inteligente y libre,
le ha colocado en una esfera superior álo s demás seres
de la creación, le ha favorecido con los inm ensos te ­
soros de su Omnipotencia, ha velado por él como cons­
tante providencia, le ha visto prevaricador y ha venido
á salvarle, y le ha abierto todos los caminos, todos los
medios para llegar á la suprema felicidad. Sigue ince­
santem ente velando por él, sigue por medio de la ins-
AI.flUM. 19
— 282 —
titucion de la Iglesia estando constantemente á su lado,
y ofreciéndole por la eficacia de los Sacramentos el
medio de redim ir sus pecados, y de ser favorecido con
’los inapreciables dones de la gracia que por aquellos se
comunica. El primer fin que debo im pulsar por consi­
guiente al hombre, para procu rar llevar á cabo la obra
de su salvación, es la gratitud á los beneficios recibi­
dos, el amor al mismo Dios que es el supremo bien»
que es la plenitud de la bondad y la justicia. La p er­
fección para ser absoluta requiero, por lo tanto, que
elevado nuestro pensamiento á D io s , que inflamado
nuestro corazon del am or divino, nos dediquemos es*
elusivamente á am arle, á reverenciarle, á darle culto,
con lo cual, y por muy alta que sea el grado que en
ella alcancemos, solo pagaremos una pequeña parte de
lo que le debemos.
Véase cufei admirablemente expresó lo q u e decimos,
uno de los santos que mas se distinguieron por su
a m o ra l Criador.

SOLETO.

No me mueve, mi Dios, para quererte


El ciclo que me tienes p r o m e tid o ,
Ni me mueve el infierno tan temido
Para dejar por eso de ofenderte.
Tú me mueves, Señor; muéveme el verte
— 283 —
Clavado en una cruz y escarnecido;
Muéveme ver tu cuerpo lan herido
Muévenme tus afrentas y tu muerte.
Muéveme al fin tu amor y en tal manera,
Que, aunque no hubiera cielo, yo te amara
Y aunque no hubiera infierno te temiera,
No me tienes que dar porque te quiera;
Pues aunque lo que espero no esperara
Lo mismo que te quiero, te quisiera.

S . F ran cisc o J a v i e r .

Si el hombro se dedica á ensalzar y bendecir la sum a


Omnipotencia, si fija su consideración en que por sus
culpas hizo satisfacción Nuestro Señor Jesucristo; ape­
nas parece posible, considerándolo á la luz de la razón,
que se olvide de todo esto, y no ponga su mayor em ­
peño en agradar á Dios, y en cumplir sin esfuerzo al­
guno y con la mayor voluntad sus preceptos, que no
son como cree duros y difíciles, sino que deben ser
por el contrario, para él suaves y fáciles, puesto que le
lian de conducir ú la-suma perfección.
Uno de nuestros escritores de la escuela mística d i­
ce á este propósito:
G LO SA .

A lm a , que á la fuente vienes


A go za r gloria tan alta;
Si á Dios llenes, ¿qué te falta?
Y s i t e falta, ¿qué tienes?

¿Cómo así tan olvidada


Te apartas, alma, de mí,
Cuando en esta cruz por tí
La mia está enamorarla*
Llega pues acelerada,
Gustarás eternos bienes;
Y si acaso te detienes
P o r cobarde, ó no sedienta,
Llega animosa y contenta,
Alma que á la fuente vienes.
Con cinco clavos fijado
Me hallarás, porque no huya,
Cuando aquesa boca tuya
Apliques á mi costado.
Si te sientes en pecado,
Con la sangre, que de él salta,
Te purifica y esmalta,
— 285 —
Para llegar limpia á mí;
Y no te llegues así
A go za r gloria tan a lta .
No busques, alma, camino,
Que de quererme te aparto,
Y deprende solo el arte
De am arme á mí de contino;
Porque mi amor es tan fino,
Que lio hay cosa, no mas alta,
Del amor mundano salta
A los brazos de tu amado;
Y llegando á tal estado,
Si á Dios tienes, ¿qué te falta?
Yo soy camino y verdad,
Soy vida, y tu amigo soy,
Hagamos las paces hoy,
No quieras mi enemistad.
Si humillo mi majestad,
P o r darte gustos y bienes,
¿Cómo á gozarlos no vienes?
Llega, y mi gracia procura,
Pues con ella estás segura;
Y si le falta, ¿qué tienes?

F r . P aulino de la E str el la .

El pensamiento que encierra esta composicion, es


uno de los mas elevados que han podido encontrarse
entre nuestros escritores. E s imposible expresar mejor
la idea que se comprende en la anterior glosa. Si el
— 286 —

alma tiene la posesion de Dios, si llega á la perfección


suma, ¿qué le falta? ¿Qué mayor gloria, qué mayor as­
piración puede lograr? Y si le falta esto, ¿qué es lo que
tiene? ¿Cómo puede hallarse satisfecha, si no alcanza
el bien, ni la verdad, ni la justicia, ni ninguna de las
.virtudes, ni ninguno de sus legítimos deseos? P o r eso
debe ser el am or á Dios todo nuestro anhelo, y en él
debe consistir toda nuestra perfección.

ADIOS.

ODA.

Da, Señor, á mi acento


El eco de tu voz o m n ip o te n te ;
P ara que pueda penetrando el viento
Llegar hasta tu trono
Que asientas en mitad del firmamento
Genio inmortal que inspiras la poesía
Deja del sacro Olimpo la alta cum bre,
Y entre torrentes de fulgente lum bre
Tu misteriosa inspiración me envia:
Tu que en el alma celestial brillaste
Del divino Profeta,
Destello de tu D io s , inspira ahora
La mente del poeta:
Las cuerdas templa de mi débil lira
— 2-87 —
Con tu dedo inmortal toca mi frente,
P ara que pueda yo cantar, las glorias
Del Supremo Hacedor Omnipotente.

Mas ¿dónde estás Señor? ¿Dónde te escondes?


¿No eres tú quien respondes
De mi voz á los débiles acentos,
Guando en lucha cruel los elementos
E n el cóncavo cielo retumbando
Hacen temblar del orbe los cimientos?
¿Y no eres tú Dios mío
El que pobló de globos el vacío
Que brillan como fúlgido topacio,
Girando presurosos
P o r el ámbito inmenso dél espacio?
El aquilón que ruge en la tormenta
Cuando retum ba el trueno pavoroso,
El flamígero rayo que revienta
De la nube en el seno borrascoso,
Y el férvido Occcano
Qtre corre de la Libia al Norte frió,
Son, mi Dios Soberano,
Ráfagas de tu inmenso poderío.

Y en vano lucha el hombre


P o r comprender, gran Dios, tu omnipotencia,
La escasa lumbre de su débil ciencia
Se apaga en noche oscura
Si penetrar procura
El insondable cáos de to existencia.
— 288 —
Todo es contrario en la región divina
Donde tu ser se esconde
A lo que ve el mortal: punzante espina
Brota en el tallo de la fresca rosa,
Manchada está la frente luminosa
Del sol vivificante; y el Occéano
De blancas perlas y corales lleno
Quiere ocultar en vano
Esos monstruos que vagan por su seno.
El tiempo con su curso presuroso
Todo lo altera; entre sus brazos rudos
Muere gimiendo la cansada vida;
Sigue ¡il crudo noviembre borrascoso
Vertiendo aromas la estación florida,
Y el huracan violento
So torna en brisa de aromoso aliento:
Y tú, gran Dios, mientras que todo muere,
Mientras todo se cambia ó se aniquila,
Desde la excelsa cum bre
De tu inmensa, infinita Omnipotencia
Sobre tu trono de celeste lum bre
Gozas la eternidad que es tu existencia.

Ese sol que radiante


Nos innunda de gozo y alegría,
La luna que entre sombras vacilante
Sus mágicos reflejos nos envía,
Y esas antorchas bellas
Magníficas estrellas
Que tapizan do quiera el firm am ento,
— 289 -
-Al escachar tu voz Omnipotente
Tiemblan estremecidas en su asiento*
La sombra de tu espíritu gigante
Creó la noche umbría,
Y un reflejo no m a s á e tu semblante
Hizo brotar esplendoroso el dia.
El Abrego que silva impetuoso
Y las cóncavas rocas estremece,
El ronco son del trueno temeroso
Que en las montañas retum bandb crece,
El bosque umbrío, y la escarpada altura
De la fragosa sierra,
Los anchos lagos y los hondos mares,
Y todo cuanto encierra
E n sus cavernas lóbregas la tierra,
E ntonan en su lengua misteriosa
Un himno á tu alabanza,
Himno de amor que hasta tu solio sube
Rasgando el viento en vagarosa n u b e .
Y el ronco m a r que con sonoro estruendo
Gime espirando en la remota playa,
Mientras que el eco vuela repitiendo
Su grito pavoroso
Que por los valles resonando atruena,
Graba tu nombre santo y misterioso
Con blanca espuma en la abrasada arena,

¡Ah! si mi débil lira


Imitando la voz de los querubes
Cantar pudiera'lo que ai penlio inspira
— 250 —

Tu misUrioso n o m b re,
Rompiendo el frágil barro
Lóbrega cárcel que aprisiona al hombro.
Entonces con los ojos de mi alma
■En estasis divino te vería,
Mi voz se extendería
Tus alabanzas sin cesar cantando,
Sublime resonando
P o r cuanto ocupa la región vacia...
Mas ¿quién podrá cantarte dignamente
Si ese cielo magnífico es tu alfombra?
Si un pensamiento que brotó en lu mente
Produjo la creación que nos asombra.

F. D ie z d e T e j a d a .

Uno de los mayores beneficios que hemos recibido de ’


D ios, y que singularmente nos obligan á amarle y r e ­
verenciarle, es la institución de los Sacramentos hecha
p o r su divino Hijo Nuestro Señor Jesucristo, y por
cuyo medio se nos comunica la gracia necesaria para
obtener nuestra salvación. Los grandes misterios que
se encierran en cada uno de ellos, nos excitan conti­
nuam ente á dirigir nuestro pensamiento á Dio3, y á
recibir tan señaladas muestras de su bondad con la pre­
paración debida y con la í'é necesaria.
Admirablemente expresó la grandeza de estos m is­
terios, el primero de nuestros poetas:
— 291 —
Dios por el hombre encarnó,
Y padeció p or el hombre,
Y al hombre en manjar se dio;
¿Qué maravilla alcanzó
De las tres mayor renombre?

— Si viendo Dios la osadía


Del hom bre, al rom per su edito,
infinito vjó el delito
Y que pagar no podia
Lo finito álo infinito;
Y si porque el daño nó
Durase eterno, tomó
Su carne ¿que obra á esta fué
Igual, el feliz dia qué
Dios por el hombre encarnó?
— E ncarnar Dios, nadie piensa
No ser obra singular,
Tan piadosa y tan inmensa,
Que ella sola pudo dar
Satisfacción de la ofensa;
Mas no tanto, no os asombre
Como el padecer, pues qué
Pasa al segundo renombre.
Que hombre por el hombre fué,
F padeció p o r el hombre,
— Tampoco ese viene á ser
Su mas glorioso blasón,
Que entre el morir y el nacer,
Una misma cosa son
— 292 —
El ser hombre y padecer.
Darte en manjar excedió
Uno y otro singular
Extremo de am or, pues no
Se dió al ángel en manjar,
Y al hombre en ?nanjar se d io .
— Aun á mas pudo pasar
Ese extremo, pues el íiel
Que en pan le llega á gustar,
Viene á s e r para quedar
El en Dios, y Dios en él;
Con que si hom bre y Dios unió
Tal maravilla, el que no,
Con verdad tan manifiesta,
Diga donde alcanzó esta
¿Qué maravilla alcanzó?
— De ese parecer me vea
Yo en esas cuestiones dos,
Pues no es; {cuando las tres crea}
Tanto que Dios hombre sea
Como que el hombro sea Dios;
Y siendo así que hecho hombre»
El m orir y el padecer
Se lo trajo con el nombre,
Hacerle á él Dios, viene á ser
De las (res m ayo r renombre.

D. P,. Cald erón de la Barca.


— 293 —
E n la escuela mística española, se contienen innum e­
rables y bellísimos trozos de poesía, que respiran el
amor mas vehemente al Señor, los sentimientos mas
puros de u a corazon inflamado con el amor divino. Es
esta acaso una de las mayores glorias de la literatura
española; una de las cosas que mejor hacen com prender
el espíritu em inentem ente religioso de nuestros a n te­
pasados que acudían to n la mayor devocion y recogi­
miento á oír los autos sacramentales del inmortal Cal­
derón, donde á la vez que al poeta de rica imaginación
y copiosa vena, podia admirarse al profundo teólogo y
al metafísico por excelencia.
Oigamos el siguiente trozo en que brilla la llama del
am or divino, como ardia en el corazon de la santa es­
posa de Jusucrislo, la inspirada Santa Teresa de Jesús.

Vivo sin vivir en mi,


Y lan alta vicia espero;
Que muero porque no muero.

Aquesta divina unión


Del amor conque yo vivo,
Hace á Dios ser mi cautivo,
Y libre mi corazon;
Mas causa en mi tal pasión .
Yer á mi Dios prisionero,
Que muero porque no muero*
¡Ay, que larga es esta vida!
jQué duros estos destierros,
Esta cárcel y estos hierros
— 294 —
En que el alma está metida!
Solo esperar la salida
Me causa un dolor tan fiero
Que muero porque no muero.
¡Ay, que vi J a tan amarga
Do no se goza el Señor!
Y ai es dulce el am or,
No lo es la esperanza larga;
Quitémc Dios esta carga,
Mas pesada que de acero,
Om muero porque no muero
Solo con la confianza
Vivo, de que he de morir,
Porque muriendo, el vivir
Me asegura mi esperanza;
Muerte, do el vivir se alcanza,
No te tardes, que te espero;
Que niuero porque no vinero.
Mira que el amor es fuerte,
Vida, no seas m o le sta;
Mira que solo te resta
Para ganarte perderte;
Venga ya la dulce muerte,
Venga el m orir muy ligero
Que muero porque no muero.
Aquella vida de arriba
Es la vida verdadera,
Hasta que esta vida muera,
No se goza estando viva;
Muerte no me seas esquiva,
— 295 —
Vivo muriendo primero,
Que muero porque no muero.
Vida, ¿qué puedo yo darle
A mi Dios que vive en m íf
Sino es perderle á tí
Para mejor áé t gozarle?
Quiero muriendo alcanzarle,
Pues á él solo es el que quiero
Qtíe muero porque no muero.
Estando ausente de ti
¿Qué vida puedo tener,
Sino muerte padecer
La mayor que nunca vi?
Lástima tengo de mi,
P or ser mi mal tan entero,
Qwe muero porque no muero.
El pez que del agua sale
Aun de alivio no carece,
A quien la muerte padece
Al fin la m uerte le vale,
¿Que muerte habrá que se iguale
A mi vivir lastimero?
Que muero porque no muero.
Guando me empiezo á aliviar
Viéndote en el S acra m en to ,
Me hace raas sentimiento
El no poderle gozar;
Todo es para mas penar;
P o r no verte como quiero;
Que muero porque no muero.
— 296 —
Cuando roe gozo Señor
Con esperanza de verte,
Viendo que puedo perderte
Se me dobla mi dolor;
Viviendo en tanto pavor
V esperando como espero;
Que muero porque no mueror
Sácame de aquesta muerte,
Mi Dios y dame la vida;
No me tengas impedida
En este lazo tan fuerte:
Mira que muero por verte,
V vivir sin tí no puedo
Que muero porque no muero.
Lloraré raí m uerte ya
V lamentaré mi vida.
E n tanto que detenida
Por mis pecados está;
jOh mi Diosl ¿cuándo será
Cuando yo diga de vero
Que muero porque no muero.

S anta T e r esa de J esú s.


x s.

Sfrestmo «Id IbomiIji' c.— del


altisia.—SSxSstencxa actu al.—V id a f(aííiit8a.
]%T©v¿sáitaíos é pastrícneróas.

Además de encontrar en la Religión, y on el amor


á Dios 3a satisfacción Je Jas mas puras aspiraciones del
alma; además de buscar en el bien supremo el ideal á
que debe aspirar la naturaleza libre y racional del hom­
bre, la Religión nos enseña que el orden moral tiene su
sanción eterna y completa en otra existencia posterior,
en una vida futura.
Las miserias d é la existencia presente, ios dolores y
penas que por d o q u ie ra nos cercan; las contrariedades
•que esperimentamos; la persecución que muchas veces
sufren los justos y la prosperidad aparente de los m a ­
los, desde luego nos llevan racionalm ente al conven­
cimiento de que no acaba todo con la muerte, de que
esta no es mas que el tránsito á otra vida posterior,
donde el hombre ha de recibir la justa recompensa de
sus virtudes, ó el castigo digno de sus culpas.
Y esto es lo que nos ensena la Religión. Ella nos
excita á a b a n d o n a r la s vanidades y pompas m undana­
les, á resistir las sugestiones de la carne, al sacrificio
ALIiCM. 20
f /
— 298 -
de nuestros deseos y pasiones para alcanzar la mas su­
blime perfección. Eila nos dice que este valle de lágri­
mas que h abitam os, no es sino una mansión transito­
ria y pasajera, un sitio de prueba donde debemos ha­
cer los méritos necesarios para alcanzar la patria ce­
lestial, cuyas puertas nos están abiertas por los méritos
de Nuestro Señor Jesucristo.
¡Cuán vanamente nos afanamos por aum entar y p r o ­
longar los goces de la vida presente! ¡Cuántas inquie­
tudes, cuántos desvelos, cuántos crím enes nos cercan,
y cuantas cosas arrostramos por lo que es en sí de tan
escaso valor! ¡Qué es el momento presente sino un
átomo do arena en el reloj inmenso de la eternidad!
¡Qué son las glorias mundanales sino fugaces metéoros
que brillan un momento, para convertirse después en
ceniza y humo! ¡Qué somos nosotros mismos privados
dol espíritu inmortal que nos vivifica, sino míseros
gusanos nacidos del polvo, y que hemos de ser con­
vertidos en él otra vez!

L A N A D A D E LA V I D A :

Y dijo prosiguiendo: el hombre es nada


Muy hijo de mujer, muy corto en vida,
Muy lleno de miseria am ontonada.
Es flor que apenas nace y va es cogida,
Es sombra que camina; y ss apresura
En manera ninguna detenida.
— 200 —
¿Y pones en él mientes de tu altura,
Y tienes p o r no indigno de tu alteza
T rabar pendencia con tan baja hechura?
¿Quién del cieno sacó jam ás limpieza?
¿Quién puro y reluciente de enconado?
Ninguno á quien firmó naturaleza.
Pues si el vivir del hombre es limitado,
Si término sus dias tienen cierto
Con fuero por ninguno traspasado;
No apesgues mas sobre ¿1, que cedo es muerto»
Afloja que él se acaba, y deseoso
Anhela al fin, cual nave anhela al puerto.
El árbol es cortado, es poderoso
A renovarse en ramas y en verdura,
Mas firme que primero y mas hermoso.
Y si plantado acuso en tierra dura
Se seca'su raíz y se envejece,
Si el tronco muere falto de frescura.
En regándole al punto reverdece
Al olor de la vena derivada,
Cual fértil planta en tallo y hojas crece. -
Mas del varón la vida si es cortada,
Cortada quedará, si muere, muere,
Ni vuelve, ni de si deja pisada,

Y corriendo ansí el hombre á cierta m uerte,


E n eso poco que la vida espira,
En la carne padece dolor fuerte
Kn el alma amargor, tristeza e i rá ,
Fr,. Luis de León.
YAXIDAD DEL PODER Y LA CRAJ’
DEÍA

¿Quién dijera á Cartago,


Que en tan poca ceniza el caminante
Con pies soberbios pisaría sus muros? ■
¿Qué presagio pudiera ser bastante
A persuadir á Troya el Aero estrago,
Que fué venganza dolos griegos duros?
¿De qué divina y cierta profecía
La gran Jcrusalem no se burlaba?
¿A qué verdad no amenazó desprecio
Roma, cuando triunfaba
Segura de llorar el postrer día
Con tanto César, Marco-Eruto y Docio?
Y ya de tantas vanas confianzas
Apenas se defiende la m emoria
De las oscuras manos del olvido,
¡Qué burladas están las esperanzas
Que á sí so prometieron tanta gloria!
¡Cómo se ha reducido
To3a su fama á un eco!
A donde fue Sagunto, es campo seco;
Contenta está con yerba aquella tierra
Que al cielo amenazó con ira y guerra,
Descansan Creso y Craso
Vueltos menudo polvo en frágil vaso,
— 501 -
De Alejandro y Darío
Duermen los blancos huesos;
Que todo al ñn es juego de fortuna
Cnanto ven en la tierra sol y luna,
Y así, abrazando noble desengaño,
Vengo á juzgar, que tengo tantas vidas
Como tiene momentos cada un año;
Y con voces del ánimo nacidas,
Viendo acabado tanto reino f u e r te ,
Agradezco a l a muerte
Con temor excesivo,
Todas las horas que en el mundo vivo;
Si vive alguna de ellas
Quien las pasa en el miedo de perdellas.

F. de Q cevedo,

La felicidad porque tanto suspiramos, no podemos


nunca encontrarla en la vida actual. La dicha es tan
pasajera, que siempre aparece mezclada con el dolor;
las llores de nuestros deseos siempre llevan consigo las
espinas de los remordimientos.

SOM ETO.

¡Oh engaño de los hombres, vida breve,


Loca ambición al aire vago asida,
Pues el que mas se acerca á la partida,
- 502 —
Mas con fia ilo de quedar se atreve!
¡Oh flor al hielo! ¡Oh rama al viento leve!
Lejos del tronco, si en llamarte vicia,
Tú misma estás diciendo que eres id a ,
¿Qué vanidad La pensamiento mueve?
Dos partes tu mortal sujeto encierra,
Una que te derriba al bajo suelo,
Y otra, que de la tierra te d e s tie rr a ;
Tú juzga de las dos el mejor celo;
Si el cuerpo quiere ser tierra en la tie rra ,
El alma quiere ser cielo en el cielo.

L ope de V ega.

La prim era consideración que debemos hacer para


atender á nuestra salvación, es fijar nuestro pensa­
miento en el momento supremo de la muerte, m o ­
mento terrible que sabemos que lia de llegar, y que tal
vez está mas próxim o cuando menos le temem os. En
esa hora suprema el espíritu ha de desligarse de los
lazos de la m a t e r i a , y han de manifestarse los inson­
dables misterios y abismos de la eternidad. La muerte
es para nosotros un fenómeno común y ordinario, pues­
to que todos los dias estamos presenciando que d e s­
aparecen de nuestro lado todas las personas que nos
son queridas; y sin embargo, envuelve un misterio tan
profundo, un horror tan instintivo como el que el ca­
dáver inspira al vivo, como el que nos causa la soledad
y el silencio de las tumbas.
¡Qué cosa mas elocuente que el mudo recinto soli­
tario que sirve de mansión á los muertos! ¡Qué len­
guaje misterioso 110 encuentra nuestra alma en las he­
ladas losas, bajó las cuales descansan los restos m o r­
tales de las personas que nos fueron queridas! ¡en esas
pequeñas cruces que nos señalan el si Lio donde deposi­
tarnos ,un cadáver, en esas flores con que adornamos una
tumba y que cuidamos con tanto esm ero, séres, cuya
vida naco de los despojos de la muerte! Meditemos p ro­
fundamente sobre el misterio que bajo la losa del se­
pulcro se encierra.

A í i .U Í A L A V E IU .

Tú, que me miras á m i


Tan tris le, m ortal ij feo,
Mira, pecador de ti,
Que cual lú le yes me vi,
Y verte has cuál yo me veo.

Juventud florida, insana,


Que i liviandades incita,
Mira que es tu gloria vana
Rocío de la m a ñ ana ,
F ior que luego se m archita,
Hombre entre los hombres fui,
Vósine aquí en sombras de muerte,
Y cierto serás así,
Visto d é la m isma suerte,
Tú, que m e m i r a s a mi .
Cuando en mas gloría te vibres,
Para saber lo que dura,
En mí te verás quien eres,
Y en qué paran los placeres
D é la humana desVentura.
Y dirúsleá Ui deseo
Si Le guia el favor sacro,
«Ya estoy m uerto, ya me veo
En aqueste simulacro
Tea i triste, mortal, y feo.»
Y pues se te representa
Esta muerte sin el cuando
Para el dia d é la aírenla,
SÍ quieres dar buena cuenta
Haz cuenta que ia estás dando,
¿IN"o ves que estás ciego así?
¿No ves á Dios que te inspira
Y te llama para sí?
Abre los ojos y miro,
jijira, pecador de ti.
Cata que vendrá á deshora
La tragedia del vivir;
No te descuides ahora,
Ensáyate cada hora
Para que sepas morir,
3So te ha de valer allí
Fuerza, valor ni ventura;
Todo lia pasado por mi,
No fies en hermosura
Que cual lá te ves me vi.
— o05 —
Mírate-parte por parte,
Y aprende primero á ver
En el libro de humillarte,
Que, de no saber mirarle
j\o le sabes conocer.
E n el mas alto trofeo
De los honrosos despojos,
Cuando estás con mas arreo
Mírate con buenos ojos,
Y verle has cuál yo me veo.

G, S il v e s t r e .

Es la hora de la muer Le el terrible momento en que


hemos de comparecer auto el Juez Supremo á dar
cuenta de nuestra vida en el juicio particular, basta que
llegue el gran dia de la justicia divina, el terrible dia
del juicio universal. P or eso es menester que este mo­
mento, que puede inesperadamente aparecer en medio
de nuestros goces y nuestras alegrías, nos encuentre
completamente prevenidos; por eso es necesario que
no descuidemos nuestro arrepentimiento, confiados en
que tal vez nos quedará tiempo para él t porque acaso
están próximos á te rm inar los m omentos que nos q ue­
dan de vida.
Uno de nuestros antiguos escritores dice, hablando
de esta hora suprema lo siguiente:
— 506 —

D e uit pecad oí1fraJilamlo con C risto en


la, Bio^a (3c Sa m uerte.

No, S eñoi\ p o rgúela muerte


Ya por instantes me aguarda;
Ni porque de los infiernos
Los tormentos me amenazan.
Tampoco porque perdí
P or ser criatura ingrata,
Vuestra gloria, Señor mió,
Y me prive de gozarla.
No porque mi juventud
Pasó, como todo pasa;
Y ya l:i postrera edad'
Me sirve de peso y carga.
No porque penas me afligen,
Y tan crueles, que hasta el alma
Parece que por instantes
Quieren, Dios mió, sacarla.
No porque me deja el mundo,
Ri porque el vivir me enfada;
No porque ya los amigos
Del todo me desamparan.
No porque me hallo tan solo,
Señor mío, en esta cama,
Porque en teneros presente,
Todo mi hiun me acompaña.
— mi —

Al fin no mas de porque


Os amo, Dios de mi alma,
I I oy os busco en esa cruz
Los piés y manos clavadas.
Que si o Ir o tiempo, Señor,
P or la ofensa no os buscaba*
Y otras veces por la culpa
Me ausenté de vuestra casa.
Ahora en la cruz os busco
Confiado en vuestra palabra,
Porque bien que tarde sea,
Quien viene, Señor, no tarda.
Y bien que para pediros
Todo el mérito me falta,
Confiado llego, Señor,
E n esas divinas llagas.
Que como es ciertu que yo
De ellas he sido la causa,
Posible será también
Que boy segunda vez me valgan.
Es verdad, que arrepentido
De las ofensas pasadas,
Tan otro, Señor, me siento,
Que el corazon se me abrasa.
No permitáis que se anegue,
S eñor, esta nave flaca
E n el puerto de esos ojos,
En donde touos se salvan.
Ya mi corazon, Señor,
Solamente ahora os habla;
— 508 —
A vuestras plantas lo pongo,
Y en vuestras manos el alma.

F r . P a u lix o d e l a E s tr e lla .

Si la obra de nuestra salvación es pues lo que mas


tan nos interesa, apenas puede concebirse como vivi­
mos descuidados en ella y hacemos consistir principal­
mente nuestros afanes en la satisfacción de los goces
del mundo. Esto expresa de nna manera brillante otro
de nuestros poetas místicos, del modo siguiente:

Yo ¿para qué nací? P ara salvarme


Que tengo de m orir es infalible,
Dejar d e ver á Dios y condenarme.
Tríale cosa será pero posible.
¿Posible? ¿Y rio y duerm o y quiero holgarm e?
¿Posible? ¿Y tengo am or á lo visible?
¿Qué hago? ¿En qué me ocupo? ¿En qué me encanto?
Loco debo de ser, pues no soy santo.

Yo ¿cómo vine al mundo? Condenado;


Dios, ¿cómo me libró? Dando su vida;
Yo ¿cómo la perdí? P or un bocado,
Que fué de todo el mundo el homicida.
Dios, ¿qué me pide á mí? Lo que m e ha dado;
Yo ¿qué le pido á El? La eterna vida;
Dios ¿para qué murió? Para librarme;
Yo ¿para qué nací? Para salvarme.
— 500 —
De tierra soy, en tierra he de volverme;
Y á siete pies de tierra reducido.
Y una pobre mortaja en que envolverme,
Tendeé del mundo el pago m e re c id o ;
No puedo de este paso defenderme,
Ki el César puede, ni el jayán temido;
jJíiseria general! jCaso terrible!
Q«e tengo de morir es infalible.
Allí de los amigos mas ainados,
Del alma tiernamente mas queridos,
Los últimos abrazos regalados
Recibiré coa llantos y gemidos;
Allí será el mayor de mis cuidados,
Los deleites y vicios cometidos,
Pues que puedo por ellos no salvarme,
Dejar de ver á Dios tj condenarme.
Pues ¿cómo de la enmienda y pie o i tone ia
Tan descuidado vivo en esta vida?
¿Cútno no limpio y curo la conciencia
Antes que llegue el fin de es La partida?
Porque si llega, y falla diligencia,
El dar en el infierno una caída,
Hasta el centro profundo mas horrible,
Triste cosa s e r á , pero posible.
Dispuesto con cuidado y prevenido
Conviene estar al tránsito forzoso;,
Que si me coge desapercibido,
Tendré el castigo como perezoso;
¡Oh loco, Lorpe, necio, endurecido,
Falsa, liviano, desleal, vicioso!
¿Que puede ser venir á condenarme
Posible? ¿ Y rio y duerm o y quiero holgar me?
En este paso mil esclamaciones
Con lágrimas sollozos y alaridos
Harán, sin dar alivio á mis pasiones,
Padres, hermanos, deudos, conocidos,
¡Qué án s h s, qué congojas, qué aflicciones
Turbarán mis potencias y sentidos 1
¿Esto tengo de veri ¿Esto es posible?
¿Posible? ¿Y tengo amor á lo visible?
Agonizando para dar la vida,
El cuerpo flaco con la amarga muerte,
El olma triste teme la partida,
El divorcio preciso y dura suerte;
Amargo cáliz, de morlal bebida,
Que en pena eterna ó gloria se convierto,
¿Cómo de la virtud me olvido tanto?
¿Qué hago ? ¿En qué m e ocupo ? ¿En qué m e encanto?
Allí me asombrará la cuenta larga,
Las visiones horrendas infernales,
La memoria terrible, tan amarga,
Del fallo que condena, y otros males.
Pues ¿cómo ¡oh ciego! con tan grande carga
De angustias y tormentos desiguales,
No tiemblo, no me enmiendo, no me espanto?
Loco debo de ser, pites no soy santo.

F r. P edro de los R eyes.

Si la consideración de la muerte de tal manera nos


— 511 —
estremece, ¿qué efecto no debe producirnos el pensa­
m ien to de ese juicio universal, de ese dia en que r o ­
deado de su explendor y gloria, se verifique]» segunda
venida al m undo del I-Iijo de Dios, del divino Redentor
del género humano. Entonces se verificará el gran pro­
digio de la resurrección de la carne, y otros maravillo­
sos portentos que señalarán la destrucción de la crea­
ción.

L a s q u i n c e s t í ñ a l c s ffjsae iq m r c c c r á i i
a n íe s d e! ju ic io lísjiv c rsa l.

Hombre, si es que adormecido


Estás, despierta del sueño,
Y nnas verdades oirás
Que te han de ser de provecho.
Abre los ojos deí alma,.
Escúchame un rato atento,
Que si placen n o v e d a d e s ,.
Unas mas ciertas refiero.
Ya sabes, que es infalible
El morir, y despues de esto
Que hay juicio universal
Y paráiso, ó infierno.
Ahora lo que no sabes
P o r ventura es lo que quiero
Me escuches, hermano mío,
Pues te va mucho en saberlo.
Ha de haber quince señales
— 312 —
Antes del dia postrero,
E n aquellos quince dias
Ultimos advenideros.
Será el prim ero, que el mar,
Sin que salga de su centro,
Subirá cuarenta estados
Sobre eí m onte mas excelso.
Será la sen al segunda*
Que aqueste m ar tan inmenso
Se encogerá de tal suerte,
Que será un espanto el verlo.
Será la señal tercera,
¡Qué espectáculo tan feo!
Que las ballenas del mar
Y los monstruos mas h o r r e n d o s ,
Sarán vistos sobre el agua,
Y harán tan grandes estruendos
Con los gemidos, que lleguen
Sus bramidos hasta el cielo,
La cuarta será, que el m ar
Arderá en un vivo fuego,
Y cuantas fuentes y rios
Hay en todo el universo.
La quinta señal será
Que los árboles mas densos
Y las yerbas mas humildes
S udarán sangre en efecto.
Será la sesta señal,
Que las casas y los templos
Caerán sobre la tierra,
Altos grandes y pequeños.
La séptima será, que
Las piedras y los roquedos
Todos su harán mil pedazos
Sin quedar memoria de ellos.
Será la octava señal
(A decirlo no me atrevo)
Que habrá un grande terremoto
General en todo el suelo;
Y será tan espantoso,
Que parezca que ios cielos
Se caen desde sus quicios,
Y se verán los infiernos.
La nona señal será,
Que todo este íirmiimcnto
De la tierra será llano,
Sin Lener valle, ni otero.
La décima será, fjue
Saldrán los mozos y viejos
De las cuevas de la tierra,
Donde esLarán p.orel miedo.
Saldrán corno enagenados.
Haciendo grandes estremos,
Atónitos y confusos
Perdido todo el aliento.
Y la Undécima señal
Será, que todos los huesos
De los muertos, se hallarán
Sobre sus sepulcros puestos.
La duodécima señal
ALlílLu.
Será, que caerán del cielo
Las estrellas, aunque no
Saldrán de su firmamento.
Tercia décima será
Que los racionales cuerpos
Todos allí morirán,
Por resurgir con los muertos.
Cuarta décima señal
Será,(que la tierra y cielo
Tombícn la región del aire
Se abrasarán con un fuego.
La quinta décima al lin,
Que es por afeite postrero,
Será, que el cielo y la tierra
ije renovarán de niuwo;
De manera que parezcan
Tierra nueva y cielo nuevo,
Resucitando también
Al punto todos los muertos;
Y caminarán al valle
De Josafat, para que ellos
Sean juzgados allí
Todos por el Juez Supremo,
Cristo Jesús, justo Juez,
A donde malos y buenos
Con la insignia le verán
De aquel sagrado madero,
E n que fue crucificado,
Aunque no h a d e ser el mesm o,
Sino de un color cé b ate.
— 515 —
Y los demás instrumentos,
De su sagrada pasión,
Y como tales trofeos
De victoria alcanzada
Por medio de lodos ellos.
Y hucha la separación
De los malos y los buenos,
Unos á poblar irán
Luego de allí los infiernos.
Y para siempre jamás,
A sempiternos tormentos,
Donde pagarán las culpas.
Que contra Dios cometíeron,
Y los buenos ó la gloria .
Irán á gozar del ciclo,
En donde siempre sin fin
lian de reinar muy contentos.
Dejo aquel juicio al tuyo,
H erm ano mió, pues pienso,
Que no será necesario
Referirlo si eres cuerdo.
Ahora, si eres cristiano,
Esto que digo creyendo,
Si no hicieres nueva vida
Es tu corazon de acero.
Pero con estos avisos
Y el favor del cielo espero,
Que amarás á Dios d« veras,
Que es lo que mas le encomiendo.
F r . P a u lis o djí l a E strella.
- 316 —
P ara describir el m om ento en que la creación volve­
rá ú la nada, no encontramos en nuestros escritores
frases que igualen al siguienlo sublime y pavoroso
trozo.

E X AÍVGEI j £ X T £ B » lI K A D O R .

Be allí se lanza con horrible estruendo


A ejecutar la voluntad divina
El misterioso espíritu trem endo
Que en este alcázar funeral domina;
Arcángel floro, portador de enojos,
Ase la copa, y por do quier camina
El aire inflaman sus airados ojos
Y las estrellas con los pies calcina.
Con él va la torm enta; el trueno ronco
Bajo sus alas cruje; desgreñada
De armas y quejas con estruendo bronco
La guerra detrás de él va despeñada,
Y asidis á las orlas de su manto
Van tras él con la muerte descarnada
La peste, el hambre, y el am or, y el llanto,
Y la ambición de crímenes preñado.
El espacio á su vista palidece
Y entolda su magnífica apariencia;
El disco de la lima se enrojece,
Y mancha el sol su fulgurante esencia,
— 517 —
Do quier las nubes que su sombra evitan
3 e chocan y se rompen con violencia*
Y cometas do quier se precipitan
Présagos jay! de la fatal sentencia.
A su soplo la m ar se encoleriza,
Y con gigante voz muge y atruena,
La planta J e sus pies torna en ceniza
La limpia concha y la esponjosa arena.
El monte luidla y la cerviz le inclina.
Pisa en el valle y de fétor le llena,
Y en la ciudad que á perecer destina
Yierte el licor í’a tsl y la envenena.
Y ese el arcángel fué que inexorable
Lanzó al desnudo Adán del paraíso,
Y de su raza en él ju n ta y culpable
Fijó á la vida térm ino preciso.
El arrancó en el Gólgotha empinado
El ¡ay! postrero que exhaló sumiso
El Dios que de la mancha del pecado
Borrar la sangre con su sombra quiso.
El tu rbó la insensata ceremonia
Del pueblo santo ante el becerro impuro;
Sentenció á Baltasar y á Babilonia
Con tres palabras que pintó en el muro-.
Inspiró al receloso Ascalonita
El degüello fatal, y abrió seguro
Nicho á Faraón, que con su gente habita
Del indignado m a r el fondo oscuro.
E! llevó el fuego de Al a rico á Roma,
Llevó i Jerusalem á Yespasiano,
— 518 —
E n una noche convirüo á Sodoma
En lago im puro y en vapor insano;
Rompió las cataratas del diluvio
Cegadas al impulso soberano,
Y encendió las entrañas del Vesubio;
Que busca sin cesar otro Horcutano.
Y ese será el espíritu tremendo
Cuya gigante voz sonará un dia,
Y á su yoz de la tierra irá saliendo
La triste raza que en su faz vivía,
L a creación se romperá en sus brazos;
Y cuando toque el orbe su agonín,
Cuando á su soplo el sol caiga en pedazos
¿Qué hahrá ante Dios? La eternidad vacia.

í>it. Z o rtíiu X A .
C ttX C IJU S E W V .

Hemos terminado nuestra tarea presentando en bos­


quejo el admirable cuadro de las bellezas de la Reli­
gión, cantadas por nuestros primeros poetas españoles.
Ofrecimos m ostrar qtio la musa cristiana tiene inago­
tables tesoros en su rica fantasía, que alcanza las mas
sublimes concepciones, y que los lauros que promete
son los mas gloriosos, los de mayor valía que es dado
conseguirá) genio.
Muchos voltirnenes.se necesitarían para agotar el rico
filón que encierra la poesía religiosa castellana, pa­
ra dar á conocer las innumerables bellezas de que es­
tán llenas las obras de los que se lian dedicado en
nuestra patria al cultivo de las bellas letras, y se han
valido de ellas para rendir justo tributo al espíritu r e ­
ligioso f[iie brilla en nuestra historia, asociado con todas
nuestras grandezas y con todo nuestro esplendor.
Sin embargo, ya que no nos fuera posible llevar á ca­
bo lan colosal proyecto, liemos querido al menos seña­
lar sus huellas, y difundir entre el pueblo cristiano esos
ricos tesoros, que solo pueden apreciar hasta ahora los
hombres que se dedican especialmente á las letras.
— 320 —
Para estos nada nuevo habremos escrito, y acaso cali­
fiquen de insignifiante nuestro tr a b a jo ; para la juven­
tud y la familia creemos, no obstante, que algo hemos
podido enseñarles, que algo hallarán en estas páginas
que satisfaga ¿mi fantasía, y que con m u eva su corazon;
y quizá podremos conseguir que se aficionen insensi­
blemente á buscar esta clase de escritos con avidez.
Hemos procurado presentar una ligera idea de los
principales géneros de composiciones en que se han
distinguido nuestros escritores: nos liemos propuesto
que esto libro comprenda muestras de todas: desde la
sublime elevación que brilla en las odas de F r. Luis de
L e o a y L i s t a , en las traducciones de ios salmos, en los
trozos de poemas religiosos que hemos insertado, has­
ta la sencillez de las composiciones pastoriles, de los
romances y de la poesía popular de menos preten­
siones.
liem os querido reunir desde la metafísica teológica
de Calderón, hasta la difícil sencillez y ternura de Me*
lendez; desde los apasionados acentos de un alma con­
sagrada á Dios que respiran los soliloquios de Lope y
las glosas de Santa Teresa, hasta el ascetismo rigoroso
que descuella en las composiciones de G. Silvestre y
F r. Paulino de la Estrella.
Hemos elegido indiferentemente autores antiguos y
modernos;-biieíSfldo en aquellos principalmente la ele­
vación de conceptos, la grandeza de pensamientos, la
galanura de la frase y el acendrado espíritu de le reli­
giosa que en ellos brilla, y en estos al par que dichas
ventajas, lo agradable de la forma y el lenguage mas
— 321 —
adecuado á nuestros gustos é inclinaciones presentes*
Hemos creído conveniente también reunir estas p oe­
sías bajo un plan preconcebido; precediéndolas de con­
sideraciones que creemos apreciará toda clase de p e r ­
sonas, á fin de que su lectura sea mas útil y prove­
chosa, y que predomine en medio de su variedad ua
pensamiento de unidad, al cual estén subordinadas.
No sabemos ¿i habremos conseguido todo lo que nos
proponíamos hacer; pero estamos seguros por lo m e­
nos, de que hemos escrito un libro de utilidad, que
puede correr sin peligro de mano en mano, y que al
mismo tiempo que de agradable recreo al hom bre re­
ligioso , puede también servir de enseñanza á la j u ­
ventud.

F W T.