Anda di halaman 1dari 32

ttiaiiiA iiâii*èiiiiB.

'

S. G. 15 DE JANEIRO DE 1844. VOL. I.


ni iai —— '—~^^^^==^^===t«ai=üi^.——-mm.

tiimitiAfo
Itllll.lO I lll.l A 1*1 lllall \. dos cursos jurídicos tio S. Paulo e Olinda. Fr.
Joaquim Damazo, que ficara bibliothecario em
¦ajtfm^ fvf. o cidade do Rio de Janeiro a biblio- 1822 , como nSo quizesso atlherir à proclama-
Hfcyiier.i hojo à gênero- çao da nossa independência , retirou-se para Por-
"vJÇ/sidode publica que regentepossuo depois rei l>. tugol , fozendo primeiramente passar daqui a rica
do príncipe
João VI ) que , passando do Portugal oo lira- collecção du manuscriptos annexos 6 bibliotheca,
lil em fins do anno du 1807 , fez transportar tanto do rui como do inlantado, e por isso he
comsigo a bibliotheca do seu palácio da Ajuda, for- bojo a bibliotheca publico mui pobre de códices
nítida pelos senhores reis seus predecessores para manuscriptos.
uso da família reul. Ella se franqueou ao pu- Cumpro notar que lambem com o regente veio
blico em 1810 , sendo arranjada pelos seus dous huma preciosa collecção de manuscriptos , que no
ar-
primeiros directorés aqui, os padres mestres Fr. palácio das Necessidades so conservavam em
Gregorio Josò Viegos, e Fr. Joaquim Domozo; chivo separado , e aos quaes se chamava — Mo-
o primeiro da 3' ordem Franciscana , e o so- nuscriptos da coroa. — Esta collecção nunca foi
incorporada á bibliotheca publica , apezar de
gundo da congregação do Oratório. mes-
A rasa quo servia do hospital dos Terceiros grandes esforços dos bibliolhecarios , e até
Carmelitas loi oecupuda pela bibliotheca, pela pro- mo do alguns ministros. O visconde de Villa No-
íimidado em quo ficava do paço real, dondo o va, na qualidade do guorda-joias, conservou-a sem-
de-
rei e os príncipes vinham muitas vezes ler e con- pre debaixo da sua immediota inspoeçao ,
huma casa da noção na rua do Ou-
saltar. Mos esto local , além do nao ser próprio posituda cm
paro hum tal estabelecimento, tem demais oin- vidor, dondo regressou a Lisboa com o rei I).
conveniente do ser acanhado , pouco arejado, e João VI. Esto collecção do manuscriptos constava
sujeite u continuadas invasões do cupim , que por de mais de sois mil códices.
muitas vezes lhe tem feito grandes estragos, as- Por morto do condo da Barca , o governo re-
sim como lambem d'outros insectos quo costu- cebeu em pagamento de dividas a parto da li-
mam atacar os livros, o quo no Brasil espanto- vrorio quo esse distineto litterato comsigo trou-
sainente so dosonvolvem. O governo imperial tom xera do Lisboa , o quo pôde salvar dos barulhos
idéas de fazer construir hum novo cdilicio com as com quo so fizera o embarquo da corto na epocha
proporções necessárias a huma bibliotheca publi- da invasão franecza. Esta livraria, apezar de es-
ca, c alguns passos so tem dado já com esse iragada , ainda ussim sc compõe de muitas obras
colligir
fim. preciosas 0 raras, que o condo podéra
no tempo do suas viagens em diversos estados do
No ajuste de contas com Portugal, por ocea-
»iüo da nossa independência , entrou n biblio- Europa. Juntou-se-lhe tombem o livraria do
tlieca publica como propriedade du casa real, illustre conselheiro Josó Bonifácio do Andrade o
fl com ella a livraria do infantado , quo tombem Silva, doada por seus bordeiros, constante cm
ra-
se passara oo Brasil com o nrincipo regente. Es- grande parte do obras ollomans sobre muitos
tas bibliothecus chegaram com muitas obras trun- mos da historia natural, o de edições recom-
cadas , o poucas dobradas; destes mandou depois mondaveis do celebres tjpographos sobre diversos
" governo repartir
pela bibliotheca publica da ramos scientilicos e litterarios.
Builia fundada pelo condo dos Arcos , o pelos Com estas reuniões, o com a compra c pre-
21
¦ ..iK\c *r* '?»".
. ¦ ;';;¦' ,-r>\-,
160 SCIENCIAS.

li- lingua* j*r.i-iri\ no gabinete das linguas, e entre


sentus de varias outros obras, possuu hoje o
os clássico* as seguintes : Anacreon , Pindarus,
traria publica do Bio de Janeiro porá mais de
iii.iime* Vetara. ¦õaaaavpnhM. llurodotus, Uion,
telitita o dous mil volumes , e opezar de ler lolta Apollonius Hliodiiu,
de muitas obras em divursos ramos sciuntifico*
e quutro ediçous do Cicero,
Turciiliu* , Plaulus, etc., etc.
todavia Tbi.eyd.dwi,
pbilologicos , modernamentu adiantados , suo col- Pura dumonstrar-se M poucas palavras que
abunda em clássicos, sendo riquíssimo o o* livros citados , bantará lembrar
Burbosa , valor podem tur
locçao. Accrescu que o obbode Diogo
os preços quu , cniiformu ao — Mouue! du Li-
antigo bibliothucano em Lisboa, e lilturuto quu anno de
em l.rairtj, — olcançnram alguns delles im
muito su distinguio pulo seu inconsovel zelo o Plalo do Sle-
1810 em Paris; por exemplo,
reunir os obros mais preciosas, acerescentou esta in-folio. 980 francos; o Pm-
3 vol.
livraria nao só com muitos livros roro*. « que phauus, 1 «L em 12. 5V fron-
darus. mesmo,
diflicultosamunto comprara para sua bibliotheca pelo
50,
como tanibum com muitas collucçoes eus; o Anacreon, 1 volumu V pequeno,
particular , , 50 francos, todos un-
feitas du estampas o ru- o Apollonius Bbodius
por ellu trabalhosamuntu Stenhanus. Entre os edições Aldt-
tratos, e com oitenta o seis volumes in-fol.o de prussos por
nos , o Artumidorus, GV francos | Anacreon , 4<J
folhetos sobro divursos matérias históricas , poli-
fronct*s; .Eschvlus, 120 francos, ele.
ticas u litterarias, que já su nao ochom ou nos
ello E quo valor-SS deve dar á collecção completa
mercodos , ou em muitas livrarias . e quo
for- das edições Elzuvirionos quu possuo a bibliolhe-
com insano trabalho reduzio du dillerenles
ca pèMra do Bio do Janeiro , <|ue na Euro|.a
inatos ou de folio , grudando-lbo margens. Men-
rorissimas vezes so encontram reunidas, e sao pro-
t-ninaremos algumas das obras mais preciosas da
dar- curados a peso de ouro pelos curiosos ?
bibliotheca publica do Bio de Janeiro para
Podemos dizer quu u>ta bibliolheca não hc
mos huma suecineta idèa do vulor desto interus-
muito abundante ( ao monos entro os clíssicos)
santíssimo estabelecimento.
de ptileotvpos , ou incunobilos , um sentido cs-
A collecção dos clássicos comprehende edições
tricto assim chamados, o saber , livros impres-
de quasi todos os tjpogropbos antigos do Vene-
sos desde o invenção da typographia olá o onno
neza, Leyden , Antuérpia , Milão , Ams-
de 1500 ; udoptando-sc porem a opinião do cu-
turdam . Boma, Poris, etc. , etc. Lembrarei chuma palçoty-
completas os edi- lebro bibliogropbo Panzer , que
quo existem mais ou menos como por pos os impressões executadas ate o anno do 1330,
çoes dos famosos tjpogropbos ontigos, centenas dellas aqui existem. So poucas obras ha
exemplo, Jodocut Badiut, Joannes Gryphius a roridado das exis-
impressas antes do 1500,
do Veneza , o Stbast. Gryphius de Luydun, dos ao menos em , a fa ta
tentes compensa , porte
Utnric-Petri du Basilco , dos Plantinos um Leyden edições dos
do outros. Mencionaremos as qualro
o Antuérpia , etc. , etc ; quo possuímos todos os Paulo de Colônia,
Tret Allemanos em Sevilha (
edições ad usum Delphini, muitos da famosa
em Oxonia otc. , etc. ; mas Joannes de Nuremberg , o Meynhard Hungut),
officina SAe/doniano , Plu-
serei mais extenso a respeito das verdadeiras jóias
Do li91 , 93 e 97 . contendo o Scneca,
tarchus , Boetius ( todos traduzidos em hespo-
da bibliotheca clássica, o sober, dos edições: do
Aldus-Pius-Ma- nbol ) , e 1 vol. com mui curiosos trotados
1." Chamadas Aldinas (do em
hum doutor Ortiz , obras quo talvez poucas
nutiut, Paulus M. e .4 Mm i»f. . todos do Ve- se encontrem. Ha mais
o Pausonias , Ho- bibliolhecas da Europa
neza ); entro as quaes temos
hum Apulcjus, Vieonliio, 1181; hum dito,
menos, Aulus Gcllius, Cicero cm latim 8 em
1497 ; hum Strobo , Vcnctits, 1 \.)t !
traducções italianas , Arlemidorus , ^schylus , Mediolani,
hum Silius ltalicus, ihidem , 1.92 ; hum Ovt-
Appionus , Stalius, Scneca, duas ediçúcs dos
dius, 1500; hum Justinus , 1490, etc.
livros do Re Rústica, e mais outras, todas
de 1500 ató 1550. A coróo porém do todos os paleotypos que
publicadas entro os onnos cujos existem nesta bibliotheca, bem quo nfio perten-
2.° As odições do Froben de Basilea ,
de livros de quo tratamos, bo decerto
famosas impressões dos padres da igreja se acham ço á classe
a biblio latina de Fust Shmfler, du Moguntta
na parto theologica da bibliolheca , emquanto
Pholaris Am- impressa em 1402. Para so conhecer a rondado
entre as dos clássicos existem :
desta edição bastará lembrar quo ba pouco tem-
mionnus Morcellinus, Livius Flavius Josephus,
se leu nos periódicos do Fiança , como cousa
Dionysius Haldoornanass, Claudius, Cicero, Ar- po
extraordinária, o encontro de hum tal livro, quo
rianus , Tcrentius , Plinius secundus, o outros.
oito preço, e quo julgam os In-
3." As edições dos Stephanos ( Ilenricus , foi vendido por
bliographns ser o 6o exemplar até hoje conhu-
Franciscus, Roberlus, o Ilenricus Júnior Stcpha- ho impresso cm bello
muitas edi- cido. O dosta bibliotheca
nu» ( Etienne) de Paris), dos quoes mui
ou- papel pergaminho, boa letra gothica, tinto
ções preciosas se acham entre os theologos, viva o bem livrada do insecto, talvez
acha-se
trás, como por exemplo o famoso Thcsaurtis ,
.
SCIENCIAS. lfil

o que tombem »e provo com pouco tempo terá mai* a bibliotheca publica do
pelo »eu papel ;
edição do 1). Quixote em perga- Ido de Janeiro esse intercHantissimo ocerescenta-
huma bella
iiiinhu. A eollecçao de biblio» de*ta livraria lie mento.
idiçoe» O conego J. da C. Darboia.
riquiisiina, tanto pelo «ceio da. suas
diversa» língua* em que foram pu-
(üiiio pelai
liliciidus, o ochain-sc lamlieiii vorio» collecçoe»de
estampas bíblicos do* mói» celebre» autores.
Possue esta bibliotheca , entre o* seu» pouco» ENTOJIOLOG.1A BRASILI.IRA.
iiionuscriptoi, huma biblio de pequeno formulo ,
,iii finíssimo pergnminho e letra microscópica, Xettcla ..•.!.1.- iniiii i .-i»|H-rit' tl« iimi-i-li. liyiii.-iiopt.-ii. •
,|,j anno dn 1300, que íòta do conde do llarca ; 1...I.I.- a n.ii-Ki do anlii onde ella |kuuui «una meu-
hum livro do orações do u»o de el-rei D. Fer- itior|i|ioa«*.
nando de Portugal, precioso tinto pela sua
antigüidade como pelas estampas o desenho»
coloridos du quo sao ornado» as suas margens sWHa. » insectos da ordem do» hymcnoptcros of-
W| Qj fere, em quasi todos, cm suo historia ; huma
d as vinhetas de seu» capitulo»; ha mais ou- "*»a»y
multidão do notáveis particularidades, be
tro que de certo tumbem fora do uso de ulgum
nclles que especialmente se observa o instineto
ni portuguez, acompanhado du nolos do canto-
social; as formigos, as vespas, os zangoes o abe-
chão para os ollicio* da capcllo, e até compre-
lhas dao disto o exemplo; os perfeitíssimos Ira-
l.cndendo no lim huma orle de cantochão figu-
balhos destes últimos denotam mesmo huma in-
rodo; ha mais hum registo de cortas jcsuilicos es-
telligercia extraordinária. Em outras famílias de
,riptas do Brasil desde o anno de 15Í9 até pouco
l.vnicnnpteros põde-so ainda encontrar objecto de
mais de 1600 , que foro do collegio de Santo
observações interessantes, o entre estes os do ge-
Antoo cm Lisboa , e dado pelo conselheiro João
Pereira liamos oo conselheiro Lora o Ordonhcs , uero cynips, que faz o assumpto desta matéria,
.|in- dcllo fez presente á bibliotheco publico. A merecem nao ser esquecidos.
historia dos missões da Iiahia poro o sul acha-se He muito vulgar encontrar-so nns planícies
liem explicada nestas cortas , enlre os quaes muito desla provincia (Kio de Janeiro) , suspensos dos
interessa a leiluro das dos podres Nobrego o An- ramos du certos arbustos, mossas ovues, arre-
cliieta; ha mais bumo eollecçao, já muito eslro- dondndas, asselinadas, de hum branco còr de
neve, du grossura do hum pequeno ovo de gal-
gado pelo tinta , das correspondências outngra-
linha , tendo no seu centro hum largo canal
pbas do santo oflicio de Gôa com o dc Lisboa.
Ila por fim vários inanuscriptos de obras quejà aberto nas duas extremidades , e apresentando
correm impressas , como, por exemplo, das cortas na sua espessura muitos casulos disseminados,
do padre Vieira , das de Alexandre de Gusmão , ovaes e mui pequenos, de hum tecido denso ,
das do D. Luiz da Cunha ; assim como Iam- o que tudo faz as vezes com que a massa inlei-
liem do correspondências diplomáticos do condo ra ollereça o aspecto de huma esponja crivada
da Barca , dc D. Luiz tio Cunha e de outros. de aberturas redondas. Estas massas de seda são
casulos fiados,
Esla bibliotheca , quo parece haver ficado esta- produzidas pela agglomcração do
cionaria depois de estabelecida no Uio dc Janeiro , pelas larvos do hum insecto do gênero cynips, nos
começa a enriquecer-se do preciosas obras mo- estas larvas possam sua ultima transforma-
quaes
a
dernos. O governo tem feito empregar na com- ção o sabem insecto perfeito. Passemos agora
expor o mo tem sido possivel observar de
pra du livros a consignação que a assembléa go- que
ml, depois onnoa, decretara para a livraria sua existência até esto momento.
publica. De 18'i-2 por diante tem ella recebido Huma fêmea de cynips já fecundado procura
otiasi mil volumes comprados na Europa, entre huma lagarla viva , e de preferencia huma la-
lepidoptero
os quaes notam-se os da interessante obra do garta do huma espécie de insecto
Spix e Martins sobro a historia naturnl do Brasil; nocturno; cnconlrando-a, ogarra-se com toda a
as obras do Cuvier alé bojo publicodas ; Anti- força o sua victima , e por meio do seu aguilhão
guidodes do México porMM.Lcnoir e Wordcn ; abdominal fura-lho o pelle , apezar dos movimen-
si plantas da Provincia de Goynz por Phol ; a tos que faz a lagarta para so desembaraçar de
Flora Londinense; varius historias e tratados scien- seu inimigo; os ovos io cynips, sahindo pelo canal
tiPicos , obras de litteratura , periódicos mais es- interior do aguilhSo,cahem então em quantidade ;
tintado», lanto francezes como inglezes, etc; e o o postura de seus ovos acha-se assim eflec-
consta tu.ida.
que hum novo pedido de muitas obras
modernas sobre scioncias jurídicos, commerciae», Abandonada a lagarto, encarregado «a servir
militares, industriaes , agronômicos, políticos, de nutrição o esto íomilia estrangeir;., continua
lugar, c
«to, , se fizera
para a Europa , e que dentro em a viver como dantes; ella mudo de

¦
162 SCIENCIAS.

como porque seu autor nos merece todo o con-


come com voracidade, .isto que teus suecos in-
coito pelo »cu iníaligsvel zelo em peracrutar •¦
teriores sao desdu logo absorvido*; atè que . crês- e enlo-
a- ctudar as no*»a» rique.o* ornilhologicas
rendo u» pequenas larvas parasita*, a grande nao só a scien-
de- iiiologica*. Com a sua publicação
garta ao contrario emroagrece , gradualmentea hum cia certamente muito terá ganho por ver melhor
teriora-se, lixa-se no lugar, agarra-*» lados, mas
tem conhecido hum do» seus numerosos
romo ou folha , e abi suecumbe. *.*_« morte lambem os nossos leitores leram gostado terem
lugar precisamente no tempo em aa» »« larvas do» Itellezas e maravilhas
„,;,,. ,..te conhecimento
do cynips se transformam cm nympha*. ü corpo da terra brasil it a. O Ur. Descourtili acha-se
ao
•Ia Kigarla ontle ellas cresceram, reduz-se sem-
la- no Bio de Janeiro ho muitos anno», quasi
estado de huma simples pelle secea , que he está em viogem percorrendo u nosso p-u-
. ilmente por ellas furada paro poderem sahir pre diversos direcçoes , e sobre ei e mais
asse- vincia cm
fora Codo buma ao depois fia bum ca»ulo autor da bella
extre- nada diremos senão que be o
tinado, rvlindrico, arredondado nas duas agar* apparece entre
casulos e magnilico publicação que
midades.e collocodo verticalmente; estes rtmarquablts du Brtnl,
liram mui huns do» outros, nós intitulada . Oiseaux
particulares juntos do muito mérito pela belleza e rique-
sobre o mesmo plano, tem os mesmas dimensões. produeção naturalista muito
be ia da* estompas coloridas. Como
e formam por sua reunião huma massa que o l)r. üescourtilz nao determinas-
mais sentimos que
alem disto rodeoda de muitos lios de sedo a espécie de cynips que produz a seda
da se qual
delgados, e que servem poro proteger o todo do seu co-
acção da humidade fl frio. por elle descripta; porem esperamos natural
nhecido amor pelo esludo da historia
Os restos da lagarta , que já se achava sècca, se lhe oíTereccr occoaiôo , a de-
sabem pelo largo conol que atravessa toda a mas- que, quando
terminar*. ...
sa do sedo . e os novos insectos, depois de furarem nós sabido que na Sociedode Auxilia-
ns pequenos casulos onde se acham , e dos quaes Tendo
doro do Industria Nacional existia buma porção
huma dos extremidades eslà sempre dirigida para bruta sobre que versa esta observação,
rima , sabem em profusão e abandonam a mossa da seda
fomos vel-a, e a este respeito podemos desde ja
de seda . que fica então como huma esponja be
crivada dc pequenas aberturas arredondadas. dizer que o descripçao do Sr. Descourtilx
cxaclissima. Depois do a observarmos, pedimos
Existem muitas outras espécies do gênero ey- consocio o Sr. Fructuoso Luil da Mot-
nips , parasitas do interior de lagartas, onde ao nosso
nacionol tonto deve , quo
•Atam em sociedade; o ninho de seda apparece ta , a quem a industria
com vogar examinar cm sua cosa , que
sempre no momento da transformação da lorvo quizesse
delia poderia tirar a industria : passado»
ou lagarta cm nympha ou crysalida , e a la- proveito buracos de quo
serve de vehiculo paro o seu desen- dias, nos respondeu , que, pelos era dc
garta que ,
-v.ilvin.ento so achava crivada toda a massa de seda
, contém muitas vezes huma enorme e que, segundo ensaios
nada manifeste sua todo impossível fia-la,
quantidade das outras, sem que servir o fabrico de
vezes antes que ella te- por elle feito , só poderia para
presença ; e por isso, muitas applicação quo com vontogem se podo-
nba inteiramente cessado de viver, acha-se como papel; visto a grande quantidade que existe
espécie de túmulo do sedo. Tal rio faier,
sepultada em huma das
desta mossa de seda espalhada por muitas
he a engenhosa maneira por que tem origem muitos Assim eis-aqui mais buma
destas mossas do seda que se observam como nossas provincias. do quo poderiam lançar mão os
suspensas das nossas arvores. Tal he o maravi- moteria primo en-
fabricantes do papel , matéria qne se
lhoso mecanismo por que se propagam e crescem nossos e preparada.
de cynips. Nós, contra em abundância, prompta linhas
quasi todas as espécies brasileiras na- Muito estimaremos que estas nossas possam
como
que temos tido oceasião de precorrer algum dos nossos concidadãos a appro-
turalista huma grande parto da provincia do mover a sua e do mais este
com vantagem paiz
Bio de Janeiro, temo-nos visto nas circumstan- veitar
Já o anno passodo o nosso corpo
cias de poder por nos mesmos observar o quo produeto nosso.
hum privilegio para a pre-
deixamos relatado. Assim todos os factos por nós legislativo concedeu as folhas das bananeiras,
com
apresentados são colhidos tle nosso própria obser- paraçflo do papel
vação. estabelecimento que jà so achava cm actividadei,
da
e que segundo noticias ultimamente recebidas
Bahia muitas vantagens promette aos accionistas
Dr. Dtscourtilz.
.-.. oi, e à Provincia, elle nao deixará do igualmentea
,,. o'-,-'- ,.«)*»>: ¦ '1T'.:.« •
I animar e proteger a quem queira aproveitar
nós.
Com summo prazer demos inserção nos co-i sed* do cynips até hoje inutilisada entre
-o aobilut",
lumnas da Minhuva Bbasiuense a esta noticia ,'¦ ^stítiti . Dt% s*v
ella em si contêm, MM joq õl
tanto pelo interesse que oOrV,. rftl)| i.ioj ítwbio «b* HMT°*
-, 7 -ü> *-.;.¥,.' $ rsW tbsv-'ó d cmuil
*%

*¦*»».**%•»******!>«¦•>*%%*<*%%*.%%**%»*»****»****»%%,*, mmMM ********


umm^.M .lim i..llla».uM«a.i»..i»t>

•àfss » Wj'8 mm?


t
• •ii»*
.

£ M^^®Ã4àWOTyà%
* «

-«O <^m^at*a^-
' la>

-. ur
.min a*}
ptfp ' ITINERÁRIO estatuas de diuuruulus santo» , quu tem 24 pd-
.111
mos incluindo a buso, o que duo ao cdilicio 94
du praça.
[)a viagem c-na fez n Niipnl. - « i-oiiigu Mnmn-I J..« palmos do altura acima do pavimento
O obelisco egypcio , quo so oleva no meio da
qui.» tia Sth.uii
ifüt ob •' columnata , ho huma peça inteiriça de granito
VIAGEM A ROMA. roxo oriental , a lem 107 pulmos de allura com
¦a o peso de 973,937 libras. Foi Sinto V que ahi
t Caiuiii.ia.1» «Io numero nmcrior. ) o fez collocor sob a direcção du Fontana. Sua
altura total , couiprebendendo o pedestal e a
Ào Pedro de Roma he o templo maior o cruz de bronze, ho do 189 palmos.
mais bello que ba no mundo, de huma A praça roctilinea quo está entre a praça
' oval e a igreja tom 513 palmos do largura so-
grandeza u goslo inimitável, que não
so podo comparar com cdilicio algum ; digno hre 455 de profundidade. Ilu do coda lodo por-
elle só do buma viagem a Roma. Esta situado ticos rectilineos quo começam nas duas entre-
ao pé do monte Vaticano , no mesmo lugar da midodes da columnata , e que vão abrir-se no
são decorado»
antiga basílica quo Constantino fizera edilirar. grondo pórtico da bosilica. Elles
do emparelhadas, sobre a» quaes
O papa Nicoláo V formou o projecto do a re- por fora pilastras
edilicar ; mas estava reservada paro Júlio II o estaiii collocodas 48 estatuas.
gloria do Iho lançar a primeira pedra em 1506, O frontispicio de S. Pedro, elevodo sobre bum
e começou a obra sob os desenhos do Rramante. vosto poial , faz fundo a esta grande praça. Elle
Vários urchitectos, o mesmo Rafael , occuparam- esta decorado por huma grando ordem corinthia,
so com ella ; mas ultimamente foi Miguel An- sobre a qual esti hum attico terminado por huma
golo quem aperfeiçoou os desenhos e fez o tam- balaustrada , e sobre ella estein collocadaii us es-
hor da sumptuosa cúpula. Ainda depois do Mi- tatuas do Salvador e dos santos apóstolos. Em
guol Ângelo esteve o complemento da obra en- cima mostra-se a cúpula em bum plano mais
tregue à direcção de hábeis urchitectos. afastado. A fachada tem 251 palmos do altura
A soberba praça de S. Pedro he dividida em o 532 de largura ; e são taes os suas proporções,
huma grandeza mo-
duas partes, huma oval e outra rectangula. A quo as columnas parecem de
diocre , no entanto que são de huma grossuro
praça oval, ou a praça da colu.nnata , tem 1015 126 de altura.
enorme, e tem palmos
palmos de largura e cslà cercada de pórticos
em coluiiinata, que se vão ajuntar a parle rcc- Enlra-se em o vcstibulo por cinco grandes
tangula, que bu ornado na frente por hum aberturas, e ho decorado com huma magnihcen-
obelisco egypcio o por duas bellas fontes. A cia que corresponde ao soberbo edifioio que
coluninata he composta de 284 columnas , e do elle annuncia. As extremidades dão entrada às
88 piluslros doricas, quo formam do cada lado duas galerias que o ligam à columnata , no fun-
soberbos pórticos em semicirculo de 81 palmos do das quaes vé-so ao meio diu huma grando
de largura. Cada pórtico está dividido em três estatua de Carlos Magno, e ao norle a de
corpos, anteriores e dous posteriores. Quatro fi- Constantino Mogno. A's cinco entradas do porti-
Ias de columnas formam Ires caminhos, sendo o co correspondem cinco portos : tres são ornadas
do
•do centro apto de columnas do bello mármore roxo. Huma
para a passagem das carruagens. cruz de bronze
As columnas são elevados sobre três degráos, e meio, em que se vé huma grande
só se abre
tem 58 palmos de altura , comprohendidos os dourado, chama-se a Porta Santa* e
de Os batentes da do con-
capiteis u as bases. O todo ho coroado por huma por oceasião jubiléo.,
os mar-
«ornija da ordem jonica, sobro a qual assenta tro sao de bronze, e tom representados
buma baiauslrada em tyrios de S. Pedro e S, Pau'°-
que cstam collocadas 96
.—¦*m*mm*wm!m*mw,'flti

lil UTTERATUBA
de tia VI . •¦> mármore branco ,
A largura do pórtico , cujo pavimento he de bella e.t.tua
ni.inni.il-, he de 57 palmos livre». • o compri- representando esle papa do joelhos, revestido
>!•• altura. de em oroçao ; ulliuia obra do immuru
mento de UV8. A abuluda tem Iii pluvial
O pórtico superior lem as mesmas dimensões ; Cmiova. „ .
ib-coradii coluinnoii , * *ara- O baldaquino da et-nlissáo de S. redro be dt-
aaU pi.r ptyaatni Ile do lorma quadrada,
das. Na do meio chamada /u Logia dà o so- huma bcllcia admirável.
berano pontífice cm certo* dia» a benção aposto* 1 e sustentado por quatro grandes columna» dt
bronze torcidas do ordem composto . ausentada*
lica «i cidude e ao orbe. o conut-ladu» alé u
em pede»tae* do monitore,
O interior do templo de S. redro apresenta terços saocingido» de fes-
lerço. Us dous outros
h vista o mais soberbo edifício que ha no uni-
com meninos e abelhas. As ha-
verso : tem G85 palmos de largura. 593 de allu- toes de louros ,
ra , e 901 de comprimento. ses e o» capiteis sao tao bellos como a cornijo ,
de bum.. bella forçu e bem peifilada.
A grande nave, que tem 119 palmos de lar* quo he
A coroa he ilu huma forma e proporção Mu.
gura e 210 de altura , bu de huma bullissima Vem-se su>
proporção, e decorado por grandes pilastras
co- grupos de pequenos meninos quo
os chaves , e oulros distinctivi»
rinthias. Esta ordem reina também nos* dous tentam o liara ,
fundo. (J he de dos soberanos ponlilices, e quatro grandes bgu-
braços da cruz e no pavimento sobro as columnas , tendo
mármore de diversas cores, e o aholiada ornada ras do anjos em |ie
lançam sobre o rotodit
de cuixoes quu produzem lium bello efleilo , c grinaldas do flores quo sublime 177 pulnin*
cujos ornamentos soo de estuque dourado. De obro. Tem este monumento
cada lodo da nave ha quatro grandes arcos que de altura , contados do pavimento da igreja ate
correspondem a outras tontas capellos, que es- a summidade da cruz , no quul se empregaram
180,392 libras de cobre, ü aliar collocado de-
tum separadas por pilastras unidas de 92 palmos aos ponli-
he reservado
de altura , coinprohendidos os capiteis e os Im- baixo deste boldoquino
sus. Todas as entrepilustros são decorados pur licaes que faz o soberano pontífice.
duos ordens de nichos , em os quaes estam collo- A grande cúpula que esta sobre o boldaquim»
desta immensa bo-
codas estatuas em mármore de fundadores de or- he a parte mais maravilhosa
se ajusto com o res-
dens religiosas. Sobro os arcadas tuinbcin ha es- silieu, e que perfeitamente
edilicio. l.ramantc fundou os quatroenor-
totuos quo representam virtudes. Nos revesti- to do c fechou os ur-
inentos destes arcos o dos pilustrus estam col- mes pilastras que a sustentam ,
outro. Miguel Ângelo
locados diversos ornalos e meninos esculpidos cm cos que vuo de huma á até
elevo cylindricoiiiento
mármore bronco , sustentando mais de 50 me- fez o toinbor que se cúpula, foi
da abobado du que
dolhòcs contendo retratos de alguns papos, tio- 0 nascimento
terminado Jocob de Io Porta no pontificado
rus , chaves , o outros ottributos ornados de pai- por
visto du dentro da Igreja,
mas e dc grinaldus. Em baixo das duos pri- de Sixlo V. O interior,
contados do pavi-
meiras entrepilastras, ao entrar, estam pias de agtio tem VJV palmos de altura ,
abobado 2tt dos arcos , que a
benta de huma bella composição. Kcpresuntam mento alé a ,
da lanterna que s
meninos executados em mármore bronco, com sustentam ate ao nascimento
coroa , e 132 de diâmetro interior. No baixo da>
quasi nove palmos, que sustentam huma concha nichos , nos quaes
de jalde antigo servindo de pia. quolro pilostras ha grandes
estatuas colossacs cm mármore
Em baixo da ultima entrupilastra , ú direita , estam as grandes
esta a famigerada estatua de S. Pedro em bronze de Santa Verônica , de Santa Heleno , de S. Lon-
cima destes ni-
sentada , que be lida em grande veneração pelo gino a de Santo André. Tor
chos ha quatro tribunas urnadus de columiins
povo romano. se as muis celebre*
No extremidade da grande nave apresenta-se de mármore, onde guardam
relíquias. Nos triângulos das pilastras, por ciiini.
a confissão de S. l'edro com huma magestade sym-
os quatros evangelistas com seus
que nada o iguala. Hc o baldaquino , oltar-mór vem-se he ornado deza-
e capella subterruneu onde estú o túmulo do bolos cm mosaico. O tambor por
dos apóstolos, e onde não be seis grandes pilastras perpendiculares , distribui-
príncipe permit- lortilicailns
tido descer. Ha entretanto debaixo do altar pu- dus sobre a circumlerencia da base ,
exteriormente hum contruforto ornado por
pul hum nicho fei liado com grades de bronze , por
servem ao mcsino
tem huma abertura commu- duas columnas unidas , que
que quadrada quo o con-
nica com o antigo subterrâneo, onde se benzem tempo de ornoto o suslcntaculo. Toda mo-
cavidade desta cúpula está ornada por bcllos
os pallios archiepiscopaes. Desce-se ü confissão
soicos. No suinniidade vô-se huma figura repre-
por huma escada de mármore que está diante
do baldaquino, cercada de huma balaustrada, so- sentando o Padre Eterno , e por baixo seis or-
anjos, a SS. Y**
bre a qual pousam cem alampodas que ordem dens de figuras representando
e outros santos.
dia e noite. Defronte da confissão está huma gem , os apóstolos
—' '*amosnmsy>tj*$m

LITTERATURA. Iti5

ludu do seplen- Cnlumna, a Clementina o a (irogoriano. San


Su fundo do braço da cru» do
cm repousam os corpos ornadas do quatro cúpula* que aiuntpanbaitt
ui.ii. eolú o altar que
attloi Proceuo e Martiniano. I. uo lundu muito bem a grande, lícitos quadro» lambem
do*
euilii-lle/im esta* ricas capella*.
do lado do meio dia, no altar du meio, repousam
i imlieiii us cur|MJ« du S. Siin.io e S. Judas. Os dous (lanços da grande nave cotam orna-
lutes braços , que podiam servir mui bem para du», iiii.t hum put lie» cúpulas ovai» o uulia.
duas soberba* calhedrae*, tem vario* altares , o lautas t.tpell.iv ISo lado do norte estam a* ta-
t*M ciiilielleiudoi por magnífico* quadros dos me- pellas do Santíssimo Sacramento, onde »e ve
Iborc* meotrt**. hum excellenle quadro representando a San-
O fundo da basílica , ou capella mór, he igual tissimu Trindade, o hum rico labernaculo de
em comprimento o em todas as suas dimensões bronze dourado o lapis-lazuli rom dou* anjo»
ao* dous biaços do cruzeiro. Knlro os oriiamen- em adoração, onde se encerra o Santíssimo Sa-
tu* da abobada te-so a Jesus-Chrislo entregan- cramento. Diante deste tabernaculo esta humn
du a* ¦ b.ivi - a S. redro , cullocado entre a cru- Iiia de 7 alampadas de pr.tt.t quu ardem dia «•
lilicaçao tlistf santo apóstolo o a degolluçao de noite. A de S. Sebastião, entre as suas muitas
y Paulo. Sobe-so a este braço por dous do- bellezas, contém no altar hum rico mosaico
representando o martyrio deste santo. A ter-
graus de porlido. No fundo vô-se o grando
a soberlro monumento do cadeira de S. Pedro, ceira, dedicada a Nossa Senhora da Piedade .
t|ue perfeitamente termina esta mogestoso igreja. tem no altar a imagem da Santa Virgem em
(Juatro estatuas dos doutores da igreja latina mármore branco, lendo sobre os joelhos a Jesu»
egrega , S. Agostinho e S. Ambrosio , S. João Christo morto, que penetra de tristeza o cora-
Cbryiostomo e S. Athanasio em vestes pontifi- ção do espectador; be frueto .los primeiros ta-
taes, de IV I meio palmos de altura cada buma, lentos de Miguel Ângelo. Do lado do evangelho
- elevadas sobre pedcstacs de mármore, decora- está hum oratório de S. Nicoláo dc Bari. onde
dos por escudos , sustentam esta magnífica cadeira, existu hum antigo crucifixo , que se diz ser do
na qual esta encerrada a antiga de madeira in- tempo de Constantino. E no lutlo opposto, em
cruitada de marfim , de que se serviram os pri- hum orotorio, se conserva huma eolunina do
nieiros papas e o mesmo S. Pedro. Por cima templo de Sulomao , em que, segundo a tradi-
está buma grande gloria , em cujo meio ve-so o çao, so apoiava muitas vezes o Divino Mestre
antigo
Santo Espirito sob a forma do buma pomba. quando fullava ao povo , e hum sareophago
de Probus Anicius, muito tempo servii-
Kstu gloria está cercada do nimbos, cheios de que por
huma multidão do anjos e seraphins, e lança de fonto baptismul.
ao longe raios brilhantes: he de bronze dou- No flanco opposto, do lado do meio dia, de-
rado , e esclarecida pela parle posterior por vi- fronte dn capella da Piedade . está a do Bap-
dros amarellos quo redobram o brilhantismo da tisterio. A fonte bnptisníal be formada de liúma
sobro hum
douradura. Gastaram neste throno soberbo e ra- grande bacia do porlido collocadn
maleria. Ha sobre a batia
tlioso 219,000 libras de bronze. Nos lados deste pedestal do mesma
monumento incomparavel oílam dous grandes huma especio dc pyramide de bronze doura-
mausolèos. O de Paulo lll ã esquerda , verda- do, revestida de folhagens a de arabescos de
¦leiru chefe de obra , he ornado da estatua do muito bom gosto, com t|iiotro anjos de bronze .
papa em bronze , e das duas estatuas em mar- sustentando dous delles hum baixo relevo di.
more da prudência e tia justiça , de raro me- Santíssima Trindade. Na siimmiilade da pyrami-
recimento. A' direita esta o do Urbano VIII. de está collocado hum cordeiro. Ha nella baltos
do baptismo.
Sua estatua cm bronze be a mais bella figura quadros relativos ao sacramento
tio papa que se ve nesta basílica. As estatuas A capella da apresentação ho igualmente bella
tia caridade e da justiça quu a acompanham e ornada do muitos mosaicos, que todtis disem
sao de mármore, cheias de graça e do mages- respeito á gloria da Santíssima Virgem.
tade. Ha muitos u preciosos mausolèos do papas A terceira capella deste flanco ho a Sixtina .
nesta inimensa basílica de raro merecimento , já ou a capella do coro, onde celebra os ollicios
pela sua composição engenhosa , jã pela sua ri- divinos o capitulo do S. Pedro. O bello mo-
queza , entre os quaes muito se destingue o de saico do altar, onde repousa o corpo de S. Jofin
Alexandre Vil; mas não cabe no meu propósito Cbrvsostomo, representa a conceição da Santíisi-
fazer delles especial menção , e nem isso me ho ma Virgem, S. João Chrysostomo, S. Francis-
possível. Continuarei somente com 0 que de maior co o S. Antonio de Padua. Entre as bellezas
dous
tem esta ingente fabrica. desta capella notom-se duas tribunas e os
estam collocados, o as trcs
Nas naves quo ficam por detraz das grandes orgaos que nellas
do cadeiras em se senta o clero.
pilastras da cúpula estão quatro magestosas ca- ordens que
pellas dedicadas a S. Miguel, Nossa Senhora da segundo a sua hierarchia, ornadas de baixos-rc-
»»¦ -k nu immmMmwm.

166 LITTERATURA

levo» e de figuras representando os facto» da Vimos depois em diversas salas buma granda
ii.lletçao de bdlos quadros, incluindo muito»
vida de S. Pedro.
de Kofael. A multidão destes qua-
O subterrâneo desta immensa baiilica não be originae*
menos interessante. Nelle, além da rica capella dros nao me deu lugar a tomar notas, com-
alta- se nos d****- du todos explicação; e por
dl confissão de S. Pedro, ti>m-»e muito» quanto
de quatru horas da larde,
de hum outra parte poisava
res, bellos mosaicos, relíquia» prodi-
necessidade de refeição.
o jà sentíamos
gioso numero de sanlos. huma grande quonti- Depois do subimos a passeio com di-
dado do estatuas em mármore, mosaico» anli- jantar
de Paulo, fora dos muro»
inscrip- recçao à basilica S.
gos ao gosto gotbico, hoi.us-relevos, em de S. Paulo,
ções curiosas, imagens o cruzes
tida» gran- d.i cidade. Passámos pela porta Porta Trigemina,
está no lugar da antiga
de veneração; túmulo» em mármore, do santos; que ter sida construída na
chamado Ostiensis,
de papas, de imperadores, reis. rainhas, car- por
a cidade de Ostis.
estrada conduda para
dcaes, bispo», grao-mestres da ordem de Malta, que
Vimos na passagem o túmulo de Cestio, da
e dc outros muitas personogens que se distin-
dignidades, c formo pvrainidal, que faz bum bello effeito oa
guiram por suas loiras, virtudes, tanto ao perto como ao longe.
outras parles. Esta entrada he defesa òs mu- paisagem,
Jà não ho essu sumptuosa I antiga basilica do
lheres.
como as S. Paulo huma das quatro principaes de lloma,
As sacristias, tanto a dc S. Pedro
igrejas patriorchues quo N vem;
dos conegos e beneficiados, sao peças bem im- o das cinco incêndio
serem vistas; ellas cor- porque essa foi destruída por bum
pmlantes e dignas de em do 1823; mas a nova, ainda
respondem a grandeza e sumptuosidade da im- voraz julho
o santo
em obra , a que deu principio padre
mensa basilica. com o mais feli»
ao templo de S. DalO XII, e que continua
Concluída a terceira visila Gregorio XVI, ora
Pedro, passámos ao palácio do Vaticano. Leva- suecesso o soberano pontífice A obra que est»
da igreja do Deos.
ram-nos logo a grande sala real, que servo do presidente da sumptuosida-
vi- feita dà huma idea adequoda
vcstibulo às copcllos Sixtina e Paulina. Ahi jà
bellos estu-
Carlos Magno oue do do templo. Preciosos mosaicos,
mos bellos quadros a fresco: magestosas esta-
assigna huma doação á igreja romana, Pedro quês dourados, ricos quadros, se vêm nesla ba-
de Arragonn submettendo seu reino a obediência tuas em marmoro branco, jà
be do hum gosto mo-
do popo ; o reconciliação de Frederico I, ap- silica , cuja construcção
dos Venezianos derno e muito depurado. Tem dous altares-
pcllidado Barbaroxa ; a armada e duas capcllas fundas semi-
na bahia de Messina, S. Gregorio Vil absolveu- mores fronteiros,
formondo huma espécie de cruz-grega.
do das censuras ao imperador Henrique IV, o cireulores,
e a No caminho esla basilica vimos o Tibre.
massacro do olmiranto Gaspar de Coligni, para
vários barcos c dous
entrada do Gregorio XI em lloma slo os mais no qual estavam ancorados
estimados destes quadros. vapores.
Daqui fomos à capella Sixtina, edificada por Tomámos direcçüo do Capitólio, c vimos oi
Sixto IV, onde o papa assiste aos ofícios da arcos de Septimio Severo e Jano Quadrifronte.
chegámos ao
semana santa, c onde se reúnem os cordeaes Mas jà era noite fechada quando
ver.
em conclove por oceasião da eleição do sumtno Capitólio, e nada podemos
bellos quadros No dia 9 começámos a nossa derrota muito
pontifico. Enlre os muitos e na
desta capella oecupa o primeiro lugar o do — cedo. A's 6 horas da manhaa jà estávamos
Luiz dos Francezes: he a
Juizo Final —de Miguel Ângelo; pena he que magnífica igreja de S. em Roma as
mais bella de todas as oue tem
esteja tão enfumaçado.
he decorada por hu-
A capella Paulina, que esto no fundo desta nações christãas. A fachada
ordem corinthio sobre buma dorica;
sala, edificada por Paulo III, be decorada por ma grande de
c o interior com pilastras jonicas revestidos
pilastras da ordem corinthia, entre as quaes ha fomos a do
dous grandes quadros do Miguel Ângelo repre- bello jaspe da Sicilia. Daqui para
dos Portuguezes, bonita, pe-
sentando a conversão de S. Paulo e a crucifi- S. Antonio porém
He decorada
ração do S. Pedro, e qualro pequenos conten- quena igreja com bellas capellas.
do os retratos de 28 papas, santos, e oulras com muito gosto por bellas pinturas.
de estatuas e de Dirigimn-nos depois íi praça Nuvona, que ainda
pinturas. O altar he ornado dt Alexandre Severo,
duas columnas de porfido, e de bum taberna- conserva a fôrma do Circo
culo de crystal com ornamentos dourados. He chamado anteriormente Circus Agonalis por causa
o carros que nella se
nesta capella que começa no primeiro domingo das carreiras de cavallos
denominavam Equiria et
do advento a exposição do Santíssimo Socramen- celebravam, c a que Ton-
to das 40 horas, c que continua por todo o Agonalia. He hoje decorada por três bellas u
tes e fachadas das igrejas de S. lgnez
anno cm todas as igrejas da cidade. pelas
"¦"""¦' i iiippippuiii;»*

LITTERATURA. 11.7

e do palácio Panlili. ticano. Tendo ahi chegado, conieçáino* o nosso


Sint-lago do* Hespanhoes
das belleza» de*ta agradável exame pelo museo elru*co, e ti mo* a
\ fonle do meio ho huma rios da» «.ala do» bronze», a de pintura, a galeria do*
i.raça; representa os quatro grande»
o C-angu*, candelabros, e a sala do carro Aliga. ti museu
Jtuatro parte* do mundo: o Danúbio,
de pio, a sola redonda, a da» musa», a do» ani-
ü Nilo e « Prata. sentado» ua* extremidade»
se elcto hum obe- mães, a galeria do» estatuas, a sala dos bu»to*,
liuin rochedo, em cujo centro
lança o gabinete da» mascaras, o de Antino, o do*
lisco. U rochedo fendido no* quatro lodo»
iiuatro rio* de ogua o representa huma vista de sorcophagos , o do Canova , o de Apollo tle liei-
o dos banheira», a de l.oocoonte c o de
caverna donde «aliem hum leão e hum cavoljo vedero,
museo clemenlino, o egypeiano , a
tura saciar a sôde no manancial quo corre. No Meliacro. O a do*
a|lo do rochedo está hum grande pedestal cm
cornara dos papjTOS , a do oscarobollo.
roxo corre- idolos egypcianos de bronze fl a tios esmaltes.
do granito .
que assenta o obelisco dos múmias, a sala dos Mofe*
Jado de coroctere» egvpcms, o que lem 73 pai- O semicirculo
egypcianos do diversa» matéria*, a de Antino
fuos de altura. Toda esta macliiua ho mui bella o dos leões do Kgyp-O, o os sorco-
egypeiano,
e produz hum effeito maravilhoso. Não bo permiltido tomar
das mumitis.
O principal ornamento desta praça he a sump- phagos lugares, o ainda nieno*
notas dos objectos nestes
tuoso igreja de Santo Ignez , edificada nesse mesmo mio referir, confiado só
lugar de deboches para ondo o prefeito Sim- desenhar; portanto posso
tle objectos raros e de
plironio fez conduzir
a Santa Virgem
fc doporo ser na memória , a quantidade de
cujos subido valor examinei, o que poderá
abandonada aos libertinos da cidade, que
somente tiver oc-
O frontispicio fozer huma idéa justa quem
insultos a salvou a mao de Deos.
os ver. O numero deste» objectos he
deita igreja , decorado por huma ordem com- casião do
ha cm Bo-
posta , he hum dos mais bonitos que bellos co- prodigioso. Vimos depois o hibliotheeo , que.se nâo he a
ma. Ü interior bo ornado por oito
do universo cm numero de livros.
lumnas e preciosos mármores; tem a fôrma de mais rien delle», fl
huma cruz grega com huma cúpula no meio. certamente quo o he pela qualidade
com numero do manuscriptos em to-
No altur-inòr incrustado do alaboslro quatro pelo prodigioso
ella contém. (1 edifício da
i.ellas columnas de verde antigo ha hum grande das as línguas que dos ornamen-
do cru- bibliotheca , quo he hum primeiros
grupo da sagrada familia. Na capella do Vaticano , no estado tt-tu.il
zeiro do lado direito ve-se a estatua do Santa Ignez tos do palácio
do hum T. A grande sala,
nas chummos, e na do outro lado a de S. Sc- tem a forma
por onde se entra, está dividida em duus naves
bastião.
Vimos depois no gênero sacro as ricas e ma- por seis grossos pilastras quadradas : tem 311 pai-
an- mos de comprimento sobre 1\) dc largura. As
gostosas igrejas de S. André o S. Ignacio , a a linha transversal dò T,
tiquissima do Pedro ad vincula , onde se guar- duos alas , quo formam Os
dam as cadôas com que fora ligado este santo tem cerca dc 400 passos dfl comprimento.
armários, sobre os
apóstolo. Chama-se também esta igreja Basílica livros estam fechados em quaes
sua origem edificada S. estam collocados vasos italo-gregos, vulgarmente
Kudoxio. Foi em por
fundo da sala ha dille-
Pedro; mas, destruída pelo grande incêndio de chamados ctruscos. No
inscripçóes antigas com
lloma, foi reedificada por S. Leão Magno; e rentes urnas cincrarios, hum calendário
de fragmentos,
a do S. Estevão chamada o Redonda, porque grande quantidado huma bella
russo em miniatura sobro madeira,
tem esta fôrma. Ho ornada por 58 columnas, hum sarcopbago
o
das quaes 52 são do granito o 6 de mormore columna de alabaslro oriental , dc amian-
contendo huma mortalha
branco, com duas maiores no centro da ordem du mármore descripção mais
to. Não me ho possível fazer buma
corinthia. Nas paredes lateraes estam pintados encerra
bibliotheca , que
alguns martyrios do santos da primitiva igreja , ampla desta extraordinária
desagradável em tantas preciosidades; o tempo quo gastei ent
quo produzem huma sensação
vel-a náo mo habilitou para mais: acerescenta-
quem os observa. Tal era a ferocidade desse povo além du sala o das trans-
1 E rei apenas grande,
que se tinha em conta de muito civilisado quo,
que era a civilisação antes dó christianismo ler versaes,
ha outras, onde se guardam as melhores
dc obras de merecimento. Ua tam-
adoçado os costumes e ensinado aos povos que edições grande
.
se deviam amar como irmãos; mas ainda , amar bem nesta bibliotheca hum monumento preciosoou
bo o Museo Sacro ,
os inimigos e retribuir o mal com o bem ? ! que merece especial menção,
tios antigos christaos tirados
No profano vimos os restos do foro doNeba, collecção dos objectos dos mesmos
<lo foro de Pallas, o dos banhos de Tito e dc dos cemitérios e dos sarcophagos
Cafricallá, christaos, contendo diversos vasos que serviam na
santos mysterios e oflicios divinos,
Às dez horas recolhemo-nos para almoçar, e celebração dos da le ,
ás onze sabimos com direcção ao palácio do Va- instrumentos dos martyrios dos conlessores
mM
IWW--I «pi nau»

iCft LITTERATURA.

u oulri* muitas cauiãi deste genuro de raro mo- politono ofíerece ao viajante golpes de vista tn-
reciiuento. cantadores: aqui as encosta* dos monte» .»iam
Estávamos preite* a duixsr Roma; nâo tinha- cobertas de villos e povoaçous, acolá os vallu*
mos ainda examinado o Capitólio; a visita quu e a campina estam tupizodos de verdejonte» sua-
lhe li/iitin» de noilu pouco nos aproveitou. Sa- ras que a papoula , e o mulmequer embclleiao
lnndo da livraria do Vaticano, para lá marcha- com osuu variado matiz. (Jue transmutação ! Nem
mo*. Subiiiio* pula Inteira quu dá cuiiiiuho ás huma só arvore «u vi* que nuo seja du utib-
carruagens, e ja em cima no praça observámos dade para o huinem : o symetria reina por Ioda
então a Mia escadaria que Miguel Angulo cons- a partu : ludo he ocçSo, tudo he vida. O dia
truio , bordada por duu» balausttadas, M baixo das estuvu bello, no horizonte náo se via huma
negro, nuvum ; só fultova á viagum para sur mais de-
quaes estam dous luoes egypcios de mármore
lançam água giielas em puquunas bacias. liciosa huma marcha mais lenta para se poder
quu pulas
A praça do Capitólio he formada pulo palácio melhor gozar do sublime quadro que a mestra
do senador, que eslá no fundo um face u es- natureza otTorccia oos nosso* olhos.
• nl in.i; pelo dos conservadores ti direita . dos As 7 horas e meia passámos por .Mola de Gaiuta.
antigos á esquerda , e por huma Ulaustrada do ás 0 pelu soberbo ponte do Garigüano, e às II
lado da ladeira. Esta balau->trado he decorada pelos meia por '.liSanta Agatha, onde almoçámos. As
estatuas colossaes de Castur e Pollux em mor- horas e minutos da tarde já estávamos em
more, tendo cada huma hum cavallo pela redeo ; CaMS , contemplando os seus vallos o as suas for-
por dous grandes tropbeos antigos , por duas es- titicoçoes inililares. A's 6 da tarde chegamos .t
taluas de Constantino Augusto c de Constantino Ce- Nápoles precisamente no dia em que o Exm.
>ar: e por duos columnas miliarias. No meio do pre- Sr. embaixador brasileiro dava a S. M. o rei
ça está o famosa estatua equeslre de Morco-Aurelio das Duas Sicilios e â real família hum esplen-
em bronze sobre hum pedestal de mármore inteiriço. dido baile, a que ainda fui assistir.
O fundo da proça be ornado por huma grandu fon- Findaremos aqui este artigo , e continuaremos
te , onde su vê huma bella estatua antiga du Ro- com o itenerario nos números seguintes.
ma , fi.lh.fuda cm hum nicho na meio de duos
-*Gf=*-
estotuas de rios, o Nilo e o Tibre.
De todos os objeetos do Capitólio moderno , os
a rica DA NACIONALIDADE DA LITTRRATl RA.
que mais interessantes nos pareceram foram
galeria dos quadros c o gabinete de antigüidades,
onde so conservam muitas inscripções, baixos-relc- tido fazer cousa agradável offerecendo ao
\os, altares, túmulos, idolos do Egypto , bustos e publico o seguinte extracto do discurso de
vjBtlfl, Mcnnecbet, lido no congresso histórico
estatuas gregas c romanas.
Já estava tomado de cansaço. Demos o exa- reunido em Paris nesto anno de 1813 sobre a
me por findo. Depois do jantar tornámos a sa- nacionalidade da litteratura. Elle pôde servir nn
hir para fazer as nossas despedidos oo Exm. Sr. presente occasião do esclarecimento à questão
Moutinho e ás mais pessoas que nos tinham que fora s-iscitada pela Minkrvv , e de que mui-
tos litteratos se oecupom, sem comtudo assenta-
ptodigalisado seus obséquios. rem as verdadeiras bases em huma satisfactoria
No dia 10 partia o diligencia para Nápoles. As
11 horas da manhaa desso dia estávamos na pos- definição. 0 conego J. da C. Barbosa.
ta quatro Brasileiros , incluindo o Sr. Dr. Fi- « A litteratura he nacional quando está cm bar-
monia perfeita com a natureza e clima do paiz.
gueiredo , que ia a Nopoles comprimentar a S.
M. a Imperatriz, o o Sr. Alexandre Fortuna o ao mesmo tempo com a religião , costumes,
filho , que nos tinha acompanhado na nossa via- leis e historia do povo que o habita. A natu-
reza he o primeiro espectaculo que so offerecc
gem de Nápoles a Roma.
Subimos pela mesma porte de S. João de La- ao homem à sua entrada na vida ; o clima hc
trtio , e tomámos a direcção do Terracina. A's a primeira sensação que elle experimenta ; a re-
S horas e 23' da tardo entrámos cm Albano; ligião, depois das alTeiçóes de família, he 0
ás 4 e 40' passámos por Villetti , e ás G chega- primeiro amor que se lhe dá ; os costumes for-
mos á cisterna, onde jantámos. Náo julgo nes- mam o primeiro laço social que o liga a seus
sossario mencionar as villas e aldéas por que pos- concidadãos ; as leis são o primeiro jugo a que
sámos nn nossa retirada para Nápoles, por que he forçado submetler-se; a historia be a pri-
dellas jà fiz menção especial no começo deste ar- meira gloria de que pôde ufanar-se. Onde pois
tigo. A's onze horas da noite estávamos em Ter- o poeta que quer ser nacional irá procurar su;is
rucina , donde partimos á 1 hora e 20' da ma- inspirações , a não ser no quo v<*, no que sen-
nhna do dia 11. Logo que amanheceu o dia, a to , no que crC , no que soílVo , no que atua
viagem tornou-se aprazível; o bello território na- e no que espera ?
,

LITTERATURA. UH

Sabemos que ha buma poesia independente dos conhece , quo tem recebido de »eu* pais, e que
ello desembaraçar-
leiiipo» e do» lugare», powia que nao pertence passará a seus filho* ? t*óde
se da influencio Ian poderosa dos costumes, u.u».
a algum »eculo , a algum pai. em particular,
d íim a todo» o» poize» e a todo» o» século* : u hábitos , que sao no* povo», assim como no*
. «ia he a poesia do* sentitiienios, a poesia das homens , huma segunda natureza , huma st-guii-
coração, Ella habito o» ro- da existência ? Nao certamente ; ello será nacio-
patatM , a |H>esia do
iievoit» da Scoiidinavia , assim como at n.tl pelos costumo» , da mesma sorte que o he
chedo*
área» ardente» do deserto n as florida» campi- pelu» crenças. Como pois lhe será possível não o
nas da velha Europa assim como as toiubrias ser pelas leis?
matas do novo mundo. Mas esta poesia uni- Nao examinaremos »e a» lei» fazem os coitu-
versai, que vive em nó» , u que bastaria tò por mes, ou se os costumes determinam os lei* ; pelo
si para attcttar a notta commum origem; e»U mono» nio »e pôde negor quo o* lei» e o» cos-
¦Hiesia que estabelece entre o» homens huma fra- tuine* tenham entre ti reloçoe» intimas e reci-
lernidade constante e absoluta , modifica-se ainda procas influenciai. O poeta nau so pôde collocar
assim pelu expressão, sob a influencia de cousas debaixo da acçdo dos costumes sem co!locor-*e
diversas que obram ncllo ; e estas causas sao ao mesmo (empo sob a dos leis ; e por leis de-
hum caracter na- vemos entender o todo das instituições ; ou mai*
precisamente o que dá a poesia claro, o governo do paiz. (juem iitíu compre-
cional que a distingue e a faz reconhecer co-
mo pertencente antes a bum paiz do aue a ou- hende que, segundo a forma popular , ou mo-
tro. Asaim a idéa de hum Deos creador o re- narchica , ou democrática , ou absoluta , o pen-
inuncrador he huma idéa commum a todos os samento do poeta sujeilar-se-ha a influencias
loucas o absurdas bem opposlas; mas quu nflo poderá evitar ? Ouão
povos; ma»vejam-se quanUs favores reaes,
transformações nao soflruclla na religião de Brabma, poucos serão os que so elevem sobre
. que sabia admirável unidade nao conserva na ou resentimentos populares!
religilo de Christo ? Porque se dará huma tal Huma influencia ha todavia , mais poderosa
tlilTerença entre eslas duas religiões? A razão he do que as leis, sobre o genio dc hum poeta que
BM buma abandonou-se á imaginação dos ho- quer ser nacional l estu lie u da historia. Quem
tnens , o que a outra encerrou-so na palavra do não sabe quanto se encanta hum velho fatiando-
Deos. Interrogai os outros cultos em quo se se-lho dos bellos dias de sua mocidude? Ao es-
tem desvairado o espirito humano , e acharei» em cutar-vos elle se deslembra essa sua idade , da
todos hum mesmo principio com caracteres dif- sua fraqueza, dos seus achaques : vé-se torna-
•emites. A verdade he buma e a mesma tanto do aos felizes tempos , cujo quadro he risonho
em religião como cm outra qualquer cousa , e a seus olhos, e o deleita em lembrar-se de sua
espelho
quando os povos delia se apartam, não ha erros gloria passada como se olhasse hum
lho tivesse conservado o typo do sua primei-
vm quo não possam cahir , ou se descaminhem que
no palácio de Wishnou , no olympo de Homero, ra formosura. Os povos sSo como esto velho |
no walhalla de Od:n , ou no paraíso de Maho- desgraçado daquelle que renegasse o seu passa-
...et. Mas o poeta quo escrevo para o paiz cm que dol Desgraçado daquelle quo rasgasse as pagi-
nasceu , para o povo do quo faz parte , ousaria, nas da sua historia , repudiasse a herança pa-
imitando a virtude o a coragem do Sócrates, o ternal , c pedisse quo se escrevesse de novo seus
com o risco do beber a cicuta , abjurar e inla- recentes feitos , sem attender quo algum dia se-
mar as crenças de seus concidadãos ? Longo disso, rão também velhos, o quo desfarto be o pri-
ello odoptarã todas as suas superstições, lison- meiro a dar o exemplo do ingratidão! Feliz . oo
geará todos os seus prejuizos, o muito mais se contrario, o paiz onde o gloria dos pais foz ba-
lhe achar huma fôrma poética. O culto, quaes- ter ufano o coração dos filhos! Feliz a nação em
vivem sômen-
quer que sejam a sua extravagância e absurdo, que as lembranças do passado nâo
será pois hum dos primeiros elementos de sua te nos monumentos de pedra que o tempo des-
poesia; elle se fará logo poeta nacional pela re- tróo, c sim também nas tradições do lar do-
ligião, afim de o ser depois pelos costumes, mestiço, que só a memória perpetua. As victo-
pois que sabe que a religião impera nos cos- rias, as conquistas , os acções heróicas, as vir-
tutncs. tudes sublimes não são bens coducos como os
A moral he huma e a mesma cousa em to- da fortuna ; transmittem-se de idade cm idade.
dos os povos, porque he , como a religião , huma como esses thesouros de familia quo passam mal-
verdade que emana de Deos. Mas em todos os teraveis de huma a outra geração, e as man-
ho-
povos os costumes differem , como todas as crea- tèm em todo o seu esplendor. Hum grande
mem , quando já não existe , cessa de pertencer
Ções dos homens. Poderá o poeta fazer mais do
todos se
que pintar em seus escriptos os costumes par- a huma sô familia:] todas o adoptam,
cm todas as bo-
titulares de" seu apoderam delle; seu'nome está
paiz, os costumes que vê, que
170 LITTERATURA.

ornotos estrongeiros, o supprem por esta extra-


cas «eu retrato em todos os salões ; cada qual vaguncia o apnuromerito de sua natureza, o va-
de uU.a
honta-se de suas virtudes, enche-se louros. zio de suo imugiiioçao e o silencio
do seu co*
de seus
da sua glorio, e pora.nenla-se o poe a ração.
Como pois renunciaria voluntariamente do Hum poeta nosco no mais doce clima e no mais
recordações
n pode oso mogio destas grondes em huma dessas ilhas
licorio elle estranho a tudo o que risonho poiz da Europa ,
«asado
'.bala ! Como
A h.s- que baniu, o Ma- Jonico e oluimo o sol do oriente ;
Uo vivamente as almas generosas? o dotara de gt-nio de observação,
encantada* de a providenciu
torio he bum orscnal de armas como n visto du oguio profundamente pene*
huma Ivru.da que
,,ue elle dispõe a seu grado * he oo tra no inundo das idèas o no mundo das cüu-
, uai todos os cordas vibrom harmoniosamente ao resto du»
elle as suas sas, e ahi descobre a que escapa
oi dos seus concidadãos. Tome so ojus- homens ; fii-lho hum presente nfto menos pre-
armos. fuça resoar esto lyra , se quer que cioso o de transmittir os emoções de sua
de poeta na- , poder
,e a seu nome o glorioso titulo olmo , e os impressões de seus sentidos, do mes-
''".Mas e a ro- mo sorte quo o musico tronsmilte os sons'de sua
a historia, os leis, os costumes de sua voz. Hum céo scin-
fallou. à imugi- Ivro e os oceentos
|j-Jâo nao srto unicamente os que de luz
Elle nito ho desses ingrotos que tillando fogos , huma natureza brilhante
no°çao do poeta. vistos sem os dcslum-
ver, e ore- encantam suas primeiros
aceuso o propheta ; tem olhos poro
natureza descobre o brar; os rochedos tem vozes harmoniosos que
lhas liara ouvir. Quando a respondem oos cantos das aves e ao murmúrio
seus olhos o cspcclaculo de suas mogn.hcenciase das fontes; os de flores,
ou de seus horrores, elle vé , compre-hende prodos sao csmoltodos dos
o torrente límpida
cores r.sonlios que rego serpenteando
admiro ; suú poesia imbebe-se nas suo cnibalsomodos doces per-
c harmoniosos, ou nas sombros desagradáveis , ribeiros ; os ores por
ou intrisleceui os suos v.slos. fumes que lhes traz o zephyro ; os bosques tem
nue, ou encantou , raios do
estranho e misteriosos abrigos contra os ardentes
Tomará elle oo acaso , no mundo dos homens; os oguos
seu penso- sol a as indiscretas vistas
ideal, os imagens de que reveste o of- do mar humos vezes acariciam mollcmcnto com
mcnlo ; quando hum mundo reol e presente alryon , as
e o sua suas queixosas vogos, onde dorme
ferece o seus olhos os mais ricos cores, repousao rebanhos em
nasceu nes- ilhas numerosas, onde
alma os mais vivos emoções ? Se elle outras vezes, impcllidas por
e des- pingues pastagens;
ses paizes do norte , onde compôs áridos
espesso c sombrio hum sol ventos contrários, levantam-se conlru us monta-
corados, hum ar
monta- nhos, o fozem rolar cm suas vagas escumantes
sem calor e muitas vezes sem luz ; onde desgraçados
c precipícios, velas rotas o remos quebrados dos
rifo gigantescas cortadas de grutas impe- marítimos. Se o escuta as vozes que so-
cobertas de eternas noves, ou de inatas poeta
un-
demo- bem da terra ao céo, elle ouve os mortacs
netraveis, que sò parecem habitadas por dà
os objec- piorar agora o deos dos combates quo gloria,
nios. c hum nevoeiro que dà a todos deosa da formosura quo promette faltei-
onde o surdo logo a
tos huma apparencia phantastica ,
o som dade. Alli ho ao Deos que de huma palavra
mugido dos torrentes, a quo se nusturom cllo vé immolar vic-
queixoso de huma sanfona
selvagem
j
e o grito acalma as tempestades que dos deoses c dos
em- timas; e hc diante do senhor
lugubrc dos pássaros do rapina; ondo tudo carregado sobrolho faz tremer os
homens, cujo
lim se reuno para inspirar-lho pensamentos gra-
som- céos, que elle contemplo o universo prostrado.
ves e melancólicos e fornecer-lhe cores noturezu toda vive e respira.
brios e terríveis; exigireis vós dc seus versos que Para esto poeta a e dc
nu- Tudo quo orodéa hc dotado do sentimento
relTictom os raios ardentes do hum céo sem se à margem dc bum rio,
intelligencia;
vens, que exalem os quentes hálitos do huma para
o deos, que reclinado sobre sua
atmosphera dc fogo , quo brilhem das vivas cores cllo percebe
e coroado de canas, contemplo as don-
dos floridos prados o das douradas searas, que urna ,
das nymphos , às quaes suas ondas servem
repitam os harmoniosos murmúrios das florestas, ços As nascentes e as fontes süo o seus olhos
osylo.
os cantos melodiosos dos rouxinóes c os alegres do
do crystal, de que as nniades fazem suas
canções dos pastores do vallo': Nao , sem duvida; grutas
moradas; o se penetra nos bosques, percebe man-
vós deixareis o poeto resentir vivamente as in- do dryades, dc faunos e dc sotyros
fluencias physieas c moraes dos lugares que ha- gas jograes o solidão. Por todu u
porte seres
bita , e no ardente enthusiasmo que nelle ex- que povoam e sobrenuturoes lhe appareçem aceres-
citaní, produzir obras primas que façam para mysteriosos
oo contando ao nltraclivo de huma natureza tõonwi
sempre a sua gloria. Mas vòs deplorareis
e tiio variada o encanto de phantosticas illusocs
inesmo lempo os tristes esforços desses poetas que, 0.5 lio-
da poe- o dc alegres superstições. Atè mesmo
mio podendo tocar as verdadeiras fontes sobre a scena do
de mens que elle vé agitarem-se
sia ataviam-sc de vestimentas emprestadas,
LITTERATURA. 171

suas virtudes, Ella será sublime como tu•!¦> que emana de D.¦..«.
mundo, com seus vícios ou com .. E qual he o puto que o Manta ? »erà buma
couto agentes du potências invi-
iiiustram-so-lhe
os levam ao nação guerreira que , à tos de »eu* heróes, se
liveis, ile divindades occultas, que
enriquecem de seus dons, que os do occidcnle ao oriente para enrique
crime', que os precipilúra
'n
com seu ódio, nuo se trausforu.au. aar dos dt-spoiiH dá Adu »"b o tão pretexto
perseguem do vingar bum ullrage ? Seta bum po.o conqui»-
cm paixões , ofim du quo lhes nio possa esra-
inluo ú memória do poela tador que »e cmioberbcco vendo lodo o mundo
par o »ou escravo. Vem
algum grandu acontecimento , em quo o povo , guanlar os vestígio* do seu» passos victorioso* ?
Jo quem partilha as crenças, conhece as leis Nao ; esse* pa.tores quo »c aprovam para ouvil-o,
depois do curta» prosperidade» cuhiroiii em longo*,
e ve os costumes , cobro-se do liuiiia gloria que
o» annos nao teu. upagado ; do huma g*oria que infoitunio»; lançados fora da doce pátria, elles
o velho traiismilte a seu lilho como huma be- tem sido errante* em lerra estrangeira ; tem-*o
mu'. .1, com a espada quo foi seu instrumento; submettidos ao jugo de senhores orgulhosos o
de huma gloria que a joven donzella canta oo de cruéis tvraniio*; lem chorado sobre margens
»erào paru so dislrohir no trabalho , o lavrador de rios, o suspendido suas harpas silenciosas dos
nos compôs puro esquecer-so de suas fudig.is, e ramos dos salgueiros. Que coiiturú o poela a esto
o soldado debaixo da barrara para despertar a povo trabalhado por tontas odtersidailes? Hymnos
tua coragem; vós o vereis, ardendo Ia huiu dc alegria , cantos íeslivncs? Náo, seus nccenlos
santo enthusinsmo , abandonar-se às inspirações soiao queixosos, suas palavras lanienlaveis: ge-
de seu genio. Ellu toma a lyra , canta , e os ac- merú sol.ro os males passados e .obre as des-
ccntoi do sua voz vibram em idos os corações, graças por vir; e so do repente lituu alegre som
como essas meloJias que nos tem encantado nu escupar-so do sua ly.ro, he porque Deos Ibe le-
infância , o que annos dopoií não so podem ou- rà permiUido entoar hum cântico de livramento,
\ir sem lagrimas de ulegria , porque ellas nos fa- om descoberto a seus olhos os fulgores de buma
zcm leuibrur a pátria; canta , c a posteridade , nova Jerusalém.
escuta com otlmi- « Agora porém, se, apartando as vistas das desgra-
que, passados Ires mil annos , O
ração , reconhece no poeta o mais nacional da ças de sua pátria , o poeta hebreo os deixa ca-
Grécia , o maior poela do mundo. hir sobre a natureza que o rodea , que grandes
« Da pátria de Homero , onde todas as paixões imagens, quo magníficos quadros se lhe não of-
tem hum culto , passemos a essa terra em que ferecoráo ! Alli altas montanhas, cujo cimo sobeja
oculto único he Deos; aqui não ha mentira ás tempestades, e que do repente lançam cliain-
nas crenças religiosas, tudo ho verdade; be o mas, entretanto que de seus Hincos fctididos so
mesmo Deos, cuja palavra baixara a terra para escapam surdos gemidos; aqui fogos subterrâneos
fundamentos , a
revelur ao homem sua origem, sua queda, sua quo abalam o solo desde seus
o os valles em
grandeza c seu nado. O espirito humano, não que trocum os montes em valles do
bis- montes. Humas vezes torrentes lonçando-so
podendo imaginar cousa tão sublimo como a nas , o ou-
toria da creaçao , nem tão eloqüente como n pi» seus leitos e precipilando-se planícies
lavra de Deos, reconheço e confessa sua fia- trns vezes rios que param o parecem regressar
do ás suas cabeceiras. Agora hum» chuva dc fogo
qucza e sua humildado nnlc a on.nipotencia
Ser Supremo, cuja moi adi ho o infinito, cuja reduzindo a cinzas cidades populosas, logo o mor
vida he a eternidade. Ho Deos que sopra us tem- retirando-se o abrindo passagem aos homens em
pcstatles, quo dissipa as borrascas, que concede seu leito despejado; mais longo ainda, oulro mor
a victoria , quo dispersa os exércitos, que que- não menos agitado , não menos terrível rolando
bra os thronos, que castiga os reis, que abrasa ondas de arôa sob o hálito dc hum vento do fo-
sequioso , quo huma
as cidades; he Deos que de huma só puluvra go , c devorando o viajante
goltn .ragua restituiria ávida.
pode crear o inundo, o que de hum só sopro
o pódu reduzir a nada. A imaginação do poeta « Como o poeta inspirado por huma tõo sublime
poderá desvairar-se em licçoes brilhantes, em fa- crença c leis tão santas, por desastres tão dolo-
bulas engenhosas, em risonhas mentiras, quando rosos e tão altas esperanças, por eipectaculoi
o Deos de verdade Iho falia esla linguagem da tflo magníficos o tão terríveis catastrophes, po-
alma , que só tem sido dado ao homem com- deria dar a seus cantos bum caracter impróprio
pr-hender , laço sublimo entre a creatura o o dosmnrav.llinsquo o rodeão ? Que elle so chamo
cr-
creador? Não, dia vá n magnificência das obras Moysès ou David , Isaias ou Ezequiel ; que
o livro de Job ou entoe o Cântico dos Can-
de Deos, c admira; recebo os testemunhos do creva
c
sua bondade, c o ndora; ouve a ameaça de suas ticos, será sempre grande , sempre sublime;
assemelhará á do
vinganças , c supplica ; implora as graças dc sua porquo a sua poesia nãoso poesia
elle
¦i.iseriwirdin , e espera. Duos cm toda a parte, oulro qualquer paiz e de outro qualquer povo,
Deos sempre! Eis-nqni sua fé , eis-aqui suo poesia! será sempre poeta nacional.
17») LITTERATURA.
os outro* ,
u Dos tempos antigo* péjaja) ha estranhai a dos Do nascido Jesus. Bi. wmo
Me nprouiptei, e Mirvba lio convidada.
(.rego* e dosllebreo*. e que nao tem humia*
lues
raeter menos pronunciadii de noiiionalidade. IX.
sao a* itocoia* dos antigo* Uindow*, do» CUM ,
do* Scanduiavos , o até
dos Veria», do» Árabe». « Cabia o sol jti frio p'fi horizonte:
um-
mesmo dosltoinaoo» . apezar de *ua instinto Eu voltava do ver minhas lavoura»,
de
toçáo da poe*ia grega. Ma*. •mprcgando pre-
Antes da me partir. Nao longo escuto ,
c
íerencia a vossa attençaõ a poema de Homero Là no fundo do hum bosque , u parto esquerda,
la de Dovid, julgo que o contraste quo apre.cn-
influencia da reli- Voz mnviosa de mulher cantando
gnm vos fura melhor sentir a Mui saudosa cantiga, e mais que terna!
,.n. dos povos, o da naiurcia dos paizes qt:o
habitam sobre a nacionalidade dn sua liltcraluia.
o meu
As litleraluras grega e hebraica possuem,
fontes mais altas
ver , cada huma dellas , as duas «Pó antepe caminho pelas hervas,
o mais oppostas donde decorrem Iodas as outras
da Me npproximo I escuto: nssim cantava,
littcruturus, a poesia dos sentidos c a poesia
Do hu... muricv sentada junto oo tronco
alma. , .
<* Estas duas grandes divisões abraçam todos os A rormosa Miryba. o tristemente:
se-
trabalhos poéticos do gênio humano. Não XI.
de século em século , de paiz cm paiz
guircmos mo-
as diversas transformações e us numerosos i— Do sua pátria terra
dilicaçoes por quu tem passatb), segundo os tem-
typos primitivos da Feliz quem não sahio;
pos c os lugares , estes dous Nem tle estrangeiros climas
exigiria mu. txtensos
poesia. Hum tal trabalho O sol brilhando vio!
desenvolvimentos; mas nòs acreditamos, pelos
dado haver sullic.entcmeuto Tor graça em mesa alheia
exemplos que temos ,
Feliz quem não comeu ;
demonstrado que a natureza e o clima de hum Feliz quem não bebeu
as leis c a bis-
paiz , a religião, os costumes, tem buma ÍB- Nas festas dos estranhos! »
toria dos povos que o habitam ,
fluencia constante e absoluta sobre sua lilteratura ; ex-
Continua o canto do Miry'ba, quo por
e que a litteratura he nacional quando está em
tenso mio transcrevemos, depois do que falia
harmonia com a historia , com as leis, com os
costumes , com a religião , com o clima c com Coriinbitba , continuando a narração.
a natureza do paiz em quo nascera.» XVII.

« Aqui soslevo o canto do estrangeiro ,


Entro lagriniM tristes que soltava.

OUTRO FR -(..MENTO DO POEMA ROMÂNTICO


XXI.
_ __fl _E_a __ Wmlm tlQmVmmm)®*
POU A. G. TEIXEIRA E SOUZA. « Chego-mo a ella cm vagarosos passos,
E lho fallei assim:—Cândida virgem,
O conto do cstraiisteiro, orcseiitimciito do indigena Porque to queixas e tão tristimcnto.
e a declaração de utuiir.
XXII.
VIII,
« _Pcrdoai-mo , senhor ( me diz se ergendo ),
Eu cantava a cantiga do estrangeiro,
«Hum dia... He-mo bem cora esta lembrança! estas arvores...
Era no lindo tempo cm que se vestem Tara que só me ouvissem
Nossos campos do (fores. Chega a véspera XXIII.
Da grande festa dos christãos tão cora.
Os lavradores todos, com familias ,
« —Eu sei bem quo olTendcr-mo não querias
Se põem cm movimento para aldea,
Ondo os padros, do noite, ao povo olTrecém , (Torno), mas esse pranto me conlrista.
Para adorar-sc, a imagem pequenina Tu não és estrangeira cm nossa terra.
LITTERATURA. 173

santas águas Mu Yl j... ó minha irmi... ali se quizeres,


Depois que do buptiíino a»
E,U» terras nos deram, que extorquida* Além de ter «enlioru daflaa terra» ,
Foram a nossos pais ( pretexto infame Tu o »erás dos voto» du minha alma!...»
'A"
Com qu*' u»'1'0* estranhos despojaram /¦.'i iru/iiti-. uu tanto.
Nossos antepassados venturosos
|)os puro» beneficio» do Tu pana ),
Eslraubos jã nao ha entre nôs outro»!... oi-tro lIlUBHIO»
XXIV.
rim dn narrara» de t ortnib-bn. i:,.iaoJio do ia. u.uu
«Somos huma nação... antes relíquias «'itrndur.
De huma grande nação!.... Dispersos restos
Escapados ás ondas tormentosa»
XLV.
Do» mares da cobiça I A nossa raça.
Sô porque habitara hum paiz rico... l."AHV.
Nefjndo crime aos olhos da politica
UV1HV

Lá das terras dos broncos ( assim chamam


« Mas a mái do Miry'ha nesta terra
Scjx saber a respeito aos outros povos),
Ou ante os vãos pretextos religiosos, O nascimento teve?
Perseguida, assolada a ferro e fogo,
CORIMBAÜA.
Foi quasi exterminada! Longo tempo
Proscriptas eslas raças descorreram
« Sim , amigo.
Feios vastos sertões! As quo escaparam
Ao ferro d'ambiçáo apavoradas
JACCMAYBA.
.-."migraram p'ra sempre, o so esconderam
Là pela» virgens matus do Amazonasl
« E Miryba cm que parte ?
Desoludus famílias sô ficaram
De luto o do miséria acabrunhadas!
COR1MDADA.
E estes tristes derradeiros restos
De tao grande nação entre si formam
« Daqui longe.
Huma familia só!...
Quando do Taubatc parti.) Rodrigues
XXV. Cincoonta sertanejos conduzindo ,
Ho fama quo sem medo atravessrram
« Todos bebertim , Esses do Cuj alô, sertões vastíssimos.
Atè a extrema gotla, o férreo calis Em busca d'ouro. E certo ho que surgiram
Da desgraça , entro os ferros vergonhosos, Là onde n'outro tompo os Govtarazes
Entre a dòr , a miséria e o desespero! Com os Tupininquins guerra do morte
Todos estos são filhos da dtvgraça , De Coutinho á colônia Ul fizeram ,
Herdeiros da miséria o do infortúnio Quo levados do horror os quo escaparam
Dos misorandos pais; o a desgraça Das Dezai do deserto, se esconderam
A todos igualou; pois no inlortunio Do Cricré, do susto, pelas mirgens!
Primasias não ba , não ba distinetos! Alli morreu Menezes, branco nobre;
Todos soffrcram.... sim.... virgem formosa. Alli Costcllo-Btanco , como aquello ;
E Fumando do Sá , filho querido
( Ao chamar-lho formosa abaixa os olhos,
E o rosto de jasmins se fez do rosas!) Do Mcndo...

XXVI. XLVI.

«Tua mãi foi nascida entro as palmeiras, « Esta lembrança destes feitos
E tu, se não nascesto nesta terra, Do meus antepassados mo levava
Comqn.tnto do pequena Io educaram P'ra longo do meu filo. Sim, surgiram
Na cidade, também fosto nascida Perto do monte Aghá...
Entre os desertos; sim lambem berdaste
A fatal maldição dos nossos grandes 1 jammay'ua.
Não; nao és estrangeira em nossa terra.
Ah! tu não és estranha cm nossa casa... « Bem conhecido
Cré-me pois. rainha mãi também ho tua... Dos navegantes esse monte...

tóT*t
171 LITTERATURA.

XLVII. Lll.

CORIMBABA. Serpente côr de terra. o malhos negras


Enroscada trahidora sobre hum ramo,
•t Consta Mui que cila obi pousou du hum bote assalto-o ;
fructo os seus trabalhos. | lhe empolgando huma oza, colleando
Quo nao foram sem Pela fina surviz nò do serpente
Ao voltarem , poisou por nosso aldea
hum Portuguez ; levou comsigo Lhe faz descer trovando, e aperta a presa.
AtTonio,
Huma moça, que enteo tenra e formoso
Llll.
Annos sò vinte contaria. Sempre
Com ella divagou pelos desertos.
Dous annos oo dopois, entre ermas grutas, Indo o menino vingador do pomba ,
Foi mai a moça, o lilho foi Mirybo. Que á ove do rapina duro morte
Testemunho este horror: de prompto embek
XLVIII. Outra bala no rede , otroí recua
Ligeiro pè , ossesto o punho d'orma
« Cansado de volver pulos desertos, P'ro destinodo preso | eis so contrahcm
Ou já rico talvez , veio á cidade As curvas pontas d'orco: solta os dedos
Do S. Sebastião, trazendo a moça Veloz a pella sibilando vôa...
E a lilha , quo então tres annos tinha; Cabidos logo após são tres objeetos ,
E abi ficou morando. Pouco tempo A bala , a pomba e o serpe ; e estas mortas 1
Ao depois, porque omova o tenra moça , LIV.
A fei suo mulher, llu jà tres annos,
Deixando quem supprisso as fultas suus ,
E dinheiro a família , quo embarcado Mas quem deu morte àróla? elle , ou a serpe?
Para a terra partio dos Portuguezes: Foi ello, o bcmfoitor, o o seu despeito !
Foma corro que bc morto em hum naufrágio. A seu despeito, sim , ello o bem sento ;
Quo a bala vingadora n'hum só tempo
XLVIX. A serpente ferio , ferio a pomba 1
LV.
Termino Corimbobo a narrativa
De Miry'bo, da mãi, do seus amores.
Nesto tempo huma scena so passava Mudo vio Coopàra a scena toda ;
Sobre os suas cobeças: era força He hum sábio formado de exp'riencias ,
Attendel-a. Cortava os leves ares Quo , por entre os espinhos cavillosos,
De tímida a fugir rola innocente , De males , de misérias circumdado,
A famulentas gorros, que, feroces, Tem de invernos oitenta atravessado!
No alcance de empolgor-lhe o tenro collo. So bojo vivéta pelos moços d'boje
Fizcrom timbro ; e quasi cila ho vencida! De hum supersticioso era alcunhodo 1
Vendo tudo Coopàra a testa franze ,
L. Tres vezes sacudindo a branca fronte ,
Os lábios contrahindo, disso baixo :
— Máo agouro n'hum dia do noivado—I
Era hum faminto gavião quo asinha
Açorava a infeliz,., mas repentina Ninguém attentou nelle neste instante.
A rede do hum bodoquo açouta os ares Extrahido do 3o canto.
Expcllindo a zunir volante bala
De resecado barro, quo empregada
Esmaga o cranco à ave carniceira! OUTRO FRAGMENTO BO MESMO POEMA-
Mal tôa o golpe da certeira pella,
de hum noivado. Sonho de Miry'fc«.
Adcrna a rota frente , as azas cahem-lhe, Episódio
E calo cm terra: nem tremer de pennas! III. *
LL
Todavia, hymeneo abrio jucundo
O toro nupcial aos dous consortes.
De seu longo fugir , do ndejo lasso 'stão seus mimos mutuando...
Vai-se a ave amarosa achar repouso Elles lá
Lá com elles amor... Deixai. Deixai-os....
No velho ramo de hum ipê torcido:
Após levou seu vôo as vistas todas. Correu desfarle a noite, e o dia crastino I
LITTERATURA. 175

IV. E no túmulo da mai da esposa raro


As vai l.n.sr com mais ardor agora.
fogueiros so desusam
Quo doces, quo
Suotemcnlo em ondas tle tcrnuras IX.
ii-, mui-iiuditdos dias do começo
Dos amorosos gozos entro amantes! Cumpre o santo dever volve , à cabana;
d mundo encantador de olmos olleclos Alli l tiraroll. ao lado desce
Delicias ideucs verte em tenentes, 0 polvorinho , o o chumbeiro prenhes
Que n lium logo do gostos inefluveis Dns i. I ¦!'.. - mortíferas da caça :
Subm.rg.m alma , que ardentes cxlasis Agudu faca tlu cintura pende:
Evaporar-se pensa em meigos osculosl Ociosa a dextra ; co'a sinistra agita
l.'..«. ¦¦!•. em mágicos myste-rios, Espingarda quo longe a morte cursa.
Di- ti.>•¦¦'! t em omorav; is estos,
Em delírios divinos agitada,
Absolta a phoalosia em seus encantos
Ilcquinla as graçis de rcaes pr.-zcres Elle nao so exerceu nos tenros dias,
Extremada cm mentaes, magos delicias I Quo os poderes, entro os brancos lhe limaram
£... Nao móis profanar, penna faciili*f.o !.. Aos ares desferir a setta aguda,
Senti >ôs , comprehendei !... Per.ni de humano , E do certeira , r.o voltar das curas,
Ao angulo olevantar desse véo mrgico A ponto lho aguardar n'bum ponto dado :
Brur.oleur deixando olmos regredos Mas bem maneja do orcabuz os tiros.
Da omor, nito vervso o relatar mimoso
Dus encantados seus (.nu. mysterio. ! XI.

V. Do leito o seu erguer foi mansamente,


Quo ama nào ver desfeito o suini.o amado
Anr.iquilndo o mundo cm nm mentes Da carinhosa esposa , quo gozava
Em sen curto universo o tempo vòa! Dormir tao doce no volver d'uurora!
Marcam instantes r.o gorar delicias,
Delicias gozam no fruir de beijos , XII.
Ueijos tao doces no apertar de obraços 1
E sonhava : ella enlão «onhava , o via
VI. Debaixo do seu*, pòs milhões dc estrellas!
Lha embriaga bum igm.ro arama exótico
Esquecidos de si hum n'outro vivo Enlevados sentidos. Logo a fero
Vida do amor, o embebidus mentes Lampejar do huma luz , quo em campo elherco
Hum n'outro , amor idéas lhes absorvo ..esplendo mais que sol. Cândidas pombas,
Do inundo inteiro, o no seu curto orbe Com suave nrrulbar, grimpam ftaejoa
Sò ellas, sò omor , só seus encantos 1 Por sobro nuvens do bum fulgor celeste,
Cadentes vozes pnlmeando escuta.
vn. Sua mai ho com cllo. Em baldo o esposo
So esforça ern o seguir; vunie.ito a chama
Nesse mundo de amor não acharieis Hum louro infante, quo seu lado oecupa
Nem outro Deos, nem crenças e nem cultos! No seguir-lho o consorte pde-llio estorvos,
Alli não ha passados nem futuros, Lbo vertendo estas phrases compassivo:
Huma idade! hum lugar! hum templo! hum espaço! « Inda nao , inda mio : he cedo ainda ! »
Do ludo hum ponto , e nesse ponto ho tudo !
Hum momento o produz, outro o dissipa ; XIII.
Esse ponto he amor ! o ho tudo, e ho nada!
E olla despertou. Incerta volve
*í ¦$•«¦••<_«
VIII. T< Por todo quarto a vugorosa vista ,
Como encontrar querendo ante seus olhos
Era o segundo dia após das nupeias, Esses vagos objectos que na mente ,
Era o terceiro dia do noivado. Acordada inda finge o phanlasia.
Ir todas as manhãns caçar nas matas Ah! tudo foi do imagens fugitivas,
esvaom !
Sabia Corimbaba. Alveja aurora ; Que n'hum ponto de aligeras se
Inda elle esta vez senão deslcmbra
lias religiosas Extraindo do 4" canto.
preces e da pedra ;
23
176 LITTERATURA.
respeito infunde !
OlTlaO ¦¦IIW1III -*> XW*0 PPMMàm Que cm lugar do aversão na cova,
E de tal orle aninha-se
a viita de homem!
(oritababa «a cnrada. Kpi»otlio do .eltio
...litnuo. Que o distinguir cu»t_tra
t) velho anachoreta americano
XXVIII. Olhou sem comiiiov-iu p'ra Corimhaba ;
Abaixa o» olho» : nem mover do lábios I
Corimhaba embrenhado pelo bosque XXXIV.
Foi ao mais fundo delle aventureiro.
he fama
Achou-se n'hum lugar, do qual COBIMBABA.
havia meio seclo nao trilhado
Quo
Era de humano pé , não sendo humono .. Bom velho , perdoai si ora interrompo
Aquelle quo habitava. Nesse fundo Vossos meditações. Tao erma hei visto
Supin-ra o medo o ossomor do spectros; De pegados humanas esta mata ,
homem
Se outir lomentos, e oçoutor de hum Apezar de obostar-so em caça grosso ,
Vagar na selva solitária sombra; deva...
Quo nao sei quo juizo eu fazer
Alta noite no denso da espessura
Hum sombrio soar do campainhas; XXXV.
Hum fúnebre ulular , mos não de vivas ;
E luz do mortos cm funerea gruta ; SOLITÁRIO.
E nliuma torda voz trêmulos hymnos!
XXIX. « Ignoras o quo o vulgo apregoara
Destes desertos?...
Ou foi quo Corimhaba o não soubesse, CORIMBABA.
Ou que vencesso de arrojado a todos;
Certo foi que elle afouto perlustrova ciCertamento ignoro.
Toda vasta amplidão do espaço horrendo!
XXXVI.
XXX
SOLITÁRIO.
dando ,
Quasi ao voltar, acaso os olhos
Sobre hum antigo tronco , avista... c estaca ..
os séculos abriram «Não sabes porque moro hum penitente
N'huma cava, dito
que Nestas selvas , que dellas se tem
N'hum venerando tronco era assentado si acoutam espectro,
Hum velho secular... Só Corimhaba Que cm pavoroso
Duendes, ou vampiros , ou phantusmns;
O vira sem correr; não sem receio I
Ou olmas do outro mundo, ou feiticeiro,
o tristo
XXXI. Que do encantado traz horrido ,
Esto bosque assombroso?...
Hum tecido de folhas e de embiras CORIMDABA.
Lhe guarda o todo do inPrior do corpo:
Quiçá que até aos homhros lho galgasse ; « Não , bom velho :
Porém grisalhas barbas, quo de hirsutas
Mas já percebo porque finge o medo
Descidas tè o peito ommaranhadas
Tão estranhos mysterios neste bosque.
Com os fios do raro, o mal-distincto
Fugitivo cabello branco , cobro Bom velho , perinitti-me, ha quantos annos
Moraes ncsle daserto?
A parto sup'rior do corpo todo !
XXXVII.
XXXII.
SOLITÁRIO.
Abrem-se fundos quasi amorlecidos
fe
Alhos, nos quaes branqueja , bem quo incerta,
i
« Antes dous annos
Neve, que invernos no passar deixaram
Que dos imbecis mãos do Sexto AÍTonso
XXXIII. As rédeas do governo lusitano
Fossem ás hábeis mãos do infante Pedro;
E sessenta e hum annos já passados
Comquanto he cadaverico o seu rosto,
Depois quo os Portuguezes reduziram
Ha nello hum nao sei que do mogestoso
LITTERATURA. 1T7

i« cscrovidao os Pitegoàres!... premio


vingonços
De solvol-os dos horridos XL1I.
bravos Aymores , que a vez terceira
Dos
Desciam sobre a costa: e oo que debalde
o terceiro dar remédio!... « Quarenta annos volvi por estes inatos,
(Juiz Filippe To que desengunado deste inundo
reis não vai tão Jonge I )
(Mas o poder dos Na idade do oitenta annos f muito tarde
ücsdo então neste bosque posso a vida.
Me veio o desengano J recolhi-mo
XXXVIII. Para sempre a viver nestes desertos;
V. d'aqui ha tres dias o meu corpo
CORIMRABA. Attenuado, secco , o quasi extineto,
Ha de o somno gozar da sepultura I...
t< Bom poi, talvez engano haja na conto...
XLI1L
Bem pôde ser que a idade vos figure ,
Ha pouco tempo, hum feito tao antigo... CORIUBADA.
SOLITÁRIO.
« Bom pai, porque foliar desta maneira ?
«Mancebo, quo annos tendes? Vossos dias nos ecos estom contados,
E Deos só .«.abe a conta...
CORIMRABA.
SOLITÁRIO.
« Vinte feitos.
.« Estam contados
XXXIX. E completos estamI...

CORIMDABA.
SOLITÁRIO.

« No quarto dia
«Menino, des do dia em quo vinte annos
Eu fiz, te que do mundo á luzviesseis, Depois do vosso annuncio eu virei ver-vos. »
Hum espaço sc estendo , o nesto espaço
XLIV.
Faltem dez annos p'ra deitar-so hum século 1
SOLITÁRIO
COR1MBABA [absorto).

« Cento o trinta annos 1 que conter de dias!., «Talvez nao venhas mais!... Quem sabo, moço,
Si amanhã vivercis? !... »
XL. Com tal accento
Volvôra assim o velho penitente,
SOLITÁRIO. Que do horror Corimhaba estremecendo
Os cobcllos sentio se lhe criçorem!....
« Quando Ribeiro Dias carregado
XLV.
Do prata, de Filippe entrou ú corto,
Deste metal ufano promettendo
A' velha Hespanha hum mar, só pelo titulo corimuaua [com agitação).
De marquez ; c negado (nosso tempo
Hum ouro vicioso , hum ouro estolido «Bom velho, sabeis vós prever futuros ?
Hum tiflo nfio comprava) inda ate hoje
SOLirARIO.
Se perdeu esso pego de riquezas ;
Nesso anno , digo cu, à luz fui vindo
Em nosso Portugal. Viajei longo « Só sei chorar, meu filho, no presente
Pelas tres partes desse antigo mundo , Sobre hum passado triste o desastroso I
E vim para o Brasil do quarenta annos. Dista porém bem pouco desto sitio
A cova do Itauma; assim lhe chamam
aquelles
XLI. Quantos lá nunca entraram ; mas
Quo iniciados suo nos seus mystenos
Dao-lho hum nomo maior, e esto nomo —
E' — Das Meditações Caverna Sacra!

<
178 LITTERATURA.

Lã responde o orai-Mo a quem o inquire. CÕUIMÜADV.

Deos vos salve, bom velho; atè a volta,»


Ejlrahido do canto 5.*

LXVII.

conuin.\DA.
O lIE^DICiO.
«E qual camiuho p'ra caverna levo?

SOLITÁRIO. BAUíHjüS-t-o
l>..' ¦ •"" «- 't lyra innnrtMia
« Segui fronteiro ao mar; onde elle as fúrias 8er» mai» enfada q-e nitota.
Ouebro, espumando n'htim rochedo antigo, i'.i-.i . , Ot /..it.ajji.
Hum declive vercis; mas que arriscado
So vai nertler no mcr. Doscoi ( ha risco) I.
Com cuidado. Ao chegar a flor das ondas
Ua dc arbustos hum bosque cnimaranhudo: Ho noite 1 — Negra soml.ro inunda as ruas,
Alli curdos e OftiM to cntrelaçain Inunda todo o ar
Com o duro, espinhoso janecanga. Da cidade , que cm tctro3 vôos envolta
A geito entrai A destrilhuda selva; Parece repousar.
Após trabalhos penetrai no centro;
Apertada ochareis confusa senda , II.
QneAlli recorto a espinhoso, nlto encerrado:
não cala sol, não fere u lua, Coberto do endrojoso o pobre manto
Eterna
noite neste sitio impera I 0 inendi;*o lã sai,
A esmolar bum pão para seu orno,
LXV1II. Por quem chorando vai.

«Logo crespa garganta cnlre dous montes, III.


Arriscada em precipetos fraguedos,
Trilhai: hum pouco alem terois em frente E vai a commovcr humanos peitos
Alto rochedo, quo escavada terra. Co'a triste e nulo voz!
Impendcntc do seio â prumo bolsa : Fede hum pao , c so quer hum pão consegue I
Chegai-lho junto , c lhe cravai os olhos; Oh que vergonha atroz !
A custo encontrnreis, quasi apagado ,
Hum circulo sobr'cIle; ahi tres vezes IV.
Sobro o circulo batei, formando os golpes
Hum triaogio: huma voz lem tlc fallar-vos: Ho dia I — Raia o sol; dtsfaz-se a nevoa;
Parando, os golpes repeti do novo , J& basta do esmolar.
Ella falia outra vez e fica muda: Ei-lo que busca a casa do seu amo,
Batei terceira vez, a voz responde. Só para o consolar!
Escala-so o rochedo, ho franco o ingresso....
Sois homem?... V.

CORIMBABA. E junto a cllc inteiros dias passa


Chorando a ingratidão
<x Tenho animo... Da pátria, quo negava ao caro amo
O justo galardão!
SOLITÁRIO.
« Avançai VI.
Feio aberto rochedo. Adcos, mancebo.
Pobre cella... Eis ahi toda a morada
Do tetrico amo sou!
* Paroecnio
que estes dous versos não «ilo mous > ao
Pobre estrada... Eis o leito em que descansa
monos iiipponho quo jii vi oousa muilo parecida com elles. Quem muito a pátria deul
LITTERATURA. 179

VII. XII

i-eiidcnto Dobram sinos.... A terra se revolve....


De hum lado da parede MA A lousn ji ca bio....
lliqui»imo painel...
sente I. atroz do estiuife.... « «pós do subu- & louta
Uctrato de*»a omuute por quem O mendigo se vio!
>.tiii|jd.- tao cruel!

MU. XIII.

Saudoso entre soluços repetia :


De outro la<lo huma espada.... Testetnunb* a De mim o que será?...
De feito* de valor;
a banca hum livro.... que ll* sempre , Com elle era ditoso.... mu» agont
F. »obro De mim quem cuidará ?...._>
Nao sem prazer e dór! *
IX. XIV.

E quando as portas do sagrado templo


E hum dia sobro o leito.... elle jazia Abriam-se aos lieis,
Sem mai* se revolver....
o coração nao mais lhe polpitova.... Sobre o sepubro seu cil-o quo vinha
Quo Sollar mil ui> cruei»
Oue vinha do morrer I....

X. XV.

E hum dio assim tstata.... fl esto,o immo.c! f,


F. junto a elle o escravo inseparável, E as faces já sem cór!
!
Que em vao chorando está
Com o amo era ditoso..., mas agora E os olhos já sem luz.... já moribundos....
Tão grande era a sua dór I
Quem delle cuidará?
XVI.
XI.
E parecia ainda ler na lousa
Parte das inseripçftes:
Irá choroso pelas ruas, praças, POKTAS DK. St-.U Tt-MPl) ,
DOS
Movendo n compaixão ? AO MAIOR

dos frios lábios A I.tiz dk Cavõks.


Quo nomo soltorà
Que mais lhe lucro bom pao ? J. Norberto dc <S. S.

—«9 <>«j3<>-*»—-
m%%mmm\m*mm
,,.,,,,,.,.»».t»i».»,»».»«»«M.»»»»»«»*«»»»'*'w»^^ mmmm

*%+<*&***•%**&>
.««^<»(^*>0<!t^*>>*»»***-^

tros que formavam palavras hebraicas, ou signaes


UrcilVnciio ilo** liicroKlvplio*. que i in It un relações com os trabalhos rústicos:
todos imaginavam bypothcses mais ou menos
absurdos.
RU as sciencias quu ra nossos dias li- Foi unicamente o sábio urcheologo Zoega quem
UjJJ zurant alguns progressos, a lingüístico he vio que sc nao estavo em bom caminho , que
nada podia o intelligencia mais suhtil diante de
_lhuma dus principaus. Quantos séculos às
vezes não decorrem sem que se possa rasgar hum hum texto inteiruincnte desconhecido, 8 so-
conto do vco mysterioso que nos oceulto o pas- bro o tiuul nadu se possuía quu servir podesse du
sado , entretanto que basta hum instante para ponto do comparação. Em 1790 , bum oficial
conseguil-o ! de engenharia , lloussart, que dirigia as forti-
Era a philologia sciencia desconhecida dos on- caçoes perto du llosuta , achou biimu pedra de
ins-
tigos ; e , apezar de ter feito Calcpino seu Dic- grunito preto, sobro a quul pòde-se ler Ires
cionario em onzo línguas o Conrad Ccssner seu cripçoes : huma em caracteres hieroglyphicos, ou-
Mithridates de dilferentiis livguarum no século tra ra caracteres vulgares egípcios, e a terceira
16, e Guichard fllarmonieèlymolugique des tan- em lingua e curocteres gregos. Os hieroglyphos
gues no 17, não dota ella cm verdade senão do estavam olguina cousa apagados, assim como o
lim do século passado. texlo intermediário , S quasi o lim todo do grego,
Se , apezar dos trabalhos do Abel Remusat c deixava
quo entretonlo , entro outras palavras ,
Estanisláo Julien sobre o lingua chinuza , Qua- as seguintes mui notáveis :
perceber
tremère e Svlvcstre de Sucy sobre as da parte
occidenfal da" Ásia , o Burnouf sobro as da índia TEPKtirvlHtinolSTK.IKPtlISKAII.IXnuilMSKMKVAII
o Porsia , a França , pelo que respeita ás lin- NIKOUrPAMMASIN.
guas asiáticas , como que so não eleva à altura « ( Quo o decreto soja gravodo ) nliuma pedra
da Allemonha , Inglaterra o mesmo da Rússia ,
quo contam entre os nomes do seus mais
celebres polida, cm letras sagradas, eneboriues (vulgares',
Bopp, EicholT, Boc- e gregas. »
philologos os do Adelung,
kart, Humboldt, Wilkins , Wilson, Bonn, Lassen Ho bum decreto do corpo sacerdote! do Egyp-
o Pallos , o quo são favorecidos ou pela sua própria te unido a Memphis paru conferir honras ao
rei Ptolomeo Epiphanio. Este monumento , co-
posição goographica, ou pola do suas colônias, não
se lho podo contestar o honra quasi exclusiva de nbecido sob o denominação de pedra de Rostla,
ter feito avançar rapidamente os estudos da an- servindo de ponto de comparação, fez doscohrit
tiga lingua do Egypto , essa nação cujas gran- a Cbampollion o sentido dos hieroglyphos.
diosos recordações perdidas nas trevas dos secu- O texto grego oecupou diflcrcnlcs philologos:
los tem ate agora estado envoltas no mais profundo Heyno nu Alletnanha , Porson nu Inglaterra , o
ntysterio. Ameilhon e Villoison nu França. A parto encho-
Foram feitas no ultimo século algumas tenta- rial ou demotica tornou-se a posso dos orienta-
tivas para decifrar os caracteres mysteriosos do listas. Silvestre do Sacy examinou no texto os
Egypto. O jesuita Kircher os tinha por sym- nomes próprios escriptos em grego que corres-
bolos dehuni culto satânico; Deguignos oNocd- pondiam, assim como sua natureza alphabetica.
liam os explicaram por meio da lingua chineza; O sábio Ackerblad não podo conseguir, tendo
Court do Gcbelin achava nelles as letras do oi- analysado estes nomes, decifrar o resto da ins-
nos hierogly- cripção. Voung julgou que não eram estes ca-
phabeto, outros emflm não viram racteres inteiramente symbolicos , e que os no-
ou simples le-
phos senão signaes astronômicos,
ARCHBOLOOIA. lül

me» próprio» estrangeiros deviam ser exprimi- O primeiro hieroglyphieo , ou .(.grudo.


do» pboiielicameiite, como praticam o» Chins. Aua- ü segundo hieratico, ou saeerdolul.
h»ou o nome du Plolomeo, fácil de reconhecer O terceiro epistolographico, enchorial, demo.
na letra hieroglypbica pelo aunel que o encerra , tice, ou popular.
e com que conseguio por este meio nau pôde O sy*lema hieroglyphieo compfie-*c do signae»
ir mais longe. A Cbampollion devia caber t»da figuratiros, symboltcos, e phoneticos , tomado»
., honra. aos objectos visíveis du natureza , ás ards , li
IM...... Quatrcmcrc havia mostrado ai rotações ... ...»••. iiiiin.it..1. ¦ ás formas abstraclu* e geome-
da lingua copta com o antigo egypcio. Primeiro (ricas ; esle* signaes , pintado* ou esculpido*,
julguu Cbuu.pulliun que os liicroglyphos erum ... lino-*.- em tudus as fuces dos monumento*
iMiiholicos , e as duas oulrus letras alphaheticas; egypcio*. Com elle escrevia-se da direita A
itorèin ao depois reconheceu islcs caracteres ideo- esquerda , da esquerda á direita , e de alto a
<" : considerou os «iguaes hieraticos como baixo. A direcção das cabeças de homens ou
iiiin.i espécie de tuehygrophiu dos hieroglyphos,
!,i.i|.Iii. .um i.i.•¦> liguradus indicavam a da linha.
os outro» como huma abreviação dos hieraticos; O systema hieratico nao hu senão a tach,-
M-riliiou estu idôa com papyros, e descobrio us grapbia do hieroglyphieo; seus signaes simpli-
harmonias dus escriptas egypcios sem ainda co- ficados tem o mesmo valor. Ha muita semelhança
nl.eier o valor dos seus signaes. entre esta transformação e as alterações que sof-
Pensou quu os nomes próprios estrangeiros de- frerum as formas iiionumentues gregas paru passar
viam ser escriptus phoncticamciitc, e quiz ler o I letra cursivu dos munuscriptos. Era o ststcma
do Ptolomeo na pedra tle lloseta. Foi então hieratico frequonteniei.to empregado nos inanus-
que o pequeno obelisco de Philu- , em quo se criptos funerários o nas actas publicas dos Pharaós,
ba na busc huma inscripçao grega dos sacerdotes os decretos chronologicos, as legendas dus conquis-
do Isis ao rei Ptolomeo Evergeto II , veio dar-lho Ias: os únicos manuscriptos que se conhecem são
em parte a solução do problema. Ainda coi.se- escriptos com elle , u du direita á esquerda.
guio ler sobre bum vaso do museo o nomo de O systema demotico náo he também senão o
Xcrxes em caracteres hieroglyphicos; mais tarde, hieratico simplificado , tanto quu o podem con-
nas legendas de hum obelisco, o de Psnmiiiati- siderar como ulphabetico. Nunca emprega BgarM
dius. Dà este resultado intelligcncia mais com- svmbolicas , senão, mui r.trus vezes, para as cou-
pleta do sentido dessa passagem dos Stromatas sás sagradas. Julga-se lerem exercido alguma in-
de Clemente d'Alc\andriu: flueiicia os alphabetos conhecidos dos outros po-
<( U que , em
primeiro lugar, fazem
os Egypcios vos nesta revolução ; alóm disso , os textos demo-
que estudam , ho o aprender o methodo dos ticos datam pouco mais ou menos da epocha da
caracteres egypcios chamado epistolographico ; conquista de Alexandro. As cartas , contractos
em segundo lugar o hieratico , de quo fuzem e actos civis escriptos em letra demolira sao huma
uso as hierogranimatas; e emlim o Uieroglgphi- prova da identidade do systema chamado epis-
co, o qual he , em verdade , para os primei- tologropbico por Clemente de Alexandria e os
ros elementos, cyriologico , o depois symbolico. caracteres ei.choriaes da inscripçao de Hosctn.
O methedo symbolico representa o próprio por Inesperada , porém não completa ainda, foi a
imitação, ou escrevo do huma maneira tropica descoberta da deeifração dos hieroglyphos ; já
(figurada ) , ou somente com allegorias expres- otTereca bellos o grandes resultados , pois deu O
sas por certos enigmas (1 ). » meio de poder ler todos os nomes próprios , a
Com effeito-, quanta relação náo ha entre a mór parle dos papyros das múmias , e as ins-
passagem do philosopho grego e o Précis du sys- cripçoes dos palácios o templos egypcios.
í''».e hiéroglyphique do Cbampollion. Talvez consoguir-S',-ha hum dia o reconstruir
Agora quo fizemos rapidamente a historia dos n historia do antigo Egypto ; por ora náo bus-
trabalhos para se conseguir ler os hieroglyphos, tam os materiaes, cujos principaes são : Io, nl-
exporemos succinctnmcnte, o segundo o obra do guns documentos chronologicos e genonlogicos:
Cbampollion , o systema graphico da antiga lin- 2o, testemunhos ofíiciaes de acções gloriosas dei-
gUI do Egypto. xados pelos soberanos sobreseu reinado ; 3", docu-
A lingua egypcia , quo se fallava no Egypto e mentos relativos a particulares, em que se acham
»a Nubia desde a mais remota antigüidade , bc datas, e nomes de reis ; 4° , octoi dc governo ; íi",
a mesma quo a lingua copia, o tem três syslc- documentos criticos o satyricos.
"'as graphicos: No musco histórico egypcio de Turim encon-
trou Champollion quantidade de manuscriplos re-
lativos aos Pharaós. Paliaram também os antigos
( I ) Virle, om grego , Bibliot. Pub. Thool. 93 l Clementis de numerosas obras egypcias sobre todos os ra-
mummtii in, , Stromatiim , lib, V , piig, 555. mos de conhecimentos" humanos; se he que as
182 ARCHEOLOGIA.
sobre os
as em que e»tam estes estudos archeologicos,
houve , até agora nenhuma foi descoberta ; e que immensa ollicina intellectual.
lu- quae* a Europa ,
existem tratam do» acoiiiwimcnl... histórico» trabalha sem descanso. Nao desanimemos, talvez
norario», das quaes, segundo Chau.poll.on. po- a conbm-r
ou meno», e»ta» nova» descoberta» no» levarão
deu. as iui, s antiga» ser. pouco mau muitas cousa» que ignoramos, e a derramar ko-
reinado do rei Moeri»; isto Ue, nas trevas
da époeba do bre os íectilo» quo jazem morto» da
tem mai» de 3500 anno». luz extensa e viva que bum dll o.
nao demo* e- passado
Apertado» em limite* «Ireiloi. fará renascer em toda »ua grandeza e
magesta.k-!
do descobrimento da deufra-
nao íuecineta idéa -
çao do» hieroglypho», do t]*t-l graph.co do a. Emilc Adil.
do estado
figo Egypto, c huma breve expos.çao

«»»««^BVa«B»»»..»».«i«»*»*-»**«*"»""W"""",""N
*W««..««..**aa\* ««««.»»».»«««.«»««»«»«»««»»»>***

TlkWtlHMM^Wh

o deve-
salutem hominibus danio. Mas se assim
ESCOLA DE MEDICINA. mos acreditar , jà os vossos trabalhos cscolarci
difficil a car-
«a W° so- vos terão feito entrever quanto he
Di.cureo pronunciado ,>clo Sr. Dr. Jobini reira quo ides começar, e que longe de ser se-
leinuc do doutoramento no mino do 11:13. flores, encerra cs-
cura, coberta do deliciosas
muito importa evitar.
sns. r»oi'TOBE9 pinhos c precipícios que annos, d.r-
Autorisado pela experiência de muitos -isto l
nclla tenho

m vos-hei em resumo o que


cumprimento dos nossos estatutos , que
experimentado , solicitando a vossa benevolência
me impõem o dever do dirigir-vos a pala- a honra
de e attençaõ pela ultima vez que tenho
ÍMvra , depois do acto solcmne que vem como mestre e director des-
o titulo de dirigir-me a vós
passar-se, pelo qual vos foi conferido dar-vos U escola. Dando-vos alguns conselhos e oíTere-
de doutor em medecina , começarei por expc-
os parabéns nor terdes chegado ao termo dos cendo-vos os resultados da minha fraca
riencia, cumpro com hum dever que poda
vossos trabalhos escolares, ao mesmo tempo que ser-vos de algum proveito. D.r-
me congratulo com os mestres desta escola pe o para a futuro
á sociedade vos-hei quaes sao os embaraços com que tem fl«
prazer quo boje sentem ao darem lutar na pratica hum medico novo , os riscos
nova porçfio de cidadãos habilitados para exercer , e qual deve ser
huma profissão que , com ufania o direi , a ne- que corro a sua reputaçáo e na
o seu comportamento no exercício clinico
nhuma outra cede em merecimento e utilidado despindo-vos de
as sciencias a vida social. Antes que ludo ,
publica. Certamente, de todas objecto , n todo a vaidade e presumpçao, reflect. bem que aie
mais importante , ao menos pelo seu
nos ensina a pre- agora vós tendes embebido os princípios elemen-
mais bella sem duvida, he a que sa-
*/enir e curar as numerosas moléstias que podem tares da sciencia , e que , não sendo possível
consummado , esses
o hir-se de huma escola pratico
aflligir a nossa espécie; ella he o principio e attract.vas nõo serão
fim de quasi todos os conhecimentos humanos, princípios, essa» theorias Uo
o ce- sempre guias sufficientes ao pó dos enfermos,
he Uo nobre e sublimo que , como o disse tudo nos livros he general.sado, e tuao
mais do nenhuma ou- porque wo
lebre orador romano , que
na pratica particularisado; aquelles s.gnaes
assemelha o homem á divindade: Uo- s«-
tra cousa
fáceis, aquelles meios lherapeuticos com tanta
mines ad Dios mlla te propiut acctdunt quam
-* >'P™mp mrw*

VARIEDADES. 18J

„„„,, aconselhados pelos autores, verei* que (auto a irresolução eomo u temeridade irrellecli-
ou empregam, da tem funestas conseqüências que cumpre evi-
muitas vezes em vao se procuram
se trola de converter a nossa sciencia em lar; mos lembrai-vos sempre de que aquillo
quando mesmo que lie mais digno de censura he muitas
arte . »• íaiel*a produzir o que com tar.tu largucuu
como sobre o cadáver nada ho vezes hum motivo de recommcudaç-ioparaocom-
proníetteu. Assim opi- inuiit dos homens, e o que lie huma prova de
mim fácil do que a manobra du» prooeetoe
e sobre o vivo mil obstáculos nos em- - i.i consciência , probidado , I espirito n-cto pódu
ralorios,
tudo sao incertezas e perigos, assim ser para vós motivo de sérios desgostos c des-
baraçom ,
«.uccede no começo do exercício da medicina, o credilo ; pura o vulgo hesitar ou duvidar be ser
ignorante, ousar promelter sem consciência Im
an tanto inoior grão quanto o novo pratico for
mais instruído. Elle lem sempre medo domo- ser sábio e habilidoso: O vulgus decipi rult iu-
mento em que deve exercer pela primeira vez, felizmente he provérbio muilo antigo e verda-
e em que depois de ter lido e visto praticar , deiro , e se o lem sido em todos os tempos e
tem do julgar , escolher o praticar por conto em todos os paizes, por que motivo o mio será
em observar os regras do tombem onde o razão publico esteju uindo emgron-
própria. Escrupuloso de atrazo ?
arte , receiojo de enganar-se nu sua oppliraçao ,
ella examina com o maior cuidado , e nunca se Por experiência própria conhecereis quanto he
decide sem receio , tendo incessante ente diante dillicil e delicada a posição do medico que come-
dos olhos o obstáculos que procedem da compli- ça ; animado pelas mais nobres inspirações , cheio
cação dos mais simplices nccidenlcs , o as obri- do zelo pelos doentes, empregando Iodos os seus
esforços, o analisando com o maior cuidado
nações que o seu dever Iheiinpoe; o pratico no-
vo, quando instruído ; pôde assemelhar-se ussim todos os phenomenos mórbidos , usontlo de gran-
ao experimentado e proceder como cllo, aeon- de reserva no emprego doi meios therapeuticos,
selhondo por medo poucos remédios , quando o so o doente guarece, ainda que o caso seja o
outro assim o foz às vezes po*r inethodti o con- mais simples , daquelles que só reclamam regi-
liança; hum espreita a natureza o obra pouco men c expectoçao , como ha nos homens humu
sobre as suas pre- tendência irresistível para o hiperbólico , o moro-
por se julgar pouco esclarecido vilboso, mil vozes se levantarão poro celebrar us
cisoes, qnando o outro conhece os seus esforços
e liinila-se em muitos casos unicamente n nju- maravilhas do novo doutor, a fama espalhará por
dal-os. Dcsf arte , por motivos diversos, poderão toda a parle o eslrondo dos seus suecessos ,
ambos cumprir 0 sábio preceito de Uaglivi, si cllo tornar-se-ha logo hum gênio raro com do-
alicubi , cerlc in medicine multa scires opportet minio ubsoluto sobre a morle ; mas desgraçado
et pauco facere. Pelo contrario o vaidoso igno- se huma moléstia grave e rápida na suo marcha
rantc a tudo se atira ofoutomonte, abraça hoje roubor-lho em poucos dios hum doente na flor
hum systema para logo depois seguir outro , mu- do idade ; se , tendo praticado huma operação pe-
nido de certos preconceitos, a presumpçao o cego, rigoso , succumbir o operado , então o injustiça
a não deixa vur senão o quo elle deseja ; num o a mà fé ligam-se com a mesma presteza o
nao tem so- frescura com que foi exagerado o vosso saber,
para elle ho duvidas, a natureza encarecer os poucos
gredos, as suas vistas penetrantes tudo percebem poro confirmara ignorância,
onnos o a falta dc cuidados do vosso parte ; «
útravez do organisação humana ; todas os mo-
lestias curam-se o explicam-se perfeitamente, elle então, talvez perseguidos pela mais cego pre-
tudo ollirma em tom dogmático e peremptório , venção, atormentados peliis mais cnlumniosos im-
obrigados a procurar em paiz
e como o hollucinodo espanta-se de que os outros putações , sejais
diverso cosos menos desgraçados o mais equi-
nào vejam o pbantasma que só a elles persegue.
dade. O que devemos daqui concluir senão
Tal ho a conlianço que tom nos seus meios the- futura reputação dos
dependendo a vosso
rapouticos , quo todos os phenomonos, todns as que ,
de grande reservo ,
mudanças do huma molostia dependem nunca dos primeiros suecessos, usareis
esforços do natureza , mas sempre dos medica- recorrendo nos casos perigosos no conselho da-
idade o reputação eslabele-
mentos que prescreve embora inúteis e ineffica- quelles que por sua
cida vos possam abrigar da injustiça dos homens,
zes. Na alto idéa que faz da sua potência julga
ou mesmo esclarecer-vos nas vossas duvidas, pur-
que nenhum dos males que nflligein a espécie
humana he capaz de resistir-lhe , o prodigali- que ernfim , quaesquer que sejam ns consequen-
sando sem discernimento tônicos, ontispasmodi- cios, nem no começo da vossa vida , nem quando
cos, emeticos e sangrias, entende que devo cs- tenhais conseguido nome o celebridade , vos po-
em
tar sempre em huma actividade temerária emol- deis eximir do tratamento daquellas moléstias
e a arte trabalham em vão para
fuzeja. quo a natureza nada
Ora entre estes extremos ha hum meio o se- combutêl-ns; nüo sò he certo que quem
tombem a huma-
guir, por onde marchareis com mais segurança ; arrisca nada ganha, como
- -----

181 VARIEDADES.

nidade e a religião exigem do vó» o ine-ino zelo, exteriores não equivocos, o pela sua analogia com
a mesma assiduidade pura com aqüelles o quem M resultados da experiência , que o medito pode
huma aflecçao orgânica tem neiiwfiariamenlo do estabelecer hum juizo seguro o desprevonidn
conduzir 6 sepultura; romo homem publico a pura o seu procedimento.
ninguém vos |todeis reeu.itr . n todos pertenceis Acü»tun.ai-vos o refloctir, nao sò sobre o qu«
e nula he vedes, iu ns também sobre a marcha total ds
que reclamarem o vosso ministério, enfermidade ; praticar sem reflexão hu cumo viu-
mais digno do ceniuia do quo hum medico ou
hum cirurgião quo , prevendo o exito duvidoso jur sem observar ; no fim do muitas fadigai ¦
ou infeliz do huma moléstia, ou os perigos de dispendios subereis tanto dos lugares passado,
liumo operação , uliãs bem indicada , recusa o como antes da vossa viagem ; uo Iim de dt) anno,
seu ministério pelo receio do comprometter it sua de pratica ciarei* tão adiantado conto no vo»»u
recente reputação, retribuindo assim a confiança tirocinio. Bom he o costume seguido pelos pra.
com a ingratidão, o sacrificando hum resto do ticos do alguns paizes de durem ao doente, quan-
esperança aos interesses do seu amor próprio. do restabelecido, huma exposição da sua mo-
Nos casos em que a moléstia tome hum ca- lestia e do tratamento empregado, elle estimula
racter mais complicado, em que o diagnostico o medico para ser mais atlcnto, | muito apro-
seja duvidoso e os indicações incertas, importa veitu ao mesmo doente pura o futuro. Sc bem
mais que tudo seguir hum plano, escrever as apreciardes a arte do ob-ervar, so reconhecerdes
suas circunistoncitts e signaes na ordem em que todo seu valor, não desprezureis os escriptos dus
se forem apresentando, para no vosso gabinete grandes mestres du antigüidade , que soubcr-uiu
eombinardes com o quo virdes t» vossos estudos neta avantajar-se; o a quem disser que elles
não tem valia, pôde applicar-so o quo di>se
particulares; se assim o não fizerdes, nao sò po-
dereis esquecer-vos de circumstancias importou- Nicúmaco a hum espectador que nada viu admi-
tissimas, como também deixureis de enlhesourar cavei em hum quadro de Apelles : su nao presta,
o quo virdes para servir-vos de guia cm casos toma os meus olhos c vO. Esforçundo-vos por
análogos. Não sabendo para o futuro aproveitar- cü.acterisar huma moléstia , sem o que nao ha
vos dos vossos erros ou tios vossos acertos, só ad- base lirme para o tratamento , não vos bastara
muitas vezes a própria experiência, recorrei enlau
quirireis com o tempo hum habito irrellectido ,
e nunca n verdadeira experiência. Desde a pri- ans autores originaes comparando o que tiverdes
meira visita convém pois escrever o que obser- visto com os fuctos análogos consignados nos cs-
vardes, as revelações do doente c dos assistentes, triplos dos bons observadores, e aproveitando-
tudo emfim quo vós mesmos virdes de algum vos da alheia experiência como salvo condueto
valor, evitando sempre a precipitação nos vossos da vossa, porôm sempre de prevenção contra os
svstetnas. E o quo são elles em realidado senão
juizos; e para melhor acerto scrà necessário pesar
bem todas ns circumstancias, isolal-as o reunil-as perfeitos paradoxos do orgulho humano, que
antes de vos pronunciardes, ter sempre o feito cm medicina suei deni-se como as folhas nas
em vista do quo idos fazer, e como ordina- arvores, c cujo effeito mais constante tem sem-
riamento na primeira visita nos decidimos sobre pre sido espalhar entre nós o schisma e o es-
o tratamento, so o vosso exame fór superficial candalo, Em outros tempos foram grandes oh-
senadores llippocrates o Sydcnham , nos nossos
julgareis mal da moléstia , c desgraçadamente ,
dias quem póde negar origiualidado e talento
por certo instineto do vaidade, raras vezes de-
sistimos dos nossos primeiros erros. No decurso raro a Laenec , Andral, Chomel , Dumas de
da enfermidado observareis, e descriminaieis, Montpellier o outros, o quem não desconfiara
se possível fór, as mudanças devidas as nppli- do espirito de feita de alguns systematicos, eu-
caçoes tberapeuticas daquellas que dependerem jos escriptos comtudo nau são totalmente para
da própria marcha e natureza da moléstia; desprezar-se. Mas emfim , por instruído quo seja
para este fim o acerto do vosso juizo dependera o medico que começa , qualquer quo seja a sua
da assiduidade o freqüência com quo virdes o habilidade, eslá sujeito n commclter faltas; a
enfermo para melhor apreciardes a força e ca- mais s;ia erudição , o mais profundo juizo o nao
racter dos pnroxysinos c exacerbaçòes. Em alguns livrarão deste tributo quo pagam todos no seu
tirocinio; atò quo seus olhos aprendam a ver,
paizes da Europa o typho he o gênio mão de
até familiarisar-se com os dilTerentes aspectos das
quasi todas as moléstias, no nosso as intermit-
tentes o substituem , e quem o negar pratiquo moléstias, andará muitas vezes ás opalpadelas ;
em grando escala em algum hospital, ahi verá porque, embora haja em medicina princípios fixos,
tt sua applicação aos casos particulares be tão
que as cxcepçõos nao iníirmum esta regra geral.
Na observação , somente as impressões feitas sobro diíTieil o complicada , que embaraça mesmo ao
os sentidos vos merecerão particular allenção, pratico o mais experimentado. Quem tem ocea-
sião do fazer autópsias cadavericas, freqüentes
porque hc somente por huma reunião de signaes
' «-aaja -_" " W4 «»''mm^tmm^p,w-

VARlEDADEa 105

vezes reconheço iiuanto são fallivei» os nossos consegue chamar sobre »i a attençâo publica por
o genio de huma mo- alguns suecesso» felizes; hum discernimento promp-
juizo». 1'ura reconíiecerino*
lestia, o encaminharmos o melhor tratamento, to o seguro para aproveitar-»e da verdadeira re-
*.Ki.n,i. necessário» muito» raciocínios e tentati- luçuo das eousa» e dos meio» , huma intulligen-
tas, praticarmos ora huma eousa ora outru, cia fina tão contraria á faliidado como a im-
..Ul,,iiiii.tin- pelas leis da mais eaacta analogia , prudência llio servirão do guia para fallar uu
t il.ii -M- a propo»ito, e tirar o melhor partido
nada desprezarmos; nem precipilarnio-nos, nem
perder a oceasião,
inarchur segundo as ciniinis- possível do t. dos as rircuiititancia» que so apre-
sentem ; e como tombem he corto quo a intel-
tancia», e «eguiudo sempre em todo o rigor o
ligencia tem força irresistível, quando ella con-
primeiro preceito de probidade medica: primttm
siga iiiuiiiiii i.ii-m- com discernimento o pruden-
non noetre; o mesmo alguma» vezes mm haverá
cia, sem ofiensa do amor próprio dos outros ho-
recurso senão afaslarmo-nos da» viu» ordinárias ,
mens, nao deixará de obter a palma , quero di-
e marchar hum pouco ao acaso, quando os me-
zer.a reputação a estima publica. Mas ainda assim
(bodos orrazootlos náo sejam seguidos da» vau-
nao ho menos certo que ordinariamente a» grun-
Itgens qm' esperamos, sendo desta sorte levados
des reputações populares cm medicina como em
a seguir certo empirismo illiiminado pela razão
quanto ser possa ,
mas nunca nos deixando se- politica assemelham-se a certas estatuas cujos bel-
Ia» proporções só se admiram quando vistas em
duzir pela» apparencias explicativas , quando os
fattos fallem mais ulto. grande distancia , que o povo mais depressa re-
compensa as apparencias do merecimento do que
Infelizmente , a dizer-vos em ludo a verdade,
entre o povo a sua realidade , u que as suas prcdilecçt.cs ser-
paro se gozar de grande reputação vem mais para u sua satyra do que para elogio
nao são necessários tontos cuidados c trabalhos,
nem grande merecimento , nem muito amor uo dos homens. E então , como hum meio du so-
estudo, nem hum juizo profundo, ü que pois brepujar os desgostos du sua injustiça , o que
opporemos nós senão muito resignação o pu-
ho preciso eu vol-o direi sinceramente , muito
alarílo, muita porola , buma audácia impertur- ciência '
liatcl, ser cinliiii charlatão; este para o poso A paciência ho com effeito de todas as virtu-
bo como nas cortes o lisongeiro, a fortuna os des que o medico deve possuir a mais necessa-
segue, porque ambos por egoismo sabem apro- ria , nao só no trato du vida social, como tam-
teitar-so das preoecupaçoes populares ou das bem no exercido ordinário da nossa profissão.
Quando huma moléstia se annuncia por signaes
paixões dos soberanos. Mas para hum medico que
vagos o fugitivos, quando nenhum symptoina a
preza a dignidade da sua profissão , não he cer-
,monte a urto de ganhar dinheiro o que mais caracterisa , quo paciência nos he necessária no
importa. Os homens illustres que por seu saber exame das suas causas, da sua invasão c mar-
fl talento, quo pelos benefícios quo fizerem a cha ! o como as menores circumstancias podem
seus semelhantes adquiriram direitos á venero- então ser importantes, da paciencia, ou alten-
çao da posteridade, desprezarão sempre semo- ção sustentada no árduo trabalho de us reconhe-
lliante comportamento , quandu pelo contrario os cer o avaliar, dependerá o diagnostico, base
única do vosso procedimento ; o que for dotado
que no exercício da medicina só vem hum meio
tio enriquecer , nenhum valor dando ao amor da do imaginação ardente e espirito voluvcl nunca
verdadeira gloria e da humanidade , sendo com- poderá ser grande observador nem adquirir u
sigo mesmo conseqüentes, julgam a sciencia inu- verdadeira experiência.
latuiiiiiua vasta vo* moaadarS sulitiahir Iram doento no. pp-
til , porque sabem que lhes nao hu necessária. rimiB tiú» o ameaçam , ostur pn»stoa a Oolh.r o frueto tios
O que daqui concluiremos senão que , sendo o vohcos faniiludos , t. nii.ontin.tiiitM.to sobrevir huma (.ontjili.
c tt«,- oi o imprevista quo deatrua cm hum inst mito todai us
povo naturalmente simples o desacautelado contra roajaa aapatançaa, 011 so n custa do mil-fuligai S ufõlo.
«is embustes do churlutanismo , he da rigorosa i,'ijim eooaafulr buma oanvnloioenola inesperada , Intui
obrigação do hum governo sábio o palernal , desvio do tagiman , oifüito muitaa vo-/.oa da maia doplora-
senão exlingtiil-o totalmente , porque seria isso v.-l educação, nmiiquikr cuinplottimonto tolos 01 vossos
esforços. Ainda nntis , tm assistentes, os amigos o paron-
impossível, oo menos repriniil-o quanto ser pos- tos crxorccríio do mil modos n vossa paciência , critica n.
sa , como planta parasita da arte ile curar , quo do Intua o vosso procedimento, querondo outros que vo*
a faz definhar o perecer. Porém se o chnrlata- reculail polo smi parecer , roti.rdn.ndo ou impedindo u exo-
euçtio das vossos ordons , exigindo tio vos hum juizo fran-
nismo he hum meio vergonhoso e incompatível <;o o coufidiincijit sobro o estudo do doente paru Io;,'"
com a dignidade medica, ha comtudo certo tac- depois lh'o irom coinmunicur , o rcduzil.o nssiiii uo maior
to o habilidade dos torincntos , o desespero. Vcrois enfermos quu só vos
que bem so concilia com a cliaiuiim Jtara iitinic/nr-vos com u exposição obscura tln ma.
prudência e saber , o não he totalniento para loa quo pi-atendoin soflrer , ti loquucidado os ttlliviu, a nu-
•losprezar-sc. Entro hum povo culto e polido , o nliuma pSíguíttá respondem de maneira precisa, continua-
homem do espirito o hahilidade, o medico sábio mente divagam, o nas suus queixas oonfuntlom os tjbjáõtoi
es mais .linpnr.itndos ; medrosos o desconfiados em ludo,
e atilado não deixa de adquirir reputação se vem o ninior jperigo i tudo exageram ou interpretam mui ,
10G VARIEDADES.

• se tem algum ttUmlo todo empregam »m argumentos e e infiilhvel , maa I .mbrai.vo» de que ae ülp.t... inodicoa \tA
. t ._•-.. a ti» r i,.lua. ..... , |t) li ... |... 1. " . . ' 1 aOHI devido a sua reputação a proiio»iioi.a e.iullriiiailis, t»,\,m
qu» uüIu contrario n laia |ifr.li4a por nt.iitsmeifte prjcipiuua,
ii.... • aMuci» • force tio HtfaaaJaia: d«*truida MW
ll.icill.vus a e»te r.'Stn-Un com aahu lutitnlao, «e o ,„mtu
.Itmier», appareee |ogu Im ua 110*4 qua lie u«t**e»trio uo.u-
bater: outro* mhiiu« « matam to eom .-ii •* •¦• j-- '.''¦ iiroitoatlea for iii.-o.itidur. lamente dido eetno li.o:.g„ir,,
>|ite itor ellee tudu »baiidoii«iii; eonhaceni outroe o* re. .iiecuiubiiulo o douiito . serei» tido |t"lo MM eumo n„
... j.«. i.<!... nome», tudo* IU» ntu ntniivoe , e a inolettt4 umManla , e •» o tlerdm como funeato , «ouiui »»,KirsB.
«•» h-- vidt, e vdi Inllaurotsiiiente a tirais, seivts tonam».
It* etiti»» innocen.» quu tem no eofpo. Ainda taaméaamtt
««idiiiiieiiliie são reae» e » ¦auMUdada «xalud* tudo »up. ta raxao consltleradoa couiode.nJceMario». Porím a .ucq,,,,.
eanutie toriiam 111 ti» ufgi„.
-MiiiareiiitM eom resignação, ma» quando a ciuaa do un. pj.;«ãoe prudoiii* em nenhumnelareoer a iuaijça
l.-a da qu» quando lemos ie o tuia.
lu* Uc..,..'.. he a in4ot!ili44do , a ma e.lueit.ão o o ea.
a Uniu* I» |wlo» torluoto» Ubyrinilos em tpie o cri.no te bufas»,
|.rieho , haver» paciência quo b»»le p4tt roai.tir lli aqui quo a ignoraneta, a preciptl .çtWi a prevenção,,«.
¦orinenltM ' e quem o» perdeu , quem o* p«*a em tão num»
liauiio» foram muita» veie» ut muauio* mediiu», que nade iiti-t.t» iiixos podem ler ae iiui» ftammat oonevqutineiu;
un nte dita pod» ser he».
receitam et-in d trem ridícula» explisaçòo», ja da naluresa que hniiit ao palavra inconaiJora.l
«Ia 11.:. tu. ja da maneira porqi.» obram ne motlieaiiien. tunlo para perder o innocente ou tornar impune o arfanhan
com igual qnehra tios taMiaaW da «ot-iotiade. Ilu aajaj qu«
toe, 1* da raxao por quo ••• appli.-am usando »»»im do nimia
o homem da «rto mui* deve alwlor.».' de emiltir juiie .....
haaSiam, assuntam que melhor lhes captam a coiiúmça 1 la- ei»ivo »"bio matéria» em que nao w-ja coninetonto, purqtia
1 «I eng mo I a medicina como a rt-ligiju perdo to Io o aeu va-
trala-at- da honra o vida do» no»«o» semelhantes, « pot
lor quando nuo seja tcoinpanhada da e.rto eieantauianto
.. rutiMiito , e teiuoe no» culpa Ue que tw homens aojain huma vaidiiilo funeata não vo» quererei» iug.-nr na u».
ue tal sorle conatruidoa que mais esperem do qu« 1160 co. ci«âo d» ficto» quo não «onlucei» , ou sobro cuj 1 inierpm.
iilitiecm quo daqitillo mui que c.l.in faitiilitrisailo*. latão in.! ettojii* siifficienleineiito eicUrecitloa. Finaliu«B.
tso . 1.1 !•- ii» a» |.. ..¦. - o a eada paaao da sua carreira o to , 11.10 ha prolinHn que exija mal» nov.im pfalUad» titm
iiiotltco tem extrema n«i-«-»idade «Io picieneia. so e»l» vir- cnattiine» da mais irreprehon.ivei putexa , do qutia do ir*,
tudo it para elle o gemo, como o dinmt hum celebre ce- dico . confldeiito do hum «i-xo, «quoni «ervo de ampare .
dos aotl» doente», quanlu nio
crtptor , a reserva e a prudt-noia mio tlu- »u'> iiieuoe no- podendo tudo sobro o fspiritu
.-rataria» , ua" fallo j* na quu lhe ho iuditpi-tiaavol 111 «•«- •era ali» Cliiilinoio ae »Matl tl^sla* Vanlagen» tk-ixaiidn.,t!
eolhs • .. i:in -i i'.' ¦ d»» remédio», ma» da quo devo di. aaaaalar por InelinaçOai riaftasâ, se por exomplo a avs-
rigir o eeu comportamento 1110r.1l no exercício tia inodicina. re»a .1 fuer aolicitar huma heran«;a , ou »o M »eu ' mini,,
1'omo por hum lado devais lt-r a uiuinr vigilância possível lerio ultrapassar 0.1 limite» da deconeia a da política quan.
em conservar totla a iulegridailo da voasa i ¦:' it,4o , e |ior do assim succotla mio Imvorá tab-nto» nem habilidade qae
uulra , nao sabendo u cuiinnuiii dus hottieii» iliactimiiiur o o preservem do hum hei orecido abandono, e do htn.it
<iuc he curavol do que o não ho, haja noites litiuia injua- decadência completa no e.mncito doe homeii». porque fllii
ia tendência psra noe accusarein p«-la impotência da ano , cpio no» coufiam cegamente o quo tem neste mundo ile mait
.1 abandono tia iiulurrt 1, exigo 11 priiih-nuia que vm lu.lag caro, a honra do anal mulheres a lilhas , laa lodo adi.
ua ni".. - ... graves recluiui-ia na Itizna dos vossos coliega», reito u exigir do nú» hum coração puro a co»luiuos in-
imito para dardos ao doonto, »e IV.r pautai , soecorroa tegr.is.
mais elncaio», como para vos pordo» a ubrijo doa ataque» Mus pira vo'so nlen'o consullao a bii.graplu» do» ao.
da iiraluvultincia. Ura cato coiiimcr io quo com vllts tivor. meus illuaire» d.i vosta proliasilo , vó« nhi acharei» nume.
•les lembrai.vo» tacmpru tio quo oa médicos honram 11 »ua roaos exemplo» dis mais elevadas virtude» , «pior publica»
d';tliua , bt.
profissão vivendo mt melhor liirn.onia , quo cheios do nl- quer privada» ; tlodicaçao generosa, grandeza
leiiçito huns para com os outros , dovuiu procurar todas ne ntliceneiii »uo qiiulid.ides «pio brilham em Intuiu imiltiilào
uccuaióo» do laior onlro si generosa inerciim-i.i do bons pro- t|j auçOc» sublimes que íí historia conserva 110» sou* fastoa t-
eediuionlo» , a qui! nada hu mais indigno do homem tie 011 tme foram médicos os liorOes. Vede llippoerales rt-gcila:li.
hem do quo cotnproiuotter a repu-.açito de hum collega du o's magnificon presente» do Artaxorxes . o respondendo
• ¦'¦ii-iii ::i'l ¦-" tm --ia ausência, cmn e imito fim do ii.cuU ao sou enviado : '" di/ei no vosso nino tpio sou assai ricu,
car-so onmo mui* lntl.il ¦ iiittlrui.lt>; quoin onhíih procu.lo a >|<ie 11 honra 1110 fad 1 iicoitur os seus presuntos , pas
iliislionr.-t.so a si iii.miio , expoem-o 11 vergonhosas represa- s.ir.ino 11 Asiu , o soecorrer os 1'orsas tptu são iniiniíis A
lias, o piitentoa toda a baixeza tio sim OortÇtO Afastemos tin-ges. " Quantos para ¦ulvaçtio aaa seus Homelhantes . ¦
t!e nós a injusta iitipulaçúo d.i hum escriptor tpie dbl: 11011 tam nrrojuilo aaa mniores porigos, nos i.l.v-tiii..-» da morte
mt inaUHa tajr* wialmrai Utaiiiaa porque o verdadeiro 11 0111I0 esliuil os homens ntuis tlignns dus svitiputliiis tlu-
inctlicii drseonheoo tt inveja, só própria du» alm.is buixus, iilmus HMiaaaa. Procurui-os nn meio tias epidemias , SOttl
¦iollticr.ndo-so ucima dos cálculos motipiinlios «Io interesse. us 11 igollos e dmiaÇU que iiccinpanbum 11» guerns Na
cia. vcrilitili! quem pôde contemplar som emoção notsel lioinciis.
Qoa&de mesmo alguma (Uu Involuntária tenha sido •*•
ramanta eomniettlde , ho muis nobre o generosopropor com quo afiVontaiil Iodos os seus perigos pur.t tlimiiiuir.lliis
n to. horrores ; quo ealor do ilctlieação , quo esipieeinienln eoBll.
prndoiici-i a sua einendu tio que toriiu.lu manifesta nuo do 6Í me .mos, ou nntes que abnegação , que intri'-
dos os olhos , so duhi ja nuo resulta o menor beneficio. E ni"-
'luoiii he esse tão vaidoso o insensato , quo , DO exercício pi.lez uoiitinuutla , quer se exponham uo contagio da»
ile huma profissão tão delicada , se julgue sempre 11 abrigo iestiiiB nos hospitaes , quer voem paru ui-riinciir o ourar
do huma bem merecida censura. Qual o infiillivol nossous iiiüsmo ilisbaixo tio tmfo inimigo viiMÍinus ciisangiiantadas "
ainortecdas ! Miesionarios da hniiiatiiilailo . eilns são eimi"
jiiizou , qunl o «pio pdda bom julgar do limou moloetu a
.Io sou tratamento som obsorva.li., alU-ultiinento t-tn Iodas dil Dro» , os iiuicos represontiinles du pliiliintliropiii no meto
ns suas pliuscs fugitivas t So , chamado pura tratur 1I0 iti- dus seeniii tlu curnicuria o destruiç&o, são sim 11 WjjJ»
lariiiidiides , euju oxistoni-iu continniilii poderia tr;izovit per- esperunça, apoio o consolo dos dosçruçuilos oujot sotin-
turbução de huma tuiniliu , imiiortu sohrotuilo MM vos nfto mestos tuloçitm , cujos iiiules oiiciii-tuin , enjits eurupens rs-
enganeis no vosso juizo , a quo quando mesmo seju elle exuc- unimain , parülltunilii 00111 ellos us rigorea dit loino , B tucle-
to , guardoi» a niiiior cii-cmiispocçuo a reserva ; assim tam. ménoia dus estações, a fadiga das viagens 511 quando a !**¦
bem quando succcdit rooobordes conlidoiicius 011 revoluções oearidada o exige, nutrindo.os eom o próprio pão, o co-
brinilo.os com us próprias vestes. Mais uiiiiiii-uvein 1)0 Tin
quaesquor quo ollus sejam , o quo vos vonliuiii 11111 razão do o gaeiroiro , elles não procuram eacrifictindo a própria vida
vosso ministério , então por honra e probidade vossil , será
do vosso dovor o.ilur-vos utfi most.10 eom perigo da própria sointo salviir u dos sons Boinolh-tnU-s, << soocorror a tif--
vida o liberdade. gruçu. Ciuoni não admirara o oqmportamentè do nerirui'1
Sobro outro ponto não monos Importante vos recoiiimcnda- o Ditlior nu fiimosit posto de Marselha , o do JUc1''1'"11
rei também muita prudência , quero fallar no prognostico ; mi de Moscow ? Min poucos ini'-/.es estes hoinens magna-
nada perdemos om tlosconfiar por muilo tonipo tio nosso juizo nitnos arrostaram mais vezes u morto do quo o pddo w-
a esto respeito, não tanto com tudo quo tlaixomo* tio pro- zor o solilinlo o mais intrépido 110 (Incurso do mUitas oain-
do
venir pelo monos os ussistentos do imminonto perigo. Us mo- panhaB. Herdes abrilhantados com ouro o fama , hcrriou se
theatro , rcllccti nestas keenas itfflictivus , o dizei.nos,
ços tem grande tendência para aluriloarlni.il tom prophotico
VARIEDADES. 107

valia, as -,.- no vo.«o m-u l.-n. tu il..-.-r-vna quo acjiia n. ,' i rtl , 4 bo. nu má for-
„»... -¦'••'•'Io BI *•" »•••» Um mnmplo* lii»tr.liiieul<. de tuna da vota* pttri». «**e afalaaM aori» igualmouW In.
ÍÚZ.lu o limitem IM maw do qu»
v»U»a« . « «l»0 aa- vdi é vwU *'"X'" l""óu" 0b":U" compatível oom a dignidade dt MM. ftamata; mas ad
. ,il • i>.».|.':liii'i OM •MCMOta ' ' ¦' ' ' '•' ll-CJ^C.IU £oliall|il um iyn*
!,, , dai«ouliecÍdi»* I B*U |al**U»»l*ropÍ» , e»lo -Ml doa anua
walía-a» Ma. ¦»»'« a»»-» amai. o* tui. touiaa imaginário* | o m pur »o»io aueeti.l>ir qu» do »»u
laiudibaniai.
bJallia, »• •<">»*• •»• deatruiçâo e terror «o ii.eio exercieiu mijai» i:i»tr»htJo* p^r* qualquer lim publico, lavai
mWTaW ahi o maiitiu ulo pel*» tetraa, o meaiiio amor do» vua.o»
E »,.i.iii«ui. «hi "»"»•em i-ig"ouir* do* ruiu,
ísí1 •n"chou-
unlli-uu Ma, o •oincüi ui-.es, a WOSmt probidade emllin quo a vo»>» acieu-
ua do pobre como 110 |»aUoio
ci» «xigo do vo*i a»«im eoittribaiwi» par» a foliuidawt* da
u.ior
" fulgor. O* medico, u cirurgiões oonssgrarain muita» o »*•
0 {.vor em quo o* honraram oa moiiarolia» M fa»«r voaaa pátria,roinudii para honra da vn«a» i>»cola , para gloria tanlo.
•»» aitai <""•! mmSOa a verdade. Anibro.io l*»rco plemlur do di voato inoiian-h*, a quem por
u bttiii «
adoçar om aeu favor o lituloa temo. todo» rlgoroaa obrig-çâe da voiior.r. Eu vo*
i«,j animo o coragem, nio .6 de desejo u» maiure» felicidades.
feros do farto. IX . quando nas ve.|ioraa do 8.
c.rieiet a deixar * aua
lUilliolomoo eate itiouaiclia o qui* obrigar
de passado nquet.
reheiao pela oalbolioa, como Uinbt ni depoi.
• K para lodo» o* aeculoa borrivel, foi «II» meiiiio quem
mata PRODItilOSO KPFEITO |i\ TRAGÉDIA ZAIHA H
lha «goçou o» romoraoa , o o foi voltar a »oiiliinouto»
humanos- A liUloria cnuorva a lembrança da cuiikiiIoiuç.o VOLTA UM.
aeu cirurgião,
.iirema que Luil XIV linha por Marechal , do ürleana
o duquo
pnr au» intervenção o valimeiito ficuu fuier puaaur
livro do vexame publico por quo o pretendia Não Em 176V, lium liabitante do Londres cba-
aquelle principe UO arbitrário como grando o generoao. toda a corto, mado Bond , boinein de merilo e grande amante
ontrti
fui lamboin Fagon o NU, oa uniuoa do
mie ae animaram « inleroodor pai» illustre iem importância,
lábio, o arco. da dcclamaçao, tomou tanto amor .. tragédia
biti*. du Cambiai. Ello. factoa soriam aqui
'loira
o iii. doVoltairo, que nio somente a aprendeu
wtitlo iorviaac.il par» mo.lrur quo em qualquer posição lio totla be. Ioda de cor, como taiiibcn a mandou traduiir
ima.ao
cniilade a quo o medico se eleve, a iua ao do.to comporta. do
uclicei.lo o iihilautliropica , o quo afa.lar do
em inglei por hum dos molliore» poetas
iMt.ni.i .oria oacatidaloaa conlrudicção com na iuncçôo» Londres. Empregou tudo para que representassem
wu miniaterio. Ah>íiii , a multidão doi conhecimentos quo
lhe sio nocoasarioa , oa .eu* dovt-rt-a, o exercício dolhe veda
«mio». essa traduecao no theatro de Drury-Lane; o»
lado. oa cuidado» da aua WpoUeiO , lu.lo omtim directores recusaram , l por espaço de dous annos
lo,,,..r ncliva parto uai tcinuc.tade» política, quo subvertem Bond os solicitou debaldo para que o fuessem.
e.labcleoi.la nas locicda.
o. império» e perturbam a ordom
uca Em allcução n ai iiic.uio , ello devo abator-ao tle na. Vendo cmlim quo nada podia conseguir delles,
aoalhar huma opinião politica dociiiva, indrmoiito quuiulo onar. resolveu representar elle mesmo , com algumas
tenha a doBgraça do viver em «podia, toniputilut-aa o
eliicai; amigo decidido do aocogo publico, como primeira outras pessoas, esla sua favorita composição
o
condição da felicidade do todo. , por protiatão bemfuzojo , dramática.
módico a lodoa portonco, a lotloa consugra aa aua» vigília», Ha , perto de Wcstminstcr, huma grande sala
a todos lom dUtiucção prodig»li»a o» acua cuidado. | o vo.
musi-
lom outroa sobre o» destino, do mundo. em quo tem lugar ordinariamente recitas
Estranho a todas dissonçõo» que tiagellam ai »ociedadea cães. Aluga-a Bond por huma noite, tao caro
tendo decidida repugnância para tudo o quo podo dislra- como se fosse por hum anno inteiro ; distribuo
liir.vo. doa devore* do vosso estudo. Of rovolucionartos, os
c.piritoi fortoi aüo ordinariamonto homens tio pouco proa- os papeis entre seus amigos, tomando para si o
limo o de nenhum iiinriicimonto, o aquello* quo o tom dc Lusignan , que julga mais conformo a sua
lido , o quo ganharam om seguir os impulsos do sou gomo idado; tinha além de sessenta annos. No dia
ardente? ü que ganhou Kazori cm tomar parto tao acttva
na revolução do seu paiz , cm moslrar-so tão ingrato pura aprazado para a representação esteve a sala cheia
com o principo quo tinha sido seu bonifoilor ? O desprezo de espectadores, quo pagaram o quosoexigio,
do todos os bomcni do bom. O quo ganhou Cirillo, o sábio Comcça-so a
o virtuoso Cirillo, nbraçando om Napolos com tanto fogo querendo presenciar esta novidade.
os princípios domagogicos da rovoluçao froncczit ? A bis- tragédia, e todos applaudiram, tanto o talento
toria o diga. ü que ganhou Lostocq om pôr-so á testa io dos cômicos como as bollezas da peça. Entra
huma conjuração quo tovo por lim collocar Isabel nobro o tornam a mais
throno da Kussia? Pela mais nogra ingratidão o mais ígno- Lusignan , os applausos principiar
minoso castigo, ü quo dou a rovolução franceza aos pou- estrondosos. Bond exulta, commovo-se seu coração,
coi módicos quo n'olla tomiiram tão activa parto ? E Ia quo abrasa-se sua imaginação , c julga-se no palácio
os elevou, olla inosma oi de irou. Além do quo abando-
nar o serviço doa enfermos, para partilhar o furor dos do soldáo; sua alma, identificada com a do
partidos políticos , ho tlcsconhocor a união cremo?,
inlinm da nrto
Lusignan , entrega-se inteiramente aos senti-
do curar o da boa moral; so ho corto, como quo n
tudo mentos da religião o da paternidade. Emfim
probidatto, a justiça, o amor dos nossos soniolhuntos,
«mfiin M perturba e invosto no meio dessas catnstropho», dà-lhe a vista de Zaira tal emoçfio, quo seu
quo são a expressão medonha dos furoros populares. dovido n
O amor
corpo, demasiado fraco, nâo pôde resistir a
«Ia putria concilia-so porfoitamonto com o respeito
todo o govorno estabolocido, o só por huma inconscqiton. tanta agitação; obandonao-no suas forças, des-
cia, tão rcdicula como porlgoift', sncrilicarA o medico do maia, o he muito upplaudido. O desmaio, quo
bom grado a sua Iranquillidiido, os ouidadoi da sua repu- tão
tnção , õb seus próprio! intoroBscu einfim por outros qvio
se julga fingido, parecia tfto verdadeiro,admi-
natural, que deixar-se nfio podia do muito
lho são estranho». A politica , como huma sorte do hiilluci-
imi-
nação , o inhabilita pura bom sxorcor o» deveros do sou os- rar a superioridade do talento do actor para
lado ; o possuir a inuior instrucçao possivel unida uo muis entretanto , sondo muito
riicitiido zolo polas suns ubrigaçõcu he o qun a locicdado tar a natureza. Cansando
Nercstan,
tem diroito do esperar nollo, Quanto uo mais, obodocor o prolongada esta situação, Chatillon , bom era
•iibinottoi-tio religiosamente 4a leis do seu paiz
do quo ollo, honieni niisiuado o sábio, mais do quo ninguém
ho dovor
Zaira mesma , advertiram Bond que
lem rigorosa obiigitçfio do dar exemplo. Não ho niinlift In- acabal-a ; entfio abre os olhos, mas fechando-os
180 VARIEDADF.S.

immediotomente, cahe sobre huma cadeira sem ESTATÍSTICA DOS PI1ARÓM DA CRAM-DBtTAMi-, ,
IM UttiS-l Mlio*. i: ÜA IRANÇA.
proferir palavra, estende os braços como para
abraçar /aua, o foi a este o seu ultimo mo-
vimento. Elle tinha morrido. Tem a Gran-Bretanha 12G pharóes;al para
in Lilomutros du costas :
KOTICIA LITTERARIA. O* Estttdos-Lnidos 138 ; I para 39 Um.,. -
tio»; o a França 50 ; 1 paro 43.
Yluiiiia opocha em quu o futuro da arte dra- Custam os pharòus da Gran-Bretanha poranno
matica occupa todas as intelligencia», M que to- 2.31S.000 fr. ; dos Estodos-l nidos 1,000.000 fr. ;
dos perguntam se as vias novas a conduzirão a da Franca 350,000 fr.
hum renascimento ou á decrepitude; nhum mo- Vem a ser a despeza media por pharol.
mento em quo a França infesta os seus thuatros Inglaterra 18,373 fr.
do drama* | du voudovillus, produzindo opunos Estodos-l nidos 7.2V6 fr. 38 cent.
de vez em quondo huma tragédia, nao he hum França 7,000 fr.
evento huma composição deste gênero, composi-
ACTO in
tra que tenha por assumpto Judith, e que ten- GENEROSIDADE.

do a opproximar-se |>elo estylo á Esther e Athalia


de Ractno ? Por isso mencionamos esta nova tra- Hum bandido corso, quo devia ser executo-
do , evadio-so do prisflo. O Sr. de Cursov, que
gedia do autor da Escola dos Jornalistas, moda-
me Emilc de Girardin. Judith ho o titulo da nesle tempo commandova na Corsego , julgou do
seu dever, nessa oceosioo , exercer lodo o rigor
peço ; esto moça , da tribu do Simcao , inspiro-
do pelo espirito divino para livrar Bethulia, pro- das leis militares, o condemnou á mesma penou
cura no campo du batalha Holophurno, finge par- sentincllo oceusado do ter favorecido esta evasão.
tilbar o seu amor, e o mata. O estylo eslá íon- Era o soldado innocente ; os parentes do fugiti-
c vou sabiam , e foram immediatauiuntu ter como
go por certo do de Racine , porem be puro;
bem que os jornaes louvassem esta composição, verdadeiro culpado no seu couto para contar-lhe
he fraca o monótono. Eis o que delia podômos o acontecido. Commovido então , o comprehen-
exlrahir *, ho huma das mais bellas passagens; dendo o sou dever, resolveu este aceitar o morto
ás mãos da jus-
são versos que respiram ternura sublime para com para o cumprir, e entregou-se
a pátria : tiça , para quo se nüo executasse hum innocente
tt Oh ! jo vous apprcndroi Pamour de Ia pátrio I em seu lugar. Por tanta generosidade absolveu
« Lo plus saint des amours... Ia patrieest le lieu então o Sr. de Cursay o culpado, e vio com
a quo he sus-
« Ou l'on oimo so mire , oü l'on connut son dieu ; prezer o admiração o heroísmo
oeptivcl elevar-se a noção corsa.
« Oú naissent les enfans dons Ia chaste demeuro ;
«Oüsonttouslestombcouxdesetrcsqueronplcurc,
« En voin l'on nous condamno à n'y plus revonir,
RESPOSTA.
« Nolre pieux instinet 1'habite en souvenir ! » BOA

Cannigham, poeta estimado no gênero pastoril,


fortuna , pescava
DESCOBERTA LITTERARIA EM BENARES. porém pouco favorecido pela
n'hum domingo nos arrabaldes do Durham. Pas-
Achou-se , nào ha muito tempo , na biblio- sando o bispo do lugar, homem de notável cor-
theca do collêgio dos brahmines de Benarés (In- pulencia , censurou-o severamente por profanar
dostão), hum manuscripto precioso, e intores- assim o dia do Senhor.
santo pelos factos nelle consignados o suo alta «Meu reverendo, respondeu o poeta, vossa gor-
antigüidade. Está escripto na lingua dos brahma- dura mo diz que so o vosso jantar estivesse, como
nes, o contém a descripção da Inglaterra ontes he o meu , no fundo do rio, pescarieis para o ter,
da conquista do Júlio César : a velha Albion ho sendo mesmo dia de jejum , e tendo alé abi o
nclle chamada Terra Santa. O Tâmisa o nlguns vosso Salvador para condemnar-vos. »
outros rios tem nomes pólos quacs são agora de-
signados. Os templos e os monumentos druidi-
ANEDOCTA.

eos sao comparados com os templos indostunos. — Catharina Parthenay , sobrinha de Anua Par-
A Sociedade Asiática de Calcutá o comprou o
mandou traduzir; o ( assim o queria ) talvez esteja thenay , deu esta bella resposta a Henrique IV:
« Saiba Vosso Magestade quo sou muito pobro
agora impresso e espalhado na Inglaterra, afim tempo
de animar a fazer-se novas indagações, e assim para ser sua consorte, mas quo ao mesmo
descendo do huma família muito illustre para ser
derramar-se alguma luz sobre a histeria antiga
sua favorita.
deste paiz.
BPHBMBRIDBS
para o mez dc feterciro de 1844.

j*Vr Mil.. MM. _!H *_B*Y'mH1


3 H4M«_em peto moriiliirn. IWr;s>ro pato m-rlilimo. \h,,|,__. T»rd_. I
JSMIW. .lr.l.-l.l.,,l_ '/'•¦P. •'"'"-.•»¦ -I
| ___._.

S «ir. Ui II M•''"•I"-
" II 8l M. "• ,*•-• •'• M- Hl M' 1
I M
"•"'||. K. TM**». •*__!___! .»
hi I1
-oi
I 3.41 .13.51 n*31s. 0.47 4.40 10.U 20.50!». 2.52 38
o 5.VI .13.59 16.56» 6.47 5.26 11.6 17.46» 3.48 120 1.461
8 3.42 .IV. 5 1Ü-39» 6.46 6.8 1157 13.39» 4.46 2.10 2.32 I
, LIS .14.12 16.21» 6.4G G.50 *••*<-¦ 2*51 3.11 1
Malta»i , a.. 1
5 5.43 .1417 10.3» 6.45 7.31 .47 8.40» 6.44 3-30 3.49 1
li 5.43 .14.21 15.45» 6.45 8.12 1.37 3.11» 7.43 4.7 4.26
5.44 .14.25 15.27» 6.44 8.53 227 2.32 a. 8.42 4.44 5.11
5.45 .14.28 15.8» 6.44 8.34 3.17 8.12» 9.41 5.21 5.40
0 5.46 .14.30 14.49» 6.43 10.20 4,9 13.23» 10.44 6.9 6.19
10 8.49 .14.32 14.30» 6.43 10.10 5.3 17.45» IU» «.40 7. 21
115.47 .14.32 14.10» 6.42 6.0 20.59» .80 7.88 7.80 I
\1 mim. ___ . .. _ ,. ,
12 5.48 .14.32 13.50» 6.41 .4 6.58 22.50» 1.52 8.17 8.61
13 5.48 .14.31 13.30» 6.41 1.3 7.57 23.7» 2.51 9.31 10.15
13.10» 6.40 2. 8.55 21.52» 3.47 11. 11.50
14 5.49 .14.30
15 5.49 .14.27 12.50» 6.39 3.4 9.51 19.19» 4.38 33
16 5.50 .14.24 12.29 >» 6.39 4. 10.44 15.35» 5.23 1.9 1.89
nl5.51 .14.20 12.8» 6.38 5.3 11.33 11.6» 6.3 2.7 2.31
_
5.52 .14.16
STarilo. 11.47» 6.37 6.0 .20 6.11» 6.40 2.52 J.12
19 5.53 .14.11 11.26» 6.36 6.54 L 1.5» 7.20 3.32 3.49
20 5.53 .14.5 11.5» 6.35 7.43 1.48 3.56N. 7.53 4,7 4.24
21 5.54 .13.58 10.43» 6.34 8.33 2.31 8.45» 8.27 4.40 4.55
9.25 3.15 13.3» 9.5 5.12 5.28
22 5.55 .13.51 10.21» 6.32
10.0» 6.30 10.17 3.59 16.47» 9.41 5.42 5.58
23 5.57 .13.43
24 5.58 11.8 4.44 19-46» 10.20 6.13 6.30
.13.34 9.38» 6.28
25 0.0 11.59 5.31 21.52» 11.3 6.46 7.3
.13.26 9.15» 6.26
7.40
26 6.0 .13.16 8.53» 6.26 Üfi 6.21 22 56» 11.51 7.24
'.13.5 8.38
27 6.0 8.30» 6.26 1.41 7.11 22.53» --- 8.17
28 6.0 2.29 8.2 21.38» .41 9.15 9.5J
.12.54 8.8» 6.26
29 6.0 .12.43 7.45» 6.26 3.16 8.54 19.11» 1.35 10.43 11*37
_n_a-a?aa_m

i'a».iKi.li. |.'lu
iiHIliliiiH'. moii OA LO*.

< ','... O oe ião.


:i. li'..
rí, Lua rlteia i 4,ü 3 h. ...:., uiaiiiuii.
Trmp-i. /Jrf/iailfUK ireul" Ming. 3 » «V « „
II M »» -I 1 ll
II. N- II. Gr. M.
Q
Im. nova S ,. 53* .
_ IO ii •'*» "
J Uniu o. t i. »>¦ 7 ii 9 ii n

MERCÚRIO.

M. i,'i 11. Moiil.ii. Tir.|«.


1 5.12 11.42 15 29s. 6.12 Lm no prripiSo, a 0 ti» 3 bom» ila manha».
11 4. 8 10.43 17.58» 5 18 ,, a. oi»ogvo i n 34 ua IU „ ,. ,•
21 3.52 10.28 18.37» 5. 4
21) 3.59 ¦M»
,7.32. 6''
1

VENUS. „BB».

A mnré de lua cheia «era o 5 , e do quasi 6, pai-


mos ile iiliuiti entro a vnsnnto e a etichonia. A
Minho i. Tirda. Tarde. <"•
Mata di! lua ii.nn «cru a IU, o lambem do i palmo*
1 8 -. 8.39 s. 8.25 do uliura.
11 8. 2.14 3.33» 8.22
21 8.19 2.19 1.:.3n. 8.19
29 8.30 2.23 5.50» 8.26

MARTE. ••HtNOSIIMl. UOTAVElI

Neste mez jà nüo he possível observar


BI iiilitli, Tnrilc. TarrM. Mercúrio e Saturno com a simples visto. Ao
1 9.46 3.43 2.42 n. 9.40 anoitecer se continuará a ver Júpiter perto
11 9.37 3.30 5.40» 9.23 do horizonte, mais acima Venus, e depois
21 9.29 3.17 8.33» 9. 5 Marte ; porém o primeiro destes três planetas
29 9.12 3. 7 10.44» 8.52 se oceultarà na claridade do sol do meio
do mcz em diante.

JÚPITER.

ManhUa. T.irHr,. Tiniu.


1 7.18 1.39 11. 6s. 8. 0 ADTIBTINCUI
11 6,48 1. 9 11.14 » 7.30
21 6.21 .39 9.21» 6.57 O tempo destas ephemeridos ho o tempo
29 5.59 .15 8.37» 6.31 médio, isto he, o quo devem marcar os re-
logios bem regulados. O nascimento e oceaso
da lua be calculado com menos approxima-
SATURNO. ção do que os outros números.

Jf.inlni.il.. Mmiliiiii. Tarile.


1 4.44 11.24 20.28 s. 6. 4
11 4.11 10.50 20.13» 5.29
21 3.36 10.15 20. 0» 4.54
29 3. 8 9.47 19.49 » 4.26

Minat Terkait