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mmmm iiiüíi

j\. 10. 15 DE MARCO DE 1814. VOL. 1

tiimiaiA _.._*

I..i iilgiuis moiiieiiliisM seu quotidiano emprego,


IlafSKBaCCr-a IMBI.ICA. paru os consagrar ú ücquisiçüo tle tilguniu aspe-
cie de conheciiiieiilos. MS isto somente prova qu.
os gráos da intelligencia devem ser proporciona-
dos á coiiiliçuo social dos indivíduos. Sem que
l_tfa_0 embaraço , que se apresenta ao bum certo
esiiirilo tle quem se occupa de estabelecer por isso deixe de ter palpável, que até .|e
obler-M' hum certo mira inlelli-
ponto póde
, principiou sobre hum ensaio publico nacio- gencin , tom huiu leve sucrilicio de tempo. (Juat
nal, he sobre qual tlevc ser a espécie tlu educu- he porém o gráo de intelligencia, a de aptidão
çao intellectual , adaptada ás dilíerentes clusses , mental, qne póde ser adquirido pclu classe mui.
,• condicçoes de indivíduos iihuniit socieilaile. In- numerosa tle hiiina nitçuo ? Este In* 0 problema.
duhitavel he , que ha lum. gênero tle instriicçuo, Aitnlu que ao maior numero de indivíduo* in-
a qual todos devem possuir , e que ha outru , ciiiiibe o incessunte ulT.in ile ganhar o seu pito ,
Os que sito des-
que só compete a certos indiviiluos. com o suor do seu rosto . iienliiiiu hu . que nio
tinutlos ao trabalho tio campo , ou ú iniinipulaçtio oi sino alguma
tias ollicinas nuo carecem ser instruídos no mesmo possa forrur alguns inslunles,
do óptica da vida ( principalmente u tlu ndoleseentiu ,.
gráo, como os que se destinam ao governo para se empregarem nu
cultura do seu entendi-
estado , ou a arte militar. .Mus ale bum certo pon- mento — niórmeiile qtiunilo be ceilo , que o lio-
to, considerável gráo de illustraçao póde esten- mem sem chegai a numa perleila madure/a , náo
tler-se a todas as classes; e a classe media tia so- trabalho cor-
ciedude merece mnis cultura , do que uquellu , que póde dar-se aos grandes estultos do
Se u primeira éporha da nossa vitla for pois
|iorul.
até aqui se ha julgado necessária nus ni.iis illtts- coiiipeleiileintiile empregada , poderemos alliriiiur,
Irndus nações da Europa. Em Inglaterra grandes cabedal da iniclligen-
cuidados se tomiio para estender a espheru dain- que hum bem Importante
cia se póde obter a qual nos serve para as sub-
lelligenciaaté o ponto tle abranger us classes, que sequeiites épocas, em que devem tirur todo o tem-
cultivam as artes uteis. ( 1) ou ollicios.
po os cuidados da noeaa profissão ,
A questão se devem estas classes ter alguma lu/. Hum plano pois de geral instrucçao , que abran-
tias sciencias, he idêntica ú de saber-se, se devem todus us clusses da sociedadt outro rcstriclt.
estas classes ser mais ou menos felizes, lnconles- jà — llio sótnenlr
u clnsse mediu e outro peculiar
lavei he , quo para conservar-se a raça humana, á aquella classe, que se dedica ás profissões >cien-
lie'necessário , que o homem trabalhe , ou sobre tili,.as_ sentlo adoptailo em eadu hum destes pia-
u terra , ou sobre os productos que a terra dá, nos o methodo mais fácil, e o mais econômico
outro sim
para ser adaptados aos usos tlu vida. He he o (Icsideratum dos verdadeiros philanliopt.; . o
inegável , que os que trabalháo npenns podem rou- com perfeição, ope-
que todavia nuo veio á luz
/ur dos seus philunlropicos trabalhos, tmtkam de-
senvolve us suits idóas u este respeilo tom a sua
do celebro Brnugtuim
(1) Vtija.se no iutcrosaanto tipusciilo costumada sagacidade . e demonstrou, queosys-
'Praticai ubstreatitm upan. educntiun of the ptople ) os
progressos, que o povo vai fazendo na ucquisiç
fio (louco- toma de Lancast&r podia eslentler-se no ensino
nheoimentOI uiois. A diffusão dite livrarias circulantes , o dos elementares principies do todas as sciencias,
a multiplicação tios clubs scienlificos, muito contribuorn
e que nao devia su reslringue a aprender a ler.
para esto ofteito. O *
288 SCIENCIAS,

wtruv.-r,econtar, f 2 Papi-titaMIidade dome- tOflM. que nhuma eollecçao de máxima» explique


lhodo n.n.uuiii duvida , mas nao ha sulliciente ca- de hum modo curto , e claro o sistema solar,
bedol , DOMO. |Missa-su fazul-o extensivo o todas a* luis do n.oviinunto , duattracçoo , e da gravi-
a* éàm Aa rtiiiii.iiitiidiide ; hu isto o quu torna dadu. I* Outr-> catliucisino du geograpbia , feito
.lillit il li *ua vt-rilicaçao otú o ponto quu Btnthum conforme o nemo plano ; i»to be, simples , cur-
di**uja. to, de fdcil |a-rn|^ao. 4° Hum catMekaM de
|)u mais tli-.li» , a» classe» trabalhadoras, quu t hronologia . t- outro th- historia geral , quu dê
devem gastar annos na pr Ungem Ma orle» titei*, bumo s.iiiinti . puniu ituiiprultuiisiva nl.,.
nao |Hidum ctiiisumir tao lorgo Iflfnpo na ocqui- dos prilicipot-s atollteiilllUIllos d" llllllltl"— Cüllui
siçuo dll uvulladu* gráo* dc inti-lligum ia , como os ustabelut-imento» do* governo* da (irecio , e a
os que Ueiitb.iiii inlroduz no RM ehri-stoi.iotica ; sua mvtholotfia , as quatro grandu* monarchia*.
be bm lonlti ii.-iessario circuiiisi n-vur a sua cul- o* |H'r*cguiçiies do christiiinisnto — AssjfAê , ain-
turu tao lómente i b-r, eeOMVei , contar , oo ca- vunçãu do iuiprunsa , da pólvora , e do ustrolu-
ll.i-i'ÍMiio do religião , e a huma cartilha univer- bio"; a reforma de Lulberu; a passagem da Indio
o descobrimento da
sal, ondu su compruhonda bumo eollecçao de ver- pelo cabo da Boa Esperança ,
il.iilc* populares , relativas ó moral, áanalvseda America ; a revolução da frança ; assim todos os
achadt.s
constituição do estado , á historia naturol ; como grande* acontecimentos , I importantes
huma uvjMjsiçao sueciuta , e claro ilu curtos phe- nas artes, e sciencias. S° Hum cuthucismo de
iihiiiuiios do iiiituruzo , relativos á luz, ao calor, Etl.ica , u du morolidodu.
ou ar, a ugu.i , aos muteoros. Tudo isto |>orúi.i p.,r su nán darem logo BO prini.pio A moci-
deve ta leito nlniu. luminoso , ¦ bruvu compôs-
lllll III lll.il' '-"V
K,
Ul*.**. l,i,Ir justas idéa* dns st-u* duvuru* , resulta o gran-
»-V.|ll|»«J Utniv
|"
•»- a-a——- ^

wi de lifagtMI , paro quu M foco compreben- de estrago do moral publica. 6o Hum cathccis-
der, e nem leve muito tempo a estudar. Desta mo político, ondu explicada fosse a constituição
popular commum o todos os in-
escola p.q
ira eoooia do estado ; os direitos tiuc ella aliança , easobri-
primeira — o importoncia das
dividuo. de Intuía sociedodi-, deve-se passar a bumo gaçous que itiipnu oo edodoo
segunda escola , que st: pode chamai escola. Esto luis, o utilidade da UM observância u os douinos
escola be para a ('lasse media da sociudadu, isto du sua violação — i neco—idade dos tributos —
lie , para a que duvu dar alumnos u todos os ar- os princípios porque su regula O MO da moeda ,
les tituis , e uo commercio. Huma educação con- n valor tios eousiis, a subida e a baixa dos sola-
vunienle I esta porção do associação he da mais rios, u finalmente as iduas mais geraes relativas
lilllaiK.adlin.il importância , u traz comsigo os mais ao commercio , agricultura e industria. Su nos
surios e sublimes resultados. Hc nesta classe , que ensinam quasi M infância os dogmas abslractos
reside toda o força do (011111111111(10111' ; nella su da thenlngiÜ, u as mutaphisicos abstrarçous do
contem o maior porção da industrio , hu nella que mechanúmo dos linguos, porque motivo se nao
se enoontn sempre o genio , que inventa , u a boo de unsinor também os elemento, do governo
mio, ano executa ; o emprehendedoi, quu pro- e as primeira, iduas de legislação.
jecta , e o agente que rualisa. Os lavradores ,
os A lingua trancem i ingleza quu são untru as
negociantes , os fabricantes , os ortistas, os quu modernos os quu maior Utilidade prestam pulo
descobrem novos processos , e os que aperfeiçoam muito vasto extenuo de suo litteratura , o pela
os iii descobertos, os quu dilatam o esphera dos sua grude dilTusão por todo o mundo : eis oqui
conhecimento! humanos; os que pensão , u obrão tudo , i. quo su deve reduzir O ensino da escola
sua raça ; todos es- media. A variedade das matérias assustará tão
pelo resto dos indivíduos de
les pertpnçem a classe, e roras vezes su encontram, somente it quem nao rulluctir , quu cada hum
mi uo (Io baixo povo , ou no do orgulhosa no- deitei quadros duvu sur mui resumido, e que
fofexa. — Portanto íi educação desto classe se deve podendo sur unsinodos pulo methodo de Luncaster
dar a maior atlunçoo c cuidado ainda , do que á podem ser aprendidos com a maior facilidade ;
dos indivíduos, quu su dedicam as profissões scien- o caso hu que hum desses catliucismos suja bum
lilicas u políticas. composto , onde entrem na mesma proporção dou-
Nesta escola media pois deve aprender-so : Io trina su/ficiente, concisüo c claresa. ,
A lingua materna , aprendendo do grammalica A mór parte dos objectos , de que se trata nos-
tm» somente aquillo , quu be essencialmente ne- tes catliucismos, são familiares aos nossos senti-
(ussorio para entender a conitrucçlo do discurso, dos, possuem grande conncxão com os phenomo-
,' acostumando-so a conhecer as belleza. da lin- nos communs da natureza, e são todos elles sus-
aua por meio tle extractbs elegantes dos molho- cepliveis de serem expostos por hum methodo
res poeta. , I mais guapos prosadores. 2U Hum epi- preceptivel, quo torne fácil o seu ensino. Toda
a diíliculdade, como já dissemos, consiste em
t%\\ As talions clircslo-naticas do fiontlian dito a osta formar esta collecçflo de opitomes, e de achar
materln mnli rxcrjHç l'i , do 'lim nos pareoe tino lio ne- mestres capazes de os ensinar. Ah! E quanto
ci-ssariu,
nm mr m

SCIENCIAS. 28!)

dinheiro se espcrdica em objeetoii, tiuc nenhum gol... aoa pregreutM deita parle da uieiica. St Suécia
cujo tolo «rido e pedregoao reeuw a vegetação - protitr
ponto de comparação tem tom tit I (3) cio» que devem auegurar a «ubaiatencia da aaj l.abilait.
Tudo quanto se poupar neste objecto he eco- lei i o «¦ .¦• da lerra llTa fornece • do niioti-.r de .uai
munia mais absurda ainda que a do avuro . que mina» lira este «alado a riqueza a couaiUeraçuu i|un gon.
Vli. imitei» «nruin tatti recurio» , .. oa u»l'oiçu» ,lu. d,,
a si próprio negue o pao tle cada dia. A tercei- gnoi eumpalnotai ilu l.inneo náo ie cançam-m im osttt.
ra escola, ou escola superior, he a do» que |S dar e aprofundai' n •¦¦•¦'•• tiatiiraea , o da» .....!. tit
Siockolino e de Upeala nio laltluem tantoa diieipuloi ha-
dedicam as profissões scicnlilico* da Ideologia, buia , que ..'. i-'i ii . aquella naçáo , e a enchem de cou,i.
jurisprudência , política, arte militar, medicina, doraçãu a riqueza.
e philosophia natural. Nesta escola se deve con- S. r. i. i-i... .• • po»»ue huma eacola du mina*, montuda
em grande eicala , couto ludoa oa eitabelecimeiilui publi.
limiar u estudar em OOMpOOdk) mui» extenso, i cua tkquollii império , quu tanta honra fazem au» seui il.
historia , e a chroiiologia gerul, o grego e o la- luitrei fuiidadnrui, digne* iimlatlorei do gonio do Pedro
tim (V) , os elementos de geometria ede nlgebru. tirando,e du l'athanna. O mu edifloio, a colluçao a maii com.
pluta de mudelo» de toda» ai iiiacliiim» empregada» na minera,
çio, ¦ culleeçãu mineralogica e guologica , indo alli esta em
-ni. ; e •! .i-i laliein tudui o* aiiiiui ducipuloi intulli-
gentes, que vio fazer applicação dm conheciiueiilut Ia ad.
I>tol.A* im: pnUttB. quiridoi n-ia minai da Sibéria e do» Montei 1'ráci, o mu.
guem ignora quaei ato ui vantagem, que o império da Km.
•ii üra lioje do» tem deiortoa de gelo tia Sibéria.
Ot conhecimento, ilu* diverio» minot da In.toria natu« A escola du Kreiburgo ni Saxouia , onde o ensina lia
ral, ... ii... -¦ outra nos om tanto alrato, que parece iiteatiio metliii.. - - , regular, e perfeito , noi devo morecur toda tt
-.nir u --.- a existoncia , o
progreiaa du algum ¦!...'-. olloa. • • ¦ i-i : ... ..., o ho para alli quo noi quizeramoi -• man»
l.-i-i negligencia em cultivar liuma «ciência cujoaconheci, dasatun algum doe nono* jovens compatriota! apreudur oa
inento» tiiiita» vantagens proiiietlom aopuiz, deve merecer a eonhecimeiitus necriiunoi deili iccmria , uliui du oa trans-
maia «érh atlenção du» uoaaaa câmaras, e du governo, em. mitlir o vulgarizar entre noa. Alli oi diicipuloa v¦"• 111 exe.
pregando totloa o» meios , que eiliverom ao eou alcance, cutar debaixo doi mu» olhoi todo o proceiiu da minura.
uliin do vulgarisur eata «ciência, e tornai.a , quanto soja.
¦ .- -.i. I , familiar , o cunliecida, çao, deide a cxlracçao do mineral da terra, até a ma
ultima apuraçto.
Iiiiiiiriian» «ao aa vantagens quu «o podem tirar desla sorte I.tu poalu , nú* lembrimoi ao nosso governo, o attender
de trabalho, ou seja quu «o uncaro .1.-1. nn. do ponto do -i esla parte, que dovu fazer hum dia hutii dos muis impor-
vi.ta philosophica da illustração , o progrunwi dai «ciou. iiiii.--. ramos da noisa riqueza publica. Nós não somos dos
ciai , uu auja do du tirar a« vuntugoiis uiuteriuei , e iiiiino- quo pretendem , quo tudo deve sur fuito polo govorno ; ao con-
iliatua , quo muito devem contribuir para a noata riqueza , e trario, nós quoroiuoa quo emprezai particulares «o oncarro-
prosperidade publica. O vinjanto , quo viaila oa ditfereiilea guem do promovor, o aperfeiçoar os dilTurcntos ramos do
-....-. ii- da Europa, lica iiiuriivilhudo ao vôr a riquoia , e
industria , maa julgamos necessário quo o govorno di o im-
vuriodudo que o iti.i-ii lhe» forneço ; o oa labioa natura- pulso , ou quu promova o doiouvolvimonto doa conhocimuntos
listai , quo vem diariaincnto ontro 1104 augmentar a csphora necossarioi, a fim quo aaibamos apreciar o quo turnos no paiz,
doa conhecimentos , neata parte iu aciitum cxta»iudo» ao o as vantagem quo se podo tirar, som o quo tudo ficara tgno.
cuutuuiplar o campo vaito quo ao lhe» otloreco á novai doa. rodo, e como io não exiitisso. Km quanto não poiloinos esta-
cobortua, e voltáo lonipro ao sou paiz , cm ruaultado daa bulecor huma oacola completa du minas, au menos deveremos
-.i.m invostigaçõos , com trabalho», quo fazem progredira
principiar pelu creação de cadoirua de geologia o mincriilogia,
sciencia , u quo tornam oa acua nomes illuatroa , o rocom. quo dovom nccossariamonlo inspirar o gosto desta sciencia
n.t i vi'is á posteridade, Só nós ati hoje tomos dado pouca aos nosaos compatriotas, o lhes demonstrar as vantagens,
attenção áquiilo , que tanto nos dovia oecupar, o ho tbra quo deste ustudo lhes dovo resultar. Com algumas noções do
do noaao paiz , quo vamoa oonhecer o apreciar a riqueza, ininorulogia iiinguoiii poderá olhar com iiiditleronça pura os
quo quando nello nenliiiiiia attenção noa morocia. Nâo noa recursos, quo nosta parlo nos oflbroco o paiz, o calculando
oecuparumoa da pariu botânica , e zoológica , maa diremoi a litciliiluilo , ineius a empregar comparados cnm as vantiigciis
do paiaagoni alguma cousa a respeito du necessidade do que lhes apresentam , não tallarú quem ponha cm execução
cultivar us scionciui minerologicui, as quaoa noa otlbrocom a exploração do algum ramo espociul do minoração princi-
cortas , o promptas vantagens. fucil , maif
palmonto da quo vamos tratar, porquo ho mais
Todaa as naçCcs cultaa do mundo tom reconhecido a no- lucrativa, o mais gloriosa ao mosmo tempo.
cossidade e importância de disseminar nos sous estados os O furro quo recebemos da Europa para nosso consumo ,
conhocimonloi thooricos o práticos de trabalhos dus minas. abunda no llrnsil, que sorvindo.nos da expressão do hum
Ksludos ha quo dovom toda a riqueza , o potência , quo illustro viujanto —o Brasil ho hum continente do ferro — c
a sua exploração c roducção tão fiicoiB, que nos faz cror quo
(3) Hum grando premio so dovia dar a quom aproson- som grandes osforços podemos oin pouco, so não deixarmos
tasso o melhor cathccismo sobro as matérias, á quo so do sor tributários dosto motal & Europa, ao menos recebermos
dostina esta «jcoia media, A perfeição do obras olomontaroí mui pouco, o não eitara mui distante a epocha , quo não só.
nosto gonoro, he hum desideratum quo não podo ser dig- monto tonhamos o quo nos ho nocossario, mai possamos tam-
iiiimciito premiado, quando alguom o reulisar. bem exportar. Pura convoncormos do que avançamos, lio
(4) „ Aquelles littoratoa, quo desprezam os exemplares bastante visitar os arrodoros do Rio do Junciro , ondo so on.
>i gregos o latinos ( diz o celobre Brougham, assoniolhain. contram as melhoras amostras desto mineral, o mesmo gran-
„ so áquolloa piutoroa ou osculptoros, quo em vez do irem dos massas. Não so nos diga quo nos falta o combustível
„ a Roma, ou a Athunai ver com os próprios olhos o nos lugares ondo esto metal mais abunda ; o ferro lio da
„ embobor no sou ontondimonto as maravilhas do Vali- todos os torronos ; o o Brasil tom abundância dollo nos ruga.
„ cano e do Panthenon, fundam huma nova oscola adap- res mesmos, quo encerram as condições muii favoráveis a
,, tiniu ao gosto do seu próprio paiz, o por corto quo as osta sorte do empreza. Em Pariz tivemos de nnulvsiir algu.
„ producçõos do cinzel inglez ficam tanto a quem dos ori- mas amostras, qno nos mandaram da Bahia, o fomos toste.
,, ginaes de Acropolis , quanto os producções dos escriptoros munhns do analyses foitas por Mr. Bnrruol »lc algumas ou-
„ modernos ficam atrnz dos escriptos nervosos, o bem tico- trás quo pnra esso fim foram mandadas pelu presidente 4o
„ lindos doa que fulminaram sobre a Grécia, som quo nin- Coari, o ficamos cortiricados que a sua qualidade lio a liie.
,, guom lhes resistisse Estii corto de quo tudo quanto hu lhor, tanto em riqueza, como om facilidade ile reducçao.
„ ahi de grande em eloqüência , o em poesia nos modernos So visitamos o nosso mUHtt do Rio de Janeiro, alii vemos
„ tempos, he devido aos que cultivaram os originaos athc- na colltvaçao de minoraes do Brasil tudo que lia do malhe' neato
,, nionsoB com diurna e noturna devoção, „ porte.
OBSERVAÇÕES METEOROLÓGICAS
feitas na cidade tio Rio de Janeiro em Fevereiro de 1811.
Ult.liMoMI 11,'. i UAROMETIlo.
I ESTADO DA ATUMOSPIIEHA.
M»xmio. Mínimo Vliiinio iMin mu

t*. p.
1 88- 83" 30,11 30,02 MitiliS» elir», Urdo m.bUdt.e vento: noit» |*we. clmvt.
I 80 83 30,09 29,09 Ti.it.lr9 tiu».
3 8G 83 30,08 20,00 Idom.
V 87 8V 30,00 20.04 Uom.
5 88 84 30,04 20,08 Idem i i t .ido violo.
I 87 84 30,10 30,00 Idem tiniu.
7 87 83 30,07 30,00 MíiiIiiicUm, urdo vinto, noiio pouo» eliuvi.
8 8, 81 30,10 30,02 Idem. iJ«m, W«n.
0 85 82 30,07 30,00 Idem. idem, idein.
10 84 81 30-01 29,03 Idem. idem, vento.
11 83 81 30,07 30,00 Tempo obro.
12 84 82 30,12 30,05 lilcin.
13 85 83 30,10 30,02 Idem.
IV 86 83 30,19 30,08 Idem.
Io 86 83 30,20 30,15 Tcmuo nublado.
16 8. 81 30,28 30,20 Idom.
17 84 79 30,24 30,10 Tempo claro. •*
18 87 81 30,13 29,98 Manhaa clara, tarde nubUdi. nuile vento forte e cliuvitco.
10 8r 82 30,10 30,02 Tempo claro.
20 85 82 30,14 30.0G Iilcui.
21 80 82 30,19 30,11 Idem.
22 87 83 30,23 30,13 Idem.
23 86 83 30,18 30,11 Idem.
24 87 83 30,14 30,10 Idom.
2o 87 83 30,10 30,11 Idem , vento sul tt tardo.
20 87 82 30,17 30,13 Idem.
27 85 82 30,13 30,05 Idom.
28 85 82 30,11 30,02 Idem.
29 85 83 30,13 30,05 Dil nublado, noite clart.

NOTAS
l.e d iniiiur calor foi dc 88 e a 1 c 5 , c o menor dc 79 ^ a 17. A temperatura mediu do mez foi dl S41
a. ° A maior altura do barometro foi de 30. 28 a 16, c a inonor a 891 1)3 a 10 , u altura media do inoz foi do 30,086 ;
a maior variação diária foi de 0,15, a 18, e a menor de 0,04 . a 94 « 20 : a variação media foi de 0,08. As alturas
da noito foram maiores do quo us dn nmnhãa , em os dias ti, 7 , 14, IS , 18 , 24 2fi, e 28.
3.° Houve 21 dias claros, 3 variáveis o 5 com alguma chuva, sempre muito pouca. n.
° pag. 227).
(Vid.M.N. n. 8
...ai«««lst««Ml.>tt«««t«la«\«.\tt>\\t,t\.M. IMI1H >
,-, iiiiiiiiiiitiHiiiiiittwuwu i»».«mmiiiMiii»«»*Miimi«t»i«

^tT'fBlL4à_TVl_A_v

Hum ligeiro sopro de riso de esperança paro-


ceu deslisar-si" em seus lábios.
vnli.il , se sois medico , ale adivinhais que
perdi 8 meu juizo ? Desculpai-me.
Romance comporto por D. J. <•• ilo Se eu vos nao desculpasse já nao estaria aqui ;
TilaicalhãcN. porém os meus doentes me chamam.
Esperai, senhor, eu toinliem estou doente ,
Continuado do numero antecedente. ) e necessito tio vosso soccorro.
(
Sr. capitão , lhe disse eu , o acaso me fez sa-
se ha
esperava uue Jor- lü-diir do que entre vós , e a Sra. Amancia
|k* no meio da sala , eu Felizmente impedir as funestas con-
cabeça do leito onde a ti- pude
ge erguendo a passado.
seqüências da desventurada paixão tlessa senhora ;
^ Jmnha mergulhado, me dirigisse o poluíra.
c paru servil-u vim procurar-vos, ulim de rere-
Depois de largo espaço de tempo, dirigio-se
u tlu lter hum desengano , a restituir á seu pai huma
ton elleito a mim u pussos lentos ; pullidez
infeliz que por causa vosso e para escapar a des-
morta eslavo esporgitla em seu semblante : com"o
iíiIm.çíi baixa , os eabcllos em desordem , os braços honro procurava a morte.
disse cm voz aba- A morte I por minha cousa ?
cruaadoa sobre o peito , me
E vivos signoes de interesse começavam a oni-
lida.
mor a sua abatido physionomia.
Podeis retirar-vos; necessito estar só.
chapeo, como Sim , u morte , de cujas gurros o subtraiu hon-
Com todo o vagar tomei o meu
tinha de obedecer óquellu tem á noite.
quem pouco vontade Meu Deos : será possivel! explicai-mc tudo .
ordem ; endireitei os lenços nos ulgibeirus da mi-
compuz-me to- Sr. doutor.
nha casaca ; tomei huma pitada ,
do, a chegondo-me porá elle como porá despe- O que vos hei dito ho bastante paru qur poe-.
informado ,
dir-me lhe disse com muita gravidade.
— Sinto sais comprehendcr quo do tudo estou
e quo me deveis franca confissão do que neces-
ter merecido tao frio acolhimento, quando tal-
sito saber.
vez a vosso salvação dependesse dc huma franca
eu me retiro, senhor capitão , mas Eu promelto.
confidencia: no ter-
lembrai-vos do que me ordenostes.
Bem ; vós destes hum prazo á amado
railo tio Passeio Publico; e cila por justa causa
Estas ultimas pilovras foram pronunciadas com vez, escreveu-vos porém di-
faltou no
muilo assento. Disse-lhe adeos, o queria voltar, primeiro
compareceria no noite daquelle mesmo
o silencio com que me vira zentlo que
quando elle rompendo dio : esse dia foi hontem. Dizci-nic ogoro por
preparar-me poro sahir mo perguntou. tanta forço para atlrahil-a;
Não ine dissestes que ereis medico? que , empregando vós
laltostcs a esse prazo?
Sim , senhor.
delia? Faltar! be disto que me aceusais ?
E que Unheis trotado de... .
Sim. . ,.
Sim. ate
Eu nao faltei. Desde as G horas da tarde
Qüé está enferma ? a esperei ,
ás 8 e meia da noite impaciente
Sim, disse. fixos no meu relógio, via ugir a
com os olhos
Mas se ella não está em casa de seu pai , onde marcado pelo
minha esperança em coda minuto
estivestes com... e mais tardar devia elo procurar-me
Ao
Cis o que eu desejava dizer-vos, c para que ponteiro.7 o meio, e não veio... Ah vós nao sa-
até ás
vim procurar-vos, com perda de meus interesses. se espera por
heis talvez com que desesperação
Mas eu vos incommcdo , convém retirar-me.
LITTERATURA.

aquillo «jue mai» quea vidase <le*«-ja ! E quando Elle foi ? coitado | dine ella : como nio licari.t
vt>l-o para dizer-lhe
N espera |x>r huma amante, »*• algum «lia ama*- julgando-me falsa. Tomara
|p«, sabereii o «jue isto quer mar! quando «• a eaoaa nenaimpodio de ir mai* cedo. Quaml..
mpttt po huma amant«- «|ne «l«-vi- fugir da caia virá elle?
lodo* Neste momento.
paterna , i-Miuei-i-r-se |>"r hum mmmmatèa
o* preceito» U-bido* maél » „,... tenra infância ; (lati ««.ii. o pe , «- Jorge appareceu . e cahio de
! pentw emfim et conheço qu<- !.«• ppfca hum joelho» a<.»|re» «le Amancia. Hum grito de prazer
momento du delírio qu.int.is, «juaiita» attril.u- • de manta «Ia parte de huma , I Amancia ! pro-
laçam <• duvida» naoromliatem 8 coração d» in- nunciailo com transporte |«el«> nutro. foram as uni-
feliz i]ui- cs-M-ra ! Julguei que era inútil MM» eis palavra» que soaram naquelle primeiro momento
rar por mais lOMfO; ou antes MM reflectir, de amor.
arrebatadat.unte coino a» pancada* do nn-u co- Contar Iodos os abraço* . que M deram . todas
ração, sahi daquelle lugar para liu* livrar de a* palavras meigas que di-.sera.ii , todas asdcsiul-
as exclamações de
hum |H-n»aiii.-nto horrível ti qui- que alli adias- pa», todos o» transportes, Iodas
Min im-u cadáver no dia seguinte... Ouantas vezes tão sao os amantes , seria hum nunca
que pródigos
arrifin-i meu» passos , quantas vezes - .Im , atè que acabar. Colloqtie-se cada qual na MM posição ,
a final, h-vailo como |.i.r litiin impulso estranho . e imagine *«• poder o «pie alli M passou , •• dt
cheguei até à sua |>orta ; invt-sti [x-la «-scada j sulii, «|iie «-ti fui muda testemunha , regozijando-me «-ut
desci. Na minha t-abcça so havia projecto de dises- siteiuio tle ter concorrido para a felicidade «lesta,
p.-raçao. Nada (iz, porque as força» nu- faltavam. duas creaturas. Feliz quem ama e he amado ; so-
0 desonganado, quasi morto, pude, dopoil de l.re a terra não vejo maior liem :
andar toda a noite sem tino , chegar a rasa . donde
subirei pela ultima vez. Melhor he e\perimental-n qui' julgal-o .
Capitão , vós sereis meu amiito , rumo eu já .Mas julgue-., quem não pode experimenlal-o.
sou vosso. Se tivi-sseis esperado mai» huma hora ,
serieis hoje o mais feliz tios l.omen». Oiiem fez estes verso» sabia bem o que era amor
(Jue dizeis! exclamou elle , QM dizei». Ella foi ? Para terminar esta scena , direi somente que
julga-ma traidor ? Eu que soffro angustias mais Amancia «lesculpou-se por ter ido tao tarde ao
«•ruins ilo que a innrle , e «pie injustamente a leobo lugar aprazado , e consent.o que o am amante
accusado ! (Jh meu Deos | lhe beijasse mil vezes a mão em signal de perdão .
Narrei-lhe então 0 aconteciilo na passada noite , «lizia elle , por nao ter esperado até ás ll p meia da
.. Jorge parecia nao contentar-se cmii ouvir-me noite. Huma boa hora tinha decorrido; repetiam
e bebjN as minhas palavras, que interrompia com sempre as mesmas cousas, i pareciam esiruechlo»
expressões de mais veheniente tlòr, arrancava os do futuro , como se aquillo fosse a sua unica
calicllos, a derramava lagrimas tle arrependimento. beniaventiirança. e que de mais nada devessem
Peilio-nie que o levasse a minha casa paia lan- cuidar.
«ar-se aos pês «le Amancia. Com u condição que Em bum intervallo de silencio, em que elles
na escada esperaria , para que sua presença ines- se contemplavam , lhes disse eu:
perada | sul.ita não perlurhasse o espirito de A.iian- Então ; que determinação lie a vossa ? Ficareis
cia, accedi ao seu desejo , I assim como doai Íntimos assim eternamente? Qual lie o vosso intento?
amidos caminhámos para a cidade. Fugir, disse promptamenle Jorge. Nao he assim
,lá tínhamos chegado á casa «jue encerrava n pre- Amancia?
cioso thesouro do meu novo amigo ; ahri a Eu sei? Sr. doutor o que nos aconselha?
porta ;
Jorge Íicou na escada esperando hum signal entre Já «|iie o destino quer que eu represente 0 pa-
nos concertado , e eu , mostrando rosto muito pel tle protector a conselheiro , dir-lhe-hei que
alegre , entrei gritando : Parabéns, senhora , o verdadeiro he ir solicitar o perdão de seu pai.
pa-
rabens. Amancia estava assentada olhando para o Meu pai!... OI. como náo estará elle? pobri"
retrato do seu amante, e apenas me ouvio , dando velho.
lium ali de espanto , levantou-se e perguntou : Sr. doutor , disse Jorge , elle nao consentirá em
Entíio , encontrou... onde está elle?... nao veio ? nossa união; eu sou pobre...
As boas noticias, lhe disse eu , não se dão assim O amor de bum pai, posto que menos furioso
de repente ; he preciso saboreal-as pouco a pouco e mais compassivo , be mais duradouro que o dc
como hum delicioso manjar. amante. Se quereis que eu seja o vosso media-
Então ? elle não he traidor!.. elle ainda me ama t neiro, de boa vontade irei procural-o.
Cada vez mais. Não sabe em que estado de Sim, sim, exclamou Amancia.
desesperaçáo encontrei-o. E neste theor lhe fui tutlo Tempo perdido , disse o capitão.
contando, e o desencontro por causa das horas Sr. Jorge, vós não conheceis o coração «le lium
dadas para a reunião. pai. Tempo perdido he este que inutilmente gas-
LITTERATURA. Oitt

íamos sem nado resolver lhe disse eu '. Dai-ine Senhor, continuei eu . por amor delia , de xtm-
(
a vossa palavra de militar honrado de respeitar sa fiillecida esposu , e pelo salvação «li>«uu alma.
tnmo homem a esta st-uhorii, e fazei-lhe compa- 11 ue agora talvez lamenta o vosso
nhiu, uléque eu volte , evós, senhora, rog.ireis procedimento, u-r-
iltiiii u vossa filha...
.. Deus |iaro que vosso
pai me ottendo. Abracei-os Eu lhe perdôo , exclamou elle.
e sahi. Deixai-lht- a liberdade de escolher hum capoto,
Hum escravo conduzio-mi- | nlt-ovo onde deitado E minha palavra? Todo o mundo ja suIm-
i-stiivo o desesperado qae eu
poi, que no vér-inc levnn- a linha pron.etlido ao Sr. Norberto ; nem elle
que-
Itiu a 1'uU'ça, eantes que tu livesse tempo de o reni ceder.
Miu.lar, perguntou-me : Tem elle por ventura algum direilo sobre vossa
Oue noticias me dá de uniili.i lil|.a » .\h Sr. lilha , proinetteu-lh'u ella ?
iloulor, eu a procurei em tosa de todos os O que luto de dizer?
pa-
rentes, nuihi, nado!
Oue sois hum |i.u i.ranno, que fizestes n des-
Nao vos itfflijuis, o céo conserva vossa lilha graça de vossa lilhu por amor do dinheiro, te a
«einpre IWa,
pura ser a eonsolnçao tia vossa ve- constrnngeis. Dirtio muis
que t-lla fugio por soem
Ihice: ella chora por vós, e se lastima causa, e se consentis no
pi-ln vosso que vos pede, vossa filha
teima em quercl-u cusnr com hum homem seril feliz; sois bastante rico , nuo
i.iio pode fazer u sua felicidade.
que precisais que 0
vosso genro traga dinheiro , vossos l.llius vos .-.U-n-
Então ; salteis onde ella existe? aonde? aonde çourati, vivirao coinvosco , e ítvistit du vosso ft--
<stá? t|uero irvél-a... Essa lilha ingrata
que será lieidüde ninguém vos uecusurá.
a de ininhu morte... Se o Sr. Norberto cedesse ?
Vòs me peneeis bem agitado: tranquilisai-vos, là que pôde elle fazer . que remédio (cm ,-llt- >
i conversemos. Sr. doutor, eu creio que elle ahi está , estes
Ah. senhor doutor, si os filhos soubessem as
passos sao delle , nao foliemos nisto.
afflieçOea tjue elles causam ao pobre homem Hum hoiiK 11 de perto de 50 annos d» idade
lem ii infelicidade qne
tie ser pai! Parece
qoe o réo nos entoem , e sem mais comprimentos perguntou com
I une por termos dado o ser a outras crenturas, iii.io-a modos !
lehclliimlo contra nós os nossos Então o que he islo Sr. Eabio ! que novida-
próprios lilln».
Oue bliisphemiu , senhor, fostes por ventura n de he esta , será certo o que ouvi dizer. Entfo
causa da tlesgruçii de vossos puis. a Sr.a Amancia fugio?.... Então... Então nao
Sempre os respeitei. res|iontle ?
Se fostes filho respeitoso , como clamais conlra Sr. Norberto , poupai-me esta lembrança cruel,
Iodos OS filhos; a natureza de pai deslróe
por ven- lembrai-vos que sou pai.
Una a de ler sido lilhu ? Eutao he verdade : nao me enganaram... cesta f
Os filhos de hoje não siio como os de outro Então ! quem tal diria... Com efleito destes muilo
tempo : havia então mais respeito , mais amor, boa educuçuo I vossa lilha... Olhe que pude lim-
mais religião ; hoje tudo está corrompido , nem par as mãos á parede.
a Deos se respeita. O velho fez hum movimento dc indignação.
Engano : aocusai antes a vossa... pertinácia en Senhor ( disse eu ao importuno ) o eslado
querei forçar a natureza... Se vosso pai vos tiies- em que se acha o senhor lábio nao he muilo
se forçado algum dia a obrar contra o vosso co- próprio paru ouvir taes cousas.
ração , vós o cl.amariois bárbaro. Sim , certamente . oh lá ! a menina fez muito
Deixemos esla conversação; fallai antes de mi- bem... pois nao , ainda em cima devia ser i-u c
nha lilha ; sois ainda moço, e dcfcndcis o vosso consolados:.
tempo, que já nao he o meu... Ah Sr. Norberto ( disse o velho ) , se igual des-
.... Onde está Amancia ? graça vos tivesse acontecido , outra seria vosso
Senhor; hoje mesmo vereis vossa lilha ; mas linguagem.
iu vos peço hum favor anles de vôl-a. Oue outra linguagem! Pois isto tem pés nem
Tudo o que i|uizerdes, fallai. cabeça ? Si não fossem as suas condescendência* .
Oue a deixeis escolher li uni esposo : hum cs- já eu estaria casado ; e queria vér se o passari-
"e"
poso, sim he mais que hum pai7 TriScolha niio me huvia de fugir da gaiola.
deve pertencer a quem a elle se ha de sujeitar. Sei Se a guarda de hum pai não lhe foi sullicienle,
que sois viuvo , e que ainda hoje lastimais a mor- menos seria a de hum marido (lhe disse eu ).
te da companheira da vossa vida. Se forçado vos Então outro gallo cantaria. Mas vamos a íaher
tivessem a ella ligado , nem a vossa existência fora
quem foi o seduetor ? quem ho este menino bo-
«orno tem sido , nem a chorarieis. nito ; queria ter o prazer de vér esta bengala
O pobre velho exhalou bum profundo suspiro, èantar-lhe nas costas.
>" seus olhos se humedeeeram. Ora , se com efleito a Sra. Amancia s.t-
i_94
LITTEHATLHA

a mao do: wettemo-no* em Uuma carruagem . a par-


lu»* da casa paterna »ó por vos nio dar
«Je eapOM . *e «•* aaiirtu ibau.aUoieu**ductor timo». ,
a ai- Parou a carruagem a |»ortd da minha ca..i .
d.do o .aso. que ella tenha-* alTeiçoado •.maneia e Jorge chegaram I janella ; I por hun.
guem ) fôr hum militar.
teriei» animo paro dis-
instante de vergonha e de temor ombos se oteul-
pular-lhe a *»*» conquista. havi* de taram.
Tenho muito dinheiro para «o»tar; Minha filha , vem aos hroços de teu pai.
nhuma tadéa . havia de n.andal-o para In-ipni-
,,UH j E Amancia cahio de joelhos diante delle .
lu.lia , luvia... e o velho desfez-se em lagrimas.
nao duvido ; ma* UM a* ma.w ;
|t losseis senhor aUlulo , fuéM . nieu pai . perdão !
m-ste tempo ja nâo ha Índias para os amantes.
, aaa meios aaMoa. Todo o tem- Perdoada estas b muito tempo ; o céo te libertou
Qual leaaae acoim-lhando-te esto fuga; sem a qual eu nao le-
¦0 he o mesmo quando ha dinheiro. daquel.-
como humria oceasião de conhecer a brutalidade
F dizendo isto o homem arrogante em signal de
media a sala de hum lado homem. Pede-me o que quizeres,
o ou-
rico negociante
cana da índia anuir tudo te concederei.
, e
tro , brandindo o seu bastão de
bufando continuamente . e depois parando em Sr. • doutor, peço por mim.
Jorge! chamei eu; e o capitou todo tremulo
frente do velho. '
Enlão , Sr. Fubio ! em que lua isto ? appareccu . beijai o mão de vosso pai.
minha
O velho , a quem todo aate aranzel nao menos Sim . ékm o velho , serás meu filho :
vossa . e o cèo protegeu vosso
desgostado , lhe respondeu. cosa será a que
que u mim havia constante amor derrame sobre vós sua benção . e
Amancia ainda he minha filha; e se o Sr. Nor-
lierto quizer desistir, muito estimarei. vos conserve sempre virtuoso.
huma
O Sr. Fubio me diz isto ? Então !... ainda esta Assim o doutor terminou a sua historio, a
dus meninns que attenta o escutou , perguntou.
me (aliava. Será este senhorzinho o mimoso ? E
com ar de desprezo niedio-me de alto abaixo. E o tal Norberto que lim levou.
Não pude deixar de dizer-lhe : Se o seu dinheiro Continuou a negociar 8 a ganhar dinheiro
e o anno passado embarcou para Portugal para
lhe nüo lem servido para udijuirir melhor educação ,
i> tratar com mais reverencia os desconhecidos, eu l.i gastal-o.
me encarrego de educol-o de graça. E os amantes casaram-se ?
Por signal fui eu bum dos padrinhos, men
Se não estivesse aqui , eu lbe diria , seu...
Senhor Norberto , exclamou o velho , respeite a felizes; o capitão reformou-se, e está hoje muito
te-
minha coso. rico em huma fazenda de café. Adeos minhas
eu vou a capital
Tao bom he o senhor como sua lilho ( disse o nhoras; já u lua sahio , c para
insolente homem rico); eu os ensinarei... passe até outro dia.
muito bem ). E sahio como hum endcmoninhado ,
mais desesperado talvez pela perda do dote que da
esposa.
Depois de algumas pausas, cm que silenciosos
ÍSDAUAÇÕE*
licámos olhando hum para o outro , disse eu:
sobre a liltcratura argentina eon-
He este bruto o escolhido esposo para vosso li- teniporanea.
lha, tão terna, tao bem educada?
Ah Sr. doutor, estou coberto de confusão. Mi- icso hc por certo de se notar o progres-
nha filha está desculpada. Estou arrependido de não so brilhante e florescente que essas nações
lel-a dado a esse pobre capitão Jorge , que tanto o americonas, ainda hontem escravas e já
estimo i como estará elle ; pobre capitão.
hoje livres, olTerecem na marcha de seu desen-
Cheio de prazer lhe disse eu , vinde vér vossa fi-
volvimento intelleclual ; he que o governo exis-
lho que vos espera para receber vossa benção.
tia na terra esperando a estação fovorovel , he que
O elTcito que não produzia toda a minha elo- retinho o talento
as insolencias de o systema do governo colonial
quencia sortiram maravilhosamente dos gênios dos matos americonas n|huma acanha-
Norberto. He assim que o aspecto do vicio mais ei-
do csphera, da qual jamais se podia sublrahirso-
licazmente nos foz amar a virtude. Que pai poderio de sua inspiração de fogo , sem que
bre as azas
ilar suo filha a hum bruto como esle sem outro
?IV o facho que ateava as fogueiras de Sevilha. de
mérito mais que possuir riquezas talvez mal adqui-
Madrid , do México e de Lisboa as não crestas-
ridas? . , , ,
Fábio amava o dinheiro , mas tinha hum coração
se , lhes tolhendo os vôos. Mas o tempo passou ave-
nesse mo- longo tempo! e baldo de huma infância
de uai; desejava ver sua filha feliz, c
lhentada na escravidão, a America remoça com a
mento o céo o esclareceu; deu-me mil agradeci-
epocha de sua emancipação, cheia de vicissitudcs
mentos pela porte que neste negocio havia eu toma-
LITTEÜATURA. 21)0

extraordinárias , porém rica dos conhecimentos do envoltas no manto du buma velha e cansada mv-
mais instruído dos séculos da éra cbri.tãa e li- thologia , usada com louçania o riqueza por Grõ-
songeira du hum porvir de felicidades. E pois, gos e Romanos, e mal apropriada pelos Éuropoo*
credora dos mais aprofundados estudos c maisso- a seus poemas , quo elles produzem a upreson-
rias pesquizus , he a bisturia da litteratura desses tam as ricas imagens du suo phantasia toda puu-
povos durante o domínio da mai pátria u seus pro- Ucu , fazendo perder toda a naturalidade carocle-
grossos neste período que decorre desdu a procla- rislicu da lilha dos bosques , essa musa omeri-
inação du sua independência até a appariçoo de cana , trajando-a à grega com as vestes do Clio ,
Estevan du Echeverria , u be sobre esta ultima descoroando-a do suas capellas de flores ogrestes
épocha e sobre a republica argentina que dare- nora coroal-a com as estrellas de Urânio , dusco»
mos hoje o resultado de algumas indagaçous. iorindo-o du suas nativas cores para lhe darem
A brilhante proclamoçao da independência da o ruhor das rosas o a alvura dos jasmins da au-
provincia unida do llio da Prata, o triumpho rora , dosopropriondo-a do seus oegros o corre
das armas argentinas em assignoladas batalhas dos- dios cabellos para lhe apropriarem as louras ma-
deixas du Yonus, orroncondo-a aos seus ermos ri -
portaram o enthusiasmo dos Estevan du Luca ,
.Vicente Lopez, llidulgo , Coytono Rodriguez , cos du verduru o do flores para tronsportal-a ao
I.iilinui , Rojas , Varellas o outros quo , obando- Parnaso , nao sabendo , como o romantismo puro
nando o oluúdu em que suspiravam seus amo- o nao exagerado, osso ecletismo do litteratura ,
res u carpiom muitas vezes suas desgraças , mis- npresontal-a sol. os suas verdadeiras e encanlu-
turando suas vozes com os gemidos da pátria «loras fôrmas! Mas o enthusiasmo era todo ver-
e o retinir da braga do cativeiro , impunbaram dadeiro , embora apresentado sobre esses tapos
¦ lyra du libordado, ergueram com seus bymnos tos diversos , mal entendidos a desviados pcl"
buií) monumento a independência do hum dos uso de huma cega o não estudada imitação , o
mais bellos cantoes da America meridional , im- como quo involuntária, cujo império levuva após
mortalisando nas paginas do lyra argentina os si os gênios de então; era hum povo que se
feitos du heroísmo dos Ucampos , Halcarces , Poir- elevava para upplaudir a pátria que renascia do su-i
redons, Relgronos, S. Martin , fl Trenalis, • tan- anniquilação , como a phenix do suus cinzas ;
tos outros valentes propagadores da liberdade da novos Tyrthous quo conduzem seus compatrio-
nação , e desde então o imprensa patenteou a luz tas à victoria, imitando-lhes o valor com seus
lilteralos na- cantos , o que celebram com o orgulho do hum
pulilica as producções dos melhores não recem-gerado,
cionaes ; poetas , oradores, historiographos, mu- patriotismo recém-nascido , mas
sicos o pintores vieram a porfia honrar com os o triumpho de seus annos.
cabedaes do seus talentos a grande épocha do sua He d'entro elles Estevan de Luca , o que melhor
regeneração. so mostro não só na combinação do rhjlhmoccn-
A poesia lyrico ho entre todos os povos o pri- cadoamento no differente gênero de versos, como
meiro signal de sua intelligencia ; as guerras, os na variação do seu estylo lluento , quando cum-
o sempre ap-
triumpbos da independência não podiam deixar pro c quundo cumpre enérgico
seus sao cheios de viva-
do inspirar a hum povo heróico do huma imagi- propriado ; pensamentos
nação repleta das mais pooticas imagens , dus cidade o poesia , c suas imagens de hum colo-
mais bellas harmonias. A pátria ergueu-se con- rido admirável. Humas vezes debruçado sobre *
tro o jugo da oppressão, mas a liberdade , esse urna funcreo , deplora a morto do Dolgruno , quo
lhe falta à pátrio , quando a pátria, so despcnbando
grito portentoso o cheio do electricidado que
enfiloiraro os filhos d'entorno aos seus ostandar- no abysmo da anarchia , mais necessita daquelle,
tes , com pouca ou nenhuma influencia dominou braço que em tantas calamidades a salvara , ou
sobre a litteratura , que deveria despontar livro a morto de Santiago Rivndavia , conspicuo cidu-
tio influxo hespanhol , como a pátria despontara dão da republica , o quo no sola dos represen-
livre com as suas instiluiçoos tombem livres d'en- tantes so distinguira polo seu espirito do liberdade ;
outras vozes, empunhando a lyra , ello culebra ,
tro os ferros de suo escravidão ; assim pois nao
he para admirar quo vejamos esses filhos das fio- ouvindo ainda as acclamações da victoria , o tri-
restas argentinas, degenerados em filhos de Apollo, umpho de seus concidadãos. Suas odes Al triun-
ei Kallao, A k h-
esses inspirados da liberdade , degenerados em tns- fo dei lord Cochrane sobre
de perto e hom- bertad de Lima , e Montevidco rendido silo dfl
pirados das Camenas, seguirem a A hs Rocha-
breareni com os poetas do Hespanha cm os vôos grande movimento e interesse ,
de fogo, dando a suas ins- bambinos he algum tonto enfadonha pela repeti-
do sua imaginação cada huma,
todas as formulas características da poosia ção do nove cstrophes de oito versos
piraçoes nenhuma novidade ou boi-
castelhana, He o enthusiasmo da liberdade quo o dc cuja innovaçfio
mas em compensação abi esta a A
os inspira , são os triumphos dos annos de seus leza resulta ,
do S. Mar-
concidadãos que elles cantam , e no entanto sSo Ia victoria de Chacabuco. A empreza
38
QOG LITTERATURA.

tin, tão dignamente executada , qual a deatra- Onde io sol a luz mais rotidandeec
v. -• it os Andes , como outro Annibal transpondo A America innocente reclinada
os Alpes, foi lambem dignamente celebrada por Domina o orbe; assento magestoso
Kotevan de Luca , tanto ui.ii! quo elle se mos- 1 l.a- dum as cimas dos altivos montes,
tra superior a lodot os podas seus compatriotas Em tão soberbo throno , que podéra
que trataram do mesmo auumpto ; e ene Irecbo No ousado intento de escalar o olvmpio
bc digno dc ser conhecido ; vertido fielmente , Bem prestes aos trítões fortes , mtmbrudo».
nós o apresentamos aqui em nossa lingua : Throno que incontrastavel svmbolisa
A esse a que teus filhos a elevaram
Assim clama o tyranno ; Ue sobre a base du justiça santa.
E San .Martin , qual outro egrégio Annibal , Lá , do pó , e dts míseras cadêas,
Aquém celeste ardor o peito iiiflaiuma, Que cm cambio de ouro lhe doava o hispano.
Jà transpõe a passagem A ergueram os lillios seus nobres e illustres
Fragosa e alta dos Andes; e o soldado Sobre as azas do gênio poderoso.
Segue do invicto chefe o grande exemplo. Fino o cabelio , reportido em trancas .
Ornado o collo de nevadas perlas,
A bum lado mole imircnsa Posto ao hombro o carcaz cheio de llecbas
Yé levantar-se aos cèos, e a outro lado Fabricados de fina c tersa prata ,
Ve afundar-se horrível precipício; O arco de diamantes engastado ,
Cheio de brio Os pés cobertos de sandulhas do ouro ,
Só pensa no transpor do cume excclso ; Filha do sol c de thesouros cheia ,
He pequena a montanha a tal bravura! Como virgem do mundo resplandece
.Mais que as matronas Ires do antigo mundo ,
' ¦ Os cavernosos montes África e Ásia e ennobrecida Europa.
tuinl- :in com o bellico alarido , Ue hum polo a outro descobrir consegue
Com o trovejar das armas; espantosos Toda a immensa extensão de seu império ;
Com o som horrendo e frio . Uesdenba entanto contemplar as fundas
Oue surge das horrificas entranhas , Cavernas das montanhas. vastos bosques,
O hespano leão de si arrojam. Fartas torrentes, caudalosos rios
Oue , atravessando mil saudosos plainos,
Eil-o que horrível ruge. Veloces correm a enriquecer o oceano ;
Que j| das pátrias legiões o raio Que quadro muis grandioso , mais terrível
O fere, em fuga vergonhosa o pondo, Se lhe offerece ú vista ; o vacillante
E o passo ousada vencem , Solio contempla do monarcha hispano ,
E ajudado do gênio das batalhas, Que enfurecido impelle ao mar as hostes
Plantar no valle o pavilhüo ovante ! Com que intenta opprimir o solo indiano ;
E vô em seus semblantes retratados
O canto El triunfo de Maypu he dc todos os Todo o furor e raiva carniceira
poemas desla ópocha o mais inlcrressante ; ese Uos Cortez e Pizarro»... Ai, misera !
mais algum desenvolvimento lhe des»e n'outro Ai misera , que em seu seio permanecem
gênero que nüo só no descriptivo , participando Inda sangrentas as cruéis feridas
do dramático , e delle tivesse algumas situações, Que inundaram de sangue o throno augusto
certo que ficaria obra de poesia admirável. A Uos Incas dóceis, e dóceis Monlezumas!
America, sentada sobre o cume dos Andes , con- Porém os filhos seus já despedaçam
• »templa esses acontecimentos que ussombrurum hor- Os torpes ferros do cruento ibero ,
rofosamente o antigo mundo ,
quando o gênio E o grito ingente da commum vingança
tias victorias disponha das eoróéi dus reis da Eu- Contra três evos de opprcssão indigna ,
ropa , e com o arruido de suas armai fazia eslre- E o rouco som do bellico instrumento ,
niecer esses velhos thronos que presidiram a nas- E o horrível retimtim das fataes armas,
cimento e o anniquilamento de tantas Que os échos dilatando e repetindo
gerações;
e vendo seus filhos pleitear pela sagrada causa de Em confuso rumor resoar fazem
sua independência, e o triumpho da liberdade Na abobada celeste , como hum brado
coroando os seus esforços, he huma pintura da Todo retumba : — Liberdade ou morte ! —
mais bella e eloqüente poesia , do mais vivo e O fogo, o ferro paternos lares
magestoso colorido : Arrasam , ermam... mas seus doces olhos
Se volvem para os campos que illustrára
Lá , sobro o cume dos erguidos Andes, Com os triumphos seus seu grande filho ,
Nas regiões dc sempiternas neves, Que nos árduos trabalhos da campanha
LITTERATURA. 207
As bellieosas hostes excilo , duzirmos uulro trecho do poema , nuiav.l
P'ra que lenham a fama de invenciveii; (,'., ori-
ginalidade do presogio quo em pml du» Indiano»
Se volvem paro Charabuco , aonde se patenléa nos céos, no momento em
Muis do que conseguira o grande Achilles, que nova»
tropas hespaubulas pisavam o solo umvticano.
Junziu ao carro seu o fero hispanu ,
Que , não escarmentado , outra vei volta ! Do pacifico mar u espalda oppriinem
Sim de Lima o lyruniio inda vingar-se Pejadas nãos du urinada toldadesca ;
Quer da passada ofTronta , e eil-o que ordena, Mas oh presugio ! o índio sacerdote
Heunindo as relíquias das \ io do ancho seio das sonoras águas
pbalanges
Ensopadai no sangue da innocencia, Erguer-se .,„¦. céos sanguenla , e densa nuvem
Que em breve surquem o tumidu elemento , Ao sol , que do oceaso ia caminho
E levem o incêndio e o estrago ao altar santo Ella se oppoz qual mágica barreira ,
Onde cultos recebe a pátria amada. Mus o sul, sacudindo as crinas de ouro.
A entreabre , a rompe, a desvanece,
Nflo nos cansaremos com huma anolyse minu- E bello em pompa, e magestoso em brilho
ciosa de todo o poema, e notaremos inesmo Se ui -.-ii I r.i r.i nas salitrosas ondas
tiuo se nesta descripção do America sobre esse Consultado , o oráculo declara
throno mogestoso erguido pela natureza , alguma Prodígio tal em prol dos Indianos.
superioridade lhe achamos cm poesia e colorido ,
em relação ás descripçoes de outros poetas seus Os Hespanlioes desembarcum no Chile, nus
compatriotas, nao lhe vemos todavia
que em maior San .Martin os nao deixa repousar bum instante ,
realce c pompo do poesia , que em mais viveza e por .111. os vence pomlo-os cm confusa derrota ,
c''energia de colorido , c até mesmo em concisão , o o canto termina com alguma frie/.i. Se 1). Es-
se posso ovantojur o descripção do índio do nosso tevan de Cuco concebesse hum poema sobre as
Alvorcnga Peixoto na Transfiguração do Pilo de rogrus épicas e o desenvolvesse segundo as idéas
Assucar em seu sonho ; a superioridade do poeta modernas em voga , cerlamente que seu talento
brasileiro sobro o orgentino he incontestável, sen- so patentearia em in.tiur escala com muis brilhan-
do tum somente para lastimar que tão servilmenle tismos , recursos quo não ollereco o poesia Iv-
terminosso o nosso autor a sua composição ; com- rica , e lbe forneceria matéria em que seu gemo
ludu mostremos como a superioridade visível ahi podesse dispor de toda a sua força ; o cntliusiasruo,
so tomo que nos dispensa de qualquer demons- porém , apenas inspirava composições ligeiras, o
tração : febricitantes, quaes meteoros que scintillam no
horror das trevas e desapparccem do súbito; eram
l.u vi o Pão de Assucar levantar-se, obras para o momento da exaltação dos ânimos,
E no meio das ondas transformar-se o lodo o seu domínio pertencia á poesia Ivricii.
Na figura de hum índio o mais gentil, Depois do D. Estevan du l.uca , necessário be
Representando só todo o Brasil. que citemos D. Vicente Lopez , que com elle ri-
Pendente oo tiracol do branco orminho , valiso.
Contam dente do animal marinho D. Vicente Lopez be autor da Marcha Nacional,
As preciosas armas lhe guardava. que por muito tempo foi o hymno da nação e
Era thesouro c juntomente aljava. parece tor sido escripto em momento de grande
De pontas dc diamante eram os seitas eflervescencia ; delia falia D. Florenciu Varella com
As asteas de ouro , mas as pennas pretas muito enthusiasmo em o sua ode I lus alumnos
Quo o índio valoroso activo e forte dei colégio de ciências morales , a D. ll. llidulgo
Não manda da seita cm que não mande a morte. a introduziu cm o seu poema lyro-dramatico. A
/ona do pennas do vistosas cores ode A ia pátria en Ia victoria de Maypu be bem
Cuarnecida de bárbaros lavores conduzida e isenta da declamação vãa e inchada
Do folhetas o pérolas pendentes das odes de D. Juan C. Varella e outros | elle de-
Finos crystaes; topazios transparentes piora com hum sentimento verdadeiramente pa-
Em recamadas pelles de sahiras, triotico que a pátria lute sem a intervenção das
liubins c diamantes e sãpbiras noções liberaes, a sós com a tyrannia hespanhola :
Em campos de esmeralda escurecida
A linda estrella quo nos traz o dia
No cocar... oh que assombro, oh que riqueza I Solitária na luta,
Vi tudo quanto pôde a natureza. Como se nao houvessem, humanos peitos,
Tudo he surdo no mundo a teus clamores I
Atando o fio , interrompido por huma digres- Ai mísera e mesquinha ,
f*ao não fora do caso, proseguiremos para repro- A sós to deixam com a hispana fúria!...
LITTEttATTRA
299
na tua >i<
d* Ma*f,u' he D Mjnuel Labarden. D. Juan Roju
A ode. po»*»». U Bú,alla !** A tai provincial dtt intirior opprmtdo» m mciU
criu» com ma.» estro e energia , e par» »e noUr contra a opprruao coramum . »
ll^nhoe. ante a M revoltarem
he a aposuophc dirigida aal *££ convidando a proclamarem a liberdade , e ti „
• o*-*f,>r-
d. batalha, c inUrrompiJ. tf ^£ reps»- Ia ktroica iicton<i de loi Andei celebra
o t^Ute ; a paUia
nttoe». que annuoci. louvado San Martin . D. Jusn Lafi
terrível : ço» do Uo
de V.i contempla o «pccUculo our, medíocre e pobre de idéa», ma» primo-
tem algun* la3»r#»
tu que fotte ro»o na harmonia do* verto»
O que f.ze.. H*ria , de movimento em a ode .4 Ia libtrtad dt Lm,
Afnea e Alia a empreti
Na America. Utafa, ma* elle termina du prornpto denando
Outrora admirada, •
ousadia a D. Estevan dc Luca e D. Vicente Lopcz
Quando a nobre
tua»
E «ran soUrba da* ph.langc Ah . H>mero* divino»,
de honra te doavam gloria
Com feito,
impeno» . Vò» Mreis, ob genio» peregrinos ,
A sorte da» naçoe» e do» ao» *on* da lyn
, Que a voz sonoro unindo
Como de t*la a humana magestade Cantai* da pátria os ptosporo*
destine*
Tu obriga a irresistível decadência ,
E insana busca» combater o* fadoi I lano Rodriguez. além do Hymno •
D. Fr. Cav'composição
Ia pátria, breve e dc nwment <
te pod«
Qual esperança vigorar he autor da CVincíon «romiaifú-, cu|o mai<
Dos crime* que cm Uu nome su praticam Martin , pm* qu-
defeito he ser dirigida a San
Do México atè o Cabo ?
faz lembrar e . com saudade ! a» bella» producç
Geme o velho e o infante
du exímios poeta» seu* compatriota». em que
Sob o bellico açouto , que incenduia vencedor du Matpu be sempre digno e pompa-
escravo
Todo o espaço da turra, onde de samente celebrado; • finalmente D. Juan
La-
Mal sotfre o cidadáo do nome a afTronta. compoz hum>
barden entre outras muitas poesia»
PaJuctí o sexo , soffrcm a» cidades , ode Al Paraná ,
E por cumulo maior dc tanto opprobno
destroc-se o homem !
Se insulta o próprio Deos, o grande rio
Que celebrou Labardun
Retira esses verdugos... mas hc tardo, Juan C. Varella , oita Buenos Agres
«joa o canhão!... Impávidos se arrojam
Os nossos combatentes;
Em aeral . a linguagem e o estvlo destes poetas
Ja ordem , já retumbam em
terra he sempre o mesmo ; toda a poesia resume-se
Os aro* | I de toda ve-se a huma eloqüência declamatória e toda vJa . em
vor
Tinta du sangue. Experimentai, tyrannos , sos sesquipedacs e em grandes palavriados flori-
A pujança daquclle* que defendem dos contra os tvrannos da America , sem bellez
A pátria e a liberdade. A raiva e o ódio alguma notável", muito mais efiicaz para incitar
Com quo vedes se erguer a nossa gloria , os animo? do que para recreal-ns; pois que . pas-
Hoje ossaz nos incitam á vingança! sados us momento» da febre do enthusiasmo .
seu mérito intrínseco he nullo per si mesmo par
O trovão ao trovfio, o raio ao rato. entrar na analyse da critica nos momento* soce-
E o aço c.intra o aço se cmmaranham ;
Dir-so-bia que alli o Cid gados da leitura.
B. Hidalgo , autor de hum poema dramático
Ou Nassan ou Pelayo i
mas que nada tem de dramático , a menos que nl
As phalangus regiam n'csse dia ! seja a sua recita sobre a scena ; lyrico . mas qu>;
De sobre os Andes a querida patna
nada tem Je lyrico , a menos que nao sejam alguns
Eis baixa os olhos á guerreira arena ,
coros sem mérito e mal apropriados: defeituoso.
E súbita envolve no seu manto o rosto ;
sorte! e huma monstruosulaJe cm seu novo gênero, be
Ai. dos filhos — quedar! —lho assusta a
com tudo notável em alguns lugares , não to pela
í concisão como pela belleza do estylo. Elle nos
Aqui 0 interesse vai sempre cm augmento , ao pus»
a victoria se approxima do hu- ; mostra a America opprimida . gemendo
quando de repente \ de ferros e o çenio da independência proclamando
róu de Maypu para coroal-o , e o canhão cessa,
I sua liberdade . em quanto que a tyrannia pro-
o huma apostrophu ao Chili fecha pomposamente :
cura se lhe OPDÔC
1 *
tão bulla composição.
Menos brilhantes c exímios cm suas composi-
Juan Ramon Rojas , A America do su! encadeada
ções lyricos se mostraram D.
D Juan Laíinur, D. Fr. Caytono Rodriguez a i De oppretM mil gemidos desprendera
LITTERATURA. 2i)D

E seus lilhos a voz lao penetrante Segue-se o hymno da liberdade, e o poema ter-
Despertam , choram , e jà se coaligando mina finalmente com buma alluviao de aposlro-
A causa buscam da oppressõo materna ; phes occumuladas bumas sobro outras; era ama-
Então da liberdade o fogo santo nia do tempo !
Anima os poitos seus , u entanto fogu O D. Florencio Varella mostra, na sua odu A
A perversa oppressao, u o fausto genio los alunos dei colégio de Ciências ..lom/c., onde
Da'independência aos lilhos eis proclama: foi educado , a fatal ignorância que domina a sua
— Ou morrer ou vencer em justo duelo ! — pátria; mais feliz que o nosso grande lyrico Cal-
E elles bradam — a morte ou a victoria I — das, senão no deplorar a sorte mesquinha tia nu-
E o céo se eiiliit.1 e a turra se escurece, çâo, ao menos o foi em poder celebrai o seu
E jurando constância na desgraça triumpho.
Trincheiras formam com seus próprios peitos; A ode Et Irtumpbo de .{gacucho he composição
Insiste a tyrannia , e a bala ardente a modo de dilbyraiiibo, u a .1/ 25 de mago d&
E o fogo protegido de outro fogo 1825 du pouco mérito, mas be para notur quu
A perseguem com arrojo , u com arrojo estas poesias são apenas passa^eiroí ensaios exer-
A obriga a ceder , quo a vence e doma. citados em tenra idade , o quo a sua viagem u
E a aurora fuliz cm carro do ouro estudos na Europa lhe inspiraram indtibitavel-
Alegro dominou nosso bemispherio I mento ricas o bellas composições com quo enri-
queça e avulto a litteratura nacional.
A parte porém mais interessante do poema, o Do todos estes poetas , porém , o mais digno
que mais attençâo merece , bo a
detcripçao da ba- do censurado por sem duvida D. Juan C. Varei-
talha do .Mo.pu. Que concisão não vai por todos Ia, irmão do precedente ; que seu pensar, quo seu
esses versos I Quo colorido terrível não ressum- estylo , tudo emlim pertence íx critica , que por
bra do todos elles I menos justa o rigorosa não o poderá defender,
a menos quo o nao deixe ,t sombra do esque-
Mavpu , sitio tcrrivcl, cimento. Tendo-so dado ainda em tenra idado
Sitio de sangue e pranto... c do triumpho, oo cultivo da poesia, o escripto hum volume do
Aonde encontra a tyrannia a campa , versos eróticos, frueto de seus primeiros onnos,
foi pelo
E o nossa liberdade ergue o seu temido I que ignoramos se furam publicados, nao
Ah tu vés San Martin em frente os hostes, correr do tompo melhor poeta do quo era du cs-
E os valentes com animo sereno perar de tão boas mostras, o o cunho da me-
Desprezar o perigo com tul chefe 1 diocridade sella todos os suas composições ; seu
Seu sangue em borbotões nodou o solo ! estylo fofo o declamatório nada tem do elegan-
Quo importa, se seu peito mais inflamma I cia nem de belleza, e peca freqüentemente em
Eis bradam — A pátria viva I —e dando ao vento repetições que nenhuma graça lem, como nes-
Os sacros pavilhões da independência , tes o outros versos dc suas obras se deparam:
Disputam, a espada em punho, e corpo a corpo;
O valor os anima: nada temem I Liberlad , libertod , tambien dijeron ,
Os contrários pelejam com denodo, Libcrtad , libertod , Ia conquistaron.
Redobram de valor os patriotas; Oda ai 25 de mayo de 1823.
E a bala do canhão retalha os ares,
E leva a morte e o luto a toda a parte, Hijos , dei sol, que haccis ? Ahora , abora
E cobre de cadáveres a terra... No sabeis, no sabeis? El liero hispano.
Oda at incêndio de Cangullo.
Tudo aqui he terrível; a pintura e energia,
mas a peripécia vem adoçar tanto horror e dis- Ciego , ciego cl mortal obedecia.
sipar o duvido da reticência. O poeta termina Religion , religion , tu nombre santo.
udmiravelniente: Oda a Ia preocupacion.

Mas as armas da pátria triumpham I No vois , no vois que Ia mortal semilla.


Scrà , será verdad que desmentido.
Esta demora em noticiar o triumpho das armas Acudi. acudi ai muro fuerte
da pátria , he do hum elTeito admirável , pois que En vano , en vano anhela
representa evidentemente a difliculdade da decisão Essos son , essos son los quo das-veces.
de huma victoria , onde Oda a Ia liberlad iti Limo,

Os contrários pelejam com denodo, Os assumptos quo mais excitaram o eilro dos
contraste inex-
Redobram de valor os patriotas. poetas seus compatriotas foi por
.WU LITTERATURA.

ser a sua imaginação prosaica , toria completa conseguida por ei general D. Juan
pliiavel . a nâo com tudo Antonio Lavalleja sobre los usurpadores brattlero*
oi que menos influiram em seu gcniu ;
de semelhante anomalia en Ia orqueta dei Sarandy ; compoiiçao burlesca
elle parece dar a razão
-iiii I » dil: no seu todo , cuja dcclamaçâo vaga e iropuladj
se emprega geralmente em no» insultar, porem
nada ha de mai* extravagante que esse chamado
Porque éi débil Ia musa que me inspira.
nl: a Ia libertad de Lima. presagio tao estupidaineiite previsto pelo poeta so-
bre o futuro destino da pátria do* Hebellos , Ne-
|| ode* Al incêndio dtl pueblo de Cangallo , greiros, Camarões, Henrique» Dia», Uenevi-
Ia des j Albuquerque», Coelhos e tantos outros e
En honor de Buenos Ayns , A Ia UUrdad de
A Buenos Ayres con motivo de tos traba- outros, e certo que ao lér tanta sandice s«-
prensa , nao pôde deixar de exclamar com Victor Hugo;
ii» Mrati.ícoi urdfnai/yi p»r et gobierno , La co-
Ia Irrisório I Irrisório ! Irrisório ! As odei .1 Ia ju-
rona de Mayo, Al 23 de mayo de 1S2.1, .1
sociedad ds Beneficência sao tr.vialidaJes de ne- ventud argentina I .1 Ia preocupacion sao no-
doas do infame que pesam sobre a reputação do
nhum merecimento ; a Al triumfo de Maipu he
fraca e prosaica . *em esses lances lerriveis e su- aulor ; hl o discípulo completo do Voltaire, fa-
blimes que se depuram nas de Estovan de Eu- zendo alarde dc suas ironias, de seus sarcasmo*
ca , de Lopez e do outro* sobre «*> mesmo as- cuspidos tio atroz e ifreligiosamente sobro a mai*
sumpto; o canto sobre o mesmo objecto , sendo bella dos religiões do mundo , fundada nas mais
tao extenso, be todavia encontrar por lodo esse sâas e límpidas bases da equidade ; sao as idéa*
vasto e árido campo huma flor , ainda que agres- do philosopho de Ferney quando delirava con.
te , a adoçar a aridez de tonta monotonia. Na as inspirações do demônio da irreligiosidade , essa
ode A Ia libertad de Lima apenas se nota buma musa maligna quo se apoderava do quando em
transportadas par.-,
eslrophe digna de hum grande poeta ; he aquella quando de seu vasto genio ,
em que elle , se dirigindo aos Hespanhoes, que as margens do Prata ; he a linguagem de Con-
antes de abandonarem a cidade de Ein.a a sa- dorcet no seu Progresso ao Espirito Humano .
*. contra tudo quanto de mais bello , santo, su-
queara.n , exclama com indignação
blime e puro inspira a obra de Deos, a con-
Porque retumbaram esses fragores cepçao do ungido do senhor , invocado sob tar.-
Da oppressa capital nas bellas praças, tos nomes. Os sacerdotes do christianismo ale
Porque esse repentino movimento tratados de maneira insólita o grosseira , e na
Arrastará as hostes! Quo ameaças 1 mente do autor são elles impostores que levar.it>
Que confuso clamor I Crô-se valente povos pela senda torcida que abrio o interesse do>
O bárbaro hespanhol , e assim se ceva chamados interpretes do céo! A religião, quanto
De hum povo inerme no mais bruto saque ? a elle , foi em todos os tempos | entre todos os po-
Cobardes I jà do toda extineta a esp'rança , vos o instrumento da astucia e intriga fundada
Vosso trophco será o vosso opprobrio? na mentira. Eis huma estroplic da ode A lt
Ou será quo a vingança preocupacion , a mais execrável das duas:
Até a alTronta os leve ?
Porém , quando do o ser deixa hum tyranno !
A religião tornou-se hoje instrumento ,
As odes ai triunfo dei ejercito libertador en Aya- Qual sempre se mostrava,
cucho , que segundo so diz foi improvisada , res- Do intriga e astucia vil , o audaz turbando
sexo ar- Da verdade divina os resplandores ,
pira algum enthusiasmo, mas al belo
requebros amorosos, Todo o orbo dirige
yentino está cheia do phra-
ses guindadas taes quaes as que poz o nosso sa- A' cega obscuridade, como outr'ora
tyrico Gregorio do Mattos na boca do namoro- Nos séculos de ferro ; e o povo ignora
tio , cujo retrato nos transmittio. O que saber devera
Resta-me ainda fallar em três producções deste Se ao dizer religião não se mentisse.
ao
poeta ; huma das quaes insulta atrozmente
fundador do quinto império c cobre de injurias E era no contudo do jugo das mais exacer-
o nome dos Brasileiros, o as duas ultimas se di- badas paixões , quando as instituições coloniaei
rigem contra a santidade da religião christãa com se desmoronavam e a liberdade mal firmada lati-
bum descaramento incrível o ambas notáveis pela cava os fundamentos de huma nova sociedade, qui-
altivez com que o autor se proclama e arvoro no huma voz trovejava contra a mais bella religião ,
mais acerrimo representante das doutrinas irre- trazida à terra pelo verbo encarnado , e rubrica-
ligiosas da escola voltariana do Rio da Prata. da com o seu sangue , e confirmada com o mar-
Causa indignação senão lastima a ode Ala vic- tyrio dc seus evangelistas 1

¦
LITTERATURA. aoi

Onde vé., levantado colombiana , que devia libertar Cuba. A elle ae


>.*i. comtaiitei varões a nobre fronte , deve entre uutrai inuitai obras que st* nao pu-
Jurar que lieis piuiam I,In .liam huma riquíssima edição do» • l_»»u.., hei--
I... lu. por elles vistos; I >iiI *. e a elegante versão da» ultima, cariai
I. firmes no tremendo cadufulso de J. Dortii, ii-.n.| i. *--i ren-nli-iiii-tite em i.i. -
Com seu sangue sellar o juramento? nos-Ayre*. Porém d'entr« o* autores que illu*tram
< vi n vs oue vil, El*. \. esle período hu por certo (.rcgoriti Fuues t>
primeiro e o único de seui historiadores u mau,
A religião christaa , que teria com seu baltamo digno de incnsao. Foi no meio dus combates •¦
suave cicatrizado lautas chogos abertos em tontos lidas políticas que elle conseguiu reunir os di-
¦ orações pela mau sangrenta do revoluçuu, m- ver_os Mtariaea para a cumpusiçau dus quatro
....I, i-ri«i>s ei-..iii.»M. n seu rai.in.I,ii h' diviuo I E volumes de tua obra , derramado* pelos .nina»
que de fatalidades n.u. poderiam resultar com a das composições dos llcrrera , Diogo do Cordoba,
propagoçun du semelhantes doutrinas ! Talvez uuu Antônio Calancbu , Juuu Melendei, Alonzo Al*
as mesmos scenas da mais horrorosa das revoíu- loa , Froncisco Collin, Simuo de Yosconcellot a
.."es que ensangüentaram a França , om que Manuel Rodrigues , e que chegou a dar a liu a
os altares su profanavam com a idolatria , e a Ensaijo de Ia historia tivil dei Paraguag , llue-
palavra de hum déspota que derivava a missão nos-Ayres y Tucaman. >\ absoluta falta de lium
divina dos apóstolos , proclamava aos povos o oxio- livro, diz elle no teu prólogo, que podesse sa-
ma de Deos , — o ai mo be immortol! — e que tisfozer a curiosidade dos quo foram nossoi pau
no entanto a sociedade so desmoronava , que nOo e das revoluções que !.... precedido o nosso es-
se reconstruía como o templo de Deos com a pa- tado aetual , foi o que deu impulso a minha
lavra de Jesus Christo , se representassem nas mar- justo timidez. . Seu cslylo hc fluente , sua dicção
gens argentinas; talvez!.... Mos os tempos pos- puro , mos o seu juizo quasi sempre fraco e
saram , e os cantos do vate da irreligiosidadu le- parcial. « Pena he , diz Le Sage , aliús o conde de
varam por sellu a execração e o esquecimento; Ias Casas, na sua Historia dos Estados da Ameri-
e os Harmonias dos Dcllamartines , e os Suspiros ca seplentrional e meridional, que tuo estiinavil
dos Magalhães echoorom nessas margens magcs- autor se deixe arrastar o mais das vezes pela in-
tosos onde essa voz outr'oro tão potente trovejara, !lucnri;i de humu prevenção quo degenera em
e os povos escutaram essas harmonias, e escu- aversão contra o dominação hespanhola , a ponto du
taram esses suspiros, o Estevan Echcverria ap- confundir os abusos dos particulares e as faltas
parece como o crespusculo de bum bello dia, ti- das autoridades com a política do governo co-
mido ao principio ante os trevas de huma longa lonial. )> A publicação encetada por D. Pedro dn
noite , o pouco e pouco se reanimando com a luz Angelis das series de Documentos inéditos sobre
que ella reflecto , e cis por fim o dia quo
dessipa as províncias do Hio da Prata he de suiiiíii.i
as sombras, o nova epocha desponta na liltora- importância paru .1 historia , u lança muita lu/
•ura argentina ,
que toma huma physionomia mais sobro a obra de Uregorio Funes.
Americana , com menos visos de hespanhola , c J. Norberto de S. S.
móis intoressonte , por isso mesmo que so torna
mais original.
He Estevan Echcverria o Magalhães argon-
tino; e huma analyse de suas obras , quo pu- IIKANililtVl
blicaromos a bom tempo, fará comprehender as
felizes reformas que elle vem do executar na lit- Dedicada ao Illiti. Mr. Igiula I»in>»
teratura de sua pátria; mostraremos enlão quo
Pao* lirnie.
novos satellites da moderna escola começam de 1.
opparccer.... São os novos bardos quo dedilham
suas harpas para entoar lugubres elegias à li-
bordado da nação que desce ao túmulo.... o (t Quanto he gralo, meu Leme, nestas plagas
Que o acaso e Cabral ao mundo deram ,
pátria.... a pátria quo se definha!.... No centro destas virgens serranias,
Outros litteratos conta a republica argentina ,
A natura adorar , inda innocente ,
mas cujos nomes e obras são apenas conhecidos
em sua pátria , citaremos entre elles J. A. Mi- E o mundo primitivo perlustrando,
ralla , discípulo de Chorroarin e intimo amigo do Ouvir da creaçao a voz intacta ,
algum tempo se- Fruir embebecido os sons divinos,
poela Madrid , o que foi por
eretario de Bolívar o militar sob o estandarte co- Aqui em sonho elyseo, em olmo arrobo ,
lunibiano , e que morreu em 1826 quando se Perfumando a existência, amáveis horas,
mexico- A vida se deslisa entre venturas.
preparava para fazer parte da expedição
tm***»*'**rm******mmm'" ~- ^*n*j MM

,103 LITTERATURA.
V.
II.
sahio ,
Tu que infante escutaste a voi dhum
He grato junto a hum corgo cmtalino, Do luso Montcsquieu , là onde o astro
V sombra gigantesca d'huni vinliutieo Du diva sapiência , íulgurando
Repensar nesse mundo , M cuja lopida Expando no univerno o claro lume.
O» sec'los exarorain á porlia Tu que outrora, sentado epensativo
— A historia humano
0 pomposo cpitopbio No monte Palalino , craneo augusto
Desdobrar do passado o panorama , Do histórico esqueleto dessa Roma ,
E do eseuro sarcopbago da morle Visto as sombras errar d'heróes tao grandes,
Arrebatar ro* a mente o mundo antigo. Nesse império que outr'ora escravisara
Aqui sem tradições vemos o berço O mundo do Strobao e de Aristóteles!
Dfl Memphis. de Perse|tolis, dAlhenos; o almo apuro ,
Aqui vemos o Druitla a o Cimmerio, Quo visto dos humanos
no insondavel do passado ,
Como o genio do vale outrora vira Quer pego
do aíon contemporâneo ;
Nas florestas dAusonia e da Rntania Quer no estrodo
em varias regiões com pasmo viste
Predizendo o futuro: estas montanhas Que
Debaixo do raízes seculares,
O berço do universo representam.
Cidades dc cidades alicerces,
E a palavra dos sec'los esculpido
III. No mármore, no bronze e nessas ruínas!
Oue a trilha do tous passos confundistu
Co'a a trilha dos cohortcs invencíveis,
I
Pelasgos nossos pais, Pbcnicios foraml Que o mundo ovossolluram portentosos
Que viste, nao menores, os prodígios
Sobro o dorso das ondos inconstontes
Tendo a proa no cèo , na ursa os olhos Do sec'lo cm que vivemos, que n'hum dia
Toldaram do cem mares, com mil naves Realisa o labor quo onnos custara,
As águas ondo punicas triromes Perfuradas montanhas, aqueductos,
As virgens ondas com seus rostros férreos Ondo o corro infiommodo vóa ovanle ;
Jamais cortaram do oceano ignovo. O trajecto dos pontes invertido ,
O Tigre, o Gangc, o Praia , o Amazonas Os Alpes nivellodos o os tufões
Lavaram mais dc vez as lusos quilhas. A' nove fumeganto se curvarem I
Emhaldc cm flexas, dardos convertera Quo no afan to encontrei da sapiência ,
O valente Tamovo estas lloreslos, E das artes o unçao sagrada e bella
A suo independência, e paz, curvou-se A fronte juvenil tombem ornando !
Ao forro o a bombarda lusitana. Porque do turbilbõo das capitães
Conquistando invadiram seus domínios, Tão joven te ousentoste , caro amigo ? I
Domínios cuja posso além remonta
Do uso da linguagem c do lume.
VI.

IV.
Razão cabal na mestra da existência ,
Do reino do Tamoyo , aqui outr'ora, Na existência dos homens encontroste.
Só dc vasos fragmentos testemunham ; Aqui nno ergue a voz a vil calumnia ,
Rude esboço da industria primitiva. Inpudicos tropbeos desenrolando ;
O astro dos Toltccas e dos Incas Nem da intriga cochicha o lábio impuro.
Não transmontou seus raios sapientes Nem o férrea suecure do egoísmo
Além do Chimboraso o do Jorulho. As llores da virlude fana o myrrha.
Desde a infância do mundo no seu leito O ruído das serpes n'estas brenhus ,
Jazeu a rocha immovel, som que o ferro O bramido das onças, e o sibilo
Em templos, cm pyramidcs, em pórticos Que da tromba feroz a Anta despede ;
A sua rija massa avassallasse. E o rufo temeroso d'anc'ra eburnea
O homem primitivo não profana Quo uo bronco caitutú armo a queixada,
A ossadura da terra a ferro e fogo : Tem acentos mais puros, mais suaves,
Elle a vida conhece transitória, Que os hyiiinos lisongeiros e traidores
Seu espaço do berço á sepultura ; Vibrados nos sophitos dos velabros
E os dias desusando na innocencia , Aonde o scepticismo, em basla publica,
Como hum anjo , da campa nos céos s'eleYt Trafica Deos, a pátria e os humanos.
LITTKR ATURA. 30.3

VII. A terra ouro te broto sobro a MM |


IVbum tronco olmo joty labor» o ntxttr,
Berços de teus avós foi esta terra ; i: ainda p'ra assombrar na inculta viu,
De lltitaviu leu tronco nobre e puro Alado lavrador cultiva a esmo
Aqui a independência firmou provido. Aqui, alli frondosas laraugeiros
A prime» a esmeralda brasileira, Cos indigenos pontos contrastando !
Oue adornara do luso a regia fronte, Para ti posta o veado, engorda a rolo ,
Da terra ovita mau arrebotnu-a Nutre-to a joculinga e o macuco,
Là onde o Subira , o Itio Dooe E nos ores pipita em atras nuvens
Por entre orôos tfouro, de diamantes, Essa iiilnid.i noção que traja o iris:
J.i desde a creação oo mar desusam. O tônico potv , cevada» pai as,
Do tti.liino tios reis nao conhecidos,
VIII. No teclo hospitaleiro luprabundam-le.
Para erguer bum palácio, hum templo augusto ,
Estas serros gigantes de gronito , Gigantescos culuinuos , rijas cordas,
Oue os ostros aflronlando, os nuvens cordan. Nliu.n minuto o machado coíbe ovante
Co*l grcnho secular de augustos (roucos ; Na froodente floresta, onde pullula
Cujos «lanços em sulcos profundíssimos O ferro vegetal, a telha florida ,
Mysleriosos grotas, atras, formam; E de tudo que Deos fez brinde ao homem.
Onde eterno cropusclo se enclaustràra ,
E a voz dos furacões, das tempestades
l-.vitcrua murmuro, broma e ronca,
Ao som das catadupas que so gurfam
Entre broncos penedos o raízes , Ah 1 como oo contemplar taes quadros sinto
E quo o Fiai supremo, o mando eterno, N'hum ether de delicias bolançor-me,
Escutaram , informes, indo presos Qual balança a toioba os verdes discos
Nos entranhas do chãos, do eternidade, Se o hálito odoroso c susurranto
Suo , meu Leme , móis caros, mais suaves Da brisa matutina enfia o bosque.
Minha alma oos céos remonta, qual rcmont.i
Ouo as torres colossoes, que esses zimborios
Erguidos entro as ruas e celeuma A mimosa uricana os seus pennachos.
Desse empório do sul, do novo mundo.
XI.
IX.
Que pasmoso cspcctuc'lo , que belleza
GOU da independoncia que outorgou-te , Aqui destas ullurus se divisam 1
Aquelle que oo rei disso em plena corte ; O sublimo firmou eterno império
Sobre estas serronias gigontescas.
Oucm vem para vos dor, pedir nôo devo
Aqui em carocteres evitemos
Suas leis escreveu a providencia.
Tens no c'roo do palmito, Estas pedras quo suam mil regatos,
Nu raiz do mongarito, Estes fossos medonhos , estes campos,
Grato cibo salutar, O tinguà alcantil, o rudo saxo ,
E o mogno Brioreo destas florestas
Ouo mais podes desejar? Giguitihú medonho na strueturu ;
Tens mil águas crystalinos, Estes troncos quo abraçam trinta homens,
As frutos os mais divinas, Quo o alvo ao coçodor frustram n'allura!
Huma esposa de invejar, Esta procreoeoo infatigavel ,
Esta phenix eterno de verdura,
Que mais podes desejar? Tudo, tudo revelo o voz potente,
u vida.
Tens buns filhos, que delicias Quo c'hum sopro creúro o moto e
Zombo da fouce a natureza provida ,
Que te cercam de coricias ;
Tu és pai, sabes amar, Hum bosque secular cabo , d'improviso .^
Ergue-so hum novo bosque por encanto !
Que mais podes desejar?
A voz do creoçõo, esse bymno eterno ,
Tens bum tronco virtuoso, Noite, dia incessonte em puro ocordo
Nobre pai e generoso, A latente harmonia codenceia
Irmãos do felicitar , Neste zona feliz, Éden celeste.
habita I
Que mais podes desejar? Que a estação amorosa eterna
O tf
aaa^ «-i.iiujjja.aaiiBi^ppiati ni,, i i i

30-1 LITTFaR ATURA.

XII. Nio mede a flecha do índio hum de seus membros,


Nem do caraeara, nem do tucano
Cum vogas iminoveis, como huiu A abalada longínqua o corpo alcança 1
U'ondoa petrilicadai, oo distende Nos seus lluiicos eternos bruxulea
\ .isIismiii . bi.riionti', qtm so esfunta Tvro meridional . ougusto empório ,
Newe atui oceano , qui) o meus olhos Cujo porto sondado tem mil veies
A linha do infinito bruxulea. As âncoras o oi quilhas do universo.
Salve , inveja do mundo, rei dm portos
Aqui, alta, ao longe se recurvam
Itedes de eilrada*, rios c regatos Asylo da bonança e paz dos mares ;
('unio galhoi argciiteos que tremuluin Que visto em tuas águas reflectir-se
Enlru oi montei, os campos e as searas! Èm frontes broganlinai — Só na America —
aurora Dez regios diademas, regios frontes!
Qm scena divinol I So a luz da
Peneira no ambiente o roxo Em ti dormila em paz o polinuro
pollen
Uespresondo o pnmpeiro, e do equinoxio
Que colora no céo os arreboes,
Ou do poente ruhido incendeia O mortifro tufão que horrido sulca
As orlus das montanhas, no horizonte Entre as vogas milhões de sepulturas.
lnll.1111111.nl.¦> pbuiitasmas desdobrando ,
XIV.
Que dilúvios de purp'ra á terra entornam :
Ou na hora em quo voa o bacoráo ,
K acende o pirilampo o cirio, e cruza Também daqui diviso a nobre rocha
Por entre tatibuias, c nos brejos O diurno pburol do nauta ousado 1
Sua luz movediça reflectindo Oh tu primor de Ueos, mole sublime
llum triplo lirmamento a vista fere I Que loucas do trovões raios o nuvens
Que sublimes painéis, que inagestade, A tua alcantilada , alpestre cúpula;
Que myiticos encantos nao desdobram ll,Ji vi tropical, meta luzente,
Tuas obras, Senhor, a mente artística! Tlirono de Capricórnio , a cujo mando
A lua omiiipotencia assaz conrtilca O ecliptico galopo dos etbontes
Os delírios do meu eiilhusinsmo. Pára a recua no eclesto circo,
Com meus lábios beijando o pó da terra , Vedando o dardejar além das raias
No teu altar , Senhor, fruo curvado As sarissas em pino , abrasadoras,
As torrentes de amor que te consagro. lafeaM do sul liden , onde o guayba
Co'os braços diumuntinos acalenta
XII. Magno berço do beróes, quo temperaram
No sunguo do inimigo invictos gladios I
Sorvei, meus olhos, sorve tu, minha alma, Oh salve Pão d'Assucar, salvo, salve!
listes raios de luz , estes prodígios Tu és do alquebrado nauta o astro
Quu a historia o a natura datlivosas Que as syrtes afugenta do naufrágio.
Nesfbora de venturas me trasbordam. Tua vista refresca a calma intenso ,
Que horizonte meu Ucos, que panorama? 1 Aplaca a fome , dissidenta a sede ;
x dextra alveja Santa Cruz que outr'ora Em teus pardos lisloes pende a esperança
Os filhos dc Anchieta e do llragança Ua saudade, do amor, o da amizade
Mais tle vez hospedou I — Progenie heróica — As dores consolanles da existência.
Que a cruz c as lusas quinas transplantaram Tu apontas nos tympanos cansados
Uo (iolgota o do Tejo até a gruta Uo apito, vagaihóes, ventos, balouços
Onde erguera Camões co'a mente diva Essa diva harmonia , som celeste ,
.Monumento immortal a si e á pátria. Que desfere na proa a grossa amarra
N'essa bella mansão , regio domínio , Quando ao fundo do mar mergulha o ferro .
Se engorgita o Guandu dondas auriferas,
li us várzeas esmaltando expande ovante XV.
Viço eterno na terra. Nos ccruleos
Sfpartos do horizonte avulta a serra Neste ameno tapete de verdura ,
Que o borco de Amador á vista encobre , Que por centos de milhas se mutiza
Recinto colossal, quo cinge as plagas Uo niveos aposentos, além vejo
Aonde á voz dc Pedro , no Ipiranga , Uesses undosos e azulados tanques
Hum império surgiol Hum Ueos foi quasi I Bordar de Nicthcroy a leda margem
Em frente o céo recorta magesloso As ridentes mansões que amor respiram.
lisse enorme gigante resupino Doía no centro movediço bosque
Em lurquiiio filo amortalhado. De hum inundo a outro mundo transplantado.
LITTERATURA. 305

Rrilha-lhe om vez da coma florivurdo XVII


Em vez du trepadeiras nas vergontua*
Altivos pavilhões, largas antena*
E o inaçomu intrincado , quu rutrata Nunca o* olhos cansaram no nereieio,
Das rijas cruciumas o invio crivo. Num de ouvir o* ouvidos su faligam!
Co'us»as moles auduz (ruça piloto No cjatho do amor nossa alma ubruva-te ,
Du bum cabo a outro caiu) ourua ponlu , Mo* o taça do amor renova a sèdu ;
Du hum polo a outro polo breve estrada; l.isoiiduvul «uu bojo .i\.ii'¦ guarda
Co" a bu*»ola o suxtautu a Uroulandia Da* sutisaçou* a» ondas variáveis,
Do cabo das toriuuiiloi dista hum passo. Que no ue.!.. da vida multiplicam-se!
Dos extremos da terra os homens fallam-su, E p'ra quo, docu amigo , afun tao grande ?
Nesse bosquu Albion ao mundo unvia A vida converter n'hum sumidouro
Outro mundo quu a industria rcfundira. Onde o pomposo prestito da» arte* ,
Cravada do obeliscos colossaes, O colossal registro das sciencias
Quo parecem do cèo sostur a cúpula Os riduntus painéis d'ulmo* prazeres,
Rompe os ares du* orgaos serra enorme ! Su submergem , jamais onchundo o âmbito!
Quo fome insaciável I Hc nossa alma
O raio já mai* ferio Hum Tantalo no lago do univerto ;
Seus celeste» corucheo»; Abrasado co' a sede da verdade ,
Seus profundos bolarcus Cudo poulo que troça o ciro'lo inundo
Lambo o fogo dos volcões! Do toda a creaçuo , da mente diva,
Hum mjsterio clausura; em coda ponto
Alli , proscênio ingente, outr'ora hum vale So hum'astro procuramos, vemos trevas,
A scena transplantou do Pulio o Ossa! So o queremos tocar, ello recua I
Alli titanca prolu hum novo assalto Arqueja o intelligencia do cansaço ,
A' sidurua mansão insana ousando E nos dalma duliquios sò vagueiam
De novo supplantara o braço elétrico Essa luz quu nio vem là do oriente,
Do deos do paganismo , e sobre os ondas Nem do seio do terra , num dos astros,
lnd'hojo de seus craneos boiara restos Nem dos cirios dos templos, mas que mostra
Nessas ilhas ridentus quu povoara Do Senhor a grandeza , a immcnsidado.
De Nictheroy sem par o logo ameno.
XVIII.
XVI.

Goza , contento goza , illustre amigo ,


Cala-se a voz da historia so olho cm retro , Em tou modesto asylo essa ventura
Mas surgo da natura a voz potente, Quo o tredo ambicioso jamais goza.
Graves assentos, hymnos portentosos As bogas du suor quo a fronte odornam
Por toda a parto exhalça , que revelam Sào mais catas a Duos quo laureas c'roas
O dedo divinol , quo n'hum segundo Ennastradas do prantos, do gemidos ;
Os astros granisou no inundo espaço , Suas folhas espectros acobertam ,
E a orbita traçou das harmonias. E verdejam c'o sangue que as regara.
Prodígios do prodígios incessantes Os calos nossas mãos mais puras tornam,
A cada passo nascem , disparecem I Elles são da moral a unçao sagrada,
Em delirios a mente so enfraquece , Insígnias do labor, da independência ;
Curva-se o inlellccto e so acobarda, As gemmas mais brilhantes para os dedos
Como outr'ora no frigido Simplono De hum braço varonil, de hum braço nobre.
Antes que a voz d'Italia o despertasse !
Largos lustros errante, e incansável
Sobe o desce o tropeiro estas alturas, Fazenda de S. Podro , na serra de Santa Anna,
Sertanejas cantigas modulando , 30 de janeiro de 1841.
E no rancho do pouso o loto alija;
Araújo Porlo-Ahjir-
Coa-lhe os membros o pesado somno ;
Saúda mil auroras e mil tardes
Sem jamais em sua alma esvoaçarem
Os extasis divinos, os delirios
! y
Que a natura nos votes a alma insullla .. .
JOtí LITTERATURA.

MARIA , díu/Aun..0-0.
FRAI.HE>TO>i *-
Ah! porque recordar caio* Mo fúnebres,
E em tal dia, senhor?

a tladtcado viura.
ilrania em 4 ..rt.- a tm verão; oft-rt>cido
Sr. J. B. L. D. Satiéclial, domor em me-
no lllm. He necessário.
Kratt-
.lie.na, |.r«-r.i.l«nt« un atxio.la.lu <le Ueiieficancia
e./n, cavalluiro da Legüo de lloura, olc.,etc; por
Ia. A. Burgain. ( Marta estremeci; t Vieira prottgut. )

vibira . <- psrte. Derribado entro mortos inimigos,


Exangue, roto o ferro, lacerado
Ja muito diffcri; hu mais que tempo De feridas, aos golpes dhum cobarde ,
De fallar com Maria. De Guilherme, acabou.

MAitu, à parte. MARIA.

Esse mvslerio... Guilherme ! ! E pôde-


Encarar o malvado inda coberto
(Alto,)
Sós estamos, senhor... Mas qual a causa Do sangue dc meu pai?!
Dessa perturbação? Algum desastre
Talvez... vieira.
MKIUA.
Nao m'interrompa».
Socega, filha; e escuta. Com tres filhos, e tu ainda infante,
Do mortyr a viuva inconsolavel
MAMA. Ficara. Com coragem sobre-humana,
Ah! falia. Abrasodo no sonto omor da pátria ,
VIKIIU. E ardendo por vingar o caro esposo ,
Seus tres filhos armou; e, contra o seio
Dez annos haverá que, nestas plagas, Cingindo-os, entre prantos e suspiros:
Do Rrasil alguns filhos desditosos, » Parti ! ( lhes disso ) os nossos oppressores
Por longa guerra exhaustos, conlra os Batavos » Mataram vosso pai. Ido vingal-o I
Hum derradeiro esforço inda tentavam. » Jú moribunda chama a liberdode
Foi n'buma dessas lutas sanguinosas » Ao campo da batalha os Brasileiros.
Que teu pai, meu amigo, o bravo Telles,.. » Adeos, filhos 1 »
Partiram. Sua sorte .
Sabes qual foi , Maria...
vci no
(•) E«te drama foi reprosontado pala primeira
llii-nlro tle S. Podro d'Alcantara. Como filhasse cotnplo-
lamento o desempenho, o publico não pode julgttl-o; e MARIA.
todavia , levado tle sua costumada indulgência , dignou-se
ilir ii|iplunilil.o , principtilmonto no fim. O' desgraçados I
No dia seguinto , ilisso-mo o Sr. Uomairo quo llio da-
ria ropotiç.&o, pois ftita applaudido não olmtanto a mi
.íxocitçúo ; uutorisou-ino pura aniiuncial.o ; o assim o fiz. vieira.
Porem, essa segunda representação não se podendo offoc.
tuar logo, por causa do algumas mudanças quo necessitavam
nova dticoração, ele , rcsolvi.mo a rotomar o mou dra. Desgraçado não hc quem pela pátria
ma , afim de ainda mcllioral-o quanto om mim couber. No campo da peleja acaba os dias.
£ agora, só depois de concluído osbc trabulho, o que nao
Tua mãi desditos» a tantos golpes
pddeser tio cedo, ho quo oftorocerei novamente ao publico ,
caso ainda osteja para aturar-mo. Resistiu , porque tu , infeliz urphüa !
Entretanto, se ou mo não tornar muito enfadonho, Dos seus desvelos inda carecias.
irei dando ( tal o qunl) aos loitoics da Minerva alguns
trechos da minha peça , pedindo muita indulgência , sendo Os Batavos, passados alguns tempos,
quo escrevo 11'liumu lingua estranha ; e os versos do Tomaram Nazoreth ; e tão odioso
Fernandes Vieira sio os primeiros vorsos portuguozos que Seu jugo so tornou , que exacerbados ,
subiram da minha penna.
Os Srs, directores dos theatros provinciaes quo quizerem Os tristes habitantes resolveram
.ovar esse drama á scena , podem mandar fallar com o Fugir dos palrios lares, e no exilio
autor , na rua do Ouvidor, 1 ° sobrado, entrada polo becco A' presença furtar-se dos tvrannos.
das Cancellas n. 3.
O Autor, Oh I quem pintor poderá os soffrimentos
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LITTERATURA. 307

Com que lutar haviam , foragidos vieira , pegando na ma, u Maria,


Por entre vastos paramos, campinas
Stervis , plagas aduttas; como férat Dormem sobre hum volcao nosso, ulgote»
Acoçados; morrendo à fome , a sede . Vais breve retumbor no sino elerno,
E do sol pelos raios devorados I Hora da liberdade e da vingança!
Horrível espectaculo I Inda vejo
Pollida , exhautla , a filha piedosa , MARIA.
Sem pranto, semi-louca, dando a custo
Ao cadáver do pai a sepultura ; Que dizes? Grande Ueos!
A mai, desesperodu , moribunda ,
Estancadas do seio as puras fontes , VIRIRA.
O lilhiithii com MRgua ornamentado.
Oh ! leii/<-s aqüelles que na morto
Eis o motivo
Termino a tantos males encontravam! Por que dissimulei. Oh !
que nao sabes
Quanto hei soíTrido, quanto me custava
M.VItlV. Acolher com semblante prazenleiro
I. minha mai! ! Esses piratas, eu que aos pés
quizera
Calcal-os! Porém todo o sacrificio
viriiu. Fácil se torna aquelle que forceja
Por sacudir hum jugo vergonhoso;
A taes padecimentos E jú dez annos que esto projecto
Havia succunihir; e nestes braços Abrigo no meu peito ; ha jà dez annos
Expirou , confiando a meus cuidados Que jurei libertar esta provincia ,
Huma filha... eras tu. Ou sob as ruinos delia sepultar-me !
Mas descoras... Maria !
MARIA.
maria , resoluta.
O' dór eterna I
Uo combate
( Lança-se soluçando nos braços de Vieira.)
O signal quando sóa?
vieira . segurando a Maria com hum braço, t
estendendo o outro. vieira.
Maldição ! maldição sobre esses bárbaros Talvez breve.
Que, dus nossas riquezas sequiosos, O coronel Vidal da nossa empreza
Ue Pernambuco o solo afortunado Partilha a gloria. Por Telles da Silva ,
Alagaram com lagrimas e sangue! Primeira autoridade da Bahia,
Maldição sobre aqüelles quo talaram Foi-me enviado.
Nossos campos, e em ermos pavorosos
Transformaram cidades florescentes! MARIA.
i I
'
MAHIA. E nada me disscsle
Sim ! fulmino o Senhor os desalmados VIEIRA.
Que a terra nos roubaram , que no sangue
Uos meus todos... O socego roubar-te nao quizera ;
Mas o tempo he chegado. Os nossos hospedes
vieira , atalhando-a. Quasi todos silo sócios que huo da os ferros
Spedaçar ou morrer.
A palma do martyrio
Ganhou tua familia ; e seu denodo , MARIA.
Sabcrás imital-o, desprezando
Os perigos que cedo vão cingir-nos. E os mais ?

MARIA. VIEIRA.

Ah I falia | Estremecer toda me sinto. Conheço


U)
308 LITTERATURA.
vieira.
todos
Seu ódio aos Hollandezes ; e com
Posso conlar. -
Digna dos martyrcs
MARIA.
Do quem o ser bouveste. e cujos manes
clamam: Vingança! Vai. ó lilha!
Imitii
Por.-m... e calco
Para o festejo odereçar-te;
VIEIRA.
Vãos temores, que o ceo por nos peleja.
Maria , que saht; e Üfeis
Qualquer que seja ( Dá hum beijo tm
o futuro nos aguarda , aclama: )
A sorlc que
dos bens o mais precioso . !
Fiear-nos-ha
— A gloria ! — Se Vieira suecumbir, ha de amparar-to
MARIA.
Acto 1.°, setna 0.
Descansa , que Maria
Scrà digna de ti
I

' *
luuüiinnn
„„,.,„ *** «•¦¦ "'" '—

M*&M &M^W$%

lliiiu.t palavra ao lllm. Sv. Bra*r> baseados sobre a falsificação de lactos , argumeu-
tos insidiosos, intentam prejudicar-nos para com
leiro nato. as pessoas que nos não conhecem. A tríplice ai-
liança que ressumbra em todo esse apparato ma-
ligno dá bem a entender a impotência de hum¦
pparecbu no Jornal do Commercio dc 33

là: de janeiro deste anno hum longo artigo


- —^que, simulondoser huma refutaçao ao que
escrevemos na Minerva , sobre o ultima exposi-
refutaçao ás ideas que emittimos na MluaVA .
e a cegueira do nosso compatriota na defesa do
seu cliente.
Admira sobremaneira que o Sr. Brasileiro nato
vio-
çfio das bellas artes, não he mais que hum
lentíssimo otaque individual , escripto pela ce- que se diz idealista , e hum dos membros da pro-
gueira do huma antipathia gratuita. paganda das luzes , depois de confessar ter lido o
Não tínhamos a menor tenção do responder a nosso artigo, se apresente em publico com buma
tantas falsidades, porque não he de nossa natureza impavidez extraordinária , dizendo a aquelles que
lutar com o vento , visto que sou uutor se onver- não leram a Minerva cousas totalmente oppos-
tas ao que escrevemos : se a imprensa lhe não
gonha dc apparocer om publico; poróm alguns ami- servio de vehiculo para atirar-nos suas seitas bor-
gos nos convenceram da necessidade de huma res- vadas, porque se esconde e leme a luz do sol .'
: Ca-
posta , tendo em vista a máxima ílorcntina Se a sua diatribe nos provasse quo o David .
lumnia , calumnia ; quando o carvão nao queima,
suja. do Sr. Moreau contem belleza* d'arle , qne seu
autor conhece a construcção do corpo humano ,
Quatro pensamentos dominantes pairam sobro novos.
ii todo daquelle artigo , que tendem com muita quo hum homem fabricado com músculos
arto a enfumaçarem nossa carreiro artística , e com articulações falsas , r-pni Uil_p'i_içâo pôde
BELLAS ARTES. 30!)

em seu nome arrumássemos a sua epo-


caminhar, nos convenceríamos e darianio» por ma- cia , o -¦• . hum deposito sagrado *o
sa , i*i.-_.ii por-
liado a qucslõo.
viainoi » gaulm da vinte ou trinta uni
At quesloes artístico» devem wr tratada* de que nelle
l>« tOlm que nao. Pintarei c-lran-
i.utra maneira; mai nem se quer huma palavra réi»? !!!....
*er aquella o plivsioiiomia geiros temo* aqui muilo siiperiore» ao Si. Mo-
que no* convencesse a reuu e mui» mitigo* no terra du qm> elle , que
doi, homem do oriente, e que pi a IBM qoe ,
iblomvde grega, ogladioe capacete romano*»eiii- nunca tiveram o menor queixa de aòa, a com
vestes d»« filho» de temo» vivido em pt-ifeita harmonia.
pre tizeram u oínulo e ai quem
o nosso compatriota no* esperança* que
llethlcm e tio gigante ; que o colorido era nalu- Folia
concebeu rom a nu«su idu ú Europa , e principal-
ral , o corroborasse sua refutnçao com oulorida- artes. Da bum
imuiutaveis da itn-iilo it terra eUpM das bellu*
de* clássicas , e com os principiei
eslbetico. nxioma falho entre o* mestre» , que Hotno só io
em dez meiea , ou em dez annos! Nó»
O nosso compatriota conilituo-ie hum Uioni- podo ver nem outro espaço
*io , colloca-nos no abysmo de sua orelha colos- nao podemos obter nem hum
e a nao scrum os Srs. conselheiro* J.
sal, o nos forço com inveclivas a adiar bom aquil- de tempo ; teríamos
J. du lloclia o A. V. de Drumiiiontl
Io que está na linha da» grandes mediocridade»:
caverna da inveja amolando a te- apenas tido tempo de olhar e nada vér, porque
t-lle nos vé ua
nascemos com essa perspicácia que o céo
soura para cortar o pavio de todos os cirios res- nao o aoi de
apparecendo no templo deu em partilha ao nosso compalriola
plantlecentes que forem raça privilegiada
das artes, o pretendo com sua extraordinária in- sua
Deos livre ao meu compalriola de passar pe-
lluencia nos metamorphoscar cm hum monstro mas em todo
tal qual seu entliusiasmo de empreitada lhe or- Ias amargurai por que passámos;
denára : atira-nos algumas pedra» e se esconde ! esse período
de privações ate praticámos huniso
acto desbonrasse o nome brasileiro.
Como he nobre e corajoso! que
be hum astro , nao fa- Temos defeitos como homem e como artista ,
Se o Sr. Moreau pôde
mas nao somos perverso , nem nos damos por
zer sombra , se elle rcllecle a luz do sol, lambem
artis- humu suininidade dizenJo : Eisaqui huma obra de
nflo a far ; o sol he grande , o seu vulto
como na Urasil ainda se tiüo ti..
lico pequeníssimo , c a terra espaçosa. E que som- punho ,
Diz o nosso patrício nue o tempo das illusoes
bra nos podo fazer quem ignora a construcçào do
o nós lhe diremos que elle passará.
corpo humano , a perspectiva , e quo nao hegran- já passou ,
Huma nação nova não se esclarece sobre us artes,
de cousa no debuxo , como o provam suas obras
sobre o ultimo elemento da civilisação , com hiiin
cheias de engrimanços ?
rasgo de pena ononyma : suas illusoes nao vem a
He mui fácil, meu patrício , o dizer à boca
se desvanecem como relâmpagos ; e nao ha homem
cheia : vós sois islo , fazeis isto , o intontais isto I
ho capaz nenhum na carreiro das artes que deva sua posi-
De certo que o meu compatriota não
ao acaso, porque nas arles, como niiiito bem
dc citar hum só facto verdadeiro no nossa vida çao talento.
de Artista quo prove perseguição ao talento. O
disso , nflo ha outra influencia além do
Crimina-nos 0 nosso boin compolriolu o ter-
mesmo Sr. Moreau so fosse consultado não era architecto e de bus-
mos sido retratista , pintor
capaz de o ülTirmar sem prejuízo da verdade. nos classificássemos
tidores, como que
l-orque muitíssimas pessoas sabem que, logo que querendo
em huma especialidade , sem se lembrar que n.t
elle aqui chegou 0 que nos procurou , não tendo
do nossa terra ainda nao lia especialidades ; o que
nada que fazer, lbe encarregamos da execução
desgra- o seu cliente também já fez o mesmo. E para
lium quadro representando o FICO, cuja de baitido-
reprovada , que, que chamai a scenograpliia pintura
cada composição foi de lal sorte res? Antes bum bastidor do que culumniar
apezar do nossa resistência, fomos obrigados por pintar
hum homem , antes compor bum scenario do que.
ordem TERM1NANTE a não oxpol-o ao publico, a ho-
da servir de testa do ferro e de instrumento
eomo o podem attestar pessoas mui dislinctas cuja moral
tralia- mens
nossa terra , e mais de cem olliciaes quo os
So na restauração do theatro OBipregâmos
Ihavam na vnr.in.la. Ila poucos mezes o mesmo mais babeis encontrámos nesta tida-
franco o li- homens quo
Sr Moreau elogiou o nosso caracter não som-
a muitas respeitáveis, em negocio de, se dous delles erum estrangeiros,
beral pessoas fossemos bum simples feitor noquelles
seu de. arle , e no qual elle representou hum pa- gue quo Arripiam-se-nos as carnes nos
trabalhos. quando
bel de certo tristíssimo para liuma tão grande olguem ,
lembramos da paga que tivemos por que
Summidade. Potlorá o Sr. Moreau ou outro qual- com ns lagrimas nos olhos nos dissera : Ml» vós
embaraçámos a exc-
quer artista dizer que lhe eii tinha rec/etado no escuro, e tedtuWtmbido
cução do alguma obra , que lhe tirámos hum pão somos nós por.egutdffl.ci de es-
a seus lilhos, que o diflainâmos por toda a parte, de miséria! E
ausen- tra ngeiros?
ou que entrássemos cm sua casa, na sua
sio BELLAS ARTE:?

Scra algum anti-patriota aquelle que vai bus- Foi dc certo demasiada fineza dos Francezes ,
car o mérito ignorado , que o faz conhecido, para com huma nullidodo,a reprodução do nos-
»o primeiro Irubalho sobre o estado das artes nu
que o ujuda com sacrifícios próprios e o preço-
niia por toda a parte ' Ura.il , em alguns dos seus jornaes; e extraor-
E neste jogo de indignos intrigas nunca iIiimi ..i o mandarem traduzil-u nas gazetas de S.
porque
so fallou nos Brasileiros que tombem alli traba- Petersburgo , Nápoles, Madrid e outras, e «té
Iharom ! mesmo na nossa terra. Seria ainda essa demasia-
Nao foi neiio empreza onde so formou euvul- du fineza que excitou ao autor da Historia dus
tim o actuai occnogrophico do theolro de S. Pe- Cruzadas a nos pedir que fossemos tratar das
dro , que fez o palácio das esmeralda»; e que pin- questões mais transcendentes da arte no congres-
cel in os vigoroso, que loque de estrangeiro en- so europeu , e que disséssemos alguma cousa so-
Ira om comparação com o do Sr. professor Carvalho. bru a architectura religiosa no lirosil! I. do quem
O nosso patrício na sua febre du decomposi- meu patrício pescaríamos dc orelha nossas idéas 1
çflo da verdade falia do prêmio o do gloria ! So Seria das obras escriptos pela sua pena? Ptfru que
houve glorio nao lhe he cila mais caru ao seu tanta indignação, tanta impudencia e tanta li
coração o ser gonba por hum do seu paiz; pois queza. Nao vé o meu compatriota o tristíssimo
para quem será a floria de hum Turco ou de hum papel que representa perante a sua pátria?
Francez; de certo que nao será para o Indosláo Vé, ve: e por isso escondeu o seu nome : co-
ou a Turtaria : cinquoiito ao prêmio, Ueos lhe dé barda , três vezes coborde.
o mesmo o seus resultados em todos os trabalhos Valha-nos ao menos o esquecer-lho do dizer
que einprehender. que tan.hem perseguimos aos nossos patrícios ; mas
Poderia o architecto que decorou o theatro de essa missão elle reserva para si.
S. Januário fazer uquella obra só, e em tno pou- Ilesla-nos a fallar da nossa ausência na expo-
co tempo ? Nuo foi ella executada por artistas siçAo publica de 18,0 para cít. Em 1838 toma-
brasileiros que se crearam de 18)18 para ca, e mos conta da restauração do theatro de S. Pe-
quem os creou nesse gênero de pinluru ? Em- dro dWlcantara , que se abrio ao publico em 7
quanto ao que diz o nosso compatriota que iIla— de setembro dc 1839 ; e lá trabalhamos até abril
qttiassemos a boa fé dos estrangeiros que traba- de 18,0. Ue abril de 18.0 até julho do mesmo
Iharam comnosco , isso só o póde dizer hum ho- anno fizemos hum quadro c alguns retratos pura
mem sem honra , e que quer a toda a prova des- ganhar pão ; porque os lucros do theatro os de-
truir aos outros aquillo que elle nao possue nem sejamos para nossos detractores. Em julho de 18,0
póde dar, u probidade. A collecçao do Despir- fomos encarregados da construcção da varanda
tador está na bildiotlieca publica , e nella se en- para a sagração , e findámos essa commissão em
contra hum documento lirmado por nós, cujo Iim du 18U. Cm 18,:. começámos a preparar
lonleitdo attesta nossa imparcialidade o justiça. a tela para o quadro da sagração, e nesse mes-
Sentiu amargamente o nosso compatriola nAo mo anno demos o projecto do collegio do anjo
poder dizer outro tanto sobre a galeria que nos Custodio , decorámos huma sala que findou cm
mandou construir o governo imperial para a sa- 18,3. No anno passado são tão publicas as com-
.-'ração , e anticipa-se sobre o quadro quo ora missões do quu fomos encarregados, quo escu-
1'xecotamoa, chamando-o decantado. Se o nosso santos fallur nellas.
patrício fosse hum homem entendido na pratica Ora o nosso patrício sabe bem disto tudo ; elle
dus artes, nuo diria semelhantes hlasphemias: huma conhece perfeitamente a marcha de nossa vida ,
pagina de 36 palmos com mais de ICO cabeças e ainda nao contente , o nunca estará , quer
que
nuo se improvisa, mormente quando aquelle possamos produzir alguma cousa para as exposi-
que
a executa he cativo a oulras obrigações , a tra- çóes na academia , tendo exposto tantos traba-
billios que todo o mundo não ignora. lhos ao publico, o trabalhos náo vulgares na vi-
Emquanto aos factos que an.ibipamoi a nos- da de bum artista.
sos detrnclores , emquanto a essa política dos Emquanto ao querer o nosso patrício que os
Iriincczcs para com o unieo pintor brasileiro nossos elogios sejam escriptos com a mesma sin-
que
se achava fio instituto , sim dessas subidas mes- ceridadeda critica, nós lhe agradecemos a ironia :
quiabas, dessas sagacidades achadas na longa pra- cada hum por si se julga.
tica do olíicio de inverter idéus, o cultivar a O nosso crime he grande , sabemos , e deve-
pu-
lavra como meio tle disfarçar d verdade. E os mns ter perseguidores: hc tarde , já
juramos tri-
pintores das oulras nações que lá estavam , por- lhar nossa vida cm oulra estrada : seguimos o
que nao foram encarregados de fazerem o rela- partido contrario do Ueos do mariolismo , a ainda
torio do exposição publica de 1833, temos alguns sentimentos, inteiramente oppostos
pois só o
Brasil poi ser Brasil he que mereceu essfi po- aos dos nossos detractores.
lilica dos Francezes are hoje ? Nós temo; procurado .Ilustrai o paiz com o
[T^^V^T^;
¦¦¦'¦¦ ¦¦¦'¦¦

BELLAS ARTE.*.

;."ti." quo possuiiutis; tomandu a pena fazemos


huma m-< ..-..'. ua linha quo liga o philosopho ao ritn.iti: \ du i
..tii-it.t: temoa levado às nnçoea estranhas o no-
me de alguns Bruiileiros illustres , ornado a sua rota
Ironle com a coroa da immoiliilidaile da melhor
maneira quo pudemos ; e o nosso dotroctor faz 3©SJ A&traMfll _lir_f-_._fi2JL2j,Io
n ,,nii.nt. elle quer trí-vas, porque nas trovas
iò pode brilhar o ioNCtO pútrido com o phos- pot-«ip d'AHU adft rt ornttrr. w iKWOm..
phoro do sua corrupção I Itio do Jinoiro, 11 da inirço da JlMI (annirsrtatio da *. K. I)
Meu patrício, o cascavel quando está irado ,
por mais quo ia esconda nas entranhas da ler- ...Kl ilicmii ia-iti|Mir: iiiagitl-kciiir
ra, náo deixa de chocalhar o guiso da sua mu- llniiiiiiii», i|in diligiinl Milutar-i
da. Se no sou coração ha ainda hum resto do muni,
PIAI.M. 70.
patriotismo , nao soja instrumento de ingratos ã
terra quo lhes da o pau, de hipócritas disfur-
çados ; abandono t-ssa linha onde so arregimeu- |0 suo passados mtiilos me/es dopoi» que
tam as sanguesugas, que depois do engorgitodas ca- hum grande infortúnio so antolhuva iiiiuii-
liem no oceano o dcsapparocem. Nao defenda o neitte nos Brasileiros e a todos quantos vivem
charlatanismo o aquelles quo no fundo do sua ,i somhru hospitaleira Ju realeza o da constitui-
.ilm.i despri-zain os Brasileiros como huma raça çaõ do Império, llumo grave enfermidade ennoi-
sem honra o sem capacidade para marcharem as lava os bellos dias da importantíssima existência da
idèas arcbctypas. Imperial Princeza , d**M vida preciosu que he hum
Nõs possuímos fados, c todo o tempo ho bom dos cocflicientcs tlu ventura publica. A tristeza
-. o o sobresulto rcssumbruvum nos semblantes, u
para subirem à luz mos todas as oceasioes nu o
são opportunos : lemos factos, o factos que nr- nenhum homem sensato, nenhuma alma gene-
ripiurão as carnes do todo o homem quo tem rosa e capuz do avaliar os bens que Iraz u per-
hum coração quo bate por amor do Brasil. |ii-iniil,iili- tl.ii iltii.niin deixava de experimentar
Folhêc-sc muito embora no Alcorfio de satanaz, as inquietações du alternativa , tio temor e dc es-
procure-se n'elle 6s paginas mais eloqüentes da perança que o cruel moléstia de S. A. I. causava.
calumnia , as máximas mais poderosas du ortima- So outras provas não houvesse da viva adhesão
nho.... estamos firme c sem medo; porque buma dos Brasileiros a dynasliu reinante, o cuidado
vida de combates jã nos habituou a todos os re- assíduo, o terno interesse, o vivo onhelo dus me-
vezes. IhorasdoS. A. seriam outras tantas demonstrações
Laborum desse amor que lhe consagram , hoje mais refloc-
Nulla mihi nova nunc facies inopinavt surgit: lido c acendrudo do que nuncu. l.m taes senti-
Omitiu prwctpi , atque animo mecum ante peregi. mentos aehuriumos a mais fiisanto o cubai refutaçao
Virg. Canto 6. do paradoxo emittido por hum illustre diplomata,
acreditado junto a esta corte, o quul avançou
Cabe aqui o nosso agradecimento a dous dis- quo a monarchia no Brasil oro hum interesso o
cipulos quo durante nossa ausência tiveram a não huma convicção , asserto que depois foi modi-
nobre coragem do al.ron.arcm tantas injustiças ficado por explicações platisiveis que S. Ex. se
contra o seu mestre: este arrojo prova ao pu- vio na precisuo do dar ao publico cscundulisado por
blico a indignação doquelles que vivem comnos- hum juizo, que lhe pareceu tanto mais notável
do huma dus
co , o são testemunhas ocularos o companheiros quanto que feito pelo representante
de nossos trabalhos. republicas liinitrophes, e do huma republica em
Dô-nos Deos melhor saúde , que em tempo da- cuja folha semi-ollicinl foi publicado btim artigo
remos 0 mais soleiniio desmentido que so podo em quo so dizia quo já era tempo de reconhecei:
dar ao nosso patrício o a seus espíritos santos a independência do Bio Grande, de aetivar ,i
dot orelha : esse desmentido ha de ser com hum revolução quo devia tleinocralisar o pai/, quo
facto. demora entre o Prata e o Vnuizonas, ete. etc,
artigo que o Sr. Dr. Sales Torres Homem con-
Quando nascemos , não foi dentro do huma
bolsa de dinheiro ; foi no solo do Brasil ; a fiilou no Despertador, entüp por elle dirigido,
nossa pátria he esta , o por ella faremos todos os mostrando que só o principio monarchico podia
sacrifícios que pudermos; porque he nosso dever salvar o Brasil , o que a falta deslo principio ti-
e obrigação. nha.dado lugar as inauditas dçígraçai da que tis
Araújo Porto-Alegre. estados americanos tem sido o theatro. Sem tal—
lar em muitas outras manifestações da convicção
«a O ** e iitlliesão monarchico dos Brasileiro*, observa-
312 BELLAS ARTES
Dormiam cum patribus mtis! O veo tanto do
temos que e»le sentimento nio excluo, ante» »up- bvmeneo nio cobrirá o meu »emblante , náo me
poe o i>atriotiimo. cen- terei forçada pela política , que tanta» vezes ty-
No monarcha se ama a pátria , a unidade rannisa os príncipes , a dar a mão de esposa
u .1.v..la , o primeiro representante da naçlo, o
sem que os votos mais intimo» da minha alma
cidadão privilegiado, a fonle plenária e salutar
èra o aspirem , e a trocar o doce nome da pátria mi-
do» poderes em acçao. A realeza, ante» da
nha por outro ttuo talvez me nao agrade. Dor-
dos governo» repreienlalivo*, era a salvaguarda ,
miam cum patubus mtit.
a protectora do* povos, porque o christianumo
Mas todos estes presenlimentos , filho» do re-
lhe tinha frito perder a Índole do despotismo asia-
o ceio de perder-vos, se desvanecerão diante do
tico (no China fora por longo tempo benéfica vosío restabelecimento suspirado, ô digna lilha
da humanidade,
popular). Na grande emancipação do grande homem dos dous mundos ! Nós vos
ella contribuiu muito para subtrahir o povo ao
medida que o» caítello», vimos piedosa e humilde render graças ao Senhor
jugo do fcudaliimo. A" da vida e á immaculada Virgem pelo beneficio de
as ameias e as torrinha» desabavam, a realeza
conservar-vos a existência. Pareceu-nos ouvir de
»c erguia ma.» alto . eo povo tinha mais franque-
vossos lábios: Domine, Dtut meus, clamavi ad
zas. Se taes sao os benefícios que lhe devo o povo,
le , et sanasti me I Psalm. 70 ). E hoje e»tâo con-
e se he certo que agora, de mAos dadas com a
liberdade, tende ¦ assegurar-lhe toda a espécie de vertido» em alegria tantos temores e anxiedades.
e preciosa Hoje raiou o vosso fausto anniversario , e no
garantias, quanto nio deve ser cara meio das demonstrações ofliciaes do júbilo da corte
a vida das egrégia» personagen» que afiançam a
duração dynastica ? Quão grandes males podem nao ouvireis por certo votos mais puros, mai*
seguir-se de huma desgraça se o» penhores da ardentes do que estes que no silencio o ásom-
ventura publica nôo forem numerosos? Luiz o bra de nossa nullidade fazemos pela vossa ven-
Grande se aproximava ao termo da sua carreira tao tura , saúde e alegria. O presente veio consolar-
longa quão gloriosa; a guerra que tanto amara nos na recordação do que o passado tinha de af-
»e conspirou contra elle, o a Fronça pagou com flictivo , ao momento em que damos conta das
muitas humiliaçocs a vaidade dos seus passados harmoniosas queixas das fervenles supplica» que
triumphos. Mas o magnânimo rei ainda se conso- almas generosas elevaram aos céos quando sobre
lava no meio dos desastres ao contemplar a os vossos dourados dias se adensava a tréva im-
numerosa descendência que deixava. Eis que esta mensa. Se o sobresalto desordenou as nossas idéas
ventura se esvoece de repente. O anjo da morte a ponto de nos não ser possível reduzil-as a nu-
visita u pousa nos regios aposentos de Versalhes: meros pooticos, essas almas nüo mais ternas do
de inspiração ,
Thcresa , Luii, Adelaide expiram.—Princeza bra- que a nossa , porém mais ricas
sileira , inclyta descendência de Luiz o Grande! souberam modular cantares lamentosos que sem
tom quo susto não te vimos acommcttida pe- duvida chegaram ao conspecto do Ente Summo.
Ia cruel doença ! Como a gravidade do perigo Este foi o nobre fim de varias composições dos
augmenlova no conceito do receio! Quantos se Srs. Emilio Adôt, Teixeira o Souza, O. Z. O.
náo lembrariam dosse anjo que no empyreo obtém e outros poetas. Grato nos lie portanto publicar
indultos para a terra que lhe foi pátria, da se- as preces do primeiro postas em musica pelo Sr.
renissima Sra. D. Paula Marianna, flor mi- Noronha, sentindo que o autor da letra sopeas-
mosa quo ainda mal desabroebada soffreuoduro so tanto os vôos da sua brilhante phantasia. Ver-
corte I Quantos nio julgariam lél-a visto , revés- dade he que, como diz Lamarlino , a oração,
tida das cândida» e immaculadas vestes da in- por isso que he o acto mais intenso da alma ,
nocencia (Ia creatura bella bianco vestita — Dan- deve também ser de pouca duração ; mas não he
te) acenar-te como saudosa de tua amável com- menos certo que esse acto he o mais puro, santo
panhia , chamando-te á vida que não tem morte, e bello que se pôde imaginar. Vejamos as ricas
ao esplendor tem noite, ao mundo cujo sol se imagens e as esplendidas expressões com que hum
não ausenta o não se eclipsa 1 Quantos se nfio grande poela nol-a pinta , c sirva esta citação
figurariam ver os vossos olhos privados da luz da de correctivo á triste aridez do nosso artigo:
formosura , da bondade e do talento, ou mesmo
ouvir-vos dizer cm débeis vozes: O myrrhe , o cinname !
Dormiam cum patribus méis. E a grinalda da Nard cher au,x époux !
innocencia pousará na minha frente , e com o seu Baume, élher , dictame I
frescor dará doce refrigerio á febre em que ardo ! De 1'eau , de Ia flamme ,
Antes de sentir as penas e cuidados de mli , de Parfums les plus doux!
«•sposa , deixarei esta vida cujos mais doces senti-
mentos contém lagrimas t Minhas entranhas não Pies que 1'onde arro.se
serão despedaçadas nem minha alma confrangida I Vapeurs de 1'autel 1
BELLAS ARTES. 313

Lévrei de Ia rose, algum dia a altura do* grande* Ivriioi. Conto


Hu I iilieillu pose o homem cuja recente perda boj«* deplora a
Sa boucbe de miei França ( Caiiniir Delavigne) , o Sr. Adét une
ao cnthu*ia*ino lyrico huma decidida paixão -,.¦-
Ia poeaiu dramática. Huma composição tem elle
ii.l.-urs immortelles desti! gênero , cheia de movimento ¦¦ vida, que
Que les Ariels, l.tbi*z revele , quando appareça, lium novo rival
Archange» iidélei, de V. Hugo u dn Alex. Dumas. A cançoneta O It-
Prenncnl »ur leurs ailes rio foi paraphraseada pelo Sr. Noi hei Io , homc-i-
En venant du ciei ! metrificada pelo Sr. Dr. Simoni, e apezar diuo
. mai» gostada pelos leitores broiileiro» no origi-
ii ti I francez.
De 1'auguste iphére Seja-nos permiltido agoro tralar da musica du
Par funis, qu'é tei-voui; Priére o do seu autor. Aos que por incunipe-
Pré» de Ia prière tente quizes»em recusar o nosao juizo a tal res-
Qui dans Ia poussiére peito, poderíamos demonstrar mui facilmente que
S'épanche u genoux ! o termo» pouco vitto em tal matéria nuo no.
• Kicf. Hugo. inbal.ilit.1 para julgar do mérito dc bum artista,
quando a sua reputação e outras circumslancias
nos podem illustrar acerca delle. Para ser bem
Tudo quonlo ho do mais suave, bello e liar- apreciada ( diz Grétry , que he juiz competente
wonioso apenas pôde dar hum ivmbolo imperfeito na matéria) , a musica precisa unicamente deste
Ja oração. feliz instineto que consiste n'h*um puro dom tlu
O ideul da oração , portanto , só pode conce- natureza. O Sr. Noronha he hum cultor apai-
¦ > l-o xonado da arle. Nascido em Portugal a resitlenle
quem da mais puro o sincera piedade es-
tiver possuído. Se ha obra em que deva oppo- no Braiil do ha ti annos a esta parte, em pouco
recer o homem , e nao o artista , esta de certo tempo adquirio celebridade , e isto pelo» meios de-
que he a oração , pois nclla toda inspiração facti- corosos a bum artista, não á força dc intrigas
cia , tudo quanto mostra o trabalho da arte de- e buixezas, nao exaltado por pregoeiros mercê-
nota a ausência do sentimento fervido que a de- narios. Cheio de ardor o do esperança , possuído
ve conflagrar. de huma paixão verdadeira por tudo quanto he
Consideradai segundo taes princípios, as Preces bello e santo, o Sr. Noronha tomou a peito re-
do Sr. Adét não tem pequeno mérito. Ao fallar duzir as preces do Sr. Adét aos concentos bar-
acerca dellas, seja-nos licito dizer alguma cousa mímicos du musica , e quanto o nós , o fez mui
sobre o seu autor. O Sr. Emilio Adét, Francez felizmente. A poesia lyrica he feito porosercon-
de nação , ho jo muito conhecido pelos excellen- tado. A poesia e a musica eram inseparáveis em
tes artigos quo tem dado á Minkhva Brasiliense, outro tempo : a obra do enthusiasmo poético era
sendo mui digno de elogio o perfeito desinteres- traduzida em notas inelismaticas que Iremulnntcs
se com que este senhor tem collahorado para esta se elevavam ás estrellas,
i
publicação. Em muitos periódicos tem apparcci-
do prosas o poesias do mesmo autor; além de The trembling notes ascend the sky.
outras que avulsas correm , laes como as suas odes And hcavcnly joys inspire.
á Corooçao , ao 7 de Setembro , ao 2 de De- Dkvuen.
I
/cmbro o 6 morte do exímio patriota J. B. de
Andrada. Em todas ellas brilha hum estro tão S. IV. H.
subido , que o Sr. Adét parece dever elevar-se

.
i
-*««e<í»®0*j»*- <_• .
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mroitrvMT-; rvao iiistobho w) braiil.

A hUtori» apregoa como o chefe da famosa ex- D. João I, foi profundo político , e o. tildei,
evpb.nir |«'la primeira vez o rio «Ias sempre s»*us inti-iitos «lebaixo «bis a|iparencias de
p<«,liç. > para candura a franqueza. Grangeou a» vontath-s de ho-
Amazona» o capitão P-dro Teixeira , e he á «Ile
de meta mai» capazes de#seti reino , militares, i-ccle-
que no attribue pelo maior pari»' a audácia
•temelhantfnavpitaçao. en.tanto que o Verdadeiro siasticos ou jurisconsultos , e sobre tudo ganhou
heróe dc-«a «**panio»a empreza loi Bento Rodri- o animo do» povos , cujo caracter conhecia muito
muito bem. El-ltei se aproveitavu delle fazendo-o por
gui* do Oliveira . lilho dn Pará. que por
«•xpenmentadn n«$*a tSpmk de navegação foi no- MB acçao por meios uccultos e não susjxntos , vm-
*A|eMo seu segundo , e ho a elle
qm- se deve todo «Io a suiTciler «laqui , que elle não parecia ser mais
os povos se serviam
ocultado, porque nio so foi quem preparou que hum instrumento de que
.- e*qui|viu a esquadrilha como que dirigio na i que recebia delles aquellas mesmas ordens . qua
vanguarda todo a navegação até á embocadura do occultatnente dictíira. Com sua prudência conse-
com a firmeza o
rio Paganino, «• dali por terra foi elle o pri- guio a confiança dos prudentes ,
gratidão a dos valerosos, e com a sua generosi-
mei .-o que chegou a Quito , nào tendo feito Tei-
xoira outra cousa senão seguir-lhe os passos. Com dade a da maior parte dos seus.
offi-ito tendo partido a expedição do Pará (1673), Elllei era linin desses poucos homens, que ua.;
dez dias dt'(Kiis amotinaiaiii-se os Índios, que se alteram nas prosperitlatles , nem na má fortuna ,
e sem se ensoberbecer nem abater quando a boa
gu uneciam as canoas è quatro voltaram para He-
l*ti! ; Teixeira dividio i-nlao a esquatlrillia em duas ventura sopra , ou acalma , sabia alTectar a seus
divisões, c deu o commando tia primeira , tpie tempos elevação ou modéstia. Assim mostrando-
devia navegar na vanguarda, à Bento Roílrigues se timido , e dando a entender , que queria sahir
eom ordem de aportar onde conveniente fosse ; do reino , fez com que o nomeassem regente : o
c o mesmo Teixeira tomou o conluiando da se- veio a ser rei promettendo títulos , governos e fa-
gundai q'"' áVfia navegar M-paratla , e com ai- lenda» quando apenas era senhor de huma pe-
guus dias de intervallo. Assim navegou a expc- quena parte do estado. Mas nisto foi sobrc-excel-
dição até que llodrigues chegou á embocadura do lente , c he , que sendo grande mestre na arte da
rio Paganino , onde desembarcou junto a hum dissimulação , nunca usou delia senão em caso de
antigo forte , a deo parte BO commandante Tei- necessidade : e ainda que pudera vingar-se de seus
'.xr-ira
inimigos , a todos perdoou , c ainda aquelles , que
para que ali viesse ter; e como Teixeira se
demorasse , tomou llodrigues a resolução de por- lhe faltaram n fé : porque dizia, que á clcmen-
tir por terra para Quito , onde chegou e assom- cia consolida os governos novos , c confirmava est ¦
bro.i a todos pela novidade e maravilha tia sua seu dito com o que praticava.
navegação e viagem. Pedro Teixeira tendo re- ( Extraindo de hum livro velho ).
ccbtdo a parte do seu segundo, navegou para
o lugar indicado , onde também desembarcou , e
deixando a sua gente em lugar seguro e commodo , DITO DE HENRIQUE IV.
partio com huma escolta pelas pisadas de Rodri»
gue-z até Quito, titule chegou para confirmar a
incrível narração do seu iminediato. Eis mais hu... Aooitselhava-ae hum dia a Henrique IV, rei'
facto Importantíssimo do que foi autor bum íi- tle França, que tomasse vingança de algumas ei-
Iho do Brasil. dades rebeldes ganhadas por assalto ; mas o prin-
cipe respondeu : « A satisfação da vingança não
( K.-.ti ntiitlo ilos iiiuiis fciitos inctlltòs libro .t Wójínphia
brcsileiia. 1 dura mais que bum momento, porém a da cie-
l)v. M. mentia lie eterno, »

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