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Série Estudos Bíblicos Ultimato /

Livros: “O Discípulo Radical”, John Stott

Inconformismo > vivendo em (in)conformidade com o mundo


Estudo 1 – Série Livros – O Discípulo Radical, John Stott

Texto básico: 1 Pedro 1. 13 – 2. 12


Textos de apoio
– Levítico 18. 1-4
– Ezequiel 11. 12
– Isaías 2. 6-8
– Mateus 5. 13-16
– Romanos 12. 1-2
– 1 Timóteo 6. 3-10

Introdução
Estar no mundo sem ser do “mundo”. Viver e servir na sociedade que nos cerca, sem assumirmos os
mesmos valores. Eis o desafio proposto por John Stott neste primeiro capítulo. Ele nos lembra que “não
devemos preservar nossa santidade fugindo do mundo, nem sacrificá-la nos conformando a ele. Tanto o
escapismo quanto o conformismo são proibidos para nós” (p. 13).

E no exercício deste engajamento sem comprometimento dos nossos valores, enfrentaremos pressões
que concorrerão pela nossa atenção e fidelidade. Stott cita quatro destas pressões contemporâneas:
pluralismo, materialismo, relativismo ético e narcisismo. Estes “ismos” são alguns dos atalhos sedutores
que se apresentarão como alternativas às exigências do verdadeiro caminho cristão.

A igreja tem enfrentado e combatido essas pressões desde o seu nascimento. Neste estudo, vamos
analisar um trecho da carta que Pedro escreveu para algumas comunidades cristãs do primeiro século,
todas localizadas numa região que hoje faz parte da Turquia. Será que estas primeiras comunidades
enfrentavam problemas e pressões similares às nossas? Como as orientações do apóstolo podem ser úteis
para a nossa situação, nos encorajando a perseverar num caminho de discipulado radical?

Para refletir e entender o que a Bíblia fala


1. Leia 1 Pedro 1.13 – 2.12. Considerando as orientações de Pedro aos seus primeiros leitores, destaque: a)
aquelas que incentivavam a participação e serviço na sociedade onde estavam inseridos; b) aquelas que
alertavam sobre o comportamento diferenciado que eles deveriam cultivar na prática cotidiana.
2. “O pluralismo afirma que todo ‘ismo’ tem seu valor e merece nosso respeito. Portanto, ele rejeita as
alegações cristãs de perfeição e singularidade…” (p. 14). Em outras palavras, o pluralismo questiona a
exclusividade e singularidade de Jesus Cristo como único caminho para a salvação da humanidade. Como
Pedro ressalta a centralidade de Cristo como o único caminho providenciado por Deus para a nossa
salvação (1. 13, 18-21; 2. 4-8)? Observe as imagens que Pedro utiliza, pensando nos judeus e nos gentios
que faziam parte daquelas comunidades (1. 19; 2. 6,7).
3. “O materialismo é uma preocupação com coisas materiais, que podem abafar a nossa vida espiritual” (p.
15). Por duas vezes, no trecho em estudo, Pedro enfatiza o caráter transitório da nossa “peregrinação”
neste mundo (1. 17 – “portem-se”, no grego o termo indica “residência temporária”; e 2. 11). De que
maneira esta consciência de transitoriedade poderia ajudar aqueles cristãos, e a nós, a vivermos uma
vida pautada pela simplicidade e desapego dos bens materiais?
4. “Todos os padrões morais que nos cercam estão se desfazendo… As pessoas se confundem diante da
existência de quaisquer absolutos. O relativismo permeou a cultura e tem se infiltrado na igreja” (p.
16). Pedro não deixa nenhuma dúvida de que existe o certo e o errado, e que os cristãos devem seguir
um determinado padrão de comportamento moral (1. 14-15, 17-18, 22; 2. 1, 9, 11). Pedro escreve
também que os cristãos devem viver “de maneira exemplar” entre os pagãos (2. 12). Como você
descreveria um modo “exemplar” de vida? Qual o objetivo final deste modo de viver dos cristãos?
5. “O ‘narcisismo’ é um amor excessivo, uma admiração desmedida, por si mesmo” (p. 18). Imagine como
deve ser difícil viver numa comunidade de “narcisos”, onde cada um se considera melhor que os outros!
Pedro oferece algumas instruções importantes sobre isso no trecho 1. 22 – 2. 3. Como os cristãos
deveriam se comportar uns em relação aos outros? Como a fragilidade da nossa humanidade (1. 24) pode
nos ajudar a ter uma visão mais equilibrada de nós mesmos? E se de fato nos comportássemos como um
bebê recém-nascido (2. 2), que tipo de vivência comunitária poderíamos experimentar?

Hora de Avançar
Em face dessas tendências, somos chamados a um inconformismo radical, não a um conformismo
medíocre. Diante do desafio do pluralismo, devemos ser uma comunidade de verdade, declarando a
singularidade de Jesus Cristo. Diante do desafio do materialismo, devemos ser uma comunidade de
simplicidade, considerando que somos peregrinos aqui. Diante do desafio do relativismo, devemos ser
uma comunidade de obediência. Diante do desafio do narcisismo, devemos ser uma comunidade de
amor. (John Stott, p. 20)

Cada geração quer que Deus dance conforme sua música. E cada geração se queixa de que Deus não
cumpre suas expectativas – como crianças entediadas e chorosas. Mas é Deus quem faz exigências a nós,
não o contrário. É Deus quem nos inclui em seus planos, não nós que o incluímos nos nossos. (Eugene
Peterson, Um ano com Jesus, Ultimato)

Para Terminar
1. Podemos considerar o pluralismo e o relativismo ético como os dois lados de uma mesma moeda. Muito
provavelmente, as pessoas com as quais você convive todos os dias sofram a influência destas duas
tendências contemporâneas. Como o seu relacionamento com elas poderia ajudá-las a entender melhor
a singularidade de Cristo, e a necessidade de uma vida pautada pela obediência a Deus? Que qualidades
devem caracterizar seus relacionamentos para que esta influência positiva aconteça?
2. De que modos o materialismo pode estar se instalando sorrateiramente na sua vida pessoal e familiar, e
também na vida de sua comunidade cristã? Você consegue discernir sinais deste comprometimento com
uma preocupação desmedida com os bens materiais?

Eu e Deus
Ensinai-me a viver vossos preceitos;
quero guardá-los fielmente até o fim!
Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei,
e de todo o coração a guardarei.
Guiai meus passos no caminho que traçastes,
pois só nele encontrarei felicidade.
Inclinai meu coração às vossas leis,
e nunca ao dinheiro e à avareza.
Desviai o meu olhar das coisas vãs,
dai-me a vida pelos vossos mandamentos!
(Salmo 119. 33-37, tradução da CNBB)

Leia mais
O Discípulo Radical, John Stott, Editora Ultimato
Ouça o Espírito, ouça o mundo, John Stott, ABU Editora.
>> Autor do Estudo: Reinaldo Percinoto Junior
Semelhança com Cristo – Um molde pra chamar de seu
Estudo 2 – Série Livros – O Discípulo Radical, John Stott

Texto básico: Romanos 8. 28-29


Textos de apoio
– 1 João 3. 2
– 2 Coríntios 3.18
– Filipenses 2. 5-8
– João 13. 14-15
– Efésios 5. 1-2
– 1 Pedro 2. 18, 21

Introdução
Estudando o primeiro capítulo do livro, discutimos sobre aquilo que um “discípulo radical” não deve ser:
conformado. Em outras palavras, tratamos da tensão inerente ao discipulado cristão, que é servir ao
mundo sem se amoldar aos valores contrários ao reino de Deus.

Mas as Escrituras não dizem respeito apenas ao que não devemos ser. Elas se ocupam também, e
bastante, com o lado positivo desta questão, ou seja, com o que devemos ser como discípulos de Cristo.
Neste estudo queremos tratar disso: nosso chamado a vivermos uma vida semelhante ao nosso Mestre (1
Jo 2.6).

Logo no início deste capítulo Stott compartilha conosco que ele “gostaria de compartilhar o que tem
feito [sua] mente descansar ao [se] aproximar do fim de [sua] peregrinação pela terra”. E continua:
“Deus quer que o seu povo se torne como Cristo, pois semelhança com Cristo é a vontade de Deus para o
povo de Deus” (p. 23). O que significa ser mais parecido com Jesus, à medida que vou ficando mais
velho? Existem áreas ou dimensões em minha vida que necessitam mais desta “semelhança”?

Para refletir e entender o que a Bíblia fala


1. Stott cita três textos bíblicos que, conjunta e respectivamente, conformam “três perspectivas (passado,
presente e futuro) e todas apontam para a mesma direção: o eterno propósito de Deus (nós fomos
predestinados [Rm 8.29]); o propósito histórico de Deus (estamos sendo mudados, transformados pelo
Espírito Santo [2 Co 3.18]); e o propósito escatológico de Deus (seremos como ele [1 João 3.2])” (p. 25).
De que forma este conhecimento de que Deus cuida de toda a sua existência, na verdade até mesmo
antes de você existir, pode lhe dar mais ânimo e ousadia para “andar como Cristo andou” em cada uma
das áreas de sua vida?
2. Ainda que a encarnação de Cristo seja um evento único, sem necessidade de repetição, “todos nós
somos chamados a seguir o exemplo de sua humildade” (p. 26). Em Filipenses 2. 5-8, lemos a respeito
do “processo” da encarnação de Cristo. Ao tornar-se homem, Cristo não perdeu sua natureza divina,
mas abriu mão de ser tratado como Deus, que era. Podemos pensar aqui que é uma atitude oposta à de
Adão, que buscou “ser igual a Deus” (Gênesis 3. 5, 22). Por que temos tanta dificuldade em imitarmos a
Cristo, e tanta facilidade em imitarmos Adão? Se passássemos a imitar mais a Cristo, quais seriam as
implicações para os nossos diversos relacionamentos (em casa, na igreja, na sociedade)?
3. Um aspecto que se relaciona diretamente com a humildade de Cristo é sua entrega ao serviço. Um dos
exemplos mais fascinantes desta atitude de Jesus foi o exercício do lava-pés, durante a última ceia com
seus discípulos, onde Jesus nos pede para seguir seu exemplo (João 13. 14-15). Sabemos que o trabalho
assumido por Jesus era reservado aos escravos, e, assim, Jesus nos ensina mostra que “não devemos
considerar nenhum tarefa simples ou humilhante demais” (p. 27). O que, na nossa cultura, poderia ser
comparado a este “lava-pés” de Jesus? Ou seja, fazer aquilo que ninguém quer fazer, por ser
humilhante ou desconcertante demais?
4. Na base de todo serviço está o amor. Por isso Paulo nos convida a sermos semelhantes a Cristo, andando
em amor como ele “nos amou e se entregou por nós” (Efésios 5. 1-2). Segundo Stott, “Paulo está nos
incentivando a ser como Cristo em sua morte; a amar com o amor do Calvário” (p. 27). Amor sacrificial.
E “andar” nos remete a uma ideia de continuidade, de experiência cotidiana. Que características um
amor como esse precisa apresentar? Um amor assim deve ser sem limites? Ou será preciso, em nome
desse mesmo amor, estabelecer limites e confrontos no relacionamento com o próximo?
5. Somos chamados à semelhança com Cristo também na questão do sofrimento, fortalecendo nossa
longanimidade. Segundo o apóstolo Pedro (1 Pedro 2. 18, 21), o incentivo para suportarmos os
sofrimentos injustos vem do fato de que “Cristo também sofreu, deixando-nos o exemplo para que
sigamos seus passos” (p. 28). Segundo os versos 23 e 24 do capítulo 2 de 1 Pedro, qual era o
comportamento de Cristo quando submetido à sofrimentos injustos? Ao mesmo tempo, existem
sofrimentos e injustiças que exigem nossa reação posicionamento enérgico? Como pacificar essa
aparente contradição?
6. Qual deve ser o modelo para nossa atividade missionária? De acordo com este capítulo do livro, a última
área em que devemos buscar semelhança com Cristo é justamente a sua missão. Segundo Stott, nos
textos de João 17.18 e 20.21 nós nos deparamos não apenas com a “versão da Grande Comissão
registrada no Evangelho de João; é também uma instrução para que a missão dos discípulos se
assemelhasse à de Cristo” (p. 28). O que significa, em termos práticos, sermos enviados ao mundo por
Cristo da mesma maneira que Cristo foi enviado ao mundo pelo Pai?

Hora de Avançar
O propósito de Deus é nos fazer como Cristo. E a forma como ele faz isso é nos enchendo com o seu
Espírito Santo. (John Stott, p. 31)

Quem me segue não anda em trevas”, diz o Senhor (Jo 8.12). São essas as palavras de Cristo que nos
exortam a imitar sua vida e costumes. Se verdadeiramente quisermos ser iluminados e livres de toda a
cegueira de coração. Seja, pois, nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.
(Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, Editora Martin Claret, 2001)

Para Terminar
1. “A pregação mais eficaz provém daqueles que vivem conforme aquilo que dizem. Eles próprios são a
mensagem” (John Poulton, citado na p. 30). A autenticidade da nossa vida, a coerência entre as nossas
palavras e as nossas ações, são absolutamente imprescindíveis quando pensamos em nossa missão na
sociedade. Em que medida esta tem sido uma preocupação sincera para você e sua comunidade local?
Em que áreas da sua vida, objetivamente, ainda é perceptível uma distância considerável entre o que
você diz e o que você pratica? O que fazer para encurtar essa distância? Como a sociedade em geral (no
seu bairro, na sua cidade) avaliaria a sua igreja em termos de coerência e autenticidade?

Eu e Deus
Não adianta me dar uma peça como Hamlet ou Rei Lear e me dizer para escrever algo assim.
Shakespeare podia fazer isso, eu não posso. E não adianta me mostrar uma vida como a de Jesus e me
dizer para viver como ele. Jesus era capaz, eu não. Porém, se o gênio de Shakespeare pudesse vir
morar em mim, então eu poderia escrever peças como as dele. E se o Espírito de Jesus pudesse vir
morar em mim, então eu viveria uma vida como a dele.
William Temple (citado na p. 31)

Ore pedindo a presença e a capacitação do Espírito Santo para que você seja mais parecido com Jesus,
na medida em que o tempo passa.

Leia mais
O Incomparável Cristo, John Stott, ABU Editora.
O Discípulo Radical, John Stott, Editora Ultimato.
>> Autor do Estudo: Reinaldo Percinoto Junior

Maturidade: – Abandonando a infância espiritual

Estudo 3, Série Livros – O Discípulo Radical, John Stott

Texto básico: Colossenses 1.28-29


Textos de apoio
– 1 Coríntios 3. 1-3
– Efésios 4. 11-16
– Colossenses 1. 15-20
– João 5. 31-47
– Filipenses 3. 12-15
– Tiago 2. 2-4

Introdução
O crescimento quantitativo é ruim? Não. Mais do que isso, ele é desejável e necessário. Mas, um
crescimento que é apenas numérico é ruim, pois ele carece de uma dimensão qualitativa para ser
saudável. De acordo com John Stott, ao analisarmos o cenário cristão mundial, nos dias atuais,
precisamos ter cuidado com nossa propensão ao triunfalismo, pois “na maioria dos casos trata-se de
crescimento sem profundidade” (p. 33). Fazendo uma rápida comparação, seria como construirmos uma
represa com uma largura de milhares de quilômetros quadrados, mas com uma profundidade de algumas
dezenas de centímetros.

Como lidar com este quadro? Para Stott, a solução passa pelo nosso autêntico compromisso com uma
“responsabilidade dupla: a maturidade em Cristo é o alvo tanto para nós quanto para o nosso
ministério” (p. 41). Baseando-se no pensamento do apóstolo Paulo, ele procura destacar passos simples,
mas consistentes, que podem nos sustentar no caminho da maturidade espiritual, gerando um
discipulado radicado na confiança e obediência a Cristo.

Para refletir e entender o que a Bíblia fala


1. A palavra grega teleios, no v. 28, em geral foi traduzido como “perfeito”. Mas Stott nos indica que este
adjetivo grego é melhor traduzido pelo termo “maduro”. Sendo assim, a preocupação de Paulo com os
colossenses, e com todos nós, é que sejamos “maduros em Cristo”. Levando em consideração que
existem diferentes tipos de maturidade (física, intelectual, emocional, etc…), a qual maturidade Paulo
está se referindo? Como a expressão “em Cristo” nos ajuda a definir a natureza e o “alvo” desta
maturidade?
2. Um dos grandes desafios enfrentados pelo cristianismo atual tem a ver com os “muitos ‘Cristos’ sendo
oferecidos nas religiões comerciais do mundo, e muitos deles são falsos Cristos, Cristos distorcidos,
caricaturas do Jesus autêntico” (p. 37). Como a nossa visão sobre Cristo, sendo correta ou distorcida,
pode influenciar nossa busca pela maturidade cristã? Onde podemos encontrar uma visão autêntica
sobre o verdadeiro Cristo? E como podemos valorizar cada vez mais esta fonte da correta visão?
3. “A maturidade em Cristo está enfaticamente disponível não somente a um seleto grupo de pessoas; mas
a todos” (p. 40). Os leitores originais de Paulo provavelmente estavam enfrentando um tipo de “elitismo
cristão”, provocado por um gnosticismo embrionário. E nós hoje, será que também enfrentamos um
certo “elitismo cristão” em nossas comunidades? Como este texto de Colossenses, especialmente o v.
28, nos ajuda a combater esta atitude, onde quer que ela apareça? A quem é permitida (e indicada!)
esta busca pela maturidade cristã?
4. Uma primeira perspectiva para o nosso texto básico nos convida a estarmos no lugar dos primeiros
leitores de Paulo, entendendo que também somos desafiados a perseguir a maturidade em Cristo. Por
outro lado, guardadas as devidas proporções, também precisamos atentar para o ministério de Paulo, e
pensar nas implicações para o nosso próprio ministério. O apóstolo trabalhava para “apresentar todo
homem perfeito [maduro] em Cristo” (v. 28b, NVI). E, no v. 29, encontramos dois verbos que, no
original grego, deixam transparecer como Paulo realizava seu trabalho. Esses verbos “expressam
metáforas que implicam empenho físico. O primeiro é usado para o trabalhador rural e o segundo para o
competidor nos jogos gregos” (p. 41). O que podemos aprender aqui, com o apóstolo, sobre o necessário
equilíbrio entre esforço pessoal e dependência de Deus? Como essas duas dimensões têm se expressado
em seu ministério (serviço) no reino de Deus?

Hora de Avançar
Assim, estar “em Cristo” é estar relacionado a ele de forma pessoal, vital e orgânica. Nesse sentido,
ser maduro é ter um relacionamento maduro com Cristo, no qual o adoramos, confiamos nele, o
amamos e lhe obedecemos. (John Stott, p. 36)

Há dentro de você um cordeiro e um leão. A maturidade espiritual é a habilidade de permitir que o


cordeiro e o leão deitem-se juntos.(…) Atentando somente para o leão, você se verá além de seus
limites, e chegará à exaustão. Quando prestar atenção somente no cordeiro, você facilmente se tornará
uma vítima de sua necessidade de receber atenção de outras pessoas. A arte da vida espiritual é
sustentar plenamente tanto seu leão quanto seu cordeiro. Assim, você poderá agir de maneira positiva,
sem negar suas próprias necessidades. E poderá pedir afeição e cuidado sem trair sua vocação de
líder. (Henri Nouwen, A voz íntima do amor, Paulinas, 1999)

Para Terminar
1. Neste capítulo, Stott define maravilhosamente a Bíblia como “o livro que pode ser descrito como o
retrato que o Pai fez do Filho, colorido pelo Espírito Santo” (p. 38). De fato a Bíblia é a fonte por
excelência onde podemos conhecer o Jesus autêntico. “A Bíblia é repleta de Cristo” (p. 38). Como você
avaliaria a sua dedicação no estudo pessoal das Escrituras? Ele tem sido abrangente e sistemático? Tem
sido uma prioridade na sua agenda? Que passos práticos e simples você poderia tomar para aperfeiçoar
sua dedicação? Não deixe de avaliar se esses passos são realizáveis, realistas, para a sua agenda.

Eu e Deus
Senhor nosso Deus, faze que sejamos cheios de esperança à sombra de tuas asas, e dá-nos proteção e
apoio. Tu nos sustentarás desde pequenos e até o tempo dos cabelos brancos, pois a nossa firmeza é
firmeza quando se apoia em ti, mas é fraqueza quando se apoia em nós. (Agostinho, Confissões, Livro
IV, cap. 31, Paulus, 1984)

Leia mais
Desafios da liderança cristã, John Stott, Editora Ultimato.
O Discípulo Radical, John Stott, Editora Ultimato.
>> Autor do Estudo: Reinaldo Percinoto Junior
Cuidado com a criação – E Deus viu que era bom
Estudo 4 – Série Livros – O Discípulo Radical, John Stott

Texto básico: Salmo 104


Textos de apoio
– Gênesis 1 – 2
– Gênesis 3
– Deuteronômio 10.14
– Romanos 8. 18-23
– 2 Pedro 3. 10-13
– Apocalipse 21. 1-5

Introdução
O tema deste quarto capítulo, o cuidado com a criação, é um lembrete de que os aspectos de um
discipulado radical não devem estar limitados às esferas pessoais e individuais (p. 43). É preciso manter
uma perspectiva mais ampla, que abarque também nossos compromissos com Deus e com o nosso
próximo.

Os relatos iniciais do livro de Gênesis nos ensinam que Deus criou um universo em harmonia, dentro do
qual os seres humanos desfrutavam de relacionamentos perfeitos com Deus, com o próximo e com o
restante da criação. Porém, estes relatos nos informam também que esta harmonia foi rompida, pela
desobediência do homem, e todos os seus relacionamentos fundamentais sofreram rupturas que
produziram alienação, separação e competição.

Diante desta realidade, Stott lembra que é plausível supormos que “o plano de Deus de restauração
inclua não apenas a nossa reconciliação com Deus e com o próximo, mas também, de alguma maneira, a
libertação da criação que geme” (p. 43). Ao mesmo tempo, devemos lembrar também que a esperança
cristã é de uma restauração completa, não uma “substituição” completa. Esperamos “novos céus e nova
terra”, e não “outros céus e outra terra”, o que nos faz considerar que a “nova terra” possuirá
elementos de continuidade (tudo que for bom) e descontinuidade (tudo que for mal) com a terra atual.
Isso não deveria aumentar nosso interesse e nosso zelo pelas coisas boas na criação de Deus? Essa esfera
de atuação não deveria ser mais valorizada pelo cristianismo atual, como um componente legítimo da
nossa missão no mundo? Como uma perspectiva correta da natureza como criação de Deus pode nos
ajudar a evitar os extremos da “deificação da natureza” e da exploração inconsequente?

Para refletir e entender o que a Bíblia fala*


1. No Salmo 104, o autor segue “a mesma ordem que a cosmologia de Gen 1” (Bíblia de Jerusalém, p.
1063). De que maneira, segundo o salmista, o firmamento serve a Deus (vv. 1-4)? Como isso revela a Sua
soberania?
2. Ao lermos a descrição da criação do globo terrestre, que elementos nos mostram Deus trabalhando em
sua criação (vv. 5-9)?
3. Lendo agora os vv. 10-18, podemos perceber nesta descrição da criação de Deus a existência de vários
relacionamentos entre os seres criados. Que relacionamentos são esses? O que eles nos revelam sobre
propósito de Deus?
4. Como os vv. 19-26 expressam uma regularidade nas obras que Deus criou? Por que essa regularidade é
importante para os ciclos da natureza?
5. De que maneira os vv. 27-30 nos mostram que Deus não apenas criou mas também cuida pessoalmente
do que ele formou no universo?
6. Finalmente, leia os vv. 31-35. Que respostas a Deus são desencadeadas, ou provocadas, pela meditação
do salmista acerca da criação?
(* Perguntas adaptadas de Quiet Time Bible Guide, Editado por Cindy Bunch, InterVarsity Press, USA,
2005)
Hora de Avançar
Podemos afirmar que um dia haverá novo céu e nova terra (2 Pedro 3.13; Apocalipse 21.1), pois essa é
uma parte essencial da esperança de futuro perfeito que nos aguarda no final dos tempos. Porém,
enquanto isso, toda a criação está gemendo, passando pelas dores de parto da nova criação (Romanos 8.
18-23). O que ainda discutimos é o quanto do destino final da terra pode ser vivenciado agora. No
entanto, podemos dizer com certeza que, assim como a nossa compreensão do destino final de nosso
corpo ressurreto influencia o que pensamos sobre o corpo que temos no presente e a forma como o
tratamos, nossa compreensão do novo céu e nova terra deve influenciar e aumentar a consideração que
temos pela terra agora. (John Stott, p. 44)

O salmo 104 e outras passagens similares estão repletas dum senso das maravilhas do mundo natural,
significando não apenas as visões sensacionais e espetaculares mas também a ordem confiável da
natureza e a provisão, pelo Criador, para todos os tipos de criatura. Meditar e contemplar sobre isso
traz sabedoria.(…) Peter Harris, Diretor de A Rocha Internacional escreve, algo desesperado, sobre a
necessidade de que toda essa questão seja colocada não somente como “o que faremos sobre o
ambiente?”, porém, muito mais amplamente como “em que tipo de Deus cremos?”. Ele insiste em que
Deus cuida de toda a criação e não apenas de seu componente humano, e sugere que o salmo 104 (em
vez de apenas alguns textos), “escrito sobre a criação após a queda, possa testemunhar mais
adequadamente do amor de Deus por toda a criação como a conhecemos”. (Howard Peskett, A
Mensagem da Missão, ABU Editora, 2005)

Para Terminar
1. À luz do salmo 104, medite por alguns minutos sobre a ação criadora e sustentadora de Deus em todo o
universo. Registre por escrito as respostas que você gostaria de oferecer ao seu Criador.
2. Os ensinos do apóstolo Paulo nos informam que Deus reconciliou todas as coisas consigo mesmo, por
meio de Cristo, e nos vocacionou para sermos mensageiros desta reconciliação (2 Coríntios 5. 17-20;
Colossenses 1. 15-20), que inclui toda a criação de Deus. Que atitudes práticas você e sua comunidade
cristã poderiam adotar como expressão de que o nosso entendimento bíblico de missão inclui o cuidado
com a criação?

Eu e Deus
Vou cantar ao Senhor Deus por toda a vida,
salmodiar para o meu Deus enquanto existo.
Hoje seja-lhe agradável o meu canto,
pois o Senhor é a minha grande alegria!
(Salmo 104. 33-34, tradução da CNBB)

Leia mais
Os cristãos e os desafios contemporâneos, John Stott, Editora Ultimato.
O Discípulo Radical, John Stott, Editora Ultimato.
>> Autor do Estudo: Reinaldo Percinoto Junior
Simplicidade – Um só Senhor
Estudo 5 – Série Livros – O Discípulo Radical, John Stott

Texto básico: Lucas 12.13-34


Textos de apoio
– Levítico 25.8-24
– Deuteronômio 24.10-22
– Provérbios 31.8-9
– Isaías 58.5-10
– Atos 4.32-35
– 1 Timóteo 6.6-10

Introdução
No estudo anterior, refletimos sobre o cuidado com a criação. E uma das maneiras de expressarmos esse
cuidado é a adoção de um estilo de vida mais simples, reduzindo nosso afã pelos bens materiais e
freando o nosso consumismo. Ao mesmo tempo, o compromisso com a simplicidade nos conduz “para
águas mais profundas”, permitindo a descoberta e a prática de uma virtude cristã imprescindível para
quem deseja ser um discípulo radical.

Nas palavras de Richard Foster: “A cultura contemporânea é atormentada pela paixão de possuir. Está
sempre presente a ideia de que uma boa vida é encontrada no acúmulo de bens materiais. (…) A
simplicidade nos liberta dessa mania moderna, trazendo sanidade à nossa extravagância compulsiva e
paz ao nosso espírito frenético. Ela nos permite ver as coisas materiais como elas são – bens para
embelezar a vida, não para oprimi-la” (Celebração da Simplicidade, United Press, 1999).
John Sott, ao introduzir este tema, também nos desafia à reflexão: “Todos os cristãos dizem ter
recebido de Jesus Cristo uma nova vida. Mas qual o estilo de vida certo? Se a vida é nova, o estilo de
vida precisa ser novo também” (p. 56).

Como Jesus desafiou seus discípulos acerca deste tema? Como deveriam reagir diante da posse de bens
materiais? Por que a avareza representava um perigo constante? Onde deveriam depositar sua
confiança?

Para refletir e entender o que a Bíblia fala


1. Na sua opinião, a resposta de Jesus (vv. 14-15) revela algo sobre as motivações do homem que,
aparentemente, procura Jesus com um pedido sincero de ajuda? O princípio apresentado por Jesus no v.
15 se aplica a quem? Ele continua sendo válido e importante hoje em dia?
2. Imagine que o homem rico da parábola contada por Jesus (vv. 16-21) fosse alvo de uma reportagem nos
jornais ou revistas brasileiras atuais. Como ele seria descrito? Mas, na opinião de Deus ele é um
“insensato”. Por que? Como você descreveria alguém que é “rico para com Deus”?
3. Terminando a parábola, Jesus se dirige agora aos seus discípulos, convidando-os a fazer um exercício de
observação (vv. 22-28). O que os corvos e os lírios poderiam ensinar a eles sobre as preocupações com as
necessidades básicas de sobrevivência? O trabalho para suprir essas necessidades é legítimo? Onde está o
problema, então (vv. 25-26)?
4. Veja o princípio estabelecido por Jesus no v. 23. Existe alguma relação entre este princípio e aquele
primeiro oferecido por Jesus no v. 15? Qual?
5. Por que os discípulos não deveriam dar lugar à ansiedade, como faziam os pagãos (vv. 29-30)? Quem está
no controle, afinal? Jesus estabelece aqui mais um princípio, no v. 31. Compare agora este princípio
com aquele do v. 21. Qual a relação entre “buscar o reino de Deus” e “ser rico para com Deus”?
6. Eugene Peterson nos ensina que “Deus não tem nada contra os tesouros; a questão para ele é o lugar
que eles ocupam” (Um Ano com Jesus, Ultimato). Jesus encerra este trecho desafiando os discípulos à
pratica do desapego (vv. 32-34). Qual deve ser o alicerce deste desapego? O que significa, em termos
práticos, “fazer um tesouro nos céus” (v. 33b)?

Hora de Avançar
O apelo por um estilo de vida responsável não deve estar divorciado do apelo por um testemunho
responsável. Pois a credibilidade de nossa mensagem diminui seriamente sempre que a contradizemos
em nossas vidas. É impossível proclamar, com integridade, a salvação de Cristo, se ele, evidentemente,
não nos salvou da cobiça, ou proclamar seu senhorio se não somos bons mordomos de nossas posses; ou
proclamar seu amor se fecharmos nossos corações para os necessitados. Quando os cristãos se importam
uns com os outros, e com os pobres, Jesus Cristo se torna mais visivelmente atraente. (Compromisso
evangélico com um estilo de vida simples, citado na p. 68)

O alegre paradoxo em tudo isto é que, enquanto a simplicidade é complexa, ela também é simples. Em
última análise, não somos nós que temos de desembaraçar todas as complexidades do nosso mundo
complexo. Não há muitas coisas que precisamos ter em mente – na realidade, apenas uma: Prestar
atenção à voz do verdadeiro Pastor. Não há muitas decisões que precisamos tomar – na realidade,
apenas uma: Buscar primeiramente seu Reino e sua justiça. Não há muitas tarefas que precisamos fazer
– na realidade, apenas uma: Obedecer a Deus em todas as coisas. Como Soren Kierkegaard compreendeu
tão claramente, somos afinados com uma coisa somente, e esta é a simplicidade da
simplicidade. (Richard Foster, Celebração da Disciplina, United Press)

Para Terminar
1. Obviamente, o chamado para um estilo de vida simples independe da quantidade de nossas posses.
Aliás, a “riqueza” de alguém, dependendo do contexto social e cultural onde viva, pode ser
dimensionada por outros atributos não materiais, como gênero, raça e nível de escolaridade. Por isso,
cada um de nós deve ponderar em que medida tem exercitado a simplicidade e o desapego. Reflita
sobre isso, e peça ao Senhor que lhe ajude a perceber as necessidades ao seu redor, e também de que
maneira você pode ser útil para minorar, ou mesmo eliminar, essas necessidades.
2. Revise as atividades que você desenvolveu na última semana, ou no último mês. De que maneira(s) você
acabou sendo seduzido pelo materialismo e/ou consumismo? Gaste alguns minutos em oração sobre isso.

Eu e Deus
Guiai meus passos no caminho que traçastes,
pois só nele encontrarei felicidade.
Inclinai meu coração às vossas leis,
e nunca ao dinheiro e à avareza.
Salmo 119. 35-36 (tradução da CNBB)

Leia mais
A Mensagem do Sermão do Monte – Contracultura Cristã, John Stott, ABU Editora.
O Discípulo Radical, John Stott, Editora Ultimato.
>> Autor do Estudo: Reinaldo Percinoto Junior
Equilíbrio – Nem tão lá, nem tão cá
Estudo 6 – Série Livros – O Discípulo Radical, John Stott

Texto básico: 1 Pedro 2.1-17


Textos de apoio
– Deuteronômio 6. 4-9
– Salmo 133
– Êxodo 19. 5-6
– Atos 2. 42-47
– Efésios 2. 20-22
– Hebreus 10. 19-22

Introdução
Nosso comportamento e nossas atitudes são influenciadas, ou mesmo determinadas, pelas convicções
que possuímos acerca de quem nós somos. Neste capítulo seis, esta é a principal preocupação de John
Stott: definir quem nós somos, como discípulos e discípulas de Cristo. E, na sua opinião, “não há no
Novo Testamento um texto que apresente um registro mais variado e equilibrado do que significa ser um
discípulo do que 1 Pedro 2. 1-17” (p. 71).

Aqueles que desenvolveram o primeiro estudo desta série irão se lembrar de que este texto também foi
utilizado como base para aquela reflexão. Mas, obviamente, o enfoque aqui será diferente, uma vez que
nossa preocupação será o “equilíbrio” que deve caracterizar a vidas dos discípulos de Cristo. Por
“equilíbrio”, Stott entende a integração orgânica entre as seis ilustrações apresentadas por Pedro neste
trecho (crianças recém-nascidas; pedras vivas; sacerdotes santos; povo de Deus; estrangeiros e
peregrinos; e servos de Deus), que se completam para descrever a identidade do discípulo cristão (p.
83).

É preciso mantermos “fresca” a convicção sobre a nossa identidade cristã, no dia a dia de nossas vidas,
pois só assim nos comportaremos e acordo com ela. Vamos tentar?

Para refletir e entender o que a Bíblia fala


1. Como crianças recém-nascidas [v. 2], somos chamados a crescer pessoalmente; como pedras vivas [v.
5], somos chamados à crescer comunitariamente (p. 83). Pedro expõe aqui dois tipos de crescimento
essenciais para a vida cristã, que na verdade estão interligados. Ao mesmo tempo, haverão muitos
obstáculos. De que maneira os cinco pecados listados no v. 1 poderão atrapalhar os relacionamentos (e o
crescimento) na comunidade cristã?
2. Como a ilustração de uma criança recém-nascida (vv. 2-3) pode ajudar na nossa compreensão de como o
crescimento espiritual deve ser nutrido? Onde devemos buscar o “leite espiritual puro” (1 Pedro 1. 23)?
3. De acordo com Pedro, ao mesmo tempo em que vão se fortalecendo com o “puro alimento espiritual”,
os discípulos vão se tornando parte de um projeto de “construção coletiva” (vv. 4-6). Qual é a base ou
alicerce desta construção (vv. 4, 6-8)? E qual a sua finalidade, ou seja, o que seria realizado nesta “casa
espiritual” (v. 5)? Diferentemente da “antiga aliança”, quem poderia fazer parte do “sacerdócio” agora?
Por que (v. 5)? Quais “sacrifícios” seriam oferecidos agora?
4. Se Pedro tivesse parado por aqui, talvez iríamos conceber e formar, justificadamente, comunidades
totalmente fechadas em si mesmas, verdadeiros “guetos espirituais”. Como os vv. 9-10 impedem esta
perspectiva “elistista”? Pedro não invalida, ou menospreza, a necessidade de que os discípulos sejam
“diferentes”; continuamos sendo “sacerdócio santo”. Mas, se há pouco nos preocupamos com o “por
que?”, agora a questão é: “para que?”. Qual o fim (finalidade) desta santidade, desta exclusividade
como povo de Deus?
5. Nos vv. 11-17, Pedro apresenta as últimas duas ilustrações que, combinadas, acrescentam mais uma
dimensão ao equilíbrio que deve caracterizar a vida do discípulo cristão. Primeiro, o discípulo é um
“estrangeiro e peregrino” (v. 11). Os leitores originais da carta se encaixavam literalmente nesta
descrição, pois faziam parte do que era conhecido como “diáspora” (1 Pedro 1.1); mas não é só isso,
pois certamente estes termos “simbolizavam a condição espiritual deles” no mundo (p. 81). Em segundo
lugar, o discípulo precisa viver como “servo de Deus” (v. 16b), com responsabilidades terrenas, como
qualquer cidadão consciente (vv. 13-17). De que maneira(s) uma visão clara e saudável acerca desta
“dupla cidadania” do discípulo (“cidadão do céu e cidadão da terra”) pode nos ajudar a experimentar
uma vida mais equilibrada, sabendo que “o fato de pertencer a outra cidade (1.1; 2.11) não isenta os
cristãos de todas as obrigações aqui na terra” (Bíblia de Jerusalém, p. 2272)?
6. De acordo com Pedro, por que os cristãos deveriam tratar seus governantes com respeito (vv. 13-15)? Ao
mesmo tempo, como os ensinamentos dos vv. 16-17 poderiam impedir você se tornar uma “capacho”
dos seus governantes?

Hora de Avançar
A pergunta é: quem somos nós? E não há… um texto que apresente um registro mais variado e
equilibrado… do que 1 Pedro 2. 1-17. (…) Em uma série de metáforas variadas, o apóstolo ilustra quem
somos nós. Cada uma delas carrega consigo uma obrigação correspondente. Juntas elas podem ser
chamadas “cristianismo”, segundo Pedro. (John Stott, p. 73)

A vida espiritual é, antes de mais nada, uma vida. Não é apenas algo a ser conhecido e estudado; tem
de ser vivido. Como toda vida, definha e morre quando separada de seus elementos próprios. A Graça
está enxertada em nossa natureza e o homem todo está santificado pela presença e ação do Espirito
Santo. A vida espiritual não é, portanto, uma vida completamente separada, desarraigada da condição
humana e transplantada para o ambiente angélico. Vivemos como criaturas espirituais quando vivemos
como homens que procuram a Deus. (Thomas Merton, Na Liberdade da Solidão, Editora Vozes, 2014, p.
39)

Para Terminar
1. À luz do que conversamos aqui, como você avaliaria sua vida como discípulo(a) de Cristo? Há equilíbrio
entre crescimento individual e comunitário; entre adoração e testemunho; entre peregrinação e
cidadania? Há ênfase de alguns aspectos em detrimento de outros? Que passos práticos, simples e
realistas você poderia adotar para ter equilíbrio onde necessário?

Eu e Deus
Senhor, sondai-me, conhecei meu coração,
examinai-me e provai meus pensamentos!
Vede bem se não estou no mau caminho,
e conduzi-me no caminho para a vida!
Salmo 139. 23-24 (tradução CNBB)

Leia mais
Crer é Também Pensar, John Stott, ABU Editora.
O Discípulo Radical, John Stott, Editora Ultimato.
>> Autor do Estudo: Reinaldo Percinoto Junior
Dependência – onde os fortes não têm vez
Estudo 7, Série Livros – O Discípulo Radical, John Stott

Texto básico: João 15.1-17


Textos de apoio
– Deuteronômio 8. 10-18
– 1 Samuel 2. 1-10
– Salmo 127
– Mateus 6. 9-13
– 1 Coríntios 12. 12-26
– Tiago 4. 6-17

Introdução
René Padilla, em sua palestra no Congresso de Lausanne (1974), lembrou que “a proclamação do
evangelho sempre se dá em contraposição a uma mentira organizada: a Grande Mentira que o homem se
realiza tratando de ser Deus, em autonomia com relação a Deus; que sua vida consiste nos bens que
possui; que vive para si e é dono de seu próprio destino” (Missão Integral – O reino de Deus e a igreja,
Ed. Ultimato, 2014, p. 59).
John Stott, que foi um dos principais líderes do Congresso, retoma o tema neste capítulo de seu livro,
destacando a “dependência” como uma das características essenciais do discípulo radical. Talvez até
tentemos cultivar uma “autonomia ilusória” por algum período, mas basta uma reflexão mais atenta, às
vezes (ou muitas vezes) provocada por um infortúnio indesejado, e a nossa consciência é novamente
ativada para percebermos o quanto somos dependentes de Deus e das outras pessoas.

Não há como escapar, isso é inerente à nossa realidade. Fomos criados assim. Fomos criados para isso.
Nas palavras de John Wyatt, citado por Stott: “O plano de Deus para nossa vida é que sejamos
dependentes” (p. 93). E é isso o que experimentamos em nossa vida, desde o nascimento até a velhice,
aprendendo a depender de Deus e dos outros.

Esse aprendizado costuma ser difícil para você? Como você se sente em situações que fogem ao seu
controle? Ou quando a ajuda de outras pessoas é indispensável? E quando está tudo bem, tudo
funcionado, tudo acontecendo… nesse momento você se lembra de que ainda é dependente da graça de
Deus?

Para refletir e entender o que a Bíblia fala


1. Jesus inicia seu discurso em João 15 se “apresentando” como a “videira verdadeira” (v. 1). Todos os
seus discípulos são os “ramos” (v. 5). O que ele pretendia ensinar com esta ilustração? Será que existe o
perigo de nos tornarmos dependentes de alguma “videira falsa”, de onde procuramos retirar “seiva”
para nossos “frutos”?
2. Além das figuras da videira e dos ramos, Jesus de refere a Deus Pai como o agricultor que cuida da
videira. Ele poda (limpa) os ramos frutíferos para torná-los mais frutíferos ainda (vv. 1-2). De que
maneira(s) esta “limpeza” pode ocorrer em nossa vida? Você se lembra de alguma experiência recente
nesse sentido?
3. Observe quantas vezes aparece o verbo “permanecer” entre os versos 4 e 10. Qual o significado de
“permanecer em Cristo”? Qual a relação entre “permanência” e “dependência”?
4. Segundo Stott, “tentar viver sem [Deus] é justamente o que significa pecado” (p. 85). Por outro lado,
permanecer em Deus e depender dele produz alguns benefícios espirituais. Alguns deles são citados nos
vv. 7-11. Quais são? Que risco(s) corremos ao fazer uma leitura seletiva do v. 11, enfatizando a segunda
parte do verso e nos esquecendo do pré-requisito na primeira parte?
5. Nos versos 12 e 17 Jesus põe em relevo os nossos relacionamentos uns com os outros. Qual é o
referencial para sabermos se estamos amando uns aos outros (v. 12)? Neste contexto, a nossa
dependência uns dos outros ganha um novo significado para você?

Hora de Avançar
Viemos a este mundo totalmente dependentes do amor, do cuidado e da proteção de outros. Passamos
por uma fase na vida em que outras pessoas dependem de nós. E a maior parte de nós irá deixar este
mundo dependendo totalmente do amor e do cuidado de outros. E isso não é nenhum mal ou realidade
destrutiva. É parte do plano, da natureza física que nos foi dada por Deus. (John Stott, p. 93)

Em Deus, nos deparamos com algo que é incomparavelmente superior a nós, em todos os sentidos. Se
você não conhece a Deus dessa maneira – e, portanto, não se reconhece como um nada em comparação
a ele –, simplesmente você não conhece a Deus. Uma pessoa orgulhosa está sempre olhando de cima
para baixo para os outros. É claro que, enquanto você se mantiver olhando para baixo, não terá como
enxergar o que se encontra acima de sua cabeça. (C. S. Lewis, Cristianismo Puro e Simples)

Para Terminar
1. No texto que estudamos, Jesus fala de três tipos de ramos: os que não dão fruto, os que dão fruto (e
precisam de poda), e os que dão mais fruto ainda (pois foram podados). Em todo caso, um ramos só
poderá dar fruto se estiver “permanecendo” na videira (que neste caso é o próprio Cristo). Fazendo uma
avaliação honesta, em qual categoria de ramo você posicionaria a si mesmo? E, caso você se identifique
com o primeiro tipo, qual é o chamado feito por Cristo a você neste estudo?

Eu e Deus
Deus, tenho o hábito de pensar em mim como a videira com os outros se ramificando a partir de mim.
Que erro! Jesus é a videira e eu sou um ramo nele. Faze o que precisa ser feito, Pai, para tornar essa
ligação entre videira e ramo vigorosa e saudável, em nome de Jesus. Amém. (Eugene Peterson, Um Ano
com Jesus, Ed. Ultimato)

Leia mais
A Bíblia Toda, o Ano Todo, John Stott, Editora Ultimato.
O Discípulo Radical, John Stott, Editora Ultimato
>> Autor do Estudo: Reinaldo Percinoto Junior
Morte
Estudo 8, Série Livros – O Discípulo Radical, John Stott

Texto básico: Lucas 9.22-26


Textos de apoio
– Salmo 44. 20-22
– Provérbios 14. 12
– Romanos 8. 12-14
– 2 Coríntios 4. 10-11
– 2 Timóteo 1. 8-10
– Apocalipse 2. 10

Introdução
Perder para ganhar. Essa frase, que parece ser um senso comum dos filmes hollywoodianos, na verdade
tem uma origem bem mais nobre e antiga. Ela, assim como os “finais felizes” de Hollywood, devem a
sua existência à visão de mundo do cristianismo. O triunfo do bem, apesar da aparente e momentânea
vitória do mal; o triunfo da vida, apesar da aparente e momentânea vitória da morte, são verdades
plasmadas e nutridas pela esperança cristã, ancorada por sua vez nas Escrituras Sagradas.

Isso não quer dizer, obviamente, que na prática do dia a dia todos vivam na expectativa e na certeza
paciente de um “happy end” derradeiro. Não. Nossa cultura individualista, pragmática e hedonista não
aceita muito bem essa proposta “ascética” de perder momentaneamente para ganhar efetivamente, de
morrer momentaneamente pra viver eternamente. É difícil. É até inaceitável.

Mas é exatamente com esta proposta que John Stott resolveu encerrar seu legado, materializado em O
Discípulo Radical. Para ele, a “última característica do discípulo radical é a morte”. E explica: “O
cristianismo oferece vida – vida eterna, vida em abundância. Porém, ele deixa claro que a estrada para
a vida é a morte” (p. 95).
Entramos no caminho do discipulado conscientes de que esta era a “estrada” proposta? Quando
chamamos outros a este caminho, apresentamos o “mapa” original? O quanto estamos, nós e nossas
comunidades, comprometidos com uma vida cotidiana que expresse essa visão de que “morrer” é a
única opção para quem quer “viver”?

Para refletir e entender o que a Bíblia fala


1. O capítulo 9 de Lucas marca uma nova fase no ministério de Jesus, em que ele investirá a maior parte
de seu tempo treinando e ensinando aos doze apóstolos (Lucas 6. 12-16). Há poucas horas (ou dias) eles
tinham acabado de receber e executar sua primeira missão em nome de Cristo. E agora, no v. 22, Jesus
faz o primeiro anúncio de sua paixão e morte. Como você acha que os discípulos devem ter recebido
essa revelação de Jesus? Por que foi importante Jesus fazer esse anúncio antes do desafio que lançaria a
todos nos versos seguintes?
2. Quais são as três condições que Jesus impõe a quem deseja ser seu verdadeiro seguidor (v. 23)? Se você
pudesse “traduzir” essas condições em termos atuais, que palavras você usaria?
3. Na época de Cristo, ver um homem carregando uma cruz nos levaria imediatamente a reconhecê-lo
“como um criminoso a caminho da execução, pois os romanos obrigavam os sentenciados a carregar a
cruz até o local da crucificação” (p. 98). Jesus utiliza essa imagem dramática para ilustrar a
autonegação (v. 23). Por que Jesus diz que devemos fazer isso “cada dia” ou “diariamente”?
4. No v. 24 Jesus nos apresenta um paradoxo do discipulado – quem quiser salvar a si mesmo vai se perder,
mas quem perder a si mesmo vai se salvar. O que significa “querer salvar a si mesmo”? E, nesse mesmo
contexto, como podemos entender o “perder a si mesmo”? Por que, no contexto do seguimento de
Jesus, “ganhar o mundo inteiro” pode se revelar na verdade um caminho de perda (v. 25)?
5. De que maneira(s) podemos nos envergonhar de Cristo e de suas palavras no nosso cotidiano (v. 26)? O
que isso tem a ver com o “ganhar o mundo inteiro” do verso anterior?

Hora de Avançar
Podemos parafrasear o versículo [24] da seguinte forma: “Quem estiver determinado a se apegar a si
próprio e a viver por si próprio, perderá a si próprio. Porém, quem estiver disposto a morrer, a perder-
se, a se entregar à obra de Cristo e ao evangelho, se encontrará (no momento do completo abandono) e
descobrirá sua verdadeira identidade”. Assim, Jesus promete a verdadeira autodescoberta pelo preço
da autonegação, a verdadeira vida pelo preço da morte. (John Stott, p. 99)

Mesmo que muitas vezes eu me renda aos muitos temores e apelos de meu mundo, ainda creio
profundamente que nossos poucos anos nesta terra são parte de um acontecimento muito mais amplo
que os limites de nosso nascimento e morte.(…) Se tenho medo de morrer? Consideremos: vez após vez,
deixo-me seduzir pelas vozes turbulentas de meu mundo que me dizem que minha “pequena vida” é
tudo que tenho e me aconselham a apegar-me a ela com toda a minha força. Nesse caso tenho tudo a
perder. Entretanto, quando nego ouvidos a essas vozes em minha vida e ouço a aquela voz mansa e
suave a chamar-me de Amado, sei que nada há a temer e que morrer é o maior ato de amor, o ato que
em leva ao acolhimento eterno de meu Deus, cujo amor não tem fim. (Henri Nouwen, Meditações com
Henri Nouwen, Editorial Habacuc, 2003, n. 107)

Para Terminar
1. Neste último capítulo, John Stott trata da “morte” como caminho para a “vida”. É preciso que o
discípulo radical experimente a “morte” para alcançar a “vida”. Para muito cristãos ao redor do mundo
isso significa enfrentar a perseguição física, e em muitos casos, o martírio. Em nosso país, a ausência,
ou pelo menos a raridade destas modalidades de “morte”, podem provocar em nós acomodação e até
insensibilização para com os desafios do seguimento de Cristo. Que atitudes podemos cultivar em nossa
caminhada cristã para evitarmos esses perigos?
2. Como o convite de Jesus para “tomarmos a cruz diariamente” pode ser vivido em seu convívio familiar,
social e eclesiástico? De que maneira(s) a tentação de “ganhar o mundo inteiro” pode estar
influenciando seus objetivos pessoais, profissionais, acadêmicos, etc?

Eu e Deus
Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a
minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho
fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz. (Agostinho, Confissões,
Livro X, p. 277, Paulus, 1984)

Leia mais
Cristianismo Básico, John Stott, Ed. Ultimato.
>> Autor do estudo: Reinaldo Percinoto Junior