Anda di halaman 1dari 7

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS (IFCS)

GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

Disciplina: Lab. Estado, Partidos, Movimentos

AVALIAÇÃO

OS MILITARES E AS ELEIÇÕES

Professor: Pedro Lima

Alunos: Daniel Bonatto Seco, Nicholas Moreno

Rio de Janeiro

Novembro/18
O cenário político atual vive, desde a redemocratização de 1985, o seu momento
mais sensível. Uma disputa que, historicamente, foi marcada pela rivalidade PT x PSDB
e por um embate acalorado e essencialmente praxeológico, nestas eleições abre portas
para os dois lados de um extremismo marcado por ataques pessoais e uma característica
ojeriza de um lado pelo outro. Os anseios da população por uma mudança radical, que
incluem no seu pacote-anti-tudo-que-está-aí a figura do “não político”, aliados à era da
informação onde a internet, de forma muito diferente e mais amadora, destila o ódio, a
intolerância e o medo em uma sequência irrefreada de disseminação de informações
distorcidas, ampliadas e – fenômeno este totalmente novo e ainda fora de controle – das
“fake news”, transforma uma massa eleitoral, antes alheia ao processo democrático e
tratando tudo como “farinha do mesmo saco”, em verdadeiras máquinas dispostas a
disseminar, sob a tutela das máquinas partidárias e dos mais escusos interesses, a
mensagem dos candidatos que, beatificados pela seletividade da informação
compartilhada, tornam-se portadores da única e irrefutável verdade.

Dentro deste cenário, o Brasil, ocupando números que ultrapassam países em


guerra, em 2016 teve 57 mil assassinatos, ocupando o 13º lugar no mundo, com uma
média de 27,6 homicídios a cada 100 mil habitantes, números estes inaceitáveis para um
país que não está em guerra com seus vizinhos a anos e cuja última movimentação de
tropas Brasileiras em guerra foi quando o Brasil passou a participar do conflito na Europa
para deter o nazismo, isso a partir de 1942, cujo presidente da República na época era
Getúlio Vargas.

Com esses dados, a segurança pública mostra-se como um problema nacional que
afeta diretamente à vida da população, sobretudo, negros pobres moradores de periferia.
As elites políticas, irresponsavelmente, passaram a conviver com esses dados como se
fosse algo natural, não criando políticas públicas que diminuíssem esses dados, todavia,
muitos argumentos irresponsáveis e contraditórios no Brasil afirmam que o país é um mar
de impunidade, sendo que a realidade se mostra contrária. Segundo dados levantados pelo
Departamento Penitenciário Nacional (Infopen), em 2016, o Brasil chegou a ter 726.712
mil pessoas encarceradas, colocando o Brasil como a 3ª maior população carcerária do
mundo. (CONJUR, 2017)

Neste cenário, a figura de Jair Messias Bolsonaro, antes tratado como detentor
de um discurso extremista inalcançável ou como simples piada – aos moldes, salvo
ressalvas, de Enéas Carneiro na década de 90 – consegue o feito inimaginável de estourar
a bolha eleitoral que o manteve como deputado federal por 7 mandatos consecutivos e
abarcar uma massa eleitoral invejável de 46,03% dos votos válidos nacionais no primeiro
turno das eleições presidenciais de 2018. Utilizando-se da bandeira da segurança pública
como carro chefe de sua campanha, abusa de discursos pró-militares e de uso da força e
da violência, numa tradução do anti-petismo, como meio para a solução das mazelas do
país. A violação de princípios como tolerância mútua ou aceitação da legitimidade do
oponente, aliado à existência do que o colunista Steven Levitsky do jornal Folha de São
Paulo cita como um “jogo duro constitucional” entre os dois lados da moeda do
extremismo ideológico, do fantasma comunista que ronda o Brasil desde a década de 30
e de um possível totalitarismo PTista aos moldes Chavistas, enfraquecem o jogo
democrático e colocam em cheque valores assegurados pela constituição de 88, jogando
no ar um clima de insegurança sobre o futuro da democracia. “A impaciência com
qualquer discurso em favor dos direitos humanos, a sensação de que o “politicamente
correto” é desculpa para a inatividade do Estado e o gosto pelo fuzilamento sumário
puderam se manifestar sem nenhuma autocensura. ” (COELHO, 2018)

Não é de hoje que em questões políticas e de repercussão nacional, temos


manifestações de militares ou o acionamento dos militares em determinados temas do
país. Um caso que marcou a história do nosso país foi em 1947, no Clube Militar, onde
tivemos fortes manifestações dos militares para que o Petróleo Brasileiro fosse de
monopólio estatal, no anseio das forças armadas, principalmente no Exército, sob o
pretexto da convicção da necessidade da defesa do nosso petróleo contra a cobiça dos
trustes. Nesse episódio, o então ministro da guerra, o general Canrobert Pereira Costa, foi
enfático:

“Ante as manifestações coletivas de oficiais do Exército sobre a ‘questão do


petróleo’, que contrariam as determinações do regulamento disciplinar do exército em seu
nº 102 do art. 13, recomendado o afastamento dos militares de manifestações
públicas(...)”. (MIRANDA, 1983, p. 87)

Em outros exemplos, temos em 1988, quando a motivação partiu da ocupação da


Companhia Siderúrgica Nacional, por tropas do Exército, para cessar a greve dos
funcionários da siderúrgica. Ou em 1994, quando o Presidente da República solicitou o
emprego das forças armadas novamente em questões internas, para tratar da greve dos
integrantes da Polícia Federal, ou em outro caso quando o presidente Fernando Henrique
Cardoso autorizou o envio de mil soldados do Exército para ocupar a sede da Companhia
Vale do Rio Doce, no sul do Pará. (ARRUDA, 2007, p. 93)

Já não é de hoje que acompanhamos manifestações de militares na política, mas


também, o mais agravante é o uso político das Forças Armadas por presidentes, agredindo
com frequência a Carta Magna e violando a autonomia dos Estados em recorrer às Forças
Armadas para tratar de assuntos que não competem aos militares, visto que a função dos
militares é proteger nossas fronteiras e possíveis ameaças externas.

Alguns reflexos deste cenário já começaram a ser sentidos antes mesmo do início
das eleições, com a homenagem explicita de Bolsonaro ao general Carlos Alberto
Brilhante Ustra, comandante do Destacamento de Operações de Informação - Centro de
Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) durante o regime militar de 64 e comprovado
pela comissão da verdade como comandante do ritual de torturas a centenas de possíveis
“subversivos” do sistema e pela morte de outras dezenas.

Outro movimento feito pelo candidato durante sua pré-candidatura foi defender
a ampliação do número de membros do Supremo Tribunal Federal (STF), considerado
estratégico na manutenção de um possível mandato com vieses autoritários. “...é a página
2 do manual do ditador. Chávez fez, a ditadura militar fez, todo ditador faz. Afinal, a
Constituição é o que o Supremo disser que é: se você encher o Supremo de puxa-sacos, a
Constituição passa a ser o que você quiser. Daí em diante, você é ditador”. (BARROS,
2018).

Em 2014, em uma reportagem especial feita por Bolsonaro para o portal UOL,
o candidato explicita sua exaltação ao que ele chama de “governo militar”, sob sua ótica
instaurado de forma legal e pautado pelo anseio popular.

“O Exército nunca foi intruso na política, mas sempre


instrumento da vontade popular. 1964 foi exigência da sociedade.
As mulheres nas ruas pediam o restabelecimento da ordem; os
empresários não queriam seu patrimônio estatizado pelo golpe de
esquerda que se avizinhava; a mídia clamava pelos militares, pois
abominava a imprensa única; toda a Igreja Católica pedia a Deus
para que os militares assumissem; a OAB e a ABI eram as mais
exaltadas em prol das Forças Armadas” (BOLSONARO, 2014).
Em sua fala, exalta os feitos dos militares durante seu poder e faz diversas
comparações com problemas endêmicos da nossa atual conjuntura social, sem levar em
consideração quaisquer aspectos sociais, econômicos e conjunturais externos à política
dos militares.

“Foram 20 anos de pleno emprego, segurança e respeito


aos humanos direitos. Passamos da 49ª para 8ª economia do
mundo. (...) sem as obras dos militares o Brasil não existiria. Os
ministros eram escolhidos entre administradores, e não entre
políticos. O povo ia às ruas não para clamar por educação, já que
era de qualidade e para todos; o professor tinha como exercer sua
autoridade na sala de aula e era respeitado fora dela. O povo não
foi às ruas clamar por emprego, pois ele era pleno; não pedia por
segurança, porque se vivia em paz; não exigia o fim da corrupção,
porque era praticamente inexistente. ” (IBIDEM).

Por fim, utiliza-se do imaginário coletivo e do medo para ovacionar a atuação do


regime, apontando as deficiências da nossa ainda jovem democracia, apelando para um
discurso genérico e resgatando, em seu parágrafo final, um conglomerado de ameaças
impostas pela falta e distorção da informação.

“O povo foi às ruas só, e tão somente, para pedir voto


direto para presidente da República. Hoje, o povo vota para
presidente, mas não tem saúde, segurança, educação, emprego,
paz e futuro. Chegará o momento em que um novo 31 de março
ou uma nova Operação Condor não serão suficientes para impedir
o Brasil e a América Latina de serem lançados nos braços do
comunismo. Que o diga o Foro de São Paulo congregado pelo PT,
pelas Farc e pelo que há de pior na América Latina. ” (IBIDEM).

Após o lançamento da chapa de Bolsonaro para a presidência, torna-se ainda


mais claro seu saudosismo ao recrutar para sua vaga de vice-presidência o general da
reserva Antônio Hamilton Martins Mourão, figura esta que já consta em uma série de
comentários infelizes, rebatidos inclusive pelo próprio candidato à presidência. Dentre
suas declarações, constam a possibilidade de um “autogolpe” (ninguém sabe de que tipo)
caso perceba-se uma “situação de anarquia” no âmbito nacional e a necessidade de se
fazer uma nova constituição, redigida por uma “comissão de notáveis” (provavelmente
sem qualquer critério democrático em sua seleção) e posteriormente colocada, em forma
de referendo, para que a população – já tomada pelo medo – a aprove. Além disso, o
atentado sofrido pelo candidato Bolsonaro em Juiz de Fora – MG que o impossibilitou de
comparecer aos debates fez com que Mourão entrasse, sem o conhecimento ou
consentimento de seu partido (PSL), com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral em
que requisitava substituir o deputado em entrevistas à TV e debates eleitorais. A simbólica
relação de hierarquia presente entre capitão e general de reserva, embora não se apliquem
de forma institucional, refletem-se em uma chapa que exala fragilidade e incapacidade de
comando.

O impacto direto das forças armadas na chapa de Bolsonaro também pode ser
sentida na declaração do general Eduardo Villas Bôas, comandante do exército, onde após
o ataque sofrido pelo presidenciável explicitou a possibilidade de questionar a própria
legitimidade do processo democrático a partir da sensação de insegurança produzida pelo
ato extremista promovido no comício do dia 08/09. “O atentado (facada) confirma que
estamos construindo dificuldades para que o novo governo tenha estabilidade, para a sua
governabilidade, e podendo até mesmo ter sua legitimidade questionada. ”.

Efeitos do fenômeno extremista conservador pró-militar já foram claramente


analisados no primeiro turno das eleições realizado no dia 14/10. A bancada de
representantes explícitos de forças militares ou policiais duplicou na câmara, um salto de
14 para 28 do total de deputados, uma grande parcela com votações absolutamente
expressivas, como o caso de Helio Fernandes Barbosa Lopes, declarado subtenente do
Exército que, candidato em 2016 a vereador em Nova Iguaçu com apenas 480 votos,
realizou sua candidatura em 2018 sob o pseudônimo “Helio Bolsonaro” e angariou
incríveis 345 mil votos em sua candidatura a deputado, reflexo cru do anseio das massas
pelo “anti-político”, por uma força externa que possa varrer – ou fuzilar – “tudo isso que
está aí” e que frustra a possibilidade do cidadão comum de ascender social e
economicamente.
BIBLIOGRAFIA

Levantamento nacional de informações penitenciárias: INFOPEN Atualização –


Junho de 2016 / Ministério da Justiça e Segurança Pública. Departamento Penitenciário
Nacional, 2017.
Homicídios dolosos ocorridos no estado do Rio de Janeiro durante os meses de
janeiro a agosto de 2018. Elaborado pelo ISP com base em informações da PCERJ, 2018;
ARRUDA, Joao Rodrigues. O uso político das Forças Armadas - e outras
questões militares, 2007;
BARROS, Celso Rocha de. Os bolsonaristas querem dar um golpe – Folha de S.
Paulo, set/2018;
BOLSONARO, Jair. Exército no poder foi instrumento da vontade popular –
Opinião UOL, 03/2014;
COELHO, Marcelo. Roteiro pronto para o golpe militar – Folha de S. Paulo,
set/18.
COELHO, Marcelo. Pelo voto, surge o elogio da bala – Folha de S. Paulo,
out/2018;
FAUSTO, Sergio. A nossa hora mais escura – Piauí, set/2018
LEVITSKY, Steven. A erosão das normas democráticas – Folha de S. Paulo,
set/2018;
MIRANDA, Maria Augusta Tibiriçá. O petróleo é nosso: a luta contra o
"entreguismo," pelo monopólio estatal--1947-1953, 1953-1981;
RAMOS, Marcella. “BANCADA POLICIAL E MILITAR MAIS DO QUE
DOBRA NA CÂMARA”, Piauí, out/2018;
SINGER, André. Tortura nunca mais – Folha de S. Paulo, set/2018;
TOLEDO, José Roberto de. General não obedece capitão – Piauí, set/2018;