Anda di halaman 1dari 498

Adernara A. M. 8.

Cotrim

---·
PEARSON
Prentice
Hall . -,-.p.uf&wa••
••*rl ....
SU$W ü

instalacões
elétricas
s 2 edicão
SU$W ü

instalacões

sº edicão

Adernara A. M. B. Cotrim

Revisão e a1ualização cécnicas


Hilton Moreno
Engenheiro eletricisia pela escola Politécnica da USP
Profe.~sor universi1ário, consultor. 1ncn1bro de co,nis.s:õcs técnica...~ da ABNT

José Aquiles Baesso Grimoni


Professor associado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - EPUSP
Diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo - IEEUSP

-PEARSON
Prentice
Hall

São Paulo

Brasil Argentina Colômbia Costa Rica Chile Espanha Guatemala México Peru Porto Rico Venezuela
SU$W ü

© 2009 by Pearson Educalion do Br:tsil


Todos os direitos reservados. Nenhuma pmte desta publicação poderá ser
reproduzida ou transn1itida de qualquer ,nodo ou por qualquer outro 111eio.
ele1rônico ou rnecãnico. incluindo fotocópia. gravação ou qualquer outro tipo de
sistcrna de annazcna111cn10 e 1ransn1issão de infonnação. scnl prévia autorização.
por escri10. da Pearson Educaiion do Bmsil.

Diretor e<litorial: Roger Tri1ncr


Gerente ctlitorial: Sabrina Cairo
Supervisor de JJl'oduçtio editorial: Marcelo Fr<lnçozo
Editoro sênior: Tatiana Pavanelli Valsi
Ediwres: Henrique Zanardi de Sá e Rena1a de Paula Truyts
Preparação: Es1hcr Alcâ111ara
Re1 isão: Maria Alice da Costa, Renata G. V. de AS$unç.ão e SandrJ Scapin
1

C"f'"' Alexandre Mieda


E,liroraçt.io eletrônica e (/ia,1:ra111açâo: ERJ Composiç-ão Edi1orial

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Bras ileira do Livro, SP, Brasil)
Co1rim, Ademaro A.M.B .. 1939-
lnstalações elétricas/ Ademaro A.M.B. Coirirn ;
revisão e adaptação técnica José Aquiles Baesso
Gromoni e Hil1on Moreno. •• 5. ed . .• São Paulo :
Pearson Prentice Hall. 2009.

Bibliogrnfoa
ISBN 978-85-7605-208- 1

1. Instalações elétricas 1. Título.

08-10784 CDD-621.3192

Índice para catálogo sistemático:


1. Instalações elétricas : Êngenharia 621.3192

2008
Direitos exclusivos para a língua portuguesa cedidos à
Pcarson Educa1ion do Brasil L.tda.,
tuna e1npres,1 do grupo Pearson Educa1ion
Av. Em1ano Mareheni. 1435
CEP: 05038-001 - São Paulo - SP
Tel.: (11) 2178-8686 Fax: (1 1} 2178-8688
e·rnail : vendas@pearsoned.con1
SU$W ü

Sumário

Capítulo 1 Fundamentos
1.1 Sistemas e instalações elétricas . . ... ..... . .... .. .. • ... . .. ..•.. ......... 1
1.2 Norma NBR 541 O .. . . . .. .. . .. .. .. ... . • ... .. .. . ... .. ...•... ...... . . 1
1.3 Componentes das instalações ... . • ........ • ....... • ................ ....3
1.4 Tensões elétricas . ... .. .. .. .. .. .. .. ... . ... .. .. . • .. ... . . .... ... .. .. ..5
1.5 Choque elétrica . .. .. ... .. .. . . .. .. .. .. ... .. ... • ... .. .. . .... . ... .. . .7
1.6 lnsta laçõo de baixa tensõa .. .. . • ... . ... , • .. .. ... • ... . .... , .. .. ... .. ..8
1.7 Equipamentos de utilizoçõo . ... . . • ... .. .. . . ... .. .. . ... .. ... . .. ... .. .. 11
1.8 Circuitos .. . ... .. ... .. .. . .... • . ...... • ... . . .. •• ... . ... • ... .. .. .. 14
1.9 lnffuêncios externos ... • ... .. .. • ... . .... • .. ... . . • .. .. . ... • ... .. . ... 17
Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . • . . . . . . . . • . . . . . . . . • . . . . . . . • • . . . . . . . .28
Capítulo 2 Conceitos fundamentais
2. 1 Potência em corrente olternodo . . . . . . . . . . . . • . . . . . . . . • . . . . . . . . . . . . . . . . .29
2.2 C6lculos práticos de circuitos .. . .. ....... ... . . .. .. .. • .... . . . •• . .. . .. . .36
2.3 Princípio do compensoçõo da energia reativo . .. ... .. .. . ... .. ... . ... .. .. .. 41
2.4 Componentes simétricos .... .. .. .. ... . ... . .. .. . ... • ... . ... •• .. .. .. . .43
2.5 Valores par unidade ...... .. ... • ... .. ... • ... . ... . .... . ... . ... .. .. ..53
2.6 An61ise de um circuito RL . .. . ... • ... .. .. . • .. ... .. • •.. .. ... • ... .. .. ..59
2.7 Transformadores de potência . ... • ... . ... . . ... .. .. . .... . ... • ... .. .. ..60
Exercícios .. .. .. . .. . ... .. ... . ... . ... . .... . ... . ........ . ... • ... .. .. . .65
Capítulo 3 Proteção contra choques elétricos - fundamentos
3.1 A corrente elétrico no corpo humano . .. . ... . . . .. .. .. .. .. . .... • .. .... . ..67
3.2 Fundamentos do proteção contra choques elétricos .. ... ... • . ...... •• . ... ... .75
3.3 Aterromento e eqüipatencializoçõo .. . ....... .. . ..... • .... . ... • ... .. .. . .78
3.4 As isolações e os grous de proteção . . ....... • ... . ... •• ... .... •• .. ......93
3.5 Proteção básico (contra contatos diretos) . .. .. . . ... .. .. . .... . ... . ... .. .. ..97
Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . • . . . . . . . • . . . . . . . • • . . . . .. l 02
SU$W ü

VI lnslalações elétricas

Capítulo 4 Planejamento da instalação


4. 1 Demando e curvo de cargo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . • ....... .. ... 103
4.2 Fatores de projeto . .. . . .... . ....... . .... . . . . • ...... . • .. . . ... •. ... 104
4.3 Polência de a limenlação e correnle de projelo . .. .. .. • . ... ... . • .. .. . .. . ... 108
4.4 Corrente de projeto em circuitos terminais . . ... .. .. . •... . ... . ... . ... .. ... 122
4.5 Conservação e uso racional de ener9io elétrico ......•...... . • .. ... . ...... 123
4.6 O projeto de instalações elélricas . . . ..... ........ • . . .. .. . . • ...... . • ... 125
4.7 Simbologia gr6fico . .. .. ... . ... .. .. . • .. .. ....... .. ... • ... . ... . • ... 131
Exercícios . .. .. ....... . ... .. . • .. . .... • ... ..... •.... . .. •• ...... . • ... 132
Capítulo 5 Linhas elétricas
5.1 Aspectos gerais .......... . ............ . ............ . ............ 133
5.2 Materiais condutores, condutores e suas característicos . . ... . . . . . •. . . . .... . .. 139
5.3 Isolações .. . ... ... . ... .. . ..... ..... . .............. .• .... . . . . ... 151
5.4 Blindagens . .. .. .. ... . ... . .... . .. .. ... .. ... • ... . ... • ....... .. .. . 154
5.5 Proteção ................................. • ....... • . . ...... . ... 155
5.6 Níveis de isolomenlo doscabos de potência ... . .... . ... . ... . • .. . .... . ... 156
5.7 Perdas dielétrico, .. ... . ... . ... .. .. .. .. ... .. .. .. .. .. . . ....... .. .. . 160
5.8 Comportomenlo elas cabos em condições de fogo e incêndio . ... .. • . . ...... ... 161
5.9 Desi9noção dos condulores e dos cabos isolados
(de acordo com o N.BR 931 1) . ... .. ....... . ... . .... . ... • .. .. ... • . ... 162
5.1 O Normas brasileiros de cabos de potência ... . ... . .. . ..... . . • .. ..... . . . .. 167
5.11 Tipos de linhas elétricos . ... .. . ...... . .. . . ... . • ... . ... •• .. . ........ 168
Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. ... .. .. .. . .... . ... • ... . ... • . ... 188
Capítulo 6 Dispositivos de manobra, proteção, comando e
seccionamento não automático
6.1 Generalidades .. .. ... . ..... . .. .... . ... . .... . ... . ... . ... . .. .. • ... 189
6.2 G randezas coracteríslicos dos disposilivos de proteção e de manobro ........... 193
6 .3 Dispositivos fusíveis de baixa tensõo .. ... . ... . ... .. .. .. .. ... . .. .... . .. . 195
6 .4 Disjuntores de baixo tensão ........................ . ... •• ...........204
6.5 Dispositivos o corrente diferenciol·residuol . . .. ..... • •...... .•. ..... .• . ...2 14
6 .6 Seccionamento nõo outomótico e comoncla .. . .. ... . ... .. .. . • .. . .. .. • . .. .222
Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ........ . ..225
Capitulo 7 Medidas de proteção contra choques e létricos (1) - básica e supletiva
7.1 Introdução . .. .. .... . ... ..... ... .. .. . .. ....... .. ... ... ...... . ...227
7.2 Medido de proteção por limitação do lensão de olimenloçõo - uso de
extrobaixo tensão de segurança . .................... . .... . .. . . .. • . .. .227
7.3 Extrobaixo tensão funcional .. . ... ... . ... . .. ... ... . .. ... .. . ... .. .. ...229
7.4 Proteção pelo emprego de equipomenlos classe li ou por isolação
equivolenle .. .. . .... . .. . . ... . . .. . ... . . .... . . . .. ... . . ...... • . .. .230
7.5 Proleção em locais não condutores . .. .. .. . . .. ... . ... .. ... • .. ... .. • . .. .231
7.6 Proleçõo por li9oções eqüipolenciois locais não aterrados . .. .. ... • . . .. .......232
7.7 Proteção por separação elétrico . . . . .. ........... ... . .. .. • ....... • . ...232
Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . • . . . . . . . . . .. .234
Capítulo 8 Medidas de proteção contra choques elétricos (11) -
seccionamento automático
8.1 Fundomenlos do proteção por seccionomenlo
oulomótico do olimentoçõo ... ... . .............•..... . . •• ....... . .. .235
SU$W li

Sumário VII

8.2 Esquema TN .. . . • . . . .. .. . • . . . .. . . • . . ... . . , • . ...... • . . . . . . . • . . ..237


8.3 Esquema TT . .. . . . . . . . . . •• . . . .. . •• .... .. . • .. . .249
8 .4 Esquema IT .. . . ... . . . ... . ... .. . ......... . •• .. .. ... , ... . ... • ... .252
8.5 Aplicação dos esquemas de oterromento . .. . .. . ... • ... .. .. . • .. .. ... • .. . .258
8.6 Aplicação dos dispositivos DR .... . . .. ......... . ...... ... ... . .. .. . . . .261
8.7 Condutores de proteção . ... .. .. . ... . • . ...... •• . . . . . . . .. .. . ... • .. . .268
8.8 locais especiais ...... . ... • ... .... • , ... . . .. •• ... ... . • . ... ... • ... .271
Exercidos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... .. .. • . .. .278
Capítulo 9 O aquecimento dos condutores e a queda de tensão
9.1 Introdução . . . . . .. . . . .. . . . . .... .. . . . .. . 281
9.2 Equilíbrio térmico e corrente em regime permanente nos
condutores e cabos isolados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... • . .. .281
9.3 Capacidades de condução de corrente ... .. . . . . . . •• .. .... •• ....... • .. . .286
9.4 Critério da capacidade de condução de corrente .. . . .• .. . . .. . • ... . ... • . . .. 296
9.5 Condutores em paralelo . ... .. .. .. .. .. ... . ... .. .. . . .. . • ... . ... • .. . .297
9 .6 Transitório térmico e tempo de sobrecarga admissível . .. .. .. .. . . .. .. ... . .. . .298
9.7 Transitório ténmico rápido . . . .. .. .. .. . . . . ... . . . . .. .. .. . • .. .. . . . . . . .. 304
9.8 Quedo de tensão nos circuitos .. .. .. . .. , . . . . . . .•• .. . ... . • . . .. .. . , . . . .305
9.9 ~ão do condutor neutro . .. . ... .. .. , • ... . . .. • • .. .. ... • .. .... . • .. . .311
Exercícios . .. .. .. .. .. .. .. ... .. .. .. .. , . ... . ... •• .. .. .. . • .. .. ... • .. . .314
Capítulo 1 O Cálculo de correntes de falta
1O. 1 Introdução .. . ........... . .. .. .. • • ... . ... •• .. .. .. • . ........... .3 15
10 .2 As fontes de correntes de falto . .. .. .. .. ... . .. ... .. .. .. . .. .. . ... . .. . .3 15
10.3 Análise do corrente de curto-circuito . .. . . . . . . ... •• .. .. ... . ... . ....... .316
10.4 Fundamentos dos cálculos de corrente de falto . . . . . . • . . . .... . .. .. . . . • .. .. 318
10.5 Impedância de curto-circuito ....... . . . . . . . . . . , • ...... •• ... . ... • .. . .322
10.6 Cálculo dos correntes de falto presumidos . .. . . ... . ... .. .. •• .. .. ... . .. . .324
Exercícios . .. . . . . .. .. . . . . ... . .... . ... . .. . . ... •• . . . . ... • . ......... . .334
Capítulo 11 Proteção contra sobrecorrentes
11.1 Corocterizoção dos sobrecorrentes .. .. .. .. .. ... .. .. .. .. . • .. .. ... . . .. .335
11.2 limitação do duração de uma corrente de sobrecarga ... .. .. .. ... . ... . .. . .336
11.3 A integral de Joule ... .............. . . ... ... . . ... .. •• ... . ..... . . .337
11.4 Critérios gerais da proteção contra sobrecorrentes . .. • . ... ... . . .. . ... • . . . .346
11.5 Proteção contra correntes de sobrecarga .. . .. . ... .. .. .. .. •• .. .. . .. • .. . .349
11.6 localização dos dispositivos de proteção contra correntes
de sobrecargas .. . . . . . .. .. . . .. .. .. . . . . . . . .. . . .. .. . , ....... , . . .. 356
11.7 Omissão da proteção contra sobrecargas . . . ... . . •• . . . . .. •• .. . .. . . , . .. . 356
11.8 Proteção contra correntes de curto-circuito . . ...... •• . . . .... • ... . ... • ... .358
11.9 localização dos dispositivos de proteção contra
correntes de curto-circuito .. . ... .. .. .. ... .. .. .• .. .. ... • ... . ... • ....360
11. 10 Omissão da proteção contra curtos·circuitos . . . ... . • .. .. .. , • .. .. ... • . .. . 361
11.11 Proteção dos condutores de fase ... . ...... . . . . •• . ..... •• ... . . .. • .. . .361
11.12 Proteção do condutor neutro .. .. .. .. .. ... . ... . ... .. ... • ... . ... . ....362
11.13 Coordenação seletivo do proteção contra sobrecorrentes . .. .. • . .. .. ....... .363
Exercícios ........................................... • , ... . .. . , ... .368
SU$W ü

VIII lnslakições elétricas

Capítulo 12 Prot~ões contra sobretensões


12 . l Aspectos gerais ..................... . ........ . ................ .371
12.2 Sobretensões devidas ôs de~argas atmosféricas (surtos de tensõo} ... . .... . .. .. 371
12.3 Sobretensões causadas por folhas da isolaçõo para outra instalaçõo
de tensõo mais elevada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. .. .. .. 383
Exercícios . . ... ... . ... ... .. .. . . • • .. . .... • ... .. .. • .. .. .... • • .. .. . . . .386
Capítulo 13 Dimensionamentos
13. l Circuitas de motores .. ... . ... . ... .. ... . ... . ... .. ....... • ... .. ... .387
13.2 Circuitos que não contêm motores . .. .. .. ... . ... . ... .. .. .. . • .. ... .. .. 394
13.3 Critério econômica para dimensionamento das linhas elétricas ...... • ... .. .. . .4 11
Exercícios .. .. . ... . ... .. .. .. ... .. .. .. ... .. . .. .... . ... . ... • ... .. ... .4 18
Capítulo 14 Compensação da energia reativa
14.1 lntroduçõo . . . . ... .. . . ... .. .... .. . . . • • . . . . . . •• . .... • ••• .... .. .. 419
14.2 Aspectos conceituais . .. . . .............. • . .. ... •• ....... • • .... ... .420
14.3 Razões do baixo fator de potência e
comportamento das instalações .......... • • . ... . .. • , ...... •• .. ... ... 422
14.4 Compensaçõo da energia reativa ....... .. .. . ... .. • ........ . .. ....... 422
14.5 Métodos de campensaçõa ... .. .. .. .. ... .. .. . ... . • , ....... , .. .. .. .. 424
14.6 Aspectos da carga - presença de harmônicas e
regime de operaçõo . . ... . ... .. .. .. ... . .. ... .. , • ... . ... • ... .. ... .429
Exercícios . .. .. ... .. . . .. ... . ... .. .. .. ... . ... .. .. . ... .. .. . • ... .. .. .. 433
Capítulo 15 Instalações de segurança e de reserva
15.1 lntroduçõo ........ . .. . . ..... .. . ..... . . . . . .. • , ....... • , ... . . .. .435
15.2 Conceitos básicos .. ................ . . ••. . ... . , •• .... ..••. .. . .. .. 436
15.3 Fontes de segurança e de reserva ............ .... .. , ....... • • . ....... 436
15.4 Classilicaçõo das a limentações de segurança ........ . • ... .... .•.. ...... .437
15.5 Circuitos de segurança ... .. . ... ... .. . ... .. .. .. • , . ... ... . , .. .. .. .. 437
Exercícios .. .. . ..... . ...... .. . . • ..... . . . , .. ... .. •• ....... , • . ... .. .. 438
Capítulo 16 Luminotécnica
16.1 Fundamentos . . . . .. .. . .. ... .. .. .. ... • .. ... .. • .... . ... . ... .. .. .. 439
16 .2 Tipos de lõmpodos . .. .. .. .... . ....... , ... .. .. • •. . .. ... •• .. .. . .. .441
16.3 Cólculos próticos de iluminação interior .... • , .... .. • , ....... • , ........ 450
Exercícios .. .. ... .......... .. .. .. .. . .... • , .. . ... • • ....... • • .. .. ... .464
Apêndice A Influências externas
A.1 Seleção dos componentes em função das inffuéncios externas ... . ... , • ... . . .. .465
A.2 Seleção das linhos elétricas em funçõo das inRuências externas .. . ... . ... . ... .. 465
Apêndice B O s eletrodos de fundação e a equalização de potencial
8.1 Os eletrodos de fundação e a prática a lemã ......... .. ...... ... . ........ 478
8.2 Aterramento do SPOA . . ... . . ..... .• . . .... .. • . . .... . .. 480
8.3 Compatibilidade eletromagnética .......... . ... . ... . , ....... • • .. . .. . . .48 1
8.4 Resistência de a terramento . . ... . ............ .. . . . . . .. . ..... . . .. .. .. 48 1
8.5 Barramento de eqüipatencialização principal (8EP) .. . ... . , , .. . ... •• .. . ..... 48 1
8.6 Aterramento de antenas externas ... . .. . . ... . . .. . .. , , . .... . . • • .... .. . .483
8.7 Condusõo ... ........ . ... . ................................. . .. .484
lndice rem.issivo .•.... . ... . ......•.... . •. . .......•.•. . .. .. . . .485
SU$W ü

Prefácio

A presente edição do livro Instalações Elétricas, mais do que atualizar seu conteúdo, adequando-o aos últimos
requisitos da norma NBR 541 O e incluindo novos assuntos, mantém vivo o ideal do saudoso professor e engenheiro
Aden1aro Cotrim.
Incansável estudioso e divulgador cios temas ligados às instalações elétricas, o professor Cotrim foi, sem dúvida,
referência para a engenharia elétrica nacional. Seu legado como professor, por meio deste livro, extrapolou as pare·
des das salas de aula nas quais alguns tiveram a felicidade de poder ouvi-lo. Além disso, provocou mudança estru·
tural na área de instalações elétricas - tão c,1rente de modernização. Deixou, desde 2000, uma lacuna no meio
profissional difícil de ser preenchida.
A obra magistral do professor Cotrim não poderia cair na obsolescência. ~ neste sentido que, desde a última
publicação da norma N BR 541 O, em 2004, e tendo em vista o surgimento de novos temas e tecnologias, crescia a
clen1anda por uma adequada revisão e atualização do conteúdo do livro original.
Tendo o extremo cuidado de não alterar a essência e o estilo do texto do professor Cotrim, os professores e enge-
nheiros eletricistas Hihon Moreno e José Aquiles Baesso Crimoni, com a colaboração de outros profissionais em
alguns temas específicos, conseguiram revisar e atualizar o texto de fonna bastante adequada. Além disso, ao apre·
sentar no final de cada capítulo uma lista de exercícios, que não existiam nas edições anteriores, a presente edição
se coloca con10 referência essencial e n1oderna no ensino de instalações elétricas no Brasil. Aos profissionais, entre-
ga-se, com esta edição, um verdadeiro guia de entendimento da complexa norma NBR 541 O, além de farta iníor·
mação atualizada sobre conceitos, dimensionamentos, nonnalização, produtos e tecnologias ligadas ao setor.
O esforço ele todos que, direta e indiretamente, colaboraram com a publicação desta obra é incentivo aos leitores
no sentido ele aproveitaren1 ao máximo o conteúdo deste livro. Dessa forn'la, estarão en1 contato com os ensinan,en-
tos eternos do professor Cotrim, um grande professor, profissional ela engenharia e homem.

Aderbnl de Arruda Penteado .Ir.


Diretor da ARCESP
Professor doutor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
Sn$W
SU$W ü

Apresentação
Hilton Moreno1
José Aquiles Baesso Grimoni2

Foi con1 indescritível honr(, e prazer que aceitamos o convite, e o desafio, ele revisar e atualizar esta n1agnííica obra
cio saudoso professor Aclemaro Cotrim. Apesar de não estar mais entre nós desde agosto ele 2000, seu livro continua
sendo um clássico e uma das principais referências bibliográficas do setor elétrico nacional.
Esta quinta edição foi totalmente baseada na norma "ABNT NBR 5410 - lostalações elétricas de baixa tensão",
publicada ern 2004 e em vigor no momento desta publicação.
Assim, esta obra tem como objetivo atualizar e adequar o texto de acordo com essa úhima edição da norma, além de
acrescentar algur'ls temas, con10 iluminação, correção do fator de potência, harn1ônicas e p<oteção contra sobretensões.
Diferentemente das anteriores, esta ediç.io inclui, ao final de cada capitulo, uma seção de perguntas que visam a
aferir o grau de aprendizado do leitor. Destaque também para a nova diagramação e estilo de redação do livro, que
torna sua leitura mais agradável e fácil, e para a atualização de alguns exemplos e para a inclus.io de novos.

O livro conta, ainda, com um site de a1>oio exclusivo, para o qual desenvolvemos um interessante mate-
rial. Nesse site, os alunos encontrarão uma planta-modelo de instalações elétricas e os professores têm
acesso a apresentações en1 PowerPoint que auxiliam a utilização do livro en1sala de aula. (Os editores aler·
tan1 que, para ter acesso a esse conteúdo., os professores que adotam o livro devem entrar e1n contato con1
seu representante Pearson ou enviar um e-n1ail para universitarios@pearsoned.com.)

Sinceramente, esperamos que com esta contribuição possamos ajudar a manter este livro como referência no
ensino/aprendizagem de instalações elétricas e como guia de uti lização da norma ABNT NBR 54 1O pelos profis-
sionais do setor.
Por sua qualidade, esta nova edição - revisada e atualizada -, é livro-texto fundamental para diversas escolas
de engenharia, nas disciplinas que tratam de instalações elétricas.

1. Hihon ~io~no
Engt:nheiro élélricista pela l!scol:1 Poli1&·nic~, da Uni\·trsidude tk $do Pttulo < 1980): con.sultc>r: professor 1itul.1r de ln~13I*!> Elétrica~ dà
~cola de Engenharia l\-tauá ( 1987""2004): 1nc:1nbro do Con1i1ê Brasileiro de Elc:1ricidOOC da ABNT. ;uuanclo. c:n1re OOU':IS. na Co1nissào da nom,a
AON'f NllR 5410. i\1<.'1nbro do Nntional J!irc i>ro1cc1ioo Associ:tlion (Nf'PA) dos ês-lados Unidos: au1or e co-autocde vários livros n:t área elétri·
c:t. de dh·cr:sos 3rligC>S 1écnicos sobre in-s1alaçõcs clé1ric.u e qllalid3dc de energia: ruiiculís13 d., Rc\'it1a d-e Eletricidade Moderna e colabor.<1dor
<~ outr:is rcYiS1ilS lécnic~ espccfali;,11.d:is: fKtll!Strtlnle ;llu.'lnte com e<.nten:,s de ::ipresen1açõcs ret1.li;,,3(1a5 no llr:"LSil e no e:t,erior. Const.lhl'.il'() da
UL do Ornsíl Cenificações e da Associação Brasiteim de Engenheiros Eleuicistas (ABEfi-SP).
2. José Aquiles H3CSOO Grin1oni
Engenheiro e~1rícis1a (1980). n1es1re ( 1989) e dou1or ( 1994) pel::i Esrota Poli1écnica d::t Uni\'Cl'$idade de S;io Paulo. Einre 1981 e 1988...trabalh<>u
n:1ASEA. CESP . Urown·Bo\'cri e FO'l"E e. a p;lriir de 19$9. tomou-se professor de gr.l<lu.'l.Ç3o e. :t (mrtir de 1994. de: pós·grndu::içiJo d:t E.iwla
Polité<:nica da USP. Entn:: 2003 e 2007. foi vice-diretor do Instituto de Eng{!nharia Elétrica da Uni\'ersidade de São Paulo ( IEBUSP). do <1ual é
dire1or desde esse ar)(). Co~uhor de crnpresas de cnerg.ia c1n projcu.>S de J)C"squisa e dcscn\'OIYi~ mo e proft.-ssor d:i di:sciplina de lns1:ilaç&s
ESétrkas 1~ 11~ola J>olilécnic.'I da Uni\'erS:idade de São l>:lulo desde 1993; 3u1or de dh-ersos artigo.,; ,écnic-os- em re,ii.stas e conj;.ít'Si;OS ,ia irea de
cncrg.i3 elé.lrica e mc1nbro do IEEE e dti ABEE·SP.
Sn$W
SU$W li

Fundamentos

1. 1 Sistemas e instalações elétricas em corrente alternada (CA) ou a 1.500 V em corrente


contínua (CC).
Circuito elé11ico é um conjunto de co~,os, componen- As instalações que possuem tensão nominal superior
tes ou meios, no qual é possível que haja co"ente elétrica. a 1.000 V em CA e inferior a 36.200 V em CA são gene-
Um sistema elétrico é um circuito ou conjunto de cir- ricamente chamadas de instalações elétricas de média
cuitos elétricos inter·relacionados, constituído para tensão. E as instalações com tensão nominal superior a
determinada finalidade (Quadro 1.1). ~ formado, essen- 36.200 V em CA são genericamente chamadas instala-
cialrnente, por componentes elé1ricos que conduzem ções elétricas de alta tensão.
(ou podem conduzir) corrente. Por sua vez, as instalações com tensão nominal igual
Já uma instalação elétrica inclui componentes elétri- ou inferior a 50 V em CA ou a 120 V em CC são instala-
cos que não conduzem corrente, mas que são essenciais ções elétricas de extra baixa tensão.
ao seu íuncionarnento, tais co1no condutos, caixas e A NBR 541 O fixa as condições a que as instalações de
estrutura de suporte. Enfim, unia instalação elétrica é o baixa tensão elevem atender, a fim de garantir seu funcio-
sisten1a elétrico físico, ou seja, é o conjunto de compo· namento adequado, a segurança de pessoas e animais
nentes elétricos associados e coordenados entre si, com· domésticos e a conseivação de bens. Apl ica-se a instala-
posto para um fim específico. ções novas e a reformas em instalações existentes, enten-
Dessa forma, a cada iMtalação elétrica corresponde- dendo-se como •reforma•, em principio, qualquer
rá um sistema elétrico. an1pliaç..:io de instalação existente (como criação cfe novos
Em um projeto elétrico, as plantas e os detalhes (por circuitos e alimentação de novos equipamentos), bem
exemplo, cortes, esquemas unifilares e trifilares) represen- como qualquer substituiç.io de componentes que impli-
tam a instalação, enquanto os circuitos elétricos envol- que alteração de circuito.
ventes representan, o sisten1a. A norma abrange praticamente todos os tipos de ins-
Porém, observe que os termos "sisten1a elétrico" e ltllação de baixa tensão, tais como:
"instalações elétricas" são utilizados con10 sinônin1os
por muitos autores e projetistas. • Edificações residenciais e comerciais, em geral.
• Estabelecimentos institucionais e de uso público.
• Estabelecimentos industriais.
1.2 Norma NBR 541 O • Estabelecimentos agropecuários e hortigranjeiros.
A NBR 5410- Instalações Elétricas de Baixa Tensão • Edificações pré-fabricadas.
(última edição da norma, de 2004), baseada na norma • Reboques de acampamento (traílers), locais de acam-
internacional IEC 60364 - Electrical lnstallations oí pamento (campings), marinas e locais análogos.
Buildings, é a norma aplicada a todas as instalações elé- • Canteiros de obras, feiras, exposições e outras insta-
tricas cuja tensão nominal é igual ou inferior a 1.000 V lações temporárias.
SU$ W ü

2 lnslaloções elétricas

Quadro 1.1 • Algumas defin~ões contidas na norma NBR 5456


• Fonte monofásica: fonte que fornece uma única tensão elétrica (ou corrente) alternada.
• Fonte polifásica: fonte que fornece um conjunto de duas ou mais tensões elétricas (ou correntes) alternadas, inter-
relacionadas, de mesma freqüência. Pode ser classificada de acordo com o número de fases. Por exemplo, fontes
''bifásica'\ ·~trifásica", "hexafásica'>.
• Fonte polifásico simétrica: fonte polifásica cujas 111 tensões elétricas (ou correntes) têm a mesma fom,a de onda e
a 111esn1a a,nplitude, e cujas defasagens sucessivas são iguais a 36()0/rn.
• Dispositivo monofásieo: fonte monofásica ou um dispositivo previsto para ser alimentado por uma fonte monofásica.
• Dispositivo polifásico: fonte polifásica ou um dispositivo previsto para ser alimentado por uma fonte polifásica.
• Circui10 1110110/ásico: circuito elérrico que co1npreende u,n conjunto de dispositivos ntonofásicos interligados.
• Circuito 110lifásico: circuito elétrico que compreende um conjunto de dispositivos polifásicos interligados.
• Siste111a 1110110/ásico: caso particular de sistema polifásico, reduzido a un1a única tens.ão de fase.
• Sistema polifásico: sistema elétrico constituído por um ou mais circuitos polifásicos.
• Sistema polifásico simétríco: sistema polifásico tal que, em representação gráfica. os fasores das tensões de fase
podem ser dispostos segundo um polígono funicular regular fechado, de 111 lados.
• Polfgono Ji,nicular: representação gráfica de unl conjunto de vetores. deslocados paralelamente a si 1nesn1os até que o
ponto de aplicação de cada vetor coincida com a extremidade do vetor precedente e sua extremidade coincida com
o ponto de aplicação do vetor subsequente. Nora: Esse-conceito é válido para a representaç~o gráfica de fasores.
• Tensão de fase: cada uma das tensões de n1esn1a freqüência e defas.."l.das entre si que cons1ituern unt sis1en1a ou cir·
cui10 polifásico. Sinônimo: tenstio fose-11ewro.
• Tens<io tle linha: tensão entre duas fases de um circuito ou equipan1entos polifásicos.

A norma aplica-se, também, a: A NBR 5410 é com1>lemenlada atualmente por outras


duas normas: a NBR 13570 - Instalações Elétricas em
• Circuitos elétricos alimentados sob tensão nominal
Locais ele Afluência de Público: Requisitos Especlíicos e a
igual ou inferior a 1.000 V em CA, com freqüências
NBR 13534 - Instalações Elétricas de Baixa Tensão -
inferiores a 400 Hz, ou a 1.500 V em CC. Requisitos Especlíicos para Instalação em Estabelecimentos
• Circuitos elétricos que não os internos aos equipa- Assistenciais de Saúde. Ambas complementam, quando
mentos, os quais, embora alimentados por meio de necessário, prescrições de caráter geral contidas na NBR
instak1ção corn tensão igual ou inferior a 1.000 V em 541 O, relativas a seus respectivos campos de aplicação.
CA, funcionam con, tensão superior a 1.000 V, como A NBR 13570 aplica-se às instalações elétricas ele
é o caso de circuitos de lâmpadas de descarga, de locais como cinemas, teatros, danceterias, escolas, lojas,
precipiladores eletrostáticos etc. restaurantes, estádios, ginásios, circos e outros loc.ais
• Qualquer linha elétrica (ou fiação) que não seja espe- indicados, com capacidades mínimas ele ocupação (n•
cificamente coberta pelas normas dos equipamentos de pessoas) especificadas.
de utilização. A NBR 13534, por sua vez, aplic.1-se a determinados
• Unhas elétricas foxas de sinal, com exceção dos circui- locais como hospitais, ambulatórios, unidades sanitárias;
tos internos dos equipamentos, relacionadas exclusi- cl ínic;i_s médicas, veterinárias e odontológicas; entre
vamente à segurança (contra choques elétricos, outros, lendo em vista a segurança dos pacientes.
incêndios e efeitos térmicos em geral) e à compatibi-
lidade eletromagnética. Define-se estabelecimento a.i,sistencial de saúde (ou.
simplesmente, estabelecinrento de $3úde) como o esta·
Por sua vez, a nonna não se aplica a: belec-i,nento dcsrinado ao atendi1nento n1édico, de cnfer-
n,age1n e para1n&lico (exan,e, trata1nenio. n1on.itoran1en10,
• Instalações de distribuição de energia elétrica (redes) transporte etc.) de pessoas. Corresponde ao tenno heolrh
e de iluminação pública. ,·arefadliry utilizado na1íngua inglesa.
• lnslalações de tração elétrica, de veículos auton1oto- lnS1<llação elftrica em esta~elecimento assistencial de
res, embarcações e aeronaves. saúde é definida como o conjunto de componentes e
• Instalações en1 minas. equipamentos (exceto os aparelhos eletrornédicos) devi-
• Instalações de cercas eletrificadas. da1nente interligados e dispostos de maneira apropriada
em áreas e locais de- um estabelecimento assiStc,ncial de
• Equipamentos para a supressão de pertwbações r,1dioe-
s.aóde. tendo ent vista o suprin1ento. a transfonnação. o
létricas, uma vez que eles não comprometam a segu- annazenan1ento. a distribuição e a utiliz-ação de energia
rança das instalações. elétrica de n1odo compatíve-1 com as necessidades e a
• Instalações específicas para proteção contra descar- segurança específicas de cada recinto para fins médicos
gas atmosféricas diretas. (diagnósticos ou terapêuticos).
SU$W 6

Capítulo 1 • Fundamentos 3

A terminologia de instalações elétricas de baixa ten· um transformador (em un1poste:), um disjuntor (em uni
são é tratada na norma NBR IEC 60050 (Vocabulário quadro), um aparelho ele ar-condicionado (em parede
Eletrotécnico Internacional, em seu Capítulo 826 - ou janela).
Instalações Elétricas em Edificações). • Eswcionários: não são movimentados quando em fun-
cionan1ento, não possuem alça para trans1>0rte ou
1.3 Componentes das instalações possuem massa tal que não podem ser movimentados
facilmente, como geladeira ou freezer doméstico,
Nesta seção, abordaremos os principais componen· lavadora de roupa, microcomputador, disjuntor
tes de uma instalação elétrica, a saber: componente, extraível (de um cubículo de subestação).
equipamento elétrico, aparelho elétrico, linha elétrica, dis- • Porl,íteis: são equipamentos n1ovimentados quando
positivo elétrico, carga elétrica, potência instalada, falta em íuncionamento ou que podem ser facilmente
elétrica, sobrecarga, sobrecorrente e curto-circuito, corren- deslocados de um lugar para outro, mesmo quando
te de fuga e corrente diferencial residual. ligados à fonte ele alimentação, como é o caso ele
certos eletrodomésticos (por exemplo, enceradeira e
Componente aspirador de pó) ou aparelhos de medição (como
Componente de uma instalação elétrica é um termo muhímetros).
em1xegado para designar itens da instalação que, clepen- • Manuais: são os portáteis, projetados para serem
clenclo do contexto, podem ser materiais, acessórios, suportados pelas mãos durante utilização normal,
dispositivos, instrumentos, equipamentos (de geração, como é o caso das íerramentas portáteis (por exem-
conversão, transformação, transmissão, armazenamento,
plo, furadeira, !erro de passar roupas e amperímetro
d istribuição ou utilização ele eletricidade), máquinas,
tipo alicate).
conjuntos_, ou n1esn10 segn1entos oo partes da instalação
(como linhas elétricas). Assim, um eletrocluto e um con-
j unto de condutores isolados, por exemplo, são compo- Aparelho elétrico
nentes de u1na linha elétrica., visto ser ela constituída por O termo aparelho elétrico é usado para designar
condutores isolados contidos em eletroduto. equipamentos de medição e certos equipamentos de uti·
lização, tais como:
Equipamento elétrico
• Aparelho elelfodomés1ico: destinado à utilização resi-
Um equipamento elétrico é uma unidade funcional, dencial ou análoga (por exemplo, aspirador de pó,
completa e distinta, que exerce uma ou mais funções
liquidificador, lavadora de roupa e chuveiro elétrico).
elétricas relacionadas com geração, transmissão, distri·
• Aparelho eletroprofissional: clestinado à utilização
buição ou ulilização de energia elétrica, tal como
em estabelecimentos comerciais ou análogos (como
máquinas, transformadores, dispositivos elétricos, apare.
máquina ele escrever, copiadora e microcomputador),
lhos de medição, proteç.io e controle. Em particular, um
equipamento de utilização é o equipamento elétrico íncluindo os ec1uipamentos eletromédicos.
destinado a converter energia elétrica em outra forma de • Aparelho de iluminação: é o conjunto constituído, no
energia diretamente utilizável (mecânica, térmica, lun1i· caso mais geral, por uma ou mais lâmpadas, luminá-
nosa, sonora etc.). rias e acessórios (como reator e starter).
Em uma instalação elétrica, é possível ter os seguin·
tes tipos ele equipamentos: Linha elétrica
• Equipamentos relacionados à fonte ele energia elétrica Uma linha elétrica é o conj unto constituído 1>0r um
ela instalação, que são os transformadores, os gerado- ou mais condutores, com os elementos ele fixação ou
res e as baterias. suporte e, se for o caso, de proteção mecânica, destina·
• Dispositivos de comando (manobra) e proteção, tais do a transportar energia elétrica ou a transmitir sinais
como chaves, seccionaclores, disjuntores, fusíveis e elétricos. O termo corresponde ao inglês wiring system e
relês. ao francês canalizalion.
• Equipamentos ele utilização, que podem ser classifi-
caclos em equipamentos não-industriais (aparelhos As linhas elé1ricas podem ser cons1itufdas apenas por
condutores con1 os eleme,uos de fi.x.ação e/ou suporte,
eletrodomésticos e eletroprofissionais), equipamen-
como é o caso de condutores fixados a paredes ou tetos
tos incluwiais (tornos, compressores, prensas, fornos)
e de condu1ores fixados sobre isoladores (em paredes,
e aparelhos de iluminação. tetos ou postes). Poden1 1an1bé1n ser fom1adas l)Of con·
Quanto à instalação, os equipamentos em geral dutores esn con<lutos (co1no eletrodutos, eletrocalhas.
podem ser classificados em: bandejas). Observe que un1a linha elétrica pode conter
un1 ou vários circuitos (por exentplo, vários circuitos cm
• Fixos: são projetados para serem instalados perma- uma bàndeja ou cm um eletrodu10).
nentemente em um lugar determinado, 1>0r exemplo,
SU$W 6

4 lnslalações elétricas

Dispositivo elétrico • Cargas lineares: constituídas pelos equipamentos elétri-


cos cuja forma de onda ele tensão e corrente ele entrada
Dispositivo élétrico é um équipamento integranté dé
permanecem senoidais em qualquer ponto de opera-
um circuito elétrico cujo objetivo é desempenhar uma
ção. ~ o caso típico de motores ele indução usuais, da
ou mais funções de manobra, proteção ou controle. ~
iluminaç.'\o incandescente e ele cargas de aquecimento.
importante obsérvar que um dispositivo elétrico pode,
• Cargas não-lineares: constituídas basicamente pelos
por sua vez, ser parte integrante de uma unidade maior.
equipamentos eletrônicos cujas tensão e corrente
Norn1aln1ente, o termo é utilizado para designar um
elétricas são distorcidas, contendo harmônicas.
con1ponente que conson1e um rníni,no de energia elétri-
ca no exercício de sua função (geralmente comando, O tenno equipamento de tecnologia da informação
manobra ou proteção), correspondendo ao termo devi· (ETI) é usado pela IEC para designar 1odos os tipos de
ce, como é definido na norn1a norte--an1ericana NEC - equipamentos elétricos e eletrônicos utilizados e,n ins-
National Electrical Code. talações comerciais. bem como equipamentos de 1ele-
con1unicação. É o caso de:
As principais funções exercidas pelos dispositivos
elétricos (device) são: • Equipàn1cntos de processamento de dados.
• F.quipamcntos- de telecomunicação e transmissão de
• Manobra: rnuclança na configuração elétrica de um dados.
circuíto, íeita manual ou auton1aticamente. • ·Fontes CC que ali1nen1arn. equipa,nentos de tecnolo-
• Comando: ação destinada a efetuar a manobra, que gia da in(onnação no interior de edificações.
1:>0cle ser de desligamento, ligação ou variação da ali- • Equipamenios e insialações de CPGT (Centrais
mentação de energia elétrica de toda ou parte de uma Privadas de Comu,ação Telefônica).
instalação, sob condições de funcionamento normal. • Redes locais (LAN).
• Proteção: ação automátic.1 provocada por dis1>0Siti· • Sistcn1as de a.larme.
• Sistemas de auton1ação predial.
vos sensíveis a deternlinadas condições anorn1ais • Sistemas-CAM (Co111puter Aidetl Manufocturing).
que ocorrem em un1 circuito, a fin, de evitar danos às
1:>essoas e aos animais e evitar ou limitar danos a um Aparelhos com material ferromagnético e que ope·
sistema ou equipamento elétrico. ran, na região ele saturação são tan,bén1 cargas não·
• Controle: ação de estabelecer o funcionamento de lineares, porque as harn1ônicas decorrentes clessa satura-
equipamentos elétricos sob determinadas condições ção distorcem as ondas de tensão e correntes.
de operação.
Potência instalada
Carga elétrica
A potência instalada de uma instalação elétrica, ele
Carga elétrica, na linguagem usual de eletrotécnica, um set0r de uma instalação ou de um conjunto de equi·
pode ter vários significados, como: pamentos de utilização é a soma das potências nomi-
• Conjunto de valores elas grandezas elétricas (e mecã- nais cios equipamentos de utilização da instalação, do
nic.as, no caso de máquinas} que caracterizan, as setor ela instalação ou do conjunto de equipamentos.
solicitações impostas a um equipamento elétrico Um equipamento que absorve energia elétrica é um
(transformador, máquina etc.) em dado instante, por equipamen10 de utilização; dependendo da necessida-
um circuito elétrico (ou dispositivo mecânico, no de, a potência ativa consumida pode variar de zero até
caso de máquina). sua potência nominal.
• Equipamento elétrico que absorve potência ativa.
• Potência (ou corrente) transferida por um equipa· Falta elétrica
n1ento elétrico. U1na falta elétrica é o contato ou arco acidental entre
• Potência instalada. partes com potenciais diferentes, bem como de uma ou
Por sua vez, para u1n circuito ou equi1>amento elétri- mais dessas partes par,) a terra,. em um sistema ou equi·
co, fala-se em: pamento energizado. As faltas são geraln1ente causadas
por falha de isolan1ento entre as partes, e a in,pedância
• Fvncionamen,o em carga: quando o circuito ou o entre elas pode ser baixa ou desprezível, quando então é
equipamento está transferindo ou absorvendo ener-
denominada fá/ta direta. Quando uma das partes envol-
gia elétrica.
vidas é a terra, tem-se falta para terra.
• Funcionamento em vc1zio: quando o circuito ou o equi-
Um curto·circuito é um caminho condutor acidental
pamento não está transferindo energia, sendo porém
ou intencional entre dois ou mais pontos de um circui-
nonnais as outras condições de funcionamento.
to, por meio de uma impedância baixa ou desprezível.
Para o equipamento de utilização, as cargas podem Quando o curto-circuito é acidental e os pontos esião
ainda ser caracterizadas como: sob potenciais diferentes, tem-se uma falta direta.
SU$W ü

Capitulo 1 • Fundamentos 5

Sobrecarga, sobrecorrente Supondo que o circuito esteja alimentando uma


carga elétrica equilibrada ou desequilibrada, mas que
e curto-circuito não tenha corrente ele fuga, pode·se determi nar para o
Sobrecarga é a parte ela carga existente em um cir- ponto P, de acordo com a 1• Lei de Kirchhoff, que:
cuito ou e<1uipamento que exce<fe a plena carga. Por sua
vez, sobrec.orrente é uma corrente que excede o valor (1.1)
nominal, que, no caso de condutores elétricos, é a capa-
cidade de condução de corrente. Da mesma maneira, onde i 1, i2 , i3 e (v são os fasores ou valores instantâneos
sobretensifo é un1a tensão cujo valor excede o n1aior das correntes que percorrern os condutores vivos do cir-
valor nominal cio sistema ou equipamento elétrico. cuito. No caso da Express.10 1.1, a corrente diferencial·
residual é igual a zero.
Nas instalações elétricas, as sobrecorrentes podem
Caso haja corrente de fuga ou corrente de falta 1>ara
ser de dois tipos: a terra, a soma dos valores instantâneos das correntes
• Corrente de falta: corrente que ílui de um condutor será diferente ele zero.
para outro ou de un, condutor para a terra, no caso Pode·se, então, determinar, no caso geral, que
de uma falta e no local desta.
• Corrente de sob">carga: sobrecorrente em um circuito (1.2)
ou equipamento elétrico sem que haja falta elétrica. ou, em termos fasoriais (ver diagrama fasorial da Figura
A chamada corrente de curto·circuíco, caso panicular 1.1 ), que
de corrente de falta, é a sobrecorrente resulk1nte de uma
IDI< = / 1 + I, + I, + l.v (1.3)
falta direta entre condutores energizados que apresentam
uma diferença de potencial em funcionamento normal. onde I ,, 1,, 13 e /,, são os fusores das correntes nos condu·
tores e IOJt é o fasor da corrente diferencial residual.
Corrente de fuga
A corrente de fuga, como conceito geral, é uma cor-
rente muito pequena que percorre um caminho diferen·
1.4 Tensões elétricas
te do previsto. Em panicular, a corrente de iuga de uma De acordo com a IEC 60038, os sistemas elétricos são
instalação ou de pane dela é a corrente que, na ausên· caracterizados por três valores de tensão eficaz, a nonli-
eia de falta, flui através do dielétrico do material isolan· nal, a máxima e a mínima.
te dos condutores, ou, em caso de rede de distribuição A tensão non1inal de un1 sistema é <1quela que carac-
ele energia elétrica, flui sobre as saias dos isoladores (ver teriza a tensão do sistema e à qual são deferidas certas
Tabela 3.9). características operacionais.
As tensões rnáx;ma e mlnima de un1 sistema são, reis·
Corrente diferencia l-residual pectivamente, o maior e o n1enor valor de tensão que
A corrente diferencial·residual (Ir,,) de uma instala· podem ocorrer em condições normais de operação, em
ção ou de um setor de uma instalação é definida como qualquer tempo e em qualquer ponto do sistema, excluí-
a son1a dos valores instantâneos das correntes que per· das as condições transitórias e anormais.
correm todos os condutores vivos do circuito considera· Para uma instalação elétrica, a tensão nominal (de
cio, em dado ponto. acordo com a NBR IEC 60050 (Capítulo 826)) é defini·
Seja o circuito trifásico com neutro apresentado na ela como a tensão pela qual a instalação (ou pane dela)
Figura 1.1. é designada.

- ->- i1 ~

L1
I \
~i2 ;,..
Li
- ->- i3
L)

L_:
_..,.\, \ I
'-.../
p ;, i,

Figura 1 , l • Corrente diferenciaJ.resicluol


SU$ W ü

6 lnslalações elétricas

Uma tensão igual ou inferior a 1.000 V em CA ou a A respeito dessa tabela, são válidas as seguintes observa-
1.500 V em CC é considerada b,1ix,1 tensão. Tensões supe- ções:
riores a esses valores são designadas genericamente como
• A tabela corresponde à Tabela 1.1 da IEC 60038, de
altas tensões. Já tensões iguais ou inferiores a 50 V em CA
2002.
ou a 120 V em CC são chamadas extra b,1ixas tensões
• As tensões superiores a 230/400 V destinam-se
(EBn ou extra·low voltage (ELV).
exclusivamente a instalações industriais e comerciais
Para sistemas com tensão nominal superior a 1.000 V,
de porte.
(isto é, de •alta tensão"), a IEC define a tensão máxima
• As tensões nominais ele equipamentos de utilização
de operação de um equipamento como a maior tensão monofásicos não devem exceder 240 V.
para a qual o equipamento é especificado, tendo em
• Recomenda-se que a tensão nos terminais de alimen-
vista a isolação e outras características que possam ser
tação não difira da tensão nominal de mais de± 10%.
referidas a essa tensão nas especificações respectivas.
Os equipamentos ligados a sistemas de baixa tensão A Tabela 1.2 mostra as tensões nominais de sistemas
(BT) elevem ser caracterizados pela tensão nominal do de baixa tensão usuais "° Brasil, enquanto a Tabela 1.3
sistema, tanto para isolação como para operação. mostra as tensões nominais norm:dmente encontradas
A Tabela 1.1 indica as tensões nominais de siste- em nossos equipamentos de utilização.
mas ele baixa tensão, trifásico a três e quatro condutores, A Tabela 1.4 indica as tensões nominais de siste1nas
e de sistemas monofásicos a três condutores, freqüência de tensões acima de 1 kV e até 35 kV e as corresponden-
de 60 Hz, incluindo os circuitos ligados a esses sistemas. tes tensões máximas para equipamentos, de acordo
As tensões são indicadas por U, ou por U, onde u. é a com a IEC. A Série 1. para sistemas de 50 ou 60 Hz, cor-
tensão entre fase e neutro e U é a tensão entre fases. responde aos padrões europeus, enquanto a Série li,

I Taliela 1.1 • Tensões nominais ele sistemas ele baixa tensão.em au Hz, !IEC) 1
Sistemas trifásicos a três e quatro condutores (V) Sistemas monofásicos a três condutores (V)
230/400 120/240
277/480
480/690
1.000

I Tabela 1.2 • Tensões nominais de sistemas de baixa tensão usuais no Brasil l


Sis temas trifásicos a três ou quatro condutores (V) Sistentas 1nonofásicos a dois ou lrês condutores (V)
115/230 110/220
120/208 115/230*
127/220• 127/254•
220/380• 220/440*
254/440• 120/440•

Talitla 1.3 • Tensões nominais de eauiDGmentos de utilizasãc> usuais no Brasil i


Tipo Tensão nominal (V)
110
115
Monofásicos 120
127
220
220
Trifásicos 380
440
SU$W ü

Capítulo 1 • Fundamentos 7

Tabela 1.4 • Tensões nominais de sistemas com 1 kV < u• .;; 35 kV e tensões máximas correspon·
dentes para equipamentos (IEC)
Série I Série n
- >---
Tensão n1áxinla para Tensão n1:ixi1na para
Tensão no,ninal de Tensão norninaJ de
equipa1nentos equipa,nen1os
sistema (kV) sistema (kV)
(kV) (kV)
3.6
7.2
3,3•
6.6
3•
6•
- - 4,4
-
4,16*
-
-
-
-
12 11
-
-
-
-
,--
-
10 -
13.2
13.97
+ r
-
12.47
13.2

---
14,52 13,8•
(17,5)
- - - ( 15)
- .... - -- -
24 22 20 - ~
-
- - - 26,4 24,94
36 33 - - -
- - - - 36.5
~
34.5
r
40.5 - 35 - -
para sistemas ele 60 Hz, corresponde aos padrões norte- No Brasil, as tensões usuais - entre 1 kV e 35 kV -
americanos. A IEC recomenda que um 1>aís utilize ape- estão indicadas na Tabela 1.5.
nas un,a das séries e, no caso de a opção ser pela Série
1, que apenas uma das listas seja usada. São feitas as
seguintes observações: 1.5 Choque elétrico
• Para um sistema normal da Série 1 a tensão máxima
1
Choque elé1rico é a 1>erturbação, ele na.tureza e efei·
e a tensão mínima não devem diferir além de :1: 10% los diversos, que se manifesla no organismo humano ou
da tensão nominal. anin1al quando este é percorrido por uma corrente elé·
• Em um sistema normal da Série li, a tensão máxin1a trica. Dependendo ela inlensidade e do tempo do cho·
não deve diferir alén1 de + 5% e a tensão mínima, além que elétrico, a corrente elétrica provoca maiores danos
cle - 10% ela tensão nominal. e efei1os fisiopatol6gicos no homem. No estudo ela pre·
• As tensões assinaladas com asterisco (ª) não devem venção cio choque elétrico, devem-se considerar:
ser usadas em redes públicas. • Conc,1tos diretos: é. quando a pessoa toca diretamen·
• Estuda-se a unificação elas tensões 33 e 35 kV. te a parte viva (condutores energiL:1dos) de uma ins-
• Os valores indicados entre parênteses são considera- talação elétrica. Isso pode ocorrer quando a pessoa
dos não preferenciais. toca inadvertidamente os condutores energizaclos ou
outra 1>arte do circuito de um equipamenio, ou devi-
do a uma fissura (falha) cio material isolante do fio,
Taliela 1.5 • Tensões nominais na faixa 1 kV como mostra a figura 1.2.
< u. ,. 35 kV usuai5 no Brasil (kV)
• Contatos indiretos: contatos de pessoas ou animais
2,4
com massas que ficaram sob tensão devido a uma
falha ele isolamento (figura 1.2).
3,8
4,16
1 Os contatos diretos, que a cada ano provocam milha-
res de acidentes graves (muitos até fatais), são provocados
6,6°
geralmente por falha de isolamento, por ruptura ou remo·
13,2 ção indevida de partes isolantes ou por imprudência de
13,8° uma pessoa com relação a uma parte viva (energizada).
23,0' Terminais de equipamentos não isolados, condutores e
34.5' cabos com isolação danific,,da ou deteriorada e equipa-
Nota: mentos de utilização velhos são as "fontes" mais comuns
1. Usadas cn1 rode.~ das. concessionárias de dislribuição de ele choques 1>or contatos diretos. Observe, por exemplo,
cnc,:sia elé1ricà. que o (mau) hábito de desconectar o plugue da tomada
SU$W ü

8 lnslalações elétricas

Contato direto Con1a10 indire10

.,
o~ D
Figura 1.2 • Contatos direto e indireto

de aparelhos portáteis (como ferro de passar roupa e Alimentação diretamente


sec.,clor de cabelos) ou móveis (como enceradeira e aspi-
rador de pó) puxando o cabo ou o fio aumenta em muito
em baixa tensão
o perigo de acidentes elétricos. A entrada de serviço é o conj unto de equipamentos,
Os contatos indiretos, por sua vez, são particular- condutores e acessórios instalados entre o ponto de deri·
mente perigosos, pois quando o usuário encosta a n1ão vação da rede da concessionária e o quadro de medição
em uma massa (por exemplo, na carcaça de um equipa- ou proteção, estando este incluído.
n1ento de utilização), ele não suspeita de uma eventual O ponto de entreg,1 é o ponto até onde a concessio-
energização acidental, provocada por foha ou por defei- náría deve fornecer energia elétrica, participando cios
to interno no equipamento. investimentos necessários e responsabilizando-se pela
execução dos serviços, pela operação e pela manuten-
ção, não sendo necessariamente o ponto ele medição. O
1.6 Instalação de baix a tensão 1 ponto de entrega é o ponto a partir do qual se aplica a
NBR 54 10:2004.
As instalações de baixa tens,fo (BT) podem ser ali- A entrada consumidora é o conjunto de equipamen-
mentadas de várias maneiras: tos, condutores e acessórios instalados entre o ponto
• Diretamente, por uma rede de distribuição de ener- de entrega e o quadro de proteção e medição, estando
gia elétrica de baixa tensão, por meio de um ramal este incluído.
de ligação; é o caso típico de edificações residen- O ramal de ligação é o conjunto de condutores e
ciais, con1erciais ou industriais de pequeno porte. acessórios instalados entre o ponto de clerivaç.10 da rede
• De uma rede de distribuição de alta tensão (AT), por da concessionária e o ponto de entrega.
n1eio de uma subestação ou de um transformador O ramal ele entrada é o conjunto de condutores e
exclusivo, de propriedade da concessionária; é o acessórios instalados entre o ponto de entrega e o qua·
caso típico de instalações residenciais de uso coleti· dro de proteção e medição.
vo (apartamentos) e comerciais de grande porte. A Figura 1.3 mostra esquematicamente os compo-
• De uma rede de distribuição de alta tensão, por meio nentes da entrada de serviço.
de uma subestação ele propriedade do consumidor; é
o caso típico de edificações industriais e con1erciais Alimentação em alta tensão
de médio e grande portes. Uma subestação é uma instalação elétrica destina-
• Por fonte autônoma, como é o caso de instalações de da a manobra, transformação e/ou outra forma de con-
segurança ou de instalações situadas íora de zonas versão de energia elétrica. Quando esse termo é
servidas por concessionárias. empregado sozinho, subentende-se uma subestação
ele transíormaçiio.
1. As definições apre.sen1ad:i..s llC$1C 1cx10 es1âo de :,cordo com Observe que: na Figura 1.3, a proteção está localiza·
às nottni\$ NOR 5460 e NOR IEC 60050 (826) e t:ó1n ri ter· da antes da medição, mas algumas concessionárias do
n1inologi3 usu~•I <L'LS concessionárias de cncrgi3 elétrica.. Brasil a utilizam depois da medição.
SU$W li

Capítulo 1 • Fundamentos 9

~
Pon10 de
Ramal de derivação
ligaçáo
Ponto de Quadro
/entrega
' - - - - - - -+ - -- -c-:----:---:1Pro1eçào Mediçiio
R;l1nal de en1rada - - l>i

Entrada consun1 idora - - - --+!


Entrada de serviço

Figura 1.3 • Esquema bósíc:o de entrado de serviço

Unidade consumidora alguns casos mais de un,a) e a distribui a um ou 1nais cir·


cuitos. Pode, também, desempenhar funções de prote·
Chama-se unidade consumidora a instalação elétrica
ção, seccionamento, controle e medição. Um quadro
pertencente a um único consumidor, e que recebe ener-
(de distribuição) terminal é aquele que alimenta exclusi-
gia em un1 só ponto, con1 sua respectiva n1eclição.
vamente circuitos terminais. A Figura 1.4 traz alguns
l importante observar que, no caso de edificações exemplos, com circuitos e quadros ele distribuição e cir-
de uso coletivo - residenciais ou comerciais - com
cuitos e quadros terminais.
vários consumidores, a cada unidade consumidora
Verifica-se, então, que o termo •quadro de
(apartamento, conjunto de salas, loja, administração
distribuição11 é absolutamente geral e inclui desde os
etc.) corresponde uma instalação elétrica cuja origem
simples • quadros de luz• até os mais complexos CCMs
está localizada nos tern1inais de saída do respectivo dis-
(centros de controle de motores).
positivo geral de comando e proteção, ou do medidor,
se lor o caso. Tomada de corrente e
ponto de tomada
Tensão nominal e tensão de serviço
Uma tomada de corrente pode ser definida como
A tensão nominal de uma instalação de baixa tensão um dispositivo elétrico com contatos ligados perma-
de uma unidade consumidora é a tensão na origem da nentemente a uma fonte de energia elétrica, que ali-
instalação, ou seja, no ponto de entrega. menta um equipamento de utilização por meio da
A tensão de serviço pode, por razões óbvias, ser dife- conexão de um plugue.
rente da tensão non1inal; no entanto, em todos os cálcu- Um ponto de tomada, de acordo com a NBR 541O,
los que envolvem tensão, a nominal é a considerada. A
é um ponto de uti lização em que a conexão do equ,-
Resolução da ANEEL n~ 505, ele novembro d: 2001,
pamento ou cios equipan,entos a seren, alin, entados é
define a tensão nominal na origem da instalaçao, bem
feita por meio de tomada de corrente. E pode conter
como a variação permitida.
uma ou n,ais ton,adas de corrente. Além disso, um
ponto de tomada pode ser clas.silicado, entre outros
Circuito
critérios, de acordo com a tensão do circuito que o ali·
Um circuito de uma instalação elétrica é o conjunto menta, o número de tomadas de corrente nele previs-
de componentes da instalaÇ<io alimentados da n1esn1a to, o tipo de equipamento a ser alimentado e a corren·
origem e protegidos pelo mesmo dísposHivo de prote- te nominal das tomadas de corrente nele utilizadas.
ção. Em uma instalação há dois tipos de circuitos: os de Veja na Figura 1.5 o exemplo de um ponto de tomada
distribuição e os terminais. com quatro tomadas 2P+ T (modelo conforme NBR
Um circuito de distribuição é o circuito que alimenta 14136).
um ou n1ais quadros de distribuição, e un, circuito lern,i· Em uma instalação, podem-se distinguir:
na/ é aquele que está ligado diretamente a equipamentos
de utilização ou a tomadas de corrente.
• Ton1c1dc1s ele uso especlfico, nas quais s.:io ligados equi-
pamentos fixos, por exemplo, aparelhos de ar·condi·
cionado e certos equipamentos estacionários de maior
Quadro de distribuição porte, como é o caso de máquinas copiadoras.
Um quadro de distribuição é um equipamento elétri- • Tomadas de uso geral, nas quais são ligados equipa-
co que recebe energia elétrica de uma alimentação (em rnentos móveis, portáteis e estacionários.
SU$W ü

1O lnslolações elétricas

Quadro 1crn1inal
Disjuntor
Ponto de entrega
(origcn1 da instalação)
Rainal de
entl":lda Caixa de ,ncdição Fusí\'cl
(BT) . - - - - - - -'-"'7'Í Circuito de
distribui ão
Circuitos tenninais )
(a)

1
Medidor

Ponto de entrega

~ Ra,nal de entrada (AT)

Trunsforn1ador

.,._ Origcn1
Quadro ele
Disjun1or
distribuição Circuito de
Quadro de distribuição
TC divisionário
distribuição Circuito de
dis1ribuição
principal

Circuitos tenninais )

(b)

Figura 1.4 • Esquemas típicos de instalações: (oi alimentação por rede público BT; (b) alimentação por rede p<iblico AT

Pontos de uso específico


Pode-se ainda falar em pontos de uso específico, que
geralmente são caixas de ligação, nas quais são ligados
equipamentos fixos (que não utilizam plugues). to caso
da maior parte dos equipamentos industriais e de certos
equipamentos eletrodomésticos e eletroprofissionais.
••• •••
Instalações temporárias
Instalação temporJria é uma instalação elétrica
prevista para un1a duração lin1ítada às circunstâncias
que a motivam. São adm itidas durante um período ele
construção, reparos, manutenção, reformas ou den10-
lições, instalação de estruturas ou equipamentos. Figura 1.5 • Ponto de tomodo com quotro tomados 2P+T
SU$W li

Capítulo 1 • Fundamentos 11

Podem ser considerados três tipos de instalações tem- Aparelhos de iluminação


porárias: Os c1parelhos de iluminação estão presentes en,
• lt>StafaçJo de reparos: substitui uma instalação defei- qualquer local e em todo tipo de instalação. Podem
tuosa e é necessária sempre que ocorre um acidente ser clas.sificados, de acordo com o tipo de fonte utili-
que impede o funcionamento de uma instalação zada, em:
existente ou de um de seus setores.
• Aparelhos inc,,ndescentes: utilizam as lâmpadas
• Instalação de trabal/10: pem,ite reparos ou modifica-
inc.1ndescentes comuns ou refletoras e as halógenas.
ções em uma instalação existente, sem interromper
• Aparelhos de clescarga: utilizam lâmpadas de des-
seu funcionamento. carga, que podem ser fluorescentes, ele vapor de
• Instalação semipermanente: destinada a atividades mercúrio, de vapor de sódio, de multivapores melá·
não habituais ou que se repetem periodicamente, licos etc.
como é o caso das "instalações em canteiros de
obras", assim consideradas as que se destinan1à cons· Equipamentos industriais ou análogos
trução de edificações novas, aos trabalhos de reforma,
modific.1ção, ampliação ou demolição de edificações Os equipan1entos inclustriais ou análogos são os uti-
existentes, bem como à construção de obras públic.1s lizados nas áreas de produção das indústrias e em
(como redes de água, gás, telefonia, eoergia elétrica e outras aplicações bem específicas. Podem ser classifica-
obras viárias). dos em:
• Equipamentos de força motriz: inclui compressores,
Serviços de segurança ventiladores, bombas, equipamentos de levantamen-
O Sistema de Alimentaç.fo Elétrica p,,ra Serviços de to (como elevadores e guir1dastes) e equi1>amentos ele
Segurança (SAESS) é o sistema que mantém o funciona- transporte (como pórticos, pontes rolantes e correias
mento de equipamentos e/ou instalações essenciais à transportadoras).
segurança das 1>essoas e à salubridade, quando exigido • Máquinas-ferramentas: inclui ele tornos e fresas até as
pela legislaÇ<'io loc.11, para evitar danos ao meio ambien- máquinas operatri2es mais potentes e solisticadas.
te ou a outros materiais. O SAESS compreende a fonte, • Fomos eléuicos: que são os fornos a arco elétrico, à
os circuitos até os terminais dos equipan1entos de utili· resistência elétrica e ele indução.
zação e, eventualn1ente, os próprios equipamentos de • Caldeiras elétricas: são as caldeiras à resistência e a
utilização. Como exemplos de aplicação do SAESS, eletrodo.
podem-se citar: • Equipamentos de solda elétrica: de eletrodo ou ponto
a ponto.
• Iluminação ele segurança (ou de emergência).
• Sinalização de rotas de fuga para a evacuação de
Equipamentos não-industriais
locais.
• Sistemas de detecÇ<'io de fumaça e fogo. Os equipan1entos não--inclustri,1is são utilizados em
• Sistemas ele exaustão de fumaça e gases tóxicos. locais comerciais, institucionais, residenciais etc. e até
• Bombas de água para incêndio. mesmo em indústrias fora das áreas de produção (em
• Compressores para sistemas de extinç.10 de incêndio; escritórios, depósitos e laboratórios). Podem ser classifi·
• Certos equipamentos eletromédicos. cados e,n:
• Certos processos industriais (como na indústria • Aparelhos eletJodomésticos (ver definição na Seção 1.3).
petroquímica e de cimento) cuja interrupção pode • Aparelhos eletroprofissionais (ver definição na Seção
trazer problemas de segurança. 1.3): inclui desde uma simples máquina de escrever
• Certos serviços específicos, como iluminaç.ão ele pis- até um sofisticado equipamento de processamento
tas ele pouso em aeroportos e heliportos, de túneis, ele dados.
entre outros.
• Equipc1mentos de ventilação, exat.1stão, aquecimen·
to e ar·condicionado: são todos os equipamentos
1.7 Equipamentos de utilização impostos pelos sistemas industriais de ventilação.
aquecimento ambiental e ar-condicionado. Obser-
Classificação ve que os ventiladores e os circuladores de ar por-
Os equipamentos ele utilização podem ser classifi- táteis, assin, como os aparelhos de ar·condiciona-
cados em três grandes categorias: aparelhos ele ilumi- do (de parede ou de janela) e os aquecedores de
nação, equipamentos industriais ou análogos e equipa- ambiente portáteis, são considerados "aparelhos
mentos não-industriais. eletrodomésticos".
SU$W li

12 lnslolações elétricas

• Equipan1enros hidráulicos e sanitários: inclui todos os Tipos de motores elétricos


equipamentos associados aos sistemas hidrfolicos e Os motores de correllle continua (Figura 1.6) neces-
sanitários elas edificações, tais como i>ombas de sitam ele uma fonte de corrente contínua ou retificada e
recalque, compressores de ar, bombas de vácuo, podem funcionar com velocidade ajustável entre limites
i>ombas de esgoto e ejetares de poços. amplos. São usados principalmente em aplicações espe·
• Equipamentos de aquecimento de ,igua: inclui aque- cííicas que exigem conjugados elevados e/ou variação
cedores e caldein1s utilizados para aqueci,nen10 de de velocidade, como em prensas, tração elétrica e
água em eclific.1ções, excluindo-se os chuveiros e tor- a.lguns tipos de máquinas-ferramentas.
neiras elétricos e os aquecedores residenciais, classi- Os motores de corrente aflemada são os mais usa-
ficados como •aparelhos eletrodomésticos•. dos, uma vez que a corrente alternada é a mais co,num,
• Equipamentos de uansporte veflical: inclui os eleva- pois é obtida diretamente das fontes usuais. Eles podem
dores, as escadas rolantes e os n1onta-cargas. ser síncronos ou de inclução.
• Equipamentos de cozinhas e lavanderias: equipa- Os motores sfncronos com velocidade fixa são utili·
mentos utilizados em cozinhas e lavanderias indus- zados para grandes cargas (em virtude de seu alto custo
triais, con1erciais e institucionais, co1n exceção de para aparelhos n1enores) ou quando se necessita de
•eletro-clomésticos• típicos de cozinhas e lavande- velocidade constante. Graças a seu fator de potência
rias residenciais e ele pequenas cozinhas comerciais. elevado e variável, são também usados na correç<'io de
• Equipamentos especiais: aqueles que não se enqua· fator de potência, necessitando de fonte de corrente
drarn nas categorias anteriores, t_ais como equipa- contínua ou retificada para sua excitação, além de exigi·
mentos hospitalares e equipamentos de laboratórios. rem um complexo equipamento de controle.
• Equipamentos de tecnoloi;ia da informação (ETIJ: Os motores de indução funcionam com velocidade
termo empregado pela NB R 5410 para designar, praticamente constante abaixo da velocidade síncrona,
principaln1ente, equipan1entos concebidos con1 o e variam ligeiramente com a carga n,ecânica aplicada
objetivo de receber dados de uma fonte externa (por ao eixo. Por sua robustez e J>elo baixo custo~ xio os
meio ele linha de entrada de dados ou pelo teclado) motores mais utilizados, principalmente os do tipo gaio-
ou de processar os dados recebidos (por exemplo, la (Figura 1.7), e são adequados para a maioria cios equi-
executar cálculos, transformar ou registrar os dados, pamentos encontrados na indústria.
arquivá-los, triá-los, memorizá-los, transferi-los), ou,
ainda, de fornecer dados de saída (seja a outro equi-
pamento, seja reproduzindo dados ou imagens). São
exemplos de ETls:
• Equipamentos de telecomunic.1ção e de transmis·
s.'io de dados.
• Equipamentos de processamento de dados.
• Instalações que utilizam tronsmisS<io de sinais
com retorno pela terra, interna ou externamente
ligadas a uma edificação.
• Equipamentos e instalações de centrais privadas
de comutaçfo telefônica (PABX) . Figura 1.6 • Motor de corrente contínuo
• Recles locais (LAN) de computadores.
• Sistemas de alarme contra incêndios e contra
roubo.
• Sistemas de automação preclial.
• Sistemas CAM (Computer Aided Manufacturing)
e outros que utilizam computadores.

Equipamentos a motor
Os equipamentos de utiliz,1ção acionados por moto·
res constituem a maior parte dos equipamentos de uso
industrial ou análogos e i>oa parte dos equipamentos
não,.industriais. Neles, são utilizados ,notares ele cor-
rente alternada e motores de corrente contínua. Figura 1.7 • Motor de indução tipo gaiola
SU$W li

Capítulo 1 • Fundamentos 13

No Quadro 1.2, são apresentadas definições sucintas fabricantes, para condições de luncionamento estabele·
dos tipos de máquinas elétricas, que são equipamentos cidas. Assim, ten1-se:
de ulilização.
• Corrente nominal 0.v): corrente cujo valor é especifi-
cado pelo fabricante do equipamento de utilização,
Corrente de partida de motores
em A.
As cargas constituídas por motores elétricos apresen- • Tensão nominal (U.vl: tensão atribuída a um equipa·
ta,n características peculiares, uma vez. que a corrente mento por seu fabricante, e que serve de relerência
absorvida durante a partida é bastante superior à de lun·
para o projeto, funcionamento e realização de
cionamento normal em carga. Na partida, o rotor cio
ensaios, em V.
motor de indução está parado, portanto a corrente elétri-
• Potência nominal (P"' ou 5,-.:): potência (ativa ou apa·
ca inicial é grande. Com o aumento da rotação do rotor,
rente) de entrada atribuída pelo fabricante, quando o
a corrente de alimentação decresce até atingir seu valor
equipamento funciona sob tensão e freqüência nomi-
em regime permanente, Considerando partida direta do
motor de indução trifásico, a corrente de partida pode ser: nais, na temperatura normal e com carga normal ou
na condição ade<1uada de dissipação de calor, em W,
• lp = 4,2 a 9 f.,·, para motores de dois pólos. kW ou VA, kVA.
• lf)= 4,2 a 7 /N, para motores com mais de dois pólos • l're9üência nominal (em Hz): freqüência atribuída
(valor médio de 6 IN). pelo fabricante e à qual são referidas as outras
Para motores de inclução de anéis ou de corrente grandezas nominais do equipamento, geralmente de
contínua, a corrente de partida depende da resistência 50 ou 60 Hz.
do circuito da partida do rotor valendo, em média, 2,5 f.v· No caso de equipamentos de utilização do tipo
motor, a potência nominal indicada na placa é a potên-
Classificafão dos equipamentos cia mecânica úti l no eixo do rotor (em kW ou CV), isto
a motores elétricos é, a potência de saída no seu eixo. De maneira seme·
A potência absorvida em funcionamento é determi- lhante, para certos aparelhos de ilumi nação, a potência
nada pela potência mecânica do eixo, solicitada pela nominal indicada é a potência (total) das lâmpadas. Em
carga acionada. A NBR 541 O classifica os equipamentos ambos os casos deve ser considerado o rendimento (h ),
a motor utilizados em aplicações normais em dois gru· razão entre a 1>0tência de saída (designada por P '.,-) e a
pos principais: potência de entrada (designada por P,,).
• Carg<1s índustric1is e sinlHares: constituídas por motores ~ (aída P:,,
de indução trifásicos tipo gaiola, com pOlências nomi- 71= - - = -
Pcnlr.>d:I /~,1
nais unitárias não superiores a 150 kW (200 CV), acio-
nando cargas em regime S1 (contínuo), e com caracte- O fator de potência nominal (cos </>,,.) é definido como
rísticas conforme a NBR 7094. a razão entre a potência nominal ativa (P,-) e a potência
• Cargas residenciais e comerci,1is: constituídas por non1inal aparente (S,..).
n1otores com potências non,inais não superiores a
1,5 kW (2 CV), integrando ap.1relhos eletrodomésticos PN
cos <I> = -
e eletroprofissionais. S1v
A Figura 1.8 representa simbolicamente um equipa-
Essa classificação cobre a maioria das aplicações mento genérico de utilização.
práticas. Podem-se determi nar, para os equipamentos de uti-
li zação, as seguintes expressões relacionando os valo-
Caracte rísticas no minais res nominais:
Os equipamentos de utilização são caracterizados (1 ,4)
por valores nominais, especificados e garantidos pelos

Equiprunento de utilizaç-iio

(Entmda) (Saída)

Figura 1.8 • Valores nominoÍ$ de um equipamento de utiliz:oção


SU$W ü

14 lnsloloções elétricas

Quadro 1,2 • Definições contidas na norma NBR 5457


• Máquina (elétrica) girante: equipamento elétrico que utiliza a indução eletromagnética para seu funcionamento,
constituído por co1nponenles capazes de cfc1uar um movin,ento relativo de ro1ação e destinado à conversão ele1ro-
n1ccânica de energia.
• A1áquina assb1,·rona (0111náqui11a ,Je ;nduçáo): n1áquina de corrente alternada na qual a velocidade da carga e a fre..
qüência do sistema ao qual est,1 ligada não estão em uma razão constante.
• Má<1uina <le corrente c:0111(11ua (co111 co111u1,1dor): n,áquina constituída por u1na annadora. um con1u1ador a ela liga-
do e pólos magnéticos excitados por uma fonte de corrente contínua ou constituídos por ímãs penmanemes.
• Máquina síncrona: 111áqui11a de corrente alternada na qual a freqt'iência da tensão induzida e a velocidade estão
eu, tuna razâo consr,11ue. A velocidade do ro1or é co11s1<11u,r.
• Motor elétrico: máquina que converte energia elétrica em energia mecânica de rotação no seu eixo.
• Motor de indução: máquina de indução que funciona con10 1no1or.
• Motor (de indução) de anéis: motor de indução de rotor bobinado no qual as extremidades do enrolamento do rotor
são ligadas a anéis coletores.
• Motor (tle indução) tle gaiola: motor de indução cujo enrolamen10 primário, geralmente alojado no estator. é ligado
à fonte de alimentação, enquanto o enrolamento secundário. de gaiola e nom1almente alojado no rotor. é percorri-
do pela corrente induzida.
• Motor uni\•ersal: motor que pode funcionar com corrente contínua ou con1 corTente alternada 1nonofásica. nas fre-
qüências usuais dos sistemas de distribuição de energia elétrica.

(1.5) EXEMPLO
P,, S,, Dada unia churrasqueira elétrica de 3 kW, co1n 71 •
IN = c:i-- (1.6) 60% em 220 volts, calcular a corrente elétrica e a
t· U,v · cos<hN r· UN
1>0tência ativa de entrada na churrasqueira.
Tem-se:
sendo t um fator que vale V3
para os equipamentos tri-
fásicos e 1 para os monofásicos. p• N = 3.000 w,'1 = 0,6, U,v = 220 V
Note que, nas expressões 1.4, 1.5 e 1.6, as grandezas
siio assim relacionadas:
P'N P'.v 3.000
'1)=-~ P,, = -;;, = 0.60 = 5.000 W
P,v
• Equipamenco mono(Asico: u,. representa a tensão de
fase. PN 5.000
• Equipamento trifásico: UN representa a 1ensão de JN= UN = 220 =22,72A
linha a linha e P.v e S,\' são potências totais, isto é, lri-
íásicas. A Tabela 1.6 apresenta as características nominais
típicas ele diversos aparelhos eletrodomésticos e eletro·
lntroduzinclo a potência ele saída (P'.,) na Expressão 1.6, profissionais.
obtém-se a Expressão 1.7.
f>'.v 1.8 Circuitos
I ~' = ---"--~- (1.7)
' rUNr, cos <í>N
Um circuito de uma instalação, como deíinido na
Seção 1.6, compreende, além cios condutores elétricos,
EXEMPLO todos os dispositivos nele ligados, isto é, no caso ma is
geral, os clis1>0sitivos de proteção, os dispositivos de
Calcular a corrente nominal do mo1or de indução comando, as tomadas de corrente etc., não incluindo os
trifásico tipo gaiola de 15 CV, 380 V. com '1 = 0,8 e equi1>an1entos de utilização alin1ent.:idos. Sua caracterís·
COS <J>N = 0,85. tíca principal é a proteção cios condutores contra sobre-
Tem-se: correntes, que pode ser assegurada J>Or um único dispo-
sitivo (protegendo contra correntes de sobrecarga e de
J",, = 15 CV, '11 = 0,8, cos <l>N = 0,85
curto-circuito) ou por dois disposit.ivos (um protegendo
Da Expressão 1.7 e lembrando que 1 CV = 736 W: contra correntes de sobrecarga e outro, contra correntes
de curto-circuito). Os condutores podem não possuir a
_ 15 X 736 _ ? mesma seção nominal ao longo do circuito, desde que
J,, - - 24, A
V3 X 380 X 0,8 X 0,85 o(s) dispositivo(s) de proteção seja(m) escolhido(s) em
função cios condutores de menor seção nominal .
SU$W ü

Capítulo 1 • Fundome<1los 1S

Tatiela 1,6 • Potências nominais típicas de aparell>os eletrodomé1tíco1 e eletroprofi11ionaia


Aparelho Potências nonlinais típicas (entrada)
Aquecedor de água central (boiler)
soa 100 1 i.OOOW
150a2001 l.250W
2501 i.500W
300a3501 2.000W
4001 2.SOOW
Aquecedor de água de passage111 4.000 a 8.200 W
Aquecedor de ambiente (portátil) 500 a 1.500 W
Ar-condicionado central 8.000W
Ar-condicionado ripo janela
7.100 blO/h 900W
8.500 btu/h l.300W
10.000 btu/h l.400W
12.000 brn/h l .600W
14.000 btu/h l.900W
18.000 btu/h 2.600 W
21.000 btu/h 2.SOOW
30.000 btu}h 3.600W
Aspir•dor de pó (residencial) 500 a 1.000W
Barbeador Sa 12W
Batedeira 100 a 300\V
Cafeteira 1.000 W
CaJxa regis1rodora 100\V
Centrífuga 150a300W
Churr-.tSqueira 3.000W
Chuveiro 4.000 a 6.500 W
Congelador (ji·ee:e.r) (residencial) 350 a 500 VA
Cortador de grama 800 a 1.500 w
Distribuidor de ar (1011 ccil) 250 W
Ebulidor 2.000W
&1crilitador 200W
Exaustor de ar para cozinha (residencial) 300 a 500VA
Faca elé-irica 135\V
Fernunenras ponáteis 500 a l.800W
Ferro de passar rou1>a 800 a 1.650 W
Fogão (residencial) por boca 2.500W
Foma (residenci"l) 4.500W
Foma de microondas (residencial) l.200VA

(continua)
SU$ W li

16 lnslalações elétricas

(continuação)
Aparelho Potências nominais típicas (entrada)
Geladeira (residencial) 150a SOOVA
Grelha elétrica 1.200 W
Impressora 80a350W
Lavadora de pratos (residencial) 1.200 a 2.800 VA
Lavadora de roupa (re.sidcncial) 770VA
Liquidificador 270VA
Máquina de costura (não-profissional} 60 a 150W
Máquina de escrever 150VA
Máquina copiadora 1.500 a 3.500 VA
Mic-roco1npu1ador 150a250W
Monitor 200a 300W
Projetor de siide.ç 250W
Retroprojetor 1.200 W
Sctutuer IOOa lSOW
Secador de cabelos (nilo-profissional) SOO a 1.200\V
Secadora de roupas (residencial) 2.500 a 6.000 w
Televisor 75a300W
Ton1eira 2.800 a 5.200 w
Torradeira (residencial) 500• 1.200\V
Triturador de lixo (na pia) 300W
Ventilador (circulador de ar) de pé 300W
Ventilador (circul:.,dor de ar) ponátil 60a IOOW

Divisão da instalação em circuitos Un, circuito de distribuição1 no caso mais comum,


alimenta um único quadro de distribtJição, no qual
Uma instalaÇ<io deve ser dividida en1 vários circuitos,
reconsidera a carga concentrada em sua extremidade.
a fim ele:
Um circuito tern1inal pode alin1entar u1n ou n1ais
• Limitar as conseqüências de uma falta, que provoca- pontos de utilização. Em princípio, desde que o circuito
rá (por meio de dispositivo de proteção) apenas o seja corretamente dimensionado, não existe limitação
seccionamento (desligamento) do circuito atingido, quanto ao nún1ero de pontos seNidos; deve-se apenas
deixando apenas essas cargas sem energia. observar a compatibilidade entre a seção dos condutores
• Facilitar as inspeções, os ensaios e a manute1ição. e as dimensões cios terminais de ligação dos equipamen-
• Evitar os perigos que possam resultar da falha de um tos alimentados. No entanto, por razões práticas e até
circuito único (por exemplo, no caso de iluminação}. mesn10 de segurança é conveniente que não se tenha
1

Norn1aln1ente, nas instalações1 utilizam-se distribui- um nú1nero excess;vo de pontos de utilização en1 un1 cir-
ções radiaisl con10 mostra a Figura 1. 9, nas quais poden1 cuito terminal, o que é função do tipo e das característi-
ser distinguidos os circuitos de distribuição principais, os cas da instalação. A título apenas de exemplo, para as
circuitos divisionários e os circuitos tern1inais, já apresen- unidades residenciais, o guia da norma francesa de insta-
tados na Figura 1.5. t importante observar que o circtJito lações elétricas de baixa tensão NFC 15-100 recomenda
terminal é o circuito protegido pelo último dispositivo de um máximo de oito pontos para os circuitos terminais de
proteção, contado da origem da instalação, não conside- iluminação e de tomadas, e as tomadas duplas (ou triplas)
rados os eventuais dispositivos especííicos de proteção no são con1putadas con10 um único ponto.
próprio equipamento de utilização. Os circuitos tern1inais individuais em locais de habita-
A NBR 541 O recomenda que os circuitos terminais ção que a NBR 541 O chama "independentes•, isto é, os
sejam individualizados, com base na funç,io dos equipa- que alimentam um único ponto de utilização, são geral-
mentos (ou pontos) de utilização alimentados. Assim, devem mente destinados a tomadas de corrente non1inal elevada
ser previstos circuitos terminais distintos para iluminação, ou a equipamentos fixos de potência nominal elevada. A
para tomadas de cooente, para equipamentos a motor etc. norma recomenda que sejam previstos drcuitos indepen-
SU$W ü

Capitulo 1 • Fundamentos 17

dentes para equipamentos de corrente nominal superior a • Condições an1bientais: independentes da natureza das
1O A (por exemplo, d1uveiros e torneiras elétricas), em instalações e dos locais considerados, relacionadas a
unidades residenciais e em acomodações de hotéis, fatores exteriores provenientes da atmosfera, do clima,
motéis e similares. ela situação e de outras condições da região onde se
encontra a instalação; compreendem 14 parâmetros.
Esquema de condutores vivos • Condições de 1.1lilizc1ção: rela1ivas aos locais onde se
situa a instalação; compreendem cinco parâmetros.
O tipo e o número dos condutores vivos de uma
• Condições relacionadas com a construção das edifi-
instalação elétrica, ou seja, o esquema ele condutores
cações: sua estrutura e os materiais utilizados; com-
vivos, são escolhidos levando-se em conta principal-
preendem dois parâmetros.
mente a natureza dos equipamentos ele utilização ali-
mentados (trifásicos, bifásicos ou monofásicos); no Para facilitar a classificação dos diferentes parâme-
caso ele alimentação por rede de baixa tensão, os tros, foi estabelecido um código alfanumérico constante
lirnites são fixados pela concessionária de energia de duas letras e un1 algarismo. A primeira letra indica a
elétrica. O número de condutores de uma instalação categoria geral da influência externa, podendo ser A
consumidora se enquadra nos dados apresentados na (condições ambientais), B (condições de utilização) e C
Tabela 1.7. (construção); a segunda letra indica a natureza da
influência externa. O conjunto das duas letras caracteri-
za o parâmetro, como mostrado a seguir, e o algarismo
1.9 Influências externas indica a classe de cada parâmetro. São as seguintes as
A classificação das influências externas apresentada influências consideradas:
pela NBR 5410 é a classificação internacional da IEC. AA - Temperatura ambiente
Trata-se de um inventário, o mais completo possível, de A8 - Condições climáticas do ambiente
todas as condições exteriores a que podem estar sujeitos AC - Altitude
os diversos con1ponentes da instalação e que, logica- AD - Presença ele água
mente, poderão influir nos procedimentos de projeto e AE - Presença de corpos sólidos
de execução. Af - Presença de substâncias corrosivas ou poluentes
Os diferentes parâmetros de influências externas são AC/AH - Solicitações mecánicas (impactos/vibrações)
classificados em três grandes categorias: AK - Presença de ílora e mofo

Orige1n du instal:,ç.ão

Circuitos de distribuição
principal

Circuitos de distribuição
divisionários

l 1 l
Circuitos 1ern1inais

Figura 1,9 • Distribuição radial: circuitos de distribuiçõo e terminais {ver simbologia no Seçõo A.7)
SU$W ü

18 lnslalações elétricas

AL - Presença de fauna 88 - Resisiência elétrica do corpo humano


AM - Fenômenos eletromagnéticos de baixa freqüência BC - Contatos das pessoas com o potencial da terra
- conduzidos ou radiados (harmônicas e inter BD - Condições de fuga das pessoas em emergências
harmô11icas, tensões de sinalização, variações de BE - Natureza dos materiais 1,rocessados ou arn1aze·
an1plitucle e tensão, desequi líbrio de tensão, varia- nados
ção de freqüência, componentes contínuos em CA - ,'1.1.lteriais de conSlrução
redes, campos magnéticos radiados, campos CB - Estrutura das edificações
elétricos)
As tabelas 1.8 a 1.30 apresentam a classificação das
AN - Radiação solar
influências externas, conforme consta da NBR 541 O.
AQ - Descargas atmosféricas
No Apêndice A são apresentadas tabelas indicando
AR - Movimentação do ar
as características dos componentes elétricos em geral e
AS -Vento
das linhas elétricas em função das influências externas.
BA - Competência elas pessoas

Tabela 1,7 • Número ele condutores ele uma instalação consumidora (uquemas apresentados
na f",gura 1, 1O)

1nonofásico a dois condutores


ntonofásico a três condutores
E1n corrcn1e al1ernada bifásica a ores conduoores
trifásico a 1rês condutores
1rifásico a qua1ro condutores
dois condutores
E1n corrente contínua
1ri!s canduoores

~ - - - - --L,
Sisten1as en1 CA

,::..._...r,,y,"-.--'>.--- Lz

• ------- --- ---- •N
'---------L3
Monofásico '-------N 1'rifásico a três ~------L,
a dois ou quatro condutores
condutores ~-----Li

-------------- •N

'-----Lz
'-- - - - - - - - L3
Monofásico a três
condutores
Siste,nas e.01 CC

doiscondutores
Bifásico a três L-
N
condutores
L+

três condutores N
Lz
L-
Figura 1.1O • Esquemas de condutares vivos segundo a NBR 5<1 1O
SU$ W ü

Capítulo 1 • Fundamentos 19

[ Tabela 1.8 • Temperatura ambiente 1

Faixas de temperatura
Código Classificação Aplicações e exemplos
Limite inferior ºC Limite superior ºC
AA I Frigorífico - 60 +5
Câmaras frigoríficas
AA2 Mui 10 frio - 40 +5
AA3 Frio - 25 +5 -
AA4 Te,nperado -5 + 40 -
AA5 Quente +5 + 40 Interior de edificações
AA6 M ui10 quente +5 + 60 -
AA7 - 25 + 55
AA8
Ex1ren1a
- 50 + 40 -
Noi:ts:
1. ,\s c-ht'iSJCS de lC1n~rn1urn :.mibitme s.io aplic.•h·cis a1x:n:1s quando n.."'io h:i inOUC.ncia da urTU1lade.
2. O valor médio ent u1n período de 24 hC>t:U n5o dcYc exceder o lin1i1e: superior nlenos s<>c.
3. l>ar:i ccnoi; antbicn1cs. pode ser n~rio con1bin3r duas faix:u: de 1en1pcra1t.1rn... Por exemplo. lnstal~ s ao ar livre podem ser subl'tlC-lidas .l
cen1pemturtts <'ntn' - SºC e + SO"C. oorres.1>0ndentes a AA4 + AA6.
4. ln:s1al:tçõcs subme1idas a 1cmpcr.1tura.'> difcrcnlcs das indic;1d:i:s deve.,n ser obje10 de prcscriÇÕi.•,,; p.irticulàreS.

I Tai..la 1.9 • Condições climáticas do ambien~ 1


Caracteris1ícas
Tempe ratura do ar 1>c Umidade r elativa % Umidade absoluta g/ml
Código Aplicações e exemplos
l .. imite Limite Limite Limite lJmite Lilnite
inferior superior inferior super ior inferior supe.rior
An1bien1es intentos e ex1en1os cont
ABI - 60 +5 3 100 0.003 7 ce,nper-.uuras cxtrc,n,unentc baixas
Arnb.ientcs inten1os e exten1os cont
All2 - 40 +5 IO 100 0.1 7
tentperaturas baixas
AB3 -25 +5 10 100 7
A1nbien1es intentos e ex tentos con1
0.5 1en1per-Jturas baixas
Loc.ais abrigados ~ 1n co111role da
AB4 -5 +40 5 95 1 29 ternper.uura e da u1nidade. Uso de
calefüç.io possível

+5 Locais abrigados com te111per atura


AB5 + 40 5 85 t 25
antbicnte controlada
Arnbientes intentos e extcn1os con1
tcrnperJturas cx1re1na1ncntc altas.
AB6 +5 + 60 10 100 1 35 protegidos contra baixas 1e1n1>er:11ur.1s
a1nbientais. Ocorrência de radiação
solar e de calol'
Arnbientes intentos e abrigados sen1
-25 + 55 controle da ten1pcratura e da un1i·
AB7 10 100 0.5 29
dadc. Podcn1 ter aberturas parJ o
exterior e são sujeitos a radiação soJar
An1bien1es externos e sen1 proteção
A88 - 50 + 40 15 100 0,04 36 con1ra inre1npéries, suj eitos a a.Iras e
baixas 1entnera1uros
No1:1s.:
1. ·rodi>$ Q.i valores cspt."Cif,c.ados $../(<) lin1i1es. «>m b:tix.a prooobilidadc de serem excedidos.
2. 0& valores de umidade rel:uh•a , infc.riore& e superiores. são limi1:uloS pelos \ .'\lo«'$ ~ rresp()ndcn1cs de umidade ab:;olura.
1

O Apéndice H d3 JtC 60364·5-5 I:2001 lr:\Z infOITOOÇÔC$ sobre:, intt rdcpendéor.· i:t d3 1en1per.:uur:a do :1t. umidade fl'l:uiva e umitL'\00 nbsolu1a
p.1ra as: cln:,ses de condições c li1ni1irns CSJX.-'Clíicas.
SU$ W li

20 lnsloloções elétricos

I Tabela 1.1O • Altitude 1


Código Classificaçiio Características Aplicações e exemplos
ACI Baixa s 2.000m Para alguns co1n1>0nentes, podetn ser necess~rias ,necli·
AC2 Alia > 2.000 m d.is especiais a panir de 1.000 m de altitude

I Tabela 1.11 • Presenca ele ~ua 1


Código Classificação Características Aplicações e exemplos

A probabilidade. de- presença de


Locais en1 que as paredes gerahnen1e não apresen1a111
AO I Oesprezivel tunidade. 1nas pode1n apresentá-la durante cunos perfo-
água é ren1ot.a
dos 1 e sccant rapida1ncn1c corn urna boa aeração
locais cn1 que a umidade se condensa ocasionalrnente
Possibilidade de gorejan1cn10 de
A02 Gotejarncnto sob fom,a de gotas de água. ou em que há presença
água na venical
ocasional de vapor de água
Possibilidade ele chuV'.t caindo en1 Locais ern que a água íonna urna película contínua nas
A03 Precipitação
ângulo 1náximo de 60° con1 a \'ertica.l paredes e/ou pesos
A aspersão corresponde ao efeilo de unla ·'chu,r;f' vinda
Possibilidade de "chuva" de qual- de qualquer direção. São exen1plos de co1nponentes
AD4 Aspersão
quer direção sujeitos a aspe~lo certas lun,inárias de uso exrcmo e
painéis elétricos de canteiros de obras ao ten1po
Locais e1n que ocorre1n lavagens corn água sob
Possibilidade de jatos de água sob
AOS Jatos pressão, como passeios públicos, áreas de lavagem de
pressão, en1 qualquer d ireção
veículos etc.
Locais situados à beira·ntar, co1no praias, picrs~anco·
AD6 Ondas Possibilidade de ondas de água
radouros etc.
Locais sujeitos a inundação e/ou onde a água possa se
Po..,;.sibil idnde de imersão e1n
elevar pelo menos 15 cm acima do pcnto mais alto do
AD7 Imersão água. parcial ou total. de modo
con1ponente da instalação elétrica. estando sua parte
in1cnnitcnte
1nais baixa no ,náxi,no 1 1n abaixo da superfície da água
Locais onde os con1ponen1es da instalação elé.trica
Subn1ers.ão tot·al e1n água, de n1odo
AOS Submersão sejam toralmeme submersos. sob uma pressão a IO kPa
pennanente
(0, I bar ou I mca)

I Tabela 1, 12 • Presen~a ele con,o5 s;,lidos 1


Código Classificação Característica.~ Aplicações e exemplos
Ausência de poeira e1n quantidade
AE I Oesprezivel
apreciável e de e-0r1>0s estranhos -
Presença de corpos sólidos cuja
AE2 Pequenos objc1os ,ncnor di,ncn.são seja igual ou Fcrr.uncnlas. ,natcrial grdnulado ele.
superior a 2..5 mn11
Presença de co~>os sólídos cuja
AE3 Objetos muito pequenos 1nenor din1e1tsão seja igual ou Fios n1ctálicos, arantes etc.
superior a 1 11101'
Deposição de J>Oeira ,naior que 10 111g/n1:
AE4 Poeira leve Presença de leve deposição de poeira
e. no má.xin10. igual a 35 1ng/m: por dia
Presença de média deposição Deposição de poeira maior que 35 n1g/m'
AE5 Poeira n1oderada
de poeira e no n1áxi1no igual a 350 n1g/111: por dia
Pl'esença de elevada deposição Deposição de poeira nlaior que 350 n1g/111?e
AE6 Poeira intensa
de poeira no n1áxi1no igual a 1.000 1ng/1n: por d ia
Nota:
l. Nas condiç&s AE2 eA[~ . pooo i:xisti'r pocim. d._-sdc que cstil n3o K'nh.1 signilic.:ui~ influência sobro os componcnle$ elélri~.
SU$ W ü

Capítulo 1 • Fundamentos 21

[ Tabela 1. l3 • Presenca de substâncias COITOIÍVas ou ~ntes 1


Código Cla.<sificação Características Aplicações e exemplos
A quantidade ou natureza dos
Af l Desprezível agentes corrosivos ou poluen1es -
não é significativa
Instalações próxiTnns da orla n1arítiina ou de es1a-
Presença significativa de belccin1entos industriais que produzen1 poluiçfio
agentes corrosivos ou a1n1osférica significativa. 1ais como indús1rias
AF2 Atn1osférica
poluentes de orige,n quí1nicas. fábricas de ei1nento etc. Esse tipo de
atn1osférica poluição prové1n principal,nente da e ,nissão
de poeiras abrasivas, isolan1es ou condu1ivas
Locais onde se manipulaff1 produtos quí1nicos e1n
pequenas quantidades e onde o contato desses pro-
Presença inrenn itcn1e ou aci-
dutos con1 os co,nponentes da instalação seja mera.
dente de produtos quí1nicos
AF3 lntcnnitente ou acidental n,e,ne acidental. Tais condições poden, ocorrer cn,
corrosivos ou poluentes de uso
laboratórios de fábricas etc.. ou e 111 locais onde são
corre1ue
tuilii.ados hidrocarbonetos (cen1r-..1 is de calefação.
oficinas etc.)
Presença pennanente de
produtos químicos corrosivos
AF4 Pem1ancnte lndlístrias quín1icas etc.
ou poluentes en1 quanridades
significativas

Tabela 1.14 • Solici~ s mecânica s


Código Classificação Características Aplicações e exemplos
Impactos (AG)
Locais domésticos, escritórios (condições de
AG l Fracos Impactos iguais ou inferiores a 0,225 J
uso doméstico e análogas)
AG2 Médios hnpactos iguais ou inferiores a 2 J Condições industriais nonnais
AG3 Severos Impactos iguais ou inferiores a 20 J Condições industriais severas
Víbraçoos (AH)
Condições domésticas e analógicas em que
Nenhuma vibração(óes) eventual(ais) sem
AH I Fracas os efeitos das vibrações podem ser geral-
innuência significativa
1nen1e desprezados
Vibrações com freqüências compreendidas
AH2 Médias entre 10 e 50 Hz e a1nplitude igual ou inferi· Condições indus1riais nonnais
or a 0, 15 1n1n
Vibrações com íreqüências compreendidas
AJB Severas entra 10 e 150 Hz e amplitude igual ou infe- Condições industriais severas
rior a 0>35 nun

I Tabela 1.15 • ~ a desflora e mofo l


Código Classificação Características Aplicações e exemplos

AK I Desprezível
Se1n risco de danos devidos à flora
ou ao 111ofo -
Os riscos dependem das condições locais e da
natureza da nora. Pode.-.se dividi-los en, riscos
AK2 Prejudicial Risco de efeitos prejudicais
devidos ao descnvolvi1nen10 prejudicial da vege·
1ação e riscos devidos à sua abundância
SU$ W li

22 lnslalações elétricas

Tabela 1.16 • Presen a ele faum,


Código Classificação Característ icas Aplicações e exemplos
Se1n risco de danos devidos
ALI Dcspre-tívcl
à fa un,1
-
Os riscos depende1n da natureza da fauna. Pode-se
Risco de efei1os prejudiciais de\li~ dividi·IOS e1n: perigos devidos a insetos e1n quanti·
AL2 Prejudicial dos à fauna (insetos. pássaros. dades prejudiciais ou de natureza agre!>siva; presença
pe<1uenos anin1ais) de pequenos anin1ais ou de pássaros en1 quantidades
prejudiciais ou de natureza agressivn

Tabela 1.17 • Fet1ômenos eletrmna9'!!!l<as ele baixa freqüência (canduziclos • rocliadas)


Código ! Classificação Características Aplicaçã<,s c exemplos Rcfcrências
Harntônie:ns e inter·har,nõnie:as (,\Ml )
Aparelhos clc1ro1nédicos Abaixo da tabela I da
AMl-1 Nível controlado Situação con1rolnda
lnstrun1en1os de 1ncdição IEC 61000-2-2:2002
Habitações Dentro do es1ipulado na
AMl -2 Nível nom,al Redes de baixa tensão Locais conterciais tabela I da
lndtístria leve íEC 61000·2·2:2002
Indústrias ou grandes prédios Localn1en1e acinta da
AMl-3 Nível alto Redes poluídas co,nerciais alin1en10.dos por 1rans· tobela I da
formação AT/BT dedicada IEC 61000-2-2:2002
Tensões de sinalização (tensões sobrepostas para fins de telecomando) (AM2)
l~taloções protegidas ou parte Inferior ao espe-cificado
AM2·1 Nível controlado Son1ente sinais residuais
1>rotegida de un1::1 i.ns1a_lação abaixo
Presença de tensões de sinaliza- lns1alações l'esidenciais, IEC 61000-2-1 e
AM2-2 Nível médio
ção na rede co1nerciais e indus1riais IEC61Q00.2-2
AM2·3 Nível alto Ressonância
. casos especiais
.
-
Var1acoes de an10 rtude de tensao (AM3)
Cargas sensíveis. con10 equipa..
AM3-I Nível controlado Uso de UPS 1nen1os de tecnolog.ia da infor- -
inação
Flutuações de tensiio, afunda-
Habitações locais, con1erciais e
AM3-2 Nível nom1al 111en1os de tensão e
indústrias
-
interrupções
Oese<1uilíbrio de tensão (AM4)

AM4 Nível non.nal - - De acordo coo, a


IEC6 1000·2·2
Variações de freqüência (AMS)
Pequenas variações de :!:. 1 Hz de acordo co,n a
AM5 Nível nonnal Coso geral
freqüência IEC 61000-2-2
Tcnsõcs induzidas de baixa freqüência (AM6)
Geradas pem1anen,e1nen1e ou na
AM6 Sem classificação caso geral ITU-T
ocorrência de faltas
Componentes contínuas cm redes e.a. (AM7)
Ocorrência de faha a jusante de
AM7 Se1n classificação
re1ificadores
Coso geral -
(continua)
SU$ W ü

Capítulo 1 • Fundamentos 23

(continuação)
Código I Classificação Características AplíCl!ções e exemplos Referêncías
c.ampos magn éticos
' ra d'1ados (AM8)
Produzidos por linhas de ener-
gia. 1ransforn1adorcs e outros Habililações. locai.s comerciais e Nível 2 da
Al'..t8- I Nível médio
equipan1entos de frcqtiência indústrias leves IEC 61000-4-8:2001
indus.rial e suas harrnônicas
Indústrias pesadas. subestações
Grande proxi,nidade dos elen1en-
Nível 4 da
AM8-2 Nível alto AT/BT. quadros elétricos e proxi-
ros nlencionados an1e.rionnen1e
IEC 61000-4-8:2001
ou de oulros sin1ilares 1nidade de linhas fe.iToviárias
Campos elétricos (AM9)
AM9-I Nível desprezível Caso geral - -
AM9-2 Nível médio De acordo con1 o valor da 1ensão
Al',19,3 Nível alto Proxin1idadc de linhas aéreas dé
e da localização, interna ou íEC 61000-2-5
AT ou subestações de AT
AM9-4 Nível n1uito allo exten1a à edific.ação

Tabela 1.18 • Fen&nenos elelt v11,agnéticos de alta freqüência conduzidos, induzidos ou radiados
contínuos ou transitários)
Códígo Classificação Características j Aplicaç;io e exemplos j Referéncías
Tellsões ou cor rentes índu<idas oscilantes (AM2l)
Principalmeme perturb.1ções de modo
AM21 Se,n classificação con1un1 geradas por c:uupos ele1ro1nag· - IEC 61000-4·6
né1icos ,nodulados cn1 AM ou FM
Transitórios unidirecionais conduzidos, na faixa do nanossegundo (AMZ2)
Salas de c,omputadores. Nível Ida
AM22-I Desprezível Ambiente protegido
salas de controle lEC 61000-4-4:2004
Nível 2 da
AM22-2 Nível médio Ambiente protegido - IEC 61000-4· I:2004
Chavea1nen10 de pequenas cargas ioduti-
Nível 3 da
AM22-3 Nível alto vas, ricochete de contatos de rel6s Redes de baixa tensiío
IEC 61000-4-4:2004
Faltas
Indústrias pesadas,
Subestações AT/llT
quadros de distribuição Nível 3 da
AM22-4 Nível n1uito alto Equipa,nento de manobra a SP6 ou a
principais ou in1er- IEC 61000-4-4:2004
vácuo
1nediários
Transitórios unidíre<:ionais conduzidos, na faixa do micro ao milíssegundo (AM23)
Circuitos ou ins1alações t((uipadas oo,n
AM23-1 Nível controlado dispositivos de proteção contra sobreten- Situações controladas -
sões. iransfonnadore., alterados
Descarga aunosférica distante (n1ais de
I km): forma de onda 10 µ.s/ 1.000 µ.se
impedância da fonte 20 !l-300 !l Oescarg"s a11nosféricas
TrJnsilórios de chavean1cnto (por cxcn1- distantes de redes
pio, intel'rupção da corrente de falia por subterrâneas
AM23-2 Nível médio 4.2.6.1.12,5.4.2 e 6.3.5
u1n fusível): fornta de ondtt 0 1 I n1s/l n1s
dn NllR 5410:2004
e impedância da fonte 50 O
Descarga aonosférica próxi,na (a ,nenos Descargas atn1osféricas
próxilnas de unia rede
AM23-3 Nível alto de I km): fonna de onda 1.2 µ./50 µ.se
aérea ou de t1111a edifi-
impedância da fonte I H- IO!l
cação
(continua)
SU$ W ü

24 lnslalações elétricas

(continuação)
Códígo Classificação Caracter,sticas Aplicação e exemplos j Referêncías
Transitórios oscilantes conduz.idos (AM24)
Fenô,nenos de chaveanlento
toe-ais residenciais,
AM24-1 Nível 1nédio presentes nonnalnlente ern IEC 61000-4-12
con1crciais e industriais
insial'1çõcs de edificuçõcs
Fcnô1ncnos associados a
AM24-2 Nível alto Subestações AT/MT IEC 60255-22-1
chavca.n1cntos/n1anobras
Fenômenos radiádos de alta freqüência (AM25)
Estações de rádio e televisão a Residências e locais Nível I da
AM25· 1 Nível desprezível
,nais de I k1n con1erciais IEC 61000-4-2:2002
Tr~lnsccp1ores ponátcis a Nível 2 d•
AM25-2 Nível rnédio Indústrias leves
não n1enos de I m IEC 61000-4-2:2002
Indústrias pesadas e
Transceptores de alta potência nas Nível 3 da
AM25-3 Nível alto aplicações de alia
proxhnidades IEC6 I 000-4-2:2002
confiabilidade

Tabela 1.19 • De~• eletrostática s 1


Código Classificação Características Aplicações e exemplos Referências
Nível I da
AM31- I Nível baixo
fEC 6HJ00-4-2:2001
Descargas gera-das particular- Nível 2 da
AM31 -2 Nível n1édio n1ente por 1>CSSoas caminh~tndo De ::.cordo corn 3 IEC 61000-4-2:2001
sobre carpetes sintélicos confiabilidade
Nível dependente do tipo de requc.rida Nível 3 da
AM3 1-3 Nível alto
carpete e da un1iclade do ar IEC 61000-4-2:2001
Nível 4 da
AM31-4 Nível 1nuito alto
IEC 61000-4-2:2001

I Tabela 1.20 • ,Rcid~ões ionizantes l


Código Classificação Caracteristicas Aplicações e e~em1>los

AM41 -1 Sern classificação


Presença de radiações
ioniz:tntes perigosas -
I Tabela 1.21 • Rad~ão solar 1
Código Classificação Características Aplicações e exemplos
ANI Desprezível l111e11sidade :s 500 W/1112 -
AN2 Média 500 < Imensidade :s 700 W/m2 -
AN3 Aha 700 < l111ensidade s 1120 W/rn2 -
[ Tabela 1.22 • Desea~s atmosférica s _J
Código Classificação Cáracterísticas Aplica~ws e exemplos
AQI 0CSJ>íCZívcis s 25 dias por ano -
=::: 25 dias por ano
AQ2 lndiretas Riscos provenientes da rede de l11Stalações ali1ucnt;\dus por redes aéreas
alimenração
Riscos provenienres da exposi!tâO dos Partes da instalaç.ão situadas no exterior
AQ3 Diretas
con1poncn1es da insu1lação das edificações
SU$W ü

Capítulo 1 • Fundamentos 25

Código Classincação Características Aplicações e exemplos


AR I Desprezível Velocidade :S 1 m/s -
AR2 Média I m/s < velocid•de :s 5 m/s -
AR3 Forte 5 m/s < velocidade s 10 m/s -
Tabelo 1.24 • Vento

Código Classificação Características Aplicações e exemplos


AS I Desprezível Velocidade s 20 m/s -
AS2 Média 20 m/s < velocidade :S 30 m/s -
AS3 Forte 30 m/s < velocidade :s 50 m/s -
I Tabelo 1.25 • Co "náa elas P . ! - 1
Código Clas.<ificação Características Aplicações e exemplo.<
8AI Cornuns Pessoas inadvertidas -
8A2 Crianças Crianças en1 locais a elas destinados Creches. escolas
Pessoas que não dispõem de completa
8A3 lncopaeitadas capucidade física ou intelectual Casas de repouso, unidade de saúde:
(idosos, doente.<)

Pessoas sufi-cienrcmente infonnadas ou


supcrvision.tdas por pessoas qualífi·
8A4 Advertidas cadas. de tal forma que lhes pem,ita Locais de serviço elétrico
evitar os perigos de eletricidade (pes·
soai de 1nanurenção e/ou operação)

Pessoas con1 co,1heciinento técnico ou


experiência taJcruc lhes 1>crnli1a evirar
8A5 Qualificadas Locais de serviço elétrico fechados
os perigos da eletricidade (engenheiros
e 1écnicos)

[Jabelo 1.26 • Resistênáa elétrica cio <O!J>O--l!l!.mano - l


Código Cla.s.<ificaçiio Característica.~ Aplicações e exemplos

Circuns1âncias nas quais a pele está seca (nenhunla u1nidade.


881 Alta Condições secas
inclusive suor)

Passagenl da corrente elétrica de unm mão à outra ou de unla mão a um


B82 Nomial Condições úmidas
pé. c0tn a 1>ele ú,nida de suor. se.ndo a superfície de contato si.gnHicativa

Passagem da corrente elétrica cn1re as mãos e os pés. estando as pessoas


883 Baixa Condições molhadas conl os pés 1nolhados a ponto de poder desprezar a resistência da pele e
dos pés

BB4 Muito baixa Condições hnersas Pessoas in1ersas na água. por exemplo, enl banheiras e piscinas
SU$ W ü

26 lnslalações elétricas

I Tabela 1.27 • Contato das pessoas com o ~ da l9n'a


- 1
Código Clas.,ific-.içáo Características Aplicações e exemplos

Locais en1 que o piso e as parede..~ sejan1 isolantes e


BC I Nulo Locais não-condutivos
que não possua1n nenhu1n cle1nento condutivo

E1n condições habituais, as pessoas Locais c1n que o piso e as paredes scjarn isolantes.
não estão ern contato con1ele1nen1os com elen1en1os condutivos em pequena quan1idade ou
BC2 Raro
condutivos ou postadas sobre super- de 1iequenas dimensões. e de 1al fonna que a proba-
flcies condutivas bilidade de comato possa ser desprezada

Pess&Js em con1a10 co1n elementos Locais cn1 que o piso e as paredes sejam condutivos
BC3 Freqncnce condutivos ou pos.tadas sobre super· ou que possua1n elen1eruos condutivos en1 quantidade
ffcics condutiv:;,s ou de di1nensões consideráveis

Locais corno caldeira~ ou vasos nlCtálicos cujas


di1nensõc.~ sejam tais que as pessoas que neles pene-
Pessoas c1n con1a10 pennanente co1n
tren1 estejam continua,nente em contato con1 as pare-
paredes n1e1álicas e conl pc<1uena
BC4 Contínuo de.~. A reduç.ão da liberdade de n1ovi1nentos das
possibilidade de incerroinpcr o
pessoas pode, de un1 lado, in1pedi-las de romper
co1ua10
volunta.ria1nente o contato e. de outro, aurnentar os
riscos de contato involuntário

I Tabela 1.28 • ~ õ e s de N9<! das l)!!SOGS em .......nàas 1


Código Classííicação Características Aplicações e exemplos

Edificações residenciais con1 altura inferior a 50 nt e cdifi·


Baixa densidade de ocupação
BDI Nonn;tl caçõcs não.n...-sidcnciais com baixa densidade de ocupação
percurso de fuga breve
e altura inferior a 2.8 1n

Edificações residenciais co1n altura superior a 50 111 edifi-


Baixa densidade de ocupação
BD2 Longa caçõcs não.residenciais com baixa densidade de ocupação
1iercurso de fuga longo
e altura superior 28 m

Locais de afluência de ptíblico (tcarros. cine1nas, lojas de


Alia densidade de ocupação
BD3 Tun1ultuada depar1an1entos. escolas erc.): edificações não-residenciais
percurso de fugll breve
cont alta densidade de ocupação e altura inferior a 28 111

Locais de anuência de público de ntaior po11e (shop1>ing


centers, grandes hotéis e hospitais, es1abelecin1ento de
Alca densidade de ocupação
BD4 Longa e tu1nultuada ensino que ocupen1 diversos pavin1entos de un1a edificação
percurso de fuga longo
etc.): edificações não-residenciais cont alia densidade de
ocupação e altura superior a 28 01

No1x apHeaçôe'S e c.xcn1plos destin,m,se apenas 3 st1.l>sidi:tt 3 av.,Ji~.ão de si1uaÇõeS reais. romeccndo ele,nen1os roais q\l:llil:uh'OS que quanth3·
tivos. Os (Ódigos loc-àis de ~ urança co,uro i~ndio e pf1.11ioo poden, con1er patân1e1ros ma.is e.~uitos. Ver 1.1.rnbén1 1\BN'I" NOR 13570.
SU$ W ü

Capítulo 1 • Fundamentos 27

(!abela 1,29 • Natureza dos mallel iais processados ou annaz-,ados _J


Código Classificação Car.icterísticas Aplicações e exemplos
BE i Riscos desprezíveis - -
Locais de proce.'isa1nenlo ou annaienage1n
Presenç.a de substâncias co1nbus1íveis.
de pnpel. feno i palha, aparas ou gravetos.
BE2 Riscos de incêndio corno fibrose líquidos co1n aho ponto
fi bras de algodão ou lã, hidrocarbonetos.
de fulgor
plásticos granulados

Locais de processan1ento e annazenage,n


Presença de substâncias inflan1ávcis. de pós·con1bustíveis (a1nido de ntilho.
conto líquidos co1n baixo ponto de fui· açúcar. farinhas. resinas. fcnólicas. plásti·
BE3 Riscos de explosão gor. gases e vapores. p6s-<:on1bustíveis e.os, enxofre. alu1nínio, rnagnésio etc.);
s ujeitos a explosão e substâncias expio· indústrias quín1icas e pe1rolííeras; usi1las e
Si\füS depósitos de sás: fábricas e depósitos de
explosivos

Indústrias alin1en1ícias, gr.,nde-S cozinhas.


Cenas 1>recauções podem ser necessárias
Presença de ali1nen1os, produtos ranna·
BE4 Riscos de contan1innção 1>ara evilar que os produtos en1 processa-
cêuticos e análogos, sen1 proteção
,nento sejan1 conutntinados. por exentplo.
por rra,g1nen1os de lílntpadas

L,Tabela 1,30 • Materiais de co~ão .1


Código Cl!tssificac;ão Característjc.as Aplicações e exemplo$
CA I Não-cornbustíveis - -
Edificações construídas prcdo1ninante111cnte
CA2 Contbus1ívcis Edificações de n1adcira e si1nil;1res
com n1:.ttcri:üs co1nbustíveis

I Tabela 1,31 • Estrutura das ~ õ e s 1


Código Classificação Características Aplicações e exemplos

CBI Riscos desprezíveis - -


Edificações cuja fonna e di1nensões Edificações de grande altura ou edi·
Sujei1as a propagação de
CB2 facilitcn1 a propagação de incêndio ficações con1 sis1c111as de ventilação
incêndio
(por exemplo. efeito chaminé) forçada

Riscos devidos, 1>0r exemplo, a dcs lo·


Edificações de gr.inde co1nprin1ento
can1e:11tos entre 1>at1es distintas de tuna
CB3 Sujci1as a 111ovi1ncn1açâo ou construídas sobre 1crrenos não
edificação ou entre ela e o solo; aco-
estabilizados
1nodação do terreno ou das fundações

Es1rutur.1s frágeis ou sujeitas a n1ovi~ Tendas, estru1uras inflá,•eis.


C64 Flexíveis ou i11stáveis
n1en1os (.por exe,nplo, oscilação) divisória." rernovíveis. forros falsos
SU$W ü

28 lnsloloções elétricas

EXERCÍCIOS

1. Quais são as principais funções exercidas pelos dispositivos elétricos?


2. Qual é a definição da potência instalada de uma instalação elétrica?
3. Quais tipos ele sobrecorrente podem ocorrer em uma instalação elétrica?
4. Como se define a baixa tensão?
5. O que é um choque elétrico?
6. Defina ramal de ligação.
7. Quais são os 1rês tipos de instalação temporária considerados pela norma NBR 5410?
8. Calcule a corrente nominal de um motor de indução trifásico tipo gaiola, de 30 CV, 440 V, com rendimento de
O, 9 e fator ele potência de 0,8.
9. Determine a corrente elétrica de um forno elétrico de potência de 3 kW, monofásico, com rendimento de
70 por ce11to em 220 V.
1O. Quais são as categorias dos parâmetros de influências externas consideradas na norma NBR 541 O?
SU$W ü

Conceitos fundamentais

2. 1 Potência em corrente alternada Potência elétrica de uma carga


monofásica
Fórmula fundamental da potência
Suponha que o circuito da Figura 2.1 seja em corren-
A potência é definida como a taxa de variação da te ahernada, na qual as grandezas II e i sejam a tensão e
energia no tempo, ou seja: a corrente senoidais instantâneas. De modo geral, elas
1/u, são representadas pelas expressões 2.3 e 2.4:
p =- ( 2.1)
(li 11 = V2 U scn wr (2.3)
Em eletricidade, suma carga elétrica é definida por
un1a tensão u instantânea aplicada, que geta uma cor- = V2 l scn (wr - <1>) (2.4)
rente i entrando pelo sinal de +, como representado onde:
esquematicamente na Figura 2 .1.
• U = valor eficaz da tensão elétrica.
A potência instantânea p absorvida pela carga é dada • I = valor eficaz da corrente elétrica.
pela Expressão 2.2, a qual é considerada a íórmul. fun· • <I> = defasagem angular entre a onda senoidal de ten-
damenral da potência e é assim representada: s.cio u e a onda senoidal de corrente i.
p -= ui (2 .2) Subslituindo as expressões 2 .3 e 2 .4 na Expressão
2.2, tem·se:

p = V2 U scn wr · V2 I scn (wt - <J)) =


+7 = U/ cos <'f> - Ul cos(2wt - <l)) (2.5)
Representando graficamente p x wr, obtém-se a Figura
2.2(a), que mostra a tensão, a corrente e a potência em
um circuito com carga monofásica. Note que a potência
li
Carga instantânea transmitida à carga oscila em torno de um
valor médio UI cos <I>, com uma freqüência angular 2w.
Em determinados intervalos, a potência torna-se negativa,
o que indica que a energia flui para a fonte.
Aplicando algumas relações trigonométricas à Expres-
s.io 2.5, obtém·se:
p = UI cos <I> ( 1 - l'()S 2wt) - UI cos <I>e-os 2«H (2.C,)
Figura 2. 1 • Dio9romo do umo cargo elétrico
(1) (l i)
SU$W ü

30 lnslalações elétricas

/1
~, / I \
I U I
I \
I I \
\
(a) . . •. .• 1

PotÇnc-ia,total

······ >
P mU/ cos <l>

Figura 2.2 • Grólicos ela lenm, da corrente e ela potÔileia in,tantõneas em um circuito monol6sico

A potência instantânea p da Expressão 2.6 é dividida potência que vai ela fonte para a carga e vice-versa, a
em duas parcelas, (1) e (li). A primeira oscila em torno cio qual não é consumida, ,nas trocada entre as reatâncias
mesmo valor médio, UI cos <I>, e nunca se torna negati· indutivas e capacitivas do circuito cujo valor n1édio é
va e a segunda apresenta valor médio nulo. A Figura nulo, embora seja representada pelo valor máximo Q,
2.2(b) mostra o gráfico da Expressão 2.6 cios componen- conhecido con10 potência reativa absorvida pela carga.
tes separados expressos por I e li. Os tem1os lixos ela Assim, pode-se representar a carga ela Figura 2 .1 por
Expressão 2.6 podem ser representados por: aquela ela Figura 2.3 para o caso de CA.
A potência em corrente alternada pode ser expres-
P = UI cos <I> (2.7)
sa por
Q = Ulscn<I> (2.8)
s = f' + jQ = s tl. (2.1 O)
Assim, a Expressão 2 .6 é igual a
p = P {l - cos 2"'1) - Q sen 2cot (2.9) P-->
..___,._.. Q -->
()----'>--~ ~ ~ ~ ~
(1) (li)

A parcela (1) corresponde à potência instantânea, que


é sempre fornecida à carga; seu valor nunca se torna
f i
negativo e seu valor médio é a potência ativa (P), que Carga
também é o valor médio de p. A parcela (li) representa a ü elétrica Í=R +jX
potência instantânea que é trocada entre a carga e
a fonte, o que não é desejável cio ponto de vista da trans-
ferência de energia; seu valor médio é nulo e seu valor
má.xin10 é a potência reativ<1 Q. A grandeza P represen·
!
ta a potência ativa al>sorvida pela carga elétrica ela
Figura 2.1, e a potência ela parcela (li) representa a Figura 2.3 • Dia9roma de uma cor9a elétrica em CA
SU$W ü

Capitulo 2 • Conceitos fundamentais 31

onde: O ângulo <l>, fase da impedância ou ângulo do S,


define o fator de potência, cos <l>, expresso por:
• S = potência aparente em VA.
• P = f>Otência ativa em W. p R
cos<f>=-=- (2.14)
• Q = potência reativa em var. . s z
As potências P e Q têm a dimensão de •wau•; O fator de potência deverá ser acompanhado elas pala-
porém, para enfatizar o fato de que a potência Q repre- vras "indutivo" (atrasado) ou NcapacitivoN (adiantado),
senta uma com1>0nente "não-ativa•, ela é medida em para caracterizar bem a carga elé1rica, 1>0rque o cos <I>
volt-ampêres reativos (var). sempre será positivo para qualquer ângulo <I>.
A carga da Figura 2.3 pode ser representada por uma A Tabela 2.1 indica, par.1 os diversos tipos ele carga
impedância equivalente Z, composta pela resistência R elétrica, o fator de potência e as potências ativa e reati-
e pela reatância X equivalentes: va. Observe que uma carga indu1iva absorve Q positiva,
isto é, um indutor consome potência. reativa. Para uma
Z= R + jX = Z.L!l?. = Z cos (I> + jZ sen •1> (2 .11 ) carga capacitiva., temos a absorção de Q negativa, ou
Pode-se escrever: seja, u1n capacitor gera potência reativa. ~ fácil verificar
. . . que uma mudança de sinal de Q significa simplesmente
U=ZI uma defas.1gem de 180º na parcela (li) da Expressão 2.9.
A potência aparente (S) 1>0de ser expressa 1>0r:

s= p + jQ = i.;,• = i ii• = Z/ 2 EXEMPLO


Os valores na entrada de um circuito que alin1enta
.s· = (R + jX)/2 = R/2 + jX/ 2 uma carga elétrica monofásica são:
Portanto, tem-se
U= 200 130º V e i = 10 160' A
J> = R/ 2 (2.12)
Calcular:
Q= x,2 (2 .13) A impedância da carga:
Pode-se representar a carga da Figura 2.3 por aquela
da Figura 2.4. z· = ~
Ú
J
=
200 130º
10 160º
= 20 i=.;m: n
No circuito da Figura 2.4, observe que a resistência
elétrica R representa o elemento ativo e consome a A potência ativa:
potência ativa P1 e que a reatância elétrica X representa
o elemento reativo (indutivo ou capacitivo) e, quando I' = UI cos •J:•
indutivo, consome a potência reativa Q. Pode-se, de
P = 200 X 10 cos (-30º )
modo geral, dizer que a carga elétrica está consumindo
uma potência aparente S, composta pela parcela de
potência ativa I' e reativa Q. I' = 200 X 10 X " ; = 1.732 W

,,_ A potência reativa:

Q = UI sen <I> = 200 x 10 x scn (-30")


Q.-
Q = - l.000 var (a carga é capacitiva)
+ i 1
O fator ele potência:

l
1
<

ü
R :
: c,,rga cos <t> = cos (- 30°) = ';3 =0,866
: elé1rica
1
(capacitivo ou adiantado)

! jX 1:

---1
<
< Potência em circuito trifásico
Seja o sistema trifásico mostrado na Figura 2.5, con-
siderando-se as tensões instantâneas de fase em relação
Figura 2.4 • Diagramo de cargo elétrica em CA represen· ao neutro:
todo por um re-sistor e um indutor
110 º V2 U s~n wr
SU$W ü

32 lnslalações elétricas

Tabela 2 .1 • Ca,gas elétricas genéricas _J


Potência absorvida
Tip0 de carg;i
R elação Defasagem Fator de pela carga
fasorial ângulodcZ potência p Q

D
- \! R
i u <~ a ()O cos<I>= 1 P> O Q =O

:==] ~ <I>= +90° cos <I> = o /> =O Q>O


cl
J LJ <D = - 90" cos<l> = O P=O Q<O

~ ou
°'Ç;
u
0" < <1> <+90" O< cos<l>< J P> O Q>O

33
j /; u
' cT u - 90° < <~ < 0° O< cos<l• < J P> O Q<O
ou •

33
Se a carga elétrica for equilibrada, as três correntes
instantâneas de fase poderão ser escritas como:
;.
(a)
- i. = V2 / scn (wr - <1> )
Carga
ib
(b)
-
elé1rictl
cquilibrad:1
;,, = V2 / sen (,ot - 120° - <1>) (2 .1 6)

;, "ª i, = V2 / sen ( wt - 240º - <T>)


(e) -
A potência instantânea total trifásica tn:1nsmitida à
llJt llc carga elétrica será igual à soma das potências instantâneas
de cada fase, ou seja,
-- -~ -- (2.17)

Figura 2.S • Diagrama de vm circuito mfósico equilibrado Substituindo os valores das tensões e correntes das
expressões 2. 15 e 2. 1ó e utilizando as devidas relações
11, = V2 U sen (wt - 120°) (2.15) trigonométricas, obtém-se a potência ativa total entregue
à carga equilibrada:
u, = V2 U sen (wt - 240º) P,nr = 3 UI cos <I> = 3P (2. 18)
SU$W ü

Capítulo 2 • Conceitos fundamentais 33

P,,;r = 3UFl ,,cos <l> = V3 U,J,. C()S <I> (2.19)

• l'\lra a potência reativa pode-se chegar a uma expres-


são análoga, ou seja:
UL u,. i Q,0 , = 3Q = 3u,.1,. sen <l> = V3 u,J,. sen <I>
(2.20)
Pode-se obsetvar que, en1 Cilcla fase, a potência rea-
0----------- -------------- tiva é monofásica, tal como descreve a Expressão 2. 9.
Portanto, não teria sentido falar em •potência reativa
trifásic..:1H assin1 con10 significaria (alar em uma "corren ..
te trifásica*' 3/. No entanto, é con1un1 en1pregar Qnif• por
analogia com P.,11, sempre que se referir à potência rea·
tiva em um sistema trifásico, .
Considere cargas triíásicas equilibradas em Y ou !!.
a.presentadas na Figura 2.6, onde se te1n, fasorialn,ente,
UL=V3U, para tensão e corrente:
Estrela { . .
lt = ,,
Potência aparente
Seja uma carga qualquer apresentada na Figura 2.7.
De modo geral, as tensões e as correntes elétricas em
CA em regime senoidal podem ser representadas por

;,.. iJ = uill (2.21 )

u, u,. i =ltl (2.22)


O fasor conjugado ela corrente i é dado por

z J* = 1,-1 (2.23)
A potência aparente será dada por
S= ui• (2.24)
u, = Ur
Obtém-se, elas expressões 2.21 e 2.23 na Expressão
Triângulo . .
{ ,,.=V3,, 2.24

Figura 2.6 • Oi~romo de cor90, equilibroda, em Ye A


Note que a potência ativa consumida pela carga i
lrifásica é igual ao triplo da potência ativa que passa +
1>0r fase.
Eis algumas observações i1nportantes para sistemas
trifásicos equilibrados:
• A soma algébrica das três correntes de fase é igual a
zero, não havendo, portanto, necessidade de condu-
tor de retorno.
• A soma algébrica das três tensões ele fase também é
igual a zero.
• As figuras 2.5 e 2.6 indicam as relações entre tensões
e correntes eficazes de linha e de fase (índices /, e F,
respectivamente) para cargas ligadas em estrela e em
triângulo. É fácil verificar que, para ambas as liga·
ções, pode-se escrever: Figura 2.7 • Diogromo de umo corgo elétrico genérico
emCA
SU$W ü

34 lnslaloções elétricas

é chamado potência aparence, medido em volt-amperes


p (VA) e utilizado na caracterização de equipamentos.
Em sistemas trifásicos equilibrados, pode-se definir

1:
Q
do mesmo modo em que foi feito para P e Q

S,rit = 3.5 = 3U,.fp = v':i U,J,. (2.30)

s As relações entre as potências ativa, a reativa e a apa·


rente podem ser representadas pelo triângulo ele potên·
cias, mostrado na figura 2.8.
O triângulo de potências é invertido para ser coeren-
te com o ângulo da impedância i . Portanto, como mos-
Figura 2,8 • Diagrama do triângulo de potências
tra a Figura 2.8, a potência reativa Q indutiva é direcio-
nada para baixo e a capacitiva, par,, cima. O ângulo ,f,
Sendo o ângulo de íase J.!L - J.1.. igual a <I>, isso é tem valor positivo no sentido horário.
igual ao ângulo da impedância i. Assim, De acordo com o triângulo, as relações a seguir são
s· = UI~= UI cos <!> + jUI scn <J> = P + jQ evidentes:
(2.25) P =S cos<~ (2.31)
Utilizando Q = Ssen <I> (2.32)
ú= ti e i= vú (2.26) Q J'
tg<t>=-
P e cos<l>. = -S (2.33)
chega-se às expressões

S = zii• = Z/ 2 = Rl 2 + jXl 2 = P + jQ s= yp2 + Q' (2.34)


(2.27)
A seguir, será examinada a regra ela soma das potên-
cias complexas. Para isso, toma·se, ínicialmente, o cir·
s= uv•u• = v•u 2 (2.28) cuito em série mostrado na figura 2.9(a).
A grandeza complexa S - da qual as potências ativa
e reativa são, respectivamente, a parte real e a 1>arte ima-
ginária - recebe o nome de potência aparente comple-
A potência total absorvida será
. .
S,0 , = UI
. (2.35)

xa. Seu módulo dado por Do circuito~tem..se

s = YP' + Q' = UI (2.29) ú= iz. + iz, + ... + ii. = (Z, + z, + ... + i.)i
(2.36)

i
i,,

(a)

i
+

Figura 2. 9 • Diogromos de circuitos com impedôncios em série e odmitâncios em porolelo


SU$W ü

Copitulo 2 • Conceitos fundamentais 35

Substituindo a Expressão 2.36 na 2.35, tem-se Como o circuito é equilibrado, pode-se trabalhar
apenas com uma das fases (fase (a), por exemplo).
s,.. = (i, + Z, + ... + Z,,)ii• = Assim, tem·se
= 1zz, + JZZz + ... + J?i,n
i = Ú. = 2081\/3 S .l20 ·
i36.90 :. l.=24 l-36.90A
e considerando a Expressão 2.27, obtém-se ª Z 4 + j3

.s,., = Ln ; .. 1
s,= L" <Pi + iQ,l
i• 1
(2.37)
Observe que o ângulo <I>da impedância da c:irga é
36, 90' , portanto
Para o circuito com admitância em paralelo da
Figura 2.9(b), tem-se cos <!> = 0,8

+ úv,. (2.38) sen <!> = 0,6


Substituindo a Expressão 2.38 na 2.35, obtém-se A potência ativa total será a da Expressão 2 .19
5;0
, = iJ (iJy, + iJy, + ... + ÚY,,)" P = 3PF = \/3 U,J,. cos <I> =
s,., = U[Ú(Y, + v, + .. . + Y,,) J* = = \/3 · 208 · 24 · 0,8 = 6.917 W
= iJiJ•cY, + Y, + + Y,,)°
6.917
!', = 3 = 2.305,7 w (por rase)
.s-... = u\v,• + vt + + Y,;)
Para a potência reativa, tem-se, ela Expressão 2 .20
(2.39)
Comparando a Expressão 2.39 com a 2.28, chega-se a Q = 3Q,, = v':i u,. 1,, sen <l> =
s.•• = L
"
S; = L

(P,+ jQ,)
(2.40) = V3 · 208 · 24 · 0,6 = 5.188 var (total)
, .. 1 i • l
Assin,, tanto para cargas em série quanto para cargas Qp = 5.1.88 = J.729,3 var (por fase)
em paralelo, a potência aparente total é a soma das '.\
potências aparentes absorvidas por carga.
Pode-se resolver este mesmo exemplo utili zando o
conceito de potência aparente. Como a tensão e a
impedância são dadas, pode-se utilizar a Expressão
EXEMPLO 2 .28, ou seja,
Uma carga trifásica ligada em estrela é constituída
por impedâncias iguais a 4 + j3 fl/íase (Figura 2.1 O).
Sendo a tensão de linha igual a 208 V, determine as A admitância por fase na carga será igual a
potências ativa e reativa, por fase e total.
1 4 11
Y = -4+}3- = -
25
= O16 - JiO 12
' '
Ia
(a) - 1
• z 1
• ou seja,
'.!08 V
y• = 0,16 + j0,12
(b) -- •
• z •
• Ao fazer a substituição, tem-se
Ú0
(e)
-- 1

(4+;'3)fi

z . 1 1,. = co.16 + j0.12iCü;;)' ; 2.305,7 + jl.729,3
v3
Portanto, obtém~se, por (ase:
.,_,. .,,,,.
J',. ; 2.305,7 W por fase
Figura 2. 1 O • Diagromo ele corgo trifó,ica boloneeodo Q,· = 1.729,3 var por fase
emY
SU$W ü

36 lnslalações elétricas

2 .2 Cálculos práticos de circuitos e I é o comprinlento do circuito, isto é, a distância entre


a origem do circuito e a carga.
A equação fasorial do circuito pode ser escrita como
Circuito com carga concentrada na
extremidade ú, = 2/Í(r + jx) + ú, = Ú2 + 2rlÍ + j2x/Í2
A Figura 2.11 (a) mostra um circuito monofásico, (2.41)
fase-fase ou fase-neutro, constituído por dois condutores Tendo Ú2 como referência, o fasor i é dado por
iguais e com uma carga elétrica em sua extremidade,
consumindo uma potência aliva /' con, u1n fator de Í = ll-<1> (2.42)
potência (indutivo) cos <I>. Sejam V, e U2 as tensões (efi- onde f pode ser obtido em função de P, V, ecos <!>, ou
cazes), respectivamente, na origem do circuito e na seja,
carga, onde f é a corrente (eficaz), r é a resistência CA
por condutor, por unidade de comprimento, x a reatân- /= p (2.43)
cia indutiva por condutor, por unidade de comprin1en10, U2 cos <I>

{ ~ I'••\'

+
- +·

..
i--: R
.•• ..•
u, ú, .• .
1- - •
P, cos ti>

.,...\ X
.-:

ú;(N) - - - r . .,·
1
I 1
(a)

-
àUaJ)rox

E rro

(b)

Figura 2 .1 1 • Diagramo de corgo monofósico concentrado no exlermidode do circuito e diogromo de fosores


SU$W ü

Capítulo 2 • Conceitos fundamentais 37

De acordo com a Expressão 2.41, pode-se construir AU = 2//(rcos + xsen <1>) (2.57)
o diagrama fasorial da Figura 2 .1 l(b).
Expressão que representa a queda de tensão no cir·
De P, cos <I> e /, é possível definir a impediincia equi-
cuito da Figura 2.11, desprezando-se a defasagem entre
valenle da carga como
U, eu,.
Z = p (2.44) Considere agora o circuito trifásico equilibrado (com
/
2
cos <I> ou sem neutro), mostrado na Figur,, 2 .12(a), onde U, e
sendo u, são as tensões de linha (fase-fase) na origem do cir-
cuito e na carga, respectivamente. Estas estão relaciona-
i ~Z~ = R +jX
das às tensões de fase (fase-neutro), Uí e Ui por:
onde R e X são a resistência equivalenre e a reatância
indutiva equivalente da carga, respectivamente. Uj = U1/V3
A qued,1 de lensão do circuito é definida como
U2 = U2/V3
ó.V= U, - U, (2.45)
Tratando-se de un, circuito equilibrado, pode-se ira-
onde pode-se obter do diagrama fasorial da Figura 2. l l(b).
balhar com um circuito equivalente monofásico (fase-
U, = OD -AD (2.46) neutro), como indicado na Figura 2.1 2(b) e cuja equação
fasorial 1>ode ser escrita
OD = v'OC' - CD'= V Ui - CD' (2.47) U-í = 11 -{r + jx) + U- ;

CD = 2<1I cos <!> - 2rl I sen <I> (2.48) onde a corrente é dada por:
I = P/3 (2.58)
AD = 2rll cos <1> + 2,'// sen <!> (2.49) uz
cos <l>
Substituindo a Expressão 2.48 na 2.47, obtém-se Procedendo como no caso anterior, obtém-se pela
Expressão 2.56 a queda de tensão, que pode ser dada por:
OD = Vlf'l - (2r//cos <1> - 2r/scn <1>)2 (2.50)
AU' = Uj - U2 = // (re<l6<1>+xscn<I>)
e agora substituindo as expressões 2.49 e 2.50 na Ex- (2.59)
pressão 2.46:
A queda de tensão de linha será igual à
u, = v'Ui - (2rl / cos <1> - 2,U scn <1> ) 2
ó.V = V3 // (r=<l> +xsen<l>) (2.60)
- (2r//cos <!> + 2r//scn <!>) (2.51 )
Por sua vez, da Expressão 2 .19, a corrente poderá ser
O ângulo a entre os fasores U- 1 e U-2 terá por tangente
escrita como:
tga = -
CD (2.52)
OD I= p
(2.61)
Pode-se escrever para OD V3 U,cos <~
00 = U2 + 2J'/I coo <J> + 2rlI sen <I> (2.53)
Substituindo as expressões 2.48 e 2.53 na 2.52, tem-se Circuitos com carga distribuída
Considere o circuito monofásico representado na
lr// oo;; <1> - 2rl/ wn <I) (2.54) Figura 2.13, que alimenta duas cargas conectadas em
tg a = - - - - - - - - - - -
U1 + 2r// cos i.J> + 2YII wn i.J> pontos diferentes do circuito, as quais consomem as
potências ativas /'3 e I'1 e cujos fatores de potência são,
Substituindo a 2.51 na 2.45, a queda de tensão será:
respectivan1ente, cos <l>:.1 e cos <D2. Se as tensões nessas
ÁU = U1 + 2r// cos <I> + 2YII sen <I> cargas forem U, e U,, as correntes serão iguais a:
- v'U1 - (lr// cos<I> - 2r//sen<l>)2 (2.55)
Na prática, o ângulo a é muito pequeno e podemos
I,-- u, cos
P,
<I>, (2.62)
considerar, co1n boa aproxin,ação, que OC é igual à sua
projeção OD, o que equivale a nulos o ângulo a e sua tan- P,
/2 =-.....:.~ (2 .63)
gente; ou seja, com a Expressão 2 .54 chega-se a u,cos <!>,
2<11 cos <I> - 2rll sen <T> = O (2.56) A corrente total do circuito ser~. fasorialmente,
Assim, substituindo a Expressão 2.56 na 2 .55, tem-se . . .
1, =1,+ 1, (2.64)
SU$W ü

38 lnslala900s elétricas

_,
1., -

,,, -
-
u, __, -
~r. x

u, ' Carga

-l
__, '
trifásica

P, cos <f>

N() ···················································
1 I
1
(a) --!
_, .,
Ouga
por fase

('(!,, cos ·~

N()················································ 't .
(b)

u·, ,1
'
...
' C
o
u·, " ···-·········
4> D

Ir/ l.d
B
illl

--
IW
'
Erro
(e)

Figura 2. 12 • (a) dia9rama de circuito lrifósico equilibrado com carga na extremidade; (b) diagrama de circuito equivolen·
te por fose; (c) diagrama fosoriol do circuito equivalente por lose

_,_,_ ri. ,t' 1 "2.-"2


~
/,

!'J
,,,
u,

,,
U3 P3
<!>>

,,
u,
tl>z o
u, __,, ,..
-
[., r.. ,
/2

(•) (b)

Fig u ra 2 . 13 • Diogramo de circuito monofõsico com duas derivações


SU$W ü

Capítulo 2 • Conceitos fundamentais 39

>

(b)

lz ~ .. -
··- ..
~~
,,
(e)

,,
{d)

Fígura 2, 14 • Diogromos fosorioís cio circuito do Figuro 2.13


SU$W ü

40 lnslolações elétricas

A IJ C M N
,.
0------.>-----.-----<l--• · --. -. ----· ... -·- - ~
l 1, ,,.
r.x

r . ,1, I <I> I • <I> I • <I> 1 . (~


" •• <
"' "
Figura 2.1 S • Diagramo de circuito monofósico com cargos d istribuídos, de fatores de potência iguais e condutores com
corocteristícos iguais

Sejam V, a tensão na origem do circuito e (r,, x1) e (r-,, l!,.LJ = U1 - Ui = ( U, - U;) + { U.1 - U2 )
x,) as características dos condutores nos dois trechos defi- (2.70)
nidos, de comprimento 11 e 1,,, como mostra a Figura 2.13.
Pode-se iniciar o c.-ílculo pelo último trecho, consi- Se houver mais de duas derivações no circuito, para
derado um circuito isolado com uma carga em sua extre- calcular a queda de ten><io total, procede~se da fftaneira
midade, onde o respectivo diagrama íasorial pode ser descrita anteriormente, começando pelo último trecho.
visto na Figura 2.14(a). Sendo conhecidos P.,, U, e <l>,, Um caso específico importante é um circuito mono-
além das características do circuito r21 x2 e I~, obtém-se íásico com várias derivações cujas cargas têm fatores
da Expressão 2.63 a corrente /2 e, do triângulo OCD do de potências iguais, em que a resistência r e a reatân-
cliagran,a., obtén1~se U3 e a 1 . cia x são constantes ao longo do circuito, con10 n1ostra
Conhecendo /'3, ,r,, e U3, obtém-se da Expressão a Figura 2.15.
2.63 a corrente /3, que resulta no diagrama fasorial ela Nessas condições, conhecidas as diversas correntes,
Figura 2.1 4(b). /~ l., ..., !.,, o comprimento dos diversos trechos, (. 1., ..., I.,,
as características do circuito, r ex, e o fator de potência
A corrente 11 que circula pelo pri meiro trecho é, (constante) cos <(), a queda de tensão total pode ser deter-
como indica a Expressão 2 .64, o resultado da soma minada, com razoável aproximação., por meio da que<Ja
íasoria l de /2con1 l3r con10 n1ostra o diagran1a ela Figura cle tensão uni(ária (ZAP) definida, da Expressão 2.57, como
2 .14(c). Conhecendo-se 12, /3, <1>2, <P, e a,, o valor de / 1
pode ser obtido por ZM, = rcos <!> + .rsen <t> (V/A · km ) (2.71 )

A ZA,• representa a queda de tensão que ocorre em


/3 = <!>, + a, - <J>, (2 .65)
L km do condutor, quando passa uma corrente elétrica
de IA.
A = 180º - /3 (2 .66)
Assim, a queda de tensão nos diversos trechos será:
• Trecho OA
(2.67)
ll Uo, = 2/0 ( /0 + /• + I, + ... + lm + t. ) · z,,.
Tem-se também que
• Trecho AB
/ 3 sen /3 6 U,- = 2/1,(/• + I, + 1,1 + ... + 1., + /,.) · ZM·
tgO = (2.68)
/3COS /3 - /2
• Trecho BC
S = 180º - (O+ A) (2.69) 6U11c = 21,(I, + 14 + I, + ... + !., + !,.) · Z,,r
Com a corrente / 1, atrasada de <I>, = S + <P3 em rela-
ção a U.,, é possível determinar, a partir do diagrama
fasorial da Figura 2. l 4(d), a tensão U, na origem do cir- • Trecho MN
cuito, bem como o ângulo a,, considerados conhecidos flU.u,v = 21,,I,, Z,, 1,
r 1, x, e / 1• A defasagem entre V, e / 1 será de <1>1 + a,.
A queda de tensão no segundo trecho será Igual a A queda ele tensão total serei igual a
U., - U, e no primeiro será igual a U 1 - u.,.
A queda total
óU = óU°" + óU,111 + 6U8 c + ... + óU,m (2 .72)
no circuito será igual a
SU$W ü

Capitulo 2 • Conceitos fundamentais 41

Q A 8 e D
,., ,~ lc /J
,.

.
I , <I> I . <I>
d
"
Figura 2. 16 • Diagrama de circuito monofósico com corgas distribuídas e com fator de potência constante

EXEMPLO 2 .3 Princípio da compensa~ão


da energia reativa
Considere o circuito monofásico, mostrado na fi·
gura 2.16, onde: Considere o circuito trifásico mostrado na Figura 2.17,
• I. = 2 A; I. = 10 m com duas cargas e supostamente ec1uilibrado. Slio dados:
• lb = 5 A; /• = 25 m • A tensão de linha: U = 220 v
• t, = 7 A; I, = 12 m • As potências consumidas pelas cargas:
• I, = 10 A;/"= 32 m
P, = 60 kW
• r = 4,5 !l I km; x = O
P1 = 168kW
cos <J> = 0,8 para todas as cargas elétricas.
• Os fatores de potência das cargas:
A queda de tensão unitária será dada pela cos <l>, = 0,75 (indutivo)
Expressão 2.71, assim cos <1>2 = 0,80 (indutivo)
ZAI' = 4,5 X 0,8 = 3,6 V/A· km Sendo um circuito equilibrado, !)Ode-se trabalhar
con, o circuito monofásico ec1uivalente, mostrado na
As quedas de tensão serão:
Figura 2 .18(a). Têm-se os seguintes valores:
• Trecho OA
(a) Carga 1
ó.Uo, = 2 X 10 X 10- 3 X (2 + 5 + 7 + 10) X 3.6
• Potência ativa:
= 1,73 V
P, 60
• TrechoAB P,1 = - = -:;- = 20 kW
3 J

ó.UMJ =2 X 25 X 10"3 X (5 + 7 + 10) X 3.6 • Potência reativa da Expressão 2.33:


=3,%V Q,1 = P,1 tg <1> 1 = 20 X 0,87 = 17,4 kvar
• Trecho BC
(b) Carga 2
ó.U11c =2 X 12 X 10- 3 X (7 + lO) X 3.6 = 1,47 V • Potência ativa:
Trecho CD /'., 168
• A1 =-= = - = 56 kW
· 3 3
ó.Uc,, =2 X 32 X JQ- 3 X 10 X 3,6 = 2,30 V
• Potência reativa:
• Total (00) 5 9,46 V
Q21 = P,1 tg <1>2 = 56 x 0,75 = 42 kvar

• Q) @
u
r r, Pz
cos: 11> 1 cos <f>2

L; •

Figura 2. 17 • Diogromo de circuilo trilósico olimentondo duas cargos equilibrados


SU$W ü

42 lnslaloções elétricas

'

CD 0
220/../:i
20k\V 56 k\V
17.4 kvar 42 kva.r
0.75 0.80

NO ' (a)

.,

76k\V
2101,f3 59.4 kvar
96.5 kVA
0.787

NO
,,
(1>)

Figura 2.1 8 • Diagrama de circuitos monofásicos equivalentes ao da figura 2. 17

Os valores totais por fase (Figura 2.18(b)) serão: • Potência aparente:


• Potência ativa: S' = VP'2 + Q'2 = V762 + 36,82 = 84,4 kVA
P = PI/+ P11 = 20 + 56 = 76 kW A carga original necessitava, para seu funcionamen~
• Potência realiva: to, ele uma potência reativa (por fase) de 59,4 kvar, que
inicialmente era fornecida pela fonte. Com a colocação
Q = Q,1 + Q,1 = 17,4 + 42 = 59.4 kvar cio equipamento anteriormente referido, em paralelo, a
• Potência aparente da Expressão 2.34: fonte passou a fornecer apenas 36,8 kvar, como ilustra a
Figura 2.19. Assim, o equipamento considerado será
S= VP' + Q' = Y76' + 59,42 = 96,5 kVA un1a "fonte de potência reativa", que fornecerá:
• Fator de potência da Expressão 2.33: Q" = 59,4 - 36,8 = 22,6 kvar (por fase)
cos "
,,, '=p
S = %765 = 0
,7 8 '.
7 ,ndut,vo O equipamento com essas caracterfsticas é o ca,paci-
• tor ou banco de capacitares cujo consumo ele potência
ativa é des·prezível diante da potência reativa que ele
Considere agora que, em paralelo com fase da carga, "fornecerá". Verifica-se que, com a correção cio fator de
seja instalado um equipamento que (praticamente) não potência de 0,78 para 0,90,
consome potência ativa e aumenta o íator de potência
global para 0,90. Nessas condições, tem-se uma carga • Houve redução ela potência aparente pela carga, que
lotai (por fase) com as seguintes caracterfslicas: passou de
• Potência ativa: /'' = P = 76 kW 3 X %,5 = 289,5 kVA
• Fator de potência: cos <I>' = 0,90
para
• Potência reativa:
Q' = P'tg <!>' = 76 X 0,484 = 36,8 kvar 3 X 84,4 • 253.2kVA
SU$W ü

Capítulo 2 • Conceitos fvndamenlais 43

.,.• ....... ...... ···---····----------------·-·-


..
.•

- ..'' 22.6 kvar


76 k \V . . 76kW '
59,4 kvar Capacitor
36 ,8 k\Tar .'' 96.5 kVA
COS<l> =0,9 ..' 0.787
..
.'
.'
N -- .'-·--------·---------·-------- ·---------·----- ---·
Figura 2. 19 • Diagramada ação de carga copac.iliva em paralelo

o que significa uma •liberação" no circuito ele sistema original, denominado sistema de seqüência
36,3 kVA. negativa.
• Houve recluçJo ela corrente consumida pela carga, • Um sistema de fasores cujos máxi1nos são alcança-
que passou de dos no n1es1no instante, isto é, um sisten1a ele (asores
em fase designado por sistema de sec1üência zero.
289,5 X 101 = 762 A
V3 X220 Sistemas de seqüência
para A Figura 2.20 mostra três sistemas de tensões equili-
bradas: um de seqüência positiva (ik.,, lk.., lk,,), um de
253,2 X 10' = 66(5 A seqüência negativa (É.,2, lk.,, É, 2) e um de seqüência zero
V3 X 220 (É;JJ, ÉJoQ, É.ol-
Os três sistemas podem coexistir em uni mesmo cir·
com a conseqüente reduç.io de perdas e de queda ele
tensão no circuito. cuito e sua composição dá origem a um sistema desequi-
librado de fasores. No caso dessas tensões, tem-se:

2.4 Componentes simétricos fase a ~ É., = Ê;,1 + t.2 + É"° (2.73)

fase b ~ É. = É., + Êlfl + É1,; (2 .74)


Introdução
O mét0clo dos componentes simétricos consiste em (2.75)
uma ferramenta de grande utilidade para o engenheiro
eletricista, muito usada no cálculo de circuitos elétricos onde ct•. t ,. t ,) é o sistema trifásico desequilibrado de
trifásicos equilibrados e desequilibrados. fas'!res, _do qual os sistemas (lk,, 1, É••· É,,), (Éo2, É.,, Ér2.)
Foi apresentado pela primeira vez por Charles L. e (E.o, E,,;, /:i.,,) são os componentes simétricos.
Fortescue, no trabalho Me(hocl ofsymmeuical coordina!es
applied co the solution of polyphase networks (Transactíons Operador a
AIEE, 37, de 1918), e desde essa época tem sido objeto No que diz res1>eito a fasores, utiliza-se o 01:>erador j,
de inúmeros artigos, publicações, investigações experi· que produz uma rotação de 90° no sentido anti-horá-
mentais e aplicações reais. rio, quando aplicado a um íasor, ou seja,
Ele estabelece que qualquer sistema trifásico dese-
qui librado de fasores (tensões ou correntes) pode ser de- j = ei9'1' = 1 190" = O + j 1
composto em três sistemas trifásicos equilibrados, com Duas a1>licações sucessivas desse operador produ-
as seguintes características: zem uma rotação de 180°, isto é.,
• Un1 sistema de fasores em que as tensões ou corren-
tes alcançam os máximos na mesma seqüência do j2 = j xi = 1 HMº = - l
sistema original, chamado sistema de seqüência Outras potências de j podem ser obtidas por uma
pos;av.1 . análise sen1elhante. A seguir, são inclícadas as principais
• Un1 sisterna de fasores no qual os n1áximos são al- funções desse operador.
cançados em uma seqüência inversa da seqüência do
SU$W ü

44 lnslalações elétricas

que produz uma rotação de 120º no sentido anti-hor.lrio


e cujas princi1>ais funções são indicadas a seguir.
e,,
a = 1 l 120" = - 0,5 + j 0,866
a' = 1 (2400 = -0,5 - j0,866
.. SeqOência positiva a' = l (360° = l + jO = l
(a/x:)
6111 a• = 1 1480" = 1 l 120" = a

12oc. ,,s = 1 1600' = 1 1240" = a'


l+a2 +a=O (2 .77)
Êbl
= V3 1900 = jV3
a - a2
iJ.bz. a' - a = V3 1-90" = -j\13

120"
1- a= V3 1- 3()" = 1,5 - j0,866
.. SeqOência nt..-ga1i-..•a 1- a'= V3 1+30" = 1,5 + ; 0.866
(t1/x·)
120"( 11112 A utilização desse operador permite que os sistemas
de seqüência 1>0siliva, e negativa sejanl descritos enl fun-
120" ção de uma das fases (por exemplo, fase (a)), como indi-
cam as expressões a seguir, resultantes da simples obser-
vação da Figura 2 .20.
Êr1
• Seqüência f>Ositiva: Ê111 = 1';,1
· · nw .,. (2.78)
Eb1 = Eu i ei-· = a-E"1
Êr:1 = 1k,,1 el•'UJO = a É.,1
• Seqüência negativa: E.,2 = Ê"1
'-. '120' • . (2 .79)
Figura 2.20 • Representação lasarial cios sistemas de E,,2 = e' E./l = aE.2
seqüêncio positiva, negativo e zero
1;,,: = e'1MI'i:..:,2 = á1· /~.,1.
j = 1 190" = o+ j Para o sistema de seqüência zero, pode..se escrever

f= 1 !1 80" = -1 + jO= -J Ê.,, = Ê,,0

/ = 1 1270" = -o - j = -j Êw = f:...o (2 .80)


Ê,o = É.o
j' = l 1360º = -1 + jO = l
Resolução de componentes de
j5 = 1 1450" = l 190" = j
seqüência
j + j1 = V2 1135° = -) + j Sejam É., Ê• e Ê, as três tensões de fase desequilibra-
das de um circuito trifásico qualquer. Suas expressões,
em função dos componentes simétricos, foram indicadas
j - j2 = V2 145° = J + j nas expressões 2.73, 2.74 e 2.75.
Entrando nessas equações com as expressões 2.78,
j+j3=0+ j 0=0 2.79 e 2 .80, tem-se
j - i' = 2 190º =O+ 2j t. = É., + é., + É,.z
Utiliza-se agora o operador 11, definido como: . . l . .
E,, = Ell-0 + t, Ei,1 + 0Ea1 (2 .81)
a = efl2t1' = 1 n20• = _.!e + j V3 (2.76)
2 2 É, = É-, + ll Ê,,, + a2É.z
SU$W ü

Capitulo 2 • Conceitos fundamenlais 45

Pretende-se, agora, cletenninar os três componentes da E., + a2Ê,. +ai:,,= É,;:,+ É.,, + Ê,,2 + a2 É,,, + a'Ê,,, +
fase a, É,., Ê,, e É.., em função cios três fasores desequi· 1 . • ~ • J .
libraclos t., Ê• e É,. +,,.E.a+ llE,IO + a· E-.,1 + a E"2 =
Somando as expressões 2.81, obtém-se
Ê... + Ê,
.... + Ê.. = 3Ê14,) + (1 + a' + a)Ê<IJ + (1 + a + a')Ê<>:
Desse modo,
co1no
(1 + ,,z + a) = O Ê,, + a2 Ê,. + aÊ, = 3t.,,
onde E, portanto,

i·, = .!.ct
3 ,, + ª2,:- + af.:) (2.84)
e i,;,u, ,;,1, ""('

• 1 • • .
e., = 3 (E. +e.+ t;.) (2.82) Com as expressões 2.82, 2.83 e 2.84 é possível,
dados os três fasores l':.,,, É,, e É,, desequilibrados, obter
Muhiplic.indo a segunda equação das expressões diretamente os componentes de seqüência da fase a. Se
2.81 por a, a terceira por t12 e somando as duas com a necessário, os componentes das fases b e e poderão ser
primeira, tem-se obtidos das expressões 2.78, 2.79 e 2.80.
A Figura 2.2 1 ilustra as construções de diagramas
Ê. + aÉ. + a2É,. = É.o+ É. , + É,2 + aÉ.o + a3Ê., + fasoriais indicadas pelas expressões 2.82, 2.83 e 2.84.
+ t11.Ê.a + a?.Êr,0 + a3i~, + a~Ê"2 =
= (1 +a+ a')É.o + (1 +a'+ a>)É,1 + (l +a'+ a')É,2 EXEMPLO
como
Sejam três tensões desequilibradas dadas por:
(1 +a+ a')= O
a3 = 1 t. = (60 + jO)V
tr' = (/
Dessa maneira, É• = (45 - j15)V
~ . 2 . .
l:.{J + aE,. + a Ih-= 36.. 1 É,= (-21 + jl20)V
e (a) Os componentes de seqüência da fase a serão:
• Da Ex1>ressão 2.82:
"r.""1 -- .!.
3 ( i.· + al;· + a 2V"'(') (2.83)
l ,ji, .,,,

Multiplicando a segunda equação das expressões 2.81


É,;:, = k((60 + jO) + (45 - j75) + (-21 + 120) ] j =

por a2, a terceira por II e somando as <luas com a primei· = 28 + j 15 = 31.76 128,17° V
ra, obtém-se

240~,, .. - -,'
' '
'
01--• E., Éa
.~
o-=::::::~
~ . . ~i'2w ? •
a-E~-

,; ,..'
th Eh th
Fasorcs originais Seqüência zero Seqüência positiva ScqUên<:ia negativa
desequilibrados (Expressão 2.82) (Expressão 2.83) (Expressão 2.84)

Figura 2 .21 • Obtenção 9rófica fosoriol de É.o, t., e É.,2 partindo de É., É e É, 1,
SU$W ü

46 lnslaloções elétricas

EXEMPLO
• Expressão 2.83:
. 1 Considere que o sistema trifásico desequilibrado de
E., = [(60 + jO) + (-0,5 + j0,866)(45 - j75) +
3 correntes seja dado 1>0r:
+ (-0,5 - j0,866)(-21 + j120)] = 72,2 + i,, = 10 130" A
+ jlt,5 = 73,11 19,05° V i,, = 30 1- 60" A
• Expressão 2.84: i, = 15 1145º A
. 1
E.i = ((60 + jO) + (-0,5 - j0.866)(45 - j75) + (a) Os componentes de seqüência positiva serão:
3 • Da Expressão 2.83:
+ (-0,5 + j0,866)(-21 + jl20)] = -40,2 -
·
,., = 31 (!.· + ª'•· + (12 !,• ) = 31 ( 10 130" +
- j26,5 = 48,14 l-146.6º V
(b)Os com1>0nentes elas fases b e e serão: + 1 !120" ·30 1-(,00+ 1 1240" ·15 114~0 ) =
• Da Expressão 2.78: = 17,6 145º A
t..,= a E., = l
2
1240º · 73,'11 19,05º = • Da Expressão 2.78:
= 73,11 l-110.94° V i., = a i., = 1 12400
2 · 17,6 145° = 17,6 1285° A

/" = a/ = 10, 1120" · 17,6 145° = 17,6 1165º A


E"= aÊ 0, = 1 1120° · 73,11 19.05° =
(b) Os com1>0nentes ele seqüência negativa serão:
= 73,11 l 129.05° V • Da Expressão 2.84:
• Da Expressão 2.79: . J . ,· .
fu2 = - (!., + w/1, + ai,) =
É.,= aÊ.2 = 1 1120º · 48,14 l-146,6° = 3

= 48,14 1-26.6° = 31 (10 130" + 1 1240" . 30 1- 60° +


+ 1 l 12()'> · 15 !145° = 8,25 l203,8" A
É,,,= a2 Ê., = 1 1240° · 48,14 1-146,6° =
• Da Expressão 2.79:
= 48,J4 193,4° V
Í., =ai,,= 1 1120º · 8.25 1203,8° = 8.25 1323,8º A
• Da Expressão 2.80:
EbO = f.«1 = Ê;,o = 28 + j 15 = 31,76 128.17º V Íri = a2Í,,, = 1 1240" · 8,25 1203.&° = 8,25 183,8° A
(c) Verificação: (c) Os componentes de seqüência zero serão:
• Fase a: • Da Expressão 2.82:
. 1 . . '
t. = t., + t., + t ... = (72,2 + jll.5) + ,, (!. + 1,, + !, ) =
,,,, = :;-
+ ( - 40,2 - j26,5) + (28 + jl5) = 60 + jO
• Fase b:
t,, = t,,, + t,,, + ti,()= (-26.14 - j68,28) + • Da Express,io 2.80:
+ (-43,05 - j21.65) + (28 + jl5) = 45 + j15 ibO = i,0 i,,o = 5,6 1312.6°
• Fase e:
Cargas ligadas em Y e A
É,ª Êd + É.-, + É,o ª (- 46,06 + j56,78) +
A Figura 2.22 mostra duas cargas, uma ligada em Y
+ (-2.85 + j48,66) + (28 + jJS) = -21 + j120 e outra em !J., e indica os sentidos de referências elas ten-
sões e das correntes.
SU$W ü

Capítulo 2 • Conceitos fundamentais 47

i(I
- . a a

ü,,.f
U,.,, Ürn u,,,, Üca
" ~
,,
'
/:
'·. ,, u,,,, b
lb
b
/

;,,.
' e
iJ.,.
J, J,
e e
(a) (b)

Figura 2.22 • Cargos ligados em Y e A

Para ambas, as lensões de linha serão iguais a: E, portanto, as tensões de fase devem possuir compo-
nentes de seqüência zero, mesmo sendo nulos os com-
Únh = Úrm - Úb,, ponen1es de seqüência zero das tensões de linha.
. . . Ao utilizar con,ponentes simétricos, na maioria elas
U,,r = U,m - ~.,, (2.85) vezes é vantajoso, no caso de cargas ligadas em 6, utili-
. . . zar o Y equivale111e (ver Figura 2 .23).
u(i, = uc.,1 - udtl
Apresenta-se agora, para uma carga em Y, como
Somando essas equações, obtém-se: determinar os componentes das tensões de fase em ter-
mos de componentes de tensões de linha.
ú.,,, + Út,c + ú... = o (2.86) Para a seqüência positiva, tem.se., das expressões
Nessas condições, obtém-se das expressões 2.80 e 2.82 2.78 e 2.85
. . . . 2 . 2 .
. • • 1 . • . Uu1,1 = U ,m l - ubt1I = u,,111 - 0 U,t11I = ( l - 0 )U.1,,1
U.oo = U,.-0 = U.,;:, =
3 (u.,, + U1,c + U"' ) = O Como ( 1 - 2
11 ) = V3 130", tem-se:
(2.87)
Úftbl = \/3 f30º · Ú an1
ou seja, as tensões de linha, índependenlemente do grau
de desequihbrio, não possuem componentes de seqüên- e
cia zero. Elas poderão ser decompostas apenas em um
sistema de seqüência positiva (Ú~,, 1, ú""l' ÚCVl 1) e em um ú.,., (2.89)
cfe seqüência negativa (Ú"bz, ÚIH:2 e Ún.2).
Com a carga ligada e1n Y, as tensões de fase Ú,u,, Ú, 111 Do mesmo modo, obtém-se
e ú,. poderão ter qualquer valor, desde que a soma das
respectivas lensões de linha seja igual a zero (como indi· .
u.,,, =
ú,,,,,
• r. !30"
ca a Expressão 2.86). Em geral, se a carga for desequili- (2.90)
v3
brada, tem-se:
1: importante observar que não se pode obter os com-
(2.88) ponentes de seqüência zero das tensões de fase partir
A A

ZA
i,
ic
c ~ - -- - ~ 1 1 e is o

i c=
z, Z3
i,+ Zz + Z3
Figura 2.23 • Diagrama da equivalência enlre cargas Y - à
SU$W ü

48 lnslalações elétricas

dos componentes de seqüência zero das tensões de (b) As correntes de fase serão iguais a:
linha, un1a vez que estas, como se S<tbe, são nulas.
En1 un1 circuito trifásico a três condutores, as corren-
. 100 10° .
l,• = _ = 20J.!t. A = 20 + JO
)
tes de linha não podem ter componentes de seqüência
zero, visto que, para uma carga em Y ou para uma carga
. 100 l=.llllº _ . .
J.., = =, l- l20" A= -2.S + J4,33
em /!., tem-se sempre: 20
j = lOO J.rur'. = 10 l 12<Y' A = - 5 + 1'8 66
i.+i.+i,.=O (2.91) "' LO ' '
formando, portanto, un1 sistema de íasores cJese·
Em uma carga ligada em I!., em geral, as correntes de quilibrado.
fase têm sua son1a diferente de zero e assi,n conterão con1· (e) As correntes de linha serão iguais a:
ponentes de seqüência zero. i. = i,b - i,. = {20 + jO) - ( - 5 + j8,66) =
Da mesma maneira como foi feito para as tensões,
pode-se demonstrar para as correntes de fases de I!. que = 25 - jS,66 = 26,45 l- 19.1° A

. ,~,
,.,,, = . e: !30" (2 .92)
i. = i,,.. - i,,,, = (_2,5 - j4,33) - (20 + iO) =
v3 = - 22,5 - j4,33 = 22,9 l- 169.1° A
e
. ,:2 i, = i.. - ibr = ( - 5+ j 8,66) - ( - 2,5 - j4,33) =
/..., = - 1-30" (2.93) = -2,5 + j 12,99 = 13,22
=· V3 1 100.8" A
que também formam um sistema de fasores dese-
No caso das correntes em circuitos trifásicos a três
quilibrado.
condutores, também não se pode obter os componentes
(d) Os componentes simétricos das correntes de fase
de seqüência zero das correntes de fase em função cios
serão iguais a:
componentes de seqüência zero das correntes de linha.
• Das expressões 2.82, 2.83 e 2.84:
• 1 • • •
EXEMPLO ,,.,,., = 3 (1,•• + ,,,.. + /,.) =
Tem-se uma carga ligada em /!. composta pela asso- = * ((20 + jO) + {-2,5 - j4,33) + (-5 + jS,66)]
ciação de três resistências - 5, 1Oe 20 n -. como mos-
tra a Figura 2.24, alin1entadas por um sisten,a equilibr3cfo
de tensões com 100 V ele valor eficaz.
= t [(12,5 + j4,33) = 4,16 + j l,44 = 4,40 119" A
(a) Pode-se escrever para as tensões de linha:
. 1 . . '.
ú•• = 100...ut_ V 1•• , = 3 (/.,. + "'"" + ti I,.) =
Ú,,.. = 100 l-120" V 1
= 3l(20+j0) + (-0,5-j0.866)+ (-2,5- j4,33) +
Ú,. = 100 l 120" V
+ (- 0.S - j0.866)(- 5 + j8.66)] =
o a
=i(35+j0) = ll,67 A

Ur11, UN,
i.
its
sn 1on~"' .
/ubl =
l . l .
3 {/,. + {/ t,H. + {l/a,) =
.

,, ,, 20n

l
l'
= ~ ((20+i0)+ (-O.S - j0,866)(- 2,5- j4,33) +
h Íi.- J
ü,~
e + ( - 0,5 + j0,866)(- 5 + j8,66)] =

Figura 2,24 • Diagrama de carga desequilib.-ada em ~


= i {12.5 + j4,33) = 4.16 + jl,44 = 4,40 119" A
SU$W ü

Capitulo 2 • Conceitos fundamentais 49

• Da Expressão 2.78: i.,, = a2i., = (-0,5+j0.866)(7,5 + j1,44)=-2.5+


i1x, = a2 i,,,,, = 1 !240" · ll,67 = 11,67 !240" A + j7,22 = 7,64 .l.!º2,.!° A
i,., = ai•• , = l 1120" · 11,67 = 11,67 1120" A • Da Expressão 2.80:
• Da Expressão 2.79: i .. = i,o= Í.o=O
iwi =ai,,,,,= 1 ! 120" · 4,40 l 19" = 4,40 l 139" A
Impedâncias de seqüências
i,.2 = a2i••, = l !240" · 4,40 H9"= 4.40 1- lOlºA A Figura 2.25 mostra um trecho assimétrico (desequi-
• Da Expressão 2.80: librado) de um sistema a quatro condutores, com as impe-
i bdl = i,..,o = i,,.o = 4,40 IJ9" A
dâncias (totais do trecho), por fase i., e ;i;, -, onde i.z.
é a impedância do condutor neutro. Considere É., É, e É,
as tensões ele fase aplicadas.
(e) Os componentes simétricos das correntes de linha
serão, da mesma n,aneira, Sendo /~, 1;, e /~ as correntes de linha e ,:, a corrente
no neutro, ten1·se:
• Das expressões 2.82, 2.83 e 2.84:
. 1 . . • (2 .94)
f,;, =
3 (1. + ,,, + /,) = o
. 1 . . 2.
1., = 3 (1. + a'• + " /,) =
Z,,i,, + Z,, i,,
*
= [(25-j8,66)+(-0,5 +j0,866)+(-22,5-j4,33)+
Ê,, = (2 .95)

+ (-0,S - j0,866)(-2,5 + j12,99)] =


Das expressões 2.94 e 2.95, após algumas manipula-
= * ((52,5 - j30,'l2) = 17,5-jl0,1 =20,20 !30ºA ções algébricas em função dos componentes simétricos
de /,., '•e !,, obtém-se
. 1 . ? . •
1•., = (1. + a·J. +ai,.)= 7,64 ll0.8"A
3 É, = (i. + 37,,,)i .o + z., i,,, + i, i.a
• Da Expressão 2.78:
. . . . 2. . . .
Í,,1 = a2i., = 1 1240" · 20,20 l3!l° = 20,20 1-90" A é,,= (Z• + 32,,)/ .o + a Z,, 1.,1 + a z. 1.2 (2 .96)
. . . . . . 2 • .
Í, 1 = oi0 1 = l !120" · 20,20 !30" = 20,20 1150" A E,= (Z + 3Z,,)l.o + 11Z, 1,,1 + 11 Z, 1. ,
• Da Expressão 2.79:
;., =oi,,,= (-0.5 + j 0,866)(7..5 + j l ,44) = -5 + Agora, substituindo os valores de É., É• e É, dados
na Expressão 2.96, em 2.82, 2.83 e 2.84, tem-se a
+ j5,18 = 7,64 !130.8° A Expressão 2.97, colocando·se em evidência i~ i., 1 e /~2•

,,, 1 1
Êu - ' Zu
li,
Eb: '
'
i1,
,,
É(';; - '
1 Z, '
1

neutro
,,,
- . 1
1 Z,,
1
1

Figura 2.25 • Diagramo de impedâncKJs de um sistema o quotro condutores


SU$W ü

50 lnslolações elétricas

· 1 · · · · · 1 · · , · 1 · · 2 • ·
E..,•
3 (Z, + z. + z, + 9Z,,)l..o + 3 (Z. + a 2z, + oZ,)l,. +
3 (Z., + aZ,, + a Z,)l,z
. 1 . . 2 • • 1 . • . . l . 2 • • •
E., = :l (Z. + oz, + a Z,)l,o + 3 (Z., + z. + Z,)1,1 + 3 ( Z, + a Z, + 11 Z, )1-, (2 .97)

3 (Z. + •Z• + "2,)/,,1 + 3 (Z. + Z,, + Z,)l.a


• l · l · · · l • , ?• · l , · , •
E,,=
3 (Z, + " Z, + "Z,)l"' +

Essas equações indicam que, em um circuito trifásico


com impedâncias desequilibradas, a tensão de seqüência
é função de todas as correntes de seq(iência.
Se as três impedâncias de fase forem iguais a i, ou
seja, se o circuito for construfdo ele modo a ficar e<1uili-
brado, obtém-se da Expressão 2.97:

Ê,IJ = { i + 32,.)Í,IJ
/)))/)))/))) / )/)//)))))/ ))))/ )/)/))/
Ê., = ti., (2.98) (a)

É'.2 = i i,,,
As Expressões 2.98 mostram que, em um circuito
simétrico (balanceado), não há interação entre as seqüên-
cias, isto é, un,a tensão de dada seqüência é função ape-
nas da corrente de mesma seqüência.
A,_.._ . . . 1
A ilnpedância de um circuito, quando apenas circu-
lam correntes de seqüência positiva, é chamada impe-
clância de seqüência positiv,1 (Z1); de maneira análoga, . . . . . __ _-_-_-]
podem-se definir as impedâncias de seqüência negatí·
va (Íz) e zero (Z,). Assim, para o circuito em estudo,
/ //)/)7))//ll/7/J)//))//)) / //)///7//
(b)
i, = t .,li., = i
ti =É.l i..,= i (2.99)

Zi = É,,/i.,, = i + 32,
Dessa maneira, ao se considerar citeuitos trifásicos sirné-
tricos, pode-se definir impedância de seqüência positiva cio
circuito, ou de um componente, como a impedância apre-
sentada pelo circuito ou componente qoanclo por ele circu-
lam correntes ele seqüência positiva (Figura 2.26(a)). Por sua
vez, a impedállcía de seqü~llcia llegativa é aquela que o
V
circuito ou o componente apresenta quando percorre
correntes de seqüência negativa (Figura 2.26(b)). Em com-
ponentes estáticos, con10 linhas elétricas e transfoml.c1cfo. ///////1///////I//I //////1/1//I/

res, as impedâncias ele seqüência negativa e de se<1üência (e)


positiva são iguais.
A in1pedlincia de seqüência zero de un, circuito ou de Figura 2.26 • Representação do significado e esquema
um componente é a que o circuito ou con1ponente apre- de medição dos impedâncias de seqüência de uma linho de
transmissão: (a} seqüência positivo, (b} seqüência negativo
senta quando por ele circulam correntes ele seqüência
e {e) seqüência zero
zero (Figura 2.26(c)). É evidente que essas correntes só
podem circular em circuitos nos quais exista um condu~ Na a1>licação do método dos componentes simétri-
tor (neutro ou terra) ligado ao ponto neutro do circuito. cos, devem ser utilizados os valores das impedâncias de
Note que a impedância do neutro ou do terra a1>arece no seqüência positiva., negativa e zero dos c01nponentes n1ais
circuito da seqüência zero com o valor três vezes maior. importantes do circuito.
SU$W ü

Capitulo 2 • Conceitos fundamentais 51

Quando a carga está equilibrada, a corrente é somen· Considere, agora, que haja um curto-circuito trifásico,
te de seqüência positiva. Portanto, a solução usual dos cir· como mostra a Figura 2.28. Trata-se de um circuito equi-
cuitos equilibrados é, na verdade, um c.:1so específico, que librado e, portanto, i.,2 • i"" • O e Ú" 1 ª ú..2 • Úr,0 • O.
envolve apenas o sistema de seqüência positiva, ou seja, Nessas condições, da Expressão 2. 100 resulta
tensões, correntes e impedâncias de seqüência positiva.
Os geradores, como foram construídos bem equili·
. t,,
(2.101 )
brados, só produzem tensões de seqüência positiva. As '·· = i
tensões ele seqüência negativa e zero resultam de quedas
Pode-se então escrever:
em im1>edâncias produzidas pela circulação de compo-
nentes de seqüência negativa e zero da corrente. . . É,,
l=l,= -a-
Tensões e correntes de seq(iência positiva (negativa)
produzem e estão associadas a campos magnéticos nas
" "' z
máquinas, que giram no sentido (oposto ao) da rotação . - 2'
ft, - (l ~' (2.102)
da máquina.
As correntes ele seqüência zero estão em fase nos três i, = niu
condutores de um circuito trifásico. Para que possam cir· Para um cur(o·circuilo bif.isico nas fases b e e (Fi-
cular, o ponto neutro deverá estar ligado a um quarto gura 2.29), tem-se como condições do defeito
condutor ou à terra. As três correntes se somam no ponto
neutro e tornan,wse 3/a0 110 condutor neutro ou no de Í. = O, ib = - i, e Úb = Ú,
terra. Elas produzem nas máquinas um campo magnéti·
Ec1uacionando o problema e aplicando as condições
co estacionário e pulsante. As correntes de seqüência
impostas, chega-se à expressão
zero são raramente encontradas e1n motores, pois neles
dificilmente o neutro é aterrado.
. . .. r- É. (2 .103)
Jb = -1, = -1 V 3 . a
o= (Z + 37.,)i.., + ú.., Z, + Z2
No caso de uma falta clire(a fase-terr,, (Figura 2.30(a)),
as condições desse defeito serão
o = :â,a + ú,,, (2.100)
ú, = O, i, = i,. = Oresultando em
i::. = ti., + ú., . 3Í;,
1.= Í. + i,+Z,+3Í. (2.104)
Aplicações Se tiver uma falta não-direta fase-terra (Figura 2.30(b))
Considere o circuito simétrico mostrado na Figura 2.27, con) Z,.. como in,pecfância ele falta, resultará em
na qual são apresentadas as im1>edâncias de cada fase,
com exceção da impedância de carga (ligada entre fase . 3É,, (2.1 OS)
e neutro). fu =:: • • • • •
2 1 + Z1 + Z 0 + 32,, + 3ZF
Lembrando que Ê..o = Ê~, = O e E,, = E. (gerador
síncrono), 1>0de-se escrever da Expressão 2.98:

Ê,,
u,,
z
E,,
i u~
Ec u,
z

.i,:n

Figura 2 .27 • Diagramo de um circuito simétrico


SU$W ü

52 lnslala900s elétricas

E,,
~ ·· ~l
z
i:.,,
- .. t,,
i
- ..Ê,. ,,. z 1

2,.
-~
Figura 2.28 • Diagrama de um curlo·circoito trifásico no final da linho

-
- yy
E" 1
• z 1
--
- y
~b-
y
,. ' z ' u.
' '

- - y
Ec_
y
i, 1
• i 1
u,
1
• i,i 1 --

Figura 2.29 • Diagramo de um curto·circuito bifásico

Ê,, i«
- .' '
' z •

-
Eb
. '
' i •

E, 1 1
- yy
1 z 1

1 1
1 i., 1

(a)
-~
E. i/1
i
t.
z
Ec-
i
z
(b)

Figura 2.30 • Diagrama de foltas fase-terra: (a) direta e (b) nõo·direta


SU$W ü

Capitulo 2 • Conceitos fundamentais 53

Resumo das equações fundamentais 0 = z,i.2 + Ú,n,; Ú,n, = -Z,Ídl


A Figura 2.3 1 apresenta o sistema geral, incluindo o
gerador síncrono e a linha da transmissão. Apresenta-se, o = Zoi..o + Ú,,o; ú,., = -i,,i..,
a seguir, um resumo das equações fundamentais dos
componentes simétricos.
ú. = Ú.,, + ú.2 + ú,., = É. - i,i., - z,i., - i,,i,.,
(a) Se conhecidas as correntes de linha i., i. e Íu
obtém-se:
. 1 • • • . •
l,JJ =
3 (/. + ,. + l,) = ,,,, = l.o •
U, =

au., 1 • • .
+ tt Ua2 + U.., = aE. -
• '
az,1., -
. 1 . . . . .
'"' = 3 ( /.,+ai,, + t12fc); /111 = a2/" 1: /,1 = alna

Í,n, = i (Í. + til Í• + ai, ); Í.z = aÍ. 2; i.,, = ,h.2


2.5 Valores por unidade
(b) Se conhecidas as tensões de fase Ú., ú. e ú,,
obtém-se: Definição
• 1 . . • • • O sistema •por unidade", abreviadamente pu, é um
u.., = 3 (U, + u. + U.) = U00 = U,0 meio conveniente de expressar grandezas elétricas.
Impedâncias, correntes, tensões e potências s.c:1o muitas
. l . . ? • • ., • • • vezes expressas em pu, em vez de em ohms, ampe,es,
U.., = (u. + a u. + rr V.,): u., = a· u.,; u,, = a u,,,
3 volts e watts.
O valor por unidade de uma grandeza é definido
·_..!.·
u., - 3 ( u. + a2'u. + áU,), u,,, - au.,. u,., - (/ u.2
· · ·-·.·_2· como a relação entre o valor da grandeza e um valor da
mesma grandeza tomado como base. Assim, para uma
(c) Outras exi>ressões: grandeza de valor g, o valor pu g.,., na base g8 , ser~
i. = i., + Ía2 + id) g valor real da grandeza
. . . . ,·
li, = ,. , + 1,, + IM = a 1,.
. . g,.. = g,, = valor base da grandeza (2.106)
2 1 + a la2 + 1..,
. . . . - z· . O valor i>ercentual, g%, será cem vezes o valor por
I, = I,, + 1.,, + l,o = a1., + a la2 + 1,., unidade, ou seja,

ú. = Ú., + Úa2 + údJ g% = .IOOg.., (2.107)


Assim, por exemplo, se a tensão-base for de 127 V.
úb = ú,,, + u.2 + út,() = a'Ú,,, + aÚ.,z + ú,., as tensões de 120, 127 e 220 V ficam em pu, com os
• . . . . 2 . .
U,. = Uc1 + V.e+ U.-0 = aU,., + a u., + u.., valores de
120
Ê" = Z1 Í"1 + Úa1; Úul = Ê.., - i1Í111 = 0,94 pu ou 94%
127

É,, ,,. Í 11 >-- - - - - - - - - -• Ua


~-~~

é. lb
~-~~
z > - - - - - - - - - - -• ub
E.e ,.. i ,. u,.

Figura 2.3 1 • Diagramo geral de t.1 m gerador síncrono e de uma linho de transmissão
SU$W ü

54 lnslalações elétricas

127 Ou então
127 = L,0 pu ou 100%
zII(n) = [ u,,{kv)J' x 10' (2.110)
220 _ '.l S11 (kVA)
127 - 1,7. pu ou 173%

O uso dos valores por unidade ou dos valores per-


centuais conduz a cálculos bem mais simples, por exen,- EXEMPLO
plo, na determinação de correntes presumidas de curto-
circuito em sistemas elétricos. Por sua vez, o método pu Considere o circuito n1onofásico apresentado na
apresenta a vantagem de que o produto de dois valores Figura 2.32, na qual a carga indutiva consome 100 kVA,
pu é um valor pu, ao passo que o produto de dois valo- com fator de potência 0,8, e é alimentada por um gera-
res percentuais deve ser dividido por 100 para que o dor síncrono, por meio ele uma linha cuja impedância é
resultado seja também um valor percentual. de (0,024 + j 0,08) ohms. A tensão na carga é de 200 V.
Tensão, corrente, potência e impedância são grande- (a) Adote como bases:
zas que se relacionam de tal maneira que a escolha de S,, = 100 kVA
valores-base para quaisquer duas delas determina os valo- U• = 200V = 0,2 kV
res-base para as outras duas. Nessas condições, se forem Das expressões 2.108 e 2.109, calculam-se as
especilicadas, por exemplo, as bases para a corrente e a bases para a corrente e a impedância:
tensão, será possível determinar as bases para a impe- 100
dância e a potência. A impedância-base será a que apre- I,, = 0,2 = 500 A
sentar unia queda de tensão entre seus terminais igual
à tensão-base, quando por ela circular a corrente-base; a
, 0,22 X lO'
potência-base (considerando um sistema monofásico) z,, =
100
= o,4n
será o produto da tensão-base pela corrente-base.
(b) Os valores pu relativos aos dados serão:
Sistema monofásico • A impedância da linha:
De modo geral, para os sistemas monofásicos, adote , 0,024 + j0,08 .
como bases a potência aparente, em kVA, SB (kVA), e a z;,,, = 0,4 = 0,06 + ,0,21
tensão, em kV, U8 (kV). Nessas condições, têm-se as
seguintes expressões para as bases das demais grandezas: • A tensão na carga:
• Corrente-base en1 an1pêres: 0.2
u,.. = -0,2
·- = 1
S11(kVA)
I,.(A) = Ui kV) (2.108)
• A potência na carga:
• Impedância-base em ohms: 100
S =-=1
• U11( V) "" 100
Z,,(!l) = I,,(A) (2 .109)

(0.24 + ,;o.os1 n
(0,06 + j0.2 I) J>U
+
200 V IOOkVA
I pu
I J>U
0,8 indutivo

Figura 2.32 • Circuilo monofósico


SU$W ü

Capítulo 2 • Conceitos fundamentais SS

(c) Resolvendo o circuito, obtém-se: Com isso, tem-se, para as bases, a relação
• A corrente:
1
S 100 U,, 8 =. r.U1 ,,
/ = - = - = 500A · v3 ··
U 0,2
E para a tensão pu
• O fasor corrente (referência):
u =Up U1 •
-=-
Í= 500..IJ!A pu u,.._,, u,. 11
• A tensão na carga: o que significa que o valor pu de uma tensão de fase,
cuja base é uma tensão de fase, é igual ao valor pu da
Ú = 200J.co~- • 0.8 = 200 137"= (160 + jJ20) V
tensão de linha correspondente cuja base é a tensão de
• A tensão no gerador: linha correspondente à base anterior. Assim, por exem-
plo, se o valor ele
Üc; = :ii + IÍ
U,.. 11 = lOkV
Üc; = (0.024 + j0.08)500 + (160 + j120) =
tem-se
= (172 + jl60) V= 234,9 l43•V l
U,:11 = V3 10 = 5,77 kV
(d) Resolvendo em pu, obtém-se:
• A corrente:
Para uma tensão de linha,
t•. = l ..lJ! u,. = 4,16 kv,
• A tensão na carga: A tensão ele fase correspondente será igual a
ú,.. = 1 137" = 0,8 + j0,6
Ur- =
l
V3 4,16 = 2,4 kV
• A tensão no gerador:
o que resulta em
ú0 ,.. = :i,.J.., + ú,. =
4.15 2.4
= (0,06 + j0,21) 1 + 0,8 + j0,6 = u•• = W = • = 0,416 pu
5 77
= 0.86 + j0,8 = l,175 l 43° A potência aparente trifásica é igual ao triplo da
potência aparente por fase, ou seja,
• A tensão em vohs:
S.,,1 = 3S
Úo = 1,175 143° X 200 = 234,9 143° V
De maneira semelhante, tem-se para as bases
Sistema trifásico
Os circuitos trifásicos, quando equilibrados, são
resolvidos como uma linha simples (fase), com retorno Com isso,
pelo neutro, isto é, como um circuito n,onofásico. No
diagrama ele impedâncias, que será apresentado adiante,
as bases são a potência aparente por fase, em kVA, e a
tensão ele fase (entre a linha e o neutro), em kV. Nos sis-
O valor pu da potência aparente trifásica, cuja base é
temas trifásicos são, e,n geral, fornecidas a potência apa-
uma potência aparente trifásica, é igual ao valor puda po-
rente trifásica e a tensão de linha (entre linhas). Isso pode
tência aparente por fase correspondente cuja base é a
dar origem a un1a confusão entre un1a tensão de linha pu
potência aparente por fase correspondente à base ante·
e uma tensão ele fase pu. Embora uma tensão ele linha
rior. Assim, por exemplo, se a base for
possa ser a base, a tensão a ser usada no circuito mono-
fásico equivalente é ainda a tensão de fase. S.,11,11 = 30.000 kVA
Para un1 sis1ema triíásico equilibrado, tem-se, en1re as
ten1-se
tensões de linha, U,., e de fase, U,·, a relação
1 3
SH = 0.000 = 10.000 kVA
u,.= . r.
v3
u,· 3
SU$W ü

56 lnslalações elétricas

Para uma potência I


S..;, = 18.000 kVA
a potência por fase correspondente será igual a 480V1 z
\Í3°
S = !S.~OO = 6.000 k V A 480V (1 pu)
( 1 pu)

Então,
18.000 6.000
s•• = 30.000 = 10.000 = 0•6 pu
É comum, nos sistemas trifásicos, adotar como bases
a potência aparente trifásica em kVA e a tensão ele linha
em kV. Nessas condições, para as demais grandezas,
te,n-se:
• A corrente-base em an1pêres: Figura 2.33 • Diagrama de um sistema trifásico

S11 (kVA) (a) A corrente em 1>u será, por definição, igual a:


l11( A) = . r. (2.111) u,,.. 1
v3 UJJ(kV)
,... = zpu = .575 o-·= 17,39
, .Xl ·
• A impedância-base em ohms:
(b) A corrente-base será, da Expressão 2 .111 ,
z (íl) = [ U,i(kV)/\/3] X 10
2 3
1.000
,.1 S11 (kVA)/3 l n=. r. = l.203A
v3 X 0 ,48
[ U,,(kV) ]2 X 10' (e) A corrente em amperes será igual a:
(2.112)
S11 (kVA)
I = 17,39 X l.203 = 20.920 A
É importante observar que a mesma expressão pode (d) A impedância valerá, da. Expressão 2.113,
ser usada para determinar a impedância-base em circui·
tos monofásicos e trifásicos (expressões 2 .11 O e 2.1 12). Z = 0 0575 0,4S' X 1()3
•• ' X L.000 0,01325 n
Deve-se atentar, porém, para o fato de que, em um siste-
ma monofásico, a tensão-base, Uu(kV), é a tensão ele
fase, e a potência-base, S,,(kVA), a potência por fase, ao (e) A corrente, em amperes. também poderá ser obti-
passo que, no sistema trifásico, esses mesmos símbolos da por:
indican'I, respectivamente, tensão de linha e potência tri- _ 480/\/3 _ ,
fásica. I - 0,01325 - 20.9_0 A
Pode-se escrever, para a impedância em ohms,
Z= Z,, X Z11(fi) Mudança de bases
e, da Expressão 2 .1 12, tem-se Muitas vezes a im1>edância de um componente de
um sistema é expressa em pu ou porcentagem, em uma
[ U11(kV)] 2 X !O' base diferente da adott1da para a parte do sistema em
z = z,,.. X S11( kVA)
(2.113) que o componente se situa. Para efeito ele cálculo, como
todas as impedâncias de qualquer parte de um sistema
e devem ser expressas na mesma base, é necessário proce-
.. _ S11(kVA) der-se a uma mudança ele base ou bases.
Zpu = z X [U11(kV)]2 X 103 (2.1 14) Considere uma in1pedância Z, originaln1ente defini-
da por um valor z,,.,, em um grupo de bases s,.. e Um.
Pode-se escrever, da Expressão 2.1 14
EXEMPlO , Z X Sm
z,.,, 0
U111 X 10) (2. 115)
Em um sistema trifásico cujas bases são 1.000 kVA e
0,48 kV, tem-se uma impedância de S,75 por cento, à qual Adotando agora como bases s., e u.,, a mesma
é aplicada a tensão de I pu, como mostra a Figura 2.33. impedância Z terá um valor por unidade Z,..2, dado por
SU$W ü

Capítulo 2 • Conceitos fundamentais 57

z 2_ Z X S1, 2
(2.116)
EXEMPLO
"" - UJ12 X 1Q}
Considerando um motor ele induç.'io trifásica de 800
Dividindo a Expressão 2. 11 6 1>ela 2.11 5, obtém-se HP, 2.300 V, com reatância subtransitória de 15%, ren-
uma expressão que permite mudar as bases da impedân-
dimento de 90% e fator de potência igual a 0,88.
Sm, u.,>
cia Z, de (Sn,, Um ) 1>ara < (a) A potência non1inal de entrada será igual a:

:po2 = (s'") x (u'" )2 Sn ,( kVA) = Pn...,(HP) X 0,746 ;


z,,., 5 Um
111
(2.117)
.., 17 X cos <p

800 X 0,746
= 0,90 X O,S8 ; 753,5 k VA
EXEMPLO
(b) O valor em ohn,s da reatãncia subtransitória será,
Considere uma impedância de S !l, nas bases 1O kV
ela Expressão 2 .113,
e 15.000 kVA. Seu valor pu será, da Expressão 2 .1 15,
igual a X" = 0,15 X 2,32 X 1()3
753,5 l ,OS !l
, 5 X 15.000
z,.,, = lQ2 X JQ} = 0,75
Na prática, são usadas as seguintes relações, que
Mudando as bases para 1S kV e 30.000 kVA, o fornecem valores bem aproximados:
novo valor pu da impedância ele 5 !l será, ela Expres- • Motores de inclução e motores síncronos com fator
são 2 .1 17, igual a de potência igual a 0,8:
S00,.(k VA); P00.,(H Pou CV ) (2.118)
( 1º) 0 667
2
zp,'2 = O'75. X (30.000)
15.000 X 15 = • • Motores síncronos com fator ele potência unitário:
s..,,,( kVA) = 0,8P.... (HPouCV) (2.119)
Escolha de base s
Para um transformador, o valor da impedância em
A escolha cios valores-base a serem utilizados quan-
ohms depende do lado em que é medido, se no lado da
do se estuda um sistema (por exemplo, para cálculos de
alta ou no da baixa tensão. Quando a impedância for
curto-circuilo) deve ser feila tendo em vista a simplifica-
dada em porcentagem (ou em pu), a tensão-base será a
ç.io cio trabalho. A princípio, são escolhidas as bases para
nominal ele baixa, se a impedância se referir à baixa, ou
uma parte do sistema, sendo que as bases para as demais
será a tensão nominal de alta, se ela se referir à alta.
partes, separadas da inicial e interligadas por meio de
Sejam:
transformadores, serão determinadas de acordo com os
• Z,r: impedância referida ao lado de alta (ohms).
princípios expostos a seguir.
• Z,n·: impedância referida ao lado de baixa (ohms).
As bases escolhidas inicialmente devem conduzir à
• U,11, tensão nominal de alta (kV).
obtenção, sempre que possível, de valores pu de ten-
• U,,,.: tensão nominal de baixa tkV).
sões e correntes próximos de 1, para simplificar os cál·
Pode-se escrever
culos. Por sua vez, haverá grande economia de tempo se
a escolha for feita de modo que poucos valores pu, pre-
viamente determinados, tenham de ser convertidos e1n
Z111· = (U•r)' (2.120)
ZM· UAT
novas bases.
Para equipamentos como transformadores e máqui- Da Expressão 2.114, onde Sé a potência nominal do
nas girantes, os fabricantes fornecem, em geral, as impe- transformador e levando em conta a Expressão 2.120,
dâncias (ou as reatâncias) em porcentagem cujas bases pode-se escrever
são a potência e a tensão nominais dos equipamentos.
No caso de motores, são geralmente especificadas a
, .. =-~-~
z,, z,,.,. S
X (Uu/UAr)2ZAT X S
potência non1inal, que é a potência de saída, no eixo do
• ,.,,. U11· X lOJ UJn. X 103
motor em HP, CV ou kW, e a tensão nominal, tensão de
Z,,r X S
linha, para motores trifásicos. Assim, conhecendo-se o ; u~.,. X 10' = ZA7: pu
rendimento e o fator de potência, será fácil determinar a
potência aparente no,ninal na entrada do n1otor, que é a Dessa n1aneira, en, un, transforn,ador, a impedância
base adotada. pu será a mesn1a em ambos os lados (alta e baixa ten-
SU$W ü

58 lnslaloções elétricas

são), o que é uma das grandes vantagens de se utilizar os • Os dois valores relacionam-se entre si de acordo
valores em pu. com a Express.io 2 .120:
A escolha adequada das diferentes bases para as par- 2
tes de um sistema interligado por transformador pode 1,27 = ( 13,8)
simplificar bastante os cálculos com valores pu. Nesse 127 138
caso, recomenda-se as seguintes regras:
• Para circuitos ligados por transformador monofásico, as
tensões-base devem estar relacionadas en1re si como a EXEMPLO
relaç;io nominal dos números de espiras do transforma- Suponha que o gerador de 20.000 kVA, 13,8 kV, X;
dor. Dessa maneira, com a mesn1a potência-base, o 30% seja ligado ao lado da baixa do transformador do
valor pu de uma impedância será o mesmo, indepen- exemplo anterior.
dentemente de ela ser expressa em função da tensão· • Sua reatância em ohms será, da Expressão 2 .113,
base relativa ao lado em que está situada ou em fun· igual a:
ção da tensão-base relativa ao outro lado do
transformador. 0,30 X 13,82 X l(Y
• P.lra circuitos 1.riíásicos interligados por transformador X= 20.000 =
(ou banco de transformadores), as tensões-base nos = 2,86 n (no lado de 13,8 kV)
dois lados devem estar relacionadas entre si em uma
relação igual à das tensões nominais (de linha) em • Quando o gerador é visto do lado de 138 kV do
ambos os lados. Nessas condições, as tensões-base transíorn1ador, a reatância em ohms será, da
deverão ter a mesma relação que as tensões (nomi· Expressão 2.120, igual a:
nais) entre fase e neutro em ambos os lados do trans-
formador, e a mesma relaçfo de números ele espiras X = 2,86 x{ ;3.;,)' = 286 n (no lado de 138 kV)
de um transfom1ador ligado em Y - Y.
que, em 1>u, representa, ela Expressão 2.114:

X 286 X 20.000 • O"O s 30%


EXEMPLO P•
s
1382 X [01 .~

Considere o transformador esquematizado na Fi- • Os valores pu ou percentuais podem ser somados,


gura 2.34, com valores nominais 15.000 kVA, 13,8 kV, desde que as respectivas bases sejam iguais. Assim,
138kVeX;10%. ,1clotando como bases 13,8 kV e 20.000 kVA, a rea·
• A reatância em ohms, relativa ao lado de 13,8 kV, será, tãncia total ligada ao lado da baixa cio transformador
ela Expressão 2.113, igual a: será igual a:
2 20.000
X = 0,10 X 13,8 X 10' = l 27 fl 0,30 + 0.10 X - = 0,30 + 0.1333 =
15.000 ' 15.000

• Para o lado de 138 kV, tem-se, da Expressão 2.113: = 0,4333 pu ou 43.33%

No lado da alta, a reatância pu será a mesma, desde


X= 0,10 X 1382 X JO' = fl que a potência-base seja igual a 20.000 kVA e a tensão·
127
15.000 base passe a ser 138 kV.

>
""
00
,,; >
""
oc

Figura 2 .34 • Di09rama de vm translormodor trilósico ti. - Y


SU$W ü

Capitulo 2 • Conceitos fundamentais 59

2 .6 Análise de um circuito RL
A Figura 2.35 mostr,, um circuito constituído pela
associação em série de uma resistência R ede uma indu-
tâncía L, alimentado por uma tensão instantânea II e
- i R l

provido de uma chave S, inicialmente aberta. A equação


do circuito será
li
s
li=

oncle i é a corrente instantânea.


Rl. + L -di
tlt

Suponha que a tensão u seja senoidal e que, no ins-


(2.121)
o- - - 'J
Figura 2 .35 • Diagramo de circuito em série Rl

tante do fechamento da chave S, sua fase seja ,J, (fase ini- ~ possível determinar o valor de A, lembrando que
cial), como mostra a Figura 2.36. i = Ono instante 1 = O(fechamento da chave). Assim, da
Seja U.., seu valor de crista, pode-se escrever: Expressão 2.124, tem-se

11 = u.., sen (w1 + 'li ) O= l,11sen('1' - <P) + A


(2.122)
e então
Substituindo a Expressão 2.122 na 2.121, obtém-se a
equação diferencial A = - 1..,sen ( 'I' - <1>) (2.126)
Substituindo a Expressão 2.126 na 2.124, obténHe
R 1. + L -di = u..,sen (,oi+ q, ) (2.123) para a corrente
t 1i

cuja solução é
i = l,11 sen (wl + 'I' - <J>) -
(2. 127)
i = I,,sen (M + w- <1>) + Ae-(~' (2. 124) - ( 11 sen ( \JI - <l>)e·(:)'
cuja expressão indica que a corrente é constituída por
onde J,, vale
dois com1>0nentes:
I - U,11 • Componente periódico:
11, - V'
R· + (wL)·, /.11 scn ( wl + "1 - <I>)
e <!>, defasagem entre II e i, é • Componente aperiódico:
li - f.11scn ( IJI - <l>)e-(:)'
C05 <P = --:====
Y R' + (wl,)2
(2.1 25)
como mostra a Figura 2.37.

li

(w1)

_ _.. q,

r=O
(F<:ch,unen,o da chave S)
Figura 2 .36 • Gráfico da tensão aplicado ao circuito Rl
SU$W ü

60 lnslolações elétricas

Observe que: A Figura 2.37 mostra uma corrente totalmente assi·


(a) O valor inicial do componente aperiódico (1 = O): n1étrica enl un, circuito em série /{ />#, o que indica a pre-
sença de seus componentes periódico e aperiódico.
A = - 1.,, sen (IJi - <T>) O fechamento da chave S no circuito RL da Figura
• Será n1áxi,no quando 2.35 é uni fenômeno semelhante a um curto--circuito em
urn sistema eni que os parâmetros do circuito entre a fonte
sen ('1' - <J:>) = :!: 1 ou ('l' - <J.>) = ±90" e a falta são R e X = wL, cujos valores são considerados
o que caracteri,.., a pior condição de assime· constantes.
tria da corrente i.
• Será nulo quando 2 .7 Transformadores de potência
scn ( 'l' - <I>) = O ou ('l' - <!>) = (]'
Definições
(bl Da Expressão 2.125, para R e ,ai, = X dados, o
A potência nominal, SN, de um transformador de
ângulo <I'> é constante e, assim, a maior ou menor
potência é uni valor convencional de potência ;iparente,
assimetria dependerá da fase inicial 'i' da tensão u.
que serve ele base ao projeto, aos ensaios e às garantias
(c) A relação wLIR = XIR (onde L/R é a constante
do fabricante, e que determina o valor da corrente nomi·
de tempo do circuito) indica a taxa de decréscimo
nal que circula, sob tensão nominal, em condições espe·
do componente aperiódico. Desse modo,
cificadas. ta potência que o transformador pode fornecer
• R = O(circuito puramente indutivo) -> XIR ='-", isto
a determi nada carga, sob condições de tensão e freqüên-
é, o componente aperiódico permanece constante: cia nominais, dentro dos limites especificados.
Em um transformador a dois enrolamentos, ambos -
Ae -(f'f = Aeº = A prin1ário e secundário - têm a n1esma potência nominal,
• X= O(circuito puramente resisti\'O) -> XI R = O, ou seja, que é a potência nominal do transformador.
o componente aperiódico não existe A tensão no,ninal, UN, de um enrolan1ento de um trans·
formador de potência é a tensão especificada a ser aplica-
Ae -(!f'f = A e-• = O da, ou induzida e1n vazio, nos tern1inais de linha de um
enrolamento de um transformador polifásico ou monolási·
(d) Quando há predominância da reatância indutiva co. As tensões nominaisde todos os enrolamentos manifes.
sobre a resistência (X >> R), pode-se considerar tam·se sin1ultaneamente em vazio, quando a um deles é
<I) ~ 90<> e a pior condição de assin1etria ocorre· aplicada a respectiva tensão noniinal. Assim, quando em
rá, praticamente, para um transformador a doisenrolamentos se aplica a 1,.1m deles
sua tensão nominal, nos terminaisdo outro, en1 vazio, apa-
'i' - 90" = :!: 90" ou 'i' = O", 180", 360" recerá a tensão nominal respectiva.

I
i
Co1nponente periódico
Co111ponente aperiódico

A
.. ''• •••.
''.... .... '' .
'.....' .'
• '
••
: ,l.._' '
~-1-.~-+1--~;!---if----l!---+-~+.-'-=-=-'1""--+~+---1~+----l'---+--+~~> wl
.•

•• .
••
.• ••.

••• •

' • '.
' .
•• ',:
r= O

Figura 2.37 • Grófieo do corrente O$$imétrico em um circuito em série RL


SU$W ü

Capitulo 2 • Conceitos fundamentais 61

No caso de transformadores monofásicos para ban· Formulário


cos trifásicos, a tensão nominal de um enrolamento des·
O transformador elementar de dois enrolamentos,
ti nado a ser ligado em estrela é indicada por uma fração
alimentando uma carga, é apresentado na Figura 2.38.
cujo numerador é a tensão entre os terminais ele linha cio
A seguir, é apresentada uma análise sobre o transfo,.
banco e cujo denominador é ·vi
mador que opera de n1aneira ideal. Um 1ransforn1ador
A corrente nominal, f .v, de um enrolamento de un,
ideal opera com as seguintes características:
transformador de potência, é a corrente que circula no
terminal de li nha do enrolamento e cujo valor é obti· • Todo o fluxo magnético está confinado no núcleo.
do dividindo-se a potência nominal do enrolamento • As perdas no ferro e no cobre são nulas.
pela respectiva tensão nominal e pelo fator de fase • A corrente de excitação é desprezível (altfssima per-
aplicável, isto é, 1 para transforn,adores monofásicos e meabilidade do núcleo).
\/3 para trifásicos. No caso ele transformadores monofá- • As perdas Joules nas bobinas são nulas.
sicos para bancos trifásicos, a corrente nominal de um
Nesse caso, as equações a seguir são válidas.
enrolamento destinado a ser ligado em triângulo é indi·
w1da por uma fração cujo numerador é a corrente de d,p
u 1 = et = N 1- (2.128)
linha correspondente e cujo denominador é v':i. dt
A relaçào de tensões nominais (ou relação de trans-
d,p
formação), ,,.,, é a relação entre as tensões nominais de u., =e,= N,,- (2.129)
- - -,lt
dois enrolamentos de um transformador, sendo sempre
igual ou superior a 1. C1 U.1 N,
- (2 . 130 )
A impedância de curto·circuito de um transformador ei U,z N2= '"''
= - = -
a dois enrolamentos, z,.., é a in1pedância entre os termí·
nais de un, dos enrolamentos. com os terminais do outro N,i, = Nzi2 (2 .131)
en, curto-circuito, e1n condições especificadas. A in,pe-
(2.132)
dãncia de curto-circuito é expressa em ohms por fase ou
em pu cujas bases são a tensão nominal do enrolamen·
to e a potência nominal do enrolamento.
A tensão de curto~ircuilo de un, transformador a (2.133)
dois enrolamentos, U,, é a tensào que, aplicada entre os
tenninais de um dos enrolamentos, com o outro em
curto-circuito, íaz circular no primeiro uma corrente
igual à respectiva corrente nominal. A tensão de curto-
circuito pode ser expressa em porcentagem (ou em pu)
em relação à tensào nominal do enrolamento. Em pu, a (2 .134)
tensão de curto-circuito tem o mesmo valor da impedân-
cia de curto-circuito do transformador.

IJ
N,
N,:..1-+it-l'HJ-'-1e_2-O:---': \ 1112
,.,
'P1 Carga
Pri1nário Secunddrio
\.
-
Núcleo

Figura 2.38 • Diagrama de um tran,farmad0< do dois enrolamento,


SU$W ü

62 lnslalações elétricas

A
+
1,
• • /2
r

~
ci, >

8 - 1
N,
(a)

(NYNiJZi
1,
• • i,.·- ,,
A
+ A-+ -
1

u, >
> ci, (N(NJ'z1
B - 1
N, l\'2
B
(b) (e)

Figura 2.39 • Diogromas de três circuitos equivalentes, vistos dos terminais A e 8

acompanhando o laço de histerese. Essas perdas são


ti=u,
12
(2.135> proporcionais à área do laço de histerese.
• Há perdas joules nas resistências elétricas das bobinas
. . . primárias e secundárias cio transformador.
E, / N
-. = -,-2 = -. 1 = IN (2.136)
O transformador ideal tem como circuito equivalente
E, 1, N,
por fase o circuito apresentado na Figura 2.40.
Para o transformador ideal, cujo circuito equivalente
~, =(N•)'~, = (N') z, = z·,
2
<2.137) é o da Figur,, 2.40, as seguintes equações são válidas:
/1 N, /2 N2
ú, = u,i, + jX,i, + É, (2.138)
O transformador ela Figura 2 .38 pode ser representa·
cio simbolicamente pelo circuito da Figura 2.39. É, = j,oN,.j, (2.139)
Em relação aos terminais A e B, os três circuitos são
equivalentes. Na realidade, os transformadores não são ideais,
n,as equi1:>an1entos reais, con1as seguintes características:
i, = ií + i. (2 .140)

• Nem todo o fluxo magnético está confinado no ·, N2 · corrente secundária


/., = - /, (2 .141)
núcleo magnético, pois uma pequena parcela 'I', ela • N, • referida ao primário
Figura 2 .38 não se concatena com a bobina 2. Esse
fluxo é denominado de fluxo disperso (<p,). O mesmo (2.142)
ocorre com o q>?;
• Na operaçlío, o núcleo magnético cio transformador (2.143)
se aquece por dois motivos: . .
• Perdas por correntes elétricas parasitas induzidas no E, N, lí
~=-=-:""" = /N (2.1 44)
núcleo. E, N, /2
• Perdas por histerese, que correspondem às geradas pelo
atrito cios domínios magnéticos elementares que giram ú, = - R,i, - jX,i, - Éz (2.145)
SU$W ü

Capitulo 2 • Conceitos fundamentais 63

;, --- -------
.,
'1f2...+ J, 1
~ ....:...+•
+ x, 1 ;~
X2 +
y
•• 112

/~!
ü, x., 'IÊ .,'
i.,,1 U2
' 1

I f..'1 N2 1

1 -------- 1

Figuro 2.40 • Diagrama do circuito equivalente por fase de transformador ideal

Ri =(Z:)'Rz (2 .146) X, = YZi - Ri = X,:o= X,+X', (2.151)


A seguir, apresenta-se um resu1no das características
2
x2 = (NN'.) x, (2.147) dos transformadores.
~ • Valores non1inais -transformadores a dois rolamentos.
Pode-se referir o circuito secundário para o prin1ário, • Potência non1inal : !,'N
resultando no circuito equivalente da Figura 2 .41. • Tensões nominais: UNI, U,v,
No circuito equivalente ela Figura 2.41, pode-se elimi- • Correntes nominais: l.,·1, l,vz
nar a parcela à direita, na qual está representado o trans- !,'l·l
monofásico: lN =- (2. 152)
formador ideal. UN
Dependendo da análise cio estudo a ser considerado,
SN
podem-se utilizar vários modelos simplificados ele circui- trifásico: f,v = -""""- (2.153)
tos equivalentes do transformador, como os apresentados VJUN
na Figura 2.42, na qual a impedância séria é dada por • Relação ele transformação: l.v = - (.d)
~\li
(2.154)
U,n
Z,CI ª R,Q + jX,:o - R', + Ri + i(X, + X, ) (2.148) • lm1>edância ele curto-circuito: z,
No ensaio de curto-circuito, utiliza-se o modelo da • Tensão de curto-circuito: U,
Figura 2 .42{b), onde o ramo em derivação foi desconsi- Valores pu (ver Seção 2.5)
derado, o que resulta no circuito da Figura 2.43. • Bases: S,,(kVA) = SN(kVA)
u.(kV) = U.v.a·,{kV)
z. = ~· = z"í! (2 .149J
2
(2.1 55)
(U {kV) ] _ X_
10)
,,,. , Z(fi)
II
=.;_.;N~.-~7..;._..;.:..
R, = , = RliQ = R, + R2 (2.150) S,v(kVA)
1

x; ;,
--1i.. X, ~

+ i.J,
ii., ••
ú, R,, Xm t, ú; ú,

N, N2

Figura 2.41 • Diagramo de circuito equivalente referido ao primôrio


SU$W ü

64 lnslakições elétricas

/'
-4

ü,

(a)

(b)

(e)

f igura 2.42 • Diagramas dos cira.iitos equivalentes simplificados


• Impedâncias (transformador trifásico) • l [ U.v. 11 r( kV)J2
(2.15 6) Z11r(íl) = 1i Z,r(!l) = " • S,v( kYA ) X 1<>3
V,(kY) X 10-'
z,.,..,(nJ = - - ~ - -
\131,. ,1( A ) (2.159)

Z,.11r (2.160)
z. = -z;; = " • (2.15 7)

[U ( kY )) 2 (2.161)
Z · (fi) = N.A1 X 103 (2.158)
AT " • SN( kYA)

X= YZ2 - R1 (2.162)
SU$W ü

Capítulo 2 • Conceitos fundamentais 65

x, X',

••

Ut"' t% a6% U,v - + Z, = Z,:Q


Pk = Perdas no cobre

Figurc:1 2.43 • Diagramo cio ensaio de curto·circuito no transformador

EXERCÍCIOS

1. Calcule as potências aparente, ativa e reativa de uma carga monofásica com uma tensão e correntes de
U = 220/íf' V e I = J0/-3<:!' A

2. Uma carga trifásica ligada em estrela tem impedâncias iguais de 10 + j 10 ll por fase. Com uma tensão de linha
de 220 V. quais são as potências ativa e reativa da carga?
3. Dado um circuito monofásico com três cargas, no desenho a seguir, detenninar as quedas de tensão em cada tre-
cho e a total.
Considere que os cabos tenham r = 4,5 !1/m, x = O e ocos<!> = 0,8 indutivo para todas as cargas.
10 m 15 111 20 m

10 A 30 A

4. Dada uma carga trifásica com potência ativa de 50 kW e reativa de 50 kvar indutiva, determine a potência do
banco de capacitores para corrigir o fator de potência para 0,92.
S. Determinem as componentes simétricas das seguintes correntes:
t. = 20/9<:f' A, !• = 20/-9<:f' A e /, = O A
6. Para uma carga trifásica ligada em delta com as impedâncias z..,, =
:lOll, Z"' =
10/90" !l e z.. =
10/-90" !l e
com tensões V.. = 220/íf' V, V,,.. = 220/J2<r V e V"' = 220/- 12<:f' V, determine as correntes de linha e as com·
ponentes simétricas.
7. Qual é o valor real da impedância de um gerador monofásico de 20 porcento cuja potência nominal é de 10 kVA
e tem tensão de 220 V?
8. Qual é o novo valor da impedância em pude cinco por cento representada nas bases 13,8 kV e 30 MVA, se repre·
sentada nas bases 138 kV e 60 MVA?
9. t dado um gerador trifásico ele 20 MVA em 13,8 kV com reatância de 30 por cento ligado a um transformador ele
20 MVA, de 13.8 para 138 kV e reatância de dez por cento. Determine a tensão do gerador em pu, quando uma
carga de 15 MVA com fator de potência 0,8 indutivo sob uma tensão de 138 kV for ligada no secundário do trans·
formador.
1O. Para as medições do ensaio de curto-circuito do transformador monofásico de 2.000 VA e tensões de 200 V no pri·
mário e 100 V no secundário, determine a impedância série em pu.

P = 8 W, I = 10 A e U = l V
Sn$W
SU$W 6

Proteção contra cho~ues elétricos


- fundamentos

3 . 1 A corrente elétrica no corpo 4. llnpedância elé1rica do corpo hurnano


humano 5. Efeitos da corrente al1e,nada de freqUências compreen-
didas entre 1S Hz e 100 H~
O aumento substancial elas aplicações e ela utiliza- 6. Efeitos da corrente contínua
ção da energia elétrica nas últimas décadas levou pes- Anexo A: Medições das imped!lncias do corpo hu1nano
Anexo B: Influência da freqüência na impedância do
quisadores de diversos países a realizar n1inuciosos estu·
corpo humnno
dos sobre os perigos que a corrente elétrica pode causar Anexo C: Resistência do corpo hu1nano para corrente
ao passar pelo corpo hun,ano. contínua
As pesquisas sobre o assunto começaram em 1930, Anexo O: Exemplos de cálculos de impedâncias do
com os estudos pioneiros de H. Freiberger e L. P. Ferris, aos corpo humano
quais se seguiram os de C. F. Dalziel, W. 8. Kouwenhoven, A publicação IEC/fS 60479-2 (Edição 3.0/2007):
W. R. Lee, P. Osypka, 1~. Antoni, entre outros. Com o EffeG·ts of c11r1·e11r 011 luu1u111 bei11gs aud /hresrock - Par,
objetivo de avaliar o grau ele periculosidacle ela corrente 2: Specia/ aspects é dividida étn onze capítulos, assim
elétrica, esses estudiosos realizaram experiências conl discrinlinados:
anin1ais (bezerros, porcos, carneiros, cães e gatos), seres 1. Obje1ivo
humanos e cadáveres. 2. Nonnas
O documento internacional, considerado orientação 3. Definições
básica para a proteção de seres humanos e animais 4. Efeitos da corrente alternada ae freqüências acirna
domésticos contra choques elétricos em instalações elé- de 100 Hz
tricas, é composto por cinco publicações da série IEC 5. Efe.itos de fom1as de onda especiais de correnres
604 79: Effects of current on lwman beings and lives1ock, 6. Efeitos das correntes alternadas com controle de fase
que consolidam os estudos realizados sobre o assunto. 7. Efeitos das correntes alternadas com controle n1ulti·
ciclos
Esse trabalho foi publicado pela primeira vez em 1974,
8. Es1iinativa do limiar equivalente de correntes para
depois ele ter sido preparado por um grupo seleto de estu- freqüências misturadas
diosos, com base em uma longa pesquisa na literatura e 9. Efeitos dos pulso-< de corren1e repelidos na fibrilação
na avaliação das respostas a um questionário preparado. cardíaca
10. Efeitos da corrente e1étrica en1 corpos imersos
A publicação JEC/fS 60479-1 (Edição ~.0/2005): 11. Efe.ítos de in1pulsos de correntes unidirecionais de
Ejfects o/ currenl ou luunan be.ings and livestock - Part cuna duração
J: General aspec1s é dividida c1n seis capí1ulos e quatro
anexos. assim djscriminados: A publicação IEC/fS 60479·'.l (Edição 1.0/1998):
Ejfecrs of ,.:urre,u 011 /111111011 beings oud /ivc,uoak - Pari
1

1. Objerívo 3.: Effects o/ currems passi11g rhrough rhe body o/ tives·


2. Nom1as t()C.k é dividida e1n cinco capf1ulos, assin1 discrin1inados:
3. Definições
SU$ W ü

68 lnslaloções elétricas

fibra muscular. Se houver um segundo estímulo antes do


1. Gera.! repouso, os doís efeitos poderão se somar. Diversos estí-
2. Características das impedâncias dos corpos de ani·
mulos simultâneos produzem contrações repetidas do
mais domésticos
3. Valores da impedância total dos corpos músculo, de modo progressivo; é a chamada conlfação
4. Valores da resistência inicial dos corpos tetJnica. Quando a freqüência cios estímulos ultrapassa
5. Efeüos nos anin1ais don1éslicos <ia corrente ahemada certo limite, o músculo é levado à contração completa e
de freqiiências compreendidas entre 15 Hz e 100 Hz permanece nessa condição até que cessem os estímulos,
A publicação IEC/TR 60479-4 (Edição 1.0/2004): Effec1s retornando lentamente ao estado ele repouso.
o/ curre.111 on J1111na11 bei11gs and livesto<·k - Part 4: O mesmo fenômeno, descrito de modo simplificado
Efft!ct.t o/ lightning strokes on hu,nan heings and /ives- par.a unla fibra elementar nervin1uscular, ocorre de n1anei-
10,:k é dividida e1n seis capítulos. assim discriminados: ra muíto mais complexa no corpo humano que é atra-
1. 0bjetivo vessado por un,a corrente elétrica.
2. Normas As freqüências usuais ele 50 e 60 Hz são suficientes
3. Definições para produzir uma tetanização completa, dependendo
4: A íísjca das descargas atmosféricas da intensidade da corrente elétrica. Uma pessoa em con-
5, As interoções entre as desçargas elétricas e os seres tato com uma peça sob tensão pode íicar •agarrada" a ela
hu1nanos e os anin1ais don1ésticos
no período em que durar a diferença de potencial, que,
6. Efeitos das. descargas atmosféricas sobre os corpos
dos seres hunumos e dos animais do1nésticos dependendo da duração, pode levar à inconsciência e
até à morte. ~ importante observar que o fenômeno é
A publicação IEC/TR 60479-5 (Edição r.on007):
mais perigoso se considerarmos que a resistência elétrica
Ejj'ects o/ <·urre111 ou /111111(111 beingJ' <1nd Jivesto<·k - Part
5: Tcuch vo/1age 1hreshot,1 ,·alues for physiological do corpo humano diminui com a intensidade da tensão
éjfects é dividida em cinco capftulos e qµaoro aJ1exos. elétrica.
assim discrin1ioados: ~ra valores elevados de corrente, a excitação mus-
1. Objetivo cular pode ser suficientemente violenta, de modo a pro-
2. Normas vocar uma explosão de contração muscular, levando
3. Oclinições u1na pessoa a se movimentar muitas vezes, a íin1 ele
4. Condições e valores-limito libertar-se do choque elétrico. Dependendo das condi,
5. Valores-limite de tensão de eo1ua10 ções, a pessoa pode ser lançada a certa distância.
Anexo A: lmpedilncias do corpo A corrente contínua produz a tetanização, desde que
Anexo 8: Tensões de contato tenha intensidade e duração suficientes. Isso porque,
Anexo C: Detenninação da$ tensões de contato sob cer- embora ela possa produzir efeitos eletrolíticos no san-
tas condições
gue, estes só adquirem dada consistência em tempos
Anexo I!>: Limites de apli<'Jção
longos e em correntes n1ais intensas.

Os perigos da eletricidade limite de largar


Qualquer atividade biológica, seja ela glandular, Define-se o lin1ite ele Jarg<tr como a corrente máxima
nervosa seja muscular, é estimulada ou controlada por que uma pessoa pode suportar ao segurar um condutor
impulsos de corrente elétrica. Se essa corrente fisiológi· energizado. Ela pode largá-lo usando os músculos volun·
ca interna se somar a outta corrente de origem externa, tariamente estimulados. Em outras palavras, o limite de
devido a um contato elétrico, ocorrerá un,a alteração largar é o valor n1áximo de corrente que unla pessoa,
das funções vitais norn,ais no organisn10 humano, que tendo à mão um objeto energizado, pode ainda o largar.
!'.>Ode levar o indivíduo à morte, dependendo da dura- Para essa grandeza, estudos mostram que, em corrente
ção da corrente. alternada de 50 a 60 H1, os valores se situam entre 6 e
Os princi1>ais efeitos que uma corrente elétrica 14 mA em mulheres (média de 10 mA) e entre 9 e 23 mA
(externa) produz no coqio humano são tetanização, em homens (média ele 16 mA). Em corrente contínua,
parada respiratória, quein1adura e fibrilação ventricular, foram encontrados os valores médios ele 51 mA em
descritas a seguir de uma maneira sin1plific3da. mulheres e 76 mA em homens.
Correntes inferiores ao limíte ele largar, mas com
TetanizafÕO pouca intensidade, embora não produzam, en1 geral,
A tetanização é um fenômeno decorrente da con- alterações graves no organismo, podem dar origem a
tração muscular produzida por uma corrente elétrica. contrações musculares víolentas e, indiretamente,
Verifica-se que, sob a ação de um estímulo, o músculo provocar acidentes, como quedas e ferimentos causados
se contrai e, em seguida, retorna a.o estado de repouso, por partes móveis de máquinas ou movimentos bruscos
devido a uma diferença de potencial elétrico em uma que levan1 a outros riscos.
SU$W li

Capítulo 3 • Proteção contra choques elétricos - lvndome<1tos 69

Correntes superiores ao limite de largar, mas com Se à atividade elétrica fisiológica normal se acres-
pouca intensidade, podem causar uma parada respirató· centa urna corrente elétrica de origen, externa e n1uitas
ria, se a corrente for de longa duração. Essas correntes vezes maior que a corrente biológica, é fácil imaginar o
produzem sinais de asfixia na 1:>essoa, graças à contração que sucede com o equilíbrio elétrico do corpo. As íibras
de músculos ligados à respiração e/ou à paralisia dos do coração passam a receber sinais elétricos excessivos
centros nervosos que comandan, a funÇ<iO respiratória. e irregulares, e as fibras ventriculares ficam superestí-
Se a corrente pem1anece, a pessoa perde a consciência muladas de maneira caótica e passam a contrair-se
e morre por asfixia. desordenadamente, uma independente da outra, de
Por isso é in1portante prestar os primeiros socorros, modo que o coração não possa mais exercer sua fun·
fazendo respir,,ção artiíicial (boca a boca). É necessário ção. É a fibrilação ventricular, respons.ivel por tantas
intervir imediatamente a1>Õs o acidente (no máximo em mortes decorrentes de acidentes elétricos, na qual as
três ou quatro minutos), para evitar asfixia ou lesões irre- fibras musculares cio ventrículo vibram desordenada-
versíveis nos tecidos cerebrais. mente_, estagnando o sangue dentro do coração. Des~1
maneira, não há irrigação sangüínea pelo corpo, a pres-
Q ueimaduras são arterial cai a zero e a pessoa desmaia e fica em esta~
A passagem ela corrente elétrica 1>elo corpo humano do de morte aparente. A fibrilação ventricular é acom-
é acompanhada do desenvolvimento de calor por efeito panhada da parada respiratória da vítima.
Joule, podendo produzir queimaduras. A situação torna· O fenômeno da fibrilação ventricular é irreversível.
se mais crítica nos pontos de entrada e de saída da cor- No entanto, sabe-se hoje que, se adequadamente aplica·
rente., uma vez que: da, uma carga elétrica violenta pode reverter o processo
• A pele apresenta elevada resistência elétrica, enquan- de fibrilação. Isso é feito com um clesfibrilador elétrico,
to os tecidos internos indican'I resistência baixa. que utiliza dois eletrodos aplicados ao tórax, os quais
• À resistência de contato entre a pele e as partes sob provocam uma descarga elétrica na região cardíaca do
tensão soma-se a resistência da pele. paciente. Mesmo assim, para efeitos práticos, a fibrilação
• A densidade de corrente é alta nos pontos de entrada é considerada fatal, pois dificilmente existem pessoas
e de saída da corrente, principalmente se as áreas de especializadas à dis1>0sição e equipamento necess.'\rio
contato forem pequenas. para prestar socorro à vítin1a e1n tempo hábil. Observe
que, cessada a atividade cardíaca normal, depois ele três
Quanto maior a densidade de corrente e mais longo
n1inu1os con1eçan1 a ocorrer lesões irreparáveis no teci-
o tempo pelo qual a corrente permanece, n1ais graves
do cerebral.
são as queimaduras produzidas. Nas altas tensões, em
A onda T representa o período de repolarização das
que há o predomínio dos efeitos térmicos da corrente, o
fibras musculares do ventrículo do coração.
calor produz a destruição de tecidos superíicíais e pro-
O período vulnerável corresponde a uma parte rela-
fundos, bem como o rompimento ele artérias, con, con-
seqüente hemorrasia e destruição dos centros nervosos. tivamente 1:>equena do ciclo cardíaco, durante a qual as
fibras cio coração estão em um estado inicial de re1>0la-
Observe que as queimaduras produzidas por correntes
rização. A fibrilação ventricular ocorrerá se elas forem
elétricas são internas, profundas e de difícil cura.
excitadas por uma corrente externa de intensidade sufi-
Fibrilação ventricular ciente. O 1>eríodo vulnerável corres1>0nde à primeira
O fenômeno fisiológico mais grave que pode ocorrer parte da ondil 7· (como indicado) e representa cerca de
quando a corrente elétrica passa pelo corpo humano é a 10% a 20% do ciclo cardíaco.
fibrilação veniricular do coraç,'io. Trata-se ele um fenôme- Os pesquisadores têm concentrado seus esforços na
no complexo e geralmente fatal, como explicado de procura pelo valor mínimo de corrente capaz de dar iní-
maneira simplificada a seguir (ver figuras 3 .1 e 3.2). cio à fibrilação, em função do tem1>0 pelo qual a corren-
Sabe-se que o músculo cardíaco (miocárdio) se con· te circula pelo cor1>0 humano. Os experimentos não têm
trai ritmícanlente de 60 a 90 vezes por n1inuto e susten- fornecido resultados coerentes, un1a vez que as n1aiores
ta, con10 se fosse un,a bon1ba, a circulação sangüínea dificuldades que impedem uma definição precisa do
nos vasos. A contração da libra muscular é estimulada lin1iar de fibrilação ventricular são as seguintes:
por impulsos elétricos provenientes do nódulo sinoatrial • Impossibilidade de realizar experiências com seres
(NSA), situado na parte su1:>erior do átrio direito, e é um humanos e dificuldade ele adequar ao corpo humano
gerador biológico de impulsos elétricos que comanda o os resultados obtidos com animais.
coração. Por meio de tecidos especfficos de condução • A corrente /0 que atinge o coração e causa direta·
(feixe de His e rede de Purkinje), os impulsos de coman· mente a fibrilação é apenas uma fração da corrente I
do provenientes do nódulo sinoatrial são transmitidos às que circula pelo cor1>0 humano; como apenas / é
fibras musculares da parede do ventrículo do coração. mensurável, a ela se refere o limiar ele fibrilação; como
SU$W ü

70 lnslolações elétricas

Á1rios

Ventrículos
, Despolarização 1
1 1
1( •i 1
R 1 Rceo1an7 1

1
1. . ..3Çí.10
• 111 I
1
1 1
1 1
1 1
1 T 1
2 3 51
1
1
1 1
/' 1 1 1
4 1 1 1
1 1 1
1
1
1
1
Q 1 1
s

Período vulnerável
i; \l
' J

dos ventrículos

Figura 3.1 • Ciclo cordioeo com indicoçõo do período vulneróvel dos ventrículos (os n(,meros sinalizam os etapas progres·
sivos do ciclo)
a relaÇ<i.o /0 / / não é constante, pode variar de pessoa A Zona I é aquela em que a corrente elétrica não
1>ara pessoa e também em uma mesma pessoa, produz reação algun1a no corpo humano. Situa-se abai-
dependerá do trajeto da corrente. xo do chamado limiar de percepção (0, 5 mA) e é repre·
• As condições o rgânicas são distintas no s seres hu· sentada pela reta da Figura 3.3. ~ importante salientar
manos. que esse valor varia de acordo com a pessoa. sendo
menor para mulheres e crianças.
Zonas de efeitos A Zona Z é aquela em que a corrente não produz
nenhum eíeito íisiopatológico perigoso. Está entre o limiar
A publicação IEC!TS 60479- 1 deíine cinco zonas de de percepção e a curva limite de corrente fisiopatologi·
efeitos para correntes alternadas ele 50 ou 60 Hz e lev,1 camente perigos., (curva b) e é dada pela Expressão 3.1,
em consideração pessoas que pesam 50 kg e um trajeto a seguir.
de corrente entre as extremidades do corpo (mão/mão
ou mão/pé), mostradas na Figura 3.3 . 10 (3 .1)
/ = ! ,, + - I

R R ~ hoquc elétrico

ECG

Q
Fibrilação ventricular
Pressão árterial

mmHg
40
400 ms

o
Figura 3.2 • Elelrocardiogromo (ECG} que mostro o fibrilação ventricular e o pre,sõo arterial
SU$W li

Capítulo 3 • Proteção contra choques elétricos - fundamentos 71

Legcndn:
Zona 1: E 111 geral. nenhurna reação.
Zona 2: E,n geral. nenhurn cfeiro tisiopatológico perigoso.
Zona 3: E,n geral. nenhu,n risco de fibrilação.
Zona 4: Fibrilação pos.,ívcl (probabilidade de até 50%).
Zona 5: Risco de fibrilação ( probabil idade superiora 50%).

t(ms)
10.000

5.000
\ \
2.000
o
\;' \
e d
\
1.000
\ \
\ ' \
500
Q) @ \ Q) \ © \ ®
200 '
100

50
"' \ \
\
\

\
\ \
""' """
20
tO
-
\ \ l(mA)

Nol~ :
0, 1 0,2 0,5 2
' 'º 20
50 100 200 500 1.000 2.000 5.000 10.000

1. No que-diz. n-sl')l!ito :1 fibrilação vcntricul:lr. a Figura 3.4 rel.:iciona-sc co1n os efcilos do:t oom:ntc que p..'l~i.<, no trajeto ··indo esquerda/pés"'.
2. No ponlo 500 ,n,VIOO 1ns há probabilidade de 0.14% de ocorrer fibrilação.

Figura 3.3 • Zonas de efeito de corrente alternado (50 ou 60 Hz) sobre adultos

onde J é o valor eficaz da corrente (mA), / 1_ é o limite de dacle ele respiração e perturbações reversíveis no coração.
largar (valor eficaz) igual a 1O mA (em mulheres) e 1 é o e,.
A Zona 3 é limitada pelas curvas b e Na Zona 4, além
tempo de duração do choque. dos efeitos da Zona 3, a probabilidacle de fibrilação ventri-
Na Zona 3, con1preendida entre a curva b e a curva cular aumenta cerca de 5 por cento (curva e,) a 50 por
e, não há risco de fibrilaçilo ventricular, n1as a corrente cento (curva e,) e acima de 50 por cento além d,, curva e,.
pode provoc.1r outros i11co11veníe11tes - de modo geral, A publícação IEC/TS 60479- 1 define o fator de cor·
não perigosos - caso a duração da corrente não seja rente do coração (f) como o fator que relaciona a equi-
longa. 1\Jessa zona, se a duração for n1uito extensa, há valência ela corrente elétrica no coração para dado per-
possibílidades de problemas respiratórios. curso com urna corrente que passa entre a mão esquerda
Na Zona 4, a corrente do choque elétrico pode provo· e o pé. O fator de corrente do coração permite calcular
car fibrilação ventricular, com uma probabilidade que as correntes/" para percursos diferentes desse, que repre--
vai ele 0,5 por cento (curva e) a 50 por cento {curva d). sentam o mesmo perigo de fibrilação ventricular que o
Na Zona 5, situada após a curva d, há o perigo efetivo correspondente à corrente de referência /~e,, entre a mão
d, ocorrência de fibrilação ventricular. esquerda e o pé, ou seja,
No caso de corrente alternada, com freqüência de 15
a 100 Hz, são caracterizadas quatro zonas, con10 n1ostra a
Figura 3.4, para correntes de choque entre mão e pé. (3 .2)
Na Zona J não ocorre nenhuma reação. Na Zona 2,
não ocorre nenhum efeito fisiológíco perigoso. Na Zona un1a vez que os valores de f " estão na Tabela 3.1, para
3, 11ão acontece, em geral, nenhum dano orgâníco. Para trajetos diferentes da corrente elétrica que passa pelo
tempos longos ocorrem contrações musculares, dificul- corpo humano.
SU$W ü

72 lnslakições elétricas

lllS
10. 000
1

i 5.000
a I b
1
\
1
q t:2 e'\!
1

!,!
2.000
1
\ .• ' 1
\
1

go \
..:\
\

. "'
'.
u '
' ',' ' '
\

"
'O '~:
g 500

"'',
.
}
''
°",,."
~
200
0 ® "
••
••
\

'
@ ''
'
0
.,,"'" \ \ \
'
Q.

• \ '.
100
o
'",,.
e 50
.•• ''
'
1
1
.
1

'
o
:,
..••• ''
''
1
l 1
l

20 ..• 1 1
1
!
10
0.1 0.2 0,5 2 5 10 20 30 50 10() 200 500 1.0002.0005.000 10.000
mA
Correme que passa pelo corpo I -

Figura 3.4 • Zonas de efeito de corrente alternada (15 a 100 Hz) entre mão e pé sobre as pessoas

Assim, por exemplo, uma corrente de 200 mA entre Onde:


as mãos tem o mesmo efeito no coração que uma cor· • Curva 1: n1ostra o lin,ite convencional das intensida-
rente de 0,4 x 200 = 80 mA da mão esquerda ao pé. des de corrente elétrica do choque que não resulta
em nenhuma percepção.
Influência da freqüência da corrente • Curva 2: é o início da percepção para 50 por cento
elétrica no corpo humano das pessoas.
Sabe-se que o eíeito da corrente elétrica no corpo • Curva 3: é o início da percepção para 99,5 por cento
hu1nano din1inui con1 o aumento da freqüência. A ten- das pessoas.
dência das correntes de alta freqüência é passar pela • Curva 4: é a corrente de largar para 99,5 por cento
parte superficial do corpo humano e agir apenas na pele, das pessoas.
sem afetar os órgãos vitais. Esse fenômeno é conhecido
• Curva 5: é a corrente de largar para 50 por cento das
como efeito pelicular ou efeito Skin. As curvas da Figura
pessoas.
3.5 n,ostram os valores da corrente elétrica ele choque
senoidal versus freqüência, para as rnesmas condições • Curva 6: é a corrente de não larg,,r para 99,5 por
de contrações musculares. cento das pessoas.

I Tabela 3.1 • Valants da fator de carrente do co~õoI F} f!!!rG diferentes traietos da corrente 1
Trajeto da corrente que pas.sa pelo corpo hun1ano F
Da ,não esquerda ao pé esquerdo. ao pé direito ou a a111bos os pés 1,0
Das mãos aos pés 1,0
Da 1niio esquerda à direita 0.4
Da mão direiia ao ])é esquerdo. ao pé direi10 ou a ambos os pés 0.8
Das cos.tas à nü1o direi1a 0,3
Da'> costas à rnão esquerda 0.7
Do peito à nlão direita 1,3
Do peito à n1ão esquerda 1,5
Mão esquerda, mão direita ou mãos e nádegas 0.7
SU$W ü

Capítulo 3 • Proteção contra choques elétricos - fundamentos 73

l (mA) 100 .'


....:..... ..
~
.'.' '.. ' .'
---
50 ' ' /

--- ~
'
V
' . ' ' ' ' .' '
'
'
'
'
6
20 ... < '
10 • ~ '
'

5 ' .
''
. .
' '' p '
''
'

'' ' '.


'
.' . ' .
'
' . '
'
~
/ V
2
'• . .. 1 /
' ..
/

'
' ...
.....____ 2 /
.'
'

'
1
-------- /
0.5

o 10 50 100 500 1.000 5.000 10.000 / (liz)

Figura 3.5 • Correnle elétrico vef'$(1.S freqüência poro o mesmo contrcçõo musOJlor

Note que há uma acentuada alteração MS valores da


corrente elétrica com variaÇclO ela freqliência para a mesn1a
condição de contração muscular.
As correntes de choque menores que as demarcadas
pela Curva 1 não 1>rovocam nenhuma percepção nas pes·
soas. Ch0<1ues com correntes elétricas maiores que a
limitada pela Curva 3 já podem ser constatadas. P<1ra cho~
ques com correntes menores que as da Curva 4, as con-
trações estão dentro dos limites do comando da vontade
da pessoa. A pessoa ficará presa se o choque for maior --- .. 1..I-
que o da Curva 6. 1 1
Observe que as freqüências de 50 ou 60 Hz não são 1
favoráveis ao ser hun1ano, com respeito à contração 27. L.,-: Z.
_l_ •
muscular, devido à corrente de choque elétrico.
-T-
As condições de correnie de não /,,rgar em CC e na ---J
freqüência ele 1O kHz em CA são as mesmas.

Impedância do corpo humano


O corpo humano é um conjunto heterogêneo de
líquidos e tecidos orgânícos de resistividade variável
cujos valores n1aiores são encontrados na pele, no tecido
ósseo e no tecido adiposo. Do ponto de vista elétrico,
pa<le·se representar o corpo humano como um conjunto
ele resistores e capacitares, como mostra a Figura 3 .6. A
corrente reparte-se no "nó" de entrada e converge no de Figuro 3,6 • Impedância do corpo humano
saída. Para alguns valores, há resistência do corpo huma-
no em função cio trajeto da corrente de choque elétrico. A resistência (ou a impedância) do corpo não é cons-
O Quadro 3.1 apresenta esses valores. tante, pois varia de pessoa para pessoa e também na

Quadro 3.1 • Valores médios da resistência do corpo humano em fun~ão do trajeto da corrente
• Mão/pé: 1.000 a 1.500 fi • Mão/mão: 1.000 a 1.500 a • Mão/tórax: 450 a 700 fi
SU$W li

74 lnslolações elétricas

mesma pessoa, de acordo com as condições fisiológicas A publicação IECITS 60479· 1 define uma série de
e ambientais. As principais variáveis que influem no valor impedâncias para o corpo humano e apresenta o •mode-
da resistência elétrica do corpo humano são: lo elétrico• que está reproduzido na Figura 3.6.
• Estado da pele: a maior resistência do corpo está na
Impedâncias interna, da pele e total do
pele, nos pontos de entrada e saída da corrente. A umi-
dade diminui a resistência da pele, e o suor (solução
corpo humano
condutora de cloreto de sódio e de outros sais) agrava A impedância intema do corpo humano (Z 1) é a
ainda mais a situação. O contato da pele com um con- impedância entre dois eletrodos em contato com duas
dutor energizado em um ponto em c1ue há um corte ou partes cio corpo, após a remoção da pele sob os eletro-
uma ferida din1inui a resistência à corrente. Ao contrá- dos. Pode ser considerada puramente resistiva, unia vez
rio, se na zona de contato a pele está endurecida, por que seu valor depende do trajeto da corrente e, em
exemplo, com calos, o aumento de espessura da pele menor intensidade, da superfície de contato.
contribui para aumentar a resistência, íavorecendo a A impedânci,1 da pele (Z") é a impedância entre um
segurança. eletrodo sobre a pele e os tecidos condutores subjacen-
tes. Pode ser considerada um circuito equivalente de
• Local do cont,1to: a resistência do corpo hun1ano
depende, logicamente, do trajeto ela corrente, que, resistência e capacitância em paralelo, e sua estrutura é
por sua vez, é determinado pelas partes do corpo constituída por uma camada semicondutora e por peque-
nos elementos condutores (poros). Seu valor decresce
nas quais é aplicada a tensão elétrica, por exemplo,
rapidamente com o aumento ela corrente elétrica. De
mão/mão, mão direita/pé esquerdo etc.
modo geral, pode-se dizer que a ímpedância da pele
• Área de contato: o aumento ela área de contato com depende da tensão, da freqüência, da dtoração da passa-
a parte sob tensão clirninui a resistência cio corpo. gem ela corrente, do estado de umidade da pele e da
Ampla superfície de contato torna a pessoa muito temperatura.
vulnerável. É o que pode ocorrer, por exemplo, com A ímpedâncía total do corpo huma,10 (Z,) é definida
pessoas trabalhando no interior de uma caldeira ou como a soma das impedâncias internas e da pele, de acor·
de uma tubulação (condição BC4). do com o modelo apresent,,do na Figura 3.6.
• Pressão de contato: quanto maior a pressão de con-
tato, menor a resistência elétrica da pele. É o caso Tensão de contato
das ferran1entas portáteis, seguras firmemente pelo Para dado percurso de choque elétrico pelo corpo
operador durante o uso. humano, o perigo depende do valor da corrente elétrica e
• Dvr,,ção do contato: ao prolongar o tempo de con- do tempo que ela persiste. As zonas de efeito tempo-cor-
tato, a resistência diniinui. No entanto, se a quanti- rente perniitetn avaliar as conseqüências causadas a unia
dade de calor desenvolvida chegar a queimar a pele, pessoa pela circulação de dada corrente, durante certo
a resistência elétrica ela pele atingirá valores muito período e para deterniinado trajeto. No entanto, essas
baixos. zonas não são convenientes para aplicação ao projeto ele
• Natureza ela corrente: os valores da resistência do instalações elétricas. Em geral, é mais útil ao projetista que
corpo humano medidos em corrente contínua e nas as prescrições prátícas de segurança sejam especificadas
freqüências de 50 a 60 Hz são quase os mesmos. Em em termos de tensão elétrica. Por isso é importante definir
freqüências elevadas, a resistência, mais precisa· o que é "tensão de contato".
1nente a inipedância, aumenta bastante, devido ao Nas Seções 3.2 e 3.3 são definidas e analisadas a "ten-
efeito pelicular. são de contato-limite" e a •tensão ele contato". Tensão de
• Ta.xa de álcool no sansue: verifica-se que uma eleva- cont,ito é definida como a tensão que pode aparecer aci·
da taxa de álcool no sangue diminui a resistência dental mente, por ocasião ele uma falha ele isolamento entre
elétrica do corpo. duas partes ao mesmo tempo acessíveis.
O critério para estabelecer a proteção contra cho-
• Tens,lo elétrica do choque: a resistência do corpo
ques elétricos é o do limite admissível da tens.10 de con-
diminui com o aumento da ten.são elétrica de choque,
tato, isto é, o produto ela corrente que passa pelo corpo
ocorrendo as maiores variações nos níveis mais baixos humano por sua impedância total em função do tempo.
de tensão. Tensões elevadas provocam queimaduras e A relação entre a tensão e a corrente elétrica não é
danificam a pele.
linear, uma vez que a impedância do corpo humano
Além cressas variáveis, é muito importante observar que varia co1n a tensão de contato.
a resistência elétrica está intimamente ligada à atividade A publicação IEC/TS 60479-1 apresenta uma tabela
biológica do corpo humano e que varia, por exemplo, com dos valores da impedância lotai do co~>o humano em
a excitação, a concentraÇ<io mental, o cansaço físico e a função da tensão de contato (Tabela 3.2). Os valores de
doença. Z, nela indicados são válidos para os seres vivos, con-
SU$W li

Capírulo 3 • Proteção contra choques elétrícos - fundamentos 75

(]a bela 3,2 • lm~ &ncia total do,c- humano (Z,) e m~ ão da tensão de contato 1

Valores da imped.ância total (!l) do corpo humano que n.ão são ultrapassados por
Tensüo de contato (V) 5% 50% 95 %
da população
25 1.750 3.250 6.100
50 1.450 2.625 4.375
75 1.250 2.200 3.500
100 1.200 1.875 3.200
125 1.125 1.625 2.875
220 1.000 1.350 2.125
700 750 1. 100 1.550
1.000 700 1.050 1.500
Valor assint61ico 650 750 850

síderando um trajeto da corrente elétrica de mão a mão operário que toca na carcaça acidentalmente energizada
ou de mão a pé, superfícíes de contato de tamanho razoá· de un, n,otor elétrico, e, ainda, para un1a dona de casa
vel (de 50 a 100 cm2), condições secas e correntes alter- que encosta a mão na caixa metálica de uma máquina
nadas. de lavar roupa ou de uma geladeira, colocada sob tensão
P.lra tensões de contato alé 50V, os valores medid05 em por uma falha na isolação.
superiícíes de contato molhadas com água normal são de ( n,uito importante observar que, para uma pessoa,
75 por cenlo a 90 por cento dos valores indicados; com o perigo não está sin1plesnleote en, tocar un, elen1ento
soluções condutoras, a impedância diminui consideravel- energizado, seja uma 1>arte viva (cor>t.110 direto) seja
mente, chegando à metade dos valores medidosem condi· un1a massa sob tensão (contato indireto), e sim en1 tocar
ções sec.1s. Para tensões superíores a 150 V, a impedância simultaneamente outro elen,ento que possui um poten-
depende pouco da umidade e da superfície de contato. cial diferente do primeiro, ou seja, o perigo é prove11ien-
Observando a Tabela 3.2, verifica-se que para uma te da diferença de potencial. Como regra, deve-se levar
tensão (de contato) aplicada de SO V a impedância total em consideração que as pessoas estão sempre em con-
do corpo humano em 95 por cento dos casos pode atin· tato com um elemento da edificação - por exen1plo, o
gira 4.375 n, enquanto em cinco por cento pode bai· piso ou a parede - com um potencial bem-definido, em
xar até cerca ele 1.450 n. Com 220 V a situação é bem geral o ela terra; nessa condição, qualquer contato com
mais desfavorável, uma vez que em 95 por cento dos outro elemento que esteja em um potencial diferente
casos a impedãncía pode atingir 2.125 n, enquanto em pode ser perigoso.
cinco por cento pode reduzir para 1.000 n. Os contatos diretos, em sua maior parte, são devidos
a desconhecimento, negligência ou irnprudência das
pessoas, e por isso são ,nais raros. Os contatos incliretos,
3.2 Fundamentos da p roteção por sua vez, são mais freqüentes e imprevisíveis, e repre~
contra choques elétricos sentam maior perigo. A eles a norma ckí maior importân·
eia, como não poderia deixar de ser.
A exemplo de outras normas. a NBR 5410 dá grande
A NBR 5410:2004 introduziu os conceitos de "pro·
in1portãncia à proteção contra choques elétricos, o que
teção básica" e "'proteçflo supletiva", que corresponden1,
é plenamente justificável, tendo em vista a quantidade
de equipamentos elétricos utilizados pela população. respectivamente, aos conceitos de "proteção contra con·
tatos diretos• e de "proteção contra contatos indiretos",
Com eíeito, se nas instalações elétricas de qualquer
que eram utilizados nas versões anteriores da norma.
local não forem adotadas medidas •1>ropriadas de segu·
rança e proteção, serão altos os riscos de ferimentos ou
até mesmo de morte por eletrocussão. Princípio fundamental de proteção
contra choques elétricos
Contatos direto e indireto A NBR 5410:2004 indica que o princípio fundamen-
O perigo pode existir tanto para o eletricista que, por tal relativo à proteção contra choques elét.ric~ compreen-
acidente, toca em uma barra energizada de uma subos, de que as partes vivas perigosas não devem ser acessíveis,
tação ou ele um quadro de distribu ição, como para o a fi m de evitar o contato direto, e que as massas ou
SU$W li

76 lnslakições elétricos

partes condutoras acessíveis não devem oferecer peri· Regra da p roteção contra
go, a fim de evitar o contato indireto, seja em condições
choques elétricos
normais, seja em caso de alguma falha que as torne aci-
dentalmente vivas. A regra da proteção contra choques elétricos conti·
Bas~ida nesse princípio fundamental, a norma indi· da na NBR 54 1O (as partes vivas não devem ser acessí-
ca, então, que a proteção contra choques elétricos inclui veis e as massas acessíveis não devem oferecer perigo}
dois tipos de proteções: a básica e a supletiva. estabelece que seja assegurado, no mínimo, o provi-
mento conj unto de proteção básica e de proteção suple-
Proteção básica tiva, mediante combinação de meios independentes ou
mediante aplic.:,ção de uma medida capaz de prover am~
A proteção básica (contra contatos diretos), a ser bas as proteções, simultaneamente.
estudada na Seção 3.5, é garantida pela qualidade dos
componentes e da instalação e por determinadas dispo·
sições físicas dos componentes, que podem ser utiliza-
Proteções ativa e passiva
dos para: Os métodos prescritos pela NBR 541 Opara a proteção
contra choques elétricos podem ser divididos em dois
• Isolação das partes vivas. grupos: proteção passiva e proteção ativa.
• Barreiras ou invólucros de proteção. A proteçlio passiva consiste em limitar a corrente elé-
• Obstáculos. trica que pode atravessar o corpo humano ou em impe-
• Colocação fora do alcance das pessoas. dir o acesso de pessoas a partes vivas. São medidas que
• Dispositivos de proteção à corrente diferencial residual. não levam en1 conta a interrupção ele circuitos com íalta.
• Limitação de tensão. A prowç.fo ativ,, consiste na utilização de métodos e
dispositivos que proporcionam o seccionamento (abertu-
Proteção sup letiva ra) automático de um circuito, sempre que houver faltas
que possam trazer perigo para o operador ou usuário.
A proteção supletiva (contra contatos indiretos), a A Tabela 3.3 resume a classificação dos métodos de
ser abordada nos capítulos 7 e 8, é prevista por meio
proteção contra choques elétricos prescritos pela N BR
de medidas que incluem a adoção de eqüipotenciali- 541 O divididos em ativos e passivos.
zação e seccionamento auton1ático da alimentação, o
As medidas de proteção por seccionamento (abertu-
emprego de isolação suplementar e o uso de separação
ra) automático da alimentação não dependem da qua-
elétrica.
lidade da instalação. De acordo com essas medidas,
A proteção supletiva (contra contatos indiretos) pode
um dispositivo de proteção deve fazer o seccionamen-
ser omitida para:
to de um circuito quando ocorrer uma falta para terra,
• Suportes metálicos de isoladores de linhas aéreas e impedindo que essa situação resulte en1 perigo para as
partes metálicas associadas (por exemplo, ferragens), pessoas. Sua aplicação exige a coordenação entre o es-
se não estiverem dentro da zona de alcance normal quema de aterramento e as características dos dispositivos
das pessoas (ver Seção 3.5). de proteção, levando em consideração os seguintes
• Postes de concreto reforçados com aço em que o esquemas:
reforço não seja acessível. • Esquema TN.
• Massas que, por suas dimensões reduzidas (até 50 • Esqueman.
mm x 50 mm) ou por sua disposição, não possam • Esquema IT.
ser agarradas ou não possam estabelecer contato
significativo com parte do corpo humano, desde Influê ncias exter na s dete rminantes
que a ligação a um condutor de proteção seja difí-
Para a seleção das medidas de proteção contra cho-
cil ou pouco confiável (por exemplo, parafusos,
ques elétricos (por contato direto ou indireto), a N BR
pinos, placas de identificação e grampos de fixação
541 O recomenda que sejam especialmente observadas
de condutores).
as seguintes condições de influências externas:
• Tubos ou i,wólucros metálicos que protejam equipa-
mentos Classe li ou com isolação equivalente. • BA - competência das pessoas;
• BB - resistência elétrica do corpo humano;
As proteções básica e svple(iva combinadas (conYa • BC - contato das pessoas com o potencial da terra.
contatos dirmos e indiretos), a ser estudada no Capítulo 7,
têm como base o uso ele tensões extrabaixas e pode ser A Figura 3.7 indica os valores da resistência (impe-
realizada por: dância) do corpo humano, em função da tensão ele con-
tato, para correntes alternadas de até 100 Hz, conside-
• Tensão extrabaixa de segurança (SELV). rando pele seca (condição BB 1) e pele úmida (condição
• Tensão extrabaixa funcional (PELV). 682), respectivamente, zonas (1) e (2).
SU$ W ü

Capírulo 3 • Proteção contra choques elétricos - fundamentos 77

Tabela 3.3 • C:lassific ão elas métodos ele "==ca


ãc::o..;•c.:ontra choques elétricos
Proteção Tipo Pas.'iiva Ativa
Isolação das partes vívns Li,nitação de tensão
Medida de proteção co1npleta
Barreiras ou invólucros (SELV. PELV)
Obstáculos
Ilásica
(contatos diretos)
Medida de proteção parcial
Cotocaç,1o fora do alcance das pcsSO<IS
-
Dispositivos de 1>roteção à
Medida de proteçiio adicional - colTénte difercncial--residu:.ll
de alia sensibilidade
E<)Uipotencializaçilo
Isolação dupla ou reforçada Scccionan1en10 auton1ático
Supletiva
(contatos indiretos) - Scpar:,çào clé1rica
limitação de tensão (SELV,
PELV)
Locais não condutivos

Nas condições 881 e 882, considera-se o contato local considerado; em particular, o piso e as paredes são
entre as mãos ou entre uma mão e os pés. É o caso, por isolantes. Nessa situação podem, eventualmente, ser
exemplo, de uma pessoa com os pés no chão, que toca admitidos contatos diretos com um único condutor
com a mão um objeto sob tensão. Nas condições 003 (parte viva). Na condição ele contatos fracos (8C2), o
(pele molhada) e 884 (pele imersa em água), admite-se o piso e as paredes são isolantes, mas podem existir ele-
contato duplo entre as mãos e os pés; por exemplo, uma mentos condutores em pequena quantidade ou de
pessoa com os pés molhados que toca com as mãos, tam· pequenas dimensões, que gera(mente não são tocados
bém molhadas, um objeto energizado (883) ou que toma por pessoas ou, então, as pessoas que os tocam não
um banho de imersão (884). estão en, contato simultâneo con1 n1assas de equipa·
Nas condições de contato nulo com o potencial da mentas elétricos. Os locais BC1 e BC2 são chamados
terra (BCI), não existe qualquer elemento condutor no locais não condutores; é o caso de salas, quartos e escri-

s~-.-~"T""~~-.-~~---,.--~~..-~~-.

Z(kfl)
41--~-',!--~--!l--~--!~~--4~~-l

O 25 50 100 200 250 300 400 500


U(V)
Legenda:
(D Condições BB I
(%) Condições BB2
@ Valores considcrJdos pela IEC 60479- 1

Figura 3.7 • Impedância do corpo humano em função da lensõo de conlolo (CA com olé 100 Hz)
SU$W li

78 lnslakições elétricas

·tórios, como, por exernplo, pisos de madeira e paredes A NBR 541O estabelece os seguintes valores para a tensão
de alvenaria. de contato-limite (Tabela 3.5): SOV na Situação 1, 2SV na
A condição ele contatos freqüentes (BC3) corresponde Situação 2 e 12 V na Situação 3, levando em considera-
ao caso em que o piso e as paredes são condutores e/ou ção tensões alternadas de 15 a 1.000 Hz e, respectiva-
onde o local comporta elementos condutores <1ue podem mente, 120, 60 V e 30 V, para tensões contínuas sem
ser tocados simultaneanlente com massas de equipamen .. ondulação. Uma tensão contínua sem ondulação é defi·
tos elétricos. Por exemplo, é o caso de cozinhas, banhei- nida como a que apresenta uma faixa de ondulação não
ros, locais externos e locais industriais em geral. superior a 10% em valor eficaz; o valor de crista máxi-
A condição de contatos contínuos (BC4) corresponde a mo não deve ultrapassar 140 V para um sistema em cor-
locais estreitos e condutores, em que a falta de liberdade rente contínua sem ondulação com 120 V nominais, ou
de movimentos impede que as pessoas escapem facilmen- 70 V para un1 sistema em corrente contínua sen1 ondula-
te do perigo. ~ o caso de caldeiras, tubulações e outros ção com 60 V nominais.
recintos metálicos cujas dimensões sejam tais que as pes-
soas que penetrem nesses recintos estejam continuamente
em contato com as paredes. 3 .3 Aterramento e
eqüipotencialização
Situações 1, 2 e 3 Conforme a NBR 541 O, o aterramente e a eqüipoten·
A NBR 541 0:2004, no Anexo C, define três "situa- cialização xio fundamentais para a garantia do funciona-
ções', função das influências externas BB e BC. Quando mento adequado dos sistemas de proteção contra cho-
existem as duas influências sin, ultaneamente, a situa- ques elétricos.
ção a ser levada em conta é a mais grave considerada Para entender a diferença entre aterramente e e.:1üi·
individualmente. potencialização, vejamos as definições a seguir:
• Situação I: corresponde às condições 881, 882, • Aterran,ento: ligação elétrica intencional e de baixa
BC1, 8C2, 8C3; é a mais encontrada nos locais resi- impedância com a terra (solo).
denciais (por exemplo, em quartos. salas, cozinhas e • Ugação ec,üipotencial: ligação elétrica que coloca
corredores), comerciais (por exemplo, em lojas e massas e elementos condutores praticamente no
escritórios) e industriais (é o caso de depósitos e da mesmo potencial.
maior parte dos locais de produção).
• Situação 2: corresponde às condições 883 e 8C4; é Assim, o conceito de NaterramentoN envolve necessa-
encontrada en1 áreas externas (c.omo e1n jardins e en, rian1ente algun1 tipo ele contato das n1assas e elen1entos
feiras), canteiros de obras, estabelecimentos pecuá· condutores com o solo, visando levar todos os componen-
rios, ca,npings, n1arinas, trailers, compartin1entos tes do sistema de aterramente a ficar no potencial mais
condutivos, edificação, volume 1 de banheiros e pis- próximo possível cio solo. Por sua vez, o conceito de
cinas, dependências interiores molhadas e,n uso nor- lfeqüipotencializaçãoN não envolve diretan1ente o solo,
mal, entre outras. mas está relacionado ao objetivo de colocarmos todas as
• Situ,1ção 3: corresponde à condição 884; é encon- massas e elementos condutores no mesmo potencial entre
trada princi1>almente no volume O de banheiros e si, independentemente de qual seja esse potencial em
piscinas. relaç.cio ao solo.

A Tabela 3.4 indica as situações t, 2 e 3 descritas.


Fundamentos sobre aterramento
Tensão de contato-limite Solo
Pode-se definir tensão ele contato·limite como o valor A terra, isto é, o solo pode ser considerado um conclu·
mais alto da tensão de contato que pode se manifestar, tor por meio do qual a corrente elétrica pode fluir, disper-
no caso de ocorrer falta de impedância desprezível. sando-se. A Tabela 3.6 apresenta as resistividades típicas

Tabela 3A • Situa~s 1, 2 e 3 1
Condição de influência externa Situação
88 1. 882
BCI. B<.'2. BC3
BB3 2
BC4 2
884 3
SU$ W ü

Capítulo 3 • Proteção contra choques elétrícos - fundamentos 79

Tabela 3,5 • Vai-da tensão de contaio-limite U (~


Nature1..a da corrente Sítuação t Sítuação 2 Sítuação 3
Alternada, 15 Hz - 1.000 Hz 50 25 12
Co11rínua sem ondulaç-ão 120 60 30

de ali;uns tipos de solos. Observe que são considerados Pode·se falar tan1bém no aterramento de trab,1/ho
"'bons condutores" solos co1n resistividades entre 50 e (temporárío) cujo objetivo é permitir ações seguras de
100 nn, (apenas como comparação, a resístivídade do manutenção em 1>artes da instalação normalmente sol>
cobre é de 17 X 10- 1 !!m). tensão, 1>ostas fora de serviço para esse fim. Trata-se de um
aterran1ento provisório.
Aterramento
Arerramento é a lígação intencíonal da carcaça de Eletrodos de aterramento
um equípamento elétríco com a terra, que pode ser rea- O eletrodo de aterramento é o condutor ou o conjun·
I izada utilízando apenas os condutores elétricos neces- to de condutores enterrado(s) no solo, íntímamente liga-
sários - é o aterramento direto - ou por meio cfa inser· clo(s) à terra para fazer um aterramento. O termo se apli-
ção (íntencíonal) de um resístor ou reator, íntroduzindo ca tanto a uma simples haste enterrada como a várías
uma impedância no caminho da corrente à terra (ater- hastes enterradas e interligadas, e a diversos outros tipos
ramento indireto). de condutores em dive~as configurações.
Nas ínstalações elétrícas são considerados doís típos
ele aterramento: 0s solos. geralmente, são constituídos por n1is1uras de
materiais isolantes (silicatos e óxidos) con1 sais nlinerais
• Aterr<11nen10 funcional: co,,siste na ligação à terra de
ionizáveis, água~ por vezes, carbono. como resíduo da
um dos condutores do sistema, geralmente o neutro,
decomposição de vegetais. Neles, a condução de corren·
e está relacionado ao íuncionamento correto, seguro tes elétricas se dá pela ionizaç.ão dos sais.
e confiável da instalação. A resístivídade do solo depende. logicamen1e. de sua
• Aterramento de proteção: consiste na ligação à terra composição, sendo mui10 influenciada pela temperatura
das massas e dos elementos condutores estranhos à e pela um\dade.
instalação, que visa à proteção contra choques elétrí· Os sol.os que apresen1an1 resistividade rnais baixa são çs
cos por contato indireto. que contê1n resíduos vegetais, os pantanosos e os situa-
dos no fundo de vales e nas n1argens de rios. Os de 1naior
De acordo com determinadas condições, pode-se ter, resistividade são os arenosos, os rochosos e os situados
em urna instalaÇ<io, um alerran1enlo (combinado) func-io· en1 locais altos e desprovidos de vegetação.
na/ e de proteção.

Tabela 3.6 • Valores riplcos de resistividade de solos


Natureza do solo Resístívidade (!l · m)
Solos alagadíçosfpamanosos 5 a 30
Lodo 20 a 100
l·lúrnus IOa 150
Argila plás1ica 50
Margas e argilas co,npactas 100a200
Areia argilosa 50 a 500
Are-ia silicosa 200a 3.000
Solo pedregoso nu 1.500 a 3.000
Solo pedregoso con1 relva 300a 500
Calc.áreos 111oles 100 a 400
ôilcáreos compac1os 1.000 a 5.000
Calcáreos fissurados SOO a 1.000
Xisto 50a 300
Micaxisto 800
Granito/arenito 100 a 10.000
SU$W li

80 lnslalações elétricas

Resistência de aterramenta da eletrodo


Um eletrodo ele aterramento constituído por uma
haste, ao ser percorrido por un,a corrente /, assumirá um
potencial V,. em relação a um ponto distante de poten-
cial zero. Define·se resistência de (1terran1ento (R,, ) do U,111
eletrodo como a relação

R,, = I
u,. (3.3)

Os pontos do solo 1>róximos à haste indicam poten·


ciais intermediários entre u.,
e zero; ou seja, o potencial
do solo diminui ao afastar-se da haste até quase se anular
em um ponto "'suficientemente distanteJt, con10 mostra a
Figura 3.6.
'
Resistência de aterramento do conjunto
eletrodo-solo
Um condutor elétrico "tradicional" apresenta uma
resistência dada por R =p li S, onde p é a resistividade,
I é o con1primento percorrido peta corrente e S, a seção
"atravessada" pela corrente. No caso do conjunto eletro·
do-solo, o cálculo da resistência é mais complicado.
Para simplificar, considere que a corrente saia da Figura 3. 9 • Hipótese simplificadora para o deliniçõo do
haste perpendicularmente à sua superficie e que se re$i$1énc io de oterromento do conjunto
difunda horiz<>ntaln,ente no solo, como indica a Figura elelroclo-solo
3. 9'. A corrente atravessará superfícies eqüipotenciais
Considerando p constante, isto é, solo homogêneo,
cilíndricas cada ve2 maiores à n1edida que aumentar a a resistência de •cascas• iguais ele solo (espessura d
distância à haste. A resistência que o solo, compreendi·
constante) será, 1>ara dado eletrodo, função apenas da
do entre duas su1>erfícies cilíndricas A e /3, ofere<:e à distância r. A resistência da primeira "'~1sca"' é muito ele-
passagem da corrente é dada por vada, a da segunda, unl pouco n1enor, a da terceira,
d ,nenor ainda e assin1 por diante. A resistência de aterra-
R -;,, p - (3 .4)
mento cio eletrodo será a soma das resistências das diver·
21rrl
sas • cascas• do solo. A distribuição dos potenciais ao
onde pé a resistividade do solo, ti é a distância entre as longo do solo corresponderá à clistribuiç.io das resistên·
superfícies A e 8, ré o raio da superfície cilíndrica inter· cias elementares. A queda de tensão na primeira será
mediária e I é o comprimento da haste (cilíndrica). maior que na segunda, a qual, por sua vez, será maior
que na terceira, e assim por diante, até praticamente se
anular nas Ncascas. . suíicientemente distantes do eletro-
do. A chamada zona de dispersão cio eletrodo é a zona
Vr dentro da qual o solo dispersa totalmente a corrente e
fora da qual a tensão é zero, como indica a Figura 3.10.
Caso haja um condutor elétrico de seção variável,
Solo 1Crrn de com seções crescentes, de un1a seçcio inicial, a resistên·
referência
t' eia cios diversos trechos do condutor é de<:rescente e
tende a anular-se para seções infinitamente grandes. Se o
perfil do condutor for de maneira que a resistência de
cada um ele seus trechos corresponda a uma das resistên·
Figura 3.8 • Variação das tensões geradas na sola pelo cias elementares (isto é, das "cascas" de solo) de dado
passagem ele corrente em um eletrodo de eletrodo de aterramento, a resistência total do condutor
oterromento
será equivalente à do eletrodo. Segundo a lei que varia a
seção, o perfil do condutor dei>ende cio tipo de eletrodo
1. Na rcalitfade. a hipótese da dispe,.são s6 é v.ilid., 1>ar:i a zona
J><óxinm da hasac. Oen1onsua,se que, a unu1 distiincia sulici<:n1c e da resistividade do solo, un1a vez que a seção inicial
do elelcodo, as superHc::it.>s e<.JÜÍ!X>lenciais silo SEmlJ:lfe hemisíé,i- equivale à seção externa cio eletrodo cio qual flui a cor·
cas, par;1 c1ualqucr fot1n,1 de clctfOc.lo. rente. A Figura 3 .11 mostra o condutor equivalente.
SU$W ü

Capirulo 3 • Proteção contra choques elétricos - fundamentos 81

20V

u• 43 V
7V

4V
3V
~ 2.25 V
1.8 V 1.5 V
t,3 V
, 1.15 V
o 1 2 4 5 6 7 8 9 10 - IV

40 t.40 o.so 0.60 0.45f 0.36í o.:io 0.26í 0.23f 0.20


1 = 5A
Rr• 8,6!1
V

Figura 3. 1O • Resistência de oterromento e variação da tensão

Figura 3. 11 • Condulor elétrico equivolenle de seção variável

Eletrodos de aterramento independentes flui entre eles. Tudo se passa como se a corrente, em vez
de ircula r no solo, percorresse um condutor equiv.ile nte
Sejam E, e E, dois eletrodos (no c.,so, hastes) sufi- formado pela justaposição dos conduto res equivalentes
cientemente distantes um do outro e I a corrente que dos ele trodos E, e E,, como mostra a Figura 3.12.
SU$W li

82 lnslalações elétricos

M N

I
- --

M N

Figura 3.12 • Corrente circvlonclo entre dois eletrodos independentes

No trecho MN, a seção do condutor é tão grande que Observe que a tensão de passo diminui à medida que
a resistência se anula e, con1 ela, a tensão necessária a pessoa se afasta do aterramento. A tensão de passo será
para fazer circular a corrente no trecho. É o que ocorre máxima quando um pé estiver junto ela haste de terra e
no solo: a uma distância suficientemente grande do ele-- o outro, afastado unl n1etro.
trodo, a seção do terreno por onde circula a corrente é A tensão de falta (U,}- ou "tensão total para terra•
tão grande que a resistência é praticamente nula (a ten- - é a tensão que aparece, entre uma massa e unia
são tende a zero para pontos muito distantes do eletro- haste de aterran1ento ele referência, quando ocorre
do). A resistência que o solo oferece entre os eletrodos uma falha de isolamento.
E, e E,, sendo o trecho MN de resistência nula (seção A tensão de co111ato (U8) é a tensão que pode aparecer
infinita), é independente da distância entre eles; ou seja, acidentalmente entre duas partes ao mesmo tempo acessí-
tat1to faz os eletrodos estarem a 50 m ou a 50 km que a ,,eis, quando há uma falha de isolamento. A Figura 3.1 4
resistência ent.re eles não muda, uma vez que sueis res· iloslra esses dois conceitos; nela, R é a resistência entre o
pectivas zonas de dispersão n,10 se tocam. Os eletrodos elemento condutor e a terra, por meio da qual se tem a ten-
E, e Ez são eletrodos de aterramento independentes. são U"' e R., a resistência de aterramento das massas
(resistência do eletrodo de aterramento ele referêl1cia). Pelo
Tensões de passo, de falta e de contato circuito da Figura 3.14, tem-se:
A corrente que entra no sistema de aterramento !ie dis·
persa no solo, gerando tensões elétricas. Essas tensões, se u,, = U11 + U11 (3 .5)
aplicadas ao ser humano, provocam choques elétricos e
De acordo com a Expressão 3.5, a tensão de conta·
podem causar a fibrilação ventricular do coração.
A tensiío de passo (U,J é definida como parte da tensão to<V.> é, em geral, inferior à tensão de falta (U,). Se o
de um sistema de aterran1ento à qual pode ser submetida elemento condutor estiver no 1>otencial da terra, onde
uma pessoa com os pés separados pela distância equiva- N = O e U • = O, então U r, = U11 • No Capítulo 8, as
lente a um passo (geralmente igual a um metro). A tensão prescrições da NBR 541 O levam em consideração a ten-
de passo, indicada na Figura 3.1 3, depende da posição do são de falta, e não a tensão ele contato, pois está a favor
passo da pessoa no solo em relação à haste de aterramento. da segurança .
SU$W ü

Capírulo 3 • Proteção contra choques elétricos - fundamentos 83

u,, [
----- .... --
1

1 1
1 1

'k'
1 1

-
1 1
1 1
1
solo I
I lll

haste

Figura 3. 13 • Tensão de posso U,

Observe que, no caso de uma ligaç,10 eqüipotencial Eletrodos de aterramento


entre a massa e o elemento condutor, tem.seu,. = e u. De acordo com a Seção "fundamentos sobre ater-
a tensão de contato será nula.
ramento", o termo eletroclo de c1terra,nento aplic.a-se a
um ou mais "'condutores"' enterrados no solo, ou seja,
o eletrodo de terra pode ser constituído por um ou
nla is elementos.

Tipos de eletrodos de aterramento


Conforme a NBR 541 O, toda edificação eleve dispor ele
urna infra-estrutura de aterr«-rmento, denominada eletrodo
de a1erramenco, sendo admitidas as seguintes opções:
(O) • Preferencialmente, elevem ser usadas as próprias
armaduras cio concreto das fundações.
• Usar fitas, barras ou cabos metálicos, especialmente
previstos, imersos ,,o concreto das fundações.
• Utilizar n1alhas n1etálicas enterradas, no nível das fun-
dações, cobrindo a área da edificação e, quando
necessário, complementadas por hastes verticais e/ou
cabos dispostos radialmente.
• Usar anel metálico enterrado, circundando o perfmetro
cl.l edificação e, quando necessário, complementado
R !u,, por hastes verticais e/ou cabos dispostos radialmente.
A infra-estrutura de aterramento deve ser acessível,
(b) no mínimo, junto de cada ponto de entrada e de saída de
condutores e utilidades da edificação e em out<os pon-
Figura 3.1 4 • Tensão de contato (U,l e tensõo de falto (U1) tos que forem necessários à eqüipotencialização.
SU$ W li

84 lnslalações elétricas

Materia is dos eletrodos de aterramento blocos de fundação e vigas baldrames), pode-se conside-
Os materiais dos eletrodos de aterramento e as rar que as interligações naturalmente existentes entre
dimensões desses materiais devem ser selecionados de esses elementos são suficientes para se obter um eletrodo
modo a resistir à corrosão e a apresentar resistência de aterramento com características elétricas adequadas,
n1ecânica adequada. sendo dispensável qualquer medida adicional.
A Tabela 3.7 mostra os materiais e as características Uma característica importante desse tipo ele eletrodo é
dos eletrodos mais comumente utilizáveis em eletrodos que a corrosão dos elementos metálicos da armadura é pra-
de aterramento. ticamente inexistente, em conseqüência de sua imersão no
É importante observar que as canalizações metáli- concreto. Além disso, geralmente a resistência elétrica total
cas de forn.ecin1ento cre água e outros serviços não são desse eletrodo (armadura metálica + concreto) resulta
admitidos como eletrodos de aterramento, tendo em extrema1nente baixa, principalmente 1.>0r causa da natureza
vista o uso muito difundido de componentes isolantes altamente higroscópica (absorção de umidade) do concreto.
nessas canaliwções. No segundo caso, mais usual em edificaçê<.,s de menor
Também se deve notar que, quando forem utiliw- porte, a infra-estrutura de aterramento pode ser consútuí·
dos diferentes metais na infra-estrutura de aterramento, da por fita, barra ou cabo de aço galvanizado imerso no
devem ser tomadas precauções contra os efeitos da cor· concreto das fundações, formando, no mínimo, um anel
rosão eletrolítica. em todo o perímetro da edificação. Nessa situação, a fita,
a barra ou o cabo devem ser envolvidos por uma camada
Eletrodo de aterramento nas fundações de concreto de, no mínimo, 5 cm de espessura, a uma
Há duas formas básicas de realizar o eletrodo de ater- profundidade ele, no n1ínin,o, 0,5 n,, sendo suas seções
ramento pelo uso das fundações de uma ediíicação: os mínin1as aquelas indicadas na Tabela 3.7.
elen,entos metálicos são constituídos pelas próprias arnla- Os condutores de aterramento, que ligam o eletrodo
duras ernbutidas no concreto ou insere·,n-se no concreto (composto 1>0r fita ou cabo de aço) aos condutores de
os elementos metálicos diferentes daqueles da armadura. proteção d:is massas, devem ser constituídos de verga·
No primeiro caso, mais comum em edificações de lhões redondos lisos para concreto de, pelo menos,
nlaior porte, nas quais a infra-estrutura de aterramento é 50 mm' de seção, imersos no concreto durante a cons-
constituída pelas próf)fias armaduras embutidas no con· trução da edificação, e ser soldados às fitas ou aos cabos
creto das fundações (armaduras de aço das estacas, dos que constituem o eletrodo.

Tabela 3.7 • Eletrodos de aterramento mais comumente utt1izáwis, de acordo com a NBR 541 O
Dimensõts n1íninlaS
Material Superfície For1na Espessura média
Diâmetro Seção Espessura do
do re\•estil_
nento
mm mm• n1aterial em mm
µm
Fitn1 100 3 70
Zincndn a Perfil 120 3 70
quente• ou Haste de seção circular' 15 70
inoxidável' Câbo de seção circular 95 50
Aço Tubo 25 2 55
Capa de cobre Haste de seção circular' 15 2.000
Revesiida de
cobre po,· Haste de seção circular' 15 254
c lctrodcposição
f ita 50 2
Cabo de seçílo circular 50
Nu'
Cobre Cordoa lha 1,8 (cada veia) 50
Tubo 20 2
Zincada Fita1 50 2 40
No1ns...
1. Pode ser u1iU1.ado paro embutir no conc:~10.
2. Fita oom can1os arredondadolt
3. Par.t elt 1rodo 00 profundidade.
SU$W li

Capírulo 3 • Proteção contra choques elétrícos - fundamentos 85

Deve-se ligar ao conjunto eletrodo-condutores de como mostrado pela Expressão 3 .6. Em geral, não são
proteção os elementos con(futores da construção, tanto usadas hastes com diân1etro superior a 25 n1m.
os elementos metálicos quanto as arn,ações de concreto, Muito iníluente na resistência de atermmento é a pro-
no maior número de pontos possível. Além disso, é fundidade da haste (distância de sua extremidade infe-
aconselhável evitar ligar ao sistema eqüipotencial, assim rior à superfície). De fato, observa-se facilmente que, se
constituído, armaduras ativas de pretensão e suas capas a haste for enterrada a uma grande profundidade a área
eventuais. de dispersão da corrente elétrica, será n1aior e conse·
Nessa configuração, do ponto de vista de obtenção de qüentemente ter.-\ uma resistência elétrica menor.
uma eqüipotencialização ideal, além do anel envolvendo A haste encravada verticalmente no solo apresenta
todo o perín1etro da edificação, seria recomencL:ível a bons resultados para as correntes de curto-círcuito na
existência de uma malha interna a esse anel com dimen· freqüência industrial e para surtos de corrente prove-
sões máximas em torno de 20 m X 20 m. nientes dos surtos de tensões induzidas ou das descargas
atmosférícas diretas. No caso de hastes profundas, os
Eletrodo de oterramento constituído curtos-circuitos e os surtos são dispersos profundamente
por hastes no solo, atenuando os perigos das tensões de passo e de
As l1as1es de aço com capa de cobre constituem o tipo toque na superfícíe do solo.
de e1etrodo mais sin,ples e mais comun,, e são utilizadas A ligação de hastes em paralelo reduz a resistência
maciçamente nos sisten1as de aterran1ento, sobretudo resi· do sistema de aterramento. Se as hastes 1>aralelas forem
denciais. cravadas próximas urnas das outras, haverá uma zona de
A Figura 3.15 mostra uma haste de aterramento de interferência que reduz a eíiciência do sistema de aterra-
comprimento I = AD e diâmetro d cravada em um solo mento (ver Fígura 3.1 6(b)). Se elas forem afastadas, a
homogêneo de resistívidade f>, com sua extremidade A zona de interferência diminuirá até atingir o ponto de
na superfície do solo. A resístência de aterramento teóri- interferência nula (ver Figura 3.18(a)).
ca R-r é dada pela Expressão 3 .6: Na prática.., utiliza.se muito o afastamento entre has-
tes ígual ou superior ao comprimento da haste. Todas as
Rr= 2:,1n [;:] (3.6) hastes deverão ser conectadas por um condutor de cobre
para formar o sistema de aterran1ento.
A Expressão 3.6 mostra que, quanto maior o compri-
mento da haste, menor a resistência de aterramento. No Expressões práticas da resistência
entanto, não é prático utilizar hastes muito longas, pois
de aterramento
não são tão simples de cravar no solo. As mais usadas
são as que medem 2,4 e 3 m. Os valores da resistência de aterran1ento podem ser cal-
A importância cio diân1etro da haste é bem 111enor, culaclos de maneira aproximada pelas seguintes expressões:
uma vez que a resistência depende do seu logaritmo, (a) Condutor enterrado horizontalmente no solo

2p
R1· = - (3.7)
I
onde p (ílm) é a resistívidade do solo e 1 (m) é o
comprimento que pode ser considerado igual:
• Ao próprio perímetro, em anéis de fundo de
escavação ao longo do perímetro da edificação
ou en, anéis enterrados a 0,5 n1 ao longo do
1>erimetro.
• Ao comprimento da vala, em valas horizontais.
(b) H,1s1e cravada verticalmenle no solo.
Uti lize a Expressão 3.6, onde I (m) é o compri-
mento da haste e d é o diâmetro em metros.
(c) Chapa emerrada verlicalmenle no solo

y (3.8)
B
Figura 3. 1S • Eletrodo con•tituiclo por uma ho•te cravado onde / (m) é o perímetro da placa.
verticolmente no $OIO
SU$W ü

86 lnslalações elétricas

..-- - - X- - -- ---- X- - --.

Solo l
li
li
I I Has.te
I \
I \
I \

/
I '
''
/
/
''
' , ........
---
/
,.,,..,,. /
(a) Eficiência 1ntixin1a
.... __ ---

+-- - - x - - -..
.-- -- X- -- -+

Solo 1I I'
I I
Hasre
\,\ I
,'~
\ I
X
/ '' Zonas de inlel'fcrência
_______ _ _,,..,,."'
/
/
' ',, ....
--- ---
....

(b) Eficiência reduzida

Figu ra 3.16 • Hastes em paralelo

(cl) Viga met,ilica basta (como muitos supõem) que não possuam elementos
,, 3/ (por exemplo, hastes e cabos) comuns. De fato, dois ele-
Rr = O 366 - log - (3.9) trodos próximos podem influenciar-se eletricamente, ou
' I cr
seja, é possível encontrar en1 un1 deles un1a tensão elétri·
onde I (m) é o comprimento da viga enterrada no ca imposta pela passagem de corrente no outro. Por exem-
solo e a(m) é o diâmetro cio círculo circunscrito à plo, considere que o eletrodo A ela Figura 3.17 dispersa no
seção transversal da viga. O eventual revestimen- solo uma corrente I e admite uma tens.'io de 300 V e o ele-
to com cimento que está enterrado no solo e que trodo 8 , um pouco distante, tem uma tensfo de 70 V,
se mantém úmido ajuda a diminuir o valor de R,.. nesse caso, A e 8 não são eletricamente independentes.
As diferentes correntes para as quais os aterran1entos
Eletrodos de aterramento são dimensionados podem ser o motivo de a indepen-
independentes dência não ser necessarian1ente recíproca. Assim, por
Pode-se definir eletrodos de awramento eletricamen- exemplo, se o eletrodo A dispersa uma corrente máxima
te independentes como eletrodos localizados a distân- de 1 .000 A e IJ apenas 1O A, dependendo do valor da
cias entre si, uma vez que, quando um deles é percorri· resistência cio aterr,1mento de A e 8, é provável que A
do pela corrente máxima para ele prevista, a variação do possa gerar em /J uma tensão perigosa, mas é difícil que
potencial dos demais não ultrapassa um valor específico o inverso ocorra. Nessas condições, A será independen-
(em geral, adota-se o valor ele 50 VJ. te de 8, mas 8 não será independente de A.
Na prática, pode-se dizer que, para que dois eletrodos Por sua vez, não se pode esquecer ela influência do
de aterramento sejam considerados independentes, não solo, como ilust.ra a Figura 3.18.
SU$W ü

Capírulo 3 • Proteção contra choques elétrícos - fundamentos 87

dente de um eletrodo vizinho, principalmente se esse não


estiver bem-dimensionado e/ou executado.
Apenas eletrodos •suficientemente" afastados podem
3-00V ser considerados independentes. Em geral, na prática,
considera-se suficiente a distância cinco vezes maior
que a das dimensões do maior sis1ema de aterran,ento
para garantir a índependência (ver a Figura 3.19).
1 1
I
1
IA :n Eís algumas observações práticas:
• Em edificações que abrigam a subestação, não é pos·
777777~777fr'ijl/J)ll/77/ll/7 sível coo.siderar independentes os aterramentos da
Solo subestação e das massas da instalação da edificação.
Aasle Por esse motivo, é recomendável a utilização do sis·
tema elétrico do tipo TN-S.
Figura 3 . 17 • No elelrodo 8, situado na área de inffuência • Quando uma ediíícação for alímentada por subesta·
do eletrodo A, oparece uma lensão devida ção externa, os aterramentos da subestação e das
à corrente que se dispersa por A
massas da instalação da edificação só poderão ser
Salienta-se que, se o eletrodo B é independente do considerados Independentes se a distância entre a
eletrodo A, não signifíca que A seja independente ele B. edificação e a subestação (or de no mínimo, 15 m, e
1

P.Jra veríficar a índependência entre os doís eletrodos, é se a ligação entre os dois for feita por linha aérea ou
necessário, inicialn1ente, fazer passar por um deles a cor- por linha subterrânea sem elementos metálicos e não
rente para a qual ele é dimensionado e medir a tensão no houver qualquer canalização metálica entre eles.
outro, que não deverá ultrapassar SOV; em seguida, deve·
se repetír o procedimento com o outro eletrodo. • Nos centros urbanos, em r.aZcio da pequena distância
É evidente que um eletrodo de aterramente, ainda ent<e edificações e da existência de diverSc1s canaliia·
que bem-dimensionado e executado, não poderá garantir ções metálícas no subsolo, é extremamente difícil ter
uma proteção adequada se não for eletricamente indepen· eletrodos de aterramente independentes.

I
A 8

(a)
Solo ,nau condu1or Solo bo,n condutor Solo excelente condutor
I
A

Figura 3. 18 • Devido o, corocieristico, do ,alo {nõo·homogêneo): {o) o corrente que ffvi do ele1rodo A dirige·,e, em suo
moior porte, ô áreo no quol está contido o eletrodo 8; (b) o correnle que Rui do elelrodo Botinge frocomen·
te o eletrodo A Nessas condições, A é indep<1nden1e de B, ma, B podo não ser indep<1ndenle de A
SU$W li

88 lnslalações elétricas

Caixa de inspeção
Haste

1.,;,; 51
(a)

l "Z:. 5d

(b)

Figura 3.19 • Distância mínimo de separação en1re sistemas de oterramento: {o) hostes iguais; (b) molhos (indicado o con·
torno dos molhas)

Com ponentes do aterra mento de Todos esses elementos devem ser escolhidos e instala·
dos de modo a resistir às solicitações térmicas, elétricas e
proteção e eqüipotencialização mecânicas, bem como às influências externas a que pos,
As medidas de proteção contra choques elétricos, san1 estar sujeitos.
de acordo com a NBR 541 O, obrigatórias em qualquer A resistência de aterra,nento deve ser medida entre
tipo ele edificação, baseiam-se na eqüipotencialidacle o barramento de eqüipotencialização principal e um
das massas e dos elementos condutores estranhos à ponto no solo distante. Para isso, deve ser previsto
instalação. um dispositivo, combinado ao barramento, que possibi-
Seu "coração" é o barramento de eqüipolencializa· lite desligar o condutor de aterramento. O valor medido
çào principal (BEP), geralmente uma barra, que realiza a inclui, portanto:
chamada ligação eqliipo1encial principal (ver figuras 3.20
• Resistência do condutor de aterramento, resistência
e 3.21 - cortesia de Celso L. Pereira Mendes):
do eletrodo de aterramento e resistências das cone-
• O condutor de a1erramento liga o barramento de
xões respectivas.
eqüipotencialização principal ao eletrodo de aterra-
1nento. • Resistência de contato entre o eletrodo e o meio cir-
cundante (solo).
• O(s) condutor(es) de eqüipo1encialidade principa/(is)
liga(m) ao barramento de eqüipotencialização princi· • Resistência do solo que circunda o eletrodo.
pai as canalizações n1etJlicas de água, gás e outras O primeiro componente tem, eni geral, pouca influên-
utilidades, as colunas ascendentes de sistemas de cia, uma vez que essa resistência 1xxle ser reduzida ainda
aquecimento central ou de ar-condicionado, os ele- mais com o aumento da seção do condutor de aterramen-
mentos metálicos da construção e outras estruturas to e do eletrodo de aterramento. Varia com o tempo devido
metálicas, os cabos de telecomunicação (com o con- à corrosão que pode ocorrer nas conexões, em função
sentimento da empresa operadora); quando qualquer
do meio em que elas se encontram. Utilizando uma solda
desses elementos se originar no exterior da edifica-
ou revestindo as conexões com material emborrachado,
ção, sua ligação ao terminal de aterramento principal
pode-se minimizar o efeito de corrosão.
deve ser feita o mais próximo do ponto en1 que
O segundo componente também pode ser considera-
entram na edificação.
do desprezível se o eletrodo e a terra que o envolve não
• Os condutores de descida de pára,raios devem ser contiveren, gorduras, óxidos, materiais orgânicos, tinta,
ligados diretamente aos eletrodos de aterramento. vernizes, pedras, entre outros.
• Os condutores de proreção principais s.,o os conduto- Pode também variar com o tempo, devido à oxidação
res de proteç.'ío que estão diretamente ligados ao bar- do eletrodo. A utilização de eletrodos cobreados minimi-
ramento de eqüipotencialização principal. za o efeito da corrosão.
SU$W ü

Capírulo 3 • Proteção contra choques elétricos - fundamentos 89

Condutor de projeção
principal Condu1orde
eqiiipo1c:ncialidi,dc
principnl

Ligação do neu1ro
(esquema TN) ~---1--+--1-~

Condutor de ~ 8arr~ul1cn10 de
:11errn1nento~ eqilipotencialização principal
(a)

Condutor de proteção
priocipal

Condutor de

Ligação do neutro
A } eqüipotcnci.,lid:.tdc
principal
(esquema Tii)
~ Barr::unen10 de
Condutor de
eqliipote1lch1lização pri11cipa1
:ue1Ta1ne1110

(b)

Condutor de proteção
Neu1ro ·rerr,t da antena
Tcrr.t da instafaç·ão telefônica Terra da tubulação de gás
- ·rcrra da tubulação de água e esgoto
1C-rr,1 da calefação e ar
condicion:l.do

Condutor de Ao eletrodo
:.uerr::unento de fundação
(e)

Figura 3.20 • Barramento de eqüípolencializoçõo principal

O terceiro con1ponente é o de maior importância. De aeotdo com a Seção •Fundamentos sol>re aterra·
Depende da geometria e das dimensões do eletrodo e da mento•, a resistência elétrica do solo é calculada pela
resistividade do solo, que varia com a temperatura e com soma das resistências das diversas •cascas• do solo. Inter·
a umidade. Em grande parte, esse componente define a postas entre superfícies eqüipotenciais espaçadas, essas
resistência de aterramento, ou seja, a corrente de curto- "cascas" apresentanl superfícies de passage,n de corrente
circuito é limitada por ele. cacfa vez maiores à medida que se afastam do eletrodo.
SU$W ü

90 lnslalações elétricas

Qf) de unidade Trata..se·de un1a definição bastante abrangente, na qual se


'\ inclue1n o condutor de aterramento, os condutores de
ílarr:11ncn10 de eqüipotencialidade. alén1 cios condutores que, na prática,
cqüipolcncioJiwç;io s;1o efetivamente chamaélos de ''condutores de proteção",
local representados pelá sigla PE (Protection Earth).
O condutor PEN (de PE + N) é o condutor aterrado
que combina as funções ele neutro e de condutor de pro-
teç.io, utilizado nos esquemas TN-C e TN·C·S (ver Seção
"'P& princi
"Expressões práticas da resistência de aterramento").
r 1 Ainda fazem parte do 'sistema• de proteção contra
"- llarra,ne,11ode
choques elétricos os condutores de eqüipotencialidade
cqüipo1c.1lcio.l i~.ação principal
(a) utilizados nas chan1adas ligiJções eqüipotencic1is, que são
apresentadas no Capítulo 8.

Esquemas de aterramento
QJ) de unidade
Barrnn1cn10 de
Os aterran1entos deven1 assegurar, de n1odo efic.az, as
necessidades de segurança e de funcionamento ele uma
' eqüipotencialização
local instalação elétrica, constituindo-se em um dos pontos
........_ PE principal éôn1un1 mais importantes de seu projeto e de sua montagem.

Aterramento de proteção
O aterramento de proteção consiste na ligação à terra
das massas e dos elementos condutores estranhos à insta·
( 1 lação. Possui como objetivos:
"' O.arran1<.:nlo de c<1iiípotenciali1.:tção
J>rincipal • Limitar o potencial entre n1assas, entre n1as.sas e ele--
n1entos condutores estranhos à instalação, e entre os
(b)
dois e a terra, a um valor seguro sob condições nor·
Figura 3.21 • Condutar de proteção principal mais e anormais de íunciona111ento.
Conseqüentemente, as "cascasN internas, mais próximas • Proporcionar às correntes de falta um caminho de
do eletrodo, são as que apresentam valores mais elevados retorno para lerra de baixa in11>ed5nci~ de modo
de resistência. que o dispositivo de proteção possa atuar adequada·
mente.
Quando o neutro do sistema de alimentação da ins·
talação é aterrado junt<1n1ente com as n1assas, sua liga ..
ção ao eletrodo de aterramento é feita pelo barramento
Aterramento funcional
de eqüipotencialização principal. É o caso dos esquemas O aterramento funcional - a ligaç.'ío à terra de um
TN (ver Seção "Expressões práticas ela resistência de dos condutores vivos do sistema (em geral, o neutro) -
aterramento,,), nos quais existe un1 aterramento combi· proporciona:
nado, ou seja, funcional e de proteção. • Definição e estabili zação da tensão da instalação em
Os condutores energizados cios circuitos terminais relação à terra durante o funcionamento.
devem ser acompanhados por condutores de proteção,
• Limitação de sobretensões devidas a manobras, des·
que visam a eqüipotencializar as massas dos equipa·
n1entos de utilização e originan1-se nos barran1entos de cargas atn1osféricas e contatos acidentais com linhas
de tensão mais elevada.
eqüipotencialização local dos quadros de distribuição
de onde partem os circuitos terminais. Sua ligação às mas- • Retorno ao s-iste1na elétrico da corrente de curto-cir-
sas é íeita diretamente ou pelo 1erminal terra das tomadas cuito monofásica ou bifásica à terra.
de energia elétrica. Quanto ao aterramento funcional, os sistemas podem
Segundo a N8R I.EC 60050 (826). condu1or de proteção ser classiíicados em:
(símbolo PE) é definido como o condutor que interliga
• Diretamente aterrados.
elerrican1eote n1a.')sas. elementos condutores estranhos :.\
instalação, os barr.unentos de eqUipotencializ.ação e/ou • Aterrados por n1eio de ín1pedãncia (resistor ou reator).
pontos de alimcntaç.'lo ligados à !erra. • Não aterrados.
SU$W li

Capírulo 3 • Proteção contra choques elétrícos - fundamentos 91

Esquemas de aterramento definidos De acordo com a íígura 3.22, R" é a resistêncía do


aterramento da fonte de alimentação e R,, é a resistên-
na NBR 5410 cia do aterramento da massa cio equipamento elétrico.
De acordo com a NBR 541O, as instalações de baixa Trata-se de um esque1na em que o percurso de un1a
tensão devem obedecer. quanto aos aterramentos fun- corrente proveniente de 1,1ma falta fase-nlassa (ocorrida
cional e de proteção, a três esquemas de alerramen(o em um componente ou em um equipamento de utilização
básicos, classificados em função do aterramento da fonte ela instalação) inclui a terra e que a elevada impedância
de alimentação da instalação (transformador, no caso (resistência) desse percurso limita o valor da corrente de
mais comum, ou gerador) e das massas, e designados por curto-circuito. Nesse caso, a corrente de curto- círcuito é
urna_sin, bologia que utiliza duas letras fundamentais: praticamente dada pela Expressão 3.6:
• 1il letra: indica a situaç3o da alin1entação en, relaç:cio à
UFN
terra. Í cuno-til('l1Í 1() = R + R (3.10)
• T: um ponto diretamente aterrado. /li p
• 1: nenhum ponto aterrado ou aterramento por meío
de impedância razoável. Nesse esquema n; a corrente de curto-circuito
• 2• letra: indica as caracterislicas do aterramento de depende da qualidade do aterramento da fonte e da
n,asSd. massa. Se o aterramento não for bom, a proteção pode
• T: n,assas díretamente aterradas, independenten,ente não atuar ou demorar n1uito para atuarl colocando en1
do eventual aterramente da alimentaÇcio. risco a segurança hun1ana.
• N: massas sem um aterramento próprio no local, mas As correntes de falta direta fase-massa são de íntensicla-
que utilizam o aterramento da fonte de alimentação de inferior à de uma corrente de curto-circuito la.se-neutro.
por meio de um condutor separado (PE) ou condutor Uma das possíveis utílizações do esqueman é quan-
neutro (PEN). do a fonte de alimentação e a carga estiverem muito dis-
• 1: massas isoladas, ou seja, não aterradas. tantes uma da outra.

Outras letras: especificam a forma do aterramento ela Esquemo TN


massa, util izando o aterramento da fonte de alimentação:
No esquema TN, um ponto da alímentaçào - em
• S: separado, isto é, o aterramento da massa é feito por geral, o neutro - é diretamente aterrado e as massas cios
um condutor (PE) diferente do condutor neutro; equipamentos elétricos são ligadas a esse ponto por um
• C: comum, isto é, o aterran,ento da n1assa do equipa- condutor metálico.
mento elétrico é feito com o próprío condutor neutro Esse esquem,, será do tipo TN-S (ver Figura 3.23(a)),
(PEN). quando as funções de neutro e de proteção forem feitas por
São considerados pela norma os esquemas n; TN e IT. condutores distintos (N e PE), ou TN-C (ver Figura 3.23(b)),
quando essas (unções forem asseguradas pelo mesmo con-
Esquemo TT dutor (PEN). Pode-se ter, ainda, um esquema místo TN-C-S.
No esquema TT, o ponto da alimentação (em geral, o O esquema é concebido de modo que o percurso ele
secundário do transformador com seu ponto neutro) está uma corrente de falta fase-massa seja constituído por ele-
diretamente aterrado e as n1assas da instalação estão mentos condutores metálicos e, portanto, possua baixa
ligadas a um eletrodo de aterramento (ou a mais de um ímpedâncía e alta corrente de curto-circuíto. Observe
eletrodo), independentemente do eletrodo de aterramen- que uma corrente de falta direta fase-massa será equiva-
to da alimentação. lente a uma corrente de curto·circuito fase-neutro.
Fonte
/'v'Y"--!1---- - - - - - - - - ---- - - - - - LI
e--'Y'<'"'---1--- - - - -- - - - - - - l - - - - - - - L 2
rYY'l-1---------------l---<ll>--- - - L3
-------1----- - - - ---- - - - + - - - + - - - - - N
Secundário do
1r:.1 nsforn1ador Massa genérica
PE .__ __, do cc1uipa111cnto
elétrico

Figura 3.22 • Esquema TT


SU$W li

92 lnslalações elétricas

Fonte

l'YY"'l----1-----------------...- - - - - LI
rY--Y-"--<~--------------t------L2
l'Y"Y"'-1---------------+-~ .--- - -L3
e--- - - - 1 - -- - ---- - - - -----,1---+----N
Secundá.rio do 1ransforn1aclor
e------------------ --t---+-----PE

Massa genérica
..,. R,.·
L.::::::::::J do equipa1nen10 elétrico
(a) Esquema TN-S

Fonte

rY--Y-"--<~- - ---- -- - - - --41>------LI


rYY"'l----1------ --- - - - - - - + - - - - -l2
rYY"'l----l-------- ------ - + ---.-- - - l 3
.----+-- - ---------- -+-- t -- -- PEN
Secundário do 1ransforrnador

Massa genérica
do equi1nunento elétrico
'--------'
(b) Esquema TN·C

Figura 3.23 • Esquema TN

A cor,ente de curto-circuito, no sistenla TN, não fase passa para a massa da carga, colocando em risco a
depende cio valor do aterramento da fonte (R,), mas segurança humana (ver Figura 8.4).
somente elas impedâncias dos condutores pelas quais o
sistema é constituído. Por isso, ela é elevada e a prote- Esquema IT
ção é íortemente sensibilizada" provocando sua atuação. No esquema IT, não existe nenhun1 ponto ela alimen-
Deve-se sempre dar preferência ao sistema TN-S por- tação diretamente aterrado; ele é isolado da terra ou
que, na operação normal do sistema, todo o condutor PE aterrado por uma impedância (Z) ele valor elevado. As
está sempre praticamente no mesmo potencial do aterra· massas são ligadas à terra por meio de eletrodo ou ele-
mento da fonte, ou seja, com tensão zero ou quase zero trodos de aterramento próprios (ver Figura 3.24).
em toda sua extensão. Nesse esquema, a corrente resultante de u1na úoica
Por sua vez, no sistema TN-C, a tensão do condutor falta fase-massa não possui, em geral, intensidade sufi·
PEN junto da carga não é igual a zero, porque existem ciente para fazer a proteção atuar, mas pode representar
correntes de carga (incluindo harmônicas) e de desequi· um perigo para as pessoas que tocarem a n1assa energi-
líbrio retornando pelo neutro, causando assim quedas de zada, em virtude das capacitâncias da linha em relação
tensão ao longo do condutor PEN. Portanto, as massas à terra (principalmente no caso de alimentadores longos)
dos equipamentos elétricos não estão no n1esmo poten· e à eventual impedância existente entre a alimentação e
cial do aterrarnento da fonte. Nesse caso, sempre há uma a terra. Somente em dupla falta fase-massa, em fases dis-
diferença de potencial entre a mão e o pé do operador tintas, a corrente de curto-circuito poderá provocar a
que toca o equipamento elétrico. Outro perigo do siste- atuação da proteção.
ma TN·C é a perda (ruptura) do condutor neutro (NJ, Muitas indúst,rias utilizam em alguns setores o siste--
quando, instantaneamente, o potencial do condutor de ma IT, no qual a impedância (Z) é constituída por uma
SU$W li

Capítulo 3 • Proteção contra choques elétrícos - fundamentos 93

Fonte

./',"Y'\.--1---- - - -- -- ----· - - - - - - l I
1-....rY'<'"'---I----- - -- --- - - - + - - - - - - l 2
rY"Y'\'-l---------------+--t~- - -l3

Secundário do transfonnador

z Massa genérica
'------' do equipan1ento elétrico

Figura 3.24 • Esquema IT

reatâncía projetada, a fim de que a corrente ele curto-cir- dutores elétricos específicos). No primeiro caso, a NBR
cuíto, para a primeira falta fase-massa, seja limitada a um 5419 reconhece os seguintes tipos: pilares metálicos ela
valor pequeno (por exemplo, 5 A). Essa corrente ele curto- estrutura; elementos da fachada (perfís e suportes metáli-
circoito sinaliza apenas a existência ela primeira falta, se,n cos) e instalações metálicas da estrutura (por exemplo,
necessidade de desligar o circuito, acionando apenas a tubulações metálicas - exceto gás), desde que possuam
equipe de manutenção. seções elétricM adequadas e contiiiuiclade garantida; e
A equipe de manutenç.io não precísa corrigir a falha armaduras de aço interligadas das estruturas de concreto
imediatamente; a produção do setor industrial contínua arn1ado.
normalmente, e a equipe ele manutenção pode progra-
• Se não houver SPDA, deve ser instalado um condutor
mar seu serviço para um horário mais adequado.
ele descida exclusivo para o aterramento da antena,
com seção mínima de 16 mm' em cobre, ligado ao
Interligação dos aterramentos de eletrodo de aterramento.
baixa tensão, do sistema de proteção Con10 afirmado anteriorn1ente, os aterramentos do
contra descargas atmosféricas (pára· SPDA, do mastro ela antena e da instalação de baixa ten-
são elevem ser interligados. De preferência. deve ser uli·
raios) e dos mastros das antenas lizado um único eletrodo de aterramento, como mostra
Conforme a NBR 541 O, como todas as opções de ele- a Figura 3.2S(c). No entanto, se o eletrodo de aterra-
trodos de aterramentos previstas na norma são também mento cio pára-raios e/ou da antena for distinto do da
reconhecidas pela NBR 5419 - Proteção de estruturas instalação de baixa tensão, é preciso que haja uma inter-
contra descargas atmosférícas, então o eletrodo de ater· ligação entre os dois, como indicado nas Figuras 3.25(a)
ramento de uma edificação deve ser usado conjunta- e (b).
mente pelos sistemas de baixa tensão e de proteção con-
tra descargas atmosféricas (SPDA).
De acordo com a NBR 5419, o mastro metálico da 3.4 As isolações e os graus de
antena externa de televisão ou sua torre de suporte, ins- proteção
talados sobre uma estrutura, deverão ser aterrados
segundo uma das seguintes alternativas: Os diversos componentes elétricos são isolados, ou
seja, possuem isolação, o que signifíca que não só prole·
• O mastro metálico da antena deve ser conectado ao gem contra choques elétricos, como também asseguram
condutor de descida do SPDA, por meio de solda exo- o funcionamento adequado cio componente.
térmica ou braçadeira com dois 1x1rafusos M8. Essa São considerados os seguintes tipos de isolação:
ligação deve ser a mais curta e retilínea possível e uli·
lizar um condutor ele cobre ele, no mínimo, 16 mm' • Isolação básica, que é a isolação aplicada às partes
(ou condutor de alumínio de, no mínimo, 25 mm 2, vivas para assegurar o mínimo de proteção contra
ou liga de aço de seção mínima 50 mm' ). A cone- choques elétricos.
xão com parafusos M8 cfeverá ser coberta com • Isolação suplen1ent<.1t, que é un1a isolaçiio adicional
material emborrachado. e independente da isolação básica, destinada a asse-
O condutor de descida do SPDA a que se reíere este gurar a proteção contra choques elétricos no caso de
i1en1 pode ser natural ou não natural (instalação de con· falha ela isolação básica.
SU$W ü

94 lnslalações elétricas

u.-gcndn:
BEP = Barran1ento de eqliipotencializaç.."io principal
CB = Condu1or de eqüipo1encialídade
CA = Condutor de ,uel'ra,nento principal
EF = Eterrodo e1nbu1ido na rundaçiio ou enterrado no solo

(a) Atcrrantento da antena <1uc utiliza a descida do 1>árJ-r~1ios

lll,P
CB

+ çA
(b) Aterrarnento cxclusÍ\IO dn antena s.en1 pára~mios

BEP
+ CA (e) Alcrramcnto da antena. do pám~raios e da instalação
elétrica que utiliza 0111 eletrodo comunt (por exe,nplo. embutido
na fundação ou en1errndo no solo)
~ EF• CE

Figura 3.25 • Aterromento ele SPDA, ela instalação ele baixo tensão e do antena

• Isolação dupla, que é a isolação composta por isola· técnica de isolar eletricamente tem sentido estrila·
ção básica e isolação suplementar. mente qualitativo.)
• Isolação reforçada, que é uma isolação única, não • Isolamento: conjunto das propriedades adquiridas por
necessariamente homogênea, aplicada às partes vivas um corpo condutor, decorrentes de sua isolação.
e que tem propriedades elétricas equivalentes às de !Nota: Esse termo tem sentido estritamente quantita·
uma isolação dupla. tivo e seu emprego é sempre associado à idéia de
valor, que pode ser dada de forma explícita (isola·
As isolações dos com1>0nentes de uma instalação mento para baixa tensão, isolamento para 698 V etc.)
desem1)enham um papel fundamenial na proteção con· ou implícita (coordenação do isolamento, distância
tra choques elétricos, por contato direto ou indireto. É
de isolamento, nível de isolamento, resistência de iso-
im1>0rtante lembrar que as faltas elétricas são geralmen·
lamento etc.J
te causadas por "falhas de isolação".
Da NBR 5456, têm·se as seguintes definições: As isolações podem, com o passar do tempo, devi·
do a causas naturais (por exemplo, ação de umidade e
• lsolaç,io: conjunto dos ma1eriais isolanies u1ilizados temperaturas elevadas ou baixas) ou acidentais {con,o é
para isolar eletricamente. (Nota: Por extensão, a ação ou o caso ele choques mecânicos), ter suas propriedades
SU$W li

Capítulo 3 • Proteção contra choques elétricos - fundamentos 95

prejudicadas. No limite, há a possibilidade de ocorrer uma internas dos aparelhos. Éo caso dos aparelhos eletro-
Nanulay:io" do isolamento garantido pela isolaç-<iO. Dessa domésticos de maior porte ou potência (lava-louças,
maneira, é produzida uma falha de isolação, que resulta na ar-condicionado, forno de microonclas, entre outros)
propagação do potencial da parte viva para as massas que e da maioria dos aparelhos eletroprofissionais (como
estejam em contato. máquina copiadora e equipamento odontológico).
Na prática, a falha da isolaç.ão manifesta•se por um • Classe /1: equipamento que tem isolação dupla ou
"caminho condutor", seja na superfície da isolação ou reforçada em todas as suas 1>arte-s vivas, sem previ·
por perfuração no interior cio material isolante. Produz- são para aterramento ou outras precauções que
se uma "fuga" de corrente, que pode evoluir para uma dependam elas condições da instalação. Podem ser
corrente de curto·circuito. ele três tipos:
O uso ele uma isolação dupla em um componente
• Con, carcaça isolante durável e substancialmente
reduz os riscos, uma vez que, se uma das isolações
contínua, que envolve todas as partes metálicas
falhar, a outra mantém a segurança do componente, que
(exceto pequenas partes, como, por exemplo, pla-
passa a contar apenas com uma isolação. ~ possível
cas de iclentiíicação, parafusos e rebites), as quais
argumentar que, nessas condições, se corre o risco de
elevem ser isolada.s das partes vivas por isolação
uma falha na isolação restante.
(>elo menos equivalente à isolaç.'io reforçada.
Os equipamentos elétricos (em particular, os apare-
Nesse caso. poden1oscitar a maioria dos aspiriJdo-
lhos eletrodomé'Sticos e eletroprofissionais) são classifica-
res de pó, alguns chuveiros elétricos e quase todas
dos pela IEC 61140 - Protection against electric shock
- Common aspects for installalion and eqvipment quan· as furadeiras elétricas.
to à proteção contra choques elétricos. Trata-se de classi- • Com carcaça metálica substancialmente contí-
ficação internacional aplicável aos equip.,"lmentos previs.. nua, que tem isolação dupla em todas as suas par..
tos para serem alimentados por fonte externa sob tensões tes internas, exceto naquelas em que é utilizada
de até 400 V entre fases ou de até 250 V entre fase e neu- isolaçc"ío reforçada por ser impraticável a aplica-
tro, destinados a uso póblico em residências, escritórios, ção de isolação dupla. Como exemplo, tem-se o
oficinas, escolas, fazendas e locais semelhantes, bem caso de ferramentas elétricas portáteis com carca-
como à prática médica e odontológica. São consideradas ças externas metálicas.
cinco classes, descritas a seguir: • Co,n carcaça nlist(1 que conlbina as características
• Classe O: equipamento ou aparelho no qual a proteção dos típos com carcaça isolante e com carcaça
contra choques elétricos é assegurada exclusivamente metálica, como em algumas ferramentas portáteis.
pela isolação básica, não sendo previstos n,eios para • Classe Ili: equipamento no qual a proteção contra
ligar as partes metálicas acessíveis, se existentes, ao choques elétricos é assegurada pela sua alimentação
condutor de proteção d.> instalação. Em caso de falha em extrabaixa tensão, pois, durante seu funciona·
ela isolação básica, a proteção dependerá apenas do mento, não poden1 ser induzidas tensões 1nais eleva-
meio ambiente. Como exemplo, podem-se citar os das. É o caso, por exemplo, de equipamentos para
aparelhos eletrodomésticos portáteis, como liquidifo- uso subaquático, como ilumi nação de piscinas,
~1dores e bate<Jeiras. hidromassagem etc.
• Classe OI: equipamento ou aparelho que tem pelo Observe que, quando um equipamento tiver partes
menos isolação básica em todas as suas partes vivas e com diferentes classes de isolamento, a parte de menor
possui tern1inal para aterramento das partes metálicas classe é considerada a classe do equipamento, para efei-
acessíveis não destinadas a conduzir corrente (n1as.- to de aplicações de todas as medidas de proteção contra
sas), e que pode ficar sob tensão em caso de falha de choques elétricos.
isolação. Entretanto, o cabo de alimentação não pos- A Tabela 3.8 mostra as correntes de fuga máximas
sui condutor de proteção e o plugue não possui o pino típicas de diversos equipamentos elétricos.
terra. é o caso, por exemplo, de algumas geladeiras e Os invólucros cios equipamentos elétricos são classifi-
lavadoras de uso caseiro. Nesses equipamentos, o con- cados por waus de proteção, definidos pela norma NBR
dutor ele proteção (PE) do circuito elétrico deve ser IEC 60529 - Graus de proteção para invólucros de equi-
conectado à massa (c.1rcaça) metálica do aparelho. pamentos elétricos (código IP) e indicados f>elas letras
• Classe/: equipamento no qual a proteção contra cho- "IP" e, em seguida, por dois algarismos. O primeiro alga-
ques elétricos não é assegurada apenas pela isolação, rismo indica a proteção contra a penetração de corpos
mas inclui uma precaução de segurança adicional, sólidos estranhos e contatos acidentais, e o segundo indi-
em que o cabo de alimentação contém um condutor ca a proteção contra a penetração de líquidos. As tabelas
ele proteção (PE) conectado diretamente às massas 3.9 e 3.10 apresentam os algarismos utilizados.
SU$ W ü

96 lnslaloções elétricos

Tabela 3 .8 • Valores máximos ti~cos de correntes de fugc,


Equipamento Corrente de fuga máxima (mA)
IEC 60335
Classes O. OI e lll 0.5
Portáteis classe I 0,75
Ponátcis classe l co,n n1otor 3.5
0,75 ou 0,75/k\V de potência no1ninalt o que for n1aior
Estacionários classe I
co1n un1 máximo de 51
Classe n 0,25
VOE 0720 E 0875
Aquecedor elétrico de água don1é$tico tipo i1ne~ão 1.0
Eletrodoméstico a motor: 3.5
• fixo/es1acionário 0,5
• portátil
Aparelho para 1rat:nncn10 de 1>ele 0,5
Fe1·ran1enta portátil
• classe I 0,5
• classe U 0.1
Forno:
• cornu1n 10.0
• de microondas 0.5
• de n1aior po11e 10,0/kW de potência nominal
Crill (doméstico) 5.0
No1as:
1. P3ra 3p.Wlh0$ t létri('OS de 3CllJl'Cimc.n10 de :'igua. o valor n1X<imo de 0.25 mA é fixo pela água.

Tabela 3.9 • Graus de prole ã o dos invólucros contra a P.!!ne~ão de C2!'f!OS sólidos
Proteção contra o ingresso de corpos sólidos estranhos e contra acesso a 1>artes perigosas
Primeiro algaris mo Grau de proteção
Nenhu1na proteção de pessoas contra o con1a10 con1 partes internas sob tens.lo ou en1 n1ovi-
o n1ento. Nenhun1a J>roteção do equipan1ento contra a penetração de corpos sólidos estranhos.
Proceção contra contato acidental ou inadvenido de grande superfície do corpo hun1ano. Por
1 exe,nplo. a n1ão, co,n as partes intentas sob ten$.10 ou en1 n1ovin1ento. Não oferece, porén1~ pro-
teção contra a penetmção de srandes corpos sólidos estranhos.
Proteção contra o con1a10 dos dedos con1 as par1es in1en1as sob 1ensiio ou e1n n1ovin1ento.
2
Proteção contra a penetraç-ão de corpos sólidos estranhos de n1édio porte.
Proteção contra o con1ato de fcrrnn1entas, tios ou outros objetos, de dí1nensão míni1na superior a
3 2,5 n1n1, co,n as panes in1en1as sob lensão ou e111 1novi1nen10. Pro1eçao contra a penetração de
corpos sólidos estranhos de pequeno porte.
Pro1eção contra o co111.1to de ferr::unentas. fios ou ou1ros obje1os. de di1nensão n1íni111á superior a
4 1 1nn1. con1 as panes intentas sob tensão ou e1n 1novilnento. Proteção contra a peneiração de cor·
pos sólidos estranhos de pequeno porte.
Proteçâo to1al con1ra o contato con1 as panes sob 1cnsâo ou en1 1novi1nen10 dentro do invólucro.
5 Proteção contra pó. A penetração de p6 não é evitada 1otallnen1e, mas o pó não pode entrar e1n
quantidade. que possa prejudicar o funcionamento sa1isfa16rio do equipamc,uo.
Proteção total co,un, o c-0ntato co1n as partes sob 1ensão ou en1 1novi1nento. Proteção 10H1I contra
6 a penetração de pó.
SU$ W 6

Capítulo 3 • Proteção contra choques elétrícos - fundamentos 97

Proteção do equipamento contra a penetração de líquidos


Segundo álgarismo Grau de proteção
o Nenhun1a pro1eçilo contra a penetr.ição de líquidos.
Proteção contra gotas de líquidos condcnSi1dos. As gotas não deven1 ptejudicar as partes inten1as
1
do equipan1ento.
Proteção contra gotas de líquidos. A queda de go1as de líquidos não de\•C ter efeito prejudicial.
2
con1 inclinação do invólucro não superior a 1s• cn1 relação à venical.
Proteção contra chuva. A queda de água en1 fomta de c hu\'a, e1n ângulo n:.1o s uperior a 60• en1
3
relação à venical, não deve 1er efeito prejudicial.
Proteção contra respingos. Respingos de líquidos provcníentcs de qual<1uer direção não devem
4
ter efeito prejudicial.
Proteção contra jatos de ~gua: a água projetada por un1 bocal. proveniente de qualquer direção,
5
sob as condições prescritas, não dever.t 1cr eícito prejudicial.
Proteção contra as condições de convés de navios (relativan1en1e a e,quipan1entos à prova de {i.gua
6 para o convés). A água de vagalhãés não deve penetrar nos invólucros. sob as condições prescritas.
Proteção contra in1ersão en1 água. A água não deve penetrar no invólucro sob as condições prese
7
critas de pressão e ten1po.
Proteção con1ra in1crsão por 1e1npo indefinido en1 água sob pressão prescri1a. A água não deve
8 penetrar no invólucro.

3.5 Proteção básica gos não são considerados proteção adequada. Quando a
ísolaçào for provída durante a execução da instalação,
(contra contatos diretos) ela eleve ser verificada por meio de ensaios análogos aos
A NBR 541 O considera que a proteção básica (contra aplicados aos componentes montados em fábrica.
contatos diretos} possa ser de três tipos: completa, 1>ar-
cial ou adicional. Da NBR IEG 60050 (826), têm-se as seguintes definições:
• /Jdrreira: ele1nento que assegura a proteção contra con-
Proteção completa tatos diretos, em toda,; as direções habituais de acesso.
• invólucro: eletnCJUO que assegura a groteção de un1 equj-
A proteç.'io complet.1 é necessária nos locais acessí-
pamento conlrn detcnninadas influências ex.temas e a
veis a qualquer tipo de pessoa, principalmente pessoas proteção con1ra contatos dire1os en1 qualquer direção.
comuns (BA 1), crianças (BA2) e incapacitados (8A3).
• obstáculo: elemento que jm_pcde um cont;-tto direto
Pode ser realizada por isolação básica das partes vivas,
acidental, 1nas não impede o contato direto por ação
por meio de invólucros ou utilizando barreiras (tratados deliberada.
no Anexo B da NBR 541 O).
Uso de barreiras ou invólucros
Isolação básica das partes vivas
Por definição, o uso de barreiras ou invólucros desti-
A isolação das parles viv,,s (energizadas} consiste no na-se a ímpedir qualquer contato com partes vivas, cum-
recobrimento total dessas partes por orna isolação que só prindo assim o 1x1pel ele proteção b,isica.
pode ser removida com sua destruição. A norma indica que as partes vívas devem ser confi-
Para os componentes montados em fábrica, a ísolação nadas no interior de invólucros ou atrás de barreiras que
deve atender às prescrições relativas a esses componen- confiram, pelo menos, o grau de proteç,10 IP2X (proteção
tes, geraln1ente indicadas nas normas técnicas cabíveis. contra contato cios dedos com partes vívas; abertur,,s de
Para os demais com1>0nentes, ou seja, aqueles que diâmetro inferior a 12 mm).
são providos, completados ou restaurados na execução Admilem-se, no entanto, aberturas superiores às IP2X
da inst.ilação, a proteção deve ser garantida por uma íso- para a substituição de partes (troca de lâmpadas ou fusí-
laç.:io capaz de suportar as solicitações n1ecãnicas, quí- veis) ou quando necessárias ao funcionamento adequae
micas, elétricas e térmicas a que possa ser submetida. Em do de um equipamento ou componente (para ventilação,
geral, os vernizes, as lacas, as tintas e os prodtdos análo- por exemplo). Em todos os casos, as aberturas elevem ser
SU$W li

98 lnslolações elétricas

as mínimas compatíveis com as necessidades de substi· Obstáculos


tuição ou funcionamento adequado. Os obslácufos, tais como telas de arame, corrhnãos e
Edevem ser tomadas medidas para impedir que pes,. painéis, devem impedir uma aproximação física não inten-
soas ou aninlais domésticos toquen, nas partes vivas e cional das partes vivas, bem como contatos não intencio-
garantir que as pessoas ton1en1 conhecin1ento de que as nais com parte1ô vivas quando os equipamentos estão sob
partes acessíveis pela al>ertura e1õtão energizaclas (vivas) tensão. Pcxlem ser cle1õmontáveis sem a ajuda ele ferramen-
e não deven1 ser tocadas intencionahnente. ta ou chave; deve111, no entanto, ser fixados de n1odo a
Por sua vez, barreiras ou invólucros horizontais que
impedir qualquer remoção involuntária.
sejam facilmente acessíveis elevem atender, pelo
Quando for utilizada proteção parcial por meio de
menos, ao grau de proteção IP4X (proteção contra con-
obstáculos, as distâncias mínimas a serem observadas
tato ele ferramentas, fios ou outros objetos ele dimensão
nas passagens cleslinadas à operação e/ou manutenção
mínima superior a 1 mn,, con1 partes vivas). Isso se
são aquelas indicadas na Tabela 3.11 e ilustradas nas
aplica, principalmente, às partes de invólucros ou bar-
figuras 3.27, 3.28 e 3.29.
reiras sobre as quais as pessoas possam passar norn1al-
mente, como é o caso, por exemplo, de passarelas
Colocação fora de alcance
colocadas acima ele barramentos. Essa prescrição visa a
impedir que a queda acidental de ferramentas metáli- A proteção parcial por colocação fora de alcance des-
cas atinja as partes vivas, o que poderia trazer perigo tina-se a impedir contatos íortuitos com partes vivas. A
para as pessoas que passassem pelo local ou tentassem norma define uma zona de alcance normal (Figura 3.27),
pegar a peça caída. dentro da qual não deven, se encontrar partes sin1ulta-
As barreiras e os invólucros devem ser fixados de neamente acessíveis, isto é, que estejam a uma distância
maneira segura e ser ele uma robustez e ele uma durabili· de no máximo 2,50 m, sob potenciais diferentes.
dade suficientes para manter os grnus de proteç.10 exigi- Quando a superfície sobre a qllal pessoas qualifica-
dos e a separaç.:io adequada elas J)ilrtes vivas nas condi- das e/ou advertidas se posicionam ou circulam habi-
ções normais de serviço, considerando-se as condiçõe1õ tualmente for limitada por um obstáculo (por exemplo,
n0tn1ais ele influências externas. corrimão ou tela) com grau de proteção inferior a IP2X,
A retirada das barreiras, a abertura dos invólucros ou as distâncias que lin1itan1 a zona de alcance norn,al
a retirada ele partes de invólucros só devem ser possíveis: elevem ser determinadas desse obstáculo. No sentido
vertical, a zona ele alcance normal é limitada a 2, 50 m
• Com o uso de chave ou ferramenta.
da superfície S, sem levar em conta obstáculos interme-
• Após a desenergização das parte1ô vivas protegidas,
diários que possuam grau de proteção inferior a IP2X.
não podendo ser religada a tensão enquanto as con-
Esses afastamentos consideram apenas a possibilidade
dições não forem restabelecidas.
de as 1>artes vivas serem tocadas <liretamente com as
• Se existir uma segunda barreira interposta entre a pri·
mãos, não incluindo a hipótese de serem tocadas por
meir.1 barreira e a parte viva, que só poss..:1 ser retirada
objetos condutivos compridos ou volumosos (ferramen-
com auxílio de chave ou ferramenca e que impeça
tas ou escadas, por exemplo). Nesses casos, os afasta-
qualquer contato con, as partes vivas, a qual apresen-
mentos indicados na Figura 3.26 devem ser aumenta-
te, pelo menos, grau de proteç.\o IP2X.
dos, levando-se em conta as dimensões de tais objetos.
Proteção parcial Proteção adicional
A proteção parcial con1ra contatos diretos só é acln,i-
A proteção adicional não é reconhedda pela N BR
tida en, locais acessíveis apenas a pessoas advertidas
541 Ocomo constituindo em si uma medida de proteção
(8A4) ou qualificadas (8A5) e, mesmo assim, se forem
com1>leta e não dispensa de maneira alguma o emprego
atendidas as seguinte1ô condiçõe1õ:
de medidas ele proteção completa ou parcial, conforme
• As tensões nominais dos circuitos exislentes não o caso. Seu objetivo é assegurar uma proteção contra
podem ser superiores a 600 V entre fase e terra ou a contatos diretos, no caso de falha das medidas aplicadas
1.000 V entre fases, para corrente alternada, ou a 900 ou ele de1õcuiclo ou imprudência cios usuários.
V entre pólo e terra ou a 1.500 V entre pólos, para O uso ele clis1>0sitivos ele proteção diferenciais-resi-
corrente contínua. duais (DR) com corrente diferencial-residual no,ninal
• Os locais devem ser adequadamente sinalizados - de igual ou iníerior a 30 mA é reconhecido como proteção
forma clara e visível - , por meio de indicaçõe1õ apro- adicional contra contatos diretos pela NBR 541 O,
priadas. Os casos em que o uso de clis1>0sitivo diferencial-resi-
Essa proteção pode ser realizada por meio de obstá- dual de alta sensibilidade como proteç.10 adicional é
culos e/ou por colocação fora de alcance. obrigatório são os seguintes:
SU$ W li

Capírulo 3 • Proteção contra choques elétricos - fundamentos 99

Tabela 3,11 • Distâncias minimas a serem observadas nas passagens de serviço (considerando os
serviços de manutenção e ão)
Oistânc.in míni,na (m)
Deseriçâo Proteção completa ou
parcial existente Proteção inexistente'
Entre obstáculos' 0,7 -
Entre manípulos de dispositivos elétricos {punhos. ,•olantes:. alavancas
etc.)'
0,7 -
En1re obstáculos C· partde 1 0,7 -
En,re 1na,1rpulos e parede1 0.7 --
Altura de J>a..wigent sob tela ou painel 1 2,0
Apenas un1 dos lados apresenta partes vivas despro1egidas:
• entre paredes e partes vivas - 1.0
• passagen1 livre defronte a 1nanípulos de dispositivos elétricos (pu·
nhos, vola1ues. alavancas etc.) - 0.7

A1nbos os lados· aprese111an1 1>at1es vivas desprotegidas:


• entre panes vivas de cada lado em passagen1 destinada son1ente :\
111:mutcnção, prevendo que qualquer trabalho de manutenção seja - 1.0
precedido de colação de barreiras pro1e1oras.
• entre partes vivas de cada lado em passage1n destinada son1entc à
manuteção. não sendo previstos a colocação de barreiras. - 1,5

• passage,n des1inada 1an10 à operação quan10 à rna.nutenção prevendo


antecipadan1en1e a colocação de barreiras.
- 1.2

• colocação
passagen1 destinada 1anto à operação quanto à n1anutenção sen1
de barreiras.
1
- 1,5

• passag,c,n livre destinadn à 1nanu1cnção defronte e a n1.anf1>ulos de


dispositivos elétricos (punhos, volantes e alavancas). - 0.9

• disposi1ivos
passagenl lh,rc destinada à n1anutenção defronte e a manípulos de:
eléiricos (punhos. volan1es para a equipe de operação). - 1.1

Altura das panes vivas aci1na do solo - 2.3


NOl.3$:
1. Considera.das as 1>ar1es dos p:linéis n1on13d~ e fechad.1$.
2. ~idcrnndo que sejan1 c:oloc,:1.dt1S b.1neirns :tdequadlS an.1es d~ stT iniciado o ser.•iço de manutenção ou de OJ)ém~.ão.

• Os circuitos que sirvam a pontos de utilização situa- situados em cozinhas, copas-cozinhas, lavanderias,
dos em locais contendo banheira ou chuveiro. áreas de serviço, garagens e, no gerat em áreas inter·
• Os circuitos que alimenten1 ton1adas de corrente nas molhadas em uso normal ou sujeitas a lavagens.
(cada 1omada até 32 A) situadas em áreas externas à
Em todos os casos, a proteção dos circuitos 1>0cle ser
edificação. realizada individualmente, por equipamento, por ponto ele
• Os circuitos de tomadas de corrente (cada tomada
utilização, por circuito ou por grupo de circuitos.
até 32 A) situadas em áreas internas que possam vir a
alimentílr equipamentos na área externa. Omissão da proteção contra
• Os circuitos que, em locais de habitação, sirvam a pon·
tos de utilização situados en1cozinhas, copas<ozinhas, contatos diretos
lavanderias, áreas de serviço, garagens e demais depen- A norma admite que sejam omitidas as medidas de
dências internas molhadas em uso noonal ou sujeitas a proteção contra contatos diretos nos locais acessíveis
lavagens. Exclui-se dessa exigência os pontos que ali- somen1e a pessoas advertidas (BA4) ou qualificadas
n1enten1 aparelhos de ilun1inação posicionados a un1a (BA5), desde que elas sejam devidamen1e ins1ruídas com
ahura igual ou superior a 2,50 m. relação às condições cio local e às tarefas a serem execu-
• Os circuitos que, em edificações não residenciais, tadas, se forem simultaneamente atendidas as seguintes
sirvam a pontos de tomada (cada tomada até 32 A) condições:
SU$W ü

100 lnslaloções elétricas

2.50 111 2,50m

G 1,25 rn

1,25 m
s
(a) Vista lateral

1.25 111 S - Superílcie sobre a

~-~---~__ j_ __ 0.75m ··---


' ''
(1ual s.e posiciona,n ou
circul;.un 1>cssoas

------------------'

' s
( b) Vista superior

Figura 3.26 • Zona de alcance normal

Partes vivas

Obs1áculos
,. .. _
.•
................... ..
.
----~
''
.---···········''
'

'
''
2.000 nln1 ;' '
'' .' Parede
'
J' :t '

J
'
''
/ j ''
'

Hrrr,--rrr-r,-rrrrr,'777"77rrl-r7-,>77"777~~~
· 7777"77"777r)7"77~

I• 700mm •I I• 700 ""'' • I I• 700,mn•I


Figura 3.27 • Passagens destinadas à operação e manutenção em locais com proteção parcial par meio de ob,táculos

• Os locais devern ser sinalizados de maneira clara e • As portas de acesso aos locais devem permitir a fácil
visível; não é possível entrar nos locais, a não ser saída das pessoas, abrindo no sentido da fuga (abrin-
corn o auxílio ou a liberação de algum dispositivo do para fora). A abertura das portas, pelo lado inter-
especial. no dos locais, deve ser possível sem o uso de chaves,
SU$W ü

Capírulo 3 • Proteção contra choques elétricos - fundamentos 1 O1

mesmo que as portas sejam fechadas à chave pelo ma.s com comprimento superior a 6 m, também
lado de fora. sejam acessíveis nas duas extremidades.
• As passagens cuja extensão for superior a 20 m • As passagens livres elevem obedecer às distâncias
devem ser acessíveis nas duas extre1n idades, reco~ mínimas indicadas na Tabela 3 .11 e ilustradas nas
mendando-se que as passagens de serviço menores, figuras 3.27, 3.28 e 3.29.

Part.;s cncrgizadas

2.300 nun

7001nn1

~
1.000 llllll ~1 1.000 1n1n • I
I• I•
Figura 3.28 • Passagens sem proteção com portes energizaclos ele um único lodo

Pat1es
Q) oncrgizad~
• CD .

(
Ala,-anca /~. 2.300nun

900 1nn1 1.000 lll lTI 1.500 nnn Passagc,n destinada


l+ ---"'=-="'--->I !t manulcnçâo

1.100 nun 1.200 rnn1 I.SOO inin Pn.ssagc.n1 destinada


l+ ---===c._->1 à oper,ção
L...egeoda:
1. Caso cn1 que iodo 1r.1b:tlho de n1anute11ção é precedido d;1colocação de. tx1rrciras prO!etoras.
'2. C:lSo c,n que os 1rabalh06 de 1n:1nu1cnção não ~io precedidos da coloca~io de b,:trrciras pro1c1(was.
Figura 3.29 • Passagens destinados à operoçõo e à manutenção em locais sem proteção com portes energizados (vivas}
dos dois lados
SU$W ü

102 lnslalações elétricas

EXERCÍCIOS

1. Quais são os principais efeitos que uma corrente elétrica externa pode produzir no corpo hun,ano?
2. Defina o que é o conceito "limite de largar" de uma corrente elétrica.
3. Quais são os valores médios do "limite de largar" em corrente alternada para 50 e 60 Hz para homens e
n"llllheres?
4. O que é o fenômeno da fibrilação ventricular?
5. Quais são as principais variáveis que influem no valor da resistência elétrica do corpo humano?
6. Como se definem proteção básica e proteção supletiva?
7. O que são proteção 1>assiva e proteção ativa contra choques elétricos?
8. Quais as condições de influências externas devem ser observadas na seleção das medidas de proteção contra cho-
ques elétricos (por contato direto ou indireto)?
9. Qual é a diferença entre aterramento e eqüipotencialização?
1O. Que valores podem ter as duas letras utilizadas na simbologia cios esquemas básicos de aterramento, para repre-
sentar a Íl1nçâo do aterramento da fonte de .alimentaÇ<io da instalação (transforn1ador, no caso n1ais comum, ou
gerador) e das massas?
SU$W li

Planeiamento da instalação
.........""'"'~~------

4 . 1 Demanda e curva de carga l ,... dor


D=- j
d/ '
P(t) · dt (4 .1)

Demanda como mostra a Figura 4.1.


Em uma instalação predial qualquer (industrial, A definição dada pela Expressão 4. 1 indica que a
co,nercial, residencial, entre outras), a potência elétrica demanda é medida em unidades ele potência ativa (W,
i nstantânea consumida (ver Figura 4.1) - a potência kW). Pode-se também definir uma demanda reativa, Du
ativa - é v.,riável em função do número de cargas liga· (var, kvar), e uma demanda aparente, D, (va, kVA), obti-
das e da son1a das potências consun1idas por carga. Para das por:
fins ele projeto de uma instalação elétrica, é mais conve-
niente trabalhar com um valor médio da potência, e uti-
Da = D; tg <
I>} (4.2)
li za-se a demanda (D}, que é o valor médio da potência
ativa (P) em um intervalo de tempo (â r) especificado D =--
' cos <I>
(geralmente ât = 1/4 h = 15 min, ou seja,

P (kW)

D --- --- --- - - --- - -- -- - ----- i -4 ::--- ,

9-1- - e (k\Vh) = D · '11

- -1-- - - - - - - --+- - -- - - , - - - - - - --.,(h)


o , .
• llt
t + .dt

S:::::-.._ _ _ Geralnle111e 1/4 h


Figura 4. 1 • Curvo de cargo e definição do demando D
SU$W li

104 lnslalações elétricas

onde <1> é o ângulo cujo cosseno é o fotor de potência da possui uma forma característi<:<1 para sua curva de carga
instalação elétrica. diária. Por um lado, a curva diária típica de um prédio
A área entre a curva P(I) e o eixo dos tempos é a de escritórios é diíerente da ele um prédio de apartamen-
energia consumida pela instalação no intervalo conside· tos, e ambas são diferentes da de uma indústria química.
rado. De acordo com a Figura 4 .1, pela própria defini- Por outro )ado, em instalações situadas em regiões onde
ção ele demanda, a área cinza é a energia e consumida as estações do ano são bem-diferenciadas, as curvas de
durante 61, ou seja, carga típica variam confonne a época do ano.
t +àl
É importante observar que os conceitos de demanda
e = D · tlt = j, P(t ) · dt (4.3) e curva de carga apresentados valem não só para uma
instalação (como um todo), mas também para os diver·
sos setores considerados em uma instalação, para um
Curva de carga circuito apenas ou mesmo para um conjunto de equipa·
Define-se ct1rva ele cc1r3(1 como a curva que apresen· mentos elétricos.
ta a demanda em função do tempo, D(t), para dado t con1um indicar, con1 a curva de carga, a potência
período T (ver Figura 4.2). Na verdade, ela é constituída instalada da instalação ou do setor considerado, como é
por patamares; no entanto, é mais comum apresentá·la apresentado na Figura 4.3.
como uma curva, resultado da união dos pontos médios
das bases superiores dos retângulos de largura AI. Para
um perio<io 1; a ordenada máxima da curva deíine a 4.2 Fatores de projeto
dem,1nda máxima (D-"). A energia lotai consumida no
Fatores ele projeto são os fatores utilizados durante o
período &.,. é medida pela área entre a curva e o eixo dos
projeto de uma instalação elétrica, mais precisamente na
tempos, ou seja,
fase ele quantificaç,io (ver Seção 4.6), para a determina-
T
ção das demandas máximas dos diversos setores da ins·
&·r = Ío D(t) · tit (4.4)
ta lação e ela demanda máxima global. Nesta seção, são
apresentados os fatores ele llli/ização, de demanda e de
A demanda média (D.,) é cleíinicla como a altura de
diversidade, bem como suas definições e características.
um retângulo cuja base é o período T e cuja área é a
Na Seção 4.3, serão analisados os detalhes de sua apli-
energia total (e,.), ou seja,
cação prática.
&•r É apresentada, também nessa seção, a deíinição do
D., = T (4.5)
fator de carea, que, embora não seja especificamente
um fator de projeto, pode ser utilizado no planejamento
como mostr,1 a Figura 4.3.
da instalação (por exemplo, quando for necessário esti·
A demanda média é, em outras palavras, a demanda
mar a demanda média ou o consumo de energia).
constante que uma instalação elétrica deve apresentar
para, no período considerado, consumir uma energia
igual à que é consumida en, funcionamento norn1al. Fator de utilização
PMa estudos e análise do desempenho de instalações No regime de funcionamento de um equipamento de
prediais, a curva de carga diária (ou seja, para T = 24 h) utilização pode ocorrer de a potência eíetivamente
é a mais comun1, unia vez. que cada tipo de instalação absorvida seja inferior à respectiva potência nominal. É,
por exemplo, o caso dos motores elétricos, suscetíveis
de funcionar abaixo de sua carga plena. O fator de 11tili·
O(t) O,i - - -
zação (11) é definido, para um equipamento de utiliza-
ção, como a razão da potência (máxima) eíetivamente
absorvida W.v) - também chamada de potência de tra·
balho -, para sua potência nominal (P.v), ou seja,

(4.6)

onde, logicamente, 11 s 1.
O fator de utilização, citado em muitas norn,as euro·
péias e na antiga NBR 5410: 1980, só pode ser aplicado
o T no projeto quando há um perfeito conhecimento do
equipamento e ele suas condições ele uso. Embora esse
íator não tenha sido incluído nas edições posteriores da
Figura 4.2 • Curvo de corgo do$ demondo$ norma, ainda pode ser útil em situações específicas.
SU$W ü

Capítulo ,4 • Plonejomento do instalação 105

D(kW)

Pinsi 1------------------~ ~ - - - - - - - - -
Ocn1anda 1náxin1a Potência instalada
D~, ...................................... . .. .

D,,, - --·-··-- --- -·-· · - ··· ·--·- ----,


Oc,nanda ntédia

•r

- 0 - + - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - ' T -+ t(h)

Figura 4.3 • Curvo de cargo e potência instalado

Assim, em uma instalação i11dustrial usual, os equipa- nar simultaneamente. A potência ele alimentação deve
mentos a motor apresentam, geraln1ente, fatores de utili- corresponder à demanda máxima presumida de uma ins·
zação na faixa de 0,3 a 0,8; para tais equípamentos, a talação, ou ele uma parte da instalação, em um período
exemplo de outras normas, a NBR 541 O: 1980 admitia, ele 24 horas.
na falta ele indicação mais precisa, o uso de 11 = 0,75. A potência instalada (de uma instalação, de uma
Por sua vez, para os aparelhos de iluminação, para equi- parte da instalação ou de um conjunto de equipamentos
pan1entos de aquecifftento e de ar-condicionado, a norn1a de utilização), Pir.Su é a soma das !X)tências no1ninais de
recomendava que o fator ele utilização fosse sempre con- todos os equipamentos ele utilização existentes ou pre-
siderado igual a 1. vistos na instalação, na parte considerada da instalação
É muito importante observar que, se mal-aplicado, o ou no conjunto de equipamentos considerado.
fator de utiliwção pode conduzir ao subdimensionamen· Dessa íorma, ten1os:
to ele circuitos (terminais e de distribuição). Portanto, seu
emprego eleve ser cercado de iodo o cuidado. g' = D," (4.7)
p ll'l$t

Fator de demanda Esse fator, sempre inferior à unidade, deve ser aplica-
O fator de demanda de um conjunto de equipamen- do a "pontos de distribuição" da instalação, isto é, a qua-
tos de utiliwção (g') é definido pela NBR IEC 60050 (826) dros de distribuição em geral. Leva em conta a provável
como a razão entre a soma das potências nominais dos não simultaneidade no funcionamento cios equipamen-
equipamentos - de um conjunto de equipamentos ele tos ligados a um ponto de distribuição e, nessas condi-
utilização suscetíveis de funcionar simultaneamente em ções, sua aplicação exige o conhecimento detalhado do
determinado instante - e a potência inst,Jlada do con- ti1>0 de instalação que está sendo projetado.
junto. Geralmente, o instante considerado é aquele cor- Seja uma instalação elétrica, seja um setor de uma
respondente à demanda máxima da instalação ou da instalação, constituída(o) por três conjuntos de cargas, A,
parte ela instalação que alimenta o conjunto. B e C (por exemplo, motores, iluminação e tomadas de
Define,se também o fator de demanda da inswfaçào corrente). Cada conjunto possui sua 1>0tência instalada e
ov de parte da instalação (g') como a razão entre a sua curva de carga diária, e as denlandas 1náxin,as (D·"'"
potência de alimentação, ou da parte considerada da D.une D,",:) ocorren, nos instantes ,,L• 18 e te, respectiva-
instalação, e a respectiva potência instalada. mente, como mostra a Figura 4.4.
Por sua vez, a potência de alimentação (de uma insta· Os fatores de demanda dos setores A, B e C, são. res-
lação ou de parte de uma instalação), D,,1, é considerada pectivamente:
a soma elas potências nominais de todos os equipamen-
tos de utilização existentes ou previstos na instalação, ou
D ,\IA , D.11c
=--egu =--ice = - -
P ins1,t1
º·"" ,
Pins1.11 P;~i. c:
na parte considerada da instalação, suscetíveis de íuncio·
SU$W ü

106 lnslalações elétricas

º"ª

~ ./
'J.•
. ....' ''
:"... .;- ..:"-
.
o i rc T

Figura 4.4 • Curvas de carga dos conjuntos de cargas A, B e C de uma instalação e curva de carga total

A curva de carga total é a soma elas três curvas e "


apresenta ~1ma demanda máxima D,., no instante i. D tl/ = Lc,.
i• I
P;nt,tJ (4.9)

Então, para a instt1la<;<io ou setor considerado, é possível


definir um fator de demanda g', que será No caso apresentado na Figura 4.4, tem-se:
fatores de demanda práticos:
, D,v
g =- D~ O~ e O~
/ln,. t g, = - - , 8n = - - 8c = - -
PinM.A Pin.,1,/J P in.SI.C
onde P,0 11 é a potência instalada total, que é igual à soma
demanda máxima total:
das potências instaladas dos conjuntos, ou seja,
D,,, = DA + D'u + D'c =
Pinst = P1ns.i.A + P '!11is.1.H + f'1nS1.C
= 811 • P in$t,/\ + g,, ' P iJtStr.H + gc · P ins1.C
Para determinar a den,anda máxima,. D ,v , das 1>0tên-
cias instaladas cios conjuntos ele c.1rgas, é necessário defi-
nir, para cada conjunto de cargas, o fator de demanda
EXEMPLO
prático (g1), definido como a razão da demanda do con-
junto (D;> no instante em que ocorre a demanda A tabela a seguir mostra um exemplo de cálculo de
máxin1a total D,u, instante i, para a potência instalada do demanda, cios fatores de demanda práticos e da deman-
conjunto (P ;..,.;), ou seja, da máxima total, com base no que foi apresentado ante-
riormente.
(4.8) Nesse caso, o fator de demanda global da instala-
ção será igual a:
A demanda n1áxin1a da instalação ou do setor consi· 215
derado pode ser escrita, para n conjuntos ele carga, como: g' = 47 = 0457
' .

Conjunto de DA,, D'J,.


P...,., i (kW) D,,, í (kW) D{ (kW) g', = - - g, = - - g1 • l',Mo i (kW)
cargas Pill)I, / ~.,~,.,
A 12 10 9 0,83 0.75 9
B 15 14 4,5 0,93 0,30 4,5
e 20 15 8 0.75 0,40 8
Pitw. = 47 D/.1= 2 1,5 D,, = 21,5
SU$W li

Capitulo ,4 • Planejamento do instalação 107

Em geral, os projetistas não têm disponíveis os valo-


res do fator de demanda prático, pois essa técnica não é
usual. Os fatores de demanda típicos são observados e
colocados em tabelas para o uso em planejamento e pro-
jetos de novas instalações.

Fator de diversidade
Note que, na Figura 4.4, as demandas m,~ximas da
instalação e dos setores A, B e C não ocorrem ao mesmo
tempo, n1as em instantes distintos, u1na vez que há un1a
diversidade de consumo de energia em cada trecho da
instalação elétrica. e D
Desse modo, deíine·se o f.lror de diversidade (d) o ,,, T
para un1 ponto de distribuição de energia como a razão
da soma das demandas máximas dos diversos conjuntos Figura 4.5 • Tempo de utilização
de cargas ligadas ao ponto (D.,u) para a demanda máxi·
ma do f>Onto de distribuição ( D,,), ou seja:

"
LDM.I
(/ = .!l.:c
• :..
I --
(4 .1O) ou seja,
D,,,
-,,, =-D"' (4.13)
onde o fator de diversidade é, logicamente, maior ou T D.11
igual a 1.
Então, da Expressão 4 .1 2, tem-se:
No exenlplo anterior, tem-se:
1,, (4.14)
I = 1.0 + 14 + 15 = 1 Sl c= -
T
' 21.5 '
Das expressões 4. 13 e 4.5, obtém-se:
Assim, a demanda máxima de urna instalação ou de
um setor de uma instalação do ponto de distribuição er = D,11 • T = D 1,, , ,, (4.15)
(geral) da instalação ou do setor, à qual estão ligados 11
conjuntos de carga, é dada por:
onde e., é a energia elétrica consumida pela instalação
no período T.
"
LDM.I
A Ex1>ressão 4. 15 mostra que o tempo ele utilização
,..
D,\{ = -'--~-
(4.11 ) (1.) é o tem1>0 no qual a instalação deve funcionar com a

d demanda máxima, pa.ra que o consumo de energia seja


igual ao consumo reíerente ao período (real) de íuncio·
namento. A Expressão 4.14, por sua vez, mostra que
Fator de carga o fator de carga pode ser definido pela relação entre o
O fator de carga, e, é deíinido para uma instalação tempo de uti lização e o período de funcionamento.
como a razão da demanda média, D.,. para a demanda Da Expressão 4.12, multiplicando o numerador e o
máxima (D..,) da instalação, em dado período 1; ou denominador pelo período T e considerando a Figura
seja: 4.5, ten1-se:

c= -Dm (4.12) e=
Dm · T ,írea FGDO
= (4.16)
D,, D..,· T área EADO
sendo c :S 1. A área FGDO corresponde à energia consumida, e."'
A Figura 4.5 n1ostra uma curva de carga e indica a no período 7; e a área EA DO, corres1>0nde à energia,
demanda média.., D,,,, e a máxima, D,v· s.u, que seri~ consumida durante 7', caso íosse n,antida
Trace a reta que une o ponto O ao ponto A, situado a demanda n1áxirna, D.v· Assi1n, da Expressão 4. 16, ten1-
sobre o eixo vertical traçado na abscissa 7; na altura cor- se:
respondente à ordenada D \r· Essa rela cruza a correspon-
1
e,· (4.17)
dente Dm no ponto 8; desse ponto, baixa-se a vertical c= -
que encontra o eixo das abscissas no ponto C. Chama-se
e,,,
a abscissa OC de tempo de utilização, t,.. Dos triângulos e então
semelhantes OBC e OAD, pode·se escrever: (4.18)
SU$W ü

10 8 lnslakições elétricas

onde o fator de carga pode ser inteq>retaclo como um fator Portanto,.


percentual ela energia consumida. Em outras palavras, a Ip
instalaç,10 só consome uma porcentagem igual a e em vez e,= e,. 24 (4.24)
de consun1ir con, a demanda n1áxima mantida durante o
período. Dessa maneira, o fator de carga diário é igual ao pro-
O fator de carga depende do tipo de instalação e do duto do fator de carga relativo ao tempo de funcionamen-
período considerado. Mantida a demanda máxima, quan· to diário pela relaç,10 entre esse tempo de funcionamento
to maior o período, menor o fator de carga. Em geral, o e 24 horas.
fator de carga diário (T = 24 h), considerado o valor
médio para os dias úteis, é o mais usado.
Considere agora a instalação cuja curva de carga diá· EXEMPLO
ria é a n1ostrada na Figura 4.6.
Seja 1, o tempo de funcionamento (em horas) ela ins- Considere uma indústria na qual o consumo mensal
talação. Em relação a 1,; é possível definir uma deman- de energia elétrica gira em torno de 50.611 kWh, cuja
1.,
da média D,,, 1, um tempo de utilização e um fator de conta indica 275 kW como a demanda n1áxin1a. A
carga e,, das expressões 4.12 e 4. 13. indústria funciona, em média, l 6,25 horas por dia e 25
dias por mês.
D,111 t,,1
C1= - =- (4.19) A energia consumida (em média) em um dia será
l)M lf' igual a:
Para um período de 24 horas, tem-se uma demanda 611
média D,,,,< Dm,• um tempo de utilização 1. 2 e um fator &·,· = SO '
25 = 2 .024'44 k Wh
de carga diário e, < e,, que é dado por: A demanda média relativa ao tempo de funciona-
D,,, t,a. mento (1,, = .L6,25 h) será, da Expressão 4 .15, igual a:
e , = 2- = -
- D.., 24 (4.20) 2.024,44
D.,., = , = 124,58 kW
16 25
O consumo diário será, da Expressão 4.15, igual a:
(4.21)
O fator de carga relativo ao tempo de funcionamen-
to será, da Expressão 4.19, igual a:
do qual se tem que:
124,58
(4.22) c1 = ~ = 0,453 = 45,3%
Pode-se ainda escrever, das expressões 4 .18 e 4.20, Para o íator de carga diário, tem-se, da Expressão
que 4.24:
lir = C1 lp = C2 • 24 (4.23) 16,25
e, = O,453 · U = O,3O7 = 3O,7%
ou, então,
A demanda média diária será igual a:
D,,,i = Cz D,, = 0,307 · 275 = 84,42 kW
Curva de carga
D
4.3 Potência de alimentação e
corrente de projeto

Potência de alimentação
Como vimos anteriormente, a potência de alimema-
ção deve corresponder à demanda. máxima presumida
de uma instalação, ou de un1a parte da instalaÇ<.i.o, en1 un1
período ele 24 horas.
De acordo com a NBR 541 o, a determinação da
24 h I
potência de alimentação é essencial para a concepção
lp econômica e segura de uma instalaçãol dentro de limites
adequados ele elevação de temperatura e de queda de
Figura 4 .6 • Cargo operando em um ciclo menor que 24 tensão. Na determinação da potência de alimentação,
horas
SU$W li

Capítulo ,4 • Plonejomento da instalação 109

devem ser computados os equipamentos de utilização a f>A ~~A


Jn ; = -- (4.29)
ser alimentados, con, suas respectivas potências nomi· t · UN · cos<I> t · U.v
nais e, em seguida, consideradas as possibilidades de
não simultaneidade de funcionamento desses equipa-
onde U,v é a tensão nomi nal do circuito e t é um fator
mentos, bem como capacidade de reserva para futuras que vale V3 para os circuitos trifásicos e 1 para os cir-
ampliações.
cuitos monofásicos.
Na elaboração de um projeto de instalação elétrica,
deve ser cletenninada a potência de alimentação de cada
um dos pontos de distribuição, seja do ponto ele alimen-
Potência nominal e fator
tação de toda a instalação (quadro de distribuição geral), de potência
dos quadros termi nais, seja cios quadros de distribuição No projeto de uma instalação, r>ara determinar a
intennediários. Desses valores, serão dimensionados os potência ele alimentação dos diversos quadros de distri-
condutores e os dispositivos de proteção dos diversos buição - ou seja, dos diversos setores da instalação,
circuitos de distribuição. incluindo o quadro geral, cuja potência ele alimentação
Considere um ponto de distribuição de uma instala- é a da própria instalação como uni todo-, é necesS<írio
ção ao qual estejam ligados, em diversos circuitos, r1 conhecer a potência nominal e o fator de potência de
conjuntos de cargas, cada um com uma potência insta- todos os pontos de utilização previstos, como:
lada P..,,.,,
um fator de demanda prático g, e um fator de
• Pontos de luz (aparelhos de iluminação).
potência cos (l)i, e ,n cargas individuais, cada uma con,
uma potência nomi nal de entrada P,,_ 1 e um fator de • Pontos de tomadas ou pontos de uso específico (onde
potência cos <1>1. A potência ele alimentação do ponto é são ligados, geralmente, equip;imentos fixos).
• Pontos de tomadas de uso geral (onde são ligados,
igual a:
en1 geral, equipa,nentos estacionários, ,nóveis ou
"
LPins,.i·g,.+ (4 .2 5)
portáteis).
l•I Devem-se considerar:
e a correspondente potência (de alimentação) reativa, • Para cada ponto de luz e tomada ou ponto de uso
igual a: específico, a potência nominal de entrada e o fator
de potência nominal do equipamento previsto para
L" Pin'>Li.
"' P-,,. • tg <1> (4 .26)
g; . tg (I>, + ~ 1 1 ser ligado.
l• I j•I
• Para os pontos de tomadas de uso geral, em princí-
A potência de alimentação aparente do ponto de dis- pio, a cada tomada devem ser atribuídos a potência
tribuição é igual a: nominal de entrada e o fator de potência do equipa·
mento mais potente com possibilíclade de ser ligado.
(4.27)
O Quadro 4. 1 apresenta os valores típicos de rendi-
A Figura 4.7 apresenta uma carga com o consumo mentos de lâmpadas.
real estimado na hora da ponta. Uma vez determinadas as potências nominaisde vários
O fator de potência cio ponto de distribuição, em pontos ele utiliz.-.ção, podem-se obter, ao somá-las, as
condições ele demanda máxima, é igual a: potências nominais correspondentes e as potências instala·
das cios diversos conjuntos de cargas. Somando esses valo-
P,
cos <I> = -- (4 .28) res com as potências oon1inais das cargas individuais exis-
s. tentes em cada setor, é possível obter as potências dos
diversos setores e a potência instalada global da instalação.
Corrente de projeto Para calcular as diversas potências de iluminação,
A corrente de projeto (/8 ) do circuito de distribuição devem-se utíl izar as expressões 4.25, 4.26 e 4.27, apli-
que alimenta o ponto ele carga é igual a: cando criteriosamente os fatores de demanda práticos
convenientes.

Fatores de demanda
- -+ !,, PA,QA,s,, A escolha dos fatores de demanda a serem uti lizados
costJ> no projeto de uma instalaç.'io elétrica deve levar em con-
sideração, no caso mais geral:
• As atividades previstas para os diversos locais cio
prédio.
Figura 4 .7 • Ponto de distribuiçõo
SU$ W ü

11 O lnsloloções elétricas

Quadro 4 .1 ,. Valores típicos de rendimentos de lôm~clas


A detenninação da potência nominal dos aparelhos de iluminação, bem como sua quantidade e localização, deve, em
princípio, ser obtida de um projeto específico de iluminação (ver Capítulo 16).
Para os aparelhos de iluminação incandescente, a potência nominal a ser considerada é a soma das potências nomi-
nais das lâmpadas.
Para os aparelhos de iluminação à descarga (com lâmpadas a vapor de mercúrio. fluorescentes, a vapor de sódio, emre
outras)., a son1a das potências nominais das Jân1padas corresponde à potência de saída. À potência de entrada do cir·
cuito das _lâmpadas. deven1-se considerar as perdas nos i:eatores ou transfonnadores e as correntes harmônicas; o ren-
dimento j á leva em coma esses raiares. Esses aparelhos apresentam os seguintes rendimentos:
• Vapor de sódio a baixa pressão: de O,7 a 0,8
• Vapor de sódio a alta pressão: 0,9
• Fluorescente: de 0.54 a 0.83
• Vapor de mercúrio: de 0.87 a 0,95
• Iodeto metálico: de 0,9 a 0,95
Os valores típicos do fator de potência dos aparelhos de iluminação à descarga são 0,5 para os aparelhos não compen-
sados e 0,85 para os compensados.

• O funcionamento previsto para os diferentes equipa- cm risco toda a instalaç.:io. Por sua vez, a otilízação
mentos de utilização. No caso específico de equipa- de um fator de demanda maior que a real produz um
mentos de aquecimento e de refrigeração, devem ser superdimensionamento da instalação elétrica, que, do
considerados os fatores climáticos. ponto de vista da segurança, é ótimo, mas penaliza o
lado econômico.
• As possibilidades de alteração de layout de equipa-
A Tabela 4.1 apresenta os valores típicos dos fatores
mentos, isto é, a flexibilidade necessária nos diversos
de demanda globais e dos fotores de carga diários para
setores do prédio, no que diz respeito aos circuitos.
vários r,:sn,os ele atividade. As tabelas 4.2 a 4.6 mostram
• As condições econômicas locais.
os valores típicos dos fatores de demanda práticos em
A adoção de fatores de demanda muito baixos diversas situações e s;io os resultados da experiência de
conduz ao subdimensionamento do circuito que ali- companhias concessionárias e de projetistas. Em particu-
menta o ponto de distribuição considerado. Esse faro, lar, são mostradas algun1as tabelas da concessionária
en1 pri ncípio, causará problenlas principaln,ente na AES Eletropaulo, mas isso deve ser tomado pelo leitor
hora do pico do consumo cuja corrente real será apenas como exemplo. É importante destacar que essas
maior que a projetada. Com o tempo, esse sobreaque- tabelas podem não ser adequadas em algumas situações,
cimento diminuirá a vida útil da isolação, colocando tendo em vista as particularidades da concessionária de

Tabela 4.1 • Valores rielco• cio fator ele demanéla g lobal (9) e cio fa- de carga diário (e) para
diverso, tipos de inotala,ões. (Fonte: Cesp)
Ramo de atividade da empresa Potência instalada g e
Extra\'.âO de ntinerais
J - Pedreira. 0.64 0,16
2 - Extração de n1incrais ,nctálicos e não n1etálicos (extração de n1incrais: Até200 kW 0,43 0.17
ex1ração de areia; extração e beneficia,nerno de rninerais: nlineração de argila.
calco e xisto). Acima de 200 k\11 0.57 0.33
-
Produtos n11ncrais nao metálicos
1- Brita,nento de pedra (bri1an1ento de granito; brita1nen10 de pedras; pedreira e
Acé5()()k\V 0,55 0,15
britador associados).
2 - Aparelha1ncnto de pedras, mánnorc. granito, serraria de gr.inito. O.SI 0,39

3 - Fabricação de cal.
Alé 500 k\V 0.47 0.17
Acima de 500 k\V 0,62 0,74
4 - Ccrâ.inica (sem especificação). Acé 150 RW 0,79 0,22
Acima de 150 k\11 0.62 0.38
(continua)
SU$ W li

Capítulo ,4 • Plonejomento da instalação 111

(continuação)
Ramo de atívida de da empresa Potência instalada g e
Cerftn1i<:3
Até 75 k\V 0,82 0,24
5 - Cerâ1nica de lijolos. 1el_has e telhões
Acima de 75 k\V 0,68 0,22
Até 140kW 0,57 0.21
6 - Cerâ1nica de n1anilhas, associada ou não a telhas. lajota.~. tubos e conexões
Acima de 140 kW 0.69 0,29
7 - Cerâ1nica de lajotas. associada ou não a tijolos, telhas. tubos e guias 0,5 1 0.24
8 - Cerâmica de rcfr.llários 0,48 0,27
Até 250 kW 0.62 0,39
9 - Pisos cerâ,nicos, vi1.rificados. es,naltados. ladrilhos e 1>astilhas
Acima de 250 kW 0,56 0.64
IO- Louças e porcelanas. 0.62 0,48
J 1 - Cerârnica de nuue.rial vazado, associado ou não a outras cerâ1nicas 0,65 0,24
12 - Anefatos de cimento (cin1cnto a,nianto. chapa de ci1nento. telhas: caixas
0,28 0,36
d'água)
13 - Fabricação e elaboração de vidro (de fib ras de vidro. fábrica de garrafas.
0,67 0,6 1
vidraria)
14 - Moage,n de pó calcário. nlincração e n1oage1n de calc-~rio, pó c alcário) Até IOOkW 0.75 0, 15
Acima de 100 k\V 0,65 0,30
...: ,.
Metalurgia
1 - Metalurgia (n1etalurgia, redução e refino de cobre, fundição, recuperação de Até300kW 0,28 0,22
meio.is) Acima de 300 k\V 0.37 0,43
2 - Lan1inação e n1c.tais 0.42 0.22
3 - Melalurgia: diversos (fábrica de arantes, esquadrias n1etálicas. artefa1os de Até 150kW 0.28 0, 16
nletais. annaçõcs e cs1ruturns n1e1álicas. serralharias. cutelaria) Acima de 150 k\V 0,25 0,3 1
Mecâruca
J - Fabrição de n1áquioas operatrizes (indt1stria de 1náquioas pesadas. fundição de Até500 k\V 0,25 0,23
n1áquinas. índústria 1nccânica1 indús1ria de 1náquinas e cquip;unentos, índús~
triade n1áquinas-ferran1entas) Acima de 500 kW 0.25 0,37
2 - Fabricação de n1áquinas agrícolas (fabric:,ção de arado~. de peças de tratores e
0,35 0,25
de máquinas. i1nple1ne111os e ferran1en1as agrícolas)
3 - Indústria de femunen1as agrícolas e-indústrias rnecãni-cas diversas (pregos.
corrente.,ç, panelas, caldeirões. frigideiras, enxadas. enxadões. peneiras, 0 ,48 0,19
adubadeiras)
Materiais elélrict,s e de con1unicaçoes -
1 - lndtí.-stría de trnnsfomH1dores e equipantentos elétricos 0,34 0.33
2 - Fabricação de 1naterial elétrico e de co1nunicações: diversos (indús1ria de
eletrofones. geradores, equipa1ne1tto elevador de c.arga, controles elétricos, 0,44
chaves elétricas, válvulns. instalações 1cm1clétricas industriais)
Material de trnnsporle
1 - Estaleiro (oficina naval. oficina rnecãnica paro conserto de barcos. instalações
0.26 0.32
navais)
2 - lndústri:1 de rodas 0.35 0 ..25
3 - Indústria de escapanientos 0.48 0.28
4 - Indústria de freios para veículos (autopeças) e la111ernas 0.23 0.34
5 - lndúsoria de tanques (tanques. basculames, reboque.,, carretas) 0.22 0,19
6- Indústria de carrocerías 0.47 0,20
7 - Indústria de carrinhos de bebês 0.4 1 0,23
8 - Indústria de n1ancais é buchas 0,44 0,25
(continua)
SU$ W li

11 2 lnslalações elétricas

(cominuaçâo)
Ramo de atividade da empresa Potência instalada e
Madeira
1 - Serraria e carpintaria 0.4 1 0.18
2 - Fabricação de 1naterial de e,nbalagen, (fábrica de caixas de ,nadcirn. de c1nbalagen~
0. 35 0,24
de madeira. palha de 1nadeir.1 para c111balagcm)
3 - Fabricação de artigos de n1adeira e la1ninação de madeira {cabides, cruzetas de Até 100 kW 0,59 0, 19
rnadcir:t. anefatos de ,nadeira, ponas. janelas, 1acos1 donnen1es, 1anoaria) Acima de 100 kW 0.25 0.23
Mobilillrio
l - Fábrica de 1n6veis (n1óvei.s de 1nadeira, de fónnic:3, es1ilo colo11ial. n1óveis para Até 120 kW 0.40 0,19
escritório) Acima de 120 kW 0.30 0,28
2 - F.íbrica de móveis e cofre,; de aço 0.24 0.28
3 - Fábrica de móveis estofados 0,62 0,23
Celulose, papel e 1>apclão
Até IOOkW 0.3 1 0.31
1 - Fábrica de papel e papelão (indústrias de celulose, papel, cartolina, papelão, Acima de 100 kW e até
0,54 0.56
papel miolo. papelão ondulado, saco de papel) I.OOOkW
Acima de 1.000 kW 0.62 0.66
Borracha, quhnica e 1>rodutos farrnacêuhcos e vetcr1nár1os
Até 300 kW 0.66 0, 13
l - Indústria e usina de asfal10
Acima de 300 kW 0,37 0.20
2- Diversos (indústria de adubos. produtos fannacêuticos. ,1uín1icos. veterinários.
pirotécnicos, inse1icidas. p6 e talco para inseticida, pneus e resso.lage111,
artefatos de borracha. 1in1a para ,nadcir-J, cera par-d assoalho. tintura têxtil. 0.40 0,37
extn1ç.ão de 1anino. óleo lubrific.ante, derivados: de petróleo. indústria de sinléti·
cos, resinas anificiais)
Couros e peles
Até 100 kW 0.43 0,27
Acima de 100 kW e até
l - Indústria de peles. cunun1e e indlístria de couro 0.29 0,2 1
300 kW
Acima de 300 k\V 0,45 0,43
Produtos de matéria pláshca
Até 150 kW 0.54 0.23
1 - Indústria de plástico (beneficiamento de plástico e espuma)
Acima de 150 kW 0.40 0,55
2 - Recuperação de plá.~tieo 0,6 1 0.38
3 - Indústria de embalagem de plástico (sacos plásticos, cordas e fios plásticos) 0.52 0.35
T êxtil
l - 8cneficia1ne1uo e industrialização de algodão 0.25 0,31
2 - Fi<1ção (sem especificação) 0,57 0.58
3 - Torção e rotação de fios: indústria de linhas para coser 0,48 0,68
4 - I ndústria têxtil - 1ecclagcn, - fábrica de 1ecidos 0.58 0,40
5 - Fiação e tecelagcn1 associados 0,47 0,45
6 - Fábrica de tecidos de tergal. de tecidos de fios plásticos. de tecidos de algodão 0,47 0,34
7 - Fábrica de 1ncias. rendas. n1alharia. chcnilhas e pelúcia 0.46 0.45
8 - Tecelagen1 de sacos 0,60 0,29
Vestuário, calçados e artefatos de tecído
l - Indústria de chapéus associado ou não a calçados ou a confecções têx1cis 0.46 0,24
Até 150 kW 0,33 0,27
2 - lnchlstria de calçados: calçados plásticos
Acima de 150 kW 0.59 0,26
(continua)
SU$W li

Capítulo .4 • Planejamento do instalação 113

lconrinvaçiio)
Ramo de atívidade da empresa Potêncía instalada g e
Produtos ali1nentares
l - Fábrica de chá. bencficia,nento de chá 0.43 0.38
Até IOOkW 0,60 0.17
2 - Beneficia.n1e1Ho de café e a,·roz, associada ou não ao a,nendoim
Acima de 100 kW 0.26 0.18
3 - Beneficiamento de café associado ao algodão à rnção. ao cereal - Até90kW 0.50 0.09
Benelician1cnto. torrefação e ,noagcnt de café Acima de 90 kW 0,45 0.15
4 - Ucncficia,nento de a1nendoin1. ass1Xiado ou oão ao café 0.26
5 - Bcneticia1nento de café 0,45 0. 13
6 - Bcncticia1ncnto de arroz - 111ác1uina de arroz 0,64 0.23
7 - Cli1natização de banana - industrialização de banana 0.39 0,43
8 - Industrialização de laranja (barracão de laranja~benefician1ento de laranja,
0.59 0,25
comércio e embalagem de laranja)
9 - Indústria de gelo Até 500 kW 0,64 0,53
Acima de 500 kW 0,62 0.7 1
10 - lndúsll'ia de óleo vegetal - extraçilo de óleo vegetal 0.37 0.47
11 - Fecularia (se1n especificação) - fábrica de farinha 0.33 0. 16
12 - Fecularia de 1ni1ho 0,54 0,22
13 - Produtos derivados da n1andioca (fecularia. ração de ,nandioca,
0,36 0,25
industrialização de n1andioca)
14 - Abate de anirnais (indústria e cornércio de frongos. ,na1adouro. abate de
0,38 0.39
aves, fábrica de conservas de carne)
15 - lndus tríalização de pe.~cado 0,46 0,4()
16 - Frígorítico 0.41 0.42
Até60kW 0,71 0,30
Acima de 60 kW e até
l7 - Rc..'\fria1ncn10 de leite. posto de recebi1ncn10 de leirc 0,63 0.37
IOOkW
Acima de 100 kW 0.44 0.38
18 - Pas1eurização de leí1e e/ou man,eiga 0.57 0.29
Até50kW 0.78 0.33
19 - lndus1rialização de leite (sen1 especificar a oper"çào. laticínios. usinas de
Acima de 50 kW 0.63 0.39
leite, cooperativa de leite)
Acima de 150 kW 0,56 0.48
20 - Derivados de leíte (fábrica de leite em p6, queijo. manteiga) 0,33 0,38
21 - Fabricação e refino de açúcar, associado ou não à fabricação de álcool,
0.28 0,39
melaço o u moogem de café
22 - Fabricação de ,nassas a1i1nentícítts - pastifício 0.50 0,35
23 - Produtos alirnentares diversos (fábrica de rações, farinha de ossos, 111oagen1
0,50 0,26
de l'açâo, farelo~geléia. conservas de , 1egerais. veg_crais indus1rializados)
Bebídns
A1é80kW 0.72 0.16
1 - Indústria de bebídas (cerveja, reírigeranles)
Acima de 80 kW 0.49 0.40
Até 140kW 0,38 0.27
2 - indústria de aguardente (destilaria, alan1biquc, engenho)
Acima de 140 kW 0,28 0,42
3 - Engarrafamento de água e de aguardente 0,55 0,34
4 - E.x.1ração de suco cítrico e derivados (indústria de sucos. indústria de suco de
0.73 0,58
laranja)
(continva)
SU$W li

114 lnslalações elétricas

(continuação)
Ramo de atívídade da empresa Potência inS1alada g e
Indústria de transforn1açõcs divcrs<L'i
1 - Diversos (fábrica de enfeite.e; me1áHcos, instru1nen1os n1usicais. jóia..~; indústria
0.36 0.24
gráfica, annações de óculos. perucas. escovas. cadcmos)
lndústría de oonS1ruçiio
1 - Construção c ivil (engenharia de const'rução, cante iro de obras, constn1tora) 0,45 0.29
2 - Pavimentação - terr.:tplenagen1 - construção de estradas (cons1rução., pavimen-
0.38 0.31
1ação e/ou conservação de es1radas)
Agr icultura e c riação de animais
Até80kW 0,25 0,30
Acima de 80 kW e até
1 - Agricultura (estação experimental de agricultura: pesquisa de agricultura) 0.38 0,37
150 kW
Acima de 150 k\V 0.18 0.36
Até 150 kW 0.30 0.31
2 - Agropecuária
Acima de 150 k\V 0.19 0.34
3 - Criação de eqüinos 0.36 0,40
4 -Granja (sem especificação) Até 70 kW 0.74 0,40
Acima de 70 k\V 0.45 0.47
5 - Avicultura (granja avícola. agricuhura e avicultura, agropc-cuária e avicultura) 0,33 0,43
6 - Incubação de ovos 0.32 0.47
7 - Floricultura e fruticultura (granja e cultivo de flores. irrigação de norcs) 0.45 0.30
8 - Posto de se,ncnte (classificação. secagen1. tratamento de sen1e111es) 0.23 0,23
9 -Alividades agrícolas. diversas (alividade rural senl especificação. cultivo de
cogu1nelo, rcnorcsta1nenro, cooperJtiva agrícola, hortoflorestal, produção de 0,27 0,36
1n udas1 piscicultura. prestação de servjços e agriculU.1l'a)
Serviço de tr••nsporte
1- Ferrovia 10.28 10.40
Serviço de alojamento e alirnentação
Até80kW 0,56 0,30
Acima de 80 kW e até
1 - Hotel e n1otel 0.19 0.37
200kW
Acima de 200 kW 0,16 0.51
2 - Hotel e restaurante, refeitório e alojan1ento 0,31 0.34
3 - ResraurJ1ue (cantina, bar e restaurante. escritório e refeitório) 0,77 0.50
Ser\•íço de n,nnutençâo, reparaçiio e conservação
1-Oficina 1nec.ânica (oficina de locomo1ivas. manutenção de locomo1ivas.
retífica de n1áquinas de temtplenage,n. garagen1 e oficina, recondjcionan1ento 0,35 0,31
de máquinas, escritório e oficina)
Serviços 1>essoais
Até80 kW 0.37 0.28
Acima de 80 kW e até
1 - Hospiral (as.~istência hospitalar, Santa Casa, hospilal com pro,no-socorro) 0,31 0,38
200kW
Acima de 200 k\V 0. 18 0.46
2 - Hospital psiqui~\trico 0.43 0.49
3 - Ambulatório. centro de saôde 0.22 0.23
4 - Hospital e matemidade 0.24 0,37
Até 100 k\V 0.40 0,22
5 - Sanatório
Acima de 100 k\V 0.27 0.39
(continua)
SU$W li

Capítulo .4 • Plonejomenlo do in,tolação 115

(continuação)
Ramo de a tividade da empresa Potência instalada g e
6 - Es1abeleci111en10 de ensino de ,~ e 2~· graus: traclicional (es1abelecirnen10 ele
ensino técnico-educacio-nal. educandário. ginásio pluricurricular. escola nonnal. 0.36 0. 17
colégio, ginásio. escola, centro educacional. instituto de educação)
7 - Estabclecilnento de ensino superior: faculdade 0.35 0,33
8 - Escola profissionalizante (estabeleci1nen10 de ensino indus1rial. escola do
Se.nai. ginásio industrial, ginásio vocacional. escola profissionalizante, colégio 0,29 0,23
técnico-agrfcola 1 ginásio orientacio11al)
Serviços comerc1a1s
..
1 -Annazéns gerais (silos e amlazén1. depósito de n1ercadorias. depósito de Até40kW 0.44 0,34
gêneros alünentícios. annazé1n de café e cereais. depósilo e d istribuição de
petróleo e derivados) Acima de 40 kW 0,24 0.33
Entidades financeiras
1 - E.stabelecintento de crédho (banco. es1abeJecirltento bancário. casa bancária. Até80kW 0,59 0,32
centro de computação de dados de banco) Acima de 80 kW 0,61 0,25
Co1nérc10 varejista
l - Contél'cio varejista de ve{culos (agência de veículos. agê.ncia de tratores, con· Até60 kW 0.52 0.23
cessionária de veículos, associada ou não ao pos10 de gasolina e oficina. co1nér·
cio de 1náquina..~ e in1plen1entos agrícolas) Acima de 60 kW 0.28 0.24
Até40 kW 0.67 0.43
2 - Posto de gasolina. associado ou não à lubrificação
Acima de 40 kW 0,41 0,53
Até90kW 0.58 0.49
3 - Posto e res1aurante
Acima de 90 kW 0.46 0.53
4 - Posto de ga.wlina associado a outras forn1as de co1nércio (exceto restaurante e
0.41 0.22
lubrificação)
Até80 k\V 0.62 0,59
5 - Su1>em1ercado, associado ou não à panificação
Acima de 80 kW 0.49 0,5 1
- enlldades e associaçoes
Fundaçoes, - de fins nao lucrallvos -
l - Entidades beneficentes, religiosas e assistenciais (instituto bíblico, assistência Até 130kW 0, 16 0,20
social, pro1noç;lo social. n1os1eiro, i11S1ituto bcncficiente, previdência social. asilo) Acima de 130 kW 0,26 0,43
2 - Organizações para a prática de esporte (praça de esportes. c lube de campo, Até 150kW 0,52 0,23
clube náu1ico~ c::unpo de fu1ebol, clube esponivo e re.creacivo. ginásio de
esportes, sociedade esportiva) Acima de 150 kW 0,31 0.39
Até70 kW 0.47 0,34
3 - Colônia de férias: balneários
Acima de 70 kW 0.23 0.25
Até80kW 0.62 0.24
4 - Clube social (clube, clube recreativo. centro rccrea1ivo)
Acima de 80 kW 0.41 0.27
-
Serviço de cornun1caçoes
Até 75 kW 0.58 0,50
1 - Tclcco1nunicações
Acima de 75 kW 0.13 0,35
Indústria de utilidade pública
1 - Trotomento e distribuição de água (abastecimento de água. bomba, poço. Até 150 kW 0.67 0,53
trata1nen10) captação, serviço de água e esgoto) Acin,a de 150 kW 0,53 0,58
Admini~1raç:ão pública direta e autírquica
1 - Adn1inistração ptíblica 1nunicipalt federal ou es1adual (cadeia, delegacia de Até70 kW 0.31 0,29
polícia. paço. f6ru1n. auditório. depaname.nto de estr..i.da de rodage1n) Acima de 70 kW 0, 14 0,35
2-Quanel 0.29 0,39
Residenchll
Até IOOkW 0,35 0,41
l - Administração de prédios de depana1nentos
Acima de 100 kW 0.13 0,29
Até200kW 0.39 0,33
2 - Resideocial (re.sidência, colônia residencial. núcleo residencial)
Acima de 200 kW 0,20 0.33
SU$ W ü

11 6 lnslalações elétricas

Taliela 4.2 • Fatores ele ilemanela para iluminafão e toiiicii:las ele uso geral em uniclãdes residen·
ciais e acomodafÕOS ele hotéis, motéis e similares (Fonte: NBR 5410:2004)

Potência - P (k W) Fator de demanda(%)
O < P :S I 86
l < P:S2 75
2 < P :S 3 66
3 < P :S 4 59
4 < P:S5 52
5 < P:S6 45
6 < P :S 7 40
7 < P:S8 35
8 < P:S9 31
9 < P :S 10 27
Acima de 1O 24

f Tabela 4 .3 • coletivo,
Fatores ele demanda para iluminQfãa e tomadas ele uso geràl em edificQfões ele uso
com finalidade comercial ou industrial (Fonte: AES Eletropaulo) 1
Dcscrii;ão Fator de demanda(%)
Auditórios. salões para exposiç~io e sernelhantes 1.0
Bancos, lojas e sen1elh:u11es 1,0
Barbearia.'i, salões de beleza e semelhant.es 1.0
Clubes e se1nelhantes 1.0
1,0 para os primeiros 12 kW e
Escolas e sen1elh.antes
0,5 pam o que exceder a 12 k\V
1,0 pam os primeiros 20 k\V e
Escri1órios
0.7 para o que exceder a 20 kW
Garagens co1nerciais e semelhantes 1.0
0.4 para os primeiros 50 kW e
Hospi1ais e sc1nelhantes
0.2 para o que exceder a 50 kW
Igrejas e semelhantes 1.0
Indústrias 1,0
Restaurantes e se,ne1hantes 1,0

Tabela 4.4 • Fatores de demanda para aparelhos ele ar-condicionado (tipo janela ou centrais indivi·
duais) ªf>licáveis a edifícios reoiclenciais e comerciais (Fonte: AES Eletrof'_Clulo)
-- -
Número de aparelhos Faiõr d-;;r.;;;anda (%-) - -
2 88
3 82
4 78
5 76
6 74
7 72
8 71
9 a li 70
12 a 14 68
15 a 16 67
17 a 22 66
23 a 20 65
31 a 50 64
Acimade50 62
NoLa.: Em Ulll3 unid.td~ residencial eon, tnais de um .1p.1.relho. tt(01nenda-se uülizat g • 1.
SU$ W li

Capítulo .4 • Planejamento do instalação 117

ITatiela 4 ,5 • !Fonte:
Fatores demandei de alguns equipamentos ele usa residencial
AIS El~ulo)
de
l
Chuveiro, torneira Máquinas de lavar Aquecedor Fogão elétrico, Máquina de secar
Núrnero de Hídro-
elé,trica, aquecedor indi· louças, aquecedor cen- central de- fomo de roupas. sauna. 1nassagem
aparelhos
vidual de passagen1 traJ de passagem acun1ulação n1icroondas ferro elétrico
01 100 100 100 100 100 100
02 68 n 71 60 100 56
03 56 62 64 48 100 47
04 48 57 60 40 100 39
05 43 54 57 37 80 35
06 39 52 54 35 70 25
07 36 50 53 33 62 25
08 33 49 51 32 60 25
09 31 48 50 31 54 25

'ºª 11
12 a 15
30
29
46
44
50
50
30
28
50
46
25
20
J6a 20 28 42 47 26 40 20
21 a 25 27 40 46 26 36 18
26 a 35 26 38 45 25 32 18
36a40 26 36 45 25 26 15
41 a45 25 35 45 24 25 15
46a 55 25 34 45 24 25 15
56a65 24 33 45 24 25 15
66a 75 24 32 45 24 25 15
76a80 24 31 45 23 25 15
81 a90 23 31 45 23 25 15
9 1 a 100 23 30 45 23 25 15
101 a 120 22 30 45 23 25 15
121 a 150 22 29 45 23 25 15
151 a 200 21 28 45 23 25 15
201 a 250 21 27 45 23 25 15
251 a 350 20 26 45 23 25 15
351 a 450 20 25 45 23 25 15
451 a800 20 24 45 23 25 15
801 :1 1.000 20 23 45 23 25 15
Norns:
1. So,ucn1e p,.1r.l. o cálculo da dcm.:'lnda de cl1u\·ciros elé1riros e aqucct~ clt eticosde passagem ulilb..·1dos e,n lav':l.1órios. pias e bld~. e,n qualquer
dí:J)("1tdênci:t d:t uttidàde de consu,no. dt\'tOt·se $01nar a.~ qu3111idade-s de aparelhos é aplic3r o fator de dcrn:J.nda COl'1\1'$po11den1e à w n1a16ri:1 de suas
po1énci:1s. P.'.lr.l os demais equipa,ne1uos. 3 detcnnin~lO do f3h)f d~m.'l.Oda dt\'t ser feha por tipo de cquip.tn~n10.
2. l:Wa fomos cléuicos illdus1riais a dcmand3 dC\'C ser de 100% i»ra q1.1al,qucr qua111ld3dc. dc .'tp.1tclhos.

energia no local da instalação em quesrão. Sempre con- b) Aplica-se o fator de demanda ele 100 por cenro para
sulte as rabeias específicas da concessionária local. o moror de maior potência e 50 por cenro para os
demais motores, em kVA.
Motores elétricos
De acordo com a orientação da concessionária AES Cargas especiais
Elerropaulo, a demanda dos motores elétricos deve ser De acordo com a orienraç.'\o da concession.iria AES
determinada conforme a seguir: Elerropaulo, são considerados equi1>amentos especiais os
a) Converre-se as potências ele motores, de CV/HP para a1>arelhos de raio X, as máquinas de solda, os fornos elétri-
kVA, utilizando-se a Tabela 4.6. cos a arco, os fornos elétricos de inclução, os retificadores
SU$W li

11 8 lnsloloções elétricas

Talitla 4 ,6 • Fatores ele clemancla de motores elétricos. (Fonte: AES Eleh apaulo)

Potêncía no,ninal Potência absorvida na rede Corrente à plena carga (A] Corrente de partida [AI
cos g) médio
(CV ou HP)
kW kVA 380V 220V 380V 220V
1/3 0,39 0,65 0,90 1,70 4.10 7, 10 0.6 1
1/2 0,58 0.87 1.10 2.30 5.80 9,90 0,66
3/4 0.83 1.26 1,90 3,30 9.40 16.30 0.66
1 1.05 1.52 2.30 4.00 11.90 20.70 0.69
1,5 1,54 2.17 3,30 5.70 19.10 33.10 0.7 1
2 1,95 2.70 4.1 0 7,10 25.00 44,30 0,72
3 2,95 4,04 6. 10 10,60 38.00 65,90 0.73
4 3,72 5.03 7.60 13.20 43.00 74.40 0.74
5 4,51 6,02 9, 10 15,80 57.10 98,90 0,75
~
1.5
-~ 6.57 8.65 12.70 22.70 90.70 157.10 0.76
~
~ 'º
12.5
8,89
10.85
11 .54
14.09
17.50
2 1.30
30.30
37.00
116.10
156.00
201, 10
270.50
0.77
0.77
YI
...
o 15 12,82 16,65 25.20 43,70 196.60 340,60 0.77
õ
:. 20 17,01 22, 10 33,50 58,00 243,70 422, 10 0,77
25 20.92 25,83 39,10 67,80 275,70 477,60 0,8 1
30 25,03 30,52 46,20 80, 10 326,70 566,00 0,82
40 33,38 39,74 60.20 104,30 414,00 7 17,30 0.84
50 40,93 48.73 73,80 127.90 528.50 9 15,50 0.84
60 49.42 58, 15 88.10 152.60 632.60 1.095.70 0.85
75 61.44 72.28 109.50 189.70 743.60 1.288.00 0.85
100 81.23 95.56 144.80 250.80 934.70 1.6 19.00 0.85
125 100,67 117,05 177,30 307,20 1162.70 2.0 14.00 0,86
150 120,09 141,29 2 14,00 370,80 1455.90 2.52 1,70 0,85
200 161 ,65 190,18 288, 10 499,10 1996.40 3.458.00 0 .85
1/4 0,42 0.66 5.90 3.00 27.00 14.00 0.63
~
1/3 0,5 1 0.77 7,10 3,50 31,00 16.00 0,66
..
8
1o 1/2
3/4
0,79
0.90
1,18
1,34
11 ,60
12,20
5,40
6, 10
47,00
63.00
24,00
33,00
0.67
0.67
"e
o
1 1,14 1,56 14,20 7, 10 68,00 35,00 0,73
YI
...
o 1,5 1,67 2,35 21,40 10,70 % ,00 48,00 0,71
õ
:. 2 2,17 2,97 27,00 13,50 132,00 68,00 0,73
3 3,22 4,07 37,00 18,50 220,00 110,00 0.79

e os equipamen1os de elelrólise, as máquinas injetoras e Previsão de cargas de iluminação


as extrusoras de plástico ele.
A demanda, em kVA, desses equipamentos pode ser
e tomadas em locais destinados à
determinada consicleranclo-se 100 por cento da potên· habitação
eia, em kVA, cio maior equipamen10 e 60 por cento da No caso de locais destinados à habitação - as uni·
potência, em kVA, dos demais equipamen1os S(>mados. dades residenciais (casas e apartamen1os) e as acomoda,
SU$W li

Capítulo 4 • Plonejomento da instalação 1 19

çôes (apartamentos) de hotéis, Oats, motéis e similares - Quanto à potência a ser atribuída a cada ponto de
a detenninação da potência instalada e da potência de tomada, ela é função dos equipamentos que o ponto
alimentação pode ser feita, segundo a NBR 5410, consi- poderá vir a alimentar e não cfeve se-r inferior aos seguin-
derando-se as seguintes condições: tes valores 1nínimos:
• Em banheiros, cozinhas, copas, copas-cozinhas,
lluminafÔO áreas ele serviço, lavanderias e locais análogos, no
A potência de iluminação mínima de dado local é mínimo 600VA por ponto de tomada, até três pontos,
obtida em função da área ($) : e 100 VA por ponto para os excedentes, consideran-
• P.lra S s 6 m' adota-se 100 VA. do-se cada um desses ambientes separadamente.
• P.lra S > 6 m' adota-se 100 VA para os primeiros 6 Quando o total de tomadas no conjunto desses
m2 e son1a-se 60 VA J)<1ra cada 4 m l inteiros. ambientes íor superior a seis pontos, admite-se que o
critério de atribuição de potências seja de no mínimo
Ponto s de tomada 600 VA por ponto de tomada, até dois pontos, e 100
VA por ponto para os excedentes, sempre conside-
O número ele pontos de tomada deve ser determina- rando e.ida um dos ambientes separadamente.
do em função da destinação do local e dos equipamen- • Nos demais cômodos ou dependências, no mínimo
tos elétricos que podem ser nele utilizados, observando- 100 VA por ponto de tomada.
se no mínimo os seguintes critérios:
A NBR 5410 indieaque emcadaeômodoou dependência
• Em lxlnheiros, deve ser previsto pelo menos um deve Ser previ$fo pelo n1enos u1n ponto de luz fixo no teto.
ponto de ton1ada próximo ao lavatório. comandado por interruptor. No enranto. adn1ite-se que o
• Em cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de sesviço, ponto de luz, fixo no teto seja substituído por ponto na
cozinha-área de sesviço, lavanderias e locais análogos, parede em espaçoo sob escada. dep6si100, despensas. lava·
deve ser previsto, no mínin10, un1ponto de toma-c"-1 para bos e varandas. desde que de pequenas dimensões e onde
cada 3,5 m, ou fração, de perímetro, e acima da banca- a colocação do ponto no teto seja de difl<:il exe<:uçi!o ou
da da pia deven1 ser previstas1 no n1ínin10, duas ton1adas não conveniente. Além disso, nas acomodações de hotéis.
motéis e similares, pode-se substituir o ponto ije luz fixo
de corrente, no mesmo ponto ou em pontos dist.intos.
no reto por tomada de corrente, com potência mfuima de
• Em varandas, deve ser previsto pelo menos um ponto de 100 VA. comandada por intem,pcor de-parede.
tomada, admitindo-se que o ponto de tomada não seja
instalado na própria varanda, mas próximo ao seu acesso,
quando a varanda, por razões construtivas, não comportar Potência de alimentação de
o ponto de tomada, quando sua área for inferior a 2 n>' ou, iluminação e tomadas
ainda, quando sua prof1indiclade for inferior a 0,80 m.
• Em salas e dormitórios devem ser previstos pelo A potência de alimentação de iluminação e tomadas
n1enos un1 ponto de lon1ada para cada 5 01, ou fração pode ser calculada por:
de perímetro, devendo esses pontos ser espaçados
tão uniformemente quanto possível. Particularmente, Pa = (/'""'" + P,.5)g + (4.30)
no caso de s.1las de estar, deve-se atentar para a pos-
sibilidade de que um ponto de tomada venha a ser onde
usado para alimentação de mais de um equipamen-
• J'ilu.·m = potência instalada de ilu1ninaÇ<io.
to, sendo recomendável equipá-lo, portanto, com a
quantidade de tomadas julgada adequada.
• P.,, = potência instalada ele tomadas de uso geral.
• g = fator ele demanda relacionado na Tabela 4 .2, em
• Em cada um cios demais cômodos e dependências de
função ela potência instalada de iluminação e toma-
habitação devem ser previstos pelo menos um ponto
das de uso geral (P;i.,,. + P,.g).
ele tomada, se a área do cômodo ou dependência for
igual ou inferior a 2,25 m' (admite-se que esse ponto
seja posicionado externamente ao cômodo ou L"' PN.; = soma das potências nominais dos
dependência, a até 0,80 m no máximo de sua porta ,. , equipamentos específicos.
ele acesso). Se a área do cômodo ou dependência for
Deve-se ainda observar que:
superior a 2,25 m1 e igual ou inferior a 6 m1, deve ser
previsto um ponto ele tomada. E se a área cio cômo- • O fator de potência das cargas de iluminação depen-
do ou dependência for superior a ó m' , deve ser pre- derá do tipo de lâmpada utilizada. Como geralmente
visto um ponto de tomada para cada 5 m, ou fração são utilizadas Ul"mpadas incilndescentes, o mais
de perimetro, devendo esses pontos ser espaçados comum é adotar-se um fator igual à unidade, Para
tão uniformemente quanto possível. outros tipos de lâmpadas, ver Quadro 4.1.
SU$W li

120 lnslalações elétricas

• O fator de potência atribuído às tomadas de uso geral (a) Os valores mínimos das cargas de i luminação são:
é, quase sempre, igual a 0,8 indutivo;
• Hall: l 00 VA
• Para a instalação global, no caso de ilun1inação incan-
• Salas: 40 m' = 6 m' + 8 X 4 m' + 2 m2 _ _
descente, adota-se o íator de potência 0,95 i11dutivo.
100 + 6 X 60 = 580VA
En, projetos, para o din1ensionamento de circuito, • Varanda: 100 VA
com respeito às tomadas de uso geral, observe que, • Lavabo: 100 VA
quando se atribui certa potência aparente a uma tomada • Distribuição: 11 m' = 6 m' + 1 x 4 m' + 1 m'
de uso geral, corno 100 ou 600 VA nos locais de habita- _ _ 100 + 1 X 60 = 160VA
ção, considera-se, na real idade, um fator ele utilização. • Dormitório 1: 18 m 1 = 6 m1 + 3 x 4 m 2 _ _
Assim, 1>0r exemplo, para uma tomada de 1 O A em 100 + 3 X60 =280VA
um circuito de 127V, a potência nominal é igual a 10 X • Banheiro 1: 100 VA
127 = 1.270 VA, e os fatores de utilização serão: • Dormitório 2: 14 rn' = 6 rn 2 + 2 X 4 m'__
100 + 2 X 60 = 220VA
100
• Para 100 VA ---> l.270 = 0,078 • Banheiro 2: 100 VA
• Dormitório 3: 20,25 m' = 6 m' + 3 X 4 m' +
600 2,25 m' _ _ 100 + 3 X 60 = 280VA
• Para 600VA ---> I.270 = 0,47 • Copa-cozi nha: 24,75 m' = 6 ml + 4 x 4 m' +
2,75 m 2 _ _ 100 + 4 X 60 = 340VA
• Área ele serviço: 16,5 m' = 6 m2 + 2 x 4 m' +
EXEMPLO 2,5 m•__ 100 + 2 X 60 = 220 VA
• Quarto de empregada: 100VA
Calcule a potência instalada de um apartamento
• Banheiro de empregada: 100 VA.
padrão de um prédio residencial com as seguintes depen-
dências e respectivas dimensões (em metros): Os resultados estão na Tabela 4.7.
• Hall ele entrada 2x 2 lb) Determinação da quantidade e potência dos pontos
• Salas (conjugadas) 5X8 de tomadas de uso geral:
• Varanda 1,5 X 5
• Hall: 1 _ _ 1 X 100 = lOOVA
• Lavabo 1,5 X 1,5 • Salas: 26/5 = 5,2 _ _ 6 _ _ 6 x 100 =
• Distribuição 2 X 5,5 600VA
• Dorn1itório 14,5 X 4 • Varanda: 1 _ _ 1 x 100 s 100VA
• Banheiro 1 2,5 X 2 • Lavabo: 1 _ _ 1 X 100 = lOOVA
• Dormitório 2 3,5 X 4 • Distribuição: 15 I 5 = 3 _ _ 3 _ _ 3 X 100 =
• Banheiro 2 2 X2 300VA
• Dormitório 3 4,5 X 4,5 • Dormitório 1: 17/5 • 3,4 _ _ 4 _ _ 4 X
100 = 400VA
• Copa-cozinha 4, 5 X 5,5
• Banheiro l: 1 _ _ 1 x 600 = 600 VA
• Área ele serviço 3 X 5,5
• Dormitório 2: 15/5 = 3 _ _ 3 _ _ 3 x 100
• Quarto de empregada 2 X 2,5 = 300VA
• Banheiro de empregada 2 X 1,5 • Banheiro 2: 1 _ _ 1 x 600 = 600VA
Estão previstos os seguintes pontos ou pontos de • Dormitório 3: 18/5 = 3,6 _ _ 4 x 100 = 400
tomadas de uso específico: VA
• Copa e cozinha: 20/3,5 • 5,7 _ _ 6 _ _ (3
• Aquecedor de água (central) de 300 l itros, ou 2.000 X 600) + (3 x 100) = 2. lOOVA
W, na área de serviço • Área de serviço: 17/3,5 = 4,8 _ _ 5 _ _ 3
• Chuveiro de 6.000 W no banheiro de empregada
X 600 + 2 X 100 C 2.000VA
• Exaustor de 300 W na cozinha
• Quarto de empregada: 1 _ _ 1 x 100 • 100
• Forno de microondas de 1.200 VA (cos <1> = 0,8) na VA
cozinha • Banheiro de empregada: 1_ _ l X 600 = 600
• Lava-louç,1 de 2.800 VA (cos <f> 0 0,8) na cozinha
VA
• Torneira elétrica ele 5.000 W na cozinha
• Lavadora de roupa de 770 VA (cos <I> = 0,8) na área Os resullados estão na Tabela 4.7.
de serviço (c) D eterminação da potência instalada:
• Secadora de roupa de 5.000 W na área de serviço • Iluminação P,,,~ = 2.780 x 1 = 2.780 W
• Três aparelhos ar-condicionador de l 0.000 BTU/h, • Ton,adas de uso geral /',ur. =
1.400 W cada, um por dormitório. 8.300 X 0,8 = 6.640 W
SU$ W ü

Capítulo .4 • Plonejomenlo da in,talaçõo 121

J Tcmela 4.7 • Potência initalada ele um apartamento-padrão ele um préclio residencial J


Dimensões JlurninaçliO Tomadas de uso geral Tomadas/pontos de uso especifico
Depe·n dências Área Perín1etro N'de Potência N' de J>otência Potência
Descrição
(m') (m) pontos (VA) pontos (VA) (W)
Hall 4 - 1 100 1 100 - -
Salas 40 26 3 580 6 600 - -
Varand:l 7.5 - 1 100 1 100 - -
Lava.bo 2,25 - 1 100 1 100 - -
Distribuição li 15 1 162 3 300 - -
Dorrni16rio 1 18 17 2 280 4 400 Ar-colldicionndo 1.400
Banheiro I 5 - 2 100 1 600 - -
Donni16rio 2 14 15 1 220 3 300 Ar-condicionado 1.400
Banheiro 2 4 - 2 100 1 600 - -
Donnitório 3 20.25 18 2 280 4 400 Ar-condicionado 1.400

24.75 20 2 340 6 2. 100 Exaustor 300


Copa e Fomo de n1icroondas 960
cozinha
Lava-louças 2.240
'forncira elétrica 4.000
Área de 16.5 17 1 220 5 Aquecedor de dgua 2.000
2.000
serviço Secadora de roupas 5.000
Quarto de
en,pregada 5 - 1 100 1 100 -
Banheiro de
crnpregada
3 - 1 100 1 600
Chuveiro
6.000

175.25 21 2:780 38 8.300 24.700

m
Iluminação
• Tomadas/pontos de uso específico ~ PN./ =
j• I As cargas de iluminação (quantidade e potência)
P,,. = 24.700 W devem ser determínadas como resultado da aplícação da
• P.,., = 34.120 W ABNT NBR 5413. Para os aparell1os fixos de iluminação
à cfescarga, a potência nominal a ser considerada deve
(d) Determinação da potência de alimentação conside- íncluir a potência das lâmpadas, as perdas e o íator ele
mndo a Tabela 4.2: potência dos e<1uipamentos auxiliares.
• P,,., + P,,. = 9.420W _ _ g = 0,27 (Tabe~14.2)
• Da Expressão 4.30 _ _ P,1 = 9.420 X 0,27 + Pontos de tomada
24.700 = 27 .243,4 W
• Em halls ele serviço, salas de manutenção e salas ele
equipamentos, tais como casas de máquinas, salas
Previsão de cargas de iluminação e ele bombas, barriletes e locais análogos, deve ser pre-
tomadas em locais não destinados visto no mínimo um ponto de tomada de uso geral, e
à habitação aos circuitos terminais respectivos deve ser atribuída
uma potência de no mínimo 1.000 VA.
f\s prescrições da NBR 54 1O sobre cargas de ilumína-
ção e tomadas em locais não destinados à habitação • Quando um ponto de tomada for previsto para uso
(estabelecimentos con1erciais, i ndustriais, institucionais específico, deve ser a ele atribuída uma potência
etc.) são as seguintes: igual à potência nominal do equipan1ento a ser
SU$W li

122 lnslalações elétricas

alimentado ou à soma das potências nominais dos equi· EXEMPLO


pamentos a serem alimentados. Quando valores precisos
não forem conhecidos, a potência atribuída ao ponto de Em um quadro de distribuição de um local comer-
tomada deve seguir um dos dois seguintes critérios: a cial são ligadas as seguintes cargas cujas características
potência ou soma das potências dos equipamentos mais são indicadas na Tabela 4 .8:
potentes que o ponto pode vir a alimentar, ou a potência O quadro é alimentado por um circuito de distribui·
deve ser calculada com base na corrente de projeto e na ção trifásico (3F-N), 127/220 v.
tensão do circuito respectivo. Para calcular as potências de alimentação ativa, rea-
• Os pontos de tomada de uso específico elevem ser tiva e aparente, bem como a corrente de projeto, utili·
localizados no máximo a 1,5 m do ponto previsto za-se o quadro de carga ela Tabela 4.9.
Assim, tem-se, cios valores calculados na Tabela 4.9:
para a localização do equipamento a ser alimentado.
• Os 1>0ntos de tomada destinados a alimentar mais de • Da Expressão 4.25:
u1n equipamento devem ser providos com a quanti·
dacle adequada de tomadas. PA = 20,24 + li = 31,24 kW
Como verificado nas prescrições anteriores, a NBR • Da Expressão 4.26:
541O não faz nenhuma referência específica à quantida·
de e potência mínimas ele pontos de tomadas de uso QA = 13,21 + l ,88 = 15,09 kvar
geral, em locais não destinados à habitação. Isso não • Da Expressão 4 .27:
teria muito sentido, tendo em vista que a quantidade e a
potência das tomadas dependem do tipo ele ocupação SA = V 31,242 + 15,092 = 34,69 kVA
dos diversos locais.
Quanto à iluminação, geralmente o projeto especíli· • Da Expressão 4.28:
co é indispensável. No entanto, para os pontos de toma-
cos <1) = 3l.24 = 0.9
das ele uso geral, as sugestões referentes a escritórios e
34,69
lojas a seguir podem ser úteis em muitos casos: • Da Expressão 4.29:
• Para escritórios comerciais ou locais sin1ilares com 3
área igual ou inferior a 40 m1 , a quantidade mínima 111 =
31,24 X 10 = l, l A
9
de tomadas de uso geral deve ser calculada pelo cri- \/3 X 220 X 0,9
tério, dentre os dois seguintes, que conduzir ao maior
núnlero:
• Um 1>0nto ele tomada para cada 3 m, ou fração, de 4 .4 Corrente de projeto em
perímetro. circuitos terminais
• Um ponto de tomada para cada 4 m', ou fraç.io,
de área. No caso de circuitos terminais, a corrente de 1>roíeto é
• Para escritórios con1erciais ou locais análogos com definida, para várias cargas (do mesmo tipo), em função
área superior a 40 m1, a quantidade mínima de toma .. das potências nominais das cargas alimentadas. Dessa
das de uso geral deve ser calculada com base no maneira, se P,,~1é a potência nominal de uma carga gené-
seguinte critério: dez pontos de tomadas para os pri- rica, 11 é o número de cargas ecos <I> é seu fator de potên·
meiros 40 m2 e um ponto de tomada para cada 1O eia, a corrente de projeto é d1da pela Expressão 4.31:
,n2, ou fração, de área restante. n

• Em lojas e locais similares devem ser previstos pon- -


L PN.I
,• • (4 .31)
tos de tomadas de uso geral em quantidade nunca l
"- 1 · UN cos <l)
inferior a um ponto de tomada para cada 30 m2, ou
fração, não consideradas as tomadas para a ligação Para u1n circuito ternli nal que alin1enta uma única
ele lâmpadas, tomadas de vitrines e tomadas para a carga, de potência nominal P,,·, tem-se:
demonstração de aparelhos.
l ____P~.v_ _
11
(4.32)
• A potência a ser atribuída aos pontos de tomadas de - , . UN · cos<J>

uso geral em escritórios comerciais, lojas e locais


simi lares não deverá ser inferior a 200 VA por 1>0nto onde t é um fator que vale v':i (para circuitos trilási·
de tomada. cos e 1 para circuitos monofásicos.
SU$ W ü

Capítulo .4 • Plonejomento da instalação 123

[!atiela 4 ,8 • C..,..as em um quii<lro ele clistril>u~ão ele um local camercial .1


Potência
Potência Fator de Potência
Te.nsão aparente
nominal de Rendimento potência nominal Fator de
Quantídade no,ninal nominal de
u,.(V) salda P'.,· 11 nominal de entrada
entrada, s,.. demandag
(kW) cos<I> PN(kW)
(kVA)
Aparelho de ilu·
1ninação íluores- 32 220 4 • 0.04 0.7 0.85 2.5 - 1
centc

Aparelho de ilu-
1nin:tção incan~ 8 127 0.1 1 1 - - 1
descente
Tomada de uso
ge.r::il
28 127 - - 0.9 - 0.2 0.3

To1nada para ar-


condicionado
6 220 - - 0.8 - 2,2 1

To,nada para
chuveiro elétrico
1 220 - - 1 6 - -
Ton1ada para
aquecedor de
1nanni1as
1 220 - - 1 2,5 - -
To,nada para
1náquina 1 220 - - 0.8 2,5 - -
copiadora

Quando uma carga trabalhar com fator de utilização transporte vertical, refrigeração, produção de vapor,
menor que a unidade e esse íator for conhecido, nas bombeamento de água, preparação de alimentos e
expressões 4.25, 4 .26, 4.31 e 4.32, deve ser usada a aquecímentos de água).
potência máxima (ou de 1rabalho) da carga. Este é o caso • O dimensionamento dos equipamentos elétricos a
de certos equipamentos industriais de grande porte. serem utilizados nos diversos processos (como transfor-
madores e motores, aparelhos de iluminação).
• O dimensíonamento dos demais componentes elétri·
EXEMPLO cos a serem utilizados na instalação (como cabos,
condutos e barras).
Do quadro de distríbuição do exemplo anterior par·
• Cuidados a serem tomados na execuç.io da instalação.
tem os circuitos tern,inais indicados nas colunas 1, 2 e 3
• Regime de funcionamento dos diversos equipamentos.
da Tabela 4.10 a seguir. As respectivas correntes de pro·
• Manutenção da ínstalaçào (incluindo equipamentos).
jeto são calculadas, utilí2ando as expressões 4.3 1 e 4.32,
por meio das colunas 4, 5, 6, 7 e 6 da referida tabela. t fácil 1:>erceber que a conservação e o uso racional
de energia elétrica, no tocante à instalação elétriC<1 pro~
príamente dita, começ.,m no projeto, passam pela exe·
4 .5 Conservação e uso racional de cução e conti nuam con, a n,anutenção periódica.
energia elétrica A NBR 541O, que justamente se refere ao projeto, à
execução e à manutenção de instalações de baixa ten·
A conservação e o uso racional de energia elétrica em
são, n1uito e1nbora não seja especifican1ente un,a. norma
determínado loc.,I consístem, basicamente, em uti lizar o
que trate de conservação e uso racional de energia elé·
mfnimo de energia elétrica que possibilite a realiwção
trica, tem como um de seus objetivos garantir o bom
de todas as ativídades inerentes ao local. ~ conseguída
funcion<1n,ento da instalaçfio e i!.present.:i inún,eras pres·
com um conjunto de procedimentos que envolvem:
crições englobando a otimização de desempenho e a
• A escolha dos processos a serem utilizados para a redução de perdas, entre elas:
realização das atividades (por exemplo: iluminação,
-
~

(!àbela 4 .9 • Valores calculado s do exemplo 1 ;;


5'
Carga
PN(k\V) P,.., (kW)
Conjuntos de cargas

P..,,_ X g (k\V) tg <I> P..,. X g X tg q, (kvar) P,(kW)


Cargas Isoladas

tg <I> PN X tg <I> (kvar)


~
..·
õ
~

3'
flu1ninação nuorescenre 4 X 0,04 - 0229 32 X 0.229 = 7.33 7,33 X 1 = 7,33 0.62 7.33 X 0.62 = 4.54 - - - ê
0 ,7 '

llu1ni11ação incandes-
centc
0,1 =
1
o•I 8 X 0,1 = 0,8 0.8Xl=0,8 o 0,8 X O= 0 - - -
Tornadas de uso geral 0.2 X 0.9 • 0. 18 28 X 0,18 • 5.04 5.04 X 0,3 e 1.51 0.48 1.5 1 X 0.48 e 0,72 - - -

Ar-condicionado 2,2 X 0,8 = 1,76 6 X 1,76 = 10,6 10.6 X 1 = 10,6 0,75 10.6 X 0,75 = 7,95 - - -
Chuveiro elétrico - - - - - 6 o o

Aquecedor de n1am1i1a - - - - - 2,5 o o

Máquina copiadorn - - - - - 2,5 0.75 2,5 X 0,75 = 1.88

23.77 20,24 13,21 1t 1,88

(±1';.fl ,·~)
/• I
(±,.,
P;,,u · g, · tg <!>)
.
~ PN.j
j• I
) ,f /• I
PN.j . lg q,)
'
SU$W li

Capítulo .4 • Planejamento da instalação 125

Tabela 4 .10 • Circuitos terminais ele um quadro de distribui~õo e suas respectivas cornmtes
de .

(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8)


Circuito Potência Tensão Fator de Corrente de
Fator
Nºdo Nºde nominal non1innl potência projeto
Discriminação P,. (W) U.v (V)
1
1. (A)
circuito pontos <05 (~

1 llun1i113ção nuoresce,ue tO 229 220 1 0,85 12,2


2 llun1in.:içílo fluorescente 10 229 220 1 0.85 12.2
3 llun1inaçâo nuorescente 12 229 220 1 0.85 14,7
4 l lun1inação incandescente 8 100 127 1 1 6,3
5 To111aclas de uso geral 10 180 127 1 0.9 15,7
6 Tomados de uso geral 14 180 127 1 0,9 22
7 ·10,nada para ar-condicionado 1 1.760 220 1 0.8 10
8 Tornada para :lr-condicionado 1 1.760 220 1 0.8 10
9 Tornada para ar-condicionado 1 1.760 220 1 0,8 10
10 Ton1ada para ar-condicionado 1 1.760 220 1 0,8 10
li To1nada para ar-condicionado 1 1.760 220 1 0,8 10
12 To1nada pa.ra ar-condicionado 1 1.760 220 1 0.8 10
13 To,nada para chuveiro elé1rico 1 6.000 220 1 1 27,3
14 To1nada para aquecedor de n1annita 1 2.500 220 1 1 11.4
15 Ton1ada para n1áquina copiadora 1 2.500 220 1 0,8 14,2

• Exigência dos corretos dimensionamentos dos con- racional, selecionar, dimensionar e localizar os equipa·
dutores e equipamentos. mentos e outros componentes necessários para propor-
• Exigência de coordenação entre condutores e dispo· cionar, de modo seguro e eletivo, a transferência de ener·
sitivos de proteção contra correntes de sobrecarga, gia elétrica de uma fonte até os pontos de utilização.
limitando o aquecimento dos condutores e, portanto, O projeto de instalação elétríc.1 não se resume em
reduzindo as perdas. um simples trabalho mecânico ele consulta a tabelas e de
• Exigências do equilíbrio das cargas elétricas, evitan- aplicação de formas e fórmulas padroni zadas. Muito
do perdas decorrentes do desequilíbrio. pelo contrário, o projeto é dinâmico e diretamente liga·
• Exigência de instalação de condutores ele proteção cles- do aos avanços tecnológicos. O projetista deve conhecer
tinados a provocar a atuação ela proteção, eliminando a fundo todas as técnicas usadas pela engenharia elétri-
o deleito (e as conseqüentes r>erclas) rapidamente. ca, bem como toda a nonnalização aplicável; e, uma
• Exigência {e1n várias situações) de instalação de dis.· ve·z familiarizado com o projeto que vai executa,:. deve
positivos de proteção a corrente diferencial-residual, ter a preocupação constante com a conservação de ener·
que detectam e eliminam as correntes de fuga e de gia elétrica.
falta para a terra. Convém lembrar que o projeto de instalações elétricas
Nessas condições, pode-se afinnar que a conserva-
é apenas um dos vários projetos necessários para a cons·
troção de um prédio, assim, sua elaboração deve ser
ção e o uso racional de energia elétrica começa com a
conduzida em perfeita harmonia com os demais projetos
observ,;ncia da NBR 5410 e é completada com outras
(como arquitetura, estrutura e tubulações).
medidas específicas de cada caso.
Passa-se, agora, a enumerar as etapas que devem ser
seguidas em un1 projeto de instalações elétricas prediais,
4.6 O projeto de instalações válidas, a princípio, para qualquer tipo de prédio (indus-
trial, residencial ou comercial). A ordem indicada é a
elétricas
geralmente seguida pelos projetistas de empresas de
engenharia. No entanto, é bom frisar que, em muitos
O projeto e suas etapas casos, não só a ordem pode ser alterada, como também
Projetar uma instalação elétrica para qualquer tipo de etapas podem ser suprimidas ou, ainda, duas ou mais ela·
prédio ou local consiste essencialmente em, de maneira pas podem vir a ser única. São elas:
SU$W ü

126 lnslalações elétricas

• Análise inicial. Análise inicial


• Fornecimento de energia normal. ~ a etapa preliminar do projeto de instalações elétri-
• Quantificação da instalação.
cas de qualquer prédio. Nela, são colhidos os dados
• Esquema básico da instalação. básicos que orientarão a execução do trabalho. Consiste,
• Seleção e dimensionamento dos componentes. a princípio, nos passos descritos a seguir.
• Especificações e contagem dos componentes.
• Estudo, com o cliente e/ou arquiteto, ele todos os dese-
Elas são apresentadas resumidamente na Tabela 4.1 1 nhos constantes do projeto ele arquitetura- implanta-
e em detalhes nas seções ll'Análise inicial" a ção, plantas, cooes, de1alhes importantes, entre outros
' Especificações e contagem cios componentes•. -. verificando a utilização de todas as áreas do prédio.
Verificação do cronograma cl.1 obra.
I Tabela 4 .11 • EtaDOs de um DrOieta de instalaçãa e létrica Dara qualquer tiDO de prédio l
Etapa lllcmcntos necessários Determinar D<><:umcntos gerados
1. Análise inicial • Oes:c.nhos de arqui1eruro • Uso previs10 para iodas as áreas do prédio: • Tabela(s)/plantas(s)
• Contato co1n consul- li1ni1açõs físicas à insraJação con1 a classificação
1ores/projetis1as de • U,y,>ut (planta) dos equipan\en1os de utiliza- de 1od:,s as áreas
outros siste1nas do ç.ão previs1os quanto às innuências
prédio • Ct1rac1erís1icas eléiricas dos equipamenios de ex1ernas
• Cronog.ra1na da obra u1ilização previstos
• c1 ..ssificação de todas as áre~s do prédio
quanto às influências excernas
• Tipos. de linhas elétricas a serc,n utiliz.ad.ls
• Sc1ore.Wequipan1entos que nccessita1n de ener·
gia de subSliluição
• Setores que necei;sita111 de ilu1ninação de
segurança
• Equipa1nentos que neces.sita1n de ali1nentação
de segurança
• Resistividade do solo
• Es1i1nativa preJi1ninar de po1ência instalada e
de alimentação globais
• Loc.alii ação preferencial da entrada de e11ergia

2. Fornoci1nen10 de • Dados ob1idos em (1) • Modt1lidade e 1ensões de fomecimento: 1ipo


energia nonnal • Regula1nen10 da conces- de entrada
sionári3 • Ponto de entrada e localiz.açào de en1rada de
a Contato co,n a conce.v energia
sionária • Padrão de enrrada a ser utilizado
• Nível de cuno--circuito no pon10 de cn1rega
• Esquc,nla de aterriunento a ser(en1)
utilizado(s)

3. Quantificação da • Dados ob1idos em (1) • llu,ninação de todas as áreas: n1arcação dos


insto lação e (2) pontos de luz. e1n planta
• Ton1aclas de corrente e outros pontos de utiliza-
ção e,1n todas as áreas: n1nrcação en1 plan1a
• Divisão da instalação ent setores/subsetores
• Localização dos centros de carga dos
setore.Wsubsetores
• Potências ins1:1l11das e de ali1ncn1açâo dos
selores/subsetores e global

(continua)
SU$W li

Capítulo ,4 • Plonejomento do instalação 127

lconrinuaçiio)
Etapa Elementos necessários Determinar D<>cun1entos gerados
3. Quantificação da • Localização/características du(s) fontc(s)
instalação de subs1i1uição: rnarcação crn planta
(continuação) • Localizaçào/caracterlsticas da(s) fonte(s)
de segurança: n1arcação e1n plarua
• Tensões de distribuição e utilização

4. Esquema básico • Dados obtídos em (2) e • Esque1na unifilar b(1sico da instalação


da instalação (3) (Componentes e ligações principais)
5. Seleção e dimen· • Dados obtidos cm (2), • Seleção dos con1ponentcs da entrada: • Esquen1as unifiliares
sion,unen10 dos (3) e (4) din1ensionan1cn1os • Esquernas trifilares
cornponentes • Seleção dos componentes da(s) • Esl)uen1as funcionais
subes1ação(ões): din\ensiona,nen10 • Desenhos de
• Seleção dos con1ponentes das linhas elétricas ilun1inação
e respectivas proteções: din1ensionan1en1os • Desenhos de força
• Seleção dos cornponcntes dos aternunentos • Desenhos da entrada
funcional e de proteção~ din1ensionan1e1uos • Dc.~cnhos de
• Seleção dos componentes do(s) sistcma(s) de a1erra111en10
proteç.ão con1ra descargas a11nosféricas • Desenhos de
• Co1nplcn1cntação dos desenhos pá.ra-raios
• Cálculos de cuno-circuito • Me111ória de cálculo
• Verificação da coordenação seletiva das
proteções
• Revisão dos desenhoS/veriticaçcão de
interíerê11cias

6. Especificações e • Dados obtidos em (5) • Especificações dos co111ponentes • Especificações dos


con1agen1 dos • Con1agen1dos con1ponenres co1n1>0nentes
con1ponentes • Lista/relação
quantitativa dos
con1ponentes

• Determinação, com o cliente e/ou consultores e pro- ela instalação (como cabos em bandejas, em eletro-
jelistas dos demais sistemas a serem implantados no clutos embutidos. em eletrodutos aparentes, barra-
local (hidráulicos, tubulações, ar-condicionado, mentos blindados e sistema vndercJrper).
entre outros), do layout cios equipamentos de utiliza- • Verificação de quais setores e/ou equipamentos
ção (elétricos), de suas características de instalação e necessitam de energia de substituição. ~ o caso, por
funcionamento e, muitas vezes, no caso de instala· exemplo, de centros de processamentos de dados
ções industriais, dO(s) iluxograma(s) do(s) processo(s) (CPDs), de elevadores, ele certos equi1>amentos envol-
envolviclo(s). Devem também ser estudadas as possí- vidos em determinados processos etc.
veis limitações (físicas) à instalação de componentes • Verificação dos setores que necessitam de iluminação
elétricos nos diversos locais, graças à instalação pre- ele segurança e dos e<1uipamentos que necessitam de
vista para con1ponentes não elétricos dos outros sis· alimentação ele segurança (por exemplo, bombas ele
temas (por exemplo, tubulações de água, ele ar-con- incêndio e elevadores utilizados para a evacuaÇ<i.o de
dicionaclo e de outros fluidos). · locais).
• Em função dos dados obtidos anteriormente, devem • Estimativa preliminar de potência instalada global e
ser classiíicadas todas as áreas do prédio quanto às de potência de alimentação (demanda) global, obti-
influências externas, tendo e,n vista o meio an1biente, das, em geral, com base em tabelas ele densidade de
as utilizações e a construção. Para consulta posterior, potência e de fatores ele demanda e de carga conve-
devem ser anotadas eventuais restrições existentes nientes. Como exemplo, são apresentadas as tal)elas
quanto ao tipo ou uso <fe componentes nos vários 4. 12, 4.13 e 4.14, relativas a densidades de potência
locais. típicas.
• Determinação dos tipos de linhas elétricas a serem • Determinação da localização preferencial da entra-
utilizadas em função das características e limitações da, que pode ser, dependendo da instalação, cabina
SU$W li

128 lnslakições elétricas

primária, subestação, cabina de barramentos ou sim- provém de rede de distribuição de energia elétrica (de
ples caixas de entrada. Densidades de potência típi· baixa ou de média tensão), ou seja, da concessionária.
cas de força motriz em áreas de produção industriais. Assim, nessa fase, é imprescindível conhecer os regu-
lamentos locais de fornecimento ele energia e, quase
Fornecimento de energia normal sempre, estabelecer contato com a concessionária, a fim
Nessa etapa, deverão ser cfetenninadas as condições de determinar:
em que o prédio será alimentado com a energia elétrica • O tipo de sistema de distribuição (rede aérea ou sub-
chamada NnormalN, ou seja, a energia que o alimentará terrânea, em n1édia ou en1 baixa tensão) e ele ent,rada
em condições normais. Esta, na maior parte dos casos, (aérea ou subterrânea).

I Taliela 4.12 • Densidacles de ~tência tí~icas de ~ a motriz em áreas ele ~ ução industriais J
Atividade Densidade de potência (kVAim')
Pintura 0,35
Caldeiraria 0.45
Usinagcm 0.30
Montagem 0.07
Expedição 0.05
Trata1nento rénnico 0,70

I Tai)ela 4.13 • Densidacles de DOtência típica s oara diversos locais J


Densidade de potêncía (VAirn')
Local Outros equipamentos (com exceção
Iluminação e tomadas de uso geral
de ares-condicionados)
Auditórios/le~uros
• Geral 20-30 o
• Palco 200-400 5
Galerias de arte 45-60 IO
Ag(ncias b.1ncárias 35-45 20
Lanchoneces 50-60 10
Igrejas 20-40 5
Lojas 30-70 5-15
Garagens co,nerciais 5 2
Hospi1ais 20-30 10
Hotéis
• R«:epção 60-80 5
• Apar1an1e11tos/quarros 15-25 5
Laboratórios 50-70 50-200
Bibliotecas 40-70 10
Centros n1édicos 40-60 20
Motéis 15-20 5
Prédios de escritórios 50-70 20
Restaurante 20-30 3
Escolas 30-50 20
• Dcpósitos co1nerciais 3-10 3
SU$W 6

Capítulo ,4 • Plonejomenlo do instalação 129

• O esquema ou esquemas de aterramento a utilizar pria) e a parte comum (geralmente uma instalação sepa-
em funç,io do tipo de instalação. rada) formada em geral pelos subsetores, pelas garagens,
• As tensões de íornecin1ento. pelo hall principal, pela escadaria, pelo hall dos andares
• Os pontos de entrega de energia em (unção dos regu· e pelas casas de máquinas (elevadores e bombas).
lamentos (legislação) e das condições do prédio. A quantificação da instalação é íeita, no c.1so mais
• O padrão de entrada e medição a ser utilizado em geral, em vários níveis: em subsetores, setores e global-
íunç,io da potência instalada (ou de alimentação), mente. Em cada um, os pontos de utilização devem ser
das condições de fornecimento e do tipo de prédio. agrupados, de acordo com seu tipo e características de
São várias as possibilidades: cabina primária, subes- funcionamento_, ou seja, em "conju1,tos homogêneos".
tação, cabina de barramentos, caixas de entrada, um Os demais pontos, que aparecem isoladamente, isto é,
ou mais centros de medição, entre outras. um de cada tipo, devem ser considerados individualmen-
• O nível de curto-circuito no ponto de entrega de te. Por exemplo, em determinado setor de uma instalação
energia elétrica, a ser obtido da concessionária. industrial, em uma áre,1 de produção, é possível ter ilumi·
nação, tomos, pontos de força (tomadas para ligação de
No caso de o prédio íazer parte de um conjunto de
equipamentos móveis ou portáteis), forno (um ponto).
prédios (por exemplo, em uma indústria com diversos
Em um prédio de escritórios, considerado globalmente,
prédios independentes), é comun1 ter uma única entrada
pode-se ter iluminação, tomadas de uso geral, chuveiros
{por exemplo, unia única cabina primária) e o prédio ser
elétricos, elevadores e bombas.
alimentado por uma rede de distribuição interna, de pro-
Para cada conjunto de pontos de utiliz.1çào, a potência
priedade do consumidor.
instalada será a soma das potências nominais dos diversos
Nessas condições, essa etapa é aplicável à referida
pontos, e a potência de alimentação será obtida da aplica-
entrada única.
ção dos fatores de projetos convenientes à potência ins·
talada. Para pontos de utilização individuais, a potência
Quantificacão
'
das instalacões
, de alimentação será, exceto no c,1so da eventual aplica-
Nessa etapa, devem ser determinadas as potências ção de íator de utilização, igual à respectiva potência
instaladas e as potências de alimentação da instalação nominal.
como um todo e de todos os setores e subsetores a serem Nessas condições, para cada subsetor, setor e instala-
considerados. A rigor, isso só poderá ser (eito quando ção global, tem-se:
todos os pontos de utilização forem conhecidos.
Lembre-se de que muitos deles (geralmente equipamen- • Um valor de potência instalada e um valor de potên-
cia de alimentação (demanda) para cada um cios
tos de produção e/ou os relacionados com os sistemas
•conjuntos homogêneos• de pontos de utilização.
de utilidades) já íoram detenninados na análise inicial.
Portanto, agora deverão ser deternlinados, ou seja, loca· • Um valor de potência nominal e um valor de potên·
lizados, caracterizados e rnarcados em planta: eia de alimentação (geralmente iguais) para cada um
dos pontos de utilização de cargas individuais.
• Os pontos de luz (aparelhos de iluminação), geral- • Se necessário, um valor único de potência instalada
mente no(s) projeto(s) de luminotécnica. e de potência de alimentação, obtido, em princípio,
• As tomadas de corrente (uso geral e específico). pela son1a dos respectivos valores ele cada conj unto
• Outros equipamentos de ulilizaç,io que possivelmen· e de cada ponto isolado do subsetor, do setor Oll da
te não tenham sido determinados. instalação geral.
t importante observar que, em muitos casos (por exem- Denomina-se cenuo de carga o ponto teórico em que,
plo, grandes prédios industriais ou comerciais), é comum para eíeíto de distribuição elétrica, pode-se considerar
que, durante a elaboração do projeto, não tenham ainda concentrada toda a potência (carga) ele determinada área.
sido escolhidos todos os equipamentos de utilização. t t o ponto em que deveria se localizar o quadro de distri-
então necessário recorrer a inforn1ações ou previsões coo,... buição ou a subestação da área considerada, ele modo a
plementares, com dados obtidos, em geral, de instalações reduzir ao mínimo os custos de instalação e funcionan1en-
semelhantes, obviamente sujeitos a revisões posteriores. to. Existe um processo analítico para sua cfetern1inação,
Em qualquer tipo de prédio, a instalaç,io elétrica deve em função da potência e das coordenadas dos diversos
ser dividida en1 setores, e estes, se possível, en, subseto-- pontos alimentados (pontos de utilização ou quadros ele
res. Assim, por exemplo, em um prédio industrial pode- distribuição) no quadro de distribuição ou da subestação
se ter uma ou mais áreas de produção, nas quais cada considerada (cuja posição se quer determinar).
uma pode ser dividida (em (unção do layoul) em diversas Cada subsetor, setor e instalação como um todo
subáreas, além de depósito, expedição e escritórios. Em possuem seus centros de carga e, nesses pontos, deve-
um prédio comercial ou residencial há conjuntos de riam idealmente se localizar os respectivos quadros de
salas, lojas ou apartamentos (a rigor, cada um constitui distribuição ou subestações. Na prática, apenas em casos
uma instalação separada, desde que possua medição pró- excepcionais se efetua a determinação exata dos centros
SU$W li

130 lnsloloções elétricas

de ca.rga, recorrendo-se quase sempre à determinação Inicialmente, deve ser escolhido o sistema de distribui-
aproximada, considerando-se as exigências e as limita· ção adequado às condições da instalação. Nesse esque-
ções de cada área. n,a, não deven1 constar detalhes quantitativos resultantes
Nessa etapa, elevem ser localizados (incluindo marca- ele dimensionamentos (feitos posteriormente), mas ape-
ção em planta) e qua11tificados os diversos centros de car- nas aspectos qualitativos.
gas "reais" cio prédio, ou seja, os diversos quadros de dis- O esquema básico pode se< concebido, a princípio,
tribuição e subestações. A cada um desses centros de carga como um esquema simples, no qual são indicados, como
devem se.r associados um ou mais valores de 1>0tência ins- blocos, as subestações e os quadros ele distribuição delas
talada e de potência ele alimentação, que são os valores derivados, inte<ligados por linhas, representando os respecti·
correspondentes à área servida pelo quadro de distribuição vos circuitos de distribuição. Nessa etapa, eleve se,- feita tam-
ou pela subestação respectiva, já determinados anterior- bém uma escolha preliminar dos dispositivos de proteção.
mente. Nas instalações alimentadas em baixa tensão, tem- A seqüência do projeto consiste na implementação do
se, em ge<al, apenas quadros de distribuição, que podem esquema básico, transformando-o, por meio do dimensio-
se,- simples quadros de luz ou painéis ou centros de namento de todos os componentes, no esquen,a uniíilar
comando de motores (CCMs). Nas instalações alimentadas final da instalação.
e.rn média tensão, além dos quadros de distribuição, é pos-
sível ter uma ou mais subestações distribuídas na área. Escolha e dimensionamento dos
Na análise inicial, foram determinados os setores e/ou componentes
equipamentos que necessitam ele energia de substituição
e ele alimentação de segurança. Agora, ainda nessa etapa, É a etapa íundamental de um projeto de instalações
devem-se escolher e quantificar as respectivas fo11tes, elétricas, que consiste basicamente nos seguintes passos:
com base no tipo de potência dos equipamentos a serem • Em função ele dados obtidos em etapas anteriores,
alimentados, be.rn como as localizar (em planta) de modo escolha os componentes de todas as partes da insta-
adequado, levando-se em consideração as exigências e laç,io e proceda a todos os dimensionamentos neces·
as limitações do prédio. Tanto grupos geradores como sários. Devem ser considerados, enl princípio:
baterias de acumuladores deverão ser instalados em local • Entrada {cabine primária, cabine de barramentos
apropriado, obedecendo a critérios rígidos e, no caso de ou, simplesmente, caixa ele entrada), incluindo a(s)
grupos geradores, deverá ser cuidadosamente analisado o respectiva(s) linha(s) elétrica(s).
problema de ruídos e armazenamento ele combustível. • Subestação(ões) de distribuição.
Também nessa fase deverão ser fixados os diversos • Linhas elétricas relativas aos diversos circuitos de dis-
níveis e valores de tensões a seren, utilizados no prédio. tribuição e terminais com as respectivas proteções.
Em instalações ele médio e de grande porte, existem • Quadros de distribuição (quadros de luz, painéis
geralmente três níveis ele tensão: de força, CCMs, entre outros).
1. Nível ele entrada, com média ou alta tensão. • Aterramento(s) ele proteção e/ou funcional(is).
2. Nível de distribuição, com média tensão. • Sistema(s) de proteção contra descargas atmos-
3. Nível de utilização, com baixa ou média tensão. féricas.
• Complementação dos diversos desenhos que vinham
A escolha dos valores das tensões, nos diferentes sendo elaborados ao longo das etapas anteriores.
níveis, é função de un1a série de fatores, entre os quais • Cálculos ele curto-circuito, obtendo valores ele correntes
se destacam: de curto-circuito presumidas em todos os pontos neces-
• Tensões de fornecin1ento da concessionária. sários, o que poderá, eventualn1ente, alterar a escolha
• Tensões nominais dos equipamentos de utilização de certos dispositivos de comando e de proteção, e
previstos. mesmo de certos condutores que haviam sido escolhi-
• Existência, na instalaç.io, de equipamentos especiais, dos e di1nensionados previamente.
por exemplo, grandes motores, fornos a arco, máqui- • Veriíic.1ção da coordenação dos diversos dispositi·
nas ele soldas e equipamentos com ciclos especiais vos de proteção, o que também J>Oderá conduzir a
de funcionamento. alterações nos dispositivos previamente escolhidos.
• Distâncias entre o ponto ele entrega da. concessioná· • Revisão final dos diversos desenhos, verificando e
ria e os centros de carga principais, e entre eles e os corrigindo possíveis interferências con1 outros sis·
centros de carga secundários. temas do prédio.

Esquema básico da instalação Especificações e contagem dos


Nessa etapa, cleve.rá resultar um esquema uniíilar ini- componentes
cial, no qual estarão indicados os componentes principais As especificações e a contagem dos com1>0nentes é a
da instalação e suas interligações elétri~.;,s fundamentais. última eta1>a e consiste em:
SU$W ü

Capítulo 4 • Planejomenlo da instalação 131

• Especificações de todos os componentes da instala· nhos de projetos de instalações elétricas. A norma bra·
ção, constando, para cada um, de descrição sucinta, sileira em vigor - NBR 5444: 1989 - Símbolos
citação da(s) norma(s) a que deve atender e, sempre Gráficos para Instalações Elétricas Prediais: Simbo·
que possível, indicação de pelo menos um tipo e logia -, por várias razões. nunca íoi plenamente ado·
uma marca de referência. tada pelos projetistas.
• Contagem de todos os componentes da instalação. Por isso, a simbologia apresentada na Tabela 4.14
baseada na Publicação IEC 60617 - (Graphical Sym·
bois for Diagram), íoí complementada, quando neces·
4 .7 Simbologia gráfica sário, por símbolos adotados em diversos países mem-
Infelizmente, não existe ainda no Brasil um consen· bros da IEC e por outros que são de uso já consagrado
so a respeito ela simbologia a ser utilizada nos dese- no Brasil.

Tatiela 4 , 14 • Simliologia

DisposiJivo fusível

Chave fusível

Disjunlor
Condu10 (ele1rodu10) embu1ido em 1e10 ou parede
Condu10 (ele1rodu10) a))(1ren1e
Condu10 (ele1roduto) e1nbu1ido no piso
Condu1ores de fase. neu1ro. de proteção e rc1on10 (rcs))C(tiva,ncnte)
Ili' en1 condu10

li Conduto (clc1roduto) que sobe e desce {rcspectivarnente)

d ou s ln1crrup1or simples (1 pólo)

/ ou S3 Interruptor paralelo (1ree-n 1a,r)

X º" s,
li
huerruptor in1emH.?diário (four·u·ay)

~ ou s Jruem1ptor bipolar

Din,mer

e (Baixa FN)
1
,......._ ou
l
€) (Baixtt 2F)
& (Alia FN)
€),, (Alfa 2F)

6:1 (Baixa FN)


Tom;1da bipolar (2P). em parede ou rodapé

I
;>""<; ou
l
C (Baixa 2F)
@-< (Alia FNl
C, (Alfa 2F)
'J'o1n:1da bipolar con, conta10 de terra (2P + ·r), e1n pare<te ou rodapé

ldern an1criores. no piso

Caixa de 1>assagc111
Ponto de força 1r'ifásico

• Pon10 de ligação de equipa1nen10

(con1inu,1)
SU$W ü

132 lnslaloções elétricas

(continuação>

e (Notem)
X Otl { 6<Embutido)
Ponto de lui inca11desceote

>i 4 ou Arandela (i,1ca11descen1e)

1--i ou ce=, Ponto de luz fluoresccn1e

~ ou ~ Ponto de luz. (circui10 de scgur.:u1ça)

X Bloco autôno1no (circui10 de segurança)

~ ou õ Can1painha
l
:~ interruptor DR

1
:~ Disjuntor DR

-
1!:31
0

(®:
Botão dn c~unpainha
Quadro de distribuição
Quadro de dis1ribuição geral

Projetor de luz

--®-- Tmnsfonnador (símbolo gemi)

@ Motor (símbolo geral)


1

l Chave (símbolo geral)

El Medidor de Cllergia

EXERCÍCIOS
1. Defina os fatores de demanda, de utilização e de c~rga.
2. Qual é a definição do fator de diversidade para um ponto de distribuição de energia?
3. P.va uma indústria que consome 2.000 kWh diários, trabalhando 24 l1oras por dia, calcule a demanda média e o
fator de carga p..1rc1 unla demanda máxima de 200 kW?
4. Defina corrente de projeto para circuitos monofásicos e trifásicos.
5. Qual é o critério para obter a potência ele iluminação mínima em função da área do cômodo?
6. Qual é o número mínimo ele pontos ele tomadas de 600 VA para banheiros, cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas
de serviço, lavanderias e locais análogos?
7. Quais são os passos ela etapa preliminar da análise inicial ele um projeto ele instalações elétricas ele qualquer prédio?
8. Qual é a definição de centro ele carga?
9. De quais fatores dependem a escolha dos valores das tensões, nos diferentes níveis de uma ins1alação elé1rica?
1O. Quais são os símbolos dos condutores fase, neutro, de proteção e de retorno/
SU$W ü

Linhas elétricas

5. 1 Aspectos gerais 1 Linha pré-fabricada é uma linha elétrica constituída


por peças em tamanhos padronizados, contendo condu-
Os condutores elétricos são os principais componen- tores de seção maciça com proteção mec.'lnica, que se
tes das linhas elétricas' e são responsáveis pela condu- ajustam entre si no local da instalação. Os barramentos
ção da energia ou dos sinais elétricos. blindados e os sistemas vndercarper' são dois exemplos
Chama-se condutor eléuico o produto metálico, de linhas pré-fabricadas.
geralmente de forma cilíndrica e de comprimento muito Chama-se barran>ento o conjunto de barras de
maior que a sua n1aior din,ensão transve-rsall utilizado n1esma tensão nominal, com seus suportes e acessórios.
para transportar energia elétrica ou para transmitir sinais Um barramento blindado é uma linha pré-fabricada cujos
elétricos. Os condutores "elementares• são de dois tipos condutores são barras (ver Figura 5.1), acondicionados
- os fios e as barras - , que serão definidos nesta seção. em caixas metálicas, por meio de isoladores.
! importante observar que o termo "condutor Condutor encordoado é um condutor constituído por
elétricoN, na prática, é usado em um sentido mais amplo: um conjunto de fios dispostos helicoidalmente. Essa
para designar, além do condutor propriamente dito (defi- construção confere ao condutor maior flexibilidade em
nido anteriormente). os condutores isolados, os cabos relaç.io ao condutor sólido (fio). O condutor encordoa-
uni e n1uhipolares, os íios e os cabos nus, os fios e os cio é dito compactado quando os interstícios entre os
cabos cobertos, as barras e os barramentos blindados. fios componentes tiverem sido reduzidos por compres-
Fio é um produto metálico, maciço e flexível, de são mecânica, por trefilação ou pela escolha adequada
seção transversal invariável e de comprimento muito da forma ou da clis1>0siç.io dos fios. t evidente que esse
maior que a sua seção transversal. Os fios, geralmente tipo de construção reduz a área ela seção tra11sversal e
de forma çilíndrica, podem ser usados diretamente também a flexibilidade do condutor.
como condutores elétricos (com ou sem isolação) ou Para condutores de cobre, a NBR NM 280 define seis
para a fabricação de •condutores encordoados·. classes de encordoamento:
Barra é um condutor rígido, em forma de tubo ou de • Classe 1: condutores sólidos (fios).
seç.io perfilada, fornecido em trechos retilíneos. As bar· • Classe 2: condutores encordoados, compactados
ras são usadas como condutores (geralmente sem iso- ou não.
lação) em equipamentos, tais como quadros de distri- • Classe 3: condutores encordoados não compactados;
buição, painéis, subestações desabrigadas, abrigadas ou • Classes 4, 5 e 6: condutores flexíveis com graus de
blindadas. flexibilidade crescentes.

1. ~ flniçOC's de t\('O(d<> oon1 :1 NOR 147 1. 3. Stste,na cons1i1ufdo por cabo tipo r:.çc (/111t t'011d11ctQr roblr). com
2. Vcrdcfinjção n::a Seção 1.3. os respec1í"os protetores. co,~ tof'Cs. tennináii. ad.tprndorcs. cai·
X.IS e rcC(ptáculos. <k-sen,vh·ido para in:;.1.11aç!lo sob o carpct~.
SU$W ü

134 lnslalações elétricas

Figura S.1 • Barramento blindado com caixa (cofre) de derivação

Para condutores ele alumínio, a N8R NM 280 indica


as classes 1, 2, 3, 8, C e O, que também diferem entre si
pelo grau ele flexibilidade.
Cabo é o conjunto de fios encordoados, isolados ou
não entre si, podendo o conjunto ser isolado ou não.
3 fios 7 roos 12 fios 19 fios

Corda é um componente de um cabo, constituído


por um conjunto de fios encordoados e não isolados entre
si. Perna é a corda destinada a ser encordoada para a for-
mação de •cochas• ou para a formação ele uma corda 37 tios 6 1 fios 91 ÍIOS 127 tio,;
com encorcloamento composto. Cocha é a corda fonnada
(3)
por pernas, destinada a ser encordoada para a forma·
ção ele uma corda com encorcloamento bicomposto.
Assim, podem-se definir três tipos ele encordoamento (ver
Figura 5.2):
• Simples: formado por fios.
49 lios 133 fios 133 fios 259 íiüs

'ti~@-
• Composto: formado por pernas.
• Bicomposto: formado por cochas.
Coroa é o conjunto ele componentes ou de partes de
componentes de um cabo, dispostos helicoidalmente e
eqüidistantes de um centro de referência. Alma é o fio
ou conjunto de fios que fonnam o núcleo central do 259 fios 427 lios 427 ÍIOiõ
cabo, para aun1entar a sua resistência n1ecânica. Nas 37x7 7x6t 6 1x7
linhas de transmissão são muito comuns os cabos de Figura S.2 • Cabos com encordoomento simples (o) e com·
alumínio com alma de aço (CAA) (ver Figura 5.3). posto (b). O. espaços vazios do ter~iro oo
A Tabela 5.1 sintetiza o número de fios e cordas nos último cabo de (b) são os mesmos da ~no
cabos apresentados na Figura 5.3. preenchido
SU$W ü

Copírulo 5 • ünhos elétricas 135

I Tabela 5.1 • Fios e cordas dos cabos da Figura 5.3 1


ND de fios no cabo N• de cordas no cabo
• Alun1ínio Aço Alun1ínio Aço
'
6 1 1 -
18 1 2 -
36 1 3 -
12 7 1 1
26 7 2 1
45 7 3 1
54 7 3 1
54 19 3 2
84 19 4 2

36 AJ/1 aço
18 Al/1 aço
6AI/I aço

45 A l/7 aço 54 Al/7 :iço

54 Al/ 19 aço 84 Al/19 :iço

figura 5.3 • Exemplo de cabos de alumínio com a lma de aço (CAA)


SU$W ü

136 lnslalações elétricas

3
Scçtio 1ransversaJ
Legenda:
1. Condutor de cobre
2. lsolaç~o de PVC
3. Capa constituída por enfr1ixa1nen10 con1 fi1a de J>Oliéstcr
4. Cobertu,:a de J'VC

Figura S.4 • Cabo de controle tipo SintenCIX

Os cabos de potência são os cabos usados 1>ara o


trans1>0rte ele energia elétrica em instalações de gera-
ção, trans1nissão, distribuição e utilização. Trata-se, por-
tanto, ele uma família de cabos que engloba desde os
cabos ele linhas ele transmissão até os cordões usados na
ligação ele aparelhos às tomadas ele corrente. Podem ser
condutores nus (íios ou cabos), condutores cobertos (fios
ou cabos), condutores isolados (fios ou cabos), cabos uni
ou multipolares, cabos multiplexados ou corcloos.
Por sua vez, os cabos de controle s.io os uti lizados nos
circuitos de controle ele sistemas e equi1>amentos, sendo,
en1 sua n1aioria, cabos multipolares (ver Figura 5.4).
Revestimento é uma camada delgada ele um metal Figura S.5 • Condutore$ isolodo$ da linho Supero,tic <:vio
ou liga, a qual é depositada sobre um metal ou liga dife- isoloçõo é con,tiluido por duo, comodo$ de
rente, para fins de proteção ele corrosão ou de ataque de PVC, sendo o camada externo mais resisten·
atmosfera agressiva. Um fio revestido é um fio dotado de te à abrasão e boslante deslizante
revestimento, como é o caso, por exemplo, do ttfio
estanhado" (isto é, revestido ele estanho). Um cal:>c Cobertura de um fio ou cabo é um invólucro externo
revescido é um cabo sen, isolação ou cobertura, consti· não metálico e contínuo, sem função de isolação, desti-
tuíclo por fios revestidos. nado a proteger o fio ou cabo contra influências exter-
A isolação é o conjunto dos materiais isolantes utili· nas, tais co1no: sol, vento, chuva, elen1entos agressivos
zados para isolar eletricamente. No caso dos condutores do ar, fezes de páss.1ros e insetos e toque de árvores etc.
elétricos, a isolação é aplicada sobre o condutor, para Um fio coberto é um fio con, ou sem revestin1ento, dota-
isolá-lo eletricamente cio ambiente que o circunda e dos do apenas de cobertura. Por sua vez, um cabo coberto é
outros condutores que estão próximos. Não se deve con· um cabo dotado somente ele cobertura (ver Figura 5.6).
fundir isolação com isolamento; isolação tem um sentido
estritamente qualitativo (isolação de PVC, de XLPE etc.),
enquanto isolamento tem sentido quantitativo (resistên·
eia de isolamento, nível de isolamento etc.). As isolações
serão analisadas na Seção 5.3.
Condutor isolado é o fio ou cabo dotado apenas de
~.....___I_
isolação, e esta pode ser constituída por uma ou n1ais Cabo Cobertura
camadas. O termo building wire é utilizado para clesig·
nar o condutor isolado usado em construção civil (ver Figura 5.6 • Cabo coberto utilizado em rede, aéreo, de
Figura 5.5). dislribuiçõo
SU$W 6

Capítulo 5 • linhos elétricos 137

-- - -.,_- - ---- - - ---- --- ---- ;::::

Figura 5 .7 • Cabos uni e multipolar Figura 5.9 • Cabo multiplexado

Fio nu é um fio sem reveslimento, isolação ou cober· Algumas vezes, nos cabos uni e muhipolares são usa-
tura, enquanto cabo nu é um cabo sem isolação ou dos os separadores, que são invólucros não metálicos
cober1ura, constituído por fios nus. sem função de isolação, colocados entre os componen-
Cabo unipolar é um cabo isolado do1ado de coberiu- tes dos cabos para impedir conlatos diretos en1re eles.
ra. Cabo multipolar é cons1i1uído por dois ou mais cabos As coberturas, capas, armações etc. são abordadas
isolados e do1ado, no mínimo, de cobertura. Os condu- na Seção 5.5.
tores isolados que fazem parte dos cabos uni e multipo- Um cabo multiplexado é um cabo formado por dois
lares são denominadas veias. Os cabos multipolares que ou n1ais condutores isolados ou 1>0r cabos unipolares,
contêm 2, 3, 4 ou mais veias são chan1ados, respectiva· dispostos helicoidalmen1e, sem cobertura. Um cabo
men1e, cabos bipolares, tripolares, letrapolares e assim multiplexado auto-sustentado (ou cabo pré·reunido) é
por diante (ver Figura 5.7). um cabo multiplexado que contém um elemento ou
Nos cabos uni e multipolares, a coberiura age princi- condu1or de sustentação, isolado ou não. Os condutores
palmen1e como proteção da isolação, impedindo seu con· isolados - ou mesmo os cabos unipolares cons1i1uin1es
talo direto com o ambiente. Deve, portanto, possuir pro· dos cabos muhiplexados e dos cabos pré-reunidos -
priedades con1patíveis com as características do lambém são chamados veias. A Figura 5.9 moslra um
ambiente e do cabo. cabo multiplexado formado por condutores isolados.
Enchimento é o malerial utilizado em cabos mult.ipo- U1n condutor setori<1l é un1 condutor cuja seção trans-
lares, para preencher os interslícios entre as veias. Capa é versal 1em a forma aproximada de um setor de um circulo.
o invólucro interno, n1etálíco ou não, aplicado sobre unia Um cabo setorial é um cabo multipolar cujas veias são
veia ou sobre um conjunlo de veias de um cabo. As capas condutores isolados setoriais, geralmente compactados.
não me1álicas, geralmen1e de polímeros 1ermopláslicos, Esse lipo de cons1rução reduz o diâmetro externo do cabo,
têm como finalidade principal dar ao cabo a fonna cilín· resultando em economia nos ma1eriais da capa e cober-
drica. As c.;1pas n1etálicas, nom1almente, de chumbo ou de tura (ver Figura 5.1O).
alumínio, exercem também função mecãnica e elétrica. Cordo,1/ha é um condutor com forma de 1ecido de
A armaç,10 de um cabo é o elemento me1álico que o fios me1álicos, ex1remamente flexível.
prolege conlra esforços mecânicos. O acolchoamento wdào é um cabo flexível com reduzido número de
consiste no material não metálico que protege mecani· condutores isolados (em geral 2 ou 3) de pequena seção
camente o componente situado sob ele, en1 uni cabo uni transversal, dispostos em paralelo ou torcidos (Figura 5.11 ).
ou multipolar. Geralmente, o acolchoamento é colocado Blindagem é o envol1ório condulor ou semicondutor,
sob a armação nos chamados • cabos armados" (ver aplicado sobre o condutor ou sobre o condulor isolado
Figura 5 .6). (ou eventualmente sobre um conjunlo de condutores iso-
lados), para fins elé1ricos. As blindagens são analisadas
na Seção 5.4.
Cabos secos são cabos unipolares ou multipolares cuja
isolação é cons1i1uída exclusivamente por ma1erial sólido.
Cabo sob pressão é um cabo de po1ência cuja isola-
ção é mantida sob pressão superior à pressão atmosféri-
ca, por meio de um fluido adequado com função isolan-
te. No cabo a óleo fluido, o fluido u1ili2ado é um óleo
isolante que pode mover..se livremente en1 seu interior;
no cabo a gás, o fluido é um gás inerte (por exemplo,
hexafluorelo ele enxofre, SF6).
Um cabo concêntrico é um cabo multipolar consti-
tuído por um condutor central isolado e por uma ou mais
camadas isoladas en1re si de condutores dispostos con-
Figura 5.8 • Cabo armado (com onnoçõo} cen1ricamen1e (ver Figura 5.12).
SU$ W ü

138 lnslalações elétricas

Legenda:
1. Condutor: fios de cobre nu
2. lsol<,ção de vohalene
(Polic1ile110-Reticulado). cor 1,re1a
3. Enchime1110 de PVC
4. Enfaixarnento: fila de poliéster
5. Cobertura de PVC, na cor preta

ldcntific.a ção cios condutores:


Condutores nunierados cor branca

Figura 5.1 O • Cabo lripolar selaria!

Figura 5.11 • Cordões

3 2
Legend;1:
1. Cond111or fase
2. lsolnç.ão da fase
3. Conduor neutro (e/ou de proteção)
4. CobenurJ
Figura 5.12 • Cabo concêntrico

O Quadro 5.1 apresema algumas aplicações de cabos Os cabos de potência são caracterizados por três 1em·
e1n instalações elétricas de baixa tens<io. peraiuras (medidas no condutor):

Quadro 5.1 • ~icoções dos calios de potência em instalasões de l>iiixa tensão


• Condutores isolados: circui1os tenninais, circuitos de distribuição e ligações internas de quadros de distribuição
(principalmen1e os flexíveis).
• Cabos unipolares: ctrcuitos tem1inais e circuitos de distribuição.
• Cabos multipolares: circuitos temlinais, circuitos de distribuição e ligações de equipamentos móveis ou ponáteis
(os cabos flexíveis).
• C,bos rnulliplexados: circuitos de disrribuição e circuitos 1enninais (e1n certos casos).
• Cordões: ligações de equipamentos móveis ou ponáteis.
SU$W li

Capítulo 5 • Unhas elétricas 139

1. Temperatura em regime permanente: que é a tempe· O alumínio para condutores, com uma pureza de cerca
ratura alcançada em qualquer ponto cio condutor em de 99,5 por cento, é obtido normalmente por laminação
condições estáveis de funcionan1ento; é tan1bém cha· contínua. Por meio ele processos análogos aos do cobre,
macia temperatura máxüna para serviço contínuo (ver obtém-se, o alumínio meio·cluro. O uso desse metal baseia-
Seção 9.2). se principalmente na relação condutividade/peso, a mais
2. Temperatura em regime de sobrecarga: que é a tem· elevada entre todos os materiais condutores, e 110 seu
peratura alcançada em qualquer ponto do condutor preço, bem mais estável que o cio cobre e inferior a ele.
em regime de sobrecarga (ver Seção 9.6).
3. Ten1per,1tur(1 en1 regime de curto-circuito: que é a tem· Resistência, resistividade e
peratura alcançada em qualquer ponto cio condutor condutividade
durante o período do curto-circuito (ver Seção 9.7).
A resísténcia elétrica (R) de um condutor cilíndrico
A capacidade de condução de corrente de um condu- de comprimento/, seção transversal uniforme S, é obtida
tor constituinte ele um condutor isolado ou ele um cabo pela Expressão 5 .1
isolado é a corrente m,íxima que pode ser conduzida
continuamente pelo condutor, em condições especifica· (5. 1)
das1 sen1 que sua temperatura em regin1e pern1anente
ultrapasse um valor especificado (ver Seção 9.2). onde p é a resistivíclade do material, também chamada
A tens.ia de isolamento nominal de um cabo é uma resistividade de volume, expressa em ohm X n1etro
característica relacionada com o material isolante, com a (11.m) ou, em termos mais práticos, ohm X milímetro
es.pessura da isolação e com as carac,erísticas de íuncio· quadrado por metro (l1.mm 2/m).
namento cio sistema (instalação) em que o cabo vai atuar.
p
s
= R (0.mou0.mm2/ m) (5.2)
É indicada por dois valores de tensão separados por uma 1
barra, designados por Vo!V, onde Vo se refere à tensão A resis1ividade de massa, P= de um condutor é defi·
fase-terra e V à tensão fase-fase, em volts ou em quilo· nida como a relação entre o produto ela resistência (R)
volts. Os valores normalizados são os seguintes: cio condutor por sua massa (111) e o quadrado ele seu
• Baixa tensão: 300/300V; 300/SOOV; 450/750V; 0,6/1 comprimento, I, sendo medida em ohm x grama por
kV. metro quadrado. (O.gim' ), isto é
• Média tensão: 1,8/3 kV; 3.616 kV; 6/1o kV; 8,7/1 s kV;
= R. "'(" . , ' ) (5.3)
12/20 kV; 15/25 kV; 20/35 kV; 27/35 kV. Pm (- "·Y m

A variação da resistividade com a temperatura é dada


5.2 Materiais condutores, condutores pela Expressão 5 .4
e suas características ,,, = ,,,[ 1 + a,(o, - O,)] (5.4)
onde p1 é a resistividade à temperatura 01, p1 é a resisti-
Generalidades vidade à temperatura O, e a , é o coeficiente de tempera·
O cobre e o alumínio são os dois metais mais utiliza- tura relativo a 01• Normalmente, a resistividade é referi·
dos na fabricação de condutores elétricos, tendo em vista da a 20ºC.
suas propriedades elétricas e mecânicas, bem como seu A condurividacle é o inverso da resistividade,. sendo
custo. Ao longo cios anos, o cobre tem sido o mais usado, medida em siemens por metro (S/m).
sobretudo em condutores providos de isolação. O alumí· l (5.5)
nio praticamente domina o campo dos condutores nus T = - (Sfm)
para transmissão e distribuição, sendo também usado na
fabricação de condutores com isolação, embora em esca-
"
O padrão internacional para a condutividade é o
paclrào internacional de cobre recozido, IACS (Inter-
la bem inferior ao cobre. nacional Annealed Copper Standard), que corresponde
O cobre utilizado nos condutores é o cobre eletrolí- à condutividade ele um fio de cobre com l m de compri-
tico, com pureza ele até 99,99 por cento. Esse tipo de mento, 1 mm' ele seção e resistividade ele 0,01724
cobre é obtido em lingotes, que, por processo de lami- !l.mm2/m a 20ºC. A condutividade de um material con·
nação ou extrusão a quente, são transformados em ver- dutor é geralmente expressa em unia porcent~gem, obti·
ga/hões, que são produtos de seção maciça circular. Do da pela relação entre a condutividade de uma amostra
vergalhão, os condutores são obtidos por "estiramento a cio material a 20ºC, , ,,,. e a condutividade do padrão ' v.cs
frio", que origina o cobre duro, ou por "'recozimento", (também a 20ºC), isto é
que origina o cobre mole ou recozido; entre esses dois
tipos, tem-se o cobre ,ne;o-.duro. (5.6)
SU$W ü

140 lnslakições elétricos

A Tabela 5.2 apresenta os valores ele resistividade e • k, é um fator que depende do tipo de reunião dos
de condutividade de alguns materiais condutores impor- condutores, valendo:
tantes. • 1,00 para condutores isolados, cabos unipolares e
A norma brasileira NBR NM 280 para condutores ele cabos multipolares cujos condutores não são tor-
cobre e alumínio apresenta, para o cálculo da resistência cidos.
a 20-C, R,., a seguinte expressão: • 1,2 para cabos multipolares de alumínio e para
cabos multipolares não flexíveis de cobre cujos
4p,o
Rro =----=:;, · k,k2k., (.nlkm) (5 .7) condutores são torcidos.
lt 7r a- • 1,05 para cabos multipolares flexíveis de cobre
onde cujos condutores 5'io torcidos.

• Pio é a resistividade-padrão do material em 0.mm 2/m, Da Expressão 5.4, fazendo O, = 20ºC e O, = O,


valendo 17,241 x 10"' para o cobre e 28,264 X 10"' obté m-se
para o alun1ínio. R• = R20(! + a 20(8 - 20) J
• n é o número de fios no condutor.
• k, é um fator que depende do diâmetro dos fios e da e então
natureza do metal, sendo dado na Tabela 5.3 . 1
• k, é um fator que depende da classe de encordoa- R,o = R• . 1 + a 20(0 - 20)
mento do condutor, sendo dado na Tabela 5.4 . (5.8)

I Tabela 5.2 • Resistividades e condutividades de alguns materiais (fios) 1

Diâmetros nominais Re.~istividade a 20-C Condutividade a 20°C


Material
d (mm) (0 mm'/m) (%)
Cobre recoúdo - 0.0 17241 100,00
1.00 :s <i :s 8.00 0.0 17837 96,66
Cobre meio-duro
8.00 :s (/ :s 11..20 0.017654 97.66
1.00 :Se/ :s 8.00 0,017930 96, 16
Cobre duro
8,00 :s d :s 11,20 0,017745 97, 16
0.075 :s ti :s 0.280 0.0 18508 93,15
0.280 :s ti :s 0.510 0.018312 94,16
Cobre es1anhado 0.5 1O :s <i :s 2.62 0.017930 96.16
2.62 :s ti :s 7.36 0,0 17745 97.16
7,36 :s d :s 11 ,70 0,017654 97,66
Alumínio 1350 - 0,028264 61 ,00
Liga de alun1inio - 0.032840 52.50

I Tabela 5.3 • Valores do fator kl , ~ undo a NBR NM 280 1


Diâmetro máximo dos fios
Condutor maciço Condutor encordoado
do condutor
Até e
Acima de Cobre Cobre Alumínio Cobre Cobre Alumínio
inclusive
(mm) re,·estido nu nu revestido nu nu
(mm)
0.05 0, 10 - - - 1.1 2 1,07 1,12
0. 10 0.3 1 - - - 1,07 1.04 1.07
0,31 0,91 1,05 1,03 1,05 1,04 1,02 1,04
0.91 3.60 1,04 1.03 1.04 1.03 1.02 1,03
3,60 - 1,04 1,03 1,04 - - -
SU$W ü

CopíttJlo 5 • linhos elétricos 14 1

Tabela 5A • ValON1s do fator k, segundo a NBR NM 2 80

Valor Cobre Alumínio


1.00 Condutores n1aciços
Condutores encordoados cl~tsses 2 e 3. se o diâ1nc1ro Condutores encordoado$ classes I , 2~e 3, se o diân1e1ro
1.02 11on1inal dos fios excede 0.6 01111. non1inal dos fios excede O. 6 1nn1.
Condutores encordoados c lasses 4, 5 e 6. se o diântetro
1.03 nonlinal dos fios for superior a 0.6 nun.
-
Condutores encordoados c lasses 2, 4 1 5 e 6, se o Condutores encordoados classe 2, se o diâmetro nontinal
1,04
di!l1ne1ro no,nina.l dos íios for igual ou inferior a 0,6 nun. dos fios for igual ou inferior a 0.6 ,n,n,

Fazendo As resistências até aqui consideradas referem·se à


corrente contínua. Em corrente alternada ocorre um au-
1 - K mento ela resistência (R) devido ao aumento das perdas
1 + a.,(9 - 20) - • (5.9) causado pelos efeitos pelicular e de proximidade.
tem-se
• Efeito pelicular é o fenô1neno pelo qual o valor da
R 20 = R• · K, (5.10) densidade de uma corrente alternada é maior perto da
Considerando a resistência R,. em .!}/km e sendo R, superfície externa de un1 condutor do que no seu
referente a um cabo de comprimento /, em metro, resul- interior.
tar da Expressão 5 .1 O t o fenômeno caracterizado
• Efcit/J de pr().<imi</{ldt
por uma distribuição não uniforme da densidade de
1.000 corrente em un\ condutor. causada pela influência da
R20 =R · K. · - - (5. 11)
" " I rrente en1 condutores próxin10:c,;.
co_

Para o cobre, a NBR NM 280 considera a,.= 0,004 Assim, chamando de R a resistência em corrente
•e-• e, para o alumínio, adota cr,0 = 0,00403 •e-•. contínua e de Ro. a resistência em corrente alternada,
Nessas condições, tem-se: pode-se escrever:

• Cobre
RcA = R + ó.R (!l/ km) (5 .16)

1 250 sendo
K, = 1 + 0,004(0 - 20) = (230 + 6) (5. 12) ó. R = R(ys + Y1,) (5 .1 7)

• Alumínio onde y, e y, são fatores que levam em conta os efeitos


pelicular e de proximidade, respectivamente, podendo
K _ 1 = 248 ser obtidos pelas Expressões 5.18 e 5.20.
• - 1 + 0,00403(0 - 20) (228 + O) (5.13)

Portanto, resultará da Expressão S.1 1: Ys = 192 + 0,8x; (S .18)


• Cobre
com
R _ R . 250 . 1.000
20
- • (230 + O) I (5.14)
Xs = (R
811!
· 10-• · k,)'li. (5.1 9)

• Alumínio e
248 1.000
Rio = R, . {228 + 9) (5.15)
I x;
192 +O.&; . (d')'[
I 0,3 l 2 - ,d; +
As Tabelas 5.5 e 5.6, respectivamente, dão os valores
de K, para condutores de cobre e de alumínio.
Conhecendo-se o valor ela resistência R ele uma
amostra ele comprimento l à temperatura O, pode-se obter
a resistência /?20 a 20ºC, em !lJkm, usando-se a Expressão +- , -'-
1,18_ ] (5.20
.r,,
5.11 e as Tabelas 5.5 ou 5.6 ou, ainda, usando-se a -,19_
-?-'--- , + 0,27
+ 0,8x1,
Expr~o 5.14 ou a Expressão5.15.
SU$W li

142 lnslalações elétricas

I Tabela 5.5 • ' - ele e - ela temp11ahlra_,(/(, ) aara conclu"'"'• êle cobre 1
Temperatura do condutor no momento da medição (' C) Fator de correção para condutores de cobre K,
5 1.064
6 1,059
7 1.055
s 1,050
9 1.046
10 1,042
tI 1.037
12 1.033
13 1.029
14 1.025
IS 1,020
16 1,016
17 1,012
18 1.008
19 1,004
20 1,000
21 0.996
22 0,992
23 0,988
24 0,984
25 0,980
26 0.977
27 0.973
28 0,969
29 0.965
30 0.962

Tabela 5.6 • Fatoreo ele - ela ~ 1alura (/{, ) ~ cond......_ ele alumínio 1

Temperatura do condutor no momento da med ição ('C) Fatores de correção para condutores de alun1ínio K.,
5 1,0644
6 1.0598
7 1,0553
8 1,0509
9 1.0464
10 1.0420
11 1.0377
12 1.0333
13 1.0290
14 1.0248
15 1,0206
(continua)
SU$W ü

Capítulo 5 • linhos elétricos 143

(continvaçiio)
Temperatura do tondutor no momento da medição ('C) Fator~ de correção para condutor~ de alumínio K,
16 1.0164
17 1.0122
18 1.0081
19 1.0041
20 1.0000
21 0,9960
22 0,9920
23 0.9881
24 0.9841
25 0.9802
26 0.9764
27 0,9726
28 0,9688
29 0.9650
30 0.9612
.. . .

con1 As seções nominais são dadas em milímetros quadra-


dos, de acordo com o padrão IEC, sendo car,,cterizadas
(5.21) pelas normas NBR NM 280, para condutores de cobre e
onde