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E specialista em g eo b io lo g ia,

e c o b io c o n stru ç ã o , a g r ic u ltu r a
biológica e p io n e iro d a p e s q u i­
sa g e o b io ló g ic a n a E s p a n h a ,
M ariano B u en o re a liz o u se u s
e stu d o s n a F ran ça e n a S u íça e é
o cria d o r d o C e n tro M e d ite rrâ ­
n eo de In v estig ação G e o b io ló ­
gica. N essa in stitu iç ão , d e s e m ­
p e n h a u m in te n so tra b a lh o d e
análise e d iv u lg a ç ã o n u m c a m ­
p o que, e m b o ra m u ito n o v o n a
E sp an h a, g o za d e e n o rm e p re s ­
tígio e d ifu sã o n o re sto d a E u ro ­
pa. A in d a é p re s id e n te d a A sso ­
ciação d e E stu d o s G eo b io ló g ico s
(GEA), d e â m b ito n a c io n a l n a
E sp an h a, e p o r su a c o n d iç ã o d e
esp ecialista em g eo b io lo g ia tem
se d e s ta c a d o em v á rio s c o n g re s ­
so s n acio n ais e in te rn a c io n a is,
p a rtic ip a d o d e p r o g r a m a s d e
rá d io e te lev isão , além d e e sc re ­
v e r a rtig o s p a ra d iv e rs o s jo rn a is
e rev istas. N o c a m p o d o e n sin o ,
d irig e a m a té ria " S a ú d e e H á-

I
b ita t" n a s u n iv e rs id a d e s d e La
L a g u n a , T e n e rife e J a u m e I,
C astelló n , e m in is tra c u rs o s p o r
to d o o te rritó rio e s p a n h o l, a s ­
sim com o n a F ran ça, A rg e n tin a ,
C olô m b ia e M éxico. E a u to r d a
o b ra V ivir en casa sana.
0/00

0 Grande Livro
da Casa Saudável

E D IT O R A A F IL IA D A
0 Grande Livro
da Casa Saudável

M ariano Bueno

ROCA
Traduzido do original
El G ran Libr o de la C asa S ana
Copyright © 1992 , M arian o B ueno / 1992, Ediciones M artínez Roca, S. A.
ISBN 84-270-1661-1

Copyright © 1995 d a I a Edição pela Editora Roca Ltda.


ISBN: 85-7241-108-9

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ou tran sm itid a de qualquer modo ou por qualquer outro meio, seja este eletrônico, m ecânico,
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D ad os In ter n a c io n a is de C atalogação na P ublicação (CIP)


(Câmara B rasileira do Livro, SP, Brasil)

B ueno, M ariano
O g ra n d e livro d a c a s a sa u d á v el / M ariano B ueno; | tra d u ç ã o
de J o s é Luiz d a Silva | . — S ão Paulo: Roca, 1995.

T ítulo original: El g ra n libro de la c a s a sa n a .


B ibliografia.
ISBN 8 5 -7 2 4 1 -1 0 8 -9

1. E n erg ia vital 2. Geobiologia 3. H ab itaçõ es e sa ú d e 4 .


R a d ie ste sia I. T ítulo.

9 5 -3 8 2 3 C D D -613.5

ín d ic e s para c a tá lo g o siste m á tic o :


1. C a sa sau d áv el: Prom oção de sa ú d e 6 1 3 .5
2. S a ú d e e h a b ita t: Prom oção de sa ú d e 613 .5

1995

Todos os direitos para a língua portuguesa são reservados pela

EDITORA ROCA LTDA.


R ua Dr. Cesário Mota J r., 73
CEP 01221 -020 - São Paulo - SP
Tel.: (011) 222-1458
Fax: (011) 220-8653

Im presso no Brasil
Printed in Brazil
As realidades que hoje vivemos, ontem foram
tão somente utopias.
As utopias de hoje estão destinadas a ser
as realidades de amanhã.

M . B ueno
A gradecim entos

Este livro não teria sido possível sem toda a colaboração que de form a
desinteressada temos recebido.
Desde aqui, nosso mais sincero agradecimento às pessoas e instituições
(são muitas para enumerar todas sem correr o risco de esquecermos de alguém)
que, com seus conhecimentos, dados, gráficos, correções de texto, comentários ou
sugestões, perm itiram que elaborássemos e oferecêssemos ao grande público um a
obra de consulta amplamente documentada, que bem pode considerar-se de
interesse social, dada a importância que estão exigindo na atualidade
a maioria dos temas abordados nestas páginas.
Gratos a todos.

M ariano Bueno
e colaboradores do GEA
ÍNDICE

P rimeira parte: Geobiologia, ciência do habitat

1. O ser h u m an o e o m eio em que se d e s e n v o lv e ............................ 15


Energias sutis ........................................................................................ 15
Geobiologia, ciência do hábitat ......................................................... 19
Legados h is tó ric o s ................................................................................. 20
Do conceito de residência saudável à síndrome do edifício doente 22
Opiniões médicas ................................................................................. 24
Em direção a um hábitat saudável .................................................... 26

2. Radiações e s a ú d e .................................................................................. 28
Referências dos especialistas e o trabalho de campo ..................... 28
Os pioneiros: barão Gustav von P o h l ................................................ 28
Pierre C o d y ............................................................................................. 29
A experiência de um arquiteto: Rémi A lex an d re............................. 30
Trinta anos de experiência: Káthe Bachler ...................................... 31
U m pioneiro na investigação geobiológica: doutor H artm ann . . 38
As investigações na Suíça: informes C E G A ...................................... 39
Investigações sobre o te r r e n o .............................................................. 41
Herda-se a cama, não o c â n c e r ........................................................... 44
O corpo in f o r m a .................................................................................... 46
A complexidade do estudo de uma m o ra d ia .................................... 46
Faça caso de sua in tu iç ã o ..................................................................... 48
Hipersensibilidade às radiações ......................................................... 49

Segunda parte: Energias e vida

3. E letricidade am biental ........................................................................ 56


A eletricidade te rre s tre .......................................................................... 56
Atmosfera e saúde ................................................................................. 57
O ser humano dentro do campo elétrico natural .......................... 58
Eletricidade e processos biológicos .................................................. 60

4. Ionização do ar e eq u ilíb rio i ô n i c o ................................................. 62


O que se entende por ionização? ....................................................... 64
Os ionizadores ...................................................................................... 66
Ionização e radicais livres, chave da degeneração c e lu la r.............. 66
f
C om o proteger-se? ................................................ ........................... 68

5. M agnetism o e radiação cósmica ...................................................... 70


O campo magnético te rre s tre .............................................................. 70
10 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

Radiaçao solar e cósmica ..................................................................... 72


Torm entas m a g n étic as.......................................................................... 75

6. R a d io a tiv id a d e ....................................................................................... 78
Radiação cósmica ................................................................................. 79
Radiação terrestre ................................................................................. 81

T erceira parte: Fatores de risco e sua incidência

7. A lterações telúricas ............................................................................. 84


Alterações do campo magnético ....................................................... 85
Linhas Flartmann ou rede g l o b a l ....................................................... 87
As outras redes ...................................................................................... 89
Fissuras, falhas e correntes subterrâneas de á g u a ............................. 90
N êutrons e radiação gama ................................................................... 91
8. A eletricidade artificial, aliada o u inim igo invisível? ............... 95
Contaminação eletromagnética ......................................................... 95
Investigações sobre campos eletromagnéticos e
sua incidência na saúde ................................................................... 99
Investigando as incidências dos campos elétricos
e eletro m ag n ético s............................................................................ 105
Glândula pineal: as defesas contra a degeneração
genética e o c â n c e r............................................................................ 109
Conclusões ............................................................................................. 112
Fontes de radiações elétrica e eletromagnética artificiais .............. 113
A instalação elétrica da resid ên cia....................................................... 118
Conselhos ú t e i s ...................................................................................... 127
Eletricidade e te ra p ê u tic a ..................................................................... 128
9. Q ualidade do ar e contam inação atm osférica ............................ 132
O interior das residências..................................................................... 132
Fontes de poluição atmosférica ......................................................... 133
Fatores de risco no interior das residências:
“conforto biológico” ........................................................................ 135
Alguns dos poluentes presentes no a r ................................................ 135
Outras substâncias................................................................................. 136
Os valores TLV ou valores de limite u m b r a l.................................... 137
A limpeza química no l a r ..................................................................... 137
Limpe o ar de sua c a s a .......................................................................... 140

10. Poluição s o n o r a ..................................................................................... 142


Prejuízos da contaminação acústica .................................................. 142
Distintas reações diante de um mesmo p r o b le m a .......................... 144
Sinergias .................................................................................................. 144
Proteção contra a agressão acústica .................................................. 146
ÍND ICE 11

11. Luz, cor e ilu m in a çã o .......................................................................... 148


Luz e c o r .................................................................................................. 148
A cor na residência ............................................................................... 149
A iluminação artificial .......................................................................... 150
Respostas fisiológicas à cor ................................................................ 152

12. O lar r a d io a tiv o ..................................................................................... 154


O temido gás radônio .......................................................................... 154
A radioatividade caseira ........................................................................ 158

Q uarta parte: Prática geobiológica

13. D etecção de radiações n o c iv a s ........................................................... 162


Contaminação eletromagnética ......................................................... 162
Contaminação e lé tric a .......................................................................... 164
Medição do campo magnético terrestre ........................................... 166
Níveis de radioatividade........................................................................ 169
Medição da ionização do a r ................................................................ 170
Ruído e poluição sonora ..................................................................... 172
Temperatura e u m id a d e ........................................................................ 173
Limites dos equipamentos de m e d iç ã o ............................................. 174

14. Sistemas de detecção baseados na sensibilidade p e s s o a l.......... 176


Radiestesia e g e o b io lo g ia ..................................................................... 176
Podemos definir a radiestesia? ............................................................ 176
Resposta radiestésica ............................................................................ 178
Biossensores ........................................................................................... 180
Utilidade da radiestesia na prática geobiológica ............................ 182
A prática radiestésica ............................................................................ 183
Instrum entos de uso ra d ie sté sic o ....................................................... 183
Fabricação dos próprios instrum entos ............................................. 183
O p ê n d u lo ............................................................................................... 184
Os primeiros p a s s o s ............................................................................... 184
Possibilidades de oscilação e movimentos pendulares ................... 185
Código e convenção mental .............................................................. 189
Uso prático em g e o b io lo g ia ................................................................ 189
Escalas e biômetros ............................................................................... 190
Uso do b iô m e tro ................................................................................... 192
As outras escalas .................................................................................... 192
As varetas ................................................................................................ 194
Mãos que f a la m ...................................................................................... 196

15. M étodos de c o m p ro v a ç ã o ................................................................... 199


Testes distintos de comprovação das energias de um l u g a r ......... 199
12 O GRANDE LIVRO DA C AS A SAUDÁVEL

16. H arm onização e neutralização ........................................................ ..... 208


O bom s í t i o ....................................................................................................208
G e o p u n tu ra ............................................................................................. .......208
Circuitos oscilantes ......................................................................................212
As c o r e s .................................................................................................... .......216
Cristais e q u a r tz o s ................................................................................. .......217
Entre o fogo e as b r a s a s ...............................................................................218

17. A residência saudável: a rq u ite tu ra e b io e d ific a ç ã o .......................... 2 2 2


Escolha da localização e avaliação meio ambiental ............................... 224
Correta orientação e aproveitamento das energias passivas ......... ....... 226
Formas harmônicas e integradas com a paisagem ou
a arquitetura local ............................................................................ .......227
Materiais de construção saudáveis, não tóxicos nem radioativos . 228
Sistemas co n stru tiv o s............................................................................ .......237
C onforto térmico: calefação, refrigeração e iso la m en to ........................ 238
C onforto acústico ................................................................................. .......245
H armonia de cores e decoração (luz e cor) ........................................... 246
Instalação elétrica ................................................................................. .......247
Qualidade do ar e conforto biológico ............................................. ....... 255

18. E q u ilíb rio e saúde global .........................................................................258


Homeostase e enfermidade ................................................................ ....... 258
As respostas b io ló g icas................................................................................. 259
Respostas alérgicas: as pseudoenfermidades ........................................... 261
O corpo tem suas razões ..................................................................... ....... 263
Nossas limitações: consciência, percepção e coerência ........................ 264
Percepção e cultura ......................................................................................268
Com o conclusão ........................................................................................... 270

E ndereço de interesse .................................................................................. ......2 7 3

B ibliografia .................................................................................................... ......2 7 4


PRIMEIRA PARTE

G E O B IO L O G IA , C IÊ N C IA D O HÁBITAT

Sentimo-nos à vontade em nossa casa? materiais da construção, a orientação


Desfrutamos de boa saúde? da casa ou a presença de rede elétrica,
Dormim os e descansamos perfeita­ de um lado, e o equilíbrio físico ou
mente durante as noites? psíquico, assim como saúde em geral,
Talvez, ao contrário, permanecer mui­ de outro?
to tempo em casa pode nos causar tensão Os 50 anos de prática geobiológica
e ansiedade. Continuamente estamos so­ respondem afirmativamente.
frendo transtornos de saúde (desde Nossa saúde física e mental não so­
simples dores de cabeça e dores insisten­ m ente depende dos alim entos que
tes até enfermidades mais sérias, que a ingerimos, da higiene pessoal ou da
medicina ou as terapias parecem não qualidade do ar que respiramos, senão
conseguir solucionar); e levantamo-nos de algo mais.
destroçados pela manhã sem havermos A princípio, sempre se aborda o tema
descansado bem, com as costas dolori­ com um pouco de ceticismo, porém
das, as pálpebras inchadas e uma sensação chega um momento em que são tantas as
de peso na cabeça, que não desaparecerá evidências que já não se pode mais negar
até que tomemos uma aspirina ou uma e, sobretudo, o que chega a convencer é
boa xícara de café. a facilidade com que melhoram os trans­
Talvez uma pessoa, por estar tão acos­ tornos ou desaparecem as doenças de
tum ada a sofrer essas moléstias, passe a que padecia-se durante anos. E tudo
considerá-las normais ou simplesmente com soluções tão simples como mudar a
crônicas. Pode até mesmo ser que seu cama de lugar, mudar para outro quarto
médico ou terapeuta, desesperançoso ou desconectar os aparelhos elétricos
por não poder lhe ajudar, tenha com en­ próximos ao leito durante a noite.
tado que tudo isso é psicológico. Talvez Na primeira parte deste livro, intitulada
não lhe falte razão, se levarmos em “Geobiologia, ciência do hábitat”, to ­
conta que as situações descritas fazem- maremos consciência da presença de
se acompanhar por muitos momentos fatores de risco e sua incidência sobre a
de tensão, nervosismo e até mesmo saúde; insuspeitos, quem sabe, porém
agressividade a quem nos rodeia; com o não por isso menos perigosos ou
que tudo se agrava. preocupantes que os riscos conhecidos.
É m uito provável que, em alguma A segunda parte, “Energias e vida” ,
ocasião, suspeite-se que a casa ou a permitirá que nos aproximemos do
cama constituam fatores de desequilí­ m undo do magnetismo terrestre, da
brio. Sobretudo se quando se sai em eletricidade ou da radioatividade,
viagem os transtornos desaparecem ou descobrindo que somos seres biolo­
melhora o estado de ânimo. g icam en te ad ap tad o s a um m eio
Pode de fato existir alguma relação eletro-m agneto-quím ico-radioativo,
entre o lugar em que habitamos, os do qual não podem os nos desvincular.
14 O GRANDE LIVRO DA C ASA SAUDÁVEL

Na terceira, “Fatores de risco e sua veis ou de construir conscientem ente


incidência” , são descritos cada um dos uma residência.
perigos que nos cercam e suas possíveis Nestas páginas, delineiam-se gran­
conseqüências para a saúde. Tivemos a des problemas e descrevem-se possíveis
intenção de transcrever algumas das soluções. Porém, o mais im portante
investigações e provas que dem ons­ talvez seja a intenção de avançar na
tram sua clara incidência. Foi incluída tom ada de consciência global, que per­
uma série de conselhos e recom enda­ mita a todos iniciar um trabalho por
ções para que cada um possa reconhecer uma sociedade melhor, não somente a
o elemento perturbador à sua volta e partir de perspectivas socioeconômicas,
buscar a solução mais satisfatória. mas com mais ênfase a partir de uma
Por último, na quarta parte, “Prática ótica mais humana. Daí a realização
geobiológica” , tentamos abordar de for­ plena de cada pessoa como ser global
ma simples e prática as informações integrado em um meio, do qual depen­
suficientes para que aquele que desejar demos por completo, ser o primeiro
possa descobrir por si mesmo se o lugar objetivo. A saúde correta, tanto física
que ocupa lhe é favorável ou prejudicial. como psíquica, é de capital importância
Q u a n to ao c ap ítu lo relativ o à nesse processo. E o reconhecer de cada
bioconstrução, está orientado aos pro­ um dos fatores de risco e sua incidência
fissionais de arquitetura e construção, negativa revela-se imprescindível, se qui­
já que podem os tirar proveito na hora sermos avançar até essa espécie de utopia
de selecionar os materiais mais saudá­ chamada “saúde global” .
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 15

CAPÍTULO 1 possa elucidar se o lugar onde está


vivendo, trabalhando ou dorm indo lhe
O SER HUMANO é favorável ou, ao contrário, exerce um
E O MEIO efeito negativo e desequilibrador para
EM QUE SE DESENVOLVE sua saúde. Se for dessa segunda forma,
será levado a padecer de doenças e
enfermidades em mom entos de difícil
diagnóstico, porém simples de serem
Na presente obra abordamos os aspec­ evitadas ou superadas quando se desco­
tos e implicações que elementos tão bre o agente agressor, suprimindo-o ou
diversos como a casa que ocupamos, o corrigindo-o.
local onde foi edificada e a presença de
redes de alta tensão ou indústrias
poluidoras em sua vizinhança exercem Energias sutis
sobre a vida, o equilíbrio e a saúde.
Insistimos na qualidade biológica dos Enquanto os micróbios não se torna­
materiais com que foi construída ou ram visíveis (os germes ou as bactérias)
com os que desejaríamos edificar nossa não se podia supor sua existência; não
próxima moradia. Tam bém nos inte­ eram levados em conta na hora de
ressamos pela correta exposição solar, a diagnosticar uma enfermidade, nem os
economia de energia ou a arquitetura médicos tomavam medidas profiláticas
bioclimática. T udo isso pode levar a quando atendiam seus pacientes. M i­
crer que se trata de uma obra técnica, lhares de pessoas morriam contamina­
dedicada a profissionais de arquitetura das pelas mãos e pelo bisturi de um
ou da construção. N ão é dirigida so­ cirurgião, que atendia um doente atrás
m ente a eles e trata-se de um livro do outro sem adotar as adequadas m e­
am plamente docum entado, em que didas de higiene e esterilização do ins­
tentam os atingir a profundidade com trum ental utilizado. Quantas milhares
simplicidade, recorrendo freqüente­ de mulheres sucumbiram por terríveis
mente à riqueza descritiva dos gráficos. infecções pós-parto, ao serem atendi­
Ao delinearmos nossos objetivos, das por um médico que não lavava as
evidenciou-se a necessidade de oferecer mãos até que finalizasse sua jornada de
um texto de consulta que fornecesse trabalho! Essa prática, comum até o
dados concretos e ampliasse a informa­ século passado, é algo que hoje nos
ção contida em nosso título, Vivir en escandalizaria, levando-nos inclusive a
casa sana, uma introdução geral ao denunciar um profissional que não o b ­
complexo m undo da geobiologia e da servasse as medidas higiênicas necessá­
bioedificação. rias ao nos atender ou a um centro
O g r ande livro da casa saudávelmzn- hospitalar que não esterilizasse o ins­
tém o mesmo estilo divulgador, para trum ental cirúrgico. Essa consciência
colocar ao alcance de qualquer pessoa - do perigo de contaminação por falta de
seja qual for sua formação - uma série higiene devemos ao conhecim ento
de dados e conhecimentos, geralmente exaustivo do com portam ento dos ger­
dispersos ou pouco conhecidos, para mes patogênicos, vírus, bactérias e de­
que com essa informação - o mais mais microrganismos, descobertos gra­
lógica e coerente possível - o leitor ças a instrum entos aperfeiçoados (m i­
16 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

croscópios), que nos permitem ver o inspiram ao nosso redor, estes devem
que não está ao alcance de nossa per­ nos impulsionar a tom ar iniciativas que
cepção ordinária. corrijam cada um de nossos erros co­
Porém, a consciência dos perigos metidos até o presente.
ocultos a nossos sentidos ordinários A geobiologia estuda a contam ina­
não termina aí; hoje sabemos que insig­ ção elétrica ou eletrom agnética, os
nificantes partículas tóxicas, assim como materiais tóxicos empregados na cons­
muitas substâncias químicas que detec­ trução e os efeitos das radiações e da
tamos no ar que respiramos, na água radioatividade terrestres em nossa resi­
que bebemos ou nos alimentos que dência, às quais devemos somar as
comemos, podem provocar efeitos n o ­ geradas pelo ser humano. N ão deve­
civos para nossa saúde. Toda precaução mos nos angustiar (ainda mais, se
será pouca diante da possibilidade de couber, ameaçados como nos sentimos
respirarmos as mortíferas dioxinas (re­ por guerras e conflitos em todos os
sultantes de certos processos industriais) rincões do planeta); o melhor, ao deci­
ou de ingerirm os qu an tid ad es de frarmos em que medida cada um dos
arsênico ou chum bo - contidos na água elementos estudados incide realmente
- superiores ao que nosso organismo nos complexos processos de saúde e
pode tolerar. enfermidade, é que saberemos como
E possível que vejamos cada vez com nos proteger e melhorar, com isso,
mais angústia o m undo em que vive­ nossas condições de vida.
mos, sentindo-nos ameaçados por uma A cada dia se torna mais patente que
multidão de inimigos que pretendem uma enfermidade não tem uma só cau­
nos destruir. Porém, por desconhecê- sa, mas são muitos os fatores que entram
los, seus prejuízos não seriam menores. em jogo. É fato comprovado que um
Uma atitude mental positiva permitirá vírus, para que possa destruir uma célu­
que sempre superemos melhor cada la ou todo um órgão e com prom eter
problema que enfrentarmos, e o co­ nossa saúde, causando-nos febre ou
nhecim ento de todos os elementos uma forte infecção, não basta que seja
incidentes, ou dos possíveis fatores de absorvido pelas vias respiratórias ou por
risco, ajudará a agirmos coerentem en­ meio de uma lesão. O vírus terá que
te, modificando hábitos ou atitudes vencer todas as barreiras imunológicas
que repercutam de forma negativa so­ e de autodefesa do organismo que, se
bre nós ou em nosso meio. estiver equilibrado e em plena forma,
Assim, dia a dia tomamos consciên­ enfrentará corretamente esses milhões
cia do frágil equilíbrio que torna possível de elementos tóxicos com que nos rela­
a existência sobre a Terra. Os proble­ cionamos cotidianamente, através da
mas de contaminação ambiental têm respiração, da ingestão de alimentos ou
efeitos evidentes e em nenhum m o­ do tato. Os vírus se verão igualmente
m en to poderem o s nos considerar obrigados a vencer a barreira eletro­
alheios a eles. A destruição da camada magnética que protege cada uma das
de ozônio acrescentamos a poluição células de qualquer organismo.
das águas, dos alimentos, do ar, etc. E Porém , o que debilita o sistema
a c o n c lu sã o é v e rd a d e ira m e n te im unológico de um indivíduo, até
desalentadora. Porém, apesar do pessi­ torná-lo vulnerável a vírus, bactérias ou
mismo que tantos fatores de risco determinadas substâncias tóxicas?
GEO BIOLO GIA, C IÊNCIA D O HÁBITAT 17

IN C ID ÊN C IA S D O M E IO E DAS ENERGIAS N O E Q U IL ÍB R IO E NA SAÚDE

Satélites Rádio e telecomunicações - Microondas


Clima
- radiação cósmica
- sol Maior dose de radioatividade
- tormentas Contaminação estratosférica
- pressão atmosférica

Alta tensão
Campos eletromagnéticos
Contaminação elétrica

Orografia Contaminação
Situação atmosférica
geográfica

Transporte
Contaminação sonora

Alterações telúricas: gretas, falhas, fissuras

E letrodom ésticos
Contaminação
eletromagnética

Linhas geomagnéticas
- Hartmann
- Curry
Meio ambiente
Ar saudável
Luz
Vegetação

Camadas freáticas
Veios de água
Habitat
bioclimático
Materiais de construção

Tintas e solventes
18 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

Hoje conhecemos m uito bem a rela­ seguinte: existem outros fatores, fora o
ção direta entre certos hábitos de vida e psicofísico, que escapam à nossa per­
os processos descritos. A relação dieta- cepção e que poderiam condicionar
saúde é já um fato aceito. Com efeito, nossa existência?
uma alimentação desequilibrada, defi­ A essa pergunta a geobiologia res­
ciente, refinada em excesso ou carregada ponde informando-nos da presença de
de substâncias tóxicas (g o rd u ra s fortes radiações procedentes do subsolo
saturadas em demasia, aditivos químicos, que podem nos desequilibrar física ou
etc.), m uito carente dos aminoácidos psiquicamente. A existência de uma
ou vitaminas adequados, alterará o equi­ linha de alta tensão cercando nossa
líbrio celular. Por outro lado, a relação residência, um transformador setorial
estresse-saúde também é um fato pro­ ou uma instalação elétrica incorreta em
vado: as pessoas despreocupadas, com nossa casa pode causar sérios desarranjos
uma atitude mental positiva e que sorri­ no sistema nervoso ou imunológico,
em para a vida, sofrem muito menos de levando-nos a estados de nervosismo,
transtornos orgânicos ou psicológicos e irritabilidade ou, até mesmo (segundo
se recuperam mais facilmente de inter­ as estatísticas), a ter as probabilidades
venções cirúrgicas ou traumatismos. A dobradas de padecim ento por uma
influência da mente sobre o corpo, as­ leucemia ou um tum or cerebral.
sim como do corpo sobre a mente, é já De nenhum m odo os fatores de risco
inquestionável. Até mesmo no âmbito estudados pela geobiologia podem ser
profissional ou social, desenvolver um considerados enfermidades em si mes­
trabalho satisfatório e podermos nos mos. Porém, tanto na prática cotidiana
relacionar com pessoas que permitam como no exaustivo estudo de suas
nos sentirmos úteis e felizes, assim como implicações, pode-se observar que in­
vivermos de acordo com nossos pró­ duzem a desequilíbrios suficientemente
prios princípios e enfim “sentirmo-nos graves, que provocam doenças ou nos
realizados na vida” , possibilitará a supe­ impedem de enfrentá-los de forma satis­
ração de qualquer conflito, obstáculo fatória. Ao mesmo tempo, descobrimos
ou problema que a mesma vida nos a influência positiva das zonas harm ô­
delineou. Sentirm o-nos fracassados, nicas ou n e u tra s , o b se rv a n d o o
frustrados, amargurados ou insatisfei­ desaparecimento de antigas moléstias,
tos com nossa existência, ten d o a a melhora em transtornos e enfermida­
sensação de não estarmos vivendo de des crônicas, assim como a rápida cura
acordo conosco mesmos, será a ante- ou re c u p e ra ç ã o de ferid as o u
sala de muitas doenças; uma porta aberta traumatismos recentes. Tudo isso so­
ao suicídio e à autodestruição, que irá m ente pelo fato de se buscar uma boa
nos impedir de fazer frente a qualquer área e permanecer por certo tem po
dos problemas que enfrentamos cons­ num local harmônico, isento de fortes
tantem ente na vida, quer se chame alterações energéticas e com o campo
substância tóxica, vírus, alteração cli­ magnético terrestre em equilíbrio.
mática, acidente ou traumatismo. Ainda que isso pareça uma afirmação
Aceitos socialmente os postulados exagerada, os fatos falam por si mes­
psicossomáticos na gênese de inum erá­ mos. A importância do local de descanso
veis transtornos e enferm idades, a - a cama assim como o lugar de
pergunta que faríamos a seguir seria a estudo ou trabalho, mostrou-se de vital
GEO BIOLO GIA, C IÊNCIA D O HÁBITAT 19

transcendência, pois neles passamos habitam. Porém, na prática e com o


longas horas sem ao menos mudarmos tempo, seu campo de ação tem se amplia­
de posição. Ao coincidirmos esses lo­ do com o propósito de abranger todos os
cais com um espaço harmônico no elementos ou fatores que intervém nos
campo energético, sentiremo-nos bem, processos vitais, sobretudo aqueles que
encontrando o repouso ou a concen­ afetam a saúde ou enfermidade dos seres
tração desejada. vivos, em especial dos seres humanos.
De fato, se acertarmos com a ade­ Evidentemente, o termo geobiologia se
quada disposição da cama, iremos apresenta pobre e até mesmo impróprio
levantar pela manhã perfeitamente des­ para englobar todos os campos que hoje
cansados, com ânimo para enfrentar o envolvem essa ciência. Apesar disso, se­
novo dia, alegres e dinâmicos. Em um guimos fazendo uso freqüente do nome,
bom lugar de estudos ou trabalho, re­ talvez por supormos, ao longo de muitos
cordaremos melhor o estudado, e o anos, ser uma porta aberta ao fluxo de
cansaço e a fadiga dem orarão mais para conhecimentos através da qual vamos
se manifestarem. Evidentemente, tam ­ absorvendo e integrando constantemen­
bém teremos em conta o resto dos te. Tem se mostrado para nós, portanto,
fatores mais conhecidos, com o a ilumi­ de incalculável utilidade e tem nos ajuda­
nação, a ventilação ou a tem peratura do do a melhorar a relação com o meio em
lugar. que nos desenvolvemos. Especialmente
Recordemos que na cama passamos com o planeta Terra e com o cosmos em
em média oito horas, o mesmo tem po seu conjunto.
que no local de estudo ou trabalho Talvez fosse melhor chamar esta ciên-
(quando este último é sedentário). Daí cia de “cosmogeobiologia” ou mesmo
a necessidade de uma orientação ade­ “dom ologia” : domus significa morada,
quada, com o objetivo de se evitar residência; e logos, estudo, ciência. O
fortes radiações telúricas (procedentes estudo das residências e sua relação
da terra) ou elétricas, cruzam entos com a saúde e os processos de enfermi­
geom agnéticos ou outras anomalias dade é, definitivamente, o trabalho das
estudadas pela geobiologia. pessoas que há décadas cultivam essa
Nas páginas que se seguem, tentare­ disciplina. Aquela relação era, a princí­
mos mostrar a importância de cada um pio, imprevista, porém pouco a pouco
desses fatores de risco para a saúde foi se confirmando.
física e m ental. Veremos como a insônia D urante anos, essas investigações
pode desaparecer ao desconectarmos o realizadas por médicos, biólogos, geó­
radiorrelógio da cabeceira da cama, ou logos, arquitetos e outros investigadores
despachar uma crise de asma bronquial livres foram configurando o que hoje
com a mudança de quarto. conhecemos como geobiologia. A ra­
zão deste nome se deve em parte à
observação inicial de que muitas das
G eobiologia, ciência do hábitat enfermidades e transtornos sofridos por
numerosas pessoas apareciam associa­
Deveríamos definir a geobiologia dos às radiações procedentes do subsolo
como a ciência que estuda a relação entre dos lugares habitados: radiação gama,
gea, terra - as energias procedentes da gás radônio, presença de falhas ou
terra - e bios, vida - os seres vivos que a fissuras, camadas freáticas, alterações
20 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

do campo magnético terrestre, etc. Ao sado resultam defasadas e obsoletas em


nos aprofundarmos na geobiologia, des­ nossos dias, por acaso não ocorrerá o
cobrimos vidas inteiras dedicadas à mesmo com os postulados e as certezas
investigação desses temas. Na Alema­ aceitas como válidas pela ciência atual?
nha, encontramos o doutor H artm ann, Tem po ao tempo.
o engenheiro Robert Endros, o físico
Kining, o professor de arquitetura K. E.
Lotz, o arquiteto Anton Schneider... Legados históricos
Na França, o doutor Peyre, o engenhei­
ro P. C ody, os a rq u ite to s Rem i Ao tratar de geobiologia é inevitável
Alexandre, Pierre le Chapellier, J. Ch. ter-se em conta os indícios que através
Fabre, o físico Yves Rocard1. Na Suíça, da história mostram, de forma inequí­
a doutora Blanche Merz ou o doutor voca, a existência de conhecimentos
Jenny. De fato, é interminável a lista de ancestrais que evidenciam a im portân­
pesquisadores cujas conclusões não dei­ cia outorgada ao lugar e às influências
xam lugar a dúvidas sobre a importância positivas ou negativas que aquele podia
e a incidência de radiações do lugar, e exercer sobre seus moradores.
sua relação com muitos dos males e Nos livros e artigos em que se aborda
enfermidades sofridos pela maior parte o tema da geobiologia e da bioconstrução,
da população. Hoje, a geobiologia co­ assim como no livro Vivir en casa sana,
meça a reconhecer-se como ciência e é faz-se referência ao conhecimento que as
matéria de estudo nas universidades. antigas civilizações possuíam sobre a in­
Deixa, portanto, de ser considerada uma cidência de determinadas energias sobre
pseudociência, como se havia classifica­ os seres vivos.
do até há pouco. E preciso reconhecer, Os antigos chineses, com suas n o r­
sem dúvidas, que muitos dos divul­ mas e conhecimentos resumidos na arte
gadores dessa nova e apaixonante ciência geomântica de Fheng-Shui, proibiam a
têm contribuído a que se atribuísse à construção de casas para as pessoas e
geobiologia a etiqueta de falta de rigor abrigos para os animais sobre o que eles
e mesmo de paraciência. Digamos, como denominavam de veias do dragão ou
desencargo dos responsáveis pelo mal­ saídas dos demônios.
entendido, que m uito freqüentemente Os romanos faziam rebanhos de ove­
a sensibilidade individual e a intuição lhas pastarem durante longos períodos
não fazem parceria com uma boa nos terrenos onde se pensava fundar uma
formação científica, nem com grandes cidade. Através do sacrifício dos animais,
dotes de eloqüência. Porém, certos estudavam seu fígado, cujo estado lhes
“sensitivos” não sabem se expressar cor­ oferecia informações sobre a qualidade
retamente ou desconhecem a fundo a do terreno. Desse modo, decidiam pela
linguagem, e os postulados da ciência implantação definitiva ou o deslocamen­
aceita como válida em nossos dias não to a outro local mais favorável.
deveriam desqualificar-lhes por com ­ Sabemos que os índios da América
pleto. Talvez seja necessário certa dose do N orte deixavam seus cavalos pasta­
de humildade e tolerância e uma maior rem livremente e observavam com
amplitude de visão por parte dos que atenção seus locais preferidos. Lugares
ostentam as cátedras do saber atual. que, naturalmente, eram eleitos para se
Afinal de contas, se as verdades do pas­ estabelecer o acampamento.
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 21

Algo similar seguem fazendo hoje o aluguel era mais caro e, além disso, a
em dia algumas tribos nômades do casa não nos dava sorte. Há casas que
deserto - como os míticos tuaregues - não dão sorte; e a que ocupamos agora,
que se fazem acompanhar em suas cara­ essa sim dá sorte. N a velha, perdi meu
vanas por cachorros, e o lugar que estes anel de noivado, foi-se pela pia... M eu
elegerem para descansar será autom ati­ marido perdeu duas vezes a carteira e,
cam ente ocupado pelas tendas de além disso, teve um acidente na estra­
campanha. São conscientes de que a da. Não ficamos nem um ano. Q uando
sensibilidade desses animais lhes ofere­ meu marido perdeu a carteira, vendi
cerá os locais favoráveis para o descanso. tu d o o que tinha... Fartei-me e mudei-
Por outro lado, nas zonas de grande me para Rabat” .
radioatividade natural encontramos os De fato, em cada cultura, em cada
locais sagrados, zonas de culto milenar civilização, fazia-se uso da observação
ou de repouso dos antepassados. Nossas da natureza e inclusive, em certas oca­
medições atuais mostram fortes anoma­ siões, recorria-se a certas percepções
lias geomagnéticas, elevados níveis de extrasensoriais, que permitiam estabe­
radioatividade ou outras alterações lecer a salubridade ou nocividade de
geofísicas em tais assentamentos, que cada lugar. Resulta assim de vital im­
por regra geral foram marcados por portância as funções desempenhadas
petróglifos, menires, pirâmides ou ou­ pelo sacerdote, pelo curandeiro, pelo
tras construções de pedras que seguem bruxo, pelo vidente, pelo sábio ou pelo
indicando-nos a presença de algo espe­ adivinho do lugar.
cial, de uma energia que convêm termos Hoje em dia somos forçados a recor­
em conta ou temer, segundo o caso. rer à eletrônica e a seus avançados
T odo esse antigo conhecim ento das instrumentos de medição, porém a ló­
energias do lugar, tido como sacro, gica nos diz que em nenhum m om ento
encontram os vivo em muitas culturas podemos menosprezar os conhecimen­
primitivas ainda não destruídas pela tos e saberes ocasionados pelos sistemas
influência ocidental, por demais racio­ e pela metodologia da percepção mais
nal e incapaz de abrir-se ao m undo da tradicional. A atual radiestesia - por
dimensão sutil da realidade. Os livros exemplo - oferece-nos uma via de ex­
de Carlos Castaneda sobre os ensina­ periência e conhecimento que, apoiada
mentos de don Juan brindam -nos com pelo desenvolvimento tecnológico da
um bom exemplo disso. O curandeiro eletrônica, será de grande ajuda no
propõe ao autor concentrar-se, buscar discernimento das diferentes energias e
e sentir os diferentes lugares, até que radiações presentes em cada lugar e em
encontre um “sítio” no solo onde pos­ cada canto de nossa moradia, percep­
sa acomodar-se sem fadiga e sentir-se ção esta que permite aproveitarmos a
fo rte e feliz de form a n atu ral e infinidade de “ bons sítios” que existem
expontânea. Estes conhecimentos tam ­ à nossa volta.
bém nos surpreendem nos relatos de E certo que tampouco podemos sus­
uma m ulher de cultura simples, que tentar que a cada dia torna-se mais
lem o s pelas m ãos da s o c ió lo g a difícil encontrar um bom lugar, já que
m arroquina Fatima Mernissi,2 em sua às radiações cósmicas, solares e terres­
obra Marrocos segundo suas mulheres'. tres conhecidas, devemos acrescentar
“ (...) Voltamos a viver em Salé, porém as intensas radiações geradas pelo h o ­
22 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

mem em seus constantes progressos maior parte do tempo em contato direto


socioeconômicos e industriais. com a natureza e cuja m aior preocupação
Por isso, completaremos os antigos co­ consistia em proteger-se das agressões
nhecimentos legados por civilizações atmosféricas ou de animais daninhos, a
milenares com os da ciência contemporânea. uma sociedade urbana que passa 90%
Assim, a moderna geobiologia, ciên- de seu tem po fechada entre quatro
cia-ponte entre antigos conhecimentos paredes, sejam da casa ou apartam ento,
e descobrimentos mais recentes, in­ do escritório, da lanchonete, do restau­
corpora em sua investigação os dados rante ou do salão de festas.
gerados pelos mais diversos ramos do Os poucos mom entos que alguns
saber acadêm ico atual: astrofísica, privilegiados passam no jardim de sua
geologia, biofísica, biom agnetism o, casa 011 as escapadas de fim de semana
hidrologia, medicina, neurologia, etc. à praia ou ao campo são cada vez mais
Naturalm ente, o conceito geobio­ exceção.
logia resultará pobre para designar a A residência e tudo a ela relacionado
grande variedade de situações e ele­ -construção, materiais, decoração, ven­
mentos que intervém nesses processos tilação, orientação, exposição solar, etc.
de equilíbrio ou desequilíbrio - seja - exige dia a dia maior importância;
físico ou mental - que a todos afetam. tanta como os princípios clássicos pelos
Ao final, nossa morada, nosso hábitat, quais escolhemos geralm ente nossa
o lugar de trabalho ou descanso exer­ morada: proximidade do local de tra­
cem uma pressão e produzem resultados balho, dos serviços essenciais (compras,
de considerável importância, que não escolas, áreas de lazer...), estética ou
podem os desdenhar nem passar por qualidade (marcas) dos materiais.
cima. O certo é que existem outros concei­
tos e parâmetros que entram em jogo
na hora de escolher a moradia:
D o conceito de residência saudável
à síndrome do edifício doente • O ruído: casas situadas em ruas m ui­
to transitadas ou ruidosas, pela presen­
A geobiologia e a bioconstrução ou ça de bares ou salões de festas, assim
a domologia, como estudo da influên­ como a proximidade de estradas, vias
cia da residência sobre os seres vivos expressas, aeroportos ou zonas indus­
que a habitam, são provavelmente ciên­ triais, cujos ruídos com provadamente
cias com m uito futuro. A cada dia afetam de forma séria o sistema nervoso
ouvimos falar mais da “síndrome do e produzem surdez.
edifício doente” ou dos edifícios que • A qualidade do ar é outro dos fatores
adoecem seus moradores. Ar condicio­ cada vez mais exigidos pelas pessoas
nado, umidificadores repletos de germes preocupadas com a saúde. A presença
patogênicos, isolantes cancerígenos, de indústrias poluidoras, vcrtedouros
substâncias químicas altamente tóxicas incontrolados, zona onde se acumulam
empregadas nos materiais de constru­ os gases da combustão dos sistemas de
ção, pinturas ou produtos de limpeza, calefação ou dos veículos são fatores
má iluminação, aluminose, etc. considerados de alto risco para as pes­
Em poucas décadas, passamos de soas que sofrem problemas respirató­
uma sociedade rural que permanecia a rios ou asmáticos.
GEO BIOLO GIA, C IÊNCIA D O HÁBITAT 23

EXPERIÊNCIA D E H E A L T H T B U IL D IN G S IN T E R N A T IO N A L 1980-1990
RESU M O DOS FATORES MAIS IM PORTANTES

BASE DE DADOS:

CO N TA M IN A N TES
No diagrama, aparecem representadas as porcentagens dos principais contaminantes de
interior, obtidos ao longo de uma década pela empresa especializada Healthy Buildings
International.

• O frio e o calor na residência pare­ culas desprendidas por alguns mate­


cem dois problemas cada vez melhores riais, os altos níveis de formaldeídos
resolvidos, com os novos sistemas e detectados em casas com m uito aglo­
normas de isolamento térmico, vidra­ merado, as cargas eletrostáticas de cer­
ças duplas, etc. Porém, isso está geran­ tos materiais e fibras sintéticas, resíduos
do uma série de efeitos secundários e gases tóxicos em algumas pinturas e
inesperados, com o a deficiente renova­ materiais de uso corrente, e uma inter­
ção do ar interior, o conseqüente acú­ minável lista que dá o que pensar.
mulo de partículas tóxicas, bactérias ou • A contaminação elétrica: não pode­
o tem ido gás radônio, que, como não mos passar por alto, devido a suas múl­
se decompõe, produz um aumento alar­ tiplas implicações, pelos familiares e já
mante de casos de câncer no pulmão ao imprescindíveis eletrodomésticos e pe­
ser absorvido. las instalações elétricas que a cada dia
• A decoração e o mobiliário, ao que exigem maior importância e enverga­
damos um valor relevante, escondem dura em nossos hábitats modernos.
efeitos secundários por trás das partí­ Enquanto a domótica - com seus tão
24 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

usados conceitos de “casa inteligente” , riores e os efeitos daquelas radiações,


toda controlada por avançados siste­ que vão mais além das já bem conheci­
mas informatizados, elétricos e eletrô­ das radiações ionizantes (radioativida­
nicos - pretende impor-se em nossa de). Na obra dos doutores Volker e
moderna sociedade tecnicista, poucos Helga zur Linden sobre o sistema
falam dos efeitos dos campos elétricos e imunológico, Cuide naturalm ente de
eletromagnéticos no equilíbrio e saúde seu sistema imunológico, podem os ler,
das pessoas, embora numerosas pesqui­ no capítulo intitulado “ O que debilita
sas relacionem essa eletricidade artifi­ nosso sistema imunológico” (p. 31), e
cial com o incremento da leucemia, sob a epígrafe:
tum ores cerebrais e outras doenças
degenerativas.3 “A ‘salada de radiações’ em que vivemos.
Existe uma classe de poluição do meio am ­
biente cuja importância real a maioria das pes­
N esta obra, concentrada na m oradia e soas ignora: a grande variedade de radiações a
na saúde, tentarem o s dar um repasse que estamos expostos constantem ente. Os espe­
exaustivo em todos os conceitos, ava­ cialistas continuam sem entrar em acordo sobre
liando cada postulado exposto com o os efeitos que essas radiações têm sobre o orga­
nismo humano.
máximo de inform ação e referências
M inha experiência dem onstrou-m e que as
às investigações realizadas em cada pessoas preocupadas com seu sistema im uno­
cam po, assim com o com a experiência lógico deveriam ter em conta as radiações exis­
pessoa! dos que há anos dedicam-se ao tentes no meio e evitá-las na medida do possí­
estudo e prospecção de residências e vel.”
terrenos destinados à construção. Na
prática, tem sido possível com provar a Por trás de uma descrição das dife­
implicação desses fatores na saúde da rentes radiações naturais e artificiais, às
maioria das pessoas. E, sobretudo, quais o ser hum ano se vê exposto coti-
contam os com a corroboração dos dianamente, esses médicos alemães dão
benefícios que se supõem para tantas uma série de recomendações que cre­
pessoas, ao terem em conta esses ele­ mos ser interessante reproduzir, pois
m entos e se planejarem para m elhorar entram em cheio na razão de ser desta
sua saúde, m ediante a m udança ou obra.
eliminação de alguns materiais de sua
casa, a desconexão de alguns cabos “O que fa ze r contra as radiações indesejadas?
elétricos ou a m elhoria da instalação In d u b ita v e lm e n te , h o je em dia é im p o s­
geral, ou m esm o com algo relativa­ sível p ro teg e r-se de todas as radiações qu e
m ente tão simples e ao alcance de afetam nosso o rg an ism o . Sem em b araç o , a
todos, com o a m udança de orientação m eus p acientes crônicos re c o m e n d o qu e
verifiquem a n ão -ex istên cia de radiações
da cama ou o traslado a ou tro aposen­ perigosas em seus d o rm itó rio s o u locais de
to, m enos afetado pelas radiações do trab alh o . O s resu ltad o s das m edições e dos
subsolo. efeitos p ositivos, qu e levam à m u d an ça de
localização d o s d o e n te s, co n firm am o ac er­
to dessas m edidas.
Tam bém podem os proteger facilmente nos­
Opiniões médicas so dorm itório, o local mais sensível. Evitaremos,
assim, que nosso sistema im unológico se debili­
N o campo da medicina, começa-se a ter te pela ação daquela classe de radiações, que
presente os conceitos de energias exte­ podem ser suprimidas.
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HABITAT 25

POSSÍVEIS RADIAÇÕES N O D O R M IT Ó R IO

Todos os aparelhos elétricos estão rodeados de campos elétricos e radiações, inclusive quando
estão desligados; por isso, convém desconectá-los da tomada durante a noite. Pensemos
também nos aparelhos que se encontram no aposento contíguo, já que as radiações atravessam
as paredes.

A instalação elétrica do piso: • Se fizerem falta, mudar de dorm itório.


• U tilizar cabos protegidos (cabos coaxiais) e • Geralmente, os aparelhos que eliminam as
não esticá-los circularmente à volta dos plugues, radiações não são eficazes.”
mas em forma de estrela.
• N ão instalar condutores principais junto à
cama ou em locais de trabalho. Posteriorm ente, os autores descre­
• Utilizar interruptores que impeçam autom a­ vem o u tras causas de tra n s to rn o
ticamente a corrente de circular durante a noite
pela instalação elétrica do dorm itório.
imunológico, mais conhecidas e de igual
• Instalar um interruptor que impeça que a cor­ importância, como é o estresse, a ali­
rente circule pelos cabos ou aparelhos defeituosos. mentação e a higiene m ental. Vemos de
novo que o equilíbrio e a saúde devem
No dormitório: ser enfocados como algo global, e que
• Se possível, não colocar a cama próximo a ao buscar as causas ou os fatores de risco
cabos elétricos e tam pouco próximo a extensões
ou tomadas.
aos quais estamos expostos, não pode­
• N ão colocar rádio, relógio digital nem televi­ mos desconsiderar - pelo fato de que
sor próximos da cama, e recordar-se que, duran­ pareçam-nos novidades ou estranhos -
te a noite, deverão ser desconectados. os conceitos energéticos ou telúricos
• N ão instalar tubos fluorescentes próximos da descritos nesta obra.
cama.
• N ão utilizar almofadas ou mantas elétricas.
Talvez seja a Alemanha o país onde
• A cama, o somiê e o colchão não poderão ser tem sido mais difundido o estudo e a
fabricados com peças metálicas. aplicação dos conhecimentos sobre as
26 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

diferentes energias e radiações telúricas, horm onal, que regula inúmeros processos m e­
assim como sua influência direta ou tabólicos, fazendo-os perder seu equilíbrio.
A conseqüência é o surgim ento de moléstias
indireta sobre a saúde. É assim que inicialmente leves, atribuídas ao estresse, ao
vemos refletido no livro da doutora clima ou a outras condições da vida. Geram um
Sigrid Flade, Tratamento natural das efeito prolongado - segundo a experiência, uns
alergias, pertencente à mesma coleção cinco ou sete anos - e podem desenvolver-se
anteriorm ente mencionada sobre o sis­ verdadeiras enfermidades crônicas (que inclusi­
ve ameaçam a vida); tais com o reumatism o,
tema imunológico. A autora também asma, bronquite crônica, moléstias do baixo
menciona as radiações terrestres e arti­ ventre, enfermidades gástricas, úlceras estom a­
ficiais como causa de transtornos e como cais, afecções e infecções renais, flebite, hiper­
fatores incidentes em grande número tensão, arritmia, infarto do m iocárdio, leucemia
de alergias e problemas asmáticos. e câncer.
Em geral, o corpo se debilita sob o efeito das
Apesar de seu ceticismo inicial, deixa radiações, de maneira que suas defesas contra os
bem claro em sua obra as conclusões de alérgenos se deterioram .”
sua experiência profissional:

“Antes, quando se falava de radiações telúricas e Em direção a um habitat saudável


dos videntes, não podíamos evitar um sorriso
indulgente. Mudei minha forma de pensar e Através da leitura deste livro é provável
atendi às razões fornecidas pelas informações que se identifique alguns dos transtor­
objetivas e pelas experiências práticas. nos que você esteja sofrendo, alguém
M uitas vezes observei que minha terapia
(tam bém no caso das alergias) não vinha o bten ­
de sua família ou mesmo um amigo.
do os resultados esperados enquanto o paciente Talvez lhe pareça impossível ou im pro­
continuasse dorm indo em local com transtor­ vável que esse grave transtorno, cuja
nos geopáticos.(...) causa a medicina não conseguiu eluci­
Freqüentem ente, não se leva em conta a dar e para ele não encontra uma solução
possibilidade de que as moléstias de um paciente
possam estar relacionadas com o fato de sua
adequada, possa estar relacionado com
cama se encontrar em uma zona perturbadora. o dorm itório ou o local de trabalho. De
Porém, deveria ser levada em consideração, todas as formas, a solução proposta pela
sobretudo nos seguintes casos: geobiologia é relativamente simples;
com efeito, não será difícil provar que
- não pode dorm ir durante horas e horas; desconectando a linha elétrica de sua
- dorme mal;
- move-se muito durante a noite;
casa enquanto dorm e, ou m udando de
- tem pesadelos; quarto, surgirá uma melhora ou desfru­
- grita durante a noite; tará de um descanso mais completo.
- é sonâmbulo; Essa será a prova evidente de que algu­
- range ou bate os dentes; mas energias, que não percebemos com
- tem suores repentinos ou frio durante a noite;
- cai da cama;
nossos cinco sentidos ordinários (se
- as crianças deslocam-se a um extremo da cama bem que as detectamos com magne-
durante a noite, ou choram ao despertar. tôm etros, contadores geigeres ou m e­
didores de campos elétricos), estavam
Que efeito têm as radiações e os campos magnéticos incidindo diretamente em nosso equi­
sobre nosso corpo? líbrio e em nossa saúde física e mental.
P reju d icam os p ro cesso s b io q u ím ic o s e
energéticos das células de nosso corpo; por
Se em seu trabalho se vê obrigado a
exemplo, as células do sistema imunológico. passar muitas horas em frente a uma
Além disso, afetam todo o sistema endócrino e tela de com putador, o ideal será prote­
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 27

ger-se com um filtro anti-estático ou interesse e, sobretudo, que resulte de


mudar o m onitor com tubo de raios grande utilidade no caminho do equi­
catódicos - que emite forte radiação líbrio e da saúde.
eletromagnética - por um de cristal De nossa parte, sentiremo-nos re­
líquido, que funciona com baixa volta­ compensados se, graças a esse trabalho,
gem e tem conseqüências quase inócuas. alguma pessoa que sofra sem compre­
Seu sistema nervoso lhe agradecerá, ender as causas de sua dor encontre uma
enquanto sua m ente se manterá mais resposta ou solução a seus problemas;
relaxada e o cansaço não se fará presen­ redescubra a alegria de viver, somando-
te com tanta assiduidade. se assim aos numerosos casos de que
Estamos apresentando alguns exem­ temos conhecimento ao longo dos anos,
plos de hábitat saudável e de busca do exercendo esse apaixonante trabalho.
equilíbrio físico e mental, através de Agradecemos de antemão o interes­
algumas práticas pouco freqüentes, se que nos dispensar com a leitura deste
porém que exigem cada vez maior livro, e desculpamo-nos por aqueles
incremento. Por meio deste livro, que conceitos, idéias ou explicações de difí­
pode ser lido do princípio do fim (a cil compreensão. Talvez seja interessante
forma mais lógica) ou dirigindo-se ao deixar claro o contexto global, sem
capítulo que aborda o tema de interes­ perder-se demais nos detalhes. E, so­
se - e pensando nessa possibilidade bretudo, valorizá-lo em função dos
viemos repetindo alguns conceitos ex­ resultados.
postos em capítulos precedentes Definitivamente, o que conta para
encontrarem os respostas para muitas nós são os resultados positivos. E quem
incógnitas que se delineiam em nosso sabe seja este o motivo principal que
tem po. Esperamos que seja de seu levou-nos a empreender esse trabalho.

1 Físico francês, m em bro do CNRS, um dos


pais da bom ba atômica francesa e autor de vários
livros sobre radiestesia experimental. Ver biblio­
grafia.
2 Fatim a M ernissi, Marruecos según sus
mujeres (M arrocos segundo suas mulheres),
Ediciones dei O riente y dei M editerrâneo, M a­
dri, 1990, pp. 242 e 243.
3 N ão devemos considerar os campos ele­
tromagnéticos com o enfermidades, senão, m e­
lhor, com o precursores de enfermidades; como
fatores de desequilíbrio, que alteram nossa capa­
cidade de resposta às agressões do meio.
28 O GRANDE LIVRO D A C AS A SAUDÁVEL

CAPÍTULO 2 Os pioneiros: barão Gustav von Pohl

RADIAÇÕES E SAÚDE Talvez a melhor forma de dar início a


este estudo seja relatar as experiências
do barão Gustav von Pohl, que nos
anos 30 realizou uma série de estudos
Referências dos especialistas e o que ainda hoje nos deixam perplexos. E
trabalho de campo não fosse pela publicação de seus traba­
lhos e pela exaustiva docum entação
Ao introduzirm o-nos no m undo da que acompanha os estudos, assim como
geobiologia e descobrirmos a literatura a ratificação oficial por parte de alcaides
sobre o tema e as investigações realiza­ e de autoridades médicas das cidades
das em diferentes épocas e países, sur­ estudadas, a nós seriam difíceis de crer.
preende, até o ponto de induzir o ceti­ Extratos do livro de Gustav von Pohl:
cismo, a relação direta que tão freqüen­ Erdstrahlen ais K rankheitserrejfer-
tem ente se estabelece entre os lugares Forschungen a u f Neuland, M unique,
habitados e as doenças mais comuns a 1932:1
eles.
Para o estudioso da geobiologia, tra­ “ (...) Era desconcertante com provar que todos
ta-se de uma evidência comprovada os casos mortais de câncer aconteciam sobre
dia-a-dia, através de suas investigações uma linha bem definida, percorrida por intensas
correntes subterrâneas de água. Com o apoio de
e das prospecções sobre o terreno e nas minhas varinhas, segui essa linha de correntes e
próprias casas. Aos que têm acesso pela assinalei no solo as casas, inclusive determinei as
primeira vez ao campo da geobiologia habitações e a posição das camas onde as pessoas
e da bioconstrução, tais afirmações não haviam morrido de câncer. Para que meus estu­
deixarão de surpreender e, inclusive, dos se mostrassem à margem de toda suspeita,
solicitei a colaboração de personalidades oficias,
chegarão a pensar que algo obscuro se com o o alcaide, seu tenente, o comissário de
esconde por trás de tudo isso. polícia, etc.
Para dirim ir dúvidas e o b te r m aior Desta forma, me apresentei em dezem bro de
p roveito do estu d o da geo b io lo g ia, 1928 em Vilsbiburg, situada sobre um afluente
p e r m itire m o - n o s e x tra ir a lg u n s do D anúbio, na Baixa Baviera. Sem perguntar a
ninguém e controlado pelo alcaide, pude esta­
trabalhos publicados em épocas, cir­ belecer som ente com a ajuda da vara radiestésica
cunstâncias e países diferentes, que e de minhas deduções - fruto da experiência - o
m ostram parte desse trabalho de in ­ exposto anteriorm ente. Essa cidade conta com
vestigação. Neles, é patente a interação 3.300 habitantes, 565 casas e 900 moradias...
do lugar habitado com a enferm idade. (...) Q uando comecei minhas investigações
em Vilsbiburg, pedi ao alcaide que confeccionas­
Tam bém com pletarem os o capítulo se uma lista das pessoas mortas por câncer,
com alguns estudos realizados pelo assinalando o lugar onde viviam e indicando a
C entro M editerrâneo de Investiga­ posição de sua cama na casa. Fique claro que essa
ções Geobiológicas, ou por m em bros lista não me foi mostrada: permaneceu no cartó­
da A ssociação de E stu d o s G eo- rio e somente quando foi term inada minha in ­
vestigação é que estabelecemos a comparação.
biológicos (GEA), assim com o com Todas as notas sobre meu croqui encontraram
resumos de artigos da im prensa, onde confirmação na lista de registro das mortes por
se evidencia a transcendência social câncer...
que estão adquirindo problem as ab o r­ (...) Pude assim provar o que predizia: os 54
dados nestas páginas. casos mortais de câncer em Vilsbiburg, assinala-
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 29

dos em meus planos com um X, foram confirma­ O utra investigação realizada nos asilos de
dos pelos atestados de óbito arquivados no idosos de Stettin mostrou-se tam bém muito
cartório. interessante e instrutiva, porque tratava-se de
Além disso, levantou-se uma ata notarial pessoas com idades avançadas, nas quais é maior
detalhada em que se relatou as investigações e a probabilidade de desenvolvimento de doenças
seus resultados em Vilsbiburg, com a seguinte cancerígenas. Um a ala do edifício desse asilo
conclusão: ‘(...) O barão Gustav von Pohl de­ estava situada sobre um foco de várias linhas de
monstrou perfeitamente que todos os casos de radiação que se cruzavam, onde ocorreram 28
câncer ocorridos em Vilsbiburg aconteceram casos mortais de câncer em 21 anos. Em outra
em casas expostas às influências de radiações ala, ocorreram apenas dois casos de m orte pela
eletronegativas, que emanam de correntes sub­ mesma doença pela mesma causa. Nessa parte
terrâneas de água (numerosas firmas e selos. do edifício foram encontradas duas zonas de
Vilsbiburg, 19 de janeiro de 1929)’.” forte radiação que, curiosamente, se corres­
pondiam com as camas que ocuparam os faleci­
dos.
Em outra parte de sua obra, Gustav Na terceira ala do edifício não se encontrou
von Pohl volta a insistir no fenômeno nenhum a zona afetada pelas radiações terres­
das “casas-câncer” : tres, e nesta parte não se registrara nenhum a
m orte por câncer. Essa diferença tão chocante
entre o primeiro edifício, m uito irradiado, e o
“(...) O d outor H ager, conselheiro sanitário, terceiro, absolutamente limpo de radiações for­
presidente da Associação Científica de Médicos tes, oferece um a prova irrefutável de que o
de Stettin, pode comprovar a existência de ‘ca­ câncer pode ter sido induzido pelas radiações do
sas-câncer’. Ao tom ar conhecim ento de meu subsolo e de que existem as ‘casas-câncer’. Por
trabalho, esse médico se interessou vivamente outro lado, em seu discurso no congresso, o
pelo exposto em meus cadernos de divulgação doutor H ager declarou seu convencimento de
científica, onde constavam as pesquisas sobre as que um dos agentes indutores do câncer e de
possíveis causas de câncer, e obteve do departa­ alterações biológicas específicas podia ser iden­
mento oficial de estatística de Stettin a lista dos tificado com as radiações que emanam da terra. ”
m ortos por câncer de 1910 a agosto de 1931.
Essa lista dava os seguintes resultados:

1.575 casas com 1 caso de câncer 1.575 Pierre Cody


750 casas com 2 casos de câncer 1.500
337 casas com 3 casos de câncer 1.011 O utro dos cientistas pioneiros na pes­
167 casas com 4 casos de câncer 668 quisa das radiações telúricas foi o enge­
51 casas com 5 casos de câncer 255 nheiro francês Pierre Cody que, parale­
15 casas com 6 casos de câncer 90
lamente a Gustav von Pohl e na mesma
6 casas com 7 casos de câncer 42
1 casa com 8 casos de câncer 8 década, centrou suas investigações no
1 casa com 9 casos de câncer 9 estudo e análise da ionização do ar na
5 casas com 10 casos de câncer vertical dos veios de água subterrâneos.
ou mais de 10 190 A precisão, o esmero e o rigor com que
se realizaram tais medições deixam fora
5.348
de dúvidas a credibilidade dos resultados
A lista se mostra interessante, pois em cinco obtidos. Em 1935, Pierre Cody foi o
casas num período de 21 anos registraram-se primeiro a assinalar - pelas análises de
190 casos de câncer, que bem merecem o sobre­ suas medições - o gás radônio (ver p.
nom e de ‘casas-câncer’. 154) como causa do câncer de pulmão,
O d outor H ager procedeu investigações mais porém tivemos que esperar as medições
detalhadas nessas residências, mostrando que
todas, e sobretudo aquelas em que havia ocorri­
sistemáticas realizadas em todo o mundo
do cinco ou mais casos de câncer, estavam situa­ na década de 80, para que fossem confir­
das sobre feixes de radiações muito perigosas. mados os dados apurados por Cody.
30 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

Nas investigações que realizou, fez Ampliando esse experimento sobre a


amplo uso do instrumental mais avan­ ionização do ar na linha vertical das
çado em sua época, o qual adaptou zonas ocupadas por pessoas afetadas
seguindo escrupulosamente as obser­ pelo câncer, e considerando as centenas
vações dos mais prestigiados físicos do de medições da velocidade de caída das
m om ento, para que nada pudesse reba­ lâminas de prata no eletrôm etro, reali­
ter seus resultados. zaram-se também uma série de com ­
Da publicação de seus resultados em provações colocando chapas radiográ-
1939, no livro Étude Expérimentale de ficas envoltas em papel fotográfico ne­
Vionisation de l’air par une certame gro na vertical dos lugares ocupados
radioactivité du sol, extraímos alguns pelos afetados por câncer, e outras cha­
parágrafos, por considerá-los sumamen­ pas radiográficas em idênticas condi­
te esclarecedores: ções, porém separadas em um m etro do
ponto incidente do câncer. Após 15
“Em 4 de novem bro de 1935, na presença de M .
dias, foram reveladas as chapas radio­
D eslandres, m em bro do Instituto, fizemos um gráficas e se observou que as colocadas
experimento com a ajuda dos eletrômetros Elster na vertical da zona teluricamente altera­
& Geitel... da e supostamente responsável pelo cân­
H avendo com provado que os dois conjun­ cer, apareciam veladas por manchas cla­
tos de aparelhos eram perfeitamente idênticos,
foram colocados no porão da casa de M. Tuffier,
ras, enquanto as que permaneceram nas
sobre um a lâmina de chum bo nova. zonas neutras não mostravam nenhum
U m a das câmaras de ionização foi colocada sinal de haverem recebido radiação.
na vertical da zona correspondente à afecção de De fato, as medições dos níveis de
câncer, diretam ente sobre o solo (terra batida). radioatividade que efetuamos nas zo­
Aparelho A.
A segunda câmara de ionização situou-se a
nas alteradas d u ra n te os estu d o s
um a distância de 2,20m da primeira, em uma geobiológicos de moradias indicaram
zona carente de radiações (verificada na noite aum ento nos níveis de radioatividade
anterior com um de meus instrum entos). Apa­ entre 15 e 25% (em alguns edifícios
relho B. chega a 100%), sobre o cruzam ento das
D urante a jornada e com a presença de M .
Deslandres, comprovamos os seguintes tempos
linhas H , referentemente à vertical das
de reação de ambos os eletrômetros: chamadas zonas neutras. Segundo a
ciência atual, essa diferença não se to r­
Aparelho A Aparelho Aparelho B Aparelho na significativa para que seja considerada
Horas de A Horas de B responsável pelo câncer ali registrado,
leitura leitura p o rém te n d o em c o n ta o efeito
ionizante, verificada a vertical de tais
7h40 61s 7h45 4 61s
8h42 462s
localizações, encontramos motivos mais
8h36 57s
10h22 54s 10h25 523s
que evidentes de sua implicação em tais
1 lh 4 5 53s 1 lh 5 2 630s transtornos degenerativos.
13 h l 8 51 s 13h20 6 30s
14h20 51s 14h22 640s
15h30 50s 15h33 644s A experiência de um arquiteto:
1 7 h l0 51 s 17h 15 6 11s Rémi Alexandre
19h22 55s 19h25 6 17s
21 h22 54s 21h24 596s Rémi Alexandre, arquiteto e geobiólogo
M édia 53s7 M édia 5 8 1 s3 ’
francês, é uma dessas pessoas inquietas
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 31

que não se conformam em aceitar pos­


tulados sociais e profissionais, tal como
propõe-nos a sociedade e os meios de
comunicação.
N o início de sua atividade como
arquiteto, às muitas dúvidas que cons­
ta n te m e n te su rg iam se som aram
algumas experiências realizadas com
Blanche Merz, do Institut de Recher-
ches en Géobiologie de Chardonne, na
Suíça (ver p .39). Após experimentar
pessoalmente os efeitos das diferentes
radiações e aprofundar as investigações
prévias da matéria, em preendeu um
trabalho de aplicação e divulgação da
geobiologia e da bioconstrução. Os
resultados de seu trabalho foram publi­ SEN H O RA N
cados em duas obras: Votre lit est-ilà la Passagem de um veio subterrâneo de água no
bonne place? (Editions Ka, França) e dormitório.
Votre maison, vous-même (Editions - Enfermidades intestinais nos inquilinos que se
sucederam nesse local.
Albin Michel).
De sua primeira obra extraímos al­
guns dos casos mais significativos que
ele pôde investigar.
Em seu segundo livro, recém publi­
cado, ele amplia esses conhecimentos e
propõe algumas formas de aprender a
relacionar-se corretamente com as ener­
gias presentes no lugar. Explica, assim
mesmo, algumas técnicas comprovadas
de reequiIíbrio e harmonização, sobre
as quais trataremos no capítulo 16.

Trinta anos de experiência: Kathe Bachler


Nos livros da professora austríaca Kathe
Bachler, Experiências de uma radiestesista
e O bom sítio, são descritos alguns dos M E N IN O C
mais de 10.000 casos compilados e estu­ Duas linhas “H ” juntas, água subterrânea, f a ­
dados por ela em seus 30 longos anos lha.
dedicados à radiestesia e à geobiologia. -A ceto n a repetida.
Com o pedagoga e professora de ins­
tituto, centrou parte de seu trabalho na
incidência das radiações no rendim en­
to escolar, assim como nos transtornos
de professores e alunos.
32 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

SEN H O RA J S E N H O R A . C.
A gua subterrânea na metade da residência. Veio subterrâneo de água na casa, circulando na
- Cruzamento no meio da cama até o baixo vertical da cama.
ventre. - Cruzamento “H ” próximo dagarganta.
- Operada de um quisto no útero. - Morreu há poucos meses de câncer no esôfago.

SEN H O RA C SEN H O R B
Problemas pulmonares. Infarto aos 42 anos.
SE N H O R C - Sua cadeira de trabalho encontrava-se sobre um
Transtornos digestivos e de fígado. cruzamento.
32 O GRANDE LIVRO DA C ASA SAUDÁVEL

SENH ORA J S E N H O R A . C.
A gua subterrânea na metade da residência. Veio subterrâneo de água na casa, circulando na
- Cruzamento no meio da catna até o baixo vertical da cama.
ventre. - Cruzamento “H ”próximo da garganta.
- Operada de um quisto no útero. - Morreu bá poucos meses de câncer no esôfago.

SEN H O RA C SENHOR B
Problemas pulmonares. Infarto aos 42 anos.
SENH OR C - S u a cadeira de trabalho encontrava-se sobre um
Transtornos digestivos e de fígado. cruzamento.
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 33

EXPERIÊNCIAS D E KÀTHE BACHLER


ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS:

Local para dorm ir, com o foi encontrado. Local para dorm ir, com o foi recom enda­
do..., ou, em alguns casos, com o estava
(bem!) quando se fez o exame.

Linhas de Curry, chamadas assim em ho- Veio de água ou camada freática.


m enagem a seu desco b rid o r, o D r.
M anfred Curry.

••v#
• • «£• • ••• I #•••

Cruzam ento de linhas de Curry. Cruzam ento de veios subterrâneos de


água.
34 O GRANDE LIVRO DA C AS A SAUDÁVEL

ALGUNS CASOS ILUSTRATIVOS:

Caso 554. M enino de dois anos: refugia-se


Caso 814. Bebê: desloca-se dorm indo. contra o apoio de sua cama.

Caso 403. Menino de sete anos: dorme encolhido. Caso 923. Dra. P. N.: desperta todas as manhãs
na borda de sua cama.

Algumas crianças, de tanto que se deslocam, acabam caindo da cama. Em centenas de casos, observei
que os bebês e crianças pequenas só choram, desacomodam-se e deslocam-se do lugar onde suas
mães os colocaram se estiverem sobre um sítio irradiado.

“U m a jovem mãe (esposa de um assistente do Instituto de Física da Universidade de Viena)


observou que seu pequenino de 10 meses de idade, dois m inutos depois de conciliar o sono, sentava-
se em sua caminha, ‘farejava’ e em seguida deixava cair seu corpinho sobre o local da cama que estava
livre de irradiações. Ali permanecia tranqüilo durante toda a noite, em bora a posição fosse
com pletam ente atravessada (história n úm . 1316b).”

Observações similares de com o bebês e crianças pequenas rodam em suas camas quando estão
dorm indo, ou deslocam-se e desacomodam-se, são sucessos cotidianos no m undo inteiro. Tam bém
algumas crianças em idade escolar, jovens e adultos fogem “por puro instinto” das irradiações,
sempre e quando isso é possível. Essa faculdade é exercida tanto na cama com o em qualquer outro
local onde se encontrem.
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 35

CASUÍSTICA CO M CASOS D E MESTRES, PROFESSORES E D IRETORES

Caso 1299. MESTRE F.

Grave problem a neurológico, paralisia agitans,


várias hospitalizações em clínicas neurológicas,
ausências no trabalho devido à enfermidade.
N enhum médico pôde ajudá-lo. A posentado
prem aturam ente. A mudança da cama para
outro local foi feita demasiado tarde. N ão se
curou, porém a m elhoria de sua enfermidade
foi notória.

Caso 477. JOVEM MESTRA

H á um ano e meio vive naquele apartam ento e,


desde então, sofre enorm e desassossego, neuro­
se, crises compulsivas. Cruzam ento dobrado.
N enhum m édico pôde ajudá-la. Repetidas
hospitalizações e ausências por enfermidade.
Somente depois de uma acomodação livre das
geopatias puderam curá-la totalm ente, o médi­
co e o psiquiatra.

Caso 1341. JOVEM MESTRA

H á sete anos vive naquele apartam ento e sofre


de reumatism o gravíssimo. H á nove meses está
ausente do trabalho por enfermidade.
Algumas frases de sua carta: “Totalm ente aca­
bada e d ep rim id a, pois d u ran te um ano
praticam ente n ãq pude dormir. Desde a m u­
dança de minha cama tudo m udou; pude dormir
bem e profundam ente. Sem dúvidas, estou
m elhorando.”
Cinco semanas depois pôde reiniciar suas ativi­
dades.
36 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

II

Caso 1042. CASAM ENTO DE MESTRES

Primeiro: Ele (cama I) adoeceu rapidamente de reumatismo. Segundo: Ela (cama II) estava
saudável. Suspeitou-se da corrente de ar da janela situada a 4 m de distância e m udaram de lugar na
cama, pois a esposa pensou que tivesse mais vigor e poderia agüentar a “dita corrente de ar” .
Conseqüências: Ele (agora na cama II) dormia no lado saudável. Ela (agora na cama I) logo ficou
doente, com reumatismo e inflamação nos nervos.
Deslocamento de ambos para locais livres: A mestra escreveu: “ ...Tudo m elhorou substancialmente,
tanto a pressão arterial com o as nevralgias. Estamos agradecidos de coração por seu inestimável
serviço. Creio que não agüentaria mais” .

A A JU D A C H E G O U -L H E TARDE DEMAIS,
porém pode alcançar certa melhora depois da
mudança do local onde estava a cama. T udo isso
aconteceu na idade de 51 anos. A senhora D.,
companheira de colégio então, sofria horrores
apesar do excelente tratam ento médico.
Pleurite, rouquidão, com 52 anos m orreu de
câncer no pulmão.

Caso 487. PR O FESSO R D E RELIGIÃ O , d o u ­


tor A.

Alteração do sono, enfermidade cardiocircula-


tória, mudança da cama. Dizia em sua carta:
“ Desde a mudança de local, durm o muito
m elhor e sinto-m e mais saudável” .
GEO BIOLO GIA, C IÊNCIA D O HÁBITAT 37

Caso 1239b. PROFESSORA D E BIO LOG IA ,


D ra. M.

H á um ano e meio deitada naquele lugar; desde


então, poliartrite grave.

O médico recom endou um estudo do quarto.


M udança da cama para um local adequado.

Sete semanas depois chegou a carta: “ ...M uito


rapidamente comecei a observar enorme m e­
lhora em minhas doenças. Agora desperto bem
recuperada. A nuca e os ombros livraram-se
totalm ente das dores, foi-se a tensão muscular e
há três semanas posso mover os joelhos um
pouco mais. Literalmente falando, estou ressus­
citando” .

m Caso 157. ERA PARA E N L O U Q U E C E R

“N ão podia concentrar-m e, apareceram dores


de cabeça, dores no estômago, mal-estar e não
podia comer. Tinha que marcar meus exames de
• • graduação.” Assim informava-me um mestre.
• •
• • Posteriorm ente, já em um local adequado para
tanto trabalho, saiu-se bem em seus preparati­
vos e seu exame.

Caso 27. D IR E T O R DE UMA ESCOLA SU PE R IO R D E SALZBURGO

N o local I aparece a mesa do diretor do colégio, em seu escritório.


Ali não podia concentrar-se, tinha nervosismo e muitas moléstias. Teve várias ausências por doença.
38 O GRANDE LIVRO D A C AS A SAUDÁVEL

U m pioneiro na investigação
geobiológica: doutor Hartmann

O doutor Hartm ann, médico na U ni­


versidade de Heildelberg, Alemanha,
um dos pioneiros e maiores difusores
das pesquisas geobiológicas, descreve
em sua obra Krankbeit ais Standort
problem alguns dos casos mais clássicos
na literatura geobiológica. Assim, o
que aparece na contracapa do livro Vivir
en casa sana:

L
Rede
H artm ann

Corrente
subterrânea Uma mulher de 30 anos, excelente desportista,
de água exercia sem problemas sua profissão de mestra e
S seu casamento era realmente feliz.
subterrânea Com o casamento, mudou-se para um edifício
moderno, construído com m uito vidro. Após três
meses, a mulher começou a emagrecer e sofrer
A; Mulher que morre de câncer no estômago após dores na g a r g a n ta . Os exam es do
vários anos dormindo nessa posição. otorrinolaringologista não deram nenhum re­
su lta d o . P o sterio rm en te, v isito u ou tro s
B: O marido, após a morte da mulher, passa a especialistas e outras clínicas, sem que pudessem
ocupar a posição “A ”. Faleceu após dois anos, de descobrir patologia algum a. A tudo isso seguiu-
câncer no estômago. se um a profunda depressão e, algum tempo depois,
u m a in v a lid e z com pleta. U m a m u lh e r
Após o estudo do aposento, descobre-se que, anterior­ irreconhecível em comparação com a de seis meses
mente, haviam falecido mais trêspessoas de câncer antes.
no estômago, no mesmo local.
“O reconhecim ento geobiológico de seu d o r­
mitório revela um cruzam ento de radiações
telúricas exatamente na região do pescoço.
O equipam ento de m edições de ondas
O utro dos casos vividos pelo doutor ultracurtas confirma fortes perturbações nessa
zona precisa.
Hartmann é descrito no folheto As
A partir do estudo da casa, m udou-se im edia­
radiações telúricas e sua influência nos tam ente sua cama com a de seu m arido, pois
seres vivos, de que é autora a doutora dorm iam em quartos separados. N a m anhã
Blanche Merz, da Suíça: seguinte, a m ulher se encontrava descansada e
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 39

otimista; ao contrário, o m arido, tendo sofrido As investigações na Suíça:


uma forte reação pela mudança, estava tão informes CEGA
irritado que procurou im ediatam ente outro
espaço.
A jovem, sem tratam ento algum, voltou a
D os in fo rm es d o I n s titu t de
descobrir o gosto pela vida e não sofreu mais Recherches en Géobiologie de Char-
problemas na garganta. Em pouco tem po, pôde donne, Suíça, dirigido por Blanche
retornar a seu trabalho na escola. M erz, podem os m encionar alguns
O d o u to r H artm ann apresenta a seguinte m uito significativos.
pergunta: O que se passou com essa jovem de Blanche Merz tem sido não só uma
seguir dorm indo na mesma posição? Antes de
de minhas melhores mestras, senão que
intervir o exame geobiológico, ela havia consul­
tado muitos especialistas, sendo tratada com
sua forma de investigar e descobrir o
altas doses de medicação psicoléptica. E possível estudado tem assentado as bases de
que terminasse hospitalizada em uma clínica toda uma série de profissionais dedica­
psiquiátrica, de onde sairia curada ou bem m e­ dos à prática geobiológica. Dirige o
lhor, já que não estaria mais dorm indo em ‘seu’ Institut de Recherches en Géobiologie
ponto geopatogênico. Mas logo recairia rapida­ de Chardonne, Suíça, e preside a Asso­
m ente, ao voltar para casa.”
ciação Internacional CEGA (College
Européen de Géobiologie Apliquée).
Tem publicado trabalhos em obras
com o A s radiações e sua influência nos
seres vivos e sobretudo em sua obra
genial Pirâmides, catedraise monastérios.
Nela, não somente introduzim o-nos
no apaixonante m undo da geobiologia
e suas im plicações, mas tam bém
adentram os pelo fascinante m undo
dos lugares sagrados: pirâmides, cate­
drais, monastérios, etc. Revela-nos que
as localizações de tais lugares foram
escolhidas com certa prem editação,
baseando-se em conhecim entos an­
cestrais sobre as energias cósmicas e
terrestres que, povo após povo, cultu­
ra após cultura, souberam aproveitar e
materializar graças às construções e à
arquitetura sagrada.
Esse tema a autora segue desenvol­
vendo em seu último livro, L ’ame du
lieu (A alma do lugar), que ainda não se
encontra traduzido.
A seguir, recorremos a um informe
publicado pelo CEGA.
40 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

IN FO R M E CEGA
A partamento D. A. Prevenereges, Suíça

ANTES

Cama sobre zona alterada e linhas da rede “H ”. A senhora padecia de insônia, fa d ig a pela manhã,
hipernervosismo e outras alterações não menos importantes. A o m udar de quarto (o dormitório mudou-
se para o escritório), os transtornos desapareceram.
GEO BIOLO GIA, C IÊNCIA D O HÁBITAT 41

Investigações sobre o terreno que padecia de freqüentes dores nas


pernas e tinha princípios de varizes. A
Realmente parece incrível que possa posição B era de seu marido, que meses
existir uma relação tão estreita entre o antes do estudo havia sofrido um infarto
lugar que habitamos e os transtornos do miocárdio, do qual estava todavia
dos quais freqüentemente padecemos. convalescendo-se. Diante da solicita­
Nós que nos dedicamos a essa inves­ ção de que mudassem temporariamen­
tigação, não podem os mais negar a te a posição da cama ao local indicado
evidência, apesar de a relação direta com C, por considerar que era o menos
continuar nos surpreendendo, e sobre­ agressivo, enquanto efetuavam refor­
tudo pelo fato de que não se tinha em mas que lhes permitiriam dispor de um
conta, anteriorm ente, esses fatores espaço mais neutro, a mulher nos expli­
como causas nos processos de saúde e cou que fazia já uns 20 dias que ocupam
enfermidade. esse lugar. Simplesmente “porque está-
Gostaríamos de ilustrar o que expli­ vamos em pleno verão e era mais fresco
camos com alguns casos estudados pelo sob a janela” . Nesses 20 dias, assegurou
Centro M editerrâneo de Investigação que seu marido tinha notado uma me­
Geobiológica, ou por membros da As­ lhora espetacular.
sociação de Estudos Geobiológicos
(GEA): b) Tortosa

a) Roquetes(Tarragona). Verão de 1990 N o caso seguinte, vemos como uma


circunstância, de aparência fortuita, ser­
ve para solucionar problemas sérios
sofridos durante longos períodos.
A menina de cinco anos ocupava esse
quarto, tendo dorm ido desde os 18
meses na posição A. Sofria de resfriados
constantes, alergias, bronquite e pesa­
delos n o tu rn o s. Passava as noites
chorando desesperadamente.
Depois de mais de um ano vendo a
menina sofrer, a mãe imaginou que
talvez os pesadelos e choros se deves­
sem a um sonho, no qual alguém entrava
em seu quarto pela porta existente na
frente. Decidiu então mudar a posição
O marido (B) sofreu um infarto do miocárdio. em que a menina dormia, passando
Melhorou satisfatoriamente ao ocupar a posição para a situação B. Para sua surpresa, a
C. A mulher (A ) sofria sérios problemas circula­
tórios nas pernas, acompanhados de fortes dores.
menina deixou de chorar durante as
noites, não contraiu mais resfriados nem
alergias, tam pouco teve mucosidade
Um casal ocupava há três anos uma nem bronquite. Gozava, em suma, de
cama cruzada por um veio de água excelente saúde. E isso apesar de próxi­
subterrâneo e um cruzamento de linhas mo à cabeceira da cama passar alguns
H . A posição A corresponde à esposa, velhos cabos elétricos, com uma perda
42 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

Campo elétrico

Contaminação eletromagnética de 700 nanoteslas


Enquanto a m enina permaneceu na posição A , os resfriados, os problemas alérgicos e o choro durante
as noites foram constantes, transtornos que desapareceram ao mudar-se para a posição B.

de 700 nT. Isso nos indica que um trocando a antiga linha por uma nova,
lugar neutro pode permitir um equilí­ trançada e protegida, que registra ape­
brio tal, que nos to rn a inclusive nas perda eletromagnética.
resistentes a outros elementos agres­ Reconheço que, para quem não está
sores, como no caso do forte campo familiarizado com as propostas geo-
eletromagnético procedente da instala­ biológicas, e nem sequer sabe a quê
ção elétrica. estamos nos referindo ao mencionar
Apesar disso, a mãe, após comprovar uma linha Hartm ann, uma alteração
o fator de risco a que estavam expostos, telúrica, um veio de água ou um campo
formulou queixa à companhia de for­ eletromagnético, tudo isso parecerá
necimento de eletricidade. E apesar estranho. Por isso, nos capítulos se­
desta última opor resistência, acabou guintes abordaremos os estudos dessas
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 43

energias ou radiações, tão presentes em saúde, para mostrar-se inclusive algo


cada residência. rude para sua idade, nervoso e irritado.
Porém, antes gostaríamos de acres­ Devolvia m uito de sua comida, foi per­
centar alguns casos na lista, para que dendo peso e apresentava sintomas de
cada um julgue e valorize a importância anemia. Aos cinco anos, m udou para a
desses estudos geobiológicos. posição B. Em pouco tem po, padecia
de amidalite e bronquite. Aos cinco
c) Premià de Dalt (Barcelona) anos e meio (após a ingestão de grande
1° de outubro de 1990 quantidade de medicamentos e xaro­
pes para curar os freqüentes resfriados),
Carlos chegou à casa com três anos e diagnosticou-se tuberculose pulmonar.
ocupou a posição A. Deixou de ser um Em uma casa com todas as medidas
menino alegre e sem problemas de indispensáveis de higiene e com pais

Forte contaminação eletromagnética: linha elétrica de 10.000 volts

O menino ocupou a posição A nos três anos e começou a sofrer transtornos respiratórios que desemboca­
ram em um a tuberculose pulmonar. A m udança para a posição B não melhorou as coisas. Após o
translado para a cama D, todos ostranstornos desapareceram. A irm ã (C) sofria de problemas alérgicos,
apesar de aparecer quase todas as manhãs dormindo nos pés da cama.
44 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

afetivos e preocupados com seus filhos, bros de uma mesma família padeceram
não haviam razões lógicas para tais de cânceres similares. Os estudos on-
padecimentos. cológicos parecem desmentir tais su­
Durante esse período, sua irmã de posições, e oficialmente não há provas
quatro anos havia sofrido alergias cons­ que dem onstrem ser o câncer heredi­
tantes, agravadas com fortes crises tário.
asmáticas. Curiosam ente, essa menina Nos estudos geobiológicos pode­
que ocupava a posição C aparecia mui­ mos comprovar que em muitas ocasiões
tas manhãs dorm indo nos pés da cama. não se herda a doença (enquanto her­
Os pais, que nesse período se acomo­ da-se uma predisposição ou tendência),
davam na cama D, não tinham m ais porém, em troca, somente herda-se a
transtornos do que a preocupação pela casa, a residência e m uito freqüente­
saúde de seus filhos, chegando mesmo a mente “a cama” .
acreditar em maldições, bruxarias e su­ N o caso de a cama onde dormiram
perstições. O certo é que o pai atravessou nossos pais estar situada sobre uma
um período de freqüentes dores de cabe­ zona patogênica e que lhes provocasse
ça e enxaquecas, até que as associou ao algum tipo de transtorno ou patologia,
radiorrelógio de sua cabeceira e ao desligá- é provável que também nós padeçamos
lo as moléstias desapareceram. de transtornos semelhantes se ocupar­
Um ano depois, os pais assistiam a um mos a mesma localização da cama no
curso de introdução à geobiologia em mesmo dormitório. Fica claro que os
Barcelona e manifestavam aos partici­ transtornos serão conseqüências do fato
pantes a espetacular transformação que de nos situarmos na vertical da mesma
seu filho acusou ao mudar-se para outro zona alterada, ou seja, na mesma loca­
aposento, passando a dormir na posição lização da cama de nossos antecessores,
D. Seu estado era de agilidade, não se e não na mesma cama como alguns
resfriava mais, recuperou o peso perdido pensam.
e estava sempre alegre e dinâmico; até O caso seguinte ilustra em alguma
demais, segundo comentaram seus pais. medida o exposto. Vai, inclusive, mais
Esse caso invoca em mim as recorda­ além, pois comprova o fato de que
ções de tudo o que sofri em meus 20 quando estamos expostos a um só fator
anos, quando estava afligido de tuber­ de agressividade, o organismo pode
culose pulm onar e anemia constante, enfrentá-lo, o que não acontece quan­
sofrendo fortes depressões, com recaí­ do são vários os fatores de risco.
das periódicas. Tudo isso apesar de um
tratam ento contínuo. (Esses fatos estão d) Arenys de M ar (Barcelona)
relatados no livro Vivir en casa sana.)
Tudo m udou ao tom ar consciência da U m hom em morria de câncer no pân­
existência das radiações telúricas e pra­ creas, com metástase no fígado, após
ticar os conselhos recomendados. 17 anos ocupando a posição A: zona
freática subterrânea, cruzam ento de
linha H artm ann na parte afetada e
H erda-se a cama, não o câncer forte contam inação eletrom agnética:
200 nT.
Muitas pessoas são de opinião que o C uriosam ente, a mesma posição
câncer é hereditário, pois vários m em ­ da cama foi ocupada d u ran te anos
GEO BIOLO GIA, C IÊNCIA D O HÁBITAT 45

Alterações telúricas

A confluência de vários fatores de risco em um a mesma zona (posição A ) coincide com o câncer de
pâncreas, sofrido pelo homem que ocupava a cama. Sua mãe havia falecido também de câncer hepático:
havia ocupado essa posição durante anos, num a cama no piso superior que correspondia à mesma
vertical.

pelos pais deste hom em , que após o o casal estava há cinco anos desejando
casam ento do filho passaram a d o r­ um a gravidez (e por conseguinte sem
mir no quarto do piso superior, na tom ar nenhum a precaução anticon-
mesma vertical. A mãe m orreu de ceptiva). Apesar de os médicos lhes
câncer no fígado e o pai de câncer nos assegurarem que am bos eram férteis,
testículos. Daí a pensar que o câncer haviam perdido to d a a esperança. Até
é hereditário, não há mais do que um que num verão, com a visita de alguns
passo. familiares, a quem por cortesia havia
A esposa do referido hom em o cu ­ sido oferecida a cama de casal, o casal
pou d u ran te to d o esse período a passou a ocupar a posição D. Após
posição B. N ão sofreu maiores tran s­ poucos meses dorm indo ali, a m ulher
to r n o s q u e a lg u n s d o lo ro s o s e engravidou. Seu filho, que agora tem
incôm odos inchaços do ventre, que 12 anos, ocupa a cama E. N ão tem
não tinham explicações e dos quais as sofrido nenhum tran sto rn o sério de
análises clínicas não encontravam a saúde, apesar de a contam inação ele­
causa. Desapareciam com certa rapi­ trom agnética em seu aposento ser de
dez. O interessante, neste caso, é que 100 nT.
46 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

Q uando se realizou o estudo na água. Essa era a causa de enxaquecas


casa, a m ulher estava há dois meses nos e dores de cabeça passageiras.
aposentos contíguos ao quarto de ca­ Aqui interveio a intuição feminina,
sal, na posição C, onde detectou-se pois a posição A era ocupada inicial­
uma alteração telúrica e um cruza­ m ente pela m ulher, que desde as
m ento de linhas H , ao nível da parte primeiras noites insistiu em mudar-se
inferior das pernas. Foi grande a sur­ para a posição B, pois não conseguia
presa desta senhora ao se comprovar dormir bem e sentia-se angustiada. O
que essa era a causa das fortes dores na marido resistia, já que durante anos,
barriga da perna, que a atorm entavam antes de viverem juntos, vinha ocupan­
todas as manhãs ao acordar, e que do a posição B. Além disso, ele dormia
d u ran te o dia desapareciam , para apoiando-se sobre o lado esquerdo do
retornarem na manhã seguinte. Neste corpo e ela sobre o direito. Por isso,
mesmo período, e enquanto ocupava a parecia-lhe mais coerente essa distri­
posição C, padeceu de forte depressão buição na cama. Apesar da negativa
atribuída ao traum a pela m orte do inicial do marido, no quarto dia ela
marido, assim com o taquicardia d u ­ estava dorm indo na posição B, consci­
rante as noites. Após a mudança para a ente de que descansava melhor. Após
posição D , esses transtornos desapare­ ocupar por quatro anos a posição A, o
ceram. marido sofreu uma angina no peito,
que quase lhe custou a vida.

O corpo informa
A complexidade do estudo
A inform ação sobre a influência das de uma moradia
radiações sobre a saúde chegou a essa
m ulher por meio de um vizinho, a F reqüentem ente, nós que nos d e ­
quem meses antes haviam realizado dicamos aos estudos geobiológicos,
um estudo da casa. Nesse caso, foi seu vemo-nos diante de situações comple­
m édico, com a ajuda do V egateste, xas, em que a interação das perturbações
quem lhe aconselhou o estudo. A presentes em uma casa ou terreno to r­
análise de biorressonância indicava nam difícil um diagnóstico exato ou que
que 80% das causas de seus tran sto r­ reflita fielmente a realidade energética.
nos - nervosismo, tensão elevada, etc. Em alguns casos, perm anecem os
- eram induzidas pelas radiações p re­ desconcertados ao comprovar a incoe­
sentes em sua casa. O estudo do rência das medições realizadas, ou a
dorm itório confirm ou o diagnóstico falta de correspondência do estudo rea­
médico. Alteração telúrica, cruzam en­ lizado em uma data concreta e a de
to de linhas H na vertical do peito e outro m om ento. Isso nos causa sérias
campo elétrico em toda a cama, in d u ­ dúvidas, gerando insegurança em nos­
zido por cabos da parede da cabeceira, so trabalho e sobretudo infundindo-nos
que não dispunham de aterram ento. a desconfiança se, realmente, o lugar
N o caso, era a m ulher quem ocupava aconselhado será o adequado para a
a zona neutra e não sofria transtornos pessoa que tenha de ocupá-lo.
de im portância, exceto em parte da Entre as razões que podemos identi­
cabeça, atingida por algo do veio de ficar como causas de desajuste estão, em
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 47

Alteração telúrica

N a posição A , o marido sofreu transtornos respiratórios e angina no peito. A mulher ocupou essa posição
nas primeiras noites porém, diante de sua dificuldade em dormir, insistiu em m udar para a posição
B, sem ter sofrido, nos quatro anos sucessivos, nenhum transtorno significativo.

primeiro lugar, as tormentas magnéti­ Bioeletromagnetismo Alonso de Santa


cas, que alteram m om entaneamente o Cruz).
campo magnético terrestre e dão leitu­ Ao repassar as prospecções de casas
ras falsas nos equipamentos de medição ou terrenos realizadas, podem ser d e ­
(geom agnetôm etro “rader master” ou d u z id o s possíveis erros naq u elas
lóbulo-antena para linhas H ). Esse fe­ realizadas em datas de acentuada
nôm eno é particularmente acusado nas alteração magnética global. C om o ve­
medições em que entra em jogo a sen­ rem os no capítulo dedicado ao campo
sibilidade do operador. Para evitar esses m agnético terrestre e às tem pestades
erros, será interessante dispor dos dados magnéticas, essas alterações podem
sobre as anomalias magnéticas, registra­ durar de alguns m inutos a vários dias.
dos nos magnetômetros que funcionam O utro fator de alteração de dados
permanentem ente nos centros de pes­ nas medições está relacionado com a
quisa públicos ou privados (Instituto contaminação elétrica ou eletromagné­
Geofisico Nacional, Associação de Es­ tica, na casa ou terreno, que pode afetar
tudos G eobiológicos, In stitu to de os instrumentos de medição, falseando
48 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

os resultados ou induzindo ao erro o pessoalmente a benignidade ou malig-


próprio operador, quando emprega sis­ nidade de cada localização. Os tibetanos
temas de sensibilidade individual. procedem assim como rotina: quando
Os valores m u ito altos com o se instalam em uma casa nova, vão
K om bi-teste nas m edições de cam ­ experimentando dorm ir um tem po em
pos eletrom agnéticos (superiores a lugares e orientações diferentes no quar­
500 n T ) ou elétricos (superiores a to escolhido, até que comprovem ser a
1.000 V /m ) , irão nos fazer d esco n ­ posição favorável e reparadora. Ocupam
fiar d o r e s ta n te das m e d iç õ e s . o mesmo lugar enquanto não notam
T entarem os eliminar a contam inação n en h u m a m oléstia. Se a acusam ,
elétrica ou eletrom agnética, quando reiniciam a busca.
isso for possível (instalações da casa, Se não estivéssemos tão prisioneiros
eletrodom ésticos, etc.), ou rep etir as de u m a e sté tic a c o n v e n c io n a l e
m edições em o u tro m o m en to ou manquitolante, seria mais fácil realizar
circunstância. esse tipo de comprovação.
O estado de ânimo do operador, seu Nós, de todas as formas, os anima­
esgotam ento ou a tensão observada em mos a isso. Vocês se surpreenderão com
algumas pessoas presentes durante as os resultados!
medições também podem exercer um Q uando não puder dorm ir durante a
fator de desequilíbrio naquelas medi­ noite, não culpe o café ou o estresse:
ções em que intervém a sensibilidade mude de cama!
individual. E freqüente este com entá­
rio do solicitante do estudo de sua casa:
“Veja se não encontra nada de ruim na Faça caso de sua intuição
casa, pois não posso (ou não quero)
mudar a distribuição dos móveis” . O caso seguinte guarda a busca de uma
De tudo exposto acima, deduzimos pessoa que, submersa num mar de so­
que alguns estudos ou prospecções po­ frimento e doenças e sendo já conside­
dem não refletir a realidade energética rada hipocondríaca e esquizóide, ten ­
do lugar medido, ou dar medições tou encontrar por todos os meios uma
erradas. Para evitar possíveis conse­ saída para seus problemas. Entre as
qüências negativas, aconselhamos uma muitas opções às quais recorreu, con­
revisão posterior que confirme a pri­ tou-se - talvez por azar - o estudo
meira medição. Porém, sobretudo será geobiológico da casa.
im portante a responsabilidade pessoal O dia do estudo, talvez devido às
do operador, assim como seu nível de circunstâncias geoam bientais ou de
profissionalismo. Aqui tam bém será tensão psicológica a que estavam subme­
im portante a própria responsabilidade tidos os prospectores, foi um caos:
do usuário da casa, o qual deverá com ­ diferenças de medição entre um e outro
prom eter-se a experim entar por si prospector, resultados não coinciden­
mesmo cada um dos lugares estudados, tes entre uma medição e a posterior,
seja realizando os testes de comprova­ etc. O resultado, após várias horas de
ção, indicados nos capítulos 13 e 14, estudo da casa e de haver dado as
ou dorm indo um período de tempo indicações dos lugares mais favoráveis
(entre 15 dias e dois meses) em cada para cada m embro da família, foi que
lugar aconselhado, a fim de verificar não se encontrou a melhoria esperada.
GEO BIOLO GIA, C IÊNCIA D O HÁBITAT 49

Os moradores da casa recorreram então carcinomas após uma série de explora­


a sua própria sensibilidade individual e ções radiológicas que, estatisticamente,
às orientações de uma terceira pessoa, não teriam por que afetar-lhes.
chegada a eles e reputado como adivi­ Em certas ocasiões, uma atitude hi­
nho. Com a ajuda de um pêndulo, pocondríaca ou uma neurose obsessiva
indicou-lhes os lugares que se m ostra­ também pode levar alguém a sofrer
vam mais agressivos ou alterados pela moléstias ou doenças que têm mais de
presença de água subterrânea. Trans­ problema psíquico que de transtorno
ladaram as camas e colocaram-se nos físico real.
espaços livres, em pouco tem po os pro­ Porém, desgraçadamente para elas,
blemas diminuíram até desaparecerem as pessoas hipersensíveis a uma subs­
por completo. tância, energia ou radiação - que aos
Todos temos uma sensibilidade pró­ demais se mostra inócua - terão que
pria, que não deveríamos menosprezar, enfrentar a incompreensão dos que
dando mais crédito a um aparelho ele­ chegam a qualificá-las como maníacas
trônico que, por mais aperfeiçoado que ou neuróticas. A quem sofre as conse­
seja, nunca conseguirá informar as inte­ qüências da hipersensibilidade, em nada
rações energéticas ou vibratórias que alivia que lhe digam os estar “d e ­
constantem ente se produzem em nos­ m onstrado cientificamente” que tal
so interior, tanto no físico como no substância é inócua, ou que o campo
mental. eletromagnético de uma linha de alta
tensão não gera nenhum transtorno.
Temos nos encontrado diante de
H ipersensibilidade às radiações vários casos de hipersensibilidade à
eletricidade ou aos campos eletro­
Existem diferentes níveis de sensibili­ m ag n étic o s de baixa freq ü ên cia,
dade às múltiplas radiações a que nos emitidos por instalações elétricas ou
vemos expostos. Todos conhecemos por aparelhos domésticos. Essas pesso­
alguém sensível à cotidiana radiação as sofrem ataques nervosos ou se vêem
solar ou, quem sabe, soframos seus acometidas de uma fort e dor de cabeça,
efeitos em nossa própria pele. Enquan­ que as obriga a abandonar o lugar ou
to há pessoas que podem permanecer desconectar a instalação elétrica da casa
horas seguidas sob um sol tórrido, sem para poder permanecer nela.
sentir mais moléstia do que um sufo­ Certamente tratam-se de casos isola­
cante calor, há outras que aos 15 m inu­ dos. Porém cabe perguntar se os demais
tos de exposição solar começam a sentir também estão nos afetando, só que
fortes dores de cabeça ou ardor na pele. nosso organismo não dispõe de meca­
As doses de radiação a que se expõem nismos que nos avisem de qualquer
podem ser idênticas, porém sua sensibi­ dano recebido.
lidade individual difere muitíssimo. Entre os casos mais surpreenden­
Q uando não se têm presente os con­ tes de que tem os co n h ecim en to ,
ceitos de sensibilidade individual ou de citarem os o de uma pessoa hipersen-
hipersensibilidade, muitos sucumbem a sível à radioatividade. P artindo do
um medicamento que não toleram, que pressuposto cientificam ente aceito de
tem result ado inócuo para o resto da que não dispom os de sensores que
população, ou quem sabe desenvolvem nos advirtam da presença de fontes
50 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

Medições das variações de intensidade do campo magnético terrestre, realizadas com um magnetômetro
de prótons e sistemas de sensibilidade pessoal. (Foto: José M endoza)

radioativas intensas na proxim idade, m edidor de radioatividade e surpre-


deduz-se o seu perigo, já q ue à sua endem o-nos ao detectar quase 300
periculosidade deve acrescentar-se milirads (rd), quando a m édia rad io ­
nossa incapacidade de descobri-las ativa da zona estava em 100 rd.
sem a ajuda de sensores eletrônicos. M edim os sucessivamente o restante
Por isso, foi grande nossa surpresa das am ostras, em função da m aior ou
quando, analisando uma m oradia em m en o r agressividade sen tid a pela
construção, a senhora indicou-nos m ulher; e a intensidade radioativa
que das quatro amostras de granito dos materiais foi coincidindo com as
que escolhera para a bancada da cozi­ sensações percebidas pela senhora. A
nha havia duas que ofendiam -lhe os única am ostra que não lhe molestava
olhos quando fixava a vista por um em itia 120 rd, o mais próxim o da
m om ento. N aturalm ente que, com radioatividade am biental.
uma simples olhada, só pudem os o b ­ O caso que acabamos de narrar in-
servar que suas cores e com posição duz-nos a considerar seriam ente a
eram diferentes, porém não percebe­ advertência de alguns cientistas, quan­
mos nada de anormal em nenhum a do afirmam que qualquer dose de
das quatro amostras de granito, de 15 radiação que supere o umbral natural,
x 20cm . Após indicar-nos qual era a pode ser prejudicial ou causar altera­
mais agressiva para ela, conectam os o ções biológicas. Por infelicidade, essas
GEO BIOLO GIA, CIÊNCIA D O HÁBITAT 51

alterações aparecem sempre mascara­ Ao longo da obra, temos visto e vere­


das por um a série de sintom as e mos ainda que um transtorno é quase
transtornos difíceis de precisar, até o sempre a conseqüência das interações de
ponto de impedir-nos o estabelecimen­ vários fatores de risco, e não deveremos
to da relação exata entre causa e efeito. nos conformar com seu estudo em se­
Mais surpreendente foi o caso de uma parad o . N os p róxim os cap ítu lo s,
medição sobre o terreno, realizada com abordaremos cada uma das anomalias
um magnetômetro de prótons, que re­ perceptíveis, assim como suas múltiplas
gistrava as diferentes intensidades do sinergias e sobreposições. No mom en­
campo magnético terrestre, assim como to, somente podemos recomendar ao
as débeis variações (de apenas 50 ou 100 leitor que comece a escutar-se; a escutar
nanoteslas) de um ponto medido a ou­ a linguagem de seu corpo e a sentir
tro. Um dos membros da associação que como ele responde aos diferentes fatores
nos acompanhava foi observando as de risco a que se expõe. Aconselhamos a
medições e as intensidades magnéticas não tirar conclusões precipitadas nem
que apareciam na tela do magnetômetro. ver “fantasmas” em qualquer canto de
Comparando-as com suas sensações pes­ sua casa, ou escondidos em cada eletro­
soais, em poucos minutos foi capaz de doméstico. Não sejamos tão ingênuos,
predizer os números que apareciam na como para criar problemas onde não
tela, com uma pequeníssima margem de existem, e tampouco depreciemos as
erro. Ao que parece, e segundo propõe advertências de nossa própria sensi­
o doutor Bardasano, do Instituto de bilidade aos dados estatísticos de um
Bioeletromagnetismo Alonso de Santa crescente número de investigações, que
Cruz, também possuímos magnetor- não deixam de ser preocupantes, apesar
receptores sensíveis a qualquer variação de os estamentos oficiais as questiona­
natural ou artificial do campo magnéti­ rem (ou certas multinacionais com
co terrestre. reconhecidos interesses econômicos).

1 Citado da edição francesa: Les myons ter­


restres provoeateurs de maladies et du eancer,
publicada em 1984 por Frech Verlag G m bH &
Co. Druck KG, Stuttgart.
SEGUNDA PARTE

ENERGIAS E V ID A

Para compreender a incidência das inte­ Por exemplo, os músculos mantem


rações de elementos, como a eletricida­ sua tensão mediante descargas elétricas,
de, a radiação terrestre, o magnetismo ou e o eletrocardiograma ou o eletroen-
a radiação cósmica, assim como suas im­ cefalograma nos m ostra o tipo de
plicações nos processos de saúde ou do­ atividade que se produz no coração ou
ença descritos nos capítulos anteriores, no cérebro. A parada da atividade elé­
será necessário que estudemos cada um trica cerebral é considerada como o
desses fatores com a amplitude e a pro­ parâmetro da morte clínica. Além das
fundidade que a ciência atual nos permite. constantes eletrobiológicas, desde os
Seria absurdo pensar que a radioati­ anos 7 O e graças a complexos e ultra-
vidade, a eletricidade ou o magnetismo sensíveis m agnetôm etros Squid, os
são totalm ente negativos e prejudiciais pesquisadores puderam medir os dé­
para a vida. Nada mais rem oto da reali­ beis campos magnéticos induzidos pela
dade, já que estão presentes, em maior atividade cerebral ou cardíaca. Eletrici­
ou m enor medida, em quase todos os dade e magnetism o sempre andam
processos que possamos observar. Onde unidos. Através do corpo humano cir­
quer que nos dirijamos em nosso plane­ culam co n stan tem en te m inúsculas
ta Terra, encontraremos certas doses de correntes elétricas ligadas aos fluxos
radioatividade ambiente, uma parte pro­ nervosos e ao transporte de informação
cedente dos minerais e do subsolo e de um neurônio a outro; essas correntes
outra da radiação solar e cósmica. Po­ partem do cérebro e circulam até os
dem os detectar a eletricidade e o órgãos, músculos e vísceras, criando
magnetismo no subsolo, nas diferentes alguns campos magnéticos extrema­
camadas atmosféricas e também no in­ mente débeis. O campo magnético
terior do corpo humano. gerado pela atividade do coração - por

Os efeitos da atenção que um sujeito presta a um a tarefa podem ser indicadospelo magnetoencefalograma.
A s curvas são mais fechadas quando o sujeito presta atenção, o que revela u m campo magnético mais
intenso.
54 O GRANDE LIVRO DA C ASA SAUDÁVEL

exemplo - é de cerca de 5,10'7 gauss; co, elétrico, magnético e radioativo es­


isto é, um milionésimo do campo mag­ pecífico ao longo de milhões de anos. E
nético terrestre, cuja medida é de 0,5 todos os seres vivos que o habitam têm
gauss. A atividade magnética cerebral é evoluído, adaptando-se a esses elem en­
ainda mais débil: -10 9gauss. Para poder tos, assim como a suas múltiplas e
realizar esses magnetoencefalogramas constantes flutuações e mudanças. Os
ou magnetocardiogramas, tomaram-se primeiros seres conhecidos2 desenvol-
precauções especiais, pois os campos veram-se num ambiente desprovido de
magnéticos e eletromagnéticos - tanto oxigênio, porém produziram grandes
naturais como artificiais - interferem quantidades desse elemento com o resí­
nas sensíveis medições. U m a vez que as duo metabólico, e o rest o dos seres
linhas de força dos campos magnéticos adaptou-se a ele até o ponto de torná-
podem atravessar todo tipo de m ate­ lo indispensável à vida. T udo isso foi
riais - inclusive os diamagnéticos, que possível ao longo de milhões de anos de
som ente as desviam sem co n tu d o constante evolução.
interrompê-las - teve que se fabricar A radioatividade, a eletricidade e o
um material especial chamado “mu- magnetismo terrestre - ainda que variá­
metal” ,1 capaz de deter os campos veis - permanecem mais ou menos
magnéticos. constantes ou estáveis há vários mi­
Todo o exposto manifesta, com cla­ lhões de anos. E em apenas algumas
reza, que sobre a atividade biológica e décadas de progresso desmedido, alte­
metabólica podem incidir cargas ou ramos alarmantemente esse precário
campos elétricos e magnéticos, e mais equilíbrio ao não levarmos em conta
ainda os radioativos, por mais débeis que débeis variações poderiam ter efei­
que sejam. tos cruciais sobre a vida. Ainda que se
O conceito tradicional de que os tratem de magnitudes relativamente
processos de vida são regidos exclusiva­ débeis ou de intensidade escassa, são
mente por uma série de processos capazes, por ressonância, de interagir
bioquímicos, deveria ampliar-se a uma com todos os processos da vida. Para
completa definição de atividade bio- com preender isso melhor, tentarem os
eletro-m agnética-quím ica-radioativa. cercar-nos do que sabemos sobre esses
Tendo bem presente que nenhum dos campos, tanto os naturais com o os cria­
asp ecto s m e n c io n a d o s p o d e ser dos artificialmente.
desvinculado ou esquecido em qual­ Para esse fim, será imprescindível o
quer investigação relacionada com os estudo minucioso da eletricidade, do
processos de vida, fica claro que isso magnetismo ou da radioatividade, tan ­
complica enorm em ente o m undo da to te rre s tre s co m o cósm icas o u
pesquisa. Porém, esquecer essas intera­ corporais, que nos permitam uma com ­
ções conduziria a resultados parciais e a preensão mais coerente possível de todos
uma falsa observação da realidade. os processos biológicos, assim com o de
Hoje, o velho modelo quím ico-m e- suas múltiplas interações. Com plem en­
cânico é derrubado e se abre caminho taremos o estudo com o conhecim ento
para um novo conceito energético- dos intercâmbios iônicos celulares ou
vibratório. da ionização atmosférica. Isso irá nos
De fato, a vida em nosso planeta tem servir de elemento-chave para entender
se desenvolvido num ambiente quím i­ as interações biológicas e metabólicas,
ENERG IAS E V ID A 55

aprenderemos sobretudo a discernir os integração do ser hum ano com a natu-


fatores de equilíbrio físico e psíquico e reza e com as energias, tanto cósmicas
a nos aprofundarmos nos processos de como terrestres.

1 Microlaminados de liga de níquel, especial­


mente tratados para deter campos magnéticos.
2 Algas cianofíceas, das quais se derivam os
estromatólitos.
56 O GRANDE LIVRO DA C AS A SAUDÁVEL

CAPÍTULO 3 RADIAÇÃO CÓSM ICA

ELETRICIDADE AMBIENTAL ESPAÇO INTERPLA NETÁ RIO

A eletricidade terrestre

Existe uma eletricidade ambiental flu­


tuante em toda a superfície terrestre,
que é o resultado de processos tão
variados e complexos como a radiação
cósmica e solar, às quais se somam
fatores meteorológicos como as baixas
pressões atmosféricas, as tormentas, etc.
Essa eletricidade se relaciona com a
estrutura de todos os solos, a vegeta­ TERRA
ção, as edificações e a fabricação, trans­
porte e uso de eletricidade artificial. Em condições normais, a baixa e
Por regra geral, estabelece-se que a média atmosfera isolam a carga de íons
crosta terrestre - m uito condutora - + da alta atmosfera, sobre os de carga -
está carregada negativamente. A at­ da baixa atmosfera. Existem algumas
mosfera é semicondutora: até cerca de linhas eqüipotenciais paralelas ao solo
50km (dielétrica ou condutora, segun­ que seguem a orografia do terreno,
do as circunstâncias). Nos níveis altos comprimindo-se segundo os diferentes
da atmosfera - na ionosfera - volta a ser níveis e criando um forte gradiente de
muito condutora; neste caso, com car­ potencial elétrico nas zonas mais eleva­
ga positiva. das ou nos picos, que facilitam sua
Existe uma diferença de potencial rápida descarga (efeito ponta).
entre a Terra e a ionosfera, que oscila Na vertical das correntes subterrâneas
entre 300.000 e 400.000 volts. Essa de água, fissuras ou falhas do subsolo,
diferença de potencial, que no nível do são produzidas fortes alterações nas
solo deve traduzir-se em torno de 130 diferenças de potencial elétrico atm os­
volts/ m etro (V /m ) com tem po claro e férico, induzidas pela radiação terrestre
calmo, sem tormentas magnéticas, pode emitida nesses pontos ou em amplas
alcançar vários milhões de voltas duran­ zonas.
te as baixas pressões atmosféricas, ou Os fenômenos meteorológicos p ro ­
nos estados de pré-tempestade, que vocam intercâm bios em am bos os
todos sentimos como altamente agres­ sentidos: cargas e descargas. Em condi­
sivos e descontrolados. ções normais, os elétrons (-) sobem até
Além disso, nesses períodos de to r­ as camadas superiores da atmosfera,
m entas, essa eletricidade passa de enquanto os íons (+) descem até a
equilíbrio de cargas + e - , que encon­ superfície terrestre.
tramos em situações habituais, a um As árvores constituem um fator
forte predomínio de cargas +, que agra­ reequilibrador nada desprezível quan­
vam os transtornos. to a cargas elétricas. O mesmo ocorre
ENERGIAS E V ID A 57

Linhas eqüipontenciais do campo eletroatmosférico.

nas constantes tempestades elétricas que carrega negativamente (-) e cria uma
se produzem continuam ente através de sobrecarga positiva (+) na superfície
toda superfície terrestre: registram-se terrestre. Chega ao ponto em que a
aproximadamente 45.000 diariamente. diferença de potencial elétrico, que
habitualmente é de 130 V /m , passa a
vários milhares de vo lts/m etro (de 25 a
Atmosfera e saúde 40 k V /m ). Neste m om ento, produz-
se uma descarga de elétrons até a
Todos temos acusado, em alguma oca­ superfície terrestre.
sião, certa sensação de peso, mal-estar, Um canal de elétrons, chamado pre­
fadiga e irritabilidade, quando um Sol cursor, flui para fora da nuvem e
carregado e esmagador parece cair so­ ziguezagueia até a Terra, ao mesmo
bre nossas cabeças. Trata-se desses dias tem po em que um fluxo de cargas
de baixa pressão atmosférica que prece­ positivas (+) brota da Terra de forma
dem as tempestades e que deixam sentir ascendente. Q uando o precursor des­
seu efeito tanto no ar com o nas pessoas. cendente e o fluxo ascendente se
Produzem ansiedade, dores de cabeça, encontram, produz-se uma descarga
cansaço ou sonolência. O que aconte­ elétrica de milhares de volts, e de cerca
ce, pois, na atmosfera para que reaja- de 10.000 a 20.000 ampères, sob a
mos de forma tão peculiar? forma do temido raio.
Simplesmente, ela está carregada de O forte choque de elétrons produz
íons positivos, conseqüência do exces­ uma ruptura iônica e uma onda expan­
so de radiação solar e / o u da presença siva no ar, que ao com prim ir-se
de nuvens torm entosas chamadas cú- bruscamente se traduz num ruído es-
mulo-nim bos, cuja parte inferior se trepitoso: o trovão.
58 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

O raio tende a se descarregar nas


zonas ou lugares de maior ionização
positiva: pode tratar-se da parte superior
de outra nuvem 1 carregada +, de uma
árvore, da parte superior de um edifício
terminado em ponta, etc. (As pontas
concentram as cargas +.) Também já se
observou que em zonas atravessadas
por várias correntes subterrâneas de
água, veios metalíferos, substratos
radioativos, falhas e outras anomalias
telúricas em diferentes níveis do subsolo,
geram-se fortes diferenças de potencial
elétrico, assim como maior ionização, e
constituem-se em lugares prediletos para
a descarga dos raios. Esses são, portan­
to, os pontos ideais para se localizarem
as tomadas de terra e os pára-raios, cuja
função consiste em concentrar as cargas
elétricas de potencial oposto ao da nu­
vem, convertendo-se assim em alvo ideal
para a descarga elétrica .2 ©I
Esse fator de atração da descarga dos
raios é outro dos motivos pelos quais
evitaremos construir nossas casas na
vertical de correntes subterrâneas,
fissuras, veios metalíferos, etc. A menos
J «t «M«t *1•! J J
que as desejemos como alvo dos temi­
dos e fulminantes raios. O ser humano vê-se percorrido permanentemente
por uma corrente elétrica com diferença de poten­
cial entre 170e220volts. Ao deitarmos, o equilíbrio
de campo elétrico modifica-se totalmente: os pon­
O ser humano dentro do campo tos do corpo são submetidos tão somente a uma
elétrico natural débil excitação.
Tem os visto que, em condições
meteorológicas estáveis, a diferença de
potencial é de aproximadamente 130 a
250 V /m . Em tais condições, o ser O campo eletroatmosférico descrito
humano se vê percorrido constantemen­ tende a ser o mais homogêneo, porém
te por uma corrente elétrica com uma se mostra deformado ao se situar num
diferença de potencial que oscila entre material condutor isolado. Na pessoa,
170 e 220 volts. Porém, se nos deita­ se não estiver em contato com a terra -
mos, o equilíbrio do campo elétrico se e não está graças ao isolamento plástico
modifica por completo, de modo que ou de borracha das solas do sapato ou
todos os pontos do corpo serão subme­ pelo asfalto - uma tensão elétrica é
tidos tão somente a uma leve excitação. produzida na superfície do corpo.
ENERGIAS E VIDA 59

/Solas f asfalto
plásticas
Imerso no campo eletroatmosférico terrestre, o corpo comporta-se como um “circuito elétrico condu­
tor”. Graças a sua condutividade relativamente alta, quando estamos descalços ou usamos calçados
com solas condutoras, a tensão é nula. Quando estamos isolados por efeito do asfalto, carpetes sintéticos
não condutores ou usamos calçados isolantes (plástico ou borracha), produz-se uma forte tensão
elétrica na superfície do corpo, agravada em certas ocasiões pela eletricidade estática gerada pela
fricção dos tecidos sintéticos.

Essa tensão se torna nula se a pessoa tendem a aparecer nos estados de ner­
ou elemento condutor estiver em con­ vosismo ou estresse. Atenção, portanto,
tato com a terra, como sucede quando ao calçado!
nos descalçamos ou usamos solas Por outro lado, os doutores J.
condutoras (couro, cânhamo, etc.). M õse, G. Fisher e S. Schy com pro­
Daí a importância de se descalçar e, varam, em num erosos experim entos
sobretudo, de caminhar sobre a grama com animais, que ao se reduzir dras­
molhada, que permite o reequiIíbrio ticam ente as tensões do cam po
elétrico adequ ad o aum entar a elétrico de corrente contínua, reduz-
condutividade. se tam bém em m edida considerável
A resistência que o corpo humano a capacidade do corpo em defender-
oferece à passagem da eletricidade ten­ se dos agentes patogênicos. Isso
de a ser de 15 a 20 kQ (kiloohms), ocorre quando nos isolam os por
quando estamos descalços ou usamos com pleto do cam po elétrico natural,
solas condutoras. Essa resistência au­ rodeando-nos de estruturas m etáli­
menta para até 100 k£2 quando usamos cas aterradas, “efeito gaiola Faraday”.
solas plásticas secas. Tais níveis de re­ Essas estruturas são capazes de re­
sistência elétrica cutânea tam bém duzir a menos de 100 V /m as tensões
60 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

do cam po elétrico. Sendo a estabili­ G E O R R ITM O G R A M A S- D R. HA RTM A N N


dade dessas tensões um fator de
equilíbrio para nossa saúde, vere­
mos que nos edifícios com excesso
de metal será sem pre m aior o perigo
de padecer de enferm idades. Se em
tais edifícios a estrutura está bem
aterrada, os transtornos se deverão à
falta de potencial elétrico, ao passo
que, por não estar corretam ente ater­
rada, o m otivo será o excesso de
tensão elétrica pelo efeito conden-
sador elétrico dos metais.
GEORRITMOGRAMAS. Medição realizada,
com um galvanômetro sensível (em milhares de
Eletricidade e processos biológicos ohms), registrando as mudanças de resistividade
cutânea de uma pessoa dentro de um aposento.
Para a biomedicina atual está perfeita­ A zona cinza assinala ográfico correspondente à
mente estabelecido que o sistema ner­ permanência durante 40 minutos em zona alte­
rada.
voso utiliza-se da atividade elétrica e A zona escura corresponde aográfico da resistên­
emite radiações eletromagnéticas, em cia eletrocutânea registrada na mesma pessoa, ao
sua maior parte dentro da banda de permanecer em zona neutra.
baixas freqüências e associadas em es­
pecial às ondas cerebrais e à função
cardíaca. Essa atividade é registrada
pelos eletroencefalogramas e eletro­ campo eletrostático não é constante,
cardiogramas. Sem dúvida, investiga­ mas variável, e sua oscilação vertical
ções recentes demonstram que tais ra­ contém ondas de uma freqüência fun­
diações, longe de serem subprodutos dam ental, m odulada por grande
da atividade elétrica nervosa, possivel­ número de harmônicos que, em con­
mente desempenham um papel funda­ junto, formam um padrão ou seqüência
mental como campo energético porta­ que se reitera várias vezes por segundo.
dor de informações e dotado de fun­ As ondas harmônicas superiores che­
ções reguladoras. gam à banda dos megahertz e exercem
Como indicamos, vivemos em um influência reguladora e estabilizadora
meio no qual os fenômenos naturais, sobre os processos fisiológicos.
elétricos e magnéticos desempenham Essas ondas harmônicas recebem o
um papel muito destacado. Entre a nome de ondas Schuman e são as resul­
ionosfera e a superfície terrestre há uma tantes das diferentes freqüências de
gradiente de tensão estática de uns vibração eletromagnética de interação
300.000 volts, que equivale a uma dife­ terrestre e cósmica, formando parte do
rença de potencial eletroatmosférico de meio natural. Nas grandes cidades, es­
160 a 300 V /m ou, o que dá no sas freqüências pulsantes de x ciclos por
mesmo, um diferencial entre 200 e 400 segundo aparecem altamente distorci­
volts entre a cabeça e os pés de um das ou anuladas em muitas ocasiões,
indivíduo suspenso ao ar livre. Esse sobretudo em determinados edifícios
ENERGIAS E VIDA 61

com bastante concreto armado. Ten­ de água subterrâneos será decisiva para
do-se em conta que muitos circuitos a atividade harmônica dessas freqüên­
biológicos utilizam essas ondas cias de pulsação, com as quais nos
Schuman como padrão referencial para sincronizamos.
sua atividade, será fácil compreender a Nas medições de condutividade elé­
desestabilização biológica de que pa­ trica que realizamos sobre as linhas e
decemos nos grandes núcleos urbanos. cruzamentos Hartmann, vêem-se sen­
De outra parte, a formação das on­ síveis diferenças com relação às zonas
das Schuman requer alguns níveis neutras. De fato, esse é um dos sistemas
adequados de condutividade da super­ empregados para localizar as correntes
fície terrestre, para os quais a presença subterrâneas de água.
ou ausência de lençóis freáticos ou veios

1 Neste caso, trata-se de um relâmpago.


2 Com o curiosidade, podem os citar que,
sabendo-se que a eletricidade se desloca a
3 0 0 .0 0 0 k m /seg e o som tão som ente a
300m /seg, podem os calcular a distância onde
se produziu o raio m ultiplicando cada segun­
do desde o resplendor ao som do trovão por
300m . Ou seja, lkm a cada 3 segundos.
62 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 4 Esse desequilíbrio iônico também po­


demos encontrar no interior das casas. O
IONIZAÇÃO DO AR grande número de pessoas que ocupam
E EQUILÍBRIO IÔNICO certos lugares, a deficiente ventilação, o
emprego maciço de ar condicionado, a
calefação, a fumaça do tabaco, a poluição
do ar, os terminais de vídeo ou TV, assim
Toda eletricidade atmosférica, terrestre como o restante dos aparelhos elétricos
ou corporal descrita, interage com a de uso corrente em casa ou no local de
estrutura atômica, elétrica e molecular trabalho, viciam o ar e sobretudo redu­
do ar que respiramos e que nos envolve. zem de forma alarmante a concentração
Integradas na estrutura e composição de íons de carga negativa, altamente favo­
química do ar, existem cargas elétricas ráveis para a saúde.
que talvez dêem a chave das interações O equilíbrio iônico (entre cargas + e
nos organismos vivos, e de cujo equilí­ -) resultará como a chave do correto
brio dependerá o bem-estar ou mal-estar, funcionamento orgânico, celular, cir­
a saúde ou a doença dos seres que fazem culatório, bacteriano ou microbiano.
amplo uso do precioso éter vital. Das cargas elétricas do ar ou dos siste­
Desde tempos remotos é conhecido mas m etabólicos dependem mais
o efeito que certos ventos exercem so­ processos do que poderíamos suspeitar
bre a saúde física ou psíquica, e cuja a princípio.
característica peculiar pode ser estabe­ Os estudiosos ou investigadores de
lecida como excesso de cargas elétricas Felix Gad Sulman, da Universidade de
e íons carregados +. “Não pronunciarás Jerusalém, e os trabalhos do norte-
nenhuma sentença de morte quando am ericano A lbert P. K rueger, da
soprar o Sharav”, lemos no Talmude. Universidade da Califórnia, estabele­
Quando em Genebra ou em outras cem o desequilíbrio elétrico como causa
cidades do Centro da Europa sopra o de disfunção orgânica e nos revelam o
Foehn, também chamado de “vento complexo mundo da bioeletricidade.
das bruxas”, desencadeiam-se rixas nos O francês Claude Vicens confirmou
lugares, suicídios e assassinatos, regis­ essa incidência.
trando-se ainda maior núm ero de O efeito mais imediato descoberto
acidentes de trânsito... Até mesmo al­ é que grande parte das reações quím i­
guns cirurgiões adiam as operações se a cas que determinam os mecanismos
previsão do tempo anuncia o Foehn. biológicos dos seres vivos se vêem
A mesma má fama têm os ventos comprometidas ou alteradas ao to r­
Chinok, nas Montanhas Rochosas; o narem saturados os radicais livres,
Santa Ana, da Califórnia; o siroco na por excesso de íons positivos proce­
Itália; o mistral na Costa Azul; a tra- dentes do exterior.
montana na Catalunha; o poente em Conseqüentemente, desencadeia-se
Levante ou o sur em Cantabria. uma resposta glandular como meio de
A característica que torna esses “ven­ liberar o bloqueio e a apatia química do
tos das bruxas” semelhantes é sua organism o: uma hipersecreção de
enorme carga elétrica positiva ou o serotonina (hormônio do estresse), com
predomínio de íons positivos (+) com todas as conseqüências e problemas
referência aos de carga negativa (-). que disso se derivam.
ENERGIAS E VIDA 63

íons

Membrana
celular

Canal
celular

Embora não exista ainda uma explicação muito clara sobre os possíveis mecanismos da incidência
biológica pelas linhas de alta tensão e pelos campos eletromagnéticos de baixa freqüência, alguns
pesquisadores sugerem que certasfreqüências poderiam fazer “ressonar” os íons, coincidindo com suas
freqüências naturais, acelerando assim sua saída ao exterior da célula.

Entre os muitos transtornos orgâni­ só têm uma ação direta sobre os recep­
cos que os investigadores podem tores nervosos, como também, ao
relacionar com o excesso de ionização, penetrarem nas camadas epidérmicas
destacam-se dores corporais, enxaque­ profundas, causam modificações funcio­
cas acompanhadas de náuseas, vertigens, nais dos órgãos internos. A hipótese da
contrações nervosas e irritação nos importância dos íons e da ionização foi
olhos, fadiga desm esurada, desva- comprovada em 1991, ano em que se
necim entos, desequilíbrios salinos atribuiu o prêmio Nobel de Medicina
(cálcio-magnésio), acúmulo de água, aos cientistas alemães Erwin Neher e
dificuldades respiratórias, alergias, asma, Bert Sakmann, por seu trabalho de
problemas cardíacos e circulatórios, pesquisa sobre a comunicação através
baixa pressão sangüínea ou sua queda, dos intercâmbios iônicos do interior e
retardo no tempo de reação (perda de exterior das células.
reflexos), maior sensibilidade à dor, Cada célula viva está rodeada de uma
inflamações, hemorragias, embolias membrana extremamente delgada, que
pulmonares e tromboses. a separa do meio em que vive. Nessa
Os íons produzem correntes elétri­ membrana, existem canais que servem
cas sobre a superfície cutânea que não de vias de comunicação com o exterior.
64 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

Cada um deles está constituído por ticos das linhas de alta tensão ou pelos
uma molécula simples ou complexa, computadores com tubos de raios cató-
que tem a propriedade de deixar passar dicos. Todos esses fenômenos geram
os átomos de diferente carga elétrica, elevadas ionizações +. Os mecanismos
denominados íons. Esses canais regu­ de interação tornam evidente e claro
lam as condições de vida e as funções que devemos culpar não somente os
das células, tanto em circunstâncias “ventos das bruxas” como causas de
normais como no caso de alteração por transtornos na população sensível.
doença. Uma estatística realizada na Alema­
Os fisiólogos Neher e Sakmann de­ nha estabelece as cifras de sensibilidade
senvolveram uma técnica que permite a radiações telúricas como sendo de
registrar a corrente, extremamente dé­ 30% de pessoas hipersensíveis, 40% de
bil (da ordem de mil milionésimos de sensíveis e 30% de insensíveis ou resis­
ampères), que atravessa um canal iônico. tentes a tais radiações. Paralelamente,
Essas pesquisas provaram a existência e os estudos do doutor Felix Gad Sulman,
o funcionamento desses canais iônicos. efetuados em câmaras de ionização onde
As células nervosas, assim como as são controlados o fluxo de cargas elétri­
células produtoras de hormônios e as cas e a ionização do ar respirado,
aplicadas na defesa do organismo, têm estabeleceram 25% para pessoas hiper­
a propriedade de liberar substâncias sensíveis às mudanças iônicas e ao
armazenadas no interior da célula, em excesso de íons +, em 50% de pessoas
grânulos revestidos por uma membra­ moderadamente sensíveis e outros 25%
na. Quando essa célula é estimulada, de insensíveis ou que não mostram
produz-se um deslocamento desses grâ­ alterações aparentes.
nulos até a superfície.
O equilíbrio elétrico e iônico é uma
das chaves do equilíbrio biológico e da O que se entende por ionização?
saúde em geral.
De fato, as afecções psicológicas ca­ Na matéria, ou seja, na forma sólida,
talogadas e diretamente relacionadas líquida ou gasosa da energia, cada áto­
com os desequilíbrios iônicos do ar são mo está constituído por um núcleo
alarmantes: desequilíbrio emocional, complexo provido de cargas neutras e
irritabilidade, indiferença vital e apatia, positivas, assim como de uma nuvem
estado meditativo e ausente, esgota­ de elétrons carregados negativamente,
mento, baixo rendimento de trabalho, que gravitam ao redor do núcleo como
depressão, maior índice de tentativas os planetas giram em torno do Sol. Pela
de suicídio, ansiedade e certa tendência regra geral, as cargas negativas dos elé­
às drogas. Todos esses transtornos - trons correspondem e equilibram com
catalogados como subjetivos - são difí­ exatidão a carga positiva do núcleo.
ceis de se estudar e correlacionar, porém Conseqüentemente, o átom o, nesse
não deixa de surpreender o fato de estado, torna-se neutro. Porém, esse
serem descritos pelas pessoas que per­ estado se vê continuamente modifica­
manecem ou vivem em zonas alteradas do em numerosos átomos e moléculas,
teluricamente (na vertical dos veios de ao receberem certas doses de energia
água subterrâneos ou de cruzamentos (através da radiação ambiente ou de
H ), expostas aos campos eletromagné­ forma artificial). O resultado desse fe-
ENERGIAS E VIDA 65

O EFEITO TRIBOELETRICO (de 25 a 75% da população, como já


E IONIZANTE vimos), os íons negativos de tamanho
A . Átomo equilibrado: grande parecem não exercer influência
7 prótons e 7 elétrons sobre a vida orgânica, enquanto os íons
negativos de tamanho minúsculo são
Efeito favoráveis para todos os organismos,
triboelétrico produzindo uma sensação maior de
bem-estar geral quanto mais elevada
for sua concentração.
Na natureza, a energia necessária
para provocar a ionização provém de
B. Átomo carregado Átomo carregado substâncias radioativas encontradas na
negativamente p o s itiv a m e n te crosta terrestre, da radiação cósmica,
Excesso de elétrons: Falta de elétrons: dos raios ultravioletas provenientes do
7 prótons
8 elétrons
7 prótons Sol, das tempestades, das chuvas, das
6 elétrons partículas de água em suspensão, em
íon negativo íon positivo cascatas ou ao lado do mar, pelo que­
brar das ondas, dos diferentes ventos,
nômeno é que serão arrancados um ou da vegetação e do maior ou menor
vários elétrons. O átomo fica carregado número de árvores frondosas... Ele­
positivamente. O átomo assim altera­ mentos naturais aos que haverá de
do, que possuirá maior carga positiva acrescentar-se o efeito ionizante da
que negativa, será considerado um íon técnica humana, com o uso de radioa­
positivo. Ao contrário, quando os elé­ tividade artificial: pára-raios radioativos,
trons livres arrancados de algum átomo centrais nucleares... As linhas de alta
são capturados por átomos neutros, tensão, a poluição atmosférica, o uso de
estes se carregarão negativamente, con­ materiais sintéticos e fibras que geram
vertendo-se, desse modo, em íons ne­ grandes cargas eletrostáticas e todos os
gativos. aparelhos eletrodomésticos, assim como
Quando esses íons atômicos passam alguns materiais de construção - ci­
a fazer parte da composição de uma mento, arenito - que emitem partículas
molécula eletricamente neutra, esta se carregadas positivamente ou certas do­
eletrifica e constitui um íon, que pode ses de radioatividade ligeiramente
ser negativo ou positivo. Seu tamanho ionizante, sobretudo em ambientes fe­
irá variar em função da espessura da chados.
molécula eletrificada. A incidência da A correta ventilação será a chave do
ionização + ou - do ar não estará em equilíbrio elétrico e iônico do ar que
função somente do maior ou menor respiramos. Sempre e quando a atmos­
número de cargas + ou - , mas que fera que envolve nossa casa não estiver
tamanho de tais íons será crucial para altamente poluída.
que se tornem favoráveis ou nocivos. Já A vegetação, o correto grau de umi­
se comprovou que os íons positivos de dade, a ventilação e uma adequada
qualquer tamanho produzem transtor­ respiração das paredes e dos materiais
nos físicos e mentais de intensidade de construção são elementos que deve­
crescente quando aumenta sua concen­ rão estar sempre muito presentes. A
tração. Sobretudo nas pessoas sensíveis não construção ou permanência sobre
66 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

veios de água subterrâneos, alterações sentes no ar gerando reações químicas


geológicas ou telúricas, será outro pon­ de possível efeito tóxico, assim como o
to de máxima importância em nosso temido ozônio.
equilíbrio iônico. Hoje em dia encontra-se no merca­
De fato, a incidência das fendas do do ionizadores com pontas de carbono
subsolo, as zonas freáticas e outras alte­ ou fibras de carbono, que não despren­
rações telúricas na ionização atmosférica dem íons metálicos de possível efeito
foram já comprovadas pelo engenheiro tóxico. Os ionizadores podem ser usados
francês Pierre Cody em 1935, numa sem nenhum risco como desinfetantes
série de experimentos realizados com ou bactericidas de lugares públicos, es­
todo rigor e servindo-se dos eletrô­ critórios, ginásios, superfícies destinadas
metros mais aperfeiçoados de sua época. à armazenagem de alimentos, etc., sem­
(Ver capítulo 7.) pre que se tiver a precaução de que
funcionem à noite ou nas horas em que
tais espaços não estiverem em uso. De
Os ionizadores todos os modos, com os ionizadores
comerciais é difícil que se chegue a
O mercado tem sido inundado há anos níveis de ozônio elevados ou perigosos,
por numerosos aparelhos e sistemas de embora sempre possa existir uma pes­
ionização artificial, que apregoam seus soa hipersensível. Sugerimos a escolha
efeitos benéficos sobre a saúde e que, de marcas de prestígio ou de reconhe­
salvo exceções, sofrem de pouco rigor cida qualidade, mesmo que o preço seja
nas medições da ionização ou simples­ mais elevado. Os ozonizadores de água,
mente não foram submetidos a ne­ empregados para a purificação das pis­
nhum controle. Os fabricantes proje­ cinas, não acarretam riscos e se mostram
tam e comercializam (ou simplesmente excelentes bactericidas.
copiam) sistemas de ionização, dos quais
se desconhece a eficiência e os efeitos
secundários que seu uso pode acar­ Ionização e radicais livres,
retar. chave da degeneração celular
Os ozonizadores do ar, popularmen­
te comercializados no passado, estão A geobiologia tem sempre relacionado
proibidos na maioria dos países na atua­ as radiações com os processos patológi­
lidade - exceto Espanha - já que, apesar cos e suas enfermidades. Nos últimos
de seu benéfico efeito purificador do ar anos, a investigação médica comprova
e bactericida, foi possível estabelecer tais hipóteses, sobretudo através do
também um efeito tóxico e daninho estudo do efeito dos radicais livres no
quando o encontramos em níveis supe­ organismo. Trata-se dos já menciona­
riores a 0,1 partes por milhão. dos íons, ou seja, átomos ou moléculas
Esse ozônio tóxico também é gerado que perderam um elétron, estando por­
pelas fotocopiadoras e por muitos dos tando carregados positivamente.
ionizadores comerciais de baixo preço, Já apontávamos que as radiações
os quais baseiam seu funcionamento ionizantes, as ultravioletas e outros fa­
em descargas elétricas de milhares de tores mencionados, assim como uma
volts na fase negativa, porém que pelo dieta inadequada, a poluição do ar e a
efeito coroa rompem as moléculas pre­ fumaça do cigarro, incrementam a quan-
ENERGIAS E VIDA 67

DESTRUIÇÃO DAS CÉLULAS tidade de radicais livres em nosso orga­


PO R RADICAIS LIVRES nismo.
Esses compostos desempenham um
papel crucial na gênese do câncer e das
doenças cardiocirculatórias. Ao se tra­
tar de átomos ou moléculas a quem
falta um elétron (considerando-se íons
positivos), eles tentam recuperar esse
elétron no próprio organismo e o fa­
zem de forma agressiva. Quando esse
processo se desenvolve no interior das
células, estas perdem grande parte de
Os radicais livres sãogerados em parte pelo meta­ sua capacidade defensiva. Os radicais
bolismo, porém, sobretudo assimilam-se pelas livres (ou íons +) chegam a danificar o
radiações - ionizantes ou ultravioleta - e por núcleo das células afetando o próprio
contaminação. material genético, motivo pelo qual a
Os radicais livres podem danificar as membranas célula se degenera, transformando-se
protetoras das células e, portanto, alterar sua em cancerígena.
função metabólica. Têm um efeito mutagênico,
pois danificam o código genético da célula e Sabe-se que o colesterol no sangue
potencializam a falsa informação entre células e intervém na formação da arterioscle-
a aparição de tumores. rose, nos infartos do miocárdio e em
SECÇÃO DE UMA CÉLULA outras doenças circulatórias. Porém, o
colesterol é de fato uma substância
Vitamma A V necessária, que cumpre funções rela­
cionadas com a m etabolização e
redistribuição dos lipídeos (gorduras).
Torna-se perigoso a partir do momen­
to em que formam-se depósitos dessas
substâncias em nossas veias e artérias, e
agora sabemos que isso se deve às rea­
ções químicas que sofrem por causa dos
radicais livres, ou íons de carga +. Ou
seja, somente quando essas moléculas
oxidantes modificam a composição do
Vitaminas, barreira anti-radicais livres colesterol é que este deposita-se em
Vitamina A m . nossas veias, e não antes.
Vitamina E O Alguns estudos apontam o papel que
Vitamina C podem estar exercendo esses radicais
Essegráfico ilustra como as vitaminas defendem a livres em enfermidades tão dramáticas
célula dos radicais livres. A vitamina C, solúvel em como o mal de Parkinson, a artrite e a
água, protege o conteúdo aquoso das células e seu doença de Alzheimer.
núcleo. A vitaminaE, solúvel emgordura, deposita- O acúmulo d,e radicais livres em nos­
se na parede das células e evita que sefendam pelos so organismo tem várias causas. Uma
radicais livres. A vitamina A reforça em grande parte provém do metabolismo de nosso
medida a ação protetora da Ce da E. Quando um
radical livre colide contra algumas dessas vitami­ próprio organismo, e está diretamente
nas, é neittralizado quimicamente por elas. ligada a nossa dieta: as gorduras satu-
68 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

radas, os alimentos artificiais, alguns livres, sendo portanto muito desa­


aditivos e, definitivamente, uma dieta conselhadas. Em troca, os azeites virgens
acidificante e às vezes tóxica. e prensados à frio contêm substâncias,
O ar que respiramos é outro dos sobretudo vitaminas, que protegem as
fatores-chave na gênese dos radicais células dos destrutivos radicais livres.
livres, pois com ele inalamos poluição, As frutas e verduras frescas, com suas
fumaça de cigarro, etc. Todas essas grandes doses de vitaminas, são uma
substâncias estão carregadas positiva­ interessante terapia preventiva e cura­
mente (predominam os íons +), para o tiva.
que contribuem as reações químicas As vitaminas C, E e A são as mais
internas do organismo, sobretudo nas ativas em seu papel antioxidante e pro­
vias respiratórias e também no fluxo tetor. Tanto a vitamina C como a E,
sangüíneo, que deve purificar-se e enri­ fortalecidas pela A, reparam e neutrali­
quecer-se nos pulmões, convertendo-se zam a ação dos radicais livres na célula
num dos precursores do câncer pulmo­ ao combinarem-se quimicamente com
nar. essas agressivas moléculas.
Sem dúvida, a radiação ambiental foi Um ar com muita poluição ou re­
catalogada como incidência principal pleto de fumaça está excessivamente
na gênese dos radicais livres em nosso carregado de íons +, o que favorece o
organismo. As radiações ionizantes, o surgimento dos radicais livres. O ar
gás radônio, as radiações ultravioletas e limpo e carregado de íons com carga
outras elevam a quantidade de radicais negativa será um aliado de nossa saúde,
livres em nosso interior. facilitando a oxigenação celular e a cir­
Há que se assinalar que não esta­ culação sangüínea.
mos indefesos diante de tais agressões As radiações ambientais, cósmicas,
ou desequilíbrios. Existe, de um lado, solares, terrestres e artificiais são o ini­
um umbral de respostas e, de outro, migo mais perigoso do qual devemos
um nível a partir do qual tudo se proteger nosso organismo. Ao longo
degenera. desse livro, são dadas recomendações
necessárias para nos protegermos ade­
quadam ente das mais perigosas.
Como proteger-se? Recordaremos somente que na vertical
das zonas alteradas, telúrica, magnética
Aqui, como em outros temas aborda­ ou geologicamente, pode-se produzir
dos nesta obra, não podemos definir maior fuga ou acúmulo de radiação,
problemas e soluções a partir de uma só que deve ser evitada. A boa ventilação
perspectiva. Vimos que absorvemos ou na casa e nos locais de trabalho torna-se
geramos esses destruidores e oxidantes imprescindível.
radicais livres através dos alimentos, do
ar e da radiação ambiente, para o que Causas de ionização
deveremos levantar soluções globais que Extraído de Vivir en casa sana
abarquem todos os campos.
Quanto à dieta, estabeleceu-se que “A partir da descrição do fenôm eno da
as gorduras saturadas, gorduras de ori­ ionização do ar e de seus possíveis efeitos,
gem animal, utilizadas como frituras, vejamos quais são as causas mais comuns que
contêm grande quantidade de radicais influem sobre o equilíbrio iônico e o alteram.
ENERGIAS E VIDA 69

a) As tormentas. Algumas horas, e também monstram as estatísticas, que registram maior


vários dias antes de desencadear-se as torm en­ número de acidentes e suicídios nesses períodos.
tas, a con centração de íons positivos aumenta e) O vento. E do conhecimento de todos
consideravelmente. Algumas pessoas experimen­ que determinados ventos causam enxaqueca ou
tam transtornos, e todos sentimo-nos tensos e mal-estar em algumas pessoas, tornando-as
pesados. Quando a tempestade cai, tudo volta à irritadiças e, em alguns casos, chegam a
normalidade, pois a chuva restaura o equilíbrio desorientá-las até extremos limítrofes com a
iônico. loucura. Trata-se de ventos quentes e secos, que
b) As correntes telúricas. Já vimos que na produzem uma grande concentração de íons
vertical dos veios de água subterrâneos a ionização positivos: o Foehn na Suíça e Centro da Europa,
positiva é muito superior à negativa. O mesmo o sharaw em Israel e no Oriente Médio, o siroco
ocorre sobre as falhas geológicas e, em geral, nos (scirocco) na Itália, o levante na Espanha, etc.
terrenos considerados geopatogênicos. E fre­ f) As fibras sintéticas. As roupas de fibras
qüente as pessoas que vivem habitualmente sintéticas tendem a carregar-se eletrostati-
sobre essas zonas apresentarem problemas im- camente, aumentando a concentração de íons
putáveis ao efeito dos íons. com carga positiva no nível superficial da pele.
c) A radioatividade natural. Como vimos Seu uso é, por isso, muito desaconselhável,
quando nos referimos ao gás radônio, as subs­ assim como o de tapetes e outros materiais
tâncias radioativas naturais alteram a ionização plásticos não tratados antiestaticamente. Vale a
do meio, acrescentando suas próprias cargas pena perguntar se a possibilidade de alardear-se
positivas. ‘Frio, eu? Nunca!’, compensa os possíveis efei­
d) As fases lunares. A órbita da Lua em torno tos perturbadores de certos tipos de roupa
da Terra é elíptica, o que faz com que em certos interna.
momentos se encont re à menor distância de g) A poluição atmosférica. Pode reduzir
nosso planeta. Quando isso ocorre, exerce uma quase a zero a ionização do ar, fazendo-o prati­
atração maior sobre as camadas superiores da camente irrespirável.
atmosfera, que são precisamente aquelas em que h) O ar condicionado. Tende a estar carre­
se dá uma elevadíssima concentração de íons, gado positivamente, devido à fricção do ar com
produto das radiações cósmicas. Neste fenôme­ os dutos metálicos. O paradoxo está no fato do
no, encontra-se uma base real para comprovar mesmo ocorrer em ambientes com má ou pouca
muitas tradições antigas que f alam da influência ventilação.
lunar sobre os seres vivos: sua relação com as i) O televisor. Na proximidade das telas de
marés é conhecida por todos; a isto deve-se televisão e computadores produz-se uma gran­
acrescentar sua influência no desenvolvimento de saturação de íons positivos, devido à radiação
das plantas, na germinação e nos estados de da tela.”
saúde física e psíquica do homem, como de­
70 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 5 quilômetros de sua crosta. Sobre esse


campo magnético, que a princípio se
MAGNETISMO concebia como algo estável, observou-
E RADIAÇÃO CÓSM ICA se que varia constantem ente em
intensidade e força. Mais de 99% desse
campo magnético terrestre é produzi­
do no núcleo do planeta, entre 2.900 e
Eletricidade e magnetismo estão estrei­ 5 .OOOkm de profundidade, por um efei­
tamente vinculados e interagem cons­ to chamado de dínamo automantido.
tantemente, motivo pelo qual será ne­ Sabemos, de fato, que o deslocamento
cessário conhecer a fundo o complexo de um condutor elétrico no meio de
mundo dos campos magnéticos e, so­ um campo magnético gera uma corren­
bretudo, do magnetismo terrestre. te elétrica que, por sua vez, induz um
Antes de passar a abordar a incidên­ campo magnético. As camadas fluidas e
cia ou a relação que os seres vivos condutoras do núcleo externo sofrem
mantêm com o campo magnético ter­ constantes movimentos, devido sobre­
restre, cremos que seria importante tudo à rotação da Terra. A geometria
conhecê-lo em algumas de suas facetas desses movimentos é tal, que o campo
e dimensões. induzido contribui para reforçar o cam­
O velho modelo do ímã bipolar com po inicial. Esse campo magnético,
suas linhas de força, internas e externas, chamado principal, é muito semelhante
torna-se tão obsoleto como inexato ao que produziria uma barra imantada,
quando se trata de descobrir a comple­ um dipolo magnético, situado no cen­
xidade de um sistema interativo com tro da Terra. A intensidade desse campo
outros campos magnéticos - como o dipolar é de 60.000 nT (nanoteslas)
Sol, a Lua e o cosmos - e com os nos pólos e de 30.000 nT em torno do
fenômenos eletroatmosféricos ou geo­ equador. As propriedades do campo
lógicos. principal variam lentamente com o tem ­
Se pretendemos ignorar os princípios po em algumas poucas nanoteslas anuais
básicos que regem o complexo mundo (menos de 100 nT).
do magnetismo terrestre, suas constan­ O campo magnético observado na
tes flutuações e suas múltiplas interações superfície da Terra possui fontes situa­
com o restante de forças naturais - das no exterior do globo: as correntes
eletricidade, radiação solar ou cósmica, elétricas que circulam pela ionosfera, a
radioatividade, etc. -, será difícil que uns 11 Okm de altitude, e mais ainda, na
cheguemos a compreender como incide magnetosfera, geram a chamada parte
em nosso equilíbrio físico e mental, da externa do campo geomagnético. Essa
mesma forma que a maioria dos proces­ parte representa importantes variações
sos onde se manifesta a vida. temporais, relacionadas com as man­
chas solares, a radiação cósmica e as
tormentas magnéticas, produzidas na
O campo m agnético terrestre magnetosfera. As alterações magnéti­
cas podem durar desde um milissegundo
A Terra possui um campo magnético até alguns anos, com amplitudes muito
cujas linhas a atravessam em seu núcleo variáveis. Intervém, claro, os períodos
interior e se expandem a milhares de característicos das rotações da Terra e
ENERGIAS E VIDA 71

A analogia das linhas deforça, concêntricas e centrífugas, que podemos observar no espectro magnético
de um ímã (a), aparece refletida tanto no corte de um rabanete (b) como no de um tronco de árvore
(d). Afigura representa a distribuição de limalha deferro sobre um papel, à passagem de uma corrente
elétrica contínua. Isso evidencia como se produz uma estruturação da matéria e dos seres vivos, que se
vêem fortemente influenciados pelo magnetismo e a circulação de cargas elétricas. Essas estruturas
eletromagnéticas são observáveis tanto na escala cósmica ou planetária, como a nível atômico.

do Sol: 24 horas, 27 dias, um ano, 11 imantação importante. Essa imantação


anos... pode ser remanescente, ou seja, ligada
Por último, contribuem ao campo a uma direção fixa, ou induzida pelo
magnético terrestre as rochas da crosta campo magnético principal e neste caso
e provavelmente também as do manto paralela a ele a todo instante. As anoma­
superior. Algumas delas são ricas em lias superficiais do campo geomagnético
materiais magnéticos e podem ter uma derivam das variações geográficas dessa
72 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

imantação e refletem as heterogenei- tante atividade irradia grandes quanti­


dades estruturais ou de composição da dades de energia, gerando um vento
crosta ou da parte superior do manto solar que banha todo o sistema de
terrestre. Esse campo magnético não planetas que giram em torno dele.
supera algumas centenas de nanoteslas Esses ventos solares estão constituí­
próximo ao solo e diminui rapidamente dos principalm ente por pró tons,
com a altura. elétrons, núcleos de hélio e quantida­
Existem provas de que as alterações des mínimas de íons e de outros
climáticas estão associadas a variações elementos mais pesados, como por
do campo magnético terrestre, tendo- exemplo o oxigênio ou o carbono.
se evidenciado períodos anuais ao longo Essas partículas se aproximam da
de décadas e de séculos. Sabe-se, igual­ Terra, chocando e sendo apanhadas
mente, que o campo magnético terrestre pelos campos magnéticos terrestres. A
contribui para a navegação natural que magnetopausa do cinturão Van Allen
muitas espécies animais praticam: bac­ rodeia nosso planeta e exerce o papel de
térias, abelhas, aves migratórias e mesmo grande couraça protetora.
alguns mamíferos. O Sol irradia também energia em
O conjunto de linhas de força do forma de luz visível, assim como radiação
campo magnético e suas múltiplas inte­ ultravioleta, infravermelha, eletromag­
rações combinam-se no que é dado nética X, ondas de rádio, microondas,
chamar magnetosfera, que se forma etc. Essa energia, composta de partí­
pela interação do campo magnético da culas mais radiação, rege os processos
Terra com a matéria ionizada do vento climáticos de nosso planeta. Graças a
solar, que ao não poder cruzar as linhas ela, e apesar dela, tem se desenvolvido
do campo magnético “flui” em curva a vida na superfície terrestre. Durante
em torno da “esfera magnética” do milhões de anos, a radiação e a luz que
planeta, imprimindo-lhe sua caracterís­ o Sol envia para a Terra têm se mantido
tica forma de lágrima. mais ou menos constantes. Sem dúvi­
Por isso, para esclarecer a realidade da, mínimas mudanças na energia solar
do campo magnético terrestre, suas poderiam provocar efeitos negativos
interações e sua incidência tanto geo­ sobre o planeta.
física como biológica, teremos que De fato, a grande quantidade de
aprofundar o estudo da radiação solar e partículas lançadas pelo Sol modifica a
cósmica. ionosfera (camada superior da atmos­
fera), situada a 70km da superfície
terrestre e que normalmente é utilizada
Radiação solar e cósmica para as radiocomunicações a grande
distância, pois as ondas hertzianas refle­
O Sol, a quem chamamos astro-rei, tem-se na ionosfera.
pela importância capital que sua radia­ Quando esses ventos solares carrega­
ção exerce sobre a vida, é uma espécie dos de partículas são muito intensos
de grande reator de fusão nuclear. (em períodos de grande atividade das
Sua atividade varia constantemente, manchas solares), chocam-se com os
enquanto se conhecem alguns perío­ átomos de oxigênio ( 0 2) dando lugar a
dos e flutuações específicas, que vêm espetaculares reações químicas que, em
sendo estudadas há séculos. Sua cons­ algumas zonas do planeta, iluminam o
ENERGIAS E V IDA 73

A M AG NETO SFERA

A magnetosfera que rodeia a Terra forma-se pela interação do campo magnético terrestre com a
matéria ionizada do vento solar. E como um escudo protetor que desvia ou filtra grande parte da
radiação solar. Tem forma de lágrima e contém os cinturões de radiação de Van Allen. As linhas do
campo magnético são pressionadas e estão muito juntas durante o dia, enquanto dilatam-se enorme­
mente nas horas noturnas.

céu em forma de auroras boreais e que Não é de se estranhar que a atividade


geram, no restante da ionosfera, gran­ elétrica e magnética de nosso organis­
des quantidades de ozônio ( 0 3), que ao mo se veja afetada pelas alterações dessas
mesmo tempo filtra a agressiva radiação tormentas magnéticas, que podem du­
ultravioleta e nos protege dela. rar de alguns segundos a várias semanas.
Essas intensas radiações desencadei­ São períodos extremamente críticos,
am também correntes elétricas que como descrevemos nas investigações
circulam pela ionosfera, gerando tem ­ do doutor Bardasano sobre as manchas
pestades magnéticas que alteram em solares e a atividade pineal (ver “Tor­
parte o próprio campo magnético ter­ mentas magnéticas”, p. 75).
restre, e que a maioria dos seres vivos Tais manchas solares, que são fortes
registram como épocas de forte altera­ explosões de gases radioativos na crosta
ção física e também psíquica. solar e que, ordinariamente, aparecem
Em situações extremas, as bússolas e em grupos cuja forma vai mudando à
os magnetômetros enlouquecem e pro­ medida em que se sucede a rotação
duz-se intensas correntes induzidas nos solar, aparecem em regiões do Sol onde
cabos de transmissão elétrica, telefônicos seu campo magnético é extremamente
e telegráficos, assim como interrupções forte; supõe-se que 3.000 vezes mais
no fornecimento de energia elétrica. forte que o campo médio.
74 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

EXOSFERA radiação
solar 1 ondas de rádio
IONOSFERA
2 radiação
CAMADA infravermelha
DE O Z Ô N IO
ESTRATOSFERA 3 luz visível
TROPOSFERA
4 radiação
ultravioleta
SUPERFÍCIE 5 raios X
DA TERRA

As diferentes carnudas atmosféricasfiltramgrande parte das radiações solares e cósmicas. Somente nos
chegam algumas doses de radiação diversa, a que todos osseres vivos estão adaptados. O desaparecimento
da camada de ozônio deixa passar maiores doses de radiação ultravioleta, com osperigos que ela contém.

A periodicidade de tais manchas so­ Essa relação entre manchas solares e


lares e sua duração são muito variáveis, conflitos sociais foi apontada por nu­
sucedendo-se épocas de grande ativi­ m erosos pesquisadores através da
dade e intensidade e outras em que o história, enquanto nunca se lhes deram
Sol está quase livre delas. Observa-se muito crédito e, ao que parece, com
uma fase de grande intensidade, que se resultados muito controvertidos.
sucede de forma cíclica a cada 11 anos,
com um período crítico de dois ou três
anos de duração, em que as manchas
são de grandes dimensões e mais num e­
rosas que o habitual. As diferentes
manchas podem desaparecer rapida­
mente ou manter-se durante semanas.
De 1989 a 1991 transcorreu um desses
apogeus do ciclo de 11 anos, sofremos
as conseqüências em forma de con­
dições climáticas extremas - secas e
grandes geadas - e de conflitos sociais e
pessoais agravados, que todos observa­ Gráfico do número médio anual de manchas
mos (quedado muro de Berlim, invasão solares, observadas na superfície do Sol ao longo de
do Panamá, queda de Ceausescu na um ano; varia em ciclos de 11 anos. 1958foi o ano
Romênia, invasão do Kuwait e guerra máximo jamais registrado.
do Golfo, agravamento dos conflitos
interétnicos na Iugoslávia, êxodo na Preferimos ficar com o que parece
Albânia, golpe de estado e queda do irrefutável: que as manchas solares es­
comunismo na URSS). tão relacionadas com as torm entas
ENERGIAS E VIDA 75

magnéticas; que estas alteram o campo sobre o ingresso de pacientes com for­
magnético terrestre e que, quando isso tes depressões e várias tentativas de
acontece, os habitantes do planeta o suicídio.”
acusam em maior ou menor grau, como A relação parecia bem estranha, po­
poderemos descobrir no que se segue. rém o episódio não termina aqui. Na
sexta-feira da mesma semana, encon-
trávam o-nos na capital V alência,
Tormentas magnéticas realizando o estudo de uma “casa-cân-
cer” e embora não sejamos partidários
Madri, 8:30 da manhã, estação de trem do emprego de um termo tão alarmista,
de Chamartín. Chegávamos em via havia motivos mais que justificados para
Valência para dar uma conferência e nos dar-lhe esse nome. Tratava-se de um
encontrarmos, no dia seguinte, com o bloco de vários pisos, onde em cada
doutor Bardasano. Estávamos às portas apartamento da ala esquerda ocorria
do verão e como desjejum ocorreu-nos um ou vários casos de câncer. No piso
pedir uma orchata no bar da estação. superior ao estudado, viviam duas me­
“Não temos!”, assegurou o atendente. ninas órfas. Seus pais haviam falecido
Isso desconcertou-nos, pois diante de de câncer, de pulmão e estômago. No
nós estava funcionando a máquina com piso mais alto - o sexto -, o inquilino
o depósito repleto daquele refresco. O morreu de um tum or cerebral. Dois
atendente percebeu nossa estranheza e casos de leucemia, outro de câncer pul­
se apressou em esclarecer: “Bom, se lhes monar, um de fígado, etc., era o balanço
digo que não a temos, estarei lhes enga­ do edifício. Enquanto nos andares da
nando. De fato ela existe, porém está parte direita do bloco conhecia-se so­
estragada; fermentou. Parece que a tem­ mente um caso de câncer.
pestade de ontem a afetou”. Naturalmente, os ocupantes do piso
Isso não teria passado de um episó­ em questão tinham motivos para estarem
dio cotidiano, mas acabou não sendo, mais do que preocupados, sobretudo
porque na entrevista que mantivemos porque nos poucos anos que estavam
no dia seguinte com os doutores J. Luis vivendo ali, seu filho de oito anos sofria
Bardasano e J. Luis Viejo ,1 na Faculda­ constantes problemas de saúde: aler­
de de Medicina da Universidade de gias, transtornos nervosos, dores de
Alcalá de Henares, a conversação ver­ cabeça, pesadelos e sustos noturnos. A
sou sobre os efeitos dos campos mãe, por sua vez, sofria de enxaquecas e
magnéticos na saúde. Em um ponto de um esgotamento crônico, que não
dessa interessante entrevista, o doutor conseguia superar com nada.
J. Luis Viejo perguntou ao doutor O estudo foi revelador: de um lado,
Bardasano o que havia se passado entre a presença de um transformador no
a segunda e a terça-feira. A resposta foi edifício contíguo e fronteiriço às habi­
que haviam se produzido fortes tor­ tações estudadas, pertencente a uma
m entas m agnéticas nas cam adas central telefônica. Ao que se acrescen­
superiores da atmosfera, alterando o tava alguns cabos de 10.000 volts
campo magnético terrestre. “Isso ex­ passando pelo sótão do edifício (os
plica tudo - foi o comentário do doutor tumores cerebrais e as leucemias ocor­
J. Luis Viejo. De imediato, na segunda- reram nos pisos superiores) e a presença
feira, começaram a passar-me informes de fortes correntes telúricas cruzando
76 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

IN C ID Ê N C IA DAS M ANCHAS SOLARES E DAS TO RM EN TA S M AGNÉTICAS


NA A TIVIDA DE DA GLÂNDULA PI N E AL EM RATOS

Magnetograma da fase I, com seus três componen - Tormenta.geomagnética. Registrográfico da fase


tes (H, D, Z). 8 de março de 1989. II (principal) com seus três componentes (H, D,
Z). 13 de março de 1989.
g£ 50 — P<0,001 N Q W OLF
3. 250 -i
oo
o
o
<N 40 — 200
\

-C
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8 de março 13 de março 0 -J
1
' I ' ■' ' I ' ' i 'I i ' ' H l ' i i I i i ' i l I

de 1989 de 1989 5 10 15 20 25 31
Comparação da média do número totaldesynaptic M ARÇO
ribbons (atividade pineal) entre ogrupo de con­ Registro gráfico do índice de atividade magnéti­
trole (dias de calma) e ogrupo experimental (dias ca solar. Cálculo diário do número de manchas
de tormenta magnética). solares no mês de março de 1989.
ENERGIAS E VIDA 77

em cheio todo o apartamento, além de rimental, em que se estudava os dias


várias linhas Hartmann que agravavam de torm enta magnética.
a situação. As pessoas mais afetadas No terceiro gráfico podemos obser­
eram a mãe e o filho maior. var claram ente os resultados do
Após algumas horas de diálogo e experimento. Os ratos analisados no
depois de colocar da forma mais conve­ dia 13 de março de 1989 mostram um
niente as camas afetadas, suscitou-se o forte declínio da atividade pineal. Se
tema da tormenta magnética da segun­ levarmos em conta que essa glândula
da-feira. O pai, que trabalha em um interage com o restante do sistema
hospital da Seguridade Social de endócrino e exerce sua atividade regulan­
Valência, explicou-nos que naquele dia do as respostas do sistema imunológico
realizaram uma incompreensível quan­ e a secreção da melatonina, de compro­
tidade de testes no serviço de emergência vados efeitos anticancerígenos, podemos
em pessoas afetadas por possíveis infartos deduzir claramente que nos períodos
coronários: quase todos deram negati­ de forte atividade magnética nossa res­
vo. Porém, o que os médicos não sabiam posta aos elementos agressores do
explicar é que durante semanas vinham mundo exterior estará diminuída, pre-
efetuando um ou dois testes diários, e dispondo-nos a contrair resfriados ou
de repente chegaram 20 ou 30 pessoas outras enfermidades. Nossos meca­
queixando-se da mesma doença, que nismos de homeostase e o sistema
acabava sendo considerada imaginária imunológico se tornarão indefesos di­
ou “psicossomática”, já que os testes ante da presença de vírus, substâncias
davam negativo. Sem existir aparente­ tóxicas, campos elétricos ou eletromag­
mente transtorno algum, o coração de néticos artificiais e um sem-fim de outras
certas pessoas sensíveis sofre alterações, substâncias ou fatores de risco.
coincidindo com o período de forte Complexo mundo é o da eletricida­
atividade magnética. de, do magnetismo, da radioatividade e
Neste ponto, recordamos que o todas as suas interações, do qual dificil­
doutor Bardasano e M. L. Picazo mente os seres vivos podem evadir-se;
realizaram pesquisas em 1989 sobre a como tampouco podemos ignorar seus
incidência das manchas solares e as efeitos sobre nosso equilíbrio e saúde,
torm entas magnéticas na atividade da apesar das dificuldades e complexida­
glândula pineal em ratos. Os animais, des da investigação nesse âmbito. De
de aproximadamente mesmo peso e todos os modos, acreditamos ser de
idade, eram separados em dois gru­ vital importância aprofundar e eluci­
pos: um de controle, em que se dar, na medida do possível, todas as
estudava sua atividade pineal nos dias influências e interações de tais fenôme­
de calmaria magnética, e outro expe­ nos, tanto os naturais como os artificiais.

1 O primeiro, membro do Instituto de


Bioeletromagnetismo Alonso de Santa Cruz e
professo r na Faculdade de Medicina de Alcalá de
Henares, e o segundo, p residente do Centro de
Psicologia do Massachusetts Institute da Espa­
nha e p residente da Associação Espanhola de
Bioeletromagnetismo e Glândula Pineal.
78 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 6 que vão recombinando-se em meta­


morfoses constantes, até a formação de
RADIOATIVIDADE outras partículas estáveis. Ao que pare­
ce, o que mantém “pregadas” as partí­
culas atômicas é uma força nuclear for­
te, que possui uma intensidade energé­
Nas páginas precedentes, familiariza- tica 100 vezes superior à eletromagné­
mo-nos com várias das energias que tica.
compõem a vida. Por um lado, temos as A desintegração dos átomos e partí­
forças gravitacionais que mantêm em culas consiste, na prática, em algo
equilíbrio as grandes massas e seu con­ problemático, pois libera grandes quan­
junto de energias. E isso apesar de a tidades de energia. Além disso, para se
força da gravidade ser considerada a reconstruírem interagem com átomos,
mais débil das quatro que definem a partículas e moléculas estáveis, ioni­
física. zando-as e criando alterações na matéria
As outras três forças supostas (no com efeitos mutagênicos quando al­
m om ento) que regem a vida são: a cançam o gene de uma célula viva.
eletromagnética, a nuclear débil e a De fato, a radioatividade se define
nuclear forte. como a propriedade que alguns ele­
A eletromagnética já abordamos e mentos possuem de transformar-se
mais adiante iremos nos aprofundar espontaneamente em outros, emitindo
amplamente em todas as suas manifes­ ao mesmo tempo diversos tipos de radia­
tações e implicações nos processos ção que se classificam essencialmente
biológicos. Considera-se que a força em três tipos: radiação alfa (a), a base
eletromagnética ou a eletricidade solda de núcleos de hélio (dois prótons e dois
e une os átomos, dá forma às moléculas elétrons), com uma grande massa e
e as obriga a combinarem-se. M agne­ carga elétrica positiva (as partículas alfa
tismo e eletricidade são fenômenos são freadas facilmente por alguns centí­
inseparáveis: uma carga elétrica que se metros de ar ou uma fina lâmina de
desloca gera uma força magnética. Um água, papel ou qualquer outro material);
campo magnético que varia cria uma radiação beta (fí), constituída por elé­
força elétrica. trons, ligeiros e de carga negativa detida
Sobre a radioatividade e suas múlti­ por alguns metros de ar ou um centí­
plas implicações temos apenas esboçado metro de água; e radiação gama (7 ),
alguns de seus aspectos. Esta obra adoe­ ondas eletromagnéticas como a luz,
ceria de insuficiência na observação porém de longitude extraordinariamen­
global da realidade, se não descrevêsse­ te curta, o que as faz muito penetrantes
mos e tentássemos conhecer melhor o e daninhas (só as detêm vários metros
complexo mundo da radioatividade. de concreto ou meio metro de espessu­
Na morte e decomposição da maté­ ra de chumbo).
ria intervém as chamadas forças radioa­ Graças a essas emissões, o fenômeno
tivas débeis: a vida de um próton pode da radioatividade pode ser medido tanto
ser de bilhões de anos (supõe-se um cm si mesmo como em sua ação sobre os
mínimo de 1032 anos), porém um dia corpos vivos. Do ponto de vista físico,
termina por desintegrar-se. E se desin­ utiliza-se o becquerel como unidade,
tegra num sem-fim de novas partículas, que equivale a uma desintegração por
ENERGIAS E VIDA 79

PO D ER DE PENETRAÇÃO DA RADIOATIVIDADE

segundo; antes, utilizava-se o cúrio, que tron retirado de outro átomo, com o
era a radioatividade produzida por uma que fica carregado negativamente (ver
grama de rádio (1 cúrio = 3,7 10 10 cap. 4 “Ionização do ar e equilíbrio
becqueréis). Quanto à ação da radioati­ iônico”), motivo pelo qual recebe o
vidade sobre a matéria, utiliza-se como nome de radiação ionizante, que difere
unidade o gray, que é a energia de um da radiação eletromagnética chamada
julio absorvida por um quilo de massa de não ionizante, ao não possuir a capa­
material. Antes usava-se o rad, que era a cidade de fazer saltar elétrons de sua
centésima parte do gray. Se quisermos órbita.
medir a ação da radioatividade sobre os
tecidos vivos, utilizaremos o sievert, que
é a dose absorvida por um gray, equiva­ Radiação cósmica
lente em tecido vivo normalizado. Antes
usava-se o rem, que é um centésimo de A maior parte das radiações que os seres
sievert. Também utilizava-se freqüente­ vivos recebem provém do cosmos, de
mente os submúltiplos dessas medidas, galáxias e estrelas longínquas. Também
como o milirem (mrem) ou o micro- chegam nos grandes doses diretamen­
sievert (pSv). te emanadas pelo Sol. Trata-se de par­
As partículas que emitem os elemen­ tículas de energia muito alta, que ao se
tos radioativos possuem uma grande chocarem na atmosfera com átomos de
energia, capaz de arrancar os elétrons hidrogênio, oxigênio e argônio, as fa­
dos átomos que atravessam, inclusive zem explodir em núcleos mais diminu­
os que compõem as células humanas. tos, porém também radioativos. Estes
O processo de arranque de elétrons depositam-se na estratosfera, até que
recebe o nome de ionização: o átomo acabam precipitando-se sobre a Terra
pode perder um ou vários elétrons por com a chuva ou a neve. Em certas
causa da radiação, ficando carregado ocasiões, caem diretamente sobre o solo
positivamente, ou ganhar algum elé­ e as plantas. Por exemplo, um dos
80 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

UN ID AD ES DE M ED IÇÃ O E EQUIVALENCIAS Para m edir a


radioatividade,
Usuais Legais Relação entre si assim como o ra­
1 cúrio = 37 milhões 1 be cquerel - dônio, utiliza-se o
Atividade de desintegrações um im pulso/ 1 a - 3,7 x 1010B< becquerel por
por segundo segundo metro cúbico, B q/
m3, como u n i­
Doses de radiação 1 rad = —100'julio/kg& 1 gray = 1 julio/kg 1 Gy = 100 rad dade que equivale
Doses equivalentes à desintegração
1 rem = — sievert = 1 julio/kg 1 Sv = 100 rem
sobre um
ser humano 100'julio/kge de um elemento,
como o urânio,
em um segundo.
A radiaçao das diferentes substâncias, derivada da desintegração de seu núcleo Também utiliza-
atômico, mede-se em cúrios, unidade que indica um determinado número de se o picocúrio por
desintegrações por segundo. litro, pC i/l, para
De uso mais prático para nós, posto que mede a dose de radioatividade recebida ou medir os níveis de
absorvida emforma de radiação ionizante, é o rad, equivalente a 100 ergs de energia radônio. UmpCi
por grama de matéria irradiada. Tratando-se de seres vivos, emprega-se preferen­ equivale a 37B q/
cialmente o rem, equivalente à quantidade de radiação que produzirá, no tecido m3. A ação da
humano, o mesmo efeito de um roentgen de raiosX de200kV. A título de orientação, radiação sobre a
assinalamos que a dose máxima de radiação tolerada, admitida pela Organização matéria mede-se
Mundial de Saúde, é de 500 mR/ano (500 milirems, ou seja, 0,5 rems ao ano). emgrays, Gy. Um
Também se usa o roentgen, que ê equivalente ao rem. Gy equivale a um
julio por quilo-
Doses equivalentes máximas permissíveis em exposição profissional gram a. Também
mede-se em rad,
Exposição laboriosa de corpo inteiro 5 rems/ano que é um centési­
Acúmulo a longo prazo até a idade de N anos (N -18 ) x 5 rems mo de gray. Por
Pele 15 rems/ano último, para me­
Braços 30 rems/ano
Outros órgãos, te cidos 15 rems/ano dir a atividade
Mulheres férteis (com referência ao feto) 0,5 rems durante o radioativa sobre
período de gestação os seres vivos, a
Doses limite para o público ou indivíduos expostos ocasionalmente que mais interes­
sa, utiliza-se o
Individual ou ocasional 0,5 rem s/ano sievert, Sv, ou o
Estudantes 0,1 rem s/ano rem, que equivale
Doses limite para a população a um centésimo do
0,17 rem s/ano sievert. Também
Genética são utilizados
Somática 0,17 rem s/ano comfreqüência os
Familiares de pacientes ra d ioativ o s (diagnóstico, terapêutica...) submúltiplos des­
Individual (maiores de 45 anos) 5 rem s/ano sas medidas, como
Individual (menores de 45 anos) 0,5 rem s/ano o milirem, mrem,
e o microsievert,
Limites de doses recomendadas pelo Conselho Nacional de Radioproteção dos fiSv.
Estados Unidos (NCRP1971)

elementos radioativos resultantes dessa que outras. Os pólos, por exemplo,


radiação cósmica é o famosos carbono recebem um fluxo maior que as zonas
14. equatoriais. O papel protagonizado pelo
Nenhum lugar escapa da invisível ozônio na ionosfera é decisivo, pois
chuva radioativa, embora algumas zo­ serve de filtro à radiação. Também a
nas do planeta estejam mais expostas altitude implica em maior concentra­
ENERGIAS E VIDA 81

ção de partículas radioativas; ao existir sas próprias casas. Por exemplo, os reló­
menos ar, produzem-se menos recom- gios luminosos de pulso, parede e
binações. Viver ao nível do mar equivale despertadores podem ser especialmen­
a receber menor radiação cósmica, en­ te radioativos.
quanto os que vivem em montanhas Outros radionuclídeos abundantes
altas ou viajam de avião recebem doses em nosso lar são os utilizados em bús­
muito superiores. Calcula-se que a ra­ solas, telefones, escovas antiestáticas
diação cósmica seja de 30 a 50% do total para limpar o pó dos discos, detetores
da radioatividade recebida de fontes de fumaça, luminárias de tubos fluores­
naturais. centes e televisores à cores, entre outros
artigos, mesmo que sejam em quanti­
dades insignificantes.
Radiação terrestre A maior fonte de radiação ionizante
de origem artificial, e uma das mais
Entre os materiais que compõem a perigosas, tem paradoxalmente origem
crosta terrestre, existe uma série de médica.
elementos em processo de desintegra­ Trata-se das explorações radiológi-
ção que emitem certas doses de radio­ cas e os medicamentos radioativos. Já
atividade. foi descrita a experiência vivida por
Os elementos principais que emitem alguns membros do GEA e um delega­
radioatividade são o urânio e o tório. do de meio ambiente da Comunidade
São conhecidos mais de 100 minerais de Madri, em outubro de 1991. No
que contêm urânio e uns 50, tório. estande da Electron, em Biocultura,
Ao desintegrarem-se, os elementos dispararam os alarmes dos dois conta­
originais transformam-se em outros dores geiger ligados naquele momento.
novos, também radioativos, que re­ A surpresa e perplexidade iniciais,
cebem o nom e de “ filh o s” ou seguiu-se a procura pelo elemento
“descendentes”, até que se chega ao desencadeador do forte alarme radioa­
último elo da cadeia, um elemento que tivo. Após passarmos entre os vários
já está estável, como o chumbo. O visitantes da feira, o geiger voltou a
radônio é um descendente daqueles delatar a presença de altos níveis radioa­
elementos originais presentes na maior tivos e finalmente pudemos encontrar
parte das rochas e, portanto, nos mate­ o responsável. Tratava-se de um se­
riais de construção: o urânio 238, o nhor, a quem haviam colocado uma
urânio 235 e o tório 232. O radônio agulha de cobalto no peito por padecer
apresenta duas formas: o radônio 222 , de câncer das tiróides. la irradiando a
o mais freqüente e conseqüência da 40 metros ao seu redor. O terrível não
desintegração do urânio 238, e o é somente que o homem estivesse
radônio 220, filho do tório 232. Por altamente contaminado pela radioati­
sua vez, o radônio origina descendentes vidade, senão que também irradiava
ou radionuclídeos, também radioati­ fortes doses a quem dele se aproxi­
vos, que emitem partículas alfa. mava.
Além das fontes naturais de radiação, Existe outro fator de risco radioativo
recebemos outro bombardeio radioati­ bastante desconhecido, que estamos
vo de origem artificial, cujas fontes se sofrendo e sofreremos ainda por mui­
encontram, em muitos casos, em nos­ tos anos. São as conseqüências dos testes
82 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

militares atômicos ao ar livre, efetuados que a atmosfera só alcançará sua con­


nos anos 50 e 60. centração natural em meados do século
Os produtos radioativos que escapa­ XXI.
ram dessas explosões depositaram-se Continuaremos com o tema da ra­
na troposfera e na estratosfera, para dioatividade no capítulo dedicado ao
irem caindo mais tarde, gradualmente, local radioativo, onde aprenderemos a
sobre toda superfície de nosso planeta. reconhecer esse inim igo invisível,
Segundo os cálculos efetuados sobre inodoro e incolor, que tantos danos
alguns desses componentes, estima-se pode nos ocasionar.
TERCEIRA PARTE

FATORES DE RISCO E SUA IN C ID Ê N C IA

É possível que, para alguns leitores, dem ser mais gráficas e ilustrativas do
tenha sido difícil nossa incursão ao que as rígidas e áridas definições que a
mundo das radiações e energias que ciência nos dá das coisas e fenômenos
compõem a vida. Somos conscientes da que acontecem na vida.
complexidade do exposto, porém tam­ A vida é, na realidade, algo tão
bém da necessidade de aprofundar o imensamente grande e complexo para
conhecimento das energias e suas múl­ a mente racional, que defini-la e estru­
tiplas interações. turar suas leis em parâmetros racionais
Fica por definir e investigar em que pode se tornar m uito pretensioso. Isso
medida podem estar afetando-nos e, não irá nos impedir de persistir na
sobretudo, como reconhecer os dife­ intenção de definir e clarificar alguns
rentes fatores de risco e incidência que dos processos biológicos e psicológicos
temos apontado através desta obra: al­ que regem parte de nossa existência,
terações telúricas, contam inação intenção que cuidaremos para que
eletromagnética, linhas Hartmann, ra­ não consista no estabelecimento de
dioatividade, etc. regras fixas (já que freqüentem ente
Aqui tampouco serão fáceis as defini­ não podemos ir além das hipóteses de
ções, para o que os exemplos e casos se trabalho). Cada um deverá expe­
tornam quase obrigatórios. Uma vivên­ rimentar por si mesmo os postulados
cia ou uma metáfora talvez sofram de aqui expostos e, a partir deles, tirar
escasso “rigor científico”, porém po­ suas próprias conclusões.
84 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 7 as anomalias terrestres capazes de indu­


zir ou incidir sobre o equilíbrio dos
ALTERAÇÕES TELÚRICAS seres vivos. Essas anomalias podemos
detectar com a ajuda de instrumental
eletrônico, como os magnetômetros,
que medem as variações do campo
O termo telúrico vem - como tantos magnético terrestre; os contadores
outros termos - do latim e significa geiger, com os quais medimos as dife­
“terrestre”, de tellus, terra. Apesar da renças de emissão radioativa de terrenos,
denominação telúrico soar um pouco minerais ou mesmo materiais de cons­
esotérica, na prática talvez seja a mais trução; galvanômetros, que nos indicam
acertada para definir o conjunto de as diferenças na resistência elétrica do
energias e radiações que encontramos terreno; sensores piezelétricos, para
presentes na superfície terrestre, proce­ captar a presença das correntes subter­
dentes do subsolo e que, de algum râneas de água; os termômetros de
modo, são suscetíveis de afetar-nos ou infravermelho, que medem as diferen­
criar algum desajuste biológico, meta- ças de tem peratura infraverm elha
bólico ou psicológico. Tem sido em­ perceptíveis em diversas zonas de um
pregado há vários séculos por num ero­ mesmo terreno.
sos investigadores e não poucos Em determinados casos, algumas
radiestesistas, para definir as energias varinhas de adivinho farão as funções,
que detectavam em determinados pon­ detectando qualquer dessas anomalias
tos ou em zonas específicas. Ao se cons­ ou as sinergias produzidas pela super­
tatar a incidência negativa que exer­ posição de várias dessas alterações.
ciam sobre a saúde de quem vivia ou Freqüentemente, acontece de também
permanecia longos períodos naqueles a precisão ser maior que a obtida com
lugares, estes foram denominados “zo­ instrumental eletrônico; claro que po­
nas geopatogênicas” . demos questionar a confiabilidade das
O conceito “radiações telúricas” en­ técnicas empíricas, porém antes de tudo
globa energias, radiações e fenômenos tratam-se de sistemas mais rápidos e ao
bem variados e heterogêneos, como alcance de um maior número de pes­
correntes subterrâneas de água, falhas, soas, em bora seja necessário certa
fissuras ou diáclases dos diferentes sensibilidade, predisposição e muita
substratos do subsolo; veios metalíferos, experiência. Não obstante, os sistemas
alterações do campo magnético terres­ empíricos se vêem condicionados pela
tre (devido à presença de metais maneira de ver e pela sensibilidade do
ferromagnéticos ou minerais de forte operador, independentemente do ins­
polarização), linhas Hartmann e mes­ trum ento que empregue: varinha de
mo as leis inglesas ou linhas de força, madeira, pêndulo, varetas metálicas, etc.
que percorriam a Terra e que os antigos As mesmas reservas manteremos a
assinalaram com o traçado de caminhos, respeito da maioria do instrumental
eremitérios, menires, dólmens, etc. geofísico clássico: m agnetôm etros,
Aqui utilizaremos os termos “radia­ galvanômetros, etc., devido ao grande
ções telúricas”, “correntes telúricas” número de variáveis que devem ter pre­
ou “alterações telúricas”, para definir as sente em cada medição, assim como às
alterações provenientes do subsolo ou distorções ou aos desajustes a que são
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 85

submetidos. Por tudo isso, o trabalho do peculiaridade de orientar-se continua­


geobiólogo, geólogo ou geofísico de­ mente no eixo norte-sul. Essas bactérias,
pende de um delicado equilíbrio entre a ou “magnetobactérias”, estão muito
consciência das próprias limitações e as presentes na água, conferindo às gotas
certezas que dão os resultados obtidos. a particularidade de permanecerem po­
larizadas ou de se repolarizarem ao
serem removidas.
Alterações do campo magnético Os minerais também possuem um
momento magnético próprio, que co­
Quando estudamos o campo mag­ incide com o momento magnético do
nético terrestre, comprovamos que, planeta durante o período de solidi­
apesar da idéia clássica de algumas li­ ficação ou esfriamento do mineral
nhas de força que envolvem a Terra rochoso. Os minerais férreos possuem,
mais ou menos uniformemente, na prá­ além disso, a propriedade de gerar cam­
tica tanto o campo magnético global pos magnéticos próprios de maior ou
como o local estão sujeitos a mudanças menor intensidade. Recebem a qualifi­
e flutuações constantes: desde a varia­ cação de ferromagnéticos. A magnetita,
ção de intensidade magnética de apenas ou pedra ímã, é o mineral mais caracte­
100 nT, que podemos encontrar na rístico dessa família. Empregada desde
medição de um terreno, até as mudan­ a antigüidade pelas virtudes mágicas ou
ças de polaridade do próprio planeta curativas que lhe atribuem, posterior­
Terra, que varia alguns poucos graus m ente foi utilizada com o bússola
anualmente. Inclusive, é possível de­ rudimentar.
tectar a total inversão da polaridade Os terrenos podem ser homogêneos
terrestre a cada x milhares de anos. em seu campo magnético ou, ao con­
Também vimos como a radiação so­ trário, apresentar fortes anomalias
lar e cósmica altera a estrutura e a magnéticas, que se devem à presença de
intensidade do campo magnético ter­ minerais ferromagnéticos ou às ruptu­
restre. Já se comprovou que essas ras ou descontinuidades dos substratos
alterações, cuja duração pode oscilar minerais, em forma de fissuras, falhas,
entre vários minutos e dias inteiros, diáclases ou pela heterogeneidade dos
chegam a afetar nosso próprio equilí­ materiais presentes no subsolo.
brio fisiológico ou psíquico. Na residência, podemos encontrar
Sobre a influência das alterações lo­ enormes e variadas alterações magnéti­
cais do campo magnético terrestre na cas, desde as provocadas pela estrutura
saúde não existem tantas pesquisas como de vigas metálicas ou malhas de ferro,
as realizadas com o campo magnético até as induzidas por radiadores e outros
global. Porém, podemos apontar os aparelhos domésticos com grandes
recentes trabalhos sobre a polaridade massas metálicas ferromagnéticas.
celular e o descobrimento de recepto­ Uma simples bússola pode fazer as
res ou sensores magnéticos, que ao que funções de detetor magnético. Se a
parece todos os seres vivos possuem. deslocarmos corretamente, alinhada à
Existem, inclusive, as chamadas “mag- superfície de um terreno ou ao solo de
n e to b acté ria s” , cuja estru tu ra é uma casa, observaremos como varia em
composta por um alinhamento de cris­ alguns graus seu alinham ento, ao
tais de magnetita, que lhes confere a aproximá-la de elementos com massas
86 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

a)

a) Em um material não polarizado, a estrutura cristalina aparece com “momentos magnéticos”


anarquicamente distribuídos, b) Em um materialferromagnéticopolarizado, as estruturas cristalinas
aparecem corretamente alinhadas, o que lhe confere propriedades magnéticas: intenso campo magnético
e capacidade de atração de outros materiais ferromagnéticos.

de ferro 011 ao aproximá-la dos alto- própria polarização interna, alterando a


falantes dos equipamentos de música. circulação energética, assim como a
Com a ajuda de um magnetômetro, correta polaridade celular.
podemos quantificar as diferentes in- Algumas pesquisas consideram o fe­
tensidades do campo magnético de um nômeno da despolarização celular como
terreno ou lugar específico. Esses mes­ uma das principais causas de mutações
mos aparelhos medem as flutuações genéticas e outros transtornos degene­
observadas em um mesmo ponto, ao rativos. Essas pesquisas desencadearam
longo de 24 horas ou em diferentes o amplo uso de terapias de repolarização,
períodos do ano. ou seja, com potentes ímãs ou com
Todas essas variações, tanto as natu­ bobinas que envolvem todo o corpo e
rais como as artificiais, podem afetar-nos induzem um forte campo magnético
ou alterar nossos mecanismos biológi­ com fins repolarizantes. Curiosamente,
cos. A permanência prolongada em um observam-se melhores respostas bioló­
lugar com grandes desajustes magnéti­ gicas ou fisiológicas quando o campo
cos pode induzir desequilíbrios em nossa magnético induzido é pulsante, ou seja,
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 87

chega ao paciente por impulsos perió­ terrenos) das emissões de radiação gama
dicos. Recordem os que o campo procedentes do subsolo; ligeiras dife­
magnético terrestre também é pulsante, renças na temperatura infravermelha
com uma periodicidade que oscila entre emanada do solo ou nas emissões de
os 8 e 20 impulsos - ou ciclos - por certas freqüências de ondas curtas. Per­
segundo. Poderíamos dizer que a terra cebe-se melhor essas linhas energéticas
emite de 8 a 20 ondas magnéticas por com a observação das principais reações
segundo. O curioso é que não podemos fisiológicas ou elétricas dos organismos
ouvir o som da terra, pois nossos ouvi­ situados em sua vertical. O doutor E.
dos percebem os sons a partir dos 20 Hartmann realizou mais de 150.000
ciclos por segundo. Em troca, nosso testes, denominados georritmogramas,
cérebro chega a sintonizar-se com esse que consistem em medir as diferenças
campo pulsante terrestre: entre os 8 e os de resistência cutânea corporal em
12 ciclos de atividade elétrica e magné­ sujeitos que permanecem períodos de
tica cerebral encontramo-nos no ponto 30 minutos sobre uma zona alterada
máximo de relação. E o chamado estado te lu ric a m e n te , sobre linhas ou
alfa cerebral. cruzamento de linhas (denominadas
Não acreditamos ser oportuno insis­ Hartmann, em homenagem a seu des­
tir mais na importância que o campo cobridor) ou em zonas neutras e livres
magnético terrestre e o magnetismo de alteração telúrica. Nos gráficos, qua­
em geral exercem em nossa saúde física se sempre observa-se mudanças bruscas
e mental. As investigações seguem na resistência eletrocutânea quando o
multiplicando-se e as aplicações da sujeito permanece na zona alterada,
magnetoterapia são a cada dia mais reação que se estabiliza ao deslocar o
populares. Recordemos somente que indivíduo a uma zona neutra.
sempre será mais lógica uma atitude A estrutura global dessas retículas ou
encaminhada à não-despolarização de redes energéticas terrestres é muito va­
nosso organismo, evitando-se os fatores riável, porém percebe-se uma constante
ou os lugares alterados magneticamente, que oscilaria, como média, em um es­
do que estar constantemente repola- paço de cerca de 2,5m, entre as linhas
rizando-nos ou remagnetizando-nos. que correm na direção norte-sul, e 2 m
de distância entre as paralelas que cir­
culam de leste a oeste. A espessura das
Linhas Hartmann ou rede global linhas ou “paredes energéticas” estabe-
lece-se em torno dos 21cm. Todavia,
São as linhas de força da estrutura ele­ aqui também observa-se flutuações,
tromagnética terrestre. Sua existência tanto de um lugar a outro como na
continua sendo muito controvertida, mesma linha entre um período e outro
apesar de continuamente e com toda do ano. Sobretudo, percebe-se intensas
clareza comprovarmos a incidência que variações nos momentos que precedem
exercem sobre a saúde. as fortes mudanças atmosféricas, espe­
Em sua vertical, podemos medir ener­ cialmente precedendo movimentos
gias tão diversas como diferenças de sísmicos. Confunde-se a possibilidade
potencial elétrico atmosférico e terres­ de que flutuações da intensidade nas
tre; diferenças na condutividade do solo; linhas energéticas terrestres sejam as
aumento ou diminuição (segundo os que os animais percebem, já que fogem
88 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

Representação figurada das redes energéticas e as possíveis superexposições de várias anomalias


telúricas. A e B: zonas muito “geopatogênicas” e, portanto, perigosas para a saúde.

dos lugares onde ocorrerá um sismo ou temperatura. Coincidem com as geadas


outro tipo de fenômeno relacionado fortes, com o maior número de faleci­
com a estrutura energética terrestre. mentos e de partos, com o despertar dos
Notáveis são também as mudanças insones, com o pranto dos meninos
que precedem as baixas pressões atmos­ pequenos, etc.
féricas. Essas mudanças de intensidade Sua incidência limita-se somente à ver­
explicariam porque muitas pessoas aco­ tical exata da mesma linha; simplesmente
metidas de dores ósseas ou reumatismo deslocando-nos de sua verticalidade, evi­
acusam as mudanças atmosféricas ao taremos os transtornos induzidos por sua
tornar a dor aguda. Todos já ouvimos: presença. (Ver capítulo 2.)
“Choverá: eu sei por que me dói...” . Existe também a possibilidade de
Fora as mudanças de intensidade modificar-se sua estrutura ou intensi­
registradas por largos períodos - dias ou dade, com técnicas como a geopuntura
meses - relacionados com as mudanças e outros meios que descrevemos no
climáticas, atmosféricas ou sísmicas, exis­ capítulo de neutralização.
tem também mudanças de intensidade Na prática e na pesquisa cotidianas,
de ciclos curtos, como por exemplo o poucas vezes encontramos transtornos
medido no período das 24 horas diárias. apreciáveis, devido somente à presença
Entre as 2 e as 4 da manhã - segundo de uma linha H cruzando uma parte do
fuso horário local - adverte-se um forte corpo da pessoa estudada. Em certas
aumento na intensidade energética das ocasiões, descobrimos problemas cir­
linhas Hartmann e das outras anomalias culatórios ou o incremento de varizes
telúricas. Curiosamente, nessas mesmas nas pessoas a quem cruzavam as pernas.
horas registra-se um aumento nas emis­ Ou insônias e pesadelos quando a cabe­
sões de radioatividade terrestre e maior ça de quem dorme repousa na vertical
fuga de radiação térmica, com perda de de uma linha.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 89

De fato, sua verdadeira incidência rador de um computador e seu monitor


aparece quando nos encontramos dian­ passa uma linha Hartmann; como se a
te do cruzamento de duas linhas H e, parede energética suposta pela linha H
sobretudo, quando essas linhas e cru­ reabsorvesse parte da energia emitida
zam entos superpõem -se a outras pelo tubo de raios catódicos e o trans­
anomalias geológicas (ver gráfico da formador do equipamento.
página anterior) ou na presença de con­ A detecção das linhas H não será
taminação eletromagnética de forte simples para os não-especialistas em
intensidade. Uma das hipóteses de tra­ geobiologia. De um lado, são demasia­
balho sobre a rede global ou rede H dos os fatores incidentes; e de outro,
estabelece que essas linhas de força extremamente débeis as intensidades
transportam e dissipam os excessos energéticas detectadas em sua vertical.
energéticos terrestres, ou seja, aqueles O doutor Hartmann desenhou algu­
de origem natural (radioatividade, mag­ mas varetas (que também levam seu
netismo, eletricidade terrestre, etc.) ou nome), com as quais qualquer pessoa
artificial, como é o caso dos transforma­ instruída no seu manejo pode detectar
dores, linhas de alta tensão, etc. a presença e a direção das linhas H.
As provas que avalizam essa hipótese Referimo-nos a elas no capítulo dedica­
encontramos nas medições realizadas do à detecção das alterações telúricas.
na presença de forte contaminação ele­
tromagnética artificial. Aí observa-se
que a estrutura da rede global se As outras redes
condensa, aparecendo com separações
de somente l,50m ou até menos. Anteriormente às pesquisas do doutor
Essa particularidade da rede geo- Hartmann nos anos 50, o doutor Peyré
magnética é prejudicial quando as já havia estabelecido, em 1937, uma
encontramos tão juntas - devido à difi­ estrutura energética terrestre orientada
culdade de encontrar-se uma zona cardinalmente, cujas linhas de força
realmente neutra - porém permitem criariam retículas com uma separação
protegermo-nos do próprio fator de entre linhas estabelecidas entre 7 e 8 m.
alteração externa, já que comprovou-se Caberia pensar, dado que seguem a
a criação, no interior das retículas, de mesma estrutura das linhas Hartmann,
uma espécie de “microclima energéti­ que entre as décadas de 30 e 50 inten­
co” especial, que protege-nos inclusive sificou-se a radiação ou descarga ener­
dos campos eletromagnéticos artificiais. gética do solo, podendo agora detec­
As pessoas que vivem próximas às redes tar-se linhas intermediárias antes não
de alta tensão e têm suas camas - na perceptíveis devido à sua débil intensi­
medida do possível - dentro dos qua­ dade. Esse postulado é reforçado com
driculados das linhas H não sofrem as as pesquisas do físico Lucien Romani,
mesmas incidências de transtornos atri­ que nos anos 80 esboçou em sua teoria
buídas às CEM artificiais: transtornos já geral a natureza das leis matemáticas
mencionados, como estresse, nervosis­ relativas à distribuição energética. Rea­
mo, depressão ou aumento das doenças lizou, além disso, grande número de
degenerativas. Também pudemos ob­ investigações experimentais. Suas con­
servar como os níveis de fadiga física e clusões estabelecem uma malha real,
mental diminuem quando entre o ope­ cujas linhas paralelas e cardinais estariam
90 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

D IFERENTES ALTERAÇÕES incidências de tais linhas ao descrever


GEOBIOLÓGICAS os trabalhos de Kathe Bachler. Essa
rede energética, diagonal em relação
aos pontos cardeais, teria uma hipótese
explicativa como conseqüência do efei­
to dínamo dipolar e toroidal, que se
estabelece pela rotação constante do
planeta Terra e a geração de fortes
campos energéticos, devido à fricção e
resistência entre a crosta terrestre e o
núcleo ou magma do planeta.
A separação entre as linhas Curry de
orientação NL-SO oscila próximo aos
8 m; e 6 m de separação entre as linhas
SL-NO. A espessura aproximada é de
40cm.
Na prática, sua importância real so­
bre a saúde só detectamos na vertical
dos cruzamentos Curry e, sobretudo,
A -R ed e geomagnética Hartmann (rede glo­ quando estes se acham superpostos a
bal). outras alterações telúricas.
B - Circulação subterrânea de água.
C-Gretas, fissuras, falhas no subsolo.
D-Canalizações de água ou linhas elétricas en­ Fissuras, falhas e correntes
terradas. subterrâneas de água
E -Zonas “geopatogênicas” a evitar.
Quando se estuda a geologia dos terre­
separadas entre 1,10 e l,50m . Desse nos e do subsolo, descobre-se um fasci­
modo, poderíamos dividir pela metade nante mundo, tão complexo como he­
a separação das linhas Hartmann. O terogêneo.
próprio Lucien Romani reconhece que Os conceitos e as “leis” da geologia
a intensidade energética significativa têm evoluído no transcurso dos anos
ou “problemática” só se detecta em graças às constantes pesquisas de campo.
uma de cada duas dessas linhas. Estabe- Não faz muitos anos negava-se a
lece-se, assim, uma retícula secundária tectônica das placas ou o movimento
de menor intensidade, que não deve constante da crosta terrestre. Algo pare­
nos preocupar. cido ocorreu com a circulação da água
A essa rede cardinal (N-S, L-O), cu­ nos mantos e estruturas subterrâneas; a
jas linhas e intensidades já descrevemos, geologia clássica partia da idéia da água
devemos acrescentar as investigações fóssil e estática no subsolo terrestre, e
do belga Walter Kunnen, que mostra mantinha uma posição que repelia e cri­
uma estrutura dominante ou rede glo­ ticava quem afirmasse o contrário. Algo
bal, com linhas de maior intensidade a parecido aconteceu com a ciência médica
cada 40m aproximadamente. de séculos passados: chegou-se a queimar
Encontram os tam bém as linhas Miguel Servet por afirmar que o sangue
diagonais Curry. Já mencionamos as circulava no interior do corpo humano.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 91

DIFERENTES ESTRUTURAS E ANOMALIAS GEOLOGICAS

falh a normal falha inversa horst f ossa tectônica bloco inclinado

Hoje, a geologia reconhece a cir­ Tendo sido descrito em capítulos


culação da água nos terrenos áridos anteriores, os efeitos sobre o corpo
através das fissuras em terrenos com provocados pelas referidas alterações
outras estruturas geológicas. A parte, de potencial eletroatmosférico, eletro­
podemos medir as ações de tal circula­ magnético ou eletrostático, torna-se
ção sobre as constantes eletrostáticas, evidente a importância de evitar-se tais
eletromagnéticas ou eletrocapilares do deslocamentos para a edificação da
solo, assim como o efeito alterador do moradia e, sobretudo, da cama ou local
potencial eletroatmosférico na vertical de repouso ou estudo.
de tais circulações de água subterrânea. As fraturas, fissuras e diáclases das
A geobiologia estabeleceu, posterior­ estruturas pétreas do subsolo apresen­
mente, a incidência que essas alterações tam, além disso, o perigo adicional de
energéticas exercem sobre os seres vi­ que em sua vertical emanam - pela lei da
vos que se relacionam ou se expõem a mínima resistência - uma série de energias
elas. procedentes desse subsolo e sobretudo
E só descrever as medições realizadas de gases radioativos - leia-se gás radônio
pelo engenheiro alemão Robert Endros -, com efeitos atmosféricos ionizantes e
que, colocando medidores da diferença cujo poder destrutivo e nocivo à saúde
de potencial elétrico superficial sobre está amplamente demonstrado.
um bloco de pedra, fazia circular uma
ligeira quantidade de água por um tubo
de cristal situado em sua base. Quando Nêutrons e radiação gama
a água circulava pelo interior do tubo,
variava automaticamente o potencial Talvez uma explicação seja encontrada
elétrico medido na superfície superior no estudo dos nêutrons e da radiação
do bloco de pedra. gama. Os nêutrons são partículas nu­
92 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

mV

Diferenças de potencial elétrico

30 35 40
Reações radiestésicas
Nível do terreno

Co rrente subterrânea de água


Diferenças de potencial elétrico e reações em uma vareta radiestésica, medidas sobre uma corrente
subterrânea de água.

cleares sem carga, que do cosmos à radiação gama na vertical das zonas
terra irradiam o seu entorno, reagindo alteradas teluricamente - correntes de
com relativa facilidade com os núcleos água, fissuras, cruzamentos H.
dos elementos, dando lugar a nêutrons O doutor Wüst realizou numerosas
refreados e radiação gama ao se choca­ medições de radiação gama procedente
rem com a matéria. A água, a terra da terra. Mediu, por exemplo, uma
molhada, as cisternas, fossas sépticas ou zona onde desenvolveram-se três casos
o próprio concreto, que retém a água de câncer, com os resultados de 11,5 a
da concretagem, bloqueia bastante es­ 13 (iR /h (microRõntgen/ hora), en­
ses nêutrons, produzindo uma radia­ quanto a poucos metros daquele lugar
ção gama secundária intensa e perma­ decrescia a 8-8,15 |J.R/h. Em outro
nente. Este efeito é várias vezes mais local, que havia sido indicado por um
prejudicial que o produzido por uma radiestesista como zona alterada telu­
radiação gama energeticamente igual. ricamente, mediu 18 (iR /h, enquanto
Nos seres vivos, os nêutrons bloquea­ somente a um metro descendia a 11 ,8 .
dos nas células e a radiação gama secun­ O doutor Beck, diretor médico da clí­
dária danificam suas estruturas. nica infantil de Beirute, observou a
Freqüentemente observamos, duran­ existência de um local no edifício onde
te as m edições geobiológicas de ocorriam repetidamente extra-sístoles
radioatividade em terrenos e moradias, em crianças com afecções cardíacas. Ao
que se registra um aumento do nível de medir o local, registrou-se 20,7 JtR/h;
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 93

CASAS -CÂNCER, RUAS-CÂNCER

Moulins. Plano do bairro.

A - Veio subterrâneo de água a 80m de profun ­ C e D - Afluentes de A


didade sobre a f alha a 150m A e B - Zonas de grande intensidade de radiação
B - Forte corrente subte rrânea a 60m de pro­
fundidade, que chega a sobrepo r-se a A Ak Casas onde ocorre ram mortes
^G J por câncer
Na cidade de Moulins (França), o Dr. J. Picard observou como em um bairro muito definido ocorria
maior número de mortespor câncer do que o estatisticamente esperado. Ao realizar o estudogeobiológico
do bairro, os resultados foram concludentes.
94 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

curiosamente a apenas um metro - telúricas sejam muito intensas e facil­


lugar onde os transtornos desapareciam m ente detectáveis, com sim ples
- mediu-se entre 16,5 e 17,0 pR /h. métodos de resposta neuromuscular
Nos solos calcários é menor a inci­ ou radiestésica.
dência que nos terrenos siliciosos, Os que valorizam os métodos de
quartzíferos ou graníticos. (Ver capí­ detecção eletrônica ou geofísica dis­
tulo 6 , “Radioatividade”.) põem de um a am pla gam a de
A estrutura, intensidade energética, instrumentos e equipamentos de m e­
orientação, amplitude e o restante das dição mais ou menos confiáveis. O
constantes dessas alterações resultam maior inconveniente desses sistemas é
complexas de se descrever e definir em que eles não nos indicam nada sobre as
uma obra eminentemente divulgadora intercessões das energias ou mudanças
como esta. elétricas detectadas em cada lugar, nem
Podemos encontrar camadas freáticas as conseqüências sobre o equilíbrio de
de escassa intensidade, débil fluxo cir­ quem ocupa esses espaços ou os efeitos
culatório e pouca profundidade, porém sobre sua saúde.
que ocupam amplas zonas de muitos Também existe o consenso entre
metros quadrados. Além disso, as fissuras empirismo e tecnicismo na hora de se
e diáclases, emissoras de forte radiação e realizar medições sobre zonas alteradas
altamente perigosas, somente têm al­ teluricamente. Paralelamente aos já
guns centímetros de espessura e evitar mencionados georritmogramas do dou­
sua verticalidade será muito simples. tor Hartmann, o engenheiro De Vita
Os veios e correntes de água são idealizou, nos anos 40, um sistema de
muito variáveis quanto à espessura, in­ detecção que poderíamos chamar de
tensidade energética, fluxo circulatório, “misto”: elétrico-biológico. O disposi­
orientação cardeal e demais aspectos tivo consistia em um sensível voltímetro,
específicos. Essa complexidade e suas colocado em tensão com uma pilha de
constantes sobreposições energéticas 1,5 volts e cujos eletrodos conectavam-
com o restante das alterações telúricas se em dois pontos suficientemente
podem ser simplificadas no momento afastados do corpo, como para medir
de sua detecção com métodos ra­ claras diferenças de voltagem. Um dos
diestésicos. Somente centraremos nossa eletrodos conectava-se na mão do ope­
atenção na determinação da harmonia rador e o outro na parte superior do
e equilíbrio energético próprios de um braço, em um ponto próximo à om o­
lugar específico. Mais que preocupar- plata. Regulando o sinal do voltímetro
mo-nos com a procedência da alteração em uma intensidade precisa, o ope­
e dos fatores desencadeantes, tentare­ rador caminhava cruzando as diferentes
mos discernir sobre as conseqüências zonas onde se havia determinado uma
de tais alterações nas estruturas bioe- corrente subterrânea de água. Cada vez
nergéticas e nas constantes biológicas que passava sobre uma dessas zonas, o
de quem ocupará o lugar estudado; voltímetro indicava um aumento de
evitando, sempre que for possível, aque­ intensidade elétrica no corpo do ope­
les espaços ou lugares cujas alterações rador.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 95

CAPÍTULO 8 nação eletromagnética, não tomam


medidas para remediá-la.
A ELETRICIDADE ARTIFICIAL,
ALIADA OU INIMIGO
INVISÍVEL? Contaminação eletromagnética
A contaminação eletromagnética é tal­
vez a menos evidente, a mais sutil das
Ao longo deste livro, temos insistido radiações a que nos vemos expostos hoje
no controvertido tema da contamina­ em dia. Rápida e inexoravelmente, vai
ção eletromagnética e da incidência dos invadindo nossas casas, nossos locais de
CEM (campos eletromagnéticos) de trabalho, a natureza e a vida em geral.
baixa freqüência no equilíbrio, na saú­ A contaminação eletromagnética
de e nos processos de enfermidades. E aparece ao se criarem campos elétricos
evidente que não podemos continuar a e magnéticos no espaço proveniente de
obra sem nos aprofundarmos nesse cam­ um condutor que transporta uma
po. E o faremos de uma forma particu­ corrente. Os campos magnéticos pro-
lar, intercalando os dados estatísticos duzem -se por cargas elétricas em
com as experiências pessoais e as inves­ movimento (correntes elétricas) e exer­
tigações que durante anos vêm se reali­ cem forças sobre outras cargas em
zando em diferentes países. Investiga­ movimento.
ções que, por atentar contra os interes­ Os campos eletromagnéticos podem
ses de grandes companhias elétricas, ser de origem natural ou artificial.
têm sido constantemente caladas ou Entre os de origem natural, temos o
minimizadas. campo magnético terrestre e suas varia­
Talvez o problema não seja tão grave ções temporais e espaciais, estas últimas
como querem fazer crer os meios em escala regional, originadas pela exis­
contestadores, porém não deixa de nos tência de minerais ferromagnéticos na
alarmar o fato de adotarem posições tão crosta terrestre. Trata-se de um campo
distintas diante de problemas com o débil, porém há animais suscetíveis a
mesmo enfoque: a saúde pública. sua detecção, graças à geração de ímãs
Um restaurante pode ser multado elementares em seu organismo.
ou mesmo fechado no caso de provocar Existem campos magnéticos variá­
intoxicações alimentares por falta de veis com o tempo e campos magnéticos
higiene, sobretudo se alguém afetado estáveis: os campos magnéticos variá­
pela intoxicação vier a morrer. Porém, veis com o tempo são capazes de induzir
não se imputa nenhuma multa ou exi­ campos elétricos e, portanto, força
ge-se a redução do problema quando se eletromotriz, criando forças naturais
descobre que existe o dobro de casos de como as tempestades. As influências
leucemia infantil ou de tumores cere­ solares e lunares sobre as correntes
brais entre as pessoas que vivem próximo ionosféricas e a atividade solar intensa
às redes de alta tensão. produzem campos magnéticos variá­
O fato de até 1994 não se prever uma veis com o tempo, que geralmente são
norma comunitária a respeito, não de­ de baixas freqüência e intensidade, com
veria ser desculpa aos que, sendo exceções para as tormentas magnéticas
conscientes do problema da contami­ intensas.
96 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

Há, assim mesmo, campos magné­ motivos de polêmica em relação ao


ticos estáticos que não produzem equilíbrio do meio ambiente, porém
corrente elétrica, a menos que o corpo se concorda-se plenamente com a neces­
mova dentro do campo. Quando aplica­ sidade de se avançar nas investigações
mos um campo magnético na superfície científicas.
de um organismo vivo, induzimos cam­ Geramos campos eletromagnéticos
pos elétricos dentro do mesmo. tanto em altas freqüências (antenas de
A proteção aos campos magnéticos é rádio, TV, radar, microondas, etc.)
praticamente nula; as únicas preven­ como em baixas freqüências (linhas de
ções possíveis são não nos aproximarmos alta tensão, telas de computador, redes
dos campos magnéticos intensos e con­ elétricas, etc.), de intensidades muito
trolar sua proliferação nos lugares mais altas que as naturais.
habitados ou transitados. Após numerosos estudos e pesqui­
Por outro lado, os campos magnéti­ sas, logrou-se relacionar os campos ele­
cos artificiais alteram os processos tromagnéticos com diversas alterações.
biológicos, já que sua intensidade é Grupos independentes de pesquisado­
muito superior à dos originados de uma res denunciaram diferentes efeitos em
forma natural. As fontes principais de pacientes submetidos à ação de campos
campos eletromagnéticos artificiais são eletromagnéticos, como:
as derivadas da energia, indústria, me­
dicina e pesquisa. - Mudanças na temperatura da pele ou
Os grandes avanços tecnológicos em do corpo;
eletrônica e nos sistemas de comu­ - Alterações nos eletrólitos do sangue;
nicação (telefones, TV, rádio, radares, - Dor muscular nas articulações;
etc.), assim como as microondas e - Alterações na visão das cores verme­
radiofreqüências para a produção de lho-verde;
calor fazem com que a população, espe­ - Fadiga;
cialmente a trabalhadora, esteja exposta - Mudanças nos potenciais evocados;
a esse tipo de radiações que interagem - Falta de apetite;
com os sistemas biológicos, ocasionan­ - Influência no sistema nervoso cen­
do mudanças nos estados energéticos tral;
atômicos e moleculares. - Estresse;
Nos últimos anos, o meio ambiente - Diminuição do número de plaquetas
eletromagnético natural, no qual de­ no sangue.
senvolveu-se a vida na Terra, variou de
maneira considerável; vivemos rodea­ Campos eletromagnéticos débeis, de
dos (especialmente nas zonas urbanas) 220 volts por centímetro e de 50 hertz,
de campos eletromagnéticos artificiais podem danificar nossos organismos. As
em constante aumento. tensões nervosas criadas por esses cam­
Uma alteração artificial do campo pos podem alterar a quantidade de gor­
elétrico e do magnético produz uma duras e colesterol no sangue, aumentar a
mudança nos processos naturais de cres­ produção de cortisona e a pressão san­
cimento e regularização. güínea, para mais tarde aparecerem trans­
As mudanças biológicas ocasionadas tornos cardíacos, renais, gastrointestinais,
pelos campos eletromagnéticos de bai­ nervosos e outros, como artrose e enfer­
xa freqüência e baixa intensidade são midades cardiovasculares.
FATORES DE RISCO E SUA IN CIDÊN CIA 97

ELETRICIDA D E E CAMPOS ELETROM AGNÉTICOS


O que é uma radiação eletromagnética?
Pode-se considerar como um campo elétrico oscilante ( E) associado a um campo magnético (§),
que viaja através do espaço mediante ondas; atribuem-se-lhe uma dupla natureza onda-partícuia
e supõe-se que são correntes de fótons, que deslocam-se por meio de ondas a uma velocidade
única no vácuo de c = 3.108 m /s variável em função dos distintos materiais e longitudes de onda.
Os campos magnéticos e elétricos são perpendiculares ent re si e ambos fo rmam um ângulo reto
com a direção de propagação.
Os processos como a propagação, reflexão e refração, interferências ou sobreposições de ondas,
polarização, etc., explicam-se satisfatoriamente bem considerando a radiação como uma onda,
e cumprem as leis da mecânica ondulatória. Sem dúvida, os processos de emissão, absorção,
transmissão, efeito fotoelétrico, etc. estão regidos pelos postulados de Bohr da mecânica
quântica, considerando a radiação como uma partícula.

B = CAMPO M AGNÉTICO
I - CAMPQ ELÉTRICO
V - VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO

Propagação do campo eletromagnético

Quando a radiação eletromagnética interage com a matéria, ocorrem processos de absorção,


transmissão e emissão; nesses processos, produzem-se mudanças de energia, que estão regidas
pelos postulados de Bohr da mecânica quântica.
Nomenclaturas: Analogias:
Tensão = Voltagem Pressão
Corrente - Intensidade - carga elétrica/seg Gasto
Potência - Tensão • Corrente • K - Capacidade de trabalho
Sobrecarga: Excesso sobre a capacidade desenhada
Perda: Energia que se perde na operação de uma linha ou transformador, ao converter-se em
outro tipo de energia, por exemplo, calor.
98 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

O CAMPO ELETROM AGNÉTICO


Qualquer condutor que transporte uma corrente alternada produz no espaço que o rodeia um
campo elétrico e outro magnético ou, o que dá no mesmo, um campo eletromagnético.
As linhas de alta tensão, as linhas de transporte elétrico urbano ou os cabos de alimentação de
iluminação ou motores elétricos são, nem mais nem menos, um conjunto de condutores pelos
quais flui uma corrente elétrica alternada; portanto, ao seu redor existe um campo elétrico e outro
magnético. A intensidade dos campos eletromagnéticos depende da quantidade de corrente que
circula pelos condutores, que freqüentemente chega a ser muito elevada.
Os aspectos físicos dos campos elétricos e magnéticos são bem conhecidos há muitos anos e, com
um aparelho adequado, é possível medir a intensidade que qualquer deles têm numa região do
espaço.
O campo elétrico mede*se em V /m (volts/m etro).
O campo magnético mede-se em Gauss ou Teslas.
É importante assinalar que, se uma região do espaço estiver rodeada com uma malha de
condutores, o campo elétrico não penetra dentro dessa malha. E o que em física se conhece como
gaiola de Faraday.
Como é bem conhecido, as residências contêm uma grande quantidade de materiais metálicos em
sua construção, pelo que podem considerar-se como autênticas gaiolas de Faraday e, por essa
razão, o campo elétrico em seu interior decai a valores próximos a 0 V /m .
O mesmo não ocorre com o campo magnético, que continua mantendo-se nos mesmos níveis,
tanto no exterior como no interior das residências.
A corrente elétrica forma parte fundamental dos processos biológicos em todos os seres vivos.
Impu lsos elétricos são os que ordenam a um ou outro tipo de células segregar tai horm ônio, liberar
tal oligoelemento ou reproduzir-se mais ou menos rapidamente.
Ressalte-se que esses mecanismos podem ver-se alterados ao serem submetidos à ação de campos
elétricos ou magnéticos não naturais.

Estudos realizados por diversos pes­ Outros estudos epidemiológicos têm


quisadores indicam um aum ento tratado dos problemas relacionados com
significativo de casos de disfunção por a reprodução e a transmissão hereditária.
leucemia, entre os grupos de profis­ Os resultados indicam maior incidência
sionais relacionados com campos de nascimentos de crianças com má-
eletromagnéticos. formação em filhos de trabalhadores em
Têm recebido grande atenção nos unidades de comutação elétrica, e um
meios científicos trabalhos que cons­ aumento neles de neuroblastomas.
tatam um a taxa m aior de incidência Outros resultados indicam alterações
de câncer infantil em lares próxim os nos períodos de gestação e aumento de
a determ inadas instalações elétri­ abortos ligados ao uso de mantas elétri­
cas, ratificada tam bém em adultos. cas e computadores, que podem ser
Parece clara a relação entre o au­ interpretados como um menor ritmo
m ento anorm al de m ortalidade por de crescimento nos fetos concebidos
câncer e a proxim idade a linhas de em campos magnéticos da ordem de 1
alta tensão. microtesla.
98 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

O CAMPO ELETROM AGNÉTICO


Qualquer conduto r que transporte uma corrente alternada produz no espaço que o rodeia um
campo elétrico e outro magnético ou, o que dá no mesmo, um campo eletromagnético.
As lin h as de alta tensão, as linhas de transporte elétrico urbano ou os cabos de alimentação de
iluminação ou motores elétricos são, nem mais nem menos, um conjunto de condutores pelos
quais flui uma corrente elétrica alternada; portanto, ao seu redor existe um campo elétrico e outro
magnético. A intensidade dos campos eletromagnéticos depende da quantidade de corrente que
circula pelos condutores, que freqüentemente chega a ser muito elevada.
Os aspectos físicos dos campos elétricos e magnéticos são bem conhecidos há muitos anos e, com
um aparelho adequado, é possível medir a intensidade que qualquer deles têm numa região do
espaço.
O campo elétrico mede-se em V /m (volts/m etro).
O campo magnético mede-se em Gauss ou Teslas.
E importante assinalar que, se uma região do espaço estiver rodeada com uma malha de
condutores, o campo elétrico nao penetra dentro dessa malha. É o que em física se conhece como
gaiola de Faraday.
Como é bem conhecido, as residências contêm uma grande quantidade de materiais metálicos em
sua construção, pelo que podem considerar-se como autênticas gaiolas dc Faraday e, por essa
razão, o campo elétrico em seu interior decai a valores próximos a 0 V /m .
0 mesmo não ocorre com o campo magnético, que continua mantendo-se nos mesmos níveis,
tanto no exterior como no interior das residências.
A corrente elétrica forma parte fundamental dos processos biológicos em todos os seres vivos.
1mpulsos elétricos são os que ordenam a um ou outro tipo de cél ulas segregar tal horm ônio, liberar
tal oligoelemento ou reproduzir-se mais ou menos rapidamente.
Ressalte-se que esses mecanismos podem ver-se alterados ao serem submetidos à ação de campos
elétricos ou magnéticos não naturais.

Estudos realizados por diversos pes­ Outros estudos epidemiológicos têm


quisadores indicam um aum ento tratado dos problemas relacionados com
significativo de casos de disfunção por a reprodução e a transmissão hereditária.
leucemia, entre os grupos de profis­ Os resultados indicam maior incidência
sionais relacionados com campos de nascimentos de crianças com má-
eletromagnéticos. formação em filhos de trabalhadores em
Têm recebido grande atenção nos unidades de comutação elétrica, e um
meios científicos trabalhos que cons­ aumento neles de neuroblastomas.
tatam um a taxa m aior de incidência Outros resultados indicam alterações
de câncer infantil em lares próxim os nos períodos de gestação e aumento de
a determ inadas instalações elétri­ abortos ligados ao uso de mantas elétri­
cas, ratificada tam bém em adultos. cas e computadores, que podem ser
Parece clara a relação entre o au­ interpretados como um menor ritmo
m ento anorm al de m ortalidade por de crescimento nos fetos concebidos
câncer e a proxim idade a linhas de em campos magnéticos da ordem de 1
alta tensão. microtesla.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 99

As mortes sem causa aparente de Os eletrodomésticos e aparelhos elétri­


crianças recém-nascidas, segundo algu­ cos de maior risco são os dotados de
mas pesquisas, guardam relação com a motor elétrico giratório (secadores de
proximidade a linhas de alta tensão, cabelo, batedeiras, etc.).
emissoras de rádio e vias eletrificadas.
Investigações de laboratório ad­
vertem sobre a ação potencial dos Investigações sobre campos
campos como causa de increm ento eletromagnéticos e sua
no crescimento de células tumorosas. incidência na saúde
Encontrou-se um aum ento significa­
tivo delas nas sínteses de DNA em A antiga União Soviética foi pioneira na
cultivos de fibroplastos humanos ex­ investigação dos campos eletromagné­
postos à ação de campos magnéticos, ticos e sua repercussão sobre a saúde
em determinadas freqüências e im en­ das pessoas; já nos anos 60 apareceram
sidades, e na resposta m utatória os primeiros informes que relacionam
potencial que poderia acompanhar alterações biológicas sofridas por traba­
esse fenômeno. lhadores com a rede de alta tensão. A
As pessoas que vivem próximas de princípio, esses operários demonstra­
uma linha de alta tensão sofrem uma vam dores de cabeça, insônias, estresse,
superprodução de endorfinas, substân­ mal-estar físico generalizado e altera­
cias elaboradas pelo organismo de ções de conduta.
maneira natural. A concentração dessas Esse estudo revelou alterações no sis­
substâncias, autênticas drogas de ação tema nervoso central, assim como no
similar à da morfina, diminui quando a circulatório e na composição do sangue.
tensão elétrica decresce ou quando es­ Em 1964, outros estudos comprova­
sas pessoas se afastam das linhas, o que ram que os trabalhadores próximos a
as faz sofrer um quadro típico de absti­ linhas de alta tensão sofriam alterações
nência próprio dos toxicôm anos do sistema neurovegetativo, de pulso e
desprovidos de suas doses habituais. da pressão arterial, adaptavam-se mal às
O utro grave problema produzido mudanças de temperatura, sofriam de
pelas linhas de alta tensão é o efeito desordens de coordenação, da medula
coroa, ionizando moléculas de oxigê­ espinhal e de motricidade nas mãos. Em
nio, transformando algumas moléculas 1968, os doutores Asanova e Renova
em ozônio, tão nocivo para o ser huma­ descreveram dores de cabeça freqüen­
no. Também produzem-se óxidos de tes, fadiga anormal, alterações cardíacas,
nitrogênio que, combinados com a água lapsos de memória e de concentração,
da chuva, originam a chuva ácida sobre garganta seca, voz rouca, rinite, faringite
sua vertical e também em zonas mais e laringite; além de declínio da potência
afastadas devido às correntes de ar. sexual em jovens operários.
As radiações débeis emitidas pelos Em 1972, V. P. Korobkova observa­
eletrodomésticos e aparelhos elétricos, va declínios na pressão arterial e no
assim como uma má-instalação elétrica pulso, assim como anomalias na capaci­
das casas ou locais de trabalho, podem dade termorreguladora do organismo.
favorecer o desenvolvimento de cân­ Na raiz dessas investigações, a União
cer, alterar a função de reprodução, Soviética desenvolveu uma legislação
provocar depressões e mesmo suicídios. segundo a qual as linhas de alta tensão,
100 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

capazes de gerar intensidades de campo elétricos era mantida durante certo tem ­
de 25 quilovolts/m etro, devem situar- po: os animais sofriam o que - desde os
se a uma distância mínima de 1 lOm de trabalhos de Seyle - denominou-se in­
qualquer edificação. Assim mesmo, re­ ternacionalm ente com o reação do
gulam os tempos máximos de exposição estresse.
aos campos eletromagnéticos, segundo E se tudo isso foi pouco, McElhaney
sua intensidade. produziu câncer em ratos expostos a
Em 1977, os biofísicos Becker e campos elétricos de 7.000 V /m .
Marino divulgaram suas experiências E possível objetar diante desses dados
com animais em campos eletromagné­ que as pessoas não são coelhos nem
ticos. Em três gerações sucessivas de ratos. Sem dúvida, esse tipo de experi­
ratos submetidos a um campo elétrico mento tenta reproduzir em laboratório
de 15.000 volts/m etro, observaram que as condições a que se acham submetidos
aqueles eram cada vez menores que os os que vivem nas proximidades das linhas
do grupo de controle, não expostos ao de alta tensão, e os campos de 5.000
campo. Em coelhos, os pesquisadores volts por metro e de baixa freqüência
constataram diversas modificações no (similares aos utilizados em experimen­
sangue: aumento dos glóbulos bran­ tos com anim ais) eqüivalem aos
cos, diminuição dos linfócitos e declínio produzidos por uma linha de 400 kV.
do número de glóbulos vermelhos, o O experimento com animais é algo
que significa anemia. corriqueiro na indústria. Normalmen­
Domansky descobriu que a atividade te, quando uma substância resulta
da enzima acetilcolina esterase, substân­ nociva para alguns animais de expe­
cia fundamental do cérebro, diminuía riência, não se passa para a fase seguinte,
em 36% quando se expunha os ratos a que seria o experimento com seres hu­
campos débeis de 1.000 V /m , durante manos. Ou melhor, a técnica não é
períodos de um a quatro meses, assim considerada perigosa até que se de­
como a assimilação do iodo pela glân­ monstre o contrário. Há anos, milhares
dula tireóide reduzia-se pela metade; de pessoas estão servindo de cobaias
além disso, descreveu a duplicação do sem saber. Na Alemanha, o engenheiro
número de espermatozóides mortos e elétrico Egon Eckert estudou as m or­
diminuição da vitalidade dos vivos em tes súbitas de lactentes sem causa
animais submetidos a campos de 5.000 aparente, constatando que a maioria
V /m . Andriyenko também observou dos casos acontecia principalmente nas
uma diminuição das funções repro- imediações de vias eletrificadas, emis­
dutoras dos ratos submetidos a campos soras de rádio, radar e linhas de alta
elétricos: a fertilização acontecia mais tensão.
tarde, havia um retardo do desen­ M arino e Becker sugerem que os
volvimento dos órgãos sexuais, os cânceres hum anos aum entam nas zo­
recém-nascidos eram menores e mais nas onde existem, por sua vez, grandes
débeis, existia uma perturbação no fun­ concentrações de linhas elétricas, an­
cionamento dos ovários, do útero e dos tenas transmissoras de ondas de rádio
testículos. e televisão; segundo esses pesquisa­
Marino e Becker observaram efeitos dores, produz-se um efeito aditivo
sobre o funcionamento de todo o orga­ (sinergético) entre todos esses fa­
nismo se a exposição aos campos tores.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 101

Linha primária

Em 1979, a epidemiologista Nancy Wertheimer realizou um estudo que sugeria relações estatísticas
entre alguns cânceres infantis e a proximidade de certas linhas de alta tensão. Os que viviam a menos
de 40 metros de uma linha primária, ou a menos de 15 metros dos dois primeiros ramais de uma linha
que parte de um transformador, registravam o dobro de casos de câncer infantil.

N aturalm ente, as companhias elé­ linhas de alta tensão em certos transfor­


tricas realizaram e provavelm ente madores, senão que mais suspeitos eram
realizam ainda estudos a respeito, a poluição atmosférica, as indústrias
porém esses estudos são “protegidos químicas, o formaldeído dos materiais
pelo mais absoluto segredo” , como isolantes e dos móveis, entre outros
declarou recentem ente um dos cien­ fatores.
tistas responsável por eles, o professor Quase fortuitamente deu-se conta
Le Bars. de que o maior número de lares onde
O mais controvertido dos estudos é padeciam-se de câncer estavam situados
da epidemiologista Nancy Wertheimer, nas proximidades de transformadores
publicado em 1979 e realizado em co­ elétricos ou sob linhas de alta tensão.
laboração com o físico Ed Leeper. Nancy Selecionou 963 lares e mediu os
W ertheimer teve, de forma puramente campos eletromagnéticos a que estavam
casual, o primeiro indício da relação expostos. Descobriu que os transfor­
entre as linhas de alta tensão e os trans­ madores maiores ou que distribuíam
formadores . Ocorreu enquanto visitava corrente a muitas casas (habitualmente
lares de crianças com câncer, na área da sobrecarregados) eram os que emitiam
cidade de Denver, em busca de alguma maior indução eletromagnética.
causa ou motivo para determinar quem Nos lares situados em campos de alta
adoecia e por quê. Ela não tinha em intensidade - a menos de 40m das
mente os campos eletromagnéticos das grandes linhas ou a menos de 15m das
102 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

linhas secundárias que partem dos trans- o risco duplica-se, e acima de sete vezes
formadores-detectou-se quase o dobro o perigo multiplica-se por quatro.
de casos de câncer infantil. Ao mesmo tempo, Jerry Phillips, do
Esses estudos foram seriamente Cancer Therapy and Research Center
criticados e tachados de alarmistas, acu­ de San Antonio, Texas, detecta um cres­
sando-os de tão somente terem medido cimento anormal das células cancerosas
os campos eletromagnéticos exteriores submetidas a ondas eletromagnéticas de
às casas, e não os produzidos por ele­ freqüências baixas, similares às produzi­
trodomésticos, e que não se haviam das pelas redes de alta tensão.
considerado outros fatores de risco, como Solokov demonstrou, mediante ex­
a presença de fumantes na casa, etc. Tam­ perimentos com ratazanas, o efeito
bém foram acusados de conhecer com mortífero dos campos alternados de 50
antecedência as casas onde registravam- Hz, quando estes são suficientemente
se mais casos de câncer, pelo que as fortes. Com potenciais de campo de
pesquisas não resultavam como objetivas. 650 kV /m e uma exposição à radiação
Em 1985, Myers e Cartwright não de 270 minutos, 50% das ratazanas
confirm avam os estudos citados, morreram enquanto aumentava sua
enquanto em outras pesquisas apre­ temperatura corporal. Esses três expe­
sentadas como réplica negativa-Fulton, rim entos, m encionados no livro
em 1980, e McDowall, em 1983 - Unsichtbnre Umwelt, de Herbert Konig,
comprovou-se, ao serem revisados os professor da Universidade Técnica de
seus dados, que realmente correspon­ Munique, são provas científicas do efei­
diam com os obtidos por Wertheimer e to extraordinariamente forte que os
Leeper. campos eletromagnéticos produzem
O sueco Lennart Tomenius chega a sobre os seres vivos, após um tempo de
resultados parecidos com suas investi­ exposição relativamente curto.
gações sobre o surgimento de tumores Está justificado extrapolar esses re­
no sistema nervoso de crianças, que sultados para o homem, pois a mesma
moram em zonas próximas a grandes física moderna expressa a tese de que
instalações elétricas, em Estocolmo. tudo está relacionado com tudo e, bio­
Em 1987, David Savitz, da Univer­ logicamente, não há grandes diferenças
sidade de Carolina do Norte, realiza entre as células e os órgãos dos distintos
um cuidadoso e exaustivo trabalho na seres vivos. Além do mais, as investiga­
mesma região eleita por Wertheimer e ções sobre o comportamento chegaram
Leeper. Segundo Savitz, as crianças à conclusão de que as reações dos ani­
expostas a uma densidade de fluxo ele­ mais com o seu redor (especialmente
trom agnético da ordem de 0,25 observadas em insetos) podem trans­
microteslas correm um risco 1,3 a 1,6 portar-se para o ser humano.
vezes superior de padecimento de cân­ Brauss, da Universidade de Heidelberg,
cer que as não expostas, elevando-se efetuou experiências com pessoas.
esse perigo ao dobro no caso das Resumiu assim os resultados: “Está
leucemias. Savitz relaciona também a demonstrado que os cabos elétricos de
aparição de tumores benignos com o 220 volts e 50 Hz, instalados nas casas,
número de aparelhos elétricos caseiros geram campos que elevam a pressão
utilizados e o número de vezes que se parcial do oxigênio no sangue em mais
utilizam. De quatro a cinco vezes diárias, ou menos 6 %. Também elevam-se os
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 103

valores do hematócrito (quantidade de se com outro objetivo biológico, são


eritrócitos em 100 mm3 de sangue) no capazes de produzir uma reestruturação
homem, sob a influência do campo, em nas partes que o compõem. Yuri Zian
5% de ponto médio”. obteve, em seu laboratório, um frango
Os resultados obtidos por Altmann e com caracteres próprios de uma cria de
por Brauss permitem concluir que os pato, modificando os códigos genéti­
campos de interferência aceleram o cos com a ajuda de um sinal VHF.
motor vital, ou seja, originam uma situa­ Sabemos, pelas investigações de
ção de estresse. Qualquer forma de Solokov, que existem campos com po­
estresse diminui as defesas do organis­ tenciais que geram uma mortandade de
mo - quanto mais tempo durar a 50% e mais em animais expostos a várias
exposição, mais efeito irá surtir - e horas. Tais experimentos não puderam
portanto contribui ao surgimento de ser realizados com pessoas, por razões
doenças agudas ou crônicas, além de óbvias. Porém, sabe-se que existem
influir diretamente no bem-estar. potenciais com efeito nocivo e mesmo
Muito recentemente, houveram ca­ mortífero. Resta somente conhecer o
sos de pessoas que desenvolveram uma grau ou dose a partir da qual eles po­
sensibilidade muito alta de intolerância dem ser nocivos. Os resultados de
diante dos campos de interferência pro­ Altm ann e Brauss indicam que a
vocados pela rede, sobretudo depois de nocividade começa com potenciais bas­
haverem recebido um tratamento de tante débeis, enquanto efeito gerador
obturação dentária com amálgamas. de estresse dos campos.
São importantes os trabalhos do cien­ A toxicologia nos ensina que uma
tista soviético Alexandr Presmann sobre substância tóxica muito nociva em quan­
a função de sinal das ondas eletromag­ tidades grandes também pode ser nociva
néticas de baixa freqüência, que ocorre em quantidades pequenas, quando seu
em pessoas e animais. efeito é contínuo e repetitivo. Pela radio­
Suas investigações demonstram que logia, sabemos que os efeitos daninhos
as células dos tecidos animais estão acumulam-se com o tempo e que a
preparadas para receber ondas eletro­ nocividade da exposição a radiações
magnéticas, mesmo que muito débeis, antinaturais começa a partir de zero.
e que as reconhecem como sinais, pois Foram já comprovadas as seguintes
atuam conseqüentemente diante delas. seqüelas biológicas: alterações no
Isso é confirmado pelas pesquisas do crescimento das células ósseas e outras
doutor Yuri Zian Kanzen (médico gra­ células, cataratas, lesão do sistema
duado na Universidade de Seyan, imunológico, debilitação da memória,
China), que descobriu que a matéria depressão e cardiopatias.
viva emite ondas eletromagnéticas por­ Uma equipe do hospital Ramón y
tadoras de informação biológica. Esse Cajal, dirigida por J. L. Delgado e
fenômeno, que consiste na emissão de Jocelyne Leal, chefe da seção de depar­
sinais eletromagnéticos próximos das tamento de Bioeletromagnetismo e
VHF, geradas pelos próprios tecidos e presidente da Associação Européia,
células dos organismos vivos, seria o chegou a conclusões sobre os efeitos
responsável por algumas modificações das radiações débeis sobre os embriões,
biológicas. Esses sinais, em forma de que tiveram repercussão mundial: “T o­
onda eletromagnética, ao encontrarem- mamos como elemento de experiência
104 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

um embrião de vertebrado para com­ naturais. Aconseqüência, segundo Adey,


provar a efetividade de campos de é a adaptação dos biorritmos do homem
freqüências e intensidades muito bai­ às pulsações da corrente elétrica. Isso
xas. Os processos biológicos do embrião prejudica o organismo e diminui sua
de frango, nos estágios muito precoces resistência, com o que fica-se mais pro­
de seu desenvolvimento, são muito si­ penso a contrair enfermidades que antes
milares aos do feto humano. podiam ser repelidas. Isso pode ser uma
“Também esta é a razão fundamental explicação do fato investigado e com­
por que não se utiliza um feto de mamí­ provado pelos cientistas da Universidade
fero para realizar-se as experiências. O de Colorado, que mostra como a m or­
embrião permitia a segurança de ser o tandade em certos casos de câncer, como
organismo embrionário o que pode res­ a leucemia, é sumamente alta nas pessoas
ponder aos campos artificiais aos quais era que vivem em um raio de 40m de uma
submetido, e não o organismo da mãe.” rede de alta tensão.
Os resultados foram que campos Em um teste prático realizado em
extremamente débeis podem modificar marinheiros norte-americanos, obser-
o desenvolvimento embrionário, pro­ vou-se “um resultado aniquilador” .
vocando anomalias morfogenéticas; ou Uma parte do pessoal técnico, exposto
seja, má-formações e, em alguns casos, a radiações de baixa freqüência de uma
morte embrionária. rede de alta tensão, apareceu com teor
Investigações, do especialista em enormemente alto de triglicérides no
bioengenharia José Luis M onteagudo, soro sangüíneo, sintoma que se observa
realizadas em ovos de galinha mostram em casos de apoplexia ou alterações
que submetidos a radiações eletro­ coronarianas. Alguns marinheiros tive­
magnéticas consegue-se retardar seu ram dificuldades em resolver simples
desenvolvimento, afetando os ritmos problemas de soma sob o efeito da
biológicos. contaminação elétrica.
José Luis Bardasano, à frente do Ins­ D o exposto, podem os extrair
tituto de Bioeletromagnetismo Alonso unicamente a conclusão de que é irres­
de Santa Cruz (Faculdade de Medicina ponsabilidade ética e cientificamente
de Alcalá de Henares, Madri), realizou falar - ainda que seja só de mom ento -
destacados estudos sobre campos ele­ da inocuidade absoluta dos campos de
tromagnéticos e seus efeitos sobre a interferência. A dificuldade reside em
glândula pineal, assim como a organiza­ nosso modo analítico de pensar, ao que
ção, na Universidade Alcalá de Henares, custa aceitar os ensinamentos-chaves
de congressos sobre contaminação ele­ da medicina natural, para quem todas
tromagnética, onde são expostas as as enfermidades são conseqüência da
últimas investigações sobre o tema. debilitação da vitalidade corporal e esta,
O doutor W. Ross Adey supõe, base- por sua vez, fruto de um modo de viver
ando-se em suas pesquisas, que a oposto à natureza e ao nosso meio.
contaminação elétrica altera os ritmos E precisamente a deterioração não-
bióticos naturais que regulam os perío­ específica de nossa vitalidade o que
dos de vigília e sono, e milhares de sofremos atualmente. No âmbito do
outros processos vitais muito sutis. trabalho e devido sobretudo à carga
Os campos eletromagnéticos artifici­ psíquica, impôs-se a palavra “estresse” .
ais invadem os campos magnéticos Porém, hoje em dia sabemos que exis­
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 105

tem vários fatores de estresse, resultado Na verdade, comentou conosco sobre


de nosso meio artificial e desarmônico. o transformador e cabos quando per­
Os resultados de Altmann e Brauss guntamos a respeito.
mencionados demonstram que os cam­ O certo é que a descrição que nos fez
pos elétricos das redes produzem de seus transtornos nervosos, esgotamen­
estresse: o eletroestresse. Outras causas to, irritabilidade, insônias, peso mental e
são as influências químicas devido aos depressões é o quadro sintomático da
fertilizantes artificiais, praguicidas, maioria das pessoas que vivem expostas a
aditivos, etc., que se encontram em fortes campos eletromagnéticos.
nossos alimentos, assim como os medi­ Enquanto subíamos as escadas, tan­
camentos e a contaminação química do to meu companheiro como eu sentimos
ar que respiramos e da água potável. uma ligeira pressão nas têmporas (quan­
Todos esses fatores juntos originam o do se leva muito tempo realizando esse
denominado estresse químico. Além trabalho, torna-se mais sensível). O
disso, existe a pressão devido aos ruídos, primeiro que fizemos, uma vez no an­
à radioatividade elevada e os materiais dar, foi conectar o Kombi-teste para
de construção, às radiações telúricas, às tirar dúvidas: 700 nanoteslas em todo o
microondas e finalmente à maneira pou­ apartamento! (Tesla é a unidade da
co saudável de construir e viver. indução eletromagnética.) Evidente­
Todos esses fatores diminuem a vita­ mente, isso não lhes diz nada; porém
lidade, atuam em conjunto e formam o espantou-nos, já que é mais de dez
estresse que há de suportar a sociedade vezes superior ao que consideramos
industrializada atual. Esse estresse, como com o radiação eletro m agnética
já dissemos, não só reduz nosso bem- tolerável.
estar, capacidade de concentração e Após o estudo exaustivo do andar,
rendimento, senão também favorece pudemos comprovar que existiam vá­
doenças crônicas e degenerativas, o que rios agravantes da já problemática
conduz a uma maior dependência dos situação:
medicamentos. Isto, por sua vez, repre­ a) A presença de um radiorrelógio
senta outra carga para o homem, que se conectado na rede elétrica, na cabeceira
converte cada vez mais em um consumi­ da cama.
dor indefeso diante da avalanche de b) Uma deficiente instalação elétri­
doenças. ca geral, sem conexão à terra, o que
dava-nos um campo elétrico que esca­
pava das paredes por onde passavam os
Investigando as incidências dos cabos e era induzido aos corpos de
campos elétricos e eletromagnéticos quem se aproxima dessas paredes; devi­
do aos cabos e interruptores situados na
A inspeção visual exterior não deixava cabeceira da cama, os que ali dormiam
dúvidas: o transformador da compa­ recebiam essa carga elétrica constante­
nhia elétrica estava do lado da residên­ mente durante a noite.
cia. A pessoa que solicitou o estudo O exposto resume alguns dos casos
mencionou o transformador e os grossos típicos que dia-a-dia vamos estudando.
cabos elétricos que chegam até ele pas­ Naturalmente, nesse caso, a solução não
sando pela fachada da casa, na altura de é tão simples como quando a problemá­
seu apartamento (no segundo andar). tica causada pela contaminação elétrica
106 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

ou eletromagnética se reduz aos eletro­ mos muito preocupados com algo. Em


domésticos, que podem ser afastados troca, quando relaxamos baixamos para
convenientemente dos locais de perma­ 8 ou 12 hertz, e quando estamos em
nência (ou simplesmente desligados), sono profundo podemos chegar a emi­
ou quando trata-se de uma instalação tir ondas de somente 4 hertz.
elétrica defeituosa, com má conexão à Após o citado, fica fácil compreender
terra ou sem ela. Neste caso, enquanto que qualquer pessoa obrigada a perma­
seja relativamente complicado, pode-se necer 8, 10, 12 ou 24 horas seguidas
melhorar a instalação conectando-a cor­ sob a ação de ondas eletromagnéticas
retamente à terra ou acrescentando à de 50 ou 60 hertz, dificilmente chegará
instalação existente um relê desconector a relaxar ou a descansar profundamen­
de tensão na ausência de consumo, ou te, pelo que seu sistema nervoso central
um bioswitch, cujo funcionamento des­ se ressentirá e, a curto ou longo prazo,
creveremos mais à frente. será seu sistema imunológico que se
São numerosos os casos de pessoas verá afetado portais desequilíbrios. Não
que encontraram grande melhora quan­ será difícil, a partir do exposto, estabe­
do, alarmadas pelos rumores de que a lecer a relação de doenças mais citadas
eletricidade era perigosa e se associava ao pelas pessoas que passam parte de sua
câncer, decidiram desconectar a instala­ jornada expostas a tais campos eletro­
ção elétrica a cada noite ao irem dormir. magnéticos: enxaquecas persistentes,
A energia elétrica comercial que as esgotamento crônico, depressões com­
companhias distribuem, tanto às indús­ binadas com momentos de grande
trias como aos domicílios, é de polaridade tensão ou irritabilidade, cansaço ao le­
alternada, que muda 50 vezes por se­ vantar-se pela manhã, com sonolência
gundo (60 em alguns países americanos); que não as abandona até ter tomado um
por isso, os campos elétricos e eletro­ café ou ter empreendido uma absorven­
magnéticos que produzem-se nos cabos te atividade de trabalho, zumbidos nos
condutores e nostransformadores-tanto ouvidos que chegam a enervá-las, etc.
nos grandes das companhias elétricas Os zumbidos e ruídos penetrantes
como nos pequenos, que encontramos têm sido, para muitos, o primeiro sinal
em qualquer radiorrelógio, radiogra- delator do problema que os afeta, pois
vador ou videocassete, por exemplo - em alguns casos esses zumbidos inicia­
vibram a uma freqüência de 50 ou 60 ram-se ao ampliar-se uma linha elétrica
hertz (o hertz é a unidade de freqüência próxima à casa ou ao conectar-se novos
e equivale a uma mudança por segun­ cabos ao transformador setorial da com­
do). Um dos efeitos mais significativos panhia. Em todos os casos estudados,
desses campos artificiais, chamados de as pessoas que haviam se queixado à
baixa freqüência, é a possível interferên­ companhia foram tratadas como hi­
cia com os ciclos de atividade cerebral, pocondríacas, hipersensíveis ou
que determinam os diferentes estados simplesmente malucas. “Pois você tem
de consciência. o ouvido muito sensível; eu não ouço
Tem-se observado que, nos estados nada”, é uma frase bastante repetida
de vigília, de atenção consciente ou de pelos “técnicos” que inspecionavam a
pensamento ativo, nosso cérebro gera residência. Até esta data, não tivemos o
ondas eletromagnéticas de 25,50,100, empenho de nenhum deles que tenha
200 hertz, ou superiores quando esta­ medido a indução eletromagnética na
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 107

campos elétricos e eletromagnéticos. Na


atualidade, tais estudos são financiados
pelas próprias companhias elétricas, e seu
Ritmo alfa interesse consiste em demonstrar que
tudo está correto, que nada acontece,
que trata-se apenas de queixas de alguns
alarmistas “antiprogresso”, que querem
atentar contra os interesses das compa­
Ritmo beta nhias.
olhos olhos fechados Cabe reconhecer que a maioria des­
olhos abertos sas pesquisas adoecem de um sério
problema: a metodologia. Baseando-se
Ritmo teta no que não se pode ou é difícil experi­
mentar reproduzindo os fatos reais, ou
seja, expondo os animais estudados a
campos eletrom agnéticos de baixa
freqüência e intensidade durante um
Ritmo delta longo período de tempo, como ocorre
na realidade cotidiana, mudam os pa­
1 segundo râmetros e expõem os animais de
Nestes gráficos, pode-se ver os diversos ritmos das experimentação a fortes intensidades
ondas cerebrais medidos em uma unidade de durante curtos períodos de tempo.
tempo (o segundo). Acima, as ondas alfa, que Assim teremos que, ao invés das 100
referem-se a uma fase de vigília relaxada; as nanoteslas de exposição permanente
ondas beta típicas da fase de vigília; as ondas teta que encontramos em muitas casas, ex­
características do primeiro sono e, abaixo, as delta perimenta-se com induções milhares e
(fase de sono profundo). até centenas de milhares de vezes supe­
riores, em exposições curtas, com o que
casa ou nas proximidades do transfor­ o único que aparece é um efeito de
mador ou da linha elétrica. Utilizam-se hipertermia (aumento da temperatu­
do sonômetro, que não dá valores con­ ra), considerado não problemático pois
siderados problemáticos, ou limitam-se poucas pessoas vêem-se submetidas a
apenas a detectar um vazamento na campos magnéticos tão intensos.
parede, ao aproximarem o ouvido e Em alguns estudos têm-se presentes
poderem assim escutar amplificado o as exposições prolongadas ou os efeitos
zumbido ou a vibração sonora que o sobre a psique, como o de Jocelyne
morador “disse ouvir” . Leal, no hospital Ramón y Cajal de
Em todos os casos de leucemia infantil Madri, realizado com embriões de
estudados pelo CMIG (Centro Mediter­ frango nos quais detectou-se o efeito
râneo de Investigações Geobiológicas) mutagênico ao submetê-los durante
existia um forte campo eletromagnético longos períodos a campos eletromag­
presente na casa ou próximo ao local de néticos de baixa freqüência. Os trabalhos
descanso da pessoa afetada. Casualida­ do doutor Delgado sobre a conduta
de? Até que não se realizem investigações animal: pode-se mudar o estado de
sistemáticas, não se poderá estabelecer o ânimo de um chimpanzé, simplesmente
vínculo exato entre as enfermidades e os mudando a freqüência eletromagnética
ESCALA DE FREQÜENCIAS, HIPERFREQÜENCIAS E ONDAS ELETROMAGNÉTICAS.
ANALOGIAS E APLICAÇÕES MAIS COM UNS
Energia magnética pura de
freqüência infinita

APLICAÇÕES E USOS

Radiografia, radioscopias, radiote­


rapia, uso industrial.

Usos médicos e científicos, tubos


UV (fluorescentes), num erosos usos
industriais.

Ilum inação, laseres.________________

Lâm padas, fornos, calefação, usos


m édicos, detecção na obscuridade,
laseres de infraverm elho. (O limite
entre os infravermelhos e as “m i­
cro o nd as” radioelétricas nao é
evidente. De fato, as faixas SH F e
EH F tam bém pertencem aos IR.)

Radiodifusão (V H F), radiotele-


fonia, telecom unicações diversas,
televisão, transm issão espacial e
orbital, radares civis e m ilitares,
fornos de m icroondas dom ésticos
e industriais, usos m édicos, etc.

F reqüências rad io elétricas e m ­


p reg ad as em ra d io te le fo n ia e
radiotelcgrafia. As correntes de baixa
freqüência também são em pregadas
em comunicações telefônicas e tele­
gráficas por cabo, assim com o para a
m otriz (correntes de 50 ou 60 H z)
VLF (Freqüência M uito Baixa) e o uso dom éstico (correntes alter­
Ondas longas de 10 a lOOKm nadas da rede). Essas faixas englobam
ULF (Freqüência U ltra Baixa) várias subfaixas de uso em radiodifu­
são , com faixas de am p litu d e
Ondas ultralongas modulada (AM ), O L, O M , O C , ou
SLF (Freqüência Super Baixa) i SW 1 ,2 , 3 c 4.
Ondas de 1.000 a lO.OOOKm
ELF (Freqüência Extremamente As ondas ELF inferiores a 30 H z
Baixa) Ondas que superam os empregam -se para usos militares e
lO.OOOKm de longitude terapêuticos.
Corrente C O N T ÍNUA cuja
freqüência é nula U so corrente (baterias, pilhas ou
correntes industriais).
Energia elétrica pura
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 109

emitida através de um aro de cobre que gia de uma mosca são muito diferentes
rodeava a 50cm a cabeça do símio, o das humanas, os processos bioquímicos
qual passava de estados de agressivida­ de envelhecimento são comparáveis e
de à maior das apatias, em função da permitem determinar a existência de efei­
freqüência que lhes aplicavam. tos potenciais nas pessoas. A curta
Consideramos interessante citar os duração do ciclo vital e o fácil manejo em
trabalhos dos doutores Ramírez e laboratório de grande população de
M onteagudo, este último chefe do Ser­ Drosophilas proporcionam vantagens
viço de Biotecnologia do Hospital indubitáveis para o experimento.
Ramón y Cajal de Madri, expostos no Os resultados das investigações
congresso sobre eletromagnetismo e demonstraram o efeito claramente sig­
meio ambiente, realizado em dezem­ nificativo dos campos eletromagnéticos,
bro de 1990 na Faculdade de Medicina de 50 hertz e 1 militesla, sobre a
da Universidade de Alcalá de Henares, longevidade das moscas estudadas, en­
promovido pelo Instituto de Bioele- curtando a vida média das fêmeas em
tromagnetismo Alonso de Santa Cruz.1 25% e a dos machos em 30%.
Em sua palestra, o doutor M onteagudo De tudo isso, podem os deduzir
expôs sua surpreendente pesquisa so­ que o problema não reside somente
bre os efeitos mutagênicos dos campos na exposição a altas freqüências e
eletromagnéticos de baixa freqüência doses, mas que são as freqüências e
sobre os cromossomos da mosca-de- imensidades mais próximas das pró­
fruta: Drosophila melanogaster. prias biológicas que exercem maior
As investigações realizaram-se de incidência, sobretudo em processos
forma rigorosa; analisou-se, ao longo mutagênicos e em exposições pro­
de 24 experimentos, cerca de 75.000 longadas, como é o caso de pessoas
cromossomos. Ficou patente que a ex­ que passam muitas horas em casas
posição a campos eletromagnéticos de expostas à rede de alta tensão ou em
50, 150 e 250 hertz e 10 microteslas, frente a um com putador com m oni­
assim como a campos elétricos de mes­ tor de tubo com raios catódicos.
mas freqüências e 5 quilovolts/m etro
de intensidade, exerciam um efeito
mutagênico cujo índice de mutação Glândula pineal: as defesas contra
estimado (um para cada mil) resultou o a degeneração genética e o câncer
dobro do detectado nos cromossomos
das moscas de controle. A melatonina é um hormônio secretado
Em outra série de investigações, es­ pela glândula pineal, que regula certos
tudou-se os efeitos da exposição aos processos endócrinos e a que se atri­
campos eletromagnéticos de baixa fre­ buem propriedades anticancerígenas.
qüência (50 hertz) sobre a fecundidade, Os doutores S. Cos, E. J. Sánchez e M.
fertilidade e longevidade da citada D. Mediavilla, do departamento de Fi­
mosca. siologia da Faculdade de Medicina da
As investigações mais destacadas em Universidade de Santander, realizaram
gerontologia experimental consideram a em 1988 um experimento visando es­
Drosophila como um dos modelos bioló­ tabelecer alguns dos “fatores poten-
gicos mais adequados para pesquisas nesse cializantes” da atividade pineal e sua
campo. Enquanto a anatomia e fisiolo­ relação com o câncer de mama.
110 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

Observou-se que em períodos de inibiam o surgimento de adenocar­


grande exposição à luz - por exemplo, cinomas mamários, após a administração
durante o verão - produz-se menor do agente cancerígeno, ou seja, não
síntese de m elatonina que nos chegavam a desenvolver tum ores
fotoperíodos curtos - no inverno e du­ cancerígenos.
rante as noites quando ocorre maior Outros animais a quem havia-se diag­
síntese daquele hormônio. Conhece-se nosticado tumores mamários e que foram
outros “fatores potencializantes”, como submetidos a alguns dos efeitos poten­
a exposição a baixas temperaturas (frio), cializantes da pineal (exposição a baixas
a bulbectomia olfativa (anulação dos temperaturas, anosmia, redução da
sensores olfativos, com o objetivo de ingestão de alimentos e redução do foto-
impedir que cheguem tais estímulos ao período ou exposição à luz) apresentaram
cérebro), a redução drástica de alimen­ um menor desenvolvimento tumoroso
tos e outros menos importantes. que os animais infectados ou sem a pineal.
Procedeu-se à realização de experi­ Paralelamente, aqueles animais que fo­
ências com ratos. Enquanto um grupo ram submetidos ao frio e à redução na
permanecia em condições de vida nor­ ingestão de alimentos e de fotoperíodo
mais - comida abundante, temperatura apresentaram uma regressão completa
quente, muitas horas diárias de luz e dos tumores. Essa regressão foi conside­
percepção dos diferentes estímulos ol­ rada pineal-dependente, pois os tumores
fativos -, outro grupo era submetido a reapareciam se a pineal fosse extirpada.
uma restrição em sua dieta alimentar, Compreendemos agora a im portân­
ao frio, à pouca luz e à bulbectomia cia dessa minúscula glândula em forma
olfativa. Em um terceiro grupo foi su­ de pinha que temos em nosso cérebro.
primida a glândula pineal. Porém, que outros fatores podem
Seria longo explicar todas as implica­ potencializar ou anular as secreções da
ções e resultados desse experimento, pineal?
motivo pelo qual resumiremos a parte BaryWilson, dos laboratórios Battelle
concernente à administração de uma Pacific Northwest, crê que as radiações
substância cancerígena em todos os eletromagnéticas podem afetar drastica­
ratos, a 7.12-dimetilbenzatraceno. Os mente o nível de melatonina nos ratos.
resultados falam por si mesmos. Nos Foi também o primeiro a isolar esse
animais de controle expostos a condi­ hormônio, segregado pela pequena glân­
ções normais, observou-se a proliferação dula pineal, que “em sua opinião” parece
de adenocarcinomas mamários e ou­ ter grandes efeitos anticancerígenos. Wil­
tros desenvolvimentos tum orosos. son expôs ratazanas de laboratório a um
Durante esse mesmo período, os ratos campo elétrico similar ao que alguém
lobotomizados - sem a pineal - desen­ sob uma linha de alta tensão de 765 kV
volveram maior número de tumores pode experimentar. O pico noturno da
cancerígenos, assim como superfícies melatonina declinou em 40% depois de
afetadas mais amplas e períodos de um mês de exposição. Ao desconectar-
latência (tempo transcorrido entre a se o campo elétrico, o nível de melatonina
administração do agente cancerígeno e normalizou-se em poucos dias.
a aparição do tumor) mais curtos. Os Qualquer que seja a fonte dos cam­
ratos subm etidos aos tratam entos pos magnéticos, Wilson adverte que
potencializantes da atividade pineal tais radiações podem interferir em ou­
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 111

tras funções da melatonina, à parte das minada pela freqüência do campo: en­
defesas contra o câncer. O ciclo desse tre 6 e 20 hertz havia mais perda de
hormônio estabelece os ritmos diurnos cálcio, ocorrendo a perda máxima a 16
e naturais do corpo, cuja erupção pode hertz, enquanto em freqüências infe­
provocar fadiga e depressão. A mela­ riores ou superiores os níveis de íons
tonina também estimula o sistema começavam a se recompor. Liboff sabia
imunológico e modula a função dos que, para abandonar uma célula, o íon
órgãos endócrinos (gônadas, pituitária, deve passar por um canal na membrana
timo e hipotálamo). Wilson conclui celular. Ao fazê-lo, oscila em certas
que, se a melatonina suspende as fun­ freqüências características da carga elé­
ções endócrinas, também os campos trica do canal e da carga e massa do
magnéticos podem perturbá-las. mesmo íon. Imaginou que um campo
Abe Liboff, um físico da Univer­ magnético da mesma freqüência pode­
sidade de O akland, realizou um ria ressonar com o íon, elevando de
experimento irradiando igualmente a alguma forma sua energia e dando-lhe
células sadias e malignas, tanto ósseas um empurrão expulsivo extra através
como linfáticas, para observar como os da membrana. Usando uma fórmula
campos magnéticos afetavam seu cres­ para medir a freqüência natural de íons
cimento. Seus resultados sugerem que que atravessam os canais celulares, des­
as radiações induzem ambos os tipos de cobriu que os íons de cálcio que
células a produzirem mais DNA (ácido abandonam a célula têm, realmente,
desoxirribonucléico), sinal de que es­ uma freqüência de 16 hertz, a mesma
tão preparadas para se dividirem. O que corresponde à maior declinação no
incremento de DNA nas células malig­ experimento de Adey.
nas é, com certeza, de três a cinco vezes Para comprovar se essa correspon­
maior que nas células sadias. dência dava-se em outros tipos de íons,
A falta de uma teoria sobre um Liboff e seus colaboradores idealizaram
mecanismo que explique os efeitos um experimento imaginativo, utilizan-
eletromagnéticos sobre as células é um do-se do lítio. Treinaram cinco ratos
dos maiores obstáculos para os pesqui­ para obterem alimento pressionando
sadores. Liboff começa a obter alguns uma vareta entre 16 e 24 segundos,
progressos nessa área: está promoven­ depois de um resplendor de luz e um
do, com cautela, o que chama de “teoria apito. Logo os submeteram a uma com­
da ressonância íon-ciclotron”, baseada binação de dois campos magnéticos,
em trabalhos próprios e de outros, como separadamente a cada um deles; um era
Adey. de corrente alternada, como a típica
Os íons servem como mensageiros linha elétrica, e outro de corrente contí­
químicos que influem em várias fun­ nua, com cerca da metade do campo
ções celulares básicas, desde a magnético natural da Terra. A com­
reprodução à respiração. Em 1976, binação de ambos os campos foi
Adey descobriu que os cérebros de cuidadosamente calculada para ressonar
frangos expostos a certa classe de cam­ com os íons de lítio, que abundam no
pos m agnét icos m ostram um a cérebro.
deficiência de íons de cálcio. A Liboff Depois de 30 minutos de exposição,
intrigou o fato de que a importância os ratos pareceram perder toda noção
dessa diminuição parecia estar deter­ de tempo, empurrando freneticamente
112 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

a vareta a poucos segundos do sinal nos eletromagnéticos e sua influência


audiovisual. sobre os desenvolvimentos biológicos.
Até esse momento, somente um re­
du zid o núm ero de pessoas têm
Conclusões compreendido o alcance e a importân­
cia dessas questões, relacionadas com as
Torna-se óbvia a necessidade de inves­ diferentes energias que nos rodeiam e
tigações mais extensas nesse campo, penetram, que toca todos em geral e
para se saber com exatidão quais são cada um em particular.
todos os riscos potenciais para a saúde Em qualquer caso, está suficiente­
diante da exposição a esse tipo de radia­ mente comprovada a incidência de tais
ções e a outras que nos afetam de uma campos em nossa saúde e, sobretudo,
forma ou de outra. seus efeitos sobre o sistema nervoso
De fato, nesses últimos anos, tem central, endócrino e imunológico, que
aumentado o número de investigações definitivamente são os que nos permi­
sobre os possíveis efeitos biológicos de tem manter o equilíbrio, tanto físico
campos magnéticos de baixa freqüên­ como mental, em todos os momentos e
cia e intensidade, incrementando-se a circunstâncias.
informação de sua repercussão, tanto Fica patente que o campo eletro­
sobre estruturas moleculares como so­ m agnético artificial não pode ser
bre os organismos superiores. catalogado como enfermidade, mas
E evidente, assim mesmo, a necessi­ como o precursor, o elemento dese-
dade urgente de uma norma de proteção quilibrador que nos predispõe e nos
a esse tipo de agressões, assim como um torna vulneráveis a qualquer transtorno
maior desenvolvimento dos meios téc­ funcional. Prepara o terreno para que o
nicos de medição global, parcial e vírus ou a enfermidade possam agir, ou
individual nas investigações biológicas. que o nervosismo ou a depressão insta­
Atualmente, não existe em nosso lem-se em nossa vida cotidiana.
país nenhuma lei ou norma sobre os Ultimamente, fala-se muito da sín­
fenômenos de contaminação eletromag­ drome da fadiga crônica, que afeta
nética; em troca, em países como a numerosos executivos, e procura-se
antiga União Soviética existem leis re­ como responsável um vírus. Cabe o
guladoras sobre tempos máximos de pensamento de que esse transtorno pos­
exposição a diferentes intensidades. sa ter relação com os ambientes de
Na União Soviética, como foi dito, trabalho, rodeados como estão de com­
proíbe-se a construção de moradias a putadores, equipamentos elétricos e
uma distância menor que 110 metros eletrônicos, mobiliário metálico ou de
das linhas de alta tensão. Na Comuni­ plástico e carpetes sintéticos, permane­
dade E uropéia existem som ente cendo-se em edifícios de duvidosa
recomendações de organismos oficiais, salubridade. O que, unido aos altos
e estas ainda situam-se muito abaixo níveis de hiperatividade e estresse, dá
dos índices a partir dos quais nossa poucas possibilidades ao sistem a
saúde se vê afetada. imunológico e de auto-regulagem de
Em nosso entender, as entidades re­ cumprirem suas tarefas.
lacionadas com o meio ambiente devem Não é de se estranhar que algumas
começar a se interessar pelos fenôme­ das investigações mencionadas tenham
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊ N CIA 113

sido refutadas por considerarem que O ideal seria efetuar as medições


os transtornos atribuídos aos campos pertinentes, pois existem linhas sem
eletrom agnéticos correspondiam à sobrecarga que apenas têm alguma per­
presença de um vírus nos animais estu­ da e resultam inofensivas, apesar de sua
dados. Porém, a questão segue a mesma: aparência impressionante. Outras linhas
que fatores de risco têm exercido sua fortemente sobrecarregadas ou mal iso­
ação para bloquear a atividade do siste­ ladas, por outro lado, em que pese
ma imunológico, sabendo-se que este é apresentarem dimensões reduzidas, po­
capaz, em condições normais, de fazer dem chegar a ser m uito problemáticas.
frente a qualquer elemento adverso? Observou-se que o campo eletro­
A seguinte questão consiste em magnético gerado pelas linhas de alta
averiguar-se o nível de alteração ele­ tensão não se distribui uniformemente
trom agnética que existe em nosso ao seu redor, mas que aproveita as
dom icílio ou local de perm anência próprias linhas de força do campo mag­
prolongada, e com o nos p ro teg e r­ nético terrestre, sendo (no hemisfério
mos dela ou evitá-la no caso de ser norte) mais problemática a vertente do
excessiva para nossa saúde. sul da linha.
Também temos constatado que li­
nhas H e as diferentes alterações telúricas
Fontes de radiações elétrica e aumentam sua perniciosidade na proxi­
eletromagnética artificiais midade de tais instalações.

Linhas aéreas de transporte e distribui­ Linhas elétricas subterrâneas


ção de energia elétrica de alta e média
tensão Ao estarem constituídas por cabos iso­
lados e telados (coaxiais), não geram
Essas linhas são consideradas suspeitas campo elétrico fora delas. Se os cabos
de provocar a maioria dos transtornos das três fases estão trançados correta­
por contaminação elétrica e eletromag­ mente, o campo eletromagnético é in­
nética, enquanto em muitas ocasiões ferior ao gerado por uma linha aérea de
não encerram nenhum perigo para os características similares. Não obstante,
moradores das casas próximas. se estiverem sobrecarregadas e /o u a
Sua periculosidade depende da ten­ corrente de suas três fases está desequi­
são, da intensidade e da sobrecarga a librada, geram um campo eletromag­
que estão submetidas, assim como da nético importante.
umidade do ambiente. Tam bém são Os principais problemas desse tipo
im portantes a qualidade e a limpeza dos de linhas são sua proximidade das pes­
isolantes e a correta constituição e ma­ soas, a dificuldade de se saber por onde
nutenção das conexões das torres à circulam exatamente e a possibilidade
terra. de indução com outras redes de baixa
Com o regra geral, utilizaremos as tensão: telefone, água, gás, etc.
recomendações alemãs, que aconselham Por não estar corretamente dim en­
uma distância de segurança da torre ou sionada ou desequilibrada a potência
da rede elétrica de 1 metro para cada (amperagem) entre as distintas fases,
quilovolt ( 1.000 volts) de tensão da pode-se gerar intensos campos eletro­
linha. magnéticos.
114 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

IN C ID Ê N C IA DOS CAMPOS ELETR O M A G N ÉTIC O S

Cabos elétricos
1.500 nanoteslas

Lâmpada halógena
250 nanoteslas

Lavadora de roupas
Inferior a 150 nanoteslas
Barbeador
Inferior a 300
nanoteslas

Densidade do fluxo
eletromagnético a 1 m etro

Secador de cabelos |
1.000 nanoteslas

Geladeira
Inferior a 100 nanoteslas
Aspirador de pó
Televisor
2.000 nanoteslas
Inferior a 150 nanoteslas
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 115

industriais, en q u an to nas grandes


cidades podem os encontrá-los “cam u­
Distância aconselhada entre um a residência e as flados” entre as moradias (reconhecíveis
linhas de alta tensão.
por seus “zum bidos” ).
c) Transformadores de rede. C on­
Transformadores vertem a média tensão de distribuição
na tensão comercial apta para o uso
Em geral, as companhias elétricas industrial e doméstico, de 380 e 200
têm transformadores em: volts.
Esses transformadores estão nos bair­
a) Centrais de produção, para elevar ros, próximos aos usuários, em abrigos
a tensão dos alternadores (máquinas e às vezes suspensos entre postes.
que convertem a energia mecânica em
elétrica) alta tensão de transporte (em Dos transformadores de rede o b ­
torno de 400 kV). tém -se o co n d u to r n eu tro , que é
A alta tensão permite economizar o conectado à terra. Se o aterramento
transporte de grandes quantidades de (que é de responsabilidade da com pa­
energia a longas distâncias. nhia elétrica ou do proprietário da
As centrais de produção costumam si­ estação transformadora) é defeituoso
tuar-se afastadas das zonas habitadas (em ou está mal conservado, pode-se ter
outra ocasião escreveremos sobre elas). perigosas “tensões de passo” , ou altos
b) Centros de distribuição. Aqui con­ gradientes de potencial elétrico na su­
verte-se a alta tensão de transporte em perfície do terreno.
média tensão de distribuição (em torno Os fusíveis de média tensão, que pro­
dos 25 kV). tegem os transformadores e a rede elétrica
Os centros de distribuição encon- contra sobrecargas e curtos-circuitos,
tra m -se n o rm a lm e n te em zo n as podem explodir estrepitosamente ao fun­
116 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

dir-se, enquanto ignoramos se, susto à Linhas de baixa tensão e iluminaçao


parte, podem produzir danos. pública
Os transformadores antigos usam
para sua refrigeração óleos minerais que, Referimo-nos às que circulam pelas fa­
ao superaquecerem -se, desprendem chadas e sótãos dos edifícios ou, pior
gases tóxicos e que além disso podem ainda, próximas aos balcões ou janelas.
incendiar-se. As instalações antigas são constituídas
Outros efeitos prejudiciais para a saú­ por cabos “nus” (sem revestimento iso­
de, d esd en h ad o s com dem asiada lante), suportados por isolantes de
freqüência, são os ruídos e micro- cerâmica ou vidro, submissos a postes ou
vibrações que produzem alguns desses a “bolotas” fixadas nas paredes de suas
equipamentos quando submetidos a fachadas. Têm o perigo de eletrocussão
sobrecarga. E nquanto essas micro- por contato direto ou indireto, através
vibrações só afetam de forma tangível de objetos metálicos longos. Quando se
as pessoas mais sensíveis, o restante dos distendem, podem estabelecer contato
vizinhos do transformador as acusam com outras linhas (telefônicas, por exem­
na forma de nervosismo ou crescente plo) ou com partes metálicas acessíveis
surdez, que são os mecanismos de (postes de iluminação ou sinalização,
regulagem que nosso organismo em ­ partes metálicas de edifícios, etc.). Em
prega para proteger-se de tal agressão. dias de vento, os cabos podem se cruzar
A contaminação elétrica e eletromag­ ou comunicarem-se através de objetos
nética é m uito variável, pois depende que voam, originando incêndios.
tanto da potência do transformador A m aio ria dessas linhas estão
como da sobrecarga a que se submete. dimensionadas para cargas e /o u ten ­
Com o distâncias de segurança, acon­ sões inferiores às que suportam, e são as
selhamos de 15 a 40m , segundo o mais preocupantes. Em certas ocasiões,
tam anho e a potência. Exceto em casos as mesmas cargas a que estão subm eti­
isolados, não é habitual encontrar-se das fazem com que rompam-se os cabos
alterações do campo magnético a mais ou os suportes, dando um ou outro
de 40m dos transformadores. susto nos vizinhos e supondo um sério
As perdas de campo elétrico não são perigo para os transeuntes. Sempre que
freqüentes devido às blindagens e co­ encontrarmos um cabo rompido que
nexões à terra que se em pregam , possa estar tensionado, rodando no solo
enquanto tivemos algumas surpresas (especialmente se nevou ou choveu),
em instalações defeituosas. devemos desviar, não nos aproximando
Os novos materiais de isolamento a mais de lOm dele e avisando imedia­
dos campos eletromagnéticos (nu-me- tamente ao serviço de emergência.
tal) p o d eria m so lu c io n a r alg u n s Essas linhas provocam uma grande
inconvenientes dos transformadores. variação de contaminação elétrica e ele­
Especialmente perniciosa pode ser a tromagnética, e de novo tornam -se a
alteração elétrica e eletromagnética pro­ sobrecarga e o desequilíbrio entre as
duzida pelas estações retificadoras, que três fases os maiores culpados das fortes
fornecem energia aos trens e a certos alterações detectadas.
processos eletrolíticos industriais, pois Nesse assunto, tam bém aconselha­
geram uma ondulação residual de so­ mos realizar-se as medições adequadas,
mente 16,7 ou 20 hertz de freqüência. que eliminarão as dúvidas.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 117

Uma versão mais suave dessas dis­


paratadas linhas são os cabos com
revestimento isolante, que eliminam o
perigo de eletrocussão e geram um
campo elétrico muito inferior.
As instalações recentes são constituí­
das por cabos com revestimento isolante
de baixas perdas e com as três fases
entrelaçadas, o que reduz enorm em en­
te sua periculosidade e sua radiação
elétrica e eletromagnética.
As instalações de baixa tensão soterradas
não são demasiadamente preocupantes.

Antenas de transmissão de rádio e televisão

Geram campos elétricos e eletromag­


néticos m uito fortes, se bem que sua
freqüência é m uito elevada e, portanto,
longínqua da biológica.
A tendência da radiodifusão em fre­
qüência modulada (FM ), assim como o
deslocamento da televisão para a banda
das freqüências ultra altas (U H F), tem
perm itido a redução drástica da potên­
cia das emissoras e, com isso, seus efeitos
perniciosos. Não obstante, ainda exis­
tem emissoras de rádio em amplitude
modulada (AM) com enormes antenas
próximas a núcleos habitacionais, onde
seus moradores estão submetidos a gran­
des influências. Em um bairro periférico
de Barcelona, situado sob uma grande
antena de mastro, radiante de uma im­ com os discos compactos. Com isso, a
portante emissora de rádio, pudemos potência das emissoras poderá ser dim i­
comprovar como os ocupantes das fa­ nuída em 50 vezes. Além disso, cada
velas iluminavam-se “gratuitam ente”, programa se utilizará de uma banda
simplesmente colocando em pé tubos quatro vezes mais estreita que a atual de
fluorescentes estragados, conectados a freqüência modulada.
uma malha metálica que fazia-se de E possível que as emissões reali­
antena e uma tom ada de terra. Pode­ zem-se a partir dos satélites artificiais
mos imaginar o campo elétrico a que de com unicação.
estavam expostas as pessoas! Tudo isso tem, evidentemente, um
N um futuro próximo, o som da ra­ custo: a dependência tecnológica. Uma
diodifusão será codificado de forma emissão de rádio em modulação de
digital (DAB), como se faz atualmente amplitude (AM) poderia ser ouvida com
118 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

um pedaço de galena, um ponteiro, Um vizinho pode se tornar incôm o­


uma bobina e um par de fones de ouvi­ do sem ter a intenção de ser, e mesmo
dos. Para a decodificação de freqüência não sendo consciente disso.
modulada é preciso alguns tantos tran­ Um televisor em cores (especialmen­
sistores. A decodificação digital emprega te os de tela de grandes dimensões),
circuitos integrados complexos, que encostado com sua parte traseira na
som ente três ou q u atro em presas parede que nos separa do vizinho, pode
multinacionais podem desenvolver. transmitir através dela campos eletro­
A montagem de ant enas emissoras magnéticos moderados.
centralizadas em forma de “pirulitos” Assim com o ouvimos a tosse do
(torres de telecomunicação), afastadas vizinho adjacente a nosso dorm itório,
da população, parece-nos benéfica sem­ podem os perceber os efeitos de seu
pre e quando a reflexão das ondas não radiorrelógio sobre nossa cabeça.
se concentrem em seu domicílio. Especialmente perturbadores podem
Podem ser especialmente perigosas ser os consultórios médicos situados
as emissões descontroladas de ra- em edifícios residenciais, dotados com
dioaficcionados, inex p erien tes ou aparelhos de raios roentgen (raios X) e
desconsiderados, que emitam em zo­ outros equipamentos de radiações.
nas habitadas, fazendo ostentação de Já comentamos as possíveis moléstias
“potência” . A proliferação de emisso­ originadas pelos radioaficcionados,
ras ilegais, tanto de radiodifusão como emissoras da polícia, de radiotáxi, de
de radiocomunicação ou de enlace tele­ mensageiros, etc.
fônico, aum enta os riscos expostos. As pequenas indústrias e oficinas si­
Os enlaces de telecomunicação por tuadas geralmente nos andares baixos
microondas (antenas parabólicas de emis­ dos edifícios residenciais podem ter
são) deveriam ser totalmente direcionais, m otores elétricos com coletor ou com
porém sempre têm um cone de dispersão variável eletrônico de velocidade, que
que facilita sua instalação; por isso não em bora sejam de pequena potência,
deveríamos nos situar no trajeto entre podem transmitir perturbações eletro­
duas estações, nem nas proximidades magnéticas de comutação e freqüências
dos prolongamentos de sua direção. harmônicas, pela rede com um de dis­
As antenas receptoras, por maior tribuição elétrica.
envergadura que ofereçam, não têm
nenhum efeito pernicioso.
A instalação elétrica da residência
Vizinhos incômodos
Talvez estejamos preocupados com a
Costumamos chamar de “vizinhos in­ linha que passa em frente a nossas
côm odos” aqueles que transmitem-nos janelas, quando o problema real temos
ruídos através das finas paredes, tetos e na instalação elétrica de nossa própria
pisos de nosso apartamento, especial­ casa.
mente nas horas de descanso. Em mais da metade das residências
Essa definição pode ser estendida estudadas pelo C M IG (Centro M edi­
considerando que existem “ruídos” não terrâneo de Investigação Geobiológica)
audíveis, como campos eletrom agnéti­ e pelos membros da GEA (Associação
cos e outras radiações. de Estudos Geobiológicos) descobriu-
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 119

INSTALAÇÃO DA RESID ÊN CIA Televisor e outras telas de tubo de raios


catódicos

Embora todos sejamos conscientes de


que as telas de televisão e as de tubo de
raios catódicos dos computadores em i­
tem pequenas doses de radiações
ionizantes - raios X - , acabam os
minimizando sua importância em rela­
ção à saúde.
O problema é preocupante quando
trata-se de longos períodos de exposi­
ção, com o ocorre com as pessoas
obrigadas a passar várias horas em fren­
te ao com putador ou os meninos e
meninas que assistem m uito a televisão.
A radiação é a causa da elevada tensão
de aceleração eletrônica do tubo (da
ordem de 40 kV), que depende do
tamanho deste. E m uito m enor nos
tubos monocromáticos (de uns 15 kV).
A exposição depende da distância de
nosso corpo (especialmente da cabeça)
à tela. Isso é crítico no caso dos meni­
nos e meninas que permanecem no
chão, m uito próximos do televisor (in­
clusive quando não o assistem!), e das
pessoas que trabalham com as grandes
telas coloridas dos equipamentos de
informática gráfica.
R ecom endam os, m u ito encare-
cidamente, que somente utilizem-se de
se instalações elétricas defeituosas. So­ telas coloridas nos computadores quan­
bretudo nas mais antigas, não adaptadas do a aplicação da informática requeira.
às normas do Regulamento Eletrônico Essa medida deveria estender-se às es­
de Baixa Tensão, de cum primento obri­ colas.
gatório para as novas edificações. A temida radiação X, filtrada em
Muitas delas careciam de quadro de grande parte nas novas telas, há que
com ando e proteção, e tam pouco ti­ acrescentar-se o forte campo eletro­
nham conexão com a terra. magnético gerado pelo transformador
N ão é de se estranhar, por isso, que de alta tensão e pelas bobinas de deflexão
sejam m uitos os perigos e transtornos do tubo de raios catódicos.
derivados de tão defeituosas in s ­ Q uando perm anecem os sentados
ta laçõ e s. T oda essa prob lem ática diante do televisor, somos irradiados
abordarem os no capítulo dedicado à por uma gama de freqüências: uma
bioconstrução. base de 50 ou 60 hertz, outra varredura
120 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

MEDIDAS D E PRECAUÇÃO C O M A E L ETR IC ID A D E CASEIRA


O uso da eletricidade encerra sérios perigos quando é utilizada incorretam ente e sem precaução.

A eletrocussão de um pessoa pode sobrevir quando, por exemplo, toca um cabo desencapado ou um
aparelho com defeito em seu circuito elétrico, ao manipular um contato ou uma lâmpada, estando
descalço ou com o solo molhado. Com um a tensão geral de 220 volts, um a descarga elétrica pode
induzir desde um a leve cãibra até a m orte por parada cardíaca.

A maior ou m enor gravidade das feridas dependerá de vários fatores, como: estado da superfície
cutânea (seca, úmida ou m olhada), a dureza da epiderme, a trajetória da corrente, a superfície e o
tem po de contado, a idade, o sexo, o peso, a quantidade de álcool no sangue e o isolamento (luvas,
sapatos, etc.).

Medidas a serem tomadas:*

a) S em pre q u e realizar c) N ão abusar dos cha­


qualquer reparo ou mani­ m ados “ benjam in s” f) D ispor de um condutor
pulação da instalação (tom adas m últiplas). de aterram ento em to ­
elétrica, desconectar o U m a to m a d a te m das as bases das tomadas.
interruptor geral e com ­ um a am peragem m á­ Esse co n d u to r deverá
provar a ausência de xima e não deve ser chegar às carcaças de
tensão. Advertir os de­ sobrecarregada, conec- todos os aparelhos ele­
mais sobre o risco de tando-lhe demasiados trodomésticos que não
conectar ou colocar um aparelhos, sobretudo têm o símbolo gravado
cartaz para que ninguém se consum irem m uita (duplo isolamento).
restabeleça a corrente. eletricidade.
g) Comprovar que as tu b u ­
b) Não ligar nem desligar d) N ão sobrecarregar as lações metálicas de água
da tom ada aparelhos elé­ linhas, ultrapassando a (quente e fria), do chu­
tricos q u a n d o estiver quantidade de eletri­ veiro, do tanque, lavabo,
descalço, m olhado ou cidade contratada. etc.,estejam conectadas
mesmo suado. Secar as entre si e a terra, m edi­
mãos antes de utilizar e) Com provar o funcio­ ante condutor.
aparelhoselctricose nun­ nam ento autom ático
ca usá-los estando na do interru p to r dife­ h) Proteger os cabos exter­
banheira ou na ducha. A rencial, ao m enos a n o s com p r o te to r e s
água é condutora de ele­ cada semana, pulsan­ rígidos (canaletas rígi­
tricidade por excelência. do o botão de teste das à venda em lojas de
Um gesto tão com um que tem incorporado. ferragens), para que não
com o abrir a torneira de Ao pressionar este b o ­ se descasquem nem re­
água, enquanto barbeia- tão, é liberada uma cebam golpes.
se com um barbeador intensidade de 0,003
elétrico, tem ocasionado ampères, o suficiente
muitos acidentes. paraque salte se estiver
em perfeitas co n d i­
ções.

*Fontes: Revista Estar Melhor e M anual Completo de Faça Você Mesmo, Ediciones dei Prado.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 121

trostático. Longe de supor que tratam-


se de dispositivos d irecionados à
proteção do operador, esses sistemas
foram concebidos para salvaguardar os
delicados circuitos eletrônicos de al­
g u n s a p a re lh o s e e q u ip a m e n to s
sensíveis. Os circuitos biológicos das
pessoas são tratados sem cuidado! Por
sorte, também protegem-se com essas
medidas antiestáticas. Os filtros cro­
máticos polarizados facilitam a visão,
ao evitar os reflexos da luz ambiente
sobre a tela.
O cansaço ocular é produzido não
somente pela concentração da visão em
um espaço reduzido, como também
pela vibração da imagem, que aparece e
de uns 17 quilohertz, e outras. Esses desaparece 5 0 ou 60 vezes por segundo.
cam pos eletrom agnéticos não são Em 1988, a doutora Marilyn Gold-
unidirecionais, mas repartem-se glo­ haber publicou um inform e onde
balmente ao redor do aparelho. Deve-se resumia o estudo efetuado entre 1.583
ter presente que essa radiação eletro­ mulheres, num período de três anos. As
magnética apenas conhece as barreiras, que haviam sido submetidas à radiação
pelo que uma parede não será obstácu­ das telas dos com putadores, durante
lo para ela. períodos superiores a 20 horas sema­
Se o vizinho tem o seu televisor nais, sofreram estatisticamente o dobro
encostado à parede contínua à cabecei­ de abortos do que as que não recebe­
ra de nossa cama, sua radiação irá nos ram tal radiação.
alcançar. A partir de cinco horas diárias de
Os bebês são m uito mais sensíveis a exposição à tela, observaram-se por­
essas radiações. Separemo-los dos m en­ centagens de má-formações genéticas
cionados aparelhos, mesmo que estejam dos fetos, comparando-se com as de
em aposentos contínuos. mulheres não submetidas à radiação.
Com o distância de segurança, acon­ Naturalm ente, o tema provoca bur-
selha-se o equivalente à multiplicação burinhos e as grandes empresas de
por seis da longitude diagonal da tela. informática e telecomunicação em pre­
A eletricidade estática das telas pode enderam uma feroz campanha para
descarregar-se com filtros conectados à convencer da inocuidade de seus apare­
terra, evitando assim que nossa face seja lhos e da inconsistência das investigações
bombardeada continuamente por partí­ que consideram prejudiciais à saúde as
culas de pó carregadas de eletricidade, telas de tubos de raios catódicos.
que são repelidas pela superfície da tela e A repressão chegou inclusive a impe­
descarregam -se crepitando em nossa pele. dir que um investigador, o doutor
Existem pulseiras condutoras com Hakon Frõlen, um dos mais célebres no
conexão à terra que evitam que o corpo estudo dos efeitos da radiação das telas,
suporte diferenças de potencial ele- apresentasse seus trabalhos na II C on­
122 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

ferência Científica Internacional sobre assim como alterações hormonais, cãi-


o Trabalho com Com putador, que rea­ bras, abatimento, etc., para nom ear
lizou-se em M ontreal em setembro de alguns dos transtornos mais freqüentes.
1989, devido aos resultados de seus As telas de cristal líquido (LCD ) são,
estudos que evidenciavam os alarmantes talvez, a solução ideal para os com puta­
efeitos das radiações eletromagnéticas dores, pois esse sistema utiliza baixas
dos tubos de raios catódicos sobre o tensões e não geram campos elétricos
desenvolvimento dos embriões de rato. nem eletromagnéticos importantes.
Graças à insistência do presidente do Lástima que as grandes m ultina­
Instituto Sueco de Segurança no Tra­ cionais da eletrônica de consumo ainda
balho, “autorizaram -no” a apresentar não se convenceram de seu uso nos
seus resultados em uma saleta perdida televisores domésticos.
nos fundos do Palácio de Congressos, A m ania pela televisão de alta
enquanto um hom ólogo sujo, subven­ definição dificultará essa m udança
c io n a d o p o r um fa b ric a n te de tecnológica, que acabaria com a última
computadores, pedia na grande sala aplicação das válvulas/tubo de vácuo e
plenária que “fossem abandonadas” as suas incômodas altas tensões.
investigações a respeito.
A resistência sistemática e a falta de Despertador e radiorrelógio
subvenção para os trabalhos de investi­
gação, que possam alarmar ou pôr em Trata-se de alguns dos aparelhos que,
dúvida a inocuidade de tais aparelhos, apesar de sua aparente inocuidade, p o ­
são o que definitivamente permitem aos dem nos causar grandes transtornos,
organismos oficiais e aos de proteção ao devido à grande proximidade de nossas
trabalho assegurarem que as telas de cabeças aos lugares onde costumamos
tubos de raios catódicos não causam colocá-los.
nenhum transtorno a seus usuários. A má qualidade de seus transfor­
E isso, apesar das constantes queixas m adores internos gera um cam po
das “vítimas” , que sofrem de enxaque­ eletromagnético surpreendentem ente
cas, fadiga ocular, insônia, reações elevado.
cutâneas, ressecamento da córnea nos A exposição de oito horas seguidas
usuários de lentes de contato, cansaço e pode justificar as insônias e dores de
esgotamento geral sem razão aparente, cabeça, assim com o a fadiga que, pela
manhã, alguns usuários acusam.
Os aparelhos alimentados com pi­
Radiorrelógio despertador lhas ou o afastamento dos que são
conectados à rede elétrica evitarão tais
transtornos.
A distância de segurança aconselha­
da é de l,5m .

Estufas elétricas e calefação elétrica ra ­


diante

A grande variedade de modelos e siste­


mas existentes, como resistências, acu-
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊ N CIA 123

Estufa elétrica Devemos recordar, além disso, que a


calefação elétrica é a que result a mais
cara.

Fornos de microondas

A intensa batalha publicitária fez desse


artigo um dos de maior venda e uso nos
últimos anos.
Embora a controvérsia sempre o te ­
nha acompanhado, soube ocupar seu
espaço no arsenal de “aparelhos im­
prescindíveis” do lar moderno.
muladores, radiadores de fluido térm i­ O potente campo eletromagnético
co, etc., impede-nos de generalizar (ver do “m egatron” , gerador das micro­
o capítulo sobre bioconstrução). De o ndas, não pode ser considerado
todos os modos, aconselhamos o maior problemático devido ao pouco tempo
afastamento dos aparelhos e dos cabos de exposição a que nos submetemos,
que os alimentam, assim como uma exceto os trabalhadores de lanchone­
correta conexão de proteção à terra. tes, bares e restaurantes, que a cada dia
Os aparelhos de calefação são prova­ fazem uso maior desse aparelho, cujo
velmente os de maior consumo elétrico funcionamento possivelmente seja cons­
da residência, por isso, as instalações tante.
que os alimentam deverão estar bem O perigo reside nas fugas de micro­
dimensionadas, evitando-se as cone­ ondas - mais freqüentes do que se crê
xões grosseiras que podem provocar habitualmente - , o que deveria induzir-
incêndios. nos a controlar o forno com certa
A calefação elétrica radiante, tão em periodicidade: uma vez ao ano, pelo
m oda e instalada em porões e tetos de menos. Além disso, encontra-se insta­
muitas residências é totalm ente desa­ lado geralmente na altura da cabeça das
conselhada; a contaminação elétrica e pessoas.
eletromagnética que produz é m uito Pensem os que se um a criança abrir
superior à de qualquer linha de alta o aparelho em fu n cio n am en to e por
tensão. infelicidade não se desco n ectar au-
N ão o bstante, as radiações ele­
tro m a g n é tic a s p o d e m re d u z ir-se
Forno de microondas
consideravelmente, intercalando um cir­
cuito retificador que converta a corrente
alternada em contínua.
A propaganda das companhias elé­
tricas nos informa que a calefação elétrica
é a mais limpa. Isso é certo em nosso
domicílio, porém na realidade delega­
mos a responsabilidade de sua “limpeza”
à forma com o essas companhias geram
a energia.
124 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

to m aticam en te, p o d e causar-lhe ce­ dos, embora não será demais levá-los
gueira em q uestão de segundos. em conta.
Um estudo realizado no verão de
1990, em bares e lanchonetes de Paris, Fogões e fornos de indução
revelou que mais de 2 0 % dos aparelhos
apresentavam fugas de microondas aci­ Funcionam aquecendo os recipientes
ma do permitido. ferromagnéticos que contêm os alimen­
O utro informe publicado na Ingla­ tos. Se os recipientes são adequados,
terra, no mesmo verão, alarmou a têm um alto rendim ento energético,
opinião pública e os serviços médicos pois não se desperdiça calor.
ao comprovar que os casos de infecções Geram campo eletromagnético, p o ­
alimentares entre os usuários de micro­ rém por serem aparelhos de surgimento
ondas superavam em mais de 300% a m uito recente, não dispomos de dados
média estatística. sobre sua tolerância.
A resposta dos fabricantes e de al­
guns epidemiologistas foi que a causa M antas elétricas, ventiladores, secadores
não residia nos aparelhos, mas no hábi­ de cabelo, robôs de cozinha, radiogra-
to dos usuários, que consumiam mais vadores e outros aparelhos
produtos pré-cozidos ou só requenta­
vam ligeiramente os alimentos. Em bora alguns desses aparelhos pos­
O forno de microondas aquece toda suam m otores potentes ou transform a­
a massa do alimento, fazendo vibrar dores geradores de intensos campos
suas moléculas aquosas; por isso, ao eletromagnéticos, seu uso restrito ou a
não transmitir o calor pela superfície, escassa exposição não nos perm ite
pode aquecer-se completamente um considerá-los problemáticos ou peri­
alimento sem chegar à tem peratura de gosos. Exceto as mantas elétricas, que
esterilização, de 70°C, e isso permite permanecem conectadas - em bora es­
que proliferem bactérias e germes noci­ tejam desligadas pois o forte campo
vos, como salmonelas, listéria, etc. elétrico (ou eletromagnético, quando
Esse efeito secundário do microon­ em funcionamento) supera em m uito
das nada tem a ver com a eletricidade ou as doses toleráveis. A regra segue sendo
os campos eletromagnéticos aqui trata- o afastamento e a desconexão quando
não estiverem em uso.
Secador de cabelos elétrico
Lampadas

a) Os tubos e lâmpadas fluorescentes


são os de melhor rendim ento e alguns
chegam a qualificar-se de “ecológicos”
(exceto por sua fabricação, claro). Uma
lâmpada fluorescente atual, de 18 watts,
fornece a mesma intensidade luminosa
que um bulbo incandescente de 100
watts.
Produz-se uma descarga elétrica no
interior do tubo ou da lâmpada, em um
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 125

ambiente de vapor de mercúrio à baixa desenho, leitura, escrita e onde requei­


pressão. Essa descarga origina luz ra-se concentrar a visão num espaço
ultravioleta, que o pó fluorescente com reduzido.
que está revestida a face interior do Tampouco deverá se iluminar com
tubo converte majoritariamente em luz lâmpadas fluorescentes as máquinas com
visível, aum entando sua longitude de movimentos rotativos ou alternativos
onda. Em bora esse pó continue se cha­ rápidos, pois o efeito estroboscópico
m ando fluorescente, atualmente não é induz à confusão na percepção da velo­
mais produzido com flúor. cidade dos elementos móveis, podendo
Para limitar a corrente na descarga dar, inclusive, a sensação de estarem
gasosa e para elevar a tensão nos tubos parados.
longos, em pregam-se indutâncias e Pode-se diminuir a vibração da luz
autotransformadores, conhecidos pelo m ontando-se juntos, à distância sufi­
mesmo nome genérico de “reatores” . A ciente do usuário, três tubos iguais
má qualidade de sua construção e dos conectados a fases distintas, com o que
materiais empregados faz com que gerem a luz instant ânea global será constante.
campos eletromagnéticos importantes, Se som ente dispõe-se de corrente
que também estão presentes em lâmpa­ monofásica, pode-se instalar dois tubos
das compactas, com a agravante de que juntos, intercalando um condensador
estas são usadas a menor distância. entre as conexões de seus reatores.
Para grandes instalações de ilu­ A instalação de um condensador de
m inação com tu b o s fluorescentes, correção do fator de potência conectado
aconselhamos centralizar os reatores
num armário metálico com um, afasta­
do das pessoas, em bora isso aum ente e Tubos fluorescentes
complique o cabeamento da instalação.
Ao tratar-se de luz originada em
um a descarga elétrica, em um gás ou :-r " ..111...u-u»...
luz fria, não existe a “inércia térm ica” ,
incendiando-se e apagando-se instan­ Lâmpada halógena
taneamente. Por isso, ao conectar os
tubos e lâmpadas fluorescentes à cor­
rente alternada, o arco elétrico e a
emissão de luz produzem -se e apagam-
se no mesmo ritmo que a mudança de
polaridade da tensão, 100 ou 200 vezes
por segundo. A essas freqüências nos­
sos olhos vêem a luz como se ela fosse
contínua, porém na realidade é pulsante.
Nossos nervos ópticos, que ajustam a
abertura da íris ao nível da iluminação,
vibram originando a fadiga ocular. Já
com entam os outros efeitos dos estímu­
los de freqüências similares às cerebrais.
Em geral, desaconselhamos esse sis­
tema de iluminação para atividades de
126 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

ao reator sempre é benéfica, pois dim i­ radiações ultravioleta dos tubos fluo­
nui a corrente de trânsit o, chamada rescentes são capazes de matar cultivos
reativa, que não produz energia mas de células e aum entam em nove vezes a
aquece a instalação e aumenta o campo taxa de indução de câncer em hamsters
eletromagnético. de laboratório.
O campo elétrico livre, ou eletros-
tático, emitido pelos fluorescentes pode b)As lâmpadas incandescentes são
ser corrigido ou eliminado, telando os de menor rendim ento que as fluores­
tubos com uma pequena rede metálica centes e as halógenas, porém não ge­
e conectando as próprias luminárias à ram campos eletromagnéticos, em bora
terra. induzam campos elétricos que deve­
O utro inconveniente desse sistema mos evitar afastando-nos ou estabele­
de iluminação é a estreita faixa do cendo a conexão à terra.
espectro luminoso abrangido, que difi­ E freqüente encontrar lâmpadas de
culta a discriminação das cores e produz cabeceira e de criado-mudo, cujos in­
maior cansaço ocular que as lâmpadas tensos campos elétricos são induzidos à
incandescentes. pessoa que dorm e, que não tem a pos­
Alguns pesquisadores são contrários sibilidade de descarregar-se à terra
à iluminação com tubos fluorescentes. devido ao isolamento que pressupõe a
O doutor John Deman, da Universida­ cama.
de de Guelph, em Ontário (Canadá), O uso de somiês e estruturas metáli­
sustenta que a luz fluorescente instala­ cas propaga melhor as cargas elétricas,
da em áreas de alimentação tem um assim como o uso de fibras sintéticas.
efeito nefasto no sabor e valor nutritivo Aconselhamos, portanto, a madeira e as
dos alimentos expostos, particularmente fibras naturais não-condutoras.
sobre queijos, manteiga, leite e azeite. O “truque” ou o remédio, se o tipo
Segundo afirma, o sabor do leite desa­ de distribuição da companhia elétrica o
parece em três horas de exposição e permitir, consiste em controlar o inter­
destrói-se a vitamina C; na manteiga, ruptor da lâmpada: este corta somente
também as vitaminas A e D são rapida­ um dos condutores. Se coincide com o
mente destruídas. Desconhecemos se neutro, pelo outro cabo circulará um
esse efeito transmite-se aos alimentos campo elétrico que descarregará o ar
enlatados. através de toda a estrutura da lâmpada.
Tanto educadores franceses como Isso não acontece quando o interrup­
norte-americanos coincidem em que a tor corta o cabo de fase (ver p. 166).
iluminação das salas de aula das escolas,
com tubos fluorescentes, agrava a ins­ c) As lâmpadas halógenas não indu­
tabilidade e a irritabilidade dos meninos zem campo elétrico por conectarem-se
e meninas nervosos, que com outro a tensões reduzidas, porém seu trans­
tipo de luz tornam-se mais calmos e formador gera intensos campos eletro­
cooperativos. Ignoramos se a radiação magnéticos.
eletromagnética dos reatores influi nes­ Se restringir-se seu uso ou afastar-se
se processo ou somente é motivado o transformador não torna-se preo­
pelo tipo de luz. cupante, além disso, levando em conta
Especialistas da Universidade do que a qualidade de sua luz é m uito
Missouri (EUA) descobriram que as agradável.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 127

O tran sfo rm a d o r das lâm padas empresas a adotarem a tensão de 220 V,


halógenas somente entra em funciona­ frente à de 125 que se usa na América.
m ento quando as acendemos. Seria A anarquia generalizada de muitos
desejável um dispositivo similar nos fabricantes, vendedores e usuários de
pequenos receptores de rádio, radio- aparelhos elétricos, assim com o a
gravadores ou equipamentos de música, reconversão da rede de 125 a 220 V,
cujos transform adores perm anecem obriga que em muitas residências se use
conectados e em funcionamento, apesar transformadores de 125 a 220 V, ou
do aparelho estar desligado. Procura­ vice-versa.
remos, portanto, desligá-los da rede T rata-se de transform adores de
sempre que não façamos uso deles. grande potência e excessiva emissão
Algumas lâmpadas halógenas já se de cam pos eletrom agnéticos, m otivo
equipam de transformadores toroidais, pelo qual procurarem os m antê-los
que encerram o campo magnético no afastados dos locais de perm anência
próprio circuito e geram apenas pertur­ prolongada.
bação eletromagnética. Os transformadores toroidais desta­
R ecentes investigações desacon­ cam-se por suas três virtudes: maior
selham as lâmpadas halógenas sem rendim ento, m enor consumo e míni­
cristal protetor que filtre as problem á­ ma contaminação eletromagnética.
ticas radiações ultravioleta.
Conselhos úteis
Transformadores domésticos de corrente
elétrica Com o prevenção diante dos riscos
da contaminação eletromagnética, p o ­
A “tensão” na corrente elétrica é o demos resumir uma série de medidas:
mesmo que a “pressão” no transporte
de água através de um encanamento: - Afastarmo-nos um mínimo de 150m
com maior pressão, maior caudal trans­ de linhas de alta tensão, assim como
portado com o mesmo diâmetro de de antenas repetidoras, transmissoras
tubulação. de rádio, radares, etc.
O uso de tensões altas permite o - Eliminar a corrente elétrica em nossa
transporte de maiores quantidades de residência durante a noite ou instalar
eletricidade, com cabos de m enor se­ um sistema de desconexão automático.
ção. Esse princípio tem levado as - Afastar-se de cabos transportadores
de 380 volts.
- Afastar da cabeceira da cama o reló­
500 W
gio elétrico, o rádio e qualquer apa­
relho conectado à rede, a um raio de
70cm no mínimo.
- Afastar-se da lava-louças, do forno
de microondas, da lavadora de ro u ­
pas e do televisor quando estiverem
em funcionamento, a uma distância
de 1 m; assim mesmo, afastar-se 70cm
- da tela do com putador e 90cm de
Transformador doméstico de corrente 125-220volts. suas partes laterais e posterior.
128 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

Eletricidade e terapêutica eletrobiológico” , na qual propunha que


o sistema de controle que regulava a
Seria injusto acusar a eletricidade e o cura era elétrico.
eletromagnetismo de serem elementos O doutor R. Becker construiu algu­
daninhos e destruidores, sem ter em mas bobinas em forma de túnel, nas
conta que podem exercer efeitos posi­ quais introduzia a parte afetada conse­
tivos e terapêuticos em inúmeros trans­ guindo espetaculares curas em fraturas
tornos e enfermidades. ósseas e problemas cutâneos.
Em fins do século passado, a eletrici­ N o túnel, forma-se um campo m ag­
dade foi amplamente utilizada quando nético pulsante, enquanto a corrente
concebeu-se uma infinidade de máqui­ induzida concentra-se sobre o ponto
nas e geradores elétricos com fins de fratura, favorecendo o processo de
terapêuticos, chegando a se propaga­ cura.
rem como panacéia universal, embora Esses trabalhos induziram Becker a
o pouco controle e conhecimento que novas aspirações sobre a inter-relação
se tinha da eletricidade fez com que do campo de energia hum ano e o cam­
passassem para a história, dando-nos po geomagnético terrestre. De fato, em
apenas algo com o curiosidade. 1963, publicou dados estatísticos que
Nos anos 40, o doutor O . Gleichmann estabeleciam a relação entre a internação
utilizou os campos eletromagnéticos hospitalar de pacientes com tratam en­
variáveis no tratam ento de várias enfer­ tos psiquiátricos e flutuações do campo
midades, porém até a década de 70 seu geomagnético terrestre (já nos referi­
uso não se expandiu e começou-se a mos a investigações similares).
falar de eletromagnetoterapia. Esses cam pos eletro m a g n étic o s
Nos anos 50, Kenneth McLean, um pulsantes são, hoje em dia, am plam en­
obstetra de Nova Iorque, descobriu te utilizados em hospitais e tam bém no
que cobaias inoculadas com células can­ lar, já que com o advento da microe-
cerosas conseguiam sobreviver ao serem le trô n ic a fab ric am -se g e ra d o re s
tratadas com fortes campos magnéticos menores que uma caixa de fósforos.
de corrente contínua. Chegou, inclusi­ Um caso excepcional do estudo e
ve, a realizar algumas curas “milagrosas” aplicação da eletricidade a nível tera­
de câncer em seres humanos. pêutico encontramos com o doutor
Na mesma época, o pesquisador nor­ Nordenstrõm,2 desafortunadamente ig­
te-americano Robert Becker observou norado por seus colegas apesar de possuir
a regeneração bioelétrica do tecido da­ um brilhante currículo como médico e
nificado de uma salamandra, inclusive pesquisador. Nos anos 50, foi um dos
com a regeneração de ossos. Também pioneiros no desenvolvimento de novas
durante a década de 60, Becker identi­ técnicas em radiologia clínica, que na­
ficou o complexo papel que as correntes queles tempos pareciam arriscadas, porém
elétricas negativas exerciam na regene­ que agora constituem-se explorações de
ração das extremidades amputadas da rotina em todos os grandes hospitais do
salamandra, assim como nos modelos e mundo. Nos anos 60, foi nomeado dire­
processos genéticos-celulares de com u­ tor do departamento de Radiodiagnóstico
nicação, que int ervém no fenômeno. A do prestigiado Instituto Karolinska de
partir de suas investigações, formulou Estocolmo e, em 1985, foi presidente do
uma teoria de “sist emas de controle comitê que outorga os prêmios Nobel
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 129

de medicina. Em 1983, publicou um dem onstrou que a corrente flui prefe­


livro em que explicava os trabalhos ex­ rencialmente por veias e artérias. Ao
perimentais que havia realizado durante aplicar uma corrente elétrica nesses va­
mais de duas décadas. Seu extenuante sos sangüíneos, os glóbulos brancos,
título era: Circuitos elétricos biologica­ que têm carga negativa em sua superfí­
mente fechados: evidências clínicas, cie, eram atraídos até o eletrodo positivo.
experimentais e teóricas sobre a existência A atração que sofrem os glóbulos
de um sistema circulatório adicional, e brancos até as zonas inflamadas ou com
possuía um enorme potencial revolucio­ dano tissular não conseguiu, todavia,
nário. N o rd en strõ m afirm a haver ser bem compreendida pelos cientistas.
descoberto no corpo humano um uni­ N o circuito vascular intersticial fe­
verso de atividade elétrica até então chado, a necrose de um tum or atua
desconhecido, um equivalente biológi­ como um gerador de corrente alterna­
co dos circuitos elétricos. da. Cria um potencial flutuante e o
Esse sistema elétrico, afirma N o r­ circuito funciona graças a uma lenta
denstrõm , atua equilibrando a atividade alternância na co rren te. Os vasos
dos órgãos internos e, no caso de sofre­ sangüíneos atuam como cabos elétri­
rem uma agressão, constitui a verdadeira cos, que comunicam-se entre os tecidos
base do processo curativo. Segundo afetados e os sadios. O sangue atua
seu ponto de vista, esse fluxo elétrico é como um segmento condutor no cir­
tão necessário para o bem-estar e a cuito; o líquido situado entre as células
saúde quanto o fluxo sangüíneo. Suge­ do tecido, chamado líquido intersticial,
re, ainda, que a alteração dessa rede é tão bom condutor como o sangue e
elétrica poderia estar relacionada com fecha o circuito, por assim dizê-lo. As
o desenvolvimento de um câncer ou enzimas das células da parede capilar
outras enfermidades. formam sistemas de eletrodos.
Uma agressão ao corpo cria uma N ordenstrõm perguntou-se o que
voltagem que flutua continuam ente aconteceria se colocasse eletrodos no
entre valores positivos e negativos, até tum or e adicionasse voltagem externa
que finalmente alcança uma situação de ao circuito elétrico desencadeado pela
equilíbrio elétrico, estado que N o r­ necrose.
denstrõm crê estar associado à cura. Esse pesquisador pôs em prática suas
Nordenstrõm mediu cuidadosamen­ idéias, tratando com eletricidade pa­
te as propriedades elétricas das veias, cientes com câncer de pulmão e de
artérias, capilares e do sangue, em di­ mama. Tendo em conta a novidade de
versos animais vivos. D eterm inou que a seu m étodo, obteve um êxito notável.
resistência elétrica das paredes das veias N ordenstrõm insere uma agulha di­
e artérias era pelo menos 200 vezes retamente no centro do tum or, depois
superior à do sangue. Afirmou que, de de atravessar a parede muscular torácica
fato, esses vasos estavam atuando como com um ligeiro impulso. Tom a outra
cabos rodeados por uma capa isolante, agulha e crava-a a 25cm por baixo da
e o sangue que fluía por eles transpor­ primeira. Essas agulhas são eletrodos
tava eletricidade entre o tum or e o de platina. Conecta-as a alguns cabos e
tecido circundante. faz passar uma corrente elétrica que
Em seus experimentos, conectou ele­ aum enta a carga positiva na zona
trodos a diversos vasos sangüíneos e tum orosa, provocando uma desidrata­
130 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

ção parcial da mesma e atraindo os eletrossensíveis chamados meridianos e


glóbulos brancos para que ataquem pontos de acupuntura, já conhecidos
massivamente as células do tumor. pelos chineses há mais de cinco mil anos.
N ordenstrõm colocou seus eletro­ Porém, se a eletricidade com fins
dos em 20 pacientes d u ran te sua terapêuticos mostra-se tão positiva,
primeira série de tratamentos. Tratava- como nos atrevemos a divulgar que é
os durante três horas e, depois do prejudicial para saúde e pode inclusive
tratamento, regressavam para suas casas. ser cancerígena?
Com essa técnica simples, conseguiu Em princípio, embora ainda não es­
diminuir o tam anho dos tumores em tejam bem definidos os processos de
dez de seus pacientes e em sete deles o interação, parece que é precisamente
tum or desapareceu, deixando como essa afinidade do organismo com os
sobra um tecido fibroso inofensivo. campos eletromagnéticos de baixa in­
Talvez o maior obstáculo para a acei­ tensidade e freqüência que o faz
tação das teorias de N ordenstrõm vulnerável, desajustando-o ou desequi­
constitua-se a natu reza interdisciplinar librando-o quan d o em nossa vida
das conclusões que dela se depreendem. cotidiana nos vemos submetidos a essa
Se bem que, em princípio, elas estives­ anárquica salada de radiações.
sem baseadas na especialidade própria Existe uma grande diferença entre a
de N ordenstrõm , a radiologia, rapida­ faixa de freqüências perfeitamente esta­
m ente se voltaram para a biofísica belecida e dosada, administrada a um
patológica e fisiológica dos tum ores e, órgão durante uma sessão diária que
por suposto,, até a física, teórica ou não supera os 30 m inutos, e uma
pura. superexposição de 8 ou 24 horas diárias,
Existem hoje em dia muitos outros a que tantas pessoas se vêem expostas.
usos médicos da eletricidade e do mag­ Talvez em uma filigrana de boas
netismo, como são os já mencionados casualidades, o ambiente eletrom agné­
leitores de ressonância magnética que, tico artificial de sua oficina esteja
sem serem invasores nem excessiva­ gerando uma vibração eletromagnética
m ente agressores para o paciente, harmônica com seu organismo, fazen­
permitem cartografar qualquer parte do com que essas mesmas ondas
de seu corpo, de forma precisa e eletromagnéticas resultem estimulan­
tridimensional. tes e terapêuticas. Tomara que você
Ondas de rádio, infravermelhas, la­ tenha essa sorte! Embora suspeitem os-
ser, microondas, etc. são amplamente e a prática diária nos confirma - que a
utilizadas para o alívio de dores reu­ possibilidade maior é de que o citado
m áticas, transtorn o s inflam atórios, efeito resulte mais bem despolarizante
problemas ósseos e muitos outros. e desarmônico a curto e a longo prazos.
E o que dizer da quase incrível eletroa- O certo é que enfrentamo-nos com
cupuntura, que no Ocidente rivaliza duas caras de uma mesma moeda.
com a ancestral acupuntura praticada N o capítulo 13, descobrirem os os
com agulhas metálicas. m étodos e o instrum ental que irá nos
Um gerador elétrico estimula ou seda perm itir determ inar a possível co n ta­
os órgãos ou partes afetadas do paciente, minação elétrica ou eletrom agnética
por meio de microdescargas elétricas, de nossa residência, averiguando sua
através dos condutos energéticos e intensidade para assim poderm os nos
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 131

conscientizar de sua real incidência. rando-se uma “ neurose” com a co n ­


Em nenhum m om ento pretendem os tam inação elétrica, preocupação não
criar problem as onde não existem. isenta de razão, em bora infundada
U ltim am ente, sem dúvidas, está ge­ em num erosas ocasiões.

1 Contaminación electromagnética y medio


ambiente, de José Luis Bardasano Rubio.
2Electricidady terapêutica, p. 18.
132 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 9 todos os parâmetros e com ponentes


descritos, mas poderemos estabelecer
QUALIDADE DO AR os níveis de tolerância ou periculosidade
E CONTAMINAÇÃO mais freqüentes quanto a substâncias
ATMOSFÉRICA tóxicas em suspensão, presença do pe­
rigoso gás radônio, grau de umidade
ótim o ou ionização idônea, assim como
evitar a presença do ozônio, que já se
A importância do ar que respiramos é com provou ser um dos reagentes capa­
inegável. Podemos sobreviver mais de zes de converter algumas substâncias
40 dias sem ingerir alimentos sólidos; químicas, com o o anidrido sulfúrico
uns poucos dias sem líquidos, porém (SO3), em corrosivo ácido sulfúrico.
apenas alguns m inutos sem respirar. O O vertiginoso aum ento da poluição
alimento “etérico” do ar, o “prana” atmosférica verificado nas últimas dé­
para os orientais é de vital importância cadas, através de processos industriais,
em todos os processos fisiológicos e automotivos, fabricação e em prego de
metabólicos dos seres vivos. À com ple­ materiais sintéticos, calefação, etc., coin­
xidade de seus com ponentes - oxigê­ cide com o agravamento de doenças
nio, nitrogênio, carbono, etc. - cabe respiratórias, asmas, alergias e cânceres
acrescentar sua correta proporção, sua pulmonares.
qualidade e as cargas ou os intercâmbios Essa contaminação atmosférica, ape­
iônicos de tais componentes. Essa es­ sar de ser tema de ardorosa atualidade,
trutura molecular e seus intercâmbios está longe de encontrar solução rápida
iônicos permitirão sua correta assimila­ e efetiva sobretudo nas áreas altamente
ção e que o ar que respiramos seja um industrializadas e nas grandes cidades,
elemento vital e energético ou, ao con­ onde em períodos de calma atmosférica
trário, tóxico e desvitalizante. o ar apenas se renova e o acúmulo de
A radiação ambiente, terrestre e solar substâncias tóxicas ou perigosas, assim
incide diretamente sobre as partículas e como a deficiente ionização, chegam a
moléculas do ar, criando de forma con­ níveis alarmantes para a população. Ci­
tínua reações químicas que tornam dades como Atenas ou México chegam
relativamente difícil o estudo de sua a realizar campanhas de evacuação das
composição, assim como estabelecer crianças em determinadas épocas do
sua exata qualidade. Apesar disso, pou­ ano, quando o nível de poluição amea­
co a pouco vão se estabelecendo uma ça destruir a saúde dos mais indefesos.
série de parâmetros, que nos permitem
reconhecer a benignidade ou insalubri-
dade do ar que respiramos. Seu grau de O interior das residências
ionização, a um idade relativa, sua
composição química, a presença de subs­ U m ambiente fechado, sem com unica­
tâncias poluentes, gases tóxicos e ozônio ção com o exterior, logo se torna peri­
são alguns dos parâmetros que hoje em goso pela carência de alguns com pos­
dia embaralham-se ao tratar da “quali­ tos e excesso de outros.
dade do ar” . Se levarmos em conta que a maior
Em nossa casa, dificilmente podere­ parte da população urbana passa entre
mos realizar um estudo exaustivo de 80 e 90% do tem po em ambientes
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 133

fechados, deveremos nos preocupar de calefação. As substâncias conta-


seriamente com a qualidade do ar que minantes emitidas durante o processo
respiramos no interior dos edifícios. de com bustão são diversas e dependem
As trocas e a renovação do ar interior do tipo de combustível empregado.
devem ser constantes. Evidentemente, Para citar apenas algumas, recordemos
em zonas de grande poluição atmosfé­ a emissão de substâncias sólidas, óxido
rica e nas grandes cidades isso se torna de enxofre e nitrogênio, anidridos,
complexo, pois o ar externo deixa m ui­ materiais e ácidos orgânicos. E eviden­
to a desejar. te que essas substâncias entram em
O ar viciado é considerado a princi­ contato e incidem sobre toda a popula­
pal causa do que se convencionou ção e afetam em maior medida os mais
chamar “síndrome do edifício doente” , vulneráveis, que são os enfermos, as
que se traduz em alergias, problemas pessoas idosas e as crianças.
respiratórios, resfriados, náuseas, irrita­ A poluição produzida pelos veículos e
ções e dores de cabeça. Talvez fosse motores à explosão é uma das mais
melhor chamá-los de “edifícios que recentes, porém considerada das mais
adoecem seus m oradores” . perigosas por quem se dedica à sua
investigação. Foi catalogada como de
máxima periculosidade, devido à grande
Fontes de poluição atmosférica quantidade de chumbo, monóxido de
carbono e hidrocarbonetos emitidos no
As principais fontes de contaminação constante tráfego de veículos, sobretu­
atmosférica são as instalações indus­ do nas cidades, levando em conta que o
triais. Estima-se que nos Estados U ni­ escape de gases ocorre rente ao solo.
dos sejam responsáveis por 1/ 3 da con­ Na ação contaminante do meio am­
taminação global, e desse terço a meta­ biente e da atmosfera, têm grande
de atribui-se às centrais termoelétricas. importância a soma e o reforço m útuo
Durante as fases e ciclos de produção de dos efeitos tóxicos produzidos pelas
certos tipos de indústria, emitem-se ao diferentes substâncias presentes no ar e
ar substâncias de reconhecida noci­ o nível de concentração das substâncias
vidade, sobretudo para as vias respira­ em-si mesmas, o qual depende estrei­
tórias. tam ente de fatores atm osféricos e
As centrais termoelétricas, por exem­ meteorológicos: diante de tudo, do
plo, emitem anidrido sulfúrico (SO3) e movimento do ar e dos ventos, porém
resíduos de com bustão como fuligens também da chuva e da neve, que facili­
semi-sólidas. A indústria do petróleo tam ou dificultam a dispersão, assim
libera para a atmosfera hidrocarbonetos, como das diferentes radiações (ultra­
compostos de enxofre, óxidos de nitro­ violeta, gama).
gênio, mercaptanos e fenóis. De alto Não se deve esquecer de acrescentar
poder contaminante são também as a tudo isso as enormes quantidades de
usinas siderúrgicas, químicas, de adu­ minúsculas partículas arrancadas da cros­
bo, fundições, indústrias do alumínio, ta terrestre pela ação do vento, como
do chum bo, zinco e cimento, para citar poeira, pólen e esporos que, por mais
somente as mais importantes. naturais que sejam, são responsáveis
U ma poluição que flutua com as por graves transtornos para pessoas sen­
mudanças de estação é a das instalações síveis ou alérgicas.
134 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

Mudanças climáticas

Chuva acida

Contaminação Gases e
do ar fumaça

Água potável D etritos


contaminada

C ultivos ( d Lixo e dej'


tóxicos
fehtaminaçáo Â
SubstàncfS tóxicas e
\ águas residua i s
Contam inação da
água subterrânea

Cadeias alimentares

Nossos hábitos de vida, nossas casas e as atividades industriais geram um a grande quantidade de dejetos
e de substâncias contaminantes, que passam ao ar, à terra e à água. Acabam integrando-se na cadeia
alimentar, afetam nossa saúde e intervém nas mudanças climáticas.

A contaminação atmosférica, devido res unidos a cada tipo de am biente ou


a emissões maciças de substâncias noci­ espaço.
vas no ar, altera de forma considerável
o equilíbrio natural e harmônico do
meio ambiente. Essas alterações influem
de forma negativa nas funções de nosso
organismo e, portanto, sobre nossa saú­
de.
Esta contam inação se vê agravada
por outros fatores poluentes, causa­
dos especialmente pela ação fisiológica
hum ana, entre os quais a fumaça do
cigarro é um dos mais conhecidos e
negativos. D iante de tais considera­
ções, é algo indispensável recorrer a
m étodos que perm itam o saneam ento
de espaços fechados. Esses m étodos Síndrome do edifício doente. Sintomatologia mais
deverão ter presentes num erosos fato­ freqüente.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 135

Fatores de risco no interior das calor e ao fogo, que durante anos foi
residências: “conforto biológico” empregado para a confecção de tecidos
incombustíveis e a fabricação de isolan­
Podemos citar os fatores mais importan­ tes térmicos, sapatas de freio, embrea-
tes: os materiais de construção, a ativida­ gens e também em algumas tintas.
de desenvolvida em tal espaço, a vo- Na residência, esse elemento aparece
lumetria, a temperatura, os fatores atmos­ sobretudo nos sistemas de ar condicio­
féricos externos, o número de pessoas nado. O amianto pode ser utilizado no
nos locais, etc. Até esta data não se isolamento dos condutores para a cale­
haviam considerado de muito interesse fação. Também é utilizado como pro­
os ótimos fatores do meio ambiente, e teção das estruturas metálicas. A inevi­
que de forma simultânea atuam sobre o tável deterioração desses produtos de
homem como elementos de bem-estar. amianto significa que as fibras despren­
Sempre se fala de temperatura, um i­ didas podem introduzir-se no ar e, atra­
dade relativa, etc., porém m uito pouco vés dele, no tecido pulm onar, onde
de outros fatores. Não se levou em chegam a “cravar-se” por sua condição
conta, por exemplo, que para ter-se de fibras m uito fortes e resistentes. Os
uma definição exata do grau de pureza tipos de amianto azul, marrom e bran­
do ar num espaço fechado, é preciso co podem ser a causa de fibrose pulm o­
considerar outros parâmetros de gran­ nar e de enfermidades degenerativas
de importância, como a ionização do como o câncer de pulmão. Existe atual­
ar, o campo ou a carga elétrica, a luz, os mente na Espanha uma norma que
campos magnético e eletromagnético e indica as precauções que deve-se ter em
alguns outros fatores pouco estudados relação ao amianto. Nesse sentido, cabe
(radioatividade ambiental e dos materi­ recordar que o Barlimont, o edifício
ais, incidência das cores, etc.). mais simbólico da Comunidade E uro­
O utro dos fatores que interagem na péia, foi evacuado devido ao excesso de
qualidade de vida dos moradores de amianto em seu interior.
uma casa é a pureza do ar que se respira.
Essa pureza depende, em grande parte, - Benzeno. E um com posto orgânico
dos materiais empregados na constru­ que se encontra no petróleo, de forma
ção e dos equipamentos do edifício. natural. Trata-se de uma substância
Será interessante estudar a pureza química bastante tóxica e perigosa que,
do ar, para o que podem os utilizar em doses elevadas, chega a ser can­
algumas bom bas de aspiração, que cerígena, ataca o sistema im unológico
nos perm item analisar distintos gases e pode gerar leucemia.
prejudiciais para a saúde através de A maior parte do benzeno atmosfé­
reagentes calibrados, que analisare­ rico chega até nós através das emissões
mos em função de seu ajuste às normas das refinarias de petróleo e, sobretudo,
internacionais. dos gases que desprendem dos canos de
escapamento dos veículos à m otor. Está
presente em alguns produtos químicos
Alguns dos poluentes presentes no ar e nos removedores. Em certas ocasiões,
chega até nós através das fibras sintéti­
- A m ianto (asbesto). Trata-se de um cas e do plástico. Esta substância tam ­
mineral fibroso de alta resistência ao bém pode ser encontrada nas soluções
136 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

de limpeza e na fumaça do tabaco. assoalhos, móveis, etc. Podem afetar o


Afeta o sistema nervoso central e a pele, sistema respiratório, produzir irritações
produzindo ainda irrit ação das vias res­ na pele e nos olhos e ser causa de náuseas,
piratórias. cefaléias, alterações do sistema nervoso
central e periférico, assim como de câncer.
- Formaldeído. E um gás incolor, de
odor penetrante, que podemos encon­ - Ozônio. Trata-se de um gás corrosivo
trar em centenas de produtos diferen­ que, mesmo sendo necessário (impres­
tes, incluindo materiais de isolamento, cindível) nas altas camadas da atmosfera
móveis de escritório, fibras sintéticas, (como proteção contra a perigosa radia­
compensados de madeira, pesticidas, ção ultravioleta), resulta m uito perigo­
tintas, papéis, náilon e outros produtos so na superfície terrestre por ser alta­
têxteis. Em bora já dem onstrou-se que mente reagente com outras substâncias
produzem efeitos a níveis de 0,5 p.p.m. ou moléculas químicas. O ozônio pode
(partículas de formaldeído em cada um produzir irritações graves nas mucosas,
milhão de partículas de ar), os níveis de olhos, garganta e nariz com 0,1 p.p.m.
emissão incrementam-se com a tem pe­ (que é o limite máximo de exposição na
ratura; níveis de 2 a 3 p.p.m. podem Espanha). Com altas exposições, a par­
produzir irritações nos olhos, nariz e tir de 1 p.p.m ., podem produzir-se da­
garganta, em bora a grande maioria das nos nos pulmões, dores de cabeça, es­
pessoas já se sintam afetadas com níveis pirros e grande fadiga (uma fotocopia­
muito mais baixos. dora pode emitir mais d e 0,l p.p.m.). O
Com níveis de 4 a 5 p.p.m. a irritação ozônio é adicionado aos sistemas de ar
acentua-se, acompanhada de perda da condicionado para adoçar o ar e confe-
memória, espirros e problemas cutâneos. rir-lhe odor agradável. Sem dúvida, é
Na Espanha, a lei permite a exposição a preciso evitar sua presença.
um nível máximo de 5 p.p.m. Se o nível
aumenta de 10 a 20 p.p.m., registram-se - Tricloroetileno. E um solvente am ­
graves problemas respiratórios e quei­ plamente utilizado na indústria como
maduras nos olhos, garganta e nariz. desengraxante, que tam bém é incluído
O aumento nos níveis de formaldeído em alguns removedores e nos aerosóis
eleva o risco de enfermidades dege­ para arranque de motores úmidos.
nerativas e está demonstrado que é causa Uma exposição a elevadas concen­
de transtornos do sono, impacto na trações pode provocar parada cardíaca,
memória, dificuldade de concentração, problemas hepáticos, renais ou do baço
náuseas, irregularidades menstruais, etc. e alterações nervosas. Sua toxicidade
O nível limite estabelecido para os atua por inalação, produzindo sintomas
trabalhadores do Reino U nido é de 2 de sonolência ou efeitos narcotizantes.
p.p.m. Nos Estados Unidos, o nível
limite para o biênio 1991-1992 foi
fixado em 0,3 p.p.m ., ou seja, um nível Outras substâncias
de segurança 15 vezes superior ao da
Espanha. O ar que respiramos contém uma
vastíssima lista de produtos e substân­
- Hidrocarbonetos. Encontram-se em cias químicas que podem acarretar pe­
tintas, solventes, materiais sintéticos, rigos inesperados por sua toxicidade.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 137

De fato, a proliferação descontrolada sentam condições sob as quais crê-se


da química sintética durante as últimas que quase todas as pessoas possam ex­
décadas está sendo considerada uma por-se repetidamente, dia após dia, à
das principais responsáveis tanto pelo ação de tais concentrações sem sofrer
grande aum ento de enferm idades efeitos adversos.
degenerativas, como pela diminuição Sem dúvida, dada a ampla medida
das defesas do organismo humano. em que varia a suscetibilidade individual,
Os PCB (policlorobifenóis), por é possível que uma pequena porcenta­
exemplo, foram empregados profusa­ gem de indivíduos experimente mal-
m ente na maioria dos países ocidentais est ar, diante de algumas substâncias em
até sua proibição, nos anos 70, devido concentrações iguais ou inferiores ao
ao seu alto índice de periculosidade. limite umbral, enquanto uma porcen­
Sem dúvida, essas substâncias se­ tagem m enor pode ser mais seriamente
guem presentes no meio ambiente, na afetada pelo agravamento de uma con­
cadeia alimentar e no corpo humano. dição que já existia anteriormente. O
Para o doutor Richard Sharp - especia­ fato de fumar, por exemplo, pode atuar
list a em fertilid ad e m asculina da aum entando os efeitos biológicos dos
universidade médica de Edim burgo - , compostos químicos que encontram-
os altos níveis de substâncias químico- se em nossos postos de trabalho, e pode
sintéticas (emespecial os PCB) presentes reduzir os mecanismos de defesa do
no corpo hum ano seriam os responsá­ organismo contra as substâncias tó ­
veis pelo declínio, em quantidade e xicas.
qualidade, dos esperm atozóides no
hom em atual. Entre 1940 e 1990, eles
decresceram à metade. A limpeza química no lar
Para maior aprofundamento do tema,
recom endam os a leitura das obras Através de todos os meios de com uni­
EcoHogar e El libro de la casa Natural, cação, vai-se tom ando consciência do
ambas editadas pela Integral. devastador efeito que a atividade h u ­
mana, em suas múltiplas formas de
progresso desmedido, está causando
Os valores TLV ou valores de sobre a vida e os frágeis ecossistemas do
lim ite umbral planeta. Paralelamente, a indústria quí­
mica tenta nos convencer das maravi­
Nos anos 30, engenheiros industriais lhas da com odidade, quando nos apre­
dos Estados Unidos reuniram-se com o senta detergentes que limpam sem es­
objetivo de determinar quais eram os fregar, lava-louças tão ativos e inteli­
valores de limite umbral (Threshold gentes “que inclusive fazem a ‘manicure’
Limit Values, TLV) e os índices de da dona de casa” enquanto lava sua
exposição biológica (Biological Expo- louça, desentupidores que se asseme­
sure índices, BEI). Esses valores estão lham a tornados ou lustradores de pisos
recomendados com o guias auxiliares que transformam o mais humilde dos
no controle dos riscos para a saúde. apartamentos num autêntico palácio.
Os valores TLV fazem referência a Em bora ganhemos tem po, livrando-
concentrações de substâncias que se nos da escravidão do lar, e consigamos
encontram em suspensão no ar. Repre­ uma casa tão reluzente como perfuma­
138 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

da graças ao leque de limpadores e campanha que os apresenta com o eco­


desodorizantes de ambiente, não che­ lógicos, somente por não conterem
gamos a imaginar qual será o destino fosfatos. O restante dos resíduos tóxi­
desse acúmulo de substâncias químicas cos para o meio ambiente nem são
a que recorremos sem cessar. mencionados. Paralelamente, em pre­
Sem nos darmos ao menos conta, a sas com vocação ecológica lançaram no
química sintética impôs-se em nossas m ercado d eterg en tes de “ quím ica
vidas. A cada ano entram no mercado doce” , baseados em substâncias n atu ­
mais de 10.000 substâncias químico- rais ou totalm ente biodegradáveis, os
sintéticas novas, que incorporam-se a quais tam pouco se justifica seu abuso.
todos os processos cotidianos: aditivos - Limpa-fornos. Entre as suas “quali­
alim entares, tintas, móveis, m edi­ dades” , encontramos as de serem cor­
cam entos, d eterg en tes, decoração, rosivos e tóxicos. Baseiam sua fórmula
embalagens, etc. em hidróxidos: sódico, potássico e
Ao abordar a qualidade do ar que amoníaco. A alternativa é o bicarbona-
respiramos, devemos ter bem presentes to com água quente.
esses conceitos. Também trataremos - Desodorizadores químicos de am bi­
deles ao nos referirmos às tintas e mate­ ente. Podem ser substituídos pelas flo­
riais de construção. Aqui, iremos nos res naturais, pelas essências de lavanda
concentrar em produtos chamados do ou menta e pelas madeiras perfúmadas.
lar: detergentes, desodorizadores de - Lixívia. M ata todos os tipos de
ambiente, lustradores, desinfetantes, etc. microfauna na água. Podemos diluí-la,
Alguns desses produtos são realmen­ deixando atuar mais tempo: o resultado
te úteis e imprescindíveis na limpeza e é tão efetivo quanto o de uma solução
na assepsia cotidianas, e não se conhece mais concentrada. Tam bém podem os
sua nocividade ou efeitos secundários. substituir a lixívia dos corantes por meia
Em troca, outros representam verda­ taça de vinagre branco ou meia taça de
deiros perigos domésticos, ou talvez bicarbonato.
seus efeitos residuais sobre o meio am­ - Desentupidores. São sumamente cor­
biente os tornem desaconselháveis. rosivos e tóxicos. Entre seus com po­
Enumeraremos somente alguns dos nentes, encontramos hidróxido sódico
produtos domésticos mais usuais, as­ ou potássico, hipoclorito, derivados do
sim como suas possíveis alternativas. petróleo, ácido clorídrico, etc. Uma
mistura de 50 ml de vinagre, 1 /4 de
- Detergentes para corar roupa. Os taça de bicarbonato e água fervendo é
famosos sabões de Marselha e os de uma boa solução.
fabricação doméstica, à base de azeites - Limpadores de tapetes e carpetes. A
e graxas usados antigamente, foram base de naftaleno, percloroetileno, áci­
substituídos por uma incrível variedade do oxálico, dietilenglicol e outros. Tam ­
de detergentes químicos para lavar à bém são tóxicos e corrosivos, podem
mão, para lavadoras automáticas ou ser substituídos espalhando bicarbona­
superautomáticas, sem pré-lavagem, to sobre o tapete ou carpete, passando
com amaciantes, com branqueadores, a seguir o aspirador.
etc. A polêmica suscitada pela distrofia - Lustradores de pisos e móveis. Po­
de rios e lagos, devido ao excesso de dem ser tóxicos ou inflamáveis e con­
fosfatos nos detergentes, abriu uma têm derivados de petróleo, nitrobenzeno
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 139

LAR E C O L Ó G IC O : LIM PEZA SEM CON TA M IN A ÇÃ O

PRO D U TO E USO COMPOSTOS QUÍM ICOS 1 TOXICIDADE | ALTERNATIVAS

Soda cáustica (N a O H ),
D ESCA SCA N TES E b en zen o , diclorom etano, Lixar, polir, soprar u m jato de
Intoxicação, queim aduras na
REM O VED ORES DE areia, carbonato sódico,
p r o dução dc fosfógeno ao pele, cancerígeno (o benzeno).
PIN TU R A S queim a r -se. am oníaco.

Soda cáustica (70%), nitrito


Q ueim aduras na pele, D esentupidor de ventosa.
D E S E N T U P ID O R E S sódico (15%), cloret o sódico,
narcótico.
ácidos.

Lixívia concentrada, cloro,


D E SIN FETA N T ES Essência de cedro, de cravo,
hid rocarbonetos, G erm icida, dim inui as defesas,
PARA SA N ITÁ R IO S E canela, to m ilh o e outras, com
form aldeído, fenol, cancerígeno, m utagênico.
A RM ÁRIOS vaporizador.
percloroetileno, tridoretileno.

D ESC A LC IFIC A N TES Ácido clorídrico (HC1, ácido Ácido cítrico, ácido tartárico,
PARA PANELAS, m uriático), ácido fosfórico, Perigo para as crianças.
vinagre.
CA FETEIR A S, ETC. clorantes.

V eneno para as células,


T etracloreto de carbono, Sabão, pro d u to s de
particularm ente as nervosas:
TIR A -M A N C H A S tricloroetileno,
tetr. e tri. são cancerígenos e ferm entação láctea.
percloroetileno.
afetam o fígado.

L IM PA D O R E S DE Isopropanol (10%), Álcool diluído, água com


Alergias, eczemas.
CRISTAIS tensoativos (0,1%). vinagre.

Vários solventes (to lu o l, xilol,


Sabão verde, sabão em flocos,
L IM PA D O R E S tricloroetileno, gasolina), Diversas moléstias. preparados de cera apícola,
D E PISO ceras sintéticas, am olecedores
lixívia de cinzas de lenha.
de água, tensoativos (30%).

Ceras sintéticas, parafina,


silicone, resinas sintéticas com
IM P R E G N A D O R E S Enjôos, v ôm itos, erupções, Am ido.
sulfonam idas, form aldeído,
D E T E C ID O S alergias.
solventes (tricloroetileno ou
percloroetileno).

Ceras sintéticas, essência de


A E R O S Ó IS PARA tereb in tin a, gasolina,
C O U R O , L IM P A D O ­ T osse, inflamação dos olhos, Preparados de cera apícola.
diluentes para laca, gás
RES D E CALÇA DO S conjuntivite.
propulsor com p ropano ou
C FC.

A M B IEN TA D O R ES Paradiclorobenzeno. C ontam inação aquática. Airar, lim par, colocar flores.

Ácido fosfórico, am oníaco, Sabão com u m pouco de areia,


LIM PA D O R E S DE Irritações cutâneas, alergias,
h ipoclorito sódico, p ro d u to s de ferm entação
SA N ITÁ R IO S perigo infantil.
tensoativos. láctea.

Areia de q u artzo e
P R O D U T O S PARA tensoativos, aromas, Alergias e outras moléstias. Cinzas de lenha, vinagre.
ESFREG A R desinfetantes.

E nvenenam ento de animais


Tensoativos, fosfatos, Soro de leite (ácido láctico),
aquáticos, radioatividade,
LAVA-LOUÇAS branqueadores ópticos, vinagre, tensoativos de óleos
perm eabilidade das mucosas a
enzim as, aromas. vegetais.
bactérias e pro d u to s químicos.

Sabão n e u tro , carb o n ato sódico,


Fosfatos, tensoativos, p ro d u to s de ferm entação láctea,
branqueadores e Eczemas, conjuntivite,
DETERGENTES lixívia de cinzas d e lenha (para
branqueadores ópticos, alergias.
roupa escura), fosfato se passar
enzim as e outros. de 60°C .

Texto publicado em O berfláchenbehandlung und Pflege im Haus, In stitu tfü r Baubiolojjie + Õkolojjie.
H olzham 25. D-8201 Neubeuern e republicado pela revista Integral.
140 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

e dietilenglicol. Com uma parte de suco prescindível. Em troca, tão somente


de limão e duas partes de azeite de oliva pedem-nos que prestemo-lhes um p o u ­
ou vegetal, consegue-se excelentes re­ co de atenção e certos cuidados mínimos.
sultados e m uito mais sadios. Os poluentes cotidianos, que che­
Existe um sem-fim de outros produ­ gam através de adesivos, isolantes,
tos destinados ao lar, que dariam uma tapetes, vinílicos, aglomerados de ma­
lista quase interminável: limpadores à deira, produtos químicos de limpeza,
base de amoníaco - que além de tóxicos pesticidas, fumaça de cigarro, etc., che­
e corrosivos são irritantes - , pós-abrasi­ gam a causar transtornos que se não
vos, desinfetantes, an ti traças, inseticidas, representam perigo em certas ocasiões,
mata-baratas, etc. O critério ecológico devemos tê-los sempre em muita con­
e meio ambiental deve estar a par com sideração. As pessoas expostas a certos
a limpeza, a higiene e a assepsia. Que níveis de produtos químicos acabam
sentido tem limpar a casa, se com isso queixando-se de cefaléias, irritação dos
sujamos o planeta? O planeta é, defini­ olhos, erupções cutâneas, transtornos
tivamente, a casa de todos. respiratórios, alergias, sonolência, etc.
Dos poluentes mencionados em pá­
ginas anteriores, destacaremos os três
Lim pe o ar de sua casa que em maior medida demonstraram
sua incidência negativa à saúde. São o
A solução a muitos dos problemas que formaldeído, o benzeno e o tricloroe-
a poluição do ar impõe em nossa casa tileno.1Elementos que, unidos a outros
talvez seja mais simples do que acredi­ fatores incidentes, estudados nesta obra,
tamos. dão como resultado a famosa “síndro­
As plantas, esses elementos decorati­ me do edifício doente” , embora - como
vos ou de companhia, podem ser os já dissemos - talvez fosse mais adequa­
sistemas de purificação e limpeza do ar do nos referirmos a “edifícios que
mais exeqüíveis, econômicos, estéticos adoecem seus moradores” .
e favoráveis ao mesmo tempo. A experiência com plantas tem dado
Após mais de 20 anos de investiga­ resultados tão surpreendentes, como a
ções, a NASA publicou os resultados Aloe vera,* que eliminou em 24 horas os
sobre o efeito descontaminante e purifica­ 90% de formaldeído de uma habitação;
dor que algumas das plantas mais comuns com o a m argarida, que reduziu o
exercem em ambientes fechados. benzeno em 80%; e como a açucena, que
Em algumas espécies, observou-se limpou o ar de tricloroetileno em 50%.
que chegam a absorver uma ampla gama Os produtos químicos são absorvi­
de elementos contaminantes, desde o dos pelas plantas através de microporos
benzeno desprendido pela fumaça do presentes no verso das folhas. Elemen­
cigarro, ao formaldeído dos limpadores tos posteriormente metabolizados pelas
domésticos. raízes e integrados nos processos ali­
Tendo em conta - como já vimos - mentares das plantas.
que a concentração de poluentes no Algumas plantas em cada espaço são
interior das residências ou locais de suficientes. Associando várias classes de
trabalho pode exceder o tolerável entre plantas, poderemos controlar ou “lim­
100 e 500%, o uso de certas plantas par” de poluentes nossa residência ou o
descontaminantes terá um valor im­ ambiente de trabalho.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 141

PLANTAS Q U E PURIFICA M O AR

Contaminante Fontes Riscos para a saúde Soluções

Formaldeído Isolantes Dores de cabeça Filodendro


Compensado Irritação dos olhos e /o u
Roupa das vias respiratórias
Carpetes Asma (exposição Planta do milho
Móveis prolongada)
Artigos de papel Câncer de garganta Crisântemo
Limpadores (raro)
domésticos

Benzeno Fumaça de cigarro Irritação da pele e olhos


Gasolina Dor de cabeça Hera inglesa
Fibras sintéticas Perda de apetite Crisântemo
Plásticos Sonolência Gerbera
Tintas Leucemia e Lírio
enfermidades do sangue
Óleos
Detergentes
Borracha

Tricloroetiieno Tinta Câncer de fígado Gerbera


Vernizes Crisântemo
Lacas Lírio
Adesivos

Fonte: Revista A no 0, setembro 1991.

1 São suspeitos de efeitos mutagênicos e


acusados de serem responsáveis por certos tipos
de câncer.
*N. do T.: Babosa.
142 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 10 Européia, a quantidade total de energia


acústica dobrou em todos os países
POLUIÇÃO SONORA membros nos últimos anos, até o ponto
de hoje a poluição sonora ser conside­
rada uma das mais molestas e das que
maior incidência dem onstram sobre o
Com o cidadãos de um país industrial, bem-estar do cidadão.
vivemos imersos em um m undo cheio N aturalm ente, apresentam os esta
de ruídos, já inseparáveis de nossa vida contaminação sonora aqui com o um
cotidiana. fator a mais de risco. Sendo um dos
Nas cidades - sobretudo nas grandes fatores incidentes na saúde ao qual os
urbes - a causa principal de poluição organismos oficiais dedicam maior aten­
sonora é atribuída ao trânsito. O nível ção, constantem ente aprovam-se leis
sonoro é insuportável nas horas de pico para reduzir, limitar ou eliminar os
e sobretudo em determinadas zonas, ruídos molestos. O certo é que, ao
onde a aglomeração de veículos produz tratar-se de uma perturbação perceptí­
engarrafamentos. Ao desagradável e vel, terminam produzindo queixas que
incessante ruído de muitos motores, obrigam que se tom em as medidas opor­
somam-se o das buzinas, apitos e acele­ tunas. Isso se torna mais difícil no caso
radas, que molestam não só motoristas da contaminação elétrica ou eletrom ag­
e pedestres, mas que afetam todos aque­ nética, tão somente apreciáveis com
les que vivem nos edifícios próximos. equipamentos especiais, porém im per­
A circulação de veículos - autom ó­ ceptíveis a nossos sentidos ordinários.
veis, caminhões, ônibus, motocicletas, A população de qualquer país está
etc.- une-se às linhas férreas, que muito geralmente exposta a níveis de ruído
freqüentemente passam próximas a im ó­ que oscilam entre os 35 e 85 decibéis
veis e residências; a aterrissagem e (dB é a medida de volume do som).
decolagem de aviões, cujo ruído supera Cada pessoa percebe os malefícios do
em m uito o limite tolerável; e uma ruído de forma bastante diferente do
indústria que tem se preocupado muito restante das pessoas, em bora existam
pouco com os problemas de ruído. umbrais que afetam todos nós.
Segundo informe da Organização Segundo sua procedência, os ruídos
para a Cooperação e Desenvolvimento podem ser suaves e agradáveis murmúrios
Econômico (O C D E ), a Espanha é o ou estrepitosos e agressivos, tanto para a
país europeu com maior índice de ruí­ mente como, em certas ocasiões, tam­
do e o segundo no ranking mundial, bém para nosso corpo. Se bem que é
depois do Japão. A Direção Geral do certo ser difícil um ruído matar, ninguém
Meio Ambiente atribui as causas dessa duvida mais dos prejuízos para a saúde
forte contaminação acústica à desorga­ que geram as exposições a fortes ruídos
nização urbanística, ao trânsito, aos por espaços prolongados de tempo.
hábitos culturais e, sobretudo, à falta
de controle dos ruídos industriais.
O ruído ambiental, efeito das ativi­ Prejuízos da contaminação acústica
dades humanas, sofreu um espetacular
aumento nas últimas décadas. Segundo Já há alguns anos, numerosos estudos
estimativas da Comunidade Econômica científicos manifestam-se sobre os efei-
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 143

PERCEPÇÃO d o som Espanha em torno de 75% da população


está submetida de forma esporádica ou
' k SPL dB contínua a esses níveis e a outros, que
superam os 70 dB. E nas grandes cida­
des onde mais se acusam níveis elevados.
Cada pessoa percebe o ruído de for­
ma muito particular, com o que também
não sentem por igual as possíveis
moléstias. Porém existem alterações fi­
siológicas, não conscientes, com o
mostra-nos o experimento do doutor
Alain M uzet, do Centro de Estudos
Bioclimáticos do CNRS (França). A
prova foi realizada em salas especiais de
tal centro. Nelas, dormiram várias pes­
soas, controladas em suas constantes
vitais (eletroencefalograma, pulsação
Freqüência H z digital, mobilidade corporal registrada
por radar, etc.). A tem peratura e a
tos prejudiciais que o ruído tem para o umidade eram constantes. Estabele­
ser humano. Variam desde transtornos ceu-se um ruído de fundo de 35 dB
puramente fisiológicos, como a conheci­ (decibéis), considerado como limite de
da perda progressiva da audição, até psi­ ruído em hospitais, escolas e hotéis.
cológicos ao produzirem irritação e can­ Em uma série de provas, os ad o r­
saço, que provocam disfunções na vida m e c id o s e stiv e ra m s u b m e tid o s ,
cotidiana, tanto no rendimento do traba­ durante certo núm ero de noites, ao
lho como na relação com os demais. ruído de tráfego de cam inhões pesa­
A surdez induzida pelo ruído é dos, com intensidades de 40 a 65 dB.
irreversível, devido à incapacidade de A parte das medições tom adas durante
regeneração das células internas do o u ­ a noite, as pessoas testadas preenchiam
vido. Muitas indústrias registram níveis um questionário onde expressavam
sonoros altamente perigosos: mais de suas impressões ao despertar.
46% dos trabalhadores da indústria auto­ As pessoas participantes dessas expe­
motiva padecem perdas de audição, e riências foram divididas em quatro
algo parecido ocorre aos operários da grupos experimentais: dois compostos
construção ou do setor têxtil. As molés­ por dez pessoas de 19 a 28 anos; um
tias perceptíveis costumam aparecer após terceiro, por crianças de 6 a 12 anos; e
quatro ou cinco anos de trabalho contí­ um quarto grupo, por oito pessoas de
nuo, naquelas empresas ou em lugares 56 a 66 anos. O número de mulheres e
de alto nível sonoro, que pode superar homens era igual em cada grupo.
os 75 dB. Os sintomas mais freqüentes As conclusões foram as seguintes:
são: ruídos no interior do ouvido (zum ­ observou-se que as crianças resistiam
bidos ou apitos), cansaço, dores de melhor aos ruídos, os adultos tinham
cabeça, ansiedade e depressão. grande capacidade em habituar-se e as
Os efeitos do ruído sofremos a partir pessoas mais velhas apresentavam certa
dos 70 dB, e deve-se assinalar que na vulnerabilidade, que crê-se devido à
144 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

ligeireza de seu sono. Nessas pessoas e após muitos anos de exposição a


mais velhas, observou-se modificações fortes ruídos, tendo em conta as rea­
significativas no eletromiógrafo e no ções observadas sobre o funcionamento
eletroencefalograma, assim como cer­ cardiovascular em indivíduos saudáveis.
tos movimentos vasomusculares. Nas Pensemos sobretudo nas pessoas frá­
crianças e nos jovens, os ruídos mais geis ou delicadas.
intensos influíam na vasomotricidade e
o aum ento dos níveis de ruído afetava o
sistema cardiovascular. Sinergias

Se ao exposto acrescentarmos o estuda­


Distintas reações diante de um do em outros capítulos do livro, assim
mesmo problema como os duvidosos hábitos alimenta­
res, será fácil com preendermos porque
Seguindo com o experimento de M uzet, em nosso país as enfermidades cardio­
é interessante comprovar a divergência vasculares dobram o índice de m ortali­
entre as relações do cérebro e do sistema dade por câncer.
nervoso e as do coração (entre a consci­ O utros estudos realizados pelo d o u ­
ência e a vida vegetativa). Nas crianças e tor Nosher, em Paris, consistiram em
nos jovens, observou-se um aumento de submeter grupos de pessoas a situações
amplitude nas respostas cardiovasculares, que requeriam a m útua colaboração:
desde o começo até o fim de cada noite. gestos tão elementares como devolver a
Amplitude proporcional à intensidade alguém um objeto caído ao solo, ajudar
do ruído, maior nas crianças que nos a liberar um obstáculo, etc. Q uando
jovens, enquanto a resposta cardíaca essas situações aconteciam em am bien­
mostrava-se maior nas pessoas adultas e tes com alto nível de ruído, a tendência
mais velhas. Em média, um ruído de 65 natural à ajuda m útua diminuía ou
dB provocava 12 batidas a mais por mesmo desaparecia. Q uando era supri­
minuto em uma criança, 11 mais no mida a pressão sonora, o im pulso
jovem e 5 no adulto. A contração de solidário não tardava a reaparecer.
vasos originada pelo mesmo ruído foi da Experimentos realizados com animais
ordem de 25% da amplitude de pulsação em laboratório demonstraram que, num
digital no jovem e 33% nas crianças e nos ambiente com ruído superior a 110
adultos de idade avançada. decibéis, os processos cancerosos apare­
Nessas situações, que embora expe­ cem e se desenvolvem com maior rapidez.
rimentais não diferem m uito das que se Além da surdez já mencionada, esse
vive diariamente nas cidades, o fluxo desequilíbrio geral do organismo faz-se
circulatório é suportável pelo cérebro patente nas palavras da pesquisadora do
de uma pessoa adulta, quando não su­ Instituto de Acústica Isabel López
pera certo umbral. Ao contrário, os Barrios: “O ruído, além de gerar estresse,
músculos de nossos vasos sangüíneos rea­ hipertensão, problemas cardiovasculares
gem sempre, seja qual for a idade. O e alterações pulmonares, provoca um
sistema cardiocirculatório reage sobre­ aum ento na secreção de adrenalina,
tudo nas crianças e nos jovens. que conduz a uma hiperexcitação capaz
Podemos perguntar-nos quais são as de originar com portamentos estranhos
conseqüências, com o passar do tem po nos indivíduos” .
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 145

EFEITOS D O R U ID O

Decibéis Atividade Efeito

160 LANÇAM ENTO D E FO G U E T E ESPACIAL DANO IRREVERSÍVEL IM ED IA T O

150 e s t a m p id o s ô n ic o

140 e x p lo sã o a o n ív e l d o s o lo C H O Q U E LABORIAL
130 decolagem de reator UMBRAL DE D OR
125 e s c a p e l iv r e d e m o t o r , t r o v ã o
> >
120 IM PA C T O DA V O Z H U M A N A , M A RTELO PER IG O D E D A N O N O ATO
p n e u m á t ic o a u m m e t r o , c o n c e r t o
D E RO CK

115 B U ZIN A D E A U TO M Ó V EL A UM M ETRO , PER IG O C O M M AIS DE 15 M IN U T O S DE


/X d is c o t e c a EXPOSIÇÃO
Tj l i 110 M ÁQ U INA S IN DU STRIA IS
105 aeroporto A 300 M ETROS M U IT O PR EJU D IC IA L
i ■
■ TO R M EN TA , OBRAS A IS M ETROS
100
95 G R ITO S, M OTOSSERRAS, APARADORES PREJU D IC IA L

90 ESTAÇÃO D E M ETRÔ , M O T O R COM


SILEN C IA D O R

85 CO M PRESSO R, TRA FEG O IN TEN SO , CA M I­ LIM ITE TOLERÁV EL


NHÃO

80 CONVERSAÇÃO A IS C M , TRA TO R, DESPER- IN C Ô M O D O , R ISC O D E SU R D EZ


jpi

75 TREM A 50 M ETRO S, RUA ANIM ADA SUPORTÁVEL ALG UM TE M PO

70 TR Á FEG O M É D IO , GRANDES LOJAS, Ô N I­ EM ALGUNS A NOS, O A PA R EL H O A U D I­


BUS EL É T R IC O , RESTAURANTE T IV O COM EÇA A RESSENTIR-SE

65 CONVERSAÇÃO A U M M ETRO PERTU RBA DO R


60 AR C O N D IC IO N A D O , BARRACA ALGUM IN C Ô M O D O
55 TR Á FEG O SUAVE A 20 M ETRO S

■ 50 ES C R IT Ó R IO T R A N Q Ü IL O , GELADEIRA IN TER FER E N O DESCANSO

mmmm
40 CASA DE CAMPO, JARDIM SEM CRIANÇAS
35 BIBLIO TECA CO M P O U C O PÚ BLICO LIM ITE PARA O SON O TR A N Q Ü IL O
30 D O R M IT Ó R IO

25 SUSSU RRO A U M M ETRO , H O SPITA L SILÊN C IO

20 E S T Ú D IO IN SO N O R IZ A D O D E U M A EM IS­
SORA
1 1 RUMOR DÉBIL DE FOLHAGEM NO CAMPO
Tn # (
15 M U R M Ú R IO A C IN C O M ETRO S
10 IM PERC EPTÍV EL PARA A M AIORIA
5 UMBRAL D E AUD IÇÃ O

A escala nos informa sobre os danos potenciais - de maior a menor - que determinados ruídos chegam
a provocar no ouvido humano. A lguns são certamente cotidianos; e nem sempre se é consciente da pressão
fisiológica e psicológica a que nos submetem.
146 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

Alguns estudiosos assinalam como continua sendo o maior poluidor acús­


altamente negativa a incidência do ruído tico a que podemos nos submeter. As
na aprendizagem das crianças. Aqueles limitações para se construir edifícios
cujas escolas limitam-se com zonas rui­ nas proximidades dos aeroportos t alvez
dosas - indústrias, aeroportos, estradas seja a melhor maneira de proteger as
com muito tráfego, etc. - aprendem a ler pessoas contra o ruído. Alguns países
mais tardiamente que os que desfrutam também adotaram medidas restritivas
do privilégio do silêncio. E mais: os ao tráfego aéreo, como a supressão de
primeiros mostram maior agressividade, vôos durante a noite, o que é rigorosa­
fadiga, agitação, disputas, brigas fre­ mente cumprido nos aeroportos suíços
qüentes e uma maior tendência ao e em cidades como Oslo, Sydney ou
isolamento, assim como certa dificulda­ Tóquio. A melhor proteção que se co­
de de relacionamento com os demais. nhece contra o ruído é sua redução.
As crianças que até os três anos vive­ Na residência, fora os possíveis altos
ram cercadas perm anentem ente de níveis de ruído procedentes do exterior,
“poluição sonora” - televisão, rádio, tampouco é agradável termos que nos
lavadora, aspirador, gritos, etc. - tar­ inteirar da vida íntima de nossos vizi­
dam mais em falar corretamente do que nhos, fato freqüente em muitos andares
os que vivem em ambientes silenciosos. e apartamentos mal isolados acustica-
mente. Problema agravado pela redução
da tarifa elétrica noturna, que leva muitas
Proteção contra a agressão acústica donas de casa a colocar em funciona­
m ento a lava-roupas ou a lava-louças a
De forma individual, podemos nos p ro ­ partir da meia-noite. A estridente m ú ­
teger vivendo em casas preferencial­ sica dos filhos roqueiros tam bém pode
mente isoladas do ruído exterior. Po­ nos desesperar. Isso somente se resol­
rém o problema subsiste, já que realiza­ verá com uma profunda modificação na
mos fora do lar a maioria das atividades educação social.
profissionais e de lazer. Em uma casa situada num a rua qual­
N a E sp an h a, e lab o ro u -se um a quer, com maior ou m enor circulação,
normativa baseada nas diretrizes da CEE será um erro instalar o dorm itório das
em matéria de ruídos. crianças na parte mais ruidosa, pensan­
O limite máximo é estabelecido nos do que o ruído não as afetará. Com o
65 dB. Segundo os especialistas, abaixo dem onstrou o doutor M uzet, as crian­
dos 45 dB quase ninguém sente molés­ ças são m uito mais sensíveis aos ruídos
tias. Uns 10% da população sente e portanto sofrem mais que os adultos,
incômodo quando o ruído alcança os pois vamos nos adaptando (tornando-
55 dB, e quando supera os 85 dB nos surdos).
produz-se uma agitação generalizada. Ao descrever em capítulos ant eriores
A normativa pretende conseguir que as incidências que as linhas de alta te n ­
as residências, hospitais, escolas, locais são causam sobre as pessoas, apenas
comerciais e industriais sejam cons­ mencionamos o fato de que a maioria
truídos com as devidas insonoridades. produz vibrações e zumbidos que p o ­
Afora algumas atividades e indústrias dem se tornar insuportáveis a quem
que geram um elevado nível sonoro, a vive m uito próximo deles, sobretudo à
decolagem e aterrissagem de aviões noite e nos dias úmidos.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 147

A contaminação sonora a que esta­ N o capítulo 15, abordaremos o tema


mos expostos nos passa praticamente do isolamento acústico e daremos uma
desapercebida, apesar de audível e repassada nos diferentes sistemas de
mensurável. Atenuá-la não é fácil, po­ construção e os materiais mais adequa­
rém vale a pena, pois nossa saúde em dos para evitar ou proteger-se da
geral agradecerá. poluição sonora.
148 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 11 vasilhames predominava a cor amarela,


em outro o azul e no terceiro uma
LUZ, COR E ILUMINAÇÃO mescla cromática de azul, amarelo, ver­
de e vermelho. Após usar os detergentes,
as mulheres preenchiam um formulário
onde era pedido que indicassem os
Luz e cor resultados, as qualidades e a utilidade
de cada um dos produtos experimen­
Desde tempos imemoráveis, tanto a luz tados.
como sua dispersão - a cor em todos os Por surpreendente e paradoxal que
seus matizes - 1tiveram grande influên­ possa parecer, a maioria das usuárias
cia nas atividades dos seres humanos. dos detergentes testados indicaram que
As pinturas policrom adas da arte o contido na embalagem amarela era
rupestre e a paleta de cores das maqui- demasiado forte, até o ponto de chegar
lagens, tecidos ou residências, em pre­ a “desgastar ou queimar a roupa” .
gadas desde os povos mais primitivos Assinalaram também que o de embala­
até nossos dias, refletem a importância gem azul era m uito fraco e “deixava a
que damos às cores e às muitas mensa­ roupa suja” . Quase todas concluíram
gens evidentes ou subliminares que que o melhor detergente era o contido
encerram. na embalagem multicolor. Observaram
Na comunicação não-verbal, coti­ vocês as cores das garrafas de detergen­
diana, em pregam os as cores com o te? Com o explicar a influência que pode
símbolos significativos, que chegam a exercer a cor da embalagem sobre o
consistir-se em normas de cum primen­ poder de limpeza de um detergente?
to obrigatório: o vermelho dos sinais de E provável que tudo isso esteja em
proibição ou o azul nos de recom enda­ nosso cérebro, que essa particular for­
ção, que regulam o trânsito de veículos, ma que temos de processar a realidade
os familiares semáforos, cujas luzes co­ através de uma série de imagens codifi­
loridas todos conhecemos o significado. cadas, nas quais a luz e a cor possuem
Esses seriam os melhores exemplos do uma linguagem complexíssima, porém
que supõe a cor como imagem mental capaz de criar efeitos inesperados, que
de ordem implícita. escapam a toda lógica.
Existem aspectos mais recônditos ou Será fácil com preender que será in­
inexplicáveis dos efeitos da cor sobre significante a cor com que decoramos
nossa mente. Com o exemplo disso, nossas paredes, a das telas, carpetes,
poderíamos citar a experiência realizada cortinas ou, inclusive, a cor das roupas
por um grupo de técnicos publicitários, que habitualm ente usamos.
especialistas em m arketing. Nessa Passamos muitas horas expostos a
experiência, repartiram entre um deter­ esses tons que, ao não estarem bem
m inado núm ero de m ulheres três escolhidos, podem converter-se em
garrafas de detergente, cuja textura e agressivos ou deprimentes.
composição eram em aparência dife­ A luz branca contém todas as tonali­
rentes. De fato, a única diferença residia dades e se decompõe nelas ao atravessar
nas cores dos vasilhames. A composi­ um prisma de cristal - todos aprende­
ção química do detergente era idêntica mos isso na escola o mesmo que
nas três em balagens. Em um dos negro é o resultado da absorção de
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 149

todas as freqüências de cor. De fato, o apetite. Já se fixaram nas cores das


quando vemos um objeto de cor ver­ lanchonetes de ham búrguer ou dos res­
melha, é porque absorveu todas as taurantes chineses?
freqüências de cor, exceto as equivalen­ Os tons pastéis, azuis e verdes, sedam
tes ao vermelho, que são refletidas e e relaxam; seriam ideais para dormitórios
chegam às nossas retinas, onde os cones ou locais de tranqüilidade e repouso.
e bastonetes as decom põem em sinais Os tons amarelos estimulam a ativi­
elétricos para irem se recom por no cé­ dade mental e talvez sejam adequados
rebro com as características específicas para lugares de estudo.
do visualizado. Porém, a polarização que exerce um
O que talvez não saibamos é que, se tom único, sobretudo se for intenso,
nosso cérebro recebe demasiados sinais tornar-se-á agressiva ou desequilibradora
de uma cor determinada - vermelho, a longo prazo. Daí a necessidade de
por exemplo - se verá obrigado a fabri­ complementar os tons da luz incidente
car a complementar - neste caso, o e os da refletida para que, ao somá-los,
v erde-para manter o equilíbrio interno dêem-nos sempre o branco.2 O branco
e não sofrer estresse da superestimulação. é considerado uma cor neutra, pois
Alguém já se perguntou por que são contém ou reflete todas as freqüências
verdes as batas dos cirurgiões ou os cromáticas, sem polarizar-nos em de­
panos que cobrem o entorno do campo masia num sentido concreto.
operatório? Torna-se evidente, após o Devemos pensar ainda no efeito te ­
exposto, que esse verde relaxa e assim rapêutico: os alaranjados e os vermelhos
os médicos podem trabalhar mais tem ­ dão vitalidade e estimulam as pessoas
po sem sentir excessiva fadiga mental. apáticas ou carentes de apetite, ao mes­
Porém, o que ocorre com quem mo tem po em que exercem um efeito
permanece quatro horas seguidas dian­ antiviral e estim ulante do sistema
te de uma tela de com putador, na qual imunológico. Lâmpadas vermelhas e
predom inam as cores verde ou laranja? telas da mesma cor têm sido ampla­
Já se com provou que, colorindo obje­ mente usadas por todas as culturas para
tos de cores complementares ao redor tratar o sarampo e outras enfermidades
ou sobre a tela, reduzem-se os níveis de virais.
fadiga ocular e mental. O índigo e os azuis relaxam as
pessoas nervosas, e os am arelos são
regeneradores celulares e estim ulan­
A cor na residência tes mentais.
Existem numerosos livros e manuais
T udo fala sobre a importância da cor sobre a cor e suas múltiplas proprieda­
em nossos ambientes cotidianos. des. O term o “cromoterapia” designa
A dificuldade situa-se na escolha cor­ uma vertente terapêutica que faz amplo
reta de cada tom e cor, em função do uso das cores em suas múltiplas aplica­
espaço e utilidade requeridos. ções: roupas, luz colorida ou água
Poderá contribuir para que o local exposta à luz solar com um filtro cro­
destinado à alimentação cumpra m e­ mático específico para cada pessoa ou
lhor sua função pintando-o de vermelho doença.
ou laranja, pois já se observou que Joan Puget, médico barcelonês es­
estimulam a ação dos sucos gástricos e pecialista em haloespectrocromoterapia,
150 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

todas essas forças celulares cria um campo ele­


SÍNTESE D AS PROPRIEDADES
trom agnético em torno do organismo.
CURATIVAS DAS CORES
As teorias do campo quântico vêm demonstrar
V ER M ELH O - Antiancmico, estimula o que a matéria não é senão a condensação do
ligado, estimulante sensorial, bexiga, ftivore- campo, e que a melhor forma de produzir m udan­
ce a hemoglobina. ças na matéria consiste em agir sobre esses cam­
pos. Por isso surgiu, há alguns anos, a necessidade
LAR A NJA - E stim ulante respiratório,
de trabalhar com sistemas que possam produzir
antiespasmódico, antirraquítico, carminativo,
um número determinado de campos eletromag­
emético, galactogogo.
néticos débeis e fixos, capazes de interagir com o
AM ARELO - Estim ulante m otor, assimila­ organismo, oferecendo-lhe a possibilidade de
ção, digestivo, tônico nervoso, colagogo, variar os valores absolutos de seu campo.
anti-helmítico. Faltava encontrar um instrum ento capaz de
amoldar-se a essas premissas básicas e, ao fim de
L IM Ã O - Estimulante cerebral, laxante,
certo tem po, surgiram os filtros ópticos com o
expectorante, remineralizante.
uma ferram enta capaz de realizar esse trabalho.
VER D E - D esintoxicante, anti séptico, Tem os de buscar a explicação de que uma
bactericida, favorece a musculatura, estimula lâmina colorida possua tais propriedades nos
a pituitária. trabalhos de Leonard, responsável pela desco­
berta de que quando a luz entra em contato com
TU R Q U E SA - Depressor cerebral, estimu­
alguns elementos, provoca um deslocamento de
lante da pele, ácido, tônico, estados agudos.
elétrons no seio da matéria. Esse fenôm eno
A Z U L - Febrífugo, estimula a vitaiidade, ficou conhecido com o efeito fotoelétrico e seu
antieczemático, acalma as irritações. desentranham ento valeu a Einstein o prêmio
N obel de física.
ÍN D IG O - Estimulante das paratiróides,
Se um filtro óptico é atravessado por uma
depressor tiroidal e respiratório, adstringente,
radiação luminosa, origina um m ovim ento de
sedativo, antidolor, hemostático.
elétrons em sua superfície, que gera um campo
VIO LETA - Aumenta os leucócitos, esti­ eletromagnético. Utilizando corretam ente es­
mula o baço, calmante geral, depressor ses campos débeis, o terapeuta, guiado sempre
cardíaco c iinfático. pelo pulso que permite-lhe estabelecer uma
conexão íntima com o paciente, vai induzindo
P U R P U R A - E stim u lan te das veias,
mudanças na radiação geral da pessoa até chegar
v aso d ilatad o r, h ip n ó tic o , analgésico e
aos valores fisiológicos ótim os.”
depressor renal, antipurúvico.
M A G E N T A - E stim u la n te ca rd íac o ,
diurético, harmoniza as emoções.
Na residência, a luz será sempre um
elemento vivificante. As propriedades
ESCARLATE - Afrodisíaco, estimula os bactericidas da radiação ultravioleta
rins, vasoconstritor, em enagogo, estimulan­
te arterial.
acresce-se a estimulação e alegria psico­
lógica que os espaços corretam ente
iluminados proporcionam, diante dos
resume assim seus trabalhos com filtros
efeitos tétricos, lúgubres e deprimentes
cromáticos: que dão-nos os espaços obscuros, cin­
zentos ou mal iluminados.
“N ão faz m uito tem po que se iniciou o estudo
do funcionam ento do corpo hum ano observado
através do prisma da física. Era necessário que A iluminação artificial
essa ciência alcançasse certo nível para que,
graças a ela, se pudesse estudar o ser hum ano a
partir do ponto de vista da eletricidade e do Procuraremos escolher as luminárias e
magnetismo. E sabido pela fisiologia que todas lâmpadas cujos espectros mais se apro­
as células geram uma atividade elétrica, depen­ ximem do solar, com o qual todos
dendo de sua estrutura e função. O resultante de estamos sintonizados.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 151

A Luz, que pode considerar-se como recebe uma determinada superfície si­
energia visível, est á compost a de um tuada a certa distância da fonte. Na
espectro de freqüência eletromagnética prática, o nível de iluminância se mede
que vai do ultravioleta ao infravermelho, com um luxômetro.
e cujas longitudes de onda oscilam en­ Para obter a comodidade visual neces­
tre 400 e 700 nm (nanômetros). sária em cada atividade ou trabalho que
N a luz branca estão contidas todas as realizemos, são necessários certos níveis
freqüências visíveis, e quando por efei­ mínimos de iluminância, por exemplo:
to da refração, reflexão ou polarização
predom ina uma faixa estreita de fre­ - Um dia ensolarado de verão nos
qüências, aparecem as cores visíveis. De oferece 100.000 lux, em pleno sol.
fato, cada fonte luminosa possui um - À sombra 10.000 lux.
espectro particular, que lhe confere al­ - Com o céu encoberto 20.000 lux.
gum as características e qualidades - Uma noite com lua cheia 0,2 lux.
específicas, assim como alguns efeitos - Em um ambiente de trabalho (ofici­
psicofisiológicos no organismo bem nas, escritórios, etc.) recomenda-se
determinados. um mínimo de 500 lux.
O fluxo luminoso de uma fonte é
projetado em todas as direções e a Além da intensidade luminosa ou
iluminância é o fluxo luminoso que iluminância, será de vital importância o

OS EFEITOS DA C O R SOBRE A PERCEPÇÃO

Longitudes Longitudes
de onda curta: de onda longa:
violeta amarelo Preto Branco
azul laran j a
verde vermelh o

RELEVO achatam dão relevo focaliza difunde

ESPAÇO alargam, distanciam estreitam, aproximam contrasta embaça

IMPRESSÃO esfriam aquecem quente frio


T ÉRM ICA

PESO pesado leve pesado leve

V ioleta: inibe o A m arelo: doçura, os


movim ento dedos resvalam
dos dedos
PERCEPÇÃO V erm elh o: pegajoso,
D E R M Ó T IC A A zul: frea o resistência
movimento ao movimento
dos dedos

V erde: neutro
152 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

já mencionado espectro cromático, que observou-se que nas pessoas que per­
deverá nos dar a temperatura de cor ou maneciam com os olhos vendados em
“cor aparente” da fonte luminosa. uma sala onde mudavam-se as cores das
A l u z q u e n t e oscila até o amarelo paredes, variava a temperatura corporal
avermelhado, com uma temperatura de externa: subia com os tons quentes
cor baixa (3.000 K o u até menos). (vermelho, laranja, amarelo) e descia
A l u z f r i a , ao contrário, vai até o com as cores frias (azul, índigo, violeta,
azul-violeta, com uma temperatura de verde).
cor elevada (8.000 a 10.000 K). A resposta neuromuscular e a resis­
A l u z b r a n c a n a t u r a l , a que emite tência à pressão de certos músculos
o sol com céu limpo, tem uma tem pe­ também oferecem informações interes­
ratura de cor de 5.000 K quando está santes do ponto de vista da incidência
no apogeu, e de 2.000 K quando en­ da luz e da cor nas constantes biológi­
contra-se no horizonte. cas: uma pessoa com óculos de lentes
Existem lâmpadas cuja luz é mais verde-escuras perde até 12% da tensão
vermelha - lâmpadas incandescentes muscular, e 8% quando se tratar da cor
com resistência infraverm elha-enquan­ marrom. Somente as lentes ligeiramente
to em outras predomina o azul - muitos escurecidas não incidiram diretam ente
dos tubos fluorescentes - e em outras nos testes realizados.
predomina mais o amarelo: halógenas e Os seres vivos têm se adaptado às
algumas incandescentes. condições de luz e cor que abrangem
O utros usos possíveis da luz e da cor ampla gama de freqüências cromáticas
são os que oferecem impressões de e intensas luminescências. Qualquer po­
volume ou de espaços difusos. larização induzirá respostas específicas
As cores vermelho e laranja, chama­ que deverão ser estudadas de forma
das também quentes, dão volume, corpo individual e personalizada, a fim de
e relevo às imagens que iluminam. E n­ aproveitar seus possíveis efeitos benéfi­
quanto o azul, chamado frio, aplaina as cos ou evitar disfunções ou transtornos
imagens e as torna difusas. que, pelo fato de serem sutis, não devem
ser depreciados. Por isso, estudaremos
minuciosamente os distintos sistemas
Respostas fisiológicas à cor de iluminação, luminárias, lâmpadas,
etc., otimizando-as às necessidades que
As respostas de nosso organismo à luz, nos im põem , tentando harm onizar
à cor e aos diferentes tons cromáticos nossa realidade pessoal com a luz e a
vão mais além do puramente subjetivo. cromatologia ambiental,3 natural ou
Nas provas realizadas nos laboratórios artificial.
de luz das empresas Philips e Mazda,
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 153

1 O o lh o h u m a n o p o d e d ife re n c ia r
100.000.000 de tons diferentes.
2 As cores-luz primárias são o vermelho, o
verde e o azul-escuro, que ao unirem-se formam
o branco. Nas cores-matéria, a união do azul-
cian, do verm elho-m agenta e do amarelo for­
mam o preto.
3 Recordemos os trabalhos de M onteagudo,
onde descreve-se um excesso de horas de luz
com o fator de diminuição da atividade pineal e
a conseqüente perda, por parte do organismo,
de respostas imunológicas e antimutagênicas,
assim com o o efeito oposto que sofrem. Ao
contrário, a falta de luz gera estados de ansieda­
de e tendência depressiva, algo m uito habitual
nos povos nórdicos.
154 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 12 Estima-se que o radônio e seus


“filhos” - os radionuclídeos form ados
O LAR RADIOATIVO em sua desintegração - contribuem
com três quartas partes das doses
equivalentes efetivas anuais recebidas
pelo hom em , procedentes de fontes
Ao descrever a radioatividade e seus terrestres naturais, e ap ro x im ad a­
efeitos na saúde, temos mencionado m ente a m etade das recebidas da
algumas das fontes radioativas mais ha­ totalidade de fontes naturais. A m aio­
bituais. Aqui iremos centrar-nos na re­ ria dessas doses provêm da inalação
sidência, onde freqüentemente pode­ dos radionuclídeos, especialm ente em
mos ter uma ou outra surpresa ao medir am bientes fechados.
os níveis de radiação ionizante ali pre­ De fato, o radônio apresenta duas
sentes. fôrmas fundamentais - o radônio 2 2 2 ,
E no interior de nossas casas que um dos radionuclídeos presentes no
podemos receber as maiores doses de processo de desintegração do urânio
radioatividade. Especialmente a que nos 238 e o radônio 220, produto das
chega sob a forma de gás inodoro, séries de desintegração do tório 232;
insípido e invisível, chamado radônio; iremos nos referir adiante a ambas as
este gás radioativo emana das rochas do formas, utilizando o nom e genérico de
solo que contêm minerais radioativos. “radônio” ; e isso apesar de a maioria
A taxa de radioatividade ou de gás das doses serem causadas não tanto
radônio existente em um lugar depende pelo gás, como por seus próprios deri­
da estrutura geológica do terreno e da vados.
presença de minerais radioativos em suas Um vez que o gás penetra no edifí­
rochas ou sedimentos; embora aqui in­ cio, filtrando-se através do solo ou
fluam fatores como a permeabilidade, fluindo dos materiais utilizados em sua
porosidade ou piezeletricidade dos dife­ construção, é difícil que saia. Sua vida
rentes substratos. As mudanças climáticas, média é de 3,8 dias, espaço de tem po
sobretudo as baixas pressões atmosféri­ durante o qual decompõe-se, transfor-
cas, aumentam os níveis de radioatividade mando-se em polônio radioativo que
emitida pelo terreno; também são mais emite perigosas radiações. Os níveis de
elevadas as quantidades de gás radônio radiação podem alcançar cotas m uito
no verão que no inverno. elevadas, sobretudo se o edifício en-
c o n tra -se a sse n ta d o em te rr e n o
particularmente radioativo ou tiver sido
O tem ido gás radônio construído com materiais especialmen­
te radioativos, como alguns tipos de
O radônio emana do subsolo através de concreto, que desprendem gases radio­
fissuras ou microfissuras abertas pelas ativos, o que agrava ainda mais o
correntes subterrâneas de água ou as problema do gás radônio.
falhas geológicas. Encontram o-lo, so­ Com cada vez mais freqüência, des­
bretudo, nas zonas graníticas, e se con­ cobre-se níveis m uito elevados de
centra nas casas ou aposentos pouco radônio. N o final dos anos 70, encon­
ventilados e dotados de abundante iso­ trou-se em lares da Suécia e da Finlândia
lamento térmico. concentrações 5.000 vezes superiores
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 155

O LAR RADIOATIVO dósia era altamente radioativa. Seu


emprego foi reduzido em meados dos
anos 60 e, mais tarde, interrompido.
Os resíduos do silicato de cálcio - um
subproduto altamente radioativo no
tratam ento do mineral de fosfato - são
utilizados para elaborar o concreto e
outros materiais de construção na Amé­
rica do Norte. Sua presença foi detectada
em edifícios de Idaho, Flórida e Canadá.
A fosfogisgina, subproduto de outro
processo de tratam ento do mineral de
fosfato, tem sido amplamente utilizada
na confecção de blocos ocos de concre­
to, pranchas de gesso e feltro, sistemas
O gás m dônio provém da desintegração radioati­
va do rádio - componente natural da crosta
de compartimentação e cimento. E mais
terrestre - e está presente em zonasgraníticas e barata que o gesso natural e foi bem
ricas em fosfatos. Para que este gás escape do solo, recebida pelos estudiosos do meio am­
têm que ocorrerfatores de porosidade e umidade, biente em sua condição de resíduo: seu
porém também intervém pontos débeis ou fissuras emprego contribui na preservação das
nos edifícios, como encanamentos, condutosdegás
ou cabos elétricos. No desenho, as flechas indicam
fontes naturais e na redução da polui­
as vias de penetração do gás nas casas, que se ção. Somente no Japão, três milhões de
localizam nas partes que estão mais em contato toneladas desse material foram utiliza­
com a superfície terrestre. das pelo setor de construção em 1974.
Porém, a fosfogisgina é várias vezes
às normais no exterior. À medida q ue mais radioativa que o gesso natural que
aum enta a quantidade de lares exami­ substitui, e as pessoas que vivem nas
nados, aum enta o núm ero daqueles casas que a incorporam estão expostas a
onde se descobre concentrações extre­ 30% de radiação adicional, referen-
mas de gás. tem ente àquelas que não vivem sob
Os m ateriais de construção mais co­ essas condições.
m uns - m adeira, ladrilhos, etc. - Outros subprodutos altamente radio­
d esp ren d em relativ am en te p o u co ativos empregados na construção são
radônio. O granito é m uito mais radio­ os óxidos de ferro, titânio e silício,
ativo, com o também é a pedra-pomes, resultados da produção do alumínio,
utilizada por exemplo na Alemanha. dos resíduos derivados do tratam ento
Alguns materiais têm dado desagradá­ de ferro em altos-fornos e das cinzas
veis surpresas a construtores, cientistas procedentes da combustão do carbono.
e moradores, ao revelarem-se especial­ Entre 1952 e 1966, utilizaram inclu­
m ente radioativos. sive resíduos derivados da exploração
D urante algumas décadas, na Suécia do urânio na construção e cimentagem
por exemplo, utilizavam-se ardósias de edifícios, particularmente em Grand
aramadas na elaboração do concreto, Junction, Colorado; nesse caso, o go­
incorporado a um núm ero de lares com­ verno norte-americano teve que intervir
preendido entre 350.000 e 700.000. e remediar a situação, devido às altas
Posteriorm ente, descobriu-se que a ar- doses recebidas pelos habitantes.
156 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

Materiais de construção à parte, o reduzidos, fazendo-se uma câmara de


solo em que se assentam as casas é quase ar ventilada entre o terreno e o edifício.
sem pre um a im p o rtan te fonte de A utilização de ventiladores em porões
radônio. Os níveis de radônio mais constitui um meio particularmente efe­
elevados encontrados em Helsinque, tivo para reduzir a quantidade de
Finlândia, 5.000 vezes superiores aos radônio que se introduz neles.
normais no ar, foram detectados em A água e o gás natural constituem
casas cuja única fonte significativa esta­ outras fontes de radônio nos lares, se
va constituída pelo terreno onde se bem que menos importantes. A quan­
assentavam. Inclusive na Suécia, com as tidade de radônio existente na água é
preocupações oriundas da utilização de geralmente pequena, porém alguns dis­
óxidos radioativos, as últimas pesquisas tribuidores, com o os procedentes de
mostram que o maior problema a res­ poços de grande profundidade, apre­
peito é o radônio que emana do solo. sentam enorm es concentrações. Os
A concentração do radônio nos pisos fornecimentos de água mais radioati­
superiores dos edifícios altos tende a ser vos apresentam concentrações de um
m enor que a dos inferiores. Uma ex­ bilhão de becqueréis de atividade por
ploração feita na N oruega revela, além metro cúbico; os menos radioativos,
do mais, que as casas de madeira apre­ praticamente nenhum a. Em geral, esti­
sentam maior concentração do gás que ma-se que menos de 1% da população
as de alvenaria, apesar do fato da madei­ mundial consome água que contenha
ra praticamente não liberar radônio. mais de um milhão de becqueréis de
Isso se deve ao fato das casas de madeira atividade por m etro cúbico, e menos de
normalmente terem menos andares e, 10% bebe água com mais de 100 mil
portanto, seus aposentos estarem mais becqueréis por m etro cúbico.
próximos do solo emissor do radônio.
Embora o clima da Europa não seja O R A D Ô N IO EM E D IFÍC IO S
equiparável ao daqueles países, assim tem
sido o sistema de construção de seus
natural
edifícios, que a cada dia mostram maior
tendência às estruturas fechadas e hermé­
ticas, sobretudo em edifícios destinados
a escritórios, grandes magazines, etc.
A espessura e a integridade dos solos
dos edifícios d eterm in am q u an to ar externo
radônio procedente do terreno penetra
neles, como têm dem onstrado análises
praticadas em casas construídas sobre
terrenos fosfatados, na Flórida. Em
Chicago, as edifícadas diretamente so­
bre o terreno, com porões sem assoalho,
apresentaram concentrações de radônio
materiais de construção e terreno
mais de 100 vezes superiores às n o r­ sob o edifício
mais medidas no exterior.
Pela mesma regra, os níveis de radia­ Contribuição relativa das diferentes fontes de
ção presentes nos edifícios podem ser radônio em um a determinada casa.
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNC IA 157

O estranho é que o consumo de água se ao gás liqüefeito de petróleo, obtido


que contém radônio não é o principal como subproduto. Porém, o gás natu­
problem a, inclusive quando apresenta ral distribui de 10 a 100 vezes mais
elevados índices de concentração. Pela radiação aos lares em conjunto com
regra geral, a maior parte da água inge­ aquele, mais radioativo, visto que sua
re-se formando parte dos alimentos ou utilização é m uito maior.
em bebidas quentes, como o chá ou o As medidas de economia energética
café. Ao ferver-se ou cozinhar com ela, podem aumentar sensivelmente a con­
libera-se um a grande proporção de centração de radônio. O isolamento
radônio e, portanto, a ingestão princi­ térmico das casas conserva o calor, p o ­
pal procede da água bebida, porém rém também faz crescer os níveis de
mesmo essa é rapidamente eliminada radônio.
pelo organismo. U m maior risco ofere­ O problema é particularmente grave
ce a inalação da radioatividade emitida na Suécia, onde os lares estão forte­
pela água rica em radônio, especial­ mente isolados. Durante muitos anos,
m ente durante o banho. não se prestou especial atenção à pre­
U m a exploração realizada na Finlân­ sença de radônio nas casas, apesar da
dia m ostrou com o, em termos médios, utilização de resíduos de alumínio em
as concentrações de radônio presentes sua construção. Uma exploração efe­
nos banheiros das casas eram três vezes tuada em 1956 m ostrou que não
superiores às existentes nas cozinhas, existiam sérios motivos de preocupa­
onde utilizava-se menos água, e umas ção, atendendo aos níveis de ventilação
40 vezes mais altas que as detectadas existentes. Porém, desde o início dos
nas salas de estar. N o mesmo sentido, anos 50, tais níveis de ventilação foram
um estudo realizado no Canadá reve­ diminuindo persistentemente com a
lou que a quantidade de radônio economia energética. Entre 1950 e
presente no ar dos banheiros aum enta­ meados dos anos 70, reduziram-se à
va rapidamente durante uma ducha metade, triplicando-se correlativamente
moderada de sete minutos, e que uma as concentrações de radônio. Calcula-
vez terminada, deveria transcorrer mais se que para cada gigawatt de economia
de uma hora e meia antes que os níveis de energia anual, obtido às custas da
de radiação pudessem ser considerados redução da ventilação, produz-se a ex­
comparáveis aos originais. posição dos suécos a 5.600 sieverts/
O radônio incorpora-se também ao pessoa de radiação adicional.
gás natural no subsolo. Seu tratam ento As medidas de economia energética,
e armazenam ento liberam parte dele as importantes emissões de radônio pelo
antes que o gás chegue ao consumidor, terreno e o emprego de resíduos de
porém sua com bustão em estufas sem alumínio contribuem para explicar a
chaminés, aquecedores e outros eletro­ situação da Suécia. Em 1 9 8 2 , o
domésticos aumenta significativamente UNSCEAR proporcionava informação
a concentração de radônio nos lares. mais limitada com relação a outros paí­
N ão obstante, se aqueles apresentarem ses, indicando que 90% das casas
respiradouros ao exterior, o aum ento é apresentavam concentrações de ativi­
desprezível. dade inferiores a 50 beequeréis por
Grande parte do radônio separado metro cúbico, cerca de 25 vezes os
do gás natural em seu refino incorpora- níveis típicos do exterior, e só uma
158 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

R A D Ô N IO E VENTILAÇÃO im portante núm ero de pessoas encon-


tram-se submetidas a elevados níveis de
radiação no lar. Apesar disso, em luga­
res com problemas menos agudos que
a Suécia, três quartos da dose equiva­
lente coletiva total se contabiliza nos
lares com concentrações inferiores a
100 becqueréis por m etro cúbico.

A radioatividade caseira

Podemos encontrar mais elementos


radioativos na residência do que p o d e­
ríamos suspeitar a princípio. H oje sa­
bemos que as esferas luminosas dos
relógios e dos painéis de instrum entos
Variação da concentração de radônio em um incorporam materiais radioativos. Tam ­
apartamento, quando permanece fechado ou ao bém os primeiros aparelhos de televi­
ser ventilado.
são em cores emitiam raios X acima dos
limites recom endados, em bora as n o r­
pequena porcentagem continha quan­ mas atuais mais restritivas tenham eli­
tidades superiores aos 100 becqueréis minado esse problema quase por com ­
por m etro cúbico. pleto.
Sem dúvida, na Suécia, o mesmo Ao se utilizar um lampião de cam-
informe assinalava que mais de 30% dos ping de butano, deve-se saber que a
edifícios encontravam-se acima desse camisa que se põe incandescente con­
último nível e que, em termos médios, tém tó rio rad io ativ o . E m b o ra as
as concentrações eram quatro vezes embalagens com camisas novas conte­
superiores às existentes em países de nham uma mensagem orientando para
clima temperado. que se evite m anter as camisas em con­
Indicadores recentes mostram, sem tato com a pele durante m uito tem po,
dúvidas, que a situação na Suécia pode em nenhum local advertem que tais
não ser tão excepcional como se havia camisas sejam radioativas.
pensado, na medida em que outras A cerâmica, a olaria e seus vitrificados
nações começam a se dar conta da podem conter pequenas quantidades
importância desse problema. A maior de tório e urânio radioativos, depen­
preocupação existente nesse país obe­ dendo da origem da argila.
dece, em boa medida, ao fato de haver Os assoalhos de arenito, mosaicos e
sido o primeiro a realizar exaustivas arabescos podem ser especialm ente
análises a respeito. radioativos, dependendo dos sais empre­
A proporção de casas que apresen­ gados para sua cristalização. Seria
tam concentrações de radônio entre aconselhável medir os níveis de radioa­
1.000 e 10.000 becqueréis por metro tividade dos materiais de construção
cúbico oscila nos diversos países entre que desejamos empregar (ver cap. 13,
0,01 e 0,1%. Isso significa que um “Detecção de radiações nocivas” ).
FATORES DE RISCO E SUA INCIDÊNCIA 159

VALORES C OMPARATIVOS DA RADIOATIVIDADE


DE ED IFIC A ÇÕ ES E MATERIAIS D E C O N STR U Ç Ã O

madeira 20-50 m rad /an o


00
ladrilho 20-90 m rad /an o
o
ü pedra arenosa 25-100 m rad /an o
'E
granito 75-120 m rad /an o

concreto 50-250 m rad /an o

Resultados de estudos realizados na Suécia.

■ 1,1 M adeira (Finlândia)

Gesso natural (R U )

Areia e cascalho (RFA)


Bq de rádio e tório
Cim ento portland (RFA) por quilograma

Ladrilhos (RFA) 126^

LO G ranito (RU ) 170 1


<
w
H
Cinzas voláteis (RFA)
34 i Jr
Ardósiasdealúm en (Suécia) 1974-1979

Ardósias de alúmen (Suécia) 1929-1975 1.367 ^

Fosfogisgina (RFA)

Escórias de silicato de cálcio (EUA) 2.140 A

Dejetos da exploração do urânio (EUA) 4.625 ^

Principais concentrações de radioatividade em materiais de construção, medidas em diversos países.

Freqüentem ente empregam-se para radiação de fundo detectável ao ar livre,


a fabricação de materiais de construção como faz a madeira. Hoje, conhece-se as
resíduos industriais com certos níveis cifras da radioatividade de muitos mate­
de radioatividade. riais de construção; ou os fabricantes
Em princípio, nossos materiais de cons­ podem conhecê-las, pois existem instru­
trução deveriam ter tão poucos elementos mentos para medi-las.
radioativos quanto possível, especialmen­ Os utensílios de cozinha de cerâmica
te se encontrarem-se justo ao lado dos e vitrificados são fontes potenciais de
habitantes; e também deveriam reduzir a radiação, se foram fabricados com argi­
160 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

la que contém urânio ou óxidos de Poderíamos resumir este capítulo


urânio; sobretudo as cerâmicas vitri- recom endando o estudo dos diferentes
ficadas com a cor laranja. Também os níveis de radioatividade presentes na
eliminadores de estática para discos e as residência, tanto pelo possível acúmulo
películas fotográficas podem conter de gás radônio, com o pela presença de
polônio, um emissor de partículas alfa. materiais ou elem entos radioativos
Pode-se utilizar o M onitor no m odo de desconhecidos. N ão se trata de preo­
contagem por m inuto para identificar cupar-se sem justificativa, porém de
esses elementos. evitar riscos desnecessários.
Algumas pedras e cristais comerciais, Recordemos que na vertical das zo­
das usadas em joalheria, podem ter suas nas teluricamente alteradas aparecem
cores melhoradas mediante o bom bar­ maiores doses de radiação gama, por
deio de nêutrons, m om ento em que se isso será preferível evitá-las. E os
convertem em radioativas. Também as neutralizadores ou sistemas comerciali­
jóias de ouro podem ter sido fabricadas zados para a eliminação da radiação
com ouro recuperado, utilizado ante­ gama, que é capaz de atravessar inclusi­
riormente em terapias com radiações. ve placas de 2cm de chumbo, parece-nos
Com o já vimos anteriormente, al­ duvidoso e de um m odo geral pouco
guns tipos de granito, de amplo uso em efetivo.
pisos e bancadas de cozinha, podem Por último, recordemo-nos que con­
emitir altas doses de radioatividade. tra o gás radônio o melhor é a ventilação.
QUARTA PARTE
PRÁTICA G E O B IO L O G I A

Ao longo dos capítulos precedentes, ajuda de aparelhos sofisticados, um lo­


tom am os consciência de que vivemos cal sadio de um desfavorável.
rodeados de energias, radiações e o u ­ Existem tam bém alguns m étodos
tros fatores de risco, que podem exercer simples de comprovação ao alcance de
incidências negativas sobre nossa saúde todos, que podem eliminar as dúvidas,
e com prom eter nosso bem-estar geral. como são a cristalização sensível ou o
Entre as muitas questões que se pro­ observar das reações de crianças peque­
põem uma vez chegados aqui, talvez as nas ou de determinados animais.
mais generalizadas sejam: Com o detec­ O capítulo da bioconstrução é de
tar as anomalias em nossa residência ou vital importância, pois o ideal na aplica­
no local de trabalho? Com o sermos ção desses conhecimentos será o de
conscientes de que estamos vivendo ou projetar e construir residências saudá­
dorm indo num lugar sadio? E caso veis e favoráveis, no máximo de aspec­
sejam detectadas anomalias telúricas ou tos possíveis. Além disso, um correto
outras alterações, o que podem os fazer? projeto e orientação da casa permitirá
Nos capítulos que se seguem, procu­ uma considerável economia de energia
raremos juntar extratos das experiências e maior conforto biológico.
de 11 anos de pesquisa geobiológica. Pensando naquelas residências onde
Com a finalidade de que cada leitor possa não se pode encontrar bons espaços
discernir sobre a salubridade do lugar por estarem demasiadamente altera­
que habita, descrevemos o instrumental das, dedicamos um capítulo à harm oni­
eletrônico de medição, para que possa zação e neutralização das anomalias
realizar o estudo dos diferentes fatores descritas. Em bora insistamos em que
de risco que podem estar lhe afetando. nosso maior interesse e o máximo de
Paralelamente aos sistemas de medi­ energias empregadas em m elhorar nos­
cina física, insistiremos para que cada so H ábitat deveriam ser encaminhadas
pessoa desenvolva sua própria sensibili­ na busca dos locais mais favoráveis,
dade pessoal e possa distinguir, sem evitando-se as zonas de forte radiação.
162 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 13 construir. Podemos recorrer tam bém a


receptores de microondas, term ôm e­
DETECÇÃO DE tros de infravermelho, medidores de
RADIAÇÕES NOCIVAS io n ização , sensores p ie z e lé tric o s,
estatímetros, etc. Existe outra série de
instrumentais de amplo uso na m edici­
na, que permitem a medição de reações
Hoje em dia, dispomos de avançados e fisiológicas ou biológicas do organis­
precisos instrum entos de medição, que mo quando se encontra na vertical das
detectam e quantificam um grande zonas alteradas teluricamente, ou na
núm ero de parâmetros e energias pre­ presença de fortes campos eletrom ag­
sentes nesse mar de radiações em que néticos. Entre esses instrumentais, p o ­
estamos imersos. Alguns equipam en­ demos citar o dinam ôm etro, para m e­
tos, m uito complexos, somente são dir as respostas neuromusculares; o
acessíveis a centros de pesquisa que cardiógrafo, que nos revela as altera­
recebem fundos internacionais. Em ções do pulso cardíaco; o galvanômetro,
certas ocasiões, pode-se solicitar a esses que registra as variações da resistência
centros as informações e os resultados cutânea, etc.
de suas medições. Paralelamente, a Com o objetivo de poderm os reali­
microeletrônica tem colocado ao al­ zar nossas próprias experiências, a se­
cance dos investigadores livres um ins­ guir descreveremos alguns dos apare­
trum ental avançado a preços acessíveis: lhos, equipam entos ou sistemas de
aparelhos como os contadores geiger, medição que podem nos proporcionar
com os quais podem os detectar os ní­ informações sobre as radiações ou ener­
veis de radioatividade presentes em gias com as quais nos relacionamos.
nossa casa ou de alguns materiais de
construção, para que possamos esco­
lher os menos prejudiciais. Com o Contaminação eletromagnética
Kombi-test1 ou instrum entos simila­
res, localizaremos as fontes de conta­ Nas partes precedentes já detalha­
minação eletromagnética ou elétrica mos tudo relativo a esse tipo de altera­
de instalações defeituosas, linhas de ção na residência ou no local de traba­
alta tensão ou transformadores. Isso lho e suas conseqüências, a curto ou
nos permitirá quantificar sua intensida­ longo prazo: estresse, depressões, fadi­
de em nanoteslas ou v o lts/m etro , dan­ ga, sonolência e, em casos graves, en­
do-nos uma idéia aproximada de sua fermidades degenerativas (por exem­
perniciosidade. Tam bém será possível plo, leucemia).
elaborarmos estatísticas do nível de in­ Existem no mercado europeu vários
cidência na saúde. Os magnetômetros medidores de campos eletrom agnéti­
portáteis revelam as anomalias m agné­ cos artificiais. Temos preferido um dos
ticas, intensas ou débeis, assinalando- mais confiáveis, e talvez o mais utiliza­
nos os locais suscetíveis a produzir do pelos especialistas em geobiologia:
despolarização, ou também a presença o Kombi-test. Possui três sondas para
de anomalias do subsolo capazes de cam p o s e le tro m a g n é tic o s . U m a
com prom eter a estrutura e solidez do marcada com dois pontos cinzas, para
edifício que habitamos ou desejamos intensidades m uito altas (de 1.000 a
PRÁTICA GEO BIO LÓ GIC A 163

10.000 nanoteslas [nT]); outra com


dois pontos vermelhos, para grandes
intensidades (de 100 a 1.000 nT) e
outra para intensidades menores (de 0
a 100 nT). A margem de segurança ou
“ruído de fundo” , que nos apresenta
perigo, em princípio situa-se entre os 30
e os 50 nT. Na maioria das residências
onde encontramos intensidades superio­
res a 70 nT, são inevitáveis os transtor­
nos nervosos descritos anteriormente.
Com o referência, diremos que um
televisor emite cerca de 300 nT a uma
distância de 50cm, 70 nT a 2m e 30 nT
a 4m. U m radiorrelógio na cabeceira
da cama emite 200 nT a uma distância
de lOcm, 70 nT a 50cm e 30 nT a lm
de distância.
Uma linha de alta tensão ou um
transformador de corrente elétrica pode
manter intensidades que oscilam entre
Kombi-test: Medidor E /M com sonda para cam 50 e 70 nT ou mais, a distâncias m uito
pos eletromagnéticos. consideráveis, entre 30 e 1OOm, segun-

Mediçao da contaminação eletromagnética com um amplificador telefônico.


164 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

do a voltagem e a carga transport ada. formadores amplificando-as, com o que


Algumas linhas de 380 volts sobre­ podem os ouvir um ruído que delata
carregadas dão valores de 70 a 100 nT sua presença. Possui uma sensibilidade
a mais de lOm de distância. semelhante ao Kombi-test descrito an­
teriorm ente, porém ao não nos forne­
Medição de perturbação eletromagnéti­ cer unidades de medida, carece de valor
ca com um amplificador telefônico estatístico. Graças ao seu preço baixo,
podem os dispor de um instrum ento de
Trata-se de um instrum ento que pode uso doméstico que nos permite elimi­
ser adquirido a preço baixo, em lojas de nar dúvidas com respeito aos níveis de
eletrônica, ou ser m ontado a partir de contaminação eletromagnética a que
kits eletrônicos. Consiste em um ampli­ estamos expostos.
ficador com microfone dotado de ven­
tosa, com posto por uma bobina com
núcleo de ferrite. Contaminação elétrica
Essa bobina capta as ondas eletro­
magnéticas emitidas pelos aparelhos São complicadas as medições dos cam­
elétricos, linhas de alta tensão ou trans­ pos elétricos livres, pela sua variabilida­

M icrofone de ventosa

Fones de ouvido

Uma opção realmente “caseira” consiste em conectar o microfone de ventosa (à venda em lojas de
eletrônica) a um magnetofone ou a um walkman, colocando-o na função de g ra va r e em posição de
escuta da gravação. O microfone captará as ondas eletromagnéticas, que serão registradas e escutadas
através do aparelho magnetofônico.
PRÁTICA GEOBIOLÓGIC A 165

usando sapatos de grande conduti­


i vidade elétrica: couro ou fibras naturais
ou que, na sua ausência, descalce-se.
Nessas medições, comprovaremos
que o ideal é que os instrum entos elé­
tricos e eletrônicos conectados à rede
estejam blindados e aterrados, o mes­
mo que para a instalação elétrica da
casa. D o contrário, haverá uma grande
perda eletrostática, mesmo que a lâm­
pada, o televisor ou qualquer aparelho
esteja desligado.
Os cabos que passam pela cabeceira
de nossa cam a podem ter perdas
eletrostáticas enormes se a instalação
elétrica for defeituosa, o que pode ser a
causa de insônias ou de um descanso
pouco reparador (levantar-se com a
cabeça pesada).
N a Europa, existem relés especiais,
que permitem a desconexão da rede
(setor iluminação) quando apagamos
todas as luzes, deixando passar uma
voltagem de baixa tensão, 6 V (inócuo)
e reconectando a 220 V quando acio­
namos algum interruptor. Existe a pos­
sibilidade, m uito com um em pessoas
sensíveis aos efeitos da eletricidade, de
desconectar a chave geral ao ir dormir,
dispondo de uma lanterna de bolso
sobre o criado-mudo se tiver que le­
Kombi-test com sonda para campos elétricos. vantar-se durante a noite. O utra opção
é desligar todos os aparelhos e lâmpa­
das próximas à cama e afastá-los a 50cm
de segundo o tem po e os diversos ma­ da parede. Tam bém é possível recorrer
teriais, assim com o a diferença entre a controles remotos, centralizando in ­
cargas positivas e negativas. terruptores afastados do local de re­
Podemos medir as descargas com um pouso.
voltímetro, em volts ou milivolts, ao
aterrar uma superfície carregada eletrica­ Rastreador de sinal elétrico: “busca-cabos”
mente. Nessa ocasião, também será de
grande utilidade o Kombi-test descrito, Trata-se de um instrum ento simples, à
pois possui uma sonda especial para volts/ venda nas lojas de ferragens e de m ate­
metro, ou seja, cargas elétricas no ar. rial elétrico, que sinaliza com um “bip-
O operador faz a função de massa de bip” a presença de campos elétricos
descarga e será interessante que esteja alternativos. E de fácil manejo e, embo-
166 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

Bip.Bip.Bip....

fase

neutro fase
campo elétrico campo elétrico

Estando a lâmpada apagada, se o busca-cabos dá Quando o busca-cabos não dá sinal, o interruptor


sinal ao aproximá-lo, indica que o interruptor está cortando a fase e não passa campo elétrico
está cortando o neutro e que, pela fase, continua pPIVCl d 4

passando campo elétrico.

ra não possua tanta sensibilidade nem Medição do campo


ofereça unidades de medida como o m agnético terrestre
Kombi-test, pode ser de grande ajuda
no lar.
Uma pequena lâmpada de mesa pode Bússolas
estar perdendo carga elétrica pelo fato
do interruptor (monofásico) cortar a A bússola consiste em uma agulha
passagem da corrente pelo cabo de fase imantada, que pode girar livremente
neutra. Pela fase estará passando ele­ sobre um eixo vertical. Tende a alinhar-
tricidade e o filamento metálico da se com o campo magnético terrestre,
lâmpada estará exercendo a função de pelo que um de seus extremos assinalará
antena difusora, passando ao ar cir­ sempre o norte magnético. As bússolas
cundante aquelas cargas elétricas. Isso irão nos fornecer, de forma simples (e
pode ser evitado simplesmente m udan­ acessível a todos os bolsos), informações
do aposição do plugue (girando-o), de sobre as anomalias ou alterações magné­
forma que o interruptor corte a fase e ticas de grande intensidade. Essas ano­
não o neutro. Isso só é possível nas malias podem ter sua origem na presen­
instalações que têm fase e neutro, e de ça de minerais ferromagnéticos no terre­
nada serve nas de dupla fase (a maioria no ou na proximidade de grandes mas­
das que antes eram de 12 5 V e passaram sas metálicas. E importante que escolha­
para 220 V). mos uma bússola de qualidade. As pia-
PRÁTICA G E O B IO L O G IA 167

à ação de um campo magnético. Esses


aparelhos podem nos fornecer valiosa
informação para o conhecimento das
alterações magnéticas de um lugar.
Tam bém servirão para conhecer os dias,
horas ou épocas de maior intensidade
magnética, tanto cósmica com o terres­
tre, permitindo-nos assim reconhecer
os períodos em que nossas defesas bio­
lógicas e nosso estado de ânimo podem
se ver afetados.
Existem no m ercado vários m ode­
los de m agnetôm etros que m edem as
intensidades do campo m agnético ter-

Bússola, plana.

nas e transparentes são muito úteis, pois


permitem ser deslocadas sobre as linhas
do mosaico ou dos tacos de madeira do
assoalho, servindo-nos de referência para
distinguir variações de alguns graus so­
bre o eixo magnético local.
Toda zona ou lugar em que se detec­
tem grandes variações do campo mag­
nético, deverá ser evitada com o zona
de grande permanência, por seus possí­
veis efeitos despolarizantes.

M agnetô metros

U m m agnetôm etro seria com o uma


bússola eletrônica de altíssima precisão.
Seu funcionamento baseia-se no desvio
que sofre um ímã, um eletroímã ou um
sistema de vários deles ao submeter-se Magnetômetro portátil “Geo-Test 3 5 ”.
168 O GRANDE LIVRO DA CASA SAUDÁVEL

M ED IÇ Ã O SOBRE ZO N A N EU TR A M ED IÇ Ã O SOBRE ZO N A ALTERADA

Y: L a rg u ra C 1 X: D ireçã o a ser m e d id a

Medição com o geomagnetômetro: Detectam-se Medição com o geomagnetômetro: Detectam-se


débeis anomalias do campo magnético terrestre, anomalias pronunciadas do campo magnético
que indica um certo equilíbrio do mesmo. terrestre, que indica zonasgeopatogênicasdegran-
de intensidade.

restre, assinalando-nos graficam ente ficos lineares ou tridim ensionais. Será


suas flutuações e as mudanças de in ­ im portante m ontar o m agnetôm etro
tensidade, seja em um mesmo p o nto ou a sonda de detecção sobre trilhos
durante um período de tem po d eter­ de madeira sem pregos, a fim de evi­
m inado, ou em diferentes pontos ao tar erros de m edição por alterações de
nos deslocarm os sobre eles. U m dos nível ou de orientação m agnética da
m agnetôm etros comerciais mais aces­ própria sonda.
sível e de fácil m anejo é o G eotest. As medições realizadas próximas a
Dispõe de um a escala de leds de cores aquecedores de ferro ou fortes massas
que oscilam do laranja ao m arrom ferromagnéticas alterarão assim mes­
passando pelo verde, indicando-nos a mo os resultados.
estabilidade ou instabilidade do cam ­ Tam bém empregamos, em algumas
po m agnético (as medidas de intensi­ medições, m agnetôm etros de prótons,
dade correspondem a 200 nT por porém seu preço elevado e a complexi­
cada led). O fato de não ter indicador dade de uso e de interpretação das
analógico ou digital restringe m uito medições realizadas ultrapassam o li­
seu uso, em bora estes possam ser mite do exeqüível. As vantagens são
acoplados, ou tam bém conectá-lo a sua grande precisão e o fato de tirarmos
um processador de dados. dúvidas sobre se as zonas alteradas,
N a E uropa, a maioria dos geo- detectadas por meio da sensibilidade
biólogos trab alh a com o m agne- pessoal, obedecem a fatores de altera­
tô m etro BPM 2001 da M ersm an, que ção magnética. Se não for o caso, deve­
utiliza o sistema de fluxo livre. E de remos continuar buscando as causas
fácil m anejo e dispõe de um p ro ­ em outros fatores, como a radioativida­
cessador de dados que possibilita grá­ de ou a ionização.
PRÁTICA G E O B IO LÓ G I C A 169

Níveis de radioatividade Partimos do fato de que a medida de


radioatividade na Espanha foi estabele­
N o capítulo referente à radioatividade, cida em 120 m ilirem s/ano. Com pro­
abordam os as unidades de medida con­ vamos que os terrenos calcários nos dão
sideradas problemáticas. Aqui somente medidas que oscilam entre 70 e 90 mr
ofereceremos a descrição do manejo de e as zonas graníticas entre 160 e 250
alguns contadores geiger, que nos per­ mr. Por isso, não será tão im portante
mitem medir as diferenças dos níveis de observar as doses máximas, como de­
radioatividade de um ponto a outro da terminar as diferenças de doses entre
residência, indicando-nos desse m odo um ponto e outro de um aposento ou
as zonas ou pontos por onde sai mais de uma residência.
radiação, pelo que serão suspeitos de Prim eira operação. C o n h ecer o
serem zonas de forte alteração geo- modelo de geiger e suas unidades de
patogênica. medida, assim como as conversões a

O R A D A L E R T éum medidor de radioatividade


defá c il manuseio e versátil, pois pode ser utilizado
como monitor de alarme (seu um bral é ajustável)
ou para detectar gás radônio em um a casa. G ra­ O A I F A I X dispõe de u m contator de ja n ela
ças a sua capacidade de detectar partículas alfa, f i n a l tipo G que é aproxim adam ente quatro
também podemos comprovar se um alimento está vezes m ais sensível que o tipo A , e é u tiliza d o
contaminado. como tubo contador em laboratório.
170 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

efetuar para trad u zir as cifras em Este exemplo é ilustrativo. Segundo


m ilirem s/ano. Os tubos contadores, os maiores e menores níveis de radioa­
que medem 12 impulsos por minuto, tividade do subsolo, aparecerão dife­
darão a leitura em m ilirem /ano ao fim renças superiores ou inferiores. Em cer­
de 10 minutos. Os tubos que medem tas ocasiões, detectamos 50% mais de
20 impulsos por m inuto para averiguar radioatividade nas zonas alteradas e,
os m ilirem s/ano, somente necessita­ em alguns casos, até 100% (poucas ve­
rão de seis minutos, ou deveremos zes), o que nos indica um local perigoso
multiplicar as cifras obtidas após 10 para permanecer longos períodos, pois
m inutos por 0,6. Isso é válido para a nosso corpo irá armazenando maiores
radiação gama. As outras radiações ne­ doses de radioatividade com os possí­
cessitam de cálculos especiais, que se­ veis efeitos mutagênicos sobre as célu­
guramente aparecem no manual de ope­ las, tão bem conhecidos de todos.
ração do aparelho que utilizarmos. Será interessante efetuar algumas
M etodologia: primeiras medições do nível de radioa­
tividade no exterior da residência, para
a) Conectar a sonda e o contador comprovar que o aum ento da radioati­
com o tem porizador, se não o trouxer vidade não se deve aos materiais de
incorporado, ou o cronôm etro de mão, construção empregados: arenitos, gra­
se não o tiver. Colocar o geiger sobre nitos, etc. Alguns tipos de arenito m ui­
uma zona preestabelecida como neutra to cristalizados nos deram valores três
e efetuar um par de medições, de 10 vezes superiores à média. Em certa
minutos cada uma (seis minutos com ocasião, um esmaltado alaranjado (com
sondas de 20 impulsos). Anotar em sais de rádio) deu-nos a espetacular
uma ficha as cifras e o lugar da medição. medida de 1.500 milirems.

b) Repetir a operação em outra zona


estabelecida como alterada teluricamente Medição da ionização do ar
(cruzamento de linhas Hartmann sobre
falha geológica), e após as medições Esta é uma das provas mais conclusivas
anotar os resultados na ficha. quanto à nocividade dos lugares altera­
dos teluricamente. Por infelicidade, os
c) Fazer o cálculo percentual da di­ instrumentos de medição dos níveis de
ferença (%) entre os dois locais, estabe­ ionização do ar são complexos, caros e
lecendo o de máxima radiação. de difícil manejo. Ultimamente, estão

M edidor de íons.
PRÁTIC A G E O B IO LÓ G IC A 171

a) E letrôm etro descarregado, cargas b) Eletrôm etro saturado de cargas


positivas (+) e cargas negativas (-) positivas (+). Reagem separando as
iguais. lâminas de ouro.

sendo lançados no mercado alguns mais suficientem ente alto, as lâminas de


acessíveis, porém logo temos que re­ ouro se separam. O bservando e m e­
correr a serviços de laboratório, que dindo os tem pos de reação, podem os
nem sempre permitem nos deslocar­ estabelecer a m aior ou m enor io ­
mos ao local objeto de estudos. nização (cargas +) de um espaço ou
N o início do século, Cody realizou lu g ar d e te rm in a d o . As m edições
inumeráveis experiências utilizando al­ efetuadas pelo engenheiro Cody m os­
guns eletrôm etros simples, daqueles traram que, na vertical de correntes
que víamos nos livros de física, que se subterrâneas de água e falhas g eoló­
com põem de um recipiente hermetica- gicas, a descarga produzia-se com
m ente fechado com um condutor que m aior rapidez, pelo que trata-se de
atravessa a tampa, lâminas de ouro no locais com efeitos ionizantes sobre as
interior do recipiente e uma bola m etá­ partículas do ar. Isso será perigoso a
lica no exterior. curto ou longo prazo sobre os p ro ­
O princípio de funcionam ento é cessos de equilíbrio m etabólico dos
relativam ente simples: colocam -se organism os vivos e a saúde geral das
vários desses instrum entos bem cali­ pessoas, que irão perm anecer longos
brados em zonas da residência. Q u an ­ períodos de tem po em espaços fo rte­
do o nível de cargas eletrostáticas m ente ionizados (ver cap. 4: “ Ioni-
induzidas pela ionização do ar for zação do ar e equilíbrio iônico” ).
172 O GRANDE LIVRO DA C ASA SAUDÁVEL

Atualmente, a rede de ponderação


“A ” é a mais utilizada, já que as ponde­
rações “B” e “C ” não têm boa correla­
ção com provas subjetivas. Uma das
causas dessa falta de correlação entre as
provas subjetivas e medidas com p o n ­
derações “B” e “ C ” é que as curvas de
igual sonoridade baseiam-se em expe­
rimentos que se utilizam de tons puros,
e a maior parte dos sons comuns não
são tons puros, mas sinais m uito com ­
plexos compostos por muitos tons di­
ferentes.
Nos sonôm etros deve ser especifica­
do o tipo de rede de ponderação; por

Estatímetro que permite-nos ver o equilíbrio elé­


trico do nr.

R uído e poluição sonora

Sonômetro

E um instrum ento desenhado para res­


ponder ao som, aproximadamente da
mesma forma que o ouvido hum ano, e
para dar medidas objetivas reproduzíveis
do nível de pressão sonora. Existem
muitos sistemas diferentes de medida
sonora disponíveis. Embora diferentes
em detalhes, cada sistema conta com
um microfone, uma seção de processa­
mento e uma unidade de leitura.
Existe uma rede de ponderação para
medir o som, que estabelece três carac­
terísticas diferentes internacionalm en­
te padronizadas, denominadas ponde­
rações “A” , “B” e “C ” . Sonômetro.
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 173

exemplo, lemos 70 dB (A), represen­


ta n d o um a pressão sonora de 70
decibéis medida na escala A.
Q uando se requer informação mais
detalhada sobre um som complexo, a
gama de freqüência de 20 H z a 20 kH z
pode se dividir em seções ou faixas. Isso
se realiza com filtros eletrônicos que
repelem qualquer som com freqüências
fora da faixa selecionada.
Os sonôm etros devem ser calibrados
para obter-se resultados exatos e preci­
sos. A melhor forma de fazê-lo é colo­
car um calibrador acústico portátil,
como um calibrador de nível sonoro,
diretam ente sobre o microfone. Esses
calibradores proporcionam um nível
de pressão sonora definido com preci­
são, com o qual pode-se ajustar o
sonôm etro.

Temperatura e umidade

Do grau de umidade relativa no ar - Termômetro-higrômetro de m áxim as e mínimas,


higrom etria - depende parte do con­ digital e com memória. O programador que in ­
forto biológico percebido em um certo corpora informa-nos na tela se o equilíbrio
lugar. Esse fato aparece estreitamente entre um idade relativa e temperatura é adequa­
vinculado à tem peratura am biente. do (“Comfort”); quando há demasiada um idade
Existem alguns parâmetros padroniza­ aparece “W e t e se o ambiente está muito seco,
dos com respeito ao adequado confor­ “D ry”.
to biológico que sintetizamos no gráfi­
co da página 174.

Termômetros ções graças a um a escala adjunta. Os


term ôm etros digitais (sem o tóxico e
A m aioria dos term ô m etro s se funda­ perigoso m ercúrio) irão se im por com
m entam na m edição de d eterm in a­ o tem po. Os term ôm etros mais sofis­
das m agnitudes físicas variáveis, com o ticados incorporam um dispositivo
a tem peratura. Os mais clássicos são que perm ite registrar as tem p eratu ­
os term ôm etros de líquido, com o o ras máximas e mínimas d u ran te um
de m ercúrio e o de álcool. As varia­ período de texnpo. D e todos os m o ­
ções de tem peratura provocam a ex­ dos, trata-se de aparelhos suficiente­
pansão ou contração do líquido, com m ente familiares e corriqueiros, pelo
o que sobe ou desce pelo tu b o capi­ que não nos estenderem os mais no
lar, perm itindo-no s ler essas varia- tem a.
174 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

C O N FO R T O C LIM Á TIC O

49
Insuportável
Calor seco
43

Limite da atividade da luz

U 32 Ar abafado
Necessidade de ventos
(i.
27
o Demasiado seco ZO N A C O M O D A M uito úm ido
~5 21
_c

15 Frio nocivo

Frio cruel
10
Cu
E
4

-1
Gelado
-6
10 30 50 70 100
Umidade relativa %

O conforto biológico depende enormemente do correto equilíbrio entre a temperatura e a um idade


relativa, existindo um a zona ótima, situada entre os21e 28graus, com um índice de um idade relativa
que não exceda a 70%, nem seja inferior a 30%.

Hujrêmetros desce em função da umidade contida


no ar, que tensiona ou dilat a o fio.
Este instrum ento permite-nos conhe­ Atualmente, existem no mercado
cer o grau de umidade relativa do ar. term ôm etros-higrôm etros eletrônicos,
Pode ser de condensação, que mede a compactos e digitais, a preços acessí­
diferença de tem peratura entre o ambi­ veis, como o que pode ser visto na
ente e uma parede resfriada sobre a qual página 173. M emorizam as máximas e
se condensa o vapor; de evaporação, mínimas e inclusive, além de graus e
cujo funcionamento consiste em medir porcentagem de umidade relativa, in­
a diferença de tem peratura registrada dicam num a tela se o am biente está
pelo term ôm etro seco e úmido; de ab­ confortável, úm ido ou seco.
sorçãoque mede o aum ento de subs­
tâncias higroscópicas, como o típico
“barômetro do fra d e”, consistente de Limites dos equipamentos de medição
um boneco com um braço móvel que
permanece em tensão atado com um Cada instrum ento ou medição nos in­
fio m uito fino: o braço do frade sobe ou forma de um aspecto concreto da reali­
PRÁTICA G EO BIO LÓ G I C A 175

dade que nos cerca, porém o certo é que mento eletrônico mais confiável que o
ainda não se dispõe de um aparelho ou próprio corpo humano. E, definitivamen­
equipam ento de medição que assinale o te, a ele deveríamos nos remeter sempre
que ocorreu com todas essas energias e que desejássemos ter uma idéia aproxi­
suas múltiplas interações com o ser h u ­ mada do que ocorre ao nosso redor.
mano ou com qualquer outro ser vivo, Por tais circunstâncias, no próximo
pelo que talvez o mais lógico seja per­ capítulo abordaremos os sistemas de
guntar diretamente ao organismo. detecção que fazem uso da sensibilida­
Após muitos anos de experiência, de­ de e das reações do corpo hum ano,
vemos reconhecer que, todavia, não dis­ para informar-nos de quanto sucede ao
pomos de nenhum aparelho ou equipa­ nosso redor.

1 D etetor de campos eletromagnéticos e


elétricos.
176 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 14 ções nocivas e de más vibrações. Aqui,


o pêndulo ou as varetas tam bém p o ­
SISTEMAS DE DETECÇÃO dem indicar-nos a conveniência de um
BASEADOS NA determ inado deslocamento para uma
SENSIBILIDADE PESSOAL ou outra pessoa.
A radiestesia p o d e chegar a ser
um a boa ferram enta de trab alh o para
um especialista em geo b io lo g ia, p o ­
rém deixando claro que não é a ú n i­
Radiestesia e geobiologia ca nem a m elh o r, so b re tu d o devido
às controvérsias que suscita e a um a
Em geobiologia, faremos u m uso res­ reticência psicológica p o r parte de
trito da radiestesia, centrando-a em cam­ algum as pessoas, q u e a com param
pos onde a moderna eletrônica ainda com práticas diabólicas ou de m agia
não nos dá respostas com seu complexo negra.
instrumental, como o empregado na
detecção de alterações eletrom agnéti­
cas, eletrostáticas, radioativas, sonoras Podem os definir a radiestesia?
e outras.
Diante de certas radiações sutis ou É evidente que nos encontram os dian­
confusas para o instrum ental eletrôni­ te de fenôm enos que, durante séculos,
co, porém suscetíveis de criar verdadei­ pretendeu-se dar as mais variadas ex­
ros transtornos como os estudados an­ plicações, sem que até esta data ten h a­
teriorm ente, não teremos mais rem é­ mos nada claro. Controvérsias, discus­
dio que recorrer à sensibilidade de nos­ sões, demonstrações públicas, congres­
so organismo, ampliando suas ínfimas sos internacionais e um sem-fim de
reações com a ajuda de algumas varetas tentativas encaminhadas a responder
ou com o pêndulo e uma régua gra­ às muitas perguntas que o tem a suge­
duada corretamente. re, não puderam ainda encontrar mais
Porém, com a ajuda da metodologia luz. “ E, no entanto, se m ove” .
radiestésica, também podem os simpli­ Encontram o-nos num p o nto cru­
ficar o trabalho questionando-nos - cial da história humana. A fisica m o ­
usando o pêndulo - sobre que tipo de derna permite explicar fenômenos im ­
anomalia é a mais agressiva na residên­ possíveis de se com preender até o pre­
cia estudada, que pessoas são as mais sente. Apesar disso, a radiestesia ou a
sensíveis ou afetadas por tais perturba­ sensibilidade às radiações que os seres
ções, que terapia de apoio ou que via vivos possuem ainda não pôde ser
terapêutica será mais aconselhada, a explicada de forma plausível, com a
fim de que as pessoas afetadas pelas conseqüente dem onstração cientifica­
energias geopatogênicas recuperem a m ente aceitável.
saúde. Em certas ocasiões, serão algu­ Apesar das incógnitas que fornece,
mas massagens; outros necessitarão de seus múltiplos usos e aplicações fazem
algumas plantas medicinais ou a visita a da radiestesia uma boa ferramenta de
um médico especializado, etc. A gran­ trabalho e de diagnóstico, quando não
de maioria bastará, para recuperar a dispomos de outros meios mais o rto ­
saúde, o melhor local isento de radia­ doxos.
PRÁTICA G E O BIO LÓ G I C A 177

Sensibilidade ao magnetismo terrestre: A perturbação que criava era de 120 nanoteslas,


O gráfico representa um experimento realizado enquanto as anomalias naturais só se registra­
com um grupo de estudantes da Universidade de vam entre 5 e 20 nanoteslas.
Utah, escolhidos ao acaso. Tratava-se de fa zer ___ Registro do campo magnético natural.
passar os indivíduos, somente um a vez, pelo traje­ _ Linha que representa as alterações do
to em. que se havia enterrado verticalmente um a campo magnético registradas pelo magnetômetro,
barra de ferro de 1,20 metros, que alterava o com a barra de ferro enterrada.
campo magnético terrestre. N inguém tinha co­ • O pontos assinalam as zonas onde pro­
nhecimento dela. duziram-se reações radiestésicas.

O certo é que não necessitamos que controlada normalmente pelo conscien­


nos expliquem com o funciona nosso te, sabemos que muitas pessoas conse­
coração para que ele continue bom be­ guem controlar m entalm ente seu pul­
ando litros e litros de sangue, sem so cardíaco, igualmente ao que faze­
interrupção. E em bora a atividade do mos com a respiração. Esta, se não
músculo cardíaco seja reflexa e não prestarmos atenção, segue um ritmo
178 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

adaptado às circunstâncias a que está Classificaríamos os indivíduos com


subm etido o corpo (correr, descansar, aptidões radiestésicas em três catego­
etc.), porém podem os acelerar ou di­ rias:
minuir a velocidade respiratória à von­ - O shipersensíveissãoosque,com ou
tade. sem a ajuda de instrum entos, podem
Com a radiestesia ocorrerá algo pa­ fornecer informações sobre radia­
recido: todos somos sensíveis, possuí­ ções ou elementos a princípio desco­
mos uma sensibilidade nata a certas nhecidos e ocultos ao operador.
radiações. Podemos desenvolvê-la ou - Os sensíveis são os que, com a prática
acentuá-la mediante um trabalho m en­ constante de exercícios de sensi­
tal consciente. bilização, conseguem resultados acei­
Existem pessoas que nascem com táveis.
uma marcante sensibilidade, ou a des­ - Os insensíveis são os que, por m uito
pertam após um acidente. Seu corpo que se esforcem, tropeçam em gra­
reage de forma m uito variada: trem o­ ves dificuldades.
res corporais, forte transpiração, dor de Por insensibilidade não se deve en ­
cabeça aguda ou, inclusive, perda de tender impermeabilidade às radiações
consciência, quando atravessam uma apreciáveis, físicas ou conscientes.
zona de forte radiação telúrica.
Em troca, a maioria de nós consegue
que um pêndulo, uma vareta ou qual­ Resposta radiestésica
quer outro artigo radiestésico reaja di­
ante da presença de fortes radiações, De todas as teorias que pudem os estu­
após muitas horas de prática, dúvidas e dar, pretendendo explicar o porquê do
desconcertos. movimento de um pêndulo ou as varetas
Porém, tam bém chegamos a passar radiestésicas, e as muitas contradições
mal até que aprendemos a escrever ou lacunas que oferecem, gostaríamos
corretamente. de resumir a que hoje, e à espera de
Em troca agora, depois de haver novas contribuições (físicas, neurológi­
copiado letra por letra e realizado m ui­ cas, neuromusculares, etc.), parece-nos
ta caligrafia, escrevemos de forma au­ a mais lógica ou acessível para a razão
tomática, sem pensar nos movimentos (embora discutível). O im portante não
de nossa mão. é perder-se no “como funciona” , que
Talvez para compreender melhor o tantos quebra-cabeças têm dado ao
fenômeno que nos ocupa, o de “habili­ m undo científico ou paracientífico, mas
dade radiestésica” , o exemplo mais sig­ os resultados dessas técnicas ou práticas
nificativo seja a habilidade para o dese­ são o que realmente conta.
nho. Há quem nasça com uma facilidade Assim, por exemplo, se um pratican­
e predisposição para desenhar maravi­ te de radiestesia determina o local exa­
lhosamente bem e sem esforços. E quem to onde perfurar um poço (se for um
tão somente após muitas horas de práti­ especialista, indicará inclusive a p ro ­
ca constante e de gastar muito papel e fundidade e o caudal), haverá econo­
centenas de lápis consegue alguns dese­ mizado esforços inúteis e dinheiro ao
nhos, digamos, aceitáveis. Ainda exis­ proprietário. O u, se com a ajuda da
tem aqueles que, apesar do empenho, radiestesia médica, determinamos que
nunca irão além de simples rabiscos. a dor de estôm ago de nosso amigo é
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 179

uma peritonite e o enviamos direta­ que iremos acrescentando com a ajuda


m ente ao hospital, talvez estejamos de um teclado e um código que deve­
salvando sua vida. Se o transtorno não remos conhecer para fazê-lo funcionar
for tão grave, o pêndulo pode nos corretamente. Uma tela irá nos mos­
indicar a planta medicinal mais eficaz trando o resultado das operações reali­
para sua cura ou alívio, com o que zadas, e a inteligência artificial do com ­
estaremos oferecendo uma grande aju­ putador irá nos dizer a cada m om ento
da, sem que por isso deva prescindir do se são ou não corretas.
diagnóstico médico especializado. Pois bem, em nossa comparação, o
Se, ao contrário, nossa sensibilidade pêndulo, a vareta ou não importa qual
ou capacidade radiestésica é “pobre” , instrum ento radiestésico utilizado se­
faremos perder muitos milhões quem rão a tela do com putador e não o com­
atreveu-se a perfurar o poço seguindo putador em si, como muitos afirmam.
nossos conselhos ou teremos agravado O com putador, com seus milhões de
os transtornos de quem recebeu um biocircuitos, é nosso corpo em sua
diagnóstico errado. Seja o que for, os totalidade, pois em bora existam partes
resultados falam por si mesmos. especializadas e com funções específi­
Q uando o m ovimento de nossas cas, cada célula possui milhões de da­
varetas em L indica que a cama, onde dos, suscetíveis de fornecer inform a­
habitualmente dorme uma pessoa que se ções ao resto do organismo. Possuímos
queixa de insônia e fortes enxaquecas, tam bém milhares de biossensores (se­
está situada sobre uma forte corrente melhantes aos da mais avançada eletrô­
telúrica ou veio subterrâneo de água e nica m oderna), capazes de captar a
quando, após a simples mudança de po­ informação tanto do exterior como do
sição ou orientação da pessoa, essas do­ interior, classificando-a e condicio­
res e transtornos desaparecem, que mais nando as respostas adequadas a cada
podemos pedir? Os resultados são mais novo estímulo.
importantes que o porquê de tais fenô­ E conhecida por todos a capacidade
menos. Porém, nossa mente necessita de de reação automática diante de estím u­
explicações e que estas sejam “racio­ los exteriores, como frio e calor. Q uan­
nais” , compreensíveis para qualquer pes­ do o corpo está subm etido a tem pera­
soa instruída e possuidora de razão. turas inferiores àquelas para as quais
Para tornar compreensíveis esses fe­ está adaptado, reage através de sinais
nôm enos, recorreremos a alguns apa­ nervosos, ordenando o fechamento dos
relhos cada vez mais presentes na vida poros cutâneos. Assim, conseguimos
cotidiana, complexos porém simples manter a tem peratura interna, com
em seu uso e apresentação: os com pu­ poucas perdas para o exterior.
tadores e processadores de dados. Se, ao contrário, recebemos demasia­
Simplificando, podem os reduzir um do calor externo, abrimos os poros e
com putador dos chamados “pessoais” com isso cedemos parte do calor inter­
a um sistema com posto por um disque­ no, conseguindo manter uma tem pera­
te ou base de dados e um processador tura constante. Se o calor é intenso,
formado por milhares de circuitos ele­ começamos a transpirar, e com a evapo­
trônicos, que se encarregam de classifi­ ração do suor, o corpo se esfria. Tudo se
car, ordenar, elaborar e transformar a realiza autom aticam ente, sem pedir
informação já existente, além daquela permissão à parte consciente de nossa
180 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

mente, que pode perceber isso ou, ao tela, dando-nos a resposta para nossa
contrário, passar-lhe desapercebido. Se pergunta. A qualidade da resposta ou
percebe, nossa parte consciente pode sua veracidade dependerão de múltiplos
ajudar nesses processos, tom ando deci­ fatores, nos quais poderemos encontrar
sões conscientes que seriam, no caso, a maneira de formularmos a pergunta, o
colocar ou tirar mais roupa, dependen­ código e o programa empregados, o
do da circunstância. Com o apontáva­ bom estado dos circuitos, a nitidez da
mos no início do capítulo, com a respi­ tela, etc. Definitivamente, um conjunto
ração ou os impulsos cardíacos há uma de fatores onde todos os elementos de­
parte controlada conscientem ente e verão funcionar com perfeição, de for­
outra que funciona de forma incons­ ma coerente e coordenada. Possuir iso­
ciente. Voltaremos a esses exemplos ladamente o melhor dos teclados ou a
mais tarde. Agora vejamos o que se melhor das telas não nos servirá de nada
passa quando tivermos em nossas mãos se não dispomos do restante.
um pêndulo, que pode ser qualquer Dispor do melhor ou mais sofistica­
objeto mais ou menos geométrico e do dos pêndulos não servirá de nada se
estável, de maior ou m enor peso e não soubermos com o usá-lo: se não
suspenso por um fio, corrente, etc., ca­ estamos familiarizados com seus códi­
paz de oscilar em um sentido ou outro gos, não saberemos como teclar as per­
quando recebe um ligeiro impulso. guntas, inserir o disquete ou pôr em
Se atamos esse pêndulo a algo rígi­ funcionamento o circuito.
do, veremos que não oscila. E se o faz,
será devido ao movimento do ar ou do
elemento a que esteja sujeito. Biossensores
Em troca, se o sustentamos com os
dedos da mão, talvez permaneça im ó­ Para completar o exemplo e antes de
vel ou efetue certas oscilações, que passar a descrever o uso correto dos
serão percebidas como resultado do instrumentos de radiestesia, indicando
movimento consciente de nossa mão a m ultiplicidade de exercícios de
ou talvez por um movimento im per­ sensibilização aos quais podem os re­
ceptível. De fato, a pergunta é: por que correr, gostaria de acrescentar a análise
o pêndulo oscila da direita para a es­ dos biossensores que em nosso orga­
querda, respondendo a uma pergunta nismo se encarregam de codificar as
formulada pelo operador, ou diante de informações, enviando os sinais ade­
uma zona do corpo acometida por quados para regular as múltiplas fun­
alguma doença, ou sobre uma zona ções corporais que permitem sua sobre­
sólida de um terreno, por cujo subsolo vivência.
corre um veio de água, um filão m etá­ Tom em os com o base o processo
lico ou uma falha geológica? digestivo, em cujo transcurso milhares
Se seguirmos o exemplo do com pu­ de biossensores dispostos estrategica­
tador, a quem formulamos uma pergun­ mente nas papilas gustativas enviam
ta através de um código especial e medi­ informações codificadas de cada uma
ante um teclado, vemos como os circui­ das substâncias ingeridas ao cérebro e
tos se põem em marcha, transformando aos demais órgãos digestivos. Q uando
os sinais em impulsos elétricos até se digo cada uma, não estou me referindo
converterem em símbolos e letras na somente aos sabores conhecidos - doce,
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 181

amargo, ácido, etc. estamos levando dos ruídos e freqüências sonoras das
em conta a com posição química e que estam os co n stan tem en te su b ­
molecular de cada alimento ingerido, mersos, e assim sucessivamente. Po­
suas doses, mesclas, possíveis com bina­ rém, apesar disso, nosso corpo reage ao
ções e reações químicas com a saliva e o efeito das cores sobre a temperatura
restante dos alimentos: a quantidade corporal ou o excesso de ruído am­
de água, de oxigênio... O u seja, mi­ biente.1
lhões de dados e informações que per­ Da mesma forma que podemos afi­
mitirão elaborar e dosificar a quantida­ nar nossos ouvidos, colocando as mãos
de e a composição dos sucos gástricos, sobre os pavilhões auditivos - a orelha
capazes de digerir corretam ente cada - ou ampliar nosso campo visual com a
tipo de alimento. T odo esse processo ajuda de lentes ou de um telescópio,
se realiza em frações de segundo e também podemos acessar as inform a­
constantem ente, sem que tenhamos ções dos milhares de biossensores que
consciência dele. possuímos. Porém, para isso, teremos
Infinidades de biossensores distri­ que fazer uso de um m étodo adequado
buídos por todo o corpo fornecem para cada elemento que pretendemos
to d o tipo de informação: tem peratura perceber ou classificar.
am biente, grau de umidade, quantida­ D iante da impossibilidade de dis­
de de oxigênio no ar, ionização, campo por de milhares de aparelhos eletrô ­
magnético terrestre, diferentes subs­ nicos providos dos sensores específi­
tâncias químicas necessárias ou tóxicas, cos, adaptados a cada circunstância
presentes no ar que respiramos, na ou objeto de estudo - além do fato de
água que bebemos ou na roupa que serem caríssimos, m uitos nem foram
vestimos. Os complexos biossensores desenvolvidos tecnicam ente e nem o
eletrônicos mais recentes são capazes serão em m uitos anos - , será mais
de distinguir partículas de uma subs­ adequado usar o próprio co m p u ta­
tância química determinada, que mani­ d o r pessoal que é nosso corpo, com
pulamos com nossas mãos no transcur­ suas múltiplas faculdades. Apesar da
so das últimas semanas e que ficaram margem de erro, que sempre d ep en ­
impregnadas nelas. derá do grau de experiência ou sensi­
O que serão capazes de detectar bilidade pessoal, o certo é que pode
nossos próprios biossensores? nos fornecer valiosíssima inform ação
O problema reside na classificação sobre fatos e circunstâncias que esca­
de toda essa informação, nos milhões pam à nossa m ente racional.
de dados que processamos constante­ Resumindo: quando perguntamos
mente e que nos deixariam loucos, se ao pêndulo por um fato concreto, esta­
de repente ficássemos conscientes de­ mos perguntando a nós mesmos, e a
les. Acaso entenderíamos algo se toda a resposta, coerente ou incoerente, apa­
informação contida num com putador recerá na “tela” mental, traduzida em
aparecesse de um golpe na tela? Talvez um movimento oscilatório do mesmo.
por isso limitamos nossa consciência a D o despertar da sensibilidade pessoal,
uma escala de percepção m uito reduzi­ da coerência e do bom funcionamento
da. Vemos somente uma gama m uito do conjunto de elementos postos em
reduzida de cores com relação às exis­ jogo com um ato tão simples, depende­
tentes, ouvimos somente uma parte rá o resultado final.
182 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

Utilidade da radiestesia na prática irracional de muitas pessoas a tu d o o


geobiológica classificado com o “oculto” .
O s m u ito s ab u so s de a lg u n s
Embora este livro esteja consagrado charlatães de férias, as diferenças de
especificamente à prática geobiológica, sensibilidade de um operador a outro,
nos agradaria oferecer uma metodologia a disparidade de técnicas empregadas,
que, sendo simples e coerente, serve ao assim como a diversidade de instru­
mesmo tem po para encontrar essas mentos empregados são algumas das
anomalias telúricas ou magnéticas, ca­ razões que fazem dessa prática objeto
pazes de criar sérios transtornos aos de discussão.
seres vivos, e também uma fórmula E certo que milhares de pessoas fa­
padronizada de trabalho radiestésico, zem uso das técnicas radiestésicas e de
aplicável a qualquer campo ou discipli­ suas múltiplas aplicações sem que te ­
na da qual se deseje possuir maior infor­ nham os co n sciên cia disso: desde
mação ou ampliar os conhecimentos. prestigiados médicos a engenheiros re­
Temos visto a utilização do pêndulo putados, passando por simples agricul­
ou das varetas com o intermediários tores, recorrem ao pêndulo para facili­
para fins tão variados como encontrar tar seus diagnósticos e orientar suas
objetos perdidos; diagnosticar uma investigações, a fim de evitar a tem po
enfermidade ou mesmo curá-la; en­ erros desnecessários. Em certo m odo, é
contrar pessoas desaparecidas; indicar lógico que não atrevam-se a confessá-
o lugar onde escavar um poço; deter­ lo, por medo do ridículo ou a incom ­
minar o m om ento ideal para realizar preensão de colegas ou amigos.
uma semeadura; averiguar o pH de um Apesar da abertura mental das últi­
líquido; saber a que horas e em que vôo mas décadas, persiste uma certa resis­
chegará a pessoa que se está esperando; tência às faculdades extra-sensoriais;
precisar se a grua agüentará o peso do talvez devido a muita literatura barata
objeto que está levantando e inclusive que sempre as apresenta com fins des­
de que lado cairá ao romper-se; predi­ trutivos e daninhos, e quase nunca para
zer se a quantidade do metal fundido o bem dos demais.
será suficiente para completar os m ol­ Todos os que praticam a radiestesia
des; assinalar a peça de m otor quebrada descobrem assombrados, um belo dia,
ou predizer as possíveis avarias durante que os melhores e mais espetaculares
a viagem, a fim de prevenir-se das cor­ resultados dão-se sempre quando não
respondentes trocas; e assim, um sem- existem fins lucrativos ou egoístas no
fim de usos, cuja única limitação é a que trabalho que realizam, e quando se
cada operador possui ou impõe a si persegue um fim que não os beneficie
mesmo. pessoalmente.
Perguntaríamos, então, por que não Em bora essas considerações desper­
está mais difundida essa prática, se com tem apenas um sorriso irônico por
ela consegue-se tão maravilhosos resul­ considerá-las moralistas, observamos
tados? Poderíamos simplificar a respos­ essa evidência vez por outra.
ta dizendo que se deve à impossibilida­ Com o tam bém comprovamos que
de de demonstrar cientificamente como os fracassos mais espetaculares ocorrem
funciona. Porém, é algo mais com ple­ em exibições públicas. Nada há a de­
xo: deveremos ter em conta o medo monstrar; os fatos falam por si mesmos.
PRÁTICA G EO BIO LÓ G I C A 183

O u acertas e dás a solução ao problema te um mediador, que desempenha o


proposto, ou te equívocas e complicas papel de tela gráfica e que nos fornece
ainda mais as coisas. Não tens que informações mais ou menos precisas.
dem onstrar a ninguém tuas habilidades Por isso, não insistiremos em detalhar
com o pêndulo; tão somente se te pede os instrumentos. Existem inúmeras for­
que o uses corretamente e vivas as con­ mas e modelos de pêndulos, assim como
seqüências de teus atos, positivos ou de varetas de uso radiestésico. Partimos
negativos, segundo as circunstâncias. do fato de que o sensor que capta e
Se t e equívocas no lugar onde deverá codifica a informação é o corpo em seu
perfürar-se um poço, terá perdido vários conjunto, pelo que o pêndulo ou as
milhões em dinheiro. varetas somente estarão ampliando cer­
Se confundes a peritonite do teu tas reações neuromusculares.
amigo ou familiar próximo com gases Será inútil deixar-se seduzir pela pro­
intestinais e lhe receitas algumas plan­ paganda comercial, que relata maravi­
tas medicinais, está pondo em jogo sua lhas de um aperfeiçoado pêndulo para
vida. N ão creio que valha a pena julgar cobrar por ele preços exorbitantes. Po­
mágico o aprendiz de feiticeiro. deremos considerar pêndulo qualquer
elemento regular cujo peso não seja
excessivo nem demasiado leve, que man­
A prática radiestésica tenha equilíbrio com relação ao eixo
central, ao qual estará fixado mediante
A radiestesia pode ser definida como um fio ou corrente. Talvez a definição
sensibilidade a radiações. mais simplista que chegamos a ouvir é a
Segundo a física m oderna e a física seguinte: pêndulo é qualquer coisa que
quântica, tudo é vibração. T udo irradia tenha a propriedade de pendular.
uma série de freqüências com longitu­ Apesar do exposto, seria interessan­
des de onda variáveis, o que confere a te que cada um elegesse o material ou
cada parte da matéria uma vibração materiais de composição do pêndulo,
especial ou específica. partindo de certa sensibilidade ou har­
Se somos capazes de perceber a vi­ monia. Eleja o pêndulo que mais o
bração ou a radiação particular de um atraia: metálico, de cristal, de cerâmica,
elem ento, órgão ou lugar, possuiremos de madeira, etc., e pelo que sinta certa
uma informação m uito precisa de sua simpatia (afinidade vibratória).
qualidade e de sua relação conosco. Se
o órgão está desequilibrado ou funcio­
na mal, será detectado pela variação em Fabricação dos próprios
sua energia e vibração, e emitirá ondas instrumentos
diferentes que podem os captar igual­
mente às vibrações de um terreno ou de N estas p ráticas de in tro d u ç ã o à
um lugar preciso. radiestesia, faremos uso tão somente de
um pêndulo-padrão e de varetas das
chamadas “em L” . A experiência dos
Instrum entos de uso radiestésico cursos ministrados nos mostra que são
os instrum entos mais fáceis de manejar
C om o apontam os na introdução à e os mais adequados para um princi­
radiestesia, o instrum ento é tão som en­ piante. Q uando tiver adquirido certa
184 O GRANDE LIVRO D A C AS A SAUDÁVEL

prática, não duvide em provar a grande o inconveniente de apresentar certo


variedade de sistemas ou instrum ent os desequilíbrio à oscilação, que dificulta­
de radiestesia, tanto comerciais como o rá o uso correto. U na a bolinha de
que poderá inventar. Em bora talvez madeira ou o cristal a um fio ou
somente sirva para confirmar que o correntinha, cuja rigidez não seja exa­
instrum ento é o de menos, e que um gerada, pois dificultaria a oscilação.
pêndulo de madeira ou cristal e as varetas Com isso, dispomos já de um pên-
em L são mais que suficientes. dulo-padrão, que nos permitirá reali­
Por isso, vamos explicar o m odo de zar as práticas de aprendizagem e m a­
fabricar um pêndulo e as varetas, com o nejo, até adquirir a experiência sufici­
que iremos seguindo passos parecidos ente para dar crédito a nossas investiga­
a quando aprendemos a escrever ou ções.
dirigir. Esses pêndulos bastam para todas as
práticas que realizaremos. Posterior­
m ente, se alguém desejar introduzir-se
O pêndulo em campos mais complexos - radiestesia
sobre plano, telerradiestesia, etc. - , tal­
Repetimos que podem ser feitos de vez deverá encontrar o pêndulo mais
qualquer material. O mais simples será adequado a cada trabalho, quanto a
conseguir uma bolinha de madeira, das peso, material, etc.
utilizadas em trabalhos manuais ou das
vendidas perfumadas como ambien-
tadoras (se o odor for m uito forte, Os primeiros passos
talvez sejam nocivas), ou procurar um
cristal regular, do tipo das lágrimas Para um uso adequado e fácil manejo
ornamentais dos lustres. Os anéis e do pêndulo, será interessante saber se
relógios, dos que alguns se servem, têm somos dextrógiros ou levógiros (movi-

cristal ornamental
(lustres)
bola de madeira

fio de algodão
correntinha
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 185

movim ento no sentido oscilação giro contrário


dos ponteiros do relógio aos ponteiros do relógio
(dextrógiro) (levógiro)

m ento à direita ou à esquerda). Para cada letra ou palavra, e a caneta ou o


isso, tão som ente deveremos observar lápis se desloca automaticam ente sobre
o sentido em que movimentamos uma o papel, embora todos nos recordamos
colher ao misturar o açúcar num a xíca­ do esforço para que alcançássemos essa
ra de café. Usaremos a mão direita para fluidez e às vezes que copiamos com
sustentar o pêndulo se somos destros e firmeza as mesmas letras ou frases. “A
a esquerda se, ao contrário, somos prática faz mestres.”
canhotos. As pessoas canhotas que
foram obrigadas a usar a direita tra­
balharam m elhor em radiestesia com a Possibilidades de oscilação
esquerda, pois existe uma conexão e m ovim entos pendulares
mãos-hemisférios cerebrais que nos dá
a prioridade, a qual não devem os Estático: imóvel, inerte, parado. Pode
contrariar. ser o ponto de partida, em bora muitos
O passo seguinte será nos habituar às prefiram começar sempre com uma
diferentes possibilidades de oscilação oscilação prévia, que impele certa inér­
do pêndulo, partindo do fato de que se cia inicial.
trata de uma reação neuromuscular ou Oscilação: balanço para frente e para
de pequenos movimentos oscilantes e trás (a) ou direita-esquerda (b). Usado
inconscientes das mãos, que o pêndulo com o p o n to de partida ou com o
se encarregará de amplificar. Por isso, indicativo de direção ou, inclusive, de
será im portante realizar de forma cons­ dúvida diante de uma pergunta mal
ciente cada um dos possíveis movimen­ formulada.
tos de oscilação do pêndulo: uma espé­ Giro à direita: dextrógiro (c), no
cie de caligrafia, até que tais movimen­ sentido dos ponteiros do relógio. Usa-
tos tornem-se automáticos, como quan­ se como código afirmativo à pergunta
do escrevemos sem estar pensando em formulada, resposta positiva ou sinal de
186 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

GRÁFICOS PARA a PRÁTICA C O M P Ê N D U L O

a)

Oscilação
direita-esquerda

T
Oscilação
acima-abaixo
PRÁTICA G EO BIO LÓ G I C A 187

g r á f ic o s p a r a a p r á t ic a c o m p ê n d u l o

C)

Sentido dextrógiro

Sentido levógiro
188 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

energias favoráveis. Em bora isso entre


no código pessoal, que pode ser dife­
rente em determinadas pessoas (levó-
giras, por exemplo).
Giro à esquerda: levógiro (d), con­
trário ao movimento dos ponteiros do
relógio. Geralmente é indicador de
energias desfavoráveis ou resposta ne­
gativa à pergunta formulada.

A questão dos códigos estudaremos


posteriorm ente. De m om ento, nos
contentarem os com a “caligrafia” de
imprimir ao pêndulo cada um dos
movimentos descritos.
Não é questão de ler muitos livros de
radiestesia, mas de praticar e perder o
medo de algo tão simples e ao alcance
de todos.
Assim, pois, à prática! imprimiremos um pequeno m ovim en­
Começaremos com os movimentos to giratório em um sentido - direita,
oscilatórios, dando um mínimo im pul­ por exemplo - e manteremos esse m o­
so. Uma vez que o pêndulo oscile, vimento o tem po suficiente que perm i­
iremos soltando o fio ou encurtando-o, ta a nossos sensores internos codificar a
até que descubramos a longitude que informação aprendida. Logo faremos
nos pareça ideal. Cada pêndulo e cada com que pare lentam ente e iniciaremos
trabalho terão sua longitude de oscila­ o giro em sentido oposto, m antendo
ção ideal, que será interessante desco­ tal movimento o tem po que conside­
brir. rarmos oportuno.
Após a oscilação para e frente e para Exercícios: Uma vez familiarizados
trás, tentarem os dar m entalm ente a com cada m ovimento, podem os copiar
ordem de mudança de direção para em um papel os desenhos que iremos
direita-esquerda. Se após um m om en­ expor, para praticar os movimentos
to nada acontecer, pararemos o movi­ automáticos.
mento do pêndulo e a seguir daremos C oloque o pêndulo sobre um dos
impulso para a direita ou esquerda, desenhos das páginas 186 e 187 e
procurando m anter essa oscilação de deixe que autom aticam ente gire ou
forma contínua. Trata-se de familiari­ oscile seguindo a direção do mesm o.
zar a mão e os diferentes músculos A princípio, procure não forçar, d ei­
motores com cada movimento, até que xar que o m ovim ento se p roduza de
se tornem automáticos. N ão se deve forma autom ática. Se não o correr as­
abandonar a prática ao primeiro fracas­ sim, ajude-o com um im pulso inicial
so, perseverar é im portante. e deixe-o oscilar. Após certo tem po,
Aos movimentos de oscilação, que o m ovim ento se produzirá de form a
deveremos aprender a deter ou parar à autom ática. E poderá passar para a
vontade, seguirão os de giro. Para isso, fase seguinte, dando ordens m entais
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 189

de m ovim ento, giro ou oscilação, no um, podem os começar a medir os luga­


sentido que lhe convier. res: ao nos deslocarmos tranqüilam en­
te por um terreno ou aposento, o pên­
dulo permanecerá estático nos locais
C ódigo e convenção mental normais ou neutros, e girará fortem en­
te no sentido negativo onde toda a
Ter as coisas claras é sempre um passo energia ou energias dos lugares sejam
prévio de qualquer prática. Leia outros desfavoráveis, enquanto o giro será afir­
livros de radiestesia e familiarize-se com mativo ou positivo nos espaços favorá­
cada conceito, técnica ou prática. Po­ veis. A intensidade do giro ou oscilação
rém, não se complique demais e elucide nos indicará a intensidade positiva ou
o difícil ou rebuscado (“Tudo está em negativa do lugar ou elemento medido.
nós” ); os métodos simples são os mais
válidos e efetivos.
De todos os m odos, será sempre
im portante estabelecer um código
mental coerente e uma idéia clara do
que buscamos e da resposta que espe­
ramos. Exemplo: se para nós o giro do
pêndulo à direita significa afirmação,
podem os comprová-lo com uma expe­
riência tão simples com o apanhar um
lápis e perguntar: “E um lápis?” , espe­
rando um giro oscilatório que cor­
responda à resposta afirmativa. Logo
perguntam os (sempre sobre o lápis):
“E um livro?” , e obterem os o giro do
pêndulo que corresponde à negação.
Assim, haveremos estabelecido o códi­
go pessoal de afirmação ou negação.
O código de positivo ou negativo
podem os estabelecer com uma fruta,
da qual gostamos e nos sentimos bem
com endo. A pergunta será: “É positiva
para mim?” O giro automático que o
pêndulo efetuar será indicativo de p o ­
sitivo; extrapole para a busca de um
lugar determinado: “E positivo para
mim?”

U so prático em geobiologia

Q uando tivermos praticado suficien­


tem ente com os códigos, estabelecen­
do com clareza o significado de cada
190 O GRANDE LIVRO DA C ASA SAUDÁVEL

Escalas e biômetros O uso de códigos ou escalas padro­


nizadas nos facilitará a comunicação e o
Na hora de estabelecer uma consciên­ intercâmbio de informação com outros
cia clara das intensidades energéticas, pesquisadores.
de seu positivismo ou negativismo, Um dos códigos ou escalas de m edi­
podem os ajudar-nos fazendo uso de das mais empregados em geobiologia
uma série de escalas graduadas, as quais talvez seja o biôm etro de Bovis (ver
permitirão afinação máxima. Para com ­ gráfico da pág. 191), nome de um
preender o uso e função das escalas e radiestesista francês que, no começo
biômetros, podem os compará-los aos do século, criou sua própria escala.
term ôm etros com os quais medimos a Com ela, propunha-se medir a vibra­
tem peratura am biente. Poderíam os ção e a energia dos alimentos. Graças
prescindir dos term ôm etros e seus có­ ao uso dessa escala, muitas pessoas
digos e dizer simplesmente “faz frio, conseguiram se curar de numerosas
faz calor ou reina uma tem peratura enfermidades, medindo os alimentos
moderada” . (O frio ou o calor serão que ingeriam e consumido somente
positivos para uns e negativos para o u ­ aqueles com vibrações altas, que são as
tros.) Porém, no geral, preferimos nos frutas e verduras frescas, os cereais inte­
comunicar: “Está fazendo quatro graus. grais, etc.
Que frio!” O u então: “Esses 38 graus O engenheiro francês Sim onetton3
são insuportáveis” . Q ue graus? Graus curou-se de uma tuberculose pulm o­
centígrados ou Celsius, naturalmente. nar, quando a medicina convencional
Porém, o que são graus centígrados? dos anos 40 o havia desenganado, pois
Tão somente uma unidade de medida ainda não se usava os antibióticos, como
que foi convencionada e com a qual a estreptomicina, para tais doenças.
estamos familiarizados, por força de Este engenheiro, especialista em ele­
olhar os term ôm etros, e que nos serve tricidade e eletrônica, ampliou a escala,
de referência para valorizar a tem pera­ acrescendo-a das unidades de angstrõms
tura do lugar. (nanôm etros), já que observou-se uma
Porém , se eu lhes dissesse: “ Nesta similaridade das radiações medidas com
casa, estam os a 76 graus” , é certo que as longitudes de onda, que se medem
não acreditariam . Sua m ente os faria em angstrõms.
pensar que a essa tem peratura esta- O certo é que tal paralelismo não é
ríamos fervendo. Claro que se especi­ exato e, finalmente, estabeleceu-se o
fico que esses 76 graus são Fahrenheit term o “ unidades Bovis” no biôm etro
e não centígrados, então tu d o se es­ que leva seu nome.
clarece, pois 76°F eqüivalem a cerca Após muitas medições em plantas,
de 23°C. animais, pessoas saudáveis e enfermos
Com este exemplo, queremos evi­ com certas doenças, tanto Bovis com o
denciar a importância do código em ­ Sim onetton chegaram à conclusão de
pregado em radiestesia, não tanto para que 6.500, dentro da escala de zero a
a compreensão de alguém mesmo em 10.0 0 0 , era a unidade em que vibrava
suas deduções ou medições, mas para qualquer pessoa sadia, sem transtornos
que outros compreendam o que esta­ específicos. Porém, observaram que os
mos fazendo ou as conclusões a que cancerosos encontravam-se na freqüên­
levam nossas medições. cia 4.000-4.500, os tuberculosos entre
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 191

BIÔ M ETR O D E A . BOVIS, fís.


com pletado p o r A. SIM O N E T T O N , eng. E.B.P.

Radiações dos seres hum anos e dos lugares


Espectro solar
Radiação gam a-<- Raios X invisíveis Ondas curtas >■ hiperfreqüências

------ LU Z — ------ >■ INFRAVERM ELHA


3 .0 0 0 4 .0 0 0 5 .0 0 0 6 .0 0 0 7 .0 0 0 8 .0 0 0 9 .0 0 0 1 0 .0 0 0
luz de
W OOD
U ltra ­
v io le ta
lllllllll
Enfermidades Saúde
6 .5 0 0

5.000 e 5.500, et c. Cada doença dava cruzam ento 5 .000 e se, além disso, este
uma freqüência abaixo dos 6.500. As estivesse sobre uma corrente telúrica
pessoas sadias e com m uita vitalidade ou próxima de forte campo eletrom ag­
superavam essa medida, situando-se nético, podia declinar a 4.000, dedu­
entre 7.000 e 8.000. Em bora existis­ zindo-se disso que o órgão que ocupas­
sem casos de pessoas cuja energia glo­ se esse espaço seria afetado pela energia
bal estava em 6.500, enquanto um do lugar e terminaria vibrando na mes­
órg ão d eterm in ad o dava som ente ma freqüência.
4.500, com que estabelecia-se que tal Se levarmos em conta que tanto
órgão estava enfermo ou afetado. Bovis como Sim onetton observaram
Anos mais tarde, essa mesma escala que cada vírus, bactéria, fungo ou en­
seria recuperada por alguns radies­ fermidade tinha uma freqüência vibra­
tesistas praticantes da geobiologia, que tória inferior a 6.500, com preendere­
observaram que os lugares negativos mos a relação direta entre a energia do
ou geopatogênicos davam medidas in­ lugar e o transtorno padecido, já que o
feriores às 6.500 unidades Bovis. As­ órgão, por indução ou ressonância,
sim, portanto, na vertical de uma linha terminará vibrando na mesma freqüên­
H podia-se medir 5.500, sobre um cia que a enfermidade em questão.
192 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

Daí a pensar que m udando a fre­ vimento na vertical, para cima e para
qüência vibratória do órgão o proble­ baixo. Nesse ponto, olhamos para as
ma se resolve, é um passo. De fato, cifras e sabemos que esse lugar está por
muitas terapias atuais vão nessa dire­ exemplo a 7.500, o que nos indica que
ção. Em bora talvez não seja preciso tem boas energias e será positivo como
terapia alguma, já que somente deslo­ local de descanso ou estadia. Ao seguir
cando-nos do lugar conseguiremos deslocando o pêndulo sobre a escala,
mudar a freqüência vibratória do órgão observaremos que muda o giro, osci­
em questão e este começará a funcionar lando da direita à esquerda. Ao retroce­
corretam ente, p erm itindo o resta­ der, voltará a parar ou oscilar acima e
belecimento rápido ou a não-prolifera- abaixo quando estiver em 7 .500.
ção do vírus ou germe patogênico que Recordemos que não é nem o pên­
nos afeta. dulo nem o biôm etro que estão infor­
E evidente que não só o lugar afetará mando sobre a energia do lugar, mas
nossas vibrações. Já mencionamos que nossa sensibilidade pessoal e a inform a­
certos alimentos desvitalizados tam ­ ção de nossa parte inconsciente, à qual
bém o fazem, assim com o determ ina­ estamos dando a oportunidade de m a­
dos hábitos de vida, de estresse ou de nifestar-se através de um pêndulo e de
permanecer frente à tela do com puta­ uma escala.
dor ou do televisor... A mesma operação realizada para
medir um lugar podem os em pregar
para alimentos, pessoas, órgãos, etc. A
U so do biôm etro imaginação e as necessidades de cada
um serão os únicos limites.
Repetimos que trata-se de uma escala
referencial, que nos informa da quali­
dade dos alimentos, água, plantas me­ As outras escalas
dicinais, lugares, etc.
Seu uso servirá com o ponto de refe­ Poderíamos empregar, com o mesmo
rência, e não creio que seja coerente fim, qualquer outra escala que sirva de
usá-lo quando vamos ao supermercado referência. Por exemplo, já que esta­
para medir a energia do que com pra­ mos habituados à escala de 0 a 10 dos
mos (embora bem podemos fazê-lo exames escolares, zero seria a mais ne­
logo, em casa). gativa possível, cinco normal ou neutra
e 10 a mais positiva.
Para- medir um lugar O percurso do pêndulo sobre a esca­
la pode ser o mesmo, com eçando pela
Seguramos a escala com a mão não unidade mais baixa e term inando pela
empregada para sustentar o pêndulo e, mais alta. A parada do pêndulo ou a
com ela, lhe daremos um ligeiro movi­ oscilação vertical indicarão o positivismo
mento. Geralmente, começa-se impri­ ou negativismo do objeto medido.
mindo um giro no sentido dos pontei­ Algo parecido acontece com a escala
ros do relógio. Uma vez feito isso, desenvolvida p o r B. Legrais e G.
vamos deslocando o pêndulo sobre a Altenbach, autores do livro Salud y
escala, até observarmos que modifica a cosmotelurismo (Saúde e cosmotelu-
oscilação e termina realizando um m o­ rism o), ao que deram o nom e de
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 193
194 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

geodinâmetro. Ambos, usando uma material. Recomendamos o cobre e suas


escala particular, autodenom inam -se ligas por tratar-se de um metal com
descobridores do “não vai mais” em uma vibração m uito harmônica para o
medição radiestésica. N o fim das con­ ser humano. Desaconselhamos o alu­
tas, para muitos pode ser uma escala mínio e o chum bo, um por ser m uito
coerente: começa em 5 0 negativos para rápido e o outro por ser pesado e por
chegar em 50 positivos, passando pelo seu poder de absorção de radiações.
zero, igual a neutro. O com prim ento é variável; mas o
A m etodologia de uso é a mesma das com um é ter de 40 a 45cm na extrem i­
escalas citadas anteriormente. dade longa, por 15cm na curta (ver
Vemos com isso que não importa ilustração da pág. 195). A espessura, de
tanto a escala empregada, mas que ela 3 a 5mm. Será im portante que o peso
nos seja coerente e que a informação e o com prim ento estejam proporcio­
fornecida seja útil e benéfica para nosso nais, para que não se criem dese­
trabalho. quilíbrios em seu manejo.
Usar uma ou outra escala obedecerá D obrando-as em ângulo reto, o b te­
mais às preferências pessoais do que ao remos o instrum ento mais simples e
fato de ser uma melhor que outra. fácil de usar em radiestesia e geo-
Em bora prefiramos a de Bovis (m odi­ biologia, ao que podem os incorporar
ficada), somente por ser a mais con­ manoplas de plástico ou madeira, que
vencionada e porque, graças a ela, quan­ evitem roçar a mão e permitam apoiá-
do compartilhamos nossas experiên­ las com mais facilidade (não é im pres­
cias ou medições de um lugar, tão cindível).
somente devemos dizer: “Aquele sítio
media 3.000 unidades Bovis” , para que Como manejar as varetas em L
a outra pessoa saiba que nos referimos
a um lugar m uito negativo para a saú­ Iniciaremos as práticas tentando reco­
de. O u quando dissermos: “Medi 8.500 nhecer os micromovimentos que per­
naquela esquina” , saberá que estamos mitem as varetas oscilarem. Segurare­
falando de um lugar cuja energia será mos cada vareta com uma mão, pela
altamente positiva ou ideal para recar- extremidade mais curta. M anteremos
regar-se e subir nosso tono vital. os braços junto ao corpo, com as mãos
e antebraços estendidos, formando um
ângulo de 90° e uma separação entre as
As varetas mãos de 30 a 40cm.
M overemos lentam ente os pulsos e
Para as pessoas a quem o pêndulo mos­ as mãos, até observar que as varetas
trou-se complicado de usar e interpretar, oscilam, aproximando-se e cruzando-
aconselhamos iniciar as práticas radies­ se em forma de X, ou afastando-se até
tésicas com simples varetas em forma de oporem-se uma à outra.
L, fáceis de se conseguir e manejar. Esse exercício será interessante pra­
ticar o suficiente núm ero de vezes até
As varetas em L que nos familiarizemos com os movi­
mentos. Podemos acompanhar a expe­
Mais simples impossível! Trata-se de riência com uma ordem mental: “ Q ue
duas varetas de cobre, latão ou outro se fechem!” , e veremos que as varetas
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 195

se juntam ; “ Que se abram!” , e observa­ Q uando nos situamos em uma zona


remos que se separam. ou lugar cuja energia se mostre agressi­
T udo isso talvez seja inútil para as va, produz em nós uma contração
pessoas que possuam já certa sensibili­ neuromuscular e observamos que as
dade, com o ocorre com a maioria das varetas começam a se fechar, até cruza­
crianças, pois somente por segurarem rem uma com a outra. Q uanto mais
as varetas com as mãos, elas abrem-se e negativo for o lugar, mais elas se fe­
fecham-se conforme vão passando por cham. Em certas ocasiões e sobre luga­
zonas alteradas ou favoráveis. res m uito prejudiciais, veremos como
Porém, serão exercícios imprescindí­ chegam a golpear nosso peito (ver ilus­
veis para os que têm maior dificuldade, tração b, pág. 196).
ou para aqueles cujos esquemas mentais N os lugares cujas energias são alta­
bloqueiam suas reações automáticas. m ente positivas, as varetas tendem a
se abrir. Porém , se essa separação é
Detectar a influência dos lugares m uito pronunciada, cuidado! N ão nos
convêm perm anecer m u ito tem po
O código é dos mais simples; quando nesse lugar. Tam bém pode nos dese­
estamos em um lugar de energia favo­ quilibrar, ou talvez trate-se de uma
rável, encontram o-nos relaxados e à falha geológica, uma fissura ou uma
vontade, motivo pelo qual as varetas diáclase.
não sofrem reação alguma, permane­ Não há m uito mais o que dizer das
cendo paralelas ou ligeiramente abertas varetas em L; trata-se de praticar com
(ver ilustração a, pág. 196). elas e perder o medo.
196 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

U m a advertência! T an to com o Mãos que falam


pêndulo com o com as varetas, é fre­
qüente que as pessoas que p erm ane­ Fazer uso de um pêndulo, uma escala
ceram longos períodos sobre zonas energética, varetas ou qualquer outro
alteradas ou de forte radiação telúrica artigo radiestésico pode resultar-nos
estejam saturadas e tenham criado tão útil com o em baraçoso. M uitos
resistências a esses in stru m en to s. médicos e terapeutas fazem amplo uso
O corre o m esm o no caso dos fum an­ da radiestesia para diagnosticar d o en ­
tes, a quem não lhes incom oda a ças ou escolher a terapia mais adequada
fumaça do cigarro. Aconselhamos que e personalizada para o paciente em
uma pessoa alheia à casa exam ine os questão. Porém, o afetado nunca che­
aposentos, locais de descanso ou de gará a suspeitá-lo, pois o terapeuta terá
trabalho: um familiar ou um am igo seguido um protocolo de diagnóstico
de confiança, que se m ostre sensível convencional e tão somente às escondi­
a tais energias. De todos os m odos, das recorrerá à radiestesia e à sua sensi­
não tire conclusões precipitadas; re ­ bilidade pessoal.
pita várias vezes e em épocas diferen­ Dão-se casos em que necessitamos
tes das com provações e, so b retu d o , recorrer aos serviços das varetas ou do
“sinta os lugares” e tom e consciência pêndulo, porém a presença de outras
de com o reage seu organism o. Es­ pessoas faz com que nos reprimamos,
cute-se! por medo de zombaria ou incom preen­
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 197

são. Nessas ocasiões, podem os recorrer Ao contrário, quando sua mão se


a uma radiestesia em que não precise­ aproximar do objeto não desejado, cer-
mos de instrum entos intermediários re-a com pletamente, um claro indica­
para estabelecer o diálogo entre nossa tivo de repulsa.
parte inconsciente e nossa consciência Esses são simples exemplos, cuja
racional. única finalidade é “praticar” . Com o a
Fritjof Capra surpreendeu-nos em caligrafia da cartilha escolar, repetir um
sua obra El tao de la física (O tao da exercício tantas vezes quantas seja ne­
física), com uma frase que pode rem o­ cessário, até transformá-lo num ato
ver o cim ento de nossa equilibrada reflexo. Q uando o tivermos repetido
mente: “ Cada átom o, para decidir sua suficientemente, podem os estabelecer
trajetória, tem que ser consciente do o seguinte código:
que fará o restante dos milhões de Vamos estabelecer diferentes níveis:
átomos que com põem o universo” . Se totalmente aberta, muito positivo (sim);
cada átom o do nosso organismo é cons­ aberta, positivo; ligeira curvatura dos
ciente do que acontece com o universo dedos, regular; dedos curvados até a
- próximo ou distante - , por que não palma das mãos, negativo (não); mão
lhe pedimos informações concretas so­ fechada, m uito negativo.
bre algo que nos interessa? O exemplo da fruta ou do alimento
Como? é facilmente compreensível. Se eu apro­
Talvez indiretam ente, perguntando ximo a mão de algo que estou seguro
a nosso corpo por meio de suas respos­ que me favorece, abro com pletamente
tas reflexas, ali onde a razão consciente a mão para envolvê-lo; se, ao contrário,
não exerce demasiado sua ditadura. existe no alimento ao qual aproximo
De que forma? minha mão algo que pode me afetar,
Já observaram que, quando nos apro­ em bora eu não tenha consciência dis­
ximamos de alguém querido, abrimo- so, meus sutis biossensores o estarão
lhe os braços? Abrimo-nos a ele. percebendo, e o código através do qual
Já se deram conta de que quando o estarão me indicando será uma res­
uma pessoa não nos interessa, ou des­ posta neuromuscular, que cerrará os
gostamos, cruzamos os braços em sua dedos ou toda a mão no caso de ser algo
presença? Fechamo-nos. m uito negativo.
Se já possuímos essas respostas refle­ Por esse mesmo princípio reflexo
xas e espontâneas, tão somente devere­ podem os nos fazer perguntas. Partin­
mos ampliar suas possibilidades e seu do do fato de que temos a resposta clara
campo de ação. no mais profundo de nós mesmos, dei­
Porém , já que abrir e fechar os bra­ xamos a opção para que a resposta se
ços parece aparatoso, podem os utilizar estabeleça com um gesto simples e
as mãos. cotidiano, como o de lançar um objeto
Busque um objeto ou um alimento ao chão.
que goste ou aprecie, e outro que não N o gesto de abrir a mão, enquanto
lhe seja agradável. Q uando aproximar dirige-se para baixo, passamos de mão
sua mão do objeto - ou alimento - cerrada para mão abert a. Se a resposta
preferido, abra-a amplamente. à pergunta formulada é negativa, os
C om o se quisesse abarcar seu exten­ dedos apenas se abrem e se estendem.
so “campo energético” . Em troca, se trata-se de uma resposta
198 O GRANDE LIVRO D A C AS A SAUDÁVEL

afirmativa ou positiva, a mão se abrirá


livremente. Exemplo: Esse lugar (nesse
m om ento) é favorável para mim?
S
Essa técnica simples, uma vez exerci - • y? /'
tada, possui múltiplas aplicações devi­ a)
do a sua discrição. Podemos escolher,
por exemplo, em uma barraca ou su­
permercado, os alimentos que mais nos desfavorável - negativo - zona alterada
favoreçam e que possuam maior vitali­
dade. Ao aproximar a mão para pegar o
produto, esta abre-se para “agarrá-lo”
ou fecha-se, repelindo-o. Essa foi, na
prática, a motivação inicial que perm i­
tiu o descobrim ento de uma técnica b)
•—

que poderíamos chamar de radiestesia Sr \\ \v \\


sem instrum entos (pêndulos, varetas,
etc.).
CKj
A partir daqui, as possibilidades são
regular
ilimitadas e as formas de fazer um
autoteste também. “Estará em casa a
pessoa que estou chamando por telefo­
ne? Liga-se e confirma-se ou desm en­
te-se o que a reação da mão havia
percebido. c)
A que horas chegará...? As três, mão
fechada; às quatro, mão fechada; às
cinco, abre-se a mão. E somente have­
remos de esperar até às cinco para que
se confirme ou não a predição.
Em que dia me darão os resultados favorável - positivo - zona neutra
do exame ou da análise? D ia2 1 ,2 2 ,2 3 ,
24...? Abre-se a mão.
O resto é questão de paciência e de
ir provando e exercitando essa sensibi­
lidade interior, que todos temos ador­
mecida.

1 Por exemplo, a surdez progressiva que as


pessoas que habitam lugares com níveis de ruído
altos experimentam, é claramente um fenôm e­
no de proteção do qual nossa m ente inconscien­
te faz uso, para não acabar com os nervos
destroçados. (Ver “Contaminação sonora” .)
2 Ver bibliografia.
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 199

CAPÍTULO 15 vido a movimentos sísmicos. Seria tam ­


bém interessante confeccionar uma fi­
MÉTODOS DE cha com os dados estudados: reações
COMPROVAÇÃO concretas, variações, unidades de m e­
dida, pontos de cruzam ento de linhas
H artm ann, correntes subterrâneas de
água, etc., anotando as datas de tais
experiências. Q uando tratar-se de p ro ­
Testes distintos de comprovação vas de cinesiologia ou de medição da
das energias de um lugar radioatividade, será im portante assina­
lar, além do ponto exato onde reali­
zou-se a medição, a hora em que foi
Métodos para estabelecer a harmonia ou realizada.
desarmonia de um espaço concreto
Prova A: Alterações na oxidação ou colo­
Através dos diferentes capítulos deste ração dos metais
livro, tivemos acesso a distintas formas
de medir e comprovar as energias favo­ Baseado em fatos comprovados por
ráveis ou desfavoráveis de cada espaço, geólogos e por aqueles que trabalham
cuja qualidade energética ou vibratória com metais - que se oxidam com maior
nos interessa conhecer. Dada a im por­ rapidez ou sulfatam-se em sua superfí­
tância em estabelecermos de forma cie ao serem expostos às agressões do
objetiva o positivismo ou negativismo meio ambiente - , temos efetuado repe­
de um lugar, a fim de obter seu melhor tidamente comprovações que podem
aproveitamento para um descanso re- servir-nos como teste.
parador, um trabalho mais frutífero e Cortamos um tubo de cobre - por
menos estressante, um estudo em que exemplo, daqueles utilizados norm al­
nos concentremos melhor enquanto mente em canalização - em dois peda­
retemos com facilidade a informação ços de lOcm cada e os colocamos em
assimilada, ou para situar aquela planta duas zonas onde havíamos, previamen­
que tanto apreciamos, acreditamos ser te, estabelecido relações bem diferen­
interessante oferecer numa síntese des­ ciadas: um foi colocado sobre uma
critiva os diferentes métodos de diag­ zona neutra com relação a linhas ou
nóstico que nos permitem estabelecer, cruzamentos H artm ann, veios de água,
de maneira simples, a salubridade ener­ falhas telúricas, etc., enquanto o outro
gética de um lugar. foi situado sobre uma ou várias dessas
Cada sistema sugerido oferece-nos anomalias.
informação sobre um ou vários aspec­ O metal exposto à maior radiação
tos energéticos concretos, pelo que, envelhecerá com maior rapidez que o
para decidir se um lugar é favorável ou da zona neutra, que manterá seu brilho
se, pelo contrário, devemos evitá-lo, o por muito mais tempo:
ideal será fazer várias dessas comprova­
ções. a) O pedaço situado na zona neutra
Podemos repetir as experiências al­ permanece brilhante muitos dias.
gum tem po depois, por tratar-se de b) O situado sobre cruzamentos de
energias variáveis sazonalmente ou de­ linhas H artm ann e correntes subterrâ­
200 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

neas de água se enegrece com facilida­


de, oxidando e tornando-se menos con­
dutor, com o que protege seu interior
das fortes radiações a que se vê subm e­
tido.

Algo semelhante ocorre às pessoas


que usam pulseiras de cobre para com ­
bater problemas reumáticos ou dores
diversas: essas pulseiras escurecem com
facilidade e se sulfatam, manchando a
pele de azul nas pessoas que perm ane­
cem em zonas alteradas teluricamente,
enquanto mantêm seu brilho sem se­ Em zonas neutras a cristalizaçao é uniforme, com
rem limpas periodicamente nas pessoas estruturas harmônicas.
saudáveis que habitam zonas neutras.
Este fenôm eno nos recorda as p ró ­
prias reações da nossa pele, já que ao
nos expormos às fortes radiações sola­
res se bronzeia, graças a esse filtro
natural que é a melanina, para proteger
nosso corpo das perigosas radiações
solares, sobretudo das ultravioletas.

Prova B: Cristalização do sal

Já comentamos no capítulo dedicado às


vibrações dos fenômenos de cristaliza­
ção e, dessa forma, passamos simples­
mente a expor a metodologia para rea­
lizar a prova da alteração ou neutralida­
de de um lugar, em função de como as
energias presentes estruturam a forma­ Sobre zonas alteradas, formam-se grossos cristais
ção de cristais de sal. com estruturas desarmônicas.
Para fazer a prova, utilizaremos um
recipiente com um litro de água, onde
adicionaremos sal comum - cloreto de distribuímos sobre diferentes espaços,
sódio - até sua saturação: ou seja, até anotando em uma ficha a localização
que a água não dilua mais sal. de cada recipiente: por exemplo, um
Repartiremos essa água saturada em em uma zona neutra, outro sobre linha
vários recipientes, cuidando para que H artm ann, outro sobre cruzam ento
contenham quantidades iguais de lí­ H , outro sobre veio de água, out ro
quido. O ideal seria que os recipientes mais sobre cruzam ento H e veio de
fossem de barro, madeira ou plástico, água ao mesmo tem po, etc.: tantos
pois os de vidro contêm chum bo, que recipientes quantas forem as com pro­
absorve radiações. Posteriorm ente, os vações que desejamos efetuar.
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 201

Valorização do teste. Conforme pas­ por tratar-se de materiais desequili-


sarem os dias e a água for evaporando, brantes da energia.
veremos que no fundo do recipiente o M etodologia: As provas de cristali­
sal vai se depositando, form ando cris­ zação sensível requerem maiores cui­
tais. Se a zona é neutra e favorável, a dados e uma forma de operar mais
cristalização se fará formando peque­ meticulosa que a anteriorm ente descri­
nos cristais uniform em ente repartidos ta. Empregaremos recipientes de Petri,
no fundo, e inclusive após a total eva­ dos usados em análises de laboratório,
poração da água, resultará uma estru­ que completaremos com água destila-
tura cristalina harmônica.
Ao contrário, se o lugar está exposto
a fortes radiações ou energias desfavo­
ráveis, as conseqüências serão grossos
cristais de sal e estruturas disformes,
carentes de harmonia, até o ponto de
em certas zonas formarem grossos cris­
tais nas bordas do recipiente, chegando
a transbordar em certas ocasiões.
Podem os com pletar a experiência
num erando os recipientes, deixando
evaporar com pletamente a água e fi­
xando o sal no fundo com um verniz
(spray fixador usado em desenhos ou
pinturas), guardando-os com a ficha
do lugar que ocupavam. Se possível,
repetiremos essa experiência em outras
épocas do ano. Cristalizaçao harmônica. Lugar neutro ou pessoa
saudável.
Prova C: Cristalização sensível

É uma variante da anterior, porém para


realizá-la usaremos cloreto de cobre
diluído a 10% em água destilada. Trata-
se de um teste m uito utilizado por
alguns laboratórios europeus, para ve­
rificar o estado de saúde das pessoas ou
se uma planta foi cultivada de forma
natural ou química, assim como sua
vitalidade. Nos testes de cristalização
sensível, emprega-se uma gota de san­
gue da pessoa objeto de análise ou uma
gota da seiva da planta que se estuda.
Tam bém realizam-se provas com
materiais de construção, que fornecem
informações sobre sua salubridade - Cristalização desarmônica. Lugar alterado ou
equilíbrio energético - ou nocividade, pessoa com problemas de saúde.
202 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

da e 10% de cloreto de cobre, tam pan­ b)A rapidez com que absorvem a
do-os im ediatamente para evitar que o água do recipiente onde foram coloca­
pó ou outras substâncias interfiram na das. As plantas em zonas alteradas con­
cristalização. Depois distribuiremos os somem a água com avidez. Para obser­
recipientes como no m étodo do sal var bem esse fenômeno é interessante
comum. A harmonia ou desarmonia que o recipiente seja transparente.
nas ramificações da cristalização nos
darão as referências sobre a energia Prova D bis: Reação do feto macho
presente nos determinados lugares que
estudamos. Em alguns trabalhos de radiestesia, re­
Uma vez encontrada uma zona n eu ­ corre-se a uma variante da prova ante­
tra que dê cristalizações harmônicas, rior. Consiste em colocar folhas recém
poderemos efetuar provas de cristaliza­ cortadas de feto macho em um recipi­
ção sensível sobre a saúde ou vitalidade ente que contenha água. Se após 24
das pessoas (uma gota de sangue derra­ horas as folhas de feto aparecem
mada no recipiente com a diluição de ressecadas ou como queimadas, é sinal
cloreto de cobre) ou de plantas (uma de zona geopatogênica.
gota de seiva, sumo de frutas, etc.). Pessoalmente, não temos realizado
A interpretação das alterações de tal experiência devido à dificuldade em
saúde de uma pessoa, através da crista­ identificarmos o feto macho. Com efei­
lização sensível, requer grande experi­ to, ignoramos se trata-se de Filix mas
ência e muitos conhecimentos. Asse­ ou de Aspidium filix mas. Os autores
melha-se ao diagnóstico pela íris, e dessa prova assinalam a diferença, onde
somente os profissionais podem ofere­ o feto macho apresenta uma linha de
cer análises confiáveis. Nunca devemos pontos centrais na seção de corte da
tirar conclusões prematuras e sem co­ folha, enquanto o feto fêmea tem p o n ­
nhecimento de causa. tos margeando o contorno (ver ilustra­
ções da pág. 202). Vocês mesmos p o ­
Prova D: Reação nas plantas cortadas dem realizar as provas que considerem
convenientes e fazer-nos participantes
Para esse diagnóstico, usaremos qualquer de seus experimentos e resultados.
tipo de planta a que tivermos acesso. E
uma prova relativamente simples e con­ Prova E: A s reações dos anim ais
siste em observar o estado da planta,
uma vez cortada, em um lugar determ i­ Com o se com entou em capítulos pre­
nado da residência ou de aposentos. cedentes, os animais possuem uma alta
Será im portante que as flores sejam sensibilidade às zonas geopatogênicas
irmãs ou m uito parecidas e que tenham ou de fortes radiações. Na medida de
sido cortadas ao mesmo tempo. suas possibilidades e em plena liberda­
Deveremos fixar-nos em dados im­ de (física ou afetiva), buscarão as zonas
portantes: mais sadias para seu equilíbrio e bem-
estar. É sabido que alguns animais ele­
a) Se permanecem frescas e viçosas gem preferencialmente as zonas mais
durante m uito tem po ou se, ao contrá­ alteradas ou de maior radiação, com o as
rio, deterioram-se com facilidade. As formigas, as abelhas e os gatos. Q uanto
conclusões são evidentes. a estes últimos, apreciam tam bém a
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 203

macho

eletricidade estática, pelo que é fre­ h) R atazanas e R atos: Não é fre­


q ü en te vê-los vagueando ou repousan­ qüente encontrá-los em locais muito
do próxim os a aparelhos elétricos. alterados. Nas provas realizadas em la­
Entre os transtornos mais freqüen­ boratório, obrigou-se grupos de ratos a
tes que sofrem os animais sensíveis às permanecerem em zonas alteradas (dou­
radiações e que se vêem obrigados a tor Jenny e o engenheiro Lienert, em
permanecer em zonas alteradas, alguns Aarau, Suíça). Observaram-se fortes al­
investigadores citam: terações do caráter, agressividade, cani­
a) C avalos: enferm idades cardíacas, balismo com as crias, declínio da natali­
reum atism os articulares, eczem as, p er­ dade e queda de pêlos. Quando foram
da de pêlo, transtornos visuais, cegueira. colocados em caixas de madeira com
b) S uínos : enferm idades do fígado e 3m de comprimento, a metade das quais
do sangue, raquitism o. coincidindo com uma zona de forte
c) C oelhos : perda de pêlo, caniba­ alteração telúrica e a outra metade com
lismo das fêmeas com as crias, raquitis­ uma zona neutra, observou-se que as
mo. fêmeas tinham sempre suas crias sobre a
d) G alinhas : perda de peso, diar­ zona neutra, mudando inclusive a posi­
réias, leucemia. ção das crias quando eram colocadas em
e) O velhas: enferm idades do fíga­ zona alterada, como experiência.
d o , esterilidade.
f) C âes: reum atism o articular, ce­ Prova F: Resistência dinâmica muscular,
gueira. cinesiologia bolística
g) V acas: declínio da produção lei­
teira, pneum onias, esterilidade, cãibras Segundo o doutor G oodheart, a cine­
e pêlo sem vida. siologia holística baseia-se no fato de
204 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

que a linguagem do corpo nunca m en­ As provas de resistência dinâmica


te. A oportunidade de entender esses são especialmente precisas na hora de
códigos secretos da linguagem nos é escolhermos um local ideal para cada
dada pelos músculos, que servem-nos pessoa, pois o organismo reage “posi­
como indicadores da expressão. tiva” ou “negativam ente” ao posicio­
Freddy Potschka tem outra forma de ná-lo em um lugar preciso.
resumir esses conceitos: “ O único que Assim, uma vez marcadas as diferen­
possui toda a informação sobre nós é tes anomalias geobiológicas: falhas,
nosso próprio corpo. Ele o viveu todo correntes subterrâneas de água, linhas
e o memorizou. Está a par de tudo. H artm ann, cruzamentos H , etc., e es­
Conhece a resposta! Então, por que tabelecidas as zonas neutras, passare­
não perguntar-lhe?” mos a testar a pessoa em questão sobre
Poderíamos definir o teste de cine- cada um desses lugares, e as reações nos
siologia aplicada como um feedback do informarão em que medida resultam
corpo. Um teste de pergunta-resposta desfavoráveis ou são benéficos.
em que é o corpo o encarregado de E uma prova que cada pessoa deveria
responder a cada pergunta formulada. realizar em seu local de descanso - sofá,
Quando se realiza um teste cine- cama... - ou em seu local de trabalho,
siológico, estabelece-se um diálogo com quando este implica muitas horas no
o corpo da pessoa testada. Formula-se mesmo espaço reduzido.
uma questão e o corpo responde. Para Outra aplicação direta do teste cine-
isso, busca-se uma posição do braço ou siológico será averiguar que tipo de ano­
da perna da pessoa a quem se supõe um malia pode estar afetando uma pessoa,
problema específico, e onde entram em para quem repetiremos o teste de resis­
ação alguns poucos músculos ao efetu- tência muscular, formulando as pergun­
ar-se uma ligeira pressão. tas referentes às geopatias e demais parâ­
A pressão exercida não deverá ser metros que a geobiologia estuda.
muito forte, pois trata-se simplesmente As perguntas deverão ser sempre
de comprovar a resistência dinâmica a claras e concisas, sem ambigüidades
uma determinada pressão. Em nenhum que dariam respostas errôneas ou difí­
caso é uma prova de força muscular! ceis de interpretar.
Uma vez controlada a força que Exemplo: Em sua casa alguma falha
exercemos sobre o braço ou a perna em geológica o afeta? O u alguma corrente
uma posição específica - ist o é, sobre de água? Sofre transtornos por conta­
alguns determinados músculos - , p o ­ minação eletromagnética artificial? E
demos realizar a pergunta que nos inte­ um sem-fim de etcéteras.
ressa. A cada pergunta, observaremos a
No tema central desta obra, a geo­ resposta concreta. Ao realizar várias
biologia, o que tentarem os averiguar é perguntas seguidas, deixaremos um lap­
a incidência de um determ inado lugar so de tem po entre as mesmas, para não
sobre a pessoa estudada, para o que fatigar os músculos que intervém no
realizaremos vários testes cinesiológicos teste. Tam bém podem os ir m udando
em localizações diferentes, que previa­ de braço ou perna para evitar o cansaço.
mente teremos estabelecido como zona A precisão da pergunta é importante;
neutra ou como zona alterada, para por exemplo, quando perguntamos se
observar as reações dos músculos. há perturbação eletromagnética artificial
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 205

a) b)
a) Sobre zona neutra, os músculos b) Sobre zona alterada, será difícil
oferecem boa resistência à pressão. oferecer resistência à pressão.

em casa, a resposta não nos oferecerá sas, as mãos deveriam estar paralelas ao
informação, em caso afirmativo, se essa uni-las, e as pontas dos dedos tocando-
alteração concreta está lhe prejudicando. se simetricamente, como observamos
Igualm ente se perguntarmos simples­ na figura da página 206.
mente se a contaminação eletromagné­ O normal deve ser que, quando nos
tica lhe afeta, e não determinamos se é encontramos sobre zona neutra, os
a da casa ou de outro lugar, então a dedos encontrem-se paralelos e simé­
resposta será evidentemente ambígua. tricos ao realizar essa prova. Se, ao
Com o algumas pessoas alegaram que contrário, ao repetir várias vezes a ope­
nem sempre dispõe-se de outra pessoa ração a posição dos dedos apresenta
que nos ajude a realizar essas provas, é uma certa assimetria, é provável que
interessante informar sobre alguns tes­ nos encontrem os sobre uma zona de
tes de características similares. forte alteração, que deverá ser evitada
O teste do “paralelismo” pode ser o em permanências prolongadas.
mais indicado para ser efetuado solita­ Devemos levar em conta que, no
riamente. Consiste em colocar-se sobre caso de tensão prévia, lesão ou desequi­
o local a comprovar, relaxar e levantar, líbrio estrutural, esta prova será difícil
sem tensão nenhum a, os dois braços de se efetuar ou não será concludente,
por cima da cabeça até unir as palmas pelo que aconselhamos buscar algum
das mãos. Não se deve forçar uma união amigo ou familiar para poder realizar
paralela das pontas dos dedos, pois isso os testes de tensão dinâmica muscular.
falseará a prova, que consiste em obser­
var sua simetria ou assimetria. Georritmofjra ma
Em princípio, por não ter nenhum a
tensão muscular prévia causada por uma Esta prova precisa de algo mais do que
lesão, desvio de coluna ou outras cau­ meticulosidade e tem po para ser reali-
206 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

mão esquerda
mão direita
reita /

► i 4 »

a) Zona neutra b) Zona alterada

zada corretamente. Consiste em medir medida. O sistema manual é relativa­


as diferenças de resistência elétrica mente simples, em bora exija precau­
cutânea de uma pessoa que permanece ções na hora da realização das provas,
sentada sobre um lugar durante um para que não se criem distorções devi­
lapso de uns 30 minutos. do a fenômenos alheios às radiações
Se a zona é neutra e não existem estudadas, com o, por exemplo, m u­
fortes alterações telúricas, eletrom ag­ danças bruscas de tem peratura, ruídos
néticas, etc., o gráfico das medições estridentes, m uito movimento de pes­
realizadas a cada 30 segundos ou cada soas ao redor, etc. Ao mesmo tem po, as
minuto durante essa meia hora será condições psíquicas deverão ser de cal­
estável. Ao contrário, mostrará grandes ma e relaxamento, sem nenhum tipo de
desajustes ou distorções no caso de estresse.
estar sobre uma zona alterada.
O doutor H artm ann realizou mais Instrumental:
de 150.000 testes de resistência elétri­ - O hm ím etro ou galvanômetro de alta
ca ou georritmogramas. Existem no sensibilidade;
mercado alemão alguns galvanômetros - Eletrodos limpos com álcool, para
sensíveis conectados a um processador que ofereçam a máxima condutivi­
que registra, automaticam ente, cada dade;
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 207

- Os ohmímetros analógicos apresen­ ao prim eiro m inuto, a medida em


tam maior dificuldade em sua leitura. quiloohms: “k” . A cada 30 ou 60 se­
gundos repita a operação e anote o
Procedimento: resultado. Ao fim de meia hora, quan­
- A pessoa situa-se sentada sobre a do haverá marcado 30 ou 60 pontos,
zona objeto de estudo, frente ao una-os com uma linha, formando um
ohm ím etro e com um cronôm etro; gráfico dentado. Q uanto m enor for a
- A cada 30 ou 60 segundos, segura-se diferença entre os pontos, mais neutro
um eletrodo em cada mão e pressiona- será o lugar medido. Q uanto mais alte­
os ligeiramente durante 2 segundos. rado apareça o gráfico, mais estará afe-
tando-nos e, por conseguinte, trata-se
Faça a leitura correspondente e ano­ de uma zona a evitar.
te sobre o gráfico, no espaço destinado
208 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

CAPÍTULO 16 sítio, uma zona neutra onde repor-se


dos muitos embates que a vida nos dá.
HARM ONIZAÇÃO E Talvez pensem ou comprovem que sua
NEUTRALIZAÇÃO casa esteja totalm ente alterada. O que
fazer, então? Primeiro, partir do princí­
pio que em cada residência existirão
zonas mais alteradas ou zonas mais
O adequado era encontrar um “sítio” no neutras, independente da energia glo­
solo onde poderia sentar-me sem fadiga... bal da casa, motivo pelo qual aproveita­
Um “sítio” significava um lugar onde remos esses lugares favoráveis e benéfi­
alguém podia sentir-se feliz e forte de cos. Em bora não sejam tão positivos
maneira natural. como em outras residências, ao menos
Não era qualquer lugar que era bom não serão mais nocivos. Talvez som en­
para sentar-se ou estar nele. te perm itindo circular corretam ente as
Havia um “sítio” onde eu poderia estar energias da residência ou aum entando
nas melhores condições. Minha tarefa con­ um pouco nossas próprias resistências e
sistia em distingui-lo dos demais.
defesas, possamos superá-lo bem.
A norma geral era sentir todos os sítios
A seguir, detalharemos os m étodos e
possíveis a meu alcance até determinar,
sem margem de dúvidas, qual era o sítio maneiras de harmonizar, neutralizar
correspondente. ou melhorar um lugar, uma residência
O bom chamava-se o “sítio” e o mal, o ou um espaço determinado. H á que
“inimigo”. Esses dois lugares são a chave partir do princípio de que os meios
do bem-estar de um homem, especialmen­ paliativos nunca poderão ser igualados
te se busca conhecimento. O mero ato de ao “ bom sítio” , porém ao menos nos
sentar-se no “sítio” próprio cria força su­ ajudarão a nos sentirmos m elhor em
perior; em troca, o “inimigo” debilita. nosso H ábitat e desfrutarmos de maior
Muitos lugares no mundo são compará­ equilíbrio, tanto físico como psíquico.
veis a esses dois. Começaremos com a descrição dos
sistemas mais complexos e globais, para
Carlos C astaneda irmos nos aproximando de técnicas
Las ensenanzas de don Juan mais concretas, simples e precisas. Tam ­
bém incluiremos sistemas de proteção
e harmonização pessoais.
O bom sítio

H averão observado que, segundo Geopuntura


depreende-se da leitura, damos grande
importância à busca do bom sítio, do A geopuntura é um term o que começa
lugar favorável e positivo, que ofereça- a ser aplicado após os estudos geofísicos
nos as energias vitais necessárias na vida e energéticos dos sítios onde aparecem
de cada dia e que, ao mesmo tempo, grandes alinhamentos de menires. Apa­
esteja isento de radiações, energias ou rentem ente, não existia uma razão con­
vibrações desfavoráveis ou desvitali- creta para sua localização em tal lugar e
zantes. com a distribuição e orientação que
M uitos objetarão que, a cada dia, apresentavam. N ão pensemos somente
torna-se mais difícil encontrar um bom em menires isolados ou grupos de várias
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 209

dessas pedras, algumas das quais com gar ou estabilizá-las de tal forma que se
dimensões impressionantes e cujo peso convertessem em zonas harmônicas para
supera em m uito as considerações de o desenvolvimento da vida.
caráter puram ente estético. Tam pouco O exposto não impede que ali, onde
lograremos decifrar sua funcionalida­ se encontram e em suas proximidades
de, nem sequer ao considerá-los calen­ imediatas, possa sentir e medir-se um
dários astrológicos ou astronômicos. alto nível energético, que inclusive al­
Nas medições realizadas, descobriu- gumas pessoas têm utilizado com fins
se que estão plantados sobre zonas de terapêuticos e outras com fins mágicos,
forte alteração geofísica ou telúrica. O inclusive negativos. M uitos são os rela­
alinham ento de Carnac, na Bretanha tos de missas negras e reuniões de
francesa, está localizado sobre uma bruxas à sombra de tais zonas mega-
grande falha geológica. U m a zona líticas. Todo o descrito reforça-se com
granítica que, por outro lado, possui os nomes que receberam algumas des­
um forte efeito piezelétrico e cujo nível sas pedras ou lugares onde se acham:
de radioatividade supera em dobro a “pedras do diabo” , “rincão das bru­
média do território francês. xas” , “ bosque dos dem ônios” , etc.
Demasiadas coincidências, quando O que, em realidade, interessa-nos
estabelecemos a analogia com o Am- aqui é decifrar sua possível utilidade.
purdán gerundense, onde repete-se essa Vemos que o princípio físico no qual
presença de menires, falhas geológicas, poderia basear sua ação seria a famosa
granito e alto nível radioativo. A tudo teoria das pontas. Com o existem car­
isso une-se a circunstância de que cada gas elétricas no ar e outras na terra, com
pedra erguida verticalmente sobre o diferenças de potencial elétrico que
solo coincide com um cruzam ento de oscilam entre 100 e 300 V /m , obser­
linhas H artm ann e segue alinhamentos va-se que qualquer ponta unida à terra
sobrepostos a determinadas alterações exercerá um efeito de descarga entre o
telúricas, como correntes subterrâneas solo e a atmosfera ou entre a atmosfera
de água. Aí aparece a analogia com os e o solo. É bem conhecido por todos o
pontos de acupuntura e os meridianos princípio de funcionamento do fami­
corporais, que teriam sua réplica a nível liar pára-raios.
terrestre e de cuja existência pareciam Partindo desse princípio, alguns in­
já ter conhecim ento nossos remotos vestigadores levantaram a possibilida­
antepassados, com o tiveram dos meri­ de de neutralizar um certo lugar, ou ao
dianos e pontos de acupuntura os an­ menos reduzir seu negativismo, des­
tigos chineses, 3.000 anos antes de carregando o excesso de energia atra­
Cristo. vés de pontas metálicas estrategicamen­
Do mesmo m odo que um acupuntor te colocadas. Os resultados foram satis­
especialista é capaz de estabilizar o fatórios, em bora sua eficácia depende
excesso de energia de um órgão ou em grande parte da habilidade para
uma zona de nosso corpo, nossos ante­ encontrar os pontos exatos.
passados foram capazes de distinguir as
zonas mais alteradas teluricamente e Lanças
em conseqüência mais agressivas para a
vida próxima a tais sítios, conseguindo Onde melhor pode-se realizar esse sis­
com essa geopuntura derivar, descarre­ tema de neutralização é nas residências
210 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

N o caso da presença dessas varetas


Linhas H artm ann pontiagudas ser perigosa, deveremos
proteger sua proximidade com um tubo
lanças de cobre ou metal ou uma pequena paliçada ao seu redor.
Temos em pregado esse sistema em
algumas granjas de animais e várias
residências, com bons resultados.
O utra forma de em pregar essas lan­
ças consiste em colocá-las dentro da
residência ou do aposento que deseja­
mos neutralizar. Para isso, escolhemos
os rincões mais discretos sobre as zonas
mais alteradas e ali situamos as varetas.
O único inconveniente é que com o
tem po o metal ficará saturado, ene­
grecido e fortem ente oxidado. Q uan­
do isso acontecer, a cada 15 dias ou
Veio de água ou uma vez por mês deveremos submergi-
alteração telúrica las durante certo tem po em água abun­
dante - se esta for renovável, melhor -
e, com a ajuda de uma boa estopa, lhes
daremos brilho novamente.
Podemos reduzir ou neutralizar a agressividade
das alterações cravando algumas lanças, das usa­
das para tomadas de terra, na entrada e saída da Condensadores
alteração, preferencialmente sobre os cruzam en­
tos de linhas H artm ann. Essa técnica pode ser melhorada fazen-
do-se uso do princípio dos conden­
que dispõem de um jardim ou espaço sadores. Q uando temos duas lâminas
exterior anexo à casa, onde colocam-se metálicas frente a frente, sem que haja
lanças de aterramento em cobre (15 Ocm contato entre elas, uma certa carga
x 12 ou 16mm), das que encontra-se elétrica condensa-se no seu espaço in­
nas lojas de material elétrico. terior.
Primeiro, traçaremos o percurso dos Construiremos bons condensadores,
veios subterrâneos de água, falha geoló­ que absorvam parte das energias que,
gica ou outra corrente telúrica que atra­ em excesso, podem estar nos prejudi­
vesse a residência. Uma vez assinalado cando, com vários tubos de cobre - dos
sobre o terreno, localizaremos no inte­ usados em hidráulica - e algumas m an­
rior do espaço alterado as linhas gueiras de plástico ou borracha (ver
Hartmann e seus possíveis cruzamen­ esquema na página seguinte).
tos. Cravaremos as varetas nesses cruza­ Esse m étodo, com o qual já se con­
mentos de linhas Hartm ann e na verti­ seguiu inclusive eliminar os maus o d o ­
cal das correntes telúricas. Deveremos res de alguns banheiros ou quartos de
enterrá-las uns 50cm, deixando um asseio, oferece a vantagem de que a
metro no exterior, que será o que exer­ perda do efeito neutralizador por satu­
cerá as fúnções de pára-raios energéti­ ração é infinitamente m enor do que
co. O certo é deixar a ponta para cima. com as varetas maciças.
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 211

Podem ser utilizados dois sistemas:

a) Um fio de cobre de 2 a 5mm de


espessura, enrolado na forma de espiral
variável (ver exemplos). O ideal seria
fabricar-se em solenóide, com número
de espirais, voltas, diâmetro e altura
específicos para cada lugar que se quer
neutralizar. Trata-se de um trabalho
para especialistas em radiestesia ou
amantes da mesma, cujos detalhes se­
rão ampliados ao descrevermos os cir­
cuitos oscilantes.
b)A espiral é conectada à lança de
aterramento (ver desenho abaixo), em
Forma de construir um “condcnsador”. A espessu­ uma perfuração onde será soldado um
ra ca longitude são calculadas em função da zona dos extremos do fio de cobre, enrolan­
a ser neutralizada. do a seguir até a parte superior.
Após cada oscilação ou manipula­
Encontram os as aplicações práticas ção, será interessante, para não dizer
desses sistemas a nível profissional nas imprescindível, controlar sua eficácia
experiências realizadas na França pelo com qualquer (ou vários) dos sistemas
arquiteto Christian Braibant.1 Consis­ descritos para a detecção de zonas
tem em determ inar as polaridades geopatogênicas.
energéticas de cada ponto que se quer
neutralizar no interior da residência e
conectá-lo ao exterior com um ponto
com plem entar, fornecendo a energia
que falta ou derivando a excedente.
Está claro que tal prática requer a
presença de um especialista, conhece­
dor do que tem em mãos. M uitos siste­
mas não falham por sua ineficácia, mas
por um mau ajuste ou desconhecimen­
to da matéria por parte do operador. vareta de cobre
espiral de cobre

Espirais

Para concluir com a geopuntura, acres­


centaremos um sistema para melhorar a
eficácia das lanças simples de cobre, que
consiste em aplicar solenóides (espi­
rais) que gerem uma indução magnéti­
terra
ca à passagem de correntes elétricas e
que podem os ver em algumas agulhas
de acupuntura.
212 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

Circuitos oscilantes for colocada uma esfera metálica, com o


um pequeno condensador.
O uso de circuitos oscilantes se rem on­ Essa saturação com descargas perió­
ta na noite dos tempos e não podemos, dicas criará a oscilação, que irá variar em
assim como com os menires, estabele­ periodicidade (tantas vezes por m inuto
cer sua origem. O que se pode com pro­ ou segundo) em função do metal con­
var é o uso, terapêutico ou mágico, que dutor, suas dimensões, diâmetro, es­
sempre se fez deles. Para se ter uma pessura, separação dos extremos, etc.,
idéia do que é o chamado circuito assim com o das cargas elétricas presen­
oscilante, podemos citar que qualquer tes no seu entorno imediato. Podería­
das pulseiras chamadas biomagnéticas mos dizer que absorverá eletricidade
ou iônicas, que entram em m oda com (ou energias diversas) de seu entorno e
freqüência, baseiam-se no princípio do as irá “queim ando” graças a pequenas
circuito oscilante. descargas periódicas (oscilantes).
Em eletricidade, um circuito co n ­ Aproveitando tal fenôm eno, ao que
siste em um elem ento co n d u to r por se soma o de ressonância - recordem o-
onde circula uma carga elétrica ou nos que a ação do campo magnético
um determ inado núm ero de elétrons terrestre é pulsante, entre 2 e 20 H z
e que oferecerá m aior ou m enor resis­ (pulsações por segundo) - , poderem os
tência à passagem dos mesmos, em fabricar osciladores que vibrem ou res­
função de sua estrutura m olecular soem em determinadas freqüências,
cristalina. O mais conhecido e utili­ capazes, se os operarmos bem, de res­
zado com o co n d u to r é o cobre, por tabelecer o equilíbrio de um certo lu­
ser um dos metais que m enor resis­ gar ou de uma pessoa durante certo
tência oferece à passagem da eletrici­ período de tempo.
dade com preço acessível. O ouro e a Podemos considerar o pesquisador
prata são m elhores condutores e não francês de origem russa, G eorges
se oxidam com a rapidez do cobre, Lakhowsky, o impulsor dos circuitos
porém são onerosos para um em pre­ oscilantes e de seus usos terapêuticos.
go maciço. (E m bora atualm ente se­ Conseguiu a regeneração de plantas
jam em pregadas grandes quantidades com a simples aplicação de um anel de
de prata, por exem plo para a fabrica­ cobre (aberto) ao redor do tronco, ou a
ção de circuitos eletrônicos.) melhora e cura de várias doenças em
U m arame metálico reto e sem o u ­ pacientes do hospital de Montpellier.
tras conexões é, em si, um circuito O doutor Albert Leprince, na Fran­
aberto. Se o enrolarmos e soldarmos ça, partiu do uso de correntes galvânicas
suas extremidades, obterem os um cir­ de baixa intensidade para o ajuste exato
cuito fechado. Se nessa circunferência de braceletes ou pulseiras com postos
deixarmos uma pequena separação en­ de diversos metais. Incorporou tam ­
tre os extremos, obteremos os chama­ bém a vibração específica associada aos
dos circuitos oscilantes. Seu nome pa­ colares usados em c ro m o terap ia.
rece provir de que cada vez que o Lakhowsky chegou a criar aparelhos
condutor fica saturado de eletricidade, associando geradores de ondas ultra
produz uma descarga de elétrons em curtas a seus circuitos oscilantes, como
seus extremos, efeito que pode ser por exemplo seu “radioscilador celu­
potencializado se em cada extremidade lar” .
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 213

4 5 6 7 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 2 6 27 28 29 30 3

0 1 2 3 4 5 6 7 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31
3 ( T 3 ( r3 ( r 3 0 ^ 0 3(T^0 3(T30 3(T 30^0 3 r3 IT 3 0 30 30 30 30 30 30 30 30 3 0 -# H o ral D ia d o mês ▲
___ I______I______I______ 1______ I______1_____ I______1______ 1______1______I______ I______ 1______1_____ 1______1______ I______ I_____ I______ 1______ I---------- 1-------- J —------ 1------------------------------ 1------------------------------------------------m -
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31. 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60
J __ l_l__ l_ l __ !_ l _ J __ L J __ l_l__ l_ l __ I I 1 I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I__ I__J__ I__ I_____ 8

Segunda- Terça- Quarta- Quinta- Sexta- Sábado


feira feira feira feira feira t
Jan . F ev . M a r. A b r. M a i. Ju n . Jul. A g o . S e t. O u t. N o v. D ez Mês

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1000
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Reproduzindo estegráfico em escala métrica, disporemos de um a escala “multiuso” que, com a ajuda
de um pêndulo e a sensibilidade pessoal, facilitará a obtenção de informações precisas sobre o diâmetro
adequado de um circu-ito oscilante e sobre o melhor mês para fa ze r um a terapia.

Alguns dos princípios que estuda­ detecção baseados na sensibilidade pes­


ram e desenvolveram são hoje em dia soal” ), já que será imprescindível sintoni­
empregados com profusão na prática zar corretamente a “ressonância” preci­
médica habitual: pulsores de correntes sa, o que conseguiremos tendo em conta
galvânicas para dores articulares ou reu­ alguns parâmetros variáveis, como a di­
máticas, eletrom agnetoterapia de cam­ mensão do circuito (em cm), sua forma,
pos pulsantes, etc. o diâmetro do fio metálico e a cor, se for
O certo é que a experiência dem ons­ preciso; tudo em concordância com o
tra não ser preciso complicar tanto as lugar alterado ou a pessoa afetada.
coisas; um simples bracelete ou pulsei­
ra, construído com um ou vários metais Procedimento
associados formando um circuito osci­
lante, pode servir-nos de remédio para a) Escolha do metal adequado. Por
um grande núm ero de transtornos. E regra geral, esses circuitos são cons­
com um desses circuitos de maiores truídos em cobre, por ser um dos m e­
dimensões, conseguiremos fabricar um tais mais harmônicos com o ser hum a­
neutralizador de radiações nocivas que n o .2 Em alguns casos, talvez funcione
possa reequilibrar o espaço de um apo­ melhor algum tipo de liga (bronze =
sento ou o lugar preciso onde está cobre + estanho; latão = cobre + zinco)
situada a cama. Tam bém têm sido am ­ ou a combinação de fios de diferentes
plamente utilizados os circuitos osci­ metais; por exemplo: um fio de cobre
lantes para aum entar as resistências das de 3mm, um de aço de 2mm e um de
plantas a certos parasitas, ou curá-las de prata de 0,5mm.
clorose ou outras afecções. Faremos a escolha do metal ou m e­
tais adequados auxiliados pela radies­
Fabricação e uso dos circuitos oscilantes tesia, com o uso do pêndulo. Em um
papel, anotaremos o nome de vários
Para a construção dos circuitos oscilantes metais. O u recorremos a uma tábua
adequados, faremos amplo uso da esquemática, em cujos quadros escreve­
radiestesia (ver cap. 14, “Sistemas de remos os nomes dos metais ou ligas.
214 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

b) Longitude do fio metálico. Aju­ N


dados pelo pêndulo e por uma régua
graduada com a escala métrica, calcula­
remos o com prim ento total do metal.
Ao fechá-lo em um círculo, nos dará
um circuito de um determ inado diâ­
metro. Se estabelecermos primeiro as
dimensões do diâmetro do circuito,
logo teremos que fazer as operações
para calcular o com prim ento do cabo
ou fio.
c) Espessura do metal. Com a ajuda
de uma escala graduada, poderemos
determinar os milímetros de espessura
do fio.
d ) Ajuste. Uma vez em nossas mãos Circuito oscilante. A bertura orientada ao norte
o fio de cobre ou de outros metais, com magnético.
as dimensões adequadas para o caso
específico (lugar, planta ou pessoa),
dobrarem o-lo na forma circular mais riódicos de circulação preferencial da
exata possível, deixando uma separação energia através de órgãos e meridianos
entre os extremos. Essa separação per­ precisos, que aproveitam para efetuar o
mitirá que ajustemos o circuito ao lu­ tratamento ou a terapia de reequiIíbrio).
gar, à planta ou à pessoa; abrindo-o ou Será necessário determ inar o tem po
fechando-o, conseguiremos variar a fre­ de uso diário: 20 minutos, 30, uma
qüência de oscilação. hora, duas... assim como o m om ento
N o uso terapêutico, talvez se ampli­ mais propício: de 18:00 às 19:30, ou
fique seu efeito se pintarmos o metal das 10 da noite às 8 da manhã (dez
com uma cor determinada (usar um horas diárias). E, com o não, o tem po
gráfico com nomes de cores). de tratam ento: 10 dias, um mês, três
e) Orientação. Por regra geral, e se­ meses... Podem ser usadas escalas como
gundo as experiências de todos os in­ o gráfico da página 213, tendo presen­
vestigadores, a orientação mais ade­ te que os metais são suscetíveis de
quada é a abertura dirigida para o n o rte. carregarem-se ou descarregarem-se de
Se usada para aliviar ou curar uma energia, pelo que perdem seus efeitos
determinada doença, deveremos per­ neutralizantes ou terapêuticos. Uma
guntar-nos (via radiestesia) o lugar pre­ forma de liberá-los será submergi-los
ciso de seu uso (o pulso direito, o em água abundante, quando não esti­
esquerdo, o tornozelo, etc.; assim como verem em uso.
sua abertura para o interior ou exterior Por regra geral, terá que ser descar­
do corpo). tado cada bracelete ou pulseira uma vez
f) Períodos de uso em pessoas. N o concluído seu uso terapêutico por uma
caso de querer tratar doenças determ i­ determinada pessoa, e não passá-lo a
nadas, talvez exista no dia uma hora outra, pois poderá ocorrer uma “trans­
ideal para o uso do oscilador (segundo ferência” de energias, o que talvez seja
a medicina chinesa, existem ritmos pe­ negativo para o segundo usuário.
216 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

sadias, alguns cairão na tentação de do de saúde global (física e psíquica), é


adquirir o primeiro “gadget” que lhes nossa atitude frente à vida, em bora isso
oferecerem como remédio para todos nos leve a aprender a viver de novo e de
os problemas. forma mais correta e coerente com
O m undo das radiações cosmo- todas as necessidades de nosso organis­
telúricas e o da radiestesia em geral mo: físicas, psicológicas, emocionais e
presta-se com facilidade a explicações e espirituais. N ão conheço nenhum a far­
jogos de palavras entre o científico e o mácia nem herbanário que venda pílu­
paracientífico, entre o biofísico e o las que nos ensinem a ter um ideal ou
esotérico. uma meta por que lutar e trabalhar, que
Temos que denunciar os casos em nos dêem plenitude de vida ou que nos
que se vendeu uma terapia ou um siste­ permitam harm onizar corpo, m ente e
ma de neutralização para curar uma espírito. T udo isso pertence ao traba­
enfermidade das chamadas irreversíveis lho pessoal, onde nada poderá realizá-
(leucemia, por exemplo), e quando lo por nós. T odo esforço nessa direção
não surte efeito, invoca-se a desculpa vale a pena, em bora resulte num cami­
do karma e suas leis. nho árido em alguns momentos.
Raros são os milagres e as curas
milagrosas. Uma enfermidade, conse­
qüência de maus hábitos alimentares As cores
durante 30 anos, ou a permanência
sobre uma zona teluricamente alterada Ao estudar a luz e a cor, teremos nos
ou radioativa durante 10 anos, não aproximado do complexo m undo das
cremos que possa curar-se nem supe­ radiações e das freqüências lumines-
rar-se em alguns dias, com um simples centes, assim como de seus possíveis
passe magnético. efeitos terapêuticos.
Toda terapia, alopática ou alternati­ Poderíamos simplificar os conceitos
va, requer um esforço pessoal, uma expostos nesta obra, dizendo que as
constância e um progressivo abandono múltiplas radiações, tanto as cósmicas
dos fatores que determinaram as cau­ como as terrestres ou as de origem
sas, a curto ou longo prazo: alimenta­ artificial - campos eletromagnéticos,
ção incorreta, trabalho angustiante, ondas de rádio, televisão, etc. - pos­
dificuldade nas relações interpessoais, suem freqüências de vibração que se
estresse ou perm anência em zona combinam, criando uma vibração glo­
geopatogênica. bal específica, igualmente ao que ocor­
E certo que dada nossa preguiça re com as diferentes freqüências de luz,
natural, preferimos as soluções mila­ que se combinam formando uma cor e
grosas: a “pastilha mágica” da farmá­ um tom característicos, ou as freqüên­
cia, a ação do bisturi que corte o pro­ cias sonoras, que podem ser com bina­
blema “pela raiz” , ou dentro das tera­ das harmoniosamente criando agradá­
pias alternativas, algumas “pílulas” h o ­ veis melodias. Ao contrário, com a
meopáticas, três infusões de tal planta combinação de tons cromáticos ou
milagrosa ou o passe magnético de um musicais dissonantes, podem os p rodu­
afamado curandeiro. zir efeitos inclusive agressivos.
O que deveria m udar, se realmente M ediante a radiestesia, podem os
queremos recuperar e m anter um esta­ deduzir a resultante vibratória presente
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 217

em uma casa, em um aposento ou em bilidade pessoal ou da radiestesia esco­


um espaço específico. Essa resultante lher a cor mais harmônica e adequada
vibratória estará composta de inum erá­ ao lugar desejado.
veis freqüências vibrat órias de proce­
dências diversas, e correspondem apro­
ximadamente a um tom cromático es­ Cristais e quartzos
pecífico. Disso, podem os deduzir que
nesse espaço determ inado predomina Por certa analogia com o tema da cor,
tal cor ou tal tom cromático. Se em um empregam-se cristais de cores: quart­
aposento determ inado, cujas paredes zos, ametistas e outras pedras preciosas
são brancas, o que predomina é uma ou semipreciosas, a fim de harmonizar
vibração próxima ao vermelho, quan­ as vibrações de um lugar.
do permanecermos muitas horas nesse Por sua cor, composição e estrutura
lugar estaremos sofrendo os efeitos de molecular, cada cristal possui uma vi­
um excesso de cor vermelha. Nossos bração particular e entra em ressonân­
olhos somente percebem o branco das cia com as vibrações ou energias a seu
paredes, porém nosso organismo esta­ redor. Assim, portanto, trata-se de es­
rá “captando” o restante das freqüên­ colher a pedra, o quartzo, a ametista ou
cias vibratórias, cuja resultante corres­ o cristal da cor que harmonize com o
ponde à cor vermelha e reage em con­ lugar, ou que forneça sua luz - em
seqüência. Se a resultante vibratória termos energéticos - ao lugar desejado.
for harmônica, não haverá sentido preo­ Os egípcios já faziam amplo uso das
cupar-se, porém recordemos que toda propriedades das pedras e cristais para
polarização em uma faixa estreita é harmonizar ou neutralizar. Colocavam
desequilibradora a longo prazo. ágatas ao redor da cama para protege­
rem-se das “ más influências” ou de
Neutralização pela cor “energias nocivas” . Nas culturas ame­
ricanas, as pedras preciosas ou semipre­
Uma vez deduzido o tom cromático ciosas pressupõem um elemento m uito
dom inante, podemos recorrer a um im portante. Ainda hoje praticam-se
diagrama colorimétrico.4 Trata-se de curas com cristais de quartzo e ametistas.
uma linha reta desde essa cor, passando M uitos amuletos protetores são sim­
pelo ponto central que corresponderá à ples quartzos ou cristais (lapidados ou
luz incidente do lugar estudado. E n­ não) aos quais atribuem-se proprieda­
contrarem os então, no lado oposto da des mágicas ou sobrenaturais.
escala, a cor complementar da dom i­ Podemos adotar uma postura algo
nante. Ao pintar as superfícies de tal cética a respeito. Sobretudo diante do
espaço com a cor com plementar da cor grande aparato comercial que se ali­
dom inante,5 obteremos algo parecido menta da ingenuidade das pessoas e da
com a luz branca, que caracteriza-se tendência à busca de remédios mági­
por possuir todas as freqüências de vi­ cos, remédios universais e curas mila­
bração e não cria alterações específicas. grosas. Na maioria dos casos, só funcio­
Aqueles a quem o m étodo descrito nam pelo efeito placebo, graças à fé
resulte complexo, podem recorrer ao depositada no vendedor, no curandei­
uso de um “pantone” ,6 que seja o mais ro ou no próprio “talismã sagrado” .
amplo possível, e com a ajuda da sensi­ Em muitos desses talismãs, se procurar
218 O G R A N D E LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

bem, será provável encontrar o famoso aum ento dos níveis de consciência inte­
selo: “Made in Taiwan” . Na melhor rior, maior relaxamento e necessidade
das hipóteses, pelo menos ao fabricante de menos horas de descanso noturno,
ou ao vendedor haverá proporcionado para os usuários de pirâmides em escala
êxito e fortuna. maior.
Isso não significa que os quartzos, Porém, quem nos fala dos efeitos
ametistas, ágatas, rubis, diamantes e secundários de seu uso? Se, com o p ro ­
demais pedras preciosas ou semiprecio­ metem, exercem influência sobre as
sas não possuam qualidades específicas, energias físicas e psíquicas, será sua
reequilibradoras ou terapêuticas. C o­ utilização inócua?
nhecemos usos tão variados como o Nos estudos sistemáticos de residên­
emprego de quartzos para harmonizar cias, temos observado muitos amantes
ou desbloquear as energias do corpo, e experimentadores de pirâmides: des­
ou de ametistas para criar ambientes de pequenas maquetas utilizadas como
harmônicos ou descarregar tensões, neutralizador, a projetos de residência
colocando-as sobre as mesas em salas unifamiliar em forma piramidal, pas­
de reuniões ou despachos. Os geodos7 sando pelas pirâmides de 3m aptas para
de ametistas e as pirâmides de cristal de meditação.
rocha costumam ser colocadas também As medições efetuadas e os relatos
sobre mesinhas de cabeceira, e temos de seus usuários nos mostram o nível de
visto inclusive sobre o televisor para desconhecimento e a falta de consciên­
descarregar a eletricidade estática. Nes­ cia clara do que se está fazendo. Quase
se terreno tão pessoal, também reco­ todos fazem referência a algo lido em
mendamos informarem-se sobre as pro­ livros ou ao contado por terceiros.
priedades das pedras, seja com a leitura Poucos haviam experimentado de for­
de livros ou, melhor ainda, fazendo uso ma consciente e sistemática. Os que o
da própria sensibilidade pessoal. fizeram, reconheciam estar um pouco
confusos com os resultados díspares e
freqüentem ente contraditórios.
Entre o fogo e as brasas Em m uito poucos casos observamos
um uso correto de certas pirâmides (de
Quando alguém descobre o m undo das cartolina, cristal ou cobre), que foram
energias, acaba fascinado por seus efei­ colocadas em pontos específicos da
tos e pelas dimensões físicas e psíquicas habitação, com excelentes resultados
que engloba. Não sem razão, encontra­ de harmonização energética ou n eu ­
mos entre livros bem vendidos El poder tralização de algum fator agressivo. O
mágico de laspirâmides (O poder mági­ certo é que trata-se sempre de pessoas
co das pirâmides) e El poder de las hipersensíveis, que “sentem ” de algu­
pirâmides 2 (O poder das pirâmides). ma forma especial “as energias” , e isso
Neles, são relatados surpreendentes efei­ permite-lhes ir colocando as pirâmides
tos sobre a mente e a matéria exercidos (ou outro dispositivo corretor) no lu­
pela “energia da forma” , graças a sim­ gar preciso onde entra em ressonância
ples pirâmides em escala, feitas com harmônica, conseguindo seu esperado
cartolina: desde afiar lâminas de barbear, efeito neutralizador, que tam bém p o ­
podendo fazer um uso contínuo - 200 dem sentir ou “visualizar” sem grande
barbas com a mesma lâmina - até o dificuldade.
PRÁTICA G E O B IO L O G IA 219

Porém , quando quem manipula es­ linha H , alteração telúrica e intenso


ses elementos carece, como nos parece campo elétrico, mais campo eletromag­
ser a maioria, dessa sensibilidade espe­ nético de baixa freqüência presente em
cial e “acredita” no exposto em livros toda a residência.
ou em sua dedução lógica e analítica, Foi nesse m om ento que, quase cho­
tem muitas possibilidades de equivo- rando, a mulher contou-nos todos os
car-se. problemas psíquicos e depressivos de
Gostaríamos de relatar uma série de sua filha, as constantes dores de cabeça
casos vividos em um período m uito e enxaquecas, suas dificuldades em
curto, que ilustram o mencionado. certos períodos do ano para a concen­
Em maio de 1991, durante uma tração nos estudos, etc. A solução neste
conferência no Ateneu de Lérida, le­ caso era relativamente simples: co n ­
vantou-se a questão dos cartões de sistia em afastar a cama da parede em
neutralização,8 ao que se respondeu 50cm.
que pelas observações tanto podiam Nesse ponto da investigação, a m u­
exercer um efeito neutralizador como lher voltou a insistir nos cartões de
servir de nada. A mulher que pergunta­ neutralização, indicando-nos que d u ­
va insistia em saber se podiam ter um rante uma das crises depressivas de sua
efeito negativo sobre as pessoas que filha, eles lhe foram recomendados e
faziam uso deles em seus aposentos. colocados no quarto. Com o não os
N aquela ocasião, não sabíamos o que vimos em nenhum lugar, perguntamos
contestar, pois se bem havíamos obser­ onde estavam e, diante de nosso as­
vado, o pouco efeito neutralizador em sombro, relatou-nos uma inquietante
algumas das residências nas quais os história ocorrida alguns meses antes.
haviam em pregado, não tínhamos re­ Após a colocação dos “adesivos” , a
ferências se exerceram efeitos indesejá­ filha notou uma grande melhora, que
veis ou negativos. foi cedendo com o passar de algumas
N o dia seguinte, tivemos as primei­ sem anas para v o ltar aos estad o s
ras referências, já que a referida mulher depressivos, astênicos e de falta de von­
insistiu em que sua residência fosse tade para realizar qualquer ato, por
estudada. Encontramos uma forte alte­ insignificante que fosse, e term inar pas­
ração telúrica e elétrica no quarto do sando dia e noite estendida na cama,
casal, onde o marido havia m orrido de em um estado quase letárgico. O deses­
câncer e a mulher padecia, segundo pero da mãe foi total, sem saber a quem
suas próprias explicações, de muitos apelar. Os olhos de sua filha começa­
transtornos e dores. Estes aliviavam-se ram a tornar-se vidrados e tem eu seria­
quando ela dormia no salão num sofá, mente por sua vida.
que comprovou-se estar situado em Por uma dessas casualidades, em um
“zona neutra” . programa de televisão ouviu falar das
A senhora fez muita questão que radiações telúricas e dos campos eletro­
olhássemos o quarto de sua filha de 17 magnéticos, reconhecendo que alguns
an o s, p re s e n te no m o m e n to da dos transtornos mencionados coinci­
prospecção e que, à simples vista, não diam com os sofridos por sua filha.
apresentava sintomas de estar afetada Assim, ao encerrar o programa em que
por transtorno algum. A única zona foi recomendada a leitura do livro Vivir
alterada situava-se na cabeceira da cama; en casa sana, não hesitou em adquiri-
220 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

lo: curiosamente, era o último exem­ nicos e hidráulicos, funcionou sem pro­
plar que restava na livraria. Já em casa, blemas desde o dia em que foram colo­
abriu-o ao acaso e... Acaso? Começou cados vários cartões de neutralização
a ler a página em que trata-se dos na parede onde estava instalado.
neutralizadores e dos cartões de cor­ Não podem os descartar a priori as
reção. t entativas de harmonização. São mui­
Demasiadas coincidências! Tudo pa­ tos os casos em que são possíveis e
recia ir num mesmo sentido, sobretudo inclusive desejáveis, já que certas altera­
se levarmos em conta que sua intuição a ções parciais ou globais dificultam uma
fez suspeitar, dias atrás, dos “adesivos” vida em harmonia com alguém e com o
na parede e no teto do quarto de sua meio. Nesses casos, recorremos à gama
filha, embora não se atrevesse a removê- de métodos, sistemas e práticas, que
los para não desobedecer o terapeuta com maior ou m enor êxito têm sido
que recom endou sua colocação. empregados ao longo dos anos, em bo­
Com o num at aque de raiva, enfure­ ra sua execução resulte complexa e re­
ceu-se com os cartões, arrancando-os e queira uma grande dose de discerni­
tirando-os do quarto. m ento, assim como uma comprovação
Talvez tudo tenha sido casual nesse periódica por parte das pessoas “sensí­
relato, porém o certo é que nessa mes­ veis” , assegurando-nos de que aquilo
ma tarde a filha começou a recuperar- funciona corretamente e de que a ener­
se, seus olhos recuperaram o brilho e a gia presente é positiva para todos.
partir desse m om ento e segundo ela O que tampouco podemos fazer é
“graças a umas ervas que to m o u ” , sua confiar tanto no sistema de neutralização
apatia e astenia desapareceram e voltou que, podendo deslocar a cama ou lugar
a uma atividade normal. de trabalho a uma zona mais neutra ou
Ignoram os em que medida essa his­ favorável, a mantenhamos num lugar
tória pode servir de exemplo, porém alterado, confiando que o sistema de
preocupa-nos a “manipulação” cons­ neutralização nos protegerá por com ­
ciente ou inconsciente de algumas ener­ pleto. A busca do “ bom sítio” deve
gias, das quais desconhecemos quase centrar toda nossa atenção e energias.
tudo e chegamos apenas a percebê-las. Neutralizar será o complemento ideal,
Seria injusto de nossa parte des­ porém complemento, definitivamente.
considerar esse sistema de neutralização, O simples fato de desconectar um
assim com o a quem o recomenda ou radiorrelógio da cabeceira da cama e
emprega. Temos comprovado alguns aterrar corretam ente a instalação elétri­
casos efetivos. Inclusive em certa oca­ ca da casa podem ser considerados sis­
sião, surpreendeu-nos que um radia­ t emas de neutralização, com o são tam ­
dor de calefação por água quente, que bém a eliminação de uma pintura tóxi­
durante anos negou-se a funcionar ape­ ca ou alérgica, ou o isolamento do
sar de todas as tentativas e ajustes t éc­ ruído na casa.
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 221

1 A rquipunture, Sede, França.


2 Recentes estatísticas realizadas na antiga
U nião Soviética têm estabelecido a relação entre
as doses de cobre ingeridas na alimentação com
a estatura e os problem as ósseos. Ao analisar a
quantidade de cobre na dieta de 6.000 jovens de
diferentes zonas das repúblicas, pode-se com ­
provar que os que ingeriam maior quantidade
de cobre eram mais altos com o regra geral e
padeciam de menos transtornos ósseos do que
aqueles cuja ingestão de cobre na dieta era
menor. N o uso de pulseiras de cobre, produziu-
se um a absorção do mesmo por osmose, através
da pele, devido à sulfatização do metal (manchas
azuis).
3 Expressão francesa que serve para designar
um artefato vendido ou oferecido a preços “in ­
teressantes”, porém definitivamente caríssimos,
que esconde algum engano ou abusa da boa-fé
ou da ignorância do comprador.
4 Diagramas em pregados pelos especialistas
da cor, para identificar os tons cromáticos e as
longitudes de onda das cores.
5 D om inante tão som ente a efeitos ener­
géticos.
6 Amplíssimo mostruário de cores e seus
diversos tons.
7 G eodo é um conjunto de cristais dispostos
sobre um a base côncava natural.
8 Sistema de neutralização que faz uso de
cartões em forma de adesivo, com posto por
vários círculos concêntricos e várias formas geo­
métricas em seu interior; derivam dos cartões de
radiônica.
222 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

CAPÍTULO 17 de elétrica e eletrônica - eletrodom és­


ticos, alarmes, sensores, m onitores de
A RESIDÊNCIA SAUDÁVEL: segurança, etc. - se, devido a eles,
ARQUITETURA E duplicam-se as possibilidades de pade­
BIOEDIFICAÇÃO cer de leucemia ou de um tum or cere­
bral?
Entramos em uma lógica irracional,
onde aquilo que deveria oferecer-nos
Após a leitura dos capítulos p receden­ conforto e segurança parece mais peri­
tes, é óbvia a pergunta se podemos goso que os benefícios prometidos.
dispor de uma residência sadia em to ­ A casa ou moradia é algo mais que
dos os aspectos abordados nesta obra. uma estrutura inerte, concebida com
Somos conscientes de que trata-se de fins puram ente funcionais e com m ate­
uma questão complexa, que depende­ riais dos quais tão somente se exige
rá, antes de tudo, do ponto do qual bom preço, resistência ou durabilida­
partimos: uma residência já construída, de. Nos países germânicos nasceu a
um edifício que requeira reformas, um baulnologie - biologia da construção -
terreno onde se vai construir, etc. como conseqüência dos problemas as­
Seja qual for nossa situação, inclusive sociados ao abuso de concreto armado
se somente queremos nos certificar da e materiais sintéticos, ligados a uma
salubridade ou nocividade do edifício arquitetura fria, impessoal e im pregna­
que habitamos, será preciso concretizar da de uma assepsia que afasta-nos dos
os pontos ou parâmetros em que se processos biológicos naturais.
baseia o conceito de bioedificação. Nome A biologia da construção integra as
que, em certas ocasiões, substitui-se por técnicas e os avanços científicos mais
bioconstrução, bioarquitetura ou do- recentes, com uma concepção global e
mologia. Em qualquer caso, surge-nos a ecológica da relação entre as moradias
necessidade de desenhar e construir re­ e as pessoas que as ocupam. A residên­
sidências, sejam essas unifamiliares ou cia forma parte integrante do ecos­
simples apartamentos em um bloco de sistema planetário e é, em si mesma,
andares que obedeçam critérios de saú­ consumidora de energia, materiais, ar e
de e harmonia para seus moradores. água, devolvendo ao entorno dejet os e
Não podem os abordar um edifício, resíduos que podem ser altam ente
seja qual for sua função, somente pelos contaminantes se não adotarmos uma
aspectos puram ente técnicos ou estéti­ atitude racional, tanto na economia de
cos. A finalidade última de qualquer energia como no abandono progressi­
construção é abrigar alguns moradores vo do uso maciço de produtos sintéti­
que necessitam sentir-se à vontade e cos e tóxicos. A reciclagem da água e
desfrutar de uma perfeita saúde. Que dos dejetos domésticos deverá ter-se
sentido tem viver num a casa bem isola­ sempre m uito presente. A atitude eco­
da do frio ou protegida contra incên­ lógica não é somente moda; a sobrevi­
dios, se empregamos em sua constru­ vência de nossa sociedade e o futuro
ção materiais reconhecidos com o alta­ das próximas gerações dependem de
mente cancerígenos? nossos atos presentes.
Que vantagens reais proporciona uma A casa poderia ser com parada a um
moradia com uma grande complexida­ organism o vivo e suas funções e ma-
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 223

D IFEREN TES ASPECTOS LEVADOS EM C O N T A PELA E C O B IO C O N ST R U Ç Ã O

Paisagem

de construção

Isolamento Tintas
térm ico e Vernizes
acústico T ratam ento da madeira

Qualidade Instalação elétrica


do ar Calefação
Economia de enci

terreno

teriais, aos órgãos e à pele. As paredes plásticas de vapor, etc. N ão é de estra­


da casa seriam nossa te rceira pele; a nhar que sintam o-nos asfixiados em
segunda, nossa roupa. As três peles nossas “perfeitas” moradias.
cum prem funções essenciais para a O correto e constante intercâmbio
vida: protegem -nos das inclemências entre o interior e o exterior necessita de
atm osféricas - frio, chuva, calor... - , uma pele porosa, que mantenha um
isolam, respiram , absorvem , evapo­ clima biológico e sadio.
ram , regulam e com unicam . N ão cre­ O term o ecobioconstrução entra em
m os q ue alguém fosse capaz de vigor ao delinearmos sistemas constru­
plastificar as mãos, p reten d en d o que tivos coerentes com as exigências atu­
desse m odo sujassem m enos, fossem ais, sem renunciar ao progresso cons­
mais fáceis de serem lavadas ou resis­ tante, porém sem perder de vista, em
tissem m elhor a golpes. T odos sen ti­ nenhum m om ento, que o objetivo fi­
mos a sensação asfixiante de luvas de nal é a saúde e o bem-estar global dos
borracha ou de plástico; em troca, que farão uso de tais moradias.
acabamos levando peças plásticas que A ecobioconstrução ou moradia sau­
im pedem a corret a transpiração e uma dável terá bem presentes os seguint es
boa regulagem t érmica. D o mesm o pontos:
m odo, destruím os as capacidades re­
guladoras e de t ranspiração de nossa 1. Escolha da localização e avaliação
terceira pele - as paredes; plast i­ meio ambiental.
ficando-as com pinturas sintéticas, 2. Correta orientação e aproveita­
isolantes de poros fechados, barreiras m ento das energias passivas.
224 O G R A N D E LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

Q uando não nos fo r possível construir totalmente sobre zona neutra, podemos reduzir a incidência
negativa das alterações telúricas, com um a distribuição tal do edifício que as zonas alteradas
correspondam-se com os lugares de passagem ou os espaços de pouca permanência.

3. Formas harmônicas e integradas Escolha da localização e avaliação


com a paisagem ou a arquitetura local. meio ambiental
4. Materiais de construção saudáveis,
não tóxicos nem radioativos. Na hora de escolher um terreno para
5. Sistemas construtivos. construir ou um edifício já term inado,
6 . Conforto térmico: calefação, re­ seja ele antigo ou m oderno, deveremos
frigeração e isolamento. ter bem presente uma série de pontos e
7. Conforto acústico. conceitos, que podem determ inar a
8 . Harm onia de cores e decoração adequação ou inadequação do edifício.
(luz e cor).
9. Instalação elétrica. a) Situação meio ambiental. E evi­
10. Qualidade do ar. dente que evitaremos todo lugar próxi­
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 225

mo a indústrias poluidoras, vertedouros, queixemos. Embora seja óbvio que toda


ruas ruidosas, estradas com muito trá­ campanha ou luta antipoluição será sem­
fego, linhas férreas ou aeroportos. A pre positiva para a sociedade.
presença de vegetação abundante, se­ Evidentemente, a partir do m om en­
jam bosques, parques ou jardins, é um to em que são recusadas as moradias
elemento de bem-estar inegável, que mal situadas am bientalmente, na maio­
procuraremos a todo custo, inclusive ria dos casos fruto da especulação urba­
prom ovendo iniciativas de refloresta- nística, os prom otores e construtores
m ento ou implantação de parques e redefinirão os parâmetros na hora de
zonas ajardinadas. edificar, sobretudo quando observa­
b) Contam inação eletromagnética. rem que suas residências desvalorizam-
As redes de alta tensão, os transforma­ se ou não conseguem vendê-las em
dores e as linhas de distribuição elétrica conseqüência das causas mencionadas
próximas à casa podem ser fonte de (proximidade à rede de alta tensão,
perturbações e contaminação eletro­ fábricas poluidoras, zonas ruidosas,
magnética indesejáveis. etc.).
c) N om enclatura. Fora o aspecto Não seria demais viver uma tem po­
meio ambiental clássico, podemos ain­ rada - antes de decidir-se pela compra
da orientar-nos pelo nom e da região, ou edificação - no bairro ou zona esco­
do bairro ou da zona. Nomes como lhida, seja alugando um apartamento
Mal Passo, Rincão das Bruxas, etc., não por certo período ou se tratar-se de um
serão demasiado atraentes. Enquanto amplo terreno, acampando alguns me­
que Boa Vista, Vale Alegre e outros ses in situ. E conveniente dialogar com
similares já estão oferecendo-nos infor­ os vizinhos e moradores da zona, o b ­
mações positivas do lugar. servar seu estado de saúde geral, tanto
d) C osm otelurism o. As radiações física como psíquica, etc.
telúricas, as anomalias geológicas ou A escolha de uma residência tem
zonas freáticas serão consideradas ao grande importância na vida de qual­
escolher um terreno. Neste ponto, o quer pessoa e, a menos que seja presen­
ideal será um especialista examinar o teada ou herdada, na maioria dos casos
terreno ou a residência e realizar um representa um grande desembolso eco­
estudo geobiológico ou, em todo caso, nôm ico, inclusive por hipotecas de
geoflsico, que tire nossas dúvidas. Não muitos anos, para que logo não possa
podem os arriscar nossa saúde e a de desfrutá-la por problemas de saúde.
nossos familiares, somente por despre­ Um estudo geobiológico do terreno
zar conhecimentos e avaliações que in­ ou da moradia que desejamos adquirir
clusive economicamente são insignifi­ nos livrará de dúvidas e, inclusive, auxi­
cantes ao lado do que nos custa o piso liará na escolha dos materiais adequa­
ou a carpintaria de nossa casa. dos, a orientação correta ou a boa
distribuição dos espaços. N o caso de
Se escolhemos uma moradia situada existirem zonas de alteração telúrica,
sobre um a rede de alta tensão, próxima estas serão ocupadas pelos espaços de
a indústrias que poluem o ar ou a um pouco uso: corredores, sanitários, etc.,
aeroporto - contaminação eletromag­ aproveitando as zonas neutras e saudá­
nética, ambiental e sonora, respectiva­ veis energeticamente com o salas de
mente - , não tem sentido que logo nos estar e dormitórios.
226 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

A s plantas e grupos de árvores, colocados nos locais adequados, podem desviar as correntes de a r frio.
Porém, podem também bloquear as correntes de ar ou conduzi-las pelos canais desejados.

Talvez neste ponto o mais difícil seja insolação, direção predom inante dos
a escolha do especialista ou grupo espe­ ventos, vegetação... Em suma, trata-se
cializado. Deveremos exigir sempre de aproveitar a própria natureza para
garantias de seriedade e profissio­ que as diferenças térmicas no interior
nalismo. A menos que decidamos nos de um edifício, ao longo de to d o o ano,
especializar através da ampla literatura resultem mínimas, independentem en­
existente ou assistindo a cursos ou se­ te de no exterior as diferenças serem
minários, dos que regularmente reali­ bastante notadas.
zam-se em toda a Espanha. N a Espanha, tem os exem plos p rá­
ticos de a rq u ite tu ra bioclim ática,
com o a aula-laboratório do centro
Correta orientação e aproveita­ educativo do m eio am biente Los
m ento das energias passivas M olinos, em Crevillente (A licante),
onde m antém -se um a tem p eratu ra
A correta orientação de um edifício estável em seu interior de 23°C d u ­
cum pre múltiplas funções, com o o rante to d o o ano, sem aporte en erg é­
aproveitam ento da radiação solar, a tico externo: m uros coletores, massas
proteção do frio e dos ventos d o m i­ térm icas, espelhos refletores e siste­
nantes, a econom ia energética e o mas de circulação do ar in telig en te­
m aior conforto térm ico e lum inoso, m en te d istrib u íd o s e d esen h ad o s
sem gastos adicionais. M elhor, to d a ­ aproveitam a radiação solar e as co r­
via, se puderem ser reduzidos ao m í­ rentes de ar para m anter essa estabili­
nim o e inclusive a zero os gastos com dade. Ampliaremos os dados sobre
calefação ou refrigeração, segundo as arquitetura bioclim ática ao abordar o
estações ou o lugar geográfico, se as p o n to dedicado ao conforto térm ico.
inovações da arquitetura bioclimática A orientação cardinal, com as facha­
forem levadas em conta. das principais e janelas ao sul e os
A arquitetura bioclimática busca a espaços fechados ou de serviços ao
racionalidade na construção e baseia-se norte, será uma das mais inteligentes
no aproveitam ento das condições em climas frios e temperados. Algumas
ambientais do entorno: a temperatura aletas sobre as janelas, cuja inclinação
média nas distintas épocas do ano, a esteja bem estudada, nos protegerão da
PRÁTIC A G E O B IO L O G IA 227

SISTEMA CLIM Á TIC O PASSIVO

chaminé
térmica fechada

solar espelho
.12

deposito
M ediante a otimização da localização, é possível
o aproveitamento das radiações solares no verão e
no inverno.

radiação solar forte do verão, quando o


sol orbita mais alto. Ao mesmo tem po M étodo de ealefação
em que poderemos aproveitar a gratifi- A lguns espelhos colocados desde o teto refletem os
cante radiação e a luz que penetram raios solares sobre as paredes interiores e ^lum
pelas janelas no inverno, já que, dada depósito que arm azena a energia solar.
sua baixa inclinação no horizonte, as
aletas não lhes impediria a entrada.

Formas harmônicas e integradas


com a paisagem ou a
arquitetura local

As formas na arquitetura obedecem a


múltiplos conceitos, difíceis de serem
avaliados globalmente. Com os materi­
ais atuais - blocos de concreto e estru­
turas de cimento armado - , as formas
cúbicas, retilíneas e quadradas são mais
fáceis de serem obtidas, sem grande
desembolso. Isso está im pondo uma
mediocridade arquitetônica, que se pre­
tende compensar com desenhos atrevi­
dos e exagerados, onde ângulos, ares­
tas, triângulos e cores berrantes mes­ M étodo de refrigeração
clam-se em um alarde de habilidade e A chaminé térmica reaquece o ar, coloca-o para
agressividade que, na maioria das vezes, fora e cria um vazio que é ocupado pelo a r fresco
obriga-nos a desviar os olhos para não que sobe até ela, conseguindo um a ventilação
nos sentirmos agredidos. transversal e refrescando a casa.
228 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

N aturalm ente, um arquiteto que se lógica. Não só do ponto de vista da


preze e queira que seu nome seja m en­ saúde pessoal, senão desde a visão da
cionado no grande m undo de sua pro ­ saúde meio ambiental.
fissão, deverá fazer coisas diferentes e Primeiro, devemos exigir dos m ate­
chamativas; não pode ficar copiando riais que sejam sadios, que careçam de
edifícios tradicionais, por m uito que toxidade (declarada ou suspeita) ou de
estes tenham dem onstrado sua valida­ radioatividade (conhecida ou latente).
de através dos séculos. Um edifício Existem estudos de caráter internacio­
com teto de telhas pendentes a quatro nal onde se avaliam os parâm etros de
ou duas águas, e onde os materiais toxicidade para certos materiais e os
nobres - pedra e madeira - ocupam um gases ou substâncias químicas ou tóxi­
lugar privilegiado, nos são quase sem­ cas que deles podem desprender-se;
pre agradáveis e não nos cansamos de são os TLV, que a cada ano com plemen­
olhá-los ou admirá-los. Por m uito que tam-se com novas análises e o resultado
os romanos e os árabes empregaram de múltiplos estudos ou pesquisas. Na
essa arquitetura, nunca nos cansaremos Espanha, a Com unidade Valenciana os
dela. N aturalm ente, o arquiteto que têm editados, traduzidos ao castelhano
desenhe uma nova planta de edifício e podem ser um bom elem ento de
com essas características, nunca conse­ consulta, adaptando-os às circunstân­
guirá tanto renome como se desenhas­ cias nacionais. A legislação nacional
se e construísse um edifício m onstruo­ encontra-se defasada e, em muitos ca­
so, com janelas que nos recordem as de sos, remete-se à legislação com unitá­
um bunker, retilíneo e cinza, que dará ria, mais atualizada. Dos TLV já fize­
m uito o que falar - para bem ou para mos menção no capítulo dedicado à
mal; porém é disso que se trata, de que contaminação do ar.
suscit e curiosidade. O utro parâmetro que convém avaliar
Cremos que sair da mediocridade é que sua fabricação nao pressuponha
está mais próximo da tentativa de inte­ um espólio ecológico, nem produza
grar a arquitetura com a paisagem e o grandes níveis de poluição ambiental.
meio ambiente circundante, oferecen­ Na medida do possível, faremos uso de
do soluções de acordo com as necessi­ materiais reciclados ou recicláveis, que
dades modernas, sem renunciar a uma não pressuponham um espólio dos pre­
estética harmônica e coerente, sobre­ cários ecossistemas atuais. Procurare­
tudo “não-agressiva” . Neste ponto, a mos escolher materiais cuja procedên­
máxima dos construtores chineses tal­ cia seja a mais próxima possível de
vez seja a mais acertada: “Busque uma nossa residência, evitando custos e con­
boa localização para tua construção e taminação por um transporte desne­
não ofendas a natureza com tua cria­ cessário.
ção” . Os materiais ferromagnéticos po­
dem ocasionar alterações do campo
magnético natural terrestre. Prestare­
Materiais de construção saudáveis, mos especial atenção a isso e procurare­
não-tóxicos nem radioativos mos não incorrer em abusos.
A permeabilidade das microondas
Ecobioconstrução significa, antes de cósmicas e terrestres será levada em
tudo, respeito à natureza e atitude eco­ conta, assim com o tam bém evitaremos
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 229

C O N SU M O D E EN ERG IA PARA A FABRICAÇÃO D E MATERIAIS D E C O N STR U Ç Ã O

Consum o de energia para a produção de materiais


de construção (segundo Prof. Schneider)

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Quantidades de material que podem ser fabricadas com 1.000 kW de energia térmica (segundo Bogusch)

12 kg de alumínio 250 kg de plástico


40 kg de cobre 400 kg de cimento
60 kg de aço 500 kg de ladrilho cerâmico
80 kg de ferro 1.200 kg de serragem

Análise do consum o de energia para a construção de um novo salão de armazém de 2.200 m2 de


superfície na planta, em equivalentes a litros de petróleo (segundo Bogusch)

E strutura de madeira (cercas de madeira colada) 35.000 litros


Estrutura de aço 74.700 litros
Pré-fabricados de concreto 95.400 litros
Bastidores de aço com revestimento de alumínio 114.500 litros

Os materiais de construção naturais, como a madeira, são ótimos do ponto de vista eco-harmônico. A
madeira de construção, até sua disponibilidade para uso, consome a terça parte de energia que o ladrilho
cerâmico, a quarta parte que o cimento, a sexta parte que os plásticos sintéticos, a 20a parte que oferro
e 120 vezes menos que o alumínio.

os efeitos condensadores nocivos de elétrico, nosso organismo o acusará


laminados metálicos sem aterramento com desajustes energéticos, traduzí-
(lâminas de alumínio nos painéis iso- veis em maior tensão ou em grande
lantes, etc.). desvitalização, que nos submergirão
Deveremos evitar to d o material que num estresse constante. Toda estrutu­
provoque cargas eletrostáticas, em iso- ra e armação metálicas serão correta­
lantes, paredes, rebocos ou tapeçarias. mente aterradas, com sua adequada
O equilíbrio elétrico na moradia deverá medição de resistência ôhmica. Por
ajustar-se ao máximo ao equilíbrio elé­ desgraça, mais da metade das moradias
trico ambiental: 120 a 300 V /m . Para estudadas por nosso Centro carecem
cima ou para baixo desse potencial de aterram ento elétrico, são insuficien­
230 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

tes ou estão mal conectados, apesar de M adeira . P roteger e proteger - se


que toda a legislação nesse aspecto é
clara e concisa. (Voltaremos a tratar A madeira, em todas as suas apresenta­
esse ponto ao referirmo-nos à instala­ ções e sempre que estiver isenta de
ção elétrica.) produtos de tratam entos tóxicos -
Será interessante que todos os m a­ pentaclorofenol, lindano ou formal-
teriais tenham boas aptidões higros- deído em alguns aglomerados - , é muito
cópicas, sem serem de poros fechados biótica e cria ambientes agradáveis e
ou impermeáveis ao vapor. As pa­ acolhedores. Oferece, assim mesmo,
redes devem respirar não som ente qualidades neutralizadoras quando é
para evitar condensações, mas ta m ­ tratada com ceras naturais e essências
bém a rarefação do ar nos espaços de plantas.
pouco ventilados. Na Espanha, as construções em ma­
Isso se associa com os níveis de deira não são tão freqüentes como nos
radioatividade dos materiais, que em países mais setentrionais da Europa, por
nenhum caso deverão acum ular mais isso talvez os espanhóis não tenham so­
de 0 ,0007 becqueréis por m 3 de ar, frido a síndrome do pentaclorofenol, ou
ou em itir mais de 180 m R /a n o . T am ­ PCP, substância fungicida amplamente
pouco devem desprender o tem ido usada nos produtos de proteção à madei­
gás radônio, cujas conseqüências so­ ra, j unto ao lindano - inseticida - e outras
bre o câncer de pulm ão já considera­ substâncias como dioxinas ou arsênicos,
mos no capítulo sobre radioativida­ todos produtos altamente tóxicos.
de. C uidado com certos tipos de ci­ Para que os fungos possam atacar a
m ento e seus aditivos, assim com o madeira, é necessário que esta possua
com alguns granitos e ardósias! O mais de 2 0 % de umidade, coisa que
ideal será analisar com um bom m edi­ nunca ocorre no interior das moradias,
dor de radioatividade os níveis de onde não supera os 10%. Inclusive no
emissão dos diferentes m ateriais de exterior, se estiver bem colocada e p ro ­
construção. Por exem plo, diante de tegida, não passa, ainda que em condi­
três pequenas lajes cerâm icas de ções desfavoráveis, dos 18%.
arenito, aparentem ente iguais, p o ­
rém de marcas e procedências distin­ Tratamento e revestimento
tas, uma pode em itir uma radiação
próxim a à am biental (120 rd) e outra H á que se distinguir entre produtos de
duplicá-la (240 rd). N aturalm ente, tratam ento e proteção profunda e os
escolherem os sempre a m enos radio­ simples vernizes de revestimento, os
ativa. quais não apresentam grandes perigos
Muitas das substâncias tóxicas pre­ tóxicos, exceto no m om ento da aplica­
sentes nos materiais de construção - ção, quando tomaremos a precaução
pinturas, aglomerados, etc. - podem ser de ventilar o local. O óleo de linhaça
detectadas mesmo com o próprio olfato resulta em um excelente produto, que
- odores penetrantes ou desagradáveis, protege e embeleza a madeira e é total­
enquanto outras estão mais camufladas mente natural.
e seria desejável um informe das subs­ Os tratam entos de proteção da ma­
tâncias empregadas na sua composição, deira devem ser feitos em profundida­
facilitado pelo próprio fabricante. de; do contrário, tornam-se ineficazes
PRÁTICA G E O BIO LÓ G IC A 231

(os produtos com erciais correntem en­


te vendidos são m uito superficiais).
Esses t rat amentos são realizados por
empresas madeireiras, à vácuo e alta
pressão. Empregam-se produtos à base
de silicofluoretos, sais de boro, sais de
cobre, arseniatos e sais de cromo.
Desses, somente os sais de boro não 1,3
apresentam nenhum a toxicidade para
o ser hum ano. Nos países anglo-saxões,
utilizam-se quase que exclusivamente
os derivados desse produto - com pará­
vel ao sal de cozinha - , e é de grande
eficácia contra fungos e insetos.
C om o tratam ento eficaz, saudável e
ecológico, que se está empregando com
êxito na Alemanha, encontramos o uso
do ar quente, já que tanto os fungos
quanto os inset os necessit am de um
mínimo de umidade para seu desenvol­ 0,86
vimento.
Creio que todos estamos de acordo
que uma casa de madeira é m uito mais
saudável, acolhedora e agradável -
chamemo-la de biótica - que outra de
concreto ou materiais sintéticos, frios
ou impessoais. Além disso, a madeira
tem a peculiaridade de filtrar certas
radiações e de permitir a respiração da
moradia. E quente e relaxante.
Convém prestar a maior atenção em
com o a tratamos e protegemos, pois K = 0 ,6 5
pode perder seus aspectos bióticos (for­
necedores de vida) para converter-se
num veneno que nos intoxique e des­
trua pouco a pouco. Os blocos de argila cozida, com câmaras de ar e
diferentes espessuras, são um excelente m aterial de
construção, com ótimas qualidades biológicas e
desenhados para evitar os pontos térmicos, com o
A r g il a que consegue-se um excelente isolamento.

Trata-se de um dos melhores materiais


de construção de que podem os dispor quando a cocção não seja a grandes
amplamente, tanto em suas versões de temperaturas, que cristalizam a argila e
terra batida, adobe ou taipa, onde se faz reduzem suas propriedades de material
uso em seu estado natural, como em que permite a respiração das paredes,
forma de ladrilhos cozidos sempre e tornando-a mais radioativa.
232 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

Entre os ladrilhos cerâmicos, deve­ cem maior índice de isolamento térmico


mos destacar os blocos com várias câ­ e sonoro, ao mesmo tempo em que ali­
maras de ar, do tipo dos fabricados por viam as cargas da estrutura e permitem a
O rtibran (ver figuras), que permitem boa respiração de paredes e tetos.
grande economia em sua colocação, O cimento branco é menos tóxico
cum prindo as diferentes normas de re­ que o cinza (chamado portland) e não
sistência, permeabilidade e isolamento é radioativo. Existem no mercado mar­
térmico. cas de cimento branco com as mesmas
p ro p ried a d es de resistên cia e de
concretagem que os cimentos cinza;
O GESSO NATURAL E A CAL seu único inconveniente é o preço mais
elevado.
São materiais de uso milenar, que pro­
varam sua efetividade, possuem m últi­
plas aplicações e oferecem um alto nível M ateriais isolantes
de salubridade. Atualmente existem
substitutos sintéticos e artificiais, pro­ Iremos abordá-los em detalhes ao estu­
dutos de resíduos industriais e proces­ darmos o isolamento, porém aqui des­
sos químicos que os tornam pouco creveremos suas qualidades e salubri­
recomendáveis, quando não tóxicos ou dade.
radioativos. Desaconselhados:

a) A s espumas de poliuretano, for-


C oncreto e bioconcreto mofenólicas ou à base de policloreto de
vinil, são incompatíveis com a bio­
O concreto é um dos materiais mais construção, por suas composições quí­
controvertidos em bioconstrução, de­ micas e pelo fato de serem isolantes de
vido em parte à toxicidade de algumas poro fechado que impedem a respira­
das substâncias que se desprendem da ção das paredes.
concretagem e aos altos níveis de radioa­ b) Ld de vidro ou fibra de vidro. Sua
tividade que emite quando se em pre­ pouca permeabilidade às microondas e
gam cascalhos e areias cristalinas radiações benéficas, assim como o acú­
(quartzíferas e siliciosas). mulo de eletricidade estática, não a
A adição da cal reduz a toxicidade, tornam m uito recomendável; além dis­
porém não pode ser empregada no so, está comprovado que seu uso em
concreto armado, já que a cal oxida o dutos de ar e em painéis não fechados
ferro, com prom etendo a solidez da hermeticamente dispersa grande n ú ­
estrutura. mero de finas partículas de vidro, que
O nível de radioatividade do concre­ ao serem respiradas depositam-se nos
to reduz-se ao mínimo quando são alvéolos pulm onares, criando sérios
empregadas areias e cascalhos calcários. transtornos respiratórios.
Os concretos leves, nos quais empre­ Suas qualidades hidrófilas, que fa­
gam-se a arlita (argila expandida), perlita zem com que a água e a umidade as
(feldspato expandido), cortiça ou blo- afetem, perdendo parte de seu poder
quetes prensados de madeira, são muito isolante, são inconvenientes a serem
interessantes em bioconstrução. Ofere­ acrescidos.
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 233

c) O poliestireno expandido, plástico resinosas. A limitação é sua espessura


alveolar, cham ado vulgarm ente de (3cm), que só permite um uso com ple­
isopor, endurece-se com o tem po, é mentar. Interessante por suas boas qua­
atacado pelos roedores e acumula ele­ lidades de absorção acústica.
tricidade estática. Não é tóxico. d) O Isochanvre4 é um material iso­
lante relativamente novo, à base de
fibra de cânhamo, ininílamável por um
M ateriais compatíveis ( com reservas) processo de mineralização, que pode
ser empregado na construção de pare­
A lã de rocha, fabricada por um proces­ des, muros ou tetos de concreto leve,
so de fundição e fiação de rochas vulcâ­ acrescentando-se cal e cimento, ou uti­
nicas, possui boa aptidão mecânica e lizado como material fibroso de isola­
pode ser usada como isolante, tanto m ento de divisórias ou câmaras de ar.
térm ico como sonoro. Tem qualidades parecidas com as fibras
E pouco hidrófila e a água não a e feltros de madeira; a diferença está na
afeta. E totalm ente incom bustível, vibração especial que lhe confere o câ­
com o a fibra de vidro, porém de uso nhamo, que possibilita casas e am bien­
mais saudável, embora seu preço seja tes energeticamente favoráveis. Além
superior. O fato de não ser m uito per­ de suas boas qualidades como isolante
meável às microondas e radiações be­ térmico e acústico.
néficas limita seu uso a espessuras que e) A cortiça aglomerada é um p ro ­
não superem os lOcm. duto natural abundante na Espanha.
Em seu processo de fabricação não são
adicionadas substâncias químicas, pois
M ateriais isolantes compatíveis é expandida por vapor e aglomerada
com suas próprias resinas. E pouco
a) A rlita 2, perlita e vermiculita3 são hidrófila e de excelentes préstimos como
minerais expandidos por calor, que lhes isolante térmico e acústico. Tam bém é
confere qualidades excepcionais como permeável às radiações benéficas. Terá
materiais isolantes, tanto térmicos como que ser protegida dos roedores. Pode-
acústicos. Podem ser empregados como se obter cortiça à granel para enchi­
enchim ento de câmaras de ar, como mento dos espaços sobre parquetes de
aglomerados de bioconcreto ou em madeira, câmaras de ar e para elabora­
paredes. Por tratar-se de minerais, não ção de concretos leves, mesclada com
são atacados por microorganismos, in­ cimento e cal.
setos ou roedores. f) Papel reciclado expandido e inin-
b) O fibragglo (heraklite) são fibras flamável com bórax. Pode-se consegui-
de madeiras resinosas envoltas em ci­ lo em toda a Europa. Seu poder isolante
m ento, ou uma mescla de cimento e é altíssimo e suas boas vibrações tor-
gesso. Tem boas ações mecânicas e não nam -no um material interessante, além
é hidrófilo. Não é atacado por roedores de tratar-se de um material reciclado e
e possui boa permeabilidade às radia­ ecológico. E empregado injetando-o à
ções benéficas. granel nas câmaras de ar e nos falsos
c) O feltro de madeira (Par-terre). tetos.
Trata-se de painéis rígidos, resultado g) Bloqueteprensado de madeira seca,
do afeltramento e secagem de madeiras muito isolante, emprega-se sobretudo
234 O GRANDE LIVRO D A C AS A SAUDÁVEL

em tetos e cobert uras. Convém torná- ricidas no interior da moradia, com o


lo ininflamável com um produto à base conseqüente efeito purificador, nada
de boro e o preparado Biofa 2.030. desprezível.
h ) O barro. Por si mesmo, não é um Existem numerosos materiais isolan­
bom isolante, embora em muros com tes naturais e biológicos ao alcance de
espessura superior a 50cm consegue-se nossas possibilidades, que merecem um
uma resistência que lhe confere proprie­ estudo de viabilidade, características
dades isolantes. A palha adicionada na técnicas e aplicações. Assim, as espatas
argamassa de barro é um bom isolante. de milho, as cascas do arroz e outros
i) A palha, por si só, tem sido e materiais orgânicos são de fácil aquisi­
continua sendo am plam ente usada ção e são múltiplos os seus usos em
como isolante, principalmente em t e­ bioedificação ou ecobioconstrução,
tos de casas tradicionais. Requer expe­ onde o reciclável deve ocupar um capí­
riência. tu lo im p o rtan te. Os criadores do
j ) O vidro e o cristal. Materiais natu­ Isochanvre - isocânhamo - desenvolve­
rais de múltiplas propriedades e aplica­ ram uma técnica eficaz para mineralizar
ções são hoje em dia amplamente usa­ e tornar ininflamável qualquer produto
dos nos grandes edifícios de aparta­ orgânico, abrindo novas vias de apro­
mentos, escritórios e serviços. veitamento dos subprodutos agrícolas.
A ampla variedade de aplicações da
oferta atual, converte-os em materiais
muito interessantes. P edra
Desde os muros “de anteparo” -
compactos, de grande inércia térmica, Material nobre por excelência, seu uso
envidraçados na face sul das moradias e está sendo incrementado nos últimos
que exercem o efeito de acumulador e anos, tanto por razões técnicas como
regulador térmico - até o emprego de estéticas. Uma fachada de pedras, ainda
cristais coloridos para criar ambientes que cara, é bonita e dispensa pinturas.
específicos ou de uso em cromoterapia, Um piso de granito ou mármore é resis­
as possibilidades são m uito amplas. tente e elegante. Seu único inconveni­
O cristal duplo ou triplo nas janelas ente (fora o custo) talvez esteja no âm­
está se im pondo como isolante térmico bito do atentado ecológico, que supõe
e sonoro; inclusive existem cristais com muitos canteiros superexplorados, onde
lâminas reflexivas, que absorvem radia­ não se realizam paralelamente trabalhos
ção calórica e impedem sua fuga. Será de re flo re sta m e n to ou m elh o ras
im portante não esquecer que a maioria ambientais nos locais explorados. Certas
dos cristais possuem grandes quantida­ pedras calcárias possuem, inclusive, pro­
des de chum bo em sua composição, o priedades neutralizadoras de radiações
que lhes confere a aptidão de filtro a telúricas de pouca intensidade.
certas radiações - ultravioleta, sobretu­ Escolheremos, de preferência, a pe­
do - que devem ser levadas em conta, dra calcária, por ser mais saudável e
pois em bora recomende-se essa redu­ menos radioativa que a maioria dos
ção de radiação ultravioleta pelo efeito granitos e outras pedras mais cristalinas.
daninho que tem sobre móveis, tapeça­ Os terraços ou ladrilhados cons­
rias, pinturas e vernizes, os ultravioletas truídos com pedras de diferentes colo­
também possuem qualidades bacte- rações e qualidades, aglomerados com
PRÁTICA G E O B IO L O G IA 235

concretados de cimento, podem ofere­ plantas como o cânhamo, a noz e o


cer índices de radioatividade inferiores linho (óleo de linhaça) ofereciam exce­
à maioria dos pisos de arenito cristali­ lentes propriedades secantes e endu-
no, motivo pelo qual os consideramos recedoras. A essência de terebintina,
mais recomendáveis (com exceções que extraída de resinas de coníferas, servia
convêm serem estudadas). como solvente e aglutinante. O chum ­
As paredes de pedra à vista possuem bo havia sido empregado durante sécu­
encanto estético, que permite-nos in­ los como secante, elemento que se re­
clusive uma integração com a arquite­ conhece com o altam ente perigoso,
tura local. Seu inconveniente reside no devido a sua toxicidade ao ser ingerido.
fato da massa de inércia térmica ficar no Ao fazer sua aparição no século XIX,
exterior do edifício, requerendo maior os com ponentes derivados da química
isolamento térmico interno, exceto em de sínteses, ampliou-se enorm em ente a
paredes cuja espessura iguale ou supere gama de cores disponíveis e incorpora-
os 50cm. ram-se novos aditivos às tintas a óleo,
para m elh o rar suas p ro p ried a d es
secantes e sua duração. A partir dos
T intas e vernizes anos 40, os produtos sintéticos deriva­
dos da indústria petroquímica foram
A luz e a cor são requisitos indispensá­ substituindo as tintas minerais e os
veis em toda moradia. Q uando deseja­ vernizes de óleo ou de resinas vegetais.
mos dar um toque pessoal aos espaços
habitados, recorremos às pinturas e suas Qualidades de um a boa pintura
infinitas versões e possibilidades. Tintas
e vernizes também cumprem a função Os critérios são m uito variados e de­
de proteger móveis, marcos de portas e pendem do nível de informação que
janelas ou, inclusive, os estuques. Com manipulamos. Assim, um decorador
a tradicional caiação, purifica-se a m o­ exigirá um bom sortim ento de tons e
radia, perm itindo uma boa assepsia gra­ cores, bons acabamentos, foscos ou
ças às propriedades bactericidas da cal. brilhantes, ótima luminosidade, etc. O
Além disso, por ser totalm ente mineral, que mais preocupa o construtor, ou a
não perm ite o desenvolvimento de maioria dos usuários, é sua duração e
microorganismos - fungos, ácaros, etc. inalterabilidade. Um encarregado de
- nas paredes. obras ou um arquiteto terá em conta,
As tintas sofreram grande evolução além disso, critérios de resistência ao
através dos tempos: do ocre natural vapor, à pressão, assim como a com pa­
mesclado com sangue e gordura ou tibilidade com os materiais de constru­
óleo, do qual fizeram amplo uso os ção e rebocos empregados. O preço de
povos pré-históricos, até a química sin­ aquisição e de aplicação será um fator
tética atual, estende-se toda uma evolu­ apreciado por todos.
ção cheia de acertos e fracassos. No Porém, o que poucas vezes se pensa
Renascimento, usou-se m uito a pintura é como o tipo de tinta ou solventes
de têmpera, que consistia na mistura empregados afetam a nossa saúde. A
dos pigm entos com gema de ovo. Pos­ correta respiração das paredes tam pou­
teriorm ente, a têmpera foi substituída co é respeitada; o que melhor se p ro ­
pelo óleo, técnica em que os óleos de cura é uma boa vedação, para que
236 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

tornem-se mais fáceis de limpar. A agres­ cidade, assim como por estarem isentos
são ao meio ambiente deverá ser consi­ de possíveis substâncias alérgicas.
derada tanto nos processos de fabrica­ O utra alternativa que consideramos
ção, como nas substâncias tóxicas ou ótima é o uso de tintas de silicato.
poluentes, que desprendem-se de seu Trata-se de tintas totalm ente minerais,
uso no m om ento de sua eliminação. que cristalizam-se durante a secagem,
O uso do chum bo como aditivo está integrando-se com o material de supor­
proibido, porém ainda podem os inge­ te. São microporosas e mantêm a respi­
rir grandes doses ao rasparmos as ve­ ração da residência. São ininflamáveis e
lhas camadas de tinta, antes da repintura. resistem tanto à radiação solar quanto à
A maioria das tintas sintéticas são alta­ contaminação. Por serem minerais, nelas
mente poluentes em seu processo de não se desenvolvem germes, fungos ou
fabricação. São mais perigosas ainda bactérias de possíveis efeitos alérgicos.
quando queimam. Todos conhecemos São laváveis e sua durabilidade é
numerosos casos de mortes em incên­ inquestionável. Existem casas cujas fa­
dios de edifícios. A maioria dessas pes­ chadas foram pintadas em fins do sé­
soas não morreram pela ação das cha­ culo passado e continuam m antendo a
mas, mas pelos gases tóxicos despren­ vivacidade das cores inalterada.
didos de tintas, vernizes, telas e carpetes Seus inconvenientes são, por um lado,
sintéticos, que recobrem móveis, pisos que somente podem ser aplicadas em
e paredes. O utro dos pontos desfavorá­ paredes que não receberam outras tin ­
veis é que a composição orgânica da tas, obrigando-nos a raspar todo vestí­
maioria das tintas converte-se em caldo gio de pinturas anteriores; e por outro
de cultivo ideal para os mais variados lado seu preço, mais elevado que o das
m icroorganismos: ácaros, bactérias, pinturas sintéticas. Este segundo in­
fungos, etc., tão problemáticos para as conveniente é relativo pois amortiza-se
pessoas alérgicas. Muitas são também rapidamente, graças às suas múltiplas
as pessoas alérgicas aos compostos quí­ contribuições e sua grande durabili­
micos que desprendem-se de num ero­ dade. De todos os modos, é preferível
sas tintas: terpeno, benzeno, cádmio, gastar mais em tintas do que em medi­
pentaclorofenol (proibidos na atuali­ camentos.
d ad e), lin d an o , xilênio, to lu e n o , Para a proteção da madeira, conti­
formol, formaldeído, cetonas, uretana nua sendo m uito válido o popular óleo
e mais de 1.500 substâncias diferentes. de linhaça. Requer um pouco de paci­
ência, já que sua secagem é lenta. Para
Pinturas que respeitam o ambiente e as o acabamento, podem os recorrer aos
pessoas vernizes naturais, fabricados por nós
mesmos com resinas, própoles, óleos e
Uma alternativa ao problema talvez essências de plantas ou com cera n atu ­
esteja no uso de pinturas fabricadas por ral de abelha, ao que podem os acres­
empresas especializadas em tintas natu­ centar essências de plantas aromáticas,
rais: “química doce” . que protegerão a madeira de parasitas e
Tintas e vernizes em cuja composi­ servirão de am bientador natural para
ção não chegam a entrar mais de 150 nossa moradia.
componentes químicos, especialmente N ão deveria dar-nos preguiça repe­
selecionados pela nula ou baixa toxi­ tir com periodicidade - anualmente ou
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 237

a cada dois ou t rês anos - uma caiação alterações do campo magnético que
da casa ou a aplicação de um camada de provocam, às quais adicionam-se as
cera ou óleo de proteção da madeira. perturbações do campo elétrico am­
Q uando isso é feito com substâncias e biental e suas diferenças de potencial,
cores naturais, será um prazer do qual que serão excessivas quando mal ater­
toda a família pode participar. M uito radas (efeito condensador) ou quase
diferente do odor desagradável e agres­ nulas quando estão em demasia (efeito
sivo da maioria das tintas sintéticas, que gaiola Faraday). Os resultados são uma
quase nos obrigam a abandonar a casa superexcitação e nervosismo em alguns
por alguns dias. Essas “repintagens” casos, depressão e desvitalização em
tam bém cumprem uma função limpa- outros. Transtornos m uito freqüentes
dora e desinfetante nada desprezível, na maioria dos edifícios, moradias e
sobretudo quando empregamos cal ou escritórios modernos.
tintas naturais antialérgicas. As estruturas e construções de ma­
deira podem resultar onerosas, a m e­
nos que recorramos ao pré-fabricado,
Sistemas construtivos solução ótima em muitas ocasiões. Pode
resultar inicialmente mais econômica
Este ponto é um dos mais complexos por m2 que a construção em obra. O
neste m om ento, já que as revolucioná­ conforto biológico interno pode ser
rias técnicas construtivas modernas, ótim o se não se empregar tratamentos
encaminhadas sobretudo ao baratea­ de madeira, vernizes e pinturas tóxicas.
m ento dos custos de mão-de-obra, im­ Entretanto, o nível de manutenção
põem critérios que nos levam a incre­ desse material de construção é m uito
mentar o uso de materiais sintéticos, superior ao da obra, e deverá ter-se em
estruturas metálicas e sistemas pré-fa- conta na hora de fazer os cálculos.
bricados, os quais somente requerem a O utro grande inconveniente é sua in­
montagem na obra. Na maioria dessas tegração com a arquitetura local, devi­
“casas quebra-cabeça” robotizadas não do à maioria das empresas que com er­
se tem em conta o elemento “qualidade cializam casas pré-fabricadas de madei­
biológica” , e somente atendem à rapi­ ra serem de procedência nórdica, com
dez, às contribuições técnicas e ao bara­ modelos nórdicos, nem sempre de acor­
team ento de custos. Não negamos as do com a arquitetura e a climatologia
possíveis “ bondades” de alguns desses mais meridional.
materiais ou sistemas construtivos, p o ­ U ltim am en te, estão aparecendo
rém a qualidade e o conforto biológicos empresas que constroem residências
deveriam estar presentes e ser levados semi pré-fabricadas. Dispõem de um
m uito em consideração. amplo sorti men to de materiais mistos -
As estruturas de concreto armado são as tanto madeira com o cerâmica e outros
mais habituais: deverão derivar-se correta­ - padronizados, com o que conseguem
m ente ao aterram ento bem feito e levantar casas em tem po recorde e na
compatibilizar-se com o uso de blocos, ladri­ medida dos gostos e necessidades do
lhos e cerâmicas abobadilhadas, de grandes cliente.
contribuições técnicas e biológicas. As estruturas e sistemas mais tradicio­
As estruturas integralm ente metáli­ nais não cederam seus privilégios e
cas não são m uito aconselháveis pelas importância real, porém a necessidade
238 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

de m ão-de-obra especializada encarece tromagnéticas através da radiação em i­


seu uso. Apesar disso, continuam sen­ tida pelas paredes, e que o ar, ao ser um
do construídos grandes edifícios e resi­ mal condutor elétrico, apenas permite-
dências particulares com pilares de tufo, nos captar sua tem peratura, exceto
cerâmica maciça, arcos, arcadas e tetos quando existe um nível alto de um ida­
em abóbada catalã. Este é um sistema de ambiental. O frio úmido é “ mais
inteligente de telhado, idealizado em frio” e o calor úm ido resulta “sufocan­
épocas de escassez de vigas de madeira te ” , devido à grande condutividade
e antes da introdução do ferro ou das elétrica que o ar adquire. Em condições
vigas de concreto armado. A abóbada higrométricas ideais (entre 40 e 60%),
(volta-) catalã tem um baixo ponto de nossos sensores captam mais radiação
inclinação - a mínima possível - utili­ de pisos e paredes.
zando ladrilhos cerâmicos de pouca Isso obriga-nos a planejar seriamen­
espessura e aderidos com gesso ou ci­ te o sistema de regulagem térm ica5
m ento rápido natural. Seu único in­ interior; paredes grossas que absorvam
conveniente é a grande experiência que lentamente o calor procedente dos sis­
requer do operário e a necessidade de temas de calefação, as pessoas, o sol ou
paredes de carga ou estruturas m uito as lâmpadas tardarão mais em aquecer
fortes, que suportem o empuxo lateral o am biente, porém uma vez consegui­
que exercem esses tetos. O efeito esté­ do, o consumo e manutenção do equi­
tico e o papel de regulador energético líbrio térmico será mínimo, pois essas
são m uito interessantes e positivos. paredes irradiarão a tem peratura rem a­
nescente, inclusive horas depois de des­
ligar a calefação.
C onforto térmico: calefação,
refrigeração e isolam ento

O conforto térmico não deixa de ser


um term o relativo, pois em bora esteja­
mos de acordo em que uma tem peratu­
ra ambiente ideal está entre 19 e 24°C,
irá variar enormemente para que consi­
gamos essa tem peratura aquecendo o
ar, o piso ou as paredes, pois não con­
seguimos o mesmo conforto térmico Bom conforto térmico M au conforto térmico
com sistemas de calefação tão diferen­
tes como o de convecção, o de indução
ou o de radiação. Esse mesmo fenômeno observamos
Para com preender melhor, assinala­ com as temperaturas frescas que pode­
remos a experiência de que com uma mos conseguir no verão, fazendo tão
parede a 14°C e um ar a 24°C, a somente circular o ar fresco da noite:
sensação corporal é de frio, enquanto seu “frescor” será absorvido pelas pare­
que com uma parede a 24°C e ar a des e o guardarão durante as tórridas
14°C, a sensação corporal é quente. A horas do dia.
razão? E que nossos sensores cutâneos Essas paredes de grande inércia tér­
captam preferencialmente as ondas ele­ mica deverão isolar-se do exterior da
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 239

residência com painéis com câmaras de desenho e um a orientação inteligen­


ar, que devem ser acrescidos de fibras tes, criando fluxos de ar aquecidos
ou materiais de alto poder isolante: lã pelo sol até o interior da m oradia em
de rocha, rebocos externos de concreto épocas frias, e propiciando fluxos de
de perlita ou outros minerais expandi­ ar fresco desde as partes frias da casa
dos. em épocas quentes.
Se o uso dos espaços requeridos é O correto isolamento é o ponto
de curta duração - salas de conferên­ crucial de todo o exposto. Deveremos
cias, etc. - , não terá nenhum sentido evitar os “pontos térmicos” que se p ro ­
aquecer grandes massas de inércia duzem em pontos nevrálgicos da cons­
térm ica, pois quando com eçarem a trução: pilares, dentéis ou a simples
irradiar calor, já será a hora de aban­ argamassa que une os blocos ou ladri­
do n ar o local. Nesses casos, será p re­ lhos das paredes. Aqui também o uso
ferível um isolam ento interior com dos blocos cerâmicos já mencionados
paredes de pouca espessura ou divisó­ evita os pontos térmicos que se pro d u ­
rias interiores isoladas com câmaras zem quando um material permite que
de ar de espessura suficiente - mais de o fluxo de calor ou frio circule através
3cm - , recheadas ou não de material dele, seja do interior ao exterior ou
ou fibra isolante. Essas paredes se vice-versa. Os materiais porosos ou
aquecerão ou esfriarão - segundo a expandidos, como a cortiça, a perlita, a
estação - e irradiarão com grande arlita e a maioria das fibras isolantes,
rapidez, em bora tam bém perderão impedem que se produza tal ponto
rapidam ente o calor ou frio rem anes­ térmico.
centes no m om ento em que parar­ A s câmaras de ar. O ar é pouco
mos o sistem a de regulagem térm ica. condutor e, portanto, possui grandes
P orém , isso não supõe nenhum p ro ­ qualidades isolantes. As câmaras de ar
blem a, pois ao haver abandonado o devem estar sempre ligeiramente venti­
local, pouco nos im portará. ladas (os espaços fechados e sem reno­
O desenho inteligente ou a reabili­ vação são nocivos). Em bora nas câ­
tação de um a residência exige que maras de ar este se veja afetado pelos
tenham os sempre presentes os co n ­ intercâmbios térmicos de radiação e
ceitos de conforto térm ico e a reg u ­ convecção, isso não torna-se significa­
lagem das tem peraturas. Isso nos ob ri­ tivo se a altura da câmara for suficiente:
ga a, na m edida do possível, in teg rar­ entre 3 e 5cm.
mos os conceitos de orientação solar A s condensações. Com o uso de ma­
correta para aproveitarm os ao máxi­ teriais isolantes de poros fechados e o
m o a radiação gratuita do sol. A face plastificado ou selador de paredes, im­
n o rte do edifício terá poucas ab ertu ­ pede-se a respiração ou transpiração
ras, paredes grossas ou bem isoladas; das mesmas. Com as diferenças térm i­
tam bém podem ser estabelecidos es­ cas entre o exterior e o interior, o vapor
paços de serviços - garagem , dispen­ de água condensa-se e produz acúmulo
sa, etc. - que exerçam o efeito de de umidade (efeito similar ao emba-
tam pão térm ico. A arquitetura bio- çam ento de cristais).
climática, à qual já fizemos referên­ Q uando recorremos ao isolamento
cia, perm ite-nos o aproveitam ento exterior da casa, esse fenômeno reduz-
energético am biental por meio de um se ao mínimo.
240 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

TABELAS D E ISO LA M ENTO T É R M IC O


Q U A D R O COM PARATIVO D E C O N D U T IB IL ID A D E S TÉRMICAS (W /m °C)

Material X para obter idêntico isolamento são requeridos estes cm


Ferro 72 124

Pedra 0,95 a 2,9 16,3 50


Bioconcreto e concreto 1,60 a 1,75 27,5 30
Bioconcreto de vermiculita 0,31 a 1,19 3 5,3
Barro cozido maciço 1,15 19.8
Vidro 1,15 19.8
Barro prensado 0,55 9,5

Gesso 0,46 a 0,70 7,7 11,6


Madeira (balsa: 0,023) 0,12 a 0,23 2 3,8

Palha comprimida 0,12 2 G LOSSÁRIO D E C O EFIC IENTES


Filtro de madeira (Isorel) 0,058 1 K é a perda de um a parede por 1°C de variação
Lã de vidro 0,041 0,7 de tem peratura entre o interior e o exterior.
Expressa-se em W /m 2 °C.
Lã de rocha 0,036 0,6 G , ou coeficiente de perda global, é a quantida­
de de calor que sai de um lugar aquecido de 1
Cortiça negra aglomerada 0,04 0,7 m 3, para uma diferença de tem peratura externa
e interna de 1°C. Expressa-se em W /m 3 °C e
Espuma de poliuretano 0,029 0,5 tem em conta as perdas pelas paredes assim
com o a renovação do ar, deliberada ou não.
B é o mesmo que o anterior, porém consideran­
do os ganhos gratuitos devido à exposição solar
Q ualquer material cujo coeficiente lambda seja e ao calor em itido pela iluminação (por exem­
inferior a 0,175 tem uma boa capacidade para plo, 1,5 W e os ocupantes). C onhecendo os
isolar as mudanças de temperatura. Por isso, o parâmetros da diferença entre a tem peratura
bioconcreto e os materiais que o seguem são interna e a externa (por exemplo, -7 e +19°C),
bons isolantes. O gráfico mostra, ainda, os cen­ dos ganhos gratuitos da velocidade de renova­
tímetros de espessura que requerem para obter ção do are do núm ero de ocupantes, buscar-se-á
idêntico isolamento com materiais distintos. a qualidade e a espessura das pedras que perm i­
Q uando citam-se os coeficientes lambda, tam ­ tam obter uma cifra dada pela classificação do
bém indica-se a diferença entre a espessura edifício. O im portante é obter uma cifra a mais
mínima e máxima que podem existir. baixa possível, abaixo de 1.
Lambda ( I), ou condutividade térmica de um
material, é a corrente de calor que atravessa lm 2
do referido material com espessura de lm e para
1 °C de diferença de tem peratura entre o exterior
e o interior. Expressa-se em W /m °C.
R é a resistência térmica de uma parede segundo
sua espessura e por unidade de superfície. A
espessura é de 1/ í e expressa-se em W /m °C.

O índice de condutividade térmica determina o conforto e a demanda energética de um a residência.


PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 241

a) tabique isolante espaço de ar b) 1 cm de material isolante

4 cm de madeira

vento 10 cm de ladrilho cerâmico

• •W:

40 cm de concreto

fluxo de calor

Iguais perdas de calor

convecção livre
Para conseguir um isolamento da mesma magnitude, necessita-se de diferentes espessuras para cada
material.

Sistemas de calefaçao e rejjulajjem pies e eficaz, a manut enção de um


térmica conforto térmico durante todo o ano.
A vegetação exterior, implantada estra­
Q uando nossa casa não está desenhada tegicamente, com árvores de folhas que
segundo os princípios da arquitetura caem na parte sul da casa, nos protegerá
bioclimática, é bem provável que preci­ do sol e do calor na primavera e verão,
semos recorrer à ajuda energética exte­ proporcionando sombra e frescor. N o
rior, para mantermos o conforto e o outono e no inverno, ao perder as
equilíbrio térmico interior. folhas, deixam passar a agradável ra­
Se dispomos de uma casa unifamiliar diação solar, com a luz e o calor tão
ou uma casa germinada, cuja orienta­ necessários nesses períodos sazonais. O
ção cardinal seja adequada, podem os sistema de regulagem térmica através
recorrer à vegetação com o regulador da vegetação é tão interessante que,
térm ico, que permitirá, de forma sim- associado a técnicas de captação, inér­
cia térmica e bom isolamento, permite
prescindir de font es energéticas exter­
SISTEMAS D E CALEFAÇÃO
nas.
A escolha da fonte energética ideal
deverá prever conceitos tão diversos
como sua fácil disponibilidade, custos,
complexidade de instalação, m anuten­
ção, etc. Ao que acrescent amos o res­
peito ao meio ambiente.
Entre os m étodos e sistemas de cale­
fação a que tivemos acesso, resumire­
Convecção Radiação mos os mais convencionais e usuais: as
242 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

possibilidades são m uito amplas e as cam o ambiente interno, provocando


constantes inovações que o mercado mal-estar e mesmo cefaléias. Com as
oferece deixam a porta aberta a novas “catalíticas” isso não é tão grave. O
opções. Assinalamos que, antes de tudo, recurso do recipiente de água, que
daremos preferência aos sistemas de hidrate novamente a peça aquecida,
radiação sobre os de convecção, pois sempre melhora a situação.
estes últimos, ao trabalharem aquecen­ Os sistemas de caldeiras à gás que
do o ar e fazendo-o circular, não perm i­ alimentam radiadores de água quente
tem o mesmo conforto térmico que se são interessantes; mas não os de distri­
recebermos o calor em forma de radia­ buição do ar quente, devido aos con­
ção. ceitos já mencionados de convecção e
a) Estufas de lenha, madeira ou car­ radiação e à pouca condutividade tér­
vão. São as mais agradáveis e emitem mica do ar, que propicia, além disso, o
uma das formas mais saudáveis de calor movimento das partículas de pó e o u ­
depois do solar. Seus inconvenientes tras substâncias de possíveis efeitos tó ­
centram-se nos níveis de emissão de xicos.
poluentes à atmosfera e inclusive no c) Estufas de petróleo. As antigas não
interior na moradia, quando não estão são m uito aconselháveis devido à má
bem reguladas e com a correta m anu­ com bustão, à fumaça e aos maus o d o ­
tenção. São ótimas em zonas geográfi­ res. Hoje em dia, existem estufas de
cas onde abunde a madeira e seu uso petróleo com dupla câmara de com bus­
não constitui um espólio ecológico. tão, que oferecem grande economia de
São comercializados bloquetes substi­ combustível e alto poder calorífico,
tutos da madeira, fabricados com a desprendendo somente um ligeiro odor
prensagem de aparas de ramos de poda de petróleo no instante em que acende-
e manutenção florestal, assim como de se (até que alcance altas temperaturas)
resíduos das indústrias madeireiras. ou apaga-se.
Existem tam bém estufas que trabalham d) Estufas elétricas. Em quase todas
com serragem, com cascas de amêndoas as versões são desaconselháveis; sobre­
ou outros resíduos agropecuários. tudo se levarmos em conta a grande
N o geral, os rendim entos das estufas perda energética que se produz no trans­
são elevados, em bora sejam preferidas porte da eletricidade até o usuário (en­
as de ferro fundido ou de cerâmica, às tre 30 e 40%).
de chapa sem material refratário. As O fator de contaminação elétrica e
primeiras trabalham mais por radiação eletromagnética não é desprezível em
e um pouco por convecção; as segun­ absoluto, pelo que, por não poder fazer
das trabalham mais por convecção e uso de outra fonte energética, escolhe­
possuem pouca inércia térmica, o que remos os sistemas que tenham menos
as conduz a um rápido esfriamento emissão de campos eletromagnéticos
quando deixamos de alimentá-las. ou elétricos, e os manteremos o mais
b) Estufas de£/ás butano. É um com ­ afastados que pudermos. As estufas de
bustível bastante ecológico, que não resistências de infravermelho emitem
gera demasiada contaminação quando calor agradável e penetrante. Procura­
os queimadores estão bem regulados. remos evitar as que têm as resistências
Os modelos de estufas a gás mais anti­ em contato com o ar, pois ao queimá-
gos consomem muito oxigênio e resse­ lo com o pó acumulado produzem
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 243

reações químicas perigosas. Os radia­ recomendáveis, já que não é segura a


dores elétricos de óleo também podem estanquidade dos dutos e podem tor-
ser uma opção. nar-se m uito poluidores e perigosos.
Os sistemas de acumulação com ce­ Existe uma alternativa pouco desen­
râmica refratária são interessantes: acu­ volvida, aplicável em residências com
mulam calor à noite, com a tarifa n o ­ ligeiro desnível do terreno; consiste em
turna mais econômica, e o repartem ao instalar coletores solares que aquecem
longo de toda a jornada. o ar, que faremos circular por baixo do
e) Lareiras. Possuem um nível de pavimento ou no interior das divisórias.
aproveitamento energético inferior às O mesmo sistema poderá ser aproveita­
estufas, porém o conforto estético e do no verão para fazer circular o ar frio
psicológico é um ponto a seu favor. em sentido inverso, desde a parte norte
As lareiras abertas e sem recuperador da residência.
de calor estão proscritas, já que além de h) Pisos e tetos irradiantes. São a ver­
serem de baixo rendim ento e desperdi­ são moderna dos hipocaustos e funcio­
çarem grande quantidade de energia, nam com a circulação de água quente
aquecem pouco e mal, ao criarem cor­ através de tubos plásticos, sob o pavi­
rentes de ar que inclusive são proble­ mento ou com resistências elétricas ins­
máticas para a saúde. As lareiras fecha­ taladas no piso ou no teto.
das e envidraçadas são de maior rendi­ O piso irradiante por água foi muito
m ento. Em todo caso, tanto uma quan­ desaconselhado em uma época, pois
to outra deveriam ter a tom ada de ar era acusado de criar problemas circula­
para a com bustão no exterior da casa. tórios e provocar varizes. O problema
As lareiras com recuperação de ca­ foi sanado abaixando-se as tem peratu­
lor, seja por ar ou por água, são as mais ras de trabalho.
recomendáveis. As de ar são mais sim­ Consideramos que o sistema é inte­
ples de instalar e mais econômicas de ressante, levando em conta o fluxo as­
adquirir, embora aqui encontramo-nos cendente do calor. Sempre será mais
de novo com o problema de que aque­ lógico aquecer por baixo: pés quentes,
cer o ar oferece menos conforto térm i­ cabeça fria. A experiência e os conheci­
co, além de ressecar em demasia o mentos geobiológicos nos levam a re­
am biente interior e criar problemas de comendar que não sejam instalados na
excessiva ionização de carga positiva. vertical dos espaços que ocupam as
(Ver capítulo 4.) camas e lugares de longa estadia. Este
f) Os braseiros, sejam de carvão, bra­ sistema não criará problemas na hora de
sas de madeira ou elétricos, são desa- sua instalação, pois é m uito adaptável.
conselháveis e perigosos. Desaconselhamos totalm ente a cale-
g ) Hipocaustos (“Glorias” ). Consis­ fação por cabo irradiante, no piso ou
tem em fazer circular água ou ar quente teto. Pressupõe uma fonte de elevada
através de galerias no solo da casa ou de contaminação elétrica e eletrom agné­
divisórias e paredes. Esse sistema foi tica. Gera alterações nervosas e uma
m uito usado no passado (sobretudo diminuição do sistema imunológico.
pelos romanos) e ainda tem popularida­ Os isolantes com lâminas de alumínio
de em regiões onde se dispõe de manan­ empregados nessas instalações indu­
ciais de águas quentes. Os sistemas ba­ zem um efeito condensador elétrico
seados na circulação de fumaça não são que “carrega” o ambiente até torná-lo
244 O GRANDE LIVRO D A C AS A SAUDÁVEL

JARDIM DE INVERNO

Efeito radiante da calefação pelos rodapés

sufocante e desvitalizador. Em várias


Inverno
instalações, temos comprovado com o
a contaminação elétrica estava presen­
te, inclusive com o sistema parado: o
instalador havia conectado o com utador
no cabo correspondente ao neutro e o
cabo de fase seguia distribuindo eletri­
cidade.
i) Rodapés irradiantes. Sistema si­
milar ao de piso irradiante, porém
onde se faz circular a água quente
através dos rodapés, motivo pelo qual
Inverno não induzem -se “alterações telúricas”
e aproveita-se a inércia térmica das
paredes.
j ) Vidraças e jardins de inverno g er­
minados. Q uando isso for possível, é
um sistema singular e estético, pois
nesses espaços envidraçados podem os
dispor de um pequeno jardim floral, ao
mesmo tem po em que fazemos circular
o ar quente pelo restante da moradia.
N o verão, um sistema de persianas im ­
pedirá o excessivo aquecimento.
Verão k) O muro de anteparo e outros siste­
mas similares, como coletores solares,
massas térmicas, etc., são amplamente
usados em arquitetura bioclimática, e
seria interessante que nos informásse­
mos a fim de conhecermos que possibi­
lidades oferece nossa moradia para um
maior aproveitamento energético, atra­
vés da chamada energia passiva, cujas
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 245

MUROS DE ANTEPARO g ra n d e s v a n ta g e n s n ã o e s tã o s o m e n te
na economia de energia, mas também
no aspecto econômico. Em bora sejam
mais caros de projetar e instalar, am or­
tizam-se a curt o ou longo prazo. N o
m om ento, ainda não temos que pagar
pela radiação solar nem pelo ar ou
vento.

Conforto acústico

N o capítulo dedicado à poluição sono­


ra, abordamos amplamente este tema.
Aqui, resta-nos recomendar a forma
Dia de inverno ideal de proteger-se contra a agressão
do ruído, tanto o que procede do exte­
rior como o gerado na própria casa.
Bemard Boulangeot, arquiteto cria­
dor do centro de serviços geobiológicos
CEMS, ofereceu-nos em um trabalho
publicado por seu próprio centro uma
definição precisa do fenômeno estuda­
quente
do, em seu capítulo sobre o isolamento
-—>► circulante
acústico:

N oite de inverno
“A transmissão dos ruídos em um edifício pro­
duz-se essencialmente por duas vias: a aérea, em
que as ondas sonoras vão direta ou indiretam en­
te (por reflexão) do emissor ao receptor, atraves­
sando os obstáculos (paredes, pisos, etc.) e
sendo em maior ou m enor medida absorvidas; e
a via material, em que a onda sonora de trans­
missão aérea ou a vibração devido a um impacto
(ruídos de passos, quedas de objetos, tubulações
no interior das paredes) é conduzida pelos cor­
pos sólidos para, em seguida, tornar-se aérea e
chegar até nós.
Para im pedir os incôm odos sonoros, deve-se
respeitar dois princípios: impedir a transmissão,
Verão favorecendo o isolamento, ou im pedir a refle­
xão, favorecendo a absorção. Em resumo, tratar
o ruído em sua origem: m elhor isolar o ruído do
que isolar-se do ruído.”

As propriedades de amortecimento
sonoro dos materiais obedecem a vá­
rios fenômenos que atuam em sinergia,
246 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

dependendo do tipo de ruído ou con­ construídas, porém como as câmaras


taminação sonora e de sua intensidade, de ar não possuem poder de isolamen­
a qual mede-se em decibéis (dB). to acústico tão eficaz como de isolante
térm ico, devemos recheá-las com fibra
A C o r r e ç ã o a c ú s tic a de rocha ou areia, cuja densidade con­
“A correção acústica consiste em reduzir o nível fere-lhe boas propriedades de absorção
sonoro em itido num local e em melhorar suas acústica.
qualidades sonoras. Assim com o para a tem peratura, na
A solução consiste em favorecer a absorção,
construção deverão ser evitados os
utilizando materiais de estrutura aberta (e evitan­
do os apoios metálicos). O efeito será proporcio­ “pontos fônicos” , sobretudo nas ju n ­
nal à sua espessura e à sua disposição. Ao evitar os tas dos muros, pisos e tetos.
apoios, serão melhor absorvidos os ruídos agu­ A madeira possui propriedades iso­
dos e médios, e com uma câmara de ar interm e­ lantes em função de sua densidade,
diária serão melhor absorvidos os graves.
porém deveria vir acompanhada em
todas as juntas com algum material
M ateriais absorventes fibroso, para compensar a má qualida­
(coeficiente de absorção aproximadamente de de de am ortecim ento de ruídos.
500 H z) Uma coisa é proteger-se dos ruídos
fibraggio de 3 ,5 c m ................. ___ 0,63 exteriores e outra, muito distinta, am or­
lã de r o c h a ............................... . . . . 0,63 tecer o ruído ou o nível sonoro emitido
cortiça pura e x p a n d id a .......... . . . . 0,63 no interior de uma residência.
feltro de madeira ................... ___ 0,63 A correção acústica consiste em favo­
alm ofadados............................. ___ 0,35 recer a absorção das ondas sonoras,
carpete sobre fe ltro ................. ___ 0,37 utilizando materiais de estrutura aber­
cortinas p e s a d a s ...................... ___ 0,50 ta. Se, ao colocar esses materiais bran­
mármore .................................. 0,01 dos absorventes, evitarmos os apoios
metálicos, conseguiremos a maior ab­
sorção dos ruídos agudos e médios.
Os ruídos de golpes vêm do exterior, como Com uma câmara de ar intermediária,
passos, queda de objetos etc., e do interior,
como encanamentos em butidos ou que atraves­ os graves serão melhor absorvidos. Os
sam as paredes. A solução consiste em isolar a aglomerados de cortiça ou os painéis
emissão do restante da estrutura, por meio de de fibras de madeira tipo “ Pan-terre”
um material brando absorvente.” oferecem uma solução adequada e na­
tural.
O nível de recepção desde o exterior,
que não deverá superar uma moradia,
situa-se entre 25 e 40 dB. Segundo as Harmonia de cores e decoração
normas, a residência não deverá emit ir (luz e cor)
níveis superiores a 80 dB.
Q uanto mais densa e pesada for uma Em bora tenham os tratado esse tema
matéria, maior é sua faculdade de isola­ amplamente em outro capítulo, não
m ento acústico: uma parede maciça de podemos passá-lo por alto na hora de
50cm possui propriedades de isolamen­ tentarmos conseguir um ambiente con­
to sonoro m uito satisfatórias. fortável, harmônico e saudável.
As paredes duplas de m enor espessu­ Um espaço corretamente iluminado
ra talvez sejam mais fáceis de serem é fonte de alegria e vida. Um am biente
PRÁTICA G E O B IO L O G IA 247

escuro ou mal iluminado resulta lúgu- Os amantes da radiestesia podem


bre e nefasto. recorrer a ela para selecionar a cor e os
A isso deveremos acrescentar os efei­ tons adequados para cada espaço ou
tos psicológicos da calorimetria e da aposento. (Ver o relativo às cores no
crom atologia, que já indicamos no ca­ capítulo 16: “ Harmonização e neutra­
pítulo 11. lização” .)
T udo se complica quando tentamos
com binar luz, cor, espaços, volumes e
mobiliário. As combinações são tantas Instalação elétrica
e tão variadas, que não conseguiremos
resumi-las em poucas páginas. O CABO DE FORNECIM ENTO
Aqui daremos um voto de confiança
ao leitor ou à pessoa que deseja criar O melhor cabo de fornecimento elétri­
um bom am biente na casa que ocupa co é o subterrâneo. Terão que ser supri­
ou na que deseja viver no futuro. Pode midos os cabos aéreos sujeitos a postes,
recorrer tam bém ao auxílio de um paredes ou telhados, não só por razões
decorador com experiência, em bora estéticas mas principalmente por todos
em tal caso aconselhamos não se deixar os perigos que implicam.
seduzir pelas modas imperantes, m ui­ Às caixas de conexão e os contadores
tas das quais estimuladas pelos próprios deveriam situar-se no porão ou em
fabricantes de materiais de decoração lugar separado, dentro de um armário
(móveis, tintas, etc.). metálico. E conveniente prever as ne­
Talvez o melhor conselho seja visitar cessidades elétricas reais da moradia, a
o máximo de casas e espaços decorados fim de instalar unicamente os conduto­
com sistemas, estilos e técnicas bem res necessários.
diferenciados, que lhe permitirão ter
uma idéia clara de quais são seus gostos
pessoais. Há quem prefira o ambiente O QUADRO DE COM ANDO E PROTEÇÃO
japonês, simples, austero e m uito ilu­
minado; e quem , ao contrário, incline- Cada residência deve ter seu “quadro de
se p o r um estilo clássico com o o comando e proteção” , com os seguin­
castelhano, mais denso e escuro. O tes aparelhos conectados nesta ordem:
inconveniente dos desenhos de “esti­
lo” é que, se impressionam bem inicial­ - Interruptor de controle de potência
m ente, logo saem de moda e em muitas (ICP), constituído por um interrup­
ocasiões não são nem práticos nem tor automático magnetotérmico (a
confortáveis. parte magnética desconecta muito ra­
Dada a complexidade do tema e seus pidamente ao produzir-se um curto-
múltiplos aspectos, preferimos deixar circuito; a parte térmica desconecta ao
aqui esse terreno tão “pessoal” . produzir-se uma sobrecarga perma­
Sugerimos que somente reflitam bem nente). Substitui os antigos fusíveis
antes de escolher a cor com a qual se (“chumbos” ) dos contadores. A com­
verão obrigados a conviver horas e dias panhia elétrica lacra-o para assegurar-
inteiros. Atenção aos tons de cinza, tão se de que não consumiremos mais
em moda, pois baixam o tom vital e são potência do que a contratada, ou a que
depressivos. a instalação suporta.
248 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

"'<s

^ 'Ç : V - ^ v - '
"
>v .

Caixa de distribuição elétrica.

- In terru p to r autom ático diferencial e outro para os eletrodomésticos. Os


(ou sim plesm ente “ diferencial” ), consumos elevados (aquecedores de
que desconecta a tensão no caso de água, estufas, cozinhas) deveriam ter
produzir-se um co n tato indireto seu próprio circuito, protegido por
que derive corrente à terra. P ro te­ seu PIA.
ge da eletrocussão acidental de
pessoas ou animais que toquem Esses interruptores previnem-nos
um co n d u to r ativo (fases, em co r­ contra o incêndio e a fusão da instala­
rente alternada) ou parte metálica ção, em caso de curtos-circuitos (cabos
mal isolada dele, fechando o cir­ c ru z a d o s, iso la m e n to s v elh o s) e
cuito através do solo. U m a vez que sobrecorrentes (sobrecarga, conexão si­
esses interruptores funcionam com multânea de demasiados aparelhos). A
um sistem a m ecânico, que pode corrente de desconexão de cada um
bloquear-se p o r falta de uso, d e ­ tem que estar adequada ao consumo do
vem ser “testados” ao m enos uma circuito que protege. Ao contrário do
vez por mês, acionando o pulsador que muitos pensam, não existe p rote­
de que dispõem , que simula o efei­ ção possível contra a eletrocussão por
to de um a fuga de corrente. contato direto de pessoas ou animais a
- Interruptores de proteção interior condutores em tensão (colocando os
de abandono (PIA). São, como os dedos em tomadas ou soquetes, por
IC P , in terru p to res au to m ático s exem plo), pois nenhum dispositivo
magnetotérmicos, um para cada cir­ pode diferenciar se a corrente circula
cuito interior. É conveniente ter ao por um receptor (lâmpada ou aparelho)
menos um circuito para a iluminação ou pelo corpo de uma pessoa.
PRÁTIC A G E O B IO LÓ G IC A 249

A eletrocussão por contato direto só alternada nas instalações e cabos sem


poderá ser prevenida utilizando-se ten­ consumo, a essa hora, dos dormitórios
sões reduzidas, abaixo dos 60 volts. As e estâncias.
eletrocussões ou descargas elétricas so­ A melhor proteção será sempre a
bre o corpo podem acarretar sérios trans­ desconexão de nossa instalação, ou de
tornos e, inclusive, a morte. O interrup­ uma parte dela, da rede de fornecimen­
tor automático diferencial nos previne to, quando não a necessitarmos. Isso é
do contato indireto. “Ponteá-lo” diante de vital importância durante a noite, já
dos repetidos blecautes que possa pro­ que os processos de regeneração e rela­
duzir é uma imprudência. Se o diferenci­ xamento do sono dependem em gran­
al (disjuntor) salta, é porque a instalação de parte da ausência de estímulos ex­
ou algum dos aparelhos a ela conectados ternos, com o a incidência de campos
apresenta falha de isolamento ou “fu­ elétricos ou eletromagnéticos.
gas” que devem ser reparadas, ou desco- E conveniente desconectar o forne­
nectados os aparelhos avariados. cimento elétrico de todo o aposento.
As eletrocussões na banheira ou com Entre as várias opções, a mais simples é
m uito suor no corpo são especialmente desconectar o interruptor magneto-
perigosas, pela baixa resistência elétrica térmico (PIA) do circuito que o ali­
que este oferece, assim com o as que menta, porém isso nos obrigaria a dis­
estabeleçam circuito elétrico na zona por de uma lanterna portátil para os
do coração (entre ambos os braços ou deslocamentos noturnos; t ambém p o ­
entre um braço e a perna do lado demos dispor de um interruptor dos
contrário), pelo risco de fibrilação contatos à entrada do aposento, sem­
ventricular com parada cardíaca. pre e quando estiver situado a mais de
“P ontear” os interruptores magne- 2 m do lugar ocupado pela cama e o
totérm icos anula sua proteção e possi­ aposento não seja a passagem da insta­
bilita o aquecimento ou incêndio da lação elétrica para outros circuitos.
instalação. Nunca devem ser conectadas A opção mais côm oda é a instalação
estufas em instalações que não estejam de um m oderno relé automático de
adequadas a este grande consumo. desconexão de tensão em ausência de
Os aparelhos citados previnem as consumo, o “ bioswitch” . Esse apare­
conseqüências de avarias nos equipa­ lho separa a instalação elétrica da zona
mentos e instalações elétricas, assim que se quer proteger, da tensão alter­
com o as eletrocussões por contato in­ nada da rede de fornecimento, quando
direto (tocar um condutor ativo com detecta que não há consumo de ener­
uma parte do corpo e o solo com a gia. Assim, quando desconectamos to ­
outra), porém não as moléstias dos das as luzes e demais aparelhos elétri­
campos elétricos e eletromagnéticos cos, o relé m uda a tensão alternada de
originados pela própria instalação. 220 volts de nossa instalação elétrica
interior, para outra contínua de so­
mente 1,5 volts, que serve de piloto
A DESCONEXÃO para detectar se há demanda de consu­
mo. Ao conectarmos novamente qual­
Já mencionamos que muitas das molés­ quer interruptor, o aparelho repõe au­
tias durante o sono são produzidas pela tom aticamente a tensão alternada, para
m anutenção desnecessária de tensão permitir o funcionamento normal dos
250 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

que funcionasse e parasse o refrigera­


dor ou uma bom ba de água, por exem­
plo.

A CONEXÃO À TERRA

A conexão de proteção à terra é de


importância capital na instalação de
uma residência: sua inexistência é tão
freqüente quanto problemática.
Serve a três objetivos diferentes:

- Conectar as partes metálicas acessí­


veis dos aparelhos elétricos à terra,
impossibilitando assim o surgim en­
to de tensões perigosas, mesmo no
caso de romper-se o isolamento de
Desconectar de fase automático (Bioswitch). um condutor ativo (que no caso faria
“saltar” o interruptor automático di­
ferencial).
receptores elétricos. A tensão de 1,5 - Telar os aparelhos e condutores, o
volts não produz campo elétrico per­ que elimina a radiação do campo
ceptível e, por ser tensão contínua, não elétrico.
pode produzir nenhum campo eletro­ - Estabelecer conexões eqüipotenciais
magnético. Portanto, é inócua. entre massas metálicas acessíveis, que
Se nossa instalação é correta, disporá poderiam carregar-se eletrostati-
de suficientes circuitos internos para camente com tensões diferentes (es­
que possamos separar os consumos de pecialmente im portante nos banhei­
nossa casa, permitindo instalar o relé ros e nos edifícios altos com partes
somente na alimentação dos circuitos metálicas exteriores).
que nos interessem desconect ar duran­
te a noite. O relé será instalado, n o r­ A companhia elétrica nunca fornece
malmente, no quadro de com ando e a conexão de proteção à terra, pois esta
proteção. deve ser feita justam ente sobre o lugar
O relé se tornaria inútil se alimentas­ que deve-se proteger. (Por causa das
se aparelhos que funcionam perma­ correntes telúricas naturais, da própria
nentem ente. Assim, um vídeo ou um condutividade do terreno e de deficiên­
relógio conectado à rede, apesar de seu cias das instalações artificiais, existem
baixo consumo, impedirá a desconexão potenciais de terra diferentes em luga­
automática ao consumir energia cons­ res distintos).
tantem ente. A conexão à terra consta do circuito
O relé perderia eficácia se nossa ins­ de proteção, constituído por conduto­
talação interna tivesse um só circuito, res elétricos que costumam ir pelas
pois deveria conectar e desconectar a mesmas canalizações da instalação elé­
tensão de toda a instalação cada vez trica e a tom ada de terra, que é pro-
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 251

melhores tomadas de terra em edifícios


de construção recente obtêm-se enter­
rando, nos fossos onde se verterá o
concreto, um cabo de cobre desen-
capado de grande seção, que circunda
toda a base do edifício e é conectado
em vários pontos com lanças de terra.
Se o terreno natural tem pouca con­
dutividade (solos graníticos ou muito
pouca umidade), esta deve aumentar
ao introduzir-se, junto às tomadas de
terra, sais especiais, carvão ativado ou
géis condutores.
Deve-se revisar periodicamente as to ­
madas de terra, pois tendem a oxidar-se
e a desintegrarem -se pela ação da
eletrólise. Podem desaparecer ou redu­
zir-se as lanças a poucos centímetros.
A revisão das tomadas de terra deve
incluir uma medição de sua resistência,
que não deve ser superior (nas instala­
ções domésticas) a 20 ou 30 ohms.
Em terrenos pouco condutores, é con­
veniente regar, nas estações secas, a zona
da tomada de terra (que pode estar no
jardim, onde se rega habitualmente).
Existem sistemas de rega automática,
que acionam-se quando é medida uma
Campo elétrico alterado de um a linha gêmea excessiva resistência elétrica da terra.
simples:
Entre a tom ada de terra e o extremo
A =sem blindagem; 1 = condutor neutro; 2 =fase. do cabo da conexão, deve existir uma
caixa com um desconector manual,
B = blindagem com um tubo de ferro de parede que permita separá-los para que seja
delgada, com aterramento; 1 = condutor neutro; medida a resistência. Se o contato desse
2 =fase.
desconector falha, pode produzir efei­
tos e perigos na instalação superiores,
priamente a conexão ao solo de nosso inclusive, à não existência do circuito
planeta. de proteção de terra.
A tom ada de terra, ou aterramento, Se a instalação coletiva de conexão à
realiza-se com uma ou várias lanças (ou terra de um edifício for deficiente, uma
estacas metálicas), encravadas em um avaria com perda de isolamento de um
solo condutor natural e entrelaçadas eletrodoméstico qualquer pode colo­
mediante cabos de cobre desencapados, car todas as partes metálicas acessíveis
de grande seção. Melhores resultados dos demais aparelhos do edifício sob
são obtidos enterrando placas específi­ tensões perigosas, ou inclusive das ca­
cas de grande superfície de contato. As nalizações de água ou gás, e até mesmo
252 O GRANDE LIVRO D A C AS A SAUDÁVEL

a própria água que flui da torneira pode - Azul para o condutor neutro (que
dar choques. está conectado pela companhia dis­
Se são previstas im portantes descar­ tribuidora à terra e, portanto, não
gas eletrostáticas (edifícios metálicos possui tensão im portante).
altos, zonas de m uito vento) e em - Preto ou marrom, para os co n d u to ­
instalações industriais e das companhias res ativos (que possuem tensão rela­
elétricas, devem construir-se tomadas tivamente ao neutro e, portanto, re­
de terra “profundas” que garantam lativamente à terra; em corrente al­
gradientes de potencial ou “tensões de ternada, corresponde às fases).
passo” não perigosas para as pessoas, - Verde com faixas amarelas, para os
nem para os animais. condutores de proteção conectados
à terra pela instalação do usuário.

A FIAÇÃO Os cabos das instalações domésticas


devem ser de cobre e da seção adequada
A instalação e distribuição em forma de à corrente elétrica que deverá circular
espiga é a mais recomendada, evitando- por eles.
se caracóis e círculos que induzam cam­ O condutor de proteção de terra
pos magnéticos. (pelo qual não deve nunca circular cor­
Os cabos devem passar por dentro rente) deve ser da mesma seção que os
de tubos metálicos conectados à terra. demais condutores.
Os cabos que não circularem por den­ Não deve-se fazer “emendas” . As uniões
tro dos tubos metálicos deverão ser dos cabos devem ser feitas nas extremida­
telados (blindados), para que não p ro ­ des dos aparelhos; se não existirem extre­
voquem campos elétricos. midades suficientes de aparelhos, serão
Os cabos devem ser codificados de empregadas conexões tipo régua.
acordo com as normas, pela cor de sua Não deve-se reduzir a seção dos
cabos (isto é feito por falta de habilida­
de ao “descascar” os extremos dos ca­
bos, ou por querer introduzir cabos
demais ou m uito espessos nos bornes).

As FASES

O fornecimento elétrico doméstico nor­


mal é o monofásico. A companhia elétri­
ca deve fornecer-nos uma conexão de
fase e uma de neutro, com uma tensão
alternada entre ambas de 220 volts.
Se estivermos em uma zona antiga,
onde a companhia elétrica ainda m an­
Instalação elétrica de um a casa: tém fornecimentos a 125 volts, tere­
1 = caixa de distribuição mos a conexão em duas fases distintas,
2 = cabo de acessò do fornecimento
3 = cabo de aterramento da caixa de distribuição ou bifásica, para dispor de 220 volts
4 = tomador cilíndrico de terra (2 metros) entre elas.
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 253

Nesse caso, não dispomos de cone­ dente à conexão do condutor neutro,


xão a condutor neutro. que será sem pre o prim eiro a ser
Se tivermos uma tensão alternada de conectado e o último a ser desconectado.
125 volts, terem o s um a conexão Os condutores de proteção de terra
monofásica (embora é m uito possível nunca passarão por nenhum interrup­
que num futuro próximo mudem a tor.
tensão para 220 volts). Nos fornecimentos normais, com
Se nossa casa é m uito grande ou neutro, os interruptores de um só con­
nossa instalação admite muita p otên­ tato deverão cortar a conexão do con­
cia, é possível que tenham os corrente dutor ativo ou de fase, para reduzir o
trifásica, com três conexões distintas de risco de eletrocussão e o campo elétrico
fase e uma de neutro, devendo repartir que o aparelho produz desnecessaria­
as cargas das fases o mais equilibra- mente quando está desconectado.
dam ente possível. Os condutores ativos ou de fase se­
Nesse caso, teremos 220 volts entre rão ligados às partes mais inacessíveis
cada fase e o condutor neutro, e 380 dos aparelhos; por exemplo, à conexão
volts entre duas fases quaisquer. de fundo dos soquetes das lâmpadas.
Uma instalação interna, prevista para
conexão trifásica, sempre pode ser
conectada de forma monofásica, unin­ OS PLUC.UES E OS APARELHOS PORTÁTEIS
do-se na rede de fornecimento as três
conexões de entrada de fase. Na Espanha, a maioria dos plugues são
Para sabermos que tipo de forneci­ do tipo “shucko” , com pinos de 4mm
m ento possuímos e para com provar­ de diâmetro e conexão à terra por lâmi­
mos quais contatos das tomadas e quais nas laterais (ao inserir o plugue na
condutores - se não estiverem codifica­ tomada, o condutor de terra tem que
dos por còres - são fase ou neutro, estabelecer contato antes que os de­
usaremos um “ busca pólos” , que é mais).
uma pequena chave de fenda com uma Esse tipo de plugue tem o inconve­
lâmpada de descarga de gás neon e uma niente de não diferenciar o contato
resistência limitadora, que nos indicará ativo ou de fase do neutro, porém
a fuga de corrente de um condutor como é simétrico, pode-se dar a volta
ativo (fase) até nosso corpo. com os pinos para que, se o aparelho
portátil ou o eletrodoméstico tiver in­
terruptor de um só contato, este seja
Os INTERRUPTORES desconectado da fase. Para a determ i­
nação correta da posição dos pinos,
Em uma instalação trifásica, o interrup­ será necessário o uso de um “ busca
tor de controle de potência, o interrup­ pólos” ou de um aparelho detetor de
to r automático diferencial e, caso exis­ campo elétrico.
ta, talvez o relé de desconexão por Se, como já foi com entado, a com­
ausência de consumo deverão ter qua­ panhia que distribui a energia elétrica
tro circuitos, enquanto se o forneci­ tiver em sua zona uma rede antiga e não
m ento for monofásico, bastarão dois. lhe oferecer um condutor neutro, dá
Nos interruptores com quatro circui­ no mesmo o condutor que interrompa,
tos, é importante respeitar o correspon­ pois sempre terá o inconveniente de
254 O GRANDE LIVRO DA C ASA SAUDÁVEL

deixar em tensão os circuitos inativos, deiras infantis. M uitos aparelhos, ge­


salvo se os interruptores forem de dois ralmente os de uso na cozinha (es­
contatos, coisa desgraçadamente ex­ premedores, batedeiras, etc.) e no ba­
cepcional na maioria dos aparelhos e nheiro (secadores de cabelo, barbea­
eletrodomésticos. dores, etc.), são de “duplo isolam ento”
Os plugues sem tom ada de terra de­ e os identificaremos por uma marca
vem ser reservados exclusivamente para específica, consistente de dois quadra­
os aparelhos com “duplo isolamento”, dos concêntricos. Além disso, o isola­
que descreveremos posteriormente. m ento funcional, para que o aparelho
Especialm ente perigosos são os opere corretam ente, dispõe de outro
“adaptadores” para conseguir casar isolamento de proteção que elimina
plugues de formas diferentes. qualquer parte metálica acessível. Se
Nunca devem ser colocados adap­ elas existem, não penetram no apare­
tadores nos plugues das estufas, p o r­ lho. Esses pequenos eletrodomésticos
que seu elevado consumo gera corren­ são os únicos que não requerem cone­
tes intensas, que facilmente aquecem as xão de terra.
más conexões. Alguns equipamentos eletrônicos,
E preferível mudar os pinos (quase como as calculadoras, e em geral aque­
todas as pessoas podem fazê-lo em 10 les que podem alimentar-se tanto de
minutos) do que usar um adaptador. pilhas como da corrente da rede, casse­
No caso de ser imprescindível o uso tes, etc., dispõem de um pequeno trans­
de adaptadores, estes não devem inter­ formador externo ao aparelho, que em
rom per a conexão de terra. muitos casos forma conjunto com os
Na necessidade de se conectar mais pinos do plugue. Esses aparelhos têm a
plugues do que o número de bases de vantagem de permitir que afastemo-
tom ada disponíveis, é preferível a utili­ nos da fonte de radiação elétrica e eletro­
zação de caixas com várias bases e um magnética, porém deverão ser retirados
cabo com plugue antes de usar as “to ­ da tom ada quando não utilizados.
madas triplas” , que sobressaem e movi­ Alguns aparelhos eletrônicos, com o
mentam-se perigosamente. os com putadores, calculadoras, etc.,
As extensões serão utilizadas somente têm um filtro antiparasitário que os
para conexões temporárias. Se são do protege dos “ruídos” elétricos prove­
tipo enrolável, o cabo deverá ser extraí­ nientes da rede, e está conectado dire­
do por com pleto, em bora não seja ne­ tam ente ao cabo de entrada, antes do
cessária toda sua longitude, para di­ interruptor. Em bora não estejam em
minuir o campo eletromagnético e fa­ uso, emitem contaminação eletrom ag­
cilitar a dissipação de calor. São prefe­ nética, motivo pelo qual é conveniente
ríveis os de cabo telados (coaxiais). desconectá-los da tom ada quando não
A melhor prevenção contra a ele- estiverem sendo usados.
trocussão, por tocar um cabo com iso­ M uitos aparelhos eletrônicos, com o
lamento roto, é usar unicamente cabos intercomunicadores, vídeos, aparelhos
telados para a alimentação de aparelhos de som, etc., mantêm o transformador
móveis. de rede perm anentem ente conectados,
Existem bases de tom ada especial­ embora o interruptor esteja desligado.
mente desenhadas para evitar a intro­ Por isso, quando não os utilizarmos,
dução de objetos, próprio das brinca­ deveremos desligá-los da tom ada para
PRÁTICA G E O B IO L O G IA 255

evitar a produção de um campo eletro­ com as necessidades biológicas especí­


m agnético desnecessário. U m a boa ficas de seus moradores.
solução consiste em empregar caixas Com muita freqüência, as necessida­
com várias bases de tom ada, providas des de conforto biológico contradi­
de um interruptor de dois contatos e zem-se com os critérios estritamente
um cabo com plugue. técnicos e práticos, ou com aqueles em
Merece especial menção a má quali­ que somente almeja-se objetivos con­
dade de quase todas as luminárias por­ cretos, como o isolamento total, que
táteis, de pé, de mesa ou com hastes permita grande economia de energia.
“flexíveis” que conhecemos, que sem Devido às diferentes crises energéticas,
possuírem duplo isolamento não têm sua economia pressupõe um verdadei­
conexão à terra, gerando além disso ro cavalo de bat alhas na construção e
amplos campos elétricos ao seu redor e reforma de edifícios. Com isso, redu­
eletromagnéticos se forem dotadas de zem-se gastos em energia e aproxi-
reguladores de luz ou transformadores mamo-nos dos critérios ecológicos ao
para lâmpadas halógenas de baixa ten­ evitar consumo energético desnecessá­
são. rio. Fechar todas as fendas da estrutura,
as laterais de portas e janelas e o uso de
isolantes de porosidade fechada, assim
Qualidade do ar e conforto biológico como a colocação de barreiras ao va­
por, são medidas efetivas para reduzir
A importância da qualidade do ar que enorm em ente as perdas energéticas.
respiramos foi amplamente abordada Porém (tinha que haver um porém),
no capítulo 9, onde descrevemos os com essa seladura hermética das resi­
perigos que pode causar um ar conta­ dências também reduzimos a renova­
minado por excesso de substâncias tó ­ ção do ar e a adequada ventilação. Se a
xicas ou uma ventilação e renovação do isso acrescentarmos que grande parte
ar interior deficientes. da contaminação do ar procede dos
N ão podem os desvincular esse apar­ próprios materiais de construção, dos
te dos precedentes, pois a qualidade do tapetes e do mobiliário, com preende­
ar interno e externo da residência se­ remos que estamos resolvendo um pro­
gue unida aos demais fatores meio blema para agravar outros.
ambientais, climáticos, microclimáticos Em casas antigas e em regiões de
e bioclimáticos. Esses fatores de inci­ clima benigno, o ar interno renova-se
dência interagem constantem ente: a no mínimo uma vez a cada hora. Nos
tem peratura, a um idade, a pressão locais m odernos, que cumprem as n o r­
atmosférica, o movim ento do ar e sua mas de economia energética, a renova­
renovação, a eletricidade ambiental, a ção do ar interno pode cair uma vez a
ionização atmosférica, a radioativi­ cada cinco ou seis horas. Isso pode
dade... conduzir a um aum ento considerável
O conforto biológico e o microclima dos poluentes internos já mencionados
internos de uma residência só podem ou uma proliferação de fungos, bacté­
ser considerados ótimos quando esses rias ou do perigoso gás radônio.
conceitos biotrópicos e bioclimáticos, A experiência em bioconstrução e
assim com o os demais fatores de inci­ arquitetura bioclimática demonstra que,
dência, concordam harmoniosamente escolhendo razoavelmente os materiais
256 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

de construção e com uma planta e aconselháveis naqueles espaços onde


sistemas const rutivos inteligentes e existe pouca renovação do ar de forma
acordes com o clima, podem ser cum ­ natural: cozinhas, banheiros, porões,
pridas de sobra as expectativas de um estúdios onde se fúma ou repletos de
adequado conforto biológico, unido a com putadores ou produtos sintéticos,
uma satisfatória economia de energia. etc.
Os aspectos técnicos do equilíbrio U ltim am ente, está m uito na m oda
entre a qualidade do ar e a economia de os sistemas integrais e inteligentes de
energia estão m uito ligados à clima­ renovação do ar, eq u ip ad o s com
tologia e à situação geográfica da m o­ sensores de tem peratura e um idade e
radia. conectados a um processador, que dá
Com os sistemas bioclimáticos pas­ as ordens de forma autom ática e se­
sivos pode-se alcançar resultados m ui­ gundo as necessidades do m om ento.
to satisfatórios. O livro Architectures O maior inconveniente desses siste­
Sola ires en Europe (Arquiteturas Sola­ mas é a obrigação de portas e so b retu ­
res na Europa) descreve amplamente do janelas serem mantidas hermetica-
um grande núm ero de construções mente fechadas. O fato de não poder
bioclimáticas realizadas em toda a E u­ abrir as janelas, tecnicam ente é estu ­
ropa, indicando seus dados técnicos, pendo, porém psicologicamente é te r­
utilidades, economia energética conse­ rível; gera sensações claustrofóbicas e
guida, rendim entos, avaliação de cus­ condiciona ao fornecim ento elétrico
tos adicionais e sua amortização a curto do edifício. A maioria das instalações
ou longo prazo, segundo os sistemas de ar condicionado, além de sofrerem
escolhidos. desajustes e sérios problem as de m a­
Os que vivem num clima quente e nutenção, sem eletricidade deixam de
úmido e aqueles situados em regiões funcionar e o edifício converte-se num
frias durante grande parte do ano, tal­ inferno, d eix an d o -n o s im p o ten tes
vez precisem incorporar algum sistema diante da impossibilidade de abrir uma
mecânico adicional. Na medida do janela.
possível, seria interessante que esse sis­
tema dispusesse de um recuperador
térmico, para maior aproveitamento R espiração de nossa terceira pele
energético.
Nos climas temperados, as casas po­ U m a forma de renovação do ar na
dem ser menos herméticas e os sistemas residência, que é ignorada e passa inad­
passivos de ventilação são perfeitamen­ vertida, é a difusão natural do ar através
te viáveis. Baseiam-se essencialmente dos materiais de construção porosos
no princípio do “efeito chaminé” ou como o ladrilho, a pedra, a madeira, a
“termossifao” . Devido às diferenças de argamassa de cal e areia, o gesso, etc.
tem peratura e às pressões do ar - inter­ A estrutura externa do edifício pode
no e externo - criam-se correntes atra­ intercambiar uma certa quantidade de
vés das aberturas superiores, que su­ ar com o interior, desprendendo dos
gam o ar fresco ao interior da casa. O ar materiais escolhidos, com a vantagem
quente, úmido ou contaminado sai pelas de que os materiais porosos podem
aberturas superiores: chaminés, exaus­ absorver ou liberar a excessiva umidade
tores, etc. Os exaustores mecânicos são interior.
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 257

As vantagens dos materiais naturais fundar cada aspecto específico estuda­


são empanadas (nunca melhor dito) pe­ do: materiais saudáveis, conforto bioló­
los hábitos construtivos em uso, nos quais gico, arquitetura bioclimática, econo­
empregam-se materiais isolantes sem mia energética, energias renováveis, etc.
porosidade, barreiras ao vapor com lâmi­ Em últim a instância, recom enda­
nas de plástico ou tintas e vernizes sinté­ mos um assessoram ento, consultan­
ticos, que selam qualquer pequeno poro, do os especialistas em geobiologia e
impedindo essa “respiração cutânea” por bioconstrução. A Associação de Es­
difusão. Nesse sentido, as já mencionadas tudos G eobiológicos dispõe de uma
pinturas minerais de silicato são as ideais, lista de profissionais qualificados -
pois graças a seus microporos impedem a arquitetos, construtores, d istribuido­
penetração da água, porém facilitam uma res de materiais e prospectos - que
correta aeração. desenvolvem seu trabalho em várias
regiões da Espanha. Tal associação
edita um boletim para seus associa­
S ob a forma de resumo dos, onde recolhem -se diversos p ro ­
jetos em curso, assim com o as expe­
Na bibliografia recomendada, todos riências práticas realizadas e relacio­
terão a oportunidade de ampliar e apro­ nadas com essas matérias.

1 Pode-se solicitar informações à GEA (Asso­


ciação de Estudos Geobiológicos), Sant Francesc,
95, 12580 Benicarló (Castellón, Espanha).
2 Arlita: argila expandida.
3 Perlita e vermiculita: feldspatos e rochas
vulcânicas expandidas por calor a 850°C.
4 Isochanvre, Chenevotte H ábitat, “Le Ver-
ger” 72260 REN E, tel. 43 97 45 18, França.
5 Inércia térmica.
258 O GRANDE LIVRO D A C A S A SAUDÁVEL

CAPÍTULO 18 estado depressivo, o restante das cons­


tantes biológicas se tornará alterado; e
EQUILÍBRIO E SAÚDE GLOBAL estaremos abrindo as portas para inu­
meráveis transtornos somáticos. Inclu­
sive nossas defesas debilitam-se diante
dos agressores externos, fazendo-se
Seria insensatez de nossa parte preten­ m uito vulneráveis a qualquer infecção
der que a causa de todos os transtornos ou ataque viral.
e enfermidades que o ser hum ano sofre Estudar o ser hum ano com o uma
no presente seja a exposição a radiações entidade interativa com o grande co n ­
eletromagnéticas, terrestres ou cósmi­ junto de circunstâncias que o rodeiam
cas. E, menos ainda, ver os organismos e respondendo sem cessar a cada um
vivos como seres indefesos às agressões dos estímulos externos, é um objetivo
do meio. Diante da evidência de que o inevitável e necessário. Não podem os
organismo hum ano responde, ajusta- continuar adotando a atitude meca-
se ou adapta-se a cada nova circunstân­ nicista de ir trocando as peças deterio­
cia ou problema que a vida lhe impõe, radas, por tem po que ignoramos, e ir
temos catalogado os fenômenos e alte­ desprezando as múltiplas e complexas
rações a que podemos estar expostos causas de disfunção física ou psíquica e
cotidianamente como fatores de risco, as possibilidades de defesa e regenera­
ou de incidência no equilíbrio biológi­ ção espontânea.
co. Porém, tendo sempre presente que O caráter divulgador desta obra im-
cada ser vivo interage de forma parti­ pede-nos de aprofundar e desenvolver
cular com essas energias, radiações, subs­ cada postulado exposto, tão extensa­
tâncias tóxicas, vírus ou germes pato­ mente quanto seria de nosso agrado.
gênicos. Para aquelas pessoas que desejarem
Daí a necessidade de acrescentar um maior documentação oferecemos a bi­
capítulo a mais nesta obra, no qual bliografia, que supomos ser de grande
abordaremos os aspectos relacionados interesse e ajuda. Aqui tão somente
diretamente com nossas respostas na­ esboçaremos alguns dos aspectos que
turais, diante das agressões a que nos intervém nesses complexos processos
vemos confrontados. de equilíbrio e saúde, tanto física quan­
Saúde global é um novo e cada vez to psíquica e inclusive emocional e, por
mais arraigado conceito de equilíbrio e que não, também espiritual.
saúde. A velha atitude da medicina
clássica de ver o organismo como um
conjunto de órgãos que trabalham se­ H om eostase e enfermidade
paradamente e sem aparente relação,
tornou-se obsoleta. Se nosso fígado Os mecanismos de equilíbrio e h o ­
funciona mal, todo nosso organismo meostase de nosso organismo são su­
irá ressentir-se. Se nosso estômago não mamente complexos e m uito efica­
realiza bem suas funções digestivas, zes, na maioria das situações em que
afeta desde o cérebro e os processos defrontamo-nos com as agressões ex­
neurológicos, até o sistema circulató­ ternas.
rio. Porém, ao mesmo tem po, se nossa Nosso organismo é capaz de m anter
mente sofre ou encontram o-nos em uma tem peratura interna próxima aos
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 259

37°C, independentem ent e da tem pe­ ar e na roupa, permite a radiação fria


ratura externa. N o caso de baixar m ui­ circular sem resistência (“Faz um frio
to a tem peratura externa, nossa respos­ que gela até os ossos” ).
ta biológica consistirá em fechar os Esses mecanismos de homeostase e
poros e evitar perdas de calor interno. reequiIíbrio interno também são ativos
Se a tem peratura externa continuar frente a agressões diversas, como vírus,
caindo e não puderm os nos proteger bact érias, germes patogênicos ou subs­
com roupas adequadas, começaremos tâncias químicas, tóxicas ou cance­
a “tin tar” , o que conduz a uma ativida­ rígenas. Em algumas ocasiões, um sim­
de muscular que gera calor e impede o ples aum ento de tem peratura interna -
excessivo esfriamento do organismo. a febre - basta para frear o desenvolvi­
Tão somente quando todos os recursos m ento de um vírus ou um germe
de resposta biológica se esgotam, che­ patogênico que invadiu nosso organis­
gamos a perecer de frio. Mecanismos mo. Esses microorganismos precisam
análogos colocam-se em marcha quan­ de uma temperatura concreta e estável
do o calor exterior supera o umbral de para se desenvolverem , e por isso
tem peratura ótima. Recordemos que a submetê-los a temperaturas elevadas
umidade relativa do ar tem um papel pode inibir seu desenvolvimento e em
im portante nas sensações de frio e ca­ alguns casos até destruí-los.
lor, levando-se em conta que o ar é
pouco condutor quando está seco,
porém facilita a passagem de radiação - As respostas biológicas
frio ou calor - quando seu grau de
umidade relativa aumenta. D iante de substâncias tóxicas ou
Os mecanismos de resposta ao calor cancerígenas já vimos no capítulo sobre
começam por uma abertura de poros, contaminação eletromagnética, os re­
para continuar - na medida em que a sultados favoráveis ao se potenciar a
tem peratura sobe - com uma secreção atividade hormonal de certas glândulas
de suor que ao evaporar-se esfria o endócrinas. Referimo-nos especialmen­
interior do corpo (sistema de refrigera­ te aos trabalhos dos doutores Cos,
ção passivo, cham ado “ sistema de Sánchez e Meidavilla, realizados no De­
m oringa” ). Q uando a evaporação do partam ento de Fisiologia da Faculdade
suor não é suficiente, podemos molhar de M edicina da U niversidade de
nosso corpo e, com isso, evaporamos Santander; experimento realizado com
mais água e regulamos melhor a tem pe­ três grupos de ratos, em que adminis­
ratura interior, que tende sempre a ser trou-se uma substância química (7,12-
constante. dimetil-benzatraceno), produtora de
Naturalmente, nas regiões quentes e câncer de mama naqueles animais. O
úmidas, o calor pode tornar-se altamen­ grupo do qual a pineal foi extirpada,
te sufocante, devido ao fato de apenas impedindo as secreções hormonais dessa
evaporarmos o suor ou a água, pelo que glândula - sobretudo a melatonina - ,
o calor interno apenas se dissipa. Igual­ desenvolveu tumores cancerígenos em
mente insuportável é o frio nas regiões tempos mais curtos que o segundo
úmidas, como são as costeiras, os vales grupo, cuja atividade pineal era normal.
e as zonas de grandes camadas freáticas Este segundo grupo desenvolveu o cân­
ou aqüíferas no subsolo: a umidade, no cer de mama num ritmo semelhante ao
260 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

estabelecido estatisticamente com o u ­ Claro está que tratam-se de soluções


tros ratos, submetidos à mesma subs­ demasiado simples, já que o que esti­
tância cancerígena. O interessante des­ mula a atividade da pineal e as secreções
sa pesquisa pode ser observado no ter­ de melatonina é:
ceiro grupo de ratos, que foi submetido
a circunstâncias que favoreciam a ativi­ a) M enor exposição à radiação am ­
dade da pineal e suas secreções horm o­ biental: a luz solar ou artificial, os cam­
nais, entre elas a melatonina. Os ratos pos elétricos ou eletromagnéticos, as­
assim estimulados não desenvolveram sim como a radioatividade do solo ou
nenhum tipo de tum or, apesar de have­ dos materiais de construção.
rem recebido a mesma dose de substân­ b) Tem peraturas inferiores às dos
cia mutagênica. ratos de controle, ou seja, passar mais
Neste livro, permitimo-nos repetir frio, algo que a cada dia custa-nos mais,
em dois capítulos diferentes essa expe­ que estamos acostumados aos am bien­
riência, pelas profundas implicações que tes aquecidos com altas temperaturas.
tem para nossa saúde. Não seria por c) Anosmia ou redução dos estím u­
acaso mais lógico que, em lugar de los olfativos. O que contrasta com o
lutar contra o câncer em suas múltiplas consum o consciente de perfumes e
manifestações, centrássemos mais es­ odorantes domésticos.
forços e energia em potencializar nos­ d) Diminuição da ingestão habitual
sos próprios mecanismos de resposta de alimentos. Daí, talvez, o antigo hábi­
imunológica e antimutagênica? to em todas as religiões de um período
N aturalm ente, isso não traria tantos anual de jejum (geralmente na primave­
benefícios às multinacionais da quím i­ ra). Embora a dificuldade em “privar-
ca e da farmacologia, nem justificaria os nos” de comer tudo o que nos apetece
milhões que se delapidam anualmente levou as mesmas religiões a modifica­
na investigação de uma enfermidade rem suas normas; no cristianismo, pas­
que cresce de forma alarmante na socie­ sou-se do jejum de 40 dias, preconizado
dade atual. Somente os tum ores cere­ pelo exemplo de Cristo, à quaresma
brais aumentaram em 300% em apenas (que, em princípio, corresponderia à
uma década. duração desse jejum), passando a signi­
Se dispomos de mecanismos inter­ ficar somente a proibição de comer
nos de defesa e mesmo de destruição carne durante esse período. Mais tarde,
das células cancerosas, por que não a exclusão da carne da dieta restringiu-
potencializá-los? se às sextas-feiras da quaresma. N o fim,
Essa asseveração confirma-se com a ainda inventaram as “bulas” , com as
investigação mencionada, pois o se­ quais “pagava-se” o direito de comer
gundo grupo de ratos, uma vez desen­ toda a carne que se quisesse nas sextas-
volvidos os cânceres de mama, subm e­ feiras da quaresma. Os muçulmanos
teram-se às mesmas condições de hipe­ foram mais astutos. Com o o Alcorão os
ratividade da pineal. Observa-se, en­ “obriga” ao estrito cumprimento do
tão, que a maioria dos animais afetados Ramadao, que consiste em jejum d u ­
conseguia deter o desenvolvimento do rante 40 “dias” , porém não especifica
tum or cancerígeno, e inclusive alguns nada sobre as “noites” , a resposta é
ratos conseguiram destruir os tum ores lógica: não comem nada durante o dia,
provocados pela substância química. porém passam a noite comendo.
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 261

Curiosidades à parte, com as expe­ germes patogênicos. Na maioria dos


riências descritas descobrimos o poten­ transtornos alérgicos ou asmáticos, nos­
cial de resposta interior às agressões do so organismo desencadeia uma resposta
meio. Seria m uito im portante tê-lo pre­ exagerada de fabricação de anticorpos,
sente na hora de velar por nossa saúde, diante da presença - por escassa que seja
seja qual for o transtorno de que pade­ - de uma substância chamada alérgeno.
cemos. Entre as substâncias com efeitos alérgi­
Nos casos de infecção, seja por vírus, cos, encontramos elementos tão varia­
bactérias ou germes patogênicos, nos­ dos como fungos, pó, ácaros, pólen,
so organismo desencadeia um alude de medicamentos, aditivos químicos di­
substâncias neutralizadoras ou anti­ versos, gases e milhares de outras subs­
corpos, que encarregam-se de reduzir tâncias que, em condições normais e em
ou aniquilar o invasor. Q uando os pessoas não “sensíveis” , não criam ne­
mecanismos internos falham, ou en­ nhuma das reações alérgicas exageradas
quanto tem lugar o processo de auto­ mais comuns, como inflamação, pruri­
defesa - que em certas ocasiões consi­ do, inchaços, eczemas, tosse convulsiva,
deramos demasiado lento - , recorre­ crises asmáticas, sufocação, etc.
mos à ajuda externa com a administra­ Existe uma grande controvérsia mé­
ção de substâncias “antibióticas” - dica em torno das causas e dos mecanis­
antivida - com as quais acelera-se a mos desencadeantes das alergias, so­
destruição dos inimigos de nosso orga­ bretudo se levarmos em conta que uma
nismo. Desde o descobrim ento da pe­ mesma pessoa pode tornar-se alérgica a
nicilina por Fleming - em bora os anti­ uma substância que, anteriorm ente,
gos maias já faziam uso do fungo nunca havia lhe afetado. Os conheci­
Penicillium - , o arsenal de substâncias mentos atuais revelam que os hábitos
antibióticas oferecido pela química de dietéticos e as mudanças ambientais,
síntese é desmesurado e movimenta assim como o estresse cotidiano, esti­
milhares de milhões anualmente. Sem mulam o desenvolvimento das alergias.
que, paralelamente, informem-nos ou Transtorno que a cada dia afeta um
recordem -nos os fatores e as circuns­ núm ero maior de indivíduos.
tâncias que potencializam nossos p ró ­ Nosso sistema imunológico está tão
prios mecanismos imunológicos. Tam ­ alterado e deteriorado, que suas res­
bém é certo que, em certas ocasiões, postas diante dos diversos agressores
produz-se respostas m uito pouco acer­ externos tornam-se incoerentes e, até
tadas por parte de nosso organismo... mesmo, nocivas para nossa saúde. Tam ­
bém é certo que o considerável aum en­
to de substâncias químicas artificiais, a
Respostas alérgicas: contaminação do ar, da água e dos
as pseudoenfermidades alimentos, assim como algumas formas
de vida bastante antinaturais, favore­
Pseudo significa “falso” ou “enganoso”, cem esse tipo de transtorno.
e aqui utilizamos esse prefixo para de­ Tentando ir mais além dos conceitos
signar alguns transtornos que não só e das linhas de pesquisa mais clássicas,
obedecem à presença de um agressor, gostaríamos de descrever alguns testes
como geralmente ocorre no caso de de laboratório que resultam tão surpre­
uma infecção por vírus, bactérias ou endentes quanto esclarecedores, no
262 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

campo das respostas biológicas, em avalanche de anticorpos que se disper­


relação às radiações e energias mais sarão por todo o organismo e que, ao
sutis. não encontrarem nenhum agressor
Um grupo de pesquisadores russos, “real” , criarão toda uma série de trans­
dirigidos pelo doutor V. P. Kaznachiev, tornos somáticos autodestrutivos: ata­
anunciou a possibilidade de comunica­ ques asmáticos, eczemas, tosse, conges­
ção e intercâmbio de informações das tão muscular, dores generalizadas, etc.
células através de débeis freqüências A medicina clássica recorre então às
eletromagnéticas, que centram-se no cortisonas, aos corticosteróides ou aos
espectro das radiações ultravioleta. Es­ anti-histamínicos; substâncias que blo­
ses investigadores dispuseram quatro queiam ou paralisam a atividade exage­
culturas de tecidos idêndcos em recipi­ rada do sistema im unológico, porém
entes distintos, selados e transparentes. cujos efeitos secundários podem ser
Dois desses recipientes, colocados um tão prejudiciais como o transtorno, já
ao lado do outro, estavam separados que ao bloquearem nosso sistema de­
por uma janela de cristal de quartzo. O fensivo natural, estaremos mais expos­
quartzo é transparente e, diferentemen­ tos a infecções, gripes, intoxicações e
te do vidro comum - que contém chum ­ outras doenças.
bo - , deixa passar a radiação ultravioleta. Todo o descrito é sumamente com ­
Após essa separação com quartzo, con­ plexo, porém definitivamente as con­
taminou-se uma das culturas com um clusões são lógicas: esquecemo-nos de
vírus letal e, em pouco tempo, com pro­ conhecer os mecanismos que p o ten ­
varam que a outra cultura reagia e com­ cializam nossas respostas naturais às
portava-se como se também estivesse agressões do entorno e centramos toda
afetada pelo mesmo vírus. Em troca, nas a atividade terapêutica para nosso auxí­
culturas separadas por uma lâmina de lio do ex terio r - an tib ió tico s ou
vidro comum, não se observou nenhu­ corticóides - , sem ter presente que essa
ma reação por parte da cultura não atitude pode ser tão negativa para o
contaminada. Recordemo-nos que o organismo e seu equilíbrio hom eos­
vidro comum filtra as radiações ultra­ tático com o abandonar-lhe à própria
violetas devido ao chum bo que leva em sorte, deixando-o perecer em conse­
sua composição. A conclusão mais im­ qüência de uma infecção, ou durante
portante dessa experiência é que pode­ um ataque alérgico.
mos nos ver afetados pela “informação” Todo esforço que fizermos para co­
eletromagnética de um vírus ou outro nhecer melhor nosso organismo e suas
agressor, embora não esteja presente respostas sutis diante de qualquer situa­
em nosso organismo. ção - por difícil que esta seja será de
Segundo o descrito, podemos pensar grande ajuda para a busca e encontro
que em determinadas ocasiões ou cir­ de uma saúde real. E aqui o conceito de
cunstâncias nosso organismo pode ser saúde não deve ser entendido tão so­
“enganado” . Estará percebendo uma mente como a simples ausência de en­
“informação” , em forma de “freqüên­ fermidade.
cia eletromagnética” de longitude de Para conseguir, temos que começar
onda ou intensidade semelhante à que tomando as rédeas e as responsabilidades
emite um vírus ou um germe nocivo, e de nossa vida e não seguir optando pelo
re sp o n d e rá d e se n c a d e a n d o um a desconhecimento total de nosso orga­
PRÁTICA G E O BIO LÓ G IC A 263

nismo, deixando-o nas mãos dos chama­ N osso organism o é suficientem en­
dos “especialistas” , como fazemos cor­ te inteligente e capaz de fazer frente
rentemente com nosso carro, do qual a qualquer eventualidade. C onhe-
ignoramos tudo, tranqüilos e seguros de çam o-nos e ajudem o-nos para que
que quando tiver um problema - avaria flua a vida! O resultado será o perfei­
- o levaremos ao especialista - oficina to equilíbrio global - físico e mental
mecânica - e de lá, com seus amplos - , a saúde e a felicidade em seus mais
conhecimentos e muita experiência, virá amplos sentidos.
com a solução. E assim vivemos mais
tranqüilos, sem necessidade de saber
absolutamente nada de mecânica. O corpo tem suas razões
Essa atitude está, inclusive, colocan­
do mais ênfase na troca de peças gastas Supomos um erro considerar as reações
ou defeituosas - transplantes - , susci­ de nosso organismo como puros capri­
tando mais interesse e inversão investi­ chos sem razão aparente.
gadora que as outras vias de gestão de Seria como considerar que a luz do
saúde, com o são a prevenção, o conhe­ painel de controle do carro, que acen­
cim ento real dos fatores de risco ou as de-se indicando-nos que o m otor está
circunstâncias ou atitudes que possibi­ esquentando ou falta óleo, é o proble­
litam o ótim o funcionamento do orga­ ma real e nós o solucionamos cortando
nismo (exercício, alimentação, respos­ o cabo que permite acender-se essa luz.
tas psicológicas, afetividade, etc.). F re q ü e n te m e n te desligam os os
Esperemos que, nas próximas déca­ sinalizadores de nosso corpo - em for­
das, essa atitude irracional-embora muito mas de dores - , tom ando alguns com ­
lucrativa para alguns poucos - inverta-se primidos ou a tão famosa aspirina e
em potencializar muito mais o desenvol­ esquecemo-nos que esse mal-estar ou
vimento de nossas próprias respostas na­ dor persistente estava informando-nos
turais diante de qualquer agressor exter­ sobre um transtorno mais grave, que
no - chame-se de vírus, germe, substân­ afeta o estômago ou o sistema nervoso.
cia tóxica, frio, calor ou campo eletro­ Eliminando os sinais, nunca consegui­
magnético intenso - e o melhor conheci­ remos eliminar a causa do problema,
mento das atitudes e atividades mais coe­ embora temporariamente nos sentire­
rentes para o bom funcionamento orgâ­ mos mais tranqüilos. Prove, a seguir,
nico, biológico ou psicológico. circulando a grande velocidade quan­
E bem sabido que o estresse, o esgo­ do a luz de excesso de temperatura
tam ento físico ou mental ou as carên­ piscar no console do seu automóvel...
cias afetivas diminuem nossa capacida­ A febre, outro dos sintomas eviden­
de de resposta imunológica, abrindo tes de desajuste interno, não deveria ser
de par em par as portas do desequilíbrio cortada tão alegremente. Em bora pa­
e da enfermidade. O mesmo acontece reça aparatosa, não somente é indicativa
com um a alim entação d eficiente, de transtorno ou infecção, como tam ­
carencial ou excessiva - m uito freqüen­ bém que com a hipertermia - elevação
te em nossos dias - , o que resulta tão da tem peratura - o organismo protege-
desequilibrador com o a carência de se de certos vírus e bactérias, que não
atividade física (anquilosamento) ou podem desenvolver-se em tem peratu­
seu excesso (esgotam ento). ras superiores a 38°C.
264 O GRANDE LIVRO D A C ASA SAUDÁVEL

As reações do organismo não deve­ cionará o problema, por m uito que nos
riam ser tomadas sob nenhum conceito alivie no m om ento.
tão precipitado, por muitos antibióti­ Com o risco de parecermos redun­
cos e armas químicas de que dispomos dantes, insistimos em algo que já repe­
para seu controle (desde logo tem porá­ timos incessantemente nestas páginas:
rio). Será mais coerent e e até mesmo se o corpo tem razões “reais” e profun­
positivo que busquemos sempre a cau­ das para queixar-se, por que limitarmo-
sa de tal reação. nos com as “aparências” , fazendo caso
Diante de enjôos, calafrios, suor frio, apenas dos sintomas externos? Se o
cãibras, etc., não busquemos somente as próprio corpo sabe o que se passa, por
causas clássicas: intoxicação alimentar, que não perguntar-lhe diret amente? T e­
má digestão, cansaço e outras; tentemos mos que reconhecer as limitações que
averiguar se existem razões mais profun­ nossa percepção tem na hora de aceder
das para tais reações orgânicas: dieta à informação “profunda” de nosso ser.
inadequada, falta de exercício, desajuste Essas limitações, porém , são freqüente­
energético profundo, estresse crônico... mente culturais e podem ser superadas,
Ou ainda, no que se refere às nossas se abrirmos um pouco mais nossa es­
investigações, má colocação da cama, treita mente ou nos preocuparmos em
contaminação eletromagnética ou ra­ aprender alguma técnica de expansão
dioativa, deficiente ionização do ar, etc. da consciência.
Eliminar o sintoma ou a dor, sem
incidir nas causas que os induzem, nunca
solucionará realmente o problema: este Nossas limitações:
será apenas adiado ou será mascarado. consciência, percepção e coerência
Se eliminamos a causa, o sintoma ou
sintomas desaparecem. Se repassarmos os diversos temas abor­
Uma forte cefaléia ou a dor aguda na dados nesta obra, talvez encontrem os
om oplata pode ser in d u zid a pelo tantos conceitos relativamente novos,
pinçamento de um nervo, como conse­ que não chegaremos a processá-los
qüência do deslocamento de uma vér­ numa primeira leitura.
tebra. Suprimir ou aliviar a dor, sem Em bora a algumas pessoas o expos­
recolocar as vértebras desajustadas, não to já seja familiar, e encontrarão poucos
será de grande ajuda, embora tem pora­ dados novos neste livro, supomos que
riamente nos alivie. para uma grande maioria alguns capí­
A presença de um cruzam ento de tulos podem ser um pouco densos.
linhas H artm ann na vertical de nossa Para evitar confusões e desânimo,
coluna vertebral - na cama, onde passa­ gostaríamos, a partir destas linhas, de
mos a média de oito horas diárias - estudar, de forma ligeira, a complexi­
produz com freqüência o deslocamen­ dade dos processos pessoais através dos
to de vértebras ou seu desgaste acelera­ quais assimilamos a informação que
do, o que induzirá pinçamentos ou nos chega do exterior, e as limitações
pressões temporárias dos nervos que as que ela nos impõem. De fato, o estado
atravessam, traduzindo-se em fortes de consciência de um indivíduo em
dores. Recolocar as vértebras no lugar, dado m om ento depende de inum erá­
sem afast ar nossa cama da vertical da veis fatores, e alguns deles, na medida
zona alterada teluricamente, não solu­ de nossa limitada capacidade de per­
PRÁTICA G E O B IO LÓ G IC A 265

cepção, talvez possamos entrever como cotidiana, não as processamos, o que é


mais decisivos em determinadas cir­ tão somente a razão para que não as
cunstâncias. percebamos. Talvez nosso cérebro, este
A realidade, na qual estamos imersos sim, as registre e não dispomos dessa
e da qual somos parte, é infinitamente informação a um nível consciente.
mais complexa do que chegamos a per­ E evidente que temos de limitar as
ceber, com nossos pouco mais de cinco percepções, se queremos ter uma visão
sentidos. E digo mais de cinco sentidos da realidade útil e coerent e. Se por
não referindo-me às percepções extra- exemplo todos os sons que chegam a
sensoriais. De fato, as próprias percep­ nossos ouvidos fossem escutados, so­
ções sensoriais têm sido subvalorizadas. mente ouviríamos um m urm úrio, uma
Por exemplo, só do tato, que chama­ espécie de ru íd o de fu n d o (um
mos de sentido, chegam ao cérebro sonôm etro instalado em um aposento
mais de 30 sinais diferenciados. Dispo­ onde não se percebe ruído aparente
mos de sensores para a pressão, a fric­ pode marcar até 20 decibéis, o que nos
ção, o calor,