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Literatura Brasileira IV AULA 2

Marta Célia Feitosa Bezerra


Otoniel Machado da Silva
João Batista Pereira

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

A Semana de Arte Moderna:


um insulto à “digestão
bem-feita de São Paulo”

1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM

„„ Relacionar os pressupostos da realização da Semana de


Arte Moderna ao contexto social e político no mundo;
„„ Perceber a importância da Semana de 22 para os
desdobramentos da Literatura Brasileira;
„„ Conhecer o ideário, os principais autores e
obras que marcaram a Semana.
A Semana de Arte Moderna: um insulto à “digestão bem-feita de São Paulo”

2 COMEÇANDO A HISTÓRIA

Caro aluno,

Estudamos na aula anterior as vanguardas europeias e sua importância para a


definição de uma verdadeira revolução no campo artístico, que testemunhou o
anseio da sociedade e, sobretudo, dos artistas e intelectuais por uma reviravolta
nas manifestações artísticas, até então ligadas a uma tradição que apresentava
profundo descompasso entre a arte e a realidade do início do século XX. A
influência das vanguardas pode ser sentida em muitos países e, em solo brasileiro,
as ideias vanguardistas encontraram também um grupo de artistas, intelectuais e
pensadores ávidos por mudanças. Foi, portanto, terreno fértil para a disseminação
e concretização de um evento que marcaria a cena cultural brasileira.

Veremos, nesta aula, como as ideias para a realização da Semana de Arte Moderna
de 1922 se ancoram nos pressupostos vanguardistas e de como sua construção se
caracteriza como verdadeiro divisor de águas no que diz respeito à arte brasileira.

Conheceremos o pensamento que impulsiona a realização da Semana, seus


principais representantes, a reação do público e os novos caminhos por ela
propostos, apontados na aula anterior.

3 TECENDO O CONHECIMENTO

3.1 Breve introdução.

Os movimentos de vanguarda, como estudados na aula anterior, representaram


uma resposta aos desdobramentos políticos e sociais do pós-guerra. A desilusão
com os ideais dos antigos regimes aristocráticos, dos quais restaram os escombros
e traumas de guerra, exigiu do homem respostas prementes sobre sua função
e permanência no mundo, pondo à prova sua crença, seus princípios e ideais,
revelando um profundo abismo entre sua essência e o mundo que o cerca.

A arte passa então a refletir os conflitos sociais e existenciais que dominam o


homem. As teorias cientificistas que outrora sustentaram a definição de progresso
e futuro como segurança de felicidade eram agora responsáveis pela profunda
instabilidade que marcava a vida, sobretudo a artística e intelectual, no início do
século XX. Em vista disso, buscam-se novas formas de expressão que reflitam a
realidade dos novos tempos. Desse modo, a literatura também vai assumir novos
contornos, novas temáticas e novas formas de ler a realidade.
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AULA 1

O pós-guerra instaura uma nova ordem no campo das artes em que os


experimentalismos dos movimentos vanguardistas se unem numa espécie de
rede de influências a apontar uma nova forma de arte e literatura. Para Coutinho
(1995), esse conjunto de traços é o que define o “moderno” ou a literatura moderna.
Como já assinalamos em aulas anteriores, cada novo movimento artístico que
surge pretende suplantar ou discordar do movimento a que sucede. A época da
modernidade, portanto, caracteriza-se como sendo uma época de oposição a
tudo que é “antigo”, preocupando-se com a destruição e substituição de valores
da era anterior, voltando-se exclusivamente ao futuro. Essa visada ao devir, ao
desconhecido põe em xeque a tradição, a ciência, a imitação dos modelos,
para se nutrir do sentimento de transitoriedade, de velocidade, de fugacidade,
refletindo a instabilidade com que o mundo se caracteriza.

As décadas de 1910 e 1920 trazem consigo traços de uma profunda estagnação


e apatia em certos setores da sociedade, o que impulsionaria nos inconformistas
e vanguardistas um desejo de renovação. Para os vanguardistas, a concepção de
arte já não tinha condição de transfigurar a realidade moderna, caracterizada pelo
movimento, pela fugacidade, pelo transitório de uma sociedade em constante
mutação. Já não havia espaço para a ideia de totalidade, de verdade absoluta.
Em seu lugar, prioriza-se a multiplicidade, as variantes de uma mesma realidade
refletida a partir da subjetividade do artista. No Brasil, esse desejo atingiu em
cheio os que aqui já ansiavam por mudanças no campo das artes e gestavam,
desde muito, um sentimento de recusa aos modelos anteriores. De maneira geral,
o período compreendido entre 1890 e 1920, no Brasil, atesta, no que diz respeito
à literatura, uma certa acomodação no seu papel de “ornamento da sociedade”
ligando, quase sempre a função do escritor às instituições acadêmicas, tornando-o,
assim, um “apêndice da vida oficial”, que se movia nos estritos horizontes das
classes dominantes (WISNIK, 1983).

A necessidade de renovação na literatura brasileira era sentida há muito. A


noção de arte como imitação da realidade - a mimese, segundo a concepção
aristotélica – é amplamente combatida pelas vanguardas, que propõem novas
formas de enxergar a realidade, não mais buscando a perfeição e a estreita
relação com o real, mas por meio da deformação, da construção subjetiva dotar
os elementos de certa autonomia. Nesse sentido, Lima Barreto, Monteiro Lobato,
Euclides da Cunha já prenunciavam, como estudado em Literatura Brasileira III,
uma inquietação estética que apontava para os novos rumos da literatura no
país. A busca de novas formas, de novas dimensões estéticas se encontram no
afã de valorizar a realidade brasileira, a exemplo de Euclides da Cunha em “Os
sertões”. Na expressão de Tristão de Ataíde, “a inquietação estética borbulhava
no silêncio”. Nesse contexto, é de se esperar, portanto, caro aluno, que todas
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A Semana de Arte Moderna: um insulto à “digestão bem-feita de São Paulo”

essas ideias inconformistas convergissem para um movimento unificador que


trouxesse à vista o pensamento brasileiro em consonância com os ideais do
pensamento moderno no campo artístico.

Claro está que as novas ideias a respeito da arte e do moderno não encontraram
em todos os meios plena aceitação. Ao contrário: o apego ao passado, à tradição,
às formas estéticas clássicas dominava grande parte dos círculos intelectuais do
país. Não sem razão, o movimento que surge se instaura como verdadeiro choque,
ruptura, confronto, eivado de discussões acaloradas, escândalos e polêmicas.

3.2 A semana de 22

Buscando reunir em coro as vozes que bradavam no país por mudanças no


campo das artes, a Semana de 22 originou-se a partir de uma sugestão do pintor
Di Cavalcanti a Paulo Prado para que se organizasse uma semana de escândalos
em São Paulo. A escolha da cidade de São Paulo como palco para a realização
do evento se deu tão somente por esta cidade comportar um maior número de
artistas envolvidos. Isto não significa dizer que a então capital do país, a cidade
do Rio de Janeiro, não tenha participado ativamente da Semana. A efervescência
cultural que se notava em São Paulo já se fazia sentir em muitos outros centros
pelo país a fora. Todavia, o impulso maior à realização da Semana partiu de São
Paulo, notadamente mais avançada no caminho da revolução.

A difusão da realização da Semana na imprensa foi desencadeada por Oswald


de Andrade e Menotti del Picchia, com grande estardalhaço, conclamando os
artistas e intelectuais a participarem e prestigiarem as propostas de mudança
que a Semana anunciava. Foi, sem dúvida, um evento pensado e organizado
pela elite intelectual e econômica paulista, que, centrando-a no Teatro Municipal
de São Paulo, reduto da alta aristocracia brasileira, prenunciava o choque entre
a tradição e a modernidade.

De 13 a 17 de fevereiro de 1922, a cidade de


São Paulo viveu verdadeira explosão em que
os bastiões do passado foram assaltados
pelos espíritos vanguardistas de destruição
da velha ordem. O grupo organizador paulista
compreendia: Oswald de Andrade, Mário de
Andrade, Menotti del Picchia, Guilherme de
Figura 1 Integrantes do Movimento Almeida, Sérgio Milliet, Luís Aranha, Agenor
Modernista de São Paulo.
Barbosa, Cândido Mota Filho. Como dissemos
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AULA 1

anteriormente, as ideias revolucionárias a respeito da necessidade de transformação


da arte já se faziam sentir há muito tempo. Exposições como as de Anita Malfatti
e Brecheret já consolidavam o estilo vanguardista presente nos ideais da Semana
(Cf. Coutinho, 1995, p. 264).

Em 1917, Anita Malfatti realizaria uma exposição considerada um marco na


história da arte moderna no Brasil e a semente para a realização da Semana de
Arte Moderna de 22. Foram expostos 53 trabalhos, entre eles: a estudante Russa
(1915), O homem amarelo (1915-1916), A mulher de cabelos verdes (1915-1916)
que, por seu caráter expressionista, causam profundo impacto nos padrões da
arte brasileira. A exposição porta elementos de profunda ligação com a arte
moderna no que diz respeito às cores, à superficialidade das pinceladas, à falta
de linearidade dos traços e à liberdade de composição. O impacto causado pela
novidade trazida pela pintura de Anita faz com que ela se torne a precursora do
Modernismo de 22. Tanta novidade para os padrões estéticos brasileiros foi o
suficiente para que Monteiro Lobato desferisse severas críticas à exposição, em
artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 20 de dezembro de 1917,
intitulado Paranóia ou mistificação? considerando-a tão somente uma adesão
aos modismos.

Veja abaixo trecho do artigo de Monteiro Lobato:

“Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente
as coisas e em consequência disso fazem arte pura, guardando os eternos
ritmos da vida, e adotados para a concretização das emoções estéticas, os
processos clássicos dos grandes mestres. Quem trilha por esta senda, se tem
gênio, é Praxíteles na Grécia, é Rafael na Itália, é Rembrandt na Holanda, é
Rubens na Flandres, é Reynolds na Inglaterra, é Leubach na Alemanha, é Iorn
na Suécia, é Rodin na França, é Zuloaga na Espanha. Se tem apenas talento,
vai engrossar a plêiade de satélites que gravitam em torno daqueles sóis
imorredouros. A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a
natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica
de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. São
produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência: são
frutos de fins de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes, brilham
um instante, as mais das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo
nas trevas do esquecimento. Embora eles se dêem como novos precursores
duma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica:
nasceu com a paranóia e com a mistificação. De há muito já que a estudam

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A Semana de Arte Moderna: um insulto à “digestão bem-feita de São Paulo”

os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos


que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside
em que nos manicômios esta arte é sincera, produto ilógico de cérebros
transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições
públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos,
não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo mistificação pura.”

Aproveite para ler o artigo completo disponível na Plataforma ou consulte o site


http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/educativo/paranoia.html

Mas o que há de vanguardista na obra desses artistas?

Anita Malfatti distancia-se do retrato da tradição


acadêmica, primando pelo contraste de cores
opostas, representando figuras deformadas, de
colorido exagerado, cujo gestual se revela por
meio de pinceladas rápidas, utilizando o pincel
mais seco que o usual. Alinha-se, portanto, ao
ideário moderno, o que provoca a reação de
muitos críticos, inclusive de Monteiro Lobato
que acreditava ser a obra da pintora desprovida
Figura 2 Uma estudante de de qualquer senso lógico, preso que estava às
Anita Malfatti – Museu de
Arte de São Paulo
formas clássicas.

Brecheret, com a escultura “Cabeça de Cristo”,


subverte os cânones vigentes tanto do fazer
artístico quanto da retratação da figura religiosa,
quando intensifica o caráter longilíneo da
figura, estilizando-a de maneira inovadora. Vale
ressaltar, que essa obra, adquirida por Mário de
Figura 3 Brecheret, Victor. Andrade, foi a pedra de toque para a escritura
Cabeça de cristo, 1919/20c. de “Paulicéia Desvairada”.
Coleção Mário de Andrade.
(crédito: Coleção de Artes
Visuais, IEB/USP.)

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AULA 1

O Programa da Semana de 22 incluía as mais diversas manifestações artísticas:


pintura, escultura, poesia, música, teatro, representando, em tudo, a completa
rejeição aos padrões estéticos vigentes. Na música, destacam-se os concertos
de Villa-lobos que, como mostra Wisnik (1983), ofereciam uma amostra daquilo
que de mais arrojado se fazia no Brasil neste campo. Além das conferências que
discutiam temas ligados à arte na modernidade, a Semana contou ainda com
uma série de apresentações de poesias que inauguravam o estilo marcadamente
controverso e revolucionário dos novos tempos, a exemplo do poema “Os sapos”
de Manuel Bandeira (1997), declamado no 2º dia do evento.

Os Sapos
Enfunando os papos, Urra o sapo-boi:
Saem da penumbra, - “Meu pai foi rei!”- “Foi!”
Aos pulos, os sapos. - “Não foi!” - “Foi!” - “Não foi!”.
A luz os deslumbra.
Brada em um assomo
Em ronco que aterra, O sapo-tanoeiro:
Berra o sapo-boi: - A grande arte é como
- “Meu pai foi à guerra!” Lavor de joalheiro.
- “Não foi!” - “Foi!” - “Não foi!”.
Ou bem de estatuário.
O sapo-tanoeiro, Tudo quanto é belo,
Parnasiano aguado, Tudo quanto é vário,
Diz: - “Meu cancioneiro Canta no martelo”.
É bem martelado.
Outros, sapos-pipas
Vede como primo (Um mal em si cabe),
Em comer os hiatos! Falam pelas tripas,
Que arte! E nunca rimo - “Sei!” - “Não sabe!” - “Sabe!”.
Os termos cognatos.
Longe dessa grita,
O meu verso é bom Lá onde mais densa
Frumento sem joio. A noite infinita
Faço rimas com Veste a sombra imensa;
Consoantes de apoio.
Lá, fugido ao mundo,
Vai por cinquüenta anos Sem glória, sem fé,
Que lhes dei a norma: No perau profundo
Reduzi sem danos E solitário, é
A fôrmas a forma.
Que soluças tu,
Clame a saparia Transido de frio,
Em críticas céticas: Sapo-cururu
Não há mais poesia, Da beira do rio...
Mas há artes poéticas...”
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A Semana de Arte Moderna: um insulto à “digestão bem-feita de São Paulo”

Embora o autor do poema não tenha estado presente à Semana, a leitura pública
dos versos demonstra uma perfeita consonância com os ideais da Semana, visto
que há no poema de Bandeira uma explícita crítica à poesia parnasiana.

Veja abaixo a programação da Semana de 22:

Figura 4 Programa da Semana de Arte Moderna

A semana se inicia dia 13 de fevereiro e, ao entrar no saguão do Teatro Municipal, a


sociedade paulista, acostumada que estava aos cânones artísticos, é recepcionada
com uma exposição das obras de Anita Malfatti. A abertura da Semana se dá
com a conferência de Graça Aranha, intitulada “A emoção estética na arte
moderna”. Veja a seguir um trecho da conferência que dá o tom dos discursos
e apresentações que se seguiriam a partir daí, extraído de Teles (1987).
Nenhum preconceito é mais perturbador à concepção da
arte que o da Beleza. Os que imaginam o belo abstrato são
sugestionados por convenções forjadoras de entidades e
conceitos estéticos sobre os quais não pode haver uma
noção exata e definitiva. Cada um que se interrogue a si
mesmo que é a beleza? Onde repousa o critério infalível
do belo? A arte é independente deste preconceito. É outra
maravilha que não é a beleza.

(...)

Que importa que o homem amarelo ou a paisagem


louca, ou o Gênio angustiado não sejam o que se chama
convencionalmente reais? O que nos interessa é a emoção
que nos vem daquelas cores intensas e surpreendentes,
daquelas formas estranhas, inspiradoras de imagens e que
nos traduzem o sentimento patético ou satírico do artista.

(...)

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O que hoje fixamos não é a renascença de uma rate que não


existe. É o próprio comovente nascimento da arte no Brasil,
e, como não temos felizmente a pérfida sombra do passado
para matar a germinação, tudo promete uma admirável
“florada” artística.

Além da postura contestadora, subversiva e de ruptura de que se estruturou a


Semana, havia ainda o imenso desejo de se definir uma identidade nacional, não
pelo abandono das influências estrangeiras, mas pela mistura, pela incorporação,
pela definição de um produto resultante do caldeirão de influências de que
se nutria nossa cultura. Era preciso falar do Brasil, mas antes disso, era preciso
conhecer o Brasil fora do eixo Rio-São Paulo, fora da linguagem culta e ligada
às raízes portuguesas, fora dos padrões métricos de poesia. Esse sentimento
impulsionou muitos artistas a se voltarem ao interior do país na tentativa de
reencontrar as peculiaridades do povo brasileiro e as mais diferentes formas
de cultura.

Quais seriam então os objetivos e resultados da Semana?

Sem dúvida, e como já dito anteriormente, a ideia central é a de fazer escândalo,


destruir, pôr por terra as ideias consolidadas sobre arte e, consequentemente,
sobre o Brasil, mas também atualizar a arte brasileira, acertar o relógio da
produção artística, em descompasso com os movimentos vanguardistas europeus.
Os promotores da Semana procuraram, por todas as formas a controvérsia, a
exasperação, o choque e montaram, para isso um conjunto expositivo variado
que congraça escritores, pintores, escultores, músicos para fazer valer os pontos
de vista do grupo. É uma manifestação de repúdio ao passado, às formas
consagradas e petrificadas da arte. Rejeitava-se, no dizer de Coutinho (1995),
tudo o que constituísse patrimônio “passadista”, como a oratória, a eloquência,
o metro perfeito, o respeito à linguagem lusitana. Vislumbrava-se um maior
conhecimento e uma exploração da realidade brasileira.

Na verdade, os ideais da Semana tinham como base os pressupostos do movimento


futurista, estudado na aula anterior. Futurismo era então a palavra que incendiava
a imaginação e promovia a separação de tudo aquilo que representava o passado,
a tradição e o arcaico. Inicialmente a divulgação da Semana na imprensa se deu
como Semana Futurista, atestando a sua profunda ligação com o movimento
vanguardista.

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A Semana de Arte Moderna: um insulto à “digestão bem-feita de São Paulo”

Exercitando

Com base no que foi estudado nesta aula e, a fim de melhor sedimentar o
conteúdo aqui apresentado, tente responder às seguintes indagações:

1) Considerando o contexto social, político e cultural do início do século XX,


apresente razões para que a Semana de Arte Moderna seja considerada
um divisor de águas no que diz respeito à arte brasileira.

2) A partir da leitura do artigo intitulado “Paranóia ou mistificação?”, de


Monteiro Lobato, disponível na plataforma, é possível perceber as razões
pelas quais seu autor assim concebe a pintura de Anita Malfatti?

4 APROFUNDANDO SEU CONHECIMENTO

Caro aluno, o ensino a distância exige um grau de autonomia que deve levá-lo a
ultrapassar os conteúdos aqui desenvolvidos. É preciso ir além, dada a exiguidade
de tempo e espaço de uma aula. Essa tarefa é importante para uma melhor
compreensão da temática e para o alargamento das proposições aqui apresentadas.
Nesse sentido, vale a pena consultar as fontes abaixo descritas:

A semana que não terminou, do jornalista Marcos


Augusto Gonçalves, faz uma retrospectiva
das motivações que levaram à realização da
Semana de Arte Moderna. O autor dá vida
aos idealizadores da Semana e os transforma
em personagens revivendo toda a polêmica
que envolveu a realização do evento. Nessa
revisita, o autor desmistifica fatos sombreados
que obscureceram ou mitificaram a Semana.
Figura 5
Vale a pena ler!

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AULA 1

Obra que funda o modernismo brasileiro


e propõe uma ruptura completa com o
“passadismo”, Paulicéia desvairada faz uma
análise do provincianismo da sociedade
paulistana no início do século XX, por meio do
deboche e da ironia, ao retratar a urgência de a
cidade figurar na modernidade em contraste ao
fato de ainda estar presa às antigas estruturas
políticas e sociais. Vale a pena ler o “prefácio
Figura 6
interessantíssimo” que introduz a obra.

Para entender o panorama cultural brasileiro


do início de século XX, a obra Artes plásticas na
semana de 22, de Aracy A. Amaral configura-se
como fonte indispensável, pela apresentação
de textos teóricos e pela exuberante coletânea
de ilustrações.

Figura 7

5 TROCANDO EM MIÚDOS

Prezado aluno, nesta aula, dando continuidade ao conteúdo estudado na Aula


1, buscamos estudar as influências das vanguardas europeias no movimento
artístico e cultural brasileiro, que culminou com a realização da Semana de Arte
Moderna de 22. Insatisfeitos com uma arte que não mais representava a realidade,
caracterizada pelo transitório, pelo movimento e pela instabilidade, os artistas
e intelectuais brasileiros buscaram novas formas de enxergar e transfigurar o
real, a partir da deformação, da rejeição do passado, da tentativa de formação
de uma identidade nacional. Tentamos demonstrar que a Semana de Arte
Moderna foi o divisor de águas no cenário artístico do país, inaugurando novas
formas de expressão e apontando caminhos que viriam a definir mais tarde a
multiplicidade cultural do povo brasileiro.
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A Semana de Arte Moderna: um insulto à “digestão bem-feita de São Paulo”

6 AUTOAVALIANDO

Ao final desta aula, faz-se necessária uma avaliação acerca de seu aprendizado.
Nesse sentido, é importante responder às seguintes questões:

„„ Percebo a influência da vanguarda europeia no pensamento dos artistas


e intelectuais brasileiros que propuseram a criação da Semana de Arte
Moderna de 22?

„„ Compreendo a impossibilidade de a arte anterior aos movimentos de


vanguarda representar a modernidade?

„„ Posso identificar nas obras literárias e manifestos apresentados na Semana


o desejo explícito de repúdio ao passado e de criação de uma arte nova?

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AULA 1

REFERÊNCIAS

BANDEIRA, Manuel. Melhores poemas. São Paulo: Global editora, 1997.

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 48. ed. São Paulo:
Cultrix, 2006.

COUTINHO, Afrânio. Introdução à literatura no Brasil. 16ªed. Rio de Janeiro:


Bertrand Brasil, 1995.

TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda europeia e modernismo brasileiro:


apresentação dos principais poemas, manifestos, prefácios e conferências
vanguardistas, de 1857 até hoje. 10. ed. Rio de Janeiro: Record, 1987.

WISNIK, José Miguel. O coro dos contrários: a música em torno da semana de


22. São Paulo: Duas cidades, 1983.

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