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Democracia, federalismo e centraliz | ye GEE — EDTORA eas Hobie mettyoe [..] ndio podemos deixar ao bel-prazer das leis complementares estaduais a criagdo de municipios, [..J temos « oportunidade de cumprir 0 mandato constitucionat que determina aregulamentagio do [principal imposto estadual] através de lei complementar [federal]. ifirmacgdes acima nao sao de autoria de qualquer um dos pensado- § autoritarios da década de 1920, tampouco podem ser interpretadas rnos estaduais no arranjo federativo vigente. A primeira é de um “deputado federal do Partido da Frente Liberal (PFL) baiano. Foi pro- nunciada na Camara dos Deputados, em 14 de abril de 1996, por ocasiao dos debates em torno da aprovacdo da Emenda Constitucional (EC) n° 15/1996, que restringiu ainda mais 0 escopo de autoridade exclusiva que * Bste artigo foi publicado na revista Dados, 52(2), em 2009. Versdes preliminares foram apresentadas como parte de minha tese de livre-docéneia na Universidade de Sio Paulo (USP), ‘no 6% Encontro da Associagiio Brasileira de Ciéneia Politica (ABCP), bem como em seminirio no Centro de Estudos da Metropole (CEM)/ Cebrap. Agradeco os comentarios de Gilberto Hochman, ‘Telma Menioucci, Argelina Figueiredo, Maria Herminia Tavares de Almeida, Feraando Limongi, Sonia Draibe, Hli Diniz ¢ Gildo Margal Brandio. Agradego a gentileza de Fernando Limongi ¢ Argelina Figueiredo por cederem os dados do Banco Legislativo do Cebrap, bem como a valiosa colaboracio de Andréa Freitas no tratamento dos dados estatisticos. Por fim, agradego o rigor dos pareceristas da revista Dados, que muito contribuiu para sua versio final, que foi redigi durante minha visiting fellowship, no Instituto Universitario Europeu, com bolsa da Coordenagio de Aperfeigoamento de Pessoal de Nivel Superior (Capes). 33 34 Democracia, federalismo ¢ centralizagdo no Brasit Constituigao Federal de 1988 (CF 88) havia conferido aos Estados, de- yolyendo a autoridade sobre a criagao de municipios ao governo federal. A segunda frase foi pronuneiada por um deputado federal do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) paranaense, em 27 de agosto de 1096, no papel de relator do projeto de lei complementar que den origem Kandir, que regulamentou detalhadamente a forma como os g0- Le nos estadu: arrecadariam seu principal imposto. Himbora expressivas por seu contetido — visto que justificam dec s0e8 que suprimiram autoridade deciséria dos governos estaduais —, a TiC n° 15/1996 e a Lei Kandir foram apenas parte de um conjunto de leis federais que impés expressivas perdas de receita aos Estados ¢ munici- pios brasileiros, assim como regulou 0 exercicio de suas competéncias tributarias, de gasto e de implementagio de politicas publicas. De fato, ‘0 foram de pequena monta as mudangas do status quo federativo bra- leiro nos anos 1990. Elas implicaram “expressivo fortalecimento do controle exercido pelo governo federal” (Melo, 2005:845), aproximando itamente administrado, nao o Brasil de “um regime hierrquico, estr distinto daquele encontrado em muitos sistemas unitrios” (Rodden, 2006:247). A maior parte dos analistas interpretou a aprovacao dessa legislagao como um processo de recentralizagio federativa (Abrucio € Costa, 1999; Almeida, 2005; Arretche, 2005; Mclo, 2005; Rodden, 2006; Souza, 2002). Mudangas dessa magnitude requerem explicagdo, uma vez que esses resultados apontam para a direcio oposta aquela esperada por postu- lados do federalismo comparado, segundo os quais a formagao de uma federacio supde um contrato constitucional entre unidades constituin- tes, que definem protegées institucionais a fim de evitar futuras expro- priagdes por parte das demais unidades ou do governo central. Assim, comio foi possivel ao governo federal “expropriar” receitas, bem como autoridade sobre impostos, gastos ¢ politicas dos governos subnacionais, sob condigées de perfeita normalidade democratica? Ao longo do século XX, federagdes — tais como a Australia e os Es- tados Unidos ~ ampliaram a margem de autoridade do governo central sobre 0s governos subnacionais (Castles e Uhr, 2005; Chibber e Kollman, 2004; Obinger, Leibfried e Castles, 2005; Pierson, 2007). Outras — tais