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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – UFPB

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS LETRAS E ARTES – CCHLA


DEPARTAMENTO DE LETRAS CLÁSSICAS E VERNÁCULAS – DL
LICENCIATURA EM LETRAS LÍNGUA PORTUGUESA

A GRAMÁTICA NA SALA DE AULA: O OLHAR DA SOCIOLINGUÍSTICA


VARIACIONISTA

Willyan W. do Nascimento Silva

João Pessoa

Outubro - 2018
PROBLEMÁTICA
A linguística tem levantado questões relevantes que nos levam a refletir sobre a fala,
a comunicação e o papel do discurso em nossas vidas. Além da sua relevância
acadêmica, ela também tem ganhado relevância na sala de aula de Ensino
Fundamental e Médio . Durante muito tempo o ensino de línguas estava associado ao
ensino de gramática tradicional. Por sua vez, os estudos da Sociolinguística
Variacionista buscam descrever a língua em contextos de uso e tem levantado
discussões profícuas relativas aos usos versus o ensino da gramática tradicional em
sala de aula. Os propugnadores da tese variacionista compreendem que o
estabelecimento de uma norma gramatical padronizada, que não leva em conta o
contexto e a condição dos falantes, e que estigmatiza certos modos de fala como
incorretos, é a raíz de diversos preconceitos que devem ser evitados por professores.
Segundo Bagno (2009), a concepção de uma “norma culta” manifesta “o preconceito
de que existe uma única maneira "certa" de falar a língua, e que seria aquele conjunto
de regras e preceitos que aparecem estampada nos livros de gramática” (BAGNO, p.
74, 2009).
Os estudos da Sociolinguística têm ganhado relevância também no ambiente escolar
por problematizar a forma do ensino gramatical em sala de aula. Pois, se a primazia da
gramática tradicional está eivada de preconceitos e estigmas sociais, como tem
apontado os estudos Sociolinguísticos, então faz-se necessário uma nova reflexão
sobre nossa prática pedagógica.

OBJETIVO GERAL

Nosso trabalho tem o intuito de compreender quais as contribuições que a


Sociolinguística pode oferecer ao contexto escolar partindo da experiência real e
dinâmica da sala de aula. Esse processo se desenvolverá observando os hábitos
pedagógicos dos professores de português, observando-os segundo a ótica
variacionista.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Nosso trabalho busca precisar quais os modelos pedagógicos estão sendo utilizados
em sala de aula, no ensino de gramática, e que estão presentes na formação dos
professores. Em seguida, observar esses dados acumulados através da ótica da
Sociolinguística, observando em que aspectos a prática desses professores repete os
comportamentos tidos como errôneos pelos variacionistas (se é que assim o fazem),
em que aspectos as abordagens dos professores coadunam com os métodos
variacionistas e onde os estudos Sociolinguísticos podem contribuir para a prática
pedagógica dos professores acompanhados. No decorrer de nossa investigação
buscaremos observar, também, as questões sociais e ideológicas presentes nas
abordagens.

JUSTIFICATIVA

Conhecendo nossas responsabilidades como futuros docentes, sabemos que


devemos sempre nos adequar e desenvolver em nossa atividade profissional com o fito
de obter melhor aproveitamento de nossos alunos. Faz-se necessário, portanto, tornar
objeto de análise os instrumentos de nosso trabalho, como a gramática o é. O que os
estudos variacionistas vem demonstrando é que os usos que podemos fazer da
gramática são variados, e refletem questões sociais e ideológicas que são anteriores a
própria gramática. Comentando sobre a concepção tradicional de gramática, afirma
Bagno (2009):

Ao longo dos séculos, os defensores dessa concepção tradicional isolaram


a língua, a retiraram da vida social, a colocaram numa redoma, onde
deveria ser mantida intacta, "pura" e preservada da "contaminação" dos
"ignorantes". Por isso, até hoje, o professor de português ou, mais
especialmente o gramático, é visto como uma espécie de criatura incomum,
um misto de sábio e mágico, que detém o conhecimento dos mistérios
dessa "língua", que existe fora do tempo e do espaço - e é esse "saber
misterioso" que costumo chamar de "norma culta"... (BAGNO, p. 73 - 74,
2009)

De acordo com essa análise, os métodos tradicionais afastam a gramática do contato


real e efetivo com as pessoas falantes. Isso afeta diretamente o contexto escolar, onde
muitos alunos afastam-se do ensino da gramática por sua dificuldade e distanciamento.
É comum abraçarmos a visão de que nosso papel é o de ensinar apenas a gramática.
Mas se tal senso comum tem sido questionado por importantes acadêmicos, é
importante que sejamos capaz de questioná-lo também. É nesse contexto que
acreditamos que o nosso projeto se faz necessário a fim de compreender melhor nossa
prática pedagógica, visto que “a Sociolinguística contribui para a nova postura do
professor, para a definição de conteúdos e metodologias” (COAN E FREITAG, p. 175,
2010).

REFERENCIAL TEÓRICO

A Sociolinguística é um ramo dos estudos linguísticos que estuda “a variação e


mudança da língua no contexto social da comunidade de fala (COAN E FREITAG, p.
175, 2010). Ou seja, ao invés de tratar a língua como um sistema fechado, composto
de leis próprias, independente de fatores externos, a Sociolinguística se atém à prática
real dos falantes. Busca observar, portanto, os fatores sociais, políticos ou ideológicos
por trás dos sistemas linguísticos.
Observando por esse ponto de vista, a língua não pode ser tida como um todo
fechado, como algo homogêneo, mas ela passa a ser vista como “intrinsecamente
heterogênea, múltipla, variável, instável e está sempre em desconstrução e em
reconstrução” (BAGNO, p. 37, 2007). A Sociolinguística reconhece, portanto, a
multiplicidade da língua, sem buscar encaixá-la em um sistema previamente
construído, por observá-la desde o ponto de vista social, onde é patente a observação
de que, quanto mais heterônoma for a sociedade, mas heterônoma será a língua.
Diferentes grupos sociais falam de formas diferentes. É com base nessa observação
que os Sociolinguistas insistem que há na ideia de impor formas gramaticais únicas um
preconceito latente. Bagno (2009) entende que existem dois preconceitos implícitos na
ideia de “norma culta”. O primeiro é “o preconceito de que existe uma única maneira
"certa" de falar a língua, e que seria aquele conjunto de regras e preceitos que aparece
estampado nos livros chamados gramáticas” (BAGNO, p. 72, 2009). A linguagem
correta seria, portanto, aquilo que está convencionado nas gramáticas, e que está
baseado, em grande parte, na tradição literária.
O segundo preconceito é o de que a língua culta é a “linguagem concretamente
empregada pelos cidadãos que pertencem aos segmentos mais favorecidos da nossa
população” (BAGNO, p. 74, 2009). A linguagem é, assim, identificada com a linguagem
das pessoas “cultas”. Porém, como Bagno (2009) também aponta, a ideia de separar
pessoas cultas e incultas também é uma ideia preconceituosa, que não possui nenhum
embasamento teórico e científico. Ao contrário, os estudos antropológicos apontam
que tas as pessoas são cultas, pois todas estão dentro de um cultura.
Esses dois preconceitos apontados estão por trás de várias definições contidas em
gramáticas. Bagno (2009) aponta na defnição de Cunha e Cintra (1985): Trata-se de
uma tentativa de descrição do português atual na sua forma culta, isto é, da língua
como a têm utilizado os escritores portugueses, brasileiros e africanos do Romantismo
para cá (CUNHA E CINTRA apud BAGNO, p. 72, 2009). Percebemos também na
definição de Rocha Lima (1989):

Fundamentam-se as regras da Gramática Normativa nas obras dos grandes


escritores, em cuja linguagem as classes ilustradas põem o seu ideal de
perfeição, porque nela é que se espelha o que o uso idiomático estabilizou
e consagrou. (LIMA apud BAGNO, p. 72, 2009).

Contrária a essa posição, a Sociolinguística propõe: a aceitação do caráter variável


e heterônomo da língua, despindo-a dos preconceitos ideologicamente fundados
que querem conte-la, e a assimilação dessas variações no processo de
aprendizagem gramatical, compreendendo as diferenças envolvidas no processo de
letramento de indivíduos de classes sociais distintas.

DESENVOLVIMENTO

Com base nesse aporte teórico, nosso projeto desenvolve-se acompanhando


aulas de professores do ensino médio, que se disponham voluntariamente à
pesquisa, para observar em suas aulas de gramática a forma como esta é ensinada.
Os dados acumulados das aulas desses diferentes professores serão examinados
através da ótica da Sociolinguística, avaliando a postura dos professores ante os
problemas apontados pelos nossos referenciais teóricos. Alguns desses problemas
são: a) Como os professores lidam com o tema da variação linguística? b) Como os
professores lidam com as variações presentes entre os próprios alunos? c) Como os
professores lidam com desvios que os alunos cometem em relação à norma
padrão? Essas questões servirão de base para o relatório final que será entregue
aos professores participantes ao final. Esse relatório será elaborado por uma
comissão de especialistas que debateram entre si na elaboração dos relatórios
individual de cada professor. Serão dez professores escolhidos em escolas públicas
do ensino médio acompanhados durante dez aulas.

CRONOGRAMA

Janeiro Escolha dos professores que serão


acompanhados em suas aulas.

Fevereiro Início das atividades de


acompanhamento.

Março Continuação das atividades.

Abril Período para a elaboração dos


relatórios.

Maio Reunião final de entrega dos relatórios


aos professores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação
linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
______________. Norma linguística e preconceito social: questões de
terminologia. Veredas, revista de estudos linguísticos. Juiz de Fora, vol. 5, n. 2, p. 71 a
83.
COAN, Márluce; FREITAG, Raquel Meister Ko. Sociolinguística variacionista:
pressupostos teórico-metodológicos e propostas de ensino. Domínios de linguagem,
revista eletrônica de linguística. Vol. 4. Disponível em:
http://www.seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/viewFile/11618/6863