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Avaliação do Complexo Adônis em atletas de culturismo

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Paula Matias Soares


Universidade Estadual do Ceará
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Revista ENAF Science Volume 11, número 1, Junho de 2016 - ISSN: 1809-2926
Órgão de divulgação científica

VOLUME 11 - NÚMERO 01 - 2016 - MAGAZINE

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Revista ENAF Science Volume 11, número 1, Junho de 2016 - ISSN: 1809-2926
Órgão de divulgação científica

É com grande satisfação que, no trigésimo ano de realização do Encontro Nacional de


Atividade Física - ENAF, publicamos a Revista on-line ENAF SCIENCE. Tal publicação pode ser
traduzida como uma forma de agradecimento e retribuição a todos aqueles que, direta ou
indiretamente, contribuíram para o desenvolvimento e aperfeiçoamento desse evento que
integra o universo da atividade física e da saúde.

No decorrer desses anos acreditamos ter participado da formação de milhares de


acadêmicos e profissionais da área de educação física, fisioterapia, nutrição, enfermagem,
turismo e pedagogia. A partir de 2004 passamos a realizar o Congresso Científico vinculado
ao ENAF, dando mais um passo na construção dos saberes que unem formação e produção.

E a partir de 2006 pela Revista on-line ENAF SCIENCE. Esperamos que essa publicação
enriqueça nossa área de ação. Nesta edição, estão presentes todos os trabalhos
apresentados no Congresso Científico, seja sob forma de artigo completo ou como resumo
na forma de pôster.

Esperamos que este seja a continuação dos passos que pretendemos empreender na busca
por um novo viés de conhecimento, fazendo com que o ENAF siga seu caminho mais
essencial: participar da construção de uma ciência da atividade física.

Fale Conosco: Tel.: (35) 3219-7850


Congressocientifico@enaf.com.br
www.enaf.com.br

Os artigos publicados são de inteira responsabilidade dos respectivos autores, não sendo atribuível ao ENAF
nenhuma forma de competência legal sobre os mesmos.

Coordenação:
Prof. Dr. Marcelo Callegari Zanetti
Professor Titular dos Cursos de Graduação em Educação Física, Nutrição e Psicologia da UNIP - S. J. Rio Pardo - SP.
Professor do Curso de Graduação em Educação Física e do Programa de Pós-Graduação em Educação Física (Mestrado e Doutorado)/USTJ - SP.
LATTES: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4716434P8

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Órgão de divulgação científica

ÍNDICE
(Dica: clique no titulo abaixo para acessar a página do trabalho)

ARTIGOS
A DANÇA ESCOLAR COMO CONTRIBUIÇÃO NO APRIMORAMENTO DO DOMÍNIO DA
CORPOREIDADE ............................................................................................................................ 6
ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE LESÕES EM ALUNOS DE ACADEMIA DE GINÁSTICA DO
BAIRRO SANTA RITA ZONA SUL DO MUNICÍPIO DE MACAPÁ AP. ......................................... 14
WHEY PROTEIN A SOLUÇÃO PARA A OBESIDADE? ............................................................... 24
ALONGAMENTO ANTES OU APÓS MUSCULAÇÃO: OS PRÓS E CONTRAS ........................... 32
ESPESSURA DO MÚSCULO ADUTOR DO POLEGAR COMO PREDITOR DO ESTADO
NUTRICIONAL............................................................................................................................... 38
CONHECIMENTO SOBRE O ESTADO DE HIDRATAÇÃO EM PRATICANTES DE
MUSCULAÇÃO DA CIDADE DE MACEIÓ .................................................................................... 44
ATUAÇÃO DO EPOC VISANDO O EMAGRECIMENTO: UMA REVISÃO DE LITERATURA ...... 52
A INTERVENÇÃO DO EXERCÍCIO FÍSICO FUNCIONAL EM IDOSOS HIPERTENSOS ............ 61
O PERFIL DOS PRATICANTES DE TREINAMENTO FUNCIONAL NA MODALIDADE CIRCUITO
NA AREIA EM PARINTINS-AM. .................................................................................................... 73
O TREINAMENTO FUNCIONAL APLICADO NA MUSCULAÇÃO CONVENCIONAL ................... 80
LEI DE INCENTIVO COMO INSTRUMENTO DE ACESSO DEMOCRÁTICO AO ESPORTE ...... 86
ANÁLISE QUALITATIVA DA COMPARAÇÃO ENTRE OS ÂNGULOS DE CINCO MOVIMENTOS
NO MOMENTO DA PEDALADA. ................................................................................................... 94
TREINAMENTO RESISTIDO E CICLO MENSTRUAL ................................................................ 100
EFEITOS DO EXERCÍCIO AERÓBIO E DO TREINAMENTO DE FORÇA NO DIABETES
MELLITUS TIPO II: UMA REVISÃO DE LITERATURA ............................................................... 105
ANÁLISE SOBRE AS INFLUENCIA DA NATAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO AFETIVO- SOCIAL
DE ALUNOS DO 5º ANO DA ESCOLA CEJE NO MUNICÍPIO DE BOA VISTA-RR ................... 113
ANÁLISE REFLEXIVA SOBRE O ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO DE
JOVENS E ADULTOS ................................................................................................................. 119
EXERCÍCIOS FÍSICOS COMO TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO PARA
OSTEOARTRITE DE JOELHO .................................................................................................... 125
ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA E RISCOS DE DOENÇAS CORONARIANAS DO EFETIVO
POLICIAL DA 25ª CICOM ATRAVÉS DA RELAÇÃO CINTURA – QUADRIL ............................. 131
AVALIAÇÃO DO CONSUMO ALIMENTAR NO PRÉ-TREINO DE PRATICANTES DE
TREINAMENO FUNCIONAL ....................................................................................................... 138
TREINAMENTO DE FORÇA E ATIVIDADE DE VIDA DIÁRIAS-AVDS EM IDOSOS ................. 145
A PRÉ-EXAUSTAO E SUA CORRELAÇÃO COM A FORÇA E HIPERTROFIA MUSCULAR: UMA
REVISÃO CRÍTICA ...................................................................................................................... 161
EXERCÍCIOS RESISTIDOS E IDOSOS: TENDÊNCIAS DO TREINAMENTO DE FORÇA, UMA
REVISÃO. .................................................................................................................................... 174

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O TREINAMENTO DE FORÇA COMO CONTRIBUIÇÃO PARA UM EMAGRECIMENTO


SAUDÁVEL: UMA REVISÃO DA LITERATURA .......................................................................... 181
A CONTRIBUIÇÃO DA MUSCULAÇÃO NA REDUÇÃO DE GORDURACORPORAL ................ 188
MOTIVAÇÕES DOS PRATICANTES DE MUSCULAÇÃO DE UMA ACADEMIA EM CANINDÉ-CE196
AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL E PERFIL ALIMENTAR EM FUTEBOLISTAS
AMADORES ................................................................................................................................ 206
BENEFÍCIOS DA PRATICA DA HIDROGINÁSTICA PARA GESTANTES ................................... 214
MOTIVOS DA PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO EM UMA ACADEMIA PARA MULHERES NA
CIDADE DE LIMOEIRO DO NORTE - CEARÁ............................................................................ 220
AVALIAÇÃO DO COMPLEXO ADÔNIS EM ATLETAS DE CULTURISMO ................................ 232
CORRELAÇÃO ENTRE AS CAPACIDADES FÍSICAS DE FORÇA, RESISTÊNCIA E
FLEXIBILIDADE E O DESEMPENHO NA SEQUÊNCIA DE ENSINO DA CAPOEIRA REGIONAL.238
MOTIVAÇÃO PARA CORREDORES DE RUA............................................................................ 243
A PRATICA DA DANÇA NOS ESPAÇOS DAS ACADEMIAS OU ESTÚDIOS E OS BENEFÍCIOS
GERADOS AOS PRATICANTES. ............................................................................................... 250
EFICÁCIA DO TREINAMENTO INTERVALADO DE ALTA INTENSIDADE EM MULHERES
MANTENDO SUA ROTINA DE VIDA DIÁRIA ........................................................................... 256
REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA DE ABORDAGEM QUALITATIVA NOS ARTIGOS
VIRTUAIS QUE TRATAM DOS JOGOS, BRINQUEDO E BRINCADEIRAS NO ÂMBITO DA
EDUCAÇÃO FISICA ESCOLAR PUBLICADOS ENTRE ANOS DE 2010-2014NO BULLETIN
FIEP. ............................................................................................................................................ 263
AS VANTAGENS DO TREINAMENTO FUNCIONAL PARA O EMAGRECIMENTO ................... 269
O DESINTERESSE DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO PELAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA276
IMPORTÂNCIA DO AGACHAMENTO NA GESTAÇÃO .............................................................. 283
PROGRAMAS INDIVIDUAIS DE TREINAMENTO DE FORÇA E A INSERÇÃO DO PERSONAL
TRAINER: ALGUNS APONTAMENTOS SOBRE A COMPOSIÇÃO E ORGANIZAÇÃO PARA OS
TRABALHOS OFERTADOS ........................................................................................................ 291
MUSCULAÇÃO PARA A TERCEIRA IDADE UM ALIADO NA PREVENÇÃO DE QUEDAS....... 299
PAPEL DA LEPTINA, INSULINA E GRELINA NO CONTROLE DO PESO CORPORAL ........... 305
BENEFÍCIOS DA MUSCULAÇÃO PARA PORTADORESDE HÉRNIA DE DISCO ..................... 312
ESTUDO DA CAPACIDADE FUNCIONAL DE IDOSAS PRATICANTES DE BODY VIVE
ATRAVÉS DA TAXONOMIA DE GENTILE.................................................................................. 319
AVALIAÇÃO DO PERFIL ALIMENTAR, USO DE SUPLEMENTOS ALIMENTARES E
CONHECIMENTOS SOBRE NUTRIÇÃO DOS ALUNOS DE UMA ACADEMIA EM IBITINGA –
SP. ............................................................................................................................................... 324
AVALIAÇÃO DOS NÍVEIS DE FLEXIBILIDADE EM INDIVÍDUOS PRATICANTES DE JIU-JITSU336
VEGETARIANISMO E EXERCÍCIO FÍSICO: IMPLICAÇÕES PARA O DESEMPENHO E A
SAÚDE DO ATLETA. ................................................................................................................... 343
ESTUDO DE CASO SOBRE O EFEITO DO PNF NA RECUPERAÇÃO FUNCIONAL DA
MARCHA EM PACIENTE ADULTO JOVEM PORTADOR DE ACIDENTE VASCULAR
CEREBRAL.................................................................................................................................. 351
TECNOLOGIA COMO INCENTIVO NA ATIVIDADE FISICA: UTILIZAÇÃO DOS EXERGAMES356

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Órgão de divulgação científica

A NATAÇÃO INICIADA PRECOCEMENTE PODE ALTERAR A RESPONSIVIDADE A GLICOSE


EM ILHOTAS PANCREÁTICAS ISOLADAS................................................................................ 362
TREINAMENTO CONCORRENTE E SUAS CARACTERÍSTICAS ............................................. 371
RISCO DO USO INDISCRIMINADO DE ESTEROIDES ANDROGÊNICOS ANABOLIZANTES NA
HIPERTROFIA MUSCULAR ........................................................................................................ 378

RESUMOS
ANÁLISE DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA E O PERFIL DA COMPOSIÇÃO CORPORAL DOS
PARTICIPANTES DO PROJETO DE GINASTICA LABORAL DO COLÉGIO TÉCNICO
INDUSTRIAL DE SANTA MARIA – CTISM ................................................................................. 382
AUXÍLIO DA ATIVIDADE FÍSICA PARA O GRUPO DOS IDOSOS ............................................ 383
BENEFÍCIOS DA GINÁSTICA FUNCIONAL PARA SERVIDORES NUMA ESCOLA NO
MUNÍCIPIO DE SALINAS: ESTUDO DE CASO ESCOLA ESTADUAL DOUTOR OSVALDO
PREDILIANO SANT'ANNA .......................................................................................................... 384
EFEITOS NOS PRATICANTES DE MUSCULAÇÃO NA SUPLEMENTAÇÃO DE CREATINA.
UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. ............................................................................................... 385
UTILIZAÇÃO DO TESTE DE SENTAR E LEVANTAR NA AVALIAÇÃO DE APTIDÃO FÍSICA
FUNCIONAL EM POPULAÇÕES ESPECÍFICAS ........................................................................ 386
EFEITOS DA INTERVENÇÃO DO YOGA EM MULHERES MASTECTOMIZADAS. .................. 387
EFEITOS DO EXERCÍCIO FÍSICO NA REABILITAÇÃO CARDÍACA PÓS-INFARTO. ............... 388
TREINAMENTO FUNCIONAL COMO FATOR PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE
DE VIDA DOS SERVIDORES DA UNIVERSIDADE FEDEERAL DE RORAIMA (UFRR). .......... 389

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Órgão de divulgação científica

ARTIGOS
A DANÇA ESCOLAR COMO CONTRIBUIÇÃO NO APRIMORAMENTO DO DOMÍNIO DA
CORPOREIDADE

Liegem Amaral Leal1


Karina Gomes Cerquinho2

Resumo
A Dança como contribuição para melhoria das práticas pedagógicas tradicionais, quais seriam os benefícios
para os alunos? As indagações nos sugerem a Dança como um tema relevante para a pesquisa, fornecendo
informações necessárias para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras e atraentes para os
alunos. Descreve-se a dança escolar como melhoria no aprendizado, favorecendo a comunicação dos
alunos e os aspectos lúdicos do movimento expressivo, como contribuição no aprimoramento do domínio
da corporeidade e melhoria do ensino. Esta pesquisa de abordagem quantitativa teve como universo, as
escolas estaduais da rede pública de ensino, localizadas nas zonas centro sul e centro oeste do município
de Manaus, Amazonas. Os sujeitos desta pesquisa foram os professores de educação física de ensino
fundamental e médio. O instrumento de coleta de dados foi o questionário semi estruturado com
perguntas fechadas. A análise dos dados coletados corroborou em alguma medida com os objetivos da
pesquisa, quando a maioria dos sujeitos acenaram que a dança pode influir na capacidade de aprendizado
do aluno e na melhoria das práticas pedagógicas do professor de educação física.
Palavras-chave: Dança escolar, corporeidade, professores de educação física.

Abstract
The Dance as contribution to improvement the traditional pedagogic practices, which would the benefits,
be for the students? The inquiries suggest us the Dance as an important theme for our research, supplying
necessary information for the development of innovative and attractive pedagogic practices for the
students. Described the school dance as improvement in the learning and favoring the students'
communication and the aspects join of the expressive movement. The school dance as contribution in the
improvement of the domain of the corporaty and improvement of the teaching. It is research of
quantitative approach had universe of the research, the state schools of the public net of teaching, located
in the west center and south center zone from province of Manaus, Amazonas. The subjects of this
research were the physical education teachers, in the modality of fundamental and medium teaching. The
instrument of collection of data used was questionnaires semi structured with closed questions. The
research is concluded and ten physical education teachers were interviewed. The analysis of the collected
data corroborated in some measure with the objectives of the research, when most of the subjects waived
that the dance can influence on the capacity of the student's learning and in the improvement of the
physical education teacher's pedagogic practices.
Keywords: School dance, corporaty, teachers of physical education.

1
Centro Universitário Luterano de Manaus/Educação Física/Discente, liegem_leal@hotmail.com
2
Centro Universitário Luterano de Manaus/Educação Física/Orientadora, kgcerquinho@yahoo.com.br

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Revista ENAF Science Volume 11, número 1, Junho de 2016 - ISSN: 1809-2926
Órgão de divulgação científica

INTRODUÇÃO
O presente artigo vem apresentar a dança escolar como uma das ferramentas de trabalho que o
profissional de educação física pode utilizar em suas aulas. A dança escolar serve como contribuição no
aprimoramento do domínio da corporeidade, melhoria do ensino e aprendizagem dos alunos.
A atividade física desenvolvida no ambiente escolar, na maioria das vezes, por sua formalidade não é uma
prática atrativa para os alunos. A inexperiência do professorado aliada ao comodismo da insatisfação
profissional reforça práticas pedagógicas tradicionais e alienantes. Se tivéssemos uma atividade comum a
todo ser humano e que não exigisse esta sistematização exacerbada, sendo do mesmo modo, garantidos
os benefícios à saúde e ao bem estar psicossocial do praticante, teríamos práticas pedagógicas mais
atrativas para os alunos e professores? Se adotássemos a Dança como uma contribuição para melhoria das
práticas pedagógicas tradicionais. Quais seriam os benefícios para os professores? As indagações antes
referidas nos sugerem a Dança como um tema relevante para esta pesquisa que poderá nos fornecer
informações necessárias, em certa medida, para o desenvolvimento futuro de práticas pedagógicas
inovadoras e mais atraentes para os alunos.
Avançando desta maneira para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem dos profissionais de
educação física. Quais seriam os benefícios que a dança escolar proporcionaria aos professores de
educação física que buscam a prática de dança como meio de melhorar as atividades físicas?
Utiliza-se a dança como instrumento lúdico para desenvolver a corporeidade dos alunos no ambiente
escolar, como melhoria no aprendizado, favorecendo a comunicação dos alunos e os aspectos lúdicos do
movimento expressivo. Identifica-se a dança como ferramenta facilitadora do processo ensino-
aprendizagem, relacionado a pratica da Educação Física, como forma de atividade expressiva do
movimento corporal, desenvolvendo ritmo que combine a ação de diversos grupos musculares com
eficiência facilitando a prática baseado no trabalho psicomotor são alguns dos objetivos que nos ajudarão
ao desenvolvimento de ações que nos leve, em alguma medida, as respostas necessárias para o problema
de pesquisa.
Esta pesquisa de abordagem quantitativa teve como finalidade se levantar hábitos dos professores de
educação física referentes à utilização da dança como prática escolar nas aulas de educação física.
HISTÓRICO DA DANÇA
Na Antigüidade, a humanidade já tinha na expressão corporal, através da dança, uma forma de se
comunicar. Encontramos influências culturais dos países onde são dançados e de onde são originários os
ritmos. Cada cultura transporta seus conteúdos às mais diferentes áreas, dentre estas, as danças absorvem
grande parte desta transferência, pois sempre foi de grande importância nas sociedades através dos
tempos, seja como uma forma de expressão artística, como objeto de culto aos deuses ou como simples
entretenimento. No entanto em tempos mais remotos o sentido da dança tinha um caráter místico, pois
era muito difundida em ritos religiosos e raramente era dançada em festas comemorativas.
O Renascimento cultural dos séculos XV/XVI trouxe diversas mudanças no campo das artes, cultura,
política, dentre outras. Dentro deste contexto, a dança também sofreu profundas alterações que já vinham
se arrastando através dos anos. Nesta época a dança começou a ter um sentido social, isto é, agora era
dançada em festas pela nobreza apenas como entretenimento e como recreação (HAAS, p. 20, 2003).
Desde então a dança social foi se transformando e aos poucos se tornou acessível às camadas menos
privilegiadas da sociedade que já desenvolviam outro tipo de dança: as danças populares; que,
inevitavelmente, com estas alterações de comportamento foram se unindo às danças sociais, dando
origem assim a uma nova vertente da música, dançada por casais, que mais tarde seria denominada
Danças de Salão.
A dança, conjugada como produto e fator da cultura humana, estampa, portando, desde seus tempos
primitivos até a atualidade, uma linguagem corporal moldurada e inserida sob a influência dos contextos
econômicos, sociais, políticos, religiosos e econômicos, presentes no desenrolar de regimes histórico-
sociais, evocando suas necessidades, crenças, tradições, convenções, rebeldias na sua natureza artístico-
cultural.
AS CARACTERISTICAS DA DANÇA NA AMÉRICA LATINA

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Órgão de divulgação científica

A América Central não foi influenciada somente pela mistura de culturas depois da colonização e
importação dos escravos, mas também por todas as culturas crioulas que se desenvolveram
posteriormente, desde Cuba até o Chile. O México, com sua rica variedade cultural transformou-se na mãe
adotiva e trampolim de uma das danças latinas mais conhecidas: comando. Quando os franceses invadiram
o México entre 1861 e 1867, grupos indígenas fugiram para as montanhas. Ocasionalmente retornavam
para espiar os franceses e uma das coisas que mais lhes chamavam a atenção eram as danças tradicionais
como as valsas, a polca, a mazurca.
A dança que no México recebeu o nome de Chilena (por ter vindo diretamente do Chile por meio do
comércio marítimo) se conhece em outras áreas da América Central e da América do Sul como cueca ou
zamacueca. É uma dança, conhecida desde época da colonização espanhola, que se executa ao som de
uma música de violão bastante rítmica. O casal afasta-se, se segue e se ultrapassam, girando um ao redor
do outro (SOTER, 2001).
As comunidades negras que vivem nas costas caribenhas da América Central têm os nomes genéricos de
garifunas ou caribes negros. Começaram chamando-se a si mesmos de garinagu. Durante os três últimos
séculos, apesar dos inúmeros fluxos de migrações e de sua relação com os ingleses, franceses e espanhóis,
preservaram grande parte da cultura das suas principais ramas de ascendência: os indígenas caribenhos e
os escravos africanos. Em 1635, dois barcos espanhóis carregados de escravos naufragaram perto da ilha
de San Vicente, no norte da Venezuela. Os negros escaparam e foram acolhidos pelos índios da ilha. Desta
mestiçagem nasceram os garinagu (depois chamados de garifunas) que permaneceram em San Vicente até
que, em 1795, os ingleses os fizeram prisioneiros e os transportaram, em companhia de outros escravos
negros.
AS DANÇAS BRASILEIRAS
A estrela das danças brasileiras é sem nenhuma dúvida o samba e as suas variantes. Porém, no Brasil
existiram muitos outros ritmos que foram essenciais para as músicas de dança em todo o mundo, como o
maxixe ou a lambada.
No descobrimento em 1500, só existiam indígenas no Brasil. Com o passar dos séculos foi colonizado pelos
portugueses que introduziram os escravos africanos. Dessa mistura de culturas resultou toda a variedade
de ritmos e danças brasileiras. Outras culturas influenciaram em menor escala, como a holandesa, a
francesa, a italiana ou a alemã.
Foi da fusão dos ritmos africanos com a música e dança européia que surgiram os principais gêneros
musicais e danças brasileiras, como o lundu, o maxixe e o samba de gafieira. Umbigada, o início: Dança
originária de Angola e do Congo, trazida pelos escravos, é uma das danças mais antigas executadas no
Brasil (GARIBA, 2002).
É realizada, ao ritmo do batuque africano, formando um círculo de participantes em volta dos dançarinos
solistas. Os dançarinos executam uma coreografia sensual e ao convidar o próximo dançarinos para entrar
no circulo, o faz tocando seu umbigo no dele. Lundu: Dança de origem Banto também da Angola e do
Congo, descrita como licenciosa e indecente, surge como canção solista brasileira no final do século XVII,
tornando-se o primeiro grande fruto da fusão cultural brasileira. Em 1792 são publicados os primeiros
títulos. No século XIX é tocada e dançada em salões de diversos níveis sociais, tornando-se um gênero
musical executado por brancos e negros, sem distinção racial.
Podemos mencionar também as outras danças típicas do Brasil que são elas: O bumba-meu-boi, o frevo,
xote, o xaxado, a ciranda, forró, pagode, brega, axé, a quadrilha e muitas outras, mas que tem em todo o
nosso país em regiões diferentes do Brasil.
DANÇA ESCOLAR
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9493/96 (LDB) tornou o ensino da arte e educação física
componente curricular obrigatório e os Parâmetros Curriculares Nacionais, (BRASIL, 1997), passaram a
incluir a dança como conteúdo curricular. A dança e a sociedade estão sempre imbricadas. Não há como
falar da dança sem percorrer a grandeza de sua trajetória ao longo dos anos, nem deixar de falar do
homem, da sua corporeidade e necessidades. Pereira, p.61, 2001, ajuda na busca por um conceito de
dança escolar:
(...) a dança é um conteúdo fundamental a ser trabalhado na escola: com ela, podem-se levar os alunos a conhecerem a si
próprios e/com os outros; a explorarem o mundo da emoção e da imaginação; a criarem; a explorarem novos sentidos,

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movimentos livres. Verifica-se assim, as infinitas possibilidades de trabalho do/para o aluno com sua corporeidade por meio
dessa atividade.
Uma das atividades físicas mais significativas para o homem antigo foi à dança. Utilizada como forma de
exibir suas qualidades físicas e de expressar os seus sentimentos, era praticada por todos os povos, desde
o paleolítico superior (60.000 a.C.). De acordo com o autor Nanni (2003, p.7), a dança tanto tinha
características lúdicas como ritualísticas, em que havia manifestações de alegria pela caça e pesca ou
dramatizações pelos nascimentos e funerais.
No Brasil e no mundo a dança vem ganhando cada vez mais espaço pelos benefícios comprovados que
para Gariba (2002), vão desde a melhora da auto-estima, passando pelo combate ao estresse, depressão,
até o enriquecimento das relações interpessoais. A importância e o significado da Educação Física implica
em reflexões sobre seus paradigmas, pois se vive numa sociedade dinâmica e entende-se que essa área
deve contemplar múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos por esta sociedade, a respeito do
corpo, assim como afirma Pinheiro (2004, p.32):
A Educação Física desenvolvida de forma consciente, respeitando as diferenças (“...), ou seja, as individualidades de cada um e
não dicotômica o ser humano, não separando o corpo físico do mental, entendo que ambos funcionam de modo integral”.

Na dança escolar, o que pretende se relacionado como pratica de movimentos rítmicos ajudando o aluno a
desenvolver-se através das expressões corporais, durante as aulas de educação física. Segundo Ferreira
(2005), os exercícios repetitivos e exercícios naturais, ou seja, repetição de exercícios inspirados nos
movimentos naturais que obedecem à estrutura do corpo. Corroboramos com o conceito de dança
explicitado por Verderi (1998):
Considera-se a Dança uma expressão representativa de diversos aspectos da vida do homem; portanto, uma aula de Dança na
escola permite ao professor conhecer melhor o seu aluno, ou seja, saber suas preferências sobre o que gosta de brincar, de
cantar, de ouvir; discutir suas experiências; fazer fluir sua imaginação e verificar a influência dela na realidade e nas atitudes da
criança.

A dança então pode ser uma ferramenta preciosa para o indivíduo lidar com suas necessidades, desejos,
expectativas e também servir como instrumento para seu desenvolvimento individual e social. Assim
vivemos em um mundo repleto de variedades, aspectos consumistas, e informações globalizadas, as quais
os adolescentes por estarem em processo de construção da personalidade, encontram - se também em
conflitos na aparência e tornando-se por vezes pessoas, insatisfeitas, rebeldes e desmotivadas para até
mesmo buscar uma atividade física que lhe dêem prazer.
CONCEITO DE CORPOREIDADE
A dança pode existir como manifestação artística ou como forma de divertimento e/ou cerimônia. Como
arte, a dança se expressa através dos signos de movimento, com ou sem ligação musical, para um
determinado público, que ao longo do tempo foi se desvinculado das particularidades do teatro.
A presença da dança no Brasil enquanto ensino se dá em alguns espaços, como clubes, academias, escolas
especializadas de dança, algumas escolas particulares enquanto atividades extras curriculares e algumas
escolas públicas e privadas quando o professor de Educação Física ou de Artes a insere em suas aulas.
Neste caso, em se sabendo que a dança está presente de alguma forma na Educação Física, é necessário
refletir sobre a função, o papel da dança na Educação Física. É necessário que haja uma reflexão sobre as
quais propósitos, finalidades e objetivos deve a dança servir na Educação Física. A corporeidade é animada
pela alma humana isso dá transcendência pelo nosso corpo; é uma qualificação do corpo; se realiza no
corpo. Há ainda a considerar a vertente da aprendizagem, onde imagem e prática corporal convergem para
um objetivo de agregação de valores nos quais o ser humano possui maior possibilidade de explorar seus
potenciais, sejam eles somático-fisiológicos, psicomotores, intelectivos ou sociais.
Verderi (2000) considera a educação como evolução e transformação do indivíduo, considerando a dança
como um contínuo da Educação Física, expressão da corporeidade e considerando o movimento um meio
para se visualizar a corporeidade dos nossos alunos, a dança na escola deve proporcionar oportunidades
para que o aluno possa desenvolver todos os seus domínios do comportamento humano e, através de
diversificações e complexidades, o professor possa contribuir para a formação de estruturas corporais mais
complexas.

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Órgão de divulgação científica

Os alunos precisam de uma educação através do corpo. Porém, essa educação que trata da corporeidade
deve ter como foco central comprovar a nossa existência e importância nesse mundo. Precisa-se ressaltar
que existimos para que o mundo possa existir também. Uma Educação Física que considere importante
que os corpos se movimentem se transforme, para que possam transformar as coisas do mundo e, ao
mesmo tempo, estar organizando e desorganizando sua própria construção e reconstrução.
Esta interação de acordo com Nanni, apud Gaspari (2002, p.123), é “*...+ imprescindível para que o ser
humano se torne sujeito de sua práxis no desvelar a sua realidade histórica, através de sua corporeidade.”
A corporeidade é acima de tudo, uma presença, uma manifestação uma visibilidade, talvez dito com maior
precisão uma fisionomia. A corporeidade se estende para além dos limites da Física e da Biologia. Ela
alcança a esfera da consciência e não exclui a possibilidade de transcendência. Podemos afirmar com certa
segurança que a corporeidade é a condição humana, é o modo de ser do homem (SANTIN, 1993, p. 13).
MATERIAIS E MÉTODOS
Esta pesquisa teve uma abordagem quantitativa, o universo da pesquisa foram as escolas estaduais da
rede pública de ensino, localizadas no município de Manaus, Amazonas. Os sujeitos desta pesquisa foram
os professores de educação física, na modalidade de ensino fundamental e médio. A coleta de dados se
realizou através de entrevistas, utilizando como instrumento de coleta de dados questionários semi
estruturado com perguntas fechadas, para levantar os hábitos dos professores referentes às suas aulas. A
análise dos dados se deu pelo tratamento estatístico, co-relacionando os dados levantados a cerca dos
professores com a prática de dança nas suas aulas. Os participantes tiveram todos os direitos preservados
em relação à privacidade dos dados.

RESULTADOS E DISCUSSÕES
Tabela 1
A dança escolar proporciona um melhor aprendizado?
Respostas Sim Não Total

Nº 9 0 9

% 100 0 100

* houve uma resposta em branco


Conforme a tabela 1 observa-se que a maioria dos entrevistados concorda que a dança propiciaria um
melhor aprendizado aos alunos. De acordo com Porto (1992), que recorre aos fundamentos
desenvolvimentistas da aprendizagem motora, reconhece a necessidade deste tipo de conhecimento,
entretanto não pode deixar de colocar uma ressalva a esta abordagem.
Tabela 2.
A prática de dança nas aulas de educação física proporciona um ambiente inibitório?
Respostas Sim Não Total

Nº 5 4 9

% 55,56 44,44 100

* houve uma resposta em branco


Conforme a tabela 2 observou-se que dos dez entrevistados, 5 (55,56%) concordaram que a prática de
dança nas aulas de educação física proporcionaria um ambiente inibitório aos alunos enquanto 4 (44,44%)
responderam não concordaria que a dança proporcionar um ambiente inibitório e somente houve uma dos
entrevistados não respondeu a questão. As respostas vão de encontro Fritsch (1988): “nisso, a aparência
corporal não consegue fugir do olhar observador e é, evidentemente, um ponto de referência especial da
inibição”.

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Tabela 3.
Os movimentos corporais ajudam no desenvolvimento motor, afetivo, cognitivo dos alunos?
Respostas Sim Não Total

Nº 9 0 9

% 100 0 100

* houve uma resposta em branco


Conforme a tabela 3 verificou-se que as totalidades dos entrevistados corroboram que os movimentos da
dança ajudariam no desenvolvimento motor, afetivo e cognitivo dos alunos. Ainda um entrevistado se
abdicou de responder. Para Barreto (2004), “desenvolvendo e aprimorando suas possibilidades de
movimentação, descobrindo novos espaços, novas formas, superação de suas limitações e condições”.
Tabela 4.
Os benefícios da dança escolar favorecerão ao professor a desenvolverem a criatividade e espontaneidade
nos alunos?
Respostas Sim Não Total

Nº 10 0 10

% 100 0 100

Conforme a tabela 4, todos dos entrevistados concordaram que a dança escolar proporcionam benefícios
que favorecerão aos professores a desenvolverem a criatividade e espontaneidade dos alunos em suas
aulas. Segundo Ferreira (2005), o professor tem que saber explorar o potencial do aluno, possibilitando seu
desenvolvimento natural e favorecer o despertar da criatividade e espontaneidade.
Tabela 5.
Na dança escolar, devem valorizar as possibilidades expressivas de cada aluno?
Respostas Sim Não Total

Nº 10 0 10
% 100 0 100

Conforme a tabela 5, os entrevistados reforçam a idéia de que na dança escolar, deve se valorizar as
possibilidades expressivas de cada aluno em suas aulas.
Tabela 6.
A dança no ambiente escolar contribuiria ao domínio da corporeidade dos alunos?
Respostas Sim Não Total

Nº 10 0 10
% 100 0 100

Conforme a tabela 6, os entrevistados em alguma medida defendem a idéia da necessidade de se adotar a


dança no ambiente escolar para melhoria do domínio da corporeidade dos seus alunos. Como afirma
Bueno (1998): as danças, por sua vez, têm sido um elo necessário de equilíbrio para a corporeidade, na
perspectiva de um ser humano integral. São também manifestações de conhecimento cultural transmitidos
de geração em geração, servindo para fortalecer o elo da comunidade, além de coibir o conflito interno,
algo essencial para muitas das comunidades tradicionais.
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Tabela 7.
O professor de Educação Física utilizando a dança como instrumento lúdico proporcionaria aos alunos um
ambiente formal?
Respostas Sim Não Total

Nº 4 5 9

% 44,44 55,56 100

* houve uma resposta em branco


Conforme a tabela 7, 44,44% dos entrevistados concordaram que se o professor de educação física
utilizando a dança como instrumento lúdico proporcionaria aos alunos um ambiente formal. Sendo que,
55,56 % discordam dessa posição. A dança no contexto escolar pode ser uma forma muito construtiva de
experiência lúdica, pois esta ao alcance de todos, uma vez que seu instrumento principal é o corpo. Sem a
intenção de formar bailarinos, a escola pode proporcionar ao aluno um contato mais efetivo e intimista
com a possibilidade de se expressar criativamente com o movimento. O lúdico contribuir para construção
da corporeidade, através das brincadeiras, dos relacionamentos e da humanidade com o próximo
(MARQUES, 2003).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando os objetivos da pesquisa fundamentados na literatura cientifica pertinente, a pesquisa de
acordo com a proposta de trabalho em relação ao tema dança escolar e corporeidade, a entrevista
utilizando um questionário com perguntas fechadas no qual os professores deveria responde (sim ou não),
esta foi aplicada aos profissionais de Educação Física, esclarecendo aos mesmos, informações que muitos
desses professores não utilizam a dança escolar como ferramenta de trabalho em suas aulas.
De acordo com a análise dos dados, os professores acenaram que a dança escolar é uma alternativa para
melhoria do processo de ensino e aprendizagem em sala de aula, contribuindo para que os alunos se
sintam mais à vontade, dispostos a construírem novas amizades, desta maneira se tornando pessoas mais
sociáveis. Além disto, corroboram com a literatura que em alguma intensidade a dança possibilita o
desenvolvimento motor, afetivo e cognitivo.
A análise dos dados direciona a mudança do trabalho pedagógico nas aulas de educação física,
abandonando o formalismo excessivo do tradicionalismo vigente para práticas que se baseie no modelo
mais humano e que levem em consideração no planejamento e execução de atividades o entorno
contextual do aluno.
É necessário comentar que a pesquisa não teve a intenção de esgotar possíveis respostas sobre a
contribuição da dança escolar para o domínio da corporeidade. Desta maneira, é indispensável o
aprofundamento do tema, através de uma pesquisa de abordagem qualitativa, onde possamos dispor de
métodos e técnicas de análise e coleta de dados, onde se possa legitimar os discursos dos professores de
educação física e seus alunos. Assim como, um cronograma maior de pesquisa que possibilite a realização
de uma oficina sobre o tema.
A análise desses dados favoreceu para uma proposta sugerida se talvez tivéssemos, mas tempo a fazer a
pesquisa de campo o trabalho seria de grande prestigio. Os resultados que vimos na tabela podemos
verificar o conhecimento prévio dos professores de educação física em relação à prática de dança escolar e
os benefícios aos alunos.
REFERÊNCIAS

BARRETO, D. Dança... Ensino, sentidos e possibilidades na Escola. 2 ed. Autores associados, 2004.

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BRASIL. Secretária de Educação Fundamental Parâmetros curriculares nacional: educação física. Vol. 7.
Brasília: MEC/SEF, 1997.

BUENO, Jocian M. Psicomotricidade: Teoria e Prática. S. Paulo: Ed.Lovise, 1998.

FERREIRA, Vanja. Dança Escolar: um novo ritmo para a educação física. Rio de Janeiro: Sprint, 2005.

FRITSCH, Ursula (1988). Tanz, Bewegungskultur, Gesellschaft. Verlust und Chancen symbolischexpressiven
Bewegens. Frankfurt: Afra Verlag.

GARIBA, C. M. S. Personal dance: uma proposta Empreendedora. 2002, Dissertação/Mestrado em


Engenharia de produção. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal
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2002, n.3, p.123-129, Rio Claro, UNESP.

HAAS, Aline Nogueira. Ritmo e Dança. Canoas, Ulbra, 2003.

MARQUES, Isabel. Dançando na escola. São Paulo: Cortez, 2003.

NANNI, D. Dança educação, pré-escolar a universidade. 2. Ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2003, p.7-79.

PEREIRA, S. R. C. et al., Dança na escola: desenvolvendo a emoção e o pensamento. Revista Kinesis, Porto
Alegre, n. 25, p.60- 61, 2001.

PINHEIRO, D. R. U. O perfil do personal trainer na perspectiva de um treinamento físico orientado para


saúde, estética e esporte. 2004. Personal trainer.com. br. Acesso em 10.10.08.

PORTO, Eliane Tereza Rozante. A dança em idade pré-escolar. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v.
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SANTIN, S. Ed. Física Temas Pedagógicos. Ijuí: UNIJUÍ, 1993.

SOTER, Silvia; PEREIRA, Roberto (org). Laban ou a experiência da dança. Rio de Janeiro: UniverCidade,
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VERDERI, E.B.L.P. Dança na escola. Rio de Janeiro, RJ: Sprint, 1998.

________________. Dança na escola. Rio de Janeiro, RJ: Sprint, 2000.

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ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE LESÕES EM ALUNOS DE ACADEMIA DE GINÁSTICA


DO BAIRRO SANTA RITA ZONA SUL DO MUNICÍPIO DE MACAPÁ AP.

RAMOS, A.T.O.¹; FARIAS, W.L²; BELFORT, D.R.³.


Universidade Federal do Amapá - Macapá - AP- Brasil
Universidade Vale do Acaraú - Macapá - Brasil
3- Universidade Federal do Amapá- Macapá-AP- Brasil
Walber_lopes@hotmail.com

RESUMO
O número de praticantes de atividade física cresceu vertiginosamente em decorrência da busca pela
promoção da saúde e pela questão estética. Diante desta realidade, houve um aumento significativo no
número de espaços e de profissionais que oferecem a prática das mais variadas modalidades esportivas,
fato que tem induzido a população a praticar exercícios físicos constantes. No entanto sabe-se que a
realização de exercícios físicos de forma incorreta ou exagerada pode causar problemas de saúde, entre os
quais, o surgimento ou a acentuação de lesões já estabelecidas. Este estudo teve como objetivo analisar a
percepção de lesão em alunos de quatro academias de ginástica do Bairro Santa Rita, Zona Sul do
Município de Macapá-Ap, com relação à ocorrência de lesões musculoesqueléticas e identificar os
segmentos corporais mais acometidos. A amostra da pesquisa foi composta por 400 alunos matriculados
em modalidades esportivas ofertadas pelas quatro academias como musculação e aulas coletivas, foram
200 participantes do sexo masculino e 200 do sexo feminino. A idade dos participantes variou de 18 a 69
anos, e teve como média a idade de 35 anos. Para a coleta de dados foram aplicados questionários aos
alunos das academias participantes da pesquisa. O questionário aplicado foi composto por perguntas sobre
dados pessoais do aluno, atividades realizadas na academia, percepção de lesão e procedimentos adotados
após a lesão. Os resultados demonstraram que 60% da amostra relatou a percepção de alguma lesão, e
destes, 30% acreditam que a lesão estava relacionada às atividades realizadas na academia. Os segmentos
corporais lesionados mais citados pelos alunos foram o joelho com 40%, o ombro com 25%, coluna e
tornozelo com 10% cada. Diante dos resultados foi possível concluir que a percepção de lesões por
praticantes de exercício físico em academias de ginastica não é um evento raro, por isso deve-se salientar a
importância da atuação profissional dos professores de educação física ao prescrever e orientar
treinamentos adequadamente para que possa haver uma mudança nessa realidade.
PALAVRAS-CHAVE: exercício físico, academia de ginastica, lesões musculoesqueléticas.

ABSTRACT
The number of practitioners of physical activity has growing vertiginously as a result of the pursuit of
health promotion and the aesthetic issue. Given this reality, there was a significant increase in the number
of spaces and professionals that offer the practice of various sportive arrangements, a fact that has
induced people to practice constant physical exercise. However it is known that the practice of physical
exercises of incorrect form or exaggerated can cause health problems, including the emergence or
accentuation of established lesions. This study aimed to analyze the perception of injury in students from
four gyms Santa Rita's district in the South Zone of the city of Macapa-Ap, regarding the occurrence of
musculoskeletal injuries and identify the most affected body segments. The sample research was
composed by 400 students enrolled in sportive arrangements offered by the four academies as weight
training and group lessons, were 200 male participants and 200 female. The age of participants ranged
from 18 to 69 years, and had the average age of 35 years. For data collection, questionnaires were applied
to students of the participating research academies. The questionnaire applied was composed by
questions about student personal data activities carried in the gym, perception of injury and procedures
adopted after the injury. The results showed that 60% of the sample reported the perception of an injury,
and of these, 30% believe that the injury was related to activities in the gym. The injured body segments
most often cited by students were the knee with 40%, 25% shoulder, spine and ankle with 10% each. With
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the results it was concluded that the perception of injury from exercise practitioners in gymnastics
academies is not a rare event, so it should be noted the importance of the work of professional physical
education teachers to prescribe and guide training properly so there may be a change in this reality.
KEYWORDS: exercise, fitness gym, musculoskeletal injuries.
INTRODUÇÃO
A prática de atividade física tem se destacado em âmbito mundial como um dos principais contributos não
farmacológicos relacionados ao combate à mortalidade decorrentes das doenças crônicas não
transmissíveis (Lee et al., 2012; Rezende et al.,2016). Neste sentido, evidências cientificas em atividades
físicas através de intervenções, ações e estratégias, demonstram grandes potenciais para o aumento da
prática. (PRATT et al 2015). Assim, percebe-se um aumento significativo nos espaços para prática de
atividades físicas e/ou esportivas, como também dos profissionais qualificados para orientação das
variadas modalidades físicas e esportivas, o que pode induzir ainda mais o número de adeptos nas práticas
das atividades motoras.
Paralelo a esse aumento, nota-se também uma maior prevalência de lesões nos praticantes de diferentes
atividades física sistematizadas (Rombaldi et al 2014; Rola et al., 2004; Oliva, Bankoff e Zamai 1998).
Motivados pela ânsia de alcançar objetivos rápidos, muitos indivíduos acabam se submetendo a realização
de exercícios sem entender de que maneira a execução destes influenciará nas suas estruturas corporais, o
que pode resultar em implicações negativas ao organismo. É importante termos consciência que, apesar de
proporcionar muitos benefícios a quem pratica, exercícios físicos realizados de forma incorreta ou
exagerada podem causar problemas de saúde, entre os quais, o surgimento ou a acentuação de lesões já
estabelecidas.
Para a realização de qualquer tipo de exercício, devem ser levadas em consideração todas as variáveis
associadas ao desenvolvimento de lesões. É extremamente importante avaliar o resultado de forças
repetitivas sobre uma estrutura e a habilidade da estrutura em absorver tais forças, para que sejam
evitados excessos. As lesões provenientes da prática de exercício físico são definidas como lesões
desportivas e geralmente estão associadas a excesso de treinamento, manuseio incorreto de
equipamentos, e execução incorreta de movimentos. Para Vieira (2001) as lesões são decorrentes de
aspectos classificados como intrínsecos: idade, sexo, estrutura, composição corpora, nível de aptidão física,
período de treinamento da lesão, questões nutricionais e características psicológicas e sociais, e os
extrínsecos: planejamento, periodicidade e intensidade da atividade física, condições atmosféricas e
equipamentos (acessórios, calçados e vestuário) a serem usados durante a execução da atividade física,
tipo de modalidade praticada, local de treino e instalações desportivas. Sabe-se que as lesões podem
interferir na capacidade funcional de uma pessoa gerando diversos prejuízos, como o afastamento da
prática de exercícios físicos, o afastamento de atividades laborais e gastos financeiros com tratamento.
Devido à grande incidência de praticantes de exercícios físicos que vem apresentando as lesões
desportivas, essa temática tem sido objeto de vários estudos. Rola et al (2004), analisaram a percepção de
lesões em academias de ginastica de Belo Horizonte, chegando a conclusão de que houve muitos relatos
de lesões e que por isso é de extrema importância para a prática de exercícios físicos em academias, a
presença de um acompanhamento profissional, bem como duração e intensidade de treino adequados a
fim de se alcançar um treinamento físico de qualidade e sem grandes consequências.
Em um trabalho bastante semelhante, Almeida (2011), também detectou presença de algias
musculoesqueléticas em praticantes de musculação em uma academia de Porto Alegre. Diante disto, este
estudo teve como objetivo a análise da percepção de lesões em alunos de academias de ginástica do bairro
Santa Rita, Zona Sul do Município de Macapá-AP com relação à ocorrência de lesões e identificar os
segmentos corporais mais acometidos.
MÉTODO
A amostra da pesquisa foi composta por 400 alunos matriculados em atividades esportivas ofertadas pelas
academias como musculação e aulas coletivas (step, localizada, bodypump). Para que os resultados não
expressassem a caracterização de um gênero, foram selecionados 50 indivíduos do sexo feminino e 50 do
sexo masculino de cada academia onde ocorreu a pesquisa, totalizando 200 participantes de cada sexo. A
seleção ocorreu através de convites feitos a alunos que foram abordados nas entradas das academias.

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Toda a amostra se dispôs a participar voluntariamente do estudo. A idade dos participantes variou de 18 a
69 anos, e teve como média a idade de 35 anos. Esta pesquisa foi realizada em quatro academias
localizadas na zona sul da cidade de Macapá que tivessem pelo menos um professor de educação física e
que foram escolhidas por critério de conveniência quanto à localização.
Para a obtenção dos dados foi elaborado um questionário, composto por 12 questões, 2 abertas e 10
fechadas, dos quais incluíram informações pessoais como idade e sexo, além de informações relativas ao
tipo de atividade praticada na academia, percepção da lesão pelo aluno (presença de lesão, relação com a
atividade física e localização), procedimentos após a lesão (suspensão de alguns ou de todos os exercícios,
procura por atendimento médico, informação ao professor de educação física da academia e modificação
do programa de treinamento) e possível melhora dos sintomas.
As aplicações dos questionários ocorreram no período de dezembro de 2015 a janeiro de 2016 e foram
realizadas nas dependências das academias participantes da pesquisa. Foram aplicados um total de 400
questionários, 100 em cada academia. Todos os questionários aplicados foram analisados. Os dados foram
tabelados utilizando o programa Microsoft Excel 2010.Para realização da pesquisa os proprietários das
academias foram contatados e autorizaram que a coleta fosse realizada em seus estabelecimentos. Todos
os alunos participantes da pesquisa foram abordados e convidados a participar do estudo e caso
concordassem em responder o questionário, faziam-no na presença do pesquisador.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Conforme pode ser observado no gráfico 01, que trata de lesões nos participantes, 60% da amostra relatou
que já teve alguma lesão e 40% relatou não ter sido acometido por lesão.

Gráfico 01
Em estudo realizado por Rombaldi et al (2014) com praticantes de atividades físicas no tempo de lazer, o
percentual de lesões decorrentes da prática das atividades foi de 21,9%. Gomes e Junior (2013), em seus
estudos observaram que 25% dos indivíduos disseram já tiveram alguma lesão corporal.
A incidência de lesões na prática de exercícios físicos pode estar relacionada a diferentes fatores como a
realização incorreta de exercícios, progressão inadequada das cargas de treinamento, desequilíbrios
musculares, uso de equipamentos inadequados, e pela falta de acompanhamento de um profissional
qualificado. Neste sentido, torna-se relevante uma prescrição orientada na realização de exercícios, pois a
ausência de orientação é um dos aspectos que levam a uma alta incidência de lesões. É possível que o alto
percentual de indivíduos acometidos por lesões apontado neste estudo, esteja relacionado a
condicionantes provenientes de treinamentos mal elaborados, mal executados ou de práticas aleatórias de
exercícios físicos.
Ao questionar os alunos sobre a localização das lesões (gráfico 2), os seguimentos corporais mais
destacados pelos participantes foram o joelho, apresentando um percentual de 40%, e o ombro com 25%.

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As regiões da coluna e cotovelo foram, cada uma, citadas por 10%. Os seguimentos do cotovelo, punho e
quadril, apresentaram as menores prevalências de lesões, ambos com 5%.

Gráfico 02
Estes resultados contrariam os achados de Moreira, Boery e Boery (2010), os quais relataram como
seguimentos corporais mais acometidos por lesões entre os praticantes de atividade física em academias
de musculação foram a coluna, seguida pelos ombros, joelhos, cotovelo, quadril, tórax e por último a
panturrilha. No entanto, Souza, Moreira e Campos (2015), identificaram que as regiões com maiores
frequências de lesões são ombro e joelho, seguidos pela região cervical e tórax. Igualmente, Oliva et al
(1998), demonstram que os ombros se apresentam como as regiões de maior prevalência de lesões,
seguidos pela coluna e cotovelo.
Apesar das diferenças de lesões encontradas nas diferentes regiões corporais, percebe-se que os ombros,
joelhos e coluna são frequentemente citadas pelos praticantes. Talvez pelo fato de o ombro e o joelho se
tratarem de articulações que permitem a movimentação dos membros superiores e inferiores e acabam
sendo exigidas a todo momento, tendo inclusive que suportar altas cargas nos mais variados movimentos
e, a coluna vertebral, por suportar o peso corporal, e estar associada a manutenção da postura ereta. As
possíveis causas de lesões nessas estruturas relacionadas à prática de exercícios físicos são treinos
excessivos, uso impróprio das técnicas de treinamento ou a combinação de ambos.
Na análise do gráfico 03, sobre se a lesão está relacionada com a atividade realizada na academia, 30% dos
alunos questionados afirmaram que acreditavam que a lesão estava relacionada às atividades realizadas na
academia, e 70% dos alunos responderam que acreditavam que não havia essa associação.

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Gráfico 03
Em estudo de Rolla et all (2004), 48% da amostra, afirmaram acreditar que havia associação entre lesões
desenvolvidas e às atividades realizadas na academia. Já estudo de Gomes e Junior (2013) demonstrou que
dos alunos que tiveram alguma lesão, 25% disseram que sua lesão está relacionada com a atividade que
desenvolvem na academia.
Por se tratar de um ambiente especifico para a realização de exercícios físicos, é comum que lesões sejam
associadas a este ambiente. Sabemos, no entanto, que lesões nem sempre estão vinculadas as atividades
praticadas na academia, podem estar associadas a atividades diárias, laborais ou de lazer por exemplo.
Movimentos repetitivos em casa ou no trabalho, realização de práticas esportivas esporádicas são
atividades que podem gerar lesões pelo fato do indivíduo muitas vezes, não possuir uma estrutura corporal
preparada para suportar a carga de determinado movimento ou atividade.
Quando tratamos de exercícios físicos realizados em academias de ginasticas, devemos considerar que
estes ambientes devem oferecer atividades orientadas por profissionais que estão preparados para atuar
de maneira preventiva quanto ao desenvolvimento de lesões. Contudo, sabemos que não são todos os
profissionais que se preocupam com esta variável ao prescrever ou orientar treinamentos e por outro lado,
não são todos os alunos que seguem o treinamento adequado prescrito pelo professor. Caso houvesse
uma conscientização dos alunos e uma atuação profissional adequada à incidência de lesões provenientes
de exercícios praticados nestes ambientes seriam reduzidas.
O gráfico 04, sobre a atitude em relação à manutenção das atividades realizadas na academia, constatou-
se que após a lesão, 50% dos alunos deixaram de realizar alguns exercícios, mas mantiveram suas
atividades na academia, 23% afirmaram que não modificaram suas atividades na academia, e 27%
alegaram ter deixado de realizar todas as suas atividades na academia.

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Gráfico 04
Corroborando com esses resultados os achados de Wagner e Shigunov (2013), demonstraram em seu
estudo que 51% da sua amostra não interrompeu os treinamentos de musculação e 49% interrompeu
totalmente os exercícios para uma melhor recuperação das partes envolvidas. Em contrapartida Gomes e
Junior (2013) em relação à atitude tomada após a lesão, 33% continuaram a fazer as atividades
normalmente e 67% deixaram de fazer apenas algumas atividades.
As lesões podem ser definidas em diferentes graus, conforme sua gravidade. Quanto mais grave, maior
será a interferência da lesão no cotidiano do indivíduo, inclusive nas atividades praticadas na academia.
Normalmente é necessária a realização de ajustes, interrupções ou alterações nos exercícios realizados.
Essas adequações são realizadas de acordo com a especificidade da lesão, que determinará qual a melhor
recomendação em relação aos exercícios praticados.
Na análise do gráfico 05, o qual discorre acerca da busca de tratamento especializado após a descoberta de
lesão, foi identificado que 70% dos alunos procuraram algum tratamento médico e 30% não procuraram
ajuda médica ou de fisioterapeutas.

Gráfico 05
Resultados semelhantes foram encontrados no estudo de Rolla et all (2004), 73% dos acometidos por lesão
na academia procuraram algum tratamento médico ou fisioterapêutico. Por sua vez, Rombaldi et al (2014)
demostrou que apenas 28% dos indivíduos que se lesionaram praticando atividades físicas, procuraram
atendimento fisioterápico. A importância de procurar um profissional médico ou fisioterapeuta consiste na
necessidade de identificar as especificidades da lesão. São estes profissionais que irão atuar na elaboração
de um diagnóstico que determinará as características da lesão e nele serão baseadas as medidas a serem
adotadas como forma de tratamento ou recuperação.

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Cabe ressaltar que esses profissionais determinam a necessidade de tratamento farmacológico ou


fisioterápico, enquanto a orientação prática da atividade física, é um papel atribuído ao professor de
educação física, seja na forma de profilaxia ou tratamento de determinada lesão a partir de exercícios
físicos (RESOLUÇÃO CONFEF, N° 046/2002). A negligência adotada pelos praticantes, quanto à consulta dos
profissionais adequados e capacitados, aumenta às chances de elevar os riscos à saúde do próprio
indivíduo.
Ao serem questionados quanto ao relato da lesão ao professor da academia, 70% afirmaram ter informado
o professor e 30% afirmaram não ter informado o profissional referido, como demostra o gráfico 06.

Gráfico 06
Com resultados próximos aos deste estudo, Souza, Moreira e Campos (2015), demostrou que 75% dos
alunos com lesão relataram o ocorrido ao professor de educação física da academia. No entanto, Oliva,
Bankoff, Zamai (1998) demostrou que mais da metade dos praticantes de musculação entrevistados,
treinaram sem comunicar o treinador sobre algum tipo de dor.
A prescrição de exercícios deve ser baseada em avaliações que permitem identificar diversas
características do aluno, como estilo de vida, composição corporal, nível de condicionamento físico,
histórico de doenças e lesões. Além das informações advindas das avaliações, é necessário salientar aos
alunos, a importância de ser repassado ao professor, informações sobre as variáveis resultantes ou que
interferem na execução de um treinamento. Através do “feedback” entre professor e aluno, é possível
obter parâmetros imediatos sobre a efetividade da prescrição do treino, o que engloba aspectos de
prevenção e/ou desenvolvimento de lesões.
O relato de lesões existentes ou da suspeita do surgimento de uma nova lesão, conduz o professor a
adoção de uma nova metodologia de treino, devido a necessidade de ajustes à condição física do aluno. A
omissão de informações relativas ao treino pode comprometer a saúde e a execução das atividades físicas,
pois eleva o risco de agravamento de lesões. A omissão também dificulta a realização de intervenções
terapêuticas de profilaxia em lesões em estados iniciais.
Ao serem questionados se tiveram seu programa de treinamento modificado pelo professor da academia
após avaliação médica, 65% afirmaram que sim e 35% afirmaram que não, conforme demonstra o gráfico
07.

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Gráfico 07
Em estudo semelhante, Rolla et all (2004), demostraram que 80% dos alunos que comunicaram a lesão ao
professor ou ao fisioterapeuta da academia, tiveram seu programa de treinamento modificado.
A execução e prescrição de exercícios físicos devem ser baseadas nos princípios do treinamento, entre os
quais temos o da individualidade biológica, que consiste na ideia que cada indivíduo é formado por uma
somatória de características que o torna único, sendo assim, um treinamento não pode desconsiderar
essas peculiaridades individuais.
Considerando este importante princípio, o indivíduo acometido por uma lesão precisa ter suas atividades
adequadas a sua condição física, a fim de que seja evitado o agravamento do quadro da lesão e para evitar
o desenvolvimento de lesões compensatórias, que podem surgir em decorrência da alteração do
funcionamento de uma determinada estrutura corporal. Quando não há o devido cuidado e a adequação
dos treinamentos do indivíduo lesionado, quadros de lesões podem evoluir para um grau de
comprometimento maior e piorar a condição física da pessoa. Já quando ocorre a adequação necessária,
quadros de lesões podem ser melhorados ou até revertidos.
Quando questionados se houve melhora na lesão após a modificação do treinamento, dos alunos que
afirmaram ter tido seu programa de treino modificado após a identificação da lesão, 90% relataram a
identificação de melhorias com a mudança do treinamento e 10% relataram não ter identificado melhorias,
como demonstra o gráfico 08.

Gráfico 08

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O estudo de Souza, Moreira e Campos (2015), o percentual de 80% relatou melhora nos sintomas após a
mudança nos treinos. Já Rolla et all (2004), demostrou que após a modificação do programa de
treinamento, 96% dos alunos relataram alívio dos sintomas.
Quando a prescrição de uma atividade é realizada respeitando todas as condições peculiares ao indivíduo,
é possível faze-la com segurança e de forma adequada. Treinamentos prescritos e executados
corretamente possibilitam ao indivíduo lesionado, realizar suas atividades de maneira mais confortável,
com diminuição ou ausência de dor, além de ajudar no processo de reabilitação da lesão.
CONCLUSÃO
Foi possível constatar através desse estudo que a percepção de lesões por praticantes de exercício físico
em academias de ginastica não é um evento raro, por isso deve-se salientar a importância da atuação
profissional dos professores de educação física ao prescrever e orientar treinamentos adequados para que
possa haver uma mudança nessa realidade.
Quando exercícios são realizados com segurança, o risco de um indivíduo ser acometido por uma lesão é
menor, o que resulta na necessidade da difusão destas informações aos alunos, para que possam
compreender a importância de respeitar o equilíbrio na relação exercício físico e saúde.
Embora estudos demonstrem a importância da atividade física na prevenção e manutenção de um padrão
de vida saudável, a prática pode determinar um aumento no risco da ocorrência de lesões entre os
praticantes. O exercício físico sistematizado pode beneficiar o ser humano tanto fisicamente quanto
mentalmente proporcionando uma melhor qualidade de vida.
Contudo, quando praticado de maneira incorreta, o exercício físico deixa de ocasionar benefícios. As lesões
musculares, tendinosas e ligamentares são exemplos de consequências da prática inadequada do exercício
físico e podem ocorrer em qualquer estrutura corporal.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Conclusão de Curso, Novo Hamburgo, 2011, p.01-36. Disponível em:
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respectivas compentências e define os seus campos de atuação profissional. www.confef.org.br
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estudo exploratório. Rev. bras. Ci. e Mov., Brasília, v.12, n.2, p. 7-12, 2004. 29Disponível em:
http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/549/573 Acesso em: 30/01/2016.
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musculação. Revista Saúde e Pesquisa, v. 8, n. 3, p. 469-477, set./dez. 2015 - ISSN 1983-1870 - e-ISSN 2176-
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Guanabara Koogan; 2001. p. 202-210.

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13. WAGNER, E., SHIGUNOV, V. Estudo de lesões musculares e articulares em praticantes de musculação
de uma academia do município de florianópolis-sc. Florianópolis – SC, 2013.
PROTOCOLO DE PESQUISA
Título: análise da percepção de lesões, em academias de ginástica do Bairro Santa Rita Zona Sul do
Município de Macapá- Ap.
Pesquisadores: Aline Thaíze de Oliveira Ramos/Walber Lopes Farias. Pós-Graduando em Fisiologia do
Exercício, Avaliação Física e Atividade para Grupos Especiais. ENAF/Desenvolvimento Serviços Educacionais
do Estado do Amapá.
Nome: ____________________________________________________________
1) Idade: __________
2) Sexo: M ( ) F ( )
3) Quais atividades você realiza na academia?
( ) somente musculação
( ) somente aulas coletiva ( step, localizada,bodypumpetc)
4) Você já teve ou tem alguma lesão?
( ) Sim ( ) Não
5) Você acredita que esta lesão está relacionada à(s) atividade(s) realizada(s) na academia?
( ) Sim ( ) Não
6) Onde está localizada a lesão? (Se necessário, marque mais de uma opção)
( ) joelho ( ) tornozelo
( ) quadril ( ) coluna
( ) ombro ( ) cotovelo
( ) punho ( ) outros
7) Com o resultado da lesão você:
( ) não modificou sua(s) atividade(s) na academia
( ) deixou de realizar apenas alguns exercícios
( ) deixou de realizar toda(s) a(s) sua(s) atividade(s)
8) Você procurou algum tratamento médico e/ou fisioterapeuta?
( ) Sim ( ) Não
9) Você informou ao professor de sua academia sobre a sua lesão?
( ) Sim ( ) Não
10) O seu programa de treinamento foi modificado pelo professor?
( ) Sim ( ) Não
11) Em caso afirmativo, houve melhora dos sintomas relacionados à lesão, após esta modificado?
( ) Sim ( ) Não

ENDEREÇO: AVENIDA HENRIQUE GALÚCIO, N°3216. SANTA RITA


CEP:68900-255. MACAPÁ-AP

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WHEY PROTEIN A SOLUÇÃO PARA A OBESIDADE?

DE PAULA, A. C. ¹
VIANNA, D.

ENAF/DSE- Ribeirão Preto- Brasil


EMAIL: aline_acp_@hotmail.com

RESUMO
Introdução.No Brasil, assim como em vários outros países em desenvolvimento, a obesidade tem
aumentado significativamente nas duas últimas décadas.A obesidade é caracterizada pelo acúmulo de
gordura corporal, em decorrência da somatória de fatores genéticos e ambientais. Obesidade é fator de
risco para doenças crônicas não transmissíveis como diabete melitus tipo 2, hipertensão, resistência à
insulina entre outras. Diante destas evidências é recomendado que obesos se submetam a algum
tratamento para atenuar o incremento de gordura corporal, a fim de reduzir as chances de mortalidade e
controlar as doenças relacionadas à obesidade. Nesse sentindo, várias intervenções terapêuticas são
propostas, como a prática de exercício físico, a restrição calórica e a suplementação alimentar. Diversos
estudos relatam que a suplementação de wheyprotein é eficaz em reduzir a gordura corporal e em
estimular a síntese proteica favorecendo o crescimento ou manutenção da massa magra. Objetivo:este
trabalho teve como objetivo avaliar a associação do exercício físico e do acompanhamento nutricionaljunto
com uso do suplementoWheyprotein como tratamento para obesidade.Métodos: O estudo foi conduzido
na academia da cidade de Ituverava- SP, realizadocom 2 mulheres e 2 homens 36±12,72 anos e peso
médio de 95±21,21 Kg, submetidos a dois meses de tratamento. Foram feitas avaliações antes a após o
período de intervenção. O acompanhamento nutricional consistia em consultas semanais sendo utilizado
uma dieta hipocalórica de 1700 Kcal associada ou não a suplementação de 23g de wheyprotein. O
treinamento físico (resistido + aeróbio) foi realizado 3 vezes na semana, tinha duração de 1 hora.
Conclusão. Conclui-se que a suplementação de wheyprotein associado a dieta hipocalórica e ao
treinamento foi eficaz em reduzir o peso corporal. Mostrando assim a importância de unir dieta,
suplementação e atividade física, para se obter resultados satisfatórios no tratamento para o
emagrecimento.

Palavras chave: Obesidade; Emagrecimento; wheyprotein.

ABSTRACT
Introduction. In Brazil, as in many other developing countries, obesity has increased significantly in the last
two decades. Obesity is characterized by the accumulation of body fat as a result of the sum of genetic and
environmental factors. Obesity is a risk factor for chronic diseases such as diabetes mellitus type 2,
hypertension, insulin resistance, among others. On this evidence it is recommended that obese to undergo
some treatment to mitigate the increase of body fat in order to reduce the chances of mortality and
control diseases related to obesity. In that sense, various therapeutic interventions are proposed, such as
physical exercise, caloric restriction and supplemental feeding. Several studies have reported that
supplementation of whey protein is effective in reducing body fat and stimulate protein synthesis favoring
the growth or maintenance of lean mass. Objective: This study aimed to evaluate the association of
physical exercise and nutritional counseling along with use of Whey protein supplement as a treatment for
obesity. Methods: The study was conducted at the Academy of the city of Ituverava- SP, performed with 2
women and 2 men 36 ± 12.72 years and average weight of 95 ± 21.21 kg, submitted to two months of
treatment. Evaluations were made before to after the intervention period. Nutritional monitoring
consisted of weekly consultations are using a reduced calorie diet of 1,700 Kcal with or without
supplementation of 23g of whey protein. Physical training (resistance + aerobic) was performed 3 times a
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week, I had duration of 1 hour. Conclusion. It is concluded that supplementation of whey protein
associated with reduced calorie diet and the training was effective in reducing body weight. Thus showing
the importance of uniting diet, supplementation and physical activity, to obtain satisfactory results in the
treatment for weight loss.

Key words: Obesity; Weight loss; whey protein.

INTRODUÇÃO
A obesidade nos dias atuais é um problema de saúde que cresce constantemente e já é classificada como
uma epidemia mundial, pois o mercado de alimentos oferece oportunidades de fácil acesso para que o
indivíduo possa ingerir altos volumes de alimentos sem levar em consideração a qualidade, como por
exemplo: fastfoods, lanches, salgadinhos, refrigerantes entre outros com preços mais acessíveis, sendo
mais vantajoso manter uma dieta pobre em nutrientes, mas rica em quantidade. (FETT, 2001)
(FRANCISCHI; LANCHA-JUNIOR & PEREIRA 2003)
O individuo é considerado obeso, pelo acumulo de gordura corporal, ou seja quando sua porcentagem de
gordura é maior que de massa muscular, seu indice de massa corporal é classificado por 30 Kg/m² ou mais.
(SALVE, 2006)
A obesidade geralmente esta associada a outras patologias, como: Diabete Mellitus, hipertensão, doença
renal, gota, entre várias outras. Alguns dos fatores que ajudam a desencadear a obesidade são
principalmente hábitos alimentares inadequados, bem como a falta de atividade física. O tipo, a
intensidade e a duração do exercício determinam alterações significativas com aumento do metabolismo.
Sendo assim, conhecendo a dieta, o tipo de exercício e o suplemento alimentar, podem melhorar e
acentuar o acúmulo de gordura corporal e assim acelerar o processo de emagrecimento. (FETT, 2001).
Para que ocorra um bom tratamento dietoterápico esportivo é importante que o nutricionista tenha um
bom histórico sobre o paciente, um planejamento dietético e um conhecimento na área de nutrição
esportiva e principais características da modalidade desempenhada. (Braggion, 2008).
De acordo com a Resolução do CFN n°380/2005: “suplementos nutricionais são alimentos que servem para
complementar, com calorias, e ou nutrientes a dieta diária de uma pessoa saudável, em casos onde sua
ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente, ou quando a dieta requerer suplementação”. No
mercado os suplementos alimentares são encontrados de seguinte forma: pós, capsulas, tabletes, barras,
pastilhas mastigáveis, drágeas, granulados, líquidos, géis, semissólidos e suspensões. Eventualmente os
suplementos nutricionais são utilizados para alcançar resultados positivos em qualquer que seja o objetivo
e o treinamento. A maneira que as proteínas do soro do leite utilizadas como suplementos alimentares são
comercializadas principalmente em forma de pó (Braggion, 2008; FISCHBORN, 2009).
Com a pratica de atividade física melhora-se a qualidade de vida dos indivíduos. Vários fatores vão
interferir no desenvolvimento da atividade física, como organização do treino, genética, suplementação,
tempo da prática de atividade física e dieta, principalmente. Com isso aumenta-se a necessidade de
nutrientes do corpo, principalmente de proteína. Com a ingestão de proteína ou aminoácidos pós treino
contribui na recuperação e na síntese proteica, a qualidade dessas funções são acentuadas positivamente
se a quantidade e o tipo de proteína for adequado.) (HARAGUCHI, 2008)(FISCHBORN, 2009)
Segundo a ANVISA, na Portaria n° 222/1998: “os Alimentos Proteicos são produtos com predominância de
proteína(s), hidrolisada(s) ou não, em sua composição, formulados com o intuito de aumentar a ingestão
deste(s) nutriente(s) ou complementar a dieta de atletas, cuja as necessidades proteicas não estejam
sendo satisfatoriamente supridas pelas fontes alimentares habituais.” (ANVISA, 1998)
A wheyprotein tem como seu principal produto a proteína do soro do leite. O soro do leite possui cor
amarela esverdeada e é obtido através da coagulação do leite e possui sabor de ácido para doce. Por ser
rico em proteínas, sendo elas aminoácidos essenciais e por possuir alta biodisponibilidade, ele se tornou
um material usado na alimentação humana e na confecção de suplementos proteicos. Elas correspondem
a 20% das proteínas do leite, compostas principalmente por α-lactoalbumina (ALA) e a β-lactoglobulina
(BLG) e outros componentes como: albumina do soro bovino (BSA), Imunoglobulinas (Ig’s) e glico-

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macropetídeos. A composição de aminoácidos das proteínas do soro são semelhantes as do musculo


esquelético(ZUÑIGA,2003) (HARAGUCHI, 2008) (MELO, 2009)
De acordo com estudos, as proteínas do soro auxiliam o emagrecimento por meio da redução do
percentual de gordura corporal, realizado pelo micronutriente Cálcio e por ter em sua composição alta
concentração de Aminoácidos de Cadeia Ramificada (BCAA). Com o aumento do cálcio na dieta, ocorre o
auxílio na redução dos hormônios calcitropicos, esse hormônio é o responsável por estimular a
transferência de cálcio para as células de gordura e em altas concentrações leva a lipogênese e a redução
da lipólise. Além de oferecer vários benefícios como recuperação muscular, fortalecimento da imunidade e
melhoria no desempenho físico (HARAGUCHI, 2008; MELO, 2009)
No mercado, a WheyProtein pode ser encontrada em três formas mais conhecidas, sendo elas: isolada,
hidrolisada e concentrada. Na proteína isolada encontra-se de 90% a 95% de proteínas, com baixo teor de
gordura e lactose, a hidrolisada é feita da concentrada e da isolada, também contem baixo teor de gordura
e lactose e possui fácil digestão e absorção. E a concentrada em duas formas, a concentrada passa por um
processo de extração do componentes não proteicos, sua porcentagem de proteína varia entre 25% e 89%,
a medida que a lactose diminui aumenta a % de proteínas e a concentrada com lactose reduzida tem em
sua formulação menos de 1% de lactose (CASAGRANDE, 2006) .
E o último e menos conhecido é a WheyProtein por troca iônica, nela ocorre a remoção de determinados
minerais por meio da troca iônica, por eletro diálise ou pela técnica de filtração em membranas
(CASAGRANDE, 2006).
Existem diversas maneiras de utilizar a suplementação desta proteínas, como após treino, para que seja
oferecido aminoácidos essenciais para que ocorra a síntese proteica;pré treino, assim irá prevenir o
catabolismo muscular, pelo alto teor de glutamina e BCAA; ao levantar-se da cama, por ser uma proteína
de rápida absorção e digestão, esta ajuda na reposição de proteínas e carboidratos de forma mais rápida,
causada por jejum noturno (sono); ou ainda antes de dormir, para favorecer a recuperação muscular e
impedir o catabolismo em atletas em dieta hipocalórica, oferecendo aminoácidos. Lembrando sempre que
se deve levar em consideração o tipo e volume de treinamento, a dieta, o objetivo do individuo para assim
orientar o melhor horário para ingerir o suplemento proteico (NILSEN, 2010).

OBJETIVO
O estudo teve como objetivo avaliar a associação do exercício físico e do acompanhamento nutricional
junto com uso do suplemento Wheyprotein como tratamento para obesidade. Por último incentivar a
melhoria de hábitos e mostrar a importância de ter um profissional qualificado para supervisionar o
tratamento.

MATERIAIS E MÉTODOS
AMOSTRA
O estudo contou com a participação de 2 homens e 2 mulheres que se enquadraram no critério de seleção,
deveriam ser obesos, não ter doenças associadas, frequentadores de academia 3 vezes por semana, não
estar em tratamento nutricional e frequentador da academia a mais de 2 anos. A idade média era de
36±12,72 anos e peso médio de 95±21,21 Kg (tabela 1). Para iniciação deste trabalho, duração 2 meses, foi
feita uma reunião com os participantes para explicar seu objetivo e metodologia e em seguida foi entregue
o termo de consentimento livre e esclarecido, formulado de acordo com a Resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde. Os participantes foram distribuídos em 4 grupos: grupo mulher (M) participante com
dieta hipocalórica (n=1); grupo mulher (ML) participante com dieta hipocalórica + suplementação de
Wheyprotein(n=1); Grupo Homem (H) participante com dieta hipocalórica (n=1) e Grupo Homem (HL)
participante com dieta hipocalórica + suplementação de Wheyprotein (n=1). (Tabela 1)

MATERIAIS UTILIZADOS
Os materiais utilizados para a realização do estudo foram: balança e fita métrica.

INSTRUMENTOS EMPREGADOS

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Foi utilizado como instrumento para coleta de dados para a identificação do consumo alimentar o diário
alimentar.

PROCEDIMENTOS REALIZADOS
A pesquisa se desenvolveu numa academia da cidade de Ituverava-SP, os participantes realizaram no inicio
e no final do estudo a avaliação antropométrica onde foi mensurado o perímetro abdominal, quadril,
cintura, peso e altura.
O acompanhamento nutricional consistia em consultas semanais. Todos participantes receberam
prescrição de dieta hipocalóricade aproximadamente 1.700 Kcal com o sem o acréscimo do suplemento
proteico, o diário alimentar, para que pudessem anotar tudo o que foi consumido durante o dia, incluindo
quantidade de água, exercício físico e suplemento.Na metade do tratamento foi entregue um novo
questionário, o intermediário, para avaliar a aceitação da dieta, do treinamento e da suplementação e se já
houve emagrecimento.
A suplementação de wheyprotein (Wheyprotein 3 W/probeiótica®) foi de 23 g de proteína fornecida 30
minutos após a treino para um participante de cada grupo M e H.
Os participantes foram submetidos a um programa de exercício físico durante dois meses, três vezes por
semana com duração de uma hora. O programa de exercício físico foi elaborado por um educador físico o
qual propôs exercícios aeróbios combinados com exercícios resistido. O exercício aeróbio consistiu de
corrida. O exercício resistido foi executado utilizando uma combinação de pesos livres e aparelhos
específicos de musculação.

Tabela 1: caracterização dos participantes


Grupo ML Grupo M Grupo HL Grupo H
Idade (anos) 45 35 25 27
Peso Inicial 91,5 90 122,5 107,9
(Kg)
Altura (cm) 162 165 174 188
IMC kg/m2 34,9 33,08 40,56 30,57
Grupo mulher (M) participante com dieta hipocalórica (n=1); grupo mulher (ML) participante com dieta
hipocalórica + suplementação de Wheyprotein(n=1); Grupo Homem (H) participante com dieta
hipocalórica (n=1) e Grupo Homem (HL) participante com dieta hipocalórica + suplementação de
Wheyprotein (n=1)

RESULTADOS
Segundo o questionário inicial, conclui-se que todos os participantes estavam com IMC acima de 30kg/m².
Todos frequentavam a academia a mais de 2 meses, a duração do treino era de 1 hora, todos faziam a
junção de aeróbio+musculação. Objetivo em comum emagrecimento.
Quando perguntados sobre para que serviam os suplementos, relataram o seguinte: “ ajuda a estimular e
dar mais energia na hora de fazer os exercícios”, “para auxiliar no emagrecimento”, “não tenho opinião” e
“para que possa auxiliar e acelerar o desenvolvimento de músculos e o desempenho no treino”. Nenhum
possuía nenhum tipo de doença crônica, os antecedentes familiares eram principalmente avô/irmãos/mãe
com diabetes mellitus tipo I ou tipo II.
Já no questionário intermediário, verificou-se que todos os participantes afirmaram que aprenderam o
porquee a importância de se utilizar suplemento como auxiliador no emagrecimento e concordaram que
com supervisão de uma equipe especializada os resultados são atenuados com o uso. Todos se
encontravam satisfeitos com os resultados obtidos até naquele momento e estavam aflitos com medo do
fim do tratamento, queriam continuar, pois estavam conseguindo emagrecer bem mais que se estivessem
sozinhos, todos responderam que não tinha dificuldade ao segui o plano alimentar proposto. Referiram
sentir mudanças ao colocarem roupas que antes ficavam muito justas ou não “entravam”, agora estavam
vestindo melhor, uma das participantes teve que mandar várias de suas roupas para ajustar em uma
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costureira, pois ficavam "caindo" e afirmou que até o fim do estudo teve que ser realizadas três vezes o
ajuste pra diminuir ainda mais todas as peças.
E no questionário final, todos os participantes queriam ingerir suplemento, pois o emagrecimento foi mais
acentuado em quem consumiu, perderam o medo e relataram que aprenderam que “esses” produtos nada
mais são que alimentos modificados, desidratados e que quando há necessidades são até benéficos para a
saúde. Ficaram muito satisfeitos com os resultados obtidos, todos queriam seguir com o tratamento e
todos conseguiram emagrecer.
Em relação a avaliação do diário alimentar (dados não mostrado), todos os participantes seguiram a
recomendação. Porém, no inicioda intervenções os participantes relatavam m “medo” de fazer as
substituições, mas com os encontros semanais aprenderam a fazer trocas “inteligentes”. Nos horários,
quantidades e qualidade dos alimentos após esse episodio todos faziam corretamente.
Na tabela 2, foi analisado os pesos e IMC iniciais e finais de todos os integrantes, ao comparar o pesos
iniciais e final nota-se que a ML e o HL emagreceram mais, sendo 4,5kg e 2,5Kg, já a M e o H foram os
seguintes valores, 4Kg e 1,9Kg. O IMC inicial serviu de critério para seleção para o estudo, foi usado o
seguinte parâmetro, todos deveriam ter o IMC= ou > que 30 Kg/m², com a classificação de obesidade. No
decorrer do tratamento todos diminuíram o IMC, mais ainda permaneceram com a classificação de
obesidade.

Tabela 2: Dados de peso e IMC feitos no inicio e fim do tratamento.


Grupo ML Grupo M Grupo HL Grupo H
Peso Inicial 91,5 90 122,5 107,9
(Kg)
Peso final (Kg) 87 86 120 106
IMC kg/m2 inicial 34,92 33,08 40, 56 30,56
2 final
IMC kg/m 33,21 31,61 39,73 30, 02
Grupo mulher (M) participante com dieta hipocalórica (n=1); grupo mulher (ML) participante com dieta
hipocalórica + suplementação de Wheyprotein(n=1); Grupo Homem (H) participante com dieta
hipocalórica (n=1) e Grupo Homem (HL) participante com dieta hipocalórica + suplementação de
Wheyprotein (n=1)

Nas tabelas 3, 4, 5 e 6 foram comparadas as medidas inicias e finais de todos os participantes, foi analisado
as medidas de abdomen, cintura e quadril. A diminuição de medidas abdominais foram mais acentuadas
nosindivíduos dos grupos ML e no H. O perímetro da cintura e do quadril reduziu nos grupos ML e HL. A
relação cintura/ quadril notou-se que a ML estava em alto risco de desenvolver doenças cardiovasculares,
diabetes mellitus entre outras, já a M iniciou e permaneceu em risco moderado. Os candidatos HL e H
começaram em alto risco e no fim foram pra moderado.

Tabela 3: GRUPO ML: Avaliação antropométrica, perímetro do abdômen, cintura e quadril.


Grupo ML Abdômen Cintura Quadril Relação
cm cm cm cintura/quadril
Inicio 130 109 127,5 0, 85- Alto risco
Fim 107 100 121,5 0,82- Alto
Grupo mulher (ML) participante com dieta hipocalórica + suplementação de Wheyprotein(n=1);

Tabela 4: GRUPO M: Avaliação antropométrica, perímetro do abdômen, cintura e quadril.


Grupo M Abdômen Cintura Quadril Relação
cm cm cm cintura/quadril
Inicio 95 90 121 0,74- Moderado
Fim 89 88 119 0,74- Moderado

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Grupo mulher (M) participante com dieta hipocalórica (n=1)

Tabela 5: GRUPO HL: Avaliação antropométrica, perímetro do abdômen, cintura e quadril.


Grupo HL Abdômen Cintura Quadril Relação
cm cm cm cintura/quadril
Inicio 120 112 124 0,90- Alto
Fim 116 104 120 0,87- Moderado
Grupo homem (HL) participante com dieta hipocalórica + suplementação de Wheyprotein(n=1);

Tabela 6: GRUPO H: Avaliação antropométrica, perímetro do abdômen, cintura e quadril.


Grupo H Abdômen Cintura Quadril Relação
cintura/quadril
Inicio 113 106 117 0,91- Alto
Fim 103 101 117 0,86- Moderado
Grupohomemr (H) participante com dieta hipocalórica (n=1)

DISCUSSÃO
Com o estudo foi possível avaliar as modificações antropométricas e visuais dos participantes e então
verificou-se que a hipótese é verdadeira, pois o suplemento pode auxiliar no emagrecimento de indivíduos
obesos, mas com a junção de alimentação saudável e balanceada e atividade física.
As limitações do estudo foram, os participantes não conhecer os exercícios pelos nomes, então foi
necessário sempre ter um educador físico por perto, para não confundirem e nem executarem errado,
alguns dos participantes nunca terem nem visto um suplemento alimentar, acharem que eram
anabolizantes, para isso foi ministrada uma palestra para ensinar e tirar dúvidas sobre o tema. Nos
encontros semanais, também, eram sanadas dúvidas referentes a alimentação e a suplementação.
Houve redução de IMC, mas não o suficiente para alterar o estágio de IMC (Indice de Massa Corporal),
então ainda continuaram com a classificação de obesidade, o mesmo foi comprovado no estudo do autor
Varela e colaboradores, onde foi comparado os IMCs iniciais e finais do estudo, os requisitos para
participar do estudo era ter IMC> ou igual a 30 Kg/m², foram três meses de tratamento.
Ao analisar os dados é possível notar que houve redução significativa em todas as medidas corporais e de
peso, mas a redução mais acentuada foi nos participantes que estavam com suplementação.
De acordo com o estudo é possível notar, que três dos participantes saíram do risco alto para o
desenvolvimento de outras patologias, levando em consideração o perímetro cintura/quadril. Estes
resultados vão de encontro com os dos autores Rocca, Tirapegui, Melo e Ribeiro, que o estudo teve
duração de três meses, um dos critérios para a seleção de participantes também era ter IMC maior que 30
Kg/m², foi verificadoque houve uma boa redução na relação cintura/quadril e também nas circunferências
de cintura e quadril dos indivíduos estudados.
Em relação ao emagrecimento, o grupo suplementado foi o que mais obteve resultados positivos, em dois
meses de tratamento emagreceram HL- 2,5 Kg e ML 4,5Kg.
A importância do trabalho foi mostrar que com a junção e o equilíbrio entre alimentação, atividade física e
suplementação o resultados almejados podem ser alcançados, podem ser aplicados em alunos de
academia que já tenham passado pela fase de adaptação, recomendações que sempre procure
profissionais qualificados e específicos para cada caso (exemplo: nutricionista para alimentação e
suplementação, pois para cada objetivo e necessidade variam, sempre levando em consideração a
individualidade; educador físico: para ficha de treinamento, médico: para exames de rotina).As implicações

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podem acontecer se o aluno fizer algum exercício errado e se machucar, ou não consumir o que foi
proposto no plano alimentar e causar um desiquilíbrio ou uma deficiência no organismo. Umas das
maiores especulações é saber mais sobre o metabolismos dos suplementos no organismo, saber se um
individuo sem diabetes pode vir a ter pelo uso de suplementos, por nele conter adoçantes e se seria
necessário a pausa no uso destes produtos.

CONCLUSÂO
Conclui-se a importância de unir dieta, suplementação e atividade física, para se obter resultados
satisfatórios no tratamento para o emagrecimento. Comprovando o objetivo do estudo, o grupo
suplementado emagreceram mais que o grupo não suplementado.
A importância de tratamento foi melhorar a qualidade de vida, saúde e até as emoções dos participantes e
poder mostrar e ensinar como ter um hábito mais saudável pode fazer toda a diferença.
Mas como o tempo de tratamento foi limitado é necessário mais estudos e analises sobre o tema.

REFERENCIAS
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26T113251Z-4036/Publico/texto%20completo.pdf#page=120> Acesso em: 06 de Ou. 2014.

Autor: Aline Cristina de Paula


Rua: José Moreira Coimbra, 1.175. Casa.

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Bairro: Cidade Universitária.


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ALONGAMENTO ANTES OU APÓS MUSCULAÇÃO: OS PRÓS E CONTRAS

ALBUQUERQUE, V. 1
TOMAZ, T.P.1
VASCONCELOS, T. P.3
VILAS BOAS, Y. F.²
1
Educador Físico / Pós graduando em Musculação e Personal Trainer. Pós Graduação Enaf
Desenvolvimento Serviços Educacionais - Poços de Caldas / MG - Brasil. Email: vandinhoef@hotmail.com

² Orientador / Professor e Coordenador do Curso de Educação Física da Universidade José do Rosário


Vellano - Unifenas - Alfenas / MG - Brasil. Email: yvan.boas@unifenas.br

RESUMO
Este estudo trata do alongamento antes ou após musculação, elucidando seus prós e contras. Tal
abordagem se justifica na divergência encontrada, visto que apesar da literatura científica enumerar os
benefícios importantes atrelados ao alongamento, no que se diz respeito à diminuição de lesões, é
bastante controversa quanto ao momento que este deve ser realizado. Objetiva-se com este estudo,
verificar a literatura existente sobre o alongamento na musculação, elucidando os aspectos que designam
o melhor momento para a sua realização. O estudo constatou que o benefício do alongamento decorre de
seu efeito a médio e longo prazo, melhorando a flexibilidade, e não de um efeito imediato por alongar logo antes
da prática de exercícios.

Palavras-chaves: Atividade Física, Fitness, Treinamento Contra Resistência.

ABSTRACT
This study deals with stretching before or after weight training, elucidating its pros and cons. This approach
is justified found in divergence since, though the scientific literature enumerate the major benefits related
to stretching, as regards the decrease of injury, it is quite controversial as to when this should be done.
Objective with this study, verify the existing literature on the stretch in bodybuilding, elucidating aspects
which designate the best time for their realization. The study found that the benefit of stretching is due to
its effect in the medium and long term, improving flexibility, not an immediate effect by then stretch
before exercise.

Keywords: Physical activity , Fitness , Training resistance against.

INTRODUÇÃO
Este artigo visa, por meio de pesquisa bibliográfica, entender a importância do alongamento atrelado a
musculação. Pois com o aumento da procura, visualizada hoje em dia, na prática e nos benefícios dos
exercícios físicos, surgem algumas dúvidas em relação ao alongamento, se deve ser pré-treino ou pós-
treino, em relação a uma melhoria na flexibilidade e seus benefícios para evitar possíveis lesões.
O alongamento estimula o movimento das articulações do corpo humano, existem muitos casos de
pessoas que sofreram ou estão sofrendo lesões devido à falta deste hábito.

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Neste importe, algumas pessoas sofrem lesões durante as atividades de musculação, seja por desconhecer
os benefícios do alongamento, ou o realizando de forma errada ou insuficiente. Devido à falta de
informação sobre o alongamento antes do treino e pós-treino e seu benefício voltado à flexibilidade, o
estudo tem como busca a resolução do seguinte problema: Quando deve ser realizado o alongamento para
a efetiva proteção dos músculos e articulações nas atividades de musculação?
Este intento se justifica pelo alto índice de lesões que a atividade de musculação pode causar, quando o
alongamento não é alçado como essencial.
Para isso, primeiramente, é preciso entender o que é o alongamento, sua finalidade, os tipos existentes,
ele previne ou aumenta o nível de lesões, ajuda ou atrapalha os exercícios executados na musculação. E a
musculação, qual seu impacto sobre o corpo humano, qual o impacto gerado com e sem alongamento.
O alongamento normalmente é utilizado para relaxarmos uma determinada musculatura, pois realiza-se a
extensão dos músculos e articulações ao ângulo máximo da amplitude e depois, faz-se o processo inverso,
em vários grupos musculares.
É utilizado a fim de evitar os encurtamentos musculares, pois quando estimula-se os músculos,
articulações e tendões, estes tendem a continuar amplitude máxima de movimento. Uma das
consequências do alongamento é promover a flexibilidade de quem o pratica. Com o tempo de prática do
alongamento feito de forma correta, o corpo se torna mais flexível, e consequentemente, menos propício
ou sujeito a lesões (THOMPSON et al, 2011).
Para Nahas (2010), a flexibilidade é a valência física que reflete a amplitude dos movimentos articulares.
Seu desenvolvimento se dá por meio de alongamentos que aumentam consideravelmente a elasticidade
dos músculos, tendões e ligamentos, permitindo uma maior amplitude de movimento.
Hamil e Knutzen (2011) sugerem que vários fatores determinam a flexibilidade. Esses fatores incluem
estrutura articular, saúde dos tecidos moles ao redor da articulação, comprimento dos músculos
antagonistas e temperatura dos tecidos que estão sendo alongados, além das propriedades viscoelásticas
(“semelhantes a uma faixa de borracha”) dos tecidos ao redor da articulação. Assim não é de surpreender
que a flexibilidade seja determinada em grande parte pela maneira como esses fatores facilitam o
movimento.
Muitas pessoas buscam centros de treinamento para alcançar uma boa forma física (estética) ou apenas
para manter e melhorar sua saúde, porém muitas vezes acabam negligenciando o alongamento que é
indicado.
Para Pinto et al. (2008), a musculação é uma das práticas físicas mais antigas do mundo, e que passou a se
tornar uma prática que atrai cada vez mais adeptos. A musculação é definida como “treinamento com
pesos”, não sendo caracterizada como uma modalidade esportiva, e sim como uma forma de treinamento.
Em seu contexto histórico, a musculação teve suas origens na Grécia antiga, quando Milon de Creton
iniciou seus trabalhos levantando bezerros. Assim, a medida que o bezerro crescia, o organismo dele
estava preparado para sustentar a nova carga, iniciando assim o princípio da sobrecarga. Devido ao
histórico, a musculação começou a ser utilizada como uma prática de ganho de massa e força, mas hoje,
esses mesmos objetivos são alcançados de forma adaptada e diferenciada para os idosos (PINTO et al.,
2008).
Musculação diz respeito à atividade que muitas pessoas realizam em uma academia, por exemplo, a fim de
atingir um objetivo, seja ele ganho de força e massa muscular, ou simplesmente uma melhor aparência.
Musculação em um âmbito genérico, se trata de um trabalho chamado de hipertrofia, onde o indivíduo
realiza a musculação afim de aumentar o tamanho ou volume dos músculos, ter um aumento de força
física, que também pode ser associado a uma melhor aparência física (THOMPSON et al, 2011).
Os chamados exercícios resistidos, ou exercício contra resistência, geralmente são realizados com pesos,
embora existam outras formas de oferecer resistência à contração muscular. Musculação é o termo mais
utilizado para designar o treinamento com peso, fazendo referência ao seu efeito mais evidente, que é o
aumento da massa muscular (QUEIROZ e MUNARO, 2012).
Diante disso, objetiva-se com o estudo verificar a abordagem da literatura existente sobre o alongamento
e a musculação, elucidando os aspectos que designam o melhor momento para a sua realização, além de
elucidar os prós e os contras de sua realização.

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MATERIAIS E MÉTODOS

A metodologia utilizada está baseada em levantamentos a partir de dados bibliográficos através da leitura,
análise e interpretação de livros, artigos, monografias e teses sobre o assunto abordado.
Aos dados bibliográficos foram agregadas informações obtidas em sites na internet, pertencentes a
organizações governamentais e não governamentais, que divulgam textos e dados relacionados às
temáticas abordadas no presente trabalho.
Conforme Gil (1991), a revisão bibliográfica não produz conhecimento novo: ela apenas supre as
deficiências de conhecimento do pesquisador no tema de pesquisa, procurando em referências a conexão
entre suas dúvidas, o tema e o material pesquisado.
Ainda, como meios de levar ao leitor as informações de maneira correta, utilizou-se como técnica de
instrumentação de coleta de dados, a técnica de documentação indireta.
Toda pesquisa implica o levantamento de dados de variadas fontes, quaisquer que sejam os métodos ou
técnicas empregados.
No caso, da documentação indireta, a pesquisa foi realizada com intuito de recolher informações prévias
sobre o campo de interesse. O levantamento de dados foi cumprido de duas maneiras: através de pesquisa
documental e de pesquisa bibliográfica (GIL, 1991).

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para Lima (2012), a musculação consiste em uma forma de exercício resistido no qual se tem grande
controle de variáveis como: carga, tempo de contração, velocidade, etc. Vale ressaltar ainda que, variáveis
como intensidade do exercício (se leve, moderada, ou intensa), atuam como importante componente de
versatilidade da prática da musculação, podendo esta, se adequar às diferentes faixas etárias, e ser
praticada de acordo com os mais diferentes objetivos propostos pelos indivíduos que a praticam.
Ainda segundo Lima (2012), dentre todos os ganhos provenientes à prática da musculação, o aumento de
força é o benefício mais conhecido, embora ela seja usada ainda para quem busca saúde, como
influenciador na perda de massa adiposa no caso de obesos, aumento da densidade corporal em idosos, e
até mesmo na estética.
Para Santarem (1998), do ponto de vista funcional, os exercícios com pesos, desenvolvem importantes
qualidades de aptidão, constituindo uma das mais completas formas de preparação física. Uma das
características mais marcantes dos exercícios com peso é a facilidade com que podem ser adaptados à
condição física individual, possibilitando até mesmo o treinamento de pessoas extremamente debilitadas.
Segundo Viana (2002), a musculação é um meio, de preparação física, utilizado para o desenvolvimento
das qualidades físicas relacionadas com as estruturas musculares. Além disso, é também o conjunto dos
processos e meios que levam ao aumento e ao aperfeiçoamento da força muscular, a chamada hipertrofia,
associada ou não a outra qualidade física.
A hipertrofia consiste no aumento da contração de proteína contrátil no interior das fibras musculares, o
que intensifica o desenvolvimento da força (FLECK; FIGUEIRA, 2003). Esta adaptação resulta no aumento
entre 20% e 45 %, podendo chegar até mesmo a 50% (STARON et al, 1991), sendo este aumento idêntico
em homens e mulheres quando submetidos ao mesmo tipo de treinamento, e é um dos objetivos mais
procurados dentro das academias
Em relação à musculação e o alongamento, muito tem se falado na determinação do momento correto
para a prática do alongamento.
Para tanto, a flexibilidade deve ser discutida, pois através da prática do alongamento, haverá aumento
dessa, o que leva a benefícios em qualquer atividade física.
Nussio (2006), os exercícios de alongamento deveriam ser parte integrante de qualquer tipo de disciplina
esportiva, tanto para a fase de aquecimento quanto para o final, como relaxamento. Os exercícios, suaves

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e harmoniosos, contribuem também para trazer um relaxamento psíquico, com o que se tornam ainda
mais eficazes.
Para Simón (2006) os alongamentos servem para manter a máxima amplitude dos movimentos, evitando
assim descompensações musculares e posturas que podem ocasionar dores e lesões, recomenda-se o
alongamento antes de qualquer tipo de treino. O alongamento prévio pode ser mais suave e, após o
treinamento, deve ser mais profundo.
Oliveira (2012) sugere que o grau da flexibilidade varia. Pela manhã têm-se uma diminuição deste grau,
devido à composição plástica do corpo estar em seu tamanho original, devido às longas horas descansadas
no sentido horizontal. Ao longo da manhã, a flexibilidade sofre um crescente aumento, chegando a seu
pico ideal por volta das 13 horas, para mais tarde sofrer um declínio.
Existem diversos métodos para melhorar a flexibilidade e aumentar a amplitude de movimento articular, e
quase todos eles envolvem uma forma de alongamento. Os alongamentos podem ser realizados pelo
instrutor (alongamento passivo) ou pelo próprio indivíduo (alongamento ativo). O alongamento passivo
pode ser muito útil no aprimoramento da flexibilidade, a flexibilidade refere-se ao grau em que uma
articulação movimenta-se através de uma amplitude de movimento (ADM) normal ou indolor (THOMPSON
et al, 2011).
Para Bob (1998), o alongamento traz seus benefícios para a vida diária, ele é perfeito para períodos de
inatividade, imobilidade e longos períodos de trabalhos exaustivos e repetitivos, os benefícios do
alongamento são:
Diminuir a tensão muscular
Melhorar a circulação
Reduzir a ansiedade, o estresse e a fadiga.
Melhorar a prontidão mental
Diminuir o risco de lesões
Facilitar seu trabalho
Desenvolver a consciência corporal
Fazer você se sentir melhor

Almeida et al (2009) relata que o alongamento vigoroso, quando utilizado antes dos treinos pode diminuir
o desempenho, levando à perda de força e/ou velocidade, devido às micros lesões no tecido muscular
afetando diretamente os resultados buscados na prática da atividade.
A mesma linha de pensamento é defendida por Shrier (2004). Em seu estudo chegou à conclusão de que
não é recomendável o alongamento antes da prática do exercício por demonstrar detrimentos no
desempenho. Este ainda elucida que, o alongamento antes do treino pode prejudicar os resultados para
quem busca bom desempenho, reafirmando o fato de que, o alongamento, quando muito intenso, pode
causar micro lesões na musculatura.
Nos estudos de Shrier (2004) e Almeida et al (2009) foi verificado que embora os efeitos imediatos do
alongamento resultem em diminuição da força e velocidade, a realização regular de exercícios de
alongamento acarreta em aumentos na força e na velocidade de contração muscular a longo prazo. Por
esse motivo, foi sugerido que o alongamento deveria ser realizado após a realização de exercícios ou numa
sessão à parte.
Quando utilizado após o treino, o alongamento tem como função eliminar os metabólitos que são
acumulados durante o treinamento, levando a uma recuperação mais rápida. Em exercícios de alta
intensidade, como a musculação, há acumulo de fluídos metabólicos anaeróbicos láticos. O alongamento,
ajuda na eliminação dos metabólicos acumulados. (ALTER, 1999).
Além disso, segundo Knight et al (2001), devido os músculos estarem aquecidos após uma sessão de
treinamento de força, o alongamento realizado seria mais benéfico. Isto indica que, os ganhos de
flexibilidade são mais expressivos quando o músculo está aquecido, isto é, a deformação do tecido
conjuntivo depende da temperatura muscular.
Para Santarem (2012), a musculação pode aumentar ou não a flexibilidade, mas nunca diminuir. A falta de
movimento por qualquer razão é o principal fator determinante da diminuição da flexibilidade. Quando os

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exercícios com pesos forçam os limites da amplitude articular ocorre estímulo para o aumento da
flexibilidade. No entanto, quando as articulações apresentam deformidades ou dores, os limites das
amplitudes não devem ser forçados para não agravar os problemas. Outro aspecto é que os músculos
hipertrofiados apresentam aumento da elasticidade em função da proliferação do tecido conjuntivo
estimulada pelos exercícios, favorecendo a flexibilidade articular. Músculos hipertrofiados não ficam
hipertônicos, como já se pensou no passado.
Ainda segundo Santarem (2012), embora o alongamento seja utilizado na prática esportiva com muitas
propostas, nenhuma teve sua importância confirmada, com e exceção do estímulo à flexibilidade. Para
tanto, os alongamentos precisam ser intensos, realizados antes da sessão de musculação ou em outros
horários ou dias. No entanto, não se justifica preconizar o alongamento associado à musculação com a
proposta de impedir sua suposta diminuição da flexibilidade. Como já vimos, a flexibilidade pode aumentar
ou não em função da musculação, mas sua diminuição não ocorre. O grau de flexibilidade estimulado ou
mantido pela musculação é suficiente para a realização confortável das atividades de vida diária.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
É evidente a controvérsia existente na literatura em relação ao momento do alongamento. Contudo, é constante
a afirmativa de que o investimento em um programa de treinamento de flexibilidade antes ou depois da sessão
de musculação leva ao aumento da flexibilidade nos músculos, tendões e articulações, o que gera os benefícios
para proteção contra lesões, como também de melhora do desempenho físico e da qualidade de vida.
Desta forma, o mais importante é perceber que o efeito do alongamento, não pode ser vislumbrado de
imediato, este aparecerá a médio e longo prazo, igualmente aos benefícios de exercícios de força e de
resistência.
É indispensável que o profissional de Educação Física informe as pessoas sobre os benefícios que o
alongamento pode trazer a longo prazo. Deve-se observar a importância da flexibilidade, pois somente
assim, lesões nas práticas de atividades físicas podem ser evitadas.

REFERÊNCIAS
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https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/103759/TCC%20RODRIGO%20DA%20SILVA%20LI
MA.pdf?sequence=1. Acesso em 26 Mar de 2016.

Autores: Thiago Pereira Vasconcelos, Vanderson de Albuquerque e Thiago Pereira Tomaz, Endereço: Rua
Professora Glorinha da Fonseca, 346, Jd. America, CEP: 37130-000, Alfenas, MG.

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ESPESSURA DO MÚSCULO ADUTOR DO POLEGAR COMO PREDITOR DO ESTADO


NUTRICIONAL

MAIA, J. B.1; SANTOS, M. B.2; SIMÕES, T. M. R. 3; BISSOLI, M. C.4


Graduada em Nutrição
Graduada em Nutrição
Faculdade de Nutrição - Universidade Federal de Alfenas – Alfenas MG - Brasil
Faculdade de Nutrição - Universidade Federal de Alfenas – Alfenas MG – Brasil
jujubmaia@yahoo.com.br

RESUMO
O objetivo deste estudo foi verificar a existência de associação da espessura do músculo adutor do polegar
(MAP) com variáveis e índices antropométricos utilizados para a avaliação nutricional na prática clínica.
Para tanto foi aplicado um estudo epidemiológico descritivo observacional transversal coletando-se dados
de 26 indivíduos. As variáveis coletadas foram peso, estatura, circunferência do braço (CB), dobra cutânea
tricipital (DCT), dobra cutânea subescapular (DCSE), circunferência da panturrilha (CP), circunferência
abdominal (Cab), espessura do MAP, sexo, data da aferição e data de nascimento. A variação nos dados
numéricos foi descrita calculando-se média, desvio padrão e valores mínimo e máximo. As variações da
espessura do MAP entre os sexos e as idades foram descritas aplicando-se o teste t-Student adotando-se
grau de confiança de 95% (p<0,05). A correlação entre o MAP e os demais indicadores do estado
nutricional foi analisada por regressão linear simples e exponencial. As equações para estimativa de
variáveis antropométricas que apresentaram R2>0,386 e valor de p<0,001 foram adotadas como modelo
para o estudo. Os resultados obtidos mostraram correlação significativa entre a espessura do MAP e o IMC,
o peso, a AMBc, a CMB, a CB, a CP, a Cab, a massa corporal total e a massa protéica somática e não
significativa com DCSE, DCT e massa gorda. Conclui-se que o MAP pode ser uma boa alternativa para
avaliação do estado nutricional de hospitalizados, embora seu uso ainda deva estar condicionado a demais
estudos para uma validação generalizável e ainda exista a demanda para a construção de padrões de
referência populacionais.

Palavras-chave: antropometria; avaliação nutricional; pacientes internados; pesos e medidas corporais;


polegar.

Abstract
The aim of this study was verify the possibility of association of the adductor policis muscle (APM)
thickness with variables and anthropometric indexes. In this way, was applied a transversal observational
descriptive epidemiologic study acquiring data from 26 individual. The collected variables were the weight,
stature, arm circumference (AC), triceps skinfold thickness (TSF), subscapular skinfold thickness (SESF), calf
circumference (CC), abdominal circumference (AbC), APM thickness, sex, date of examination and date of
birth. The data was analyzed by the calculus of average, standard deviation and minimal and maximal
values. The variation of the APM thickness, regarding sex and ages, was described by the t-Student test for
95% for confidence degree (p<0,05).The correlation among APM thickness and the other cited indicators of
nutritional state was analyzed by exponential and linear regression. The equations, for the estimative of
the anthropometric variables, which present R2 (determination coefficient) higher than 0,386 and p lesser
than 0,001 was used in the study. The obtained results show significant correlation with APM thickness
were: BMI (Body mass index), weight, AMBc, CMB, AC, CC, AbC. But there was no significant correlation of
APM thickness with SESF and TSF. We should emphasize the correlation between APM and the weight, due
to it present the higher R2 value. The APM thickness demonstrated significant correlation with
anthropometric variables which estimate the total corporal mass and proteinic-somatic mass and no
significant correlation with the fat mass. Therefore, one can conclude that the APM thickness is an
alternative parameter to assess the nutritional state of hospitalized patients, although its effective use as a
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reliable method requires further investigations. One also should address that the method stills demands
population references.

Key words: anthropometry; body weights and measures; inpatients; nutrition assessment; thumb.

INTRODUÇÃO
O estado nutricional adequado é o reflexo entre a ingestão balanceada de alimentos e o consumo de
energia necessário para manter as funções diárias do organismo. Sempre que existirem fatores que
interfiram em qualquer uma das etapas desse equilíbrio, os riscos de o indivíduo desenvolver desnutrição
são iminentes (TEIXEIRA, 2003). Estudos demonstram que a desnutrição está entre as mais frequentes
causas de morbimortalidade no mundo (LORENZO, 2005).
A avaliação nutricional é o primeiro passo para diagnosticar a desnutrição (BODINSKI, 1988; ENGSTROM et
al., 2002). Neste contexto, destacam-se métodos antropométricos dentre as principais formas utilizadas na
avaliação do estado nutricional (TEIXEIRA, 2003). Antropometria pode ser definida como o estudo
científico das medidas do corpo humano, contudo, todo e qualquer método antropométrico apresenta
limitações importantes (ANDRADE; LAMEU, 2007). Por isso, há constante necessidade de se buscar novas
metodologias de maior abrangência ou que resultem em avaliações mais confiáveis para casos em que
medidas, convencionalmente adotadas, falham. Neste trabalho, abordamos este problema e
apresentamos um novo método para avaliação nutricional usando basicamente medidas do músculo
adutor do polegar (MAP).
O MAP, por ser plano e estar situado entre duas estruturas ósseas, permite uma medição adequada da
espessura devido ter um referencial anatômico bem definido e principalmente, ser reproduzível por outros
pesquisadores (ANDRADE; LAMEU, 2007). Apesar de estudos já adotarem metodologias análogas como
indicador de massa magra (URBANO, 2011; SILVA, 2011), ainda há necessidade de mais estudos para
validação por parte da comunidade científica e com vistas a uma abrangente generalização. Podem-se
enumerar vantagens do nosso método como fácil execução, baixo custo, confiabilidade e segurança. Outro
ponto a se ressaltar é que nossa proposta é recomendável para a prática clínica em, a título de exemplo,
pacientes cirúrgicos (BRAGAGNOLO, 2009). Observamos que a avaliação baseada na espessura do MAP
traz também ganhos substanciais para a mensuração de massa magra corporal principalmente por ser mais
direta que os índices convencionalmente utilizados, como circunferência muscular do braço (CMB) ou área
muscular do braço corrigida (AMBc). Os resultados aqui obtidos demonstram evidente correlação entre a
espessura do MAP e variáveis e índices antropométricos utilizados para a avaliação nutricional. Desta
maneira, estudo pode servir como base para o desenvolvimento uma metodologia usando medidas do
MAP, como parâmetro antropométrico, na prática clínica.

OBJETIVO
Verificar a existência de associação da espessura do MAP a variáveis e índices antropométricos utilizados
para a avaliação nutricional na prática clínica.
CASUÍSTICA E MÉTODOS
O estudo foi do tipo epidemiológico descritivo observacional transversal. A amostra foi constituída de 26
pacientes, internados em um hospital do sistema de saúde alfenense, de ambos os sexos, com idade igual
ou superior a 20 anos. Todos tinham permissão para ficarem em pé, na posição ereta, e deveriam estar
lúcidos e orientados no tempo e no espaço (LOTE). Foram excluídos da amostra os indivíduos com edema,
amputados, imobilizados por fraturas, gestantes, puérperas, lactantes e aqueles com hidratação
endovenosa.
As variáveis coletadas foram peso, estatura, circunferência do braço (CB), dobra cutânea tricipital (DCT),
dobra cutânea subescapular (DCSE), circunferência da panturrilha (CP), circunferência abdominal (CAb),
espessura do MAP, sexo, data da aferição e data de nascimento. Inicialmente, as triplicatas de cada
variável foram processadas na forma de suas médias aritméticas simples. Foram calculados o índice de
massa corporal (IMC), a circunferência muscular do braço (CMB) e a área muscular do braço corrigida
(AMBc) de acordo com o gênero. Para auxílio no processamento de dados, foi utilizado o software

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Microsoft Excel For Windows (MICROSOFT, 2003). A variação nos dados numéricos foi descrita calculando-
se média, desvio-padrão, erro padrão, variância e valores mínimo e máximo. As variações da espessura do
MAP entre os sexos e as idades foram analisadas aplicando-se o teste t-Student, adotando-se nível de
confiança de 95% (p<0,05). A correlação entre o MAP e os demais indicadores do estado nutricional foi
analisada por regressão linear simples e exponencial (JEKEL et al., 1999). Para os cálculos estatísticos,
utilizou-se o SPSS 16.0 for Windows (SPSS, 2007).

RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise descritiva das variáveis utilizadas no estudo está apresentada na Tabela 1 e tem por objetivo
traçar um perfil geral da casuística. Observa-se que a média da espessura do MAP dos 26 indivíduos foi de
19,82±4,16 mm.
Tabela 1 – Análise estatística descritiva de indicadores antropométricos de indivíduos hospitalizados -
Município de Alfenas, MG - 2007 a 2008
Variáveis Média Desvio-padrão Mínimo Máximo
Idade (anos) 45 16,19 20 81
Peso (Kg) 66 14,00 47 97
CB (cm) 30,96 4,32 23 41
DCT (mm) 26,57 10,22 8 46
DCSE (mm) 19,09 8,82 8 41
Cab (cm) 90,39 11,20 70 112
CP (cm) 35,92 4,47 26 45
MAP (mm) 19,82 4,16 10 28
2
IMC (Kg/m ) 25,13 14,87 18 35
2
AMB (cm ) 33,66 11,02 17 57
CMB (cm) 22,61 3,21 17 29

Do total da amostra, 38% dos indivíduos eram do sexo masculino e 62% do sexo feminino. Apesar de a
amostra ter sido composta, majoritariamente, por indivíduos do sexo feminino (62%), não houve diferença
significativa entre as médias dos valores de espessura do MAP entre os sexos (p=0,47). Portanto, o
desequilíbrio percentual entre os sexos na composição da amostra não influenciou no resultado (TABELA
2).
Nossos resultados divergem dos divulgados por Lameu et al.(2004a), que apresentaram uma amostra mais
proporcional em relação ao número de indivíduos de cada sexo, 49,6% do sexo masculino e 50,4% do sexo
feminino. No estudo de Lameu, encontra-se uma diferença altamente significativa entre as médias da
espessura do MAP e observaram-se valores de 12,49±2,85 mm para o sexo masculino e 10,53±2,29 para o
feminino (p<0,001). Semelhantemente, Vulcano (2010) identificou valores diferentes para MAP entre os
sexos investigando portadores de doenças hepáticas.
Da mesma forma, a espessura do MAP não apresentou diferença significativa (p= 0,15) quando
comparados indivíduos adultos (20 a 59 anos) e idosos (idade maior ou igual a 60 anos), conforme a Tabela
2. Lameu et al. (2004a), após a análise de sua amostra por grupos de idade, demonstraram haver diferença
significativa entre indivíduos jovens e idosos (p< 0,0001). Tal fato pode ser atribuído ao baixo número de
idosos participantes do presente trabalho.

Tabela 2 - Média (± desvio padrão) e valor-p para espessura do MAP de acordo com as variáveis sexo e
idade (anos) de indivíduos hospitalizados - Município de Alfenas – 2007 a 2008

Variáveis n (%) X ± DP Valor-p


Sexo 0,47
Masculino 10 (38) 20,60 ± 5,09
Feminino 16 (62) 19,19 ± 3,92
Idade (anos) 0,15

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Adultos 22 (85) 16,83± 4,01


Idosos 4 (15) 20,21 ± 4,84

Na Tabela 3 estão apresentados os modelos de melhor associação entre espessura do MAP e demais
variáveis antropométricas. Verificou-se correlação significativa (p<0,05) entre MAP e as variáveis Peso,
IMC, AMBc, CMB, CP, CB e Cab. Por sua vez, observou-se correlação não significativa (p>0,05) entre a
espessura do MAP e as variáveis DCT e DCSE. Ainda, foram elaboradas equações para estimativa de
variáveis e índices antropométricos a partir da espessura do MAP. Nota-se, portanto, a especificidade da
espessura do MAP para aferição de massa magra, em detrimento dos tecidos gordurosos.
A análise dos dados, a partir de regressão exponencial, indicou uma correlação significativa entre a
espessura do MAP e IMC (R2= 0,473; p<0,0001). Lameu et al. (2004a) também demonstraram haver
correlação significativa entre a espessura do MAP e IMC (p<0,001). No entanto, a força da associação entre
as variáveis apresentou-se maior no presente estudo, uma vez que o coeficiente de determinação do
estudo de Lameu et al. (2004a) foi de 0,158. Ferreira (2009) encontrou associação positiva entre índice de
desnutrição e baixos valores de MAP. A Organização Mundial de Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION,
1995) descreve o índice de massa corporal como um bom indicador para classificação do estado
nutricional.
As correlações entre a espessura do MAP e as variáveis AMBc e CMB foram significativas, confirmando os
resultados de Lameu et al. (2004a) e Ferreira (2009).

Tabela 3 - Correlação entre a espessura do MAP e outras variáveis antropométricas de indivíduos


hospitalizados - Município de Alfenas - 2007 a 2008
Variável dependente Modelo R2 p
0,32 x MAP
IMC IMC=13,208 x e 0,473 <0,0001
Peso P=9,329 + 2,890 x MAP 0,737 <0,0001
AMBc AMBc=10,949 x e0,54 x MAP 0,465 <0,0001
CMB CMB=12,637 + 0,503 x MAP 0,426 <0,0001
CB CB=18,721 x e0,025 x MAP 0,544 <0,0001
0,23 x MAP
CP CP=22,804 x 22,804 x e 0,554 <0,0001
Cab Cab=57,265 + 1,671 x MAP 0,386 <0,001
DCSE DCSE=5,732 x e0,55 x MAP 0,232 0,013
DCT DCT=10,700 + 0,801 x MAP 0,106 0,104
*CAb = circunferência abdominal (cm); CB = circunferência do braço (cm); CP = circunferência da
panturrilha (cm); DCSE = dobra cutânea subescapular (mm);DCT = dobra cutânea tricipital, IMC =íÍndice de
massa corporal (Kg/m2); Peso (Kg); AMBc = área muscular do braço corrigida (cm2); CMB =circunferência
muscular do braço (cm);
A medida da espessura do MAP apresentou correlação significativa com a medida de CP. Lameu et
al.(2004a) e Ferreira (2009) também demonstraram haver correlação significativa entre MAP e CP.
As variáveis antropométricas DCSE e DCT não apresentaram correlação significativa com o MAP. De acordo
com estudo realizado por Lameu et al. (2004a), a correlação entre DCT e MAP não se apresentou
significativa.
A correlação entre peso e a espessura do MAP foi analisada segundo regressão exponencial obtendo-se um
valor de R2=0,737 e p<0,0001. Tal constatação permite concluir que há uma correlação significativa entre a
espessura do MAP e o peso. Dessa forma, pode-se vislumbrar possíveis construções de indicadores do
estado nutricional que estabeleça uma proporção entre MAP e estatura, tal como sugerido por Lameu et
al. (2004b).
Equações para estimativa de peso utilizando variáveis antropométricas têm sido propostas por diversos
autores (RABITO et al., 2006; HAN e LEAN, 1996; MITCHELL e LIPSCHITZ, 1982 Apud RABITO et al.;
CHUMLEA et al., 1994 Apud HEYMSFIELD et al., 2003). Embora algumas dessas equações sejam aplicáveis
para a estimativa de peso, apresentam limitações importantes como a necessidade da coleta de inúmeras
variáveis antropométricas. Portanto, a estimativa do peso através da espessura do MAP apresentaria a

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vantagem da coleta apenas de uma única variável, de fácil localização, pouco invasiva e que requer
aparelho para aferição de relativo baixo custo.

CONCLUSÕES
Foi verificada a associação da espessura do MAP com as variáveis e índices antropométricos utilizados para
a avaliação nutricional na prática clínica. Os resultados obtidos mostraram correlação significativa entre a
espessura do MAP e o IMC, o peso, a AMBc, a CMB, a CB, a CP, a Cab. As variáveis DCSE e DCT não se
correlacionaram significativamente ao MAP.
Deve-se ressaltar a correlação significativa entre MAP e peso, pois apresentou, dentre as análises de
correlação das demais variáveis, o maior valor de R2. Tal fato sugere que mais estudos devam ser
desenvolvidos para esta comprovação, pois a variável peso é imprescindível para a avaliação nutricional, e
pressupõe-se que sua estimativa por meio de equações utilizando a medida da espessura do MAP tornar-
se-ia mais simples do que por meio de equações que utilizam variáveis e índices antropométricos descritas
na literatura. Propõe-se, ainda, que tais estudos sejam realizados prioritariamente com crianças, pois para
este estágio de vida o peso é de extrema relevância para a determinação do estado nutricional. A possível
correlação entre MAP e peso seria importante do ponto de vista prático, uma vez que a medida da
espessura do MAP é de fácil execução, pouco invasiva e de baixo custo.
Sugerem-se novos estudos para identificar a existência ou não de diferenças significativas entre as médias
da espessura do MAP para os gêneros e para os grupos etários de adultos e idosos, pois os resultados do
presente estudo apresentam-se divergentes em relação aos mostrados anteriormente na literatura. Neste
sentido, vale ressaltar que a amostra do presente estudo foi menor que os encontrados nas buscas
bibliográficas. Portanto, é possível que o presente estudo tenha sido insuficiente ao reproduzir a
heterogeneidade dos seres, particularmente no que tange à antropometria.
A medida da espessura do MAP mostrou correlação significativa com as variáveis antropométricas que
estimam massa corporal total e massa protéico-somática, e não significativa para massa gorda. Todavia, há
necessidade de novos estudos que esclareçam melhor esta questão, uma vez que a massa corporal total é
constituída tanto por massa protéico-somática, quanto por massa gorda.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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CONHECIMENTO SOBRE O ESTADO DE HIDRATAÇÃO EM PRATICANTES DE


MUSCULAÇÃO DA CIDADE DE MACEIÓ

COELHO, B. J1; LIMA, P. C. R

Universidade Federal de Alagoas – Maceió-AL – Brasil.


Universidade Federal de Alagoas – Maceió-AL – Brasil.
bonequinha_lina@hotmail.com

RESUMO
O conhecimento sobre o estado de hidratação é de extrema importância para a manutenção do equilíbrio
hídrico durante a realização de exercícios físicos, prevenindo riscos fisiológicos e garantindo uma melhora
no desempenho do exercício. Assim, o objetivo desse estudo foi verificar o conhecimento de praticantes
de musculação sobre a hidratação e a devida reposição de líquido. Participaram da amostra 86 praticantes
de musculação, de ambos os sexos, com idades de 18 a 57 anos, voluntários e residentes na cidade de
Maceió. Para a coleta das informações foi utilizado um questionário padronizado sobre hidratação
segundo modelo de Brito e Marins (2001). Para análise dos dados foi utilizada a distribuição percentual
obtida em cada resposta. Os resultados demonstraram que 78,82% dos participantes possuem o costume
de se hidratar durante o treino, enquanto que 17,64% se hidratam às vezes. Contudo, apenas 41,86%
responderam corretamente como deve ser feita tal prática, sendo que 34,88% não possui a mínima ideia
de como deve ser feita a hidratação. De acordo com os resultados, os praticantes de musculação não
possuem o conhecimento adequado em relação aos hábitos de hidratação que devem ser realizados.

Palavras Chaves: Hidratação; Exercício Físico; Aptidão Física.

ABSTRACT
Knowledge about the hydration status is of at most importance to maintain the water balance during
physical exercises, preventing physiological risks and ensuring an improvement in exercise performance.
The objective of this study was to verify the knowledge of bodybuilder son hydration and proper
replacement fluid. The sample 86 bodybuilders, of both sexes, aged 18-57 years old, volunteers and
residents in the city of Maceio. To collect the information we used a standardized questionnaire son
hydration second model of Brito and Marins (2001). For data analysis was used the percentage distribution
obtained in each response. The results showed that 78.82% of the participants have the usual hydration
during training, while 17.64% hydrate sometimes. However, only 41.86% answered correctly, as it should
be done this practice, while 34.88% do not have a clue, as hydrations should be made. According to the
results, bodybuilders do not have the proper knowledge regarding hydration habits that should be
performed.

Key words: Hydration; Physical exercise; Physical aptitude

INTRODUÇÃO
Diariamente, perdas hídricas são ocasionadas pela falta de ingestão de líquidos e através da sudorese
(CHEUVRONT; SAWKA, 2006). Os índices de água corporal devem estar em quantidades “balanceadas”, a
fim de evitar um estado de hiper-hidratação (o excesso de água no corpo), ou hipohidratação (o débito de

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água corporal). Tais estados podem ocasionar, desde desconfortos gástricos, até mesmo, em casos
extremos, encaminhar o individuo a morte (PEREIRA et al., 2010; CHEUVRONT; SAWKA, 2006).
As alterações fisiológicas são apresentadas de acordo com o estado de desidratação do indivíduo, como:
diminuição do volume plasmático; aumento da freqüência cardíaca submáxima; redução do débito
cardíaco; redução do fluxo sanguíneo nos músculos ativos; diminuição do VO2máx; aumento da
osmolaridade sangüínea; maior risco de hipertermia, dentre outros (CRUZ et al., 2009).
Durante a desidratação, a diminuição do volume plasmático altera a homeostase e consequentemente,
todo o desempenho durante um treinamento. Esta situação é exacerbada principalmente quando o
exercício é realizado em ambientes com altas temperaturas. (CHEUVRONT; SAWKA, 2006; BRITO; MARINS,
2005; SILVA et al., 2014). Para que o estado de desidratação possa ser evitado, ou mesmo retardado, faz-se
necessário que o indivíduo inicie o exercício hidratado(PEREIRA, 2010).
A ingestão de líquidos efetuada de forma regular (antes, durante e após os exercícios), faz com que os
efeitos fisiológicos que lesariam o organismo do individuo apresentem-se de forma aprazível. Porém, por
muitas vezes, a reposição desses líquidos não é suficiente em relação às perdas durante os exercícios, no
qual a manutenção hídrica não é alcançada (CRUZ et al., 2009). Segundo Machado (2006), a ingestão de
líquidos de acordo com o mecanismo da sede é o suficiente, pois o cérebro posiciona-se como regulador
para a quantidade a ser ingerida. No entanto, Brito (2006) relaciona a quantidade de líquidos a ser ingerida
de acordo com a intensidade, a duração e o ambiente onde os exercícios serão realizados.
Segundo Coelho et al. (2007), a avaliação do nível de hidratação dos indivíduos ainda se encontra como
processo a ser discutido, no qual julga-se necessário a junção de técnicas para chegar a um resultado. A
combinação das análises de líquidos corporal total, utilizando marcadores com isótopos e osmolaridade
plasmática se apresenta como padrão ouro para tal análise, contudo parâmetros simples podem ser
utilizados como coloração e gravidade específica da urina e massa corporal.
Na cidade de Maceió, devido ao clima úmido e temperatura elevada, indivíduos praticantes de exercícios
físicos acabam expondo-se a níveis elevados de desidratação, podendo acarretar uma diminuição
considerável no desempenho durante o exercício (MAUGHAN e SHIRREFFS, 2010). Além disso, o nível de
conhecimento das práticas e do estado de hidratação de indivíduos praticantes de musculação ainda é
desconhecido.
O presente estudo tem como objetivo, verificar o conhecimento de praticantes de musculação da cidade
de Maceió, sobre a hidratação e a devida reposição de líquidos.A elaboração desse projeto justifica-se a
partir do momento que propiciará informações sobre os hábitos hídricos desses indivíduos, além de
demonstrar o conhecimento sobre o estado de hidratação. Tais informações podem proporcionar uma
melhor conduta no tratamento hídrico desses indivíduos para uma possível diminuição do estado de
desidratação, podendo ocasionar melhor desempenho.

MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 Tipo de pesquisa


A pesquisa realizada foi de cunho descritivo, de corte transversal, através de um estudo de levantamento,
utilizando-se de um questionário adaptado com perguntas do tipo itens em escala e auto administrativa.
Este tipo de estudo tem como principal vantagem o curto período de tempo. A pesquisa descritiva é um
estudo de status onde seu método mais comum é o estudo exploratório (surve/y), no qual inclui
questionários e entrevistas (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2007).

2.2 Amostra
Após divulgação numa academia na cidade de Maceió, a amostra desse estudo foi composta por 86
indivíduos de ambos os sexos, com idades entre 18 e 57 anos, todos voluntários e residentes no Estado de
Alagoas, que realizavam frequentemente suas atividades, com uma média de três anos de tempo na
prática da musculação.
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Todos foram informados e orientados com antecedência sobre a realização do estudo, e assinaram um
termo de consentimento, o qual garantiu a privacidade de informações pessoais. O presente trabalho,
também atendeu às normas para a realização de pesquisa em seres humanos, resolução 196/96 do
Conselho Nacional de Saúde de dez (10) de outubro de 1996 e foi aprovado pelo Comitê de Ética de
Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas sob número 017640/2011-61.

2.3 Procedimentos de coleta de dados

A coleta de dados do estudo objetivou a determinação do conhecimento das práticas de hidratação dos
indivíduos praticantes de musculação. Assim, em dia e local pré-determinado, no momento que antecedeu
o treinamento, os participantes, responderam a um questionário adaptado, segundo modelo de Brito et al.
(2006), sobre o conhecimento de hidratação.
Os resultados do questionário sobre o conhecimento de hidratação foram expressos em termos
percentuais (%).

RESULTADOS
Durante a realização da pesquisa, foram abordados alguns pontos como, qual momento (antes, durante e
depois) tem o costume de se hidratar, 23,56 % assinalaram que antes da pratica, 47,77 % durante a mesma
e 28,66 % apenas depois do treino (Figura 1A). Em cada momento (Antes, durante e após) de um treino, a
informação comunicada em relação ao tipo de hidratação realizada pelos praticantes de musculação, nos
momentos que antecedem a atividade, é de 25,14% de água e 4,8% de Bebida carboidratada, durante de
44,91% de água e 1,2% de Bebida Carboidratada e após, 29,94% de água e 4,0% de Bebida carboidratada
(Figuras 1B e 1C).
A partir dos apanhados através dos questionários implantados, pôde ser observado que 78,82 % dos
praticantes de musculação possuem o costume de hidratar-se durante o treino, enquanto que 17,64 %
hidratam-se às vezes. Apenas 2,35% quase nunca se hidratam durante o treino (Figura 1D). Ao investigar
sobre qual o melhor momento que se deve beber líquidos, 81,6% dos praticantes de musculação,
relataram que seria antes da sensação de sede, 14,94% responderam que somente depois de sentir sede e
3,44%dizem que somente quando se sente muita sede. Em relação ao costume de se pesar antes e após
um treino, a maioria dos praticantes (43,02%) responderam que nunca o fazem.
Em relação ao conhecimento de como deve ser feita a prática de hidratação entre os praticantes de
musculação, 41,86% destes responderam corretamente (¼ de litro), em compensação muitos (23,25%)
optaram pela alternativa incorreta (1/2 de litro), e 34,88% não possui a mínima ideia de como deve ser
feita tal prática (Figura 1E). A questão sobre qual a temperatura que se costuma beber o líquido: 69,41%
dos praticantes relataram que consomem moderadamente gelados, 23,52%ingeriam líquidos com
temperatura normal e 7,05%extremamente gelado. O questionamento em relação a obtenção de
orientação sobre qual melhor forma de se hidratar resultou em, 45,88% dos praticantes que não obtiveram
nenhum tipo de orientação e 54,11% dos que obtiveram. Em relação a orientação à prática de hidratação,
observamos que 43,47 % dos entrevistados relataram que estas informações foram adquiridas através do
preparador Físico, seguido de 39,13% do Médico, 34,78% Nutricionista, 30,43% em livros, 28,26%
Treinador Físico, 19,56% do Professor de Educação Física, amigos e outros, 17,39% dos pais, 15,21% de
Revistas, 4,34% Fisioterapeutas e Técnico (Figura1F).

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Figura 1. Respostas obtidas no questionário aplicado com praticantes de musculação. Dados mostrados em
%.

DISCUSSÃO

O estudo realizado numa academia de Maceió, através de um questionário, nos permitiu observar, um
pobre conhecimento em relação à hidratação por praticantes de musculação. Muitos afirmaram que
sempre se hidratam durante os treinos, no entanto, 58,13% dos entrevistados afirmou não saber como
realizá-la corretamente a fim de evitar o estado de desidratação, conforme exposto na figura 1E. O
conhecimento da prática correta de como se hidratar é de extrema importância, visto que beber líquidos

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em quantidades inferiores a perda, pela sudorese, durante o exercício, pode prejudicar a saúde, como um
estado de desidratação e/ou hipertermia (MAUGHAN; SHIRREFS, 2010; CRUZ et al., 2009).
Stover (2006) relata a necessidade de uma concientização em relação à importância da prática de
hidratação, além da disponibilidade de líquidos, para os praticantes, antes, durante e após a prática do
exercício físico, para que ocorra uma redução, de forma considerável, no estado de desidratação. Tal
condição pode causar o aparecimento de agravos fisiológicos causando, até mesmo, uma queda no
desempenho do indivíduo (MAUGHAN; SHIRREFFS, 2010; CASA, 1999;).
Graciano (2014) relata que pouca ingestão de líquidos após o exercício, é preocupante, pois torna-se difícil
a manutenção para as condições de euhidratado ao longo do exercício. Devido a este fato, o ACSM (2007)
sugere a ingestão de líquidos após o exercício em um volume de 1,5 vezes o total perdido pela sudorese,
buscando facilitar a recuperação do praticante. Vários estudos têm sido feitos em relação aos termos
supracitados, no âmbito do esporte. Em relação a atividades feitas em academias, os estudos são
praticamente escassos (GRACIANO et al., 2014).A maior parte dos praticantes de musculação relatou que
possuem o costume de se hidratar apenas durante a atividade (47,77%), conforme descrito na figura 1A.
Durante a execução de exercícios, a temperatura corporal é elevada, devido ao ganho de calor do
ambiente e da produção metabólica do próprio organismo (GRACIANO et al., 2014). Por isso, a necessidade
de ingestão de água e eletrólitos torna-se de grande importância devido a deficiência destes componentes
no organismoexcretadas através do suor durante o exercício físico, conjecturando em prejuízos no
rendimento do praticante e na saúde do mesmo. Pois, a desidratação, apresentando uma redução de 2%
do peso corporal ocasiona aumento na temperatura interna, aumento da frequência cardíaca, além de um
aumento na percepção de esforço. Principalmente se tal exercício for executado em um ambiente com
elevadas temperaturas (SILVA et al., 2009). Sabendo disto, o consumo de líquidos deve ocorrerde acordo
com a intensidade do exercício, ambiente, aclimatação do atleta e suas características individuais
(MONTEIRO, 2003).
As quantidades de líquidos necessárias durante um exercício específico, ainda não estão estabelecidas
(Maughan; Shirrefs, 2010). No entanto, Machado-Moreira et al (2006), acreditam que a sede é o suficiente
para que o indivíduo se mantenha hidratado, pela capacidade que o sistema nervoso central possui de
informar a quantidade de líquidos que o organismo precisa ingerir. Em contrapartida, Meyer; Perrone
(2004) afirmam que o mecanismo da sede não é o suficiente para que se estabeleça o estado “normal” de
hidratação, sendo assim, necessária a ingestão de líquidos antes mesmo da sensação de sede. Assim como
relatada nas respostas da maioria dos participantes (81,6%), durante a pesquisa, apresentados na figura 1.
Mensurar alterações da massa corporal é um método simples e eficiente, no entanto, a maioria dos
praticantes de musculação afirmou não possuir o costume de verificar tal índice (43,02%), descartando
uma das formas utilizadas para observar o estado de hidratação (CHEUVRONT; SAWKA, 2006). Para
Cheuvront; Sawka(2007);Maughan (2010) a importância desse acompanhamento é necessária para que
possam ser administradas as perdas de fluidos, não prejudicando o desempenho do praticante. A variação
de peso corporal adquirida através da mensuração antes e após o exercício apresenta-se como um fator
importante no diagnostico de desidratação. Marcador simples de grande utilização no diagnostico de
alterações no estado de hidratação dos praticantes (LEMOS et al., 2015).
A orientação em relação à manutenção do estado de hidratação apresenta-se como um tópico também de
grande importância, no entanto 45,88% dos indivíduos que participaram da pesquisa, não a obtiveram. A
conscientização da reposição de líquidos é indispensável, principalmente através dos professores e
treinadores, a fim de conscientizar e evitar possíveis casos de desidratação. (CASA et al., 2000).

CONCLUSÃO
De acordo com os resultados, os praticantes de musculação, entrevistados na cidade de Maceió, não
possuem o conhecimento adequado em relação aos hábitos de hidratação que devem ser realizados.
Sugere-se, que professores e treinadores, bem como nutricionistas, possam conscientizar freqüentadores
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de academias, assim como as demais pessoas praticantes de exercícios físicos, aos riscos de uma má
hidratação, além de propor formas corretas de hidratação, de acordo com a intensidade e duração do
exercício, e com a temperatura local.

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Alegre: Artmed, 2007.

ENDEREÇO:
RUA: ANA NERY, 189.
BAIRRO: PAJUÇARA
CEP: 57030-632
MACEIÓ-AL

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Você está sendo convidado para participar da pesquisa sobre a caracterização do estado de hidratação
durante a prática de Exercícios.Você foi selecionado de forma aleatória e sua participação não é
obrigatória. A qualquer momento você pode desistir de participar e retirar seu consentimento. Sua recusa
não trará nenhum prejuízo em sua relação com o pesquisador. Sua participação nesta pesquisa consistirá
exclusivamente nas respostas do questionário abaixo. As informações obtidas através dessa pesquisa serão
confidenciais e asseguramos o sigilo sobre sua participação.

Questionário sobre a caracterização do estado de hidratação

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ATUAÇÃO DO EPOC VISANDO O EMAGRECIMENTO: UMA REVISÃO DE


LITERATURA

AZEVEDO, M.4
SILVA JR, A. J.2

1
- Poços de Caldas – Minas Gerais – Brasil
E-mail:marcus.karate@hotmail.com
2
Educação Física / UNIFEG
autranjsilvajr@gmail.com

RESUMO
Atualmente a ocorrência da obesidade e sobrepeso cresce no mundo, devido a vários fatores. Entre as
formas de tratamento dessa doença, está a práticaregular do exercício físico, onde uma alternativa pode
ser o treinamento EPOC.Esse artigo tem o objetivo de analisar e discutir a eficiência do treinamento EPOC
para o emagrecimento de pessoas adultas. O assunto foi abordado através de uma revisão bibliográfica de
autores como: Foureaux et al. (2006); Castinheiras et al. (2009); Schmidt et al. (2014)e justifica-se por
contribuir para complementar otratamento e prevenção do sobrepeso e obesidade. Como hipótese,
levanta-se o que existe na literatura sobre o assunto quanto aos estudos científicos. Os resultados obtidos
nas informações publicadas mostram o êxito do treinamento EPOC como alternativa do emagrecimento. A
conclusão encontrada foi que ainda não foi comprovada cientificamente a perda de peso e o EPOC.

Palavras-Chaves:Obesidade,EPOC, Resultados.

ABSTRACT
Currently the occurrence of obesity and overweight growing in the world, due to several factors. Among
the forms of treatment of this disease is regular physical exercise where an alternative may be the EPOC
training. This article aims to analyze and discuss the effectiveness of EPOC training for slimming adults. The
subject was approached through a literature review of authors such as: Foureaux et al. (2006); Castinheiras
et al. (2009); Schmidt et al. (2014) and is justified by contributing to complement the treatment and
prevention of overweight and obesity. As a hypothesis, it arises that exists in the literature on the subject
as to scientific studies. The results obtained in published data show the success of the EPOC training as an
alternative weight loss. The conclusion was found that has not been scientifically proven weight loss and
EPOC.

Key Words: Obesity, EPOC, Results.

1 INTRODUÇÃO
A obesidade é um dos principais problemas de saúde pública em âmbito mundial, com tendência crescente
nos últimos anos. Está associada a um aumento da mortalidade e é um dos principais complicadores no
controle das doenças crônicas não transmissíveis (SCHMIDT et al., 2011).

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Este fato se deve, em grande parte, às mudanças nos hábitos alimentares e ao estilo de vida sedentário,
levando ao contínuo aumento do peso corpóreo das populações (BENATTI; LANCHA, 2007).
No entanto, a obesidade não se apresenta como uma condição clínica única, mas sim, como uma interação
de diversas situações patológicas que convergem para sua expressão (HALPERN et al., 2004).
Segundo Ferreira et al. (2006, p. 20): “Assim, tem-se pesquisado a influência da intensidade, da duração e
do tipo de exercício no gasto energético e na oxidação do substrato após o exercício.”
Nesse contexto, a atividade física pode contribuir com o gasto energético do exercício e recuperação, ou
seja, o EPOC(ExcessofPost-exerciseOxygenConsuption) através do consumo excessivo de oxigênio após o
exercício.
Este artigo propõe um estudo a respeito do treinamento EPOC como auxílio ao emagrecimento.Sendo
assim, questiona-se quais os resultados dessa associação.
A hipótese levantada é que ainda não há literatura existente sobre o assunto com comprovação científica.

2 OBJETIVO
O objetivo deste estudo é buscar na literatura evidências disponíveis sobre o treinamento EPOC como
alternativa para adultos com sobrepeso ou obesidade.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para este estudo foi realizada uma pesquisa bibliográfica nos bancos de dados: LILACS (Literatura Latino-
Americana e do Caribe em Ciências da Saúde);SciELO (ScientificEleetronic Library Online) e BVS (Biblioteca
Virtual em Saúde) e revistas cientificas, nos anos de 1990 a 2014, nos idiomas português e inglês, usando
as palavras chaves:obesidade, emagrecimento e EPOC.

4 RESULTADOS
Para além da preocupação estética e dos padrões atuais de beleza atuais, a obesidadeé motivo de
preocupação quando se fala em saúde. Segundo Carvalho (2014) um estudo publicado no final de 2014, na
revista científica The Lancet mostrou que a população acima do peso recomendado pela Organização
Mundial da Saúde (OMS) cresceu consideravelmente nas últimas décadas.
De acordo com a pesquisaGlobal BurdenofDisease(GBD), que é uma abrangente investigação, onde são
avaliadas a mortalidade e incapacidade das principais doenças, lesões e fatores de risco, o sobrepeso e a
obesidade foram responsáveis pela morte de 3,4 milhões de pessoas, em 2010, além de terem causado a
redução de 3,9% da expectativa de vida dos indivíduos. O levantamento indica que, de 1980 a 2013, a
proporção mundial de adultos com IMC (índice de massa corporal) acima de 25 kg/m², subiu de 28,8% para
36,9%, entre os homens, e de 29,8% para 38%, entre as mulheres. Já entre crianças e adolescentes, a
situação também é preocupante. No ano de 2013, 23,8% dos meninos e 22,6% das meninas que viviam em
países desenvolvidos estavam no quadro de sobrepeso ou de obesidade(MARIE et al. 2014).
Um crescimento de 240% nos últimos 33 anos. No mesmo período, a população mundial cresceu 160%.
Dois pontos da pesquisa chamam a atenção: o aumento de 47% na taxa de obesidade entre crianças e
jovens; e o crescimento acelerado no ganho de peso em economias emergentes. Os Estados Unidos estão
no topo do ranking, seguidos da China, Índia, Rússia e Brasil. Em 2010, o governo americano implantou nas
escolas do país um programa para combater a obesidade. Mas tem sido grande a resistência (IBGE, 2010).
O Brasil é um dos países no topo da lista da obesidade. A mudança radical nos hábitos dos brasileiros nos
últimos 30 anos levou o país a ocupar a quinta posição no ranking mundial da obesidade: 60 milhões de
brasileiros estão acima do peso e 22 milhões considerados obesos (IBGE, 2010).
Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em 2009, mostrou que a frequência de excesso de peso
e de obesidade aumentou em homens e mulheres. Atualmente, 13,9% dos adultos são obesos, com o
índice maior entre as mulheres (14%) do que entre os homens (13,7%), enquanto 46,6% dos adultos
brasileiros estão com excesso de peso, sendo maior entre homens (51%) do que entre mulheres (42,3%)
(BRASIL, 2010).
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Como auxílio ao emagrecimento, estuda-se o EPOC que ganha importância, devido o interesse da
população em geral e vários estudos sendo realizados.
Os estudos iniciais foram de Gaesser e Brooks em 1984, onde se pesquisava para descobrir o motivo da
taxa metabólica permanecer elevada mesmo após o exercício. Essa análise foi realizada através da
medição do consumo de oxigênio e, por isso a taxa metabólica aumentada foi denominada de EPOC.
Diagnosticada como o gasto energético aumentado após o exercício, que ocorre em razão dos sistemas
fisiológicos buscarem o restabelecimento da homeostase.

Gráfico 1 - Gráfico durante o exercício e na recuperação.


Fonte: Porto; Garcia Junior (2011, p. 46).

Gráfico 2 - Gráfico demonstrativo com a prática de exercício de intensidade máxima.


Fonte: Porto; Garcia Junior (2011, p. 46).

No Gráfico 2 desde o início, já há desequilíbrio de elevada magnitude, ocorre um déficit de oxigênio e não
há condições de estabelecer a condição de estado estável, ocorrendo a fadiga. O déficit é compensado a
partir do final do exercício com o consumo extra de oxigênio pós-exercício (EPOC).
Como efeito do aumento da intensidade do exercício, há um aumento no gasto energético, promovendo
um maior EPOC e oxidação de gordura (FOUREAUX et al., 2006). O gasto energético pós-exercício continua
estimulado por um período de tempo de 4 a 5 horas, dependendo da intensidade, da duração, e de outros
fatores (SEDLOCK, 1991).
Além do gasto energético promovido pelo exercício em si e da ingestão energética, o consumo excessivo
de oxigênio pós-exercício (EPOC) também é um fator essencial na determinação do balanço energético,
visto que é um indicador do gasto energético pós-exercício. Está bem estabelecido que, após o término do
exercício, o consumo de oxigênio não retorna aos valores de repouso imediatamente (EPOC) (FOUREAUX
et al., 2006).

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O consumo extra de oxigênio após o exercício (EPOC) pode ser medido de duas maneiras: por calorimetria
indireta, ou seja, a utilização de uma máscara ou bucal ligados a um aparelho que coleta e analisa o
oxigênio que está sendo consumido e, a calorimetria direta, com a utilização de uma câmara onde o
indivíduo permanece isolado e tem o calor de seu corpo medido para o cálculo do consumo de oxigênio e
gasto energético (McARDLEet al., 2008).
O EPOC pode ser dividido em três componentes: o componente rápido com duração de 10 segundos a
alguns minutos; o componente lento, que pode durar várias horas e, por fim, o componente ultralento,
que refere-se à taxa metabólica elevada que pode perdurar por várias horas) (DOLEZAL et al., 2000).
A duração dos três componentes depende do grau do distúrbio da homeostase causado pelo esforço,
podendo ser observados os efeitos de vários hormônios, como o cortisol, adrenalina, adrenocorticotrófico
(ACTH), hormônios da tireóide e hormônio do crescimento (GH) (THORTON; POTTEIGER, 2002).
O Gráfico 3 demonstra o gasto energético durante o repouso, exercício e a recuperação com os
componentes: (1) rápido, (2) lento e (3) ultralento do consumo extra de oxigênio pós-exercício (EPOC).

Gráfico 3 - Gráfico demonstrativo com o gasto energético.


Fonte: Porto; Garcia Junior (2011, p. 46).

Evidências sugerem não haver grandes alterações no EPOC após estímulos de baixa intensidade (abaixo de
50% VO2max) e com gasto de 300Kcal, aproximadamente, o que vem ao encontro dos nossos achados,
uma vez que encontramos maior gasto energético pós-exercício após as sessões de moderada e alta
intensidade, sendo maiores os valores em resposta à sessão de alta intensidade (MARKOFSKI et al., 2005).
Uma possível resposta para o consumo elevado de O2 logo após a realização de exercício de alta
intensidade é a utilização deste para restaurar a creatina fosfato no músculo esquelético, restabelecer os
estoques de O2 no sangue e nos tecidos, e ativar a gliconeogênese. Outros fatores que podem influenciar o
EPOC são a temperatura elevada e determinados hormônios circulantes, como adrenalina e noradrenalina.
Tais alterações são mais pronunciadas após exercícios vigorosos ou de longa duração (OHKAWARA et al.,
2008).
Uma análise de variância indicou que a intensidade do exercício foi o principal determinante do EPOC, uma
vez que explicou cinco vezes mais da variância EPOC do que qualquer duração do exercício ou a interação
intensidade vezes duração. A média EPOC: variou de 0,8 a 4,5 e em geral aumentou tanto com a
intensidade do exercício e duração (GORE, WITHERS, 1990).
A maioria dos estudos demonstrou maior gasto energético para os exercícios mais intensos. Bahr et
al.(1992) já haviam considerado o EPOC como um importante fator no controle do peso, uma vez que o
exercício demanda uma energia extra além da prevista na atividade física.
Partindo-se do princípio que é possível realizar mais minutos a alta intensidade com o exercício
intermitente se comparado com o exercício contínuo,pessoas com sobrepeso podem exercitar-se por
tempo menor a uma intensidade que produza um EPOC maior, visto que na maioria das vezes essas
pessoas, além de descondicionadas, têm aversão à atividade física (LAFORGIA et al., 1997).
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Muitos processos ocorrem no período de recuperação em função do desgaste provocado pelo exercício, e
são responsáveis por grande parte das alterações, sendo as mais relevantes o restabelecimento das
reservas de ATP e CP musculares, a reposição dos estoques de oxigênio hemo e mioglobinulares, a
diminuição da atividade da bomba sódio-potássio e redistribuição dos íons, oxidação de lactato sanguíneo
e ressíntese de glicogênio (THORNTON, 2002).
Dois fatores têm sido atribuídos ao fato de o exercício resistido produzir maior EPOC. O primeiro fator
refere-se às respostas hormonais que podem alterar o metabolismo, especificamente catecolaminas,
cortisol e GH. O segundo refere-se ao dano tecidual acompanhado do estímulo para a hipertrofia tecidual,
pois a síntese de proteína é diminuída durante o exercício em si, mas após o exercício existe um fenômeno
compensatório, em que o turnover de proteína parece ser estimulado (KRAEMER et al., 1992). Esse
mecanismo pode também contribuir para uma longa estimulação do gasto energético após o exercício.
Existem vários fatores que podem influenciar o EPOC, como massa muscular envolvida no exercício,
intensidade, duração, estado do treinamento, ingestão de alimento (efeito térmico da refeição), qualidade
do sono da noite anterior e condições ambientais, entre outros. São fatores que devem ser considerados
ao analisar e comparar os estudos sobre o EPOC (IMAMURA et al., 2004).
Vários trabalhos têm analisado a contribuição do EPOC em programas de emagrecimento, visto que este é
o resultado de um balanço energético diário negativo entre consumo e gasto energético(HUNTER et al.,
1998).

5DISCUSSÃO
A proposta deste estudo foi a realização de uma pesquisa bibliográfica sobre a associação entre o
treinamento EPOC para o auxílio da obesidade.
Embora a obesidade esteja relacionada a diversas causas, como as genéticas, fisiológicas, metabólicas,
ambientais, emocionais e culturais, toda a atenção dada no sentido de aumentar o gasto energético diário
total é de grande valia, uma vez que o balanço energético é determinado, de um lado, pelo consumo e, de
outro, pelo dispêndio de energia(DÂMASO, 2003), sendo que um desequilíbrio energético positivo pode
levar ao acúmulo excessivo de energia armazenada como gordura corporal (FOUREAUX et al., 2006).
Em corroboração, outros estudos relataram que a magnitude do metabolismo elevado durante a
recuperação tem implicação importante na prescrição de programas de redução ponderal(LAFORGIA;
WITHERS, 1997).
Através dos estudos analisados, foi observada que a intensidade possui a maior influência no EPOC entre
os fatores relacionados ao exercício, sendo que a literatura mostra que a intensidade possui a maior
influência no EPOC entre os fatores relacionados ao exercício (ALMEIDA et al., 2011).
O intervalo tem influência no EPOC, como demonstrado num estudo Haltom et al. (1999) que mediu o
gasto energético durante uma hora após o termino da sessão de exercício de resistência. Após a sessão
com intervalo considerado longo, o gasto energético no período de recuperação foi de 37 Kcal, enquanto
na sessão com intervalo curto, o gasto energético foi de 52 Kcal.
Dessa forma, a mudança do intervalo entre séries pode ser manipulado para provocar diferentes
adaptações fisiológicas e metabólicas, além de aumentar também a magnitude e duração do EPOC. A
velocidade de execução dos exercícios é outra variável que pode alterar a intensidade do treinamento.
Apesar de não haver estudos relacionando diretamente a velocidade de execução com o EPOC, como há
relação com a intensidade, é provável que haja influência no EPOC.
O número de séries de um exercício de resistência varia conforme o objetivo pretendido, porém, há
recomendações relacionadas com a saúde, como da American Heart Association (2001) para a realização
de pelo menos uma série de 8 a 15 repetições para os principais grupos musculares.
Estudos que se baseiam em aspectos relacionados à saúde demonstram que programas de série única
podem levar a ganhos de força e hipertrofia muscular de forma similar a series múltiplas, principalmente
em indivíduos sedentários ou na fase inicial de um programa de treinamento (WOLFE et al., 2004).

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Quanto à influência do número de séries no EPOC, estudos de Henley et al. (2004) e Haddock e Wilkins
(2006) demonstraram que o gasto energético total de três séries foi, aproximadamente, três vezes maior
que o gasto energético de uma série. Entretanto, o gasto foi semelhante quando os valores foram
expressos em relação ao tempo de exercício. Já o EPOC foi de igual magnitude em valores absolutos e
maior na situação de série única, quando expresso por tempo de exercício.
Os principais resultados deste estudo foram que a periodização de um treinamento que possa maximizar o
EPOC pode ser importante fator para o emagrecimento e, embora, o custo energético dessas variáveis em
uma sessão de exercício se mostre pequeno, em longo prazo poderá ser bastante significativo (FOUREAUX
et al., 2006).
Dessa forma, observa-se que o EPOC aumenta o gasto calórico após o exercício, juntamente com a
diminuição do valor do quociente respiratório pós-exercício, resultando, provavelmente, em uma maior
utilização de gordura.
Verificou-se que a hipótese da pesquisa é verdadeira, pois segundo Foureaux et al. (2006) embora o custo
energético do EPOC em uma sessão de treinamento se mostre pequeno, seu efeito cumulativo poderá ter
um impacto positivo no quadro da obesidade. Entretanto, torna-se interessante ressaltar que a perda de
peso e EPOC não tem sido comprovada.
Observou-se que os resultados sobre magnitude e duração do EPOC, além de sua real contribuição para
indução do balanço energético negativo ainda são controversos.
Vários estudos demonstram que o EPOC pode permanecer por horas (BAHR, et al., 1992), enquanto que
outros afirmam que seu efeito é de curta duração (MARESCH et al., 1992).
No entanto, existe o consenso na literatura que o tempo e a magnitude do EPOC são determinados pela
duração, intensidade, utilização de substratos e tipo de exercício, além da ingestão alimentar.
Maraki et al. (2005) atribuem as divergências nos resultados provavelmente, às diferenças metodológicas,
como o tipo, duração e a intensidade do exercício, o estado nutricional dos indivíduos, composição da
refeição pré-teste, e o tempo decorrido entre o exercício e a ingestão.
Alguns estudos associaram o treinamento EPOC no auxílio do emagrecimento. As palavras emagrecimento
e obesidade apareceram constantemente, mas poucos estudos analisaram realmente esse contexto
quanto ao EPOC.
As limitações e dificuldades para este estudo baseiam-se na pouca literatura que existe, devido ao
contexto do assunto que não é muito explorado no Brasil.

6CONCLUSÃO
Baseada na pesquisa bibliográfica deste estudo, conclui-se que o treinamento EPOC atua com ênfase no
emagrecimento de pessoas obesas ou com sobrepeso.
Sendo que, quanto maior a intensidade do exercício maior a resposta de EPOC.
Com este estudo percebeu-se a importância de mais pesquisas neste assunto, para uma melhor análise dos
recursos do treinamento EPOC, como forma de comprovar sua eficácia.

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A INTERVENÇÃO DO EXERCÍCIO FÍSICO FUNCIONAL EM IDOSOS HIPERTENSOS

ALVES, R.B. ¹;
RODRIGUES, K.S.¹;
RODRIGUES, M.S.¹;
MELO, V.M.P.²;

rafael_rba@hotmail.com
1-Pós-graduandos do curso de Fisiologia do Exercício, Avaliação Física e Atividade Física Para Grupos
Especiais da Pós Graduação ENAF Desenvolvimento – Maceió - Alagoas-Brasil.
2-Especializada em Treinamento de Força e Musculação pela Gama Filho – Rio de Janeiro – Rio de Janeiro –
Brasil.

RESUMO
Nesta abordagem pretende-se analisar a intervenção do exercício físico funcional em idosos hipertensos
considerando a integridade física, psíquica e social dos idosos. Convém ressaltar que a avaliação consiste
observar o efeito da implementação de treinamento funcional sobre a pressão arterial em repouso em
idosos hipertensos. A pesquisa baseou-se na literatura existente sobre exercício físico funcional.
Considera-se assim, que o treinamento físico ao exercer um efeito fisiológico especifica ao nível muscular e
cardiocirculatório é protetor do estado de saúde global pelo que deve ser incentivado ao longo de todo o
ciclo vital.
Palavras chave: Hipertensão, Exercício físico, Qualidade de vida relacionada à saúde.
ABSTRACT
In this approach we intend to analyze the intervention of the functional exercise in elderly hypertensive
patients considering the physical, psychological and social of the elderly. It is worth noting that the
evaluation is to observe the effect of the implementation of functional training on resting blood pressure
in elderly hypertensive patients . The research was based on existing literature on functional exercise. It is
therefore considered that the physical training to exert a physiological effect specific to muscle and
cardiocirculatory level is protective of the overall health and should be encouraged throughout the life
cycle.

Keywords: Hypertension , Exercise , Quality of life related to health.

INTRODUÇÃO
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um dos principais fatores de risco para as doenças
cardiovasculares. É uma doença caracteristicamente assintomática que exterioriza sua morbidade e
mortalidade pela degeneração dos vasos sanguíneos, miocárdio, glemérulos e retina. Estas lesões são
decorrentes da carga pressórica cronicamente elevada, favorecendo a ocorrência de eventos
cardiovasculares clinicamente relevantes, como acidente vascular encefálico, infarto agudo do miocárdio,
insuficiência vascular periférica lesões retinianas mais acentuadas, como exsudados, hemorragias e edema
do disco óptico. (MASSA, 2013).
A HAS tem alta prevalência e baixas taxas de controle. A mortalidade por doença cardiovascular (DCV)
aumenta progressivamente com a elevação da pressão arterial a partir de 115/75 mmHg de forma linear,
contínua e independente. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2010).
Duas metanálises envolvendo estudos brasileiros realizados nas décadas de 1980, 1990 e 2000, apontaram
uma prevalência de HAS de 31%, sendo que entre idosos esse valor chega a 68%. (PICON et al., 2013).

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A HAS é um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. A sua prevalência no Brasil varia entre
22% e 44% para adultos (32% em média), chegando a mais de 50% para indivíduos com 60 a 69 anos e 75%
em indivíduos com mais de 70 anos. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2010).
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis
elevados e sustentados de pressão arterial – PA (PA ≥140 x 90mmHg). Associa-se, frequentemente, às
alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e às
alterações metabólicas, com aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais. (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2010).
Em geral, 6% das mortes no mundo são consideradas e atribuídas a inatividade física. Tendo a hipertensão
13%, depois o fumo 99%. Além disso, a falta de atividade física e a causa de 21 a 25% dos casos de câncer
de mama, 27% de diabetes e 30% de doenças cardíacas. Para mudar este quadro pessoas inativas devem
procurar executar exercícios físicos para a promoção da saúde.
É necessário que todo profissional da saúde, seja qual for sua especialidade, compreenda que a
hipertensão arterial deve ser analisada como um problema de saúde pública, para que se integre de
acordo com as necessidades comunitárias, visando que o seu controle não seja limitado a um pequeno
grupo de pessoas mais favorecidos economicamente, para que se modifiquem significativamente os
indicadores de saúde da população.
É visível em todo o mundo, o número crescente de idosos, fato também observado no Brasil, considerado
no passado um país de jovens. Este fenômeno está relacionado com alguns fatores, como, por exemplo: a
queda de número de nascimentos e ao aumento da expectativa de vida.
No Brasil os idosos crescem atualmente sendo de extrema importância que se conheçam as condições de
saúde destes indivíduos e que se façam estudos epidemiológicos específicos para cada região, a fim de
contribuir para uma gestão de saúde de acordo com as demandas locais de saúde da população
pesquisada. (MASSA, 2013).
O processo fisiológico do envelhecimento também acontece nos mecanismos homeostáticos para a
regulação da pressão sanguínea que respondem a intervenções fisiológicas e farmacológicas. Um grande
número de drogas está envolvido na regulação da pressão, devendo ser usadas na terapia da hipertensão,
seguindo as devidas recomendações.
Considerando o fato de a pressão arterial elevada ser o fator de risco de maior magnitude, respondendo
por grande parte da morbi-mortalidade nas doenças neurológicas, ela representa um grande problema de
saúde no Brasil, principalmente na população idosa na qual ocorre alta prevalência em consequência das
mudanças morfo-fisiológicas, psicológicas e sociais ocorridas com o passar da idade. (NAHAS, 2013).
Há uma relação inversa entre o grau de atividade física e a incidência de hipertensão. O exercício físico
regular reduz a pressão arterial sistêmica (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2010), visto que um
de seus efeitos crônicos observados é a redução dos níveis tensionais. Isso ocorre por haver diminuição da
concentração de cálcio intracelular no músculo liso vascular e redução no tônus simpático, causando,
assim, a queda da pressão arterial sistêmica.
A pressão arterial sistólica e a diastólica diminuem de 5 a 7 mmHg depois de 4 a 10 semanas de exercício
físico, com no mínimo três sessões semanais e com duração de 50 minutos, porém indivíduos em uso de
betabloqueadores mostram menor resposta anti-hipertensiva aos exercícios, quando comparados com
hipertensos em uso de anti-hipertensivos de outras classes. Contudo há uma elevação da pressão arterial,
como consequência do efeito agudo, observado durante o exercício resultante do aumento instantâneo da
demanda energética da musculatura, necessitando de um fluxo sanguíneo maior (LINO, et al, 2013)
Muitos estudos mostram que existem algumas condições, consideradas fatores de risco que, associados
entre si e a outras condições, facilitam o aparecimento da hipertensão arterial, sendo: idade, sexo,
antecedentes familiares, raça, obesidade, estresse, falta de atividade física, álcool, tabaco,
anticoncepcionais, alimentação rica em sódio e gorduras (FECHINE e TROMPIERI, 2012).
Fatores de risco, ou seja, características ou condições que, quando presentes aumentam a probabilidade
de ocorrência de HAS, são bem conhecidos e, entre eles, o efeito de idade, raça negra, baixa escolaridade,
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história familiar, obesidade, obesidade central, consumo excessiva de bebidas alcoólicas e ingestão
excessiva de sal (VENDRUSCOLO, 2013).
A incidência da hipertensão eleva-se com o envelhecimento e apesar dos avanços no tratamento da
hipertensão, muitos fatores ainda são desconhecidos acerca da etiologia da doença (MASSA, 2013).
A hipertensão propriamente dita não provoca nenhum sinal ou sintoma, a não ser que a pressão arterial
esteja muito alta. Os sinais e sintomas da hipertensão essencial são secundários a lesão dos órgãos-alvo.
Por exemplo, a retinopatia, provoca escotomas, visão embaraçada e, por fim, cegueira (FECHINE;
TROMPIERI, 2012).
O diagnóstico da hipertensão arterial é determinado através da medida da pressão arterial com a pessoa
em ambiente calmo, após pelo menos 5 minutos de repouso, devendo realizar pelo menos três medidas,
com intervalo de um minuto entre elas, sendo a média das duas últimas considerada a pressão arterial do
indivíduo. A posição adequada para medir a pressão arterial é a sentada (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CARDIOLOGIA, 2010).
Convém enfatizar que o exercício físico provoca uma melhoria dos sintomas do tratamento farmacológico
da HAS, diminuindo seu impacto no dia a dia da vida do hipertenso. (MELCHIORS, 2008).
Diante do contexto abordado indaga-se: Qual o efeito do exercício físico funcional em idosos hipertensos?
Sendo assim, nesta pesquisa serão apontados seus principais aspectos.

Revisão de Literatura
Capacidade funcional e atividade física

A capacidade funcional conjuga a habilidade e independência que a pessoa tem para concretizar certas
atividades. Por isso, a capacidade funcional pode ser definida como a capacidade do indivíduo de praticar
atividades da vida diária de modo independente, abrangendo atividades ocupacionais e recreativas, ações
de deslocamento e auto cuidado. Mais especificamente, expressa a capacidade do indivíduo viver
independente no seu convívio apesar de seus limites (DUARTE, 2013).
Importante ressaltar que as dificuldades para a realização das atividades de vida diárias (AVD) são
constantemente relatadas pelos idosos. Recentes estudos revelam que no Brasil quase a metade dos
idosos necessitam de alguma ajuda para a realização de pelo menos uma dessas atividades e uma minoria
revelou-se altamente dependente (DUARTE, 2013).
As atividades da vida diária se dividem em básicas e instrumentais. As atividades básicas são: caminhar e
levantar sem auxílio, atividades de auto-cuidado como tomar banho, alimentar-se sem auxílio. Já as
atividades instrumentais da vida diária abrangem atividades mais complexas, como preparar e servir o
próprio alimento, operar o telefone, usar meios de transportes, lavar sua roupa, fazer pequenas compras e
administrar os próprios medicamentos (MASSA, 2013).
No Brasil os idosos com 65 anos ou mais de idade precisam de auxílio para realização das atividades
diárias, como por exemplo: administrar a renda, fazer refeições ou arrumar a casa, e que 10% necessitam
de ajuda para executar certas tarefas fundamentais, como tomar banho, vestir-se, ir ao banheiro,
alimentar-se e, até, sentar e levantar de cadeiras e camas (DUARTE, 2013).
Quando ocorre um comprometimento da capacidade funcional do idoso, impossibilitando-o do seu próprio
cuidado, a carga sobre a família e sobre o sistema de saúde pode tornar-se muito elevado (MASSA, 2013).
São as habilidades que o indivíduo idoso expõe em suas AVD que decidirá o grau de sucesso, satisfação
pessoal e adequação perante a sociedade.
Significa dizer que a manutenção e a preservação dessa capacidade são fatores importantes para dilatar o
maior tempo plausível à independência do idoso, mantendo-o em plena capacidade funcional.
O aspecto principal da atividade física regular deve ser na promoção da saúde, e mesmo para indivíduos
com saúde debilitada. A prática de exercícios físicos é muito importante, pois pode controlar, amenizar,

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evitar progressão da doença e/ou reabilitar o paciente. A atividade física sociabiliza o idoso, desenvolve a
autoestima e faz com que estes se sintam mais independentes. (MORAES e CÁRDENAS, 2010).
A intensidade é função da força dos impulsos nervosos que o atleta concentra em uma sessão de
treinamento. A força do estímulo depende da carga, da velocidade de execução e da variação do intervalo
de recuperação. Já o volume constitui a quantidade total da atividade concretizada no treinamento. Ao
mesmo tempo em que diz respeito à soma do trabalho feito em determinada sessão ou fase de
treinamento (SILVÉRIO, 2013).
A atividade física promove a melhoria física, psicológica e social dos idosos hipertensos. Os benefícios não
são apenas biológicos e fisiológicos; existe uma grande ajuda psicológica com a prática regular de
atividades seja exercícios físicos ou atividades lúdicas. Desta forma, o idoso mantém a autoestima, opinião
positiva e um sentimento de potência. Isso se torna importante porque com o envelhecimento ocorrem
mudanças corporais e com a atividade física o idoso aprende a gostar mais de seu corpo obtendo
satisfação pessoal. A prática de atividade física regular é capaz de minimizar os efeitos do envelhecimento
(DUARTE, 2013).
A atividade física está vinculada ao bom funcionamento físico e prevenção de doenças como hipertensão e
doença arterial coronária. Logo, leva à maior longevidade, o que atribui melhor percepção de saúde aos
que fazem prática regular de alguma modalidade que exija esforço físico (MASSA, 2013)
Tratando-se de idosos os exercícios físicos mais indicados são os exercícios dinâmicos, baseado nos
movimentos, e os aeróbicos, de baixa ou média intensidade e de longa duração. Variando em sua
prescrição a partir do tipo ou modalidade, intensidade, duração e frequência semanal (MOREIRA; TEIXEIRA,
NOVAES, 2014)
O tipo ou modalidade de exercício mais adequado ao hipertenso é o exercício aeróbico envolvendo massas
musculares: caminhar, correr, nadar, pedalar. Os exercícios físicos que produzem uma melhoria da
capacidade funcional abrangem a diminuição da morbidade e mortalidade por doença coronariana,
controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol e melhora do peso.
A pressão arterial e aferida deste o final do século XIX, quando foi desenvolvido por Scipone Riva-Roccs, do
esfigmanômetro e dos sons e seus significados clínicos o tratamento da hipertensão é repouso e dieta sem
sal entre ela prevalece o maior índice de maiores problemas de saúde pública no mundo, sendo a
responsável direta ou indiretamente com certa de 7,5 milhões de morte no mundo. Neste momento uma
em cada adulto no mundo pode ser classificado como hipertenso, isso equivale há 1 bilhão de indivíduos,
estima-se que até 2025 haverá um crescimento para 1,5 bilhões de hipertensos. A OMS atribui a
hipertensão arterial sistêmica, 5,8% de óbitos no mundo (NAHAS, 2013).
As respostas cardiovasculares à atividade física dependem do tipo, da intensidade e da duração do
exercício. A redução dos níveis pressóricos, após os exercícios, é mais evidente em indivíduos hipertensos
que em normotensos. Essa queda na pressão arterial se deve aos seguintes fatores: 1 – redução do débito
cardíaco, em função da diminuição do volume sistólico; 2 – redução da resistência vascular periférica; 3 –
redução da atividade nervosa simpática, atuando na complacência vascular (PITANGA, 2010).
A dificuldade de preambulação é uma característica do envelhecimento, representa um motivo de
preocupação para os idosos, pois pode acarretar a incapacidade física, os idosos sedentários tem uma
maior propensão de quedas, com o baixo nível de mobilidade funcional devido, a redução na capacidade
de adaptação homeostática, alterando progressivamente o organismo intrínseco e extrínseco. Entre as
perdas com o envelhecimento vêm as instabilidades postural que ocorre devido às alterações do sistema
sensorial motor levando-o a perda do equilíbrio.
Consoante a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Sociedade Brasileira de Geriatria e
Gerontologia, o exercício físico regular melhora a qualidade e expectativa de vida do idoso beneficiando-o
em vários aspectos principalmente na prevenção de incapacidades. (NAHAS, 2013).
Mediante estudo epidemiológico constatou-se uma intensa relação entre a inatividade física e a presença
de fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, resistência à insulina, diabetes, dislipidemias e
obesidade. (CASTELLI, 2010).
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Órgão de divulgação científica

A atividade física regular promove uma série de mudanças no organismo do idoso, como por exemplo,
diminuição da frequência cardíaca, aumento das endorfinas endógenas, responsáveis pela sensação de
bem-estar, redução do colesterol, fortificação da estrutura óssea, das articulações e melhora na postura.
Ressalte-se que a liberação de endorfina pelo organismo, provoca no individuo praticante de atividade
física regular, um estado de plenitude trazendo benefícios em todos os níveis, sobretudo, em sua auto-
estima e no convívio social.
Percebe-se que o exercício físico constante e moderado produz aos indivíduos efeitos benéficos na saúde
em geral, sendo capaz de melhorar o nível psicológico diminuindo a ansiedade, o stress, e ao mesmo
tempo elevando a autoestima e a cognição.
Afirmam que os idosos quando praticam exercícios físicos regulares, apresentam melhores resultados
diferentemente ocorre com os idosos sedentários na sua capacidade funcional. Desta maneira o estilo de
vida dessa população, aumenta o grau de autonomia em relação às AVD e em um envelhecimento mais
rico em oportunidades de relações sociais. (OLIVEIRA, et al, 2013).
Por outro lado, a deficiência de atividades físicas está também associada com inúmeros problemas
músculo-esqueléticos, que podem atingir negativamente as atividades funcionais do idoso. (DUARTE,
2013).
Sendo assim, o fortalecimento dos elementos da aptidão física, como força, flexibilidade, capacidade
cardiorrespiratória, coordenação motora, entre outros, é uma extraordinária forma de impedir os efeitos
degenerativos acarretados pelo envelhecimento.
E, Nahas (2013, p. 62) que:

As atividades físicas num programa de condicionamento físico devem ser adequadas ao indivíduo em
termos de tipo, duração e intensidade, devem ser adequadas ao indivíduo em termos de tipo, duração e
intensidade, devendo ser realizadas com regularidade (o ideal são de 3 a 5 sessões por semana). É
fundamental, também, que as atividades físicas sejam as mais agradáveis possíveis ao praticante.

A aptidão física relacionada à saúde estaria no Brasil dentro de uma perspectiva de identificação de
variáveis determinantes, considerando as diferenças sociais, ambientais, econômicas e comportamentais
da nova população.
Com o aumento das intervenções nas últimas décadas sobre as pesquisas na Educação Física e Desporto
abordando o processo de envelhecimento, com toda a atenção voltada sobre a importância da atividade
física sob a perspectiva da promoção da saúde. (MORAES e CÁRDENAS, 2010).
Há um grande reconhecimento das vantagens da prática regular de exercícios físicos e ou atividades físicas
promovendo uma excelente redução nas doenças crônicas degenerativas. Pois, dentro do quadro atual a
inatividade já é considerada um grande fator de risco primário, principalmente as doenças
cardiovasculares, com isso tem-se tornado fundamental a identificação das incessantes buscas em
modelos técnicos para a participação da população em estilos de vida.
De acordo com Kokkinos et al, 1995 apud Pitanga, 2010, p. 92 “Estudos mais recentes reconhecem a
inatividade física como fator de risco independente, comparado com outros fatores de risco estabelecidos
para doença cardíaca coronariana”.
A atividade física tem sido associada ao bem estar, a saúde e a qualidade de vida das pessoas de todas as
faixas de idade, assim sendo o mais visível a partir da meia idade, quando os riscos potenciais da
inatividade aumentam, levando a perca da vida muito mais cedo e da utilidade. Com isto a diminuição das
funções morfológicas são alteradas e uma maior quantidade de pessoas sedentárias na terceira idade e
não tão somente ao inexorável envelhecimento celular. (ANAIS, 2013).
Os comportamentos tipicamente associados aos idosos referem-se à passividade e a imobilidade, com
reduzida atividade física, e algumas patologias crônicas e também com a perda da vitalidade, reduzem o
seu comportamento motor, mudando seus hábitos de vida e criando uma dependência com o meio que os
rodeia. (VENDRUSCOLO, 2013).
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1.2 O papel do educador físico e a promoção da saúde do idoso hipertenso

A saúde e a qualidade de vida dos idosos necessitam de uma atenção multidisciplinar e interdisciplinar. O
profissional de educação física tem um papel de grande importância quando a questão é promoção da
saúde, pois cabe a ele desenvolver atividades que gerem benefícios para a população tais como: aumento
tônus e trofismo muscular, aumento da massa óssea diminuição dos níveis de pressão arterial, glicose e
colesterol, normatização do peso corporal e diminuição do stress.
As atividades da vida diária juntamente com o treinamento físico podem estabelecer o grau de autonomia
e independência do idoso, sobretudo no suprimento de suas necessidades.
É bem notório aos especialistas da área que a atividade física e saúde têm ocupado lugar de destaque nos
cenários nacional e internacional. Isso só se tornou possível devido aos diversos indicadores como, por
exemplo: o Congresso Brasileiro de Atividade Física e Saúde realizado em 2014; periódicos como a Revista
Brasileira de Atividade Física e Saúde e o Journal of Physical Activity and Health, que podem ser utilizados
para confirmar o avanço e a consolidação da área (FARIAS JÚNIOR, 2014).
A prática de atividade física relacionou-se à melhor percepção do estado de saúde. Outros estudos
mostram que indivíduos que praticam exercícios físicos como prática de lazer possuem melhor
autopercepção de saúde do que aqueles que não praticam ou realizam menos atividade física (MASSA,
2013).

Sabendo-se que a maioria dos idosos, são geralmente portadores de doença crônica mas as limitações nem
sempre os impossibilitam e muitos continuam levando uma vida normal com o controle de suas
enfermidades, demonstrando satisfação pela vida. Um idoso com apenas uma doença crônica poderá ser
considerado um idoso saudável, contrariando a Organização Mundial da Saúde (OMS) que diz que a
ausência de doenças é um privilégio de poucos, pois o completo bem-estar pode ser atingido por muitos,
independente ou não da presença de doenças crônicas. Moraes e Cárdenas (2010) compreendem que:

Houve relação da percepção do estado de saúde com as variáveis: condições físicas (gênero, doenças
crônicas), condições socioeconômicas (escolaridade, e trabalho) e hábitos de vida (prática de atividade
física). A autopercepção do estado de saúde se apresenta pior nos idosos que relataram presença de
doenças crônicas, baixa escolaridade, menor ocupação laboral e redução das práticas de atividade física.

O envelhecer está inteiramente ligado à autonomia, devida a capacidade de executar o controle sobre sua
vida e seus objetivos. Quando um idoso consegue ter o controle das suas atividades socais, lazer e utilidade
com certeza poderá ser considerado um indivíduo saudável.
Não resta a menor dúvida que, com o passar dos anos, o indivíduo tende a sofrer alterações nos diversos
sistemas do organismo. Porém, não se sabe até que ponto essas alterações são consequências do
envelhecimento biológico ou se são simplesmente resultantes de fatores ambientais ou do desuso,
ocasionado por alterações no estilo de vida dos idosos (MASSA, 2013).
Nesse contexto, a prática da atividade física surge como opção essencial na redução dos declínios físico-
fisiológicos da pessoa idosa, interferindo também nos aspectos sociais e psicológicos destes indivíduos
(DUARTE, 2013).
Na verdade envelhecer de forma saudável está diretamente ligado à capacidade funcional da integração
social, apoio familiar e independência financeira, com isso encontra-se equilíbrio para envelhecer de forma
feliz e saudável.

1.3 A Função do Educador Físico

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O educador físico precisa ter habilidade para ministrar as aulas, usando técnicas propícias com uma forma
de execução fácil de serem aprendidas, com o objetivo de contribuir para com o aprendizado rápido e
eficiente dos movimentos básicos da ginástica funcional, dança, alongamentos e assim trazer benefícios no
cotidiano das participantes, ao mesmo tempo proporcionando o bem-estar físico, psíquico e social.
Santos e Silva (2013), explicam que a gerontotecnologia educativa nasce como um recurso pedagógico
capaz de consentir a integração dialógica entre os profissionais de saúde, o idoso e a família, permitindo a
construção de um conhecimento para precaver e diminuir incapacidades facilmente disponível e de baixo
custo, capaz de integrar idosos e familiares para o cuidado.
Benedetti et al (2014, p. 89) explicam que:

Historicamente, tanto a formação quanto uma parte das possibilidades de atuação do profissional de
Educação Física têm sido associadas à saúde, independentemente de qual seja a visão de saúde a que nos
refiramos. Tal associação vem ocorrendo a despeito dos diferentes tipos de formação no Ensino Superior,
da regulamentação da profissão e das mudanças epidemiológicas que temos acompanhado. No entanto, o
papel e a importância deste profissional neste campo tem se ampliado e modificado muito rapidamente
nos últimos anos. Um dos principais motivos é o destaque que a atividade física vem recebendo nas
políticas públicas de enfrentamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e de promoção da
saúde, no cenário mundial e no Brasil.

Cabe ao professor e direcionador, a responsabilidade da saúde e segurança de seus alunos, para que este
profissional ministre suas aulas com competência sabendo intensificar o nível de treinamento adequado,
para que a cada sessão de treino o idoso sinta-se muito melhor do que havia chegado é preciso se
relaciona com este grupo com afetuosidade, compreensão e paciência, embasamento científico,
sensibilidade profissional, constituindo-se, portanto de uma arte.
A confiabilidade do idoso para o educador físico será um dos grandes motivos para o sucesso do programa
de treinamento sugerido.
Considerando a parte final da revisão de literatura resta claro que os exercícios físicos trazem benefícios no
que diz respeito às doenças coronarianas e prolongamento da vida, existindo uma relação inversa com a
prática de exercício habitual. Isto vem sendo comprovado tanto para a prática de exercício programado,
quanto para as atividades de lazer ou colocadas nas rotinas diárias. Apesar do exercício moderado já
apresentar benefícios sobre a mortalidade, aparentemente possui uma relação dose-resposta, com
exercícios mais vigorosos evidenciando um efeito ainda maior. (SANTOS; SILVA, 2013).
As atividades físicas funcionais aumentam a autonomia daqueles que não conseguem executar com
facilidade os exercícios, por isso foram aplicadas com rigor justamente para transmitir a segurança
necessária ao grupo estudado.
O exercício físico pode ser então um componente de grande importância para o idoso, e em alguns casos a
idade biológica chega a ser reduzida até mais de vinte anos. A expectativa de vida é incrementada,
condições debilitantes são adiadas, e ocorrem muitos ganhos na sua qualidade de vida. (RAMOS, 2011).
A prática de atividade física relacionou-se à melhor percepção do estado de saúde. Outros estudos
mostram que indivíduos que praticam exercícios físicos como prática de lazer possuem melhor
autopercepção de saúde do que aqueles que não praticam ou realizam menos atividade física.
A preocupação do profissional de educação física é motivar os idosos na participação de atividade física
com objetivo de melhorar seu desempenho neuromotor social e afetivo emocional, bem como sua
qualidade de vida. Além dessas alternativas de conhecimento e de compreensão a proposta da educação
para a saúde deriva do campo da prevenção e da terapêutica indispensável ao longo da vida.
A promoção e a preservação da autonomia do idoso são fundamentais na vida desse idoso, visando
garantir atenção integral e adequar sua participação ativa e cidadã, enquanto sujeito individual e coletivo,
a fim de que se torne um sujeito capaz de decidir sobre as deliberações imprescindíveis para a sua vida.
(MOREIRA, TEIXEIRA e NOVAES, 2014).
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O Brasil desde a década de 40 passa por um processo de inversão das curvas de mortalidade, observando-
se um declínio de mortes por doenças infecciosas e um concomitante aumento por doenças crônicas.
Este processo é conhecido por fenômeno de transmissão epidemiológica, ocorrida em todos os países hoje
desenvolvidos, nos quais a população de idosos é cada vez mais expressiva. (CARVALHO, 2010).
É preciso que o profissional de educação física busque o aprimoramento de técnicas de trabalho em grupo
e de educação em saúde e com isso buscar a investigação dinâmica das hipóteses e com o estudo as
possibilidades.
O vivenciar das práticas de atividade física representa, para a pessoa idosa, além de prevenção de doenças
e uma possibilidade de maior expectativa de vida, a possibilidade de desenvolver sua capacidade funcional
e da sua autonomia, o que é essencial para a qualidade de vida.
Os exercícios físicos e a educação em saúde são estratégias para uma influência positiva durante o
envelhecimento, gerando o processo saúde-doença e colaborando social e psicologicamente nas escolhas
e decisões dos idosos. Sendo assim, sugere-se que a participação de idosos em grupos de convivência
melhora e abrange as condições de saúde dessas pessoas. (MOREIRA, TEIXEIRA e NOVAES, 2014).

1.4 O uso da farmacologia em idosos hipertensos praticantes de atividade física

Devido ao uso farmacológico são imprescindíveis alguns cuidados, principalmente em idosos com
hipertensão arterial, sendo vasodilatadores, pois reduzem a quantidade de ca2 que alcança os locais
intracelures, relaxando o músculo liso (DUARTE, 2013; MASSA, 2013).
Existem algumas medidas que também podem contribuir para a maior eficácia anti-hipertensiva, como por
exemplo: redução do peso corporal; redução da ingestão de sódio; maior ingestão de alimentos ricos em
potássio; redução do consumo de bebidas alcoólicas e exercícios físicos regulares.
Saliente-se que diante da necessidade de manterem a pressão arterial controlada, os hipertensos idosos
submetidos à atividade física, necessitam fazer uso de diuréticos em baixa dose como monoterapia,
betabloqueadores, uma vez que neutralizam a ação da adrenalina impedindo a insuficiência cardíaca, bem
como evitando o infarto do miocárdio. Podendo utilizar também antagonistas da angiotensina que é um
hipertensivo com menor efeito colateral.
Os agentes simpaticolíticos tornam-se útil por não interferir na dosagem glicêmica, efeito de proteção
renal. Terapia combinada de ante-hipertensivos são 60% dos casos de hipertensão arterial em idosos,
como forma bastante eficaz, com menos efeitos adversos.
O treinamento físico diminui expressivamente a pressão arterial em pacientes com hipertensão arterial
sistêmica. (PITANGA, 2010). A atividade física é um excelente instrumento de saúde em qualquer faixa
etária em especial no idoso, induzindo várias adaptações fisiológicas e psicológicas, tais como:
- aumento do VO2 máx. - aumento dos benefícios circulatórios periféricos; aumento da massa magra
(muscular); melhor controle da glicemia; redução do peso corporal; melhor controle da pressão arterial em
repouso; melhora a função pulmonar; maior autonomia; maior auto-estima autoconfiança; melhor
qualidade de vida.
Os efeitos associados à inatividade física levam o idoso a uma condição degenerativa crescente de suas
capacidades físicas e acarretam uma diminuição no desempenho físico, na habilidade motora, na
capacidade de concentração, de reação e de coordenação, provocando processos de auto-desvalorização,
stress, apatia, insegurança, perda da motivação, isolamento social e a solidão.
A independência para a realização das atividades da vida diária determina à expectativa de vida ativa ou
saudável do idoso. A decadência nos níveis de atividade física habitual para idoso coopera para a
diminuição da aptidão funcional e a manifestação de diversas doenças, como sequela a perda da
capacidade funcional. Neste sentido, tem sido ressaltada a prática de exercícios como estratégia de
prevenir as perdas nos componentes da aptidão funcional. (DUARTE, 2013).

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Evidências atuais sugerem claramente que a participação em exercícios regulares é um efetivo caminho
para restringir e/ou prevenir o número de declínios associados ao envelhecimento, sendo capaz de
transformar a condição de incapacidade para realização das atividades da vida diária.
Os exercícios funcionais ajudam ampliar as possibilidades de exigência motora durante o exercício físico
com o intuito de melhorar a capacidade funcional, com exercícios que estimulam os proprioceptores
presentes no organismo, os quais possibilitam a melhora do desenvolvimento simeslesino do controle do
corpo, equilíbrio muscular dinâmico, diminuindo as lesões e aumento a eficiência dos movimentos
(PITANGA, 2010).
Saliente-se que as habilidades físicas (força, equilíbrio, resistência muscular, esquema corporal, alteridade
e agilidade) favorecem o desenvolvimento. Bem como, preparam o músculo com a ampliação da condição
neuromotora e aptidão física e funcional de cada indivíduo (DUARTE, 2013).

Discussão

A pesquisa revela que idosos hipertensos não praticantes de exercício físico apresentam um menor escore
de qualidade de vida. Além disso, foi possível observar também que a alta prevalência de sintomas
desencadeados pelo tratamento farmacológico da HAS colabora para a aquisição de tais resultados.
Em um estudo realizado por Werneck et al. (2011) afirmam que o efeito da pressão arterial pode variar de
acordo com o tipo e a intensidade do trabalho aplicado constatando redução em alguns grupos de estudo
e outros não apresentaram nenhuma alteração.
Nesse mesmo sentido, defendem Kolb et al. (2012) a necessidade de realização da atividade física, assim
como do treinamento resistido em idosos hipertensos tendo em vista a queda da pressão arterial
caracterizando a hipotensão pós-exercício. Entretanto, afirma que não existe um esclarecimento quanto ao
melhor tipo de exercício físico.
Em 2011 o Ministério da Saúde difundiu um Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das
Doenças Crônicas Não Transmissíveis estabelecendo metas globais determinadas para o controle dessas
doenças até 2025. O Plano brasileiro delibera e prioriza as ações e os investimentos essenciais com foco
nas ações populacionais visando o controle de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doença
respiratória crônica decorrentes da má alimentação, do uso excessivo de álcool e fumo e a falta de
atividade física (DUNCAN et al., 2012; MALTA; SILVA Jr, 2013).
Ferreira (2012, p.2) enfatiza que:
Porque a gestão de qualquer doença crónica requer a participação dos doentes, é necessário monitorizar o
seu impacto, principalmente nas funções psicossociais e de comportamento. Assim é necessário todos os
esforços no sentido de colaborar na determinação dos ganhos em saúde obtidos com os tratamentos e sob
a perspectiva do cidadão.

Malta e Silva (2013) sustentam que programas de educação para a autogestão procuram ajudar as pessoas
a consciencializarem-se de que são os seus principais cuidadores e que os profissionais de saúde são
consultores que os apoiam nesta função. O programa de intervenção implementado devolveu resultados
positivos, nomeadamente a nível comportamental, dos indivíduos no tratamento da sua doença.
Com o favorecimento pela diminuição da fecundidade e mortalidade, e o aumento da longevidade e os
avanços nas formas de tratamento em saúde é possível observar uma grande mudança na pirâmide etária
da população, que passa se assemelhar às de países onde o processo de transição já vem ocorrendo
(CAMARANO, 2013).
Diante dessas considerações acima citadas verifica-se que os efeitos hipotensores pós-exercícios podem
ocasionar uma redução bastante significativa na diminuição da pressão arterial em idosos hipertensos.
A presente pesquisa analisou como a prática da atividade física pode ser benéfica na prevenção de
doenças crônicas e a utilização de medicações por parte dos idosos hipertensos.

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Conclusão
A hipertensão arterial em pacientes idosos é uma patologia crescente e que vem provocando muita
preocupação no âmbito das políticas públicas, no mundo inteiro.
As preocupações com estes problemas de hipertensão, não devem ser apenas dos governantes, a
sociedade em geral deve estar consciente de seus riscos e de suas consequências, para a saúde de todos.
No caso de pessoas idosas, este quadro torna-se mais preocupante ainda, pois a medida que se envelhece,
também se torna mais frágil e susceptível a muitas patologias, devido ao envelhecimento, também, das
células.
Devido o aumento da longevidade, verificou-se um grande aumento na prevalência de doenças crônicas,
que trazem consequências econômicas, sociais, por isto a busca de implantação de programas de
atividades físicas em todo o mundo como meio de promoção de saúde com hábitos saudáveis voltados
para a qualidade de vida dos idosos, aumentam a longevidade e melhoram a sua saúde.
As doenças crônicas são incuráveis e de origem não contagiosa, associadas ou causada por fatores sociais,
culturais, ambientais e comportamentais têm impacto econômico e deterioração na qualidade de vidas das
pessoas da família e da comunidade. Entre os fatores de risco para a hipertensão arterial incluem-se o
baixo consumo de frutas e hortaliças, inatividade física, alto consumo de álcool, excesso de peso.
A atividade física sem dúvida alguma contribuiu com a prevenção da hipertensão e promoção de saúde. As
características desse aprendizado confirmam o caráter global do cuidado com o corpo na melhoria da
saúde buscando uma melhor qualidade de vida.
Sendo assim, acredita-se que a hipertensão em idosos requer uma ampla atenção de todos os profissionais
envolvidos em saúde, assim como dos governos através de campanhas, e da população, que deve ser
estimulada a praticar atividade física regularmente.
Portanto, resta evidente que o treinamento físico exerce um efeito fisiológico específico ao nível muscular
e cardiocirculatório melhorando a qualidade de vida dos idosos hipertensos. Acredita-se que o exercício
físico é eficaz não apenas no controle da HAS, assim como pode amenizar os efeitos colaterais do
tratamento farmacológico, favorecendo a percepção do paciente sobre como a doença afeta seu bem
estar e saúde.

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Rua Tereza de Azevedo


Nº 867
Bairro: Gruta de Lourdes
CEP: 57052-600

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O PERFIL DOS PRATICANTES DE TREINAMENTO FUNCIONAL NA MODALIDADE


CIRCUITO NA AREIA EM PARINTINS-AM.

SANTOS, G.L.1
LAUREANO, M.L.M.2

ENAF/DESENVOLVIMENTO - Manaus – Amazonas - Brasil


Universidade Federal do Amazonas - UFAM - Parintins – Amazonas - Brasil
gil_lopiz@hotmail.com

RESUMO – Este trabalho apresenta uma investigação sobre o Perfil dos Praticantes de Treinamento
Funcional na modalidade “Circuito na Areia” na cidade de Parintins - AM. O objetivo da pesquisa foi
identificar de maneira social e antropométrica os principais adeptos deste tipo de atividade física.
Participaram da pesquisa 50 pessoas atuantes desta modalidade. Como fundamentação metodológica,
utilizou-se uma pesquisa de abordagem quantitativa e natureza descritiva, aplicando-se como instrumento
de coleta de dados e informações, um questionário contendo 10 perguntas fechadas. O crescimento
evidente da modalidade investigada no município de Parintins/AM foi o que despertou o interesse pelo
objeto dessa investigação. A atividade física na areia em forma de circuito possibilita um maior gasto
energético e, por conseguinte os resultados são mais eficazes quando comparados a outros tipos de
atividades aeróbicas. Constatou-se ainda que, a maioria dos praticantes é do sexo feminino e tem idade
media entre 20 a 40 anos e que boa parte desses praticantes está acima do peso e buscam no circuito uma
maneira de reverter esse quadro, objetivando saúde e qualidade de vida. No resultado da pesquisa
constata-se que o Treinamento Funcional na modalidade circuito na areia, trouxe uma melhoria notória
para os praticantes, principalmente quando diz respeito à perda de peso, resistência, tônus muscular,
condicionamento físico, saúde e qualidade de vida.

Unitermos: Perfil dos praticantes; Circuito Funcional; Qualidade de vida.


.
Abstract - This paper presents a research on the Profile of Functional Training Practitioners in "circuit in the
Sand" mode in the city of Parintins – AM. The objective of the research was to identify social and
anthropometric way the main supporters of this type of physical activity. The participants were 50 people
active in this mode of this type. As methodological basis, we used a quantitative approach to research and
descriptive, applying as a data collection tool and information, a questionnaire containing 10 closed
questions. The apparent growth of the sport investigated in the city of Parintins/AM was what sparked
interest in the object of investigation. Physical activity as sand circuit allows a greater energy expenditure
and therefore the results are more effective when compared to other aerobic activities. It was also found
that most practitioners are female and average age is between 20 to 40 years and that many of these
practitioners are overweight and looking at the circuit a way around this, aiming health and quality of life.
The search result can be seen that the Functional Training in circuit mode in the sand, brought a marked
improvement for practitioners, especially when it comes to weight loss, strength, muscle tone, fitness,
health and quality of life.

Keywords: Profile of practitioners; Functional circuit; Quality of life.

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INTRODUÇÃO

A busca pelo bem-estar, boa forma, peso ideal, a resistência física e principalmente às condições à saúde
ligadas a qualidade de vida, tem crescido nos últimos anos no país, principalmente em si tratando do
treinamento funcional. É o que afirma Bossi (2014), “o treinamento funcional vem crescendo nos últimos
anos e espalhando-se pelo mundo de uma maneira um tanto quanto descontrolada”. O circuito funcional
na areia é a modalidade com mais adeptos na atualidade, isso porque ele promove maior resistência física
aos praticantes e resultados mais eficazes em menor tempo do que outras práticas físicas “tradicionais”.
Ressalta-se que o circuito funcional na areia, é apenas uma variação do Treinamento Funcional. Para
CAMPOS e CORAUCCI NETO (2004).

Sabe-se que o treinamento funcional está amparado na proposta de melhoria de aspectos neurológicos
que conduzem a capacidade funcional do corpo humano, empregando exercícios que estimulem os
diferentes componentes do sistema nervoso, gerando, dessa forma, sua adaptação.

O interesse dessa pesquisa surgiu da demanda pelo treinamento funcional modalidade circuito na areia. A
busca por esse tipo de atividade deve-se por motivos como: a insatisfação dos praticantes com os demais
tipos de atividades físicas, que optaram por buscar um treinamento dinâmico e eficaz, que proporcionasse
prazer e motivação a eles, fugindo do convencionalismo dos treinos, como a musculação (fitness).
Conforme (BOSSI apud CLARK, 2001) “A ideia principal do treinamento funcional é trabalhar mais de um
segmento ao mesmo tempo (multiplanares), envolvendo estabilização, força, potencia agilidade”.

O Treinamento Funcional veio para quebrar paradigmas, e ganhou seu espaço principalmente para o
publico que não gosta de frequentar academias de musculação. A modalidade circuito na areia trouxe a
proposta de intensificar e tornar o treino ainda mais atrativo. Para Atalla (2012, p.22) “circuito é uma
sequencia de movimentos feitos em série e então repetidos, do primeiro ao ultimo”. Com isso o
treinamento funcional foi se diversificando a ponto de atingir todos os públicos além de ser trabalhado em
qualquer tipo de ambiente. A modalidade Circuito Funcional na Areia teve um alto crescimento nos últimos
tempos principalmente no município de Parintins–Am. Por isso houve esse interesse em classificar e saber
qual é o publico que este tipo de treinamento vem ganhando adeptos a cada dia.

A atividade física na areia tem como principal objetivo o ganho de resistência e a perda de calorias,
facilitando assim o emagrecimento, além de auxiliar na regeneração e fortalecimento muscular e articular.
A superfície irregular da areia faz com que o corpo faça um trabalho de propriocepção, ou seja, que o
individuo aumente o controle de movimento e o domínio do corpo que auxiliam na pisada durante o
exercício. Praticar esportes e fazer caminhadas na areia são atividades saudáveis e agradáveis, que
auxiliam e aliviam dores causadas por lesões, e tiram à tensão do dia a dia. Além do mais, o contato
com a areia é comprovadamente eficaz no combate ao estresse.

O objetivo dessa pesquisa foi identificar o perfil dos praticantes de treinamento funcional na modalidade
circuito na areia na cidade de Parintins-AM, com relação à questão social e antropométrica. A pesquisa foi
realizada com 50 pessoas que praticam esse tipo de atividade física, que responderam as 10 perguntas
fechadas do instrumento de pesquisa utilizado – o questionário.

Partindo para o desenvolvimento desse estudo, serão apresentados os materiais e métodos abordados
para a coleta dos dados da pesquisa, seguindo dos resultados da pesquisa através de tabela juntamente
com suas discussões onde serão apresentadas de forma detalhada todas as informações colhidas nesta
investigação.
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MATERIAIS E MÉTODOS
Segundo Armani (2009, p.17) define-se pesquisa como “o procedimento racional e sistemático que tem
como objetivo proporcionar respostas aos problemas e questionamentos que são propostos”.
A abordagem metodológica dessa investigação esta voltada para pesquisa quantitativa. “O método
quantitativo justifica seu uso pela facilidade de aplicação dos instrumentos de recolha, pela possibilidade
de uso constante de métodos estatísticos, baixo custo operacional e rapidez nos resultados de pesquisa.”
(JUREMA; QUEIROZ, 2008, p. 103).
O questionário aplicado em anexo a este artigo foi constituído de 10 (dez) questões fechadas, elaboradas
para analise dos dados, além da aferição do peso e estatura de cada praticante, para a indicação do Índice
de Massa Corporal (IMC). A aplicação do questionário acorreu de forma individual, para auxiliar na coleta
dos dados foram utilizados, canetas, uma balança digital e um estadiomêtro. Sua validação se deu através
do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) onde os investigados assinaram o mesmo antes de
participarem da pesquisa em loco.
Quanto à população investigada, esta se constituiu por homens e mulheres com faixa etária entre 20 a 40
anos, e a amostra foram de 50 praticantes do circuito funcional na areia. Para a apresentação dos dados,
utilizaram-se apenas procedimentos estatísticos descritivos.

RESULTADOS
Os resultados adquiridos na pesquisa sobre o Perfil dos Praticantes de Treinamento Funcional na
modalidade Circuito na Areia em Parintins- Am, estão apresentados abaixo na tabela 1.
Tabela 1. Perfil dos praticantes de treinamento funcional modalidade circuito na areia em Parintins-Am.

Perguntas Opções de resposta: Resultados em %


Masculino 11%
Sexo
Feminino 89%
12 a 20 7%
21 a 30 30%
Idade
31 a 40 37%
41 a 50+ 26%
Ens. Fundamental 4%
Ens. Médio 23%
Nível de Escolaridade Ens. Superior 53%
Pós-graduação 12%
Mestre ou Doutor 8%
Sentado 50%
Na sua Profissão, você passa Em pé 22%
maior parte do tempo...?
Medial 28%
Abaixo do peso 4%
PESO/ Peso Ideal 32%
ALTURA:
IMC Sobrepeso 48%
Obesidade grau 1 16%

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Obesidade grau 2 -
Sim 48%
Não 52%

Pratica outros tipos de Musculação 17%


atividades físicas? Quais? Caminhada ou corrida 13%
Ciclismo 9%
Outros 9%
Emagrecimento 39%
Cond. Físico 17%
Qual seu objetivo com a
pratica do TF? Resistencia 10%
Saúde e bem estar 29%
Fortalecimento muscular 5%
Excesso de peso 31%
A busca por saúde e
O que levou você a praticar qualidade de vida 19%
o TF?
Sair do sedentarismo 31%
Dinâmica de treino 19%
Sim 89%
Você recebe algum incentivo Não 11%
para á pratica de atividades Familiares 42%
físicas? Amigos 41%
Outros 6%
Autoestima 7%
Qualidade de vida 33%
Quais benefícios o TF trouxe
Perda de peso 23%
pra você?
Resistência 20%
Saúde e bem estar 17%
Fonte: SANTOS (2015)

Discussões dos resultados


Para a análise do perfil dos praticantes do TF, verificou-se o gênero, a faixa etária, o nível de escolaridade,
o estilo comportamental e profissional para atividades físicas e ainda os objetivos em relação a prática do
Treinamento Funcional na modalidade circuito na areia. Sendo assim, observou-se que o gênero feminino
tem predominância sobre o masculino, isso porque desde o final do século XIX a pratica de exercícios
físicos pelas mulheres obteve maior êxito, pois as formas feminis passaram a ser respeitadas. É o que
afirma Goellner (2009, p. 273):
Nada mais pertinente do que indicar a exercitação física, dado que sua prática poderia possibilitar o
desenvolvimento orgânico e social das mulheres, tornando-as mais fortes, saudáveis e aptas para os
desafios de uma sociedade que se modernizava a passos rápidos e empolgantes.
Segundo Costa et al. (2003), “a inserção da prática de exercícios físicos entre as mulheres está associada à
manutenção da saúde e valorização dos cuidados com a imagem corporal”. Diante de uma pesquisa feita

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pelo site Exame.com (2015) em relação ao perfil de quem faz esportes no Brasil e o do sedentário, “os
homens (35,9%) declararam praticar mais esportes, enquanto as mulheres (34%) preferem as atividades
físicas”. Em relação a idade media dos praticantes, pode-se observar que a maioria são pessoas adultas,
seguido por jovens e adolescentes. Sobre o nível de escolaridade dos praticantes do treinamento funcional
modalidade circuito na areia, fica evidente que são pessoas instruídas, que tem ou já tiveram acesso ao
ensino superior.

Quando perguntados sobre a rotina de trabalho, notou-se entre os praticantes que como boa parte deles,
passa a maior parte do tempo sentado durante horas de expediente. Contribuindo assim para problemas
ergonômicos e estresse, podendo levar a indisposição para a pratica de atividade física devido a rotina de
trabalho diário, facilitando o sedentarismo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS),

Uma pessoa é considerada ativa quando pratica alguma atividade física pelo menos três vezes por semana,
em seu tempo livre, com duração mínima de 30 minutos. O sedentário é aquele que não faz nenhum tipo
de atividade física ou esporte.

Pitanga (2004) afirma, que “o IMC pode diagnosticar desnutrição energética crônica, gozando este método
de grande popularidade na área de saúde”. Quanto ao IMC dos praticantes, verificamos em loco que boa
parte dos entrevistados está acima do peso, podendo ser justificado como um dos motivos pela procura do
treinamento funcional modalidade circuito na areia. Através da pesquisa, verificou-se também que o grupo
estudado, em sua maioria pratica mais de um tipo de atividade física.
Segundo os praticantes do treino funcional na modalidade circuito na areia, o que levou a essa prática foi
principalmente a busca pela melhoria da qualidade de vida, do peso ideal e consequentemente o aumento
da auto-estima, além da dinâmica do treinamento que proporciona bem-estar. Para o (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2007).

A prática de atividade física está presente na vida da maior parte das pessoas, sejam elas mais, ou menos
ativas. Pela procura de melhorar sua saúde física e mental. Muitas pesquisas são destinadas a identificar os
inúmeros benefícios que a atividade física pode proporcionar. As oportunidades para indivíduos adultos
serem fisicamente ativos podem ser classificadas em quatro domínios: no lazer, no trabalho, no
deslocamento para o trabalho e nos afazeres domésticos.

De acordo com os participantes da pratica do treino funcional na modalidade circuito na areia, a busca pela
pratica da atividade, partiu principalmente pela conservação da saúde e os incentivos relacionado à
vontade pessoal em praticar a atividade integrada ao desejo do bem-estar físico e mental, ou seja, o
incentivo próprio se sobressaiu em relação ao apoio de amigos e familiares. Para Balbinotti & Capozzoli
(2008), “descrevem que para os indivíduos de 21 a 40 anos, os motivos mais importantes para a prática de
atividade física foram saúde, prazer, controle do estresse e estética”.
Todos de alguma forma se sentem satisfeito pelos benefícios que o treino tem proporcionado no decorrer
da prática do TF. Principalmente quando se referem ao rendimento físico, melhora na disposição para
realização das atividades do dia-a-dia, além da perda do peso, ganho de resistência e a convivência social.
Esses são um dos muitos benefícios encontrados na pesquisa através da pratica do treino funcional na
modalidade circuito na areia. “Ele tira a pessoa dos movimentos mecânicos e eixos definidos ou isolados, como
acontece na musculação. Por isso, virou uma alternativa para quem estava cansado dos exercícios mais
tradicionais na academia.” (Gomes; Christ, 2014).
Para finalizar a pesquisa estabeleceu-se a analise dos dados coletados através de ferramentas
computacionais, para efetuar a interpretação das informações colhidas nas fases anteriores e para
apresentação dos resultados deste estudo.

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CONCLUSÃO

Nesta pesquisa, conclui-se que o perfil dos praticantes de Treinamento Funcional na modalidade circuito
na areia, é bem diversificado. Que a maioria dos praticantes são do sexo feminino, com idade media entre
20 a 40 anos, que estão acima do peso e que buscam através do treino obter um resultado mais eficaz e
mais rápido comparado a outros treinos convencionais. Boa parte dos investigados teve incentivo próprio,
seguido do apoio de amigos e familiares. Foi notória a insatisfação dos mesmos com suas “formas físicas”,
sendo esse um dos principais motivos pela procura de um treino que lhe proporcionasse mais efetividade
nos resultados. Vale ressaltar que o treinamento funcional em si, veio com essa proposta de fazer a
diferença na vida de qualquer pessoa que almeje uma melhora no seu estilo vida. Proporcionando através
do seu dinamismo de treinamento, maior comodidade, bem-estar e qualidade de vida aos praticantes e
consequentemente mais adeptos para essa modalidade.
Portanto, de acordo com este estudo, o perfil dos praticantes do Treinamento Funcional na modalidade
circuito funcional na areia atende todos os tipos de público, principalmente o feminino, de pessoas com
instrução acadêmica superior, que reconhecem que a pratica de atividades físicas é essencial em todas as
fases da vida, e que a procura por saúde, bem estar e qualidade de vida sempre estarão em evidência. Pois
os treinos proporcionaram um diferencial significativo na vida dos investigados nesta pesquisa,
principalmente quando se diz respeito à perda de peso, resistência, tônus muscular, condicionamento
físico, saúde e bem-estar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ATALA, Marcio – Sua vida em movimento/Marcio Atalla. – 1º ed. São Paulo: Paralela, 2012.
BALBINOTTI, M.A.A. & CAPOZZOLI, C.J, Motivação à prática regular de atividade física: um estudo
exploratório com praticantes em academias de ginástica. Revista Brasileira de Educação Física e
Esporte, São Paulo, v.22, n.1, p.63-80, jan./mar. 2008.
BOSSI, Luiz Claudio – Treinamento Funcional para Mulheres – Edição (2014)
CAMPOS, Maurício de Arruda; CORAUCCI NETO, Bruno. - Treinamento Funcional Resistido. Rio de Janeiro:
Revinter, 2004.
COSTA, R. S.; et al. Gênero e pratica de atividade física de lazer. Caderno de Saúde Pública. V, 19. N, 2. Pag,
325 – 333. Rio de Janeiro, 2003
GOELLNER, S. V. Imagens da mulher no esporte. In: PRIORE, M. D.; MELO, V. A. (orgs). História do esporte
no Brasil: do império aos dias atuais. São Paulo: Editora Unesp, 2009. 568 p.
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/o-perfil-de-quem-faz-esportes-no-brasil-e-o-do-sedentario
Htttp://globo.com/euatleta
JUREMA, Jefferson; QUEIRÓZ, Walace. – Metodologia Científica – Manaus, Valer, 2008.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito
telefônico– 2007. Disponível em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/vigitel2007_final_web.pdf
Acessado em 21 de abril de 2016.
PITANGA, Francisco J. G.. Teste e medidas de educação Física. 3ª ed. São Paulo: Phorte, 2004.
gil_lopiz@hotmail.com
rua: sete de setembro – 1593 / Palmares – Parintins-AM/Brasil - CEP. 69153040

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ANEXO
Questionário

1. Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino


2. Idade: _____ anos
3. Nível de Escolaridade:___________________
4. Na sua Profissão, você passa maior parte do tempo...?
( ) sentado ( ) em pé ( ) medial
5. Peso: ________ Altura: __________ IMC: __________
6. Pratica outros tipos de atividades físicas? _______ Quais?
( ) musculação ( ) caminhada ou corrida ( ) ciclismo ( ) outros
7. Qual seu objetivo com a pratica do Treinamento Funcional?
( ) emagrecimento ( ) cond. físico ( ) resistência ( ) saúde e bem estar ( ) fortalecimento muscular
8. O que levou você a praticar o Treinamento Funcional:
( ) excesso de peso ( ) sair do sedentarismo ( ) dinâmica do treinamento ( ) a busca por saúde e
qualidade de vida
9. Você recebeu algum tipo de incentivo? ______
( ) familiares ( ) amigos ( ) outros
10. Em sua opinião quais os benefícios o TF trouxe para sua saúde?
( ) autoestima ( ) qualidade de vida ( ) perda de peso ( ) resistência ( ) saúde e bem estar.

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O TREINAMENTO FUNCIONAL APLICADO NA MUSCULAÇÃO CONVENCIONAL

Allan da Costa e Silva Barbosa


Alexander Freire Teles
Hugo Ronnan Luna Esteves
ENAF/ DESENVOLVIMENTO SERVIÇOS EDUCACIONAIS
Allanbarbosa.personal@outlook.com
Profª Orientadora MSc. Ida de Fátima de Castro Amorim Mourão 1

RESUMO
O presente trabalho tem o propósito de explicar a importância de treinamento funcional/musculação e
analisar se o treinamento funcional pode ter uma aplicação eficaz para o praticante de musculação, e de
que forma os dois podem estar associando um ao outro, já que os dois métodos de treinamento traz
benefícios à saúde. A combinação de treinamento funcional e musculação para muitas pessoas é uma boa
saída, mas ainda é um assunto bastante discutido no mundo fitness, e surgem muitas pergunta, como: qual
traz mais resultados? Qual é o melhor? Qual gasta mais calorias? Esses são alguns questionamentos e
dúvidas que mais ouvimos nas academias. O treinamento funcional para a maioria é o mais importante,
mas todas as pessoas também precisam trabalhar os músculos isoladamente, e a musculação faz isso de
forma eficiente, e principalmente se for a máquinas guiadas. Logo este artigo mostrará os resultados
obtidos através das pesquisas realizadas e orientações de profissionais especializados. Portanto, o foco
deste trabalho é saber de que forma o treinamento funcional faz parte da musculação, Pois qualquer
pessoa que deseja melhorar a força, resistência ou hipertrofia muscular pode praticá-la.Entenderemos o
que é treinamento funcional, e se pode ter uma aplicação prática e eficaz para o praticante de
musculação.Todos nos passamos por dificuldades em nossas vidas e na musculação não é diferente! Saiba
também como melhorar seu desempenho no treino. É importante ressaltar que para cada objetivo há um
tipo de treinamento especifico.
Palavras chaves: saúde; treinamento funcional; musculação.
ABSTRACT
This work has the purpose to explain the importance of functional training / bodybuilding and analyze the
functional training can be an effective application to the bodybuilding practitioner, and how the two can
be associating each other, since both methods training brings health benefits. The combination of
functional training and weight for many people is a good solution, but it is still a subject much discussed in
the fitness world, and many questions arise, such as: what brings more results? Which one is the best?
Which spends more calories? These are some questions and doubts that we hear the academies.
Functional training for the majority is the most important, but all the people also need to work muscles in
isolation, and weight does this efficiently, especially if it is guided machines. So this article will show the
results obtained from the research conducted and specialized professional guidelines. Therefore, the focus
of this work is to know how functional training is part of bodybuilding, for anyone who wants to improve
strength, endurance or muscle hypertrophy can practice it. We understand what functional training is, and
you can have a practical and effective application to the bodybuilding practitioner. All go in for difficulties
in our lives and in the weight is no different! Also learn how to improve their performance in training. Note
that for each objective there is a specific type of training.
Key words: health; functional training; bodybuilding

1-Introdução
A importância da atividade física foi motivo de vários estudos, pois esses estudos provam vários benefícios
que a atividade física traz para o ser humano, como: aumenta o metabolismo, melhora a irrigação
sanguínea, diabetes, obesidade, aumento da oxigenação, diminuição de batimentos cardíacos e
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hipertensão arterial, sobretudo modela o corpo. O objetivo desse trabalho é analisar se o treinamento
funcional pode ter uma aplicação eficaz para o praticante de musculação? O entendimento do termo
treinamento é, sem dúvida muito amplo, e aplicado em diversas áreas cientificas e profissionais. Por isso,
apenas buscaremos entender se o treinamento funcional e a musculação podem ser explorados juntos. E
esclareceremos também, qualquer que seja a sua escolha, que tanto a musculação quanto o treinamento
funcional irão melhorar a sua qualidade de vida. Embora, os dois modelos de atividade física apresentado
nesse artigo faça bem a sua saúde, você precisa primeiramente procurar um medico para fazer os exames
necessários antes de iniciar qualquer treinamento.Por conseguinte, não nos aprofundaremos a respeito do
assunto, apenas analisaremos de que forma o treinamento funcional está aplicado na musculação, quais
são seus benefícios e como melhorar o desempenho no treino com peso. Para melhor desenvolvimento do
artigo usamos os livros: treinamento funcional na musculação de (Bossi, 2011), apostila da confederação
brasileira de esporte e lazer (2013),entre outros.

2-Revisão de Literatura
2.1O Treinamento Funcional aplicado na musculação
A palavra “treinamento” refere-se à aquisição de conhecimentos, competência de habilidades. Esse termo
é muito amplo, porque está empregado em diversas áreas cientificas e profissionais.Já o “Funcional” é
aquilo que possui eficiência, utilidade e praticidade.Unindo esses conceitos temos; “O treinamento
funcional trabalha o corpo como um todo e não somente grupos musculares isolados, ou seja, trabalha o
corpo de forma integrada e diversas capacidades, como força, equilíbrio, agilidade e resistência”.
Segundo alguns autores (Bossi, Coutinho, 2011), o termo treinamento funcional surgiu na segunda guerra
Mundial, com a reabilitação de lesões dos soldados, e também com os atletas olímpicos nos anos 50. No
Brasil, o treinamento funcional teve sua origem com os profissionais de fisioterapias na reabilitação de
pacientes, no qual utilizavam exercícios que imitavam o que seus pacientes faziam em suas tarefas diárias
ou em seu trabalho.Portanto, de acordo com (Campos, 2004). o desenvolvimento de treinamento
funcional está inteiramente ligada a capacidade funcional dos indivíduos. Essa capacidade pode ser
entendida como uma grande realização de tarefas diárias como; andar, correr, pular, levantar algo ou
agachar sem ajuda de outra pessoa. Seguindo a mesma linha de pensamento (Campos, 2004) afirma que
para executar os exercícios com precisão é necessário que a pessoa se movimente de maneira eficiente
conta a ação da gravidade, ou seja, ela deve possuir amplitude de movimentos, mobilidade articular, força
e resistência muscular bem como a habilidade de coordenar os movimentos.Segundo, os autores Monteiro
e Evangelista (2010). O treinamento funcional se refere ao um treinamento que visa trabalhar os diversos
grupos musculares ao mesmo tempo. Já a musculação, também chamada de hipertrofia muscular ou
treinamento de força é entendida como ganho de massa, ou seja, aumento da massa muscular, pois estes
são trabalhados os músculos isoladamente, que é proporcionado através de um treinamento. Vejamos,
segundo Lambert, a musculação leva ao aperfeiçoamento de força, que é uma das valências físicas que
possuímos. Há outras capacidades físicas envolvidas, mas o foco aqui é a força. Logo, a força muscular
exerce um papel importante para a capacidade funcional, por ser um componente da aptidão física
relacionada à saúde, além disso, é importantíssimo para o desempenho físico em inúmeras atividades
cotidiana ou esportista. Então, podemos perceber que os dois modelos de treinamento andam juntos,
treinamento funcional e musculação estão ligados as suas ações motoras, mas em situações totalmente
diferentes entre peso corporal e máquinas, aumento de volume. Segundo Bossi, (2011) o treinamento
funcional aplicado na musculação traz um método de estímulos musculares para atingir um corpo com
desenho muscular mais atlético, por meio de deslocamentos e movimentos que buscam ser mais próximos
dos vividos diariamente.
De acordo com o professor Sendon, sendo assim, as vantagens que o treinamento funcional apresenta, vão
além dos fatores unicamente trabalhados na musculação. Mas, espere! Não estou dizendo que a
musculação seja um esporte incompleto, muito pelo contrario, sessões de musculação bem feitas são
extremamente completas e valem para todos os músculos. Entretanto, se, podemos aperfeiçoar alguns
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deste que não são o enfoque principal da musculação, então, ainda obteremos mais resultados e
conseqüentemente um melhor desempenho da musculação em si, seja em quesitos de força, estabilidade,
equilíbrio, melhora na respiração, melhora na coordenação motora, melhora da postura dentro e fora do
exercício, formas de execução e também consciência corporal. Vale ressaltar que os programas de
treinamento para hipertrofia muscular exigem variação de estímulos, e os exercícios funcionais podem
essa variação. Portanto, pensando na saúde como em um toda, a inclusão de alguns exercícios funcionais
nos programas de musculação pode ser uma estratégia interessante do ponto de vista fisiológico e
motivacional. (Teixeira, 2009).

2.2Musculação e treinamento funcional caminham juntos


Atualmente, a musculação, ou a musculatura tem um papel muito importantenos sistemas de treinamento
do esportista. Qualquer que seja sua especialidade consagra uma parte mais ou menos importante de seu
tempo de trabalho a musculação. Aliás, os modelos corporais do homem e da mulher são representados
por indivíduos com uma musculatura de forte. O interesse pela musculação foi, portanto, fortemente
reforçado na população. No entanto, o desenvolvimento das qualidades e do volume dos músculos exige
um conhecimento anatômico e fisiológico. (Raymond Thomas, ex- recordista e campeão francês de
atletismo e levantamento de peso, professor na Universidade de Paris x).

Musculação é o conjunto de processos e meios que levam ao aumento e aperfeiçoamento de força


muscular, associada ou não a outra qualidade física. Lambert (1987). A força nunca aparece, nos outros
esportes, de uma forma clara e concisa, mas como uma combinação ou mistura de fatores fiscos de
condicionamento do desempenho. De acordo com a preparadora física Mariana Nascimento, retifica que,
na musculação o objetivo é ganho de força e no treinamento funcional a flexibilidade, velocidade,
resistência e todas as capacidades físicas que possuímos. É fundamental ressaltar que tanto o treinamento
funcional quanto a musculação vão melhorar a qualidade de vida do praticante. Logo, os dois tipos de
treinamento podem caminhar juntos, para algumas pessoas o funcional é mais estimulante, mas a
musculação também precisa ser trabalhada, pois é necessário trabalhar os músculos de maneira especifica
e isolada. Ela esclarece que não há treino melhor que o outro, pode se dizer equivalentes, cada um com
seu propósito, e tanto um quanto o outro vai auxiliar no desenvolvimento corporal dos praticantes.Para
entendermos melhor, a forma que o treinamento funcional pode ter uma aplicação prática e eficaz na
musculação; vejamos um exemplo: um banco de supino reto com um par de halteres de 40 kg em cada
mão. Você deita no banco e executa 8 movimentos em boa forma se grandes dificuldades, agora
imaginemos a mesma situação, mas invés de você estar deitado em um banco plano de supino, você
encontra-se em um banco com angulação de 45°, ou o que chamamos de supino inclinado e com a mesma
carga. O movimento é facilitado ou dificultado? Pela biomecânica do exercício e pelo grau de isolamento
no peitoral, ele será dificultado. Logo, você realizará menos repetições, ou realizará repetições
parcialmente completas ou terá de diminuir o peso. Em outra situação: você, ao invés de realizar o supino
em um banco, seja ele reto ou inclinado, onde você pode ter todo um apoio e suporte, focando no
músculo especifica alvo( apesar de simultaneamente estar trabalhando diversos outros músculos
auxiliares e sinérgicos também), você está em uma bola daquelas de pilattes que toda academia tem. Será
que você se quer conseguiria realizar o movimento com esta carga?
Particularmente duvido! Mas, por que isso ocorre? Simplesmente porque causamos uma desestabilidade
no corpo, forçando-o a trabalhar e ativar outros grupamentos musculares, além, claro do grupamento alvo
principal. Isso faz com que mais energia seja desprendida para o controle, equilíbrio e força, faz com que
você fique menos relaxado e então, através dessa desestabilidade é que começamos a obter certa
estabilidade. Isso fará com que posteriormente isso possa ter algum tipo de aplicação no treino básico com
pesos. O corpo necessita de uma boa oxigenação nos tecidos para continuar com máxima eficiência no
exercício físico. O treinamento funcional pode muitas vezes auxiliar nesse processo, favorecendo um pouco
as condições cardiovasculares do atleta no treino clássico. A aplicabilidade do mesmo também pode
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envolver a readaptação e/ou a recuperação de indivíduos e atletas que se encontram em estado de lesão.
Muitas vezes, esses atletas são impedidos de realizar determinado movimento ou até mesmo podem
realizá-lo, mas sem gerar lá grande sobrecarga. ( Sendon, 2013.)

2.3Dicas para melhorar o desempenho notreino de musculação.


Todos nos passamos por dificuldades em nossas vidas e na musculação não é diferente. Vejamos como
podemos fazer paramelhorar seu desempenho durante os treinamentos com pesos. (Sendo, 2013)
professor na confederação brasileira de esporte e lazer. Inúmeros aspectos podem interferir um
treinamento, mas tomando os devidos cuidados e levando em consideração a individualidade biológica, os
problemas podem ser driblados, continuando a obter bons resultados no processo de ganho de massa ou
perda de gorduras.
Dieta: A dieta é fator primordial para um bom desempenho dentro da academia. Sem uma dieta
equilibrada que forneça quantidades interessantes, é difícil ou impossível não ficar indisposto, ter queda
de rendimento.
Descanso adequado: O descanso é tão importante quanto o treinamento propriamente dito. Sem um
descanso adequado, fica difícil ter não só a recuperação muscular quanto à síntese das mio fibrilas
musculares, quanto à síntese de glicogênio e até mesmo recuperação de articulações, tendões e outros.
Muitos costumam treinar o mesmo músculo duas, até três vezes em uma semana, isso não é
recomendado. Temos que ter cuidado também com a periodização e não treinarmos com a mente
cansada, pois às vezes subestimamos o poder da mente e a capacidade que a mesma tem de interferir em
estados físicos, por isso, evite treinar aparentemente cansado.

2.4 Os benefícios de se treinar musculação.


Segundo o professor ( Marcelo Sendon,2013) veremos os principais benefícios que a musculação traz para
a saúde. A musculação é uma atividade física que trabalha dando ação aos músculos. Como já sabemos, os
músculos são órgãos capazes de “expandir” e “encolher”, sendo responsáveis pelo movimento do corpo
humano. Dessa forma, os músculos transmitem os seus movimentos aos ossos, formando o sistema do
aparelho locomotor. Portanto, a musculação geralmente utiliza pesos nos treinos. Embora não seja
considerado um esporte, a musculação é um importante instrumento para a manutenção da saúde e do
condicionamento físico do praticante, seja ele atleta ou não.

Os principais benefícios da musculação são:


Aumento da massa muscular;
Reduz a gordura corporal;
Mantém a pele esticada em caso de emagrecimento e envelhecimento;
Aumenta a densidade óssea;
Alivia os sintomas da artrite.
Previne dores nas costas e melhora a postura;
Eleva a taxa metabólica;
Melhora a circulação e pode diminuir a pressão arterial.

Objetivos
Os objetivos deste estudo são:
Conceituar o treinamento funcional e a musculação.
Analisar se o treinamento funcional pode ter uma aplicação eficaz para o praticante de musculação e de
que formas.
Explicar como você pode melhorar seu desempenho no treino de musculação.
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Mostrar os benefícios de se treinar musculação.

Materiais e métodos
Amostra
O presente estudo visa analisar se o treinamento funcional pode estar aplicado na execução dos exercícios
de musculação, quais são as dicas para se melhorar no treinamento com peso e os benefícios que a
musculação traz para a saúde, é claro, este estudo foi realizado com base em conhecimentos científicos e
orientação de professores e profissionais da área.
Materiais utilizados
Para melhor desenvolvimento da pesquisa foram utilizados e selecionados: livros, apostilas, opiniões de
especialista e autores a respeito do assunto.
Instrumentos empregados
A técnica utilizada neste artigo é a pesquisa bibliográfica, que abrange toda a bibliográfica já tornada
publica em relação ao tema estudado, desde publicações avulsas e pesquisas de opiniões de professores,
treinadores, e educadores físicos.
Procedimentos realizados
O presente artigo foi realizado em base de dados científica, apostilas atualizada se orientação de
profissionais especializados como: Guia de treinamento da confederação brasileira de esporte e lazer,
treinamento funcional na musculação de Bossi, entre outros.
Tratamento estatístico
A hipótese estatística é um procedimento no qual, nos permite decidir, com base em informações obtidas
na pesquisa experimental. Porém, o estudo apresentado neste trabalho se caracteriza como pesquisa
bibliográfica.

Resultados
Conforme a pesquisa realizada, obtivemos um resultado positivo com relação à aplicabilidade do
treinamento funcional na musculação, com base é claro em estudo científicos já citados acima. Acredita-se
que não existe treino melhor que o outro, mas cada um com seu propósito. Constatou-se que o
treinamento funcional pode auxiliar no processo de treino na musculação, favorecendo um pouco as
condições cardiovasculares do atleta no treino, esta aplicabilidade também acontece na readaptação e/ou
recuperação de indivíduos que se encontram em estado de lesão.

Discussão
O objetivo deste artigo é discutir a relevância do treinamento funcional nos programas de treinamento de
força, de acordo com os conceitos descritos e os resultados obtidos através das pesquisas realizadas,
podemos afirmar que tanto o treinamento funcional quanto a musculação podem ser exploradas juntas,
no entanto o treinamento funcional inserido na musculação traz um método de estímulos musculares
especifico já o funcional trabalha o corpo todo. Observou-se nesse estudo com base na revisão literária
que o treinamento funcional pode ter sim, uma aplicação eficiente no treino de musculação e os benefícios
que a mesma traz para a saúde. Embora, muitas pessoas prefiram o funcional por acharem ser mais
estimulante e motivante, mas a musculação precisa também ser praticada, porque são necessários que se
trabalhem alguns músculos de maneira especifica. Lembramos que a musculação é muito eficiente para
hipertrofia, que não é o objetivo do funcional.

Considerações finais
Perante as informações obtidas na pesquisa podemos concluir que o treinamento funcional e a
musculação possuem benefícios e podem ser exploradas juntas, foram citados,educadores físicos e autores
adeptos a respeito do assunto com o objetivo de esclarecer as dúvidas, e inclusive recomendam a prática
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dos dois métodos em paralelo, para garantir condicionamento físico, força, potência e definição muscular.
Portanto, os principais objetivos analisados foram: De que forma o funcional está inserido na musculação,
quais são seus benefícios e como melhorar o desempenho no treinamento de peso.

Referências bibliográficas
BOSSI LC. Treinamento funcional na musculação:São Paulo: Phorte 2011.
CAMPOS, Mauricio de Arruda; CORAUCCI Neto, Bruno. Treinamento funcional resistido. Rio de Janeiro:
Revinter, 2004.
MONTEIRO AG, EVANGELISTAAL. Treinamento funcional: uma abordagem prática. São Paulo: Phorte,2010.
NASCIMENTO, Mariana. Preparadora física. Artigo relacionado Movimente-se. Rio de Janeiro, 2014.
RAYMOND Thomas, ex- recordista e campeão francês de atletismo e levantamento de peso, professor na
universidade de Paris x.
SENDON, Marcelo. Orientador físico. Apostila, Guia de treinamento super completo, da confederação
brasileira de esporte e lazer, 2013.

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LEI DE INCENTIVO COMO INSTRUMENTO DE ACESSO DEMOCRÁTICO AO


ESPORTE

SANTOS, E.L.5PINHEIRO, I.V.Q.6MELO,E.L.7


RESUMO
Em diversos países, a estrutura organizacional voltada ao desenvolvimento das modalidades esportivas é
definida por programas de esporte desenvolvidos nacionalmente. Este trabalho tem como objetivo analisar
as regiões que mais captaram recursos através da Lei de Incentivo ao Esporte ecomparar as modalidades
esportivas mais contempladas pela lei. Foi analisada, em especial, a Lei de Incentivo ao Esporte e as ações
de órgãos governamentais e/ou entidades nacionais do esporte de alto nível. Verificou-se que o país possui
ações isoladas oriundas do COB e do Ministério do Esporte,que não existe priorização na aplicação dos
recursos financeiros nas modalidades com chances reais de medalhas e a existência de ações do COB em
relação à formação de gestores e técnicos e que a participação da representação de atletas nas entidades
nacionais de esporte ainda é bastante restrita e recente.

Palavras-chave: Organização esportiva; Políticas esportivas; Esporte de


rendimento.
ABSTRACT
In several countries, the organizational structure dedicated to the development of sports is defined by
sports programs developed nationally. This work aims to analyze the regions that raise funds by law to
encourage the sport; compare the sports most contemplated by the law. Was examined in particular the
law of incentive to sports and the actions of government bodies and / or national high-level sports entities.
It was found that: the country has isolated actions from the COB and the Ministry of Sports; there is no
prioritization in the use of financial resources in the forms with real chances of medals; there COB's actions
in relation to the training of managers and technicians, and the participation of representative athletes in
the sport of national authorities is still very limited and recent.
keywords: Sport organization; Sport policy; Elite Sport.

INTRODUÇÃO
O que levou o aluno pesquisador a investigar o tema e montar talproblematizaçãodeveu-se a pesquisas de
interesses particulares, cujo objetivo consistiu em mostrar que a Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) não é tão
democrática comoo que descreve a Constituição brasileira.Desta forma, podemos perguntar de que modo
estão distribuídos os recursos destinados aos projetos desportivos através da mesma no Brasil.
Este trabalho tem, portanto, como objetivo analisar as regiões que mais captaram recursos através da
lei,comparar as modalidades esportivas mais contempladas pela lei eidentificar o número de projetos
aprovados no tocante às manifestações desportivas.
A referida pergunta caracteriza-se como uma adequada justificativa para a elaboração do presente
trabalho de pesquisa.Além disso,serão expostos alguns fatoresde grande relevância, os quais apresentam
um conhecimentoreal tanto para o aluno pesquisador como para a pesquisa em si, podendo, com isso,
serem utilizados como fonte de pesquisa em trabalhos posteriores que estejam relacionados a uma mesma
linha de investigação.Assim,um dosobjetivos do pesquisador consiste emrealizar uma análise acerca das
regiões do Brasil onde secaptam maiores recursos, em desfavor das outras.

5
Graduado em Educação Física, UVA. Sobral, CE emersonlucas.edfisica@hotmail.com
6
Graduada em Educação Física, UNIFOR, Fortaleza, CE
7
Orientador. Mestre em Políticas Públicas UECE. Fortaleza - CE
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Investigar-se-áse a lei possui de fato um viés democratizante e quais ostipos de lacunas que se encontram
abertas,de modo afavoreceralguns em detrimentode outros, uma vez que para o direito social o Estado
possui como dever fomentar as práticas desportivas caracterizadas como formais e não formais, bem como
conceder autonomia, cuja definição consistena faculdade de as pessoas físicas e jurídicas se organizarem
por si mesmas com relação à prática desportiva;a qualidade, assegurada pela valorização dos resultados
desportivos, educativos e dos que estão voltados à cidadania e ao desenvolvimento físico e moral; a
descentralização, consubstanciada na organização e no funcionamento harmônico de sistemas desportivos
diferenciados e autônomos a níveis federal, estadual, distrital e municipal; a eficiência, obtida por meio do
estímulo à competência desportiva e administrativa (BRASIL, 1998).
A partir disso,serão apontadas as diversas ações dos governos federais desenvolvidas no sentido de
destinar recursos para o esporte nas três manifestações. No que se refere ao desporto de rendimento, os
patrocínios oriundos da iniciativa privada e de empresas estatais têm tido papel relevante para o
desenvolvimento das diferentes modalidades,destacando-se aqui o esporte olímpico.Vale lembrar,
portanto, que a Lei nº 10.264 (BRASIL, 2001) destina recursos oriundos da loteria esportiva para os
comitêsolímpico e paraolímpico, contemplando também o esporte escolar e o universitário.É necessário
pontuar também que o Ministério do Esporte destina recursos para que os municípios desenvolvam
programas voltados para oesporte e lazer, também conhecido como desporto de participação.Oesporte
educacional, por sua vez, tem sido fomentado com programas específicos através de recursos federais.

2 LEI DE INCENTIVO AO ESPORTE: CONTEXTO HISTÓRICO

Segundo Rezende, o esporte no Brasil passou a ter um viés organizado e institucionalizado a partir de
1939, por meio do Decreto-Lei nº 3199, que criou o Conselho Nacional de Desportos (CND), ligado ao
Ministério da Educação, cujas atribuições eram de orientar, fiscalizar e incentivar a prática no país. Durante
a Ditadura Militar, sancionou-se a lei 6.251, em substituição ao Decreto-Lei nº 3.199/41, a qual delegou ao
Ministério da Educação e Cultura a elaboração do Plano Nacional de Educação Física e Esporte, definindo
como quatro as manifestações esportivas, a saber: educacional, classista, militar e comunitária, cujo intuito
era o de aumentar o nível esportivo nas diferentes manifestações.
Conforme a Constituição Federal de 1988, o esporte passou a ser considerado um direito de todo cidadão
e ao Estado coube o papel de estimulá-lo. Em 1998, a Lei nº 9.615 dividiu em três as manifestações
esportivas: desporto educacional, desporto de participação ou de lazer e desporto de rendimento. O então
presidente Lula sancionou a Lei nº 11.438 de 29 de dezembro de 2006, regulamentada através do Decreto
nº 6.180, denominada Lei de Incentivo ao Esporte (LIE 2013).
Com o surgimento da LIE8, abriu-se uma grande oportunidade para o fomento de projetos desportivos no
âmbito do esporte educacional, de participação e de rendimento, embora seja dever do Estado garantir
constitucionalmente o direito à sua prática. A lei garante que entidades sem fins lucrativos, como
associações, Organizações Não Governamentais (ONGs) e institutos executem projetos nas mais variadas
modalidades esportivas. (BRASIL, 2007)
O Decreto nº 6180 de 03 de agosto de 2007, em seu art.3º, considera:

8
A Lei Federal de Incentivo ao Esporte (lei 11.438/06, regulamentada pelo Decreto nº 6.180/07), efetivo instrumento
de financiamento esportivo, que possibilitou o acréscimo de milhões de reais ao segmento, em projetos distribuídos
por todo o território nacional. A Lei de Incentivo ao Esporte é um importante instrumento de efetivação de direitos
sociais, pois prevê a possibilidade de pessoas físicas e jurídicas destinarem uma parcela do imposto de renda devido
em benefício de projetos esportivos e paradesportivos elaborados por entidades do setor, estimulando, assim, uma
participação mais efetiva de todos os entes sociais, por intermédio de ações diversas, engajados em um trabalho
conjunto entre governo e sociedade.
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I – projeto desportivo: o conjunto de ações organizadas e sistematizadas por entidades de natureza


esportiva, destinado à implementação, à prática, ao ensino, ao estudo, à pesquisa e ao desenvolvimento
do desporto, atendendo a pelo menos uma das manifestações desportivas previstas no art. 4º [...] (BRASIL,
2007).

Entretanto, anterior ao seu surgimento, o projeto de lei (PL) n° 1367/03 que tramitava no congresso e que
lhe deu origem enfrentou muitos choques de ideias no que tange ao modelo a ser adotado. Encaminhou-
se, ao presidente da república, um texto substitutivo, PL nº 6999/06, responsável por dar um fim às
dificuldades impostas ao projeto anterior. Esse encaminhamento aconteceu devido à abertura da II
Conferência Nacional do Esporte, em maio de 2006.
Dias afirma que diante dos questionamentos acerca do modelo a ser adotado, o que acabou prevalecendo
foi o apresentado pelo governo, semelhante à Lei Rouanet - Lei de Incentivo à Cultura. Sua adoção gerou
várias polêmicas, especialmente entre a classe artística, que se mobilizou contra, uma vez que desejavam
evitar a formação de uma disputa pelos benefícios provenientes dos incentivos fiscais destinados às suas
iniciativas. (ALMEIDA 2008)
A referida lei prevê que pessoas físicas e jurídicas destinem uma parcela do imposto de renda devido a
projetos desportivos elaborados por entidades que façam parte do setor, de modo a beneficiá-los,
mediante aprovação de uma Comissão Técnica Especializada.
De acordo com o exposto no Decreto nº 6180/07, art. 6º, compete à comissão técnica da Lei de Incentivo
ao Esporte: a avaliação e a aprovação dos projetos apresentados ao Ministério do Esporte (ME, 2009).
Com relação aos membros que compõem a comissão esse mesmo decreto ressalta:

Art.7º A Comissão Técnica será composta por seis membros, sendo:


I - três representantes governamentais, indicados pelo Ministro de Estado do Esporte; e.
II - três representantes dos setores desportivo e para desportivo, indicados pelo Conselho Nacional do
Esporte.
§ 1o Compete ao Ministro de Estado do Esporte designar os integrantes da Comissão Técnica.
§ 2o O presidente da Comissão Técnica será designado pelo Ministro de Estado do Esporte entre os
representantes governamentais.
§ 3o O presidente da Comissão Técnica terá direito, além do voto comum, ao voto de qualidade.
§ 4o O Ministério do Esporte disponibilizará à Comissão Técnica a estrutura e o apoio necessários ao bom
desenvolvimento dos trabalhos.
§ 5o A participação na Comissão Técnica será considerada prestação de serviço público relevante, não
remunerada. [...] (BRASIL, 2007)

Por fim, é necessário ressaltar que o melhor uso da Lei de Incentivo ao Esporte remete ao seu contexto de
utilização e à percepção de um melhor direcionamento, como também às dificuldades e possíveis
ameaças. Está clara a noção do papel de cada um no seu processo de execução que é imprescindível.

2.1LEI DE INCENTIVO: UM INSTRUMENTO DEMOCRÁTICO?

Desde o ano de 2007, a LIE permite que Entidades Esportivas, Associações, ONGs e Clubes possam
apresentar projetos desportivos em três dimensões: educacional, de participação e de rendimento,
financiados com recursos provenientes da renúncia fiscal, ou seja, 1% do imposto de renda devido à
pessoa jurídica e 6%, à pessoa física. Os proponentes terão que apresentar os projetos desportivos junto
ao Ministério do Esporte, a fim de serem avaliados, aprovados e publicados no Diário Oficial da União.
(BRASIL, 2007)
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Nos últimos oito anos, R$ 4,2 bilhões foram concedidos através de incentivos ficais, porém foi captado
somente R$ 1,4 bilhão neste período. Ou seja, a título de comparação, para cada 04 reais destinados,
somente 01 real foi captado de fato. Apesar da disparidade percebida entre os valores aprovados e os
captados, o ME considera o que se aprovou como algo positivo, visto que, desde 2007, houve um aumento
dos valores captados, tendo em vista um aumento das entidades proponentes.
O ME considera que a LIE é de fundamental relevância para a política pública do esporte, visto que se
caracteriza como uma fonte de financiamentos a atletas, clubes e organizações esportivas nos últimos 12
anos, desde que o ministério foi criado.
De acordo comBrasil(2007), consultor legislativo do Senado Federal, a LIE apresenta falhas em decorrência
da baixa arrecadação. O mesmo aponta que a Lei inicialmente teve sua aprovação com base na Lei de
Incentivo à Cultura, destinando 4% de incentivos para as pessoas jurídicas ecom uma posterior redução
para 1% por meio de uma medida provisória.
Além disso, o especialista citado anteriormente apontou falhas apresentadas pela LIE no tocante à
prestação de contas das entidades beneficiadas. Tais falhas estariam relacionadas à questão da
transparência na aplicação dos recursos nos projetos. “Não há porque ocultar os projetos é preciso
mostrar a eficácia dos mesmos expondo os resultados obtidos, e as metas alcançadas é o que se faz
necessário, e que não são pensados pelos gestores e entidades esportivas desses projetos no Brasil”,
explica.
Com relação à questão da não democratização da LIE, houve uma grande concentração de recursos
captados no seguimento do desporto de “rendimento’’, cujo objetivo maior consiste em obter grandes
resultados nas modalidades esportivas de mais evidência no cenário do esporte brasileiro”. Destaca-se,
nessa manifestação, o atleta de alto rendimento ou o atleta em formação.
Segundo o Ministério (2009),os eventos denominados de alto rendimento garantem maior visibilidade às
empresas e suas respectivas marcas, sendo, com isso, os mais procurados pela classe empresarial. Exatos
R$ 2,9 bilhões tiveram aprovação para captação nesta manifestação desportiva, ao contrário das demais,
como no desporto de participação (esporte como lazer) e no educacional (esporte atrelado à escola), que
se apresentam com grande distância da referida realidade. Nota-se, diante do exposto, que, nos últimos
anos, a formação de novos atletas de alto rendimento estimulou a prática dessas modalidades, o que é
considerado algo positivo pelo ME, embora venha sendo constatada uma maior necessidade de estímulos
para o desenvolvimento em sua base.
Em contrapartida, é bastante claro que há uma grande preocupação em destinar uma maior quantidade de
recursos aos esportes considerados de alto rendimento em detrimento de investimentos nos desportos de
participação e educacional, visto que os mesmos conferem pouca visibilidade às empresas patrocinadoras,
na maioria das vezes atreladas à mídia, acarretando uma discrepância nos investimentos, em virtude da
falta de interesse em patrocinar projetos desta natureza.

3MATERIAIS E MÉTODOS:
O presente estudo é caracterizado como descritivo e explicativo, uma vez que pretende expor as
características do fenômeno estudado a partir da análise de informações documentais.
As informações referentes à aplicação da Lei de Incentivo ao Esporte foram levantadas nas atas das
reuniões da Comissão Técnica e no Diário Oficial da União (DOU). No período de 2016,estão
disponibilizadas no site do Ministério do Esporte (BRASIL, 2009). A partir da leitura dos documentos
realizada pelopesquisador, foram levantados dados referentes ao número de projetos encaminhados à
Secretaria do Ministério e apreciados pela Comissão, na condição de aprovados ou rejeitados, o montante
aprovado e o captado.

4RESULTADOS:
De acordo com dados levantados pelo Ministério do Esporte, entreos anos de 2007 e 2014, verificou-se
que os projetos relacionados ao esporte de alto rendimento foram os que apresentaram número superior
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frente ao de participação e educacional, com as seguintes taxas em termos percentuais: 27% para os
educacionais; 23% para os de participação e 50% para os de alto rendimento. No gráfico a seguir, pode-se
verificar o número de projetos apresentados nos períodos citados.

Figura 1 - apresentada por manifestação desportiva

Fonte: ME/SE/DIFE – SLIE – 27/03/2015

Com base no gráfico apresentado, é possível constatar que no ano de 2014 houve um aumento
significativo de projetos apresentados na manifestação de rendimento se comparado às demais nos
períodos iniciais da LIE. Nos anos posteriores, constata-se uma pequena redução no número dos mesmos,
porém são os que predominam.
Com relação ao que foi captado entre os anos de 2008 a 2014, percebem-se diferenças, ou seja, os
projetos de alto rendimento foram os que mais receberam recursos por meio da referida lei. O gráfico
abaixo ilustra essa afirmação:

Figura 2-Captação por manifestação desportiva

Fonte: ME/SE/DIFE – SLIE – 27/03/2015

4.2 LEIS DE INCENTIVO E CAPTAÇÃO POR REGIÕES

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Mediante os dados divulgados pelo ME, em primeiro lugar, com 82% dos valores captados, através da LIE,
aparece a região Sudeste. Em segundo lugar, a região Sul, onde foramcaptados 11%, seguida do Centro-
Oeste e Nordeste, captando, cada uma, 3%. A região Norte, por sua vez, contou apenas com 1% do valor
captado.

É possível identificar claramente, conforme o exposto no gráfico a seguir, que a LIE, conforme o estatuto,
ainda não constitui uma forma de democratização do esporte no Brasil, se tomarmos como referência
projetos nos âmbitos educacionais e de participação. Verifica-se uma imensa concentração de captação de
recursos, em algumas regiões, e de certas modalidades esportivas, bem como de organizações e entidades
específicas que pouco contribuem para as demais manifestações desportivas contempladas pela lei.

Figura 3 - Captada por Região no Acumulado de 2014

Fonte: ME/SE/DIFE – SLIE – 20/02/2015

5DISCUSSÃO:
Segundo Rezende 2005(Lei nº 6.251/75), no período inicial da aplicação da Lei de Incentivo ao Esporte, o
volume de projetos submetidos à análise da Comissão Técnica pode sinalizar a dificuldade inicial
encontrada pelas organizações na elaboração e encaminhamento, ou ainda, por parte de alguns setores, o
seu desconhecimento.
Uma possível análisepode assegurar que os proponentes representantes da manifestação de desporto de
rendimento tendem a apresentar uma maior receptividade no tocante às pessoas físicas e jurídicas
dispostas a destinar parte do seu Imposto de Renda a projetos esportivos que, em princípio, contam com
maior visibilidade na sociedade.
Visto que só podem ser aprovados projetos que estejam submetidos à análise, o cenário exposto neste
estudo sinaliza para um conhecimento mais efetivo da LIE por parte dos proponentes ligados ao desporto
de alto rendimento, uma vez que é possível perceber que os mesmos submeteram grandes números de
projetos, pleiteando, dessa forma,um montante superiordo total de verbas, ao captarem, em números
absolutos, maiores quantidades que as outras manifestações.
Noentanto, quando se analisa a razão entre os valores captados e os valores aprovados, os projetos de
desporto educacional mostram a mesma efetividade na captação dos recursos, enquanto que os de
participação (esporte e lazer) parecem ser menos efetivos.

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Uma explicação possível reside no fato de que os projetos relacionados ao esporte e lazer já são
contemplados com verbas do Programa Esporte e Lazer da Cidade, do Ministério do Esporte, e de que
diversas modalidades não olímpicas não se beneficiam com verbas distribuídas pelos comitês olímpicos e
paraolímpicos brasileiros.Lei nº 10.264 (BRASIL, 2001)

CONCLUSÃO

Diante da investigação realizada em torno do tema em estudo, conclui-se que a criação de um


departamento voltado para o desporto é de suma importância, visto ser necessária a existência adequada
e eficiente de uma fiscalização das práticas relacionadas ao mesmo, tal como: análise de projetos,
execução, avaliação da prestação de contas, dentre outras, além de incentivos voltados para projetos
desportivos em geral.
A Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) surge a partir dessas preocupações e tem seu embasamento
proveniente das considerações da Constituição de 1988 acerca do desporto, a qual afirma ser ele um
direito de todos, ou seja, um direito universal. Vale dizer que, a partir da LIE, abriu-se um leque de
oportunidades para a criação de projetos caracterizados como educacionais, de participação e de
rendimento. A LIE veio assegurar, dessa forma, que o direito de acesso ao esporte, em sua prática,
constitui dever do Estado, sem a exclusão das associações, ONGs e institutos, os quais também teriam
direito à execução de projetos nesse sentido.
Embora a Lei de Incentivo tenha surgido com o fim de democratizar e universalizar o acesso dos indivíduos
à prática do esporte percebe-se uma incoerência, ou seja, um distanciamento de sua proposta com relação
à maneira de sua execução. Tal incoerência impossibilita que a lei tenha de fato um caráter democrático.
Essa impossibilidade de democratização pode ser percebida a partir da realidade vivenciada, apontada nos
gráficos expostos na pesquisa, os quais denunciam que há, por exemplo, uma preocupação maior em
investir nos projetos denominados de rendimento, em detrimento dos demais, uma vez que a visibilidade
alcançada pelo esporte de rendimento, tanto para os atletas como para aqueles que o financiam, é
considerada fator preponderante. Outro ponto observado está relacionado à captação dos recursos, por
meio da referida lei, no tocante às regiões. Percebe-se que a região Sudeste, por exemplo, captou, em
maior número, os recursos em comparação com as outras regiões do país.
Por fim, é imprescindível que haja uma maior conscientização por parte daqueles que estão à frente de tais
projetos, tanto no setor público como por parte das entidades desportivas e dos possíveis e futuros
apoiadores (pessoas físicas ou jurídicas), cujo objetivo maior será o de uma efetiva execução. Deve-se
evitar, portanto, que o viés democrático próprio da lei permaneça apenas como uma idealização, sem o
alcance da sua consequente concretude.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:
ALMEIDA, S., N. Reflexões sobre a nova Lei de Incentivo à Pesquisa. In: Anais... XVII Congresso Nacional do
CONPEDI. 2008, Brasília, 2008.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Brasília 1988. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 30 mar. 2010.
______. Lei. n. 9.615, de 24 de março de 1998. Institui normas gerais sobre desporto e dá outras
providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 30 mar. 2010.
______. Lei n. 10.264, de 16 de julho de 2001. Institui normas gerais sobre desportos e dá outras
providências. Disponível em: http://www.senado.gov.br/sicon. Acesso em: 30 mar. 2010.
______. Lei n. 11.438, de 29 de dezembro de 2006. Institui o incentivo fiscal a projetos desportivos.
Disponível em: http://www.senado.gov.br. Acesso em: 30 mar. 2010.
______. Ministério do Esporte. Atas das reuniões da Comissão Técnica. Disponível em:
http://portal.esporte.gov.br/leiIncentivoEsporte/reunioes. jsp, acesso em: 30 out. 2009.

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DIAS, H. P.; BASTOS, F. C. Analysis of the brazilian sports incentive program. In: Program & Book of
Abstracts. 13th Annual Conference of the German Sports Economics Association.Sports and Urban
Economics.Berlim-Alemanha, May, 8th and 9th, 2009.
DIAS, H. P. Legislação Desportiva Brasileira: antecedentes e análise da Lei de Incentivo Fiscal. Monografia
Bacharelado em Esporte. Escola de Educação Física e Esporte Universidade de São Paulo. 2007.
MANUAL COMPLETO DA LEI DE INCENTIVO AO ESPORTE 4° Edição Editora, All Print, 2013

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ANÁLISE QUALITATIVA DA COMPARAÇÃO ENTRE OS ÂNGULOS DE CINCO


MOVIMENTOS NO MOMENTO DA PEDALADA.

GARANTIZADO, A.L

1 - Pós-Graduação ENAF/Desenvolvimento Serviços Educacionais – Manaus - Brasil. 2 - Orientador: Msc.


Jansen Atier Estrazulas – Uninorte Laureate Internacional Universities – Manaus- Brasil.
personal_garantizado@hotmail.com

RESUMO:O objetivo desse estudo foi de comparar o nível de amplitude articular num ciclo de pedalada
entre dois sujeitos, onde o primeiro é estudante de educação física e o segundo atleta de alto rendimento.
Para a avaliação foi utilizado uma espuma de poliestireno (isopor) para a marcação dos pontos anatômicos
do membro inferior direito (trocanter maior do fêmur, epicôndilo lateral do fêmur, maléolos lateral fíbula),
utilizando a bicicleta de marca (moviment) para a realização do movimento da pedalada na posição sagital,
sendo captada por uma câmera filmadora digital bidimensional da marca (SONY), A câmera foi posicionada
perpendicularmente ao plano de movimento, a uma distância de aproximadamente 3m. Segunda parte
utilizando o software sapo para verificar a medida dos ângulos do segmento quadril/horizontal,
coxa/perna, em seguida com os ângulos medidos, será feito a modelos espaciais do sujeito em um
programa comum (microsft Powerpoint).Os erros no posicionamento
encontradospodemestarrelacionadosaotempodepráticadecada sujeito. Assim, através deste estudo
verificou-se que a posição do ciclista 1 na bicicleta é afetada simultaneamente por um conjunto de
variáveis biomecânicas, que pelo fato de interagirem num sistema fechado, com vários graus de liberdade,
onde as extremidades estão fixas, qualquer mudança numa ou mais variáveis afeta as restantes duma
forma por vezes pouco previsível.

Palavras-chave: Amplitude de movimento; ciclistas; bicicletas.


ABSTRACT: The objective of this study was to compare the level of range of motion in a pedaling cycle
between two subjects, where the first is a student of physical education and the second high-performance
athlete. For the evaluation we used a polystyrene foam (Styrofoam) for marking the anatomical points of
the right lower limb (greater trochanter of the femur, femoral lateral epicondyle, lateral malleolus fibula),
using the bicycle mark (moviment) for the realization of movement of the pedal stroke in the sagittal
position, being captured by a camera-dimensional digital camera brand (SONY), the camera was positioned
perpendicular to the plane of motion, at a distance of about 3m. Part sapo using the software to check the
measurement of the angles of the hip segment / horizontal, thigh / leg, then with the measured angles, will
be the spatial models of the subject in a joint program (microsft Powerpoint). Errors found in positioning
may be related to practice time of each subject. Thus, through this study it was found that the cyclist 1
position on the bike is affected simultaneously by a number of biomechanical variables, the fact interact in
a closed system with several degrees of freedom, where the ends are fixed, any change in or more
variables affects the other in a way

Keywords: Range of motion; cyclists; bicycle.

INTRODUÇÃO

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A influência da postura na bicicleta no conforto, o rendimento e a prevenção de lesões no ciclismo tem


sido temáticas estudadas na última década (Rodano et al., 2002; Salai et al.,1999; Diefenthaeler et al.,
2008; Potter et al., 2008; Bressel et al., 2005; Akuthota et al., 2005).
A bicicleta é o veículo mais utilizado no mundo, sendo também o que mais cresce em número de
usuários, tanto com objetivo de lazer, treinamento físico,reabilitaçãooupráticacompetitiva1.Relacionado à
prática do ciclismo, o posicionamento ideal para maximização do conforto e do desempenho tem sido
bastantediscutido,principalmentequandoseobservam diferentesmodalidades.
O ciclismo tem se desenvolvido notavelmente nas últimas décadas. No âmbito esportivo, de alto
rendimento e preocupações diversas, questões como a posição tomada pelo atleta na bicicleta, até
acessórios como pedais, freios, assentos, pneus, entre outros, tem intrigado pesquisadores e forçados a
buscar soluções para as perguntas acerca das respostas fisiológicas e mecânicas para as alterações na
carga de trabalho e/ou na produção de energia, bem como dos efeitos da posição do corpo e configuração
do quadro sobre desempenho (Gregor,2000).
A discussão sobre modelos biomecânicos para a extremidade inferior durante o ciclismo geralmente
enfocam o movimento rítmico das pernas, operando em alguma escala "ótima" de movimento projetado
para produzir o máximo de benefício partindo das propriedades mecânicas dos músculos envolvidos, como
exemplo, músculos esqueléticos nas extremidades inferiores utilizados para dar potência à bicicleta
(Gregor, 2000).
A técnica da pedalada do ciclista é também um aspecto biomecânico a considerar é tida como uma
característica pessoal que depende de fatores fisiológicos e biomecânicos. Entre as variáveis mecânicas
mais importantes estão: a antropométrica corporal; a configuração do complexo ciclista-bicicleta; e a
cadência de pedalada. As variáveis supracitadas estão intimamente relacionadas podendo gerar influência
entre si. Por exemplo, o comprimento dos segmentos corporais (coxa, perna e pé) e os alinhamentos
articulares dos membros inferiores influenciam diretamente na regulação da altura do selim, bem como na
amplitude da adução e abdução da articulação do quadril durante a pedalada (Hull; Ruby, 1996).
Gregor (2000) reitera que ao se fazer um levantamento de pesquisas sobre a cinemática do ciclismo, nota-
se que a maioria das pesquisas considera apenas movimentos no plano sagital, de flexão e extensão do
quadril e joelho e de flexão plantar e dorsal do tornozelo.
Analisando a pedalada no plano sagital, Faria & Cavanagh (1978) reportaram um deslocamento angular
total, durante um ciclo da pedalada de 45º para a coxa, 75º para o joelho. Já Rugg & Gregor (1987),
demonstraram o efeito das alterações da altura do assento sobre a escala de movimento do quadril e do
joelho à medida que é variada a altura de 100% para 115% da altura da cintura pélvica (a altura medida a
partir da sínfise púbica até o solo).
A busca por analisar a amplitude articular e comparar dois indivíduos um não treinado e um treinado para
ver a angulação da articulação entre o ponto da flexão do quadril com a horizontal e flexão do joelho,
proporcionar um melhor trabalho da pedalada do individuo não treinado.

MATERIAIS E MÉTODOS

A escolha do primeiro sujeito analisado;um praticante de exercício regulares sendo que o mesmo é
acadêmico de educação física, onde seu dados são: Sujeito 1 praticante de atividades físicas 3 vezes por
semana durante 1 hora, idade 30 anos, altura 1,77, peso 81,0 kg; o sujeito 2 e um atleta de alto nível com
idade ± 38 anos , altura 1,85, peso de 80 kg, também por mostra melhor nível de articulação na pedalada
são itens importante da amostra. A análise do estudo é descritiva onde mostra dados comparativos de
probabilística sendo que possui parte qualitativa para que haja uma comparação da amplitude articular
dos sujeitos 1 e2.

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Órgão de divulgação científica

Foi utilizada uma câmera filmadora da marca (SONY) para a captação do movimento; marcadores corporais
nos pontos anatômicos; executado o movimento em uma bicicleta da marca (moviment); o programa
utilizado para analise dos ângulos foi o software sapo; local da coleta no laboratório deBiomecânica.
A coleta de dados com 1 sujeito não sedentário foi feito dentro do laboratório de biomecânica, o sujeito
ficou com um roupa adequada para a coleta. Onde foi usada espuma de poliestireno (isopor) para a
marcação dos pontosanatômicosdereferênciautilizadosparaocálculodasvariáveis cinemáticas de
interesse foram estes: (1) trocânter maior direto; (2) epicôndilo lateral do femur direito; (3)
maléolo lateral direito.
A partir da diferenciação das posições dos pontos mencionados acima,foi possível determinar as
variáveis angulares dos segmentos de interesse com ajuda de iluminação direcionada sobre os
marcadores e refletida na direção da câmeradevídeo,somadaaosrecursosdebrilhoecontraste.
Utilizando a bicicleta de marca (moviment) para a realização do movimento da pedalada na posição
sagital, sendo captadapor uma câmera filmadora digital bidimensional da marca (SONY), A câmera foi
posicionada perpendicularmente ao plano sagital de movimento, a uma distância de aproximadamente
3m, permanecendo estacionaria durante todo o experimento. Segunda parte utilizando o software sapo
para verificar a medida dos ângulos do segmento quadril/horizontal, coxa/perna, em seguida com os
ângulos medidos, será feito a modelos espaciais do sujeito em um programa comum (microsft
Powerpoint).
RESULTADOS

Foi analisado a amplitude articular do membro inferior direito. Os resultados obtidos com a análise
qualitativa da comparação entre os ângulos de cinco movimentos no momento da pedalada:
Tabela 1
SUJEITO - 1 SUJEITO - 2
Foto - 1/ Sujeito – 1 Ângulos Foto - 1/ Sujeito - 2 Ângulos
Horizontal/quadril 9,9º Horizontal/quadril 9º
Quadril/joelho 70,4º Quadril/joelho 62,7º
Foto - 2/ Sujeito – 1 Foto - 2/ Sujeito - 2
Horizontal/quadril 23,7º Horizontal/quadril 43º
Quadril/joelho 105,4º Quadril/joelho 117,1º
Foto - 3/ Sujeito – 1 Foto - 3/ Sujeito - 2
Horizontal/quadril 43,5º Horizontal/quadril 63,5º
Quadril/joelho 129,2º Quadril/joelho 146º
Foto - 4/ Sujeito – 1 Foto - 4/ Sujeito - 2
Horizontal/quadril 34,9º Horizontal/quadril 57,9º
Quadril/joelho 86,1º Quadril/joelho 111,3º
Foto - 5/ Sujeito – 1 Foto - 5/ Sujeito - 2
Horizontal/quadril 14,1º Horizontal/quadril 47,8º
Quadril/joelho 66,5º Quadril/joelho 91º

A tabela 1, mostra que o sujeito 1 teve uma amplitude próxima a do sujeito 2, sendo que a 1º foto mostra
uma proximidade de ângulos, nas seguintes fotos as amplitudes já não se aproxima, tem que se levar em
conta que na coleta do sujeito 1 ele estava com um frequencia baixa na pedalada, já o sujeito 2 já esta com
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um frequência alto por esta participando de uma competição. A partir da análise individual dos ciclistas
avaliados, perceberam-se um padrão similar para a amplitude articular desenvolvida durante o ciclo de
pedalada nos dois ciclistas.

Figura 1: Análise de amplitude entre sujeito 1 e sujeito 2.

DISCURSÕES
A análise de um movimento esportivo, seja ela de forma bidimensional ou tridimensional, na tentativa de
quantificação de variáveis cinemáticas, tem como importante objetivo um melhor entendimento sobre as
características relacionadas com o desempenho tanto de atletas de alto nível quanto praticantes comuns.
Este estudo foi desenvolvido como parte de trabalho que tem o propósito de analisar a amplitude articular
com interfaces compatíveis ao uso no ciclismo de alto nível e reacreacional. A fim de sanar dúvidas quanto
ao comportamento da articulação ao longo do ciclo, foi avaliado o comportamento desta amplitude
quando obtida com uso de cinemetria em comparação ao obtido com o uso de medidor de ângulos dos
segmentos e utilizando o software sapo para verificar a medida dos ângulos do segmento
quadril/horizontal, coxa/perna, em seguida com os ângulos medidos.
O objetivo deste estudo foi comparar o nível de amplitude articular durante ciclo de pedalada entre um
sujeito de alto rendimento e um ciclista reacriacional.

CONCLUSÃO
Considerando que o movimento é o mesmo, possivelmente os achados científicos publicados, até então,
podem ser transferidos para as práticas indoor, melhorando as condições desta prática e possibilitando
melhores adaptações a seus praticantes.
O movimento do ciclista é cíclico e repetitivo, identificado pela pedalada, que consiste na rotação
completa do eixo do pedal em torno do eixo central da bicicleta, (NABINGUER, ITURRIOZ & TREVISAN,
2003). Segundo HULL & RUBY (1996), a pedalada pode ser considerada um gesto motor tridimensional

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complexo, compreendido no plano sagital pela flexão e extensão do joelho, quadril e tornozelo, a abdução
e adução do quadril no plano frontal e, conseqüentemente, a rotação da tíbia no plano transversal.
A flexibilidade é a qualidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude
angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem o
risco de provocar lesões. A flexibilidade é certamente a qualidade física utilizada pelo maior número de
desportistas. (DANTAS, 2003; PLATONOV; BULATOVA, 2003; PITANGA, 2004).
Para Holland citado por Shankar (2002) o músculo, a fáscia, o tendão e o ligamento podem exibir um grau
de rigidez aumentado - que conduz a um funcionamento não-ótimo em uma determinada articulação.
Todo o músculo tem seu cumprimento normal desejado para a sua função, exceder este cumprimento
realizando amplitude extremas podem predispor tal musculatura a lesões.
Castro (2001), sugere a prática constante de exercícios de flexionamento, procurando dar ênfase nos
grupos musculares mais solicitados durante a prática de alguma modalidade, respeitando o princípio da
especificidade, os exercícios para manter ou aumentar a flexibilidade, seriam aplicados para prever
encurtamentos e possíveis contraturas para otimização da performance muscular. As lesões para Farinatti
(2000), decorem de fatores múltiplos, não somente pela influência de uma má flexibilidade.
Os resultados mostraram que, para o sujeito 1 melhorarsua amplitude articular no ciclo de pedalada,
deverá realizar alongamento e flexionamentodiariamente, pois foram observadas diferenças nas medidas
angulares que com uma variação de treino e excluindo o local e o tipo de bicicletautilizadas, mostra que
mesmo com treino em uma bicicleta com fins de análise e outra de competiçãoo sujeito 1 tem total chance
se chegar ao nível do atleta de alto rendimento.
Dentro do ciclismo esportivo, o rendimento exigido depende de diversos fatores como postura adequada,
composição corporal, aptidão física, e equipamento adequado. Essas variáveis devem ser otimizadas para
o melhor rendimento. O posicionamento do sujeito sobre a bicicleta está relacionado com a busca de
melhor conforto e desempenho.
Portanto o presente estudo teve como objetivo buscar e revisar dados, informações e conceitos, para
ciclistas, professores, treinadores e pesquisadores que queiram compreender as respostas musculares dos
membros inferiores no movimento da pedalada.

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TREINAMENTO RESISTIDO E CICLO MENSTRUAL

CHIMINTE, C. S¹; MORAES, M.M²

¹ ENAF Desenvolvimento Serviços Educacionais. Poços de Caldas – Minas Gerais - Brasil


²CESEP. Machado – Minas Gerais - Brasil. ENAF Desenvolvimento Serviços Educacionais. Poços de Caldas –
Minas Gerais - Brasil
clareserena@hotmail.com

RESUMO
A busca por melhores padrões estéticos e de saúde tem levado cada vez mais as mulheres a praticarem
diversas atividades físicas. Porém, não podemos pensar em treinamento para mulheres da mesma forma
que pensamos o treinamento para os homens. O gênero feminino possui características próprias de
morfologia e hormonais que nos alertam para a necessidade de adequarmos suas particularidades. Um dos
fatores apontados por muitas mulheres como prejudicial ao seu plano de treino é aqueles resultantes do
ciclo menstrual.
Faz então necessário uma melhor compreensão das flutuações hormonais femininas e como isso pode
influenciar no treinamento resistido
Palavra – chave: ciclo menstrual, treinamento resistido, hipertrofia

ABSTRACT
The seek for betterbeautyandhealthstandardshastakenwomentoexerciseandwork out more often.
However, wecannotthinkof training womenandmenthesameway.
Femaleshavemorphologicandhormonecharacteristicsoftheirown, whichcalls for
theneedofadaptationtotheirparticularities. Oneofthetopicspointed out bymanywomen as
damagingtotheirwork out planistheresultsoftheir menstrual cycle. Thisrequires more
comprehensiontowomen's hormonal fluctuationsandhow it may interfere in training resistance.

Key words: menstrual cycle; menstruation; Training resistance; Hypertrophy

Introdução
Observamos de alguns anos para cá um aumento significativo nas mulheres buscando a prática de
atividade física voltado para hipertrofia.
É sabido, atualmente, que inúmeros estímulos são capazes de engatilhar o processo de síntese proteica.
Sendo eles promovidos pela contração muscular por si só (TIDBALL, 2005), alterações no estado energético
das células,por determinado tempo de estimulação das vias metabólicas de ressíntese de ATP (FLUCK et al,
2005), ação e a interação de hormônios, fatores de crescimento e determinados nutrientes, que
engatilhariam cascatas de sinalizações intracelulares (KRAEMER e RATAMESS, 2005) e ativação de células-
satélites cuja ação mediada pelo processo inflamatório promoveria novos núcleos na célula muscular
(KADI et al, 2005).
Apesar da síntese protéica ser a mesma em ambos os gêneros, as mulheres apresentam um sistema
hormonal sexual feminino com flutuações que regem diretamente o ciclo menstrual e com isso
observamos alterações corporais que podem interferir na rotina diária e consequentemente no
treinamento das mesmas.

Objetivos

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Ao observar e interagir com as praticantes de atividades física é possível saber que em muitas vezes cada
fase do ciclo menstrual interfere em seu treinamento. Tendo como base está informação tivemos o
objetivo de entender e correlacionar os efeitos do ciclo menstrual no ganho de hipertrofia.

Metodologia
O trabalho foi realizado através de revisão literária relacionada a treinamento desportivo e características
do sistema reprodutor e hormonal feminino.

Resultado
Foram encontrados pesquisas com resultados divergentes como no caso de de Simão et al. 2011 em que
não se apresenta diferença no ganho de força entre as fases do ciclo menstrual contra o estudo de
Gutachterin, E.; Gutacher, Z, 2012 em que há estes apresentam ganho de força na fase folicular.
Se tratando com o ganho de força alguns dos artigos estudados demonstram não haver alterações
positivas ou negativas durante as fases do ciclo menstrual (BLONDIN, D. P. et al, 2011; LOUREIRO et al.
2011; TSAMPONKOS A., et al., 2010) e outros que apontam um aumento no ganho de força na fase
folicular (Gutachterin, E.; Gutacher, Z, 2012; SIMÃO et al., 2007)
Encontramos ainda uma pesquisa de Sipavičienė S. et al. 2013 onde é apresentado uma maior recuperação
muscular pós treino da fase ovulatória, o que pode estar relacionado ao aumento de estrogênio nesta fase.

Discussão
Percebemos nesta revisão que não há um consenso ao se determinar se o ciclo menstrual influencia ou
não no desempenho e resultados do treinamento de resistido.
Dias (2005) coloca a questão que algumas mulheres apresentam interferências negativas no treinamento
geradas pelo ciclo menstrual tornando isso um fato individual (apud GIACOMONI et al. 1999).
Os estudos nos quais foram utilizadas mulheres que fazem uso de anticoncepcionais orais, em sua maioria,
não foi relatado nenhum tipo de alteração significativa (SIMÃO et al 2011; DIAS, SIMÃO e NOVAES 2005;
LOUREIRO et al. 2011) independente da metodologia utilizada.
Isso pode ocorrer devido ao fato que os contraceptivos orais podem influenciar da biossíntese dos
hormônios femininos fazendo com que eles sejam anulados. Mulheres na menopausa relatam ganho de
força com a ingestão exógena do estrogênio o que pode sugerir que este hormônio tenha um importante
papel no aumento da massa muscular. (GUTACHTERIN, GUTACHER, 2012). Somente o estudo de Lopes
(2013) apresentou variação na força muscular mas atenta ao fato que cada ciclo menstrual pode sofrer
alterações, assim como a mulher, levantando a hipótese que o resultado pode ser alterado.
Já quando se trata de estudos com mulheres que não fazem uso de métodos de contracepção oral há
divergência entre os estudos. Há aqueles que nos aponta diferenças nos resultados do treinamento entre
as fases do ciclo (SIPAVICIE et al., 2013; SOUZA et al, 2012 LEBRUN, 1995) e aqueles apresentam não haver
diferença ( FONSECA, 2010).
A recuperação no pó treino pode ser acelerado pelo estrogênio segundo Gutachterin e Gutacher (2012)
(apud ENNS, TIIDUS, 2010) o que poderia levantar a questão que entre aproximadamente o 14º do ciclo e
antes da menstruação o nível do treino pode ser elevado A contradição entre os resultados pode ser
mostrado por dois estudos realizados por Janse de Jonge onde o de 2001 não apresenta alterações e o de
2003 apresenta alterações causadas pelo ciclo menstrual.
Alguns estudos não apresentam interferências diretas do ciclo menstrual no treinamento de força mas
levanta a observação de como os hormônios sexuais femininos podem gerar efeitos colaterais, como a
retenção liquida, atrapalhando a capacidade física do indivíduo (SAWAKA, 2007).
Se levarmos em consideração os sintomas relacionados a Síndrome Pré – Menstrual, erroneamente
conhecida como Tensão pré – mestrual, que podem atrapalhar a rotina da mulher (VALADARES et al.
2006), veremos que este pode ser um fator prejudicial ao treinamento. Fleck e Kramer ( 1995) corroboram

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com está informação e apresentam algumas as alterações físicas e psicológicas que podem atrapalhar o
rendimento, já citado anteriormente neste revisão.
Um dos fatores que pode contribuir para uma falta de consenso é não haver um protocolo padrão para
realizar os testes comparativos dado que, temperatura, idade, entre outros fatores podem interferir no
resultado final (SIMÃO, 2007).
MOURA (2004) se refere a influência do ciclo menstrual no rendimento como algo bem individual portanto
difícil de ser respondido por completo. Ele coloca o estudo de Kraemeret al. (1995) onde a relevância ao
ganho de força é mais específico a hormônios sendo que a progesterona e o estradiol estão inclusos nesta
lista.

Conclusão
Após observamos dados tão divergentes com relação as alterações que o ciclo menstrual e a flutuação
hormonal podem gerar no treinamento resistido entendemos que o Princípio da Individualidade biológica
deve ser o fator mais significativo quando falamos de rendimento.
Escutamos no ambiente das academias várias mulheres relatarem fatores que atrapalham seu
treinamento, fazendo com que as mesmas até não compareçam ao seu ambiente de treino. São cólicas,
cansaço, inchaços, alteração de humor, entre outros fatores, que nós trazem uma outra conclusão, a de
que os sintomas relacionados a Síndrome Pré – Menstrual é o que mais interfere na rotina de treinos das
mulheres.
Não podemos, portanto, tomar como verdades os resultados apresentados em algumas pesquisas e sim
conhecer a aluna com a qual se vai trabalhar para saber como ela reage em cada fase do ciclo menstrual e
se o mesmo interfere ou não em seu rendimento. Com isso elaborar uma um ciclo de treino adequado a
sua individualidade, tendo ciência que este mesmo quadro pode ser alterado com o tempo já que é de
conhecimento que o treinamento pode influenciar no ciclo menstrual assim como o nível de treinamento
no qual o indivíduo se encontra

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EFEITOS DO EXERCÍCIO AERÓBIO E DO TREINAMENTO DE FORÇA NO DIABETES


MELLITUS TIPO II: UMA REVISÃO DE LITERATURA

PRADO, G. G.1
OLIVEIRA, G. H. M.2

1 Especialização em Musculação e PersonalTrainer – Lavras – Minas Gerais – Brasil


2 Centro Universitário de Formiga UNIFOR-MG – Formiga – Minas Gerais - Brasil

gabi.academia@hotmail.com

RESUMO

Introdução:Com o avanço da população idosa e da obesidade em todo o mundo, doenças crônicas como o
Diabetes Mellitus vem acompanhando esse aumento na mesma proporção. O Diabetes Mellitus do Tipo II
é a forma mais frequente, acometendo cerca de 90% de todos os casos de diabetes, e segundo a
Organização Mundial da Saúde as projeções apontam que em 2030 o número de pessoas com diabetes
será de aproximadamente 700 milhões de pessoas no mundo todo. O exercício físico tem sido
extensivamente estudado como uma forma de profilaxia contra essa patologia, entretanto, cada forma de
exercício parece apresentar resultados diferentes nessa doença, o que justifica uma busca dos resultados
das duas mais comuns modalidades: o exercício aeróbio e o treinamento de força. Objetivo:Descrever por
meio de uma revisão bibliográfica os efeitos do treinamento aeróbio e do treinamento de força para
indivíduos diabéticos do tipo II.Materiais e Métodos: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica por meio de
uma revisão de literatura através de busca eletrônica nas bases de dados LILACS, MEDLINE e PubMed.
Resultados: Os achados encontrados das pesquisas de campo mostram que o treinamento físico de uma
forma geral para diabéticos tipo II foi capaz de diminuir eventos de insônia, reduz ansiedade, diminui
marcadores inflamatórios, melhora da função macrovascular, melhora o controle glicêmico pós-prandial,
aumenta a força de membros superiores e inferiores, reduz os níveis de vaspina, aumenta o consumo de
oxigênio, aumenta a massa magra, aumenta os níveis de adiponectina e reduz a circunferência da cintura.
Conclusão:Ambas as formas de treinamento promovem melhoras significativas na qualidade de vida de
sujeitos diabéticos tipo II sendo os efeitos específicos de cada um, justificando assim a combinação das
duas formas de exercício.

Palavras-chave: Diabetes Mellitus Tipo II. Exercício Aeróbio. Treinamento de Força.

ABSTRACT

Introduction: With the advancement of the elderly population and obesity worldwide, chronic diseases
such as diabetes mellitus has been following this increase accordingly. Diabetes Mellitus Type II is the most
common form, affecting about 90% of all cases of diabetes, and according to the World Health
Organization forecasts indicate that by 2030 the number of people with diabetes will be approximately 700
million people in all world. Exercise has been extensively studied as a form of prophylaxis against this
disease, however, each form of exercise seems to have different outcomes in this disease, which justifies a
search of the results of the two most common types: aerobic exercise and strength training. Objective: To
describe through a literature review the effects of aerobic training and strength training for type II

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diabetics. Materials and Methods: A literature search through a literature review through electronic search
in the databases LILACS, MEDLINE and PubMed was performed. Results: The findings in the fields of
research shows that in general physical training for type II diabetics was able to reduce insomnia events,
reduces anxiety, reduces inflammatory markers, improved macrovascular function, improves postprandial
glycemic control, increases the strength of upper and lower limbs, reduces vaspina levels, increases oxygen
consumption, increases lean body mass, increases adiponectin levels and reduces waist circumference.
Conclusion: Both forms of training promote significant improvements in quality of life in diabetic subjects
with type II the specific effects of each, thus justifying the combination of the two forms of exercise.

Key-words: Diabetes Mellitus Type II. Aerobic exercise. Strength training.

INTRODUÇÃO

Com o crescente avanço da obesidade, que em 2014 ultrapassou a marca de 500 milhões de adultos
obesos por todo o mundo, as doenças associadas a ela como por exemplo o Diabetes Mellitus Tipo II vem
acompanhando esse aumento proporcionalmente(MENDIS; DAVIS; NORRVING, 2015).
O Diabetes Mellitus Tipo II que é formalmente chamado de não isulino-dependente é causado por uma
inefetividade da insulina no corpo(WHO, 2015).Ainda segundo a World Health Organization,
aproximadamente 347 milhões de pessoas no mundo tem diabetes, sendo as projeções para 2030 de que
o número de mortes causadas pelo diabetes dobre.
O exercício físico regular tem sido proposto para esse tipo de patologia por aumentar a captação de
oxigênio, reduzir a resistência insulínica, reduzir a obesidade e prevenir futuros ganhos de peso, além de
reduzir marcadores inflamatórios (KONDO et al., 2005)
O treinamento aeróbio (também chamado de treinamento de endurance), que é caracterizado por um
enorme número de contrações sucessivas realizadas com um relativo desenvolvimento de força, tem sido
extensivamente estudado e reconhecido por seus efeitos benéficos no metabolismo da glicose no músculo
na patologia do Diabetes Mellitus Tipo II(YASPELKIS, 2006).
O treinamento de força (também chamado de treinamento de resistência) que é caracterizado por um
menor número de contrações e com o desenvolvimento de força relativamente maior que o treinamento
aeróbio, não recebeu tanta atenção na literatura como forma de tratamento do diabetes mellitus tipo
II(YASPELKIS, 2006).
Mediante a isso, buscamos apresentar o conhecimento sobre os efeitos dessas duas modalidades de
exercício (aeróbio e força), de forma a apresentar os resultados de ambos para o tratamento do diabetes
mellitus tipo II.

OBJETIVO

Descrever por meio de uma revisão bibliográfica os efeitos do treinamentoaeróbio e do treinamento de


força para indivíduos diabéticos do tipo II.

MATERIAIS E MÉTODOS

Foi realizada uma revisão de literatura por meio de pesquisa bibliográfica, de caráter exploratório e
natureza qualitativa (por não envolver dados numéricos). O levantamento de dados foi feito através de
busca eletrônica nasbases de dados LILACS, MEDLINE e PubMed, utilizando os seguintes descritores:
“resistance trainingand diabetes type 2”, “strength trainingand diabetes type 2”, “diabetes mellitus type
2”, “exerciseand diabetes type 2”, “aerobicexerciseand diabetes type 2”, “endurance training and diabetes
type 2”. Além disso, pesquisas nos sites da World Health Organization e American Diabetes Association

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também foram realizadas. Dentre os resultados encontrados, os autores selecionaram 14 artigos que
julgaram relevantes.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Treinamento Aeróbio e Diabetes Mellitus Tipo II

Em um estudo realizado por Van Dijket al. (2013) envolvendo treinamento aeróbio de moderada
intensidade para indivíduos 20 diabéticos do tipo II, objetivou comparar esse tipo de exercício com
atividades da vida diária (AVD).
O experimento foi realizado em 3 dias consecutivos dos quais:o protocolo das AVDs que era realizado por
15 min cada dia durante esses 3 dias e consistia de: caminhar com cachorro, realizar tarefas domésticas e
trabalho de jardinagem. Já o protocolo de exercício, consistiu na realização de um ciclo-ergômetro à 50%
do VO2máx por 45 min contínuos, sendo realizado somente em uma única sessão no segundo dia dos 3
dias experimento. Os autores concluíram que uma sessão única de exercício aeróbio de intensidade
moderada apresentou um impacto melhor na homeostase da glicemia se comparado a realização de
repetidas AVDs.(VAN DIJK et al., 2013)
Outro estudo envolvendo realização de exercício aeróbio, buscou avaliar os efeitos desse tipo de
treinamento na saúde geral de diabéticos tipo II. Para isso foram recrutados 53 homens diabéticos tipo II
diagnosticados a pelo menos 3 anos, que foram divididos em dois grupos. O grupo controle foi instruído a
manter suas atividades rotineiras (alimentação, trabalho, atividade física), enquanto o grupo experimental
realizou trabalho no ciclo-ergômetro por 3 vezes por semana durante 8 semanas com intensidade de 60-
70% da frequência cardíaca máxima monitorados por frequencímetros e pela escala percepção subjetiva
de esforço de Borg(SARDAR et al., 2014).
Os resultados mostraram que o treinamento aeróbio regular foi capaz de melhor a saúde geral dos
praticantes através das respostas do questionário, além de diminuir os níveis de ansiedade e controlar
eventos de insônias, que de acordo com os autores auxiliam os pacientes no controle dessa doença.
Quando comparado diferentes intensidades de exercício aeróbio de forma contínua em diabéticos tipo II
como o estudo de Abd El-Kader, Gari e Salah (2013) as respostas podem ser diferentes. ((ABD EL-KADER;
GARI; SALAH EL-DEN, 2013)
Neste trabalho participaram 50 diabéticos tipo II obesos divididos em dois grupos que realizavam
treinamento aeróbio 3/semana durante 3 meses. Um dos grupos caminhava na esteira à 65-75% da FCmáx
e outro grupo caminhava na esteira à 55-65% da FCmáx.
Marcadores inflamatórios para doenças cardiovasculares como Interleucina-6 (IL-6), Fator de Necrose
Tumoral-α (TNF-α), Peptídeo-C foram avaliados em ambos os grupos. Por fim, o grupo que se exercitou a
uma intensidade maior conseguiu reduzir em uma maior magnitude esses marcadores inflamatórios se
comparados ao outro grupo, o que levou os autores a concluírem que essa intensidade pode ser mais
efetiva na diminuição do risco de doenças cardiovasculares.
A forma com que a realização do exercício aeróbio é realizada também parece ser um fator modulador nas
respostas endócrino-metabólicas em diabéticos do tipo II.Em 2014, um estudo buscou comparar os efeitos
de exercício aeróbio realizada de forma contínua e exercício aeróbio realizada de forma intervalada. Foram
recrutados 45 adultos diabéticos tipo II (16 homens e 29 mulheres) que foram divididos aleatoriamente em
3 grupos: Grupo Sedentários (SED), que foram instruídos a continuarem sedentários durante a realização
do estudo, outro grupo chamado de Grupo Contínuo (CON), que realizaria exercícios aeróbios de forma
contínua 3 vezes por semana durante 12 semanas em uma esteira, e por último, o Grupo Intervalado (INT)
que realizaria exercício nas mesmas condições que o grupo anterior só que alternando a intensidade na
esteira (MITRANUN et al., 2014).

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Todos sujeitos realizaram avaliação prévia clínica dotada de eletrocardiograma para segurança da
realização da pesquisa, e o monitoramento da intensidade foi feito através de um analisador de gases
(espirômetro). Foram avaliados antes e depois do experimento: a composição corporal (por meio de
bioimpedância), o consumo de oxigênio (através do Protocolo de Bruce, força muscular (teste de 1RM para
Leg Press, Cadeira Extensora de Joelhos, Supino Reto com Barra e na Máquina de Dorsais), as
características da artéria braquial (Ultrassonografia), Pressão Arterial Sistólica e Diastólica, Frequência
Cardíaca de Repouso, e amostras sanguíneas (glicemia de jejum, hemoglobina glicosilada, insulina, lipídeos
séricos, frações de colesterol, superóxido dismutase, glutationaperoxidase, malondialdeído e óxido nítrico).
O protocolo de treinamento foi dividido em três fases, separadas pela sua intensidade de trabalho e pelo
consumo médio de oxigênio ao final do treino. As figuras a seguir (FIG.1, 2 e 3)apresentam as 3 fases
distintas do protocolo baseados no VO2 de pico e seus respectivos consumos de oxigênio avaliados ao fim.

FIGURA 1 - FASE 1: Corresponde à 1ª – 2ªsemana do experimento

Fonte: Mitranun et al. (2014)

FIGURA 2 - FASE 2:Corresponde à 3ª – 6ª semana do experimento

Fonte: Mitranun et al. (2014)

FIGURA 3 - FASE 3:Corresponde à7ª – 12ª semana do experimento

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Fonte: Mitranun et al. (2014)

Ao final do estudo, ambos protocolos que se exercitaram (contínuo e intervalado) promoveram efeitos
benéficos aos seus praticantes atuando no controle glicêmico, na capacidade física e na função
macrovascular em diabéticos tipo II. No entanto, o protocolo intervalado se mostrou mais efetivo em
algumas variáveis quando comparado ao grupo SED e ao grupo CON. O grupo INT conseguiu melhor a taxa
máxima de fluxo cutâneo em repouso, as concentrações de óxido nítrico, níveis de glutationaperoxidase,
colesterol total, força nos extensores de perna e o consumo máximo de oxigênio em uma magnitude maior
que os demais grupos.
Um outro estudo comparou os efeitos agudos de uma sessão de caminhada comparando caminhada
realizada de forma contínua e de forma intervalada. Ao todo, 10 participantes diabéticos tipo II foram
divididos em 3 grupos: O grupo controle (COM), o grupo que realizava caminhada contínua (CONT) por 1
hora à 73% do VO2 de pico e o grupo que realizava caminhada intervalada (INT) por 1 hora com
alternâncias de 3 minutos entre as intensidades de 54% - 89% do VO2 de pico. Os sujeitos ficaram sobre
monitorização durante 32 horas após a realização da sessão de exercício (KARSTOFT et al., 2014).
Os resultados desse estudo também mostraram que o treinamento realizado de forma intervalada foi mais
efetivo no controle da glicemia pós-prandial e ao longo do dia quando comparado a realização do
treinamento aeróbio de forma contínua.

Treinamento de Força e Diabetes Mellitus Tipo II

Se tratando de pesquisas de treinamento de força para diabéticos, verificou-se através da busca realizada
neste estudo que o número de pesquisas nesse âmbito é menor se comparado ao treinamento aeróbio,
justificando assim a necessidades da realização de novas pesquisas.
Na pesquisa de Santos et al. (2014), os autores buscaram avaliar os efeitos de um programa de
treinamento de força realizado de forma ondulatória aplicado a idosos diabéticos tipo II treinados e não
treinados. Nesse estudo participaram 48 indivíduos com idade entre 60 e 85 anos de ambos os gêneros
divididos em sedentários e praticantes de treinamento força. O estudo foi conduzido durante 16 semanas,
sendo o treinamento realizado 3 vezes por semana no método ondulatório (sobrecargado programa foi
alternada, sendo em 1 semana equivalente a 50% de uma repetição máxima perfazendo 12 repetições e,
na outra semana, a 70% de uma repetição máxima perfazendo 8 repetições).(SANTOS et al., 2014)
Os resultados mostraram que o protocolo de treinamento físico resistido ondulatório utilizado mostrou-se
eficiente em proporcionar significativos aumentos de força máxima, tanto de membros inferiores, quanto
de membros superiores em indivíduos diabéticos do tipo II, mas sem redução glicêmica em ambos os
grupos.
Outro estudo envolvendo treinamento de força avaliou os seus efeitos sobre os níveis séricos de vaspina
(uma adipocina que atua no metabolismo glicêmico) e perfil lipídico de adultos com diabetes tipo II. Trinta
homens foram divididos em 2 grupos (15=controle e 15=treinamento de força).
O protocolo consistiu na realização de 3 sessões semanais durante 8 semanas, sendo feito 8 exercícios
diferentes em 3 séries de 15 repetições. Ao final do período, o treinamento de força foi capaz reduzir
significativamente os níveis de vaspina mas sem notórios efeitos no perfil lipídico (BARZEGARI; AMOUZAD
MAHDIREJEI, 2014).
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Em um estudo conduzido com sujeitos asiáticos, cujo objetivo era investigar a eficácia de um treinamento
de força progressivo no controle glicêmico e nas variáveis musculoesqueléticas, antropométricas e
cardiovasculares em pacientes com diabetes tipo II não treinados(HAMEED et al., 2012).
O estudo contou com a participação de 48 sujeitos de meia-idade (35 homens e 13 mulheres), que foram
divididos em dois grupos (controle e treinamento de força). O grupo do treinamento de força
inicialmenterealizava durante 4 semanas treinamento com 65% de sobrecarga de 1 RM e nas 4 semanas
subsequentes (totalizando assim 8 semanas de estudo) o treinamento foi executado a 70% de 1 RM. Foram
realizadas 3 séries de 10 repetições com descanso de 2 minutos entre as séries com densidade semanal de
3 vezes por semana.
Ao final do estudo, os resultados mostraram uma redução da hemoglobina glicosilada no grupo
treinamento de força se comparado ao grupo controle. Verificou-se também, ganhos de força nos
membros inferiores e superiores no grupo treinamento, redução da circunferência abdominal e aumento
da lipoproteína de alta densidade (HDL).
Na pesquisa de Brooks et al. (2007) conduzida com a aplicação de treinamento de força para diabéticos
tipo II os resultados encontrados também foram satisfatórios. Um grupo de 62 indivíduos com idade média
de 55 anos diagnosticados clinicamente como diabéticos tipo II foram aleatoriamente divididos em grupo
controle (CON) e grupo treinamento de força (TF).
O treinamento de força consistiu na realização de 16 semanas de treinamento de força em máquinas
(Puxada/Pulley Costa, Supino Reto, Leg Press, Cadeira Extensora e Mesa Flexora) com 3 séries de 8
repetições à 60-80% de 1 RM durante as 8 primeiras semanas e 70-80% de 1 RM durante as semanas
finais.(BROOKS et al., 2007)
Os autores verificaram com a conclusão do estudo, que o treinamento de força para o grupo que se
exercitava foi capaz de aumentar a área de secção transversa de fibras tipo I e tipo II feitas através de
biopsia muscular. Esse aumento da massa muscular foi acompanhado de uma redução da resistência
insulínica, aumento das concentrações séricas de adiponectina (uma adipocina que atua na homeostase
glicêmica) e consequentemente aumento da força muscular dos sujeitos.
E para finalizar, Strasser et al. (2008) avaliaram os efeitos do treinamento de força sobre a pressão arterial
de pacientes com diabetes mellitus tipo II. Foram recrutados 10 pacientes que fazem uso de medicação
antidiabética mas sem qualquer terapia insulínica. Todos eles fazem uso de pelo menos três medicações
anti-hipertensivas.
O treinamento de força consistiu na realização de 4 meses sucessivos com realização do treino 3 vezes por
semana não consecutivos, sendo a carga calculada para que realizassem entre 10-15 repetições por série.
O número de séries por grupo muscular foi sistematicamente aumentando de 3 até atingir 6 séries ao final
do programa. A pressão arterial foi monitorada pelo método Monitorização Ambulatorial da Pressão
Arterial (MAPA) no início do treinamento e ao fim. O Aparelho foi programado para realizar leituras de
forma automatizada a cada 15 min durante 24hrs.(STRASSER et al., 2008)
Ao fim do estudo, verificou diminuição dos valores de hemoglobina glicosilada, diminuição do percentual
de gordura corporal, aumento da força muscular (medida através do teste de 1 RM), aumento do VO 2 de
pico e da massa magra.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Verificou-se que ambas as formas de treinamento são benéficas a vida de pessoas com Diabetes Mellitus
Tipo II. Embora cada forma de exercício apresente suas particularidades específicas e consequentemente
efeitos específicos de cada, não é possível determinar a forma mais eficiente, pois cada um promove
benefícios diferentes.
Acredita-se que a combinação de exercício aeróbio e treinamento de força possa ser mais eficaz que
quando comparada apenas uma das modalidades. Embora não apresentado aqui pesquisas que utilizaram
essa metodologia, alguns estudos encontrados sustentam essa noção.
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Finalmente, conclui-se que ambas as formas de treinamento promovem melhoras significativas na


qualidade de vida de sujeitos diabéticos tipo II justificando a sua realização.

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Endereço para correspondência:


Gleuber Henrique Marques de Oliveira
Rua Itamembé, 83 - Bairro Cachoeirinha - Cláudio-MG - CEP: 35530-000

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ANÁLISE SOBRE AS INFLUENCIA DA NATAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO


AFETIVO- SOCIAL DE ALUNOS DO 5º ANO DA ESCOLA CEJE NO MUNICÍPIO DE
BOA VISTA-RR

CARLIENE DE SOUZA SANTOS


ENDSON DOS SANTOS LIMA
carliene_souza@hotmail.com

RESUMO
A natação é considerada um dos esportes mais completos para os praticantes de todas as faixas etárias,
trazendo a seus praticantes diversos benefícios. Pensando nisto a presente pesquisa iniciada na forma de
TCC, realizada em dezembro de 2010, com o tema sobre o desenvolvimento educacional através da
natação em alunos do 5º ano do ensino fundamental do centro Educacional Jardim do Éden, agora na
forma de artigo vem fazer umadiscursão sobre o resultado da pesquisa, através da imagem do gráfico
que trata sobre a melhora na socialização dos alunos através da natação. Após a analise dos dados
concluiu-se que a natação propicia uma significante melhora dos alunos em relação a socialização entre
alunos e professores.

Palavras-chave: Natação, Socialização, Educação Física Escolar.

ABSTRACT
Swimmingisconsideredoneofthemost complete resources for practitionersofall ages,
bringingmanybenefitsto its practitionerssports. Thinkingabout it thisresearchstarted in theformof CBT, held
in December 2010, withthethemeoftheeducationaldevelopmentthroughswimming in students in the 5th
grade ofelementaryschooldowntownEducational Garden ofEden, now in theformofarticle comes
toumadiscursãoontheresultofresearchbythechartimage
whichdealswiththeimprovement in thesocializationofstudentsthroughswimming. Afteranalyzingthe data it
wasconcludedthatswimmingprovides a significantimprovementofstudents in
relationtosocializationamongstudentsandteachers.

Keywords: Swimming, Socialising, PhysicalEducation.

INTRODUÇÃO

A natação praticada desde cedo tem diversos efeitos benéficos para o desenvolvimento da criança. Além
dos benefícios tradicionais do esporte, como a melhora do sistema cardíaco e respiratório, trabalha os
movimentos, ajudando-os a desenvolver a coordenação motora, noção de espaço, equilíbrio, agilidade,
força, e ainda colabora para que eles criem autoconfiança e sociabilidade dos seus praticantes.
Por se tratar de um esporte completo que pode ser praticado sem restrições desde o nascimento até a vida
adulta, a natação, na sua prática regular, oferece inúmeros benefícios, dentre eles uma maior resistência
muscular, melhor captação de oxigênio pelos pulmões, prevenção e tratamento de doenças respiratórias e
circulatórias, além de ser uma atividade física que pode ser bastante divertida e prazerosa. Como elucida
EVANS (2009), ARROYO(2007), quando diz que a natação pode ser realizada desde a pratica esportiva ate o
lazer, proporciona diversos benefícios como :melhora da coordenação motora, aumento do equilíbrio,

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condicionamento cardiorrespiratório, desenvolvimento da lateralidade, aumento da flexibilidade e do nível


de força.
Assim, partindo-se do princípio, quando a natação era praticada desde os primórdios pelos povos
primitivos, quando estes se locomoviam pelas águas para caçar ou fugir, até chegar aos dias atuais, quando
esta prática é sinônimo de saúde, lazer, esporte e bem estar, que propicia um desenvolvimento global do
homem, apresenta-se neste artigo uma discursão sobre o resultado da pesquisacom o
temadesenvolvimento educacional através da natação em alunos do 5º ano do ensino fundamental do
centro Educacional Jardim do Éden ,através da imagem do gráfico dos resultados da pesquisa.

A NATACÃO DOS DIAS DE HOJE

Nos dias atuais as práticas de atividades físicas em meio aquático ganharam contornos menos
existencialistas, contudo mais fragmentados. Segundo Damasceno (1992) a natação, muitas vezes, está
sendo trabalhada como um esporte de competição de alto nível, onde o melhor rendimento e o nadar
mais rápido são valorizados, sendo assim uma atividade excludente. Porém, o autor atenta para o fato de
que ela, natação, não pode ser vista somente desta maneira; ela deve contribuir para o desenvolvimento
da personalidade do indivíduo e de suas relações sociais buscando integrar e estimular a todos, neste
conceito as práticas de atividades físicas na água se configura uma modalidade bastante completa que
excedeu de um simples divertimento a práticas desportivas, sendo hoje utilizada, além de todos os
benefícios outrora citados, também com fins terapêuticos. Isso não implica que precisa ser uma atividade
chata.
Ao se analisar as práticas desportivas de alta competitividade chega-se a premiar resultados em
detrimento da diversão, que é o que desopila a tensão e promove prazer. Contrariando essa lógica, o
desenvolvimento educacional por meio da natação se fundamenta numa prática pedagógica interacionista,
e para tanto precisa transpor a rotina da ação e repetição, logo, o divertimento se faz necessário; portanto,
visando alcançar tais resultados, as atividades lúdicas em meio líquido permitem a expressão livre, além de
possibilitar a apropriação de habilidades motoras aquáticas básicas na fase de adaptação, podendo ser
ampliada esta abrangência para a aquisição de habilidades motoras aquáticas específicas e para a vivência
de conteúdos mais significativos em termos psicossociais.
Todos estes argumentos acima citados mostram o grande desafio em imaginar a premência, a urgência,
em se catalisar mudanças axiológicas, de valor, capazes de promover alternativas pedagógicas que
privilegiem a expressão das emoções, a potencialização do aprendizado das habilidades motoras,
cognitivas e sociais, respeitando as limitações próprias de cada praticante e suas experiências anteriores,
contribuindo para a socialização, para a interação e para a ampliação do prazer em participar de
determinada atividade aquática, de modo a que os praticantes mantenham-se por mais tempo vinculados
à prática regular de atividades físicas.

A NATAÇÃO E SEUS INÚMEROS BENEFÍCIOS


A natação, por se tratar de um esporte completo, possibilita ao aluno uma gama de movimentos ele
precisa para a sua necessidade de expressão e de experiências corporais. Esmiuçando tal conceito, Queiroz
explica que a prática da natação:

É um espaço de experimentação, para que a criança vivencie situações de qualidades variadas, sensações
de alternância de tensão e distensão, prazer e desprazer, acompanhada da necessidade de expressividade
motora. Tudo isso vai fazer com que a criança perceba seu próprio corpo, a nível motor e cognitivo. E
principalmente afetivo, pois a criança está envolvida corporalmente (QUEIROZ, 2000, p.20).
Ou seja, através da prática da natação, os alunos aprimoram o desenvolvimento motor, cognitivo e social,
além de trabalhar a autonomia e o respeito às regras.

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A natação diminui o risco de doenças cardiovasculares pelo fato de que as braçadas vão tornando o
coração mais forte favorecendo a formação de músculos ao mesmo tempo em que elimina as gorduras em
torno do órgão vital, de modo que ele adquire a capacidade de bombear mais sangue para todo o corpo.
Além do mais, essa prática reduz a freqüência cardíaca e estimula a circulação sanguínea. O fator
psicológico também sofre mudanças, pois um dos proveitos que a natação oferece é que a auto-estima se
eleva consideravelmente pelo simples fato de você se considerar capaz de realizarisso; enfim, as pessoas
que praticam esse esporte sentem-se na maioria dasvezes mais seguras e independentes.
O exercício da natação desde a infância fortalece o caráter e a noção de disciplina, fatores que, ainda
segundo o autor (2000), são importantes para que a criança escolha seus próprios caminhos, saiba tomar
suas próprias decisões, evoluindo de acordo com os limites impostos, e, que, dessa maneira, aprenda a
exercer sua autonomia. Nessa perspectiva se pode observar que a natação possibilita ao aluno um
desenvolvimento global.
A NATAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO AFETIVO-SOCIAL
Uma boa relação afetivo-social deve começar desde cedo, ou em casa, afinal, os alunos que estão no
ensino fundamental (1º a 5º ano) desenvolvem essa relação baseada em seus pais. E o exemplo de casa é
algo significativamente importante, pois segundo Corrêa (2004) a atitude materna desempenha papel
relevante na estruturação da dinâmica afetiva da criança, onde a família pode exercer influencia
facilitadora ou inibidora da sensibilidade social, ou seja, a família possui uma influencia direta na vida social
de uma criança, embora não sejam as únicas pessoas que a cercam. Uma criança necessita socializar-se
com outras crianças de sua faixa etária, para que haja troca de experiências que a ajudam no seu processo
de maturação.
A natação possibilita essa socialização entre as crianças. A mesma autora, Corrêa (2004), comenta que, as
conversas bem humoradas à beira da piscina fazem com que as crianças fiquem alegres, provocando um
clima agradável e festivo. Esse clima agradável possibilita ao aluno um convívio harmonioso com os outros,
pois todo ser humano tende a se socializar com outras pessoas, sendo uma necessidade de se sentir
acolhido e amado, afinal há muito tempo se afirma que o homem é um ser social, isso inclusive é um
postulado marxista.
Corroborando esse conceito de socialização, sabe-se que a criança necessita do contato com outras
crianças da mesma faixa etária, conhecer e aproximar-se de adultos, a fim de iniciar sua fase elementar de
socialização. O caráter coletivo da aprendizagem da natação, através do intercâmbio com as outras
pessoas permite à criança ampliar sua relação afetivo-social (LE BOULCH, 1982).

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O presente trabalho realizado de forma descritiva, utilizou a pesquisa se deu dezembro 2010 na forma de
TCC, com o tema que tratava sobre o Desenvolvimento Educacional através da Natação em alunos do 5º
ano do ensino Fundamental do centro Educacional Jardim do Éden, agora na forma de artigo vem
fazerdiscursão sobre o resultado da pesquisa, através da imagem do gráfico que trata sobre amelhora na
socialização dos alunos através da natação. Traz na sua metodologia uma pesquisaqualitativa. Que
segundo Minayo (2002, p. 21-22):

A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com
um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados,
motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das
relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.

Portanto, o fato de apresentar um gráfico, retirado do TCC/2010 não descaracteriza a abordagem


qualitativa, cuja finalidade do uso da imagem gráfica é de realizar leitura dando qualidade a interpretação
emitida pela autora neste momento.

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A mesma se caracterizou ainda como sendo exploratória que para Chemin (2010, p. 57) citando Yin “tem
em vista favorecer a familiaridade, o aumento da experiência e uma melhor compreensão do problema a
ser investigado; seu problema de pesquisa normalmente está voltado a ‘o quê, qual e quais”.
Assim sendo, dada a verificação sobre quais os benefícios adquiridos na visãodos estudantes ao praticar a
natação e / ou atividades aquáticas no ambiente escolar,sentido dado ao caráter exploratório, a partir do
tratamento textual que ressiginifica a pesquisa realizada e concluída em 2010.
Em geral, conforme Gil, Leopardi, e Malhotra:

A pesquisa exploratória envolve revisão de literatura, entrevistas com pessoas que tiveram experiências
práticas com o problema pesquisado, testes padronizados, escalas ou emprego de questionários, análise
de exemplos que auxiliem a compreensão de forma mais ampla etc.; a partir dos dados, cuja análise
geralmente é qualitativa, é possível formular sugestões para a melhoria de práticas administrativas,
educacionais, de saúde e outras. Seu planejamento é flexível e não estruturado, a amostra selecionada é
simples e não representativa, os resultados não são considerados como definitivos e normalmente este
tipo de pesquisa assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso. ( IDEM).

A revisão da literatura foi selecionada obedecendo ao pensamento do autor em querer atingir os leitores
no que tange a prática da natação para além do esporte, apontado seus benefícios para o desenvolvimento
integral dos seus praticantes

ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

Neste tópico apresenta-se na forma qualitativa a releitura da interpretação dos dados a partir da imagem
dos gráficos originários do TCC- monografia, de 2010.2, na perspectiva fazer uma discursão sobre o
resultado da pesquisa da influência da natação sobre a melhora na socialização dos alunosdo 5º ano da
Escola CEJE no Município de Boa Vista-RR.
Pela natação se tratar de um esporte completo que pode ser praticado sem restrições desde o nascimento
até a vida adulta.comoenfatizaMassaud (2004), a natação representa uma atividade física completa,
possível de ser praticada em várias etapas da vida, ora como terapia, recreação, ora como competição a
natação.
A sua prática regular, oferece inúmeros benefícios, dentre eles uma maior resistência muscular, melhor
captação de oxigênio pelos pulmões, prevenção e tratamento de doenças respiratórias e circulatórias,
além de ser uma atividade física que pode ser bastante divertida e prazerosa..Taharaet al (2006),diz que
são beneficios no aspecto físico, a possibilidade de realizar movimentos sem causar impacto às articulações
e tendões, estimulação de toda a musculatura e manutenção do tônus muscular, efeitos benéficos sobre o
sistema respiratório e cardiovascular, recuperação de enfermidades, entre outros. BLAKSBY (1995) diz que
a natação pode interferir positivamente no desenvolvimento motor da criança e também na formação de
sua personalidade e inteligência.
Diante de tantos argumentos, a natação pode fazer uma grande diferença para o desenvolvimento afetivo-
social das, já que as atividades realizadas na piscina possibilitam a socialização, o desenvolvimento dos
aspectos neuropsicomotores, além de outras vantagens na formação da sua personalidade, pois a criança
irá aprender a lidar com o desafio e tolerar o fracasso como caminho da vitória.

Gráfico 1 - Mudanças no afetivo- social

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Houve mudanças no afetivo-


social (socialização) depois
que começou a praticar…
30%
Sim
70% Não

Gráfi
No gráficopode perceber alegaram que conseguiram mais amigos depois que começaram a pratica
natação, 70% dos entrevistados afirmam tal fato, sendo que 30% , contrários, dizem que nada mudou, que
a quantidade de amigos continua a mesma.
Assim percebe-se queos alunos que tem apratica da natação possuem um melhor desenvolvimento
afetivo- social.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A natação é um esporte diferenciado, por ser uma atividade praticada em um meio específico e por ser
uma atividade tida como utilitária, pois pode assegurar a sobrevivência. Assim, várias são as influências
que levam uma criança ou um adulto a se dedicar a natação: por uma questão da prática esportiva, pelo
fator saúde, pela estética ou pelo simples prazer do contato com a água. A água atrai o homem de
qualquer idade, ainda mais uma criança.
Como ficou claro neste trabalho o movimento tem um papel fundamental no desenvolvimento humano
(cognitivo, psicomotor, afetivo-social), portanto a Educação Física Escolar deve considerar esses aspectos
como independentes e interdependentes. Sobre os conteúdos a serem desenvolvidos nas aulas, os
mesmos implicam na estruturação de um ambiente que auxilie as crianças a incorporar a dinâmica da
solução de problemas, do “espírito” de descoberta nos domínios da cultura de movimento.
Através dos resultados dos dados, a natação, sim, caracteriza um diferencial no desenvolvimento afetivo –
social dos alunos. Sendo unanimidade entre os entrevistados, a prática da natação representa grandes
ganhos no que tange aos critérios comportamentais e de socialização.
Finalizando, e estabelecendo sugestões, se entende que as três dimensões do conteúdo podem e devem
ser trabalhadas nas aulas de natação: conceitual: história da natação, utilidade da natação ao longo do
tempo, relação da natação com o lazer, com o esporte e com a qualidade de vida, as regras, por exemplo,
podem ser apresentados e discutidos com os alunos; procedimental: as fases da aprendizagem, os nados,
as saídas e as chegadas devem ser trabalhados; atitudinal: respeito a vida e aos colegas, a cooperação, a
solidariedade devem ser cultivados e desenvolvidos. Que este trabalho possa contribuir com futuros
profissionais de Educação Física que queiram implementar aulas de natação ou simplesmente buscar
conhecimentos a respeito do tema.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARROYO, C. T.; OLIVEIRA, S. R. G. Atividade Aquática e a psicomotricidade de crianças com paralisia
cerebral.Motriz, Rio Claro, v. 13, n.2, p. 97-105, 2007.

BLAKSBY, BA.; PARKER, HE.; BRADLEY, S.; ONG, V. Children’s readiness for learning front crawl
swimming.The Australian Journal of science and medicine in sport, v.27, n.2, p. 34 – 37, 1995.

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CHEMIN, Beatris Francisca. Manual da Univates para trabalhos acadêmicos. Lajeado: Univates, 2010.

CORRÊA, C. R.; MASSAUD, M. G. Natação na idade escolar: terceira infância; a natação no apoio ao
aprendizado escolar. Rio de Janeiro: Sprint, 2004.
DAMASCENO, L. G. Natação, psicomotricidade e desenvolvimento. Brasília: Secretaria dos Desportos da
Presidência da República, 1992.

EVANS, J. Natação Total. Barueri: Manole, 2009

LE BOULCH, Jean. O desenvolvimento psicomotor do nascimento até 6 anos. Porto Alegre: Artes Médicas,
1982.

MINAYO, M.C.S. TEORIA, MÉTODO E CRIATIVIDADE, 21ª Edição - Petrópolis, 2002

QUEIROZ, Claudia Alexandre. Recreação Aquática. Rio de Janeiro, Sprint, 2000.

RUA MESTRE ALBANO,N: 3397,BAIRRO: ASA BRANCA,BOA VISTA – RORAIMA.CEP:693122298


TEL: (95) 9138-0537
carliene_souza@hotmail.com

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ANÁLISE REFLEXIVA SOBRE O ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO DE


JOVENS E ADULTOS

ENDSON DOS SANTOS LIMA


CARLIENE DE SOUZA SANTOS
MARCIA ROSANA DE OLIVEIRA SENNA
endson-lima@bol.com.br

RESUMO
Este artigo de caráter bibliográfico e de campo surge a partir dos estudos realizados sobre o Ensino da
Educação Física na Educação de Jovens Adultos, com o propósito de analisar como se desenvolvem as aulas
de Educação Física Escolar na Educação de Jovens e Adultos – EJA, em seis escolas da rede Estadual de
ensino no município de Boa Vista – RR, 2013. A amostra é composta pelos professores de Educação Física e
alunos da EJA, a partir da verificação e análise da práxis do professor. Apresentando em forma de gráficos
as respostas dos alunos que foram indagados sobre a importância da disciplina, a fim de verificar o
interesse dos discentes com as aulas de Educação Física. Nesta perspectiva a pesquisa contribuiu para
melhor organização didática e pedagógica no ensino da Educação Física, ressaltando, a importância da
Educação Física na EJA a ser mais uma oportunidade de atuação profissional da área justificando a
relevância desse componente curricular da base educacional brasileira.

Palavras-chave: Educação Física. Ensino. Educação de Jovens e Adultos.

ABSTRACT
This article bibliographical and field comes from studies on the Teaching of Physical Education of Young
Adult Education, in order to analyze how to develop physical education classes in the School of Adult
Education - EJA, in six schools of the State school system in Boa Vista -. RR, 2013 The sample consists of the
Physical Education teachers and students of AYE from the verification and analysis of teacher practice.
Presenting in the form of graphs the responses of students who were asked about the importance of
discipline in order to verify the interest of students with physical education classes. In this perspective the
research contributed to better teaching and educational organization in the teaching of physical education,
stressing the importance of physical education in the EJA to be another opportunity in the area of
professional activity justifying the relevance of this curricular component of the Brazilian educational
foundation.
.
Keywords: physical education. education. youth and adults.

1 INTRODUÇÃO
Este artigo surge a partir dos estudos realizados sobre o Ensino da Educação Física na Educação de Jovens e
Adultos: Desafios e Necessidades. Apresentado na forma artigo – pós graduação, com o propósito de
analisar a importância da Educação Física na Educação de Jovens Adultos.
Nesse aspecto, a Educação Física é chamada a corresponder, através do esporte, lazer, dança, ginástica e
qualidade de vida entre outras áreas de dominância que gerem o letramento, ou seja, a gerar saberes
significativos para a formação humana e não somente a reprodução corporal, de forma tecnicista
projetado para o mundo do trabalho.Dessa maneira, torna-se importante mostrar aos profissionais da área
e à sociedade em geral, a opinião dos alunos do EJA em relação às aulas de Educação Física, assim como,
disseminar possível melhora na metodologia e aceitação das aulas por parte desses alunos.

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Sendo assim, o objetivo da pesquisa foi o de analisar, através dos professores de Educação Física e alunos,
como se desenvolviam as aulas de Educação Física Escolar na EJA em seis escolas Estaduais no município
de Boa Vista-RR, análise da práxis do professor dessa disciplina, apresentando ao final do artigo sugestões
de adequação do currículo de Educação Física na Educação de Jovens e Adultos.
Considerando a importância da Educação Física na Educação de Jovens e Adultos, utilizam-se gráficos
elaborados a partir das respostas dos alunos que oportuniza verificar o entendimento, as dificuldades, as
abordagens utilizadas e a predominância destas no desenvolvimento das aulas.

2 METODOLOGIA
O presente trabalho caracteriza-se como sendo uma pesquisa bibliográfica e de campo, de natureza quali-
quantitativa, sob o olhar fenomenológico e voltado para o tipo de pesquisa bibliográfica.
Neste sentido, apresenta-se a seguir a analise a partir do gráfico, elemento finalizador da organização
metodológica e apresentação do resultado deste estudo teórico.
Quanto à natureza, corresponde a uma pesquisa qualitativa por procurar capturar a situação ou fenômeno
em toda a sua extensão, que em sua investigação qualitativa segue uma “Perspectiva Fenomenológica –
que busca entender o comportamento humano do ponto de vista dos próprios atores sociais, busca a
essência dos fenômenos e procura captar como eles são evidenciados pelas pessoas” (COSTA, 2001, p.39).
A natureza quantitativa por apresentar a quantificação de opiniões, utilizando-se para isso, recursos e
métodos estatísticos em forma de gráficos sistematizando as informações coletadas através dos
questionários.
A pesquisa se deu através da aplicação de roteiros de entrevista estruturada com questões fechadas e
abertas com os professores de Educação Física e questionários com perguntas fechadas aplicados aos
alunos da Educação de Jovens e Adultos - EJA.
Com o olhar fenomenológico, buscamos investigar no contexto do ensino oferecido no período noturno
para Jovens e Adultos aproximando e os distanciando do desenvolvimento das aulas de Educação Física.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3. 1. ANÁLISE DA PRÁXIS DOCENTE

A partir da coleta de dados e da observação das aulas percebeu-se que todos os seis professores
entrevistados possuem a mesma metodologia de ensino, especialmente quanto aos conteúdos oferecidos
na aula. As principais respostas relativas a esse ponto diz respeito à utilização de jogos de mesa como
dama, dominó e baralho, nos quais os alunos se sentem mais motivados de fazer as aulas, sendo que
apenas uma professora respondeu que além destes meios, empregava também a temática esportiva na
disciplina. As dificuldades mais recorrentes dos professores com o desenvolvimento das aulas ainda é
ausência de material pedagógico, justificando a pouca variação dos conteúdos.
Comprovou-se também quanto aos temas das aulas, todos os entrevistados aplicam nas suas aulas
assuntos relacionados à Atividade Física e Saúde, como palestras, debates e até mesas redondas,
demonstrando que os docentes seguem uma parte da Abordagem da Saúde renovada.
Outra questão relevante da entrevista foi o motivo de atuar na Educação de Jovens e Adultos, em que os
seis professores entrevistados continuam com a mesma resposta: complementar a carga horária de
trabalho com a outra escola que trabalha durante o dia.
Quanto à concepção dos alunos sobre o papel da Educação Física na EJA, os educadores revelaram
respostas semelhantes, as quais de que os discentes acreditam infelizmente em uma aula somente
direcionada para o desporto e à aptidão física, ou seja, eminentemente prática, fazendo com que poucos
se interessem pela disciplina devido ao público trabalhador que está matriculado no ensino noturno. Essa
dura realidade se reflete na LDB 9.394/96 art. 26, alterada pela Lei 10.793/03 que trata a Educação Física

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como uma área reducionista focada somente no físico, esquecendo de outros importantes temas
pertencentes à disciplina.
Na questão da orientação curricular, nenhum dos professores entrevistados segue uma Proposta Curricular
e/ou plano de ensino da escola para o planejamento das aulas, devido à proposta curricular esta fora da
realidade do público da EJA. Outros professores nunca ouviram falar em currículo para EJA, desconhecem
tal proposta.
De acordo com todos os educadores entrevistados, a prática e orientação da atividade física como área
temática da Educação Física é a contribuição mais evidente que a disciplina pode gerar para os jovens e
adultos, a qual pode trazer sensibilização desse público para com os benefícios da qualidade de vida e
saúde através de aulas que utilizem assuntos sobre o estresse e atividades de relaxamento que levem os
alunos considerar a Educação Física como um componente curricular relevante para a EJA indo de
encontro ao que o autor a seguir comenta:

[...] os estudantes de EJA, segundo alguns colaboradores, apresentam interesse em conhecer mais sobre os
processos fisiológicos que ocorrem no organismo durante a prática de atividades físicas e ainda efeitos e
riscos que a acompanham. Para vários colaboradores, as aulas constituem uma possibilidade de
conscientização para uma prática adequada de atividades físicas ou, por outro lado, uma
instrumentalização para o lazer através da vivência de distintas práticas corporais. (GUNTHER et. AL. 2009,
p.8).

Assim, a Educação Física torna-se importante não só como uma prática de atividade física, mas
conhecimentos sobre o corpo e cuidados com este, ou seja, uma prática adequada e consciente.

3. 2. PARTICIPAÇÃO E INTERESSE DOS ALUNOS DA EJA NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Foram aplicados questionários aos alunos que continham duas perguntas fechadas, os quais abordavam
sobre a necessidade do ensino da Educação Física na Educação de Jovens e Adultos, participação dos
discentes nas aulas depois de longo dia trabalho, ao final, sugestões de conteúdos para a Educação Física
como componente curricular. Também foram observadas duas aulas de Educação Física da EJA, nas escolas
pesquisadas.
A partir destes questionários, foram elaborados gráficos representando cada pergunta.

GRÁFICO 1

Pergunta n.º 1 - A Educação Física é uma disciplina


necessária na educação de jovens e adultos (EJA)?

15%

Sim
Não
85%

De acordo com o gráfico 1, um grande percentual dos alunos pesquisados respondeu positivamente, o
que, no entanto, não condiz com a realidade observada, pois infelizmente os discentes não vêem a
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Educação Física como disciplina e sim, como um mero momento livre de lazer e descanso, no qual somente
há realização de jogos sem objetivos concretos, sendo que um dos motivos que mais colaboram com esse
triste contexto é apenas da exigência da freqüência nas aulas sem uma participação efetiva da classe na
aula. Araújo critica a visão deturpada que se tem até hoje do ensino da disciplina discutida:
O que se verifica no decorrer da história da Educação Física é que suas aulas são representadas como uma
aula: do tempo livre, do “faz-de-conta”, da “bola-bola”, de fazer atividades de outras disciplinas, de falar
do capítulo de uma novela, do lazer, do “tampa buraco de outras matérias”. (ARAÚJO, 2008, p. 27)
Quanto aos estudantes que responderam negativamente, percebe-se que no momento o maior objetivo é
a conclusão dos estudos para que tenha uma qualificação melhor a fim de buscar oportunidades maiores
no mercado de trabalho.
Assim, Carvalho (1994) chama a atenção para o fato de que o estudo à noite parece representar um
prolongamento da jornada de trabalho; pois muitos destes alunos, após trabalharem o equivalente à oito
horas diárias, deslocam-se sem tempo para descanso rumo às escolas, onde irão trabalhar por mais
algumas horas. Desta jornada tripla participam tanto os alunos quanto os professores. É a luta pela
sobrevivência, onde ambos, desempenhando papéis contrários, participam como atores do ensino
noturno. É preciso que a escola entenda-o enquanto sujeito participante das relações de trabalho e
questione que tipos de relação e de trabalho estão em jogo.

GRÁFICO 2

Pergunta n.º 2 - Depois de um longo dia de


trabalho o aluno da EJA deve participar da aula
de Educação Física:

Sim
41%
46% Não
Às vezes
13%

Considerando a segunda pergunta, pode-se perceber que houve certo equilíbrio entre as respostas sim e
às vezes, no qual gráfico 2 aponta que a maioria acredita que deve participar das aulas, contudo, como
visto anteriormente na primeira questão, tratam a disciplina como um espaço livre para outras atividades.
Em segundo, os alunos crêem que às vezes deve-se está nas atividades que não demandem grande esforço
físico devido a exercício laboral realizado durante todo o dia. Quanto os que disseram não, observam-se
um público feminino que tem um tabu antigo com o ensino tradicional da Educação Física.
Nessa perspectiva o autor propõe indagações como novas alternativas para o componente no ensino de
jovens e adultos:

Por que não a utilização de aulas de Educação Física na EJA para, considerando o discurso da LDB, de que
os alunos estão cansados para o exercício da mesma (facultatividade), onde poderíamos trabalhar com
meditação, relaxamento ou ginástica laboral, por exemplo. Por que não trabalharmos com a história das
artes marciais: capoeira, judô, caratê... etc, de forma que os sujeitos as redescubram enquanto
instrumentos de libertação e luta contra a subserviência? Por que não trabalhar com jogos adaptados na
EJA de forma a ropiciar lazer, prazer e diversão para estes sujeitos que chegam já “cansados” de um dia
inteiro de trabalho? (COSTA et. AL. 2007, p.2).

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Deste modo, evidencia-se o campo de conteúdos da Educação Física que pode e/ou deve ser trabalhados
nas aulas de Educação Física na EJA, para uma maior participação dos alunos.
De essa forma os autores a seguir refletem sobre uma nova proposta para a Educação Física para os jovens
e adultos:

[...] precisamos pensar em uma Educação Física escolar para o ensino noturno que busque atender ao
aluno em todos os seus domínios, ou seja, que dê oportunidades para estes alunos expressarem seus
valores, suas vontades, seus desejos e fazer com que se libertem das "algemas da dependência", que sejam
seres humanos que tenham uma visão crítica sobre seu papel na sociedade e consigam com isso dar um
salto para um verdadeiro conhecimento válido. (SILVA e SILVA, 2007, p.4)

Portanto, pode-se dizer que a Educação Física na EJA deve ter como objeto principal o diálogo entre
professor e aluno, para acima de tudo, realizar um trabalho que estimule a participação dos alunos,
utilizando-se das vivências destes e da diversificação de conteúdos para formação do cidadão crítico e
atuante na sociedade.

4 CONCLUSÃO

Considerando as reflexões que este artigo nos proporcionou e a análise do material coletado, notou-se que
a prática docente do profissional de Educação Física para com a Educação de jovens e adultos vem
considerando as particularidades desse público, visto que, a metodologia empregada nas aulas aborda
temas relacionados à Atividade Física e Saúde. Contudo, no que tange à proposta de ensino, ainda é
necessário avançar na orientação curricular, relativo aos conteúdos que são utilizados nas aulas de
Educação Física, para que esta se torne valorizada, rompendo com o olhar voltado apenas como um
espaço de prática de jogo sem promoção de aprendizagem significativa aos estudantes da EJA.
Assim observa-se que os professores necessitam de uma formação continuada que condiza com as
necessidades dos alunos da EJA, promovendo a construção de um currículo que leve em consideração a
perspectiva do aluno trabalhador na práxis de ensino da Educação Física, deste modo gerando aulas
contextualizadas com a realidade do ensino noturno.
Sinalizamos que os alunos já rompem com paradigmas sobre a concepção de ensino, visto que acreditam
na Educação Física, frente a sua importância nesta modalidade de ensino, entretanto ainda compreendem
o ensino desta forma sendo organizado tradicionalmente utilizando o esporte como conteúdo prioritário.
Sugerem-se então adequações curriculares que perpasse pela holística do aluno trabalhador:
Construção conjunta entre gestão, professores, alunos e comunidade em uma Proposta Curricular para a
EJA que contemple mais essa alternativa de conhecimento à formação do ser humano, como
reconhecimento às várias linguagens e expressões que do sujeito é de direito;
Atribuição de notas por meio de avaliação do processo com aplicabilidade de instrumentos: seminários,
pesquisa e palestras temáticas, relatórios das aulas - de vídeos, entre outros, sendo em grupo, a fim de
aumentar o comprometimento dos alunos e professores com as aulas de Educação Física;
Abordagem de temas relativos à Atividade Física e Saúde, qualidade de vida, esporte, ginástica de
formação geral, assim possibilitando a sensibilidade e conhecimento sobre o vasto campo de atuação
desta área.
É possível afirmar, enquanto pesquisadores e professores, que este estudo foi de fundamental importância
na aquisição de novos conhecimentos, na abertura de novos horizontes e possibilidades de atuação no
âmbito educacional, especialmente no ensino da Educação Física na Educação de Jovens e Adultos.

REFERÊNCIAS

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ENDEREÇO DO AUTOR:
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EXERCÍCIOS FÍSICOS COMO TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO PARA


OSTEOARTRITE DE JOELHO

RANGOUSSIS, B.¹; COSTA, A.C (Orientador).²

1 - Faculdade Mogiana do Estado de São Paulo - Maceió – Brasil.


2 - FaculdadeMogiana do Estado de São Paulo - Distrito Federal – Brasil.
bruno_rangoussis@hotmail.com

RESUMO
Introdução: A prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) vem ocorrendo nos últimos anos
em países desenvolvidos e em desenvolvimento sendo vista como uma das principais características do
processo de transição epidemiológica, transformando o paradigma de saúde, onde doenças crônicas e
degenerativas afetam principalmente a população idosa, assumam papel de destaque. Algumas doenças
aumentam sua permanência a partir dos 60 anos, como é o caso da osteoartrite. A osteoartrite (OA) é uma
doença crônico-degenerativa, multifatorial que acomete a cartilagem articular, levando a incapacidade
funcional progressiva, alterações ósseas, rigidez a movimentação, deformidades, e que atinge
repetidamente as articulações que sustentam peso, como por exemplo, o joelho.
Objetivo: Expor as principais evidências relacionadas ao uso do exercício físico como tratamento não
farmacológico na melhora dos sintomas decorrentes da osteoartrite de joelho. Metodologia: Trata-se de
uma revisão bibliográfica, com a utilização das bases de dados eletrônicos de periódicos indexados; foram
analisadas as publicações a partir do ano 1999 até o ano de 2015, na base PubMed e na base Scientific
Electronic Library Online (Scielo) Resultados: Foiselecionado um total de 11 artigos, encontrados nas bases
de dados Scielo e PubMed. De acordo com o ano de publicação, os artigos classificados foram os
publicados entre os anos de 1999 a 2015. Conclusão: Pôde-se perceber que o exercício físico é colocado
como método eficaz de intervenção terapêutica no tratamento não farmacológico da osteoartrite, tendo
como suas principais ações a redução da dor e o aumento da mobilidade.

Palavras-chave: Osteoartrite. Osteoartrite de joelho.Exercícios e osteoartrite.

ABSTRACT
Introduction: The prevalence of chronic noncommunicable diseases (NCD) has been taking place in recent
years in developed and developing countries is seen as one of the main characteristics of the
epidemiological transition, transforming the health paradigm, where chronic and degenerative diseases
affect mainly elderly, assume a prominent role. Some diseases increase their stay from 60, as in the case of
osteoarthritis. Osteoarthritis (OA) is a chronic degenerative and multifactorial disease that affects articular
cartilage, leading to progressive disability, bone disorders, stiffness, handling, deformities, and repeatedly
hits the joints that maintain weight such as the knee .
Objective: Expose key evidence related to the use of physical exercise as a non-pharmacological treatment
in improving symptoms caused by knee osteoarthritis. Methodology: This is a literature review, with the use
of electronic databases of indexed journals; publications were analyzed from the year 1999 to the year
2015 in the PubMed and base Scientific Electronic Library Online (Scielo) Results: We selected a total of 11
articles found in SciELO and PubMed databases. According to the year of publication, classified the articles
were published between the years 1999 to 2015. Conclusion: It could be perceived that the exercise is
placed as an effective method of therapeutic intervention in non-pharmacological treatment of
osteoarthritis, having as its main actions to reducing pain and increasing mobility.

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Keywords: Osteoarthritis. Osteoarthritis of the knee.Exercise and osteoarthritis.

INTRODUÇÃO

A prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) vem ocorrendo nos últimos anos em países
desenvolvidos e em desenvolvimento sendo vista como uma das principais características do processo de
transição epidemiológica, transformando o paradigma de saúde, onde doenças crônicas e degenerativas
afetam principalmente a população idosa, assumam papel de destaque 12 14.Segundo a Organização
Mundial de Saúde (OMS), o Brasil apresenta uma das maiores taxas de crescimento da população idosa,
com crescimento para 2025 de cerca de 32 milhões de idosos13.Algumas doenças aumentam sua
permanência a partir dos 60 anos, destacando-se as doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, doenças
respiratórias crônicas, cerebrovasculares, hipertensão arterial sistêmica, câncer e doenças
osteoarticulares14.
A osteoartrite (OA) é uma doença crônico-degenerativa, multifatorial que acomete a cartilagem articular,
levando a incapacidade funcional progressiva, alterações ósseas, rigidez a movimentação, deformidades,
como também comprometimento da marcha e da funcionalidade nas atividades da vida diária 3 7 8 11.O
início e a progressão da OApodem ser influenciados por diversos fatores como a idade, processos
inflamatórios articulares, fatores genéticos, hormonais, mudanças no metabolismo e alterações
biomecânicas11.
A inflamação crônica pode exercer um papel fisiopatológico na progressão da OA 8. Sua inflamação emerge
como um mecanismo biológico subjacente ao envelhecimento relacionada com a redução da função física.
É observada também uma diminuição progressiva das funções do sistema imunológico devido ao
envelhecimento, podendo acarretar na diminuição da função e/ou quantidade de células importantes para
o sistema imunológico, como, por exemplo, TCD4 e TCD28, predispondo os idosos a doenças infecciosas,
neoplasias malignas, desordens autoimunes,dentre outros8.
As alterações mais expressivas ocorrem nas superfícies articulares que perdem a sua coerência7. Enquanto
esse fator ocorre na cartilagem, o osso subcondral sofre modificações proliferativas. Essas alterações
acontecem na margem das articulações e no assoalho das lesões cartilaginosas, comprometendo, com isso,
a elasticidade e aumentandosua rigidez, tornando, assim, os ossos mais sensíveis ao desenvolvimento de
micro fraturas7. Essas microfraturasregenera-se de forma excessiva ocasionando a formação de calos
ósseos e, consequentemente, aumentando a rigidez que envolve toda a estrutura articular, dando origem
aos osteófitos, luxações, instabilidade articular, como também a proliferação sinovial e sinovite ativa 7. As
células sinovial perto da periferia tornam-se metaplásticase acarretam a formação de novos osteófitos7.
Considerando a etiologia, existem dois tipos de osteoartrite que podem ser classificadas como primária
(quando não existe uma causa conhecida), ou secundária, (quando é desencadeada por fatores conhecidos
e determinados)7.Inicialmente o desgaste da cartilagem articular é assintomático, evoluindo com a
instalação de lesões ósseas e processos inflamatórios das estruturas articulares. Mesmo na fase
assintomática, quando ocorre agravamento agudo dos sintomas, podem ocorrer modificações no
comportamento motor5. A OA também estabelece uma limitação funcional significativa aos pacientes
acometidos7.
Dentre as articulações de sustentação de peso, o joelho é a estrutura mais frequentemente afetada.
Segundo Santos et al, 2010, OA de joelho acomete entre 17% e 30% dos idosos acima de 65 anos e pode
estar associada a sintomas de dor articular que ocorre principalmente durante atividades da vida diária,
instabilidade, redução da amplitude de movimento (ADM) e por conseguinte diminuição da qualidade de
vida e função8 9 11.
Esta limitação funcional resulta em um aumento do risco de morbidade e mortalidade, sendo a maior
prevalência e gravidade nas mulheres de meia idade5 9 11, representando uma das principais queixas da
consulta médica e responsável por um número elevado de absenteísmo e aposentadorias por
invalidez7.Nos Estados Unidos, a osteoartrite é a segunda causa de afastamento do trabalho,
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permanecendo atrás apenas de doenças isquêmicas cardíacas5. Já no Brasil, a prevalência de osteoartrite é


responsável por 30 a 40% das consultas em ambulatórios de reumatologia, sendo a quarta doença a
determinar aposentadoria (6,2%)3. É fundamental para indivíduos portadores de AO de joelho a avaliação
do desempenho para executar atividades cotidianas, como, por exemplo, subir e descer escadas8.
Indivíduos com OA de joelho proporcionam menos força do músculo quadríceps 9. A fraqueza deste grupo
muscular é uma das principais repercussões osteomusculares da OA de joelho.O déficit de força na
população com OA varia entre 15%–18% em pessoas no início da doença, avançando para 24% em
indivíduos com grau II (segundo classificação de Kellgren & Lawrence) e 38% no grau IV 10.Corroborando
com o assunto, Oliveira et al 2012sugeriram que modificações degenerativas na estrutura do joelho com
OA podem resultar em informação sensorial alterada de mecanorreceptores da articulação e, com isso,
diminuir a habilidade de ativaçãodo quadríceps. Assim, é possível perceber a relevância da fraqueza do
grupamento muscular em pacientes com OA10.
Acredita-se que a fraqueza do quadrícepsproporciona redução da força dos músculos dessa articulação,
podendo ou não estar associado à atrofia muscular, à dor e ao edema, diminuindo a proteção articular e
levando à redução da capacidade funcional, resultando, com isso, em um maior estresse e sobrecarga ao
joelho, como também, o maior dano estrutural, já que esse músculo age como um absorvedor de choque
da articulação9 10 11. A origem da fraqueza do quadríceps femoral em pacientes com OA não é clara.
Oliveira et al 2012 têm ratificado que alguns pacientes com OA exibem incapacidade de ativar o quadríceps
de forma completa, podendo ser chamada de falha na ativação do quadríceps (FAQ) 10.
O tratamento não farmacológicoé considerado uma das principais interferências para pacientes com OA de
joelho, tendo como principais objetivos a redução da dor, melhora da função, dos aspectos sociais e
ocupacionais5 10 11. Exercícios moderados mostraram ser um bom tratamento não apenas na melhora dos
sintomas e da função, mas também no conteúdo de glicosaminoglicanas na cartilagem do joelho em
pacientes de alto risco de AO10.
Exercícios de fortalecimento de quadríceps realizados por oito semanas demostraram ser tão efetivos na
melhora da função quanto o uso de anti-inflamatórios não hormonais em indivíduos com OA de joelho9.
Imotoet al 2012 constataram que existe um efeito benéfico dos exercícios na dor e função. Contudo, houve
uma variabilidade acentuada quanto ao tipo de exercício avaliado, especialmente em relação aos aspectos
metodológicos9.
O objetivo do presente trabalho é relatar as principais evidências integradas ao uso do exercício físico na
melhora dos sintomas decorrentes da osteoartrite através de uma revisão de literatura.

OBJETIVO

Expor as principais evidências relacionadas ao uso do exercício físico como tratamento não farmacológico
na melhora dos sintomas decorrentes da osteoartrite de joelho.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente estudo foi desenvolvido através de revisão bibliográfica, com a utilização das bases de dados
eletrônicos de periódicos indexados; foram analisadas as publicações a partir do ano 1999 até o ano de
2015, na base PubMed e na base Scientific Electronic Library Online (Scielo).
Esta pesquisa envolveu a busca por estudos que tiveram como descritores os termos osteoartrite,
osteoartrite de joelho, osteoartrite e exercícios.
Para a escolha dos artigos científicos, foram propostos os seguintes critérios: apresentar dados no estudo
sobre indivíduos acometidos pela osteoartrite e relatar informações sobre a utilização de exercícios físicos
no tratamento da doença.
Os procedimentos foram estabelecidos na seguinte sequência: na primeira etapa da busca, realizou-se um
levantamento de artigos encontrados com os descritores propostos nas bases de dados anteriormente
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mencionadas; em uma segunda etapa, ocorreu uma leitura e seleção criteriosa dos artigos e a formação de
um banco de dados.
Os artigos foram organizados por similaridade de população e resultados, de forma que se caracterizou a
publicação científica que se associasse à temática. Na etapa de análise, esses dados foram discutidos
conforme a literatura relacionada, no sentido de estabelecer consensos e pontos divergentes na literatura
e proporcionar um resumo crítico sintetizando as informações disponibilizadas pelos artigos coletados.
Foram critérios de exclusão: 1) trabalhos científicos que estivessem divulgados em outras formatações,
configurados como revistas e materiais educativos; 2) artigos que não obtivesse seu resumo nas bases de
dados selecionadas; 3) artigos em meta-análise, pelo fato de não serem fontes primárias de dados; 4)
artigos com deficiência na descrição metodológica, principalmente no que se referem a objetivo, métodos,
resultados e conclusões. Vale ressaltar a atenção obtida para que os artigos não fossem incluídos duas
vezes, caso permanecessem indexados em mais de uma das bases de dados selecionadas.

RESULTADOS

Foi selecionado um total de 11 artigos, encontrados nas bases de dados Scielo e PubMed. De acordo com o
ano de publicação, os artigos classificados foram os publicados entre os anos de 1999 a 2015.
Os principais sinais e sintomas mencionados nos artigos foram: dor e perda da função do joelho, alteração
na mobilidade articular, perda de força dos quadríceps e isquiotibiais.
Os estudos mostraram uma frequência de três vezes na semana com exercícios contra resistência de
cadeia cinética fechada e/ou aberta realizando de três a quatro séries de seis a doze repetições. Também
foram relacionados exercícios de flexibilidade dos isquiostibiais.

DISCUSSÃO

A revisão bibliográficarelacionando o exercício físico, especialmente o fortalecimento do quadríceps e


isquiotibiais, em indivíduos com osteoartrite revelou um efeito positivo no uso deste como frequente
modalidade de tratamento, já que todos os artigos pesquisadosdescreveram, em seus resultados, a
melhora dos sintomas clínicos relacionados à dor, à função e à mobilidade. Com isso, pode-se perceber
que refletiu de forma direta na qualidade de vida dos indivíduos acometidos por essa doença.
Os estudos realizados apresentaram-se em maior número amostras com uma média de idade de 50 anos
ou mais, com artigos mencionando indivíduos de ambos os sexos, na maior parte das vezes prevalecendo o
sexo feminino em seus estudos2 5 6 10 11.
Dentre as causas envolvidas nos estudos estão à perda de força dos músculos do quadríceps e isquiotibiais
como também perda na mobilidade de indivíduos com osteoartrite 2 5 6 10 11. A articulação pesquisada foi a
do joelho, pois acomete entre 17% e 30% dos idosos acima de 65 anos11. As mulheres, no entanto, tendem
a apresentar mais a osteoartrite de joelho quando comparadas ao sexo masculino 5.A idade, genética,
obesidade e a presença de outras doenças articulares comprometem as estruturas biomecânicas das
articulações7, acarretando em dor mecânica, que tem relação direta com o movimento articular, períodos
de dor inflamatória, que correspondem a surtos inflamatórios secundários às alterações biomecânicas,
influenciando, assim, na realização de atividades funcionais, rigidez articular, progredindo
proporcionalmente à perda de cartilagem e fraqueza muscular11.
Em função da gravidade das lesões os sintomas variam, surgindo dores aos pequenos esforços, à medida
que o processo se agrava,e até mesmo em repouso, sendo característica queixa ao se levantar de uma
cadeira, melhorando apenas após alguns passos7. O exame físico é de grande importância, assim permite
que o profissional de saúde detecte o aumento de volume da articulação, a atrofia do quadríceps, além de
observar também dor à palpação das interlinhas articulares e à mobilização da patelar, que pode
apresentar-se parcialmente ou totalmente limitada, proporcionando crepitação perceptível à palpação

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quando realizado movimento de flexoextensão do joelho 7.A limitação da extensão do joelho e a


bilateralidade do processo são derteminantes significativos de incapacidade7.
A dor associada à perda da função física apresenta-se como principal sintoma no indivíduo com
osteoartrite. Estudos indicam em seus resultados efeito positivo na redução da dor e melhora da função,
bem como nos demais sintomas quando utilizado exercícios físicos2 6 7 8 9 10 11.
Entre os tratamentos não farmacológicos mais utilizados nos artigos classificados está o uso de exercícios
contra resistência para estabilidade articular, postura, fortalecimento do quadríceps e isquiotibiais 5 6 9 10.
Os exercícios isométricos foram utilizados tendo como objetivo aliviar a dor e prevençãoda atrofia
muscular devido à imobilidade7. Também foram realizados exercícios de flexibilidade com objetivo de
melhorar o movimento articular de maneira suave e confortável, respeitando a amplitude do movimento
sem causar dor7 9 10.
Nos exercícios contra resistência foram utilizados exercício de baixa e alta intensidade, exercícios
isocinéticos que proporcionam um melhor desempenho muscular ao grupamento da articulação
exercitada5 6 7.
Os artigos propõemcomo avaliação para medição de dor e função motora, antes e depois do tratamento o
questionárioWestern Ontario and McMaster UniversitiesOsteoarthritis Index (WOMAC), validado e
recomendado pela Osteoarthritis Research Society como mensuração para avaliar adultos com OA de
joelho7 10. Esse questionário possui três dimensões: dor, rigidez articular e função motora, e
proporcionaótima confiabilidade teste-reteste2 5 11.O questionário contém 17 questões relacionadas ao
grau de dificuldadepara realizar atividades da vida diária a fim deanalisar a função física do indivíduo 8. É
pedido ao paciente que indiquede 0 (nenhuma) a 4 (acentuada) o grau de dificuldade nas últimas 72 horas.
Para gerar a pontuação individual é somado os 17 itens, podendo variar de 0 a 68, sendo que quanto maior
o escore, pior a função10.

CONCLUSÃO

Conforme a verificação dos artigos escolhidos e analisados pôde-seperceber que o exercício físico é
colocado como método eficaz de intervenção terapêutica no tratamento não farmacológico da
osteoartrite, tendo como suas principais ações a redução da dor e o aumento da mobilidade. A OA é uma
doença articular degenerativa que podeprejudicar regiões do corpo que toleram grandes quantidades de
peso e são muito utilizadas, como por exemplo,o joelho e foi rotineiramentecitado nos artigos dessa
revisão.
A escassez de estudos evidencia a necessidade de realizar a aplicação dessas atividades com embasamento
científico. Com isso, são necessários mais estudos relacionados a esse assunto para que o emprego correto
deste tipo de tratamento seja compreendido e reproduzido, proporcionando um método baseado na
evidência.

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ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA E RISCOS DE DOENÇAS CORONARIANAS DO


EFETIVO POLICIAL DA 25ª CICOM ATRAVÉS DA RELAÇÃO CINTURA – QUADRIL

AUZIER, M.D.M1; VIANA, J2


Universidade Nilton Lins – Manaus – AM
Uninorte- AM
dellano_acv@hotmail.com

RESUMO

A população obesa cresce a cada dia e isso se torna um fato preocupante, pois além de doenças cardíacas
a pessoa que se encontra acima do seu peso ideal estará propensa a adquirir outros tipos de doenças
relacionadas também a obesidade. Para ingressar na Polícia Militar do estado do Amazonas o indivíduo e
submetido a diversos testes que vai desde o exame cognitivo, passando principalmente ao teste físico e
chegando aos exames médicos e psicológicos. Os exames de Aptidão Física são constituídos de exercícios
variados, tais que permitam avaliar a capacidade de realização de esforços e a resistência à fadiga física
dos indivíduos, visando a selecionar aqueles que apresentam condições de suportar os rigores da atividade
militar estadual nos graus hierárquicos iniciais e subsequentes das carreiras a que se destina o profissional.
O presente artigo abordou o índice de relação cintura – quadril, onde a pesquisa mostra que não houve
diferença significativa dos grupos, eis que ambos estão classificados com um risco MODERADO de obter
algum tipo de doença coronariana, pois a média dos índices apresentados deram-se nos valores de 0,87
para efetivo administrativo e 0,88 para o outro grupo. Após os dados coletados, realizados os cálculos,
verificou-se que 45% dos indivíduos estão relacionados no patamar de MODERADO, entretanto 25% estão
no nível preocupante do RCQ que se da ao RISCO ALTO, relacionado com grande volume de gordura
localizada na região central do corpo. Quanto a qualidade de vida, analisado pelo Questionário
Internacional de Atividade física na sua versão curta, constatou-se 40% dos indivíduos analisados
encontram-se na qualidade de vida ATIVO, e somente 5% dos indivíduos se encontram na classificação
SEDENTÁRIO que corresponde a aquele que não realizou nenhuma atividade física por pelo menos 10
minutos contínuos durante a semana.A sempre a necessidade de haver a disciplina consciente de cada um
para o cuidado e manutenção individual de sua saúde, que começa desde sua alimentação a prática de
alguma atividade regular, a intenção deste trabalho é de conscientização e a tentativa de prevenção para
que problemas de mortes e doenças de policias relacionado a obesidade e sedentarismo sejam evitados na
tropa.
Palavras – chave: Policiais, Obesidade, atividade física.

ABSTRACT

The elderly population is growing every day and it becomes a disturbing fact, as well as heart disease the
person who is above your ideal weight is prone to acquire other types of diseases also obesity. To join the
Amazonas state military police and the individual subjected to various tests ranging from cognitive exam,
passing mainly to the physical test and getting to medical and psychological examinations. Examinations of
Physical Fitness consist of various exercises such to assess the capacity to carry out efforts and resistance
to physical fatigue of individuals, aiming to select those with conditions to withstand the rigors of state
military activity in the early hierarchical degrees and subsequent careers of the intended professional. This
article covered the waist ratio index - hip, where research shows that there was no significant difference
between the groups, here they both are classified with a MODERATE risk to get some kind of coronary

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disease because the average presented indices have given up the values of 0.87 and 0.88 for effective
administration to the other group. After the data collected performed calculations, it was found that 45%
of individuals are listed in moderate level, though 25% is the disturbing level WHR that of the high risk
associated with large volume of fat located in the central region of the body. As for quality of life, assessed
by the International Physical Activity Questionnaire in its short version, there was 40% of the subjects
analyzed are the quality of life ACTIVE, and only 5% of individuals are in sedentary classification
corresponding to that that did not perform any physical activity for at least 10 continuous minutes during
the week. The always need to be conscious discipline of each to the care and individual care of your health,
starting from their feeding practice some regular activity, the intention of this work is to raise awareness
and try to prevent that problems deaths and police diseases related to obesity and physical inactivity are
avoided in the army.
Keywords: police, obesity, physical activity.

INTRODUÇÃO

Na atualidade, um dos fatores causadores do risco de doenças cardíacas, é a obesidade, ou excesso de


gordura. A população obesa cresce a cada dia e isso se torna um fato preocupante, pois além de doenças
cardíacas a pessoa que se encontra acima do seu peso ideal estará propensa a adquirir outros tipos de
doenças relacionadas também a obesidade. Segundo Costa (2001) citado por Pontes & Sousa (2005), os
índices de sobrepeso e obesidade têm crescido de forma assustadora em diversos países industrializados e
em desenvolvimento, o que tem tornado o controle da composição corporal, uma das principais
preocupações de vários órgãos de saúde pública.
No Brasil não é diferente a população obesa ou com sobrepeso cresce muito rapidamente e o Instituto
Nacional de Alimentação e Nutrição - INAM, relatou que cerca de 32% da população adulta apresenta
algum grau de sobrepeso. O índice de sobrepeso no homem é maior do que na mulher, isto quer dizer 30%
e 18,5% respectivamente (GUEDES & GUEDES, 2003, citado por PONTES & SOUSA, 2005).Sendo assim,
muitas pessoas consideradas saudáveis, ou seja, que tem uma boa aparência, estão sofrendo com doenças
coronarianas, e não sabem.Vários fatores podem influenciar no aparecimento da obesidade, entre eles
segundo MCARDLE. (1998) estão: o fator genético, hábitos alimentares, inatividade física, fatores
socioeconômicos, comportamentais e metabólicos.
Para ingressar na Polícia Militar do estado do Amazonas o indivíduo e submetido a diversos testes que vai
desde o exame cognitivo, passando principalmente ao teste físico e chegando aos exames médicos e
psicológicos. Os exames de Aptidão Física são constituídos de exercícios variados, tais que permitam
avaliar a capacidade de realização de esforços e a resistência à fadiga física dos indivíduos, visando a
selecionar aqueles que apresentam condições de suportar os rigores da atividade militar estadual nos
graus hierárquicos iniciais e subsequentes das carreiras a que se destina o profissional.
A necessidade de se manter a atividade física ativa é extremamente importante como meio de prevenção
de diversas doenças ocasionadas pelo sedentarismo, que leva consequentemente a obesidade, Segundo
Costa (2004), doenças como a diabetes, coronariopatia, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral,
males hepáticos, apoplexia, dificuldades biomecânicas, entre outras, representam gastos diretos e
indiretos de atenção a saúde.Ocorre que após ingressar nas fileiras da Polícia Militar do Amazonas a
maioria dos policiais deixam de praticar atividades físicas, muitas vezes por falta de tempo, ou falta de
disposição, ocorrendo assim um alto índice de problemas de saúde relacionadas a obesidade na tropa,
onde os riscos de doenças do coração se torna ainda mais possível por ela se agravar através da inatividade
física e da alta concentração de gordura na região central do corpo humano.
A justificativa para este trabalho é de conscientizaçãodo policial, para que ele possa cuidar de sua saúde
mediante a atividade física, tendo em vista que, a obesidade e o sedentarismo são problemas frequentes
hoje na tropa, resultando em uma baixa qualidade da saúde dos policiais, mediante ao supra exposto, o
presente artigo tem como finalidade a análiseda qualidade de vida e os riscosde doenças coronarianas
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aplicando o método para a predição, a relação da circunferência da cintura e do quadril (RCQ)proposto por
Bray& Gray (1988), utilizando ainda o Questionário Internacional de Atividade Física – versão curta e suas
respectivas classificações para20 policiais militares do estado do Amazonas lotados na 25ª CICOM
(Companhia Integrada Comunitária), comparando os policiais que exercem funções administrativa, com
policiais que atuam na área de serviço propriamente dito. Sabendo que, o efetivo administrativo tem um
nível de trabalho menos estressante, também possui dois dias na semana voltada pra atividade física, com
o horário planejado, diferentemente do efetivo de serviço de viaturas, existe a hipótese de o efetivo
administrativo conter riscos bem menores, pois o efetivo de rua não possui ainda uma organização
adequada de horário para que esse policial possa ter o momento de cuidar de sua saúde mediante a
atividade física, trabalhando muitas das vezes sobre alto nível de estresse.

OBJETIVOS
Geral
Procurar avaliar o risco de doenças relacionadas ao peso e a localização da gordura principalmente na
região abdominal ao redor da cintura através da relação cintura – quadril (rcq) de policias militares da 25ª
CICOM, comparando com a qualidade de vida desses indivíduos através do Questionário Internacional de
Atividade Física – versão curta.
Específico
Realizar a comparaçãodos policiais que exercem funções administrativas, com policiais que atuam na área
de serviço propriamente dito, distinguindo-se o nível de aptidão física de cada grupo, pelo motivo da rotina
de trabalho ser diferenciada.

MATERIAIS E MÉTODOS
Amostra
A amostra foi composta pela totalidade de 20 policiais militares voluntários do sexo masculino e com
idade que variam de 23 a 45 anos, com media de idade igual a 30 anos de idade. Para analisar a
classificação do RCQ todos policiais deveriam está ativo em sua função dentro da Instituição.
Materiais utilizados
Foi utilizado para aferir a circunferência da cintura e do quadril uma fita de medidas antropométricas
CESCORF com comprimento de 2 m.

Instrumentos empregados

Para a análise de qualidade de vida foi utilizado o Questionário Internacional de Atividade Física – versão
curta e suas respectivas classificações. Home Page: www.celafiscs.com.br IPAQ Internacional:
www.ipaq.ki.se
Para analisar a classificação do RCQ foi utilizada uma tabela de classificação do programa Physical Test
5.0 citada por Bispo (2004) relacionada abaixo.

Fonte: Physical Test 5.0 citado por Bisbo (2004)


Classificação Feminina
idade baixo moderado alto Muito alto
De 20 a 29 < 0,71 0,71 a 0,77 0,78 a 0,82 > 0,82
De 30 a 39 < 0,72 0,72 a 0,78 0,79 a 0,84 > 0,84
De 40 a 49 < 0,73 0,73 a 0,79 0,80 a 0,87 > 0,87
De 50 a 59 < 0,74 0,74 a 0,81 0,82 a 0,88 > 0,88
De 60 a 69 < 0,76 0,76 a 0,83 0,84 a 0,90 > 0,90

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Classificação Masculina
idade baixo moderado alto Muito alto
De 20 a 29 < 0,83 0,83 a 0,88 0,89 a 0,94 >0,94
De 30 a 39 < 0,84 0,84 a 0,91 0,92 a 0,96 >0,96
De 40 a 49 < 0,88 0,88 a 0,95 0,96 a 1,00 > 1,00
De 50 a 59 < 0,90 0,90 a 0,96 0,97 a 1,02 > 1,02
De 60 a 69 < 0,91 0,91 a 0,98 0,99 a 1,03 > 1,03

CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA IPAQ


1. MUITO ATIVO: aquele que cumpriu as recomendações de:
a) VIGOROSA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão
b) VIGOROSA: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão + MODERADA e/ou
CAMINHADA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão.
2. ATIVO: aquele que cumpriu as recomendações de:
a) VIGOROSA: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão; ou
b) MODERADA ou CAMINHADA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão; ou
c) Qualquer atividade somada: ≥ 5 dias/sem e ≥ 150 minutos/sem (caminhada +
moderada + vigorosa).
3. IRREGULARMENTE ATIVO: aquele que realiza atividade física porém insuficiente para ser
Classificado como ativo, pois não cumpre as recomendações quanto à freqüência ou duração. Para
realizar essa classificação soma-se a frequência e a duração dos diferentes tipos de atividades
(caminhada + moderada + vigorosa). Este grupo foi dividido em dois subgrupos de acordo com o
cumprimento ou não de alguns dos critérios de recomendação:
IRREGULARMENTE ATIVO A: aquele que atinge pelo menos um dos critérios da
recomendação quanto à freqüência ou quanto à duração da atividade:
a) Freqüência: 5 dias /semana ou
b) Duração: 150 min / semana
IRREGULARMENTE ATIVO B: aquele que não atingiu nenhum dos critérios da recomendação
quanto à frequência nem quanto à duração.
4. SEDENTÁRIO: aquele que não realizou nenhuma atividade física por pelo menos 10 minutos contínuos
durante a semana.

Procedimentos empregados
A coleta dos dados foi realizada durante o serviço normal, por um único pesquisador, a qual orientou os
participantes a utilizarem roupas leves, que não apertasse a região da cintura e do quadril. Eles deveriam
ficar com os pés descalços e se posicionarem na posição ortostática. A circunferência da cintura (CC) foi
obtida na menor curvatura localizada entre as costelas e a crista ilíaca com fita métrica flexível e inelástica
sem comprimir os tecidos. Quando não foi possível identificar a menor curvatura, obteve-se a medida de
dois centímetros acima da cicatriz umbilical. A circunferência do quadril (CQ) foi obtida colocando-se uma
fita métrica flexível e inelástica ao redor da região do quadril, na área de maior protuberância, sem
comprimir a pele.
Resultados

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Discussão

No índice de relação cintura – quadril, a pesquisa mostra que não houve diferença significativa dos grupos,
eis que ambos estão classificados com um risco MODERADO de obter algum tipo de doença coronariana,
pois a média dos índices apresentados deram-se nos valores de 0,87 para efetivo administrativo e 0,88
para o outro grupo.Para Bispo (2004), sendo mais especifico, a RCQ que tem como resultados do
percentual de gordura, números que ultrapassam 0,95 para homens e 0,80 para mulheres, estão
relacionados ao maior risco de morte.Após os dados coletados, realizados os cálculos, verificou-se que 45%
dos indivíduos estão conforme Bispo (2004), relacionados no patamar de MODERADO, entretanto 25%
estão no nível preocupante do RCQ que se da ao RISCO ALTO, relacionado com grande volume de gordura
localizada na região central do corpo. Quanto aqualidade de vida, analisado pelo Questionário

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Internacional de Atividade física na sua versão curta, constatou-se 40% dos indivíduos analisados
responderam que praticam qualquer atividade somada: ≥5 dias/sem e ≥150 minutos/sem . estando de
acordo com o IPAQ relacionados na qualidade de vida ATIVO, e somente 5% dos indivíduos se encontram
na classificação SEDENTÁRIO que corresponde aaquele que não realizou nenhuma atividade física por pelo
menos 10 minutos contínuos durante a semana.O IPAQ é um questionário utilizado como medida-padrão
para coletar dados comparáveis de atividade física em diferentes contextos socioculturais, e o Brasil foi um
dos países incluídos na elaboração e validação desse instrumento. Apesar da existência de um estudo
multicêntrico de validação do IPAQ (CRAIG et al., 2003), a forma de análise desse estudo foi contestada por
pesquisadores brasileiros (HALLAL et al., 2004), de modo que ainda são necessários novos estudos de
validade e repetitividade. Além disso, estudos sobre o desempenho do IPAQ para mensuração dos níveis
de atividade física tendem a superestimar a prevalência de inatividade física (AINSWORTH et al., 2006).
Apesar dessas limitações, o IPAQ tem vantagens em comparação a outros instrumentos, principalmente no
que se refere à possibilidade de comparação entre os estudos (HALLAL et al., 2007).
As relações entre qualidade de vida e nível de atividade física apresentaram fortes correlações
significativas para o sexo masculino em todos os domínios e qualidades de vida geral, e moderadas
correlações significativas para o sexo feminino em todos os domínios e qualidade de vida Geral. Em estudo
realizado por (VENÉRIO et al.,2011), com policiais militares lotados no município de Campo Grande/MS
com 10 a 20 anos de serviço,relacionando doenças crônicas e seus fatores de risco, foram avaliados 35
profissionais, com idade de 31 a 47 anos, os participantes foram submetidos à avaliação de medidas
antropométricas e responderam um questionário sobre o estilo de vida, o qual incluiu o auto relato de
doenças crônicas clinicamente diagnosticadas. Os resultados da avaliação antropométrica indicaram que as
médias do grupo de policiais militares pesquisados estavam com sobrepeso e com risco moderado de
desenvolvimento de doenças relacionadas ao acúmulo de gordura abdominal. Quanto ao estilo de vida, a
população do estudo foi classificada, em sua maioria, como não fumante e praticante de atividade
física.Outra pesquisa realizada por (RODRIGUES et al., 2014) foi avaliar os níveis de atividade física dos
PPMM de uma Companhia PM de uma cidade interiorana no Estado do Mato Grosso, fazendo uma
associação entre as variáveis: Nível de atividade física, composição corporal, relação cintura quadril e
tempo sentado. Para isso, foi feita uma pesquisa de campo de natureza descritiva e transversal com
amostragem do tipo não probalística intencional utilizando o questionário IPAQ versão curta para avaliar o
nível de atividade física, questionário de tempo sentado com a finalidade de estabelecer índices de
sedentarismo e os dados antropométricos de IMC e RCQ para estabelecer índices de obesidade e risco
cardíaco dos pesquisados.Nos resultados, concluiu-se que os Policiais pesquisados estão com baixos
índices de atividade física; a grande maioria acima do peso ideal e apresentando sérios riscos de
desenvolver doenças crônicas degenerativas, especialmente, doenças do coração. A pesquisa revelou
ainda que ambos os fatores: tempo sentado, nível de atividade física, composição corporal e relação
cintura quadril, estão fortemente associados aos resultados negativos encontrados na pesquisa.As
diferenças entre estudos podem ser explicadas, em parte, pelo número de participantes envolvidos em
cada estudo, de modo que os questionários são instrumentos aplicados comumente em amostras
epidemiológicas e, sobretudo o IPAQ, que tem demonstrado dificuldades nos resultados em estudos com
baixo número de participantes (PARDINI et al., 2001).

CONCLUSÃO
Nos métodos utilizados nota-se que, apesar do efetivo administrativo ter durante a semana de trabalho,
horários destinados a atividade física, conclui-se que mesmo assim, não estavam mantendo uma qualidade
de vida boa, por outro lado o efetivo da tropa que empenhava-se no trabalho externo, atendendo
ocorrências em viaturas, aonde o risco de vida e maior e onde que lhe dar com problemas da sociedade
diariamente, como principalmente a criminalidade, vinham mantendo um nível melhor de qualidade de
vida no que diz respeito a prática de atividade física, até mesmo por saber que necessitam de um vigor
físico adequado para a atividade fim de polícia. Concluindo assim que, cada vez mais devemos
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conscientizar e incentivar o indivíduo para que não entre em estado de sedentarismo. A sempre a
necessidade de haver a disciplina consciente de cada um para o cuidado e manutenção individual de sua
saúde, que começa desde sua alimentação a prática de alguma atividade regular, vale a pena relatar que
durante a realização desse trabalho um policial infelizmente faleceu na unidade da 25ª CICOM por infarto,
o mesmo encontrava-se em estado altíssimo de obesidade, onde se ocasionou várias patologias, como
diabetes e problemas cardíacos, fato esse que deixa ainda mais claro a intenção deste trabalho de
conscientização e a tentativa de prevenção para que mais fatos desses aconteçam na tropa.

BIBLIOGRAFIA
AINSWORTH, B. E. et al. Comparison of the 2001 BRFSS and the IPAQ physical activity
questionnaires. Medicine & Science in Exercise and Sports, Madison, v. 38, n.9, p. 1584-1592, 2006.
BRAY, G.A. Classification and evolution of the obesities. Med Clin North Am, USA, 1988
CRAIG, C. L. et al. International physical activity: questionnaire: 12-country reliability and validity. Medicine
& Science in Exercise and Sports, Madison, v. 35, no. 8, p. 1381-1395, 2003.
COSTA, Allan Jose Silva da. Principais atividades físicas que auxiliam na prevenção e no tratamento da
obesidade. In: Revista virtual EFArtigos, vol.02 nº 05, Natal-RN, 2005.
HALLAL, P. C.; VICTORA, C. G. Validity and reliability of the International Physical Activity
Questionnaire.Medicine& Science in Exercise and Sports, Madison, v. 36, no. 3, p. 556, 2004.
HALLAL, P. C. et al. Evolution of the epidemiological research on physical activity in Brazil: a systematic
review.Revista de SaúdePública, São Paulo, v. 41, no. 3, p. 453-460, 2007.
MCARDLE, William D.; KATCH, Frank I.; KATCH, Vitor L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e
desenvolvimento humano. 4ª ed. editora Guanabara Koogan, 1998.
PARDINI, R. et al. Validação do questionário internacional de nível de atividade física (IPAQ – versão 6) :
estudo piloto em adultos jovens brasileiros. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, DF, v. 9, n.
3, p. 45-51, 2001.
PONTES, Luciano Meireles de; SOUSA, Maria do Socorro Cirilo de. Inter-relação entre níveis de atividade
física, hábitos alimentares e marcadores da composição corporal em adultos de ambos os sexos. In:Revista
virtual EFArtigos, vol.03 nº 03, Natal-RN.
VENÈRIO O.; EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires – Ano 16 – n° 156 – Maio de 2011.
http://www.efdeportes.com.
www.celafiscs.com.br IPAQ Internacional: www.ipaq.ki.se

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AVALIAÇÃO DO CONSUMO ALIMENTAR NO PRÉ-TREINO DE PRATICANTES DE


TREINAMENO FUNCIONAL

BRITO, B. M. de B.1; SILVA, A. P. de E.1

Instituto Enaf (Educação e Pesquisa) – Poços de Caldas, MG – Brasil.


brunah.mbrito@gmail.com

RESUMO
O treinamento funcional tem sido bastante procurado por indivíduos com a finalidade de alterar a
composição corporal, principalmente, redução dos níveis de gordura. O objetivo deste trabalho foi
determinar e avaliar o hábito alimentar na refeição pré-treino de praticantes de treinamento funcional na
areia. Foram avaliados 45 alunos, de ambos os sexos, de duas turmas (matutina e vespertina), no
município de Maceió-Alagoas que realizavam o treino no mínimo duas vezes por semana. Um total 82,22%
(n=37) era do sexo feminino e 17,78% (n=8) do sexo masculino. A maioria dos indivíduos 91,11% (n=41)
afirmou realizar refeição pré-treino. 43,9 % (n=18) consumiam apenas os reguladores, os menos
consumidos são os energéticos juntamente com os construtores, 7,3% (n=3), e os reguladores também
junto com os construtores, 7,3% (n=3), enquanto que não foi identificado nenhum consumo de alimentos
apenas energéticos (n=0). Observou-se pouco conhecimento dos participantes sobre os aspectos
estudados, portanto, é fundamental a orientação adequada do nutricionista.
Palavras-chave:Treinamento funcional. Exercício físico. Pré-treino.

ABSTRACT
The population in general has sought attendance in physical activity due to the benefits that it can bring
health and functional training has been very popular for individuals in order to alter body composition,
especially, reduced fat levels. The objective of this study was to determine and evaluate the dietary habits
in pre-workout meal functional training practitioners in the sand. We evaluated 45 students, of both sexes,
of two classes (morning and afternoon), the city of Maceió, Alagoas who underwent training at least twice
a week. A total 82.22% (n = 37) were female and 17.78% (n = 8) were male. Most individuals 91.11% (n =
41) stated perform pre-workout meal. 43.9% (n = 18) consumed only regulators, are consumed less energy
along with builders, 7.3% (n = 3), and regulators also with builders, 7.3% (n = 3), while nothing was found
only energy consumption of food (n = 0). There was little knowledge of the participants on the aspects
studied, so it is important the proper guidance of a nutritionist.
Keywords: Functional training. Physical exercise. Pre workout

INTRODUÇÃO
O Treinamento funcional tem sido bastante procurado por indivíduos com a finalidade de alterar a
composição corporal, principalmente, redução dos níveis de gordura (PEREIRA et al., 2012). No entanto,
para manter odesempenho e para que o objetivo seja atingido é necessário, também, um
apropriadoaporte energético e nutricional, pois o contrário pode levar ao fornecimento insuficiente de
importantes nutrientes relacionados ao metabolismo energético, à reparação tecidual, ao sistema
antioxidante e à resposta imune do indivíduo (BOTH, FRANZ E BUSNELLO, 2012).
O consumo de uma adequada refeição pré-treino quanto ao tipo e quantidade de carboidratos, quantidade
de proteínas e gorduras, principalmente quando realizada pela manhã, contribui para prevenção de um
quadro de hipoglicemia durante a atividade física, assim como manter a homeostase hídrica e evitar a
fome (SANTOS, RIBEIRO E LIBERALI, 2011).

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Vários fatores devem ser considerados quando as escolhas alimentares para o pré-treino forem feitas,
além dos relacionados aos alimentos, como por exemplo: intervalo entre o desjejum e o treino, duração,
intensidade e tipo de exercício, tolerância gástrica, preferências alimentares e disponibilidade de tempo
para fazer a refeição (SANTOS, RIBEIRO E LIBERALI, 2011).
Como os hábitos alimentares dos praticantes de atividade física são imprescindíveis para um bom
desempenho e o bem-estar, é importante conhecê-los para que possam ser estabelecidas orientações e
uma adequada intervenção nutricional.

OBJETIVO
Determinar e avaliar qualitativamente o hábito alimentar na refeição pré-treino de praticantes de
treinamento funcional na areia.

METODOLOGIA
Este estudo constitui uma pesquisaobservacional descritiva, desenvolvida com praticantes de treinamento
funcional na areia, de duas turmas (matutina e vespertina), no município de Maceió-Alagoas.
O questionário foi aplicado para os alunos que relataram periodicidade do treino de no mínimo duas vezes
por semana. Desta forma, amostra foi composta de 45alunos, de ambos os sexos.
A coleta de dados ocorreu em agosto de 2015, sendo estes obtidos por meio de uma entrevista individual
com cada participante, onde se aplicouum questionário composto por 7 perguntas que abordavam
questões sobre: perfil dos participantes (idade e gênero), se o indivíduose alimenta antes de ir ao treino,
quanto tempo antes da atividade à refeição é realizada, o que normalmente consome (alimentos,
quantidade e forma de preparo),tempo de duraçãodo treino, sintomas indesejáveis ocorridos durante a
prática.
Os dados obtidos foram tabulados através de uma planilha no Microsoft Excel (versão 2010) ecomparados
com outros achados científicos inerentes à nutrição na prática esportiva.
A avaliação qualitativa da refeição pré-treino dos indivíduos foi realizada com base nas orientações da
Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (2009).
No que refere aos aspectos éticos, as avaliações não tinham nenhum dado que identificasse o indivíduo e
que lhe causasse constrangimento ao responder.

RESULTADOS
Foram entrevistados 45praticantes de treinamento funcional, sendo a maioria do sexo femininocom
82,22% (n=37) e 17,78% (n=8)do sexo masculino (gráfico 1). A média de idade dos indivíduos foi de 36,11
anos ea faixa etária predominante foi de 19 a 59 anos com 86,67% (n=39). Apresentaram idade menor ou
igual a 18 anos 11,11% (n=5) dos indivíduos e apenas 2,22% (n=1) apresentou idade maior ou igual a 60
anos (gráfico 2).A média de idade entre as mulheres foi de 35,4 anos e entre os homens foi de 39,38 anos.

Gráfico 1. Gênero de praticantes de treinamento funcionalde duas turmas na cidade de Maceió-Alagoas.

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Gráfico 2: Faixa etária de praticantes de treinamento funcional, em porcentagem, de duas turmas na


cidade de Maceió-Alagoas.

Em relação à prática da refeição pré-treino (gráfico 3), a maioria dos indivíduos 91,11% (n=41) afirmaram
realiza-la, enquanto que 8,89% (n=4) não apresentam este hábito, então, exercitam-se em jejum. O gráfico
4 apresenta a distribuição em porcentagem dos indivíduos segundo o tempo de consumo alimentar antes
da prática da atividade física. O tempo máximo de consumo de algum alimento até o momento do treino
foi de duas horas, enquanto o tempo mínimo foi de 5 minutos.

Gráfico 3.Distribuição de praticantes de treinamento funcional, em porcentagem, de duas turmas na


cidade de Maceió-Alagoas, de acordo com a prática alimentar antes da atividade física.

Gráfico 4: Distribuição de praticantes de treinamento funcional, em porcentagem, de duas turmas na


cidade de Maceió-Alagoas, de acordo com o tempo entre ingestão, em minutos, e o início da atividade
física.

De acordo com o gráfico 5, quanto aos tipos de alimentos ingeridos na refeição pré-treino, a maior parte
dos participantes consomem apenas os reguladores, 43,9 % (n=18), os menos consumidos são os
energéticos juntamente com os construtores, 7,3% (n=3), e os reguladores também junto com os

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construtores, 7,3% (n=3), enquanto que não foi identificado nenhum consumo de alimentos apenas
energéticos (n=0).
Em relação ao tempo de duração do treinamento funcional (gráfico 6), os resultados indicaram que a
maioria dos participantes 68,89% (n=31) realizava o exercício com até 1 hora de duração, 28,89% (n=13)
realizava o exercício com mais de 1 hora não ultrapassando 1 hora e meia de treino e somente 2,22% (n=1)
realizava o treinamento funcional com duração final de até duas horas.
Foi questionado na última pergunta do instrumento de coleta sobre o aparecimento de alguns sintomas
durante o exercício físico, mais da metade dos entrevistados 55,55% (n=25) responderam que não sentiam
nenhum dos sintomas citados. Dentre os 44,44% (n=20) dos entrevistados que referiram sentir alguns
sintomas os que predominaram foram fadiga com 25% (n=6), tontura com 20% (n=4) e outros sintomas
com 20% (n=4) que eram específicos de cada participante como cansaço, dores no tornozelo, gases e
preguiça.

Gráfico 5: Distribuição de praticantes de treinamento funcional, em porcentagem, de duas turmas na


cidade de Maceió-Alagoas, de acordo com o tipo de alimento consumido antes do início da atividade física.

R = reguladores; E = energéticos; C = construtores.

Gráfico 6: Distribuição de praticantes de treinamento funcional, em porcentagem, de duas turmas na


cidade de Maceió-Alagoas, de acordo com o tempo de treino, em minutos.

DISCUSSÃO
A atividade física regular é uma intervenção de baixo custo, que quando praticada tanto por homens
quanto por mulheres de forma apropriada, independentemente da idade, acarreta melhorias na qualidade
de vida(SILVA et al., 2010).
As mulheres parecem ser mais interessadas na prática de treinamento funcional ou de atividade física em
geral, pois dentre os 45 indivíduos da amostra 82,22% (n=37) eram mulheres. Resultado semelhante foi
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encontrado por Santos e Knijnik(2006) com 30 indivíduos praticantes de atividade física regular, destes,
77% eram mulheres.
A maior parte dos praticantes de treinamento funcional avaliados informou que costumam consumir
algum alimento antes da atividade física (91,11%; n=41).Da mesma forma,no estudo de Santos, Ribeiro e
Liberali (2011), a maioria dos frequentadores de uma academia de ginástica de Curitiba disseram que se
alimentam antes do treino (83,3%; n=18), e no de Brasil et al. (2009), onde 82,2% do grupo avaliado
também informou se alimentar antes de iniciar uma atividade física. Dentre os motivos que justificam a
não realização da refeição pré-treino por alguns indivíduos se encontram o incômodo em fazer exercícios
com alimento no estômago; treinar muito cedo; falta de apetite pela manhã; e preguiça de acordar mais
cedo apenas para se alimentar antes do exercício físico.
Durante os exercícios realizados em jejum vários estudos já demonstraram que existe uma maior
mobilização de gordura (como fonte energética) ocorrendo o aumento de corpos cetônicos e baixa do nível
sanguíneo de glicose (carboidrato) levando a hipoglicemia. Nessa situação, há maior dificuldade de
contração muscular, além de que, faltando essa fonte energética, as proteínas começam a exercer esse
papel e então o indivíduo tende a perder massa magra, tudo isso ocasiona em fraqueza o que traz
desvantagens ao indivíduo que espera bons resultados com qualquer treinamento(BOTH, FRANZ E
BUSNELLO, 2012).
No presente estudo, a maioria dos participantes (51,21%; n=21) costumam realizar a refeição pré-treino,
em cerca de 20 a 40 minutos, intervalo de tempo inferior à média (53,4 minutos) de antecedência
identificada por Scheer, Conde e Pastore (2015)com frequentadores de duas academias privadas do
município de Capão do Leão, Rio Grande do Sul, e semelhante ao intervalo de tempo predominante entre
as mulheres (33,34%; 15 a 30 minutos) e entre os homens (50%; 30 a 45 minutos), no estudo de Santos,
Ribeiro e Liberali (2011).
Dentre os alimentos mais consumidos diariamente antes do treino pelos participantes destacaram-se
principalmente os reguladores (frutas), 43,9% (n=18). A preferência por estes alimentos pode estar
relacionada à praticidade do seu consumo.O consumo de frutose antes do exercício não causa aumento na
glicose sanguínea nem na insulina, podendo assim ser uma excelente opção pré-exercício (FEBBRAIO E
STEWART, 1996).
Segundo Jaime et al. (2009) os indivíduos com idades mais avançadas apresentam um maior consumo de
frutas e hortaliças quando comparados aos mais novos, devido a uma maior preocupação com a saúde e o
seguimento de orientações recebidas em consultas médicas. Neutzling et al (2009) concluíram em seu
estudo que as frequências de consumo de frutas, legumes e verduras foram maiores entre as mulheres,
em indivíduos mais velhos e entre aqueles que possuíam maior nível socioeconômico. Revelou, ainda, que
indivíduos menos ativos consomem menos alimentos reguladores.
Nenhum participante relatou consumir algum alimento energético de forma isolada. Quando consumido,
14,8% (n=6) dos indivíduos o juntaram com um regulador e 7,3% (n=3) com um construtor. Aragão e
Fernandes (2014) concluíram que alimentos fontes de carboidratos e proteína são os mais consumidos por
homens praticantes de musculação de cinco academias da cidade de Goiânia-Goiás. Verificou-se, no
presente estudo que dentre os energéticos citados estavam, por exemplo, batata doce, macaxeira e pão
integral, considerados de moderado a baixo índice glicêmico. Não foi relatado o consumo de doces e
refrigerantes nos períodos que antecedem os treinos.
É recomendada a ingestão de alimentos de baixo índice glicêmico antes da realização de um exercício
prolongado, para que possa promover uma maior disponibilidade de glicose para as células nos momentos
subsequentes (FLORES E MATTOS, 2011). Ao contrário, devem-se evitar alimentos com alto índice
glicêmico, pois aumentam a glicemia, resultando numa maior liberação de insulina pelo pâncreas, e
causando um rápido declínio na glicose plasmática pelo rápido transporte deste nutriente para os
músculos, e como consequência pode resultar em fadiga e baixo rendimento (BOTH, FRANZ E BUSNELLO,
2012).

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Seixas et al. (2011) concluíram ao avaliar corredores adultos com e sem jejum alimentar de um grupo de
corrida de rua em Lauro de Freitas/BA, que a ingestão de carboidratos no pré-treino proporcionou
aumento do VO2 máximo dos participantes com melhora no desempenho e rendimento.
Apenas 5 participantes (12,1%) relataram consumir alimentos construtores de forma isolada. Resultado
superior ao estudo de Scheer, Conde e Pastore (2015) onde 5,7% fazia uso de alimentos fontes prioritárias
de proteína. O leite e o iogurte foram às fontes proteicas mais citadas no presente estudo. No entanto,
para Brasil et al. (2009) alimentos ricos em proteína devem ser evitados ou consumidos com moderação
dependendo do intervalo de tempo entre o fim da refeição e o início da atividade, pois tendem a retardar
o esvaziamento gástrico, o que pode gerar um desconforto durante a atividade, além disso, não são fontes
de energia rapidamente disponíveis.
Dos 45 indivíduos, 14,6% (n=6) relataram consumir alimentos reguladores, energéticos e construtores de
forma conjunta, através da preparação de vitamina de frutas mais tapioca ou sanduiche de queijo mais
suco de fruta, como exemplos.
A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME, 2009)orienta que as escolhas dos alimentos, assim
como as preparações da refeição, devem respeitar características gastrintestinais individuais dos atletas. E
recomenda que a refeição que antecede os treinos deve ser suficiente na quantidade de líquidos para
manter hidratação, pobre em gorduras e fibras para facilitar o esvaziamento gástrico, rica em carboidratos
para manter a glicemia e maximizar os estoques de glicogênio, moderada na quantidade de proteína,
devendo fazer parte do hábito alimentar do atleta.
Neste estudo, 44,45% (n=20) dos indivíduosconstatou o aparecimento de pelo menos um sintoma, sendo
os mais frequentes a fadiga e tonturas. Para Both, Franz e Busnello (2012) a alimentação pré-treino é capaz
de prevenir a hipoglicemia e seus sintomas de tontura, fadiga injustificada, visão obscurecida, que podem
interferir no desempenho máximo do praticante.

CONCLUSÃO
Da população avaliada neste estudo a maior parte não segue as recomendações dietéticas preconizadas
pela Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, o que pode resultar em consequências negativas como,
aparecimento de sintomas indesejados, redução do desempenho durante a atividade, alterações
inadequadas da composição corporal e problemas de saúde.
Mesmo partindo do pressuposto que a população tenha acesso a informações sobre Nutrição, mais da
metade da alimentação dos participantes do estudo não se encontram adequadas do ponto de vista
nutricional, o que mostra a necessidade de haver orientação dietética disponível para tal população, os
auxiliando a atingir seus objetivos, esclarecendo dúvidas e desmistificando os muitos conceitos errôneos
que correm nas práticas de exercícios físicos.

REFERÊNCIAS

BOTH, M.; FRANZ, L. B.; BUSNELLO, M. B. Índice de qualidade da dieta de frequentadores de academia.
Revista contexto & saúde, v. 12, n. 23, p. 2-8, 2012.
Brasil, T.A.; Pinto, J.A.; Cocate, P.G.; Chácara, R.P.; Marins, J.C.B. Avaliação Do Hábito Alimentar De
Praticantes De Atividade Física Matinal. Fitness & Performance Journal. v. 8, n. 3, p. 153-163, 2009.

FEBBRAIO, M. A.; STEWART, K. L. CHO feeding before prolonged exercise: effect of glycemic index on
muscle glycogenolysis and exercise performance. J Appl Physiol. v.81, n. 1, p.115-20. 1996.

FLORES, T. G. E MATTOS, K. M. de. Análise de macronutrientes e índice glicêmico consumidos nas refeições
antes, durante e após o treino por atletas de futebol profissional de camaquã-RS. Revista Brasileira de
Nutrição Esportiva, v. 5, n. 29, p. 394-401, 2011.

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NEUTZLING, M. B.; ROMBALDI, A. J.; AZEVEDO, M. R.; HALLAL, P. C. Fatores associados ao consumo de
frutas, legumes e verduras em adultos de uma cidade no Sul do Brasil. Cad. Saúde Pública, v.25, n.11, p.
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PEREIRA, P. C. Efeitos do treinamento funcional com cargas sobre a composição corporal: Um estudo
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SANTOS, S. C. E KNIJNIK, J. D. Motivos de adesão à prática de atividade física na vida adulta intermediária 1.
Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, Ano 5, n. 1, 2006.
SANTOS, E. C. B.; RIBEIRO, F. E. O.; LIBERALI, R. Comportamento alimentar pré-treino de praticantes de
exercício físico do período da manhã de uma academia de Curitiba – PR. Revista Brasileira de Nutrição
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SCHEER, B. B.; CONDE, C. S.; PASTORE, C. A. Avaliação da alimentação pré-treino e da ingestão de líquidos
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SEIXAS, A. P. G. et al. Influência do jejum alimentar no desempenho e rendimento em praticantes de
corrida em lauro de freitas-BA. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v. 5, n. 25, p. 70-78, 2011.
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SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DO EXERCÍCIO E DO ESPORTE. Modificações dietéticas, reposição
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saúde. Rev. Bra. Med. Esporte, v. 15, n. 3, 2009.

BRITO, B. M. de B.
Endereço: Rua Gerson Wanderley de Oliveira 426 Cruz das Almas, Maceió – AL

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TREINAMENTO DE FORÇA E ATIVIDADE DE VIDA DIÁRIAS-AVDS EM IDOSOS

CRUZ,H.R.M
(huggormouracruz@hotmail.com)
GOMES,T.S
2- FACULDADES MONTENEGRO – IBICARAI – BAHIA
SANTOS,D.S
3- FACULDADES MONTENEGRO – IBICARAI – BAHIA
SILVA,U.S
4- FACULDADES MONTENEGRO – IBICARAI – BAHIA
DAYANE DOS SANTOS RIBEIRO
5 – FTC – FISIOTERAPIA – ITABUNA – BAHIA
ESPECIALISTA EM TERAPIA MANUAL E POSTURAL – PELA CESUMAR

Resumo: Uma boa qualidade de vida requer independência funcional, e para isso é necessário um bom
desempenho físico. Com o envelhecimento há conseqüências de perda de capacidade física fundamentais
para uma vida saudável, como a força e o equilíbrio. Portanto, o treinamento de força e AVD´s (atividade
de vida diária) em idosos, são de fundamental importância por proporcionar ganho na força e massa
muscular, ocasionando, sobretudo, uma melhoria substancial no equilíbrio, na estrutura, na função
respiratória e cardiovascular. Nota-se que o consumo máximo de oxigênio decai gradativamente quando o
indivíduo envelhece, mesmo em casos de idosos que treinam, mas ainda assim, estes idosos que treinam e
considerados ativos, passando assim a obter uma atividade de vida diária, com uma disciplina e
regulamente acompanhado com um profissional, comprovam-se os estudiosos que têm o consumo
máximo de oxigênio mais elevado em comparação com os idosos sedentários. Sendo assim, estes idosos
podem aumentar a sua força, músculo, e aumentar de forma precisa o consumo máximo de oxigênio
conforme um programa de qualidade no treinamento, tanto aqueles que tenham submetido há um pouco
mais de treinamento mais cedo em sua vida, desde a sua juventude, como também, os que por qualquer
circunstância impeditiva, apenas iniciaram seu treinamento vigoroso e prolongado de força na fase adulta
para idosa. Por fim, a atividade de vida diária em idosos, muda positivamente a vida destes, tornando-os
mais saudáveis e resistentes aprimorando seu curso vital, energético, no dia-a-dia, como ao subir degraus,
escadas levantar-se do solo, e tantos outros benefícios.

Palavra Chave: Força/ Treinamento/ Músculo/ Idoso

Abstract: A good quality of life requires functional independence, and for that reason, we need a good
physical performance. With aging there are consequences of loss of physical capacity essential for a
healthy life, as strength and balance. Therefore, strength training and ADL's (activities of daily living) in
elderly people, are of fundamental importance for providing gain in strength and muscle mass, leading, in
particular, a substantial improvement in balance, structure, function, respiratory and cardiovascular . Note
that the maximum oxygen consumption gradually declines as people age, even in cases of elderly coach,
but still, these elderly people who train and considered active, and thus to obtain an activity of daily living,
with a discipline and regularly accompanied by a professional, show up scholars who have the maximum
oxygen consumption higher compared to sedentary elderly. As such, these elderly people can increase
their strength, muscle, and increase the precise maximum oxygen consumption as a quality program on
training, both those who have been subjected for a little more training earlier in his life, from his youth, but
also the fact that any impediment, just started his training vigorous and prolonged strength in adulthood to
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old age. Finally, the activity of daily living in elderly people, changes their life positively, making them
healthier and more resistant enhancing its course vital, energetic, day-to-day as when climbing stairs, stairs
rise from the ground, and many other benefits.
Palavra Chave:Force / Training / Muscle / Elderly
INTRODUÇÃO

No decorrer da vida, os indivíduos sofrem alterações perceptíveis, tanto nos aspectos funcionais, quanto
motores, psicológicos e sociais, ocasionando uma diminuição das capacidades vitais com menor
desempenho das atividades básicas da vida diária (AVDs). Segundo Shephard (1998), a diminuição das
capacidades vitais e a perda de massa muscular e óssea são uma constante na vida dos idosos. Aos 65 anos
de idade um idoso já perdeu, aproximadamente, 25% de força muscular. Porém, com o treinamento de
força melhora as atividades de vida diárias em idosos, “nas ultimas décadas ficou comprovado que os
idosos podem se beneficiar com a participação em programas de treinamento de força. O Treinamento
regular conserva e aumenta à força muscular, este aumento na força muscular foram observados para
homens e mulheres com mais de 50 anos depois de oito semanas de exercícios de treinamento de força
(367 pessoas envolvidas na pesquisa)” ¹.
O treinamento de força é um modo de diminuir o declínio da força e da massa muscular relacionado à
idade.
Desta forma, o treinamento de força (TF) é um método efetivo para o desenvolvimento do componente
músculo-esquelético, além de influenciar na velocidade, equilíbrio, coordenação motora e flexibilidade
dentro do contexto, o objetivo geral é analisar como o treinamento de força melhora as AVD’s em idosos.
Tendo como objetivos específicos, verificar como o treinamento de força é fundamental nas AVD’s para os
idosos; Aplicar testes que avaliem a capacidade funcional das AVD’s em idosos.

A proposta do artigo é apresentar a qualidade da atividade de vida diária em idosos, obtendo estes idosos
sucessos em sua adaptação social. Outros sim, demonstrar a classe acadêmica o estudo da causa em
idosos e sua adaptação na prática.
_____________
¹ http://www.cdof.com.br/idosos1.htm

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Idosos e Envelhecimento

Conforme a Organização Mundial de Saúde os indivíduos com idades entre 45-59 anos são chamada “meia-
idade”, entre 60-74 anos são os “idosos”, entre 75-90 são os “velhos”, e acima de 90 anos são chamados
“muito velhos” (CAMPOS, 2001). O envelhecimento é um processo natural do ser humano e caracterizado
por diversas alterações nos sistemas orgânicos.As alterações fisiológicas ocorridas com o envelhecimento
geralmente estão associadas a abusos de longo prazo como má nutrição, tabagismo, exercícios
inadequados e exposição a agentes nocivos. Porém não deve ser dito que todas as doenças podem ser
prevenidas por uma vida saudável. O sedentarismo é um fator que atinge várias classes sociais e faixas
etárias. Isto está relacionado ao incremento tecnológico que facilita as atividades realizadas diariamente.
Devido esta facilitação não ocorre sobrecarga adequada ao sistema cardiorrespiratório e músculo-
esquelético, havendo necessidade de uma prática regular de atividade física para manutenção das
capacidades funcionais (MAZO, 2001).
A remodelagem das unidades motoras se deteriora com o avanço da idade, resultando em atrofia
muscular, reduzindo o corte transversal e a massa muscular, condição chamada de sarcopenia (MCARDLE,
2003). A perda de massa muscular é responsável pela diminuição do nível metabólico basal, da força
muscular e dos níveis de atividade que são a causa das necessidades reduzidas de energia do idoso
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(GUCCIONE, 2002). A perda da massa muscular acontece em duas fases: uma mais lenta, de 10%, entre os
25 e 50 anos de idade e uma mais rápida, de 40%, entre os 50 e 80 anos de idade (POWERS, 2000).
www.scielo.or CAMPOS, 2001. As fibras do tipo II, consideradas rápidas, diminuem em número e volume
em maior proporção que as do tipo I (lentas). Além da perda da força muscular, a habilidade do músculo
para exercer força rapidamente (potência), também diminui com a idade. Essa habilidade é muito
importante para evitar quedas nos idosos. A potência e sua treinabilidade não têm sido muito estudadas,
porém sua importância é de extrema relevância para as capacidades funcionais do indivíduo, pois muitas
AVD`s exigem um grau de desenvolvimento rápido de força como caminhar, subir escadas e levantar
objetos (FLECK; KRAEMER, 1999). A perda de massa óssea começa no homem entre 50 – 60 anos de idade,
com taxa de 0,3% ao ano, e na mulher a uma taxa de 1% dos 45 aos 75 anos. Uma mulher com 70 anos têm
diminuição de 20% e no homem essa diminuição é de 3% da densidade mineral óssea. Essa perda está
relacionada além do envelhecimento à genética, estado hormonal, nutricional e nível da atividade física do
indivíduo (MATSUDO, 2000). Acredita-se que a perda de massa óssea ocorre pelo aumento da atividade
dos osteoblastos, diminuição da atividade dos osteoblastos ou pela combinação de ambos. Essas
alterações acarretam perda de massa óssea contínua, processo denominado osteoporose, que não
apresenta nenhuma característica marcante que garanta sua prevenção ou diagnóstico precoce.
Geralmente está associada após a ocorrência de fraturas, e exames complementares devem ser realizados,
para avaliar o grau de densidade óssea, como a densitometria óssea (REBELATTO;MORELLI, 2004).
Acontece diminuição da estatura devido à compressão vertebral, estreitamento dos discos intervertebrais
e cifose (MATSUDO, 2000). Associado a isso, Rebelatto e Morelli (2004), complementam que ocorre
aumento do contato das superfícies ósseas dos corpos vertebrais iniciando um processo denominado
artrose, caracterizado pela deposição de cálcio e dando origem a osteófitos. Existe também a diminuição
dos arcos do pé, e que a perda da estatura acontece em cerca de 1cm por década a partir dos 40 anos de
idade. Aliado a essa diminuição da força muscular e atividade física há concentração maior de gordura
nestes indivíduos. A gordura passa a ter uma localização diferente, passando das camadas mais superficiais
às mais profundas e a taxa metabólica basal é reduzida devido ao desvio de componentes magros para
gordurosos. Nas mulheres se torna ainda mais evidente por ocasião da menopausa que a torna mais
suscetível ao aumento de peso (POWERS,2000). A principal causa do aumento do peso corporal é um
declínio do nível metabólico e de atividade física, associado a um consumo de energia elevado (GUCCIONE,
2002).

2.2 A Mudança na Massa Muscular


As principais mudanças encontradas a partir do momento que o individuo envelhece são crescimento na
quantidade de gordura no organismo, diminuição da força muscular, osteoporose, ligamentos e tendões
mais fracos, diminuição dos reflexos de ação e reação, diminuição da coordenação e habilidade motora e
da aptidão física. Com isso, as pessoas apresentam menos equilíbrio e assim ficam sujeitas a quedas, que
constituem a primeira causa de acidentes em pessoas acima de 60 anos. Com a perda da massa muscular
há também declínio em consumo máximo de oxigênio, sendo assim, HAYWOOD e GTCHEL, entendem que:
Assim, quanto mais massa muscular, mais probabilidade de o consumo máximo de oxigênio ser maior. Na
realidade, quando o consumo máximo de oxigênio é relacionado aos quilogramas de músculo (em vez de
quilogramas de peso corporal) em idosos, os declínios diminuem de 60 para 14% em homens e de 50 para
8% em mulheres. Um fator para minimizar a perda de desempenho de resistência, então, é a manutenção
de massa muscular. ³ (HAYWOOD & GTCHEL, 2010, p. 307)
Portanto, obtendo uma manutenção na massa muscular, dentre tantos os fatores já mencionados, os
idosos se sentirão mais aptos, confiantes e independentes para praticar as atividades da vida diária,
melhorando o aumento de resistência e força muscular necessárias para realização de tarefas comuns,
como pegar um neto no colo ou ir ao supermercado, subir degraus, aumentando a sua qualidade de
vida.(HAYWOOD Kathlen M. & GTCHEL Nancy, Desenvolvimento motor ao longo da vida, 5ª edição, Porto
Alegre 2010.)
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É importante mencionar, que tais treinamentos combatem a obesidade, o que evita e retarda o
surgimento de diabetes, e melhora a capacidade aeróbica (respiração) também pode acontecer à redução
da perda da massa óssea - osteoporose -, podendo em alguns casos até recuperá-la. "Além do fato de
músculos e ossos fortes diminuir os riscos de quedas e de fraturas de fêmur e de quadril, tão temidas após
os sessenta anos, o que poucos sabem é que o fortalecimento muscular reduz dores já existentes
provenientes de doenças como artrite, tendinite, bursite, artrose (bico de papagaio) e problemas de
coluna", esclarece a especialista Evelin Goldemberg, mestre e doutora em reumatologia e professora da
disciplina da clínica médica da UNIFESP- Escola Paulista de medicina, em São Paulo.
2.3 Treinamento de Força/ AVD´S

Hollmann e Hettinger (1989) afirmam que a aplicação de carga em torno de 20 a 30% da força máxima
estática não leva a nenhum aumento da força nos ângulos articulares treinados, pois esta carga coincide
com o nível de solicitação diário. Esse dado é válido apenas para pessoas que não estejam incapacitadas de
movimentarem plenamente a sua articulação. Com o passar dos anos, paradigmas foram sendo quebrados
e, aos poucos, o treinamento com pesos foi sendo incorporado à vida de pessoas comuns que buscavam
uma melhor qualidade de vida. Dentre muitos fatores benéficos obtidos por tal treinamento, está o
aumento da força. Talvez este seja o maior proveito, pois é útil tanto no aumento do desempenho de
atletas, como na melhoria das atividades de vida diária de pessoas comuns (Fleck e Júnior, 3003; Novaes e
Vianna, 1998). Vale ressaltar, no entanto, que aumentar a força muscular não vai, consistentemente,
resultar em melhora na performance de tarefas funcionais (Skelton el al ., 1995; Chandler e Hadley, 1996;
Keysor e Jett, 2001). Um estudo de Vreede et al. (2005) comparou o treinamento de força com exercícios
simples de tarefas do dia-a-dia, como caminhar carregar objetos, levantar-se da cama ou de uma cadeira,
dentre outros.

3. MATERIAL E MÉTODO

3.1 Amostra

Foi selecionado 01 voluntário, por ter sido a pessoa mais interessada em participar do estudo, fisicamente
independente, sexo feminino, 74 anos, residente em Coaraci- BA e aluna da Academia CIA DO CORPO. A
selecionada não apresentou significativos problemas de saúde e/ou incapacidade que pudessem ser
agravados com o programa de treinamento.

3.2 Estudo de Caso

O Estudo de Caso é um dos tipos de pesquisa qualitativa que vem conquistando


crescente aceitação na área da educação. É uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se
analisa profundamente. Pode ser caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida, como um
programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa ou uma unidade social. Visa conhecer o seu
“como” e os seus “porquês”, evidenciando a sua unidade e identidade própria. É uma investigação que se
assume como particularística, debruçando-se sobre uma situação específi ca, procurando descobrir o que
há nela de mais essencial e característico. (VILABOL 29/07/2008)

Procedimento para a coleta de dados


As mensurações foram realizadas na sala de avaliação da academia CIA DO CORPO, consistindo de testes
que avaliam a capacidade funcional de idoso e uma escala que avalia a auto-percepção dos desempenhos
para realizar as atividades da vida diárias (AVD’s) ambos propostos por Andreotti e Okuma (MATSUDO,
2000).
Bateria de Testes de Atividade de Vida Diários (AVD’s).
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Teste de levantar da cadeira em 30 segundos.


Este teste tem sido recomendado como uma alternativa prática para medir indiretamente a força dos
membros inferiores.
Material: Cronômetro, cadeira com encosto reto ou de dobradiças (sem braço ) com altura de
aproximadamente 43 cm. Para o teste ficar mais seguro, é recomendado colocar a cadeira apoiada na
parede desta forma impedindo que a mesma se mova durante o teste.
Procedimento: Inicia – se o teste com o avaliado sentado no meio da cadeira com as costas retas e os pés
apoiados no chão. Os braços ficam cruzados contra o tórax. Após o comando do avaliador, o avaliado se
levanta ficando total mente de pé, e em seguida retorna a uma posição completamente sentada. Este
movimento será repetido o maior número de vezes em 30 segundos.
Flexão de cotovelo
É um teste alternativo descrito por RIKLI e JONES para mensurar indiretamente a força dos membros
superiores.
Material : Cronômetro, cadeira com encosto reto ou de dobradiças ( sem braços ), halteres de 2 kg.
Procedimento: Sentado na cadeira com as costas estabilizada no encosto e com os pés apoiados no chão.
O peso é segurado de lado com a mão dominante fechada. Inicia-se o teste com o braço estendido para
baixo ao lado da cadeira. Ao sinal do avaliador o avaliado vira a palma da mão para cima enquanto flexiona
o braço, completando por completo o ângulo de movimento, após retornando a posição inicial com o
cotovelo totalmente estendido.
Calçar meias
Material: Cadeira sem braço, com acento possuindo 40 cm de altura em relação ao chão, meias de
algodão.
Procedimento: O avaliado deverá se sentar em uma cadeira, e no momento possível calçar uma meia. Com
os joelhos flexionados, pés apoiados no chão, braços ao longo do corpo e a meia colocada sobre uma das
coxas, ao sinal do avaliador,o avaliado devera colocar a meia o mais rápido possível. O cronômetro deve
ser acionado ao sinal, e parado quando o individuo assumir a posição inicial, só q nesse momento com os
braços repousando sobre as coxas.

Procedimento das aulas de musculação

O programa compreendeu o período de 2 meses, com freqüência de 03 (três) vezes por semana (Segunda,
quarta e sexta-feira), com 01h:00min de duração cada sessão e dois grupos musculares por dia treinados.
A voluntária fez um breve alongamento seguido de um aquecimento de 00h:12 min. na esteira e ou
bicicleta. Para o treinamento dos grupos musculares foram realizados os seguintes exercícios:

Treinamento dos grupos musculares:

MÚSCULO PEITORAIS TRÍCEPS

EXERCÍCIOS S R EXERCÍCIOS S R
SEGUNDA-FEIRA: Supino Reto 3 6 Polia 4 3 COSTAS
Supino 3 6 Polia corda 4 3
Inclinado Unilateral 4 3
Crucifixo 3 6

COSTAS BÍCEPS

EXERCÍCIOS S R

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Rem. Sentada 4 6
Rem. 3 6 EXERCÍCIOS S R
Unilateral Rosca Direta 3 6
TERÇA-FEIRA: Puxador p/ 3 6 Ros. Punho 3 6
Frente Ros. Mesa 4 6
Ros. Inversa 4 6

MÚSCULO DELTÓDE MEMBROS INFERIORES

EXERCÍCIOS S R EXERCÍCIOS S R
Elevação Frontal 3 6 Leg Pres 45° 3 6
Elevação Lateral 3 6
SEXTA-FEIRA: Mesa Extensora 3 6
Remada Alta 3 6
Encolhimento 3 6 Mesa Flexora 3 6
Panturrilha 3 6
Elevação da Pelva 3 6
ABDOMINAIS Adutor 4 6
EXERCÍCIO S R
Supra 4 5
Abdominal
Infra 4 5
Abdominais
A carga foi utilizada Oblíquos 4 5 conforme a capacidade da avaliada,
de maneira confortável e aumentando progressivamente e
baseou-se nas recomendações correntes no que se diz respeito à pratica do treinamento para população
não-atlética (ACSM, 2002). A força foi estimada com base no conceito de repetição máximas ( RM ), ou
seja, o número de repetições por séries que se pode executar com uma determinada carga, usando- se a
técnica corrente ( Fleck & Kraemer, 1999).Esta método foi escolhido pela dificuldade de fazer o teste de
uma repetição máxima( 1 RM) com a voluntária.

Resultados

Tabela I – Resultado do primeiro teste de Atividade de Vida Diárias (AVD´s)


Força Muscular N° de Repetições Segundo
Teste de levantar da cadeira 15 30”
Flexão de cotovelo 19 30”
Calçar meias _ 10”

Tabela II – Resultado do segundo teste de Atividade de Vida Diárias (AVD´s)


Força Muscular N° de Repetições Segundo
Teste de levantar da cadeira 19 30”
Flexão de cotovelo 21 30”
Calçar meias _ 06”

3 CONCLUSÃO

Este trabalho é parte de um estudo mais amplo que constitui uma pesquisa de base em academia,
realizada em Coaraci-BA, que envolve coleta de dados primários relativos à Atividade de Vida Diárias em
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idosos ( AVD´s). O estudo teve por objetivo observar os efeitos do treinamento de força em idosos com
mais de 60 anos e a evolução do ganho de força destes idosos, durante 02 meses de treinamento, em cada
03 dias por semana.

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AVALIAÇAO E MONITORAMENTE DAS CAPACIDADES FÍSICAS EM ATLETAS DE FUTSAL

LIMA, L.G.S.¹;
SANTOS, R.¹;
VERDELLI, M.T.A.¹;
GOMES, L.P.R.¹;

1 – Centro Universitário Católico Unisalesiano Auxilium – Lins/SP – Brasil


lug_slima@hotmail.com

RESUMO

Esta pesquisa se propõe a uma investigação que envolve futsal e treinamento desportivo com objetivo de
verificar as principais capacidades físicas (agilidade, resistência aeróbia, potência de membros inferiores e
flexibilidade) adquiridas com o treinamento pré-competitivo e suas alterações após o período competitivo
de 12 semanas (11 sessões de treinamento tático e técnico e 12 jogos amistosos ou oficiais) em alas de
uma equipe amadora sem recursos financeiros, cujo treinamento era voltado apenas para as funções
táticas e técnicas. Para avaliar as capacidades físicas, primeiramente foi traçado um perfil antropométrico
(estatura, peso e percentual de gordura) e em seguida foram utilizados os seguintes testes: Banco de Wells
(flexibilidade), Shuttle Run com bola (agilidade), Salto Horizontal (potência de membros inferiores) e
Shuttle Run (resistência aeróbia). Como resultado, não foi encontrado melhoras estatisticamente
significativas no percentual de gordura e nas capacidades de flexibilidade e resistência aeróbia, com P ≤
0,05. Já nas capacidades de agilidade (pré 8,56 ± 0,55; pós 8,07 ± 0,51*s) e potência de membros inferiores
(pré 2,16 ± 0,16; pós 2,59 ± 0,18*cm), foi encontrada a significância estatística, com P ≤ 0,05. Para
avaliação estatística, foi utilizado o teste t-student. Conclui-se que o planejamento do treinamento é
fundamental, principalmente em equipes amadoras onde os atletas não são monitorados constantemente,
já que as principais capacidades físicas da modalidade de futsal apresentaram pouca melhora significativa
quando expostas apenas a treinamentos visando jogo. Uma frequência de pelo menos três vezes na
semana, aliada a individualização do treinamento, com sessões específicas para cada função
desempenhada em uma equipe podem apresentar resultados satisfatoriamente mais positivos.

Palavras-chaves: Futsal. Monitoramento. Capacidades físicas.

ABSTRACT

This research proposes an investigation that involves futsal and sport training in order to verify the physical
skills acquired with precompetitive training and their changes after the competitive period in wards of an
amateur team without financial resources. In order to evaluate physical skills, firstly it was traced an
anthropometric profile (height, weight and fat percentage), after it the following tests were used: Bank of
Wells (flexibility), Shuttle Run with ball (agility), Horizontal Jump (lower members power) and Shuttle Run
(aerobic endurance). It was not found significant statistical improvements in fat percentage, flexibility skills
and aerobical endurance, with P ≤ 0,05. In agility skills (pre 2,16 ± 0,16; pos 2,59 ± 0,18*cm), it was found
statistical significance, with P ≤ 0,05. For statistical evaluation, it was used the t-student test. It comes to
the conclusion that the planning of training is fundamental when the goal is to improve physical skills,
mainly in amateur teams where the athletes are not constantly monitored, since futsal main physical skills
show little significant improvement when exposed to trainings aiming only the match. A frequency of at
least three times a week, combined with training individualization and with specific sessions for each
function performed in a team can show more positive results.

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Keywords: Futsal. Monitoring. Physical skills.


INTRODUÇÃO

O futsal é um esporte bastante dinâmico e intenso, onde as ações de ataque e defesa acontecem com
muita frequência e dentro deste patamar do esporte algumas características físicas dos atletas são
bastante exigidas e devem ser treinadas para um melhor desempenho dentro de quadra, seja nos
treinamentos ou, principalmente, durante as partidas. Com um período preparatório praticamente se
fundindo com o competitivo, o treinamento teve que se adaptar para que os atletas alcancem seu pico no
período desejado (CETOLIN e FOZA, 2010).
Esta pesquisa se propõe a uma investigação que envolve futsal e treinamento desportivo, além de ter
relação direta com a área de medidas e avaliação, adotando como tema “Avaliação e Monitoramento das
capacidades físicas em atletas de futsal”, avaliando os alas de uma equipe amadora sem recursos
financeiros.
Conforme citado na obra de Santos Filho (1995, p.8), “... os praticantes de futsal necessitam
fundamentalmente de: endurance, velocidade, resistência muscular localizada e potência muscular [...],.
agilidade, flexibilidade, coordenação, ritmo e o equilíbrio.”, baseando-se nesta informação o estudo
delimita-se a investigar a melhora e a manutenção do perfil antropométrico e das capacidades físicas de
agilidade, resistência, potência de membros inferiores e flexibilidade, importantes nesta modalidade.
Como passo inicial, foi traçado um perfil antropométrico de cada atleta, através da idade, peso corporal
total (Kg) e percentual de gordura através do protocolo de Guedes e Guedes (2006), com o intuito de
acompanhamento da evolução do treinamento com relação ao percentual de gordura, uma vez que, tais
informações são relevantes tanto para a escolha das estratégias de preparação física a serem aplicadas
quanto para a detecção e seleção de jovens talentos para a modalidade (AVELAR et al., 2008).
Sendo a flexibilidade importante no futsal e em qualquer exercício físico, o estudo classifica essa
capacidade física como uma das quatro principais para a modalidade, já que seu aumento resulta
diretamente de maneira positiva na amplitude de movimento, força, rapidez, facilidade, fluência e eficácia
na hora de realizar qualquer exercício, além do fato da falta de flexibilidade facilitar lesões (BERTOLA et al.,
2007). Para avaliação de flexibilidade, foi utilizado o teste no banco de Wells ou teste de sentar e alcançar
proposto por Wells e Dillon em 1952.
Para mensurar a agilidade dos atletas, o estudo desenvolve o teste Shuttle run com bola, proposto em um
estudo realizado por Caicedo (1993), que declara: “O presente estudo teve como objetivos: a) propor um
teste que avalie agilidade para futebolistas, procurando tornar o teste mais próximo ao gesto motor
realizado pelos jogadores e verificar a reprodutibilidade;...”. Levando em consideração as divergências
entre futebol (analisado no estudo de Caicedo) e o futsal (analisado no presente estudo) o teste foi
realizado em superfície específica da modalidade.
Para mensurar a resistência aeróbia, utilizou-se o teste Shuttle Run. Este método é considerado o mais
aplicado, que requer pouco espaço físico, permite avaliar um grande número de pessoas ao mesmo tempo
e ainda possibilita manter controlada a intensidade. (QUEIROGA, 2005). Com vários estágios de velocidade
este teste permite uma noção da condição cardiorrespiratória (VO2max), essencial para a prática do futsal.
O presente estudo tem como objetivo verificar as capacidades físicas adquiridas com o treinamento pré-
competitivo e suas alterações após o período competitivo em 5 alas de uma equipe amadora sem recursos
financeiros; sendo uma prática pouco utilizada por equipes amadoras de pequeno porte. Para alcançar
esse objetivo, serão utilizados os testes citados, por serem simples e baratos para avaliar todas as
capacidades já descritas anteriormente.
A pesquisa tem como locais de aplicação a quadra do Centro Social Urbano de Lins (CSU) e o Laboratório
de Avaliação do Esforço Físico (LAEF) do Unisalesiano Lins com sua quadra anexa, com os testes realizados
pelos atletas da equipe Futsal Lins/SEMEL, especificamente os que jogam na função de ala, com o apoio da
comissão técnica e administrativa da equipe. Os critérios de inclusão e exclusão utilizados foram: ser um

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atleta de futsal há no mínimo três anos, desempenhar a função de ala, idade entre 18 e 30 anos, sem
lesões iniciais, estando os atletas aptos à realização da bateria de testes proposta no presente estudo.
Baseando-se nas afirmações descritas anteriormente, o estudo indaga: O treinamento monitorado pode
aprimorar e evitar perdas das capacidades físicas de atletas de futsal durante o período competitivo? Em
resposta a este questionamento sugere-se que, estabelecida uma base de valores para estas capacidades
com a primeira avaliação, os atletas apresentem uma evolução na avaliação subsequente, mostrando a
manutenção dessas capacidades durante toda a temporada que foi planejada para a equipe.

OBJETIVOS

O presente estudo tem como objetivo verificar as capacidades físicas adquiridas com o treinamento pré-
competitivo, com foco apenas na parte técnica e tática, e suas alterações após o período competitivo em 5
alas de uma equipe amadora sem recursos financeiros; sendo uma prática pouco utilizada por equipes
amadoras de pequeno porte. Para alcançar esse objetivo, foi traçado um perfil antropométrico, onde
foram mensurados estatura, peso e percentual de gordura e em seguida foram utilizados os seguintes
testes: Banco de Wells para avaliar a flexcibilidade de membros inferiores, Shuttle Run com bola para
estabelecer níveis de agilidade relacionada com a modalidade de futsal, Salto Horizontal para checar a
potência de membros inferiores e Shuttle Run para avaliar a resistência aeróbia dos atletas. Os testes
foram selecionados de acordo com a validade de seus resultados em outros estudos e por serem simples e
baratos para avaliar todas as capacidades já descritas anteriormente, sendo assim, toda a avaliação pode
ser realizada por qualquer equipe, já que não são exigidos materiais de dificil acesso.

MATERIAIS E MÉTODOS

Para avaliação estatística, foi utilizado o teste t-student para a comparação dos resultados pré e pós
competitivos. A significância adotada para a avaliação estatística foi de p≤0,05.
Como passo inicial, foi traçado um perfil antropométrico de cada atleta, através da idade, peso corporal
total em Kg e percentual de gordura através do protocolo de Guedes e Guedes (2006), com o intuito de
acompanhamento da evolução do treinamento com relação ao percentual de gordura, uma vez que, tais
informações são relevantes tanto para a escolha das estratégias de preparação física a ser aplicadas
quanto para a detecção e seleção de jovens talentos para a modalidade (AVELAR et al., 2008).
Sendo a flexibilidade importante no futsal e em qualquer exercício físico, o estudo classifica essa
capacidade física como uma das quatro principais para a modalidade, já que seu aumento resulta
diretamente de maneira positiva na amplitude de movimento, força, rapidez, facilidade, fluência e eficácia
na hora de realizar qualquer exercício, além do fato da falta de flexibilidade facilitar lesões (BERTOLA et al.,
2007). Para avaliação de flexibilidade, foi utilizado o teste no banco de Wells, também conhecido como
teste de sentar e alcançar proposto por Wells e Dillon em 1952.
Para mensurar a agilidade dos atletas, o estudo desenvolve o teste Shuttle run com bola, proposto em um
estudo realizado por Caicedo (1993), que declara: “O presente estudo teve como objetivos: a) propor um
teste que avalie agilidade para futebolistas, procurando tornar o teste mais próximo ao gesto motor
realizado pelos jogadores e verificar a reprodutibilidade;...”. Levando em consideração as divergências
entre futebol (analisado no estudo de Caicedo) e o futsal (analisado no presente estudo) o teste foi
realizado em superfície específica da modalidade.
Para mensurar a resistência aeróbia, foi escolhido o teste Shuttle Run. Este método é considerado o mais
aplicado, que requer pouco espaço físico, permite avaliar um grande número de pessoas ao mesmo tempo
e ainda possibilita manter controlada a intensidade. (QUEIROGA, 2005). Com vários estágios de velocidade
este teste permite uma noção da condição cardiorrespiratória (VO 2max), essencial para a prática do futsal.
A primeira bateria de cada período de testes foi realizada no LAEF e em sua quadra anexa, nos dias 26/02
(pré-competitivo) e 14/05 (pós-competitivo) onde foi traçado um perfil antropométrico de cada atleta
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através do peso, altura e do protocolo de Guedes de três dobras. Em sequência, o atleta já avaliado dirigia-
se até a avaliação de flexibilidade, através do banco de Wells e ao término da avaliação de todos os atletas
no LAEF, o grupo se dirigia a quadra do local para a realização do teste Shuttle Run. A segunda bateria de
testes foi realizada na quadra do CSU, nos dias 28/02 (pré-competitivo) e 16/05 (pós-competitivo). Em um
primeiro momento foi aplicado o teste de Salto Horizontal e sendo finalizada a bateria de testes com o
Shuttle Run com bola.

Para deixar a avaliação dinâmica e evitar que os atletas permanecessem ociosos, alguns testes foram
realizados simultaneamente permitindo que os testes fossem realizados em sequência e, quando
necessário, os atletas eram submetidos a um tempo de repouso, adequado ao protocolo, entre testes que
exigiam grande esforço. Resumindo, os atletas permaneciam ociosos apenas em seu tempo de descanso.As
avaliações marcaram o início e o término do periodo a ser estudado, totalizando 12 semanas, com 11
treinos e 12 jogos.

RESULTADOS

Os dados serão apresentados em uma única tabela para uma melhor análise. Na Tabela 1, estão expostos a
média (M) e o desvio padrão (DP) das avaliações que ocorreram nos períodos pré e pós-competitivos, onde
não foram encontrados resultados estatisticamente significativos (P ≤ 0,05) nos testes de peso e %G
(percentual de gordura), flexibilidade (Banco de Wells) e resistência aeróbia (SR); porém sendo
encontrados resultados estatisticamente significativos nos testes de agilidade (SRB) e potência de
membros inferiores (SH).
Observando os dados obtidos, os itens peso, %G, flexibilidade e resistência aeróbia não apresentaram
valores estatisticamente significativos, enquanto os valores apresentados nos testes de SRB e SH são
estatisticamente significativos, com P ≤ 0,05. No SRB foi obtido uma melhora de 5,72%; já no SH, foi obtido
uma melhora de 16,6%.

Tabela 1 - Valores de M,DP e P dos testes pré e pós competitivos


MÉDIA DP ± P
IDADE (anos) 22,60 3,51
ESTATURA (cm) 172,40 6,95
PESO PRÉ (kg) 67,12 4,08
0,063
PESO PÓS (kg) 66,24 3,80
% G PRÉ (%) 10,55 5,22
0,235
% G PÓS (%) 9,32 4,22
FLEX PRÉ (cm) 30,50 2,18
0,129
FLEX PÓS (cm) 32,90 2,46
SR PRÉ (Vel.) 13,10 0,65
0,587
SR PÓS (Vel.) 12,90 0,42
SRB PRÉ (s) 8,56 0,55
0,040*
SRB PÓS (s) 8,07 0,51
SH PRÉ (m) 2,16 0,18

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SH PÓS (m) 2,59 0,16 0,003*


*P ≤ 0,05
Fonte: Elaborada pelos autores
DISCUSSÃO

Como foi possível observar nos resultados, o presente estudo não apresentou diferença estatisticamente
significante para os testes de %G, flexibilidade e resistência aeróbia, em contrapartida, apresentou
resultados estatisticamente significantes (P ≤ 0,05) para os testes de potência de membros inferiores e
agilidade.
Com relação ao %G obteve-se uma melhora, porém sem significância estatística. O fator que merece
ressalva é o número de sessões semanais e o tempo de duração das sessões, uma vez que a equipe por
não disponibilizar de muito tempo optou por treinar a parte tática e técnica, sendo realizado em 11
sessões de treinamento, divididos em duas sessões semanais com duração de 60 min cada sessão. O que
vem ao encontro do estudo realizado por Cyrino et al. (2002), onde em 65 sessões divididas em três
sessões semanais com duração 150 minutos aproximado por sessão, também não obteve diferença
estatisticamente significativa neste mesmo quesito. Em estudo realizado por Santa Cruz (2011) com 44
atletas de futsal com idades entre 16 e 17 anos divididos em três grupos, utilizando modelos de
treinamento diferentes para cada grupo, sendo um grupo submetido ao treinamento de cargas seletivas
integrado (GTI), outro a periodização clássica (GTC) e um terceiro grupo a um modelo controle/jogo (GJ),
sendo realizado 72 sessões de treino e 4 jogos amistosos e 12 jogos neste período para o GTI, e para o GTC
foram realizadas 67 sessões e 4 jogos amistosos e 10 jogos neste período, o GJ teve 47 sessões, 2 jogos
amistosos e 8 jogos oficiais, após analise dos resultados também não foram encontradas diferenças
estatisticamente significativas nos valores do %G, podendo ser correlacionado o grupo GJ que teve um
treinamento similar (priorizando o treino tático e técnico) com o presente estudo que também não
encontrou diferenças nesta valência física e que realizou 12 jogos oficiais e as sessões já citadas acima
durante o período entre as avaliações. Isso mostra que se as sessões de treinamento não forem dividas
corretamente, para a melhora de algumas variáveis, isso pode influenciar diretamente nos resultados,
principalmente no que se diz respeito a %G de pessoas que já praticam atividade, pois sua adaptação a
uma carga de treinamento tem que ser muito bem priorizada, dosando sempre volume e intensidade.
Já na capacidade física de flexibilidade, não houve melhora, porém, durante as sessões de treinamento, os
atletas avaliados apenas utilizavam alongamentos no período final, com o intuito de relaxamento, o que
não proporciona melhora na amplitude de movimento. Com isso, é possível considerar que a carga de
trabalho dessa capacidade física não foi trabalhada, onde os atletas se encaixam no grupo controle do
estudo de Bertola et al. (2007) onde este grupo controle realizou apenas as avaliações de flexibilidade,
enquanto o outro grupo foi submetido a treinamentos de 25 minutos. Ao término do estudo os atletas do
grupo controle não apresentaram melhora estatisticamente válida, enquanto os atletas que trabalharam
esta capacidade obtiveram melhora extremamente significativa. Ainda sobre flexibilidade, em estudo
realizado por Cattelan e Mota (2010), um dos grupos de atletas realizou uma série de alongamentos
estáticos por 25 minutos durante 6 semanas, não encontrando resultados estatisticamente significativos
em avaliação utilizando o banco de Wells, o que pode ser comparado ao presente estudo, onde os atletas
realizavam cerca de 10 minutos de alongamentos após as atividades do treino.
Na capacidade física de resistência aeróbia, o presente estudo não encontrou melhoras estatisticamente
consideráveis após as 10 semanas de acompanhamento, o que vai de encontro nos achados do estudo
realizado por Gomes (2009), onde dois grupos foram divididos em treinamentos de força e pliometria,
ambos treinando três vezes na semana. Durante 8 semanas, sendo assim, nenhum dos dois grupos
encontrou melhora estatisticamente significativa. Comparando ambos os estudos, temos diferenças
importantes nas cargas de treino, já que os atletas do presente estudo optaram por priorizar treinos
técnicos e táticos, onde a intensidade era moderada e com várias pausas durante a atividade, não podendo

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ser considerado um treino específico de resistência aeróbia. Em outro estudo sobre resistência aeróbia,
Campos et. al. (2010) avaliaram 16 atletas de futsal com idade de 14 e 15 anos, antes e após uma pré-
temporada de 4 semanas. No estudo, os autores realizaram os seguintes procedimentos, na primeira
semana, treinamentos aeróbio com intensidade de 70% do VO2max; na segunda semana foram realizados
os mesmos exercícios aeróbios, porém com acréscimo de exercícios de força; na terceira e quarta
semanas, foram trabalhadas as capacidades de força, resistência anaeróbia, agilidade, coordenação em
forma de circuito. Os autores encontraram significância estatística para a melhora do VO 2max, porém, não
encontraram o mesmo resultado para o %G. Como diferencial em comparação ao presente estudo,
Campos et. al. (2010) avaliaram uma equipe que focou 50% de sua pré temporada em resistência aeróbia,
enquanto os atletas deste estudo tiveram foco em treinos técnicos e táticos.

CONCLUSÃO

Concluem-se através deste estudo os seguintes aspectos nas respectivas capacidades físicas: %G e
resistência aeróbia, são capacidades que praticamente se correlacionam, necessitando de treinamentos
específicos contínuos durante a temporada, para que se alcance os devidos resultados e para que os
mesmos sejam mantidos. Finalizando sobre estas capacidades, sem treinamentos aeróbios fica impossível
a diminuição do %G, porém a resistência aeróbia pode ser melhorada sem que o %G diminua.
Em relação à flexibilidade, concluiu-se que treinamentos específicos devem ser mais utilizados para que
esta capacidade apresente melhora considerável, já que muitos treinadores não possuem sessões
especificas de flexibilidade em seus treinamentos. Alongamentos para finalizar o treino tem função apenas
de relaxamento e são diferentes de sessões de flexionamento, onde é visada a melhora da flexibilidade.
Potência de membros inferiores e agilidade com bola, são capacidades muito utilizadas por alas durante as
partidas, o que ficou explicito no presente estudo, uma vez que os atletas trabalhavam com foco em
treinamentos técnicos e táticos, além das partidas que realizaram durante o período de intervalo entre as
avaliações. Treinamentos envolvendo situações de jogo são fortes aliados no trabalho destas capacidades
físicas.
Como considerações finais, nota-se que o planejamento do treinamento é fundamental quando o objetivo
é melhorar capacidades físicas, principalmente em equipes amadoras onde os atletas não são monitorados
constantemente, já que as principais capacidades físicas da modalidade de futsal apresentaram pouca
melhora significativa quando expostas apenas a treinamentos visando jogo. Uma frequência de pelo
menos três vezes na semana, aliada a individualização do treinamento, com sessões específicas para cada
função desempenhada em uma equipe podem apresentar resultados satisfatoriamente mais positivos.

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A PRÉ-EXAUSTAO E SUA CORRELAÇÃO COM A FORÇA E HIPERTROFIA


MUSCULAR: UMA REVISÃO CRÍTICA

VIEGAS, C¹, ZANELLA, A. L²


CÁSSIO VIEGAS¹
ANDRÉ LUIZ ZANELLA²
1- Cássio Viegas. Faculdade de Macapá – FAMA - Macapá - Amapá - Brasil
2 – Orientador: Professor Mestre: André Luiz Zanella. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro –
UTAD - Portugal

cassio.viegas.gunner@hotmail.com

RESUMO
Grande parte dos métodos de treinamento não foi criada por cientistas, nem por teóricos do treinamento
de força, mas sim por atletas e treinadores, a partir de sua própria percepção e instinto. Tanto que a
maioria deles não possui explicações científicas razoáveis, no entanto, diversas pesquisas têm sido
conduzidas para ajustá-los e validá-los às evidências científicas. Nesta revisão, foi demonstrado que através
de modificações em estudos anteriores, que a pré-exaustão (PE) pode ser um método eficaz dentro do
treinamento de força, de maneira que pode ser adaptada em mais de uma versão, adequando-se aos
objetivos e necessidades do praticante. Além disso, pôde-se estabelecer uma melhor correlação com o
desenvolvimento da força e hipertrofia músculoesquelética associadaàs diferentes adaptações do
métododa PE e as vantagens que cada um pode oferecer, que englobam desde elevada ativação muscular
até estímulos metabólicos e tensionais. Foram focados tópicos importantes como: pré-exaustão, estudos
agudos da PE com eletromiografia (EMG), perspectiva da análise da percepção subjetiva de esforço e do
volume de repetições máximas na PE tradicional e ordem inversa, análise de composição corporal e força a
nível agudo com a utilização da PE de ordem tradicional e inversa. Concluindo, assim, que a PE oferece
vantagens de maior ativação muscular, além ainda de favorecer a promoção de um ambiente muscular
favorável ao anabolismo, com o incremento de estímulos metabólicos e tensionais. No entanto, suas
limitações também são destacadas.
Palavras-chave: pré-exaustão, treinamento de força, hipertrofia.

ABSTRACT
Much of the training methods was not created by scientists, not by theoretical strength training, but for
athletes and coaches from their own perception and instinct. So much that most of them do not have
reasonable scientific explanations, however, several studies have been conducted to adjust them and
validate them on scientific evidence. In this review, it was demonstrated that through modifications in
previous studies that pre-exhaustion (PE) can be an effective method in strength training, so that it can be
adapted in more than one version, adapting to the goals and needs of the practitioner. Moreover, it was
possible to establish a better correlation with the development of strength and muscleskeletal
hypertrophy associated with different adaptations of the PE method and the advantages that each can
offer, which range from high muscle activation to metabolic stimuli and tension. They were focused on
important topics such as: pré-exhaustion, acute studies of PE with electromyography (EMG), analysis from
the perspective of perceived exertion and the volume of maximum repetitions in the traditional PE and
reverse, body composition analysis and the acute level force with the use PE of traditional and reverse. In
conclusion, therefore, that the PE offers advantages of increased muscle activation, and also to encourage
the promotion of a favorable environment for muscle anabolism, with the increase of metabolic and
tensional stimuli.

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Key-words: pré-exhaustion, strenght training, hypertrophy.

INTRODUÇÃO
A força tem ocupado papel cada vez mais importante como componente da aptidão física. Atualmente, a
ciência reconhece essa valência como fundamental para a saúde, qualidade de vida, e capacidade
funcional dos indivíduos (KRAEMER et al., 1998).
Nos estágios iniciais do treinamento de força, para esportes ou reabilitação física, incrementos de força
são bastante rápidos, principalmente por causa de adaptações neurais (SALE., 1988). Em contraste, nos
estágios intermediários e avançados, o treinamento com pesos progressivo é marcadamente lento. Além
disso, o treinamento com pesos para propósitos atléticos é frequentemente caracterizado por platôs de
performance ou mesmo decrementos (FLECK, 1999; FRY & KRAEMER, 1997).
A ordem de execução dos exercícios é fator de extrema relevância na prescrição do treinamento resistido
(TAN., 1999; FLECK e KRAEMER., 2004; GENTIL., 2005). Tradicionalmente, recomenda-se a execução de
exercícios multiarticulares, que envolvem grandes grupamentos musculares, antes de exercícios
monoarticulares, cuja ação é mais localizada (TAN., 1999). Ainda que executar exercícios multiarticulares
no início da sessão possa maior volume de treino, a realização de exercícios monoarticulares precedendo
movimentos mais complexos com o intuito de promover maior estímulo para o músculo fadigado, como
sugerido na PE, tornou-se um procedimento adotado e difundido por fisiculturistas e levantadores de peso
americanos do leste europeu (FLECK E KRAEMER., 2004).
Embora os benefícios da utilização da PE por praticantes de academia ainda não sejam totalmente
esclarecidos, com ajustes na intensidade dos estímulos aplicados, é possível adotar esse procedimento nas
rotinas de treinamento, conforme o estudo de JÚNIOR., (2010). Os achados de DESALLES.,(2008), ainda
contribuíram para que a utilização da PE de forma tradicional e inversa tivesse aplicabilidade prática.
Apesar desse presente tema carecer de estudos crônicos que envolvem análises de aumento de força e
massa muscular, podem-se associar estudos anteriores que obtiveram êxito nesses aspectos com base em
características inerentes ao TF, como os estímulos tensionais e metabólicos.
No mais, o objetivo desta presente revisão foi detectar os pontos principais que levaram as divergências
entre os estudos acerca da utilização do método da PE no treinamento físico para fazer uma correlação de
sua aplicabilidade com os ganhos em força e hipertrofia muscular com embasamento científico.
PRÉ-EXAUSTÃO
Grande parte dos métodos de treinamento não foi criada por cientistas, nem por teóricos do treinamento
de força, mas sim por atletas e treinadores, a partir de sua própria percepção e instinto. Tanto que a
maioria deles não possui explicações científicas razoáveis, no entanto, diversas pesquisas têm sido
conduzidas para ajustá-los e validá-los às evidências científicas (GENTIL., 2005). A teoria da PE consiste na
realização de um exercício multiarticular precedido de um exercício monoarticular. Ex: Crucifixo
antecedendo Supino Reto, ou Cadeira Extensora antes do Agachamento Livre, e é usada com a finalidade
de enfatizar a musculatura trabalhada de forma isolada no primeiro exercício (BACURAU et al., 2001). A
criação deste método é creditada a JONES., (1970), com a justificativa de que, frequentemente, exercícios
multiarticulares são interrompidos antes de se atingir a falha muscular momentânea no motor primário do
movimento devido a falha precoce dos motores secundários. Dessa maneira, o tríceps braquial poderá
falhar antes do peitoral maior, durante a realização de um supino reto, por exemplo. Jones percebeu que
os músculos alvo poderiam ser pré-exauridos com a realização prévia de um exercício isolado, e, tirando
vantagem disso, a realização subsequente de um exercício composto iria acarretar em sua máxima
estimulação. Até mesmo mais do que normalmente.
Posteriormente, estudos foram feitos com o propósito de investigar se a teoria inicialmente proposta
estava correta, e, até os dias de hoje, há opiniões bastante divididas de pesquisadores em relação a esse
método. A começar por FLECK & KRAEMER.,(2004), que defendem a ideia de que a execução de exercícios
para grupamentos musculares menores, antecedendo movimentos multiarticulares, causaria sua menor
ativação, devido à fadiga, impondo maior tensão aos músculos secundários. A neurofisiologia explicaria a
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teoria inicialmente proposta por Jones com o aumento da amplitude do sinal eletromiográfico durante a
execução de contrações voluntárias, sugerindo que unidades motoras (UMs) adicionais seriam recrutadas,
posteriormente, para compensar a perda de funcionalidade de outras, conforme os estudos de
(MORITANIET AL., 1982; MORITANIET AL., 1986; CARPENTIERET AL., 2001; CARMO., 2003).
A teoria proposta por FLECK E KRAEMER se confirmou ao se estudarem contrações voluntárias máximas,
onde ocorreu uma queda progressiva no padrão de recrutamento de unidades motoras (BIGLAND-RITCHIE
ET AL., 1983; MORITANIET AL., 1982). Junto a isso, surge outra problemática: em movimentos complexos, a
menor ativação de UMs em um músculo é contornada por alterações do padrão motor, com maior
ativação dos demais músculos envolvidos no movimento, inclusive primariamente músculos que outrora
eram meros coadjuvantes.(NEWHANET AL., 1991; BEHM&ST-PIERRE, 1997, NYLANDET AL., 1997;
VERKONSHANSKI., 2001; AKIMA ET Al., 2002).(GENTIL., 2005 apud).
Estudos agudos da pré-exaustão com eletromiografia
As divergências Com a PE aumentaram ainda mais quando o método foi testado tendo a EMGusada como
referente de qualificação. O estudo de AUGUSTSSON ET AL., (2003) revelou que a PE causou diminuição
progressiva da atividade eletromiográfica (AEM) do quadríceps, ao se realizar a cadeira extensora antes do
leg press. Para membros superiores, o estudo de GENTIL ET AL., (2007)e BRENECK EL AL., (2009)
apresentou a mesma tendência, ao se considerar os efeitos da realização do crucifixo precedendo o
supino. Houve aumento na AEM do tríceps braquial, no segundo exercício, acompanhado de queda
progressiva na ativação do peitoral maior, apesar de essa queda na AEM do peitoral não ter sido
significativa, segundo os autores. Ambos concluíram que o uso da PE não trouxe vantagens adicionais em
ganhos de força e hipertrofiase comparado a um treinamento resistido tradicional (AUGUSTSSON., 2003;
GENTIL., 2007, BRENNECKET AL., 2009).
No entanto, é errado desqualificar o método da PE com base em estudos de EMG, pois a ativação muscular
é apenas parte integral do processo de hipertrofia, e não determinante exclusivo dele. Assim como a força
muscular não é avaliada, exclusivamente, dessa forma. O processo de hipertrofia está mais relacionado
com outros fatores, como destacado por SCHOENFELD., (2010), há a existência de três fatores primários
responsáveis pela iniciação das respostas hipertróficas: tensão mecânica, dano muscular e estresse
metabólico.Secundariamente a esses fatores, estão relacionados outros como: ativação de células
satélites; vias miogênicas da AKT/mTOR, mitógenos ativados por proteínas quinases, canais cálcio-
dependentes; hormônios e citosinas, fatores de crescimento semelhante a insulina, testosterona,
hormônio do crescimento; inchaço celular; e hipoxia. Como esses fatores secundários são fenômenos
biomoleculares, não terão ênfase neste presente estudo.
De acordo com MAUGHAN ET AL., (2000), estímulos mecânicos podem gerar hipertrofia na ausência de
inervação, hormônios ou nutrição adequada. De fato, é verificado que, mesmo sem a ocorrência de
microlesões, é possível um músculo hipertrofiar em função da sobrecarga (ANTONIO & GONYEA., 1993ª).
Supõe-se que as alterações mecânicas sejam traduzidas através do citoesqueleto por diversos mecanismos
(CARSON & WEI., 2000; MAUGHAN ET AL., 2000; BURKHOLDER., 2007; HORNBERGER., 2011; PROSSER ET
AL., 2013): diretamente; através de integrinas; por canais de íons ligados à membrana; pelas proteínas
quinases ativadas por mitógenos (MAP); ou pela via do eixo mTOR. Estas alterações iniciadas com
estímulos mecânicos iniciam uma cascata de reações que afetam as atividades das células satélites, dos
ribossomos, fatores de iniciação eucarióticos (eIFs) e fatores de transcrição, produzindo uma expressão
gênica alterada que leva a maior síntese proteica. A mecanotransdução tem grande influência com o tipo
de ação executada, sendo mais evidente em contrações excêntricas, isométricas, concêntricas e
alongamento passivo, respectivamente (MARTINEAU & GARDINER., 2001).FOLLAND JP., 2002). O estresse
metabólico manifestado pelo acúmulo de metabólitos, assim como lactato e íons H+, e hipoxia muscular
aguda associada com o treinamento resistido pode mediar adaptações hipertróficas, assim como inchaço
celular e alterações em miocinas locais incluindo interleucina-6 (SCHONFELD., 2013; SCHOTT J., 1995;
SMITH RC., 1995; TAKARADA Y., 2000; BURGOMASTER KA., 2003). (GENTIL., 2005 apud).

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O treinamento físico pode resultar em danos localizados ao tecido muscular que, sob certas condições, é
teorizado gerar uma resposta hipertrófica (EVANS., 2012; HILL & GOLDSPINK G., 2003). Os danos podem
ser específicos para apenas algumas macromoléculas de tecido ou resultar em grandes rasgos no
sarcolema, lâmina basal, e tecido conjuntivo de apoio, e induz lesão nos elementos contrácteis e no
citoesqueleto (VIERCK ET AL., 2000). Porque os sarcômeros mais fracos estão localizados em diferentes
regiões de cada miofibrila, o alongamento não uniforme provoca um corte de miofibrilas. Isso deforma as
membranas, particularmente túbulos T, levando auma perturbação da homeostasia do cálcio e, por
conseguinte,danos devido a ruptura de membranas e / ou abertura dos canais de stretch-activated (ALLEN
ET AL., 2005). A resposta ao trauma tem sido comparada a respostas inflamatórias agudas à infecção. Uma
vez que o dano é percebido pelo corpo, os neutrófilos migram para a área de micro-trauma e os agentes
são, então, liberados por fibras danificadas que atraem macrófagos e linfócitos. Macrófagos removem
detritos celulares para ajudar a manter a ultraestrutura da fibra e produzir citocinas que ativam
mioblastos, macrófagos e linfócitos. Acredita-se que conduzam à liberação de vários fatores de
crescimento que regulam a proliferação e diferenciação de células satélites. É importante frisar, ainda que
as diferentes variações da PE englobam essas características. GENTIL., 2005 apud).
É sabido também que ganhos de força muscular podem ser adquiridos sem aumento significativo na AEM
muscular (WATANABE ET AL., 2014) O mesmo ocorre com as contrações excêntricas. A força muscular
excêntrica pode chegar a superar a concêntrica em cerca de 50%, mesmo recrutando um menor número
de UMs (ENOKA, 1996; BABAULT ET AL., 2001; HORTOBÁGYI ET AL., 2001). Claro que, no caso das ações
excêntricas, isso ocorre por razões específicas.NARDONE ET AL., (1989), verificaram que há ativação
preferencial de UMs maiores (glicolíticas), durante contrações excêntricas, e isso pode colaborar para o
aumento do torque. Apesar de não ser a única razão que faz as contrações excêntricas gerarem mais força,
mesmo com menos UMS recrutadas, é uma hipótese plausível.
Ademais, resultados contraproducentes envolvendo estudos com EMG, parecem estar associados à alta
intensidade nos exercícios isolados (JUNIOR ET AL., 2010; GENTIL., 2005). E, pensando nisso, Junior et al.,
2010 fizeram um excelente estudo onde teve como objetivo verificar se a PE realizada com exercício
monoarticular de baixa intensidade é uma forma eficaz de recrutar maior número de UMs no exercício
multiarticular subsequente, e o resultado foi positivo. Neste importante estudo, nove voluntários entre 20
e 23 anos realizaram 15 extensões unilaterais de joelhos e 15 extensões subsequentes no leg press, com
cargas de 30% e 60% de 1 RM, respectivamente, na PE de baixa intensidade. E, no grupo de alta
intensidade, a mesma sequência foi executada com carga de 60% de 1 RM nos dois exercícios. (JUNIOR ET
AL., 2010). Ambos protocolos 30% e 60% de 1 RM foram considerados eficientes em elevar a AEM no
exercício composto, de maneira que os dois foram considerados seguros e eficientes para a prática
desportiva nas academias. Mesmo não apresentando diferenças estatísticas relevantes, o protocolo que
utilizou carga de 30% de 1 RM foi o mais recomendado, devido a permitir maior controle do volume
(número de repetições) de treino no exercício composto, além ainda de um melhor controle da técnica e
menor índice de lesão.
Tabela 1 – Resumo do delineamento experimental (Adaptado de JUNIOR ET AL., 2010)

A justificativa fisiológica para tal encontra-se nas observações de (HOUTMAN., 2001; HOUTMAN., 2003),
onde háativação preferencial de fibras do tipo I em contrações de baixa intensidade, de maneira que as
fibras do tipo II passam a ser mais recrutadas posteriormente. Deste modo, esforços com carga reduzida
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no exercício monoarticular podem favorecer o recrutamento de um maior número de unidades motoras


no exercício subsequente, principalmente de unidades motoras do tipo II que normalmente possuem
maior limiar de excitação (HENNEMAN ET AL., 1965). (JUNIOR ET AL., 2010 apud).
Imagem 1 – Velocidade de condução a 30% da máxima contração voluntária (Adaptado de JUNIOR ET L.,
2010)

O motivo pelo qual a PE não gera os resultados de maior ativação esperados pode estar relacionado à
existência de um feedback sensorial que inibe a taxade descarga dos motoneurônios em contrações
exaustivas (ASCENÇÃO ET AL., 2003). Como consequência dessa inibição, unidades motoras de outros
músculos serão acionadas para evitar a interrupção da ação muscular (GANDEVIA., 2001).Mudanças nos
receptores musculares, são talvez os grandes responsáveis por esse redirecionamento dos estímulos
motores (GANDEVIA., 2001; HUNTER ET AL., 2004). Dentre os principais receptores afetados pela fadiga
estão os aferentes musculares dos grupos II e IV, os fusos musculares e os orgãos tendinosos de golgi
(GANDEVIA., 1998; HUNTER ET AL., 2004). Os aferentes musculares dos grupos II e IV são células nervosas
de pequeno diâmetro que inervam as terminações livres ao longo de todo o músculo. Eles são
responsáveis pela inibição da contração muscular quando ocorrem perturbações mecânicas, bioquímicas
ou térmicas. Alterações decorrentes da fadiga, como a produção de lactato e variação nas concentrações
iônicas de sódio e potássio, promovem o acionamento desses receptores e causam queda na produção de
força (GANDEVIA., 2001; ASCENÇÃO ET AL., 2003). Os fusos musculares são estruturas que envolvem as
fibras e respondem de forma reflexa ao alongamento, contraindo os músculos para que possíveis
deformações em suas estruturas sejam prevenidas (MCARDLE ET AL., 1996). A queda na taxa de disparo
dos fusos em consequência da fadiga dificulta o encurtamento ou a manutenção do comprimento
muscular (GANDEVIA., 1998). De forma contrária, funcionam os orgãos tendinosos de golgi, localizados
dentro dos tendões (MCARDLE ET AL., 1996). Quando há aumento na produção ou manutenção
prolongada dos níveis de força, os orgãos tendinosos de Golgi são ativados, também de forma reflexa, para
atenuar a tensão muscular e evitar possíveis lesões (GANDEVIA., 2001). (JUNIOR ET AL., 2010 apud)
KUKULKA E CLAMANN.,(1981) e MASAKADO., (1994) relatam que pequenos músculos são capazes de
recrutar a grande maioria de suas unidades motoras em intensidades de 50% da máxima contração
voluntária isométrica e, a partir daí, modulam a produção de força pela frequência de disparo dos
potenciais de ação. No entanto, em grandes grupos musculares o principal dispositivo para a variação da
tensão é o recrutamento de unidades motoras. Somente com cargas superiores a 90% da máxima
contração voluntária isométrica (MASAKADO., 1994) é observado o recrutamento da maior parte das fibras
de grandes músculos como os dos membros inferiores. Desta forma, é possível que uma quantidade
considerável de fibras do músculo vasto lateral, por exemplo, não sofra estímulo algum durante a
execução de um exercício como o leg press 45º, ainda que nesse movimento sejam empregadas cargas
relativamente altas. Como somente as fibras que são recrutadas no treinamento é que estão sujeitas às
adaptações fisiológicas (FLECK E KRAEMER., 2004), a implementação de estratégias como a pré-exaustão
com cargas de 30 e 60% de 1 RM podem tornar os exercícios multiarticulares mais proveitosos, pois uma

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maior quantidade de unidades motoras passa a ser estimulada com a aplicação dessa metodologia.
(JUNIOR ET AL., 2010 apud).
Ainda assim, mesmo tendo-se encontrado protocolos ditos seguros e eficientes quanto a maior ativação
muscular, sugere-se que a invalidação dos protocolos anteriores de alta intensidade dos estudos de
(AGUSTSSON., 2003; GENTIL., 2007) não seja estimulada, em virtude de a PE, feita dessa forma, ter as
mesmas alterações fisiológicas do método Bi-set (GENTIL P., 2005). As bases para o uso da PE, em ambos
os casos, provavelmente se encontram no comportamento dos músculos diante da fadiga (GENTIL., 2005).
Aceitando o fato que o bi-set e a PE, neste caso, são bem parecidos, podemos justificar o uso deste
método por meio dos conceitos vistos no Drop-set, acrescentando a variação intencional do padrão motor.
Ao final do primeiro exercício, um determinado número de unidades motoras não poderia mais ser
recrutado, impedindo a execução do movimento, porém, a mudança para um exercício com padrões
motores diferentes (e cargas adequadas à nova condição), permitiria o prosseguimento do estímulo,
aumentando o tempo sob tensão e prolongando o estresse metabólico (GENTIL ET AL., 2005). O maior
tempo sob tensão seria interessante para aproveitar estímulos tensionais, já a contração prolongada
poderá causar, além do acúmulo de metabólitos, aumento posterior da circulação, com maior
disponibilidade de nutrientes. Resta saber se essas alterações na osmolaridade, proveniente da alteração
das concentrações de íons e fluídos nos músculos, também poderiam ajudar no processo de hipertrofia,
com resultados similares aos obtidos por BERNEIS ET AL., (1999). (GENTIL., 2005). A única diferença da PE e
do bi-set, sob essas condições, seria que a PE é feita, obrigatoriamente, com um dos exercícios de forma
isolada. Caso as alterações no padrão de execução de movimento já mencionadas sejam latentes, pode-se
usar como alternativa a PE de ordem inversa, com o exercício composto precedendo o isolado,
obedecendo assim à todas as premissas anteriores e tornando amena a possibilidade de alterações no
padrão motor de movimento.
Perspectiva da análise da percepção subjetiva de esforço e do volume de repetições máximas na pré-
exaustão tradicional e ordem inversa
Este estudo comparou o método pré-exaustãotradicional à ordem inversa nos exercícios leg press e
cadeira extensora, sobre o volume de repetições máximas e percepção subjetiva de esforço. Treze homens
treinados realizaram três sequências de treino: sequência A, LP antes da CE, e após 72 horas a sequência B
(PRE), CE antes do LP. Foi realizada uma série de cada exercício com intervalo para transição entre
exercícios de 20 segundos. O procedimento foi realizado por quatro vezes com intervalos fixos em dois
minutos. O número de RM e a PSE (OMNI-RES) foram coletados após cada série de cada exercício. Os
resultados apresentaram o volume total de RM e a média do número de RM no exercício CE
significativamente menores na sequência A (volume total = 38,6 ± 7,3; média do número de RM CE = 3,57 ±
1,19) quando comparada à sequência B (volume total = 46,9 ± 8,4; média do número RM CE = 6,69 ± 1,33).
Os dados sugerem que a ordem de PRE promove a realização de um maior volume total de treinamento
quando comparada à ordem inversa sem alterações na PSE.(DESALLES ET AL., 2009).
Os resultados (coeficientes de correlação intra-classe) referentes à reprodutibilidade das cargas obtidas
nos testes de 8RM foram: LP r=0,94 e CE r=0,96. Em adição, o teste-t student pareado não demonstrou
diferença significativa entre as cargas obtidas para 8RM em cada exercício (p<0,05). O volume total de RM
e o número de RM no exercício CE (média das quatro séries) foram significativamente menores na
sequência A quando comparada à sequência B. O número de RM no exercício LP, assim como a PSE
mediana não apresentaram diferenças significativas(DESALLES ET AL., 2009).
Volume total de RM, números de RM produzidos em cada exercício (médiadas quatro séries) e PSE para as
duas sequências. (Adaptado de DESALLES ET AL., 2010).

Sequência A: LP para CE Sequência B (PRE): CE para LP


Volume total 38,6 ± 7,3 46,9 ± 8,4*
CE3,57 ± 1,19 6,69 ± 1,33*
LP 6,09 ± 1,34 5,03 ± 1,41 PSE (mediana) 7,5 7,5
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Diferençassignificativas em relação à sequência A (p<0,05)

Resultados intrasequências mostram reduções similares durante a progressão das séries nos dois
exercícios em ambas as sequências. Os resultados inter-sequências demonstraram valores
significativamente menores no exercício CE para todas as séries da sequência A

Gráfico 1 - Número de RM nas quatro séries do exercício LP para as sequências A e B (adaptado de


DESALLES ET AL., 2009).
diferença significativa em relação à 1ª série intra-sequência;
# diferença significativa em relação à 2ª série intrasequências.

Número de RM nas quatro séries do exercício CE para as sequências A e B(adaptado de DESALLES ET AL.,
2009).

Sob a ótica da análise do volume total de repetições máximas, o estudo de DESALLES ET AL., (2009) foi de
grande contribuição para ajudar a elucidar essa questão, pois esse marcador tem relação estreita com
realidade dos frequentadores de academia e reflete um parâmetro de praticidade dentro das salas de
musculação. É seguro afirmar que um maior volume total de treino, como na sequência A deste estudo
oferece um maior estresse metabólico, enquanto que a sequência B proporciona uma maior característica
tensional (mecanotransdução), mecanismos esses já mencionados estarem relacionados com o processo
de hipertrofia muscular. De maneira que ambos poderiam ser aproveitados em diferentes fases da
periodização, quando se desejar dar ênfase em ações metabólicas, (menos intensidade e maior volume de
treino), e ações tensionais (maior intensidade relativa a um volume menor de repetições). (DESALLES ET
AL., 2009) ainda destaca a utilização de 3 séries em seu estudo, que teve como objetivo, aproximá-lo da
realidade dos praticantes de musculação.
Análise de composição corporal e força a nível agudo com a utilização da pré-exaustão de ordem
tradicional e inversa.
Um estudo envolvendo análise de composição corporal e força faz-se necessário para que os benefícios da
PE não permaneçam especulativos e, a esse respeito, a literatura cientifica dispõe de um único trabalho
que investigou os efeitos da PE, ordem dos exercícios, e intervalos de descanso em uma intervenção de
treinamento resistido no corpo inteiro, que foi o deFISHER ET AL.,(2015). O estudo teve procurou examinar
um programa de treinamento de PE. 39 participantes treinados (homens = 9, mulheres = 30) completaram

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12 semanas de treinamento resistido em 3 grupos: o grupo que realizou o treinamento de PE (n = 14), o


grupo que realizou a mesma ordem de exercícios com um intervalo de descanso entre as séries (n = 17), e
um grupo controle (n = 8) que realizou os mesmos exercícios em uma ordem diferente (exercícios
compostos precedendo osisolados). Nem uma diferença significativa foi encontrada para força nos
exercícios supino, legpress ou pull-down, ou para mudanças de composição corporal. A magnitude de
mudança foi examinada por resultados usando também effect size (ES). ESs para mudanças na força foi
considerada grande para cada grupo para todos os exercícios (variando 1.15 para 1.62). Em conclusão, o
treinamento de PE não ofereceu nem um benefício adicional realizando os mesmos exercícios com
intervalo entre eles comparado com exercícios realizados em uma ordem que prioriza os movimentos
compostos. (FISHER ET AL., 2014).
No entanto, este estudo foi duramente criticado por PRESTES ET AL., (2015), onde foram apontadas nele
diversas falhas metodológicas, o que justificaria os resultados insatisfatórios da utilização da PE em
indivíduos treinados. Algumas das principais críticas foram aderidas por FISHER ET AL., (2015), que
aceitaram iniciar uma discussão a respeito desse assunto, posteriormente. Dentre os principais pontos
questionados estão a não utilização de um padrão ouro para analisar variáveis importantes sobre a
hipertrofia muscular, que seria através de ressonância magnética e ultrassonografia. Ao invés desses
padrões, FISHER ET AL., 2014 utilizaram um plestismógrafo de deslocamento de
ar(BodPodGS,Cosmed,USA) descrito detalhadamente no estudo de DEMPSTER AND ATKINS, (1995). Outro
ponto criticado por PRESTES ET AL., (2015) foi a não realização de teste e reteste de 1 RM com o objetivo
de investigar aumentos de força dos participantes com o experimento, que é realmente relevante. FISHER
ET AL., 2015 admitiram ter falhado na não aplicação do teste e reteste para investigação da força muscular,
no entanto, justificaram o uso de repetições até a falha muscular momentânea, com cargas submáximas
estar bem evidenciado como apropriado e confiável e isso ter relação relativamente fixa com 1-repetição
máxima conforme sugere CARPINELLI., (2011). Respondendo o questionamento, FISHER ET AL., 2015
esclareceram sobrea experiência anterior dos sujeitos voluntários com o treinamento de força, que se
tratava de pelo menos 6 meses, realizando-se pelo menos 1 série até a falha muscular momentânea, com
frequência de 2 vezes semanais. O estudo de FISHER ET AL., (2014), apesar de encontrar embasamento
considerado eficiente com a utilização desse mesmo protocolo, conforme o próprio estudo dos autores
(FISHER ET AL., 2013b) também foi alvo de críticas por PRESTES ET AL., (2015), que defendem a utilização
de séries múltiplas para maiores ganhos de força e hipertrofia, com base na meta-regressão de
KRIEGER.,(2009) e na meta-análise de KRIEGER., (2010), respectivamente. De fato, uma revisão na
literatura evidencia que sujeitos treinados se beneficiam com um volume maior de séries (séries múltiplas)
por grupamento muscular para ganhos de força e hipertrofia muscular, conforme as recomendações de
(CARPINELLI & OTTO., 1998; POLLOCK ET AL., 1998; KRAEMER ET AL., 2002; RHEA ET AL., 2003;
RONNESTAD ET AL., 2007; BOTTARO ET AL., 2011;) sugerem que alunos iniciantes têm os melhores
resultados com um volume total de 3 séries por grupamento muscular semanais. Até o 1º ano de treino, 4
séries por sessão de treino (RHEA ET AL., 2003).
Posto isso, sabendo-se que o ACSM classifica como iniciantes, intermediários e treinados, indivíduos com
de 0 a 6 meses, a partir de 6 meses, e a partir deum ano de treino, respectivamente, os indivíduos
voluntários do estudo de FISHER ET AL., (2014) estariam, realmente, classificados como
treinados/intermediários. No entanto, no estudo de FISHER ET AL., (2014), os indivíduos realizavam um
volume total de 2 séries semanais por grupamento muscular, ou seja, abaixo mesmo das recomendações
para indivíduos iniciantes, que é de 3 séries semanais por grupamento muscular. Por essa razão, não
poderiam ser classificados como indivíduos treinados, e sim iniciantes ainda. Não obstante, no estudo
inicial de FISHERET AL., (2014), os autores ainda mencionam outras limitações em seu próprio estudo,
onde a principal delas consistiu no não controle da dieta dos participantes, onde os mesmos não foram
aconselhados a modificar sua alimentação. Este é realmente um fato muito limitante quando se quer
investigar a hipertrofia muscular. Por fim, os autores também sugerem que, durante o experimento,o
destreinamento de músculos que eram treinados em período anterior ao estudo pode ter influenciado a
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não observação de ganhos estatisticamente significativos de massa muscular. Os autores concluem que
não foram encontrados benefícios adicionais no uso da PE tradicional e de ordem inversa para indivíduos
treinados, com um volume de 1 série por grupamento muscular por sessão de treino. Por conseguinte,
conforme sugerido por PRESTES ET AL., (2015) e sendo concordado por FISHER ET AL., (2015), é possível
que um estudo feito com um volume maior de séries por grupamento muscular traga maiores benefícios
juntamente com o uso da PE para indivíduos treinados. Até porque, como o próprio nome sugere, os
métodos avançados de treino seriam indicados a indivíduos avançados e que, teoricamente, teriam
melhores benefícios com ele, conjunto a um treino periodizado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste estudo de revisão, procurou-se demonstrar que, apesar das contradições literárias referentes ao
método da PE, existia um ponto que os correlacionaria de forma correta, e que, através disso, poderiam
ser evidenciados os reais benefícios para a utilização desse recurso até o momento que a literatura
permite, assim como, as limitações dos estudos existentes. Dessa forma, foi possível notar que a
desqualificação do método da PEpor GENTIL., (2007); AUGUSTSSON., (2003) E BRENNECKET AL., (2009)
esteve mais relacionada com a falta de uma pequena modificação dos protocolos iniciais de EMG além de
sua corretacorrelação com a força e hipertrofia muscular, bem como no uso de metodologias limitadas,
usadas para investigar os benefícios da utilização desse recurso. Por isso, os resultados obtidos por FISHER
ET AL., (2014), que não encontraram benefícios adicionais na utilização da PE,seja de ordem tradicional ou
inversa, se aplicam apenas a indivíduos treinados com 2 séries semanais para os principais grupamentos
musculares, e com período de experiência no TF de pelo menos 6 meses. Quanto a indivíduos treinados
com um volume de séries superior a 2 séries semanais, são necessários mais estudos afim de sanar essa
dúvida. Ainda com relação a maior ativação muscular, o estudo de JUNIOR ET AL., (2010) conseguiu
esclarecer esse aspecto, com a utilização de protocolos considerados seguros e eficientes para esse
objetivo, isso é, quando se desejar recrutar um número maior de UMs em um exercício e ativando UMs de
contração rápida (fibras de força, do tipo II), em comparação a este mesmo exercício realizado de maneira
isolada sem um exercício monoarticular precedente. O estudo realizado por DESALLES ET AL., 2008
também se reflete de extrema importância quanto ao parâmetro do volume total de séries entre os
métodos tradicional e inverso da PE, onde pôde-se notar que ambos os protocolos podem ser utilizados
com objetivos distintos dentro de um programa periodizado de treinamento com pesos. Assim, a
realização da PE de ordem inversa de 8 repetições máximas do estudo de DESALLES ET AL., (2008) seria
mais aconselhável em períodos onde se deseje promover maiores estímulos mecânicos ao músculo alvo.
Além ainda da possibilidade de poder contornar possíveis desvios de padrão motor de execução, nos
protocolos onde o exercício isolado precede o composto. Quanto aos protocolos de alta intensidade, no
exercício isolado, na PE de ordem tradicional dos estudos de (GENTIL., 2007; AUGUSTSSON., 2003;
BRENNECK ET AL., 2009; E DESALLES ET AL., 2008), neste caso, além dos estímulos mecânicos, ainda
trariam uma ligeira vantagem no acúmulo de estresse metabólico, aumentando o volume de repetições e o
tempo sob tensão do treino.
Apesar de os benefícios do uso da PE ainda permanecerem especulativos, quanto a hipertrofia muscular, a
associação com fatores mecânicos e com o estresse metabólico é um forte embasamento de sua relação
com a hipertrofia músculoesquelética e suficiente para tornar válida a utilização do método da PE por
praticantes de musculação, pelo menos até que se tenha um parecer melhor desse assunto quando um
estudo, seja agudo ou crônico, for realizado, obedecendo as ressalvas já propostas. Isso incluí a utilização
de indivíduos avançados em TF, métodos padrão ouro para avaliação de composição corporal e força
muscular, utilização de um maior volume de séries por grupamento muscular e a inclusão de pelo menos
um grupo obedecendo os protocolos de treinamento semelhantes aos propostos por JUNIOR ET AL.,
(2010).

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

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cassio.viegas.gunner@hotmail.com)

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EXERCÍCIOS RESISTIDOS E IDOSOS: TENDÊNCIAS DO TREINAMENTO DE FORÇA,


UMA REVISÃO.

CANTÉ, R.B.1; MONTENEGRO, C.M.2.

1- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Tefé – Amazonas – Brasil


2- Faculdade La Salle – Manaus– Amazonas – Brasil
cant_raquel@yahoo.com.br

Resumo
A população de idosos no Brasil vem apresentando um crescimento acelerado e concomitantemente a
esse cenário os profissionais de educação física necessitam garantir melhores condições de vida para essa
população. O treinamento resistido promove benefícios diretos e indiretos ao indivíduo. Como os
resultados desse tipo de treinamento são cada vez mais positivos, verificou-se que houve aumento
considerável no número de programas de treinamento resistido direcionados para os idosos. O objetivo
deste estudo é identificar os métodos de treinamento resistido utilizados em idososnos anos de 2009 a
2013. Em virtude desse aumento significativo de treinamento resistido para idosos a tendência é que
novas metodologias direcionadas a essa população tenham surgido. Uma revisão sistemática foi realizada
nas bases de dados SciELOe Google Acadêmicoutilizando os descritores: exercício resistido,
idososetreinamento de força. Seguindo os procedimentos estabelecidos para o estudo, foram selecionados
13 artigos para esta revisão.De acordo com os resultados dos estudos revisados, o Treinamento de Força
prescrito à população idosa tem se mostrado seguro e efetivo com a utilização da Repetição Máxima como
parâmetro de intensidade. O treinamento resistido realizado na sala de musculação em aparelhos
apresenta-se como o mais utilizado nos estudos por ser simples, de fácil aplicação e reprodutibilidade.
Palavras-chaves: exercício resistido, idosos, treinamento de força.

Abstract
The elderly population in Brazil has shown an accelerated growth and concurrently with this scenario
physical education professionals need to ensure better living conditions for this population. Individuals can
experience direct and indirect benefits through resistance training. As the results of this type of training
are increasingly positive, it was found that there has been a considerable increase in senior-targeted
resistance training programs. The aim of this study is to identify resistance training methods used for
seniors between 2009 and 2013. Due to the significant increase in resistance training for seniors, new
methods aimed at this population are likely to have arisen. A systematic review was conducted in the
SciELO and Google Scholar databases using the keywords: resistance exercise, elderly and strength
training. Following the procedures established for this study, 13 articles were selected for this review.
According to the results of the studies reviewed, Strength Training prescribed to the elderly population has
been shown to be safe and effective using Maximum Repetition as an intensity parameter. These studies
identify resistance training conducted on equipment in weight rooms as the most widely used as it is
simple, easy to do and reproducible.
Keywords: resistance exercise, elderly, strength training.

INTRODUÇÃO
A população idosa no Brasil vem apresentando um crescimento acelerado e necessitamos garantir
melhores condições de vida para essa novapopulação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS),

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classificam-se como idosos, nos países desenvolvidos, indivíduos com mais de 60 anos. A legislação
brasileira, por sua vez, define idoso como a pessoa com idade igual a e maior que 60 anos.
O envelhecimento é um fenômeno que se destaca devárias maneiras, modos e momentos diferenciados
em cada etapa da vida. Ele é um processo que não ocorre particularmente e simultaneamente com a idade
cronológica, uma vez que cada indivíduo tem sua própria genética; bem como sofre influências ligadas a
fatores externos, como os hábitos e comportamentos diários na vida de cada ser humano (BARBANTI,
2002).
Os idosos de hoje vivem mais tempo, mas por outro lado, se faz necessário atendimento especializado e
cuidadoso, vistoque os mesmos precisam viver com qualidade, integrados à sociedade e à família. Diante
deste contexto, a atividade física surge como um elemento importante para o desenvolvimento da
autovalorização e da autonomia, já que os idosos ao perceberem que são fisicamente capazes, sentem-se
mais competentes e mais persistentes frente a possíveis insucessos ou situações consideradas
desvantajosas. As perdas progressivas de força costumam deixar os idosos incapacitados para realizarem
as tarefas mais simples do dia-a-dia. Situação esta que os tornam, na maioria das vezes, dependentes dos
que os cercam. Isto resulta numa redução da qualidade de vida dos mesmos, que se sentem menos
produtivos e acabam por se considerarem inúteis (BARBANTI, 2002).
SegundoFARINATTI (2008), o treinamento resistido promove benefícios diretos e indiretos ao indivíduo.
Como os resultados desse tipo de treinamento apresentam-se cada vez mais positivos, verifica-se que
houve aumento considerável no número de programas de treinamento resistido direcionados para os
idosos.
Shepard (2003) sugere que a força, componente importante para atividade diária do idoso, pois reflete
fatores como a melhora da coordenação motora e uma maior ativação neural. Através dela, o idoso
consegue manter por mais tempo, suas capacidades funcionais, não perdendo sua autonomia.
Nas últimas décadas tem ocorrido evolução importante nos conhecimentos sobre as ciências básicas do
exercício físico, e também sobre a importância da atividade física na promoção de saúde, intervenção
terapêutica e reabilitação. Uma necessidade atual é a integração dessas áreas do conhecimento, para que
possamos utilizar os exercícios físicos da forma mais eficiente e segura, em cada situação. Talvez as mais
substanciais mudanças de conceitos resultantes da evolução do conhecimento sejam relativas ao exercício
resistido, também conhecido como exercício contra resistência, exercício de fortalecimento muscular,
exercício com pesos, e mais popularmente, musculação (SANTARÉM, 2015).
A perda da massa muscular e consequentemente da força muscular é, a principal responsável pela
deterioração na mobilidade e na capacidade funcional do indivíduo que está envelhecendo (MATSUDO,
2000).
A perda da força e da massa muscular predispõe os idosos a uma limitação funcional, sendo este um fator
predisponente para muitos dos processos patológicos associados ao aumento da morbidade e
mortalidade.Diferentes estudos demonstram que as pessoas idosas são capazes de melhorar a sua
capacidade de desenvolver força. O aumento da força muscular parece estar associado a melhorias
funcionais, aspecto determinante para a manutenção da autonomia diária do idoso e consequentemente
paraa sua melhor qualidade de vida.
A diminuição dos níveis de atividade física com o avançar da idade também se apresenta como um fator
promotor da diminuição da força e da potência muscular. Contudo, é importante observar que a simples
manutenção das atividades habituais elevadas (caminhadas, trabalhos de jardinagem e andar de bicicleta),
não garantem a manutenção de níveis satisfatórios de força muscular.
Mediante as análises explanadas, pode-se inferir que a fraqueza muscular contribui para alterações na
mobilidade, autonomia, bem como, para o maior risco de quedas e fraturas nos idosos, portanto um
adequado programa de treino de força pode constituir-se como um importante meio para a vida diária dos
idosos (ROSA,2012 apud CARVALHO, 2002).

OBJETIVO
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O objetivo deste estudoéidentificar os métodos de treinamento resistido utilizados em idososnos anos de


2009 a 2013. O processo de envelhecimento é constantemente estudado por vários autores, que buscam
estratégias para manter/melhorar a qualidade de vida dos idosos. O treinamento resistido é
frequentemente recomendado na literatura por seus efeitos benéficos sobre a variável força para essa
população.

MATERIAL E MÉTODO
O método usado para a realização deste estudo foi revisão sistemática. Foram realizadas buscas nas
bibliotecas virtuais, revistas eletrônicas e bases de dados SciELO e Google Acadêmico.Os seguintes
descritores em português foram utilizados: exercício resistido, idosos e treinamento de força.Somente
artigos em português publicados entre os anos de 2009 a 2013 foram considerados para esta revisão.
Foram identificados, nas buscas, os artigos que apresentavam pelo menos duas palavras chaves inseridas
em seu título e/ou resumo. Com a análise do título e do resumo, foram selecionados 38 artigos
potencialmente relevantes. Estes foram lidos na integra para análise dos seguintes critérios de inclusão: a)
apresentar indivíduos idosos com mais de 60 anos de idade na sua amostra, b) ter investigado os efeitos do
exercício resistido, c) apresentar as metodologias de treinamento de força utilizadas, d) apresentar
resultado de avaliação da variável força. Vinte e cincoartigos não apresentaram estes critérios e, portanto,
foram excluídos. Desta forma, foram selecionados 13 artigos para esta revisão.

RESULTADOS
A figura 1apresenta as principais variáveis do treinamento de força de acordo com alguns estudos.

Figura 1. Protocolos e resultados dos estudos analisados


Participantes

Recuperação

Resultado(s)
Intensidade
Frequência

Repetições
Exercícios
Semanas

Duração
Estudo

Séries

Silva et al, 24mulhere 20 3x - 07 03 6- 90%e 100% 1RM 1’ a ↑ da força


2009 s idosas 13 2’ muscular

Campos et 44 12 2x 60 08 02 10 50-70% submáximo 45” ↑ da força


al, 2009 mulheres ’ - muscular
idosas 15
Reis Filho et 10 12 1- 60 05 2 12 12RM 40” ↑ MM G3
al, 2010 mulheres 3x ’ 3 10 - Mudança
idosas 90” irrelevante
de força
entre os
grupos
Costa et al, 36 17 2x 50 10 com 03 10 Baseado - ↑ da força
2012 mulheres ’ pesos capacidadeindividu preensão
idosas livres al manual no GI

Moraes et al, 45 12 2x - 08 02 15 1RM - ↑ da


2012 mulheres 04 08 forçaextensã
idosas o joelhos no
GE

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Teixeira, 16 08 2x - 02 com 03 15 20% de 1RM - ↑ da força


Hespanhol e mulheres oclusão muscular no
Marquez, idosas vascula BIOV
2012 r superior ao
BISO

Lima et al, 61 24 3x - 07 03 8- 60-80% 1RM 1’ ↑ da força


2012 mulheres 12 muscular
idosas significativo

Queiroz e 17 08 2x 30 05 02 10 50-70% 1’ ↑ da força


Munaro, mulheres ’ 1RM muscular
2012 idosas
Mariano et 36 12 2x 60 04 3- 8- Zona de repetição - ↑ da força
al, 2013 mulheres ’ 4 10 máxima muscular
idosas
Wiechmanne 20 idosos 13 2x 60 04 3 10 50-65% de 1RM - ↑ da força
t al, 2013 ambos ’ muscular
sexos significativo

RM= Repetições máximas; MM= Massa magra; G3= Grupo 3x/semana; IRec= Intervalo de recuperação;
NRep= Número de repetições; GI= Grupo de Intervenção; GE= Grupo Experimental; BIOV= treinamento
resistido com oclusão vascular; BISO= treinamento resistido sem oclusão vascular.

DISCUSSÃO
Os métodos de Treinamento Resistido usados nos estudos diferem uns dos outros, entretanto é possível
verificar que todos atingem o mesmo resultado: o aumento da força muscular em idosos.As mulheres
idosas são mais atuantes na procura da qualidade de vida nessa fase, dos dez estudos apresentados nove
trabalharam apenas com essa população. Nos estudos realizados a Repetição Máxima (RM) apresenta-se
como o parâmetro de intensidade mais seguido pelos autores, sete entre dez.
Os estudos que utilizaram a RM como metodologia apresentam variações em itens específicos: frequência
semanal, semanas de duração de treinamento, como mostra o estudo realizado por Reis Filho et al, 2010,
em que 10 mulheres idosas foram distribuídas em dois grupos, cinco no grupo de três treinos semanais
GR3 e cinco no grupo de um treino na semana GR1.O objetivo do estudo foi analisar a frequência de
treinamento resistido de três vezes versus uma vez na semana sobre a força. Os grupos realizaram o
mesmo treinamento durante 12 semanas, os resultados mostraram alterações positivas nos testes de
supino para ambos os grupos e de agachamento somente para o GR3, porém com ausência de significância
estatística. Como atividade terapêutica ou de profilaxia, tanto a frequência única como as múltiplas
distribuídas durante a semana parecem exercer efeitos idênticos nas 12 primeiras semanas de
treinamento, correspondendo assim ao período de adaptação das idosas. O resultado de mudança
irrelevante nos níveis de força entre os grupos pode estar associado ao pouco tempo de intervenção (12
semanas).
No estudo conduzido por Campos et al, 2009, o período de treinamento de 12 semanas foi suficiente para
melhorar o nível de força em 44 mulheres idosas. No entanto a intensidade utilizada foi 50% a 70% do
teste de força submáximo, com duas sessões semanais de uma hora cada, duas séries de quinze repetições
em oito diferentes exercícios. Os resultados no pré-teste para os exercícios:extensão de joelhos, supino e
puxada por trás no pulley, respectivamente, 42.2 kg, 33.3 kg e 38.0 kg. No pós-teste os resultados obtidos

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para os mesmos exercícios foram 55.5 kg, 46.4 kg e 49.9 kg, houve aumento significativo do pré para o pós-
teste.
O Efeito do Treinamento Resistido com Oclusão Vascular em Idosas de Teixeira, Hespanhol e Marquez,
2012, mostrou-se inovador para esta população. O objetivo do estudo foi verificar os efeitos do
treinamento resistido de baixa intensidade e oclusão vascular (20% de 1RM) nas alterações de hipertrofia e
força muscular de idosas. Foi empregado oito semanas de treinamento resistido, 2 sessões por semana,
com intensidade de (20% de 1RM) com oclusão vascular no grupo BIOV, (20% de 1RM) sem oclusão
vascular no grupo BISO, e o terceiro grupo GCO, permaneceu como grupo controle. Os grupos BIOV e BISO
fizeram os mesmos exercícios, como resultado, o grupo que treinou com baixa intensidade e oclusão
vascular(BIOV) obteve ganhos de força e hipertrofia muscular superiores ao BISO e GCO, demonstrando a
contribuição da oclusão vascular à baixa intensidade no treinamento resistido. Essa metodologia pode ser
benéfica aos idosos que não conseguem treinar com cargas elevadas, no entanto, mais estudos utilizando
essa metodologia precisam ser investigados para analisar a relação risco-benefício, pois idosos hipertensos
ou com problemas circulatórios precisam de mais atenção em relação ao procedimento de oclusão.
Outro estudo realizado por Costa et al, 2012, avaliou os efeitos de um programa de exercícios sobre a força
de preensão manual (FPM) em idosas com baixa massa óssea. As participantes foram divididas em GI -
grupo de intervenção (n=18), que realizou exercícios resistidos e exercícios de equilíbrio e GC - grupo
controle (n=18), que realizou exercícios de alongamento e recebeu palestras informativas. As sessões
foram realizadas duas vezes por semana, por um período de dezessete semanas, os exercícios foram
realizados em três séries de dez repetições, utilizando-se inicialmente resistência gravitacional e
posteriormente resistência elástica e pesos com velcro, com base na capacidade do indivíduo. Após a
aplicação do programa de exercícios, ao analisar o efeito da intervenção intragrupos, o GI apresentou
melhora significante na FPM de 31,38% enquanto o GC não mostrou diferença.
A utilização da RM como parâmetro de intensidade mais seguido pelos autores (sete entre dez) corrobora
com a recomendação de Fleck e Kraemer, 2009, que indica de 50% a 85% de 1RM para 8 a 12 repetições,
recomendando inicialmente cargas mais leves.
Para que os idosos iniciem alguma atividade física e mantenham a sua participação é necessário criar
atividades que lhes deem prazer. O profissional que trabalha com essa população sabe que é preciso
oferecer atividades dinâmicas, e que a sala de musculação não os agrada e às vezes os desmotiva. Neste
contexto oestudo realizado por Costa et al, 2012, seria uma opção pois oferece além da possibilidade de
atingir o aumento da força, a experiência de trabalhar com o peso do próprio corpo, elásticos e pesos com
velcros, o que amplia a gama de movimentos.
A concepção do melhor método de treinamento resistido depende dos objetivos, e principalmente do nível
em que essa população se encontra (idade, estado clínico e nível de aptidão física). Caso o grupo a ser
trabalhado possua um sistema músculo esquelético prejudicado que o impeça de treinar com cargas
elevadas, a Oclusão Vascular com Baixa Intensidade (20% de 1RM) seria benéfica como os resultados
encontrados por Teixeira, Hespanhol e Marquez, 2012.

CONCLUSÃO
De acordo com os resultados dos estudos revisados, o Treinamento de Força prescrito à população idosa
tem se mostrado seguro e efetivo com a utilização da Repetição Máxima como parâmetro de intensidade.
A manipulação das diferentes variáveis segue padrões similares como a utilização de 50% a 85% de 1RM,
séries de 8 a 12 repetições e frequência semanal de no mínimo duas vezes.
O treinamento resistido realizado na sala de musculação, em aparelhos, apresenta-se como o mais
utilizado nos estudos por ser simples, de fácil aplicação e reprodutibilidade. Outra metodologia que vem
surgindo é a Oclusão Vascular com baixa intensidade, que vem atuando de forma eficiente no aumento da
força muscular em idosos. Cabe salientar que novos estudos utilizando esta metodologia precisam ser

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feitos para elucidar as dúvidas sobre a prática deste método em idosos hipertensos e com problemas
circulatórios.
É importante citar a participação inexpressiva dos homens idosos nos estudos encontrados de 2009 a
2013. Sugere-se quenovas pesquisas científicas almejem estratégias inovadoras, relacionadas à
participação mais efetiva dos idosos na busca constante da saúde e qualidade de vida.
De posse dessas informações espera-se que, as instituições públicas e privadas de apoio ao idoso,
incentivem esta população a praticar atividades físicas, e que o treinamento de força seja parte integrante
dos programas de prevenção.
Espera-seque esta revisão sistemática possa ter contribuído, e acrescentado novos conhecimentos, aos
que possuíam questionamentos, sobre métodos de treinamento resistido para idosos e, ao mesmo tempo,
estimular novas pesquisas.

REFERÊNCIAS
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Endereço:
Raquel Batista Canté
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – Campus Tefé
Rua João Estéfano, no 625
Bairro Juruá
69552-250 Tefé, AM.

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O TREINAMENTO DE FORÇA COMO CONTRIBUIÇÃO PARA UM


EMAGRECIMENTO SAUDÁVEL: UMA REVISÃO DA LITERATURA

TAVARES, N. P. da S.1; GHELLER, R.2


1
ENAF DESENVOLVIMENTO – Manaus, Amazonas – Brasil
2
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS– Manaus, Amazonas – Brasil
1
np-tav@hotmail.com

RESUMO
Uma das grandes preocupações médicas é o risco elevado de doenças associadas ao sobrepeso, como
diabetes, doenças cardiovasculares (DCV) e o câncer. Indivíduos com sobrepeso ou acima tendem a
compor um estado clínico de obesidade, isso vem tornando-se uma epidemia mundial eum problema de
saúde pública independente do sexo, idade, etniaou raça, que acaba agravando em diversas doenças
crônicas. Daí, diversos indivíduos procuram alternativas para minimizar os impactos desta doença e
alcançar um emagrecimento saudável, sendo uma dessas alternativas o treinamento de força praticado em
muitas academias de musculação. O presente artigo tem como objetivo demonstrar, por meio de uma
revisão da literatura, informações sobre os efeitos colaborativos do treinamento de força física em pessoas
que apresentam um sobrepeso ou um grau de obesidade. Assim, demonstrando que a prática do
treinamento de força tem sido estimulada por importantes sociedades relacionadas àmedicina do esporte
em relação à prevenção/tratamento da obesidade.
Palavras-chaves:treino de força, treino resistido, emagrecimento.

ABSTRACT
One of the great medical concerns is the high risk of diseases associated with overweight, such as diabetes,
cardiovascular disease (CVD) and cancer. Overweight or above tend to compose a medical condition of
obesity, it is becoming a worldwide epidemic and a problem of public health regardless of sex, age,
ethnicity or race, which has just worsened in several chronic diseases. Hence, many individuals seek
alternatives to minimize the impact of this disease and achieve a healthy weight loss, which of these
alternatives strength training practiced in many bodybuilding gyms. This paper aims to demonstrate,
through a literature review, information on the collaborative effects of physical strength training in people
who have a degree of overweight or obesity. Thus demonstrating that the practice of strength training has
been stimulated by major companies related to sports medicine in relation to the prevention / treatment of
obesity.
Keywords:strength training, resistance training, weight loss.

INTRODUÇÃO
A preocupação da sociedade com a vida saudável tornou-se um fator primordial para a qualidade de
vida.Na sua grande maioria pessoas buscam as academias para diminuir a massa de gordura corporal, isso
por meioda prática de treinos de força, na busca de alcançar uma qualidade de vida saudável. Para uma
composição corporal saudável, a musculação ou treino de força é a forma de treinamento mais utilizada
pelas academias e considerada um processo eficiente na buscado emagrecimento por pessoas acima do
peso (GONÇALVES et al., 2010).
Como umadas atividades físicas mais populares consideradas na atualidade, o treinamento de força de
acordo como Fleck e Kraemer(2006), juntamente com outras capacidades motoras básicas e vitais, tornou-
se um elemento essencial para o indivíduo que busca adquirir mudanças no desempenho motor,na força

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muscular, na composição corporal, sendo indispensável em um programa de treinamento para a saúde,


tendo como principal capacidade treinada a força muscular.Segundo Soares et al (2014) o treinamento de
força é uma atividade que trabalha no corpo humano contrações musculares voluntárias contra alguma
resistência, utilizando-se da combinação de dois tipos de exercícios físicos, os exercícios físicos isométricos
também conhecidos como estáticos, e/ou os exercícios físicos isotônicos também conhecidos como
dinâmicos.
O treinamento de força vem tornando-se para as pessoas um exercício regular como prática de atividade
física,buscando: melhorar o condicionamento físico humano, tentar minimizar o grau de estresse causado
por preocupações familiares e profissionais, tentar impedir o aparecimento de diversas doenças causadas
pelo sedentarismo, além de reduzir significativamente a quantidade de gordura corporal, e deve-se
enfatizar como não somente uma preocupação das mulheres em relação à estética corporal, mas
igualmente uma preocupação pelos homens também, sempre com foco em melhorar a qualidade de vida.
Conforme Koslowsky (2004), essa qualidade de vida tão buscada pelas pessoas por meio da atividade física,
compreende em um grau de satisfação do indivíduo com o estilo de vida, acerca da avaliação da atividade
e os resultados biológicos, que grande parte das vezes resulta na busca pelas academias na possibilidade
de minimizar o mau do sedentarismo.Jáa grande maioria dessas pessoas opta pela atividade física como
um processo fundamental para o emagrecimento, buscando promover no seu estilo de vida um peso
saudável e aceitável a sua aparência corporal.
Pessoas com características sedentárias costumam perder o controle sobre o peso, tornando-se em muitos
casos pessoas obesas. Essas pessoas precisam entender que a obesidade não é apenas um mal causado
pela forma de alimentação descontrolada e/ou falta de monitoramento da ingestão alimentar, mas a
necessidade de elevar o gasto calórico e gasto energético diário por meio das práticas de atividades físicas.
Daí, a importância de um treinamento de força que possa orientar as pessoas quanto ao tratamento do
sobrepeso e obesidade, aumentando a taxa de metabolismo basal (SOARES et al, 2014).
Mundialmente, as opções de refeições rápidas e não saudáveis que caracterizam os maus hábitos
alimentares juntamente com o sedentarismo, são a principal causa do acúmulo exagerado de gordura
corporal, levando por consequência a pessoa a assumir um estado de obesidade (SILVA FILHO, 2013).
De acordo com Leite (2000) o conceito de obesidade mais recente, é definido como o excesso de gordura
corporal no peso corporal total, que frequentemente resulta em prejuízo à saúde. O sedentarismo pode
ser um fator etiológico da obesidade ou pode ser resultado da obesidade, assim todo indivíduo que um
assume um estilo de vida sedentária por vários anos, tende a possuir uma adiposidade acima do normal,
quer tenha ou não excesso de peso corporal.Daí então, o exercício físico é o mecanismo mais importante
através do qual o organismo gasta energia e é o fator que causa o efeito mais intenso sobre o gasto
energético diário.
Nesse sentido, o objetivo dessapesquisa é demonstrar, por meio de uma revisão da literatura, informações
sobre os efeitos colaborativos do treinamento de força física em pessoas que apresentam um sobrepeso
ou um grau de obesidade. Estas pessoas buscam por meio das academias o auxílio de orientações de
profissionais de musculação para conquistar o emagrecimento corporal, um melhor condicionamento
físico e um aumento saudável na melhoria de qualidade de vida. Essapesquisa utilizou como
fundamentação, a revisão bibliográfica da literatura científica sobre o tema, realizando-se pesquisas em
artigos, livros e diretrizes nacionais e internacionais.
As seções destapesquisa estão organizadas da seguinte forma: a segunda seção apresenta o método de
pesquisa utilizado e os procedimentos metodológicos aplicados para a revisão da literatura. A terceira
seção apresenta fundamentos sobre a obesidade e sobre o treinamento de força, descrevendo as
contribuições/benefícios do treino de força em relação ao sobrepeso. Por fim, apresenta as considerações
finais desta pesquisa.

MATERIAIS E MÉTODOS

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Com base em teorias literárias, nesta seção serão apresentados os fundamentos metodológicos que foram
utilizados na pesquisa buscando o fornecimento de dados para compor a revisão da literatura acerca do
tema abordado.

Tipo de Pesquisa
O tipo de pesquisa utilizado para este estudo se classifica como bibliográfica, onde houve uma coleta de
informações de diferentes autores. Uma pesquisa pode ser classificada sobre vários aspectos, segundo a
diversidade tipológica existente. Para Vergara (2007) uma pesquisa pode ser definida de dois modos,
quanto aos fins, este estudo tem caráter de pesquisa exploratória. E quanto aos meios, este estudo tem
caráter de pesquisa bibliográfica.
Uma pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em
livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público em geral. A pesquisa
bibliográfica é feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas e publicadas por meios
impressos e/ou eletrônicos, como livros, artigos científicos e páginas de web sites. Qualquer trabalho
científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se
estudou sobre o assunto (VERGARA, 2007).
Esta pesquisa terá o intuito de descrever os benefícios do treinamento de força física em pessoas que
apresentam um sobrepeso ou um grau de obesidade, para isto será realizado um estudo exploratório
através de pesquisa bibliográfica em livros, teses e artigos científicos nacionais e internacionais, que
possuam relação com o tema. Na visão de Gil (1995), as pesquisas exploratórias são desenvolvidas com
menor rigidez no seu planejamento, pois tem como objetivo proporcionar uma visão geral, de tipo
aproximativo, acerca de determinado fato ou fenômeno. Tem como características informações definidas
ao acaso e o processo de pesquisa flexível e não estruturado. Utilizam-se descrições textuais que serão
utilizados como base para a construção de um referencial teórico e utilização apropriada das informações.

Procedimento Metodológico de Pesquisa


O processo de pesquisafoi realizado inicialmente por meio de buscas em livros e artigos nacionais e
internacionais de forma exploratória e aleatória, em impressos e meios eletrônicos, buscando fontes de
dados relacionadas com tema da pesquisa. Para isto, utilizou-se como fonte científica de meio
eletrônico,sites do Google Acadêmico (http://scholar.google.com.br) no período de Set/2015 a Dez/2015
onde foram pesquisadas e combinadas as seguintes palavras chaves: treinamento de resistência
(resistance training); treino de força (strenght training); perda de peso (weightloss); obesidade (obesity);
emagrecimento (emaciation). A partir desta pesquisa os artigos foram selecionados e utilizados como
referência de acordo com relação ao tema e sua contribuição para esta pesquisa.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Obesidade
Ao longo das últimas décadas, a obesidade e o sobrepeso vêm crescendo de forma constante entre os
adultos, onde pode ser caracterizada por pessoas que possuem um índice de massa corporal (IMC) maior
que 25 kg/m2 e/ou maior que 30kg/m2. As taxas mais elevadas de morbidade e mortalidade são
encontradas em pessoas com sobrepeso ou obesas, quando comparadas a indivíduos de peso normal. A
obesidade é considerada pelo Ministério de Saúde um aumento excessivo daquantidade de gordura
corporal, que está associada ao sedentarismo como um dos principais problemas de saúde pública
(BOUCHARD, 2003).
Hannibal et al. (2010) apresentam que os novos hábitos da vida moderna em pleno século XXI, são
determinantes para o crescimento dessa doença, juntamente com a falta de atividade física e o excesso de
ingestão alimentar, que produzem como consequência um acúmulo excessivo de reservas energéticas
corporal, conduzindo a pessoa ao sobrepeso e a obesidade.
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Algumas pesquisas na literatura diversificam o significado entre o sobrepeso e a obesidade. No caso do


sobrepeso, ocorre devido à massa corporal ultrapassar a média para a estatura e talvez para uma
determinada idade. Já a obesidade excede o acúmulo de gordura no tecido adiposo, regionalizado ou em
todo o corpo (BOUCHARD, 2003).
As principais causas da obesidade são consideradas por fatores genéticos, ambientais e o sedentarismo,
apresentando como o maior risco à saúde o sedentarismo, pois acarreta em diversas alterações no
organismo, tais como: aumento nas taxas sanguíneas de colesterol, triglicerídeos, glicemia, hipertensão
arterial, além de doenças cardiovasculares, problemas cardíacos, doenças crônicas, diabetes I e II, entre
outros problemas de saúde (MONTENEGRO, 2014; HANNIBAL et al., 2010).
Conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), segundo Montenegro (2014) é
consenso que há um aumento preocupante no quadro da obesidade no Brasil nos últimos 20 anos,
envolvendo a metade da população brasileira.De acordo com Cazzadore e Porto (2015) as doenças ligadas
à obesidade possuem grande risco de saúde devido à distribuição da gordura em determinadas regiões do
corpo. Existem dois tipos de distribuição de gordura corporal: obesidade periférica (ginóide, formato de
pera), onde possui maior concentração depositada de lipídios nas regiões glúteas e femorais; e a obesidade
central (androide, formato de maçã), onde representa maior risco de doenças ligadas à obesidade
(cardiopatias, hipertensão, resistência a insulina, aterosclerose entre outras), isso devido ao grande
aumento de gordura depositada na região abdominal.
As causas da obesidade são diversas. Elas podem ser neurológicas, endócrinas, genéticas, estilo de vida
sedentária, farmacológicas, ambientais e psicológicas. Do ponto de vista bioenergético, o distúrbio
primário da obesidade é o desiquilíbrio da energia ingerida, maior que o gasto calórico do organismo. A
principal causa da obesidade é o elevado consumo de alimentos com alto índice energético e o aumento
da inatividade física, deixando claro que se a obesidade se restringisse somente a má alimentação das
pessoas, facilmente esta poderia deixar de ser um dos principais problemas de saúde publica (LEITE, 2000;
CAZZADORE E PORTO, 2015).
Hannibal et al. (2010) corrobora em seu trabalho que a prática regular de atividade física é a chave do
componente comportamental para o tratamento e a prevenção da obesidade. Isso aliado à reeducação
alimentar que ajuda a manter a taxa metabólica de repouso aumentada por horas e até dias, dependendo
do tipo, intensidade e duração dos exercícios.
Diversas formas de exercícios físicos vêm sendo propostos como auxílio na redução de peso, prevenção e
tratamento de obesidade, exercícios de caminhada, exercícios aeróbicos, exercícios resistidos ou até
mesmo a combinação dos exercícios resistidos com aeróbicos (SILVA FILHO E FERREIRA, 2014).
Desta forma, conforme a discussão apresentada faz-se necessário algum tipo de intervenção de forma
eficaz, que possa minimizar os impactos da realidade relativa à obesidade. O presente artigo enfatiza o
tratamento de intervenções não farmacológicas, sendo o mais específico no uso da prática de exercícios
físicos para um emagrecimento saudável por meio do treinamento de força.

Treinamento de Força
O treinamento de força consiste em exercícios que utilizam a contração voluntária da musculatura
esquelética contra alguma forma de resistência, que pode ser conseguida por meio do próprio corpo,
pesos livres oumáquinas (ARRUDAet al, 2010).
O treinamento de força ou treinamento de resistência é uma modalidade de exercício que tem crescido
muito em popularidade ao longo das duas últimas décadas, conquistando muitos adeptos, especialmente
por seu papel na melhoria do desempenho atlético, aumento da força muscular, ganho de potência e
velocidade, hipertrofia, resistência muscular localizada, além de aumento da coordenação motora.
Tradicionalmente, o treinamento de força ainda é realizado por poucos indivíduos, comparando com
números de habitantes da população mundial. No entanto, a partir dos benefícios relacionados à saúde
alcançados por meio do treinamento de força, grandes organizações agora realizam recomendações para
melhoria da saúde, como o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM – American Collegeof Sports
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Medicine) e Associação Americana do Coração (AHA – American HeartAssociation), isso sem fazer
distinções entre faixa etária de idades, incluindo crianças para tratamentos especiais, adolescentes,
adultos e idosos, principalmente aqueles com doenças cardiovasculares ou neuromusculares (KRAEMER
and RATAMESS, 2004).
Conforme Fisher et al. (2011) o treinamento de força agora é amplamente reconhecido não só para atletas,
mas também para todos aqueles interessados em otimizar a saúde, e tornou-se recomendação médica
para alguns tratamentos de saúde. Os benefícios de saúde que estão associados à prática do treinamento
de força incluem: diminuição do tempo de trânsito gastrintestinal; redução de risco de câncer de cólon;
aumento da taxa metabólica de repouso; melhora significante do metabolismo de glicose; perfil lipídico do
sangue melhorado; redução da pressão arterial; densidade mineral óssea melhorada; redução de dor e
desconforto para aqueles que sofrem de artrite; diminuição da dor lombar; maior flexibilidade física;
melhora da capacidade aeróbica, além de muitos outros benefícios alcançados.
Para indivíduos envolvidos no esporte, o treinamento de força de acordo com Stone (1990) apud Fisher
(2011) pode reabilitar, ou seja, evitar possíveis lesões por meio do fortalecimento das articulações,
músculos, tendões, ossos e ligamentos. Isso por meio de métodos de treinamento de força adequados é
possível permitir reforçar os atributos associados com o desempenho físico, por exemplo, resistência,
força, potência, velocidade e salto vertical de um indivíduo.
O fator chave para o treinamento de força ser bem sucedido em qualquer nível de aptidão ou idade é a
concepção do programaapropriado. A concepção do programa apropriado implica em instruções de
exercícios adequados (por exemplo, técnica, respiração, uso correto de equipamentos), a fixação de metas
(para que o programa possa ter como alvo áreas específicas de interesse), um método de avaliação do
progresso do treinamento em direção a objetivos de formação, a prescrição correta de variáveis agudas do
programa, bem como a inclusão de métodos específicos de progressão destinadas as áreas específicas de
aptidão muscular. É importante que o treinamento de força possa ser supervisionado por profissionais
qualificados para a prevenção de lesões e para maximizar os benefícios de saúde e desempenho (KRAEMER
and RATAMESS, 2004).
Vale ressaltar que, o treinamento de força é tão eficaz quanto o simples treinamento aeróbico ou de
flexibilidade no oferecimento de benefícios à saúde. A justificativa para essa afirmativa é que o método do
treinamento de força trabalha com componentes inteiramenteassociadosao gasto energético, como:
intensidade, número de séries, velocidade na execução do exercício e intervalos presentes entre cada uma
das séries de exercícios. Pois para alcançar o emagrecimento como objetivo pode-se utilizar de três
alternativas: A primeira delas incide na manutenção do gasto de calorias diárias e na redução do consumo
energético. A segunda forma é conservar a dieta de calorias aumentando, contudo, o gasto energético
através da prática de atividades físicas. Por fim, podem-se combinar os métodos da primeira e segunda
forma expostos, de forma a diminuir o consumo alimentar e aumentar os gastos calóricos diários (FLECK E
KRAEMER, 2006).
Os prováveis mecanismos que o treinamento de força pode auxiliar na perda e manutenção do peso, são: o
aumento do gasto diário de energia, a redução do apetite, o aumento da taxa metabólica de repouso, o
aumento da massa muscular, o aumento do efeito térmico de uma refeição, a elevação do consumo de
oxigênio, a otimização dos índices de mobilização e utilização de gordura, bem como uma sensação de
auto suficiência e bem-estar (HAUSER et al, 2004). Outro aspecto a ser destacado com relação aos efeitos
positivos do treinamento de força no tratamento da obesidade é a melhora da capacidade aeróbica,
poisseus resultados na maioria dos trabalhos da literatura que incluem o exercício de força em seu
programa de intervenção mostram que os indivíduos aumentam seu consumo máximo de oxigênio
(VO2max), isso quer dizer, que melhoram a capacidade funcional cardiovascular e a aptidão aeróbica do
indivíduo (HANNIBAL et al., 2010).
De acordo com Hauseret al. (2004) há mais de dez anos atrás a atividade física já era considerada um dos
tratamentos mais eficazes contra o excesso de peso corporal, pois estimula o aumento da atividade do
Sistema Nervoso Simpático - SNS, permitindo o controle dos fluxos de substrato de energia. O aumento do
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gasto energético devido o aumento da atividade do SNS, causa uma ação na redução do apetite, aumento
da taxa metabólica de repouso e maior ação na oxidação de gorduras. Portanto, o treinamento de força
demonstra ser essencial para auxiliar o indivíduo a manter a perda de peso no período de dieta, pois
períodos de restrição calórica tendem a reduzir a ação do SNS no organismo.
Diversos pesquisadores na literatura concordam que a atividade física por meio do treinamento de força é
bastante eficaz na redução do risco de doenças crônicas, além de ser um grande agente na redução de
gordura corporal em indivíduos que estão acima do peso. Através de vários relatos, é possível obter
resultados de que o treinamento de força não é apenas para os construtores de corpo, e deve ser parte de
seu plano de bem-estar de vida. Entre os benefícios do treinamento de força são: aumento do tônus
muscular, forma/mudança do corpo, aumento da densidade óssea, melhora hormonal e função mental,
diminui o stress, aumento do metabolismo e perda de peso. Alguns pesquisadores fazem sugestões ou
dicas de como tirar maior proveito do treinamento de força para alcançar um emagrecimento saudável,
como:
Realizar exercícios para cada um dos principais grupos musculares: pernas, costas, peito, ombros, braços e
núcleo.
Executar uma série de cada exercício para o ponto onde sentir que seus músculos estão fatigados,
mantendo a boa forma.
Exercitar cada grupo muscular 2 a 3 vezes ao dia consecutivo por semana, se possível.
Usar boa forma. Usando a boa forma é tão importante quanto à quantidade de peso que usa.
Permitir tempo suficiente entre os exercícios para executar o próximo exercício em formulário próprio.
Executar tanto o levantamento e agachamento como parte dos exercícios de uma maneira controlada.
Manter um padrão de respiração normal; prendendo a respiração pode causar aumento excessivo da
pressão arterial. Expire durante a fase de elevação/levantamento. Respire durante a fase de
descida/agachamento.
Se possível, pratique os exercícios com um parceiro de treino que pode fornecer feedback, assistência e
motivação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nos resultados desta pesquisa pôde-se observar que há diversos estudos que apresentam os
benefícios e as contribuições que o treinamento de força pode influenciar de forma positiva no controle de
peso de pessoas com sobrepeso ou obesas.
As pesquisas mostraram que o exercício por meio do treinamento de força tem um papel fundamental nos
programas de atividades físicas, trazendo efeitos como: perda de peso, a diminuição do percentual de
gordura, permite o aumento da massa magra, melhora da capacidade aeróbica, além de proporcionar
benefícios relacionados aos fatores de riscos cardiovasculares associados à síndrome metabólica,
melhorando assim a qualidade de vida da pessoa.
Enfim, pode-se observar que na literatura há um reconhecimento por meio de pesquisas exploratórias,
estudos de casos e profissionais de saúde, que há diversas fontes de dados que compartilham os benefícios
advindos do treinamento de força em contribuição a qualidade de vida do ser humano, tanto para melhora
de estética corporal, perda de gordura corporal, resistência e ganho muscular, aptidões físicas nas
atividades diárias do cotidiano, melhor desempenho no esporte e principalmente melhora de vida com
saúde.

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REFERÊNCIAS
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SOARES, E. D.; OLIVEIRA, J. C. B. de; GODOI FILHO, J. R. de M.; FERREIRA, R. A.; SILVA FILHO, J. N. da.
Treinamento Resistido na Redução da Porcentagem de Gordura Corporal: Uma Revisão Baseada em
Evidências.Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida, Vol.6, n. 2, 2014.
VERGARA, Sylvia C. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 2007.

Endereço Completo: Rua Balbina Cordeiro, s/n, Bloco 15 – Entrada com Conjunto Eldorado – Bairro Parque
Dez – CEP: 69050-530. Manaus-AM.

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A CONTRIBUIÇÃO DA MUSCULAÇÃO NA REDUÇÃO DE GORDURACORPORAL

SILVA, R. A. D.¹
GHELLER, R.²

¹Acadêmico do Curso de Pós-Graduação, ENAF/Desenvolvimento Serviço Educacionais -Poços de Caldas -


Minas Gerais - Brasil.
²Professor Mestre substituto da UFAM e do Centro Universitário do Norte.
regis.amorim76@gmail.com

RESUMO
O exercício de musculação é atualmente conhecido como treinamento com pesos ou treinamento
resistido. E um dos principais objetivos da realização de exercícios físicos é a redução de gordura corporal.
Este estudo, apresenta as evidências científicas através de uma revisão literária, acerca da comparação
entre musculação e o exercício da redução de gordura corporal, que resulta no melhor efeito na redução
do peso corporal. Utilizamos quatro estudos de casos, onde constatamos que no 1º caso, os praticantes de
musculação (14,7%) e de exercícios aeróbicos (16,2%), revelaram que não haviam diferença no percentual
de gordura; e ambos possuíam valores menores que as sedentárias (21,8%). No 2º caso de estudo, o grupo
que praticou musculação reduziu 97% em gordura contra 78% do grupo exercícios aeróbicos + dieta, 69%
para o da dieta somente. Já no 3º caso de estudo, nos revelou que todos os grupos tiveram uma perda de
peso similar, de aproximadamente nove quilos. E por fim, o 4º estudo de caso, o grupo que fez apenas
dieta a perda de peso foi de 2% contra 36% do grupo praticante de musculação.

Palavras-chave:Musculação; redução de gordura corporal; exercício.

ABSTRACT
The bodybuilding exercise is now known as weight training or resistance training. One of the main
objectives of physical exercises is the loss of fat. This study presents the scientific evidence through a
literature review, about the comparison between bodybuilding and exercise for body fat reduction, which
results in better effect in reducing body weight. We use four case studies, which found that in 1st case,
bodybuilders (14.7%) and aerobic exercise practitioners (16.2%) revealed that there were no difference in
the percentage of fat; and both had lower numbers than sedentary (21.8%). In the 2nd case study, the
group that practiced bodybuilding decreased by 97% fat to 78% of the aerobic exercise group + diet, 69%
for the diet only. In the 3rd case study, it showed that all groups had similar weight loss of about nine
kilograms. Finally, the 4th case study, the group that did only diet, the weight loss was 2% to 36% of the
bodybuilding group.

Keywords:Bodybuilding; body fat reduction; exercise.

INTRODUÇÃO
O artigo apresentando, surgiu da necessidade de uma revisão de literatura, para apresentar evidências
científicas acerca da contribuição da musculação na redução de gordura corporal, destacando quais os
procedimentos que tiveram os melhores resultados.
Vale ressaltar que há vários estudos sobre o excesso de gordura, onde relatam diversos problemas que
estes causam, nas artérias, no cérebro,além de provocar doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes.
De acordo com Lerario et al. (2002, p.5), “a urbanização e a industrialização, acompanhadas de maior
disponibilidade de alimentos e menor atividade física, contribuíram para a crescente prevalência da
obesidade nas populações”.
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Quanto a prescrição de exercícios físicos, esta deve ser ajustada à medida que a capacitação cardiovascular
e a capacidade física para as atividades diárias melhorem com o esquema de reabilitação proposto,
destaca (SANTOS-FILHO, 2010, p. 34).
Por isso que é importante a redução de gordura corporal, além da mudança estética, ela proporciona
também vários benefícios a saúde, com relaçãoa doença cardiovascular, colabora para (redução da pressão
arterial, em indivíduos hipertensos), ajuda na redução da ansiedade e depressão, e modificações na
composição corporal, mantendo ou aumentando a massa magra.
Ressalta-se que para esta finalidade existem diferentes métodos na atualidade da redução de gordura
corporal, dentre os quais merece destaque o treinamento de força, realizado com pesos.Utilizado com
vários objetivos, por exemplo, aumentar o desempenho esportivo, o condicionamento físico, a estética e
promoção da saúde (ARRUDAet al., 2010).
O treinamento de força consiste em exercícios que utilizam a contração voluntária da musculatura
esquelética contra alguma forma de resistência, que pode ser conseguida por meio do próprio corpo,
pesos livres ou máquinas (ACSM, 2002; Fleck e Kraemer, 2006; Lopes, 2008).Vale ressaltar que assim, como
o treinamento de força, é importante destacar a musculação, que é atualmente conhecida como
treinamento com pesos ou treinamento resistido. E para a realização do exercício, este varia de acordo
com o objetivo da pessoa. Ainda temos o treinamento aeróbico, de acordo com o American College of
Sports Medicine (ACSM), os programas de treinamento físico visando perda de massa corporal devem ser
realizados com aproximadamente 60 a 70% do VO2max.
Para a sociedade, a relevância desse estudo é de extrema importância, pois com a prática do exercício de
musculação, além de ajudar na redução de gordura corporal, contribui para diminuir a ansiedade e o
estresse, também traz benefícios que previnem doenças, desenvolve e fortalece os músculos [..] durante
um período do exercício, o corpo humano sofre adaptações cardiovasculares e respiratórias a fim de
atender às demandas aumentadas dos músculos ativos, consequentemente à medida que essa adaptações
são repetidas, ocorrem modificações nesses músculos, permitindo que o organismo melhore o seu
desempenho, afirma (MONTEIRO et al., 2004).
Dessa forma, numa sessão de musculação, por exemplo, a queima de calorias não se dá apenas enquanto
se faz a atividade, mas também posteriormente. A dedicação, uma boa alimentação e um
acompanhamento de um profissional, são fatores importantes.
As hipóteses pertinentes a este tema são: 1) A prática do exercício de musculação, vem sendo eficaz nos
treinamentos para a redução de gordura corporal; 2) A falta de um programa correto, atrapalha na
redução de gordura corporale 3) O aumento do sedentarismo, contribui para o crescimento de pessoas
obesas.
A partir desse momento, com o questionamento da prática de musculação e sua relação na redução de
gordura corporal, contribuiu para aprofundamento da problemática: Qual a importância da prática do
exercício de musculação no processo da redução de gordura corporal?
A partir desses pressupostosfoi realizado uma revisão de literatura, com intuito de verificar a contribuição
da musculação naredução de gordura corporal.

OBJETIVOS
Objetivo Geral:
Verificar a prática do exercício de musculação na redução de gordura corporal, e qual a sua importância na
promoção da saúde.

Objetivos Específicos:

Destacar os principais métodos utilizados em treinamento de musculação;


Descrever como ocorre o exercício da musculação na redução de gordura corporal;
Verificar as principais causas no aumento da gordura.
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MATERIAIS E MÉTODOS
Inicialmente foi utilizadona pesquisa bibliográfica, leituras dos textos pertinentes ao tema pesquisado
erealizado fichamentos, em consonância a busca de artigos científicos e livros, no qual pesquisou-se as
palavras-chaves: treinamento de força, redução de gordura corporal, perda de gordura corporal,
treinamento aeróbico e musculação.
Para análise constituiu-se de amostragem estratificada, utilizando-se do estudo de caso, sendo as bases de
dados da literatura, Ballor e Poehlman (1992), Kraemer et al. (1999), Geliebter et al. (1997), Valente et al.
(2011) e Ávila et al. (2010).
Com bases nos estudos de caso dos autores empregados neste artigo, e quanto aos instrumentos
utilizados, pode-se destacar: Ballor e Poehlman (1992), estudaram um grupo de 82 mulheres divididas em:
sedentárias; praticantes de musculação ou praticantes de exercícios aeróbicos, as praticantes de atividades
físicas se exercitavam no mínimo três vezes por semana há um tempo médio superior a dois anos.
Kraemer et al. (1999), realizaram um estudo de 12 semanas comparativo de três grupos: dieta; dietas +
exercícios aeróbicos; e dieta + exercícios aeróbicos + treino de força.O treinamento aeróbico foi realizado
por 50 minutos a 70-80% da FC máxima9. Ainda no grupo combinado, o treino de força foi realizado após o
aeróbio, seguindo uma periodização não linear, com alternância de treinos “pesados” (5-7 RM) e “leves”
(8-10 RM); cada exercício foi realizado com três séries e intervalos de dois minutos nos treinos “pesados” e
um minuto nos “leves”.
Já Geliebter et al. (1997), dividiram mulheres moderadamente obesas em três grupos: dieta + treinamento
de força; dieta + treinamento aeróbico e somente dieta. O resistido foi realizado em três series
submáximas, com contrações lentas, de cinco segundo em cada fase. O treino aeróbio foi realizado com
ergômetros de membros inferiores e superiores, em frequências cardíacas acima de 70% da máxima. Para
a dieta, todos receberam uma fórmula com o conteúdo calórico equivalente a 70% da TMR.
Por último, adotamos na revisão de literatura obtidos por Valente et al. (2011)e Ávila et al. (2010),
utilizaram um programa de dieta em idosos, também adicionaram o treinamento de força (8 a 12
repetições).

Instrumentos empregados
Foi utilizado como instrumento de coleta de dados para identificação entre treino de musculação e
exercício aeróbico nos casos apresentados, bem como dieta aliada ora ao treinamento de musculação ora
ao treinamento aeróbico. Tais procedimentos são: no caso de estudo (Ballor & Poehlman, 1992), as
avaliações foram realizadas por meio de pesagem hidrostática10; no caso de estudo (Kraemer et al.,1999),
além da FC máxima realizado em 50 minutos a 70 a 80%, também alternância nos treinos entre pesados (5-
7 RM) com séries de dois minutos e leves (8-10 RM), com séries de um minuto apenas; no casode estudo
(Geliebter et al.,1997), utilizou-se os ergômetros dos membros inferiores e superiores, em frequência
cardíaca acima de 70% da máxima.
Por fim,Valente et al. (2011)e Ávila et al. (2010), foi realizado um programa de dieta adicionando o
treinamento de força (8 a 12 repetições).

Procedimentos realizados
Os testes realizados surgiram com a necessidade de cada grupo pesquisado, sendo os grupos citados
conforme a literatura utilizada, são variáveis: mulheres obesas ou sedentárias; praticantes de musculação
ou praticantes de exercícios aeróbicos; com dieta ou dieta e associação aos exercícios aeróbicos ou até
mesmo com treinamento de força; e ainda com idosos obesos, mais treinamento de força.

9
Grifo nosso, é a frequência cardíaca máxima em que o número máximo de batimentos do coração é capaz de
efetuar em um minuto.
10
Grifo nosso, consiste na medição do indivíduo dentro d’água, utilizando-se valores de densidade de dois
compartilhamentos corpóreo: a gordura e a massa magra.
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Podemos classificar da seguinte forma:

Estudo População Procedimento realizado


Mulheres sedentárias, Atividades físicas, três vezes
Ballor & praticantes de musculação por semana, um tempo
Poehlman. ou praticantes de exercícios médio superior a dois anos.
aeróbicos.
Duração de 12 semanas,
associados a dieta,
Kraemer et al. Não especificado
exercícios aeróbicos e
treinamento de força.
Dieta mais treinamento de
força, dieta mais
Geliebter et al. Mulheres obesas
treinamento aeróbico ou
somente dieta.
Valente et al.; Programa de dieta e
Idosos obesos
Ávila et al. treinamento de força.

Tabela 1: Análise dos procedimentos realizados nos casos de estudos da literatura.


Fonte: Silva, 2016.

RESULTADOS
Ao iniciamos o estudo, fizemos uma revisão de literatura, onde utilizamos os dados com base em Ballor e
Poehlman (1992); Kraemer et al. (1999); Geliebter at al. (1997); Valente et al. (2011); e Ávila et al. (2010),
assim:

Período de
Estudo População Resultado
treinamento
O grupo envolvido com
treinamento aeróbio
apresentava maior
gasto calórico durante
o tempo livre em
relação ao sedentário
(2.530 vs. 1.693 KJ/dia),
mas o mesmo não
Mulheres sedentárias, Atividades físicas, ocorria com o treino de
praticantes de três vezes por força (2.180 KJ/dia).
Ballor &
musculação ou semana, um tempo Com relação aos
Poehlman.
praticantes de exercícios médio superior a hábitos alimentares,
aeróbicos. dois anos. não houve diferença no
consumo energético,
apesar da ingestão
para praticantes de
musculação (8.551 kJ)
ser aparentemente
superior à do grupo
sedentário (7.883 kJ) e
de treino aeróbio
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(7.928 kJ).
O grupo de musculação
reduziu 97% em
gordura contra 78% do
grupo de
Duração de 12
exercícios aeróbios +
semanas,
dieta e 69% para o da
associados a dieta,
dieta somente, sendo
Kraemer et at. Não especificado exercícios
que este
aeróbicos e
último perdeu
treinamento de
quantidade significativa
força.
de massa magra
(Kraemer et al. 1999
apud Gentil, 2014, p.
165).
Dieta mais
treinamento de Todos os grupos
força, dieta mais tiveram uma redução
Geliebter et al. Mulheres obesas
treinamento de gordura corporal
aeróbico ou similar de nove quilos.
somente dieta.
O grupo de dieta a
redução de gordura
Programa de dieta corporal foi de 2%, já
Valente et al;
Idosos obesos e treinamento de os praticantes de
Ávila et al.
força. musculação foram de
36%.

Tabela 2: Análise dos resultados, conforme os casos de estudos da literatura.


Fonte: Silva, 2016.

A análise revelou que no estudo deBallor & Poehlman (1992), as praticantes de musculação gastavam
menos energia e comiam mais que as praticantes de exercícios aeróbios, mas ainda assim tinham
percentual de gordura relativamente baixo.Podemos observar que os praticantes de musculação (14,7%) e
de exercícios aeróbicos (16,2%), revelaram ainda que não haviam diferença no percentual de gordura; e
ambos possuíam valores menores que as sedentárias (21,8%).
No estudo de Kraemer et al. (1999), nota-se que todos os grupos conseguiram reduzir o peso de maneira
similar, com tendência de menor perda no grupo de exercícios aeróbios.O grupo que praticou musculação
reduziu 97% em gordura contra 78% do grupo exercícios aeróbicos + dieta, 69% para o da dieta somente.
Neste estudo de Geliebter et al. (1997), a redução de gordura também foi semelhante, o grupo que
realizou treinamento de força obteve as menores perdas de massa magra.O caso apresentado, nos revelou
que todos os grupos tiveram uma redução de gordura corporal similar, de aproximadamente nove quilos.
Ainda no estudo de Valente et al. (2011); e Ávila et al. (2010), os resultados de composição corporal foram
mais reveladores. Houve perda de 11,2% de gordura em quem praticou musculação e de apenas 0,2% em
quem fez dieta. A massa muscular aumentou 1,3% no grupo que praticou musculação e reduziu 2,7% no
grupo que fez apenas aeróbio.O grupo que fez apenas dieta a redução de gordura corporal foi de 2%
contra 36% do grupo praticante de musculação.

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Nota-se nos estudos dos casos analisados, o último apresentou resultados mais significantes quanto ao
treinamento de musculação em comparação ao treinamento aeróbico, e também com a realização de uma
dieta.
Por fim, os resultados de Valente et al. (2011); e Ávila et al. (2010), foram notáveis, demostrando assim,
que o exercício de musculação torna a redução de gordura corporal mais eficaz, mesmo havendo um
programa de dieta.

DISCUSSÃO
Segundo Guiselini (2013, p. 12), as pessoas se exercitam regularmente para melhorar o condicionamento
físico, diminuir o estresse, para evitar o aparecimento de doença decorrentes do sedentarismo, para
melhorar o desempenho no esporte e, também, como meio de diminuir a quantidade de gordura corporal.
Com relação aos resultados, em consonâncias as hipóteses, fica evidente que é verdadeiro, a prática do
exercício de musculação, vem sendo eficaz nos treinamentos para a redução de gordura corporal,onde se
obteve os índices maiores de redução de gordura corporal com relação aos exercícios aeróbicos ou
somente com dieta.
Para Gentil (2014, p. 171):
[...] o simples fato de o emagrecimento promovido pela musculação se igualar ao promovido pelo aeróbio
não pode ser visto como suficiente [...] os resultados do exercício aeróbio tradicionalmente empregado são
pouco significativos. É necessário, portanto, que, assim como foi proposto para o exercício aeróbio, se
analisem criteriosamente os fatores envolvidos com a musculação para que se chegue a protocolos mais
eficientes.
A escolha de um programa adequado é essencial, visto no último estudo de caso, onde foi realizado com
um grupo de idosos obesos, este grupo realizou além de um programa de dieta, um treinamento de força
(8 a 12 repetições). Obviamente, que as causa da obesidade, em diversos estudos científicos, apontam a
má alimentação e sedentarismo como precursores.
Entretanto, aredução de gordura corporal pode ser otimizada durante exercícios executados
emdeterminadas intensidades. Quanto maior é a intensidade de um exercício, maioré o gasto de energia
obtido da oxidação de nutrientes e, consequentemente, maioré o consumo de oxigênio (MARANGON &
WELKER, 2008, p. 364).
Com relação a comparação entre musculação e o exercício da redução de gordura corporal, no caso
evidenciado por Ballor & Poehlman (1992), com relação aos praticantes de musculação e exercícios
aeróbicos, não havia diferença no percentual de redução de gordura corporal, ambos possuíam apenas
valores menores que as sedentárias.
Conforme Silva e Nunes (2015, p.120), o exercício aeróbio pode desempenhar um papel significativo na
perda de gordura corporal, devido ao seu poder de aumentar o gasto de calorias. Além disso, aumenta a
eficiência do sistema cardiorrespiratório e consequentemente, diminui as chances de comorbidade
associadas à obesidade, como as doenças cardiovasculares
Dessa forma, o grupo do treinamento aeróbio apresentava maior gasto calórico durante o tempo livre em
relação ao sedentário, mas o mesmo não ocorria com o treino de força, e também os hábitos alimentares
não tiveram muita diferença, nem aos praticantes de musculação. Ressalto que, os grupos só tiveram
diferença em relação ao grupo sedentário. Mesmo a ingestão dos praticantes de musculação ser
aparentemente superior.
Outro ponto que surpreendeu, se refere ao estudo de caso de Geliebter et al. (1997), onde todos os grupos
tiveram uma perda de peso de nove quilos, e tudo associado a dieta com treinamento de força ou
treinamento aeróbico, ou então apenas dieta.
Francischi, Pereira e Lancha Junior, 2001; Viana e colaboradores, 2007 (apud Arruda et al. 2010, p. 608),
destaca que:
[...] atualmente é crescente a recomendação do treinamento concorrente, ou seja, utilização do
treinamento de força juntamente com o aeróbio, como uma forma efetiva de associar a resistência aeróbia
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com o fortalecimento muscular em um único programa de treinamento, garantindo concomitantemente a


perda da gordura corporal bem como a manutenção da massa magra.
Com isso, é cada vez mais a utilização tanto do treinamento de força quanto aeróbico em programas de
acordo com a necessidade de cada indivíduo.
Finalizando esta discussão, o estudode caso de Kraemer et al.(1999), onde o grupo de musculação reduziu
97% em gordura em relação aos grupos deexercícios aeróbios + dieta e de somente dieta.
Com isto podemos concluir que os estudos de caso apresentados nesta revisão de literatura, ainda assim,
os que utilizam o treinamento de musculação tem o maior índice de redução de gordura corporal, visto
que o programa de treinamento, mesmo que não seja associado a dieta, os resultados são mais eficientes
em relação ao treinamento aeróbico e treinamento de força.
Consequentemente, essas informações devem ser veiculadas não somente no meio acadêmico, mas na
imprensa para que as pessoas percebam o quanto é importante a prática de exercício, seja através de
musculação, ou outro programa de treinamento, mas que havendo disciplina e um acompanhamento
adequado, pessoas obesas, com problemas de saúde, poderão ter uma vida mais saudável.

CONCLUSÃO
O exercício de musculação tem mais eficiência na redução de gordura corporal em relação aos
treinamentos de força ou aeróbicos, visto que depende da intensidade do exercício praticado, e este
contribui para um resultado positivo.
A busca pelaredução de gordura corporal, é cada vez maior, principalmente por pessoas que tem histórico
de sedentarismo, obesidade e doenças relacionados a falta de cuidado com a saúde.
Ressaltamos que os benefícios da prática regular do exercício físico já são bem recomendados por
profissionais, pois é importante o acompanhamento na prática dos exercícios, visto que o tipo de exercício
será de acordo com os benefícios a serem alcançados por cada um, seja por questões de saúde ou estética,
a recomendação de um profissional é fundamental.
De acordo com a revisão de literatura, o treinamento de musculação apresenta um importante papel na
redução de gordura corporal, na busca de emagrecimento, visto que promove a manutenção ou melhora
da massa magra, além de resultados eficientes, mesmo que não esteja aliado a uma dieta.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Healthy Adults. Med Sci Sports Exercise. Vol. 34. 2002. p. 364-80.
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de Prescrição e Fisiologia do Exercício. São Paulo, v.4, n.24, p. 605-609. Nov/Dez. 2010. ISSN 1981-9900.
BALLOR DL & POEHLMAN ET. (1992). Resting metabolic rate and coronaryheart- disease risk factors in
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FLECK, S.J.; KRAEMER, W.J. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular: Princípios Básicos do
Treinamento de Força Muscular. Porto Alegre. Editora Artmed. 2006.
GELIEBTER A, Maher MM, Gerace L, Gutin B, Heymsfield SB & Hashim SA. (1997). Effects of strength or
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GUISELINI, M.A. Prescrição de exercício para emagrecimento saudável. Artigo: janeiro/fevereiro 2013
KRAEMER WJ, Volek JS, Clark KL, Gordon SE, Puhl SM, Koziris LP, McBride JM, Triplett-McBride NT,
Putukian M, Newton RU, Hakkinen K, Bush JA & Sebastianelli WJ. (1999). Influence of exercise training on
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MOTIVAÇÕES DOS PRATICANTES DE MUSCULAÇÃO DE UMA ACADEMIA EM


CANINDÉ-CE

SILVA, Antonia Juliana Bezerra da(1); ABREU, Maria Gleide Mayra Serafim(2); PEREIRA, Eduardo da Silva(3).

1, 2. Pós-graduandas do curso de Especialização emMusculação e Treinamento Funcional.

3. Mestre em Ciências Fisiológicas. Professor Efetivo do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia
do Ceará – IFCE, Campus Canindé. Orientador da Pesquisa.

RESUMO
O objetivo do presente estudo é identificar os motivos de adesão e manutenção à prática de musculação
na cidade de Canindé-CE, apontar os motivos que levam as pessoas a procurarem a modalidade da
musculação e identificar o nível de conhecimento que elas possuem sobre os benefícios da musculação. A
presente pesquisa é classificada como descritiva de campo e bibliográfica, quantitativa e transversal. A
amostra da pesquisa é constituída por 30 praticantes de musculação, sendo 15 do gênero masculino e 15
do gênero feminino, de uma academia da cidade de Canindé-CE. Como instrumento de coleta de dados foi
utilizado o Questionário de Motivação e Barreiras para a prática de Atividades Físicas (Musculação),
adaptado de LUZ (2010) e obedeceu a resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde – CNS. A média de
idade dos entrevistados é de 25,16 anos (+ 5,31). O estado civil da amostra foi classificado em 73% de
solteiros, 20% de casados e 7% de separados. Quanto a indicação à prática de musculação, 67% disseram
que foram os Amigos que lhes indicaram a prática do treinamento resistido, 16% disseram terem sido
influenciados pelos meios de comunicação (TV, Rádio, propagandas...), 10% por conhecidos e 7% foram
influenciados pelos familiares. O principal objetivo dos participantes praticantes da musculação foi a
Hipertrofia (57%) a Satisfação com os resultados também levam os praticantes a se motivarem cada vez
mais na prática física e 90% dos entrevistados se mostraram satisfeitos com os resultados. Sugere-se que
mais estudos sejam realizados, levando em consideração todas as academias da cidade, para assim traçar
um perfil dos praticantes dessa modalidade.

Palavras-chave: Motivações; Musculação; Canindé.

ABSTRACT
The aim of this study is to identify the membership and maintenance reasons to practice bodybuilding in
the city of Canindé-CE, pointing out the reasons that lead people to seek the sport of bodybuilding and
identify the level of knowledge they have about the benefits of bodybuilding. This research is classified as
descriptive field and literature, quantitative and transversal. The survey sample consists of 30 practitioners
of weight training, 15 males and 15 females, of an academy in the city of Canindé-CE. As data collection
instrument was used Motivation and Barriers Questionnaire for the practice of Physical Activities
(Bodybuilding), adapted from LIGHT (2010) and obeyed the resolution 466/12 of the National Health
Council - CNS. The average age of respondents is 25.16 years (+ 5.31). The marital status of the sample was
ranked 73% single, 20% married and 7% apart. As an indication to the practice of weight training, 67% said
they were friends who indicated to them the practice of resistance training, 16% said they were influenced
by the media (TV, radio, advertisements ...), 10% by known and 7% were influenced by family members.
The main purpose of participating practitioners of bodybuilding was the hypertrophy (57%) Satisfaction
with the results also lead practitioners to increasingly motivate the physical practice and 90% of
respondents were satisfied with the results. It is suggested that more studies be conducted, taking into
account all the academies of the city, so as to draw a profile of the practitioners of this sport.

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Keywords: Motivations; Weight; Canindé.

INTRODUÇÃO
Entende-se como motivação a força que impulsiona determinado comportamento, são as razões que
levam alguém a fazer algo (REGIS; CALADO, 2001). Já a manutenção é vista quando os indivíduos já estão
automotivados, quando eles mesmos já criam suas próprias metas, está relacionada à sensação de bem
estar e prazer (SANTOS, 2006).
Relacionando esses conceitos à prática de exercícios físicos, estudos (LUZ, 2001; SANTOS, 2006; FREITAS et
al 2007)mostram que o principal motivo para seu início é a melhora da qualidade de vida, com ênfase no
condicionamento físico. Uma das atividades físicas bastante procuradas na atualidade é a musculação,
também chamado de treinamento resistido.
Amusculação são vários métodos e modalidades que melhoram a força muscular,sendo que seu
treinamento pode ser feito com pesos, ecom resistências hidráulicas, elásticos, molas, e utilizando-se da
isometria muscular (RODRIGUES, 2001).
De um modo geral, a musculação proporciona a redução do percentual de gordura, oaumentoda massa
muscular, aumentaàforça do indivíduo,facilitando sua locomoção, mantém a pressão sanguínea e a
frequência cardíaca dentro de padrões aceitáveis para a idade do praticante, dificulta o acúmulo de
colesterol no sangue, e também, quando feita em locais comunitários,favorece asocialização, diminui os
índices de depressão e ansiedade(ALMEIDA apud NADEU; PERONET, 2010;COSTA, 2004).
A musculação é vista como uma das atividades mais completas e que abrange qualquer população, uma
vez que ela é adaptável de acordo com a necessidade de cada indivíduo (MURER, 2007). Ela é muito
utilizada para pessoas debilitadas, reabilitando indivíduos lesionados, pela ausência de movimentos
rápidos e de desacelerações, apresentando, assim, baixos números de lesões.Tal modalidade combate
intensamente a obesidade fazendo com que aumente o metabolismo calórico basal, estimulando o
indivíduo a continuar perdendo gordura mesmo depois de terminada sua prática (MURER, 2007;FERREIRA
apud FLECK; KRAEMER, 2008).
O treinamento resistido é comumente praticado em academias que vêm, cada vez mais, ocupando espaço
na esfera social, como prestadoras de serviços especializadas em atividades motoras, físico-esportivas ou
de movimentos (MARCELLINO, 2003). As academias ainda não são vistas como um espaço de lazer ou de
convivência, sendo utilizada unicamente para fins “esportivistas”, ou de culto ao corpo (MARCELLINO apud
Cunha, 2003).
Segundo um estudo do Data Popular citado pelo site Mundo do Marketing em 2011, diz que os brasileiros
da Classe C são os que mais freqüentam as academias, mais de 52% das pessoas que estão nesses
estabelecimentos pertencem a essa nova classe media. Cerca de 79 milhões de brasileiros se interresam
por atividades físicas desse segmento (CASTRO, 2011).
Diante desse contexto, o objetivo do presente estudo é identificar os motivos de adesão e manutenção à
prática de musculação na cidade de Canindé-CE. Pretende-se, especificamente, apontar os motivos que
levam as pessoas a procurarem a academia, a modalidade da musculação e identificar o nível de
conhecimento que elas possuem sobre os benefícios da musculação.

MATERIAIS E MÉTODOS
Caracterização da pesquisa
Esse estudo é caracterizado como uma pesquisa descritiva de campo e bibliográfica, quantitativa e
transversal. A pesquisa bibliográfica utiliza fontes constituídas por material já elaborado, constituído
basicamente por livros e artigos científicos localizados em bibliotecas (GERHARDT; SILVEIRA, 2009). Já, a
pesquisa descritiva pode ser definida como uma pesquisa onde há análise e registro de dados sem
manipulá-los (CERVO et al., 2007).

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População e amostra
A amostra da pesquisa é constituída por 30 praticantes de musculação, sendo 15 do gênero masculino e 15
do gênero feminino,de uma academia da cidade de Canindé-CE.

Instrumento para coleta de dados


Foi utilizado como instrumento de coleta de dados o Questionário de Motivação e Barreiras para a prática
de Atividades Físicas (Musculação), adaptado de LUZ (2010), que trata de questões referentes à prática de
musculação quanto à motivação dos praticantes, características das aulas e das academias e o
relacionamento com os professores.

Procedimentos
Inicialmente, foi realizado um contato prévio com os responsáveis pelos estabelecimentos (academias),
afim de que os objetivos da pesquisa fossem esclarecidos. A aplicação do Questionário ocorreu mediante a
autorização, feita por meio da assinatura de um Termo de consentimento livre e esclarecido - TCLE.

Aspectos Éticos
Este estudo obedece a todos os critérios presentes na resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde –
CNS, no que se refere à pesquisa envolvendo seres humanos (BRASIL, 2012).O termo de consentimento
livre e esclarecido (TCLE) foi solicitado de todos os que participaram deste estudo, e os dados obtidos
garantiram o anonimato dos participantes.

Análise dos dados


Os dados obtidos na pesquisa foram analisados mediante o uso do programa Excel versão 2013, para
estatística descritiva (média, desvio padrão, frequência absoluta) que são apresentadas por meio de
tabelas e gráficos.
RESULTADOS E DISCUSSÕES

O presente estudo contou com 30 participantes, sendo 15 (50%) do gênero Masculino e 15 (50%) do
gênero Feminino, sendo uma amostra bastante equilibrada para assim, haver uma melhor avaliação dos
resultados. A média de idade dos entrevistados é de 25,16 anos (+ 5,31).

Tabela 01 – Caracterização da Amostra

N %
MASCULINO 15 50
GÊNERO
FEMININO 15 50
TOTAL 30 100
SOLTEIRO 22 73
ESTADO CIVIL CASADO 06 20
SEPARADO 02 07
TOTAL 30 100

O estado civil da amostra, foi classificado em 73% (N=22) de solteiros, 20% (N=06) de casados e dois (02)
participantes, 7% são de separados (Tabela 01).
O questionário aplicado buscou sanar informações sobre os motivos e razões dos indivíduos de optarem
pela prática da Musculação. Quando questionados sobre quem lhe havia indicado a Musculação, 67%
(N=20) disseram que foram os Amigos que lhes indicaram a prática do treinamento resistido. Cerca de 16%

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(N=05) disseram terem sido influenciados pelos meios de comunicação (TV, Rádio, propagandas...), 10%
(N=03) por conhecidos e 7% (N=02) foram influenciados pelos familiares (Figura 01).

Gráfico 01 – Indicação para a prática da Musculação.

Pode-se perceber que os amigos têm muito influência nas pessoas entrevistadas (67%) e a família têm
influência em apenas 7% dos casos. Cerca de 10% dos entrevistados disseram tiveram indicação para a
prática esportivo aqui discutida através de conhecidos, que pode-se deduzir ser pessoas próximas, amigos
de amigos, fazendo parte do núcleo social.
Parte dos presentes resultados corrobora com os outros trabalhos, por exemplo, as pessoas,
predominantemente, sofrem influência de dois grandes grupos principais, são eles: o grupo familiar e a
influência social, os grupos de amigos (FIGUEIRA JÚNIOR, 2000 apud AZNAR, 1997).
Em um estudo com adolescentes de 14 a 19 anos de João Pessoa-PB constatou que tanto os pais como os
amigos têm influência sobre a prática de atividade física nos jovens entrevistados (CHENG et al., 2014]).
A família pode ser uma influência a partir do momento que ela serve de exemplo para seus parentes mais
próximos, pode-se perceber tal fato na literatura a partir das conclusões que ressaltam que filhos de pais
ativos tendem a serem adultos mais ativos também(SABA, 2008).
O 2º fator mais citado que os motivou a entrar na musculação foram as propagandas de TV e Rádio, com
16%. Segundo Lima et al., (2014) a mídia e os instrumentos de comunicação são um dos vários meios para
a propagação de algumas informações, como conhecimento sobre a saúde, estética e forma física.
Um dos fatores importantes para entender a motivação para a prática da musculação é conhecer os
objetivos dessa prática. O principal objetivo citado pelos praticantes foi a Hipertrofia com cerca de 57%
(N=17), seguido do Emagrecimento 23% (N=07), e por fim, Estética e Saúde, ambos com 10% cada (N=03)
(Figura 02).

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Gráfico 02 – Objetivos para a prática da Musculação.

A musculação quando supervisionada é uma atividade com baixas taxas de lesão, que proporciona
aumento de força, potência, resistência muscular ajudando no desempenho nas atividades da vida diária
(BARROS et al., 2015).
No estudo de Barros et al., (2015) mostrou que o principal motivo/objetivo para se praticar a musculação
pelos indivíduos foi em 1º lugar “aperfeiçoar a força física” que se assemelha ao presente estudo que
mostrou que o principal objetivo para a prática de musculação foi a hipertrofia (57%).
O emagrecimento foi citado por 23% dos entrevistados. Sabe-se que a musculação, além de promover o
aumento da força, pode também ajudar no processo de emagrecimento.
A musculação pode ajudar no processo de emagrecimento, aumentando a Taxa de Metabolismo Basal
(TMB), portanto, recomenda-se a inclusão da musculação para as pessoas que buscam emagrecer por
melhorar a capacidade funcional e ajudar no aumento do gasto calórico diário (DE PAIVA MONTENEGRO,
2014).
Os objetivos Estética e Saúde foram os objetivos menos citados, 10% cada um. Barros et al., (2015) em seu
estudo mostrou que a Saúde e a Estética foram os 3º objetivos mais citados pelos entrevistados. A
principal questão nesse fato é que esses dois fatores são lembrados pelos praticantes apenas depois dos
objetivos mais do senso comum, como a hipertrofia e o emagrecido, principais objetivos que levam as
pessoas a academia.
Quanto ao tempo de participação da prática, observamos participação de 1 mês até 9 meses. Cerca de 7%
praticam a 1 mês, 7%, 2 meses e outros 7% (N=02) 3 meses, 27% praticam a musculação a 4 meses e 23% a
5 meses. Três participantes (10%) estão na musculação a 6 meses e 7 meses, 7% praticam a 8 meses e
apenas 3% (N=01) praticam a 9 meses (Figura 03).

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Gráfico 03 – Tempo de Participação na Musculação.

Os entrevistados podem ser classificados como iniciantes, já que o aluno que mais tempo treina
musculação, a faz a 9 meses (3%). Segundo Rodrigues (2001) o período para haver mudanças nos treinos é
de 3 em 3 meses, onde as aulas dos alunos tanto irá aumentar em número de vezes na semana, como a
intensidade e o aumento da carga do treino.
Para melhor avaliar os participantes, foram perguntados alguns fatores dos treinos, como número de aulas
na semana, como o aluno via seu treino na questão de intensidade e se os mesmos estão satisfeitos com
os resultados até agora alcançados.
De todos os 30 participantes, 17 (56%) realizam os treinos de musculação 6 vezes por semana, seguida por
5 vezes por semana, com 27% (N=08). Os que praticam 3 vezes por semana eram 3 participantes (10%) e
duas pessoas (7%) fazem a musculação todos os dias da semana, 7 vezes (Figura 04).

Gráfico 04 – Quantidades de treinos durante a semana.

Todos os participantes realizam treinos de musculação mais de 3 vezes por semana. A frequência semanal
da prática do treinamento resistido no artigo de Barros et al., (2015) revelou que 100% dos seus
entrevistados realizam treinos no mínimo 3 vezes por semana ou mais, corroborando com os dados do

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presente trabalho, em que nenhum dos entrevistados responderam fazerem treinos menos de 3 vezes na
semana.
O treino convencional de musculação trabalha por agrupamento muscular, assim o treino dá aos alunos
intervalos de recuperação (RODRIGUES, 2001) esses intervalos permitem a “ressíntese de fosfagênios, a
manutenção do nível de lactato sanguíneo... e o restabelecimento da frequência cardíaca em níveis mais
confortáveis” (GODOY, 1994, p. 19 apud RODRIGUES, 2001).
Os participantes da pesquisa também responderam como achavam que eram os ritmos das suas aulas.
Cerca de 43% achavam suas aulas adequados, 33% disseram que suas aulas têm ritmo Forte, seguido de
Muito Forte (10%), 7% acharam que suas aulas eram “Fraco” e outros 7% que suas aulas era Muito Fraco
(Figura 05).

Gráfico 05 – Ritmo/Intensidade dos treinos de musculação.

A maioria dos entrevistados afirmaram que seus treinos estão adequados, 43%. O ritmo ou intensidade
pode ser exemplificada com as seguintes mudanças no treino: aumento do peso nos exercícios, aumento
ou diminuição da velocidade de execução dos exercícios e a diminuição dos intervalos de recuperação
entre os grupos musculares (RODRIGUES, 2001).
Toda mudança de treinamento se baseia na teoria da adaptação, em que o corpo humano necessita ser
desafiado, por assim dizer. Portanto, os treinos sempre devem sofrer modificações ao longo de sua prática,
para assim obter sucesso nos resultados. Esse fato explica os 10% que disseram que seus treinos estão
“muito forte” e dos 33% que disseram que seus treinos estão “fortes”, pois os mesmos podem está na fase
de modificação de seus treinos fazendo com que os alunos sintam que seu treino está muito intenso.
O contrário também é explicado, 7% disseram que seus treinos estão fracos ou muito fracos, esses
praticantes podem estarem precisando de modificações em seus treinos.
Com todos esses dados, perguntou-se também sobre a satisfação com os resultados até agora
conseguidos. Os que responderam que estão satisfeitos somam os 90%, os que disseram ainda não
estarem satisfeitos somou 10% (Figura 06).

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Gráfico 06 – Dados sobre a satisfação com os resultados.

Se os objetivos estão sendo alcançados, a satisfação com os resultados tende a ser satisfatória. É o que
demonstra os resultados da presente pesquisa, em que os participantes em sua grande maioria (90%)
estão alcançando seus objetivos.
Isso deve-se a especialização dos profissionais de Educação Física, que se especializando podem realizar
trabalhos mais diversificados que possam alcançar os objetivos de seus alunos de forma saudável e
consciente.
Tendo seus objetivos alcançados, o aluno fica mais motivado a continuar sua prática esportiva, seja ela
qual for e a musculação não fica de fora, pois por ser uma prática vista como monótona, ter os objetivos
dos praticantes sanados é a melhor motivação para esse aluno.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O principal motivador para a prática da musculação constatada no presente estudo foram os Amigos, com
67% e os programas de TV, propagandas (16%). Conclui-se portanto, que o seio familiar ainda é o melhor
exemplo para a prática de exercícios físicos.
No geral, as pessoas ainda procuram a musculação para objetivos de hipertrofia (57%), ou seja, aumento
da massa muscular. Entretanto, os objetivos citados pelos participantes (Figura 02) mostram como os
praticantes de musculação estão cada vez por dentro dos efeitos dos exercícios resistidos. Vê-se isso no
fato de 23% citarem que seus objetivos de fazerem a musculação é ajudar no emagrecimento.
Constatou-se no presente estudo que uma boa formação dos profissionais ajuda aos seus alunos a
alcançarem seus objetivos e terem mais consciência da prática da musculação e que se seus praticantes
estão satisfeitos com os resultados terão mais motivação para continuar a seguir na prática da musculação.
Buscou-se com o presente artigo entender os reais motivos para a prática da musculação em uma
academia da cidade de Canindé-CE. Sugere-se que mais estudos sejam realizados, levando em
consideração todas as academias da cidade, para assim traçar um perfil dos praticantes dessa modalidade.

REFERÊNCIAS
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AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL E PERFIL ALIMENTAR EM


FUTEBOLISTAS AMADORES

EVALUATION OF BODY COMPOSITION AND DIETARY PROFILE IN AMATEUR FOOTBALLERS

MENDONÇA, S.K.D.1
FARIAS, J.M. 1
GUERREIRO, K.H.S.2

Encontro Nacional de Atividade Física/ENAF- Macapá - Brasil


Nutricionista Especialista em Nutrição Clínica - Macapá - Brasil
nutri_sarah@hotmail.com
RESUMO

Considerado o esporte mais popular em todo o mundo, praticado por todas as nações, o futebol desperta
interesse da comunidade científica para o aprofundamento do conhecimento tanto do metabolismo
envolvido quanto a interações dos fatores que contribuem de maneira negativa e positiva para o mesmo.
O presente artigo objetiva avaliar a composição corporal e o perfil alimentar em futebolistas amadores,
evidenciando possíveis carências nutricionais e excesso de peso, demonstrando a importância de uma
intervenção nutricional correta feita por um profissional nutricionista. A amostra foi composta por
15jogadores amadores de futebol de campo do sexo masculino com idade entre 25 e 41 anos, incluindo
todos os jogadores que participaram da avaliação e responderam ao recordatório 24 horas. Para análise do
perfil antropométrico aferiu-se massa corporal e estatura para cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e
dobras cutâneas para estimativa do percentual de gordura (%g). O recordatório de 24 horas foi utilizado
para cálculo da ingestão de macronutrientes e micronutrientes. O valor médio encontrado de %gc 19,5,
considerado alto para essa população; 20% dos jogadores estavam com IMC adequado, 40 %
apresentavam sobrepeso, 13,4% tinha obesidade grau I e 26,6 % obesidade grau II. O consumo médio de
ingestão calórica é 2564 kcal/dia, abaixo do ideal que é de 4417 kcal/dia, valores de carboidratos,
proteínas e lipídios foram de 53,3, 20,1% e 26,8%, respectivamente. A ingestão de micronutrientes estava
aquém do recomendado entre a população, cálcio representando 93%, vitamina C 40%, ferro 13,4% e zinco
53,40% de inadequação entre os jogadores amadores. Concluiu-se que há necessidade de uma intervenção
nutricional correta com o objetivo de melhorar o rendimento nos treinos, diminuir o cansaço físico,
melhorar a capacidade respiratória e reduzir o percentual de gordura.

Palavras-chave: futebol, nutrição, composição corporal, macronutrientes, micronutrientes.

ABSTRACT
Considered the most popular sport in the world, practiced by all nations, soccer arouses interest of the
scientific community to deepen the knowledge of both the involved metabolism and interactions of factors
that contribute negatively and positively to it. This article aims to evaluate the body composition and
dietary profile in amateur soccer players, evidencing possible nutritional needs and overweight,
demonstrating the importance of a proper nutritional intervention made by a professional nutritionist. The
sample was composed of 15 amateur soccer players from male gender aged between 24 and 40 years,
including all the players who participated in the evaluation and responded to the 24-hour diet recall. For
the analysis of anthropometric profile it was measured the body mass and height to calculate body mass
index (BMI) and skinfold to estimate the body fat percentage (%BF). The 24-hour diet recall was used to
calculate the intake of macronutrients and micronutrients. The average value found of body fat percentage

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19.5, considered high for this population; 20% of the players were with suitable BMI, 40% were
overweight, 13.4% were class I obesity and 26.6% were class II obesity. The average consumption of energy
intake is 2564 kcal/day, which is below the optimum of 4417 kcal/day. Values of carbohydrates, proteins
and lipids were 53.3%, 20.1% and 26.8%, respectively. The micronutrient intake was fall short of
recommended among the population. Representing calcium 93%, vitamin C 40%, iron 13.4%, zinc, 53.40%
of inadequacy among amateur players. It was concluded there is the necessity of a proper nutritional
intervention in order to improve performance in training, reduce physical fatigue, improve respiratory
capacity and reduce the fat body percentage.
KEYWORDS: Soccer, nutrition, body composition, macronutrients, micronutrients.
INTRODUÇÃO

Atualmente, uma prática esportiva com alta adesão popular é o futebol. Muitas dimensões socioculturais
relevantes integram a sua prática; uma das mais abrangentes relacionadas a esse desporto é a do esporte
popular, com princípios como uso do tempo livre e ludicidade, assim como o de proporcionar bem-estar e
lazer a seus praticantes. Os adeptos dessa atividade física, em maioria, jogam o futebol apenas com caráter
de lazer e socialização. Esses futebolistas amadores apresentam características de sedentarismo,
principalmente, porque não almejam na prática futebolística o rendimento atlético (PONTES; SOUZA;
LIMA, 2006).
A nutrição apropriada constitui o alicerce para o desempenho físico, proporciona tanto o combustível para
o trabalho biológico quanto às substâncias químicas para extrair e utilizar essa energia. As vitaminas e
minerais são importantes no metabolismo energético, no estresse oxidativo, contração muscular,
regulação do balanço hídrico e nas funções estruturais, é de se esperar que a deficiência de um ou mais
desses micronutrientes possa trazer algum prejuízo em relação ao desempenho de jogadores de futebol
(NUNES;JESUS,2010). Para o mesmo autor, muitas vezes, atletas dispensam o consumo de verduras e
frutas, correndo maior risco de deficiência e comprometendo seu rendimento.
Diferente no esporte amador, de acordo com Schandler e Navarro (2007) “a nutrição voltada para o
esporte de alto rendimento tem sido bastante valorizada pelos profissionais do esporte, já que atletas
submetidos a constante treinamento e a grandes volumes de atividade física intensa têm requerimentos
nutricionais diferentes, quando comparados com indivíduos normais. Sendo assim, quando a dieta
balanceada e o treinamento são prescritos de maneira correta, podem otimizar os depósitos de energia
para a competição, melhorando o desempenho, fazendo a diferença no resultado final”.
O treino e o condicionamento do jogador são decisivos para seu sucesso, no entanto, a nutrição assume
um papel importante para garantir que o atleta tenha uma adequada ingestão calórica, de nutrientes e
hidratação, a fim de melhorar seu desempenho e potencializar seu rendimento, mas também recuperar as
reservas energéticas, reduzir a fadiga, minimizar lesões e melhorar o tempo de recuperação.
O percentual de gordura corporal - %GC de atletas acaba influenciando diretamente no rendimento
esportivo. De acordo com Pinto, Azevedo e Navarro (2007), vários estudos demonstram a
incompatibilidade entre a excelência competitiva e altos índices de adiposidade cutânea e, segundo esse
mesmo estudo, os valores ótimos de gordura corporal para futebolistas são difíceis de definir.
Quintão et al.(2009); Muller et al. (2007) demonstraram que jogadores de futebol tem apresentado uma
inadequada distribuição de macronutrientes, encontrando consumo de carboidratos abaixo de 60%,
consumo de dieta hiperproteica e hiperlipídica.As proteínas e lipídeos servem como fonte auxiliar de
combustível durante os exercícios intensos e de longa duração. Caso os aminoácidos não sejam repostos,
via alimentação, haverá comprometimento do processo normal de síntese proteica, perda de força
muscular e redução no desempenho (SILVA, 2014). Além disso, o baixo consumo de lipídeos acarreta na
redução da absorção de micronutrientes importantes nesse processo.
Existem poucos estudos que definem as necessidades nutricionais para atletas amadores de futebol, e
mesmo para atletas em geral, visto que esses indivíduos tem um gasto energético intenso e na maioria das
vezes não tem acompanhamento nutricional ou mesmo preocupação com seus hábitos alimentares,
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apresentando altos índices de sobrepeso e obesidade, correndo maior risco de uma sobrecarga cardíaca,
respiratória ou mesmo lesões ortopédicas.
Dessa forma, o trabalho teve por objetivo principal avaliar a composição corporal eo perfil alimentar de
futebolistas amadores,a fim de evidenciar possíveis carências, demonstrando a necessidade de intervenção
e acompanhamento de um profissional nutricionista, além de estudar as recomendações nutricionais para
atletas amadores em macronutrientes, cálcio, ferro, vitamina C e Zinco.

MATERIAL E MÉTODOS

Amostra
O presente estudo foi dotipo transversal, quantitativo e descritivo, com avaliação de15 jogadores de
futebol amador do sexo masculino, moradores da cidade de Macapá/AP, com idade entre 25 e 41 anos que
praticavam o esporte há pelo menos um ano. O objetivo do time era de disputar um campeonato
nacionalde futebol de campo entre as regionais da Ordem dos Advogados do Brasil(OAB), que ocorre
anualmente. Foram avaliados todos os jogadores do time, totalizando 26, porém, após os critérios de
inclusão e exclusão apenas 15 participaram da pesquisa. Foramutilizados como critérios de inclusão os
atletas que participaram das avaliações e responderam aos recordatórios, excluindo então aqueles que
não aderiram aos critérios da pesquisa.
A pesquisa foi submetida a um Comitê de ética e pesquisa – CEP e os indivíduos foram informados dos
procedimentos a que seriam submetidos, riscos e benefícios, e antes de serem avaliados assinaram um
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE, segundo as normas para a Realização de Pesquisa em
Seres Humanos, atendendo aos critérios da Ética da Pesquisa em Saúde, conforme determina a Resolução
196 do Conselho Nacional de Saúde de 1996.

Antropometria
Mensurou-se peso corporal, estatura e dobras cutâneas dos jogadores. O peso foi quantificado em
quilogramas (kg) e o equipamento utilizado foi uma balança digital – Mondial® com capacidade de 150kg e
sensibilidade de 100g. Para a medida da estatura, foi utilizado estadiômetro portátil Sanny® (204cm e
variação de 1 cm).
A fim de mensurar o percentual de gordura foram realizadas medidas das sete dobras cutâneas (peitoral,
abdominal, coxa, suprailíaca, subescapular, triciptal e axilar média) segundo a fórmula de Jackson e Pollock
(1978), por meio de adipômetro da marca Cescorf® e considerado o valor médio de cada uma delas. Os
pontos anatômicos foram medidos sempre do lado direito, pelo mesmo avaliador, por três vezes;
O peso e a estatura foram utilizados para o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), classificado de
acordo com os pontos de corte propostos pela ABESO (2009/2010).

Ingestão de Nutrientes
Foi utilizado como instrumento para coleta de dados um recordatório 24 horas. O recordatório de 24
horas, como o nome indica, consiste em definir e quantificar todos os alimentos e bebidas ingeridas no
período anteriores a entrevista, que podem ser às 24 horas precedentes ou, mais comumente, o dia
anterior (FONSECA, 2012).
O cálculo das calorias, macronutrientes (carboidrato, lipídio, proteína e fibras) e micronutrientes (cálcio,
vitamina C, ferro e zinco) foram realizados por meio do software Avanutri®, assim como IMC e percentual
de gordura corporal, utilizando-se como parâmetros as recomendações de Padovani (2006), que define
indicadores nutricionais de consumo de energia e nutrientes para grupos ou indivíduos.

Procedimentos realizados
Os treinos ocorriam em três dias da semana, terças, quintas e sábados, por isso as avaliações foram
realizadas antes dos treinos, divididas em três grupos em dias distintos. Cada atleta realizou avaliação
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(peso, altura e dobras cutâneas) e respondeu ao recordatório 24 horas no seu dia respectivo. Após
avaliação e orientação, os atletas receberam dieta individualizada e orientação nutricional, realizada pelas
nutricionistas responsáveis pela pesquisa.
Tratamento Estatístico
Para a elaboração de banco de dados e análise estatística foi utilizado o Microsoft Office Excel, 2007. Os
dados relacionados à ingestão de nutrientes e Valor Calórico Total da alimentação, bem como a
antropométrica, foram analisados pela estatística descritiva e os valores expressos em média, desvio
padrão, mínimo e máximo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
A média de idade observada entre os atletas foi de 25 a 41 anos, todos do sexo masculino. Na tabela 1
estão apresentados os resultados referentes aos dados antropométricos e composição corporal, além do
cálculo do Índice de Massa Corpórea - IMC dos atletas. Os valores estão expressos em Valor mínimo,
máximo, médio e desvio padrão. A estatura média foi de 1,72m±0,8 cm, enquanto seu peso corporal de
88,51kg±17,58 kg.

Tabela 1 - Peso, Altura, % Gordura Corporal e IMC (n=15)


Variável Val. Mín. Val. Máx. Média D.P.
Peso 63,5 108,9 88,51 17,58
Altura 1,59 1,89 1,72 0,08
% G.C. 13,4 25,4 19,35 3,93
IMC 22,5 36,6 29,46 4,67

No presente estudo o valor médio encontrado de %GC foi de 19,35±3,93, corroborando com os valores
encontrados por Valter et al. (2010), onde o percentual encontrado foi de 18,22±7,85%.O estudo realizado
por Fonseca (2012), com 16 jogadores de futebol da categoria B do Palmeiras apresentou um valor médio
de 11,5%±1,4, representando um valor considerado ideal para esta população que segundo o mesmo está
entre 5,9 a 15% de %GC.
De acordo com os dados coletados apenas 20% dos jogadores estavam com o IMC adequado (entre 18,5 e
24,9kg/m2), 40% apresentavam sobrepeso, 13,4% tinham obesidade grau I e 26,6% obesidade grau II. Os
dadoscorroboram com os estudos de Ponteset al (2006); Silva e Oliveira (2013) onde os jogadores
apresentaram maior índice de sobrepeso respectivamente com IMC médio de 26,4±4,5 e 25,02±2,09
kg/m2, ressalta-se o alto índice de obesidade nesta pesquisa, o que para Silva e Oliveira (2013) poderá
desencadear diversas doenças de ordem cardiovascular, ortopédicas, como também dificultar ou
impossibilitar a pratica desportiva.
Observou-se, na tabela 2, um consumo médio de 2564±769,2 kcal/dia e de 16,71±9,82 g/d de fibras.
De acordo com Schwarz, Freitas e Silva (2012) a recomendação média de calorias para jogadores de
futebol amador é de 4417±700,6 kcal/dia, considerada alta se comparado com as recomendações para
pessoas sedentárias,tratando-se de fibras, segundo Mello e Laaksonen (2009)apud FAO/OMS o consumo
deve ser de pelo menos 25 g/d. De acordo com o encontrado no estudo de Valter et al. (2010), embora os
indivíduos consumam uma menor quantidade energética, o estado nutricional geral desta amostra pode
ser classificado como sobrepeso.

Tabela2 - Ingestão de Macronutrientes - Carboidrato, proteína, lipídeo e


Fibras (n=15)
Variável Val. Mín. Val. Máx. Média D.P.
Ing. Energética (kcal/dia) 1605 4323 2564,5 769,2
Carboidratos (%) 42,3 65,3 53,3 7,3
Carboidratos (g/kg) 248,3 547,9 336,2 88,5
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Proteínas (%) 12,2 31,1 20,1 4,2


Proteínas (g/kg) 70,6 239,8 126,4 43,8
Lipídeos (%) 12,5 37,3 26,8 6,7
Fibras 3,1 32,3 16,71 9,82

O consumo calórico da maioria dos atletas ainda é deficiente, a baixa ingestão de energia resulta em um
aporte insuficiente de nutrientes relacionados ao metabolismo energético, reparação tecidual,
antioxidantes e sistema imunológico. Vale ressaltar, que os índices de sobrepeso e obesidade foram
expressivos, mesmo com a ingestão calórica abaixo do recomendado, isso pode se dar devido o alto
consumo de álcool e lipídeos, principalmente aos fins de semana, o que muitas vezes não foram relatados
no recordatório alimentar. Para Nunes e Jesus (2010), muitas vezes, atletas dispensam o consumo de
verduras e frutas, correndo maior risco de deficiência e comprometendo seu rendimento.
Os valores encontrados para carboidratos, proteínas e lipídeos foram, respectivamente, 53,3%, 20,1% e
26,8%.SegundoSilva (2014);Fonseca (2012) uma dieta balanceada, adequada em quantidade e qualidade,
antes, durante e após treinamentos e competições e que atenda a demanda energética, em especial os
carboidratos, são essenciais para que os atletas realizem uma boa partida, e na recuperação pós-jogo.
Para Panza et al. (2007), as recomendações de carboidrato para jogadores devem ser entre 60-70%, a
fim de maximizar os estoques de glicogênio muscular. Quintão et al (2009); Muller et al (2007)
demonstraram que jogadores de futebol de ambos os gêneros tem apresentado uma inadequada
distribuição de macronutrientes, encontrando consumo de carboidratos abaixo de 60%, consumo de dieta
hiperproteica e hiperlipídica, de acordo com o resultados para consumo de carboidrato encontrados nesta
pesquisa.As recomendações, segundo os autores, são de 1,4-1,7g/kg de proteína e de 20-30% do consumo
de lipídeos.
As proteínas e lipídeos servem como fonte auxiliar de combustível durante os exercícios intensos e de
longa duração. Caso os aminoácidos não sejam repostos, via alimentação, haverá comprometimento do
processo normal de síntese proteica, perda de força muscular e redução no desempenho (SILVA, 2014).
Além disso, o baixo consumo de lipídeos acarreta na redução da absorção de micronutrientes importantes
nesse processo.

Tabela 3 - Ingestão de micronutrientes - Ca, Vit C, Fe e Zn (n=15)


Variável Média D.P DRI UL %adeq. %inadeq.
Cálcio 516,2 194,1 1000 2500 7% 93%
Vitamina C 146,2 137,9 90 2000 60% 40%
Ferro 18,1 10,5 8 45 86,60% 13,40%
Zinco 12,1 9,48 11 40 46,60% 53,40%
*Padovani (2006)

Médias de ingestão dos micronutrientes, recomendações e limite máximo de consumo estão


apresentadas na tabela 3. Observou-se consumo insuficiente em 93% dos atletas para Cálcio, 53,4% para
Zinco, 40% para vitamina C e 13,4% para Ferro.De acordo com o estudo de Schandler e Navarro
(2007),atletas, inclusive os amadores, correm maior risco de apresentarem ingestão inadequada de
vitaminas e minerais devido ao grande volume e intensidade de treinamento.
No estudo de Valteret al. (2010) os praticantes de futsal apresentaram consumo inadequado de cálcio que
foi de 714,92±557,24 mg equiparando-se com a pesquisa de 516,2±194,1mg, vale ressaltar que assim
como neste estudo, apenas um participante atingiu a recomendação de cálcio adequada; A RDA para cálcio
em homens de 19-50 anos é de 1000mg/d (TOZZATO, 2013).
Segundo Biesesk et al.(2005); Bucci et al. (2005) o cálcio é essencial para a coagulação sanguínea e na
contração muscular, o baixo consumo deste mineral está associado à sarcopenia e osteoporose, além
disso, tem função de preservar e manter a massa muscular magra.
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Os níveis de consumo de vitamina C estão abaixo da recomendação em 40% dos jogadores, contrariando o
estudo de Satori, Prates e Tramonte (2002), que investigaram hábitos alimentares de 22 atletas de futsal
do Paraná (RS), o estudo demonstrou que existia carência de cálcio e excesso no consumo de ferro e
vitamina C, sendo indispensáveis para um ótimo desempenho esportivo.O consumo adequado de Vitamina
C promove resistência a infecções, reduz a fadiga, dores reumáticas, além de prevenir lesões de pele e
atrofia muscular.
A menor deficiência de micronutrientes encontrada neste estudo foi para o Ferro, que foi de 13,40%. O
estudo de Gomes, Ribeiro e Soares (2005), avaliaramquatro jogadores de futebol amputados, não foi
encontrada deficiência para o mineral ferro. Isso se deve muito ao fato de as dietas serem,em grande
maioria, hiperproteicas, além do que a deficiência deste mineral é mais frequente em mulheres em idade
fértil. Para Viebig e Nacif (2006); Stulbach e Raphael (2010), o consumo adequado de ferro está
diretamente ligado ao rendimento esportivo, sua deficiência pode levar a fadiga, sonolência, falta de
concentração, baixa do rendimento esportivo, falta de ar, redução do controle da temperatura corporal e
redução da imunidade, fatores que diminuem a tolerância ao exercício.
A deficiência encontrada de Zinco foi expressiva com 53,4% dos desportistas. Lima et al. (2011) estudou o
consumo de zinco em 20 jogadores de futebol do sexo masculino, os valores encontrados foram de
17,9±4,4mg dentro do consumo considerado adequado.O zinco tem participação na síntese e metabolismo
das proteínas e cicatrização. Além disso,está associado à funções imunológicas (WILLIAN, 2002). Segundo
Alvarenga Netto (2007); Lima et al. (2011) a deficiência deste mineral aumenta a fadiga e diminui a
performance esportiva. Stulbachi e Raphael (2010) relacionam a deficiência de zinco comnáuseas, dor
epigástrica, diarréias e vômitos, além do aumento do LDL (lipoproteína de baixa densidade) e diminuição
do HDL-colesterol (lipoproteínas de alta densidade).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vale ressaltar que o time obteve perda de peso total de 63,5 kg, sendo que um dos atletas obteve uma
perda considerável de 30 kg e os outros uma média de 2,4kg, após a intervenção nutricional de três meses,
a redução do peso corporal e a melhora na alimentação dos atletas, inclusive de carências de
micronutrientes, repercutiu na avaliação física realizada mensalmente pelos treinadores físicos, onde
alguns atletas apresentaram aumento significativo de rendimento esportivo, diminuição do cansaço e
maior capacidade respiratória, sinais também relatados pelos próprios jogadores.
Adquirir melhor rendimento no esporte, depende de uma série de escolhas feitas pelo atleta, através da
aceitação de conhecimento científico, no que tange a alimentação ideal, composta por nutrientes
indispensáveis para sua saúde e desempenho físico, de acordo com suas necessidades fisiológicas
(SARTORI;PRATES;TRAMONTE, 2002). Para tal, é de fundamental importância a presença do profissional
nutricionista, a fim de avaliar e orientar os atletas em relação aos seus hábitos alimentares.
Os resultados apresentados nesseestudo demonstram a necessidade e aimportância de uma educação
nutricionalcomo forma de orientar o fornecimento de umanutrição adequada aos atletas
corrigindodesordens alimentares.Mesmo assim a nutrição não interfereno fator genético para a prática de
esporte enão substitui o treinamento do atleta; elaapenas contribui com a melhora do organismopara a
realização dos exercícios físicos.

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Sarah Karolina Dias Mendonça


ENDEREÇO:
Rua Raimundo Almeida da Costa, n 205, bairro boné azul
Macapá-AP
68908-642

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BENEFÍCIOS DA PRATICA DA HIDROGINÁSTICA PARA GESTANTES

Gomes,C.C.C. da. Santos, A. F. Scoss, D. M.1


Centro Universitário Ítalo Brasileiro – São Paulo - Brasil
caldascaroline01@gmail.com

RESUMO
A hidroginástica atualmente é uma atividade que vem ganhando muitos adeptos na população em geral.
Por ser uma atividade física com baixo impacto nas articulações e ossos é indicada principalmente para
públicos específicos, como as gestantes que precisam de cuidados especiais durante este período. O
presente trabalho visa identificar os benefícios da prática de hidroginástica para gestantes, de acordo com
as modificações que acontecem no corpo da mulher decorrentes da gestação, e cuidados necessários para
a prática desta atividade física considerando a intensidade, exercícios e período mais conveniente para sua
iniciação. Conclui-se que as atividades praticadas na água trazem conforto e alivio de dores nas gestantes,
devido a flutuação e o efeito massageador proporcionado pela pressão da água causando um relaxamento
da musculatura, além dos benefícios aos fatores psicológicos e sociais por meio da socialização e interação
com outras mulheres nas mesmas condições. Este estudo é uma análise descritiva, realizado através de
revisão de literatura, utilizando como base de dados: EFDesportes e Scielo, com delimitação temporal dos
últimos 15 anos.

Palavras-chave: Hidroginástica; atividade física; gestantes.


ABSTRACT

The aquarobics nowadays is an activity that has gained many followers in the current population. As a
physical activity with low impact in the articulations and bones, it´s indicated mainly to a specific public, as
the pregnant women who need special cares in this period.The present work had as aim identifies the
benefits of the aquarobics practicing to pregnant women, according to the modifications that happen in
the woman body current of the pregnancy and necessary cares to the practicing of this physical activity
considering the intensity, exercises and period more appropriate to your beginning. We conclude that the
activities practiced into the water, bring comfort and relief of aches in the pregnant women due the
fluctuation and the massaging effect offered by the water pressure causing a relaxation of the musculature
besides the benefits to the psychological and social factors by means of the socialization and interaction
with another women in the same conditions. This study is a descriptive analyze, realized through the
literature review, using as database EFDesportes and Scielo, with time delimitation of the last 15 years.
Keywords: Aquarobics, Physical Exercises, pregnant women
INTRODUÇÃO

Segundo Centofaniet al. (2003), um grande número de gestantes tem procurado diversos meios para
obtenção de uma gravidez mais segura e tranquila, visando o bem-estar próprio e do bebê.
Durante a gestação a mulher passa por várias alterações tanto comportamentais quanto físicas. Desânimo,
euforia, ansiedade, hiperlordose lombar, cansaço para manter a postura ereta e aumento de peso corporal
são algumas destas mudanças. Assim, a prática de atividade física regular, ameniza estes transtornos,
proporcionando mais tranquilidade para a mãe e o feto durante este período (ARGEMI; SCARTON, 2011).
De acordo com Lima e Oliveira (2005), é indicado a prática de exercícios aeróbicos, de resistência muscular
e alongamentos com intensidade moderada para gestantes ativas que não possuam complicações na
gestação, de três a quatro vezes por semana durante quarenta minutos. A intensidade pode ser mais alta

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para gestantes atletas ou com um bom condicionamento físico, sempre tomando cuidado com climas muito
quentes e fazendo a hidratação adequada.
As atividades aquáticas trazem inúmeros benefícios aos aspectos físicos, psicológicos e sociais, tais como
realização de movimentos que não causam impactos às articulações, benefícios ao sistema respiratório e
cardiovascular, alívio de stress, elevação da autoestima, maior disposição, favorecimento das relações
interpessoais, entre outros (TAHARA; SANTIAGO; TAHARA, 2006).
O objetivo deste trabalho é identificar os benefícios da prática da hidroginástica para gestantes, de acordo
com as alterações fisiológicas, psicológicas e sociais que acontecem neste período e quais os melhores
exercícios para se trabalhar com este grupo de maneira segura e eficaz. A metodologia utilizada foi revisão
de literatura, onde se utilizou como base de dados EFDesportes e Scielo. Os descritores utilizados foram
hidroginástica, atividade física e gestante com periodicidade temporal dos últimos 15 anos.

HIDROGINÁSTICA

A hidroginástica teve sua ascensão no mundo todo por volta da década de 80. Devido as lesões provocadas
pela prática da ginástica aeróbica, os especialistas foram estudar os exercícios aquáticos com a finalidade
de minimizar o impacto nas atividades realizadas em sala de aula (LUCCHESI, 2013).
Segundo Bonachella (2001, apud DARONCO et al., 2011)“modernamente, o termo hidroginástica pode ser
definido como um conjunto de exercícios, executados com ou sem material em piscina, e que tem como
objetivo aumentar a força e a resistência muscular, melhorar a capacidade respiratória e a amplitude
articular, utilizando a resistência da água como sobrecarga, visando uma melhoria na qualidade de vida de
seus praticantes”.
O que a diferencia a hidroginástica das outras atividades são alguns benefícios oferecidos pelas
propriedades físicas da água como a resistência da água como sobrecarga natural. A temperatura ideal da
água é entre 27° e 29° (graus) para atividades aquáticas não competitivas e acima de 31° somente para
trabalhos terapêuticos. O empuxo é outro benefício proporcionado pela água, pois as articulações sofrem
menor impacto nos exercícios com saltos (FILHO et al., 2009).
A hidroginástica é uma atividade que beneficia a saúde e o bem estar físico e mental dos seus praticantes.
Todos podem aderir a esta prática independentemente da idade ou condicionamento físico. É também
recomendada a obesos, idosos e gestantes como atividade terapêutica (SOUZA et al., 2012).

ALTERAÇÕES CORPORAIS NA GESTANTE


No período da gestação, o corpo da mulher sofre muitas modificações tanto físicas quanto emocionais. O
corpo se prepara para abrigar, alimentar e permitir que o bebê se desenvolva (FONSECA et al., 2009).
De acordo comGuyton& Hall (2002 apud SOUZA et al., 2012), o mais evidente destas diversas alterações é o
aumento dos órgão sexuais, o útero cresce, abdômen e mamas aumentam de tamanho ficando mais
pesados e sensíveis.
A produção de colostro, um líquido altamente nutritivo para o bebê começa aproximadamente no quarto
mês. A partir do terceiro trimestre de gestação o tamanho dos seios e pele ficam estáveis, aumento ou
diminuição de peso, aumento da frequência urinária e alterações no sistema circulatório (GUYTON & HALL,
2002 apud SOUZA et al., 2012).
Durantea gravidez o ganho de peso é de aproximadamente 11kg, sendo 3,2kg constituídos pelo feto, 1,8 kg
de líquido amniótico, placenta e membrana fetal, o útero e as mamas aumentam 900 gramas cada um,
deixando ainda um aumento de peso corporal da mulher de 4 kg (GUYTON & HALL, 2002 apud SOUZA et
al., 2012).
A mudança do centro de gravidade, a rotação anterior da pelve, o aumento da lordose lombar e o aumento
da elasticidade ligamentar, podem trazer dores musculoesqueléticas e lombalgia nas mulheres grávidas
(BENNELL, 2001 apud LIMA e OLIVEIRA 2005).

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Há também as alterações relacionadas a oscilações de humor, que podem ocorrer do início ao fim da
gestação devido às alterações do metabolismo. Pode haver também maior sensibilidade nas área do olfato,
paladar e audição. A parte emocional também é afetada, a mulher fica mais vulnerável a estímulos
externos, chora e ri mais facilmente (GUYTON & HALL, 2002 apud SOUZA et al., 2012).
GESTAÇÃO E ATIVIDADE FÍSICA
Atualmente a prática de atividade física na gestação, além da saúde também traz benefícios aos fatores
psicológicos e sociais, por isso é importante que as grávidas procurem uma atividade que lhe dê prazer e
conforme seus recursos disponíveis (MATSUDO, MATSUDO, 2000 apud BENEVIDES et al., 2012).
Conforme afirma Almeida e Tumulero (2003), muitas dores e desconfortos causados pela gestação como
dores nas costas, nas articulações e músculos podem ser aliviados com a pratica de exercícios físicos e
também aumentar a sua resistência, que ajudará na hora do parto.
A hiperlordose que ocorre na gestação devido à expansão do útero na cavidade abdominal pode causar
desconfortos e a lombalgia. O exercício físico auxilia na prevenção destes problemas, através da orientação
da postura correta da gestante (BATISTA et al., 2003).
A prática de exercícios resistidos com intensidade leve à moderada proporciona uma melhora na resistência
e flexibilidade muscular, sem complicações na gestação e ajuda a mulher a suportar melhor o aumento de
peso e alterações posturais que ocorrem nesse período (LIMA, OLIVEIRA, 2005 apud NIFA et al., 2010).
Conforme Hartmann&Bung (1999 apud RODRIGUES et al., 2008), os benefícios da atividade física durante a
gestação contribuem também com os aspectos emocionais, elevando a autoestima, confiança e assim
aumentando o prazer pela atividade física.

BENEFÍCIOS DA HIDROGINÁSTICA PARA GESTANTES


De acordo com Delgado e Delgado (2004, apud SOUZA et al., 2012) “as atividades aquáticas vêm a ser uma
forma saudável, mais confortável e mais segura de exercícios para grávidas, pois se constituem em um
benéfico programa de condicionamento físico para a futura mamãe, devidos aos motivos de atenuar o
peso do corpo, reduzir o stress sobre os músculos e articulação, e também tem efeitos refrescantes da
água, importante durante a gravidez, quando a temperatura central da mulher é mais alta do que o
normal”.
Segundo Correia (2009) e Souza et al. (2012) uma reclamação comum das gestantes é referente ao corpo
pesado, que é reduzido na água devido a flutuação que o meio líquido proporciona, facilitando a execução
de movimentos mais amplos, além da coluna, articulações e músculos ficarem livres de impacto.
A pressão e resistência da água proporciona uma massagem ao corpo que garante um efeito suavizante na
musculatura, ajudando a aumentar a circulação periférica de sangue e aliviar as tensões, fornecendo
também uma sobrecarga natural útil ao trabalho de deslocamento que não provoca fadiga aparente
(FIGUEIREDO, 1999 apud SOUZA et al.,2012).
Souza et al. (2012) assinala que devido ao trabalho de fortalecimento muscular localizado, a hidroginástica
ajuda na diminuição das dores das mulheres gestantes, fazendo com que elas fiquem mais felizes
praticando atividade física. A socialização nas aulas de hidroginástica também traz um conforto emocional,
pois elas podem dividir seus lamentos e anseios com outras mulheres que se encontram nas mesmas
condições.

Período Mais Conveniente Para A Pratica De Hidroginástica Para Gestantes E Exercícios Recomendados
A prática da hidroginástica pode ser feita durante toda a gestação, salvo se a recomendação médica a
impedir. Também pode voltar a ser praticada após o resguardo de modo suave a aumentando aos poucos
os exercícios para que possa voltar rapidamente ao peso que tinha antes da gravidez (SOUZA et al., 2012).
Nos primeiro trimestre da gestação, a placenta ainda está em processo de fixação no endométrio uterino,
por isso precisa-se de muito cuidado com exercícios de alto impacto ou com intensidade elevada para que
não atrapalhe sua fixação (BAGNARA, 2010).

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Segundo Souza et al. (2012) para as gestantes, o ideal é que a água esteja ao nível do peito, pois assim
reduz o peso corporal em até 80%. A temperatura da água deve estar entre 28°C e 31°C, para facilitar o
trabalho de flexibilidade devido a vaso dilatação, que se deve a uma maior quantidade de oxigênio nos
músculos e articulações.
Em relação aos exercícios, Nogueira (2009) afirma que “deve ser levado em consideração que os exercícios
físicos para a gestante devem ser apenas de forma orientada e planejada por um profissional da área da
saúde especializado, e com o acompanhamento do médico da gestante, sendo que conste em seus
objetivos apenas a manutenção da aptidão física, a manutenção da saúde e a diminuição dos sintomas
gravídicos”.
Nas aulas de hidroginástica para gestantes devem conter exercícios de alongamento, condicionamento
aeróbico trabalhando todos os músculos do corpo, melhorando o condicionamento físico da gestante, e
também um trabalho de fortalecimento de músculos específicos como os abdominais (DELGADO,
DELGADO, 2004 apud SOUZA et al., 2012).
Há de se realizar também exercícios para dar um melhor equilíbrio á gestantes, já que a concentração
maior do peso corporal está localizada neste período da gravidez, na parte frontal (SOUZA et al., 2012).

DISCUSSÃO
Em um estudo realizado por Póvoa, Leoncio e Silva (2012), sobre a comparação da qualidade de vida e
estado nutricional de gestantes praticantes e não praticantes de exercícios físicos, foram avaliadas 26
gestante, 13 praticantes de atividade física e 13 não praticantes com idade entre 18 e 35 anos e entre o
segundo e oitavo mês de gestação. Foram aplicados dois questionários de avaliação de qualidade de vida,
foi avaliado também a capacidade funcional, aspectos físicos, dor estado geral de saúde, vitalidade,
aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental.
As gestantes praticantes de atividade física apresentaram um menor IMC, melhor estado nutricional,
melhor nível de qualidade de vida e qualidade relacionado a saúde nos aspectos vitalidade, aspectos
sociais, aspectos emocionais e dor.
Já no estudo de Moura et al. (2008) referente a aderência de gestantes a hidroginástica, teve o objetivo de
verificar e caracterizar o comportamento das gestantes num programa de hidroginástica quanto a idade
média gestacional de início no programa, tempo de permanência e idade média gestacional de interrupção
no programa. Foram avaliadas 308 gestantes com idade média de 32 anos e período gestacional entre 5 e
40 semanas. As aulas foram realizadas em uma piscina com profundidade entre a cicatriz umbilical e
apêndice xifoide, e com temperatura entre 30 e 32°C contendo exercícios de aquecimento, exercícios
aeróbicos e resistência muscular localizada.
Das 308 avaliadas, 249 não praticavam nenhum tipo de atividade física antes da gestação, e entre as
gestantes que praticavam atividade física antes da gestação a maior parte fazia caminhada. A idade média
gestacional de iniciação ao programa foi 18 semanas, o tempo médio de permanência foi de 14 semanas e
a idade média gestacional de interrupção do programa foi de 32 semanas. Somente 36% das gestantes
ultrapassaram as 37 semanas de gestação praticando a hidroginástica.
Os autores concluíram que a maior parte das gestantes esperam até o fim do primeiro trimestre de
gestação para iniciar a pratica de hidroginástica, talvez influenciadas pelos benefícios que a atividade física
pode proporcionar. É importante esclarecer os benefícios da pratica de atividade física para gestantes e
torná-la mais acessível à população em geral.

CONCLUSÃO
Este estudo permitiu conhecer as alterações físicas, psicológicas e sociais que ocorrem nas mulheres
decorrentes da gestação, e assim poder identificar as necessidades existentes neste período.
A atividade física regular proporciona um conforto e bem-estar físico e mental as gestantes, devido a
melhora do condicionamento físico ajudando a suportar melhor algumas alterações que ocorrem na
gestação como aumento do peso corporal, dores musculares e desconfortos causados pela postura.
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Órgão de divulgação científica

A hidroginástica traz benefícios para a estrutura óssea e muscular, fortalecendo e diminuindo os inchaços,
consequentemente trazendo uma vida mais ativa durante o período gestacional, por outro lado atua
também no aspecto psicossocial através de aulas coletivas e convívio social com mulheres que enfrentam
as mesmas situações já citadas, dividindo suas experiências.

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MOTIVOS DA PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO EM UMA ACADEMIA PARA


MULHERES NA CIDADE DE LIMOEIRO DO NORTE - CEARÁ

FIGUEIRÊDO, K,C11;

1 - ENAF Desenvolvimento – Fortaleza – Brasil.


carolinakatia@hotmail.com

CAETANO, M,V12;

2 - ENAF Desenvolvimento – Fortaleza – Brasil.


ainavonateac@gmail.com

3BRANDÃO, D. C13.

Resumo

No decorrer dos anos, tem se buscado cada vez mais uma melhor qualidade de vida por meio da prática do
exercício físico. O objetivo do presente estudo é: Identificar os fatores motivacionais que influenciam na
prática do exercício físico em uma academia para mulheres na cidade de Limoeiro do Norte-Ce. A presente
pesquisa se caracteriza por um estudo analítico descritivo. Tendo sido desenvolvida dentro de uma
academia sediada na cidade de Limoeiro do Norte, em um bairro periférico da cidade. A amostragem foi
estabelecida usando como critérios de inclusão as alunas que participaram das aulas no período de
aplicação do questionário e que assinaram o Termo de consentimento livre esclarecido, bem como, as que
têm uma frequência regular na academia. Sendo que nossa amostragem ficou estabelecida em 24
mulheres. Os critérios de exclusão foram as alunas com baixa assiduidade ou que não estavam presentes
nos dias de aplicação do questionário. Um questionário é um instrumento de investigação que busca
recolher informações pautando-se, na inquisição de um grupo representativo da população. Os dados
serão analisados de acordo com a estatística descritiva. A estatística descritiva é conceituada como um
método, que busca a organização, apresentação e descrição dos dados da qual se pretende avaliar, com o
objetivo de facilitar a compreensão das informações da pesquisa. Dentro do que se pode observar diante
dos estudos utilizados e as informações coletadas através dos questionários o que se evidencia é o
crescimento na busca por uma vida de qualidade e equilibrada. Concluindo-se que dentre os fatores
motivacionais para a prática de exercícios físicos estão questões estéticas e de bem estar.

Palavras chaves: Motivação. Exercício físico. Exercício, resisitido.

ABSTRACT

Over the years, it has increasingly sought a better quality of life through physical exercise. The aim of this
study is: Identify the motivational factors that influence the practice of physical exercise in a gym for
women in the city of Limon North-Ce. This research is characterized by a descriptive analytical study.
Having been developed in a gym headquartered in Limoeiro do Norte, in an outlying neighborhood of the

11
Pós graduanda em Educação Física, Treinamento Funcional e Musculação.
12
Pós graduanda em Educação Física, Treinamento Funcional e Musculação.
13
Orientador
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city. Sampling was established using as inclusion criteria the students who attended classes in the
questionnaire application period and signed a free informed consent, as well as those with a regular
frequency in the gym. Since our sample was established in 24 women. Exclusion criteria were the students
with low attendance or who were not present in the application of the questionnaire. A questionnaire is a
research instrument that seeks to gather information basing themselves in the inquisition of a
representative group of the population. The data is analyzed according to descriptive statistics. Descriptive
statistics is defined as a method, which seeks to organization, presentation and description of the data
which was assessed, in order to facilitate understanding of the research information. Within what can be
seen on the studies and used the information collected through questionnaires which can be seen is the
growth in the search for a quality life and balanced. Concluding that among the motivational factors for
physical exercise are aesthetic issues and welfare.

Key words: Motivation. Physical exercise. Has resisted exercise.

1 INTRODUÇÃO

No decorrer dos anos, tem se buscado cada vez mais por uma melhor qualidade de vida por meio da
prática do exercício físico, esse desejo e valorização pode sofrer importante influencia da mídia que tem
por intuito melhorar a qualidade de vida, prevenir doenças hipocinéticas, promover saúde e fatores
variados. Contudo, dentre as diversas razões podemos destacar a preocupação com a estética (SILVA;
DAOLIO, 2000).
As academias são definidas como os centros de exercícios físicos em que se oferece um serviço de
avaliação, orientação e prescrição, a partir da supervisão de profissionais de educação física. São diversos
fatores que levam as mulheres procurarem as academias (SILVA; DAOLIO, 2000).
A motivação compreende aspectos que podem ocasionar a adoção de uma ação ou à inércia em diversas
situações na vida de um indivíduo. De modo que, a observação dos motivos consiste na analise das razões
pelas quais se escolhe realizar alguma atividade com maior vontade que outras. As teorias motivacionais
destacam que um indivíduo pode ter como fonte de suas ações, razões internas (intrínseco) ou externas
(extrínseco). Os motivos intrínsecos são resultantes da própria vontade do indivíduo, enquanto os
extrínsecos dependem de fatores externos. Alguns motivos provêm de fontes externas ao indivíduo e à
tarefa, incluindo-se aí diversas recompensas sociais e sinais de sucesso. Apesar de haver numerosos
fatores que influenciam a motivação individual, alguns estudiosos qualificam as pessoas segundo os
motivos que as fazem ingressar no esporte ou em situações de sucesso (CRATTY, 1984).
Diante do imediatismo exacerbado de que nossa sociedade é autora e vítima, inúmeros problemas vêm
surgindo ou ganhando notoriedade nos últimos anos, entre eles podemos enumerar: o sedentarismo e a
busca por uma vida mais saudável e de qualidade.
Desse modo, o que se percebe é a crescente necessidade em se buscar medidas para solucionar ou atingir
esse intuito. A prática de atividades físicas regulares é uma variável importante para atingir este objetivo,
contudo, o sedentarismo ainda predomina.
Sendo assim, partimos da seguinte indagação: quais fatores motivacionais levam as mulheres a
procurarem academias para a prática de exercícios físicos? Para responder a esta questão partimos de
alguns teóricos, os benefícios da atividade física.
Em busca de responder essa problemática estabelecemos como objetivo: Identificar os fatores
motivacionais que influenciam na prática do exercício físico em uma academia para mulheres na cidade de
Limoeiro do Norte-Ce.
O presente estudo justificou-se pela necessidade de se compreender os benefícios obtidos através da
prática regular de atividades físicas, principalmente para o controle e combate ao sedentarismo e para a
conquista de uma vida saudável e de qualidade.
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Pois assim como afirma Amaral (2002) a prática de atividades e exercícios físicos foram reconhecido como
fatores importantes para o aprimoramento da saúde e controle de doenças. Desse modo, é imprescindível
estabelecer mecanismos que favoreçam a prática assim como o conhecimento das beneficias dessas
atividades.
Também é importante que analisemos o que os teóricos do assunto nos apresentam, pois os dados e
debates por estes demonstrados nos auxiliam no tracejar de ações e práticas voltadas para alcançar os
objetivos propostos.

2. METODOLOGIA

2.1. Tipo de pesquisa

Estudo analítico descritivo. A pesquisa descritiva é definida como um método que busca descrever as
características de populações ou fenômenos distintos. Este tipo de estudo utiliza-se de técnicas que
seguem um padrão próprio para coleta de dados, como por exemplo, o questionário (GIL, 2008).
De acordo com Andrade e Holanda (2010), a pesquisa quantitativa é caracterizada como um modo de
pesquisa, da qual busca utilizar a quantificação na coleta dos dados, bem como métodos de técnicas
estatísticas. Ou seja, este tipo de pesquisa tem como finalidade gerar informações precisas e confiáveis
através dos métodos quantificáveis.
2.2. Local de estudo e público alvo

A pesquisa se desenvolveu dentro de uma academia sediada na cidade de Limoeiro do Norte, em um


bairro periférico da cidade.
O publico alvo do estudo consistiu nas alunas regularmente matriculadas e frequentadoras da citada
academia, sendo que a população da pesquisa consiste em 84 alunas.
A amostragem estabeleceu-se usando como critérios de inclusão as alunas que participaram das aulas no
período de aplicação do questionário e que assinaram o Termo de Esclarecimento, bem como, as que têm
uma frequencia regular na academia. Os critérios de exclusão foram as alunas com baixa assiduidade ou
que não estavam presentes nos dias de aplicação do questionário. Após a aplicação e verificação dos
critérios de inclusão e exclusão a amostragem ficou estabelecida em um total de 24 mulheres.
2.3. Análise e Obtenção dos dados

Foi realizado um questionário contendo 8 perguntas objetivas referente aos fatores que influenciam as
mulheres à prática de atividades físicas: melhorar as habilidades motoras, sociabilizar, competitividade,
atingir a forma física, motivação, trabalho em equipe, prazer na prática de exercícios, objetivos a serem
atingidos com a prática. Os dados foram analisados de acordo com a estatística descritiva. A estatística
descritiva é conceituada como um método, que busca a organização, apresentação e descrição dos dados
da qual se pretende avaliar, com o objetivo de facilitar a compreensão das informações da pesquisa.
Utiliza-se para exemplificar a variável dos dados, tabelas, medidas e gráficos, que irão verificar examinar a
ocorrência e a forma com que os dados iram ser distribuídos na pesquisa (PIANA, ET AL, 2009).
A pré-análise é a fase inicial, que objetiva a sistematização das ideias iniciais, através da organização dos
materiais a ser analisados. Outra característica importante desta etapa é a formulação de hipóteses, que
auxiliam na formação dos indicadores que facilitam a interpretação da pesquisa (BARDIN, 2009).
A segunda fase é destinada ao tratamento dos resultados: a inferência e a interpretação. Os dados serão
analisados a partir de uma visão crítica e reflexiva sobre os achados, ou seja, todos os resultados da
pesquisa se tornarão significativos e válidos (BARDIN, 2009).
3. REVISÃO DE LITERATURA

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Diante da correria do dia a dia, muitos problemas de saúde vão surgindo, afetando homens e mulheres, de
crianças a idosos, atualmente, uma recorrente é o sedentarismo, associado a ausência de um estilo de vida
mais saudável.
De acordo com Amaral (2002) ao definir atividade física e sua relação com o conceito de exercício, afirma
que é qualquer que seja o exercício muscular, que gere gasto proposital de energia e que colabore com o
condicionamento físico do indivíduo. O autor ainda destaca que o objetivo do exercício pode ser melhorar
ou manter o condicionamento (AMARAL, 2002, P. 01).
Percebe-se o equivoco que muitos de nós cometemos quando utilizamos atividade física como simples
sinônimo de exercício. Também verifica-se a relevância da prática de ambos como forma de
condicionamento e manutenção, o que gera saúde e bem-estar.
Segundo Pinho, Silva e Núnez (2011) ao citarem Topol (2005), afirma que, a prática de atividades físicas é
um fator importante contra o sedentarismo e outras doenças que acometem o ser humano por falta de
exercício, isto é, a atividade física é de suma importância para o combate e prevenção de muitos
problemas de saúde. Os autores destacam ainda que o índice de mortalidade é menor entre os indivíduos
que se exercitam(PINHO; SILVA; NÚNEZ, 2011: p. 02 apud TOPOL, 2005).
A prática de exercícios físicos combate diretamente doenças causadas pelo sedentarismo, e trazem
melhoramentos para a saúde dos indivíduos que os praticam. Também favorecem a diminuição de doenças
no sistema cardiorrespiratório.
Já Brum et.al. (2004, p. 21) ressalta que o exercício físico gera uma carga energética que leva o organismo a
procurar adaptar-se para atender essas novas necessidades, o que, inclusive, está relacionado as funções
cardiovasculares.
Os autores referem-se a necessidade de uma prática de exercício gradual, pois o organismo saiu de um
repouso e passou a ser estimulado, não apenas a musculatura, mais o corpo como todo, assim é preciso ter
alguns cuidados, para que esta prática não seja prejudicial.
Dentre os benefícios da prática de atividades físicas sobre o corpo, podemos numerar as seguintes:
aumento do volume e da circulação sanguínea; melhoria na eficiência cardíaca; melhoria na oxigenação
sanguínea; equilíbrio hormonal; controle da pressão arterial e da frequência cardíaca; redução no estresse
físico e mental; e, prevenção e controle da Diabetes e da obesidade (AMARAL, 2002).
A falta de atividades físicas pode gerar inúmeros problemas para os indivíduos, particularmente, as
mulheres que são acometidas por problemas físicos e autoestima por não manterem uma rotina saudável.
De modo geral, como acima foi explanado a prevenção ainda é o melhor caminho para se evitar problemas
futuros, assim, a prática assistida por um profissional dentro do ambiente de uma academia ainda é uma
das posturas mais coerentes.
Uma vida saudável e dinâmica é um direito de todo e qualquer cidadão, mas também é obrigação deste
buscar os caminhos necessários para atingir estes objetivos. Desse modo, exercitar-se e praticar atividades
regulares pode trazer prazer e saúde para quem está disposto a ter uma vida com hábitos saudáveis.
No que diz respeito os aspectos motivacionais, Zanetti et.al. (2007) defende que a motivação exerce
grande influencia sobre a decisão de um individuo praticar ou não atividades físicas. Desse modo, esse
também consiste em uma questão primordial quando nos referimos aos motivos que impulsionam as
mulheres a pratica de exercícios.
Estudiosos evidenciam que um dos principais fatores citados por aqueles indivíduos que praticam
atividades físicas é o bem estar propiciado pela prática, isto é, a satisfação física e mental em se sentir bem
e ativo é a “mola” propulsora para que se busque cada vez mais as academias (ZAMAI; COSTA, 2008).
Ressalta-se também que a motivação vai além do fator inicial, é necessário que o indivíduo esteja sendo
constantemente estimulado para que possa manter-se se exercitando. Muitas pessoas que procuram as
academias deixam a prática em ate um ano após o início (SABA, 2008).
De acordo com Oliveira (2014) ao citar Ramos (2002), são inúmeros motivos que impulsionam as mulheres
a praticar exercícios: estética, prevenção de doenças, alívio emocional. Reafirmando a concepção da
influencia interna e externa na prática de atividades físicas.
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4. RESULTADOS

Como já foi afirmado anteriormente, o questionário foi aplicado junto as alunas de uma academia
localizada na cidade de Limoeiro do Norte. Sendo o mesmo composto por 8 (oito) questões de múltipla
escolha, para que a questionada pudesse melhor identificar suas respostas.
Destacamos que a faixa etária das questionadas compreende mulheres entre 13 anos até 55 anos de idade,
que estão devidamente matriculadas na academia.
As questões abordadas no questionário buscam observar quais os aspectos que influenciaram a decisão da
pratica de exercícios e o nível de importância para cada critério.
O primeiro ponto: eu quero melhorar minhas habilidades. As alternativas apresentadas em sete das oito
questões são: extremamente importante, bastante importante, pouco importante ou nada importante. As
respostas obtidas serão demonstradas no gráfico a seguir:

Fonte: Pesquisa (2015).

De acordo com as informações coletadas para 67% das questionadas, um índice de 15 alunas a pratica de
atividades físicas como fator para melhorar suas habilidades é de extrema importância, enquanto que para
33% ou 8 alunas consideram de bastante importância.
O segundo ponto verifica a importância da prática de exercícios em academia por seu aspecto de interação
social, vejamos o que as questionadas responderam através do gráfico abaixo:

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Fonte: Pesquisa (2015).

Para 67% das questionadas ou um índice de 16 mulheres, está no ambiente da academia e praticar
atividades físicas é extremamente influenciado por poder está interagindo com suas amigas; já para 21%
ou um total de 5 questionadas, essa interação é bastante importante. Para 12% ou 3 alunas, este fator é
pouco importante.
O terceiro aspecto refere-se a competitividade que a prática de exercícios pode gerar em seus praticantes.
Desse modo, os dados estão assim descritos:

Fonte: Pesquisa (2015).

De acordo com os dados coletados para 67% (16 alunas) a competitividade é um fator extremamente
importante que motiva a pratica de atividades físicas. Para 29% (7 alunas) esse aspecto é bastante
importante. Já 4% (1 aluna) acha de pouca importância a competitividade como fator motivador.
O quarto aspecto observado refere-se a busca pela forma física, em que homens e mulheres tem se
preocupada cada vez mais. Os dados estão assim distribuídos:

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Fonte: Pesquisa (2015).

Um percentual de 83% ou 20 alunas aponta como extremamente importante para a prática de exercícios a
preocupação com a forma física. Já para 17% ou um total de 4 alunas consideram que se exercitar para
manter ou atingir a forma física é bastante importante.
O quinto ponto refere-se à relação entre motivação e exercícios físicos, verificando se as questionadas
gostam de se sentirem motivadas. Vejamos como ficaram os dados:

Fonte: Pesquisa (2015).

De acordo com 67% (16 alunas) sentir-se motivada com a prática de exercícios é extremamente
importante para se manter uma rotina de atividades. Já cerca de 33% (8 alunas) a motivação pode ser
percebida como bastante importante.
O sexto aspecto observado diz respeito à relevância em se trabalhar em equipe, segundo as questionadas
os dados descritos estão a seguir representados:

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Fonte: Pesquisa (2015).

Para 71% (17 alunas) questionadas poder trabalhar em equipe durante a prática de atividades físicas é
extremamente importante. Já para 21% (5 alunas) esse aspecto é bastante importante, enquanto que para
8% (2 alunas) é pouco importante o trabalho em equipe.
O sétimo ponto analisado refere-se ao prazer em realizar atividades físicas, sendo as informações
demonstradas no gráfico abaixo:

Fonte: Pesquisa (2015).

Para 50% das questionadas (10 alunas) o prazer da atividade física como fator motivador é extremamente
importante. Já para 30% das alunas (6 alunas) esse prazer é percebido como bastante importante,
enquanto que para 20% (4 alunas) esse é pouco importante.
O oitavo ponto a ser observado é sobre os objetivos para o ingresso em uma academia realizar
cotidianamente exercícios físicos, dentre as opções as mais citadas pelas alunas estão dispostas no gráfico
a seguir:

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Fonte: Pesquisa (2015).

Para 58% (14 alunas) o principal objetivo ao iniciar a prática de atividades físicas é perder peso. Para 12%
(3 alunas) é melhorar a flexibilidade. Já acerca de reduzir o estresse o percentual que aponta esse fator é
de 13% (3 alunas). Enquanto que 17% (4 alunas) afirmam que o principal objetivo é sentir-se melhor.
5. DISCUSSÃO
O que se pode observar diante da análise das respostas obtidas através do questionário é que as mulheres
atentam a inúmeros fatores para a prática de atividades físicas.
A primeira questão do questionário aplicado busca identificar a importância de exercício físico na melhoria
das habilidades, para 67% das alunas questionadas é extremamente relevante envolver-se em atividades
físicas, pois desse modo conseguem desenvolver ou melhorar suas aptidões físicas relacionadas às suas
habilidades físicas.
A segunda questão aplicada buscou identificar qual a relevância das relações sociais estabelecidas durante
a prática de atividades físicas, sendo que para 88% das questionadas esse aspecto vai de extremamente a
bastante importante. O que se pode afirmar é que a prática solitária da atividade física se constitui num
fator desmotivador.
A terceira questão busca identificar a competitividade como fator motivacional para a prática física. Para
96% das questionadas vencer seus limites e mesmo preparar-se para competições é extremamente ou
bastante importante.
A quarta questão intenta identificar a preocupação estética da prática de exercícios, onde 100% das
questionadas afirmam que é extremamente e bastante importante se exercitar para atingir a forma física
ou manter. A concepção estética é um dos principais fatores motivacionais para que os indivíduos possam
se exercitar.
A quinta questão visa verificar a relevância do aspecto motivacional para a realização de atividades físicas.
100% das alunas questionadas afirmam que serem constantemente motivadas é o diferencial para praticar
atividades físicas e manter-se exercitando.
A sexta questão preocupa-se em analisar qual o papel do trabalho em equipe para a manutenção da
prática de atividades físicas. 92% consideram muito importantes o exercício em equipe, pois se torna
menos cansativo e mais instigante e motivador.
A sétima questão visa identificar o prazer na prática da atividade física, sendo que 80% das alunas
questionadas apontam que sentem prazer em exercitar-se, pois é uma forma de extravasar o estresse e
ainda sentir-se ativa.
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A oitava questão procura identificar os principais objetivos para que as alunas pratiquem atividades físicas.
Os aspectos apontados por elas diante das opções foram: perda de peso, melhorar a flexibilidade, reduzir o
estresse e sentir-se melhor. Ou seja, uma junção de preocupações estéticas e de bem estar.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dentre o que se pode observar diante a análise dos estudos utilizados e as informações coletadas através
dos questionários o que se evidencia é o crescimento na busca por uma vida de qualidade e equilibrada.
Cada vez mais, homens e mulheres nas diferentes faixas etárias estão praticando exercícios no intuito de
melhorar seu condicionamento físico e como uma válvula de escape para a rotina estressante do dia a dia.
Sendo assim, é imprescindível que aqueles que optem por exercícios realizados em academias, prezem por
profissionais qualificados e aptos para a realização segura das atividades.
A prática de exercícios físicos tem se configurado de extrema importância. Contudo, é de suma relevância
que os indivíduos de alguma forma sejam constantemente motivados a continuarem na prática, pois o
índice de defasagem em aulas de academias ou mesmo aqueles que preferem praticar sozinhos é muito
grande.
REFERÊNCIAS

AMARAL, Ridailda de Oliveira. Atividade física e saúde. Pará – UNAMA, 2002.


BRUM, Patricia Chakur. et.al. Adaptações agudas e crônicas do exercício físico no sistema cardiovascular.
Rev. paul. Educ. Fís., São Paulo, v.18, p.21-31, ago. 2004. N.esp.

CARNEIRO, Alexandre Lima. et.al. Mecanismos de adaptação ao exercício físico. Faculdade de Medicina da
Universidade do Porto, 2002.

CRATTY, Bryant J. Psicologia no esporte. 2. Ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1984.

ENGEL, T.G, TOLFO, D.S. Métodos de pesquisas. Porto alegre, 2009.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. Ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GIL, C. A. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo, 2008.

MEIRELLES, Pedro; Educação Física: Manual do Professor; São Paulo – SP, 2ª edição, 2005.

MINAYO, M.C.S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, Rio de Janeiro 2010.

MINAYO, M.C.S (Org.) Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2001.

NEVES, J. L. Pesquisa qualitativa – características, usos e possibilidades. Cadernos de pesquisa em


administração, São Paulo. V. 1, nº 3, 2ºsem. 1996.

PIANA, C.F.B, et al. Estatística Básica. Pelotas, 2009.

PINHO, Silvia Teixeira de.; SILVA, Roberta Lúcia da.; NÚNEZ, RamònCàrdenas. Os benefícios do exercício
físico no controle da pressão arterial de hipertensos. Rondônia – UNIR, 2011.

SILVA, C. L; DAOLIO, J. De corpo “sarado” à qualidade de vida: analisando alguns significados das práticas
corporais para profissionais atuantes em academias de ginastica. Trabalho de Iniciação Científica. Unicamp,
2000.
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229
Revista ENAF Science Volume 11, número 1, Junho de 2016 - ISSN: 1809-2926
Órgão de divulgação científica

TOPOL, Eric J.;Tratado de Cardiologia. Rio de Janeiro. 2ª edição. Editora Guanabara Koogan S.A., 2005.
COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

As Alunas: Vânia Maria Caetano e Carolina Kátia de Figueiredo, do Curso de Pós-graduação em Educação
Física do ENAF Desenvolvimento e Serviços Educacionais, com núcleo em Fortaleza- CE, solicito a
participação do Sr. (a) na pesquisa que tem como objetivo: identificar quais fatores são apontados como
motivadores para a prática do exercício físico em uma academia para mulheres na cidade de Limoeiro do
Norte-ce.Compreendo que não está prognosticada qualquer forma de remuneração, caracterizando assim
uma participação voluntária e gratuita, sendo tarefa da pesquisadora, arcar com todos os custos da
pesquisa.
Todas as informações serão mantidas em sigilo. Sob nenhuma hipótese a sua identidade será revelada
publicamente. Somente a pesquisadora deste estudo terá acesso a estas informações que serão apenas
para fins de pesquisa.
A sua participação é voluntária, e terá direito de desistir a participar por qualquer razão. Em qualquer
etapa do estudo, você terá acesso aos profissionais responsáveis pela pesquisa para esclarecimento de
eventuais dúvidas.
Autorização do voluntário:
( ) Concordo em participar ( ) Não concordo em participar
__________________________________________
Assinatura do voluntário:
_________________________________________
Assinatura do professor de Educação Física:
Certifico que expliquei os objetivos e procedimentos desse estudo ao professor acima, esclarecendo todas
as dúvidas a respeito da referida pesquisa.
Assinatura da pesquisadora responsável:
________________________
Vânia Maria Caetano (ainavonateac@gmail.com
Telefone: (88)999859490
Assinatura da pesquisadora responsável:
________________________
Carolina Kátia de Figueiredo (carolina.katia@hotmail.com)
Telefone (88)997686046

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Órgão de divulgação científica

QUESTIONÁRIO APLICADO JUNTO AS ALUNAS DA ACADEMIA PARA MULHERES EM LIMOEIRO DO NORTE

Idade: _____________

1 – Eu quero melhorar minhas habilidades


( ) Extremamente Importante( ) Pouco Importante
( ) Bastante Importante( ) Nada Importante

2 –Eu quero está com meus amigos


( ) Extremamente Importante( ) Pouco Importante
( ) Bastante Importante( ) Nada Importante

3 – Eu gosto de vencer
( ) Extremamente Importante( ) Pouco Importante
( ) Bastante Importante( ) Nada Importante

4 – Eu quero ficar em forma


( ) Extremamente Importante( ) Pouco Importante
( ) Bastante Importante( ) Nada Importante

5 – Eu gosto de ser motivado


( ) Extremamente Importante( ) Pouco Importante
( ) Bastante Importante( ) Nada Importante

6 – Eu gosto de trabalhar em equipe


( ) Extremamente Importante( ) Pouco Importante
( ) Bastante Importante( ) Nada Importante

7 – Eu gosto de fazer exercícios


( ) Extremamente Importante( ) Pouco Importante
( ) Bastante Importante( ) Nada Importante

8 – Quais são os seus objetivos ingressando em um grupo de promoção a saúde?


( ) perder peso( ) melhorar a aptidão cardiovascular
( ) melhorar flexibilidade( ) melhorar a condição muscular
( ) reduzir as dores nas costas( ) reduzir o estresse
( ) parar de fumar( ) diminuir o colesterol
( ) melhorar nutrição( ) sentir-se melhor

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Órgão de divulgação científica

AVALIAÇÃO DO COMPLEXO ADÔNIS EM ATLETAS DE CULTURISMO

GODINHO, W.D.N.1; MAIA, A.A.2; PINTO,D.V.3; MARTINS, A.O.4; SOARES, P.M.5


Welton Daniel Nogueira Godinho –Docente da Universidade Estadual do Ceará – Fortaleza – Ceará – Brasil.
André Alves Maia - Universidade Federal do Ceará – Fortaleza – Ceará – Brasil.
Daniel Vieira Pinto - Universidade Federal do Ceará – Fortaleza – Ceará – Brasil.
Paula Matias Soares – Docente da Universidade Estadual do Ceará – Fortaleza – Ceará – Brasil.
weltondaniel@hotmail.com
.
RESUMO
Apresentação do tema:O Transtorno Dismórfico Corporal é associado a Transtornos Alimentares.
Recentemente foi observada uma subdivisão do mesmo, a Dismorfia Muscular (DM). O pesquisador que
primeiro diagnosticou este transtorno, o definiu em semelhança a anorexia. A Dismorfia Muscular foi
observada inicialmente em fisiculturistas, onde estes não detinham uma correta avaliação de sua
autoimagem. Problematização: Com o aumento de frequentadores de academias de musculação, e da
divulgação de um perfil de corpo ideal pela mídia, faz-se pertinente a preocupação com o aparecimento de
transtorno de imagem, como o proposto. Objetivos: Analisar a incidência de Dismorfia Muscular e o nível
de insatisfação corporal, por meio dos instrumento, Questionário do Complexo de Adônis (QCA) e Escala
de Silhuetas de Damasceno (ESD). Reunindo neste trabalho atletas de fisiculturismo. Justificativa:
Conforme estudo base, que pesquisou a doença entre fisiculturistas, este trabalho visa pesquisar o mesmo
transtorno entre atletas brasileiros, participantes de uma competição regional. Metodologia: Durante o
25º Copa Norte-Nordeste de fisiculturismo, Brasil. Foram solicitados aos atletas de forma voluntária que
respondessem os instrumentos Questionário do Complexo de Adônis e Escala de Silhueta de Damasceno.
O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi destacado e entregue à parte, como forma de preservar
o sigilo dos sujeitos. Resultados:Constatou-se que 70,58% dos atletas foram enquadrados como no nível
Leve de Dismorfia Muscular e 52,94% se enquadraram como Insatisfação Mediana na Escala de Silhueta de
Damasceno. Um indivíduo apresentou contraste com os demais, sendo avaliado como muito insatisfeito
com a auto imagem, sobre este, o uso de esteroides anabolizantes foi confirmado pelo mesmo em questão
do Questionário do Complexo de Adônis. Considerações finais: Não foram encontrados dados
preocupantes. Os mesmos apenas indicam uma possibilidade de desenvolvimento de Dismorfia Muscular,
bem como incentivadas pelo nível médio de insatisfação na escala.Os fatores socioculturais podem
também ser considerados sobre como os indivíduos responderam.
Palavras-Chave: Transtorno Dismórfico Corporal; Vigorexia; Culturismo.
EVALUATION OF THE ADONIS COMPLEX IN ATHLETES OF BODYBUILDING

ABSTRACT
Presentation of the theme: The Body Dysmorphic Disorder is associated with eating disorders. Recently a
subdivision thereof was observed, the muscular dysmorphia (MD). The resea