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A neutralidade na Primeira Guerra Mundial em

debate: o papel da imprensa chilena


Neutrality in First World War in debate: the role of chilean press
La neutralidad en la Primera Guerra Mundial em discusión: el papel de la prena chilena
Adelar Heinsfeld*

Resumo no cenário nacional chileno e surgiram


vozes no país que propunham o aban-
Em agosto de 1914, o mundo assistia ao dono da neutralidade. Iniciava no país
início do conflito do que se convencio- um amplo debate sobre a posição chilena
nou chamar de a Primeira Guerra Mun- diante do conflito que se tornava mun-
dial. Envolvendo as grandes potências dial. Dessa forma, a grande imprensa
europeias, os diferentes governos ao re- teve um papel preponderante nesse de-
dor do mundo sentiram a necessidade de bate. Para este artigo, foram analisadas
fixar e externar sua posição em relação à os editoriais dos jornais El Mercurio e El
guerra. Havia três opções: ingressar e Diario Ilustrado, da capital Santiago, e La
combater ao lado dos aliados, fazer isso Unión, de Valparaíso, periódicos diários
ao lado dos impérios centrais ou perma- onde o posicionamento que o país deve-
necer neutro diante do conflito. Logo no ria adotar foi intensamente discutidos.
início da guerra, como todos os países do
continente americano, o Chile, por meio Palavras-chave: Imprensa. Primeira Guerra
do governo de Ramón Barros Luco, de- Mundial. Neutralidade. Chile.
clarava que o país adotou o princípio da
neutralidade. Essa posição foi respalda-
da pela opinião pública, pois os vínculos
políticos, econômicos e culturais que o *
Docente do Programa de Pós-Graduação em
país possuía com os países beligerantes História da UPF. Doutor em História pela PU-
CRS. Este texto é resultado das atividades de
não justificariam uma ruptura. A entrada pós-doutoramento realizado na Pontificia Uni-
dos EUA no conflito em 1917, e a ruptura versidad Católica de Chile, de agosto de 2012 a
março de 2013, como bolsista Capes.
com Alemanha por parte de vários paí-
ses americanos promoveu uma mudança Recebido em 28/10/2014 - Aprovado em 28/10/2014
http://dx.doi.org/10.5335/hdtv.14n.2.4578

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Um dos maiores historiadores contem- de significação relativos a um determinado
porâneos, recentemente falecido, escreveu objeto de estudo e vistos em termos de sua
que a imprensa escrita, utilizada como do- presença e frequência de aparecimento nos
cumento, “é antes de mais nada o resultado textos perquiridos.
de uma montagem consciente ou incons- A escolha dos três jornais chilenos para
ciente, da história, da época, da sociedade a compreensão da posição que o país adotou
que o produziram, mas também durante as diante da Primeira Guerra Mundial não foi
quais continuou a viver, talvez esquecido, aleatória. Na capital, Santiago, os dois diá-
durante as quais continuou a ser manipula- rios mais importantes, que estavam consoli-
do,...”1 No Brasil, num estudo que pode ser dados no início dos anos 19104 e que sobre-
referência nacional, Maria Helena Capelato viveram àquela década,5 foram El Mercúrio6
chama a atenção que na grande imprensa, e El Diário Ilustrado.7 Em Valparaíso, cidade
o murmúrio da vox populi – voz do povo – sede do maior porto marítimo do país e que
ecoa longínquo enquanto ressoa forte a vox terá destaque durante a guerra, o jornal mais
domini - voz dos dominantes.2 A partir da importante era La Unión.8 Eram, portanto, os
imprensa, é possível fazer com que a pes- jornais de maior circulação e maior influên-
quisa histórica sobre determinada temáti- cia no país.
ca ganhe nova roupagem. A partir dessa, Em 29 de junho de 1914, El Mercurio,
é possível perceber, não exatamente o que o mais importante diário da capital chilena
estava acontecendo num determinado perí- trazia como manchete principal o assassina-
odo, mas aquilo que a opinião pública pen- to do príncipe herdeiro do Império austro-
sava que estava acontecendo. Na imprensa, -húngaro, Franz Ferndinand, ocorrido no
a apresentação das informações não é uma dia anterior em Sarajevo, capital da Bósnia,
mera repetição de ocorrências e de registros, país dominado pela Áustria.9 Numa reporta-
dada aleatoriamente, mas ao contrário, de- gem extensa e detalhada, o diário santiagui-
nota as atitudes próprias de cada veículo no jamais poderia imaginar que aquilo que
de informação, uma vez que todo órgão de classificava como “tragédia de Sarajevo” se
imprensa organiza as informações sobre os transformasse no estopim do primeiro con-
acontecimentos segundo seu próprio “fil- flito moderno do Século XX. No dia seguinte,
tro”. O historiador que busca na imprensa El Mercurio destacava que nos últimos trin-
a interpretação do passado precisa lembrar ta anos, nove chefes de Estado, uma rainha,
que “na construção do fato jornalístico inter- uma imperatriz e dois príncipes haviam sido
ferem não apenas elementos subjetivos de assassinados pela revolução ou pela anar-
quem o produz, mas também os interesses quia.10 Nas edições dos dias que se seguiram
aos quais o jornal está vinculado.”3 Ao se ao atentado que vitimou Francisco Fernando,
pretender fazer uma análise temática tem-se El Mercúrio tecia considerações preocupadas
que considerar o significado dos discursos, com o futuro do império austro-húngaro.
independentemente de sua forma linguísti- Em 1º de agosto de 1914, data em que a
ca. A análise se desenvolve a partir de temas Alemanha declara guerra à Rússia, motivan-

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do o envolvimento da França e Inglaterra ruptura e uma tomada de posição ao lado de
nos dias seguintes, El Mercurio demonstrava um dos blocos que ensanguentavam o cená-
o temor de um conflito generalizado na Eu- rio europeu.
ropa, que afetaria grandemente o Chile: No Chile não foi diferente. Logo no
Convulsionada Europa, como lo estamos início do mês de agosto, o governo do pre-
temiendo, nuestra vida de nación, tan ín- sidente Ramón Barros Luco, após ouvido o
timamente ligada a ella, recibirá un golpe Conselho de Estado, se definiu por declarar
funesto, no solo por lo grande, sino por lo
a neutralidade do país. Em 4 de agosto, o mi-
inmediato. Vivimos una vida artificial, de
entradas extraordinarias, no de las norma- nistro das relações exteriores Enrique Ville-
les. No producimos nuestros consumos. gas comunicava às representações diplomá-
Nuestro pan se está haciendo de harina im- ticas dos países beligerantes em Santiago, as
portada; la carne que consumimos nos viene disposições adotadas pelo governo pra res-
de afuera. Sin la renta del salitre no podre-
guardar a neutralidade:
mos subsistir: su restricción obraría en el
acto en toda la economía nacional y muy es- a) a proibição absoluta a nacionais e
pecialmente en la administración pública.11 estrangeiros de participarem de ati-
vidades políticas que visassem favo-
Quando o conflito se generalizou na
recer, econômica ou militarmente a
Europa, os povos “subdesenvolvidos” do
qualquer dos lados em luta;
mundo todo viam “con uma mezcla de estu-
b) a proibição total à imprensa chilena
por y facinación” como as nações ditas “civi-
de publicar artigo que contivessem
lizadas” se jogavam numa guerra destrutiva
expressões injuriosas contra qual-
como nunca havia se visto.12
quer país beligerante.
À medida que o conflito iniciado na
Europa em agosto de 1914 foi se transfor- Logo no início do conflito, o então pre-
mando num conflito de maior amplitude, sidente chileno Ramón Barros Luco também
transformando-se no que se convencionou expressava a necessidade do país manter-se
chamar de Primeira Guerra Mundial, os di- neutro:
ferentes governos ao redor do mundo sen-
La guerra va a ser muy larga. No puede
tiram a necessidade de fixar e externar sua terminar sino por la destrucción de la in-
posição em relação à guerra. Havia três op- fluencia británica o germánica. Francia será
ções: ingressar e combater ao lado dos alia- la víctima. Sólo los Estados Unidos pueden
dos, fazer isso ao lado dos impérios centrais poner término al conflicto. A nosotros nos
conviene que continúe la competencia en-
ou permanecer neutro diante do conflito. tre Alemania y Gran Bretaña, que ni una ni
Na América do Sul, logo no início da otra se destruyan. Debemos desear la paz y
guerra, todos os países adotaram o princípio permanecer neutrales.13
da neutralidade. Essa posição foi respaldada A neutralidade, de acordo com o juris-
pela opinião pública, pois os vínculos polí- ta chileno Miguel Cruchaga Tocornal, con-
ticos, econômicos e culturais que a maioria temporâneo à Primeira Guerra Mundial, é
dos países sul-americanos possuía com os conceituada como:
países beligerantes não justificariam uma

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La situación de hecho que assume un esta- declaramos la neutralidad más completa.
do que, durante una guerra internacional Pero una neutralidad de buena ley, una
se abstiene por completo de tomar parte neutralidad típica contra la cual no valgan
directa o indirecta en ella, cumpliendo los las insinuaciones de la fuerza y de los in-
deberes que, por derecho, le corresponden terses; y para ello tomamos de modelo a
a su calidad de extraño en la lucha.14 la potencia más neutral de Europa: Suecia.
Sepan, pues, los amigos beligerantes que
A atitude governamental chilena teve estamos resueltos a “hacernos los suecos”
um respaldo importante na imprensa do mientras dure el conflito. Con esto, reite-
país, como pode ser percebido na publica- ramos nuestra declaración de neutralidad
absoluta.16
ção de La Unión, da mais importante cidade
portuária do Chile: Essa posição vai ser mantida pelo
Es satisfactorio tomar nota de que la pren- El Diario Iustrado durante todo o conflito.
sa chilena, secundando la acción de la can- Suas páginas acolheram a opinião dos mais
cillería y comprendiendo en toda su ampli- aguerridos partidários da neutralidade chi-
tude los deberes de la neutralidade, se há
lena: Galvarino Gallardo, Luis Orrego Luco
mantenido durante el conflito actual, en un
levantado terreno de la prescindencia y de e Javier Vial Solar.
respeto de todas las naciones en guerra.15 É interessante notar que, na maioria
das vezes, ser defensor ou estar a favor da
A imprensa chilena acompanhou com
neutralidade se confundia com as posições
muita atenção todo o desenrolar da então
que se tinha frente à guerra. Por isso, nas po-
chamada Grande Guerra. Na capital, El Mer-
sições dos personagens anteriormente cita-
cúrio e El Diário Ilustrado, e em Valparaíso,
dos, podemos perceber uma tendência que
La Unión, enchiam suas páginas com infor-
poderíamos qualificar ao menos de simpati-
mações a respeito das ações bélicas que se
ca para com os Impérios Centrais.
desenvolviam nos campos de batalha da
Enrique Rocuant, contemporâneo à
Europa. Obviamente a posição do país em
Primeira Guerra, e que deixou importante
relação à guerra também era acompanhada
análise sobre a posição do Chile frente àque-
muito de perto pela imprensa, contribuindo
le momento conturbado da história mun-
para a formação da opinião pública sobre o
dial, escreveu a respeito da imprensa:
conflito.
Logo após o início da guerra na Euro- Sabido es que la gran mayoria de la Prensa
chilena aderia, sin reservas, a la causa de
pa, El Diario Ilustrado se mostrava partidário
los aliados y que la pequena minoria que le
de que o Chile deveria trilhar o caminho da era hostil, obedecia a inspiraciones de pro-
neutralidade: prietários católicos extremados; los que, en
este país, como en todas partes, entendie-
Está visto que la neutralidade, lo mismo
ron que debían abrazar la causa de los Im-
que la fé, es un don divino, que no puede
perios Centrales, considerandola favorable
adquirirse por ninguen médio. Desde que
a los interesses generales de la Iglesia, con-
comenzó la Guerra Europea, El Diario Ilus-
tra la opnión de gran número de Conserva-
trado no há pretendido otra cosa que no sea
dores chilenos, que no consideraban ligada
manifestarse partidário de ninguno de los
la suerte del catolicismo a la suerte de las
bandos beligerantes [...] Por nuestra parte,
armas prussianas.17

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É importante salientar as ligações do que han ayudado más a la organización y
Chile com os países beligerantes. De acordo riqueza del país, conturba profundamente
el alma nacional.19
com Ricardo Couyoumdjian, para numero-
sas gerações de chilenos, a França era fonte A historiografia em torno da neutrali-
de cultura, uma vez que a arte, a literatura, o dade chilena na Primeira Guerra Mundial
teatro, a moda e os periódicos franceses exer- não é muito abundante. Poucos historiado-
ciam uma forte influência na classe alta chi- res dedicaram-se a estudar essa temática.
lena. A admiração pela Inglaterra era devido O historiador norte-americano Fre-
ao seu sistema político e a influência que a drick Pike destaca a germanofilia e o anti-
marinha britânica exercia sobre a marinha -americanismo existentes no Chile como ele-
chilena, além da forte vinculação econômica mentos explicativos para a neutralidade do
e financeira entre os dois países. No entanto, país frente à Grande Guerra. Afirma que “a
muito mais forte era a influência da Alema- neutralidade chilena se sustentava através
nha no Chile. Essa influência era percebida de uma mescla entre os sentimentos pró-
no exército, em que desde 1885 se havia ini- -alemães e anti-americanos.”20
ciado a reorganização e a germanização do Mario Barros Van Buren, historiador
setor das forças armadas. Também no cam- chileno, na já clássica obra História Diplomá-
po pedagógico, era perceptível a influência tica de Chile, compartilha da visão de Fredri-
alemã. Mesmo no setor econômico, desde ck Pike, afirmando que apesar da neutrali-
o final do Século XIX, os alemães passaram dade declarada, a maior parte do país era
a competir com os ingleses no comércio, fi- favorável aos Impérios Centrais. “La gan
nanças e navegação, fazendo com que certos masa del país, polarizada por sus fuerzas ar-
setores sociais passassem a ter respeito e ad- madas y la influencia cultural de la misión
miração por tudo o que fosse alemão. Tam- pedagógica alemána, miró con simpatia la
bém é necessário lembrar o reconhecimento causa de las Potencias Centrales.” Destaca,
do Chile pela atitude da diplomacia alemã entretanto, que “sin llegar a apasionamien-
durante a Guerra do Pacífico (1879-1883), tos excessivos.”21
quando se opôs à intervenção de governos Em uma das poucas obras que apro-
europeus e norte-americano no conflito.18 funda a discussão de como a guerra afetou
O diário El Mercurio, em editorial, no o país, Ricardo Couyoumdjian afirma que a
início do grande conflito, sintetizou de uma maior parte dos chilenos estava efetivamen-
forma bastante clara essa relação: te a favor da neutralidade. Além das simpa-
A los alemanes debemos servicios inolvi- tias germanófilas o que explica a neutralida-
dables, relaciones cordialíssimas y hasta de chilena são as boas relações comerciais
buena amistad que contribuye a fortalecer que o Chile mantinha com todos os belige-
el éxito de su comercio. A los ingleses de- rantes, em especial com a Inglaterra e Esta-
bemos ejemplos en el mar y en negócios. A
Francia debemos especialmente recuerdos dos Unidos.22
y sentimentos íntimos [...] El hecho que se Chilenos contemporâneos à Primeira
estén jugando sus destinos los três pueblos Guerra Mundial publicaram obras nas quais

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externaram seu posicionamento diante do Carlos Castro Ruiz, Subsecretário de Rela-
conflito. O deputado do partido radical En- ções Exteriores. Segundo Ricardo Couyou-
rique Rocuant fazia uma apologia à neutra- mdjian, dentro dos limites da neutralidade,
lidade, ao escrever logo depois do término o subsecretário se mostrou de grande ajuda
da guerra: aos aliados, mantendo estreito contato com
Quién encribe essas líneas era convencio- o ministro chileno em Londres, Agustin
nalmente aliadófilo; deseaba el triunfo de Edwards, proprietário de El Mercurio.25
las democracias y deseaba las derrotas de Quando a guerra iniciou, em agosto
las autocracias y el militarismo; sus simpa-
de 1914, todos os países da América opta-
tás lo ligaban a Francia e Inglaterra sin que
nada lo alejara del pueblo, de la colectivi- ram pela neutralidade. No entanto, quando
dad laboriosa e industrial alemanas.23 em janeiro de 1917 a Alemanha decretou o
bloqueio naval irrestrito, que resultou no
Havia os partidários dos Impérios Cen-
rompimento de relações diplomáticas dos
trais, como Galvarino Gallardo Nieto, futu-
Estados Unidos e logo depois na declaração
ro deputado ministro da fazenda e ministro
de guerra, a maioria dos países do conti-
das relações exteriores do Chile. Com sua
nente abandonou a neutralidade. Dos paí-
posição germanófila, defendia a Alemanha
ses americanos, mantiveram-se neutros até
das críticas feitas pelos chilenos aliadófilos.
o final do conflito apenas Argentina, Chile,
[...] el calumniado militarismo alemán está Colômbia, México, Paraguai e Venezuela.
muy lejos de ser lo que se imagina la gente
que no oye sino censuras en su contra. No es No caso chileno, a neutralidade em
el organismo que consume las fuerzas todas relação ao grande conflito compreende três
del país, no es tampoco la entidad que dirige etapas:
la política nacional. Basta decir que Alemania 1ª) de agosto de 1914 até abril de 1917
gasta menos dinero em sus fuerzas armadas
que en la instrucción pública, para de mos- – do início do conflito até a entrada
trar cuan errados son los datos que se dan dos EUA na guerra;
con el objeto de presentar al ejército en forma 2ª) de abril de 1917 a novembro de
exagerada, caricaturesca y perniciosa.24 1918 – da entrada dos EUA até o
Talvez por curiosidade, é necessário di- final da guerra.
zer que durante os quatro anos que durou a 3ª) de novembro de 1918 a 1920 - do
guerra, o Chile teve 13 ministros de relações término do conflito até as primeiras
exteriores. Apesar da instabilidade ministe- sessões da Sociedade das Nações
rial, com as constantes mudanças do minis- em 1920.
tro das relações exteriores, os posicionamen- Na primeira etapa, como todos os pa-
tos políticos em relação à guerra adotados íses do continente americano optaram pela
pela chancelaria chilena sobreviveram às neutralidade, não houve maiores discussões
distintas administrações e mantiveram uma no Chile sobre qual posição tomar. Obvia-
continuidade durante o período. Apesar da mente que é possível especular a respeito da
constante troca de ministros, a continuidade existência, na sociedade chilena de partidá-
da política do ministério era garantida por rios dos aliados e dos impérios centrais.

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Se disse que el Ejército y la Iglesia eram navios Good Hope e Monmouth afundassem
pro-alemanes, como lo habría sido el cir- com toda sua tripulação.27 Cabe destacar que
culo que rodeaba al presidente Sanfuentes.
esse foi praticamente a única vitória naval
Em el mundo económico, en la Armada y
en los sectores “progresistas”, si se quiere, alemã em toda a guerra. Após a vitória, von
la “izquierda”, había más admiración por Spee é recebido triunfalmente pela colônia
los aliados, especialmente entre radicales y alemã em Valparaíso.
liberales. Pero los hechos son más comple-
Uma das questões abordadas pela im-
jos. Salvo las colonias residentes, y algunas
opciones personables intransables, sólo prensa nessa primeira etapa da neutralidade
se puede hablar de estados de ánimo. [...] foi a imposição por parte da Inglaterra da
Sólo en un sentido extremamente figurati- Statutory List, vulgarmente conhecida como
vo, hasta lo irreconocible, se podría hablar Lista Negra (ou Black List) no final de 1915.
de un “partido pro-alemán” y otro “pro-
-aliado”.26
A aplicação dessa medida polêmica pelo go-
verno britânico causou problemas a vários
Apesar de ter se declarado oficialmen- países que mantinham o estado de neutrali-
te neutro, o Chile sofreu violações de sua dade diante do grande conflito. Em virtude
neutralidade por ambos os lados dos con- dela, os súditos britânicos ficavam proibi-
tendores. dos de estabelecer relações econômicas com
Em fins de 1914, a esquadra alemã di- qualquer indivíduo ou empresa que tivesse
rigida pelo almirante Maxmilian von Spee origem em qualquer dos países inimigos,
tomava o rumo do litoral chileno, pois havia mesmo que estivessem sediados em países
perdido sua base mais importante no Pacífi- neutros.28 Para a fiscalização, tiveram papel
co – Tsingtao (Japão) e o Chile parecia ser um relevante, os consulados britânicos espalha-
lugar seguro para dirigir sua frota. As boas dos pelo mundo, pois os agentes consulares
relações do Chile com a Alemanha e a possi- deveriam listar os nomes dos desobedientes,
bilidade de abastecimento de carvão em por- para entregar ao Foreign Office da Inglater-
tos chilenos pesaram na decisão. Von Spee ra. As investidas desses cônsules extrapo-
pretendia também distanciar-se do rádio de laram os limites usuais de suas atribuições
operações da esquadra inglesa que domina- e redundaram em pressão sobre empresas
va praticamente todos os mares do mundo. que atuavam no Chile.29 Negociar com al-
A convenção de Haya de 1907 proi- guém incluso na lista ocasionava a entrada
bia os beligerantes de combater em zonas nessa, estabelecendo um problema. Assim
neutras. No entanto, o mar jurisdicional do intimações, exigências e denúncias eram fei-
Chile transformou-se em campo de batalha. tas de modo a desrespeitar sistematicamente
Na chamada batalha de Coronel, em 01 de a soberania chilena.
novembro de 1914, a esquadra do almirante El Mercurio, ao fazer a crítica da me-
Maxmilian von Spee, com os cruzadores pe- dida tomada pelo governo inglês, para hos-
sados Gneisenau e Scharnhorst, derrotou a es- tilizar o comércio pertencente ao inimigo,
quadra britânica comandada pelo almirante alertava que a medida estava produzindo
Christopher Cradock, fazendo com que os um enorme dano ao comércio chileno, pois

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[...] no sólo afecta a los germánicos contra aberta violação da neutralidade o fato de
los cuales va dirigido, sino a todas las tran- que existiam atos de hostilidades e de pres-
sacciones, cualquiera que sea la nacionali-
são sobre chilenos ou neutrais residentes no
dad del comerciante, dificultándolas y en
ciertos casos llegando a paralizarlas.30 Chile, para impedir o comércio com empre-
sas de nacionalidades beligerantes.32
Afirmava El Mercurio que o governo
A preocupação demonstrada por El
inglês estava considerando a questão apenas
Diario Ilustrado é que o estabelecimento das
do ponto de vista de seus interesses. Consi-
listas negras não afetava apenas aos alemães
derava até natural que um país “emplee por
existentes no Chile:
su parte todos los recursos para hacer daño
La clausura de las oficinas alemanas acar-
al adversario, difícilde reducir.” No entan-
reará perjuicios, no sólo a sus dueños que
to, lembrava, que os inimigos da Inglaterra sean alemanes, sino también a sus ope-
reagiram à altura, pois “en su defensa no rarios que son chilenos, a los pueblos del
han vacilado en hacer una guerra maríti- norte que viven del trabajo salitrero y es-
ma como nunca se hubiera soñado posible pecialmente al Fisco chileno.33

en el mundo que alardeaba de civilización Toda a polêmica causada pelo estabe-


y humanitarismo.” Com as listas negras, a lecimento da Lista Negra serviu para mos-
exploração do salitre, principal produto de trar que os princípios liberais que serviam
exportação chilena, cujas minas estavam em de referencial para economia, oriundos da
grande parte nas mãos de empresários ale- própria Inglaterra, não estavam sendo con-
mães, ficou prejudicada. Como isso, a pauta siderados, maculando os tradicionais prin-
de exportação do país foi bastante afetada, cípios da livre concorrência, que sempre
diminuindo a arrecadação tributária.31 foram defendidos pelos britânicos como
El Diario Ilustrado vai lembrar que a base da civilização. Nesses princípios civili-
Conferência Internacional de Paz em Haya zacionais, os alemães não se enquadravam,
(1907), onde participaram Inglaterra, Ale- de acordo com boa parte da bibliografia pro-
manha, Chile, havia emitido um documento duzida na época.
no qual estabelecia que em caso de guerra, Em abril de 1917, com a entrada dos
as autoridades competentes deveriam asse- Estados Unidos na guerra, a questão toma
gurar a manutenção das relações comerciais outro rumo e a neutralidade chilena vai ser
e industriais entre as populações das potên- intensamente debatida.
cias beligerantes e os Estados neutros. As- Um dia após a entrada dos EUA, El
sim, conforme esse princípio subscrito pelas Diario Ilustrado anunciava com alarde: “La
potências em guerra, as empresas nacionais entrada de Estados Unidos a la guerra ame-
e estrangeiras neutras que atuavam no Chile naza con romper el equilíbrio de los paí-
não violavam minimamente a neutralida- ses neutrales.”34 No dia seguinte afirmava:
de, pelo fato de manter relações comerciais “Desde Washington se assegura que los
com empresas de nacionalidade beligerante, aliados se esforzarán por comprometer en la
fossem britânicas ou alemãs. Importava isso guerra algunas naciones sudamericanas.”35
sim, de acordo com aquele periódico, uma

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E o periódico não estava errado: poucos cupação por parte da imprensa chilena. O
dias depois, Cuba, Panamá, Guatemala e afundamento do navio Paraná, em 5 de abril
Nicarágua declaravam guerra aos Impérios de 1917, fez com que o Brasil rompesse re-
Centrais. Certamente, a posição desses paí- lações com a Alemanha no dia 11 daquele
ses está relacionada aos reflexos da doutrina mês, ainda sem declarar guerra. Até a de-
do Big Stick, que resultou na tutela política claração de guerra e a entrada do Brasil no
norte-americana, bem como na dependência conflito, em outubro de 1917, a imprensa
econômica desses países em relação aos Es- chilena especulou e fez conjectura a respeito
tados Unidos. da situação do Brasil. No mesmo dia em que
Após declarar guerra à Alemanha os o Brasil rompeu relações diplomáticas com
Estados Unidos começaram a pressionar a Alemanha, La Unión ressaltava que muitos
para que os demais países da América rom- países poderiam tomar posição, rompendo
pessem relações diplomáticas com aquele a neutralidade: “Y no passa un día sin que
país. Ricardo Couyoumdjian afirma que na el cable nos traiga noticias de alguna nación
América do Sul o Brasil dirigiu a campanha que se prepara a seguir caminho de la her-
para que as relações com as potências cen- mana septentrional.” Salientava ainda que
trais fossem cortadas; no entanto, “Argenti- “el Brasil esta a punto de hacerlo y se espera
na, con la ayuda de México, trató de asumir de un dia a otro su declaración, si es que no
una posición independiente.”36 há sido lanzada mientras escribimos estas
Como resposta para aqueles que líneas.38
acreditavam que o Chile iria sofrer pressão La Unión externava o temor que os
para acompanhar os Estados Unidos e de- acontecimentos poderiam levar o Chile a se-
clarar guerra aos Impérios Centrais, come- guir o mesmo caminho que o Brasil:
çaram a surgir editoriais destacando que a En vista de este incendio que aumenta día
situação chilena era muito distinta dos paí- a día, y talvez por el temor de que el viento
ses da América Central. del norte, que es el que siempre nos trae
tempestades, nos traiga también la tor-
Pero em Chile ¿acaso hay algo de todo eso? menta de la guerra, algunos se preguntan
Aqui no hay influencia nortamericana; los si no llegará a nuestro Chile la ráfaga de
intereses que los Estados Unidos poseen la locura, o si no se encadenarán desgra-
entre nosotros no son de tal entidad que ciadamente los hechos de tal manera que
lleguen a ejercer un influjo predominante; lleguen a meternos en la conciencia san-
no hay en nuestras costas peligros graves guinaria que hoy se propaga a todos los
para los aliados, porque la guerra esta muy vientos.39
distante de esta zona; y em vez de resenti-
mientos, el país tiene motivos de pofunda Entre o afundamento do navio Paraná
gratitud para con uno y otro grupo de los e o rompimento com a Alemanha, acredita-
beligerantes.37
va-se que o Brasil pudesse entrar na guerra
As relações diplomáticas Brasil-Chile naquele momento, acompanhando os Esta-
eram as melhores possíveis. Por isso, a situ- dos Unidos. El Diario Ilustrado torcia para
ação do Brasil era acompanhada com preo- que isso não acontecesse.

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Hagamos votos para que la República não assumisse uma posição proativa diante
hermana del Brasil pueda salvar su actu- da guerra.
al conflito satisfactoriamente, sin llegar
a la ruptura de hostilidades. Renovemos Es hora de decisiones. Los que ahora se
também nuestros voto por la paz, porque callen o sometan, los que por ahora igno-
el mantenimiento de la neutralidade mis- ran que hay un vasto interés humano en-
ma va siendo un problema de dificuldades vuelto en esta terrible crisis, son países que
crecientes.40 quedaran indefinidamente fuera de la vida
internacional de los pueblos cultos. Las na-
Um dia após o rompimento brasileiro ciones que aspiren a ser alguien en el con-
com a Alemanha, o mesmo El Diario Ilustra- tinente que habitan, a tener un significado,
do continuava a manifestar seu temor: deben asumir ahora una actitud precisa.
Era una ilusión que nunca he compartido
No faltan razones para inquietarse, que la de que en esta guerra sería posible para
la paz súbitamente podría disiparse. Inci- un hombre o para una nación con la conci-
dentes como el acontecido al Brasil puede ência clara de sus deveres morales ser neu-
ponernos diante de un grave problema: es tral absoluto y perpetuo.43
posible que el campo de las operaciones de
guerra submarina se extienda; los derechos Esse era um artigo do jornalista Car-
de los neutrales han sido poco considera- los Sila Vildósola, personagem fundamental
dos. Entre tanto, la conciencia nacional que por meio de suas colunas escritas desde
debe darse por satisfecha, porque no por
a Europa para El Mercurio, atacava a posi-
imprudência de nuestro país, habrían fra-
casado nuestros firmes propósitos de neu- ção neutral do governo.44 Para ele, a ruptura
tralidade y paz.41 com os impérios centrais e o abandono da
neutralidade eram como um dever moral.
A tomada de posição dos dois grandes
Quando o Brasil rompeu com a Ale-
países da América fazia com que outros ór-
manha, El Mercurio defendeu que o Chile
gãos da imprensa chilena acompanhassem
não só deveria demonstrar todo o apoio ao
essa atitude com interesse redobrado:
Brasil, mas que deveria seguir o mesmo ca-
La entrada de los Estados Unidos a la guer-
minho, dando mostras de “solidaridad con-
ra y la ruptura de relaciones del Brasil, son
hechos que nosotros contemplamos con el tinental”. Em editorial assinalava que ‘el go-
debido interés, pero que no afecta la situ- bierno traicionaría los sentimentos de Chile
ación que hemos mencionado. Por conse- si no interpretara al del Brasil como lo siente
guiente no tenemos por que abandonar realmente el alma nacional.”45
la neutralidad em que costosamente nos
mantenemos.42
Com essa tomada de posição, El Mer-
curio passou a ser catalogado como inimigo
No entanto, enquanto alguns defen- da neutralidade, sofrendo críticas por isso,
diam a manutenção da neutralidade chilena como a emitida por La Union: “Con la única
a todo custo, começavam a surgir vozes na excepción de un solo diário, la prensa toda
imprensa do país, defendendo o abandono há sostenido, sin vacilaciones ni discrepân-
da posição tomada no início da guerra. Al- cias, que Chile debe mantener su neutrali-
guns temiam que o Chile pudesse ficar iso- dad. Es también el pensamento de la opini-
lado no concerto das nações americanas se ón pública.46

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Para El Mercurio, o Brasil que fazia as posição que o país deveria manter em rela-
coisas às claras estava dando o exemplo a ser ção à guerra. É o caso do deputado Joaquin
seguido pelos demais países vizinhos Walker Martínez, do Partido Conservador,
Del Brasil se sabe ya por numerosas decla- que embora fosse partidário dos aliados, era
raciones de sus hombres públicos [...] que um defensor intransigente da neutralidade.
protestará y que se unirá a la política de los Aproveitava para atacar os partidários do
Estados Unidos. En esta ocasión, todo lo
rompimento, em especial aos que se mani-
que sabe el Brasil y su atitude se há publi-
cado en Europa revela una orientación de- festavam através de El Mercurio, proprieda-
finida, una política, un gobierno que sabe de de seu adversário Agustin Edwards Mac-
a donde va y una nación que tiene cons- -Clure.
ciência de su posición internacional. De la
Yo no me explico la actitud de los diaris-
Argentina poco se sabe [...] Chile también
tas que condenan la conducta de nuestro
se calla.47
gobierno y que querian que fuésemos no-
El Mercurio destacava que a imagem sotros a extremos que ellos mismos no se
do Chile no exterior começava a ficar for- atreven a indicar. ¿Que pretenden? ¿Que
declaremos la guerra, como Estados Uni-
temente prejudicada, tendo em vista que se dos? Pero, si no nos han echado a pique
encontrava muito próximo da Alemanha. ningún buque, ni nos han muerto un ma-
Publicava as declarações do presidente do rinero. ¿Que cortemos relaciones, como
Conselho de Ministros da Espanha que afir- el Brasil? Si no es ese nuestro caso. ¿O se
quiere que mandemos una esquela a Es-
mava que o “Chile es casi una colônia ger-
tados Unidos hablándole de nuestra soli-
mana, la influencia germânica allí es tan for- darización? No; reservémonos para otros
midable que no creo piensen en hacer nada actos, economicemos palabras.50
contra los impérios centrales.48
A solidariedade continental, ou pan-
Os adeptos do rompimento com a Ale-
-americana, questionada por Joaquin Walker
manha passaram a dar uma conotação ne-
era o principal argumento utilizado por
gativa para a expressão neutralidade. Deixar
aqueles que defendiam o fim da neutralida-
de ser neutro era uma condição moral.
de chilena. No entanto, para ele, o fato de o
Era una ilusión que nunca he comparti- país não ter sofrido agressões, como sofre-
do la de que en esta guerra sería posible
ram Estados Unidos e Brasil, não justificaria
para un hombre o para una nación con la
conciencia clara de sus deberes morales a adesão solidária.
ser neutral absoluto y perpetuo. Por el ori- O pan-americanismo não era bem vis-
gen de la guerra, por la extensión que ha to no Chile no início do Século XX. Ricardo
tomado, por el carácter violativo del dere-
Couyoumdjian esclarece que
cho que le ha dado la Alemania, la guerra
tenía que afectar moralmente a todos los aunque Chile favorecía la solidaridad in-
pueblos.49 teramericana, desconfiaba de las intencio-
nes políticas de los Estados Unidos hacia
Inúmeros personagens do mundo po- América Latina. Las proposiciones para un
lítico chileno utilizaram a imprensa para pacto panamericano siguieron encontran-
expor suas opiniões e convicções sobre a do resistencia en Chile.”51

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História: Debates e Tendências – v. 14, n. 2, jul./dez. 2014, p. 360-379
Diante disso, ficou claro que seria ne- No dia seguinte, La Unión voltava à
cessário mais do que um simples ideal para carga, chamando a atenção que não se po-
o país se envolver num conflito de tamanha deria dar crédito a tudo o que se ouvia ou
grandeza. “No hay principio, alianza, con- lia: “Hoy se debe predicar la desconfianza y
flicto, ni causa alguna que justifique una va- la duda como el mejor antídoto contra la ne-
riación en la política internacional sudame- cesidad belicosa. Hoy conviene decir que no
ricana, así que nada excusaría a un gobierno se debe creer, tratándose de estas materias:
de la República que arrojara a su país en el ni todo lo que se oye, ni todo lo que se lee.”55
conflicto universal.”52 Na mesma semana, La Unión reprodu-
A ideia do rompimento da neutra- zia uma entrevista concedida pelo presiden-
lidade em nome da solidariedade com os te do senado, Eduardo Charme Fernández, a
demais países da América era refutada de um jornal de Buenos Aires, em que reiterava
forma veemente: a continuidade da neutralidade chilena.
Así, si Cuba rompe relaciones con Alema- Chile debe mantener su neutralidad a toda
nia para acompañar a los Estados Unidos costa, como lo ha hecho hasta ahora. No
y si Brasil quiere también hacer defensa debe romperla, sino cuando un hecho que
común con el coloso del norte [...] Allá le afecte directamente lo obligue a ello, y
ellos. Pero, pensamos nosotros y pensamos ojalá este caso no se presente. Así lo hicie-
todos, si Chile ni la Argentina, ni otros pue- ron también los Estados Unidos y la Repú-
blos sudamericanos tienen vela en este en- blica del Brasil. Mantuvieron su neutrali-
tierro, pues felizmente en la gran contienda dad hasta que vieron hundidas alguna de
no se hallan agravados sus intereses.53 sus naves. Nuestro país debe, pues, repito
a ustedes, mantener su neutralidad hasta
Com a entrada dos Estados Unidos na cuando sea posible.56
guerra e o rompimento da neutralidade da
Com a entrada dos Estados Unidos na
neutralidade do Brasil, surgiu uma espécie
guerra e a pressão para que os demais países
de alarmismo no Chile, tendo em vista a situ-
da América rompessem com a neutralidade,
ação que o país poderia enfrentar. Assim, os
começou a ser discutida uma proposta para
jornais que defendiam uma posição mais pró-
a realização de um Congresso de neutros,
xima daquela preconizada pelo governo, co-
para que os países americanos pudessem
meçaram a publicar uma série de artigos em
enfrentar o problema em conjunto. No Chi-
torno da necessidade de evitar os exageros a
le, a ideia do chamado “Congreso de Neu-
respeito da posição que o país deveria tomar.
trales” foi encarada com certo ceticismo por
Y tal ha sido la preocupación de algunas
parte da imprensa, pois havia dúvidas sobre
personas que se ha llegado a decir que,
desde que Chile es independiente, jamás se a efetividade de uma iniciativa assim. Em
le ha presentado una situación más dificil y editorial, El Diario Ilustrado, retrata bem esta
peligrosa [...] No somos tan optimista que situação.
creamos estar en el mejor de los mundos;
pero tampoco somos tan pesimistas que
demos ya por declarada una guerra con
quien quiera que sea.54

371
História: Debates e Tendências – v. 14, n. 2, jul./dez. p. 360-379
Se habla de una conferencia en Buenos Ai- na. De acordo com o artigo, que causou gran-
res, en que tomarían parte todos los países de estupor na imprensa nacional chilena, o
sudamericanos, para unificar y robustecer
acordo havia sido firmado durante a visita
sus derechos de neutrales y su acción fren-
te a la guerra. No dejaremos de participar ao país em 1913, do príncipe Enrique, irmão
en ella, si llega a resolverse. Sin embargo do Kaiser Guilherme II. Em troca da colabo-
hacemos algunas reservas sobre su eficácia ração chilena, a Alemanha se comprometia
en la situación actual del mundo. ¿Revo-
a ajudar o Chile na sua reivindicação sobre
cará Alemania su decisión sobre la guerra
submarina, tomando en cuenta a los paí- a Patagônia em disputa com a Argentina.59
ses sudamericanos? Es dificil esperarlo Apesar do alvoroço causado, logo se
[...] La conferencia sudamericana dejaría descobriu que a notícia que causou sérias
en sustancia las cosas como están. Cada apreensões na opinião pública chilena não ti-
país queria conservar plena liberdad para
mantener su neutralidad o para romper
nha fundamento algum; era algo que não cor-
relaciones diplomáticas o para tomar par- respondia à realidade dos acontecimentos.
te en la guerra según su propia situación y O próprio El Diario Ilustrado em edi-
circunstancias.57 torial demonstrava o quanto a falsa notícia
A ideia da realização de um Congres- tinha causado preocupação nos meios diplo-
so de Neutros, em que os países tomariam máticos chilenos, uma vez que arranhava a
uma posição em conjunto lembrava a ideia imagem do país.
da solidariedade continental, que tinha no Al aparecer el artículo ese, que hería nues-
Chile inúmeros detratores. Um editorial de tro prestigio de nación neutral, las agen-
cias de noticias y los corresponsales lo aco-
El Diario Ilustrado reflete o sentimento de boa
gieron, poco menos que con entusiasmo,
parte da opinião pública do país. difundiendo por el mundo enterro una
Nació la ideia de esta conferencia en mo- noticia malévola [...] Alcanzó a dañarnos.
mentos de pánico ou de apasionamiento El estracto de sus opiniones se transmitió
producidos por la entrada a la guerra de como una noticia seria y se publicó en di-
los Estados Unidos y del rompimiento de versos periódicos considerables de Europa
relaciones del Brasil con Alemania, y como y América. Hasta hoy mucha gente seguirá
es natural, se temió aqui en el primer mo- creyendo que Chile mantiene una política
mento, cuando entre nosotros mismos se doble y su neutralidade es una hipócrita
hacía forcoza propaganda para seguir el actitud.60
camino de aquellos países amigos, que la
proyectada conferencia tuviera por objeto
Os periódicos chilenos na maioria dos
arrastar a la América entera hacia una po- casos tomavam uma posição determinada
lítica que, considerada con mas calma po- frente à guerra e assumiam posturas, seja
dría ser perjudicial para muchas naciones, contra ou a favor da neutralidade do país,
entre las cuales se contaría Chile.58
as quais eram destacadas muitas vezes tácita
Em maio de 1917, um periódico de e, outras vezes, explicitamente nas páginas
Nova York informava que haveria um pacto editoriais.
secreto entre Chile e Alemanha, objetivando El Diario Ilustrado abriu suas páginas
assegurar aos germânicos um contrapeso na aos defensores da neutralidade, que muitas
América do Sul à influência norte-america- vezes eram os que poderíamos chamar de

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germanófilos. Posição semelhante vai ter o Chile debe mantener su neutralidade a
diário La Unión, de Valparaíso. Em ambos os toda costa, como lo há hecho ahora. No
debe romperla, sino cuando un hecho que
jornais aparece também como elemento co-
le afecte diretamente lo obligue a ello, y
mum o vínculo com setores conservadores ojalá este aso no se presente. Así lo hicie-
e católicos. Nem poderia ser diferente, uma ron también los Estados Unidos y la Repú-
vez que o proprietário de ambos os órgãos blica del Brasil. Mantivieron su neutralida-
de hasta que vieron hundidas algunas de
de imprensa era o então senador Joaquin
sus naves. Nuestro país, debe, pues, repito
Echenique Gandarillas, do Partido Conser- a usteds, mantener su neutralidad hasta
vador. Em um editorial de abril de 1917, po- cuando sea posible.62
demos perceber como La Unión explicita sua
No mesmo dia, El Diario Ilustrado re-
posição frente à guerra e seu apoio às ações
forçava a necessidade da manutenção da
do governo para manter a neutralidade:
neutralidade, destacando que esta era a po-
Por su parte, La Unión tine también moti- sição da maioria no país.
vos especiales para sentir complacidad de
la colaboración que há prestado a esta obra La verdade es que los chilenos no seguimos
de patriotismo, al asumir la resuelta acti- ni seguiremos a nadie para reglar nuestra
tud e defensa de la neutralidad que adoptó conducta en la actual contenda internacio-
desde los primeros momentos en que se nal. País, prensa, gobierno, han marchado
diseñaron las primeras perturbaiones, sin hasta aqui con perfecta uniformidade de
una sola vacilación, sin una sola debili- critério. Con excepción de “El Mercurio”,
dade, movida también por la sola y única nadie há pretendido que Chile deba salir
inspiración de defender los interesses del de su estricta neutralidad sin causas jus-
país, independentemente de simpatias y tificadas, sin recibir ofensas directas, por
afecciones, que deben ceder su pueto al su- conveniências o por atraerse simpatias de-
premo interés de la pátria.61 terminadas.63

Em 21 de abril de 1917, La Unión publi- Agustin Edwards Mac-Clure, o pro-


cou uma enquete com trinta figuras chaves prietário de El Mercúrio era considerado
do mundo político do Chile. A todos a per- “el primer anglófilo del país”. Importante
gunta foi: “Debe Chile permanecer neutral o personagem político vinculado ao Partido
declararse a favor de algunas de las entida- Nacional, ex-ministro das relações exterio-
des beligerantes?” res, sua estadia em Londres como ministro
Apenas o futuro presidente do país, o Plenipotenciário durante a Primeira Guerra
então senador Arturo Alessandri, do Partido Mundial propiciava altos contatos, favore-
Liberal, declinou em responder. As respostas cendo sua posição anglófila.
fornecidas pelos entrevistados foram unâni- A posição de El Mercurio era criticada
mes: o Chile deveria manter a neutralidade. de forma enfática por El Diario Ilustrado, que
Uns dias antes da publicação da en- continuava a defender a posição tomada
quete, La Unión havia entrevistado o presi- pelo governo chileno em relação à guerra:
dente do senado chileno, Eduardo Charme
Fernández, do Partido Liberal Independen-
te, que afirmava:

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História: Debates e Tendências – v. 14, n. 2, jul./dez. p. 360-379
Debemos reconocer que nos hace daño este acordo com Javier Vial, muito menos deve-
proceso que intenta cierto periodismo ama- ria ser pensada na hipótese de declaração de
rillo para presentarnos como los enemigos
guerra à Alemanha. E questionava, ironica-
del derecho [...] Los ataques que se nos en-
dosan van, pues, directos a condenar la ac- mente, as razões pelas quais deveria o Chile
titud prudente de nuestro gobierno. Tien- entrar na guerra contra esse país:
den a violentar la cordialidad entre Chile
¿A la Alemania, porque hizo abortar la
por una parte y los Estados Unidos, Argen-
intervención europea contra Chile duran-
tina y Brasil, por la otra, presentándonos
te la guerra del Pacífico ? ¿A la Alemania,
como opositores a toda gestión colectiva.64
porque en otra ocasión estuvo dispuesta a
Enquanto defendia a manutenção da prestar nos otro servicio aun mayor? ¿A la
Alemania que, en una tercera ocasión, to-
neutralidade chilena, El Diario Ilustrado abria
davía, fué el mejor amigo de Chile? ¿A la
suas páginas para personagens do mundo Alemania de la cual tenemos los elementos
político que eram considerados germanó- inmigratorios que han venido a mezclarse
filos, como Renato Valdés Alfonso. Depois con nuestra raza y cuyos robustos retoños
apontar, segundo suas convicções, algumas pueblan dos de nuestras provincias más
ricas? ¿A la Alemania, de donde nos han
verdades sobre a Alemanha, afirmando que venido los maestros y los industriales y los
aquele país não era militarista, o autor tenta capitalistas que han enriquecido al país en
tirar da Alemanha a responsabilidade pelo los últimos tiempos?66
conflito que estava acontecendo. No dia seguinte, a colônia alemã no
Achacar toda la culpa del conflicto colosal Chile, em nome das diversas associações
que cubre de sangre los campos de Europa existentes, manifestou o agradecimento a Ja-
al militarismo alemán, denota apasiona-
miento explicable en los pueblos enemigos, vier Vial pela defesa da justiça dos procedi-
pero no en personas que miran de lejos los mentos alemães na guerra, dizendo a verda-
sucesos o bien es prueba de estrechez de de “en medio de esta tiniebla de falsía y de
criterio o de ausencia de conocimientos mentira que envuelve hoy día al mundo”.67
históricos.65
Com o fim do conflito, uma terceira
Da mesma forma, numa entrevista etapa relacionada à neutralidade chilena
concedida por Javier Vial Solar, ex-ministro tem início. Essa terceira etapa é marcada
Plenipotenciario do Chile no Perú (1891- pelas primeiras reflexões sobre a neutrali-
1894) e no Brasil (1894-1896), aparece uma dade. Essas reflexões eram decorrentes do
defesa veemente da neutralidade. Segundo que se pensava em Lima e La Paz, pois tanto
ele, a hipótese de um Chile declarar guer- Peru como Bolívia haviam rompido relações
ra a alguém, naquele momento, deveria ser com os impérios centrais e pretendiam que
totalmente descartada: não deveria decla- o Chile, por haver mantido sua neutralida-
rar guerra à Inglaterra, apesar dos insultos de, deveria ser tratado como perdedor da
feitos, com a violação da neutralidade chi- guerra. Para aqueles dois países era uma
lena e também não deveria declarar guerra ocasião propicia para revisar os problemas
à França, embora esse país tivesse tentado limítrofes. A criação da Liga das Nações, ou
prejudicar o Chile na Guerra do Pacífico. De Sociedade das Nações, gerou um novo cená-

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rio internacional para o Chile. Os governos ón de salida propia al Pacífico para Bolivia,
de Bolívia e Peru pretendiam usar o espaço y de léneas férreas hacia nuestras costas
para la Argentina, la no solidaridad con el
desse novo organismo internacional supra-
Brasil ante el hundimiento del “Paraná”,
nacional para apresentar suas reclamações y por último, el poco entusiasmo de Chile
relativas aos problemas fronteiriços com o por concurrir a un Congreso de Neutrales.
Chile pendentes desde a Guerra do Pacífico. Según estos capítulos, seríamos culpables
de ir siempre en contra de idea pacifista,
Bolívia e Peru consideravam-se participan-
buscando pretextos de disidencias, a fin
tes de um fórum privilegiado, uma vez que de aparecer como un país de diplomacia
os dois países eram considerados fundado- artera y revoltosa [...] Los ataques que nos
res da Liga das Nações, enquanto o Chile endosan, pues, rectos a condenar la acti-
havia ingressado como simples convidado. tud prudente de nuestro gobierno, tienen
a violentar la cordialidad entre Chile por
Ainda durante o desenrolar da guer- una parte y los Estados Unidos, Argentina
ra, a imprensa chilena já especulava com y Brasil, por la otra, presentándonos como
essa situação. Fazia-se referência às críticas opositores a toda gestión colectiva, que
emanadas no Peru e na Bolívia sobre as con- tenga por objeto romper la neutralidad, en
favor de los aliados.70
sequências que adviriam da neutralidade
chilena. El Diario Ilustrado reproduzia maté- Bolívia e Peru, com apoio da Argen-
rias publicadas em jornais de Lima, em que tina, estariam procurando fazer com que o
se afirmava “el gobierno de Santiago debe Chile ficasse numa situação no mínimo me-
comprender que el único medio de salvar a lindrosa frente aos aliados, que forçariam a
Sud-America del conflicto es asumiendo la devolução dos territórios conquistados na
responsabilidad ante la historia y las futuras Guerra do Pacífico.
generaciones.”68 Publicações de jornais de Estas tres naciones aprovechan la situaci-
Bogotá também eram reproduzidas, onde ón para preparar a la nuestra una situación
que se defendia que “la neutralidad era humillante. Aprovechan el problema aún
no resuelto de Tacna y Arica para hacer ver
imposible para cualquier país sudamerica-
la necesidad de que Estados Unidos, Gran
no,”69 numa crítica direta à posição mantida Bretaña y Francia y demás países aliados in-
pelo Chile. tervengan en dicho problema e impongan la
Essas críticas efetuadas pela imprensa entrega de las famosas cautivas. Y los países
dos países vizinhos que mantinham pen- aliados aprovecharán la ocasión para obli-
gar a Chile a entrar en guerra con Alemania
dências territoriais com o Chile, eram re-
y así alejar todo peligro de que los submari-
batidas pelos jornais chilenos. Um editorial nos alemanes puedan tener en nuestras cos-
de El Diario Ilustrado procura refletir sobre tas el menor refugio y amparo.71
a imagem que o Chile tinha no estrangeiro
À medida que o tempo foi passando
naquele momento.
e o governo chileno permaneceu firme na
Se dice que somos el estorbo del paname- decisão de manter o estado de neutralidade
ricanismo; y para probarlo se recuerda la
diante da grande guerra, os jornais do país
oposición chilena al arbitraje obligatorio,
el mantenimiento de la cuestión peruana, foram deixando de discutir e de polemizar
la resistencia al tratado Wilson, la negaci- em torno daquela atitude. Continuaram,

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porém, a publicar diariamente uma quanti- outro lado, é necessário considerar que tanto
dade enorme de informações a respeito das o Império austríaco quanto o alemão tinham
atividades bélicas que se desenvolviam no a religião católica como religião do Estado.
teatro de guerra europeu. Informações em A imprensa chilena, por meio dos seus
profusão mantinham a opinião pública chi- principais jornais, desempenhou importante
lena antenada aos acontecimentos que esta- papel durante a Primeira Guerra Mundial,
vam mudando o panorama mundial. fazendo com que a opinião pública do país
A posição defendida pelos jornais ficasse informada sobre o que estava acon-
chilenos refletia a posição política de seus tecendo no teatro de guerra europeu. No
proprietários. Quando El Mercurio passou entanto, sua grande contribuição se deu no
a defender a ruptura da neutralidade, en- debate intenso sobre a posição que o Chile
quanto El Diario Ilustrado e La Unión con- deveria assumir diante do conflito bélico.
tinuaram a defender a posição que o país Através da imprensa, a discussão sobre a
havia assumido desde o início do conflito, neutralidade saiu dos gabinetes e salões ofi-
apenas estavam refletindo o embate político ciais para chegar até as ruas, fazendo com
entre Agustín Edwards Mac-Clure e Joaquín que a população também contribuísse na to-
Echenique Gandarilas. mada de decisão governamental.
Um dos mais importantes nomes do
Partido Nacional, o então ministro chileno
Abstract
em Londres, o proprietário de El Mercurio
Agustín Edwards, era considerado o “pri- In August, 1914 the world watched the
meiro anglófilo” do Chile e via nos países beginning of the conflict that is agreed
aliados a base da civilização. Portanto, o upon to call First World War. Involving
Chile como país que caminhava rumo ao de- European greatest potencies, different
senvolvimento não poderia ficar à margem governments around the world felt the
dos acontecimentos. Era necessário estar ao necessity of fixing and expressing their
lado dos “civilizados” para receber os ven- position towards the war. There were
three options: join and fight by the
tos do processo civilizacional.
Allies, do it by the Central Empires or
O proprietário de El Diario Ilustrado e
stay neutral during the conflict. Right in
La Unión, o deputado Joaquín Echenique,
the beginning of the war, as all the coun-
era um político com larga trajetória no Parti- tries in the American continent Chile, on
do Conservador. No Chile esse partido tinha the government of Ramón Barros Luco,
profundas ligações com a igreja católica, ten- declared the country adopted the prin-
do como princípio fundamental do seu pro- ciple of neutrality. This position was
grama a defesa e a propagação das doutri- endorsed by the public opinion, becau-
nas e obras católicas. Assim sendo, Joaquín se the political, economic, and cultural
Echenique não via com bons olhos a entrada entailments that the country had with
do Chile na guerra ao lado da França laica belligerent countries wouldn’t justify a
e anti-clerical e da Inglaterra anglicana. Por rupture. The entry of US in the conflict

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História: Debates e Tendências – v. 14, n. 2, jul./dez. 2014, p. 360-379
of 1917 and the rupture with Germany 8
Fundado em Valparaíso em 1885 pelo sacerdote
from various American countries pro- católico e futuro arcebispo de Santiago, Juan Ig-
nacio González Eyzaguirre, se converteu em um
moted a change in the Chilean national influente periódico regional que serviu de apoio
scenario and arose voices in the country à direita política chilena; adquirido por Joaquín
that proposed the abandon of neutrality. Echenique Gandarillas esteve vinculado durante
muito tempo ao Partido Conservador. Foi confis-
Began in the country a broad debate on
cado em 1972 pelo governo da Unidade Popular,
the Chilean positioning during the con- chefiado por Salvador Allende e deixou de circu-
flict that was about worldwide. There- lar em 11 de setembro de 1973, no dia do golpe
by, the great press had a preponderant militar encabeçado por Augusto Pinochet.
9
El Mercurio. Santiago, 29 jun. 1914.
role in this debate. For this article, were 10
El Mercurio, 30 jun. 1914.
analyzed editorials form the newspa- 11
El Mercurio, 01 agos. 1914.
pers El Mercurio and El Diario Ilustrado, 12
FERMANDOIS. Joaquin. Mundo e fin de mundo: Chi-
from the capital city Santiago, e La Uni- le en la política mundial, 1900-2004. Santiago: Pon-
tificia Universidad Católica de Chile, 2005, p. 77.
ón, from Valparaíso, daily periodicals 13
RIVAS VICUÑA, Manuel, Historia política y parla-
where the positioning that the country mentaria de Chile. Santiago: Eds. Biblioteca Nacio-
ought to adopt was intensely discussed. nal, 1964, tomo I, p. 478.
14
CRUCHAGA TOCORNAL, Miguel. Nociones
de Derecho Internacional. Madrid: Editorial Reus,
Keywords: Press. First World War. Neu- 1925, Tomo II, p. 373.
trality. Chile. 15
La Unión. Valparaíso, 11 agos. 1914.
16
El Diario Ilustrado, 13 ago. 1914.
17
ROCUANT, Enrique. La neutralidade de Chile: ra-
zones que la aconsejaron y la justificaron. Valpa-
raíso: Sociedad Imprenta y Litografia Universo,
Notas 1919, p. 26.
18
COUYOUMDJIAN, Ricardo. En torno a la neu-
1
LE GOFF, Jacques. Memória e História. Campinas: tralidade de Chile durante la Primera Guerra
Ed. UNICAMP, 1994, p. 547. Mundial. In: SANCHEZ, Walter; PEREIRA, Te-
2
CAPELATO, Maria Helena Rolin. Imprensa e His- resa (Dir.). Ciento cincuenta años de política exterior
tória do Brasil. São Paulo: Contexto, 1988, p. 18. chilena. Santiago: Editoral Universitaria, 1977, p.
3
Ibid, p. 22. 180-181.
4
Outro tradicional periódico chileno, considerado o 19
El Mercurio, 07 ago. 1914.
mais importante do século XIX, fundado em 1855, 20
PIKE, Fredrick. Chile and the United States, 1880-
foi El Ferrocarril, que deixou de circular em 1911. 1962. Indiana: University of Notre Dame, 1963, p.
5
OSSANDÓN B., Carlos. El estallido de las formas: 156 (tradução livre).
Chile en los albores de la “cultura de masas”. San- 21
BARROS VAN BUREN, Mario. História diplomáti-
tiago: LOM Ediciones, 2005, p. 132. ca de Chile, 1541-1938. Barcelona: Ediciones Ariel,
6
Diário fundado em 1900, por Agustin Edwards 1970, p. 628.
Mac-Clure (1878-1941), político considerado libe- 22
COUYOUMDJIAN, Juan Ricardo. Chile y Gran
ral, vinculado ao Partido Nacional. El Mercurio, Bretaña durante la Primera Guerra Mundial, 1914-
órgão liberal por excelência, continua em circula- 1921. Santiago: Editorial Andrés Bello, 1986, p. 55.
ção até os tempos atuais. Situado no campo políti- 23
ROCUANT, Enrique. La neutralidade de Chile: ra-
co conservador é o jornal mais influente do Chile. zones que la aconsejaron y la justificaron. Valpa-
7
Foi fundado em 1902 por Ricardo Salas Edwards. raíso: Sociedad Imprenta y Litografia Universo,
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