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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS

ENGENHARIA INDUSTRIAL ELÉTRICA


EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

UNIDADE 08

TRANSFORMADORES DE POTENCIAL
INDUTIVOS (TPI’s)
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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

CONCEITUAÇÃO

• Um Transformador de Potencial Indutivo, ou simplesmente “TPI” é um transformador


destinado a reproduzir (a partir dos fundamentos do eletromagnetismo) no seu circuito
secundário, a tensão do seu circuito primário, com sua posição fasorial substancialmente
mantida, em uma proporção definida, conhecida e adequada para o uso com instrumentos
de medição e proteção.

• Pode ser considerado como um transformador de potência (ou de força) funcionando com
uma carga muito fraca, de modo que as quedas correspondentes de tensão sejam
igualmente de valor reduzido.

CLASSIFICAÇÃO DOS TPI’s

Os TPI’s podem ser classificados em dois tipos:

TPI´s PARA SERVIÇO DE MEDIÇÃO


E
TPI´s PARA SERVIÇO DE PROTEÇÃO

FUNÇÕES PRINCIPAIS DOS TPI’s

• Fornecer ao usuário em seu circuito secundário uma tensão proporcional ao valor da


tensão conectada ao seu primário, com uma exatidão especificada pelas normas e
operando dentro de uma faixa definida de tensão primária (função de PRECISÃO);

• Promover o isolamento das altas tensões do primário em relação à tensão obtida no


secundário (função de SEGURANÇA)
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FAIXAS DE OPERAÇÃO DOS TPI’s EM RELAÇÃO À SUA TENSÃO NOMINAL

SIMBOLOGIA E REPRESENTAÇÃO DOS TPI’s

De acordo com a Norma Brasileira ABNT NBR 6855, os TPI’s são representados com a
marcação dos seus terminais das seguintes formas:

Enrolamento Primário: H1, H2, H3 e H4


Enrolamento Secundário: X1, X2 e X3

Os esquemas principais relativos aos TPI’s estão representados a seguir.

SIMBOLOGIA E REPRESENTAÇÃO DOS TPI’s


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DADOS QUE DEVEM CONTER NA PLACA DE IDENTIFICAÇÃO DOS TPI’s (ABNT


NBR 6855)
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O CIRCUITO EQUIVALENTE DOS TPI’s

• O conhecimento dos circuitos elétrico e magnético de um TPI fornece uma melhor


compreensão para se efetuar o seu estudo, dimensionamento e operação;

• Na figura a seguir, está apresentada, de forma esquemática, o circuito equivalente de um


TPI referido ao seu secundário.

SIGNIFICADO DOS TERMOS UTILIZADOS NO CIRCUITO EQUIVALENTE DOS


TPI’s
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DIAGRAMA FASORIAL (VETORIAL) DE UM TPI

COMENTANDO A CARACTERIZAÇÃO DE UM TPI

• Os limites dos erros (de tensão ou de fase) do TPI estão definidos pelas normas, levando-
se em consideração a classe de precisão do aparelho conectado;

• Um TPI pode ser caracterizado por:

Resistências e reatâncias de fuga do primário (Rp e Xp) com valores menores


possíveis;

Corrente de magnetização (Ie) relativamente fraca e uma indução nominal fixado


a um valor moderado.
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TENSÕES NOMINAIS DOS TPI’s DE ACORDO COM AS DIVERSAS NORMAS

RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO NOMINAL DO TPI

Sendo:

Kn = relação de transformação nominal


Vpn = tensão primária nominal
Vsn = tensão secundária nominal

RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO REAL DO TPI

Sendo:

K = relação de transformação medida


Vp = tensão primária medida
Vs = tensão secundária medida
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FATOR DE CORREÇÃO DE RELAÇÃO DO TPI (FCR)

Sendo:

FCR = fator de correção de relação


K = relação de transformação real
Kn = relação de transformação nominal

ERRO RELAÇÃO OU DE TENSÃO DO TPI

Sendo:

= erro percentual de relação de tensão


Kn = relação de transformação nominal
K = relação de transformação real

ERRO DE ÂNGULO (OU DE FASE) DO TPI

Sendo:

= erro de ângulo ou de fase


Vs = tensão secundária
Vp = tensão primária
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CARGA NOMINAL (BURDEN) DO TPI

Sendo:

= carga nominal (Ω)


Rb = resistência da carga
jXb = reatância da carga

FORMAS CONSTRUTIVAS DOS TPI’s EM RELAÇÃO À EXECUÇÃO DE SEUS


SECUNDÁRIO

PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM TPI

1. Válvula de Expansão
2. Terminal Primário H1
3. Enrolamento Primário
4. Caixa de Terminais Secundários
5. Núcleo Magnético
6. Indicador de Nível de Óleo
7. Corpo isolante de Porcelana
8. Enrolamento Secundário
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SINAIS PARA REPRESENTAÇÃO DAS TENSÕES E RELAÇÕES NOMINAIS NOS


TPI’s

SINAIS PARA REPRESENTAÇÃO DAS TENSÕES E RELAÇÕES NOMINAIS NOS


TPI’s

Exemplos:
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DADOS PARA A CORRETA ESPECIFICAÇÃO DE UM TPI

Condições de Instalação;
Conexão dos Enrolamentos;
Grupos de Ligação; Tensões e Relações Nominais;
Níveis de Tensão de Isolamento;
Classes de Isolamento Térmico;
Frequência Nominal;
Fator de Sobretensão Nominal;
Cargas Nominais;
Classes de Exatidão;
Polaridade;
Potência de Aquecimento;
Níveis de Poluição

ESPECIFICAÇÃO DOS TPI’s

CONDIÇÕES DE INSTALAÇÃO (ABNT NBR 6855)

• Altitude: ≤ 1.000m em relação ao nível do mar (*)


• Temperatura do ar ambiente: máx. 40ºC
• Temperatura do ar ambiente: média diária ≤ 30ºC
• Temperatura do ar ambiente: mínima -10ºC

(*) O poder dielétrico do ar atmosférico diminui com o aumento da altitude. Conseqüentemente,


para instalações acima de 1000m em relação ao nível do mar, o isolamento deve ser reforçado
(distância de arco ou de escoamento), devendo o equipamento se adaptar a altitude na qual for
instalado. Deve-se, no entanto, observar que o isolamento das partes internas do equipamento
não são afetadas pela altitude.
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CONDIÇÕES DE INSTALAÇÃO (ABNT NBR 6855 E IEC 60044-2)

Para altitudes > 1.000m deve-se aplicar os seguintes fatores “K” para a correção do poder
dielétrico do ar atmosférico:

ESPECIFICAÇÃO DOS TPI’s

CONEXÃO DOS ENROLAMENTOS

A. Conexão entre fases (V – V )

• Utiliza dois TPI`s monofásicos com isolamento Ø – Ø;


• Aplicável a sistemas até 69kV;
• Somente processa medidas exatas das tensões entre fases;
• Tensões entre Ø – T são possíveis somente se os TPI’s estiverem submetidos a um
mesmo valor de carga.
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ESPECIFICAÇÃO DOS TPI’s

CONEXÃO DOS ENROLAMENTOS

A. Conexão entre fases (V – V )

B. Conexão Fase - Neutro (Y – Y )

• Utiliza três TPI`s monofásicos com isolamento Ø – N;


• Aplicável a sistemas a partir de 69kV;
• Possibilita a medição de tensões e potências de cada fase em separado;
• Quando é necessária a indicação de faltas à terra;
• Quando a potência fornecida por apenas 2 TPI’s é insuficiente.
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B. Conexão Fase - Neutro (Y – Y )

C. Conexão em Delta ou Triângulo Aberto

• É uma forma de conexão que permite a detecção de faltas para terra em sistemas isolados,
utilizando-se relés de proteção que detectam a tensão de sequência zero;
• Utiliza três TPI’s com isolamento Ø – N.

GRUPOS DE LIGAÇÃO

Os grupos de ligação dos TPI’s, segundo a Norma ABNT NBR 6855 indicam as formas de
conexão possíveis em relação ao sistema elétrico ao qual os mesmos foram conectados:
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TENSÕES E RELAÇÕES NOMINAIS

Obs.: As relações nominais dos TPI’s com Vn > 69kV para o Grupo 1e 230kV para os Grupos 2
e 3 devem ser especificadas pelo comprador.
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NÍVEIS DE TENSÃO DE ISOLAMENTO – ABNT ATÉ 242 kV

NÍVEIS DE TENSÃO DE ISOLAMENTO – ABNT ≥ 362 kV


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NÍVEIS DE TENSÃO DE ISOLAMENTO – ANSI IEEE

Obs.: Valores válidos para equipamentos instalados até 1000m em relação ao nível do mar.

NÍVEIS DE TENSÃO DE ISOLAMENTO – IEC

Obs.: Valores válidos para equipamentos instalados até 1000m em relação ao nível do mar.
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CLASSES DE ISOLAMENTO TÉRMICO

• Os limites de temperatura especificados pela norma ABNT NBR 7034 para os materiais
isolantes das diversas classes de isolamento são os seguintes:

FREQUÊNCIA NOMINAL

Os TPI’s são fabricados usualmente para operarem na frequência nominal (Hz) do sistema
elétrico no qual eles forem instalados. De acordo com as normas usuais, tem-se que:
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FATORES DE SOBRETENSÃO NOMINAL DOS TPI’s (ABNT)

CARGAS NOMINAIS (OU BURDENS) DOS TPI’s

• A carga nominal de um TPI corresponde à soma de todas as cargas nominais conectadas


ao seu secundário;
• Quando os instrumentos estiverem distantes do TPI (p.ex.: em subestações onde o TPI se
localiza no pátio e os instrumentos em painel no interior da sala de controle), deve-se
considerar também a carga correspondente à potência (VA) representada pela queda de
tensão nos condutores de ligação secundária.

CARGAS NOMINAIS

Obs.: Valores válidos para tensões secundárias compreendidas entre 100 e 130 V (0,9 a 1,1) Vpn
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CLASSES DE EXATIDÃO (PRECISÃO)

As classes de exatidão (erro percentual da relação de tensão) dos TPI’s são definidos pelas
normas da seguinte forma:
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POLARIDADE

• A polaridade indica a direção relativa instantânea das tensões primárias e secundárias em


cada TPI;

• ABNT NBR 6855 definiu como SUBTRATIVA a polaridade normalizada para os TPI’s;

• Os terminais de mesma polaridade dos enrolamentos devem ser claramente identificados.


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POTÊNCIA DE AQUECIMENTO DE UM TPI

• A potência de aquecimento (ou potência térmica) de um TPI é definida como sendo a


carga nominal contínua (permanente) que o equipamento pode suportar sem exceder os
limites térmicos previstos para sua classe de temperatura específica;

• Nestas condições, somente deverão ser utilizados para uma aplicação específica (casos
especiais) e sem se importar com sua exatidão (precisão) e carga nominal;

• As potências máximas de aquecimento (em VA) são normalmente de valor indicado


pelos fabricantes e devem constar nos dados de placa do equipamento. Usualmente, seu
cálculo é determinado por:

Pot. térm. (VA) = (Fst cont.)² . Carga Nominal (*)

(*) Maior carga nominal especificada.

NÍVEIS DE POLUIÇÃO

Para TPI’s com isoladores cerâmicos (possibilitando sua contaminação) as distâncias de


escoamento são as seguintes, de acordo com os níveis de poluição nos respectivos locais de
isolação:
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EXEMPLOS DE INDICAÇÃO DA EXATIDÃO (ABNT NBR 6855)

Ex.: 0,6 P75 - TPI ensaiado segundo a Norma Brasileira ABNT NBR 6855, admitindo uma
carga máxima de 75 VA para um erro máximo de 0,6%

EXEMPLOS DE INDICAÇÃO DA EXATIDÃO (ANSI C.57.13)

Ex.: 0,3 WXY - TPI ensaiado segundo a Norma ANSI C.57.13, com cargas padronizadas 12,5 –
25 e 75 VA, apresentando um erro máximo de relação de tensão de 0,3%

Ex.: 0,3 WXY; 0,6 Z - TPI ensaiado segundo a Norma ANSI C.57.13, com cargas padronizadas
12,5 – 25 e 75 VA, apresentando um erro máximo de relação de tensão de 0,3% e ensaiado com
uma carga de 200 VA apresentando um erro máximo de 0,6%
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EXEMPLOS DE INDICAÇÃO DA EXATIDÃO (IEC 60044-2)

Ex.: 25 VA Classe 0,5 - TPI ensaiado segundo a Norma IEC 60044-2, com carga 25 VA,
apresentando um erro máximo de relação de tensão de 0,5%.

Ex.: 100 VA Classe 3P - TPI ensaiado segundo a Norma IEC 60044-2, com carga 100 VA,
apresentando um erro máximo de relação de tensão de 3% para proteção.
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NORMALIZAÇÃO

PRINCIPAIS NORMAS APLICÁVEIS

ABNT – NBR – 6855 – TPI’s – ESPECIFICAÇÃO

ABNT – NBR – 6820 – TPI’s – MÉTODOS DE ENSAIO

ABNT – EB – 251 – TRANSFORMADORES PARA INSTRUMENTOS (*)

IEEE/ANSI – C.57.13 – INSTRUMENT TRANSFORMERS

ASA – C.57.13 – INSTRUMENT TRANSFORMERS (*)

IEC 60044-2 – TRANSFORMATEURS DE TENSION – CARACTERISTIQUES

(*) NORMAS ANTIGAS, JÁ SUBSTITUÍDAS PELAS NORMAS ATUAIS

ALGUNS FABRICANTES NO BRASIL

ABB;
SIEMENS; SCHNEIDER;
AREVA;
BALTEAU ORTENG;
ISOLET;
ZILMER.
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UNIDADE 09

TRANSFORMADORES DE POTENCIAL
CAPACITIVOS (TPC’s)
E
CAPACITORES DE ACOPLAMENTO
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CONCEITUAÇÃO

• Os Transformadores de Potencial Capacitivos, ou simplesmente “TPC’s” são


considerados como instrumentos precisos nas medições de altas e extra-altas tensões,
possibilitando ainda, a geração de ondas portadoras de altas freqüências para fins de
comunicação;

• Tratam-se de dispositivos monofásicos, ligação Ø–T, consistindo, basicamente, de um


divisor de tensão capacitivo (C1, C2) com os componentes ligados em série (alta tensão)
e uma unidade eletromagnética (UE) que incorpora como elemento principal, um
transformador de potencial indutivo (TPI) tendo o seu primário alimentado em média
tensão;

• Como componente adicional, disponibiliza um sinal de RF (radiofrequência) a partir dos


capacitores C2, com a finalidade específica de compor, juntamente com o reator (externo
ao TPC) um circuito que irá gerar as referidas altas frequências.

FUNÇÕES BÁSICAS DOS TPC’s

• Diante do que foi exposto, pode se afirmar que as duas principais funções dos TPC’s são
as seguintes:

a) Fornecer uma tensão normalizada ao circuito secundário,


de valor proporcional à tensão a que estiver submetido
o circuito primário (medição e proteção);

b) Fornecer um sinal de alta frequência (HF) via


ondas portadoras, destinado aos sistemas de
comunicação de voz (Carrier).
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CIRCUITO BÁSICO DOS TPC’s

Sendo:

Vp – Tensão Ø – T no Primário
C1, C2 – Divisor Capacitivo
Vint – Tensão intermediária (média tensão)
P – Proteção contra sobretensões
L – Ponto de derivação entre circuitos
Car: Equipamento Carrier
Lc – Reatância de Compensação
TP – Transformador de Potencial Indutivo Intermediário
CSF – Circuito Supressor de Ferroressonância
Vs – Tensão Secundária
Carga de Impedância Rb, Xb

DIAGRAMA FASORIAL DOS TPC`s


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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Suponha o circuito abaixo:

Sendo C1 e C2 o divisor capacitivo e


C1 – conjunto de unidades capacitivas de AT
C2 – conjunto de unidades capacitivas de MT
E1 – Tensão no Primário (rede)
E2 – Tensão no Primário do TPI
E3 – Tensão no Secundário do TPI

Tem-se que:

Sendo K1 a relação do divisor capacitivo e K2 a relação nominal do Transformado Intermediário

Portanto, o fator K será:

Obs.: Este fator é definido pelos fabricantes de modo a se obter a tensão intermediária (E2), ou
seja, a média tensão na faixa de 15/√3 a 22/√3 kV.

Conclusões:

Apenas o conjunto de unidades capacitivas C1 (AT) varia para se obter o valor de E2;
O conjunto de unidades capacitivas C2 estará ligado ao terminal de altas frequências (RF)
para as ondas portadoras;
Considerando que no circuito elétrico do equipamento estão presentes reatâncias
capacitivas e indutivas (não lineares) associadas, é possível se concluir que o TPC será
sempre uma fonte de ferro-ressonância ou “ressonância-série”.
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ESTRUTURA OPERACIONAL DE UM TPC

Um TPC pode ser, estruturalmente, composto de 3 partes distintas, cada uma delas com seus
componentes e funções específicas, a saber:

A. Unidades Capacitivas (C1, C2);

B. Unidade Eletromagnética (UE)

C. Caixa de Terminais Secundários

1. Terminal de Alta Tensão;


2. Reator de Compensação; TP Intermediário;
3. Terminal de Aterramento;
4. Dispositivo Supressor de Ferro-ressonância;
5. Resistor de Amortecimento;
6. Terminal HF (Carrier);
7. Dispositivo de Proteção contra Sobretensões;
8. Terminais Secundários;
9. Jumper a ser aberto por ocasião dos testes.
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PRINCIPAIS ELEMENTOS CONSTRUTIVOS DOS TPC’s

1. Terminal Primário;
2. Invólucro de Alumínio;
3. Expansor de Aço Inox;
4. Mola de Compressão;
5. Conexão do Isolamento de Tensão;
6. Unidades Capacitivas.
7. Corpo Isolante;
8. Conexão do TAP do divisor de tensão;
9. Bucha em Epoxy;
10. Terminal de Conexão HF;
11. dispositivo supressor de Ferro-ressonância;
12. Terminais Secundários;
13. Indicador de Nível de Óleo;
14. Caixa de Terminais;
15. TP Intermediário;
16. Bloco de Filtragem Óleo / Ar;
17. Dispositivo de Retirada de Amostra de Óleo;
18. Reator de Compensação;
19. Placa de Cobertura.
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PLACA DE IDENTIFICAÇÃO DO EQUIPAMENTO

As normas recomendam que o TPC seja identificado com todos os dados técnicos, incluindo-se
os dados do fabricante. Um exemplo de tal placa está apresentado ao lado.

CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS DOS TPC’s

A correta especificação técnica de um TPC compõe-se basicamente nos mesmos itens


normalizados para os TPI’s. Alguns parâmetros, no entanto, são específicos:

Conexões;

Carga (Burden); Capacitância

Níveis de Tensão de Isolamento;

Níveis de Tensão suportáveis ao impulso;


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CONEXÕES

A. Conexão Monofásica

B. Conexão Trifásica

CARGAS NOMINAIS DOS TPC`s


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CAPACITÂNCIAS DOS TPC`s

NÍVEIS DE TENSÃO DO ISOLAMENTO DOS TPC`s

De acordo com as Normas IEC 60186, 60358 e 60044-5:

Obs.: Válidos para instalações até o nível de 1000m acima do nível do mar.
Para instalações em níveis superiores, aplicar o fator de correção correspondente.
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NÍVEIS DE TENSÃO DO SUPORTÁVEIS AO IMPULSO

De acordo com a Norma ANSI / NEMA C93.1-1999:

Obs.: Válidos para instalações até o nível de 1000m acima do nível do mar.
Para instalações em níveis superiores, aplicar o fator de correção correspondente.

FATORES QUE PODEM AFETAR A EXATIDÃO (PRECISÃO) DE UM TPC (Nota 1)

Notas:

Dados obtidos a partir do projeto de Norma ABNT para TPC’s;


2 – É permitida a demonstração analítica (via cálculos) de que o TPC atende aos requisitos das
variações de frequência e temperatura;
3 – Considerando-se como referência a temperatura ambiente na faixa de - 5ºC a 40ºC.
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VANTAGENS NA UTILIZAÇÃO DOS TPC’s

Elevada confiabilidade (medições confiáveis em AT e EAT);


Segurança operacional;
Praticamente não requer manutenções;
Fácil para transportar e instalar;
Isolamento com óleo mineral naftênico livre de PCB;
Hermeticamente selado;
Possibilita o acoplamento para transmissão em linhas de AT (comunicação Carrier);
O nível de descargas parciais é baixo;
As perdas dielétricas do isolamento (tangente δ) são reduzidas (abaixo de 0,06% à tensão
nominal);
Mais econômico do que os TPI’s a partir do nível de 145 kV.

CUSTO COMPARATIVO ENTRE TPI’S E TPC’s

ACESSÓRIOS

1. Terminal de Linha (primário);


2. Terminal de Aterramento;
3. Kit para conexão a sistemas de comunicação Carrier (RF);
4. Anel equalizador de potencial.
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EXEMPLO DE UM DIAGRAMA ELÉTRICO COM UTILIZAÇÃO DO TPC PARA


PROTEÇÃO

CAPACITORES DE ACOPLAMENTO

Nesta unidade de ensino, foi largamente mencionada a existência de um conjunto de


unidades capacitivas (C2) destinado especificamente a operar como parte de um circuito
para o fornecimento de ondas portadoras de alta frequência (comunicação Carrier);

No entanto, caso a aplicação do TPC não requeira o fornecimento de sinais de tensão para
medição ou proteção, o equipamento poderá se resumir no conjunto divisor de tensão
capacitivo, apenas com a função de comunicação.

CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS DOS CAPACITORES DE ACOPLAMENTO


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PLACA DE IDENTIFICAÇÃO DO EQUIPAMENTO

As normas recomendam que o capacitor de acoplamento seja identificado com todos os dados
técnicos, incluindo-se os dados do fabricante. Um exemplo de tal placa está apresentado ao lado.

VANTAGENS NA UTILIZAÇÃO DOS CAPACITORES DE ACOPLAMENTO

Dimensões compactas;
Peso reduzido;
Unidade confiável e robusta;
Baixa manutenção durante sua vida útil;
Possibilidade de se instalar a bobina de bloqueio em sua parte superior.

ASSOCIAÇÃO DOS CAPACITORES DE ACOPLAMENTO E A BOBINA DE


BLOQUEIO

Os capacitores de acoplamento podem ser fabricados para


funcionar adicionalmente como suporte físico da bobina de
bloqueio com a qual formará o conjunto LC para a comunicação
em altas frequências.

Neste caso, recomenda-se que a bobina de bloqueio tenha seu


peso limitado a, no máximo, 250kg e com aplicação em sistemas
até 245kV. Equipamentos de pesos e tensões acima destes valores deverão possuir seus
próprios suportes de fixação.
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NORMALIZAÇÃO

PRINCIPAIS NORMAS APLICÁVEIS

ANSI C93.1 – REQUIREMENTS FOR POWER LINE COUPLING CAPACITORS

ANSI C93.2 – REQUIREMENTS FOR POWER LINE COUPLING CAPACITORS

VOLTAGE TRANSFORMERS

IEC 60044-2 – INSTRUMENT TRANSFORMERS – CAPACITOR VOLTAGE


TRANSFORMERS

IEC 600358 – COUPLING CAPACITORS AND CAPACITORS DIVISORS

ALGUNS FABRICANTES NO BRASIL

ABB;

SIEMENS;

SCHNEIDER;

AREVA;

ARTECHE;

GE;
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UNIDADE 10

TRANSFORMADORES DE CORRENTE
(TC’s)
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1 – CONCEITUAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS TC’s

Um Transformador de Corrente, ou simplesmente “TC” é um transformador destinado


a reproduzir no seu circuito secundário, a corrente do seu circuito primário, com sua
posição fasorial substancialmente mantida, em uma proporção definida, conhecida e
adequada para o uso com instrumentos de medição, controle e proteção.

Os sistemas de medição de grandezas elétricas e de proteção estão normalmente conectados


ao secundário dos chamados “Transformadores para Instrumentos”;
Tais transformadores estão relacionados a duas exigências principais: SEGURANÇA no
espaço e PRECISÃO dos parâmetros requeridos;
No caso dos parâmetros que se relacionam com as correntes elétricas, os dispositivos que
realizam tais conexões são denominados “Transformadores de Corrente”.

TRANSFORMADOR DE CORRENTE IDEAL

É aquele no qual, caso seu secundário seja curto-circuitado, a tensão nos terminais
secundário será zero e a corrente de magnetização desprezível. Para tal, é válida a
relação:

= Corrente primária e secundária

= nº de voltas das espiras primária e secundária


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CLASSIFICAÇÃO DOS TC’s

Os TC’s podem ser classificados de duas formas:

TC´s PARA SERVIÇO DE MEDIÇÃO

TC´s PARA SERVIÇO DE PROTEÇÃO

TC´s PARA SERVIÇO DE MEDIÇÃO

Usualmente são utilizados nos sistemas elétricos para medição de correntes em Médias e
Altas Tensões;

Apresentam boa precisão quanto ao erro;

Possuem baixa corrente de saturação (cerca de 4 vezes a corrente nominal).

TC´s PARA SERVIÇO DE PROTEÇÃO

Da mesma forma que os TC’s para medição, são normalmente utilizados nos sistemas
elétricos para circuitos de Médias e Altas tensões;

São caracterizados por uma baixa precisão quanto ao seu erro e elevada corrente de
saturação (cerca de 20 vezes a corrente nominal);

Seus núcleos são fabricados com materiais que não possuem a mesma permeabilidade
magnética dos núcleos para TC’s de medição.
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CURVAS COMPARATIVAS DE SATURAÇÃO ENTRE OS TC’s DESTINADOS A


MEDIÇÃO E A PROTEÇÃO

2 – FUNÇÕES PRINCIPAIS DOS TC’s

Pode-se afirmar que as principais funções dos tc’s se resumem em:

Reduzir ou, em alguns casos, elevar a corrente da rede elétrica que se pretenda monitorar
(medir parâmetros tais como a corrente, a potência e outros, ou acionar um relé de
proteção por exemplo) para valores fáceis de serem manipulados.

Isolar a rede elétrica que opera em alta tensão (ou mesmo em baixa tensão) dos
instrumentos de medição e proteção, garantindo a segurança pessoal no trabalho com os
referidos instrumentos.
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PODE-SE AFIRMAR, PORTANTO, QUE AS PRINCIPAIS FUNÇÕES DOS TC’s SE


RESUMEM EM:

Garantir a padronização dos instrumentos de medição e proteção, tornando-os mais


econômicos e, portanto, mais acessíveis. A padronização dos instrumentos de medição e
proteção é conseguida na prática estabelecendo-se uma corrente nominal secundária
padrão. Praticamente em todos os países, são padronizadas as correntes secundárias
nominais de 5A e 1A.

Reduzir ou elevar a corrente a ser medida, com um erro aceitável, tanto no valor
(módulo) da corrente reproduzida, quanto em ângulo (ângulo entre a corrente no
instrumento e a corrente na rede).

3 – TECNOLOGIAS DE FABRICAÇÃO DOS TC’s

Atualmente são disponíveis basicamente duas tecnologias para a fabricação dos TC’s:

Utilizando circuitos não eletromagnéticos

• Transformadores óticos
• Bobinas de Rogowsi, etc.

Utilizando circuitos eletromagnéticos

• Tecnologia mais antiga;


• Caracterizada pelos TC’s ferromagnéticos
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TC’s COM TECNOLOGIA DE FABRICAÇÃO NÃO MAGNÉTICA

• Apresentam ótima linearidade em ampla faixa de corrente primária;


• Fornecem sinais muito baixos nos instrumentos (satisfatórios, portanto, para os do
tipo digital, microprocessados etc.);
• Aplicação restrita em função de seu elevado custo;
• Justificam-se apenas para utilização em redes de EHV e UHV em função de
serem imunes às interferências.

CONFIGURAÇÃO BÁSICA DE UM TC ÓPTICO


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CONFIGURAÇÃO BÁSICA DE UM TC DIGITAL ÓPTICO

TC’s COM TECNOLOGIA DE FABRICAÇÃO FERROMAGNÉTICA

Tradicional tecnologia com os seguintes componentes Principais:

Um enrolamento primário, transportando a corrente primária I1, que deve ser


necessariamente conectado em série com a linha;
Um enrolamento secundário, transportando a corrente secundária I2, conectado (também
em série) aos instrumentos que constituem sua carga nominal e
Um núcleo magnético de acoplamento entre os enrolamentos primários e secundários.
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CONFIGURAÇÃO BÁSICA

TC’s COM TECNOLOGIA DE FABRICAÇÃO FERROMAGNÉTICA

Da figura apresentada podemos concluir que:

Os TC’s devem ser necessariamente monofásicos, de modo que sejam conectados em


ligação série em cada fase da rede de alimentação e com as cargas;
Como a ligação é série, a corrente primária do TC é determinada pela carga, sendo que o
mesmo não tem como modificá-la a menos que o enrolamento primário seja
acidentalmente interrompido;
Deve ser ressaltado que, ao contrário dos TC’s, os TP’s (tanto o primário quanto o
secundário) são ligados em derivação com a rede elétrica;
Conclusão: nos TC’s a corrente secundária é obtida a partir da corrente primária, ao
contrário dos TP’s onde a corrente primária é quem depende da corrente secundária
(carga).
A interrupção da corrente secundária dos TC’s não anula a corrente primária, porém esta
condição é extremamente perigosa para as pessoas e instrumentos associados ao lado
secundário, como se verá adiante. Nos TP’s, ao contrário, a interrupção da corrente
secundária praticamente anula a corrente primária, restando tão somente a corrente de
magnetização – ou de excitação (Ie) – que representa um percentual muito pequeno da
corrente primária e não resulta em maiores problemas;
Em muitas situações, é necessário se conhecer o sentido instantâneo da corrente nos
instrumentos conectados ao secundário dos TC’s, em relação ao sentido instantâneo da
corrente circulando no lado primário. Esta condição é conhecida como “polaridade” (a
qual, segundo as normas, pode ser subtrativa ou aditiva) entre os terminais primário e
secundário, como também se verá adiante.
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Em princípio não é necessário o aterramento do lado secundário dos TC’s e nem do


núcleo magnético. No entanto, esta prática é recomendável pois, caso ocorra um curto-
circuito φ-T no lado primário, é obrigatória a atuação da proteção. Com o aterramento,
estarão protegidas as pessoas e os instrumentos, além do que o TC funcionará
corretamente.

COMENTÁRIOS SOBRE AS TECNOLOGIAS DE FABRICAÇÃO DOS TC’s


FERROMAGNÉTICOS

Os TC’s ferromagnéticos são dispositivos para operar essencialmente em VCA e, como


qualquer tipo de transformador, seguem as leis de Faraday e Lenz;
Devemos, portanto, recordar que a Lei de Faraday fornece o valor da tensão ou corrente
induzida (em módulo) e a Lei de Lenz fornece seu sentido (direção).

4 – SIMBOLOGIA E REPRESENTAÇÃO DOS TC’s

De acordo com a Norma Brasileira ABNT NBR-6856, os TC’s são representados das
seguintes formas:

P – TERMINAL DO ENROLAMENTO PRIMÁRIO

S – TERMINAL DO ENROLAMENTO SECUNDÁRIO


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A – MARCAÇÃO DOS TERMINAIS


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B – DADOS DA PLACA QUE DEVEM CONTER NA IDENTIFICAÇÃO DOS TC’s


(ABNT NBR-6856)

(*) – Para os TC’s tipo bucha são necessários somente esses itens, sendo que no primeiro item a
expressão deverá ser “Transformador de corrente tipo Bucha”.

5 – PRINCIPAIS TIPOS CONSTRUTIVOS DE TC’s

Atualmente, na maioria dos TC’s de A.T., a parte ativa (núcleo e enrolamentos) é instalada
imersa em óleo isolante mineral podendo também possuir o isolamento do tipo sólido (resina).
Os tipos construtivos principais são:

TIPO TANQUE (Tank Type) ou HAIR PIN

TIPO NÚCLEO INVERTIDO (Top-core)

TIPO OLHO (Eye Bolt)


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TIPO TANQUE (Tank Type) ou HAIR PIN

O(s) núcleo(s) se situa(m) na parte inferior do TC, próximo(s) ao potencial de terra;


O isolamento envolve praticamente todo enrolamento primário, o qual se apresenta em
forma de U (Hair Pin).

TIPO NÚCLEO INVERTIDO (Top-core)

O núcleo se situa na parte superior do TC.


O isolamento envolve praticamente todo enrolamento secundário.
O enrolamento primário é usualmente em forma de um único condutor (barra).
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TIPO OLHO (Eye Bolt)

O núcleo se situa na parte central do TC.


O isolamento, tanto do primário quanto do secundário estão divididos uniformemente.

6 – O CIRCUITO EQUIVALENTE DOS TC’s

O conhecimento do circuito elétrico de um TC, aliado às considerações sobre o seu


circuito magnético, fornece uma melhor compreensão para se dimensionar e operar este
equipamento;
No diagrama elétrico a seguir está representado, de forma simplificada, o circuito
equivalente de um TC:
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SIMBOLOGIA UTILIZADA NO CIRCUITO EQUIVALENTE DOS TC’s

Sendo:

I1= valor eficaz da corrente primária;


I2= valor eficaz da corrente secundária;
N2/N1 = N = relação entre espiras secundárias e primárias;
Z2= Impedância de dispersão do enrolamento secundário;
Z1= Impedância de dispersão do enrolamento primário referida ao secundário;
Zc= Impedância da carga;
Ie = Corrente de excitação (ou magnetização) secundária;
Ze = Impedância de excitação (ou magnetização) secundária;
E2 = Tensão de excitação (F.E.M.) secundária;
VS = Tensão nos terminais da carga;
I’1 = I1/N = corrente primária referida ao secundário

COMENTÁRIOS SOBRE O CIRCUITO EQUIVALENTE DOS TC’s

Quando referida ao secundário, a impedância de dispersão do enrolamento primário (Z1)


é modificada pelo quadrado da relação entre o número de espiras secundários e primários
(N²) ou seja, torna-se (N².Z1);
Os componentes das perdas no núcleo e de excitação são representados no ramo da
impedância de dispersão secundária (Z2).
Para a maioria dos TC’s, a impedância de dispersão do enrolamento primário referida ao
secundário (N²Z1) pode ser desprezada, uma vez que o número reduzido de espiras do
primário possui baixa resistência e pouca dispersão.
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A corrente primária (I1) é transformada, sem erro de relação ou erro de ângulo de fase na
corrente (I’1), conhecida como “corrente primária referida ao secundário”;
Parte de (I’1) é consumida como corrente de excitação do núcleo (Ie) ou ”corrente de
excitação secundária”;
A diferença entre (I’1) e (Ie) é a corrente secundária verdadeira (ou real) x I2;
A corrente de excitação (Ie) é função da tensão de excitação secundária (E2) e da
impedância de excitação (Z2).
A tensão de excitação secundária (E2) é função da corrente de excitação (Ie) e das
impedâncias (Z2) e (Zc);
A impedância de dispersão do enrolamento secundário (Z2) normalmente é apenas
resistiva.

CURVA DE EXCITAÇÃO SECUNDÁRIA DOS TC’s

A curva (log-log) que relaciona a tensão de excitação secundária (E2) em Volts com a
corrente de excitação (ou magnetização) (Ie) é chamada “curva de excitação secundária”
conforme mostrado a seguir:

Esta curva é fundamental para se verificar a saturação do TC, pois ela permite determinar
a tensão secundária a partir da qual o TC começa a saturar (ponto de joelho).
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7 – ERRO DE RELAÇÃO NA OPERAÇÃO DOS TC’s

ERRO PERCENTUAL DE RELAÇÃO (ERRO DE TRANSFORMAÇÃO OU DE


CORRENTE)

Como visto, apenas uma parte da corrente primária (I1) do TC é transformada no seu
lado secundário, sendo a outra parte necessária para para se criar o fluxo magnético
mútuo (corrente Ie de excitação ou de magnetização);
Assim, o “erro percentual de relação” é definido como sendo a relação percentual (%)
entre o módulo da corrente primária que não é transformada para o lado secundário e a
própria corrente primária.

Em outras palavras, o erro percentual de relação nada mais é do que a imprecisão na qual
a corrente secundária é transmitida a partir da corrente primária.

ε% = (I1 – I’1) / I1 .100 ;

como

(I1 – I’1) = I2 ,

tem-se que:

Obs.: Os valores de corrente são considerados em módulo

Obs: outra forma de se determinar o erro de relação (de transformação ou de corrente)


do TC é em função da diferença percentual entre as relações nominal e efetiva (real), ou
seja:
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COMENTÁRIOS SOBRE O ERRO PERCENTUAL DE RELAÇÃO NA OPERAÇÃO


DOS TC’s

O erro percentual de relação em um TC é totalmente devido à corrente de magnetização


(excitação) do núcleo, ou seja, quanto maior for a componente da excitação, maior será o
erro da relação.
Como esta corrente deve sempre existir (para cumprir na função de excitação do núcleo),
pode-se concluir que é impossível construir um TC ferromagnético sem erro na sua
relação de transformação.
Além de influenciar o erro de relação, a corrente de magnetização causa um “erro de
fase” entre as correntes primária e secundária”.
Isto em geral não leva a conseqüências as medições de corrente, mas é importante quando
o TC é utilizado em circuitos com medição de grandezas nas quais o fator de potência é
considerado (p. ex.: Kw, Kwh, KvAr, etc).

8 – CLASSIFICAÇÃO DOS TC’s PARA PROTEÇÃO QUANTO À SUA IMPEDÂNCIA


INTERNA

Classificação dos tc’s para proteção quanto à sua impedância interna

Quanto à sua impedância interna os TC’s para proteção podem ser classificados das
seguintes formas:

TC’s CLASSE “A” (ALTA IMPEDÂNCIA)

OU

TC’s CLASSE “B” (BAIXA IMPEDÂNCIA)


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TC’s CLASSE “A” (ALTA IMPEDÂNCIA)

Conceituação

Segundo a ABNT (NBR 6856), o TC classe “A” é aquele que possui alta impedância
interna. Em outras palavras, é aquele cuja resistência de dispersão do enrolamento
secundário (Z2) possui valor apreciável em relação à impedância total do circuito
secundário, quando este alimenta a sua carga nominal (Zc).

COMENTÁRIOS SOBRE A OPERACIONALIDADE DOS TC’s CLASSE “A”

Os enrolamentos primários e secundário estão em “colunas” diferentes do núcleo.

O número de espiras primárias é superior à unidade (N>1), o que significa que a


resistência do primário não é desprezível;
Existem fluxos de dispersão tanto no primário como no secundário, o que significa que
existem reatâncias de dispersão primária e secundária;
Esses dispositivos caracterizam na prática os TC’s do tipo “enrolado”.
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TC’s CLASSE “B” (BAIXA IMPEDÂNCIA)

Conceituação

Segundo a ABNT (6856) o TC “B” é aquele que possui baixa impedância interna, isto é,
aquele cuja reatância de dispersão do enrolamento secundário (Z2) possui valor
desprezível em relação à impedância total do circuito secundário (Zc) quando este
alimenta a sua carga nominal.

COMENTÁRIOS SOBRE A OPERACIONALIDADE DOS TC’s CLASSE “B”

Os enrolamentos primários e secundários são uniformemente distribuídos em relação ao


núcleo.

Os fluxos de dispersão dos enrolamentos primário e secundário praticamente se anulam


(e praticamente desaparecem as reatâncias de dispersão primária (X1) e secundária (X2)
correspondentes;
Esses dispositivos caracterizam-se na prática os TC’s do tipo “ toroidal”.
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TC’s CLASSES “A” E “B” SEGUNDO AS NORMAS AMERICANAS

• Observação importante deve ser feita para os tipos TC’s quanto à sua impedância quando
referidos às Normas Americanas:

APLICAÇÕES PARA OS TIPOS “A” E “B”

(*) O TC enrolado Tipo B, com mais de uma espira primária, pode ser fabricado com tensão de
saturação superior à do TC enrolado Tipo B com uma única espira primária, de mesma relação.
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9 – CLASSIFICAÇÃO DOS TC’s QUANTO À SUA FORMA CONSTRUTIVA

TIPOS CONSTRUTIVOS DOS TC’s

De acordo com a ABNT (NBR 6856) a construção dos TC’s é mais comumente efetuada
sob as seguintes formas:

(*) Na prática, o enrolamento primário é único (ligação ou circuito série), porém pode ser
repartido e conectado em série, paralelo ou série-paralelo.

TIPO ENROLADO

Utilizado para baixas e altas correntes nominais com potências elevadas;


Sua isolação é limitada, sendo empregados, portanto, até a classe 36kV;
Neste tipo, o enrolamento primário é constituído de mais espiras envolvendo o núcleo.
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TIPO BARRA

O enrolamento primário é constituído por uma barra, a qual atravessa o núcleo do


transformador;
O primário deve ser, portanto, isolado com a mesma classe de tensão do sistema em que o
TC irá operar.

TIPO BUCHA

A espira primária é a própria bucha do equipamento que atravessa o núcleo (normalmente


em forma de toróide);
A bucha já possui isolamento compatível com a tensão de trabalho do TC;
Não são recomendados para correntes primárias inferiores a 200A um vez que o erro
cresce muito.
São utilizados nas buchas de transformadores, disjuntores etc., podendo ser instalados
mais de um núcleo por fase.
Seu isolamento pode ser feito em resina ou simplesmente enfaixados com tecido
impregnado.
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TIPO JANELA (TOROIDAL)

Sua construção é similar à do tipo bucha, sendo que o meio isolante entre o primário e o
secundário é o ar;
O enrolamento primário nada mais é do que o próprio condutor do circuito atravessando
o núcleo;

O TC é, portanto, fornecido apenas com o núcleo e o enrolamento secundário;


Caso se deseje monitorar a corrente de falta para a terra (componente de seqüência zero
das correntes de fases), os condutores das três fases devem passar simultaneamente pela
janela do toróide.
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TIPO “MAIS DE UM NÚCLEO”

TC com vários enrolamentos secundários isolados separadamente e montados cada um


deles em seu próprio núcleo, formando um conjunto único com o primário, cujas espiras
enlaçam todos os núcleos simultaneamente.

TIPO NÚCLEO DIVIDIDO (BI-PARTIDO)

Trata-se de um TC toroidal cujo núcleo pode ser separado em duas partes e, após
instalado o condutor primário, aparafusadas as duas partes novamente;
Trata-se de uma configuração interessante para as instalações existentes, onde os
condutores primários são de difícil remoção.

TIPO MAIS DE UM ENROLAMENTO PRIMÁRIO

TC com um enrolamento primário seccionado, a partir do qual são conexões série, série-
paralelo ou paralelo, de modo a se obter uma única ligação primária em cada conexão e,
conseqüentemente, um maior número de relações nominais para o mesmo TC.
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10 – PRINCIPAIS PARÂMETROS TÉCNICOS DOS TC’s

Correntes nominais
Relação de transformação e relação nominal
Classe de tensão de isolamento
Frequência nominal
Fator de sobrecorrente nominal
Classe de exatidão com cargas normalizadas
Fator térmico nominal
Limites de corrente de curta duração para efeitos térmico e dinâmico

CORRENTES NOMINAIS NORMALIZADAS DOS TC’s

Corrente secundária normalizada pela Norma ABNT atual (NBR 6856): 5A (ou 1A e 2A
em aplicações especiais);
Correntes primárias (A) normalizadas (ABNT): EB-251 (antiga) e NBR 6856 (atual)

RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO E RELAÇÃO NOMINAL DOS TC’s

• As relações de transformação e nominal de um TC podem ser conceituadas como sendo:

Exemplos:
Relação de Transformação: 600-5A Relação nominal: 120:1
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A relação de transformação de um TC pode ser NOMINAL ou EFETIVA.

RELAÇÃO NOMINAL - aquela que se especifica

RELAÇÃO EFETIVA- aquela que o tc efetivamente fornece

A relação entre a efetiva (real) e a nominal (teórica) é conhecida como “Fator de Correção de
Relação” (FCR).

OUTRAS FORMAS DE SE APRESENTAR A RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO DOS


TC’s

Hífen (-): usado para separar relações de enrolamentos diferentes. Ex.:

Xis (x): usado na Indicação da Relação na Ligação de Transformação Série – Paralelo:


Ex.: 100 x 200-5A.
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RELIGAÇÃO SÉRIE-PARALELO NOS TERMINAIS DO PRIMÁRIO

Na prática, as conexões “série” e “paralelo” podem ser mostradas da seguinte forma:

Sinal barra (/): usado para indicar correntes obtidas por derivação (TAP’s) dos
enrolamentos primários ou secundários (caso mais comum).
Ex.: Relações Múltiplas até 600-5A

Indicação das Relações nas Ligações por Derivação:


50/100/150/200/250/300/400/450/500/600-5A

CLASSE DE TENSÃO DE ISOLAMENTO DOS TC’s

Pode ser conceituada como sendo o poder de resistir (sem se alterar) às altas tensões, ou
seja, o TC deverá ter seu isolamento compatível com a tensão nominal do circuito no qual
o mesmo irá operar.
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P.ex.:
• Tensão Nominal do Sistema = 13,8kV;
• Classe de Tensão de Isolamento = 15kV.

OBS.: as classes de tensão de isolamento são normalizadas para o Sistema Elétrico Brasileiro são
definidas por Portaria da ANEEL.

FREQUÊNCIA NOMINAL DO TC

A variação da freqüência exerce uma influência muito pequena nos TC’s para medição
e, para efeitos práticos, pode-se admitir que o erro garantido não irá variar
apreciavelmente, quer o transformador opere em 50Hz ou em 60Hz.
Nos TC’s para proteção no entanto o efeito é mais acentuado, em geral, o erro é menor
em 60Hz e aumenta com a diminuição da freqüência.
Ao utilizarmos o TC deve-se portanto sempre verificar a freqüência da rede na qual o
mesmo irá operar.

CARGA NOMINAL DO TC’s

A carga nominal de um TC (tanto para medição como para proteção) é o resultado do


somatório de todas as impedâncias conectadas ao seu secundário, considerando-se
adicionalmente a carga imposta condutores secundários (trechos de ida e volta por se
tratar de um circuito série) em “VA”.
As Normas Técnicas apresentam as cargas nominais de forma padronizada, uma vez que
estas influem no erro de transformação (o aumento da carga introduz aumento do erro).
As Normas Técnicas fornecem adicionalmente as cargas nominais dos TC’s, cada uma
delas com um valor definido da resistência (RΩ) e de reatância indutiva (XLΩ);
Como reatância indutiva é XL = (2. π .f.L) e considerando-se que a indutância (L) da
carga é fixa, a reatância (XL) dependerá da freqüência da rede. Com isso, cada carga terá
valores diferentes (VA) e fatores de potência (Cos ϕ) nas diferentes freqüências 50Hz ou
60Hz.
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Cargas nominais dos TC’s padronizadas pela ABNT NBR-6856 (atual) e EB-251 (antiga)

(*) C – Indica Transformador de Corrente


2,5 – Indica carga secundária (2,5VA)

CARGAS NOMINAIS DOS TC’s PADRONIZADOS DE ACORDO COM AS NORMAS


AMERICANAS ANSI C57.13 (ATUAL) E ASA C57.13 (ANTIGA)

(*) B – (BURDEN em Ω )
0,1 – INDICA CARGA SECUNDÁRIA (0,1Ω)

FATOR DE SOBRECORRENTE NOMINAL DOS TC’s (FSn)

As Normas Técnicas recomendam a utilização de tal fator apenas para os TC’s de


Proteção, em razão do seguinte:

• Nos sistemas de proteção devem atuar os relés conectados aos seus respectivos
secundários, quando no primário circula pela rede elétrica uma elevada corrente
(curto-circuito).
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• Apesar dos relés requererem uma exatidão apenas grosseira (erro percentual em
geral 10% ou outras vezes 2,5%), as correntes primárias podem atingir valores de
até 20 vezes a corrente nominal da rede nas condições de curto-circuito..

Por esta razão é definido para os TC’s destinados à proteção um fator denominado “Fator
de Sobrecorrente Nominal” (FSN), o qual é expresso pela relação:

A conclusão é de que o FSN é muito importante para se dimensionar os TC’s para


proteção, uma vez que os mesmos devem suportar, mantendo-se a sua exatidão, valores
primários de corrente bastante severos na presença dos curto-circuitos.

Valores de FSN padronizados de acordo com as diferentes Normas Técnicas:

CLASSES DE EXATIDÃO DOS TC’s COM BASE NAS SUAS CARGAS NOMINAIS
PADRONIZADAS

EXATIDÃO PARA MEDIÇÃO


NORMAS ABNT EB-251 (antiga) e NBR 6856 (atual)
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EXATIDÃO PARA MEDIÇÃO


- NORMAS ASA C.57.13 (antiga) e ANSI C57.13 (atual)

EXATIDÃO PARA PROTEÇÃO


- NORMA ABNT EB-251 (antiga)
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EXATIDÃO PARA PROTEÇÃO


- NORMA ABNT NBR 6856 (atual)

EXATIDÃO PARA PROTEÇÃO


- NORMA AMERICANA ASA C.57.13 (ANTIGA)

EXATIDÃO PARA PROTEÇÃO


- NORMA AMERICANA ANSI C.57.13 (atual)
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OUTRAS CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES RELATIVAS À EXATIDÃO DOS TC’s


PARA PROTEÇÃO

As seguintes relações são importantes para se determinar a Impedância Nominal (Ω) e a


Potência Aparente máxima (VA) que pode ser conectada ao secundário do TC de
proteção, afim de que sua exatidão seja mantida, tudo a partir da tensão nominal máxima
que pode surgir nos seus terminais secundários:

EXEMPLO 1

Suponhamos que a tensão no secundário do TC seja Vc =10 volts e a corrente secundária


Ω) será:
I2 = 5A. A impedância da carga Zc(Ω

Obs.: O Fator de Sobrecorrente Nominal (FSN = 20) considera que o TC está suprindo uma
corrente de, no máximo, 20 vezes a corrente sec. nominal (I2).

EXEMPLO 2

Suponhamos agora que o TC tenha sido construído conforme a Norma ABNT EB.251
(antiga) :
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Isto significa que o mesmo terá como características uma baixa impedância, um erro máximo de
10% para um FSN = 20 e uma carga nominal máxima de 100VA.
A impedância nominal ZC e a queda de tensão máxima VC em seu secundário nestas condições
serão:

Interpretando agora os resultados deste exemplo:


se a tensão no secundário do TC for 400V, o erro máximo de relação será de 10%;
Suponhamos agora este mesmo TC, ao invés de alimentar a carga nominal de 4Ω passe a
alimentar uma carga de 8Ω.
A corrente secundária limite para que este TC mantenha a sua exatidão (10%) será:

Suponhamos um TC com religação série-paralelo no primário: 50x100-5A, construído


segundo a Norma ASA C.57.13 (antiga), com exatidão 10L200.
Neste caso, a tensão máxima admissível no secundário do TC (200 Volts) será dada para
a maior relação (100-5A). Para a menor relação (50-5A) a tensão secundária máxima
será:
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TC’s COM BASE NA NORMA IEC 60044-1

CONCEITOS E PARÂMETROS PRINCIPAIS

Correntes Primárias Nominais Padronizadas (I1) em (A):

10 – 12,5 – 15 – 20 – 25 – 30 – 40 – 50 – 60 – 70A

Correntes Secundárias Nominais Padronizadas (I2) em (A):

1 e 5A

Potência de Exatidão Nominal (Pn ) em (A):

Corresponde à Potência Aparente no secundário do TC à corrente secundária nominal (I2) e à


carga de exatidão:

1 – 2,5 – 5 – 10 – 15 – 30VA

CONCEITOS E PARÂMETROS PRINCIPAIS

FLE (Fator Limite de Exatidão):

Um TC para proteção deve saturar com um valor suficientemente alto para permitir uma corrente
de falta para a proteção relativamente precisa. Os fatores definidos (também designados Fatores
de Sobrecorrente) são os seguintes:

5 - 10 - 20 - 30

Classe de Exatidão:

Define os limites de erro percentual (%) garantidos de relação de transformação (I1/I2) e de


ângulo, nas condições de potência (VA) e corrente (A) definidas:

5P – 10P – PX

Obs.: a classe PX é considerada especial, conforme se demonstrará a seguir:


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Classe de Erro Especial PX:

Com base na curva de saturação (ou de magnetização) do TC - (Vs x Ie), a “tensão de joelho” Vk
é definida como sendo:

“ o ponto da curva a partir do qual, um aumento de 10% da tensão secundária, provoca um


acréscimo de 50% na corrente de magnetização”.

CLASSE DE EXATIDÃO DOS TC’s COM BASE NAS SUAS CARGAS NOMINAIS
PADRONIZADAS

EXATIDÃO PARA MEDIÇÃO


- NORMA IEC 185 (60044-1)
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(*) 0,1 – 0,2 – 0,5 – 1% Para essas classes, os erros de relação e de ângulo não deverão
exceder os valores da Tab. III da IEC 185, quando a carga secundária estiver compreendida entre
25 e 100% da carga nominal

3 – 5% Idem, idem, porém Tab. IV da IEC 185,... entre 50 e 100% da carga


nominal

EXATIDÃO PARA PROTEÇÃO


- NORMA IEC 185 (60044-1)

Significa um TC segundo a Norma IEC – 60044-1 que


pode fornecer uma potência de 15VA ao secundário com um erro máximo de 5% (5P),
considerando um fator de sobrecorrente (FLE) de 10 vezes a corrente nominal.

FATOR TÉRMICO NOMINAL DOS TC’s (FTN)

Fator Térmico Nominal (FTN) de um TC é definido como sendo o múltiplo da corrente


nominal que pode ser aplicada ao transformador por um tempo indeterminado (regime
permanente), sem danificá-lo, operando em condições normais, sem exceder aos limites
de temperatura especificados para a sua classe de isolamento.
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Os limites de temperatura especificados pela norma ABNT NBR 7034 para os materiais
isolantes das diversas classes de isolamento são os seguintes:

LIMITES DE CORENTES DE CURTA DURAÇÃO PARA EFEITOS TÉRMICOS E


DINÂMICOS NOS TC’s

LIMITE DE CORENTE DE CURTA DURAÇÃO PARA EFEITO TÉRMICO

É definido como sendo o valor eficaz da corrente primária simétrica que o TC pode
suportar durante o tempo de um (1) seg., tendo o seu enrolamento secundário curto-
circuitado, sem exceder ao limite de elevação de temperatura correspondente à sua classe
de isolamento.

COMENTÁRIOS REFERENTES ÀS CORRENTES PARA EFEITO TÉRMICO NOS


TC’s

As normas ABNT NBR 6856 e IEC 185 especificam que as condições definidas para os
efeitos de corrente térmicas são consideradas cumpridas caso a densidade de corrente
durante o curto-circuito não exceda a 180A/mm2 para os enrolamentos de cobre.
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As correntes para efeito térmico (Ith) dos TC’s podem ser expressas em kA ou múltiplos
da corrente primária nominal do TC.

Ex.: TC – Relação Nominal 200-5A.

Havendo mais de um enrolamento secundário, sobre nenhum deles deverá incidir uma
temperatura com elevação acima de sua classe de temperatura de isolamento respectiva.

LIMITES DE CORRENTES DE CURTA DURAÇÃO PARA EFEITOS TÉRMICOS E


DINÂMICOS NOS TC’s

LIMITE DE CORENTE DE CURTA DURAÇÃO PARA EFEITO DINÂMICO

É definido como sendo o valor de crista da corrente assimétrica que o TC pode suportar
durante o 1º ciclo, com o secundário curto-circuitado, sem apresentar danos elétricos ou
mecânicos devido às forças eletromagnéticas.

COMENTÁRIOS REFERENTES ÀS CORRENTES PARA EFEITO DINÂMICO NOS


TC’s

Considera-se, na prática, que a correntes dinâmicas (Idin) dos TC’s sejam:

Havendo mais de um enrolamento secundário, sobre nenhum deles deverá incidir uma
temperatura com elevação acima de sua classe de temperatura de isolamento respectiva.

1,8 – Máxima assimetria da corrente de curto-circuito


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– Transformação do valor eficaz em valor de crista

As correntes para efeito dinâmico (Idin) dos TC’s podem ser expressas em kA ou
múltiplos da corrente primária nominal do TC. Considerando o mesmo TC do exemplo
anterior tem-se que:

OUTROS PARÂMETROS TÉCNICOS IMPORTANTES DOS TC’s

Além dos parâmetros já mencionados, outros importantes também merecem ser citados:

Instalação: abrigada ou ao tempo;


Nível de isolamento para impulso (kV);
Tipo Aplicação: medição ou proteção;
Polaridade: subtrativa (Norma ABNT);
Tipo de Isolamento: seco, resina, óleo isolante mineral, gás SF6;
Possibilidade de religação do primário;
Instalação > 1000 acima do nível do mar
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ENTENDENDO A POLARIDADE DOS TC’s

Para se indicar a direção relativa instantânea das correntes primárias e secundárias, em


cada TC deve ser marcado um terminal primário e um secundário.

Esta marcação indica que a corrente I1 está “entrando” no terminal primário marcado P1
e a corrente secundária I2 no mesmo instante está “saindo” do terminal secundário
marcado com S1

Considerando, portanto, somente a direção da corrente, as conexões podem ser feitas


supondo que a marca de polaridade no secundário (S1) é uma “continuação” da corrente
primária entrando no terminal (P1) do TC:

Segundo a Norma ABNT NBR-6856:

• A polaridade padronizada é a “subtrativa”


(I1 “entrando” e I2 “saindo” instantaneamente).
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• A identificação de polaridade deve ser feita:

Por emprego de bucha de cor diferente, ou

Por meio de marcas permanentes, em alto ou baixo relevo, que não possam ser
apagadas facilmente pela pintura, e suplementadas, se desejado, por marcas de cor
contrastante.

11 – POR QUE OS TC’s DEVEM MANTER O SECUNDÁRIO CURTO-CIRCUITADO


QUANDO FORA DE SERVIÇO?

POR QUE CURTO-CIRCUITAR OS TC’s?

• Ao contrário dos transformadores de potência usuais, o TC, por ter o seu enrolamento
conectado em série coma linha, não sofre efeitos prejudiciais ao terem seus terminais
secundários curto-circuitados.

• Como a corrente secundária depende da corrente primária e da relação de transformação,


ela não será influenciada pela conexão em curto-circuito, o que equivale a aplicarmos
uma carga de valor nulo ao secundário do TC.

• Por outro lado, se abrirmos o secundário do TC (o que equivale a aplicarmos uma


carga de valor infinito) isto acarretará graves conseqüências.
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• EXPLICAÇÃO: Pelo fato de não existirem ampéres-espiras secundários para


compensar os ampéres-espiras primários, toda corrente primária atuará como corrente de
magnetização do núcleo magnético.

• Nessas condições, a densidade de fluxo no núcleo magnético atingirá valores que


excedem ao nível de sua saturação e, como consequencia, surgirá entre os terminais
secundários uma tensão elevadíssima, a qual poderá danificar o TC e ainda colocar em
risco a segurança pessoal do operador.

POR ESTA RAZÃO OS TC’s NUNCA DEVERÃO SER DESENERGIZADOS COM O


SEU CIRCUITO SECUNDÁRIO EM ABERTO
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12 – PRINCIPAIS COMPONENTES PRESENTES NA CONSTRUÇÃO DE UM TC

PRINCIPAIS COMPONENTES PRESENTES NA CONSTRUÇÃO DE UM TC

A. Isolamento utilizando óleo isolante mineral:


1. Indicador de nível de óleo;
2. Tampa da Membrana;
3. Membrana;
4. Conexão do Terminal Primário;
5. Cabeçote co Tanque Superior;
6. Corpo Isolante;
7. Hastes Centelhadoras;
8. Enrolamento Primário;
9. Enrolamento Secundário;
10. Núcleo Magnético;
11. Terminal de Aterramento do Tanque;
12. Caixa de Terminais Secundários;
13. Tanque Inferior;
14. Base Suporte.

B. Isolamento utilizando GásSF6:


1. Base Metálica em Liga de Alumínio
2. Caixa de Terminais Secundários
3. Válvula de Enchimento de Gás SF6
4. Manodensostato do Gás SF6
5. Isolador Cerâmico ou Sintético
6. Invólucro em Liga de Alumínio
7. Dispositivo de Alívio de Pressão
8. Barra do Primário
9. Religamento no Primário
10. Terminal Primário
11. Núcleo Magnético
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13 – CONEXÕES DOS TC’s

• Os TC’s, usualmente monofásicos, são conectados nas seguintes ligações:

CONEXÃO EM TRIÂNGULO (OU DELTA)


e

CONEXÃO EM ESTRELA ATERRADA

CONEXÃO EM TRIÂNGULO (OU DELTA)

Esta conexão é requerida quando se deseja a eliminação da corrente de seqüência zero (I0).
Quando se tornar necessária a detecção de I0, deve-se utilizar um TC do tipo janela, conforme
mostrado na figura abaixo.

CONEXÃO EM ESTRELA ATERRADA

Nesta conexão, em condições normais e com cargas balanceadas, deverão existir apenas
correntes de fase. Se ocorrerem desbalanços, surgirá no ponto comum uma corrente residual (
IRES= IA+ IB + IC, ) equivalente a 3.I0, desde que haja caminho para circulação da corrente de
retorno para a terra.
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NORMALIZAÇÃO

PRINCIPAIS NORMAS APLICÁVEIS

ABNT – NBR – 6856 – TC’s – ESPECIFICAÇÃO


ABNT – NBR – 6821 – TC’s – MÉTODOS DE ENSAIO
ABNT – EB – 251 – TRANSFORMADORES PARA INSTRUMENTOS (*)
IEEE/ANSI – C.57.13 – INSTRUMENT TRANSFORMERS
ASA – C.57.13 – INSTRUMENT TRANSFORMERS (*)
IEC – 185/1966 – TRANSFORMATEURS DE COURANTS -
CARACTERISTIQUES

(*) NORMAS ANTIGAS, JÁ SUBSTITUÍDAS PELAS NORMAS ATUAIS

ALGUNS FABRICANTES NO BRASIL

ABB;
SIEMENS;
SCHNEIDER;
AREVA; BALTEAU ORTENG;
ISOLET;
ZILMER.
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UNIDADE 11

TRANSFORMADORES ESPECIAIS
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Embora a maioria das aplicações nos sistemas elétricos incorpore transformadores elétricos que
se destinam a transmitir potência, elevando ou abaixando os níveis de tensão (sejam de
transmissão ou alimentação), existem ainda outros tipos de transformadores cujas características
construtivas e operacionais exercem funções específicas nos circuitos elétricos.

Tais equipamentos são designados “transformadores especiais”, face às funções que os mesmos
podem exercer.

ALGUNS DOS TRANSFORMADORES ESPECIAIS APLICÁVEIS AOS SISTEMAS


ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

• Dentre os transformadores especiais podem ser destacados principalmente os seguintes:

• Transformadores reguladores de tensão


• Autotransformadores
• Transformadores de isolamento
• Transformadores de aterramento
• Transformadores destinados a fornos a arco

TRANSFORMADORES REGULADORES DE TENSÃO

UM BREVE HISTÓRICO

• Os transformadores reguladores de tensão - largamente utilizados e praticamente


indispensáveis nos grandes sistemas elétricos - começaram a ser utilizados a partir de
1925, quando se tornaram equipamentos essenciais no controle da tensão e fluxo nos
sistemas elétricos de potência.

• Como característica operacional básica, dispõem de um comutador de TAP’s, através do


qual altera-se o número de espiras dos enrolamentos e, com isto, fica alterada a relação de
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transformação, obtendo-se um valor controlado de tensão secundária, quando a tensão


primária se abaixa ou eleva em relação à tensão nominal do sistema elétrico, devido a
variações no referido sistema.

• Sua aplicação torna-se portanto particularmente interessante quando se deseja manter


controlados os níveis de tensão no caso, por exemplo, dos sistemas radiais longos (redes
primárias de distribuição) devido às quedas de tensão presentes.

Os comutadores de TAP’s (ou de derivação) são portanto utilizados para alterar as relações de
tensões do transformador e podem ser classificados de duas formas:

• Comutadores de TAP’s em vazio ou Comutadores de TAP’s sem Tensão


(CTST);

• Comutadores de TAP”s sob carga (CTSC) ou “On Load Tap Changers”


(OLTC).

COMUTADORES DE TAP’s SEM TENSÃO (CTST)

Têm por função selecionar as ligações das derivações dos enrolamentos do transformador,
estando o mesmo na condição DESENERGIZADO.
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COMUTADORES DE TAP’s SEM TENSÃO (CTST)

Esta seleção normalmente é efetuada na maioria das vezes de forma manual através de
manivelas, sendo mais usuais os comutadores dos tipos construtivo linear e circular.

PRINCIPAIS CAUSAS DE FALHAS NOS COMUTADORES DE TAP’s SEM TENSÃO -


CTST

Incompatibilidade com o óleo


Deformação das hastes isolantes
Redução da área de superfície de contato
Redução na pressão de contato (vibração)
Folgas excessivas nas hastes de transmissão
Elevação da resistência dos contatos
Fadiga das molas dos contatos
Formação de filmes nos contatos não utilizados
Aterramento insuficiente do eixo de transmissão
Descargas elétricas
Degradação das gaxetas
Vazamento de óleo
Erro operacional
Manobras em carga
Manobras sob tensão
Sobretensões ressonantes

COMUTADORES DE TAP’s SOB CARGA - CTSC (ou OLTC)

Definição de acordo com a NBR 8667/1984:


“Dispositivo destinado a mudança das ligações das derivações de um enrolamento, adequado
para operação com o transformador energizado (sob tensão), em vazio ou sob carga”.
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• Consiste geralmente de uma chave comutadora (desviadora), uma impedância de


transição e um seletor de derivações, este último provido ou não de um pré-seletor,
sendo o conjunto operado por um mecanismo de acionamento apropriado.

• Em alguns tipos de comutador, as funções da chave comutadora e do seletor de


derivações são combinadas numa única chave seletora.

• Todo conjunto é instalado imerso em óleo isolante ou outro meio dielétrico com funções
de isolamento e refrigeração do conjunto.

PRINCIPAIS PARTES CONSTRUTIVAS

1 -Mecanismo acionamento

2 -Seletor de derivações

3 -Pré-seletor

4 -Chave comutadora (desviadora)

GLOSSÁRIO DE TERMOS PRINCIPAIS

SELETOR DE DERIVAÇÕES

Dispositivo destinado a conduzir corrente, porém não a estabelecer ou interrompê-la, usado em


conjunto com uma chave comutadora (desviadora) para
selecionar ligações das derivações.
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CHAVE COMUTADORA (DESVIADORA)

Dispositivo utilizado em conjunto com um seletor de derivações para conduzir, estabelecer e


interromper corrente em circuitos já selecionados.

CHAVE SELETORA

Dispositivo capaz de estabelecer, conduzir e interromper a corrente elétrica, combinando as


funções de um seletor de derivações e de uma chave comutadora

PRÉ SELETOR

Dispositivo destinado a conduzir a corrente (porém não estabelecê-la ou interrompê-la),


utilizado em conjunto com um seletor de derivações ou com uma chave seletora, permitindo que
se utilize os contatos e derivações a ele ligadas mais de uma vez no decorrer do deslocamento
de uma posição extrema a outra do comutador.

IMPEDÂNCIA DE TRANSIÇÃO

Resistor ou reator compreendendo um ou mais elementos que ligam um tap em uso a outro
adjacente, a fim de transferir a carga daquela para esta derivação sem interrupção ou
modificação sensível da corrente de carga limitando ainda a “corrente de circulação” durante
o instante em que a transição estiver sendo efetuada.

CONJUNTO DE CONTATOS

Par, ou combinação de pares de contatos individuais, fixos e móveis, cuja operação é


substancialmente simultânea.

CONTATOS PRINCIPAIS (PARALELOS)

Conjunto de contatos que não possuem impedância de transição em série entre eles e o
enrolamento do transformador e, portanto, não interrompem corrente.

CONTATOS PRINCIPAIS (SÉRIE) DE COMUTAÇÃO

Conjunto de contatos que, embora não possuam impedância de


transição em série entre eles e o enrolamento do transformador , interrompem corrente.

CONTATOS DE TRANSIÇÃO

Conjunto de contatos que possuem impedância de transição em


série entre eles e o enrolamento do transformador.
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CORRENTE DE CIRCULAÇÃO

Parte da corrente que passa pela impedância de transição durante o instante em que duas
derivações ficam ligadas entre si (no decorrer de uma comutação) por efeito da diferença de
tensão entre as mesmas.

CORRENTE COMUTADA

Corrente que circula em cada conjunto de contatos principais de comutação ou de transição,


incorporados à chave seletora ou à chave comutadora, imediatamente antes da separação dos
contatos.

COMUTAÇÃO

Seqüência completa de operação desde o início até a conclusão da transferência da corrente de


uma derivação do enrolamento à adjacente.

CICLO DE OPERAÇÃO

Seqüência de operações do comutador, a partir de uma extremidade da sua faixa de regulagem


até a outra e de seu retorno à sua posição inicial.

PRINCÍPIOS DE OPERAÇÃO (Relacionados à impedância de transição):

• As técnicas de comutação dos comutadores de tap’s sob carga relacionadas à impedância


de transição são as seguintes:

1. Utilizando reatores (projeto norte-americano);

1. Utilizando resistores (projeto europeu).


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FILOSOFIA DO SISTEMA DE TRANSIÇÃO DOS TAP’s DOS COMUTADORES

Sendo:
A, B - Contatos principais paralelos (sem arco)
a, b - Contatos principais série (de comutação)
a1, b1 - Contatos de transição
Ra, Rb - Impedâncias (resistores) de transição

COMUTAÇÃO UTILIZANDO-SE REATORES (PROJETO NORTE-AMERICANO):

Estágio 1 - Posição Simétrica na derivação “A”

(sentidos opostos de magnetização)

Estágio 2 –Posição Assimétrica

(reator introduzido no circuito)

COMUTAÇÃO UTILIZANDO-SE RESISTORES

(PROJETO EUROPEU):

Estágio 1 – Condição de operação na DERIVAÇÃO 2:

Neste estágio o contato principal fixo “a”, o contato paralelo (Ua),


e o contato de transição “b” estão na posição fechada.
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Estágio 2 – Condição de transição da DERIVAÇÃO 2:

Neste estágio ocorre a abertura do contato paralelo (Ua) e o fechamento do contato de transição
“c”.

Obs.: A condição de operação ainda é a derivação 2, porém neste instante via impedâncias de
transição “b” e “c”.

Estágio 3 - Condição de operação na DERIVAÇÃO 3:

Neste estágio ocorre a abertura dos contatos de transição “b” e “c”, o fechamento do contato de
transição “e”, do contato paralelo (Uf) e do contato principal “f”.

CLASSIFICAÇÃO DOS “CTSC” QUANTO À APLICAÇÃO

Os comutadores de tap’s sob carga, quanto à sua aplicação podem ser classificados de duas
formas:

A - Comutador de Neutro (classe I):

Destinados apenas para comutação do NEUTRO dos enrolamentos;


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B - Comutador de Linha (classe II):

Destinados a comutação em QUALQUER POSIÇÃO que não seja o neutro dos enrolamentos.

PRINCIPAIS CAUSAS DE FALHAS

As causas de falhas que ocorrem nos comutadores de tap’s sob carga estão relacionadas
principalmente ao desgaste mecânico, à baixa rigidez dielétrica e a uma manutenção deficiente,
podendo ser debitadas principalmente:

1 – Ao mecanismo de acionamento (hastes e caixa de transmissão);

2 - À chave comutadora (desviadora);

3 - Ao seletor e ao pré-seletor;

4 – Ao filtro adsorvente destinado à penetração de umidade e impurezas nos comutadores


isolados a óleo isolante.
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1 – CAUSAS DE FALHAS DEVIDAS AO MECANISMO DE ACIONAMENTO


(HASTES E CAIXA DE TRANSMISSÃO)

• Quebra dispositivo de disparo Umidade no invólucro (corrosão)


• Quebra da chave auxiliar, contatores e disjuntores
• Quebra / folga nas engrenagens
• Desajuste na chave fim-de-curso
• Problemas elétricos / mecânicos
• Solda fria nas conexões elétricas
• Falha nos rolamentos
• Gaxetas envelhecidas
• Mau fechamento da porta
• Defeito do sistema desumidificador

2 – CAUSAS DE FALHAS DEVIDAS À CHAVE COMUTADORA (DESVIADORA)

• Dielétrico
• Conexões elétricas folgadas ou sem travamento elétrico
• Reatores / resistores transição abertos
• Problemas mecânicos
• Umidade excessiva
• Carbonização do óleo
• Deposição de corpos estranhos
• Curto-circuito nos resistores
• Reatores / resistores de transição aquecidos
• Contatos gastos
• Contatos desalinhados
• Contatos com pouca pressão
• Rompimento dos condutores fixos
• Falha nas soldas
• Contatos das cordoalhas quebrados
• Quebra do mecanismo de transmissão
• Falta de sincronismo
• Molas fatigadas / quebradas

3 – CAUSAS DE FALHAS DEVIDAS AO SELETOR E AO PRÉ-SELETOR

• Dielétrico
• Elétricos
• Elevada tensão de estabelecimento
• Mecânicos
• Umidade excessiva
• Baixo isolamento das hastes
• Baixa pressão de contato
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• Operação além da chave fim-de-curso


• Quebra na transmissão
• Desalinhamento dos contatos
• Má conexão do resistor
• Polarização
• Falta ou abertura do resistor de polarização

4 – CAUSAS DE FALHAS DEVIDAS AO FILTRO ADSORVENTE

• Filtro saturado
• Inversão nas tubulações
• Desprendimento do material adsorvente (filtro)
• Inversão na seqüência do bombeamento
• Defeito na moto-bomba
• Falha no automatismo
• Deficiência na drenagem de ar após montagem ou manutenção
• Entrada de ar

FILTRAGEM DA UMIDADE E IMPUREZAS

Com a finalidade de impedir a presença da umidade e de impurezas no óleo isolante do


comutador utiliza-se uma bomba atuando sobre um filtro, conforme esquema mostrado na figura
adiante.
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MECANISMO DE ACIONAMENTO

O mecanismo de acionamento dos comutadores de tap’s sob carga possui as seguintes funções:

1 - Permitir o acionamento motorizado (com bloqueio elétrico e mecânico do motor) ou manual


através de manivela;
2 - Interromper o funcionamento do motor ao final de cada comutação;
3 - Permitir a operação passo a passo;
4 - Permitir a operação do motor nos dois sentidos (horário e anti-horário) de rotação;

5 - Possuir bloqueios elétrico e mecânico ao final de cada série de comutações


( + / - ) fim-de-curso;

6- Possuir indicador de posição do comutador;

7 - Não permitir o acionamento simultâneo do motor nos dois sentidos de operação;

8- Permitir a interrupção intencional do funcionamento nos casos de emergência;

9 - Registrar o número de operações efetuadas pelo comutador;

10 - Sinalizar.
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PRINCIPAIS DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO

COMUTADORES DE TAP’s SOB CARGA ISOLADOS A VÁCUO

• As tecnologias de comutação são as mesmas utilizadas nos comutadores isolados a óleo


mineral, exceção feita apenas à utilização do vácuo como meio isolante.
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CARACTERÍSTISCAS ELÉTRICAS DO TRANSFORMADORES REGULADORES

• Dados técnicos a serem incluídos na especificação dos transformadores reguladores:

• Potência nominal (kVA)


• Potência passante (kVA)
• Tensão nominal (kV)
• Nível de isolamento (kV)
• TSI (kV)
• Corrente Nominal (A)
• Impedância percentual nas posições nominal e extremas
• Faixa de regulação % (acima e abaixo em relação à Vn)
• Frequência nominal
• Número de fases (monofásico ou trifásico)
• Tipo de isolamento
• Normas técnicas aplicáveis

NORMAS TÉCNICAS APLICÁVEIS

• NBR-8667 - Comutadores de Derivação sob Carga – Especificação

• NBR-11809 – Reguladores de Tensão – Especificação

• ANSI C.57.95 – Voltage Regulators

ALGUNS FABRICANTES NO BRASIL

• WEG
• TOSHIBA
• ABB
• SIEMENS
• ALSTON
• GE
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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

AUTOTRANSFORMADORES

• Sua construção baseia-se em um único enrolamento (ou até mesmo dois enrolamentos em
série – construção menos usual) montado em um mesmo núcleo magnético;

• Daí, registra-se sua grande desvantagem, uma vez que, qualquer falta em um dos níveis
de tensão se transfere para o outro nível, considerando que não existe isolação galvânica
pois o enrolamento é comum.

• As perdas nos autotransformadores são do mesmo tipo daquelas que se apresentam nos
transformadores de potência convencionais (no ferro e no cobre);

• Considerando no entanto que sua construção abriga um único núcleo magnético e que
tanto o enrolamento do primário e do secundário são comuns, é de se esperar que esses
equipamentos apresentem maior rendimento (maior eficiência);

• Porém, observa-se que o rendimento depende da relação de transformação, ou seja, em


um autotransformador de relação 1:1 a eficiência será máxima e, quanto mais distante da
relação 1:1, maiores serão as perdas (e, consequentemente, menor será sua eficiência).

• Explicação: Na relação 1:1 toda potência é transferida através da conexão elétrica e nada
é transferido via fluxo magnético e a corrente no enrolamento é a corrente de excitação,
que é muito baixa.
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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

Em resumo:

Um autotransformador é composto por um único enrolamento, do qual sé retirado um ou mais


TAP’s, de modo a fornecer uma ou mais tensões secundárias diferentes.

Para os autotransformadores elevadores temos:

Para os autotransformadores abaixadores temos:


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Para os autotransformadores abaixadores temos:

Na especificação dos autotransformadores devem ser incluídos, no mínimo, os seguintes


parâmetros técnicos:

• Potência nominal (kVA)


• Relação de transformação
• Tensão em cada TAP
• Classe de tensão de isolamento (kV)
• TSI (kV)
• Corrente nominal em cada TAP
• Impedância percentual
• Frequência nominal (Hz)
• Perdas no ferro e no cobre (W)
• Rendimento (%)
• Tipo de isolamento (a óleo, a seco)
• Normas técnicas aplicáveis

ALGUNS FABRICANTES NO BRASIL

ABB

SIEMENS

TOSHIBA
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TRANSFORMADORES DE ISOLAMENTO

• A exemplo dos outros transformadores especiais, os transformadores de isolamento


também se prestam a aplicações específicas nos sistemas elétricos.

• Em geral, eles possuem dois enrolamentos (primário e secundário) independentes, porém


enrolados em um mesmo núcleo magnético, podendo ser monofásicos ou trifásicos.

Nos sistemas elétricos são úteis quando se deseja:

a) reduzir os efeitos de problemas que porventura surjam nas redes de alimentação elétrica,
a exemplo dos ruídos, picos de tensão, surtos, e transientes;

b) introduzir nas linhas aéreas de distribuição uma impedância entre a linha e a carga, de
modo a reduzir os níveis de curto-circuito na tensão de consumo;

E ainda:

c) promover uma isolação galvânica entre os diferentes níveis


de tensão;

d) promover segurança pessoal (recomendação da NR 10).


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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

Dados técnicos mínimos a serem considerados na especificação técnica:

• Potência nominal (kV)


• Relação de transformação
• Classe de isolamento nominal (kV)
• TSI (kV)
• Correntes primária e secundária nominal (A)
• Frequência nominal (Hz)
• Normas técnicas aplicáveis

TRANSFORMADORES DE ATERRAMENTO

• O transformador de aterramento é utilizado com a finalidade de criar um caminho físico à


terra nos sistemas elétricos com neutro isolado (ou neutro flutuante), estabelecendo,
portanto, condições para a circulação das correntes devidas a desbalanços de carga e,
principalmente, para promover o retorno das correntes resultantes dos curtos-circuitos
fase-terra nos sistemas limitados via impedância.

• São construídos usualmente na conexão zig-zag ou ainda na conexão estrela-triângulo.


• A conexão zig-zag é a preferencial uma vez que é a mais econômica e de construção
mais simples
• Cada fase possui 2 enrolamentos conectados em oposição, de modo a se obter uma
elevada impedância às correntes de fase.
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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

• A partir do diagrama fasorial da ligação zig-zag pode ser analisado o deslocamento


angular entre as fases e o neutro, considerando-se que cada uma delas possui dois
enrolamentos conectados em oposição.

CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS

Construtivamente, os transformadores de aterramento se assemelham a qualquer outro


transformador. Os de menor potência usualmente são utilizam o isolamento do tipo seco (resina)
enquanto que os de maior potência e tensão possuem o isolamento do tipo óleo mineral.

APLICAÇÃO DO TRANSFORMADOR DE ATERRAMENTO EM UMA SUBESTAÇÃO


ELÉTRICA
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Dados técnicos a serem incluídos na especificação:

• Tensão primária: (kV) – Tensão do sistema elétrico no qual o transformador será


conectado;

• Potência Nominal (kVA) – O transformador de aterramento deve ser dimensionado com


capacidade de transportar continuamente as correntes de fase, sem exceder os limites de
sua classe de temperatura;

• Corrente do neutro (A) – Equivalente a 3 vezes a corrente de fase (ou a corrente de


sequência zero);
• Correntes de curta-duração (kA) – Correntes que o transformador deve suportar em um
curto tempo (da ordem de segundos);

• Impedância percentual – Deve ser dimensionada de forma que a tensão nas fases sãs
durante uma falta para a terra se situem dentro da capacidade de sobretensão temporária
do transformador e do equipamento ao qual esteja associado;

• TSI: (kV) – De acordo com a coordenação de isolamento do sistema;

• Freqüência nominal: (Hz): De acordo com a frequência do sistema;

• Normas técnicas aplicáveis

TRANSFORMADORES DESTINADOS A FORNOS A ARCO

• Os transformadores destinados a fornos a arco têm por finalidade atuar nos processos
metalúrgicos, promovendo a fusão de materiais metálicos a partir da injeção de elevadas
correntes elétricas aos eletrodos de grafite dos fornos, através de arcos elétricos de
elevada intensidade entre os referidos eletrodos.
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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

• A fonte de tensão AC é suprida a partir do sistema elétrico de potência, sendo o primário


destes transformadores usualmente na tensão da ordem de 33 a 230 kV e o secundário em
baixa tensão (na faixa de 20 a 400V, podendo atingir em alguns projetos os níveis de até
1000 a 1500V).

• As potências envolvidas situam-se entre 10 e 150MVA, sendo que nos projetos mais
recentes são obtidas potências de até 200MVA. Daí, pode-se concluir-se que as correntes
secundárias podem atingir elevados valores (de até 200 kA).

• Estes transformadores utilizam a conexão estrela-triângulo, com regulação da tensão no


lado primário através de comutadores sob carga.

• O secundário é conectado em curto-circuito aos eletrodos de grafite durante o processo de


fusão do metal, devendo ser dada uma especial atenção às sobretensões e correntes
harmônicas presentes no circuito.
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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

• Os elevados valores de correntes justificam portanto o dimensionamento das grandes


seções das barras de conexão do secundário

EXEMPLOS DA ORDEM DE GRANDEZA DOS PARÂMETROS TÉCNICOS

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• ABB

• ALSTON

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UNIDADE 12

CAPACITORES DE POTÊNCIA
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Conceituação

CAPACITOR

É um dispositivo elétrico utilizado para introduzir capacitância em um circuito elétrico (obs.:


deve ser evitado o uso do termo condensador no lugar de capacitor).
Pode também ser considerado como um sistema de condutores e dielétricos dispostos de tal
modo que uma grande carga elétrica seja armazenada em um pequeno volume.

CAPACITOR DE POTÊNCIA

Capacitor projetado para fornecer potência capacitiva a um sistema de potência (obs.: geralmente
é utilizado o termo “capacitor” quando não é necessário explicitar se se trata de uma unidade
capacitiva ou de um banco de capacitores).

UNIDADE CAPACITIVA

Também designada “lata” ou “célula”, é o conjunto formado pela associação série/paralelo de


capacitores individuais.

BANCO DE CAPACITORES

É o conjunto de capacitores de potência, incluindo-se ainda a estrutura suporte, os dispositivos


de manobra, controle e proteção necessários, montados de modo a se constituir em um
equipamento completo.

POTÊNCIA ATIVA

Valor médio da potência instantânea durante um período. É considerada também como sendo a
capacidade real das máquinas de produzir trabalho útil, expresso em quilowatt (kW).

POTÊNCIA REATIVA

É a parte imaginária da potência complexa em regime permanente senoidal.


É considerada também como sendo a potência utilizada para produzir o fluxo magnético
necessário ao funcionamento das cargas indutivas (motores, transformadores, reatores etc.),
usualmente expressa em quilovolt-ampére reativo (kVAr).
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POTÊNCIA APARENTE

É o produto dos valores eficazes de tensão e corrente. É a potência total absorvida por uma
instalação elétrica, usualmente expressa em quilovolt-ampère (kVA). É obtida pela soma
geométrica da Potência Ativa (kW) com a Potência Reativa (kVAr).

POTÊNCIA NOMINAL DE UM CAPACITOR

É a potência reativa (kVAr), sob tensão e freqüência nominais, para a qual foi projetado o
capacitor.

PERDAS DO CAPACITOR

É a potência ativa (kW) consumida pelo capacitor, quando operando em suas condições
nominais.

CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS DOS CAPACITORES DE POTÊNCIA


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A UNIDADE CAPACITIVA

A parte ativa principal de uma unidade capacitiva consiste de um filme de polipropileno,


montado em camadas intercaladas com folhas metálicas de alumínio, fluido dielétrico de
impregnação, preferencialmente biodegradável.

FLUIDO DIELÉTRICO DA UNIDADE CAPACITIVA

Inicialmente, optou-se pelo askarel (pentaclorodifenil) como fluido impregnante da unidade


capacitiva. No entanto, devido às suas reconhecidas características adversas à saúde e ao
ambiente, tornou-se necessária sua substituição. Nos equipamentos mais modernos, o
impregnante utilizado é um produto químico designado “isopropildifenil”, que atende às
propriedades elétricas e físicas, além de possuir a vantagem de ser biodegradável.

O CAPACITOR

Capacitor, ou “lata”, ou “célula” é o conjunto formado pela associação série/paralelo de várias


unidades capacitivas individuais. As figuras a seguir mostram um conjunto típico e a
representação de seu esquemático.

1. Resistor interno de descarga;


2. Fusível interno de proteção;
3. Unidades capacitivas.
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O CAPACITOR

Um ponto de relevante importância diz respeito à localização dos fusíveis de proteção das
unidades capacitivas. Embora os mesmos possam ser instalados externamente, atualmente existe
uma forte tendência para que os mesmos sejam instalados internamente. As alternativas são as
seguintes:

a) Quando um capacitor individual se danifica, o seu respectivo fusível interno se queima


mas ainda assim a unidade pode continuar operando. Deve-se ressaltar que, neste caso, os
elementos restantes ficarão sujeitos a uma pequena sobretensão e, por isso, haverá
redução na vida útil destes elementos;
b) No caso de se utilizarem fusíveis externos, a principal vantagem é a facilidade visual de
localização do elemento defeituoso, sendo sua substituição efetuada com relativa
facilidade.

Conforme mostrado anteriormente, na parte superior da unidade capacitiva, é instalado um


resistor interno de descarga. Este dispositivo, para fins de segurança pessoal, tem por finalidade
reduzir a tensão armazenada na unidade a 50 Volts ou menos (tensão de segurança) em um
determinado tempo - normalmente são estimados 5 minutos - após o capacitor ter sido desligado
da fonte de tensão.
As unidades capacitivas, resistores e fusíveis quando instalados no interior de um invólucro,
provido de buchas de passagem interna-externa, constituem o chamado capacitor. Os principais
componentes do invólucro são os seguintes:
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OS BANCOS DE CAPACITORES

Os bancos de capacitores são constituídos por uma associação série/paralelo de capacitores. Para
seu correto dimensionamento, normalmente é feito um estudo técnico-econômico levando-se em
consideração a função que os mesmos irão desempenhar no sistema elétrico. Exemplos de
bancos de capacitores:
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PRINCIPAIS REQUISITOS PARA ESPECIFICAÇÃO DE UM BANCO DE


CAPACITORES

Para especificação de um banco de capacitores deverão ser mencionadas, no mínimo, as


seguintes características:

ESQUEMAS DE LIGAÇÃO

Normalmente, são utilizados para os Bancos de Capacitores em derivação os seguintes


esquemas:
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APLICAÇÃO DAS LIGAÇÕES EM DELTA OU DUPLO DELTA

Os esquemas de ligação dos Bancos de Capacitores nestas configurações são empregados


normalmente, por razões de ordem econômica, para as classes de tensão não superiores a 2,4kV.

LIGAÇÃO EM ESTRELA

Estrela Aterrada - Vantagens:

Normalmente são auto-protegidos contra surtos atmosféricos e, por esta razão, não são
necessários pára-raios adicionais para esta finalidade.
Como um banco aterrado fornece um caminho de escoamento de baixa impedância para
correntes de altas frequências, então, estes poderão ser utilizados como filtros em
sistemas na presença de harmônicos.
Como, neste caso, o neutro é fixo, a tensão transitória de restabelecimento dos disjuntores
(ou fusíveis) é relativamente baixa.

Estrela Aterrada - Desvantagens:

Aumentam a interferência nos circuitos de comunicação em virtude da circulação de


correntes harmônicas para a terra;
Devido à circulação de correntes harmônicas, podem surgir problemas de atuações na
proteção de sobrecorrente do banco, queima de fusíveis acima do normal, além de
possíveis danificações nos invólucros;
Devem ser instalados obrigatoriamente reatores série como forma de diminuir o produto
módulo X frequência da corrente transitória, da descarga dos bancos para curtos-
circuitos e/ou instalar limitadores de tensão no secundário dos TC’s da subestação.
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Estrela Isolada - Vantagens:

Não provocam interferências nos circuitos de comunicação;


Dependendo do risco assumido, não há necessidade de preocupação com relação à
proteção do secundário dos TC’s, como no caso do neutro aterrado.

Estrela Isolada - Desvantagens:

O neutro do banco deverá ser isolado para tensão de fase o que, para tensões acima de
15kV pode se configurar como uma situação dispendiosa;
Deverá ser dada especial atenção às tensões transitórias de restabelecimento dos
equipamentos de manobra do banco. Isto pode encarecer o disjuntor ou seccionadores
utilizados no Banco de Capacitores.

ESCOLHA DO TIPO DE LIGAÇÃO

A escolha do tipo de ligação a ser empregada em um Banco de Capacitores em AT ou EAT


depende essencialmente do tipo de aterramento do sistema elétrico. Conforme foi mencionado
anteriormente, nos sistemas elétricos de potência é dada preferência à ligação estrela, observados
os estudos específicos para o aterramento do neutro.

CRITÉRIOS PARA DIMENSIONAMENTO

Para o dimensionamento de um Banco de Capacitores, deve-se definir:

a) A potência nominal de cada capacitor (kVAr), a qual deverá estar relacionada à maior
potência e tensão do sistema elétrico, de modo a resultar em um menor custo unitário por
kVAr;
b) A potência total deverá estar compreendida na faixa de 95 a 105% do valor
dimensionado nos estudos;
c) A tensão nominal do banco não deverá ser, necessariamente, a tensão nominal do sistema
elétrico, mas igual ou superior à tensão máxima prevista para a sua operação;
d) A sobretensão em um grupo de capacitores quando na falha de um capacitor não poderá
ser superior a 10%;
e) A potência do Banco de Capacitores deve ser definida de comum acordo entre os setores
responsáveis pela operação do sistema elétrico.
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MODELO REPRESENTATIVO DE UM CAPACITOR

Um capacitor poderá ser representado esquematicamente utilizando-se o seguinte modelo:

Sendo:

Rp = resistência das perdas dielétricas à tensão e potência no capacitor;


Rd = resistência de descarga;
C = capacitância do capacitor.

Comentário: os valores de C e Rp deverão ser compatíveis com a finalidade para a qual o


capacitor irá operar.

MODELO REPRESENTATIVO DE UM BANCO DE CAPACITORES

Conforme já mencionado, um Banco de Capacitores é constituído pela associação série/paralelo


de capacitores. Desta forma, o modelo de um Banco de Capacitores pode ser facilmente
entendido como a associação série/paralelo do modelo de um capacitor, ressaltando-se que, para
os parâmetros Rp e C, deverão ser adotados valores conservativos impostos pela tensão e
potência do banco.

POTÊNCIA DO BANCO DE CAPACITORES (kVAr)

A potência de um banco de capacitores trifásico medida a partir das capacitâncias monofásicas


Ca, Cb e Cc pode ser obtida da seguinte equação:

Sendo:

P = potência do banco (kVAr);


Ca, Cb e Cc = capacitâncias medidas entre os terminais de linha de um Banco de
Capacitores trifásico;
Vn = tensão nominal do sistema (kV);
F = frequência da rede (Hz).
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Comentários:

a) Os Bancos de Capacitores de alta tensão são, normalmente, constituídos por capacitores


monofásicos de 25, 50, 100, 150 ou 200 kVAr;
b) A potência nominal é definida para uma temperatura de referência de 20ºC, admitindo-se
uma tolerância de -5% a 10% para os capacitores e de 0% a +10% para os bancos de
capacitores. Os valores usuais de fabricação situam-se na faixa de 102 a 108% do seu
valor nominal;
c) O gráfico apresentado a seguir mostra a variação aproximada da potência reativa de um
capacitor operando à tensão nominal, em função da temperatura ambiente.

CURVA DA VARIAÇÃO DA POTÊNCIA DE UM CAPACITOR EM FUNÇÃO DA


TEMPERATURA AMBIENTE

SOBRETENSÕES NOS BANCOS DE CAPACITORES

Conforme norma ABNT, os capacitores devem ser capazes de operar continuamente sob uma
tensão RMS entre os terminais (incluindo-se os harmônicos)de até 1,10 vezes a tensão nominal
(excluindo-se os transitórios). No entanto, estas sobretensões afetarão a vida útil dos capacitores:
por exemplo, operando-se permanentemente com sobretensões acima de 10% da tensão
nominal, implica na redução de cerca de 45% de vida útil do equipamento. Apesar deste
inconveniente, é de se observar que os capacitores devem ser capazes de suportar sobretensões
acima de 10% da nominal em condições de emergência.

O gráfico a seguir apresenta a curva da redução percentual da vida útil de um capacitor de


200kVAr, 4140 a 4360V em função da tensão aplicada aos seus terminais.
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SOBRETENSÕES NOS CAPACITORES

A tabela abaixo apresenta os valores de sobretensões máximas admissíveis para a frequência


industrial, sem a superposição de transitórios.

SOBRECORRENTES NOS CAPACITORES

Conforme norma ABNT, os capacitores devem ser capazes de operar continuamente com
correntes RMS de valores 1,8 vezes a corrente nominal, o considerados os componentes
fundamentais e harmônicos de corrente, mantidos os limites estabelecidos de tensão e potência
máximas de funcionamento. Para as correntes transitórias, os capacitores devem ser capazes de
suportar os picos de corrente de descarga.

A sobrecarga admissível nos capacitores é da ordem de 135% da sua potência nominal. Esta
sobrecarga inclui os reativos devidos às:

Sobretensões entre 100% e 110% da tensão nominal na frequência nominal;


Correntes harmônicas;
Tolerâncias no processo de fabricação.
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PRINCIPAIS APLICAÇÕES NOS SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

a) Corrigir o fator de potência da instalação;


b) Liberar a capacidade (kVA) das fontes supridoras;
c) Compor filtros para minimizar a presença de harmônicos quando associado a indutores.

UMA BREVE REVISÃO: O QUE É FATOR DE POTÊNCIA?

Para entendermos melhor o significado do termo “fator de potência” imaginemos a seguinte


analogia: um animal traciona um trolley sobre os trilhos de uma ferrovia. Por causa dos
dormentes entre os trilhos, o animal foi obrigado a caminhar do lado de fora deles. Portanto, o
animal está puxando o trolley em um determinado ângulo em relação ao qual o trolley está se
dirigindo. O esforço total feito pelo animal é comparado à potência aparente. No ângulo em que
o animal está puxando, nenhuma força é utilizada para mover o trolley, ou seja, o trolley não se
desloca em ângulo.

Conclusão: o esforço que o animal faz nesta direção é comparado à potência reativa.

CAPACITORES NA CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA

O ângulo em que o animal está puxando o trolley é denominado “fator de potência”, o qual
pode ser definido como sendo a relação entre a potência efetivamente desenvolve trabalho e a
potência aparente. Caso o animal se desloque em direção à linha de centro dos trilhos, o ângulo
irá diminuir e o valor da potência real desenvolvida se aproximará do valor da potência aparente.
Então, a relação entre a potência real (que desenvolve trabalho) e a potência aparente se
aproximará da unidade, ou seja, o fator de potência se aproximará de 1 e a potência reativa se
aproximará de 0.
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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

Exemplificando:

Conclusão: apenas 70% da corrente está sendo utilizada para produzir potência útil.

Suponha agora que seja adicionada ao sistema elétrico um total de 67kVAr. Considerando que a
capacitância está deslocada de 180º em relação à indutância, o sentido da capacitância será o
seguinte:

Conclusão: F . P . Antes = 100:142 = 0,70 ou 70%


F . P . Depois = 100:105 = 0,95 ou 95%

A maioria das cargas dos sistemas de distribuição de energia são indutivas, a exemplo dos
motores elétricos, transformadores, reatores etc. A principal característica das cargas indutivas é
que elas necessitam de um campo eletromagnético para operar. Por esta razão, elas consomem os
dois tipos de potência elétrica estudados: potência ativa (kW) e potência reativa (kVAr).
A potência ativa (kW) serve para gerar trabalho, sendo que a potência (kVAr) se presta para
manter o campo eletromagnético. Esta última não produz trabalho mas circula entre a fonte de
suprimento de energia e a carga, o que exige do sistema elétrico uma corrente adicional.
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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

Nos circuitos em VCA puramente resistivos, as ondas de tensão e corrente elétrica estão em fase.
Quando as cargas reativas estão presentes, tais como capacitores e indutores, resulta em uma
diferença de fase entre as ondas de tensão (V) e de corrente (I).

CAPACITORES COMPONDO FILTROS PARA MINIMIZAÇÃO DA PRESENÇA DE


HARMÔNICOS.

Como se sabe, em um sistema elétrico existem várias fontes geradoras de harmônicos, dentre as
quais podemos citar: transformadores, retificadores, fornos a arco e geradores.
Para a frequência gerada em 60Hz, tem-se:
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Dos harmônicos gerados pelos transformadores, os de 3ª, 5ª e 7ª ordens são os mais importantes.
O de 3ª ordem e seus múltiplos são reduzidos praticamente a 0 quando ligados em delta e os de
5ª e 7ª normalmente são desprezíveis, mas podem atingir valores consideráveis quando as
tensões nos transformadores ou outros equipamentos saturáveis atingem valores elevados.
No caso dos retificadores, os harmônicos gerados dependem do número de pulsos a que estão
constituídos. Na maioria dos sistemas de potência são utilizados retificadores de 6 ou 12 pulsos.
A tabela a seguir apresenta os harmônicos gerados por essas fontes:

A presença desses harmônicos pode provocar sobrecarga nos capacitores devido ao aumento da
corrente circulante, uma vez que a reatância capacitiva, como se sabe, é inversamente
proporcional à frequência.

Altas frequências devem ser, portanto, evitadas, uma vez que provocam o rápido envelhecimento
do dielétrico dos capacitores.

Para se diminuir os harmônicos no sistema, recomenda-se a adoção das seguintes medidas:

a) Diminuir as sobretensões no sistema, desligando-se os bancos de capacitores sempre que


a presença destes for desnecessária (como por exemplo na alimentação de cargas leves);
b) Distribuir adequadamente os bancos de capacitores em diversas partes do sistema, para se
evitar o acúmulo de reativos em um único ponto;
c) Utilizar filtros de harmônicos nos pontos mais importantes.

Tendo em vista que os capacitores estão sujeitos a sobrecargas em decorrência de harmônicos


gerados no sistema, é comum para o cálculo da corrente nominal de um Banco de Capacitores,
aplicar o fator 1,25 vezes a corrente nominal do banco para as configurações de bancos não
aterrados (isolados) e 1,35 vezes a corrente nominal para bancos aterrados.
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CONFIGURAÇÕES USUAIS EM FUNÇÃO DOS TIPOS DE INSTALAÇÃO

TIPOS USUAIS DE INSTALAÇÃO DOS CAPACITORES


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CAPACITORES SÉRIE

Além dos capacitores em derivação já mencionados, os capacitores podem também ser


conectados na ligação série. Em tais casos, a corrente através dos mesmos varia com a corrente
de carga. Com isso, a elevação de tensão no Banco de Capacitores série possibilita a eliminação
da queda de tensão resultante da reatância indutiva série da linha. Além de reduzir a regulação de
tensão de uma linha, o uso dos capacitores série pode substancialmente elevar a estabilidade
desta linha.

ENSAIOS DE FABRICAÇÃO

Segundo as normas ABNT, os seguintes ensaios de fabricação são efetuados nos bancos de
capacitores:
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NORMATIZAÇÃO

ALGUNS FABRICANTES NO BRASIL

LAEC;

EPCOS AG;

ABB;

TLA CAPACITORES;

INEPAR;
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UNIDADE 13

ENSAIOS ELÉTRICOS NOS EQUIPAMENTOS


DO SEP
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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

Os ensaios elétricos são a melhor forma de se comprovar o desempenho de todos os


componentes dos sistemas elétricos em suas diversas etapas (projeto, fabricação, posta-em-
marcha, após energização e manutenção).
No caso específico desta unidade de ensino, serão abordados especificamente os ensaios elétricos
aplicáveis aos equipamentos do SEP.

ETAPAS EM QUE SÃO EFETUADOS OS ENSAIOS ELÉTRICOS

CLASSIFICAÇÃO DOS ENSAIOS ELÉTRICOS


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CONCEITUANDO OS PRINCIPAIS ASPECTOS

ENSAIOS ELÉTRICOS

Procedimentos a que são submetidos os componentes do sistema elétrico para determinação de


uma ou mais de suas características.
Podem ser efetuados no local onde serão instalados em definitivo, em laboratório ou em fábrica.

ENSAIOS ELÉTRICOS DE FABRICAÇÃO

Também designados “ensaios de aceitação” ou “ensaios de recebimento” são os ensaios


contratuais para demonstrar ao comprador que o produto ensaiado satisfaz a certas condições de
sua especificação.

ENSAIOS DE ROTINA

Tratam-se de ensaios realizados para verificar se o item ensaiado está


em condições adequadas de funcionamento ou de utilização, de acordo
com a respectiva especificação.
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ENSAIOS DE TIPO

Tratam-se de ensaios realizados em uma ou mais unidades fabricadas segundo um certo projeto
com a finalidade de demonstrar que este projeto satisfaz a certas condições especificadas.
Caso seja combinado entre as partes, estes ensaios poderão ser substituídos por um ensaio
efetuado em um protótipo similar ao equipamento a ser ensaiado.
Se o comprador optar pela execução do ensaio, será responsabilizado pelos custos
correspondentes.

ENSAIOS DE SUPORTABILIDADE

Tratam-se de ensaios realizados em condições especiais que incluem situações particulares


durante um determinado tempo, para verificar se o item ensaiado é capaz de suportar a
solicitação que lhe é imposta.
Essas situações podem incluir repetições e condições especialmente severas (impulsos, curtos-
circuitos, sobretensões, vibrações, choques etc.)
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ENSAIOS DE CAMPO

Tratam-se de ensaios realizados em um equipamento elétrico no local de sua instalação, com a


finalidade de demonstrar que ele foi instalado e ligado corretamente e que se encontra em
condições adequadas de funcionamento.

ENSAIOS DE CONFORMIDADE

Tratam-se de ensaios utilizados para demonstrar se uma característica ou propriedade de um item


está em conformidade com os requisitos estabelecidos.

São exemplos de ensaios de conformidade:

a) ensaios de determinação feitos no local de utilização, registrando as condições de


operação ambientais, de medidas e de manutenção;

b) ensaios efetuados em laboratório, sob condições prescritas e controladas, que podem ou


não simular condições de campo.
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ENSAIOS DE COMISSIONAMENTO

Tratam-se de ensaios onde se procura confirmar que, mesmo após as etapas de transporte e
montagem, o equipamento se mantém em condições satisfatórias, confirmando seu desempenho
apresentado durante os ensaios de fabricação.
Incluem-se ainda nesta etapa, os ajustes finais dos parâmetros operacionais (relés, instrumentos
etc.).

RESUMO DOS ENSAIOS DE ROTINA USUAIS NOS PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS


ELÉTRICOS DO SEP
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(*) No caso da elevação da temperatura para curto tempo (p.ex.: 10s), a Norma permite a
avaliação da elevação da temperatura via cálculos analíticos.
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RESUMO DOS ENSAIOS DE TIPO USUAIS NOS PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS


ELÉTRICOS DO SEP
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RESUMO DOS ENSAIOS DE COMISSIONAMENTO USUAIS NOS PRINCIPAIS


EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS DO SEP
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INSTRUMENTOS USUALMENTE UTILIZADOS NOS ENSAIOS NOS


EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS DO SEP

MEGÔHMETROS

Medem a resistência de isolação (MΩ) e absorção dielétrica. Utilizam uma fonte de VCC nas
escalas de 500, 1000, 2000 e 5000 volts para uma faixa de medição de 0,001 a 200 Teraohms.

MULTÍMETROS

Instrumentos portáteis destinados à medição instantânea de parâmetros, tais como V, R, I,


Temperatura etc. São especificados para as categorias I, II, III e IV de acordo com sua
capacidade de suportar transitórios e ainda relacionado com o local de sua operação.
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HIPOT

Instrumentos utilizados para verificar a suportabilidade dos isolamentos elétricos à aplicação de


tensões, mediante a medição da corrente de fuga ou disrupção, podendo ser utilizadas tensões
VCA e VCC. São fabricados para os diversos níveis de tensão.

MICROHMIMETROS (Ponte Kelvin) - DUCTER

Instrumentos utilizados na medição de pequenas resistências, com resoluções a partir de 0,1µΩ,


como por exemplo resistências de contato em chaves seccionadoras, disjuntores etc.

MEDIDORES DE RELAÇÃO DE TRANSFORMADORES (TTR)

Instrumentos utilizados na medição da relação de espiras de transformadores monofásicos ou


polifásicos.
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FONTES DE ALTA TENSÃO

Fornecem tensões VCA ou VCC da ordem de 5 a 200 kV com potência da ordem de até 300
kVA.

FONTES DE ALTAS CORRENTES

Fornecem correntes VCA (da ordem de até 20.000A) e VCC (da ordem de até 5.000A).
Disponibilizam também tensões para ensaio de excitação, ensaios de polaridade, continuidade de
tensão e corrente.

PONTES DOBLE (MEU)

Executam a medição do fator de potência do isolamento, ou seja, verificam previamente o estado


da isolação interna dos equipamentos.
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DÉCADAS DE RESISTÊNCIA

Executam a medição de valores de resistências ôhmicas com precisão (p.ex.: em resistores de


aterramento).

ENSAIOS DE ÓLEO ISOLANTE

ENSAIOS DE DESCARGAS PARCIAIS

As descargas parciais (DP) são descargas elétricas resultantes da presença do campo elétrico
atuando no sistema de isolação. A princípio, as descargas parciais não causam uma disrupção
(rompimento) completa da isolação e seus efeitos a curto prazo podem não ser considerados
catastróficos.

Caso, no entanto, o campo elétrico sobre o dielétrico seja intenso durante um longo período,
essas descargas podem deteriorar lentamente a qualidade da isolação.
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As DP podem ocorrer onde existam bolhas de ar ou descontinuidades no dielétrico. Devido à


modificação das características do dielétrico nos espaços com ar ou gás, o stress elétrico
localizado nestes locais pode ser suficiente para causar descargas. Estas resultam de impulsos de
corrente de alta freqüência, os quais podem ser detectados utilizando-se um instrumento
adequado, designado “medidor de descargas parciais”.

As descargas parciais são medidas em picocoulombs (pC), unidade de carga elétrica. O ensaio
deve ser realizado antes e depois do ensaio de tensão no dielétrico. Deve ser aplicada uma tensão
de frequência 60 Hz, com valor de 120% da tensão máxima de operação, sendo que os valores
obtidos não devem ultrapassar aqueles estabelecidos pelas normas técnicas, a exemplo da ABNT
NBR 8017/83.

OSCILÓGRAFOS

Destinam-se a analisar e registrar as formas de onda presentes nos circuitos durante os ensaios.

GERADOR DE IMPULSOS

Entre as diversas técnicas utilizadas para a geração de impulsos de tensão, a mais prática e
eficiente é a que utiliza uma associação de capacitores em um circuito desenvolvido por Marx no
início do século, podendo ser utilizado tanto para a geração de impulsos atmosféricos quanto os
de manobra. O circuito multiplicador de Marx está apresentado na figura abaixo, constituído por
apenas 4 estágios, onde RL é denominada resistência de carga, RS a resistência de frente, Rp a
resistência de cauda e Cs a capacitância de cada estágio, sendo o objeto de ensaio representado
somente por sua capacitância Cb, em relação à terra.
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GERADOR DE IMPULSOS

O princípio de funcionamento do gerador de impulso consiste em carregar os capacitores Cs de


todos os estágios em paralelo, através de uma fonte de corrente contínua usualmente com tensão
máxima da ordem de 50 kV a 200 kV, e, terminado o período de carga, a energia armazenada no
gerador de impulso é descarregada no terminal de alta tensão do objeto sob ensaio, pela
disrupção intencional dos centelhadores de esfera SG, conectando, assim, todos os estágios em
série. A tensão máxima a ser aplicada ao objeto sob ensaio será, então, a soma das tensões de
carga armazenadas nos estágios individuais. Considerando-se, por exemplo, um gerador de
impulso formado por 16 estágios, sua tensão máxima de carga será equivalente a 3.200 kV,
quando todos os estágios tiverem sido individualmente carregados com a tensão de 200 kV.

DIVISORES RESITIVO E CAPACITIVO

Os divisores resistivo e capacitivo fazem parte integrante do kit de instrumentos utilizados nos
circuitos e testes nos laboratórios de EAT.
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CENTELHADORES DE ESFERA

Os centelhadores de esfera se prestam para promover a disrupção do isolamento nos ensaios de


aplicação de tensão.

10 DICAS DE SEGURANÇA PESSOAL PARA A REALIZAÇÃO DOS ENSAIOS


ELÉTRICOS

1. Sinalize adequadamente o local dos ensaios (delimitando sua área de trabalho e de


passagens), bem como o equipamento em teste;
2. Utilize equipamentos de testes dentro do prazo de validade de sua aferição e adequados a
cada ensaio que for efetuar;
3. Nunca efetue ensaios sozinho;
4. Certifique-se que o equipamento a ser ensaiado está desenergizado e em condições de ser
submetido aos testes;
5. Use sempre todos os EPI’s que forem recomendados;
6. Confirme que todos os componentes da equipe de testes destacada para os trabalhos
conhece e domina as técnicas dos ensaios;
7. Impeça a presença de estranhos;
8. Avalie previamente se todas as facilidades foram previamente disponibilizadas;
9. Avalie se as condições atmosféricas / ambientais são adequadas antes de se iniciarem os
ensaios;
10. Nunca improvise. Use apenas fiação, conexões, instrumentos etc. em perfeitas condições
de trabalho.
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IMAGENS DE ENSAIOS DE IMPULSO EM LABORATÓRIO DE A.T.

IMAGENS DE ENSAIOS DE FLASHOVER EM COLUNAS DE ISOLADORES.

ALGUNS LABORATÓRIOS DE EAT NO BRASIL

LEAT UFMG; CEPEL; USP; TRANSFORMADORES TOSHIBA; UNICAMP;


INSTITUTO DE ELETROTÉCNICA – USP; EFEI (ITAJUBÁ)
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UNIDADE 14

ESTRUTURA DA MANUTENÇÃO DOS


EQUIPAMENTOS DO SEP
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1 – INTRODUÇÃO

A excelência dos processos em atividades que impliquem no emprego de equipamentos


para a produção de um bem, passa pela necessidade de que estes equipamentos estejam
funcionando de acordo com a capabilidade deles esperada;
A manutenção assume, portanto, hoje, um papel importantíssimo no contexto industrial,
influenciado diretamente na produtividade e nos custos.
Este fato justifica a crescente necessidade da ação das atividades de manutenção como
instrumento auxiliar, mas determinante na qualidade do bem.
Sob o aspecto técnico, as práticas de manutenção têm apresentado constante evolução,
porém ainda existem carências quanto aos métodos de tomada de decisão que permitam
selecionar a “melhor” política de manutenção para um equipamento.

Sua finalidade básica se resume em manter os equipamentos funcionando a maior parte do


tempo e a custos baixos

2 – CONCEITO DE “MANUTENÇÃO”

“Conjunto de conhecimentos, técnicas e habilidades cuja aplicação tem por objetivo único
garantir a funcionabilidade dos sistemas ao longo de toda a vida útil planejada”.
Ou, em uma visão mais simples:
“Conjunto de procedimentos para manter as máquinas em boas condições de funcionamento e
prolongar sua vida útil”.

3 – VANTAGENS DE UM BOM PROGRAMA DE MANUTENÇÃO

Garantir a manutenção nos níveis de segurança e confiabilidade dos equipamentos;


Elevar a vida útil dos equipamentos;
Restaurar a segurança, confiabilidade e a capacidade de um equipamento quando o
desempenho do mesmo se torna insatisfatório;
Reduzir o tempo de parada dos equipamentos;
Organizar um banco de dados com informações suficientes que permitam a melhoria dos
equipamentos;
Atingir esses objetivos com menor custo possível;
Agregar valor ao produto final.
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4 – ENFOQUE TRADICIONAL DA MANUTENÇÃO

Todas as falhas são ruins e, portanto, devem ser prevenidas.

Esta filosofia é pouco realista por duas razões:

a) Tecnicamente, é quase impossível evitar todas as falhas

b) Para que se possa antecipá-las, os recursos financeiros destinados à manutenção são


demasiadamente elevados, comprometendo a operacionalidade da empresa.

5 – FRASES TRADICIONAIS SOBRE A MANUTENÇÃO

Quando tudo vai bem, ninguém lembra que ela existe;


Quando algo vai mal, dizem que ela não existe;
Quando é para se gastar, dizem que não é preciso que ela exista.
Quando ela não existe...
Todos concordam que ela deveria existir!

6 – EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA MANUTENÇÃO


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7 – GLOSSÁRIO

Capacidade: capacidade real de um dispositivo de desempenhar suas funções com os


parâmetros esperados.
Dispositivo: qualquer item físico de uma instalação ou equipamento que tenha papel atuante em
seu desempenho.
Falha: a falha de um dispositivo fica caracterizada quando ele não mais é capaz de desempenhar
uma ou mais de suas funções ainda que não esteja completamente incapacitado.
Reparo: qualquer ação que devolva a capacidade de um conjunto falhado a um nível de
desempenho igual ou maior que o necessário para o desempenho de suas funções, mas não maior
que a sua máxima capacidade original.
Taxa de falha: relação entre a proporção de itens que falharam em um intervalo de tempo. Esta
taxa é expressa pela conhecida “curva da banheira”.

8 - CURVA DA BANHEIRA
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Comentários:

1 – Representa, de uma forma didática, os possíveis comportamentos de um equipamento ou


componente com relação à evolução no tempo da taxa de falha;
2 – Indica a probabilidade de uma máquina operar até um dado intervalo de tempo que venha a
falhar.

9 – TIPOS USUAIS DE MANUTENÇÃO

MANUTENÇÃO NÃO PLANEJADA Manutenção corretiva

MANUTENÇÃO PLANEJADA Manutenção preventiva;


Manutenção predititiva;
Manutenção sistemática;
Manutenção produtiva total (TPM)

10 – MANUTENÇÃO NÃO PLANEJADA – CORRETIVA

É a mais conhecida e baseia-se na ocorrência da falha do equipamento para não executar


o reparo. Implica em perda de produção e danos consideráveis à máquina, sendo
considerado o método mais dispendioso;
Visa corrigir, restaurar, recuperar a capacidade produtiva de um equipamento ou
instalação, que tenha cessado ou diminuído sua capacidade de exercer as funções às quais
foi projetado;

CARACTERÍSTICAS

A necessidade de intervenções ocorre de maneira aleatória.


O tempo de execução depende das condições de momento.
Não há como planejar o trabalho de manutenção, a menos de procedimentos básicos.

COMENTÁRIO
Tipicamente reativa.Só acontece depois de acontecido o problema.
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Passos necessários ao trabalho da manutenção corretiva:

1. Diagnosticar o problema;
2. Diagnosticar as causas;
3. Definir mão-de-obra, ferramentas e procedimentos;
4. Executar;
5. Verificar;
6. Registrar o trabalho (emitir relatório).

Efeitos da manutenção corretiva:

1. A manutenção corretiva está relacionada com o tempo médio destinado ao reparo, ou


seja, quanto mais rápido a manutenção for executada, menor será o tempo de reparo;
2. Para se obter redução no tempo de reparo, deve-se:

a) Treinar a mão de obra;


b) Utilizar ferramental de manutenção adequado;
c) Monitorar e manter os estoques de sobressalentes.

11 – MANUTENÇÃO PLANEJADA – GENERALIDADES

Correlação entre os diferentes tipos de manutenção planejada:


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Consiste em exercer um controle sobre o equipamento, de modo a reduzir a probabilidade


de falhas, baseando-se em intervalos regulares de tempos de manutenção. A questão neste
tipo de manutenção, está na escolha do intervalo mais apropriado para se programar a
parada do equipamento. Este intervalo é de difícil determinação e é baseado
aleatoriamente, por experiência ou estatisticamente, sem estudar a conveniência ou não
da parada da máquina;
A estratégia da manutenção preventiva envolve, portanto, restaurar ou substituir um
dispositivo em intervalos de tempo definidos, previamente programados.

Manutenção planejada – preventiva

Consiste em exercer um controle sobre o equipamento, de modo a reduzir a probabilidade


de falhas, baseando-se em intervalos regulares de tempos de manutenção. A questão neste
tipo de manutenção, está na escolha do intervalo mais apropriado para se programar a
parada do equipamento. Este intervalo é de difícil determinação e é baseado
aleatoriamente, por experiência ou estatisticamente, sem estudar a conveniência ou não
da parada da máquina;
A estratégia da manutenção preventiva envolve, portanto, restaurar ou substituir um
dispositivo em intervalos de tempo definidos, previamente programados.

Características

Pode ser programada em detalhes e planejada com antecedência.


Trabalhos de baixa periodicidade realizados em linhas, e os de grande periodicidade
realizados em atividades de manutenção de maior porte.
Aumenta a vida útil dos equipamentos.
Reduz custos, mesmo a curto prazo.
Diminui as interrupções do fluxo produtivo.
Cria uma mentalidade preventiva na empresa.
É programada para os horários mais convenientes.
Melhora a qualidade dos produtos.
Racionaliza o estoque de sobressalentes
Mantém as máquinas e equip. c/ disponib. Máxima.
Elimina improvisações.
Elimina atrasos na produção.
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Comentário

Proativa. Previne possíveis manutenções corretivas

MANUTENÇÃO PLANEJADA – PREVENTIVA

Passos necessários ao trabalho da manutenção preventiva:

1. Determinar os modos de falha e suas causas;


2. Determinar os intervalos entre falhas;
3. Definir ferramentas, mão-de-obra e procedimentos;
4. Definir programa de intervenção;
5. Executar;
6. Verificar;
7. Registrar o trabalho (emitir relatório).

Efeito da manutenção preventiva:

A manutenção preventiva é considerada perfeita quando retorna ao equipamento na condição


“tão boa quanto um novo” (do inglês as good as new).

Rotinas necessárias aos trabalhos de manutenção preventiva:

a) Lubrificação;
b) Inspeção com a máquina parada;
c) Inspeção com a máquina em operação;
d) Ajuste ou troca de componentes em períodos pré-determinados;
e) Revisão de garantia, ou seja, exame dos componentes antes mesmo do término de sua
garantia;
f) Cuidados com o transporte e armazenamento;
g) Instalação.
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EX. DO PLANEJAMENTO P/ A MANUT. PREVENTIVA EM TRANSF. DE POTÊNCIA

MANUTENÇÃO PLANEJADA – PREDITIVA

Consiste em se programar a parada no momento necessário, tanto para o equipamento


como para o processo produtivo. Isto é possível através do acompanhamento das
condições da máquina e como essas condições variam com o tempo;
Consiste, portanto, em monitorar os parâmetros básicos ou condições dos equipamentos e
instalações, de modo a antecipar a identificação de um futuro problema;
Necessita da aplicação de técnicas de monitoração de algum parâmetro operacional do
equipamento, que permita descrição da evolução da falha;
A estratégia da manutenção preditiva envolve restaurar ou substituir um dispositivo em
intervalos variáveis de tempo, antes da ocorrência da redução da capacidade de
desempenho de um equipamento abaixo de um valor mínimo tolerável, ou mesmo de sua
parada;
A partir da evolução temporal da magnitude do parâmetro monitorado, toma-se a decisão
de intervir no equipamento, visando a restauração ou substituição do dispositivo que está
apresentando evolução da falha.
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Características

Maximiza a disponibilidade operacional dos equipamentos


O trabalho pode ser melhor planejado.
Permite consertos programados que custam menos e evitam a queda de produção.
Diminui ou elimina os equipamentos em “stand by”, reserva de estoque e peças
sobressalentes.
Oferece dados seguros sobre a frequência das falhas e as partes envolvidas, dando
margem a um dimensionamento mais perfeito do almoxarifado de manutenção.
Incentiva e fornece dados para a procura de peças e equipamentos de melhor qualidade.
Melhora o desempenho operacional, tanto da produção como da qualidade do produto.
Melhora a relação custo-benefício do processo de manutenção
Gera uma extensa base de dados de acompanhamento.
Motiva as pessoas envolvidas no processo de manutenção.
Melhora a qualificação de mão de obra de manutenção.

Comentário

A manutenção preditiva necessita de tecnologia específica e é, por isso comumente terceirizada.

PARÂMETROS BÁSICOS PARA IMPLANTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE


MANUTENÇÃO PREDITIVA

Todo o trabalho de manutenção preditiva baseia-se na possibilidade de poder medir


parâmetros básicos característicos de variáveis operacionais de equipamentos.
Exemplos de parâmetros básicos:

• Vibrações em máquinas rotativas;


• Elevação da temperatura em função da corrente elétrica percorrida;
• Análise da contaminação no óleo mineral.

ASPECTOS ECONÔMICOS DA MANUTENÇÃO PREDITIVA

Elimina ou minimiza as perdas de produção por quebras do equipamento e também pela


redução dos custos de manutenção.
As perdas de produção podem ser estimadas, porém a economia é mais difícil de se
comprometer, principalmente no caso de mão de obra nas manutenções acidentais.
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O custo da implantação da manutenção preditiva parece ser elevado inicialmente, mas em


função dos benefícios proporcionados são compensados logo nos primeiros anos de sua
implantação.

Passos necessários ao trabalho da manutenção preditiva:

1. Definir parâmetros;
2. Prever instrumentação adequada;
3. Treinar pessoas;
4. Monitorar;
5. Analisar.

COMPORTAMENTO DA PERIODICIDADE DA MANUTENÇÃO PREDITIVA

ALGUNS EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DA MANUTENÇÃO PREDITIVA

ANÁLISE DE VIBRAÇÕES EM MÁQUINAS

Todas as máquinas em funcionamento produzem vibrações que, aos poucos, podem levá-
las a um processo de deterioração;
A deterioração é caracterizada pela sua modificação na distribuição de energia vibratória
ao longo do conjunto dos elementos que compõem a máquina;
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ANÁLISE DE VIBRAÇÕES EM MÁQUINAS

PRINCÍPIO DA ANÁLISE DAS VIBRAÇÕES

Baseia-se no fato de que as estruturas das máquinas excitadas pelos esforços dinâmicos
(ação das forças) geram sinais vibratórios cuja frequência é igual à frequência dos
agentes excitadores;
Se forem colocados captores de vibração em pontos definidos da máquina, eles captarão
os sinais de vibração por ela emitidos;
A partir das medições e interpretação / análise dos sinais de vibração, pode se detectar
antecipadamente a presença futura e o nível das falhas nas máquinas, as quais poderão
ser, da mesma forma, monitoradas e evitadas antecipadamente.
A análise da tendência da falha é, portanto, efetuada com antecedência à avaria ou
quebra, predizendo a necessidade do reparo.

PRINCIPAIS TIPOS DE FALHAS QUE PODEM SER DETECTADOS NAS MÁQUINAS


GIRANTES PREVIAMENTE À SUA OCORRÊNCIA, UTILIZANDO-SE A
MANUTENÇÃO PREDITIVA

Rolamentos deteriorados;
Engrenagens defeituosas;
Acoplamentos desalinhados;
Rotores desbalanceados;
Eixos deformados;
Lubrificação deficiente;
Folga excessiva nos eixos;
Falta de rigidez;
Problemas aerodinâmicos.

Exemplo da análise de falha em um motor elétrico através da manutenção preditiva:


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Instrumentos utilizados na manutenção preditiva:

O instrumento utilizado na manutenção preditiva para análise de vibrações é o


“ANALISADOR DE VIBRAÇÕES”;
Existem, para comercialização, uma grande variedade de modelos. Desde os mais simples
até aqueles que são incorporados à máquina para efetuar um monitoramento online.

ANÁLISE DE ÓLEOS

Os objetivos da análise dos óleos são dois: economizar lubrificantes e sanar os defeitos.
Os modernos equipamentos permitem análises exatas e rápidas dos óleos utilizados em
máquinas. Por meio das análises que o serviço de manutenção pode determinar o momento
adequado para sua troca ou renovação, tanto em componentes mecânicos quanto hidráulicos.
A economia é obtida regulando-se o grau de degradação ou de contaminação dos óleos. Essa
regulagem permite a otimização dos intervalos das trocas.
A análise dos óleos é feita por meio de técnicas laboratoriais que envolvem vidrarias, reagentes,
instrumentos e equipamentos. Entre os instrumentos e equipamentos utilizados temos
viscosímetros, centrífugas, fotômetros de chama, peagômetros, espectrômetros, microscópios etc.
O laboratorista, usando técnicas adequadas, determina as propriedades dos óleos e o grau de
contaminantes neles presentes.

As principais propriedades dos óleos que interessam em uma análise são:

Índice de viscosidade;
Índice de acidez;
Índice de alcalinidade;
Ponto de fulgor;
Ponto de congelamento.
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Em termos de contaminação dos óleos, interessa saber quanto existe de:

Resíduos de carbono;
Partículas metálicas;
Água.

ANÁLISE TERMOGRÁFICA

TERMOGRAFIA é a técnica que estende a visão humana através do espectro infra-vermelho. O


IV é uma frequência magnética emitida por qualquer corpo sendo sua intensidade proporcional à
sua temperatura.
Desta forma, fica fácil interpretar o termograma onde são dotados recursos que permitem a
leitura de faixas de temperatura de -20ºC a +1500ºC.
O instrumento utilizado é chamado TERMOVISOR, o qual, por ser leve e de pequeno tamanho,
permite sua utilização nos locais de mais difícil acesso.
As imagens produzidas são chamadas TERMOGRAMAS que permitem a visualização da
distribuição de calor na região focalizada.

TERMOGRAMAS NOS SISTEMAS ELÉTRICOS

Considerando que a anomalia decorre da produção de calor por efeito joule, e que todo objeto
irradia energia IV proporcional à sua temperatura, a inspeção termográfica é a técnica de
inspeção não destrutiva para se medir a temperatura efetiva, ou registrar padrões diferenciais de
distribuição de calor, objetivando colher informações para que o equipamento funcione
adequadamente, dentro de seus parâmetros.
Este processo permite uma maior segurança ao operador, uma vez que não existe o contato físico
do mesmo com as instalações, e ainda não existe interferência na produção (inspeções com os
equipamentos em pleno funcionamento).
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CRITÉRIOS PARA LOCALIZAÇÃO DOS PONTOS AQUECIDOS


ANORMALMENTE NAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS.

CRITÉRIO

Qualquer componente com aquecimento superior a 25ºC em relação à temperatura


ambiente

(Exceções: resistências de aquecimento, núcleos de bobina, lâmpadas acesas,


alguns resistores)

Qualquer equipamento que não atinja 25ºC em relação a temperatura ambiente

(Caso sua temperatura seja superior à de outro equipamento idêntico, nas mesmas
condições de carga e trabalho)

Qualquer equipamento elétrico com aquecimento localizado inferior a 25ºC

(A carga é inferior a 60% da máxima que ele normalmente atinge)

Equipamentos que, embora não possam ser visualizados diretamente pelo termovisor,
despertam suspeitas devido ao progressivo aquecimento nos condutores a eles conectados

(Este caso é comum em garras de disjuntores)

EXEMPLOS DE TERMOGRAMAS
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12 – MANUTENÇÃO PLANEJADA – SISTEMÁTICA

Conceituação

É uma forma de atuar sobre a máquina (ou dispositivo) com base no seu efetivo tempo de
operação e de acordo com um planejamento pré-definido, normalmente ditado pelo manual do
fabricante e consiste em atender todas as exigências formuladas em tal manual.
Desta forma, decorrido o tempo recomendado, substituem-se todas as peças agendadas no
manual, independentemente do estado de conservação em que as mesmas se encontrem.
Exemplo: Manutenção de Aeronaves

COMENTÁRIOS

Trata-se de uma manutenção onde a responsabilidade sobre a correta operação do


equipamento é requisito fundamental;
Não se admitem expressões, tais como: “acho que esta peça está ótima, portanto, não
devemos substituí-la”.
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13 – MANUTENÇÃO PLANEJADA – TPM / MPT

Introdução

A MPT (Manutenção Produtiva Total), assume hoje, um papel importantíssimo na


indústria, sendo amplamente utilizada como um poderoso instrumento para a redução dos
custos e aumento da produtividade.
O conceito de manutenção produtiva total MPT é também conhecido pela sigla TPM
(Total Productive Maintenance), inclui programas de manutenção preventiva e preditiva.
A manutenção preventiva teve sua origem nos Estados Unidos e foi introduzida no Japão
em 1950. Até então, a indústria japonesa trabalhava apenas com o conceito de
manutenção corretiva, após a falha da máquina ou equipamento. Isso representava um
custo e um obstáculo para a melhoria de qualidade. Na busca de maior eficiência da
manutenção produtiva, por meio de um sistema compreensivo, baseado no respeito
individual e na total participação dos empregados, surgiu a TPM, em 1970, no Japão.

Conceituação

A Manutenção Produtiva Total – TPM - é uma filosofia gerencial, atuando de forma


organizacional, centrada no comportamento das pessoas e na forma com que elas tratam
os problemas, não só os de manutenção, mas todos os diretamente ligados ao processo
produtivo.

Objetivo

O objetivo global da TPM é a melhoria da estrutura da empresa em termos materiais


(máquinas, equipamentos, ferramentas, matéria-prima, produtos etc.) e em termos
humanos (aprimoramento das capacitações pessoais envolvendo conhecimento,
habilidades e atitudes). A meta a ser alcançada é o rendimento operacional global.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

São princípios fundamentais da TPM:

Melhoria das pessoas;


Melhoria dos equipamentos;
Melhoria dos materiais;
Melhoria nos processos;
Qualidade total.
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POLÍTICA DE MANUTENÇÃO

A política de manutenção da TPM tem foco nos seguintes aspectos:

Projeto robusto;
Manutenibilidade;
Postura preventiva;
Treinamento de operadores;
Estoque estratégico de peças sobressalentes;
Plano de Manutenção e de Contingência;
Redundância de equipamentos;
Maior número de máquinas com menor utilização.

PERDAS A SEREM COMBATIDAS

Com a técnica da TPM espera-se combater perdas, tais como:

Quebra;
Ajustes (setup) inadequados;
Pequenas paradas/ tempo ocioso;
Baixa velocidade;
Qualidade insatisfatória;
Perdas com start-up.

A “QUEBRA ZERO”

A idéia da “quebra zero” baseia-se no conceito de que a quebra é a falha visível. A falha visível é
causada por uma coleção de falhas invisíveis como um iceberg.

Logo, se os operadores e mantenedores estiveram conscientes de que devem combater as falhas


invisíveis, a quebra deixará ocorrer.
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AS FALHAS INVISÍVEIS

As falhas invisíveis normalmente deixam e ser detectadas por motivos físicos ou psicológicos.

Motivos físicos:
As falhas não são visíveis por estarem em local de difícil acesso ou encobertas por detritos e
sujeiras.

Motivos psicológicos:
As falhas deixam de ser detectadas devido à falta de interesse ou de capacitação dos operadores
ou mantenedores.

OS OITO PILARES DA TPM

A TPM reúne oito pilares que são a base para construção de um programa envolvendo toda a
empresa e habilitando-a para encontrar metas.

São exemplos de metas:

Defeito zero;
Quebra zero;
Acidente zero;
Aumento de disponibilidade do parque de equipamentos;
Elevação dos patamares de produtividade

1 - SEGURANÇA, SAÚDE E MEIO AMBIENTE

O principal objetivo desse pilar é o acidente zero, além de proporcionar um sistema que
garanta a preservação da saúde e bem estar das pessoas e do meio ambiente.

2 – TPM ADMINISTRATIVO

O principal objetivo desse pilar é eliminar desperdício de perdas geradas


pelo trabalho de escritório, é necessário que todas as atividades organizacionais sejam
eficientes.
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3 – CONTROLE INICIAL

Consolida toda sistemática para levantamento das inconveniências, imperfeições


e incorporações de melhorias, mesmo em máquinas novas e através dos
conhecimentos adquiridos, tornando-se apto a elaborar novos projetos onde
vigorem os conceitos PM (Prevenção da Manutenção), o que resultará
em máquinas com quebra zero.

4 – MANUTENÇÃO DA QUALIDADE

Destinado a definir condições do equipamento que excluam defeitos


de qualidade, com base no conceito de manutenção do equipamento
em perfeitas condições para que possa ser mantida a perfeita qualidade
dos produtos processados

5 – EDUCAÇÃO E TREINAMENTO

Tem como objetivo desenvolver novas habilidades e conhecimentos para o


pessoal da manutenção e da produção.

6 – MELHORIAS ESPECÍFICAS

Atividade que serve para erradicar de forma concreta as grandes perdas


que reduzem a eficiência do equipamento. Através da eliminação destas
perdas, melhora-se a eficiência global do equipamento.
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7 – MANUTENÇÃO PLANEJADA

Conscientização das perdas decorrentes das falhas de equipamentos


e as mudanças de mentalidade das divisões de produção e manutenção,
minimizando as falhas e defeitos com o mínimo custo.

8 – MANUTENÇÃO AUTÔNOMA

Melhoria da eficiência dos equipamentos, desenvolvendo a capacidade


dos operadores para a execução de pequenos reparos e inspeções,
mantendo o processo de acordo com padrões estabelecidos,
antecipando-se aos problemas potenciais.

PLANO DE AÇÃO PARA PLANEJAMENTO DA MANUTENÇÃO

PLANO 5W2H
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14 – PLANO DE AÇÃO PARA PLANEJAMENTO DA MANUTENÇÃO

O QUE É QUESTIONADO?

CHECK-LIST USUAL PARA IMPLANTAÇÃO DO PLANO 5W2H

Quem (Who)?

Quem deve fazer o serviço?


Quem deve verificar?

O que (What)?

Que materiais utilizar?


Quais as especificações a serem seguidas?
Quais são os equipamentos?
O que envolve o serviço?
Quais são as condições anteriores?
Quais são as condições de entrega?
Quais são as condições de exposição?
Quais são as condições de interrupção?
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Por que (Why)?

Por que se deve verificar o serviço?


Quais são os riscos da falta de controle?

Onde (Where)?

Onde será feito o serviço?


Onde estão os materiais?
Onde armazená-los?
Onde guardar os equipamentos?

Quando (When)?

Quando iniciar o serviço?


Quando verificar?
Qual é o prazo da execução?

Como (How)?

Como executar o serviço?


Como verificar?

Quanto custa (How much)?

Quanto custa o material?


Quanto custa a mão de obra?
Quanto custa o equipamento?

PLANILHA USUAL PARA IMPLANTAÇÃO DO PLANO 5W2H

Plano de Ação (5W2H)

Quem (who) Responsável

O que (what) Necessidade de atuação (ação)

Por que? (why) Justificativa / benefícios

Quando? (when) Prioridade / Prazo


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Onde? (where) Que área

Como? (how) Atividades necessárias para implantação

Quanto custa? (how much) Orçamento

15 – PRINCIPAIS AÇÕES PARA SE ADMINISTRAR UMA MANUTENÇÃO


INFORMATIZADA

Desenvolver, documentar e executar planos de procedimentos para conduzir as tarefas


relativas ao processo de manutenção;

Estabelecer controles para:

• Receber, acompanhar e armazenar as solicitações dos usuários;


• Suprir as necessidades de reposição de peças;
• Emitir relatórios dos problemas solucionados;
• Emitir relatórios dos custos de manutenção;
• Fornecer aos usuários retorno das soluções.

Estabelecer uma matriz de deveres e responsabilidades com a finalidade de reduzir


conflitos de autoridade.

16 – EXEMPLOS DE ORGANOGRAMAS POSICIONANDO A MANUTENÇÃO


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UNIDADE 15

ROTINAS PASSO-A-PASSO NO PROCESSO DE


AQUISIÇÃO TÉCNICA DOS EQUIPAMENTOS
DO SEP
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1.1 – DA IMPORTÂNCIA DE SE ADQUIRIR CORRETAMENTE UM EQUIPAMENTO


DO SEP

A importância de se adquirir um equipamento do SEP, como se verá adiante, está diretamente


relacionada aos:

Critérios de ordem técnica


Critérios de ordem econômica
Critérios de ordem operacional
Formas usuais de licitação

Cabe, pois, ao engenheiro (projetista ou de operação do sistema elétrico) responsável pela


aquisição do equipamento, atentar para todos os requisitos acima mencionados, pois, caso
contrário, a instalação poderá não atender ao desempenho que dela se espera.

1.2 – CRITÉRIOS DE ORDEM TÉCNICA

Toda aquisição deverá ser baseada em uma ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA CONSISTENTE e


ATUALIZADA, em atendimento às NORMAS TÉCNICAS aplicáveis;

Comentários:

A ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA é a ferramenta fundamental que descreve


todas as funções e parâmetros técnicos que o equipamento deve atender;
O termo “CONSISTENTE” traduz a necessidade da inclusão de todo
conhecimento técnico disponível;
O termo “ATUALIZADA” traduz a necessidade de uma revisão em tempo real
do seu conteúdo, uma vez que a tecnologia se torna mais dinâmica a cada dia;
As NORMAS TÉCNICAS são as coordenadas para se indicar o melhor caminho
a seguir, ou seja, são as referências técnicas baseadas na experiência, pesquisa e
desenvolvimento do conhecimento específico de cada matéria.

1.3 – CRITÉRIOS DE ORDEM ECONÔMICA

Todo investimento em um determinado empreendimento ou implantação, requer um prévio


conhecimento dos custos envolvidos;
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Comentários:

Um equipamento elétrico é apenas uma fração do custo global de um


empreendimento. No entanto, considerando que os equipamentos do SEP são de
custos mais elevados, eles devem ser avaliados corretamente na etapa do estudo
de viabilidade econômica de tal empreendimento;
O engenheiro encarregado da aquisição deve, portanto, selecionar o equipamento
correto para uma correta aplicação. Em outras palavras, não se especifica com um
equipamento com “falta” ou “excesso”, mas sim dentro das exigências do
desempenho do sistema elétrico.

1.4 – CRITÉRIOS DE ORDEM OPERACIONAL

Toda filosofia de projeto ou definição que envolva a aquisição do equipamento do SEP deve
contemplar a CONFIABILIDADE no desempenho do referido equipamento.

Comentários:

Um equipamento sem CONFIABILIDADE e, portanto, sem garantia


operacional, pode se transformar em uma fonte de defeitos permanentes;
Qualquer defeito apresentado, pode significar uma interrupção no fornecimento
da energia elétrica e, consequentemente, prejuízos para a receita tanto da
concessionária como do consumidor.

1.5 – FORMAS ATUAIS DE LICITAÇÃO

Atualmente, em nosso país, são praticadas basicamente duas formas de licitação: a licitação
gerada pelo poder público (concorrência pública) e a licitação gerada pela iniciativa privada
(concorrência particular).

Comentários:

A concorrência pública é regida pela lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993;


A concorrência particular (ou seja,quando efetuada a partir da iniciativa privada)
segue as orientações do comprador, podendo este, a seu exclusivo critério, adotar
ou não os termos da lei de concorrência pública.
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1.6 – O DIAGRAMA DE BLOCOS

Nesta unidade de ensino, será utilizada como forma de apresentação da sequência de aquisição
dos equipamentos do SEP o diagrama de blocos.

Comentários:

A representação através de um diagrama de blocos objetiva mostrar, de uma


forma lógica, a integração entre as diversas etapas de um fluxo de informações.
Utilizam-se basicamente duas representações: componentes em série e
componentes em paralelo

2 – ROTINAS PASSO-A-PASSO PARA AQUISIÇÃO TÉCNICA DE UM


EQUIPAMENTO DO SEP

ESTRUTURA DO PROCESSO DE AQUISIÇÃO TÉCNICA

Consideraremos quatro etapas distintas no processo de aquisição, desde o estudo


de viabilidade do empreendimento até a entrada definitiva do equipamento em
operação. São elas:

• Etapa planejamento;
• Etapa licitação;
• Etapa fabricação / testes
• Atividades complementares.
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ETAPA PLANEJAMENTO

a) Estudo de viabilidade técnico-econômica


b) Elaboração de um orçamento com planejamento (cronograma físico-financeiro)
c) Preparação da documentação técnica

a) ESTUDO DE VIABILIDADE TÉCNICO-ECONÔMICA:

O empreendimento é ou não técnica e economicamente viável?


Obs.: pode se tratar de uma reforma, ampliação ou uma instalação nova
O prazo estimado para a aquisição do equipamento é compatível com o
cronograma esperado para a implantação do empreendimento?
Existem no mercado nacional de fornecedores empresas qualificadas ou será
necessária uma licitação internacional?

b) ELABORAÇÃO DE UM ORÇAMENTO COM PLANEJAMENTO (CRONOGRAMA


FÍSICO-FINANCEIRO)

Nessa etapa, são quantificados e definidos:

• O período total previsto para a aquisição ( meses);


• As formas de desembolso financeiro (parcelamento), as quais estão condicionadas ao
cumprimento das etapas de fabricação do equipamento.

c) PREPARAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA

Definição do quantitativo de equipamentos a serem adquiridos;


Elaboração dos Diagramas Elétricos;
Elaboração da Especificação Técnica;
Elaboração da folha de dados técnicos;
Definição da terminologia a ser utilizada no processo de aquisição:

LICITANTE = Quem adquire o equipamento.


(ou comprador)

PROPONENTE = Quem apresenta proposta na licitação


(ou concorrente)
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FABRICANTE = Quem efetivamente fabrica e fornece o equipamento.


(ou fornecedor)

ETAPAS DA LICITAÇÃO

1 – Licitação Pública
2 – Licitação Particular (iniciativa privada)

Exemplo de uma Planilha de Análise Técnica de Propostas para aquisição de um resistor de


aterramento:
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ETAPA DA LICITAÇÃO

1 – Licitação Pública
2 – Licitação Particular (iniciativa privada)

A equalização das propostas técnicas na licitação da iniciativa privada compreende as seguintes


atividades:

1. Selecionar os itens não atendidos pelos proponentes;


2. Encaminhar a cada um deles uma comunicação solicitando que eles CONFIRMEM ou
NÃO as exigências da especificação, revertendo ou não o atendimento incluído em sua
proposta;
3. Determinar um prazo para as respostas;
4. Revisar a planilha de análise técnica a partir das respostas recebidas e emitir uma análise
final.

ETAPA DA LICITAÇÃO
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A definição do proponente vencedor na licitação na iniciativa privada é precedida de uma


reunião entre LICITANTE e o PROPONENTE melhor classificado, objetivando as
negociações finais. Nesta etapa, é comum:

1. Negociação de componentes porventura incluídos no equipamento após deflagrado o


processo licitatório (pode ser por omissão, esquecimento ou falha durante a elaboração da
especificação técnica);
2. Negociação no preço de venda do equipamento;
3. Decisão final. O LICITANTE passa a ser COMPRADOR e o PROPONENTE passa a ser
FORNECEDOR ou FABRICANTE;

1 - Licitação Pública
2 – Licitação Particular (iniciativa privada)

A aprovação da documentação técnica preparada e emitida pelo fornecedor comporta, por parte
do comprador, as seguintes providências:

1. O comprador recebe do fornecedor todos os documentos técnicos (dimensionais,


diagramas elétricos, listas de materiais etc.) para comentários;
2. O comprador comenta cada um dos documentos, e, ao final, os devolve ao fornecedor
com uma das observações:
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3. Os documentos APROVADOS COM COMENTÁRIOS e NÃO APROVADOS voltam,


portanto, a ser comentados pelo comprador até que todos eles recebam o comentário A –
DOCUMENTO APROVADO;
4. Uma vez aprovados pelo comprador, todos os documentos técnicos são emitidos pelo
fornecedor na versão DOCUMENTO CERTIFICADO;
5. Apenas após CERTIFICADOS os documentos, o fornecedor terá autorização para iniciar
o processo de fabricação do equipamento.

1 – Licitação Pública
2 – Licitação Particular (iniciativa privada)

A etapa de fabricação em si é uma prerrogativa do fornecedor. A ele cabe elaborar um


cronograma de fabricação de acordo com o contrato assinado, sendo providenciados todos os
suprimentos necessários, tais como:

SUPRIMENTOS

Dispositivos de fabricação: Contatores, fusíveis etc.


Materiais de montagem: Chapas, fios, cabos, anilhas etc.
Materiais de consumo: Estopas, solventes etc.

Dependendo do tipo de equipamento a ser fornecido, podem existir atividades em paralelo. Por
exemplo, num mesmo instante em que se fabrica a chaparia do invólucro, pode estar sendo
confeccionada fiação elétrica.
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1. O chamado “diligenciamento” do processo de fabricação nada mais é do que uma


garantia que o comprador contrata para não ter surpresa no final do prazo / cronograma
de fornecimento contratado.
2. Consiste, portanto, no envio de um diligenciador, ou seja, um profissional que deve
comparecer periodicamente na unidade onde o equipamento está sendo produzido e, neste
local, verificar pessoalmente se as fases previstas no cronograma estão sendo executadas
dentro do prazo previsto.
3. Ao final de cada visita, é emitido um relatório que deve ser assinado pelas partes:
diligenciador e fornecedor.

1. As inspeções de fabricação constituem-se em uma das mais importantes fases de todo o


processo de aquisição do equipamento, uma vez que, neste momento é que se verifica
qual será o real desempenho do produto quando de sua entrada em operação.
2. Normalmente, o fornecedor convoca o inspetor indicado pelo comprador com uma
determinada antecedência, definindo o dia, horário, local e pessoa de contato na fábrica.
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3. Todos os ensaios de ROTINA previstos na Norma Técnica do equipamento são


obrigatórios em todas as unidades. Os ensaios de TIPO (ou especiais), somente devem ser
efetuados caso tenham sido contratados no processo de compra.
4. Uma vez efetuados todos as inspeções e testes em fábrica, o equipamento é liberado pelo
inspetor para embarque mediante emissão de um termo chamado de “Termo de Liberação
do Equipamento”.

1 – Licitação Pública
2 – Licitação Particular (iniciativa privada)

1. Considerando que o transporte pode ser efetuado em diversas formas (aéreo, rodoviário,
fluvial, marítimo) é importante que a embalagem seja adequada e suficientemente
robusta, de modo que o equipamento chegue ao seu destino final com sua integridade
mantida.
2. Caso o equipamento incorpore pequenas peças, ou componentes sensíveis (p.ex.: relés,
medidores), é recomendável que se faça uma embalagem especial para os mesmos.
3. A embalagem deve proteger a ação de intempéries, sujeiras, líquidos e outros agente que
possam danificar o equipamento durante o transporte e o armazenamento.
4. No caso de grandes peças (p.ex.: transformadores de grande porte) a embalagem, ou a
proteção da peça, deve-se avaliar a possibilidade de trafegar em rodovias (capacidade de
carga, largura) e locais com interferências (árvores, fiação elétrica etc.).
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1 – Licitação Pública
2 – Licitação Particular (iniciativa privada)

1. Para o transporte desde as instalações do fornecedor até a entrega nas instalações do


comprador, usualmente são seguidos termos do Acordo Internacional de Transportes de
Cargas (INCOTERMS), cujo teor encontra-se em anexo a esta unidade de ensino.

2. A responsabilidade sobre o custo do transporte é definida durante o processo licitatório.


Pode ser, portanto, a cargo tanto do comprador quanto do fornecedor.
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3. A modalidade do transporte nos termos INCOTERMS são também negociadas durante o


processo de licitação. Exemplos:

FCA - FREE CARRIER = (Livre Transportador) – A obrigação do fornecedor se


encerra ao entregar a mercadoria à custódia do transportador nomeado pelo comprador.

CIF – COST, INSURANCE AND FREIGHT = (Custo, Seguro e Frete ) – O


fornecedor assume todos os custos, inclusive o de contratar o seguro.

4. O seguro da mercadoria contra danos durante o transporte pode, portanto, ter seu custo
arcado tanto pelo comprador como do fornecedor, dependendo da modalidade
INCOTERMS estabelecida.

1 – Licitação Pública
2 – Licitação Particular (iniciativa privada)

Nesta atividade, usualmente a participação do fornecedor se resume em dar uma assistência


técnica ao comprador durante a montagem do equipamento.

É muito comum esta assistência especialmente quando o equipamento exige ajustes e


ferramentas especiais durante sua montagem.

Outro aspecto que justifica a participação do fornecedor durante a montagem é a capacitação


do pessoal do comprador em relação ao novo equipamento adquirido.
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A garantia consiste na responsabilidade do fornecedor pelo desempenho do produto vendido,


em determinadas condições e prazos.

Usualmente são adotados na prática os seguintes procedimentos:

a) O comprador não poderá desmontar e trabalhar o equipamento adquirido, efetuar


modificações etc. sem a autorização do fornecedor;

b) Uma vez atendidas as exigências contidas no Manual de Instruções do


Fornecedor, os prazos de garantia usuais são:

12 meses contados da data de entrada em operação do equipamento;


18 meses contados da data de entrega do equipamento, prevalecendo a
condição que primeiro ocorrer

Ocorrendo defeitos durante o prazo de garantia, defeitos esses comprovadamente causados


pelo fornecedor (problemas de qualidade do material, mão de obra etc.) o mesmo deverá se
responsabilizar pela substituição das peças danificadas sem qualquer ônus para o comprador,
tudo conforme definido no Termo de Garantia emitido pelo comprador.
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COMENTÁRIOS FINAIS

1. Como foi visto, o processo de aquisição de um equipamento do SEP é um conjunto de


rotinas simples, porém extensas em seu conteúdo.

2. O engenheiro eletricista encarregado de promover, ou participar, de um processo de


licitação para aquisição de um novo equipamento deve, portanto, acumular ao longo de
sua carreira, experiências técnica e gerencial, de forma que suas ações sempre se
traduzam em êxito no desempenho dos equipamentos adquiridos.
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UNIDADE 16

OS EQUIPAMENTOS DO SEP E A SEGURANÇA


NO TRABALHO SEGUNDO AS
RECOMENDAÇÕES E DIRETRIZES DA NR-10
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ENTENDENDO MELHOR A NR-10 DO MTE

• Origem: Capítulo V da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) – Lei 6514/77 e


Portaria 3214/78;
• Está sob a responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego a elaboração das
Normas Regulamentadoras de Segurança Pessoal no Trabalho;
• São 33 as NR’s, numeradas de NR-1 a NR-33;
• Dentre elas, encontra-se a NR-10 “Segurança em Instalações e Serviços com a
Eletricidade (Portaria nº 598 de 07/12/2004 do MTE)”;
• Tem força de lei, ou seja, seu cumprimento é compulsório (obrigatório).

ESTRUTURA DA NR-10

O texto da NR-10, em sua última revisão (anexo) compõe-se de:


• 14 itens;
• 99 sub-itens;
• 01 glossário de termos mais usuais;
• 03 anexos.

NORMALIZAÇÃO COMPLEMENTAR

Complementam a NR-10 as Normas Técnicas Oficiais ABNT e, na ausência ou omissão


destas últimas, as Normas Internacionais, onde aplicável.

FOCO DA NR-10

A NR-10 tem foco na gestão da segurança e saúde em instalações e serviços com a energia
elétrica e nas responsabilidades de todas as partes envolvidas no processo, desde a produção até
o consumo.

OBJETIVOS BÁSICOS DA NR-10

Controlar os riscos em instalações elétricas, de forma a conscientizar os trabalhadores do setor


sobre as condições inseguras e, deste modo, evitar acidentes.
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CAMPOS DE APLICAÇÃO DA NR-10

A NR-10 é aplicável a todas as fases da:

• Geração;
• Transmissão e
• Consumo,

incluindo as etapas de:

• Projeto;
• Construção;
• Montagem;
• Operação e
• Manutenção das instalações elétricas,

incluindo-se ainda quaisquer trabalhos realizados em suas proximidades.

NÍVEIS DE TENSÃO CONFORME A ABNT E A NR-10


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ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES

RISCO = Probabilidade da existência de um agente potencialmente danificador (material,


equipamento, método)

PERIGO = Probabilidade da existência de se interagir (deliberadamente) com o agente


potencialmente danificador, em condições de uso ou exposição, bem como a possível extensão
do dano.

MEDIDAS DE CONTROLE = Mecanismos os quais, se tomados previamente e com


conhecimento do risco, evitarão o dano.
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ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES

LOCAL DE TRABALHO

Área física para onde o trabalhador deve se deslocar ou permanecer, em atendimento às Normas
Técnicas, Administrativas e de Segurança, tendo ainda o controle do empregador.

INCIDENTE

Ocorrência imprevista no decurso do trabalho ou em relação ao mesmo, do qual NÃO SE


RESULTAM LESÕES CORPORAIS..

ACIDENTE

Ocorrência imprevista no decurso do trabalho ou em relação ao mesmo, do qual se


RESULTAM LESÕES CORPORAIS.

PRINCIPAIS AGENTES DO RISCO ELÉTRICO

• Eletricidade Convencional (Vca/Vcc);


• Eletricidade Estática;
• Descargas Atmosféricas;
• Campos Eletromagnéticos;
• Radiações Ionizantes;

PRINCIPAIS EFEITOS DOS ACIDENTES EM TRABALHOS COM ELETRICIDADE

• Choque Elétrico;
• Queimaduras;
• Altas energias desenvolvidas pelos arcos elétricos;
• Tumores devidos às radiações eletromagnéticas, Raios X, UV, IV etc.
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CUSTOS DE UM ACIDENTE

CUSTOS DIRETOS

Dias de trabalho perdidos


Despesas com assistência médica e medicamentos
Pensões por invalidez ou morte
Despesas com deslocamentos
Custos de reabilitação
Aumento do prêmio do seguro
Prestação de primeiros socorros

CUSTOS INDIRETOS

Tempo perdido para socorrer o acidentado, investigar as causas do acidente, tratar dos
aspectos legais, retomar o ritmo normal de trabalho e reparar equipamentos avariados
Baixa de produtividade
Perdas de produtos
Reintegração do acidentado
Prejuízos para a imagem da empresa
Custos de reparação de equipamentos e outros bens
Formação de substituto para o acidentado
Mau clima social
Não cumprimento de prazos

COMENTÁRIOS SOBRE OS CUSTOS DE UM ACIDENTE

• Os custos diretos são mais evidentes e estão geralmente segurados;


• Os custos indiretos passam geralmente despercebidos, sobretudo aos empregadores.
• No entanto os custos indiretos são entre 3 a 5 vezes superiores aos custos diretos.
• Por essas razões, os acidentes são um fator de grande prejuízo para as empresas, além de
serem indicadores de uma má gestão de recursos e de quedas no processo de produção.
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CONSEQUÊNCIAS DE UM ACIDENTE

MEDIDAS PREVENTIVAS PARA CONTROLE DOS RISCOS

• Em todas as intervenções em instalações elétricas, devem ser adotadas medidas


preventivas de controle do risco elétrico e de outros riscos adicionais. Isso se consegue
mediante a aplicação das chamadas Técnicas de Análise de Risco, de forma a garantir a
segurança e a saúde do trabalhador.

TÉCNICAS DE ANÁLISE DE RISCO

• Identificar e relacionar possíveis riscos ou prejuízos deles decorrentes;


• Estimar a causa dos riscos (quantitativa e qualitativamente);
• Estudar a possibilidade de eliminá-los;
• Identificar os trabalhadores que poderão estar potencialmente expostos aos riscos;
• Relacionar o ferramental, EPI’s e procedimentos de trabalhos requeridos pela
atividade;
• Adotar medidas para sua prevenção.
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FORMAS USUAIS DE PREVENÇÃO DO RISCO ELÉTRICO NOS TERMOS DA NR-10

Montar e manter atualizado um Prontuário das Instalações Elétricas


Alocar nas tarefas apenas trabalhadores regularizados nos termos da NR-10
Disponibilizar uma ordem de serviço para cada tarefa, emitida por um responsável
Elaborar uma APR (Análise Prévia de Riscos)
Utilizar os EPC’s e EPI’s onde recomendado
Utilizar os Procedimentos de Trabalho recomendados para a tarefa (proteção coletiva)
Efetuar as rotinas de desenergização / reenergização (proteção coletiva)
Adotar as medidas de proteção coletiva adicionais
Sinalizar devidamente a área onde se desenvolverá a tarefa
Respeitar os limites das zonas de risco e controladas

O PRONTUÁRIO DAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

O QUE É?

Sistema organizado, de forma a conter uma memória dinâmica de informações pertinentes às


instalações e aos trabalhadores

QUEM ORGANIZA?

Responsabilidade do contratante (empresa), o qual pode designar um preposto para fazê-lo

COMO ORGANIZAR?

Arquivo, papel, microfilme, informatização etc.

ONDE ORGANIZAR?

Em um local centralizado ou dividido em vários setores da empresa (RH, Manutenção etc.)

QUAL O CONTEÚDO?

Documentação técnica, administrativa e de segurança, especificações, certificações, relatórios de


inspeção e testes etc.
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PESSOAS AUTORIZADAS A TRABALHAR COM A ELETRICIDADE NOS TERMOS


DA NR-10

A ORDEM DE SERVIÇO

• Também denominada “Permissão para Serviço” ou “Permissão para Trabalho”, é um


documento fundamental nas atividades com a eletricidade, devendo ser elaborada por
uma pessoa que se responsabilizar pela equipe destacada para a execução da tarefa,
devendo conter, no mínimo:

O escopo da tarefa
O horário, a data e o local da realização
A função, matrícula e assinatura do responsável

PESSOAS AUTORIZADAS A TRABALHAR COM A ELETRICIDADE NOS TERMOS


DA NR-10

PROFISSIONAL QUALIFICADO

Aquele que completou curso na área de elétrica em estabelecimento reconhecido pelo Sistema
Oficial de Ensino

PROFISSIONAL HABILITADO

Profissional qualificado que registrou seu diploma no Conselho de Classe respectivo (p.ex.:
CREA)
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PESSOA CAPACITADA

Trabalhador que recebeu capacitação na empresa, devendo, portanto, trabalhar sob a


responsabilidade de um profissional habilitado

TRABALHADOR AUTORIZADO

Profissional qualificado, habilitado ou pessoa capacitada que recebeu anuência da empresa para
exercer suas atividades dentro dos limites de atuação definidos

OBS.: Para se tornar autorizado qualquer trabalhador deverá se submeter a um


treinamento de segurança com ementa e carga horária estabelecida na NR-10

A APR (ANÁLISE PRÉVIA DE RISCOS)

• É um documento em forma de planilha a ser preenchida pela equipe destacada para os


trabalhos, a qual deverá fazê-lo previamente ao início dos mesmos e no próprio local
onde eles se desenvolverão;
• Deve seguir as técnicas de análise de risco já estudadas e ser a mais esclarecedora
possível;
• Deve conter o visto com o conhecimento de todos trabalhadores envolvidos.

OS EPC’s E EPI’s

EPC’s

Equipamentos de Proteção Coletiva são dispositivos cuja função principal é proteger de forma
abrangente os trabalhadores durante sua permanência no ambiente de trabalho.

EPI’S

Equipamentos de Proteção Individual são dispositivos usados pelo trabalhador em função da


necessidade de proteger seu corpo contra possíveis lesões durante a execução de suas tarefas.
Os EPI’s são regulamentados pela Norma NR-6 do MTE.
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OS PROCEDIMENTOS DE TRABALHO

• São considerados os mais importantes elementos no apoio à segurança do trabalhador


durante suas tarefas;
• Compreende a descrição de uma sequência de operações a serem desenvolvidas para a
realização de um trabalho e deve conter, passo-a-passo, todas as instruções e orientações
que resultem na segurança pessoal do trabalhador;
• Deve ser preparado por um profissional habilitado;
• Deve ser preparado um procedimento específico para cada atividade. Desta forma, pode
existir a necessidade de mais de um procedimento por tarefa;
• Os procedimentos devem ser divulgados, conhecidos, entendidos e cumpridos por todos
os trabalhadores;

ESPECIFICAMENTE PARA OS TRABALHOS COM A ELETRICIDADE, SÃO


EXEMPLOS DE EPC’s:

• Testadores da presença de tensão nos circuitos;

• Sistemas de aterramento elétrico;


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PROTEÇÃO DA CABEÇA:

• PROTEÇÃO DO TRONCO:
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PROTEÇÃO DOS MEMBROS SUPERIORES:

PROTEÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES:

PROTEÇÕES ESPECÍFICAS:
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DESENERGIZAÇÃO ELÉTRICA COM VISTAS À SEGURANÇA

• A Norma NR-10 sugere uma sequência de operações a serem efetuadas previamente ao


início de cada tarefa, como forma de considerar DESENERGIZADO o circuito para fins
de segurança pessoal;
• Deve ficar claro no entanto que DESENERGIZAR NÃO SIGNIFICA SECCIONAR,
uma vez que podem existir outras fontes de tensão energizando o ponto a ser trabalhado
(p. ex.: geração de emergência, bancos de capacitores, retorno de tensão por outros
alimentadores etc.);
• Para segurança pessoal, a NR-10 sugere a seguinte sequência para a desenergização:
SEQUÊNCIA RECOMENDADA PELA NR-10 PARA QUE UM CIRCUITO SEJA
CONSIDERADO DESENERGIZADO
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SEQUÊNCIA RECOMENDADA PELA NR-10 PARA REENERGIZAÇÃO DO


CIRCUITO

Retirar todas as ferramentas, utensílios e equipamentos;


Retirar da zona controlada todos os trabalhadores não envolvidos no processo de reenergização;
Remover o aterramento temporário, e as proteções adicionais;
Remover a sinalização de impedimento da reenergização;
Remover a sinalização de impedimento da reenergização;
Religar os dispositivos de seccionamento.

SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA

• Nas instalações e serviços em eletricidade, deve ser adotada uma sinalização adequada à
segurança, destinada à advertência e identificação, obedecendo o que dispõe a NR-26 –
Sinalização de Segurança – de forma a atender, no mínimo, às seguintes situações:
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1 – IDENTIFICAÇÃO DOS CIRCUITOS ELÉTRICOS

2 – TRAVAMENTO E BLOQUEIO DOS SISTEMAS DE MANOBRA E COMANDO

IDENTIFICAÇÃO DAS RESTRIÇÕES E IMPEDIMENTOS DE ACESSO

4 – DELIMITAÇÃO DAS ÁREAS DE TRABALHO


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5 – SINALIZAÇÃO DAS ÁREAS DE CIRCULAÇÃO, VIAS PÚBLICAS, VEÍCULOS E


MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS

6 – SINALIZAÇÃO DE IMPEDIMENTO DE ENERGIZAÇÃO

ALGUMAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA ADICIONAIS

ISOLAÇÃO DAS PARTES VIVAS


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2 – BARREIRAS

3 – OBSTÁCULOS

ZONAS DE RISCO CONTROLADA E LIVRE, SEGUNDO A NR-10

ZONA DE RISCO (Zr)

Área delimitada pelo círculo de raio Rr a partir de um ponto energizado Pe

ZONA CONTROLADA (Zc)

Área delimitada pelo círculo de raio Rc (externo à zona de risco)


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ZONA LIVRE (Zl)

Área externa ao círculo de raio Rc

Uma barreira de segurança isolante Si transforma a região cortada das zonas controlada ou de
risco em zona livre.

COMENTÁRIOS SOBRE AS ZONAS DE RISCO, CONTROLADA E LIVRE

• Os valores dos raios (em metro) Rr e Rc são definidos pela Norma NR-10 em função do
nível de tensão presente no circuito;
• Um objeto condutor como extensão de um indivíduo (um tudo metálico, p.ex.) pode
colocá-lo em uma zona controlada ou de risco, mesmo que seu corpo esteja localizado na
zona livre;
• Somente podem ingressar na zona de risco profissionais autorizados e com a adoção de
técnicas e instrumentos de trabalho apropriados;
• Somente podem ingressar na zona controlada profissionais autorizados.
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RECOMENDAÇÕES DE SEGURANÇA NOS TRABALHOS COM OS


EQUIPAMENTOS

NA FASE DE PROJETO

Previsão de dispositivos que permitam o travamento;


Planejamento de espaçamento e distanciamentos seguros;
Previsão de “aterramento elétrico”;
Indicação da posição “liga-desliga” nos dispositivos de manobra;
Planejamento e prevenção contra as influências externas (calor, frio, ruídos etc.);
Previsão contra incêndios e explosões
Descrição do princípio funcional dos elementos de proteção destinados à segurança das pessoas
(p.ex.: proteção por relés);
Descrição da compatibilidade dos dispositivos de proteção.

NAS FASES DE CONSTRUÇÃO, MONTAGEM, OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO

Proteção contra riscos adicionais (p.ex.: altura, espaços confinados, campos eletromagnéticos,
atmosferas explosivas etc.);
Ferramentas elétricas adequadas às instalações;
Supervisão por profissional autorizado nos termos da Norma NR-10;
Posição de trabalho segura – membros superiores livres;
Níveis de iluminamento adequados ao trabalho;
Aplicação da NR-17 – Ergonomia;
Manutenção das instalações elétricas em perfeito estado de segurança e funcionamento.
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UNIDADE 17

ASPECTOS COMPORTAMENTAIS:

O ENGENHEIRO ELETRICISTA E SUA


INTERAÇÃO COM OS EQUIPAMENTOS DO SEP
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UMA BREVE INTRODUÇÃO AO TEMA “COMPORTAMENTO”

Suponha que você se formou e foi contratado para trabalhar na Empresa X, mais
precisamente no setor de Operação da Subestação Receptora de Alta Tensão.
Em seu primeiro dia de trabalho, você teve a oportunidade de:

• Fazer a integração de segurança na empresa


• Conhecer as normas e regulamentos da empresa
• Ser apresentado aos seus colegas de trabalho
• Inteirar-se de suas atividades
• Conhecer os riscos e cuidados necessários para executá-las

No entanto, nada lhe foi transmitido com relação ao seu comportamento no trabalho, de
modo a resultar um desempenho positivo, tanto para você quanto para a empresa.

Lamentável. Todas as empresas necessitam extrair de seus colaboradores o melhor deles


para que ambos possam sobreviver, crescer e se desenvolver. No entanto, a maioria delas
não se preocupa em tecer abordagens nos aspectos comportamentais com cada um. E isto,
às vezes, pode ser desastroso...

• Nesta unidade, vamos tratar especificamente destes importantes aspectos. Vejamos


alguns motivos para tal:

Suponhamos agora que você tenha que gerenciar a operação dos equipamentos elétricos
de Alta Tensão, de elevados custos, de grande importância no processo produtivo e
enormes riscos para a segurança de todo pessoal envolvido e do qual você é responsável.

• Será que você sai de casa para o trabalho todos os dias com o mesmo humor?
• Será que sua saúde está se apresentando nos níveis normais, ou seja, você se sente bem,
sem dores, mal estar etc.?
• E do ponto de vista psicológico? Será que na empresa o pessoal sabe que você,
porventura, está carregando consigo problemas particulares?
• E o seu relacionamento com os colegas? Será que sua chefia tem conhecimento da
empatia ou antipatia espontânea de você com algum ou alguns colegas?
• Você já teve a experiência de ser apelidado ou colocar apelido de mau gosto em algum
colega de trabalho?

CONCLUSÃO

Um trabalhador que, basicamente, é um ser humano, ao se envolver profissionalmente em


trabalhos de risco (a exemplo dos equipamentos elétricos), deve estar sempre preparado para
enfrentar tais riscos e, adicionalmente, ser orientado para situações onde seu comportamento
assume uma importância expressiva, seja do ponto de vista humano ou com relação ao processo
produtivo da empresa.
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CAUSAS QUE LEVAM A ACIDENTES

1. Falta de planejamento e/ou programação


2. Improviso ou despreparo do trabalhador
3. Procedimentos de trabalho inexistentes ou inadequados
4. Inexistência ou inadequação das APR’s (Análises Prévia de Riscos)
5. Uso inadequado ou inexistência de EPC’s e EPI’s
6. Uso incorreto ou inexistência de instrumentos ou ferramental
7. Tolerância por parte da empresa no descumprimento das normas de segurança pessoal
8. Permissibilidade de não conformidades (p.ex. partes elétricas expostas)
9. Sinalização de segurança inexistente, deficiente ou inadequada
10. Falta de comprometimento, negligência ou omissão por parte do pessoal envolvido.

E O QUE LEVA AS EMPRESAS A REGISTRAR PREJUÍZOS EM FUNÇÃO DA


OCORRÊNCIA DE ACIDENTES?

1. Absenteísmo elevado e maior gasto com manutenção


2. Redução do moral da equipe
3. Perda de colaboradores qualificados, experientes, somada à perda do investimento
despendido para treiná-los.
4. Pessoal de elevada qualidade, porém descontente por trabalhar nesta empresa.
5. Indenizações a trabalhadores lesionados e a parentes de trabalhadores que faleceram no
exercício de sua profissão.
6. Multas trabalhistas
7. Gastos elevados com prêmios de seguros
8. Prejuízo material em produção
9. Disputas judiciais com sindicatos
10. Perdas de contratos, concorrências, licitações, etc.
11. Insatisfação dos acionistas

COMO O SER HUMANO SE MOTIVA COMPORTAMENTALMENTE?


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SITUAÇÕES PSICOLÓGICAS NEGATIVAS NO TRABALHO

1. Um trabalhador alocado na sala elétrica de uma plataforma petrolífera, com


trabalho de alto risco que estava se transferindo de uma unidade para outra, a seu
pedido, expressou, assim, o seu motivo: “Lá está todo mundo maluco. Tem gente
que vê um incêndio e fica rindo. Às vezes, a gente está dormindo e toca a sirene
de alarme: a gente se levanta correndo e não é nada. É só para ver se a gente
estava atento. Todas as vezes que eu embarcava ficava com febre”.

2. Um encarregado de manutenção de subestações, num dia em que teve que atender


a 5 (cinco) chamadas de emergência, sofreu um “branco” e teve que ficar na sala
para se acalmar. Ficou nervoso com o ocorrido e atribuiu o fato a estar fazendo
hora extra há seis meses. Estava também ansioso com as mudanças nas regras da
aposentadoria, pois a sua deveria ocorrer no ano seguinte. A família cobrava sua
presença em casa, com o afastamento provocado pelas horas extras.

3. Resposta a questionário sobre Estímulos Sonoros e Ruídos registrou: “A falta de


estímulo sonoro, som ambiental, por exemplo, torna local de trabalho triste,
provocando inclusive a paralisação das tarefas para conversar, a fim de quebrar a
monotonia do silêncio, ou afastando-se do local para beber água ou café”.

4. Eletricista do setor de manutenção de uma concessionária se queixava de alta


irritabilidade em casa, não suportado vozes altas, sons estridentes. No entanto, seu
local de trabalho era excessivamente ruidoso, mas, lá, ele dizia que era calmo.

5. Eletricista do setor de manutenção de uma concessionária se queixava de alta


irritabilidade em casa, não suportado vozes altas, sons estridentes. No entanto, seu
local de trabalho era excessivamente ruidoso, mas, lá, ele dizia que era calmo.

6. Um empregado em licença psiquiátrica disse que, após um ano de casa, tinha ido
trabalhar num forno e que não lhe treinaram para trabalhar naquele local, o que
exigiu dele um tempo adicional. Disse que os colegas ensinavam as coisas erradas
e faziam piadas com seu nome, dando apelidos, culminando com uma briga.
Sentia-se ansioso, com cefaléia e dificuldade para dormir.

7. Um empregado, durante um atendimento psicológico, atribuiu o início de seu


problema (apatia, desinteresse, calafrio, dores no peito, ansiedade aguda,
transpiração, stress emocional) à morte da mãe. Entretanto, dados de seu
prontuário indicaram o início de seus sintomas coincidentemente à mudança de
função na empresa, quando foi transferido de uma atividade tranquila para outra,
onde as condições eram inteiramente diferentes (grandes riscos).
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8. Empregados que trabalhavam em sala de controle, entraram em conflito,


chegando a agressões físicas. Análise da situação tornou evidente que os conflitos
se desencadearam quando a empresa, em sua reorganização, aglutinou numa só
sala de controle empregados de vários setores, tornando difícil o trabalho coletivo.
Havia queixas gerais das conversas em voz alta e da dificuldade de concentração.

E O QUE DIZER QUANDO NOS REFERIMOS AOS RISCOS DOS


TRABALHOS COM OS EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS?

1. Eles apresentam características próprias e bem definidas;

2. A interação entre o homem e o equipamento exige uma percepção diferenciada em


relação aos outros riscos, uma vez que o agente “risco elétrico” não tem cor, cheiro e é
invisível.

3. Oferecem um potencial de lesões permanente e de graves conseqüências para o ser


humano caso não sejam tomadas as medidas de controle do risco.

A PERCEPÇÃO DO RISCO

Vejam aqui algumas questões para se refletir e que são úteis para se contornar
situações frente ao trabalho:

ANALISANDO A ELEVAÇÃO DOS RISCOS

Alguns dos fatores que contribuem para a ELEVAÇÃO dos riscos:

Freqüência do comportamento de risco;


Freqüência e gravidade de doenças ocupacionais;
Atitudes e comportamentos relativos a: “Nós contra eles”;
Esconder ou não relatar os incidentes/acidentes.
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Alguns dos fatores que contribuem para a REDUÇÃO dos riscos:

Freqüência do comportamento seguro;


Atualização das normas e procedimentos operacionais;
Senso de segurança;
Qualidade na comunicação;
Quantidade de comunicações;
Sentimento de controle pessoal pela segurança;
Apoio aos colegas de trabalho;
Responsabilidade individual.

TIPOS DE COMPORTAMENTO HUMANO E SUAS CARACTERÍSTICAS

A FORÇA DO HÁBITO

Quando usamos nossos sentidos, na maioria das vezes não precisamos sequer pensar neles.
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BOA força do hábito

Fazer testes nos equipamentos de segurança antes das atividades


Fazer uso correto de EPI’s
Manter os corredores e equipamentos de emergência desobstruídos
Cumprir as regras de segurança

MÁ força do hábito

Entrar em zonas de risco sem autorização porque havia pressa


Realizar trabalhos sem EPI’s apropriados
Utilizar ferramentas inadequadas somente porque elas estavam disponíveis por perto
Identificar uma não conformidade e “deixar para corrigir quando eu tiver tempo”

A FORÇA DO HÁBITO – METAS

Destinar constante atenção às regras comportamentais;


Destinar constante atenção ao comportamento dos colegas de trabalho;
Eleger o treinamento continuado como uma forma de diminuir o comportamento de risco;
Eliminar as barreiras que impedem o comportamento seguro, esforçando-se para que ele
se torne mais fácil e conveniente.

ESTILOS PESSOAIS DE COMUNICAÇÃO

Principais estilos pessoais de comunicação:

Estilo PASSIVO;
Estilo AGRESSIVO;
Estilo MANIPULADOR.
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ESTILOS PESSOAIS DE COMUNICAÇÃO

Sente-se bloqueado quando lhe apresentam um problema para resolver;


Tem medo de avançar e de decidir porque receia a decepção;
Tem medo de importunar os outros;
Deixa que os outros abusem dele;
O seu “time” é o time do ambiente onde está inserido;
Tende a fundir-se com o grupo, por medo.

Falsa representação da realidade que o cerca e uma má apreciação e interpretação das


relações de poder e influência. Existe um fantasma sobre o poder do outro; imagina o
outro com muito mais poder do que de fato tem;
Desvalorização das suas capacidades para resolver problemas;
Uma educação severa e um ambiente particularmente difícil onde vivenciou muita
frustração, é outra causa possível.

Rói as unhas;
Mexe os músculos da face, rangendo os dentes;
Bate com os dedos na mesa;
Ri de forma nervosa;
Mexe freqüentemente os pés;
Está sempre ansioso;
Tem insônias.
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Não quero dramatizar;


É preciso deixar as pessoas à vontade;
Não sou o único a lamentar-me;
É preciso saber fazer concessões;
Não gosto de atacar pessoas;
Admito que os outros sejam diretos comigo, mas eu tenho receio de os ferir;
Não gosto de prolongar a discussão com intervenções não construtivas.

Desenvolve ressentimentos e rancores porque ao longo do tempo sente que está sendo
explorado e diminuído;
Utiliza mal a sua energia vital. A sua inteligência e afetividade são freqüentemente
utilizadas para se defender e fugir às situações. Seria muito mais produtivo se investisse
essas energias em ações e soluções construtivas para si e para os outros...;
Perde o respeito por si próprio, porque freqüentemente faz coisas de que não gosta e que
não consegue recusar.

Procura:

• Dominar os outros;
• Valorizar-se às custas dos outros;
• Ignorar e desvalorizar sistematicamente o que os outros fazem e dizem.

Em posição dominante autoritarismo, frieza, menosprezo, intolerância;

Em posição subordinada contestação sistemática, hostilidade “ a priori” contra tudo o


que vem de cima.
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Uma elevada taxa de frustrações no passado – uma pessoa que tenha vivido muitas
frustrações no passado teme toda situação que possa causar o mínimo de frustração e, por
isso, ataca frequentemente;

• O medo latente – o medo está constantemente presente no indivíduo agressivo;


• O desejo de vingança – a pessoa está sempre em posição defensiva, esperando a melhor
oportunidade para atacar.

Fala alto;
Faz barulho com os seus afazeres enquanto os outros se exprimem;
Não controla o tempo enquanto fala;
Olha de revés o seu interlocutor;
Demonstra sorriso irônico;
Manifesta por mímica o seu desprezo ou a sua desaprovação;
Recorre a imagens chocantes ou brutais.

Neste mundo é preciso saber se impor;


Prefiro ser lobo a ser cordeiro;
As pessoas gostam é de ser guiadas por alguém com um temperamento forte;
Se eu não tivesse aprendido a me defender, há muito já teria sido devorado;
Os outros são todos imbecis;
Só os fracos e os sensíveis é que podem sentir-se agredidos.
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Valoriza o outro através de frases que pretende que sejam humorísticas e que denotem
inteligência e cultura;
Utiliza a simulação como instrumento. Nega fatos e inventa histórias para mostrar que as
coisas não são da sua responsabilidade;
Fala por meias palavras;
É mais hábil em criar conflitos no momento oportuno do que reduzir as tensões
existentes;
Tira partido das leis e das regras, adapta-as aos seus interesses e considera que, quem não
o faz é estúpido;
Emprega freqüentemente o “nós” e não o “eu”;
Apresenta-se sempre cheio de boas intenções.

Uma educação tradicional onde a manipulação era o único meio para atingir os objetivos.
Acreditar, de fato, que:

• Só se pode confiar nos santos;


• Não se pode nem deve ser franco e direto;
• A ação indireta é mais eficaz que o face a face.

O manipulador perde a sua credibilidade à medida que os seus “truques” são descobertos;
Uma vez descoberto, o manipulador tende a vingar-se dos outros e, se tem poder, utiliza-
o para isso;
Dificilmente recupera a confiança dos outros.
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ABORDAGEM COMPORTAMENTAL NA EMPRESA

Comportamento que pode pesar mais que o próprio desempenho do indivíduo na empresa.

Respeitar a hierarquia
• Mesmo em trabalhos temporários;
• Bater à porta, sempre (mesmo dos subordinados)

Descontração
• Cuidado com os apelidos ou fofocas na empresa (BULLYING)

Lealdade com os assuntos da empresa;
Comportamento dentro e fora da empresa;
• Cuidado com os excessos: você carrega a imagem da empresa.
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Respeito às diferenças;
Saber separar: amizade x conduta profissional

Comprometimento com a empresa;


Assumir erros, nada de tentar jogar a culpa nos outros;
Administrar o tempo

• Retorne os e-mails e telefonemas (sinal de respeito com o tempo do outro);


• Organize-se

Nas reuniões

• Vá “desarmado” para as reuniões;


• Pontualidade é indispensável;
• Não monopolize a reunião;
• Saiba esperar os outros a exporem suas idéias;
• Não chame a atenção de alguém na frente dos outros;
• Calma, paciência e respeito;
• Desligue o celular.

Sentar
• Postura é fundamental (nada de tornozelos nos joelhos);

Falar
• Evite gírias, palavrões e termos carinhosos;
• Volume: não ria ou fale alto demais.

Andar
• “Pisar leve”;
• Evite posturas de desânimo e preguiça.
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Cumprimentos
• Limite-se ao aperto de mão no primeiro encontro

Cigarros (use o local adequado mas...)


• Cuidado com a postura, cheiro e hálito.

Gomas de mascar? Nem pense nisto!

Celular que não é seu, não atenda;

• Quando ligar, pergunte se a pessoa pode falar;


• Desligue em ambientes coletivos.
• Não fale alto demais;

Ao telefone da empresa, evite:

• Desânimo ou euforia;
• Deixar a pessoa esperando;
• Chamar por alguém em tom alto;
• Mastigar qualquer coisa;
• Evitar “papo-furado”;

As compulsões ou comportamentos compulsivos são hábitos aprendidos e seguidos por


um alívio de ansiedade e/ou angústia. São hábitos que já foram executados inúmeras vezes e
acontecem quase automaticamente.
Eles se caracterizam por serem repetitivos e por se apresentarem de forma freqüente e
excessiva.

Jogar compulsivo;
Atividade física compulsiva;
Comprar compulsivo;
Trabalhar compulsivo;
Comer compulsivo.
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EQUIPAMENTOS DO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA

Se a pessoa é acometida pela idéia (contra sua vontade) de que está se contaminando
através de alguma sujeira nas mãos, terá pronto alívio em lavar as mãos. Entretanto, se
tiver que lavar as mãos 40 vezes por dia, ao invés de adaptar essa atitude acaba por se
esgotar.
Se a pessoa é acometida pela idéia de que seus pais sofrerão algum acidente fatal, poderá
conseguir alívio da angústia gerada por esses pensamentos se, por exemplo, bater 3 vezes
na madeira...Mas tiver que bater na madeira 40 vezes por dia, ao invés de aliviar, essa
atitude acaba por constranger e frustrar.
Se a pessoa tem um pensamento incômodo de que aquilo que acabou de comer poderá
engordá-la, terá alívio dessa sensação provocando o vômito, ou tomando laxantes....

Seja objetivo;
Chame sempre seu interlocutor pelo nome;
Olhe nos olhos;
Mostre-se interessado em atendê-la;
Não desvie o assunto após “quebrar o gelo”.

Prometer e não cumprir


Indiferença e atitudes indelicadas
Não ouvir
Dizer que ele não tem o direito de estar “nervoso”
Agir com sarcasmo e prepotência
Questionar sua integridade
Discutir
Não dar retorno
Usar palavras inadequadas
Apresentar aparência e postura pouco profissionais
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Uma pessoa considera-se bem recebida, mesmo quando tem o NÃO como resposta, se:

• Você ouve o que ela tem a dizer;


• Você explica o motivo da resposta negativa;
• Você a trata com delicadeza e respeito;
• Você justifica o não atendimento e se coloca à disposição para atendê-la em outra
ocasião.
• Você a encaminha para a área indicada;

Evite o paradigma de uma resposta muito comum nas empresas: “Não sei, as coisas sempre
foram assim por aqui...”

Que tal pensar um pouco nisso?

Como se pode conceituar o conflito no ambiente de trabalho?

É todo comportamento que afeta negativamente a produtividade e a harmonia de um


ambiente de trabalho.

Os conflitos surgem, geralmente, pela elevada intensidade das insatisfações.


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Os conflitos surgem em razão de 3 causas principais:

Competição entre pessoas por recursos disponíveis, porém escassos;


Divergência de alvos entre as pessoas;
Tentativas de autonomia/libertação de uma das pessoas em relação a outra.

1) Fase inicial

• Antes de tratar um conflito é necessário:

a) Levantar os indícios, dados e fatos pertinentes, e discuta com as pessoas


envolvidas.
b) Mostre às pessoas envolvidas os benefícios potenciais do tratamento do problema.
c) Ouça atentamente, encoraje-as, desfazendo as defesas e as resistências.

• Tendo conseguido a adesão significativa, o conflito está maduro e pronto para ser tratado.
Passe, então, para a fase seguinte.
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2. Fase Decisiva

• Nesta fase geralmente surgem:

a) Informações divergentes devido a mal-entendidos, linguagens, enfoques e


percepções diferentes do problema.
b) Valores e interesses conflitantes (o que é bom para um não o é para o outro).
c) Estados emocionais alterados (cabeças quentes).
d) Jogo de poder (um pode, ou pensa que pode mais do que o outro).
e) Questões irrelevantes que pouco ou nada contribuem ou tem a ver com o
problema.

Ocorre principalmente nos ambientes de trabalho, na escola e familiar;


Apresenta atitudes intencionais e repetidas (às vezes agressivas);
São tradicionalmente admitidas como naturais;
Habitualmente é incorporado ou não valorizado pelos colegas e supervisores.
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“Sensação, às vezes vaga, de algo desagradável ou não, que está por acontecer.”

Ansiedade normal

Ocorre em situações cotidianas (p.ex.: estou ansioso para chegar o momento de ser
homenageado pelos colegas da fábrica). É transitória e dura apenas o tempo suficiente.

Ansiedade patológica (doença)

Neste caso não existe uma fronteira definida e, sim, uma contínua transição (p.ex.: estou
convicto de que contraí aquela enfermidade).

É POSSÍVEL CONVIVER COM A ANSIDADE NO TRABALHO?

A ansiedade normal não traz maiores conseqüências para o indivíduo.


A ansiedade patológica requer o auxílio de um profissional especializado (assistente
social, psicólogo).
Em ambos os casos é recomendável, que cada indivíduo tenha consciência de sua
condição de ansioso e procure administrar positivamente cada situação.
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ENTÃO, COMO PROCEDER COM RELAÇÃO AO MEDO NO AMBIENTE DE


TRABALHO?

Trabalhe com conhecimento (domínio) da tarefa a ser executada;


Trabalhe com toda a segurança pessoal que lhe for possível;
Se o trabalho exigir uma interação com a eletricidade, RESPEITE-A.

O ESTRESSE

É originado, entre outros, pelos seguintes fatores:

A DEPRESSÃO

A depressão é considerada um “distúrbio de afetividade”.


Ela pode ser entendida como a“incapacidade de sentir prazer, associada à absoluta falta
de vontade de viver, o que, em absoluto, significa que o indivíduo nestas condições tenha
vontade de morrer”.
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Sintomas: pessimismo, idéias de culpa, sentimento de infelicidade e tristeza, perda de


interesse e motivação, entre outros.
Conclusão: Qualquer indício de algum desses sentimentos por parte dos funcionários
deverá ser objeto de análise pelo setor competente da empresa.

SUGESTÕES DE COMO ADMINISTRAR AS EMOÇÕES

Descansar e dormir o máximo possível;


Praticar alguma atividade física e reservar momentos para o lazer;
Utilizar técnicas de relaxamento;
Tomar e manter as rédeas da sua vida;
Manter uma alimentação saudável e equilibrada;
Conversar com amigos e familiares;
Compartilhar as emoções;
Permitir-se o “estar mal”;
Respeitar e ajudar colegas de trabalho;
Praticar algum credo religioso;
Fazer um check-up regularmente;
Estabelecer metas realistas para a sua vida.

TRABALHO EM EQUIPE

O QUE É UMA EQUIPE?

Uma equipe se forma quando 2 ou mais indivíduos interdependentes e em interação se


aproximam visando a obtenção de um determinado objetivo.

O QUE SIGNIFICA TRABALHAR EM EQUIPE?

• Cumprir com suas responsabilidades no tempo estabelecido;


• Focar nos detalhes, sem esquecer o geral;
• Ajudar;
• Apoiar;
• Compartilhar conhecimentos;
• Compartilhar experiências;
• Motivar-se e procurar motivar os outros
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E O QUE GERA O PENSAMENTO DA EQUIPE?

O PENSAMENTO DA EQUIPE É GERADO PELO PENSAMENTO INDIVIDUAL DOS


SEUS COMPONENTES

Pensamentos geram palavras


Palavras geram ações
Ações geram hábitos
Hábitos geram destinos

SETE FRASES QUE DEVEM SER A BASE DE UMA EQUIPE:

As 6 palavras mais importantes:


Admito que o erro foi meu.

As 5 palavras mais importantes:


Você fez um bom trabalho.

As 4 palavras mais importantes


Qual a sua opinião?

As 3 palavras mais importantes:


Faça o favor.

As 2 palavras mais importantes:


Muito obrigado.

6- A palavra mais importante:


Nós.

7- A palavra menos importante:


Eu.

A HIERARQUIA

A hierarquia tem todo o seu fundamento no sentimento de respeito ao outro e por si próprio.
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NÍVEIS DE TOMADA DE DECISÃO DAS CHEFIAS

HABILIDADES PESSOAIS E PROFISSIONAIS NO TRABALHO *


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A SATISFAÇÃO NO TRABALHO *

Uma pergunta: você já deve ter ouvido de alguém que a noite de domingo é causa de tristeza pois
termina o final de semana e começa outra semana de trabalho. Ou de pessoas que reclamam
por seu dia de trabalho ser tão longo (hoje o relógio marca meia-noite, mas não marca o final
deste expediente...)
O que será que esses comentários/desabafos querem nos dizer?
É justamente sobre a satisfação profissional.
A palavra satisfação pressupõe ato que satisfaz.
O ser humano é o único animal que busca sentido para sua vida e para o que faz. Aquele que não
encontra esse sentido se deprime e perde a vontade de viver.

Você está satisfeito com seu trabalho? Se a resposta foi sim, aproveite para curtir a satisfação
que o trabalho pode lhe proporcionar. Contudo se a sua resposta foi não, repense, pois suas ações
não lhe proporcionam satisfação.

As causas disso podem ser:

1 Fazer algo que se gosta, mas que não sabe executar bem;

Comentário: procure aprimorar sua forma de fazer o que gosta pois, caso contrário, com o tempo
a satisfação vai por água abaixo. Procure aprender com quem já faz bem, busque orientação.

2 O ambiente de trabalho não lhe provê as ferramentas necessárias

Comentário:

Estamos falando de algo que foge ao nosso controle, mas que podemos batalhar para conseguir
uma mudança. Se a empresa não lhe proporciona isso, mexa-se e faça acontecer. Se não
valorizarem seu trabalho, mude de empresa.
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3 Faltam-lhe conhecimentos técnicos

Comentário:

Este aspecto é um dos mais fáceis de resolver: estude, dedique tempo, energia e disciplina, faça
cursos, amplie sua visão aprendendo com as outras pessoas.

4 Falta de atitude, ou seja, querer aprender, fazer melhor, dar o melhor de si.

Comentário:

Este item é o mais trabalhoso, pois sem ele os outros problemas não serão facilmente resolvidos,
estamos falando da Atitude. Ou seja, aquela característica importante e que diferencia as pessoas
satisfeitas das menos satisfeitas. Se não sabe, aprenda. Vá atrás das soluções e não prenda-se no
problema. Peça ajuda. Mostre o que sabe fazer. Mostre que mesmo quando faltarem as demais
condições com a Atitude você superará seus problemas e bloqueios.

A satisfação no trabalho não vem de graça.


Exige seu esforço e sua dedicação.

* Maier Augusto dos Santos – A Satisfação no Trabalho