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Aula 9

Roteiro

1. Gás Ideal Quântico
a) Grã-função de partição
b) Equação de estado:
Férmions
Bósons
2. Gás Ideal de Fermions
a) Altas temperaturas
b) Baixas temperaturas
3. Estrelas anãs brancas

Referências: Huang, 8.6, 11.1 e 11.2
Pathria, 8.4

1 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico
Considerar um conjunto de N partı́culas independentes (não interagentes) confinadas em
um volume V e descritas pelo operador hamiltoniano

�N
1 �2 1 2
Ĥ = p̂i = [p̂x + p̂2y + p̂2z )], p̂�2i = p̂�i · p̂�i
i=1
2m 2m

onde p̂� = (p̂x , p̂y , p̂z ) é o operador momentum linear em linguagem vetorial.

Na representação de coordenadas são

p̂x = i�(∂/∂x)

Supor partı́culas sem spin e indistinguı́veis do ponto de vista espacial.

Na base autovetores do hamiltoniano a equação de Schrödinger (para a parte espacial da
função de onda) pode ser escrita como
� 1 � � 1 2
Ĥ|φn � = p̂�i |φn � =
2
Eni |φn � = En |φn �, En = Eni , Eni = pi
i
2m i i
2m

onde p�i o autovalor do operador momentum linear p̂�i da i-ésima partı́cula.

2 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico
Considerar um conjunto de N partı́culas independentes (não interagentes) confinadas em
um volume V e descritas pelo operador hamiltoniano

�N
1 �2 1 2
Ĥ = p̂i = [p̂x + p̂2y + p̂2z )], p̂�2i = p̂�i · p̂�i
i=1
2m 2m

onde p̂� = (p̂x , p̂y , p̂z ) é o operador momentum linear em linguagem vetorial.

Na representação de coordenadas são

p̂x = i�(∂/∂x)

Supor partı́culas sem spin e indistinguı́veis do ponto de vista espacial.

Na base autovetores do hamiltoniano a equação de Schrödinger (para a parte espacial da
função de onda) pode ser escrita como
� 1 � � 1 2
Ĥ|φn � = p̂�i |φn � =
2
Eni |φn � = En |φn �, En = Eni , Eni = pi
i
2m i i
2m

onde p�i o autovalor do operador momentum linear p̂�i da i-ésima partı́cula.

2 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico
Considerar um conjunto de N partı́culas independentes (não interagentes) confinadas em
um volume V e descritas pelo operador hamiltoniano

�N
1 �2 1 2
Ĥ = p̂i = [p̂x + p̂2y + p̂2z )], p̂�2i = p̂�i · p̂�i
i=1
2m 2m

onde p̂� = (p̂x , p̂y , p̂z ) é o operador momentum linear em linguagem vetorial.

Na representação de coordenadas são

p̂x = i�(∂/∂x)

Supor partı́culas sem spin e indistinguı́veis do ponto de vista espacial.

Na base autovetores do hamiltoniano a equação de Schrödinger (para a parte espacial da
função de onda) pode ser escrita como
� 1 � � 1 2
Ĥ|φn � = p̂�i |φn � =
2
Eni |φn � = En |φn �, En = Eni , Eni = pi
i
2m i i
2m

onde p�i o autovalor do operador momentum linear p̂�i da i-ésima partı́cula.

2 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico
Considerar um conjunto de N partı́culas independentes (não interagentes) confinadas em
um volume V e descritas pelo operador hamiltoniano

�N
1 �2 1 2
Ĥ = p̂i = [p̂x + p̂2y + p̂2z )], p̂�2i = p̂�i · p̂�i
i=1
2m 2m

onde p̂� = (p̂x , p̂y , p̂z ) é o operador momentum linear em linguagem vetorial.

Na representação de coordenadas são

p̂x = i�(∂/∂x)

Supor partı́culas sem spin e indistinguı́veis do ponto de vista espacial.

Na base autovetores do hamiltoniano a equação de Schrödinger (para a parte espacial da
função de onda) pode ser escrita como
� 1 � � 1 2
Ĥ|φn � = p̂�i |φn � =
2
Eni |φn � = En |φn �, En = Eni , Eni = pi
i
2m i i
2m

onde p�i o autovalor do operador momentum linear p̂�i da i-ésima partı́cula.

2 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico

Estando o gás está confinado em um volume V = L3 , as funções de onda devem atender
às condições de periodicidade nas fronteiras do volume, e.g.

Ψ(x, y, z) = Ψ (x + L, y, z),

assim como para as outras direções.

Logo, como as soluções são ondas planas devemos ter:
2π�
p�i = �ni , � i = (nix , niy , niz ), niα ∈ I
L

ou seja os autovalores do operador momentum linear p̂�i resultam quantizados.

Os autovalores da energia, podem ser reescritos em termos de uma soma sobre os possı́veis
valores discretos de p�i na forma
� � p2 �
En = Eni → Ep� = np� εp� , com εp� = , e np� = N
n
2m
p
� p

onde np� é o número de partı́culas com autovalor p�.

3 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico

Estando o gás está confinado em um volume V = L3 , as funções de onda devem atender
às condições de periodicidade nas fronteiras do volume, e.g.

Ψ(x, y, z) = Ψ (x + L, y, z),

assim como para as outras direções.

Logo, como as soluções são ondas planas devemos ter:
2π�
p�i = �ni , � i = (nix , niy , niz ), niα ∈ I
L

ou seja os autovalores do operador momentum linear p̂�i resultam quantizados.

Os autovalores da energia, podem ser reescritos em termos de uma soma sobre os possı́veis
valores discretos de p�i na forma
� � p2 �
En = Eni → Ep� = np� εp� , com εp� = , e np� = N
n
2m
p
� p

onde np� é o número de partı́culas com autovalor p�.

3 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico

Estando o gás está confinado em um volume V = L3 , as funções de onda devem atender
às condições de periodicidade nas fronteiras do volume, e.g.

Ψ(x, y, z) = Ψ (x + L, y, z),

assim como para as outras direções.

Logo, como as soluções são ondas planas devemos ter:
2π�
p�i = �ni , � i = (nix , niy , niz ), niα ∈ I
L

ou seja os autovalores do operador momentum linear p̂�i resultam quantizados.

Os autovalores da energia, podem ser reescritos em termos de uma soma sobre os possı́veis
valores discretos de p�i na forma
� � p2 �
En = Eni → Ep� = np� εp� , com εp� = , e np� = N
n
2m
p
� p

onde np� é o número de partı́culas com autovalor p�.

3 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico

Um microestado do gás ideal pode ser bem especificado pelo conjunto de números {np� }
ou seja o conjunto dos números de partı́culas com momentum p�.

microestado quântico ↔ conjunto de números {np� }

Obs:
• No limite V � 1 (ou L � 1) os autovalores |� pi | se tornam diminutos e podem ser
tratados de forma contı́nua, i.e. a somatória em p� pode ser reposta em termos de
uma integral em variáveis contı́nuas, i.e.
� �
V
→ 3 d�p
h
p

4 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico

Um microestado do gás ideal pode ser bem especificado pelo conjunto de números {np� }
ou seja o conjunto dos números de partı́culas com momentum p�.

microestado quântico ↔ conjunto de números {np� }

Obs:
• No limite V � 1 (ou L � 1) os autovalores |� pi | se tornam diminutos e podem ser
tratados de forma contı́nua, i.e. a somatória em p� pode ser reposta em termos de
uma integral em variáveis contı́nuas, i.e.
� �
V
→ 3 d�p
h
p

4 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico

Considerar a função de partição do ensemble canônico para um gás ideal

Z(V, T, N ) = g{np� } e−βE{np� }
{np
�}

onde, g{np� } é o número de microestados correspondentes a {np� }, i.e


1 Férmions e Bósons (indistinguı́veis),
g(np� ) = 1 N!

 � Maxwell-Boltzmann (distinguı́veis*)
N ! p� np� !

Maxwell-Boltzmann
 N
� 1 �
−β n np
� εp 1 �
Z(V, T, N ) = � e p


=  e−βεp� 
p
� � np
p �! N!
p

resultado decorrente da expansão multinomial. Fazendo a passagem para o contı́nuo, a
somatória é transformada em uma integral, i.e.
� � � mkT �3/2 N
V 2 V 1 V
e −βεp

→ 3
d�
pe −βp /2m
=V 2
= 3 ∴ Z(V, T, N ) =
h 2π� λ N ! λ3N
p

(*) mas com contagem correta de Boltzmann!

5 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico - grã-função de partição

Férmions e Bósons

É mais conveniente obter a grã-função de partição definida por

� � �
∞ � � ∞ �
� � �
N N −β np
� εp

� −βεp
�np�
Z(T, V, µ) = z Z(V, T, N ) = z e np
� = ze �

N =0 N =0 {np
�} N =0 {np
�} p

�� �
onde g(np� ) = 1 e soma indica a restrição que N = �.
� np
p

A dupla soma equivale (termo-a-termo) a uma somatória irrestrita em cada np� . i.e.

� �
∞ � ���
→ ...
N =0 {np
�} n0 n1 n2

Verifique a correspondências biunı́voca entre os termos de ambas as somas.

6 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico - grã-função de partição

Z(T, V, µ) pode ser reescrita como
���
Z(T, V, µ) = . . . (ze−βε0 )n0 (ze−βε1 )n1 (ze−βε2 )n2 · · · =
n0 n1 n2
�� �� � �� � �
= (ze−βε0 )n0 (ze−βε1 )n1 (ze−βε2 )n2 . . . ∴
n0 n1 n2
��� �
Z(T, V, µ) = (ze−βεp� )n
p
� n
Gás de Bósons: n = 0, 1, 2, . . . ∞
���
∞ � �
−βεp
Z(T, V, µ) = (ze � n
) → Z(T, V, µ) = (1 − ze−βεp� )−1
p
� n=0 p

a soma dos termos é uma progressão geométrica de razão menor que a unidade.

Gás de Férmions: n = 0, 1

Z(T, V, µ) = (1 + ze−βεp� )
p

7 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico - equação de estado

Equação de estado

No ensemble grão-canônico a eq. de estado é obtida lembrando que por ΩG = kB T ln Z(T, V, µ).
Como Ω = U − T S − µN = P V , resulta
 �

 − p� ln(1 − ze−βεp� ) Bósons,
PV
=
kT 
� −βεp
� ln(1 + ze
p
�) Férmions.

O número médio de partı́culas �N � é

 � ze −βεp


 Bósons,

 (1 − ze−βε�p)
∂ p

�N � = z ln Z(T, V, µ) = � −βεp
∂z 
 ze �

 Férmions.
 (1 + ze−βε�p)
p

Mas, como

� ze−βεp� (−) Bósons,
�N � = �np� � → �np� � = −βε�p
=
(1 + ∓ze ) (+) Férmions.
p

8 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás Ideal Quântico - equação de estado - férmions

Gás de Férmions livres

No limite termodinâmico V → ∞ as somatórias são estendidas para integrais desde que
os integrandos sejam limitados, o que é garantido pela condição z = e−βµ > 0.

� ∞
PV V 2 −βp2 /2m V
= (4π)p ln[1 + ze ] dp = 3 f5/2 (z)
kT h3 0 λ

� ∞ � 2π�2 �1/2
�N � V (4π)p2 dp V
= −1 2 /2m = f3/2 (z) λ=
V h3 0 [1 + z e βp ] λ 3 mKB T

Obs:
As funções fs (z) são ditas funções de Fermi ou integrais de Fermi que por sua vez são
casos particulares da função especial Polilogaritmo i.e
� ∞ s−1 ∞
� l
−1 t l+1 z
fs (z) = Lis (−z) = t −1
dt = (−1) s
.
Γ(s) 0 e z +1 l
l=1

9 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás ideal de férmions - regime de altas temperaturas

Regime de altas temperaturas

Em altas temperaturas o comprimento de onda térmico λ é muito menor que a distância
interpartı́cula média.
� V �1/3
λ << distância média interpartı́cula = ∴
�N �

3 �N � λ3
λ << 1, → = f3/2 (z) << 1
V V /�N �
Obs: λ corresponde ao comprimento de onda de Broglie para uma partı́cula com energia
f "x#
da ordem de kT .
3!2

A integral de Fermi 3.0
� ∞
4 dxx2 z2 z3 2.5
f3/2 (z) = √ −1 x 2 � z − 3/2 + 3/2 − . . .
π 0 (z e + 1) 2 + 3 2.0

1.5
• função monotonicamente crescente de z, i.e
(∂f3/2 /∂z) ≥ 0. 1.0
• f3/2 (0) = 0 ou seja o intervalo de valores de z tais que 0.5
f3/2 (z) << 1 corresponde a valores z pequenos.
x
2 4 6 8 10

10 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás ideal de férmions - regime de altas temperaturas

Reescrevendo com v = V /�N �,

λ3 z2 z3
= z − 3/2 + 3/2 − . . .
v 2 3
Invertendo a série para obter z em termos da ordem de (λ3 /v) teremos

λ3 z2 z3 λ3 λ3 2
z= + 3/2 − 3/2 − . . . z1 = + O{( ) }
v 2 3 v v
λ3 1 � λ3 �2 λ3 3
z2 = + 3/2 + O{( ) } . . . . . .
v 2 v v
Substituindo a expansão de z em potências de λ3 /v na equação de estado, teremos até
segunda ordem:
� 2 3

PV V V z z
= f5/2 (z) = 3 z − 5/2 + 5/2 + . . . =
kT λ3 λ 2 3
�� � � 3 � �
V λ3
1 λ� 3 �2
1 λ 1 λ� 3 �2 2
= 3
+ 3/2 − 5/2 + 3/2 + ...
λ v 2 v 2 v 2 v
3
� 3 3
� � 3

PV V λ 1 λ 1 λ 1 λ
� 3
1 + 3/2
− 5/2
+ . . . = �N � 1 + 5/2
+ ... ∴
kT λ v 2 v 2 v 2 v
� 3
� � 3

P �N � 1 λ P λ
� 1 + 5/2 + ... → � n 1 + 5/2 n + . . .
kT V 2 v kT 2

11 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás ideal de férmions - regime de altas temperaturas

Comentários:
• O resultado é expansão semelhante à expansão virial, i.e em potências da densidade
média v −1 .
• Diferença fundamental: os termos da expansão são produzidos por efeitos quânticos
sobre o gás ideal sem interações interpartı́cula.
• O termo de ordem zero, i.e com z = (λ3 /v) reproduz a equação de estado do gás
ideal clássico!
• Todas as demais grandezas termodinâmicas terão correções de origem quântica em
uma série de potências em (λ3 /v).
Por exemplo, capacidade calorı́fica a volume constante será
� 3 � 3 �2

3 λ λ
CV � N k 1 − 0.884 + 0.0066 + ...
2 v v

12 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás ideal de férmions - regime de baixas temperaturas

Regime de baixas temperaturas

Os efeitos quânticos são relevantes quando o comprimento de onda térmico ≥ a distância
média interpartı́cula, i.e quando as temperaturas são suficientemente baixas para que

λ3
�1
v
Nesse caso, devemos examinar o comportamento de f3/2 (z) em grandes valores e z.
n!Ε"
Considerar a distribuição de Fermi no regime de
baixı́ssimas temperaturas: 1 Fermi ! Dirac

n!Ε" # #e Β!Ε!Μ" & 1 $
!1
kT # 1
1 1
�np� � = ∴ lim �np� � = β(ε −ε )
z −1 eβεp� +1 −→ e p� F + 1
T →0
0.5
Observe que todas as curvas passam no mesmo ponto
kT # 10
n(µ) = 1/2, i.e quando ε = µ em qualquer temper-
Μ"1
atura.
0 Ε
0 1 2 3
Μ
Distribuição de Fermi para valores de
βµ= 1 (azul) e 10 (preto).

13 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás ideal de férmions - regime de baixas temperaturas

No regime extremo em que T = 0 temos


 1 se εp� < εF
 !np!"
lim �np� � = 0 se εp� > εF
−→ 

T =0 
1/2 se εp� = εF
1
Observações:
• Todos os estados com energia menor do
que εF estão ocupados com 1 partı́cula, e
todos os estados com energia acima estão
desocupados.
• εF é máxima energia de um estado ocu-
pado.
εF
• Como z = eβµ , em T = 0 o potêncial
quı́mico µ = εF . Distribuição de Fermi em T = 0.

14 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás ideal de férmions - regime de baixas temperaturas

Densidade de estados

Estado Fundamental(T = 0) �
O distribuição de Fermi obedece à condição p� �np� � = N , que em T = 0 resulta
� �
V
1 = N, ou d�p= N
h3
p
� ≤ εF
ε�p

Passando para a variável de energia, i.e p�2 /(2m) → ε , escrevemos formalmente
� εF
D(ε) dε = N
ε0

onde �
número de estados com,
D(ε) = densidade de estados =
energia entre ε e ε + dε.
Obs:
Para determinar explicitamente D(ε) é preciso especificar a dependência de ε com p�,
conhecida como relação de dispersão.

15 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás ideal de férmions - regime de baixas temperaturas

Para o gás ideal em T = 0 temos

p�2 m m
ε = εp� = ∴ dp = dε = √ dε →
2m p 2mε
� pF � εF � εF � �
V 4π V m 2πV 3 1

3
(4π)p2
dp = 3
(2mε) √ dε = 3
(2m) 2 ε 2 dε ∴
h 0 h 0 2mε 0 � h �� �
d(ε)

2πV
D(ε) = 3 (2m)3/2 ε1/2 → n(ε) ∼ ε1/2
h
Momentum de Fermi, D�Ε�
� pF
4π V V 4π 3
3
2
p dp = N, → 3
pF = N ∴
h 0 h 3
� 3N � 13
pF = h (momentum de Fermi)
4πV

Ε

16 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás ideal de férmions - regime de baixas temperaturas

Energia (média) do estado fundamental
� � pF 2
V p 2π V 5
E0 = �np� � εp� = 3 (4π)p2 dp, → E0 = 3
pF ou
h 0 2m 5m h
p

� εF
3
E0 = D(ε)dε, → E0 = N εF (energia interna)
0 5

Temperatura de Fermi TF

Definição:


 T =0 Estado Fundamental,





T << TF Regime de baixas temperaturas ou
εF
TF = → gás com alta densidade
k 




 T >> TF Regime de altas temperaturas ou


gás com baixa densidade..

17 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás ideal de férmions - regime de baixas temperaturas

Quando T �= 0 a densidade de estados pode ser obtida
por �
N= �np� �, ou f��� D��
p

T�0
�∞
V
N = 3 [eβ(ε−µ) + 1]−1 d�p= T �� TF
h
0 T �� TF
� ∞
= f (ε)D(ε)dε
0
onde
Ε�Μ
1
f (ε) = → e−β(ε−µ) (ε � µ) Gráfico de [f (ε) D(ε)] × ε/µ
eβ(ε−µ) + 1 para T = 0, T << TF e T � TF .

2πV 3 1
D(ε) = 3 (2m) ε 2
2
h

18 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gás ideal de férmions com spin

No caso de férmions com spin �s existirá uma degenerescência de (2s + 1) microestados
para cada estado me momentum p�.

Portanto,

V V 4π 3 V 4π 3 N
N = (2s + 1) 3 d�p= (2s + 1) 3 pF ∴ 3

pF = N =
h h 3 h 3 (2s + 1)
≤ εF
ε�p

• Corresponde a considerar um sistema de férmions reduzido para N � = N/(2s + 1)
férmions sem spin.

• Esta correspondência pode ser entendida porque férmions com diferentes estados
de spin não sofrem as restrições de simetria pela operação de permutação entre as
posições, i.e não sofrem as restrições impostas pelo princı́pio de Pauli.
• Cada subconjunto de férmions com mesmo estado de spin age como se fosse um
gás independente.

19 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Estrelas anãs brancas

20 \ Aula 9 Curso de Mecânica Estatística - Verão 2012 - Programa de Pós-graduação em Física da UFPE
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Estrelas anãs brancas

Em astronomia, anã branca é o objeto celeste resultante do processo evolutivo de estrelas
de até 10 M Sol, o que significa dizer que cerca de 98% de todas as estrelas evoluirão até a
fase de anã branca, entretanto, somente 6% dos objetos nas vizinhanças do Sol são anãs
brancas.

Após terem se tornado gigantes vermelhas durante a fase de queima nuclear de Hélio/
Hidrogênio, elas ejetarão sua camada externa, formando uma nebulosa planetária e
deixando para trás um núcleo composto praticamente de carbono e oxigênio.

Embora este núcleo seja mil vezes mais luminoso que o Sol e com uma temperatura
efetiva que pode chegar a 150 000 K, ele não tem uma fonte de energia adicional e irá
gradualmente irradiar sua energia e esfriar. O núcleo, sem o suporte contra o colapso
gravitacional oferecido pelas reações de fusão termonucleares, torna-se extremamente
denso, com uma massa típica de 0,6 MSol contida em um volume comparável ao da Terra.
O colapso gravitacional da anã branca é barrado apenas pela pressão de degenerescência
eletrônica. A maior massa de uma anã branca, além da qual a pressão da matéria
degenerada não pode mais suporta-la, é em torno de 1,4 MSol. Uma anã branca com massa
maior do que este limite (conhecido como limite de Chandrasekhar ) pode explodir em
uma supernova.

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Estrelas anãs brancas

Modelo simples para uma estrela anã branca

• Gás esférico constituı́do de hélio,
• massa total M ∼ 1030 kg e
• densidade de ρ = 1010 kg m−3

• temperatura no centro T = 107 K

Estimativa da energia de Fermi e do momentum de Fermi

Cada átomo de He contribui com 2 elétrons e 2 núcleos para a massa total.

A energia cinética média kB T ∼ 1 keV é muito pequena comparada à massa de
repouso dos núcleos, da ordem de mHe c2 ≈ 4 GeV. Logo devem ser tratados no
limite não-relativı́stico.

Para os eletrons a massa de repouso é me c2 ≈ 511 keV, de maneira que a con-
tribuição da energia cinética para a massa será também desprezı́vel.

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A massa do gás será aproximadamente

M ≈ N (me + 2mn ) ≈ 2N mn

Densidade de elétrons
N M/2mn ρ 36 elétrons
n= ≈ ≈ ≈ 3 · 10
V Mρ 2mn m3

O momentum de Fermi para um gás de elétrons é dado por
� 3n �1/3 Mev
−22 kg m
pF = h ≈ 5 · 10 ≈ 0, 9
2 × 4π seg c
onde o fator 2 decorre da degenerescência de spin do elétron.
A energia de Fermi pode ser obtida da relação energia-momentum relativı́stica.
Excluindo a energia de repouso, temos
�� �
� p �2
F
εF = mc2 1+ − 1 � 0.5Mev
mc

Portanto, a energia térmica kB T ≈ 1keV <<ε F . Ou seja, o gás de elétrons está
a uma temperatura T << TF , i.e. em um estado degenerado (frio).

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Para o gás de núcleos He, temos:

1. O comprimento de onda térmico
� �1/2
�2
λHe = ≈ 247 × 10−15 fm
m = 247 fm
2π mHe kb T

2. Comparando com a densidade de partı́culas de He que é metade da de elétrons temos

nHe λ3He ≈ 2.27 · 10−2 << 1

ou seja, o gás de He está no regime de altas temperaturas e pode ser tratado como um
gás de Maxwell-Boltzmann.

3. O gás de He contribui para a pressão com

−12 MeV
PHe = nHe kB T ≈ 1.5 · 10
fm3

4. A pressão do gás de elétrons em T = 0 (pressão do ponto zero) pode ser calculada e
resulta [vide Pathria eq. 12 §8.4, pag. 221]

π m4e c5 pF � 3n �1/3 h
P0 = 3
A(x), A(x) = x(x2 +1)1/2 (2x2 −3)+3 sinh−1 x, x= =
3h me c 8π me c

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que pode ser estimada em
−9 MeV
Pe ≈ 10 3
fm
que é 103 vezes maior que PHe . Portanto, apenas os elétrons são relevantes para a dinâmica
do gás.
5. O confinamento do gás é resultado da força gravitacional entre as partı́culas que o compõe.
Se o gás se expande por um volume dV enquanto o raio aumenta de dR haverá um ganho
de energia
dEP = −P dV = −P (R) 4π R2 dR
lembrando que a pressão é função do momento de Fermi que por sua vez depende do
volume (ou raio) para um dado número de partı́culas.
6. Por outro lado quando o gás aumenta de raio a energia potencial gravitacional aumenta
de
dEg G M2 G M2
dEg = dR = α 2
dR, Eg (R) = −α
dR R R
7. No equilı́brio termodinâmico a energia livre deve ter um mı́nimo ou seja dF = 0. Neste
caso, em T = 0 temos F = U − T S = U , logo

G M2 α G M2
dF = dU = dEg +dEP = 0 → [−P (R) 4π R +α 2
]dR = 0 ∴ P (R) =
R2 2π R4

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8.
α G M2
P (R) =
4π R4
Esta equação fornece entre a massa e o raio da estrela da estrela em equilı́brio.
Substituindo P (R) pela pressão P0 do ponto zero dos elétrons e o momento de Fermi dos
elétrons, resulta
� �3
4 5
πme c pF α GM 2
pF �c 1 1 G M2
3
A( )= 4
→ A( ) = 6πα
3h me c 4π R me c m4e c2 R me c 2 R
�� � � � �3
9πM 1/3 �c 1 �c 1 1 G M2
∴ A 2
= 6πα
8mn me c R m4e c2 R me c 2 R

9. Comentários:
– Esta equação fornece a correspondência entre a massa M da estrela (em unidade de
massa do nucleo) e o raio R (em unidades de comprimento de onda Compton dos
elétrons �c/me c2 .
– A energia gravitacional aparece no lado direito em unidades de energia de repouso os
elétrons.
– A equação relaciona mecânica quântica, relatividade especial e teoria da gravitação.

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9. Comentários:

– Infelizmente não pode ser resolvida exatamente para R(M ) ou M (R). Mas, pode
ser resolvida em 2 caso assintóticos:
Temos: M ∼ 1030 kg, mn ∼ 1.6 · 10−27 kg, �c = 197 MeV e me c2 ≈ 0.5 MeV.
Logo o argumento da função A(x) será 1 se R = 5 · 106 m. Podemos considerar as
situações assintóticas quando:
a) pF /me c << 1 para R � 106
Neste caso, A(x) � (8/5)x5 ,
� �� ��
3(9π) 2/3
�c �c mn �1/3
∴ R≈
40α Gm2n me c2 M

b) pF /me c >> 1 para R << 106
Neste caso, A(x) � 2x4 − 2x2 ,
� �� �1/3 � � M �2/3 �1/2
(9π) 1/3
�c M
∴ R≈ 1− ,
2 me c 2 mn M0
� �1/2 � �3/2
9 3π �c
M0 = mn
64 α3 G m2n

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9. Comentários:

� �� �1/3 � � M �2/3 �1/2
�c M
1− ,
me c2 mn M0
� �1/2 � �3/2
9 3π �c
M0 = 3 2
mn
64 α G mn

Se M > M0 não há solução real. O raio aproxima-se de 0 quando M → M0 .
Logo, M0 é o limite superior para a massa, chamado de limite de Chandrasekhar.

Significa, nessa aproximação, que a pressão do ponto zero dos elétrons não conseguiria
compensar a pressão gravitacional e a estrela colapsaria.

O valor de M0 � 1030 kg. Estudos posteriores de Chandrasekhar chegaram a

M0 � 1.44 Msol

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