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O PODER DA ORAÇÃO

– Oração confiada e perseverante.

– Constância na petição. Parábola do juiz iníquo.

– A oração, consequência directa da fé.

I. EU TE INVOCO, ó Deus, porque me ouvirás; inclina para mim os teus


ouvidos e escuta a minha palavra. Guarda-me como à menina dos teus olhos,
esconde-me sob a sombra das tuas asas1, lemos na Antífona de entrada da
Missa.

Os textos da liturgia centram-se hoje no poder que tem diante de Deus a


oração perseverante e cheia de fé. São Lucas, no Evangelho da Missa2, antes
de narrar-nos a parábola da viúva e do juiz iníquo, indica-nos a finalidade que
Jesus teve em vista ao ensiná-la: E propôs-lhes também uma parábola para
mostrar que importa orar sempre e não desfalecer.

Na vida sobrenatural, há acções que se realizam uma só vez: receber o


Baptismo, o sacramento da Ordem... Outras têm de ser realizadas muitas
vezes: perdoar, compreender, sorrir... Mas há acções e atitudes que devem ser
contínuas e que por isso requerem que se vença o cansaço, a rotina, o
desânimo. Entre estas encontra-se a oração, manifestação de fé e de
confiança em nosso Pai-Deus, mesmo quando parece que permanece em
silêncio.

Santo Agostinho, ao comentar esta passagem do Evangelho, ressalta a


relação que existe entre a fé e a oração confiante: “Se a fé fraqueja, a oração
perece”, ensina o Santo; pois “a fé é a fonte da oração” e “o rio não pode fluir
se o manancial fica seco”3. A nossa oração – estamos tão necessitados! – tem
de ser contínua e confiada, como a de Jesus, nosso Modelo : Pai, eu sei que
sempre me ouves4. Ele nos escuta sempre.

A primeira Leitura da Missa propõe-nos a figura de Moisés em oração no


cume de um monte5, enquanto Josué enfrenta os amalecitas em Rafidim.
Quando, em atitude de súplica, Moisés tinha as mãos levantadas, Israel
vencia, mas, se as abaixava um pouco, Amalec levava vantagem. E para que
Moisés continuasse a orar, Arão e Hur sustentavam-lhe os braços, um de cada
lado. Assim lhe mantiveram os braços erguidos até ao pôr-do-sol. E Josué pôs
em fuga Amalec e a sua gente, e passou-os a fio de espada.

Não devemos cansar-nos de orar. E se alguma vez o desalento e a fadiga


começam a atingir-nos, temos que pedir aos que estão ao nosso lado que nos
ajudem a continuar a rezar, sabendo que já nesse momento o Senhor nos está
concedendo muitas outras graças, talvez mais necessárias do que os dons que
lhe pedimos. “O Senhor – ensina Santo Afonso Maria de Ligório – quer
conceder-nos todas as graças, mas quer que nós as peçamos. Um dia chegou
a dizer aos seus discípulos: Até agora, não pedistes nada em meu nome; pedi
e recebereis, para que o vosso gozo seja completo (Jo 16, 24). É como se
dissesse: Não vos queixeis de Mim se não sois plenamente felizes, mas
queixai-vos de vós mesmos por não terdes procurado o que precisáveis; de
agora em diante, pedi e sereis atendidos”6. São Bernardo comenta que muitos
se queixam de que o Senhor não os ajuda; mas é o próprio Jesus – afirma o
Santo – quem teria de lamentar-se de que não lhe pedem 7. Oremos como
Moisés: perseverantes no cansaço, com a ajuda dos outros quando for
necessário. Quantas coisas estão em jogo! A batalha é dura.

Examinemos hoje se a nossa oração é perseverante, confiada, insistente.


“Persevera na oração, como aconselha o Mestre. Esse ponto de partida será a
origem da tua paz, da tua alegria, da tua serenidade e, portanto, da tua eficácia
sobrenatural e humana”8. Não há nada que uma oração perseverante não
alcance.

II. LEVANTO OS MEUS OLHOS para os montes: donde me virá o socorro?


O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra 9, rezamos no Salmo
responsorial.

A parábola que lemos no Evangelho da Missa põe em contraste dois


personagens.

Por um lado, está um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens:
faltavam-lhe as duas características básicas para se viver a justiça. No Antigo
Testamento, o profeta Isaías fala dos que não fazem justiça aos órfãos e a
quem não chega o pleito da viúva10, dos que absolvem o ímpio por suborno e
tiram ao justo o seu direito11. Jeremias refere-se aos que não julgaram a causa
do órfão nem fizeram justiça aos pobres12.

Ao juiz, o Senhor contrapõe uma viúva, símbolo da pessoa indefesa e


desamparada. E à sua insistência perseverante em pedir justiça, a resistência
do juiz em atendê-la. O final inesperado acontece depois de um contínuo ir e vir
da viúva e das reiteradas negativas do juiz. Este acaba por ceder, e a parte
mais fraca obtém o que desejava. Mas a razão desta vitória não está em que o
coração do administrador da justiça mudou: a única arma que conseguiu a
vitória foi a oração incessante, a insistência da mulher. E o Senhor conclui com
uma reviravolta: E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que lhe clamam
dia e noite, e tardará em os socorrer? Jesus faz ver que o centro da parábola
não é o juiz iníquo, mas Deus, cheio de misericórdia, paciente e imensamente
zeloso pelos seus.

Até o fim dos tempos, a Igreja – dia e noite – dirigirá um clamor suplicante a
Deus Pai, através de Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, porque são
muitos os perigos e necessidades dos seus filhos. É o primeiro ofício da Igreja,
o primeiro dever dos seus ministros, os sacerdotes. É a coisa mais importante
que temos de fazer, nós os fiéis, porque estamos indefesos e nada temos, mas
podemos tudo com a oração.

O Senhor explica nesta parábola que são três as razões pelas quais as
nossas orações são sempre ouvidas: primeiro, a bondade e a misericórdia de
Deus, que distam tanto das disposições do juiz ímpio; depois, o amor de Deus
por cada um dos seus filhos; e, por fim, o interesse que nós mostramos
perseverando na oração.

Ao terminar a parábola, Jesus acrescenta: Mas quando vier o Filho do


homem, julgais vós que encontrará fé sobre a terra? Porventura encontrará
uma fé semelhante à da viúva? Trata-se de uma fé concreta: a fé dos filhos de
Deus na bondade e no poder do seu Pai do Céu. O homem pode fechar-se a
Deus, não sentir necessidade d’Ele, procurar por outros caminhos a solução
para as suas deficiências, e então jamais encontrará os bens de que
necessita: Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos13, anunciou
a Virgem no Magnificat.

Além de lançarmos mão dos meios humanos que cada situação requer,
temos de recorrer ao Senhor como filhos necessitados. Somente a misericórdia
divina pode socorrer-nos em tantas ocasiões. Conta o Santo Cura d’Ars que o
fundador de um célebre asilo de órfãos o consultou sobre a oportunidade de
atrair a atenção e o favor das pessoas através da imprensa. O Santo
respondeu-lhe: “Ao invés de fazer barulho nos jornais, faça-o à porta do
Tabernáculo”.

Ao longo dos séculos, o povo cristão sentiu-se movido a apresentar os seus


pedidos a Deus através da Mãe de Cristo e Mãe nossa. São Bernardo ensina
que “a nossa Advogada subiu ao Céu para que, como Mãe do Juiz e Mãe da
Misericórdia, tratasse dos assuntos da nossa salvação”14. Não deixemos de
recorrer a Ela nas pequenas necessidades diárias.

III. UMA CONSEQÜÊNCIA DIRECTA da fé é a oração, mas, ao mesmo


tempo, a oração dá “maior firmeza à própria fé”15. Ambas estão perfeitamente
unidas. Por isso, quando pedimos, acabamos por ser melhores; se não fosse
assim, “não nos tornaríamos mais piedosos, mas mais avaros e ambiciosos”16.
Quando pedimos uma casa própria, a ajuda numas provas ou num concurso...,
devemos examinar se isso que pedimos nos ajudará a cumprir melhor a
vontade de Deus. Podemos pedir bens materiais: a nossa saúde ou a de outra
pessoa, solução para uma dificuldade financeira..., mas, se vivemos de fé, se
temos unidade de vida, compreenderemos bem que, quando pedimos e
insistimos nessas coisas, o que queremos em primeiro lugar não são essas
coisas em si mesmas, mas o próprio Deus. O Senhor é sempre o fim último das
nossas preces, mesmo quando pedimos bens deste mundo, que nunca
quereríamos se nos afastassem d’Ele.

Agrada especialmente a Deus que lhe peçamos pelas necessidades da


alma, tanto próprias como dos nossos amigos e conhecidos. Devemos pedir
muito por aqueles com quem convivemos diariamente, para que estejam perto
do Senhor. Quanto devemos rezar pelos nossos familiares e amigos...!
“Encontrei a mão do meu amigo, e de repente, ao ver os seus olhos tristes e
angustiados, temi que Tu não estivesses no seu coração. E senti-me
incomodado como diante de um sacrário onde não sei se estás.

“Ó Deus, se Tu não estivesses nele, o meu amigo e eu estaríamos distantes,


pois a sua mão na minha não seria mais do que carne entre carne, e o seu
coração para o meu um coração do homem para o homem.

“Eu quero que a tua Vida esteja nele como em mim, porque eu quero que o
meu amigo seja meu irmão graças a Ti”17.

Neste mês de Outubro, não deixemos de servir-nos do Santo Rosário como


oração sempre eficaz para conseguir, através de Nossa Senhora, tudo aquilo
de que precisamos, nós e as pessoas que de alguma maneira dependem de
nós.

(1) Sl 16, 6-8; Antífona de entrada da Missa do décimo nono domingo do Tempo Comum, ciclo
C; (2) Lc 18, 1-8; (3) cfr. Santo Agostinho, Sermão 115, 1; (4) Jo 11, 42; (5) Êx 17, 8-13; (6)
Santo Afonso Maria de Ligório, Sermão 46 para o X Domingo depois de Pentecostes; (7) cfr.
São Bernardo, Sermão XVII para temas diversos; (8) São Josemaría Escrivá, Forja, n. 536; (9)
Sl 120, 1-2; Salmo responsorial da Missa do décimo nono domingo do Tempo Comum, ciclo C;
(10) Is 1, 23; (11) Is 5, 23; (12) Jer 5, 28; (13) Lc 1, 53; (14) São Bernardo, Sermão I na
Assunção da S. Virgem Maria, 1; (15) Santo Agostinho, A cidade de Deus, 1, 8, 1; (16) ibid.;
(17) Michel Quoist, Orações para rezar pela rua.

Fonte: Website de Francisco Fernández Carvajal AQUI