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C a p ít u lo I

F R U S T R A Ç Ã O

as alm as não íorem salvas, nada se salvará. Não po-


, s ® ver paz no m undo, se não houver paz de alm a. As
derá n m u ^ diais n ão passam de projeções dos conflitos tra-
guerra ^pntro das alm as dos hom ens modernos, pois nada
vad °s a n0 m u n do exterior que não h a ja primeiro aconte-
^ d e n t r o d u m a a lm a .
cld° rn te a S e g u n d a G u e rra M u ndial, disse Pio X I I que
^ U lrv de ap ó s-g u e rra h averia de ficar m ais m udado do
0 hoh*em d a E u ro p a de após-gu erra. E ’ êste desiludido
que 0 n^ie a p ó s-g u e rra , ou a alm a m oderna, que nos interessa

peste voUll^ OStra como o Santo P ad re predisse, diferente dos


Êle épocas m ais rem otas. E essa diferença está em
ft0m ens a m o d ern a n ão m ais procura descobrir Deus na
que a a E m o u tra s gerações, o hom em , contemplando tòda
£ atu re z a * , c ria ção, a beleza do firm am ento e a ordem dos
a vastidao d e d u zia o poder, a beleza e a sabedoria do Deus
planetas, m manteve êsse m U n d o . Infelizm ente, porém, o
QUe c ™ ndern o está im pedido dessa aproxim ação por vários
pom em M o s t r a _se m u ito m enos im pressionado pela ordem
obstáculos _ p eia desordem de seu próprio pensamen- >
da n a t u r ^ \ n a p rin c ip a l preocupação. A bom ba atôm ica des-
to, torn ad o ^ u m a n a tu re z a que 0 hom em pode agora

m an ipu ia 1 ’ ic íd i0 cósm ico. E , iin alm en te, a ciência da i


cometer ° b“ a siad o im pessoal p a r a esta era concentrada em
tureza e t ig a a p ro x im a ç ã o n ã o só to rn a o hom em mero
Si m esm a, a * * idf£ e em vez de seu criador, m as tam bém
espectador a personalidade do b u sc ad o r d a verdade nao se
exige q u e a p
ANOÚSTIA e paz

10
. niesroa na investigação. Mas é a personali-
jntrometó a si “ « m natureza que realmente interessa e
dade liuman;* hoje.
perturba os homen tempos nao significa que a
Esta “ uda" ^ , a abandonado a busca de Deus, mas que
alma moderna tenna __ e mesmo o mais normal ca-
abandonou o m a u * Nã0 a ordem no cosmos, mas a de-
m in h o -d e d e « ^ I L não as coisas visíveis do mundo, mas
«ordem em si » < * “ .' „ complexos e ansiedades de sua pró-
L desilusões invdsivei , dg partida do homem moder-
prla personalidade cj ^ogativamente para a religião. Em
no quando se volt^ fi ósoíos discutiam o problema do ho
dias mais * ; t^ é , e f o homem como um problema
mem: agora discuien
„irtiide de seu ceticismo o homem moder-
ED1
p ido sôbre si mesmo. Suas energias cor-
no foi >ePelld .° te e /azem vir à tona aqueles con
rem para s u a 1 alj esta0 permanentemente,
teúdos psiqmo "i enquanto a corrente flui
m asjaZ^ . f n i seu
mansamentano seu c
curso. Quão totalmente
medievall P a radiverso
éle a
aparecia o mente fixa e em repouso no cen-
t « ™ “ im^verso cercada pela trajetória de um sol
tr0 u?a dímensáva com solicitude seu calor. Os ho-
que lhe df?ptod“0 filh0s de Deus, sob o cuidado amo-
mens eram Uid i qs preparava p a ra a eterna

r0S° ^wpôfuranca E to do s sabiam exatamente o que


^ l l fazer e como deveriam conduzir-se, a fim,
deveriam faze e coriuptíveI a um a vida in-
t S e l ed jubilosa. Vida semelhante não mais
corrupti J mesm0 em nossos sonhos. A ciência
natural de há muito que estraçalhou êsse fo r m o »
viu Essa era se acha tão distanciada no passado
™mn a meninice, quando o pai da gente era mques-
Snàvelm ente o homem mais belo e mais forte da

terra V í l )

in Searc/i ol a Soul, p. 233.


Modem Man
(1) C. G W '
FRUSTRAÇÃO 11

Antigamente, vivia o homem num universo tridimensio­


nal onde, duma terra que êle habitava com seus vizinhos,
avistava acima o céu e abaixo o inferno. Esquecendo Deus, a
visão do homem ficou últimamente reduzida a uma só di­
mensão. Acha agora que sua atividade esteja limitada à su­
perfície da terra — um plano sôbre o qual se move, não su­
bindo para Deus ou descendo para Satanaz, mas sòmente
para a direita ou para a esquerda. A velha divisão teológica
dos que se acham no estado de graça e dos que não estão deu
lugar à separação política de direitistas e esquerdistas. A
alma moderna limitou definitivamente seus horizontes. Tendo
negado os destinos eternos, chegou a perder até sua confiança
na natureza, pois a natureza sem Deus é traidora.
Para onde pode ir a alma, agora que um bloco de pedra
foi lançado contra tôdas as saídas exteriores? Como uma ci­
dade, cujos baluartes externos foram todos tomados, deve o
homem retirar-se para dentro de si mesmo. Assim como uma
massa líquida bloqueada se volta sôbre si mesma, juntando
espuma, resíduos e lama, da mesma maneira a alma moderna
(que não tenha nenhum dos objetivos ou canais do cristão)
se dobra sôbre si mesma e, nessa condição de obstruída, re­
colhe todo o sedimento sub-racional, instintivo, negro e in­
consciente que nunca se teria acumulado, se não tivessem
sido tapadas as saídas normais dos tempos normais. O ho­
mem descobre agora que está aferrolhado dentro de si mes­
mo, que é seu próprio prisioneiro. Encarcerado por si mesmo,
tenta agora compensar a perda do universo tridimensional
da fé, descobrindo três novas dimensões dentro de seu pró­
prio pensamento. Acima do seu ego, seu nível consciente,
descobre êle, em lugar do céu, um tirano inexorável a quem
chama de superego. Abaixo de sua consciência, em lugar do
inferno, aceita êle um mundo oculto de instintos e solicita­
ções, desejos primitivos e necessidades biológicas, a que cha­
m a de zd.
Essa concepção da pessoa hum ana, composta de três
cam adas ou regiões, foi posta em relevo por Sigm und Freud
Form a um elemento essencial na doutrina psicanalitica da
natureza hum ana. O traço mais importante dessa doutrina
a n g ú s t ia e paz
12
, vida mental consciente do homem, suas
„ a «ença de Que 3. ' nduta são determinadas, não pelo que
experiências e su pretende, mas por forças em grande
■te conhece. sen f ° J cepção. Seu ego ou percepção interna
parte ocultas " " b a t a l h a onde se trava uma guerra in-
fapenas o campo deecessidades biol6glCas e primitivas e os
cessante entre 3 n0 superego. Ês^es podei es tornam o
poderes corpoii icaa ^ ^ originam, nao do conhecimento
lugar da conscié" ^ duma obrigaçao do homem diante da
de uma lei M t“ ra pressão social, das influencias ambientais
lei divina, mas da• F " te plástica da criancinha. Uma vez
postas a p e f r. s0“‘ es „ ecessidades primitivas se acha colocada
que a satisfaça« da ” (como n0 uso de trajes), tornam-se
sob omando da socieo QS origmais nao podem per-
elas “frustradas . ^ . J cia por causa do seu intolerável
manecer na nossa conschencia.P e por isso se t e _
conflito com ospau mQdo que a criança se assenhoreia
nam “recalcados de yjsta e valores do mundo adulto,
de tódas as. f is: J ps Dadrões como próprios. Faz isto identi-
quando aceita esses p m veria como um antagonista
ficando-se com 3 P® Assim, 0 superego se ergue e
numa socieda<de pn* __ ^ lgis e ic(eais que sucedem
adquire seu con cerca cnança.
ser os do mun q m a concepção da vida subjetiva,
De acordo com t escravo dentro de seu proprio

aParecee0„
toTcomouma^»
pensamento e cor“
de íôr**s qUe, T
fôr iSS0 possível, deve conhe-
P°de ^
conhecer. Para hberte -e , ^ ^ uma das razões da gran-
cer ainda mais a sua p • psiquiatria. Esta ciência
de popularidadeide que goza “ capacitá-to a ajustar-
promete explicai o & situação. Certo tipo de psiquia-
com su homempor meio duma teoria que afirm a
r t ^ ‘S K S N ^ l ° r e somente graças ao in-
serocoMCiçnted tt d moderno a esperança de des-
C0H
n£C1l £ d e e v a d i r - s e de sua infelicidade. Segundo essa
cobn‘ “ n insciente é ao mesmo tempo impelido de baixo
crença, o consa cima peia pressão do superego. O
r i e m S e n t e fica assim desamparado entre êles. A psi-
FRUSTRAÇÃO 18

quiatria torna-se então uma espécie de lima de ferro, por meio


da qual espera evadir-se dessa prisão mental onde êle próprio
se aferrolhou, agindo como carcereiro de si mesmo.
Esta teoria psicanalítica vê a explicação de toda a con­
duta humana enterrada dentro das mentes dos homens indi­
viduais. Mas o paralelo entre as modernas teorias do mundo
interior e do mundo exterior é chocante. Ambos os sistemas
de pensamento exaltam a tensão e a possibilidade de uma
explosão. O profeta de um é Marx, cuja filosofia tem como
centro o conflito social; o profeta do outro é Freud cujo prin­
cipal interêsse gira em tôrno dos conflitos individuais Em
ambas as concepções, afirma-se que o estado caótico e des­
graçado dos negócios humanos se origina da tensão entre a
aparência superficial de um lado e do outro as torças ocultas
negras e irracionais que, embora desconhecidas, são as
verdadeiras dettiminantes de tudo quanto acontece. Assim
como no Maixismo a condição manifesta social política e
cultural é apenas uma “superestrutura”, erecta sôbre as for­
ças econômicas subjacentes, da mesma maneira no sistema
de Freud a conduta consciente é apenas um produto de for­
ças localizadas no inconsciente. “Em ambos, as situações hu­
manas são vistas em têrmos de interêsses antagônicos. A
psicologia de Freud analisou neuroses como resultados de um
choque dialético entre o desejo e a lei. Ao mesmo tempo que
lida Freud com contradições dentro dos processos psíquicos,
seu método para explicar essas contradições segue uma es­
tratégia materialista”. ( 2)
Quando o conflito entre as forças inconscientes e o ego
consciente atinge certa intensidade/o efeito, segundo Freud,
é a comoção violenta, seguida de uma rutura da vida e da
conduta. Para Marx, de maneira análoga, a paz social se
rompe quando o proletariado se levanta e isto ocorrerá quan­
do as forças econômicas de baixo forem bastante fortes para
derrubar a ordem social, política e econômica existente. Freud
e M arx concordam ainda em que todos os acontecimentos,2

(2) Harry Slochower, No Voice ia Wholly Loat. p. 318.. Creative Age Presa,
Inc. 1945.
angústia e paz
14

«jnriais e pessoais, são estritamente determinados. A liberda»


de espiritual é por ambos negada. O marxismo sustenta que
a história é determinada pelas forças econômicas; o freudista,
0 destino pessoal do homem depende de suas forças ins-
taítivas. Ambos encaram a abolição das inibições como 0
meio de atingir uma melhor condição de negocios. A própria
existência dêste paralelismo de pensamento indica como 0
homem moderno compreende ou não compreende a si mesmo,
dentro do “clima” geral cultural, intelectual e filosófico da
época. O materialismo histórico, a filosofia de M arx, e o ma­
terialismo psicológico, a filosofia de Freud, são filhos da
mesma era e exprimem as mesmas atitudes básicas.
Os complexos, ansiedades e temores da alm a moderna
não existiam com tal extensão em gerações anteriores, por­
que foram arrancados e integrados no grande organismo
sócio-espiritual da Civilização Cristã. Formam, porém, tama­
nha parte do homem moderno que se pensaria estarem ta­
tuados nêle. Qualquer que seja a sua condição, deve o homem
moderno ser reconduzido a Deus e à felicidade. M as como?
Deveria o cristão, com suas verdades eternas, insistir em que
o homem moderno deva regressar ao caminho tradicional,
cujo argumento partiu da natureza? Que deva aproximar-se
de Deus por meio dos cinco argumentos de Santo Tomás?
Seria um mundo mais são, se êle o pudesse fazer. M as é o
objeto dêste livro mostrar que devemos começar tomando o
homem moderno como êle é e não como gostaríamos de desco­
brir que fôsse. Pelo fato de haver esquecido êste ponto é que
a nossa literatura apologética está atrasada de cêrca de cin-
qüenta anos. Deixa fria a alm a moderna, não porque seus
argumentos não sejam convincentes, mas porque a alm a mo­
derna se encontra demasiado confusa para apreendê-los.
Mas nós que somos herdeiros de vinte séculos de pensa­
mento profundo não devemos lidar com o sobrenatural como,
um cachorro com um osso. Se a alm a moderna quiser começar
sua busca de paz pela psicologia, em vez de o fazer com a
nossa metafísica, começaremos pela psicologia. A verdade
de Deus teria poucas facêtas, se não pudesse emparceirar-se
com a natureza humana era qualquer grau de perfeição ou
FRUSTRAÇÃO 15

mesmo de degradação. Se o homem moderno quiser lr do


Demônio até Deus, por que, então, não começaremos mesmo
com o Demônio? Foi por onde começou o Divino Mestre com
Madalena e disse a Seus discípulos que, com oração e jejum,
também êles poderiam começar ali sua obra evangélica.
O meio psicológico não nos oferece dificuldade, pois a
teologia cristã é, em certo sentido, uma psicologia, uma vez
que seu principal interesse é a alma, a mais preciosa das
coisas. Nosso Senhor pesou um universo em confronto com
uma alma e achou a alma mais digna de ser ganha do que o
universo. Estudar almas não é nada d^ novo. Em tôda a
gam a da psicologia moderna nada há escrito a respeito de
frustrações, temores e ansiedades que possa ser mesmo fra­
camente comparado, em profundeza ou vastidão, com o tra­
tado de Santo Tomás sôbre as Paixões, com as CONFISSÕES
de Santo Agostinho ou com o tratado de Bossuet sôbre a
concupiscência.
Mas, pode-se indagar, não será a alma moderna tão di­
ferente da de épocas anteriores que falte aos antigos escri­
tores experiência de tal fenômeno e assim nem mesmo o
Evangelho poderá oferecer um remédio? Não. Não há nada
de realmente novo no mundo. H á apenas os velhos proble­
mas acontecendo a gente nova. Não há diferença, exceto a
de terminologia, entre a alma desiludida de hme á as almas
desiludidasque s ^ g n g c o n to m no Evangelho. O homem mo­
derno se caracteriza por três alienações: está separado de si
mesmo, de seu próximo e de seu Deus.: èâo estas as mesmas
três características do m oço‘desiludido da terra de Gerasa.
S E P A R A Ç Ã O D E SI MESMO. — O homem moderno não
é mais um a unidade, mas um molho confuso de complexos
e de nervos. Acha-se tão desassociado, tão alienado de si
mesmo que se vê menos como uma personalidade, do que
como um campo de batalha, onde um a guerra civil se trava
raivosa entre mil e um a antagônicas lealdades. Não há um
propósito único, a todos os respeitos, em sua vida. Sua alm a
pode ser com parada a um a jaula na qual numerosas feras,
cada qual buscando sua própria prêsa, rolam umas sobre as
outras. Pode ser ainda comparado a um rádio ligado para
angústia e PAZ
16

recebe apenas é e<jUcada, possui um verate de des-


Se a alma írus “ çâo se,m a filosofia que os unifi­
co™ *08 ^ s t o d a p o d e dizer a si m esm a: “P e n a l
q?e ,POr ^ h id T fs e u s e m X : um a alm a viva e um clou-
asvêzes que h a d sua própr}a confusão
*°r f ? ! Ü exterior e conclui que, visto não conhecer
* e n t a l™ X u é m pode conhecê-la. Seu próprio ceticismo
foue ê L t o ^ universal numa filosofia da vida) o repele
vp 7 mais oara aquelas forças que rastejam nas escuras
^ m i d a s “ avernas deq seu inconsciente. M u d a sua filosofia,
m L a de roupa N a segunda-feira, assenta os trilhos
como ™ d a de lo u p a ^ i Uyl,0 afam ad o , arranca os
velhos trilhos e assenta os novos de um idealista; na quarta,
sua nova estrada é comunística; na quinta, os novos t r i l h j
^ liberalismo são colocados; na sexta, ouve um a irra d iad o
e decide viajar sôbre trilhos freudianos; no sabado, t o s *
uma demorada bebida para esquecer sua viagem e, no d®*
mTneo fica a matutar na tolice do povo em ir a igreja. C a d l
dia tem êle novo ídolo, cada semana novo capricho. Sua auto-
ririade é a opinião pública. Quando esta m uda, sua frustrada!
alma muda com ela. Não h á ideal fixo, grande paixão mas
anenas um a fria indiferença pelo resto do m undo. Vivendo
num estado contínuo de referencia a si próprio, os “ eus” de
cUa conversa se repetem com crescente íre q ü é n o a , ao achar
que todos os seus semelhantes se tornam cada VMÍ m ais enft?
donhos por insistirem em fa la r a respeito de si mesmos, em
vez de falar a respeito dêle.
IS O LA Ç ÃO D O P R Ó X IM O . — E sta característica reve­
la-se não só pelas duas guerras m undiais, num espaço de
vinte e um anos, e pela constante am eaça de um a terceira;
não só pelo aumento do conflito de classes e do egoísmo no
qual cada homem procura apenas a sua satisfação; m as tam­
bém pela quebra do homem com a tradição e a herança
acumulada dos séculos. A revolta da criança m oderna contra
seus pais é um a m iniatura da revolta do m undo moderno
contia a memória de 1900 anos de cu ltu ra cristã e das gran-
FRUÔTKAÇÃO 17

des culturas hebraica, grega e romana que os precederam.


Qualquer respeito por essa tradição é chamado de “reacioná­
rio”, dando em resultado haver-se a alma moderna transfOT-
mado num a mentalidade comentadora aue ju lga o ontem pelo
hoje e o hoje pelo amanhã. Nada é mais trágico para um in­
divíduo que foi sábio outrora, do que perder sua memória e
nada é mais trágico para uma civilização do que a perda de
sua tradição. A alm a moderna, que não pode viver consigo
mesma, não pode viver com seus semelhantes. Um homem,
que não está em paz consigo mesmo, não estará em paz com
seu irmão. As guerras’ mundiais não passam de sinais ma-
crocósmicos das guerras psíquicas que se travam no íntimo
das turvas alm as microcósmicas. Se já não houvesse bata­
lhas em milhões de corações, nenhuma haveria nos campos
de batalha do m undo.
N u m a áltfte alienada de si mesma, logo a desordem se
segue. U m a alm a que mantém um a luta dentro de si mesma,
em breve m anterá luta fora de si mesma contra outras.
U m a vez que um homem deixa de ser prestadio a seu vizi­
nho, começa a tornar-se um a carga para êste. Basta um
passo, de recusar a viver com os outros, para recusar a viver
para os outros. Quando Adão pecou, acusou Eva, e quando
Caim assassinou Abel, fêz a pergunta anti-social: “Serei o
gu arda de m eu irmão?” (Gên. 4:9.) Quando Pedro pecou,
saiu fora sozinho e chorou amargamente. O pecado de orgu­
lho de B abel term inou num a confusão de línguas que tomou
impossível a m anutenção da convivência. _
Nosso ódio pessoal de nós mesmos sempre se tom a ódio
, ao próximo. Talvez seja esta um a das razões da atração b á ­
sica do comunismo, com sua filosofia da luta de classes. O
comunismo possui especial afinidade pelas almas que já tèm
u m a luta travada dentro de si mesmas. Associada a êste con­
f l i t o íntimo, existe um a tendência a tornar-se hipercrítica:
as alm as infelizes quase sempre censuram os outros, que r.ão
a si mesmas, pelas suas misérias. Fechadas dentro de si mes­
m as, estão necessariamente fechadas para os outros, exceto
p a ra criticá-los. Desde que a essência do pecado é a oposi­
ção à vontade de Deus, segue-se que o pecado de um indivíduo
ANGÚSTIA e paz
18

„ , Qualquer outro indivíduo, cuja vontafl.


é forçado a °P °*‘** L , a vontade de Deus. O afastamento
esteja em barmX f resulta é intensificado, quando se começa
do próximo que daíJ e^ und0. Então os bens do vizinho são
a viver só para M USta
t rrebatado da gen
n
e
m
olhados como a go oe ^ Q alv0 da vida, nasce uma socie-
vez que o mateml se ^ shelley: . Q acumulo de maté-
dade
ria dade conflÍ
vida ° rsnfl °« c' Cedeu
externa e ^ ^ a quantidade
naturezQ -de força para assi-

milá-la as leis m como o espírito une. Dividi uma


A materlf ^ nàrtè^e sempre haverá possibilidade de uma
maçã em quat,° Parl m deVe caber a parte maior. Mas
questão para sanei a 4 ^ oraçgo nenhum dêies ptiva
se quatro homens ap nd0.se a oração a base de sua uni-
o outrp de possuui uma civilização consiste, não na
dade. Quauao O O . J . - tjai mag na aquhlção de coisas ma-
união com ° pa’ nto nas potencialidades da inveja, da
tenais, ha um a ididos os homens, procuram então um
cobiça e da g u e n - no unila d e do amor. mas na falsa
d »»«» trte Pês’- Poder, P o S T P o l í t i c a .
UmdAPA9TAMENTO DE DEUS. - A alienação de si mesmo
. do nrtxuno tem suas raízes na separaçao de Deus. Uma
° P ,uXTn e t a da roda que é Deus, oS raios, que sao os
homms caem ^ítos. Deus parece bastante distante do ho­
mem moderno. Isto se deve, em grande parte, a sua própria
rnnduta sem Deus. A Divindade sempre aparece como uma
censura àqueles que não estão vivendo direito e esta censura
daparte do pecador se expressa em od.o e perseguição. Existe
raramente uma alma dilacerada e frustrada, a criticar e a
taveiar o seu próximo, que não seja ao mesmo tempo um
homem anti-religioso O '»teísmo organizado da hora pre­
sente é assim uma projeção do ódio de & mesmo. Nenhum
homem odeia a Deus sem que primeiro odeie a sí mesmo. A
perseguição à religião é uni sinal da indefensibil idade da
atitude anti-religiosa ou ateística, pois pela violência do ódio
espera ela escapar à irracionalidade do Ateísmo. A forma
final dêsse ódio à religião é um desejo de desafiar Deus e
lnanter o seu próprio mal em face de Sua Bondade e de Seu
frustração
19

Poder. Revoltando-se contra a existência inteira tal airr..-,


pensa que a refutou; começa a admirar seu próprio tem,?'
como um protesto coptra a vida. Tal alma não cmererá n i , ^
falar de religião, com mêdo de que o alívio se torne uma cor,
denação de sua própria arrogância. Desafia-a em ve* Tn
capaz sempre de dar sentido à sua própria vida universa­
lizo, sua discórdia íntima e vê o mundo como uma* e^péci^ de
caos em face do qual desenvolve a filosofia de “viver
samente” . “Funciona como um átomo p e r p l e x T a ú m ^
crescente empobrecido pela sua riqueza, esvaziado
plenitude, reduzido à motononia pelas suas autênticas
tunidades de variedade.” ( 3) ~ opor*
Existe tão yonfüsa alm a no Evangelho? Estará a psicolo­
gia moderna estudando um tipo de homem diferente daouele
que o Divino Mestre velo redimir? Se consultarmos S Marcos
acharemos um jovem da terra de Gerasa, descrito como
tendo exatamente as mesmas três frustrações da a ta a
m oderna.
Estava afastado de si mesmo, pois quando Nosso Senhor
perguntou: “Qual e o teu nome?” (Marcos 5 :9.) o lovem res­
pondeu: “Meu nome é Legião, porque somos muitos ” íMarcoü
5:9.) Notai o conflito de personalidade e a confusão entre
“meu” e “somos muitos” . Está claro que êle é um problema
para si mesmo, entorvelinhada ressaca de mil e uma ansie­
dades antagônicas. Por isso chamou a si mesmo de “Legião”
Nenhum a personalidade dividida é feliz. O Evangelho des^
creve esta infelicidade ao dizer que o jovem estava “gritando
e fçrindo-se j m pedras.” (Marcos 5:5.) O homem "confuso
é sempre tnste. E seu próprio pior inimígò, uma vez que
utiliza indevidamente o intento da natureza para sua própria
destruição. *
O jovem estava também separado de seus semelhantes
pois o Evangelho assim o descreve: “E sempre de dia e dè
noite andava pelos sepulcros e pelos montes.” (Marcos 5 ' 5 )
Era um a am eaça p a ra os outros homens. “Pois tendo sido

(3) Lewi* Mumíord, The Condition o/ Man, p. 418, 1944.


angústia e paz
20

rom grilhões e cadeias, havia reben.


muitas vêzes amarrado c e os griülões e ninguém podia
tedo as cadeias; despea Ç isoiamento e um a qualidade
dominá-lo.” <M. ^ S cu ,0 “habitat” natural e afastado dos
peculiar ao Ateísmo. túmulos, na região da morte. Não
outros homens, en“ « osSua natureza e centrifugai, divisiv»
há cimento no Pe

e düacerativa. pois quando viu o Divino Sal-


Estava separado de ^ comig0i j esus Füho de Deus
vador, gritou: „ luro por Deus que me nao atormen-
Altíssimo? Eu Te esconj ^ dizer: ..Que temos nos em co­
tes.” (Marcos 5 :7 .)y u e & destruiçã0.” E ’ um interes-
mum? Tua Pres,e.n« ® „ ódio das alm as frustradas contra a
sante fato psicologico o ^ a r a r . se dela. Todo pecador
divindade e o primeiro assassino disse; “E eu me
oculta-se de Deus_ u F
esconderei da Tua iate vagabundo e fugitivo n a terra.”

(Gên. 4:14.) a alm a m oderna não é lá


Parece, afinal®e n h de Gerasa> esta afastada
tão moderna ^ e ^ e seu Deus. M as há, não
de si mesma ^ ffre n c a - o jovem de G erasa era pre-cristão,
dit *t ■sta Fundam ental como é a dis-

*— —
homem de hoje? aUna moderna não conseguirá en-
üm a c01®a e t estiver aferrolhada dentro de si m e*
Z remoendo a escória e o sedimento de seu pensamento
ma, remoenao inconscientes c u ja natureza e
“ í X L Í í o r i f L a E interessante que Freud, que julgava
S f S B f f l autoconcentração a verdadeira, tenha tomado
S n o epígrafe de um de seus primeiros trabalhos, a frase; “Se
^ puder curvar os. deuses lá no alto, lançarei o inferno
mdo em algazarra.” Não é a resposta! D estronando os valores
conscientes do mundo lança-se. de fato, o inferno em alga-
zarra e acaba-se em neuroses ainda m ais com plicadas. ^ ,
A verdadeira resposta é libertar o hom em de sua prisão
íntima Ficará louco se tiver de contentar-se em perseguir
a cauda de seu próprio pensamento, sendo ao mesm o tempo
frustração
21

perseguidor e perseguido, lebre e lebréu. A paz da alma « í «


pode provir do próprio homem, da mesma L n o r a lu e X
pode ele erguer-se, puxando suas próprias orelhas O auxí
lio deve vir de fora e não deve ser auxílio meramente hum«
no, mas divino. Nada, fora de uma invasão divina que ™ '
taure o homem na realidade ética, pode tom ar „ e
feliz, quando está só e n a escuridão 0 h0mem
O desiludido jovem de Gerasa só ficou curado, quando
Nosso Senhor o restaurou para si mesmo, para seu n ró x i™
e para Deus. Então recuperou êle o objetivo da vida6 Não
mais se chamou “Legião” e o Evangelho o descreve “sentado
vestido _e sao do juízo.” (Marcos 5:15.) N a nossa linguagem'
estava ele se sentindo “como êle próprio”. Em vez de estar
isolado da vida da comunidade, nós o vemos restaurado oara
a fraternidade por Nosso Senhor, Que lhe disse- “Vai nara
tua casa, para os teus.” (Marcos 5:19.) Finalmente, em vez de
odiar a Deus, nós vemos que êle começa a "publicar pela
Decápole quão grandes coisas lhe tinha feito Jesus- e todos
se adm iravam .” (M arcos 5:20.) O mesmo se dá com o homem
de hoje. Se a alm a m oderna está demasiado atenazada de
temores e ansiedades para vir a Deus, graças à beleza duma
estréia, poderá então chegar até Êle graças à solidão dum
coração, dizendo com o Salmista: “Desde o mais profundo
clamei a Ti, Senhor.” (Salmos 129.) Se não pode encontrar
Deus por meio do argumento do movimento, pode alcançá-lo
por meio de seus próprios desgostos — ai! — e mesmo com o
cabo de seus pecados.
A questão importante não é: “O que de nós” , mas
“O que seremos nós.” A bom ba atômica tirou-nos das mentes
a existência e a sua finalidade. Contudo, é ainda hoje ver­
dadeiro que não é tão importante saber como sair do tempo,
quanto_ saber como se está n a eternidade. A bomba atômica
nas m ãos de u m Francisco de Assis seria menos perigosa,
do que um a pistola n a m ão dum estrangulador. O que faz
a bom ba perigosa não é a energia que ela contém, mas o
homem que a utiliza. Por conseguinte, é o homem moderno
quem deve ser refeito. A menos que consiga parar as explo­
sões dentro de seu próprio pensamento, provavelmente —
22 ANGÚSTIA E PAZ

armado com a bomba — prejudicará o próprio planêta, como


advertiu Pio XII. O homem moderno aferrolhou-se na prisão
de seu próprio pensamento e somente Deus pode pô-lo em li­
berdade como fêz Pedro sair de sua prisão. Tudo quanto o
próprio homem deve fazer é contribuir com o desejo de liber­
tar-se. Deus não faltará. Só o nosso desejo humano é que é
fraco. Não há razão para desencorajamento. Foi o cordeiro
balindo nas moitas, mais do que o rebanho nas tranqüilas
pastagens, que atraiu o coração e a mão prestante do Sal­
vador. Mas a recuperação da .paz por meio de Sua graça
implica uma compreensão da ansiedade, a grave queixa do
homem moderno aprisionado.
Capítulo I I

A FILO SO FIA D A ANSIEDADE

Um a das favoritas características psicológicas rir,


moderno é dizer que tem um complexo de ansiedade a
logia é mais certa do que se suspeita, mas oor ,fmV P -
mais profunda do que se sabe. Não há dúvidToue a l
dade tem sido aumentada e complicada n p ia ^n ^ a .a.” sle'
ção metropolitana e i n d u s t r i a l S a c.escente n L 0^ ^ -
pessoas vêem-se afligidas por neuroses, com plexosTem or«
irritabilidades e ulceras. Talvez haja menos nelas’ - w í ’
f f do que “tensão” ; talvez s e ja m V e n o s t c e n d adaTp a"
faíscas da vida diaria, do que comburidas por combustaeSo
interna. Poucas dentre elas têm a felicidade da boa S
que disse: Quando trabalho, trabalho de verdade- oualcto
me sento, sento-me a vontade e quando penso pego no sono ”
Mas a ansiedade moderna é diferente da ansiedade de
eras anteriores e mais normais de duas maneiras. Noutro!
tempos os homens mostravam-se ansiosos pelas suas almas
mas a ansiedade moderna diz respeito principalmente ao
corpo. As maiores preocupações de nossos dias são a semi
rança economica, a saúde, o bom aspecto, a riqueza o pres
tígio social e o sexo. Quando se lêem anúncios modernos
é-se levado a pensar que a maior calamidade que p X f à
acontecer a um ser hum ano seria ter mãos de panela d !
comida ou u m a tosse na T-zona. Esta superenfatuação d
segurança corporea nao é saudável. Engendrou uma geração
que se m ostra muito mais preocupada com ter cintos salva-
-vidas para usar num a travessia marítima, do que a resDeito
do camarote que ocüpará e de que irá gozar. A segunda ca­
racterística da m oderna ansiedade é que não se trata de um
mêdo de perigos objetivos e naturais, como raios, feras fome
24 ANGÚSTIA E PAZ

E ’ subjetivo, um vago temor daquilo que se acreditaria pe­


rigoso se acontecesse. E ’ por isso que se tom a tao difícil
lidar com gente que tem esses tipos atuais de ansiedades. Não
adianta dizer-lhes que não há perigo externo, porque o pe­
rigo que êles temem está dentro dêles e, por conseguinte, é
anormalmente real para êles. Sua condição se agrava em
virtude dum senso de desesperança em fazer algum a coisa a
respeito do perigo. Sentem constantemente um a despropor­
ção entre suas próprias forças e as dirigidas por aquilo que
acreditam ser o inimigo. Essas pessoas tornam-se semelhan­
tes a peixes apanhados em rêdes e a pássaros presos num a
armadilha, aumentando suas próprias complicações e ansie­
dades pelo ardor dos esforços desordenados feitos para do­
miná-las .
Os psicólogos modernos fizeram um serviço admirável
estudando as ansiedades, revelando uma fase da natureza
humana que tem estado até certo ponto fechada para nós. ( 1 )
Mas a causa da ansiedade é mais profunda do que a psicoló­
gica. A ansiedade pode adquirir novas formas na nossa ci­
vilização desordenada, mas a própria ansiedade sempre estêve
enraizada na natureza do homem. Nunca houve um a era,
nunca houve um ser humano na história do mundo, sem um
complexo de ansiedade. Em outras épocas, foi estudado em
todos os níveis de vida. O Antigo Testamento, por exemplo,
tem um livro unicamente relativo ao problema da ansiedade:
o livro de Job. O Sermão da Montanha é uma advertência
contra a pior espécie de ansiedades. Os escritos de Santo
Agostinho se concentram em to m o daquilo que êle cham ava
a alma inquieta. Pascal escreveu a propósito da miséria hu-

(1) A ansiedade é um fenómeno tanto da consciência como da Inconsciência


Uma ansiedade 4*lnconsciente'’ pode significar duas coisas. Ou pode significar que
a sede objetiva da ansiedade é desconhecida da consciência, em qual caso o estado
emociona] conscientemente experimentado se relaciona, por exemplo, por me»o de
uma “racionalização secundária", com algum objeto fictício de uma maneira que
parece 6em fundamento e 6em sentido ao indivíduo, mas que nfio obstante se
lmpóe como uma íôrça compulsória, como nas fobias, ou pode significar que o
próprio estado emocional seja relegado para dentro do Inconsciente e nêle man­
tido. de modo que se torna manifesto, náo como ansiedade, mas como algum outro
"sintom a” . A ansiedade é também consciente e quando experimentada é um
aaaunto de estudo psicológico, nas crianças • adultos, em gente normal e anormal
A FILOSOFIA DA AN SUSDADE 25

mana. Um filósofo moderno, Kirkegaard, baseia sua filosofia


no mêdo ou Angst e Heidegger nos afirmou que Dasein ist
Sorge, ‘‘a existência é ansiedade” .
Será importante indagar a razão básica e o terreno da
ansiedade, de acordo com a presente condição histórica do
homem, da qual a psicológica é apenas uma manifestação
superficial. A filosofia da ansiedade encara o fato de ser o
homem um a criatura decaída composta de corpo e alma.
Conservando-se a meio termo entre o animal e o anjo, vivendo
num mundo finito e aspirando -ao infinito, movendo-se no
tempo e buscando o eterno, é impelido num momento para
os prazeres do corpo e no outro para as alegrias do espírito.
Acha-se num constante estado de suspensão entre matéria
e espírito e pode ser comparado a um ascensionista que as­
pira a atingir o elevado pico lá em cima e, contudo, voltando
a vista, desde o ponto onde se encontra no momento, receia
cair no abismo lá em baixo. Êste estado de indeterminação e
de tensão entre o que deveria ser e o que realmente é, êste im­
pulso entre sua capacidade de gozo e sua mesquinha realiza­
ção, esta consciência da distância entre seu anelo de conter o
amor sem saciedade e seus amores particulares, com o seu
senso intermitente de “enfartamento”, esta oscilação entre
sacrificar valores menores para atingir ideais mais altos ou
senão abdicar inteiramente êstes, esta luta do velho Adão e da
bela atração do novo Adão, esta necessidade de escolha que
lhe oferece duas estradas, um a levando a Deus e outra afas­
tando-o Dêle, tudo isto torna o homem ansioso, -a respeito de
seu destino para além das estréias e receoso de sua queda
nas profundezas lá de baixo.
Em todo sei numano, há um a dupla lei de gravitação,
um a que o puxa para a terra, onde passa êle seu tempo de
provação, e outra que o arrasta para Deus, onde se encontra
a sua felicidade. A ansiedade subjacente a tôdas as ansieda­
des do hom em moderno provém do fato de tentar êle ser êle
próprio sem Deus, ou de tentar ultrapassar a si mesmo sem
Deus. O exemplo do ascensidmsfer nao ê exato, pois tal ho­
mem não tem quem o ajude lá no mais alto pico a que aspira.
O homem, porém, tem um auxiliar: Deus, no mais alto pico
26 ANGÚSTIA S PAZ

da eternidade estende Sua Mão Onipotente para erguê-lo,


mesmo antes que o homem levante a voz pedindo. E ’ evidente
que, mesmo se escaparmos a tôdas as ansiedades da moderna
vida econômica, mesmo se evitarmos tôdas as tensões que a
psicologia descobre no inconsciente e no consciente, teremos
ainda assim aquela grande e básica ansiedade fundamental,
que nasce da nossa condição de criatura. A ansiedade brota
fundamentalmente de desejos desmedidos, do querer a cria­
tura algo que lhe é desnecessário, ou contrário â sua natureza,
ou positivamente prejudicial à sua alma. A ansiedade a flj
menta na razão direta e na proporção em que o homem se
afasta de Deus. Todo homem no mundo tem um complexo
de ansiedade, porque tem a capacidade de ser santo ou
pecador.
Não se acredite que o Homem tem um complexo de an­
siedade “porque retém ainda traços de sua origem anim al”.
N a verdade os animais deixados a si mesmos nunca têm an­
siedades. Têm temores naturais, que são bons, mas não têm
ansiedades subjetivas. Os pássaros não desenvolvem em si
uma psicose, para resolverem se deverão fazer sua viagem
de inverno para a Califórnia ou para a Flórida. Um animal
nunca se torna menos do que é. Mas um homem pode fazer
justamente isto, porque um homem é um composto tanto de
espírito como de matéria.
Quando vemos um macaco agindo loucamente, não di­
zemos ao macaco: “Não aja como um maluco”; mas quando
vemos um homem agindo loucamente, dizemos: “Não aja
como um macaco.” Porque um homem é espírito, tanto
como matéria, pode descer ao nível dos animais (em bora não
tão completamente a ponto de destruir a imagem de Deus na
sua a lm a ). E ’ esta possibilidade que forma a tragédia pe­
culiar do homem. As vacas não têm psicoses, os porcos não
têm neuroses e os frangos não se sentem frustrados (a me­
nos que essas frustrações sejam artificialmente produzidas
pelo h o m em ). Tampouco o homem se sentiria frustrado, ou
teria um complexo de ansiedade, se fôsse um anim al feito
apenas para êste m undo. Só a eternidade pode tornar um
homem desesperado. “O homem é ao mesmo tempo forte e
A FILOSOFIA DA ANSIEDADB
27

fraco, ao mesmo tempo livre e prêso, ao mesmo tempo cego e


clarividente. Permanece na confluência da natureza e do es­
pírito e se acha envolvido ao mesmo tempo em liberdade e
necessidade. H á sempre em parte um esfôrço para obscurecer
sua cegueira superestimando o grau de sua visão e para
obscurecer sua insegurança estendendo seu poder além de
seus limites.” ( 2)
O mêdo surge porque o homem percebe, embora obscura­
mente, a sua contingência e a sua finidade. Não é o absoluto,
embora o deseje ser. Não é nem mesmo tudo aquilo que é’,
ou tudo aquilo que poderia ser. Esta tensão entre possibili­
dade e fato, esta oscilação entre querer estar com Deus e que­
rer ser Deus, é um aspecto mais profundo de sua ansiedade
Alfredo Adler tem sempre salientado que êste fundo de neu­
roses é o esfôrço do homem em tornar-se semelhante a Deus,
esfôrço impotente na medida da impossibilidade do alvo. À
raiz de tôda tensão psicológica é bàsicamente metafísica.
O desespêro e a ansiedade só são possíveis porque existe
uma alm a racional. Pressupõem a capacidade de auto-re­
flexão. Só um ser capaz de contemplar a si mesmo pode te­
mer a aniquilação em face do infinito, pode desesperar, quer
de si mesmo, quer de seu destino. O desespêro, diz-nos Kirke-
gaard, é duplo. E ’ um deseperado desejo de ser ou de não ser.
O homem, ou quer transformar-se num ser absoluto, incondi-
cionado, independente, auto-subsistente, ou quer desespera­
damente libertar-se de seu ser, com sua limitação, sua con­
tingência e sua finidade. Am bas estas atitudes manifestam
a eterna revolta do finito contra o infinito: Nom serviam.
Graças a tal revolta o homem se expõe a afirmar a sua nu­
lidade e a sua solidão. Em vez de encontrar um apoio no
conhecimento de que, embora contingente, é mantido em
existência por um Deus amorável, busca êle agora confiança
dentro dè si mesmo, e não conseguindo necessariamente en­
contrá-la, torna-se a vítima do mêdo. Porque o mêdo se re­
laciona com algo de desconhecido, de dominante, de onipo-

(2) Relnhold Nlcbuhf, The N ature and Deatiny o/ Man, p. 181. CharlM
8crlbner‘s Sons, 1941.
28 ANGÚSTIA E PAZ

que pode ferir a gente não se sabe quando nem onde


O mêdo está em tôda parte e em nenhuma parte, em tôrno
Ee nos. terrível e indefinido, ameaçando o homem com üjjtt
^an iqu ilam en to que êle não pode imaginar ou mesmo conc3 |
piber. Tal temor é exclusivo do homem. Porque um animal
pjjtião tem alma capaz de conhecer o perfeito amor, porque n j f l
II tem de prestar contas de sua administração para lá dos cor-
■redores do túmulo, porque não é como um pêndulo osciland$®
;v^entre a eternidade e o tempo, está privado daquelas relaçõe|fl
|||temas que o homem possui. Por conseguinte, pode ter a p j H
:$as um corpo doente e nunca uma alma doente. Assim umfljft
V-psicologia que nega a alma humana está em constante cowiÊ
& a dição consigo mesma. Chama o homem um animal e
gpis passa a descrever uma ansiedade humana que nunca é
encontrada em qualquer animal privado duma alma racional.
Desde que a causa básica da ansiedade do homem é a 1
possibilidade de ser um santo ou pecador, segue-se que há
apenas duas alternativas para êle. O homem, ou pode subir
até o pico da eternidade, ou então despenhar-se até os abis­
mos do desespêro e da desilusão. Contudo, há muitos que
pensam haver ainda outra alternativa, isto é, a da indife­
rença. Pensam que, da mesma maneira que os ursos hiber­
nam durante uma estação, num estado de animação suspen­
sa, também êles podem dormir durante a vida, sem ter de
escolher viver para Deus ou contra Êle. Mas a hibernação
não é escapatória. O inverno termina e é-se então forçado a
tomar uma decisão — na realidade, a própria escolha da in­
diferença é de si uma decisão. Cercas brancas não perm ane­
cem cêrcas brancas, se nada se faz para conservá-las assim;
em breve se tornam cêrcas pretas. Desde que há em nós um a
tendência que nos faz regredir à animalidade, o simples fato
de não opormos resistência a isso age para nossa própria des­
truição. Justamente como a vida é a soma das forças que
resistem à morte, da mesma maneira a vontade do homem
deve ser a soma das forças que resistem à frustração. Um
homem que introduziu veneno no seu organismo, pode
ignorar o antídoto ou pode lançá-lo pela janela fora. Não
faz diferença que êle assim proceda, pois a morte já se acha
A FILOSOriA DA ANSIEDADE
29

em caminho. S. Paulo nos adverte: “Como encanar*™ . „„


desprezarm os...” (Hebreus 2:3.) Pelo simoles f a ^ ^ *
andarmos para diante, andamos para trás. Não há%ianícfes
na vida espiritual. Ou vamos subindo, 0u descem osA lém
de que a posição de indiferença é apenas intelectual A von­
tade deve escolher. E muito embora uma alma “indiferente-
não rejeite positivamente o infinito, o infinito a rejeita Os
talentos nao utilizados são arrebatados e as Escrituras' nos
dizem que: “M as porque és môrno e nem frio nem Z m e
começar-te-ei a vomitar de minha bôca.” (Apoc. 3 :1 6 ) ’
Voltando às alternativas supremas, o homem pode esco­
lher entre um amor terreno, com exclusão do Divino Amor
e um Divino Am or que inclua um am or terreno saudável è
sacramental. Pode tornar a alma sujeita ao corpo ou pode
tornar o corpo sujeito à alma. Consideremos primeiro aquê-
les que resolvem sua ansiedade em favor do Ateísmo Inva­
riavelmente acabam substituindo o verdadeiro Deus de Amor
por um dos falsos deuses.
liste deus pode ser o ego, o próprio eu. Acontece isto no
ateísmo quando há um a negação de dependência do verda
deiro Deus, quando há uma afirmação da própria vontade
e prazer de cada um como a lei absoluta, ou quando a liber­
dade é interpretada como o direito de fazer aquilo que apraz
Quando semelhante falso deus é adorado, a religião é rejei­
tada como um a racionalização ou fuga ou mesmo como um
temor de afirm ar alguém a supremacia de seu próprio eu.
Os ateístas cometem o pecado de orgulho, pelo qual um
homem pretende ser aquilo que não é, isto é, um deus O
orgulho é o am or desordenado de si mesmo, uma exaltação
do eu condicional e relativo para um absoluto. Tenta saciar
a sêde de infinito dando à própria finidade de cada um uma
pretensão à divindade. Em algífhs, o orgulho cega o eu diante
de sua fraqueza e se torna orgulho “ardente” ; em outros,
reconhece sua própria fraqueza e a supera por meio duma
auto-exaltação que se torna orgulho “frio”. O orgulho mata
a docilidade e torna um homem incapaz de ser jamais auxi­
liado por Deus. O limitado conhecimento do pensamento
insignificante pretende ser final e absoluto. Em face de
ANG ÚSTIA E PAZ
30

outros intelectos recorre a duas técnicas: a técnica da oni*


ciência, pela qual procura convencer ou outros da vastidão
de seu conhecimento, ou a técnica da insciência, pela qu^j
se tenta convencer os outros de seu pouco conhecimento
Quando tal orgulho é inconsciente, torna-se quase incurável’
pois identifica a verdade com a sua verdade. O orgulho é um ’
confissão de fraqueza. Secretamente teme qualquer compe.
tição e tem mêdo de todos os rivais. Raram ente se cura
quando a própria pessoa é vertical, isto é, rica e próspera*
mas pode ser curado quando o paciente é horizontal ■—
ente e desüudido. E ’ por isso que as catástrofes são necessá-
rias numa época de orgulho para fazer os homens voltarem
para Deus e para a salvação de suas alm as.
O falso deus do ateu pode ser outra pessoa, bem-querida,
não como um condutor de valores humanos, m as como um
objeto a ser devorado e usado para o prazer próprio de alguém.
Em tal caso, o vocabulário da religião é invocado p a ra rogar
ao objeto: “adoro’', “an jo”, “culto”, “deus” e “deusa” . Disso
nasceu o pecado da luxúria, ou a adoração da vitalidade de
outra pessoa como fim e objetivo da vida. A lu xú ria não
é o resultado inevitável da carne, da m esm a m aneira que
uma catarata não é diretamente causada pelo alcance da
vista; é antes devida à rebelião da carne contra o espírito e
da pessoa contra Deus. Como diz Santo Agostinho:

“Se algum homem diz que a carne é a cau sa da


corrupção da alm a, m ostra-se ignorante da natu­
reza hum ana. E 3ta corrupção, tão pesada p a ra a
alma, é o castigo do prim eiro pecado, e não sua
causa. A carne corruptível não faz a alm a pecar,
mas a alm a pecador-a é que torna a carne corruptí­
vel; da qual corrupção, em bora se levantem alguns
incitamentos ao pecado e algu n s desejos viciosos,
contudo não devem todos os pecados de u m a vida
ruim ser atribuídos à carne, qu-ando não, teríamos
de admitir o diabo como não pecador, po rqu e não
tem carne.” (3)

(3) De Civitat* Dei, Livro XTV, cap. 3.


A FILO SO FIA DA ANSIEDADE
31

A carne em revolta (ou luxúria) aparenta-se ao orgulho


A conquista de alguém desejado pode servir à necessidade
que tem o indivíduo de excessiva auto-exaltação. M as a lu ­
xúria consum ada leva ao desespêro (ou ao oposto da auto-
-exaltação) pela tensão interior ou loucura resultante duma
consciência inquieta. E ’ êste efeito que a divorcia de um
fenômeno puram ente biológico, pois em nenhum a criatura,
a não ser o homem, existe qualquer ato que envolva tal inter­
atividade de m atéria e espírito, de corpo e de alma. Creio des­
necessário observar que a luxúria não é o sexo, no sentido
ordinário do têrmo. m as antes sua desorientação — sinal de
que o homern se tornou excêntrico, isolado de Deus e enamo­
rado do fisicamente bem com tal excesso que é como a ser­
pente que devora sua própria cauda e eventualmente destrói
a si m esm a.
O deus do incréu pode ser coisas por meio das quais busca
rem ediar seu próprio senso de nulidade. A lguns homens bus­
cam essa compensação n a riqueza, que lhes dá o falso senso
do poder. A lu x ú ria externa é procurada para ocultar a nudez
de suas próprias almas. T a l culto da riqueza leva à tirania e
à injustiça p a ra com os outros e assim nasceu o pecado da
avareza .
A avareza é a expressão m aterial da própria insuficiên­
cia de algu ém e u m desafio à sublime verdade que “nossa
suficiência vem de D eu s” . Enchendo seu próprio vazio no a r­
m azém do terreno, a alm a espera encontrar afin al fu g a
tem porária da pró pria Divindade. Todo o intenso interêsse
peio luxo é u m a m arca de pobreza interior. Q uanto menos
graça existe n a alm a, tanto m ais enfeite deve haver sôbre o
som ente d e p o S o W H I i r q u e d a que A dão e i v a
perceberam que estavam nus. Q uando suas alm as eram ricas
da justiça origin al, seus corpos viviam tão inundados de seu
reflexo que não sentiam necessidade de roupas. M as, u m a
vez perdida a D ivindade interior, buscaram u m a com pensa­
ção no m aterial, no exterior. A excessiva dedicação à segu­
ran ça tem poral é u m dos meios pelos quais se m anifesta a
perda d a etern a segu ran ça de u m a sociedade. A busca da
riqueza e do lu xo pode ser infin ita e satisfaz p a ra o m omento
32 ANGUSTIA E PAZ

as almas sem Deus. Um homem pode atingir um ponto


utilidade marginal acumulando casquinhas de sorvete, ^
náo acumulando créditos, pois há um a infinidade para e S ^
ambições. Assim faz o homem que busca tornar-se Deus, s?
tisfazendo desejos ilimitados de riquezas, quando se eirm^
brece interiormente. “A vida quer segurar-se contra o váci^
que se agita no íntimo. O risco do vácuo eterno é ser pa&n
pelo prêmio do seguro tem poral... da segurança social,
pensões por velhice, etc. Brota tanto do desespêro metafísico
como da miséria material.” (4)
Orgulho, luxúria, avareza; o diabo, a carne e o m undo 1
o orgulho da vida, a concupiscência da carne e a concupiscên’
cia dos olhos — constituem êles a nova trindade profana cm
virtude da qual o homem é afastado da Santíssima Trindade
e da descoberta da finalidade da vida. Foram estas três coisas
que Nosso Senhor descreveu na parábola daqueles que ofe-
receram desculpas por não ter comparecido ao banquete; um
recusou, porque tinha comprado uma fazenda, outro porque
tinha adquirido uma ju n ta de bois e o terceiro porque havj^
tomado para si uma mulher. O am or de si mesmo, o amor
da pessoa e o amor da propriedade não são em si mesmos
censuráveis, mas se tornam censuráveis quando se toi*na211
fins em si mesmos, são desviados de sua verdadeira finalj.
dade, que é conduzir-nos a Deus. Porque há alguns que abu'
sam do amor de si mesmos, do am or à pessoa e do anior à
propriedade , encorajou a Igreja os três votos de obediência0
castidade e pobreza, como reparação por aquêles que fazem
deuses de suas opiniões, de sua carne e de seu dinheiro, a an
Siedade e a desilusão se seguem invariàvelmente, quando «
desejos do coração estão concentrados sobre outra cois&^a
náo Deus, pois todos os prazeres da terra, perseguidos ©oih
jfíns derradeiros, vêm a ser o oposto exato daquilo que e i u T °
perado. A expectativa é prazenteira, a realização, desgAaÉ?*
Dêsse desaponto se geraram eszas ansiedades m enores anm
moderna psicologia conhece tão bem. M as a raiz delas tôd *

(4) m n t War/fJ, Mntre o Céu e a Têrra. p. 71, Hutchinson & rv»


LoadrcÊ, 1947. n * c°mpany
A FILOSOFIA DA ANSIEDADE 33

é o amesquinhamento da vida devido ao abandono da Vida


Perfeita, da Verdade e do Amor, que é Deus.
A alternativa para tais ansiedades consiste em deixar-se
a gente ir, não por um a rendição do espírito ao mundo, à car­
ne e ao demônio, mas por um ato de abandono próprio, no
qual o corpo é disciplinado e sujeito ao espírito e a persona­
lidade inteira dirigida para Deus. Aqui a ansiedade básica
da vida torna-se transcendida de três modos, cada um dos
quais produz um a paz de alm a de que somente goza quem
ama a Deus: 1 . Domínio dos desejos. 2 . Transferência da
ansiedade do corpo para a alma. 3. Submissão à Vontade
de Deus.
1. Domínio dos desejos. As ansiedades e desilusões são
devidas a desejos desordenados. Q uando um a alm a não con­
segue aquilo que deseja, cai na tristeza e no desgosto Em
outras gerações eram os desejos dos homens menos num ero­
sos ou mais dominados. Hoje até mesmo os luxos são consi­
derados necessidades. O desaponto aum enta na razão direta
e na proporção de nosso fracasso em obter as coisas que acre­
ditamos essenciais ao nosso prazer. U m a das maiores de­
cepções de hoje é a crença de que o ócio e o dinheiro são
essenciais à felicidade. O triste fato d a vida é que não h á
gente mais desiludida n a superfície da terra do que aauêles
que nada têm que fazer e aquêles que têm dinheiro dem ais
para seu próprio bem -esíar. O trabalho nun ca m atou n in ­
guém, m as a preocupação sim. E ’ coisa aceita por muitos
reform adores que a principal e m aior causa de infelicidade
e a insegurança econômica, m as esta teoria esquece que h á
problem as economicos apenas porque os hom ens n ão resol­
veram os problem as de suas próprias alm as. A desordem
economica é um sintom a de desordem espiritual.
D om in ar a ansiedade não significa elim in ar nossos dese­
jos m as antes arran já-lo s hierarquicam ente, como Nosso s L
n h or nos lem brou quando d isse 'q u e a vida é m ais do que
o vestuário. E sta pirâm ide de valores coloca as coisas no fu n do
e as coisas incluem tudo que é m aterial no universo desde
um a estréia q ue inspira u m poeta até o trigo tran sfo rm ado
em pao pelo padeiro. A cim a das coisas vem o homem e nS
a n g ú s t ia e paz
34
,r npns Um homem religioso ordP*
vértice da Pirá,m!^co% 0 modêlo da pirâmide Vence a ansi*
sua vida de acoido ccm materiais ao humano, diSti.
dade, sujeitando todas aspjtó )0 po espanto e submetendo a
nlinando o corno até . -Porque todas as coisas sà*
personalidade in eu Crjst0 e Cristo é Deus.” (I Cor. 3 :22
vossas, mas vos sois ^ reconheça que e feita para D eus'
23.) Um a vez: que■* aim de que tôda peSsoa h a de ser jull
abandona a idaa : burgu ^ segue nao so um a renuncia â0
gada pelo que tem. D - voluntária entrega de algumas
mal, mas ate mesmo u 0 espírito m ais livre para amar
coisas legais, a t m de l °ifícios de Nosso Senhor se tornam a
a Deus. Quando os sacr suas cargas sao carregadas
mspiração de uma j d a o _ s. aceita apelos ^
com mais do que res^ r intimidade com Êle.
videnciais para uma n te de m otivos cristãos, mesmo
Mas inteiramente » P dg vjsta pUram ente natural, é
encarando-se de m P" nunciar a algu n s desejos, simples-
sábio da parte do homei encontrar satisfaçao no rea-
mente porque a alma n y“ . um dêsses. Há du,as espécies
lizá-los. O desejo aa i4 toma a for
de riqueza: riqueza twíw ■ & sustentar a vida do indivíduo
alimento, roupa. e ^ q ue é 0 dinheiro, o crédito,
^
ou da família, riqueza i uffl homem satisfazer seus de-
ações e títulos. E po porque seu estôm ago logo atinge a
sejos de riqueza " atu/ consum ir m ais alimentos. Mas
um ponto em que n j » ^ rj(jueza a r t if
não há limite para o nca está‘ satisfeito com êsse milhão,
que possui « n “ ^ S t o da riqueza artificial, por-

“ “rí s s t -, jtks: MSr.í


fsaspA-lBasíí <**•- — «V
••frustração e renu • . de fôrças extrínsecas,

sr.rífjss.tsas.— ^ ^
A FILOSOFIA DA ANSIEDADE
35
pria livre decisão do homem. Os pals r e e n n w
rença; uma criança que se apoderou de ™ , ' ? esta dl*e-
não é permitido ter, e advertida por seu na? “i? ? que lhe
do contrario toma-la-ei de você.” Multas v t l' Entregue-ma,
nunciará à coisa, em vez de ver-se dela n riv a L a .Cldança re-
palavras dirigidas à criança deixaram-lh? M
vaguardar sua dignidade e independência t 610 de sal"
deveria
levei Ma fazer em 4qualquer caso, mas
uai4 uci caso, mas oo faz
faz com *---
em? pelo
aquil° ^VÍ\>
Qua
menos
uma liberd^?“ que
ima aparência de liberdade. E é esta liberdade men°
«? ® ?faz tôda3
a, diferença. Se o homem pode convencer-se de que não ne­
cessita verdadeiramente disto ou daquilo (em bora possa de­
sejá-lo), o abandonar êsse desejo não lhe causará desilusão
Só se sentirá frustrado, se fôr forçado à renúncia.
Os desejos desenfreados crescem como joios e sufocam
o espírito. As riquezas m ateriais produzem relativo prazer
por algum tempo, mas m ais cedo ou mais tarde experimenta­
sse um mal-estar, u m a sensação de vacuidade, um sentimento
de que algo de errado vem em panando a alm a. E ’ êste o
meio pelo qual Deus diz que a alm a está faminta e que sò-
mente Êle pode satisfazê-la. E ’ a tais" alm as modernas, desi­
ludidas, fam intas e ansiosas que o Salvador estende o con­
vite: “Vinde a m im todos os que trabalhais e vos achais car­
regados, e eu vos aliviarei.” (M at. 11:28.)
2. O segundo meio pelo q ual pode o homem transcender
a ansiedade da pobreza é transferir seu interêsse do corpo
para a alm a, ser sàbiam ente ansioso. Pois há duas espécies
de ansiedade, u m a a respeito do tempo, outra a respeito da
eternidade. A m aioria das alm as m ostram -se ansiosas a res­
peito justam ente daquelas coisas que não mereceriam ser
objetos de preo cu p ação . Nosso Divino Mestre mencionou pelo
menos nove coisas a respeito das quais não nos deveriamos
preocupar: a m orte corporal; o que deveremos dizer em dias
de perseguição, q u an d o form os intim ados a comparecer pe­
rante comissários; a construção ou não de outro celeiro (ou
de outro a r r a n h a -c é u ); discussões de fam ília por havermos
aceitado a fé; com plicações com a sogra; nossos alimentos,
nossas bebidas, nossas m odas, nossa aparência. (Lucas 12.)
Disse-nos que deveríam os ficar bastante ansiosos a respeito
a n g ú s t ia e paz
36

.
de uma coisa p de um a Só coisa e- nossas alm as. (Mat

16:24-28.) r sign ificar qu e as atividades mUn.


Nosso Senhor nao que q ue se ficarm08
nanas são desnecessárias. as an sledades m enores s
S s o fe re s ^ ^ ra e (n ã o sóm en te) o reino d
dissolverão: “Procuiai P aau elas coisas ser-vos-ao acres-
Deus e Sua jus Ç 12-31) E ra com um fic a r o verdadeiro
tirita d a s” (Lucas w -® * -' la inten sidade de su a rica an-

siedade a respeito de acredita


& »• que
<A temé u
^ o ra m ad lff
êle alm a para
rencia*
pelo simples fá to je W ente em todo am or. E cada ser
salvar.) A ansiedade es f ^ porque nenhum homem é
humano deve amar ou e h q amor para Deus e a paz ^
suficiente a si,mf m°p,viai-o de Deus e o coração tomar-se-á
cerá sôbre a alma. ues as caem "dos suspirosos galhos
uma fonte partida onoe nobre fô r 0 coração que se par-
do pensamento . «u a i ^ ansioso a respeito do amor de
te, na sua recusa de m ^ ^ tornará n a sua fa lta de amor
Deus, tanto mais me q esperança: tan to m aior a frustra-
e no seu ateísmo • a ansiedade do coração sem Deus,
ção, quanto mais comp m etam orfoseado em santo.
quanto mais c a p TvlrTtod os .As coisas q u e a lg u é m
H a esperançaP ° e reSp on sável p o r seus atos fu-
sam; q u e m a s faz p c u , t i v a r a^ r a a r ic a ansiedade. Se
turos. Pode começ em ap en as isto, as coisas pelas
as almas m o d e rn ^ . ^ ostraR1 seriam a p e n a s mesquinhos
S e le Que únicam ente p o d e a c a lm a r seus es-
substitutos d M elham o h o m em a esquecer a eter-
P - a ^ P P a satisfazer seus desejos c o r p o r a i s .. . m a s que ho
mdade e a satis azer s j satisfeita? O cam inho do

n a p o r ta estreita: ”E ,
fr a fíe la porta estreita; porque la r g a é a p o r t a e espaçoso o
caminho que conduz à perdição, e m u itos sao o s q u e entram
Quão estreita é a porta e q u a o a p e rta d o o caminho
conduz à vida e quão poucos são os q u e ac e rta m com
ela." (Mat. 7: 13-14.)
A F IL O S O F IA DA ANSIEDADE ^

3. O terceiro meio de transcender as ansiedades é aumen.


tar nossa confiança em D eu s. O am or é recíproco; é recebiidò
na proporção em que é dado. Geralm ente confiamos anena*
naqueles que confiam em nos. E ’ por isso que h á um a nrovi
dência especial p a ra aqueles que confiam em Deus Ponde
em confronto du as crianças, um a, de u m a fam ília feliz bem
provida de alim ento, de ro u p a e educação, a outra, um órfão
sem la r das ru a s . A p rim eira criança vive em um a área de
am or; a segu n d a está fo ra desta área e não goza de nenhum
de seus p riv ilé g io s . M u itas alm as preferem deliberadamente
excluir-se d a á re a de A m o r do P a i Celestial, onde poderiam
viver como Seus filh os. C o n fiam apenas nos seus próprios
recursos, n a su a cc n ta de banco, nos seus próprios meios.
Isto é p articu larm en te verdade a respeito de muitas famílias
que consideram a educação das crianças apenas como um
problem a econôm ico, nem u m a vez invocando o Amor do Pai
Celestial. S ão com o u m filh o que em tempos de necessidade
nun ca se socorre do a u x ílio de seu p a i rico. O resultado é
perderem êles m u ita s das bênçãos reservadas àqueles que se
lan çaram ncs braços am orosos de D eu s. Esta lei aplica-se
tanto às nações q u a n to aos indivíduos: “porque tiveste con­
fiança no rei d a S íria e n ão no Senhor teu Deus, em conse-
qüência o exército do rei d a S íria escapou das tuas mãos.”
( I I Par. 15:7.) M u ito s favores e bênçãos estão pendentes
do céu p a r a a liv ia r nossas ansiedades temporais, bastando
apenas que as cortássem os com a espada de nossa confiança
em Deus. O alív io de todas as nossas erradas ansiedades vem,
não de nos d a rm o s a D e u s p e la m etade, m as em virtude de
um am o r o n ia b ra n g e n te , ao q u a l regressam os não com mêdo
ao passado, o u com an sied ad e pelo futuro, m as para descan­
sar sossegadam ente em S u a M ão, n ã o tendo outra vontade
senão a d ’Êle. E n tã o as a n tig a s som bras da vida são vistas
como “A s o m b ra de S u a M ã o estendida acariciadora-
m ente.” (5 ) (S
)

(S) FrancU Thompaou, «Th® Hound of He^en".


a n g ú s t ia e paz
38

J ._ Tjm complexo, de acordo cotn 0


rodos têm ansiedade _ ^ é um gru p o de memória,
Ta nsicologia contempora iêncla nias que( nâo ob$_
uso da ps is na0 tem°?.?ade u m com plexo de ansie.
? detteJafetam nossa Perd° ^ 4 o r i a s infelizes submersas no
£ ri< f’slria um sistema de m espécies de sintom as Todos
͔W
dade nSser P Felizmentemnao tem
fa d e produzindo . de ^ u mp complexo de
todos

tem A diferença ent . i ade qUe temos. A mais larga


^ vim t o ^ ci% dá% aX a ansiedade pelas coisas g
“ orarão de tôdas estf ®iriade. D as prim eiras, disse Nosso
«sePr Qgvvalores
e. ^ o s p rde
r ete
ur £ noiss vvosso
O (M aPta i0; g ) A sabe que
Celestial

tndes necessidade dessas está lig a d a à liberdade


S e de atoiedade é nonn ^ssa condição de criaturas.
humana e j M m . ^ i n q u i e t a ç ã o com o q u e tao-somente
Esta ansiedade . d idade que é D e u s.
seja a perfeita felicm com a
relaciona-se
3 Finalmente, a T
^
o
s
e
Mago
v de um
conhecim ento
finidade do tomem e com Q qual êle é quase nada. o
s»r infinito, em comparava falsamente> tentar vencer sua
homem, tem «do dito. P ^ de criatura (0 q Ue é orgulho),
finidade negando sua con çria ^ sensualldade. Então esta
ou fugindo para u m a fo rm a ci0 m edo — que nao é
ansiedade amda permanece ^ ^ * -- -
J
a mesma coisa n,1P
que o temor. Pois o temor é uma reação a um
perigo humano e, como diz São Tomás, está sempre mistu
rado a certo grau de esperança. M a s o medo não conhece
esperança. Exprime-se
esperança. Exprime-se de
de m
m aneiras
aneiras despropositadas, pois nãn
tem causa evidente e vem da sensação semiconsciente qup
tem o homem da precariedade de seu — ~s
—e r.. Desta maneira
maneira o
nnm a
mêdo se relaciona "com o idéia
irláio de m orte, a grande desconhe­
cida, a única coisa inescapável de que o hom em não tem co­
nhecimento experimental. Q u an do êste mêdo se resolve de­
vidamente pelo reconhecimento de nossa dependência de
Deus, torna-se o caminho p a ra a paz d a alma. Mas ninguém
no mundo, mesmo neste caso, escapa ao fa to da ansiedad*
ou deixa de fazer crescer um sentim ento da tensão entre o
finito e o infinito. T al ansiedade n o rm a l pode ser coberta,
A FILO SO FIA DA ANSIEDADE 39

mas arrebentará em algum a parte e de algum mortn


Adler teve um vislumbre desta verdade q u a n d ^ ^ . A Uíe* >
neuróticos são anim ados por um a ambição desregrada6 de
ser “como Deus . A s varias tensões que á 2®
são muitas vêzes os reflexos da mais profunda ten°ãn
sica e inerente a todo ser humano, Pentre o seu Se? S>nUn
gente e limitado e o Ser Infinito e Absoluto Esta w s -
seria sentida, se o homem não fôsse liw e e não tiv e ? ,f na0
ponsabilidade de escolher entre a a X fr u s t r a ç ã o e a "auto

p a ra D e u s ^ 0" d0 US° ^ CrÍatUraS »


A paz da alma vem para aquêles que têm a verdadeira
especie de ansiedade por atingir a perfeita felicidade que é
Deus. U m a alm a_ tem ansiedade porque sua condição fiL il
e eterna ain d a nao esta decidida, está ainda e sempre nas
encruzilhadas d a vida. Esta ansiedade fundam ental não node
ser curada por u m a submissão às paixões e aos instintos. A
causa basica de nossa ansiedade é um a inquietação dentro
do tempo que sobrevém porque somos feitos para a etemi
dade. Se houvesse em alguma parte da fe rra um lugar de
repouso que não Xósse Deus, poderiamos estar bem certos de
que a alm a h u m an a, n a sua longa história, tê-lo-ia desco­
berto antes disto. Com o disse Santo Agostinho* “Nossos co
rações foram feitos p a ra T i. Estão inquietos, enquanto não
repousarem em T i, ó D eus.”
C a p ít u l o III

A ORIGEM DOS CONFLITOS E S U A REDENÇÃO

„ intpiprtual redescobriu subitamente que o ho-


m Pm é T r n fs e d e d e conflitos. Marx descobriu conflito na
í lf w ^ V r k e e a a r d na alma, Heidegger no ser do homem
f o s psicólógos «o pensamento. Para crédito de todos êles,
deve ser dito que se aproximaram muito m ais de u m a com­
preensão do homem do que fizeram os liberais dos derradei-
ros poucos séculos, que ensinavam que o homem era n atu ral­
mente bom e progressista e já em pleno cam inho de tornar-se
um deus sem Deus. Quem quer que dissesse hoje que o ho­
mem moderno (que travou duas guerras m u ndiais em duas
décadas) necessita apenas de evolução e educação p a ra tor­
nar-se uma divindade seria menos observador do que um
avestruz com a cabeça metida na areia. E ’ evidente a todos
que o homem sem-Deus do século X X tem, de certo modo,
conduzido a si mesmo e à sociedade a um a condição de desor­
dem e de caos. Os psiquiatras, que têm investigado êstes
conflitos e tensões, descreveram-nos de várias m aneiras.
Para alguns dêles, o conflito está entre o pensam ento cons­
ciente e o inconsciente; para outros, é u m a tensão entre o
ego e o ambiente; para outros ainda, um duelo entre instin­
tos e ideais, enquanto para alguns mais, u m a g u e rra entre
o id e o superego.

à e x í e S a dpeS
t^ af ° r p a maÍOr parte das vêzes atribuída
pela qÚâl Sma c Z L Censura-se,por t e m p
de terem sido negadas à criamÍaaa t '° r SeUS p a is > o u 0 fato
tisfazer seus deseios n a t i i ™ ^ ^ ceí’tas oportu n idades de sa-
de campos d e Z legíHmos’ ou a insuficiência
usar tensão e desordens de con-
O R IG E M dos COKFUTOB I SXJA R2DXNÇÀ0 41
A

Hnta Em virtude das relações estabelecidas entrP


mento e glân d u las endócrinas, estas também foram toS l
responsáveis pelo nosso estado de tensão. Outros esturifn^
lançam a censura sôbre certos conflitos qUe surgem t a S
veimente dentro de u m a fa m ília . A psicanálise freudiana f a t
assim da situaçao de E dipo. Como o herói da lenda « e i a
matou seu pai e casou-se com sua mãe, da mesma maneha
se supõe que todo m enino deseja sua m ãe e tem ciúme de seu
pai, a ponto de desejar-lhe a m orte. Diz-se que uma filha
desempenha o papel correspondente para com sua mãe. Odeia
sua mãe e quereria, a m an eira de Eiectra, matá-la, a fim de
casar com seu pai. E sta situação foi chamada a situação de
Eiectra, ou o complexo d a m ãe. (1)
Outras escolas lançam a culpa do conflito e da tensão
sôbre algo parecido com u m a m em ória racial, sôbre a in­
fluência persistente de alguns eventos acontecidos no pas­
sado da raça. Podem ir m esm o m ais adiante no passado e
discutir um “ inconsciente coletivo” , que a evolução humana
transmitiu a cada indivíduo como parte de sua equipagem
psíquica inconsciente. Êste inconsciente coletivo é acompa­
nhado nos seus traços pregressos mesmo até “os antepassa­
dos anim ais do hom em .” ( 2 )
----------------- . .. - ^
(1) Tôda a teoria da eituaç&o de Édipo, ou complexo de Êdipo, dá margem
às mal6 sérias objeções. A prova apresentada descansa exclusivamente em conclu­
sões tiradas dos resultados da psicanálise. Se as pressuposições desta doutrina
caírem, a teoria do com plexo de Êdipo perde seus fundamentos. (É um ractocinlo
falaz o que afirm a que a existência do com plexo de Êdipo prova a verdade da
doutrina freudiana, desde que esta prova pressupõe que a doutrina inteira seja
prlmelramente aceita.) F a lta base real ao apoio à idéia de que a chamada
"sltuaçào de Édtpo” é com um na vid a humana e espelha acontecimentos verda­
deiros passados nos prim eiros estágios da civilização. Se fôsse assim, como os
psicanalistas pretendem , se o assassínio do pal ou do patriarca peloe filhos ciu­
mentos e o casam ento d o assassino bem 6ucedldo com 6ua máe fôsse um aconte­
cimento habltuBl na pré-h lstón a, seria de esperar encontrar-se o mito de Êdipo
em muitos lugares. N a verdade, porém, existe apenas na lenda grega e talvez,
de forma um tan to sim ilar, em um a tribo da índia. Tôda a estrutura da socie­
dade pré-hlstórlca c seus hábitos, que Freud e seus dlsoípulos exPlora” “ *
carecem de qualquer base firm ad a em fatos e têm sido rejelhados por toa
os estudiosos com peten tes da an trop ologia cultural. Para uma mais
taçáo dessa íalácta, con su ltai R u d o lf Allers, The Sucoeasful Error; Emil Luüwig.
Doctor Freud, ca ps. 8-10.
foi-J2* A teorla d o Incon scien te c o le tiv o tem sido proposta por C. O. Jung •
forma uma dae m enos aceitáveis partee de sua "psicologia analítica .
ANGÚSTIA E paz

42
Comum a tôdas estas teorias é a ideia de q u e as in f luên
exteriores ao indivíduo, comuns a própria raça, conrn
cionam-no
cias presentemente e sao a cau sa de seus c o n flit03
Embora os psiquiatras hajam redescobeito o c o n flito cl0 ^ '
mem, descrevendo-o no nível inconsciente, a raça hurnana
sempre teve conhecimento dele. Plato.o, por exem plo, de"
creveu a personalidade como um ca rro ce iro d ir ig in d o dois Ca
valos indomáveis. Um dos corGéis é apetite ou instinto*
outro é espírio. O condutor é a razão, q u e tem a m a ior di°
ficuldade em conservar ambos os cavalos conduzidos na tup
ma direção. Sófocles, o antigo d ram a tu rg o g re g o , falou d*
certa grande desarmonia prim itiva, g risa lh a c o m a idade n
infecta todos os homens. Ovídio, o p o eta la tin o , e s c r e v ^
“Vejo e aprovo as melhores coisas da vid a e si o-o a s nin ’
coisas da vida.” S. Paulo descreveu o conflito h u m an o ™ Pes
travado entre a lei do pensamento e a lei dos m em bros 2110
Todo ser humano pode d ar testem unho da e x n e r i i w
de que as vitorias não estão tôdas de um la d o t i r ^ t n®
quer do espirito. As pessoas boas ag em m u d a s COrP °’
gente ruim e gente muito ruim às com°
res que os das pessoas boas Goethe I a m C0s m e lh °-
vesse feito dêle apenas um h o Í S “ . q ’l e D e u * « -
tente material tanto para um velhaco r n ™ h a v i a bas‘
iheiro. O DOUTOR JE K ILL E O S B n v ™ f a r a u m cava-
uma história bem conhecida do c o n flitn ^ n ? E s t e v e n son é

£ £ « ?« * JTÍSE

í w s? r *»°v„.
tensão acrescentou • L a n ç a n d ^ 6 ln flu e n c ia tod os os
já conh®cia a respeito ri°nhecilnento 1UZ s6 b re esta
Peito de si mesma | Ue a humanida-
’ lst° é, q u e n ã o é tudo
A O R IG E M D 0 3 C O N F L IT O S E SUA REDENÇÃO
43
aue devia s e r. P o d e m u ito bem ser que a n n «
para a a lm a m o d e r n a v e n h a a partir das comntPO,° gét!ca
psicologia m o d e r n a sôbre o tem a do conflito q " b^ ç° es da
espécie de p re fa c m ao tra ta d o , peccato uma
mente o m a is im p o rt a n t e tratad o de teoloRia Daró’ relatlva'
mento m o d e r n o . gla para D pensa-
E stam o s in te re ssa d o s aq u i, não pelo conflito ™ ,
inconsciente, m a s p e la c a u s a subjacente de todo co n sto “ 10
corpo ou n a a lm a , n a v o n tad e ou no coração, na S0Cieda?P ™
no in d iv íd u o , d a q u a l a psicológica é um a m anifestera ^
perficial. P o d e m o s e lim in a r im ediatam ente a idéia anüauadá
de que a p o b r e z a e a c a u s a d a desarmonia interior
assim fôsse, todos os ricos seriam normais. Contudo ’há mah
an o rm a lid ad e e n tre cs ricos do que entre os pobres Nem
poderá ser e n c o n t r a d a a c a u sa do conflito no fundo animal
do hom em , pois o h o m e m m a rc a um a completa rutura ccm
o an im al, co m o se ev id e n c ia pelo fato de que o homem pode
rir e os a n im a is n ã o p o d em , que o homem pode criar arte, o
que os a n im a is n ã o p o d e m . A risa d a e a arte são impossíveis
sem idéias, p o r u m a p a rte , e ideais por outra. A causa do
conflito n ã o é o m eio a m b ie n te , porque o freio de ouro não
torn a m e lh o r o c a v a lo . Judas, que teve o melhor ambiente
da h istó ria, m o r r e u n a ig n o m ín ia e n a vergonha. O conflito
não é devid o à ig n o r â n c ia , do contrário cada doutor em teo­
logia seria u m san to . O c o n flito não é devido à pessoa sozinha.
Os pecad os p e sso a is fa z e m inten sificar os complexos de uma
pessoa, m a s o fa t o in e lu tá v e l é que tôda pessoa humana no
m u n do te m u m c o n flito la te n te dentro de si. Desde que
não sois vós, n e m eu, o u êle, ou ela sozinha que tem uma
tensão, deve d e d u z ir -s e q u e o conflito não tem uma origem
pessoal, m a s é d e v id o à p ró p ria natureza humana. A fonte
da d e so rd em h á de ser en c o n tra d a tanto no indivíduo como
na p ró p ria h u m a n id a d e . U m a psicologia que
todos os c o n flito s se devem a aberrações da P10]?1*^ ^ de
fa lh a ria n a e x p lic a ç ã o d a universalidade do
que c a d a u m é a ssim , n e n h u m a explicação m , lt0
pessoal p o d e ser a c a u s a to ta l. A causa pessoa
a n g ú s t ia s paz

é bom examinar a n — "os.

homem não é um anjo, nem um demônio


M- i ntrinsecamente corrupto (como os teologos começa
™ Í Samar há quatrocentos anos), nem intrinsecamente
Srino (como os filósofos começaram a dizer há cinqüente
anos passados). O homem tem, antes, aspirações para o bem
aue êfe acha impossível realizar completamente por si
mo Ao mesmo tempo tem uma inclinação para o mal. que
o atrai, afastando-o dêsses ideais. E como um homem que se
acha dentro de um poço pela sua p iopn a estupidez. Sabe
que não deveria estar ali, mas não pode sair por si só. Ou
para mudar a imagem, é como um relógio de mola partida!
Precisa ser consertado poi dentro, mas os consertos devem
ser supridos de fora. Confuso, não sabe se é um otimista
que acredita que a evolução lhe d-ará uma mola, ou um pes!
simista, que acredita que ninguém pode consertá-lo. E ’ uma
criatura que pode continuar a trabalhar bem de novo, mas
somente se algum relojoeiro tiver a bondade de repará-ío.
Segundo, êste conflito tem todas as aparências de ser
devido a um abuso da liberdade humana. Como o bêbedo é o
que é, por causa dum ato de escolha, da mesma form a a na­
tureza humana parece ter perdido a bondade original de aue
?e B+ondade’ SraÇas a um ato de escolha.
Co io disse Santo Agosunho: “O que q u e r que sejam os não
somos aqm10 que devíamos s e r .» A origem dêste conmto
u a a a S í pel0S teologos m edievais e modernos por
palco corrMim a m^.sica- im ag in ai u m a orquestra num
êle mesmo Z ^ ° ^ dirigente reê'endo a bela sinfonia por
dade de acomoanh^' membro d a o rq u e stra tem liber-
nia. Mas cada^mpr^h0 din£ente e p ro d u zir assim a harmo*
cer ao dirigente Q,mn n íem tam bém liberdade de desobede*
mente, toca uma n n l que um dos m úsicos, deliberada*
Uma nota * 1 » e depois induz um violinista a
A O RIG EM DOS C O N FLITO S E SUA REDENÇÃO
45

Seu lado a fazer o m esm o. Tendo ouvido n


rfa o maestro fazer « m a de duas coisas Pnrf! ,°°rde- P°de-
com a batuta e ordenar que o compasso fôsse f e ° u bat«
ou ignorar o desacorde. N a o fa ria diferença t ad? de novo.
pois êsse desacorde j a teria desaparecido r, qUe ele fizesse
certa temperatura, com a velocidade dp i . esPaço, numa
por segundo. C o n tin u aria a correr, afetando'**'?6 1100 Pés
radiações infinitesim alm ente pequenas do te as
uma pedra lançada n u m tanque produz im L universo- Como
a praia mais distante, d a m esm a m aneira £ £ £ rega 3Ue afeta
até mesmo as estréias. E n q u an to d u rar +» deSacorde afeta
parte do Universo de D eu s h á um a d é s a r m é ’ em alguma
pela livre vontade do h om em . aesarmoma, mtroduzida
Poderia êsse desacorde ser detido’ Não neio -
mem, pois o hom em ja m a is poderia alcancátn £ *pno ho‘
irreversível e o hom em está localizado m l , ' a ° tempo é
tudo ser detido pelo E terno, saindo de Sua con-
para o tempo, a g a rra n d o essa falsa nota dèS>n?oP° ralÍdade
voo. Mas seria ela a in d a u m desacorde i ’= d te do' a no seu
Deus? Não! N ão, se D eu s S c re v e ss e l ^ t w M S Mãos de
dessa falsa n o ta su a p rim e ira n o ta' Então t u d o * 6 ■fl2esse
morna de novo. a ‘ * ntao tudo seria har-

Há muito tem po passado, bem antes de Édipo e Electra,


Deus escreveu u m a beia sin fo n ia da criação. Produtos quími­
cos, flores e an im ais estavam sujeitos ao homem, as paixões
do homem se ac h a v am sob a direção da razão e a persona­
lidade do hom em em am o r com o Am or, que é Deus. Deus
dera esta sinfonia ao hom em e à m ulher para que a tocassem,
com uma coleção com pleta de indicações sôbre o que evitar,
até o derradeiro p o rm e n o r. Sendo livres, o homem e a m u­
lher podiam obedecer a o R egente Divino e produzir harmo­
nia ou podiam desobedecer-LH E. O demônio sugeriu que,
havendo o Divino R egen te m arcado a partitura dizendo-lhes
o que tocar e o que n ã o tocar, estava destruindo a liberdade
dêles. A m ulher su cu m b iu por prim eiro à idéia de que a li­
berdade é licença ou au sên cia de le i . Tocou um desacorde
para provar a su a c h a m a d a “ independência” . Foi uma coisa
nada gentil da p arte d u m a d a m a . Depois induziu o homem
a n g ú s t ia
s PAZ

46 uma ooisa n ada gentil da part*


mn_ o q u e ^ a c o r d e origin al passando setn
» fazer o m« 1" 0 Foi se dava a coníun.
* m cavame'ro a râça hunia?etava cada ser hum ano, exceto
ceSa1 I*>r \da £ 5 cada qual h erd ava os eíeit0s
o do homem ' nascido, P^ teve m esm o repercussões
um, q»e i S o n i a . O desac° e os cardos cresceram e os
daquela deS®^terial, uma vez com o um n o poluí(lo
no universo m selvagens- así m ted0 „ seu cu
»nimaisse
’animais se w —oco adiante
wrnar^ adfante a a p .
poluição i -
em todo o seu curso
em sua fonte passa ad d0 original foi transm itido à hu!
da mesma maneira V
manidade. ieinai não podia ser detido pelo próprio
Êssedesacorae w e ^ dado reparar u m a ofensa contra
homem, porque nau finjt0_ Tinha contraído u m a dívida
o mfinito com o A dívida só podia ser paga pelo
maior d o q u e p o ^ ^ ê de Sua Eternidade p a ra o tem
Divino Maestro, sau m re
ç ntre p a ra r u m a
a
Ma^ h t T n m homem rebelado. U m a n ão tem liberdade,
cordante e um ho ser um ditador totalitário, des-
; S t â i S S t m m , a (1m de a b o lir o m a l . Deos p»
£ H £ £ uma nota, mas não pegaria u m h o m em . Em vez
recrutar o homem, Deus quis consultar a humanidade
de novo para saber se queria ela ou nao fazer m ais um a vez
parte da Divina orquestra.
Do grande e branco trono de luz, veio vindo u m anjo de
luz, passando pelas planícies de E sdralon até a aldeiazinha
de Nazaré, para ir ter com uma moça aldeã, c h a m a d a Maria.
Uma vez que fôra uma mulher que dera a p rim e ira nota dis­
cordante. a uma mulher deveria ser d a d a a oportunidade de
consertá-la. Esta mesma mulher estava livre d a culpa ori­
ginal, graças aos méritos antecipados do F ilh o que iria mais
tarde conceber. Era conveniente que Êle, Q u e é a própria Ino­
cência, baixasse à terra pelos portais d a ca rn e não poluída
pelo seu pecado comum. Êste privilégio de M a r ia tem sido
chamado a Imaculada Conceição. Desde que u m anjo caído
tentou a primeira mulher para que se rebelasse, Deus agora
consulta, por meio de um anjo que não pecou, G a b rie l, a nova
iva, Maria, e pergunta: “Queres dar-m e u m hom em ? Queres
ORIGEM dos c o n f l it o s e s u a r ed en ç ã o 47

gmente u m a nova n o ta dentre a hu m anidade, com


dar~me llVr eu escrever u m a nova sin fonia?” Êste novo ho-
a qualP°f® ser um h om em . D o contrário D eus não estaria
jnem de^ ? nome da h u m a n id a d e . M a s tam bém devia estar
agind.° to rre n te de infecção a que todos os hom ens estão su-
fora daCend0 nascido de u m a m u lh er, seria Êle u m hom em ;
íeÍt^S’ nascido de u m a V irg em , seria êle u m hom em sem pe-
send° “ virgem foi co n su ltad a se consentiria em ser M ãe.
cad° pz que não pode h a v e r nascim ento sem am or, no caso
^ R p n d it a V irgem M a ria , o P o d er do Altíssim o, o Espírito
da Amor envoiveu-a e O Q u e n asceu dela é o Filh o de Deus,
áeJ\hn rio hom em e seu nom e é Jesus, po rqu e salvou o m undo
0 rimo u
de seus pecados.
A Im aculada Conceição e o P a rto V ir g in a l eram p a ra o
comêço de u m a n o v a h u m a n id a d e algo como o que é u m a
comporta p ara u m ca n a l, sendo a q u ê le de u m m odo especial.
Se um navio está n a v e g a n d o n u m c a n a l poluído e deseja
transferir-se p a ra á g u a s c la ra s de m ais alto nível, deve p as­
sar através de u m a divisão q u e re te n h a a s á g u a s polu ídas e
erga o navio a u m a posição m ais elevada. D epois ò outro p o r­
tão da com porta é le v a n ta d o e o n av io co n tin u a sua m a rc h a
nas águas novas e claras, n a d a le v an d o consigo das á g u as
poluídas. A Im a c u la d a C on ceição de M a r ia foi como essa
comporta, considerando que, p o r m eio dela, a h u m a n id a d e
passou do nível m ais b a ix o de filh o s de A d ã o p a ra o m ais
alto de filhos de D e u s .
Quando êste p la n o foi a p re se n ta d o a M a ria , no m aio r
contrato de lib erd ad e q u e o m u n d o ja m a is conheceu, respon­
deu ela: “Faça-se em m im de a c o rd o com a T u a P a la v r a .”
E Deus começou a to m a r a fo r m a de h o m em dentro do casto
corpo dela. Nove m eses m a is ta rd e o E te rn o estabeleceu
ponto de desem barq u e em B e lé m , u m a vez que Êle <
Eterno apareceu n o tem p o ; o p á s s a ro q ue co n stru iu o
é chocado dentro dêle; A q u ê le Q u e fêz o m u n d o
inundo que não O re c e b e u . P o r q u e é ho m em ,
Cristo agir em n o m e do h o m e m e ser respon sávt_
jnem; porque é D eu s, tu d o q u a n t o fa ç a com essa
umana tem v alo r in fin ito . P o r m eio dessa
» n g u s t i a > PAE

toma a si a aiVJU“ r i _ cAhre w uuj — — __


ra Nosso Senhor W ™ cuJ e blasfêm ias do homem
monias, todosos P ' cuIpad0. Assim como o o uro
como seÊie Próprio' ' oue seja queimada a escória, d a mes
çado na natureza h u m a n a e m ergulha-a
r ^ f e d a s d T c Z r i o , para que nossos pecados sejam
“ J S 2 M fogo. Mudando ainda um a vez de im agem-
— ; e pecado está no sangue, d e rra m a Êie Seu
A n g u l em redenção, pois sem derram am ento de s a n g u e não
há remissão de pecados.
Depois, no Domingo de Páscoa, pelo poder de D eus, file
se ergue dentre os mortos com Sua n atu reza h u m a n a sem
pecado glorificada, tornando-se a prim eira n o ta n a nova
criação, o comêço da nova sinfonia que será tocad a de novo
pelo Divino Regente, por intermédio de todos os qu e livre-
mente produzirão harmonias na nova h a rm o n ia de u m m un­
do cristão. E como são acrescentadas novas n ota s a esta pri­
meira nota? Pelo Sacramento do Batism o, p o r m eio do qual
cada homem morre para o velho A dão e de novo se levanta
com Cristo. Esta unidade de notas em com passos e movi­
mentos constitui a nova sinfonia. P a r a u sa r a lin g u a g e m de"
São Paulo, cada pessca que livremente, com o fêz M a r ia se
da ao Cristo, toma-se como que u m a cé lu la em S eu novo
Coipo, que é a Igreja. uvo
crijta o significa, pois, ser elevado d a velh a hu-l

sssttis ■(s ™ ;s * .cria”' °™‘ s


forçado a -aceitar e*ta vida C ia’ N e n h u m hom em é
Maria. E* livre e ccmultável n ã ° 0 fo i tam P ouco
nossas almas é uma sim ülpf d e 3u e a D iv in a V id a em
é causada por q u alo u er^ P Q fn r^ v f de D e u s » d esd e que não
estrito sentido, por ateum* ° rÇ° h u m a n o o u m erecida, em
8 coisa que te n h a m o s feito, po-
* 0 B ,0 E M D0S C 0 N r U T OS * SUA REDENÇÃO

de-sedizer tam b é m que d a teve r,
n0S conta S ã o João: “Ê le estava VirginaI r
feito por Êle, m a s o m u n d o não o con? ndo e o m L ? 0rno
que era seu, e os seus n ã o o recet£r*heceu- Ê|e vSo d° íoi
receberam deu poder de se t o r n a r m «,'h Mas a t o d o s ^ 0
que acreditam em seu nom e- os « . , ? f,lhos de Deus que 0
Sue, n e m d a von tad e d a carne * » * £ £ i que1«
mas de D e u s.” (J o ã o 1:10-13.) * ® ^ v°ntade Z ho°mSan'
Voltando a o caso dos conflitos m’
Iacionadas. U m a d e las é pessoal e n a s c e u T C?usas. não re
pessoal co n tra a lei m o ral, com seu ™ ^ a‘gUma K*oíto
do equilíbrio d a m en te, do corpo ou dos n?rtqUente dist*rbto
tence a n a tu re z a h u m a n a . N ós não a ! ? A outra per°
te, m as nossa n a tu re z a h u m a n a está e n v o i ^ ° S Pessoatoen-
ma m an eira q u e n o s vem os envolvido. ^ a nela. da mes-
rada pelo ch efe d o nosso govêrno, e m ^ r a o ? M Urferra decla‘
dualmente n a o h a ,a m feito u m a d e d a r a c L ? 03 »Oivi-
guerra. O q u e o ch efe do govêrno h n m f” 5! ? mdivtoual de
Não fôstes vós o u eu q u e m p e c o u e T ^ L ^ 05 fiz^
nos somos. C a d a p essoa é profundam ente A * S aquüo W *
causa de seus pais. o u avós ou b i S m° que e’ nao Por
seus p rim eiros p a is . C a d a P e s s o a T u V ^ S dl
psicoses ou neuroses, q u e obscurecem o intelecto e enfraque­
cem a von tad e co m paix õ es revoltadas contra a razão, com
bons instintos, tais com o o sexo, transformando-se em lu­
xúria, a fom e tra n s fo rm a n d o -s e em glutonaria, a sêde trans­
formando-se em in te m p e ra n ç a e com seu corpo misturando-
-se todo com s u a a lm a . Pois a natureza humana, perdendo
sua união com D e u s, n ã o caiu simplesmente em um nível na­
tural, an tes to rn o u -se u m rei destronado, nunca satisfeito no
exílio, sem pre d e se ja n d o a intim idade mais outra vez com
Aquêle Q u e so zin h o p o d e re sta u ra r a harmonia e a paz, con­
tanto que a v o n ta d e coopere com Sua graça salvadora.
O co n flito e stá p ro fu n d a m e n te situado no homem. A
psicologia to c a a p e n a s a p a rte m ais superficial. Êle brota
não só de u m a re v o lta c o n tra a lei m oral mas, mais funda-
nientalmente, d a m á v o n tad e do hom em em aceitar sua po­
sição e p a p el n a o rd e m do ser. O homem está certo, mesmo
a n g ú s t ia e PAZ
50
,ot/1 de que se acha colocado acima
„Sn reflita sôbre o fato, 0 ^ também certo de suas
rte tM M as outras cr‘ ®^ades de ter um intelecto bastante
nSaS infinitas enigmas da natureza e escravizar
noderoso para resolver os en g ^ dg conceber os mais espan.
sPUas forças, e de U™ L T<■ 0 homem sabe-s
tosos planos e leva-los a c beIeza jamais poderá perecer,
criar coisas maravilhosas- c ^ existência e limitada e que há
Mas também verifica que urrá.las 0 mais longe possí-
barreiras ao seu poder, r faça> nunca vera um fim. Nao
vel, mas por mais: longe q tornar.se 0 senhor absoluto de
pode ter nunca esperanç
seu ser e de seu aes _ falam -n os d a sorte sucedida
As lendas de muitos ^ ^ deuses» . N o m ito gregQi
a homens que tenta ólera do suprem o Z e u s . Nas MIL
Pr0^ te^ T E S t ó a hisfória da Cidade de B r o n z e . A expe-
E UMA NOITES * eascobrir essa m isteriosa c id a d e chega a
diÇarS£tUeloPabandonado, belo, m as vazio. U m a in scrição fala
do p o d i e da fôrça do rei que o u tro ra ali g o v e r n a mde seus
tesouros e da imensidão de seu rem o. M a s depois veio a
te e o ouro não valeu de n ad a.
Por maior oue se torne um hom em , h á a lg u m a coisa
maior do que êle. Mas êle é bastante g ia n d e p a r a sentir isto
e revoltar-se contra seu fado, que p a r a sem p re o condena a
ser menos do que quer ser. Contudo re v o lta r-se c o n tra a sua
própria natureza e seu próprio ser é u m a e m p rê s a òbiciamen-
te destinada ao fracasso e a term inar em c a t á s t r o fe . E a pró­
pria razão humana vê que isto é d estitu íd o de sen tid o . Mas
tão profundamente enraizado está êste o r g u lh o e volú pia do
poder
poder e da grandeza que o hom em s
homem ucum o
su b e u m a e m a is vezes.
vêzes.
A ------ U - J - 1------------ ----- t---- ’ * ' ’
A revolta do^ homem contra a lei m o ra l p o d e ser apenas
uma manifestação dessa revolta m ais p r o fu n d a co n tra sua
finidade. A lei moral (e secun dàriam ente q u a lq u e r le i) impõe
restrições e isto convence o hom em do fa to de q u e n ã o possui
poder sem limites. Torna-o ciente, d a m a n e ir a m a is pungen*
^ , sua finidade e de sua c o n tin g ê n c ia . P a r a sem pre soa
^ugares mais escuros e m ais o cu ltos d a a lm a de um ho-
nem a
sedutora promessa da serpen te: “ S e re is c o m o deuses.”
na torve**—
ao todo o co ra ç a o e fS k iS m u m , __________
«ituação. Somente q u a n d o tiver assegurado a
tal aceitação e s u b m issã o , u m a base firme onde o e m ^ C° m
poderá êle p r o g r e d ir n a d ireção de seu glorioso fim ™ nquan
to conservar-se n a a titu d e de revolta, é a vítima de c o E
insolúveis, c u ja s fo r m a s n u m ero sas são apenas disfarces da

única, revolta b a s i c a .
Plutarco conta, a h is tó ria de um homem que tentou fazer
um cadáver fic a r d e p é . E xp erim en tou vários planos de equi­
líbrio, em d ife re n te s p osições. Fin alm ente desistiu dizendo*
“Está fa lta n d o a l g u m a coisa dentro.” Esta é a tústória de
Todo H o m em . U m p s iq u ia t r a , u m m édico e um professor po­
dem ser c a p aze s d e a liv ia r certos complexos e conflitos su­
perficiais, m a s n in g u é m é ca p az de rem over a causa básica
de todos os c o m p le x o s , exceto o P róprio D eus. Faz Êle isto
trazendo a o h o m e m a lg o q u e o hom em não pode produzir de
si e por si m e s m o . E s t á fa lta n d o algu m a coisa no interior do
homem e essa c o isa é a g r a ç a de D eus. S. Paulo descreve esta
tensão e seu re la x a m e n t o fin a l p e la graça, quando escreve:

“ P o r q u e n ã o en ten d o o que faço, não faço o bem


q u e q u e ro , m a s o m a l q u e aborreço, êsse é que faço.
S e e u , p o ré m , fa ç o o q u e n ão quero, reconheço que a
i p K J ie m , 4
le i é bbooaa .. EE n ne e ste caso já
ste caso já n
n ão sou eu
ão sou eu que —faço
. isto,
sim o p e c a d o q u e
------- «oH n a u e h
haab
b ita
ita em m
m»im
em '« im .. Porque
Porque eu
eu
n a nfifi habite
mas u e e m m im , isto é , n a m inh a carne, não habita
sei que
a n g ú s t ia E PAZ

52 ~ nMprer está ao m eu alcance, ^


O bem. Porque o ^ q fazer perfeita m e n te . P 0r^
não acho o meio quero m as faço o m al
eu não KÇ°°b faç0 0 que na
não querf „,,e o faço ,m as sim o pecado q
sou euJ á Equueencontro pois esta lei em m im . Q Uan^
em mim. Eu e ma] está ju n to de m im , p0rq”°
qUero fazer o b e f de Deus segundo 0 h o m e ii i g
I r ' mas vejo ncs meus m em bros o u tra lei qUe J
no'-: f t i do meu espírito, e que m e fa z escrav»
°poe a iei ao o está n os m eus m em bro s,
f U ^ t e m i m ! Quem me livrará dêste corpo de mor'
ff, A graça de Deus por Jesus C risto N osso Senhor'
Assim pois eu mesmo sirvo a lei de D e u s com 0 es^
pírito; e sirvo & lei do pecado com a c a rn e .” (R om
7:15-25.)
As doenças físicas podem ser cu rad as p o r m édicos e ^
doenças mentais por psiquiatras; m as n e n h u m bo m psiquia.
tra partirá da afirmativa de que todas as deso rd en s mentais
e todos os conflitos estão enraizados n a q u e le s instin tos qUe
o homem compartilha com os an im a is. V e r ific a r á que os
problemas devem ser tomados sèriam ente, se são problemas
sérios. Mesmo uma pessoa neurótica p re c ip ita -se dentro de
problemas que exigem ser tratados p o r m eio d e an álise ra-
úonal e não por meio de um a an álise q u e b u s c a a p e n a s cau-
ÍW 4*lfÍT,oc ° ^>r K aren H o rn e v a d v e r t e : “A reiei-3

(3) Os mais jovens psicanalistas vieram a v e rific a r nue n o tra to com uma
pessoa humana tem que ser levada em conta m ais a lgu m a coisa qu e não só os
Instintos e suas constelações. O mais ligeiro progresso n o s e n tid o de uma ln- <
terpretaçào mais humana da natureza do hom em 6 c o n tra b a la n ç a d a pe a ten­
dência de muitos psiquiatras em encarar os c o n flito s m orais com o nada mais
do que sintomas e enxergar sua cura, não com a c e ita ç ã o da le i moral, maâ
antes proclamando sua relatividade ou negando-a to ta lm e n te . A firm a m que, se
êstes Instintos entram em conflito com os preceitos m orais, e n tã o éstes ú timos
é que estáo errados e necessitam de reforma. Os p receitos m ora is são concebidos
sukad8668'* n80 c°nio fórmulas de ob riga ções etern as, m as como re*
« uc Dimaçuea sociais e ülstôricas. Dai ter a le i m o ra l d e m u d ar quanao
essas condições se tornam diferentes Os p receitos o u e tê m estado em vigor
náo sê
fontes rf«m^ ^ M Íoporclonals ft0 P o e n t e estado do h o m e m . P o r isso tornam-s#
tuidas Velha8 ldeiaSl dl:em éles- téra de ceder e Ber BUbBí *
por outras mais congenials ao presente estado d o h o m e m . A pslcologl*
A O R IG E M DOS C O N FLITO S X m iA

_ ar o an alista ju stam en te tão 53


Dr. Fritz K u n d e l escreve: " A r f * ? 0 0 Paciente” <*. *
pertencem realm en te ao domínio fisicas e m enL?
guinte, a av a liaç ão ética dèsses c a ^ s ^ ! Cllcina e, por c o ^ f
seos vícios sao doenças, cessam ^
enviando o bebedo o u o jo ga d o r ao 6 a teo C ?
derradeira co n exão com a realidade; a t o ^ ’ abandona f ua
Se u m a pessoa tem u m a doença m or», lc a ” <5>
então a c u ra so pode vir pelos meios Z f ò que é 0 Pecado
instituiu p a r a r e s t a u r a r o hom em na na 7 « 6US divtnamentè
vêzes verdade q ue o corpo e o espírito são S E F ÿ « - E- por
consciência e a fe t a d a . Neste caso a na? 1 tados P °rque a
a paz tan to ao esp írito com o ao corno a con,sclên« a trará
todos os con flitos n ã o será le v a d a a cato,6801- ção f® al de
Ressurreição do C o rp o, q u an d o os corpos d o s ^ t V ^ 3 da
reram em estad o de g ra ç a refletirão » 7° f 1 -otos que mor­
da a lm a . V tUao e êozarao as belezas
Q u a n d o u m a pessoa está tentada a nratiPPv
deve p e n s a r que h á a lg o de anorm al' a seu respeito
rnern. e ten ta d o , n a o p o rq u e é intrinsecamente ma h(>
que e u m h o m e m decaído. Nenhum indivíduo w , i
pólio de te n ta ç ã o . T o d o s são tentedos Os s a n t o ^ ^ “ T '
ram fa cil se r san to s, e os diabos nsn ff,ntos nao acha‘
diabos. N e m todos são ten tados da mesma maneha01* ? ^
<ão tentados a p e rv e rte r o bom i n s S da p” “ ™ f ã T 3 i
si m esm o e m e g o fsm o e soberba: outros a pervertí, '„ beS

está assim fa ze n d o a q u ilo que os filósofos fizeram há uma geraçáo atrás:


encontrando h om en s qu e In frin g e m a lei. mudam a lei para adaptá-la ao
mau cam in h o q u e os hom ens seguem. P or trás dessa doutrina está a noçáo
de que os c o n flito s sáo m órbid os e evitáveis, devendo ser prevenidos a qualquer
custo. Esta noção é apenas fru to da m entalidade geral que estima o coníòrto e
o prazer m u lto a cim a de q u a lqu er ou tra coisa e sonha com uma vida suave
e a^radáve’ rom u m m ín im o de esfôrço e um máximo de prazer. É Isto que Pl-
tlrlm S orok ln cham a de “ lib erd ad e dos sentidos” , a qual sustenta que um
homem pode fa ze r a q u ilo qu e quer. Se seus desejos sáo satisfeitos, é livre; se
náo, não é liv r e : “ T a l lib erd ad e leva a uma luta Incessante de homens e de
grupos na o b te n çá o de táo larga parte de valores sensuais — riqueza, amor.
prazer, c o n íò rto , lib erd a d e sensortal, segurança — quanta se puder consegum
Desde qu e a lg u é m p od e ob tê-lo s. prln clpalm ente à custa de outrem, a ousca
dèsses valores a c e n tu a e in te n s ific a a lu ta de indivíduos e grupoe. ix/ie l t o m
o/ Our Age, p. 174).
(4 ) O ur Inner Conflicts, p. 134.
(5 ) ln Search of Maturity, p. 7.
angústia e paz
54

instinto da perpetuação de si mesmo pelo sexo em lu ^ -


outros são tentados a perverter o bom in s tin to da ext Uría»’
de si mesmo pela propriedade privada em avareza E Zensão
guém é tentado em qualquer um dêstes três m odos n,!e. al-
meio da intemperança , da cólera, da inveja, do c i ú ° U
gula, não é porque é um doente. E ’ porqu e, desde a ™ '6, r’
a bondade “nâo vem naturalm ente” , mas co m d i f i n j i ?Ueda,
só é inteiramente conquistada graças ao sob ren a tu ra l e>
---------o H n o n ã r ^ m o n n o
As pessoas estariam numa situação menos infeliz se ve.
rifiçassem que entre os filhos de Adão não se pode escapar
ao conflito, à luta, ao esfôrço. A tentaçao n ao é o m al, m as
apenas o consentimento na tentaçao e desde que somos da
maneira que somos, porque rejeitamos o au xílio de Deus sa
poderemos ser felizes de novo aceítando-o. N in g u é m pó^o
compreender a natureza hum ana e n in gu ém pode tratá-ja
adequadamente, se pensar que u m conflito é exclusivamente
individual, ou se pensar que o co n flito básico pode ser curado
pela própria natureza hum ana. Os conflitos superficiais
vêzes cedem às curas naturais, m as m esm o a lg u n s dêles sd
podem ser remediados pelo M éd ico D iv in o . T ô d a teoria qu •
desacredita a verdadeira natureza do hom em , ou n e g a a n 6
cessidade de um Remédio D iv in o está ap en a s intensificand6"
a doença que tenta curar. As desordens psíco p áticas em om
muitos caem são devidas a um a fa lta de conh ecim ento da n
tureza humana ou a um a falta de g e n u ín a religião. O D r r
A. Hadfield, um dos maiores psiqu iatras d a In g la t e rr a
creve: “Falando como um estudante de p s i c o t e r a p - a 0UP
T * “ 1' " f 0 .^ 221 relações com a teologia, estou c
de que a religião crista e um a das in flu ê n c ia s m a is v a U n T
e mais poderosas p ara produzir a q u e la h a r m o n ia aa u ela n f
de espirito e aquela confianca da a lm a n e e e s s í H » . ™ P
duzir saúde e vigor a ~ a ile c f s sa ria s p a ra pro-
O D r. WilliamBroun W ilde f e n t f d e f i t o J d o en tes n e™>sos.”
versidade de Oxford e Dsieótornnictf f ' os ° f,a m e n ta l da Uni-
pital,diz• “Tornei me d ° K l n ^ ’s C o lle ge Hos-
a religião é a coisa rn a i^ fm n ^ r fVef Cld° d° q u e n u n c a de <3ue
para a saúde m ental,” P 31116 D a V ida e q u e ^ essencial
A O R IG E M DOS C O N F LIT O S
oua
RedfnçXo
O Dr. C. G. Jung, que rompeu ^ *5
exagerada importância dada po? êst? a o ^ P<* cau3a ^
“ Durante os últimos trinta 8n ’
dos os países civilizados têm ? ’ pessoas de t„
Tenho tratado de muitas c e n t e n ^ 0 « ^ I t a r rn^
do o m aior número de protestanf 6 d e n t e s
de judeus e não mais de c in £ "u * ’ pecpien° "úmero
ticos. Entre todos os meus DMimt B catól'Ms pr4
tade da vida isto é, com maTs de
nem um só tem havido cujo p r o & 6 Clnc° «o s ,
recurso nao fosse o de encontrar um °m° último
religiosa da vida. Pode-se a íir r ^ r T r ,lPerSpectÍ7a
que cada um dêles caiu doente ™ rn?,oV, 3e6«ança
do aquilo que as religiões vivas H 113714 perdl-
têm dado a seus seguidoreS e nPn^ ° 3 ^ P 03
realm ente curado sfnão qukndo S e m ! “ ficcu
religiosa.” (6 ) 4 superou sua fé

Se há um tem or nascido do mal-fazer, ainda mesmo que


a culpa seja negada; se falta a alguém uma íntima serenida­
de de alm a e se despreza aqueles que moralmente o censuram;
se há um a fu rn a de rancores e alguém tem três escárnios
para todos e três vivas para ninguém; se alguém “fica louco”
tôdas as vêzes que ouve o nome de Deus; se alguém, que não
as compreende, cham a de “ mitos” as grandes verdades cris­
tãs; e se alguém acusa seu próximo de hipocrisia para acober­
tar sua presunção, seu orgulho e sua “ afetação” ; se alguém
pensa que deve obter divórcio porque descobriu pastos mais
verdes e que, portanto, sua espôsa atual é “ incompatível” ; se
alguém é dado a excessos, sob o disfarce de auto-expressão;
se alguém gosta de lançar a responsabilidade de sua desdita
sôbre as condições econômicas, então é certo que nenhum
acervo de horas, semanas ou anos gastos em cima de almofa­
das, a ou vir que aquêle seu temor da justiça de Deus provém

(6) M odm n Man in Searoh •/ a Soul, p- 2ôi.


a n g ú s t ia e paz
66

. sprvirá de nada, como tampouco 0


.n rnmDiexo de um pai. se; ervirá de alívio a u m maníaco
conselho místico casos, está ap ro p riad a *
porque a cura,

causa da doença. , que estudam as manifestações


Não é isto criticad(?lhomem, m as é crítica aqueles qUe
psíquicas do con^ í ? it? jmmano ou u m a an siedade pode pro-
negam que um conflito nu ná0 seja u m instinto comum
vir de qualquer cnU&ca » ^ * fáceis p a ra o hom em a recupe-
a todos os animais, wao q apazigUam ento de seu conflito,
ração da paz de * 7 - “ósso eu verdadeiram ente integrado em
Só conseguimos ter o cooperação com os recursos
virtude de duros esforço3 ee ^ w m ia m J
que nos sao vjye habitualmente bem abaixo
certa vez que a m . isto é p a rticu la rm en te verdade
no ^ r e er ^ s fôrças postas à n ossa disposição pela
Incarnação Curam-se as mais sérias doenças d a natureza
Encarnaçao. de Deus Se 0 hom em n a o pode confiar
naTua própria “divindade” p a ra descobrir D eu s, en tão talvez
sua fraqueza o lance no Seu Seio
C a p ít u l o IV

SERÁ DEUS D IF ÍC IL DE ENCONTRAR?

Deus não é d ifíc il de encontrar, porque pode ser ràoida


mente descoberto pela razao, ou por nossas tentativas ou oor
Seu próprio d o m . ’
S. Tomás diz-nos que nossa razão, contemplando a ordem
do universo, conclui im ediatam ente pela existência de algum
dirigente por trá s dela. Assim como o espirito conclui pela
existência do relojoeiro vendo o relógio, da mesma maneira
também conclui por um Divino Espírito, ao ver a ordem do
cosmos. Êste conhecim ento imediato de Deus, porém, não é
claro e d istin to . P or êsse m otivo é que se faz necessário um
estudo mais com pleto para pôr em relêvo a natureza de Deus.
A distinção entre êste confuso conhecimento de Deus e o
completo e refletid o conhecimento produzido pelas provas
formais em favor de Sua existência é bastante semelhante à
diferença entre o conhecim ento que a maior parte das pessoas
têm da água e o conhecim ento que o químico tem dela, como
composta de dois átom os de hidrogênio e um de oxigênio. A
razão claram ente utilizada pode provar que há um Poder por
trás do universo que o íez, uma Sabedoria dirigindo suas leis
e uma Vontade para fazer que todas as coisas alcancem o seu
objetivo. Deus está m ais perto de nós do que sabemos, “pois
nêle vivemos, nos movemos, existimos.” (Atos 17:28.) Santa
Teresa disse certa v e z : “ Alguns homens ignorantes costu­
mavam dizer-me que Deus estava presente somente pela Sua
Graça. Não podia acreditar nisso porque, como estava■
zendo, a m im m e parecia que Êle próprio estivesse prese .
Finalmente um hom em sábio libertou-me desta du » P°
me disse que Êle estava presente no mundo e em „
comunga conosco, tendo sido isto grande confôrto p
Thnmmon o poeta, baseando-se na idéia de S. Tomá.
^Tqué Jeus está ém tódas as coisas in tim a m e n te , e s c r e ^ g

“ó mundo invisível, nós te vemos,


ó mundo intangível, nós te tocamos,
ó mundo incognoscível, nós te conhecemos,
Mundo inapreensível, nós te p e g a m o s!” (1 )

Deus é fácil de descobrir de um a m an eira pelo menos


confusa e primitiva, por meio de todo esforço e aspiração de
nossa vontade e de nosso coração. Pois a g ra n d e diferença
entre um animal e um homem está em que u m an im al pode
ter seus desejos satisfeitos, enquanto que o hom em não pode
Tudo quanto qualquer animal quer é ter satisfeitas suas nel
cessidades imediatas. Com o homem n u n c a se d á êste caso"
O homem é animado por uma necessidade, u m desejo insa
ciável de alargar sua visão e de conhecer o últim o significado
das coisas. Se fôsse apenas um anim al, n u n c a u sa ria símb °
los, pois o que são êstes senão tentativas de tran sce n d er0"
visível? Não, êle é um “anim al m etafísico” , u m ser semnrü
ansiando pelas respostas à derradeira questão. A tendênrL
natural da inteligência para a verdade e d a von tade na ri
amor so significaria que há no hom em u m desejo n a t u r a l ^
^ S\ N a 0 M uma única tentativa- esfôrço ou In s e to T e ?
raçao_hunii.no, mesmo em meio dos prazeres m a is sensnak
que nao seja uma confusa luta em busca do In fin it o ™
ma maneira que o estômago, pede com ida o “ h a r ^
ouvido harmonia, assim tambéiS a alm a a n s e L pS r d S °

I n f m ^ “ b S a m Í a f e S noa? n ^ r6SpeÍt° d a n a t u r ^ a deste


em Deus, justaniente comn 6m o u tra P arte que não
mento é necessário oara o PcfAaqUeles q u ? sabem que o ali-
nam seu estômago ingerindo c o ^ t f n f 6’ n a ? o b sta n te > arrui’
alma é semelhante a ^ u m f ae m h tantem ente gen ebra. Muita
primeiro aqui, deoois ali hMC« f Ulj la m a^n eílca q u e se agita
4 • aepoís ah, buscando p ela m a n h ã qu an d o evita

Appleton-CeatuS^fi n*00*”' Po4WU of la n c is Thonpson, •d. r#v., p. 2B0.


SERÁ DEUS D IF ÍC IL DE EKCONTRAJl?
59

Ae noite, e depois ao descobrir que torin.

g r “ r ° Ds “ " de ” » ?
Deus n u n c a é difícil de encontrar nnr
coroo o D ivino D o m . A própria vida “ e,Êle Se dá a nós
alma tem de vir p a r a o corpo de fora, dirZ A Um dom. a
dádiva das m aos de D e u s. E a vida s i W e n a t n r ^ como «m a
é dada de foi a . T o d a a significação do cristiaí? 1 tainbém nos
tida na sim ples fra se do credo: “Desceu d ? c f n està con-
particular, N osso S en h o r dirige as palavra, „„ A cada alma
junto ao poço p a r a a sam aritan a: “Se cnnvLque Pr°nunciou
Deus, e quem é q u e te diz: D á-m e de beber taiv« ^ 0 dom de
ses pedido e ele te d a ria u m a á g u a viva ” ’ ít - Lhe bouves-
São P au lo disse aos rom an o s: “A graca de o f ! 0 4:10 > Como
em Jesus C risto Nosso Senhor.” (Rom fi o , ! ’ t Vlda eterna,
aos efesios: “ E ’ p e la g r a ç a que fôstes salvos m ediSfteatT-de
isto nao vem d e vos, p o rqu e é urn dom de Deus ” S o s 9 R?
Deus e ap re se n ta d o simultaneamente através F ^
turas como. ao m esm o tem po, a Dádiva e o Drarinr ,
é a natureza d o A m o r. N in g u ém pode comprar a Dádria Dh
vina (e m b o ra possa ven de-la, depois de recebida ^ ‘ , ^
fêz) Se a d á d iv a de D e u s W e a
espintos fra co s p o d e ria m fu g ir de procurá-la Se á dádiva
fosse ap en as a ju stiç a, nossos pecados poderiam erguer-se e
atemorizar a d á d iv a , a fu g e n ta n d o -a . Mas quando a dádiva
de Deus e a m o r, en tão n a o deveria haver ninguém que não
tomasse o C o ra ç ã o D ê le como o seu.
Se, pois, D e u s é fá c il de encontrar e pode ser descoberto,
quer por m eio d a b eleza das estréias ou em qualquer peque­
nino prazer d a te rra , o q u a l como uma concha marinha fala
do oceano d a D iv in d a d e , p o r que é que tão poucas almas vêm
para Êle? A c u lp a está de nossa parte, não de Deus. A maior
parte das a lm a s são como homens vivendo num quarto es­
curo, durante o d ia, e lam entando que a luz seja difícil de en­
contrar, quando tu d o quanto êles necessitariam fazer para
aescobri-la seria abrir os postigos.
_ Deus é o fa to m ais evidente da experiência humana. Se
nao estamos certos Dêle, é porque somos demasiado compli-
a n g ú s t ia e paz

60
estão bem arrebitados de o rgu,
endos e porque nossos narizes de nossos pés Necessl_
mo eis S ! Êle « e^ n^ a qpedra e deslocar u m a asa.” A
tómos apenas “movei uma .yamPnte
t no m
S a de Deus M J O ^ S i ' P « a ela. O único limite à
em que o homem a^ e ^* cebê-lo é a sua vontade de assim
capacidade do hom®“ sedentos a brem apenas u m a brecha,
fazer. Alguns coraçoes “ “ ndono completo, e n tre g a m tôdas
enquanto outros, num serem cheias com as á g u a s da
as suas cisternas m u s Pf* cam> aferrolhadas nos seus pró.
vida. in^ c i e n t e s , com suas pesadas fru straçõ es e
prios espíritos mc rta p a ra d e ixa r e n t ra r o ar
temores, re^ ” dP p eus.P“Eis que estou à p o rta e bato:
" o m t o voz, e me abrir a p o rta , entrarei
nêle f cearei com êle, e êle comigo.” (Apoc. 3 :2 0 .) _ 0 ferro-
mo està de nosso lado e não no de Deus pois D e u s n a o derru-
ta ra ta s Nós LHE barramos a en trada. P o r vezes nos fu-
sunos mesmo Dêle, como os pintainhos que voam p a r a longe
da mamãe galinha. “Quantas vêzes cu quis ju n t a r tous fi­
lhos, como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintos,
e tu não quiseste!” (Mat. 23:37.)
Por que agimos assim? E ’ difícil acreditar, m a s temos a
divina garantia de que alguns “homens a m a m a trev a em vez
da luz.” A tragédia aumentada do pecado é q u e depois de
praticarmos o mal, não podemos deixar que D e u s nos ajude
a fazer o que é direito e bom . Q uebram os o arco p a r a que
êle não possa tocar em nosso violino. C o n s e rv a m o -L O dis­
tante, porque recusamos ser am ados. E stam os n a u fra g a n d o
e não nos agarramos à Sua Mão m isericordiosa, p o rq u e em
nosso orgulho dizemos que devemos “fazer isso p o r nós mes­
mos A verdade da questão não é que D e u s s e ja difícil de
encontrar, mas antes que o homem tem m êdo de ser encon-
'i ? c Í t r 1850 ^ue n° s tentíssimas vêzes o u v im o s n a Sa-
da vida hÍ r í f aS palavras: “N ão tem ais.” B e m n o comêço
advertir ns os a n í ° s a c h a ra m necessário

de Nosso Senhorteve Ê le°d^dker” N ° d a VÍda pÚbh'Ca


tolos: “Não temais •a seus atem orizados apos-
ao temais- E deí » is de Sua Ressurreição, teve de
SBBA D E U S D IF ÍC IL DK KNCONTBAB'»
#1

meio e
j Queremos ser salvos, m as não privados de

e c o n ô m ic a . T a is tipos de salvaçao deixam intactas nossas


extravagâncias in d iv id u a is , nOàSá.s paixões e concupiscências
E’ esta u m a das razõ es p e la s qu ais o cristianismo social é tão
popular, pelas q u a is h á m u ito s que sustentam que a obriga­
ção do cristianism o é n ã o fazer outra coisa senão ajudar o
saneamento d a s fa v e la s ou o desenvolvimento da amizade
internacional.
Esta espécie de re lig iã o é, de fato, bastante confortável,
pois deixa a co n sciê n c ia in d iv id u a l sozinha. E ’ mesmo possí­
vel que a lg u m a s pesso a s estejam prontas a reformas corajo­
sas das in ju stiças sociais p o r cau sa da verdadeira inquietação
e mal-estar de s u a s consciências individuais: sabendo que
algo está e rra d o do la d o de dentro, tentam compensar isso
consertando c to rto d o e x t e r io r . E ’ êsse também o mecanismo
daqueles h o m en s q u e, ten d o acum ulado grandes fortunas,
tentam aliviar s u a s co n sciên cias subsidiando movimentos re­
volucionários. A p r im e ir a ten tação de Satanaz no monte foi
tentar indu zir N o sso Seiqhor a abandon ar a salvação das
almas e a c o n c e n tra r-s e n a salvação social, transformando
pedras em pão, na. falsa, pressuposição de que eram os esto­
f o s fam in tos p n ã n ns pnracões corrompidos que tornam
ANGÚSTIA B P A 2

revoiwii. - necessidaae seita cristã, tao logo ela Se


Sfntmd° u dg juntar-se a ura ^ na eliminação da dor
tó° Entre nó “soerguimenm s jncüvidual de expiar o pe:
deixe intacta a homens nãç fazem objeção
SSto Na típica raesa de jant^ersa 0 tema religioso contanto
a que seja introduzido na co com a purgaçao do pecado
que a religião nada tenha a a,mas atemorizadas perma-
e da culpa. De mofo q u e » porta da felicidade e nao ousan,
necera trêmulas diante d P mêdQ de> tendo-O, nao terern
aventurar-se a entrar,
nada mais alem aisso • fflaS n5o a muito grande custo.
2. Queremos ser s campos com sacrifício para pro-
O Deus Que estiuma pre amedronta os tímidos. O moço
duzir o VinhodaJ P porque tinha grandíssimas
rico afastomse tete ^ Quvir Pau!o «„outra
^ Quando Paulo falava do ju lg am en to e do abandono
T r A maior parte das alm as têm médo de Deus preci-
Z
* por causa de Sua Divindade, que o faz ficar insa-
tófeito com qualquer coisa im perfeita. Nosso maior temor
não é que Deus não possa am ar-nos bastan te, mas que possa
amar-nos demasiado. Assim como o a m a n te quer ver a pes­
soa amada perfeita em maneiras e co m po rtam en to, d a mes­
ma forma também Deus, am ando-nos, deseja que sejamos
perfeitos como Seu Pai Celestial é perfeito. A ssim com o o mú­
sico ama o violino e aperta as cordas com u m a to rc e d u ra sa­
crifical, a fim de que possam produzir m e lh o r som , d a mes­
ma forma Deus nos submete ao sacrifício par-a tornar-nos
santos.
Êste temor de que o amor de D eu s nos f a r á exorbitantes
exigências explica por que muitos hom ens de s a b e r, que che­
garam ao conhecimento de Deus, se ten h am c o n tu d o recusado
a aventurar-se no Seu rebanho. O m u n d o está ch eio de sábios
que falam de estender as fronteiras do c o n h ec im en to , mas
que nunca usam o conhecimento que já foi a d q u ir id o ; que
de bater à P ° rta da verdade, m a s q u e tom bariam
mortos se esta porta se abrisse a lg u m a vez p a r a êles. Porque
S E R Á D E U S D IF ÍC IL DE ENCONTRAR?
63
* nlica responsabilidade. Todo dom
r d a d e i r n P n f l i r a1 r * n ^ o -no — -------------

4-__ .&^aucuie um momen-


igaça,u. v — tp porque aceitando-O exige uma submissão
Xde decisa° ‘-hásico muitos se tornam caçadores de pechm-
fortuiio (luei eo.i3 o e
- diletantes
---------- , ~ em moral,
iu uiai. recusando
acusando quebrar
g0Sias
.eem
sfalsos rcxiB«*-
® iídolos
f f 5| seu s nrónrios
de seus p ro p n o s corações. —
nuphro,
Querem s e S o s
mas não ao preço de u m a cruz. Ecoa através de suas S
"desafio de o u t r o r a : “ D esce dessa cruz e nós ac re d ita re m ^
3 . Queremos ser salvos, segundo o nosso meio e não o de
neus. M u itas vêzes o u v im o s dizer que os homens devem ter
liberdade de adorar a D e u s, cad a q ual a seu modo. Isto de
fato é verdade, até onde im plica liberdade de consciência
e o dever de cada h o m e m de viver com as luzes especiais que
Deus lhe deu. M a s p o d e estar m uito errado, se significa que
adoramos a D e u s a nosso m odo e não ao Dêle. Considerai
uma a n a lo g ia : a s itu a ç ã o do tráfe go seria confusa e deses­
perante se disséssem os qu e o m odo de vida americano permite
que cada in d iv íd u o dirija seu carro a seu modo e não de acor­
do ccm as leis do tráfego. C a tá stro fes resultariam, se os doen­
tes começassem a d izer ao m éd ico: “Quero ser curado a meu
modo, m as n ã o ao do s e n h o r” , ou se cidadãos dissessem ao
govêrno: “ Q u e ro p a g a r m eu s im postos mas a meu modo e
não ao vosso.” S im ila r m e n te , h á u m tremendo egotismo e
presunção n a q u e le s a r t ig o s p o p u lares e conferências intitu­
lados: “M in h a id é ia de r e lig iã o ” , ou “M in h a idéia de Deus” .
Uma religião in d iv id u a l pode ser tão desencaminhadora e
ignorante com o u m a a s tro n o m ia individual ou uma matemá­
tica in d ivid u a l.
Indivíduos que d izem : “ Servirei a Deus a meu modo e o
senhor servirá a Deus ao seu” , deveriam indagar se não seria
aconselhável servir a Deus ao modo Dêle. Mas é preciiamen-
te esta perspectiva de um a religião estável e universa]mente
verdadeira que a m ed ro n ta a alm a moderna. Pois se su i cons­
ciência está in q u ieta deseja ela, em vez, um a religião que
deixará de fo ra o in fern o. Se j á se casou de novo, contra a
a n g ú s t ia S paZ

64 flUe não condene o divórcio.

as penas de seu
S s^r s « belezas
outras i « % « àpena
„ v r? . p m “ ,u íle " A “ »

QUe d°ixam de encontrar D eu s, p o rq u e que.


Se muitas almas deixam sociedade, sem refaz er a si
rem uma religião t p e j * * Salvador sem um a coroa de
próprias, ou Por* * q“a ™rque querem suas próprias copias
espinhos e uma cruz, ou p 4 resta indagar o que acontece
cianotípicas e nao as de D ’ D eus. Entre m uitos outros
a uma alma quando ' ™ ncionad o s.
efeitos, vanos 1» dum estado de esp e cu laç ão ao
primeiro, tal alma p ^ tu rb a d a com 0 p o rq u e da
de submissão. Nao m a * r T ad ar e n á o som en te ana-
religião, um mUndo de diferen ça e n tre conhecer
lisar a Divindade. H conhecê-L O pelo a m o r, ta o grande
Deus Por meio do ^ am or por c o rresp o n d ê n cia e outro
eomo a diferença professores céticos conhecem
r p r X f d a existlncia^de Deus m elhor do q u e a lg u n s que
rezan^suas orações; mas porque os professores n u n c a agiram
S ó com o conhecimento que tiveram , p o r q u e nunca
amaram o Deus a Quem conheciam pelo estu do, nenh um
novo conhecimento de Deus_ lhes foi d a d o . G o s t a v a m de
conversor a respeito de religião, m as natía j Qzícltii a seu res­
peito e em resultado seu conhecim ento p e r m a n e c ia estéril.
Com a alma que responde a D eus, p elo c o n trá rio , um
pouco de conhecimento de Deus foi recebido co m a m o r ; em
resultado, novos portões de sabedoria e a m o r fo r a m abertos.
Em tais almas, o amor de Deus traz u m c o n h e c im e n to de
Deus que na sua certeza e realidade u lt r a p a s s a a in fo rm a ­
ção teorética do professor. Esta verdade s u b lim e v e m expres­
sa na Sagrada Escritura: “Se algu ém a m a a D e u s , êsse é co­
nhecido dêle.” (I Cor. 8:3.) (A m u lh e r do poço fo i u m a cética
precoce: ouerenHn ■*-
SERÁ DEUS D IF ÍC IL DE ENCONTRAR?

r e t ir °u a q u e stã o do cam po da teoria, falando-lhe a


jjW tf.íf de seus cinco m a n d o s, lem brando-lhe que ela havia
reStado fazer aS correCf° eS m orais que a ^ rd a d e ira religião

„ im a q u e resp o n d e a D eu s pensa n a religião em têr-


a p su b m issã o à v o n tad e de Deus. Não olha para o In-
m°s “ L o e r a n d o que êle o au x ilie no3 seus interêsses finitos
f i n i t o c o ntr ár i o, busoa subm eter seus interêsses finitos
maS’ , " 'jto sua oração é: “Não a m inha, m as a T u a vonta-
.0I
3 n .n nfeita ó Senhor.” Não m ais interessada em utilizar-se
de seja V , q u e D e u s se utilize dela. Diz, como Maria-,
de Deap em m im segundo a Tua P a la v ra ” , ou pergunta como
»fa ç a -- ue u e re s q u e eu faça, ó Senhor?” , ou diz como
paU R n tis ta ' “ Eu devo d im in u ir, êle deve crescer.” A des-
joão g g o is m o e d o orgulho, de modo que tôda a mente
truiça° u 6e g ta r s u j eita à D iv in a Pessoa, não impõe desin-
possa as v id a a t i'v a . Produz um interesse maior porque
terêsse p m c o m p r ee n d e a v id a do ponto de vista de Deus.
o hom em f t a unidade co m a D iv in a Fonte de energia, tem
p °r cau sa a fa z e r Q bem> com o u m soidado é mais forte
d e u m g r a n d e g e n e ra l do q ue às ordens de um me-
às o rfe n s d. u m g i “m an ecerd es cm m im, e as minhas
nos ccm P epl Tri3 n e c e r pm e m vós, pedirei tudo o que quiserdes,
concedido N is t o é glorificado m eu Pai, em que
e ser-vos-a cone_ 15:7-8.) E* difícil para cnaturas
vós deis m u d o í r u t o ^ . l J o a o , i d alm as qPue são verda

jr fr S ln ie n je K . ? .

S r lr v
m ais.
e ^ r ,.“ r s .M o« — — 3

A v id a p a r a a s a lm a s q u e respondem a Deus começí


agora a m o v e r -s e d u m a c irc u n fe rê n c ia p a ra um centro. A
coisas e x te rio re s d a v id a , tais com o a política, a economia <
sua r o t in a d iá r ia , im p o r t a m m en os, enquanto que Deus im
porta m a is. I s t o n ã o s ig n ific a q u e a humanidade passa a se
desamada, m a s s ò m e n t e q u e é m ais amada em Deus. O mc
m ento-agora t o r n a -s e se rv o do m omento-Etemo. O desintí
ressante, o i r r e a l p a s s a a ser agora aquilo que não é usad
angústia e paz
66
. ncarîn nara os fins de D eus. N ã o há *
na lljlv T d u m a alma religiosa p a ra outra coisa que n ã o ^ 0

° ^ T O d a s ^ c e n s u ra s que os egoístas atiram co n tra OS Sa„


tos são ardis para acobertar as censuras feitas a si m es£
Suspeitam que deveriam compreender. C o n tu d o escarne^ ° s-
como dizem muitas vêzes as pessoas a íespeito de arnan/'1,
humanos: “Não posso compreender o que en x e rg a êle nPiJ,s
Sem dúvida que não — porque o am o r é cego! E ' c e g o '5. ■
só para os defeitos no amado; e tam bém cego p a r a tud 0 „ í
não seja o amado. O amor tem seus olhos pró prio s T
os outros que não o amante só vêem com os olhos do corrvTS ■
perguntam a si mesmos o que há para ser am ado. m ? ° e
amante vê através dos olhos do coração e descobre no o * 0
uma doçura e um amor que corações cegos n ã o percph r°
' Erguei esta analogia ao nível d ivino e com preendereis ^
que as almas não convertidas pensam qu e o D iv in o p0r'
loucura. Não podem ver o que um sa n to pod e v er em ï * 0* ®
“O homem animal não discerne.,f " C eus.

O segredo da felicidade é a cen tralização a -dm


responde a Deus torna-se surda às in :tig a ç õ e s do* * :
pois para ela Deus é tudo. Como g ra n d e s d í n a m n * id°s, !
estas almas geram energia, graçasS à q u a l T u r a S2 SttÍCOs i
circunferência podem viver. Falan do das a lm a s con t " “ 8 na
tivas, disse Pio X I : as c°ntem pia-

E
fácil compreender com o annpioc
duamente cumprem o dever da oração l % »qUe assi' I
cia contribuem muito m ais n a ra S d a P enitên-
ja e o bem-estar 3a h u m a n id a d e r i ® l ess° *da Igre-
trabaiham no cultivo do campo dn qUe ^tC!uêles <jue
se aqueles não atraíssem do céu nm S ? h o r - Porque
ças divinas para a g u a r n r í ~ U u rn a c h u v a de gra-
jrado, os trabalhadores e v a n g ii ° q u e . e ' tá s e n d o V
fato de seu trabalho um a m is s e m QS° colh eriam de
m esse m a is escassa.” ( 2)

A A• 6, 25 de outubro de 1924.
SE R Á DEUS D IF ÍC IL DE
ENCONTRAR?
67
u n a verdadeiram ente centralizada em Deus não è go-
A/ »p e n a s por seus próprios hábitos cie bondade ou
„ ^ su a s virtudes.
11vuuvo. JS_J’ m ovida diretamente pelo Es-
E
Lestn°deP D
oírito
nr p eus.
eUS. H á u m a diferençâUè
diferença entre um homp-m belo p '
n tr»aU'etamente
Lm bote e o m esm o hom em send<?t ® 'í™ hornem r e m a ^
$ e i a de v e n t a A a lm a que vive pe? 0f £ ! do * * *
conduzida d iretam e n te por Deus, e m l " 3 do Espirite é
0rópria ra z a o . T a l alma. tem uma eau \ de 0 ser pela
todo O sa b e r livresco, como no caso q * ° £ a ^
Alexandria, q u e c o n fu n d iu os f i l ó s o t e s ^ . ^ I ! ^ ^ « n a de
dência e d u m p a re c e r m ais sábios do que du™a PZ
r i v a d a de s u a p r o p r ia experiência. q qualquer coisa de-
A filo so fia ex p lic a isto d u m a mano-
inteligência tem dois lados, u m e s p e c u la L T “ clara- Toda
teoria e u m la d o p ratico , que dirige e m,iL ’ que estuda a
manos. U m a v id a de pecad o n ã o d e s t r ó i « neSóci°s hu-
isso que u m h o m e m m a u pode ser tão bom mJt ? ' E ’ P °r
um santo. M a s u m a v id a de pecado a r n i t e i tematílco como
prática. D a í, u m sáb io m atem ático q u e T m i m W Ígência
sôbre m o ra l e r e lig iã o m u ita s vêzes não pass^ dum f Crever
confusão. A p e sso a d ir ig id a por D eus pelo fate f Xe de
inteligência p r a t ic a b e m com o sua in t e lis ê n c t T ^ te,r ,sua
ilum inada p o r D e u s , é ca p az de g u ia r e dirieir ootmeCU a^ Va

sra a r* « - “ b em » * " ■

„í t p Ç r - síss
envolve o d ire ito e o e rra d o n u n c a deveria ser buscado de um
homem q u e n a o re z a s u a s orações, em bora pudesse saber m il
^ resP eit° d F m g â n g lio ou du m a tireoide do q u e-o
~omem de o ia ç a o . A ssim com o o olho m unido do telescópio
pode v e r a s estréias m e lh o r do que o ôlho nu, da mesma
iorma a ra z ã o ilu m in a d a p e la fé compreende a realidade
m elhor d o q u e a ra z ã o n u a . M esm o ju lg an d o um assunto
secular co m o o c o m u n is m o , v a le a pen a apon tar que o ho­
mem de fé , q u e v iu o co m u n ism o com o intrinsecam ente mau,
a n g ú s t ia e paz

68
çpiiq líderes eram os aliados da democra«-
m esm o quan acontecer n u m m u n d o de a3 -
era melhor juiz do que 111 , , ue ap0s<
era melhor juiz
-cuerra do que o político. Pelo fato cie sei a c n „ e do
-guerra
atuaí também 1
do quemoral 0 _
e espiritual, nao pode ser compree ^ 0
atual também mora e f ^ ‘ ^ concen trado em u e u s vê w
pelo homem animal. O homem ^ a Guerraem
homem animalgOhom^inconcentrado clviI>
D e ucomo^
s vê j g ,»
---------p o vê como Lincoln viu a G u e rra Civil, corno n ’
TVir causa de nossos peCa(
iustífcasngo mandado por Deus por causa de nossos p e c a d *
As almas divinamente sábias causam fu ro r m u ita s vê2es

*££ts£% ssrssnsrzz sa*


S r que cada qual acredite no Deus que lh e a g ra d a r, mas
sòmente sob condição de que um a crença em D e u s nao signi;
tica iá mais do que crença em a lgu m a coisa m a is . Permitirão
Deus contanto que Deus não importe. M a s to m a r Deus a
sério é precisamente o que faz o santo. C o m o expôs Santa
Teresa: “Nada é para mim aquilo que n ao se ja D e u s.” Esta
paixão é chamada fingida , intoleiante, e stú p id a e u m a in­
trusão indébita. Contudo aquêles que a sen tem profunda-
mente desejam em seus corações possuir a p a z interior e a
.cidade ao
felicidade do samu.
santo.
E assim esta questão de saber se D eu s é d ifíc il de encon
r, só em nós tem a resposta. A m aio r p a rte de nós é comc
tomem que havia trinta e oito anos se co lo ca v a ao Lado do
:o de Probática e ainda não estava cu rad o. S u a desculpa
que, quando
que, yut.:.uv> as
ao águas eram- agitadas, n ã o h a v ia ninguém
u gaob---***’
» o pusesse lá dentro. Necessitava de c u ra , m a s n a reali-
le^ não a queria. H á muitos hom ens com o êle, q u e ficam
amente como são, inculpando a o u tre m p e la s u a situa*
Mas quando Nosso Senhor apareceu, disse à q u ê le homem
fizesse precisamente aquilo que p e n s a v a fôsse impossí*
sto é, levantasse sua cama. O que lh e e stiv e ra faltando
ontade. Estava moribundo po rqu e n ã o q u e r ia estar me-
Muitos fracassos na vida são, com o o dêle, evitáveis,
icessários. Persistem sòmente p o rq u e n e n h u m esforço
o para remediar a condição. O h o m e m d e h o je diz que
juer guerra, mas quer as coisas q u e c a u s a m guerra.
iesmo modo, há muitos que dizem a u e a u e re m ser feli-
mm
SERÁ DEUS D IF ÍC IL DE ENCONTRiVR?
m

, r3 mas recu sam q u e re r aquilo eme iv>


fvó s me p ro cu rareis e m e acharei* ™ es trará a feiif.irf
I todo o vosso coração.” ( j er. 2 9 ms P ro c u r^
qual os homens sao m fe iizes nesta v id i £ razâo bá^ ^ ? 1
im verdadeiram ente a felicidade. * e W « êles n 4 d« a
Em tôda lite ra tu ra , n a d a há tãn »
bilidade de D e u s com o o salm o i 38. o S V0 da inescai»
que nos podem os_ e sc a p a r de qualquer c o f« ento PMeceSeê
espaço e tem po sa o o am bien te de tôda w f que se)a finit?
vel é o In fin it o . T i r a r a p ró p ria vida nãò ofprmas 0 ine3capá-
pols o suicida c a m a s m ão s do D eus vfra
mesmo so e po ssív el porqu e alguém 'f tru‘Ção de si
“estado” p re fe rív e l a êste, m esm o se 0P cham t -mplar °utro
A morte m e d ia n te q u a lq u e r o u tra causo n ^ -nao'existência
tória, pois E le, d e C u ja s m ão s viemos « » « „ ! amda escaPa-
de volta, c a r r e g a n d o conosco a rc^snònsVnilT^r a i ecebe^•nos
noisas açoes. O a te ísm o , que rejeita êsta fÔti üe de tôdas 33
é o conh ecim ento de q u e D eu s n « n ma3e«oso, não
tade de que êle n ão exista, a fim de se poder 2 TOn'
sura, ou ex a lta r o seu eu sem brado de aÍ«?ta o ^ n “ " '
sobre os quais m o n ta o ateísm o são á ^ S S i . 08 püares
lho. Um ateu pode ser m oral, na a c e o ç lo ^ n m «, a °,.°rgu-
mas não é hu m ilde. Com o diz Franz W erfel^“ 0 ^ n ° termo'
melro lu g a r e sem pre denuncia sua pm PS 'p s í o l o g ^ l Pa "
do pensa que esta desvendando o mistério e sua negàcãf sê
torna in vo lu n ta ria m en te a prova de Deus co rn ea n d o ™
tra sua p ró p ria von tad e perturbada, a t r e m e n d a ^ t a l ta-
portancia do con ten do m etafísico da percepção.” ( 3 )
Com o o a teísm o n ão oferece escapatória de Deus, não o
íaz a escunaao, qu er seja a escuridão duma -adega ou de nosso
propno inconsciente. Fodem os t\iá-LO para fora de nossas
mentes, a rg u m e n ta r con tra Êle, mas sabemos que se Êle não
existisse, seria n a verdade estúpido gastar nossa energia com-
oatendo co n tra o in existen te. ‘T a r a onde poderei ir para
ocultar-me de T u a F a c e ? ” im plica ser o homem um escapis-

1 9 4 7 Hõavm and Earth, p. 73, Hutchiaaon * Company. Lettl.. Loadws.


a n g ú s t ia e paz
70

*■»" 1W S . £ 'S Z T *
« ” « que
seguinte seria algo ” » merecia
* S " ?ser fabraçado
‘ bíc<.a°om ” ' pot « í
Se fugimos de Deus, é porque Sua D ivin d ade é cenSUr
para nós e porque a união com Êle exige desunião e divór
cio com o mal. Não podemos por muito tempo sup ortar Uni
Deus Que olha dentro de nossa alma e ve sua feiúra, sem cair
aos nossos pés. A fuga mesma de Deus testem unha nossa ne-
cessidade de beleza, nosso amor ao Belo. Coino a luz revela
todas as coisas e contudo não é um a parte daqu ilo sôbre o
qual brilha, da mesma maneira o Poder, a S abedo ria e o
Amor de Deus nos inundam, pois Nêle vivemos, movemo-nos
e temos o nosso ser. Nós O conhecemos, m as poucos querem
ser conhecidos por Êle. Nós amamos as coisas criadas r>or
que Êle pôs a lgo do Seu amor nelas; doutra fo rm a não rio'
deriam elas ser amadas. Contudo poucos q uerem am á L n
porque Êle ama demais. Êle quer que sejam os perfeitos
nós não queremos ser perfeitos. M as m esm o em n o *sa f » G
ao perfeito, somos arrastados de volta p a ra êle no nõss„ h ga
contentamento pela mediocridade, no nosso deseôstn
ordinário. Deus é onissapiente; por conseguinte n n « n Pe 0
dição e revelada. Deus é onipresente; p o f t a í t o r n - COn'
cados ocultos são vistos. Não há escapatória de D e u s ° S P6'

«fsussáí”ap"“ ””
to ín’ tostigaçâo;
me levanto de novo detop i ™ ° m e ,sen t° e quando
sarnento. Desperte uonge
n l podes ler m eu
movtaento S q u e n t o ^ P ° deS4dÍzê-lo:
lavras se formemos mF1° J E E ^ ntes clue as pa-
r e S 40/ íá conhecido de m °d° ° m eu pen‘
retaguarda e pela vanenarrif * m e c e rcaste pela
Çsnsa sôbre mim. Eabfdorto tua mão ainda des-
alere do meu alcance a tua cstà bem
P°de alcançar-te. ’ en iurn pensamento meu
8 S K Á DEUS D IF ÍC IL D * ENCONTRAR?

P a r a onde poderei ir, pois a flm .


ao teu espírito e ocultar-m e de b J T , T \ me a t r a i r
céu tu lá estás; se desço ao inferno Se subo ™
tras a in d a presente. Se eu pudesse tò™ encon-
do p a r a o nascente, ou encontrar n™ ^ Sas 70an'
além cio m a r ocidental, ainda ali t abng0 P ^ a
acen an do-m e, com a tua mão dirpit* J mcontraria
O u talvez pensasse em enterrar-me n a T sustend°.
noite m e cercaria, m ais am iga d0 que o d( f undao: a
a escu ridão n ã o é esconderijo para ti , 2 ^ “ não-

" ra “ m 0 0

N ã o m e fo rm aste no ventre de*ISn ha mãe™'E^te


g lo rific a re i p e la m in h a estupenda plasmarão nor
tôd as as m a ra v ilh a s de tua criação D a minha alrna
tens p le n o conhecim ento e esta minha mortal es­
t r u t u r a n ã o tem m istérios para ti, que a formaste
em segredo, ideaste seu modêlo, ali no recesso negro
d a t e r r a . T e u s olhos viram todos os meus atos, to­
dos já estão an otados no teu livro. Os meus dias já
fo ra m co n tad o s antes mesmo de existirem.
U m e n ig m a , ó m eu Deus, teus modos de proce­
d er p a r a com igo, tão vastos os seus propósitos! Ten­
ta r c o n tá -lo s o m esm o seria que tentar contar os
g rã o s de a r e ia e se m in h a fôsse essa habilidade, o
teu p ró p rio ser é ain d a quem está diante de mim.
N ã o a c a b a r á s ó D eu s. com os pecadores? Asçassinos,
c o n s e rv a i-vos distantes de mim! Traiçoeiramente re­
v o lta m -se c o n tra ti, infielm ente desconfiam de ti,
S e n h o r, p o r v e n tu r a n ão odeio eu os homens que te
o d e ia m e n ã o sinto horror de suas sedições? Com
ódio tra n s c e n d e n te eu os suporto e os conto como
m e u s in im ig o s ju r a d o s . Sonda-me, ó Deus, à tua
v o n tad e, e lê no m eu coração. Submete-me à prova e
e x a m in a m e u s pensam entos inquietos. Vê se meu
angústia e paz
72

coração enveredou por algum falso caminho


mesmo conduze-me pelos caminhos eternos.” ^ ^

Contudo, sempre, desde os dias de Adao, vem-se 0 hn^


ocultando de Deus e dizendo: y e u s é difícil de encornS®*
A verdade é que, em cada coraçao, ha um j a r d i m secreto *1"
Deus fêz unicamente para Si Mesmo. Êsse ja rd im está t
cado, com o uma adega para depósitos de segu ran ça P t 1'
duas chaves. Deus fica com uma. P or isso a alm a não o
deixar entrar ninguém mais senão Deus. O coração huni e
tem a outra chave. Por isso nem mesmo D eus pode n ê l * °
trar sem o consentimento do homem. Q u an do as d u a s 6
ves do Amor de Deus e da liberdade h u m an a, da Vo C -
Divina e da resposta humana se acham j u n t a s ’ entã o CaÇao
raíso volta a um coração humano. Deus está sem pre n °pPa'
tão daquele Jardim com Sua chave. Nós p rete n d e m o ° P° r'
curar nossa chave, tê-la perdido, te r desistido da nrn Pr° ‘
mas durante todo o tempo está ela em nossa m ã o ^ CUra*
séssemos
nos mesmo vê-la.
ve-ia. A razão de não serm os tãn tal
como os santos está em que não querem os ser santos IZes

14)
m. tr*u*o * ^ ^
C a p ít u l o V

M O R B ID E Z E N E G A Ç Ã O DA CULPA

Nenhuma in flu ên cia única tem feito mais nara


o homem de descobrir D eus e reconstruir seu c a rá te ^ w
feito mais p
^ a ra
^ a b a ix a r -o tom moral ua
^ u iuuicu da sociedade, do que
aue^a.
negação da cu lp a pessoal. Êste repúdiorepudio da rrespomabilidade
esw n W Â !
pessoal do homem p e la sua açao é falsamente justificado de
dois m odos: admi undo que o homem é apenas um animal e
dando ao senso de cu lp a o estigma de “mórbido”.
As desculpas são novas
Ab “ wvao — o esforço
u cí>iuíuu para escapar à res­
res-
icnhiliriG.de de nossos atos m aus é antigo.
ponsabilidade antiun Através das
idades, o hom em tem sem pre tentado descobrir alguma coisa
que censurar além de si próprio, isto é, a pobreza, o ambiente,
os sistemas econôm icos, políticos e financeiros, ou a socieda­
de em geral. M a s tôdas essas coisas deixam inteiramente de
convencer. E sta v a m claram ente por demais relacionadas com
a pessoa, em bo ra tôdas sejam extrínsecas. Recentemente, os
materialistas descobriram u m novo bode expiatório, não na
natureza, n ão n a sociedade, m as dentro do próprio homem,
isto é, o seu in c o n sc ie n te. A culpa estava agora, não nas es­
tréias, m as n a q u e la p a rte de nós mesmos que não podia ser
tomada como resp o n sáv el. A lém disso, proclamou-se que a
perturbação só p o d ia ser controlada elevando-se o inconscien­
te desviado ao nível do consciente, por meio da psicanálise.
P a ra evitar m al-enten didos, fique logo aqui estabelecido
inequivocam ente: n ã o h á n a d a de errado, há mesmo alguma
coisa de recom en dável n u m método psicológico que cura as
desordens m e n ta is , torn an d o o inconsciente consciente, a,
mesmo fo ra de verdadeiros desarranjos, os homens po em
sofrer certos d istú rb ios em virtude dum complexo sem ca
moral ou ética. T r a t a n d o de tais casos tem a ciência medica
* FAZ

vasta área dessados s ò m e » ^ — o ral e a t a c a m o f a t o T


teressados e >" responsat»^ d culpa pessoais> di

a s f e i1-»» m aumcompi'»
m n » ” a o < * ” r” j e W * * 6 en te’ » e” í e «n-
d Tais pisiquiatraf fl rie culpa ou p e cad o . G r a ç a s a Uttl
, IfA Pcom liberdade de cu P íe sordlda

C S 5 5 » «»»S « « •»" p“ * “ ,“ ' E s lS C0" “ p S


queies que rech° S ignorância d a n atu reza h u m a n a . A
revela unia choca:“ *1 fiimento das d eso rd en s m e n ta is em
verdade é que ^ um ltas pessoas p e n s a m q u e sao decen-
grande escala, porque sórdidas. F o i e sta a m ensagem
t i f apresentou n a p a rá b o la d o s dois homens
t e s , duand0J n
que Nosso rapi
o
h
n
e
S p a ra fra se a n d o a h is t o r ia do ia­
que foram ao tempi o decente) , p o d e m o s im agina-
riSeU ^rdLiTdoaZTda m aneira s e g u in te : "A gradeço -te,
óY e S d‘ ter
o meu conselheiro fre u d is ta d ito q u e n ão há
L o aue se chama culpa, que o pecado e u m m it o e que Tu
ó Pa? és apenas uma projeção do m e u c o m p le x o paterno.
Talvez haja algo de desviado em m eu s in s tin to s recalcados,
mas com a minha alma tudo está em o r d e m . C o n t r ib u o com
10 por cento de minhas rendas p a ra a S o c ie d a d e d e E lim in a­
ção das Superstições Religiosas, e faço re g im e p a r a conser­
var minha linha três vêzes por sem ana. O h ! a g ra d e ç o -te o
não ser eu como o resto dos homens, essa g e n t e s ó r d id a , como
aquéle cristão ali na parte de trás do te m p lo , q u e p e n s a que
é um pecador, que sua alma precisa de g r a ç a , q u e s u a cons­
ciência está sobrecarregada de violência e q u e s e u coração
verga ao pêso de um crime de in ju s tiç a . P o s s o t e r u m com­
plexo de Édipo, mas pecados não tenho.”
Enquanto isso, lá no fundo do tem po, u m in d iv íd u o sór-
iido de vez em quando bate nos peitos e diz, “ ó D e u s , tende
nisencordia de mim que sou um p e c a d o r .” ( L u c a s , 18:13.)
o-so Senhor nos diz que êle voltou p a r a c a s a ju stificado.

Ie qUC Sl?biu ao temP l0 re z a r tem milhões


íe descendentes em linha reta n e sta g e r a ç ã o n o s s a , q u e di-
M O R B ID E Z E N E G A Ç Ã O DA C U L P A
15
“ Não tenho necessidade de um códi<™ „
nI S o são êles sem elh an tes à criancinha de cinco an f tCredo ”
N ono que ía z s o a r as notas, batendo-as um ! to«®cU>
C o n ã o tem r e g r a fix a , jam ais p ^ d « á ^ e r ^ ÓS outras-
C° mhatcr u m a “ n o ta fa ls a ” . N ão nrofessanA?-,?61, censura
C id a d e , essa g e n te fin a ja m a is pode ser acusada d ? l - m mo'
jt acôrdo co m o seu credo. É esta a gm nde v a n J T ^ er
tlm sôbre os cristãos, c u jo credo é tão elevado que ê t « ^
dem m u itas vezes e com tod a a razão ser acusados d» ^
. ao encontro de su a s ex igên cias. s ae nao
1 Efeitos b---- a s t a n te danosos podem decorrer --------- ' * da
m
aceitar™
at,ciuu;<ivj
r] Q

fliosofia rmh
qu—e
flIU b U llC .
Tipo-a
n ecg a «a mina
-- ---------- c u lp cm n- nrraHo
JL a ou o pecado noecnoi ^ __ ^ÇaO
------------------- pessoal e, portanto,
Ct*
torna todos d rJondifp.R
e c e n te s . ‘M N epcrpm
g a n drln n pecado,
o o npp-arln O 4-r\
a gente~decènte
torna a c u r a im p o ss ív e l. O pecado é muito sério e a tragédia
se a p ro fu n d a p e la n e g a ç a o de que somos pecadores, l e os
cegos n e g a m q u e são cegos, como poderão êles jamais ver0
0 pecado r e a lm e n te im p erd o áv e l é a negação do pecado, por-
que, por s u a n a t u r e z a , n ã o h á n a d a agora a ser perdoado.
Recusando-se a a d m it ir a c u lp a pessoal, a gente fina se trans­
forma em d ifa m a d o r a , b o a te ira , m exeriqueira e supercrítica,
pois devem p r o je t a r s u a c u lp a real, em bora não reconhecida,
sôbre os o u t r o s . Is to , n o v am e n te , lhes dá um a nova ilusão de
bondade: o a u m e n t o dos zoilos está n a razão direta e na pro­
porção d a n e g a ç ã o do p e c a d o . ( A gente sórdida não gosta de
m exericar a re s p e ito d a s fa lt a s alheias, porque tem consciên­
cia a p e n a s d e s u a s p r ó p r ia s c u lp a s .)
É fa t o de h u m a n a e x p eriên c ia que quanto mais expe­
riência tem o s d o p e c a d o — do nosso próprio pecado — tanto
menos tem o s c o n s c iê n c ia d ê le . E m tôdas as outras coisas
aprendem os p e la e x p e r iê n c ia ; n o pecado, desaprendemos pela
experiência.
e x p e n e n c ia . - O
u -p e c a d o in v a d e o san gu e,> as células
pecuuu anervosas,
^ p t rêle êle
“ ------- - «n o n tn m ais nenetra um um
o
. cérebro, o s n háab n o s , a m e n te ^
o it — - ------ *
homem, t a n t o m e n o s p e rc e b e êste a existência do pecado,
pecador t o r n a -s e tã o -acostum ado ao pecado que deixa de re­
conhecer s u a g r a v id a d e . E r a esta a sinistra idéia que havia
por trá s d a t e n t a ç ã o de S a t a n a z a E v a . S atan az lhe disse que
se ela p o ss u íss e o c o n h e c im e n to do bem e do m al, iseua 1
Deus. S a t a n a z n ã o lh e disse a v erd ad e real; que Deus conhe-
a n g ú s t ia e PAZ

,, „mPnte intelectualm ente, com o um


«nenas negativanien , a c0nheCe com o a nega-
c e ° . ' ^ ‘uenunca teve Pnea™ an0 conhecendo o m a l intei-
médico <1“ ^ M a s um seih u m ^ .
ção da saúde. ^ e^ f o expcrimentalmente isto é o mal
ramente, deve c^ e,c^ e tornar-se-ia parte d ele. Com o a
penetraria no seu sisien a da m esm a fo rm a o pecado
catarata no olho cega g eníraquece a vontade, deixan-
sempre escurece o m t * doutro peCa d o . C a d a p ecad o tor­
do um vies para .p r a consciência m enos ce n su ra d o ra, a
na o outro “ riite-távél e a atitude p a ra com a m oralidade

^ c a n c ro minando e destruindo o caratc-r por longo tempo,


sem Quaisquer efeitos visíveis. Quando a doença se torna
manifesta, já progrediu tanto que quase se perdeu a espe-
rança duma cura.
Kierkegaard, com sua habitual penetração, m ostrou que
há um desespero que o homem não pode fàcürnente com­
preender. Prevalece no pecador que se coloca con tra Deus,
que quer ser seu próprio deus e legislador e, portanto, ser
mais do que a sua ou a natureza de qualquer hom em pode
permitir. Quer desesperadamente ser êle m esm o (possuir
uma plenitude de ser que só tem per igual a de D eus) e de
maneira igualmente desesperada não ser êle m esm o (n ã o ser
a criatura finita, que não pode deixar de saber que é, por
mais que tente ocultar êste fato à sua própria co n sciên cia ).
Tri? ar.&s v£f zes se revoltará um homem abertam ente contra
*"e ?.hornem safee Que se revoltou e pecou e ainda
cado com Anrn\t as cons^ ê n c ia s , tenta m in im iz a r o pe-
perdeu a cornn •t.PnS’- C°Íno íez CaaTL Iv-as o hom em m oderno
peca e de S S d° ?rÓprio nome de “ Pecado” . Quando
devem sentir^procumMvl«08 efelt<?S (como todos os homeI)s
bitos escapistas3de beber nn t ™ C utos e£capistas, ou em ha-
a culpa de sua doenra ^ ?U -tomar drogas. A t r ib u i também
gos, ou à ordem eeorw''mofpOSa’.a seu trabalho, a seus ami-
se lamentará de ex ce-J Cf ’ í!ocial e política. M u it a s vêzes
verá sintomas de fraoüe7ae«trabalh° e “ te n sã o ” , desenvol-
para evitar encarar o fatn a lsi ca’ ^udo esforços inventados
o fato de haver pecado. Pode - e ire-
M O R B ID E Z E NEGAÇÃO DA CULPA
n

•iPtitemente — torn ar-se u m neurótico. Se sua neurose já


4 adiantou o b astan te, ouvira da boca de algum psicanalista
se não é plen am en te responsável por suas ações porque é
doente” . Isto lhe d á um pretexto adicional para não
reconhecer seus pecados.
Se permanecemos no pecado pela negação do pecado,
sesbêro t o m a con ta de nossas almas. Um pecador pode
0 r tan to q u e n ã o reconheça o caráter totalitário de seu
Pecal N u n c a considera seu pecado atual como uma unidade
pe^ a i s s o m a d a a m ilh ares de outros pecados. Viajar a se-
a t m ilh a s e h o ra n u m automóvel já é excessivo. Mas se
» t e n t a r m o s vin te m ilhas mais, o perigo aumenta. Pecados
aC Q u e n t e s '■'eram novos pecados e o total aturdinte pro-
ÍmPo d e s e S r o A alm a diz então: “Avancei demasiado". O
v°ca de^ P j e com u m dia sóbrio por causa da clareza
tbn° a T rle seu p ró p rio estado que êle acarreta. Quanto maior
de visão de se P ^ . pecador necessita de escapar a

~ S S !r S S & ** * * * » “ «“
Macbeth, n o seu desespero.

“ V iv i u m tem po abençoado,
M a s a p a rtir daquele
N a d a h á de sério entre os mortais,
T u d o n ã o passa de brinquedo . _
M o rto s estão renome e g lo u a .. ■
í pecado sem

A co n d ição de dese^ ® [ t°a s ^ ê z e f u m ponto


arrependim ento a tin g e m a religião e a m ue a
um positivo fa n a tism o espiritual odia-la-a. P d gm
, Aquêle que decaiu da 0l d “ L a / Maridos ,infieisa mandos de
religião lh e le m b ra a sua P acusarão seus DOnto em
suas esposas fiéis. M u lh ere i finalmente a u P tôda
in fid e lid a d e . T a is a lm a s 0^ ° aum entar o mal, ^em
que, com o Nietzsche, Tuei e™ seja apagada, ^ sê meu
d istin ção en tre certo e ® om Nietzsche - moralidade,
pecar im p u n e m en te e diz então substituir q ecado mui-
bem” . A c o n v e n iê n c ia pod luX^ ria amor.
crueldade to rn a-se justiça,
E PAZ
a n g ú s t ia

78 _ j-A Mie ela se torna residencici p 0v>vi


típlica-se em tel a m até qoada por C risto com o u m d0s* a-
nente de Satanaz, ^ dêste mundo.
PUlCTaSl Cé a Wstória de uma pessoa “fin a ” , q u e a c red ita qUe

nunca peca. se apr0xim a de D eu s, p o rq u e pen„


A gente fma próprios m éritos, ou m á , g r a ç a s "9
que é boa, graças ratiPam o bem, a c re d ita m qu| d.a
v ^ m C e c e r créd to p o r o s o ; se praticam o m al, n e j f f £
s e T c X a d ê l e s próprios. São bons graças a bondade de seu
próprio coração, dizem âles; m as sao maus porque são infe
C s P quer na sua vida econômica, quer em virtu de de uma
herança de um genes maus de seus avos. A g en te fin a rara-
mente se a p roxim a de Deus. O to m de s ua m oral é tirado
da sociedade em que vivem. Como o fariseu d ian te do altar
acreditam que são cidadaos respeitabilíssim os. A elegância
é a sua prova de virtude. P a ra êles a m oral é a estética 0
mal é o feio. Cada movimento que fazem é ditado, n ã o por
um amor da bondade, mas pela in flu ên cia d e sua época
Suas inteligências são cultivadas no conhecim ento dos acon­
tecimentos correntes. Lêem som ente os “ best-sellers” mas
seus corações são indisciplinados. Dizem que iria m à I^reia
se a Igreja fôsse apenas m elhor, m as n u n c a nos d^zem quão
muito melhor a Igreja d everia ser, an tes que êles a ela qp
.Condenam m uitas vêzes os g r a n d e s pecados d a so-
rfrtnfH 1 COtm° Um assassinato- N ã o s ã o te n ta d o s a pe-
cados dessa natureza, porque receiam o o p r ó b r io q u e sobre

nãn f ° " tud01° 3ue lev° u nosso B en d ito S e n h o r a invectivai'


mmn mas Justa.mente u m a b o n d a d e sem idireita
feridas contra M o ? î ° ntramos p a la v ra s de c o n d e n a ç ã o pro-
sexual ou rontía da ^ - que vivia d o m in a d a p e lo problem a
respeitar os hpnc ,.?v, adrao arreP en d id o, q u e a c h a v a difícil
os escribas e os íaíise^' maS ° vem os in v e c tiv a n d o contra
direitos. Contra êlesUnVnfUe-eram h o m en s d e c e n te s e senu-
a eles, proferiu suas m a ld iç õ e s : “ A i de vós,
■M O R B ID E Z E NEGAÇAO DA C U LP A
79

eSCribas e fa ris e u s hipócritas »


Lsc e g o s q u e filtra is o mosnnit" (M a t- 2V i í >
23:24.) “Serpentes, raças de vihnengulis c a L i <^ I'dute-
condenaçao a o in fern o? ” (M at cotno e^ c '° ' (Mat.
e fariseus h ip ó c rita s: porque L 33: 3 3 * ‘‘Ai de v6-P eis da
branqueados q u e p o r fo ra p a r e c e ^ ? * * “ 1“ * » ■5S?|,bas

■~rden,roes,*?-'h““ «oiivxy r íS ?
dridão-” Uvi«*-. ------ , -----
1 • - de toda a po­

lings e n tra ria m n o R ein o dos Céus antes


pre-úmido. A respeito de todos aquêles w dlreito e do
doações de h o sp ita is, bibliotecas e obras n,iw ens que faz«m
seUS nomes gravados em pedra, lembra para
lhantes, d isse : “ Em verdade vos digo a u e é i « a - seus seme-
a sua re c o m p e n sa .” (M a t. 6:2 ) Q u eriam 1 Ja receberam
hum ana e a obtiveram . N e m u m a vez spL ? « “ a glória
Senhor se m o s t r a in d ig n ad o contra aquêles q u f i í e a r
olhos d a sociedad e, ab a ix o do nível da lei e da rPs™ u\a?S
dade. A ta c o u a p e n a s a fin gid a indigna t o daqu ^ v l *
vem m ais n o p e cad o d o q ue o pecador e que se sentem agra^
davelm ente virtuosos, po rqu e descobriram alguém mais vi-
cioso do q u e êles. N ão condenava aquêles a quem a sociedade
condenou; suas p a la v r a s severas foram poupadas para aquê­
les que t in h a m p e c a d o e cujos pecados não tinham sido des­
cobertos. F o i p or isso que Êle disse à mulher apanhada em
pecado: “ O q u e d e vós está sem pecado, seja o primeiro que
lhe atire a p e d r a .” (J o ã o 8 :7 .) Somente a inocência tem di­
reito a c o n d e n a r. N ã o queria Êle acrescentar Sua carga de
acusação à q u e le s q u e j á tin h am sido atirados contra os bor­
rachos e os la d rõ e s, os revolucionários baratos, as mulheres
de m á vida. e os traidores. E ra m o alvo de todos e todos sa­

biam q u e êles e s ta v a m errados.


E a s p e sso a s q u e p referiram fazer guerra contra Nosso
Senhor n u n c a fo r a m aq u elas a quem a sociedade condenara
como p e cad ores. D a q u e le s que O sentenciaram à morte, ne­
nhum ja m a is tiv e ra fic h a n a polícia, jamais fòra detido, ja-
niais se s o u b e r a q u e houvessem caído ou fraquejado. N as
entre S e u s a m ig o s q u e ch oraram Sua morte, achavam-se con
inHrões e prostitutas. Os que estavam almh -
PAZ
a n g ú s t ia

80
„ q apnte decente , altam ente colocada v.
dos contra íle m»gen
ra
e róspera, os hom en s dos g
sociedade, • ^ ‘f ^ d o s tribunais que go v ern am p o r ® ^ '
des negocios os jmz ^ ,,mentPj j dade cívica” cujo autên
vemencia, os mdiv supervenerado com p u b lic a genero,
d a ^ X n e n s como estes opuseram-se a A le e O enviaram 4

m° Por que O odiavam? Porque, durante toda a S u a vida, es.


tivera a rasgar as máscaras de falsa bondade d a g e n te decen.
te «mondo 0 mal de homens e m ulheres q u e v iv iam de acôr-
do' com os padrões convencionais de Seu .em po, ^ Finalm ente
chegou uma ocasião em que os acusados nao p u o e r a m tolerar
por mais tempo Suas censuras àquilo que êles eram . Nosso
Senhor foi crucificado pela gente decente q ue a firm a v a que
S S S bèm no seu lugar, enquanto seu lugar
não fôsse aqui, onde pudesse exigir deles um a m udança de
coracão. A Cruz do Calvário ergue-se n a encruzilhada de três
prósperas civilizações, como eloquente testem unho da incô­
moda verdade de" que a gente bem sucedida, os líderes so­
ciais, aquêles que são rotulados de decentes são os m ais ca­
pazes de crucificar a verdade Divina e o A m or Eterno.
O êrro mais grave da gente decente em tôdas as eras é
a negação do pecado. Contudo é esta um a atitu de desespe­
rada e ilógica que qualquer hom em possa tornar. Mesmo
na ordem natural, as leis não podem ser in frin gid a s sem de­
sastrosas conseqüências. A lei da g ra v id a d e a u x ilia r á um
homem que construir o lado de sua casa direito e a prumo;
mas a lei da gravidade estará contra êle e f a r á s u a casa vir
abaixo, se êle construir fora de prum o. A deso bed iên cia às
eis naturais acarreta punição. A a stro n o m ia re v e la que, de
cer,tai: estl*élas saem de su a s ó rbitas. Como
no espaço Sa desordem’ A fa z e m -s e a si m e s m a s em chamas

maisÉbáixoderntôdIeZaa v Ue ° mais alto o b j eto c o n tro la rá 0


gica, a r ^ r í ^ . L l hlerarquia de Deus. N a o rd e m biolo-
uma ordem mais ^ um a 0Tdem mais baixa
vitais não mais nnripr, 1 &is a m orte sucede q u a n d o as fôrças
mais podem integrar, nos interêsses do ser total,
* " “ * « o M

„fliiéles processos físicos e quíim ™« 81


mente nas células do organismo ^ “ “6 ^ s a m c o n t W
como a som a das forças que resistem à d teni si«o d e i X
esta revolta d a am eba. G r a d a t i v ^ * ^ e , 1 ue Í S
uecemos, o processo da vida coosome a Sn ^ edlda
las e d im in u i o poder de nossas várias das céiu-
processos quím icos se tornam cada vez^ S ? . vltata- Nossos
das forças vitais controladoras, e sua r e b S !ndePendentes
temente m ais difícil ao organismo hannon^ar ^ crescen-
des nos interesses do nornem total N e « P ~ / . Euas ativida-
qUe h á u m eq u ilíb rio de forças a favor do^r?-S° P° nto' em
mente qu ím ico s em contraposição aos poderes c S pura’
vitais, a m o rte ocorre. Tendo realizado sua mena ma»0165
dência, os processos quím icos tomaram-se c a n a z e ^ » pen'
brar a in te g rid a d e do organismo. Tal é a história de
OS sêres terrestres. nisl0na de tod°s
N a v id a h u m a n a a hierarquia se estende mais alto há
uma s u p e re s tru tu ra acim a do físico e a mesma grande lei se
aplica a q u i t a m b é m . Pois o homem é feito de tal maneira,
que, q u a n d o tu d o está em ordem, a ordem moral assume a su­
prem acia sôbre o instintivo e o físico. No momento em que em
um h o m em o c a r n a l passa a dominar o espiritual, quando
o ego t r iu n fa dos im pulsos sociais, quando o material domi­
na o ético, u m d o m ín io de um a ordem mais baixa sôbre uma
ordem m ais a lt a a c a b a de ocorrer. De novo isto resulta em
morte — a m o rte ch a m a d a pecado. “Porque a paga do pe­
cado é a m o rt e .” (R o m . 6:23.)
N ã o p o d e o h o m em rom per impunemente as leis de sua
própria n a tu re z a . O castigo que invariavelmente se
tais te n ta tiv a s de rebelião pode ser mais -aparente na oii e
psicológica. P o r exem plo, é claro que tôda pessoa c
da em si m e s m a é u m a pessoa frustrada. Jor que de e ser
assim? P o r q u e a fru stra ç ã o se produz, quando um
tural e n c o n tra u m obstáculo m s^Pe^ ” ■* t./r voltado para
satisfação n ecessita todo anseio natuial d anseio, uma
um objeto ; a t é q u e isso ocorra, permanece> R realização
m clinação p a r a certa espécie de realizaç' - seja
do anseio só po de ocorrer por meio de alguma
a n g ú s t ia E PAZ

o objeto para o C e s s a d a exclu sivam -em E -ü in ^rin esm a,


estiver a P ® f 3 ” ^ 0 mundo objetivo dos en cargos e de.
em vez de entregai-se ao efetuar-se e se segue a frUs.
veres, tal realizaçao na P natureza, a tra i assim 0 homem
tração. Violando a len «< g q descontentam ento.
sôbre si mesmo a ulher vivos ex p erim en tam u m sen-
Todo homem e to uma lei n a tUral. C om o disse Sê-
ff culpada é seu próprio c a rra sc o ” Tôda
neca: cheia de tem or, pois “a cons-
P.e.ssoa facovardes a todos nós”. Em vez de c h a m a r o pecado
uma ficção seria mais verdadeiro ch am á-lo de fricção uma
“Mceira irritante” . O sen:o de culpa de pecado q u e nao se
ouer admitir explica muitas das doenças psicológicas do ho­
mem moderno. Contudo ser:a errôneo dizer que o fa to r moral
está sempre por trás das desordens m entais, pois n r o é assim.
As doenças mentais, usando a frase no estrito sen tido do têr-
mo, podem ter causas físicas, tais como o rg â n ic a s alterações
do cérebro, distúrbios nas glândulas en d ó crin as m alfo rm a­
ções no sistema nervoso central e outras coisas semelhantes.
Aqui abstraímo-nos inteiramente de todas as teorias a res­
peito da origem da esquizofrenia, tais com o a q u e la que afir­
ma ser ela devida a anorm alidades do “n ív el m o le c u la r ” e a
teoria das causas psicogenéticas da “lo u c u ra m an íaco-depres­
siva” . Estamos aqui tratando da filosofia d a fru stra ç ã o . Cri­
ticamos apenas aquêles psiquiatras que, a g in d o com o filóso­
fos, vão além de sua própria esfera m éd ica o u cien tífica, para
negar a possibilidade de culpa ou p e c a d o .
Mesmo para médicos que não trad u z em s u a s descobertas
nn. ^mos corais, está-se tornando crescen tem en te evidente
em violarõp~Uh a^oes J a n ta is estão m u ita s vêzes enraizadas
base moral" f 1 n a tu ra l> tendo p o r c o n se g u in te uma
Lundbr grlncu?Damd0" t0reS M ai'ynia ^ r n h a m e F e rd im n d
lheres a0 fato de fim i! cres.c entes d istú rbios m e n ta is das mu-
nidade. Afirmam n « m elas às resP o n sa b ilid a d e s d a mater-
Q e a m u lher sem filh o , m e s m o embora
M O R B ID E Z E
NEGAÇÃO da culpa
83
dotada de muito talento, jam ais se pôde
pUra e objetiva das m aes de homensP J S " ® «*» ttrça
lheres casadas com um só filho ou' s e m „ l T S' As mu-
aquelas de condiçoes orgânicas desfavoráveis teXceto
poucos c a so s) : els Existentes em
“ . . . s ã o , com exceções ocasionais emnri™„i
rientadas. Q u e r isto dizer que são mulheres t a f S ? deso'
quer que p o ssa ser o testem unho consciente dete, »m ’ q?a ’
no. O a b r u p t o declínio d a natalidade, éZ ,
im portante no a u m e n to d a desordem emocional e T a w w
dade, a fe ta n d o tan to os hom ens como as mulheres, mas àfè'
tando p a rtic u la r m en te as m ulheres” , ( l ) e'
U s a r de u m a n a v a lh a p a ra arrasar uma montanha di­
rigir nossas v id a s p a r a qualq u er outra estrada que não aque­
la que te rm in a n a nossa derradeira perfeição, é não somente
prejudicar n ossas m entes, m as também perder a felicidade
que vem d a v id a direita.
C o n tu d o é m u ita s vêzes afirm ado pelos psiquiatras e so­
ciólogos q u e o pecad o n a d a m ais é do que um desvio dos
ideais aceitos p e la sociedade em algum dado momento. Ora,
não h á d ú v id a q u e o código ético de um homem é até certo
ponto d e te rm in a d o p e la sociedade em que êle vive. Isto po­
rém n ã o q u e r dizer que o pecado e a culpa são produtos de
um “in stin to de m a n a d a ” o u das decisões ambientais da so­
ciedade. S e isto fosse verdade, como poderia a consciência
individual m u ita s vêzes acusar-se de êrro e saber-se errada,
mesmo q u a n d o a sociedade diz que está direita? A consciên­
cia sabe q u e o direito consiste muitas vêzes no repúdio dos
padrões sociais d u m a d a d a época (tal como a de 1938 na Ale­
m an h a n a z i s t a ) . Se u m hom em pode estar direito, quando
age c o n tra a m a n a d a , e errado, quando age com a manada,
ou com a socied ad e, segue-se então que há algum a coisa mais
para o p e c a d o do q u e a desaprovação social.
A n e g a ç ã o d a existência da culpa objetiva pelos
logos m a t e ria lis t a s é devida a um a falsa comp

(D M o d trn W om an, p. 39«. Hwper * Brotl*»-


angústia E PAZ
84
X,- «Arra de quatrocentos anos passe Jos
natureza humana. Ha cerca 0 h omem era i n + r W
alguns teólogos errados d i s ^ de ju stific a ç a ^ pelas
camente corrupto e, P de que o hom em é ju stificad
M Disto d e r i v o u i m p u t a d o s ao honfeS
pela fé em p istf ’ ^ o u t r o s teólogos errados disseram qUe
corrupto. Mais tarte. o insecamente corrupto, e incapaz
uma vez pela fé, quer pelas obras. S u a res.
de ser J U s W i c a d ' se dependente da predestinação, ou d
tauraçao tomava-se P ou co n d en a. A fa lsa
tade S o b e r a n a i d e ^ fê/ p a ra destruir a crença do
cepçao n e
a
d
&
m
h umana. Finalm ente, en trou em cena
n ° S t e r i s m o para dizer que, um a vez que o h o m em é in.
Rinsecamente corrupto, não pode ser ju stificado p e la fé, pe.
ÍCTobras ou pela Saberana Vontade de D eu s, m a s somente
nela coletividade que absorve o homem. Isto, nos dizem, des-
viaria a depravação humana, substituindo-se a consciência
individual pela consciência de estado e D eu s p o r u m ditador.
Rebelando-se contra esta noção de d e p ra v a ç ã o total co­
mum a esta tradição, estavam direitos os psicólogos m ateria­
listas. O homem não é inteiramente dep rav ad o. M a s os psi­
cólogos muitas vêzes erraram, não in v e stiga n d o o conceito
tradicional do homem, que perm anece no m eio, en tre o falso
otimismo que promete torná-lo um santo p e la evolu ção e pela
educação e o falso pessimismo que vai lo n ge, qu eren do tor­
ná-lo um demônio por meio do totalitarism o com u n ista.
O senso do pecado é um a realidade q ue todos os homens
conhecem, é mais do que justam ente u m a vio laçã o da lei.
ua pungência não estaria presente, senão p e la in tu ição do
ornem de que o pecado também envolveu u m a q u e b r a de re-
eranripemrerJieSS^aS' - Algum as P essoas q u e r o u b a m de uma
errado 2 ? ° Td° acham ^ ue ten h am feito a lg o de muito
sar na c o m o ra o s ^ me? te ten h am ), p o rq u e n ã o podem pen-
uma intuicL f » J Í - senao como u m a coisa im pessoal. Têm
c?do S é um S i a T verdade- Q
-ue a « t a c i a d0 V
de uma pessoa a m i m 30 d e . u m códi£°> n ia s u m a rejeição
sua bondade e d e R e i ^ m ^ ™ ^ se sente li 6 ad o P or mei0 de
de seu amor. o pecado é u m a a fr o n t a feita
M O RBID EZ e N E fa r .'
E0^ ao da c u lpa
85
por um espírito contra outro um
por isto q ue nao h á senso do n’ecm?„UltraÍe feito ao oyv.
Deus pessoal. Isaías teve o profundo6" 1 a conse ié n c ia T ; é
viu D eu s e disse: “A i de mim „ , senso de ruína d Um
homem de lábios im puros e mòro L " 16 caIei Porque
tem os lábios im puros e eu vi com mP 10 de uma gente X
dos exércitos.” (Is a ía s 6:5.) “Eu i? t S ° lhos 0 Re>go
vidos, m as a g o r a os m eus p r ó p r iS o i h X í com 08 m e u X f
acuso-me a m im m esm o e faco^enitênr te vêem- Por X
(Job. 42:5. 6.) “ Afasta-te de m t a "° pÓ e na c t a ^
pecador, o S en h o r.” (L u cas 5 : 8.) p rque um homem
P o rq u e o pecado é a quebra de uma relação
segue-se^q
,e-se q ueue nna
ãoo pode
p o d eser
^sM ta^ S S S f f i
tratado 0 ^ o r,
quiatria. ( N ã o estam os aqui dizendo que S aíX X "
q ,toc!a.s..as desordens
mentais sao devid as a um senso do necado ws desordens
há a lg u m a s qque
u e sao
são e quanao
quando psiquiairas
psiquiatras m
materialistas
a S ü L t a s afir­
afc

mam m ,e
qu e a ang e u s tia devida ao necado node ser“
pecado pode ser tratada a dõ
do
mesmo m odo q ue outras doenças nervosas e psíquicas, sem
referência a recursos espirituais, estão acrescentando às com­
plexidades, desordem e frustração da vida do paciente.) Não
basta a n a lis a r o pecado, a fim de destruir a consciência do
pecado o u cu rá-lo . Se o dentista sabe que a cárie no dente
é devida ao uso do açúcar, não se segue daí imediatamente
que o do en te fiq u e curado. Cavando-se em redor dum carva­
lho p a r a d e sc o b rir a podridão da bolota da qual êle originà-
riam ente proveio, n ã o quer dizer que se esteja fortalecendo
a p ró p ria árvo re. Descobrir os motivos do pecado, pelo es­
tudo do p a ss a d o do paciente, não é curá-lo. O pecado não
está som en te n a com preensão, nem nos instintos; o pecado
está n a vontade. D a í não poder ser êle desfeito, como pode
ser desfeito q u a lq u e r outro complexo pelo fato de ser trazido
a lum e n o consciente. A s doenças psíquicas podem bio ar e
com plexos re c a lc a d o s . M as o pecado deve ser encarado'£omA
um ato d a vo n tad e que implica a_ personalida e • qu
sim ples co m p reen são intelectual não destruir
re sta u ra rá a s aú d e do paciente. nPí.ad«g
N ã o é v erd a d e que o conhe^ e^ ^ pa ou morbidez,
como p e cad o s in d u z a a um complexo d P
ANGÚSTIA e PAZ

, . • rriança à escola, desenvolve-se nela Um


Pelo fato de t 9 p el0 fato de ir o doente ao médico
complexo dej n o r a n « a . om xo de doença? 0 estudante °e’
passa ele a a Drópria ignorância, m as sôbre
s^beX T a do mestre; os doentes se concentram , não sôbre
suas doenças, mas sôbre os poderes curativos do m edico e 0
pecado? vendo seus pecados como pecados que sao concen­
tra-se não sôbre sua própria culpa, m as sobre os poderes re-
dentores do Médico-Divino. Nao ha prova a lg u m a que sus­
tente a posição de alguns psiquiatras m odernos quan d o afir­
mam que a consciência do pecado tende a to rn a r mórbida
uma pessoa. Chamar de escapista a um hom em porqu e pede
perdão a Deus, é o mesmo que cham ar de escapista um pro­
prietário cuja casa está em chamas, porque pede socorro ao
corpo de bombeiros. Se há algum a coisa de m órbido em admi­
tir o pecador sua responsabilidade pela violação de su a ami­
zade com o Divino Amor, pode-se dizer que é u m a saúde jo­
vial, comparada com a verdadeira e terrível m orbidez que
sobrevém àqueles que estão doentes e recusam ad m itir a sua
doença. O maior refinamento de orgulho, a m ais desprezível
forma de escapismo é impedir-se de ex a m in ar a si m esm o, no
temor de descobrir dentro de si o pecado.
Assim como um bêbedo algumas vêzes se torn ará cons-
rilen0« daf ?,raVldad- de sua intemperança, som ente por meio

™ ~ p SXS.
Z t .
salta o que há 4de_______j/ vviv ia o c j. <xà Ltuiiuaue
b on dade e ao amor.riHade
Res-
salta o que há de melhor em nós, revelando o q u e a do
pode fazer pelo pecado — perdoar e r e p a ra r n o m o m en
maior crueldade do pecado. A C ru z de C risto fa z algo l ^
nós que nós não podemos fazer por nós m esm os. E m to ^
qualquer parte do mundo somos espectadores, m a s diante ^
visão da Cruz, passamos da condição de espectadores a
participantes. Se alguém pensa que a con fissão de s u a cu y
M O RBID EZ E N FranS
negaçao da cxaPA
87
é escapismo, deixai-o ajoelhar-se umn
d0 crucifixo. Nao poderá deixar de ^ J ® 2 que seja, aos n<
olhar para Cristo pregado na Cruz e nntlr' Se envolvido £
das profundezas ulceradas do peCadn Sta será arrancai
tôda a sua hediondez. Um raio apenas à L ^ \ êle reve>ado em
anula toda a cegueira que os pecados I S Luz do M^To
dentro da alm a a verdade de nossa anfizade » e faz «der
que se tem recusado a subir ao CalvárE*?« ^ us' Aquê1«
raram pelos seus pecados. Uma vez 1 1 s que não cho-
subido ali, nao pode por mais tempo d iw „ a alffla tenha
tem im portância. p er ^ue 0 pecado não
Se o senso d a culpa, e um afastampntn t»

por h a v er ferid o algu ém que amamos se a dor da a u t o c e S


é um sin tom a de nossa rejeição do convite de amor então
devemos a c e n tu a r nao a sensação da culpa, mas o meto de
remove-la e en co n trar a paz. É preciso amor para ver oue
o am or foi m agoado. O Divino Amor sempre recompensa êsse
reconhecim ento pelo perdão e uma vez dado o perdão, uma
união se re s ta u ra de m aneira muito mais íntima do que fôra
antes. H á m ais alegria, disse Nosso Senhor, entre os Anjos
do Céu p o r u m pecador que se arrepende do que pelos noventa
e nove ju sto s que não necessitam de penitência.
Q u a n d o o am o r é compreendido com acêrto, não nos sen­
timos tristes pelo pecado, a fim de que Deus possa perdoar-
-nos; antes, sentim o-nos tristes por aceitar êsse perdão. Deus
se oferece a p erd oar-n os antes de nos arrependermos. É a
tristeza de nossa parte que torna eficaz êsse perdão. O pai
não com eçou a perdoar o filho pródigo, quando o viu vindo
lá pela estrada. O pai já havia perdoado o filho d e s e o
mêço. O p e rd ã o só podia tornar-se efetivo no momento e
que o filh o se sentiu triste, por ter quebrado a sempre
seu pai e p en sou em restaurá-la. Justamen Pq
tem h av id o m ú sic a no ar que nós nao ouvi > perdão
rádio esteja sintonizado, * faltatristeza à
disponível, m a s não o recebemos enq , obrimos aquilo
nossa a lm a e propósito de enJendan it s fegredos para dar-
Que procu ram os. A natureza tem m nâo estivermos pa-
nos, mas n ã o no-los entregará enquanto nao
a n g ú s t ia E PAZ
BS

x rfpla c obedecermos às suas leis. Somente


cientemente diante de ^ os EnqUanto não houver von-
com tal subm lato. ^ â0 diferente com Deus, que não
tade imJ? a medrosa causada pelo pecado, não poderá
o l e a d o i r perdoado. Ser pecador é nossa desgraça. mas
saber que o somos é nossa espeiança.
As nessoas decentes deveriam enxergar-se como pessoas
sórdidas para que possam encontrar a paz. Q uando muda-
rem sua crença orgíalhosa e diabólica de que nunca fizeram
M d a de errado em esperança de um Remédio Divino para
sem erros, terão atingido a condição■ de norm alidade, paz e
felicidade. Em contraste com o orgulho daqueles que negam
sua culpa para escapar à autocrítica, esta a hum ildade de
Deus Que têz um mundo que nada acrescentou a Sua glória
e depois fêz o homem para criticá-LO As pessoas sórdidas
sáo as conversíveis. Conscientes de suas próprias imperfei­
ções sentem dentro de si um vácuo. Pode parecer a eles um
vácuo sem sentido, como o G ran d Canyon, m as na realidade
seu vazio é mais semelhante ao de um cêsto que pode ser
enchido. Têm fome e sêde de algu m a coisa que não de si
mesmos. Êste senso do pecado nêles não produz um deses-
pêro absoluto mas um desespêro criador, quando algu m a vez
sabem que podem para além de si mesmos bu scar o alívio
amorável. --------
Nosso Bendito Senhor gostava im ensam ente da gente
sórdida. Contou muitas histórias -a respeito dela. Uma das
acusações que seus inimigos fizeram contra Êle era a de que
comia na companhia de gente sórdida e de pecadores. Um
dos maiores apóstolos veio a Nosso Bendito Sen hor pelo ódio.
É o pródigo colocado à frente de seu irmão virtuoso; o filho
rebelado e arrependido foi preferido ao que jurou fidelidade
e depois desobedeceu. A ovelha desgarrada foi posta nos
ombros pelo Bom Pastor, enquanto as noventa e nove fica­
vam no campo. A moeda perdida foi encontrada e isto cons­
tituiu motivo de regozijo, mas nunca houve qualquer reunião
para celebrar as outras nove. O Salvador expulsa os com­
pradores e vendedores do Templo e depois toma em Seus joe­
lhos uma criança e diz que ela entrará no Reino dos Céus
MOHBIDEZ t NtOAÇAo DA CULPA
89
-,„3 dos sábios profcssôre* universitário* i
A p u lo s quo buscam primeiro lu g^ na X f > pé* * *
fentc a m ulheres a quem tóda a nação o d ^ ' e “ ‘V ™ •^
,ra proteger um a adultera do apedreiamenuTàf " tervém
Leles cujo adultério ainda não havia vindo a púWico ***
2ova de sua Encarnaçuo foi feita a uma Vireem m », f A
f s u a Ressurreição dentre os mortos f o ^ T » m a T
dadora convertida. ma

porque Nosso Bendito Senhor preferiu a gente sórdida


à gente decente, e bem provável que, se pudéssemos entrar
no Céu, tenam os diante dos olhes certos espetáculos que nos
escandalizariam. D ín am o s: “ Ora essa, como entrou aquela
mulher ali?” ou “Como conseguiu êle entrar? Conhecia
quando.. H av erá no Céu muitos a quem nunca esperaría­
mos encontrar lá. As surprêsas serão numerosas. Mas maior
surpresa de tódns será descobrir que nós mesmos estamos lá.
A gente sórdida pode alcançar a felicidade deste lado do
Céu, também. A sua hum ildade torna isto possivel. Muitos
dos que ch egaram à plenitude do Cristo, quando interroga­
dos por que ab ra çara m a Igreja, responderam: “Juntei-me à
Igreja para íivrar-m e de meus pecados.” Aqueles que se re­
cusam a adm itir seus pecados, que negam que são pecadores,
descobrirão esta com pleta dificuldade de compreender. De
fato, é difícil à gente decente compreender, porque deixa de
verificar que h á duas coisas bastante devastadoras que acon­
tecem àqueles que en tram em contato com Nosso Senhor
um opressivo sentim ento de vergonha e uma gloriosa sensa­
ção de lib e rta ç ã o .
Não h á ninguém que negue a culpa pessoal que seja fe­
liz, mas não h á n in gu ém que a haja admitido, sido perdoado
e viva no am or de Deus, que seja infeliz. Um senso de indig­
nidade m oral ja m a is entristeceu uma alma, mas muitas al­
mas se tornaram tristes e frustradas por causa de seu amor
próprio. Quanto maior a consciência de nossa própria mi­
séria, tanto m aior nossa confiança na bondade e na misen
córdia de Deus. Deus não podia revelar o atributo ^
ricórdia, se n ã o houvesse miséria. Deus tena sido
ANGÚSTIA E PAZ
90

Infinita, se nunca houvesse feito o mundo; mas sem a e*i


téncia da gente sórdida, Êle nunca teria podido mostrar q "
doce Misericórdia pelos nossos pecados. ülIa
C apítulo V I

EXAME DE CONSCIÊNCIA

Durante séculos muitas almas acreditaram, como altm


mas ainda hoje acreditam, no exame de consciência Êste
grande exercício espiritual foi afastado a pontapé da porta
da frente pelos materialistas modernos na base de que é inú­
til examinar a consciência. Ofereciam três argumentos: que
não há pecado, que a consciência é apenas o fato de reconhe­
cermos convenções sociais e tabus e que cada homem é o
único determinante do que é certo e errado para êle. Aquilo
que êsses materialistas afastaram da porta da frente, alguns
psiquiatras agora introduzem à sorrelfa pela porta do fundo,
sob o rótulo de novo exame: exame do inconsciente — mas
com esta diferença: com êles não há Deus, não há lei moral,
não há julgamento final.
Chama-se comumente psicanálise êste exame do incons­
ciente. (1 ) P or causa dum a confusão generalizada sôbre o
assunto, é importante aqui, parentèticamente, sugerir a di­
ferença entre psiquiatria e psicanálise. Psiquiatria é uma

(1) O nome “ psicanálise" fo i cunhado por Freud, que insistiu que fOese
usado exclusivamente para sua doutrina e seu método. Autores alemães, fran­
ceses e também italianos têm mais ou menos observado esta advertência. Alguns
americanos, também, tentaram identificar ireudisino e psicanálise, nm. -m =r**d.
nos países anglo-saxões, o nome de psicanálise é aplicado indiscrlminadamente a
outras espécies de tratam entos médicos e mentais. C. G. Jung, para indioar a
diferença entre sua teoria e a de Freud e, ao mesmo tempo, o que lhe devia,
*a!a de sua própria doutrina como sendo uma “ psicologLa analítica” . Adler cha­
mou sua concepção ‘ psicologia individual", uma teoria que depende mais ou
menos da psicanálise, mas não obstante rejeita um de seus dogmas fundamentais.
Por causa da crescente critica ao freudlsmo e à psicanálise, alguns psicanalista«
usando o term o psiquiatria para evitar a critica. Para pensar ciaramente
sôbre êste assunto, pois, devem ser mantidas em mente estas três distinções.
Jreudlsmo náo é psicanálise, da mesma maneira qua Rafael m o é p •
há outros sistemas de psicanálise que náo bó o freudista
muuo mais oom pleto»; 3) a p 1*1 canalise ó apenas um pequeno ramo da psiquiatria.
a n g ú s t ia E PAZ

m . npflq mentais; só pode ser praticada


ciência que * • » « * ■ * £ P sica n á lise é um método particuiar
pordoutòresem m edicm ^^ alivjando dum mal embaraÇOso
de tratamento de • consciente. Pode-se estar ern
e trazendo o f c° " !? a d e psicanálise, como a freudiana, sem
oposição a rtasco
ce e Fanálise em geral, como se pode ser
por isso ser contrário a p inimigo da musica. A psiquia-
contrário ao -swing . se mo um territól.io m ais amplo
tria como teimo com e psicanálise, inclui u m a dúzia de
Além de tôdas as foin como um ram o da medi-
métodos diferentes. * P ’ iéncia perfeitam ente válida, mas
cina, é nao someme Nos últimos cem anos, enquanto
uma real ?ec*?*ldÍ L J L J unidos aum entou ap en as 671 por
a populaçao “ dg acientes m entais institucionaliza-
cento, a P O ^ t a g 32s Por cento. Médicos qualificados para
dos aumentou d e J S ^ p o ^ do8nças sãQ u m a deseSperada
tra^ k a d e moderna. Muitos dos psiquiatras que exercem
E S . « e i a , c c são p s i o n a M a . .
Mas a psicanálise mesma, com preendida como explora-
cão mfntal e tratamento, pode ser um m étodo perfeitamente
váüdo Até certo ponto, poderia mesmo ser en ca ra d a como
uma aplicacão da doutrina cristã do exam e de consciência ao
exame do inconsciente. A fé cristã e a m o ra l n ao podem na­
turalmente ter quaisquer objeções a um tratam en to mental,
cujo alvo é a restauração do espírito doente ao seu fim hu­
mano. Mas “a psicanálise” se torna, n a verdade, bastante
errada quando cessa de ser um método de tratam en to e pre­
tende ser uma filosofia. C am inha fo ra de su a le gítim a área
como um ramo da medicina e torna-se perigosa, quando é
transformada na base de um a concepção filosófica da natu­
reza humana, com afirm ativas tais como a de que o homem
é um anim al e não tem liberdade de vontade, ou q ue “ as dou­
trinas religiosas são ilusões” . ( 2 )
A psicanálise (usando ainda êste nom e n u m sentido* vas­
to) não pode ser inteiramente independente de u m a visão fi-

(2) Blgmund Freud, The Future 0/ an llution, p. 50. Horace L ife rtg b t.
EXAM E de CONSCtÊNCu

93
oo
ria n atu reza hum ana. M as uma filosofia pTofunda
10SóficaHprivou das descobertas da psicanálise; antes, a inter-
não se- filosófica precede a teoria psicológica e determina
pretaÇa0'. particular. Se um a escola psicanalítica asseveia
seu rnem é u m an im al apenas, êsse dogma não
0 ffum
! nue Seu nd
da do
ad orr ten
ten h
haa concluído
concluído" dos fatos desrrxv^ * a‘g0
dos^tto^dternh^rt
I f i d o " psicológico.
sicolóffico- Foi
Foi —um a — * ~ quT êle act t o ^ Pf °
suposição
de tôda investigação e construiu como bases que sustento^
fteoria. Se u m a escola psicanalítica proclama\ue essa^ri!“
[ordens m entais, n ao causadas por uma doença orgâm^a to
férebro, se o n g in a m de instintos, sexuais ou outros tal afir
mação de novo u ltrap a ssa o que e justificado pelos fatos obser­
vados e dêles deduzido. Pertence às pressuposições que os
psicanalistas aceitai am como verdade, antes de haverem pro­
cedido ao desenvolvim ento de sua teoria. Quando Freud es­
creveu o seguinte, im pôs a urna teoria um preconceito irra­
cional i “A m á s c a ia caiu. a psicanálise leva a uma negação
de Deus e de u m ideal ético” . (3)
A escola p sican alítica de Freud faz isto justamente mui­
tas vêzes. M a s h á o u tras escolas. E, repito, não há objeção
a fazer à psican álise com o tal, enquanto se mantém ela coino
simples m étodo e n ã o acarreta influências ou idéias contrá­
rias à verdade (e m b o ra a psicanálise, no melhor dos casos,
não seja u m a p a n a c é ia aplicável tão amplamente como que­
rem seus m ais en tusiasm ados cre n tes). Mas uma vez que a
psicanálise a fir m a q ue “o hom em não é um ser diferente dos
animais, ou su p erior a êles” , (4 ) ou que o pecado é um mito,
a religião u m a ilu são e D eus “um a imagem do pai”, então
cessa de ser u m a ciência ou u m método e começa a ser am
preconceito.
Através de tod as as eras tem havido alguma espécie de
psicanálise — u m a an álise d a “psyche” ou alma, de passo
com a p ro c u ra das cau sas m en tais^ie tôdas as espécies ae
perturbações h u m a n a s. P en savam os gregos antigos que a
base da v ida n o rm a l, d a sabedoria e da sanidade era o **co-

(3) /bid., p. M.
(4) Sigmund Pr«ud, Introd u ctory Lectures on Psychoanalysis, trad.
angústia e paz
94

nhece-te a ti mesmo” . Sócrates falava da necessidade de


‘‘tomar cuidado de sua alma” e as palavras gregas que dizem
isto são precisamente ‘‘terapia da alma . As cuias mentais
eram aplicadas, como meios de curar certas desordens físicas,
nos santuários do deus Esculápio. Os estóicos da era pré-
-cristã, e de modo particular Sêneca, recomendavam um exa­
me da alma tôdas as noites na suposição de que, quanto mais
o homem moral entra em si mesmo, tanto maior é sua paz.
Marco Aurélio escreveu uma série de meditações nas quais
conversa intimamente com sua alma, discute os problemas
do certo e do errado, e, geralmente falando, examina sua
consciência, dando conta a si mesmo de quão distante tem
vivido de seus princípios. Mais tarde., disse Santo Agostinho:
‘‘Não saias de ti mesmo; antes, volta-te para dentro de ti mes­
mo e transcenderás a ti mesmo” . E também disse que a ver­
dade reside no homem interior. Santo Agostinho é retamen­
te considerado o pai da auto-análise em psicologia, embora a
psicologia científica, ou a ciência dos fenômenos mentais, se
haja originado com Aristóteles.
Há outras passagens nos escritos de muitos escritos
medievais posteriores que fortemente anteciparam concepções
psicológicas ou psicanalítícas modernas. A análise do so­
nho desempenha grande papel em várias das escolas psicana-
líticas modernas; mas isto não é uma idéia nova, como Freud
admitiu, embora proclamasse haver ido bastante além do que
tinha sido feito antes, dando a êsse método um a significação
totalmente nova. O próprio S. Tomás observa que: “Há
alguns doutores que estão habituados a exam inar sonhos,
a fim de determinar as disposições das pessoas.” ( 5 )
O problema dos fatôres mentais em tôdas as espécies de
desordens foi um que interessou particularmente os românti­
cos germânicos, na primeira parte do século X IX . Entre os
escritores que o próprio Freud alista, como seus predecesso­
res, há um Schubert que escreveu extensivamente a respeito
de sonhos e do que êle chamava o “lado noturno” da alma.

ífl) Bum m a T h e o lo fftc a , n-2, Q. 0 fl, Art. fl.


EXAM E DE CONSCIÊNCIA
95

a hionose e sua influencia foi outrn


t s românticos, sob o nome de “i n f l u ê n d a * ™ » aquê"
Grimm (que estava pelo menos aproximado W-
mesmo que nao pertencesse estritamente m lsmo'
treíto, e cujo nome e famoso como um dos p a t a W C i r V ® '
moderna) escreveu urn ensaio sôbre n m ™ ™ !- , guistlca
£ uma história, " O Santo” , entre o s c o n ^ f V 4 tam‘
E T. Hoffm ann. Trata-se dum a de
causa dum sentimento de culpa e a recupera n L J ° Z pot
uma amiga explicar a seu pai a origem mentol e o mecanhmn
de todo o processo. c u mecanismo
No Evangelho, verificamos que Nosso Bendito Senhor
analisa os motivos das pessoas, usando não a me a psicaná
Use, mas a A nalise Divina. Olhando para dentro das“ s'
na os fariseus como sepulcros caiados de branco, dizendo^Te
estavam limpos por fora, mas cheios por dentro dos ossos dos
cadáveres. Penetrou por sob os fingimentos e hipocrisias de
suas oraçoes e dc suas doações de esmolas, dizendo que êles
faziam estas coisas p a ra serem vistos pelo homem Analisou
a alma do hipócrita que foi para a frente do templo para rezar
revelando quao orgulhoso era no íntimo do coração Quando
uma m ulher entrou sem ser convidada na casa de Simão e
lançou-se aos pés de Nosso Bendito Senhor, Simão pensou no
seu íntimo: “Se Êle soubesse somente que espécie de mulher
é elal” — o que nos faz perguntar: “ Como sabia êle?” Mas
Nosso Senhor então analisou a alma de Simão e contou-lhe
a história dos dois devedores, um que devia quinhentos di­
nheiros e o outro cinqüenta, e disso tirou Êle a lição de que
muitos pecados eram perdoados à mulher porque amava
muito. S. P au lo disse aos coríntios: “Examine-se pois a si
mesmo o hom em .” ( I Cor. 11:28) e novamente: “Examinai-
-vos a vós mesmos, se estais firmes na fé.” (II Cor. 13:5.) Es­
tas palavras fazem lem brar a Jeremias falando à sua própria
gente: “Exam inem os e investiguemos os nossos passos e vol­
temos ao Senhor.” (Lam. 3:40.)
Nosso Bendito Senhor nos lembrou que o mundo acabará
com um a grande “ psicanálise” , na qual os pecados secretos
e ocultos de cada homem serão revelados e ninguém sairá até
ang ústia e paz
96

que tenha pago o derradeiro vintém. Por causa desta relação


básica entre a alma humana e Deus, através de toda, a his­
tória humana uma das práticas espirituais mais universais
de tôda alma santa tem sido o que se conhece como o exame
noturno da consciência. Os pensamentos, as palavras e os
atos do dia sáo trazidos à superfície .e examinados para se
considerar se estão ou não em confoi xnidade com a lei moral
de Deus. Depois dêste exame, segue-se um a resolução de
emendar nossa vida, de fazer penitência das faltas, e de entrar
numa maior união com o amor que é Deus. T al autopsicaná-

1 Há norém uma profunda diferença entre a psicanálise


freudiana e o exame cristão de consciência, pois supõe-se que
a psicanálise revele ou desvele algo que nem mesmo o mais
encarniçado exame de consciência poaena descobrir. Freud
nroclama que o que está oculto no inconsciente e inacessí­
vel ao consciente; é proibido de em ergir p a ra nossa visão
consciente; é mantido retirado no inconsciente por um a po­
derosa força chamada o “censor”. Desde que nao h á meio
para o espírito de sondar sua própria consciência e descobrir
o que está oculto e fechar-se ali, um a técnica peculiar tem
de ser empregada para trazer a lume o conteúdo. E sta técni­
ca, conhecida como “associação livre” e “In terp retação ” é
usada pela psicanálise freudista.
Todos os psicanalistas concordam em que o exame de
consciência (ou a narração sincera que um hom em faz a si
mesmo de suas ações e intenções) fa rá m uito p a ra libertar o
pensamento de inibições e preocupações. M as consideram o
auto-exame um processo um tanto superficial. Sustentam
que as causas reais das dificuldades m entais, dos conflitos
íntimos e inibições poderão ser descobertas sòrnente se o in­
consciente fór obrigado a devolver à consciência aquilo que'
outrora fôra exilado e reprim ido.
Mesmo se as pressuposições da psicanálise freudista fos­
sem aceitas — o que não poderão bem ser — é discutível se
esta noção da inacessibilidade total do “inconsciente” ao
nosso exame normal pode ser m antida. E ’ concebível que o
pensamento, quando usando do contacto certo, possa realizar
EXAM E de C0N3Clf!NCTA
97
quase tanto pela análise sòzlnha, cornn
ceira pessoa. P a ra esta asserção a n< irín*i guia dun,a Ser­
peio menos a cio ram o “ortodoxo” - _ h i ahse fbudista _
resposta pronta A presença da terceira np»!m dúvicl0' IJma
lista) e encarada como um a condicão inPrv SOa (ou rJ° ana-
desencargo. E ela quem, por algum 'temm S çPef SáveI para 0
dos anseios instintivos recalcados m 7 Z l 7 !, torna 0 objeto
cesso de “ transferência” . Pensam os S do chamado p ™
elo necessário no processo de rearraniar tas f er lsto um
“energias instintivas”. Mas êste a r e u r W « redLStribuir as
conclusivo do que acreditam os a n a lis a r«? , parece men<»
razão convincente para afirm ar a indisDeti^wi^ 3! 4 Não hà
prio mecanismo da transferência. Se ? ana^ , • e do pró‘
como indispensável, só o é em virtud“ da 6 encarado
de F r e u d - teoria sem s u b s t â n ™ a f i a - Caracterís« ca
inconsciente. De fato, tem-se notado recentemern,f, 2\ do
dência entre mesmo alguns seguidores de Freud a « h f a ten‘
um ou outro dos dogm as da teoria original Um a L to,?donar
suspeitos é o d a necessidade da tra n sfe rê L la o u ri« fTO°gmas
ção do analista. K are n Horney, p o r e x e Z i o T a la r i ^ T '
-análise” T a l nome só tem seJtSo se se concedtqu
sarnento h u m an o pode obter acesso a seu próprio m c o L S è
Até o ponto em que a psicanálise no século X X toma in-
terôsse pelo íntim o da alm a humana, representa um grande
progresso sôbre as sociologias do século X IX , que pensavam
qus tudo quanto está errado no mundo era devido à pobreza,
às más condições econômicas, ao comércio livre, às altas ta­
rifas, ou à política. A lém disso, na extensão em que a psica­
nálise revelou os efeitos de nossos pensamentos — mesmo do
pensamento inconsciente — sôbre nossa saúde física e nossa
conduta, confirm ou a grande verdade cristã que um pensa­
mento desordenado (o u mesmo um inconsciente desorde­
nado) leva à an orm alidade.
Encontram -se em S. Tomás muitas passagens em que
deplora, como deploram os psicanalistas, justamente tal re­
pressão. A h u m a n id a d e sempre reconheceu a relação entre
consciente e inconsciente, como algo semelhante à de um
piloto dum n-avio p a ra com a casa das máquinas e o leme.
a n g ú stia e pa z
98
íNão usamos aqui o inconsciente no sentido técnico de
Freud ) O pilólo na ponte pode ver à fil,ent£- Estabelece a til-
recâo e o curso a ser seguido. Estas direções sao transmiti-
das à casa das máquinas lá em baixo e, fm alm ente, ao leme e
em seguida à água. Da mesma maneira, é a consciência e
mais propriamente, a consciência e a vontade que dizem ao
homem qual o rumo a seguir. Mas as vezes, quando as dire-
cões são comunicadas ao inconsciente, aos instintos, <aos sen­
tidos e às paixões, há uma espécie de revolta, um a descon­
fiança. O resultado é que, lá em baixo, no inconsciente da
casa de máquinas, ou no inconsciente do leme, há um des­
caminho das ordens, uma revolta, destinada a deixar suas
cicatrizes no pensamento do homem. Pelo fato de poderem
estar ainda ali os traços de tais passadas revoltas, irreconhecí­
veis, não há negar haver por vêzes vantagem em analisar
mesmo o inconsciente, justamente como é útil lim par os nu­
merosos objetos duma adega de casa. U m caso de emergên­
cia pode tornar tal limpeza uma necessidade im ediata; se um
gato se insinua ao cano de um a fornalha, encherá de mau
cheiro uma casa, tornando necessário exam inar as partes
digamos inconscientes da casa, a fim de que se possa ter ar
mais puro lá em cima. (Se, porém, o psicanalista continua a
dizer que os que vivem lá em cima podem eximir-se de tôda
a responsabilidade, quer pelo môfo da ad ega ou pela presen­
ça do gato no cano da fornalha, deve ser lem brado a êles que
o porão e o gato que abriram cam inho p a ra os canos eram
ambos de propriedade dêles mesmos.)
A psicanálise tem, pois, um a tarefa respeitável m as limi­
tada, a executar. Opomo-ncs aqui somente àqueles determi­
nados psicanalistas que neguem qualquer validade ao exame
de consciência, na base de que o exam e do inconsciente lhe
toma o lugar. O cristão não contende com o psicanalista que
diz que o pensamento de um homem é bastante semelhante
a uma flor, que tem suas raízes n a lam a, no lôdo e na imun­
dície da terra, mas discutirá com o psicanalista que, concen­
trando-se nas raízes, nega a existência do c a u le . ou a beleza
da flor. Como não é a raiz a flor inteira, assim também o
homem não deve ser compreendido inteiram ente em termos
EXAMK d® consciência
99
de seu inconsciente. Se estamos semnrp tz« ^
cessitamos do auxílio de um psicanalista ° ^ entes' c'ue ne'
mconsciente, nem por isso seja dispensado ^ I 0 exame
ciência. Aquele e por vezes necessário 0 exame de cona"
substituto dêste. no’ mas nunca é um
Um médico pode muitas vêzes rtnr
curai' a anem ia do sangue. Isto não dispensai mSodÍ° para
constante necessidade que temos de ltanar e mais
respiração. Sim ilarm ente pede haver vêzes ° 8angu® Pela
cessário analisar o inconsciente para descobrirá»qU® é *e*
foi recalcada ou suprimida. Mas ésem pre
examinar a consciência para descobrir se o motivo que moveu
uma açao era certo ou errado. E. descobrindo isto ^ d e ^
também en contrar a razao da repressão.) Às vêzes é V,tu 7 n f
Usar atitudes ou condições de pensamento mas é s e m p r e ^
cessário analisar a vontade e reconhecer sua culpa se houvpr
E’ este um processo mais penoso do que costuma ser a psi
canálise: um a pessoa pode ter orgulho de suas atitudes men­
tais, pode vangloriar-se de seu ceticismo, de seu ateísmo de
seu agnosticismo e de sua perversão; mas sua consciência
nunca se van glo riará de sua culpa, de sua vergonha, ou de
sua miséria. M esm o isolada, uma consciência culposa sen­
te-se perturbada. Deseja com veemência escapar à dor do
autoconhecimento, lançando a responsabilidade a qualquer
outra parte. À s vêzes a censura por uma condição mental
anormal vem a ser lançada sôbre avós e avôs, sôbre pais
cruéis ou grosseiras mestras de jardins de infância. Mas não
se deve n u n ca esquecer que muitíssimas mais vêzes a censura
deve ser m ais justam ente lançada contra si mesmo, ao con­
fessar, batendo no peito: “Por minha culpa, por minha culpa,
por m inha m áx im a culpa.” Às vêzes pode ser útil ter alguém
o seu inconsciente examinado, estendido num divã, mas a
menos que se queira abdicar de sua inteira personalidade a
outrem, é sem pre necessário reservar-se o direito da escava­
ção de sua propriedade mental, de cavar em sua própria alma.
Ninguém jam ais se tom ou melhor por ter alguém a dizer-lhe
0 grau de sua podridão; m as muitos se tornaram melhores
confessando êles próprios suas culpas.
ANGÚSTIA E PAZ
100

X IIU 5U V /IA A -- ------- ----- w

pende da técnica; mas a técnica não substitui o arrependi­


mento. Nem tampouco penetra uma psicologia bastante pro­
fundamente nos problemas humanos, se interpreta o hornem
inteiramente em têrmos de instintos e de conflito de instin­
tos, ou se atribui todos os conflitos às fontes dos instintos'
afirmando que não há outros elementos na pessoa humana
No animal há apenas instintos, mas não no homem. Os ins­
tintos de um animal estão tão bem ajustados a suas possíveis
situações que entram em jôgo automàticamente. Como mos­
tra S. Tomás, não pode haver qualquer deliberação num ser
sub-racional (mesmo embora possamos ter a impressão "de
que h a ja ); há apenas um entrejôgo de forças, revelando-se
a imagem mais atrativa, mais forte e tornando-se uma de6

(6) Talvez devesse ser mencionado que a noçáo do Inconsciente, na forma


que lhe é popularmente dada, esteja sujeita a objeções. É difícil chegar a uma
opinláo final se ou náo certo conteúdo é verdadeiramente inconsciente. O simples
fato de alegar uma pessoa que o ignora não é
suficiente, nem o é o outro
fato, o de que êste conteúdo venha à tona sòmente no correr duma l o n g a ^ í " ''"
gadora análise A mente humana tem muitos Jeitos de livrar-se de co
que são percebidos como perturbadores, ou que poderiam conduzir a con
cias desagradáveis se plenamente reconhecidos. A mente pode separar t
lrações ent?e alguns dado* e o resto ds ccosclAncia. ico'ar certo dados
pedi-los de apresentar-se porque são totalmente desconexos ou assim se t<
para o resto do conteúdo consciente. Êste problema náo tem apenas i
teorético, mas é também emlnentemente prático. Aquilo que um homem <
de sua consciência, porque náo queria encará-la, tem uma relação mui
Importante para com a moralidade e a responsabilidade, do que conteút
foram re^gados para o inconsciente numa idade primária, quando nem
preensáo nem a responsabilidade estavam desenvolvidas. Acontece dui
análise que 0 material alegadamente inconsciente venha à tona e o pa<
reconheça; pode me=mo dizer que. de certo modo, conhecera essas coisas
mas tomara o cuidado de conservá-las fora de seu caminho. Em tal c
òbvlamente um grau de responsabilidade diferente do que existe, qus
fatos ínoonscientes pertencem áa experiências da primeira infância.
terminante da conduta. Os instinto.
operar de acôrdo com o padrão das L ” ? anlma«< pareren,
mais forte sempre prevalece, pois os flSÍcas’ « 7 -
desprovidos da Uberdade que c a ra c te r^ 0 h estão
porque é livre, pode o homem pecar a ™' (7)
com os animais. O pecador pode n e c e s s i t a i náo a“ ntece
mas com certeza necessita de a u x í l i o , de auto-análi%
para que se torne bom. Profunda « L e J f ® ?e si mesmo,’
inconsciente e exame de consciência é n ? entre exame do
permanece subjetivo e pode encerrar a ^ 6-que 0 Primeiro
seu próprio e apertado ego, como um esonuGnte dentro *>
Como disse um psicólogo: “Não podeis ver ° numa gaiola,
curando, porque permaneceis na vossa T estais P«>-
procurando a vós mesmo, buscando a q u K " «tais
também busca. Tal processo é bastante ^ C01sa <lue
quem tente « * m , sou p rtp ,£ “ Í “ “ t

(7) A despeito do jargfto comum a rwpelto dos Instinto, humanos deva


aer relembrado que não há acôrdo entre neurofislologlstas, a respeito d&
existência e da eflcacia de ln3tlntos no homem, no seu estado maduro e normal
De acôrdo com K. Goldsteln ( The Organism, American Book Company New Yo>-i
1939\Human Nature ia the L iç h t of Psychopaihology. Harvard Universlty Press cam-
brldge, Mass., 1940', as manifestações puramente instintivas sáo vistas no homem
apenas em conseqüèncla de uma derrocada do complexo inteiro. Normalmente
estiveram integradas em funções mais elevadas. De fato. dlflcPmente se encontra
alguma reação em um adulto normal que pudesse ser rotulada da “ Instintiva” .
Um in stln f) nos animais se caracteriza, de acôrdo, por ex., com Blerens van Haan
(Die J n s tin k te ), como: u) característica da espécie e náo do indivíduo; b» Imu­
tável ou pelo menos m utável sòmente dentro dos mais estreitos limites; c) im-
possivel de transformação em outros padrões de conduta; d) servindo a um fim
útil, sem que o anim al lhe conheça a finalidade. A isto, pode-se acrescentar que
a conduta do complexo instintivo é uma reallzaçáo Indivisível, embora apareça
ao observador como consistindo em ações parciais, uma seguindo a outra. Consi­
derai a conduta da vespa de areia; cava um buraqulnho na areia, voa à procura
de uma lagarta, deposita sua prêsa ao lado do buraco, paralisa-a por meio duma
bem aplicada ploada, coloca-a dentro do buraco, deposita os ovos all. e fecha o
buraco com alguns grãos de areia. Em qualquer fase em que esta ação se*a
interrompida, o anim al a abandona para recomeçá-la de novo, desde a primeira
fase. Em outras palavras, para a vespa náo há sucessão de atos, mas apenas
uma ação Indivisível. Comparai isto com a chamada conduta “ instintiva'
no homem: qualquer ação pode ser Interrompida a qualquer momento e retomada
no mesmo degrau, tão logo as circunstâncias o permitam. Para o hemem ha
uma verdadeira sucessão de atos parciais. Pareceria que no homem os instin­
tos fôssem apenas uma espécie de motivações, a satisfação dè^es apenas u“ a
espécie de alvo a ser visado e não como se èles fôssem determinantes absolutos oa
conduta. É por isso que quando se estuda a conduta humana deve-se af * ^
do padrão puramente animal e concentrar-ae sòbre aquela» dua< lacu~aa^e&^^~
lecto e vontade, que separam o homem do animal. A analise aa conaciaucw
portanto, a análise mais profunda que se possa íaaer do homem.
102
ANGÚSTIA E PAZ

consciência a gente sai de si mesmo tão depressa quanto é


possível, para deixar que a luz de Deus bnlhe em nó 3. 13.
Cristo Quem olha dentro da alma e Quem perscruta a cons-
ciência. Por isso a Sagrada Escritura esta cheia da idéia;
“Procura minha alma, ó Deus.” E quando a Divina Luz olha
dentro do pensamento, afasta-o de si mesmo, evitando as
muitas misérias que brotam da extiema mtiospecção. ( 3)
E’ por isso que Nosso Bendito Senhor nos incita a esquecer
nossas condições mentais, quando tal coisa é possível. “Nin-
ffuém que, depois de ter metido sua mao ao arado, olha para
trás, é apto para 0 reino de Deus.” (Lucas 9: :62.) “Segue-me,
e deixa que os mortos sepultem os seus mortos.” (Mat. 8:22.)
Algumas desordens mentais, porém, recusam ser . ignora­
das, mesmo depois que a culpa como causa e 0 exame de
consciência como remédio foram aplicados. Muitas doenças
mentais que têm base puramente psicológica e nervosa, ou
mesmo fisiológica, persistem. Essas, sòmente um bom psi­
quiatra pode curá-las. Mas é importante para efetuar uma

í8) O cérebro doente torna-se Incapaz de comunicar-se com outros e


de acórdo com o grau em que Isto ocorra, torna-se envolvido num excesso
de subjetivismo. Há que distinguir entre o excessivo subjetivismo do psicopata
icomo existe na esquizofrenia) e o que exclui simplesmente o homem de comu­
nicar-se e o encerra dentro de si mesmo. Esta forma mais branda existe
em muitas formas de perturbações neuróticas. Mas mesmo nestes casos
náo pode ser afirmado com absoluta certeza que o subjetivismo é uma verda­
deira causa da anormalidade mental. É concebível que um homem possa ser
arrastado a tial atitude subjetlvlsta pelo temor de alguma ameaça. Êle então
ver-se-á em apuros para proteger-se. tnteressar-se-á por si mesmo e assim se
tornará cada vez mais subjetivo na sua atitude. Observam-se tais reações
era doença« corporais; a incerteza vital na qual o homem é lançado, quando
verifica que seu corpo se enfraquece, torna-o escessivamente Interessado por
sl mesmo.
Bem dúvida, náo pode ser negado que tal reaçáo náo necessita ocorrer.
Se um homem estivesse plenamente consciente da relativa insignificância de
sua existência terrestre, em face de seu destino eterno, não se preocuparia tanto
e. portanto, náo sentiria dever interessar-se apenas por sl mesmo. Mas a doença
corporal pode enfraquecer tanto um homem que suas melhores Intenções e
discernimentos se verifiquem Ineficazes. Se uma pessoa cresce sob a Impressão
do que realmente ninguém se Interessa por ela, que fo i m ulto mal preparada
para enfrentar os problemas da realidade, também ela se tornaria lnsòllta-
mente interessada por sl mesma; seu subjetivismo, conseqüentemente, seria
mais iun efeito do que uma causa de sua anomalia mental. A questão do subje­
tivismo como uma atitude pela qual a pessoa pode ser tornada responsável, se
apresenta sòmente depois que essa pessoa se tornou ciente da falta dum funda­
mento para sua aproximação genal da realidade. É um objetivo de tratamento
mental ou de reeducação que o neurótico seja capacitado a verificar o fictício de
multas coisas que êle teme e, portanto, a ver que sua excessiva preocupaç&o
oonsigo mesmo é tio desnecessária como desviada.
exam e de c o n s c iê n c ia

103

$ fa de ís?cT n rá lL d quTJarte da n e g a ^ PdSi qulatra- Um si*.


. ponsabilidade humana e da culpa torna sem a<Je> da r^
capazes de compreender a natureza humont Se^ ídores to-
operam e aumenta, em muitos casos, a o r ó n r i ^ 6 a W *
tentam curar. Almas doentes que até então doen?a que
sibilidade do pecado e da culpa deveriam ™ negado a P°s-
consciências em vez de seus inconscCte, =Xaminar suas
possibilidade de que talvez muitas de suaTmJ “ " « t o a r a
tais são devidas a um senso irreconhecido S ! „ , açoes men-
Há muitas almas estendidas sobre divãs m iraoi^*humana-
que estariam bem melhores se levassem Sua^ d ’ ltlc.os hoÍe.
um confessionário. H á milhares de p a c i e n t e f S f as a
costas que estariam hoje melhor se se^m esSm ^è to °,t de
A própria passividade simbolizada na íisição mssumnl °S'
um diva e um símbolo da irresponsabilidade do n, pma em
verada pela teoria inteira de Freud Está e S a3Se‘
traste com a humildade do homem que, de joelhos diz nãò
“Oh! que louco tenho sido", mas “Meu Deus tende mie*??
córdia de mim que sou um pecador” . ’ ende m “eri_
Aquelas almas que negam a possibilidade de sua própria
culpa assim o fazem usualmente, porque são demasiado com
placentes para consigo mesmas, ou demasiado pretensiosas
para encarar os fatos. São "escapistas” que procuram varrer
a sua sujeira moral para debaixo de tapetes freudianos. Em
vez de adm i.u seus pecados como seus mesmos, projetam-nos
para cima de outrem. Muitas das perturbações de hoje se for­
mam, porque cada qual está procurando alguém a quem possa
censurar pelos seus malfeitos. Alguns dos bodes expiatórios
favoritos sao um a mãe que amou por demais o pecador ou
um pai que não amou bastante. Para os nazistas, o bode
expiatório eram os judeus; para os comunistas são os cristãos;
para os freudistas, chama-se muitas vêzes uma repressão de­
vida a “ totens e tabus” .
Todos os bodes expiatórios são o resultado de esforços
para elim inar tudo quanto se refira ao eu mais elevado, e
assim atrofiam o senso moral. Põem também a dormir o juízo
crítico que cleveria ver o ilógico dessa teoria, pois se o incons-
104 ANGÚSTIA E PAZ

ciente é a causa dos estados mentais anormais e conseqüentes


desordens devemos perguntar: “Que e que faz o inconsciente
produzir essas psicoses e essas desordens. E se a repressão é
a causa então por que a consciência quer reprimir aquilo que
* tá errado9” ( 9) O psicanalista amoral, recusando admitir
“certo” ou “errado”, tem dificuldade em responder. A expli­
cação sem dúvida deve ser encontiada na ordem natural
moral, na existência de um ethos ao qual todo o homem está

/oi os Dslcanalistas freudianos respondem que: 1) a consciência não realça,


mas 6 aStef o passivo campo de batalha onde o superego se torna vitorioso
r T o n L ™ expelir o que não tolera: 2) recusa tolerar certas coisas não porque
leiam S etlvam en te más em qualquer sentido moral mas porque são contrárias
convenções sociais existentes. Estas convenções são Inculcadas na mente da
S t e n S a f firmam o superego, que, em virtude de "identificação" adquire um
d ^ S filo fatal, sõbre o ego e portanto sõbre a c on ven cia . A revolta é a tentativa
do ld para reafirmar-se contra a tirania do superego. E no ego, e na cons­
ciência, que a batalha pela supremacia se trava.
A psicanálise pode admitir que há um ethos; mas êste ethos, diz ela, será
dependente e um produto da situação social existente. Quando a sociedade tomar
outra forma, o código moral mudará correspondentemente. Nisto o freudlsmo
corre paralelo com certas teorias sociológicas modernas, como por ex. a de E.
Durkheim e sua escola. Durkhelm reconheceu o papel e a existência de valores
morais e religiosos; mas acreditava que éles se derivavam das estruturas sociais,
cada uma das quais exige outro código de acôrdo com sua natureza.
Recentemente, fizeram-se tentativas da parte de alguns freudistas, para inte­
grar seus padrões nos das morais reconhecidas. Edmundo Bergler declara em
sua obra O Divórcio não Ajudará, que a monogamia é um estado natural, ou um
estado que corresponde à natureza humana. O homem não pode deixar de ser
bàsicamente monógamo e se sentirá melhor se se apegar à monogamia, por causa
do complexo de Édipo. Os anseios de Édipo, incestuosos de natureza, são recal­
cados: o superego conserva-os nos porões do Inconsciente e, em vez dos anseios
primordiais indeterminados e Instintivos, o superego estabelece os aprovados
pela moralidade, colocando qualquer desvio sob sanção. A mulher é a substituta
da mãe e, portanto, insubstituível. Todos os caprichos extramarltals são tenta­
tivas da parte do instinto recalcado para se reafirmar.
Neste raciocínio, dois pormenores merecem consideração. Primeiro, deve
ser notado que a Idéia de Indulgência não inibida, como condutora a uma maior
felicidade e um desenvolvimento mais pleno da personalidade, é aqui abando­
nada. A licenciosidade que tem sido encarada por alguns psicanalistas (não por
Freud), como um meio de evitar os conflitos, Já não é mais encorajada. Ou
eD~ ii-.08-. Psí° * nali8tas começando a verificar que há uma coisa tal como uma
moralidade objetlvamente válida e a tentar dar explicação disto a seu próprio
0d descobriram que desprezar os preceitos morais, por uma razão ou
x~ ° d* cm resultado uma vida feliz. Em segundo lugnr, fazendo um ou
S u ™ ? L PSiC^ Ust?s Part cem teaorar Que contradizem seus próprios prin-
condfepçáo períeltamente subjetivista não tem lugar para qual-
6u d,e moralidade objetiva. O subjetivismo deve ser relatlvista, por
fura síÍ I S o i^ fo r ^ ^ r t^ f m dC- ÉdLpo náo dePende de alguma particular estru-
tiva f » n u ! l lzaçao' Tem de ocorrer em qualquer sociedade, prlml-
com f teoí l 1 ái la4 democrática, ateística ou religiosa. De acôrdo
homem ™ 2»nPt , í lít/Ca és^e am p lexo é um efeito inevitável da natureza do
a tí í as ,as íormas soclals- Se se assume esta po3içâo-
f f í L í í S ! r 5 f f ? S . q]fe i í 4 algUm prlncíPl0 Imutável e lntrocável de rela-
1 « S t a S S ™ J í t J S P J ♦ 6t0 cl0aceüido' tóda noção da relatividade dc va-
lores, inclusive os éticos, se torna insustentável.
EXAME DE CONSCIÊNCIA
105

sujeito e contra o qual o homem muita, ,,a


ordem moral e universal e tem sido , S êzes 56 rebela Ta,
cida. E’ difícil de encontrar em quakm valmente reconhe
ção de que a unica diferença ent?e um vín teratura a asser-
sano reside no conteúdo de sua inconTciiS 6m sao e u» in-
te fácil de encontrar através das S e s um’ ^ as é ^ t a n -
çada entre o que um homem parece s e r « . a dlstinção tra-
éle é realmente em si mesmo, ou entre A -VÍZinho *e 0 que
veria ser. O homem tem de fato do s aspecto 6 é 6 ° í «
percebidos por poetas e filósofos. Como Brownin^dis^ Vêzes

“Louvado seja Deus, seu mais íntimo ser


Bifronte se apresenta: um rosto encara o mundo
O outro só à m ulher am ada se revela ”

Êstes dois lados da natureza humana relacionam-se com


anseios por um bem maior do que podemos concretizar em
nossa vida diária. H á sempre um ideal a atingir.
A tentativa freudiana de varrer fora nossa consciência
moral como versão disfarçada de algo mais, tem sido geral­
mente repudiada n a Europa. Mais recentemente, mesmo na
América, está perdendo sua força. Os comediantes estão fa­
zendo dela o alvo de suas pilhérias. Têm aparecido álbuns
de caricaturas ridicularizando-a. Quando se pensa a respeito
do assunto calm am ente, torna-se claro que poucas teorias
mais ridículas do que essa têm sido inventadas, teoria que
deriva o sentimento de culpa de uma pessoa da inibição de
um desejo potencial de m atar seu pai e casar com sua mãe
(complexo de É dipo) ou m atar sua mãe e casar com seu pai
(complexo de E lec tra ). T a l teoria não afirma êrro objetivo
a respeito de qualquer dos desejos, mas faz somente a afir­
mativa calva e sem prova de que eu sou feito para sentir a
culpabilidade, por causa do meu desejo recalcado de matar
o pai ou de m ata r a mãe. (10) 1 0

(10) A religião ó explicada por Freud de um modo similarmente fantástico.


^ religião ó uma ueurose geral compulsiva como a de uma criança e deriva ao
amplexo de Édipo, o parentesco do pai. E se o pecado original foi um
Jftra Deus, o Pai, o mais antigo crime deve ter eido o parricídio, o a ^ ssin io
[0 primeiro pai da prim itiva horda humana, cujo desenho memoratlvo íoi sub
muentemente transform ado em Divindade."
ANGÚSTIA E PAZ
106

C. E. M. Joad, comentando esta teoria, escreve:

“A explicação barra a saída de novo exigindo que


a questão seja explicada. Por que me sinto culpado
agora? Porque nos disseram que eu ou possível,
mente meus antepassados remotos desejaram co­
meter parricídio ou incesto. E por conseguinte? Por
conseguinte, presumivelmente, eu ou meus remotos
antepassados porque assim desejamos, temos um
senso de culpa. Ora, ou o parricídio e o incesto eram
coisas que êles pensavam que não deviam fazer, ou
não eram. Se eram, então a sensação de culpa, que
a teoria busoa explicar fora, será encontrada ligada
àquilo que é invocado como sua explicação. Se não
eram, é impossível ver corno o processo que leva ao
senso da culpa moral pode derivar dum passado re­
moto, no qual os homens não sentiam, moralmente,
do mesmo modo que os sentimentos de temor e re­
verência não podem derivar de um universo em que
nada é sagrado ou temível, cu o sentimento de apre­
ciação estética de um universo no qual nada é
belo”. (11)

O Dr. Edmundo Bergler, no seu estudo psiquiátrico THE


BATTLE OF THE CONSCIENCE (A B atalh a da Consciên­
cia) (12) rompe com aquêies que consideram a consciência
uma ilusão. “Todos têm uma consciência interior. Esta cons­
tantemente sob a influência daquele departamento íntimo da
personalidade. O cínico que ridiculariza a consciência esque­
ce-se de que seu próprio cinismo tem sua razão relacionada
com sua consciência. A violenta conduta do cínico é a ex­
pressão da guerra defensiva contra seu “inimigo interno” .
Golpeia outros, mas está atingindo a si mesmo.” “O velho adá­
gio que diz que uma consciência tranqüila é o melhor tra­
vesseiro para se dormir, é hoje confirmado por aquêies que1 2

(11) God and Evil, p. 210, Harper & Brotherr


(12) Washington Instltute of Medicine.
jCiAaivijK de
CONSCIÊNCIA
107
dormem- o u passam noites sem dormir -
travesseiro do materialismo. Desde m,» r sôbre o dum
a próPria P0SSlblli(Jade de culpa, fecha hel ^ fU° sofla 4 a
de cura. nes as possibilidade
Silencia-se a voz da consciência h*
tando-a, negando-a afogando-a ou f u g in d o !? mocioS: ma-
o inspirador daqueles que matam a c o n s c 4 . a' Nietzsche é
advoga francam ente o pecado, até o Z ® ' Este filósofo
ência se perde completamente e não há mmA T a cons« -
bem e mal. Como disse um antigo poeta dlstmÇão entre

“Por que férias não dar à consciência,


Como aos outros humanos tribunais?
O poder de adiar um a audiência
E de ultrapassar prazos fatais?” (13)

Nietzsche solicita o que êle chama uma “transvalia de


valores”, a qual faz do bem mal e do mal bem. Se tal abuso
é continuado bastante tempo, a consciência pode ser morta.
Quando alguém vai trabalhar numa fábrica a vapor, o baru­
lho é ensurdecedor nos primeiros poucos meses. Depois, isto
não é mais ouvido. D a mesma maneira, a consciência pode
ser afogada de modo que não a notamos mais, até as derra­
deiras horas despertadoras da vida, quando ela volta.
Outro modo de escapar à consciência é negá-la.

“Não deixemos que nossa alma atemorizem


Sonhos falazes; p ara os fortes conservar
Em temor, inventou-se outrora essa palavra
Consciência, que vis covardes utilizam”. (14)

Esta fu g a tom a geralmente a forma de uma racionali­


zação, por meio da qual h á um ajustamento de nossa cons­
ciência ao modo em que vivemos. Negando qualquer derra­
deira norm a fo ra de si mesmo, pode-se escapar a tôda auto-1
4
3

(13) Samuel Butler, Hudlbrat.


(14) W illiam Shakespeare, Richard III.
ANGÚSTIA E PAZ
108

censura e atravessar a vida numa perpétua missão de manter


as aparências. O marxismo é uma forma de negação da cons­
ciência porque atribui nosso senso de tensão íntima às con­
dições econômicas. Outras ideologias ligam a existência da
consciência à influência do rebanho. Tais filosofias todas
afirmam que o homem é extradeterminado e não interdeter-
minado. Negam que o homem seja livre e no entanto habi­
tualmente exigem para cada homem um direito de escolher
livremente suas próprias opiniões.
A terceira fuga é pelo afogamento da consciência.

“ó consciência, a que abismo me levaste


De terrores e mêdo; sem saída
Nêle vou me afundando mais e m ais”. (15)

Quando se comprova que se vendem por dia nos Estados


Unidos 6 milhões de doses de comprimidos para insônia e que
o consumo de álcool per capita foi recentemente estimado
em mais de mil cruzeiros por homem, m ulher ou criança;
quando se conta por 700.000 o número de alcoólatras con­
firmados e por 3 milhões o número de casos fronteiriços, há
nisso na verdade um forte indício de que m uita gente há na
nossa população preocupada em tentar afogar todo o senso
de sua própria responsabilidade, de sua liberdade e da carga
da escolha.
Não para desprezar é o quarto método de fu g a — a fuga
da consciência. Êste motivo é também aparente entre os que
se dão às drogas e os alcoólatras. Perderam a capacidade de
suportar o que quer que seja de desagradável.

“É o vício monstro tal, de fera catadura


Que somente de vê-lo a ira logo se ap ura;
Mas se freqüentemente o rosto lhe fitam os’
Temos dó, compaixão e depois o abraçam os”. (16) 1
6
5

(15) John Milton, Paraíso Perdido.


(16) Alexander Pope, Essay on Man.
EXAME DE CONSCIÊNCIA
100

Fugitivos das exigências da c o n d ia « •


diante do esforço de tomar qualquer detítóíf desan®iaram
a sua condição. E ncarar dificuldades imni f a ° U de suPerar
do desagradaveis. S u a inquietação iá C0lsas demasia.
U do conforto” E> um a queixa comum o H&da de
sente que a vida deveria correr suavemente n,h ° raem de hoje
incomoda-lo, que tudo deveria funcionar nada deveria
como as m aquinas de que gosta de cercar l t ° pf íeitamente,
pende. Somente n a certeza de rec o n m en «« í 6 das <luais de-
de boa vontade um trabalho pesado M u it L Peciais aceitará
da capazes de suportar certa quantidade L P®SSoas sao a>n-
coisas que acreditam mereçam êsse incômodo í a r f ° dos P °r
esforços p a ra garantir-se u m a renda .ao Pandes
tígio social. M a s h á entre nós alguns outros n,!fda- ou pres-
suportar nem m esm o os pequenos e inevit! q nao P°dem
da vida cotidiana. B uscam libertar-se dessas^ou® sofí'lment°s
ou por meio de q u alq u er das outras fu?a, t SaS pel° álc001-
Nessa tentativa de fu g a a todo e^fôrco iu atif f sponsabllidade.
do Livro do Gênesis de que o t e S ü t o T u m C° nceit°
homem não pode aceitar com prazer. Um C tlg0 1ue 0
Poder-se-ia m ostrar que todas as quatro formas de re­
pressão da cu lpa h u m a n a produzem seus efeitos sôbre o in­
consciente e sôbre o corpo humano. Qualquer negação da
consciência como a voz de Deus pode ser momentâneamente
eficaz, m as u m dia virá em que a consciência enganada vol­
tar-se-á com fú ria e hostilizará sua vítima, atormentando-lhe
a vida desperta e tornando seus sonhos um veneno e sua treva
um pesadêlo. Q u an d o a noite dá desafogo à nossa visão inte­
rior, a consciência cu lp ad a permanece desperta, temerosa de
ser conhecida em tôda a sua feiúra. Não há nada que tanto
desperte o m êdo doentio como um a culpa oculta.
Êste m êdo se evidencia de muitos modos: quando uma
pessoa não está direita por dentro, nada pode haver de direito
| nas suas atividades exteriores. Projetará em outros seu pró­
prio descontentamento. O que deveria ter sido uma auto­
crítica não revelada expressar-se-á em críticas e exigências
contraditórias. Se tal hom em é rico, pode tentar obter com­
pensação — talvez por causa de bens m al adquiridos — es-
a n g ú s t ia e paz
110

posando uma causa comunista, ou fundando Jornais esquex*.


|AA)(Uauv w*.— _
distas. Se faz parte dos intelectuais (o
<o que significa
suguu^a que
4ue foi
educado muito itn além de sua inteligência), tentará aliviar sua
'---
consciência por um pretenso interêsse pela justiça social ou
zombando da religião. O homem culpado procura ajustar-se
a seu ambiente, embora saiba que a causa de sua perturba-
™ a ^
çãcTé o rfAsnmstamento
desajustamento consigo mesmo.
mesuw. (Pode estar bas-
tante errado isto de procurarem as pessoas ajustar-se ao seu
ambiente, enquanto não estejam certas de que êsse ambiente
é o que lhes convém perfeitamente.) Tal alma consome-se até
a morte, enquanto corre dum psicanalista a outro, lutando
com o problema do eu doente. A despeito dêsses esforços
aparentes para encontrar uma cura. está fugindo à verdade
a respeito de si mesmo, como um homem pode ter mêdo de
abrir suas cartas julgando-as memorandos de suas contas
não pagas.
Psicólogos profundos revelam que certas emoções têm
repercussões sôbre a natureza física do homem, como a me­
dicina psico-somática testemunha. Assim poderiam também
mostrar que as repressões imorais da consciência podem ter
efeitos ainda mais sérios. Não somente destroem o caráter,
mas criam também desordens no pensamento inconsciente.
Assim como o galo cantou, quando Pedro negou Nosso Se­
nhor, da mesma forma a natureza se levanta revoltada contra
nós, quando praticamos um êrro. Um médico tratando 100
casos de artritismo e colite descobriu que 68 por cento dos
pacientes sofriam um sentimento oculto de culpa. H á um caso
registrado na Inglaterra de uma mãe cujo leite envenenou
seu filhinho, por causa dum intenso ódio que votava a seu
marido: o estado espiritual doentio de sua alm a havia preju­
dicado não só seu próprio espírito mas o corpo de seu filh o .
Em uma das histórias do Evangelho, quando um paralí­
tico foi descido pelo teto, Nosso Bendito Senhor lhe disse:
“Teus pecados estão perdoados.” Aconteceu estarem presen­
tes numerosos escapistas que riam diante da culpa e da ordem
moral, e escarneceram dessa importância dada püblicamente
a pecados. Nosso Bendito Senhor encolerizou-se contra êles e
disse: “Que é mais fácil dizer: “Teus pecados te são perdoa-
EXAME D* C0N8C1ÃNC1A
111

w » ou “ Levanta-te e caminha?” (Mat *


® * dtotamente caminhou. Man notai a ordem- nr° h?mem
geados do homem foram perdoados e depoí, S i °*
p,e considerável testemunho médico aeor-i i t i t * erP *w -
var que memórias tintas de culpa p o ^ m aum p n tP ra pro'
babilidade de fraturas que os pacientes d.-poUStrih! * pr°"
Z í sorte”. Os “propensos a acidentes”^ ^ ^ à sua
brando pratos e braços, perdendo coisas ca ndn que‘
nias êstes acidentes são menos “acidentais” do que
-p o d e m ser secretos esforços para escapar às e v i l S P1
dever, podem ser um a autopunição disfaiçada À luz dwt« a
concebível que um a pessoa possa mesmo s u i c i d a r é
uma forma de “autopunição” por uma culpa que ^ ' e t e T
A autodestruição torna-se um caso extremo da a t i t Z ^ ,
incita um homem a dizer: “Merecia bater em mim ™ q
por fazer isto.” A lguns suicídios são claramente
de tais impulsos subconscientes. ' expressoes
Um a consciência desprezada pode vingar-se de vários
modos ínvios. H a muitos homens que sofrem de desordens
físicas, achando difícil m anter relações normais uns com os
outros, nervosos e descontrolados em casa e no escritório
simplesmente porque têm um a culpa reprimida. Ou esta não
foi trazida à supei fície de modo algum, ou tiveram-na êles
explicada por aqueles charlatães sem ciência que não vêem
na natureza do homem nenhum a diferença ou transcendên­
cia sôbre a de um a barata. Mas não há escapatória a lei da
natureza hum ana. Como é lembrado na Escritura- "Vossos
pecados vos descobrirão.” Justamente como uma recusa ao
estudo na m eninice produz uma ignorância que nos é reve­
lada na vida m adura, quando nos descobrimos incapazes de
lutar contra a existência econômica, assim também aquêles
pecados que nós pensamos que não têm importância, que
pusemos de parte pelo raciocínio, ou negamos, ou jogamos
dentro do nosso inconsciente, far-se-ão de certo modo sentir
em seus efeitos sóbre nossa saúde, nossa atitude de pensa­
mento e nossa visão geral da vida. O pecado reside primària-
rnente na alma mas secundàriamente reside em cada nervo,
em cada célula e em cada fib ra do nosso ser e em cada canto
âNGÚSTIA E PAZ
112

do nosso cérebro. Numerosos indivíduos que vivem em casa­


mentos inválidos não estão gozando o aspecto físico de seu
casamento simplesmente porque têm de viver com consciên­
cias que não lhes darão nem mesmo o descanso de seu corpo.
Isto é particularmente verdade a respeito daqueles que tive­
ram outrora fé e a perderam. Depois de morto o primeiro
ardor da excitação do namoro, a consciência começa a reafir­
mar-se. Descobrem que não se entregaram completamente
um ao outro, porque não estão de posse de si mesmos, uma
vez que cometeram uma clara e consciente violação de sua
amizade com o Pai Celestial.
Há muitos homens que cumprem seus deveres à luz do
dia com uma aparente paz de espírito, mas que, à noite, por
causa dum não reconhecido senso de culpa, sentem aquêles
tormentos que os tornam, como ateus, medrosos do escuro.
Como um homem pode ter uma mente limpa e um pensa­
mento ativo, mas também pode ter uma doença do cérebro
que mais tarde se revelará, da mesma maneira muito homem
pode aparentar retidão e espírito nobre, generosidade e tole­
rância, embora vá sendo gradualmente devorado interior-
mente por uma culpa oculta. Por isso é que os homens espi­
ritualistas de outrora exclamavam: “Limpa-me de minhas
faltas ocultas, ó Senhor.”
Como poderemos evitar êstes modernos sofrimentos que
brotam da culpa oculta? Muitos dêles cederiam a um exame
de consciência à noite.
Não há negar que a análise do inconsciente é muito mais
popular do que um exame de consciência. Como substituto,
parece muito mais atraente no princípio. Ninguém faz ques­
tão de examinar seu inconsciente ou mesmo de deixá-lo ser
examinado; mas quem é que não se incomoda com examinar
sua própria consciência ou deixá-la ser examinada? Um es­
capista não tem coração, nervo ou estômago para encarar sua
própria consciência pois ao longo de cada um dêles existem
três poços que produzem três reflexões diferentes. Olhamos
para dentro de um poço e ficamos satisfeitos conosco, porque
neste poço nos vemos como somos aos nossos próprios olhos.
No segundo poço, nos vemos como nosso próximo nos vê. Mas
EXAME DE CONflCTÈWClA
U3
n0 terceiro poço nos vemos como rv
realmente somos. E ’ a êsse terceiro ’ I'0’ T?- é, com«
consciência nos leva ao findar de cada a° que 0 mtarne
neira que um homem de n e g ó c i o s m< W n í
sua caixa registradora a relação de «vkta d° dia « t i r a ^ I
também ao fim de cada dia, cada alm l ? e créditos assim
consciência, não fazendo de si mes^ dev* * a «am in a? sua
como aparece a luz de Deus, seu ( £ £ £ ? * * °* ,»a s vendia
O exame de consciência traz à Juiz-
d0 dia. Busca descobrir as cizânias mm \ - s ,altas ocultas
seara da graça de Deus e destruindo a ™ aV Uf0cand° *
respeito a pensamentos, palavras e obras f da alma- Diz
são e a pecados de comissão. Por 0m f « L pecados de omis-
bem que não é praticado, o deixar-se ^ m qU" emos d«e r o
necessitado, a recusa de oferecer uma r J u !*"0 0 Próxi™o
àqueles
àqueles que
que estão sobrecarregados de
estão sobrecarregados tr iJ l ^
de tristeza. Os de cor>sólo
necadõT riZ
imnlicam observações malieinsi,
comissão implicam maliciosas m „ entirS
^ , f cadoa
^ ! d«
?
desonestidade e aqueles sete pecados que são os sete ^ r ^
gadores do entêrro da alm a: a soberba, o S ro r delort n ^
do dinheiro, as relações sexuais ilícitas, o ó I o i S
complacenaa. a inveja a preguiça. Em acréscimo a tudo teto
ha o exame para aquüo que os escritores místicos X ™ ™
nossa “falta predominante”. Cada pessoa no mundo t e «
pecado que comete mais do que os outros. Os diretores esn?
rituais dizem que se riscássemos um grande pecado durante
um ano, dentro de pouco tempo seríamos perfeitos.
Pelo fato de relacionar-se com a culpa, como uma ofensa
contra o am or a Deus ou ao próximo, o exame de consciência
é completamente distinto das tentativas de cura das formas
patológicas de culpa, que obcecam alguns espíritos contur­
bados. Aquela nunca poderá ser obliterada por qualquer
forma de análise ou psiquiatria; estas últimas podem ser in­
cluídas naquele campo e podem igualmente pertencer ao do­
mínio espiritual. Daí, devermos distinguir entre culpa, no
estrito sentido do têrmo e culpa no largo sentido do tèrmo.
O sentimento de culpa implica sempre a certeza de ter dei­
xado de cum prir algu m dever: as diferenças nas duas formas
de culpa surgem dos deveres reconhecidos pelo indivíduo. A
ANGÚSTIA E PAZ
114

culpa no sentido lato do têrmo, nao necessita de ser relacio­


nada à uma falta de obediência às leis morais; leis infringidas
ou tarefas não realizadas podem ser de outra espécie e ainda
causar-nos remorsos. Se um homem estabelece para si mesmo
um alto padrão para tôdas as suas realizações e, por sua pró.
pria culpa ou por causa de circunstâncias adversas, deixa de
viver segundo êle. pode sentir-se culpado. Na verdade, um
homem pode sentir-se culpado porque nao deu a resposta di­
reita num programa de enigmas; um cavalheiro pode sen­
tir-se culpado porque fere a reputaçao da família; um cava­
leiro medieval sentia-se culpado porque tinha deixado de
observar o código de noblesse oblige. Contudo em nenhum
dêsses casos estava o pecado necessàriamente envolvido.
Há um sentimento de culpa que se prende ao orgulho.
Algumas pessoas, porque não vivem de conformidade com
suas próprias expectativas, sentem-se culpadas. E> difícil sa­
ber se êste fator desempenha determinado papel no desen­
volvimento da melancolia, com seu excessivo sentimento de
culpa. Pierre Janet pensava que cada ataque de melancolia
patológica era precedido por uma experiência de derrota.
Acrescentou, porém, que tais disposições de ânimo podem ter
longo período de incubação e que a experiência de abandono
pode ter ocorrido vários meses antes de haver-se a depressão
melancólica desenvolvido. Em casos em que os sentimentos
de culpa parecem ser infundados, um a pesquisa mais indaga­
dora no passado da pessoa aflita muitas vêzes revela que há,
na verdade, uma boa razão para que ela tenha um a má cons­
ciência. Não é preciso regredir a um a meninice remota ou
postular uma situação edipiana para descobrir isto. Todo
homem praticou coisas que preferiria nunca ter praticado.
Nietzsche, bem antes de Freud, observou: “Fizeste isto”, diz
a memória. “Não posso ter feito isto”, diz o orgulho. E a me­
mória dá-se por vencida.
Aiguns psicanalistas afirm am que o simples rastejar re­
trospectivo do sentimento de culpa até as raízes instintivas
do inconsciente libertará o paciente dêste sentimento. Quan­
do não se segue êste efeito, diz-se ao paciente que o que quer
que êle tenha trazido a lume até agora não é a m em ória di-
^ " m ;iE N C lA

r e l t a - o "traum a” _ e que pode „fio .


que retrograde às suas verdadeiramente n ,? trf la- a ">enos
cias. Seu sentimento de culpa é exDl?rLP melras «p e riín !
íôrças inconscientes apagando t ô d / à c t ^ V 0" 1*0 0
ferlr não lem brar de ter feito. Mas i«to êIe P°de pre-
0 sentido de culpa do paciente dc m erton^ Va c a dlzer que
sua vida em que não somos responsável “m. i*riodo de
esta uma crença confortadora se não vlr'.iJl lnfância. Seria
humana universal de que a culpa e a lib S a .«periêncla
Veis; somente sêres livres podem pecar á tosePa
pode escolher entre obedecer ou desafiar « ,ente 0 hom« n
tureza. O gêlo nunca peca por se derreter 3ua na-
falta por apagar-se. ’ nem 0 fogo comete
Esta relegação de nossos erros para a „„„
Irresponsável é um exemplo a mais do mmt ,3à meninlce
dicial de pensar, comum à moderna psicologia com8?»6 Píeiu*
diana. Não pode encarar o fato de ciue n homL?01" ^ íreu‘
sentimento de culpa, porque se reconhrr? ?1 ? ? * * Ur « ®
feito algo mau. O fm lid is t n lo « ra r 7 C £ taver
possibilidade de que 0 sentimento de culpa possa d e s a ^ f 0 a
uma vez que suas raizes verdadeiras (e J t o r? l t £ Mecer'
ciente”) sejam reveladas, contanto que a Z c l f r “ 5-
e torne em bem o m al que havia feito. Tal p s i c K L
considerará esta possibilidade, porque está e o n v e S £
sòmente a pesquisa do inconsciente pode acarretar m ^ih ™
- o que significa, para êle, fazer dekoMecer 0 "sbftom ?^
Tal psicanalista não está, naturalmente, em c o n S T d e

penitência 0 “ efÍCáCÍa ° U nà° eficácia da ~ X T e £

O freudista por vêzes argumenta que a confissão não faz


bem em curar complexos, quer se originem êles de uma ofen­
sa contra a lei m oral ou não. Usualmente define erradamente
a confissão como um simples “ desabafo” . Esquece-se de que
a confissão im plica reparação. O dinheiro roubado deve ser
restituído. O equilíbrio da justiça deve ser restaurado. Quan­
do a culpa deriva de um pecado verdadeiro, há um poder
curativo neste desandar de passos falsos. Na prática, vè-se
muitas vêzes um m órbido sentimento de culpa desaparecer
116 ANGÚSTIA E PAZ

quando sua causa real — o maldizer é reconhecida pri­


meiro por nós mesmos, depois admitida perante outrem e fi­
nalmente compensada por uma adequada expiação. Mesmo
pôsto de parte o caráter sacramental da confissão, há o con­
forto psicológico em “fazer penitência”, de modo que o mal
praticado no passado possa ser compensado por algum bem
feito agora. (Por esta razão, poderia ser bom para a Igreja
restaurar algumas das rigorosas penitências impostas aos pe­
nitentes na sua história primeva.)
Os sentimentos de culpa têm, muitas vêzes uma causa
razoável e profunda nas recordações que o homem sente de
um malfeito não admitido. Aqui uma prestadia distinção feita
pelos Escolásticos deve ser relembrada. Há duas espécies de
mal: malum culpae, ato executado com liberdade, responsa­
bilidade e repúdio de Deus; e malum poenae, que é algo que
acontece â nós fora de nossa deliberada escolha — algo como
uma dor no pescoco. Uma é um mal moral; a outra um mal
físico ou mental. O Sacramento da Penitência só tem que ver
com a primeira; a psiquiatria, propriamente, lida com os ma­
les mentais resultantes originalmente de causas não morais.
Às vêzes há repercussões mentais ou físicas por causa do
pecado; nestes casos, devia haver paz de alma antes de poder
haver paz de espírito. As duas não são a mesma coisa: a paz
da alma implica tranqüilidade de ordem, com coisas materiais
ordenadas ao corpo, o corpo à alma, a pessoa ao próximo e
a Deus. Paz de espírito é tranqüilidade subjetiva — uma
coisa mais limitada. Requer-se grande esforço moral para
atingir a paz de alma, mas mesmo aquêles que são indife­
rentes ao bem e ao mal, muitas vêzes logram realizar a paz
de espírito (o que as Escrituras chamam de “falsa paz”). Por
outro lado, pode ser que as desordens mentais impeçam o
progresso moral e espiritual. Neste caso um profundo exame
psiquiátrico é preciso preliminarmente para o auxílio esclare­
cedor ao padre. O psiquiatra profundo e o diretor espiritual
podem contribuir, mútuamente, em auxílio um do outro. Isto
é tão óbvio que desenvolvê-lo seria tão vão como criar uma
sociedade de admiração mútua. Mas nosso primeiro interêsse
aqui é mostrar a diferença entre culpa e doença, protestar
EXAME DE COfrISCifeNCIA
117

roritra a redução de uma a outra e indicar algumas vantagens


do auto-exame em casos em que ele é exigido.
Tôda pessoa tem um cantinho no coracão aonde nunca
nuer que alguém se aventure, mesmo com uma vela. E’ por
üço que podemos iludir-nos a nós mesmos e que nossos vizi­
nhos nos conhecem m elhor do que nos conhecemos. O exame
Ho inconsciente, se usado como substituto do exame da cons-
riência, som ente intensifica esta ilusão. Nós muitas vezes
nos justificam os dizendo que estamos seguindo nossas cons­
ciências, quando estamos apenas seguindo nossos desejos.
Acomodamos um credo ao modo em que vivemos, em vez de
acomodarmos o m odo em que vivemos a um credo; ajustamos
religião a nossas ações, em vez de ajustarmos as ações à
religião. T en tam os conservar a religião numa base especula­
tiva a fim de evitar censuras morais a nossa conduta. Sen­
tamo-nos ao p ian o da vida e insistimos que c-ada nota que
t ramos está c e r t a . . . porque a tocamos. Justificamos falta
de fé dizendo: “Não vou à Igreja, mas sou melhor que aqueles
nue ali v ã o ” , com o se se pudesse dizer: “Não pago impostos,
nem sirvo à nação, mas sou melhor do que aqueles que o fa­
zem ” Se cada h om em é seu próprio juiz e modêlo, então
quem h averá de dizer que êle está errado?
Não somente o exame de consciência nos curará de tal
auto-engano, mas também nos curará da depressão. A de­
cresço se origina, não do fato de ter culpas, mas da recusa
em enfrentá-las. Há dezenas de milhares de pessoas hoje so­
frendo de temores que, na realidade, nada sao senão os efei-
tos de pecados ocultos. A consciência depravada e sempre
uma^consciência medrosa. As p i o r e s conturbaçoes nos vem
de nosso fracasso no encarar
uma dor que esta Pies^ estd L m v ir ) A morbidez au-
preocupaçao igu al que amda e & suJ modificação ou a
menta com a negaçao da culp » n d vem a depressão
ocultação da parte ulcerada. (17) Donde vem P

(17) A psicanálise fr eudlan* . superego de se mostrtrem^TttdJ


dutldas ao Inconsciente e a frustração de algum an?*10 tocl»-
experlêucla penosa deve seu Çaràter á i r u s i^ wb sançàO V** * * *
instintivo, relegado ao lnconaciente por ter « a
a n g ú s t ia e paz
118

da autopiedade, se nâo de uma total indiferença pelos inte­


rn e s de outros, o que é um pecado? Um soldado num campo
de batalha não oculta a ferida se ama a sua causa e a alma
oue pode lançar sua ansiedade e sua angustia sôbre um Deus
todo amor está dessa forma a salvo da autopiedade. Muitas
almas são como pessoas com furúnculos, que poderiam ser
curadas lancetando-os, o que permitiria ao pus sair. Seus pe-
cados supressos dão origem a esta fcima de tristeza. (18)
Nunca houve na história da Igreja um santo que não fôsse
alccrre • tem havido muitos santos que foram grandes peca­
dores. como Agostinho, mas nunca houve santos tristes. Isto
é compreensível: talvez não pudesse haver uma coisa na vida
mais deprimente do que o conhecimento que se tem de que
se foi culpado dum grave pecado, sem a sorte de que gozam
os cristãos de recomeçar de novo do ponto de partida. S. Paulo
sàbiamente distingue entre a tristeza da culpa que coahece
a Redenção e a depressão daqueles que negam tanto a sua
culpa como a possibilidade do perdão. ‘ Porque a tristeza, que
é segundo Deus, produz uma penitência estável para a salva­
ção; mas a tristeza do século produz a morte.” (2.a Cor.
7:10.) “Pois sabei que, desejando êle ainda depois herdar a
bênção, foi rejeitado, porque não lhe foi possível fazer com
que mudasse de resolução, pôsto que lhe pedisse com lágri-

dade e pelo superego. Assim a psicanálise freudiana pode fácllmente explica,r


oue certa» experiências (prlnclpalmente as que causam dor ou um sentimento
de culpa) são reprimidas e conservadas fora de, consciência pelo "censor".
Se, porém. nSo é aceito o sistema freudlsta (e neste ponto não ajuda), entfto
torna-se discutível se os atos maus "esquecidos" são verdadeiramente inconscientes.
Multas pessoas admitirão que nâo Ignoravam coisas que ostensivamente tinham
esquecido. Talvez se devesse considerar outro mecanismo na mente além do da
repressão. Há uma tendência no homem para desunir certos acontecimentos,
lembranças e fases da vida do restante, o que é fácllmente reproduzido na cons­
ciência. O homem se desvia de algo que conhece, tenta “ esquecer-se disso" c
depois de certo tempo se torna aparentemente esquecido disso. Mas, na verdade,
apenas adquiriu o hábito de evitar certos caminhos de pensamento, Justamente
como os que foram roubados podem banir tôdas as coisas que lhe recordem a
perda. 6entem que melhor será para êles quanto menos oportunidades houver
de ser recordado. Assim também a mente bane certos pormenores que poderlum,
se despertados, levar a recordações em que náo se quer pensar. Mas Isto náo
é o que Freud concebe como o inconsciente.
(18) Há outras formas de melancolia, por ex., a melancolia “ sintomática"
ou depressfto, ocorrendo náo poucas vêzes nas doeDças orgânicas mentais (pro­
cessos 6enls, paresla progressiva, epilepsia): há também estados inelancollcoa
dependendo de outros fatôres corporais (meiancolia involuntária nas mulheres).
Pode ser veraade que íatõrea mentais, tais como a consciência da culpa, nâo sejam
determinantes da melancolia, no sentido estrltamente psicológico do tênno.
EXAME DE CONSCIÊNCIA
119

mas.” (Hebreus, 12:17.) o exame de pnntl„,A .


te alivia nossa tristeza, não sòmente nos d á " ^ " f 1 sòmen-
nidacle quando perdoados, mas nos restauía no^mw 0P°rtU‘
No exame de consciência uma nessoa « ._ , '
no seu próprio pecado do que na Misericórdfa de menOS
o ferido se concentra menos nas suas feridas do C°T°
do médico que ata e cura as feridas. O exame de comoS ”
não desenvolve complexo porque é feito à luz da S a T
Deus. O eu não é o modêlo, nem a fonte da esperancem!»
a fragilidade humana e tôda a humana fraques cão
à irradiaçao da infinita bondade de Deus e nm 1 ? ! ^
sequer é uma falta separada do conhecimento Sa D iZ a m
sericórdia. O exame de consciência retrata o pecado não
como a violaçao da lei, mas como a ruptura de uma relação
Gera tristeza, nao porque um código foi violado, mas porque
o amor foi ferido. Assim como a despensa vazia leva a dona
de casa a padaria da mesma forma a alma vazia é levada ao
Pão da Vida.
Nem é tampouco o exame de consciência uma concen­
tração sôbre a própria consciência desordenada de alguém, à
moda de um místico oriental que contempla o próprio umbigo
A introspecção excessiva leva à imobilidade e à morbidez!
Nenhum espírito ou almas são mais desamparados do que
aqueles que dizem que “resolverão a questão sozinhos” A
alma cristã sabe que necessita do Auxilio Divino e por isso
volta-se para Aquêle Que nos ama, mesmo enquanto ainda
somos pecadores. O exame de consciência, em vez de induzir
% à morbidez, torna-se por êsse meio uma ocasião de alegria.
Há dois cam inhos para conhecer quão bondoso e quão amo­
roso é Deus. U m é o de nunca perdê-LO, por meio da pre­
servação da inocência, e o outro é o de encontrá-LO depois
de O havermos perdido.
O arrependim ento não é olhar para si mesmo, mas olhar
para Deus. N ã o é autocensura, mas amcr a Deus. O cristia­
nismo nos m an da que nos aceitemos tais como realmente
somos, com todas as nossas faltas, nossas quedas e nossos
pecados. E m todas as outras rel:giQ$i, a gente tem aue ser
bom para chegar a Deus. N~ não.
120 ANGÚSTIA E PAZ

rnn node ser descrito como uma “reunião venha-como-está”


Manda que paremos de nos preocupar conosco, de nos com
centrar em nossas faltas e em nossas quedas e confiá-las ao
Salvador com um firme propósito de emenda. O exame de
consciência nunca induz desespêro, mas esperança. Alguns
nsicólogos. pelo próprio uso de seu método, tem levado a pa2
mental a indivíduos, mas somente porque descobriram uma
válvula de salvação da pressão mental. Deixaram sair o va­
por, mas não repararam a caldeira. E ’ esta a tarefa da Igreja.
Pelo fato de ser o exame de consciência feito à luz do
amor de Deus, começa com uma oração ao Espírito Santo
para iluminar a nossa mente. Uma alma age então para com
o Espírito de Deus como para com um relojoeiro que acertará
nosso relógio. Pomos um relógio em suas mãos porque sa­
bemos que êle não o forçará, e pomos nossas almas nas mãos
de Deus porque sabemos que, se Êle as inspecionar regular­
mente, trabalharão como deveriam trabalhar.
É verdade que, quanto mais perto estamos de Deus, mais
vemos nossos defeitos. Uma pintura revela poucos defeitos à
luz duma vela, mas a luz do sol pode revelar que não passa
de uma borradela. Os verdadeiramente bons nunca acredi­
tam que são bastante bons, porque estão se julgando em vista
do Ideal. Em perfeita inocência tôda alma, como os Apóstolos
na Última Ceia, exclama: “Porventura sou eu, Senhor?”
(Mat. 26:22.)
O exame de consciência é originàriamente um a concen­
tração sôbre a bondade e o amor de Deus. Tôda alm a que se
examina a si mesma olha para um Crucifixo e vê um a rela­
ção pessoal entre si mesma e Nosso Divino Senhor. Admite
que a Coroa de Espinhos teria sido menos perfurante se ela
houvesse sido menos orgulhosa e vã e que se houvesse sido
menos ligeira em despenhar-se pelos atalhos do pecado os
Divinos Pés teriam sido menos perfurados pelos cravos. Se
houvesse sido menos avarenta, as mãos não teriam sido tão
fundamente pregadas pelo aço e se houvesse sido menos car­
nal o Salvador não teria sido despojado de Suas vestes.
Essa figura sôbre a Cruz não é um agente da M V D ou
um inquisidor da Gestapo, mas um Médico Divino, Que sò-
BXAME DE COKgcrtscu
121

mente pede que levemos a Êle nossas fPri„


n3 posai curar. Se nossos pecados fnr»~ da*> a flm q»
branc°s como a neve, e se forem v e r m e Î L f ^ 1***8' «carfc
ficarão brancos como a lã. Não foi I ^ V 0" 10 carmesim
«Digo-vos que cio mesmo modo haverá m ,^ uera n°s disse-’
por um pecador que fizer penitência, que a“ r íübil° n° céu
justos que nao tem necessidade de D e n i « L ^ L noventa e nove
Ite História do pródigo, não descreveu 7 (L«cas 15 7 ?
«Comamos e banqueteemo-nos: porcme a.t» com° dizendo-
morto e reviveu, tinha-se perdido e foi ® eu füho estava
15 :23 , 24 .) * 101 enc°ntrado”? (L£ £
Por que h á mais alegria no céu pelo pecador
d0 que pelo homem reto? Porque a atitude a ^rrependido
julgamento m as amor. No julgamento nSo d Deus não é
tão jubiloso depois de cometer o mal c o l ? ? 1* a gente
amor, h á alegria porque 0 perigo e a n Z 5 t e ; mas ^
aquela alm a já passou. O que está doente I P Ça° de perd»
que aquele que está são, porque necessita ^ f 1S4,amado d<>
girão doença p a ra solicitar amor e p r e t e v t ^ Í/Uguns fin-
que 0 amado possa curá-las. P tejrtarao íendas para
Aquêles que negam a culpa e 0 Decarin *So
riseus de outrora que pensavam q u e N o a o ? fa'
um “complexo de culpa” , porque 03 acusm? S ,oalvador tinha
cros caiados, limpos por fora e por dentm í Serem sepuI"
dos cadáveres. Aquêles que admitem que s â T c Ù m a îf 0SS0S
melham-se aos pecadores públicos e ao« ™,k? culpados M e ­
disse Nosso Senhor: “N a de,
e as m eretrizes-vos levarão a dmnteira’ nn'18-08 p,ub lcanos
(Mat. 21:31.) Aquêles que pensam r,,,! - rem° de DeU3”
têm um câncer m ora! oculto? são in cu rá vel o s ^ n f ’ M
querem ser curados têm um a oportunidade T ô d ^ n ^ » * 1- 8

fato de as induzir a se crerem direitas, impede uma em a.

dien nin n L íat0S de cura na ordem fisica sâo estes: um mé­


dico nao pode cuiar-nos a menos que nos entreguemos a suas
“ nao entregarem os a suas mãos a S que sm-
5 ?“ eStar S d° entes- Da raesma tnaneira, a œ rteza
que tem do pecado um pecador é um requisito para sua cura;
aicgústia e TAZ
122

o outro requisito è seu anseio por Deus. Quando ansiamos por


Deus assim agimos, náo como pecadores, mas como amantes.
E ’ verdade que, depois dc nosso exame de consciência,
descobrimos que somos indignos do amor, mas é precisamen­
te isto que nos faz querer Deus, porque Êlc é o ünico Que
ama o indigno de amor. “Quem quererás descobrir que ame
um ignóbil como tu, senáo Eu, senão Eu sòmente?” (19)
C apítulo VII

PSICAN ÁLISE E CONFISSÃO

Há algumas décadas passadas ninguém acreditava na


confissão dos pecados, a nao ser a Igreja. Hoje tôda a »ente
acredita na confissão, com esta diferença: alguns acrediUn
na confissão de seus próprio3 pecados; outros acreditam nk
confissão dos pecados alheios. A popularidade da psicanálise
já quase convenceu a todos da necessidade de alguma m è
de de confissão para a paz do espírito. Este é um outro
exemplo de como o mundo, que lançou as verdades cristãs à
cesta de papéis, no século X IX , está tirando-as para fora
em forma isolada e secular no século XX, enquanto se ilude
acreditando que fêz uma grande descoberta. O mundo des­
cobriu que não poderia continuar mais sem algum alívio para
sua infelicidade interior. Uma vez que havia rejeitado a con­
fissão e negado tanto Deus como a culpa, tinha de descobrir
um substituto.
Nosso objetivo particular aqui, como de costume, não è
nem a psiquiatria , nem o método pstcanalitico, ambos os quais
são válidos nas suas esferas. Limitamos a discussão somen­
te àquele simples grupo psicanalíüco que afirma coisas como
estas: o homem é um animal; não há responsabilidade pes­
soal e portanto não há culpa; o método psicanalitico é um
substituto da confissão.
Comecemos de maneira positiva: o Sacramento da Peni­
tência, ou Confissão, foi instituido pelo Nosso Divino Senhor
e satisfaz as mais profundas aspirações da alma humana. A
experiência revela estas três aspirações: quando um homem
age mal, quer confessar isto. Porque sabe que isto foi um
mal, não o dirá a qualquer um que encontre, mas soment.
a algum representante da ordem moral, pois o que busca e
angústia f. taz
124

perdão. E. parn regressar à trilha direita, o homem deseja


algum ideal mais alto do que êle próprio, ou mesmo do que
o seu companheiro, algum modêlo infalível e absoluto, com
um interlocutor desejoso de ajudá-lo a atingir aquêle ideal.
1. CONFISSÃO. Nenhum ser humano se sente satisfei­
to
W/
com — intranqüilidade no coração, a inflamá-lo e ulcerá-lo.
a ---------.
nofm-PM inteira
a natureza
A inteira fala
fala a favor
C* AM Vv* do alívio e a consciência alega
--------
as suas reclamações. Uma substância estranha, que o estô-
- pode assimilar,
iso não ocdmilar neie
nêle p O estuiiiagü
en eira, kj
penetra. , re-
estômago se
wrte e v i t o fora a causa do distúrbio. Um argueiro cal
V0*7, * ™ ‘ , rP dores e lágrimas, o olho exige que o cisco
r e ja T m o v i d C i S i ê n c f a não é diferente: todo pecado
busca alívio. , .
A consciência de algo errado — de um pecado clamando
para ser expelido - pode ser recalcada e muitos homens e
mulheres usam de tal ocultação para escapar a autocensura.
Quer do ponto de vista psicológico, quer do ponto de vista
espiritual esta repressão é bastante perigosa, afetando a saú­
de tanto do corpo como do espírito. Alguns tentam escapar
às suas consciências inquietas pela negação de sua culpa par­
ticular, enquanto outros acreditam que, se se abandonarem
ao mai e esquecerem todos os totens e tabus morais, al­
cançarão satisfação. Mas estão grosseiramente enganados:
nada em todo o domínio da psicologia é mais destrutivo da
personalidade do Que a noção de que as proibições morais cau­
sam recalques doentios, por impedirem a soltura de instintos
animais e necessidades primitivas. Os impulsos destrutivos
é que devem ser recalcados e não o conhecimento de nossas
faltas. Os indivíduos que inverteram esta regra saudável têm
ínvariàvelmente agravado muitas vêzes mais o seu anterior
estado nervoso. De fato, a supressão do eu ético para permi­
tir a tolerância sem freios do eu animal é uma das principais
causas das desordens mentais no homem moderno. A repres­
são difundida da culpa (em vez da justa repressão da cólera,
do ódio e da luxúria) tem tido tão sérias conseqüências que
o mundo moderno chegou finalmente a perceber a necessi­
dade de declarar ou confessar algum as das causas ocultas dos
casos de distúrbios m entaii.
PSICANÁM8K E CONFISHÃO
125

A Igreja se opõe à repressão em tortr.. » ,


tem dito: "Confessai vossos pecados; dizei ”3 " ^ » . S e m p r e
les; contai-os francamente.” A pciciioote „ i ‘bertai.vo, dè.
afinal a sabedoria da doutrina cristã e L a , » v,“rific<w
primais vossos complexos. A repressão do r o n r ^ f “Nâo re‘
é má.” A própria repressão de um^desordêm a mente
eosa para o corpo, como a repressão de é Perl-
perigosa para a alma. Se um pedaço d e S i d r n ^ 6" 1 moral é
a mão primeiro tentará expeli-lo, sanmanrin ®, tr^ na
pode livrar do vidro, então passa a cercado 3 ,ando ^ se
: fibroso para evitar que êle prejudique o resto d o ^ tecido
Quando o médico mais tarde opera e retira 7 o d)
para evitar a infecção, está fkzendo 0 que de
meiro tentou, isto é, evitando a repressão e prt'
irritação. N a ordem moral, Nosso Divino S e n h o r ' S qUente
repressão dos pecados era perigosa; se os a c o b e r w L qUe a
sarão um a irritação com conseqüèncias S S “ 2 2 í
que ordenou a Seus apóstolos que se e s o a l h a s f ^ L i ^ tol
evitando a repressão^ com ouvir c o n ^ 3™
pecados. Agora a psiquiatria viu a sabedoria T ? a« r ° “
favor do espirito doente o que os médicos semore f i z S i
favor do corpo e o que a religião tem feito pela S
tempos imemoriais — obter alívio, uma confissão
M as conservar o pecado para si mesmo é pior do que
conservar um a ooença para si mesmo. Um paciente confil
sua doença física ou m ental ao médico, como um estudante
oferece sua ignorância ao professor. Por que não teria tam
bém o pecado seu confidente? A memória do malfeito se
conserve, d a p a ia si mesma, fa rá um a de duas coisas: ou tor­
nar-se-á um a tentação para repetir o pecado, ou seu remorso
paralisara nossos esforços morais de melhoria, com palavras
tao desesperadoras como “ Oh! para que serve?” O que é a

nrt«lui-iNo prln-eiro Período da pslcanáliae, quando a« conccpcôea teorètica* eram


B S “» a w Ue J B re u e r * d e « n » o l v e . . ea.e a lu a d t q u ã uma
um C* daLC*Uû<la exyreasAo ou descarga e que foi recalcada aïuana “ como
CÓ-f^L J -u c ru sta d o noa tecldoa do orsan ü m c u r iu n d o -o a -a le n t a

«5 ?
SX
SSS3S! ut- cius&tad0 também em
por J B' ,u" • * * " * ■ " * » ■ » * ■ **
126
ANGÚSTIA E PAZ

máo para o ôlho, providenciando alívio do arguelro, deveria


ser a língua para o coração, providenciando alívio do pecado.

“Minha bôca dirá a cólera do peito


Ou êle estourará, se contê-la quiser;
Neste caso prefiro a extrema liberdade,
De dizer, como gosto, o que bem me aprouver.” (2)

E’ neste ponto da declaração que aparece a primeira di­


ferença entre psicanálise e confissão. A psicanálise é uma
declaração de atitudes do pensamento no estado inconscien­
te. A confissão é uma afirmação sincera de culpa no estado
consciente. A psicanálise é a sondagem de pensamento por
pensamento; a confissão é a comunhão entre a consciência
e Deus. A revelação de atitudes mentais nada exige de nosso
orgulho e nunca aspira pelo perdão: na realidade, pode-se
ter orgulho de um estado de espírito doentio. Alguns homens
deleitam-se em vangloriar-se de seu ateísmo, de seu agnosti-
cismo, de suas perversões, mas nenhuma consciência jamais
se vangloriou de sua culpa. Mesmo isolado, o pecador se
envergonha. (3)

(2) Wllllam Shakespeare, A Megera Domada, Quarto Ato, Oena H l.


(3) O psiquiatra, quer aeja partidário de Freud ou de qualquer outra escola,
nfto tem direito de fazer Juízo moral sôbre as ações, motivos e atitudes que seus
clientes lhe relatam ou que lhes descobre nas mente6. Náo tem direito de fazer
assim, porque náo é "ex-offlcio", um Juiz nunca tendo recebido tal mandato, quer
da sociedade, quer de Deus. Embaraçaria mesmo seu trabalho e tornaria seus
serviços Ineficientes, se tivesse de condenar o que merece ser condenado do ân­
gulo moral. Isto náo significa, sem dúvida, que o psiquiatra não devesse albergar
opiniões bem definidas sôbre o que é direito e o que é errado. Mas significa que
t«m de "pór entre parêntesis” estas opiniões, enquanto está às voltas com seu
cliente, pelo menos durante a fase de exploração e explicação. Pode ser discutível
até que ponto é permitido chegar o psiquiatra, apontando o que é moralmente
direito naquilo que ee pode chamar de fase de reeducação. Alíred Adler nunca
hesitou em assumir tal responsabilidade. Em seu padráo de moralidade nunca foi
multo elevado, sendo princlpalmente o que quer que fõsse soclalmente útil, mas
no apdcá-lo reconhecia o direito do próximo, o bem comum, a necessidade ca
bondade natural como objetivos principais da existência humana.
A pessoa que busca auxílio Junto ao psiquiatra considena-se "doente". Quer
/uma cura e náo um sermão. Olha como um sintoma o ter feito o que náo devia
fazer. Donde náo haver sentido em dizer-lhe que êle peca. Ou éle sabe disto e
"náo pode delx&r de fazer", ou náo o admite e é amedrontado porque veio pro­
curar o médico e náo o moralista.
— ? e* P }fraCáo do pensamento (sob a gula do psiquiatra, mas realraente
•xecutada pela própria pessoa) é uma condição ncoessárla para que o paciente
atinja uma verdadeira compreensão de sl mesmo e de suas motivações. Êste escla-
canalise K confissAo
127
*« §

se a ordem moral é negada, a comissão torna-se sòrrr nt*


„ «conhecimento de um engano ou de um re v é f n l n T í f
^ c im e n to do pecado. A culpa é moral,
"nimal; portanto nao pode ser conhecida objetivam'nte »
cientificamente, da mesma maneira que um poima n^o oode
L r conhecido somente por um estudo de sua metrihcarito
Assim contra o escapismo de algumas análises que tornam o
eu sem culpa, a conlissao a um padre supõe que o ego oossa
estar em falta, que a lava fervente da intranquilidade sob a
superfície é devida a repressão de uma df sordem voluntária
e que somente reconhecendo-a como sua própria pode-se ser
restaurado em um a camaradagem consigo mesmo, com a na­
tureza, com o próximo e com Deus. Não é preciso coragem
para admitir-se que se é culpado; mas é preciso um heroísmo
de que poucos são capazes para tomar a carga da culpa de al­
guém até o Calvário e dizer ao Cristo na Cruz: “Esta Coroa de
Espinhos foi meu orgulho que a pôs aí; êsses cravos foram
pregados pelo martelo de minha avareza; os açoites que caí­
ram sôbre tua carne foram Vibrados pela minha lascívia e
pela minha cupidez.” A culpa só é culpa quando subjetiva­
mente sentida como de si próprio. Se um homem não se re­
conhece no seu íntimo, duro, desdenhoso ou soberbo, é que
não se conhece a si mesmo. A Agonia no Hôrto foi o supremo
conhecimento subjetivo da culpa do mundo, pois ali foi que
Nosso Senhor permitiu a Si Mesmo sentir a culpa devida aos
pecados do homem. E a Agonia resultou no Suor de Sangue.
Um a outra diferença é esta: ninguém gosta de ter seu
pensamento escavado, de acordo com uma teoria fantástica
e não científica, que afirm a que o sexo deve estar no fundo
de todos os seus problemas. Foi esta uma das queixas mais

reclmento pode ser realizado em muitos casoa, pelo que se chama hoje con-
«elho "náo diretivo” ou pslcoterapia (C. Roger, Courueling and Psydiotherapy,
Boston, 1941) É integraimente verdade que muitos conselheiros tentam forçar
»ôbre seus clientes certas opiniões e princípios, sem cuidar de descobrir se e
até que ponto podem estas coisas ser aceitas e tornar-se efetivas. Mas em muitos
casos, a simples conversa da parte do conselheiro, ou da parte do c.iente, condu­
t a a uma clariflcaçao gradualmente progressiva. Numa pessoa famiiunzada .::m
o» princípios de moralidade, tal descarga levará também & uma volu e uma
maior aprecia ;ao dos preceitos morais, doa valores religiosos e logo, num cáto­
d o . à confissão
angústia e PAZ
128

eerais dos soldados, durante a Segunda Guerra Mundial, con-


f, a ‘ s exames mentais. Alguns medicos do Exercito asseve­
raram que a contingência era coisa anormal. Mesmo no caso
pTpntual em que os conflitos sexuais merecem realmente cen­
sura ninguém se torna melhor pelo fato de ter alguém a di­
zer-lhe quão excêntrico êle é ou quão apodrecido está. Todos
ouerem fazer sua própria narração, pois sabem que só pode­
rão tornar-se melhores confessando êles próprios sua culpa.
“Deixem-me dizê-lo” exprime um direito primário do coração
humano Só o indivíduo tem o direito de repudiar uma parte
de si mesmo, como condição de melhoria. Ressente-se da son­
dagem e da análise feitas por espíritos alheios. Deseja escan-
carar os. portais de sua própria consciência, não quer que nin­
guém os derrube de fora. A verdadeira unicidade da peisona-
lidade dá-lhe o direito de expor seu próprio caso com suas pró­
prias palavras. Nenhuma alma gosta de ser estudada como
um besouro. Nenhum julgamento é completo, a menos que
o defensor tenha a sorte de tomar o lugar da testemunha
para testemunhar em seu próprio caso. O pior no eu, por
meio da autoconfissão, contribui para a sua melhoria e paz.
Mas cada pessoa quer ser sua própria testemunha para o
libelo — conduzir seu caso contra si mesmo, não para que
possa ser condenado, mas para que não o seja.
No confessionário, é-se seu próprio acusador e seu pró­
prio conselho de defesa. Aquêle que se acusa é perdoado. Os
homens sempre têm reconhecido que uma confissão espon­
tânea é uma forma de expiação, merecedora de perdão. Ve­
mos isto em muitos planos: a mãe, que deseja que seu filho
admita francamente sua falta diz: “Conte e eu não o casti­
garei”; nos sistemas de honra em nossos colégios, os jovens
são convidados a “erguer-se” e reconhecer sua culpa; até
mesmo o juiz que interroga o criminoso lá no seu banco’ par­
tilha o sentimento que diz que a punição deverá ser tempe­
rada, quando um homem se confessa culpado. O penitente
analisa suas próprias faltas, admitindo-as. Não depende de
um psicanalista para provar-lhes a significação.
E há outras diferenças. N a confissão a narração dos pe­
cados é breve e abstrata; na psicanálise, é geralm ente longa,
PSICANÁLISE E CONFISSÃO

ganl r-se já tem um padrão fixo de condiitJTnal* mdo con*


íefação â êsse padrão; o paciente anormal não LnrtnJUlga em
^ m bem definido na vida, requer d° Um Pr°-
P fpeças E porque não há humilhação em S f f i w S S ?
3 - - u n t a i s - c o m o ha em lapsos m o r a i s - o n a . w l

bém y » pacientes
. çuc Buoiaui uc M l l c i
mos acima de tudo mais. Isto permite a „ „ « r *
pulosos — particularmente os qUe dão ê n f« Ustas taes«u -
1. insistirem com seus pacientes para m,» sexualismo
vêzes, a fim de que tôda a sua vida se?a J a ííS U repetl(las
dinheiro). Ser analisado não é um p r o c e s s o (**
desagradável. Um homem a qUem se disse que tu d o T "16
sintoma, nunca necessita acusar-se, ou íu I pZ , » é um
para ser julgado. Pode vir a o lW -se « H Z ? ,°UJ * dir
curioso que precisa ser investigado, não pa?a m ?horfÔmen°
tirar proveito do conhecimento que o a n a l i s t a n ? » “ 0U
ciona, mas apenas para satisfazer sua curiosidade^ Pr° P°r’
O espírito da confissão não é o de descobrir'fato m„ ,
de misericórdia Se o proprio homem concede perdão a Z
tros que humildemente confessam suas cu lp a s,Z r que
fana Deus o mesmo? Foi precisamente isso a ú e N o ^ t w
dito Senhor fêz. Pegou a confissão natura das f£
- o que ja tem uma força expiatória - e elevou-a à d £
dade de um Sacramento. A confissão é apenas humana mas
Êle divinizou-a. O que é natural, foi por file feito sobrenatu­
ral. A condição indispensável para receber o perdão humano
- a franca confissão da c u l p a - é a condição sob a qual o
Deus Onipotente concede Seu perdão no Sacramento da Mi­
sericórdia. Com in fin ita ternura, contou Êle a história do
uno piodigo que voltou a seu pai. reconheceu sua culpa e
foi recompensado com 0 abraço e o beijo de seu pai. T al é
a alegria de Deus pela volta dum pecador, pois “ do mesmo
modo haverá m aior júbilo no céu por um pecador que fizer
130
ANGÚSTIA E PAZ

penitência, que por noventa e nove justos que não têm ne­
cessidade de penitência.” (Lucas 15:7.)
Não deixeis ninguém dizer que o homem instituiu o Sa­
cramento da Penitência. Nenhum homem jamajs lhe teria
dado tal forma. Um homem não é por natureza tão reverente
ou tão cordial para com outro que, voluntàriamente, escan­
care tôda a sua alma mesmo a um estranho, como milhões de
cristãos fazem tôdas as semanas. Não deixeis ninguém dizer
que membros da Igreja inventaram êste Sacramento de Mi­
sericórdia, pois, se tal aconteceu, humanos como são, ter-se-
-iam por certo excluído a si mesmos de suas humilhações.
Contudo, nenhum padre, nenhum bispo, nenhum cardeal,
nem mesmo o próprio Santo Padre está imune da necessi­
dade da confissão. Deixai que aquêles que dizem que o con­
fessionário foi instituído por um padre se sentem no abafado
compartimento dum confessionário de nossas igrejas, duran­
te cinco ou seis horas, nos sábados e nas vésperas dos dias
de festa e das Primeiras Sextas-Feiras, ouvindo as rotineiras
dúvidas e fraquezas da natureza humana, pois assim ficarão
conhecendo qual o mais penoso dos labores todos do padre —
muito embora belo porque sabe e sente que está sendo o
veículo das abençoadas mercês de Nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo.
2. O OUVINTE IDÔNEO. Outra diferença entre psica-
náli:e e confissão diz respeito à pessca a quem as confissões
são feitas. Através dos séculos, a confissão do pecado tem
sido sempre feita a um representante da ordem moral, de
modo que a alma doente possa ser restaurada na saúde mo­
ral e na união com Deus. Na análise há uma narração de
sintomas ao analista; no Sacramento, há confissão de pecados
a um padre. E’ essa uma diferença notável.
Demais, o analista não representa a ordem moral, mas
a emocional. E ’ o recipiente do amor e do ódio do cliente de
cada vez. Alguns analistas chamaram êste processo de “trans­
ferência”; por meio dêle, as emoções (libido) do cliente são
desligadas de seus antigos objetos e transferidas para novos.
(E ’ evidente que êste mecanismo está polarmente oposto à
confissão, onde por meio da penitência, da fé, da graça e da
PSICANÁLISE E CONFISSÃO
131

emenda ha uma transferência do centro


alma da criatura para o Criador, do eu r S a7Made da
cie compreender o papel do analista, deve L " A fim
entendida em seus proprlos têrmos a Psicanálise
processo por meio do qual a energia m e n t a l^ w * ' f um
fontes instintivas e libidinosas e impedida rtp T bí ^ ndo de
cácia peio fato cie ser dirigida p a r a ^ b j efi'
lizáveis — e libertada para atingir alvos r e n S . ^ lrrea‘
êste resultado foi atingido, o homem diz o anàr ? uando
curado e a piedade por si mesmo cede’luear ao altníf’ eStá
apatia à efetuação. A pessoa do analista d^eseirmenh» i ° ’ 1
de um intermediário na realização desta mudança Bem^
numa analise, os anseios reprimidos do clienteÇque o suptr’
ego lhe proibe de conhecer (seus anseios incestuosos? R
bertados e passam a ficar ligados à pessoa do analista Subs­
titui ele temporariamente o parente que foi o alvo primordial
dêsses desejos. ' v ™
A transferência para o analista não depende da fé E-
consideradaantes como o primeiro passo necessário para uma
reorganização amadurecida da energia mental. Antes que
esta energia seja ainda capaz de estar dirigida para fins acei
táveis, descobre no analista um objeto anropriado e tempo­
rário. A fé no analista resulta da transferência E porqueo
analista se tornou um “objeto” de profundos anseios libidi­
nosos, é muitas vêzes creditado com tôdas as qualidades que
o cliente adm ira e ama. Freud sabia que era perigoso tor­
nar o analista, mesmo temporariamente, objeto da descarga
emocional. “A transferência, disse êle, especialmente nas
maos de um médico inescrupuloso, é um instrumento peri­
goso.” H a um a tendência para que o cliente “desencantado”
das primeiras sessões se torne “encantado” ; e se o analista
é do sexo oposto e não de todo sem atrativos, poderá haver
o perigo de tornar a transferência permanente em vez de
temporária, da física em vez de mental. Ninguém familiari­
zado com os analistas sexuais desconhece êste perigo. Mas
mesmo quando não h á verdadeira transferência para o ana­
lista, pode haver um a dependência do analista que pode che-
angústia e paz
132

ear a ser quase escravidão, com o paciente recusando-se a fa­


zer qualquer coisa sem que antes consulte esse conselheiro.
N ã o precisamos afirmar um universal desejo reprimido
de incesto, para explicar porque muitos clientes desenvolvem
em si mesmo uma profunda dependencia de seu analista.
Quase todo neurótico quer atenção: sente-se sozinho, isolado
da realidade e de outras pessoas por causa de sua intranqui­
lidade interior. Está preocupado consigo mesmo e receoso
de fracasso. Exatamente, tem-se tornado muitas vêzes um
autêntico suplício — suas queixas caceteiam os outros, sua
conduta os irrita. Perde êle dêsse modo contato com seus
iguais. Não é de admirar que, quando encontre um analista
ou psicoterapista propenso a ouvir, cuja tarefa é ouvir, comece
essa pessoa a desempenhar um grande papel na vida do pa­
ciente. O terapeuta torna-se a primeira pessoa com quem o
neurótico retoma uma relação humana. E ’ de valor inestimá­
vel para o neurótico, valor extrem-amente fora de proporção
com seu mérito real. Nesta circunstância, não deve ser es­
quecido que a mentalidade neurótica retém muitos traços da
adolescência. A enfatuação do cliente se assemelha, em. mais
de um aspecto, às “paixões” da mocinha de colégio.
Na confissão, porém, as relações entre o confessor e o
penitente são inteiramente impessoais. A própria estrutura
do confessionário protege o penitente da revelação de sua
identidade. H á um anteparo e um véu através dos quais o
padre não podo ver. Tão impessoal é a relação que o peniten­
te pode ir ter indiferentemente, até o ponto em que está re­
lacionada a validez da confissão, com qualquer padre; nada
há de pessoal no Sacramento. A psiquiatria pode aprender
muito do Sacramento da Penitência. Descobrirá também que
quanto mais impessoais as relações entre paciente e psicote-
rapeuta, tanto maior as probabilidades de c u r a .
Pode parecer paradoxal que um a relação impessoal seja
mais favoravei do que uma pessoal, na efetuação dum a trans-
nao f diffcil de compreender. Perm anecendo
mJnf if ’ e Por ass*m dizer fora de tôda relação verdadeira-
í?oln « ° psiq,uiatra tornar-se-ia um a figu ra miste-
p tanto um objeto adequado a um a transform ação
PSICANÁLISE E CONFISSÃO
133

. „Binária- U m homem que _se conhece bem é menos fácil-


nl ote idealizado, do que aquele que se conhece um pouco ou
todo desconhecido. A transferência é precisamente tal
V oiizacão, afastada de toda a realidade. Pois gostar de uma
coa pelas suas qualidades humanas e transferência são
PeS_ experiências diferentes. D a primeira, pode um homem
d iima explicação racional; da segunda, não. Se a transfe-
d.ar é" de qualquer modo desejável, será mais efetivamente
r , ít id a pelo padre desconhecido, do que pelo psicanalista
adq nuem se está familiarizado.
com ^ p ^ d r ã O O BJET IVO . Mais importante que as ou-
diferencas é o fato de que, na confissão, a narração e
traS 1° rão do pecado são feitas no plano moral; na análise,
liberta/ óprja natureza, não pode sê-lo. Se um pecado
Pela cimplesmente um engano que um homem cometeu, po-
fôsse si“ i , {ato confiá-lo a seu analista ou a qualquer outra
deria eie ‘ descjasse ouvi-lo. Vivemos desejosos de descarre-
pessoa qu ,dades mentais nos ouvidos de quem queira
gar nossas . ge interessa em conversar indis-
° UVirm adam ente a respeito de sua culpa? E desde que e a
crim m adam tnte ^arnaior parte das v
consciência qu naquele nível. Um a vez que é a bondade
o alivio deve ser Ie , ‘nega> um a a
de Deus que P « S ouvinte não moral. Quer que
confissão de ,w r um representante da ordem
sua confissão s e ja u° UIs s e rC e s e n t a n t e deve estar em lugar
moral que ele V10l° ^ " tp a consciência concede autoridade.
da T '- - . milnfl 'T eve estartiiieíta, não a caprichos in-

ave, mas somente a ijci UUlVUoui, m, _____


Não estamos falando aqui das vantagens da confissão
sôbre a psiquiatria. O que estamos é contendendo com aquê-
les que oferecem a psiquiatria como substituta do Sacramen­
to da Penitência. E nisto a diferença entre o padre e o ana­
lista é fu n dam en tal. Com o o expôs o Dr. William Ernest
Hocking :
“A análise exige que o psiquiatra seja o recipien­
te d a a u toconfissão sem reserva. O psiquiatra supõe
angústia e paz
134
„„„ seus conhecimentos científicos justifiquem êste
irtn de sua participação. Nao suscita a questão
Se sua adequação pessoal à recepção desta confidôn-
d a Mas se deixa de reconhecer a pertinência desta
ouestão, demonstra em consequência sua inadequa­
ção a essa função. Pois aqui o fim moral nao pode
ler absorvido pelo problema cientifico. Nao é nem
desejável nem possível confessar tôdas as coisas a
todos os homens; é ainda menos desejável de tudo
expor seus sentimentos diante dum olhar fixo que
não é senão científico, de cuja exposição eles só po­
dem emergir desnaturados, porque a pu ra ciência é
indiferente ao sentimento. . .
A confissão é um ato em que a gente escancara
sua vida aos olhos de um verdadeiro julgam ento. Se
a ciência é o verdadeiro juiz da vida, então a confis­
são a alguém que representa a ciência é possível. Se
a ciência é um juiz parcial da vida, se a ciência omi­
tindo o ingrediente moral, omite uma parte essencial
do verdadeiro julgamento, então a confissão ao cien­
tista deve ser, pela sua própria lógica, incompleta.
A confissão existe porque no fundo os hom ens que­
rem conhecer-se como são, diante de um ju lgam en ­
to de completa compreensão e de completa justiça.
Confessam-se àqueles que mais de perto atingem
aquêle ideal, ou que podem mais de perto represen-
tá-lo. O confessor válido deve estar in loco D e i, onde
Deus significa tôda a moralidade, tão bem como tôda
a ciência. O centro inflamado da doença m oral con-
“ f “ pr° CUrarmos encobrir de nós mesmos aquilo
\ t ao podemos ocultar ao universo. E* êsse tumor
e rprmJr SG1' la£cetacio> antes que se form e de todo
fazeiM s^Hnn 0 e„ Uma mã0 mais generosos para
_ 0 ^ue os urna casualidade complacente.
v idam p n faiPr derei^ 0S dizer ^ ue seia D eus a lei da
uma vida vhrtrf°nnai?i S ]gnificaríamos com isto que
sem n° p la n o . d e processar-se sem Deus,
nso da exigência cósmica, já está, quer o
psicanálise e confissão
*vy
135
saiba ou não, doente, fora do normal
lores infetados nelo caruncho da m n L ? , 5eus va'
secamente infeliz porque K “ ada ^ n h ^ '
cientemente por uma necessidade ^
ta rá obrigada a reconhecer e definir atra c £ ÈÍ4
que psicologicamente pode ser chamada a auto afhl
m acao da natureza humana normal, é, na sua ver-
dadeira natureza, o trabalho de uma lei que é Deus
Se é este o caso, podemos dizer de Deus que êle ê
u m a ativicode incessante, oue de modo algum in­
terfere n a observação científica, mas que é não obs­
tante indispensável a qualquer relatório psicológico
com pleto do que é a vida de um homem.” (4)

Q uando, de o u tra parte, aquêle a quem é feita « -


é um an alista sexual, as probabilidades são de « J S
derradeiras condições do cliente em comparação com as Sri-
^ a n d o ataco a análise sexual, não me refiro à teo-
n a de F reu d , (5 ) m as antes aos seus partidários fanáticos que

(4) Science and the Idea o f God, Unlverslty of North Carolina Pres, 1944.
(5) Freud reconheceu, além da libido outros Instintos. 3ào êles: os Ins­
tintos do ego,, com o os chamou no comêço ( Ich-Tríebc) e o Instinto da morte.
É verdade que o prim eiro grupo desempenha papel subordinado no pensamento
psicanalítlco. E é tam bém verdade que o instinto da morte é uma idém um
tanto obscura, não tendo sido aceitável mesmo para muitos dos partidários
“ ortodoxos" de F reud.-M as ainda hã, dentro da moldura da psicologia freudiana,
outros fatores adm itidos além dos do sexo
Se foi dada particular ênfase a < * * £ »!ta t ^ b ld t a S K
sltmlflcaçâo atribuída por Freud & »W d o ■ possa tomar ob]eto de
sfto na verdade sexuais por natureza. 7x1(10 ^ S ^ r f M e l o sexual Talvez Freud
apetência é até certo ponto um objeto possível de d ] vlvos dol3 lnstmto3
tenha sido Influ en ciad o pela noçao de que ná n s preservação do lndl-
báslcos — que. no homem, a natureza persegue d cáQ primitiva de Freud
víduo e a da espécie. Os Instintos do e&°- c imido, ao da preservação
corresponderiam ao Instinto da autoconservação, confundir-se com m
da espécie. Mas 03 Instintos prtmordlala^nso d e v e rla m ^ c o o ^ ^
necessidades sexuais ou com quaisquer experie
maduro. . devem ser procura-
Os fatôres sexuais que determ inam pertu* g ^ p te a ^ N a s ta idade, aupôc-sei qu*
do*, de acôrdo com Freud. na Infância e M lncitações iexuals.
êles se m anifestam de m aneira Indisfarçável coim ^ c0mo usualmenw
Qbe à prim eira vista nada tèm de comuni . causa da premnçro S
* e entendido, sfto ainda rotuladas .®®x^frel „ 3 a o fundamentalmente d*
Freud de que tôdas as excitações objetivo-diretas AqUl obaem « ^
ma espécie e que a natureza de tôdas e la s * a d a m u * ^ TréJ Sniãto* d* Freuo.
Inconsistência na doutrina. Uma das principal* pa*«^
angústia e paz
136

tomaram Freud demasiado a sério e que explicam tôdas as


neuroses como sexualidade recalcada.)
Se aouêle a quem a confidência é feita tem como equi­
pamento uma simples teoria a respeito sa origem das con­
dições mentais infelizes (por_ex. que sao devidas a instin­
tos libidinosos recalcados), não há certeza de que a inter­
pretação que êle der seja a certa. A consciência culpada quer
confessar sua culpa, não a um teoiista dum determinado sis­
tema, mas a um mediador da Divindade. E ’ por isso que a
Igreja exige que um padre que absolve um penitente esteja
em estado de graça, participante êle próprio da Vida Divina.
(Isto não quer dizer, porém, que um padre em estado de pe­
cado mortal não possua o poder de perdoar pecados, ou quan­
do exercendo-o, não seja eficaz para o penitente; o padre
estaria moralmente responsável para semelhante falh a.) Todo
padre que se senta no confessionário deve receber autoridade
de seu Bispo ou Superior. A menos que seja sábio e pruden­
te, a permissão não será dada. Por trás dêle, ao tempo das
primeiras confissões que vai ouvir, estão seis anos de prepa­
ração em moral, em ascética e em teologia dogmática. A n u al­
mente, e durante seis a dez anos após a sua ordenação, é re­
examinado. Além disso deve assistir a conferências sobre
teologia moral, para conservar sempre vivos seus conheci­
mentos. O próprio padre é aconselhado a confessar-se um a
vez por semana.

em que pretende êle dar prova da existência da sexualidade na prim eira In fân ­
cia, parece não estar de acôrdo com a concepção geral da libido como objetivo-
-direta. Neste famoso trecho, afirma Freud mie ninguém pode duvidar de ter
diante de si mesmo a completa expressão da satisfação sexual, quando observa uma
criança sugando, sorrindo de bochechas rosadas, caindo ressuplno a dorm ir depois
de largar o peito da mãe. O argumento é, sem dúvida, altamente falacioso. Im ­
plica asserções náo provadas, tais como uma Identidade de causas para explicar
o que pode ser apenas uma vaga similaridade de expressão. Em vez de concluir
que tõda satisfação, quer de fome, de sexo, de poder, etc,, produz espressões
similares, conclui Freud que a própria satisfação deve ser a mesma (não só
como experiência mas também nas euas causas), porque a expressão é a mesma.
Seu argumento parece-se com o seguinte: quando um homem toma fenobarbital,
dorme; eis aqui um homem adormecido; logo, tomou êle um soporifero.
Ps^ u^a^ras compreendem a libido como sinônimo de sexo no sentido
í?.r,»in a° e , d,aí ,vêefn 0 esfôrço em suprimir certas Inibições como a essência da
niÍ.«cOàA.«0rlgI4 naL 6l^nlflcacão de Freud não fo i esta. Nem se segue tal ldêla
necessariamente de suas asserções baslcas
PSICANÁLISE
E CONFISSÃO
137
A psicanálise nunca levanta a
ral do analista, mas a Igreja levanta f * 0 da. adequacão
um de seus ministros entra para um ^Ues^ ° Mda Vez nue
nitente, ao confessar-lhe seus^pecados “ n*essi°hári0. o ™
outro ser humano, rnas que foi o padre-
perdoar. E' logico que um hom em ™ «? Dlvmo Poder d*
sacramento. O Filho de Deus perdoa™ adm'mistrar êste
Sua natureza humana. Transmitiu w J ecadoa través de
doar à Sua Igreja: “ Os pecados q u ê ° P° der de Pa»
doados; os pecados que retiverdes^sernn ™Í^Ides’ serâo Pa­
lavras implicam a audição da comissão ™?°S” (Eatas pa-
alguém saber que pecados perdoar e aúen C?mo P°deria
doar a menos que êles sejam ouvidos?)4 p cadoa não per-
Há outra razão pela qual um confessor v,,,™ ,
necessidade razoável: todo pecado é uma"ofen“a não
Deus apenas, mas também contra nosso nróvimo ? * ° ra
evidente em pecados de injustiça; Z b T “ S'te no,e m ÍS
secretos e ocultos de nossos pecados, porque cada um dlif-
diminui a quantidade de caridade é d e\m or que “ eve^
existir entre os vanos membros do Corpo Místico de Cristo
Justamente como um a dor de cabeca diminui o bem-estar
geral de todo o corpo, da mesma forma o pecado de um in­
divíduo afeta a irm andade de todos os crentes em Cristo E
desde que cada pecado é um a ofensa contra o amor de Deus
e ü irm andade de Cristo, segue-se que um representante dessa
cam aradagem espiritual deveria, em nome de Deus e pelo
poder de Deus, receber a volta individual à fraternidade.
Finalm ente, desde que cada pecado é uma forma de orgu­
lho e rebelião. Nosso Senhor ordenou que houvesse uma hu­
milhação correspondente no pedir absolvição. Seria bas an
bom en fiar nossa cabeça num lenço e dizer a eu ^
estamos tristes, m as sabemos muito bem que se com e
um crime contra o estado, não aceitaria este tal i
paração. N e m m esm o nos Tribunais Divinos P ° . de.
noso ser ao m esm o tempo juiz e jurado. Isto ^
mais confortável. E sabemos no í n t i m o repudia-
que os pecados de que somos culpados deve possa
dos perante u m a o u tra pessoa, que, em nome de Deus, pos
ang ústia e PAZ
138

libertar-nos da tirania de nosso ego. Como observou o Dr.


John Rathbone Oliver:

a q pastor entra quase em contato com o de­


senvolvimento de hábitos mentais culposos; êle,
muito mais do que o psiquiatra, possui a chave para
a confidência de um paciente, ele, em um sentido
muito mais profundo do que o que pode jamais ser
aplicado ao médico, é um médico da alma. Perma­
nece, por assim dizer, como um vigia no portão, no
portão que leva ao hospital mental. Pode, se quiser,
fazer voltarem centenas, que, não fôsse êle, terão de
passar por aquêle mesmo portão, muitos homens e
mulheres infelizes que não serão capazes de sair por
êle de novo, até que tenham de fato “ pago até o
derradeiro vintém” de tormento mental e de deses-
pêro. Pode mostrar ao homem ou à mulher que se
chega a êle, com doença mental ou em dificuldade,
fontes de socorro que os mais inteligentes psiquia­
tras não podem dar. O padre pode não ser capaz
de oferecer a seu paroquiano um curso de tratam en­
to psicanalítico, mas pode oferecer-lhe o Sacramento
da Penitência e o Sacramento do Altar. Pode esta­
belecer a famigerada “ transferência” do psicanalis­
ta. não para si mesmo, mas para Nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo. Pode mostrar a seu paroquia­
no, por meio do Sacramento da Penitência, uma
“catharsis” infinitamente mais poderosa do que qual-
quer purificação emocional do mais aperfeiçoado sa-
de te n ç a s mentais. Pode não ser capaz de
n a ? Z r o s Um r n e f ental 3 fazer cêstos e encader­
nar livros, mas pode ensiná-lo a rezar. Que sabe­
mos nos a respeito do real valor da p re c e __ do re

de ser exD erim pntnH ^D 6 teraP ia ocupacional dign o


o doente m eZ, necessita
□oente mental " Z qUe’ acimadedeu ’atudo
primeiro m ãomais.
hu-
PSICANÁLISE E CONFISSÃO
139
m ana que se lhe estenda* em «
paciente compreensão e egundo ^ g a r âp
dificuldades; e exn t e r c e t o aPre< 4 £ d S i
e de socorro a que aquela a * , W ° nte de enerva
patica compreensão possam w £ 6 atluela staÊ
cobrir Deus e depois por que ! ‘ Ensi^ai-o a des-
êle se acha muito isolado E ’% T descobriu- Pois
m aior parte das doenças mentah % * / 0rmento da
o paciente do contato com o m L ^ rec_em seParar
lia r e norm al. Êle fica muitas vêze, h 'g0’ ía"h-
só.” (6 ) vezes horrivelmente

A grande van tagem do confessionário está „


fissão é conservada absolutamente secreta p J .7 q ® a con‘
ligado pelo ,ou sêlo, que lhe p r o i b f
m
lu
ig
s es,tó
morte, revelar a confissão de um a pessoa ate de
neira m ais geral. O saber disto é grande consolado para m
penitente, que_ reconhece que sua personalidade tem d t o Z
ao segredo e n ao deseja ver suas confidências reveladas em mn
livro de “ casos r e a is ". N a d a prejudica mais a confianca£
alguém do que a descoberta de haver divulgado seus segredos
a quem não devia. D essa traição e prostituição nova vergo­
nha nasce, que torn a as fu tu ras confidências ímpossiveis para
êle. E desde que as ofensas que cometemos são contra Deus,
não pertence a q u alq u er homem pô-las por escrito numa co­
luna de m exericos ou n u m livro. A culpa humana pode che­
gar ao conhecim ento do homem, mas não para ser utilizada
pelo hom em . P erten ce a D eus e por isso nossos pecados nunca
devem ser revelados ao julgam ento dos homens. De algum
modo, em a lg u m a parte, nestes dias de boatos, manchetes e
articulistas, h á de h a v e r ouvidos escutantes para agir como
os ouvidos de D e u s, com o h á mãos que agem como as mãos
de Deus, d e rra m a n d o as ág u as batismais. Porque os ouvidos
do confessor são os ouvidos de Deus, sua língua nunca pode
falar aqu ilo q u e D e u s ouviu atrás dêle. O padre está à

(8 )
r m M atry and Mental H.altA, Charle. Seriba«'. M »* YM*'
ang ústia e PAZ
140
mercê do penitente no confessionário; nao pode recusar-se a
“ e tar a confissão, ainda mesmo que esta o coloque e m p e .
riso ou em grave embaraço. Não lhe e nem mesmo permitido
d ler que determinada pessoa tenha estado a confessar-se com
êie se assim o fazendo pode sugerir que o penitente tivesse
necessidade de confessar-se, como xesuitado dum pecado
grave.
Mas no confessionário o penitente busca mais do que
aliviar-se em segredo. Uma alma que confessou sua culpa
quer um ideal pelo qual se empenhe — e um ideal mais ins­
pirador do que “aquêle que todos aprovam ” na nossa socie­
dade. Isto o confessionário oferece no Supremo Exem plo da
Pessoa de Nosso Senhor, Que nos dá Sua graça p a ra que
emendemos nossas vidas, por meio da tristeza e do arrepen­
dimento. Uma autoridade, reconhecendo a necessidade de um
ideal mais alto do que qualquer outro que o analista sozinho
pode dar, escreveu:

“ O psiquiatra murmura alguma coisa a respeito


da necessidade de “ integração” .
A alma replica: “ Verifico esta necessidade, mas
não posso integrar a mim mesma. Estou tentando
ser moderna e a modernidade me parece interior­
mente contraditória e flutuante. Como pode um pote
quebrado remendar-se a si mesmo?”
rfaH.°,?-Slquiatra resPonde: “ Refugiai-vos na Socie-
aade_ Vos sois introvertida, concentrada e reserv
aa' , ISS0 S01S uma pessoa dividida. Confessai o
n r L enSí f 1S° o ta,Íd0; «mfessai-vos a mim que re-
obietivíri^ Sociedade. Êste ato restaurará vossa

™ m ‘ ' p o rt" “ “ ci* -

seja í i ^ an est0x
u certa de que a Sociedade
ficuldade respeito- Parece ser a fonte da di-
indo.” a SUa cura‘ Nao sabe Para onde está

fugiar-vos^não1pni ^ sentis esta dúvida, deveis :


g ° S nd0 em mesma, nem na Socieda«
PSICANÁLISE E CONPiasXo
Hl
m as em vossos objetivos ideais
guns de tais objetivos. muizki P °ssuem al-
para fundi-los num a unidade DeVcaw nlmaginaçâo
dessa unidade e sereis reinteeraril õ •ao servt«o
um a alm a.” g a° a' Sere's de novo
A alm a: “ Ensinaram-me eme n* „ w ,
não passam de mitos.” " os °b )etivos ideais
O psiquiatra: “Não posso earantir „„
sejam. M as até mesmo as^icçõe! têm p o te m atim
Todos sao ajudados por alguma espécie de teto em
que acreditam . Entregai-vos à ficção curativa ”
A alm a: “Vejo vossa dificuldade. Vós não acre­
ditais em n a d a e nao podeis curar-me sem uma cren­
ça. A ficção poderia curar-me, se eu não soubesse
que era u m a ficção. Sabendo isto, não me posso en­
trega r a ela. M as vejo que fizestes o que pudestes.
A deu s.”
A a lm a doente e o psiquiatra são duas feições
gêm eas, feições características dêste fim da era mo­
derna. O psiquiatra é a encarnação da ciência apli­
cada, ten tando lidar com as devastações dos erros
da ciência. O que êle descobre é que mais ciência não
é b astan te .” (7 )

Em contraste com tão estéril esforço em auxiliar, temos


o Cristianism o, c u ja Personalidade Ideal não é simplesmente
um Exem plo a ser copiado, m as também uma vida a ser vi­
vida. Q u a n d o a V id a D ivina por Nosso Senhor^ comprada
para nós no C a lv á rio se verte dentro da alma, não somente
apaga o pecado, m as tam bém algum as ou tôdas as penali­
dades tem porais devidas ao pecado. Graças a seus conse
morais, esta g ra ç a tem tremendo valor educacional ''
um aum ento de autoconhecim ento, aperfeiçoa-nos n
dade, dá com preensão m ais simpática das deficienc
lhas alheias e to rn a D eu s u m a real consolação e un>
vez de u m distan te ideal apenas; espanca da alma a p

(7) W ilHam E rn «et H ock ln «, What Man Can Mahs ot Man. H»rpw
"•w York, 1843.
angústia e PAZ
142
cão o egoísmo, a vaidade; revigora a vontade e, portanto,
aumenta o autodomínio. As pessoas cantam muitas vêzes
no banho por causa da alegria da purificação; um pecador
arrependido sente o mesmo desejo de cantar, depois da ale­
gria de uma boa confissão. A graça de erma tornou-o alegre
e confortado.
Mas se negamos que há um Poder Divino fora do homem,
só resta um pecador humano, ou um especialista hum ano
tal como o psicanalista, como fonte de cura. (O ateísmo, bas­
tante naturalmente., é muitas vêzes a crença daqueles ana­
listas que tratariam os pecados como doenças m entais.) (8)
Mas qualquer das duas posições é ilógica; esperar que o pa­
ciente eleve sua consciência por meio das alças de seu pró­
prio inconsciente é esperar o impossível. Tais analistas ateus
dizem ao cliente, em determinado momento, que êle foi de­
terminado a agir da maneira por que agiu por impulsos in­
fantis ou pelo instinto gregário, de modo que não é responsá­
vel pelo seu êrro. No momento seguinte, lhe dizem que êle

(8) Há alguns psiquiatras que acreditam que tôda crim inalidade é efeito
de doença mental ou de uma inata condição anormal. Esta teoria, pen.'am alguns
partiu de César Lombroso. Mas suas raízes váo mais longe. Jean Jacques
Rousseau afirmou que o homem nasceu naturalmente bom; se vinha a tornar-se
mau, a culpa era da sociedade, pois no estado da natureza prim itiva seria sempre
S adlas..d^ ® °usseau' alguns filósofos ficaram cheios de entusiasmo pelo
4. ° Utr^ ' 001110 Condorcet, acreditavam menos na bondade original

ri^ílnlta í ,erfeotlbJlldade d0 homem- A idéi* de Que há algo de in fífn -

S S m S s j ? S r » r s £
skssjsv. « iSSnSf3;
sóbre a qual estáo todos de acôrdo rSftnrtn
'r -jsssí
c? an?a éle Ue única bondade
Kant foi menor do geríín en te se af t V M u ê n c U da filosofia moral de
eóbre o pensamento francês o qual a t r a V ia hà £ e v e , por cert0 Pequeno eleito
determinou por muito tempo a m e n t a f i í í l f " « J í , R?V,0luJ?ao e (ie outros fatôres,
ao mais alto ser num sentido absoluto nãoOCnnrt?«ta1' Tei?do sldo aSOra elevado
Aproem como “ radicalmente mau” Mas havia p° día cdnceber-se naturalmente o
ná-lo . Isto podia ser íeito declarando?^ £ Ü 1, dal, u necessidade de "ellm l-
Profunda do homem e, portanto o urnHnt^°H° malíeit0 é contrário à natu-
broso foram admitidas por algum t*mnr»Prv í Ut0 deJan°roallas. As idéias de Lo:n-
térmos. Criminalidade e lmoralidarin em sendo revividas hoje, com outros
mentos.” A pessoa bem-ajustada com portar*»»1? consl<3eradas como “ desajusta-
-Interesse , de modo a não desDertarPnrt,f«*te "a\ graças a seu esclarecido auto-
-a íS S S íf dt m° do a reduEb- os1conflitos d0s poderes existentes, Se
S 5 S ? ,L i J & D de 6er reeducado c^ ” tm tado” nV
fier' Çf 6 ,a um ™ n lm o . está mal-

H ÜFwh * susms
p s ic a n á l is e e Co
C°N T ’ISSÂ0
143
, cponsável pela sua situação futura. Isto se chama
tror01 e 1 nm homem, dizendo-lhe ao mesmo tempo que êle
mdit)riar mie êle não é livre. Pedir ao cliente que se ajuste
uvre e ^ te n ão é curá-lo, mesmo quando pode êle obe-
e ceu \ am biente do mundo de hoje se -
d e
-,iitn c e r . « d " c o n s id e ra - -
' um estado de considerável de“s a T u s t Z ^ aCh^ ^ e mópriõ
que alguns pacientes estejam demasiado E’. concebivel
i u ambiente; necessitam, como sugeriu justados ao
para o deserto e descansar um in s ? a m e * SS° Senh°'> “S e *
Como pode ser o próprio psicanalista a » .
necessário poder de curar, particulam ente se novo •
tido necessidade de ser psicanalisado? como d tem
nhor, se o cego conduz o cego. então ambos ca rio S S ? Se'
poço. E quem foi que estabeleceu o p s ic a n a lis t a dentro do
«pó de norm alidade para qualquer homemo* a J "0 pt.otó'
baseada n u m a filosofia m aterialista não pode o f e r J I Í T * 11*
ideal, m otivaçao dinam ism o, objetivo na vida Não t e m ° S
disto para dar. C ontudo deve haver um ideal r J t da
não pode ser seu próprio modelo, doutra forma qual
é louco, qual, de nos e sao? E se um homem rebaixa seul
ideais as exigências de seus instintos inconscientes se na í T
guagem psicanalista, exige que o id deva afirmar-se contra
o superego, a c a b a n a estagnação e na degenerescência Nem
o pesoal, nem o coletivo, nem o analista pode oferecer ao
cliente o m odelo q ue êle reclam a, o ideal pelo qual se empe­
nha. Só pode h a v er u m ideal p ara numerosos eus diferentes,
se houver u m a Pessoa P erfeita de quem esta pessoa e aquela
pessoa participem e sejam o reflexo. No desenvolvimento pes­
soal, como n a arte, n ão podem os progredir se não tivermos o
ideal da beleza p e rfe ita .
Quando H u m pty Dum pty ( * ) caiu do muro, todos os
cavalos do rei e todos os homens do rei não puderam reajun-
tar os cacos de H u m pty Dum pty de novo. Mas se tivesse ha­
vido um ôvo-modêlo, não somente teria Humpty Dumpty sa-
Dido quanto se houvera êle próprio desorganizado, mas teria
tld0 também um m odêlo, u m padrão com o qual poderia con-

é *'ôvn'* ?£rói duma cantiga de ninar, em forma de adlvlafca. e cuja rwposta


u • (N. do T.). #.4AIlIM í*
ang ú stia e pa z
144
formar-se e assim tomar-se normal. O cristianismo ofereCe
ta 1 possibilidade apresentando a Pessoa Ideal do Cristo, q u
oferece poder e recursos a todos os ovos partidos para qUe Se
tornem normais de novo: “Dei-vos um E xem plo- significa
“Sou o Modêlo, o Protótipo de um a Personalidade-, o re,
púdio a essa significação que está em Cristo Jesus é a fonte
de anormalidades; a integração naquela im agem e a fonte
de tôda paz e de tôda alegria. A pre-condiçao de um a perfei­
ta vida humana e de uma psicologia que tenha sentido é urna
Imagem Divina refletida em Cristo, Nosso Senhor. N ã o é o
ego ideal mas o Cristo Ideal, que pode to m a r o eu m ais do
que êle é. Quando psicólogos falam a respeito du m a persona­
lidade integrada, o Exemplar que êles buscam é esse. Onde
há menos do que perfeição de objetivo, a lg u m a desintegra­
ção existe.
Há numerosas outras diferenças entre análise e confis­
são. Algumas destas têm sido apontadas pelo p a d re Victor
White:

“Mas a “confissão” exigida do penitente e a


“confissão” exigida do an alisando são du as coisas
bem diferentes; e a diferença jaz n a diferen ça de
“matéria remota” que já notamos. O que se espera
que um penitente confesse está b astan te definido e
restrito aos pecados cometidos desde seu batism o, ou
desde sua anterior confissão. T a l lim itação n ão pode
prender o analisando. E m bora n e n h u m a n a lista que
conheça seu ofício queira excluir tal m ate ria l, ain da
menos buscará lim itar as “confissões” de seu pa­
ciente a seus m alfeitos reais ou supostps. E terá de
interessar-se por êles, não precisam ente com o ofen­
sas morais, m as como causas ou sin tom as de neu­
rose e como fornecedores — ju n ta m e n te com as ati­
tudes conscientes ou inconscientes do pacien te — de
elementos im portantes p a r a o retrato total d a per­
sonalidade com quem tem de avir-se. A s “boas
ações” do paciente o interessarão n ã o m enos do que
as “m ás” (os confessores m o stram -se n o tó ria e reta-
PSICANÁLISE E CONFISSÃO
H5
mente impacientes com as narr, -
do penitente” ) , ao passo que 0,Ç° f í as ‘^rtufles
associações, as reações e s p o n t^ L ° nhos' as \ Z 1
festaçoes do inconsciente o i Z , “ « outras man*
mais. Seu negócio é menos com aia° ainda mtSto
faz, do que com o pórque êle o Z T 0 Paciente
ponto de vista totalmente diferem!' So?lente dêste
gu m a superposição, mas nunca i d e n t S * haver al-
entre “ confissão” sacramental e » S e oompleta,
cessos psicologicos por qualquer dela! ! Ca'-J0s P10'
rem correspondentemente: a nrimeto gldos dife-
concentração da memória consciTnt!VeqUer certa
ordenada de u m a seleção de seu conteúdo- ! ecitaçao
da, pelo contrário, um relaxamento ' S , ’ e
que permita a livre fluência da fantasia desunir«
da e a suspensão da atividade mental reeular í w
gida” . O confessionário sem conforto, com seu duro
genuflexório, e a alm ofada ou poltrona do gabinete
do analista, adm iràvelm ente exprimem e provocam
as duas bem diferentes espécies de “confissão” a que
cad a qual se propõe. H
A análise psicológica nada sabe de contrição ou
satisfação, com o atos pré-determinados a exigir-se do
pa cien te ; seria fa lh a r inteiramente a seu propósito
assentar de an tem ão a atitude consciente que o ana­
lisa n d o ir ia ad o tar com seu material. Tanto quanto
o p ró p rio m a te ria l não pode essa atitude ser pré-
-d ê t e rm in a d a .
A in d a m en os existe qualquer equivalente na
a n á lise p sico lógica à form a do sacramento da peni­
tência. E s t a “ fo rm a ” são as palavras de perdão pro­
n u n c ia d a s pelo padre. E* o elemento especificante e
d e te rm in a n te qu e faz o sacramento da penitencia
ser o q u e é. E ’ o signo eficaz da reconciliação com
D e u s e a ssim o verdadeiro remédio para o ma , <lu®
a “ m a t é r ia re m o ta ” do sacramento. N a d a . •
pécie p o d e ser encontrado na análise P | ger
A lg u m a se m e lh a n ç a bastante super ic P°
ANGÚSTIA e PAZ
146

0 derradeiro remeüio vemid. uu vc^ ae


vir do analisando e de sua própria replica, a seu pró­
prio material. Nenhum por certo invocaria poder e
autoridade divinos para perdoar p ecad o .
Assim as diferenças entre a confiscão sacramen­
tal, como é compreendida e praticada na Ig re ja Ca­
tólica e a análise psicológica, como conhecida e pra­
ticada hoje em dia, são consideráveis e profun­
d a s .. .” (9)

O mundo moderno está cheio de gente m entalm ente nor­


mal mas fatigada, que busca a paz em qualquer lu g a r onde
saiba que ela é oferecida, mas se de parte de hom ens experi­
mentados no trato com os loucos. M as são bastante sãos.
Para êles, o mundo necessita de um a revivescência dos Di­
reitos de Santuário. Durante as eras de Fé, um fugitivo da
justiça era considerado imune de perseguição pela lei civil,
se conseguia pôr as mãos no grande anel de ferro que estava
piéso à porta da frente duma igreja. Por êste toque, lança­
va-se êle sob as mercês das leis da Tcrreia Prppíca-co hnip de

) O Analista e o Confessor, ‘'Commonwear', 23 da


23 d « ju lh o de 1948.
PSICANÁLISE E CONFISSÃO
147
mente partidos. Não é fácil caminhar
nário, mas sair dali e uma sensação L l f aY ’e c°ntesslo.
Mais do que de qualquer f o r m l Y lhosa!
o mundo de psico-síntese. Alguns n s W P*Slcanálise. Precisa
eido isto: Jung com sua idéia de -‘r e n a l aS têm
seguidores de Freud. que deram às *taento” e alguns
..psicanálise ativa” Porque os sêres h u m ln o T * 3 0 nom^ d e
mais de ser postos juntos, do que de s e r ^ n L P^ecisam «mito
nos divide contra nos mesmos; a absolvição 0 pecado
unidade. A m aior parte das pessoas de h o l Y taura nossa
no espírito, porque tem uma carga na uma carga
psicó-ogo sabia, anão miseráveis slríamos _pc ®?cia- 0 Divino
descarregar-nos daquele pêso. Constroem-se h o m ita^n 6" 103
os homens tem corpos doentes e a Igreja constm l Y T
nários porque êies tam bém têm alm a! ’ S o S f f
regular impede que nossos pecados, nossas preocupações™
sos temores, nossas ansiedades se infiltrem no inconsciente ê
degenerem em m elancolia, psicoses e neuroses O tumor é
lancetado antes que o pus possa espalhar-se pelo inconscien­
te. O D ivino M estre sabia o que há no homem; assim ins­
tituiu êste Sacram en to, não para Suas necessidades, mas para
as nossas. Foi o Seu meio de dar ao homem um coração fe­
liz. O lado esquerdo e o lado direito do coração físico não têm
comunicação direta u m com o outro; juntam-se por meio do
sangue que c ircu la pelo corpo. Nossos corações tornam-se
também felizes p e la comunicação com o Corpo Místico de
Cristo e com Seu Sangue. Não nos tornamos piores admitin­
do a necessidade da absolvição. Não nos tornamos piores
mesmo ad m itin d o que estamos todos de corações partidos,
pois a m enos q ue nossos corações estejam partidos, como po­
deria D eu s nêles entrar?
Ca pítu lo VIII

SEXO E AMOR DE D E U S

O sexo tornou-se um dos assuntos mais discutidos nos


tempos modernos. Os vitorianos consideravam-no inexisten­
te- os modernos pretendem que nada existe além dêle. Al­
guns críticos lançam tôda a culpa disso sôbre Freud. Emil
Ludwig, no seu livro, DR. FREUD, afirm a que a popularidade
de Freud se deve ao fato de haver êle tornado possível às
pessoas conversarem a respeito de sexo sob o disfarce da
ciência.

. .o rótulo científico de Freud permite que a mais


gentil mocinha discuta com qualquer homem os
mais íntimos pormenores sexuais, estimulando-se
ambos eròticamente durante a conversa, embora
conservando faces imutáveis, e provando ao mesmo
tempo serem doutos e despidos de preconceitos. Que
coisa convenientíssima na puritana A m é ric a !” (1)

Não é esta, sem dúvida, a explicação total. O freudismo


jamais se teria tornado popular num a civilização m ais nor­
mal. Marx e Freud não teriam escrito no século X I I I e
tenam tido um público frívolo na era elizabethiana. A atra-
çao deles agora se deve ao fato de ser mais favorável a tal
niosofia o clima do mundo. Teria de haver um a preparação
parí 0 Sexualismo. Lewis M unford contesta com
eos rriníQ da flimlidade que Freud deu teoricamente
P undos impulsos subjetivos do homem, conoide-

York,11947,m11 LudWlgl Dr- Freud. p. 1Ö5, Heilman, William« & Company, Naw
® ” E AM0» « DEUS

rava a ciência como a única com 149


melhoria do homem. Inconscient!*, pacic,acle de
velação final da verdade, a id”a W nte’ ac«tou c0*Uar a
XVXII. a de Locke, Hume, Diderot u V ormu'ada' nn ,° re'
nhold Niebuhr relaciona Freud ™V° 'taire’’- <2) o n , 7 0
-fals0 otimismo. “O pessimismo rom -oj j ânT
a sreação c°ntra 0
em Freud, pode ser olhado como stabõl^H que «ta in o S
o homem moderno enfrenta, quando sua° in° -desesPêro que
se dissipam, pois sob o perpétuo sorr so d ? ! ? ottaísticas
um esgar de desilusão e de cinismo ” m í m°dernidade há
ta Schopenhauer como a fonte: “S c h n L ^ ° mas Mann apon-
logo da vontade, é o pai de tôda a D s ic n w Uer’ como Psicó-
parte diretam ente a linha, por tatermédfn Jnoderna Dêla
psicológico de Nietzsche, até Freud e „ , 7 do radicalismo
truíram a psicologia do inconsciente a n l i « ^ q-ue cons-
mental.” (4) ' aP™ando-a a ciência

Não é histórica e psicologicamente certo censurar Freud


pela corrente superênfase. Em vez de ser o criador da popu-
laridade do sexo foi antes sua expressão e seu efeito. Longe
de ser o fu n dad or de um a época, foi o seu post-escrito. Há
ainda algu ns fiéis discípulos escrevendo que consideram o
método de F reu d e sua filosofia como verdade absoluta. Res­
sentem-se a m a rg a e instantaneamente de qualquer crítica,
chamando-a de “reacionária” ou “obscurantista”. Mas mui­
tos outros já m u d ara m ou abandonaram as idéias funda­
mentais de Freud. Entre êstes contam-se Karen Horney e
Teodoro Reik. (5 )

(2) The C on d ition o f Man, p. 364, Harcourt, Brace & Company, Inc., New
York, 1944.
% (3) The N ature and Destiny o f Man, Vol. I, p. 121, Charles Scribner’s Sons.
New York.
(4) Introdução, em Arthur Schopenhauer, O Pensamento Vluo de Schope­
nhauer, p. 28 New York, 1939.
(5) Os antropologlstas culturais mostraram que as concepções de F^-euda
respeito da história da civilização s4o falsas e infundadas. O Inventor «ia sua
g é la favorita do "pensam ento pré-lóglco" (ou mentalidade «JJfcaJ;, o' “ ec
seiiB*nrUh1, efccreveu uma completa retratação, sòmente há pou™ P oue não hi
J?,UB dvr0s de notas (Carnets, In Revue Philosoplnque, 1 9 4 7 ) Li te enganado
hitnrP 811 como pensam ento pré-lóglco e que ôle se ha*la . ^ L a n0ci 0 tie que
i í S r,etando seus dudus de Ui[ maneira. Em segundo lugar a ^ V m e c a -
niSS,UlZoirenla 6 causada por íatôres mentals, operando de acôxdo com
niamos ireudiauos, esta cambaleaute. Esta Ideia a particularmente cara a u m b » -
angústia e paz
150
As razões dêsse exagerado_ interêsse pelo sexo jazem pro,
fundamente na nossa civilização:

“Com Marte se entender; com almas conversar;


Relatar o que faz o monstro lá no m ar;
O horóscopo dizer; a bola de cristal
Consult ar; a doença, em letras descobrir;
Biografias fazer, pelas rugas da mão;
Nos dedos encontrar tragédias: e presságios
Proferir, por bruxedo ou por folhas de chá;
O mistério inquirir, com cartas de joga r;
Pentagramas mexer e aloxânicos ácidos;
Em pré-consciente horror a imagem repetida
Dissecar e sondar o ventre, a tumba, os sonhos,
São êstes usuais passatempos e drogas
De que faz propaganda a imprensa em nossos dias.
E sempre assim será, sempre que hesitação
E desgraças houver, atormentando o m u n d o ” (6 )

A principal razão dessa deifioocao do sexo está n a perda ]


da crpnca em Deus. Uma vez perdido Deus, perdam os homens
a finalidade da vida e auando se escmece a finalidade da vida,
toma-se o univerm sem sf&tiifir.anão. Tenta então o homem
esauecer seu vazio pela intensidade da experiência do mo­
mento. Êste esfôrco por vêzes vai tão além oue faz da carne
de alpvtm um deus: há idolatria f adorarão, as quais, em
consenüêncta, terrmnam em desilusão, quando o cham ado
“anio” ?e revela aom as um amo decaído e eem eran d e atra­
ção. Por vêzes a próvrio carne é transform ada em deus. E n­
tão tende-se à tirania sôbre a outra pessoa e, finalm ente, à
crueldade.

da Escoí^Médica de H a ^ S (J he BioloM of Schizophrenia, New Y ork, 1940)


patologia orgânica naatn^Jfnf’ acentuou o íato de que há tantas lndlcayões de
íável ^ Ca neBta doen« a uma origem purumente m ental ó lmpro-

Brace6* Compwiy^inc.^NeSTo^hMa.3, ^ Dry Balva“e8' V- P- 27 Harcourt.


SEXO E AMOR de DEog

Não há fórm ula mais segura dP a 151


tentar satisfazer nossos anseios pelo L descontentamento „
com a xícara das satisfações finita. » ano d° Amor w qí e
ou carnal poderá jam ais s a t i s S ^ ^ » S í f e
Tem um a alm a m o rta l que necessí? ritamente ° homem
“Não so de pao vive o homem.” a nPPP* m Am°r E t e Z '
meni de A m or Divino, um a vez perv , ^ que t e m o ^ l
busca do A m or Infinito em sêres finitos 1 ’ lmpele' ° a ir em
e, contudo, nu n ca podendo dar f i m à ^ nca 0 encontrando
seus desapontos. Então segue-se o e i n L ^ as.’.a d«peito de
cimento e por fim o desespero. Tendo tedio' 0 aborre-
piritual, tal hom em sufoca. A vida deixa dPld° 0 oxtSèni° es-
precioso p a ra êle e pensa em aniquilar se ^ lflcar a’^ de
derradeiro ato de rebelião contra o q L v , co™ ° seu toai e
observa E. L W a tk in a Como

espiritual v i d a ^ e ' am or^em ^n lão 3 fé Del,s e a


hom ens e não m á q u h ía s ^ e eài ,C° m Êle' Sendd
,er VM,
tam se, portanto, para o sexo, para a imagem bioló-
gica d a vida espiritual, sua paixão e união I não p í o
que ele realm ente possa dar e tem dado em todos ®
tempos, m as pelo conteúdo daquela outra e suprema
vida de am or que êle reflete. Ficam sem dúvida de­
sapontados, e continuarão a ficar desapontados.
M a s sua busca é um juízo, um testemunho e uma
intim ação. E ’ em primeiro lugar um julgamento...
O raciocínio hum ano não pode alcançar o claro e
com pleto sistem a de verdades sôbre o qual só pode­
ria ser construída um a estável ordem mundial de
n a tu re za puram ente racional. Êle (o homem) é
devorado pelo monstro submarino da vida biológica,
em boscado nos seus instintos irracionais, a baleia do
sexo. Pois, como a baleia, o sexo deveria alimentar as
necessidades do homem e não engoli-lo. Mas o mons­
tro m arin h o pode afinal de contas revelar-se instru­
m ento de sua libertação. N a sua barriga, escura e
angústia e paz
152

confinada, aprende êle, como o profeta, a impotência


de seus poderes naturais para satisfazer as exigên­
cias de seu espírito, sua necessidade de iluminação
divina e de graça. Assim o julgamento do sexo n-a
sua moderna idolatria torna-se um testemunho da
necessidade para o homem da vida e d0 am or qUe
só Deus pode conferir, um testemunho da realidade
que prefigura e reflete.” (7)

Uma segunda razão para o culto do sexo é o desejo de


escapar à responsabilidade de viver e à voz intolerável de
uma consciência inquieta. Pela concentração sôbre áreas in­
conscientes animais, primitivas, os indivíduos dominados
pela culpa sentem que não mais precisam de afligir-se a res­
peito da significação da vida. Uma vez negado Deus, então
tudo se torna permitido para êles. Negando a ética n a vida,
substituíram a liberdade pela licença.

“Aquêles que estão cientes da prova apresenta­


da pela' moderna psicologia da la rg a parte desem­
penhada nas opiniões e conduta do homem pela for­
ça consciente ou inconsciente da sexualidade podem
muito bem inclinar-se para a opinião de que a von­
tade de subverter a ordem social não é devida intei­
ramente ao amor insolúvel da justiça, ou mesmo à
necessidade de alimento e bens entre os fam intos e
os que nada possuem. Um desejo m ais ou menos
franco de libertar-se das restrições sociais à ativida­
de sexual é um fator freqüente e im portante.” (8)

E’ por isso que uma era de licença carnal é sempre um a


era de anarquia política. Os fundamentos da vida social são
abalados no mesmo instante em que os fundam entos da vida
familiar são destruídos. A rebelião das massas contra a ordem

(7) The Bow in the Clouds, Sheed & Ward, Inc., Londres, 1931.
(8) Pierre Henri Simon, Marriage ande Society, In Body and Spirit, P- U2.
Longmans, Green St Company, Inc. New York, 1939.
SEXO E AMOH DE DEU3
153
social, que Marx advogou sp
libido e dos instintos animais 2 ! ' elha com a rev»r-
dentro do indivíduo. Ambos os S i f sexualista3 adm«,ada
bilidade quer porque se acredite q ^ T t negam a reTmlT
nada
nau» pela economia, quer'Í'— Ijy i4ue se aafirma
norm,«? h*stória seia
* , ri------
J f ***-
a"
determinado pela biologia. Contudo n, „®Aq 0 homem éq u e T
• ----- -ela h i„ÍL io Pn ã a«n«e
que negam tôda a responsabilidade’ h u n W n° S lndivíduos
em teoria, censuram livremente seus coziXS * a liberdade
maram o toucinho de manhã e d iz e T ‘w ° S P?rt>ue quei’

t íü & S T ,u ' t o m * ™ “” if t S í í i
Ui na terceira razão para a sunerênfa^p Ha
gação moderna da imortalidade. Uma vez n e e a d n a ne'
Agora se torna totalmente importante. Quando os homem
acreditam na imortalidade, não somente buscam a conünm
dade de seu espirito na eternidade, mas também a conttam
d-ade de sua carne, por meio da criação de famílias que lhes
sobreviverão e aceitam por outra parte o desafio que a morte
lhes apresenta. A negação da imortalidade dá assim à morte
duplo domínio, piimeiro sobre a pessoa que nega a sobrevi­
vência, embora deva necessàriamente morrer, e em segundo
lugar levando-o a repudiar a vida familiar, que é agora olhada
como simples obstáculo aos prazeres da breve hora da vida.
É fato histórico que, em tempos de desastre, epidemia, bom­
bardeios, etc., algu n s indivíduos que não possuem valores
eternos a sustentá-los, vendo extinguir-se em tôrno de si a
duração da vida, m ergulham em orgias de deboche. A concen­
tração em tôrno das coisas perecíveis da terra tende a secar
o entusiasmo m oral e a estimular ânsias de satisfação bes­
tial, quando tais homens vêem seu fim aproximar-se. Mas
tais catástrofes não são necessárias. Sempre que o tempo
na terra é visto como totalmente importante, os mais velhos
falam a respeito “do futuro que esta nas mãos dos moços”.
Cada qual tem receio de falar de sua idade e o assunto ve­
lhice é tratado de u m a maneira entre insultuosa e escarne-
cedora. Com o an im ais acuados, não em jaulas, mas no tem-
po, tais hom ens se encolerizam contra a passagem do emp> .
Os anos apressados dim inuem o prazer e lançam uma somora
angústia e paz
154

que se tenta não ver. Mas desde que se não tem esperança
de escapar a ela para sempre, o mêdo da moite cresce a tôda
pressa. Não é por acaso que a atual civil zacão. que deu ên­
fase ao sexo como nenhuma outra era na história da Cristan­
dade o fêz, vive no temor constante da morte. Beaudelaire
pintou muito bem o amor moderno dizendo-o sentado sôbre
um crânio. Quando se dá à carne um valor moral, ela pro­
duz vida; quando o sexo frustra a moralidade, termina em
morte.
Uma criança a quem se deu uma bola e se disse que será
a única bola que jamais terá na vida, não pode gozar muito
dela porque é dominada pelo mêdo de perdê-la. O utra crian­
ça, a quem se disse que se fôr boa ganh ará outra bola, uma
bola que nunca se acabará e lhe dará um prazer infindável,
não precisa ter mêdo de perder a primeira. O mesmo se dá
com o homem que tem somente um mundo, em contraste com
o cristão. Mesmo em pleno gôzo da vida, o prim eiro homem
caminha com mêdo de seu fim. Seus prazeres todos são en­
sombrados pela morte. Mas o homem que acredita n u m a vida
futura, condicionada pela moralidade, tem a gran de vantagem
de ser capaz de ser feliz neste mundo, bem como no o u tro .
A predileção pelo sexo é característica de u m a era pro­
fundamente naturalística. Mesmo antes ^de conceber-se a
psicanálise, podiam-se observar sinais notáveis de tal desen­
volvimento. A escola literária naturalística da França, que
veio a ter tremenda influência, começando com Flaubert,
Guy de Maupassant e Zola, deu ênfase ao sexo. N en h u m da­
queles escritores era um “im oralista” , m as p artilh avam a
idéia de que a “natureza” devia ser discutida francam en te e
sem restrições. Há pouca licenciosidade em seus escritos, m as
acontecia que aquelas obras, na intenção de descrever as coi­
sas humanas como são, foram acolhidas por leitores que bus­
cavam bem outro efeito nelas. A escola n atu ralista tornou-se
assim, involuntariamente, um a preparação p a ra u m a licen­
ciosidade crescente. O êxito da psicanálise na A m érica, não
com os psiquiatras, mas com o público, tem a m esm a fonte de
êxito de certos romancistas do sexo, como í). H. Lawrence#
SEXO E AMOR DE DEUS
155
üm a quarta razão da su o erfw , i0D
u„ almaracional e a ig u a liz a ç ã o ^ ,6 d° se* ° é a
iap lica o abandono completo da í h homem ao a r L , saitf°
L
g a vontade, m as o instinto rem a" " 3S re4 e s ^ l!* °
ma maneira que os padrões de l „ , ? ra supremo H? nas-
práticas de curral. A tragédia m?rt0 lldatie deram’i,d mes-
sêres humanos dão muitas vêzes m a h ^ x n " ^ está «m que **
agora do que em eras passadas m L Pansâo a suas om -03
nand0 a estrada direita, a existêncS d e s ^ negare»>, abandí
homens se revoltaram contra Deus “ mesrna estrada £
reconheciam que aquilo era uma revoto, °£ tras idades ma
biam que pecavam. Viam claramento „ 1 P,ecavam. màs sa
errada. H oje os homens atiram fora“ o ^ n a ^ " a estrada
A identificação do homem com „ o
fraude. O sexo no homem não é a rnesm.nimal é uma grande
animais.
ílrii***-*-----
(9 ) U m anim al sente S ? ^ 0 sexo no
N o animal, **B® **** — ******* « m t cuipo e espirito. No ahomem
No animal, nao h a conflito entre cornn B hum an™ l ama
há. No animal, anim al, o sexo é
e mecânico,’ uma S E
na fquestãor * ? 0 home™
de estímnin
e s t ã o de estímuto>
e de reaçao. N o homem, esta ligado ao mistério e à liberdade
No animal, é apenas um relaxamento de tensão No homem
sua ocorrência nao e determinada por nenhum ritmo natural’
mas pela vontade. O sexo pode causar solidão e tristeza nó
homem, o que não causa num animal. O animal pode satis­
fazer todos os seus baixos desejos. O homem não pode fazer
isto e sua tensão vem do fato de tentar substituir o pão da

(9) Para uma exposição estritamente empírica das profundas diferenças


entre animal e homem, especialmente no que diz respeito aos Instintos, ver K.
Goldstein, The Organism, New Yoik, 1939, e Human Nature in the Light of Psy­
chopathology (W illia m James Lectures), Cambridge, Mass., 1940.
O êrro naturalistlco cie confundir o amor com a necessidade sexual fol forte-
mente criticado por M. Scheler, Wesen und Formen Der Sympathiegefuhle Bonn.
1922, Scheler m ostrou que identificar tòdas as espécies de amor com a do sexo,
só é possivel se as diferenças fenomeuológlcas forem totalmente desprezadas
(tais como as de amor paternal, filial, sexual, etc.). Em certo sentido, todo amor
é um, até onde é cilngldo para uma pessoa; sempre significa transferência na
própria pessoa pare n da pessoa amadu; non quaent quae sua sunt. Dentro desta
moldura, porém, ha grandes diferenças e nào há possibilidade de •’derivar" touas
as formas de amor pessoal do amor sexual, e ainda menos de uma apetência
sexual m eram enie biológica. De acordo com as doutrinas pslcanalíticas, a sexu* ’
lldade fornece o exem plar ou modelo pelo qual se molda tôda conduta e de modo
especial a do am or A sexualidade, porém, não e um exemplar, mas a expressa
das atitudes básicas d « uma pessoa.
ANGÚSTIA e PAZ
156
vida pela palha do sexo. Como disse Prinzhorn, ao falar de
certo tipo de freudismo: “Dá ele as pessoas supenntelec_
tualizadas fora de contato com a terra vivente, nas garras
de uma sexualidade degradante, uma falsa religião, admira­
velmente adequada à sua condição/
Um aspecto totalmente esquecido do problema sexual no
homem é o papel que o pecado original tem desempenhado
como sua causa, embora deva ser dito em abono da psicologia
moderna que tem ela implicitamente reafirm ado o fato, sob
o nome de “tensão”. A natureza do homem não é intrinseca­
mente corrupta, mas fraca. Como resultado, as emoções mui­
tas vêzes logram supremacia sôbre a razão. Com profunda
penetração, escreve Berdiaeff:

“Há dois tipos diferentes de gôzo: um que nos


lembra o pecado original e sempie contém veneno j o
outro que nos lembra o paraíso. Q uando um homem
está gozando o prazer da paixão sensual ou o prazer
de comer, deveria sentir a presença do veneno e lem­
brar-se do pecado original. Esta é a natureza de todo
prazer ligado à luxúria, Sempre testem unha a po­
breza e não a riqueza de nossa natureza. M as quan­
do experimentamos o deleite de respirar a brisa m a­
rítima ou o ar da montanha, ou a fra g râ n c ia das
matas e prados, lembramo-nos do paraíso. N ão há
luxúria nisto.
Estamos comparando aqui prazeres que têm ca­
ráter fisiológico. Mas a mesma com paração pode ser
feita no reino do espírito. Q uando u m hom em está
gozando o prazer de sua avareza ou vaidade, deveria
sentir o veneno e lembrar-se do pecado original. Mas
quando está gozando um ato criador que revela a
verdade, ou cria beleza ou irradia am o r sôbre seu se­
melhante, lembra-se do paraíso. Todo deleite ligado
a luxúria está envenenado e relem bra o pecado ori­
ginal. Todo deleite livre de lu x ú ria e ligado a um
amor de valores objetivos é u m a lem bran ça ou prê-
-gozo do paraíso e nos liberta dos liam es do pecado.
SEXO E AMOR M DEUg
157
A sublimação ou transfiguração ,
fica que um a paixão fica purifica Pabcõea signi-
um livre elemento criador nela uxllria e que
ponto de importância fundamenta? Êst? é 11111
homem deve esforcar-se primeiro p i p(ara a ética- O
libertar-se da escravidão. Tôda de tudo por
tível com a liberdade espiritual e a í “? ^Çompa-
M as tôda luxúria (concuphcentia) é hostd à v ? 1
dade do espirito e escraviza o homem a ! à ,Uber'
ao mesmo tempo insaciável e nrêsa à?nA 1'í?Una é
pode ser satisfeita, porque é a? infinitSle m á^' N| °
sejo ardente. Existe outra espécie diferente^ s °
que tam bém se estende para o i n f i n i t o ex ^ ã
fome da justiça absoluta. Os que têm fome e sêdede
justiça sao bem-aventurados porque se interessem
pela eternidade e nao pela infinitude má. A divina
realidade que enche nossa vida é o contrário do tédio
e do vazio que nascem da má volúpia de viver A lu­
xúria, pela sua própria natureza, é estérü e se opõe
à criatividade. A criatividade é generosa e sacrificial,
significa a doação dos poderes da gente, ao passo
que a lu x ú ria quer tudo para si mesma, é ganancio­
sa, insaciável e vampiresca. O verdadeiro amor dá
fôrça à pessoa am ada, ao passo que o amor luxurioso
vam piricam ente absorve a fôrça da outra pessoa.
D ond e haver oposição tanto entre luxúria e liber­
dade, como entre luxúria e criatividade. A luxúria
é u m a p aixão pervertida e interiormente debilitada.
O poder é u m a fôrça criadora, mas há uma coisa que
se ch am a a volúpia do poder. O amor é uma fôrça
sacrificial, m as h á também a volúpia do amor.” (10)

Q uaisquer que sejam as razões primárias da atual super-


enfatização do sexo, não devem ser atribuídas ao propno
Freud. U m a distinção ju sta deve ser feita entre Freud e íeu-

nh.ri™ Scriber'8 Sona, New York. 1»37.


OO) The Destiny of Man,
angústia e paz
158
dismo, espécie de pan-sexualismo que reduz tudo ao sexo de
um modo que o próprio Freud nunca entendeu. Os que je.
varam suas teorias de análise ao extremo de tudo interpreta,
em termos de sexo têm sido submetidos a satnas tremendas
S exemp?o mais interessante apareceu no G. K .’S W E E K L Y
que traduziu a vida em termos de cerveja, em vez de sexo,’
Lê-se nêle:
“É agora fato estabelecido que todos os rnotivos
humanos e tôda ação são devidos à Cerveja, não
simplesmente entre adultos, m as tam bém entre
crianças. . .
A vida inteira de uma criança (de qualquer sexo)
é atuada pela Cerveja. A prim eira ação de que é ca­
paz uma criança é um grito de desejo. Estabelecemos
que êste não é outro senão um grito que pede Cer­
veja, ou em todo o caso que pede algu m a espécie de
bebida. O ato seguinte da criança é beber. Se não
bebe cerveja é que seu sistema não está ain da capa­
citado a ingerir cerveja. M as por trás da fruição
do leite está o desejo da cerveja. C h am am os a isto
instintos primários. Os instintos secundários hão de
ser encontrados no gôsto pelas rolhas que saltam,
pelas cores amarelo-castanhas, pelas substâncias es­
pumosas (como o sabão) e assim por diante. A cri­
ança chama instintivamente seu p a i de P a p á (o que
representa o pipocar da rôlh a) e sua m ãe de M am ã
(o que lembra o ruído do líquido que está sendo der­
ramado num copo). Todos os ruídos go rgo lejantes
da infância vão provar a fôrça do in stin to ^ . .
A maior parte de nossos conhecim entos se baseií
em sonhos o que tomamos como a m ais s e g u ra proví
cientificamente possível. Sabem os (g ra ç a s a meioi
demasiado longos e com plicados p a ra serem men
cionados aqui) que mesmo crian cin h as m u ito novas
sonham com cerveja; não só, porém m ais ain da, nãc
sonham com outra coisa mais. Q u a n d o u m a criança
sonha com um bote sôbre u m lago, q ue é isso senãc
SEXO E AMOR DE DEUS
159
um símbolo da cerveja*? Com ^
mar? Tudo quanto é amarelo Z c Z t z X " ™ rto’ ul»
Tudo quanto e espumoso ou cimuo í 10 e ce™eja
Tudo em algum a coisa mais°Ué c m e fan m Í „ ceri,eÍa.
sua casca, por exemplo, represem* ( .!na noz na
a cerveja n a ga rra fa ). Tudo que A ni ldentemente
particularm ente movimento rápido t S ? ® cerve)a.
tes, que lem bram “saltos”. D ebato C° PaS saltitan-
que a criança não pode sonhar com ouh°* P? ° s dizer
cerveja. N ão h á sonho p o s s í v e f ^ n ^ “ S Senão
Eis aqui um exemplo. A paciente m a " ' v
rita X . Veio ter conosco, extremamente p e r t X d t
“M eus nervos estão todos arrebentados" diLP Pl*
“Desejo que o senhor me ajude.” O professor ^
interrogou-a e conservou-a sob observação Desco
briu que antes de ir deitar-se tinha ela o costume de
escovar o cabelo. “A escova era cor de âmbar e trans­
parente. A paciente levantava-a lentamente até os
lábios, parava, e depois continuava a escovar seu ca­
belo. Isto era u m a coisa completamente inconsciente.
E m resposta às m inhas perguntas deixou transpare­
cer que m uitos anos antes o médico da família a
h a v ia proibido de beber qualquer coisa alcoólica. Ela
estivera acostum ada a tomar um copo de cerveja
todas as noites à hora da ceia.” O professor Bosh
explicou isto a ela e imediatamente ficou conven­
cida d a verdade disto. Submeteu-se a tratamento e
dentro em breve estava perfeitamente bem e for­
te » (II)

D iferen tem en te do extrem o freudismo, o cristianismo não


tem a m en talid ad e tão estreita a ponto de fazer do sexo o ins­
tinto m ais im p o rta n te da vida ou de atribuir exclusivamenl e
sua repressão as desordens mentais. Se o recalque

10 d» abrll
01) O. W a lter ston ier, Psycho-Analysis. O- Weekly. P 74<
de 1926.
angústia E PAZ
100
. * rnados é a causa das anomaiias
impulsos err^ ‘f éeQu ff^ u è le s que se aban d on am m ais à u.
mentais, por ?“ %es q„ a is anormais, ao passo que aqueles qUe
cença carnal sao os m ^ m0ras ao
acreditam na reiig vigilância m ais compreensiva e
dos homens? usanao cristianismo investiga nao uma
mais sadia sobre a ’fdens m entais no m undo não físico
mas varias raizes de ^ h - tam bem sels outra s causas
e moral. Ha sexo c6iera, inveja, g u la e p regu iça.
^ T f ü n de compreender o papel próprio do instinto sexual,
A fim ae cu u y natureza do hom em. Todo homem
buscâ^ a^perfeição. Está constantemente ten tando transcen-
5 ™ sair íora de si mesmo, de certo m odo expan­
d i se es” á suas próprias limitações Há u m a espécie de
càgrada topaciência em todos nós. O “eu” , o “m im ” em cada
w d e nós sente-se limitado. Anseia por expansao, a c h a a ter-
^ d e m a s ia d o pequena e até mesmo as estréias demasiado
nerto A posse nos torna famintos, onde m ais nos satisfaz.
Queremos ser perfeitos, m as estamos ap en as em u m processo
de realização. Não sendo capazes de en contrai a paz dentro
de nós mesmos, procuramos com pensar nossas limitações,
estendendo-nos em um a das três direções, através do espíiito,
através do corpo ou através das coisas.
A autopreservação é um a das prim eiras leis d a natureza
e implica um legítimo am or de si m esm o, pois se nós não
amarmos a nós mesmos não poderem os c o n tin u a r a viver.
Nosso Divino Senhor nos lem bra que devem os a m a r nosso pró­
ximo como a nós mesmos. O am or de si m esm o, saben do que
não pode existir por si, da m esm a m a n e ira q ue n ã o pode o
estômago resistir sem alimento, estende-se em u m a direção
pela aquisição do saber e quanto m ais conhecem os a verdade,
tanto mais se desenvolve nossa perso n alid ade. A b u sc a da
perfeição do eu atinge até o infinito. N in g u é m ja m a is disse:
“conheço bastante.” É por isso que odiam os q ue h a ja segre­
dos ocultos de nós (os hom ens odeiam tan to isto q u a n to as
m u lh eres). Somos incuràvelm ente curiosos. F o m o s feitos
p a ra conhecer.

Escapam os às limitações do corpo, em o u tra direção, pela


SEXO E ATs/IOR DE DEUS
161
expansão da nossa carne na proori«„-
Cíor tende sempre a uma açao de ouh-a*
pumana pudesse ser preservada” ^ 50' A flm de q u e ^ '- 0
Deus no hom em dois grandes a p e t i^ ntinuada. t a p w *
prazer do alim ento, para preservar a via Prazeres- Um é r.
víduo; o outro e o prazer do casam enuf corP °ral <C in dl°
vida d a ra ç a . la m en to , para preseQ
rv^

O terceiro meio de aperfeiçoar-nos é n»i


justamente com o somos livres no íntimaa das coisas
chamar nossa a lm a de nossa, assim w C
liberdade extenorm ente de chamar nosL^ , " 1 ^ « e m o s te?
suímos. A propriedade pessoal ou p r i v a i ? C° lsaa «P * pos-
mem. E a g a r a n t ia econômica da liberdad» natural a» ho-
a garantia esp iritu al. noerdade, como a alma é
A I g r e ja en sin a que a pessoa m a ­
mente lu tan d o p e la perfeição e se s e ^ mam ? t / °nStenle-
não aperfeiçoa o seu espírito no saber ou S í f , en^uanto
casamento, o u a ssegu ra sua garantia e d n fiim S eSpécie no
de bens. C a d a um a dessas necessidades de msdnrn meio
ardentes é d ire ita e d a d a por Deus Em c a d a ^ f ê 6 deseios
plos, o “e u ” está ten tand o encontrar
“eu” a m a a si mesmo, a m a tam bém a sabedoria, ama a came
e am a a p ro p rie d a d e . ’ d a carne,
Donde pois su rg e a anomalia, se estas buscas são nat„
rais? Com o p o d e ria m elas cau saru m a psicose, ansiedade
ou uní ,c om P ex0, como tampouco não causam o olho vendo e
o ouvido ouvindo? Se fôssemos animais, estas procuras da
perfeição n u n c a haveriam de causar, de fato. perturbações
pois o d esejo d e um anim al pode ser plenamente satisfeito,
mas o do hom em não pode. Nenhum animal tem curiosidade
a respeito da clorofila, quando vê uma planta, não tem um
esquilo um com plexo de ansiedade a respeito da possibilidade
de haver um a carestia de nozes daí a dez anos. Mas os impul­
sos e paixões do hom em estão submetidos à sua vontade. Não
sendo m ecânicam ente ordenadas como meios para salvação
de sua alm a, pode fa zer êle mau uso de suas paixões, torná-las
fins em si m esmas, ten tar descobrir o absoluto na relativi­
dade delas.
angústia e paz
162
, nne é bom, pode ser pervertido em auto-
Oamor-próprio, qu <<Sou minha própria lei, minha pró-
-adoraçao, na quai se • modêlo Ninguém pode dizer-me
pria verdade, meu p olFanto chamo direito é dire
coisa alguma. é e m à o Portanto, sou Deus.” Êste
chamo eirado ê erra ^ am0r-propno em egotismo. Tal
do orguiho. a pc ^ao é uma das principais causas da
indevida inflaçao de s ^ o ^ enche mais fàcilmente
^ d t s é r furado. O egoísta anda com prudência, no constante
perigo de ver destruídos seus falsos valoi e s .
P o instinto sexual, que é bom, pode tam bém ser perver­
tido Nos d”as da Roma p agã alguns indivíduos corruptos
comoareciama banquetes, em panturravam -se de comida, fa-
zianfcócegás na gar|anta para vomitar os alim entos e depois
vóltevam a comer mais. Isto era m au, porque como lhes
dizia a razão, come-se para viver e o prazer nao deve ser se-
parado de sua função. D a mesma m aneira, quando os fogos
da vida são deliberadamente despertados, nao p a ra acender
novas tochas de luz, mas para queim ar a caine, h á o pecado
da luxúria. Esta é uma perversão que os an im ais não podem
cometer porque não podem despuncionalizar e centralizar
artificialmente seus instintos.
Em terceiro lugar, o legítimo desejo do hom em de ex­
pansão própria por meio da propriedade pode ser pervertido
numa paixão desordenada da riqueza, sem consideração quer
ao seu uso social, quer às necessidades do próxim o. Êste é o
pecado da avareza, no qual um hom em não possui u m a for­
tuna, mas uma fortuna o possui.
Pelo fato de poder a vontade do hom em perverter as boas
paixões, instintos, anseios e aspirações do hom em em orgulho,
luxúria e avareza, a Igreja impõe m ortificação, por meio da
prece que torna humilde a alm a orgulhosa, por m eio do jejum ,
que doma os impulsos errantes do corpo, e por m eio de esmo­
las, que nos desprendem do am or desordenado das coisas. No
reino mais alto, a Igreja permite que alg u m a s alm as escolhi­
das prestem o voto de obediência p a ra exp iar pelo orgulhoso,
o voto de castidade para redim ir o licencioso e o voto de po-
bieza para compensar dos cobiçosos. Êstes votos são prestados
3EXO E AM O R DE DEUS

u e o gôzo do espirito, da carne


nã0 Ç?;.. mas nnrniip -------‘

humana, diz ela que o anseio de perfeição é básico e que o sexo


é apenas u m dos três meios pelos quais se realiza nesta vida
uma relativa perfeição.
Donde pois tira ram os fanáticos do sexo a idéia de que
a Igreja é a in im iga do sexo? Tiraram -na da sua inabilidade
'em fazer u m a distinção: u m a distinção entre uso e abuso.
Pelo fato de con d en ar a Ig r e ja o abuso da natureza, os faná­
ticos do sexo pen sam que a Igreja condena a própria natu­
reza. Isto não é verdade. Longe de desprezar o valor do corpo
humano, a I g r e ja o dignifica. É seguramente mais nobre di­
zer, com o cristão, que o corpo é um Templo de Deus, do que
dizer, com a lg u n s m odernos espíritos, que o homem é sim­
plesmente u m a bêsta. Com o disse Clemente de Alexandria:
“Não devíam os ter v ergon h a de mencionar aquilo que Deus
não teve v e rg o n h a de criar.” N ão há pecado no reto uso da
carne; m esm o sem a Q u ed a do Homem, a imagem do homem
deveria ter sido co n tin u a d a por meio da procriação. E São
Tomaz nos diz que h a v ia m ais prazer no casamento antes da
Queda do que ag o ra , por causa da maior harmonia e paz na
alma do hom em . S an to Agostinho disse: “Faríamos, por­
tanto, in jú ria a nosso C riad o r imputando nossos votos a nos-
AN G Ú STIA E PA Z
164

Uma concentração indevida em tôrno de u m a única das


atividades da vida tende a tornar um hom em an orm al por
meio do desequilíbrio do interêsse. Isso é especialmente ver­
dade quando se trata duma preocupação excessiva com o car­
nal. Tende a tornar o que é psíquico físico, fazendo retroceder
tudo a um único instinto. O sexo em outras idades era físico;
dava em resultado nova vida. Hoje, porque m uitas vêzes im­
pede a vida, é também psíquico. Pensa-se no sexo como em
um meio de prazer, a tal ponto que êle se tornou u m a obses­
são. Justamente como um cantor ficaria louco se se
concentrasse no seu tórax, em vez de concentrar-se n a sua
canção, e um regente de orquestra tornar-se-ia u m neurótico
concentrando-se em sua batuta, em vez de concentrar-se na
sua partitura, da mesma maneira o hom em m oderno pode
enlouquecer em pensar no sexo, em vez de pensar na vida,
Pois é o isolamento do fator sexual da totalidade da vida
humana, o hábito de olhá-lo como idêntico à paixão que um
SEXO E AMOR DE dEUs

homei**. H“ ~ ‘■antas anomalias e rinõ^nXv,lpo' allna no


íalso isolamento da parte do seu todo ó ,,rT ? ÇM men*ais. o
pensamento contemporâneo. A vida do hSnem hn0" " ™ no
£stá dividida em muitos compartimentos h )e em ^
desunidos e desintegrados. O negócio de L Permanecem
gócios não tem conexão com a sua vida n H à * “ *-e ne'
quena de fato que sua m ulher (sua “mulher
tida na ign orân cia da renda do seu marido S m o S
conexão entre a profissão de um homem e o r l T ha
existência diaria, nao h á tampouco uma conexão e n t« !
vida diária e sua religião. Esta separação da ^ d a êm c m
partimentos estanques torna-se mais desastrosa quando a
ocupaçao e o trabalho estão cada vez menos ligados a .,m
ideal estritam ente hum ano; a mecanização desempenha I
papel catastrófico.

Sérios efeitos resultam desta mecanização e da tendên­


cia total à superespecialização na vida moderna. Êstes dois
fenômenos de nossos tempos estão ambos relacionados com
o hábito an alítico do pensamento, imposto pela moda de
uma aproxim ação predominantemente científica no mundo
intelectual. T u d o é encarado isoladamente pelo homem mo­
derno, porqu e êste método é o processo legítimo da ciência.
Mas h á cam pos em que o estudo da unidade arrancada do
seu contexto deixa de ser adequado. O estudo da própria vida
começou a sofrer por causa de um uso excessivo da análise,
donde a reação de “ totalismo” em psicologia e biologia.
O im pulso sexual no homem não é em momento algum
um Instinto isolado. O desejo, desde o seu comêço, é infor­
mado pelo espírito e nun ca é um experimentado separado do
outro. O psíquico e o físico se interinfluem. Justamente como
os idealistas, que n egam a existência da matéria, pecam con­
tra a carne, d a m esm a form a os sensualistas e carnaiis as
pecam co n tra o espírito. M as trair qualquer dos asPe<\
provocar a vingança. “Nosso corpo é uma parte da oraem
universal c riad a e preservada por Deus. Retamente e . -
ó êle próprio u m universo contido em si mes^ ° » £ ° dú maj3
como um a propriedade limitada, mas sagrada, p
angústia E
160
• , Ó amiêle que cometemos contra nós mesmos 6
substancial e aqueie q próprio corpo. A ofensa contra
especialmente contranciu. ^ pecado COntra o Criador.” ( i 3)
nosso proprio F porco e o amor num a pessoa não
- ° ^ t ã w i s a precisamente porque o amor se funda na
são a mesma coisa, pi a vontade nao existe em um
vontade e nao nas g 1 pessoa, é diferente do sexo numa
porco. O dt eJO„o Z m n o P promete algum a coisa qu
cobra i » r^ e- " ° L suprir pois o espírito no homem ante-
pode completamente suprir P sempre deseja algu­
m a- o queuma o t a w i f a z . ^ ^ ^
ma coisa mais * ^ saber, pelo am or e pela segurança
n o d e C aq u f na terra completamente satisfeita, sugere que
fte*podia ter sido feito para algunrn coisa m ais.
A existência da vergonha (que nao existe nou tra criatura
senão no homem), de novo mostra como este instinto, acima
de todos os outros, implica a alma. A vergonha corre um veu
eôbre o mais profundo mistério da vida e preserva-o do uso im­
paciente, mantendo-o reprêso até que possa servir à vida como
um todo, e assim satisfazer tanto o corpo como a alm a. Não
haveria tal desgosto no homem, se cada um de nós não sen­
tisse que o corpo tem uma santidade peculiar, não só pela
sua potência em continuar o ato criador de D eus m as tam ­
bém pela sua possibilidade de t o r n a r -s j^ m verdadeiro Tem ­
plo de Deus. O
A pessoa está em busca do absoluto, isto é, da perfeita
felicidade. Usar o sexo como um substituto do absoluto é uma
tentativa vã de transformar a cópia no original, de fazer a
sombra tornar-se a substância e o condicionado o absoluto.
Os anseios infinitos de um a alm a não podem ser satisfeitos
apenas pela carne. O amor, não nos esqueçamos, não está no
instinto; está na vontade. Se o am or fosse puramente orgâ­
nico, não mais significativo do que qualquer outro ato físico,
tal como respirar e digerir, não estaria cercado tan tas vêzes de
sentimentos de desgosto. M as o am or adulto é m uito m ais do

Ltd.^Londresí12 Wert* 1, Beív)een Heaven anã Eartht p. 121, Hutchlnson St Company


ÜE DEUa
167
ue isto, nao e um eco da fantasia proibida
como alguns nos dizem. Tôda alma seihe nu * ^ Crian^ ,
um anseio, um vazio, um desejo que é » 2 ^
Ue foi perdido - nosso paraíso. Todos * ™ ^ de a'g°
Iste vazio só pode ser preenchido pelo exilados-
mais! Tendo perdido Deus (ou tendo sido D ê l d.™0 6, nada -
falsos mestres e charlatães sexualistas) a por
0 vácuo pelos promíscuos “ casos de amor” Mas ^ T her
Humano como divino, fugirá daquele eme ’ tanto
meramente fisiológico: somente pode amar nobremenTe atem
Vive uma nobre vida. cinenie ^ em
É errado dizer que o profundo amor espiritual dos santos
por Deus e uma sublimaçao do instinto sexual, como alguns
espiritos perversos tem realmente sugerido. Isso é o mesmo
que dizer que o amor da pátria se deriva do amor do ele
fante pela horda. A ideia de que a religião teve sua origem
no instinto sexual é por demais estúpida para ser refutada,
pois as maiores influências religiosas da história têm sido as
mais destacadas do sexualismo. Quanto mais uma pessoa
vive na presença de Deus, tanto mais desenvolve um reflexo
contra o mau uso do sexo. tão automático como a maneira
pela qual um ôlho pisca, quando a poeira o fere. Por outro
lado os fanáticos do sexo não são apenas pessoas sem re­
ligião, mas, em geral, pessoas anti-religiosas. E’ curioso ouvir
tais homens insistirem em que devemos repudiar a morali­
dade cristã e desenvolver uma nova ética que se adeqúe às
vidas imorais de uns poucos milhares de indivíduos que êles
registraram. Porque os estatísticos puderam descobrir 5.000
pessoas vivendo vidas carnais, sugere-se que o ideal delas de­
verá tornar-se o ideal universal. Igual número de casos de
contração dos músculos do queixo pode ser encontrado nos
Estados Unidos. Im aginaria alguém que o endurecimento
do queixo fôsse tido em conseqüência como um modelo ae
saúde física? Os pecados não se tornam virtudes poi es aiem
largarnente praticados. O direito é ainda direito, se Wi^
é direito, e o errado é errado, se tôda gente e errada. Murtas
têm argumentado que as aberrações sexuais sao tao
angústia e p a z
168

como o resfriado comum, mas ninguém tem até agora pedi,*


que consideremos o resfriado normal e desejável. ^ lc*°
Do lado positivo, a posição do cristão é que 0 instim
sexual é o reflexo do amor na ordem espiritual, o sol a l °
rece primeiro, depois seus reflexos no tanque. A voz na a'
uma sublimação do eco e nem a crença em Deus um a si iY^
mação dum instinto carnal. Todo am or, toda p e r fe ic ~ * ~
tôda felicidade estão prim eiro em Deus, depois nas (v y ° e
Quanto mais perto criaturas como anjos e santos ch ega rá *S'
Deus, tanto mais felizes são; quanto m ais longe se arh de
menos podem revelar as obras da Divindade. nani>

“Há cinco aspectos do am or pelos quais a na­


tureza do homem é elevada e com pletada: O amor
do homem ou da m ulher por Deus; o am or do ho­
mem e da mulher um pelo outro; o am or dos pais
pelos filhos e dos filhos pelos pais; o am or dos ho­
mens e das mulheres pela pátria ou pela comuni­
dade; e o amor dos homens e das m ulheres pela
excelência em algum a atividade criadora, n a arte,
na literatura ou na filosofia. N ã o são estas cinco
maneiras ou espécies de am or dadas p a ra enobrecer
os homens, mas cinco aspectos do am o r que é um,
mesmo quando pensamos nêle como fluin do entre
Deus e o homem. Em cada crian cinh a que jaz no
regaço materno, há algo da E n carn ação; o misté­
rio da humanidade torna-se a revelação do Céu; e em
tal encarnação do Divino A m or podem os distinguir,
carregado em cada aspecto do am or hu m ano, o Ver­
bo Encarnado Naquele em cuia vontade está nossa
paz.” (14)

n„niy B*8 iTeZi que a imPortância do sexo é devida a um es-


D „onv*110 ^a ver^a<^e*ra natureza do hom em como corpo
e espirito, segue-se que a cura de ansiedades, tensões e infe-

Loadres, 1M4.FLoítii0UM' T h e FemUy «n the p. 1


SEXO E AMOR DE DEUS
m
licldadee (criadas pela identificação dn v,„
fcésta) depende de um a restauração do „ w ? 6”1, « ° * waa
O amor inclui a carne m as o sexo, S f f i í S f 0 do
tinto anim al, nao inclui o amor. o amor v dldo como ins-
implica o Perfeito Am or. amor humano sempre
H á um duplo amor em cada um de
é a realizaçao de si mesmo e tem em v i i , um amor que
bem, e um amor que é a anulação de s m “ ® Próprio
vista o bem de outrem. (15) Ambos os a m ò re T L - era
dos no Mandamento Divino: “Amarás „ a e.stao mcluí-
t ti mesmo.” (Mat. 22:39.) Um deles a^ ?rÓXm° c«rno
e é possessivo, faz-nos comer, beber e tra M h a ín a ra f 8!“ 10
ter nossa vida. O outro é sacrificial ou p L u í d 0Pe busca nãõ
possuir m as ser possuído, nao ter mas ser tido O Z t a
bebe a agua para que possa viver. O outro partilha dessa
água ou mesmo abre m ão dela, para que o próximo possa
viver.
C ada amor é direito e bom e destinado a agir como um
freio sôbre o outro. Se o E u fôsse inteiramente negligenciado,
não somente perderíam os todo o respeito por nós mesmos',
mas seríam os consumidos, como uma mariposa na chama!
Nenhum de nós deseja isto. Não desejamos ver nossas pes­
soas extintas ou dissolvidas em algum grande Nirvana do
inconsciente. M a s o am or sem egoísmo também é essencial.
Se fôr negligenciado, teremos egoísmo, soberba, presunção,
vaidade e carn alid ade.
P a ra exprim ir esta tensão entre os dois amores em ou­
tras palavras, h á em cada coração um impulso entre o ro­
mance e o casam ento, entre o namôro e a união, a caça e a
captura. A m o r terreno que seja somente a busca é incom­
pleto; am or que seja apenas obtenção é inerte. Se o amor
se lim ita à posse, o am ado é absorvido e destruído; se o amor
se lim ita apenas ao desejo, é uma fôrça inútil que se quemia
a si m esm a, como u m a estréia que se extingue, es

Th h 5 ) Tratam en to profundo do assunto pode 8^ tden^ ^ e « > 1 SWKJ-


The Mina and H eartfi o f Love, Faber and Faber, Ltd.. Louares
ANGÚSTIA E PAZ
A»v
170
. „„„ mmo da satisfação em satisfazer causa
casso tant0 t , bvfzesCo°To°frimento de amor.
o mistério e poi „„„nas 0 am or é a morte pela fome-
Como prossecussao <P é & morte peia saciedade é
como satisfaçao apenas, gg Q am or não pudesse atin-
pelo seu próprio e n ia r w ^ telT£l) seria como o pendulo de
gir nível mais alto ao 4 etaqueando entre caça e captu-
ura relógio alter" a" d° nfindàvelmente. M as nossos corações
ra, captura e caça, Ansjamos por um a fu g a dessa fati-
anseiam Por.alS° „ captum ; não querem os em ular no
a C ^ o m o "caçador que parte p a ra u m a nova prêsa porque

Já “ f M u m fuga. Existe, no m om ento eterno em que se


E ha uma i g cé u captUrarem os o A m or Eterno,
unem busca e achad não será bastante p a ra sondar
mas uma * Am or no qual vós a fin a l podeis
S “ !» C “ S í £ r d í a vós m esm os em o m e mesmo
aeora eterno. Aqui a tensão entre rom ance e casam ento se
reconcilia num instante eterno de alegria, u m instante que
partiria 0 coração, se não fôsse vida aq u ele A m o r N u n c a ter
sêde seria inumano; sempre ter sede seria in fern a l, mas
beber e ter sêde no mesmo eterno a g o ra é ergu er-se a mais
alta bem-aventurança de Amor. Êste é o A m o r de que
“carecemos em todo o am or, a Beleza que deixa toda outra
beleza padecer, o não possuído que to rn a a posse vã”.
O mais perto que podemos ch egar de ta l experiência em
nossa imaginação terrena é pensar no m om en to m ais exta-
siantemente feliz de nossas vidas e depois viver êsse momento
eternamente. Esta espécie de am or seria m u d o e^ inefável;
não poderia haver expressão ad eq u ad a p a r a seus êstases. E ’
por isso que o Am or de Deus se c h a m a o E sp írito Santo, o
Hálito Sagrado, algo dem asiado p ro fu n d o p a r a se exprim ir
em palavras.
palavras.
Não bastam dois, m as três p a ra to rn a r p erfeito o Amor,
quer seja na carne (m arido, m u lh e r e f ilh o ), n o esP irlJ0
(amante, amado e am or) ou n a *N a tu re z a D iv in a (P a d re , Fi­
lho e Espírito S an to). O sexo é d u a lid a d e ; o a m o r é sempre
trindade.
SEXO E AMOR EE EeU3

apagado do Divino Coração. sòn


a satisfação de todos os desejos.
A m u lh er junto ao poço que tivpm
tava vivendo com um ho m em q u e não era sai t es'
Nosso S en h o r: “Todo aquêle que bebe desta L u a * 0™ ^ “
ter sêde.” (Joao 4:13.) Não há poços hu^anos l L ^ L L a
fundos p a ra estancar a sêde insaciável da alma humana m L
êste desejo pode ser satisfeito: “Mas 0 que beber da á g u ^ u
eu lhe der, n u n c a jam ais terá sêde; mas a água que eu lhe
der, virá a ser nêle u m a fonte de água que salte para a vida
eterna.” (J oao 4:13, 14.) A religião enobrece 0 amor e aquê-
les que ro u b a m o hom em de Deus despojam sua natureza
Somente u m a religião divina pode proteger 0 espiritual con­
tra 0 físico, ou im pedir que 0 animal em nós existente con­
quiste o espírito, tornando 0 homem mais brutal do que 0
bruto.
Q u an to m u d a a vida o seu significado quando vemos o
amor da carn e com o o reflexo da Eterna Luz lançada através
do prism a do tem po! O s que desejariam separar o som terre­
no da h a r p a celestial poderão não ter música; os que acre­
ditam que 0 am o r é apenas o hálito do corpo logo descobrirão
0 amor
que o lanca
a m o r la n ç a seu ucuaucuu
derradeiro hálito e que fizeram um
------ a
pacto com ~ ~~
m orte. Tlfr>n yxc /
M a s os WnO vÒom
que vêem em tÔdU
toda bdeZcl flUIU
beleza1 h u nÜ»*
« --- —— í U.-.1í /4q /^o
na a fr a c a có p ia do am o r divino, os que vee va de
a todo voto, m esm o q u an d o 0 outro é mftel, 1 ^
que D eu s nos a m a a nós que somos tao desa tgrmi L u
em face de su a s provações vêem que 0 amor
angústia E pa
172 0 rio do seu êxtase a la r g a
„ aue permitem ^ u lfc0> êstes, mesmo na terra
numa cniz- 9*J da oraçao e ao cu bitou entre nós Assi '
os foi aquele abençoado dià

rssfess g -s ssüKisrs
S S Z - s s S S S t '* — ' — -
0 amor ê a
C a p ít u l o IX

RECALQUE E LIVRE-EXPANSÀO

H á cêrca de setecentos anos n » « . ^


mais instruídos que já existiram T o m * * * ' ^ dos homens
um tratado sobre as paixões que at? hnf* Aquino> escreveu
passado. T ratan d o de ansiedades, disse êle-3^ 18 foi ultra’
que seja nociva ao espírito causa preimVn ^ .Qualcluer idéia
em que é recalcada. A razão é esta ^ ^ proP°rÇão
atento a u m a idéia recalcada do aue' Qespinto está mais
superfície e perm itido sua libertação.” & tlVesse trazido à
Não era esta u m a idéia completamente nova, mesmo
quando ele escreveu, pois já estava implícita no Sacramen­
to da Confissão, que descobre ansiedades ocultas, servindo
assim a dois propósitos no plano psicológico: evita que elas
se infiltrem no inconsciente e causem um complexo e tam­
bém as desperta porque, quando são trazidas ao nível da von­
tade. podem ser controladas ou mesmo dominadas.
O século X I X (q u e já estava quatro séculos distante da
prática cristã d a confissão e do arrependimento) começou a
ver os terríveis efeitos da repressão geral das ansiedades, da
culpa, do pecado e das preocupações. Mas os novos escrito­
res deram u m jeito levemente diferente à velha idéia de que
as repressões são perigosas. Por terem sido Deus, a mora­
lidade e a possibilidade da culpa pessoal todos negados, afir­
mou a nova filosofia que a repressão das paixões e instintos
estava errada. (E r a a idéia recalcada, contra a qual lançara
Tomás de A q u in o a sua advertência.) A nova opinião dizia
que o id de u m hom em e seus instintos animais deviam ter
livre-expansão c o n tra os totens e tabus das velhas supersti­
ções de m o ralid ad e, D eu s e religião. Esta psicologia
va: “Exprim a-se. A religião e a moralidade estão deetruma©
a n g ú s t ia e paz
174
i-jarfp ” Tôda restrição, autoridade e discinu
co
er áter- T al fii° ^

nâ0
S
r
pwventntes da lei cristã do m atrim ônio vitalício, g
níipn ãose tornaria melhor em virtude de dar liberdade a
outros instintos, tais como o instinto de caçada? Por que não
nrfranizar uma caça “ao inimigo para m ata-lo , sem a inibi-
cão do tabu moral do Quinto Mandam ento? Se fôssemos ló-
fficos em permitir a mesma livre-expansao ao instinto do
mêdo como ao instinto sexual, então deveriamos louvar um
soldado que, no meio da batalha, deseita do seu posto, jus­
tamente como alguns escritores agora louvam um marido
quando abandona sua mulher. Se o instinto sexual não deve
estar prêso por tabus morais, por que se m an ter ligado o ins­
tinto de pugnacidade? Por que não perm itir que u m a agres­
são se afirme, punindo a pessoa que tom a a nossa dianteira
num balcão de comércio — especialmente se essa pessoa é
menor do que nós? Se a prisão se seguir a esta demonstra­
ção, por que não alegar em defesa que- a lei civil é apenas um
tabu moral, originado de tribos african as de caçadores de
cabeças e, portanto, destrutivo da personalidade h u m a n a sem
força obrigatória neste iluminado século X X ?
Se a repressão do instinto sexual é an orm al, por que não
sera anormal a repressão do instinto de caçada? P o r que não
a dletética? Ninguém tentou a in d a convencer os
cultuadores do corpo de que um totem e u m tabu religioso
sao responsáveis por uma dieta de quatorze d ias. §

um coirmiey^!mirn/ íicença ^unda-se n a fa lsa asserção de que


u m a s™ í d a f i s K ? F ° d.e ser semP re cu rad o dando-se-lhe
K Te S r í r uma L o t0 é ? ° estúP id° como dizer <*ue 0
é drenar o saneue n ? r f° fuPaÇao a respeito de nossas dívidas
o espiritual e o carnal nSo °t -COraçâo' ° m e n ta l e 0 físic0-
então muito bem hí™ *1, na0 .e stao no m esm o nível. Podia-se
pessoas têm para m a t a ^ u t r ^ ^ H 0 ? SÍCOlóeico <lue alê umas
-lhes uma metralha Hn™ outras P °d e n a ser cu rad o dando-se-
metialhadora, ou que o Im pulso m en tal p a ra sui-
recalqu e e livr e -expansãq

175
oderia ser curado com um mergulho do alto da
cid&r' s^ pPBroohlyn - No clue tanêe com o instinto sexual, a
v)onle qnsão dificilmente pode ser o remédio que se diz ser,
Kvre'eXP .!ps que mais se abandonam à satisfação desses ins-
oois sa° ~ nâo
fritos ~ ^ somente
— os mais anormais — "d«ses {,
anormai ISlação
c r ia m * « -------- infelizes, constituindo ? m % ~ as também as
ciedade . maior ameaça à » .
A teoria da licença afirma que 0_ .
ditos religiosos tem sido responsáveis L « 3” e “tabus-
tanto, sao as causas das desordens m e n t L ^ lque e- P<»-
podemos indagar, tem êstes totens e t a W ,Mas por T * ,
nha atraçáo, senão porque já coincidiram ™ llglosos tama*
e as mais altas aspirações da raça h u m a n a i a reta razao
tos de degeneração social e de caos munri oi t, que momen-

í í S d : s f i s s i s & r Sam

° htm£seu S s t E t ^ ^ ^ seue S n t o mcaPrnaai


pressão do instinto m om l deve c r í m p r o t t e m a ír e ^ '
que ain da maior. H av era sempre alguma coisa que é recai
cada. D a r aos instintos anim ais livre jôgo causl um recal­
que de ideias morais. Os comunistas dizem que a democra­
cia esta errada porqu e reprime os instintos revolucionários
dos com unistas; m as se fosse permitida aos comunistas a
. livre-expansão de seus instintos revolucionários, haveria uma
repressão dos direitos democráticos. Tudo quanto faz esta fal­
sa teoria da licença é substituir uma forma de recalque por
outra. Os fatos d a história e a experiência individual provam
que n ad a tem contribuído m ais para o desenvolvimento das
desordens m en tais, especialmente das neuroses, do que o re­
calque do senso m o ra l por aquêles que não queriam uma ética
mais elevada do que a das fazendas de criação.
Fin alm en te, a teoria se fu n da ' «p a n -
ficado d a livre-expansão. Todas as c , a Mas a natu-
dir-se livrem ente de acordo com si ^ j - L p itad o duma
reza do h o m em n ã o é a m esm a de expande-se mais li-
alma im ortal, bem como de um coipo, exp*
A N G Ú S T IA e PAZ
176
tremente não quando acom panha seus instintos animais
m afauando é comandado pela natureza racional que Deus
lhe deu Quando o homem se exprime contràriamente à sua
natureza gera o pecado em sua alma, tendências más nos
seus ossos jeitos estranhos e anomalias no seu inconsciente
para não falar do remorso na sua consciência. Todo 0 seu ser
se revolta contra a má direção que lhe deu a vontade de­
pravada Um trem de ferro é a coisa de mais hvre-expansão
quando segue pelos trilhos assentados pelo engenheiro; se á
sua livre-expansão consistisse em repudiar os trilhos (porque
foram assentados por um engenheiro com psicose religiosa)
descobriria que não teria mais liberdade de ser um trem de
ferro. Se um triângulo buscasse o poder de cxpandir-se em
quatro lados, descobriria que não teria rnais liberdade de ser
um triângulo. Uma caldeira que se revolta contra a limitação
dogmática de suportar apenas certo núm ero de libras de
pressão por polegada quadrada e por isso explode, descobre
que sua expansão não passa de autodestruição.
O Dr. C. E. M. Joad disse que a teoria da livre-expansão
é tão ridícula que ninguém realmente acredita nela.

“O que acreditamos é que algu m as formas de


livre expansão são boas, outras não; que a expan­
são de si mesmo em sim patia é boa; em inveja, má;
em bondade, boa; em crueldade, m á; em prestimosi-
dade e auxílio, boa; em m alícia e engrandecimento
próprio, má. Contudo — e isto tam bém sabemos —
quanto mais expansão se dá àquilo que é m au, tanto
pior êle se torna. Por exem plo: se quando sóbrio sou
de bom gênio e bondoso, m as sou tam bém um dipso-
maníaco congênito, com tendência a bater n a mu­
lher quando embriagado, é claro que quanto mais
me expandir nos têrmos dos m eus característicos de
sobriedade, bondade e bom gênio, e m enos me expan­
dir nos têrmos dos meus característicos congênitos
ebriosos de raiva e de violência, m elhor.” (1 )

(1) D e c a d e n ff, p. 213, Fabar L Faftar LUL, Londrae 1948.


recalque e T O ■•w
e xm íW
pan o
são
177

Tal filosofia pode satisfazer animais jovens, mas não animais


velhos.
Realmente, para o desenvolvimento do homem são pre­
cisas duas espécies de atividades ou expressões — a imanente
e a transcendente. U m a permanece dentro da pessoa; a outra
atua fora. A falsa filosofia da livre-expansão só admite a se­
gunda espécie, e disso resulta um homem completamente ex­
teriorizado. U m a verdadeira livre-expansão aperfeiçoa pri­
meiro o espírito e depois o objetifica, produzindo cultura. A
cultura sempre perece quando se perde a interioridade do
espírito no “ativism o” das exterioridades. Disso resulta a es­
cravidão — u m a nova servidão completamente diversa da
escravidão das antigas eras, pois na antiga variedade o ho­
mem estava sujeito a um a fôrça externa contra a sua von­
tade; na nova escravidão, um homem está sujeito à exteriori­
dade por m eio de sua própria vontade egoística e vaidosa.
M arx e F reu d estavam certos no tratar a escravidão como
um dos problem as periódicos do homem, mas nenhum de es
lhe comnrcpndpn a natureza. Ambos aceitaram como piova

w uu“ 0 no mciiviauai. í a i eguiauw - ~ ---- Fonte


Caído, reconhecida por todos quantos admite
ang ú stia e PAZ
178
Transcendente, donde provém o homem e para a qual Au
tende. Algum dia, algum historiador de profunda visão Z
terior nos mostrará como a escravidão externa é sernprp
produção maciça da escravidão intoiior, e como o hompnf
na escravidão à sua própria natureza inferior, tentou torna ’
normal sua condição, escravizando os outros. ar
A devassidão é outro efeito do pecado pessoal que bm
expressão externa pela corrupção, neste caso, dos outros un*
o que é intimamente vazio não pode suportar sua carga’ sòi
nho: tende a esvaziar a sociedade de quaisquer valores QZ"
ela possua. A solidão da alma cria sua própria atmosfera 6
forma ummundo solitário. A livre-expansão, compreendí 6
como a expressão do eu animal, cujas satisfações são ert *
ms, gera assim não somente sua própria destruição íí* '
também a dissolução da sociedade pacífica. As restrições t S
dicionais eas sanções morais da sociedade vêm a ser olha d
mais e mais como tabus gastos e sem valor, ou como rn,*
embaraços opostos ao egoísmo individual, que aeora 1 ?
com o nome de liberdade. Um estágio acaba *endn «íí ?nda
mente alcançado em q ue não h á ' “i t a t t e co n £ e d d o nã f ’
hvre-expansao. As ações mais traidoras são defendida F a
direitos civis; a defesa mesmo da lei n a tu ra l COmo
como “medieval” Essa i w aiM oll atu rai e i idicularizada
confusão na s o id a d e ou f m dlfundida’ « i a tal
nizar o caos por3 d « fô r ,? a Iog° SUVge Para
Dostoievski, que “a liberdade s p ^ y 1 S-+ cu m P re 0 Que disse
sem limites.» ruade sem lim ites conduz à tirania

Isto nos traz à contrastante filosofia cristã da livre-


expansao. O cristianismo, como o pa gan ism o m oderno, acre-
J M ? ? a .r^Pressão é danosa, m as faz u m a distinção neces-
t r i í CriS ? iSlí10 diz °lue a rePressão de m au s pensamen-
def e^°s e at°s, tais como o im pu lso de m atar, de
nriífr V / 6 caluniar, de roubar, de in ju ria r, de cobiçar, de
do Dflrfldn°no£ara a alm a' D ePlora a repressão d a culpa ou
m a í u e í £ Íai negaçao da necessidade d a confissão. E afir-
boa v i d a p a T q U e d e g r a ç a s reais, de inspirações p a ra uma
n a rJ a l L t necessidade de sacrificar-se pelo pró xim o é má
RECALQUE E LIVRE-EXPANSÃO
179
O cristianismo não acredita cmP
seXUal seja bom Mas acredita lo instinto
instintos, de modo a impedir a luxúria n ^ , ° US0 dêst«s
liaria no outro A Igre ia nunca ensinou ou? 3‘ e a ^
posto principal mente de dois planos, o consrw °mern e <*«*-
ciente; afirma que ha três planos: corno n, ' te e 0 in«>ns-
peus. O homem não é precisamente deseí° de
exigências de seus instintos animais- tem Í S S ? ’ su' eito às
cos8e espirituais que exigem expressão de ^ ‘; eUS” éti'
próprias naturezas. M as isto não é sempre fãcü m SUas
A Igreja afirm a que não há uma snhnrHi„„' -
tica do corpo humano à alm a e da p e r s o n a l S ° “f ° m<i'
D e u s - idea) de vida ordenada queYonstttu ™
a essência da livre-expansão. Tanto o h o m e m « im o Y ™ » “
reza parecem ter-se afastado de algum modo de seu modêíõ
original ou essencia. A lgo aconteceu para danificar a n a ta
reza numana e todas as provas apontam para 0 fato d e Z ê
isto se realizou porqu e o próprio homem de algum modo
abusou de sua liberdade. Tanto o mundo como o homem
parecem ter decaído. Estão em um nível mais baixo do que
aquêle a que estavam destinados, e a responsabilidade desta
queda não pode ser atribuída a Deus. Deve ser ao homem.
Por causa desta queda, h á no homem um desvio para o mal.
Em resultado, o corpo não se submete sempre à alma, nem a
alma, pelos seus m andam entos, olha sempre para Deus. Às
vêzes o corpo faz exigências muito imperativas, embora con­
tra os m elhores interêsses da alma. Às vêzes a alma, por sua
vez, se com praz em conceder primazia a essas libidos, na su­
posição de que a p a g a será muito mais imediata do que as
pagas do espírito.
Pelo fato de haver três e não dois elementos envoltos na
personalidade humana, segue-se que a doutrina cristã do
abandono de si mesmo é radicalmente diferente da filosofia
do abandono aos instintos animais. Aquêles que acreditam
ha realização carnal de si mesmos “não parecem capazes de
apreender o fato de que aceitar tôda e qualquer experiencia
é a coisa mais fácil do m undo, ao passo que recusar algumas
experiências p a ra possuir outras é o método infinitamenid
a n g ú s t ia b paz
180

mais difícil porém mais verdadeiro, de atin gir a r e m i - .


de si mesmo Além disso, é fatal fa la r ligeiram ente
cessidade da auto-realizaçao sem a m ais leve ideia d a e s p é ^
de eu que deve ser realizada . (2 ) le
A psicologia m aterialista acredita n u m aband on o ^
sivo da alma, no qual a parte m ais elevada d a personalirio,í
dá livre freio à parte mais baixa e a seus apetites esnonf*6
neos. Acredita falsamente que , vivendo de acordo com *
herança animal, a personalidade receberá de volta, das »!•
teriosas forças animais , aquêles dons de criatividade qup
alma doente perdeu. O cristão , pelo contrário, acredita r r
num abandono passivo, m as nu m ab a n d o n o c f e 0 q u e ’ cn
siste num esforço de d om ínio de si m esm o. A a lm a tom a a i
mesma pela mão, disciplina as m ais b a ix a s e erran tes n •
xões para fazê-las tender a objetivos m a is oitos. D a m e s "
maneira que o fazendeiro não pode viver, a m en os que ri
mestique os animais e os torn e su jeitos a si, assim tamh*
não pode o hom em viver consigo m esm o, a m en os que ari
tre os animais selvagens que traz d en tro de si s u je it e i*
seu domínio e depois , por sua vez, s u b m e ta tô d a
sonalidade a Deus. a sua Per‘
A felicidade consiste em superar a te n d ê n c ia n ara n moi

a
avante. sPara So cristãoa o m Po i ^ ente
-
° s? violen
:
to s- o levariam
»

ciplina, porque c o m p r e e n d e i d, f P/ r f Í ,çao é 0 m e io d a dis-


da personalidade nos^eus m ai« a?frfe i?a° COmo a satisfa Ção
Ção da vida, da ve" dad J i a lt° S a lc a n c e s - tato é, a obten-
se abandona passivamente ° i ^ ° í ’ ^ u e e ^ e u s - S e o homem
condição atual. P a ra recnh.’aeSta d estin a d o a m o rr e r n a sua
dio am argo e su b m e te r-J l af a sa u d a - deve t o m a r u m remé-
a u m a espécie d e o p eraç ão . Quan-

0 » e n ' * Lo o m p » ï ï ° t o 2 “ ' 1w 5 n<,“ c i and tk e p. 289,


RECAU1UE E
„ , .1 181
d0 Nosso Bendito Senhor falou de <5,,, ,,
um jugo, pediu a Seus a c o m p a n h a r á doutrina como sendo
um m undo cheio de freudistas; q u ^ m ^ 6 fôssem PWos em
rito em u m m undo de c a p i t a l ^ c o m o Br r iPObres de « 5
mansos entre os fabricantes de arm anm nm ^0, que fôss® m
de luto entre os buscadores de prazer m,B ; . que l a s s e m
e sedentos de justiça entre os prasm ah S t! fossem t i n t o s
sericordiosos entre os que buscam vineaVt»’ ÃUe fô!sem
fizer estas coisas será odiado por um rm m d?Bem ^ - er que
Deus. que nao quer

*
de indiferen ça
SJSSSS?-r
autopersuasiva. Em geral. ò h in d T m M
ferente à pessoa e o antigo grego indiferente ao mundo ^
cristão reje ita a ideia de que um homem deve trabalhar quer
pela extinção de sua alma ou por um completo afastaménto
da ordem universal. Sua Igreja lhe diz que a livre-expansão
é inseparável da salvaçao do mundo e da alma individual. E’
por isso que a essência do sistema cristão se vê nos sacra­
mentos que u tiliza m os elementos desordenados do universo
santificando-os, de modo que são êles preparados para servir
ao objetivo da alma e ao progresso da personalidade huma­
na. Aceitando a suprema importância, tanto do mundo como
do hom em , diz a Igreja que a finalidade do homem ao sal­
var-se é ta m b é m a de salvar o mundo.
Um adicional ponto esquecido a respeito do ascetismo
cristão é que a autodisciplina, condição da livre-expansão,
é vista não como um fim, mas como um meio. O fim de
toda autodisciplina é o amor. Portanto, quem quer que faça
da domesticação dos im pulsos animais o fim e primordial
propósito de sua vida, — como fazem alguns dos místicos
orientais, — re a liz a a negação da carne, mas não a afirma­
ção do espírito. S ão P au lo disse aos coríntios que se um
homem e n tre ga sse seu corpo para ser queimado, e
lhe a p ro v eitaria, a m enos que tivesse o Amor Divin . c
tão usa d a m o rtific a ç ã o p a ra libertar-se da esc^* , Deus.
natureza d e caíd a , libertando-se para vlver ™ , nais em
Nosso B e n d ito S e n h o r nunca disse que os desejos car
ANGÚSTIA E PAZ
182 - ,
, nisse apenas que nao devemos per.
, cnins fô-sem maus. Diss de tal ansiedade peia
mitir que « « sobrS e m o s a perder os tesouros maiores,
sua satisfação ^ ' ^ ' „ „ i s t a do am or e h a um man-
n fim da vida crista e a c ^ am or: u m . am a r a D -u s; 0
damento duplo a resp realizar q u alquer dos dois as-
ouho, amar o P " » P a*etism0. o único meio de poder
pectos, requer-se algu ® é dom inar a nossa soberba e
auxiliar-nos para m a ra m al que provem d
o único meio de. f ^ n t i r o benéfico poder de nosso amor.
próximo é fazei- i focado e q u ase destruído por ou-
Êste amor pode ser ^ m undanidade é u m dêles. Ver-
tros joios além da luxi • entre a lg u n s cristãos prati-
dade quase esqueciaa, ndQ fís}COi m as som ente o espí-
cantes é que nunca ^ por COnseguinte, a alm a deve
rito do mundo que (,N â o ’anleis 0 m u n do , nem as coisas
destacar-se do ™ ' m undo, não h á nêle o am or do
do mundo. Se alg a m undo oue São João castiga não é

«; yr ísí S i »«<«*■». ——
esnTrito secular que encara o tem po e o espaço com o u m sis­
tema fechado de que Deus está excluído. P o lític a e economia
divorciadas da lei moral, educação sem religião, sao algum as
das manifestações do espírito do m u n d o e tod as elas preju-
diciais.
Mas o desprendimento do m undo, com o u m ideal digno
de ser procurado por si mesmo, não é a resposta. N ã o pode­
mos dizer, com Aldous H uxley “O hom em id ea l é o homem
desprendido. Desprendido de suas sensações e concupiscên­
cias corporais. Desprendido de suas ân sias de p o d e r e de pos­
se. Desprendido mesmo da ciência, d a esp e cu laç ão e d a fi­
lantropia.” (3) O desprendim ento do b u d ism o ou do taois-
mo não é o ideal cristão, em bora soe m u i n o b re m e n te dizer
que os que possuem são possuídos, são escravos d a s ilusões

(3} tnds and Mean$t p. 3. Harptr k Brothers, 1937.


,la vida. O desprendimento e a f a» „ , 183
vãos. a menos que sejam olhados on espirit(> muna*,,
ero meio de atingir o alvo inicia, rn° secundãni 0 são
do próxim o. a1’ qUe é o amorrr D: r °
M as não é esta um a idade em oue n
fim. ofereça tao grande tentação à™ !, asce«snio comr,.
para que eles necessitem desta dos homem
é um erro com uníssim o hoje. E m a f t t » , A, c« » t e S
há tao perigoso p a ra um a civilização como I também- Nada
tão destrutivo d a personalidade como uma af^ adez. « uada
na. O historiador A rn old Toynbee nos d l one a de dis«PU-
civilizacoes que desapareceram, dezesseis T Ie ^ e «ma
virtude de decadência interior a- n al extmguiram em
vêzes assassinadas; suicidam-se mais f ™ « ! ! “10 sa° ^ i t a s
o sinistro sign ificad o de nossa atual maneira E’ êste
amor do prazer, nossa afirm ação do nosso o r o n T '™ 06 de
nossa d ifu n d id a recusa de disciplinar o eu C J ^ ™ '
guerras m u n d ia is nos tenham impôsto muito* duas
aceitamos volu n tàriam en te, mesmo êstes não foram suficiel
tes p a ra f a z e ™ realizar o maior sacrifício de todos o dê
abandonar a ilu sã o de que um homem realiza mais' lWre-
mente a s u a personalidade, quando permite que o animal
ganhe ascen d en te sôbre o espírito.

Ficamos escandalizados ao ver o quanto a libertação do


sub-homem operou da parte dos fascistas, dos nazistas e dos
comunistas. Contudo não aprendemos que os mesmos efei­
tos deletérios podem estar presentes no indivíduo que, partin­
do da filosofia de que é apenas um animal, imediatamente
passa a agir como tal. Justamente até o limite em que um
homem não é m ortificado nas suas paixões egoísticas, torna-
-se necessário que algum a autoridade externa domine e sub­
jugue essas paixões. É por isso que a morte da moralidade,
da religião e do ascetismo na vida política é inevitavelmente
seguida por um estado policial, que tenta organizar o caos
produzido por aquêle egoísmo. A lei dá lugar à fòrça^ a etica
é substituída pela polícia secreta. “ Não há correlação entre
o grau de c o n fo rto usufruído e a realização perfeita aa cm-
a n g ú s t ia e paz
184
__ . „«nfrá rio a absorção pela facilidade é urn
m lTseguw s sinais de decadência presente ou iminente.-’ (4°*
Os regimes totalitários são sintomáticos de um a doenÇa
fornam atacou os homens e as m ulheres em países que
9- i ^ s É a doença da desordem interna do homem. Poq
cos percebem as terríveis dimensões da catástrofe atual; estão
ce ^ s pelofato de que o homem realizou grandes progressos
materiais A verdade do assunto e, poiem , que o homem per­
deu o domínio sôbre si mesmo no m om ento m esm o em qUe
ganhou o domínio sôbre a natureza. Pelo fato de ter o ho­
mem perdido o autodomínio e negado a fin alidade espiritual
na vida, utiliza para fins destrutivos as forças da natureza
que êle armou. A bomba atômica é o perfeito sím bolo da
desintegração da personalidade m oderna. C a d a vitória no
domínio das fôrças da natureza torna-se u m perigo potencial
a menos que seja contrabalançado por u m a vitória igu al do
domínio do homem sôbre seus im pulsos a n im a is.
Justamente na medida em que um psicólogo m aterialista
interpreta a livre-expansão como a libertação dos instintos
animais, contribui para a presente desgraça e desordem no
mundo. Homens dirigidos anim alm ente n ã o po dem conduzir
uma civilização. Estão mais à vontade n a g u e rr a do que na
paz. Nós de hoje podemos estar unidos co n tra u m inimigo
comum pelo ódio; é necessário espírito e propósito ccmum
para nos ligarmos quando chega a paz. A p az v in h a n a tu ra l­
mente com a vitória, quando as g u e rra s co stu m a vam ser di­
fíceis de vencer. Hoje a situação está in v e rtid a ; os poderes
de destruição são maiores do que os poderes de construção
no mundo m oderno.
A paz é um fruto do am or e o am o r floresce no homem
orientado para Deus. O m aior privilégio qu e p o ssa sobrevir
ao homem é ter sua vida d irigida p o r D eu s. Isto acontece
quando êle desde cedo pavim entou seu c a m in h o p e la auto-
direção disciplinada. Deus cuida b astan te de r e g u la r iz a r nos­
sas vidas — e isto é a prova m ais forte de a m o r q u e Ê le po-

Press, ) i948khUlú Weuver‘ Meas Have Consequentes, p. li e , ü n lv tr s ity o f C h lc tf*


RECALQUE E
, ria dar-nos, pois é fato de h u m ^ o 185
íf^s muito cuidado aos p o r m e n o r ^ d ^ ^ l a que n l_ ,
^ a não ser que as amemos N A Z vida3 de outr^f dar
fgressados em ouvir m uita coisa a mspeftad8 fundamentAA
„centramos no trem subterrâneo, na tu a Z indlviduos A
tio logo começamos a conhecer e amar na r°dovia. m2
nos tornamos m ais e mais interessados o e l ^ 1 dêles' ® t £
muito mais cuidado por eles. Ao atraí-lQSPDA sA Vlda’ tem°*
amor, au m en tam tanto o nosso interêsse comnreade "osso
dêles. É o m esm o que acontece, quando nos t Z , a ? licidad«
área do am or de D eu s: h a um aumento da S i Z 10 da
nos porm enores de nossa vida, e vamos t A f ^ de Deus
mais certos d a profu ndeza e da realidade dè & u V ^ vez
® limite em que abandonarm os nossa per?onaS ° a
tomará Êle posse de nossa vontade e agirá dentro de nós Nâò
somos m ais govern ados por ordens vindas de fora como d,™
senhor cruel, m a s por quase imperceptíveis sugestões Z
brotam de nosso intim o. Sentimo-nos como se tivéssemos que
rido d u ran te todo o tempo fazer aquelas coisas que Êle nos
sugere; nunca tem os a consciência de estar a obedecer a or­
dens. Assim nosso serviço a Êle se torna a forma mais elevada
de liberdade, pois é sempre fácil fazer alguma coisa para
aquêle a q u em am a m o s.
E D eus, sem dúvida, deseja que busquemos a felicidade
que Êle pode d a r, se consentirmos que o faça. Uma mãe que
tem u m a filh a indócil n a d a mais deseja do que penetrar-lhe o
pensamento, p a r a inspirar-lhe sua vontade; sua maior tris­
teza é não ter a h a b ilid a d e necessária para fazer isto. A feli­
cidade de a m b a s está condicionada à permissão da filha para
que o a m o r d a m ãe opere, pois nenhum pai poderá jamais
guiar u m a c r ia n ç a que com bate contra a vontade do pai. Nem
poderá D e u s g u ia r-n o s se permitirmos que o animal que exis­
te em nós d ir ija n ossa vontade, exigindo satisfação a cada uma
das suas ex ig ê n c ia s revoltadas. Assim como tôda a or em
universo re p o u sa n a subordinação dos minerais as p
das p la n ta s aos an im ais, dos animais ao homem, *
m aneira a p a z do ho m em só sobrevém na e n t r e g a . id
a Deus. O s psicólogos que ensinam que as necessi
a n g ú s t ia e paz
186

são mais importantes do que os ideais do superego, q Ue u


disciplina do sexo termina em tensão e neurose, sòrpem
curáveis pelo relaxamento carnal, aum entaram a soberba ^
egoísmo e a crueldade do mundo. o
A causa principal de tôda infelicidade é o desejo desr
grado, querendo mais do que é necessário, ou querendo acum
que é prejudicial ao espírito. O m undo m od ern o está anar
lhado a aumentar nossos desejos e nossas ânsias p o r meio h
anúncios, mas nunca poderá satisfazê-los. Nossos deseios ~
infinitos; a satisfação de qualquer bem n a terra é finita D °
nossa infelicidade e nossas ansiedades, nossos desaponí ^
nossa tristeza. A única saída dêsse estado é o d o m ín io dos T 6
tidos pela mortificação. Era isto que Nosso S e n h or tinhaSGn"
vista, quando disse: “Se a tua m ão ou o teu pé te e s c a r a -em
corta-o e lança-o fora de ti. E se o teu ôlho te e s c a n d í - ’
arranca-o e lança-o fora de ti.” (M a t. 1 8 - 8 9 ) P e lo faf a*
estar na nossa civilização moderna o b io ló g ico d iv n m i^ 0 ^
espiritual, pelo fato de estar a liberdade isolada da d°
dencia de Deus, como um pêndulo arran ca d o rinm ,P e®"
pelo fato de ser a liberdade interpretada s t a p L C t ?
iibertaçao de alguma coisa e não como I i b e ? Í S ™ COmo
guma corsa, é especialmente necessário reviver a . al ‘
da disciplm a de si mesmo. ei a cristã

Como Rom Landau justamente observa:

“Nada a não ser a religião poderá in sp ira r o despren­


dimento de si mesmo. U m hom em recusar-se-á, por
causa de si mesmo, como finito a n im a l hum ano, a
suportar a disciplina a que de bo a vontade se subme­
terá, uma vez que seja conduzido a u m a consciente
relação com Deus. É êste o p o n to c ru c ia l do proble­
ma inteiro. Separai um hom em de sua n a tu re za espi­
ritual, deixai que fale de si m esm o com o se fôsse ape­
nas um organismo físico, e seu respeito p o r si mesmo
não será tal que o induza a fazer u m sacrifício por
alguma coisa que êle considere essencial a o seu bem-
-estar material ou seu prazer. U m a vez que êle en­
care Deus e se torne ciente d a n a tu re za d ivin a de sua
RECflLQUE E ^ - S X P A N S ã o

personalidade, reconhecerá cm* w 187

íS5rp*?ís r srrSsrrv*-
,u e n to s o m , „ „ ae " £ < ■ » £ » » A

A autodisciplina cristã é realment


expansao de tudo quanto é mais elevado e -
vrador cava poi baixo da cizânia para a rr,?'elllor no eu. o 1a-
são do desejo^ de crescer do grão o ant/Jf C0IT1Pleta expan­
da m ortificação ou ascetismo, não é a r e t e f e 1“ ’ P°r ">eio
tintos, paixões e emoções, nem é o arrem a« de nossos ins­
ciente dos im pulsos dados por Deus mmn para 0 incons-
acusam os cristãos de fazer. Nossas n á k a e T J ? materialistas
emoções são bons e não maus. o autodnmín°SS° S mstintos c
nas o freio aos excessos desordenados Tomar « l,mílca ape‘
vinho por cau sa do estômago, como disse São P a u l o T í ? ^
teo, e obedecer a u m instinto, mas tomá-lo tanto a p o n ^
esquecer q ue se tem u m a cabeça ou um estômago é a t a Í r
do vinho com o u m a criatura de Deus. 6 aousar

U m a vez sujeitos à vontade os instintos e paixões podem


ser controlados e guiados. A Igreja não reprime as paixões,
quando restrin ge a sua expansão ilegal. Não nega as emoções’
da m esm a m a n e ira que não nega a fome; a Igreja apenas
exige que q u a n d o u m hom em se sente à mesa, não coma como
um porco. Nosso S en h or não reprimiu o intenso zêlo emocio­
nal de P a u lo ; sim plesm ente deu-lhe outra direção do ódio
para o am or. N osso Senhor não reprimiu a vitalidade bioló­
gica de u m a M a d a le n a ; simplesmente desviou sua paixão do
amor do vício p a r a o am or da virtude. Tal conversão de ener­
gias explica p o r que os maiores pecadores, como Agostinho, se
tornam m u ita s vêzes os maiores santos. Não é porque foram
pecadores que a m a m a Deus com a sua especial intensidade,
mas porqu e têm fortes premências, paixões violentas, emo­
ções plenas que, voltadas p ara finalidades santas, fazem
agora tan to b e m com o tinham feito antes m al.

(5) S e3, Life «n d Faithr, p. 305, T*X»r * p* b" 1


ANGÚSTIA e PAZ
188
- ■ «mie aplicar-se também as nações. Poderá
ÊBte príncipe ,P 0 apostolado cristão na Rús-
haver maior P.oten J „ „ ,,e
é aparente na indiferença
sia revolucionaria, Q quentes, nem frios da Civilização
tolerância dos liberais " 4mais conl 0 fogo do que com a
Ocidental. Deus poae a qu êles fogos
^
água morna E, graça s sufocantes do comunismo, p0.
agora ^bertos com da graça erguer-se em labaredas
derao um dia, com «j nd0 peio seu am or. apaixonado,
S r f S S o K S “ n S d , M u s . d„ S « „ D ivin o
As paixões fortes são o precioso m aterial novo da santl-
. , ^ l ^ i v í r i u o s que levaram o seu pecado aos extremos
^ f d e ? e r am tsespeqrar ou dizer: “S ou por dem ais pecador
para mudar”, ou “Deus não m e quereria/’ D eu s receberá
Suem quer que tenha vontade de am ar, nao com u m gesto
ocasional, mas com uma “paixao ap aix o n a d a ” , u m a “ tran-
Qüllidade violenta”. Um pecador, im penitente, nao pode am ar
a Deus, da mesma maneira que não pode u m hom em nadar
0 | n terra sêca; mas tão logo dirija êle suas en ergias errantes
^plira Deus e solicite uma redireção, to rn ar-se -á feliz, como
nunca foi antes. Não são as coisas erradas que a lg u é m já pra­
ticou que o conservam afastado de Deus, m as a s u a atual
persistência naquele êrro.
Alguém que se volte para Deus, como M a d a le n a e Paulo,
acolhe de boa vontade a disciplina que o tornará capaz de mo­
dificar suas tendências anteriores. A m ortificação é boa, mas
somente quando é feita pelo am or de Deus. U m “ santo” que
passasse a vida chamuscando-se em cima de b rasas, ou recli­
nado em cravos de ferro, nunca seria canonizado pela Igreja.
O ascetismo pelo ascetismo é realm ente uma form a de egoís­
mo, pois a autodisciplina é apenas u m m e io , cujo fim é um
P eus- Q ualquer form a de ascetismo que des-
oup r i ? ari^a^e s,eria errada. Foi êste o engano do m onge
o mod^ ri, j r 61 s° mente de crostas de p ã o e revolucionou
crostas nara*1^ ^ transform ando-o n u m a v a s ta ca çad a de
que nos torna SmtlSfaZer as ldiossincrasias dêle. O ascetismo
a Deus menos agradáveis a nosso p ró x im o n ã o agrada
BECAWiUE 1 « - « H a « *
189
As m ortificações verdacteiramente „„ .
„ossa natureza hum ana, o jardineiro £ £ ? * * * * * * * * a
da raiz da planta, nao para matar a rosa ^ brotos vetâ«
florescer m ais belamente. Assim c o m o T j para k *M a
não a destruição da planta é a finalidade d l ^ da rosa e
maneira a u m ao com Deus é a finalidade rif a’ da me™ a
As boas ações praticadas com fins humanos t, 0disciPlina-
petuação do seu nome, só recebem uma r e c o m t l ^ T a per'
gòmente as açoes de mortificação, feitas uor U® ana'
aperfeiçoam a alm a. M as devem ser p r a t i c a d a ^ ! ! 3 ! “ ’
direito e devem sacrificar as próprias coisas a que quSemos
prender-nos. Sao P au lo nos lembra vigorosamente que a
intensa m o rtificação feita sem amor de Deus é mútn— F
ainda que distribuísse todos os meus bens no sustento dos ool
bres, e entregasse o m eu corpo para ser queimado, se não tiver
caridade, n a d a m e aproveita.” (I Cor. 13.3.) O Arcebispo
Francisco Fénelon m ostra como as reservas na nossa volun-
tariedade em aceitar a autodisciplina impedem o progresso
espiritual.

“ A s pessoas m uitas vêzes rondam em torno de tais


reservas, fazendo crer que não as vêem, com receio da
a u to cen su ra , tendo por elas cuidados como às me­
n in a s de seus olhos. Se tivésseis de derrubar uma
dessas reservas, seríeis ferido ao vivo... verdadeira
p ro v a d a presença do mal. Quanto mais temerdes de
a b r ir m ã o de tal ponto reservado, tanto mais certo é
q ue êle necessita de ser abandonado. Se não estivés­
seis tão fortem ente ligado por êle, nunca faríeis tan­
tos esforços p a ra vos convencerdes de que estais li­
vres. P o r que é que o navio não anda? Falta de
vento? D e m odo algum . O espírito da Graça
nêle, m a s o navio está prêso por ancoms invisível
n a s p ro fu n d e z a s do mar. A falta oao e e .
in teiram e n te nossa. Se quisermos pr > n0sPde-
tam en te, logo veremos os liame^ 0 ^ ° f X s de nos
têm . e s t e ponto em que menos desconfiamos üe no
a n g ú s t ia B PAZ
190
mesmos é precisamente aquêle que necessita mais de
nossa desconfiança.” (6)

a mortificação está baseada, não no ódio. m as na pre.


ferência A mãe sacrifica o rosado de suas faces para que êie
apareça nas faces da filha criança. O sabio cede toda a espe­
rança que tenha do desenvolvimento dos seus musculos. a
rfda moral exige que digamos “N ao ” a falsos ideais que glori­
ficam o poder e o egoísmo. É uma coisa completamente erra­
da portanto, dizer que “renunciastes” a algu m a coisa du­
rante a Quaresma. Nosso Senhor nunca nos pediu que renun­
ciássemos a alguma coisa; pediu-nos que trocássemos: “Q ue
dará um homem em troca de sua alm a?” Q u an d o alguém se
acha em amor com Deus, descobre que h á algu m as coisas sem

uu»*u -*v~” jr " '*


da obediência à Vontade uc m tthtz urnas
por outras, cede as menos boas para ga n h ai um Reino. Faz
uma série de trocas tão proveitosas cada dia de sua vida.
O amor de Deus torna-se assim a p aixão dom inante da
vida. Como cada outro amor que valha a pena, exige e ins­
pira sacrifício. Mas o amor entre Deus e o hom em , como um
ideal, tem sido últimamente substituído pelo novo ideal da
tolerância que não inspira sacrifícios. P o r que deveria qualquer
criatura humana no mundo ser sim plesm ente tolerada?
Que homem jamais fêz algum sacrifício em nom e d a tolerân­
cia? Leva os homens, em vez, a exprim ir seu próprio egoísmo
em um livro ou numa conferência que ad voga a proteção ao
grupo espezinhado. Um a das coisas m ais cruéis que possa
acontecer a um ser humano é ser tolerado. N e m u m a vez se­
quer disse Nosso Senhor: “Tolerai vossos inim igos.” Mas
disse: ““Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos
odeiam.” (Mat. 5:44.) Tal am or só se pode rea liza r se delibe-
radamente curvarmos as animosidades de nossa n atureza de­
caída.
A autodisciplina faz mais do que isso por nós, porém,
a a nossas vidas um alvo firme. A fo rm a m ais valiosa de

(8) S p ir itm u U tU rs .
R E C A LQ U E E LIVRE-EXPANSÃO
191
autodfsclplma p a ra auxiliar-nos . ,
jndo é a meditaçao, que nos dara tSaber Para 0 M .
por meio da auto-realização. J m®-lrnente o autn<iStatlno8
mas modernas sao as que se acham de t ô ^ ° mim°
prios pensamentos. S ó a m e d i t a i pnsi°neu-as Í ° T S as al-
; uec, d . r círculo
H a muitos hom ens e mulheres ^ ° da Divi^ a d e
0U se disciplinam de qualquer „ta,e V * nunca
UW ............
— - aquilo »que I ~ ~ I . 0“ tromm
rnodo' Acham ® edel ta-m
saciados com pensavam au iaw que
compensar cad a nova desilusão com i“ 0S sat>sfariaq Tentem
cisar os velhos desgostos e v e r g o n tL 1 afeta Te«tam e w
tamentos. M u d a m de parceiro! no amor n° VOS e febr‘s exci-
--------- o„„ m h i « v, « . « — 1 ™ am°r,
tc***-~- ---- , mas oVJseu
C5CUabone!!-
a U U lT P P l
mento e o seu tedio permanecem. Suas desordens to rn a m l
hábitos e u m a aparente necessidade. Permitem que haja íe-
ridas abertas em suas almas, porque negam que há feridas
ou mesmo alm as. A s cadeias de sua escravidão ao desespêro
são forjadas. Seus sofrimentos passados ainda persistem no
seu remorso. Seu fu tu ro é negro de terror. Seus prazeres são
menos agudos do que costumavam ser, suas ansiedades mais
permanentes. Seus excitamentos seguem-se mais rapidamen­
te e sua consciência tem menos repouso. Seus minutos de
pecado tornam -se noites de terror. São um fardo para si mes­
mos, um aborrecim en to para seus amigos, desgostados mas
nunca saciados, tornados mais famintos, porém nunca sa­
tisfeitos. A c a b a m p agan d o a ch-arlatães belas maquias para
que lhes d ig a m que não h á pecado e que seu senso de culpa
é devido a u m com plexo paterno. Mas o cancro moral per­
manece, m esm o então. Sentem-no roer-lhe o coração.
Que deverão fazer êstes milhões de pobres pessoas neu­
róticas, fru stra d a s, psicopáticas que entre nós existem, para
escapar à crescente insanidade e à loucura crescente? A umca
resposta p a ra elas é en trar em si mesmas, erguer seus olhos
para o M édico D iv in o e gritar: “Tende misericórdia de mim,
ó Deus!” Se pelo m enos soubessem disto, uma simples conm*
são os resga ta ria , auxilian do-os a ter seus pecados pei •
Salvar-lhes-ia tam b é m a pequena fortuna gasta p
pecados ex p licad os.
ang ú stia e PAZ
192
hnmens o perdão se êles se arrepen-
Deus prometeu aos no m Q pecad0 deteriorará o es-
dessem, mas nao se êiesa não se gastara a si mesmo.
pírito, o coração e a alma da ^ da alm a esta em com-
Terá de ser purgad°-° se| j com a ligaçao a Deus, em
binar o desprendmento q eleniento ordenador e determi-
abandonar o egoísmc ° ^ tituí_i0 por Nosso D ivino Senhor,
nador da v>da para s 0 que é contra D eus deve ser
como regente de V °? X n0 deve ser expresso. E ntão nao mais
reprimido, o que e q am argo n a bôca ou com a sen-
se despertara com um g ^ hares ^ vgz de acolher cada dia
sação de queda nos ato bom D e u s!” , dir-se-a, com a

■“ » » «* • d “ s i”
C a p ít u l o X

REM ORSO E PERDÃO

A negação da culpa ou o esfôrço para reduzir » « . .


psiquiatria e u m erro tao falso e tão a n t i c i e n S Como ^ d e
negar que h a perturbações genuinamente mentais Z a £
dução da psiqu iatria a etica e à teologia moral. Na realidade
nenhum teologo m oral nega a validez e necessidade da psi­
quiatria, m as, u m a vez que muitos analistas negam os domí­
nios da m oral, do divino e do sobrenatural, é importante con­
tinuar a insistir n a diferença existente entre os dois campos.
Mesmo qu an d o um cliente tem o encorajamento de seu
psicanalista p a ra zom bar da possibilidade do mal moral ou
dum senso de culpa, como causa de suas perturbações, essa
rejeição dos padrões éticos é ainda uma forma de escapismo.
Em te is casos, é vão p a ra a alm a frustrada dizer que resolverá
o problema “por si m esm o”, pois a alma que conta consigo
mesma está fo ra d a realidade. A cura é condicionada à reali­
zação de dois fatos básicos: há algum mal na alma; e a per­
feição e a c u ra n ão hão de ser procuradas na própria pessoa.
Justamente com o o remédio deve vir de fora do corpo, da mes­
ma m aneira a c u ra m oral deve provir de fora da alma. Con­
tudo, m uitos hom en s modernos correm até os confins da terra
para escapar à ú n ica fonte de saúde e de recuperação.
Os escapistas recusam -se a encarar o jato de que suas pró-
prias vidas estão desordenadas, ou então tentam
“fácil” de sair de su a miséria, que os faz abic■ gai-
tosão ain da m ais confusa. Alguns dos mel0S encontrar
da são o escapism o d a maledicência, que pa.
outros que seja m piores do que a capismo do ridículo,
reçamos bons com êles comparados o e P ^ cen_
que zomba dos virtuosos e dos religiosos, p
ANGÚSTIA e PAZ
194
_ ira da bondade dêles: o escapismo do barulho que mergmh
na excteçâo nas multidões, nos arrebatamentos coletivos,
modo QueÇa voz mansa e suave da consciência, por meio da
^ a l Deus fala, nunca soja ouvida; o escapismo do comunismo
revolução anárquica por meio da qual se encobie a própria’
neceJ d a d e de regeneração pessoal, m tenor e espiritual, re-
S o n a n d o os outros, pois revelando os m alfeitos alheios
evita o comunista a necessidade de coiiign a si mesmo, difun-
dindo a ideologia da luta de classes, cria a ilusão de que o mal
oue êle odeia não está dentro de si, mas no sistema social, a
consciência -social dispensa assim muitos homens^ de hoje de
qualquer compulsão para endireitar suas consciências indi­
viduais. Há também o escapismo de cham ar religião de “esca­
pismo”; esta réplica ateísta é a mais disparatada de tôdas:
aconselhá-la a um amigo perturbado é o mesm o que dizer a
um homem cuja casa está em chamas, que êle é um “escapis­
ta”, se fôr chamar o corpo de bom beiros.
O verdadeiro escapista segue caminhos bem diversos, mas
nenhum dêles é bastante humilde p a ra ad m itir que existe
algum mal em si próprios. Todos são por dem ais orgulhosos
para admitir que necessitam auxílio de fo ra p a i a curar sua
miséria. Negando a culpa, m ostram que são covardes; ne­
gando qualquer perfeição fora de si mesmos, tornam -se pe­
dantes. O derradeiro e desesperado g ra u de escapismo é a
perseguição religiosa. O ódio da religião é o ódio de si mesmo
projetado. Não é fácil para pessoas norm ais compreender
como a bondade e a verdade possam ser odiadas, m as são. A
I r f? P °^ e se* ° * a d a , porque im plica responsabilidade.
e u m a c e n s u r a - S e Nosso Ben-
d i t ^ dn h o r e t 0 d i a d a ' . i ) 0 r 5 u e

c ríc S n ’ * SSe Sld° -t0lerante e lib e ra l> n u n c a teria sido


* Sua ™

uma^forma6^ 5 » ^ aquêle? Que perseguem a religião como


Deus e na Sim r ^ 1Sm° devem constantem ente pensar em
mais perto da co n v e^ árT íf16' 86 qUe estao êles m u itas vêzes
Civilização Liberal O c iv w t f i qUe 0 .hom em indiferen te duma
«to com c o i S ve s m eiativas
S ’ ’àqa e Ja™ais P
à derradeira e rtu rb a Aseu
questão. Rússia,
REMORSO
E pERt>ÃO

seu ódio a religião, prova in d ir e t a .


0rça ^ sua oposição. retem=„te 5ua infl
O escapismo nunca é bem SUCedido „
cujas frustrações e neuroses são devi , ' Em cada pecad(W
sobrecarregada ha uma contradição latente *ma consctènciá
duas direções. Nao fica muito à vontade com É ernpurrado em
to de torna-lo sua vocação definida nem ^ ° pecado- a Pon­
tão em amor com Deus para renegar a® J L ° Utr° lado- «tá
surge dum -desejo de Deus, por1 um lado
„ por um elado
de ^ ' ? dualis™°
e de ^ uuausnH>
peus, do outro. Tais homens não têm têm Va ! t»abandono
abanclono de
moral para ser maus ou bons; não têm bastante
descobrir a paz aa alma, mas o suficiente dS, ' lglao para
tensificar-se o senso da frustração depois í f K m S T ui-
V in w in n c m in ___ , PCLC
Os hom ens que vivem neste crepúsculo PeCad°'
a falta de fé têm realm ente uma clara noção da finnva d te,e
vida. Contudo, u m homem deve t e Z obfetiln ^
" * » J » » « «a g e m ,
qual seu destino e depois 03 passos intermediários a t o ™
isto o que sign ificavam os escolásticos ao dizerem- “O orimeirn
na intenção e o últim o na execução.» A escolha de Paris para
umas ferias e o prim eiro passo numa longa série de prepa­
rativos p a ra a viagem , m as Paris é o último lugar a que se
chega na viagem . As pessoas que perdem de vista a finali­
dade do viver, isto é, atingir a felicidade perfeita, começam
por concentrar-se nos meios. Como os fanáticos, já uma vez
definidos, elas “redobram seus esforços, depois de haverem
perdido de vista o seu objetivo.» Suas ações tornam-se des­
tacadas, salteadas, louca colcha de retalhos desiguais. A pos­
sibilidade, no sentido de progressivo desenvolvimento e enri-
^ v u u u c a i/ U ucv p e is u ilc lliu e iu e , uesaptuCUC. v^uaim u a puaau.
lidade está p e rd id a, acontece uma de duas coisas ao espírib
ou m ergulha em trivialidades, com um acompanhante cini
hk), p etu lân cia e superficialidade, ou tenta evitar a respons
bilidade pela in a n id ad e e loucura de sua vida, negando
existência d a lib erd a d e hu m ana e da responsabilidade e anui
do ao determ in ism o da espécie darwinista, freudista ou m£
xista.
ang ústia E PAZ
196
i m«pns e mulheres que, admitindo seus
Mas há alguns nome zes 0nde existe um genuíno
pecados e faltas, ainda sao ir da Misericórdia Divina
senso de culpa o aliuo s F ^ men0S que estejamos prontos
em face da mlseriao'\'i™ de n0ssos pecados, o exame de cons-
a pedir a Deus o peroao & de introspecção, que pode
ciência só pode ser uma sg acaba em rem orso, em vez de
piorar o estado de uma a cojsas sâo in teiramente dis-
acabar em pesar, P °‘® pedr0 teve pesar. Judas “arre-
tintas: Judas teve momo
r& c diz a Escritura; Pedro,
pendeu-se paia c o n s ^ cQmo uma doença psíqUica resulta
para com Deus. As un ^ ^ ajUStamento da pessoa ao am-
muitas ve“ sda ^ g Snia maneira um m al m oral resulta duma
biente certo, da , star-se a Deus. O desespêro é um a falha
e s p é d f Judas desesperou, mas Pedro esperou. O deses-
nêro provém da discordância, da recusa de um a alm a em vol­
tar se para Deus. Uma alma assim se opoe a ordem da na-
tureza.
Guando há sete pessoas em um a sala, poucas Jamais se
referem ao fato de que há catorze braços presentes. M as se
descobrirmos um braço arrancado, caído a um canto, causa­
ria isto Consternação; só constitui um problem a poique está
destacado. Uma alma isolada de Deus é como aquele braço.
Sua consciência (para citar outro exem plo) é como um astrá-
galo partido. Machuca porque não está onde deveria estar.
O estágio final dêste pesar resultante da desligação entre o
homem e Deus é um desejo de m orrer, com binado com um
temor da morte, pois “a consciência faz covardes a todos nós.”
Mas se o remorso é um senso de cu lp a não relacionado
com Deus, é bom considerar outros estados de espírito e cons­
ciência do ponto dêsse simples aspecto. D escobrim os que há
várias classes de almas, ordenadas de acordo com o grau de
suas relações com Deus. H á aquelas que m ata m sua consciên­
cia pelo pecado e pela m undanidade e que obstinadam ente se
recusaram a cooperar com a A ção D ivin a sôbre a alm a, a fim
de emendar seu modo de viver, confessar seus pecados e fazer
penitência. Há aquelas que despertaram du m estado de pe­
cado. Há aquelas que seguem a consciência e as leis de Deus
REMORSO
E pERDÀ0
p0r algum tempo e depois se afa,t 197
ná aquelas que conservam suá m m. de Deus . r
profanaram a sua consciência A^ Cencia batismaf11111^ .
fão bem queridas de Deus. Há asth?, ! unâa e a quaL* nu^ à
to Deus e bom; um, nunca o p c -r a ^ T me‘°s de s^,»,Classes
e achando-O de novo. As almas e 0 outro aba,r q«an-
ram a voltar, disse Nosso Senho? ! , 56 to*»viw àm
ais do que as que ficaram fir m e m e lT ^ os 4 ^
cil de compreender. Uma mãe fléis. i stoJ: s5 d? Ceu
com a recuperação da saúde ded?r?eZ-ÍUhos regoz dif‘-
que com a contínua posse de sa^ e
p a ra que o pecador se sinta bem 5 nove-
rios confissão e pesar, ( i ) E o pesar d e v e °w nt0' sâo necessà-
misericórdia de Deus para distingui-lo do rem S111111 aP®'° à
t a a distinção, quando escreve aos corintios “ m S°- S' Paul°
teza que e segundo Deus, produz uma n eniíL Porque a tr« -
a salvaçao; m as a tristeza do século nrodn f! ! stável P « a
7:10.) O rem orso, ou " a t r i s t e z a T o S m ^ S " (I1 Cor-
cupaçao, inveja, « u m e , indignação; mas a t r k w T preo‘
Deus, resulta em expiação e esperança a ’ hgada a
provém d u m senso da ofensa a Deus oúe é l r f ? Perfelta
o nosso am or. E sta tristeza ou c o n t Ê ^ S
são, n u n ca é u m a tristeza vexatória, irritante, que deprtat
mas e u m a tristeza da qual brota grande consolação
o expôs S A go stin h o ; “ O penitente sempre se aflige e semme
se rejubila com o seu pesar.” p

A experiência que um pecador arrependido padece ao re­


ceber o sacram ento do perdão íoi muito bem descrita pela
Bem-aventurada Ângela de Foligno. Fala-nos ela da ocasião
em que pela prim eira vez teve conhecimento de seus pecados.

“ R esolvi fazer m inh a confissão a êle. Confessei ple­


n a m e n te m eus pecados. Recebi absolvição. Não sen-

O ) Um estudo da confissão bastante interessante e agradável de se


Ti.» ®®contrttdo em Pardon and. Peace, de Alfred Wilson, C. P (Sheed
wc ..L on d res, 1947). Um a anrectac&o doutrinai é dada por John Ca
®*u Priêut mnti P&nit+nt (Sheed and Ward, Inc., Londrea, I938i.
ang ústia b p a z
198
• masa v e n a s amargura, vergonha e triste
tiaamM. mas P primeira vez a Misericórdia Di-
Dep0IL P ^ conhecimento com aquela Misericórdia
vma- ?^fastou do inferno, que me concedeu graça,
que me afef ^ fêz ver a medida dos meus peca-
conseqüência, compreendi que, ofendendo
I rrtàdor tinha ofendido a todas as criaturas.
Por intermédio da Abençoada V irgem Maria
e todos os santos invoquei a m isericórdia de Deus e,
de joelhos, pedi vida. De súbito, acreditei que sentia
a d edade de todas as criaturas e de todos os santos.
E então recebi um dom. Um grande am or abrasador
e o poder de orar, como nunca tinha o r a d o . . . Deu3
e°creveu o Padre Nosso no meu coraçao com tal acen­
tuação de Sua Bondade e de m inha indignidade que
me faltam palavras para exprim i-lo. ”

É bem difícil para o mundo compreender tal tristeza como


a dela, mas somente porque não sente êle tal am or. Q uanto
mais se ama, tanto mais se evita ferir o am ado e tanto mais
pesar se sente de haver feito isto. M as êste pesar não deve tor­
nar-nos obstinados e concentrados, com aqueles que dizem:
“Jamais poderei perdoar a mim mesmo por h aver feito isto.”
Isto é o inferno, quando a alm a se recusa a aceitar o perdão
por haver ferido o Divino A m o r.
A diferença de padrões entre o pagão, an tigo o u novo, e
o crente, resultando em remorso de um-a parte e em tristeza
da outra, se evidencia pelas seis afirm ativas do Senhor, que
começam por “Eu vos digo” . Contradizem os seis preceitos da
sabedoria do mundo, que começam por “ O uvistes” .

NO RM A PAGA NORMA CRISTA


Não deixeis que êle leve a Ouvistes q ue foi dito aos
melhor. antigos: N ã o m a ta rá s; e
Excitai a inimizade de clas­ quem m a ta r será condena­
ses, a fim de conquistardes do em juízo. Pois eu vos
o poder. digo que todo aqu êle que se
irar contra seu irm ão será
REMORao
E

sf &
louco, será dlss«'.
ftv ,* S g t.
pai livre-expansão a vós
mesmos. A repressão dos
instintos sexuais causa frus­
tração. A liberdade signifi­ !her cobiçando a
ca o direito de fazerdes o teu adultério com da
que quer que vos agrade no
domínio d a carn e.
a n -a n c a r ie

para6ttit m
para que’ P°
serque é meUlor
perca um de
teus membros do que todo
o teu corpo seja lançado no
mferno. (Mat. 5:28, 29)
Obtende divórcio! Casai-vos
Eu porém vos digo: Todo
de novo.
aquele que repudiar a sua
mulher, a não ser por cau­
sa de fornicação, a faz ser
adúltera; e o que tomar a
mulher repudiada, comete
adultério. (Mat. 5:32.)
Resolvei vós m esm os as Eu porém vos digo que não
questões. D iz e i: Q u e eu me jurareis de modo algum,
dane, se não o fizer. nem pelo céu, porque é o
trono de Deus, nem pela
terra, porque é o escabelo
de seus pés, nem por Jeru­
salém, porque é a cidade do
grande rei; nem jurarás
pela tua cabeça, pois não
podes fazer branco ou ne­
gro um dos teus cabelos.
Mas seja o vosso falar: sim,
a n g ú s t ia e PAZ
200
sim; não, não; porque tud0
o que daqui passa, procede
do mal. (Mat. 5:34-37.)
Eu porém vos digo que não
Batei-lhe em troca Liqui- resistais ao m al; mas se al­
aqueza.
dai-o. O perdão e n guém te ferir na tua face
direita, apresenta-lhe tam­
bém a outra e ao que quer
chamar-te a juízo e tirar-te
a tua túnica, cede-lhe tam­
bém a capa; e se alguém te
obrigar a dar mil passos,
vai com êle mais outros dois
mil. D á a quem te pede e
não voltes as costas ao que
deseja que lhe emprestes
(M at. 5:39-42.)

Odiai-o, se êle vos odiar. Eu porém vos d ig o : Am ai os


Processai-o! Matai-o! vossos inimigos, fazei bem
aos que vos odeiam e orai
pelos que vos perseguem e
caluniam , p a ra que sejais
filhos do vosso P a i Que está
nos céus, o q ual faz nascer
o seu sol sobre bons e maus
e m an da a ch uva sôbre jus­
tos e injustos. Porque se
am ais os que vos am am , que
recompensa haveis de ter?
Não fazem os publicanos
tam bém o mesmo? E se sau­
dardes somente os vossos
irmãos, que fazeis de espe­
cial? N ão fazem também
assim os gentios? Sêde pois
perfeitos, c o m o também
vosso P ai celestial é perfei­
to. (M at. 5:44-48.)
REMORSO E PERDÃO
201

o cristão está tentando lazer algo de bastam-


Desde q«® d0 a seguir os preceitos de Nosso Senhor,
difícil- asp„âzes S u a tristeza é maior do que o remorso do
^ma rTlU'taS o r e s u lt a d o de ter presenteado com uma afron-
iagã0’ nuem a m a .
■,6íauêle a quem a m a ‘ I
14 * tristeza p ro fu n d a n ao provem do fato de haver alguém
.A um a lei, m as som ente porque sabe que rompeu suas
com o D ivin o Am or. M a s se exige ainda outro ele-
R ° n para a regeneração, o elemento do arrependimento e
R n a r a ç ã o . O arrependim ento e antes um negócio a ôlho
da As lágrim as correm n a tristeza, mas o suor poreja no
R en d im en to . N ã o b a s ta dizer a Deus que estamos tristes
R o i s esquecermo-nos inteiram ente disto. Se quebramos a
6 nela de um vizinho, n a o som ente pediremos desculpas, mas
fmbérn deveremos tom ar o trabalh o de pôr no lugar nova
•ârsca U m a vez que o pecado pertu rba o equilíbrio e o ba-
C c o da justiça e do am or, deve haver um a restauração im­
plicando trabalh o e esforço.
Para ver por q u e isto deve ser, suponde que toda vez que
uma pessoa com eta u m a fa lt a lhe ordenem que pregue um
prego na parede de s u a s a la de visitas e que tôda vez que ela
fôr perdoada lh e m a n d e m arrancá-lo. Os buracos ficarão
ainda mesmo depois do perdão. Assim cada pecado (quer
atual, quer o r i g in a l), depois de ter sido perdoado, deixa “bu­
racos”, ou “fe rid a s ” n a n o ssa natu reza hum ana e o preen­
chimento dêsses b u ra c o s se fa z p ela penitência. Um ladrão
que furta um relógio, pode ter o fu rto perdoado, mas somen­
te se restituir o r e ló g io .
A diferença en tre p e rd ã o e reparação está indicada na
Sagrada Escritura. Q u a n d o M oisés pecou por ter duvidado,
Deus lhe perdoou, m a s im pô s a in d a u m a penitência a Moi-
sés: “Tu não p a ss a rá s êste Jordão.” (Deut. 3:27.) David aj\
[ependeu-se de seu a d u lté rio e N a ta n , o profeta, o^ abso veu.
0 Senhor perdoou o teu pecad o; não m orreras. (II « « s
J M as D e u s e x ig iu satisfação. “M orrera irrem ss
«ente o filh o q u e te n a s c e u .” ( I I Reis 12:14.) E o mesmo
Je. o perdão d e D e u s n o S acram en to nos r e c o l A ^ m ^ ^ e j
a n g ú s t ia E PAZ
202
Amizade, mas a dívida para com a Justiça D ivin a perman
no tempo ou na eternidade . nec*
A expiação temporal para m uitos pecados é necessà •
mente considerável e requer considerável autodiscipim aria~
parte do penitente. A fé somente nos m éritos de C risto n~ tía
adequada para a remissão dos pecados; na realidade na° ^
sem penitência é sempre in suficiente . ’ a ^

“Os méritos e satisfações infinitos de Cristo são


e não são bastantes, porque Deus não nos tratará
como “robots” ou autômatos. Os protestantes
acusam-nos muitas vêzes de atribuir efeitos mágicos
aos sacramentos. Replicamos que sao êles os culpa­
dos, atribuindo poder mágico à Redenção, ao passo
que afirmamos que não^ h á m agia nem nos Sacra­
mentos, nem na Redenção. Deus respeita nossa livre
vontade e sem a cooperação de nossa livre vontade
nada fará. Sua operação fica dependente de nossa
cooperação, da mesma m aneira que a corrente elé­
trica depende da lâm pada p a ra p ro d u zir a luz. A
confissão tem o poder inato de rem over todos os tra­
ços do pecado, mas, antes que isso se realize, deve
haver perfeita cooperação, isto é, p erfeita retifica­
ção da vontade. A livre vontade é o âm a g o d a difi­
culdade. __
Um exemplo ilustrativo pode a ju d a r a clarificar
a questão. Suponde que os dois hom ens tiveram u m a
querela e um dêles deixou-se dom in ar por u m a cóle­
ra incontrolável e bateu com ta m a n h a fô rç a em seu
companheiro que acabou por m a c h u c a r a própria
mão e pulso. Depois, o agressor pediu desculpa e
sua desculpa foi aceita. A charíeis que a questão
terminou com isto? “N ã o ” , diríeis, “ e a m ão? ” A
aceitação das desculpas não cu ra a m ã o .
O mesmo acontece conosco. Pelo pecado, dani­
ficamos nossa vontade e o dano n ão é necessària-
mente reparado pelo decreto de p erd ão de Deus. As
vêzes, quando pecamos, nos voltam os p a r a a cria-
rem orso e perd ão 203

tura comgrande in te n s id a d e p ,~ .
pletamentenossa v o n ta d e , d e v p . ™ m r e t lfíc a r
com ig u a l in te n s id a d e . IstV o lta r p
mos de fazer, co m o r e s u lt a d o j ! qfaen tern e n te d e i ^ S
com cica triz es e to rta . A v o n ta d e T no3£a v o n t i l t
com cicüw*— “ O '™ » M e tS « « OfflS ?
da, antes de p o d e rm o s para céu.
S e v o lta rm o s p a r a D e u s co m u rn . . .
iguüli à
à n
n ossa
ossa in t en
in te n sia
s id a d e n
' * a uJt:
— ziu
o n ecad n r, u ãm ln
■ - -J z °u u
te n 3idade
^ ia-n
o r do que
ela, a Confissão r e t ir a t a n t o a c u lp a d o p S n “ ^ " ®
o castigo t e m p o r a l m e r e c id o p e lo p e c a d o d° C m o
S e v o lta rm o s p a ra D e u s, com m e™ *
com suficien te in t e n s id a d e , a v o n t a d e e rn b o ra
nece d a n ific a d a e o u t r a s b o a s o b r a s w - a p e rm a '
para co m p le tar s u a r e t ific a ç ã o . c0 v i g i d a s
Tem os aqu i a e x p lic a ç ã o dos nesoUn*
impostos n a I g r e j a p r im itiv a . O s p r im e i™ * C astlgos
não d u v id a v a m d a e fic á c ia d o S a u a m e n
tência, m a s d a a d e q u a ç ã o d e seu n n w ! da PenU
mento. E ’ esta t a m b é m a e x n h c a c è e u arreP en d p
sistência d e C r is t o n o c a s t ig o / ’ ( 2 ) ^ a p r o p r ia i n -

Agora considerai o p e c a d o c o m o u m a v ia g e m q u e a f a s t a
de Deus. Imaginai q u e A é u m filh o m e n o r , o b r i g a d o a r e s ­
peitar a vontade de seu p a i. E s t á e m C h ic a g o . S e u p a i, B ,
lhe diz que vá p a r a a e s q u e r d a d o m a p a , p a r a S. F r a n c is c o .
Mas em vez, A segu e p a r a a d ir e it a p a r a N o v a Y o r k . Q u a n ­
do A chega a N o v a Y o r k t e le f o n a p a r a B , d iz e n d o : “ P e r d o a -
me, sim, por favor? S in t o t e r o fe n d i d o a o s e n h o r , q u e t a n t o
merece meu am o r.” B p e r d o a A . M a s v ê d e o n d e A e s tá ! E n ­
contra-se a quase n o v e c e n t a s m i l h a s d e s e u p o n t o d e p a r ­
tida, Chicago. A fim d e c o m e ç a r a s a t is f a z e r a v o n t a d e de B,
A tem de voltar a C h ic a g o a n t e s d e p o d e r s e g u ir p a r a 1
mim,1SC0; 0U podeis d iz e r q u e a s n o v e c e n t a s m i lh a s q u e
J u em pecado d e v e m s e r v i a j a d a s d e v o lt a c o m o ca stig

C s , mrf. Wll80K- c - P., Pardon and Pea.ce, p. 209, ^Sheed and Ward, Inc
a n g ú s t ia e paz
202

. « . « a ? “ m *
no tempo ou na eteri muitos pecados é necessària-
A expiação tempoiu- P considerável autodisciplina da
mente considerável e ^ te nos méritos de Cristo não é
parte do penitente, a r e » pecados; na realidade, a fé

^ p » ^ ÍnSUÍÍCÍente-
“Os méritos e satisfações infinitos de Cristo são
- cõn bastantes, porque Deus nao nos tratará
R obots” ou autôm atos. O s protestantes
acu^m-nos muitas vêzes de atribu ir efeitos mágicos
aos Sacramentos. Replicamos au e sao eles os culpa­
dos atribuindo poder m ágico a R edenção, ao passo
aue afirmamos que não h á m a g ia nem nos Sacra-
mentos nem na Redenção. Deus respeita nossa livre
vontade e sem a cooperação de nossa livre vontade
nada fará. Sua operação fica dependente de nossa
cooperação, da mesma m aneira que a corrente elé­
trica depende da lâm pada p a ra p ro d u z ir a luz. A
confissão tem o poder inato de rem over todos os tra­
ços do pecado, mas, antes que isso se realize, deve
haver perfeita cooperação, isto é, p e rfeita retifica­
ção da vontade. A livre vontade é o â m a g o d a difi­
culdade.
Um exemplo ilustrativo pode a ju d a r a clarificar
a questão. Suponde que os dois h o m en s tiveram um a
querela e um dêles deixou-se d o m in a r p o r u m a cóle­
ra incontrolável e bateu com ta m a n h a fo rç a em seu
companheiro que acabou por m a c h u c a r a própria
mão e pulso. Depois, o agressor p ed iu desculpa e
sua desculpa foi aceita. A ch aríeis q ue a questão
terminou com isto? “N ã o ” , diríeis, “ e a m ão? ” A
aceitação das desculpas não c u ra a m ã o .
O mesmo acontece conosco. P elo pecado, dai
iicamos nossa vontade e o dan o n ã o é necessàri
mente reparado pelo decreto de p e rd ão de Deus.
vezes, quando pecamos, nos voltam os p a r a a cri
203
tu ra com grande intensida* r,
pletam ente nossa v o n t a d e T ! L ? ara r* t«c a r com
com ig u a l intensidade. ísfe f “ °? voltar PWa S
m os de fazer, com o resultado á e ^ * ® 6®16 de« a -
com cicatrizes e torta, a vontadí f nos&a T°ntade
da, antes de podermos estar a d e ® ^ !,6 ser «W ica -
Se voltarm os para Deus cc Pa® 0 céu-
ig u a l à nossa intensidade no ner£LU® a mtensidade
ela, a C onfissão retira tanto a S a d o ^ do 1“
o castigo tem poral merecido pelopecalo d° C° mo
Se voltarm os para Deus mm ^
com suficiente intensidade, a ’vontade

A g o ra co n sid era i o pecado como uma viagem que afasta


de Deus. I m a g in a i que A é um filho menor, obrigado a res­
peitar a v o n tad e de seu pai. Está em Chicago. Seu pai, B,
lhe diz que v á p a r a a esquerda do mapa, para S. Francisco.
Mas em vez, À segu e p a ra a direita, para Nova York. Quan­
do A ch ega a N o v a Y o rk telefona para B, dizendo: Pcrdoa-
-me, sim, p o r favor? Sinto ter ofendido ao senhor, que^tamo
merece m e u a m o r .” B perdoa A. Mas vêde onde A estJ. en­
contra-se a q u a se novecentas milhas de seu ponto e P
tida, C h icago. A fim de começar a satisfazer a vontade de ,
A tem de v o lta r a C h icago antes de poder .ls^ üUe a
francisco; o u podeis dizer qne as novecenta ^ c^ tigÔ.
viajou em p e c a d o devem ser viajadas de vol

vSbe*i and Ward. Vac-,


. J2) Alfred Wilson. C. P-, P a rd o n and Peace, P-
^ res, 1047).
a n g ú s t ia e paz
202

Amizade, mas a dívida para com a Justiça Divina permanece


no tempo ou na eternidade.
A expiação temporal para m uitos pecados é necessária-
mente considerável e requer considerável au todisciplina da
parte do penitente. A fé somente nos m e iito s de C risto não é
adequada para a remissão dos pecados; na realidade, a fé
sem penitência é sempre insuficiente.

“Os méritos e satisfações infinitos de Cristo são


e não são bastantes, porque Deus não nos tratará
como “robots” ou autômatos. Os protestantes
acusam-nos muitas vezes de atiibuii efeitos mágicos
aos sacramentos. Replicamos que são êles os culpa­
dos, atribuindo poder mágico à Redepção, ao passo
que afirmamos que não há m agia nem nos Sacra­
mentos, nem na Redenção. Deus respeita nossa livre
vontade e sem a cooperação de nossa livre vontade
nada fará. Sua operação fica dependente de nossa
cooperação, da mesma m aneira que a corrente elé­
trica depende da lâm pada para produzir a luz. A
confissão tem o poder inato de remover todos os tra­
ços do pecado, mas, antes que isso se realize, deve
haver perfeita cooperação, isto é, perfeita retifica­
ção da vontade. A livre vontade é o âm ago da difi­
culdade.
Um exemplo ilustrativo pode aju d ar a clarificar
a questão. Suponde que os dois homens tiveram uma
querela e um dêles deixou-se dom inar por u m a cóle­
ra incontrolável e bateu com tam an h a fôrça em seu
companheiro que acabou por m ach u car a própria
mão e pulso. Depois, o agressor pediu desculpa e
sua desculpa foi aceita. Acharíeis que a questão
terminou com isto? “N ã o ”, diríeis, “e a m ão?” A
aceitação das desculpas não cu ra a m ão .
O mesmo acontece conosco. Pelo pecado, dani­
ficamos nossa vontade e o dano não é necessária-
mente reparado pelo decreto de perdão de Deus. As
vêzes, quando pecamos, nos voltam os p a ra a cria-
REMORSO E PERDÃO
203
tura com grande intensidade. Para
i A+ n T Y io n b v ir io o n ’

para completar sua retificação.


Tem os aqui a explicação dos pesados castigos
impostos na Igreja primitiva. Os primeiros cristãos
não duvidavam da eficácia do Sacramento da Perü
tência, m as da adequação ^de seu próprio arrependi­
mento. E’ esta também a explicação da própria in­
sistência de Cristo no castigo.” (2)

Agora considerai o pecado como uma viagem que afasta


de Deus. Im a g in a i que A é um filho menor, obrigado a res­
peitar a vontade de seu pai. Está em Chicago. Seu pai, B,
lhe diz que vá p a ra a esquerda do mapa, para S. Francisco.
Mas em vez, A segue para a direita, para Nova York. Quan­
do A chega a Nova Y o rk telefona para B, dizendo: “Perdoa-
-me, sim, por favor? Sinto ter ofendido ao senhor, que tanto
morppp m eu am o r.” B perdoa A. Mas vêde onde A está! En-

. Pardonand P eace, p. 206, iSbMd .nd W «d.


(2) Alfred W ilson, C. P
Londres, 1947).
angústia E PAZ
204

A náô pode começar a ser bom enquanto não tiver regres*


do pelos caminhos do m al. Sa*
Mas como todos os exemplos, êste claudica, pois o fat
A não precisa caminhar de volta aquelas’ 900 milh °
------A T n rro ia n n r f l n n o ^
n,?nUnrin Á T a r t e “pode dirigir-se à Igreja para que o auxilie
cor^urn aeroplano cheio dos méritos de Nosso Senhor, da
Rendi ta Mãe e dos Santos. O aviao leva-o de volta no resto
do c a i n h o Tal remissão em um todo ou em parte do cas­
t r o devido aos pecados de A é efetuada por mero das indul­
gências. Por meio delas, a Igreja proporciona a seus peni-
tentes um robusto ponto de j^artida. E a Ig ie ja tem um imen­
so capital espiritual, ganho através de séculos de penitência,
de perseguição e de martírio. Muitos de seus filhos rezaram,
sofreram e mereceram, mais do que necessitavam p ara sua
própria salvação individual. A Igreja tomou êstes méritos
superabundantes e colocou-os no tesouro espiritual, do qual
os pecadores arrependidos podem sacar em tempos de de­
pressão espiritual. Ora, êste capital espiritual pode asseme­
lhar-se a um banco de sangue. Quando qualquer de seus
membros está sofrendo de anemia espiritual ou das profun­
das feridas do pecado, a Igreja fornece-lhe u m a transfusão
de sangue. Não poderá nunca fazer isto por nós, se estiver­
mos espiritualmente mortos pelo pecado. U m a transfusão
não valerá de nada a um cadáver. De modo que p a ra obter
as indulgências ou remissão das penalidades do pecado, o
recipiente deve estar em estado de graça, deve ter a intenção
de ganhar as indulgências e deve executar as obras prescritas.
O pecador fará voluntariamente penitência. Sabe que to­
dos os pecados custam algum a coisa ao hom em -D eus — Sua
Cruz e portanto devem custar-nos a lg u m a coisa. Além
disso, não quer ser “perdoado”, m as antes “re p a ra r” por causa
de seus pecados. Nas eras cristãs, os hom ens que morriam
continuavam seu arrependimento, mesmo depois da morte,
eixando dinheiro ou dotando hospitais, igrejas e escolas em
Cllsto (O homem moderno, a m aior parte das vê-
, ota um laboratório científico em seu próprio nome.)
cnrtn” PMsítê? CÍa,é ° ^conhecim ento de que temos um “pas-
ao é morbido reconhecer tal fato. Pelo contrário,
REMOIWO E PERDÃO
205
. „retender q u e êle n a o existe. O passado afetará
,,hido e p Mão somos ap en as aquilo que comemos; somos
futur°- n0ssos pecados fizeram de nós. Se não
n°ltiém de nosso passado, estamos adiando e aumen-
% V enda nunição etern a. A ú n ic a razão de nos ser dado
ndo n°ssar,? oue possam os fa z er penitência. O verdadeiro
é ,P npns cônscio de ter ferido o Am or, renunciará vo-
mantede tp à seus p riv ilég io s e conduzir-se-á de tal m a-
mntàriainer?,ipntifiçado com o C risto Q u e traz cinco horríveis
^ a nas m ãos, nos p é s e n o fla n c o .
fetiliaS m undo a m a io r p a rt e de nós d á m ais valor à dor
Neste m d’0 D e fa to , acreditam os muitas vezes que
do í ue a° „ m aio r m a l. A p e n itên c ia nos aju d a a pôr estas
seja a dor o re ta perspectiva. Q u a n d o u m homem en-
desordens n p en itên cia, v erific a qu e nenh um outro m al
contra aieg” .gr d0 q u e 0 pecado. A m enos que h a ja amor,
_____ L- — — x------------- AAitáiUâ que n a]a amor,
Pwctâicio e a p eennitên
£ e a n itên ccia serão sentidos como
ia serão ------------
um mal, mas
auando o a m o r existe. Com preendem os, quando aceita-
! mos a penitência, que o p ró p rio egoísm o que causou o nossc
I g a(io faz p a ra m u ito s ta l sacrifício necessário, como uma
' condição para d o m a r os im p u lso s erran tes que causaram a
i Derturbação. E q u a n d o a p le n a lu z do A m or de Cristo brilha
numa alma, com eça e la a in c o rp o ra r, não apenas penitên­
cias impostas p e la I g r e ja , m a s to d as as provações da vida na
hora maior d a R ed en ção. E m vez de rom per em amargas
queixas contra os reveses d a fortun-a e as provações da vida
recebe-os num espírito de re s ig n a ç ã o , como a justa paga dc
pecado. Graças a esta p a c ie n te aceitação, muitos pecados
são expiados.

Há três m a n e ira s g e ra is de fazer penitência: orações,


esmolas e jejum . N a o ra ç ã o , pe d im o s a m isericórdia de Deus
para nossas alm as. P e la s esm olas, retribu ím o s a Deus alguns
os dons que Êle nos co n ced eu , p a r a q ue possamos justificar
sas posses. “R e d im e -te de teus pecados com esmolas.”
ânsia 4J24*^ , P el° Jeju m , m o rtific a m o s a raiz de tôdas as
dernaS de car^ er sex u al. O c o n fo rto crescente da vida mo-
iH*mPr~0p01ciona v á r ia s ocasiões de m ortificação. Se uma
nao pode p u n ir-s e a resp eito de com ida, outros praze-
^Xí GÚSTIA e paE
206r
res dentro de seu alcance — artísticos, convencionais m -
nicos e sociais _ facuitarao m uita ocasiao dum real ’, w Câ-
Mas as penitências não são feitas p o r nós s ò z i n h ^ '
penitente é auxiliado por outros que participam do Corn**' 0
Cristo. Isto não poderia dar-se, se fossemos indivíduos £ ,de
dos, mas pode realizar-se se pertencemos a um C o rp0 m « ! ? 8'
em que todos são um governados por u m a C abeça vivm 0
dos por uma Alma e professando a m esm a Fé. o k m Ca'
maneira que é possível enxertar pele d u m a p a rte do r Wa
em outra e da mesma maneira que é possível tran^f. P°
sangue de um membro da sociedade p a ra outro, assim t * 1
bém, no organismo espiritual da Ig re ja , é possível env * '
oração e transfundir sacrifícios. Esta verdade cristã
plenitude é conhecida pelo nome de C o m u n h ão dos SUa
Da mesma maneira que estamos todos ligado s n a Cu i an^os-
faltas de um outro (como o prova tão eviden tem ente das
guerra moderna), assim também podem os estar ítein Uma
expiação de outrem. Tal m ilagre se realiza n a r e v e r á ! na
dos méritos e na permuta de vantagens E ’ p o r D1Jldade
dimos a nossos amigos que rezem p o r nós, por isso pe‘
f?mos no texto do “Padre Nosso” ,p
todas as missas rezadas no m undo inteiro fa zen d o 1 ? ™ “
pela conversão da Rússia. Temos necessidade açoes
dos outros. “E o olho não pode dizet W JaI uns
to do teu serviço; nem tam bém a cabeça node r i i W necessi’
Vos nao me sois necessários Anfceq npir» dizer aos pes:
bros do corpo que parecem mais f r f r n * c ~n t r a n o > os mem-
sários’> (Cor. 12:21, 22) fra c o s’ sao mais neces-
Poucas consolações maiores do que a de saber que es­
tamos ligados a uma grande corporação de orações e sacri­
fícios. A Comunhão dos Santos é a g ra n d e descoberta da­
queles que, quando adultos, encontram a p len itu d e da íe.
Descobrem que, durante anos, houve dúzias, e em alguns
casos centenas de almas rezando especialm ente por eles,
tempestuando o céu com a súplica de que u m pequeno ato
de humildade da parte do convertido possa a b r ir u m a fenda
na sua armadura para deixar entrar a g ra ç a e a verdade de
Deus. Cada alma no mundo tem preço m a rc a d o e desde que
rem o rso e perdão
207
^mtas não podem ou não q u e rm
mas. outrtf S . “ * em seu hffar ° J * T ^
mente outro meio de explicar a conversão £ o, a Provàvei-
oue não o de que neste mundo, c o r a ® ! * algumas almas
L e n t e s ou am igos, intercedem a dT u s ! ™ r° ’ seus Pats.
fies o prêmio d a vida eterna. Us e conquistam para
Por que h á mosteiros e conventos’ p or m,a „ •
alm as as luzes e esplendor do
lo v e n s de,lxam tantas
feio am paro da C ru z onde se f o r m a m ^ d ?ela sombra e
moderno com preende tão pouco a miSsão de!as auP°t-mT d0
^ repórter ouve dizer que um a linda e ioven? mníS° g°
{rou para u m convento, telefona a seus r a i ? ?n'
"Teve ela u m desengano amoroso?” A resnosm L L L g^ndo;
-Sim, desenganou-se do am or do m u L o A ' ^ duvlda' é:
Deus” Êstes ocultos dínam os de oração,' ot t o m e n s ? ™
lheres enclausurados, estão fazendo mais pelo n o s so V a ifri!
que todos os seus políticos, seus líderes trab alM sta sseu
exército, su a m a rin h a juntos. Estão expiando pelos pecados
de todos nos. Estão desviando a justa cólera de Deus reoa
rando as b arreiras tom badas daqueles que pecam e não i t
zam, rebelam -se e nao expiam. Assim como dez homens ius-
tos teriam salvo S odom a e Gom orra, da mesma forma dez
santos justos podem salvar agora um a nação. Mas enquanto
uma nação se m o strar m ais impressionada pelo que faz seu
gabinete go v e rn a m e n ta l do que pelas almas escolhidas que
estão fazendo penitência, o renascimento dessa nação ainda
não começou. O s enclausurados são os mais puros dos pa­
triotas. N ã o se to rn a ra m menos interessados pelo mundo
desde que o d e ix a ra m : n a verdade, tornaram-se mais inte­
ressados pelo m u n d o do que nunca estiveram antes. Mas nada
têm que ver com se êle com prará ou venderá mais. C u id : ^
— e cuidam desesperadam ence — de que êle se torne mais
virtuoso e m ais a m a n te de D eus.
Com h o m en s e m ulheres tão nobres P i t a n d o
aqui e ag o ra , a li e outrora, o restante faz b « h P
tência pelos nossos pecados individuais. Mas, *■ ' prol
muitos dos fru s tra d o s hom ens e m ulhe mai» fácil,
curam em tôrn o de si àvidam ente algum melo m au iacu,
a n g ú s t ia e p a z
208

. í n impulso emocional sem a carrêta da


ma religião que dê o m
y ag não exl]a dem ais. Tendo
penitência, um cul£ J ortificadas, muitos m aus hábit
m
muitas paixões a - a ul
dornar,
/u i » 1i querem
u u m a t/i
uiiia cruz aero-
uzi aerO"
a corrigir,
gir, mmtos^ego^^
muitos ee°*s™“relieião
eUgião que lhes de resplenderei..
dê resplendência,
ca. Buscam m « » r re° udiam tôda religião, dizendo:
mas não golpes. Aigm rN este estágio de orgu
-- --- w
“Que poderá dar-me J U pode tirar alg u m a coisa: os F
Igreja nada pode dar, mas pode tirar algu m a coisa~ os~’ w
cados alheios. E, como ponto de partida, é u m dom sufi~
C apítulo X I

rEMOR DA MORTE

U m a ênfase extrem a da segurança ,


sação p a ra u m a perda de sentido da s e g u r a n ^ 1 é comPen'
do a alm a se em pobrece pela perda da sna rt terna ^ uan-
vírtude, seu proprietário busca o luxo e as r i a X f 1 que é a
pensar-se d a su a nudez interior. Quanto m R c a T a C '
menos arm azen a ela coisas materiais. Não é a X h r L ^ ’
torna os hom ens bnguen tos e infelizes, como p X f i n ? »
comunistas, m as u m excessivo apêgo às coisas Jue
compra. O s pobres m onges são geralmente mais (“ Z
e bem m ais felizes do que os milionários. E é também X
êrro dizer que, se as condições econômicas fôssem boas não
haveria preconizadores do comunismo. Os que fazem tal’ afir­
mativa esquecern-se de que: a) As condições econômicas po­
bres são ap en as u m a ocasião de abraçar o comunismo e não
uma causa; em algu n s casos, as provações econômicas são,
em vez, u m a ocasião de renovada vida espiritual; b) As condi­
ções econôm icas eram excelentes no Jardim do Éden, mas o
primeiro ‘‘v erm elh o ” entrou nêle e foi aquela catástrofe; c)
0 que torn a u m a sociedade instável não é o fato de não ter
o povo o bastan te, m as o de querer êle sempre mais. Não há
limite p a ra as exigências do homem, uma vez que a terra se
tenha torn ad o a razão de ser e a finalidade da vida; logo
querem êles u tilizar-se de todos os meios possíveis para pos­
suir o m ais que possam ganhar. A causa real de tão ilimitada
concupiscência daquilo que se chama muitas vêzes “seguran­
ça” é o tem or do eterno vazio íntimo. Nunca antes na his­
tória foi a advertên cia evangélica a respeito de Deus e
M&mmon tão claram ente realizada como hoje}1 pois a alma
que perdeu o seu Deus deve cultuar Mammon.
AtfOÚSTM S P*z
210
„„ hpns resulta um temor da morte, un,
Dêste apêgo aos oen tudQ gu anto temos acumulado
mêdo de que P °S" * £ n J i temporal se desvanecerá^ n a insegu.
de que nossa segurança V mortej que o pagao moderno
rança eterna^ ^ n“ T morte que tem o fiel de varias ma-
sofre, difere do temor d de seu COrpo e de sua riqueza;
neiras. O PaSa 0 ‘ ef d e sua alma. O crente teme a Deus com
0 fiel ta m e a .PfSemelhante ao que um filho devotado tem
um temor flhal, seI" e 0 pagão teme, nao a Deus, mas
para com um pai a™° ’ece ameaçá-lo. D a í o aum ento de
a seu semelhante, qu í'rência) greves e gu e rra ; o próximo
cinismo, susPelt" ;, “ DalaVra senão pela espada, porque é um
deve ser morto, peia f q moderno, recusando-se a con-
inimigo a.temer-se. ^ ^ do berço, torna-se o semeador
timiar a " ^ P ^ ^ imortalidade de sua pró pria alm a, re-
da “ ^orm iidade à raça, sufocando sua fun ção reprodutiva,
cusa imortalidade > j ente 0 temor da morte. Preud

verdade6mas não do modo que Freud im aginou. O amor,


compreendido apenas como sexo, traz a m orte quando sacri­
fica a raça ao prazer da pessoa. O am or, com preendido nao
como glandular, mas como intelectual e vohtivo, também
implica a morte, pois procura m orrer p a ra que o am ado possa
viver; êste amor, porém, conquista a m orte, através de uma
ressurreição. Mas para um incrédulo, em vez de ser u m fato
empírico, tornou-se a morte um a ansiedade m etafísica. Como
profundamente observou Franz W e rfe l a respeito do assun­
to: “O cético não acredita em outra coisa sendo n a morte.
D crente é no que menos acredita. U m a vez que o mundo
para êle é uma criação de espírito e am or, nãn pode ser
ameaçado pela destruição eterna no seu ser essencial como
ima criatura do mundo.” (1 )| ^ |
O mundo teme aquelas m esm as coisas que Nosso Senhor
ios disse que não temêssemos. Disse que não temêssemos a
norte, nem temêssemos “ser ch am ados a o t r ib u n a l” pela

( 1) Between Heaven and E a rth , p. 192 .


TETVÍÜR da MOfcTl
211
•11

^ t é m ês ~ S ° o S a faUa de « c a ,

“Portanto vos digo; não andeis demasiadamen-


te inquietos nem com o que vos ê preciso para ali-
m entar a vossa vida, nem com o que vos é preciso
p a ra vestir o vosso corpo. Porventura, não vale mais
a vida que o alimento, e o corpo mais que o vestido*’
O lh a i p a ra as aves do céur que não semeiam, nem
ceifam , nem fazem provisão nos celeiros; e contudo
vosso P a i Celeste as sustenta. Porventura não sois
vós m uito mais do que elas? E qual de vós por mui­
to que pense pode acrescentar um côvado à sua es­
tatura? E por que vos inquietais com o vestido? Con­
siderai como crescem os lírios do campo: êles não
trab alh am , nem fiam. E digo-vos todavia que nem
S alom ão em tôda a sua glória se vestiu jamais como
u m dêstes. Se pois Deus veste assim uma erva do
cam po, que hoje existe, e amanhã é lançada no for­
n o ' q uan to m ais a vós, homens de pouca fé? Não
vos a flija is pois, dizendo: Que comeremos, ou que
beberem os ou com que nos vestiremos? Porque os
(jpntios é que procuram tôdas estas coisas. Vosso
l > c abe que tendes necessidade de tôdas elas. Bus­
cai pois em primeiro lugar o reino de Deus e a smr

a c ré sd m o . N ^ q u S s p T i J m a ^ a t o n ^ t e

2 4 o seu cuidado,
(M a t . 6 :2 5 -3 4 .)

M as N osso S en h or nos disse o que temos de temer: as


conseqüências do julgam ento, se não vivermos direito, blas^
femando c o n tra o E spírito Santo e negando a nossa fe.
O h o m em m oderno inverteu completamente esta
das coisas q u e deveriam ser temidas. Aceita e
aquelas coisas que o Salvador nos advertiu que §
roas trem e d ia n te daquelas coisas que o Sal
ANGÚSTIA e PAZ
212

oculta-la, w r n « ^ sabe como consolar ou o que dizer'


presença da morte contradiz a in ju n çao crista: “Lembra-te
I ? teunderrade ro fim.” Pois encara tôda discussão da m or^
como mórbida. Contudo rirá num a com edia em que uma
S d” pessoas são mortas e ficara acordado ate meia-noite
lendo uma história policial a respeito de u m assassinato. l sto
S m é morte e o subjuga: m as concentra-se nas circuns­
tâncias pelas quais a morte chega em vez de faze-lo nos re­
sultados eternos da morte, que somente estes tem tôda im-
portância Esta Insensibilidade m oderna diante da morte é
uma insensibilidade diante da pessoa, da ord em m oral e do
destino.
Muitos fatores hoje constroem u m a atitu de não natural
para com a morte. Vãs são realm ente as tentativas do pagão
de transformar a morte em comédia, ou de obscurecer o seu
significado por meio da gargalh ad a, pois q u a n d o a morte é
uma ameaça pessoal, o homem m oderno tem m êdo de enca-
rá-la face a face. Os médicos não m ais avisam seus pacien­
tes da iminência da morte; agem como se n ã o fossem neces­
sários os preparativos para a eternidade. A té m esm o a fa­
mília do doente que está m al desem penha u m p ap el no gran­
de jôgo do engano de si mesmo. Os m o rtalh eiro s de hoje fa­
zem a morte assemelhar-se à vida; pretendem que tudo quan­
to ela implica é um pequeno sono, depois do q u a l cada qual
despertará numa praia eterna que não tem regulam entos de
passaporte. O culto da mocidade p e rm a n e n te con tribu i para
o fingimento macabro de que a m orte n u n c a chegará. Pri­
meiro, nega as sete idades do hom em de que fa la v a Shakes-
peare, depois desvia o espírito dos hom en s do fato do juízo
final que os espera no m om ento d a m orte. O totalitarismo
moderno, com sua m entalidade de h o rd a, abso rve as pessoas
num a coletividade e leva-as a acred itar q ue vivem n a massa,
que são importantes apenas com o co n stru to ras de u m futuro
tem or da m o rte

213
i* nara a caça. A imortalidade nes^nai +
^ d e PgruP°> a q ual * ão é im or^ fid a d e ^ aa;s? iIílQrU ü -
dad n também perecera a seu tempo. Além h - mesmo 0
if lfíje moral de q u a lq u e r utopia t e r r e s t r e ^ a m S ’ í medi°-
c0hocante p a ra os m ais elevados ideais m o r a k T pl^ eiada
i t às judiciosos nao podem m orrer a l e g r e m ^ mdlvWuo;
?°?ue tal ban alid ad e v irá realizar-se algum dia a i -1* cren?a
A m e m deve m o rre r an tes que a da que,
atingida e a u m c a consolação que esta fiw . «• Vlsi°n a
se,l f a d e que seus bisnetos dan çarão em c i m Í T Üa lhe °fc-
J f Todos os esquem as totalitários, porém, ostentam11
erança; colocam o ja rd im do Éden no futuro es'
negação da tra d iç a o s u a p a ix ã o de relegar tudo n, U.a
pertença & m e m ó ria d a r a ç a h u m a n a é outra t e n t a « ™ ^
lugir à realidade d a m o rte . tentativa de
Aquêles que te n ta m ig n o ra r a m orte dizem m uita, « a
que é o mêdp de m o rre r q u e to rn a os homens relig£s po?
certo êste m edo tem a lg o q u e ver com a fé. É um dos fa t ô r «
da religião, p o rqu e poe o h o m em face a face com n
do âmago da v id a : P o r que? P a r a onde? P or que m o tiv a m ™
rai, negai, ride deie, m a s to d a v ida contrai um a dívida
algum dia deve ser s a ld a d a e com estrita justiça. Assim como
o negociante a noite r e t ir a d a s u a caixa registradora a tira
em que estão escritos os débitos e créditos do dia da mesma
maneira tam bém c h e g a r á u m a h o ra em que o negócio da vida
estara feito, q u a n d o o G r a n d e Juiz retirará a consciência
anotaçao dos nossos a to s direitos e errados: “Todos os ho­
mens terão u m d ia de m o rr e r e de ser julgados depois da
morte. Foi o D e m ô n io q u e m disse: “ N ão morrereis.” Para
íbertar os h o m en s do e s p írito dessa m entira, o cristianismo
oraenou-lhes q u e p e rg u n t a s s e m a si m esm os: “P ara que es-
‘‘nn/1Veil'd0 h0‘*e?. E> P a r a q u e m °r r a is am anh ã.” Diz-lhes:
, e a arvore cai, a li fic a ” e “ V ig ia i e orai, pois não sabeis
a hora nem o d ia .”

Não é resp o sta a o fa t o d a m o rte ^ momento e de-


um fósforo q u e fo i aceso, q u e a r d e r a P m n fósforo,
pois cessará de ex istir. S e n o s sa v id a ^em para os
a morte não t e r ia t e r r o r e s p a r a nòs, com
AHGVSTIA E PAZ
314
„ ,, mesmo a analogia do fósforo não provg um
animais. Mas até mesm dQ hom em , pois em bora o fóS-
exemplo para a m oiw inda viafa através do espaço a
foro esteja apagaao, su rnilhas por segundo e sobrevive
uma velocidade ae * 00. ^ Nem podemos m ostrar a bre-
em alguma parte oo dizendo que somos como o fruto
vidade da vida do ho ^ prende, am adurece e depois cai
de uma arv" ® ’ q“ ant0 0 fruto está prêso à casca, a casca à
e morre, P ° 's. "^ente, continua não obstante verdadei-
p0lpaee e m S Pa o fruto maduro caia e o pássaro o bique por
r? q % !m m há ainda no íntimo dêle um a semente que vi-
S p ^offi'r. 5 “ ç«‘ e áà taort.Uda
ve
ro
p
Contudo a morte é um fato. Os anim ais m orrem e o mes­
mo fazem os homens, mas a diferença é que os hom ens sabem
w e devem morrer. Por êste fato, nos hom ens superam os a
morte sobrepujamo-la. transcedemo-la, en caram o-la, exam i­
namo-la e assim ficamos fora dela. Êste ato e u m a ap agad a
antevisão da imortalidade. Nossa m ortalidade só nos é am e­
drontada em grande parte porque podem os contem plar a
imortalidade e temos uma vaga suspeita de que perdem os a
imortalidade que outrora nos pertenceu. D evíam os tê-la e
contudo não a temos. Algo interferiu. N ão somos tudo quan­
to devíamos ser. Se a morte fôsse sim plesm ente u m “ tem-de-
-ser” físico, não a temeríamos. Nosso m êdo provém do fato
moral de sabermos que não devíamos m orrer. Tem em os a
morte porque não foi parte do plano o rigin al traçad o para
nós. E também a tememos porque fizemos u m pobre uso dos
nossos anos de vida. Quando o senso do pecado é agu do , êste
temor de encarar nossas próprias fa lh a s pode torn ar-se p a­
radoxalmente extremado, a ponto de desejar o in divídu o per­
der-se, a fim de não ter de viver consigo m esm o. Isto é suicí­
dio e niilismo.

dpq é fon^e de m editaQão sôbre m u ita s das gran-


cristão fldmnrtE UI? sinal_do ,m al no m undo, pois, p a ra o
bém aos d n m ín ^ 61^ 1106 não só. à ordem biológica, m as tam-
temos da m n rtl ! , moíLal e. esP iritu al- A prim eira m enção que
volta contraJ n a^ S Esf rituras associa-se ao pecado e à re-
Amor. A morte apareceu p e la p rim eira vez
• « mor m mohtr

215
.„te m u n do como castigo. E a morte f.
C i o aspecto, pois deve fazer-se um a<4toçite e n t T ^ 0’ de
d corpo e a m orte da alm a. nçao entre a morte
r-£*pmo nos ^oao» no ApocaliDse “VAo
. Q e contudo sois mortos”. Justam Lí* V6s os chaTnais
VÍ r p õ e a alm a, d a m esm a forma a vida ataT * a 00
S Q u a n d o a alm a deixa o corpo o c o ^ i - * " 5 de
auando a g ra ç a deixa a alma, essa^im a está m o r t a X w ™
Virtude desta distinção que Nosso Bendito Salvador n<fs dis™
nue não tem essem os aqueles que matam 0 corpo, mas antes
temêssemos aqu eles que matam a alma. A correlação entee
morte e pecado e .ornada bastante clara nas palavras de S
Paulo: “a p a g a do pecado é a morte”. Cada cidade está cheia
de alm as m o rta s em corpos vivos, bem como de corpos vivos
e de alm as vivas. A du pla morte é uma morte tanto do corpo
como da a lm a .
Embora o cristianism o veja na morte uma tragédia e uma
nicão. COn tu d o fornece à humanidade sua vitória sôbre
ela O P ró p rio S en h o r da V ida desceu a provar daquela morte
a Co n q u istá-la, ressurgindo dentre os mortos. Por êsse meio
triunfou d a m o rte no seu aspecto mais demoníaco e destrui­
dor A p io r coisa que o m al possa fazer não é bombardear
crianças.'m a s m a ta r a V id a Divina. Tendo feito isto, e sen­
do derrotado n o m om ento de sua maior exibição de força,
nunca p o d e ria ser novam ente vitorioso.
a morte tem outros significados. Oferece uma aíinna“
ção do o b íetiy o d a v ida e m tevar infindàvelmente
sem sign ificação, pois o m undo po vgsse morte 0 que é
avante seu p la n o ateista, se n . trofe para uma civili-
a morte p a r a u m indivíduo, e testemunho ne<?a-
zação: o fim de su a doença. A morte e ^ significação,
tivo do p o d e r de D e u s em um mundo se gw „ _
ças a ela, D e u s red u z a zero essa fa
vez que o m a l e n tro u n o ’ —
espécie de b ên ção, pois se nao
seguir a d ia n te p a r a sempre, b>
anjo com u m a e sp a d a fla m e ja ______
para q u e o h o m e m decaído,
a n g ú s t ia e paz
216

O sienificado da vida só se pode torn ar ap aren te em juízo


& ‘ÍTmiffãmento
^•“ ^ , ____i._ pessoal nr»
no m
mnom
m pento
n t n rdioa m orte é
r
e avaliaçao.O j P vida peSsoal e o julgam en to
uma reve^ Ç? L d(^ tempos é u m a revelação do significado
dosmvak>res sÓdafs. Tódas as catástrofes, gu erras, revoluções
e°civüizações derrocadas são advertências de que nossas
fdéias foram deficientes, nossos sonhos m au s se realizaram .
Se êstes pensamentos nossos fôssem verdadeiros e profundos,
não precisariam de ser destruídos, pois a verdade e eterna. A
morte só sobrevém à vida que não cum priu o seu significado
íntimo.
A revelação da vinda do Anticristo sign ifica que os ho­
mens recusaram aceitar valores eternos, pois a m o rte não é
o triunfo da morte, mas o triunfo da significação. Jerusalém
dissipou-se porque não lhe conheceu a d a ta d a visita. Esta
mesma afirmativa é verdadeira no que se refere a qualquer
outra civilização. E assim, pondo fim ao m al, D e u s a firm a o
poder do amor sôbre o poder dos caos. E ’ êste o significado
de Sua resposta a Pilatos, que disse: “N ã o sabes rme tpr»bn r»

íterno. A m orte é o dom ne-


Aiwcxuaue. em que o m a l foi pôsto em
TEM0* M orte
Mas se a m orte fôsse irremoHM , 217
ria ser justificado. Seria um ™ fst it le1, 0 u*itverso nsn
íL é tam bém necessária; não < fó ^ a. fechado- A n!? pode*
gírte, m as lim p a do m ál 0u * a v i 4 f e rei-
destruxit. Desde a Ressurreição e Pentem' tMortem non^Â
restaurar-se no A m or Divino por meio f * 3' pode 0 homem
dençao de C risto através dos Sacramento^ a| ! 1CâÇão da r£
m ortalidade do corpo n a ressurreição finaiSV ! l Cuperara a
os homens p a rtilh a m um a mtuição Promòrt Todavia> todos
mortes podem servir a um propósito de que suas
Seja m enos u m hom em m orrer num i P° r que de*
acidente de autom óvel do que ser morto™,™ trem ou num
talha ou com o u m m ártir de sua fé’ Não í campo de ba-
inenos terrific a n te e m ais significativa tóo w T a ,morte é
acima do n ív e l com u m e subimos n L a n ! elevaraos
eternos, onde, som ente, tem a mortePsignificaç^o?dOS Val° reS
A m o rte é o fim do mal. Vemos isto revelado nos rostos
dos m ortos, m u ita s vezes mais harmoniosos do que eram
vida, com o o rosto adormecido é mais tranqüüo do que o
despertado, oentim en tos feios e ódios, excentricidades e de­
sacordos d e sa p are cem n a presença dos mortos, tanto que até
mesmo dizem os: “D os mortos não digamos senão bem.” Na
presença dos m ortos, elogiamos e adulamos: ressuscitamos as
boas coisas, a carid ade, a bondade, o bom gênio de nosso ami­
go. As m e lh são as evocadas postumamente,
m o re s qualidades sao
izendo-nos im a g in a r se a própria
fazendo-nos nrÓDria morte não possa
nossa ser um
arremêsso até a fren te do bem que fizemos, um desprêzo do
mal. N ã o q u e am bos não sejam relembrados. Serão. Mas
como a v id a revelou a coluna de débito de nosso amor, tam­
bém a m o rte m o s tra rá a coluna de crédito. A morte se revela
assim lig a d a à b o n d a d e.
E a m o rte está tam bém ligada ao amor, ou antes, o amor
está sem p re lig a d o à morte. Quem aceita amor, aceita sa-
ANGÚSTIA e paz
218

«uer ,u e £ ? *
da “ l ; 5o tem o hfm em o daquêle que oferece sua vida
pelo seu amigo.” A aceitação da morte é assim u m a mani-
íestacão de nosso amor a Deus.
A morte individualizará e personalizara todos nós. p ei0
feto de separar a alma do corpo descobre cada um e todos
em sua busca. Revelará o ttt real em oposição ao eu super­
ficial A alma ficará nua diante de Deus, vista afin al como
verdadeiramente é. E se uma alm a nao se a c h a então ves­
tida de virtude, sentir-se-á envergonhada, como A dao e Eva
se sentiram, quando pecaram e se ocultaram de Deus, pois
foi somente depois de seu pecado que se sentiram nus e enver­
gonhados. Esta relação entre nudez da alm a e pecado é sem­
pre uma relação íntima. No dia de juízo de nossas alm as, no
Éden e nesta vida, onde quanto menos graças tiverem os ho­
mens e mulheres em suas alm as tanto m ais ostentosamente
se vestirão, como já acentuamos antes.
O separar-se a alma do corpo depois da m orte produzirá
outra mudança. Abolirá as vantagens especiais que alguns
de nós gozaram nesta vida, pois o corpo em relação com a
alma podia ser assemelhado a um a pessoa conduzindo um
automóvel. Um guia através da vida n u m calh am bequ e es­
tragado, outro com um m otor de q u a ren ta cavalos, outro
com um de cinqüenta e outro ainda com u m de duzentos, mas
quando há uma violação da lei de tráfego, n in gu ém é julgado
pela espécie de carro que está guiando, m as por ter violado
ou nao a lei. D a mesma m aneira, no m om ento d a morte,
quando a alma deixa o corpo, seremos ju lg a d o s n ã o pelas
vantagens terrenas que tivemos: beleza ou talento, pela ri­
queza que acompanhou o corpo ou pelas van tage n s sociais,
?<fc^ ° ^ ente £ e 0 grau em ^ue respondem os ao A m o r Divino.
mnrtp fa™vLDlVa!i Í0i seParado de seus cinco irm ãos pela
mniHH~ mJ?e! í c *da um de nds sera separado do g ru p o e da
e ,cada * “ * * * > de d * r u m passo à
advogar ’ ,í°ra das fileiras- N ã o h a v erá ad vogados para
estávamos nn <nem alienistas p a ra a rg iiir que não
0680 certo, quando praticá vam o s o mal.
TSM0* “A MORTt
110
ouvirá u m a voz: a voz da consciência que nos revela*
realmentes somos. H 03 reWar4

“Senhor, permaneço aberto à tua investigação-


tu m e conheces, sabes quando me sento e quandi
me levanto de novo, desde longe podes ler meu pen-
sarnento. Desperte ou durma, podes dizê-lo ne­
n h u m movimento meu que não o vigies. Antes que
as palavras se íormem nos meus lábios, todo o meu
pensam ento ê já conhecido de ti. Tu me cercaste
p ela retagu arda e pela vanguarda e tua mão ainda
descansa sôbre mim. Sabedoria como a tua está
pem além do meu alcance, nenhum pensamento meu
„ode alcançar-te. P ara onde poderei ir, pois, a íim
de m e subtrair a teu espírito e ocultar-me de tua
vista9 Se subo ao céu, tu lá estás; se desço ao inter­
no nêle te encontras ainda presente. Se eu pudesse
tornar asas voando para o nascente, ou encontrar
ab rigo p a ra além do mar ocidental, ainda ali te
encontraria acenando-me, com a tua mão direita
S u s t e n d o . O u talvez pensasses em enterrar-me na
me idão- a noite me cercaria, mais amiga do que
^ v m a s n ã o a escuridão não é esconderijo para
co n tígo a noite brilha clara como o próprio dia,
; ’ e trev a são um a só coisa.
T e u s são os mejis mais te

tôd as as m aravilh as de minha mortal estru-


tens Pleno conhecimento e es formaste em
t m a n ã o tem mistério para t , que negro da
segredo ideaste seu toodêto eh no d
terra. T e u s olhos J J » meus d * * £

m ig o , tã o vastos os s e i » y .
n h a s 1-17-)
a n o ú s t ia e pais
220

assim essa unicidade de cada Der


morte manifestarád^ jam os Escoiásticos, é incomunü
A
sonalidade, a qu“ > . „ N a d a é tão im portante p a ra o ho-
cável. Pascal escreve • condicão> n a d a tao form idável para
mem como sua piop A m orte confronta_ eu com eu no
êle como a eter“ a)“ ' despertar da m a n h a da o u tra vida
seu g « n d e momento tôda jIusão> a a lm a verá a si m es:
Naquele despo] ame m o A rrasta ain da a tra s de si u m trem
ma como/eaimenre • m emón&, êss
de experienci;as. •1 rezadas, de bo n dade p a ra com os

r ■ * & » <■ '


luxúria e de soberba. , .
.___ Ioesde que estamos diante dêsse inevitável acontecimen-
P o m o o enfrentaremos? O pagão e o cristão tem diferentes
L ^ T á e responder. O pagão, en qu an to vive, aproxim a-se
S d a vez mais proximamente d a m orte; o cristão vai-se afas-
tando dela. O pagão tenta ign orar a m orte, m a s c a d a tique-
fcaque do relógio o coloca m ais perto dela, pelo m edo e pela
angústia O cristão começa sua vida co n te m p lan d o s u a mor­
te sabendo que morrerá, p la n e ja su a v id a de acordo com
isso, a fim de gozar da vida eterna. H á dois estágios n a ex­
periência do p a g a o : vida h u m a n a e m o i te h u m a n a . N a do
cristão, há três: vida h um ana, m orte h u m a n a , q u e é uma
porta para o terceiro estágio, e vida divina. O cristianism o
sempre recomendou a contem plação d a m o rte com o u m en­
corajamento a um a vida boa e isto p ro d u z re a lm e n te efeito,
pois embora nãó possamos reg re d ir no tem po, po dem o s avan­
çar no tempo. Um hom em pode, pois, dizer a si m esm o : “Por
aquilo que hoje me faz viver, m o rre re i a m a n h ã

E ’ duplo o princípio cristão de c o n q u ista r a m o rte : a)


pensar na morte; b ) ensaiar-nos p-ara ela p e la m ortificação
atual. O fim da contem plação é d o m in a r o m êd o e coação
da morte, encarando-a volu n tàriam en te. P o r m eio d a ante­
cipação do fim derradeiro, podem os c o n te m p la r novos come­
ços. Nosso Bendito Senhor viveu do fim d a v id a p a r a trás:
“Vim p a ra dar M in h a vida p e la red e n ç ão do m u n d o .” Pm*
ta-se o Cordeiro como “m orto desde o com eço do m u n d o ” .
TEM or
Da M orte

A perspectiva da morte no* 221


O^ -r-íQt-»Cl«-» ^- *\JO
de **■ r, cg pensam os - —n aiWmorte,
C u0,s desembaraçamo-nos modos
de nossos falsos da ian-
w v iv f- ^u e o universo não seja um universo moral. No tra-
+ d a esquizofrenia, aplica-se muitas vezes um violento
ta^eíl piétrico à cabeça do paciente. O esquizofrênico fica
^ 0que rnado sente-se tão ameaçado, que, a fim de escapar
tão alaVhp narece a dissolução do espirito, afugenta sua fan-
0 due in nac^ente é recambiado para o mundo real. k medi­
c a e a m o rte tem algo daquele efeito sobre o sistema
taçã° 5 ireo u e b v a o encanto que nos fazia pensar que o pra-
pSpiritum ^ deveriam os continuar a ganbar mais dinhei-
J é ; is edifícios, que a religião só serve para
% ou a o u tras ilusões que tais.

s ma -u " ’’ r m-item ulam os a própria morte nossa, a cidadela


Q u a n d o c o n te m P n a d a & £ atacada. Vistonteaffi0s nosso

próprio ser ^ in tim


Tr,°o p sua
e s" ° pobreza. Cada
*" um de nós entra «a
vida de punhos cerrados, prontos para a agressão e a aquisf
ção. Mas quando abandonam os a vida, nossas mãos estão
abertas. N a d a h a na terra de que necessitemos, nada que a
alma possa levar consigo que não lhe pudesse ser arrebatado
depois de algu m nau frágio — suas próprias obras. Opera
enim illo r u m s e q u u n tu r illos. Pelo fato de afastar a medita­
ção sôbre nosso fim derradeiro o nosso espírito do eu atual
destrói o egoísm o excessivo e diminui nossos temores e ansie­
dades, pois os tem ores diminuem à medida que deixamos de
pensar em nós m esm os no nosso aspecto imediato e, em vez,
ajustamos nossas m entes à perspectiva mais vasta da eter­
nidade .
P od e-se a r r e b a t a r da morte o seu maior mèdo, se nos
exercitarmos p a r a ela. O cristianismo recomenda mortitica-
ção, p e n itên c ia e desprendimento, como um ensaio Para o
grande acon tecim ento, pois cada morte deveria |
de o b ra -p r im a e, com o todas as obras-prmias, P
com pletada em u m dia. Um escultor que cie ^ P,
uma e s tá tu a de u m bloco utiliza-se de s - ^ aJ s meno-
separando g r a n d e s cepos de m a™ ° t0Pem que basta ape-
fes, até q u e fin a lm e n te chega a um p mesmo
nas u m a b r o c a d a m ão para compoi o rosto.
angústia e pa z
222

, rtp r0frer trem en das m o rtific a ç õ e s a prin-


modo, a alma tem ae m ajs a p e rfe,Çoados, até qUe
cípio e depois desprename ^ r evel,a d a. P or ser a
afinal a sua l como uma prática da morte,
ficação reconhecida c ^ Deus Scotus: Bis M ortu u s;
damente gravado no te nl0rt0 mas enterrado apenas
rp^em el Sepultus ara aigUma coisa, alguma coisa
O p ta ). Quando mor o ^ P gg morremos para nós mesmos,
se torna viva dentro ^ morremos para o orgulho, a de-
a caridade se t o m ^ ,v iva; se morremo
fS t o OSà°pUessoa se torna vivo; se morremos para a cólera,
o amor se torna vivo.
O princípio básico espiritual é êste: que a m orte deve
ser conquistada em cada pensamento, p a la v ra e ato por uma
afirmação do eterno. Os escritores místicos nos advertem de
que cada coisa deveria ser feita como se a gente fôsse morrer
no próximo momento. Se tratássemos tam bém os vivos, como
se fôssemos morrer, então o que de bom nêles existe subiria
à superfície. Tratai os mortos como se ain d a estivessem vivos
e nossas preces os acompanharão. Assim a crença n u m lugar
de purgação dos pecados depois da m orte nos perm ite que
resgatemos nossa falta de am or pelos nossos am igos, enquan­
to viviam aqui na terra. A falta de au xílio a seus corpos po­
derá ser então recompensada agora pela assistência espiritual
a suas almas, por meio da oração.
A morte deve entender-se como nosso verdadeiro nasci­
mento, nosso comêço. O cristianism o, em contraste com o
paganismo, sempre abençoa o nascim ento esp iritu al de seus
filhos para a eternidade. N a litu rg ia o d ia em que u m santo
morre se chama natalitia, ou dia de anos. O m u n d o celebra
um natalício no dia em que u m a pessoa n asceu p a r a a vida
física; a Igreja celebra-o quando u m a pessoa nasceu para a
vida eterna. H á apenas três exceções a isto e fo ra m feitas
por muito boas razões: os únicos natalícios físicos da liturgia
são os de Nosso Divino Mestre (25 de d e ze m b ro ), de No^sa
Bendita Mãe (8 de setem bro) e de S. João B a tista (24 cie
ju n h o ). Isto porque cada u m dêsses nascim entos marco ^
infusão especial da V id a D iv in a no m u n d o : Nosso ke-
TEM0R M oBi í
plior é a Vida Eterna; a M í 0 ^ 22a
culada Conceição, ParticipSf riBen*ta, por m ,
meiro instante de Sua ConPP-de-SSa Vida £t el° de SUa Tn,
tiíicado no ventre de sua m TÇSo- e 8l j S ? ? ’ d« d e o t * '
Seu Senhor, ainda oculto nn 5Uando f0f p,?at,sta foi sPaiI'
Mãe. Estas três exceções p r o l abernácmo dPa oisitada Peto
regra de que a vida vem ai , “ 1’ em vez rip Sua Bendita
através da mortificação « a ? da morte ^ P°ntradizw, a
através da perda dela no te m f'Vaçâo da aíma „ ^ ^ » d a d e
vou que amou a Deus qua^ u m a t ? idade
desprendimento de tudo quanm as co<sas e nm^ a Pr°-
do seu am or onicordial se atmvessaLP l 0 pel°
Amor. Então, na Iinpua’a-pm^ preParada para Pnf°aminho
nunca ter am ado bastante. de Newman>Mentirá fd o f d e

‘"Quando — feliz de ti — n t>

i $ ? % » .* • « » rS S S È Í *
A ti t . odiaras e amaldiçoarás
P ois sem pecado embora, haverás de sentir tP

S “ em ndn f,PeCad0r; COmo nunca ^ t is t e


ife -e ja n d o fugir, evitando-Lhe a Face.
contudo haverá um convite a repouso
A a beleza sem par do Seu rosto sereno.
u as dores então, contrárias e pungentes,
u desejo de O ver, quando não podes vê-Lo,
A v e rg o n h a de ti, quando pensas em vê-Lo,
H a o de ser-te o mais certo e duro Purgatório.”
C a p ít u lo X II

A PSICOLOGIA DA C O N V E R S Ã O

A medida que se sobe na hierarqui-a da natureza, desco


bre-se uma crescente capacidade de adaptação. H „0 é capa?
de assumir as três formas de gêlo, água e vapor. A s plantas
têm adaptabilidade apenas às estações e às condições locais
Os animais possuem poderes adicionais de m over-se dum
lugar para outro, mas cada um dêles perm anece ain da mais
ou menos fixo no tipo. O homem tem a m aio r capacidade de
mutação entre todos , porque êle, que nasceu d a carne pod
ser também nascido do espírito; êle, que é ap en as u m a cria6
tura, pode tornar-se um filho de Deus. Só o hom em é con"
versível. Só êle pode tornar-se a lgu m a coisa que não é A
conversão não significa um d esen volvim en to u lterior n a or
dem natura], mas um a geração dentro d u m a o rd em sobre'
natural. O corpo é vivo por causa d a alm a , m as a a lm a está
morta quando nao tem aqu ela vida m ais a lt a q ue só Deu*
pode dar. "N ão pode ver o reino de D e u s sen ão aq u êle que
renascer de novo.” (João 3 :3 .) 4 que
Do mesmo modo que as p la n tas e os a n im a is morrem,
quando estão fora de contato com seu p ró p rio meio, assim
também morrem as alm as se deixam de viver em u n ião com
Deus, Que sozinho pode fazê-las rea liza r a p le n itu d e de suas
personalidades. A grande lástim a d a v id a é q ue tan tos espí­
ritos deixem de travar conhecim ento com o todo do seu am ­
biente. Alguns há que podem go zar o la d rid o d u m saxofone,
mas não apreciam u m a sin fon ia de B eeth oven . O u tros há
que descobrem o m undo d a ciência, m a s n ã o têm telescópios
mentais bastante fortes p a ra descobrir o m u n d o d a poesia.
H á homens satisfeitos com co n q u istar u m m u n d o de negó­
cios, sem o desejo de conquistar o m u n d o d a filosofia. Há
PSICOLOGIA tu
DA conversão
CCò
uuc em con^ to c°m o mundo de crédito
> to s de entrar em contato com o mundo da tè. Tais
rn&s contentam-se em conhecer uma parte de seu am-
üspírit0S não o todo. São muito semelhantes aos surdos, mor-
Tigíite e p-vande ambiente do som, para a risada das crian-
tos Pa ia 7 dom amigo, o canto dum pássaro, a doce fluência
as, a V° Z a vibração da música, o suspiro dos ventos e a tris-
aa P°eS^a ’ a cascata. Embora o som e a harmonia constituam
—VA1
_ de uTn
m aiores — - « aarmonia
.nrps prazeres deste mundo, oconstitua
conhece o surdo
suTdo êste
ês
T
utn d°
o * T som
^0 o m comocomo u
umm vasto
vasto e
e desconheci^
desconhecido domínio. ' os
E
rein° d° o — - ~~
r6in° m ortos para o grande ambiente da beleza — para
ceg°s. de um amigo, para o luzir dum olhar, para a gravida-
o gest,° r0sto, para a beleza de um arco-íris, para o cintilar
de dum £l a ’e a queda dum meteoro. A beleza visual é uma
dutna e^ ~de prazeres do mundo, mas há alguns tão mortos
das Í0T
para com o se wfWttÇQ
nunca tivessem
lavcasem nascido.
nascido *
----------
° aratB^em
m acim
arii-na rtn m undo -dos
a do w sons P '
acima m esm o do m undo da ciência e da bem
ainda m aio r am biente de vida, a verdade n ’ ba aquêle
de Deus. Q u e só Êle pode s a t i s f a z e r a s a s n ^ 6 a beleza
do homem. U m dos tristes e lamentáveis aspectofde11^ -
o fato de q u e h a m uitas pessoas neste inundo que estão moí*
tas, nao so para o m undo da poesia, da música, da füoMtil
mas p a ra a v ida e o am or de Deus. Formam uma classe ouè
podemos c h a m a r de “cegos à divindade”. Tais homens são
muitas vêzes vivos p a ra o ambiente temporal: suas palavras
são corretas; seu senso do decoro se mostra no embelezamen­
to de suas casas e n a escolha de suas diversões. São munda­
nos; são ricos; são sofisticados; são bem sucedidos; vivem fol­
gadam ente; são cum ulados de honras; têm olhos mas sã<
cegos — cegos ao belo ambiente de Deus e da vida de encar
nação de C risto .
M a s n in g u é m se acha em paz enquanto não se encontr
numa d e v id a rela çã o com a Divindade. A aquisição desta p(
deria c h a m a r-s e “ Deo-version” , ou uma volta para Deu
Esta espécie de conversão significa uma substituição da con
ciência do ego p e la consciência de Cristo, uma
da p e rso n a lid a d e por meio do amor de Deus em CrU ,
a n g ú s t ia e paz
226
submissão da vontade de modo a obedecer a Cristo acima <je
tôdas as coisas e de todo custo. A verdadeira conversão nada
tem oue ver com a “elevação” emocional, ou com uma apa.
rênciá moral de acão social. E’ um duro jogo, uma árdUa
batalha, um trabalho da alma do qual emerge uma nova
dedicacão de si mesmo. O espirito de Cristo deve tornar-se
a alma de nosso pensar, a visão de Cristo os olhos do nosso
ver a verdade de Cristo, deve estar na nossa boca para falar
’ amor de Cristo nos nossos coraçoes para am ar.
eo
Teremos de limitar-nos- aqui
------- ■' «-» r l i c o i i f í r o
a discutir a psicologia da
'n n i o ,

conversão, a descrever os antecedentes da conversão, como


se manifestam na eUna. Gmalmente sao de duni0 carat-r:
um senso de conflito ou crise e um forte desejo de estar
unido a Deus.
T^ôda conversão parte de um a crise, de um m om ento ou
de uma situação que envolve algum a espécie de sofrimento,
físico, moral cu espiritual; de um a dialética, uma tensão, um
impulso, uma dualidade ou um conflito. A cri e é seguida,
de um lado, por um profundo senso do próprio desam paro e
de outro por uma convicção igualm ente certa de que só Deus
pode suprir o indivíduo daquilo que lhe falta. Se houvesse
apenas um senso de desamparo, haveria desespêro, pessimis­
mo e suicídio eventual. E ’ esta, n a verdade, a condição do
pagão post cristão. Sente a inadequação total de seus pró­
prios recursos íntimos contra as opressivas superioridades
num universo cruel e assim cai em desespêro. T em a metade
da condição necessária para a conversão, isto é, u m senso
de crise — mas deixa de ligar a sua fa lta de en ergia à Divina
Energia, Que sustenta e nutre a alm a. M a s q u a n d o isto é
feito, o paganismo ^desaparece e dá lu g a r ao que poderia ser
chamado de desespêro criador: “ desespêro” , p o rq u e se verifica
a própria doença espiritual; “ criad or” , porqu e se sabe
que somente um Médico Divino, vindo de fora, pode trazer a
5 ^ * aos Éste desespêro não surge geralm en te do
çp e3í uÇlde? PróPria* da ign orân cia ou do en gano, mas
rnn rtf oh fr ^ fq u a ç ã o , do senso de dependência, ou mes-
camoo r i^ h flffíL da^ CUlpa que se sente* A a lm a torna-se o
po batalha dum a gu erra civil d u ran te a conversão.
A PSIC0L0GIA DA CONVERSÃO
Não basta que haja um conflito e n t« 227
ciência, ou o ego e o ambiente e consciêncki P w
simples fenom enos psicológicos' P ’s tais tensões podem0" 3'
p j a alma. Enquanto o conflito SÍgnificaÇãoPpm? 3er
quanto é capaz de ser manipulado p elo^ r?"3 psicológico em
o.cTO espirito humano, pode resm w uPm P" ° 4espirit° oú S i
blimaçao, ou chamada “ paz-de-espSto® J " tegra^ ° ^ m-
-vers on . ou paz da alma. A tensão ou râmiit " a° hà “De°-
tante aguda quando as forças em d u e lo "í1-1*0 nunca é bas-
tro do proprio espirito; a conversão não é a„ m COntidas den-
um raio de luz de fora. Há uma grande t “ »-sugestão, mas
d o o e u é confrontado com o não eu auandfo -Pf nas ^an-
safiado pelo exterior, quando o desamparo dn 1nor é de-
tado com a adequação do Divino. p 0 do eg° e confron-
So q u a n d o o esticão da suerra nnmono «
ponta da co rda e D eus na outra é q“ I ver^riV “ a " Uma
de aparece como condição da conversão. Esta S n“ a
é a m in ia tu ra e o cam afeu da grande crise histórtca d f c ?
dade de D e u s e d a Cidade do Homem. Deve haver na alma a
convicção de que se está em poder e sob a influência dum
governo m ais elevado do que o da nossa própria vontade- que
em oposição, ao ego, existe um a Presença diante da Qual a
gente se sente feliz em fazer o bem e diante da Qual a gente
estremece p o r ter praticado o mal. E ’ relativammte sem im­
portância q ue esta crise, resultante num sentimento de dua
lidade, seja s ú b ita ou gradual. O que importa é a luta entn
a alma e D e u s, com o Deus onipotente nunca destruindo í
liberdade h u m a n a . E ’ êste o drama maior da existência.
T a l ten são entre Deus e a alma é claramente vista m
conversão deae üS.. F
P au lo
io , quanao
quando o urisro
Cristo giunusu
glorioso me
lhe a^cucuc
aparecei
com o d e sa fio : “ P o r que me persegues?” (Atos 22:7.) Ns
“P
almas m o d ern a s, esta tensão aparece como uma angústi
' o rd em psicológica, mas metafísica,
não de metafísica, dentro
dentro da
da qual
qual
i í- ~ »minfiuin Ho í
alma vive, com o disse Pierre Rousselot, “no parafuso da i
quietação” . E m o u tra s gerações, o espírito teve problemas;
espírito de h o je é u m problema. O mistério se deslocou
universo p a r a a alm a, do universo para o particuJlai.
seja esta a ra z ã o p e la q ual romancistas e poetas, tiequen
a n g ú s t ia e paz
228
„„ «lósofos, são agora aceitos como guias
mente mais do que . Mas não há falta de filosofos mo-
pelo espírito úostrado^ ^ tensa0 dum a m aneira abs-
demos que tentam an^ a alm a em an gu stia sobre sua
trata. Alguns deles hesc dg mêdo à vlsta de sua nuli-
própria contingência, tre ^ olhando p a ra diante numa
dade e, no Outros, sentindo u m a emoção ética
doce nostalgia d° enc0ntrar o absoluto, u m Am igo da
nesta busca, lutam pu terrena derive. Outros, como
Eqüidade donde to_d J desespêr0; declaram que seria im-
Kirkegaard, anaUsanat ^ & intuição do eterno. “Aquele
possível para o h te deseja é um eu que êle não
eu que e le dese^ te quer (em desespero) e des_prender-se do
e; o que ele r“ ™ . 0 utros estudam a tensão em têrmos

l n m “ ° de de-s‘ poní ° C M 0
nf.e se tem e de desejo veemente pelo que nao se tem, com
um vago conhecimento de que não desejaríam os o infinito,
se não fôssemos feitos para êle ou se nao tivéssemos vindo
dêle Mas a inquietação resulta, quando o desejo de Deus e
enjaulado numa restrita forma m ortal e esta intranqüilida-
de impele o homem a uma renovada paixão pela transcen­
dência, pela luz e pelo poder. Pascal descreve-a desta forma:
“Meu espírito está inquieto. Estar inquieto é m elhor. Des­
crição do homem: dependência, desejo de independência, ne­
cessidade. Condição do hom em : inconsciência, aborrecimento,
intranqüilidade.”
De envolta com a luta está a im pressão de que se é pro­
curado por Alguém — pelo “G algo do C é u ” n a linguagem
de Thompson — que não nos deixará sozinho. A tragédia é
que muitas almas, sentindo esta ansiedade, bu scam tê-la ex­
plicada, em vez de segui-la até onde, no fim da trilha, é vista
como Deus e graça atual agindo sôbre a alm a. A voz de
Deus causa descontentamento dentro d a alm a, a fim de que
a alma possa procurar mais além e ser salva. Em baraça a
alma, pois nos mostra a verdade, rasg a tôdas as máscaras e
mascaradas da hipocrisia. M as consola tam bém a alma, efe-
r w o <riUína harrnonia consigo m esm a, com o próxim o e com
ueus. cabe ao homem decidir: aceitar ou rejeitar a voz que
A PSICOLOGIA DA CONVERSÃO
229
oUve. Santo Agostinho conta como dPnni~ ,
tória de um a conversão, deu êle as cóstaFo de ouvir a Ws-
Costas a uma graça atual.
T a l toi a história de Portion,,
nhor, enquanto êle estava falando é " T tu’ 6 Se'
p a ra m im mesmo, ti randome "dé Â * V° * ar
costas onde eu me havia coIo m h J - de mmhas
observar a mim mesmo e  n ” “ ,querendo
m eu rosto para que eu o u d e ^ l , 1" 6 diante de
eu era, quão perverso e corrompido S manchado
e ulcerado. E eu me contemplei e ' f Ç i C r S
do, e p a ia onde escapar de mim mesmo não desco-
bri. E se eu buscava desviar meus olhos de mim
m esm o continuavam êles a ver e tu de novo me
colocaste contra mim mesmo e me lançaste diante
de m eus olhos par-a que eu pudesse descobrir a mi-
n h a iniquidade e odiá-la. Eu a tinha conhecido, mas
fizera como se não a visse, fiz sinal para ela e esaue-
c i-a ” . ( 1 )

Nesta crise, tem a gente consciência de que se tomou


um palco sôbre o qual duas grandes forças estão travando
guerra; nossa própria alrna está com uma fôrça num mo­
mento e com a o u tra fôrça no momento seguinte. Há um
murmúrio que solicita a gente para os picos da montanha e
outra voz que nos ordena que desçamos para os vales. Há
um temor do que possa haver à frente no futuro e um temor
de continuar como no presente. O espírito reclama a renún­
cia de velhos hábitos, mas a carne reluta em quebrar as ca­
deias. U m a vez que estas duas correntes de frustração in­
terior e de M isericórdia Divina se encontrem, de modo que
a alma se certifique de que somente Deus pode Prove^ ^
que falta, então a crise atinge a um ponto em que deve to-
mar-se u m a decisão. Neste sentido, a ciise e c ^
plica u m a cruz. A própria crise pode tom

PreM, tfouat
149. Wer P*«P«r
(1) The Oonfettions of St. AU9U«*^€> p
VeniOTi, N. Y.
angústia e paz
230

wnriando de almas que são boas para as que são pe


Adoras Mas em ambos êstes extremos h á um reconhec .
cadoias. Mas e conflitos e frustrações não podem
pela própria energia da gente. As form as ^
Z S T S Z são a moral, a espiritual e a física.
A crise é moral quando há um a certeza^ de pecado e .de
ruim existindo não somente como um fenom eno histórico,
oue afeta a vida social e internacional, m as como algo inte­
riormente experimentado como um a relaçao partida. Aquê-
les que sustentam a opinião de que a unica cu lp a e a admis­
são da culpa e de que o único pecado e a crença no pecado
tomam-se incapazes de conversão. Desde que n-ada^ reconhe­
cem no seu universo a não ser o seu ego, então não podem
2dmítir um Poder exterior do qual a experiência salvadora
virá. Não pode haver crise enquanto a a lm a pensa em si
mesma como perturbada pelo fato de ter violado algum a
vaga lei cósmica, ou porque está fora de tom com o universo.
Uma crise exige duas pessoas — a pessoa do hom em e a Pes­
soa de Deus. Então o remorso de seus pecados tortura a
alma e fá-la ansiar por um a paz que não pode obter por si
mesma. Assim, graças a um paradoxo p ecu liar, o pecado se
torna ocasião de uma solidão e de um vazio que somente
Deus pode remediar. Êste vazio não é o de u m poço sem
fundo; é o vazio de um ninho que só pode ser enchido pela
Aguia que descerá das alturas lá de cima. U m a a lm a em tal
crise busca Deus depois de um a série de desgostos quando,
como o Pródigo, se afasta de bolotas p a ra o P ã o d a V ida. Tal
crise implica tristeza, porque a gente decaiu do ideal mas
esta misturada de esperança, porque o p a d rã o o rig in a l pode
ser recuperado. r
, ^ Ponto, a alm a tem trazido cobertos os seus pe-
f a^ a descobre-se a fim de repudiá-los. O que é con-
tápnin°n^de S6r rene£ado; o que é percebido com o um obs-
01JÍ3nfíA l a£ora ser ultrapassado. A crise a tin g e seu ápice
volucõps P v t^ a Se t0rna n?enos interessada em suscitar re­
de seu nrónrin11^ íe ./nais interessada n a revolu ção interna
mas dentro n a r ? n t ?: quando efa _v ib ra espadas, não fora,
9 para cortar suas paixões m a is b a ix a s ; quando
A PSICOLOGIA BA CONVERSÃO 2;

pixa menos da mentira do mundo e começa a trábalh


ge ^ rnar-se algo menos mentiroso do oup *
wõral
p °L m tem ,iníR
tf™ dois n
pólos éticos:' u m T uo que an t á * T ' .
,s w Av!"
ou da fa.ha, o outro o poder trnno cens° imanente rin 611
de Deus. O abism o da L 5 t e S ? * nte da M & & E
salvaçao, pois a p v j e u m r e d ^ J ^ 0 a b is m o ^
is
p
co
vista a uma nova luz. Em dado píl°- A cruz é acro«
deza da iniquidade hum ana que em ^ indica a protum
DeUS; noutro momento, revela'a derrota h ' 5’, assass‘nam
mento mais forte, vencido não sòmente " T *1 no seu =»■
perdão da Cruz, m as pelo triunfo d» P la^ suPUca* de
cascata de Energia Divina não pode onera r ^ u ' ^ 0, Mas esta
enquanto êle vive debaixo da ilusão
que o pecado nao é culpa sua. Deve êle a d m i t i ]° . ou de
lugar o fato da culpa pessoal- denois e ^ em pnmeiro
de ter sido um pecador não desapareça a c o n s c iê ^ c íf^ 1? *
em condição de pecado é aliviada. Esta é provavelmente a
expertencia a que Charles Péguy se referi, quandQ dtse
"Sou um pecador, um bom pecador.” H Se'
D eu s se torn a um a possibilidade para a alma desespe-
rada som ente quando começa ela a ver que pode fazer “todas
as coisas N ê le Q ue me deu forças.” O homem naturalmen­
te bom de R ou sseau e do liberalismo, o egoísta inofensivo de
Adam S m ith e o homem prudentemente soberbo de John
Stuart M ill n ã o sentem estas tensões morais, particularmen­
te quando suas vidas estão almofadadas em conforto. Foi
preciso u m século p a ra que os seguidores dêsses falsos oti­
mistas sentissem que a sua vacuidade interior resulta de uma
liberdade que anseia pelo infinito, subjugada a uma finitude
cuja essência é o desgosto. Um novo eu é necessário e o ho­
mem n ão pode renovar-se. Nenhum humanismo vago, ne­
nhuma dedicação atarefada às causas sociais, pode desairai-
gar o sentido de culpa, porque a culpa implica uma re açao
pessoal com Deus. E um a relação pessoal implica amor. m a
que nós nos tornem os verdadeiramente morais deve ha
uma su bm issão a u m Cristo todo m o r Que po g m.
lo que o h o m em não pode fazer. E então a dor passa Em
hora o v ácu o d a a lm a que o pecado nos
angústia e paz
232

frontado pelo Cristo, a ênfase é imediatamente levantada do


nosso pecado para a Sua misericórdia, do eu p ara a Cruz.
Um f vez abandonada a vontade de pecar então a alm a vê
one se tomou aceitável ao Salvador, nao porque era boa, mas
porque o Salvador é Bom. Em outras religiões deve-se ser
purificado,antes de poder bater a porta; no cristianismo,
bater-se ná porta como um pecador e Aquele Que nos respon­
de cura A crise moral está terminada quando Cristo encara
a alma não como lei mas como Misericórdia, e quando a
alma aceita o convite: “Vinde a m im todos os que trabalhais,
e vos achais carregados, e eu vos aliviarei. (M at. 11:28.)
A crise da conversão é por vêzes m ais espiritual do que
moral. Isto é freqüente entre aquêles que têm estado à pro­
cura da perfeição, mas não se acham ainda possuídos da
Plenitude da Fé e dos Sacramentos. A lgu m as de tais almas
têm levado uma vida de bondade no plano n a tu ra l; têm sido
generosas para com os pobres e bondosas p a ra com seus vi­
zinhos e levado adiante, pelo menos, u m a vaga am izade com
todas as pessoas. Outras almas já têm tido u m a tintu ra da
vida sobrenatural; levam um a vida tão sem elhante à de
Cristo quanto lhes é possível, vivendo p a ra a fé Nêle, à me­
dida que vêem a Sua luz. A crise começa nessas alm as no
momento em que reconhecem que têm trem endas potencia­
lidades não exercitadas ainda, ou começam a a lm e ja r uma
vida religiosa que fará maiores exigências dêles. Até êste
momento da crise, viveram na superfície de suas almas. A
tensão se aprofunda à medida que êles com provam que, como
uma planta, têm raízes que necesitam de m aiores profun-
ezas espirituais e ramos pretendendo à com u n h ão com os
ceus. O crescente senso de insatisfação com a p ró p ria ordi-
- " L ade e acompanhado de um a ânsia ap a ix o n a d a de sub­
missão, sacrifício e abandono à S an ta V on tade de Deus. Tal
PYpmn^n a * me“ ad* 80 am or pode ser ocasion ada pele
nelo dpçpin ?an.to’ P ela A sp ira ç ã o de u m livro espiritual,
Divina, n i e / u&lr dos meros símbolos p a ra a Realidade
p r e w £ j í ü f m a?eira <lue venha, h á u m a dualidade
o momento em que a alm a ouça Cristo dizer:
A PSICOlOGlA » * coN, M bío
2*3
«Sêde pois perfeitos, corno tarr^ó
feito.” (M at. 5 :48.) tambe® Vosso Pai .
e per-
A conversão da medio^ridnrip
não é m ais fácil do que a conversão do submissão
qualquer dos dois casos, há 0 arrancÍr PrieCa<l0 à aridade em
de um b raço Parece ao c o n v e r t i d o l 7 ® Ôlho e 0 cortS
gue mao o - tudo — não só de tudn ^ be. exi§ein que lav-
mesmo do domínio sôbre seu espírito w r ®le tem- raas até
êle ainda nao compreendeu a liberdade iubilnl é .?onlue
Deus. Os prazeres da carne são sempre maiores ^ “T C° m
ção do que n a realização, mas as alegrias dn e!n- f ^ teciPa‘
pre m aiores n a realização do ^ Sem‘
Nem todos aceitam as exigências feitas durante uma
crise espiritual. O jovem rico que havia cumprido os m n
damentos desde a sua mocidade, retirou-se triste quando
Nosso Senhor lhe pediu que desse o que possuía aos pobres e
0 acom panhasse. Sua crise passou quando êle escolheu uma
comum vida de bondade em vez da vida espiritual. A crise
teve fim diferente com outro homem rico, Mateus, que lar­
gou sua b a n c a de coletor de impostos para tornar-se um
apóstolo. Provavelm ente nenhum dos apóstolos chamados
por Nosso Sen hor disse: “Agora devo começar a ser um ho­
mem b o m ” ; disseram, em vez disso: “Agora devo começar a
fazer S u a V on tade.” Até o tempo duma verdadeira conver­
são u m a a lm a tem seus próprios padrões de bondade. De­
pois de co n fron tad a com a Graça de Deus, nada mais busca
senão corresponder à Sua Vontade. Tal alma é tão implacá­
vel no seu am or, como o Divino Amor é implacável.
A crise espiritual é bastante geral, pois em cada alma to
algum reflexo da ânsia universal de m as^esm o
conversão h á u m am or sobrenatural de A dife.
antes da conversão h á um amor nat ,.A natureza
rença en tre os dois foi explicada por s. mQ é 0 comêço
ama a D e u s sôbre tôdas as coisas se tant0 quan-
e o fim do bem natural, mas a caridade (ama O) t j ^
to file é o o b jeto da beatitude e tanto quanto um
a n g ú s t ia e p a z
234
» (2 ) Tôda pessoa que ama, na tu -
certa amizade com Deus i ' a si mesmo. Êste amor
ralmente ama a Deus mms ^ e em outras seus efeitos
náo é consciente em m" , a conoupiscência; m as esta oculto
nráticos São limitados pcj^ em cada desejo de u m ideai
em cada busca de felicidade todos QS nossos anseios. O in .
bastante largo para satisfaz g ^ Inflnlto que busca;
divíduo pode dar nome e com a carne o u com o p0-
pode identifica-lo com a r 4 Q im pu lsio n a e a in d a sua
S er mas a fôrça m o tiv a d o r^ q ^ ^ Mesm0 q u a n d o u m ho_
procura duma felicidadeg im agin a q ue êle é o Infinito
{nem se decide pelo me g m0 B em e m esm o m ais de-
que procura, nao 0DSL“ ‘J é am ado consciente o u inconscien-
^ ado; de modo que Deus é a ^ amar Mag 0 desejo d; p03.
temente, por todo se yu
m desejo inefi
suir Deus em amor a■ Q uan do isto acontece, quando
fa to a epdssna dUum amor natural a u m a m o r s o b re n a tu ra l de

Deus, ocorre uma^onve ^ In fin lt0 pode ta m b é m d irigir-se a


O desejo :p
e D jvjn a. O intelecto h u m a
T L ^ ^ coSecetudo, pode to rn a r-se dócil em
face da Divindade e começar a d esejar a ra e n te m e n te u m a
luz que somente Deus possa dar. D e sa p o n tad o s n a s u a m en­
talidade larga, que não experim entou a v e rd a d e co m fogo,
alguns partem à busca daqu ela D iv in a V e r d a d e q u e nao
admite compromissos. Christopher H ollis, e x p lic a n d o sua
conversão, diz:

“ Q uando o lh e i p a r a o N o v o T e sta m e n to , n ão
encontrei ali n en h u m re g is tr o de C risto fa la n d o com o
um amigo fa la r ia ; n ã o O e n c o n tr e i d iz e n d o : “S ã o es­
tas algum as observações q u e m e o c o r r e r a m . S er-m e-
-ia grato que vocês se fossem , p e n s a s s e m n e la s e v e ­
rificassem se poderiam d e s c o b rir n e la s a lg u m a coi­
sa.” Encontrei-O en sin an do c o m a u t o r id a d e , pro-

(2) Summa theologiat, i_2;


P 109, art. 3.
A P S lC O L O d A t\a
U DA CONVWsXo
ferindo dogmas com „• ,» 235
seu auditório n r * í Vl°lencia
S u a doutrina e lhe e S v a Seu auauórS cabe<* « ae
dan ação eterna se se * mdo a espanto '0 qUe aceite
eu estava na escoto cec,Usasse a ac^ts , meaça
classe, havia um preshfto -6 me^ c0^ ta;lah Quando
dos trim estres le t iv o s ^ an° e um toetortufr° s de
contando que d u r n «t ° presbiteriano Num
lido o Novo Testament as Í e casa.
ra m católicos, o m etnat« com° tc s u lt ^ IS« hf ' lam
t . divertida. * >>K m \SK '
particu larm en te divertiria 2 porclUe era ela tsõ
m a is tarde, vim eu m eSmo a « ° ’ al^ s ano°s
descobni que era mesmo muito menV° Testament°.
q u e eu tin h a im aginado”. ( 3) nos V ertid a dò

C h esterton , tam bém , foi atraído à


do saber in fin ito e explicou-se nestes t ê r S ^ f 10, desei°
que, com a m ais atrevida ousadia, descobri« « „? ° . homerr-
descoberto an tes.” buu 0 1 ue ]a estava
E’ possível que o declínio da ravãn nn j
possa c o n d u z ir c a d a vez mais as almas a in v e sh g a rT d i^ a
ridade e n tre o que elas conhecem e 0 que é c o n h e d v e fs í
mente p r o c u r a n d o aq u ilo que está acima do humano pode^
espírito h u m a n o preservar a sua dignidade: ou sua razão
subirá a te a fcabedoria ou suas emoções encadearão a razão
e 0 h o m em se t o r n a u m anim al. À medida que a carnalidade
e 0 co n fo rto se to rn a m o alvo comum da vida moderna, os
dotados de in te lig ê n c ia lutarão cada vez mais estrênuamente
do que n u n c a p e la libertação da sua razão e chegarão a ver
finalm ente q u e, sem u m D I V IN E LOGOS, por trás do universo,
não h a v e ria n u n c a ra z ã o no universo. A crença de Pascal de
que h á a p e n a s d u a s espécies de gente dotada de razão pa­
rece ser r e a lm e n te verd a d e ira — os que amam a Deus de todo
0 seu co raç ão , p o rq u e O descobriram, e os que procuram Deus
de todo 0 seu co raç ão , porque não O descobriram.

68. 69. Benalger Bros., 19&.


Conversions, d ita d o p or Maurice Leahy. PP-
angústia e PAZ
236
m„ ndo um vasto exército de boas almas
Hoje existe no num ^ plenitude da crise; estão se-
que ainda nao Pen" [ ® . „edir-LHE de beber, no receio de
dentas, mas rio ceu cálice. São frias, m as têm mêdo
que file verta bewoa iras no receio de que aquelas
de aproximar-se de *ga
u
o as ilum inem .
chamas Pu” fiq,uQ ™ ^ «pu lcro s de sua própria insignificân-
estão aferrolhadas P gua ressurreição como a Dêle,
cia, mas ^ b a t a l h a . Há muitos que gostariam de
traga as « c a t r e s da W » Senhor, mas recuam , trêmulos,
estender um dedo a as mãos e lhes solicite Qg
Z c T e fu ts Z Stãi distaêntes do Reino de D e u , Têm já
S S Necessitam apenas da coragem de atravessar
a crise na qual, por meio duma aparente rendição descobri-
riaixTa si próprios como vitoriosos no cativeiro da Divindade.
Mas há um terceiro tipo de conversão causado por um
acontecimento físico. A crise é física quando sobrevém por
meio duma catástrofe inesperada, tal como a m orte duma
pessoa amada, um fracasso nos negócios, doença, o u algum
sofrimento que obrigue a gente a in d a ga r; <-Qual o fim da
vida? Por que estou eu aqui? P ara onde irei?” E n q u an to há
prosperidade e boa saúde, estas perguntas n u n ca vêm à tona.
A alma que tem apenas interêsses exteriores não se interessa
por Deus, da mesma maneira que o rico cujos celeiros esta­
vam cheios. Mas quando os celeiros estão queim ados, a alma
é subitamente forçada a olhar para dentro de si m esm a, a
examinar as raízes de seu ser e a perscru tar no abism o de
seu espírito. Esta excursão não é a deleitosa viagem num
dia de verão, mas uma trágica indagação d a possibilidade que
negligenciamos de buscar a m elhor riqueza, os tesouros que
a ferrugem não consome, as traças não picam e os ladrões
nao arrombam e roubam — tesouros que som ente D eu s pode
dar, quando os corações estão m ais vazios do que qualquer
° ^ aQ ^das as crises, mesmo as de desastre m aterial, for-
c o r a r ã n ^ r t í f ra identr0' como 0 sangue é devolvido p a ra o
oara^suas a ?u.ma doenÇa ou um a cidade a ta c a d a recua
paia suas defesas internas.
A PSICO LO G IA L A COTTVELSÃO
------ 437

ceria bom hoje para todos nós encarar a possibilidade


urna catástrofe bem grande. Se a catástrofe vieT como
de nado dum a guerra atómica ou duma revolução mundial
re nmo u m a explosão cósmica, pouco importa. Sua forma
°u pnas um pormenor. Mas o que importa é esta possibi-
é qUe conhecemos, não só porque o Santo Padre nos
i t f . t i u de que a bom ba atômica pode eventualmente ocasio-
^ desastre ao próprio planeta, mas também poTque uma
n&r ,c ne proporções catastróficas revelaria a um mundo
t 0 universo é moral e que as leis de Deus não po-
cético q in fr ingidas impunemente. Da mesma maneira que
dem sel com er provoca dor de cabeça, o julgamento da
deixar c a lel d a n a tureza e grandes crises na história
yiolaçao ' -os da m aneira peia qual os homens pensam,
são ju l& e asem . Os períodos de delírio e as épocas de
querem, » • seguem a um cisma entre a alma e Deus la.
trage niUs vezes p a ra u m povo inteiro o que a doença ou
la s t r e pessoal íaz para um indivíduo pecador^
um desastre P te de ser um abençoado pressà-
P
gio da
A doença.
U u c iiv u , , e.3
da conversão
conversão do
— Pe^
A_ ‘ li íd^0 Na0 somente impede-o de
do indivíduo.
mdi Não ^ someme mipcuc-u
capacidade _
de pecar,
realizar seus desejos;
..«oiií7 ar seus desejos, _ _
reduz mesmo sua capacidade de pecar
_ l _ < « « « « / » « ofestamento do mal.
as oportunidades do vício. Neste forçado afastamento do mal’
que é uma Mercê de Deus, tem êle tempo de entrar em si, de
apreciar sua vida; de interpretá-la em têrmos de vasta reali­
dade. Considera D e u s e, naquele instante, há um senso de
dualidade, uma confrontação da personalidade com Deus,
uma comparação dos fatos de sua vida com o ideal de que
decaiu. A alma é fo rçada a olhar para dentro de si mesma,
para in d a g a r se n ã o h á mais paz neste sofrimento do que
no pecado. U m a vez que um homem doente, na sua passivi­
dade, com eça a p e rg u n ta r: “Qual o objetivo da minha vida?
Por que estou aq u i? ” , a crise já começou. A conversão se
torna possível no m esm o momento em que um homem deixa
de censu rar D e u s o u a vida, como causa de suas perturoa-
Ções e com eça a censurar a si mesmo. Fiazendc* ass^ *
na-se êle c a p a z de distinguir entre suas lapas pecadoias
"avio d e s u a alm a. U m a fenda surS1“ n^ ^ a de inÍ ome-
egoismo; a g o r a o ra io solai- d a graça de Deus pode inir
angústia e paz
233

ter-se. Mas até que isto aconteça, as catástrofes nada podem

ensinar-nos senão o inteJectuaido orgulhoso homem


Vemos isto na ^ n(Jono da filosofia da evolução e do
do século XX, seu sucedido pela filosofia do desespêro,
progresso mevitaiel f gerações atrás, estava êle sendo
da derrota e do psicanal!Sado nara
quase um deus, h ]I , * tg -]e ..como 0 diabo ” . Léon Bloy.
descobnr por que - de um conhecimento de catás-
?U6f Cf ^ p mdáaa como fazem muitos historiadores: “Não
s? eremo" no firnêde tudo e não é a palpável confusão dos
Smnos modernos o sintoma de algum imenso distúrbio so­
brenatural que afinal nos porá em liberdade?” O m undo pode
ter-re distanciado tanto de Deus e do cam inho^para sua pró­
pria paz que uma tragédia seria a maior merce. A pior coisa
que Deus poderia fazer-nos seria deixar-nos sós no no:so caos
presente e na nossa corrupção. Duas guerras r i u n ü a b não
tornaram o mundo melhor, porém pior. E fica-se a im agin ar
se a futura catástrofe será um a guerra, no m esm o sentido
das duas últimas, ou antes algum a calam idade m ais segu-
ramente calculada para produzir arrependim ento no homem.
Quando uma alma em pecado, sob o im pulso da graça,
volta-se para Deus, há penitência; m as q u an d o u m a alm a
em pecado recusa mudar, Deus m an da o castigo. Êste cas­
tigo nso precisa ser externo e, de certo, n u n ca e arbitrário;
vem como um resultado inevitável da q u eb ra da lei m oral
de Deus. Mas as forças entrincheiradas do m u n d o m oderno
são irracionais; os homens de agora nem sem pre interpretam
os desastres como os acontecimentos m orais que são. Q u a n ­
do a calamidade fere a pederneira dos corações hum anos,
aiscas de amor sagrado se inflam am e os hom ens começa-
^ “ mente a fazer um a estim ativa do seu verdadeiro
T cas ante™ r e s era isto u su a l: o indivíduo de-
DoiQuí.d viu?c,X la encontlar seu cam inho de volta p a ra a paz,
cristã Mac n hUm m “ ndo objetivo inspirado pela ordem
fé em Deus viwbrt™ frustrado de hoje, tendo perdido sua
caótico não’ tem fnrAi C° m° V1Ve’ num mundo desordenado,
' nao tem farol que o guie. Em tem pos de pertu rba-
A PSIC0L001A »* COWVERsSo
239

— o, como üm
. 5 «a a falsa trinda<JePdeP a/ pX rioDad0
! ^ece leis; de sua própria Que %
qU7 az do ^
ôrto terrestre seu alvo, e de sua licenca nnP
Herdade como a ausência de tôda conteuns mterpretâ a li-
e cria u m cancro de cura impossível e S « 6 lei~ entã°
; roa operaçao ou calamidade inconfundível - P°r meio de
: peus na historia. E ’ sempre por me"o de u a ac§0 de
« , ua'»ouL p í”r * " purg* ie ” « * a r « ;

I * cbA ™ »' [ » A r K ' , K

2 ã=
; braç° d iie u o 0 p o u p a 0 esquerdo, é 0 corpo inteiro que é afe-
1 tado. O mesmo^ acontece com a humanidade. Sendo um
I corpo, todo aquele que pertence a nossa raça é pecador até
; certo ponto. E ’ o nosso mundo mau e não 0 dêles. Não são
j os com unistas ap en as a causa dos males do mundo, pois tôda
idéia de com u nism o originou-se no nosso Mundo Ocidental.
Todos nós continuam os necessitados dâ redenção. Quanto
mais cristã é u m a alm a, tanto mais se vê responsável pelos
pecados de seu próxim o; tal homem ou tal mulher busca to­
mar sôbre si aquêles pecados, como se fôssem seus próprios
pecados, d a m esm a m aneira que Cristo, 0 Inocente, tomou
sôbre si a c u lp a do m undo inteiro. Como a mais sincera sim­
patia pelos que estão de luto é chorar, assim também 0 ver­
dadeiro a m o r pelos culpados é expiar-lhes a culpa. A carga
da regeneração do m undo é, portanto posta sôbre aquele que
conhece C risto e
_____ w w ouve
_______ _ S ua Voz
___ V OZ na
Ilct lIgreja,
g i c j a , incoiporan o-se
Seu Corpo e n no
o Seu S an gu e na Eucaristia. Um ser' cn ®
senso “
solidariedade no m a l pode pois tornar-se uma
ttrv __
n o b em . ..
M as não h á igu ald ad e matematica— nem pag^m jUStos
toesma m o ed a - na obra de redenção. Dez homem ^
Ppdiam ter salvo Sodoma e Gomorra. No J ^ que estão
divino, há monjas carmelitas e mong -P
A N G Ú S T IA e paz
240
s mofe n*?ra salvar o mundo do que os políticos ç o~
eenerafs O Is^ rito discorde que se apropria da civilizaçã 0
fó oode ser afugentado pelas oraçoes e pelo jejum . Em fa ce
rfn mal lS três espécies de almas: as que praticam o m al e
d0 mf ou o chamam jde_bem. j ‘Sim > _e vir-

„cxii^ — ? Há tamoeni u mai


a Deus.” (Joao 16-2 ) Ha mesmos e que lisonjeiam sua pró-
nos o u tro s mas nao em s dor -‘H ipócrita, tira primei-
pria "virtude^ criticando yerás p a ra tira r a aresta do
ív, «.
iu a trave
----------do
. teu om
o,c Finalm
_ „ /Mní- 7 5 ) Flnaimeiitc, u a ente,
uü queh ácar-
os q
io do teu innao. p dQ Decado alheios
r e g ^ a w T a desgraça e do pecado alheios como se fôs-como se fôs-

SemFctamos aprendendo neste século_ que as divisões que


homens uns dos outros sao bastan te frágeis. A
cXmldade física derruba estas barreiras. A g u e rr a m oderna
d e s t r ó i a s linhas limítrofes de com batentes e c i v i s - n a o que
devesse ser assim, mas, pelo menos, suas viciações revelam
que numa crise o perigo não é m eu, n em teu, m a s nosso.

A catástrofe pode ser p a ra um m u n d o q u e se esqueceu


de Deus o que uma doença pode ser p a r a u m pecador. Em
meio dela, milhões podem ser trazidos não a u m a voluntária,
mas a uma crise forçada. T al calam id ad e p o ria u m fim à
impiedade e faria que vasto núm ero de h om en s, que doutra
forma poderiam perder suas alm as, se voltasse p a r a Deus.
Depois de uma série de dias quentes e a b a fa d o s de verão, sen­
timos que deve haver um a tem pestade an tes qu e voltem de
novo os dias frescos. Igualm ente, nestes dias de co n fu são, há
uma intuição de catástrofe im inente, u m a sen sação de que
alguma imensa perturbação p re te rn a tu ra l re d u z irá a ruín as
o mal do mundo, antes que possam os ser livres de novo. Como
disse Goncourt a Berthelot, que se h a v ia v a n g lo ria d o d a fu ­
tura destruição da gu erra por m eio d a ciência físic a : “ Penso
que quando êsse dia chegar, Deus, com o u m v ig ila n te n otur­
no, descerá do Céu, chocalhando S u as ch aves e d ir á : “C ava-

á
A psicologia ua ^
A versão
241
. h o r a de íech a r•” Se tal acontecer, teremos de re-
meií°s'r tu do de novo. Não é uma questão do ttm do mundo,
corneÇ f de u m a época — uma manifestação da sublime
rtias de qUe a negação da moralidade e da verd2.de cristãs
verdade
n°s. e^ i t rer ad a todos até a beira da catástroíe, até o verda-
a dissolução.

deiv0 _ tem dito: “E m tempo de paz, pTepara-te


guerra.’ Idelhor
J á .. M
rra- seria rever
e U io r seria rever esta
esta fra J ^-2’ Prepara-te para a
de tumulto e dissolução, pr ^?m
Ouando o desastre acontece e os w , , ™ encontrar Deus'”
um “ cortejo insubstancial” , a alma está ™ ? dT lvem “ mo
para Êle, pelo mêdo e pelo desespêro C u ? ? *
entre o pecador e o Cristo de Misericórdia não é
que aspira e Cristo, o Santo Filho de Deik a alma
mem partido e Cristo o Juiz, Haverá a S ? ? ? ntre 0 ho‘
que se levantarão contra Deus, pois os “pecados d?°blasfêmia
como nos diz o Apocalipse, se multiplicarão com o d e n W
mento dos a ascos da cólera. Mas a imensa maioria dos ho­
mens verificara, pela primeira vez, que o Seu Julgamento
reparte um golpe mais duro quanto mais distantes estamos
de seus caminhos. O próprio pensamento de uma guerra
atômica com uma catástrofe cósmica fará com que muitos
homens apressem a crise, antecipem a tensão e comecem sua
conversão agora.
Esta espécie de conversão pode também ocorrer entre
aquêles que j á têm a fé. Os cristãos se tornarão realmente
cristãos com m en os fachada e mais fundamentos. A catás­
trofe os s e p a r a r á do m undo, forçá-los-á a declarar suas fide­
lidades b á s ic a s; reviverá pastores que pastoreiem em vez de
apenas a d m in is tra r, inverterá a proporção de santos e; sa.ws
em fa v o r dos santos, criará, mais ceifeiros P*ra a coihet ,
mais c o lu n a s de fogo p a ra os tépidos; fara ° r acima
verdadeira riq u e z a está no serviço aos n w , ’ dgr num
de tudo m a is ,1 f a r á a glória da Cruz leais
amor dos irm ã o s u n s pelos outros, c Coração Imar
filhos de D e u s e filh os devotados da Mae ae u » v
culado.
ANGÚSTIA E PAZ
242
A crise impende sobre todos nos, qualquer que sela nossa
,A -c" s® ouer que sejamos, M as a crise nao será
condição e qu q enqquanto desacom panhada de desejo.
^ r Cdese o ° L eí c a P 0^ i 7 i d ndcs "N a d a é impossível com
Deve ' Se não há Deus, então nada e_possível. O desejo de
D°us é para a alma o que a respiração e p a ra o c o rp o - a
respiração traz para dentro de nossos seres a possibilidade da
vida física de fora, como a oração, que e a m ais alta expres-
S o do desejo, traz para dentro de nossas alm as a possibili-
dade da participação em Deus. Êste desejo nao e m teiram en-
te o próprio desejo da alma pois se sente ate ceito gra u sob
a ação duma suave compulsão; Deus está ap ertan d o com a
alma, durante todo o tempo em que ela parece estar aper­
tando com Êle. Mais tarde a alm a com preenderá que até
mesmo o desejo de Deus vinha de Deus e que os fogos que
ardiam dentro de si mesma provinham da la re ira de D eu s.
A conversão não se segue autom àticam ente a êste an ­
seio; a menos que o desejo de Deus seia m ais forte do que
velhos hábitos e paixões, a crise do desejo pode te rm in a r em
frustração. A graça da conversão pode pa ssar — pois quem
perdeu o bote, perdeu a Barca de Pedro. O desejo estava ali,
mas, porque não era altamente estimado, o ideal de Cristo
foi abandonado e o carnal e o m u n dan o p e rm a n e ce ra m .
Nunca houve um convertido que carecesse de desejo —
desejo de Deus e também o desejo de torn ar-se u m hom em di­
ferente de qualquer que tenha sido antes. Q u a n d o Ernesto
Psichari, o neto de Renan, largou seus antros de pecado na
França para seguir para o deserto, a fim de descobrir Deus,
disse^ Não tenho desejo mais forte, nem propósito m ais fir-
me, do que ir através do m undo p a ra conqu istar a m im mes-
orçü- atravessarei a terra de tôdas as virtudes
rin turista* • • Deus en tra rá sob nosso teto quan-
c n lh v T f A graça - a “en tra d a ” - é a p a rte de Deus;
Dor rv.m ■r.%F^ardar 0 des.eÍ ° da gra ça é a parte nossa dada
^brir-se-vos-á”dl(Mat°7:r f dad° ’ bUSCaÍ 6 achareis; batei e
n e d e m’ rí cl“ ® ^ raça àqueles que honestam en te a
pedem. Tudo quanto Êle pede é que a v a g a sêde do Infinito,
A ^COLOCU Da C0KVess. o

que excitou a alm a a procurar v


prazeres, sera agora transfor^oT 1 beiT1 numa
S eu s, T u d o quanto necessitam^ nu,ma sêde 1 S Ie
petições: “ Q uerido Senhor ilumin=Zer e exPr>mir estas J f 10
eu veja a V erdade e dai-me intelect°
oraçao sem pre respondida. E não í , segni-la.” E’ uma
de D eus que proclamamos proveiode d'f« ença se o desejo
ciedades e desespero, ou se nasceu do n o « ^ deSB° stos' sa'
perfeiçao. D eu s quer tomar conta de n o s l do b3l° ’ da
de nossos jovens sonhos, pois nos ama nàn J ? hos ossos ou
de ser, m as por aquilo que podemos ser por m S l T ° modo
B a s ta n te curioso é que é o mêdn d» " 6 Sua graça-
graça e as aperfeiçoará que conserva
de Deus. Q u erem Deus para tomá-las como são e deSdas
ficar do m e^m o jeito. Querem que Êle lhes retire o amo?
pelos ricos, m as nao suas riquezas, que as livre do desgosto
do pecado, m as não do prazer do pecado. Algumas delas
equiparam bon dade como indiferença ao mal e pensam que
Deus é b o m se fôr generoso ou tolerante com o mal. Como os
espectadores diante da Cruz, querem Deus nos termos dêles
e não no D êle, e gritam : “Desce dessa cruz e acreditaremos
em ti.” M a s as coisas que êles pedem são os sinais duma
falsa re lig iã o : prometem salvação sem uma cruz, abandono
sem sacrifício, Cristo sem Seus cravos. Deus é um fogo con­
sumidor. N osso desejo de Deus deve incluir uma boa vontade
para ter o restolho de nosso intelecto aueimado e o joio de
nossos pecados consumido. O próprio mêdo que as almas tem
de se re n d e r ao Senhor com uma cruz é uma prova e s >
crença in stin tiv a em Sua Santidade. PonJ^r Dara £
não podem os escapar a Êle, quer nos jJP1 mlfilauer d0s ca
conversão, q u e r fujam os por aversao. q ^ fogos n0i
sos, Ê le n o s afeta. Se aceitamos S a ' . ainda n0
ilu m in arão e nos aquecerão. ^ O reie.tarmo
abra sa rã o pela frustração e pelo tûwdos pel0 ardent
A 's i m com o todos os h o m e n todos são também tocado
amor de D e u s, da mesma i. Ninguém escapa a fit
pelo desejo d a intimidade com f miseráveis sem o Infinito
anseio. S om o s todos reis exüaaos,
angústia e paz
244

Annêlps aue rejeitam a graça de Deus têm um desejo de evitar


Aqueles que rej ___ & an^ta.m têm um deseio de Deus

querer que não haja Bondade Absoluta, p a ra que êle possa


continuar pecando com impunidade. E* por isso que o ateu
moderno se mostra sempre encolerizado quando ouve dizer
alguma coisa a respeito de Deus e de religião. Seria incapaz
de tal ressentimento, se Deus fosse apenas um mito. Seu sen­
timento para com Deus é o mesmo que um hom em m au tem
para com alguém a que êle fêz um mal. D esejaria que es­
tivesse morto de modo que nada pudesse fazer p a ra v in g a r o
mal. O que atraiçoa a amizade sabe que seu am igo existe,
mas deseja que êle não existisse. O ateu post-cristão sabe
que Deus existe, mas deseja que Êle não existisse.
Não podemos fugir à justiça de Deus, n egan do-O , m as é
fácil de fugir à Sua amizade. Êle nunca força o nosso amor.
A rendição da vontade a Deus é de toda im portância n a con­
versão, por causa do seguinte: Deus não destru irá nossa li­
berdade humana. Não dará mesmo provas tão abso lu tam en ­
te onipotentes que destruam tôda escolha, pois sem pre deixa
uma margeny para o amor. Portanto um prelúdio necessá­
rio a conversão é um espírito que se torna dócil, educável e
humilde pois se pensamos que sabemos tudo, nem mesmo
Deus pode ensinar-nos.

punição do o rg u lh o e a inabili-
tornou-se i n ™ ^ elC“nJectt*>: "Porque 0 corar"

olhos e ouçam com òs duvidos a ^


se convertam e eu os sare.” '« o ™ “ “ «
A hum ildade é tão essencial ' 15) ? '
nhor declarou que a conversão d e o e S ^ 6’ que N°sso Se-
como crian ças na afeição e no desekf v a de nos tornarmm
digo que, se vos nao converterdes eEVosSnã"Nfaverdaâev°3
meninos, n a o entrareis n 0 reino dos cém t i Kerdes co»<>
aue se fizer pequeno, como êste menino £ J do- aquêle P°is
reino dos céus.” (M at. 18:3, 4.) ’ esse sera 0 maior no
E m conclusão, pois: esta tensão pntro o
rito, en tre o puxão do tempo e a correia d a ^ e m a a ipi'
esta dialética entre o amor do prazer egoísta e o ™ sefo to
paz espiritu al se encontra em toda alma sozinha A razão
pela q u a l m aio r numero de almas não vem para DeiTse
acha no fato de que não amam bastante a Deus. Puseram
maior anseio ardente do lado da concha que se opõe a Êle.
Mas n u n c a L h e escaparão, mesmo assim, o esticão da guer­
ra contínua, enquanto êles viverem.
T o d a a lm a frustrada que não seja louca acha-se nesse
estado p o rq u e combateu as altas advertências de Deus: “E’
inútil fu g ir, pois Êle está em Tôda Parte. Aquêle que pa­
rece ser vosso Inim igo é a vossa única Fortaleza; Aquêle que
parece assestar o golpe, é o único que pode apará-lo.”
H av ere is de querer continuar essa fuga inútil até que
seja dem asiado tarde? Havereis de morrer antes que vossos
pecados estejam mortos? Ou consentireis em d J ’
antes q ue tôdas as vossas paixões estelar^ e^ ' p f ^
üior tem po do que agora ^F
ujamos
Suas m ao s purificadoras? So Eie e o ‘ Afastemo-nos
dÊIe e estarem os perdidos. | t f n o s s a vdda. Abandonem^Lo
dela, e estarem os cegos. So Êle é n ^ de que, se sa.
e haverem os de morrer. Estarem com 0 desejo, as cin-
cudirmos as fogueiras de noss^ 9 pevemos dizer que nada
sas v en h a m a sufocar nossa vida? e se evolaram
temos p a ra dar, que nossos ano P
246 A N G Ú S T IA E P A Z

em fumaça; mas se não podemos levar bondade nar


podemos levar-Lhe nossos pecados. ^ a Êle,
Dizeis que estais deprimidos e de espírito acabru
Êle vos traz assim deprimidos somente para fazer nhac*°?
biceis as Suas alturas! %Ue cq.
Capítulo X3 li

A t e o l o g ia da conversão

A psiquiatria é capaz dp
de paz de espírito, pois a J u í t a T p S S È L co?# santidade
tempera do mundo, mas nunca C T ® a man«r a e à
-nos tao completamente à sociedade atmi— Í T ^ "08 ajustar-
do” , disse o Salvador. Está-se tomandn I' Tlre'-vos do mun-
mo para os cínicos, que aquêles aue ni n f ra evidente>
são os homens destacados do mundo A ° ™ ndo
coisa diferente e mais bela. Resulta daPju s £ a T n ã o T o
ajustamento, da renascença e não da integração’ nos vaJom
do momento. P a x opus justitiae .A iu
dinaçao do corpo a alm a e de todo o homem a Deus e ao pró­
ximo. Poi outio lado, o ajustamento é para tornar-se aceitá­
vel àqueles que nos cercam, sejam bons ou maus, sábios ou
loucos, santos ou homens tais que um santo preferia evitar
a com êles com petir.
E ’ im portante distinguir entre as duas espécies de paz.
A paz de espírito repousa principalmente no que se chama
“ sublim ação” , que a psicologia descreve como uma redireção
dum instinto, paixão ou energia, passando duma forma ciua
e im p u lsiv a a uma atividade criadora que é social e até c^rto
ponto, ética. Não há nada de muito novo a respeito da 'Ubli-
m ação, a n ão ser o nome, pois, através das idades, todos os
sábios mestres reconheceram que é importante desviar o m-
terêsse do homem do que é baixo para o que é nobie^Oo
educadores sempre souberam que uma cria™ja ! Iiblimada
te curiosa pode muitas vêzes ter sua curiosidade sabhmacia
n u m sadio interêsse pela ciência ° “ pe a CQ; f dadès de deba-
com bativo é m uitas vezes sublimad U n , dando-se-lhe
tes; a desordem de um rapaz pode ser suüumae
aiçgústia E PAZ
248

.,im o-rupo, onde tenha êle de reforçar a


„ pncarK0 de diriga um ?rup ’r úteis que sejam, nunca p0.
disciplina. Tais sub unaçoe ^ ^ g ó v e m d e D As ten_
Sim dar a paz da a,} í
lm w q
tativas psicológicas para tenciaiidade de criar— são 0
£ % - ^ f * C r um ponta de fio para começar a fiar
mesmo que tentai p ss
noutra direção. pode fixar.se e nenhuma pessoa
Nenhum pneumawro ^ se> sem a introdução na sua
frustrada e iraehz P oisa que ali já não esteja. E’ necessária
natureza de alguma c h um horaem> do que a sua pró-
alguma coisa maiss P á n u nca pode erguer-se acima
pria libido ou mstin • ^ quantidade de drenagem do
do seu consciente pode tornar a corrente do pen-
inconsciente para o nsc P ^ majg forte. Quando o pa-
samento mais ® ' sublimação por si mesmo, está bastan-
ciente tenta C a C n te - a ter a sensação de que está pra-
ífcanPdo a auto-sugestão, experiência um tanto perigosa. Se
“ edita que a energia para melhorar provem duma fonte
humana exterior, como o psiquiatra, sente ele, muitas vezes
com razão que está sendo manipulado por um homem inca-
paz de julgar todos os fatores de seu caso. Se o psiquiatra é
um daqueles que negam a alm a isto é quase sempre verdade.
Se um homem está fisicamente doente, não tenta curar-
-se esperando que os remédios se desenvolvam dentro do seu
próprio corpo. Nem pode uma alma espiritualmente doente
curar-se por completo por seus próprios esforços, sem uma
energia e um poder introduzidos de fora. A própria vontade
do homem doente não é bastante, pois é justamente pelo fato
de sua vontade e seus instintos estarem em conflito que êle
sofre. Nem podem apenas os ideais humanos curá-lo. Não
fazem provisão para os conflitos daqueles que não podem
atingi-los. Até mesmo os mais nobres dos ideais abstratos
são de pouca utilidade para uma pessoa que se sente um
fracasso, amputado da possibilidade de êx ito e demasiado
fraco para realizar a virtude.

E piecisamente porque m uitos in d iv íd u o s estão de u m a


maneira penosa conscientes da su a fr a q u e z a e d a s u a f r u *
A TE0L0Gia da conversão
249
tração que anseiam por um s is t ^ *
oS dispense de toda a r e s p o n S -\ ^ P ^ s i v o de vida
que
voltam êles p a ra o t o t a U t S o m i l ’ E' Por > « o ?que
Ue se
se
sua coletividade anônima osT rivm á df Perança A tque o *a
poucos tem plenamente avaliado est« i -carga da «colha,
o com unism o, pois h á algo de tom » J l Zao da “ ^ a pata
e algo de m au, como o ÍUho p ^ g o Qu^ f r ° 60mun^ < >
tindo fom e e errado alimentando-se to ln f 13116110 sen'
A a lm a m oderna também está '
u m a lei m ais alta do que a sua própria vontad1 tet fome de
aceitar esta lei de um* ditador c Í m ? n eaaCto i e£ ada 6rn
destinos eternos e da retidão moral ela se desvost™ ^' ° S
p ró p ria inadequação, de sua própria indignidlde em s e ^
corno u m objeto propno da devoção nareisística. “ o m ™
crian ça n a escola progressiva pergunta: “Devo sempre fazer
o que quero?” Tendo negado o Eterno Amor como o objeto
de s u a escolha, volta-se agora para algo de aparentemente
m aior do que ela própria, isto é, o formigueiro coletivo do
com unism o. E stá direito desejar-se alguma coisa para adorar
e a m a r com u m a paixão intensa. Está errado adorar-se o falso
D eus do T o ta l.
Q u a n d o se m edita no número de indivíduos que, no meio
de su a s frustrações, tentam encontrar cura sem a ajuda de
u m M.édico D ivino, sem um a energia mais poderosa do que
êles p ró p rio s, vêm à memória as palavras de Carlyle: “A tra­
géd ia d a v id a não é tanto o que os homens sofrem, mas
antes q u a n to êles perdem .” A maior oportunidade que eles
p e rd em é a de tornarem -se algo mais que um h0® eI“ i
A nossível n a r a u m ser hum ano viver em um de ties níveis.
O primeiro n ível é o sub-humano, ou o animal, no qualum ho
S fm “ c o n te n ta cm v i »
ca rn e e seus prazeres. Quando to _ dos sentidos’
tem os o q u e Sorokin cnamou ste nível majS baix<
Se a r a z ã o é u sa d a de q ual^ A ^ s d e pr0visão de emoçõf
é a p e n a s p a r a descobrir “ ^ ^ ^ z a ^ r i i m a l . O Home,
vivas e de divertim entos Pa™ * n * mais alto nível: o racv
pode ta m b é m viver n u m segund o defendera as vi
nal. A q u i s e g u irá êle u m a boa vida pag
A N G Ú S T IA ® p A S
250
crrande entusiasmo. Sob a Inspira-
tudes naturais, mas m■g te> filantrópico;
e
s
ção apenas da razao, e ei emprêsas da com unidade, mas
párias sociais e contnbu paia em? fora do al-
recusa-se a c re d ita r que ^ um energia que excede a
cance do seu próprio mte dêste3 d0is níveis, h á um
sua própria vontade Bqhotnem> graças
e
eievad0 r o r T e m sobrenatural e torna-se u m filho
r n e S , éUe

de distes três níveis podem ser com parados a u m a casa de


três tndares o primeiro an dar muito m al esta m obiliado; o
seeundotem algum conforto, mas o terceiro esta arru m ad o
com” uxo e cheio de paz. Um indivíduo que vive p a ra praze-
ms puramente animais tomará como u m a e stran h a tolice a
sugestão de que há um nível de razao acim a do prim eiro
andar onde êle vive de acordo com seus instintos sexu ais.
E sugerir àqueles que vivem no segundo an d a i d a ía z a o que
existe ainda um andar acima, onde a paz de espírito se torn a
paz da alma, é convidá-los a ridicularizar a ord.em sobren a­
tural . Aquêles que m oram no segundo a n d a r n ão têm com ­
preensão algum a do que seja o sobren atu ral. E n c a ra m -n o
como um excesso piedoso, tão sem im po rtân cia com o a ge ad a
num vidro de janela ou a confeitação de u m bolo. E stão q ue­
rendo admitir que há assimilação no u niverso e que o p ro ­
gresso tem sido para o alto e vertical, do m in e ra l ao hom em ,
mas quando chega ao desenvolvim ento do p ró p rio hom em ,
recusam-se a admitir um a continuação do m esm o processo
vertical. Vêem o passado em têrm os de u m processo p a ra
cima até que o homem foi produzido; dêsse tem po em dian te,
insistem que êle se move apenas n u m p la n o h o rizo n ta l e que
o progresso do homem deve ser m edido p e la su a crescente
habilidade na m anipulação d a n a tu re za , d a riq u e z a e d a
aquisição de melhores condições m ateriais, tu do is~o exte­
rior ao homem. Os que recusam su b ir do s e g u n d o p a r a o
terceiro andar são bastante sem elhan tes aos dois sap in h o s
que estavam um dia discutindo a p o ssibilidade de u m reino
mais alto do que o dos sapinhos. U m sap in h o disse ao o u tro :
‘Penso que vou levantar m in h a cabeça fo r a d ’á g u a p a r a ver
A TEOLOGIA DA r>r^
DA C(WVEHSXo
251
n-»Yi ciue se parece o resto do mundo ” o mif«. _ , ,
f i lã o seja bobo. Por certo não esto você q u e S m e ^ l
acreditar que h a algum a coisa neste mundo S t a t o ®
U m a criatura racional deveria perguntar a si mesma
0r que, se os minerais podem lazer parte das plantes £
nlalitas ser absorvidas nos animais
--------o nus animais e os animaisplantas>
absorrtd^s
as
l o hom em ,, seria
seria negado
negado ao ao proprio
próprio homem, '3 absorvidos
h o r í ^ pináculo da cria-
% visível,, o privilegio
privilégio de ser assimilado
S ü l aT por ^ macul°
um poderda mais
c" a'
........ sa não tem
alto 9 A rosa nao tem dlreito direito de dizer aueP n- U? poder
dizer que não há vida acimama'
Ldela
m e n nemem o tem 0 pLsui vasta
o homem, que possui va^tnhacapacidade
Vlda acln e
anseio inconquistável de vida eterna, etern^, de verdade
verdade^e e de amor.
amo
O sobren atu ral o terceiro eiro nívpi
nível or«
em que— podemos “ ver
não é u m produto do natural, como o carvalho que £ d S
volve de u m a bolota: assm alaum a quebra completa, um7 e-
comêço. O desenvolvimento não é um progresso gradual, no
qua.1 u m hom em se torna mais tolerante, de espírito mais
aberto, m ais articulado com a justiça social, menos odiento
e m enos avarento, até que finalmente atinge um ponto em
que descobre que é cristão e cidadão da ordem sobrenatural.
Hão é isto que acontece.
E ’ lei de física que um corpo continua num estado de
repouso o u de movimento uniforme em linha reta, até que
seia co m pelido por forças exteriores a mudar aquêle estado.
O ho m em , tam bém , está sujeito à inércia e permanecerá
num estado m eram ente natural a menos que seja mudado de
fora P e d r a s n ã o se tornam elefantes, nem elefantes homens,
n h o m em , p o r natureza, é apenas uma criatura de Deus
ouase d a m e s m a fo rm a que um a pedra ou um passaro e uma

C è m „T o l l T ü t u S s
nossa ra ç a . E m resultado todo J “ ” u ° mho de Deus,
exílio. M a s o privilegio sobrenatu tão inatingível
com d ire ito a c h a m a -L o de Pap vida’ e para um cristal,
para a n a t u r e z a do hom em , rebentasse em üor
Se u m p e d a ç o de marmoie sub.tame pertence aos p *
seria isto u m ato “sobrenatural , P™*. T ^ T
angústia e PAZ
252
deres, à natureza ou às capacidades do mármore o florir. Se
uma flor subitamente começasse a mover-se de lu gar para
lugar e a tocar, gostar, sentir, isto seria um ato “sobrenatu­
ral”. pois não pertence aos poderes, à natureza ou às capaci­
dades da flor possuir os cinco sentidos. Se um cachorro co­
meçasse subitamente a citar Shakespeare e Sófocles, isto
seria um ato “sobrenatural” para um cachorro, pois racioci­
nar não pertence à natureza, aos poderes ou às capacidades
de um cachorro. O homem é, por natureza, um a criatura de
Deus, tão humildemente como uma mesa é a criatura dum
carpinteiro. Se súbitamente começasse êle a palpitar em
uníssono com a própria vida de Deus, de modo a poder cha­
mar Deus, não seu Criador mas seu Pai, isto é um ato so­
brenatural para um homem. O homem se torn a então algo
que não era. Esta elevação de sua natureza só pode ocorrer
como um dom de Deus.
Uma planta é mais do que a soma dos produtos químicos
que a compõem, porque uma planta possui um a qualidade X
que não é a ordem química; um animal é algo mais do que
a soma das qualidades da planta, porque possui um X que não
se encontra na ordem antecedente; e, da mesma m aneira, o
homem possui uma qualidade X que o torna diferente do
animal, algo que o torna capaz de rir, de pensar e de am ar
livremente. Mas quando um homem entra na ordem sobre­
natural, introduz-se nêle nova e maior qualidade X , algo que
é diferente na sua natureza da soma de virtudes m eram ente
naturais que êle possa ter possuído antes. E ’ por isto que,
através das Sagradas Escrituras, é o homem constantem ente
convidado a tornar-se algo que êle não é. A firm a-se, nas S a­
gradas Escrituras, uma diferença entre fazer e gerar. Fazem os
o que é diferente de nós: por exemplo, um hom em faz u m a
mesa. Mas geramos aquilo que é igual a nós: por exemplo,
um pai gera um filho. Considerando que fomos feitos por
Deus, somos diferentes dêle na Su a N atureza D ivin a; consi­
derando que somos gerados por Deus, podemos tornar-nos
iguais a Êle, ser participantes de Su a Natureza, tom ar nosso
lugar como Seus Filhos e os Herdeiros do Reino de D eu s.
sto só e possível em virtude dum a m iraculosa elevação, que
A TEOLOGIA da
OONtiSRBÃo
253
é nossa por direito ou natureza, pois
- ..«.vuicza,
* t u r a l íôsse natural ao homem, pois
enta^ - se a ordem sobte-
^ D eus homem, então o próprio homem se-
Isto suscita a imuortpm*«
n tornar-se — de como pode o ho-
qc------ - ue
Ptn tornar-se maior do que era — do que acontece quando
xCí’] hom em se converte. A resposta é a _seguinte-, —«wMWWoC t^Udl
------
^ ercuido à ordem - _____ b r ^n.
s o___ resposta ê a seguinte-. O horr
« * ......
r ^ u i d o à ordem sobrenatural e convertido de criatura em
6 ticip-ante da Natureza Divina. Isto só pode sobrevir atra-
P?r
livrem^ a ente.
g ra ç a de Deus, com a qual o próprio homem colabora

H á em tôda a natureza uma lei


ordem m ais baixa jamais se ergue a uma^nr^ 6 nenhuma
sem duas coisas: deve haver u m ! descida da ofdSnm tó aba
à ordem m ais baixa, e, em segundo lugar, a ordem mais baixa
deve subm eter-se a mais alta. Antes de poderem oTfosiatos
o carvao, a luz do sol e a umidade ser absorvidos na vida dá
planta, deve 'a planta descer à ordem química e absorvê-la
em si m esm a; e os fosfatos, o carvão, a luz do sol e a umida­
de têm de abandonar sua existência mais baixa ao serem
elevados. A planta não pode começar a viver no animal, a
menos que primeiramente o animal descaia até a vida da
planta e a eleve até si mesmo; mas a planta também se imola
ao an im al — tem de ser arrancada de suas raizes e triturada
pelas pró prias m andíbulas da morte. Depois, e somente de­
pois, com eça ela a viver no reino animal e a partilhar as ale­
grias d a sensação que não possuía antes. O animal começa
a viver no110 hom
iiuiiiem
em suiueme qutiiiuu o
somente quando u homem
nuuicm desce
ucotc ao
au ani-
am-
mal, e o absorve em si; ní •vnn
masti ro\ animal,
nwíwiol nrtV Mio H
por sua O* ri0
vez, X70 Sllh
deve sub­
meter-se à fa ca e ao fogo, pois somente pela submissão sua
baixa existência pode começar a viver no reino mais elevado
do h o m e m . E n tão participa o animal da vida de um ser hu­
mano que pensa, que quer e que ama. Se as plantas e os ani­
mais pudessem falar, diriam às coisas que estão abaixo dêles:
“A m enos que m orrais, não podereis viver no meu reino.” O
homem, que pode falar, diz aos minerais, às plantas e aos
anim ais: “A m enos que morrais para vossa natureza mais
baixa, n ã o podereis começar a viver no meu reino.” A re­
compensa d a im olação de tôdas essas ordens mais baixas e
angústia e paz
254
bnmpm uma espécie de existência bem
que agora vivem _n
oh deriam atingir em s
mais magnífica do que a q igovêrn
enobrecWafsua^vida^einriquecida^sua natureza elevada. Esta

éa recompensa de . vida mais alta em Deus?


Gomo começa o homem a v ^ t é Q Eterno deve inva.
Antes de tudo de ^ q significado da Encarnação,
dir a lust^ua Jl“ d ‘ 0 próprio homem submeter sua na-
toezSa6 mais0 baixa.’ Mas aqui aparece um a diferença entre o
homem“ tôdas as outras criaturas. O homem e um a pessoa,
q ue a luz do sol, a erva e as vacas nao sao Suas naturezas
mais baixas são destruídas pela submissão deles ao homem,
mas desde que o homem é uma pessoa, sua personalidade é
indestrutível. O que o homem submete, pois, nao e lôda a
sua natureza, mas somente aquela parte dela que é pecadora,
que é diferente de Deus. Na conversão um homem sofre um a
mortificação, uma espécie de morte espiritual, m as su a per­
sonalidade sobrevive.
O ato específico por meio do qual um homem m orre para
sua natureza mais baixa é o Sacramento do Batismo. Êste
comêço de sua vida sobrenatural não m arca u m a simples
mudança de direção, mas uma elevação ou, m elhor ainda,
uma regeneração. Podemos portanto compreender porque o
velho que perguntou o que deveria fazer p a ra ser salvo rece­
beu de Nosso Senhor a resposta de que deveria nascer de
novo. O velho Nicodemos pensava que estas palavras signifi­
cavam que deveria êle entrar de novo no ventre de sua mãe,
mas Nosso Senhor informou-o de que “ . . . quem não renascer
por meio da água e do Espírito Santo, não pode en trar no
remo de Deus. O que nasceu da carne, é carne; e o que
nrAnr'U d°- ?spmto- é espírito.” (João 3:5, 6 .) O âm ago do
nlr? ín cnstlani1smo e a inspiração p a ra o hom em de lu tar
hPran^ a».r’Se Ü g° S Ue êle nâo é: “M as a todos os q ue 0 rece-
crêem ’nn L P ^ der de Se tornar_em «lh o s de Deus aos que
da vontarie da*101116' ° S c*uais nao nasceram do sangue, nem
Deus.” (João 1:12^13 >nem ^ VOntade do hom em . m as de
A TE0L0GIA CONVERSÃO
255
Assim como a alma dá vida M
graça( ou participação na Natureza n?v°’ da mes™ <orma. a
Um corpo pode estar vivo quando ^ ‘na’ dá "d a à X a '
tens o nome de ser vivo: e estás mnrtallna está m°rta; “sê
olhos do espírito cada metrópole e ctóade 3:1 > Aos
cadáveres espirituais. As pessoas parecem Í Í ° cheias de tais
vão aos cinemas, casam-se, tratam d T ^ v Vlvas; “ mem,
oportunidade entre 12.000 de ser e n t r e v S î f e têm uraa
tório Kinsey, mas suas almas estlo monaS K Rela‘
morte nao necessita ser permanente « n i - « Cdtudo esta
I l s » , B â espenm ta . s p l S t . a l ^ g g * . “
há respiração, ha ainda uma possibilidadi d” Tue a
za h u m a n a venha a ser divinizada pela graça. 1
Aquêles que estão espiritualmente vivos não vêem Jesus
Cristo como apenas um mestre de moral ou um grande hu-
m anitarista. Sabem que Êle pode ser chamado mais apropria­
damente o G rande Divinatário, Deus em carne humana, ver­
dadeiro Deus e verdadeiro homem, cuja finalidade ao vir a
esta terra foi restituir-nos aquela vida sobrenatural perdida
pelo pecado origin al: “Eu vim para que elas tenham vida e
possam tê-la mais abundantemente.” (João 10:10.) No uni­
verso. visto do ponto de vista divino, não há raças ou nações.
Há, porém , duas humanidades. Há os que nasceram da carne
e pertencem à hum anidade de Adão; mas os que nasceram
do espírito pertencem à nova e redimida humanidade do novo
Adão, Cristo, Que teve como mãe a Maria. O que o nasci­
mento físico é p a ra a criança da natureza, o Batismo é para
a criança espiritual de Deus. Os filhos se parecem com seus
pais, porqu e participam da mesma natureza, assim, g^ças
ao B atism o, os filhos espirituais começam a parecer-se com
Deus, pois a g o ra nasceram de Sua Natureza.
H á outros paralelos entre o físico e p°nf,pvem sH ete^on -
a h u m a n id a d e viver sua vida naturalJ T Vem ser nutridos;
dições: os hom ens devem ser nascido . d ^ ^ ^ assumir suas
alguns dêles devem crescer ate a mf ... leridos, as feridas
responsabilidades; se seus coitos n daquela doença
devem ser curadas; se ha doença, os smais a q
devem ser apagados; deve haver propagaçao pa
ANGÚSTIA E PAZ
256
dade da raça e a humanidade para sobreviver deve viver sob
fleuma r i r a de ordem e governo. A fim de podermos levar
a ffda sobrenatural, Nosso Bendito Senhor instituiu sete Sa­
cramentos análogos a essas sete condiçoes da vida física. Os
materiais ião usados nos Sacramentos, como canais
p“ ra a comunicação de Sua graça. Se fossemos anjos nao
necessitaríamos de tais sinais visíveis, mas desde que temos
corpostanto como almas, e desde que a natureza se rebelou
Dela ofensa do homem, é conveniente que a natureza tam ­
bém seja restaurada para Deus. Daí o uso do oleo, do pão,
da água, das mãos e do vinho na adm im straçao dos sete
Sacramentos.
Assim como um homem deve ser nascido antes de poder
começar a viver sua vida física, da m esma m an eira deve ser
nascido para viver uma Vida Divina. Êste nascim ento ocorre
no Sacramento do Batismo. P ara sobreviver, deve ele ser
nutrido pela Vida Divina; isto é feito pelo Sacram ento da
Sagrada Eucaristia. Deve crescer espiritualm ente e assum ir
suas responsabilidades espirituais; isto é realizado pelo S a­
cramento da Confissão. Deve curar as feridas do pecado;
para isto existe o Sacramento da Penitência. Deve a p a g a r
os traços do pecado no final, preparar-se p a ra sua jo rn ad a
até a vida eterna; para isto há o Sacram ento da E xtrem a
Unção. O homem deve também prolongar e edificar o Reino
de Deus, para o que lhe é dado o Sacram ento do M atrim ônio.
Deve viver sob um govêrno espiritual; isto é provido por meio
do Sacramento das Sacras Ordens no sacerdócio.
A natureza faz a natureza hum ana, m as a gra ç a refaz a
natureza humana. Tôda pessoa nascida pode tam bém rege­
nerar-se, renovar-se e reviver, se» estabelece contato com n o ­
vas e divinas fontes de energia. O cristianism o dá u m alto
valor a natureza hum ana, m as não leva dem asiado longe sua
on íança nesses poderes desajudados. Diz que o hom em na
fri«cnatUleZf hum ana não é santo nem dem ônio; não é in-
mUMecainente corrupto, nem im aculadam ente concebido. Ne-
P p l o n f - assistenc[a divina p a ra ap erfeiçoar essa natureza.
nL«. para ele’ não im P ° rta quão m a u ten h a sido no
P , ate mesmo um hom em que ap edrejou u m m ártir
A teoloqia da conversão
251
como Estêvão, como Paulo íêz, pode amrt»
Si mesmo, mas pela graça de Deus como ^ f ' 7 0’ nâo V »
que a nova energia e o novo pod« ™?a r ^ ° E âesd«
Deus, esta íora de propósito que q u a W r vèm de
^Não sou bastante bom.” Sem d ú v i d a ^ h.0Inem proteste;
mem é bastante bom. Mas ocultasd reserv^a'dPNei!í1Um ho‘
disponíveis para quem quer que assim deseie F o T ™ ^
que Nosso Salvador disse; « p j * , e v£ serãtolo £ ^ 0
achareis; batei, e abnr-se-vos-á.” (Mat. i ;i .) ’ ’
Os que carecem de graça - êsse dom de Deus que é dado
tão livrem ente — tem vida íísica mas não têm vida espiii-
tual. Isto suscita a pergunta; “Por que não aceitam todos a
graça?” A resposta deve ser encontrada no tato de que o ho-
rnern, único em tôda a natureza, é livre. A erva não precisa
(ie consultar a umidade antes de absorvê-la em si; a vaca
não necessita suplicar à erva que venha com ela para o reino
| aninval; m as o homem é livre e Deus não derrubará portas
YÇ} im por às nossas vontades um destino mais alto. O Di­
vino pode apenas rogar e suplicar; mostrará quanto nos ama,
rn n r ren do p a ra redimir-nos. Mas não usará de íôrças, mesmo
o ara salvar-n os de nossa própria preferência míope por uma
t o r r ã o de v ida mais mesquinha.
P M eurn as pessoas em países atrasados recusam vacmar-se;
. A |H salvas por um mistério que nao compreen-
tem m edo - rinpntpç rvão auerem ver um doutor;
dem. A lg u m a s Pess° f ®Conselhar uma operação como
têm m êdo de que ele possa aconsei^ ^ e^pintual tam-
condições de recuperação sat ^ podemos iniciar nossa
bém, podem os recusai nossacu - de regeneraçao
p ró p ria salvaçao, P01S ,° J ^ f f mDedi-lo pela nossa recusa em
vem de D eu s, m as Pode™ ° L ^ Humana estão relacionadas
colaborar. A gra ça e são necessárias para

™ " T T J “ S . aceitação d . í < g


plicando u m a esc0£ 1a ! % f c i £ e n t e d e ^ q u e . ^ e Evan-
ma-

n T u a m v a r iá w \ ,aexige um sacrifício. O n
angústia e paz
258
gelho f o i e m b o ra tr is te p o r q u e t in h a grandes bens. Sant
A g o s tin h o e m c e rta época de su a vida disse: “ Am ado g ^0
""’™ sei’ b o m , mas mais tarde, não agora.” o p r n « Í '
'' .......... . b 'im ana, r e la t o ®

ja c ie . êle basiam c * -- ----------- x


mservam distante. Am agnosticismo baixou?
OS postigos que seu p r o p n o j é ^ ^ passiva “
A aceitaçao d i g coisa mesmo que seja apenas de
uma SUr ®jho Só êste fato daria pausa àqueles n atu ralistas
quT n osgd t m que o sobrenatural é apenas u m m U o pols

h sMSSr e S ? os s : :
r t e C r ^ ^
sacrifícios devem ser feitos, êste preço pago, se quiserm os
viver vidas plenas. Nenhum escultor pode cinzelar, n e n h u m
artista.pode pintar, a menos que se afaste da tagarelice b a ­
rulhenta, a fim de comungar com o belo; assim podem os g a ­
nhar intimidade com a Divindade somente se responderm os
ao convite da graça de Deus com um a volu ntariedade capaz
de fazer-nos ceder algum vistoso tesouro, de e n tre g a r o cam ­
po, a fim de comprar a pérola de grande p re ç o .
Então a vida pode realmente começar, pois, sem o dom
sobrenatural, todo homem ainda não está desenvolvido. A li­
mentai um homem até que fique “nutrido” ; cercai-o de m a ­
téria que satisfaça tôdas as suas paixões; dai-lh e licen ça p a ra
fazer o que quer que lhe agrade; encastelai-o; en gaio lai-o ;
saciai-o; acariciai-o; diverti-o! E invariàvelm ente, sem pre e
sempre, estará êle ainda buscando aquilo que n ã o tem , ap o-
erando-se de algo já além de seu alcance, an sia n d o pelo que
? , e 0 mnndo no coração do mundo. Sem esta g ra n d e rea-
r , f 6 ? eUS’ 0 homem se conhece ap en as com o m eio
e ^ i Pm td npr,al amente se define como “ N ã0 so u ” A s s im * v a­
gamente percebe a grande necessidade D a q u e le que se define
* ™ " ” * “ - m a ,
259
com o: “E m verdade, em verrt^

AbT r e c 2 do d 6U S0U” ^ A * 80 * * — **
trágico que o horneS poss^comet1 de Deus é 0 engano m •
conversão. Contràriamente à c r íc a ™ aceita^ o chama i
sao nao e causada pelas emoções ^ 1™ ™ ' uma t e r ­
nas um_ estado mental, e esta mudano« Ç°6S reíletem *Pe-
conversão, novamente, nada tem q u ^ e “ f erne à a1«* - A.
êsse processo, também, está restrtu °m a sublimação;
A conversão olha para cima, não mm da natureza-
riência de modo algum relacionada com a ™ ^ 6Xpe'
do inconsciente na consciência ri* „ J -u a maré ™asora
antes de tudo , «™ * ..
vida à Graça Divina, um dom de D ^ u s e de’
intelecto para que perceba verdades que m a c a p rcetemm
antes e revigora nossa vontade para seguir aquelas vema-
des, mesmo que exijam sacrifícios na ordem natural A con­
versão e devida à invasão de um novo poder, à íntima pene­
tração de espírito e espírito, à influência do imutável sôbre
o caráter íluido do homem.
Na sua nova certeza da presença do Poder Divino, o in­
divíduo volta-se para tôda a sua personalidade, e não para
0 seu “ eu mais alto” , mas para o novo eu mais alto, que é
Deus. Aquêles que têm respondido a êsse dom da graça co­
meçam por sentir a presença de Deus duma maneira nova.
S u a religião deixa de ser “moralística” no sentido de que um
h o m em se subm ete simplesmente a um código, a uma lei, e
sente a necessidade de obedecer a elas como um dever. A re­
ligião ta m b é m se ergue acima do nível pietista, no qual existe
u m a a m á v e l recordação de Nosso Senhor, uma ®sPecie
se n tim e n ta l com panh ia de v í a g ^ , através í J f w i em-
m ões, com A lg u é m Q ue viveu ha 19, a considerável
b o ra m u ita s pessoas tenham d e s a t o c, uma «m s a ^
c o m p le taça o em ocional neste.plane P to nâo S8 entrar
tian ism o e n a o se torna c rista m . _ • ^ _ onde Crist0
no terceiro estágio, o Místico. Aqui ni há uma certe2a
re a lm e n te m o ra em nossos coraçoes, e
260 ANGÚSTIA E PAZ

enraizada no amor, e onde a alma sente o tremendo imna 1


de Deus operando sobre ela — aqui se encontra a alegria ri
ultrapassa qualquer compreensão. " Ue
C apítulo XIV

Oo E FE IT 0S d a CONVERSÃO

O s espíritos atormentados h» w -
nosso m undo atormentado Poram n f nao são os efeitos de
tornados que transtornaram o mundo S - eSpírÍtos tra^
se ch am a o problema da b o m b a esfa eoisa que
o problem a do homem que a fabriía e a COn\rário'
m ens e nações cujas personalidades iá v l T !f"
podiam ju n ta r forças às da natureza externa para us“ a
bo m ba atôm ica num ataque contra a existência O homem
tentando viver separado de Deus ou provocando a Deus ton
nou o m undo tao delirante como o seu próprio espírito neu­
rótico. A crise de hoje é tão profunda nas suas causas que
todas as tentativas sociais e políticas para resolvê-la estão
destinadas a não produzir efeito, como o talco na cura da
icterícia. E ’ o homem que tem de ser refeito em primeiro
lu ga r. Depois a sociedade será refeita pelo novo homem res­
tau rado. Os ditadores que deram às praias do século XX não
são criadores da desordem, mas antes suas criaturas. São
sintom as e não causas da universal derrocada de uma ordem
m o ra l no coração do homem. A constante recusa do homem
em p erm itir que um Poder Divino super-histórico penetre no
seu espírito fechado é o orgulho que prepara a catástrofe. A
m aio r parte dos homens está intuitivamente certa que ne­
n h u m a m udan ça, exceto uma mudança espmtual, será su
«c ie n t e . A e x t o m e e n « W d . C . .
que fomentam revoluções contra * soc gua posição.
com o rem édio são um a Pr-°v^ +ôda ciltica é'um sinal seguro
A violência de sua oposição a toa _ suspeitam mes-
d a indefensibilidade de sua pi°pr>a . L ^ d a d e de revolução
m o q u e a hum anidade tem menos neceswaaa
q u e d e redenção.
a n g ú s t ia E PAZ
262

o homem não p o d e r e » e pela


pelo seu proprio podei, sopoe
a
m *
do uS
conversão sôbre a alma. A alma acha-se agora aberta ao tra-
bamo da Graça Santificante, que eleva nossa natureza a
ponto de nos tornamos algo que não éramos naturalm ente
— partícipes da Natureza Divina Que desceu ao nível de
nossa mortalidade para fazer-nos partilhar de Sua Vida. Esta
nova graça que acrescenta a filiaçao divina a hum ana de
modo que nos tornamos Filhos de Deus tanto quanto filhos
de nossos pais, não é extrínseca à alma ou mera atribuição
do mérito do Cristo. Há uma rccilidüde na alma, que nao es­
tava ali antes — uma realidade criada que vem diietam ente
do Próprio Deus, uma realidade que nós mesmos não podemos
merecer, no estrito sentido do têrmo. E ’ por isso que se cham a
graça; é grátis, ou livre.
Um efeito da graça é que Nosso Divino Senhor não é
mais extrínseco a nós, como é para aquêles que pensam nÊle
como apenas numa figura histórica Que viveu h á m ais de
1900 anos. Se Nosso Divino Salvador tivesse perm anecido n a
terra, estariam êles direitos: seria Êle apenas u m exem plo a
ser copiado, uma voz a ser ouvida. Mas um a vez que Êle as­
cendeu ao Céu e mandou Seu Espírito a nós, então cessou de
ser apenas um modêlo a ser copiado e tornou-se u m a V id a a
ser vivida.
Embora estejamos mais interessados em ap on tar aqui
os efeitos psicológicos da graça sôbre a alm a do que seus
vários efeitos teológicos, dois dêstes são dem asiado im portan-
tes para omiti-los. São êles a Divina Presença n a alm a de-
hVo Hp S f í . í a incorP ° raÇão do indivíduo no Corpo M is-
tente livrpmpnf P f f sença de D eus” é um a frase u sada bas-
S n t e í ^ n n f nn f°Je ip ar^ abrigar algu m a coisa’ desde o
dos romãnfipnQPOetaS laíJulstas até 0 vago sentim entalism o
Deus ali Deus e ° 8taJP dos bosques porque “sentem ”
ria? formas na v^ dade, presente no universo de vá-
modos por exemDloU « aa « t Sta' P?de estar P resente de vári03
* P , na sua p in tu ra , com o seu c ria d o r, n u m
08 EPm08 » CONVERSÃO
263
museu, como representante da cultura * «w,
pai. Deus está presente no universo todn S<^ ÍÜVy°. COTno
sentido, está nas flores e nas árvores Mas om^ 31 e,neste
m ais íntim a evidenciou-se na
receu como homem no coração duma nova humanidade Jue
iria tornar-se Seu novo Corpo. ^ue
A Encarnação (n a União Hipostática) fêz de Deus ho­
mem. A união da graça e da natureza faz-nos homens del-
ficados. Assim como as ações de Jesus Cristo eram tanto di­
vinas como humanas, da mesma maneira as de um homem
em estado de graça são como divinas, sendo exercidas tanto
por Deus como pelo homem; estas ações merecem o céu. A
presença de Deus em tal alma não è uma simples maneira
sentimental de falar, mas uma posse real Pelo fato de nos
têrmos tornado filh03 adotivos de Deus por tèrmos nascido
Dêlc, vivemos agora pelo Espirito de Cristo. “Porque vós não
recebestes o espírito de escravidão para estardes novamente
com temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos,
mercê do q u al clamamos, dizendo: Abba (Pai}.” (Rom. 8:15: )
n coroo se tornou agora o Templo de Deus. “Porventura nao
h riJ nue OS vossos membros são templo do Espirito Santo,
que° habita em vós, que vos foi dado por Deus, e que nao per-
tenceis a vós mesmo?” (Cor. 8.19.)
Cristo é a C a b i d e tois ^ “ ^ X o T d e Seu Corpo.

^ nSp ô ™ b a T x o edos seus p é s ^ ^ ^ e o ^ m í S t o


cabeça de toda a Ig re ja que * re-
d a q u e le que

I » « « eeH » iSe ° v S “ ™ r .lS. W * * f í S T * -

'T e u s
io
tn S u C i. * % * £ £
Lp e r m
vôs.
a n e c e r n a rtd ^ ,
«mbém ~
yideira e vós as
“ “ °0Pq»< ^
c e rd e s e m m im . E u sou a
angústia e p a z
264
manece em mim e eu nêle, êsse dá muito fruto, porque sem
mim nada podeis fazer.” (João 15.3-5.}
Jacques B. Bossuet exprimiu esta íntima re açao de Cris­
to com Seu Corpo, a Igreja, descrevendo esta ultima como a
‘■prolongação da Encarnação”. Cristo pode ter somente um
Corpo; portanto não pode haver muitas igrejas. Qualquer
lereia fundada esta manhã ou ontem de tarde ou mesmo ha
cem anos passados está demasiado distante de Pentecostes
para ser o Corpo de Cristo. O Corpo e a Alm a, a Igieja e o
Espírito Santo, devem ter sido aliados desde o começo.
A unidade entre os membros dêsse Coipo não pode ser
uma associação vaga e indeterminada que qualquer mem bro
tem liberdade de mudar, da mesma m aneira que um corpo
humano não pode ser mudado, tendo umas vêzes um ôlho e
uma orelha, ou não tendo coração e sete pulmões. A unidade
dos fiéis no Corpo de Cristo não é organizacional, em bora
seja necessária uma organização e embora aquêles que adm i­
ram a Igreja pela sua unidade de crença, de fé e litu rgia atri­
buam isto à sua organização. A Igreja é antes um organ is­
mo. Assim como um corpo humano é um porque tem um a
alma, uma cabeça visível e um espírito invisível, da m esm a
maneira a Igreja, o Corpo Místico de Cristo, é u m a porque
tem uma alma — o Espírito Santo de Deus; um a C abeça vi­
sível— Pedro e seus sucessores, e um a Cabeça invisível —
Cristo. Assim como Cristo tomou uma natureza h u m a n a no
ventre de Sua Mãe (ofuscada pelo Espírito San to) d a m es­
ma maneira tomou Êle do ventre da hum anidade (ofuscado
pelo Espírito Pentecóstico) Seu Corpo Místico, a Igreja.
Cristo ensina através de Seu Corpo — portanto, S u a doutrina
f G u e r r a por meio de Seu Corpo — portanto, a
autondade e divina. Santifica por meio de Seu Corpo — por-
,pelos sacramentos não depende
lizd
rea
c Z r0“ d0 f ráter da(JueIes V * adm inistram os
e * S £ h « ^ ,* e ,° TOtUS C hristus’ o Cristo Inteiro,
Corpo de C rrfn p » f ° tIndivicJual- No seu aspecto físico o
simplesmente ^rPQr.oe^ eit0’ mas no seu asP ecto místico está
perfeição, pois agora in clu i não
’ nós, com nossas imperfeições. A s orações,
06 “ » C B DA CONVEASÀü
265
os sacrifícios e a liturgia ri» t •
membros sozinhos nãn *g*e3a sáo oferecido«
pela Cabeça e Membros RewS î ° - a CabeS« so zi^ ^ lf
Pai Eterno Nova célula a
Cnsto a cada batismo. ntada ao Corpo Mistico'ûe
E’ o suficiente para os dok mo-
conversão em têrmos teológicos M m o ? ^ UOS efeit e da
da conversão e incorporação no Crteta ^ Psicoi<>9ico3
quais o convertido e os que 0 cerc/™ . saa ^ e s aos
vêzes mais sensíveis. m se mostoam muitas
um a revolução de todosëoe s m ' o a o m '
no,o e intelectual a , S V lS fC S
uma pi ova de que a conversão não é uma questão emocional
pois as emoçoes nao controlam normalmente os juízos X
da conversão a vida é um borrão confuso e ininteligível como
as figuras em uma lanterna japonêsa chata; depois, asseme­
lha-se àquela mesma lanterna aberta em tôda a sua altura,
com uma vela dentro para revelar a unidade do padrão e dò
desenho. A fé não somente põe a vela dentro da lanterna da
vida, mas também a ilumina. Uma pessoa altamente edu­
cada antes da conversão pode ter tido vasto conhecimento
de história, literatura, ciência, antropologia e filosofia, mas
êstes ram os de seu saber estavam divididos em compartimen­
tos estanques, sem correlação viva de um com os outros;
eram apenas isoladas gulodices de informação, um vasto
“hors d ’œ uvre” de pormenores. Depois da conversão os
m “ m » S m são reunidos mm» »»idade,
hierarcpiia do saber ,»e revela uma çm
vid a* pessoal *06 cada um. — , » « » « *

fa tig a d a de ter gasto to^ asSUa c£J sada de espírito e


contrar um objeto na vida. a^to nao pode decidu
depois cansada do coipo. P esgota pela indecisão,
p a ra onde está indo em segm dM ogo frlto e desperdiçam
A s ansiedades e temores dominam
ANGÚSTIA E PAZ
266
,imQ vp7 descoberto o alvo da vida,
a energia do « a p a M u m d telltand0 descobri-lo; a
não se Pre,cls^ , f raaSt?e
r r gasta na realização da jornada. As
Z g !n s S S i abandonadas, quando se m ergulha na
alegria de uma viagem de descoberta.
Muitos jovens estudantes de colégios sentem-se confusos
porque náo têm uma filosofia da vida ou um padrao de exts-
f f i a Sua educação é apenas uma substituição dessa teo­
ria por aquela; um alijamento de carga de um ponto de vista
relativo para outro. As estatísticas que estudou nos seus anos
de ginásio já estão antiquadas no ano que oe segue à. suo,
formatura. Seus professores, que empiegavam a filosofia, de
Spencer como sua inspiração há vinte anos passados, estão
agora usando a de Marx ou Freud. Dentro de outros dez anos
terão encontrado outro substituto. A educação tornou-se
pouco mais do que a substituição mecânica de um ponto de
vista por outro, como o automóvel substituiu o cavalo e a
carrocinha. O espírito é constantemente solicitado por pon­
tos de vista contrários e contraditórios; torna-se mais fati­
gado do que um corpo em constante oscilação entre frio e
febre. Com a conversão, a educação se torna um a progressão
ordenada de uma verdade que nunca precisa ser afastada
para a seguinte. O estudante recebe razões e motivos de cre­
dibilidade para uma crescente penetração da vida. S u a edu­
cação é agora uma crescente penetração num mistério cen­
tral, uma sondagem de novas profundezas de verdade. Seu
saber e sua compreensão crescem, como a vida se expande de
célula em célula, no desenvolvimento de todo corpo vivo.

ví.rtiHn£»cláda 30 Sent.ido de crescimento intelectual do con-


ria h P r J f ^ ° n.sciencia de a char-se novamente possuído
tradicão v h f ^ > en UaI d° f ssad0' de ter-se Juntado a u m a
r e S é tãn dL pensament0 Profundo. Um passado que se
? E ^ S M . V i da fntejectual como o parentesco
pode pensar flslca\ assi™ corno o indivíduo não
sociedade pensar sern traarn- n a Vr~ão pode tam pouco um a
passado, mas tornado h e id è fm d f a° m* ‘ S desenraig ado d0
deixa de visitar o passadn ™md sua riqueza, o convertido
uar o passado como mero antiquário; junta o
EFEIT0S DA COWVIRSXO
2G7
passado e o presente numa feliz co n lu ia *
deiras na direção do progresso e do^nrin &S paasa‘
futuro. e ao Aquecimento no
O julgam ento de valores do convertido na vi**
soai nao e menos radicalmente transformado da pes‘
antes pareciam preciosas são agora considerais t S ^ e
as coisas que antes pareciam sem consequência tornaram-se
agora a essencia da vida real. Sem o senso divino dos vatores
que a conversão piovoca, a alma é como um armazém onde
€ls tabuletas de preços estão erradamente em cima de todas
as coisas: grampos de cabelos vendidos por mil dólares e
anéis de brilhantes por um níquel. A conversão pendura as
tubuietas do preço certo nas coisas certas e restaura um
verdadeiro sentido de valores. E ’ por isso que a visão de um
convertido se torna inteiramente mudada a respeito de as­
suntos tais como casamento, morte, educação, riqueza, dor
e sofrimento. Assim como um vitral parece diferente, de
dentro da Igreja, do que êle é de fora, da mesma forma todos
os grandes problemas da vida assumem novo significado e
sentido ouando são encarados do interior da Fé. Êle agora
vê por que a educação religiosa é essencial., pois a menos que
a a lm a seja sa lv a ,'nada estará salvo. O casamento e sagra-
do p a ra êle porque é um símbolo da umao de Cristo e da
íc rc ia O sonim ento torna-se suportável como um dom de

JX
K a ser olerecido em reparação do P«“ £
os sofrimentos ,u e j á
a doença é aceita no conhecime
. « »
q
' =££SttS
' f»“ “

eu rea.
interessado pelo que :u
eu s
o
• lizei. A an tiga avidez de segurança ^ q amanUà antei
uma serenidade que nao P tòdas as horas. A pa:
que êle chegue e que confia ° esi ^ a n d o uma íuga a
não é mais compreendida conquistada sôbre ela
cruzes da vida, mas corho a vitoria

P e ld U n i segundo resultado perceptível d a m


d efin id a m udança no cln m valores da
N ã o som ente muda a
c o je r s a o ^ da Vlda, d i n g o * «
form a também as tendências
angústia E PAZ
268
cara outro fim. Se o convertido antes da conversão já es-
levando uma boa vida moral, há agora menos enfase
em cumprir uma lei e mais ênfase em manter um a relação
d™am™r Se o convertido tem sido um pecador, sua vida
espiritual liberta-o de hábitos e excessos que antes lhe pesa­
vam sôbre a alma. Não necessita mais de recorrer ao álcool
ou a comprimidos para dormir. Descobre muitas vezes que
esas práticas eram não tanto apetites como tentativas de
fugir à responsabilidade ou de tranqüilizar-se, m ergulhando
na inconsciência, para que pudesse evitar a necessidade da
escolha. Antes da conversão era o comportamento que em
larga escala determinava a crença, depois da conversão é a
crença que determina o comportamento. Não h á mais um a
tendência em procurar bodes expiatórios em quem descarre­
gar as suas faltas, mas antes uma consciência de que a re­
forma do mundo deve começar pela reforma de si mesmo.
Há ainda um temor de Deus , mas não é o temor servil que
um súdito tem pelo ditador, mas um temor filial, tal como
o que um filho vivo tem por um bom pai a quem êle nunca
quereria magoar. De tal Amor não necessitará nun ca a gen­
te de fugir e os anteriores atos de dissipação, que eram for­
mas disfarçadas de fuga, são agora renunciados.
Uma vez que a alma se voltou para Deus, não h á m ais
uma luta para abandonar aquêles hábitos; estão não som en­
te derrotados, como afastados por novos interêsses. N ã o h á
mais uma necessidade de fuga, nois não se está m ais fu -

vontade, procura agora fazer a vontade de Deus; aquêle que


outrora servia ao pecado, agora o odeia; aquêle que outrora
achava os pensamentos de Deus secos ou m esm o d e sa gra­
dáveis, espera agora, acima de tudo mais, um dia p a ra con­
templar o Deus a Quem ama. A transição que a a lm a sofreu
é tão inconfundível como a passagem da m orte p a ra a vida;
houve, não um mero abandono do pecado, m as tal subm issão
ao Amor Divino que o faz fugir do pecado porque não que­
reria ferir o Divino Am ado.
A consciência, assim transform ada em um convertido,
kofre uma mudança paradoxal: não ê quase m ais como an -
06 a n t*n
*a «na«,

uma prova superficial do fatoT , „ aou- » a s isto À T ™ " -


dada. Antes da conversão a c o n ^ 6 a consc>ência este” 113
der restritivo e coercivo. Deus era um ^ ?arecia
os mandamentos eram proibições JJ? lz
As responsabilidades eram idéntificaLIgreia uma
dever era visto como opoSto ao dèSefo “ m° o
era identificado com o fisicamente !te moral»enteV certo
oposto à moralidade. Mas depois da Co m ^ el e 0 a» »
cia nao mais acusa; nunca parece m arvw a coni*iên-
bir, porque não há mais duas vontades em ® den?r' ou >»-
tade do convertido é a vontade de Deus N 5ePv^1Çaa A von‘
p a ra u m a consciência de dizer-lhe o que “deveLneCeS?dade
A consciência se abismou no amor e não há dever oÚ S?or-
ria ” entre am antes. aever ou deve-

O dever para o espírito pecador, era o cumprimento a


contragosto de um a ordem. Agora, desejando sòmente oque
Deus deseja, o convertido não precisa de restringir seus de­
sejos; está além do bem e do mal, naquele reino em que não
h á dever “a portar-se bem”, mas apenas a alegria de viver.
O que era anteriormente uma tarefa compulsória torna-se
ag o ra u m prazer espontâneo. Os convertidos, que tinham o
hábito de dorm ir tarde, ficam receosos a princípio de que
nao serão capazes de levantar-se cedo bastante para a Missa
de Dom ingo, e não por certo, dir-vos-ão êles, bastante cedo
p a ra a m issa diária. Mas uma vez possuídos do Divino Amor,
descobrem que levantar cedo é umá alegria, pois nada é duro
p a ra aquêle que ama. Antes a vida baseava-se na autodeter­
m inação, e a vontade sempre trabalhava para salvaguardai
o interêsse próprio e o amor próprio. Depois, a vida e deter-
m in a d a por Cristo; o convertido nao quer outro espirito »
não o de Cristo, nenhuma outra vontade que nao seja a
“ ntade de Cristo. O procedimento
A g o r a brota de um a relaçaode »
cil; p a rtilh a r m aças nao faia os ho parUihftrãO al*
tão conscientes de sua relaçao como ixmaos, paiimuu
gremente uma maça.
a n g ú s t ia E PAZ
270

A nova vida moral não é austera nem árdua porque não


nove. viu»
a se tem cj8 viver ligado a um
há mais um se - diCç0 0 convertido é motivado por
Sm sentimento' de que nunca pode fazer o bastante por
Zuêle a Quem ama A lembrança importuna de que se deve
r X r o pecado foi substituída pelo desejo de que nada deve
ünpedir-nos de nos aproximar cada vez mais de Deus. Desta
nova orientação provém a paixão e o zelo de um S Paulo:
"porque eu estou certo que nem a morte, nem a vida, nem
os anjos, nem os principados, nem as virtudes, nem as coisas
presentes nem as futuras, nem a íôrça, n^m a altura, n pm
a profundidade, nem nenhuma outra criatura nos poderá
separar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo nosso
Senhor.” (Rom. 8:38, 39.)
Mas mesmo isto não termina a lista dos novos benefícios
do convertido. Recebe êle também certeza. A filosofia dá
uma prova da existência de Deus; a ciência da apologética
dá os motivos da crença em Cristo, o Filho de Deus; mas
todas as provas incontrovertíveis que oferecem são insufi­
cientes diante da certeza que agora o dom da Fé oferece ao
convertido. Imaginai um jovem cujo pai estava perdido h a­
via vários anos. Um amigo, de volta duma viagem, garante-
-Ihe que tem prova segura de que seu pai existe realmente
em outro continente. Mas o jovem não está plenamente sa­
tisfeito com a prova, por mais convincente que ela seja; en­
quanto não se realizar a presença real do seu pai, n ã o ’ terá
paz. O mesmo se dá com a conversão; antes tinha-se conhe­
cimento a respeito de Deus; depois conhece-se Deus. O pri­
meiro conhecimento que o espírito tem é im aginário e abs-
s e n H ^ n t e f » d° e-rea1, con-creto e se a todos os nossos
r ^ em° ÇOeS: paixoss e hábitos- Antes da c°n ve r-
t e á ^ n X o f ,Paraf laní,Verdadeiras' mas distantes, não nos
pei"onali7f l X « nte' Dep01s da conversão tornam -se tão
ca de om i,^arq ° eSpmto sabe 1ue está term inada a bus-
tração de 2 J * a I T ; P?de ag0ra fixar-se para a « n *
Beu e% írito X ãÍ L X n eZa d0 convei'tido é tão grande que
espirito nao sente que uma resposta foi dada, m as a res-
OS EFEITOS DA CONVERS&O
271
posta — «a solução absoluta e final, nela ,
em vez de submeter-se. p a ^Ual se daria
vida,
Como resultado, tôdas as dúvidas e o d Pc
lectual desaparecem e aqui a Igreja dtfere ^
tras religiões do mundo. Nas outras religiõls *
aumentam com o desenvolvimento da razão T ldas
a fé se intensifica à medida que a razão se’desenvolve^ln
ee dá porque nossa razao e nossa fé em Cristo e no Seu C o™
Místico derivam ambas do mesmo Deus de Luz ao nasm
que a razão e a crença em um mestre pagão têm muitas
vêzes fontes diferentes. A razao é de Deus, mas uma crença
em doutrina pagã provém simplesmente do ambiente exter­
no ou através da propaganda. E ’ històricamente verdadeiro
que u m a era de grande fé em Cristo é sempre uma era de
razão profunda; a S U M A do século treze de Tomás de Aqui-
no é u m exemplo. Esta é uma relação lógica: justamente
como a razão é a perfeição dos sentidos, assim também a fé
é a perfeição da razão. Um homem não vê nem anda tão
b -m quando está embriagado, como quando está sóbrio; seus
sentidos se ressentem do poder aperfeiçoador da razão. Da
m esm a m aneira, um espírito raciocinando sem fé nao fun­
ciona tão bem como a razão com fé.
Aouêles que nunca passaram pela experiência de uma

vaçoes como esta. N ao p anuêles que passavam pela


cia u m hom em mteligente Mas aqueles ^ m
experiência d a conversão vêem q 1 fim ,je poder rea-
pisca fechando-se à luz por u ™ é ^ c’a.se a razio naquele
brir-se e ver melhor, assim^também p w ^ pode conhecer
breve instante em que se adm q' ^ a {é> encontra-se a
tôdas as respostas. Eepoi , <1 q0 que antes. Tanto
razão intacta e de visão » com0 derivando do Pr0PP
razão com o a fé são agora nunca em oposição. *
D eu s' não podem poitanto fnd&s as suas duvidas.
bendó disto, o convertido perde ^ verdade sao su
certeza em su a fé torna-s
ang ú stia e PAZ
272
;s que
antigas noções que se
se acham agora aptas a ser abaladas pelo
c e rte z a na divindade e infalibilidade de Cristo,

religião e salvação. Aqueles a quem falta o dom da fe e


aquéles que o têm são como duas pessoas olhando para o
arco-íris: uma delas é cega e a outra é abençoada com a
vista. Há criancinhas em nossas_ escolas paroquiais que nun­
ca poderiam responder às objeções de sábios professores que
viessem a atacar sua fé; contudo tais objeções não abalariam
a sua fé mais do que se tentassem provar que os seus olhos
não podiam ver a côr, nem seus ouvidos ouvir os sons.
Esta ausência de confusão, esta convicção absoluta da
Verdade Divina e Absoluta é uma das maiores consolações
para o fiel. A alma convertida vê a si mesma como o cego
de nascença, agora curado para a visão e para a luz. Em
resultado a alma se torna mais ousada nos seus julgam en­
tos; as vendas estão agora removidas e tem ela um modêlo
divino pelo qual julga não somente suas próprias ações, mas
os acontecimentos do mundo que o cerca. Somente um ho­
mem de fé pode compreender a atual situação do mundo;
somente êle a avalia como não sendo o choque de si' temas
políticos antagônicos, mas o julgamento moral da m aneira
OS EFEITOS DA CONVERSÃO
273

ta é negativa. A olhos míopes, poderá de fato parecer aUe


haja uma semelhança superficial entre aceitar a autoridade
da Igreia e aceitar o autoritarismo de um Stalin. Mas há
três profundas diferenças entre os dois.
primeiro, o autoritarismo da política moderna é externo-
a autoridade da Igreja é interna. A regra do ditador é im­
posta de fora, exerce-se sobre alguém tão insistentemente
como o latido de um cachorro aos calcanhares dos carn°iros
e é aceita acovardadamente e sob pressão. A submissão a
regras arbitrárias, que não coincidem com nossos próprios
melhores julgamentos, leva à completa destruição da per­
sonalidade. Mas a autoridade da Igreja nunca é arbitrária,
nem nunca comunicada inteiramente de fora; coincide com
a Verdade de Cristo, que já existe na alma e que foi aceita
sob prova que nossa razão aprova. Aqui a autoridade está
de acordo com nossa consciência e completa a personalidade
que a ela se submete. A relação entre o cristão e a Igreja
é bastante semelhante à que existe entre um estudante e
um professor: quanto mais o estudante aceita a autoridade
do professor, tanto mais aprende dêle e tanto menor se toma
a brecha que os separa; poderá êle mesmo tornar-se um dia
um associado daquele professor. Foi semelhante submissão a
esta autoridade espiritual de que falou Nosso Senhor a Seus
apóstolos: “Já vos não chamarei servos porque o servo não
sabe o que faz o seu Senhor. Mas chamei-vos amigos, por­
que vos dei a conhecer tudo aquilo que ouvi de meu Pai.”
(João 15:15.)
H á um a segunda diferença: o estado totalitário para
tornar aceitáveis suas caprichosas regras, deve sempre ter
como objetivo a supressão da liberdade de escolha. Dirá por
exemplo a um cidadão que êle não tem liberdade de traba­
lhar no que quiser e de viver onde lhe agradar. Mas a auto­
ridade da Igre ja procura, exercitando seus filhos no uso pró­
prio da liberdade de escolha, desenvolver a liberdade de per­
feição. Longe de desencorajar o indivíduo a seguir suas pró­
prias preferências, a Igre ja devota muito de sua energia a
ensiná-lo como escolher e a escolher sàbiamente.
a ng ú stia e paz
274

Um instrutor de aviação ensina a um candidato as leis


do vôo, os princípios de gravitação e navegaçao. Depois é
dada ao estudante plena liberdade de escolha pode obedecer
ou desobedecer às leis do vôo. Se usa de sua libeidade para
desobedecer, cairá, rebentando-se. Se usa de sua liberdade
para obedecer às leis que aprendeu, gozara o prazer de voar.
A Igreja igualmente nos ensina as leis que governam a rea­
lidade e as conseqüências de sua infraçao. E isto que Nosso
Senhor quis significar quando disse: “E conhecereis a ver­
dade e a verdade vos tornará livres.” (João 8:32.) Porque a
liberdade moral, como tôda outra libeidade, é limitada pela
ordem do universo. Tendes liberdade de desenhar um triân.
guio (contanto que lhe dês três lados em vez de trin ta );
tendes liberdade de desenhar uma girafa (contanto que res­
peiteis sua natureza dando-lhe um pescoço comprido e não
um curto); tendes liberdade de ensinar química (contanto
que digais aos estudantes que a água é ELO e não E L S O .).
O mesmo com a Igreja: temos liberdade de rejeitar os ensi­
namentos de Cristo em Sua Igreja, justamente como temos
liberdade de ignorar ou de desobedecer às leis da engenharia;
mas descobriremos que a rejeição de suas leis nunca nos leva
à perfeição de nossa personalidade, como loucamente esperá­
vamos. Resulta, em vez disso, uma mórbida afirmação do
ego, que pode até mesmo conduzir à autodestruição.
A vida pode assemelhar-se a um brinquedo de crianças.
O totalitário construiria para elas um campo de recreio onde
todos os seus movimentos são supervisionados, onde têm or­
dem de executar apenas aquêles jogos que o estado dita,
jogos que as crianças quase todas detestam. O resultado é
sem duvida faltar a liberdade de escolha; mas, em adendo,
toda a esperança e tôda a espontaneidade estão perdidas para
^ ançf S' 0 camP ° de recreio, porém, estabelecido pela
g j pode ser comparado a um rochedo no mar, cercado de
<muros’. dentro dêsses muros as crianças podem dan-
brincar como lhes aprouver. Os liberais pedl-
êles n in L ir n.?-Ue derru!3asse os muros, baseados em que são
C! a ,restritiva’m as se se fizesse isto, have-
s de descobnr todas as crianças misturadas no centro da
03 EFEITOS DA CONVERSÃO 275

com mêdo de brincar, com mêdo de cantar, com mêdo


ap dançar, com mêdo de cair dentro do mar. A autoridade
cniritual assemelha-se àqueles benéficos muros. Ou, de novo,
t como uma represa que impede o rio do pensamento de tor­
nar-se tumultuoso e destruir a região da sanidade.
A terceira diferença entre a disciplina do estado autori­
tário e a da Igreja concerne ao efeito que sua autoridade pro­
duz sôbre o indivíduo. O totalitarismo eera o mêdo nos co­
rações dos seus súditos, porque habitualmente reforça a sua
vontade pelo chicote, pela cadeia, pelo campo de concentra­
ção e pela falsa acusação que difam a um homem. Desen­
volve assim a hostilidade dentro do coração de seus súditos.
A autoridade da Igreja, u m a vez que é interna, não usa abso­
lutamente de ameaça, mêdo ou compulsão; repousa, antes,
no eco que cada um a de suas regras desperta no cor-ação e
no espírito do indivíduo. C ada qual dos seus súditos é tão
livre de rejeitar a Ig re ja como o foi Judas; como Judas, no
momento de sua partida, pede-se-lhe que volte com a bondosa
palavra “am igo”. A gente se submete à autoridade da Igreja
como um filho se submete à autoridade de seu pai — porque
ama seu pai — e dêste am or flui um a ardente admiração e
gratidão. A luz clessas diferenças, é evidente que a real es­
colha oferecida hoje não é entre liberdade d-a autoridade e
submissão à autoridade; é antes um a questão de escolher que
espécie de autoridade aceitarem os.
O homem m oderno está tão confuso que, apesar de falar
em liberdade, está m uitas vêzes ansioso em renunciar a êste
dom em favor da segurança. Mesmo quando nenhum a se­
gurança m aior lhe é oferecida em troca, está êle ávido por
abandonar sua liberdade de escolha; não pode suportar a
carga de sua responsabilidade. Cansado de estar só, am e-
rontado e isolado em um m undo hostil, quer entreg^r-se a
alguma coisa ou a alguém , p a ra praticar um-a espécie de m u-
açao da vontade. E n tregar-se-á à autoridade anônim a de
„ ado coletivista, ou aceitará um a autoridade espiritual
que ihe restaure a liberdade com a aceitação da verdade?
an tof ^êrej*a não torn a o hom em menos livre do que êle era
• M as nos valorizam os principalm ente a liberdade a fim
anoústia e paz
276

quer sua paixao sej O a Quand0 um homem ama uma


seu” e a entrega da liberdade o faz cair
mulher, diz. SoHJ ?u > . homem em amor com Deus diz
numa doce «cravida ^ £ tu qUe eu faça?” (Atos 9:6.)
como Paulo«3lf omo fazemos no Padre Nosso: “ Seja feita a
E acrescenta, como fazemos nQ céu.. ^ ambos Qs
vossa yontede assim te g em troca de uma alegria
a liberdade acumulada é de pequeno valor. Gasta,
por*algimia coisa que amamos, traz a pa^e aperfe.çoa a per-
sonalidade da gente na lei e no amoi de Deus.
A nova certeza do convertido é pois, uma coisa preciosa
e bastante diferente do abandono da vontade do intelecto
que alguns imaginam que ela seja. Mas a relaçao completa
dos benefícios da conversão ainda nao esta terminada. De-
vemos falar de outro dom batismal: a paz da alma. Ha um
mundo de diferença entre paz de espírito e paz de alma. A
paz do espírito é o resultado da vinda de algum princípio
ordenador para equilibrar as experiências humanas discor­
dantes; isto pode ser realizado pela tolerância ou por um
trincar de dentes diante da dor, pela morte da consciência,
ou pela negação da culpa ou pela descoberta de novos amo­
res para mitigar velhos pesares. Cada um dêstes é uma in­
tegração, mas em um nível bastante baixo. A esta espécie
de paz Nosso Senhor chama de falsa e assemelha-se ao viver
sob o domínio de Satanaz: “Quando um valente armado
guarda a entrada da sua casa estão em segurança os bens que
possui.” (Lucas 11:21.) E ’ a paz daqueles que se convence­
ram de que são animais; a paz dos completamente surdos a
quem nenhuma palavra de verdade pode chegar aos ouvidos;
a paz dos cegos que se resguardam contra todo raio de luz
celestial. E’ a falsa paz do servo indolente que tinha o mes­
mo talento tanto no fim como no comêço, porque ignorava
o Julgamento que exigiria uma conta de sua administração.
E* a falsa paz do homem que construiu sua casa sôbre a es­
trada movediça, de modo que desapareceu com as cheias e
as tempestades. E ’ com essa falsa paz de espírito que Satanaz
OS EÍUITOS DA CONVERSÃO 277

tenta suasvítimas. Fá-la parecer refinada aos refinr,,i


sensual aos sensuais e grosseira aos grosseiros f nados>
A conversão tira a alma para fora do caos ou desta fal.
paz de espirito para a verdadeira paz da alma f lsa
paz, dou-vos a minha paz: não vô-la dou como a d f °S a
do. Não se turbe o vosso coração, nem’ s e ^ s s u s t * - f í ™ '
14:27.) Esta verdadeira paz nasce da tranaüilidade d»
dem, em que os sentidos estão sujeitos à razão a r a ,s - ' ° í :
e tôda a pessoa a Vontade de Deus. A v e rd a d e ira ™ a íe
acompanha a conversão é aprofundada e nãn * ? uqi?e
pelas tribulações, pelos contratempos e p e l a s -t bada
mundo, pois todos êles são acolhidos como vin^
do Pai Amoroso. Esta verdadeira paz nunca í w i í d maos
ajustamento ao mundo, pois se o ^ u n d o é mau S T ? °
mento à maldade nos torna piores. Provém sòSente h J^ Sta'
tificação de nossa própria vontade com a V ra ta d t £ n 6n'
A alma cheia de paz agora não h Z l 6 Deus'
mas viver para Deus- a moralidarip *SCa V1Ver moralmente
acessório da união com Êle. E s t a ^ z u n e t , Um produto
ximo, incitando-a a visitar os doeirtes a a lfm e T a Se,U pró'

X i,Mkm
A única dor verdadeira que o convertido agora tem é a
da sua inabilidade em fazer mais pelo amor de Deus. E ’ fá ­
cil realizar as exigências de ideais menores, tais como o h u ­
manismo, e seus discípulos bem depressa se tornam com­
placente; são já tão virtuosos como seu código pede que
sejam. E ’ bastante fácil ser um bom humanitário, mas é
bastante difícil ser um verdadeiro seguidor de Cristo. Con­
tudo, não é a lem brança dos pecados passados que cria esta
dor em meio da paz, m as os defeitos atuais. Porque ama
tanto, sente o convertido a impressão de não ter feito nada.
Que dom poderá ser jam ais um a expressão dêste novo Amor?”
Se êle pudesse dar a Deus o universo, mesmo êste não seria
bastante.
Toda a energia que era anteriormente gasta no conflito,
quer tentando descobrir a finalidade da vida ou tentando só
e utilmente dominar seus vícios, pode ser agora utilizada
278 ANGÚSTIA E PAZ

em servir a um único propósito. Pesar, remorso, temores e


ansiedades que jorram do pecado desaparecem agora com­
pletamente no arrependimento. O convertido não mais la­
menta o que poderia ter sido. O Espírito Santo enche sua
alma dum constante pressentimento do_ que êle pode se tor­
nar por meio da graça. Esta recuperação espiritual é acom­
panhada pela esperança, não importa em que idade a mu­
dança ocorra, embora o convertido sempre lamente haver
esperado tanto. Como disse Santo Agostinho: “Demasiado
tarde, ó beleza antiga, eu te amei.” Mas desde que a graça
rejuvenesce, apressa até mesmo os velhos a consagrar-se ao
serviço.
E há muitos outros meios pelos quais a paz da alma se
manifestará após a conversão; faz de alguém que não é nada
alguém que é alguma coisa dando-lhe um serviço de Filia­
ção Divina. Desarraiga a cólera, os ressentimentos e o ódio
pela dominação do pecado; dá ao convertido fé em outras
pessoas a quem êle agora vê como filhos potenciais de Deus;
melhora a sua saúde curando os males que surgiam dum
espírito desordenado, infeliz e inquieto; para provações e di­
ficuldades, dá-lhe a ajuda do poder divino, fornece-lhe a
todas as horas um senso de harmonia com o universo; su­
blima suas paixões, torna-o menos irritado com os defeitos
espirituais do mundo porque êle próprio está absorvido na
busca da sua espiritualização; capacita a alma a viver numa
constante consciênía da presença de Deus, como a terra, no
seu giro em torno do sol carrega consigo sua própria atmos­
fera. Nos negócios, em casa, nos deveres domésticos, na fá­
brica, tôdas as ações são feitas à vista de Deus, todos os pen­
samentos giram em tôrno de Suas Verdades. A censura
desarrazoada, as acusações falsas, as invejas e amarguras dos
outros são suportadas com paciência, como Nosso Senhor as
suporta, de modo que o amor possa reinar e que Deus possa
ser glorificado tanto no amargo como no doce. A depen-
dencia de Deus torna-se energia; não receamos mais levar
a eleito boas obras, sabendo que Êle providenciará os meio3,
Mas acima de tudo, com êste profundo senso de paz há o
dom da perseverança, que nos inspira a nunca abandonar-
06 EFEITOS DA CONVERSÃO 279

nossa vigilância, a fugir das dificuldades ou a nos sen-


jnos a nurimidos à medida que a alma se apressa para sua
tírir'ema vocação, em Jesus Cristo Nosso Senhor.
^ Menos agradável é um efeito final da completa conver-
. tornando-nos o alvo da oposição e do ódio. Um homem
iuntar-se a qualquer outro movimento, grupo ou culto
^ o r o v o c a r comentários hostis de seus vizinhos e amigos;
SeI?p mesmo descobrir algum culto esotérico do sol por si
smo e ser tolerado como um cidadão que exerce sua legi­
tima liberdade e satisfaz suas próprias necessidades religio-
aT Mas tão logo alguém adere à Igreja, o ódio e a oposição
oarecem. Isto é porque seus amigos intuitivamente sabem
aue êle não mais partilha do espírito do mundo, que é agora
governado pelo Espírito, é elevado a uma ordem verdadeira-
mente sobrenatural, está unido com a Divindade de um modo
especial, que é um desafio e uma censura àqueles que tira­
riam o melhor proveito de dois m undos.
Esta reação não é difícil de compreender. Esquecei, por
um instante, que a Igreja existe, e sunonde aue a o a r cesse
de repente sôbre a terra um a instituição igualmente divina,
que afirmasse ensinar a verdade tão verdadeiramente como
Deus a ensina; que atraísse as crianças tôdas as manhãs a
escolas onde elas começassem e acabassem suas lições com
orações; que proibisse a seus membros casados que deson­
rassem os liames do seu casamento; que ensinasse a pureza
em um meio carnal; que, em tôdas as suas decisões sôbre a
sociedade, sôbre os direitos do homem, sôbre a política e a
economia, partisse do princípio de que nada realmente im­
porta exceto a salvação de um a alma. Como a receberia o
mundo? Com desconfiança, ódio, vilipêndio, perseguição
ataques implacáveis. Quando a voz é ouvida, a presença s:
tida, há tal oposição violenta como foi prometida: “Mas por­
que vós não sois do mundo, antes eu vos escolhi do meio dc
ttundo, por isso o mundo vos aborrece.” (João 15:19.)
Como conseqüência desta oposição a Cristo, aquêles que
onnecfmi um convertido invocam mil explicações remotas
1 ia evitar a verdadeira razão, isto é. o apêlo da Divindade,
conversão dos jovens é explicada como um fenômeno da
280 angústia e paz

adolescência, nos ligeiramente mais vejhos, é censurada como


um desaponto de amor; os maduros são apontados como cul­
pados de uma aberração mental devida à mudança de^ vida;
os velhos são acusados de senilidade; nos ignorantes é atri­
buída à ignorância; nos instruídos, causa levantamento do
cenho e a reflexão: “E’ surpreendente! Pensava que êle fôsse
demasiado inteligente para essa espécie de coisa.”
E’ êste temor de provocar a inimizade do mundo que de­
sencoraja muitos a se converterem. Disto o Próprio Nosso
Senhor advertiu; de que outra maneira poderia o céu ser
conhecido senão pela inimizade que provoca entre as pessoas
do mundo? “Porque vim separar o filho do seu pai, e a filha
da sua mãe, e a nora da sua sogra.” (Mat. 10:35.) Neste
sentido, Nosso Senhor, de fato, trouxe uma espada, causando
divisão entre os homens; mas trouxe também a paz que re­
compensa aquêles que, aparentemente, abandonando tudo,
descobrem tudo.
Quais são as perspectivas para a conversão? Quais os
homens e mulheres em separado que buscarão em um ano
ou dois a Igreja? Que espécie de gente precisa de conversão?
Não há temperamento especial, não há maneira única que
assinale o convertido do próximo ano. Todos no mundo es­
tão buscando certeza, paz de alma e liberdade de espírito.
Na busca de todo prazer, mesmo na procura do ilícito, todos
os homens prosseguem sem cessar a sua busca do Infinito.
Onde buscam êles Deus é a única questão sôbre a qual os
homens diferem. Nisto estão divididos como os amadores de
música: a música que amamos é a música que já temos em
nossas almas. A alma desordenada gosta de música discor­
dante; a vontade desregrada goza das dissonâncias desregra­
das e rejeita as sinfonias mais belas e mais bem orquestra­
das. Precisaria educação considerável e autodisciplina para
fazer espíritos amantes de “jazz” apreciar a abertura n. 3
de “Leonora”, ou qualquer obra de Handel, Mozart ou
Beethoven. Contudo o amor da mesma espécie de música
esta em cada um; é na espécie de música de que alguém gos­
ta que jaz a diferença e ninguém aprecia a boa música sem
treino e disciplina.
o s »FEITOS da CONVIRSÃO
281

Todos querem as coisas que sòmente um amor de Deus


trará, mas a maior parte dos homens de hoje as procura
n? lugares errados. E’ por isto que ninguém vem para Deus
„m uma revolução do espírito; deve êle deixar de buscar o
!»u bem na impiedade. “ E a condenação está nisto: a luz
L o ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a
luz- porque as suas obras eram más. Porque todo aquêle que
faz o mal aborrece a luz, e não se chega para a luz, a fim de
que não sejam argüidas as suas obras.” (João 3:19,20.) Quem
quer que volte sua face para a luz será convertido; mas esta
volta deve ser feita pela sua própria livre vontade. Podemos
subordinar tiranos, adular Quislings, lisonjear ditadores, mas
não há meio de conquistar o amor de Deus senão pelo amor
A cada alma está Êle sempre dizendo: “ Eis que estou à porta
e bato.” (Apoc. 3:20.) Recusar-nos-emos a abri-la? A cada
espírito, Êle reitera: “ Eu sou o caminho, a verdade e a vida ”
(João 14:6.) Estamos envergonhados de receber a verdade
com receio de que ela exponha nossa ignorância e perversi­
dade, muito embora esta exposição nos leve para a glória e
para a paz? A cada coração, Êle diz: “ Eu sou o Bom Pastor.”
(João 10:11.) Recusarão os cordeiros amedrontados perdi­
dos nas sarças e moitas da vida moderna, Sua Mão Salva­
dora? Há um único rneio de começar uma conversão: deixar
de perguntar o que Deus vos dará, se vierdes para Êle, e co­
meçar a perguntar o que dareis a Deus. Não é o sacrifício que
parece ser, pois tende-O, tereis tudo mais além disso.