Anda di halaman 1dari 223

Editora Poisson

Gestão da produção em foco


Volume 11

1ª Edição

Belo Horizonte
Poisson
2018
Editor Chefe: Dr. Darly Fernando Andrade

Conselho Editorial

Dr. Antônio Artur de Souza – Universidade Federal de Minas Gerais


Dra. Cacilda Nacur Lorentz – Universidade do Estado de Minas Gerais
Dr. José Eduardo Ferreira Lopes – Universidade Federal de Uberlândia
Dr. Otaviano Francisco Neves – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Dr. Luiz Cláudio de Lima – Universidade FUMEC
Dr. Nelson Ferreira Filho – Faculdades Kennedy

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


G393
Gestão da Produção em Foco– Volume 11/
Organização Editora Poisson – Belo
Horizonte - MG : Poisson, 2018
223p
Formato: PDF
ISBN: 978-85-93729-52-2
DOI: 10.5935/978-85-93729-52-2.2018B001

Modo de acesso: World Wide Web


Inclui bibliografia

1. Gestão da Produção 2. Engenharia de


Produção. I. Título

CDD-658.8

O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade


são de responsabilidade exclusiva dos seus respectivos autores.

www.poisson.com.br

contato@poisson.com.br
Capítulo 1: Metodologia para avaliação de alugueis de imóveis baseado nas melhores
práticas do conceito APQP, Advanced Product Quality Planning .................................. 7
(Domingos José Ribeiro, Wagner Costa Botelho, Renata Maciel Botelho)

Capítulo 2: Alteração do processo produtivo em uma indústria de artefatos de borracha


siliconada: estudo de caso decorrente da silicose em trabalhadores operacionais ..... 19
(Rafaela Rodrigues Caldas,Wagner Costa, Renata Maciel Botelho)

Capítulo 3: Gerenciamento do tempo de projeto em uma empresa do setor de


ferramentaria: um estudo de caso .................................................................................. 29
(Jefferson de Souza Pinto, Gilberto Cassoli de Oliveira Junior Luan Aoki Schuwarten)

Capítulo 4: Aplicação dos conceitos seis sigma (DMAIC): proposta de ações de


melhoria para a redução do tempo de espera de visitantes em um hospital. ................ 45
(Marcela Carneiro Avelar, Thais Tesch Bonesso, Carlos Henrique de Oliveira, Sandra Miranda
Neves, João Batista Turrioni)

Capítulo 5: Análise dos principais atributos relacionados ao processo de tomada de


decisão quanto ao veículo urbano de carga no Brasil ................................................... 56
(Larissa Almeida Matias de Lima Batista, Bruno Vieira Bertoncini)

Capítulo 6: Aplicação do método servqual para avaliação do curso de engenharia de


produção na UFERSA Campus Mossoró........................................................................ 68
(Raimundo Alves de Carvalho Júnior, Amanda Gomes De Assis, Amanda Braga Marques,
Danyella Gessyca Reinaldo Batista, Isaque Jônatas Costa Moraes)

Capítulo 7: Modelo linear para alocação de produtos em prateleiras de uma


microempresa do ramo alimentício ................................................................................ 78
(Eurico Laydner Quinteiro Neto, Antônio Sérgio Coelho, Mônica Maria Mendes Luna)

Capítulo 8: A aplicação da biomimética no desenvolvimento de texturas automotivas:


levantamento de percepções de usuários...................................................................... 89
(Edney Eboli dos Santos, Antonio César Galhardi)

Capítulo 9: Uma aplicação dos conceitos de Lean Startup........................................... 99


(Vinícius Diniz Ornellas, Thaís Spiegel)
Capítulo 10: Proposta de estrutura para a seleção de fornecedores utilizando a análise
hierárquica de processo (AHP). ..................................................................................... 110
(Giovanni Mendes Ribas Novi, Sandra Miranda Neves, Emerson José de Paiva, Carlos Henrique
de Oliveira, Tarcísio Gonçalves de Brito)

Capítulo 11: Análise preliminar dos riscos ocupacionais em uma lanchonete de Fast-
Food ............................................................................................................................... 121
(Francine Conceição de Andrade, Fábio Cézar Ferreira)

Capítulo 12: O uso das ferramentas do AVA para o aumento da percepção de


interatividade dos cursos a distância ............................................................................. 131
(Esdras Jorge Santos Barboza, Neusa Maria De Andrade, Márcia Terra Da Silva, Pedro Luiz De
Oliveira Costa Neto)

Capítulo 13: Gestão verde da cadeia de suprimentos: uma abordagem nas empresas
brasileiras ....................................................................................................................... 141
(Marcilia Queiroz De Souza, Júlia Graciela De Oliveira Américo Da Silva, Fabiano Silvério)

Capítulo 14: Análise do sistema de gestão ambiental em lava-jatos na cidade de


Manhuaçu-MG ............................................................................................................... 151
(Luana De Oliveira Gomes, Antônio Cleber Gonçalves Tibiriçá, Roziani Maria Gomes, João Vitor
Brunelli Lemes, Deise Mara Garcia Alves Tressmann)

Capítulo 15: A utilização do método de análise e solução de problemas (MASP) para


gestão e melhoria do processo produtivo em uma empresa de sacolas plásticas. ....... 157
(Renata de Jesus Barreto, Guilherme Cavalcanti Amaral)

Capítulo 16: Desenvolvimento de tecnologias sustentáveis a base de cristais líquidos 172


(Wallysson Klaus Pires Barros, Thiago Duque e Silva, Júlio Antônio de Oliveira Neto)

Capítulo 17: Análise das condições de trabalho em um frigorífico de aves situado na


Zona da Mata de Minas Gerais ...................................................................................... 178
(Luana da Silva Souza, Ana Paula Aparecida Honorato, Giovani Blasi Martino Lanna, Rafaela
Araújo de Oliveira Lanna, Filipe Gomide Carelli)

Capítulo 18: Vida útil da edificação: durabilidade do fechamento vertical de uma


edificação habitacional numa universidade pública ....................................................... 186
(Deise Mara Garcia Alves Tressmann, Antônio Cleber Gonçalves Tibiriçá, João Vitor Brunelli
Lemes, Luana de Oliveira Gomes, Roziani Maria Gomes)
Capítulo 19: Plano financeiro como estratégia para uma empresa entrante no mercado
de confeitaria.................................................................................................................. 195
(Ana Cecilia Lyra Fialho Breda, Yago De Moura Barros Pessoa, Laryssa Ramos De Holanda)

Capítulo 20: melhoria do fluxo de notas fiscais em duas empresas conjugadas do ramo
de construção civil no noroeste do Paraná utilizando BPMN ........................................ 206
(Mayne Camargo Zambello, Jaqueline Stéfanie dos Santos, Priscila Pasti Barbosa)

Autores ........................................................................................................................... 216


Capítulo 1

Domingos José Ribeiro


Wagner Costa Botelho
Renata Maciel Botelho

Resumo: Esse trabalho tem por objetivo apresentar o método aprov, advanced
property valuation, onde iremos associar um método de gerenciamento de
processos que garante o nível de qualidade exigidos pelo cliente, o apqp,
advanced product quality planning, com todo o processo de avaliação de aluguel,
onde desenvolveremos uma técnica com resultados mais tangíveis e coerentes
com toda a rastreabilidade, documentação e cálculos gerados na avaliação. Como
o apqp visa uma efetiva comunicação entre os setores envolvidos no planejamento
e desenvolvimento de um produto, se esse produto for uma avaliação, meu objetivo
seria alinhar todas as etapas do processo apqp aplicados na avaliação, nos prazos
previstos e cronogramas, buscando a redução dos possíveis modos de falha com a
qualidade e também a minimização dos riscos na avaliação desses imóveis. Sendo
assim teríamos como foco o planejamento da qualidade e a melhoria continua das
avaliações executadas, além da satisfação dos solicitantes. Para isso iríamos
trabalhar com as principais fases do apqp, que são o planejamento, projeto,
verificação, validação, feedback e ações corretivas.

Palavras-chave: avaliação de imóveis; apqp; planejamento projeto; verificação e


validação; feedback e ações corretivas.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


8

1. INTRODUÇÃO base para a metodologia proposta neste


trabalho, relacionadas: Planejamento: Planejar
O APQP (Advanced Product Quality Planning),
e Definir Programa; Projeto: Design de
ou Planejamento Avançado da Qualidade do
Produto e Desenvolvimento de Verificação;
Produto, é uma série de procedimentos e
Verificação: Processo de Design e
técnicas usadas para gerenciar a qualidade
Desenvolvimento de Verificação; Validação:
produtiva. Estes procedimentos foram
Produto e Processo de Validação; Feedback:
desenvolvidos e padronizados pela AIAG
Produção feedback; Ações Corretivas:
(Automotive Industry Action Group), formado
Lançamento e Avaliação.
pelas empresas do ramo automotivo General
Motors, Ford, Chrysler e seus fornecedores. O
AProV, Advanced Property Valuation, tem por
3. AVALIAÇÃO DA PROPRIEDADE
objetivo garantir o nível de qualidade exigidos
IMOBILIÁRIA
pelo cliente.
Segundo José Fiker (2005), a avaliação
O APQP contempla o planejamento,
imobiliária visa estimar o valor do imóvel, a
desenvolvimento do produto e processo
partilha dos bens de uma herança, a compra
propostos por Clark e Fujimoto (1991), e inclui
ou venda de imóveis, o financiamento
as etapas de teste e validação propostas por
hipotecário na compra ou construção de um
Cooper (2008) que possibilitam avaliação de
imóvel, o estudo económico e financeiro de
aluguel, resultados mais tangíveis e coerentes
um projeto de investimento, o cálculo de
com rastreabilidade de toda a documentação
indenização por expropriação, a
e cálculos gerados na avaliação imobiliária.
determinação do valor para efeitos fiscais etc.
Como o APQP visa uma efetiva comunicação
entre os setores envolvidos no planejamento e 3.1 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO
desenvolvimento de um produto, para uma
De acordo com o objetivo da avaliação e valor
edificação, o objetivo desse trabalho é alinhar
a determinar utilizam-se métodos de avaliação
todas as etapas do processo APQP aplicados
imobiliária de acordo com a metodologia
na metodologia das avaliações, buscando a
básica aplicável na avaliação de aluguéis
redução dos possíveis modos de falha com a
expressa no Capítulo 11 da Parte 2:2011, da
qualidade e também a minimização dos riscos
NBR 14653. A metodologia básica aplicável
na avaliação desses imóveis. Assim, tem-se
na avaliação de aluguéis encontra-se no
como foco o Planejamento da Qualidade e a
Capítulo 14 da NBR 14653.
melhoria continua das avaliações executadas,
além da satisfação dos solicitantes. Para isso,
deve-se trabalhar com as principais fases do
3.1.1 AVALIAÇÃO POR COMPARAÇÃO
APQP, que são o Planejamento, Projeto,
DIRETA
Verificação, Validação, Feedback e Ações
Corretivas, pois segundo Rozenfeld et al. Trata-se de procedimento preferencial que
(2006), o processo de desenvolvimento do exige o conhecimento de dados de mercado
produto, em particular suas primeiras fases, é referentes a locações de imóveis semelhantes
fundamental para determinar todo o custo do quanto à contemporaneidade dos dados
projeto, inclusive o custo do produto final, no obtidos, às condições de reajuste ou estágios
caso a avaliação de um imóvel. de contrato, à existência de desníveis ou
pavimentos distintos com diferentes
capacidades de geração de renda, ao
2. APQP - PLANEJAMENTO AVANÇADO DA tamanho das lojas, à testada, à cobrança de
QUALIDADE DO PRODUTO luvas etc. Devem ser considerados elementos
em oferta, ou de contratos que não
O APQP é utilizado hoje pela Ford, GM e
apresentem distorções em relação a reajustes
Chrysler e algumas afiliadas. Fornecedores
e fases contratuais, além das perdas residuais
são normalmente necessários para seguir os
inflacionárias quando os elementos em oferta
procedimentos de APQP e técnicas e também
possuírem periodicidades diferentes de
são normalmente necessários para ser
reajustes.
auditado e registrado em ISO/TS 16949.
APQP serve como um guia no processo de
desenvolvimento e também uma forma padrão
para compartilhar resultados entre
fornecedores e empresas automotivas e é
composto por cinco fases que servirão de
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
9

3.1.2 AVALIAÇÃO POR REMUNERAÇÃO DE cinema, elaborando-se Tabelas resumo das


CAPITAL citadas rendas. Prazo compatível com bom
nível de segurança é, no mínimo, o de três
Neste critério o valor locativo é determinado
anos anteriores à data do aluguel procurado.
pela aplicação de uma taxa sobre o valor do
Para a obtenção de uma média significativa,
imóvel, obtida pelas metodologias desta
os rendimentos líquidos mensais devem ser
Norma. É aplicado nos casos de 15 imóveis
atualizados para a data referencial do novo
isolados e atípicos para os quais a utilização
aluguel, com base em índices econômicos
da comparação direta seja impraticável.
oficiais e locais. Os rendimentos líquidos
Nessas avaliações devemos observar o
mensais, assim deflacionados, fornecem as
aproveitamento do terreno pela construção
médias anuais que, por sua vez irão compor a
existente e a obtenção da taxa de
média final do período considerado.
remuneração, global, ou para as parcelas de
capital terreno e benfeitoria, obtida com
pesquisa específica para cada caso, pois
3.1.4 VALOR DE MERCADO
varia para cada tipo de imóvel, localização e,
também, ao longo do tempo, dependendo da Quando um proprietário entra no livre
conjuntura econômica. Essas taxas devem ser mercado imobiliário, colocando para locação
apuradas no mercado. o imóvel de sua propriedade, sabe que deve
alugá-lo, no mínimo, por uma quantia de
dinheiro que represente o preço por meio do
3.1.3 POR PARTICIPAÇÃO NO qual possa satisfazer suas necessidades.
FATURAMENTO Estabelece, portanto, um patamar de preço
abaixo do qual a locação será
Critério utilizado na estimação de valores
desconsiderada, já que será insatisfatória
locativos de cinemas, teatros, postos de
para suas necessidades de capital. Este
serviços, baseado no princípio da
patamar pode ser chamado de “valor piso”.
participação do locador na renda do
Por outro lado, quando um inquilino entra
estabelecimento. Os investidores proprietários
também no livre mercado imobiliário
de edifícios destinados especificamente à
procurando um imóvel, sabe que deve alugá-
instalação de cinemas e que nunca
lo, no máximo, a um custo dentro de suas
procuraram melhorar suas condições de
possibilidades financeiras, evitando assim
rentabilidade, por exemplo, através de
“dar o passo maior que as pernas”. Este
reformulação de área construída visando
patamar, por sua vez, pode ser chamado de
maior capacidade de utilização conforme a lei
“valor teto”. Assim, o VALOR TETO é o
faculta, sujeitam-se dessa forma à condição
máximo que o locatário desejoso estaria
da receita do imóvel locado, valendo aqui
disposto a pagar; e o VALOR PISO é o mínimo
lembrar que regra geral os inquilinos não
que o locador desejoso estaria disposto a
podem alterar seu ramo comercial para
alugar, sendo que, dentro desta faixa, as
melhorar a renda sem, eventualmente, infringir
partes interessadas no negócio devem se
cláusulas contratuais. Deve ser ponderado
encontrar. Este encontro de interesses
também que, enquanto outros tipos de
representaria o VALOR DE MERCADO.
comércio podem explorar, com sensíveis
lucros, ocorrências sazonais aumentando
preços de venda dos produtos em épocas
3.1.5 CONCEITO DE JUROS E ALUGUEL
propícias (natal, dia das mães, dia dos pais,
dia das crianças, dia dos namorados, etc.) os Segundo Alonso (2014), Juros é o pagamento
cinemas têm seus preços de ingressos fixos e devido pela utilização de um capital e aluguel
inalterados durante quase um ano. é o pagamento devido pela utilização de um
bem, sendo assim admite-se a possibilidade
Por outro lado, é importante que se tenha em
de previsão e recebimento de um juro em
mente que o comércio desenvolvido pelas
virtude de: Despesas sofridas pelo mutuante
casas exibidoras, Cinemas, é severamente
em razão do empréstimo concedido ao
controlado pelos órgãos governamentais que
mutuário; Em razão do lucro a que o mutuante
eventualmente fixam para todo o território
renuncia; Em virtude do risco de não
nacional, os preços máximos dos ingressos
reembolso no vencimento. Por outro lado,
de cinemas, através de Portarias específicas.
admite-se a possibilidade de previsão e
O primeiro passo para o emprego do
recebimento de um aluguel em virtude de:
MÉTODO DA PARTICIPAÇÃO refere-se à
Despesas sofridas pelo locador em razão da
obtenção das rendas líquidas mensais do
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
10

locação concedida ao locatário; Em razão do pesquisador.” Em todas as visitas o material


uso do bem a que o locador renúncia; Em coletado foi informal e em alguns casos
virtude do risco que o locador corre pelo não confidenciais, como um laudo de um Perito
recebimento no vencimento. Judicial apresentado, no entanto todos foram
unanimes com relação às metodologias
apresentadas no calculo do valor do aluguel,
4. METODOLOGIA que neste caso, fundamentaria a
investigação.
O método proposto deve ser devido e
cuidadosamente ponderado, observando-se
principalmente fatores que possam valorizar
6. PESQUISA
ou não o imóvel, tais como: Execução de
melhoramentos públicos nas vizinhanças; A pesquisa realizada foi com base nas
Implantação de sistema de transporte mais estatísticas dos elementos comparativos
moderno e eficiente do que o então vigente no colhidos durante as entrevistas. Segundo
local (ex. METRÔ); Novas leis de ocupação Triola (1999) estatística é uma coleção de
do solo; Transformação das atividades métodos para planejar experimentos, obter e
desenvolvidas no local; Reurbanização de organizar dados resumi-los, analisá-los,
áreas antes deterioradas; etc. Sendo assim, interpretá-los e deles extrair conclusões.
nosso método é caracterizado pelas
seguintes premissas: Homogeneidade dos
bens levados a mercado; Número significativo 7. A BIBLIOGRAFIA
de locatários e locadores (ou compradores e
Existe vasta literatura sobre desenvolvimento
vendedores) de tal sorte que não possam,
de produto e sobre o processo de
individualmente ou em grupos, alterar o
desenvolvimento colaborativo. A revisão de
mercado; Inexistência de influências externas;
bibliografia realizada neste trabalho encontrou
Racionalidade dos participantes e
pouca literatura publicada sobre a
conhecimento absoluto de todos sobre o bem,
metodologia de trabalho aplicada nas
o mercado e as tendências deste; Perfeita
montadoras de veículos americanas, o APQP
mobilidade de fatores e de participantes,
(Planejamento Avançado da Qualidade do
oferecendo liquidez, com plena liberdade de
Produto). Publicações acadêmicas discutindo
entrada e saída de mercado; Bom senso e
a metodologia do APQP, como feito neste
equilíbrio. A metodologia deste trabalho
trabalho, não foram encontradas, e a análise
consiste nas seguintes etapas: Definição do
proposta ainda não foi estudada. No entanto,
objeto de estudo; Captação dos dados;
o APQP, bem como metodologias similares
Métodos de avaliação; Verificação dos
utilizadas em outras montadoras, é um
resultados; aplicação da técnica proposto;
instrumento que guia a gestão do PDP de
Resultado, ou seja, avaliação do imóvel.
inúmeras e relevantes empresas e também é
possível observar que existem semelhanças
nas fases de desenvolvimento propostas por
5. INVESTIGAÇÃO
Clark e Fujimomto, por Cooper (2008) e pelo
O processo de investigação iniciou-se com APQP. O APQP contempla o planejamento,
imobiliárias, escritórios de Advocacia e desenvolvimento do produto e processo
investidores de imóveis, onde em todos os propostos por Clark e Fujimoto (1991), e inclui
casos todos foram unanimes com relação aos as etapas de teste e validação propostas por
valores apresentados pelas avaliações de pelo autor.
imóveis entregas por empresas ou
profissionais da área. As imobiliárias visitadas
foram todas na região da Lapa assim como os 7.1 CONHECIMENTO CIENTÍFICO
escritórios de Advocacias. Os investidores em
O objeto de estudo deste trabalho é um
questão são pessoas físicas onde tenho
Cinema localizado no centro de São Paulo,
algum tipo de relacionamento comercial ou
com dois pavimentos e capacidade (lotação
pessoal. Em todas as visitas as entrevistas
total) de 1.022 lugares onde o inquilino fez
com os profissionais foram estruturadas e
uma reforma e o proprietário quer saber o
Segundo Dencker (2000), “as entrevistas
novo valor do aluguel que deverá ser
podem ser estruturadas, constituídas de
cobrado.
perguntas definidas; ou semiestruturadas,
permitindo uma maior liberdade ao
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
11

FIGURA 1 – Fachada do cinema modelo FIGURA 2 – Saguão principal do cinema modelo

Fonte: Autor deste trabalho Fonte: Autor deste trabalho

.
FIGURA 3 – Bilheteria do cinema modelo

Fonte: Autor deste trabalho

7.2 ANALISE DOS DADOS 7.2.1 MÉTODO COMPARATIVO


A seguir é apresentado o resultado dos 3 A utilização do método comparativo para
testes utilizando métodos de avaliação de prédios destinados a cinemas exige
nosso objeto de estudo, descritos a seguir. basicamente a homogeneização dos
elementos comparativos considerando-se:

Padrão da construção (3); Estado de


conservação da construção (3); Idade do
Ocupações similares (cinema); Lotações das
prédio e/ou do cinema (3). Nota: (1), (2) e (3),
salas dos cinemas; Localização ou ponto (1);
ponderados através da relação dos preços
Atualização dos aluguéis referenciais (2);
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
12

dos ingressos. Butantã; Cine Metrópole; Cine Paulista; Cine


Bristol.
Os elementos comparativos semelhantes
então adotados (cinemas) devem ser Estes elementos foram tratados e
relacionados e homogeneizados conforme os homogeneizados em cálculos realizados em
pressupostos supracitados para o paradigma uma planilha de Excel, que não é nosso
do objeto do estudo. Os elementos objeto de estudo, e seu resultado consta nos
comparativos de cinemas pesquisados e comparativos abaixo:
obtidos foram os seguintes: Cine A B C; Cine

TABELA 1 – Receita Liquida x Valor Pago

Fonte: o autor

TABELA 2 - Valor unitário relativo à lotação de cinema = R$ 25,55 /poltrona

Fonte: o autor

Lembrando a lotação do Cine Paraná, tem-se:


Aluguel mensal = 1.022 lugares x
7.2.2 MÉTODO DA REMUNERAÇÃO DO
R$ 25,5500/lugar = R$ 26.112,00. Portanto,
CAPITAL
em números redondos temos: valor do aluguel
pelo método comparativo direto = A avaliação do imóvel descrito baseia-se no
R$26.100,00. terreno e na construção, visando
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
13

determinação de seu valor de mercado. Para (R$/m2) = R$2.177,00/m2; Valor total (At x
tanto, foi efetuada uma pesquisa na região R$/m2) = R$3.994.795,00.
geoeconômica, onde se procurou obter
A participação do cinema no prédio será
elementos comparativos de mesmas
obtida, na falta de outros elementos tais como
características do imóvel avaliando em
especificação do condomínio, através da
número representativo do mercado local. Para
relação entre áreas construídas do cinema e
esta avaliação foram obtidos, em princípio, 16
do prédio, conforme calculado: Valor da
elementos. Todavia, após o tratamento de
Fração Ideal = R$ 3.994.795,00 x 0,4097 =
estatística descritiva, restaram 8 elementos da
R$ 1.636.667,50. Os valores unitários básicos
amostra considerada, efetivamente
das construções foram inicialmente definidos
aproveitáveis. O saneamento da amostra e
através dos custos unitários básicos de
sua consequente homogeneização, que não é
Edificações oficialmente especificados pelo
objeto deste trabalho, forneceu o valor unitário
Sinduscon/SP para duas classes comerciais,
médio de R$ 2.177,00/m², sendo assim temos:
padrões normal e alto, relativos à data base,
Área do terreno (At) = 1.835.000m2; Unitário
conforme tabela seguinte:

TABELA 3 - Valor unitário básico

Fonte: Sinduscom/SP

A Construção pode ser obtida através da de terra, fundações, elevadores, ar


seguinte expressão básica: Vcc = Acp . Vub . condicionado e demais equipamentos).
Foc onde: Vcc = Valor do Capital –
Aplicando-se a expressão supra para o imóvel
Construção; Acp = Área da Construção =
em tela, foi determinado o valor do Capital –
4.272,96m² ; Vub = Valor unitário =
Construção, através de seguinte expressão
R$ 1.353,70/m² ; Foc = Fator de adequação
de valor: Vcb = 4.272,96m² x R$ 1.353,70/m² x
ao obsoletismo e estado de conservação
1,70 x 0,700 = R$ 6.883.324,08.
novo.
Construção: foram calculadas nos itens
Para a depreciação, foram levadas em conta
anteriores, que forneceram, para a data base:
a idade aparente do prédio no qual se insere
Capital – Terreno = R$1.637.000,00; Capital –
o Cine Paraná (30 anos), o estado de
construção = R$6.900.000,00; Total =
conservação do cinema (novo) e a
R$8.537.000,00.
expectativa de vida útil (60 anos), através do
“Método de Ross – Heidecke)”: Foc = R + K x O valor do Capital será então fornecido pela
(1 – R ) = 0,20 + 0,625 x ( 1 – 0,20) = 0,700. soma dos valores do terreno e das
benfeitorias acima calculados, acrescidos do
Conforme exposto, é adotado o valor unitário
fator de comercialização de 15%,
médio dos acima tabulados (R$ 1.353,70/m²)
considerado o tipo um para a idade de 30
em vista das características da construção, na
anos, definido em trabalho técnico do Eng.
qual serão incluídas as taxas de BDI, que
Joaquim da Rocha Medeiros. Aplicando a
inclui lucro e despesas indiretas (projetos,
Vantagem da Coisa Feita:
cópias, orçamentos, emolumentos, movimento

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


14

TABELA 4 – Vantagem da Coisa Feira

Autor: Eng. Joaquim da Rocha Medeiros.

Valor do Imóvel = R$ 8.537.000,00 x 15% = de capital R$37.400,00.


R$ 9.817.550,00.
Finalmente, para calcular o Aluguel teremos
7.2.3 MÉTODO DA PARTICIPAÇÃO
que calcular a taxa de renda liquida obtida na
proporção dos valores dos capitais “terreno” e Conforme exposto, o primeiro passo para o
“construção” e aplicar no valor do imóvel emprego do MÉTODO DA PARTICIPAÇÃO
calculado acima. Para calcular a taxa de refere-se à obtenção das rendas líquidas
renda liquida usaremos a seguinte expressão: mensais do cinema, elaborando-se Tabelas
ri = (Crtx rt +Cc x rc)/Ct + Cc onde: ri = taxa resumo das citadas rendas. Foram obtidas
de renda composta para imóvel; Ct = “capital- junto à locatária as rendas líquidas mensais
terreno”; rt = taxa de renda parcial para o em prazo compatível com relativo nível de
“capital-terreno”; Cc = “capital-construção” rc segurança e convertidas para valor presente.
= taxa de renda parcial para o “capital-
De acordo com os cálculos constantes na
construção”.
Tabela abaixo, a renda líquida média mensal
Tem-se então para o caso em tela: ri = do Cine Paraná em base ao período
(R$ 1.637.000,00 x 0,00643 + R$ 6.900.000,00 abrangendo 12 (doze) meses, é de
x 0,00949)/ R$ 8.537.000,00 = 0,0089 ou = R$ 189.732,19. Obtida a média final, seria a
0,89% a.m. Sendo assim temos que o valor do mesma capitalizada em base às taxas de
Capital-Imóvel (R$ 8.537.000,00) a taxa renda usuais para cinemas e que são: 10%
líquida de rendimento (0,89%a.m.), obtém-se: a.a. quando os equipamentos e instalações
Aluguel Mensal = R$ 8.537.000,00 x 1,15 x são de propriedade do inquilino e 15% a.a.
0,0089 = R$ 87.376,20/mês. Nos cálculos quando pertencem ao proprietário do imóvel.
acima levamos em conta um Cinema novo e Todavia, considerando a taxa estipulada em
reformado, reforma essa executada pelo contrato, de 12%, tem-se o aluguel variável,
locatário, sendo assim do valor acima correspondente ao citado percentual sobre a
calculado temos que deduzir a quantia que média líquida das vendas realizadas durante
amortiza o custo das obras de reforma do o mês de: Valor Locativo Mensal =
Cinema em questão, calculada em (189.732,19) x (0,12) = R$ 22.767,86/mês ou
R$ 50.038,00, cálculos esses que não são melhor, em números redondos: Valor do
objetos desse trabalho, resultando assim aluguel pelo método da participação
R$ 37.338,20/mês, ou, em números redondos: R$22.800,00.
Valor do aluguel pelo método da remuneração

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


15

TABELA 5 – Rendas Liquida Mensal

Fonte: o autor

Formulação da Hipótese: Com base nos valor adequado para o valor do imóvel.
valores dos alugueis calculados, vamos
alinhar as etapas do processo APQP com os
resultados obtidos, buscando a redução dos 7.3 TESTE DA HIPÓTESE
possíveis modos de falha e também a
Os resultados obtidos por meio da aplicação
minimização dos riscos na avaliação desse
dos métodos tradicionais foram os seguintes:
imóvel. Para isso iríamos trabalhar com as
Método – comparativo (R$26.100,00);
principais fases do APQP, que são o
Remuneração do capital (R$37.400,00);
Planejamento, Projeto, Verificação, Validação,
Participação (R$22.800). Validando os
Feedback e Ações Corretivas, pois segundo
mesmos utilizando a média ponderada dos
Rozenfeld et al. (2006), o processo de
resultados obtidos. A média ponderada tem
desenvolvimento do produto, em particular
como peso a seguinte relação: Peso 01 –
suas primeiras fases, é fundamental para
Maior Valor; Peso 02 – Valor Intermediário;
determinar todo o custo do projeto, inclusive o
Peso 03 – Menor Valor. Valor Aluguel =
custo do produto final, no nosso caso a
(R$ 26.100,00 x 2 + R$ 37.400,00 x 1 +
avaliação de um imóvel.
R$ 22.800,00 x 3)/6 = R$26.333,33.
Sendo assim, compreendidas as
Como Feedback ouvimos 4 (quatro)
necessidades do cliente, que no nosso caso é
corretores de imóveis, que atuam nessa área
o proprietário querendo avaliar seu imóvel
há mais de 30 anos e todos devidamente
após uma reforma executada pelo inquilino,
registrados em seu órgão de classe, o CRECI
iremos aplicas as 5 fases do AQPP,
/ SP – Conselho Regional de Corretores de
relacionadas a seguir: Executar o
Imóveis de São Paulo, realizamos uma
Planejamento, que seria a escolha das
Homogeneização dessas consultas e
metodologias utilizadas; Verificar e organizar
aplicamos uma média aritmética simples,
os dados colhidos em campo e fornecidos
chegando no valor de: Valor Aluguel 2 =
pelo proprietário e inquilino; Validar todos os
R$ 32.000,00. No método proposto, iremos
cálculos através de cálculos matemáticos;
dar peso 2 nos métodos tradicionais e peso 1
Usar como Feedback os resultados obtidos
na avaliação do corretor de imóveis, sendo
com a média dos elementos comparativos
assim o valor do imóvel será: Valor do Aluguel
homogeneizados e a consultoria de um
= (26333,33 * 2 + 32.000,00 * 1)/3 =
corretor de imóveis; Desenvolveremos as
R$ 28.222,00
Ações Corretivas, que foi a criação de um
fator de segurança, para chegarmos em um Como Ações Corretivas foi criado um fator de
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
16

segurança, Fs, que é baseado no tipo de normalmente tem seu valor estipulado em 3
Garantia de Locação Residencial (Fiador, (Três) meses, na sua maioria das vezes não
Depósito, Seguro Fiança). Segundo o SECOVI cobre as despesas jurídicas em caso de uma
(2014) o tipo de Garantia mais utilizada na ação de despejo. Com base nisso, criei um
locação é o Fiador, seguido do Deposito e por índice para cada tipo de garantia, para que
último e o Seguro fiança. A locação com seja multiplicado no valor calculado do
fiador é sempre mais confiável, pois em caso aluguel dando maior segurança ao locatário, o
de falta de aluguel o proprietário poderá proprietário do imóvel.
executar o bem do mesmo, já o deposito,

TABELA 6 – Tipos de Garantia

Autor: SECOVI

Sendo assim temos:


Tg = Tipo de Garantia; Fs= Tg

TABELA 7 – Tipo de Garantia

Fonte: o autor

No aluguel em questão temos como garantia


um Depósito, sendo assim temos que o Fator
de Segurança Fs é de 1.05. Finalmente,
aplicando a técnica proposta, o valor do
imóvel será de: R$ 28.222,00 x 1,05 =
R$29.633,10. Aluguel mínimo =
R$29.700,00/mês = Valor de mercado.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


17

8. ANALISES DOS RESULTADOS 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Como demonstrado neste relatório, a técnica Para a utilização da Técnica AProv, onde
AProV auxilia na organização das informações queremos determinar o valor locativo de um
dos métodos de avaliação, listando e imóvel, sempre deveremos contemplar o
registrando, de forma organizada e segmento de mercado no qual o avaliando
abrangente os métodos de avaliação do está inserido, merecendo maior atenção em
imóvel, minimizando as possibilidades de não casos especiais, por nós entendido como
entendimento das informações. Acrescenta atípicos, onde existem regras intrínsecas para
um terceiro fator, que é o Feedback do cada mercado, quando segmentado. Vale, no
corretor do imóvel e além de um fator de entanto, lembrar que o processo de locação
segurança que leva em conta o tipo de é, antes de tudo, econômico e o profissional,
garantia que o locatário oferece. Sendo assim na precariedade de informação, deverá se
o valor do aluguel calculado após a aplicação valer da criatividade, porém sempre com bom
do método ficou coerente com o mercado senso. Esse trabalho e a metodologia
além de satisfazer o proprietário, inquilino e proposta tem uma abordagem experimental
corretores de imóveis, o que é uma tarefa para tentar explicar um raciocínio dedutivo,
muito difícil satisfazer todos os envolvidos. onde a conclusão ratifica apenas as
premissas iniciais, e requer um longo e
continuo trabalho, um Mestrado, para se
chegar em um resultado que enuncia uma
verdade que ultrapassa o conhecimento dado
pelas premissas.

REFERÊNCIAS
[1]. ALONSO, Nelson Roberto. Imóveis [6]. FIKER, José. Manual de Avaliações e
Urbanos, Avaliação de Alugueis Aspectos Práticos Perícias em Imóveis Urbanos, Editora Pini.2005
e Jurídicos. Editora PINI. 2014 [7]. ISO/TS 16949.Disponível em
[2]. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS http://www.iso.org/iso/catalogue_detail?csnumber=
TÉCNICAS. NBR 14653 38. 52844; acesso em 20-10-2014.
[3]. CLARK & FUJIMOTO, T.. Product [8]. ROZENFIELD, H. et. al. Gestão de
development performance: strategy, organization Desenvolvimento de Produtos. São Paulo/SP:
and management in the world auto industry. Editora Saraiva, 2006.
Boston: Harvard Business School Press. 1991 [9]. SECOVI. Disponível em
[4]. COOPER. AUTOMOTIVE INDUSTRY http://www.secovi.com.br/pesquisas-e-
ACTION GROUP (AIAG). Advanced Product indices/indicadores-do-mercado/; acesso em 16-
Quality Planning and Control Plan, 2ª edição, 2008. 04-2014.
EUA. [10]. TRIOLA, Mario F. Introdução à estatística.
[5]. DENCKER, Ada de Freitas M. Métodos e 10 ª ed. Rio de Janeiro: LTC. 2008.
técnicas de pesquisa em turismo. 4. ed. São Paulo:
Futura, 2000.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


18

Capítulo 2

Rafaela Rodrigues Caldas


Wagner Costa
Renata Maciel Botelho

Resumo: Silicose, é uma doença ocupacional sem cura, causada pela inalação de
poeira de sílica cristalina livre. Os pulmões absorvem essas partículas que causam
o enrijecimento do seu tecido, provocando uma reação inflamatória, cuja evolução
é progressiva e irreversível, que por consequência, pode deixar o trabalhador
incapacitado para o trabalho, podendo levar a morte. A sílica livre é encontrada
principalmente na indústria da construção civil, na mineração e no garimpo. Nesse
estudo de caso foi identificada a poeira de sílica cristalina livre no processo
produtivo de uma indústria de transformação do silicone em artefatos de borracha.
Antes da alteração do processo produtivo, o quartzo de sílica livre cristalina
apresentava-se em concentração além do limite permitido por lei. Desta forma,
após a ocorrência de fatalidades, o processo produtivo sofreu significativas
melhorias trazendo qualidade de vida e segurança aos trabalhadores do setor.

Palavras chave: silicose; sílica; doença ocupacional; segurança do trabalho.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


19

1. INTRODUÇÃO progressiva, onde o paciente tem muita


dificuldade de respirar. Para o autor, a forma
No Brasil muitos trabalhadores para
acelerada ou subaguda é a cujo período de
sobreviverem submetem-se a profissões que
manifestação ocorre entre as formas aguda e
o expõe a ambientes insalubres, com
crônica, geralmente após um período de
consequências negativas e irreversíveis a sua
exposição de cinco a dez anos. Os sintomas
saúde. A Silicose é uma doença causada pela
são precoces e limitam a pessoa para
inalação da poeira de sílica livre cristalina ou
desenvolver atividades simples como subir
dióxido de silício, geralmente encontradas na
escadas, pois cansam facilmente, sendo a
indústria da construção civil, mineração,
forma aguda a mais rara de se manifestar,
garimpo e indústria de transformação como a
ocorrendo geralmente após meses ou poucos
empresa em questão. Uma vez inalada, essas
anos de exposição elevada as partículas de
partículas se instalam nos pulmões a
sílica. A dispneia pode ser incapacitante
caracterizando como a principal doença
comprometendo o estado geral, por
pulmonar ocupacional crônica e sem
insuficiência respiratória, ocorre tosse seca,
tratamento especifico o que prejudica a vida
perca de peso e hipoxemia onde há uma
do trabalhador tanto no social quanto no
rápida evolução para o óbito.
econômico (TERÁN, 2010).
Como definição a doença ocupacional é o
Souza (2012) definie a sílica como quartzo,
mesmo que doença do trabalho, que segundo
que é o componente em maior quantidade da
a legislação trabalhista brasileira, no inciso II
areia, elemento encontrado em abundância
do artigo 20 da Lei nº8.213 de 24 de julho de
nas rochas que constituem a crosta terrestre.
1991 é definida como:
Segundo Alegranti (2017), a Silicose
“Doença do trabalho, assim entendida é
predispõe o organismo a uma série de
adquirida ou desencadeada em função de
comorbidades, pulmonares e extras
condições especiais em que o trabalho é
pulmonares, como o enfisema, a limitação
realizado e com ele se relacione diretamente”.
crônica ao fluxo aéreo, as doenças como o
câncer e a tuberculose, sendo essa última a A doença do trabalho não está ligada a
doença mais comum em pacientes com função desempenhada, mas ao local de
silicose. Estima-se que os pacientes trabalho e ao ambiente onde o trabalhador
silicóticos são três vezes mais propensos a atua (GUIA TRABALHISTA, 2017).
desenvolver a tuberculose do que a
Há registros históricos, datados de
população em geral.
aproximadamente dois mil anos, sobre o uso
Freitas (2009) relata que a associação a de mascaras por trabalhadores que
tuberculose é a mais temida, pois implica na buscavam proteção contra as poeiras de
rápida progressão da fibrose pulmonar, onde sílica, quando observado que a mistura da
uma das causas de seu desenvolvimento é a poeira de sílica com o ar, ocasionava um
exposição a contaminantes como a poeira de comprometimento pulmonar (FAGUNDES,
sílica, o tabagismo entre outros fatores. 2010).
Em termos clínicos a importância e a Segundo a OIT (Organização Internacional do
gravidade da silicose advêm do fato de ser Trabalho), a Silicose é uma doença pulmonar
doença crônica e que evolui irreversivelmente. incurável causada por inalação de poeira
A incidência e a prevalência da contendo sílica cristalina livre. Apesar de
pneumoconiose no Brasil são pouco todos os esforços na prevenção, a Silicose
conhecidas, mas estudos mostram um ainda afeta dezenas de milhões de
crescimento de mortalidade nos últimos 20 trabalhadores envolvidos em ocupações
anos. Sabe-se que a tendência é de queda perigosas, matando milhares de pessoas
devido ao controle mais agressivo e rigoroso todos os anos em todo o mundo (OIT, 2017).
do ambiente de trabalho (CASTRO, 2004).
Informações extraídas da base de dados da
Terra Filho (2006) define que a Silicose Previdência Social (DATAPREV, 2017),
crônica é a forma de apresentação mais podemos analisar casos de silicose no estado
comum e geralmente ocorre após mais de de São Paulo num período de 11 anos em
dez a quinze anos de exposição à Silicose, diversas atividades, estes casos não revelam
tendo evolução insidiosa, sendo inicialmente estatisticamente a realidade de quantas
assintomática (não demonstra os sintomas), e pessoas tem silicose, nele consta apenas
pode evoluir com sintomas de dispneia aqueles que foram abertas as respectivas
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
20

CATs (Comunicação de Acidente de Trabalho) – vide Tabela 1.

TABELA 1 - Casos de Silicose no estado de São Paulo.


DOENCAS RELACIONAS A SILICA 2003 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 2014
Pneumo. Mineiros de Carvão 7 6 1 4 2 0 1 6 1 0 3 5
Pneumo. Amianto 17 7 5 5 7 5 7 7 8 2 7 7
Pneumo. Poeira de Sílica 14 14 12 8 23 14 8 18 25 20 20 14
Pneumo. Outras Poeiras Inorgânicas 6 6 13 8 24 27 20 26 22 14 19 19
Pneumo. Não Identificadas 8 10 6 9 14 16 9 14 13 13 12 10
Pneumo. Associação com Tuberculose 2 1 1 4 3 6 8 3 6 1 2 3
Fonte: Site da Previdência Social (DATAPREV, 2017).

Neste contexto, o presente estudo tem por de sílica livre, este produto e sua forma de
objetivo pesquisar como trabalhadores em manuseio fez com que em alguns dos
processo produtivo deficiente, são trabalhadores desenvolvesse a Silicose, uma
acometidos por Silicose pela exposição à doença sem cura, mas que deve ser
poeira de sílica na indústria de transformação perfeitamente evitada, desde que adotada
do silicone em artefatos de borracha. medidas preventivas nos locais de trabalho.
Segundo Fagundes (2010) as inalações das
pequenas partículas insolúveis de sílica
2. METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO
cristalina e as permanências das mesmas nos
O histórico desse estudo de caso, traz a luz pulmões acabam determinando a doença
do conhecimento, uma indústria de artefatos caracterizada pela presença de múltiplos
de borracha na fabricação de anéis de nódulos fibrosos.
vedação para panelas, que utilizava o quartzo
A falta de conhecimento dos proprietários da
como uma das matérias primas de seu
empresa em estudo, sobre a gravidade da
processo produtivo. Neste processo os
Silicose, foi um dos fatores determinantes
trabalhadores eram expostos à poeira de
para o desenvolvimento da doença nos
quartzo, o qual contem micropartículas de
trabalhadores. Apesar de a empresa sempre
sílica cristalina, de alto poder de toxidade. O
ter seus PPRA’s em dia – elaborado por
material tóxico quando manuseado, todo o
empresa contratada. Mesmo contanto com
ambiente da produção ficava contaminado,
uma empresa contratada de Segurança do
levando a obrigatoriedade de todos os
Trabalho, tal parceria não foi eficiente de
trabalhadores a utilizarem EPI’s
modo a evitar que os trabalhadores fossem
(Equipamentos de Proteção Individual),
privados desta exposição.
conforme Norma Regulamentadora (NR6).
Segundo a Norma Regulamentadora NR9
Em toda atividade em que o trabalhador tem
(PPRA – Programa de Prevenção de Riscos
contanto com a sílica, é recomendado que se
Ambientais), trata sobre a prevenção dos
tome precauções com relação ao local de
riscos ambientais do trabalho, sendo eles
trabalho e, em último caso, que se use o EPI
classificados por Físicos, Químicos,
adequado aos tipos de agentes
Biológicos, Ergonômicos e Mecânicos
contaminantes (SOUZA, 2012).
(Acidentes). A aplicação dessa norma é
Essa indústria de artefatos de borracha obrigatória para todas as empresas.
produz anéis para panela de pressão, a
A empresa por falta de cautela, por mais que
empresa em 2012 contava com os setores de
demonstrasse preocupação para com os
mistura, vulcanização e acabamento. A
trabalhadores atuando dentro das normas
empresa adquiria às matérias-primas nocivas
regulamentadoras brasileiras, não
à saúde e realizava todo o processo em suas
compreendia o quanto eram altos o grau e os
dependências.
riscos que seus trabalhadores corriam,
O quartzo uma das matérias-primas para estando expostos a esta poeira. A empresa
composição dos anéis contém micropartículas em estudo, contava com uma terceirizada de
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
21

Segurança do Trabalho, que talvez por 2016 analisados pôde ser identificado que o
incompetência técnica sobre os riscos, reconhecimento dos riscos e as definições
prevenção e malefícios da Silicose levou a dos exames complementares por função de
ocorrência dos casos de doenças exposição a sílica, pela mudança de empresa
ocupacionais, ainda que o PCMSO (Programa consultora em Segurança e Medicina
de Controle Médico de Saúde Ocupacional – Ocupacional, foram bem dimensionados.
NR07) e PPRA (Programa de Prevenção de Como exemplo a definição do uso de filtro
Riscos Ambientais – NR09) e ASO (Atestado respirador PFF3 com válvula, assim como
de Saúde Ocupacional) sempre estarem em exames complementares semestrais para
dia. funções de risco por sílica, com periodicidade
semestral.
Um extrato dos documentos legais é
apresentado a seguir, com o objetivo de
demostrar a identificação dos riscos
3. PROCESSO PRODUTIVO CAUSADOR DA
relacionados:
SILICOSE
 - Nos PPRAs (NR09) e PCMSOs
No período em que foi identificado a Silicose
(NR07) de 2010 a 2014 analisados, pôde ser
na empresa em estudo, o processo produtivo
identificado que o reconhecimento dos riscos
possuía um setor de mistura, local onde as
e as definições dos exames complementares
matérias-primas eram misturadas numa
por função de alta exposição a sílica, não
máquina chamada bamburi (figura 1), um
foram bem dimensionados. Como exemplo a
equipamento para mastigação/mistura da
definição do uso de filtro respirador PFF1 sem
borracha. Esse produto era armazenado de
válvula ao invés do PFF3 com válvula, assim
forma inadequada, em baldes abertos que
como exames complementares anuais para
liberavam a poeira da sílica no ambiente,
funções de risco elevado por sílica, que
durante a espera para ser adicionado no
deveriam ser semestrais eram anuais;
bamburi e se tornar um composto.
 - Nos PPRAs e PCMSOs de 2015 e

Figura 1 – Máquina Bamburi.

Fonte: Próprio autor (2013).

A operação de mistura (figura 2) é a produto final. Alguns sólidos utilizados eram


incorporação de todos os ingredientes que (quartzo, silicone, corante, etc.), além de
constituem a formula de composição do líquidos diversos.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


22

Figura 2 – Setor de mistura.

Fonte: Próprio autor (2013).

O setor analisado foi o da mistura, onde os fluorescentes, sem janela de ventilação, com
trabalhadores atuavam em um galpão, com 4 ventiladores, 4 banheiros (2 masculinos e 2
piso frio, com iluminação de lâmpadas femininos), 2 bamburis e 3 cilindros (figura 3).

Figura 3 – Cilindro.

Fonte: Próprio autor (2013).

Por ser pouco ventilado, era visível a poeira a olho nu, ou seja, toda a sílica ficava no ar em
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
23

suspensão. vulcanização onde contavam com prensas e


injetoras. A limpeza durante o dia era feita por
Neste setor era feita a pesagem do material
varrição a seco o que espalhava por ter os
para preparar o composto, posteriormente
ventiladores, e apenas no final do expediente
passava pelo bamburi, cilindro, moldada
era lavado o setor (figura 4).
numa mesa, passando em seguida pela trafila
se tornando o pré-formado que será Apesar de todos os trabalhadores receberem
vulcanizado e por fim rebarbado. treinamentos sobre a utilização de EPI´s como
luvas, máscaras, óculos, protetor auricular, e
No processo de produção o quartzo era
os produtos além de capacitados no
pesado com balde em uma balança junto com
entendimento das FISPQ (Ficha de
os outros produtos, ficava aberta esta mistura
informação sobre produto químico)
até ser colocado no Bamburi. Quando a
pertencentes ao processo produtivo. Entre
massa formada nesta etapa saía, era passada
2012 e 2013, dos 12 trabalhadores do setor
no cilindro que servia para moldar a massa.
de mistura 6 foram diagnosticados com
Depois de moldada é cortada numa bancada,
Silicose, ou seja, 50% dos trabalhadores do
trefilada e levada para o setor de
setor.

FIGURA 4 – Setor Mistura. Varrição a seco.

Fonte: Próprio autor (2013).

4. O DIAGNÓSTICO DA SILICOSE NA 1995 desenvolveram o Programa Nacional de


EMPRESA Eliminação da Silicose - PNES. Este programa
visa reduzir os casos de Silicose através dos
Em 2013, a descoberta da Silicose na
conhecimentos adquiridos em casos
empresa ocorreu após um dos trabalhadores
anteriores, tem como objetivo eliminar a
começar a apresentar um quadro de falta de
silicose como problema de saúde pública até
ar, em uma de suas consultas no hospital do
2030 (GOELZER, 2000).
convenio médico empresarial. O médico
pneumologista, ao identificar na anamnese o Na FUNDACENTRO o primeiro trabalhador foi
quadro de suspeita de Silicose, encaminhou o imediatamente submetido a exames de raio X
primeiro trabalhador a FUNDACENTO padrão OIT, espirometrias, tomografias
(Fundação Jorge Duprat Figueiredo de computadorizadas entre outros exames, o
Segurança e Medicina do Trabalho) uma qual ficou constatada Silicose pulmonar
instituição federal voltada para o estudo e subaguda. Consequentemente todos os
pesquisa das condições dos ambientes de trabalhadores do setor da mistura foram
trabalho, localizada em São Paulo - SP. examinados clinicamente para verificação da
doença, e foi diagnosticado que 6
A FUNDACENTRO em parceria com a
trabalhadores contraíram Silicose, cada um
Organização Internacional do Trabalho- OIT e
em um estágio. Sendo:
Organização Mundial da Saúde – OMS, desde
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
24

- Um com 32 anos de idade o qual já havia alterações na saúde do trabalhador,


trabalhado em uma marmoraria (faleceu em provocadas por fatores relacionados com o
maio 2014 em decorrência da Silicose); ambiente de trabalho ...”, se fez necessária
uma reestruturação no ambiente de trabalho,
- Um com 57 anos de idade o qual já
de modo a melhorar as condições no
trabalhava há 20 anos com exposição à sílica,
ambiente, no sentindo de eliminar ou
dos quais 09 anos nessa empresa (faleceu
minimizar os riscos, evitando novos casos ou
abril 2015 em decorrência da Silicose);
agravamento dos já existentes.
- Três continuam em tratamento trabalhando
Tal melhoria passou pelo controle das fontes
em outro setor;
geradoras de poeiras, quando modificados o
- Um com 36 anos de idade teve um avanço processo de produção, o material utilizado
na doença e precisou fazer um transplante de contendo sílica e as práticas de trabalho.
pulmão e continua trabalhando em outro Outra mudança foi a redução da poeira em
setor. suspensão, ao substituir o tipo de material e
alteração das práticas de trabalho, bem como
A mudança dos trabalhadores com Silicose
a utilização de material fracionado e em forma
de setor também reduziu o aumento da
liquida, assim como a aplicação de métodos
doença já adquirida. Posteriormente o setor
de umidificação que reduz a poeira.
foi extinto, considerando-se que o
aparecimento da silicose depende da A empresa depois da descoberta da doença,
quantidade de poeira de sílica e o tempo que por sugestão de órgãos como a
o trabalhador e exporto a ela. FUNDACENTRO realizou melhorias em seu
processo produtivo a fim de minimizar os
riscos, até encontrar uma solução para
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES eliminar o setor por definitivo.
5.1 MELHORIAS PREVENTIVAS NO Uma medida foi retirar os ventiladores e
PROCESSO PRODUTIVO instalar dois exaustores no galpão para
melhor ventilação do ambiente (figura 5).
Após as ocorrências de doença ocupacional,
definida por Wikipédia (2017) como “ ... a
designação de várias doenças que causam

Figura 5 – Exaustor instalado no teto.

Fonte: Próprio autor (2015).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


25

No bamburi foi instalado um sistema de saída de poeira para o ambiente,


exaustão para retirar a poeira no ambiente periodicamente realiza manutenção
(figura 6). Essa foi uma das fontes geradoras necessária para garantir a eficiência e
de poeira, agora enclausurada não permite a controle da poeira.

Figura 6 – Exaustor instalado no Bambu.

Fonte: Próprio autor (2015).

O modelo de máscara foi substituído por a elaboração dos documentos legais como o
mascaras com filtro sendo mais eficiente - PPRA, PCMSO e ASO (Atestado de Saúde
PFF3 com válvula. É um respirador purificador Ocupacional). Os trabalhadores continuaram
de ar tipo peça semifacial filtrante para realizando exames periódicos, porém agora
partículas. A máscara tem o formato de na FUNDACENTRO, que continuou
concha dobrável e possui solda ultrassônica acompanhando os trabalhadores do setor
em todo seu perímetro, ou seja, pode ser produtivo, orientando os trabalhadores quanto
utilizada em ambientes cujo contaminante não aos riscos do manuseio da sílica, bem como a
exceda 10 vezes o seu limite de tolerância. importância do uso correto dos equipamentos
Outra medida foi comprar a matéria prima o de proteção individual.
quartzo já fracionado eliminando a fase de
Com estas medidas de prevenção a poeira de
pesagem a qual gerava muita poeira no ar.
sílica reduziu significativamente durante o
Eliminou-se as vassouras do setor e toda a
processo produtivo. Diminuição essa
limpeza passou a ser feita apenas com água
constatada através de medições de higiene
evitando o acumulo de poeira.
ocupacional realizadas pela FUNDACENTRO.
A forma que o trabalhador realiza a tarefa Porém, o objetivo principal da alta direção da
pode afetar significativamente a sua empresa, passou a ser a eliminação desse
exposição, com tal característica deve ser setor produtivo.
treinado desde como transportar a matéria-
Desde o surgimento da doença em 2013
prima, a velocidade de trabalho e a postura
essas medidas foram suficientes para manter
corporal.
as atividades da empresa, sem que houvesse
Uma nova empresa de consultoria em Saúde novos casos ou alteração nos já existentes.
e Segurança Ocupacional foi contratada para
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
26

Em 2015 houve a parceria com uma empresa - Medidas de prevenção devem ser instaladas
especializada em produção de borracha de sempre mesmo que se consiga eliminar ou
silicone, a qual atenderia as necessidades de substituindo a matéria-prima nociva à saúde;
eliminação do processo produtivo em que os Contar com empresas prestadoras de
trabalhadores ficassem expostos a sílica. serviços de segurança e saúde ocupacional
Empresa parceira fundada a mais de 10 anos experientes, que definam os EPIs adequados
no ramo de borracha, conta com uma alta ao risco.
estrutura, e parque tecnológico inovado no
O setor produtivo da indústria em estudo,
trato com a sílica, de modo totalmente
antes deficiente com irregularidades que
automatizado. A mistura da massa é
expos o trabalhador ao risco químico da
processada de modo que nenhuma partícula
Sílica, hoje após as ocorrênncias de doenças
de sílica fica exposta no ambiente de
e óbtos, se mostrou prestativa e determinada
trabalho.
a implantar medidas para eliminar os riscos.
A partir desta parceria a empresa foi extinto o
Transferir os trabalhadores afetados para
setor de mistura. Hoje quando o composto
outros setores também contribuiu para
chega do parceiro, 3 trabalhadores realizam a
redução do avanço da doença Silicose.
distribuição para o setor de vulcanização. Não
existindo mais poeira de sílica na unidade O principal gestor dessa organização,
fabril, estando assim o risco eliminado por realizou as mudanças necessárias nos
completo. setores, priorizando a saúde dos
trabalhadores, optando por eliminar o risco no
setor de maior contaminação, passando a
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS adquirir o principal composto para a
elaboração do produto final pronto (vidação
Com o presente estudo, se pôde constatar
de panelas), ou seja, fornecido por uma
que como a Silicose não tem cura, os
empresa especializada, sustentável,
processos preventivos são de suma
totalmente apta tecnologicamente e
importância para o não desenvolvimento/ou
qualificada para atendê-los.
agravamento da mesma, e que treinar e
orientar os trabalhadores sobre os riscos que Conclui-se que grandes esforços e
estão expostos é obrigatório, considerando investimentos sempre devem ser empregados
que uma das medidas de prevenção é a no sentindo de prevenção de acidentes e
utilização dos EPI’s adequados ao risco. doenças do ttrabalho.
Outras medidas de prevenção constatadas No geral este estudo foi importante para
nesse estudo são: - O sistema de compreender e mostrar como a falta de
ventilação/exaustão que deve ser eficiente, conhecimento pode acarretar ou desencadear
assim como outros exaustores instalados nas situações irreversíveis de risco antes invisíveis
máquinas de modo a minimizar a exposição a ao leigo, e como as medidas de segurança
poeira, realizar o processo sem varrição a podem e devem ser adotadas a fim de evitar
seco para não proliferar a poeira no ambiente; fatalidades.

REFERENCIAS Acessado em: 20 de Maio de 2017.


[4]. FAGUNDES, Gilmara. Silicose doença
[1]. ALEGRANTI, Eduardo. Portal Fundacentro pulmonar ocupacional no trabalhador de
Sílica e Silicose. São Paulo, Disponível em: < mineração. Disponível em: <
http://www.fundacentro.gov.br/silica-e- http://www.saudeetrabalho.com.br/download/si
silicose/silicose > Acessado em: 11 de Maio licose-gilmara.pdf > Acessado em: 08 de Maio
de 2017. de 2017.
[2]. CASTRO, Hermano Albuquerque. Perfil [5]. FREITAS, Gracas. Fibrose Pulmonar.
respiratório de 457 trabalhadores exposto a Disponível em: <
poeira de Sílica no estado do Rio de Janeiro. http://www.fundacaoportuguesadopulmao.org/f
Disponível em: < ibrose_pulmonar.html > Acessado em: 19 de
http://sopterj.com.br/profissionais/_revista/2004 maio 2017.
/n_02/03.pdf > Acessado em: 13 de jun 2017. [6]. FUNDACENTRO. Silicose Formas de
[3]. DATAPREV. Estatísticas de acidente do Apresentação. Disponível em: <
Trabalho. Disponível em: < http://www.fundacentro.gov.br/silica-e-
http://www3.dataprev.gov.br/aeat/inicio.htm >. silicose/silicose > Acessado em: 12 de Maio
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
27

de 2017. Disponível em:<


[7]. GOELZER, Berenice. Programa Nacional de http://www.ilo.org/safework/areasofwork/occup
Eliminação da Silicose. Disponível em:< ational-health/WCMS_354284/lang--
http://www.fundacentro.gov.br/silica-e- fr/index.htm > Acessado em: 10 de Maio de
silicose/diretrizes > Acessado em: 14 jun 2017. 2017.
[8]. GUIA TRABALHISTA. Temáticas. Disponível [14]. SOUZA, A. F. B.; LUCIO, C. C. e
em: < http://www.guiatrabalhista.com.br/ > CORDEIRO, D. C. A sílica e os equipamentos
Acessado em: 08 de Maio de 2017. de proteção respiratória: análise ambiental de
[9]. LEI Nº8.213. Doença do Trabalho. Disponível uma marmoraria e abordagem com os
em: < trabalhadores. XIX Simpep, 2012.
http://www.normaslegais.com.br/legislacao/tra [15]. TERÁN, J. E. Castilho. Educação em
balhista/lei8213.htm > Acessado em: 12 de Saúde: Silicose. São Paulo. Disponível em:<
maio 2017. https://www.nescon.medicina.ufmg.br/bibliotec
[10]. NR6. Equipamento de Proteção Individual. a/imagem/2543.pdf > Acessado em: 11 de
Disponível em:< Maio de 2017.
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr [16]. TERRA FILHO, M. Silicose. 2006. São
/nr6.htm > Acessado em: 10 de Maio de 2017. Paulo. Disponível em:
[11]. NR7. Programa de Controle Médico de <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art
Saúde Ocupacional. Disponível em:< text&pid=S1806-37132006000800008 >
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr Acessado em: 10 de Maio de 2017.
/nr7.htm > Acessado em: 10 de Maio de 2017. [17]. WIKIPÉDIA. Doença Ocupacional.
[12]. NR9. Programa de Prevenção de Riscos Disponível em: <
Ambientais. Disponível em:< https://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_o
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr cupacional >. Acesso em: 20 de Maio de
/nr9.htm > Acessado em: 10 de Maio de 2017. 2017.
[13]. OIT. Segurança e Saúde Ocupacional.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


28

Capítulo 3

Jefferson de Souza Pinto


Gilberto Cassoli de Oliveira Junior
Luan Aoki Schuwarten

Resumo: O trabalho tem por objetivo apresentar as concepções de Gerenciamento


de Projetos e Gerenciamento Ágil para otimizar o tempo no desenvolvimento de
projetos mecânicos por uma ferramentaria de precisão no interior do estado de São
Paulo. Do ponto de vista do método, o trabalho é um estudo de caso e classifica-se
como uma pesquisa bibliográfica e exploratória com abordagem qualitativa. Pelo
referencial teórico, expõe-se as concepções das variáveis dos atributos de
complexidade e incerteza associadas ao tempo em projetos. Da mesma forma, são
apresentados os conceitos do Gerenciamento Ágil como ferramenta para aprimorar
o processo de desenvolvimento para quando ocorrer um atraso os projetistas
tenham condições de solucionar o problema. Em essência, o diagrama de Gantt foi
a ferramenta selecionada para pormenorizar as etapas e os respectivos tempos
dispendidos na execução de cada uma delas. Assim sendo, a aplicação do
Gerenciamento Ágil nos projetos da ferramentaria mostrou-se como uma proposta
para que a gerencia de projetos tenha condições para alocar recursos para mitigar
o tempo no processo de desenvolvimento.

Palavras chave: Gerenciamento de Projetos; Gerenciamento Ágil; Diagrama de


Gantt; Ferramentaria.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


29

1. INTRODUÇÃO voltadas para um contexto global de uma


organização. Ainda assim, destaca-se que os
O panorama atual das organizações
usos desses ferramentais são aplicáveis em
empresariais, independentemente de sua
uma abordagem micro, isto é, em
área de atuação, permeia uma realidade
subprocessos em uma empresa. Nesse
dinâmica, sem fronteiras econômicas
sentido, o foco de atuação pode ser
definidas, muito competitiva, com clientes
constantemente redirecionado de acordo com
cada vez mais exigentes e legislações locais
as necessidades da organização. Com base
crescentemente mais restritivas no que tange
no referido pressuposto, este trabalho, por
à aspectos de mercado, qualidade de
meio de um estudo de caso, tem por objetivo
produtos e serviços, meio ambiente e
aplicar o arcabouço ferramental de
trabalhador (OLIVEIRA et al., 2011).
gerenciamento de projetos e gerenciamento
A globalização se colocou de forma ágil para aprimorar o processo de
implacável no mercado, influenciando desenvolvimento de projetos mecânicos em
diretamente o comportamento humano em uma ferramentaria de precisão no interior do
escala global. No mundo competitivo de hoje, estado de São Paulo.
uma espécie de seleção natural se encarrega
daquelas organizações que não se
prepararam para atingir a eficácia. Nesse 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
sentido a intensa competição impulsiona as
2.1 GERENCIAMENTO DE PROJETOS
organizações alcançarem situações
favoráveis e altos níveis de assertividade, A execução de projetos é relatada pela
desenvolvendo planejamentos estratégicos história da humanidade desde o início das
mais adequados ao seu contexto civilizações. Nada obstante, como observado
(CARVALHO, 2011; LEITE e FILHO, 2009). por Kerzner (2011), para entender o
gerenciamento de projetos, deve-se começar
Prosperar neste contexto requer que as
com a definição de projeto. Dessa forma,
organizações sejam tão dinâmicas quanto é a
projeto consiste num empreendimento, que
realidade. E as estratégias de gerenciamento
consome recursos e que opera sob restrições
de projetos apresentam-se como uma
de prazos, de custos e de qualidade, afim de
interessante ferramenta para a competição.
alcançar uma meta específica (KERZNER,
Assim, são inúmeras as estratégias que as
2011; PINTO, 2012; MALAGUTTI, 2011;
empresas executam, com o objetivo de
SHENHAR e DVIR, 2007).
alcançar metas estabelecidas. Essas
estratégias são orientadas por projetos Assim, o Project Management Body of
gerenciados por meio de metodologias e Knowledge (Guia PMBOK®) define o
ferramentas de gestão, consequentemente, gerenciamento de projetos como a aplicação
possibilita as organizações transformarem a do conhecimento, habilidades, ferramentas e
estratégia em realidade (SHENHAR e DVIR, técnicas às atividades do projeto para atender
2007; CARPINNETTI, MIGUEL e GEROLAMO, aos seus requisitos. Adicionalmente, Shenhar
2011). e Dvir (2007), descrevem o gerenciamento de
projetos como o conjunto de atividades
Contudo, verifica-se de maneira empírica que
administrativas necessárias para levar um
transmitir a concepção estratégica do negócio
projeto a um final bem-sucedido (GUIA
às ações operacionais em uma organização,
PMBOK, 2013; SHENHAR e DVIR, 2007).
não é uma tarefa simples. Observa-se que,
embora muitas vezes se entregue aos clientes Kerzner (2011) aborda o contexto de rápidas
projetos em conformidade com as restrições mudanças tecnológicas e mercadológicas
clássicas, as empresas não obtêm resultados para justificar o uso do gerenciamento de
correspondentes ao que foi estabelecido no projetos, uma vez que as estruturas
seu planejamento estratégico. O organizacionais tradicionais, não mais,
desdobramento da estratégia de negócio no conseguem responder de modo
nível operacional enfrenta dificuldades pela suficientemente rápido a um ambiente em
incompreensão do conceito estratégico constante mudança. Além do que, os
(LEITE e FILHO, 2009). princípios de gerenciamento de projetos
podem ser aplicados a qualquer tipo de
Embora percebe-se que as literaturas
projeto e em qualquer setor. Na prática quer
apresentam uma abordagem macro das
dizer que, o gerenciamento de projetos
técnicas de gerenciamento de projetos
realmente busca melhorar os benefícios
abarcando o planejamento estratégico, isto é,
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
30

tangíveis para a organização (KERZNER, o sucesso ou não. É evidente que os diversos


2011). autores pontuam inúmeras variáveis dos
atributos complexidade e incerteza em gestão
A partir de todas definições de projetos
de projetos, contudo, o enfoque deste
apresentadas, é oportuno destacar que os
trabalho é voltado para a dependência entre
atributos e complexidades representam
os cronogramas, isto é, a pressão por prazos.
delimitações de início e fim. Em outras
palavras, ao levantar questões relativas à Complementarmente, o conceito de
atributos de projetos, abre-se precedentes complexidade supramencionado encaixa-se
para um embate implacável de na explicação de Sinha, Thomson e Kumar
possibilidades, pois o conflito de escolha (2001) que afirmam não existir um conceito
(trade-off) passa a ser algo intrínseco e que único de complexidade que pode agregar
pode afetar as chances de sucesso do adequadamente a noção intuitiva do que a
projeto. Nesse contexto, Shenhar e Dvir palavra deveria significar. De modo que,
(2007), apontam que a maioria dos projetos ainda há certa dificuldade em estabelecer
ainda fracassam nas variáveis de tempo, quais são os componentes que estão
orçamento e metas (PINTO, 2012; SHENHAR inseridos no atributo complexidade na gestão
e DVIR, 2007). dos projetos (KUJALA, ARTTO e
PARHANKASNGAS, 2007; SHENHAR, LEVY e
Diante do contexto apresentado, Alotaibi e
DVIR, 1997). Adicionalmente, o conceito de
Mafimisebi (2016) levantam uma pergunta
incerteza é definido por Sá (1999) como
crucial – por que os projetos falhariam sem
aquela situação em que não se tem
alcançar os objetivos se os padrões, modelos
conhecimento objetivo a distribuição de
ou estratégias de gerenciamento de projetos
probabilidades associada aos eventos que
forem aplicadas? (ALOTAIBI e MAFIMISEBI,
poderão resultar.
2016). Destarte, o gerenciamento de projetos
não é mais sobre gerenciar a sequência de A fim de levantar quais seriam os atributos de
etapas necessárias para concluir o projeto em complexidade e incerteza em projetos, expõe-
tempo. Trata-se de incorporar se a concepção de Pinto (2012) que, a partir
sistematicamente a voz das partes de uma pesquisa, identificou quais seriam as
interessadas, criando uma maneira variáveis dos atributos de complexidade e
disciplinada de priorizar o esforço e resolver incerteza passiveis de mensuração em
os trade-offs, trabalhando simultaneamente projetos.
em todos os aspectos do projeto em equipes
Sendo assim, destaca-se que as variáveis
multifuncionais. Assim, o gerenciamento de
apresentadas têm origem em diversos
projetos constitui uma forma eficaz de se
autores. Após perpassarem por uma triagem,
implementar mudança ou gerar inovação para
cujo critério de seleção foi a passibilidade de
a organização e conecta-se diretamente à
mensuração, as variáveis dos atributos
estratégia, entendida como o caminho para se
complexidade foram sintetizadas por Pinto
alcançar a necessária vantagem competitiva
(2012). Os atributos de complexidade e
em uma organização (LEITE e FILHO, 2009;
incerteza levantados por Pinto (2012) são
ALOTAIBI e MAFIMISEBI, 2016).
apresentados no Quadro 1 e Quadro 2,
Isto posto, este trabalho terá enfoque nos respectivamente.
atributos de tempos de projetos,
Para corroborar com a variável de pressão
corroborando com as ideias de Shenhar e
por prazos apresentada no Quadro 1 e as
Dvir ora apresentadas. Em essência, o intuito
variáveis de duração do projeto e conclusão
de aplicar os conceitos expostos é aprimorar,
do projeto dentro do cronograma do Quadro
na questão do tempo, o processo de
2, Shenhar e Dvir (2007), observam que, cada
desenvolvimento de projetos mecânicos em
projeto é restrito pelo tempo, mas essa
uma ferramentaria de precisão no interior do
restrição difere de projeto para projeto. As
estado de São Paulo.
restrições de tempo vêm das necessidades
de mercado, naturais ou inimigas que incitam
atenção imediata. O tempo disponível para
2.2TEMPO EM GERENCIAMENTO DE
completar um projeto tem um efeito
PROJETOS
substancial sobre como o projeto é
O Guia PMBOK® (2013) considera o gerenciado. A mesma meta, mas com
gerenciamento do tempo do projeto um fator períodos de tempo diferentes, requer
chave no que diz respeito ao projeto alcançar diferentes estruturas, processo e atenção
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
31

gerencial.

Quadro 1 - Variáveis do atributo complexidade.


Atributo Complexidade Autor(es)
Tamanho relativo do projeto Jun, Qiuzhen e Qingguo (2011)
Tipo de estrutura do projeto Toledo et al. (2008)
Tipo de inovação (tecnológica ou organizacional)
Porte da organização
Localização dos membros da equipe de projetos Vidal, Marle e Bocquet (2011)
Número de interessados no projeto (stakeholders)
Pressão por prazos
Tipo de projeto
Número de departamentos da organização envolvidos no projeto Carvalho (2003)
Nível de impacto das mudanças causadas pelo projeto
Fonte: Adaptado de Pinto (2012).

Quadro 2 - Variáveis do atributo incerteza.


Atributo Incerteza Autor(es)
Duração do Projeto Little (2005)
Marcos do projeto são cumpridos
Shenhar et al. (2002)
Existência de documentação do projeto
Conhecimento do gerente de projetos do tipo de projeto
gerenciado
Conclusão do projeto dentro do cronograma
Jun, Qiuzhen e Qingguo
Conclusão do projeto dentro do orçamento
(2011)
Existência de atividades de planejamento e controle do
projeto
Mudanças no escopo do projeto
Volume de investimento para execução do projeto
Cleden (2009)
Riscos do projeto
Fonte: Adaptado de Pinto (2012).

Sendo assim, o gerenciamento de projetos abordará somente as variáveis inerentes ao


dentro do prazo, dos custos e do tempo de projeto. Sob tal perspectiva,
desempenho é mais fácil na teoria do que na destaca-se as variáveis de pressão por
prática. O ambiente de gerenciamento de prazos, duração do projeto e conclusão do
projetos é extremamente turbulento e projeto dentro do cronograma.
composto de inúmeras variáveis (KERZNER,
Desta forma, este trabalho fará uso da
2011; SHENHAR e DVIR, 2007).
ferramenta do Gráfico de Gantt. Segundo a
Embora na passagem acima os autores visão de Kerzner (2011), o gráfico de barras é
abordem o gerenciamento de projetos dentro um meio de representar as atividades ou
do prazo, custos e desempenho, se faz eventos simples enredados em tempo, sendo
necessário destacar que este trabalho utilizados para exibir o progresso de um
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
32

trabalho ou projeto a fim de se cumprir um principal do projeto, evitando ocorrências de


objetivo. perdas de tempos do projeto e/ou produto
oferecido ao cliente, alinhando uma
percepção de gestão coletiva por parte dos
2.3 GERENCIAMENTO ÁGIL colaboradores. Com base nos argumentos
expostos, verificou-se a necessidade de
De acordo com Slack, Chambers e Johnston
implementar os princípios do Gerenciamento
(2009), os produtos e serviços devem ser
Ágil na empresa objeto de estudo do trabalho,
projetados para atendimento das expectativas
como ferramenta para solucionar a corrente
e necessidades dos clientes, estes também
crítica do projeto.
procuram constantes atualizações, como
forma do mantimento de sua posição 3. MÉTODO
competitiva no mercado através de
Com a necessidade de definir o delineamento
modernidade, avanços tecnológicos e
da pesquisa, baseado nos objetivos,
mudanças das necessidades.
enquadrar-se-á este trabalho como uma
Mais recentemente, Mir e Pinnington (2014) pesquisa bibliográfica e exploratória, por meio
revelaram que as organizações estão cada de um estudo de caso e com abordagem
vez mais usando o gerenciamento de projetos qualitativa, tendo em vista aprofundar os
como uma ferramenta para aumentar a conhecimentos sobre o tema. De acordo com
produtividade. Isto posto, vale destacar que o Beuren (2006), o estudo de caso é importante
gerenciamento ágil foi abarcado na sexta por reunir informações numerosas e
edição, a mais recente do guia PMBOK®, detalhadas com vista em aprender a
criando-se uma forte relação entre esses totalidade de uma situação.
conceitos.
O estudo de caso, segundo Gil (2016)
Muito difundido na área de gerenciamento de caracteriza-se pelo estudo profundo e
software, o Gerenciamento Ágil de Projetos exaustivo de um ou poucos objetos a fim de
(do inglês APM - Agile Project Management ) que se alcance um amplo e detalhado
teve seu surgimento em 2001 e visa conhecimento do mesmo. Nesse sentido,
principalmente à redução de tempo destinado toma-se como objeto de estudo o cenário de
aos desenvolvimentos dos produtos (LIMA, uma indústria que atua no ramo de usinagem
2011). Sendo assim, Highsmith (2004) define de precisão, ferramentaria e eletro-erosão,
o Gerenciamento Ágil como um conjunto de localizada na cidade de Valinhos – SP, sendo
valores, princípios e práticas que auxiliam a uma empresa que trabalha com projetos de
equipe para entregar produtos ou serviço de ferramentas.
valor em um ambiente desafiado. Por meio de
Ainda de acordo com Gil (2009), o estudo de
conceitos da APM, visa-se o adiantamento do
caso deve envolver o delineamento do
prazo final do projeto.
problema com uma análise intensiva, baseada
Nesse sentido, o Gerenciamento Ágil de nos diversos métodos ou técnicas de coletas
Projetos faz o uso de uma nova estratégia de de dados. Assim sendo, a coleta de dados
comunicação e um grande controle por todos será feita com base no uso de ferramentas de
os membros que compõe o desenvolvimento gerenciamento de tempo empregadas nos
por meio de auto-organização. A desenvolvimentos dos projetos bem como, a
comunicação neste modelo mostra-se observação e relatos de projetistas
essencial e significativamente mais informal diretamente envolvidos com o setor de
quando comparado com métodos desenvolvimento.
tradicionais. De certa forma a parte
Devido à crescente na demanda por projetos
documental do processo, tem uma visão mais
de desenvolvimento, observa-se que a
enxuta (LIMA, 2011).
empresa objeto de estudo possui
Em um contexto amplo, o Gerenciamento Ágil necessidade de adequação do
de Projetos, mostra-se como uma ferramenta gerenciamento do tempo do projeto às novas
eficiente ante ao panorama atual - dinâmico, exigências de mercado. Em decorrência
sem fronteiras econômicas definidas, muito disto, verificou-se a necessidade de identificar
competitivo, com clientes cada vez mais a real causa de eventuais atrasos em projetos.
exigentes. Em resumo, um ambiente de Desta maneira, se faz necessário analisar as
negócios turbulento, onde os atributos de etapas individuais do planejamento, sob
complexidade e incerteza espreitam. O análise das ferramentas e dos conceitos
dinamismo do APM não deve afetar o foco abordados no referencial teórico.
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
33

etapas pormenorizadas. Espera-se, com essa


estratégia, identificar os atrasos pontuais.
4. ESTUDO DE CASO
Mormente, cabe descrever como acontece o
A empresa abordada atua no ramo de
processo de criação do cronograma. Todo
construção metal mecânico com foco em
projeto aprovado, antes do início do
desenvolvimento de projetos para indústria
desenvolvimento, é realizado uma estimativa
automobilística. O caráter construtivo dos
de horas de trabalho necessárias para
projetos envolve precisão considerável para a
concluir o projeto e entregá-lo ao cliente. Essa
produção de bens tangíveis não seriados.
estimativa é feita com base nas informações
Nesse sentido, a ferramentaria assume de um quadro de orçamentos.
grande responsabilidade e compromisso na
O Quadro 3 representa um modelo de
questão de prazos de projetos, por isso os
orçamento genérico utilizado em todos
atributos de complexidade e incerteza
projetos que são solicitados à ferramentaria.
relacionados ao tempo de projeto tornam-se
Este quadro é composto por quatro campos
preponderantes para o sucesso dos
importantes e que serão essenciais para
desenvolvimentos.
elaborar o tempo de um projeto, são eles:
Por uma questão estratégica, a fim de se engenharia, matéria prima, tratamentos e
evitar atrasos e contratempos de cronograma, usinagens. Do preenchimento desses
identificou-se a necessidade de gerir melhor campos, obtém-se a estimativa de custos e
os procedimentos dos tempos que são gastos prazos, repare que há certa relevância ao
em cada etapa dos projetos, pois, até então, o analisar essas variáveis, pois como exposto
planejamento mostrava-se carente no que diz no tópico 2.2 são variáveis dos atributos de
respeito a apontar as causas dos atrasos. complexidade e incerteza em projetos e como
tais devem ser ponderadas de maneira
Desse modo, pretende-se abordar os
criteriosa.
cronogramas de projetos por uma visão
macro (etapas) e uma visão micro (sub-
etapas), isto é, a expansão do projeto em

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


34

Quadro 3 – Quadro de Orçamentos.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Segundo a abordagem de Kerzner (2011) diagrama. Como exemplificado na Figura 1, o


apresentada na seção 2.2, o gráfico de barras desenvolvimento é dividido em etapas
é um meio de representar o progresso de um principais, as quais são sequenciais no
trabalho até a conclusão. Assim sendo, as tempo, isto é, possuem uma relação de
informações obtidas do quadro de precedência, onde uma etapa deve estar
orçamentos serviram para elaborar, por meio completa para que outra atividade possa
da ferramenta do Diagrama de Gantt, o iniciar. De acordo com a listagem das
sequenciamento de atividades em ordem atividades, o projeto é divido em engenharia,
cronológica, evidenciando as fases do manufatura e montagem, essa divisão
desenvolvimento. Além disso, o gráfico de corrobora com concepção de Slack,
barras inclui itens como listagem das Chambers e Johnston (2009).
atividades, duração das atividades, datas de
Embora os gráficos de Gantt sejam vantajosos
cronograma e o progresso até o momento.
por serem de simples entendimento e
O Diagrama de Gantt da Figura 1, apresenta maleáveis a ponto de serem fáceis de alterar,
um modelo genérico de um desenvolvimento de acordo com a abordagem de Kerzner
e suas etapas. Ainda se destaca a legenda, (2011), o gráfico de barras apresentam
cujo intuito é explicitar as indicações feitas no algumas limitações que serão exploradas a

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


35

seguir.

Figura 1 – Diagrama de Gantt das etapas do projeto.

Fonte: Elaborado pelos autores.

4.1 PROBLEMA genérico de um projeto em desenvolvimento


que se enquadra em uma situação de atraso.
Com base as concepções apresentadas na
Nota-se, no diagrama, que na listagem das
seção 4.1, o Diagrama de Gantt coloca-se
atividades na coluna esquerda, a escala de
como uma ferramenta aliada no que diz
tempo está retrata em semanas.
respeito a estabelecer uma relação de
precedência entre as etapas de um projeto, Em decorrência da carência de ferramentas
sendo possível identificar, sem muita de gerenciamentos de projetos que a
precisão, a etapa em que ocorreu o atraso. empresa utiliza, nota-se um reflexo no
Contudo, percebe-se, com base nos desempenho e execução dos mesmos. Um
históricos de projetos desenvolvidos pela dos aspectos que são inerentes aos projetos
empresa, constatou-se que ainda existe é a relação com os prazos de execução,
considerável insuficiência para identificar a assim sendo propõe-se uma melhoria na
real causa dos atrasos em projetos. Dessa acuracidade da mensuração do tempo no
forma, constatou-se que a deficiência de desenvolvimento dos projetos.
cronograma tem assegurado desvantagem
Pela análise da Figura 2 verifica-se que no
competitiva, representando riscos potencias
desenvolvimento o atraso decorre da etapa
ante ao dinamismo de mercado.
“Projeto 3D” no processo de Engenharia, na
A partir do panorama exposto na seção 4.1, qual há diversas subatividades que são
no desenvolvimento de um projeto, as etapas desenvolvidas para sua conclusão. Desta
têm caráter sequencial e dependente. Sob tal maneira, não é evidenciado a real causa do
perceptiva a Figura 2 expõe o modelo atraso do projeto.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


36

Figura 2 – Exemplo de projeto com atraso.

Fonte: Elaborado pelos autores.

No mais, a ausência de um detalhamento críticos deve-se executar a expansão das


pormenorizado para cada etapa implica em etapas para um acompanhamento mais
um menor aproveitamento do tempo, menor detalhado das subatividades. É imperativo
rendimento em projetos, além do que se cria que toda equipe deve estar trabalhando em
uma visão distorcida sobre o real conjunto para minimizar o tempo de cada
desempenho que a empresa tem em seus etapa, corroborando com os conceitos ora
desenvolvimentos, podendo ter reflexos e apresentados sobre o Gerenciamento Ágil.
impactos significativos na produtividade e
A Figura 3 apresenta a expansão, em
lucratividade da organização, o que reforça a
subatividades, da etapa do “Projeto 3D” ora
concepção de Carpinetti, Miguel e Gerolamo
apresentado na Figura 2. Se faz necessário
(2011).
destacar que, o intuito da Figura 3 não é
apontar o atraso em si, pois trata-se de um
exemplo genérico de projeto, contudo, com a
4.2 PROPOSTA
expansão pormenorizada, objetiva-se fornecer
Em consonância com o exposto no problema, um detalhamento mais rico, resultando em um
uma das maiores dificuldades recai sobre o acompanhamento mais preciso e diário
gerenciamento do tempo das atividades durante o desenvolvimento. Assim, espera-se
previamente estabelecidas. que os projetistas consigam reconhecer a
subatividade que foi acometida por um atraso
Isto posto, a essência deste trabalho remete-
pontual, podendo despender mais recursos
se sobre o detalhamento das etapas.
e/ou pessoas a fim de que o atraso seja
Destarte, após a identificação dos pontos
solucionado.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


37

Figura 3 – Exemplo de projeto com etapa crítica expandida.

Fonte: Elaborado pelos autores.

A partir da identificação dos pontos a serem livro Discurso do Método, publicado em 1637,
melhorados, deve ocorrer o deslocamento um problema complexo pode e deve ser
das equipes para acompanhamento das dividido e resolvido em tantas partes menores
subatividades. Reitera-se, que toda a equipe quanto possíveis, de modo que a soma das
deve trabalhar alinhada e engajada em soluções de cada uma dessas pequenas
finalizar cada etapa proposta conforme a partes ainda seja igual ao resultado do
concepção do Gerenciamento Ágil. Desta problema inicialmente proposto.
forma, em um espaço menor de tempo
Levando em conta a abordagem
consegue-se identificar e atuar em cima dos
supramencionada, a essência deste trabalho
atrasos referentes ao item crítico e tomar
remete-se ao detalhamento das etapas para
atitudes para a correção imediata da
otimizar o tempo dispendido no projeto.
atividade com atraso.
Outrossim, a concepção do Gerenciamento
Em um intervalo de tempo suficientemente Ágil coloca-se como uma ferramenta para
adequado, com implementação do recurso da manter o foco principal do projeto, evitando
expanão das etapas, espera-se obter um ocorrências de perdas de tempos no
histórico de projetos a fim de que seja desenvolvimento oferecido ao cliente.
possível antever eventuais atrasos, isto é,
A conduta de gestão coletiva por parte dos
poder identificar o maior número de
colaboradores, neste trabalho, objetivou
ocorrências de determinados atrasos em um
entender melhor o processo de
projeto, visto que há semelhanças na
desenvolvimento de projetos como um todo
execução das atividades mesmo sendo
para quando ocorrer um atraso mínimo os
projetos distintos. Sobre outra perspectiva, ao
projetistas tenham uma diretriz para executar
levantar indicadores de atrasos em projetos
um plano de ação e solucionar o atraso.
objetiva-se estabelecer uma vantagem
Reitera-se que em intervalo de tempo
competitiva, pois estes tornar-se-ão
suficientemente adequado, a gerencia de
balizadores para encontrar o maior número de
projetos, tenha informações suficientes dos
falhas em planejamento e execução, para
históricos de atrasos sendo possível reduzir
que, dessa forma atitudes corretivas e
eventuais reflexos e impactos na
preventivas sejam tomadas.
produtividade e, consequentemente, na
lucratividade da organização.
5. CONCLUSÕES Por fim, a somatória de atrasos pontuais nos
projetos tem resultado em uma visão
Como observado por René Descartes em seu
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
38

distorcida sobre o aproveitamento do prazo e Gerenciamento de Projetos e do


rendimento dos desenvolvimentos mecânicos. Gerenciamento Ágil são assim, entendidas
Sendo assim, constatou-se que o uso do como complementares e indispensáveis para
Gerenciamento Ágil em projetos é eficaz nos o sucesso dos projetos na organização objeto
desenvolvimentos realizados pela de estudo.
ferramentaria. No mais, as ferramentas dos

REFERÊNCIAS
[1]. ALOTAIBI, A. B.; MAFIMISEBI, O. P. [13]. LEITE, M. D.; FILHO, F. R. J. Alinhando
Project Management Practice: redefining Projetos à Estratégia de Negócios. In: V Congresso
theoretical challenges in the 21st Century. Journal Nacional de Excelência em Gestão – CNEG, Niterói
of Economics and Sustainable Development, v.7, - RJ, 2009. Anais... Niterói – RJ: Universidade
n.1, p. 93 - 99, 2016. Federal Fluminense, 2009. 23p. Universidade
[2]. BEUREN, Ilse Maria (org. e colab.). Como Federal Fluminense, Rio de Janeiro.
Elaborar Trabalhos Monográficos em [14]. LIMA, N, C. A Gestão Ágil Como Novo
Contabilidade. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2006. Paradigma no Gerenciamento de Projetos. In: VII
[3]. CARPINETTI, L. C. R.; MIGUEL, P. A. C.; Congresso Nacional de Excelência em Gestão –
GEROLAMO, M. C. Gestão da Qualidade ISO CNEG, Niterói - RJ, 2011. Anais... Niterói – RJ:
9001:2008: princípios e requisitos. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2011. 20p.
Atlas, 2011. Universidade de São Paulo, São Paulo.
[4]. CARVALHO, F. Priorização da Carteira de [15]. LITTLE, T. Context-Adaptive Agility:
Projetos com Uso do Planejamento Estratégico. In: managing complexity and uncertainty. Software
VI Seminários em Administração – SEMEAD, São IEEE, 22, 3, p. 28-35, May/June 2005.
Paulo, 2003. Anais… São Paulo: Faculdade de [16]. MALAGUTTI, F. Análise da Relação de
Administração, Contabilidade e Economia, Maturidade e Gerenciamento da Qualidade em
Universidade de São Paulo, 2003. 12p. Projetos. 2011. 80f. Dissertação (Mestrado em
Universidade de São Paulo, São Paulo. Engenharia Mecânica). Faculdade de Engenharia
[5]. CARVALHO, R, S. Implantação de Sistema Mecânica, Universidade Estadual de Campinas,
de Gestão da Qualidade: Um Estudo de Caso em Campinas- SP.
uma Importadora de medicamentos. In: VII [17]. MIR, A. F.; PINNINGTON, H. A. Exploring
Congresso Nacional de Excelência em Gestão - the Value of Project Management: linking project
CNEG, Niterói – RJ, 2011. Anais... Niterói – RJ: management performance and project success.
Laboratório de Tecnologia, Gestão de Negócios e International Journal of Project Management, v.32,
Meio Ambiente, Universidade Federal Fluminense, n. 2, p. 202–217, fev. 2014.
2011. 14p. Universidade Federal Fluminense, Rio [18]. OLIVEIRA, J. A.; NADAE, J.; OLIVEIRA, J,
de Janeiro. O.; SALGADO, H, M. Um Estudo sobre a Utilização
[6]. CLEDEN, D. Managing Project de Sistemas, Programas e Ferramentas da
Uncertainty: advances in Project management. Qualidade em Empresas do Interior de São Paulo.
United Kingdom: Gower Publisnhig, Ltd., 2009. Produção, v. 21, n. 4, p. 708-723, out./dez. 2011.
127p. [19]. PMI. Project Management Institute (ed.). A
[7]. GIL, A. C. Como Elaborar Projetos de Guide to the Project Management Body of
Pesquisa. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2016. Knowledge - PMBok. 5. ed. Newtown Square,
[8]. GIL, A. C. Estudo de Caso. 1.ed. São Pennsylvania: PMI Publishing Division, 2013.
Paulo: Atlas, 2009. [20]. PINTO, J. S. Variáveis dos Atributos
[9]. HIGHSMITH, J. Agile Project Management: Complexidade e Incerteza em Projetos: proposta
creating inovative products. Boston: Addison- de criação de Escala de Mensuração. 2012. 216f.
Wesley, 2004. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica).
[10]. JUN, L.; QIUZHEN, W.; QINGGUO, M. The Faculdade de Engenharia Mecânica, Universidade
Effects of Project Uncertainty and Risk Estadual de Campinas, Campinas-SP.
Management on IS Development Project [21]. SÁ, G. T. de. Administração de
Performance: a vendor perspective. International Investimentos: teoria de carteiras e gerenciamento
Journal of Project Management, v. 29, n. 7, p. 923- do risco. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999.
933, October 2011. [22]. SHENHAR, A. J.; LEVY, O.; DVIR, D.
[11]. KERZNER, H. Gerenciamento de Projetos: Mapping the Dimensions of Project Success.
uma abordagem sistêmica para planejamento, Project Management Journal, v. 28, n. 2, p. 5-13,
programação e controle. 10.ed. São Paulo: Editora June 1997.
Blucher, 2011. [23]. SHENHAR, J. A.; DVIR, D. Reinventando
[12]. KUJALA, K.; ARTTO, K.; Gerenciamento de Projetos: a abordagem
PARHANKASNGAS, A. Towards Theory of Project diamante ao crescimento e inovação bem-
Business. 19th Nordic Academy of Management sucedidos. Boston: Harvard Business School
Conference, Bergen, Noruega, ago. 2007. Publishing, 2007.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


39

[24]. SHENHAR, A. J.; TISHLER, A.; DVIR, D.; [27]. TOLEDO, J. C. de; SILVA, S. L. da;
LIPOVETSKY, S.; LECHLER, T. Refining The Search MENDES, G. H. S.; JUGEND, D. Fatores Críticos de
for Project Sucess Factors: a multivariate, Sucesso no Gerenciamento de Projetos de
typological approach. R & D Management, v. 32, n. Desenvolvimento de Produto em Empresas de
2, p. 111-127, march 2002. Base Tecnológica de Pequeno e Médio Porte.
[25]. SINHA, S.; THOMSON, A, I.; KUMAR, B. A Gestão e Produção, São Carlos, v. 15, n. 1, p. 117-
Complexity Index for The Design Process. In: 134, jan./abr. 2008.
International Conference on Engineering Design – [28]. VIDAL, L.-A.; MARLE, F.; BOCQUET, J.-C.
ICED’01, Glasgow – UK, 2001. Anais… Glasgow – Measuring Project Complexity Using The Analytic
UK: Professional Engineering Publishing, Bury St. Hierarchy Process. International Journal of Project
Edmunds, v.1, p. 157-163, 2001. Management. v. 29, n. 6, p. 718-727, August 2011.
[26]. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON,
R. Administração da Produção. 3. ed. São Paulo:
Atlas, 2009.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


40

Capítulo 4

Marcela Carneiro Avelar


Thais Tesch Bonesso
Carlos Henrique de Oliveira
Sandra Miranda Neves
João Batista Turrioni

Resumo: Este artigo aborda a utilização da metodologia Seis Sigma, de acordo


com as etapas definidas pelo DMAIC, aplicada ao serviço de cadastro e entrada de
visitantes a pacientes internados em um hospital localizado na cidade de Itabira
(MG), através da proposta de ações que visam diminuir ou até mesmo eliminar a
variabilidade do processo. A pesquisa e desenvolvimento do estudo foram
realizados por meio de visitas para a definição do escopo, coleta de dados e
realização da Análise da Capacidade do processo, tornando possível a
identificação das causas raízes do elevado tempo de espera dos visitantes e a
proposta de ações que reduzissem os efeitos desse problema e aumentassem a
satisfação dos clientes. O Plano de Ação não foi executado pelos autores do artigo
mas foram sugeridos a Alta Direção do hospital. Se as ações forem implementadas
os resultados devem ser monitorados para que suas melhorias sejam comprovadas
através de fatos e dados.

Palavras-chave: Seis Sigma. DMAIC. Variabilidade. Análise da Capacidade.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


41

1. INTRODUÇÃO por Bill Smith, funcionário da Motorola, em


uma tentativa de amenizar os prejuízos da
A abordagem Seis Sigma é definida por
empresa. Seu principal objetivo é diminuir a
Werkema (2010) como uma estratégia
variabilidade do processo, e assim, reduzir os
gerencial disciplinada e altamente
níveis de defeitos por meio da coleta e análise
quantitativa, que tem por objetivo aumentar a
de dados relevantes (SANTOS, 2006).
lucratividade da empresa, por meio da
melhoria da qualidade de seus processos e O Seis Sigma adota o uso intensivo de
do aumento da satisfação dos clientes. De ferramentas estatísticas e uma sistemática
acordo com a metodologia, a variação dentro análise de variabilidade, sendo utilizado como
de um processo ou serviço é uma das indicador de desempenho para estabelecer a
principais causas de desperdícios e erros, capacidade de um processo. Tem como meta
assim, eliminando as variações, os processos atingir o índice Seis Sigma (6σ ), em
se tornam mais eficientes. O termo Sigma (σ ) linguagem estatística 6 desvios padrão, que
se refere a uma unidade estatística de significa, 3,4 defeitos por milhão de
medição da qualidade, onde a meta do Seis oportunidades ou 99,99966% de perfeição.
Sigma é chegar próximo de zero defeito, erro De acordo com Rotondaro (2002) a obtenção
ou falha. desta meta classifica a organização como
"classe mundial”.
A Metodologia utilizada na definição das
etapas a serem cumpridas em um projeto Seis Para Anbari e Kwak (2004), o Seis Sigma
Sigma é o DMAIC, que em inglês significa: proporciona desenvolvimento sustentável, por
Define (Definir), Measure (Medir), Analyze meio de melhorias no processo e foco nos
(Analisar), Improve (Melhorar) e Control clientes. Rodrigues e Werner (2010)
(Controlar). evidenciam que a metodologia Seis Sigma
oferece outras vantagens, como: a
O objeto de estudo selecionado para
propagação da aprendizagem, concepção de
realização deste trabalho é um hospital,
um senso de direção para alcançar as metas,
referência microrregional em traumatologia,
redução dos desperdícios, aumento e
maternidade e hemodiálise para atender a
retenção de clientes, aumento de recursos
uma população estimada de 300 mil
para treinamentos e melhorias dos processos.
habitantes, localizado na cidade de Itabira e
Antony et al. (2007) citam vários benefícios
que conta com 154 leitos. Será estudado o
relacionados a aplicação do Seis Sigma
processo de cadastro e entrada de visitantes
direcionado a serviços como por exemplo:
aos pacientes internados em todas as áreas
redução do número de tarefas que não
do hospital, esse processo gera espera e
agregam valor, redução dos custos e perdas,
insatisfação das pessoas envolvidas.
transformação da cultura organizacional de
A presente pesquisa busca responder a reativa a proativa, aumento do moral entre os
seguinte problemática: É possível utilizar a colaboradores, gerenciamento efetivo na
metodologia Seis Sigma (DMAIC) com tomada de decisão baseada em fatos e
objetivo de propor ações para a redução do dados, e incremento da consistência no nível
tempo de espera de visitantes em um de serviço ao cliente por meio da redução
hospital? Diante do problema exposto, os sistemática da variabilidade no processo.
pesquisadores pretendem propor soluções no Segundo Figueiredo (2007), a metodologia
processo de cadastro e entrada de visitantes Seis Sigma proporciona melhorias muito mais
por meio da aplicação da metodologia Seis duradouras, pois visa eliminar as causas
Sigma. raízes, origem do problema, e não somente os
efeitos, sintomas ou atividades isoladas, o que
a torna uma ferramenta essencial para as
2. REFERENCIAL TEÓRICO empresas que buscam aumento da
competitividade.
Neste tópico serão abordados os principais
conceitos da metodologia Seis Sigma e as
principais ferramentas que serão utilizadas na
2.2 METODOLOGIA DMAIC
pesquisa.
A metodologia Seis Sigma incorpora um
conjunto sistemático de etapas definidas pelo
2.1 METODOLOGIA SEIS SIGMA DMAIC, que possibilita uma apropriada
organização da implantação, desenvolvimento
A metodologia Seis Sigma foi criada em 1986,
e conclusão de grande parte dos projetos
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
42

(ANDRIETTA; MIGUEL, 2007). Possui identificando a diferença entre o


características muito parecidas ao ciclo desempenho real e as metas esperadas.
PDCA, que é caracterizada por Plan
d) Melhorar (Improve): Essa fase foca em
(Planejar), Do (Fazer), Check (Checar) e Act
compreender as causas encontradas na
(Agir), que prevê a melhoria contínua dos
etapa anterior, com o intuito de gerar
processos dentro da organização. Para Harry
soluções em busca de controlá-las ou
(1998), o DMAIC é uma estratégia que auxilia
eliminá-las através da redução da
as organizações por meio de uma série de
variabilidade do processo.
intervenções e ferramentas estatísticas que
podem gerar ganhos significativos em e) Controlar (Control): Essa é a etapa final do
lucratividade e qualidade, tanto para produtos DMAIC, onde a equipe deve definir como
como serviços. será realizado o controle das variáveis
De acordo com Werkema (2006), a críticas e quais serão as ações caso
metodologia pode ser definida como: surjam problemas no processo.

a) Definir (Define): Essa etapa é


caracterizada pela definição do escopo 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
do projeto, objetivos, descrição do
problema e avaliação do seu impacto A pesquisa e o desenvolvimento deste estudo
sobre os clientes. foram realizados por meio de visitas para a
definição do processo e a coleta de dados,
b) Medir( Measure): Essa etapa precisa ser que foram interpretadas e analisadas
documentada, por meio da elaboração de tornando possível a identificação das
um plano de coleta de dados eficiente possíveis melhorias que visa a redução do
com a definição das variáveis que devem tempo de espera dos visitantes. O estudo foi
ser acompanhadas e de que forma isso realizado de acordo com as fases da
será feito. metodologia DMAIC (Figura 1), porém a
pesquisa desenvolveu-se até a fase de
c) Analisar (Analyze): Serão analisados os
melhoria (improve), ficando sob
processos e dados obtidos na etapa
reponsabilidade da empresa (objeto de
anterior, determinando assim as causas
estudo) a implantação das ações de melhoria
raízes das não conformidades,
e fase de controle (control).
Figura 1 – Metodologia DMAIC..

Fonte: Autoria prória


Na fase de definição, foi elaborado um SIPOC capacidade do processo e o cálculo do nível
(Suppliers/ Inputs/ Process / Outputs / Sigma.
Customers), que é a representação macro de
Na fase de análise, foi utilizado o diagrama
um processo, para identificar com clareza
Causa e Efeito, onde as causas do problema
todas as etapas envolvidas, auxiliando no
encontrado foram agrupadas, o que facilita a
desenvolvimento do fluxograma, logo após foi
identificação das possíveis causas raízes e
realizada a matriz de priorização para
análise de suas influências no processo.
identificação das etapas mais críticas do
processo. Na fase de melhoria, utilizou-se a ferramenta
5W2H que analisa todos os aspectos de um
Na fase de medição, foram realizadas coletas
problema e facilita a busca de ações para
de dados no hospital e os tempos em que
conter as suas causas, porém a
cada pessoa esperava para ser atendido
implementação do estudo e a última fase do
antes da visita aos pacientes. A partir dos
DMAIC, que é o controle, não foram aplicados
dados coletados estabeleceu-se a carta de
na presente pesquisa.
controle e em seguida foi feita uma análise de

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


43

principais etapas do processo (Process),


saídas (Outputs) e clientes (Customers),
4. DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO
apresentado no Quadro 1.
4.1 DEFINIÇÃO
4.1.1 SIPOC
4.1.2 FLUXOGRAMA
Para a definição do escopo do trabalho, foi
Para ilustrar o processo e permitir uma melhor
realizado um SIPOC, com a identificação de
visualização da sequência das informações e
todos os elementos envolvidos, como os
atividades, foi desenvolvido um Fluxograma
fornecedores (Suppliers), entradas (Inputs),
(Figura 2).

QUADRO 1 – SIPOC do processo analisado.


SUPPLIERS (Fornecedores)  Hospital
Informações dos visitantes e pacientes;
INPUT (Entradas)
Funcionário do hospital.
Verificação da roupa do visitante;
Verificação da existência de cadastro do visitante;
Realização do cadastro do visitante;
PROCESS (Processo)
Impressora da etiqueta de identificação;
Verificação da liberação da entrada;
Liberação da entrada do visitante.
Cadastro do visitante;
OUTUPUT (Saídas) Entrada no hospital;
Visista ao paciente internado.
Visitante;
CUSTOMER (Clientes)
Paciente
Fonte: Autoria prória.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


44

FIGURA 2 – Fluxograma do processo.

Fonte: Autoria prória

4.1.3 MÉTODO DE COMPARAÇÃO AOS ou seja, quais delas mais influenciam na


PARES (PAIR WISE COMPARISON) qualidade do processo (Quadro 2).
Após conhecer o processo, foi necessário
identificar quais etapas são as mais críticas,

QUADRO 2 – Identificação das atividades. Fonte: Autoria prória.


ETAPAS ATIVIDADES
1 Verificar se o visitante está com roupa adequada.
2 Verificar se o visitante possui cadastro.
3 Realizar o cadastro do visitante.
4 Imprimir a etiqueta de identificação.
5 Verificar se a entrada está liberada.
6 Liberar a entrada do visitante.

O Método de Comparação aos Pares pares possíveis (Tabela 1).


compara individualmente o impacto de todas
as atividades combinando-as em todos os

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


45

Tabela 1 – Método de Comparação aos Pares


ETAPA 1 ETAPA 2 ETAPA 3 ETAPA 4 ETAPA 5 ETAPA 6

ETAPA 1
ETAPA 2 2
ETAPA 3 3 3
ETAPA 4 4 2 3
ETAPA 5 5 2 3 4
ETAPA 6 1 2 3 4 5
Fonte: Autoria prória.

Em seguida, as frequências de cada uma das identificação de qual delas é a mais crítica ao
etapas foram estabelecidas , permitindo a processo, conforme Tabela 2.

Tabela 2 – Frequência de etapas


ETAPAS VOTOS %

1 1 7%
2 4 27%
3 5 33% 80%
4 3 20%
5 2 13%
6 0 0%
TOTAL 15 100%
Fonte: Autoria prória.
As atividades, verificar se o visitante possui 4.2.2 ANÁLISE DE CAPACIDADE E
cadastro (etapa 2), realizar cadastro dos DETERMINAÇÃO DO NÍVEL SIGMA.
visitantes (etapa 3) e imprimir etiqueta de
Primeiramente, definiu-se que a Carta de
identificação foram as etapas mais críticas,
Controle a ser utilizada são os gráficos
representanto 80% da criticidade do processo
baseados na Média (𝑋̅ ) e na Amplitude Móvel
estudado.
(𝐴𝑀
̅̅̅̅̅ ), que são utilizadas quando os dados
são variáveis e as observações são
individuais, ou seja, os subgrupos possuem
4.2 MEDIÇÃO
apenas uma amostra. Os dados foram
4.2.1 COLETA DE DADOS plotados com o uso do software Minitab®
(Figura 3).
Para a coleta de dados foram realizadas 40
observações diárias durante os dois primeiros Analisando a Figura 3, percebe-se que três
meses da pesquisa. Após a coleta, foi pontos ultrapassaram o limite superior de
utilizado o software Excel® para o cálculo dos controle para o gráfico da média, o mesmo
tempos de espera em minutos que foram ocorreu com o gráfico de amplitude móvel,
transformados em segundos, para serem onde cinco pontos também excederam o
plotados no Minitab®. limite superior de controle, o que caracteriza a
presença de outliers (causas especiais) no
processo estudado.
Uma vez eliminadas as causas especiais do
processo, uma nova carta de controle foi
estabelecida (Figura 4), evidenciando a
estabilidade do processo.
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
46

FIGURA 3 – Carta de controle com causas especiais.

Fonte: Autoria prória.

FIGURA 4 – Carta de controle sem causas especiais.

Fonte: Autoria prória.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


47

4.2.2 ANÁLISE DA CAPACIDADE para o Zbench global de 0,98. Portanto, o


nível Sigma encontrado foi de
Utilizando como limites inferior e superior de
controle (LIE e LSE) os valores de 60
de 16,42% ou 164.231 DPMO, valor que
segundos (tempo mínimo) e 180 segundos
define a porcentagem de pessoas que
(tempo máximo) respectivamente, tempos em
aguardam além dos limites de especificações
que um visitante pode aguardar na fila do
definidos para realizarem a visita aos
hospital e utilizando o Minitab®, realizou-se o
pacientes internados no hospital. Para o
estudo de capabilidade do processo,
cálculo do nível Sigma utilizou-se a expressão
conforme Figura 5, sendo o valor estabelecido
Z bench + 1,5.

FIGURA 5 – Análise de capabilidade.

Fonte: Autoria prória.

4.3 ANÁLISE especificação) foi realizado um Brainstorming


(tempestade de idéias). Após elaborou-se o
.Para identificar a origem dos defeitos (tempo
diagrama de Ishikawa para relacionar as
de espera paa visita fora dos limites de
possíveis causas com o efeito (Figura 6).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


48

FIGURA 6 – Diagrama de Causa e Efeito (entrada de visitantes no hospital).

Fonte: Autoria prória.

4.4 MELHORIA Para a realização do estudo, foi necessário


definir o escopo do projeto, mensurar os
Nesta fase do projeto foi elaborado um Plano
tempos de espera, analisar o processo de
de Ação para cada uma das causas raízes
cadastro e entrada dos visitantes com a
encontradas (Anexo A).
utilização de ferramentas estatísticas,
diagnosticar os principais problemas e
identificar as suas causas raízes. Foi possível
4.5 CONTROLE
elaborar uma proposta de Plano de Ação com
Os pesquisadores recomendaram à alta o objetivo de reduzir a variabilidade do tempo
administração do hospital, uma vez que o de espera dos visitantes e melhorar a
plano fosse implementado, que seria qualidade do serviço prestado.
necessário estabelecer uma rotina de
É importante ressaltar que, apesar da etapa
monitoramento do processo, coletando novos
de melhoria, implantada parcilamente, e a de
dados e aplicando o Controle Estatístico do
controle, onde foi realizada algumas
Processo, a fim de estabelecer um maior
recomendações, as ações para a eliminação
controle no tempo de espera dos visitantes.
das causas raízes foram elaboradas de
Além disso, foi sugerido que o monitoramento
acordo com a ferramenta 5W2H e sugeridas à
fosse documentado e assinado por seus
Alta Direção do hospital. Espera-se que uma
responsáveis, com o propósito de verificar a
vez implantado o Plano de Ação, os
efetividade das ações a serem
resultados devem ser avaliados,
implementadas.
documentados, acompanhados e
monitorados até que o processo se estabilize
e uma nova Análise da Capacidade seja
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
realizada, como também um novo cálculo do
O presente trabalho propôs ações de nível Sigma (σ ), para comprovar a eficácia
melhoria no processo de cadastro e entrada das atividades previstas no plano de ação.
de visitantes aos pacientes internados em um
hospital por meio da aplicação da
metodologia Seis Sigma (DMAIC).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


49

REFERÊNCIAS
[1]. AMBARI, F.T.; KWAK, Y.H. Success [5]. HARRY, M.J. Six sigma: a breakthrough
Factors in Managing Six Sigma Projects. London: strategy for profitability. Quality Progress, n.5, v.31,
Project Management Institute Research p.60-64,1998.
Conference, 2004. [6]. RODRIGUES, J.T.M.C.; WERNER, L.
[2]. ANDRIETTA, J.M.; MIGUEL, P.A.C. Descrevendo o Programa Seis Sigma: Uma revisão
Aplicação do programa Seis Sigma no Brasil: da literatura. XXVIII Encontro Nacional de
resultados de um levantamento tipo Survey Engenharia de Produção. Rio de Janeiro, RJ,
exploratório-descritivo e perspectivas para Outubro, 2010.
pesquisas futuras. Gestão da Produção,n.2, v.14, [7]. ROTONDARO, R.G. Seis Sigma: Estratégia
p. 203-219, 2007. Gerencial para a Melhoria de Processos, Produtos
[3]. ANTONY, J.; ANTONY, F.J.; KUMAR, M. e Serviços. 1. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2002.
Six Sigma in Service Organizations: Benefits, [8]. SANTOS, A.B. Modelo de referência para
Challenges and Difficulties, Common Myths, estruturar o programa de qualidade Seis Sigma:
Empirical Observations and Success Factors. proposta e avaliação. 312 f. Tese (Doutorado em
International Journal Of Quality & Reliability Engenharia de Produção) – Universidade Federal
Management, n. 3, vol. 24, p.294-311, 2007. de São Carlos, São Carlos, 2006.
[4]. FIGUEIREDO, T.G. Metodologia Seis [9]. WERKEMA, M.C.C. Ferramentas
Sigma como estratégia para redução de custos: Estatísticas Básicas para o Gerenciamento de
estudo de caso sobre a redução de consumo de Processos. Belo Horizonte: Werkema, 2006.
óleo sintético na operação de usinagem.. [10]. WERKEMA, M.C.C. Lean Seis Sigma –
Monografia (Graduação Engenharia de Produção) - Introdução as ferramentas Lean Manufacturing. Rio
Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, de Janeiro: Werkema, 2010.
2007.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


50

A) ANEXO A – INSTRUÇÕES COMPLEMENTARES

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


51

Capítulo 5

Larissa Almeida Matias de Lima Batista


Bruno Vieira Bertoncini

Resumo: A decisão de escolha do veículo pelas empresas para o transporte de


cargas em áreas urbanas exige considerável esforço, devido às diversas variáveis
existentes, como àquelas relacionadas ao próprio veículo, à mercadoria, à região
de entrega, às restrições decorrentes de políticas externas e as exigências
advindas da própria operação, como sistemas de produção just-in-time.
Reconhecendo esse desafio, o objetivo deste artigo é alcançar uma maior
compreensão sobre os fatores que afetam a tomada de decisão quanto ao veículo
urbano de carga no Brasil. A Metodologia de Revisão Sistemática (MRS) foi
conduzida com o intuito de revisar a literatura sobre os atributos considerados na
escolha modal do transporte de cargas. Depois disso, foi realizada uma coleta de
dados a fim de verificar a aderência desses atributos à realidade estudada. Através
dessas etapas, observa-se sinergia entre os atributos encontrados na literatura e os
fatores considerados importantes, pelos gestores logísticos, para a escolha do
veículo a ser utilizado no transporte de mercadorias urbanas no Brasil.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


52

1. INTRODUÇÃO 2. METODOLOGIA
O transporte de cargas é um componente O método a ser empregado neste trabalho
fundamental para a vida das pessoas, pois está dividido em três etapas, a começar por
por meio deste as comunidades têm acesso uma busca exaustiva da literatura;
aos bens e produtos. A movimentação de posteriormente haverá uma pesquisa
veículos comerciais representa algo em torno exploratória com os gestores logísticos de
de 15% de todas as viagens urbanas. Todos empresas de transporte de mercadorias, que
os dias as pessoas consomem e usam bens atuam na distribuição física em áreas
(e.g., comida, roupas, mobília, livros, carros e urbanas, permitindo assim identificar a
computadores) produzidos ao redor do maneira como os transportadores exercem a
mundo; mas, ao mesmo tempo, essa escolha modal para este tipo de operação. Ao
movimentação de cargas contribui final, a terceira fase deste trabalho irá analisar
significativamente com os efeitos ambientais, os resultados obtidos a partir da revisão da
sociais e econômicos indesejados (NUZZOLO literatura e coleta de dados.
e COMI, 2014; STEFAN, MCMILLAN e HUNT,
Com base no que é apresentado na literatura
2005).
sobre a modelagem da escolha modal, a
O papel do transporte de cargas continua a primeira etapa do método proposto consiste
crescer como uma parte importante do em identificar os principais atributos que
cotidiano de atividades de negócios e influenciam a escolha do modo de transporte
pessoas, especialmente ao analisar os de carga. Para isso, será utilizada a MSR.
recentes avanços no e-commerce,
A MSR (Metodologia Sistemática de Revisão)
globalização econômica, armazenamento de
é uma metodologia rigorosa, usualmente
alta tecnologia e sistemas de produção just-
utilizada na área da saúde, que visa identificar
in-time, que visam a redução do tamanho do
estudos sobre um determinado assunto (DE
veículo comercial e aumento da frequência de
LA TORRE-UGARTE-GUANILO et. al, 2011).
entregas (NUZZOLO et al., 2012).
Este método difere das análises tradicionais
Existem outros fatores sobre a movimentação por adotar um processo replicável, científico e
de cargas urbanas que tornam as pesquisas transparente que garante precisão,
na área ainda mais desafiadoras, como o integridade e qualidade dos resultados
elevado número de viagens encadeadas (SANTOS JÚNIOR et. al, 2011). Sua
(WANG e HU, 2011). Desse modo, Abate e implementação segue cinco passos básicos:
Jong (2014) ressaltam que há o grande 1) Definição do problema de pesquisa; 2)
interesse de compreender como os Definição da estratégia de pesquisa; 3)
operadores de carga tomam a decisão sobre Definição de critérios de inclusão ou exclusão
qual veículo será utilizado para o transporte. do trabalho; 4) Seleção dos artigos; 5) Análise
dos artigos selecionados.
As características da entrega estão
relacionadas com as atividades individuais Paralelamente a esta busca na literatura, as
dos tomadores de decisão bem como os empresas a serem estudadas precisam ser
aspectos do sistema de transportes; com isso, definidas. O foco deste trabalho são
busca-se alcançar um nível de interpretação empresas que possuam mais de um tipo de
dos atributos de escolha considerados na veículo utilizados em sua operação. Com isso,
tomada de decisão (NOJORONO e YOUNG, os tomadores de decisão precisam fazer a
2003). escolha de qual veículo utilizar na área
urbana, dado o conjunto de atributos. Para
Considerando a importância do transporte de
definição dessas empresas, sugere-se buscar
cargas e a complexidade que é a escolha do
o contato com os sindicatos dos
veículo a ser utilizado na entrega, este
transportadores e dos motoristas a fim de
trabalho tem por objetivo analisar os
conhecer as transportadoras que possuam
principais atributos considerados na tomada
esse perfil. Desse modo, os sindicatos podem
de decisão quanto à escolha do modo de
fornecer sua base de e-mails das empresas,
transporte urbano de mercadorias, por meio
possibilitando que o link da pesquisa seja
do levantamento de artigos relevantes e de
enviado para os contatos fornecidos.
um questionário exploratório a fim de verificar
a aderência desses fatores à realidade Dispondo desses atributos, com base na
brasileira. literatura, que influenciam a escolha do
veículo e conhecendo as empresas
potenciais, será possível projetar e aplicar o
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
53

questionário exploratório. Este questionário 3.1.2 A ESTRATÉGIA DE PESQUISA


tem o objetivo de verificar a importância ou
Na segunda etapa do MRS, foi definida a
não dos atributos encontrados na literatura de
estratégia de pesquisa. O termo “Atributos
acordo com a realidade do estudo, a partir da
para a escolha do modo de transporte de
visão dos gestores logísticos das empresas.
carga (Attributes in Freight Transport Mode
Por fim, será possível fazer uma análise dos Choice)” foi pesquisado em 4 bases (Emerald,
resultados obtidos e verificar se os atributos Google Acadêmico, Science Direct e Scopus).
encontrados na literatura estão de acordo O horizonte de tempo definido foi de 25 anos,
com o fenômeno analisado, que é o transporte de 1992 até 2017 (este ano). A pesquisa foi
de mercadorias em áreas urbanas no Brasil. A conduzida por título, resumo e Palavras-chave
partir desse estudo, espera-se alcançar uma dos artigos. Por meio destes critérios, foram
maior compreensão do comportamento da encontrados 4 artigos (1 no Emerald, 2 no
escolha do veículo comercial. Google Acadêmico e 1 no Science Direct), os
quais foram: Matear e Gray (1993), Cullinane
e Toy (2000), Witflox e Vandaele (2005) e Kim
3. APLICAÇÃO DO MÉTODO et al. (2017).
3.1 IDENTIFICAÇÃO DE ATRIBUTOS PARA A
ESCOLHA DO VEÍCULO A PARTIR DA
3.1.3 CRITÉRIO PARA INCLUSÃO DE
LITERATURA (MSR)
TRABALHOS
3.1.1 O PROBLEMA DE PESQUISA
A fim de encontrar outros trabalhos sobre os
Na primeira etapa do MRS, o problema de atributos considerados na escolha do modo
pesquisa “Quais os principais atributos que de transporte de carga, a estratégia de
influenciam a escolha do veículo comercial pesquisa foi mudada conforme a seguir: em
para o transporte urbano de cargas?” foi adição ao título e resumo, o texto do artigo
estabelecido baseado na revisão da literatura também foi considerado e não foi colocado
sobre os atributos para a escolha modal. tempo limite, resultando em 54 artigos (Tabela
1).

TABELA 1 – Quantidade de trabalhos encontrados na pesquisa.

Critério de Base de dados Total


pesquisa

Emerald Google Acadêmico Science Direct Scopus

Título e resumo 1 2 1 0 4

Texto completo 1 33 10 6 50

Foram lidos o resumo de cada um desses 54 critérios da pesquisa foram excluídos,


artigos e aqueles que não cumpriram os resultando em 20 artigos (Tabela 2).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


54

TABELA 2 – Quantidade de trabalhos encontrados por país e por ano.


Ano
At Tota
País 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 1 1 1 1
é l
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 1 2 3 4 5 6 7
99
Inglaterra 3 1 1 5
Estados
3 1 1 5
Unidos
Irlanda 1 1
Coreia do
1 1
Sul
França 1 1
China 1 1 2
Brasil 1 1 1 3
Indonésia 1 1
Bélgica 1 1
Austrália 1 1 2
Dinamarc
1 1 2
a
Espanha 1 1
Nova
1 1
Zelândia
Eslováqui
1 1
a
Total 10 3 0 2 2 0 1 0 0 1 1 0 0 2 0 1 2 1 1 27

A próxima etapa da análise consiste em fatores de impacto (SJR) e (SNIP) de seus


analisar a relevância dos 20 artigos periódicos pela base de dados Scopus
encontrados por meio da avaliação dos (Tabela 3).
TABELA 3 – Fatores de impacto dos periódicos encontrados.
Periódico SJR SNIP
Journal of Transportation Economics and Policy 0.993 -
Journal of Transportation Engineering 0.627 0.970
Journal of Agricultural Economics 0.948 1.355
European Transport - Trasporti Europei 0.284 0.479
Transport Research Procedia - 0.442
Transportation Planning and Technology 0.494 0.767
Transportation Research Part A 1.810 1.733
Transportation Research Part E 2.095 1.834
Transportation Research Record 0.474 0.442

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


55

3.1.4 SELEÇÃO DOS ARTIGOS lista de 18 variáveis não especificadas pelo


autor. O autor avaliou operações de
Nesta etapa, foi realizada a seleção dos
transporte rodoviário e metroferroviário.
artigos obtidos na revisão. Somente os
trabalhos que abordam os atributos Jiang et al. (1999) analisaram as
considerados para a escolha modal foram características de demanda por cargas que
considerados, a partir da leitura do resumo. conduzem a escolha entre o modal rodoviário
Desse modo, 16 artigos foram selecionados e ferroviário através do banco de dados de
para serem lidos por completo (Azzam e embarcadores da França. Eles observaram
Linsenmeyer, 1987; Nam, 1997; Abdelwahab, que os atributos relacionados à escolha
1998; Jiang et al., 1999; Cullinane e Toy, modal poderiam ser subdivididos em: i)
2000; Shingal e Fowkes, 2002; Holguín-Veras, fatores de longo prazo - natureza da empresa,
2002; Norojono e Young, 2003; Witlox e seu tamanho, sua localização, sistema de
Vandale, 2005; Puckett e Hensher, 2008; Rich informação utilizado, estrutura operacional e
et al., 2009; Wang e Hu, 2012; Abate e Jong, se há ou não frota própria; e, ii) fatores de
2014; Arencibia et al., 2015; Simecek e Dufek, curto prazo - atributos físicos dos bens a
2016; Kim et al., 2017). serem transportados, atributos físicos do fluxo
e característica espacial do embarque.
Cullinane e Toy (2000) estabeleceram uma
3.1.5 ANÁLISE DOS ARTIGOS: ATRIBUTOS
metodologia formal para identificar e justificar
POTENCIAIS PARA ESCOLHA MODAL
os principais atributos que influenciam as
A identificação de atributos relevantes a decisões de rota e modo de transporte no
serem incorporados nos modelos de escolha transporte de cargas no contexto do Leste
modal é uma etapa muito importante para a Europeu. Com isso, eles obtiveram 15
estruturação dos mesmos. Para isso, os atributos principais: i) custo; ii) serviço; iii)
principais trabalhos foram selecionados a fim confiabilidade no tempo de trânsito; iv)
de verificar as características mais relevantes frequência; v) distância; vi) velocidade; vii)
consideradas no momento da escolha do flexibilidade; viii) infraestrutura disponível; ix)
veículo a ser utilizado no transporte de cargas capabilidade; x) inventário; xi) perdas/danos;
em áreas urbanas. xii) características das cargas; xiii) vendas por
ano; xiv) rastreabilidade e, xv) experiências
Azzam e Linsenmeyer (1987) observaram que
anteriores.
muitas pesquisas anteriores assumiram que o
tamanho do caminhão era algo constante, Shingal e Fowkes (2002) desenvolveram um
mas que não era algo que de fato ocorria. modelo a fim de avaliar a importância relativa
Com isso, o trabalho mostrou a probabilidade dos atributos que influenciam a escolha modal
de escolher o tamanho do caminhão (leve, na China. Foram consideradas cinco
médio ou pesado) de acordo com: i) o volume alternativas modais e, para isso, utilizaram os
da carga e, ii) distância da viagem. seguintes atributos para a análise da tomada
de decisão: i) custo (para a movimentação
Nam (1997) desenvolveu e comparou
porta-a-porta); ii) tempo da viagem porta-a-
modelos de demanda agregada e demanda
porta (com incrementos de um terço de dia
desagregada. Em seu trabalho, duas
útil, i.e.; entrega pela manhã, entrega a tarde
alternativas de transportes foram avaliadas: o
e entrega a noite); iii) confiabilidade do
rodoviário e o intermodal e, para isso, cinco
serviço (definida como a porcentagem de
atributos foram considerados em sua análise:
entregas que chegam no tempo previsto); iv)
i) peso da carga; ii) valor do frete; iii) par
frequência do serviço (em três níveis -
origem-destino; iv) tipo de carga; v) distância;
diariamente, três vezes por semana e
vi) tempo médio de percurso; vii)
semanalmente).
acessibilidade média e, viii) frequência do
serviço. Holguín-Veras (2002) conduziu uma
investigação a fim de identificar fatores
Abdelwahab (1998) realizou um estudo que
importantes para o processo de seleção do
estimou as elasticidades da demanda e das
veículo comercial a partir de dados de
probabilidades de escolha modal para oito
viagens da Cidade da Guatemala. Com isso,
grupos de produtos e dois modos de
obteve o resultado de que a escolha do tipo
transportes, para isso os atributos
de veículo para o transporte urbano de cargas
considerados foram: i) tamanho do lote; ii) tipo
é modelada a partir de: i) distância da
do produto transportado; iii) atributos
viagem; ii) tipo da carga; e, iii) o tipo de
relacionados ao transporte, contendo uma
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
56

atividade econômica que ocorre na origem e Abate e Jong (2014) estudaram o processo
no destino da viagem. de escolha do tamanho do veículo a partir de
dados de diários de viagens da Dinamarca,
O estudo de Norojono e Young (2003) retratou
considerando as seguintes variáveis para
a escolha entre o modo rodoviário e ferroviário
essa escolha: i) distância da viagem; ii)
na Indonésia e determinou as variáveis para a
capacidade máxima legal do veículo; iii) peso
escolha modal nesse contexto, as quais
da carga (ton); iv) custo total de operação por
foram: i) custo; ii) tempo de entrega; iii)
tonelada do veículo; iv) tamanho da frota da
qualidade da entrega (segurança, condições
empresa; v) idade dos veículos; vi) demanda
do veículo, rota, frequência) e, iv) flexibilidade
total de transporte de carga do par origem-
(tempo de embarque, capacidade de
destino; vii) preço médio mensal do
resposta).
combustível (diesel) por litro e, viii) se a frota é
Witlox e Vandaele (2005) reconheceram que a própria ou terceirizada.
escolha modal do transportador não é
Arencibia et al. (2015) utilizaram uma técnica
influenciada simplesmente por atributos
avançada de modelagem para analisar a
puramente econômicos (tempo e custo), mas
demanda por transportes de cargas no
também por fatores qualitativos, os quais são:
contexto da escolha modal. Para isso, a coleta
i) frequência; ii) confiabilidade; iii)
de dados foi conduzida a fim de estimar os
flexibilidade; iv) duração da viagem e, v)
principais atributos preferidos pelos
riscos de perdas ou danos.
embarcadores que definem os serviços
Puckett e Hensher (2008) enfatizam que, fornecidos pelos diferentes modos de
apesar da maioria dos estudos assumirem transportes: rodoviário, marítimo e ferroviário.
que os tomadores de decisão processam Os atributos encontrados foram: i) custo, ii)
todas as informações disponíveis com a tempo de trânsito; iii) frequência; iv)
mesma atenção, é provável que as decisões pontualidade; v) perdas; vi) flexibilidade; vii)
sejam tomadas a partir de alguns atributos rastreabilidade; viii) impactos ambientais e, ix)
considerados estratégicos. Os principais cronogramas.
atributos identificados foram: i) tempo de fluxo
O trabalho de Simecek e Dufek (2016)
livre; ii) tempo de congestionamento; iii)
trabalhou com dados de transportadoras da
tempo de espera até o destino; iv)
Eslováquia. As entregas foram caracterizadas
probabilidade de chegada no tempo
pelo tipo de carga transportada, distância
planejado; v) preço do combustível e, vi)
total percorrida e modo de transporte
taxas baseadas na distância.
utilizado. Os atributos considerados para
Rich et al. (2009) apresentaram um modelo de cada uma das alternativas foram: i) modo de
escolha modal que englobou cinco modos de transporte; ii) tempo e, iii) confiabilidade.
transporte que, ao serem combinados,
Kim et al. (2017) realizaram um estudo que
resultaram em 40 alternativas logísticas. Os
buscava uma melhor compreensão do
atributos considerados para a escolha modal
processo de tomada de decisão sobre o
foram: i) tempo de entrega; ii) tempo de
modo de transporte de carga a ser utilizado
espera; iii) custo do transporte.
pelas empresas, transportadoras e agentes
Wang e Hu (2012) utilizaram dados de na Nova Zelândia. Eles observaram os
viagens da cidade de Denver que mostravam seguintes atributos: i) preço; ii) tempo de
o comportamento de escolha do veículo serviço, confiabilidade e flexibilidade; iii)
comercial para a entrega de cargas urbanas. conectividade do modo; iv) segurança e
A partir disso, trabalharam com vários potencial de perdas; v) facilidade de
atributos importantes para essa escolha, os transferência intermodal; vi) necessidade de
quais foram divididos em: i) viagem: tempo, tratamento especializado; vii) capacidade; viii)
propósito, número de viagens realizadas em valor agregado das atividades na cadeia de
um dia e distância percorrido; ii) paradas: suprimentos; ix) questões ambientais e
número de paradas, tipo de área da entrega; sustentáveis.
iii) características da carga: tipo de carga,
A Tabela 4 possibilita identificar os atributos
quantidade de tipos de cargas e, iv) empresa:
principais observados para a escolha do
número de empregados, tamanho da frota,
modo de transporte a partir da revisão da
total de viagens realizadas durante dia e tipo
literatura.
de atividade.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


57

TABELA 4 – Síntese da revisão bibliográfica.

3.2 DETERMINAÇÃO DAS EMPRESAS em geral, foi realizada uma análise daqueles
que se encaixam à situação específica do
Buscou-se contato com os sindicatos dos
transporte urbano de mercadorias,
transportadores e dos motoristas a fim de
considerando a realidade de uma empresa
conhecer as transportadoras que pertençam
que precisa escolher o veículo mais
ao perfil procurado; isto é, empresas que
adequado para cada viagem. A fim de
possuam mais de um tipo de veículo utilizado
verificar a aderência dos atributos
em sua operação. Foram obtidos 2.437
encontrados na literatura em relação ao
contatos de e-mails de empresas de
fenômeno estudado, de acordo com a visão
transporte de carga de todo o Brasil, sendo
dos gestores logísticos das empresas, foi
que cerca de 30% deles estavam
projetado um questionário exploratório na
desativados. Não foi possível obter
plataforma SurveyMonkey.
diretamente os contatos dos gestores
logísticos; dessa forma, foi necessário contar O questionário possui perguntas que
com a colaboração do destinatário para que o caracterizam a/o(s): i) empresa: cidade em
mesmo encaminhasse o e-mail ao que a matriz está localizada, estados em que
responsável pela tomada de decisão, há operação, quantidade de funcionários; ii)
resultando numa dificuldade notável neste funcionário: o cargo na empresa do
processo. respondente; iii) operação: se a
transportadora realiza um número mínimo de
entregas diário em áreas urbanas (pelo
3.3 QUESTIONÁRIO EXPLORATÓRIO menos 5), se a empresa possui mais um tipo
de veículo, quais seus setores de atuação; iv)
Dispondo dos atributos que influenciam a
atributos: nota (de 1 a 7) dada a cada atributo
escolha modal para o transporte de cargas

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


58

que foi encontrado previamente em busca na 3.4 ANÁLISE DOS RESULTADOS


literatura.
Com o propósito de analisar a relevância dos
Esse questionário foi enviado por e-mail para atributos de escolha do veículo comercial, são
as empresas potenciais. A fim de identificar a apresentadas análises estatísticas descritivas
importância dos atributos, foi pedido que os a partir dos dados, ou seja, dos atributos
gestores logísticos dessem notas de 1 a 7 percebidos pelos gestores responsáveis pela
(quanto maior, mais importante é o atributo tomada de decisão de qual veículo utilizar
para a escolha do veículo). Os mesmos para realizar o transporte da carga em área
atributos também foram divididos em três urbana. A Tabela 5 corresponde às medidas
categorias (viagem, mercadoria e veículo) e descritivas para os atributos, suas medidas
foi pedido que em cada uma delas, o tomador de posição, a média, a mediana (Md), o
de decisão ordenasse de acordo com a primeiro quartil (Q1) e o terceiro quartil (Q3), e
importância (1 = o mais importante, 2 = o de dispersão, o desvio padrão (Dp). Os
segundo mais importante, etc). Foram obtidas resultados do levantamento de dados
29 respostas. correspondentes aos 30 questionários válidos
coletados neste trabalho.

TABELA 5 - Medidas descritivas dos atributos de escolha veicular sob a ótica do transportador.
Atributos Média Dp Mín Q1 Md Q3 Máx
Viagem
Distância total percorrida 5,6 2,1 1 5 6,5 7 7
Número de paradas 5,1 2,5 1 3 7 7 7
Quantidade de tipos de áreas visitadas 6,2 1,1 4 5 7 7 7
Existência de local adequado para carga/descarga 6,1 1,7 2 6 7 7 7
Existência de zonas de restrição à circulação de veículos de carga 6,3 1,6 2 7 7 7 7
Condições da via de acesso 6,0 1,7 2 6 7 7 7
Mercadoria
Tipo de mercadoria 5,5 2,0 1 4 6,5 7 7
Variedade de tipos de mercadoria 6 1,5 3 5 7 7 7
Volume de mercadoria 6,5 0,7 5 6 7 7 7
Veículo
Exigência quanto ao tamanho do veículo 5,7 1,8 2 4 6,5 7 7
Tipo de combustível 3,9 2,1 2 2 3,5 6 7
Idade do veículo 4,9 2,1 1 4 5,5 7 7
Custo de operação do veículo (R$/ton) 6,1 1,7 2 6 7 7 7
Capacidade do veículo 6,2 1,5 3 6 7 7 7

As Figuras 1, 2 e 3 retratam a ordenação dos atributos em cada categoria pelos gestores logísticos.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


59

Figura 1 - Atributos da categoria viagem

Figura 2 - Atributos da categoria mercadoria

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


60

Figura 3 - Atributos da categoria veículo

A amostra é composta por gestores logísticos carga/descarga’ com 22% de escolha como o
que ocupam, na sua maioria, posições de alta atributo mais importante. Desse modo, a partir
gerência. As empresas estudadas operam em dos dados, observa-se que estes dois fatores
diversos setores de atuação (alimentos, são os mais considerados nesta categoria.
bebidas, higiene pessoal, material escolar e
Em relação aos atributos da mercadoria,
de escritório, acessórios para casa,
observa-se que volume da mercadoria
automotivo, dentre outros), tendo maior
recebeu a maior nota média (6,5). Na
representatividade o setor de produtos
ordenação, esta variável ficou em segundo
alimentícios (44%) e higiene pessoal (44%). A
lugar, uma vez que foi escolhida como o
amostra desses setores revela uma boa
atributo mais importante por 28% dos
variabilidade dos dados, pois estão bem
tomadores de decisão. Ficou atrás apenas do
distribuídos entre 17 e 44%. O somatório não
peso da mercadoria (33%), mas este item não
é 100%, uma vez que a maioria das empresas
estava contemplado na etapa das notas. Com
atua em mais de um setor.
isso, observa-se coerência e conclui-se que
Verifica-se que há uma boa peso e volume da carga são os atributos mais
representatividade em relação às regiões de considerados na escolha do veículo nesta
atuação no Brasil, uma vez que a amostra categoria.
contempla empresas que atuam em todas as
Com relação aos atributos do veículo,
regiões do país, sendo a região Sudeste
observa-se que a capacidade do veículo
(83,33%), Nordeste e Centro-Oeste com
recebeu a maior nota média (6,2). Na
66,67% cada, Sul (61,11%) e Norte (50%). O
ordenação, este atributo ficou em terceiro
somatório não é 100%, pois a mesma
lugar, ficando atrás do fator que trata da
empresa pode atuar em várias regiões.
exigência quanto ao veículo utilizado na
Em relação aos atributos da viagem em si, entrega que foi considerado o atributo mais
observa-se que a maioria deles são importante por 50% dos gestores e do custo
considerados muito importantes, com uma de operação, que foi definido como prioridade
leve prioridade para ‘existência de zonas de por 28% dos gestores. O item de custo
proibições’ com nota média de 6,3. Sua operacional também recebeu uma nota média
importância é comprovada, pois 50% dos elevada (6,1). Portanto, observa-se coerência
gestores logísticos responderam que este entre as respostas e constata-se a
item era aquele considerado mais importante importância desses três fatores.
nessa categoria. Em segundo lugar, está o
item ‘existência de local adequado para
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
61

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com relação ao veículo, como esperado,


constatou-se a relevância do ‘custo
Este trabalho apresenta um dos poucos
operacional’ e da ‘capacidade do veículo’. Por
estudos concernentes à compreensão do
sua vez, a ‘exigência quanto ao tamanho do
comportamento da tomada de decisão quanto
veículo’ também recebeu uma nota média alta
ao modo de transporte em áreas urbanas.
e considerável representatividade no
Primeiramente, foi realizada uma busca
ordenamento de prioridade. Possivelmente,
extensiva na literatura que identificou os
um dos motivos deve ser devido a operações
principais atributos considerados na escolha
just-in-time em que o cliente exige uma maior
do veículo a ser utilizado no transporte de
frequência de entregas ou até mesmo devido
cargas. A partir deles, foi projetado um
às restrições físicas do local que só pode
questionário exploratório a fim de mensurar a
receber determinado tamanho de veículo.
importância relativa destes atributos, os quais
foram divididos em três categorias: viagem, Este trabalho contribui para literatura, pois
mercadoria e veículo. investigou os atributos que determinam o
comportamento da escolha do veículo no
Foi observado que as restrições quanto à área
transporte de mercadorias em áreas urbanas
de entrega da carga possuem grande
e analisou a aderência deles através de um
representatividade, uma vez que os atributos
questionário exploratório que foi respondido
de ‘existência de zonas de restrições à
por 30 empresas de todo o Brasil,
circulação da carga’ e ‘local adequado para
pertencentes a diversos setores comerciais.
carga/descarga’ foram aqueles que
Esta compreensão poderá, ainda, ajudar na
receberam maiores notas e prioridade no
elaboração de um método que vise auxiliar os
ordenamento na categoria dos itens
tomadores de decisão a escolhem os veículos
relacionados à viagem. Em relação à
mais adequados para as situações de entrega
mercadoria, peso e volume foram os fatores
em área urbana no Brasil.
que foram vistos como mais importantes.

REFERÊNCIAS
[1]. ABATE, M.; JONG, G. The optimal sistemática nociones generales. Revista da Escola
shipment size and truck size choice - The allocation de Enfermagem da USP, vol.45, n.5, 2011.
of trucks across hauls. Transportation Research [8]. HOLGUÍN-VEIRAS, J. Revealed
Part A, vol.59, p.262-277, 2014. Preference Analysis of Commercial Vehicle Choice
[2]. ABDELWAHAB, W. Elasticities of mode Process. Journal of Transportation Engineering,
choice probabilities and market elasticities of n.128, p.336-346, 2002.
demand: evidence from simultaneous mode [9]. JIANG, F.; JOHNSON, P.; CALZADA, C.
choice/shipment-size freight transport model. Freight Demand Characteristics and Mode Choice:
Transportation Research Part E, vol.34, n.4, p. 257- An Analysis of the Results of Modeling with
266, 1998. Disaggregate Revealed Preference Data. Journal of
[3]. ARENCIBIA, A. I.; FEO-VALERO, M.; Transportation and Statistics, p.149-158, 1999.
GARCÍA-MENÉNDEZ, L. Modelling mode choice for [10]. KIM, H.; NICHOLSON, A.; KUSUMASTUTI,
freight transport using advanced choice D. Analysing freight shippers mode choice
experiments. Transportation Research Part A, preference heterogeneity using latent class
vol.75, p.252-267, 2015. modelling. Transportation Research Procedia 25C,
[4]. AZZAM, A. M.; LINSENMEYER, D. The p.1109-1125, 2017.
impact of volume of marketings and distance to [11]. NAM, K. A Study on the Estimation and
markets on the choice of truck size. North Central Aggregation of Disaggregate Models of Mode
Journal of Agricultural Economics, vol.9, n.1, p.135- Choice for Freight Transport. Transportation
144, 1987. Research Part E, vol.33, p.223-231, 1997.
[5]. COMI, A.; SITE, P. D.; FILIPPI, F.; [12]. NOROJONO, O.; YOUNG, W. A Stated
NUZZOLO, A. Urban Freight Transport Demand Preference Freight Mode Choice Model.
Modelling: a State of the Art. European Transport \ Transportation Planning and Technology, vol.26,
Trasporti Europei, vol.51, n.7, 2012. n.2, p. 195-212, 2003.
[6]. CULLINANE, K.; TOY, N. Identifying [13]. NUZZOLO, A.; COMI, A. Direct Effects of
influential attributes in freight route/mode choice City Logistics Measures and Urban Freight
decisions: a content analysis. Transportation Demand Models. Sustainable Urban Logistics:
Research Part E, vol.36, p.41-53, 2000. Concepts, Methods and Information Systems Part
[7]. DE-LA-TORRE-GUANILO, M. C.; of the series EcoProduction, p.211-226, 2014.
TAKAHASHI, R. F.; BERTOLOZZI, M. R. Revisón [14]. PUCKETT, S. M.; HENSHER, D. A. The role
of attribute processing strategies in estimating the
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
62

preferences of road freight stakeholders. [19]. STEFAN, K. J.; McMILLAN, J. D. P.; HUNT,
Transportation Research Part E, vol.44, p.379–395, J. D. (2005) Urban Commercial Vehicle Movement
2008. Model for Calgary, Alberta, Canada. Journal of
[15]. RICH, J.; HOLMBLAD, P. M.; HASEN, C. Transportation Engineering, n.1921, p.1-10.
O. A weighted logit freight mode-choice model. [20]. WANG, Q.; HU, J. Commercial Vehicle
Transportation Research Part E, n.45, p.1006-1019, Travel Patterns in Urban-Areas: Findings and
2009. Implications from Denver Metropolitan Area.
[16]. SANTOS JÚNIOR, J. B. S.; LIMA JÚNIOR, Apresentado no 90th Encontro Anual da
O. F.; NOVAES, A. G.; SCHOLZ-REITER, B. A Transportation Research Board, Washington, DC,
comparative analysis of supply network risk 2011.
management techniques based on systematic [21]. WANG, Q.; HU, J. Behavioral Analysis of
literature review. Inn XXVIII ANPET, Belo Horizonte, Decisions in Choice of Commercial Vehicular Mode
Minas Gerais, 2011. in Urban Areas. Transportation Research Record:
[17]. SHINGAL, N.; FOWKES, T. Freight Mode Journal of the Transportation Research Board,
Choice and Adaptive Stated Preferences. n.2269, p.58-64, 2012.
Transportation Research Part E, n.38, p.367-378, [22]. WITLOX, F.; VANDAELE, E. Determining
2002. the Monetary Value of Quality Attributes in Freight
[18]. SIMECEK, M.; DUFEK, Jiri. A freight modal Transportation Using a Stated Preference
shift model for Slovakia. Transport Research Approach. Transportation Planning and
Procedia, vol.14, p..2814-2819, 2016. Technology, vol.28, n.2, p.77-92, 2005.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


63

Capítulo 6

Raimundo Alves de Carvalho Júnior


Amanda Gomes De Assis
Amanda Braga Marques
Danyella Gessyca Reinaldo Batista
Isaque Jônatas Costa Moraes

Resumo: Este artigo tem por objetivo avaliar o curso de engenharia de produção a
partir da perspectiva dos discentes em 5 dimensões da qualidade. Utilizando a
ferramenta SERVQUAL, foi possível elaborar gráficos que demonstram a
perspectiva dos alunos e o que é ofertado pela instituição. Um questionário foi
elaborado com 25 perguntas, as respostas de 40 discentes foram coletadas e
analisadas para cada dimensão. Com o resultado têm-se o panorama geral da
qualidade vista pelos usuários dos serviços recebidos.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


64

1. INTRODUÇÃO pois são as universidades que formam os


profissionais que irão atuar como gestores
O objetivo da avaliação de um curso superior
nas empresas e gerir os recursos públicos e
consiste em ter conhecimento de sua
privados e cuidarão da saúde e educação
eficiência, se ele está funcionando dentro das
das novas gerações. Segundo Pereira (2004),
expectativas que se tem para a formação do
as instituições devem trabalhar para a
profissional. Sob o ponto de vista
obtenção de um padrão de qualidade que
administrativo, a educação é reconhecida
supere as expectativas e necessidades dos
como área de estudo do setor de serviços.
clientes ou estudantes, extrapolando as
Isso significa que modelos de qualidade
avaliações provenientes de exigências legais.
válidos para o setor de serviços podem ser
aplicados, após adaptações, aos serviços
educacionais. Lovelock (2003) apresenta a
2.1 DIMENSÕES DE QUALIDADE
definição de serviço como sendo um ato que
cria benefícios para os clientes por meio da Parasuraman, Zeithaml e Berry (1991),
satisfação de uma necessidade. colocaram que para mensuração da
qualidade pelos clientes existem cincos
A satisfação do cliente está intrinsecamente
dimensões: a tangibilidade, a
relacionada à cultura organizacional. Não
responsabilidade, a confiabilidade, a empatia
basta captar clientes e oferecer o básico, mas
e a garantia. Segundo Fitzssimons e
estudar seu comportamento e encantá-lo,
Fitzsimmons (2005), essas dimensões são
superando suas expectativas. Para tanto, uma
usadas para julgamento em relação a
correlação entre gestores, clientes externos e
serviços prestados e recebidos e essa
internos deverá estar alinhada a um modelo
comparação constitui uma medida de
de gestão da qualidade. Cuidar da qualidade
qualidade.
há muito tempo deixou de ser fator
diferenciador e passou a ser um requisito De acordo com Lovelock (2001), os serviços
indispensável para se participar do mercado são atividades econômicas que criam valor e
(PEINADO, 2007). fornecem benefícios para cliente em tempos e
lugares específicos, como decorrência da
Por permitir uma avaliação numérica e
realização de uma mudança desejada no
possibilitar a verificação da qualidade de um
destinatário do serviço. Segundo Meirelles
serviço prestado, destacando seus pontos
(2006), o serviço é essencialmente intangível,
fortes e fracos, o método SERVQUAL é
sendo avaliado somente quando combinado a
bastante utilizado em diversos setores,
outras funções, ou seja, com outros produtos
inclusive em instituições educacionais. As
e processos produtivos tangíveis. Essa
instituições de ensino superior estão em
natureza impalpável está associada à sua
busca da melhoria da qualidade de seus
natureza de processo, que à priori, é
serviços de ensino para satisfazer as
intocável, ou seja, a prestação do serviço
expectativas dos seus alunos e do mercado.
tende a acontecer simultaneamente ao
Contudo, como os serviços de educação
consumo. A produção acontece a partir do
possuem características bastante
momento em que o serviço é pedido e termina
particulares, o modelo SERVQUAL deve ser
assim que a demanda é atendida.
adaptado.
Diante da crescente preocupação com a
qualidade de ensino e da identificação de 2.2. O MÉTODO SERVQUAL
necessidades dos estudantes para sua
O método SERVQUAL foi desenvolvido por
própria formação, além da importância
Parasuraman, Zeithami e Berry (1985)
atribuída a tais necessidades, este artigo tem
podendo medir o nível de satisfação dos
como principal objetivo aplicar a escala
clientes. A mensuração se dá através da
SERVQUAL para a atividade de serviço de
análise de resultados obtido no questionário.
educação superior e apresentar os resultados
de sua aplicação em um curso de engenharia O questionário contem 25 questões
de produção. englobando as cinco dimensões da qualidade
do serviço. As questões são avaliadas numa
escala de Likert variando de “discordo
2. REVISÃO DA LITERATURA totalmente” a “concordo totalmente”. O
questionário possui duas seções, uma para
A qualidade do ensino superior torna-se
avaliar a visão do serviço prestado e a outra
fundamental ao desenvolvimento de um país,
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
65

para as expectativas. A avaliação da do 4. RESULTADOS


desempenho do serviço é dado pela
4.1 CARACTERÍSTICAS DO AMBIENTE
diferença entre o desempenho do serviço do
ESTUDADO
prestado e a expectativa do cliente em
relação ao serviço. A Universidade Federal Rural do Semi-Árido
(UFERSA), objeto de estudo, completou em
Como citado anteriormente o modelo deve ser
2015 seus primeiros 10 anos de atuação.
adequado a situação, mas segundo
Anteriormente intitulada de ESAM, começou
Parasuraman, Zeithami e Berry (1985)
suas atividades em 1967, tornando-se uma
independente do serviço analisado os
Universidade Federal sancionada pelo Senhor
critérios utilizados serão muito semelhantes.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da
Silva. Atualmente a UFERSA está presente em
Mossoró, onde tem o seu Campus Sede, e os
3. METODOLOGIA
campi de Angicos, Caraúbas, Pau dos Ferros.
Segundo Silva e Mendes (2001) a pesquisa
A UFERSA atualmente conta com 41
pode ser classificada de acordo com o ponto
graduações e 14 pós-graduação, 1.180
de vista da abordagem do problema em dois
profissionais, 622 professores de diversas
pontos: pesquisa qualitativa que considera
áreas e 558 técnicos distribuídos em 65 áreas
que existe uma relação entre o mundo real e o
de atuação e uma média de 5.000 alunos.
sujeito, o ambiente natural é a fonte direta
para a coleta de dados e o pesquisador um Em 2006 foi inserido na universidade o curso
instrumento – chave e a pesquisa quantitativa de Engenharia de Produção, os alunos do
que considera que tudo é aplicável, todas as BC&T começam a cursar as disciplinas do
informações e opiniões podem ser traduzidas curso de Engenharia de Produção ainda no
em números. quinto período, mas a entrada oficial destes
alunos no curso se dá no final do sexto
A pesquisa apresentada é considerada
período, passando a serem alunos regulares
qualitativa e de caráter descritivo, se tratando
do curso de Engenharia de Produção. O
de um estudo realizado em um campo com
curso possui cerca de 100 alunos
dimensão a ser trabalhada. A característica
matriculados (UFERSA, 2016).
da pesquisa de campo existe por conta de
um ambiente já definido para buscar Durante a aplicação do questionário
informações, sendo este caracterizado como observou-se pontos positivos, mas também a
o curso de Engenharia de Produção da diferença entre as expectativas e a realidade
UFERSA- Mossoró. No caso tratado a aplicada no curso de Engenharia de
intenção é a de mensuração da qualidade do Produção. Os dados da pesquisa serão
serviço prestado pelo curso na formação de mostrados a seguir.
bons profissionais na área de engenharia de
produção, através da percepção dos
indivíduos envolvidos, para uma possível 4.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS
interpretação desta realidade.
Um questionário SERVQUAL foi aplicado em
Para a pesquisa em campo foi elaborado um um universo com 91 componentes, para
questionário visando a base de escala do definir a amostra foi utilizada a ferramenta
SERVQUAL. Concebido em duas seções: uma “Calculadora de Amostras” disponível no site:
para avaliar as expectativas do cliente, outra <http://www.netquest.com/br/painel/calculado
para avaliar suas percepções após a ra-amostras.html>. Para alcançar as amostras
utilização dos serviços do curso. O pretendidas, bastou a inserir os, tamanho do
questionário SERVQUAL possui 25 questões universo, margem de erro, nível de confiança
para mensurar as cinco dimensões de e heterogeneidade, ou seja, a diversidade do
qualidade de serviços, que foram adaptadas universo, geralmente adotada de 50%, como
para este estudo e distribuídas neste da descrito na Equação 1.
seguinte forma: tangibilidade (5 questões);
Equação 1 – Número de Amostras
confiabilidade (6 questões); competência (3
questões); segurança (4 questões) e empatia 𝑁. 𝑍². 𝑝. (1 − 𝑝)
(7 questões). Estas em uma escala de 1 a 5 𝑛=
(𝑁 − 1). 𝑒² + 𝑍². 𝑝. (1 − 𝑝)
pontos, sendo que estes números variam de
nível baixo à elevado. Onde:
n = O tamanho da amostra.
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
66

N = Tamanho do universo. ao total de alunos que estão matriculados no


curso. A margem de erro permitida para o
Z = Desvio do valor médio para alcançar o
estudo de caso foi de 10%, com 90% de
nível de confiança desejado.
confiança. Portanto, a amostra definida foi de
e = É a margem de erro máximo que é 40 respondentes.
admitido.
O objetivo desse estudo foi de analisar a
p = É a proporção que espera-se encontrar, diferença entre a expectativa do estudante e a
geralmente usa-se 50%. realidade que o mesmo tem do desempenho
do curso de engenharia de produção na
UFERSA-Mossoró, os quadros a seguir
Para a referente pesquisa, usou-se um apresentam os dados coletados de forma
universo (N) igual a 91 pessoas, número esse resumida e a análise dos resultados, como a
informado pela secretaria do curso de média e o desvio padrão.
Engenharia de Produção, que corresponde e

QUADRO 1 – Dados da pesquisa.

Expectativa Realidade
Questão
1 2 3 4 5 MEDIA Desvio Padrão 1 2 3 4 5 MEDIA Desvio Padrão
1 0 0 3 8 29 4,65 10,89954127 0 1 8 17 14 4,1 6,782329983
2 0 0 0 7 33 4,825 12,79062156 5 8 14 10 3 2,95 3,847076812
3 0 0 2 5 33 4,775 12,63328936 9 10 18 2 1 2,4 6,164414003
4 8 7 15 9 1 2,7 4,472135955 2 3 16 13 6 3,45 5,54977477
5 0 0 4 13 23 4,475 8,876936408 5 10 15 7 3 2,825 4,195235393
6 2 1 2 15 20 4,25 7,924645102 15 15 8 1 1 1,95 6,260990337
7 2 1 3 12 22 4,275 8,024961059 4 15 10 7 4 2,8 4,147288271
8 0 1 4 20 15 4,225 8,024961059 1 8 14 13 4 3,275 5,019960159
9 2 6 6 15 11 3,675 4,516635916 0 4 21 13 2 3,325 7,874007874
10 0 3 7 10 20 4,175 6,899275324 0 4 15 20 1 3,45 8,024961059
11 0 1 5 20 14 4,175 7,771743691 1 8 15 14 2 3,2 5,830951895

12 0 1 11 13 15 4,05 6,260990337 2 11 16 8 3 2,975 5,176871642


13 0 0 8 13 19 4,275 7,402702209 1 6 12 15 6 3,475 4,939635614
14 0 0 3 6 31 4,7 11,71324037 11 15 10 4 0 2,175 5,329165038
15 0 2 6 10 22 4,3 7,797435476 0 8 20 8 4 3,2 6,693280212
16 3 3 15 11 8 3,45 4,647580015 8 8 16 6 2 2,65 4,5607017
17 0 1 4 5 30 4,6 11,15347479 0 7 10 20 3 3,475 6,899275324
18 0 1 2 12 25 4,525 9,5289034 5 15 8 10 2 2,725 4,427188724
19 0 0 1 8 31 4,75 11,88276062 2 9 15 10 4 3,125 4,604345773
20 0 1 4 15 20 4,35 8,024961059 4 14 11 8 3 2,8 4,147288271
21 0 0 7 13 20 4,325 7,720103626 6 10 16 5 3 2,725 4,604345773
22 0 0 5 10 25 4,5 9,273618495 8 16 10 5 1 2,375 5,019960159
23 0 0 7 16 17 4,25 7,402702209 6 4 20 8 2 2,9 6,32455532
24 0 0 6 14 20 4,35 7,899367063 16 13 8 3 0 1,95 5,966573556
25 0 0 6 11 23 4,425 8,555699854 18 8 11 0 3 2,05 6,292853089
Fonte: Autores (2017).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


67

A seguir está apresentada a diferença da encontrada na realidade do curso,


expectativa da qualidade pela qualidade apresentada a seguir no Quadro 2.
QUADRO 2 – Diferença entre expectativa e realidade das questões.

Diferença entre a média da


Questão
expectativa e da realidade

1 -0,55
2 -1,875
3 -2,375
4 0,75
5 -1,65
6 -2,3
7 -1,475
8 -0,95
9 -0,35
10 -0,725
11 -0,975

12 -1,075
13 -0,8
14 -2,525
15 -1,1
16 -0,8
17 -1,125
18 -1,8
19 -1,625
20 -1,55
21 -1,6
22 -2,125
23 -1,35
24 -2,4
25 -2,375
Fonte: Autores (2017).
Para se ter uma análise mais detalhada a dimensões da qualidade do serviço do curso
respeito do gap, ou diferença entre a de engenharia de produção da UFERSA -
expectativa (Série 1) e a realidade (Série 2), é Mossoró, no Gráfico 1 está demonstrado as
apresentado a seguir gráficos a respeito das dimensões a respeito da tangibilidade.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


68

GRÁFICO 1 – Tangibilidade.

4,65 4,825 4,775


5 4,475
4,1
4 3,45
2,95 2,825
2,7
3 2,4

2
1
0
Q1 Q2 Q3 Q4 Q5

Série1 Série2

Fonte: Autores (2017).


O Gráfico 2, apresenta a relação a respeito da confiabilidade, e a relação entre a expectativa e a
realidade.

GRÁFICO 2 – Confiabilidade

4,25 4,275 4,225 4,175 4,175


4,5
4 3,675
3,275 3,325 3,45
3,2
3,5
2,8
3
2,5 1,95
2
1,5
1
0,5
0
Q6 Q7 Q8 Q9 Q10 Q11

Série1 Série2

Fonte: Autores (2017).

A relação da expectativa e realidade, a


respeito da competência do curso, está
demonstrada no Gráfico 3.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


69

GRÁFICO 3 – Competência.

4,7
4,275
5 4,05
3,475
4 2,975
3 2,175

2
1
0
Q12 Q13 Q14

Série1 Série2

Fonte: Autores (2017).

Já o Gráfico 4, demonstra a relação entre expectativa e realidade com relação a segurança.

GRÁFICO 4 – Segurança.

4,6 4,525
5 4,3
3,45 3,475
4 3,2
2,65 2,725
3
2
1
0
Q15 Q16 Q17 Q18

Série1 Série2

Fonte: Autores (2017).

A relação de empatia é demonstrada no realidade abordada no questionário (ANEXO


Gráfico 5, demonstrado logo a seguir, 1).
conjunto com a relação de expectativa e

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


70

GRÁFICO 5 – Empatia.

4,75
5 4,35 4,325 4,5 4,35 4,425
4,25
4
3,125
2,8 2,725 2,9
3 2,375
1,95 2,05
2

0
Q19 Q20 Q21 Q22 Q23 Q24 Q25

Série1 Série2

Fonte: Autores (2017).

Com base em uma análise dos dados é encontrada no curso de acordo com
possível identificar uma insatisfação dos discentes. A relação da diferença entre as
entrevistados com relação ao serviço médias da expectativa e realidade de acordo
prestado pelo curso de Engenharia de com as dimensões são mostradas no Quadro
Produção, fato esse notado pela discrepância 3.
dos dados de expectativa e realidade

QUADRO 3 – Diferença entre expectativa e realidade das dimensões


Diferença entre a média da
Dimensões expectativa e da realidade
Tangibilidade -1,14
Confiabilidade -1,12
Competência -1,47
Segurança -1,21
Empatia -1,86
. Fonte: Autores (2017).

Fazendo uma análise dos dados dispostos no maior dificuldade, dando mais atenção as
Quadro 3, de maneira geral todas as suas necessidades.
dimensões relacionadas ao curso necessitam
Para buscar uma melhora na competência é
por uma atenção mais cuidadosa, de acordo
necessária uma melhor interação entre o
com os entrevistados, podemos identificar
aluno e a coordenação do curso, além de
que as dimensões que mais necessita de
uma maior atenção do curso com a
cuidado e atenção é a empatia e a
preparação do aluno para o mercado de
competência.
trabalho, as atenções aos outros pontos são
Se tratando da dimensão empatia, o necessárias, como, a tangibilidade,
processo de melhoria pode decorre de confiabilidade e segurança, estes outros
acordo com algumas ações nos aspectos estão ligados a satisfação dos clientes com o
uma maior atenção individual ao aluno, ambiente analisado, confiança com os
sempre com professores disponíveis para tirar envolvidos, qualidade dos laboratórios,
dúvidas, tratando todos igualmente, uma conhecimento de mercado e de ensino pelos
maior flexibilidade para aulas com alunos com professores.
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
71

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS que os estudantes considerem importantes


para a sua formação no curso. A atuação do
A escala SERVQUAL tem sido bastante
professor na sala de aula e a aprendizagem
utilizada em pesquisas envolvendo o setor
envolvem uma complexa gama de variáveis
educacional. Porém, constata-se uma
que nem sempre podem ser avaliadas no
necessidade de adaptação da escala à
momento do curso; por isso, o emprego da
realidade da área, tanto no que diz respeito à
escala nesse contexto necessita de bastante
adequação das sentenças, quanto à
cautela.
utilização da escala como base para criação
de novos instrumentos de avaliação da A partir dos resultados obtidos com a
qualidade. Apesar das necessidades de aplicação dos questionários, foi possível
adaptação, a SERVQUAL é um importante concluir que os estudantes não consideram
instrumento de avaliação da qualidade e que as condições oferecidas pelo curso como
muito pode contribuir para o diagnóstico de ideais para uma boa formação do profissional
falhas e acertos na prestação de serviços em Engenharia de Produção, pois a
educacionais. Como o presente estudo expectativa e a realidade dos itens que são
sugeriu, a escala pode proporcionar inúmeros avaliados como muito importantes para os
paralelos entre as visões dos estudantes do mesmos apresentam certa discrepância na
curso de engenharia de produção, em relação instituição, principalmente no que se refere às
a diversos aspectos. dimensões Empatia e Competência. Foi
estabelecido que o processo de melhoria
Por se tratar da aplicação da escala em um
pode decorrer de algumas ações nos
ambiente universitário, diversos serviços são
aspectos como maior atenção individual ao
passíveis de aplicação do instrumento, como
aluno, na disponibilidade dos professores
os oferecidos nas seções de laboratórios,
para tirar dúvidas, do tratamento igualitário,
setor de limpeza, bibliotecas, coordenação de
da flexibilidade para aulas com alunos que
curso e até mesmo o próprio sistema de
apresentem dificuldades, além de uma melhor
ensino. O objetivo principal do emprego da
interação entre o aluno e a coordenação do
SERVQUAL no presente trabalho esteve
curso.
ligado não apenas à avaliação do ensino e
aprendizagem, mas sim dos vários aspectos

REFERÊNCIAS
[1]. BARRETO, Eduardo Guimarães Lima et al. service quality and its implications for future
Uma Análise Sobre A Qualidade Dos Serviços Em research. Journal of Marketing, Vol. 49, 41-50, Fall.
Uma Academia De Ginástica Através Do Método 1985.
Servqual. 2010. Disponível em: [8]. PEINADO, J & GRAEML, A. R.
<https://cdn.fbsbx.com/v/t59.2708- Administração da produção: operações industriais
21/18281967_10208920344754800_145365883411 e de serviços. Curitiba : UnicenP, 2007.
4445312_n.pdf/enegep2010_tn_sto_114_751_1735 [9]. PEREIRA, C. Evolução qualitativa na
1.pdf?oh=ec4dd1381424b79e842f3f7aff842317&o educação superior. In: OLIVEIRA, O. J. (org.).
e=591A2516&dl=1>. Acesso em: 12 maio 2017. Gestão da qualidade: tópicos avançados. São
[2]. Calculadora de Amostras: disponível em: Paulo: Thonsom Learning, 2004.
<http://www.netquest.com/br/painel/calculadora- [10]. UFERSA. Apresentação da Engenharia de
amostras.html>. Acesso em: 15 maio 2017 Produção. 2016. Disponível em:
[3]. JURAN, J. M. Juran na liderança pela <https://engproducao.ufersa.edu.br/apresentacao/
qualidade, um guia para executivos. 2ª Ed. São >. Acesso em: 12 maio 2018.
Paulo: Pioneira, 1993. [11]. FITZSIMMONS, JAMES A. &
[4]. LOVELOCK, Chistopher; WRIGHT, Lauren. FITZSIMMONS MONA J. Administração de
Serviços: marketing e gestão. São Paulo: Saraiva, Serviços: operações, estratégia e tecnologia da
2003. informação. 4ª Ed. São Paulo: Bookman, 2005.
[5]. LOVERLOCK, C. & WRIGHT, L. Serviços: [12]. PARASURAMAN, BERRY AND ZEITHAML,
marketing e gestão; tadução Cid Knipel Moreira; "Refinement and Reassessment of the SERVQUAL
revisão técnica Mauro Neves Garcia. São Paulo: Scale," Journal of Retailing, Winter 1991, pp. 420-
Saraiva, 2001 – 8ª tiragem: 2007. 50.
[6]. MEIRELLES, D. S. O conceito de serviço. [13]. SILVA, E.L da; MENEZES, E.M.
Revista Economia Política, v. 26, n. 1, jan-mar, Metodologia da pesquisa e elaboração de
2006, p. 119-136. dissertação. Florianópolis: Laboratório de Ensino à
[7]. PARASURAMAN, A; ZEITHAML, VALERIE Distência da USC, 2001.
A & BERRY, LEONARD L. A conceptual modelo f
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
72

ANEXO A - MODELO DE QUESTIONÁRIO


Se você discorda totalmente que o curso de Engenharia de Produção da UFERSA deve ter tal
característica marque 1, em caso de situações intermediárias marque valores estre 2 e 4, e se você
concorda plenamente marque a opção 5.

Discordo totalmente (1) Neutro (3) Concordo totalmente (5)

DIMENSÕES QUESTÕES EXPECTATIVA REALIDADE


1 O ambiente deve permanecer limpo 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
2 Salas confortáveis 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
TANGIBILIDADE 3 Laboratórios modernos 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
4 Aparência física dos professores 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
5 Diversidade e quantidade de títulos no acervo 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
6 Disponibilidade de disciplinas em horário alternativo 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
7 Os professores devem ser solidários e prestativos 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

CONFIABILIDAD 8 Aproveitamento de todo tempo de aula 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5


E 9 Professores com muita publicação de artigos 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
10 Professores com alto nível de formação 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
11 Rigor dos professores no comprimento da ementa 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
12 Presença da coordenação no dia-a-dia do estudante 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
Disponibilidade do centro acadêmico em auxiliar os
13 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
COMPETENCIA estudantes
Boa preparação do aluno para o mercado de
14 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
trabalho
15 Professores com experiência de mercado na área 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
16 Limite na quantidade de professores substitutos 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
SEGURANÇA Afinidade dos professores com as disciplinas
17 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
ministradas
18 Diversidade nos métodos de avaliação 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

19 Disponibilidade dos professores para tirar duvida 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

20 Flexibilidade da abertura de turma extraordinária 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5


21 Disponibilidade de vagas para o curso 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
Flexibilidade de aulas para alunos com
EMPATIA 22 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
necessidades específicas
Aplicabilidade do princípio isonomia pelos
23 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
professores
24 Grande número de monitores 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
25 Facilidade de acesso a ouvidoria 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


73

Capítulo 7
Eurico Laydner Quinteiro Neto
Antônio Sérgio Coelho
Mônica Maria Mendes Luna

Resumo: Este artigo apresenta um modelo de programação linear inteira mista para
otimizar a utilização do espaço físico para alocação de produtos em prateleiras de
uma microempresa do ramo alimentício, visando a maximização dos lucros
proveninentes das vendas. Trata-se de um problema de otimização relevante
(conhecido como SSAP – Shelf-Space Allocation Problem) e de dificil solução. Para
a solução do modelo proposto utilizou-se de um software otimizador comercial. A
metodologia caracteriza-se como do tipo exploratória, tendo em vista a obtenção
de maior familiaridade com a temática por meio de uma revisão da literatura,
observação in loco e uma entrevista aberta com o responsável pela microempresa
objeto do estudo Ao final, apresentam-se considerações finais e sugestões para
trabalhos futuros.

Palavras-chave: Alocação de produtos em prateleiras, modelagem matemática,


programação linear inteira mista.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


74

1. INTRODUÇÃO desenvolvimento do modelo MILP-SSAP, suas


premissas e discussões pertinentes. Por fim, a
Lucratividade e serviço ao consumidor são
quinta seção contém as considerações finais
duas métricas importantes para avaliar o
e sugestões para trabalhos futuros.
desempenho de um estabelecimento varejista
(Reyes e Frazier, 2007). A lucratividade, por
sua vez, é afetada pela alocação de produtos
2. REFERENCIAL TEÓRICO
nas prateleiras, ou shelf space allocation, que
depende de decisões que podem ter como A complexidade dos problemas do tipo shelf
objetivo a melhoria do desempenho financeiro space allocation problem (SSAP) é resultado
de um comércio varejista. da consideração de restrições espaciais,
regras de merchandising que requerem
Gerenciar o espaço das prateleiras não
associações específicas de produtos nas
apenas contribui para a redução dos níveis de
prateleiras, e de efeitos de demanda, que por
estoques, mas também para alavancar as
sua vez, são difíceis de estimar e não-lineares
vendas e aumentar a satisfação do cliente
por natureza. Não obstante, inúmeros
(Reyes e Frazier, 2007; Yang e Chen, 1999).
trabalhos procuram desenvolver métodos
Portanto, decisões relacionadas à gestão e
heurísticos para obter soluções próximas da
alocação de produtos nas prateleiras podem
ótima (AGUIAR, 2015; GAJJAR E ADIL, 2011;
ser críticas em operações do varejo.
YANG E CHEN, 1999).
Amrouche e Zaccour (2007) afirmam que, o
espaço disponível nas prateleiras pode ser Ghazavi e Lotfi (2016) afirmam que há
um dos recursos mais importantes para o diversas abordagens para o desenvolvimento
comércio, dado que é um recurso limitado e dos problemas SSAP, elencam-se: modelos
deve ser otimizado visando aumentar a lineares e não-lineares, modelos que
exposição das diferentes categorias de consideram aspectos de marketing,
produtos e marcas e atender aos requisitos comportamento do consumidor, demanda,
de marketing para atrair a atenção dos armazenagem de produtos, custos, lucro,
consumidores. A exposição de produtos dimensões dos produtos expostos nas
torna-se principalmente importante, em lojas prateleiras. Abordagens nas quais possuem,
de conveniência, tais como padarias, soluções determinísticas, soluções
mercearias, bares e lanchonetes, dada a estocásticas e utilização de heurísticas tais
grande variedade de itens e o pequeno como algoritmo genético, método Húngaro,
espaço disponível. simulated annealing entre outras. Como
consequência não existe um modelo definitivo
O presente artigo versa sobre o problema de
para alocação de espaço em prateleiras.
alocação de produtos em prateleiras, o qual
em programação matemática é conhecido Corroborando, Gajjar e Adil (2011) afirmam
como shelf space allocation problem – SSAP, que, diversos modelos de otimização para
e segundo Chen e Yang (1999) pode ser SSAP encontrados na literatura são
considerado uma extensão do problema da complexos e possuem algumas limitações
mochila (knapstack problem). Assim, o práticas. Há uma lacuna de métodos
modelo desenvolvido neste trabalho visa determinísticos e heurísticas eficientes na
atender uma microempresa do ramo literatura que podem ser implementados para
alimentício, sendo caracterizado como um alocar espaço em prateleiras para um grande
problema de Programação Linear Inteira Mista número de produtos em um estabelecimento
– PLIM (mixed-integer linear programming – comercial.
MILP), cujo objetivo consiste em maximizar o
Evidencia-se, portanto, uma dificuldade de se
lucro obtido com as vendas, de forma a
encontrar modelos que podem ser adaptados
preencher o espaço utilizado pelos produtos
à realidade, ou por causa da simplicidade e
expostos, respeitando limitações físicas e
falta de atributos chaves para descrever o
demais restrições relacionadas.
problema ou devido à grande complexidade e
O trabalho está dividido em 5 seções, excesso de estimação de parâmetros para
incluindo esta introdutória. A seção 2 caracterizar o problema.
apresenta o referencial teórico, contendo
Com base na revisão da literatura realizada
diferentes abordagens para SSAP’s. Na
por Gajjar e Adil (2011), Irion et al., (2012) e
terceira seção, é apresentado a empresa
Ghazavi e Lotfi (2016) elaborou-se o Quadro
objeto deste estudo. A seção 4 contempla o
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
75

1, no qual apresenta-se diferentes abordagens para SSAP desenvolvidas.

QUADRO 1 - Abordagens para SSAP


Autor Abordagem Proposta e Observações
Propuseram uma heurística baseada na técnica de generalização de multiplicadores de
Lagrange para encontrar a solução ótima. No entanto, isso garantiu apenas soluções ótimas
Hansen e locais para programas não-convexos. Desenvolveram um dos primeiros modelos de
Heinsbroek otimização de SSAP, utilizando-se de uma função de demanda multiplicativa que incorporava
(1979) a elasticidade individual espacial, mas desconsiderava elasticidade cruzada de produtos
semelhantes. Restrições de espaço total disponível, alocação mínima e soluções inteiras são
consideradas. Variáveis binárias são incluídas para auxiliar nas tomadas de decisões.
Modelo SSAP Multiplicativo por meio de uma abordagem com programação geométrica
signomial. Modelo não-linear. Abrange elasticidade espacial e elasticidades cruzadas e
Corstjens e
aborda restrições semelhantes as consideradas por Hansen e Heinsbroek (1979). No
Doyle (1981) entanto, Corstjens e Doyle (1981) detalham mais a estrutura de custos (custos de
movimentação, pedidos, entre outros).

Modelo proposto não-linear, utiliza-se de heurística simulated annealing. Estenderam a


Borin et al.
função demanda proposta por Corstjens e Doyle (1981) a fim de permitir decisões
(1994)
simultâneas de configurações e seleções de espaços a serem alocados.
Função objetivo linear. Desenvolveram um modelo prático linear para SSAP assumiram uma
Yang e Chen função objetivo e descartaram restrições sobre a disponibilidade de produtos no modelo
(1999) SSAP proposto, no qual utilizou-se uma solução heurística semelhante ao algoritmo utilizado
para resolver o problema da mochila.
Apresenta um modelo linear por meio de programação inteira com alocação iterativa
baseado no gradiente. Cada produto possui um número mínimo e máximo de exposição na
Yang (2001)
prateleira. O autor propôs uma heurística para otimizar o seu modelo, a técnica proposta
estende-se à uma abordagem aplicada para resolver um simples problema da mochila.
Modelo de otimização SSAP que explicitamente incorpora, custos internos de uma loja,
considerando elasticidades. Uma técnica de linearização por partes foi utilizada para
aproximar o tradicional modelo SSAP não-linear, a aproximação, reformulou a otimização
não-convexa em um problema linear de programação inteira mista. Modelo considera
Irion et al. variáveis de marketing além do espaço da prateleira, custos de pedidos fixos, possibilidade
(2004) de armazenar produtos em um armazém, e efeitos de substituição devido a indisponibilidade
temporária ou permanente de produtos. A solução proposta do problema de programação
linear inteira mista desenvolvido pelos autores, não apenas gera soluções próxima à ótima
para problemas de larga escala, mas também fornece um valor de erro que possibilita avaliar
a qualidade da solução encontrada. Os autores resolveram o problema no software LINDO.
Fonte: Elaborado própria com base em Gajjar e Adil (2011), Irion et al., (2012), Ghazavi e Lotfi (2016).

Complementando o Quadro 1, segundo dos produtos nas prateleiras (Alocação) e a


Aguiar (2015), modelos de alocação de localização de cada produto em cada
espaço em prateleiras, normalmente prateleira (Localização). A autora também
consideram três diferentes decisões: (i) o apresenta uma revisão da literatura que
espaço ocupado por cada produto, considera cada uma das decisões
geralmente mensurado pelo número de faces mencionadas (Quadro 2).
de produtos expostos (Espaço), a alocação

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


76

QUADRO 2 - Decisões sobre Espaço em Prateleiras.


Decisões Referências
Espaço
Hansen e Heinsbroek (1979), Anderson (1979), Corstjens e Doyle (1981), Corstjens
e Doyle (1983), Borin et al. (1994), Drèze et al. (1994), Yang e Chen (1999), Yang
(2001), Urban (2002), Maiti e Maiti (2006), Reyes e Frazier (2007), van Nierop et al.
(2008), Hwang et al. (2009), Gajjar e Adil (2010), Russell e Urban (2010).

Alocação
Drèze et al. (1994), Yang e Chen (1999), Yang (2001), van Nierop et al. (2008),
Hwang et al. (2009), Gajjar e Adil (2010), Hansen et al. (2010), Russell e Urban
(2010).

Localização

van Nierop et al. (2008), Hwang et al. (2009), Hansen et al. (2010), Russell e Urban
(2010).

Fonte: Adaptado de Aguiar (2015)

De acordo com Aguiar (2015), as abordagens quer expor ‘n’ produtos (indexados de i = 1
proporcionadas por esses modelos de para n). O produto ‘i’ tem um comprimento de
configuração da disposição dos produtos em face ai e os requisitos para expor é o mínimo
duas dimensões (2D), é baseada no fato de de Li e o máximo de Ui produtos. Sendo pik o
os itens localizados atrás dos produtos que lucro do produto ‘i’ exposto na prateleira ‘k’. O
estão na frente das prateleiras não serem espaço disponível na prateleira ‘k’ é
vistos diretamente pelo consumidor, não mensurado pelo comprimento Tk. Sob estas
impactando, portanto, na compra. A autora condições de operação, a decisão para o
afirma também que, não é incomum ver outros vendedor é determinar o número xik de
tipos de decisões espaciais, como a produtos expostos na prateleira ‘k’ e o número
orientação dos produtos pelos números de total de produtos expostos na loja, xi, para
faces em altura e profundidade. cada produto ‘i’. Utilizando-se da notação
descrita, o modelo LSSAP é representado
Ao se apresentar o Quadro 1 e Quadro 2,
matematicamente como:
verifica-se que existem modelos matemáticos
especialmente focados em determinar o 𝑀𝑎𝑥 𝑍
𝑛 𝑚
espaço para os produtos, com destaque para
os modelos desenvolvidos por Yang e Chen = ∑ ∑ 𝑝𝑖𝑘 . 𝑥𝑖𝑘 (1)
(1999) e Yang (2001) tendo em vista a lacuna 𝑖=1 𝑘=1
de métodos determinísticos presentes na 𝑛

literatura. Os autores apresentam modelos do ∑ 𝑎𝑖 . 𝑥𝑖𝑘 ≤ 𝑇𝑘 ∀𝑘


tipo LSSAP ou LiSSAP (Linear Shelf Space 𝑖=1
Allocation Problem), que consistem em = 1, … , 𝑚 (2)
problemas SSAP linearizados que podem ser 𝑚
interpretados como vários problemas de 𝐿𝑖 ≤ ∑ 𝑥𝑖𝑘 ≤ 𝑈𝑖 ∀𝑖
mochila juntos, sendo caracterizados como 𝑘=1
NP-Completo, ou seja, são problemas cujo o = 1, … , 𝑛 (3)
tempo de solução são não-polinomiais,
possuindo, portanto, altas taxas de 𝑥𝑖𝑘 ≥ 0 𝑒 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑖𝑟𝑜 ∀𝑖 = 1, … , 𝑛; 𝑘
combinações. = 1, … , 𝑚 (4)

Segundo Yang (2001) e Gajjar e Adil (2011) o


modelo LSSAP é contextualizado como: uma A função objetivo (1) visa maximizar o lucro
loja, em que há ‘m’ prateleiras (indexadas de total das vendas. A restrição (2) afirma que o
k = 1 para m) disponíveis, onde o vendedor total de espaço alocado aos produtos não
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
77

deve exceder o espaço disponível na Já a restrição (4), define que o número de


prateleira. A restrição (3) garante que o total produtos mostrados é sempre inteiro e não-
de produtos alocados virados de frente na negativo.
prateleira em uma loja, respeite um intervalo
Na Figura 1 ilustra-se o modelo LSSAP de
que possui um limite inferior (Lower bound) e
Yang (2001) cuja representação matemática
um limite superior (Upper bound) de número
se dá pelas equações (1), (2), (3) e (4).
de produtos voltados para frente da prateleira.

FIGURA 1 – Ilustração do Modelo LSSAP de Yang (2001).

Fonte: Elaboração própria.

Conforme mencionado e ilustrado na Figura 1, A lanchonete possui cerca de 90 produtos,


o LSSAP de Yang (2001) é um modelo tais como: bolachas; chocolates e balas à
disposição de seus clientes; bebidas não-
A Lanchonete XYZ existe desde 2011 e está
alcóolicas como sucos, vitaminas, chás, café,
localizada dentro de um campus universitário,
refrigerantes; lanches preparados na hora;
na cidade de Florianópolis/SC. A lanchonete
além de produtos salgados assados/fritos
se destaca no meio universitário por estar
(pastel, coxinha) e doces (bananada,
bem localizada no campus e pela variedade e
croissant de chocolate) comprados de
qualidade dos produtos oferecidos. O
fornecedores. Dentre os produtos mais
estabelecimento é dividido basicamente em
vendidos, destacam-se: os croissants, com
cinco setores: cozinha, caixa, balcão de
média de vendas de 100 unidades diárias;
atendimento, setor administrativo e área
seguidos pelos salgados fritos como a
comum. No total, o estabelecimento possui 5
coxinha, cuja média de vendas é cerca de 60
funcionários, sendo o horário de
unidades diárias. A disposição dos produtos é
funcionamento das 07:00 às 20:30, de
mostrada na Figura 1, que ilustra as gôndolas
segunda à sexta-feira.
e prateleiras onde se encontram os produtos.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


78

FIGURA 2 – Gôndolas de exposição dos produtos.

Fonte: Elaboração própria

A Lanchonete XYZ dispõe de três gôndolas, baseado nas dimensões físicas das gôndolas
cada uma contendo três prateleiras, como onde os produtos são expostos e
mostrado na Figura 2, onde os produtos ficam armazenados, bem como nas dimensões
protegidos do ambiente por vidro. destes produtos. A Lanchonete XYZ possui
cerca de 90 tipos de produtos, no entanto,
Verifica-se na Figura 2 a similaridade com o
serão analisados apenas 30, por estes
modelo LSSAP ilustrado na Figura 1, dessa
estarem expostos em três gôndolas, cada
forma, após a análise do cenário de vendas
uma com três prateleiras, caracterizando,
da Lanchonete XYZ e com base na revisão da
portanto, o LSSAP. Os dados de entrada do
literatura apresentada, este trabalho
modelo (informações relacionadas aos
contemplará as decisões de Espaço e
produtos, dimensões, etc.), foram obtidos por
Alocação utilizadas em SSAP defendidas por
meio de observação in loco, medições
Aguiar (2015), e utilizar-se-á da abordagem
realizadas no local e entrevista com o
LSSAP desenvolvidos por Yang e Chen (1999)
responsável pelo estabelecimento.
e Yang (2001).
Ressalta-se que para obtenção do tamanho
No entanto, ressalta-se que modificações são
de face dos produtos, realizou-se medições
necessárias, tais como, a inclusão dos
indiretas (por meio de fotografias), já que se
diferentes níveis de prateleiras, e
trata de produtos alimentícios e o manuseio
diferentemente da bi-dimensionalidade
para mensuração dos mesmos é inviável, pois
descrita por Aguiar (2015), este trabalho é
compromete os aspectos sanitários e de
caraterizado como unidimensional, pois não
qualidade necessários para sua venda. Sendo
há produtos empilhados.
assim, as categorias de produtos e
respectivos lucro unitário, preço de venda e
tamanhos de face (voltadas para a frente da
4. MODELAGEM MATEMÁTICA
prateleira) são apresentados no Quadro 3.
O modelo de alocação dos alimentos foi

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


79

QUADRO 3 - Categorias de produtos e respectivas informações.


Lucro Unitário Comprimento de
Classes de Produto Preço [R$]
[R$] Face [cm]

Croissant Chocolate 4 0,9 22

Pastel Doce de Banana 3 1,8 9

Pastel de Carne 3 1,8 15

Coxinha 3 1,8 6

Pão de Queijo 2,5 1 8

Pão de Queijo de Provolone 3 0,8 2

Croissant Peito de Peru 4 1 22

Croissant 4 Queijos 4 1 22

Croissant de Presunto e Queijo 4 0,9 22

Calzone Portugues 4 1 15

Torta Salgada 4 1,5 5

Bauru (Sabores 1 e 2) 4 1 14

Doguinho 4 1 5

Hamburgão de Picanha 4 0,8 15

Enrolado (Sabores 1 e 2) 4 0,9 5

Empanada (Sabores: 1,2,3,4,5,6,7,8) 4 0,9 3

Pão de Batata (Sabores: 1 e 2) 4 1 12

Saltenha (Sabores 1 e 2) 4 1,2 6

Empadinha 3 1 4

Em posse dos dados referentes aos produtos inflação. Os custos de movimentação de


a serem alocados nas prateleiras, apresenta- material, mão-de-obra, energia elétrica,
se algumas premissas que fornecem matéria-prima, elaboração dos produtos
subsídios para a configuração do modelo, são entre outros, já estão inclusos no preço de
elas: venda, sendo assim, o lucro unitário
descrito é o lucro líquido. No entanto, o
• Premissa 1: Há duas categorias de
lucro unitário de alguns produtos é
produtos: (i) Salgados e (ii) Doces. Um
estimado (já que estes dados não foram
produto salgado não pode estar do lado
fornecidos completamente).
de um produto doce, para não afetar o
sabor destes. • Premissa 4: O modelo elaborado é
determinístico, não se considera,
• Premissa 2: Não há produtos empilhados,
portanto, a estocasticidade inerente à um
ou seja, a altura das prateleiras e
sistema de vendas.
produtos não são consideradas,
caracterizando o problema como • Premissa 5: Existem 3 gondolas, cada
unidimensional. Portanto, o volume e uma com 3 níveis, totalizando 9
comprimento dos produtos, bem como a prateleiras, qualquer produto pode
altura entre prateleiras, não são ocupar qualquer espaço disponível desde
contemplados. que respeite a Premissa 1.
• Premissa 3: O preço de venda de cada • Premissa 6: Todas as 9 prateleiras devem
produto é conhecido, não havendo possuir produtos expostos, sendo
descontos de nenhum tipo ou efeitos de possível um mesmo produto ocupar mais
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
80

de uma posição, respeitando a Premissa níveis. Destaca-se que, são 28 produtos


1. salgados, 2 produtos doces a serem alocados
em 3 gôndolas, cada uma com 3 prateleiras
de dimensões iguais e larguras equivalentes à
4.1 DESENVOLVIMENTO DO MODELO 80 centímetros cada. O modelo MILP-SSAP
aqui desenvolvido é matematicamente
Contemplando as premissas elencadas
expresso como:
anteriormente, nesta subseção desenvolve-se
o modelo para alocação dos produtos em
prateleiras com espaços limitados e múltiplos
𝑠 𝑔 𝑝 𝑑 𝑔 𝑝

𝑀𝑎𝑥 𝐿 = ∑ ∑ ∑ 𝐿𝑖 . 𝑆𝑖𝑗𝑘 + ∑ ∑ ∑ 𝐿𝑚 . 𝐷𝑚𝑗𝑘 (5)


𝑖=1 𝑗=1 𝑘=1 𝑚=1 𝑗=1 𝑘=1
𝑔 𝑝

∑ ∑ 𝑆𝑖𝑗𝑘 ≤ 𝑈𝑠𝑎𝑙𝑔𝑎𝑑𝑜 ∀𝑖 = (1, … 𝑠) (6)


𝑗=1 𝑘=1
𝑔 𝑝

∑ ∑ 𝐷𝑚𝑗𝑘 ≤ 𝑈𝑑𝑜𝑐𝑒 ∀𝑚 = (1, . . 𝑑) (7)


𝑗=1 𝑘=1
𝑔 𝑝

∑ ∑ 𝑆𝑖𝑗𝑘 ≥ 𝐿𝑠𝑎𝑙𝑔𝑎𝑑𝑜 ∀𝑖 = (1, … 𝑠) (8)


𝑗=1 𝑘=1
𝑔 𝑝

∑ ∑ 𝐷𝑚𝑗𝑘 ≥ 𝐿𝑑𝑜𝑐𝑒 ∀𝑚 = (1, . . 𝑑) (9)


𝑗=1 𝑘=1
𝑠

∑ 𝑎𝑖 . 𝑆𝑖𝑗𝑘 − 𝛼𝑗𝑘 𝑇𝑗𝑘 ≤ 0 𝛼𝑘 = {1 ∀𝑗 = (1, … , 𝑔) 𝑒 ∀𝑘 = (1, … , 𝑝) (10)


0
𝑖=1
𝑚
1
∑ 𝑎𝑚 . 𝐷𝑚𝑗𝑘 − 𝛽𝑗𝑘 𝑇𝑗𝑘 ≤ 0 𝛽𝑘 = { ∀𝑗 = (1, … , 𝑔) 𝑒 ∀𝑘 = (1, … , 𝑝) (11)
0
𝑖=1
𝑝

∑(𝛼𝑘 + 𝛽𝑘 ) = 3 ∀𝑗 = (1, … , 𝑔) , ∀𝑚 = (1, … , 𝑑) 𝑒 ∀𝑖 = (1, … , 𝑠) (12)


𝑘=1

𝛼𝑘 + 𝛽𝑘 = 1 ∀𝑗 = (1, … , 𝑔) 𝑒 ∀𝑘 = (1, … , 𝑝) (13)


(𝐿𝑖 , 𝐿𝑚 , 𝑎𝑖 , 𝑎𝑚 , 𝑇𝑗𝑘 ≥ 0) 𝑒 ( 𝑆𝑖𝑗𝑘 , 𝐷𝑚𝑗𝑘 , 𝛽𝑘 , 𝛼𝑘 = 0 𝑜𝑢 1 ∀𝑖, 𝑗, 𝑘, 𝑚 ) (14)

No qual a função objetivo (5), visa maximizar categorias de produtos não podem dividir a
o lucro total L, sendo um somatório dos mesma prateleira para não afetar o sabor,
produtos Salgados ‘Sijk’ (salgado ‘i’ alocado na utilizou-se para isso duas variáveis binárias
gondola ‘j’ e prateleira ‘k’), multiplicado pelo auxiliares αk e βk, nas quais, se igual à 1, o
seu respectivo lucro ‘Li’, adicionando-se o Salgado ‘i’ é alocado na gondola ‘j’ e
somatório dos produtos Doces ‘Dmjk’ (doce ‘m’ prateleira ‘k’ e o Doce ‘m’ é alocado na
alocado na gondola ‘j’ e prateleira ‘k’), gondola ‘j’ e prateleira ‘k’ respectivamente,
multiplicado pelo respectivo lucro unitário ‘Lm’ sendo zero caso contrário, além do fato de
do produto doce. Onde ‘s’, ‘d’ é quantidade garantir que a quantidade de produtos
de produtos salgados e doces expostos respeitem as dimensões das
respectivamente, ‘g’ o número de gondolas e gondolas ‘j’ e prateleiras ‘k’, Tjk. As restrições
‘p’ a quantidade de prateleiras. As restrições (12) e (13) visam garantir as Premissas 5 e 6,
de (6) à (9) garantem a quantidade máxima ou seja, todas as ‘j’ gondolas e suas ‘k’
(Usalgado e Udoce) e mínima (Lsalgado e Ldoce) de prateleiras devem conter produtos, doces ou
produtos (salgados e doces) expostos. As salgados.
restrições (10) e (11) garantem por sua vez a
Por fim, as restrições (14) referem-se as
Premissa 1, no qual estabelece que as 2
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
81

características que as variáveis devem um laptop com Windows 10 e processador


possuir, como por exemplo, os lucros unitários Intel Core i7 6500U 2.5 GHz e dois núcleos.
de salgados e doces, bem como seus
A solução final foi encontrada após 364
comprimentos de face e tamanho das
iterações, obtendo-se como lucro total o valor
prateleiras (Li, Lm, ai, am, Tjk, respectivamente)
de R$ 102,30 (lembrando que este modelo é
tem de ser maiores que zero. Sendo as
unidimensional e considera apenas o
variáveis Sijk, Dmjk, αk e βk como binárias para
comprimento de face dos produtos).
qualquer ‘i’, ‘j’, ‘k’ e ‘m’ descritas
anteriormente, onde ‘i’ varia de 1 a 28, ‘j’ de 1 A Figura 3 representa a alocação dos
a 3, ‘k’ de 1 a 3 (pois são 3 prateleiras por produtos para a solução encontrada,
gôndolas) e ‘m’ 1 e 2. O modelo foi facilitando assim a verificação de que as
solucionado utilizando-se de um software para restrições e premissas estabelecidas são
programação matemática e otimização, em respeitadas.

FIGURA 3 - Solução encontrada.

Com a Figura 3, verifica-se que o modelo o espaço disponível está superdimensionado


procurou preencher ao máximo o espaço para a quantidade de produtos.
disponível, e conforme requisitado a Premissa
Assim, criou-se quatro produtos fictícios S29 e
1 foi respeitada, não havendo, salgados ao
S30 (ambos com 40 centímetros de
lado de doces. Verifica-se também, um
comprimento de face e lucro unitário de
espaço excedente para produtos Doces,
R$2,00) e D3 e D4 (24 centímetros de face e
dessa forma, a Lanchonete XYZ pode então
lucro unitário de R$ 2,00) com o intuito de
fornecer mais produtos desse tipo. Ressalta-
verificar se o modelo preencheria o espaço
se que a Prateleira 2 da Gondola 3 está vazia,
excedente nas prateleiras. A Figura 4
a princípio não respeitando a Premissa 6,
apresenta o resultado da simulação com os
elencou-se, portanto, duas hipóteses para
produtos fictícios.
isso: (i) o modelo necessita de ajustes, ou (ii)

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


82

FIGURA 4 - Solução com produtos fictícios.

A solução final adicionando-se os quatro de se familiarizar com o tema. A partir análise


produtos fictícios foi obtida após 638 da revisão da literatura e da observação in
iterações, sendo o lucro obtido de R$97,70. loco, escolheu-se uma abordagem linear,
Comprovou-se que o modelo atendeu todas determinística e unidimensional para o modelo
as premissas e restrições elaboradas. Sendo, matemático. Destaca-se a utilização de
portanto a hipótese (ii) válida, ou seja, o variáveis binárias auxiliares para assegurar a
espaço disponível está superdimensionado separação por categorias de produtos e para
para a quantidade de produtos. que todas as prateleiras possuam produtos
expostos. Considerando as premissas
assumidas, como resultado o modelo indicou
AGRADECIMENTOS um superdimensionamento das prateleiras,
possibilitando a exposição de mais produtos.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) pelo apoio Vale ressaltar que o modelo apresentado
financeiro. neste trabalho está em fase de testes e
aperfeiçoamento, sendo limitado à uma única
dimensão e apenas à decisões de alocação e
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS espaço. Dessa forma, como sugestões para
trabalhos futuros citam-se; (i) a inclusão de
O arranjo físico de produtos é um fator de
elementos de demanda e técnicas de
fundamental importância na eficiência dos
preferência declarada e demais elementos
processos de vendas e na maximização do
necessários para contemplar a
lucro. Devido a isto, neste trabalho, procurou-
estocasticidade da venda dos produtos, (ii) a
se otimizar a utilização do espaço físico para
consideração da área e/ou volume do produto
alocação de produtos nas prateleiras de uma
e não apenas o seu comprimento de face, (iii)
microempresa do ramo alimentício, visando o
a decisão de localização mencionada por
aumento dos lucros provenientes das vendas.
Aguiar (2015), e (iv) a inclusão de outras
Para tal, apresentou-se uma breve revisão da categorias de produtos vendidos de maneira
literatura sobre os modelos de programação a abranger toda a fonte de receita do
matemática conhecidos como shelf-space estabelecimento.
allocation problem (SSAP), com o propósito

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


83

REFERÊNCIA
[1]. AGUIAR, M.T.P.B.B. The Retail Shelf heuristic and meta-heuristic approaches. Journal of
Space Allocation Problem: New Optimization Retailing, 86(1):94–105, 2010.
Methods Applied to a Supermarket Chain.154f. [13]. HILLIER, F.S; LIEBERMAN, G.J.
Tese (Doutorado) – Departamento de Engenharia Introdução à pesquisa operacional. 8ed. McGraw-
Industrial e Gestão, Universidade do Porto, Porto - Hill, São Paulo, 2006.
Portugal, 2015. [14]. HWANG, H; CHOI, B.; LEE, G. A genetic
[2]. AMROUCHE, N.; ZACCOUR, G. Shelf- algorithm approach to an integrated problem of
space allocation of national and private brands. shelf space design and item allocation. Computers
European Journal of Operational Research, v. 180, Industrial Engineering, 56(3):809 – 820, 2009.
n. 2, p. 648–663, 2007. [15]. IRION, J.; LU, J.C; AL-KHAYYAL, F.;
[3]. ANDERSON, E.E. An Analysis of Retail TSAO, YC. A piecewise linearization framework for
Display Space: Theory and Methods. Journal of retail shelf space management models. European
Business, 52(1), 1979. Journal of Operational Research, v. 222, n. 1, p.
[4]. BORIN, N., FARRIS, P., FREELAND, J. A 122–136, 2012.
model for determining retail product category [16]. MAITI, M; MAITI, M. Multi-item shelf-space
assortment and shelf space allocation. Decision allocation of breakable items via genetic algorithm.
Sciences 25 (3), 359– 384, 1994. Journal of Applied Mathematics and Computing,
[5]. CORSTJENS, M.; DOYLE, P. A Model for 20(1-2):327–343, 2006.
Optimizing Retail Space Allocations, Management [17]. PARENTE, J. Varejo no Brasil: gestão e
Science, Vol. 27, 822-833, 1981. estratégia. 1ª ed. 11. Reimpressão. São Paulo:
[6]. CORSTJENS, M.; DOYLE, P. A dynamic Atlas, 2011.
model for strategically allocating retail space. The [18]. REYES, P. M.; FRAZIER, G. V. Goal
Journal of the Operational Research Society, programming model for grocery shelf space
34(10):943–951, 1983. allocation. European Journal of Operational
[7]. DRÈZE, X; HOCH, S. J.; PURK, M. E. Shelf Research, v. 181, n. 2, p. 634–644, 2007.
management and space elasticity. Journal of [19]. RUSSELL, R.A.; URBAN, T.L. The location
Retailing, 70(4):301 – 326, 1994. and allocation of products and product families on
[8]. GAJJAR, H. K.; ADIL, G. K. Heuristics for retail shelves. Annals of Operations Research,
retail shelf space allocation problem with linear 179(1):131–147, 2010.
profit function. International Journal of Retail & [20]. VAN NIEROP, E.; FOK, D.; FRANSES, P. H.
Distribution Management, v. 39, n. 2, p. 144–155, Interaction between shelf layout and marketing
2011. effectiveness and its impact on optimizing shelf
[9]. GAJJAR, H; ADIL, G. A piecewise arrangements. Marketing Science, 27 (6):1065–
linearization for retail shelf space allocation 1082, 2008.
problem and a local search heuristic. Annals of [21]. URBAN, T. L. The interdependence of
Operations Research, 179(1):149–167, 2010. inventory management and retail shelf
[10]. GHAZAVI, E.; LOTFI, M. M. Formulation of management. International Journal of Physical
customers’ shopping path in shelf space planning: Distribution & Logistics Management, 32(1):41–58,
A simulation-optimization approach. Expert 2002.
Systems with Applications, v. 55, p. 243–254, 2016. [22]. YANG, MH. An efficient algorithm to
[11]. HANSEN, P., HEINSBROEK, H. Product allocate shelf space. European Journal of
selection and space allocation in supermarkets. Operational Research, v. 131, p.107-118, 2001.
European Journal of Operational Research 3, 474– [23]. YANG, MH.; CHEN, W. C. Study on shelf
484, 1979. space allocation and management. International
[12]. HANSEN, J. M.; RAUT, S.; SWAMI, S. Journal of Production Economics, v. 60, n. 510, p.
Retail shelf allocation: A comparative analysis of 309–317, 1999.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


84

Capítulo 8

Edney Eboli dos Santos


Antonio César Galhardi

Resumo: As percepções de valor e de qualidade de um produto influenciam na


compra, principalmente de um bem durável como o automóvel. O design
automotivo é uma área do conhecimento multidisciplinar utilizada como ferramenta
para contribuir com o aumento da qualidade percebida e agregação de valor dos
veículos, por meio da melhoria em fatores como funcionalidade, operacionalidade,
ergonomia, escolha de materiais, com o emprego da criatividade em busca de
soluções funcionais, estéticas, simbólicas e semânticas que contribuem para uma
melhor percepção e interação do usuário em relação ao produto. Uma
especialidade do design automotivo é o desenvolvimento de texturas aplicadas às
peças plásticas do automóvel. Este artigo apresenta o resultado de uma pesquisa
Survey elaborada com os objetivos de: a) medir o grau de relevância das texturas
como um item de geração de valor e de qualidade percebida no automóvel; b)
levantar a opinião de usuários a respeito da aplicação da biomimética como
ferramenta a ser utilizada no desenvolvimento de texturas automotivas com o intuito
de gerar inovação e valor agregado ao automóvel. Os resultados da pesquisa
apontam a relevância da inovação para o incremento da competitividade das
organizações.

Palavras-chave: Sistemas produtivos; biomimética; inovação; texturas; design de


superfície.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


85

1. INTRODUÇÃO
O Design de produtos é uma área do 2. TEXTURAS E TECNOLOGIAS DE
conhecimento multidisciplinar classificada TEXTURIZAÇÃO DE MOLDES PLÁSTICOS
como ciência humana aplicada ao
A indústria automotiva, a partir de pesquisa e
desenvolvimento de produtos industriais, e
desenvolvimento em Design, em especial na
trabalha junto com as diversas ciências
área de Color & Trim, pode ser considerada
humanas e exatas como: Engenharias,
pioneira na área de desenvolvimento de
Administração, Finanças e Marketing. O
texturas aplicadas a peças plásticas como
Designer conceitua produtos gerando
forma de gerar inovação e aumentar a
soluções a partir das principais bases
qualidade percebida do produto. A estratégia
conceituais do objeto: funcionalidade,
de investir em design para o desenvolvimento
operacionalidade, ergonomia, materiais,
de produtos com características inovadoras
processos produtivos, sistemas construtivos,
aumenta o potencial competitivo do produto
criatividade, função informacional, função
no mercado (FREITAS, 2011).
estética, função simbólica, função semântica
(GOMES FILHO, 2007).
O designer atua no desenvolvimento de novos 2.1 A IMPORTÂNCIA DAS TEXTURAS NO
produtos não apenas definindo as formas dos DESIGN DE SUPERFÍCIE
objetos, mas propondo soluções de
As texturas aplicadas às superfícies de peças
acabamento de superfícies dos produtos com
plásticas apresentam diversas funções no
o objetivo de atender aos aspectos funcionais,
design de superfície, as mais importantes são:
estéticos, táteis, ergonômicos, relacionados à
segurança, entre outros. Esta área do design a) Agregar valor estético-visual ao produto
é conhecida como Design de superfície, CMF pela aplicação de desenhos que imitam
(Color, Material and Finish) ou ainda, no efeitos de tecidos, couros ou ainda
mercado automobilístico: Color & Trim (Cor e desenhos aleatórios ou geométricos
Acabamento). ordenados, aumentando a percepção de
qualidade do produto;
Uma das especialidades do Designer de
Color & Trim é o desenvolvimento de texturas b) Diminuir o brilho superficial do polímero
aplicadas às peças plásticas do veículo. Este injetado, melhorando a percepção de
desenvolvimento tem início após a definição qualidade do material;
de um briefing, obtido por meio de uma
c) Minimizar a visualização de efeitos de
pesquisa realizada com base em elementos
manchas de fluxo do material oriundos do
do design de objetos, arquitetura, artes, moda
processo de injeção;
entre outros, a fim de identificar tendências
que possam inspirar as diretrizes do projeto d) Melhorar a aderência em peças que
dos desenhos da textura a ser desenvolvida. necessitam de maior controle e precisão
de manipulação como volantes,
A partir de uma pesquisa Survey, buscou-se
comandos, manípulo do câmbio entre
identificar a percepção do usuário de
outros;
automóveis em relação às texturas aplicadas
às peças do produto e levantar sua e) Melhorar a ergonomia relacionada aos
percepção quanto ao uso da Biomimética no aspectos hápticos (suavidade, maciez e
desenvolvimento de desenhos de texturas toque) entre o ser humano e a peça
que possam trazer maior valor agregado ao plástica;
produto e maior qualidade percebida ao
f) Minimizar o efeito visual de eventuais
usuário, pela inovação em características
marcas de arranhões causados durante a
técnicas, visuais, táteis, funcionais baseadas
utilização do produto, buscando aumentar
nos princípios da Natureza.
o ciclo de vida e minimizar a necessidade
O artigo apresenta o processo de de troca ou substituição.
desenvolvimento e as tecnologias aplicadas
no processo de texturização de moldes de
peças plásticas, bem como as tecnologias 2.2 TECNOLOGIAS UTILIZADAS
existentes no desenvolvimento e aplicação de
Os processos de texturização de moldes de
texturas em peças plásticas, e as etapas de
injeção de peças plásticas podem ser
implementação da texturização de moldes de
classificados em:
injeção.
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
86

textura; retenção de ar na superfície quando


submerso em água; e a capacidade de
1. Processo por corrosão química
promover a condensação de água da
(Etching grain process ): é o processo mais
atmosfera.
tradicional e mais utilizado atualmente na
confecção de texturas no Brasil e no mundo. Volstad e Boks (2008) fizeram uso da
Consiste no ataque químico por imersão do biomimética como uma das ferramentas
molde de injeção em um tanque contendo alternativas aos métodos tradicionais de
soluções que corroem o aço da matriz de desenvolvimento de produto que o designer
injeção, por meio do contr’ole de parâmetros utiliza na busca por soluções a seus
como: tempo, temperatura e profundidade do problemas de projeto. Os autores citam vários
ataque. exemplos de soluções inspiradas na natureza
já implementadas em diversas indústrias, seja
2. Processo por gravação a laser:
na inspiração de formas mais aerodinâmicas
gravação direta da textura na superfície do
dos veículos, na construção de estruturas
molde por meio de feixe laser onde o degaste
tridimensionais baseadas nas colmeias das
da superfície ocorre em camadas.
abelhas como forma de melhorar a relação
Comparativamente ao processo por corrosão
espaço e material utilizado, ou ainda no
química, apresenta a vantagem de permitir
desenvolvimento de adesivos baseados nos
maior controle e precisão na confecção de
filamentos encontrados nas patas de
desenhos de superfícies geométricas,
lagartixas.
angulares e planares; inclusive permite
distorções propositais no desenho para A importância do design de superfície
compensações visuais (ajustes óticos), mas relacionando texturas aplicadas aos produtos
em geral apresenta maior custo e maior com a percepção de valor e qualidade
tempo de confecção. geradas são objetos de estudo relevantes no
campo do design e diversos estudos buscam
3. Processo híbrido: utiliza o processo
identificar como as texturas podem contribuir
laser para transferência do desenho à
na relação emocional entre usuário e objeto
superfície do molde, seguido pelo ataque
(SILVA et al., 2009).
químico. Este último processo pode ser
resumido nas seguintes etapas: isolamento Novos métodos de busca por fontes de
das áreas do molde a serem protegidas do inspiração para designers e arquitetos têm
ataque químico; definição do desenho sido criados ao longo dos anos, a maioria
bidimensional da textura em software de com foco em buscar sustentabilidade.
imagem e criação do desenho a ser repetido Recentemente arquitetos procuram entender
(rapport); confecção de filme plástico os princípios e regras de sistemas naturais
impresso em cera a ser transferida ao molde que produzem ordem estrutural e organização
como um frame de proteção para as áreas de material de alta complexidade, eficiência e
que não devem ser corroídas pelo ataque beleza (ALSHAMI et al., 2015).
químico; aplicação do desenho da textura
Tavsan e Sonmez (2015) apresentaram um
pela transferência da cera protetiva do filme
estudo de diversos móveis criados a partir de
plástico à superfície do molde; imersão do
conceitos biomiméticos, sejam de ordem
molde em tanque de corrosão; controle da
estética ou prática, lembrando a importância
profundidade dos sulcos da corrosão.
de tais objetos nos aspectos simbólicos do
estilo de vida e riqueza cultural do ser
humano. Esta abordagem revela a
2.3 USO DA BIOMIMÉTICA ATUALMENTE
importância do design na compra de produtos
A partir de uma análise bibliométrica, alguns a partir de questões simbólicas implícitas nos
estudos mais relevantes relacionados ao tema objetos e sua relação com a qualidade
foram identificados e selecionados como fonte percebida do produto.
de pesquisa.
Outros estudos relacionados ao
Um estudo realizado na Itália (TRICINCI et al., desenvolvimento de superfícies com
2015) simulou fisicamente por prototipagem propriedades mecânicas específicas como a
rápida a textura encontrada nas folhas da hidrofobia da flor de Lótus (ARNARSON,
planta aquática Salvinia molesta, e concluiu 2015), que foi inspiração para tintas e
poder reproduzir em superfícies de material superfícies autolimpantes, são mencionados
sintético três propriedades naturais da folha com frequência nos artigos que tratam a
estudada: a capacidade hidrofóbica desta biomimética como uma prática de observação
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
87

e aplicação importante no desenvolvimento • A inovação pode ser aplicada no


de soluções para o ser humano. desenvolvimento de produtos, processos
e serviços (97,1%);
• A inovação é essencial (73,7%) ou muito
3. MÉTODO
importante (24,8%) para aumentar a
A partir da aplicação de uma pesquisa Survey competitividade das empresas;
foi possível identificar o grau de familiaridade
• Aproximadamente metade dos
de uma amostra não-probabilística de
respondentes (54,2%) não conhecia o
pessoas com o campo da Biomimética e
significado de “biomimética” ou
entender a percepção de valor que a amostra
“biomimetismo”.
apresentou em relação às texturas aplicadas
às superfícies dos automóveis. • Após breve esclarecimento sobre o que é
biomimética, 76,6% dos respondentes
Os objetivos gerais desta pesquisa foram: a)
acreditam que ela deva ser explorada
medir o grau de relevância das texturas como
para gerar inovação; 21,9% não
item de geração de valor e de qualidade
souberam opinar alegando falta de
percebida no automóvel; b) levantar a opinião
conhecimento sobre o tema.
de usuários a respeito da aplicação da
biomimética como ferramenta a ser utilizada • Avaliando entre 0 e 10, sendo 0=”não
no desenvolvimento de texturas automotivas, gosto de automóvel” e 10=”gosto muito
objetivando a inovação e o aumento do valor de automóvel”, percebe-se que a maioria
agregado no automóvel. da amostragem gosta de automóvel
(aprox.60% acima de nota 8, aprox. 32%
A pesquisa foi estruturada a partir de um
entre notas 5 e 7, e aprox.8% entre 0 e 4).
questionário contendo 11 itens, abordando os
temas: Inovação, Biomimética e texturas de • As texturas foram valorizadas por 58,4%
peças plásticas no interior do automóvel. dos respondentes. As pessoas valorizam
primeiramente os detalhes (75,2%),
O modelo Survey aplicado foi elaborado
seguido pelas formas (68,6%), texturas
utilizando-se a plataforma Google Forms® e
(58,4%) e tecidos (56,2%).
disponibilizado link do dia 15/05/2017 ao dia
26/05/2017, por meio da rede social LinkedIn • A maioria dos respondentes percebe as
que, totalizavam 671 profissionais de diversas texturas do automóvel, com os seguintes
áreas, incluindo os que atuam na indústria resultados: sempre (43,1%); quase
automobilística, profissionais de RH, sempre (19%); frequentemente (27%).
marketing, administração, representantes Apenas 10,9% da amostra responderam
comerciais, estudantes de design, “raramente” ou “nunca”.
profissionais de design, professores,
• Mais de 90% dos respondentes avaliaram
executivos das mais diversas áreas industriais
que as texturas são essenciais ou muito
e de serviços, entre outros. Compôs-se desta
importantes na percepção de qualidade
forma uma amostragem não-probabilística
do automóvel.
(por conveniência), com intuito meramente
exploratório. A pesquisa foi enviada como • Quase metade (45,3%) prefere texturas
forma de convite com objetivos acadêmicos, com padrões geométricos ordenados ou
cuja participação não-obrigatória dos simétricos; os desenhos de couro são
respondentes aconteceu de forma anônima, e preferência para 29,2% e os padrões que
se obteve o total de 137 respostas. imitam tecidos são preferência para
apenas 15,3% dos respondentes.
• A síntese dos resultados da survey está
4. RESULTADOS E ANÁLISE
expressa na Tabela 1 (questões de 1 a 4),
Uma análise preliminar de gráficos gerados a Tabela 2 (questões de 5 a 7) e Tabela 3
partir de todas as respostas da amostra de (questões de 8 a 11).
respondentes revela que, de forma geral, os
respondentes entendem que:

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


88

TABELA 1 – Resultados da survey (questões de 1 a 4)

18 - 22 ANOS 23 - 37 ANOS 38 - 50 ANOS >50 ANOS ("BABY


(GERAÇÃO "Z") (GERAÇÃO "Y") (GERAÇÃO "X") BOOMERS")
ALTERNATIVAS
QUESTÕES

% na faixa etária
% na faixa etária

% na faixa etária

% na faixa etária
% na amostra

% na amostra

% na amostra

% na amostra
Nº respostas

Nº respostas

Nº respostas

Nº respostas
1. Faixa
etária

Caracterização 24 100 17,5 64 100 46,7 32 100 23,4 17 100 12,4

No
desenvolvimento 2 8,3 1,5 0 0 0 1 3,1 0,7 0 0 0
2. Aplicação da “INOVAÇÃO”.

de produtos.

No aprimoramento
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
de processos.

No aprimoramento
1 4,6 0,7 0 0 0 0 0 0 0 0 0
de serviços.

Produtos,
processos e 21 87,5 15,3 64 100 46,7 31 96,9 22,6 17 100 12,4
serviços.
ferramenta para a competitividade.

irrelevante. 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
3. Prática da INOVAÇÃO como

de pouca
1 4,6 0,7 1 1,6 0,7 0 0 0 0 0 0
importância.

muito importante. 7 29,2 5,11 44 68,8 32,1 7 21,9 5,1 1 5,9 0,7

essencial. 16 67 11,7 19 29,7 13,9 25 78,1 18,2 16 94,1 11,7

é o primeiro
6 25 4,4 35 54,7 25,5 9 28,1 6,6 6 35,3 4,4
contato.
4. Biomimética / Biomimetismo

desconheço seu
8 33,3 5,8 7 10,9 5,1 3 9,4 2,2 3 17,6 2,2
significado.

conheço o
6 25 4,4 6 9,4 4,4 4 12,5 2,9 2 11,7 1,5
significado.

pode ser aplicado


à solução de 4 16,7 2,9 16 25 11,7 16 50 11,7 6 35,3 4,4
problemas.
Fonte: os autores.
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
89

TABELA 2 – Resultados da survey (questões de 5 a 7)

>50 ANOS
18 - 22 ANOS 23 - 37 ANOS 38 - 50 ANOS
("BABY
(GERAÇÃO "Z") (GERAÇÃO "Y") (GERAÇÃO "X")
BOOMERS")
ALTERNATIVAS

% na faixa etária

% na faixa etária

% na faixa etária

% na faixa etária
% na amostra

% na amostra

% na amostra

% na amostra
Nº respostas

Nº respostas

Nº respostas

Nº respostas
não é possível. 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

aplicação é
1 4,6 0,7 1 1,6 0,7 0 0 0 0 0 0
irrelevante.

deve ser explorada. 17 70,8 12,4 45 70,3 32,8 27 84,4 19,7 16 94,1 11,7

s/ opinião formada. 6 25 4,4 18 28,1 13,1 5 15,6 3,6 1 5,9 0,7

respostas entre notas


3 12,5 2,2 4 6,3 2,9 1 3,1 0,7 0 0 0
0e4

respostas entre notas


9 37,5 6,6 22 34,4 16,1 7 21,9 5,1 6 35,3 4,4
5e7

respostas entre notas


12 50 8,8 38 59,4 27,7 24 75 17,5 11 64,7 8
8 e 10

as formas 17 70,8 12,4 42 65,6 30,6 32 100 23,4 13 76,5 9,5

as texturas 15 62,5 10,9 41 64,1 29,9 18 56,3 13,1 9 52,9 6,6

os tecidos 12 50 8,8 44 100 46,7 16 50 11,7 8 47 5,8

os detalhes 19 79,2 13,9 54 84,4 39,4 19 59,4 13,9 12 70,6 8,8

Fonte: os autores.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


90

TABELA 3 – Resultados da survey (questões de 8 a 11)

>50 ANOS
18 - 22 ANOS 23 - 37 ANOS 38 - 50 ANOS
("BABY
(GERAÇÃO "Z") (GERAÇÃO "Y") (GERAÇÃO "X")
BOOMERS")
ALTERNATIVAS

% na faixa etária

% na faixa etária

% na faixa etária

% na faixa etária
% na amostra

% na amostra

% na amostra

% na amostra
Nº respostas

Nº respostas

Nº respostas

Nº respostas
nunca 0 0 0 3 4,7 2,2 0 0 0 0 0 0

raramente 4 16,7 2,9 5 7,8 3,6 3 9,4 2,2 0 0 0

frequentemente 8 33,3 5,8 18 28,1 13,1 7 21,9 5,1 4 23,5 2,9

quase sempre 6 25 4,4 11 17,2 8 7 21,9 5,1 2 11,8 1,5

sempre 6 25 4,4 27 42,2 19,7 15 46,9 10,9 11 64,7 8

são irrelevantes. 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

agregam pouco
3 12,5 2,2 6 9,4 4,4 2 6,3 1,5 0 0 0
valor .

são importantes. 14 58,3 10,2 31 48,4 22,6 15 46,9 10,9 8 47 5,8

são muito
7 29,2 5,1 27 42,2 19,7 15 46,9 10,9 9 52,9 6,6
importantes.

que imitam de couro. 8 33,3 5,8 17 26,6 12,4 9 28,1 6,6 6 35,3 4,4

que imitam tecidos. 3 12,5 2,2 5 7,8 3,6 4 12,5 2,9 2 11,8 1,5

com desenhos
3 12,5 2,2 10 15,6 7,3 5 15,6 3,6 3 17,6 2,2
aleatórios.

com desenhos
geométricos
10 41,7 7,3 32 50 23,4 14 43,8 10,2 6 35,3 4,4
ordenados ou
simétricos.

não vale a pena


1 4,6 0,7 0 0 0 0 0 0 0 0 0
investir.

vale a pena investir. 18 75 13,1 49 76,6 35,8 27 84,4 19,7 15 88,2 10,9

não tenho opinião


5 20,8 3,6 15 23,4 10,9 5 15,6 3,6 2 11,8 1,5
formada.

Fonte: os autores.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


91

Os resultados dos 137 respondentes foram Os dados da questão 5 apontam que as


exportados a uma planilha Excel® para uma gerações mais jovens (“Y e Z”) apresentam
análise mais detalhada com o objetivo de maior percentual de pessoas que não têm
investigar a opinião das pessoas a partir de opinião formada sobre o assunto
filtros de classificação por idade. O critério (aproximadamente 25% cada), enquanto as
para enquadramento geracional tomou por gerações “X e baby boomers” entendem em
base as classificações em: geração “baby sua maioria (percentuais acima de 80%) que
boomers” (atualmente pessoas acima de 50 a biomimética deve ser explorada para
anos de idade), geração “x” (entre 38 e 50 benefício de todos.
anos), geração “y” ou “millenials” (entre 23 e
As questões 6 e 7 referem-se à relação do
37 anos) e geração “z” (entre 18 e 22 anos).
usuário com o automóvel. Na questão 6 o
Esta análise foi possível a partir da
respondente é solicitado a classificar entre 0 e
caracterização da faixa etária dos
10 o quanto gosta de automóvel (0=nada e 10
respondentes: geração “z” (17,5%), geração
=muito). Percebe-se que entre a geração “Z”,
“y” (46,7%), geração “x” (23,4%), e “baby
apenas 50% dos respondentes avaliaram com
boomers” (12,4%). A partir deste
notas superiores a 8, enquanto os outros 50%
enquadramento foi feito um corte para
se dividiram entre notas 0 e 7. As demais
analisar em conjunto a opinião das gerações
gerações apresentam percentual médio
“x e y”, que corresponde às pessoas entre 23
acima de 60% para as notas entre 8 e 10.
e 50 anos de idade (71,1%), faixa etária de
Este fato indica que a geração “Z” não tem a
potenciais compradores de veículos
mesma relação “afetiva” com o produto
composta por pessoas em fase
automóvel quando comparado com as
economicamente ativa, cujas opiniões podem
gerações anteriores.
trazer dados para o delineamento de
estratégias para curto prazo no A questão 7 buscou levantar quais elementos
desenvolvimento de veículos. Os dados de design as pessoas valorizam no interior do
obtidos a partir dos jovens entre 18 e 22 anos automóvel. Os “detalhes” constituem o item
de idade (17,5%) podem apontar caminhos mais valorizado por todas as categorias de
para futuras estratégias de desenvolvimento gerações, seguido pelas “formas”, “texturas”
de veículos por se tratar de potenciais e “tecidos”. O item “outros” teve a menor
compradores de automóveis em médio prazo. relevância, constituído por palavras citadas
como: ergonomia, tecnologia, conforto,
As questões 2 e 3 buscaram levantar o quanto
acessibilidade, praticidade, resistência,
as pessoas consideram importante a
isolamento acústico, usabilidade entre outras.
aplicação da inovação no desenvolvimento de
De forma geral não há diferença significativa
veículos. A questão 2 mostra que 97% das
do que as gerações valorizam no interior do
pessoas entendem que a inovação pode ser
automóvel. Apenas a geração “Y” destaca-se
aplicada em produtos, serviços ou processos.
das demais por valorizar os tecidos em
A questão 3 aponta que mais de 90% das
primeiro lugar.
pessoas de cada categoria geracional
entendem que é muito importante ou As questões 8, 9 e 10 buscaram identificar
essencial aplicar a inovação para melhorar a qual a percepção das gerações em relação
competitividade das empresas. Esta às texturas do automóvel e sua relação com a
informação aponta a importância da inovação qualidade percebida no produto.
como estratégia competitiva.
A questão 8 apontou que mais de 50% dos
As questões 4 e 5 pretenderam avaliar o respondentes de todas as gerações
conhecimento dos usuários a respeito da percebem “quase sempre” ou “sempre” as
biomimética e entender a opinião de quanto texturas. Este percentual sobe para mais de
sua aplicação é relevante e benéfica em 80% em todas as gerações quando inclui-se o
projetos de produto. A questão 4 revelou que, item “frequentemente reparo nas texturas”.
de uma forma geral, metade dos Menos de 20% de cada uma das gerações
respondentes não conhecia o significado das responderam que “raramente” ou “nunca”
palavras “biomimética” ou “biomimetismo”. reparam nas texturas do automóvel. Isto
Ainda relacionado ao conhecimento de indica que as texturas são percebidas e
biomimética, a pesquisa revelou que apenas valorizadas como item que agrega valor por
1/3 dos respondentes da geração “Y” todas as gerações de consumidores de
conhecia os termos acima, enquanto que na automóveis.
geração “X” esta proporção se eleva para 2/3.
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
92

A questão 9 procurou revelar quão importante competitividade das empresas e que o uso da
são as texturas na percepção da qualidade biomimética pode ser uma ferramenta para
do produto. Para todas as gerações, as gerar inovação. Os dados indicam que a
alternativas considerando “importante” e maior parte das pessoas gosta de
“muito importante” somaram índices acima de automóveis, percebe e valoriza as texturas
87%. As alternativas que consideravam as como algo que gera valor agregado e
texturas como “irrelevantes” ou “de pouca aumenta a qualidade percebida no produto.
importância” para a percepção de qualidade Estes dados permitem refletir sobre a
no automóvel somaram 12,5% apenas na importância e relevância da pesquisa do tema
geração “Z”, maior índice entre as gerações. e de sua implementação nos sistemas
produtivos automotivos como estratégia de
A questão 10 procurou identificar as
geração de valor e inovação, com potencial
preferências dos respondentes em relação
de melhorar os resultados financeiros das
aos tipos de desenhos de texturas a partir da
empresas, uma vez que, com o aumento da
seguinte classificação dos desenhos
satisfação do usuário e de sua experiência
comumente utilizados em automóveis:
com os produtos oriundos deste
texturas que imitam couro; texturas que
desenvolvimento espera-se aumento de
imitam tecidos; texturas com desenhos
vendas, ampliação do Market share e
aleatórios; e texturas com desenhos
consequente aumento das receitas.
geométricos, ordenados e simétricos. Em
todas as gerações as texturas com desenhos Obviamente que os processos de pesquisa,
geométricos, ordenados e simétricos teve desenvolvimento e inovação demandam um
predominância com índices entre 35% e 50%, tempo de maturação e de retorno de longo
seguidas pelas texturas que imitam couro prazo, além de que toda estratégia de
(entre 25% e 33%), e com índices muito inovação envolve riscos e esforços a serem
próximos entre si, as texturas com desenhos compartilhados por todas as áreas da cadeia
aleatórios e as que imitam tecidos (entre 8% e de valor. Desta forma, a presente pesquisa
17%). Não foram identificadas trouxe à luz dados relevantes para discussão
predominâncias de um grupo de textura sobre investimento em pesquisas na área da
específico em nenhum grupo geracional. Biomimética como abordagem para a
geração de inovação e valor agregado na
A questão 11 buscou saber a opinião do
indústria automobilística.
usuário quanto à aplicação da biomimética no
desenvolvimento de texturas. Verificou-se que Em relação às diferentes gerações de
no mínimo 75% de todas as gerações usuários de automóveis (gerações “x”, “y”, “z”
responderam que vale a pena o uso da e “baby boomers”) observou-se que não há
biomimética em projetos desta natureza. Na diferença significativa de percepções entre as
geração “Z” houve uma rejeição de 4,6% dos gerações, tanto em relação à aplicação da
respondentes, que entendem que não vale a inovação no automóvel, quanto em relação ao
pena investir em projetos desta natureza. Nas uso da biomimética; assim como em relação à
gerações “Z” e “Y” o montante de percepção de itens de valor e tipos de
respondentes que não tinham opinião texturas aplicadas.
formada por falta de conhecimentos sobre o
Outro dado relevante da pesquisa foi
assunto ficou entre 20% e 23%, contra 11% e
conhecer a classe de texturas preferida pela
15% nas gerações “X” e “baby boomers”.
maior parte dos respondentes: texturas com
desenhos geométricos, ordenados e
simétricos. Isto pode orientar o conceito
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
estético a ser desenvolvido pelos designers
A pesquisa Survey apontou que a maior parte quando do desenvolvimento de futuras
dos respondentes da amostra entende que a texturas com base na biomimética.
inovação é importante para aumentar a

REFERÊNCIAS
[1]. ALSHAMI, M.; ATWA, M.; FATHY, A.; 8018. 2015. Disponível em:
SALEH,A. Parametric Patterns Inspired by Nature <https://www.ijirset.com/upload/2015/september/2_
for Responsive Building Façade. International Parametric_foriegn.pdf>. Acesso em: 10 abril 2017.
Journal of Innovative Research in Science, [2]. ARNARSON, P. Ö. Biomimicry. 2011.
Engineering and Technology, v.4, n. 9, p.8009- Disponível em:
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
93

<http://olafurandri.com/nyti/papers2011/Biomimicry <https://doi.org/10.1016/j.sbspro.2015.07.255>.Ace
%20- sso em: 10 abril 2017.
%20P%C3%A9tur%20%C3%96rn%20Arnarson.pdf [7]. TRICINCI, O.; TERENCIO,T.; MAZZOLAI,
>. Acesso em: 10 abril 2017. B.; PUGNO, N.M.; GRECO, F.; MATTOLI, V. 3D
[3]. FREITAS, R. O.T. Design de Superfície. As Micropatterned Surface Inspired by Salvinia
ações comunicacionais táteis no processo de molesta via Direct Laser Lithography. ACS
criação. São Paulo: Ed. Edgard Blücher, 2011. AppliedMaterials& Interfaces, v. 7, n.46, p. 25560–
[4]. GOMES FILHO, J. Design do Objeto: 25567. 2015. Disponível em:
Bases conceituais. São Paulo: Escrituras, 2007. <http://pubs.acs.org/doi/pdf/10.1021/acsami.5b077
[5]. SILVA, E.S.A.; DISCHINGER, M.C.T.; 22>. Acesso em: 15 abril 2017.
RODRIGUES, T.L.;SILVA, F.P.; KINDLEIN JUNIOR, [8]. VOLSTAD, L.; BOKS, C. Biomimicry – a
W. Discussão entre práticas para desenvolvimento useful tool for the industrial designer? Shedding
e aplicação de texturas em produtos industriais. In: light on nature as a source of inspiration in
CONGRESSO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM industrial design.In:DS 50: Proceedings of
DESIGN, 5., 2009. Bauru, SP. Anais eletrônicos. NordDesign Conference, Tallinn, Estonia, 2008,
Disponível em<http://hdl.handle.net/10183/31099>. p.275-284.ISBN 978-9985-59-840-5
Acesso em: 20 abril 2017. Disponívelem:<https://www.designsociety.org/publi
[6]. TAVSAN, F.; SONMEZ, E.Biomimicry in cation/27376/biomimicry_%E2%80%93_a_useful_to
Furniture Design. Procedia - Social and Behavioral ol_for_the_industrial_designer>. Acesso em: 15
Sciences, v.197, p. 2285-2292. 2015. Disponível abril 2017.
em:

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


94

Capítulo 9
Vinícius Diniz Ornellas
Thaís Spiegel

Resumo: O empreendedorismo e a inovação são elementos que podem alavancar


o desenvolvimento econômico de uma nação. Nesse contexto, as startups surgem
como oportunidades de alcançar grandes mercados e impulsionarem novos
negócios. Essas empresas enfrentam ambientes de incertezas pela
imprevisibilidade de suas demandas e buscam construir modelos de negócios
repetíveis e escaláveis. Devido à escassez de recursos e as dificuldades
encontradas na criação de novos negócios, foram elaborados princípios e técnicas
para auxiliar os empreendedores no desenvolvimento de suas empresas. Essa
metodologia foi baseada no modelo do Sistema Toyota de Produção e ficou
conhecida como Lean Startup. Inserido neste campo teórico-prátoco, este artigo
tem por objetivo analisar um caso prático sobre a aplicação desses conceitos em
uma startup do setor de energia. A mesma tem como proposta de valor fornecer um
serviço de aluguel de carregadores portáteis, com o intuito de acabar com o
problema de falta de bateria nos smartphones e tornar a energia móvel. Dentre os
resultados do estudo de caso, será exposto como a empresa diminuiu seus riscos
e, por consequência, aumentou seu valor utilizando ferramentas como Produto
Mínimo Viável e Customer Development.
Palavras-chave: Startup. Startup Enxuta. Inovação. Novos negócios.
Empreendedorismo.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


95

1. INTRODUÇÃO mercados, o que pode ser alcançado através


No contexto da economia capitalista, o da inovação. Para Drucker (1998), a inovação
empreendedorismo é o motor de produção é o meio pelo qual o empreendedor cria
capaz de promover o crescimento econômico novos recursos produtores de riqueza, ou
de diversos países. Através de pesquisas e dota recursos existentes com maior potencial
incentivos, as instituições que mais investem para criar riquezas.
em inovação e desenvolvimento tecnológico
A inovação não está baseada apenas em
têm obtido maiores resultados e prosperado
desenvolver algo novo, já que uma invenção é
economicamente. Wennekers & Thurik (1999)
basicamente um modelo de produto com
afirmam que a importância do
desenvolvimento técnico, mas que não
empreendedorismo para o desenvolvimento
necessariamente se tornará uma inovação,
socioeconômico foi comprovada a partir da
para isso necessita trazer resultados
identificação de relação positiva entre a
econômicos impactantes para as empresas.
abertura de novas empresas e a geração de
Teece (1986) afirma que a inovação consiste
renda e empregos.
em conhecimento técnico sobre como fazer
O termo empreendedorismo é amplo, com as coisas melhor do que o estado da arte
muitas definições, no entanto, para alguns existente e relaciona esse conceito com o
autores empreender pode ser definido de lucro, pois o conhecimento tem que ser
forma bem simples, sendo entendido como o vendido ou utilizado de alguma forma no
ato de abrir seu próprio negócio. Para mercado.
Stevenson & Jarillo (1990) pode se definir
De acordo com o Manual de Oslo (2005),
empreendedorismo como fenômeno
inovação é a implementação de um produto
comportamental onde indivíduos buscam
(bem ou serviço) novo ou significativamente
oportunidades independentemente dos
melhorado, ou um processo, ou um novo
recursos que controlam. Segundo Johnson
método de marketing, ou um novo método
(2001), o empreendedorismo envolve a
organizacional nas práticas de negócios, na
captura de ideias, convertendo-as em
organização do local de trabalho ou nas
produtos ou serviços para, então, construir e
relações externas. Já para Nicolsky (2008), a
levar uma empresa ao mercado.
inovação destina-se a dar mais
Neste contexto, o presente artigo se propõe a competitividade aos produtos e serviços da
analisar a aplicação prática dos princípios da organização, ampliando a sua participação no
metodologia Lean Startup no projeto E-móvel, mercado, criando inclusive condições para
uma startup com o propósito de fornecer que as empresas possam competir
energia móvel. Para atingir o objetivo internacionalmente.
principal, foram formulados três objetivos
A inovação pode ser dividida em duas
específicos, quais sejam: revisão da Literatura
classificações, a sustentadora, focada na
sobre conceitos e técnicas do Lean Startup;
melhoria contínua, isto é, não cria um novo
extrair da Literatura os elementos que podem
modelo de negócio, apenas aperfeiçoa os já
ser analisados na pesquisa de campo; e
existentes, por exemplo, reformulando ou
realizar o estudo de caso da E-móvel.
atualizando um produto. Já o outro tipo de
inovação, a disruptiva, baseada no
desenvolvimento de novos produtos ou
2. REFERENCIAL TEÓRICO
serviços, busca alcançar um mercado ainda
2.1 EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO não existente ou atingir o chamado baixo
mercado, parcela de clientes que são de
Dolabela (1999) afirma que o
menor atratividade para as grandes
empreendedorismo cria riqueza através da
empresas, que estão focadas em atender os
inovação e está no centro da geração do
clientes mais exigentes e rentáveis.
emprego e do crescimento da economia.
Christensen (1997) afirma que as inovações
Montoya (2000) refere-se ao
disruptivas são aquelas que provocam uma
empreendedorismo como processo de
ruptura no antigo modelo de negócios e que
inovação e de descoberta de oportunidades
elas normalmente favorecem o aparecimento
de produtividade e de lucro. Nota-se que
de novos entrantes.
inovar e empreender são temas que
necessitam caminhar juntos, o Christensen & Raynor (2011) definem três
empreendedorismo busca novas formas de pontos para a inovação ser considerada
desenvolver produtos e atender novos disruptiva: (i) Atender o baixo mercado ou um
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
96

segmento de clientes que ainda não havia escalável; e (iii) Modelo de negócio enxuto
sido alcançado; (ii) Ter tecnologia que possibilite viabilizar seu produto ou
capacitadora, permitindo tornar o negócio serviço.

GRÁFICO 1 – Inovação Disruptiva x Inovação Sustentadora.

Fonte: Christensen, Raynor & Mcdonald (2015).


2.2 STARTUPS alguns empreendedores desenvolveram
diversos métodos para conduzir seus
Dentro do contexto do empreendedorismo e
negócios. Nesheim (2000) comenta que
da inovação surgem a startups. Segundo
devido à grande taxa de mortalidade presente
Blank & Dorf (2012), startup é uma
na criação e condução das startups, várias
organização temporária projetada para
técnicas e metodologias foram criadas e
buscar por um modelo de negócios escalável
aprimoradas.
e repetível que atua num ambiente de extrema
incerteza. Já para Graham (2015) uma startup Entre os vários métodos, um conjunto de
é definida como uma empresa desenvolvida técnicas se destacou e ficou conhecido como
para crescer rápido.O valor de uma startup é Lean Startup. São ferramentas utilizadas para
definido conforme ela reduz suas incertezas. reduzir desperdícios, otimizar os processos e
Mitigando seus riscos, maior será o seu valor aumentar a qualidade dos produtos. Blank
e por consequência, maior possibilidade de (2013) afirma que a metodologia Lean Startup
aporte de capital de seus investidores. Gilbert transforma o processo de abertura de um
& Eyring (2010) comentam que risco e valor novo negócio em uma atividade menos
são inversamente proporcionais, à medida arriscada. O Lean Startup, ou na tradução
que um empreendedor tira uma incerteza da Startup enxuta, é um conjunto de técnicas
mesa, o valor de sua empresa aumenta. desenvolvidas por Eric Ries, empreendedor
de sucesso nos Estados Unidos. Ries (2012)
define Lean Startup como um conjunto de
2.3 LEAN STARTUP práticas para ajudar empreendedores a
aumentar suas chances de construir uma
Apesar de todo seu potencial e toda sua
startup de sucesso.
importância econômica, as startups atuam em
um ambiente de incerteza e escassez de A origem do Startup Enxuta está no modelo
recursos, somada a faltas de investimentos e de produção da Toyota, no pensamento
tecnologias para ofertas seus produtos. Além enxuto que revolucionou a forma como os
disso, para alcançar o sucesso não bastar ter sistemas de produção são conduzidos.
uma boa ideia, é necessário transforma - lá Alguns de seus princípios são: o
em um produto que tenha valor para o cliente. aproveitamento do conhecimento e da
criatividade de seus funcionários, a produção
Devido a todas incerteza enfrentadas pelas
Just-in-time, o controle de estoque. Ries
startups, somado a falta de recursos e com o
(2012) associa o Lean Startup ao Sistema
objetivo de alavancar o sucesso das startups,
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
97

Toyota, afirma que a startup enxuta adapta conduzir uma startup, para isso não precisam
essas ideias ao contexto do elaborar estratégias complexas ou inúmeras
empreendedorismo, propondo que os hipóteses, devem fazer ajustes constantes
empreendedores julguem seu progresso de que são chamados de volantes, através do
maneira distinta do modo pelo qual outros ciclo de feedback construir-medir-aprender.
tipos de iniciativas empresariais julgam. Assim poderão entender melhor o caminho a
seguir e saber se devem persistir na direção
O Lean Startup é desenvolvido para que os
atual ou mudar totalmente a sua orientação,
empreendedores possam aprender a
processo conhecido como pivotar.

FIGURA 1 - Ciclo Construir- Medir-Aprender.

Fonte: Ries (2012).

Ries (2012) afirma que uma startup deve criar modelo de negócios, identificar potenciais
um negócio prospero e capaz de mudar o parceiros e concorrentes, além de uma
mundo, chamando isso de visão de uma estratégia, então seu produto será o resultado
startup. Dessa forma, necessita criar um final dela.

FIGURA 2 -Pirâmide Produto Estratégia Visão.

Fonte: Ries (2012).

Conforme os testes vão sendo realizados e o quando ocorre é chamado de pivô. Já a visão
empreendedores aprendendo mais sobre as raramente é alterada, pois os
necessidades e desejos dos seus clientes, os empreendedores estão determinados a
produtos sofrem diversas mudança através do conduzir a startup até o destino desejado.
chamado processo de otimização. Diferente
do produto, a estratégia não muda com tanta
frequência e como citado anteriormente,

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


98

2.4 CUSTOMER DEVELOPMENT se concentrando na construção dos


departamentos para escalar a empresa.
Esse método foi o precursor do Lean Startup.
Desenvolvida por Blank (2005) e na tradução,
Desenvolvimento de Clientes. A técnica
2.5 PRODUTO MÍNIMO VIÁVEL
permite que o empreendedor liste suas
hipóteses, valide o problema, entenda o O Produto Mínimo Viável, ou Minimum Viable
cliente e planeje uma solução. Product, é a entrega de uma versão inicial do
produto, sem se preocupar com a qualidade
Customer Discovery ou Descoberta de
ou em atender todos os requisitos, apenas
Clientes: Essa etapa consiste na validação do
para entender a percepção do cliente, se
problema e na proposta de uma solução que
estaria disposto a comprar o que foi
atenda a necessidade dos clientes. Quando
oferecido. Se o cliente enxergar valor, o
há esse alinhamento entre problema e
empreendedor deve então partir para
produto ofertado, ocorre o chamado
otimização da solução, baseando na versão
Problem/Solution Fit
inicial de seu produto. Moogk (2012) afirma
Customer Validation ou Validação de Clientes: que o Produto Mínimo Viável consiste no
Essa fase está relacionada a validação da escopo mínimo do produto, necessário para
demanda, se os clientes estão dispostos a testar se a visão que os empreendedores
pagar pela solução oferecida. Além disso, o possuem do produto resolve de maneira
empreendedor deve encontrar um modelo de eficaz o problema no mercado.
venda e distribuição do seu produto que torne
seu negócio repetível e escalável o suficiente
para construir uma empresa lucrativa. 2.6 BUSINESS MODELCANVAS
Customer Creation ou Criação de Clientes: O Business Model Canvas é uma ferramenta
Nessa etapa a startup deve investir nos proposta para representar o modelo de
processos de venda e marketing, pois já negócios de uma startup, elencando nove
entendeu que produto ofertar, qual o seu valor elementos básicos e relacionando-os.
e quem são seus clientes. Osterwalder & Pigneur (2011) descrevem o
Business Model Canvas como uma ferramenta
Company Building ou Construção da
muito útil, fácil e pratica de usar, uma vez que,
empresa: Essa fase é a transição de uma
apresenta toda a lógica do negócio ao mesmo
startup para uma empresa formal, agora deve
tempo, promovendo a compreensão, o
se estruturar em diversas áreas. O foco não
diálogo, criatividade e análise.
está mais no aprendizado e sim na execução,

FIGURA 3 – Business Model Canvas.

Fonte: Osterwalder (2010).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


99

2.7 SAIA DO PRÉDIO apresentaram projetos semelhantes,


buscando solucionar o problema da falta de
Baseado no Desenvolvimento de Clientes,
energia nos smartphones enquanto as
Ries (2012) afirma que o empreendedor não
pessoas se deslocam, dado que já haviam
deve ficar na zona de conforto, dentro do
passado por situações nas quais precisavam
escritório, analisando dados, tendo ideias
utilizar o celular mas estava descarregados ou
mirabolantes, precisam conhecer e entender
com pouca bateria. Diversos estudos mostram
seu mercado. O autor também comenta que o
que as pessoas sofrem quando ficam
comportamento de seus clientes é mensurável
impossibilitadas de usar o celular, uma
e variável, então, o empreendedor precisa
pesquisa da LG mostrou que 90% da
confirmar todas as hipóteses que foram
população entram em pânico ao ver que a
listadas sobre sua solução e quando houver
carga do seu aparelho está no fim.
um problema ou não encontrar resposta para
um fracasso na venda de seus produtos, deve Com o objetivo de tornar a energia móvel e
ir à rua para entender a situação. solucionar esse problema, os fundadores
idealizaram um serviço de compartilhamento
de carregadores portáteis, no qual os clientes
2.8 ROADMAPPING TECNOLÓGICO deveriam fazer a aquisição de uma bateria E-
móvel e quando ficassem com nível baixo de
O Roadmapping tecnológico é outro
energia no celular, poderiam procurar um dos
mecanismo bastante utilizado pelos
pontos de atendimento da empresa,
empreendedores. Para Galvin (2004), pode
espalhados por toda a cidade, para trocar
ser definido como uma técnica de
uma bateria descarregada por outra
prospecção que visa ampliar a visão de futuro
carregada.
de um determinado campo de conhecimento,
composto pelo conhecimento coletivo e O serviço foi iniciado em janeiro de 2016 com
imaginação sobre as mais importantes forças um projeto piloto, utilizando, principalmente,
motrizes naquele campo. Groenveld (1997), bancas de jornal em locais de grande
Petrick & Echols (2004) definem movimentação em Niterói e no Centro do Rio
Roadmapping como termo utilizado para se de Janeiro, como pontos para vendas e trocas
referir ao processo que contribui para a das baterias. Devido a muitos aprendizados
integração entre mercado, produto e a durante essa fase, além de decisões
tecnologia, auxiliando na elaboração da estratégicas e operacionais motivadas pelo
estratégia tecnológica da empresa, uso de ferramentas do Lean Startup, o serviço
integrando a tecnologia ao negócio da passou por diversas transformações. Uma
empresa. importante mudança estratégica no modelo
de negócios da empresa foi passar a fornecer
o serviço de aluguel das baterias em
3. O ESTUDO DE CASO detrimento do serviço de trocas, já que foi
possível entender que os clientes desejavam
Esse projeto é um estudo de caso sobre a
pegar uma bateria quando houvesse
criação e desenvolvimento de uma startup.
necessidade, sem a obrigação de ter outra
Creswell (2009) afirma que um estudo de
em mãos para realizar a troca.
caso examina um fenômeno em seu contexto
natural, através do emprego de múltiplos
métodos de coleta de dados de uma ou mais
3.2 MODELO DISRUPTIVO
entidades (pessoas, grupos ou organizações).
E-móvel tem potencial disruptivo em relação à
venda de baterias portáteis, visto que seu
3.1 A EMPRESA modelo de negócios é inovador, referente à
venda do serviço de aluguel de carregadores
A E-movél surgiu de um programa de
portáteis. Fica claro que a empresa não
intraempreendedorismo de uma grande
deseja ofertar um produto, como é feito no
corporação, no qual os funcionários
mercado de Power Banks e sim vender
apresentavam ideias de possíveis negócios,
energia para seus clientes. No referencial
que poderiam ser investidos para aumentar o
teórico foram abordados três pontos que
portfólio da empresa. Por meio dessa
precisam ser validados para confirmar o
oportunidade, dois colaboradores
conceito de inovação disruptiva. O primeiro,
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
100

atender um segmento de mercado que ainda 3.3 UTILIZAÇÃO DAS FERRAMENTAS


não foi alcançado, a E-móvel comprova esse
A E-móvel utilizou as técnicas e princípios do
item quando busca atingir um segmento de
Lean Startup devido à orientação de uma
clientes que tem demandas pontuais de
aceleradora de empresas, além de um dos
recarga e por isso não tem interesse em
sócios ser especialista no tema, o que
adquirir uma Power Bank pelo alto custo de
permitiu a ampla utilização das ferramentas,
aquisição. Sendo assim, valida também a
proporcionando grande aprendizado e o
outra afirmação sobre a necessidade de ter
desenvolvimento da empresa. “A aplicação
um modelo enxuto, a empresa permite que
da metodologia do Lean Startup possibilitou
seus clientes possam alugar as baterias por
que reduzíssemos nossas incertezas de forma
um custo muito abaixo do que seria gasto
drástica já no início da nossa vida. A
para comprar um carregador portátil comum,
abordagem prática de responder perguntas
então consegue atingir essa parcela de
críticas com experimentos rápidos foi o que
mercado. O último item para demonstrar seu
nos permitiu reduzir custos e ter confiança
potencial disruptivo é a utilização de
para vender a ideia de uma forma mais
tecnologia capacitadora, que permite tornar o
segura.” comenta Pedro.
negócio escalável. A empresa já está
desenvolvendo tecnologia necessária para Nesse item serão abordados os princípios e
escalar o negócio através de máquinas de técnicas do Lean Startup que foram expostos
autoatendimento, baterias proprietárias e na revisão da literatura, agora com uma visão
aplicativo. prática de aplicação na startup E-móvel. A
figura abaixo mostra a utilização dos
conceitos e ferramentas ao longo do tempo na
startup.

Figura 4 – Linha do Tempo

Fonte: Osterwalder (2010).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


101

A tabela abaixo apresenta a classificação da representa o Business Model Canvas da


empresa e aplicação das ferramentas de empresa.
Startup Enxuta, além disso a figura 5

Tabela 1 – Estudo de Caso Lean Startup

Classificação da A empresa apresenta potencial disruptivo, pois validou os três da inovação


Inovação: disruptiva. - Busca um segmento de mercado não atendido.-Tecnologia
Sustentadora ou capacitadora, através de máquinas, baterias e aplicativo podem tornar o negócio
Disruptiva repetível e escalável.- Modelo de negócio enxuto, oferecendo o serviço por um
baixo custo.

A empresa ofertou uma versão prototipada do serviço de compartilhamento de


carregadores portáteis, gastando o mínimo possível, com o objetivo de validar o
Produto Mínimo problema, a solução e a demanda. Utilizando bancas de jornal em Niterói e no
Viável Centro do Rio de Janeiro, permitiu que os clientes efetuassem a compra das
baterias e, quando necessário, trocá-las por outras carregadas. Todas as
transações eram realizadas manualmente por um funcionário do estabelecimento
e as baterias carregando ficavam conectadas a tomada.
Na primeira etapa, Customer Discovery, a startup deveria entender problema e
propor uma solução. Inicialmente, os empreendedores foram às ruas oferecer
baterias carregadas, para entender se o problema, de fato, existia e confirmam
quando verificam que as pessoas estavam dispostas a pagar um alto valor por
uma recarga imediata. Posteriormente, necessitavam verificar se a solução
ofertada resolvia o problema do cliente, para isso, foi estabelecida a meta de 300
Customer trocas, logo atingida. No segundo passo, Customer Validation, o objetivo era
Development desenvolver um negócio escalável e analisar se os clientes estavam dispostos a
pagar pelo serviço. Para alcançar o Product Market Fit, alinhamento entre produto
e mercado, foi estipulada uma receita mensal de 5 mil reais, que foi possível após
a venda de 600 planos de assinaturas. Atualmente, a empresa se encontra no
Customer Creation, estágio em que deve escalar suas vendas, por isso está
investindo em campanhas de marketing para divulgação da empresa e do
serviço.
Apresentou o modelo de negócios da empresa, em que sua fonte de receita
ocorre pelos aluguéis avulsos ou pelos planos de assinatura, seus principais
Business Model gastos são com as baterias, máquinas e também com marketing. Os principais
Canvas canais são locais de grande movimento, como shoppings, metrôs, além das lojas
de aplicativos. O relacionamento com cliente será feito, principalmente, através
de campanhas digitais e pelo aplicativo.
Como parte do processo de otimização do produto, a bateria foi planejada com
cabos para Android e Iphone, com o objetivo de atender esses dois tipos de
usuário. Além disso, outra melhoria foi desenvolvimento de notificações no
aplicativo, para comunicar o cliente quando seu aparelho estiver com pouca
Produto,
carga e indicar um local mais próximo para aluguel da bateria. Já na parte da
Estratégia e
estratégia, a startup passou por dois pivôs, um quando decide fornecer o serviço
Visão
de aluguel das baterias substituindo o modelo de trocas e o segundo, no
momento em que decide alterar o segmento de clientes a ser atendido, focando
na venda de aluguéis avulsos. Na base da pirâmide, foi exposta a visão da
empresa de tornar a energia móvel.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


102

Tabela 1 – Estudo de Caso Lean Startup (continuação)

A E-móvel quando decide pivotar e oferecer o serviço de aluguel de baterias,


realizou uma volta completa nesse ciclo. Ao entender que seus clientes não
Ciclo Construir- gostavam da necessidade de transportar a bateria para fazer a troca, assim,
Medir-Aprender passou a oferecer um novo modelo de serviço. Outro exemplo de volta no ciclo
ocorre quando a empresa entende que as campanhas de marketing físicas são
muito custosas e atingem número restrito de pessoas, então, passam a focar no
marketing digital.

Os empreendedores foram às ruas para entender o motivo das baixas vendas


dos planos de assinaturas apesar da grande campanha de marketing físico. Ao
Saia do Prédio participarem do processo de divulgação, percebem que nas abordagens as
pessoas sempre se interessavam e perguntavam se poderiam levar a bateria no
momento da compra. Assim, compreendem que deveriam fornecer o produto
imediatamente e não entregar posteriormente, como planejado.
A empresa tem como visão tornar a energia móvel, dessa forma, como exposto
no seu roadmap, a E-móvel busca alcançar não somente o mercado dos
Roadmap smatphones, mas também de tablets, notebook, bicicletas e carros elétricos. Os
Tecnológico sócios classificam o Roadmap tecnológico da empresa como de Produto/
Tecnologia, devido ao alinhamento entre o produto, a demanda e o que a
tecnologia é capaz de atender.

Figura 4 - Business Model Canvas E-móvel. Documentos da empresa estudada (2017)

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


103

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Dessa forma, o entendimento sobre o uso


dessa metodologia é de extrema importância
O objetivo geral dessa pesquisa foi analisar a
para o desenvolvimento do empreendedor
aplicação prática dos princípios da
brasileiro. O estudo apresenta a teoria das
metodologia Lean Startup no projeto E-móvel.
principais técnicas da Startup Enxuta e expõe
No estudo de caso foram exploradas as
a contribuição dessas ferramentas dentro da
técnicas do Lean Startup mencionadas no
empresa.
capítulo de referencial teórico. Observou-se
que o uso da metodologia foi importante para Por se tratar do estudo de um caso prático,
a empresa construir seu modelo de negócios, não é possível verificar a influência da
entender seu mercado e aprimorar a solução metodologia no campo de outras startups.
desenvolvida. Através desses mecanismos, a Mesmo que destacada a importância das
startup conseguiu evitar o desperdício de ferramentas de Lean Startup no Caso da E-
recursos, além de eliminar diversos riscos, móvel, o estudo não pode confirmar o impacto
alguns por meio de grandes mudanças, como em outras empresas deste tipo, sendo assim,
a realização dos pivôs e outros menores, não é possível compor uma base estatística
porém de grande importância, como as apresentando a relevância da utilização da
melhorias do produto ofertado. metodologia. Outra limitação está relacionada
à impossibilidade de se afirmar que a
Nessa pesquisa foi possível explicar através
utilização da metodologia direcionou a startup
de um caso prático as dificuldades
ao sucesso, pois a empresa ainda está em
encontradas na aplicação da metodologia
fase de crescimento. Apesar de já destacada
Lean Startup e os impactos da sua utilização,
a grande importância do uso das técnicas de
mostrando os problemas enfrentados pelos
Startup Enxuta, o estudo não conseguirá
empreendedores na criação de um novo
medir os resultados e apresentar os motivos
negócio e as diversas mudanças ocorridas,
das possíveis falhas ou êxitos da empresa.
visto que não basta ter uma boa ideia ou uma
estratégia interessante, devem entender o
mercado e solucionar problemas dos clientes.

REFERÊNCIAS
[1]. Blank, S. Por que o movimento lean [12]. Graham, P. “Want to start a Startup?”
startup muda tudo, Harvard Business Review, 2013 Disponível em:
[2]. Blank, S. The Four Steps do the Epiphany, <http://www.paulgraham.com/growth.html/>. 2012.
Sussex: Quad/Graphics, 2005. [13]. Groenveld, P. Roadmapping integrates
[3]. Blank, S. Dorf, B. The Startup Owner's business and technology. Research-Technology
Manual: The Step-by-Step Guide for Building a Management, 1997
Great Company, K&S Ranch, 2012. [14]. Johnson, D. What is innovation and
[4]. Christensen, C. The Innovator's Dilemma: entrepreneurship? Lessons for large organizations,
When New Technologies Cause Great Firms to Fail. 2001.
Boston, MA: Harvard Business School Press, 1997. [15]. Manual de Oslo. Diretrizes para coleta e
[5]. Christensen, C. Raynor, M. The interpretação de dados sobre inovação,
innovator´s Manifesto: Deliberate Disruption for 3ªEd.Brasília: FINEP/OECD, 2005.
Transformational Growth, New York: Crown [16]. Montoya, M. Entrepreneurship and
Business, 2011. Culture: The Case of Freddy the Strauberry Man. In:
[6]. Christensen, C. Raynor, M., Mcdonald, R. Swedberg, R. Entrepreneurship. The Social
What Is Disruptive Innovation?. Harvard Business Science View. Oxford: University Press, 2000.
Review, 93, 44-53, 2015. [17]. Moogk, D. Minimum Viable Product and
[7]. Creswell, J. W. Research Design: the Importance of Experimentation in Technology
Qualitative, Quantitative, and Mixed Methods Startups. Technology Innovation Management
Approaches. SAGE Publications, 2009. Review. 2012.
[8]. Dolabela, F. Oficina do Empreendedor. [18]. Nesheim, J. High tech start up: the
São Paulo: Cultura Editores Associados, 1999. complete handbook for creating successful new
[9]. Drucker, P. The discipline of innovation. high tech companies. New York, 2000.
Harvard Business Review, USA, 1998. [19]. Nicolsky, R. Os desafios para transformar
[10]. Galvin, R. Roadmapping: a practitioner’s conhecimento em valor econômico, 2008.
update. Technological Forecasting & Social [20]. Osterwalder, A., Pigneur, Y. Business
Change, New York, 2004. Model Generation - Inovação em Modelos de
[11]. Gilbert, C., Eyring, M. Beating the Odds Negócios: um manual para visionários, inovadores
When You Launch a New Venture. Harvard e revolucionários. Rio de Janeiro, 2011.
Business Review, 2010.
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
104

[21]. Ries, E. A Startup Enxuta. São Paulo : Lua [24]. Wennekers, S., Thurik, R. Linking
de Papel, 2012. entrepreneurship and economic growth. Small
[22]. Stevenson, H. H.; Jarillo, J. C. A paradigm Business Economics, 1999.
of entrepreneurship: entrepreneurial management. [25]. Yin, R.K. Estudo de caso: planejamento e
Strategic Management Journal, 1990. método. Porto Alegre: Bookman,1999.
[23]. Teece, D. J. Profiting from technological
innovation. Research Policy, 1986.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


105

Capítulo 10

Giovanni Mendes Ribas Novi


Sandra Miranda Neves
Emerson José de Paiva
Carlos Henrique de Oliveira
Tarcísio Gonçalves de Brito

Resumo: A seleção de fornecedores é um dos principais problemas relacionados à


cadeia de suprimentos e pode influenciar diretamente no desempenho das
organizações. Devido a essa complexidade, diversos métodos vêm sendo
utilizados na resolução desse problema, dentre eles destaca-se a Análise
Hierárquica de Processo (AHP). Nesse contexto, o objetivo deste artigo é propor
uma estrutura para a seleção de fornecedores em uma empresa de prestação de
serviço eletromecânico. O método de pesquisa utilizado foi o estudo de caso, por
meio do AHP. Foram avaliados os fornecedores dos principais produtos adquiridos
pela empresa, com base em critérios e subcritérios determinados com o auxílio de
especialistas. Como resultado, foram apresentadas as vantagens e desvantagens
da estrutura proposta quando comparada ao método atualmente utilizado pela
empresa para a seleção dos seus fornecedores.

Palavras-chave: AHP; Seleção de fornecedores; Setor de Serviços.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


106

1 INTRODUÇÃO reportadas na literatura, abrangendo as mais


diversas áreas de pesquisa. Também,
A Gestão da Cadeia de Suprimentos (GCS)
apresenta desempenho superior quando
consiste na colaboração entre empresas para
comparado aos demais, além da
impulsionar o posicionamento estratégico e
possibilidade de ser utilizado em conjunto
melhorar a eficiência operacional
com diversos métodos complementares (HA;
(BOWERSOX et al., 2013). Para Ballou (2006),
KRISHNAN, 2008).
sua importância advém do fato de que, na
maioria dos casos, uma única empresa não Nesse contexto, considerando como objeto
tem condições de controlar eficientemente de estudo uma empresa prestadora de
todo o seu canal de fluxo de produtos e de serviço eletromecânico, decidiu-se questionar
informações. Por esse motivo, no decorrer dos as vantagens da aplicação da Tomada de
anos, as empresas passaram a alterar a Decisão por Múltiplos Critérios por meio do
percepção a respeito da cadeia de método AHP com relação aos resultados
suprimentos, que deixou de ser vista somente obtidos pelo método atual de seleção de
como fonte de custos, tornando-se um dos fornecedores aplicado pela empresa.
pilares estratégicos na gestão empresarial
Visando responder a essa questão, esta
(FELLOUS, 2009).
pesquisa teve como objetivo propor uma nova
Um dos problemas mais relevantes da GCS é estrutura para a seleção de fornecedores em
a seleção de fornecedores, visto que uma empresa de prestação de serviços
influencia diretamente em toda a cadeia eletromecânicos. Algumas etapas foram
produtiva (OMURCA, 2013). De acordo com necessárias para alcançar esse objetivo,
Salomon, Marins e Duduch (2009), a como: Identificar aplicações do AHP para a
resolução desse problema implica na forma seleção de fornecedores, permitindo validar o
com que as organizações irão satisfazer a uso do método; identificar os critérios mais
necessidade por insumos e serviços aplicáveis à seleção desses fornecedores e
necessários para o seu funcionamento. propor a estrutura; selecionar os fornecedores
Também, conforme Lima Junior e Carpinetti utilizando a estrutura proposta e comparar o
(2015), permite o estabelecimento de resultado obtido com a aplicação do método
parcerias comerciais de longo prazo, que AHP com o método utilizado pela empresa, de
deixaram de ter como base somente o custo. forma a apresentar os pontos fortes e fracos.
Decisões relacionadas à seleção de
fornecedores são complexas, pois, além de
2 REFERENCIAL TEÓRICO
haver uma grande variedade de fornecedores
em todo o ciclo de vida do produto, deve-se 2.1 SELEÇÃO DE FORNECEDORES
levar em consideração, também, vários
A seleção de fornecedores compõe uma das
critérios no processo de tomada de decisão
principais áreas da GCS, sendo o primeiro elo
(BAI; SARKIS, 2010; KARSAK; DURSUN,
da cadeia, impactando direta ou
2015). É preciso considerar as
indiretamente em todos os setores da
particularidades de cada organização e os
organização (SHAW et al., 2012). Boran et al.
seus objetivos estratégicos (DENG et al.,
(2009) afirmam que o objetivo principal é
2014). Para Ayhan e Kilic (2015), o problema
encontrar fornecedores que estejam aptos a
de seleção de fornecedores pode ser tratado
oferecer produtos ou serviços com qualidade,
com base em métodos multicritérios de apoio
no tempo certo e na quantidade correta.
à decisão (MCDM - Multiple-Criteria Decision-
Making). Com relação à visão processual, a seleção de
fornecedores é composta por quatro etapas.
O MCDM vem sendo aplicado com frequência
A primeira consiste do questionamento sobre
nas últimas décadas, possibilitando uma
o problema e a definição do objetivo da
avaliação holística do problema e levando em
seleção. Na etapa seguinte, estabelecem-se
consideração o posicionamento das
os critérios, onde, a estes, são atribuídos
alternativas com relação aos critérios e a
níveis de importância. A terceira etapa visa
relação destes com o objetivo final
reduzir o conjunto dos fornecedores que
(VELASQUEZ; HESTER, 2013).
foram determinados previamente. Por fim, na
Dentre os MCDM destaca-se a Análise última etapa, há a seleção ou a ordenação
Hierárquica de Processo (AHP). Tortorella e das alternativas (DE BOER; LABRO;
Fogliato (2008) pontuam que o método AHP MORLACCHI, 2001; AISSAOUI; HAOUARI;
possui o maior número de aplicações práticas HASSIN, 2007).
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
107

A seleção de fornecedores é geralmente Segundo Saaty (2001), a aplicação do método


acompanhada pela dificuldade na tomada de AHP ocorre essencialmente em três etapas.
decisão; pois, além de levar em consideração Primeiramente é feita a identificação dos
o índice de importância de cada critério, a critérios e das alternativas de decisão. Logo
relação entre esses e as alternativas devem após, há a atribuição de valores de
ser verificados. Sendo assim, é necessária importância para os critérios e o
uma análise contextual do caso, a fim de estabelecimento de valores de desempenho
considerar as características especificas do para as alternativas. Por fim, é realizada a
objeto de estudo (HA; KRISHNAN, 2008; HO; síntese dos resultados.
XU; DEY, 2010; DENG et al., 2014). Lima
Dessa forma, a estruturação do problema
Junior, Osiro e Carpinetti (2013) consideram
surge da definição do objetivo global
que a obtenção de uma decisão efetiva
desejado. Posteriormente é feita a definição
depende da escolha do método e dos
dos critérios e das alternativas. Tal
critérios que melhor condizem com as
estruturação é fundamentada no conceito de
especificações do problema.
árvore de decisão, possibilitando, assim, uma
visão macro do todo a ser estudado (CRUZ;
BARRETO; FONTANILLAS, 2014). Na
2.2 ANÁLISE HIERÁRQUICA DE PROCESSO
segunda etapa do método, é realizada a
(AHP)
matriz de comparações paritárias, contendo
Criado por Saaty em 1977, a AHP é um os níveis de preferência (SHIMIZU, 2010). As
método para o auxílio à tomada de decisão comparações entre o nível de importância dos
baseado na capacidade do ser humano em critérios e das alternativas são quantificadas
estruturar suas percepções e ideias de forma pela Escala Fundamental de Números
hierárquica (ZHU; XU, 2014). De acordo com Absolutos, considerando a intensidade de
Iañez e Cunha (2006), esse método possibilita importância por meio de valores de 1 a 9,
a resolução de problemas complexos por proposta por Saaty (1977). Essa escala
meio de uma estrutura hierárquica composta possibilita a avalição quantitativa dos critérios
de vários níveis, que compreendem diversas e alternativas (SAATY, 1980).
características similares. Também permite
Após as comparações, podem-se identificar
uma visão de todo o problema, possibilitando
as possíveis inconsistências dos julgamentos.
que as influências dos elementos necessários
Para tal, conforme proposto por Saaty (1990),
para a resolução sejam facilmente
deve-se calcular a relação de consistência
identificadas.
(CR) da matriz de comparações utilizando a
Destacam-se como vantagens da utilização Equação 1.
do método AHP no campo organizacional a (𝜆max − 𝑛)/(𝑛 − 1) (1)
análise do todo, externo e interno à empresa, 𝐶𝑅 =
a organização do processo relacionado à 𝑅𝐼
tomada de decisão, além de propiciar a Onde n representa a ordem da matriz, 𝜆max é
legitimação da escolha (BANVILLE et al, o autovalor máximo e RI é o índice de
1998). Outra vantagem da AHP é a sua inconsistência aleatória, sendo que os valores
flexibilidade na integração com diferentes se alteram de acordo com n. O Quadro 1
técnicas como a lógica Fuzzy, o Analytic mostra os valores de RI com as respectivas
Network Process (ANP), o Quality Function ordens de 1 até 10 (SAATY, 1990).
Deployment (QFD) e o Data Envelopment
Analysis (DEA).

QUADRO 1 - Valor de RI por ordem de comparação


N 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
R 0 0 0,58 0,9 1,12 1,24 1,32 1,41 1,45 1,49
Fonte: Saaty (1990)

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


108

Saaty (1990) considera que a resposta é produtos a serem contemplados pelo estudo,
satisfatória se estiver abaixo de 10%, pois é a utilizando-se a curva ABC, de forma a
inconsistência inerente ao ser humano e deve selecionar os materiais que representam os
ser tolerada. Caso os resultados sejam maiores custos para a empresa. A definição
consistentes, chega-se ao resultado final. dos critérios se deu com base nos principais
artigos sobre a utilização do método AHP
para seleção e ordenação de fornecedores
3 MATERIAIS E MÉTODOS nos últimos anos. Os critérios propostos foram
avaliados por especialistas (sendo
Este estudo foi desenvolvido por meio de uma
constituídos por professores e gestores da
pesquisa de natureza aplicada e de objetivo
empresa), de forma a garantir a eficiência dos
exploratório. A perspectiva do problema é
mesmos. Após, os questionários do AHP
qualitativa, utilizando-se do estudo de caso
foram aplicados a todos os tomadores de
como método de pesquisa. Para Kothari
decisão do setor de Suprimentos.
(2004), o estudo de caso analisa, de forma
cuidadosa e completa, o indivíduo, a situação
ou a empresa, de forma a focar nos aspectos
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
de interesse, concentrando-se nos detalhes
do caso específico. Para a realização do 4.1 DETERMINAÇÃO DOS PRODUTOS E
estudo de caso, foram seguidas as etapas FORNECEDORES PARA ANÁLISE
propostas por Miguel (2007). O primeiro
Para a determinação dos principais produtos
passo foi a definição de uma estrutura
da empresa, e seus respectivos fornecedores,
conceitual e, na sequência, determinação da
foi utilizado o princípio da curva ABC. A curva
problemática, definição do tema, do objetivo
ABC tem como objetivo identificar os itens,
geral e dos objetivos específicos.
separando-os em três classificações,
O objeto de estudo desta pesquisa é uma determinando-se, assim, o nível de
empresa que atua no setor de serviços importância de cada componente (DIAS,
eletromecânicos. Seu mix de produtos está 2011). Dessa forma, os insumos utilizados em
inserido na manutenção e rebobinagem de todo processo produtivo, assim como suas
motores e bombas. Dessa forma, como etapa respectivas porcentagens no custo mensal da
sequencial, ocorreu a identificação dos empresa, são apresentados na Figura 1.

FIGURA 1 – Curva ABC dos insumos

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


109

De acordo com a curva ABC, os insumos com processo de escolha. Para Chai, Liu e Ngai
classificação A são os fios de cobre e (2013), os critérios utilizados para a seleção
rolamentos; logo, são produtos que de fornecedores podem ser tanto
necessitam de maior atenção na escolha de quantitativos como qualitativos. Tendo como
seus fornecedores. São denominados na objetivo identificar os critérios mais aplicáveis
pesquisa, respectivamente, como produto 1 e à seleção de fornecedores de serviços
produto 2. Foram identificados três logísticos, foi realizada uma pesquisa na base
fornecedores para o primeiro produto e dois dados da Web of Science. O Quadro 2
para o segundo produto, que serão apresenta o resultado dessa pesquisa,
considerados como alternativas na considerando o período de janeiro de 2010 a
hierarquização do problema por meio do AHP. março de 2016. É possível observar que todos
os autores consideram o custo e a qualidade
como critérios para a seleção de
4.2 APLICAÇÃO DO AHP fornecedores. Outro critério em destaque é o
de entrega, pois se faz presente em doze dos
4.2.1 CONSTRUÇÃO DA HIERARQUIA
treze estudos analisados. Os critérios de
De acordo com Rosa, Steiner e Colmenero qualidade, entrega e custo podem ser tanto
(2015), os critérios e subcritérios buscam qualitativos, quanto quantitativos, pois
auxiliar na compreensão do problema, de dependem de quais subcritérios serão
forma a possibilitar o desenvolvimento do levados em consideração.

QUADRO 2 – Critérios utilizados para a seleção de fornecedores


Autores
Genovese e Simpson

Dey, Bhattacharya e

Chamodrakas, Batis
Giuseppe, Esposito,

Ayhan e Kilic (2015)

Soroor et al. (2012)


Deng et al. (2014)

Kang e Lee (2010)


Chen e Wu (2013)

e Martakos (2010)
Bejanpour (2013)
Yadav e Sharma
Plebankiewicz e

Eshtehardian,
Kubek (2015)

Ghodousi e
Kar (2015)

Kar (2014)
Ho (2015)

TOTAL
(2016)

(2015)

Critérios

Custo ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ 13

Qualidade ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ 13

Entrega ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ ✓ 12

Nível de serviço ✓ ✓ ✓ ✓ 4

Tecnologia ✓ ✓ ✓ ✓ 4

Flexibilidade ✓ ✓ ✓ 3

Capacidade 2
✓ ✓
produtiva
Relacionamento ✓ ✓ 2

Condição de 1

pagamento
Gestão ✓ 1

Organização e 1

Inovação
Perfil do fornecedor ✓ 1

Posição financeira ✓ 1

Serviço pós-venda ✓ 1

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


110

Ho, Xu e Dey (2010) afirmam que é preciso Após a identificação dos principais critérios e
adotar técnicas multicritério adequadas para subcritérios para a seleção de fornecedores,
lidar de forma eficiente com as características buscou-se pela avaliação de especialistas do
e quantidades dos critérios a serem setor de Suprimentos e Tomada de Decisão.
considerados. Logo, é fundamental alinhar a Foram selecionados quatro especialistas no
seleção dos critérios com a escolha da assunto, sendo três professores de disciplinas
técnica multicritério durante a modelagem do relacionadas com a área em estudo e um
problema (LIMA JUNIOR; CARPINETTI, 2015). diretor da empresa que atua há oito anos no
Também foram identificados os principais Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos da
subcritérios utilizados na seleção dos empresa. Com o auxílio dos especialistas, a
fornecedores. estrutura hierárquica foi elaborada e validada
(Figura 2).

Figura 2 – Estrutura hierárquica proposta para a seleção de fornecedores de serviços logísticos.

A estrutura proposta foi fundamentada no obtenção dos dados para análise. Após,
conceito de árvore de decisão e compreende, realizou-se a coleta dos dados, os
de forma clara, os fatores levados em julgamentos foram coletados de forma
consideração para a seleção de individual. Todos os julgamentos realizados
fornecedores. tiveram índices de inconsistência abaixo de
10%; portanto, de acordo com Saaty (1990),
os dados apresentaram-se consistentes, não
4.2.2 COLETA DOS DADOS E REALIZAÇÃO necessitando de novos julgamentos.
DOS JULGAMENTOS
O método AHP foi aplicado na empresa de
4.2.3 CÁLCULO DO ÍNDICE DOS FATORES
acordo com as etapas estabelecidas na
seção 2.2. Para a realização dos julgamentos A partir dos valores de comparação entre os
por meio do AHP, o diretor da empresa definiu critérios, foi elaborada a análise conjunta dos
três pessoas chaves que estão diretamente resultados obtidos. Utilizou-se a média
relacionadas com a área de Suprimentos. aritmética como forma de agregação dos
Decidiu-se, também, atribuir pesos iguais às julgamentos (FORMAN; PENIWATI, 1998). A
avaliações, visto que todos participam de Figura 3 apresenta os valores obtidos
forma igualitária no processo decisório. Foram referentes à importância dos critérios.
agendadas reuniões para explicar a forma de

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


111

Figura 3 – Índice de importância dos critérios

De acordo com a Figura 3 o critério de maior apresenta os valores obtidos na comparação


importância é o da Qualidade, sucedido pelo entre os subcritérios.
Custo, Serviço e Entrega. O Quadro 3

QUADRO 3 – Índices de importância dos subcritérios


Subcritérios Índices de importância
Índice de importância dos subcritérios da Qualidade
Qualidade do produto 0,8194
Taxa de defeito 0,1806
Índice de importância dos subcritérios de Custo
Preço do produto 0,8302
Custo de transporte 0,1698
Índice de importância dos subcritérios de Serviço
Condição de pagamento 0,6817
Relacionamento com o cliente 0,1820
Resposta à demanda 0,1363
Índice de importância dos subcritérios de Entrega
Tempo de entrega 0,4167
Cumprimento do prazo 0,5833

A partir dos valores obtidos, foram realizadas importância final de cada subcritério, ou seja,
as multiplicações das matrizes de subcritérios quanto cada subcritério impacta no objetivo
com os critérios correspondentes. final (Figura 4).
Determinou-se assim, os valores de

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


112

FIGURA 4 – Índice de importância dos subcritérios para seleção de fornecedores

Cumprimento do prazo 0,037


Tempo de entrega 0,0265
Resposta à demanda 0,0129
Relacionamento com o cliente 0,0173
Condição de pagamento 0,0646
Custo de entrega 0,0667
Preço do produto 0,326
Taxa de defeito 0,0811
Qualidade do produto 0,368

0 0,2 0,4 0,6 0,8 1

Constata-se que a Qualidade e o Preço do 4.2.4 ANÁLISE DO DESEMPENHO DAS


produto são os subcritérios com maiores ALTERNATIVAS
índices de importância.
A partir dos julgamentos os auto vetores das
matrizes de comparação par a par entre as
alternativas de decisão foram gerados
(Quadro 4).

QUADRO 4 – Comparação das alternativas em relação aos produtos 1 e 2


Subcritérios

Cumpriment
Relacionam
pagamento

Resposta à
ento com o
do produto

o do prazo
Qualidade

Tempo de
Condição

demanda
Custo do

Custo de

Alternativas
Taxa de

produto

entrega

entrega
defeito

cliente
de

PRODUTO 1

Fornecedor 1 0,4021 0,3973 0,6370 0,6914 0,5379 0,6811 0,3187 0,2916 0,3389

Fornecedor 2 0,3212 0,5218 0,2583 0,2302 0,3572 0,2288 0,5395 0,6152 0,5338

Fornecedor 3 0,2767 0,0809 0,1047 0,0784 0,1049 0.0902 0,1418 0,0932 0,1273

PRODUTO 2

Fornecedor 4 0,5000 0,5833 0,6556 0,5000 0,4444 0,8056 0,5000 0,5000 0,5556

Fornecedor 5 0,5000 0,4167 0,3444 0,5000 0,5556 0,1944 0,5000 0,5000 0,4444

Os dados apresentados apontam o 4.2.5 ANÁLISE DOS RESULTADOS


desempenho dos fornecedores para cada
Os resultados do desempenho global das
subcritério abordado, possibilitando, assim, a
alternativas, juntamente com o ranking obtido,
determinação do desempenho global.
são apresentados no Quadro 5.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


113

Quadro 5 – Desempenho global dos fornecedores para os produtos 1 e 2


Alternativas Desempenho global Ranking
PRODUTO 1
Fornecedor 1 0,5048 1
Fornecedor 2 0,3301 2
Fornecedor 3 0,1651 3
PRODUTO 2
Fornecedor 4 0,5612 1
Fornecedor 5 0,4388 2

Com base nos dados obtidos, conclui-se que, Suprimentos, no momento da análise dos
para seleção do produto 1, a alternativa que critérios e subcritérios.
melhor se adequa aos critérios e subcritérios
A desvantagem do AHP é o número de
de fornecimento é o Fornecedor 1. Como
comparações a serem feitas, onde cada
segunda opção, tem-se o Fornecedor 2 e,
julgador teve que avaliar 14 matrizes de
finalmente, o Fornecedor 3 deverá ser a última
comparação por produto, ao contrário do
opção a se considerar para possíveis
método atual que é composto por somente
fornecimentos futuros. Com relação ao
uma.
produto 2, a melhor alternativa é o Fornecedor
4; porém, neste caso, a diferença dos
desempenhos é baixa, tendo em vista o
5 CONCLUSÃO
número de alternativas.
Este artigo teve como objetivo propor uma
estrutura para a seleção de fornecedores em
4.3 COMPARAÇÃO DO AHP COM O uma empresa de prestação de serviços
MÉTODO UTILIZADO PELA EMPRESA eletromecânicos. Para que esse objetivo fosse
alcançado foram identificadas as aplicações
Atualmente, a empresa toma como base para
do AHP para a seleção de fornecedores,
seleção de fornecedores o requisito 7.4 da
permitindo, dessa forma, delinear os critérios
norma ISO 9001 (ISO, 2008), dessa forma, é
e subcritérios mais adequados à seleção de
necessário que os fornecedores possuam
fornecedores e propor a estrutura hierárquica.
esta certificação de qualidade e que sejam
Entende-se que o objetivo definido foi
avaliados, obtendo um índice superior a 75%.
alcançado ao selecionar os fornecedores
O método e os critérios utilizados pela
utilizando a estrutura proposta, que se
empresa foram parte fundamental para a
mostrou eficiente no processo de seleção e
determinação dos critérios e subcritérios do
avaliação das alternativas, principalmente
método AHP, pois, dessa forma, foi possível
quando comparada ao método utilizado pela
adaptar a pesquisa às particularidades da
empresa. Os resultados alcançados foram
empresa e do setor. Utilizaram-se também,
considerados relevantes pelos gestores,
como alternativas, somente as empresas que
conforme expectativas iniciais e necessidades
possuíam certificação ISO 9001, de forma a
de consolidar parcerias para fornecimento. O
garantir uma qualidade mínima dos requisitos
novo método utilizado na empresa apresentou
de fornecimento. Comparando-se os dois
como limitação, para os especialistas, o
métodos de seleção, conclui-se que o AHP
número de julgamentos necessários.
possui diversas vantagens. Uma delas é a
Entretanto, o fato de levar em consideração a
comparação paritária dos critérios e dos
experiência dos responsáveis diretos pela
subcritérios, onde é possível delinear a real
área de Suprimentos no momento da análise
importância de cada um para o objetivo final.
foi um ponte forte relevante. Sugere-se, como
Outra vantagem do AHP é a avaliação dos
pesquisa futura, a replicação da pesquisa em
fornecedores em relação aos subcritérios,
outras empresas de mesmo segmento, a fim
realizada de forma comparativa. Além disso, o
de identificar possíveis diferenças na forma
método atual não leva em consideração os
de escolha dos fornecedores e novas
responsáveis diretos pela área de
adequações à estrutura proposta.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


114

6 AGRADECIMENTOS Qualidade e Produtividade - GEQProd, pelo


seu apoio.
Os autores gostariam de expressar sua
gratidão à CNPq, Capes, FAPEMIG,
DPPG/Unifei e ao Grupo de Estudos em

REFERÊNCIAS
[1]. AISSAOUI, N.; HAOUARI, M.; HASSINI, E. Strategic supplier performance evaluation: a case-
Supplier selection and order lot sizing modeling: A based action research of a UK manufacturing
review. Computers & Operations Research, v. 34, organisation. International Journal of Production
n. 12, p. 3516-3540, 2007. Economics, v. 166, p. 192-214, 2015.
[2]. AYHAN, M. B.; KILIC, H. S. A two stage [15]. DIAS, M. A. P. Administração de materiais:
approach for supplier selection problem in multi- princípios, conceitos e gestão. 6. ed. São Paulo:
item/multi-supplier environment with quantity Atlas, 2011.
discounts. Computers & Industrial Engineering, v. [16]. ESHTEHARDIAN, E.; GHODOUSI, P.;
85, 2015. BEJANPOUR, A. Using ANP and AHP for the
[3]. BAI, C.; SARKIS, J. Integrating supplier selection in the construction and civil
sustainability into supplier selection with grey engineering companies; case study of Iranian
system and rough set methodologies. International company. KSCE Journal of Civil Engineering, v. 17,
Journal of Production Economics, v. 124, n. 1, p. n. 2, p. 262-270, 2013.
252-264, 2010. [17]. FELLOUS, S. M. Gestão da cadeia de
[4]. BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia suprimentos no Brasil e a utilização de
de suprimentos/logística empresarial. 5. ed. Porto instrumentos da contabilidade gerencial: uma
Alegre: Bookman, 2006. avaliação sob a perspectiva dos profissionais
[5]. BANVILLE, C.; LANDRY, M.; MARTEL, J. envolvidos. 2009. Tese de Doutorado.
M.; BOULAIRE, C. A stakeholder approach to Universidade de São Paulo.
MCDA, System Research and Behavioral Science, [18]. FORMAN, E.; PENIWATI, K. Aggregating
v. 15, n. 1, p. 15-32, 1998. individual judgements and priorities with the
[6]. BORAN, F. E.; GENÇ, S.; KURT, M.; AKAY, analytic hierarchy process. European Journal of
D. A multi-criteria intuitionistic fuzzy group decision Operational Research, v. 108, n. 1, p. 165-169,
making for supplier selection with TOPSIS method. 1998.
Expert Systems with Applications, v. 36, n. 8, p. [19]. GIUSEPPE, B.; ESPOSITO, E.;
11363-11368, 2009. GENOVESE, A.; SIMPSON, M. Applying supplier
[7]. BOWERSOX, D.; CLOSS, D.; COOPER, M.; selection methodologies in a multi-stakeholder
BOWERSOX, J. Gestão logística da cadeia de environment: A case study and a critical
suprimentos. 4. ed. Bookman, 2013. assessment. Expert Systems with Applications, v.
[8]. CHAI, J.; LIU, J.; NGAI, E. Application of 43, p. 271-285, 2016.
decision-making techniques in supplier selection: A [20]. HA, S. H.; KRISHNAN, R. A hybrid
systematic review of literature. Expert Systems with approach to supplier selection for the maintenance
Applications, v. 40, n. 10, p. 3872-3885, 2013. of a competitive supply chain. Expert Systems with
[9]. CHAMODRAKAS, I.; BATIS, D.; Applications, v. 34, n. 2, p. 1303-1311, 2008.
MARTAKOS, D. Supplier selection in electronic [21]. HO, W.; XU, X.; DEY, P. Multi-criteria
marketplaces using satisficing and fuzzy AHP. decision making approaches for supplier evaluation
Expert Systems with Applications, v. 37, n. 1, p. and selection: A literature review. European Journal
490-498, 2010. of Operational Research, v. 202, n. 1, p. 16-24,
[10]. CHEN, P.; WU, M. A modified failure mode 2010.
and effects analysis method for supplier selection [22]. IAÑEZ, M. M.; CUNHA, C. Uma
problems in the supply chain risk environment: A metodologia para a seleção de um provedor de
case study. Computers & Industrial Engineering, v. serviços logísticos. Produção, v.16, n. 3, p. 394-
66, n. 4, p. 634-642, 2013. 412, 2006.
[11]. CRUZ, E. P.; BARRETO, C. R.; [23]. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR
FONTANILLAS, C. N. O processo decisório nas STANDARDIZATION. ISO. ISO 9001: 2008. Quality
organizações. Curitiba: Intersaberes, 2014. management systems. Requirements. International
[12]. DE BOER, L.; LABRO, E.; MORLACCHI, P. Organization for Standardization. 2008.
A review of methods supporting supplier selection. [24]. KANG, H.; LEE, A. A new supplier
European Journal of Purchasing & Supply performance evaluation model: A case study of
Management, v. 7, n. 2, p. 75-89, 2001. integrated circuit (IC) packaging companies.
[13]. DENG, X.; HU, Y.; DENG, Y.; Kybernetes, v. 39, n. 1, 2010.
MAHADEVAN, S. Supplier selection using AHP [25]. KAR, A. K. Revisiting the supplier selection
methodology extended by D numbers. Expert problem: An integrated approach for group
Systems with Applications, v. 41, n. 1, p. 156-167, decision support. Expert systems with applications,
2014. v. 41, n. 6, p. 2762-2771, 2014.
[14]. DEY, P. K.; BHATTACHARYA, A.; HO, W.
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
115

[26]. KAR, A. K. A hybrid group decision [36]. SAATY, T. L. The analytic hierarchy
support system for supplier selection using analytic process: planning, priority setting, resources
hierarchy process, fuzzy set theory and neural allocation. New York: McGraw, 1980.
network. Journal of Computational Science, v. 6, p. [37]. SAATY, T. L. Multicriteria Decision Making.
23-33, 2015 The Analytic Hierarchy Process: Plannig, Priority
[27]. KARSAK, E. E.; DURSUN, M. An integrated Setting, Resource Allocation. 2th ed. Pittsburgy:
fuzzy MCDM approach for supplier evaluation and RWS Publications, 1990.
selection. Computers & Industrial Engineering, v. [38]. SAATY, T. L. Fundamentals of the analytic
82, p. 82-93, 2015. hierarchy process. Netherlands: Springer, 2001.
[28]. KOTHARI, C. R. Research methodology: [39]. SALOMON, V. AP; MARINS, F.; DUDUCH,
Methods and techniques. New Age International, M. Tomada de Decisões Múltiplas Aplicada à
2004. Seleção de Fornecedores de Equipamentos de
[29]. LIMA JUNIOR, F. R.; CARPINETTI, L. C. R. uma Linha de Montagem em uma Fábrica de
Uma comparação entre os métodos TOPSIS e Autopeças. Pesquisa Operacional para o
Fuzzy-TOPSIS no apoio à tomada de decisão Desenvolvimento, v. 1, n. 3, p. 208-217, 2009.
multicritério para seleção de fornecedores. Gestão [40]. SHAW, K.; SHANKAR, R.; YADAV, S. S.;
& Produção, v. 22, n. 1, p. 17-34, 2015. THAKUR, L. S. Supplier selection using fuzzy AHP
[30]. LIMA JUNIOR, F. R.; OSIRO, L.; and fuzzy multi-objective linear programming for
CARPINETTI, L. C. R. Métodos de decisão developing low carbon supply chain. Expert
multicritério para seleção de fornecedores: um systems with applications, v. 39, n. 9, p. 8182-8192,
panorama do estado da arte. Gestão & Produção, 2012.
v. 20, n. 4, p. 781-801, 2013. [41]. SHIMIZU, T. Decisão nas organizações. 3
[31]. MIGUEL, P. Estudo de caso na engenharia ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
de produção: estruturação e recomendações para [42]. SOROOR, J.; TAROKH, M. J.;
sua condução. Revista Produção, v. 17, n. 1, p. KHOSHALHAN, F.; SAJJADI, S. Intelligent
216–229, 2007. evaluation of supplier bids using a hybrid technique
[32]. OMURCA, S. I. An intelligent supplier in distributed supply chains. Journal of
evaluation, selection and development system. Manufacturing Systems, v. 31, n. 2, p. 240-252,
Applied Soft Computing, v. 13, n. 1, p. 690-697, 2012.
2013. [43]. TORTORELLA, G; FOGLIATO, F.
[33]. PLEBANKIEWICZ, E.; KUBEK, D. Planejamento sistemático de layout com apoio de
Multicriteria Selection of the Building Material análise de decisão multicritério. Revista Produção,
Supplier Using AHP and Fuzzy AHP. Journal of v. 18, n. 3, p. 609-624, 2008.
Construction Engineering and Management, v. 142, [44]. YADAV, V.; SHARMA, M. K. An application
n. 1, p. 04015057, 2015. of hybrid data envelopment analytical hierarchy
[34]. ROSA, C. R. M.; STEINER, M. T. A.; process approach for supplier selection. Journal of
COLMENERO, J. C. The use of analytic hierarchy Enterprise Information Management, v. 28, n. 2, p.
process for the structural and operational definition 218-242, 2015.
of distribution centers: an application to a food [45]. VELASQUEZ, M.; HESTER, P. T. An
company. Gestão & Produção, v. 22, n. 4, p. 935- analysis of multi-criteria decision making methods.
950, 2015. International Journal of Operations Research, v. 10,
[35]. SAATY, T. L. A scaling method for n. 2, p. 56-66, 2013.
priorities in hierarchical structures. Journal of [46]. ZHU, B.; XU, Z. Analytic hierarchy
mathematical psychology, v. 15, n. 3, p. 234-281, process-hesitant group decision making. European
1977. Journal of Operational Research, v. 239, n. 3, p.
794-801, 2014.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


116

Capítulo 11
Francine Conceição de Andrade
Fábio Cézar Ferreira

Resumo: As redes de lanchonetes no âmbito de “fast food” demandam alta


produtividade e ritmo acelerado dos funcionários, estes podem resultar em estresse
ocupacional, comprometendo saúde física, mental e satisfação de trabalho. O
objetivo foi analisar preliminarmente os riscos ocupacionais a que estão expostos
os funcionários de uma lanchonete de rede fast-food de pequeno porte. O local de
estudo foi caracterizado com grau de risco 2, conforme NR 4. O método de Análise
Preliminar de Riscos (APR) foi aplicado no posto de trabalho (atendimento e
produção). A análise identificou 26 riscos , divididos em físicos, químicos,
ergonômicos e de acidentes, a predominância ocorreu para os que são
classificados como grau de risco tolerável (35%), tendo na sequência em ordem
decrescente o grau severo (27%), moderado (23%) e desprezível (15%). Não foram
identificados riscos de gravidade crítica. O setor de produção apresentou um total
de 56% de riscos que incluem a modalidade severo e moderado, pela existência de
equipamentos e ferramentas. Conclui-se através da APR que o empreendimento
está sendo capaz em garantir a segurança dos trabalhadores, visto que 35% dos
riscos totais nos setores encontraram classificados como toleráveis.

Palavras chave: calor; ritmo acelerado e repetitivo; estresse ocupacional.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


117

1. INTRODUÇÃO podem ocorrer através da análise prévia e


qualitativa dos riscos associados a cada
Atualmente, a população vive atarefada
processo do sistema alimentício. Dessa
necessitando de tempo e para isso, quando
maneira, objetivou-se neste trabalho
se trata em alimentação além das condições
identificar e analisar preliminarmente os riscos
nutricionais essenciais para existência estão
ocupacionais a que estão expostos os
relacionados aspectos econômicos,
funcionários de uma lanchonete de rede fast-
ambiental, cultural, psicológico, pois estes
food de pequeno porte.
envolvem diretamente na qualidade de vida
do ser humano (ALEVATO e ARAÚJO, 2009).
O desenvolvimento do mercado de food 2. METODOLOGIA
services, que são locais como cafés,
2.1 MÉTODO DE ANÁLISE DOS RISCOS
restaurantes e lanchonetes onde oferecem
produtos fora do “lar” vem se tornando uma As técnicas de análise de riscos estão
tendência mundial e o Brasil têm contribuindo divididas em quatro principais grupos:
consideravelmente para a expansão deste análises iniciais, análises operacionais,
segmento alimentício (ABIP, 2013). análises detalhadas e análises quantitativas
(CICCO e FANTAZZINI, 1988).
As redes de lanchonetes no âmbito de “fast
food” acabam por atender um público que Para elaboração dos riscos que os
busca praticidade e agilidade, uma vez que trabalhadores estavam expostos durante a
disponibilizam uma alimentação de preparo jornada de trabalho utilizou-se a ferramenta
rápido. Seguindo essa linhagem, um estudo de Análise Preliminar de Risco (APR), que se
realizado por Geofusion (2016) apontou um enquadra nas análises iniciais, sendo um
aumento de 11% em 2015 com relação ao estudo realizado durante a concepção ou
ano anterior, onde foram registradas 630 lojas desenvolvimento de um novo sistema
abertas e apenas 57 fechadas, apesar da operacional, com a finalidade de determinar
crise econômica brasileira. quais os potenciais riscos na fase de
operação do empreendimento.
A alta produtividade, o ritmo acelerado e
outras demandas solicitadas por esta área de A APR é um método qualitativo dos riscos
trabalho podem resultar na incapacidade do existentes no processo que permite calcular a
trabalhador em lidar com essas fontes de magnitude e hierarquizar de forma racional a
pressão desencadeando um estresse prioridade de medidas a serem tomadas para
ocupacional que comprometem não só a sua eliminação ou redução dos mesmos (VIANA;
saúde física, mental, mas o requisito ALVES e JERÔNIMO, 2014).
satisfação de trabalho, tanto do indivíduo
A metodologia APR foi realizada com o
quanto da organização como um todo
preenchimento de uma planilha onde foram
(VISENTINI et al., 2009; SILVA, 2010).
identificadas todas as possíveis causas de
Empreendimentos que visam alta eficiência na acidentes no local de estudo, as
produtividade devem aliar a necessidade de consequências para cada situação,
minimização de riscos. Alguns estipulando a frequência (Quadro 1) em que o
empreendimentos ocorre a priorização da acidente pode ocorrer e o grau da severidade
parte econômica ou simplesmente a (Quadro 2) do perigo, e assim, cruzando o
negligência quanto à segurança dos resultado em uma matriz de classificação de
funcionários, aumentando a probabilidade de riscos (Figura 1) permitiu-se verificar a real
acidentes de trabalho (VODONIS, 2014). gravidade do cenário estudado (AMORIM,
2010).
A identificação da fonte e a relevância dos
perigos aos trabalhadores neste segmento

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


118

QUADRO 1 - Categorias de Frequência.


Categoria Descrição Frequência
A Muito remota Até uma vez durante a vida útil da instalação
B Remota Até uma vez por ano
C Improvável Uma vez a cada semestre
D Provável Uma vez a cada trimestre
E Frequente Pelo menos uma vez por mês

Fonte: Rodrigues (2015).


QUADRO 2 - Categorias de Severidade.
Categoria Magnitude Descrição
I Desprezível Acidente que não provoca lesões, ou provoca lesões muito
leves sem afastamento.
II Moderada Acidente que provoca lesões leves ou moderadas e não
incapacitantes, podendo ou não haver afastamento.
III Crítica Acidente com afastamento e lesões incapacitantes, podendo
haver perda de membros sem causar invalidez permanente.
IV Catastrófica Acidente com morte ou invalidez permanente, ou lesões
incapacitantes em várias pessoas.
Fonte: Adaptado de Viana; Alvez e Jerônimo (2014).

FIGURA 1 - Matriz de classificação de Riscos - Frequência x Severidade.

Fonte: Adaptado de Rodrigues (2015).

2.2 LOCALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO para o estudo dos riscos ocupacionais.


EMPREENDIMENTO
A atividade do local de estudo conforme a
O local de estudo pertence a região central Classificação Nacional de Atividades
do município de Londrina, estado do Paraná, Econômicas (CNAE) do Instituto de Brasileiro
Brasil. Por motivos de sigilo, serão Geográfico e Estatístico (IBGE) enquadra-se
apresentadas apenas as principais como comércio varejista de serviços
características físicas do empreendimento alimentícios caracterizada como lanchonete
concedidas pelo gerente do empreendimento de linhagem fast-food, com predominância de
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
119

produção própria. • Refrigeradores: utilizado para refrigerar


insumos e produtos.
O número total de funcionários é menor que
20 e o estabelecimento possui código de • Forno elétrico a gás GLP: utilizado para
atividade econômica no 47.21-1, grau de risco assar os produtos (esfihas e pratos
2, conforme NR 4 – Serviços especializado em árabes etc.).
Engenharia de Segurança e em Medicina do
• Fritadeira: utilizada para fritura de
Trabalho (SESMT), não havendo a
salgados.
necessidade de compor um corpo de SESMT,
nem uma Comissão de Interna de Prevenção • Bancada de corte: uso de facas para
de Acidentes (CIPA) (BRASIL, 1983). cortar alimentos (verduras e carnes).
Para o estudo foram analisados os postos de • Forno a lenha: utilizados para assar os
trabalho existentes que foram divididos em produtos (salgados e lanches).
dois setores: atendimento e produção. No
setor de atendimento, local qual, o cliente
realiza seu pedido e pagamento do produto, 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
há o atendente de caixa que utiliza dos
3.1 ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO
equipamentos computacionais para
realização das atividades. A Análise Preliminar de Risco (APR) foi
realizada conjuntamente com o gerente do
No setor de produção, encontram se as
empreendimento. O resultado geral da APR
funções de cozinheiro, ajudante de cozinha,
da lanchonete de fast-food estudada
assador e montador de massas. A estrutura e
encontra-se no Apêndice A deste artigo.
os equipamentos encontrados foram as
seguintes: O Quadro 3 apresenta os resultados da
aplicação do método de APR para os setores
do empreendimento em estudo que
• Amassadeira rápida: equipamento registraram graus de risco diferentes da
utilizado para mistura de massa em geral. classificação da matriz de “tolerável” e
“desprezível”, ou seja, para os riscos que
• Cilindro de massa elétrico: trabalha a
obtiveram classificação acima de 2,
espessura e corte da massa.
necessitam de alguma ação ou melhoria do
• Cortador de Frios: equipamento utilizado ambiente de trabalho para redução do grau
para fatiar frios em geral (presunto, queijo, de risco.
etc.).
QUADRO 3 – Resultados da aplicação do APR.
Setores Tipo do risco Riscos ocupacionais Grau do risco
Controle rígido de produtividade Moderado
Ergonômicos
Imposição de ritmos acelerados Severo
Atendimento
Físico Calor Moderado
Acidente Probabilidade de incêndio e explosão Severo
Físico Calor Severo
Químico Vazamento de gás Severo
Ferramenta inadequada ou defeituosa Severo
Produção Acidentes Máquinas e equipamentos sem proteção Severo
Probabilidade de incêndio e explosão Severo
Controle rígido de produtividade Moderado
Ergonômicos
Esforço físico intenso Moderado
Fonte: Autores (2017).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


120

Na Figura 2 é possível verificar os graus de de produção apenas 25%, uma vez que, para
riscos levantados nos dois setores da este grau de risco não se faz necessidade de
lanchonete de fast-food. Observa-se que no adotar medidas corretivas ou ações
setor de atendimento os riscos ocupacionais preventivas nos setores.
de grau tolerável representam 50% e no setor

Figura 2 – Graus de riscos identificados nos setores de atendimento (esquerda) e de produção


(direita).

Fonte: Autores (2017).

Já os riscos “severos” e “moderados” térmica se torne desconfortável para


representaram 40% do total no setor de trabalhar.
atendimento, enquanto no setor de produção
Quando se analisa os riscos ergonômicos em
representaram um total de 56%, pelo fato do
ambos os setores, alguns são toleráveis, em
ambiente de trabalho no setor de produção
virtude do desafio de orientação e treinamento
possuir equipamentos e ferramentas que
para os trabalhadores utilizarem posturas
demandam atenção e ações preventivas
adequadas ao longo da jornada de trabalho.
maiores neste ambiente.
Porém fica evidente o grau severo do ritmo
Um risco físico moderado evidenciado nos acelerado de trabalho e o controle rígido de
dois setores é o calor com que os funcionários produtividade, uma vez que, os mesmos
estão expostos, apesar de não ser mensurado devem realizar o pedido e a produção do
a temperatura do ambiente de trabalho, o produto em um curto espaço de tempo,
relato de funcionários e o do gerente do tornando as atividades de nível que exigem
estabelecimento relataram um ambiente concentração e repetitividade devido ao fluxo
“quente” durante a estação de verão, uma vez intenso de pedidos que tem que realizar
que, as temperaturas médias diárias do durante a jornada de trabalho.
município de Londrina é de 24oC, com
No setor de produção, nota-se ainda, que na
temperaturas máximas de 30oC segundo o
linha de risco químico do Quadro 3, está
registro histórico de dados de 30 anos do
classificado como grau severo o vazamento
Instituto Agropecuário do Paraná (IAPAR,
de gás do tipo GLP, uma vez que pode haver
2017). A presença dos fornos em
a inalação desse gás pelos funcionários ou a
funcionamento durante o expediente do
probabilidade de incêndio e explosão (risco
empreendimento contribui para que a
de acidente), pelo fato do gás ser inflamável.
temperatura interna eleve e a sensação
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
121

A gravidade de um incêndio ou mesmo propriedade de queimarem em superfície e


explosão neste ambiente de trabalho está profundidade, de classe B, quando ocorre em
relacionada a probabilidade de descuido do materiais que queimam em superfície, e
funcionário no ato de acender o forno à lenha classe C, quando ocorre em equipamentos
ou até mesmo na falta de manutenção dos elétricos energizados. Salienta-se que nos
dutos e mangueiras de gás que podem setores analisados foram encontrados
ocasionar um vazamento. Portanto, o risco na extintores com manutenção correta e dentro
área de produção é considerado severo, visto do prazo de validade. Na Figura 2 não foram
que, foi relatado no momento da entrevista a evidenciados riscos classificados como
ocorrência de um acidente com forno, o que críticos, que permitiram o trabalhador estar
levou o funcionário à queimadura de 2o grau exposto em riscos severos e de grande
devido à descuidos do mesmo no ato de frequência.
acender o forno.
De modo geral, há risco de incêndio em todo
3.2 MEDIDAS MITIGADORAS OU
o empreendimento, sendo que, foi detectado
PREVENTIVAS
que o empreendimento possui o risco de
desenvolvimento de fogo de classe A, quando O Quadro 4 mostra as medidas preventivas
ocorre combustão em materiais com a adotadas para os riscos moderado e severo.
QUADRO 4 – Medidas preventivas.
Setores Tipo do risco Riscos Medidas preventivas
ocupacionais (Proteção coletiva, medidas administrativas,
treinamentos, proteção individual, monitoramento)
Controle rígido de Avaliação da produtividade e dos métodos de
produtividade controle.
Ergonômicos
Imposição de Criar intervalos de descanso.
ritmos acelerados
Físico Calor Melhorar a ventilação das áreas internas que
proporcione climatizar o ambiente de trabalho.
Atendimento
Adequar a vestimenta dos empregados com tecidos
mais leves. Uso de EPIs para o assador de massas:
Avental térmico antichamas.
Acidente Probabilidade de Treinamento com os funcionários
incêndio e
explosão
Físico Calor Melhorar a ventilação das áreas internas que
proporcione climatizar o ambiente de trabalho.
Adequar a vestimenta dos empregados com tecidos
mais leves.
Químico Vazamento de Limpeza e manutenção dos dutos e mangueiras com
gás maior periodicidade
Ferramenta Uso de EPIs: luvas anti corte.
inadequada ou
defeituosa
Produção Máquinas e Treinamentos de uso dos equipamentos.
Acidentes equipamentos Criar barreiras de proteção nos equipamentos.
sem proteção
Probabilidade de Fazer o aterramento do veículo tanque e evitar fontes
incêndio e de ignição como o fumo de cigarro próximo a área
explosão de descarga
Controle rígido de Avaliação da produtividade e dos métodos de
produtividade controle.
Ergonômicos
Esforço físico Avaliação do ritmo de trabalho. Criar intervalos de
intenso descanso.
Fonte: Autores (2017).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


122

4. CONCLUSÃO que, a grande parte (35%) do total de riscos


encontra classificados como toleráveis.
A aplicação do método de Análise Preliminar
de Riscos possibilitou identificar 26 riscos Porém, sob o ponto de vista qualitativo, os
para a lanchonete de fast food, divididos em resultados obtidos da análise preliminar de
físicos, químicos, ergonômicos e de riscos, quando usada isoladamente, não se
acidentes, a predominância ocorreu para os torna uma ferramenta eficaz, necessitando
que são classificados como grau de risco assim, de se aplicar outras ferramentas de
tolerável (35%), tendo na sequência em identificação de riscos, com intuito de se
ordem decrescente o grau severo (27%), confirmar os riscos detectados pelo método
moderado (23%) e desprezível (15%). É utilizado, bem como a complementação do
importante mencionar que nenhum dos riscos estudo através da aplicação de uma
identificados apresentou-se com gravidade abordagem quantitativa dos riscos.
crítica.
Ainda este tipo de análise utilizado não
Conclui-se que por meio da análise preliminar permitiu de fato diagnosticar com clareza o
qualitativa dos riscos envolvidos nas estresse ocupacional dos funcionários que
atividades da lanchonete, fica evidente que o estão sujeitados a um ritmo de trabalho
empreendimento está sendo eficiente em acelerado e repetitivo, que pode desencadear
garantir a segurança dos trabalhadores, visto sérios problemas de saúde.

REFERÊNCIAS
[1]. ABIP. Associação Brasileira da Indústria [7]. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e
de Panificação e Confeitaria. 2013. Disponível em: Estatística. Classificação Nacional de Atividades
<http://abip.org.br/>. Acesso em 10 abril de 2017. Econômicas. Disponível em:
<http://concla.ibge.gov.br/busca-online-
[2]. ALEVATO, H.; ARAÚJO, E. M. G. Gestão,
cnae.html>. Acesso em 10 abril 2017.
Organização e Condições de Trabalho. V
Congresso Nacional de Excelência em Gestão. p. [8]. RODRIGUES, H. U. Aplicação de análise
1-22, 02 a 04 de julho, 2009. preliminar de riscos em indústria de pequeno porte
AMORIM. E.L.C. Apostila de Ferramentas de de móveis e decorações em madeira. 2015. 38 f.
Análise de Risco. Maceió: UFAL, 2013. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização)
– Universidade Tecnológica Federal do Paraná,
[3]. BRASIL. Ministério do Trabalho e
Curitiba, 2015.
Emprego. NR 04 - Serviços especializado em
Engenharia de Segurança e em Medicina do [9]. SILVA, J. F. C. Estresse Ocupacional e
Trabalho. Brasília: Ministério do Trabalho e suas principais causas e consequências
Emprego, 1983. Disponível em: < [dissertação] - Curso de Gestão Empresarial,
http://trabalho.gov.br/index.php/seguranca-e- Instituto A Vez do Mestre, Universidade Cândido
saude-no-trabalho/normatizacao/normas- Mendes, Rio de Janeiro, 2010.
regulamentadoras>. Acesso em 17 de abril de
[10]. VIANA, M. G. P.; ALVES, C.S.; JERÔNIMO,
2017.
C.E. de M. Análise preliminar de riscos na atividade
[4]. CICCO, F. de; FANTAZZINI, M.L. de acabamento e revestimento externo de um
Introdução à Engenharia de Segurança de edifício. Revista Monografias Ambientais, v.14, n.3,
Sistemas. São Paulo, Fundacentro, 1988. mai-ago. 2014, p.3289-3298.
[5]. GEOFUSION. Raio-X do mercado de fast [11]. VISENTINI, M. S.; REIS, E.; VIEIRA, K. M.;
food no Brasil. Estudo de comunicação. 2015. RODRIGUES, C. M. C.; SIQUEIRA, N. A. Estudo
Disponível em: <https://geofusion.com.br/imprensa- dos Fatores de Stress Ocupacional em
e-noticias/13748/>. Acesso em 31 de maio de Restaurantes Públicos e Privados: Aplicação da
2017. Escala de Stress no Trabalho (ETT). XXIX Encontro
Nacional de Engenharia de Produção. Salvador, 06
[6]. IAPAR – Instituto Agronômico do Paraná.
a 09 de outubro, 2009.
Médias históricas nas estações do IAPAR.
Disponível em: < [12]. VODONIS, Bruno Guilherme. Análise
http://www.iapar.br/arquivos/Image/monitoramento/ preliminar de riscos em postos de combustíveis:
Medias_Historicas/Londrina.htm>. Acesso em 10 estudo de caso. Trabalho de Conclusão de Curso
abril 2017. (Especialização) – Universidade Tecnológica
Federal do Paraná, Curitiba, 2014.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


123

APÊNDICE A – Avaliação dos riscos ocupacionais


Avaliação do
Riscos Risco
Setor Tipo do risco Causa Efeito Requisito
ocupacionais
F S Grau
Controle
Longa jornada de
rígido de Estresse e cansaço. D II 3 NR 17
trabalho
produtividade

Estresse, cansaço,
Postura Desconforto
lesões C II 2 NR 17
inadequada postural.
osteomioarticulares.

Ergonômicos
Imposição de Pouco tempo para Estresse, irritação,
ritmos realizar as cansaço, lesões E II 4 NR 17
acelerados atividades osteomioarticulares.

Fontes de
Iluminação Cansaço visual,
iluminação C II 2 NR 17
inadequada cansaço e estresse.
inadequadas.

Aumento da
pulsação, cansaço,
Temperaturas
irritação,
Calor atmosférica e do C II 3 NR 15
taquicardia, fadiga
forno a lenha
térmica,
Atendimento/ Caixa

hipertensão.
Físicos
Veículos
automotores, Perda auditiva,
climatizador de ar estresse, cansaço,
Ruídos ligado, companhia surdez D II 2 NR 06
do telefone, ocupacional,
atendimento ao taquicardia.
cliente.

Trabalho em Lesões (fraturas,


Piso úmido ou
superfícies contusões, D I 2 NR 24
molhado.
escorregadias torções).

Cansaço, lesões
Ausência de osteomioarticulares,
Arranjo físico
manutenção contato com B II 1 NR 26
inadequado
adequada. material perfuro
cortante.
Acidentes

Máquinas e Ausência de
Lesões, cortes,
equipamentos manutenção C III 2 NR-12
fraturas.
sem proteção adequada.

Probabilidade Manuseio e Asfixia,


de incêndio e acondicionamento queimaduras, C IV 4 NR 23
explosão inadequados. lesões.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


124

Continuação...

Tipo do Riscos Avaliação do Risco


Setor Causa Efeito Requisito
risco ocupacionais
F S Grau
Equipamentos em Perda auditiva,
funcionamento estresse,
Ruído (cilindro, cortador cansaço, surdez C II 2 NR 6
de frios e ocupacional,
amassadeira). taquicardia.
Cansaço,
Equipamentos em
irritação, dores
funcionamento
nos membros,
Vibração (cilindro, cortador B III 1 NR 15
dores na coluna,
de frios e
artrite, lesões
amassadeira).
ósseas.
Físicos Aumento da
Funcionamento do
Produção

pulsação,
forno a gás, fogão e
cansaço, irritação,
Calor do forno a lenha. D III 4 NR 15
taquicardia,
Temperatura
fadiga térmica,
atmosférica.
hipertensão.

Doenças do
aparelho
Condição respiratório,
Umidade B II 1 NR 15
atmosférica. quedas, doenças
da pele e
circulatórias.
Dano na tubulação
Vazamento Intoxicação
Químico ou na mangueira de D III 4 NR 09
de gás (GLP) aguda ou crônica.
gás.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


125

Continuação...

Avaliação do
Riscos Risco
Setor Tipo do risco Causa Efeito Requisito
ocupacionais
F S Grau
Ferramenta Manuseio e
inadequada acondicionamento Corte ou perfuração E II 4
ou defeituosa incorretos de facas
Trabalho em
Piso úmido ou Lesões (fraturas,
superfícies D I 2 NR 24
molhado. contusões, torções).
escorregadias
Cansaço, lesões
Ausência de
Arranjo físico osteomioarticulares,
manutenção B II 1 NR 26
inadequado contato com material
adequada.
Acidentes perfuro cortante.
Máquinas e Ausência de
Lesões, cortes,
equipamentos manutenção C III 4 NR-12
fraturas.
sem proteção adequada.
Probabilidade Manuseio e Asfixia,
de incêndio e acondicionamento queimaduras, C IV 4 NR 23
explosão inadequados. lesões.
Produção

Ausência de Queimaduras,
Instalações
manutenção parada C II 2 NR 10
elétricas
adequada. cardiorrespiratória.
Controle
Longa jornada de
rígido de Estresse e cansaço. D 2 3 NR 17
trabalho
produtividade
Estresse, cansaço,
Postura Desconforto
lesões C 2 2 NR 17
inadequada postural.
osteomioarticulares.
Imposição de
Pouco tempo para Estresse, cansaço,
ritmos
Ergonômicos realizar as lesões E II 4 NR 17
acelerados e
atividades osteomioarticulares.
repetitivos
Fontes de
Iluminação Cansaço visual,
iluminação C II 2 NR 17
inadequada cansaço e estresse.
inadequadas.
Longa jornada de Estresse, cansaço,
Esforço físico
trabalho/Excesso lesões C III 3 NR 17
intenso
de peso. osteomioarticulares.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


126

Capítulo 12

Esdras Jorge Santos Barboza


Neusa Maria de Andrade
Márcia Terra da Silva
Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto

Resumo: O crescimento da educação a distância e o desenvolvimento da


tecnologia da informação e comunicação, são pontos fundamentais para a
atualização do ambiente virtual de aprendizagem. Os objetivos da pesquisa
incluem a avaliação de dificuldadees e facilidades de interatividade existentes nas
plataformas virtuais desta modalidade e apresentar as ferramentas de comunicação
que são utilizados no ava. Os dados foram obtidos a partir do censo 2014 e 2015
da associação brasileira de educação a distância e pesquisa bibliográfica.
Realizou-se um comparativo entre as principais plataformas utilizadas no brasil e
suas principais diferenças. Os resultados mostram que as ferramentas virtuais
estão disponíveis para a educação a distância e permitem interação, no entanto, o
seu uso ainda é limitado.

Palavras-chave: ava, educação a distância, interatividade, ferramentas virtuais,


gestão de serviços.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


127

1. INTRODUÇÃO que proporciona a compreensão das metas


definidas. (THURMOND; WAMBACH, 2004).
Devido ao progresso da tecnologia da internet
e seu uso incrementou-se a demanda pelos Desta forma, este artigo tem como objetivo
cursos de Educação a Distância (EaD) ao analisar as plataformas mais utilizadas,
redor do mundo. (BERNARD et al., 2009; KAY, identificar a gama de ferramentas disponíveis
2014). A Associação Brasileira de Educação a em cada uma, e evidenciar as dificuldades e
Distância (ABED) produz interessante facilidades de interatividade apresentando os
panorama ao realizar um estudo estatístico principais ambientes disponíveis que
anual e coletar dados nas instituições de permitem a interação necessária para efetiva
ensino público e privado que utilizam ensino à troca do conhecimento. A utilização das
distância no Brasil, e dos censos ABED de ferramentas disponíveis nas plataformas pode
2014 e 2015 foram extraídos dados sobre as ser incrementada entre os usuários dos
características das plataformas de EaD para ambientes virtuais de aprendizagem através
ilustrar o objetivo desse artigo com relação às de ferramentas caracterizadas como canais
características de interatividade. (ABED, de comunicações fundamentais para
2014, 2015) desenvolvimento e decorrer dos cursos
ofertados.
Quando se trata da modalidade EaD, a
interatividade é um dos elementos a serem
considerados no processo de ensino-
2. REFERENCIAL TEÓRICO
aprendizagem. Autores que exploram o
assunto ressaltam a importância da mesma 2.1 AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM
(BERNARD et al., 2009; WEI; PENG; CHOU,
Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem
2015), sendo que no ensino a distância
(AVA) são softwares utilizados para o
prescinde-se de ferramentas e tecnologias
gerenciamento do processo de ensino e
específicas como chats, fóruns, videoaulas,
aprendizagem que permitem a administração
entre outras, que possibilitam a interatividade
das funcionalidades comuns aos softwares de
entre professor/aluno, tutor/aluno, aluno/aluno,
comunicação mediadas por computador,
que não se relacionam face a face.
além disso, disponibilizam ferramentas para
O AVA disponibiliza ferramentas de administrar as atividades utilizadas em cursos
comunicação síncronas em que as partes se oferecidos de forma online. (GABARDO; DE
conectam simultaneamente, e assíncronas QUEVEDO; ULBRICHT, 2010; GIARDINA;
que permitem que cada um utilize esse MARTON, 1998).
espaço de acordo com sua organização e
O sistema AVA permite que os alunos
disponibilidade, sem que haja necessidade
acessem o conteúdo dos cursos em
de coincidência, limitação de tempo e
diferentes formatos como textos, imagens e
espaço. Isto é feito através de uma variedade
sons; interagindo com os professores, tutores
de funcionalidades e componentes
e alunos, por meio de mensagens, fóruns,
tecnológicos que permitem aos professores
chats, videoconferências e diversos tipos de
escolher estratégias de aula e conjuntos de
ferramentas de comunicação, que além de
atividades que melhor atendam aos objetivos
manter o acesso a links e conteúdos didáticos
de ensino-aprendizagem para aquisição de
organizados, constituem-se como alicerces
novos conhecimentos dos alunos. (GROSSI;
para o desenvolvimento de suas tarefas.
MORAES; BRESCIA, 2013).
(ESCOBAR-RODRIGUEZ; MONGE-LOZANO,
São diversas as plataformas utilizadas para 2012; EVANGELISTA; HECKLER, 2006;
gerir e organizar as atividades que servem FLEURY; FERREIRA; CYMROT, 2008).
para mediar as ações entre professor/aluno e
Moore (1989) aborda três tipos de abordagem
entregar materiais e atividades interativas
para interações nesses ambientes: 1)
(EVANGELISTA; HECKLER, 2006; UNAL et al.,
aluno/professor, com ênfase no feedback do
2011; WEI; PENG; CHOU, 2015). No trabalho
professor, sem demora, como forma de
em questão o estudo procura discorrer como
subsidiar no processo de aprendizagem; 2)
os alunos e professores utilizam as
aluno/conteúdo, com ênfase no uso das
ferramentas disponíveis, e se como se
tecnologias como internet, som, vídeo, texto e
efetivam em relação a interatividade para
imagens com o propósito de viabilizar a
melhor engajamento do aluno com o conteúdo
assimilação do conteúdo, e 3) aluno/aluno,
do curso, com outros alunos, com o instrutor e
caracterizada como aprendizado colaborativo
com o meio tecnológico utilizado no curso, o
e cooperativo entre colegas, que desenvolve
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
128

a motivação o senso crítico, a sensação de disponibilizam ferramentas como chats e


pertencimento diminuindo consequentemente fóruns de discussão, com propósito simular
o isolamento. conversas presenciais, sendo que esses
serviços constituem-se num conjunto de
No AVA é importante também que se tenha
recursos oferecidos pelo software cujas
gestão pedagógica e administrativa,
funcionalidades podem ser agrupadas em
produção de material didático e interatividade
mecanismos de comunicação, de cooperação
e permitir a criação de cursos/disciplinas,
e de coordenação, como por exemplo salas
matrícula de alunos, registro de atividade e de
de chat, fóruns listas de discussão, agendas,
acessos realizados pelos usuários,
sistema de conferência, correio eletrônico,
publicação de notas, recursos para
acompanhamento ou tutoria do aluno, projetos
gerenciamento da aplicação e correção de
colaborativos, sistemas de avaliação,
avaliações, tanto de múltipla escolha como
questionários, distribuição e controle de
dissertativas. (TORI, 2010).
notas, glossário, controle de acesso,
Para a operação do EaD pela internet, calendário do curso, geração automática de
pressupõe-se ainda que todos os índices e pesquisa, etc.
participantes tenham acesso a conexão e
Os AVA permitem interações por meio de
acesso a tecnologias, sendo que os AVA são
ferramentas que variam quanto a tempo de
também canais formados pelos sujeitos, para
resposta e usuários-alvo da comunicação,
interações e comunicações que se
sendo que as funcionalidades do chat
estabelecem através de uma plataforma que
permitem uma rápida interação entre
organiza a troca de informações e que
aluno/aluno e professor/aluno e permite a
precisa necessariamente ter tais atributos.
troca de mensagens escritas, de forma
No estudo de Alves et, al. (2015), destaca-se síncrona, e interatividade nas discussões
a importância de se combater as barreiras entre os participantes dos cursos. O fórum,
tecnológicas que geram insegurança diante por exemplo, permite a comunicação entre
da plataforma virtual. Segundo os autores, as aluno/aluno ou professor/aluno de forma
instituições devem dispor de uma equipe de assíncrona e com um maior tempo para
técnicos em informática para resolver os resposta e através dele é possível também
problemas que surgirem com a plataforma e realizar discussões coletivas. Esse
preocupar-se menos com quantidade e instrumento proporciona alta interatividade
qualidade das ferramentas disponibilizadas entre os participantes dos cursos. O correio
nas páginas e mais na sua correta utilização. eletrônico, apesar de ser uma ferramenta
importante e que trata bem a comunicação
A maior parte dos discentes que realizam
não possui resposta rápida, sendo o tempo
algum curso do ensino superior possui uma
de resposta médio de 48 horas. (GROSSI;
característica diferenciada pelo uso constante
MORAES; BRESCIA, 2013).
da tecnologia em seu dia a dia. Essa nova
geração conhecida como “nativos digitais” As atividades corrigidas online melhoram o
tem maior facilidade para utilizar ferramentas tempo de resposta, mas não podem ser
virtuais, o que pode vir a explicar a crescente consideradas efetivamente interativas, sendo
procura dos cursos EaD. O ambiente virtual que os chats permitem aos participantes uma
de aprendizagem utiliza-se dessas conversa em tempo real, podem ser utilizados
ferramentas e é atualmente bastante utilizado e induzem ao uso da criatividade e da
por 93,2% das Instituições de ensino para o construção dos saberes de forma coletiva
desenvolvimento de seus cursos. (ABED, entre os participantes, geralmente são
2014) utilizados com o intuito de aprofundar o
conhecimento sobre uma determinada
Os principais ambientes virtuais de
temática, com feedback de tempo imediato,
aprendizagem oferecidos para EaD
conforme relação apontada no quadro 1.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


129

QUADRO 1-Relação de interatividade X Feedback entre as principais ferramentas de interatividade


no AVA
Feedbacks/tempo
Interação
Imediato/online Moderado Reduzido
Aluno/ professor Chat Fórum e-mail
Exercício corrigido
Aluno/conteúdo
online
Aluno/aluno Chat Fórum
Fonte:Autores

2.2 CARACTERÍSTICAS DAS PLATAFORMAS O Blackboard é um produto comercial criado


em 1997 que pertence a IMS Global Learning
Pode se afirmar que existe grande número de
Consortium. Atualmente está implementada
plataformas de ensino-aprendizagem e as
em mais de 60 países, apresenta como
mesmas podem ser avaliadas levando-se em
principais ferramentas de interatividade: chat,
consideração tanto suas características
sistema de conferência e correio eletrônico.
técnicas, de interatividade, custos de
(CARVALHO; AREAL; SILVA, 2011; UNAL et
implantação ou de adesão aos objetivos
al., 2011).
didático-pedagógicos, administrativos e de
gestão. (BAHARIN et al., 2015; SCHLEMMER; O TelEduc é um software livre, desenvolvido
FAGUNDES, 2001). por pesquisadores do Núcleo de Informática
Aplicada à Educação (NIED), da Universidade
Apesar das plataformas Moodle e Blackboard
Estadual de Campinas (UNICAMP). Apresenta
apresentarem-se como as principais
como principais ferramentas de interatividade
ferramentas AVA, ou as mais populares no
que a plataforma disponibiliza: correio
mercado, é importante frisar que existem
eletrônico, mural, portfólio, diário de bordo,
outras opções disponíveis. A seguir
bate-papo e enquetes (EVANGELISTA;
apresentamos uma visão geral de uma série
HECKLER, 2006; Home | teleduc.org.br,
de plataformas livres que tem o código aberto
[s.d.]).
que pode ser editado e customizado nas
instituições para implementação de O WEB Ensino foi desenvolvido pela
ferramentas de interatividade e gestão de Sociedade Educacional de Santa Catarina e
ensino. apresenta como principais recursos de
interatividade: quadro de avisos, chat e e-
Originalmente acrônimo de “Modular Object
mail.
Oriented Dynamic Learning Environment , o
Moodle pode ser considerada a plataforma O e-Proinfo é um software público,
mais popular como sistema de gestão de desenvolvido pela Secretaria de Educação a
ensino abrigando atualmente mais de 84.524 Distância (SEED), do Ministério da Educação
sites de cursos espalhados em 237 países. A e Cultura (MEC) e apresenta como principais
palavra é bastante significativa para ferramentas de interatividade: correio
programadores e pessoas da área da eletrônico e chat (“e-Proinfo”, [s.d.]).
educação e em inglês descreve a ação de
A tabela 1 elenca as descrições e
quem com frequência conduz a resultados
características de cada uma das plataformas
criativos. Criada por Martin Gougiamas em
AVA mais populares de modo que possa
2001, o Moodle traz como recursos originais
orientar a escolha para implantação de um
de interatividade a videoconferência, o chat e
ambiente EaD a fim de que gestores possam
o correio eletrônico. (Moodle - Open-source
avaliar os mesmos de acordo com a
learning platform | Moodle.org, [s.d.]).
necessidade da instituição.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


130

Tabela 1 – Características descritiva das principais plataformas livres


PLATAFORMA AUTORIA DESCRIÇÃO
Software livre de apoio à aprendizagem, desenvolvido em
MOODLE Martin Dougiamas PHP e com banco de dados MySQL, PostgreSQL, Oracle,
Access, Interbase
Um dos ambientes de aprendizagem mais utilizados para
educação a distância. Sua interface pode ser configurada
Murraw W. Goldberg
WEBCT para funcionar em vários idiomas (inglês, francês, espanhol,
University of Georgia
português e outros). É utilizado em milhares de instituições
em mais de 70 países
Pesquisadores do NIED
(Núcleo de Informática Concebido com alvo no processo de formação de
TELEDUC Aplicada à Educação) da professores para informática educativa e mais de 4 mil
Universidade Estadual de instituições cadastradas
Campinas (UNCAMP)
Departamento de
Base instalada de mais de 4.100 AulaNets no Brasil e no
Informática da Pontíficia
AULANET exterior, o software também possui versões em inglês e
Universidade Católica do
espanhol
RJ (PUC-Rio)
Centro de Informática da Sistema de gestão da aprendizagem e permite estender as
AMADEUS Universidade Federal de experiências adquiridas de usuários de educação a distância
Pernambuco (UFPE) para diversas plataformas de forma integrada e consistente

Laboratório de Mídias
Interativas (LAMI) da
Tem como principal diferencial a utilização de áudio do texto
EUREKA Pontifícia Universidade
escrito em todas as telas promovendo a acessibilidade
Católica do Paraná
(PUCPR)
Software público,
desenvolvido pela
Oferece projetos colaborativos e, no item interatividade e há
E-PROINFO Secretaria de Educação a
pouca informação ao usuário visitante
Distância (SEED) do
Ministério da Educação
Único que informa
cumprimento às regras
Utiliza ferramentas de rede social para replicar os diferentes
propostas pelo W3C,
LEARNINGSPACE modos informais de comunicação e aprendizagem que
organismo internacional
acontecem em um campus tradicional
que orienta normas em
relação à acessibilidade
Fonte:Autores

Os AVA possuem grande disparidade e No intuito de estabelecer a correlação entre


diversidade, tanto em custo, quanto em as ferramentas de comunicação e processo
relação a oferta de ferramentas, sistemas para de interatividade disponíveis no AVA foi
aprendizado colaborativo e possibilidade de elaborado uma análise das principais
interatividade, sendo que alguns autores ferramentas disponíveis nas plataformas livres
observam essas diferenças e analisam maior que estão apresentadas na tabela 2 e que
ou menor disponibilidade de recursos de visa orientar a escolha da plataforma de
interação como pré-requisitos de escolha. acordo com a necessidade pedagógica.
(GABARDO; DE QUEVEDO; ULBRICHT,
2010).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


131

Tabela 2- Ferramentas de interatividade disponíveis nas principais Plataformas livres


PLATAFORMA CARACTERÍSTICAS SITE FERRAMENTAS
Colaboração da comunidade virtual.
licença Open Source. Atende o http://moodle.org/l videoconferência, o chat e o
Moodle
deficiente visual como requisito de ogin/index.php correio eletrônico
acessibilidade
SIstema de conferência, chat,
A interface para autoria de cursos no correio eletrônico,
WebCT contém opções para criar acompanhamento do aluno,
páginas (ou importar páginas de texto suporte para projetos
ou HTML existentes) e para incorporar https://www.elc.ug colaborativos, auto-avaliação,
WebCT ferramentas educacionais. Fornece um a.edu/webct/entryP questionários, distribuição e
conjunto de ferramentas ageIns.dowebct controle de notas, glossário,
administrativas para auxiliar o autor no controle de acesso, calendário
processo de gerenciamento e melhoria do curso, geração automática
contínua do curso de índices e pesquisa, entre
outras
Chat, newsgroup, tutoria
As ferramentas foram projetadas de
funcionalidades divididas em
acordo com as necessidades http://www.teleduc.
Teleduc três grupos: ferramentas de
relatadas por seus usuários org.br/
coordenação, administração e
(professores e comunidade UNICAMP)
comunicação
Chat, newsgroup e
http://www.eduweb configuração de tutoria c/
Aulanet LMS (Learning Management System .com.br/elearning_t funcionalidades para
ecnologia.asp coordenação, administração e
comunicação
Enfoque de estímulo e interação do http://amadeus.cin. Chat, newsroom, newsgroup,
Amadeus
aprendizado pela ação ufpe.br/index.html videoaula

Tem como objetivo promover http://eureka.pucpr


Eureka educação e treinamento a distância .br/entrada/index.p Questionários, videoaula
por meio da internet hp

tira-dúvidas, agenda, diário,


Baixa usabilidade, os links não http://eproinfo.mec
E-Proinfo bilbioteca, aviso, correio
funcionam, a tela não aparece inteira .gov.br
eletrônico e chat.
inclui ferramentas de auto-
Oferece mais de 800 cursos que avaliação, fóruns e uma
disponibiliza mais de 5.400 horas de http://openlearn.op experiência personalizada de
LearningSpace
conteúdo de aprendizagem e en.ac.uk/ colaboração ao aluno, com
capacitação para professores criação e utilização de materiais
de aprendizagem.
Fonte:Autores

3. METODOLOGIA quais 226 são exclusivamente formadoras


(oferecem cursos), 17 exclusivamente
A metodologia utilizada para elaboração
fornecedoras (desenvolvem cursos e
deste trabalho consistiu em pesquisa
materiais, mas não oferecem cursos), 15 que
bibliográfica que levou em consideração
congregam os dois formatos de atendimento
fontes confiáveis, teorias e autores que
e 13 instituições que não se enquadram em
versam sobre EaD, interatividade e AVA para
nenhuma dessas categorias e não foram
tabulação de dados a partir da análise dos
consideradas na análise e formataram o total
textos e documentos, utilizando-se o método
de 258 instituições somadas . O censo ABED
exploratório-descritivo. (GIL, 2002)
2015 reuniu 368 respostas de 339 instituições
As principais fontes secundárias decorreram formadoras, e 69 instituições fornecedoras,
do censo ABED 2014, que reuniu dados de das quais 40 também são formadoras e
271 instituições públicas e privadas, das

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


132

também não tiveram suas respostas 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS


consideradas nesse estudo.
O artigo apresentou ambientes virtuais de
Para cumprir o objetivo desse artigo, adotou- aprendizagem, que são Tecnologias da
se o procedimento técnico de relacionar as Informação e Comunicação como plataforma
informações dos Censos sobre EaD da ABED entre professor-aluno para gestão do
com as fornecidas pelos sites das plataformas aprendizado. O que se pode constatar é que
que foram comparadas com os elementos da os AVA vem gradativamente transcendendo
pesquisa bibliográfica e assim cumpriu-se o barreiras geográficas e facilitando o acesso à
propósito de avaliar se as informações informação, sendo que a utilização dessas
tratadas são complementares ou excludentes ferramentas, em sua grande maioria, não
para melhor compreensão sobre as necessitam de instalação e são gratuitas,
características das plataformas de EaD de conforme mostra a figura 1 e vem se
acordo com seus quesitos de interatividade. difundindo cada vez mais em decorrência do
fácil acesso em qualquer tipo de aparelho que
possua Internet. (ABED, 2014; KAY, 2014).

FIGURA 1-Ferramentas virtuais utilizadas nos cursos oferecidos pelas Instituições

Fonte ABED (2014)

Em EaD por 80,3% das instituições, conforme da internet tais como: Skype, Youtube, Google
mostra a figura 2 se utilizam das chamadas docs e redes sociais e que auxiliam no
ferramentas virtuais de comunicação que são processo de ensino/aprendizagem (ABED,
aquelas que possuem dispositivos para 2015).
facilitar e materializar a comunicação por meio

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


133

FIGURA 2- Meios de comunicação do ambiente de aprendizagem utilizados pelas instituições

Fonte – ABED ( 2015), cursos totalmente a distância (%).

Os recursos de hipermídias adaptativas, por Todavia, o principal problema é que nem


exemplo, exigem investimento antes de serem todos os participantes do processo de ensino
viabilizados como ferramentas e a melhoria e aprendizagem dominam essas tecnologias,
dessa situação depende também da oferta de o que pode vir a causar deficiência na
treinamento para o uso correto das comunicação.
ferramentas da melhor forma possível com a
Foi evidenciado no estudo que as plataformas
utilização de seus recursos no processo de
estudadas disponibilizam ferramentas criam
ensino/aprendizagem. Algumas instituições
possibilidade de alta interatividade, entretanto
utilizam de forma combinada ferramentas
nem todos os professores utilizam esses
pagas apenas em alguns casos onde se faz
recursos, e em muitos casos os alunos
necessário maiores funcionalidades.
priorizam a consulta a informações não
Um ponto a se destacar é a mudança de interativas ao invés de focar na
papel do aluno, de apenas leitor e receptor de aprendizagem.
materiais, que passa a atuar da forma passiva
Os atributos de comunicação são bem
para a forma ativa, através da autoria e co-
valorizados nas plataformas e suas principais
autoria de seminários e resenhas que são
ferramentas disponíveis fornecem viabilidade
utilizadas como material didático,
de interatividade e o Moodle e Blackboard
transformando assim o aluno também em
que são os ambientes que possuem maior
editor e importante colaborador no e desse
grau de usabilidade dentre as instituições
modo é de suma importância que os alunos
estudadas.
dominem tais ferramentas que dão acesso a
produção de conteúdo para uso virtual, caso Alguns pontos que devem ser observados e
contrário, no transcorrer dos estudos, o aluno analisados, ao se optar por esta modalidade
poderá apresentar dificuldade de apresentar de ensino e que as ferramentas de
saberes decorrentes do ambiente de interatividade tem a função de suprir. 1)
aprendizagem para outros pares. (VALENTE; Sensação de isolamento e abandono, que
NETO, 2007). pode ser considerado como um fator
desagregador e até desmotivador para alguns
Além das ferramentas apresentadas, na EaD
alunos que precisam superar sozinhos ou
encontramos outras que podem substituir
com pouca ajuda alguns dos obstáculos
objetos usados no ensino presencial tais
encontrados ao decorrer do curso; 2) Senso
como: editores de texto, vindo a substituir as
de responsabilidade e disciplina são
folhas de papel, mouse e teclados, com a
capacidades determinantes para realização
função de canetas, e arquivos de textos, com
autodidata; 3) Domínio acessível às TIC e
o propósito de suprir os livros e apostilas.
ferramentas, capacidade para lidar com
Para simular a sala de aula é possível utilizar
diversas tecnologias, softwares, programas e
câmeras de vídeo, microfones, fones de
códigos incluindo-se os ambientes virtuais de
ouvido, videoaulas dentre outras opções.
aprendizagem. (SILVA; MERCADO, 2010).
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
134

São diferentes os fatores que podem estar investigar também se a dificuldade no uso
correlacionados às frustrações de alunos, correto e efetivo das ferramentas no AVA, que
tutores, professores e gestores que utilizam o se constatou como fator impeditivo de para
ambiente em questão, dentre eles, (FELIX, melhoria da interatividade, assim como,
2014) destaca a ausência ou “delay” para avaliar formatos adequados de transmissão
atendimento as respostas oferecidas por do conhecimento no EaD, em conformidade
tutores e alunos, instruções ambíguas, com o perfil do aluno.
problemas técnicos na plataforma educativa
Para que essa modalidade de ensino possa
adotada, inadequação do modelo
ser vista de forma mais atrativa para os alunos
pedagógico e por fim, dificuldades
recomenda-se para trabalhos futuros analisar
relacionadas a aspectos externos por parte
e apresentar alternativas de melhorias para a
dos alunos (problemas familiares, sociais e
redução do tempo de feedback e sua relação
pessoais).
com o grau de percepção de interatividade
Para avançar o tema sugere-se investigar a com a utilização das ferramentas disponíveis
relação entre a melhoria da interação e a no AVA.
facilidade de aprendizagem. Além disso,

REFERÊNCIAS
[1]. ABED – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE Anais do XXVI Encontro Nacional de Engenharia de
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. Censo EAD.BR: Produção-ENEGEP, Fortaleza, CE, Brasil, v. 9,
Relatório Analítico da Aprendizagem a Distância no 2006.
Brasil 2014. Disponível em: [10]. FELIX, J. R. EaD  : contribuição das
<http://www.abed.org.br/censoead2014/CensoEAD interações para superação de problemas e
2014_portugues.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2016. viabilização dos processos de ensino e
[2]. ABED – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE aprendizagem. Trabalho de Conclusão de Curso -
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. Censo EAD.BR: Graduação - Licenciatura. Disponível em:
Relatório Analítico da Aprendizagem a Distância no <http://bdm.unb.br/handle/10483/8354?mode=full&
Brasil 2015. Disponível em: submit_simple=Mostrar+item+em+formato+comple
<http://www.abed.org.br/site/pt/midiateca/censo_e to>. Acesso em: 17 jun. 2016.
ad/1395/2016/09/censoead.br_-_2015/2016>. [11]. FLEURY, A. L.; FERREIRA, D. M.;
Acesso em: 12 out. 2016. CYMROT, R. A UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS DE
[3]. ALVES, T. M. F.; MENEZES, A. H. N.; EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA NOS CURSOS DE
VASCONCELO, F. M. DE B. P. CRESCIMENTO DA ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. 2008.
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E SEUS DESAFIOS: [12]. GABARDO, P.; DE QUEVEDO, S. R.;
UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. Revista de ULBRICHT, V. R. Estudo comparativo das
Educação do Vale do São Francisco-REVASF, v. 4, plataformas de ensino-aprendizagem
n. 6, p. 63–74, 2015. 10.5007/1518-2924.2010 v15nesp2p65. Encontros
[4]. BAHARIN, A. T. et al. Evaluation of Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e
Satisfaction Using Online Learning with Interactivity. ciência da informação, n. 2. sem., p. 65–84, 2010.
Procedia - Social and Behavioral Sciences, 5th [13]. GIARDINA, D. C.; MARTON, P. Les
ICEEPSY International Conference on Education & environnements d’apprentissage multimédia. Actas
Educational Psychology. v. 171, p. 905–911, 16 jan. do II Congresso Ibero-Americano. Anais...1998
2015. [14]. GIL, A. C. Metodologia científica. São
[5]. BEHAR, P. A. Modelos pedagógicos em Paulo, v. 3, 2002.
educação a distância. [s.l.] Artmed, 2009. [15]. GROSSI, M. G. R.; MORAES, A. L.;
[6]. BERNARD, R. M. et al. A Meta-Analysis of BRESCIA, A. T. Interatividade em Ambientes
Three Types of Interaction Treatments in Distance Virtuais de Aprendizagem no processo de ensino e
Education. Review of Educational Research, v. 79, aprendizagem na Educação a Distância. Arquivo
n. 3, p. 1243–1289, 1 set. 2009. Brasileiro de Educação, v. 1, n. 1, p. 75–92, 2013.
[7]. CARVALHO, A.; AREAL, N.; SILVA, J. [16]. KAY, V. N. Ferramentas Web 2.0 para
Students’ perceptions of Blackboard and Moodle in atividades em Educação a Distância utilizadas em
a Portuguese university. British Journal of conjunto com o Ambiente Virtual de Aprendizagem
Educational Technology, v. 42, n. 5, p. 824–841, 1 Moodle. EaD & Tecnologias Digitais na Educação,
set. 2011. v. 2, n. 3, p. 81–93, 2014.
[8]. ESCOBAR-RODRIGUEZ, T.; MONGE- [17]. LEMOS, E. DAS C.; AMARAL, L. A. M. DO;
LOZANO, P. The acceptance of Moodle technology OLIVEIRA, L. R. M. UTILIZAÇÃO DE ESTILOS DE
by business administration students. Computers & APRENDIZAGEM NO DESENVOLVIMENTO DE
Education, v. 58, n. 4, p. 1085–1093, maio 2012. AMBIENTES VIRTUAIS VOLTADOS À EDUCAÇÃO
[9]. EVANGELISTA, M. L.; HECKLER, V. A DISTÂNCIA. Journal of Learning Styles, v. 8, n.
TelEduc–uma ferramenta auxiliar no processo 15, 30 abr. 2015.
educativo presencial da Engenharia de Produção. [18]. MOORE, M. G. Editorial: Three types of
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
135

interaction. American Journal of Distance [23]. TORI, R. Educaçao Sem Distancia. [s.l.]
Education, v. 3, n. 2, p. 1–7, jan. 1989. Ed. SENAC, 2010.
[19]. PEREIRA, A. T. C.; SCHMITT, V.; DIAS, M. [24]. UNAL, Z. et al. Evaluating and Comparing
Ambientes virtuais de aprendizagem. AVA- the Usability of Web-based Course Management
Ambientes Virtuais de Aprendizagem em Diferentes Systems. Journal of Information Technology
Contextos. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Education: Research, v. 10, n. 1, p. 19–38, 1 jan.
Ltda, 2007. 2011.
[20]. SCHLEMMER, E.; FAGUNDES, L. DA C. [25]. VALENTE, C.; NETO, J. A. M. Second Life
Uma proposta para avaliação de ambientes virtuais e Web 2.0 na educação: o potencial revolucionário
de aprendizagem na sociedade em rede. das novas tecnologias. [s.l.] Novatec Editora, 2007.
Informática na Educação: Teoria e Prática, v. 4, n. [26]. WEI, H.-C.; PENG, H.; CHOU, C. Can more
2, p. 25–36, 2001. interactivity improve learning achievement in an
[21]. SILVA, M. L. R. DA; MERCADO, L. P. L. A online course? Effects of college students’
interação professor-aluno-tutor na educação on- perception and actual use of a course-
line. Revista Eletrônica de Educação, v. 4, n. 2, p. management system on their learning achievement.
183–209, 26 nov. 2010. Computers & Education, v. 83, p. 10–21, abr. 2015.
[22]. THURMOND, V.; WAMBACH, K. [27]. YACCI, M. Interactivity demystified: A
Understanding interactions in distance education: structural definition for distance education and
A review of the literature. International Journal of intelligent CBT. Educational Technology, v. 40, n. 4,
Instructional Technology and Distance Learning, v. p. 5–16, 2000.
1, n. 1, 2004.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


136

Capítulo 13
Marcilia Queiroz de Souza
Júlia Graciela de Oliveira Américo da Silva
Fabiano Silvério

Resumo: As empresas têm um papel fundamental na preservação do meio


ambiente devido à grande quantidade de recursos naturais utilizados nos seus
processos. A Gestão Verde da Cadeia de Suprimentos, embora seja uma assunto
relativamente novo tem sido difundido nas empresas para que através de suas
práticas, consigam melhorias na cadeia de suprimento de modo que possam
diminuir desperdícios, aumentar lucro, competitividade, mitigas impactos
ambientais, cumprir com políticas, legislações vigentes, etc. Este trabalho reúne
informações extraídas de um banco de dados de artigos científicos, dissertações,
teses e livros especializados no assunto. O objetivo é demonstrar a importância da
Gestão Verde da Cadeia de Suprimentos nas empresas brasileiras, sua história e
integração com as demais áreas que a integra, bem como os benefícios e/ou
dificuldades para a implantação.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


137

1 INTRODUÇÃO que não traga grande prejuízo ao meio


ambiente (LEITE, 1999; MIGUEZ et al., 2007;
A Gestão Verde da Cadeia de Suprimentos
JABBOUR et al., 2013; SOUZA, 2013). Essa
(GVCS) é um assunto que tem sido abordado
iniciativa traz vantagens econômicas, quando
há pouco tempo no Brasil, mas que está em
a organização reutiliza, recicla, recupera ou
ascendência, devido a exigências legais,
gerencia os resíduos de produtos obsoletos
sociais e dos stakeholders (BRAGA et al.,
ou defeituosos; tem-se um diferencial frente
2005; ALVES; NASCIMENTO, 2014). A GVCS
aos concorrentes, coopera positivamente com
aborda assuntos relacionados ao meio
a natureza, e ainda pode reduzir custos
ambiente, voltado para a área de produção e
(LACERDA, 2002; BARBIERI et al., 2014;
o alinhamento pré-existente entre a
RODRIGUES et al., 2015).
organização e governo. Refere-se ao projeto
Neste contexto, a GVCS tem o intuito de
do produto, fornecedores, varejistas e em
induzir a organização a práticas
alguns casos ao consumidor final, atuando de
ambientalmente amigáveis, mostrando que é
maneira integrada para atingir seus objetivos
possível agir com responsabilidade e
(LEITE, 1999; BARBIERI et al., 2014).
consciência ambiental não só para cumprir
A preocupação com impactos ambientais,
com as normas legais, mas também, para ter
ocasionados frequentemente por conta de
um retorno econômico e social. Na
processos produtivos ou produtos no fim do
abordagem da GVCS entende-se que as
ciclo de vida, é o que faz com que haja
empresas não trabalham sozinhas. Portanto, é
integração entre a GVCS, gestão ambiental,
importante a integração entre organização,
logística reversa e ciclo de vida do produto.
funcionários, clientes e fornecedores
De acordo com Ometto et al., (2007); Selles e
(stakeholders em geral) em todo o ciclo de
Jabbour (2014) a GVCS tem foco ambiental,
vida do produto. Certamente com análise e
considerado desde o projeto do produto, o
acompanhamento desde a aquisição da
envolvimento dos fornecedores na compra
matéria-prima até o fim do ciclo de vida do
verde, processos produtivos utilizados, com
produto, poder-se-á remanufaturar, reciclar ou
reuso de produtos que chegaram ao fim do
reutilizar. O descarte ocorrerá somente em
ciclo de vida e que retornarão à organização
última instância, de forma correta e sem trazer
tendo em vista a necessidade de diminuir o
danos ao meio ambiente. Assim, o estudo da
consumo de matéria-prima, resíduos, bem
GVCS e a sua viabilidade nas empresas
como o descarte em último caso (BETINI et
brasileiras é importante e deve trazer
al., 2006; ARANTES et al., 2014).
impactos positivos à sociedade e ao
Percebe-se a necessidade de planejamento e
ecossistema, além de ajudá-las na aquisição
controle estratégico sustentável que sejam
de certificação e agregação de valor
executados com eficiência e eficácia, para
(JABBOUR et al., 2013).
que gerações futuras tenham impactos
negativos mitigados e saibam trabalhar de
forma a atingir seus objetivos com
2 A INTEGRAÇÃO DA GESTÃO VERDE DA
responsabilidade social, econômica e
CADEIA DE SUPRIMENTOS
ambiental (CARVALHO, 2011; CARVALHO;
BARBIERI, 2013; DEUS et al., 2014; SILVA; A GVCS surge com a integração entre a
DIAS, 2014). Deve-se pensar nos benefícios gestão ambiental, logística reversa
que a indústria pode angariar implantando envolvendo o ciclo de vida do produto (Figura
práticas que consideram a variável ambiental 1), A GVCS surge devido à preocupação com
e social no seu escopo. Esta atitude as torna o uso desregrado de recursos naturais
mais competitiva, já que muitas pessoas têm renováveis e não renováveis. Neste sentido,
considerado questões ambientais ao pensar com a GVCS identifica-se a possibilidade de
na aquisição um novo bem/serviço, e por isso, criar estratégias que ajudam no controle e uso
buscam informações para saber como fora de insumos e traz ganhos econômicos,
produzido determinado bem. Averiguam sociais e ambientais (MEDEIROS et al., 2012;
também se a organização tem parceria com LABEGALINI, 2010).
fornecedores para aquisição de matéria-prima

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


138

FIGURA 1 – Integração da Gestão Ambiental, Logística Reversa e Ciclo de Vida à GVCS.

Fonte: Próprio autor.

A logística reversa e a gestão ambiental estão ambientais e com a saúde humana, avaliar
intimamente ligadas à cadeia de suprimentos possíveis impactos ambientais causados na
verde, por conta da avaliação realizada desde cadeia produtiva. É uma ferramenta
a extração da matéria-prima de forma que importante para organizações que realmente
diminuam impactos negativos na natureza se preocupam com questões ambientais e
visando a reutilização e reciclagem dos querem conquistar um novo nicho de
produtos inutilizados, e que, por sua vez, mercado (FERREIRA, 2004; BARBIERI;
agregar valores ambientais ao produto e CAJAZEIRA, 2009).
possibilita conquistar certificados verdes A figura 2 apresenta o entrelaçamento das
(OMETTO et al., 2007; LOPES et al., 2013). áreas interligadas positivamente, como, por
O ciclo de vida é entendido como todo exemplo: o ecodesign onde a empresa pode
processo, desde a fabricação até o descarte priorizar compras verdes e materiais que
final do produto, ou seja, desde a extração da tragam menos danos ao meio ambiente (ou
matéria-prima, processo produtivo, transporte, que seja de fácil montagem/desmontagem
manutenção, e volta do produto obsoleto à para reciclagem); realizar um planejamento
empresa, considerando-se possíveis para aumento do ciclo de vida do produto
melhorias nos processos. Seja para trazendo inovação e diminuição de resíduos;
reutilização, reciclagem, incineração, estratégias de devolução de produto obsoleto
recuperação ou venda para empresas à cadeia produtiva; reutilização de material,
secundárias. Portanto, o intuito de uma que dará início a um novo ciclo (MAFUD,
avaliação do ciclo de vida na cadeia 2010).
produtiva é identificar, mensurar danos

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


139

FIGURA 2 – Demonstração de aspectos da Cadeia de Suprimentos.

Fonte: Adaptado Mafud (2010).

3 A GESTÃO VERDE DA CADEIA DE momento em que a empresa terá que se


SUPRIMENTOS E SUAS IMPLICAÇÕES PARA adequar para não perder espaço no mercado
AS EMPRESAS BRASILEIRAS seja por conta de clientes mais exigentes ou
por forças políticas (PEREIRA NETO, 2011;
A GVCS é utilizada nas empresas que se
ALVES et al., 2013).
preocupam não só com a fabricação de
As práticas da GVCS têm como objetivo
novos produtos, mas que se preocupam
auxiliar na redução de impactos ambientais
também com o meio ambiente (JABBOUR et
através de melhorias. Estas práticas incluem
al., 2013; SHIBAO et al., 2013; JABBOUR;
ecodesign, logística reversa, avaliação do
SOUZA, 2015). Para Sehnem et al., (2015) é
ciclo de vida do produto, avaliação de riscos
importante ressaltar que a GVCS tem se
e auditorias ambientais, parceria entre a
mostrado eficaz ao longo do tempo, uma vez
organização e fornecedores, participação de
que as empresas vêm considerando a
clientes, redução e/ou venda de resíduos,
obrigatoriedade de se inserir no ambiente
produção verde, dentre outras (ZUCATTO,
interno conceitos e práticas ambientalmente
2009; LOPES et al., 2013; SOUZA, 2013;
corretas, com o intuito de inovar seus
TEIXEIRA, 2014).
processos produtivos e recursos de maneira
No Brasil, poucas empresas adotam a GVCS.
que causem pouco ou nenhum impacto
Infelizmente não há grande divulgação e
ambiental, intensificando assim sua gestão
aquelas organizações que conhecem, têm a
ambiental (SOUZA, 2002; SILVA et al., 2015).
falsa impressão de que sua implantação custa
É crucial o comprometimento da alta gerência
caro, e não avaliam com profundidade sua
para o estínulo a colaboradores e clientes na
proposta que aplicada com seriedade, traz
implementação da GVCS. Este estímulo pode
um retorno significativo, por ajudar na
ser realizado por meio de palestras,
aquisição de certificação verde, exigido por
treinamentos, reuniões, workshops, folders ou
alguns países. Para isso, é preciso uma
até mesmo através do site da organização
reeducação envolvendo sociedade e
(DIAS; CARVALHO, 2010; OLIVEIRA NETO et
organização (desde a alta administração até
al., 2010).
os operários) para que conheçam sua
Existe uma resistência para implantar a GVCS,
essência e coloquem em prática a GVCS.
porque num primeiro momento não parece
Quando a organização inclui estas práticas
rentável, mas, pode trazer lucratividade.
nas estratégias, consegue além de aumentar
Embora empresas que têm visão holística
a competitividade da empresa, fidelizar
verifiquem grande oportunidade para
clientes que consideram em suas compras
aumentar lucro, competitividade, manter-se
questões ambientais, cumprir exigências
sustentável e competitiva, a maioria ainda vê
governamentais e melhorar imagem
limitações bem como ameaças no que se
corporativa (LOPES; SACOMANO NETO;
refere a questões ambientais justamente por
SPERS, 2013; LOPES et al., 2013).
não enxergar as vantagens a longo prazo
Considerando-se pesquisas já realizadas
(ALVES et al., 2013; LOPES et al., 2013;
sobre a GVCS, observa-se que tanto
SILVAet al., 2015). No entanto, chegará o
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
140

empresas de grande, médio e pequeno porte distribuidora a cumprir com a legislação e


são capazes de se reinventarem e adotarem políticas como a Política Nacional dos
em seus processos produtivos, práticas que Resíduos Sólidos (NASCIMENTO et al., 2014).
levam a estratégias de depleção de impactos A Natura é uma das empresas que
ocasionados na maioria das vezes por falta de consideram em sua cadeia produtiva a
uma gestão ambiental rigorosa (MALAQUIAS diminuição dos impactos ambientais, que é
et al., 2014; NASCIMENTO et al., 2014). De um dos focos da GVCS. Além da
acordo com Shibao et al., (2014), existem conscientização ambiental, ajuda a população
dificuldades na implantação da GVCS, por na criação de novos empregos,
conta da disparidade entre as organizações. principalmente àqueles que não têm uma
Algumas conseguem implantar suas práticas fonte de renda. A população extrae a
de forma mais abrangente, por ter acesso a castanha e a Natura faz a coleta, gerando um
capital financeiro, enquanto outras não podem ganho para o meio ambiente, organização e a
fazer um grande investimento, tornando difícil sociedade, pois, a empresa tem a mão-de-
sua mensuração, justamente porque os obra e a sociedade acaba tendo benefícios
custos e benefícios não estão equiparados. A devido ao giro de capital no local (NAKAHIRA;
empresa que adota práticas da GVCS está à MEDEIROS, 2009; TRISTÃO et al., 2012).
frente às demais por influenciar parceiros a No setor agroindustrial, existe empresa como
fazerem parte desta prática; servir de espelho uma de Suinocultura, no Rio Grande do Sul
para outras organizações; e influenciar órgãos que devido aos problemas relacionados com
públicos. A influência da GVCS faz com que o meio ambiente, contemplou a implantação
as empresas tomem decisões mais rígidas da GVCS como uma forte aliada. Com o intuito
com relação às questões ambientais e de melhorar sua cadeia produtiva, diminuir
comecem a se preocupar não somente com custos e otimizar a gestão ambiental
ações reativas, mas também com ações mantendo-se competitiva no mercado. Para
proativas (JABBOUR; SOUZA, 2012; FARIAS; isso, trabalha de forma a alcançar os
CAMPOS, 2015). resultados, mesmo sabendo que o retorno
Para que a GVCS seja validada em uma financeiro não será rápido. Além disso, tem o
organização, é preciso conhecer seu objetivo, apoio de cooperativas e produtores
a importância da sua implantação, pois, envolvidos em práticas ambientalmente
existem várias estratégias que podem ser corretas. (COUTO, 2007).
utilizadas através da reatividade, onde a Um setor têxtil brasileiro, tem investido em
organização espera as coisas “acontecerem” inovação tecnológica que auxilia na
para depois agir, levando em consideração a preservação do meio ambiente e utiliza a
redução de impactos apenas no final da avaliação do ciclo de vida do produto que é
produção; ou, agir proativamente, criando uma prática da gestão verde da cadeia de
estratégias ambientais desde o projeto do suprimentos para conseguir uma produção
produto, até o fim do ciclo de vida e o retorno mais limpa. Fez-se necessário usar a
deste ao processo produtivo, para que possa criatividade porque hoje a organização está
ser reciclado, reutilizado, recuperado ou mais consciente de que os recursos são
descartado de forma correta (ALVES; finitos e estão escassos. Para isso, usa
NASCIMENTO, 2014; SHIBAO et al., 2014; estratégias e conta com o envolvimento de
TEIXEIRA, 2014). fornecedores e consumidores, pois, além de
Uma distribuidora de óleos lubrificantes é um diversificar os produtos para a fabricação,
exemplo de empresa que aborda a gestão utilizam algodão orgânico, sobras de tecidos
verde da cadeia de suprimentos no Brasil. A que podem ser reutilizadas no processo
distribuidora tem consciência de que a produtivo, convertendo-os em fibras e fios.
contaminação do solo pode trazer Após a venda do produto acabado, monta
consequências negativas para o meio estratégias para reciclagem, reuso e reforma
ambiente devido a presença de metais de roupas para aumentar o seu ciclo de vida,
perigosos, dentre outros. Por isso, utiliza um bem como a depleção no uso de energia
segundo refino que é capaz de eliminar (BRUNO; BRUNO, 2009; MARTINS, 2009).
impurezas que ficaram do primeiro, e, faz a
reutilização do óleo. A coleta é feita por uma
empresa capacitada para assegurar que o 3.1 DESEMPENHO EMPRESARIAL X GESTÃO
óleo seja devidamente transportado sem VERDE DA CADEIA DE SUPRIMENTOS
contaminar a natureza. A GVCS, é importante
A GVCS quando agregada a práticas como,
porque além de auxiliar na melhoria ajuda a
por exemplo: a gestão dos recursos humanos
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
141

para o meio ambiente, as operações verdes, O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) auxilia
os sistemas de gestão ambiental, o a empresa a pensar estratégias que otimizem
desenvolvimento de produtos verdes e o o processo produtivo de maneira a diminuir
marketing verde, podem ampliar o impactos negativos ao meio ambiente e
desempenho empresarial dentro do mercado melhore a qualidade dos produtos,
e fortalecer a responsabilidade ambiental das estabelecendo requisitos para o sistema de
corporações. acordo com a necessidade de cada
corporação. Deve-se ter objetivos claros de
modo que seja possível se antecipar a
3.1.1 GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS
eventuais problemas ambientais. É necessário
PARA O MEIO AMBIENTE
um monitoramento contínuo por parte dos
Neste caso os Recursos Humanos além de envolvidos, como a alta administração, por
recrutar pessoas, formar equipes, reconhecer exemplo. Toda organização deve conhecer o
talentos, têm o compromisso de integrá-las de SGA para que haja maior interação e
modo que conheçam e cumpram com as motivação, que poderá ser traduzido em um
políticas da empresa, deixar claro e definido o bom desempenho ambiental, além de manter
objetivo de preservação ambiental que a competitividade no mercado e conseguir
organização almeja alcançar. Quando se tem certificação (NBR ISO 14001:2004; CAMPOS;
estratégia organizacional e ambiental bem MELO, 2008; SALGADO; COLOMBO, 2015).
estruturada desde a integração dos
colaboradores, é mais fácil atingir metas
dentro da organização de modo a minimizar 3.1.4 DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS
prejuízos ao meio ambiente. É possível VERDES
desenvolver pessoas de maneira que sejam
Produto desenvolvido com o intuito de mitigar
ambientalmente sensibilizadas com a
impactos ao meio ambiente e à sociedade em
capacidade de criar novas oportunidades,
geral desde a produção até o seu descarte,
concomitantemente trazer melhorias não só
quando comparados a produtos
para a corporação economicamente mas
convencionais, devido às características
também para si mesmo e para a sociedade,
ecoeficientes. É importante que o
uma vez que o conhecimento adquirido pode
desenvolvimento dos produtos verdes,
ser também disseminado. Além de serem
estejam alinhados com os stakeholders para
aprendidas, as práticas ambientais devem
que fique claro o benefício do seu uso.
estar presentes no dia a dia dos funcionários,
Planejamento adequado, inovação do produto
bem como de dos gestores. Embora ainda
com menor índice de desperdício; e maior
tenha empresa onde o Recurso Humano não
qualidade, podem melhorar a imagem
esteja alinhado à gestão ambiental, estes
corporativa, os processos, e aumentar sua
devem tramitar juntos. (JABBOUR; SANTOS,
competitividade (ARENHARDT, 2012; RITTER,
2006; JABBOUR et al., 2009; SILVA, 2009;
2014).
AQUINO, 2011).

3.1.5 MARKETING VERDE


3.1.2 OPERAÇÕES VERDES
Tem o intuito de realizar otimização nas
As operações verdes trazem benefícios para
atividades com foco voltado para o meio
o ambiente e para a empresa que se torna
ambiente. Para que se consiga atingir essas
mais competitiva, com produtos projetados
melhorias, deve-se considerar um
para fácil montagem/desmontagem,
alinhamento com os stakeholders, alterações
reutilizáveis e recicláveis. Com isso, pode-se
na área de publicidade, o processo produtivo
diminuir desperdício, maior aproveitamento da
que será utilizado e o tipo de embalagem, por
matéria-prima, mitigar custos, e alcançar uma
exemplo. Portanto, estratégias devem ser
depleção dos impactos. Para ter êxito, é
pensadas desde o planejamento do produto,
preciso que toda a indústria entenda que as
de modo que alcance o objetivo ao mesmo
mudanças são para melhorias na gestão de
tempo que atenda as expectativas e
operações verdes (ISO 14031:2004;
exigências do cliente. E tudo de maneira
CAMPOS; MELO, 2008; JABBOUR et al.,
ecologicamente correta. Quando se tem
2012).
responsabilidade ambiental, tem-se como
consequência melhorias, como por exemplo
3.1.3 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL na saúde, uma vez que se utiliza produtos
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
142

menos tóxicos; no ecossistema, pois diminui a stakeholders na tomada de decisão, inclusive


extração de recursos naturais, quando a fornecedores para realização de compras
empresa faz uso de materiais duráveis, verdes, redução de desperdícios, pois a
reciclados como uma outra alternativa, e; na empresa passa a reutilizar materiais e trocar
imagem corporativa (GONZAGA, 2005; matérias-primas que podem contaminar o
ENOKI, et al., 2008; BRANDÃO, 2009). ambiente por outras menos poluentes, bem
como a mitigação do uso de matérias primas
não renováveis, ou que levam maior tempo
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
para se renovarem. Quando se tem tudo isso
Este trabalho teve como objetivo demonstrar a bem planejado, é possível aumentar o ciclo
importância da implantação/implementação de vida do produto e aumentar sua
da gestão verde da cadeia de suprimentos competitividade. Esses benefícios podem ser
nas empresas brasileiras. Através de vistos no âmbito social, econômico, bem
pesquisas sobre o tema afim, fica claro que como no ambiental.
há muita dificuldade para sua implantação Portanto, a GVCS é uma forte aliada da
nas empresas, devido à falta de Engenharia de Produção, uma vez que ambas
conhecimento e de divulgação. Por conta têm o mesmo objetivo que é auxiliar a
disso, percebe-se uma defasagem muito empresa no aumento da lucratividade e
grande da abordagem da GVCS nas redução de custos, além do cumprimento de
organizações no Brasil. No entanto, nota-se a leis e normas. Logo, uma maior divulgação do
presença das práticas da GVCS em uma assunto também contribui para o aumento da
quantidade significativa das corporações, consciência da necessidade de se aderir à
ainda que elas não tenham conhecimento do GVCS, já que há pouca oferta sobre o tema
termo.Faz-se necessário uma comunicação disponível na literatura, sobretudo em língua
mais eficiente para difusão da gestão verde portuguesa. Portanto, estudos futuros para
da cadeia de suprimentos nas organizações, melhor entendimento da gestão verde da
para que seja perceptível quão grandes cadeia de suprimentos com enfoque nas
benefícios podem ser alcançados com sua empresas brasileiras, facilitará um
implantação. A GVCS auxilia a empresa a aprofundamento nessa temática.
diminuir custos, a uma maior participação dos

REFERÊNCIAS
[1]. ALVES, A. P. F.; NASCIMENTO, L. F. M. brasileiro. 2012. 132 f. Dissertação (Mestrado em
Green Supply Chain: protagonista ou coadjuvante Administração) – Programa de Pós-Graduação em
no Brasil? Revista de Administração de Empresas Administração da Universidade Federal de Santa
FGV, São Paulo, v. 54, n. 5, set./out., 2014. Maria, Santa Maria, RS, 2012.
[2]. ALVES, J. F. V.; DE LUCA, M. M. M.; [6]. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
CARDOSO, V. I. C.; VASCONCELOS, A. C.; TÉCNICAS. NBR ISO 14001: Sistema da Gestão
CUNHA, J. V. A. Relação entre desempenho Ambiental – Requisitos com orientações para uso.
econômico e desempenho ambiental de empresas Rio de Janeiro, 2004.
no Brasil e na Espanha. Revista Ambiente Contábil, [7]. BARBIERI, J. C.; CAJAZEIRA, J. E. R.
Natal, RN, v. 5, n. 2, p. 151-172, jul./dez., 2013. Avaliação do ciclo de vida do produto como um
[3]. AQUINO, L. M. A. P. A interação dinâmica instrumento da gestão da cadeia de suprimento – o
entre a gestão estratégica de pessoas e o sistema caso do papel reciclado. SIMPOI, Anais, 2009.
de gestão ambiental de uma unidade de [8]. BARBIERI, J. C.; SOUSA FILHO, J. M.;
processadora de gás natural. 2011. 147 f. Tese BRANDÃO, C. N.; DI SERIO, L. C.; REYES JUNIOR,
(Doutorado em Administração) - Programa de E. Gestão Verde da Cadeia de Suprimentos:
Mestrado e Doutorado em Administração, Análise da Produção Acadêmica Brasileira. Revista
Universidade Nove de Julho, São Paulo, Dez., Produção Online, Florianópolis, SC, v.14, n.3, p.
2011. 1104-1128, jul./set., 2014.
[4]. ARANTES, A. F.; JABBOUR, A. B. L. S.; [9]. BARROSO, A.P.; MACHADO, V. H.; A
JABBOUR, C. J. C. Adoção de práticas de Gestão gestão logística de resíduos em Portugal.
Sustentável da Cadeia de Suprimentos: Investigação Operacional, v. 25, p. 179-194, 2005.
mecanismos de indução e a importância das [10]. BETINI, D. G.; ICHIHARA, J. A.; MENDES,
empresas focais. Production, v. 24, n. 4, p. 725- A. N. M. A logística reversa aplicada à indústria
734, out./dez., 2014. madeireira do Pará. XIII SIMPEP, Bauru, SP, nov.
[5]. ARENHARDT, D. L. A influência da 2006.
inovação verde na busca de vantagem competitiva [11]. BRANDÃO, M. R. M. Análise da interação
das empresas dos setores elétrico e eletrônico dos stakeholders na adoção de estratégias de
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
143

marketing verde: Um estudo em empresa [23]. GONZAGA, C. A. M. Marketing Verde de


moveleira. 2009. 95 f. Tese (Mestrado em Ciências Produtos Florestais: Teoria e Prática. Revista
em Engenharia de Produção) - Programa de Floresta, Curitiba, PR, v. 35, n. 2, maio/ago., 2005.
Engenharia de Produção da Universidade Federal [24]. JABBOUR, A. B. L. S.; ARANTES, A. F.;
do Rio Grande do Norte, Natal, V.1, 2009. JABBOUR, C. J. C. Gestão Ambiental em cadeia
[12]. BRUNO, F. S.; BRUNO, A. C. M. O papel de suprimentos: Perspectivas atuais e futuras da
do setor têxtil e de confecção brasileiro na pesquisa. Interciência, Caracas, Venezuela, v. 38,
liderança de modelo sustentável de n. 2, fev. 2013.
desenvolvimento. Revista Produção Online, v. 9, n. [25]. JABBOUR, A. B. L. S.; AZEVEDO, F. S.;
3, 2009. ARANTES, A. F.; JABBOUR, C. J. C. Esverdeando
[13]. CAMPOS, L. M. S.; MELO, D. A. a Cadeia de Suprimentos: algumas evidências de
Indicadores de desempenho dos Sistemas de empresas localizadas no Brasil. Gest. Prod., São
Gestão Ambiental (SGA): Uma pesquisa teórica. Carlos, v. 20, n.4, p. 953-962, 2013.
Revista Produção, v. 18, n. 3, p. 540-555, set./dez., [26]. JABBOUR, A. B. L. S.; SOUZA, C. L.
2008. Oportunidades e desafios para lidar com as
[14]. CARVALHO, A. P. Gestão sustentável de barreiras à adoção de práticas de Green Supply
cadeias de suprimento: Análise da indução e Chain Management: guidelines à luz de um estudo
implementação de práticas socioambientais por de múltiplos casos no Brasil. Gest. Prod., São
uma empresa brasileira do setor de cosméticos. Carlos, v. 22, n. 2, p. 295-310, 2015.
2011. 202 f. Tese (doutorado em Administração de [27]. JABBOUR, A. B. L. S.; SOUZA, C. L.
Empresas) – Escola de Administração de Motivações e barreiras à adoção de práticas
Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio ambientais em cadeia de suprimentos: um
Vargas, São Paulo, 2011. levantamento teórico com vista aos aspectos da
[15]. CARVALHO, A. P.; BARBIERI, J. C. legislação ambiental pertinente ao setor
Inovações socioambientais em cadeias de eletroeletrônico brasileiro. VIII Congresso Nacional
suprimento: um estudo de caso sobre o papel da de excelência em Gestão, jun., 2012.
empresa focal. Revista de Administração e [28]. JABBOUR, C. J. C. Esverdeando a
Inovação, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 232-256, manufatura: dos fundamentos conceituais ao
jan./mar., 2013. estudo de múltiplos casos. Production, v. 25, n. 2,
[16]. COUTO, P. R. A aplicação dos conceitos p. 365-378, abr./jun., 2015.
de Green Supply Chain Management no setor de [29]. JABBOUR, C. J. C.; SANTOS, F. C. A.
suinocultura. 2007. 124 f. Dissertação (Mestrado Evolução da gestão ambiental na empresa: uma
em Administração) – Programa de pós- Graduação taxonomia integrada à gestão da produção e de
em Administração da Universidade do Vale do Rio recursos humanos. Gestão & Produção, São
dos Sinos, São Leopoldo, 2007. Carlos, SP, v. 13, n. 3, p. 435-448, set./dez., 2006.
[17]. DEUS, R. M.; SELES, B. M. R. P.; VIEIRA, [30]. JABBOUR, C. J. C.; SANTOS, F. C. A.;
K. R. O. As organizações e a ISO 26000: Revisão NAGANO, M. S. Análise do relacionamento entre
dos conceitos, dos motivadores e das barreiras de estágios evolutivos da gestão ambiental e
implementação. Gest. Prod., maio, 2014. dimensões de recursos humanos: estado da arte e
[18]. DIAS, R.; CARVALHO, R. V. Cultura survey em empresas brasileiras. Revista Adm., São
ambiental nas empresas os elementos Paulo, v. 44, n. 4, p. 342-264, out./dez., 2009.
estruturantes. Revista Eletrônica de Gestão de [31]. JABBOUR, C. J. C.; TEIXEIRA, A. A.;
Negócios, v. 6, n. 1, p. 80-95, jan./mar., 2010. JABBOUR, A.B. L. S.; FREITAS, W. R. S. “Verdes e
[19]. DIAS, S. L. F. G.; LABEGALINI, L.; Competitivas?” A influência da gestão ambiental no
CSILLAG, J. M. Sustentabilidade e cadeia de desempenho operacional de empresas brasileiras.
suprimentos: uma perspectiva comparada de Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. 15, n.2, p.
publicações nacionais e internacionais. Revista 151-172, maio/ago., 2012.
Produção, São Paulo, v. 22, n. 3, p. 517-533, [32]. LABEGALINI, L. Gestão da
maio/ago., 2012. sustentabilidade na cadeia de suprimentos: um
[20]. ENOKI, P. A.; ADUM, S. H. N.; FERREIRA, estudo das estratégias de compra verde em
M. Z.; AURELIANO, C. A.; VALDEVINO, S. L. supermercados. 2010. 242 f. Dissertação
Estratégias de marketing verde na percepção de (Mestrado em Administração de Empresas) –
compra dos consumidores na grande São Paulo. Escola de Administração de Empresas de São
Revista Jovens Pesquisadores, Ano V, n. 8, jan./jul. Paulo da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo,
2008. 2010.
[21]. FARIAS, V. A.; CAMPOS, L. M. S.; Gestão [33]. LACERDA, L. Logística reversa: uma visão
Verde da Cadeia de suprimentos: o papel do sobre os conceitos básicos e as práticas
Engenheiro de Produção na Política Nacional de operacionais. COPPEAD/UFRJ, Rio de Janeiro, v.
Resíduos Sólidos. Produção em Foco, v. 5, n. 2, p. 6, 2002.
293-318, 2015. [34]. LEITE, P. R. Canais de distribuição
[22]. FERREIRA, J. V. R. Análise do ciclo de reversos: a coleta seletiva. Revista Tecnologística,
vida dos produtos. Instituto Politécnico de Viseu, editora Publicare, São Paulo, abr., 1999.
2004. [35]. LOPES, L. J.; SACOMANO NETO, M.;
SILVA, E. M.; LOPES, F. C. C. Nível de adoção das

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


144

práticas do Green Supply Chain Management no Graduação em Engenharia de Produção e


setor automotivo brasileiro, São Paulo, maio 2013. Sistemas da Universidade do Vale do Rio dos
[36]. LOPES, L. J.; SACOMANO NETO, M.; Sinos, São Leopoldo, 2014.
SPERS, V. R. E. Diferenças e complementaridades [48]. RODRIGUES, A. M.; ZEVIANI, C. H.;
entre a logística reversa, ISO 14000 e o Green REBELATO, M. G.; BORGES, L. Avaliação de
Supply Chain management. Revista gestão Desenvolvimento Ambiental Industrial: elaboração
industrial, Ponta Grossa, PR, v. 9, n. 1, p. 225-253, de um referencial metodológico. Revista Produção
2013. Online, Florianópolis, SC, v.15, n.1, p. 101–134,
[37]. MAFUD, M. D. Influência do movimento jan./mar., 2015.
verde na seleção de fornecedores de alimento dos [49]. SALGADO, C. C. R.; COLOMBO, C. R.
grandes varejistas. 102 f. Dissertação de Mestrado Sistema de gestão ambiental no Verdegreen Hotel
– Faculdade de Economia, Administração e – João Pessoa/PB: Um estudo de caso sob a
Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade perspectiva da Resource- Based View. Revista
de São Paulo, 2010 Adm. Mackenzie, São Paulo, v. 16, n. 5, p. 195-225,
[38]. MALAQUIAS, A. F.; SANTA-EULALIA, L. set./out., 2015.
A.; YOSHINO, R. T.; JORGES, D. C. Adoção de [50]. SEHNEM, S.; JABBOUR, C. J. C.;
práticas de gestão verde da cadeia de valor em ROSSETTO, A. M.; CAMPOS, L. M. S.; SARQUIS, A.
PMES do setor químico: Estudos de caso múltiplos. B. Green Supply Chain Management: Uma análise
Revista Gestão Industrial, Ponta Grossa, PR, v. 10, da produção científica recente (2001-2012).
n. 4, p. 848-870, 2014. Production, v. 25, n. 3, p. 465-481, jul./set., 2015.
[39]. MARTINS, R. P. Moda comprometida com [51]. SELLES, B. M. R. P; JABBOUR, A. B. L. S.
a responsabilidade ecológica e social – várias O papel dos stakeholders no contexto da Green
abordagens. 2009.116 f. Dissertação (Mestrado em Supply Chain Management: Uma revisão
Design de Moda) – Faculdade de Artes e Letras da sistemática. XXXIV Encontro Nacional de
Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2009. Engenharia de Produção. Curitiba, PR, out., 2014.
[40]. MEDEIROS, J. F.; RIBEIRO, J. L. D.; [52]. SHIBAO, F. Y.; SANTOS, M. R.; MOORI, R.
CRUZ, C. M. L. Inovação ambientalmente e fatores G. Gestão da cadeia de suprimentos verde: uma
de sucesso na percepção de gestores da indústria comparação entre Brasil, China e Japão. Gestão
de transformação. Cadernos EBAPE, BR, v. 10, n. Contemporânea, Porto Alegre, n. 16, jul./dez.,
3, Rio de Janeiro, set., 2012. 2014.
[41]. MIGUEZ, E. C.; MENDONÇA, F. M.; [53]. SHIBAO, F. Y.; MOORI, R. G.; SANTOS, M.
VALLE, R. Impactos ambientais, sociais e R.; OLIVEIRA NETO, G. C. A Cadeia de
econômicos de uma política de logística reversa Suprimentos Verde e as Indústrias Químicas no
adotada por uma fábrica de televisão Um estudo Brasil. XVI SEMEAD Seminários em Administração,
de caso. XXVII Encontro Nacional de Engenharia out., 2013.
de Produção, Foz do Iguaçu, PR, out., 2007. [54]. SILVA, A. L; MORAES, J. A. R; MACHADO,
[42]. NAKAHIRA, E.; MEDEIROS, G. A. E. L; Proposta da produção mais limpa voltada às
Rotulagem ambiental: O caso do setor cosmético. práticas de ecodesign e logística reversa.
Engenharia Ambiental, v. 6, n. 2; p. 544-563, Engenharia Sanitária Ambiental, v 20, n. 1 p. 29-37;
Espírito Santo do Pinhal, maio/ago., 2009. jan./mar., 2015.
[43]. NASCIMENTO, A. P.; SILVA, F. P.; NUNES, [55]. SILVA, F. P. O modelo de gestão de
A. A. B.; SELLITTO, M. A. Barreiras para pessoas e a gestão socioambiental nas
implementação da gestão verde da cadeia de organizações do Rio Grande do Sul. 2009. 161 f.
suprimento em uma distribuidora de óleo Dissertação (Mestrado em Administração) –
lubrificante. Revista Eletrônica em Gestão, Programa de Pós Graduação em Administração da
Educação e Tecnologia ambiental, v. 18, n. 2, p. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
718-728, maio/ago., 2014. Alegre, 2009.
[44]. OLIVEIRA NETO, G. C.; AZZOLINI [56]. SILVA, T. H. H.; DIAS, T. Fatores
JÚNIOR, W.; BONILLA, S. H. Do avanço do motivadores e dificultadores para adoção do
planejamento, programação e controle da gerenciamento da cadeia de suprimentos verde
produção como atividades essenciais da empresa em organizações do setor elétrico. III SINGEP e II
à educação ambiental. Revista UNIARA, v. 13, n. 1, S2IS, São Paulo, Brasil, nov., 2014.
jul. 2010. [57]. SOUZA, C. L. Barreiras e motivações à
[45]. OMETTO, A. R., SOUZA, M. P.; GUELERE adoção de práticas de Green Supply Chain
FILHO, A. A gestão ambiental nos sistemas Management: estudo de casos no setor de baterias
produtivos. Revista Pesquisa e Desenvolvimento automotivas. 2013. 139 f. Dissertação (Mestrado
Engenharia de Produção, n. 6, p. 32-36, jun., 2007. em Engenharia de Produção) – Programa de Pós
[46]. PEREIRA NETO, T. J. A política nacional Graduação em Engenharia de Produção da
de resíduos sólidos: os reflexos nas cooperativas Universidade Estadual Paulista, Bauru, SP, 2013.
de catadores e a logística reversa. Revista Diálogo, [58]. SOUZA, R.S. Evolução e condicionantes
Canoas, n. 18, p. 77-96, jan./jun., 2011. da Gestão Ambiental nas empresas. REAd - Edição
[47]. RITTER, A. M. Elementos direcionadores Especial 30, v. 8, n. 6, nov./dez., 2002.
do consumo de produtos verdes no sul do Brasil. [59]. TEIXEIRA, A. A. Análise do relacionamento
2014. 120 f. Dissertação (Mestrado em engenharia entre treinamento ambiental e práticas externas de
de Produção e Sistemas) - Programa de Pós Green Supply Chain Management: survey com
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
145

organizações possuidoras de certificação ISO Natura. Signos do Consumo, v. 4, n. 1, p. 82-107,


14001 localizadas no Brasil. 2014. 126 f. Tese 2012.
(Doutorado em Ciências) – Faculdade de [61]. ZUCATTO, L. C. Análise de uma cadeia
Economia, Administração e Contabilidade de de suprimentos orgânica orientada para o
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, desenvolvimento sustentável: uma visão complexa.
Ribeirão Preto, SP, 2014. 2009. 200 f. Dissertação (Mestrado em
[60]. TRISTÃO, A. J.; TRISTÃO, V. T. V.; Administração) - Programa de Pós Graduação em
FREDERICO, E.; RODRIGUES, A. Comunicação, Administração da Escola de Administração da
marketing e responsabilidade social: O caso Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, 2009.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


146

Capítulo 14
Luana de Oliveira Gomes
Antônio Cleber Gonçalves Tibiriçá
Roziani Maria Gomes
João Vitor Brunelli Lemes
Deise Mara Garcia Alves Tressmann

Resumo: Dentro do crescente quadro de desgaste ambiental e má utilização dos


recursos naturais protagonizado pelo homem, apresenta-se a realidade ambiental
encontrada na cidade de manhuaçu-mg com relação aos efluentes gerados pelos
serviços de lavaagem de veículos. O município não conta com uma estação de
tratamento de efluentes -ete- em atividade, resultando na liberação de grande
quantidade de rejeitos contaminantes no solo e, principalmente, no rio manhuaçu,
que recebe todo o esgotamento sanitário municipal. Identificado o grande número
de lava-jatos existente na cidade, a pesquisa traz como foco de estudo a
investigação dos mecanismos utilizados pelos proprietários destes
empreendimentos, bem como o cumprimento das exigências estabelecidas pelo
departamento de meio ambiente municipal, buscando compreender a consciência
ecológica dos proprietários dos lava-jatos e da gestão pública. Analisados os
dados coletados por entrevistas semiestruturadas, constatou-se que considerável
parte dos lava-jatos da cidade não cumpre todos os pré-requisitos para
funcionamento exigidos pela secretaria de meio ambiente municipal, sendo a
realidade encontrada de conhecimento dos gestores municipais responsáveis pela
fiscalização ambiental, uma vez que a maioria dos serviços de lava-jato encontram-
se em regiões bem movimentadas, de alto uso comercial, podendo ser facilmente
notadas pelos transeuntes.

Palavras-chave: recursos naturais; efluentes; lava-jatos

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


147

1. INTRODUÇÃO Oferece principalmente serviços de saúde e


educação, além de movimentar e impulsionar
Desde o surgimento das civilizações, o
a indústria cafeeira regional.
homem faz uso dos recursos naturais para
garantir sua sobrevivência, seu conforto e Levando-se em conta que uma parcela
facilitar sua utilização do espaço. Inicialmente, considerável da frota de veículos da cidade
não era pensada a possibilidade de escassez se utiliza dos serviços oferecidos pelas
dos recursos, tampouco os perigos de se empresas de lava-jato, pode-se pensar que
devolver ao meio ambiente os resíduos uma grande quantidade de água residuária é
gerados, sem nenhum tratamento para descartada no sistema de esgotamento
minimizar os impactos ambientais. sanitário, ou ainda nos solos, quando da
ausência de controle dos efluentes.
Com o tempo, começaram a ser observados
os prejuízos gerados a partir do descarte Como acontece em muitas cidades
inadequado de tais resíduos, passando a brasileiras, Manhuaçu não conta com um
existir a preocupação em realizar o correto correto tratamento dos efluentes lançados nos
rejeite em vista de garantir a disponibilidade cursos d’água. Como agravante, algumas
futura dos recursos e qualidade do meio atividades com potenciais riscos poluidores
ambiente. Todavia, até os dias atuais, não não fazem uso dos recursos disponíveis para
existe um bom sistema de gestão dos tratar seus efluentes, tampouco são
resíduos gerados pelas diversas atividades adequadamente fiscalizadas, uma vez que as
humanas, uma vez que garantir o correto prefeituras não dispõem, em sua maioria, de
descarte em apenas algumas atividades, não efetivo suficiente para tal serviço.
é suficiente.
Devido à ausência de uma Estação de
Desde o início da exploração dos Tratamento de Esgoto (ETE) em
combustíveis fósseis, por volta de 1800, tem- funcionamento no município, o Rio Manhuaçu,
se a contaminação do ambiente por ao atravessar a cidade, recebe todos os
substâncias geradas por estes materiais resíduos liberados na rede de esgotamento
(COSTA, 2006). As aplicações dos derivados sanitário municipal, indo na contrapartida do
de combustíveis fósseis nas indústrias e que rege a Resolução do Conama, nº 430, de
atividades humanas são inúmeras, bem como 13 de maio de 2011, segundo a qual
suas formas de poluição do ambiente, e vão
Os efluentes de qualquer fonte poluidora
da utilização em grandes fábricas e descarte
somente poderão ser lançados diretamente
por acidentes em plataformas de petróleo até
nos corpos receptores após o devido
a utilização e descarte em pequenas
tratamento e desde que obedeçam às
empresas, como os serviços denominados
condições, padrões e exigências dispostos
lava-jatos.
nesta Resolução e em outras normas
Quanto a estes últimos, uma vez que os aplicáveis. (CONAMA, 2011, p.1).
resíduos por eles gerados contêm quantidade
Tendo-se como motivação o exposto,
considerável de derivados de petróleo, além
pesquisou-se a contribuição dos lava-jatos
de outras substâncias contaminantes, pode-
existentes na cidade de Manhuaçu para a
se dizer que representam potenciais fontes de
poluição ambiental e as medidas tomadas por
poluição ambiental (COSTA, 2006). Tal
eles atualmente para a minimização deste
quadro é subsidiado pela grande quantidade
quadro.
de veículos automotores existentes no Brasil
e, de maneira especial na cidade de
Manhuaçu-MG, alvo deste trabalho.
2. OBJETIVOS
Segundo o IBGE (2016), o município conta
Tendo em vista a geração de rejeitos e
com 37.255 veículos, divididos entre
efluentes contaminantes pelos lava-jatos,
pequeno, médio e grande porte, com
como detergentes, óleos e outros derivados
população estimada de 87.700 habitantes. Do
do petróleo, além de diversas substâncias
total de veículos, cerca de 30 mil
utilizadas na limpeza dos veículos, o presente
correspondem aos veículos de pequeno e
trabalho tem como objetivo identificar a de
médio portes. A cidade, localizada na Zona
gestão ambiental de lava-jatos existentes na
da Mata Mineira, é um polo de prestação de
cidade de Manhuaçu, com vistas a
serviços para a região, recebendo diversos
compreender a consciência ecológica e
usuários e moradores das cidades vizinhas.
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
148

social dos proprietários de tais 4.1. COLETA DE DADOS JUNTO À


empreendimentos. PREFEITURA DE MANHUAÇU-MG
Para compreensão dos mecanismos exigidos
para funcionamento das lavadoras de
3. METODOLOGIA
veículos em Manhuaçu, buscou-se
A pesquisa de caráter qualitativo-quantitativo esclarecimentos junto ao órgão competente
se utilizou de entrevistas estruturadas, municipal. Constatou-se que não existe uma
compostas por formulários com cinco secretaria independente para monitoramento
perguntas ordenadas. Foi entrevistada a das questões ambientais. Tem-se no lugar, o
população de proprietários de lava-jatos da Departamento de Meio Ambiente, vinculado à
cidade de Manhuaçu-MG. Os questionários Secretaria de Agricultura. De acordo com os
foram aplicados em 14 lavas-jatos da cidade, responsáveis, existe um projeto de lei
num universo estimado de 25 municipal em andamento, cuja finalidade é
estabelecimentos cujo único serviço prestado criar a Secretaria de Meio Ambiente, com o
é a lavagem de carros. objetivo de intensificar a atuação dos
profissionais competentes na busca pelo
Foram desconsiderados, na pesquisa,
cumprimento das exigências ambientais e
estabelecimentos como postos de gasolina,
fiscalização das mesmas. (Dados informais,
oficinas, concessionárias, lojas de
fornecidos por funcionário da Prefeitura de
lanternagem e pintura, dentre outros, que
Manhuaçu).
também realizam serviços de lavagem
automotiva como subproduto de seus O órgão técnico executivo em assuntos de
serviços. meio ambiente municipal é responsável pelo
planejamento, conservação, execução e
Foram realizadas pesquisas bibliográficas
controle das atividades voltadas à proteção e
buscando um maior aprofundamento do tema
melhoria do meio ambiente, além da
estudado, além de pesquisas documentais
formulação e implementação das normas
junto à prefeitura e ao órgão municipal de
técnicas a partir das legislações federal e
proteção ambiental, em busca de informações
estadual e, por fim, pela fiscalização das
sobre declaração de vistoria ambiental e
atividades (DIRETORIA. s.d.).
alvará de funcionamento concedidos aos
estabelecimentos alvo do estudo. De acordo com os técnicos responsáveis pelo
Departamento de Meio Ambiente, a Lei
Durante as visitas para aplicação dos
Complementar nº 140/2011 dita que as
questionários, foram realizadas observações a
atividades e empreendimentos de impacto
respeito da conformidade dos locais de
ambiental local devem ser licenciadas pelos
lavagem dos veículos com os parâmetros
municípios, sendo estes responsáveis pelo
exigidos pelo órgão municipal, responsável
licenciamento dos empreendimentos classes
pelas vistorias ambientais e emissão das
1 e 2 da DN Copam 74/2004 e de
declarações.
empreendimentos de porte inferior ao mínimo,
A análise e interpretação dos dados foi sobre os quais o município julgar necessário
realizada por meio de comparação, manter controle (DIRETORIA. s.d.). Para o
qualificação e quantificação das respostas controle das classes 3 e 4 (Tabelas 1 e 2), as
dadas pelos proprietários. prefeituras devem realizar convênio com a
Secretaria de Estado de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável (DIRETORIA,
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO s.d.).
Como mencionado, muitos municípios não Segundo os técnicos da prefeitura, o
contam com um correto tratamento dos licenciamento ambiental exigido é composto
efluentes lançados nos cursos d’água. No por determinado conjunto de leis, normas e
caso das lavadoras de carro da cidade de técnicas, a fim de definir as competências e
Manhuaçu o quadro é alarmante, uma vez obrigações do poder público e dos
que muitos estabelecimentos não possuem empreendedores, buscando a normatização
alvará de funcionamento junto à prefeitura, da implantação ou ampliação de um
dificultando ainda mais a fiscalização. (Dado empreendimento potencialmente poluidor.
informal, de funcionário da prefeitura). Ainda de acordo com os técnicos, para a
emissão do Alvará de Funcionamento pela
prefeitura, o estabelecimento precisa cumprir
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
149

as normas exigidas e apresentar a poluição dos produtos utilizados nas


Declaração de Vistoria Ambiental emitida pelo lavagens; existência da outorga de água
Departamento de Meio Ambiente. emitida pelo Instituto Mineiro de Gestão das
Águas (IGAM); e nota fiscal de recolhimento
Na vistoria das lavadoras de veículos, são
dos materiais filtrantes, no caso de
observados os seguintes aspectos: existência
estabelecimentos já existentes. Segundo o
de caixas de separação; correta vedação
Departamento, as vistorias nos
vertical das laterais da área de lavagem, a fim
estabelecimentos em funcionamento são
de “evitar contaminação do ar” (sic); grau de
realizadas anualmente.

TABELA 1 – Relação entre Porte e Potencial Poluidor


Potencial Poluidor
P M G
P 1 1 3
Porte M 2 3 5
G 4 5 6
Fonte: DIRETORIA,.s.d. Elaborada pelos autores.

TABELA 2 – Classes de Licenciamento


Classe 1 Pequeno e médio porte ou médio potencial poluidor
Classe 2 Médio porte e pequeno potencial poluidor
Classe 3 Pequeno porte e grande potencial poluidor ou médio porte e médio potencial poluidor
Classe 4 Grande porte e pequeno potencial poluidor
Classe 5 Grande porte e médio potencial poluidor ou médio porte e grande potencial poluidor
Classe 6 Grande porte e grande potencial poluidor
Fonte: Autoria própria, com base em informações da DGPAI.

Quando questionados sobre os estrutura e funcionamento com características


estabelecimentos informais ou clandestinos, semelhantes.
os técnicos informaram ter consciência da
Os proprietários (ou funcionários, no caso de
existência dos mesmos, porém, uma vez que
ausência dos proprietários) foram
não possuem efetivo suficiente, torna-se
questionados sobre: a origem da água
impossível a fiscalização ambiental de todos
utilizada para as lavagens; a existência de
os existentes. Tal realidade foi confirmada
tratamento dos resíduos gerados; os
pela prefeitura, sendo a mesma a responsável
mecanismos de tratamento adotados; a forma
pela fiscalização dos estabelecimentos
de descarte do material filtrante, quando
registrados.
existente; a conformidade com as exigências
ambientais cobradas pelo município; a posse
de alvará de funcionamento e licenciamento
4.1. RESULTADOS DOS QUESTIONÁRIOS
ambiental.
APLICADOS
Notou-se diversificação da origem da água
A aplicação dos questionários visou a
utilizada para lavagem, sendo que 8
investigar o cumprimento dos aspectos
proprietários alegaram retirar a água de poço
apresentados, exigidos para emissão da
artesiano, 5 da rede pública de
Declaração de Vistoria Ambiental. A partir das
abastecimento e 1 informou que retira a água
informações coletadas, constatou-se que a
do Rio Manhuaçu através de bomba (Tabela
maioria dos lava-jatos pesquisados possuem
3).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


150

TABELA 3 – Questão 1
Rede pública de Poço Artesiano Rio Manhuaçu (sem
abastecimento tratamento)

Qual a procedência da água utilizada 5 8 1


para lavagem dos veículos? [35,7%] [57,1%] [7,2%]

Fonte: Autoria própria, com base nos questionários da pesquisa.

Todos os lava-jatos visitados declararam confirmação das informações fornecidas


possuir caixas de separação, entretanto (Tabela 4)
algumas não eram visíveis, impossibilitando a

TABELA 4 – Questão 2

Controle/redução Reaproveitamento de
Caixas Coletoras
da água utilizada água
Quais mecanismos de proteção ambiental 0 0 14
são utilizados em sua empresa? [0%] [0%] [100%]
Fonte: Autoria própria, com base em Cartilha da PMM.

Quando perguntados sobre a forma de Sobre o local do descarte, 4 proprietários


descarte dos materiais filtrantes, 8 alegaram cuidar pessoalmente do processo e
entrevistados explicaram que os disseram depositar os materiais filtrantes num
estabelecimentos pagam um carreto para terreno vazio próximo ao lixão da cidade, ou
buscar os materiais aproximadamente a cada noutros terrenos abandonados. Daqueles que
dois meses; 4 informaram que os próprios alegaram pagar um carreto para o transporte,
proprietários ou funcionários dos lava-jatos se 6 não souberam informar o destino dos
encarregavam de descartar os materiais. materiais e outros 4 disseram acreditar que o
destino final era próximo ao lixão.
TABELA 5 – Questão 3

Terrenos baldios e
Não sei Próximo ao lixão
similares

6 4 4
Onde o material filtrante é descartado?
[42,8%] [28,6%] [28,6%]

Fonte: Autoria própria, com base em Cartilha da PMM.

Todos os lava-jatos visitados alegaram documentos não foram apresentados nas


possuir alvará de funcionamento e, segundo visitas e 6 dos 14 estabelecimentos visitados
os proprietários, licenciamento ambiental não constavam no registro fornecido pela
emitido pelo município. Entretanto, tais prefeitura (Tabela 6).
TABELA 6 – Questões 4 e 5
Declaração de Vistoria
Alvará de Funcionamento
Ambiental
Possui alvará de funcionamento e Declaração 14 14
de Vistoria Ambiental? [100%] [100%]
Fonte: Autoria própria, com base em Cartilha da PMM.

Durante a aplicação dos questionários foi realizada observação das características


Gestão da Produção em Foco - Volume 11
151

físicas e estruturais dos estabelecimentos, Pelos dados coletados nesta pesquisa, pôde-
com atenção ao cumprimento ou não das se perceber a latente insipiência técnica
exigências feitas pelo órgão municipal. Sobre apresentada pela população entrevistada,
este último aspecto, observou-se que apenas junto ao descaso da gestão municipal para
1 dos 14 lava-jatos visitados não apresentava com a fiscalização do cumprimento das
perda significante da água oriunda da exigências ambientais.
lavagem para o solo. Sobre os demais,
Mesmo com a existência de parâmetros
notaram-se várias irregularidades físicas
definidos por lei para o funcionamento de
como: rachaduras nos pisos; caídas de água
empreendimentos potencialmente poluidores,
contrárias às caixas de separação e piso de
tais como os lava-jatos alvos deste estudo,
terra batida próximo aos locais de lavagem.
constatou-se que considerável parte das
Das lavadoras visitadas, 5 se encontravam lavadoras de veículos da cidade de
muito próximas aos leitos do Rio Manhuaçu, Manhuaçu-MG visitadas nesta pesquisa não
dentro da Área de Preservação Permanente cumprem todos os pré-requisitos para
(APP). Todas estas apresentavam funcionamento exigidos pela Secretaria de
irregularidades nos pisos e nas caídas de Meio Ambiente de Manhuaçu-MG.
água, sendo que em uma notou-se
A realidade encontrada é de conhecimento
considerável perda da água de lavagem
dos gestores municipais responsáveis pela
diretamente para o leito do rio.
fiscalização ambiental, uma vez que as
Em apenas duas das lavadoras foi constatada lavadoras, em sua maioria, encontram-se em
correta vedação lateral da área de lavagem, regiões bem movimentadas, de alto uso
sendo que no restante, a vedação era comercial, podendo ser facilmente notadas
insuficiente. por todos os transeuntes.
Para que se obtenha sucesso na aplicação
dos mecanismos de proteção ambiental, é
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
necessário que, além de cumprir as
Apesar da ampla necessidade de se exigências normativas, os proprietários dos
preservar o Meio Ambiente, este ainda é um estabelecimentos poluidores compreendam a
campo pouco compreendido por grande importância dos mecanismos adotados,
parte da população. Num quadro em que a vendo-os não apenas como normas a serem
escassez de água, o desmatamento e a seguidas, mas também como um meio de se
insalubridade estão cada vez mais garantir a continuidade do emprego dos
frequentes, os mecanismos de preservação e recursos naturais nas atividades humanas,
recuperação ambientais, quando existentes, bem como sua disponibilidade para as
são pouco ou mal utilizados. gerações futuras.

REFERÊNCIAS
[1]. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE Federal da Paraíba/Universidade Estadual da
- CONAMA. Resolução nº 430, de 13 de maio Paraíba. Campina Grande, 2006.
de 2011. Dispõe sobre as condições de [3]. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
lançamento de efluentes, complementa e ESTATÍSTICA – IBGE. Minhas Gerais,
altera a Resolução n° 357, de 17 de março de Manhuaçu. 2016. Disponível em:
2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente <https://cidades.ibge.gov.br/v4/brasil/mg/man
– CONAMA. 9 p. Disponível em: huacu/panorama>. Acesso em 08 jun. 2017.
<http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre. [4]. DIRETORIA DE GESTÃO PARTICIPATIVA E
cfm?codlegi=646>. Acesso em: 08 jun. 2017. ARTICULAÇÃO – DGPAI. Gestão Ambiental
[2]. COSTA, M.J.C. Tratamento biológico de Municipal: Licenciamento Ambiental, controle
efluentes de lava-jato. 2006. 100f. Dissertação e fiscalização do município. Belo Horizonte:
de mestrado (Mestrado em Desenvolvimento e SIMAD, s/d.
Meio Ambiente). PRODEMA – Universidade

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


152

Capítulo 15

Renata de Jesus Barreto


Guilherme Cavalcanti Amaral

Resumo: A globalização fomenta o nível de competição entre as empresas na


busca por clientes, exigindo a implementar de métodos que proporcionassem o
aumento da qualidade e desempenho dos produtos e dos processos produtivos. O
presente trabalho trata da aplicação do MASP (Método de Análise e Solução de
Problemas) em uma empresa de sacolas plásticas com a finalidade de controlar o
processo produtivo. Com a utilização do MASP, foi escolhida e combatida a
principal causa de paradas não programadas do processo produtivo da fábrica
(falta de matéria-prima).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


153

1. INTRODUÇÃO onde é realizada a execução do ciclo PDCA,


através de suas etapas de planejamento,
A globalização atrelada ao crescimento da
implementação, acompanhamento e
escala produtiva e avanço da tecnologia
verificação de uma ação, com seus
fomentaram no aumento do nível de
respectivos resultados, apoiados por
competição entre as empresas na busca por
ferramentas específicas para cada fase,
clientes. Dessa maneira surgiu a necessidade
objetivando o auxílio na análise dos
de modernização dos processos de
problemas de modo a eliminá-los ao final do
gerenciamento interno, tanto a nível
processo. (TERNER, 2008).
estratégico quanto a nível operacional, para
atender o crescimento da demanda. Em
consequência direta, de acordo com Dias
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
(2006) foi necessário desenvolver e
implementar métodos que proporcionassem o 2.1 MÉTODO DE ANÁLISE E SOLUÇÃO DE
aumento da qualidade e desempenho dos PROBLEMAS (MASP)
produtos e dos processos produtivos.
O método japonês QC Story, popularizado no
A abordagem da qualidade, segundo Peinado Brasil através da literatura de Campos (2014)
e Graeml (2007) sofreu uma transformação do como o Método de Análise e Solução de
ponto de vista estratégico, onde a gestão dos Problemas (MASP) foi desenvolvido pela
processos que era feito de maneira corretiva Union of Japonese Scientists and Engineers
foi substituída pelo planejamento e eliminação (JUSE) e utiliza o modelo de planejamento
de falhas, culminando numa abordagem de apresentado no ciclo PDCA, incorporando oito
qualidade total. Esta por sua vez, possui etapas que devem ser seguidas atreladas ao
papel fundamental de promover a melhoria uso de determinadas ferramentas da
contínua e tornou-se um dos maiores objetivos qualidade para a resolução de maneira
das organizações atuais. sistêmica dos problemas diversos. Estas
etapas são: Identificação do problema,
Considerando a diversidade de técnicas e
Observação, Análise, Plano de Ação, Ação,
ferramentas existentes para realizar o controle
Verificação, Padronização e Conclusão
de processos, o MASP (Método de Análise e
(CAMPOS,2014)
Solução de Problemas) surge como uma
alternativa que promove agilidade e As ferramentas da qualidade presentes no
simplicidade de aplicação, de maneira método MASP são descritas na tabela 1
estruturada, seguindo uma sequência lógica

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


154

TABELA 1 – Ferramentas da qualidade presentes no método MASP.

FERRAMENTA DESCRIÇÃO REPRESENTAÇÃO

Ferramenta em formato de planilha construída previamente


para coletar dados de maneira organizada e durante um
Folha de
determinado intervalo de tempo, servindo de base para a
verificação
análise de características como frequência e incidência da
ocorrência de determinados eventos (MELLO, 2011)

Permite separar um conjunto de dados em estratos,


considerados por Menezes (2013) como subgrupos, de
Estratificação
maneira tal que possa ser percebido um mesmo padrão
através das categorias pré-estabelecidas na coleta

Demonstra a frequência de ocorrência de determinada classe


de dados e o percentual acumulativo destas, tornando
Diagrama de
possível identificar e distinguir quais causas são importantes
pareto
e devem ser resolvidas de maneira imediata e quais tem
menor grau de relevância. (SLACK et al, 2009).

Consiste em uma reunião de curto espaço de tempo onde os


membros presentes apresentam sua opinião tal qual surge
em sua mente e cada componente pode opinar sem sofrer
Brainstorming interferência dos demais, todas as ideias devem ser
registradas por um responsável. (GUELBERT, 2009).

Permite que as causas de um problema sejam analisadas em


Diagrama de seis categorias, denominadas por Machado (2010) de 6M’s
causa e efeito (Mão de obra, Matéria-prima, Máquina, Meio ambiente,
Método e Medição).

Consiste em uma representação gráfica que demonstra a


evolução de um fenômeno. Machado (2010) define
Histograma histograma como um meio para entender o comportamento
de dados representados por barras verticais que indicam
como estão distribuídas as frequências.

Identifica a relação entre dois fatores e é composto por um


eixo horizontal que representa um fator variante
Diagrama de (independente) que pode ser tratado como a causa e que é
correlação desejado conhecer sua influência em relação ao fator
presente no eixo vertical (dependente) que pode ser tratado
como o efeito (MELLO, 2011).

Tem a função de mostrar visualmente como as características


de um produto ou processo se comportam e se seus
Gráfico de
resultados estão dentro de limites considerados aceitáveis,
controle
assim, com a identificação dos desvios, é possível agir de
forma ágil para manter um controle. (SAMOHYL,2009)

Consiste em uma planilha que deve registrar as diretrizes


mais importantes referentes a uma atividade para organizar e
identificar as ações e a responsabilidade de cada um, com
5w2h informações pertinentes a um plano de ação. Esta sigla
resulta da abreviação das palavras inglesas what (o quê),
who (quem), when (quando), where (onde), why (porquê),
how (como) e how much (quanto custa). (PEREIRA, 2013).

Fonte: Adaptado de BARRETO (2016).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


155

2.2. A EMPRESA ESTUDADA


A empresa de sacolas plásticas atua no setor no formato da sacola) e prensa (que abre a
referido há 10 (dez) anos, possuindo 70 alça), impressão (responsável por imprimir
(setenta) funcionários ao total. O processo desenhos de clientes nas sacolas),
produtivo da fábrica ocorre com as operações estocagem e expedição. Estas são
de extrusão (que forma o filme plástico), demonstradas na figura 1. Este trabalho fez
corte-solda (que corta o filme e solda o fundo estudo da linha de produção 1.
FIGURA 1: Fluxograma do processo

Fonte: Autores (2016).

3. METODOLOGIA dados pertinentes a cada fase e realizando a


análise, até que se chegou a um plano de
A fase de análise do caso ocorreu iniciando
ação que foi executado no dia 01/04/2016 e,
em Fevereiro e finalizando em Abril de 2016,
15 (quinze) dias depois, verificou-se os
de modo que o primeiro mês (de 16/02/2016 à
resultados. Por fim, foi apresentado a
17/03/2016) foi utilizado pelos pesquisadores
empresa as possibilidades de continuidade
para conhecer o processo produtivo da
da utilização do MASP.
empresa. O segundo mês (de 17/03/2016 à
16/04/2016) foi utilizado para a aplicação do O quadro abaixo mostra as etapas seguidas
método proposto, as fases foram executadas com seus respectivos objetivos e ferramentas
e as ferramentas empregadas, coletando os utilizadas.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


156

Tabela 2 - Metodoloia de aplicação do MASP.


FASE
PDCA DO DEFINIÇÃO OBJETIVO FERRAMENTAS
MASP
Folha de verificação;

Identificação Definir claramente o problema e Brainstorming;


1
do problema reconhecer sua importância Diagrama de Pareto;
Histograma.
Investigar as características Folha de Verificação;
específicas do problema com uma
2 Observação Estratificação;
visão ampla e sob vários pontos de
vista. Diagrama de Pareto.
Folha de verificação;
P Diagrama de causa-e-efeito;
Diagrama de Pareto;
3 Análise Descobrir as causas fundamentais
Histograma;
Diagrama de correlação;
Brainstorming.
Folha de verificação;

Conceber um plano para bloquear as Diagrama de Pareto;


4 Plano de Ação
causas fundamentais. Brainstorming;
5W2H.
Folha de verificação;
D 5 Ação Bloquear as causas fundamentais.
5W2H.
Folha de verificação;
Verificar se o bloqueio foi efetivo, e: Cartas de controle;
6 Verificação
Se não foi: voltar a etapa 2; Histograma;
C
Se foi: ir para a etapa de Diagrama de Pareto
padronização.
Bloqueio foi
?
efetivo?
Prevenir contra o reaparecimento do
7 Padronização
problema.
A Recapitular todo o processo de
8 Conclusão solução do problema para trabalho
futuro.
Fonte: Adaptado de Campos (2014).

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES para que fosse feita a análise de Pareto,


nem era possível determinar as perdas e
As etapas do MASP seguidas são descritas a
os ganhos. Para contornar esta ausência,
seguir:
foi realizada uma reunião de
a) Identificação do problema: a empresa brainstorming com a equipe de qualidade
estudada não possuía qualquer tipo de onde, ao se discutir quais os problemas
registro de problemas ou mecanismos de ocorrem no processo produtivo, foi
controle de produção. Desse modo, não selecionado como problema principal as
havia como selecionar um problema paradas do processo produtivo, de modo
específico através dos dados históricos
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
157

a iniciar a fase de observação comportamento e identificar padrões. Desse


automaticamente. modo, foram estratificados o tempo total de
horas paradas por turnos, o tempo total de
b) Observação: Como não haviam dados
horas paradas por turno de cada máquina, o
históricos, foi elaborada uma folha de
tempo total médio de horas paradas por dia
verificação para cada equipamento para
de cada máquina e o tempo total médio de
entender se o problema selecionado na
horas paradas por dia de cada processo,
primeira etapa de fato ocorria. Desse
como mostrado nos gráficos 1, 2, 3 e 4,
modo, o operador informava quanto
representados nas figuras 2 e 3,
tempo o processo ficava parado e qual o
respectivamente. Os turnos de trabalho foram
motivo da parada (podendo esta ser
adotados como sendo o Turno 1: das 00:00 às
planejada ou não).
06:00 horas, Turno 2: das 06:00 às 12:00
A coleta foi elaborada num período de 6 (seis) horas, Turno 3: das 12:00 às 18:00 horas,
dias e, com os dados obtidos, foi utilizada a Turno 4: das 18:00 às 00:00 horas.
ferramenta de estratificação para entender o

FIGURA 2: Tempo total de horas paradas por turnos e Tempo total de horas paradas por turno de
cada máquina.

38:33:00 40:03:00
34:39:00
26:49:00

Turno 1 Turno 2 Turno 3 Turno 4

EXTRUSORA EXTRUSORA CORTE- CORTE- IMPRESSOR


1 2 SOLDA 1 SOLDA2 A
Total de paradas: turno 1 05:34:00 05:25:00 08:42:00 04:59:00 02:09:00
Total de paradas: turno 2 04:00:00 02:50:00 12:38:00 09:37:00 09:28:00
Total de paradas: turno 3 07:57:00 04:10:00 09:17:00 10:49:00 07:50:00
Total de paradas: turno 4 03:36:00 01:00:00 15:13:00 05:33:00 09:17:00

Fonte: Autores (2016)

A partir do gráfico 1 foi possível identificar que em cada equipamento, de modo que para a
o turno 3 possui a maior quantidade total de extrusora 1 e para o corte-solda 2, o turno
horas paradas, seguido pelo turno 2, com maior índice é o 3, na extrusora 2 o maior
indicando dessa forma que estes são os volume ocorre no turno 1, no corte-solda 1
turnos mais críticos do processo. Com o ocorrem mais paradas no turno 4 e a
gráfico 2, ficou evidenciado quais turnos impressora possui 2 turnos com intensidade
possuem o maior número de horas paradas semelhante e crítica que são os turnos 2 e 4.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


158

FIGURA 3: Tempo total médio de horas paradas por dia de cada máquina e Tempo total médio de
horas paradas por dia de cada processo.

06:24:00

04:47:20
EXTRUSÃO
02:52:40 CORTE E SOLDA
IMPRESSÃO

07:38:20
05:09:40 04:47:20
03:31:10
02:14:10

Gráfico 3 Gráfico 4
Fonte: Autores (2016)

Ao analisar o gráfico 3, notou-se que o corte- serem utilizadas na etapa seguinte, sendo
solda 1 possui o maior volume de paradas elas: a ausência de matéria-prima, troca de
média por dia, seguido pelo corte-solda 2. telas, troca de teflon, falta de operador, falta
Esse fator indica um padrão que é de energia elétrica, quebra do equipamento,
evidenciado no gráfico 4, onde o processo falta de tubetes/cano e ordem administrativa.
com maior média é o de corte e solda. Estas informações mostraram que o item
problema levantado de fato ocorre e com
Além das informações sobre o
comportamento diferente ao longo dos turnos.
comportamento das paradas no processo, as
Ao final da etapa de observação, foi
causas foram apontadas pelos operadores e
esboçado um cronograma, mostrado na
pelo supervisor, sendo registradas para
tabela 3 e então iniciou-se a etapa de análise.

TABELA 3: Cronograma de ações 1.


CRONOGRAMA META ORÇAMENTO
- Identificar as causas prováveis;
Em 10 dias - Tomar uma decisão; R$00,00
- Definir o plano de ação.
Em 15 dias Reduzir o índice de horas paradas em 20% R$00,00
Fonte: Autores (2016).
a) Análise: Após definir o problema, a que de fato implicam no problema.
etapa de análise foi responsável por Dessa maneira, realizou-se uma
investigá-lo de maneira mais reunião de braisntorming utilizando o
detalhada, a fim de identificar causas diagrama de causa e efeito para
e verificar com dados, confirmando as identificar quais os motivos que

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


159

resultam em paradas no processo é mostrado na figura 4.


produtivo. O diagrama após a reunião

Figura 4: Diagrama de causa e efeito de paradas do processo da empresa de sacolas plásticas.

Fontes: Autores (2016).

Os itens levantados e categorizados como criada de modo que o operador de cada


sendo possíveis causas foram utilizados como máquina recebia diariamente para preencher
base para a construção de uma segunda as horas paradas, identificando as causas
folha de verificação que teve como objetivo através de um código padrão (ambos
coletar dados referentes as causas mostrados na figura 5). Foi inserida uma
hipotéticas para corroborar a existência delas categoria “Distintos” para que as causas que
e priorizar (através do diagrama de Pareto) não foram elencados pela equipe de
quais mereciam atenção e deveriam ser qualidade fossem informadas pelo operador
eliminadas. A nova folha de verificação foi no verso da folha de verificação.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


160

FIGURA 5: Folha de código padrão de horas paradas do setor produtivo.

Fonte: Autores (2016).

O item “Quantidade produzida (kg) ” foi a 10 (dez) e os dados foram utilizados para
inserido na folha de verificação para entender construir um gráfico de Pareto, de modo a
possíveis relações de paradas no processo entender, avaliar e priorizar as causas
com a produção de alguns produtos com a principais das causas triviais. Os resultados
utilização do diagrama de correlação. Após são mostrados nos gráficos presentes na
um período de coleta de 15 dias, foi figura 6.
selecionada uma amostra de tamanho n igual

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


161

FIGURA 6 - Gráfico de Pareto para causas de paradas do processo da etapa de análise (gráfico 5)
e Gráfico de Pareto para falta de matéria-prima por processo da etapa de análise (Gráfico 6). Fonte:
Autores (2016).

8640 120,00

Frequência relativa
Frequência absoluta (min)
7200 100,00

acumulada (%)
98,25 99,24 100,00
5760 88,39 94,75 96,97 80,00
76,92
4320 64,49 60,00
50,46
2880 40,00
1440 20,00
00 0,00
P01 P14 P05 P18 P06 P02 P08 P12 Outros
Motivos de parada

Frequência absoluta Frequência relativa acumulada

2880 150,00

Frequência relativa
Frequência absoluta

2160

acumulada (%)
98,04 100,00 100,00
1440
(min)

50,55 50,00
720
00 0,00
Corte e Solda Impressão Extrusão
Processos

Frequência absoluta Frequência relativa acumulada

Como pode ser observado, o gráfico de destas decisões, foi construído outro gráfico
Pareto indicou que a maior concentração de de Pareto para verificar qual processo estava
horas paradas ocorre devido à falta de sendo mais atingido pela causa selecionada,
matéria prima (P01), a troca de bobina (P14) e este é mostrado no gráfico 6 também
a troca de processo (P05), representando presente na figura 6 acima.
76,92% das paradas totais. Sob esta
A partir do segundo gráfico de Pareto foi
perspectiva, foi feita a análise das causas e
identificado que o processo contendo mais
foi identificado que tanto o P14 quanto o P05
horas paradas por falta de matéria-prima era
são consideradas intrínsecas ao processo
o de corte e solda. Desse modo, foi plotado
(paradas planejadas), porém a falta de
um histograma para entender qual a
matéria-prima resulta numa parada
distribuição de frequência do tempo de
indesejada, sendo selecionada pela equipe
parada por falta de matéria prima neste
como sendo a causa a ser eliminada. Partindo
processo, como mostra a figura 7.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


162

FIGURA 7 - Histograma de distribuição de frequências de horas paradas por falta de matéria prima
no processo de corte e solda.

4
Freqüência

Fonte: Autores (2016)


O histograma demonstrou que, na produção, foi realizado um diagrama de
frequentemente, as paradas ocorrem com correlação para dois tipos de produto: a
intensidade entre 35 (trinta e cinco) minutos e sacola lisa tamanho G e a sacola impressa
3 (três) horas ou entre 8 (oito) horas e 10 (dez) tamanho M, demonstrados nos gráficos 8 e 9,
horas. A fim de entender o impacto gerado respectivamente.
pelas paradas do processo de corte e solda

FIGURA 8: Correlação entre horas trabalhadas e produção em quilos de sacolas lisas tamanho G
(gráfico 8) e impressas tamanho M (gráfico 9). Fonte: Autores (2016).
Gráfico 8 Gráfico 9

500 300
R² = 0,761 250 R² = 0,5663
400
Produção (Kg)
Produção (Kg)

200
300
150
200
100
100 50
0 0
0 5 10 0 2 4 6 8 10
Horas Trabalhadas Horas trabalhadas

Para as sacolas lisas tamanho G e para as medidas deveriam de fato ser tomadas para
sacolas impressas de tamanho M, foi notado contornar este problema.
um resultado semelhante com o “r” da
A partir disto, a equipe de qualidade analisou
correlação próximo a 1 (um) e positivo,
e entendeu as características expostas e, com
demonstrando dessa maneira que quando o
base em todas as informações coletadas,
número de horas trabalhadas aumenta, o
discutiu as possíveis soluções de maneira tal
número em quilos produzido aumenta.
que, durante a reunião, foi percebido que a
Consequentemente, as paradas do processo
causa selecionada ocorre no processo de
reduzem o nível de produção e desta forma
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
163

corte e solda devido ao fato do processo percebeu que não era necessária
anterior (extrusão) levar uma quantidade de a utilização de 4 (quatro) turnos
tempo elevada para produzir uma bobina com de trabalho, pois gerava tempos
o filme plástico. Isso faz com que o processo ociosos e utilização
de corte-solda “espere” por matéria-prima já desnecessária de recursos
que ele processa a bobina com maior humanos e decidiu eliminar o
velocidade. Este fator é explicado pela forma turno 4, para que o processo de
de produção da empresa que é feita por extrusão pudesse gerar estoque
demanda e de maneira intermitente, de matéria-prima que deveria ser
resultando na impossibilidade atual de processada nos 3 (três) turnos
produzir e estocar as bobinas. que permaneceram, partindo
assim para o registro do plano de
a) Plano de ação: Após verificar
ação mostrado.
todos os aspectos, a equipe

Contramedida Responsável Prazo Local Justificativa Procedimento Investimento


Quanto?
O quê? Quem? Quando Onde? Porquê? Como?
(WHAT?) (WHO?) (WHEN?) (HOW
(WHERE?) (WHY?) (HOW?)
MUCH?)
Reduzir o Coordenador Em 10 Corte e Para eliminar Eliminação do R$ 00,00
índice de falta de Produção dias solda o tempo turno 4
de matéria- ocioso
prima no
processo de
corte e solda

O cronograma foi exposto aos operadores a causa ou diminuiu seu índice a


específicos do processo de corte e solda, a níveis aceitáveis, listaram-se os
nova escala de trabalho foi distribuída e efeitos secundários e foi conferida a
iniciou-se a fase de ação. existência ou não de continuidade do
problema. Dessa maneira, foram
a) Ação: A ação foi e a folha de
elaborados 2 (dois) novos gráficos de
verificação 2 (dois) continuou a ser
Pareto utilizando uma amostra de
preenchida pelos operadores e o
dados n igual a 10 (dez), tanto para
turno de trabalho 4 (quatro) foi
análise das causas de paradas para
excluído. Após um período de 15
no processo produtivo em geral,
(quinze) dias, iniciou-se a fase de
exposto no gráfico 10, quanto para
verificação.
cada processo de maneira isolada, de
b) Verificação: Nesta etapa, procurou-se modo a verificar o comportamento do
fazer comparativos de resultados com índice selecionado crítico (corte e
os novos dados coletados, a fim de solda), mostrado no gráfico 11.
verificar se a ação escolhida eliminou

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


164

FIGURA 10 - Gráfico de Pareto para causas de paradas do processo da etapa de verificação e


Gráfico de Pareto para falta de matéria-prima por processo da etapa de verificação.

2160 120,00

Frequêncai relativa
Frequência absoluta (min)
100,00

acumulada (%)
1440 91,73 95,90 98,94 100,00 80,00
84,58
75,03
65,01 60,00
51,18
720 34,69 40,00
20,00
00 0,00
P14 P05 P01 P06 P18 P08 P16 P07 P03
Motivos de parada

Frequência absoluta Frequência relativa acumulada

720 105,00

Frequência relativa
Frequência absoluta (min)

576 100,00 100,00

acumulada (%)
95,00
432 92,33
90,00
288
85,00
83,40
144 80,00
00 75,00
Impressão Extrusão Corte e solda
Processos

Frequência absoluta Frequência relativa acumulada

A partir do gráfico 10 foi possível identificar horas paradas por falta de matéria-prima no
que com a decisão tomada, o índice de horas corte e solda foi reduzido de tal forma que se
paradas por falta de matéria-prima do tornou o de menor índice quando comparado
processo como um todo reduziu e foi aos outros processos. A partir deste ponto, a
substituído pelo índice de horas paradas por equipe percebeu o impacto da decisão e
troca de bobina (P14). De maneira analítica, utilizou dois gráficos de controle, com dados
essa relação é explicada devido ao aumento de horas paradas por falta de matéria-prima
do nível de produção no corte e solda, pois a dos últimos 7 (sete) dias, o primeiro antes da
troca de bobina indica uma parada tomada de decisão e o segundo após a
considerada esperada para troca de mesma. Os gráficos selecionados foram os
processo (set-up) e demonstra que o mesmo das médias e das amplitudes, sendo expostos
está ocorrendo de maneira intensa. nas figuras 11 e 12, respectivamente.
Já com a análise do gráfico 11, é explicitado
que, para o processo produtivo, o volume de

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


165

FIGURA 11 - Comparativo do gráfico de médias para as horas paradas por falta de matéria-prima no
processo de corte e solda antes e depois da ação.

Antes Depois
12:00:00 04:48:00

09:36:00
03:36:00
07:12:00
02:24:00
04:48:00
01:12:00
02:24:00

00:00:00 00:00:00
1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6

MÉDIA N LIC LC LSC MÉDIA N LIC LC LSC

Fonte: Autores (2016).

Analisando a figura 11, foi evidenciado que o depois desta eliminação, apresentou
processo de corte e solda antes da comportamento sob controle estatístico pois
eliminação do turno de trabalho estava fora de possui pontos que oscilam próximos e em
controle em relação a média das horas torno da média. Além destes aspectos, nota-
paradas por falta de matéria-prima, pois se complementarmente que houve uma
apresentou pontos fora dos limites de controle redução significativa na intensidade da
e pontos muito próximos destes limites e, parada.

FIGURA 12 - Comparativo do gráfico de amplitudes para as horas paradas por falta de matéria-
prima no processo de corte e solda antes e depois da ação.

Antes Depois
06:00:00 03:50:24
03:21:36
04:48:00 02:52:48
03:36:00 02:24:00
01:55:12
02:24:00 01:26:24
00:57:36
01:12:00
00:28:48
00:00:00 00:00:00
1 2 3 4 5 6 7 1 2 3 4 5 6 7

AMPLITUDE N LIC LC LSC AMPLITUDE N LIC LC LSC

Fonte: Autores (2016).

As conclusões identificadas a partir da figura para que se tirem conclusões sobre as


12 foram que, em relação à amplitude, antes causas que implicam nessa ocorrência. De
da ação o processo possuía alto índice de maneira geral, ambos os diagramas de
variação em relação a intensidade da parada correlação demonstram a evolução entre o
e após a medida, esta variação diminuiu, processo que antes estava fora de controle e
porém, apresentou um comportamento após a decisão passou a estar sob
tendencioso, com 7 (sete) pontos distribuídos controle.Não foi necessário determinar
acima da linha média; isto indica que o comparativamente, através do histograma, a
processo precisa ser novamente estudado distribuição das frequências de horas
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
166

paradas por falta de matéria prima após a continuação das melhorias até que o
ação, pois, durante o período de coleta, problema de paradas indesejadas do
ocorreram apenas 2 (dois) eventos pontuais processo fosse corrigido definitivamente. A
com duração média de 51 (cinquenta e um) equipe utilizou o gráfico 10 e o gráfico 11 e
minutos. Além disso, o percentual de horas decidiu investigar mais profundamente as
paradas no processo produtivo reduziu paradas no processo de impressão,
87,48%, atingindo e superando a meta repetindo as etapas do MASP.
proposta de 20%. Todas estas análises
fizeram com que a equipe de qualidade
chegasse a conclusão de que a ação obteve 5. CONCLUSÕES
o efeito esperado e eliminou, a níveis
O tempo de horas paradas em um processo
satisfatórios, o problema, produzindo um
resulta em uma ociosidade desnecessária e
efeito secundário positivo (o aumento do nível
em custos que devem ser evitados e, sob esta
de produção) iniciando assim a fase da
ótica, a eliminação destes aspectos
padronização.
indesejados proporciona um aproveitamento
a) Padronização: A ação foi maior da capacidade disponível na empresa,
padronizada, dessa maneira o turno de tanto de recursos físicos quanto humanos.
trabalho 4 (quatro) foi definitivamente Diante do exposto, é possível afirmar que a
eliminado para o processo de corte e aplicação deste trabalho mostrou como deve
solda, de modo a serem elaboradas novas ser executado o método MASP com suas 8
escalas de trabalho para os operadores, (oito) etapas e de maneira prática, conseguiu
que foram comunicados da mudança atender o objetivo proposto de melhoria no
através de uma reunião geral. processo produtivo, identificando para isso as
ferramentas adequadas à coleta dos dados,
b) Conclusão: Nesta última etapa,
as fases necessárias para alcançar o objetivo
ocorreu uma reunião onde foram
e a demonstração do impacto da utilização do
discutidos os problemas remanescentes
método.
que deveriam ser analisados para a

REFERÊNCIAS http://www.abdi.com.br/Acao%20Documento%20L
egislacao/Apostila%20MASP_PORTUGU%C3%8AS
[1]. BARRETO. R. J. A aplicação do Método .pdf > Acesso em: 12 de Janeiro de 2016.
de Análise e Solução de Problemas (MASP) para [8]. PEINADO, Jurandir; GRAEML, Alexandre
gestão e melhoria do processo produtivo em uma R. Administração da produção: operações
empresa de sacolas plásticas (Trabalho de industriais e de serviços. Curitiba: UnicenP, 2007.
Conclusão de Curso) - Universidade Federal de [9]. PEREIRA, F. D. Conceitos baseado no
Alagoas – UFAL, Delmiro Gouveia, 2016. ciclo pdca para melhoria no processo produtivo:
[2]. CAMPOS, V. F. TQC: Controle de estudo de caso da aplicação na manufatura de
qualidade total (no estilo Japonês). 9. ed. Nova tubos em fibra de vidro. 2013. 66 f. Trabalho de
Lima: FALCONI Editora, 2014. conclusão de curso (Especialista em Engenharia
[3]. DIAS, E. E. P. Análise de metodologia de de Produção) – Universidade de São Paulo – USP,
melhoria de processos: Aplicações à indústria São Carlos, 2013.
automobilística. 2006. 100 f. Dissertação (Mestrado [10]. SAMOHYL, R. W. Controle estatístico de
em Sistemas de Gestão) – Universidade Federal qualidade. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
Fluminense – UFF, Niterói, 2006. [11]. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON,
[4]. GUELBERT, M. Estratégia de gestão de R. Administração da produção. 3. ed. São Paulo:
processos e da qualidade. Curitiba: IESDE Brasil, Atlas, 2009
2009. [12]. TERNER, G. L. K. Avaliação das
[5]. MACHADO, J. F. Método estatístico: aplicações dos métodos de análise e solução de
gestão da qualidade para melhoria contínua. São problemas em uma empresa metal mecânica.
Paulo: Saraiva, 2010. 2008. 103 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia
[6]. MELLO, C. H. P. (org.). Gestão da de Produção) – Universidade Federal do Rio
qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, Grande do Sul – UFRGS, Porto Alegre, 2008.
2011.
[7]. MENEZES, F. M. Masp: Método de análise
e solução de problemas. 2013. Disponível em: <

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


167

Capítulo 16
Wallysson Klaus Pires Barros
Thiago Duque e Silva
Júlio Antônio de Oliveira Neto

Resumo: O panorama atual, de convocação à responsabilidade com o meio


ambiente, pressupõe mais do que políticas públicas para redução do descarte de
materiais em larga escala e da reciclagem. dentre esses aspectos, surge a
necessidade de desenvolver tecnologias que apresentam um bom desempenho, ao
mesmo tempo que seja projetada com uma menor quantidade de materiais e
tenham peças otimizadas para aumentar seu tempo de vida útil. O estudo de
cristais líquidos aplicados na fabricação de dispositivos eletrônicos, vem com o
cômputo de reduzir as perdas por aquecimento e melhorar sua performance,
através do aproveitamento do calor gerado como subproduto do processo de
interesse. a proposta do estudo com cristais líquidos acarreta na possibilidade de
amenizar a grande quantidade de descarte de materiais utilizados na fabricação de
equipamentos eletroeletrônicos, com aumento significativo na capacidade de
executar as tarefas a que foram designados, tendo por horizonte a colaboração da
tecnologia na construção de um ideal de desenvolvimento sustentável.

Palavras-chave: Meio ambiente; Descarte de resíduos; Tecnologia; Cristal


líquido

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


168

1. INTRODUÇÃO destinados à utilização com uma tensão


nominal não superior a 1000 V para corrente
O descarte de resíduos sólidos afeta
alternada e 1500 V para corrente contínua
diretamente o meio ambiente. Dentre vários
(PARLAMENTO EUROPEU, 2003a).
objetos, tem-se o plástico, vidro, materiais
orgânicos e os equipamentos elétricos e Os módulos básicos comuns a esses
eletrônicos. Devido ao rápido produtos são conjuntos/placas de circuitos
desenvolvimento de novas tecnologias, muitos impressos, cabos, cordões e fios, plásticos
aparelhos acabam se tornando obsoletos. São antichama, comutadores e disjuntores de
classificados como resíduos tecnológicos mercúrio, equipamentos de visualização,
aparelhos como: televisores, rádios, telefones como telas de tubos catódicos e telas de
celulares, eletrodomésticos portáteis, todos os cristais líquidos, pilhas e acumuladores, meios
equipamentos de microinformática, de armazenamento de dados, dispositivos
videogames, ferramentas elétricas, DVDs, luminosos, condensadores, resistências e
lâmpadas fluorescentes, brinquedos relês sensores e conectores (CRETA, 2010).
eletrônicos e muitos outros criados para
facilitar o cotidiano (RODRIGUES, A. C, 2003).
2.2 IMPACTO DOS RESÍDUOS
Os resíduos eletrônicos já representam 5% de
ELETRÔNICOS AO MEIO AMBIENTE
todo o lixo produzido pela humanidade. Isso
quer dizer que 50 milhões de toneladas são Alguns pesquisadores contratados pela ONU
descartadas anualmente no mundo todo. Em concluíram que a fabricação de um
2009, o Brasil produziu 2,6 kg de lixo computador com seu monitor precisa de 240
eletrônico por habitante, o equivalente a quilos de combustível, 22 quilos de produtos
menos de 1% de produção mundial de químicos e 1,5 toneladas de água (FOLHA,
resíduos, contudo, a indústria eletrônica 2004). A explicação técnica está na fase de
continua em expansão e hoje espera-se que o fabricação dos chips que consome muita
número equipamentos como computadores água, pois cada etapa da produção exige
tenha passado de 100 milhões de unidades. lavagens seguidas de água extremamente
(TECMUNDO, 2009). Uma das principais pura e após o seu uso torna-se impura para
causas de queimas e descarte de produtos ser reutilizada. (MIGUEZ, 2010). Com as
eletrônicos é o superaquecimento. técnicas atuais, o nível de exigência para
fabricar um computador comparativamente é
Dessa forma, o presente artigo tem por
muito maior do que fabricar eletrodomésticos
objetivo mostrar as consequências da
da linha branca, como refrigeradores e fogões
aplicação de dispositivos fonônicos (cristais
e até mesmo que um automóvel, que exige
líquidos) para reaproveitamento do calor que
apenas uma a duas vezes de seu próprio
surge como subproduto dos processos de
peso em combustíveis fósseis, enquanto o
interesse. Espera-se que, com o
computador consome até 10 vezes o seu
desenvolvimento de tais pesquisas, o alto
próprio peso. É evidente que as fabricações
índice de lixo eletrônico seja reduzido, tal qual
de computadores por si só geram uma
o grande impacto ambiental causado por isso.
quantidade enorme de resíduos na natureza,
já que são necessários muitos processos e
componentes tanto sintéticos quanto naturais.
2. DESENVOLVIMENTO
Em um levantamento feito em aterros
2.1 MÓDULOS BÁSICOS DOS sanitários, constatou-se que os resíduos
EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS E alimentares são os de maior volume. No
ELETRÔNICOS entanto, é fato que a partir do século passado
aumentou-se substancialmente a
Em documento do Parlamento Europeu, os
concentração de lixo com uma nova
equipamentos elétricos e eletrônicos (EEE)
categoria: o lixo eletrônico (pilhas, baterias,
são definidos como equipamentos cujo
computadores, aparelhos celulares,
funcionamento adequado depende de
televisores e etc).
correntes elétricas ou campos
eletromagnéticos, bem como os As substâncias mais problemáticas do ponto
equipamentos para a geração, transferência e de vista ambiental presentes nos
medição dessas correntes e campos componentes eletrônicos são os metais
pertencentes às categorias definidas no pesados, como o mercúrio, chumbo, cádmio
Anexo I A da Diretiva 2002/96/CE e e cromo, gases de efeito estufa, as
substâncias halogenadas, como os
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
169

clorofluorocarbonetos (CFC), bifenilas irritações gastrointestinais: náuseas, vômitos,


policloradas (PCBs), cloreto de polivinila salivação, dor abdominal, cólica e diarreia,
(PVC) e retardadores de chama bromados. podendo ser responsável por descalcificação
(BACHI, 2013). Os metais pesados não e reumatismo.
podem ser destruídos e são altamente
O Chumbo é extremamente tóxico aos seres
reativos, sob o ponto de vista químico, o que
humanos, podendo ocasionar sérios danos ao
explica a dificuldade de encontrá-lo em
cérebro infantil que são irreversíveis, no adulto
estado puro na natureza. Em geral, são
pode causar cegueira, paralisia e até a morte.
encontrados em concentrações muito
pequenas, associados a outros elementos O Cromo é vastamente utilizado na medicina
químicos, formando minerais e rochas atual no tratamento de obesidade, porém, o
(MACEDO, 2002). acúmulo deste elemento no organismo pode
causar câncer. Segundo (PNUAM, 2007), 90%
O Cádmio é um subproduto da mineração do
dos componentes do computador podem ser
zinco. Há relatos de acúmulo deste produto
reaproveitados, já que 23% do computador é
em gramíneas, cultivos alimentares,
plástico, 32% de metais ferrosos, 12% de
minhocas, aves, gado, cavalos e na vida
placas eletrônicas (incluindo ouro e prata),
selvagem (MACEDO, 2002). A ingestão
15% de vidro e 18% de metais não-ferrosos.
acentuada via oral pode resultar em sérias

Tabela 1 - Materiais na composição do computador.

Metais Ferrosos 32%


Plástico 23%
Metais não-ferrosos (chumbo, cádmio, berílio, mercúrio) 18%
Vidro 15%
Placas eletrônicas (ouro, platina, prata e paládio) 12%
Fonte: PNUAM.
Leis e normas surgem constantemente para com sua composição como, chumbo, cádmio
regular o descarte de materiais nocivos ao e mercúrio (CONAMA, 257/99), elementos
meio ambiente, como as iniciativas e diretrizes nocivos contidos nos equipamentos
ambientais que procuram controlar e eletrônicos.
acompanhar os resíduos e a poluição que o
De acordo com estudo realizado (SCHLUEP,
processo produtivo pode gerar.
2009), o Brasil é o maior produtor per capita
À medida que novas tecnologias são de resíduos eletrônicos de computadores
disponibilizadas no mercado e aparelhos são pessoais entre os países emergentes. Da
substituídos com uma frequência cada vez mesma forma, o país é campeão quando o
maior, o volume de “lixo eletrônico” cresce assunto é a falta de dados e estudos sobre
rapidamente, com apenas 11% desse tipo de produção, reaproveitamento e reciclagem de
“lixo” sendo reciclado no mundo. eletroeletrônicos. Quanto à legislação, a Lei
Federal nº 12.305, de 2 de agosto de 2010
O Brasil segue lentamente nas disposições
(BRASIL, 2010), que trata da política nacional
legislativas do Meio Ambiente. Suas principais
de resíduos sólidos (incluídos nesta categoria
análises de proteção e leis ambientais são: A
os equipamentos eletrônicos), em seu art. 33,
Política Nacional do Meio Ambiente, a Política
estabelece que é de responsabilidade dos
Nacional dos Recursos Hídricos, as
fabricantes, importadores, distribuidores e
Resoluções do Conselho Nacional de Meio
comerciantes, a estruturação e
Ambiente - CONAMA (257 e 263) e ISO
implementação de sistemas de logística
14000. Nenhumas destas políticas podem ser
reversa. Apesar disso, a grande maioria dos
utilizadas exclusivamente para os EEE. Para
estados brasileiros carece de leis específicas
tentar controlar o nível de descarte de pilhas e
para a questão do lixo tecnológico (e-lixo).
baterias usadas, o CONAMA instituiu em 30
Apesar de relativamente novo, os dados
de junho de 1999 a Resolução 257, que
mostram que o problema do e-lixo vem
prioriza os impactos negativos causados
assumindo rapidamente grandes proporções.
pelas pilhas e baterias no ambiente de acordo
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
170

Há argumentos suficientes para que a gestão líquido refere-se aos materiais e a expressão
dos resíduos eletrônicos não fique sujeita mesofase (mesomorfo) ao estado da matéria
apenas a regulamentações específicas, condensada que guarda as características do
somando-se a estas os esforços de grupos, sólido (ordem e/ou anisotropia) e do líquido,
instituições e organizações em processos de que abrange a fluidez e tensão superficial
sustentabilidade. (MERLO; GALLARDO; TAYLOR, 2001, P.354).
Em um cristal líquido, as propriedades
líquido-cristalinas surgem das interações de
2.3 ANÁLISE DO CRISTAL LÍQUIDO NA
longo alcance entre os seus constituintes e
DIMINUIÇÃO DA PRODUÇÃO DE LIXO
são as responsáveis pelo grau de ordem do
ELETRÔNICO
sistema. O ordenamento observado é
A economia e tecnologia estão diretamente suficiente para transmitir algumas
ligadas. Uma das razões para isso é que características da fase sólida para o fluído,
ambas são fundamentais para o entretanto, pela sua natureza de longo
desenvolvimento de países emergentes. A alcance, não são suficientemente fortes para
ideia de investir em dispositivos eletrônicos de evitar a fluidez observada. Quando este
calor (transistores térmicos a base de cristais dualismo das propriedades (mesofase) é
líquidos), uma teoria ainda em fase inicial, é observado em um sistema sob aquecimento e
relevante pelo falo de que essa nova resfriamento, o termo cristal líquido
tecnologia possa ser capaz de controlar o termotrópico (CLT) enantiotrópico é utilizado
fluxo de calor da mesma forma que os (MERLO; GALLARDO; TAYLOR, 2001, P.354)..
circuitos eletrônicos controlam a corrente
Cristais líquidos que mostram mesofases
elétrica. Ao contrário dos transistores
somente no processo de resfriamento, são
convencionais, os transistores termais (que
denominados de monotrópicos. Com respeito
seriam desenvolvidos a partir da tecnologia
a forma, os CLT podem ser classificados em
fonônica), não necessitariam do silício, e
dois grupos principais: calamíticos (forma de
poderiam fazer uso da grande quantidade de
bastão) e discóticos (forma de disco). Os
calor residual geradas nos aparelhos
cristais líquidos na forma de bastão são
eletrônicos tradicionais (WANG ET AL., 2014).
classificados de acordo com o grau de ordem
Esse calor gerado, além de ser uma forma de
observado. Desta forma, três classificações
perda de energia também prejudica a vida útil
básicas são propostas: Nemática (N),
do aparelho eletrônico, devido ao
Colestérica (Ch) e Esmética (S) (MERLO;
superaquecimento. Assim, tem-se uma
GALLARDO; TAYLOR, 2001, P.354).
vantagem quanto ao uso dos dispositivos
fonônicos, pois, além de utilizar as perdas Na pesquisa, foram estudados os chamados
térmicas para controle do fluxo de calor cristais líquidos nemáticos (que possuem
(aplicação secundária de interesse), ainda apenas a fase nemática como intermediária),
contribui para preservação do equipamento. calamíticos (com moléculas de formato de
bastão) e termotrópicos (cujas propriedades
Conhecer a manipulação de várias formas de
físicas e transições de fase dependem da
energia é de fundamental importância
temperatura - para controle de calor).
tecnológica e econômica. Uma aplicação
deste conhecimento é o processamento de A anisotropia das moléculas é sentida
informações, seja no aumento da velocidade macroscopicamente quando o cristal líquido
de processadores eletrônicos (KANG ET AL., está na fase nemática, sendo traduzida para
2007), no desenvolvimento de protocolos de diversas propriedades físicas. Isto significa
transmissão de informação através de que a fase nemática é anisotrópica
artefatos fotônicos (ARAÚJO; BASTOS-FILHO; simultaneamente para propagação de luz, de
MARTINS-FILHO, 2015) ou na criação de calor, de eletricidade e de som.
chips opto-eletrônicos (KIMERLING ET AL.,
Estes materiais são fortes candidatos para o
2006). A fim de aproveitar o calor, gerado por
desenvolvimento de dispositivos “termo-
algum processo de interesse, tem-se os
óptico”, artefatos que processam/transmitem
cristais líquidos. O estado líquido cristalino é o
calor e luz em um único dispositivo. A partir
único da matéria que combina as
daí, tem-se o desenvolvimento do chamado
propriedades dos estados sólido e líquido.
transistor térmico. Tal dispositivo é inovador,
Essa fase condensada da matéria apresenta
ainda em desenvolvimento e capaz de
anisotropia óptica, elétrica, magnética e
controlar o fluxo de calor, gerado pelas
propriedades mecânicas. O termo cristal
perdas dos componentes de equipamentos
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
171

eletrônicos. Assim, tem-se que controlar a quantidade de


calor em uma determinada região apresenta
boas possibilidades de aplicações
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS tecnológicas, como a economia de energia
pelo reaproveitamento do calor produzido
O lixo eletrônico é considerado um resíduo
secundariamente por sistemas físicos
sólido especial de coleta obrigatória (BRASIL,
principais, para o uso em outros sistemas de
2010), estabelecendo-se como um grave
interesse. A aplicação destas tecnologias, a
problema para o ambiente e para a saúde,
base de cristais líquidos, na fabricação de
porque são constituídos por materiais
dispositivos eletrônicos, aumenta o seu tempo
altamente tóxicos (metais pesados). A sua
de utilização, diminuindo a quantidade de
produção pode afetar, tanto os trabalhadores
descartes dos mesmos. Dessa forma, é
quanto comunidades ao redor dessas
possível estabelecer uma melhor contribuição
industriais. Além disso, esses resíduos são
no âmbito da engenharia de produção com
normalmente descartados em lixões e
tecnologias mais limpas e ecoeficientes.
acabam contribuindo, de maneira negativa,
com o meio ambiente (SIQUEIRA e MORAES,
2009).

REFERÊNCIAS
[1]. ARAÚJO, D.R.B.; BASTOS-FILHO, C.J.A. e [9]. MACÊDO, J. A. B. 2002. Introdução a
MARTINS-FILHO, J.F. And evolutionary approach Química Ambiental; Química & Meio Ambiente &
with surrogate models and network science Sociedade 1ª ed. Juiz de Fora: Jorge Macedo,
concepts to design optical networks. Engineering 487p.
Applications of Artificial Intelligence, 43:67-80, [10]. MATTOS, K.M.C. e PERALES, W.J.S. Os
2015. impactos ambientais causados pelo lixo eletrônico
[2]. BACHI, M. H. Resíduos tecnológicos: A e o uso da logística reversa para minimizar os
relação dos Resíduos Eletroeletrônicos com a efeitos causados ao meio ambiente. In: Encontro
Legislação do Brasil. Revista Brasileira de Gestão Nacional de Engenharia de Produção, 28., 2008,
Ambiental - RBGA, Pombal-PB-Brasil, v. 7, n. 1, p. Rio de Janeiro. Anais. ABEPRO, 2008. Disponível
01 - 05, jan./mar. 2013. em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2
[3]. BRASIL. Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 008_TN_STP_077_543_11709.pdf>. Acesso em: 3
2010. Disponível em: < jun. 2017. 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- [11]. MERLO, A. A.; GALLARDO, H. e TAYLOR,
2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 27 jun. T. R. Cristais Líquidos Ferroelétricos – CLF. Uma
2017. Abordagem Sintética. Química Nova, Vol. 24, Nº 3,
[4]. CRETA. Tecnologias de Reciclagem. 354-362, 2001.
Resíduos Elétricos e Eletrônicos. Disponível em: [12]. MIGUEZ, Eduardo Correia. Logística
<http://www.cretatec.com.br/index.php?option=co Reversa como solução para o problema do lixo
m_content&view=article&id=68:reee&catid=29:wiki- eletroeletrônico: benefícios ambientais e
residuos&Itemid=78>. Acesso em: 14 jun. 2017. financeiros. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2010.
[5]. CONAMA 257. Resolução Nº 257, de 30 [13]. PARLAMENTO EUROPEU. REEE. Diretiva
de junho de 1999. Disponível em: 2002/96/CE do Parlamento Europeu e do Conselho
<www.mma.gov.br/port/conama/res/res99/res2579 de 27 de janeiro de 2003: relativa aos resíduos de
9.html>. Acesso em: 26 jun. 2017. equipamentos eléctricos e electrónicos, 2003a.
[6]. FOLHA. Pesquisa ONU na Fabricação de [14]. PNUAM. Programa das Nações Unidas
computadores. Disponível em: para o Meio Ambiente. Lixo eletrônico mundial
<http://www1.folha.uol.com.br 08/03/2004>. cabe em trem capaz de dar a volta ao mundo,
Acesso em: 6 jun. de 2017. 2007. Disponível em <
[7]. KANG, J.U.; KIM, J-S, PARK, C.; PARK, H. http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/200
e LEE, J. A multi-channel architecture for high- 7/04/26/idgnoticia.2007-04-25>. Acesso em: 27 jun.
performance nand flash-based storage system. 2017.
Journal of systems Architecture. 53(9):644-658, [15]. PORTAL TERRA. Saiba o que fazer com o
2007. lixo tecnológico. Matéria divulgada em 20 de
[8]. KIMERLING, L.C.; AHN, D.; APSEL, A.B.; dezembro de 2008. Disponível em:
BEALS, M.; CAROTHERS, D.; CHEN, Y-K. E <http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI340430
CONWAT, T. Electronic-photonic integrated circuits 6-EI4799,00-Saiba+o+que+fa
on the cmos platform. In Integrated Optoelectronic zer+com+o+lixo+tecnologico.html. Acesso em: 3
Devices 2006. International Society for Optics and jul. 2017.
Photonics, 2006. [16]. RODRIGUES, A.C. Resíduos de
Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: Alternativas
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
172

de Política e Gestão - Dissertação Apresentada ao [19]. SIQUEIRA, M.M., MORAES, M. S. Saúde


Programa de Pós-Graduação em Engenharia de coletiva, resíduos sólidos urbanos e os catadores
Produção. UNIMEP, Piracicaba, 2003. de lixo. Ciência & Saúde Coletiva, 2009; 14(6):
[17]. RUAN, X.; CHEN, Y.P.; QIU, B.; HU, J.; 2115-2122.
VALLABHANENI, A. e WANG, Y. Phonon Lateral [20]. TECMUNDO. Lixo Eletrônico (2009).
Confinement Enables Thermal Rectification in Disponível em:
Asymmetric Single-Material Nanostructures. Nano <https://www.tecmundo.com.br/teclado/2570-lixo-
Letters, 2014. Vol.: 14 (2), pp 592-596. eletronico-o-que-fazer-apos-o-termino-da-vida-util-
[18]. SCHLUEP, M. Recycling: from e-waste to dos-seus-aparelhos-.htm>. Acesso em: 14 jun.
resources. StPE study report commissioned by 2017.
UNEP and UNU. Germany: UNEP, 2009. 90 p.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


173

Capítulo 17

Luana da Silva Souza


Ana Paula Aparecida Honorato
Giovani Blasi Martino Lanna
Rafaela Araújo de Oliveira Lanna
Filipe Gomide Carelli

Resumo: A pesquisa tem como objetivo analisar as condições de trabalho em um


frigorífico situado na Zona da Mata de Minas Gerais, atuante no processamento de
aves. O estudo caracteriza-se como um estudo de caso, com amostra não
probabilística composto por 100 colaboradores do setor de produção do frigorífico.
A coleta de dados ocorreu por meio de questionários, que foram respondidos por
meio de entrevistas pessoais e individuais. Os resultados demonstraram
apontamentos favoráveis quanto a qualidade de vida no trabalho em relação às
tarefas executadas, aos estímulos fornecidos aos colaboradores para solução de
problemas, a preocupação com o colaborador, a presença de mobília ergonômica
adequada e a pausa durante a jornada de trabalho. No entanto a satisfação com a
jornada de trabalho e a percepção do ambiente de trabalho ser seguro e saudável
foram apontados como aspectos que devem ser melhorados. Pôde-se concluir que,
de forma geral, os colaboradores participantes do estudo indicaram situação
favorável ás condições de trabalho. Entretanto, a de considerar que melhorias
ergonômicas podem ser realizadas para minimizar os agravos à saúde dos
colaboradores.

Palavras-chave: Condições de trabalho; Ergonomia; Frigorífico.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


174

1. INTRODUÇÃO essas condições na percepção dos


colaboradores do setor produção de um
As organizações em diversos setores
frigorífico situado na região da Zona da Mata
econômicos convivem com o desafio de se
de Minas Gerais.
manterem competitivas em mercados de
acirrada concorrência. Consequentemente o
aumento da produtividade dos meios de
2. REFERENCIAL TEÓRICO
produção torna-se fator fundamental na
disputa por mercados. 2.1 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO
(QVT)
Martins e Laugeni (2005) afirmam que as
organizações objetivam aprimorar a O termo Qualidade de Vida no Trabalho (QVT)
produtividade dos bens e serviços pode estar relacionado com diferentes
procurando adotar melhores métodos de aspectos do trabalho nas organizações. Pode
trabalho e processos de produção com os ser associado ao sentimento que os
menores custos possíveis. colaboradores têm do ambiente de trabalho e
à sua ocupação. Refere-se às condições
Entretanto, a busca por produtividade pode
físicas presentes no ambiente de trabalho e a
modificar o ambiente de trabalho acarretando
segurança que transmite tanto em relação a
em alterações que afetam as condições de
doenças ocupacionais como a acidentes de
saúde e segurança do trabalhador. Essas
trabalho. E ainda corresponder a programas
alterações estão presentes, principalmente,
institucionais que objetivam aumentar a
na linha de produção de organizações que
satisfação e motivação dos colaboradores
realização atividades consideradas repetitivas
com intuito de aumentar a produtividade
e/ou possuem sobrecarga. Nestes casos, os
(NESPECA; CYRILLO, 2011). Assim, além das
colaboradores estão sujeitos ao desconforto
condições físicas de trabalho também são
relacionado à execução do trabalho e ao
importantes às condições sociais e
aumento do stress devido às exigências de
psicológicas que fazem parte do ambiente de
aumentar a produtividade.
trabalho, sendo a QVT uma representação da
Nas indústrias frigoríficas de abate e capacidade dos colaboradores satisfazerem
processamento de carnes a organização do suas necessidades pessoais por meio de sua
trabalho mescla características do padrão atividade na organização (CHIAVENATO,
taylorista/fordista e do modelo japonês, sendo 2009).
realizadas funções altamente rotinizadas e
Milkovich e Boudreau (2015) apontam a QVT
repetitivas em intenso ritmo de trabalho.
como fonte do envolvimento dos
Mediante a este contexto laboral, os riscos e
colaboradores que, devidamente treinados,
agravos à saúde aumentam nas atividades
tornam-se capazes de identificar os
em linhas de produção (MAGRO et al., 2014).
problemas relacionados à qualidade dos
A quantidade de movimentos repetitivos, produtos e do trabalho realizado na
realizados durante as atividades laborais em organização, atuando como agentes
frigoríficos, propicia o aparecimento de casos facilitadores para melhoria contínua.
de adoecimentos, como lesões por esforços
As condições de trabalho nas organizações
repetitivos (LER) ou Doenças
deveriam prezar por um ambiente saudável e
Osteomusculares Relacionadas com o
seguro para os trabalhadores. Entretanto, a
Trabalho (DORT) e as doenças psicológicas.
busca pelo aumento da produtividade pode
Um dos fatores que contribuem para a influenciar o ritmo de trabalho e,
redução dos desconfortos e adoecimentos no consequentemente, gerar efeitos indesejáveis
processo produtivo é a aplicação eficaz da a saúde. Como relatam Oliveira e Mendes
ergonomia na atividade laboral. Desde modo, (2014, p. 4.629) esse cenário é recorrente em
é possível que o processo produtivo seja mais frigoríficos onde:
competitivo contribuindo para melhoria da
produtividade organizacional e que a linha de
produção seja mais amigável ao colaborador
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
ERGONOMIA, 2016).
Considerando a importância das condições
de trabalho dos trabalhadores em frigoríficos
de aves, o presente estudo objetivou analisar
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
175

Os trabalhadores atuam em uma 2.2 FUNDAMENTOS DA ERGONOMIA


sequência atroz, com um ritmo de
O estudo direcionado a adaptação do
produção de cadência elevada,
trabalho ao homem denomina-se ergonomia.
determinando, consequentemente, um
Essa disciplina incorpora desde as atividades
ritmo elevado do trabalho, que, por sua
de planejamento e projeto que antecedem a
vez, ocasiona a prevalência de agravos
realização do trabalho até o controle e
relacionados com a repetitividade e a
avaliação exercidos durante e após o
sobrecarga muscular.
trabalho, sendo o objeto central de estudo a
interação entre o homem e o trabalho no
sistema homem-máquina-ambiente (IIDA,
Os operadores do setor de produção,
2005).
geralmente, convivem com riscos
provenientes as atividades exercidas. Para O surgimento da ergonomia como área de
Milkovich e Boudreau (2015) os riscos a estudo ocorreu na Segunda Guerra Mundial
saúde são aqueles relacionados a acidentes quando foi formada uma equipe de pessoas
físicos e biológicos, a exposição a competentes com intuito de solucionar os
substancias tóxicas e as condições problemas homem-máquina em relação a
estressantes de trabalho; e os riscos de operação e manutenção de equipamentos
segurança são aqueles aspectos do ambiente militares. No entanto, informalmente pode-se
de trabalho que tem potencial de causar um inferir que a ergonomia já era praticada desde
acidente imediato, e às vezes, violento, a um quando os homens primitivos construíam
colaborador. objetos rudimentares para serem utilizados
como armas de caça e ferramentas,
Para mitigar os riscos nos frigoríficos o
aperfeiçoando os ao longo do tempo (GOMES
Ministério do Trabalho e Emprego emitiu a
FILHO, 2003).
Portaria MET n° 555 de 2013, que apresenta a
Norma Regulamentadora (NR) 36 que tem O termo ergonomia é definido pela a
como objetivo: Associação Brasileira de Ergonomia
(ABERGO) como “o estudo das interações
Estabelecer os requisitos mínimos para a
das pessoas com a tecnologia, a organização
avaliação, controle e monitoramento dos
e o ambiente, objetivando intervenções e
riscos existentes nas atividades
projetos que visem melhorar de forma
desenvolvidas na indústria de abate e
integrada e não dissociada a segurança, o
processamento de carnes e derivados
conforto, o bem-estar e a eficácia das
destinados ao consumo humano, de forma
atividades humanas” (ASSOCIAÇÃO
a garantir permanentemente a segurança,
BRASILEIRA DE ERGONOMIA, 2004, p. 2).
a saúde e a qualidade de vida no trabalho
Para Falzon (2007) o objetivo da ergonomia
(BRASIL, 2013, p. 177).
esta centrado em dois campos. Sendo um
deles, o foco nas organizações e no seu
desempenho, expressos pela eficiência,
Diante das diversas circunstâncias que
produtividade, qualidade etc. E o outro, o foco
acomete ao ambiente de trabalho Chiavenato
nas pessoas, dimensionado pela segurança,
(2009) expõe o pensamento que a QVT deve
saúde, conforto, facilidade de usos etc.
atender as reivindicações dos colaboradores
sobre o bem-estar e satisfação no trabalho, Montmollin (2005) descreve a ergonomia em
ajustando-as com os interesses da duas abordagens, a primeira centrada no
organização quanto ao crescimento da “componente humano” que prioriza a
produtividade e qualidade. adaptação da máquina ao homem com intuito
de melhorar as condições de trabalho, tendo
De modo geral, a QVT consiste na melhoria
como base experimentos laboratoriais das
das condições do ambiente do trabalho
funções isoladas dos postos de trabalho,
propiciando a satisfação e o bem-estar dos
sendo tais funções generalizadas
colaboradores que são fundamentais para
independentemente das características do
aumento da produtividade e qualidade da
trabalhador. Já a segunda, esta centrada na
organização.
“atividade” tendo como fundamento uma
visão global dos comportamentos (gestos,
olhares, palavras) e os raciocínios do
trabalhador dentro da organização e sua
reação a situações reais do trabalho, assim,
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
176

essa abordagem não se prende a seu conhecimento na situação e contexto em


generalização de uma função do posto de que se é investigado (GIL, 2014).
trabalho.
O público-alvo foi composto pelos
A interação do sistema homem-máquina- colaboradores do setor de produção do
ambiente tratada pela ergonomia vem frigorífico que atua no ramo de
evoluindo e desenvolvendo-se de forma processamento de aves. Para fins desse
holística nas organizações englobando estudo denominou-se a empresa como
aspectos especializados ou características “Friasmav” que localiza-se em Visconde do
particulares do sistema, que são classificadas Rio Branco/MG e está há 47 anos no
como (IIDA, 2005; FALZON, 2007): mercado. A mesma possui filiais em
Viçosa/MG, Leopoldina/MG, Patrocínio/MG e
 Ergonomia Física: atenta-se as Goiás/GO, tendo a oferta de seus produtos
particularidades da anatomia humana, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e
centrada em aspectos antropométricos, também no sul da Bahia, além de exportar
fisiológicos e biomecânicos relacionados para diversos países.
com a atividade física. Engloba temas, tais
como: postura no trabalho, manuseio de A técnica de amostragem utilizada
matérias, projetos de postos de trabalho, caracteriza-se como não probabilística por
segurança e saúde do trabalhador. conveniência, a qual a seleção dos elementos
 Ergonomia cognitiva: atenta-se aos das unidades amostrais é deixada a cargo do
processos mentais, referentes a entrevistador (MALHOTRA, 2006). Foram
percepção, a memória, o raciocínio e as selecionados 100 colaboradores do setor de
respostas motoras, com relação às operações de produção do frigorífico que
interações dos indivíduos e demais possuía no período da pesquisa
componentes do sistema. Engloba temas, aproximadamente 1.050 colaboradores,
tais como: carga mental, processos de distribuídos no setor de produção que
decisão, interação homem-máquina, incluem desde recepção de aves até a
estresse profissional e treinamento. expedição de produtos acabados.
 Ergonomia organizacional: atenta-se a A coleta de dados foi realizada por meio de
melhoria dos sistemas sóciotécnicos, questionário, no mês de julho de 2015, que
envolvendo as estruturas organizacionais, foram respondidos através de entrevistas
regras e processos. Engloba temas, tais pessoais e individuais com 15 questões de
como: comunicação, projeto e múltipla escolha. O questionário abordou
programação do trabalho, concepção questões sobre: o perfil dos respondentes;
participativa e cultura organizacional. condições de trabalho e sobre a ergonomia.
A abordagem holística juntamente com
desenvolvimento da informática auxiliou a
difusão da intervenção ergonômica 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
comumente desempenhada em indústrias, 4.1 PERFIL DOS COLABORADORES
exércitos, processos contínuos e transportes,
para outras áreas como escritórios, serviços Dos 100 respondentes, 48 são do sexo
de atendimento ao público, hospitais etc. masculino e 52 do sexo feminino. Em relação
(MONTMOLLIN, 2005). O crescimento da à idade, 47,0% estão na faixa etária de 18 a
intervenção ergonômica nas mais diversas 30 anos, 33,0% têm de 31 a 40 anos, 20,0%
organizações fundamenta-se no propósito de têm mais de 40 anos.
eliminar funções que exijam um trabalho Quanto ao grau de escolaridade, 58% dos
estático excessivo e prolongado que podem colaboradores possuem ensino fundamental
acarretar lesões e desgastes nas articulações, incompleto, 18% possuem ensino
discos intervertebrais e tendões fundamental completo, 8% ensino médio
(GRANDJEAN, 1998). incompleto, 6% ensino médio completo, 5%
ensino superior incompleto, 3% ensino
superior completo e 2% com pós-graduação.
3. METODOLOGIA Para trabalhar com as operações de
O presente estudo caracteriza-se como um produção a empresa não exigi nenhum grau
estudo de caso, método que busca estudar de escolaridade. Os colaboradores que
um objeto em particular de modo a permitir possuem ensino superior e pós-graduação

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


177

são alguns dos coordenadores e gestores das Operacional, seguido de Assistente Global
operações de produção. (20%), Operadores de Máquinas (10%) e os
demais são Coordenadores/Gestores das
Em relação ao tempo de serviço prestados,
operações da produção (10%).
30% dos respondentes trabalham há menos
de 1 ano na empresa, 29% estão na empresa
entre 1 e 5 anos, 15% estão na empresa entre
4.2 OPINIÃO DOS RESPONDENTES
6 e 10 anos, 10% estão na empresa entre 11
e 15 anos e os demais (18%) possuem mais Na Tabela 1 são apresentados as opiniões
de 16 anos de serviços prestados. dos respondentes sobre determinadas
afirmativas referentes às condições do
No que diz respeito às funções
trabalho. Os respondentes podiam optar entre
desempenhadas na empresa, 60% dos
“discordo totalmente” a “concordo
respondentes exercem a função de Auxiliar
totalmente”.

Tabela 1: Opiniões referentes às condições de trabalho.


Questões referentes às Discordo Discordo Concordo Concordo
Indiferente
condições de trabalho totalmente em parte em parte totalmente
1 - Sinto-me satisfeito com
0% 20% 42% 33% 5%
a jornada de trabalho
2 - As tarefas que executo
diariamente são
5% 9% 10% 46% 30%
compatíveis com a minha
capacidade física
3 - O ambiente que
desenvolvo minhas tarefas 10% 32% 19% 39% 0%
é seguro e saudável
4 - A empresa estimula a
tomar iniciativa para
resolver os problemas 4% 19% 10% 38% 29%
relacionados ao bem-estar
do posto em que trabalho
5 - Quando me sinto
incapaz de realizar
determinada atividade
8% 16% 5% 30% 41%
devido às dores, noto que a
empresa está preocupada
com tal situação
6 - A empresa me
proporciona uma mobília
0% 12% 11% 46% 31%
ergonomicamente correta
(Ex: cadeiras ergonômicas)
7 - Durante a jornada de
trabalho posso realizar
pausas para desempenhar
qualquer outra atividade 0% 0% 0% 22% 78%
para o relaxamento da
minha mente e/ou dos
músculos
Fonte: Dados da pesquisa

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


178

Os atributos que obtiveram melhor avaliação “satisfação com a jornada de trabalho” e “o


com maior presença de opiniões “concordo ambiente que desenvolvo minhas tarefas é
em parte” e “concordo totalmente” pelos seguro e saudável”. Esse resultado sugere
respondentes são: “tarefas compatíveis com a que no ambiente de trabalho pode haver
capacidade física” (46%; 30%), “estímulos da melhorias com a segurança para diminuir a
empresa para solução de problemas” (38%; discordância com os aspectos indicados e
29%), “preocupação da empresa com o assim evitar problemas futuros.
colaborador” (30%; 41%), “mobília
A presente pesquisa também verificou em
ergonômica” (46%; 31%) e “pausa durante a
qual parte do corpo os colaboradores sentiam
jornada de trabalho” (22%; 78%). Esse
dores com maior frequência ao realizar as
resultado demonstra que a empresa foi
atividades laborais. De acordo com a Figura
avaliada pelos respondentes de forma
1, a maior incidência de dor ocorre no punho
positiva na maioria das questões referentes às
(42%), devido ao fato dos colaboradores
condições de trabalho. Destaca-se o atributo
exercerem atividades repetitivas e manuais
“pausa durante a jornada de trabalho” que
essa região do corpo é constantemente
não houve nenhuma discordância. Esse fato
exigida. Em seguida as dores nos membros
devido ao cumprimento da Norma
inferiores (pernas) foram apontadas com 22%,
Regulamentadora (NR) 36 do Ministério do
na maioria dos casos esta dor se deve a
Trabalho e Emprego publicada em abril de
varizes adquiridas pelo fato de os funcionários
2013, que estabelece os requisitos mínimos
passarem a maior parte do tempo em pé.
para o desenvolvimento das atividades na
Desconforto nos membros superiores (braços)
indústria de abate e processamento de
foi indicado com 18%, também devido a
carnes e derivados. Em cumprimento a
esforços necessários para a execução da
norma, a empresa oferece para seus
tarefa. As demais dores foram apontadas na
funcionários 3 pausas de 20 minutos cada,
coluna (12%) e dores no pescoço (6%). Para
onde eles podem descansar e relaxar,
tentar mitigar esses problemas acarretados
tornando a jornada de trabalho menos
pela exigência laboral a empresa conta com
exaustiva.
02 médicos do trabalho, 02 ortopedistas e 01
As afirmativas que obtiveram maior incidência ergonomista que estão à disposição e atentos
nas opiniões “indiferente”, “discordo em a saúde e bem-estar dos colaboradores.
parte” e “discordo totalmente” foram:

FIGURA 1 – Frequência de dores no corpo ao realizar as atividades laborais.

Pescoço 6%

Coluna 12%

Membros superiores 18%

Membros inferiores 22%

Punho 42%

0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45%


Fonte: Dados da pesquisa.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


179

Foi perguntado aos entrevistados se tinham entendimento em nível prático devido ao


conhecimento a respeito do significado de da trabalho realizado pela ergonomista para as
palavra ergonomia, obteve-se que 23% operações de produção. Posteriormente
conheciam o significado, 20% sabiam em explicou-se aos entrevistados que sabiam em
parte e 57% desconheciam. Apesar de a parte ou desconheciam o sentido de
maioria não saber o significado literal de ergonomia para saber qual a avaliação sobre
ergonomia, percebeu-se que havia um o trabalho realizado neste sentido.
FIGURA 2 – Avaliação ergonômica..

Fonte: Dados da pesquisa

Ótima 42%

Boa 30%

Razóavel 22%

Ruim 5%

Péssimo 1%

0% 10% 20% 30% 40% 50%

A Figura 2 apresenta a avaliação ergonômica Os resultados demonstraram apontamentos


da empresa na opinião dos respondentes. favoráveis às condições de trabalho em
Nota-se que a ergonomia é avaliada, de forma relação às tarefas. Os pontos positivos
geral, como positiva, sendo apontada por incluem: tarefas compatíveis com a
42% dos respondentes como ótima e 30% capacidade física dos colaboradores, aos
como boa. No entanto houve apontamentos estímulos fornecidos pela empresa aos
de que a ergonomia é realizada de forma colaboradores para solução de problemas, as
razoável (22%), ruim (5%) e péssima (1%). preocupação da empresa com o colaborador,
Observa-se que apesar da ergonomia ser a presença de mobília ergonômica adequada
avaliada, pela maioria, de forma positiva, e a pausas psicofisiológicas durante a jornada
ainda podem-se realizar melhorias de acordo de trabalho. As pausas referem-se ao
com os apontamentos dos respondentes cumprimento a Norma Regulamentadora (NR)
referentes a necessita de novos 36. Os fatores com pior avaliação pelos
equipamentos como encosto para os pés e entrevistados referiram-se a satisfação com a
mobílias/cadeiras mais confortáveis. jornada de trabalho e a percepção do
ambiente de trabalho ser seguro e saudável.
O entendimento do que é ergonomia em seu
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
contexto conceitual foi pouco compreendido
O presente estudo objetivou analisar as pelos colaboradores, mas após informa-los do
condições de trabalho dos colaboradores do que se refere à ergonomia, a mesma foi
setor de produção de um frigorífico de aves avaliada, pela maioria, de forma positiva, no
situado na Zona da Mata de Minas Gerais. entanto parte dos entrevistados relatou sentir
algum tipo de dor em partes do corpo. A
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
180

incidência de dores ocorre em sua maioria no indicaram situação favorável as condições de


punho, devido às atividades repetitivas, e nos trabalho. No entanto, a de considerar que
membros inferiores (pernas), resultantes da melhorias ergonômicas podem ser realizadas
postura fixa de pé. Associa-se esse resultado para minimizar os agravos à saúde dos
a intensa rotina de trabalho exigida em colaboradores. Por fim, cabe destacar como
frigoríficos que podem causar problemas de limitação do estudo que a forma de
saúde e desconforto relacionados à execução amostragem utilizada não permite generalizar
do trabalho. os resultados obtidos para todo setor de
produção.
Conclui-se que, de forma geral, os
colaboradores participantes do estudo

REFERÊNCIAS
[1]. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE [10]. MAGRO, M. L. P. D.; COUTINHO, M. C.;
ERGONOMIA. Estatuto da Associação Brasileira de BLANCH, J. M.; MORÉ, C. L. O. O. Intensificação e
Ergonomia – ABERGO, 2004, 22 p. Disponível em: prolongamento da jornada de trabalho nas
<http://www.abergo.org.br/arquivos/estatuto_e_regi indústrias de abate e processamento de carnes e
mento/novo_estatuto_abergo_versao_definitiva.pdf. seus impactos na saúde dos trabalhadores.
> Acesso em: 20 dez. 2015. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, v. 17,
n. 1, p. 67-83, 2014.
[2]. ______. O que é ergonomia. Disponível
em: [11]. MALHOTRA, N. K. Pesquisa de marketing:
<http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que uma orientação aplicada. Porto Alegre: Bookman,
_e_ergonomia>. Acesso em: 13 maio. 2016. 2006.
[3]. BRASIL. Portaria MTE n.º 555, de 18 de [12]. MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P.
abril de 2013. Norma Regulamentadora 36. Administração da produção. 2. ed. São Paulo:
Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Saraiva, 2005.
Abate e Processamento de Carnes e Derivados.
[13]. MILKOVICH, G. T.; BOUDREAU, J. W.
Diário Oficial da União, 19 abr. 2013.
Administração de recursos humanos. São Paulo:
[4]. CHIAVENATO, I. Recursos humanos: o Atlas, 2015.
capital humano das organizações. 9. ed. Rio de
[14]. MONTMOLLIN, M. Ergonomias. In:
Janeiro: Elsevier, 2009.
CASTILLO J. J.; VILLENA, J. (org.). Ergonomia:
[5]. FALZON, P. Natureza, objetivos e conceitos e métodos. Lisboa: Dinalivro. Cap. 5, p.
conhecimentos da ergonomia. In: FALZON, P. 103-111, 2005.
(org.). Ergonomia. São Paulo: Blucher. Cap. 1, p.
[15]. NESPECA, M.; CYRILLO, D. C. Qualidade
03-19, 2007.
de vida no trabalho de funcionários públicos: papel
[6]. GIL, A. C. Métodos e técnicas de da nutrição e da qualidade de vida. Acta
pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2014. Scientiarum. Health Sciences, Maringá, v. 33, n. 2,
p. 187-195, 2011.
[7]. GOMES FILHO, J. Ergonomia do objeto:
sistema técnico de leitura ergonômica. São Paulo: [16]. OLIVEIRA, P. A. B.; MENDES, J. M. R.
Escrituras, 2003. Processo de trabalho e condições de trabalho em
frigoríficos de aves: relato de uma experiência de
[8]. GRANDJEAN, E. Manual de Ergonomia:
vigilância em saúde do trabalhador. Ciência &
adaptando o trabalho ao homem. 4. ed. Porto
Saúde Coletiva, v. 19, n. 12, p. 4627-4635, 2014.
Alegre, Bookman, 1998.
[9]. IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2.
ed. São Paulo: Blucher, 2005.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


181

Capítulo 18

Deise Mara Garcia Alves Tressmann


Antônio Cleber Gonçalves Tibiriçá
João Vitor Brunelli Lemes
Luana de Oliveira Gomes
Roziani Maria Gomes

Resumo: Qualidade e desempenho do ambiente construído são fatores basilares na


construção civil para a implementação de práticas sustentáveis e para a redução
da degradação do meio ambiente. Considerando-se que o planejamento da vida
útil das edificações ainda é pouco difundido no Brasil, o presente trabalho buscou
destacar a importância do tema e compreender como as decisões de projeto e as
inter-relações dos elementos nos subsistemas afetam diretamente a vida útil da
edificação. O trabalho foi desenvolvido mediante uma revisão bibliográfica e a
realização de um estudo de caso; quanto a este, focou-se nas vedações verticais
de um edifício de uma universidade pública por meio de análise documental,
entrevistas e observações in loco. A condição das manifestações de perda de
qualidade e desempenho observadas na edificação estudada decorre em grande
parte do não planejamento da vida útil da edificação e de seus componentes, da
discricionariedade na especificação dos materiais e da carência de vistorias e
manutenções periódicas. Ficou evidenciada a necessidade e a importância de os
projetos de arquitetura e engenharia civil de uma edificação efetivamente serem
inclusivos quanto à qualidade e otimização do desempenho para ambientes
construídos como forma de incrementar a durabilidade da edificação e reduzir
manifestações patológicas.

Palavras-chave: Vida útil de edificação; Desempenho; Durabilidade.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


182

1. INTRODUÇÃO comprometem-se com o planejamento da vida


útil das edificações; no Brasil, porém, essa
Vida útil da edificação é o "período de tempo
preocupação ainda encontra-se pouco
em que um edifício e/ou seus sistemas se
difundida (MATTOS, 2013).
prestam às atividades para as quais foram
projetados e construídos" (ABNT NBR 15575- Ter como fundamentos na construção civil a
1, 2013). A vida útil também se relaciona ao qualidade e o desempenho do ambiente
intervalo de tempo no qual às necessidades construído é basilar para a implementação de
do usufrutuários são satisfeitas, além de ser práticas sustentáveis e para a redução da
uma mensuração da durabilidade da degradação do meio ambiente e da
edificação (JOHN; SATO, 2006). edificação. Ou seja, o aumento da vida útil da
edificação implica no incremento de sua
A edificação, no âmbito construtivo, é
durabilidade e na redução da necessidade de
resultado da inter-relação entre suas partes
reformas, contribuindo para mitigar ou
constituintes, cada uma apresentando
restringir impactos negativos no meio
características técnicas e construtivas que
ambiente. Esse é o ponto: planejar a vida útil
contribuem para o desempenho, a
das edificações no Brasil. Com essa
durabilidade, além da vida útil da edificação.
motivação, o presente trabalho busca
A edificação, como organismo arquitetônico,
destacar a importância do tema e
constitui um sistema de relações que servem
compreender como as decisões de projeto e
para indicar o modo de materializá-lo.
as relações e inter-relações das partes
Portanto, cada parte que o integra também
constituintes afetam diretamente a vida útil da
delimita e hierarquiza o espaço construído, o
edificação, tomando como um objeto de
conforto ambiental e a segurança estática
análise os fechamentos verticais de uma
(MANDOLESI, 1981). Sob essa consideração,
edificação residencial numa universidade
para o planejamento da vida útil da
pública.
edificação, e por consequência de sua
durabilidade, deve-se entender a correlação
entre as partes da edificação em termos de
2. REFERENCIAL TEÓRICO
subsistemas, componentes, subcomponentes
e matérias-primas. 2.1 DESEMPENHO, DURABILIDADE E VIDA
ÚTIL
Assimilar conceitualmente esse
desdobramento é um passo importante para A edificação começa a ser deteriorada antes
melhoria da qualidade do espaço construído mesmo de sua finalização. Dentre outros, são
e do seu nível de desempenho e o aumento elementos que contribuem para sua
de sua durabilidade. Ter clareza sobre todas degradação: o vento, a força da gravidade, a
essas relações diretas com a radiação ultravioleta da luz solar, a água
sustentabilidade, implica em atuar pluvial, a umidade proveniente do solo,
considerando-se, por exemplo, que os agentes biológicos, além dos usuários.
edifícios são intervenções humanas que Apesar de alguns serem inevitáveis, é
repercutem no meio ambiente de inúmeras possível limitá-los ou até mesmo neutralizá-los
maneiras, dentre outras porque "consomem (ALLEN, 2011), considerando-se na
mais de 40% da energia utilizada no mundo a projetação e na construção o desempenho
cada ano e, ao fazê-lo, liberam na atmosfera das partes constituintes.
um terço do dióxido de carbono e dois
Desempenho, pela NBR 15575-1 (ABNT,
quintos dos compostos que causam a chuva
2013), é o "[...] comportamento em uso de
ácida" (WORLDWACTH INSTITUTE apud
uma edificação e de seus sistemas [...]" e está
ALLEN, 2011). Por outro lado,
diretamente relacionado com a satisfação do
incompatibilidades entre partes constituintes
usuário, com a durabilidade e com a vida útil
contribuem para redução da qualidade e do
da edificação.
desempenho, portanto da durabilidade.
Nesse sentido, manifestações patológicas Toda edificação deve ser caracterizada e
frequentemente indicam a deterioração planejada não apenas objetivando sua
precoce da edificação e relacionam-se execução. Também devem ser considerados
diretamente com uma maior demanda por outros aspectos da construtibilidade,
recursos naturais (BOSELLI; DUNOWICZ, incluindo as etapas de operação e
2009 apud MOURA; SANTOS; PINHEIRO, manutenção, tendo em vista que a satisfação
2016). Destaca-se que para o aumento do dos usuários com a edificação e seu
desempenho das construções, vários países desempenho dependem da qualidade obtida
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
183

em todas essas etapas (YAZIGI, 2013). útil e do desempenho da edificação estão


diretamente relacionados com técnicas de
Contribui para o desempenho a durabilidade,
otimização da construção, redução do custo
a qual, pela NBR 15575-1 (ABNT, 2013),
global da obra, processos e técnicas
corresponde à "capacidade da edificação ou
sustentáveis, além de estratagemas de
de seus sistemas [desempenharem] suas
manutenção (MATTOS, 2013).
funções, ao longo do tempo e sob condições
de uso e manutenção especificadas". John e
Sato (2006) consideram ainda a durabilidade
2.2 A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO
como alteração do desempenho no decorrer
DA VIDA ÚTIL DAS EDIFICAÇÕES
do tempo, ou seja, o modo como a eficiência
do produto em atender às demais Como toda atividade econômica, a
necessidades dos usufrutuários varia no construção civil pauta-se no lucro, porém,
decurso do tempo. mesmo nesse aspecto, a importância do
planejamento da vida útil das edificações tem
Por sua vez, a vida útil está relacionada com o
em vista a consideração de seu custo global,
espaço de tempo em que o edifício apresenta
o que inclui custo de operação e reformas.
um desempenho adequado, com satisfação
Thomaz (2001, p.49) afirma que "em qualquer
do usuário, ou seja, trata-se do "período de
setor produtivo, independentemente da
tempo em que um edifício e/ou seus sistemas
tecnologia utilizada, sempre será possível a
se prestam às atividades para as quais foram
racionalização dos processos, a economia de
projetados e construídos, considerando a
insumos, o desenvolvimento do produto e a
periodicidade e correta execução dos
otimização da sua qualidade." Por exemplo,
processos de manutenção especificados no
as construtoras, com a busca e adequação
seu Manual de Uso, Operação e Manutenção"
de soluções que reflitam no desempenho e na
(ABNT NBR 15575-1, 2013). John e Sato
sustentabilidade da edificação, entre outras
(2006, p. 25) afirmam que a vida útil é "uma
adequações, podem receber certificações
quantificação da durabilidade".
ambientais como:
Quando não acontece o planejamento da vida
útil da edificação e a realização das
manutenções e vistorias técnicas periódicas, a) o LEED -Leadership in Energy and
surgem anomalias construtivas que Environmental Design-, sistema norte-
contribuem para a deterioração precoce da americano para certificação de construções
construção. A análise visual das sustentáveis;
manifestações patológicas e constatações
b) o AQUA-HQE -Alta Qualidade
acerca das condições físicas dos
Ambiental-, certificação brasileira para
subsistemas e das falhas de manutenção,
construções sustentáveis baseada no sistema
possibilitam a determinação da sintomatologia
francês NF Bâtiments Tertiaires – Démarche
da edificação. Quando acontecem
HQE® ou
regularmente, inspeções prediais permitem a
detecção, ainda em estágio inicial, de c) certificações e programas associados
manifestações patológicas, uma à qualidade da construção como o PBQP-H -
exteriorização de um processo de Programa Brasileiro da Qualidade e
degradação (FRANÇA et al., 2011). Produtividade do Habitat-, programa
governamental de incentivo à qualidade e às
De acordo com a NBR 16280 (ABNT, 2014),
exigências de desempenho.
os serviços de manutenção devem ser
planejados de maneira a evitar reiteradas
intervenções, otimizar os insumos e recursos
Tais certificações aumentam a
financeiros empregados e manter o
competitividade e o acesso a novos
desempenho adequado da edificação.
mercados, possibilitam também um sistema
Vistorias periódicas permitem a verificação
construtivo mais limpo, com menor
dos pontos mais críticos da edificação e a
desperdício e maior lucratividade, além de
implantação de um programa de manutenção
acesso facilitado a financiamentos.
que, aliado ao Manual do usuário, resultam
em decisões e práticas otimizadas, com Pelo lado do usuário-beneficiário, Santos
ganhos para o meio ambiente e satisfação Júnior (2014) enfatiza que o cliente brasileiro
para os usuários (SANTOS et al., 2014). atenta-se cada vez mais para a qualidade e o
desempenho das construções. Resultados
É importante ressaltar que o aumento da vida
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
184

promissores já têm sido mostrados nas qualidade e durabilidade da edificação


construções em que se faz o planejamento do (ALLEN, 2011).
aumento da vida útil, o que tem gerado
A NBR 15575-1 (ABNT, 2013) estabelece um
vantagens para a sociedade e para o setor da
patamar mínimo de tempo para o qual um
construção civil. Para a sociedade, além dos
sistema construtivo é projetado, de maneira a
benefícios ambientais, possibilita-se o acesso
atender às exigências de habitabilidade e
a tecnologias com custo reduzido e qualidade
construtibilidade. Esse período, que é uma
atestada, o que favorece também a
estimativa do tempo de vida útil, é
população de baixa renda e atende a
denominado de vida útil de projeto.
programas de interesse social.
Para o planejamento da vida útil da
Em termos de benefícios ambientais,
edificação, são premissas fundamentais: a
considera-se que o planejamento do alto
vida útil de projeto, características dos
desempenho dos edifícios e a consequente
materiais base e subcomponentes, requisitos
diminuição na extração de recursos são
e critérios de desempenho dos subsistemas,
ações que contribuem para a redução da
periodicidade dos processos de manutenção
emissão dos gases de efeito estufa (MOURA;
e o fornecimento e aplicação do Manual de
SANTOS; PINHEIRO, 2016). Com o aumento
Uso, Operação e Manutenção da edificação
da qualidade da edificação e o planejamento
(FAGUNDES NETO, 2013).
global do ambiente construído, minimizam-se
as manifestações patológicas endógenas e Dentre os requisitos e critérios de
funcionais e o dispêndio de matéria e energia. desempenho para os subsistemas de
Nesse caso, outros impactos ambientais vedação vertical pode-se destacar, dentre
negativos provocados pela construção civil outros: segurança estrutural, segurança
também são atenuados. contra incêndio, segurança no uso e
operação, estanqueidade, desempenho
ambiental, conforto antropodinâmico,
2.3 REQUISITOS E CRITÉRIOS DE durabilidade e manutenibilidade (ABNT NBR
DESEMPENHO 15575-4, 2013).
O planejamento da vida útil requer o Durabilidade e manutenibilidade apresentam
conhecimento das características das a vida útil de projeto como requisito
diversas partes da edificação, do seu fundamental. Para os subsistemas de
desdobramento e da multiplicidade de suas vedações verticais internas e externas, a NBR
inter-relações e funções. Quanto maior o 15575-1 (ABNT, 2013) estabelece prazos
conhecimento, mais acertada será a escolha mínimos de vida útil de projeto de acordo com
técnica para as múltiplas possibilidades a o Quadro 1.
serem exploradas e as repercussões na

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


185

QUADRO 1 – Exemplos de vida útil de projeto (VUP) para os componentes do subsistema de


vedação vertical.

Fonte: extrato da NBR-15575-1 (ABNT, 2013).

Considerando os subcomponetes e materiais base empregados nas construções, Souza (2010)


afirma que esses devem ser selecionados, testados e especificados em projeto de acordo com
requisitos e critérios de desempenho estabelecidos pelas normas técnicas correspondentes, do
contrário aumenta-se a possibilidade de ocorrência de manifestações patológicas, assim como
elevam-se os custos de manutenção. Além disso, métodos construtivos racionalizados, com
otimização do uso e da aplicação dos insumos, procuram substituir recursos naturais pelo uso de
resíduos. A utilização de materiais reciclados é importante porque reduz os danos ambientais,
incluindo atenuações na emissão de gases de efeito estufa, já que se diminui a extração de matéria-
prima (REID; HOUSTON, 2013).
subsistema de vedação, os fechamentos
verticais e as divisões internas; componentes,
também denominados elementos construtivos
3. METODOLOGIA funcionais, as alvenarias, os revestimentos, as
vergas, as esquadrias etc.; e
O presente trabalho, de natureza aplicada,
subcomponentes e materiais base, os
abordagem qualitativa e exploratório quanto
característicos de cada componente.
ao objetivo, foi operacionalizado por meio de
revisão bibliográfica e um estudo de caso. A metodologia para análise do sistema teve
como fundamentos: análise de documentos e
A revisão bibliográfica centrou-se na
projetos existentes, entrevista com o
importância do planejamento da vida útil das
engenheiro responsável pelas reformas da
edificações e nos principais requisitos e
edificação e observações in loco,
critérios de desempenho das vedações
considerando-se os procedimentos de vistoria
verticais, tendo-se como base as partes 1 e 4
e inspeção preliminar da engenharia
da NBR 15575 (ABNT, 2013).
diagnóstica em edificações.
O caso consistiu em estudar as vedações
A análise dos dados, considerada sua
verticais externas e internas do edifício de
confluência a partir dos diferentes
uma moradia estudantil de uma universidade
procedimentos, permitiu: uma avaliação de
pública. Taxonomicamente considerou-se:
como as inter-relações dos componentes,
sistema, o espaço físico do alojamento;
subcomponentes e materiais base do
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
186

subsistema de vedação vertical afetam externas foram reparados: reboco, pintura e


diretamente a vida útil da edificação; a portas. Decorridos doze anos da reforma,
determinação da sintomatologia do critérios para o estabelecimento da vida útil
subsistema em questão. dos elementos construtivos funcionais da
edificação, como explicitado anteriormente no
Quadro 1, ainda não são aplicados.
3.1 OBJETO DE ESTUDO Concernente ao Manual de Uso, Operação e
Manutenção da edificação, não há
O edifício residencial situa-se numa das
informações sobre sua existência, ainda que
principais avenidas da universidade, próximo
seja uma ferramenta imprescindível para o
aos pavilhões de aula e a vários
bom desempenho, durabilidade e aumento da
departamentos. Além da facilidade de
vida útil da edificação.
acesso, nota-se a preocupação com o
conforto visual para os usuários: a fachada da No caso estudado evidenciou-se, conforme
edificação está voltada para uma área apontado no referencial teórico, que quando
ajardinada, que proporciona uma vista não são realizadas vistorias periódicas ou a
convidativa e agradável. implantação de um programa de manutenção
há comprometimento do desempenho e da
O edifício, concluído em 1963, tem três
durabilidade da edificação.
andares e um subsolo. O subsolo é destinado
às atividades educacionais e os demais
andares é reservado para a moradia
4.2 SUBSISTEMA DE VEDAÇÃO VERTICAL
estudantil. A estrutura é reticulada em
concreto armado e está organizada na forma A sintomatologia do subsistema de vedação
de acomodações e andares tipo. vertical ensejou a confirmação de
manifestações patológicas em alguns
elementos construtivos funcionais,
4. RESULTADOS principalmente nos revestimentos, pinturas e
esquadrias. Alguns sintomas apresentados
4.1 USO E OCUPAÇÃO DO EDIFÍCIO
prejudicam diretamente a segurança dos
A utilização da edificação inclui sua operação usuários e das instalações: desprendimento
e as atividades de manutenção realizadas de revestimentos de fachada, argamassados
durante sua vida útil. Para o caso analisado, e cerâmicos; vidros quebrados; mofo, bolor e
não há registros de uma manutenção rotineira, manchas de umidade.
inspeções periódicas ou estimativas de
Constata-se que os mecanismos de
durabilidade dos subsistemas, componentes
degradação dos elementos construtivos
ou materiais base da edificação. Há relatos de
funcionais advêm principalmente da ausência
solicitações dos usuários com consequentes
de processos de impermeabilização, erros na
intervenções de emergência.
especificação de materiais, falhas na
Ocorreu apenas uma grande reforma na execução dos serviços e na manutenção do
edificação após sua construção. Dentre subsistema. Observou-se considerável
outros elementos, alguns componentes do ocorrência de infiltrações e descolamento de
fechamento vertical externo e das divisórias revestimentos (Figura 1).

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


187

FIGURA 1 – Manifestações patológicas nos revestimentos: (a) Manchas e bolor decorrentes da


infiltração; (b) Descolamento de revestimentos cerâmicos.

(a) (b)
Fonte: autores (2017).

Outros problemas encontrados foram: desagregamento, descascamento, eflorescência, fissuras,


mofo, enrugamento e bolhas nas pinturas internas e das fachadas; deterioração das esquadrias,
com destaque para a corrosão das esquadrias metálicas. Algumas dessas anomalias podem ser
observadas na Figura 2.

FIGURA 2 – Manifestações patológicas na pintura e esquadrias: (a) Descascamento da pintura; (b)


Deterioração da esquadria externa. Fonte: autores (2017).

(a) (b)
Fonte: autores (2017).

Para a limitação dos mecanismos de subcomponentes e materiais base,


degradação dos componentes da edificação subsidiando critérios de seleção e aceite dos
evidenciou-se como fundamentais: a materiais; descrição e aplicação de técnicas
especificação das características dos específicas para cada componente da
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
188

edificação, como os procedimentos de específicos, que levam em conta, por


impermeabilização; realização de vistorias exemplo, a vida útil ou as características
periódicas; aplicação da manutenção físicas e mecânicas para escolha dos
preventiva com datas prováveis e materiais.
detalhamento de cada serviço a ser
Ainda considerando os materiais de
executado; metodologias para preservação
construção, também não foram aplicados
das propriedades dos subcomponentes e
subcomponentes ou materiais base
materiais base; previsão da vida útil de
reciclados/reutilizados. Relativamente à
projeto para a edificação e para os materiais,
gestão de resíduos da construção civil
com discriminação da durabilidade de acordo
durante a reforma predial, que foi o período
com o tipo de exposição e desempenho
passível de avaliação desse critério, não
previstos; base de dados com registros
houve a separação ou parâmetros para a
técnicos das construções e subsequentes
redução da geração dos resíduos. Para
manutenções programadas, entre outros.
aplicação de programas que minimizem a
De acordo com os dados levantados e às geração de resíduos devem ser utilizados
manifestações patológicas observadas in métodos construtivos racionalizados, com
loco, para os subsistemas de vedações aperfeiçoamentos no uso e na aplicação dos
verticais, constata-se o não atendimento dos insumos, conforme exposto no referencial
requistos e critérios de desempenho teórico. Para o caso analisado foram
relacionados à segurança no uso e operação; empregados métodos tradicionais de
estanqueidade; e desempenho ambiental, construção durante a reforma.
relativamente à seleção e consumo de
materiais. Entretanto, os requisitos mínimos
exigidos pelas normas técnicas já citadas 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
foram atendidos considerando os itens
O presente trabalho buscou salientar a
segurança estrutural, segurança contra
importância do planejamento da vida útil da
incêndio e conforto antropodinâmico.
construção. São inúmeras as vantagens
Para a edificação em análise, não há quando a edificação é projetada
manutenções periódicas, o que dificulta a considerando as inter-relações de seus
análise do requisito de durabilidade e elementos nos subsistemas e seu
manutenibilidade para os componentes da desempenho global, incluindo às etapas de
edificação. Entretanto os dados apontam para operação e manutenção. Em contrapartida,
o não comprimento desse preceito. A NBR nota-se o aceleramento da degradação da
15575-1 (ABNT, 2013) ainda enfatiza que, edificação quando não há preocupação com
sem a constância e efetividade das esses aspectos.
manutenções, além do comprometimento da
A partir da análise do fechamento vertical de
vida útil, ocorrem eventuais manifestações
uma edificação residencial numa universidade
patológicas resultantes do uso inadequado da
pública, observou-se que a aplicabilidade
edificação.
normativa ainda não está integrada às rotinas
Apesar da construção da edificação estudada de manutenção no ambiente universitário
datar de antes do estabelecimento da norma estudado. A condição das manifestações
de desempenho, destaca-se que os critérios patológicas observadas nos elementos
normativos para planejamento da vida útil da construtivos funcionais vistoriados e em
edificação são critérios mínimos. Ademais, outros componentes, em grande parte, são
nota-se que a reforma e as intervenções decorrentes do não planejamento da vida útil
posteriores também não levaram em conta a da edificação, de seus componentes e
previsão da vida útil para os materiais ou subcomponetes, da discricionariedade na
subsistemas da edificação. especificação dos materiais e da carência de
vistorias e manutenções periódicas. Acentua-
se o fato de considerar que o ambiente
4.3 SUBCOMPONENTES E MATERIAIS BASE universitário do estudo possui cursos de
arquitetura e engenharia.
Para seleção dos materiais utilizados na
reforma, ocorreu a triagem de determinadas A principal desvantagem da metodologia
marcas e o emprego do termo "ou similares" adotada foi a limitação dos fenômenos
no edital de licitação. Não foram empregados analisados a partir da utilização de um caso
requisitos e critérios de desempenho específico, o que pôde ser contornado pela
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
189

pesquisa bibliográfica que permitiu a reformas; os impactos ambientais negativos,


cobertura de um conjunto maior de como a emissão de gases de efeito estufa; e o
informações. custo global da edificação.
Notou-se também que a necessidade de uma Finalmente, cabe mencionar que quando os
política institucional específica para a projetos de uma edificação efetivamente são
qualidade e a otimização do desempenho no inclusivos quanto ao desempenho e a
ambiente construído, implicam no incremento sustentabilidade da edificação, também há
da durabilidade da edificação e na benefícios para as construtoras, garantindo-
consequente redução de manifestações lhes vantagens competitivas e econômicas,
patológicas endógenas e funcionais. Dessa assim como satisfazem os usuários e geram
forma, diminuem-se a necessidade de repercussões positivas.

REFERÊNCIAS
[1]. ALLEN, E. Como os edifícios funcionam. A Dissertação (Mestrado em Arquitetura) - Escola de
ordem natural da arquitetura. São Paulo: Wmf Arquitetura da Universidade Federal de Minas
Martins Fontes, 2011. Gerais - UFMG, , Belo Horizonte, 2013. Disponível
[2]. ASSOCIACÃO BRASILEIRA DE NORMAS em:
TÉCNICAS. NBR 15575: Edificações Habitacionais <http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstr
- Desempenho Parte 1 - Requisitos gerais. Rio de eam/handle/1843/AMFE-
Janeiro: ABNT, 2013. 9A4NBC/disserta__o_mestrado___marianna_costa_
[3]. ASSOCIACÃO BRASILEIRA DE NORMAS mattos.pdf?sequence=1>. Acesso em: mai. 2017.
TÉCNICAS. NBR 15575: Edificações Habitacionais [10]. MOURA, J.M.B.M. de; SANTOS, J. T. dos;
- Desempenho Parte 4 - Sistemas de Vedações PINHEIRO, I. G. Percepção do Impacto da NBR
verticais internas e externas. Rio de Janeiro: ABNT, 15575 na Sustentabilidade da Edificação. Revista
2013. de Gestão Social e Ambiental, v.10, n.1, p. 72-92,
[4]. ASSOCIACÃO BRASILEIRA DE NORMAS 2016. Disponível em:
TÉCNICAS. NBR 16280: Reforma em Edificações - https://rgsa.emnuvens.com.br/rgsa/article/downloa
Sistema de Gestão de Reformas - Requisitos. Rio d/1107/pdf. Acesso em: jun. 2017.
de Janeiro: ABNT, 2014. [11]. REID, L.A.; HOUSTON, D. Low carbon
[5]. FAGUNDES NETO, J.C.P. Vida Útil e housing: a ‘green’ wolf in sheep’s clothing?
Desempenho das Edificações na ABNT: NBR Housing Stud, v.28, n.1, p. 1-9, 2013. Disponível
15575/13. Concreto e Construções, IBRACON. São em: <http://search-
Paulo, ano XLI, n.70, p.45-50, abr./jun. 2013. ebscohostcom.ez35.periodicos.capes.gov.br/login.
Disponível em: aspx?direct=true&
http://www.ibracon.org.br/publicacoes/revistas_ibra db=aph&AN=84918829&lang=pt-br&site=ehost-
con/rev_construcao/pdf/Revista_Concreto_70.pdf. live&authtype=ip,cookie,uid>. Acesso em: jun.
Acesso em: jun. 2017. 2017.
[6]. FRANÇA A. A. V. et al. Patologia da [12]. SANTOS JÚNIOR, L. V. dos. Projeto e
Construções: uma especialidade na engenharia Execução de Alvenarias Fiscalização e Critérios de
civil. Téchne, ed. 174, p.72-77, set. 2011. Aceitação. São Paulo: Pini, 2014.
Disponível em: [13]. SANTOS, W. S.; DARDENGO, C. F. R.;
<http://techne.pini.com.br/engenharia- CARVALHO, C. C.; ALVARENGA, R. C. S. S.;
civil/174/artigo285892-1.aspx>. Acesso em: mai. SILVA, R. C. Prescrições para construções de
2017. edificações residenciais multifamiliares com base
[7]. JOHN, V. M.; SATO, N. M. N. Durabilidade nas patologias identificadas na cidade de Viçosa-
de componentes da construção. Coletânia Habitare MG. Revista de Engenharia e Tecnologia, v.6, n.2,
– Construção e Meio Ambiente. Porto Alegre, v. 7. p.104-123, 2014. Disponível em:
p. 21-57, 2006. Disponível em: <https://rgsa.emnuvens.com.br/rgsa/article/downlo
<http://www.habitare.org.br/ArquivosConteudo/ct_7 ad/1107/pdf>. Acesso em: jun. 2017.
_comp.pdf>. Acesso em: mai. 2017. [14]. SOUZA, J. Como comprar materiais e
[8]. MANDOLESI, E. Edificacion. 1.ed. serviços para obras. São Paulo: Pini, 2010
Barcelona: Ediciones CEAC, 1981. [15]. THOMAZ, E. Tecnologia, Gerenciamento e
[9]. MATTOS, M.C. Planejamento da Vida Útil Qualidade na Construção. 1.ed. São Paulo: Pini,
na Construção Civil: Uma metodologia para a 2001.
aplicação da Norma de Desempenho (NBR 15575) [16]. YAZIGI, W. A Técnica de Edificar. 13.ed.
em sistemas de revestimentos de pintura. 218 f. São Paulo: Pini, 2013.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


190

Capítulo 19
Ana Cecilia Lyra Fialho Breda
Yago de Moura Barros Pessoa
Laryssa Ramos de Holanda

Resumo: Muitos empreendedores veem no atual quadro financeiro em que o país


se encontra, a oportunidade de começar seu próprio negócio. O presente artigo
propõe desenvolver um plano financeiro para auxiliar uma empresa a entrar no
mercado de confeitaria e a se adequar ao ambiente econômico atual. No qual, a
mesma, desconhece os preços a serem cobrados por seus produtos, pois ignora
seus custos de produção. Com a implementação do plano financeiro, a
empreendedora passou a detectar seu custo de produção. Através da
implementação de indicadores financeiros de ponde de equilíbrio, lucratividade,
rentabilidade e prazo de retorno do investimento, conclui-se que a empresa
apresenta retorno financeiro em menos de 6 meses. Dessa forma, a empresa
passou a entender melhor o seu próprio funcionamento e limitações, tornando-se
possível a preparação para os riscos e oportunidades decorrente tanto do ambiente
externo quanto interno.

Palavras chave: Plano financeiro; Estratégia; Micro e pequenas empresas.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


191

1. INTRODUÇÃO lucratividade, reprimindo a demanda e


reduzindo o espaço para novos
Atualmente o Brasil vem apresentando um
empreendedores individuais ou
ambiente empresarial bastante complexo
microempresas. Então, entrar nesse mercado
devido à crise política e econômica presente
em meio à crise não seria uma oportunidade
no país. Nesse contexto, um dos primeiros
de negócio segura.
impactos sofridos é a inflação, que por sua
vez causa um grande aumento da taxa de Dessa forma, acredita-se que a elaboração de
desemprego. um plano financeiro diminuiria os riscos de se
empreender no atual cenário econômico,
Levados pela busca de rendimentos, as
sendo o planejamento parte das ferramentas
pessoas veem no desemprego uma
utilizadas para a entrada e sobrevivência no
oportunidade de empreender, ou seja, de dar
mercado.
início ao seu próprio negócio. Porém,
conforme o relatório “Sobrevivência das O presente trabalho tem por objetivo
Empresas no Brasil” realizado pelo Sebrae desenvolver um plano financeiro para uma
(Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e empresa entrante no mercado de confeitaria.
Pequenas Empresas), no ano de 2013, nos Desse modo, dar subsídios para que o
estabelecimentos com até 2 anos de empreendedor consiga entrar no novo
existência a taxa de mortalidade empresarial mercado e sobreviver à atual crise
foi de 24,4% no país e 30% na região econômica.
Nordeste.
De acordo com Pereira e Sousa (2009), essa
2. PLANO FINANCEIRO COMO
taxa de mortalidade precoce das MPE (Micro
FERRAMENTA ESTRATÉGICA
e Pequenas Empresas) é um assunto cada
vez mais discutido e pesquisado por centros Segundo Chiavenato (2007), o plano
de estudos e serviços como o Sebrae, financeiro dá a devida importância nas
Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre outras informações necessárias para avaliar os
instituições que avaliam diversas variáveis e a resultados e o desempenho da empresa, visto
evolução das MPE em determinados que muitas vezes as empresas começam a
períodos, pois muitas destas empresas diminuir seus lucros sem saber identificar o
entram em falência devido a diversos fatores, motivo.
como a falta de planejamento antes da
Para realização de tal plano o Sebrae (2013),
abertura, de conhecimento de mercado, de
dividiu o mesmo em quatro passos:
formação/experiência na gestão de um
investimento total, estimativas de faturamento
negócio, e de comportamento/atitudes
e custos totais, e indicadores de viabilidade.
empreendedoras. Estes fatores podem ser
O primeiro, o investimento total, é constituído
identificados em estudos de caso ou
por investimentos fixos, capital de giro e
pesquisas de campo.
investimentos pré-operacionais. O segundo é
Com o objetivo de auxiliar uma empresa formado por estimativa de faturamento e
entrante em um novo mercado, e sobreviver custos totais fixos e variáveis. Por último os
diante desse ambiente econômico de crise, o indicadores de viabilidade, como por exemplo
plano financeiro, contido no plano de o ponto de equilíbrio, lucratividade,
negócios, é um instrumento que propicia ao rentabilidade e prazo de retorno do
empreendedor ter uma visão antecipada das investimento.
condições do mercado em que irá se
A partir de seus estudos em relação a
estabelecer, para que possa tomar decisões
ferramenta de plano financeiro, Dornelas
mais objetivas e com riscos calculados, o que
(2005) afirma que se considerarmos dois
demonstra a importância de planejar ações.
empreendimentos na mesma igualdade de
Segundo a Associação Brasileira da Indústria condições, o negócio que possuir um bom
de Panificação e Confeitaria (2016), o planejamento irá ter maiores chances de
mercado de confeitaria apresentou um sucesso do que aquele que não utiliza o
aumento relevante de sua demanda nos mesmo. Em Stürmer et al. (2012), foi
últimos anos, o que representou uma desenvolvido um plano financeiro de uma
oportunidade de negócio para novos empresa de comércio de materiais de
empreendedores, porém, não diferente dos construção e ferragens. O estudo apresentou
outros setores da economia, desde 2015 a que apesar da empresa ser considerada
crise econômica vem afetando sua tradicional e equilibrada financeiramente, a
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
192

aplicação do plano apresentou informações empresa a partir da caracterização e


vitais referentes ao nível estratégico para a levantamento do histórico da mesma. Com
mesma. isso, como forma de avaliar e solucionar
alguns dos problemas, será desenvolvido um
A importância do plano financeiro segundo
plano financeiro para a confeitaria. Todos os
Chiavenato (2007) está em ajudar a enfrentar
dados utilizados no estudo serão coletados
os possíveis erros e a direcionar os esforços
junto a empreendedora, a empresa, seus
da melhor maneira. Ainda, acrescenta que um
possíveis fornecedores e concorrentes. Além
bom plano é um instrumento valioso, no qual
disso, os mesmos serão tabulados com o
ajuda a atrair investidores, fornecedores e
auxílio do Excel 2016.
parceiros para o empreendimento.
O presente artigo terá como apoio o modelo
do plano financeiro, contido no Plano de
3. METODOLOGIA Negócios proposto pelo Sebrae (2013), no
qual será dividido em 4 etapas, essas são:
Este artigo é definido como um estudo de
caso, que, segundo Gil (2002) é uma
modalidade que consiste num estudo
profundo e exaustivo de um ou mais objetos, [1] Pesquisa de Mercado: no qual são
de modo que permita seu amplo e estudados fornecedores e concorrentes;
determinado conhecimento. Além disso, [2] Investimento total: composto por
caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, investimentos fixos e investimentos pré-
pois tem como principal objetivo a descrição operacionais.;
das características de determinada
população ou fenômeno. A mesma também [3] Estimativa de faturamento e custos
possui um caráter exploratório, pois busca totais: que são estimativas do custo unitário
proporcionar uma maior familiaridade com o por etapa do bolo, receita, custo com
objeto a ser estudado, realizando uma materiais diretos, custo fixo, receita e lucro
análise. líquido;
O estudo de caso será realizado em uma [4] Indicadores de viabilidade: serão
empresa entrante no mercado de confeitaria, efetuados tais indicadores:
onde, primeiramente serão identificadas e
analisadas as dificuldades presentes na

a) Ponto de equilíbrio (PE): segundo Louzada et al. (2008), este índice representa o nível de
volume de receita necessária para que a empresa iguale com seus gastos totais, ou seja, no qual
não gere lucro e nem prejuízo. O ponto de equilíbrio é dado pela equação 1.

O PE é gerado pelo custo fixo total da produzido, dividido pela margem de


empresa, ou seja, o custo necessário para contribuição (MC). Este último, é composto
fazer a empresa funcionar que não sofre pela subtração da receita pelo custo variável
alterações de acordo com o volume total dividido pela receita total.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


193

b) Lucratividade: de acordo com Domingues (2016), a lucratividade é a capacidade percentual da


empresa em gerar lucro. É representada por meio das vendas, após subtrair de seu faturamento os
custos e despesas obtidos no mesmo período, ou seja, o lucro líquido dividido pela receita total,
como pode ser observado na equação 2.

c) Rentabilidade: A Rentabilidade, segundo Domingues (2016), demonstra em percentual o retorno


sobre o investimento inicial. Pode ser medido a partir da relação entre o lucro líquido da empresa
pelo investimento inicial, de acordo com a equação 3.

d) Prazo de retorno do investimento (PRI): também conhecido como payback, tem como finalidade
verificar o tempo necessário para a recuperação do capital investido em um projeto (COLPO et al.,
2016). É calculado a partir da divisão do investimento da empreendedora pelo lucro líquido da
empresa, e pode ser observado na equação 4.

4. RESULTADOS Localizada em Maceió, Alagoas, a


microempreendedora utiliza da sua própria
4.1 ESTUDO DE CASO
residência para a fabricação de seus
A ideia de montar uma empresa no ramo de produtos, os bolos artísticos, nos tamanhos de
confeitaria teve início quando a 15, 20, 25, 30 e 40 centímetros de diâmetro. A
empreendedora, desempregada e em meio à mesma, possui como ponto forte a
crise financeira, sentiu a necessidade de flexibilidade de produtos, relacionados com
ajudar nas despesas de casa. Encontrou em tamanhos, sabores e trabalho artístico, além
um curso de bolo, essa oportunidade. Sem de oferecer também produtos sem glúten e
muita experiência a princípio, aperfeiçoou-se lactose.
e começou a fazer seu nome no mercado
Hoje, o empreendimento esbarra em algumas
vendendo bolos artísticos para familiares e
limitações. A primeira, é a baixa demanda,
amigos.
sendo raras as vezes aos finais de semana

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


194

que possui encomenda de três ou mais bolos. 4.2 PLANO FINANCEIRO


Apesar de acreditar possuir a capacidade
A elaboração do plano financeiro foi realizada
produtiva de três bolos por dia, a mesma tem
em quatro etapas, essas são: a pesquisa de
essa capacidade comprometida, devido ao
mercado, a definição do investimento total,
acumulo de atividades e a falta de
das estimativas de faturamento e dos custos
funcionários. Outra limitação é a escassez do
totais, e os cálculos dos indicadores de
tempo, em que reflete falta da promoção da
viabilidade.
empresa e na inexistência do sistema de
entregas dos produtos.
A empreendedora não possui um sistema 4.2.1 PESQUISA DE MERCADO
eficiente de compras e pesquisa de preço de
Para realizar o planejamento financeiro da
matéria-prima. Similarmente, não possui
empresa estudada, primeiramente foi
critérios econômicos pertinentes para a
realizada uma análise no mercado fazendo
elaboração dos preços dos produtos
um estudo dos concorrentes e fornecedores
vendidos, seus preços são sempre abaixo de
da microempresa.
seus concorrentes, sem saber se os mesmos
cobrem o custo de produção. Outra barreira é a) Concorrentes: Foram selecionados oito
falta controle dos gastos provenientes da possíveis concorrentes e elaborada a tabela
produção, no qual muitas vezes é mesclado 1, no qual apresenta o preço do produto
com o seu orçamento familiar. Além disso, ofertado de acordo com os tamanhos dos
não possui o investimento inicial quantificado. produtos oferecidos.

TABELA 1 – Preço da concorrência.

Fonte: Autores.

b) Fornecedores: Fatores como distância, matéria prima e é próximo da residência da


acessibilidade, preço, variedade e empreendedora, porém não possui todas as
quantidade de produtos, foram levados em matérias-primas para a produção.
consideração na hora de escolher os
fornecedores. Como fornecedor principal foi
selecionado uma loja de artigos de festas, no Para a realização do custo unitário de matéria-
qual vende por varejo e atacado, possui uma prima, a tabela 2 apresenta os valores dos
boa variedade de mercadoria dos materiais materiais necessários para a fabricação de
necessários para a produção. Como bolo. Os preços foram colhidos nos
fornecedor secundário foi selecionado um fornecedores mencionados anteriormente e é
supermercado que também vende em considerado um cenário pessimista, ou seja,
atacado, oferece os menores preços de aponta o maior custo de cada produto.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


195

TABELA 2 – Valor das matérias-primas.

Fonte: Autores.

4.2.2 INVESTIMENTO TOTAL investimentos pré-operacionais da empresa,


que são as despesas realizadas antes de
O investimento fixo levantado é todo o
abrir o negócio. Tais despesas se resumem
material que foi adquirido para a produção
aos cursos e treinamentos realizados pela
apropriada de bolo. Levando em
empreendedora.
consideração que a empreendedora trabalha
em casa, logo não comprou bens materiais de Após ter estimado os valores de investimentos
grande porte como geladeira, fogão e móveis. com materiais e os pré-operacionais, têm-se o
O investimento fixo foi delimitado em alguns somatório dos mesmos para chegar ao
utensílios de cozinha que a empreendedora investimento total para abrir a empresa. Os
não possuía. Além disso, existem os investimentos são apresentados na tabela 3.

TABELA 3 – Investimento.

Fonte: Autores.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


196

4.2.3 ESTIMATIVA DE FATURAMENTO E Os valores unitários de matéria-prima,


CUSTOS TOTAIS apresentado na tabela 2, foram utilizados para
a elaboração da tabela 4, na qual apresenta o
Visando conhecer o custo variável de
somatório do custo unitário de matéria-prima
produção, ou seja, o custo com a matéria-
utilizada em cada etapa do bolo, ou seja,
prima para cada tamanho de bolo, a tabela 4,
massa, recheio e cobertura, e para cada
foi elaborada de acordo com o cenário
tamanho. Vale salientar que a quantidade de
pessimista, levando em consideração os
matéria-prima varia de acordo com o tamanho
preços mais elevados das matérias-primas.
do produto, logo existe a diferença de preço
Deve-se trabalhar em cima desse cenário
não linear.
para evitar que a empreendedora tenha
prejuízo.

TABELA 4 – Custo unitário por etapa do bolo.

Fonte: Autores.
Visando o estudo do faturamento total, foi consideração o preço a baixo do mercado
necessário reajustar a tabela de preços que a empreendedora pratica atualmente.
cobrados pela a empreendedora. Para isso, Dessa forma, os preços que eram cobrados
uma estratégia para estabelecer um preço pela empresa foram padronizados,
padrão foi elaborada, também levando em reajustados e expressos na tabela 5.

TABELA 5 – Preço proposto por produtos.

Fonte: Autores.

Durante o estudo foi solicitado a dos produtos, tabela 5, e a demanda média


empreendedora que anotasse a demanda de mensal observada, foram calculados o
bolos, esse levantamento foi realizado durante faturamento por produto e o total faturado. A
um período de três meses, tendo que a média tabela 6 expressa a estimativa da receita
dessa demanda pode ser observada na mensal da empresa.
tabela 6. De acordo com a tabela de preço

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


197

TABELA 6 – Receita mensal.

Fonte: Autores.

Para o cálculo do Custo com Materiais Diretos utilizada na tabela de estimativa do


(CMD), tabela 7, foram utilizados o custo faturamento mensal anteriormente, tabela 6.
unitário para a produção de cada variedade Assim, foi possível calcular o CMD de cada
de bolo, presente na tabela 4. Junto a isso, foi produto ofertado.
utilizado a demanda estimada mensal
TABELA 7 – Custo com materiais diretos.

Fonte: Autores.

Tendo que o custo fixo são todos os gastos Os valores considerados para o cálculo dos
realizados pela a empresa que não sofrem custos fixos mensal são: a energia elétrica,
muita alteração de acordo com o volume de gás de cozinha, material de limpeza,
produção. Custos como aluguel, condomínio, combustível, depreciação da batedeira e os
IPTU, não entram no custo fixo mensal da preços médios gastos com a promoção da
empresa em questão, pois a mesma tem a empresa. A tabela 8 apresenta os tais custos
produção feita em casa. Outro custo fixo fixos das operações mensais da empresa.
mensal que não entra na conta da empresa é
a água, pois utiliza-se de água do poço, logo
não tem valor financeiro agregado.

TABELA 8 – Custo fixo mensal.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


198

Fonte: Autores.

Seguindo a linha de raciocínio diante de todos que o lucro previsto proporcionará um


os dados apresentados anteriormente, a aumento de 508,42% no resultado líquido
tabela 9 apresenta o demonstrativo de anterior, visto que o mesmo pôde ser
resultados. É previsto que a empresa, nas estimado com prejuízo de R$ 122,93
condições desenvolvidas no presente artigo, (utilizando os custos levantados aqui e os
irá operar com lucro mensal de R$ 541,31, preços praticados anteriormente).
observado ainda na tabela 9. Considerando

TABELA 9 – Lucro líquido.

Fonte: Autores.

4.2.4 INDICADORES DE VIABILIDADE


Dentre os indicadores de viabilidade, o ponto sem obter nenhum lucro. Tendo que, o ponto
de equilíbrio (PE), como sugere o nome, é de equilíbrio é dado pela equação 1
quanto a empresa precisa faturar com as
vendas de bolo para pagar todos os custos

Logo, o PE da empresa é de:

Conclui-se que o ponto de equilíbrio mensal mesma fatura. Uma organização com um bom
da empresa é de R$ 518,83, ou seja, é o valor índice de lucratividade possui dinheiro para
mensal necessário para cobrir todos os investir em si, destacando-se no mercado
custos da empresa. dentre seus competidores. Esse índice pode
ser obtido a partir da equação 2.
Já a lucratividade aponta a eficiência
operacional da empresa, logo indica quanto a

𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜
𝐿𝑢𝑐𝑟𝑎𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = × 100 (2)
𝑅𝑒𝑐𝑒𝑖𝑡𝑎 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


199

Substituindo os valores obtemos:

Como pode ser visto, apesar da empresa investido pela a empreendedora a longo
apresentar uma lucratividade baixa a mesma prazo, tem-se que com o investimento inicial
é lucrável, pois apresenta 19,51% de de R$ 3.870,68 e considerando que foi
lucratividade mensal. recebido uma doação de R$1.000,00 dos
familiares, o retorno mensal da
Sabendo que a rentabilidade irá medir a
empreendedora é dado pela equação 3.
quantidade recuperada do capital inicial

𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜
𝑅𝑒𝑛𝑡𝑎𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = × 100 (3)
𝐼𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜
Logo,

Como o produto ofertado da empresa possui O prazo de retorno, irá aproximar com quanto
um longo ciclo de vida, isto é, possui uma tempo a empreendedora irá recuperar o
fase longa até chegar ao declínio, não é dinheiro inicial investido, ou seja, o seu
necessário possuir uma rentabilidade alta. investimento, como pode ser observado na
Então, a rentabilidade apresentada pela equação 4.
empresa de 18,86%, é considerada boa.

Substituindo,

No quadro atual da empresa, para e que o preço cobrado pelo produto final não
R$ 2.870,68 que foi o investimento feito pela cobria os gastos da empresa.
mesma, ela terá seu retorno financeiro em
Ao analisar o mercado, operações do
menos de 6 meses de trabalho. Então,
empreendimento e questões financeiras da
considera-se que a partir desse período a
empresa estudada, o plano financeiro permitiu
empreendedora já deve pensar em efetuar
mostrar a empreendedora a importância do
novos investimentos na empresa.
controle dos gastos com o empreendimento e
a padronização dos preços dos produtos
ofertados, onde muitas vezes a mesma
5. CONCLUSÕES
trabalhava no prejuízo e não tinha o
O presente trabalho proporcionou um plano conhecimento. Vale salientar que o plano
financeiro para a empresa entrante no ramo financeiro desenvolvido foi enquadrado nas
de confeitaria, que se encontrava com condições atuais da empreendedora, e deve
problemas. Dentre os problemas identificados ser revisado de acordo com o avanço do
durante o desenvolvimento do trabalho, está o empreendimento.
desconhecimento dos custos fixos e variáveis,

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


200

Através da aplicação do plano financeiro a proposta, foi possível apontar problemas que
empresa passaria a ter um lucro líquido médio inviabilizavam o empreendimento, no qual o
de R$ 541,31. Apesar do lucro líquido ser planejamento teve papel crucial para que
baixo, o plano aumenta os preços de venda fossem tomadas as devidas ações corretivas
consideravelmente, e um grande aumento que trouxeram melhorias e proporcionaram
súbito pode acarretar na perda de clientela. O credibilidade a empresa para com o ambiente
estudo apresenta que o dinheiro investido na externo.
empresa irá ter retorno com menos de 6
Além de entender melhor o seu próprio
meses, tendo que para cada real investido a
funcionamento e limitações, a empresa passa
empresa lucra 18,86% e para cada real em
a enxergar melhor estratégias futuras para o
vendas a empresa lucra 19,51%.
desenvolvimento da mesma. Assim, torna-se
Um planejamento financeiro traz grandes possível a preparação para os riscos e
impactos positivos quando implementado em oportunidades decorrentes tanto do ambiente
uma empresa, independente do segmento da externos quanto internos, ao passar do tempo.
mesma. Ao ser aplicada a metodologia

REFERÊNCIAS
[1]. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA gestão. 2008. 2º Congresso UFSC de Controladoria
INDÚSTRIA DE PANIFICAÇÃO E CONFEITARIA; e Finanças e Iniciação Científica em Contabilidade.
INSTITUTO TECNOLÓGICO DA PANIFICAÇÃO E Disponível em: <
CONFEITARIA. Sobre o Setor 2015: performance http://dvl.ccn.ufsc.br/congresso/anais/2CCF/20080
do setor de panificação e confeitaria brasileiro em 810175743.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2017.
2015. ABIP, jan. 2016. Disponível em: [8]. PEREIRA, R. C. M.; SOUSA, P. A. Fatores
<http://www.abip.org.br/site/sobre-o-setor-2015/> de Mortalidade de Micro e Pequenas Empresas:
Acesso em: maio 2016. um estudo sobre o setor de serviços. SEGeT –
[2]. CHIAVENATO, I. Empreendedorismo: Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia.
dando asas ao espírito empreendedor: 2009. Disponível em
empreendedorismo e viabilidade de novas <http://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos09/195_
empresas: um guia eficiente para iniciar e tocar Mortalidade_nas_MPEs.pdf> Acesso em: maio
seu próprio negócio. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2016
2007. [9]. SEBRAE. Sobrevivência das Empresas no
[3]. Colpo, I.; Medeiros, F. S. B.; Weise, A. D. Brasil. Brasília: SEBRAE, 2013. Disponível em:
Análise de retorno do investimento: um estudo <http://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebra
aplicado em uma microempresa. 2016. RACI, e/Anexos/Sobrevivencia_das_empresas_no_Brasil=
Getúlio Vargas, v.10, n.21, Jan./Jul. 2016. 2013.pdf> Acesso em: maio 2016.
Disponível em: < [10]. SEBRAE. Como elaborar seu plano de
https://www.ideau.com.br/getulio/restrito/upload/rev negócios. Brasília: SEBRAE, 2013. Disponível em:
istasartigos/327_1.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2017. <http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/AR
[4]. Domingues, D. L. Lucratividade e QUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/5f6dba19baaf17a
rentabilidade: um estudo de caso em um escritório 98b4763d4327bfb6c/$File/2021.pdf> Acesso em:
contábil. 2016. Contábeis. Disponível em: < maio 2016.
http://www.contabeis.com.br/artigos/3646/lucrativid [11]. STÜRMER, A. J. R.; SCHNEIDER, C. F.;
ade-e-rentabilidade-um-estudo-de-caso-em-um- POLACINSKI, É. Empreendedorismo: um plano de
escritorio-contabil/>. Acesso em: 10 jun. 2017. negócios para uma empresa de comércio de
[5]. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: materiais de construção e ferragens. Horizontina:
transformando ideias em negócios. 2. ed. Rio de FAHOR, 2012. Disponível em:
Janeiro: Elservier, 2005. <http://www.fahor.com.br/publicacoes/sief/2012_6.
[6]. GIL, A. C. Como elaborar projetos de EMPREENDEDORISMO - UM PLANO DE
pesquisa. 4 ed. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2002. NEGÓCIOS PARA UMA EMPRESA DE COMÉRCIO
[7]. Louzada, L.C.; Nascimento, E. Q.; Neto, A. DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO E
S. Souza, M. C. A.Análise do ponto de equilíbrio e FERRAGENS.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2017.
alavancagem operacional como ferramentas de

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


201

Capítulo 20

Mayne Camargo Zambello


Jaqueline Stéfanie dos Santos
Priscila Pasti Barbosa

Resumo: A emissão da Nota Fiscal é obrigatória segundo a legislação brasileira,


podendo ser incriminada por ordem econômica e tributária a empresa que
descumprir essa regra, além de gerar confiança para os fornecedores e clientes.
Deste modo, há um vasto fluxo de tais dentro da organização por conta da
quantidade de produtos e serviços prestados, havendo a necessidade do controle
e monitoramento. Assim, o presente estudo teve como objetivo mapear o fluxo de
notas fiscais de duas organizações conjugadas, e propor melhorias, por meio do
método Business Process Model and Notation (BPMN). Com isso foi levantado
pesquisa bibliográfica e utilizado o software Bisagi como apoio. Enfim pode-se
notar atividades desnecessárias, tempos ociosos e falha na comunicação de
funcionários. Afim de solucionar estas complicações, foi elaborado e sugerido um
novo fluxo com os mesmos recursos.

Palavras-chave: Análise crítica de processo; BPMN; Bisagi; Nota fiscal.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


202

1. INTRODUÇÃO
A nota fiscal é uns dos documentos mais é gerada a partir de um produto, elaborou-se
importantes que transita nas corporações. A concomitantemente o mapeamento do
sua emissão é obrigatória, e seu objetivo é processo do pedido do produto até que o
registrar todos os vínculos relativos da mesmo seja anexado ao sistema.
empresa e principalmente para efeito da
legislação do imposto sobre a renda, desta
forma, quando a mesma não é emitida ou é 2. REFERENCIAL TEÓRICO
emitida de forma inadequada, resulta em
2.1. NOTA FISCAL
multas para a empresa, ocasionando assim a
deterioração da imagem da empresa. De acordo com a Lei no 8.846, de 21 de
janeiro de 1994, a emissão da nota fiscal,
Desse modo, a nota fiscal é um documento
recibo ou documento equivalente, relativo à
indispensável em uma empresa, todo produto
venda de mercadorias, prestação de serviços
e serviço oferecidos exigem uma nota fiscal,
ou operações de alienação de bens móveis,
portanto, o fluxo de notas fiscais é intenso, e o
deve ser efetuada para efeito da legislação do
processo pelo qual a nota passa é complexo
imposto sobre a renda e proventos de
e deve ser minunciosamente detalhado para
qualquer natureza, no momento da efetivação
que esta não seja extraviada até que chegue
da operação. Quaisquer outras transações
ao seu destino final.
realizadas com bens e serviços praticadas
Para que estes processos sejam mapeados por pessoas físicas ou jurídicas também se
graficamente e visualmente a fim de gerenciar encaixam na emissão de nota fiscal.
as mudanças no fluxo de trabalho (workflow),
aplicou-se o BPM (Business Process
Manegement), que, de acordo com Tadeu 2.2. SISTEMA CISS
Cruz (2008), consiste em uma estratégia de
A CISS é uma fábrica de software
alinhamento de processos com os objetivos
especializada no desenvolvimento de
da organização.
soluções em gestão para supermercados,
Isso posto, a notação utilizada para a lojas de materiais para
modelagem é o BPMN (Business Process construção, atacarejos e restaurantes (Food
Modeling Notation), uma notação rica em Service). Os produtos e serviços da CISS são
elementos de representação, tornando inspirados no setor varejista. Um dos
possível modelar os mais complexos benefícios do sistema CISS é que ele atende
processos, atrelando-se dessa maneira à de forma produtiva e sustentável as
função requerida (CAMPOS, 2013). obrigações fiscais que são impostas à
empresa, além de aumentar as vendas, a
O software utilizado foi o Bizagi Process
fidelidade do cliente, melhorando o fluxo
Modeler, e o tipo de processo de negócio
financeiro, a segurança da informação e
modelado foi o As is e o To Be, sendo
otimizando a produtividade dos
definidos respectivamente como o “antigo
colaboradores, tornando-se um importante
processo de negócio” e “novo processo de
aliado para a organização em questão.
negócio”, estruturados a fim de refinar e
controlar o processo (ALLWEYER 2010).
A organização em estudo é a conjugada em 2.3. PROCESSOS
duas empresas, sendo elas a MERCANTIL
Segundo Heráclito, um filósofo pré-socrático,
BELESKI e CONSTRUTORA BELESKI, que
“O mesmo homem não pode atravessar o
estão no mercado há mais de 30 anos e
mesmo rio, porque o homem de ontem não é
possuem um vasto mix de produtos e serviços
o mesmo homem, nem o rio de ontem é o
alusivos à casa e à construção.
mesmo de hoje”, analogicamente, um
Para fim de execução, o estudo em questão processo é a transformação de um
busca explorar e melhorar o processo da nota antecedente à um consequente, ou seja, nada
fiscal do produto que entra na empresa, até é estável, tudo se transforma (MARANHÃO E
que a mesma atinja o seu destino final, o dito MACIEIRA, 2004, p.11).
arquivo morto. A empresa possui como
Pode-se definir também, segundo Chiavenato
gerenciamento o sistema CISS, desta forma, o
(2006), como uma sequência lógica de
lançamento de nota fiscal é feito por esse
tarefas, uma sequência estruturada de
mesmo sistema. Entretanto, como a nota fiscal
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
203

atividades iniciadas com um input, de vários integrada do ambiente interno e externo das
elementos possíveis, tendo como meio o suas operações e das atuações de cada
processamento destes inputs, e tendo como colaborador participante em todos os
fim a saída ou output. processos de negócios (CRUZ, 2008).
Os processos organizacionais são aqueles Utilizando o Business Process Management a
que são centralizados na organização, e são organização é capaz de propiciar atenção ao
imperceptíveis ao cliente externo, mas de cliente individualmente, além de agregar valor
grande valor para a empresa; eles podem ser aos produtos mais simples devido à
ramificados em processo elementar e valorização do serviço diretamente
processo complexo, aquele é a célula de um relacionado às necessidades dos clientes
processo, composta de entrada, (HUGOS, 2007).
transformação e saída de uma atividade
única, este é a reunião interconectada de
processos elementares (MARANHÃO E 2.6. MODELAGEM DE PROCESSOS DE
MACIEIRA, 2004). NEGÓCIOS BUSINESS PROCESS MODELING
NOTATION – BPMN
A busca por melhorias estruturais e
2.4. GESTÃO POR PROCESSOS
consistentes tem impulsionado as empresas a
Em uma empresa cada processo contribui reverem a condução de seus trabalhos, em
para o valor do produto final que é entregue busca de formas mais versáteis, onde as
para o cliente, visando a isso, a gestão por atividades são analisadas na perspectiva de
processos enfoca no desempenho do processo de trabalho (MARANHÃO E
processo, proporcionando a melhoria MACIEIRA, 2004).
contínua do mesmo (CAMPOS, 2013).
Entretanto, para que essa melhoria seja
A gestão por processos objetiva que todos os alcançada, é necessário que se tenha
ativos da organização, como Recursos domínio sobre o processo. Desta forma, é
Humanos, Estrutura Organizacional, Papéis e necessário desenvolver um mapeamento de
Responsabilidades, Conhecimento, processos, que segundo Maranhão e Macieira
Tecnologia da Computação e da Informação, (2004) é o conhecimento dos processos e das
estejam sincronizados, de forma que essa interconexões dos dados estruturado do topo
sinergia entre eles gere maior eficiência. É de da organização até a sua base, permitindo,
suma importância que todos os processos de assim, uma compreensão completa do
entrada, transformação e saída estejam processo.
alinhados, a fim de gerar melhores resultados
Existem diversas metodologias para a
(SORDI, 2005).
modelagem de processo, entretanto, o
enfoque deste artigo é o modelo Business
Process Modeling Notation (BPMN), notação
2.5. BUSINESS PROCESS MANAGEMENT –
que foi especificamente projetada para
BPM
coordenar a sequência de processos e as
De acordo com Gartner Group (2017), o BPM mensagens que fluem entre os diferentes
é um conjunto de métodos utilizados para participantes em um conjunto relacionado de
identificar, modelar, analisar, medir, melhorar atividades.
e otimizar os processos de negócios.
O software utilizado neste artigo, específico
A concepção do BPM vai além de modelar e para a modelagem da notação BPMN, é o
redesenhar o processo, abrangendo Bizagi Process Modeler, que suporta a
consideráveis transformações no modo como elaboração de uma documentação extensa
os processos de negócios necessitem ser de processo, visando maior publicidade para
otimizados e gerenciados, tendo em vista a as atividades praticadas nas organizações.
cooperação e integração das organizações
O BPMN possui algumas notações básicas
dentro da cadeia de valor (DEBEVOISE,
específicas dele, que podem ser analisadas
2005).
na Tabela 1.
O BPM provê à organização uma visão
completa, sistêmica e essencialmente

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


204

TABELA 2 - Notações Básicas do BPMN


Elemento Descrição Notação

Algo que acontece no curso de um processo. Existem


Evento
três tipos: Início, intermediário e Fim.

Termo genérico para o trabalho que a empresa executa


Atividade em um processo. Os tipos de atividades são: Processo,
subprocesso e tarefa.

Controla divergência e convergência, tomada de


Gateway
decisão.

Ordem em que as atividades devem ser executadas no


Fluxo de sequência
processo.
Fluxo de mensagens entre os participantes que irão
Fluxo de mensagem
enviá-la ou recebê-la.

Associação Vincula informações e artefatos.

Pool Representação gráfica de um participante no processo

Subpartição da Pool. Usado para organizar e categorizar


Lane
atividades.

Objeto de dados Fornece informações sobre o que exige ser realizado.

Mecanismo para fornecer informações adicionais ao


Anotação
leitor.

Fonte: Elaborado pelo autor

A Tabela 1, baseada em Allweyer (2010),


mostra as notações básicas do BPMN. No
2.8. BRAINSTORMING
entanto, é importante frisar que estes são
apenas alguns elementos da notação, a O Brainstorming, conhecido como “chuva de
mesma possui vastas opções de elementos ideias”, é uma ferramenta para análise das
que implementam o mapeamento do causas de um problema, sua forma de
processo. realização é a partir de um grupo, e cada
pessoa pode contribuir livremente ou
sequencialmente com uma ideia, assim, todos
2.7. PROCEDIMENTO OPERACIONAL os membros do grupo possuem a chance de
PADRÃO – POP participar (PEREIRA,2013).
Um Procedimento Operacional Padrão (POP) Essa técnica, por suas características,
é um procedimento escrito de forma clara e desenvolve no grupo um sentimento de
objetiva que designa instruções sequenciais comprometimento com a causa analisada,
para a realização de operações rotineiras e responsabilidade compartilhada, e é muito útil
específicas (SANTOS JUNIOR, 2012). quando se deseja maior envolvimento do
mesmo. O brainstorming deve priorizar a
Segundo Jucene, Clever (2011), o POP deve
quantidade e não a qualidade das ideias
ser escrito sob a ótica do funcionário de nível
(BEHR, 2008).
operacional, desta forma, deve ser elaborado
visando ser compreendido facilmente e de
modo esclarecedor.

Gestão da Produção em Foco - Volume 11


205

3. METODOLOGIA A estrutura era localizada em outro logradouro


inicialmente, porém, com seu crescimento
Foi realizada uma análise crítica, mais
gradativo, foi ampliando seus recursos, até
conhecida por alguns autores como “Análise
que foi necessário o deslocamento para uma
de processos de negócio” (CAMPOS, 2013),
área mais ampla e melhor posicionada.
de natureza aplicada com abordagem
qualitativa, que teve como finalidade a Para a análise inicial foi realizado o
modelagem do processo atual e posterior do brainstorming apenas com os envolvidos no
fluxo de notas fiscais, em duas organizações, processo.
entretanto, conjugadas, do ramo de lar e
construção, por meio da notação Business
Process Model and Notation (BPMN), 4.2. CARACTERIZAÇÃO DO FLUXO DE
podendo atribuir sugestões de melhoria no NOTAS FISCAIS E DEMAIS PROCESSOS
processo. ENVOLVIDOS
A operacionalização da análise foi a Depois das visitas à empresa, foi possível
seguinte: realizar um levantamento de todas as
atividades envolvidas no processo, logo após
foi desenvolvido no software Bisagi o fluxo
I. Análise do fluxo atual da empresa e das notas fiscais, concomitantemente com as
realização do brainstorming com entradas e armazenamento dos produtos.
todos os envolvidos; Desta maneira, foi averiguado que as seis
principais atividades atuavam do seguinte
II. Planejamento do ciclo, no qual foram
modo:
estabelecidos os objetivos a serem
auferidos;  Pedido: O setor de compras é responsável
pelo levantamento da mercadoria a ser
III. Modelagem da situação atual (As Is):
pedida, porém, quando o pedido é da
uso do software Bisagi;
Mercantil, é necessária a aprovação da
IV. Comunicação com os envolvidos, diretoria, para assim realizar a solicitação do
para buscar possíveis alvitres para o pedido, e por fim enviar a confirmação do
desenvolvimento do modelo pedido via e-mail; quando o pedido é para a
desejado; Construtora não é necessária a confirmação
do pedido, pois este já foi realizado pela
V. Análise das atividades dispensáveis
diretoria, que também tem participação no
ao processo em questão;
setor de compras.
VI. Elaboração de POPs (Procedimento
 Recebimento: É determinado ao setor de
Operacional Padrão), com a
almoxarifado ou ao responsável pela obra o
designação de cada setor envolvido,
recebimento do pedido solicitado; os
com suas particularidades e
responsáveis verificam se os itens entregues
decisões;
estão de acordo com a nota fiscal do
VII. Modelagem da situação desejada (To fornecedor; caso não esteja, é informado o
Be): uso do software Bisagi. erro ao setor de compras, e o mesmo irá
informar ao fornecedor via telefone ou e-mail,
solicitando assim uma nota de devolução ao
4. ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS setor da controladoria, e logo após é enviada
tal nota desenvolvida para o fornecedor
4.1. CARACTERÍSTICAS DO
informado. Caso não tenha erros, o setor de
ESTABELECIMENTO
recebimento carimba a nota e aguarda o
O estabelecimento conjugado estudado é responsável do cadastro buscar a mesma.
paranaense e possui 33 funcionários,
 Cadastro: Todos os dias, às 8 h / 11 h / 15 h,
contendo quatro galpões, sendo eles: a loja
o responsável pelo setor do cadastro busca
física dos produtos, o escritório da
as notas fiscais no setor do almoxarifado, isto
Construtora, o almoxarifado, o salão social, e
se elas não vêm da controladoria. Verifica-se
o restante do terreno é o espaço para
se contêm algum produto cancelado, caso
armazenamento dos equipamentos de
haja, anula-se o mesmo. Logo após, é
locação da construtora, podendo haver mais
verificado se a nota é para a Construtora ou
de um ambiente em um mesmo galpão.
para a Mercantil, independentemente, é
lançada nas devidas planilhas da empresa. E
Gestão da Produção em Foco - Volume 11
206

então, se for da Mercantil, verifica-se se o 4.3. DETECÇÃO DE PROBLEMAS E


produto está cadastrado no CISS, se estiver, é SUGESTÃO DE MELHORIAS
confirmado se contém todas as informações,
Após a análise do processo, pôde-se
se não contiver, completa-se. Caso o produto
desenvolver o modelo To Be, contido em
seja um piso, verifica-se se já está
Anexo B, ilustrado em subprocessos e
endereçado, se estiver, lança-se a nota nas
amplificado da mesma maneira do A. Nele
devidas planilhas; por fim, preenchem-se as
podem-se encontrar melhorias sugestivas
mesmas. Caso o produto não esteja
para o processo em questão. As atividades