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Internacional

França

Macron cede de vez à pressão das ruas


por Deutsche Welle — publicado 06/12/2018 13h50

O governo revê o orçamento de 2019 e volta definitivamente atrás na decisão de


aumentar impostos a combustíveis
Pascal Guyot/AFP

O governo recua, os manifestantes não

Após enorme pressão das ruas, o governo da França cancelou definitivamente o plano de
aumentar os impostos sobre os combustíveis a partir de 1º de janeiro de 2019 e pediu calma à
população.
O ministro francês do meio ambiente, François de Rugy, afirmou à emissora de notícias BMF TV
que o aumento, estopim das manifestações em todo o país nas últimas semanas, foi "descartado
para o ano de 2019". O gabinete do presidente Emmanuel Macron alertou contra a violência no
próximo dia nacional de protestos, marcado para o sábado.

"O momento que atravessamos não é sobre oposição política, é sim, sobre a República", disse o
porta-voz do governo Benjamin Griveaux, após uma reunião com Macron e seu gabinete. Segundo
afirmou, o presidente pediu aos integrantes de seu governo que façam "um apelo claro e explícito
por calma", enquanto as manifestações entram em sua quarta semana.

Leia também:
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Após a reunião, os ministros concederam diversas entrevistas a emissoras de rádio e televisão


para explicar a decisão do governo. A ministra do Trabalho, Muriel Penicaud, alertou que gerar o
caos "nada fará para resolver os problemas". O ministro do Interior, Christopher Castaner, pediu
aos manifestantes "responsáveis" que não participem dos protestos em Paris. Ainda assim, ele
ordenou um reforço policial, temendo novos atos de violência.

Em discurso ao Parlamento, o primeiro-ministro Édouard Philippe afirmou que "o que está em risco
é a segurança do povo francês e das instituições" e fez um "apelo por responsabilidade".

"Não tenho problema algum em admitir que poderíamos ter agido de modo diferente em algumas
questões, e que se há um nível tão alto de irritação é porque ainda temos muito o que melhorar",
observou, acrescentando que o governo está "pronto para dialogar".
Macron em uma sinuca de bico (Fotos Públicas)

O orçamento do governo para 2019 poderá ser negociado também durante o próximo ano, mas é
improvável que Macron volte a sugerir o aumento das tarifas sobre os combustíveis, levando-se
em conta a dimensão dos protestos.

Considerados os mais violentos em décadas em Paris, os protestos começaram no dia 17 de


novembro, com motoristas irritados com um aumento dos impostos, e ganharam dimensões
maiores, passando a incorporar queixas sobre o que seria um descaso de Macron para com os
problemas das pessoas comuns e sobre suas políticas, que, segundo os manifestantes,
beneficiam apenas os mais ricos.
Os chamados protestos dos "coletes amarelos" também denunciam aumentos nos gastos
domésticos gerado pelo imposto sobre o diesel, que Macron justifica como necessário para o
combate ao aquecimento global e proteção do meio ambiente. O nome pelo qual as
manifestações ficaram conhecidas se refere ao colete fluorescente de sinalização que os
motoristas possuem em seus veículos.

As ações dos coletes amarelos se tornaram mais violentas na última semana, com cerca de 200
carros queimados nas ruas e lojas saqueadas. O famoso Arco do Triunfo na avenida Champs-
Élysées foi pichado com frases antigoverno. Os manifestantes comemoraram a decisão do
governo, embora alguns afirmem que veio tarde demais e que não será suficiente para apaziguar a
revolta contra o presidente, que, na opinião de muitos, ignora os problemas das pessoas comuns.

Macron, cujos índices de aprovação caíram para 23%, ainda não se pronunciou publicamente
sobre a situação desde que retornou da cúpula do G20 na Argentina, no domingo passado. Seu
gabinete afirmou que ele manterá a decisão de remover o chamado "imposto sobre as fortunas"
que atinge a população de renda mais alta, uma das medidas que mais revoltam os
manifestantes.

Segundo pesquisas, em torno de 72% da população apoia o movimento dos coletes amarelos,
percentual que se manteve alto mesmo depois dos atos de violência no ultimo sábado e da
decisão do governo de voltar atrás no aumento dos impostos.

Os protestos continuaram. Os coletes amarelos também tomaram algumas praças de pedágio,


permitindo a passagem livre dos motoristas. A polícia conseguiu retomar o controle sobre a
maioria dos depósitos de combustíveis que foram bloqueados pelos manifestantes no início da
semana, mas a falta de abastecimento ainda afeta centenas de postos de serviço.

Além das manifestações dos coletes amarelos, a França ainda enfrenta ameaças de protestos de
agricultores e de greves de caminhoneiros. Estudantes ocuparam dezenas de escolas pelo país,
protestando contra reformas que dificultam o acesso às universidades. 

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