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Apresentador - Assim como Marx e Durlkheim, Weber também buscou com a sua Sociologia

entender um problema que o intrigava, o problema da unificação do estado Alemão. Um


processo que culminou 1871, quando os estados da confederação germânica do sul uniram-se
em um só estado a confederação germânica do norte. A Alemanha da juventude de Weber
também era um estado jovem.

Gabriel Cohn – Ele queria saber em nome do que e de que modo, a Alemanha poderia uma
vez consolidada como estado nacional. Como ela poderia desempenhar um papel importante
no mundo. Nas relações com outras nações. Para responde isso, acabou desembocando, numa
concepção de ciência social que enfatiza a figura do agente, a figura do ator da ação e enfatiza
também os significados que as ações têm, ou seja, as ações dos homens carregam propósitos,
carregam intenções, e o problema é saber como decifrar isso.

Pierucci – O Weber queria dizer, A Sociologia é feita de ações sociais de ações sociais
praticadas por indivíduos, não é de saída uma ciência dos grupos, é uma ciência dos indivíduos
agindo socialmente. E aí, quando esse indivíduo age em ação ao outro, você tem uma relação
social.

Apresentador – Ciência dos indivíduos agindo socialmente. Agir para Weber é praticar ações
sociais. A ação social de Weber é muito diferente do fato social de Durkheim. Lembra-se?

G. Cohn – Fatos sociais é tudo aquilo que por via do modo como os homens estão relacionados
numa sociedade se impõe a eles, como ação que eles tem que realizar sob pena de ficar fora
do conjunto.

Apresentador – O fato social diz respeito ao coletivo. Ação social, como disse G. Cohn, é
centrada no agente. “O que enfatiza a figura do agente, a figura do ator da ação e enfatiza
também o significado que as ações tem.”

Rua, 25 de março, segunda-feira de manhã, centro de São Paulo. Tudo aqui é ação social.

Pierucci – Eu vendo e você compra, eu mando e você obedece, eu pergunto e você responde...
Quer dizer, você tem tudo isso que são ações individuais, mas que já formaram uma espécie de
dependência de uma outra, que portanto já se formou uma relação social.

Apresentador – Max Weber, definiu ação social em “Economia e sociedade”, obra publicada
dois depois de sua morte, em 1922. Aliás, Gabriel Cohn, foi quem fez a revisão técnica desta
tradução.

G. Cohn – O que que é “Economia e sociedade”? É um enorme esforço para tentar do jeito
dele responder a questões que o Marx também se tinha colocado. Qual é a relação da
economia com as outras formas de vida na sociedade? Como é que você relaciona a economia
com a religião, com a arte, com a ciência, com o direito? Marx era o grande interlocutor dele,
não o único, mas o grande interlocutor dele. Ele o considerava o grande o interlocutor
fundamental.

Apresentador – Weber nasceu em 1864, 19 anos antes da morte de Karl Marx(1883).


Pierucci – Ele achava que o marxismo ficava muito preso na ideia de fenômenos econômicos
pura e simplesmente. E tinha uma ideia de causalidade que era, “os fenômenos econômicos
determinam os outros fenômenos, seja na área social, cultural, ideologia, na arte... o que seja.”

G. Cohn – Que que o Weber tanto fazia? O Weber dizia, olha não vou negar que o modo como
se organiza a economia tem efeito sobre as diversas outras formas da vida social. Não estou
negando isso. Só vou negar que você possa sempre que você encontra alguma forma de
organização na sociedade. Digamos Direito, digamos Religião, a arte ou seja lá o que for. Você
fazendo um caminho linear dali para a economia você encontra a explicação de porque é assim
e não de outro modo.

Pierucci – O Weber vai dizendo “Você tem formas que vão surgindo junto com o capitalismo e
o capitalismo, o pequeno capitalismo urbano, de produção mesmo que já de alguma forma vai
racionalizando. De que forma que o capitalismo nos produz um pouco? Porque ele nos leva a
racionalizar a nossa vida. Você aprende a fazer implicitamente um “livro caixa”. (???)

G. Cohn – Na perspectiva dele, a sociedade capitalista ela representava, digamos assim, o


horizonte histórico da sua época. Ele não pensa numa outra sociedade que viesse a substituir a
capitalista. Ele queria saber o funcionamento interno disso.

Apresentador – Funcionalismo interno do capitalismo. A obra de Weber que vai longe nessa
ideia é a “ética protestante e o espírito do capitalismo”. O professor Pierucci fez uma tradução
comentada do livro escrito entre 1904-1905. O capitalismo com o qual a ética protestante
acaba se casando é o capitalismo urbano, do pequeno artesão, normalmente têxtil, que vai
agora ter um tear, dois teares e tal. Então você vai entendendo como Weber começa a ver a
formação da burguesia como uma coisa paulatina e que vai educando uma classe dominante,
que é a nova classe dominante para ser uma classe dominante laboriosa. Não vai ser mais uma
classe dominante guerreira, como a classe dominante feudal. Vai ser uma classe dominante
laboriosa que vai trabalhar todos os dias e vai querer que os seus operários trabalhem todos os
dias, daí o conceito de mais valia absoluta no Marx, vai esticar a jornada de trabalho. Vai ser
trabalho, trabalho, trabalho. Que que é o espírito do capitalismo? É uma ética profissional. Não
é economia capitalista. Você percebe? Então, ele abre um jeito de você chegar por fatores não
econômicos ao capitalismo que não cabe em nenhuma outra ciência a não ser na Sociologia.

Apresentador – Fábrica de componentes de geladeiras, Diadema na grande São Paulo,


segunda-feira a tarde. O modo de produção de uma fábrica é na visão de Weber, uma
manifestação da racionalização típica do funcionamento interno do capitalismo. Weber viu
essa forma de organização em muitos aspectos da sociedade capitalista. Por exemplo, a
burocracia, como forma de organização do estado. Receita federal, centro de São Paulo,
segunda-feira de manhã. Aqui é um exemplo de como a racionalização se manifesta na
organização do Estado.

Gabriel Cohn – Um Estado que seja orientado em termos legais, com uma racionalidade que
permita a previsão da ação, porque se não você não tem capitalismo, você não tem ação
econômica que permita rendimentos. É preciso a garantia de uma certa previsibilidade, isso o
Estado racional legal, como ele dizia, permite. Então, você tem que ter isso. Você tem que ter
garantias para existência de empresas que resultem no que é essencial no capitalismo que é
lucro, retorno para o proprietário. E, você tem que ter também, um Estado equipado para
produzir e implementar políticas, ou seja, você tem que ter um aparato administrativo
eficiente no Estado. Esse aparato é a chamada burocracia.

Pierucci – A burocracia é um tipo de racionalização quando ela funciona, ela funciona de um


jeito, que você fala, tivéssemos nós, seguidos nossos interesses, nós teríamos terminando
vitimas de interesses pequenos e briguinhas pessoais. E a burocracia ela tem uma lógica
racional de buscar o melhor que às vezes funciona, então, quando funciona você entende
porque que é uma coisa realmente muito moderna.

G. Cohn - A burocracia acabou concentrando a atenção do Weber também para entender até
onde pode ir e quais são os limites de um capitalismo concorrencial, competitivo de mercado.
Porque a burocracia não gera novas políticas, não toma novas iniciativas, ela simplesmente,
age rotineiramente. O problema do Weber é que esse corpo burocrático que é muito bom
quando age rotineiramente, ele vai se consolidando porque conhece cada vez melhor como
são as rotinas, e vai impondo o modo rotineiro de operar sobre o resto da sociedade, incluindo
nisso, o próprio Estado, ou seja, a dimensão política da sociedade e se impondo também a
empresa. A política não pode depender simplesmente da rotina. Em função disso, Weber
constrói toda uma análise muito interessante dos choques e dos descompassos entre o
burocrata e o político. O burocrata quer que tudo continue do modo que ele está habituado e
do modo que permite prever as consequências. O político, se ele for realmente um político,
está pensando nas necessidades de novas ações, novos projetos, novos programas para a
sociedade toda. A questão é saber quem vai quem vai subordinar a quem. A aposta do Weber
era no político, porque ele não queria, era o grande medo dele aliás, era uma sociedade
submetida a uma espécie de rotina estanque. E ele via um grande risco disso correr na
burocracia.

Apresentador – Assim como Marx e Durkheim, Weber também pensou na educação.

Pierucci – Ele achava que a educação era fundamental pra duas coisas. Primeiro, para todo ser
humano a educação é fundamental exatamente para transformá-lo num indivíduo autônomo.
Dono do seu nariz. Isso por um lado, agora por um outro lado, o indivíduo tem que está
politicamente ligado a sua nação.

G. Cohn – Ele pode não ser um homem que tenha algo assim como uma obra de Sociologia da
educação ou sobre pedagogia, técnicas e tudo mais. Mas ele tem um tipo de enfoque que
ajuda muitíssimo a pensar os fenômenos da educação. Por exemplo, tentar decifrar a dinâmica
na sala de aula. Só para pegar um aspecto pequeno. Quais são os agentes lá dentro, como que
orientam sua ação, como articulam suas ações e o que resulta disso? Será que o que resultado
disso, é sem sombra de dúvidas, mais conhecimento? Ou eventualmente que tipos de conflitos
resultam disso? Como é que você pode encarar isso? Quer dizer, ele pode ajudar muitíssimo
na análise de processos e das instituições educacionais.

Apresentador – Existe uma sociedade ideal para Max Weber?

Pierucci – A sociedade ideal para Weber, era uma sociedade em que as pessoas pudessem ter
os seus pontos de vista radicais, suas convicções radicais, sendo respeitadas por outras
pessoas que também defendiam as suas posições de uma maneira radical. O Weber tinha uma
concepção meio heroica da vida, tudo depende da força com que o individuo luta e a verdade
com que ele age, com que ele, digamos, traça o seu caminho.

G. Cohn – O que que há de bom num grande autor clássico? O que há de bom é o seguinte. Ele
me permite ver o mundo com um certo tipo de foco que me permita formular perguntas
específicas e importantes. Qual o limite dele? É o das perguntas que ele permite formular. Por
que outras perguntas estão fora do horizonte dele.

Apresentador – Em resumo?

G. Cohn – Se você quer pegar grandes processos históricos, tendências de uma sociedade
como um todo e grandes processos de mudança, e a localização dos novos agentes de uma
mudança possível. Tem que ser Marx.

Antônio Carlos Mazzeo – Então, obviamente, quando o Marx vai analisar a construção da
categoria trabalho, ele vai dizer, olha, “toda forma social tem uma forma histórica de trabalho
e no capitalismo como elemento central é o trabalho livre e a venda da força de trabalho que
move, vamos dizer assim, a estrutura social”.

G. Cohn – Se o teu problema é saber quais são as formas de organização e integração de uma
sociedade como um todo? Quais são os pontos em que isso revela falhas e sobretudo de que
maneira os integrantes da sociedade são levados a internalizar as exigências da sociedade?
Tem que ser Durkheim.

Raquel Weiss – Por que ele considera o homem como um ser social, e por isso, ele realiza a sua
natureza na vida coletiva. E isso é uma coisa que traz uma certa satisfação para o indivíduo,
porque ele se vivesse sozinho para o Durkheim ele não seria plenamente homem.

G. Cohn – Se o teu problema qual é a dinâmica gerada por agentes que perseguem propósitos,
perseguem interesses, têm objetivos e atribuem significados a esses objetivos na sua relação
com outros agentes, tem que ser Weber.

Se eu quiser ser uma espécie weberiano ortodoxo, eu vou ter problemas. E ele seria o primeiro
a me dizer isso. Diria olha você não pode simplesmente embarcar na minha canoa do meu
tempo. Ela é pequena, possivelmente furada e ela não vai a todos os portos. E nem se quer
enxerga todos os pontos da margem. Ela é muito orientada, então procure mais coisa.