Anda di halaman 1dari 11

Responsabilidade Ecológica:

Proteção da Floresta

0
INTRODUÇÃO

Toda a forma de vida é única e merece respeito, independentemente do valor


que tem para o Homem. – Carta para a Natureza das Nações Unidas (1982)

Neste pequeno ensaio, vamos argumentar a favor do dever que o Ser Humano
tem de proteger a floresta e seus ecossistemas, como parte da obrigação ética que a
humanidade deve à Natureza e aos seres vivos, ou seja, a responsabilidade ecológica.
Inspirada pela problemática recorrente dos incêndios florestais em Portugal, eis a
questão que é objeto da nossa tese:

Qual a importância de proteger a floresta, no âmbito da responsabilidade


ecológica do Homem para com a Natureza?

A relevância do problema em estudo justifica-se, ao considerarmos as várias


ameaças a que os ecossistemas florestais estão sujeitos, por exemplo:
 a destruição das florestas tropicais húmidas, sobretudo na Amazónia, onde se
concentra a maior biodiversidade do planeta
 as chuvas ácidas e os incêndios florestais
 a desflorestação para dar origem a solos agrícolas, pastagens ou urbanização
No nosso país, o drama dos incêndios florestais repete-se quase todos os anos,
por vezes associado à tragédia da perda de muitas vidas humanas, para além da extensa
destruição de fauna, flora e respetivos habitats.
O tema é desenvolvido em três partes, começando por algumas noções gerais
acerca do conceito da Responsabilidade ecológica, o que é a Ecologia e qual a
importância da Floresta no contexto natural. Depois, expõem-se as teses em confronto,
quanto à responsabilidade ecológica pelo uso racional e proteção da natureza – e da
floresta em particular –, seguindo-se a argumentação favorável à tese defendida, bem
como as principais objeções e argumentos das teses concorrentes, aos quais se
contrapõem as respostas que justificam a nossa posição – a necessidade de adotar uma
ética ambiental de valorização da Natureza, independentemente da sua utilidade
imediata para o Homem.
No final, apresentam-se as principais conclusões da dissertação, apoiadas na
argumentação desenvolvida e que sustenta a tese biocêntrica da ecologia profunda.

1
RESPONSABILIDADE ECOLÓGICA

Na definição do dicionário, a responsabilidade é a “obrigação de responder pelas


ações próprias, pelas dos outros ou pelas coisas confiadas”. A responsabilidade apoia-se
em motivos racionais e implica a liberdade de agir, antes do ato (escolha e decisão),
durante o ato (forma de atuação) e depois do ato (assumir as consequências).
Liberdade e responsabilidade estão interligadas, pois só somos livres se formos
responsáveis, e também só podemos ser responsáveis se formos livres. De facto, a
responsabilidade pressupõe uma escolha, o que está implícito no conceito de liberdade.
Hoje em dia, graças ao progresso da ciência e da tecnologia, o Homem adquiriu
o poder de transformar a natureza numa escala sem precedentes. Se for aplicado com
racionalidade e discernimento, este domínio sobre a natureza pode levar a todos os
povos os benefícios do desenvolvimento e proporcionar um padrão elevado de
qualidade de vida. Contudo, se usado de forma errónea ou abusiva, esse mesmo poder
tem o potencial de causar enormes danos ao meio ambiente e, por consequência, aos
seres humanos – seja nesta geração ou nas seguintes.
É esta a responsabilidade ecológica que recai sobre os cidadãos, coletividades,
empresas, organizações e governos, cuja consciência e esforços comuns – numa vasta
cooperação entre nações e órgãos internacionais – irão determinar o ambiente futuro do
nosso mundo.

1. Ecologia

A Ecologia é uma ciência multidisciplinar – englobando a Biologia, a Física, a


Química, as Ciências Sociais e Económicas –, que tem por objetivo o estudo das
relações dos seres vivos (organismos individuais, populações ou comunidades) com o
seu meio natural, incluindo todos os componentes orgânicos e inorgânicos.
Por sua vez, a Ecologia aplicada é o estudo dos efeitos causados pelo ser
humano nos sistemas ecológicos e a consequente gestão de recursos a fim de diminuir
os impactos ambientais nocivos. O seu objetivo é a preservação da fauna e da flora, e a
conservação dos habitats naturais e da biodiversidade.
Deste modo, a humanidade contribui, simultaneamente, para a alteração e
preservação do ambiente. Mas por que razão é importante assumir a responsabilidade
ecológica e o que é que isso implica? A ecologia é uma ciência fundamental para se
compreender o funcionamento da natureza, sobretudo o equilíbrio entre os ecossistemas

2
e os efeitos da ação humana geradora de desequilíbrios, visando enfatizar a importância
da valorização do meio ambiente.
Os novos problemas resultantes do progresso tecnológico, como a poluição e as
suas consequências nefastas, só podem ser solucionados se existir uma maior
consciencialização de todos nós, sendo essa uma das finalidades da reflexão e do debate
filosófico. Na realidade, há aqui uma dualidade de valores e interesses em jogo,
aparentemente opostos mas talvez conciliáveis – os interesses económicos e os
interesses ambientais. Ambos devem ser considerados, sem esquecer que a maior parte
dos recursos energéticos e matérias-primas agrícolas e industriais, que fazem mover a
máquina económica, têm a sua origem na natureza e muitos deles são finitos.
Assumindo esta perspetiva, é importante promover um desenvolvimento sustentável que
satisfaça não só as necessidades humanas presentes e futuras, mas respeite igualmente o
equilíbrio natural dos ecossistemas.
A Natureza é o nosso património comum – herança do passado e recurso para o
futuro – que deve ser bem utilizada e preservada no presente.

2. A importância da Floresta

A floresta é uma área extensa com alta densidade de árvores. Cerca de 30% da
superfície terrestre está coberta por florestas, tanto de formação natural como plantadas
pelo Homem. As florestas naturais são o habitat de muitas espécies de animais e plantas,
possuindo uma grande biomassa por unidade de área.
A floresta é também uma fonte de riqueza económica, pois fornece várias
matérias-primas – madeira, resina, celulose, cortiça, frutos, plantas medicinais –,
favorece a piscicultura e a caça, protege o solo da erosão, acumula substâncias
orgânicas e ainda cria postos de trabalho.
Segundo dados do ICFN, Portugal tem uma área florestal com quase 3 500 000
hectares, que representam 35,4% do território continental ou um valor percentual na
média dos 27 países da UE. A grande maioria das florestas portuguesas é propriedade
privada, e apenas 3% pertence ao Estado. O pinheiro-bravo, o eucalipto e o sobreiro são
as espécies arbóreas predominantes.
O declínio das florestas portuguesas tem implicações económicas (indústria do
papel, menos exportações), sociais (desemprego) e ambientais (menos biodiversidade,
mais dióxido de carbono).
Eis os maiores problemas que ameaçam os ecossistemas florestais no mundo:

3
 a destruição das florestas tropicais húmidas, sobretudo na Amazónia, onde se
concentra a maior biodiversidade do planeta
 as chuvas ácidas e os incêndios florestais
 a desflorestação para uso da matéria-prima ou dar origem a solos agrícolas,
pastagens ou urbanização

2.1. Incêndios florestais

Em Portugal, assume particular gravidade o flagelo dos incêndios, que todos os


anos fazem as manchetes dos jornais e cujas imagens dantescas se podem ver nos
noticiários televisivos, sobretudo no verão e no pico do calor. Para além dos prejuízos
económicos e ambientais – destruição de fauna, flora e habitats naturais – há ainda a
registar a perda de vidas humanas e todo o sofrimento associado a esta tragédia,
sobretudo quando os fogos são de origem criminosa e não advêm de condições
climatéricas adversas ou outras causas naturais.
Segundo dados oficiais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas
(ICFN), 42% dos incêndios cujas causas foram apuradas são intencionais e 56% devem-
se a negligência. Deste modo, a consciencialização social – educar as pessoas para
evitar situações de risco – tem um papel fulcral na prevenção dos fogos, a par da
planificação florestal e da limpeza periódica de bosques e matas.
O gráfico abaixo mostra a evolução da área florestal ardida anualmente em
Portugal, desde 1980:

4
3. Teses em debate

No âmbito da responsabilidade ecológica, em geral, podemos considerar a


existência de três posicionamentos distintos, face ao meio ambiente:
1. Tese ecológica antropocêntrica ou ecologia superficial (shallow ecology)
2. Tese ecológica biocêntrica ou ecologia profunda (deep ecology)
3. Tese economicista do mercado livre (business as usual)
Considerando a questão proposta – a importância da proteção florestal – vamos
agora pormenorizar melhor a posição das três teses concorrentes.
A) A tese ecológica antropocêntrica (ecologia superficial) tem por objetivo a
manutenção do bem-estar da humanidade, numa perspetiva centrada claramente nos
valores humanos, sem considerar que existe valor intrínseco na Natureza. Esta deve ser
protegida pelo seu valor instrumental, de modo a permitir as melhores condições
necessárias à existência humana, legando um mundo habitável às gerações vindouras.
Assim, a obrigação ética relativa à responsabilidade ecológica visa garantir a
sobrevivência da espécie humana, sem considerar os interesses dos seres não-humanos.
É neste sentido que se justifica o conceito de “co-responsabilidade” de Hans Jonas, e a
necessidade de anteciparmos as consequências dos nossos atos no longo prazo.
Esta é a posição mais divulgada nos media e conhecida do grande público,
centrada em temas-chave como a luta contra a poluição, a reciclagem, a defesa das
espécies em vias de extinção ou a gestão responsável dos recursos naturais para um
desenvolvimento sustentável.
No que diz respeito aos ecossistemas florestais, a ecologia superficial foca-se
maioritariamente nas questões das chuvas ácidas, poluição dos solos e das águas,
alterações climáticas, desflorestação e gestão dos recursos, sempre num ponto de vista
antropocêntrico, pois só o Ser Humano tem direitos.
B) A tese ecológica biocêntrica (ecologia profunda) considera que todos os
seres vivos são interdependentes, numa relação de igualdade perante a biosfera. A
natureza deve ser respeitada, independentemente da sua utilidade para os interesses
humanos, porque possui valor intrínseco e não apenas instrumental.
Esta é uma perspetiva holística e profundamente ancorada na vida, que não
separa o Homem da Natureza, tudo valorizando e integrando numa visão unificada e
global. Contrapõe-se, assim, ao conceito “superficial” e mais popular que encara a
natureza como um património a ser explorado para benefício humano.

5
Deste modo, a ecologia profunda não compartimentaliza os desafios enfrentados
pela floresta, já que o objetivo não reside no aproveitamento de resursos e matérias-
primas, mas sim na valorização dos ecossistemas, compreendendo o conjunto de
interesses de todos os seres vivos que a integram, incluindo o Homem.
C) Na tese economicista (mercado livre), a floresta é encarada como um recurso
material (madeira, celulose, resina, cortiça, bagas, plantas medicinais…) e energético
(biomassa, lenha…), que pode ser livremente explorado ao serviço das necessidades
humanas, originando a criação de novas empresas e consequentes postos de trabalho,
com benefícios económicos evidentes.
Os defensores do mercado livre argumentam que os problemas ecológicos
encontrarão sempre respostas adequadas, através da criação de novas tecnologias menos
poluentes e com maior eficiência. O contínuo crescimento económico é a prioridade
máxima, sem atender à necessidade de implementar um desenvolvimento sustentável.
Isto exemplifica a ética do sistema capitalista, que incentiva o individualismo e a
competição, mais do que a solidariedade e a cooperação, dando pouca importância à
responsabilidade ecológica. Na realidade, quanto mais aumentarem os padrões de
consumo tanto melhor, já que tal se reflete na melhoria do nível de vida e, afinal, não é
isso que as pessoas desejam?

3.1. Argumentos da ecologia biocêntrica ou profunda

A tese que iremos defender é a ecológica biocêntrica (ecologia profunda),


pretendendo demonstrar que é essa a que melhor defende a natureza e acautela o futuro
da humanidade, bem como garante o respeito a todos os seres vivos da biosfera.
Eis, de forma clara e sucinta, os seus argumentos principais:
1. A Natureza tem valor intrínseco e deve ser preservada,
independentemente da sua utilidade para o Ser Humano.
2. Todos os seres vivos à face da Terra têm o direito à vida, sobretudo os
seres sencientes (capazes de sentir dor e prazer), cujos interesses devem ser
respeitados pelo Homem.
3. O planeta Terra forma um ecossistema vivo e interdependente, em que o
Ser Humano é uma espécie no topo da escala evolutiva, mas apenas tão digna
como qualquer outra.
4. Os direitos do Homem, como espécie, não se podem sobrepor aos
direitos dos outros seres vivos.

6
3.2. Objeções e respostas

Apresentamos agora algumas objeções à tese da ecologia profunda e a sua


ênfase biocêntrica, focadas sobretudo no ponto de vista antropocêntrico:
1. Importa preservar o meio natural para que o ser humano possa desfrutar
os prazeres da natureza.
2. O desenvolvimento económico deve ser feito de modo a que não haja
degradação ou destruição dos equilíbrios naturais.
3. O Homem também faz parte da natureza, pelo que deve protegê-la para
garantir a sua própria sobrevivência, tanto no presente como no futuro.
4. A natureza não tem valor intrínseco, nem lhe podem ser atribuídos
direitos.
5. O Homem tem domínio sobre a natureza e os seus direitos são supremos.
Estas objeções valorizam apenas o Ser Humano e não têm em consideração a
Natureza como fonte da vida, essencial para a própria sobrevivência do Homo sapiens.
A humanidade é mais um fio na “teia da vida”, e não o seu núcleo central, e todos os
fios são necessários para garantir o equilíbrio dinâmico da biosfera. Cada forma de vida
tem importância, não tanto em termos individuais mas como espécie a ser preservada.

“Os direitos da humanidade cessam assim no momento preciso em que o seu


exercício põe em perigo a existência de outra espécie. Não se trata de ignorar
que, como qualquer animal, o homem retira a sua subsistência de seres vivos.
Mas esta necessidade natural, tão legítima enquanto exercida à custa de
indivíduos, não deveria ir até à extinção da espécie a que eles pertencem.” (Lévi-
Strauss, in Layargues & Castro, 2002)

O Homem não tem o direito de destruir o habitat dos seres não-humanos, sendo
uma falácia afirmar que lhe foi concedido o domínio sobre a natureza. É nosso dever
“preservar a integridade da biosfera unicamente por si mesma, independentemente dos
possíveis benefícios para os seres humanos que poderiam daí advir” (Singer, 2000). O
mesmo autor refere ainda que “o valor de preservar áreas significativas que restem do
meio natural excede de longe os valores económicos que se obtêm da sua destruição”.
A visão holística e biocêntrica da ecologia profunda concebe o mundo como um
todo interligado – reciprocidade entre o ser humano e o mundo natural –, reconhecendo
o valor intrínseco de todos os seres e pondo em causa os pressupostos subjacentes à
sociedade ocidental e à economia capitalista de mercado, porque “mudar é preciso”!

7
8
CONCLUSÃO

Um homem só é verdadeiramente ético quando obedece ao dever que lhe é


imposto de ajudar toda a vida que possa socorrer e quando faz alguma coisa
para evitar causar danos a qualquer ser vivo. – Albert Schweitzer

Desde há muito tempo que as preocupações ambientais são um tema dominante


na agenda política e social, com uma ênfase crescente neste século. A consciência
ecológica vai aumentando, à medida que compreendemos que a Terra é o nosso lar
comum – herança de incontáveis gerações no passado e da qual devemos cuidar para a
poder transmitir a mais gerações no futuro. Para isso, não podemos pensar só no curto
prazo do nosso tempo de vida, mas planear e antever a longo prazo, considerando
também aqueles que irão desfrutar toda a beleza do mágico “planeta azul”.
Somos, pois, responsáveis por este legado, mas para o conservar necessitamos
de uma política ambiental que saiba criar a harmonia entre a Natureza e o Homem. É
neste equilíbrio que poderemos ter um melhor ambiente e seres mais saudáveis e felizes.
O segundo parágrafo da Carta para a Natureza das Nações Unidas, citado logo
no início, justifica a visão ecológica biocêntrica que é defendida nesta dissertação.
Cremos ter apresentado argumentos válidos e poderosos que mostram a justeza da nossa
posição, contrapondo-os aos das outras teses que defendem princípios diferentes, tanto
no âmbito ecológico como no campo económico.
Centrámos a questão da responsabilidade ecológica no tema da proteção à
floresta, que assume uma grande importância na realidade portuguesa, já que todos os
anos se assiste à devastação causada pelos incêndios ateados por mão humana, quer de
forma intencional quer por culposa negligência. Este é um tópico que pode sensibilizar a
opinião pública para a causa ecológica, não apenas de forma emocional mas antes
através da consciência profunda daquilo que representa o ambiente natural para a
sobrevivência da espécie humana e de todos os seres vivos que nasceram e evoluíram no
seio da Mãe Terra, ao longo de incontáveis milhões de anos.
A responsabilidade ecológica é uma obrigação ética de todos, necessária para
garantir a sobrevivência, não só da nossa espécie mas de todos os seres vivos que
povoam o planeta. Afinal, a Natureza pode viver sem o Homo sapiens, que apenas
surgiu na Terra há escassos 350 000 anos, mas o Homem não pode sobreviver sem ela.

9
BIBLIOGRAFIA

Livros

Layargues, Philippe & Castro, Ronaldo (orgs). Educação Ecológica: Repensando o


Espaço da Cidadania, São Paulo: Cortez, 2002.

Rodrigues, Luís. Filosofia 10.º ano: Caderno de Apoio, Lisboa: Plátano, 2015.

Singer, Peter. Ética Prática, Lisboa: Gradiva, 2000.

Sites na Internet

http://www.salamuni.com.br/site/biblioteca/temasglobais/cartas/carta_natureza.doc

http://www2.icnf.pt/portal/florestas/dfci/

https://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/etica-e-ecologia-a-etica-kantiana-e-
a-co-responsabilidade-de-hans-jonas.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ecologia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ecologia_profunda

https://pt.wikipedia.org/wiki/Floresta

https://pt.wikipedia.org/wiki/Floresta_portuguesa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Incêndios_florestais_em_Portugal

10