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{EEE Leonel Ribeiro dos Santos Kant: Posteridade e Actualidade COLOQUIO INTERNACIONAL Irene Borges-Duarte Aimaginacio na "Montanha magica”. Kant em Davos, 1929 Cevrn0 BE FILOSOFIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA A imaginagao na “Montanha magica”. Kant em Davos, 1929. rene Borges-Duarte Davos. Nome de por si mégico, evocador de vagos ecos devolvidos pelos alvos ccumes alpinos, de mais de 3000m., que rodeiam o centro urban, situado a cerca de 1500m de altitude. Magico ainda, para quem If procurou e encontrou cura para os seus males respiratérios, em tempos em que a ineficdcia medicamentosa, anterior % descoberta, em 1929, da — certamente mais mégica ~ penicilina, econhecia virtude ‘taumatdrgica aos ares limpos de montanha. Magico, por exceléncia, para quem leu ‘Thomas Mann, que Id acompantiou sua muller, em varias ocasi6es, ¢ tio impressio: nado ficou que, jé na sua primeira estadia, em 1912, planeou escrever o romance, finalmente, terminado e publicado em 19241. Mdgico, enfim, para os assistentes 20 Curso Universitério que, nesse cenério sumptuoso, teve lugar cinco anos mais tarde, em 1929, ao descobrirem, de repente, que, intoxicados por uma tradiglo interpreta tiva traigocira, nunca tinham podido entender autenticamente 0 pensamento de Immanuel Kant! ‘A magia da cura! Nao fora também de uma “cura” que o préprio Kant falara ao cortar as asas 20s “sonhos visiondrios” da Metafisica dogmatica? Nio significou © pensamento critico kantiano uma acgZo terapéutica para situar nas suas justas medidas aquilo que nio 6 senfo o resultado de uma “ilusdo transcendental”, uma wgeréncia inconsciente das proprias estruturas mentais na criagio de uma falaz “objectividade”... contudo, inevitavel porque “natural”? E niio usou Kant, para tal fim, uma grelha estrita de control para depurar o que so “categorias” intelectuais € 1 que “ideias” estas, ndirectamente, do lugar; o que so “objectos de experincia” © 0 que nfo é sendo uma mera expectativa de sentido, a que nenhuma experiéncia ppossfvel pode corresponder? Roubou, assim, a0 desejo reificador a sua “magia”, devolvendo o homem & sua condigo racional de discursividade sensivel, que carece do poder de crear (ou “pOr absolutamente”) o que, contudo, visa na imaginagdo e & ‘capaz de configurar simbolicamente: o ente nouménico, a que, todavia, s6 acede indi- rectamente, mediante as formas do seu aparecer fenoménico. Disse Hans Vaihinger, dando nome 20 que Kant nfo se atreveu a pronunciar: vivemos, bem instalados, ' Thomas Mann, Der Zauberberg (1924), in Gesamte Werke vo. I, rain, Fischer, 1960, 998 pp Kaw PostemoAne €ACTUALDADE, Lisboa, (FUL, 2006, pp. 557-568 558 ‘rene Borgs-Duarie ‘numa ficgéo, que a nossa razio constréi, embora universal necessariamente - um_ rmero “como se". B disse Nietzsche: mas nela 36 nos sentimos mesmo bem, s¢ nfo ros éamos conta da fabula em que, na verdade, estamos. Terivel consequéncia da “cura kantiana:descobrr a patologia da razioraciocnante& demunciar que nf tem remédioe, 0 que 6 pir, édescobrir 0 veneno que nea, caladamente, reside. Como no romance de Thomas Mann: choga um jovem &visitar um doente num sanatéro, quem termina doente ee, nfo porque se contagie, mas porque descobre que, sm 0 saber, jéestava daente. Ea “cura” no 6, eno, eno um aprender a sero que se {era im fazer a experéncia do tempo de estar a ser, ¢ de como, ns80, 0 préprio ‘mundo, assim mesmo, reflexvamente, se revela, Deaf que esta obra, que conece- ros sob o titulo tocantementsirénico de A Montanke magic, sea, segundo 0 seu autor, uma meditagdo sobre o tempo? ‘Que pasar, eno, se acetissemos a fig como metodologia para sborder, pensando, 0 que, agore, aqui, nos ocupa: aqilo que se deu de filosoficamente relevante no chamado “debate” entre Heidegger e Cassier, que teve como lugar de acolhimentoaguele deslumbrante cenério de Davos? ‘Mas antes de pensar em acetar semelhante deseo, ponhamos, & margem de qualquer ficgio, os pontos nos iis. Que sabemos do que se passou nesse famoso tencontro ¢ discussio entee dois dos pensadores alemées mais importantes do momento? 4. Davos, 1929. Dos quatro Cursos universitétios de Davos, que tiveram lugar entre 1928 e 1931, com ampla representago docente e estudanti, fundamentalmente de lingua alemi e francesa, 0 2, realizado entre 17 de Margo e 6 de Abril de 1929 teve como tematica global “Mensch und Generation” (“Homem e Geraga"), sugerindo clara- ‘mente a dimenséo antropol6gica como contexto de sentido, Emst Cassirer e Martin ‘Heidegger slo, pois, expliciamente convidados para falar daquilo que, de diferente ‘maneira, parece dar unidade & sua investigacio mais pessoal: uma compreensio do 2 Veja Hans Vaiingr, Die Piloophie des Als cb. Syem der theretscen, prokischen und religioen Fiktionen der Menschieit nf Grand eiesideltischen Posiivonns Mit einer Aang Uber Kon td ‘ieesche. Bein, Rether Reichard 21913. A proposia de Vaihnger nesta ors emblemsicaenoes+ dora € de explora aiportacia erica epi je ditaros“ermendutn”— da “igo, quer ‘a exganizopto do conheeimeno, quer ma eliza a vida. As cocgrias Katana to intpreas, deste pont de vista, como foes gnoseogieament ie Edo mesmo modo ¢sboréadn perseia do jovem Nietesche da "met do pnto de vista extamor 4 Recordemse a pals com gu petpio aor oelebre cpitlo VIL "A Montane me “Pode naar 0 tmgo, ele esto, com tl, em se por”, depos de mega qu asim se, firma “O tempo € 0 elemento da azar, il como 0 6 da vida” , mals alate! “Calocanas & ‘ues de sabe se possvel naar o tempo, uicamente prs reconhecer queer esse, precisa, © nosso propio com a histraem curse.”