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“Eu sou o Bom Pastor”

Não consigo passar os olhos por este segredo que Jesus nos revela sem que a minha memória voe até à
minha infância… Não foi nos bancos da faculdade de Teologia que aprendi o significado de ser Bom
Pastor, nem na leitura de livros especializados em linguagens bíblicas, nem em outras coisas assim… Foi
na minha memória que o aprendi, e o Mestre da lição foi o meu avô, que nem sequer conhece uma letra.

“As minhas ovelhas conhecem-me, e eu conheço-as”, diz Jesus… e lembro-me de estar sentado à sombra
de um castanheiro com o meu avô e a minha avó enquanto uma cabra, lá ao cimo, se empinava para rapar
a ramada de uma macieira ainda pequena. A minha avó bem que lhe berrava e mandava vir, cá de longe,
mas o raio da cabra, nada! Então, virou-se para o meu avô, interrompeu a conversa que ele estava a ter
comigo para lhe dizer isto: “Oh José, fala-lhe tu que ela a mim não m’intende!” Juro que foi isto mesmo
que disse, assim… O meu avô virou-se e só disse: “Aaaaarre, cabra dum caneco!” e ela logo desandou para
a beira das outras. Tinha razão a minha avó…

Estávamos às vezes em casa, na lareira, a gozar o quentinho e lá fora começava a chover. “Tenho o gado na
rua!” dizia o meu avô… e saía disparado. Quando voltava a entrar, vinha ensopado da chuva, cheio de
frio, e eu perguntava-lhe o que tinha ido fazer: “Fui pô-as na corte p’ra que se não molhem!” E eu, criança,
não entendia… enquanto ele ia mudar-se, perguntava à minha avó: “Então para que o rebanho não apanhe
chuva fica ele todo ensopado?! Não percebo…” E a minha avó ria-se… e eu não percebia mesmo!

Mas, o mais difícil de entender era ainda outra coisa… a minha avó faz uns caldos deliciosos, e eu adorava
quando depois fazia umas batatas com qualquer coisa, punha num prato grande no meio da mesa e todos
comíamos dali. Tenho saudades disso… não era só a mesa comum, era o próprio prato. Lembro-me muitas
vezes disso com alegria. O meu avô gostava muito da comida que ela fazia e, de vez em quando, lá saía ele
com o rebanho durante uns dias, às vezes quase uma semana inteira!

Lá se agasalhava, punha a manta ao ombro por cima da sacola, pau na mão, e partia… Durante dias a fio
ia para o cimo da serra, onde não havia nada nem ninguém com o gado por um único motivo: era onde
havia o melhor pasto. A melhor água, a melhor comida… o luxo para qualquer rebanho. Mas, para isto,
andava ele dias a fio a dormir ao relento , sozinho, e a comer de manhã à noite pão cada vez mais seco,
presunto e chouriça, tinto enquanto houvesse na garrafita e água o resto do tempo. Eu não entendia isto…
Quando ele chegava, vinha que nem um desalmado para comer comida de lume, um caldinho tirado da
panela de ferro. Eu perguntava ao meu avô: “Oh avô, porque é que vai com elas para tão longe só por
causa da comida delas, se para isso fica você sem comer do que é bom e gosta?” E ele dizia só: “Porque eu
sou pastor…” E, para ele, estava tudo respondido. Para mim, não… na altura. Hoje percebo. E dou graças
a Deus por estas experiências que vivi, porque iluminam-me a compreensão de Jesus como Bom Pastor, o
que “dá a vida pelas suas ovelhas”.

A missão do Pastor é conduzir o rebanho ao Melhor Pasto e às nascentes da melhor água… Jesus conduz-
nos à Palavra da Vida, centrada no mandamento do Amor, e à nascente da Agua Viva que é o Espírito
Santo. Como Pastor, Bom Pastor, nos conduz ao cimo do monte, o monte das Bem-Aventuranças, o Monte
da Transfiguração, o Monte de uma Aliança Nova de Deus connosco selada na Fidelidade de um Filho.

Neste Tempo pascal, saboreamos o inesgotável Amor de Deus por nós que se corporiza em Jesus, ou seja,
acontece nele numa intensidade humana infinita e derrama-se para todos na Hora da sua ressurreição que,
tendo começado há cerca de 2000 anos, ainda não terminou, porque Jesus vive permanentemente neste
mistério de Passar-se para o Pai. A vida de Jesus Ressuscitado é uma permanente Páscoa (Passagem) para
o Pai. E o Amor do Pai é uma permanente Páscoa (Passagem) para o Seu Filho. O dinamismo deste Amor
inesgotável é o Espírito Santo que “é o Amor de Deus derramado nos nossos corações” como diz o
Apóstolo Paulo (Rom 5, 5).

Somos amados de Deus-Pai, conhecidos por Jesus, nosso Irmão e Bom Pastor, e morada do Espírito
Santo… ALELUIA!