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Direito Constitucional

O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros doutrinários
e na jurisprudência dos Tribunais.

Sumário
1. Organização dos Poderes ....................................................................................... 2
1.1 Recomendações iniciais .................................................................................... 2
1.2 Poder Legislativo ............................................................................................... 3
1.2.1 Congresso Nacional ..................................................................................... 3
1.2.2 Atribuições do Legislativo ............................................................................ 5
1.2.3 Comissões .................................................................................................... 6
1.2.3.1 Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)............................................ 7
1.2.3.1.1 Competência ................................................................................. 8
1.2.3.1.2 Requisitos ...................................................................................... 8
1.2.3.1.3 Poderes e Limites .......................................................................... 9
1.2.4 Tribunal de Contas ..................................................................................... 11
1.2.4.1 Composição ........................................................................................ 12
1.2.4.2 MP junto ao Tribunal de Contas ........................................................ 12
1.2.4.3 Atribuições ......................................................................................... 13

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1. Organização dos Poderes


1.1 Recomendações iniciais
Em sede constitucional, o tema começa a ser tratado no artigo 44. Do artigo 44 ao 75,
fala-se do Poder Legislativo. Do artigo 76 ao 91, Poder Executivo. Do artigo 92 ao 126, Poder
Judiciário. Do artigo 127 ao 135, Funções Essenciais à Justiça.
 Poder Executivo
Em termos de extensão normativa, o “menor” Poder é o Executivo, tendo em vista do
número reduzido de artigos. Em provas, deve-se atentar principalmente para o texto
constitucional e, em alguma medida, à doutrina mais superficial. Especialmente, no que toca
ao presidencialismo.
No âmbito jurisprudencial, revelam-se importantes questões afetas à simetria do
Executivo Federal na esfera estadual, tais como as atribuições do Presidente da República de
reprodução obrigatória para o Governador do Estado. Nesse cenário, cumpre dizer que aquilo
que foi outorgado para o Presidente da República na condição de Chefe de Estado não é de
reprodução para o Governador.
Exemplo1: declaração de guerra, celebração da paz, estabelecimento de relações com
Estados estrangeiros e organizações internacionais, etc.
Exemplo2: imunidade relativa à prisão; de acordo com o STF, cuida-se de decorrência
da chefia de Estado. Logo, não valerá para o governador.
Distintamente, aquilo jungido à condição de Chefe de Governo haverá de ser
reproduzido no nível estadual.
A parte eleitoral atinente ao Presidente da República, em direito constitucional, possui
cobrança superficial. Mostra-se mais profunda no
 Poder Judiciário
Estrategicamente, pode ser dividido entre parte estrutural (garantias dos magistrados,
princípios institucionais, administração financeira, etc.)1 e a de competência2 (dos órgãos do
Poder Judiciário).

1
Normalmente, é o ponto referente ao Poder Judiciário mais cobrado em provas. Recomenda-se a
leitura do texto constitucional. Em termos jurisprudenciais, orienta-se que se lei a Constituição anotada pela
jurisprudência do STF, disponível no site da instituição, em que também se encontram disponíveis os
comentários das leis regentes da ADI/ADC e ADPF.
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Matéria abordada nas disciplinas processuais.

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Nos concursos de magistratura/MPF, o tema referente aos princípios institucionais


será cobrado com profundidade não em constitucional, mas, sim, na disciplina de princípios
institucionais propriamente dita.

1.2 Poder Legislativo


Dentro de Poder Legislativo, três temas são considerados de alta relevância: CPI,
processo legislativo e tribunal de contas. Em segundo plano, o estatuto dos congressistas
(essencialmente, artigo 53, CRFB).

1.2.1 Congresso Nacional


O Poder Legislativo Federal é exercido pelo Congresso Nacional, o qual é composto por
duas casas. Por isso, não é correto dizer que “o Poder Legislativo Federal é exercido por duas
casas”, como já se afirmou falsamente em prova de concurso.

CÂMARA DOS DEPUTADOS SENADO FEDERAL

Representantes do Povo Representantes dos estados (possibilidade de


estes participarem da formação da vontade
nacional)

Sistema proporcional (art. 45) – estabelecido Sistema majoritário simples (no art. 45) – será
por lei complementar (LC 78/93) – O estado que considerado eleito para o cargo o candidato que
contenha maior densidade populacional elegerá obtiver mais votos. “Majoritário simples”, e não
mais deputados que outros absoluto3, porque será eleito o que possuir a
maioria dos votos, ainda que essa maioria não
ultrapasse a maioria dos próprios votos
(50%+1).

Mínimo de 08 e máximo de 70 deputados 03 senadores por estado – como o senador


representa os estados, que são iguais, e não o
povo, cada estado elegerá o mesmo número de
senadores

Coeficiente eleitoral – o voto primeiro é


computado para o partido e a legenda. Nesse
cômputo de votos, pelo coeficiente eleitoral,
define-se quantas vagas o partido conquistou.

3
O sistema majoritário absoluto vige para Presidente da República, Governador do Estado e
Prefeito em municípios com mais de 200 mil eleitores. O sistema majoritário simples aplica-se aos
cargos de senador e prefeito em municípios com até 200 mil eleitores.
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Caso o partido tenha conquistado cinco vagas,


por exemplo, tomarão posse delas os cinco
candidatos mais votados. Por causa desse
coeficiente é que existe a figura do “puxador de
votos”.

 Mínimo de 08 e máximo de 70 deputados


Há um mínimo de 08 e um máximo de 70 deputados, o que gera questionamento desse
sistema proporcional. Imagine-se que só houvesse o número mínimo. O menor estado em
termos populacionais elegeria 8 deputados.
Ante isso, conforme a proporção populacional dos outros estados, chegar-se-ia ao
número de deputados a ser eleitos por cada um. Caso existisse apenas o número máximo, se
realizaria o mesmo cálculo, definindo-se para cada estado o número de deputados que iria
eleger.
A problemática existe porque há números mínimo e máximo. Existem estados que,
levado a rigor o critério da proporcionalidade, elegeriam apenas dois ou três deputados.
Porém, por força de expressa previsão constitucional, terminam por eleger oito. Assim, a
quantidade de votos para que alguém seja eleito nesses estados será menor do que a
quantidade demandada noutros estados.
Dessa forma, na prática, o voto do cidadão nalguns estados tem mais valor do que em
outras unidades da federação. E a Constituição garante o voto de igual valor (one man, one
vote). Isso levou o questionamento ao Supremo Tribunal Federal.
Propôs-se uma ADI contra o dispositivo constitucional (art. 45, §1º), argumentando-se
a violação ao princípio da igualdade, o qual consistiria num princípio supraconstitucional o
qual o Constituinte não respeitou. Logo, esse dispositivo constitucional seria inconstitucional.
Constitucional por estar no Texto Magno. Inconstitucional por macular valores
suprapositivados (teoria das normas constitucionais inconstitucionais).
A Suprema Corte não admitiu a referida teoria. Alegou que cláusulas pétreas não se
relevam como valores suprapositivos para limitar o Constituinte Originário. Em verdade,
consubstanciam-se em limites ao poder de reforma. Além do mais, inexiste hierarquia entre
as normas constitucionais originárias que permita o controle de constitucionalidade uma em
relação à outra. Outrossim, o próprio Supremo Tribunal Federal não é órgão de controle do
Poder Constituinte Originário. Mas, sim, guardião da Constituição em relação aos demais
poderes constituídos.
 Território Federal

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Não é um ente da federação. Integra a administração pública federal. Logo, jamais


poderia eleger senador, em que pese poder eleger deputado (representante do povo). Nessa
linha de raciocínio, há uma população do território que precisa ser representada.
Observação: cada território elegerá 04 deputados (não se aplica o sistema
proporcional).

1.2.2 Atribuições do Legislativo


Dos artigos 48 ao 52, encontram-se as atribuições do Poder Legislativo, divididas entre
atribuições do Congresso Nacional, do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.
Vejamos o artigo 48, caput:
Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não
exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de
competência da União, especialmente sobre:

Cediço é que a única espécie legislativa que demanda sanção presidencial é a lei (seja
ordinária, seja complementar). Assim, as matérias constantes do artigo 48, pode-se afirmar
seguramente, são reguladas por lei.
Pois bem. Lembremo-nos de que existe a reserva de lei complementar, o que significa
que só se cogitará haver lei complementar quando houver expressa exigência constitucional
nesse sentido.
Nada obstante, o artigo 48 não se preocupou em definir se a matéria é de lei
complementar ou ordinária. Daí, essas matérias poderão ser reguladas ou por lei ordinária ou
por lei complementar.
Isso não significa estar ao alvedrio do legislador a escolha da “espécie” de lei; se
ordinária ou complementar. A descoberta para essa resposta se dará a partir da combinação
do artigo 48 com outros dispositivos constitucionais.
Exemplo: artigo 48, inciso I, c/c artigo 146, ambos da CRFB. Esse artigo pontua que as
matérias nele previstas serão objeto de lei complementar.
Observação: deve-se estar atento a alguns julgados do Supremo Tribunal Federal.
Antigo aresto da Corte, da lavra do Ministro Moreira Alves, contém comentário acerca do
artigo 48 com o poder de gerar confusão no leitor. À época, o Ministro afirmou que, como não
havia definição sobre se a matéria deveria ser regulada por lei complementar ou ordinária,
poderia ela ser regulada tanto por uma como por outra. Leitura desatenta do julgado levará à
conclusão de que permanece ao arbítrio do legislador a escolha de regular a matéria com lei
ordinária ou lei complementar. E isso está equivocado.

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Continuemos a análise do caput.


Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não
exigida esta [a sanção] para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as
matérias de competência da União, especialmente sobre:

A partir de simples leitura, dessume-se seguramente que as matérias constantes dos


artigos 49, 51 e 52 não serão reguladas por lei. Regulamentar-se-ão por decreto legislativo ou
por resolução.
Atente-se para o fato de que somente o Congresso Nacional edita decreto legislativo.
Sem embargo, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados podem elaborar espécie
normativa, qual seja, a resolução, o que também pode ser editada pelo Congresso Nacional.
Observação: essas espécies normativas não se submetem à sanção presidencial.
Vejamos o artigo 51, inciso IV:
Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados:
IV - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou
extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços [competência privativa da
Câmara e, portanto, tratada mediante resolução], e a iniciativa [por lógico, a iniciativa
não depende de sanção presidencial] de lei [a lei, contudo, precisa da sanção
presidencial; isso mitiga o comando do artigo 48, caput, segundo o qual não há
necessidade de sanção para as matérias dos artigos 49, 51 e 52] para fixação da
respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes
orçamentárias; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Mesmo raciocínio aplica-se ao artigo 52, inciso XIII:


CRFB, Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou
extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação
da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes
orçamentárias; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

1.2.3 Comissões
São tipos de comissões: (i) temáticas (criadas livremente e a definição das matérias de
cada comissão fica a cargo da própria casa legislativa); (ii) permanentes ou temporárias; (iii)
de cada casa individualmente ou mistas.
Para alguns casos, a Constituição estabelece a criação de comissões.
Exemplo1: artigo 62, §9º - comissão mista relacionada a medida provisória.

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Exemplo2: artigo 166, §1º – comissão mista orçamentária.


Existe, também, a comissão de plantão (artigo 58, §4º). Fica a cargo do artigo 58, §2º,
delinear as linhas gerais da competência das comissões temáticas. O artigo 58, §3º, por sua
vez, positiva a Comissão Parlamentar de Inquérito.

1.2.3.1 Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)


Mesmo que não houvesse previsão constitucional para criação da CPI, ainda assim, as
Casas Legislativas poderiam cria-la tranquilamente. Isso porque o Poder Legislativo exerce a
função legislativa (típica), bem como função de investigação e fiscalização (típica, também4).
Observação: a função de fiscalização/investigação é considerada típica, e essa posição
é albergada pelo STF e no direito comparado, porque aqueles que foram eleitos como
representantes do povo têm o dever de fiscalizar o cumprimento das normas.
Essa função pode ser classificada em: (i) financeiro-orçamentária (feita pelo Poder
Legislativo com o auxílio do tribunal de contas); (ii) político-administrativa (feita por
intermédio das CPIs).
Partindo-se das premissas acima expostas, infere-se que, ainda que o Constituinte
fosse silente, as CPIs, poderiam existir. Para além, endossando o raciocínio, diz-se que possui
a CPI a natureza de órgão fracionário da Casa Legislativa. Comparativamente, estariam elas
para a Casa Legislativa como as Turmas para os TJs/TRFs. Ou seja, verdadeiros órgãos
fracionários.
Labora-se com um critério de funcionalidade da Casa Legislativa. Aclare-se: se a Casa
Legislativa tem um poder de investigar, desvela-se muito mais eficiente/otimizado designar
fração de membros componentes da Casa para realizar tal função, a despeito de incluir a
totalidade dos membros no desempenhar dessa tarefa. Assim, a criação da CPI é feita com
olhos postos num critério de funcionalidade, otimização, etc.
Essa é a posição do STF. Inclusive, já houve Constituições que não previram
expressamente as CPIs. No entanto, ainda assim, elas foram criadas.

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Registre-se que essa função não é típica pelo fato de estar positivada na Constituição da República,
porquanto, há funções atípicas que também encontram previsão no Texto Constitucional.

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1.2.3.1.1 Competência
Fiscalizar todas as matérias relativas à competência da própria Casa, uma vez que as
CPIs são órgãos fracionários dessas Casas.

1.2.3.1.2 Requisitos
1º. Subscrição do requerimento por 1/3 dos membros da Casa
Se o requerimento for assinado exatamente por 1/3 dos membros, há uma óbvia
minoria a requere a instalação da CPI. E pode ser que o restante que não assinou (maioria)
faça uma pressão política para que a CPI não seja instalada efetivamente. Nesse ponto, entra
em cena a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual essa minoria possui
direito líquido e certo de ver a CPI instalada (direito das minorias parlamentares).
Ora, tendo a minoria o direito líquido e certo, em caso de demora excessiva, viável a
impetração de mandado de segurança contra a mesa da Casa, a fim de que o STF conceda a
ordem para que o presidente determine a instauração da CPI.
2º. Fato determinado
Singularização dalguma situação a ser investigada (ex.: CPI dos Correios, CPI da
Petrobrás, etc.).
Imagine-se que, no curso da investigação, a CPI depare-se com fato novo, diverso do
fato determinado. De acordo com o STF, a CPI pode investigar fato diverso, contanto que
conexo/interligado com o fato determinado.
3º. Prazo certo
Delimitação temporal do funcionamento da CPI. Pode haver previsão regimental do
prazo? Resposta positiva e, nos dizeres do STF, admitem-se prorrogações sucessivas. Contudo,
existe um termo final de duração da CPI, a saber, a própria legislatura5 (limite final
intransponível).

5
“A sessão legislativa é o período em que o Congresso Nacional se reúne anualmente, compreendido
entre os dias 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro. Cada sessão legislativa é composta
de dois períodos legislativos, sendo um em cada semestre, que são intercalados pelos recessos parlamentares. E,
por fim, a legislatura é o período de quatro anos em que o Congresso Nacional executa as suas atividades,
compreendendo quatro sessões legislativas ordinárias ou oito períodos legislativos.” Disponível em:
http://www.lfg.com.br/public_html/article.php?story=20090130081347981. Consulta em: 31/07/2014.

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1.2.3.1.3 Poderes e Limites


CRFB, Art. 58, § 3º - As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de
investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos
das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal,
em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros,
para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o
caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou
criminal dos infratores.

a. Poderes de investigação
Note-se que o dispositivo constitucional fala sobre “poderes de investigação das
autoridades judiciais”, o que se dá em virtude de as CPIs não possuírem poder decisório. Para
além, registre-se que as CPIs não gozam do poder de cautelar (ex.: determinação de bloqueio
de bens preventivo).
Pelo fato de o Constituinte ter utilizado a expressão “poderes de investigação próprios
das autoridades judiciais”, entende o STF que a CPI submete-se às mesmas limitações das
autoridades judiciais, dentre elas o dever de fundamentação. Dessa sorte, quando decide pela
determinação dalguma medida de investigação, tal decisão tem de ser fundamentada (artigo
93, inciso IX).
Exemplo: se a CPI determina uma medida de investigação que gera uma restrição ao
indivíduo, na fundamentação, deve demonstrar a necessidade dessa medida. Por conseguinte,
obrigatório o atendimento do princípio da proporcionalidade.
b. Poder de convocação
O convocado tem o dever de comparecimento. Nada obstante, essa regra comporta
exceções. Se o indivíduo convocado não tem recursos para comparecer, os custos (transporte,
alimentação, estadia, etc.) para isso têm de ser arcados pela CPI.
O não comparecimento injustificado sujeita o convocado à condução coercitiva. No
ponto, duas situações mostram-se interessantes: (i) magistrados: entende o STF que o juiz
somente pode ser convocado para depor perante CPI em razão de sua atividade-meio, e não
no que diz respeito à sua atividade-fim (atividade jurisdicional – porque decidiu de tal ou qual,
concedeu ou não medida cautelar, etc.); (ii) índios: vale a mesma proteção conferida ao grupo
indígena (artigo 231, §5º, CRFB) ao índio enquanto indivíduo (posição do STF). A definição da
identidade do índio, tal como no caso dos quilombolas, passa pelo seu pertencimento ao
grupo indígena (identidade gregária). Grosso modo, “o índio só é índio por pertencer ao grupo
indígena”. Logo, não há como proteger o grupo, sem estender a proteção ao indivíduo. Dessa
forma, o índio não poderia ser convocado a depor fora de suas terras.

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c. Direitos do convocado
 ASSISTÊNCIA: familiar ou de advogado;

 SILÊNCIO: consectário lógico do direito de não autoincriminação (ninguém é


obrigado a produzir provas contra si mesmo). Naturalmente, se há o direito ao silêncio, não
pode o indivíduo ser preso por conta desse direito. Diz-se isso porque, no Congresso, imperava
um pensamento de que o indivíduo, ao recusar-se a responder às perguntas, incorreria no
crime de desacato. Nessa situação, impetrava-se habeas corpus e, em questão de horas, o STF
determinada o relaxamento da prisão. Em razão disso, iniciou-se uma prática, em que,
convocado para depor, o indivíduo impetrava habeas corpus preventivo (salvo conduto)
perante o Supremo Tribunal Federal, a fim de não ser preso por recusar-se a responder a
perguntas;
 APLICAÇÃO DAS REGRAS DO CPP: têm incidência subsidiária e as mesmas hipóteses
de dispensa do compromisso legal de dizer a verdade insertas no CPP valem no depoimento
perante a CPI;
 TRATAMENTO COM URBANIDADE E DIGNIDADE: posição do STF.
d. Medidas
 OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE: as medidas adotadas pela CPI devem
ser tomadas pelo Colegiado, e não pela Mesa, pelo voto da maioria dos integrantes da CPI;
 DETERMINAÇÃO DA QUEBRA DE SIGILO DE DADOS: como dados, compreendem-se as
informações telefônicas, bancárias e fiscais. Pontua o STF que são requisitos para a quebra de
sigilo: (i) fundamentação; (ii) demonstração da necessidade absoluta da medida (inexistência
de outro meio menos invasivo para obtenção das informações, salvo a quebra de sigilo); (iii)
delimitação temporal da medida (ex.: quebra do sigilo bancário pelo período de tempo
pertinente à investigação); (iv) delimitação pessoal da medida (será quebrado o sigilo apenas
das pessoas em relação às quais a medida se fizer estritamente necessária).
Observação: a CPI não pode determinar a interceptação telefônica (captação do
conteúdo da conversa), em virtude do princípio da reserva de jurisdição, embora possa
determinar a quebra de sigilo de dados telefônicos.
e. Princípio da reserva de jurisdição
Significa que certas medidas somente podem ser determinadas pela jurisdição
propriamente dita. Citam-se a busca domiciliar, a interceptação telefônica e a prisão, salvo em
caso de flagrante delito.
f. Manutenção do sigilo

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Tal como o inquérito policial, a CPI é sigilosa. Nada obstante, deve garantir ao
investigado o acesso às informações (extensão do enunciado nº 14 da súmula vinculante do
STF ao âmbito da CPI), salvo nas hipóteses em que a prova ainda está em produção.
Enunciado nº 14 – Súmula Vinculante do STF
É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de
prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

g. CPIs nos âmbitos estadual e municipal


Em âmbito estadual, a CPI é amplamente possível e a ela aplicam-se os poderes e as
limitações da CPI no patamar federal. Inclusive, CPI estadual, v.g., pode expedir ordens a
autarquias federais, e isso não representa violação ao pacto federativo (posição do STF).
No tocante às CPIs municipais, elas podem ser criadas. Entretanto, controverte-se
sobre de que poderes essas CPIs se revestiriam. Na doutrina, há quem diga que, como inexiste
Judiciário municipal e o artigo 58 da CRFB garante às CPIs poderes de investigação próprios
das autoridades judiciais, a CPI municipal não teria os poderes de investigação próprios das
autoridades judiciais. Seu poder de investigação seria mais restrito. Não abarcaria, por
exemplo, a quebra de sigilo de dados.

1.2.4 Tribunal de Contas


Inicialmente, no que pertine à atividade de fiscalização e investigação, cabíveis
idênticas observações feitas em relação às CPIs.
O principal ponto de diferença entre ambos habita no fato de o Tribunal de Contas ter
natureza de órgão autônomo, ao passo que a CPI integra a Casa Legislativa que a instala.
Observação: curiosamente, ao falar-se em separação de poderes, há quem defenda o
MP como quarto poder. Ainda, seguindo-se uma lógica semelhante, há alguns a dizer que o
quarto poder seria o poder investigatório, o qual seria exercido por órgãos constituídos
autônomos, a saber, Ministério Público e Tribunal de Contas.
Registre-se que, apesar dessas posições, o Tribunal de Contas insere-se no capítulo
referente ao Poder Legislativo, e funciona como seu auxiliar no desempenho das funções de
investigação e fiscalização.
No âmbito da União, a fiscalização é feita pelo Congresso Nacional, com o auxílio do
Tribunal de Contas da União. Estados, a Assembleia Legislativa, com o auxílio do Tribunal de
Contas do Estado. Municípios, Câmara de Vereadores, com auxílio do Tribunal de Contas do
estado ou do Município.

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O artigo 31, §4º, consigna a vedação à criação de órgãos de contas no âmbito do


município.
CRFB, Art. 31, § 4º - É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas
Municipais.

Todavia, dispõe o §1º do mesmo artigo.


Art. 31, § 1º - O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos
Tribunais de Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas
dos Municípios, onde houver.

Debruçando-se sobre esse dispositivo, há quem faça a seguinte leitura dele: os


municípios que já possuíam Tribunais de Contas Municipais (São Paulo e Rio de Janeiro), antes
de 1988, mantiveram esses Tribunais.
Tal raciocínio é verdadeiro. Todavia, não explica a aparente incompatibilidade entre o
§1º e o §4º. A resposta é apresentada pelo STF. Assentou a Corte que o município não pode
criar seu próprio Tribunal de Contas. Contudo, porque a Câmara dos Vereadores é auxiliada
pelo Tribunal de Contas do Estado, nada impede que o estado crie um Tribunal de Contas para
cada um de seus municípios. Costuma-se dizer que “não pode haver a criação de Tribunal de
Contas municipal (municipal qualifica o tribunal; isso não pode existir), mas pode haver
Tribunal de Contas municipais (municipais qualifica contas; isso é permitido)”.

1.2.4.1 Composição
A composição do TCU insere-se no artigo 73 da CRFB. Dos 09 ministros, 06 são
escolhidos pelo Congresso Nacional, e 03, pelo Presidente da República. Desses 03, 02
implicam uma livre escolha condicionada, haja vista que 01 deles é oriundo do MP que atua
junto ao Tribunal de Contas, e o outro, dos auditores do próprio Tribunal de Contas. Apenas o
terceiro restante será de livre escolha.
No âmbito do TCE, fala a Constituição em 07 conselheiros (e não ministros). Chegou o
STF à conclusão de que, para a mantença da simetria com o Executivo federal, com maioria
oriunda do Legislativo, o Legislativo estadual indica 04 conselheiros; o Executivo, 03. Desses
três a ser indicados pelo Governador do Estado, um deles será originário do MP junto ao TCE,
o outro será escolhido dentre os auditores e apenas o terceiro será de livre escolha.

1.2.4.2 MP junto ao Tribunal de Contas


O Ministério Público compreende o MP da União (MPF, MPM, MPT e MPDFT) e MPs
dos Estados.

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Registre-se que o MP especial junto ao Tribunal de Contas não se confunde com o MP


tradicional. Trata-se de carreiras diferentes por completo. Hodiernamente, o tráfego entre as
carreiras, que já existiu no passado, é taxativamente vedado. Sem embargo, os direitos,
vedações e formas de investidura do MP tradicional aplicam-se aos membros do MP especial
junto ao Tribunal de Contas.
CRFB, Art. 130. Aos membros do Ministério Público junto aos Tribunais de Contas aplicam-
se as disposições desta seção pertinentes a direitos, vedações e forma de investidura.

1.2.4.3 Atribuições
Plasma-se no artigo 71 da Carta de Outubro a competência do TCU.
 Artigo 71, inciso I
Leiamos o inciso I, o qual demanda a confecção de combinações com outros
dispositivos constitucionais.
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante
parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
c/c
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os
relatórios sobre a execução dos planos de governo;
c/c
Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados:
II - proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas
ao Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa;
c/c
Art. 166. [...]
§ 1º - Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados:
I - examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste artigo e sobre as contas
apresentadas anualmente pelo Presidente da República;

Em relação às contas do Presidente da República, existem quatro situações: (i)


idealmente, o melhor é que o PR apresente suas contas dentro do prazo, a fim de que a
Câmara dos Deputados não precise proceder à tomada delas; (ii) prestadas as contas pelo PR,
no âmbito interno do Congresso Nacional, a Comissão Mista Orçamentária, as examinará a
emitirá um parecer; (iii) de modo auxiliar, o TCU realizará uma apreciação; (iv) por fim, após
exame da CMO e apreciação do TCU, o Congresso Nacional julgará as contas do PR.

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e na jurisprudência dos Tribunais.

DISPOSITIVO Artigo 71, inciso I Artigo 49, inciso Artigo 51, inciso II Artigo 166, §1º,
IX inciso I

ÓRGÃO TCU Congresso Câmara dos Comissão mista


Nacional Deputados orçamentária
formada por
Senadores e
Deputados

FUNÇÃO Apreciar Julgar Tomada de Examinar e emitir


contas (na parecer
hipótese de o
Presidente da
República não
prestá-las no
prazo de 60 dias)

 Artigo 71, inciso II e inciso VIII


Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e
valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades
instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa
a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;

Compreenda-se, aqui, o vocábulo “julgar” como “decidir a respeito”, haja vista o


Tribunal de Contas não exercer função jurisdicional. A natureza de sua atuação é, sim,
administrativa.
Em que pese não possuir natureza jurisdicional, goza de poder de cautela, com o fito
de garantir a efetividade de suas decisões, consoante admite o Supremo Tribunal Federal. No
ponto, veja-se o artigo 71, inciso VIII, ao qual a Corte denomina de “poder de coercibilidade
do Tribunal de Contas”. Apesar de o Tribunal de Contas não se revestir do poder jurisdicional,
tem o poder de aplicar sanções e multas (as quais, quando impostas pelo TCU, valem como
título executivo).
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de
contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa
proporcional ao dano causado ao erário;

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c/c
§ 3º - As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia
de título executivo.

 Artigo 71, inciso III


Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a
qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e
mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em
comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões,
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato
concessório;

A redação do inciso III pode induzir o leitor a erro.

VOCÁBULO OU EXPRESSÃO PREVISÃO TEXTUAL EXPLICAÇÃO


APRECIAR A legalidade dos atos de Submete-se à apreciação
admissão de pessoal, a qualquer do TCU
título, na administração direta e
indireta, incluídas as fundações
instituídas e mantidas pelo Poder
Público
EXCETUADAS As nomeações para cargo de Exceção: esses atos não se
provimento em comissão, submetem à apreciação do
TCU.
BEM COMO A das concessões de Esse “a” possui função
aposentadorias, reformas e elíptica; suprimiu ele os
pensões termos “legalidade dos
atos”; logo, refere-se à
regra geral de apreciação
do Tribunal de Contas.
RESSALVADAS As melhorias posteriores que não As melhorias de
alterem o fundamento legal do aposentadoria, pensão e
ato concessório reforma, contanto que não
alterem o fundamento
legal do ato de concessão,
não se submetem à
apreciação do Tribunal de
Contas
Vejamos o enunciado nº 3 da súmula vinculante do STF:
Enunciado nº 3 – Súmula Vinculante do STF

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Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a


ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato
de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

Quando o Tribunal de Contas aprecia a legalidade do ato de concessão inicial de


aposentadoria, reforma e pensão, não há contraditório e ampla defesa. Isso porque se trata
de ato complexo, ante o que terá o indivíduo de questioná-lo perante o órgão a que estava
vinculado, e não o Tribunal de Contas.
 Artigo 71, inciso IX e inciso X
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;
X - sustar, se não atendido [o prazo do inciso anterior], a execução do ato impugnado,
comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;

Esses incisos devem ser combinados com o §1º, o qual consigna a sustação de contrato.
§ 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso
Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

FUNDAMENTO AÇÃO QUEM FARÁ


ARTIGO 71, INCISO IX Estabelecer de prazo para que Tribunal de Contas da
órgão ou entidade adote as União
providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, tanto nos
casos de atos como no de
contratos, se verificada
ilegalidade
ARTIGO 71, INCISO X Sustar, se não atendido o prazo Tribunal de Contas da
acima referido, a execução do ato União
impugnado, comunicando a
decisão à Câmara dos Deputados
e ao Senado Federal
ARTIGO 71, §1º Sustar, se não atendido o prazo Congresso Nacional
acima referido, a execução do
contrato

Observação: não se pode olvidar de que o controle exercido pelo Tribunal de Contas
junge-se intimamente ao Direito Administrativo. Por isso, é nessa disciplina que se deve fazer
um estudo mais aprofundado sobre o tema.

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Debrucemo-nos agora sobre o artigo 74 e comparemo-lo ao artigo 71, caput:


Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada,
sistema de controle interno com a finalidade de:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio
do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

Como se pode notar, o controle sobre o qual incide o auxílio do TCU ao Congresso
Nacional é o externo. E, a cargo de cada um dos Poderes, está a função de manter, de forma
integrada, sistema de controle interno.
Segundo o Supremo Tribunal Federal, os controles externo e interno coexistem. Um
não impede o outro. Eventualmente, inclusive, o mesmo fato pode ser objeto de investigação
no controle externo e no controle interno simultaneamente. O Poder Executivo possui a
Controladoria Geral da União. O Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (órgão interno do
Poder Judiciário, conforme o STF).
Destaca-se, ainda, o §2º, do artigo 74:
Art. 74, § 2º - Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima
para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de
Contas da União.

Cuida-se da denúncia popular no âmbito do TCU. Em relação a ela, o STF não admite a
delação anônima, porquanto pode ser utilizada com finalidades políticas de denigrir a imagem
de outrem.
Observação: no contexto criminal, o STF admite a delação anônima não para embasar
uma denúncia pelo MP. Entretanto, essa delação pode servir de base à instauração de
inquérito policial.

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