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edição

especial
REVISTA SEGUROS
órgão de divulgação do mercado segurador
DE
ano 88 nº877 abril/ maio/ junho de 2011

O consumidor
do futuro

As oportunidades e
desafios que as mudanças
no perfil da sociedade
brasileira representam
para o mercado segurador

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 1


Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 2
Sumário

5 Entrevista - “O desafio
do seguro é qualificar a
ascensão das classes sociais”
35 Solvência II - Europa
consulta mercado sobre
as regras de capital

8 Abertura - Meta é tornar


o seguro parte da cultura
nacional
36 Regulação, Concorrência
e Consumidor - Modelo de
regulação penaliza empresas
de pequeno porte

14 Transição Demográfica -
Mudanças alteram o
perfil demográfico
40 Vida e Previdência
Privada - O Brasil ainda
engatinha no seguro
individual

20 Consumidor do Futuro -
Sociedade deve adotar
novos hábitos de consumo
48 Seguros de Saúde - O
conhecimento é essencial
para a cura de doenças

26 Meio Ambiente -
Catástrofes atingem países
em desenvolvimento
52 Títulos de Capitalização -
Novas estratégias para
atender o consumidor
do futuro

30 Microsseguros e Seguros
Populares - Popularização
dos produtos depende da
54 Seguro Garantia -
Mercado tem como aportar
os megaprojetos
distribuição

34 Freakonomics - Grandes
problemas têm soluções
simples e objetivas
56 Encerramento - “Transição
demográfica é oportunidade
de crescimento”

PRESIDENTE CONSELHO FISCAL CONSELHO EDITORIAL REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA:


Jorge Hilário Gouvêa Vieira Efetivos Ângela Cunha, Luiz Peregrino Fernandes Gerência de Comunicação
1º VICE-PRESIDENTE Haydewaldo Roberto Chamberlain da CONSELHEIROS NOTÁVEIS Vieira da Cunha, José Cechin, José Ismar Social – CNseg
Patrick Antônio Claude de Larragoiti Lucas Costa Alberto Oswaldo Continentino de Araújo Alves Tôrres, Neival Rodrigues Freitas, Adriana Beltrão, Claudia Mara e
VICE-PRESIDENTES NATOS Laênio Pereira dos Santos Eduardo Baptista Vianna, João Elisio Ferraz Solange Beatriz Palheiro Mendes Vagner Ricardo.
Jayme Brasil Garfinkel, Lúcio Antonio Marques de Campos e José Américo Peón de Sá Editora-chefe: Rua Senador Dantas, 74/12º andar, Centro
Marcio Serôa de Araujo Coriolano, Suplentes CONSELHEIROS – SINDICATOS Ângela Cunha (MTb/RJ12.555) - Rio de Janeiro, RJ – CEP 20031-201
Marco Antonio Rossi José Maria Souza Teixeira Costa e Luiz João Gilberto Possiede e Júlio César Rosa Coordenação Editorial: Telex: (021) 34505-DFNES
Paulo Rogerio Caffarelli Sadao Shibutani VIA TEXTO AG. DE COMUNICAÇÃO Fax: (21) 2510.7839
VICE-PRESIDENTE CONSELHO SUPERIOR REVISTA DE SEGUROS viatexto@viatexto.com.br Tel. (21) 2510.7777
Nilton Molina PRESIDENTE Órgão de divulgação 21 - 2262.5215 www.viverseguro.org.br
Wilson Toneto Jorge Hilário Gouvêa Vieira do mercado segurador E-mail: cnseg@cnseg.org.br
DIRETORES CONSELHEIROS PUBLICAÇÃO INTEGRANTE Jornalista Responsável: Escritório cnseg/Brasília – SCN/
Alexandre Malucelli, Acacio Rosa de Queiroz Filho, Carlos dos DO CONVÊNIO DE IMPRENSADO MERCOSUL Vania Mezzonato – MTB 14.850 Quadra1/Bloco C – Ed. Brasília – Trade
Antonio Eduardo Marquez de Figueiredo Santos, Federico Baroglio, Francisco – COPREME. Assistente de produção: Center – sala 1607
Trindade, Caiuby Vidigal, Jayme Brasil Garfinkel, Em conjunto com SIDEMA (Serviço Fabíola França Gráfica: Walprint
Luis Emilio Maurette, Jorge Estácio da Silva, José Castro Araújo Informativo do Mercado Segurador da Colaboradores: Distribuição: Serviços Gerais/CNseg
Mário José Gonzaga Petrelli, Rudge, José Roberto Marmo Loureiro, Luis República Argentina), Denise Bueno, Jorge Clapp, Karin Fuchs, Periodicidade: Trimestral
Paulo Miguel Marraccini, Emilio Maurette, Marcio Serôa de Araujo EL PRODUCTOR (Publicação da Associação Lenir Camimura, Marcia Alves, Vagner Circulação: 7 mil exemplares
Pedro Cláudio de Medeiros B. Bulcão e Coriolano, Marco Antonio Rossi, Mário José de Agentes e Produtores de Seguro da Ricardo e Vania Mezzonato As matérias e artigos assinados são
Pedro Pereira de Freitas Gonzaga Petrelli, Nilton Molina, República Oriental do Uruguai) e Jornal Fotografia: de responsabilidade dos autores. As
Patrick Antônio Claude de Larragoiti dos Seguros (Publicação Cláudia Mara, Júlio Fernandes/Ag. Full matérias publicadas nesta edição
CONVIDADOS Lucas, Pedro Pereira de Freitas, Pedro do Sindicato dos Corretores de Time, Gabriel Heusi podem ser reproduzidas desde que
Luiz Tavares Pereira Filho e Rogerio Caffarelli, Thierry Marc Claude Seguros e de Capitalização do Estado Projeto Gráfico: Maraca Design identificada a fonte.
Renato Campos Martins Filho Claudon e Wilson Toneto de São Paulo). Distribuição Gratuita

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 3


Editorial

Um estímulo à reflexão
e à imaginação

V
islumbrar o consumidor do futuro, na tentativa de conhecer suas necessidades e desejos
mais recônditos, para assim poder atender às demandas que possivelmente surgirão, é
um desafio e tanto. Mas o cidadão de amanhã não terá avanços sociais e econômicos, não
construirá uma escala de valores e nem conhecerá os meios que lhe darão acesso a bens de
consumo e à garantia de suas conquistas, se quem se propuser a atendê-lo em forma de produtos e
serviços não der os passos na direção certa. E como saber qual o melhor caminho?
Este é, na verdade, o grande desafio do mercado segurador – desafio este que perdeu parte da sua
dimensão quase abismal, nos dias 8 e 9 de junho, quando, reunidos em Brasília, lideranças do mercado e
executivos de seguradoras, entre outros profissionais do setor, deram vida à quinta Conferência de Segu-
ros, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização – Conseguro.
Fizeram parte da programação do evento temas estratégicos e apresentações ágeis e dinâmicas.
Os participantes saíram dali certamente com uma vontade ferrenha não só de encontrar respostas
para todas as indagações que povoavam suas cabeças, mas com o entendimento de que desafios
sempre haverá, mas podem ser mais facilmente superados, se enfrentados em conjunto – entre os
pares do próprio mercado e estes com o governo.
Cinco palavrinhas – ousadia, provocação, sinergia, otimismo e profissionalismo –, tendo como fio
condutor o desafio, são capazes de definir a 5ª Conseguro. Logo se entende por quê. A começar pela
ideia de levar a realização do evento para longe do eixo Rio-São Paulo, ancorando-a no centro das
decisões políticas do País. Afinal, o diálogo com o governo é essencial.
Depois, a escolha de questões instigantes, visando estimular a reflexão e a imaginação, e de pa-
lestrantes conceituados, que enriqueceram os debates dos 11 painéis e ampliaram os horizontes de
quem mantinha o olhar atento, quase magnetizado, no desenrolar das apresentações.
Sem falar no ‘Corredor do Futuro’, passagem obrigatória para os participantes, que se deparavam
com paredes transformadas em telas gigantes, onde eram projetadas imagens e informações sobre
o mercado, a economia e a sociedade brasileira. Matéria-prima para insights, que somente mais tarde
será possível conferir.
Os estandes das empresas/entidades patrocinadoras também contribuíram para o profissionalismo
que marcou a organização do evento. Esta edição especial traz uma mostra dos dois dias de debates ocor-
ridos na Capital da República. Boa leitura!

Informes adicionais e balanço do evento


As discussões dos temas debatidos na 5ª Conseguro foram ampliadas com a opinião de
especialistas que não participaram do evento, com o objetivo de levar informações ainda
mais aprofundadas aos leitores desta edição especial. Estas reportagens estão identificadas
como ‘Informe Adicional’. E, na entrevista desta edição, o coordenador da 5ª Conseguro, Pe-
dro Bulcão, faz um balanço do evento.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 4


Entrevista
Pedro Bulcão

Responsável pela

júlio fernandes/ ag. full time


organização e
coordenação da
quinta edição da
Conseguro, Pedro
Bulcão, presidente
da Sinaf Seguros
e membro do
Conselho Diretor
da CNseg,
fala sobre as
mudanças pelas
quais o País
passa e suas
consequências
para o mercado

“O desafio do seguro é
qualificar a ascensão
das classes sociais”

A
s mudanças que vêm ocorrendo no atenção para o papel que o mercado deve
Por
perfil da sociedade brasileira têm desempenhar diante do fato de a ascensão
VANIA
MEZZONATO provocado alterações também no de algumas classes sociais no Brasil estar
ambiente de negócios do mercado muito centrada no consumo e em dívidas.
de seguros. Um contingente maior de po- “O desafio agora é qualificar essa ascensão.
tenciais consumidores, o envelhecimento da Precisamos criar condições para que estas
população e as catástrofes naturais, cada vez famílias não retornem à pobreza no primei-
mais frequentes, representam grandes opor- ro solavanco, para que possam planejar o
tunidades, mas também riscos enormes que futuro, ter certeza que seus filhos poderão
precisam ser criteriosamente analisados. estudar e fazer uma pós-graduação. E são
A avaliação é do coordenador da 5ª tarefas do seguro assegurar estas conquistas
Conseguro, Pedro Bulcão, que chamou e qualificar essa ascensão.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 5


Entrevista

Revista de Seguros – Qual será, na sua ava- população que demanda muito por serviços neste
liação, o perfil do consumidor do futuro e o que o segmento?
diferencia do consumidor de hoje? Não há problema sem solução – essa reali-
Pedro Bulcão – Está havendo uma grande dade nacional é muito mais uma oportunidade
mudança no perfil da sociedade brasileira. Há de negócio do que um problema de fato. Há
alguns anos, o Brasil era um País de ricos e de de se criar condições para que a inovação pos-
pobres, e agora tem uma classe média forte e sa acontecer. É preciso pensar num ambiente
em ritmo de crescimento. A diferença hoje é que de regulação, por exemplo, que incentive a ino-
há um mercado de consumo não mais de uma vação e a entrada de novas empresas, porque
minoria, mas de centena de milhões de pessoas. novas ideias surgem com empresas entrantes.
Antes, os negócios do seguro eram concentra- Não faz sentido pensar em concentração de
dos nas classes altas, porque mercado quando se precisa
as classes mais baixas não de dinâmica de novidades.


tinham capacidade de con- Quando se tem poucos
sumo. A mudança que está A construção players consolidado não há
em curso é que o mercado é lenta, o quadro incentivo econômico para
de consumo hoje é de 150 inovar.
milhões – e não mais de 30
vai sendo montado
milhões de pessoas. aos poucos, mas Como se deu a definição
o evento cumpriu do tema desta edição da
As palestras mostraram seu papel de ser Conseguro. Houve outros que
que houve mudanças na disputaram e ficaram de fora
estrutura demográfica, social
inspirador, visionário, da pauta de discussões?
e econômica do País. Qual provocador, O tema foi concebido
deverá ser o impacto dessas para estimular o pelo nosso presidente, Jor-
mudanças no ambiente de ge Hilário Gouvêa Vieira, e
negócios do mercado?
mercado a pensar já recebi dele a missão de
São mudanças de toda diferente e melhorar desenvolver o evento dentro
ordem – algumas muito po- seu ambiente de deste tema, que eu considero


sitivas e outras que represen- negócios absolutamente brilhante, no
tam riscos enormes, como o momento certo. Acho que
seguro saúde para os idosos, surgiu naturalmente.
em função do envelhecimen-
to da população. Em 1990, a Quais foram os desafios e
População Econômica Ativa (PEA) era de 58 mi- dificuldades na organização do evento?
lhões de pessoas e, em 2010, chegou a 100 mi- O mais difícil foi fazer caber em dois dias
lhões. Quase dobrou em 20 anos, um crescimen- tantos temas interessantes e deixar de fora tan-
to impressionante, que explica em grande parte tos outros que seriam também interessantes,
a pujança que temos vivido, além da migração mas infelizmente não conseguimos ampliar
de novas classes para mercado de consumo. O demais. Num momento de transformação como
impacto destas mudanças traz consequências esse, que traz tantas oportunidades e desafios
positivas e negativas, mas são oportunidades de para o mercado, poderíamos continuar discutin-
negócios e o mercado tem que aproveitar. do por mais três dias sem esgotar o assunto. A
construção é lenta, o quadro vai sendo montado
O Brasil está se tornando um país de idosos. aos poucos, mas o evento cumpriu seu papel
Como estruturar o seguro saúde para atender a esta de ser inspirador, visionário, provocador, para

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 6


estimular o mercado a pensar diferente e melho- tros nichos podem ser explorados pelo mercado?
rar seu ambiente de negócios. Em apenas dois A questão do seguro garantia é a possibi-
dias, com painéis de uma hora, não é possível lidade de desempenhar um papel muito mais
fazer muito mais do que trazer para discussão relevante na gestão dos investimentos públicos.
alguns assuntos. Não se consegue aprofundar os E estou falando agora como cidadão, não como
temas. Mas a proposta é trazer, para a agenda de segurador. Eu quero sim a excelência na gestão
discussões, assuntos relevantes que possam ser destes recursos. Acho que o governo seria mais
aprofundados depois. eficiente e faria uma gestão melhor se usasse de
forma adequada o sistema do seguro garantia.
Como o Brasil deve encarar a falta de cultura
do consumo dos produtos de seguros? A solução Como o setor de seguros vai influenciar no
deve ser pensada regional- futuro da sociedade brasileira?
mente? A ascensão de algumas


A solução está na dinâ- classes sociais no Brasil está
mica do mercado: mais em- A tarefa do muito centrada no consumo
presas, mais ideias, mais pro- seguro não é e em dívidas. O desafio agora
jetos e mais negócios. É pre- é qualificar esta ascensão e
ciso fazer com que o seguro
pagar sinistro, mas esse papel vai ser desempe-
seja um bom negócio – as- simoferecer soluções nhado em muito pelo mer-
sim vamos ter novos colegas de transferência de cado de seguros. Precisamos
seguradores com propostas risco, num processo criar condições para que
inovadoras, eventualmente estas famílias não retornem à
atuando em nichos ou regi-
de mutualismo. O pobreza no primeiro solavan-
ões específicas. Dessa forma, seguro contribui co (e solavancos acontecem),
o seguro será compreendido muito ao orientar para que possam planejar
da melhor forma e fará parte o futuro, ter certeza que
do dia a dia das pessoas. A
empresas, governos seus filhos poderão estudar,
dinâmica do mercado é que e pessoas sobre fazer uma pós-graduação.
fará isso acontecer. como mitigar seus Essas tarefas são do seguro:


riscos assegurar estas conquistas e
Os microsseguros podem qualificar essa ascensão.
ser um caminho para se che-
gar aos rincões mais distantes? Em sua palestra, o repre-
No Brasil, em função de sentante da Swiss Re, Rolf Stei-
o país ser cada vez mais de classe média, não faz ner, informou que os governos do México e do Haiti
muito sentido achar que o microsseguro será a contrataram seguros para cobrir eventos climáticos.
solução ideal para este mercado. É muito mais Este modelo é apropriado ao Brasil?
importante tornar o seguro cada vez mais popu- Seria melhor para todos nós que o governo
lar, cumprindo um papel social na vida das pes- brasileiro também contasse com esta proteção.
soas. O microsseguro é importante, mas é uma A tarefa do seguro não é pagar sinistro, mas sim
discussão menor diante desta situação. oferecer soluções de transferência de risco, num
processo de mutualismo. O seguro contribui
O País passa por um momento econômico muito ao orientar empresas, governos e pessoas
muito favorável, com grandes eventos no calen- sobre como mitigar seus riscos. De um modo
dário dos próximos anos. Além do seguro garantia geral, iria ajudar muito se a ferramenta do seguro
para as grandes obras de infraestrutura, quais ou- fosse mais utilizada para isto. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 7


Abertura

Meta é tornar
o seguro parte da
cultura nacional

Mercado deve ampliar


diálogo para falar
diretamente com
o público

O
Por
vania principal desafio que se impõe ao
mezzonato Brasil, neste cenário de mudanças e
transformações no ambiente socio-
econômico – em que as classes C e
D despontam como novo público consumidor –,
é o da mudança de comportamento para que a
mitigação de riscos passe a fazer parte da cultura
do brasileiro.
E o mercado deve fazer seu dever de casa,
mostrando a importância dos produtos do se-
guro para garantir a manutenção do patrimônio
conquistado e a melhoria da qualidade de vidas
das famílias. A avaliação foi feita pelo presiden-
te da CNseg, Jorge Hilário Gouvêa Vieira, na
solenidade de abertura da 5ª Conseguro, que
aconteceu em Brasília, nos dias 08 e 09 de junho,
reunindo mais de 500 participantes.
Uma das grandes preocupações do mercado,
na avaliação de Jorge Hilário, é ampliar o diálogo e
falar diretamente com esse público, para informá-
lo cada vez mais sobre os produtos do seguro.
Para ele, além de desafios, o novo momento traz

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 8


fotos júlio fernandes/ ag. full time
“As seguradoras
também oportunidades traduzidas no aperfeiço-
amento da prestação de serviços e na criação de
produtos específicos para os novos consumidores. brasileiras precisam
Política superar entraves
pública regulatórios
A estratégia para se atingir essa meta passa, se- para ganhar
gundo o presidente da CNseg, pela regulamenta-
competitividade no
ção do projeto de lei do Microsseguro, que tramita
no Congresso Nacional e vai permitir o desenvolvi- mercado mundial.
mento desse tipo de seguro no País. “A regulamen- Ainda podemos
tação do microsseguro é uma questão de política avançar na
condição de
pilar de
sustentação do
desenvolvimento ”
Jorge Hilário

“Esta é uma
oportunidade
valiosa para
aproximar as
empresas da
sociedade civil,
fortalecer o diálogo
e intensificar
as práticas que
tornam o setor
estratégico para o
desenvolvimento
do Brasil”
Senador Dornelles

Público e autoridades: mais de 500 pessoas


participaram da abertura do evento, que contou
com a presença de autoridades do governo, do
parlamento e do mercado segurador

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 9


Abertura

pública, uma vez que pode ser um importante crescimento do País e o Ministério da Previdên-
instrumento para garantir sustentabilidade às po- cia Social trabalha para aprovar o projeto de lei
líticas sociais para a ascensão socioeconômica das 19.992/07, que institui a previdência complemen-
camadas mais pobres da população”, afirmou. tar para o futuro servidor público”, informou.
Ao citar alguns dos temas que estarão em “A vida produtiva O presidente da ANS, Maurício Ceschin, que
discussão em Brasília, como as oportunidades dos nossos netos representou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
que virão com os investimentos de grandes obras afirmou que a população acima de 60 anos já repre-
de infraestrutura, o papel da indústria de seguro
será o dobro da senta 10% dos 62 milhões de usuários de seguros
diante dos impactos das catástrofes naturais, Jorge dos nossos pais. e planos de saúde e 25% dos custos do segmento.
Hilário foi categórico: “As seguradoras brasileiras O grande desafio “A vida produtiva dos nossos netos, que viverão 100
precisam superar entraves regulatórios para ganhar anos, será o dobro da dos nossos pais. O grande
será lidar com
competitividade no mercado mundial. Hoje, somos desafio será lidar com esse novo ser humano, que
o maior mercado da América Latina, mas podemos esse novo ser terá necessidades e desejos totalmente novos”.
avançar ainda mais, especialmente na condição de humano, que terá Ainda participaram da mesa de abertura o
pilar de sustentação do desenvolvimento do Brasil”. necessidades e deputado Saraiva Felipe (PMDB/MG); o superin-
Na pauta do evento, uma variedade de assun- tendente da Susep, Paulo dos Santos; os presiden-
desejos totalmente

tos para a reflexão coletiva, como as novas regras tes das quatro Federações, Jayme Brasil Garfinkel
de solvência; microsseguros; seguros populares; novos (FenSeg), Marco Antonio Rossi (FenaPrevi), Marcio
acesso da nova classe média ao seguro; os im- Serôa de Araújo Coriolano (FenaSaúde) e Ricardo
Maurício Ceschin
pactos das mudanças do perfil demográfico da José da Costa Flores (FenaCap); o vice-presidente
população brasileira; a correlação entre as obras de da Fenacor, Robert Bittar, representando o pre-
infraestrutura e o seguro garantia; o meio ambiente sidente Armando Vergílio dos Santos Junior; e o
e o seguro de catástrofes; além das perspectivas coordenador da 5ª Conseguro, Pedro Bulcão.
para os seguros de saúde, vida e previdência.
Mais
Setor autoridades
estratégico Estiveram também presentes à solenidade
O senador Francisco Dornelles (PP/RJ), que de abertura da quinta edição da Conferência
participou da abertura do evento, representando Brasileira de Seguros Gerais, Previdência Privada,
o Senado Federal, elogiou a iniciativa da CNseg Saúde Suplementar e Capitalização, que acon-
de promover um encontro que visa aprimorar o teceu no Centro de Convenções Brasil 21, em

“Para sustentar
relacionamento das seguradoras com o consu- Brasília, os deputados federais Hugo Napoleão
midor brasileiro. “Esta é uma oportunidade valio- (DEM/PI), Osmar Serragllio (PMDB/PR), Eduardo
sa para aproximar as empresas seguradoras da o crescimento Sciarra (DEM/PR), André Zacharow (PMDB/PR) e
sociedade civil, fortalecer o diálogo e intensificar Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP); o embaixador Paulo
a troca de boas ideias e práticas que fazem do
econômico do Tarso Flexa de Lima; o presidente do INSS, Mauro
mercado segurador brasileiro um setor estratégi- Brasil, é preciso Luciano Raushild; a procuradora-chefe da Susep,
co para o desenvolvimento do Brasil”, destacou. aumentar a Luciana Portal; e a secretária geral e executiva da
Representando o ministro da Previdência ANS, Luciana Silveira.
poupança interna,
Social, Garibaldi Alves Filho, o secretário de Políti- A 5ª Conseguro foi promovida pela CNseg,
cas de Previdência Complementar do Ministério, cuja formação é de com o apoio das suas associados: FenSeg (Fe-
Jaime Mariz de Faria Junior, afirmou que, para responsabilidade deração Nacional de Seguros Gerais), FenaPrevi
sustentar o crescimento econômico do Brasil, do mercado de (Federação Nacional de Previdência Privada e
é preciso aumentar a poupança interna, cuja
formação é de responsabilidade do mercado
seguros ” Vida), FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde
Suplementar) e FenaCap (Federação Nacional de
de seguros. “Temos a necessidade de lastrear o Jaime Mariz Capitalização).•

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 10


Ao longo de dois dias inteiros, integraram a pauta de discussões
da 5ª Conseguro 11 painéis de debates, que reuniram
palestrantes e debatedores em torno de temas relevantes para
o futuro do mercado segurador (veja a relação a seguir). As
conclusões e propostas dos debates estão detalhadas ao longo
desta edição especial da Revista de Seguros.

Transição demográfica

fotos júlio fernandes/ ag. full time


“O perfil demográfico da futura sociedade
brasileira”
Palestrante: José Eustáquio Diniz Alves da
Escola Nacional de Ciências Estatísticas do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(ENCE/IBGE)
Coordenador: Paulo Marracini, presidente do
Conselho de Administração da Allianz Seguros
e diretor da CNseg
Debatedor: Cássio Turra, do Centro de Desen-
volvimento e Planejamento Regional, da Uni- José Eustáquio, Paulo Miguel Marracini e Cássio Turra
versidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

O Consumidor do Futuro Eduardo


“Desafios e oportunidades para a sociedade Gianetti, Antonio
Cássio dos
brasileira” Santos e Samuel
Palestrante: Prof. Eduardo Giannetti da Fonseca Pessoa
Coordenador: Antonio Cássio dos Santos, CEO
de Seguros Gerais para a América Latina do
Grupo Zurich e vice-presidente da CNseg
Debatedor: Samuel Pessoa, economista da
Fundação Getúlio Vargas

Meio Ambiente e Seguro Catástrofe


“ Uma visão geral sobre os acontecimentos
catastróficos em 2010 no mundo e relação das
experiências com os últimos anos”
Palestrante: Rolf Steiner, vice-presidente sênior
da Swiss Re Brasil
Coordenador: Jayme Brasil Garfinkel, presi-
dente da Porto Seguro e da FenSeg e vice-
presidente da CNseg
Debatedores: Washington Novaes, represen-
tante da Mapfre, e Bosco Francoy, presidente
da Mapfre Re Rolf Steiner, Jayme Garfinkel, Washington Novaes e Bosco Francoy

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 11


Abertura

Microsseguros e Seguros Populares


“Como ampliar as fronteiras da proteção
securitária no Brasil”
Palestrante: Hennie Bester, da Centre for Financial
Regulation and Inclusion
Coordenador: Marco Antonio Rossi, presidente da
Bradesco Seguros e da FenaPrevi e vice-presiden-
te da CNseg
Debatedores: Murilo Chaim, coordenador geral de
Seguros e Previdência Complementar (SPE, Ministé-
Murilo Chaim, Marco Antonio Rossi, Hennie Bester e Pedro Bulcão rio da Fazenda) e Pedro Bulcão, presidente da Sinaf
Seguros e membro do Conselho Diretor da CNseg

Patrick Larragoiti Freakonomics


e Steven Levitt “O lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta”
Palestrante: Steven Levitt, coautor do livro
Freakonomics
Coordenador: Patrick Larragoiti, presidente do
Conselho de Administração da Sul América e 1º
vice-presidente da CNseg

Solvência II
“Experiência e tendências na Europa”
Palestrantes: Michaela Koller, diretora executiva
do European Insurance and Reinsurance Federa-
tion – CEA
Coordenador: Renato Russo, vice-presidente da
SulAmérica e da FenaPrevi
Debatedores: Prof. Aloisio Araújo (FGV e IMPA),
Samuel Monteiro dos Santos Junior, vice-presidente
Bruno Pereira, Renato Russo, Michaela Koller, Samuel Monteiro do grupo Bradesco Seguros, e Bruno Pereira, da
e Aloisio de Araújo Leblon Euquities.

Regulação, Concorrência e Consumidor


“A regulação pela perspectiva do consumidor”
Palestrante: Daniel Goldberg, presidente do banco
Morgan Stanley Brasil e ex-secretário de Direito Eco-
nômico do Ministério da Justiça
Coordenador: Pedro Bulcão, presidente da Sinaf
Seguros e membro do Conselho Diretor da CNseg
Debatedores: João Gilberto Piquet Carneiro, da
Veirano Advogados, e Lucia Helena Salgado, ex-
Ipea, autora do livro Marcos Regulatórios no Brasil:
Judicialização e Independência.
Lucia Helena, Daniel Goldberg, Piquet Carneiro e Pedro Bulcão

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 12


Vida e Previdência Privada Fabio Lins,
“Seguros de vida individuais e previdência privada” Nilton Molina,
Robert Kerzner
Palestrante: Robert Kerzner, CEO e presidente da Li- e Eugênio
mra, Loma e LL Global, Inc. Velasquez
Coordenador: Nilton Molina, presidente do Conselho
de Administração da Mongeral Aegon Seguros e Pre-
vidência e vice-presidente da CNseg
Debatedores: Fábio Lins de Castro, presidente da
Prudential do Brasil Seguros de Vida, e Eugenio Velas-
quez, diretor da Bradesco Vida e Previdência

Títulos de Capitalização
“Sorteios e realizações: dos tempos dos mil réis à era
digital”
Palestrante: Prof. Roberto Macedo, economista, ex-
secretário de Política Econômica do Ministério da Fa-
zenda e ex-coordenador das atividades do Conselho
Nacional de Seguros Privados – CNSP
Coordenador: Natanael A. de Castro, diretor comercial
da BrasilCap Capitalização
Debatedor: Carlos Infante de Castro, presidente da Carlos Infante, Natanael de Castro e Roberto Macedo
SulAmérica Capitalização

Seguros de Saúde para o Consumidor do Futuro José Cechin, Dep.


“O desafio do acesso à saúde” Darcisio Perondi,
Patrick Kennedy e
Palestrante: Patrick Kennedy, ex-deputado do Con- Marcio Coriolano
gresso dos EUA
Coordenador: Marcio Coriolano, presidente da Fena-
Saúde
Debatedores: Darcisio Perondi, deputado federal e
presidente da Frente Parlamentar da Saúde, e José
Cechin, diretor da FenaSaúde

Seguro garantia
“O sistema de garantias competitivas como processo
de controle da eficácia econômica”
Palestrante: Alexandre Malucelli, vice-presidente do
Grupo J. Malucelli, membro do Conselho Diretor da
CNseg e presidente da Panamerican Surety Associa-
tion – PASA
Coordenador: José Américo Peón de Sá, assessor de
Desenvolvimento Relacional da CNseg
Debatedor: Luis Claudio Barreto, vice-presidente Sure-
ty Bonds, Trade Credit e Risco Político da Odebrecht
Administradora e Corretora de Seguros Luis Claudio Barreto, José Américo Peón de Sá, Alexandre Malucelli e
José Frias de Sousa

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 13


Transição
demográfica

Mudanças
alteram o perfil
demográfico

O país que era


eminentemente rural até a
década de 1960 está cada
vez mais urbano e essa
tendência é irreversível

O
Brasil vive o melhor momento
Por
demográfico de sua história – e a
VANIA
MEZZONATO estrutura etária do País vai continu-
ar favorável até 2025. A afirmação
foi feita pelo demógrafo José Eustáquio Diniz
Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísti- está cada vez mais urbano e essa tendência é ir-
cas, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia reversível. Além disso, há cada vez mais mulheres
e Estatística), em sua palestra sobre “Transição que homens brasileiros, ao contrário do obser-
demográfica – o perfil demográfico da futura vado no mundo. As pessoas do sexo feminino
sociedade brasileira”, no primeiro dia de deba- vivem em média 7 anos mais no Brasil que as do
tes da 5ª Conseguro. sexo masculino.
O debate foi mediado por Paulo Miguel
Marracini, diretor da CNseg e presidente do População
Conselho de Administração da Allianz Seguros, e reduzida
contou com a participação do demógrafo Cássio Outro dado relevante é a inversão da taxa
Turra, do Centro de Desenvolvimento e Plane- de mortalidade e de natalidade, que levou à
jamento Regional, da Universidade Federal de redução da população. A taxa de fecundidade
Minas Gerais (UFMG). que era de 6 filhos por mulher até a década
As mudanças pelas quais o Brasil vem pas- de 60, hoje é de 2,1. E a longevidade da popu-
sando nas últimas décadas têm alterado subs- lação está em ritmo avançado – em 2040, as
tancialmente seu perfil demográfico. O País que pessoas com mais de 65 anos serão em núme-
era eminentemente rural até a década de 1960 ro superior às de zero a 14 anos. “O auge será

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 14


em 2025. Então, o País tem uns 15 anos para Para se ter uma ideia das mudanças que
aproveitar a chamada ‘janela de oportunida- estão por vir, a economia dos Estados Unidos,
de’ e o bônus demográfico é enriquecer antes que em 2009 era considerada a mais avançada
de ficar velho”, alertou. do mundo, será ultrapassada pela da China, até
Um dos aspectos mais flagrantes de todas 2050. O Brasil ocupará o quarto lugar no ranking
estas mudanças é a redução da pobreza, que mundial. O aspecto demográfico é fundamental
alcançava cerca de 40% da população brasileira neste processo, afirmou o representante do IBGE:
antes do Plano Real. Depois, caiu para 35% e as economias avançadas estão envelhecendo
nesta década alcançará os índices mais baixos e a demografia impulsiona o crescimento das
da história. “A desigualdade continua alta, mas economias emergentes. “Os países emergentes
vem caindo de forma acentuada. Esta alteração são os que mais crescem e isso vai fazer com
é resultado do aumento de renda, que vem que o mundo fique menos desigual nas próxi-
sendo constante desde o Plano Real”, disse o mas décadas”.
demógrafo. Os aparelhos celulares – equipamentos que
júlio fernandes/ ag. full time

Em 2004, cerca de 50% da população brasi- sintetizam todas as revoluções industriais do


leira eram da classe D e E. Em 2011, são 65% dos século 20 – podem ser um bom exemplo a mu-
brasileiros compondo as classes A, AB e C e, em dança econômica mundial em curso: em poucos
2025, serão 90%. “O Brasil será predominante- anos, eles serão em número maior que a po-
mente um País de classe média”, afirmou José pulação. Esta realidade já é observada no Brasil,
Eustáquio. onde os telefones móveis somam 210 milhões
de unidades, contra 190 milhões de pessoas.
Desempenho
da economia Pegada
A segunda metade do século 20 foi o perío- ecológica
do da história em que a economia, a população Mas nem tudo são flores para as economias
e a renda mundial mais cresceram. De 2000 a emergentes. A pegada ecológica e o aqueci-
2050, o crescimento da economia e da renda mento global devem merecer atenção especial
será superior ao da população – a renda deve dos governos nos próximos anos: a população
dobrar em 25 anos. Esta é uma mundial já consome mais do que
“A desigualdade tendência nova, observada a partir
do século 21, a partir do desempe-

No Brasil, a o planeta consegue repor e o au-
continua alta, transferência mento do aquecimento cresce a
nho das economias emergentes. um ritmo assustador.
mas vem caindo Segundo José Eustáquio, até pública de recursos “Um estudo da ONU prevê
de forma então, as economias mais avan- é a principal fonte que, se houver investimentos de
çadas do mundo puxavam a eco- de financiamento US$ 1,3 trilhão na economia ver-
acentuada. nomia mundial. O quadro mudou de mundial, será possível reduzir
Esta alteração quando as economias emergentes
de consumo drasticamente a pegada ecológica
é resultado dispararam – puxadas principal- dos idosos e o aquecimento global”, afirmou
do aumento mente pela China e Índia. “Em – o que deixa o demógrafo, ressaltando que
2007, os países do G-7 representa-
de renda, que pouca margem as energias renováveis também
vam 50% da economia mundial. são fundamentais para reduzir
vem sendo Em 2014, a economia do G-20 (que para o mercado a emissão de CO² na atmosfera.
constante desde reúne 12 países emergentes) irá privado atender Neste aspecto, o Brasil pode tirar
o Plano Real” ultrapassar as mais avançadas e o
grupo vai indicar o próximo presi-
aos mais velhos ”
vantagens de sua natureza, abun-
dante em água, sol, vento, ondas e
José Eustáquio dente do FMI. Cássio Turra biomassa. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 15


Transição
demográfica

ALGUMAS
Impactos ainda são uma
CONCLUSÕES

➜ Se o crescimento
incógnita para o Brasil
econômico do País O ponto fundamental das mudanças que alguns países do mundo, mas as mudanças
se mantiver entre vêm ocorrendo no Brasil é a simultaneidade que provocam ainda são pouco conhecidas
4% e 5% ao ano, das transições – demográfica, epidemiológi- no Brasil, porque temos deficiência de dados
será possível manter ca (saúde), educação, mercado de trabalho e de medidores”, afirmou ele, sugerindo que
o pleno emprego da e familiar – e como elas afetam a família, o mercado de seguros ajude a compor estes
população, reduzir o mercado e o estado brasileiro. Segundo dados através da análise de seus subgrupos.
a pobreza e avançar o debatedor Cássio Turra, demógrafo do “O desconhecimento gera riscos novos”,
no crescimento da Centro de Desenvolvimento e Planejamento acrescentou.
classe média. Regional, da Universidade Federal de Minas As consequências do aumento da expec-
➜ O aumento do Gerais (UFMG), estas transições geram novas tativa de vida – principalmente das mulheres,
bem-estar e do oportunidades para o mercado de seguros e que é a maior desde 1840 e “ultrapassa todas
consumo e o novo dois tipos de mudança: de composição e de as apostas” – ainda é uma incógnita no Brasil,
lugar da mulher na comportamento. apesar de pontuada pela linearidade: aumenta
sociedade vão abrir Do ponto demográfico, se a natalidade uma média de três meses a cada ano. “Sabe-se
grandes oportuni- cai, o envelhecimento sobe e há impacto na muito pouco sobre o comportamento da lon-
dades de negócios. composição da população. “Os padrões que gevidade no País, que oscila de geração para
➜ O Brasil deve norteiam estas transições se repetem em geração. Quando se fumava muito se morria
aproveitar os pró- mais. A mortalidade
ximos 15 anos para Os últimos e os próximos 40 anos por nível de escolari-
enriquecer antes de Indicadores educação e trabalho 1970 2010 2050 dade, por exemplo, é
começar a enfren- Taxa de alfabetização (%) 60,0 92,7 99 desconhecida”, infor-
tar o processo de Anos médios de estudo ambos os sexos (anos) 2,4 7,5 13,0 mou Cássio Turra.
envelhecimento e Anos médios de estudo mulheres (anos) 2,3 7,7 14,0 Segundo ele,
se preparar para os População em Idade Ativa (milhões) 52,0 131,0 140,0 um desafio para o
desafios que virão, População Economicamente Ativa (milhões) 29,6 100,4 114,0 mercado segurador
de modo a se tornar PEA masculina (milhões) 23,4 56,0 60,0 é entender como as
um País mais justo, PEA feminina (milhões) 6,2 44,4 54,0 pessoas transferem
democrático e com Razão de dependência demográfica (%) 85 48 59 recursos para manter
mais inclusão social. Fonte: UN/ESA, IBGE, ENCE o nível de consumo
ao longo do ciclo
O crescimento da classe média no Brasil de vida. “No Brasil,
a transferência pú-
13
25 blica de recursos é
42 a principal fonte de
financiamento de
consumo dos idosos
47 – o que deixa pouca
43
21 margem para o mer-
49 cado privado atender
23 2003 2011 2025 aos mais velhos”.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 16


Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 17
INFORME ADICIONAL

Longevidade
coloca em risco a
aposentadoria pública
questões populacionais, o Brasil também
terá pela frente o grande desafio de prover
recursos para financiar o sistema de seguri-
O aumento da dade social, que hoje cobre 80% da popula-
expectativa de vida ção idosa. Entre os países da América Latina,
o Brasil é o que oferece a maior cobertura
pode comprometer a previdenciária para a população com mais
sustentação do sistema de 65 anos. Conforme dados do Ministério
da Previdência Social, mensalmente são pa-
de seguridade social gos 28 milhões de benefícios.
Fabio Pozzebom / Ag. Br

O
aumento da expectativa de
Por vida dos brasileiros seria uma
MÁRCIA ALVES
conquista social digna de co-
memoração não fosse o ritmo
acelerado dessa mudança demográfica.
Segundo projeções do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), a população
idosa irá mais do que triplicar nas próximas
quatro décadas: passará de menos de 20
milhões, em 2010, para 65 milhões, em 2050,
passando a representar quase 50% dos habi-
tantes. Em contrapartida, o ritmo da taxa de
fecundidade está em desaceleração.
Um estudo do Instituto de Pesquisa Demanda
Econômica Aplicada (Ipea ) revela que a po- por benefícios
pulação deverá decrescer depois de 2030. Para Ana Amélia, não se pode ignorar
Até lá, a tendência é de redução do contin- que a demanda por benefícios da seguridade
gente de jovens menores de 20 anos e de social tende a crescer no médio prazo e, na
aumento da população superenvelhecida, ausência de mudanças, a acentuar o desequilí-
fenômeno semelhante ao que ocorre em brio financeiro da Previdência Social. Hoje, 6,45
países desenvolvidos. indivíduos em atividade geram recursos para
A pesquisadora do IPEA, Ana Amélia cada beneficiário, em 2050 essa proporção
Camarano, uma autoridades no estudo de será de apenas 1,9. “O modelo tradicional de

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 18


divulgação
“A aposentadoria concessão de aposentadoria não pode ser
aplicado no futuro”, diz.
entrando no mercado de trabalho.
Na avaliação da pesquisadora, para ameni-
compulsória aos 70
O diretor da Nunes & Grossi, Keyton Pe- zar o desequilíbrio no futuro é preciso incenti-
anos é um absurdo dreira, especialista em previdência, diz que a var a permanência na ativa, pelo maior tempo
que precisa ser adoção do fator previdenciário, na década de possível, em conjunto com medidas, como a
revisto pela 90, serviu para impedir a explosão das contas adoção de políticas de saúde ocupacional para
da Previdência. Hoje, porém, ele entende que reduzir a aposentadoria por invalidez e a capa-
sociedade e pelos novas mudanças são necessárias. “A questão citação dos idosos, para inseri-los no contexto
empregadores. é qual direção o governo seguirá: a de uma das mudanças tecnológicas – além de reduzir
Os idosos têm reforma válida para todos, aplicada de forma o preconceito contra o idoso. “A aposentadoria
grande capacidade progressiva, ou se optará pela mudança so- compulsória aos 70 anos é um absurdo que
mente para aqueles que ingressarem no mer- precisa ser revisto, pois esses têm grande capa-
de envolvimento, cado de trabalho depois”, questiona. cidade de envolvimento, grau de comprometi-
grau de mento e cumprimento de metas”, diz.
comprometimento Idoso na ativa A mais recente edição do estudo “O Futu-
Mas a pesquisadora do IPEA adverte que ro da Aposentadoria”, realizado pelo HSBC em
e cumprimento as mudanças não podem ser bruscas, sob o 17 países e divulgado no início de junho, revela
de metas” risco de aumentar a taxa de pobreza entre que 50% dos brasileiros entrevistados não se
Ana Amélia os idosos. “O envelhecimento populacional sentem financeiramente preparados para a
Camarano é uma grande conquista e não deve trazer aposentadoria – 25% não sabem qual será sua
embutida a sua falência”, diz. Entre as alternati- fonte de renda no futuro e 10% esperam con-
vas para garantir a sustentação do sistema no tinuar trabalhando. Mas o estudo mostra que
futuro, ela aponta a adoção da idade mínima 51% têm o hábito de fazer planejamento finan-
para a aposentadoria para aqueles que estão ceiro, dado acima da média global (50%). •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 19


Consumidor
do Futuro

Sociedade deve
adotar novos
hábitos de consumo
cional com base geográfica para os próximos
40 anos, estima-se que boa parte do contin-

Para ajudar o Brasil a ser gente de consumidores será nordestino ou


nortista, mulher e/ou negro. Os dados foram
uma grande nação, o apresentados durante a palestra “O Consu-

consumidor precisa mudar midor do Futuro – desafios e oportunidades


para a sociedade brasileira”, proferida pelo
o hábito de desfrutar hoje professor Eduardo Giannetti da Fonseca, sob

sem pensar no amanhã a coordenação de Antonio Cássio dos Santos,


CEO da Zurich para a América Latina e vice-
presidente da CNseg.

O
consumidor do futuro tem um
Por enorme poder nas mãos: garantir Consumidor
DENISE BUENO
que o Brasil seja uma grande na- exigente
ção. É ele quem determinará mu- Incluindo dados do avanço da tecnologia
danças no pacto social com o governo e no – o número de celulares já ultrapassa o da po-
comportamento das empresas com a pulação –, os estudos remetem para um con-
sociedade. Para que ele exerça esse poder sumidor exigente, bem informado e que sabe
com sucesso, é preciso começar a mudar um o que quer. Ele compra menos por impulso e
hábito arraigado, e muito estimulado pelo mais economia, para realizar desejos como a
período inflacionário, de desfrutar hoje sem casa própria, lazer e educação. E vai pesquisar
pensar no amanhã. na internet antes de comprar. Se tiver dúvidas
Estamos falando de um grupo de consu- na escolha, vai priorizar as companhias que
midores formado praticamente pelos mais de mais investem em responsabilidade social.
190 milhões de habitantes do Brasil, dominado Mas para chegar a esse consumidor, o
pelo sexo feminino: 97,3 milhões de mulheres Brasil tem que transformar desafios em opor-
e 93,9 milhões de homens. Mais de 80% vivem tunidades. “A grande pergunta que os brasilei-
na área urbana, com forte tendência de con- ros devem fazer é se desta vez será diferente”,
sumo. Mais de 32 milhões de pessoas ingres- sugeriu o professor Eduardo Giannetti da Fon-
saram na classe C na última década e outras seca. Afinal, o Brasil tem algumas premissas
30 milhões deverão seguir o mesmo caminho que ajudam no resultado macroeconômico
nos próximos anos. de sucesso obtido nos últimos tempos. Uma
Projetando dados do crescimento popula- delas é que o mundo está em crise, o preço

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 20


das commodities está em alta e a China, maior

júlio fernandes/ ag. full time


parceiro comercial do Brasil, cresce a um ritmo
acelerado.
Por outro lado, temos gargalos que po-
dem comprometer o crescimento da última
década, se não forem superados. “Não vemos
a poupança interna aumentar, os investimen-
tos em relação ao PIB ainda são muito infe-
riores aos de outros países, a carga tributária
representa 35% de toda a produção e a taxa
de juros é elevada para segurar o dólar no
país”, citou Samuel Pessoa, da Fundação Getú-
“O Brasil tem
lio Vargas (FGV), que participou do debate. “O que se preparar
projeto de crescimento numa sociedade de- para ser uma
mocrática é construído todo dia no Congresso nação que irá
Nacional e a nova classe emergente tem um
grande poder nas mãos”, acrescentou.
transferir riqueza
para as próximas
Tempo gerações. Essa
perdido mudança vai
Uma unanimidade é que se o Brasil quiser
ser uma nação rica terá de recuperar o tempo garantir que o
perdido e investir em infraestrutura e em ca- País seja uma
pital humano. Se não o fizer vai lamentar por
não tirar proveito da grande oportunidade
grande nação ”
que se apresenta neste virtuoso ciclo econô- Eduardo Gianetti
mico. “O Brasil tem que se preparar para ser
uma nação que irá transferir riqueza para as alunos de 15 anos. “O Estado gasta mais com o
próximas gerações. Essa mudança vai garantir pagamento de 3 milhões de inativos e pensio-
que o país seja uma grande nação”, aposta nistas dos estados e municípios do que inves-
Giannetti. te em 37 milhões de crianças que frequentam
Enquanto a China investe 40% do PIB, o o ensino público”, enfatizou.
Peru 27% e os EUA mais de 30%, o Brasil apre- Pela ótica de Giannetti, há duas grandes
senta índice inferior a 20%. “Temos uma carga tendências no futuro. A primeira é manter o
tributária de 35% e um déficit nominal de 2%, crescimento de 4% a 4,5% ao ano e o controle
com uma capacidade de investimento irrisória. da inflação, para não ser obrigado a apertar a
Isso terá de mudar para que possamos transfe- política monetária, postergando o tão sonha-
rir riquezas do presente para o futuro”, afirmou do equilíbrio econômico e social. A segunda
ele, acrescentando que há também um déficit é a inclusão de uma enorme parcela da popu-
enorme de moradia e que mais de 40% da lação no mercado de consumo. Há a combi-
população brasileira ainda não dispõem de nação da nova classe média com o dividendo
acesso à rede de esgoto. demográfico. E nos próximos 20 anos haverá
Giannetti citou, por exemplo, que o Brasil uma proporção crescente de pessoas produti-
ficou em 54º lugar no ranking de 65 países do vas, que poderão se dividir entre consumido-
Programa de Avaliação Internacional de Estu- ras e poupadoras, uma vez que três quartos da
dantes (Pisa), que testa os conhecimentos de renda são acumulados entre 30 e 50 anos. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 21


INFORME ADICIONAL

Mídias sociais
democratizam
a comunicação
foi possível, em parte, graças às redes sociais.
A cada dia cresce o número de empresas
que usam o canal para conectar e interagir
Os consumidores passam com os seus clientes. Pesquisa global da
a ter voz e contribuem Regus (empresa líder mundial em soluções
de trabalho flexível) mostra que 52% das
para o aprimoramento corporações no mundo e 68% no Brasil
de produtos utilizam canais sociais, como o Twitter e Face-
book, para se relacionar com o seu público-
alvo. Em 2010, 49% das empresas brasileiras

U
ma marca não “fala” mais sozi- obtiveram bastante êxito por meio da sua
Por
nha. Se antes o domínio da in- atuação em redes sociais, um ano depois,
DENISE BUENO
formação significava ter poder, este índice cresceu 10%, atingindo a marca
hoje compartilhá-la é que faz de 59%.
toda a diferença. Quanto mais pessoas e
organizações dividem o conhecimento, Olhar
mais interagem com o mundo e mais re- diferente
levantes são as informações para a socie- Apesar de especialistas defenderem
dade. Nasce a era da comunicação demo- que o meio não é apropriado para venda
crática, em que os consumidores passam a e publicidade, um bom conteúdo compar-
ter voz e contribuem para o aprimoramen- tilhado pode fazer com que o consumidor
Pesquisa global to de produtos, serviços e, principalmente, tenha um olhar diferente sobre o produto.
da Regus mostra o atendimento das organizações. Boa parte das companhias entrevistadas
As pessoas passaram a dividir tudo o na pesquisa da Regus, no Brasil (87%) e no
que 52% das
que julgam relevante em suas vidas. Escre- mundo (74%), concorda que estratégias de
corporações no vem sobre os lugares que gostam mais, marketing sem a inclusão das redes sociais
mundo e 68% no quando são bem atendidas em um estabe- têm muito menos chances de sucesso.
Brasil utilizam lecimento, indicam leituras e sites interes- Afinal, ouvir um consumidor é a melhor
santes. Ao mesmo tempo em que comparti- maneira de saber se um produto é bom.
canais sociais, lham com seus seguidores ou amigos quais- Esta foi uma estratégia adotada por Steve
como o Twitter e quer experiências do seu dia a dia, também Jobs, que criou o Iphone exatamente como
Facebook, para reforçam deslizes de empresas. Quando não as pessoas pediram – o que tornou o smar-
gostam de um determinado produto, aler- tphone um objeto de desejo do mundo pela
se relacionar
tam seus colegas do mundo online sobre o facilidade de interação com o mundo.
com o seu que julgam bom ou ruim. As redes sociais evoluíram tanto que
público alvo. Essa democratização da comunicação deixaram de ser vistas como mais um recur-

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 22


so interessante para tornarem-se imprescin-

divulgação
díveis. Não é para menos. O mundo “social”
já conta com mais de 2 bilhões de pessoas
– quase um em cada três habitantes do Pla-
neta. O circuito tecnológico da informação
atrai, a cada minuto, milhares de novas pes-
soas plugadas nas redes.

Mapeamento
do Ipea
No Brasil, já são cerca de 75 milhões
de internautas – em 2009, segundo o Ipea,
eram 63 milhões – e estima-se que um em
cada cinco acesse o Twitter. Tanto que o
País já ocupa o segundo lugar no ranking
de usuários no mundo, perdendo apenas
para os Estados Unidos, que respondem por
metade dos membros ativos do microblog.
A adesão é tanta que o Twitter desenvolveu
um site totalmente traduzido.
Atualmente, a rede social mais usada
no Brasil ainda é o Orkut, com mais de 32
milhões de usuários, mas sofre ameaça fre-
quente do Facebook, que conta com mais de
680 milhões de usuários globais. Em maio
de 2011, 19 milhões de brasileiros tinham
perfis neste canal. Esses números não param
de crescer.

Banda
larga
O número de acessos em banda larga segundos. As redes de 3G estão instaladas O Brasil já ocupa
no Brasil chegou a 42,1 milhões em maio em 1.523 municípios, que concentram 75,4% o segundo lugar
deste ano, expansão de 53,5% em relação ao da população brasileira, com 143,7 milhões
no ranking
mesmo mês de 2010, segundo a Associação de habitantes.
Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil). As redes sem fio (Wi-Fi) devem superar de usuários
Os usuários do mundo digital são homens as cabeadas, em 2015, segundo estudo da do Twitter no
(22%), com ensino superior (41%), das classes Cisco (empresa que oferece soluções para mundo, atrás
A (59%) e B (33%), conforme mapeamento redes e comunicações), quando os aparelhos
do Ipea. utilizarão 37,2 exabytes de dados ao mês,
apenas dos
O crescimento das classes C e D tem contra 37 exabytes das conexões com fio. Estados Unidos,
sido importante, mas é preciso levar a inter- Atualmente, a rede Wi-Fi responde por 36% que respondem
net até a casa das pessoas. Nos últimos 12 de todo o tráfego e, em 2015, deve chegar
por metade dos
meses, 14,6 milhões de novos clientes pas- a 46,2%. Já as conexões cabeadas, que cor-
saram a ter acesso à internet rápida no Brasil respondem a 63% do total, recuarão para membros ativos
– em média um novo cliente a cada dois 46,1%, naquele ano. do microblog.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 23


Palestra
Fenacor

Em pauta,
a autorregulação
dos corretores
Armando afirmou que a categoria está
entre aquelas com maior grau de capilarida-
Resolução do CNSP de: são cerca de 70 mil corretores em todo o
País, que respondem por 85% da receita de
prevê que as entidades prêmios do mercado brasileiro. “A Susep não
funcionem como órgão tem condições estruturais para regular, fisca-
lizar e agir de maneira preventiva. E a falta de
auxiliar da Susep supervisão e de punição adequada afeta o
mercado como um todo”, alertou.
A criação das entidades autorregula-

A
autorregulação trará para os doras foi aprovada na lei que regulamen-
Por
corretores de seguros a opor- tou o fundo para riscos catastróficos do
JORGE CLAPP
tunidade de ganhar em credi- seguro rural, sancionada pelo ex-presiden-
bilidade, seriedade e confiança. te Lula, no ano passado. Em abril deste
A afirmação foi feita pelo presidente da ano, o Conselho Nacional de Seguros Pri-
Fenacor, Armando Vergílio dos Santos Ju- vados (CNSP) aprovou a Resolução 233/11,
nior, em discurso realizado na Conseguro. que dispõe sobre a forma de constituição
“A Susep não “Com as entidades autorreguladoras, ha- das entidades autorreguladoras. “Essa foi
tem condições verá condições de punir e afastar aqueles a maior conquista da categoria desde a
profissionais cuja atuação deixa as pessoas aprovação da Lei 4.594, que regulamentou
estruturais para sem proteção”, argumentou ele, que é a profissão do corretor”, comparou.
regular, fiscalizar deputado federal licenciado e secretário A resolução do CNSP prevê que as
e agir de maneira de Estado de Cidades em Goiás. entidades funcionem como órgão auxiliar
da Susep, com a incumbência de fiscali-
preventiva.
júlio fernandes/ ag. full time

zar, processar, julgar e aplicar sanções por


E a falta de infrações a normas de conduta praticadas
supervisão e por intermediários dos contratos de segu-
de punição ro, resseguro, capitalização e previdência
complementar aberta, com exceção do
adequada afeta seguro especializado em saúde; e de todos
o mercado como os corretores, pessoas naturais e jurídicas, e
um todo ” seus prepostos. A Susep poderá anular as
decisões proferidas na autorregulação se
Armando Vergílio entender que houve violação de direitos. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 24


Corredor
do Futuro

Um espaço
Para chegar à área dos estandes e ao
plenário do evento, as pessoas passavam,
obrigatoriamente, por um túnel completa-

para provocar
mente escuro, com paredes, teto e piso de
plástico preto, decorado com espelhos e
slides exibidos alternadamente, chamado

a inspiração pelos organizadores de “Espaço perspecti-


va do seguro”.
O objetivo? “Provocar a inspiração”,
responde o coordenador Pedro Bulcão,
acrescentando que o “Corredor do Futuro”,
como o espaço foi apelidado, contribuía
para a proposta de tornar o evento um
momento inovador, visionário e provoca-
Um mosaico com dor da inspiração.
O vídeo mostrava como deverá ser o
informações e dados sobre consumidor do futuro e como o mercado
o mercado instigava os segurador deve se estruturar para atendê-
lo. Um mosaico contendo informações
participantes a refletir e dados sobre os mais variados aspectos
dessas duas vertentes instigava os partici-
pantes a refletir sobre seu papel de partíci-

“A
guerra de preços será uma pe da construção do mercado de 2036.
Por
VANIA
característica desta década. “Neste espaço disponibilizamos uma
MEZZONATO Você está pronto?” Mesclan- coletânea de dados sobre a evolução
do informações e frases pro- do mercado e de conceito de todos os
vocativas, como esta, além de dados sobre setores – muitos desconhecidos até en-
o desempenho do mercado de seguros tão – que pudessem cumprir esta tarefa
nos últimos anos, um espaço roubou a de estimular o mercado a inovar e se
atenção dos participantes da quinta edi- inspirar para enfrentar os novos desafios.
ção da Conseguro. Foi uma forma de contribuir para a inspi-
ração”, explicou.
fotos júlio fernandes/ ag. full time

Além das informações, o espaço


exibia também de modo alternado
as logomarcas das quase cem em-
presas do mercado de seguros, que
deve crescer 12% este ano, quando
atingirá a cifra de R$ 201 bilhões em
receita, segundo a CNseg, que prevê
o aumento da expansão do acesso
ao setor pelas classes C e D e aposta
ainda, entre outros nichos, no bom
desempenho do seguro garantia,
com a realização das obras do PAC,
da Copa do Mundo de 2014 e da
Olimpíada de 2016. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 25


Meio
Ambiente

Catástrofes
atingem países em
desenvolvimento
“Faltam
O ano de 2010 foi o terceiro sistemas e
maior em vítimas desde estatísticas do
1970, quando os estudos passado (no
Brasil). Esta é
foram iniciados
uma grande
falha e temos

A
s dez piores catástrofes naturais re-
Por que nos unir
gistradas ao longo do ano passado
VANIA para criar um
MEZZONATO ocorreram nos países em desenvolvi-
mento. Haiti, Rússia, China, Paquistão, modelo de
Chile, Indonésia, Peru, Argentina e Uganda lide- cálculos destes
raram o ranking das tragédias, que deixaram um
rastro de quase 300 mil mortos ou desapareci-
novos riscos ”
dos. A conta foi feita pelo representante da Swiss Rolf Steiner
Re Brasil, Rolf Steiner, autor da palestra “Meio
Ambiente e Seguros de Catástrofes”. Segundo
ele, o ano de 2010 foi o terceiro maior em termos
de vítimas desde 1970, quando as consequências
deste tipo de tragédia começaram a ser estuda-
O ano mais
das. Em 2009, foram menos de 15 mil vítimas. O ano de 2010 também foi marcado
Apenas 2% das catástrofes contabilizadas no pe- como o mais quente da história. O motivo
ríodo ocorreram por conta das ações do homem – os são as ações humanas e a emissão de gases
98% restantes foram motivadas pela natureza. “Quan- de efeito estufa. Em todo o mundo, foram
to mais ocorrem sinistros provocados por catástrofes, emitidas ao longo do ano passado 30,6 bi-
mais altos ficam os valores segurados”, comparou. lhões de toneladas de dióxido de carbono.
Segundo ele, os estudos não apontam aumento da Os dados foram apresentados pelo jornalis-
probabilidade de terremotos futuros, mas preveem ta Washington Novaes, que participou do
o aumento de eventos provocados por mudanças debate mediado pelo presidente da FenSeg
climáticas, enchentes, inundações etc.. e da Porto Seguro, Jayme Brasil Garfinkel.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 26


Economias pagos pelas seguradoras e resseguradoras. A
industrializadas maior parte (80%) foi absorvida por indivíduos,
As maiores perdas seguradas concentraram- corporações e governos – pois não contavam
se nas economias industrializadas e respon- com a proteção do seguro – e custou US$ 175
deram por mais de US$ 25 bilhões. Em todo o milhões. No total, as perdas econômicas soma-
mundo, as perdas seguradas atingiram a cifra de ram US$ 218 bilhões. “Este é um forte indicativo
43 bilhões. “E não aconteceram os esperados fu- de que temos que nos esforçar para atingir mais
racões na área do Caribe, o que deixou o resulta- pessoas, principalmente da classe C, e aumentar
do abaixo das expectativas. Mas as perspectivas a penetração do seguro, além de desenvolver
para 2011 não são tão animadoras”, adiantou. soluções para os governos”, sugeriu.
De todos os sinistros provocados pela natu- Rolf Steiner exemplificou com o caso do
reza no mundo, em 2011, apenas 20% estavam México, que tem um contrato firmado com a
segurados, representando os US$ 43 bilhões Swiss Re para cobertura de 5 anos contra alguns
eventos climáticos previamente estipulados. O “As mudanças
júlio fernandes/ ag. full time

valor também é pré-definido e depositado para


climáticas estão
garantir a liberação imediata em caso de sinistro.
“O dinheiro é imediatamente liberado e o gover- na 20ª posição
no pode começar o trabalho de reconstrução”. O no ranking de
governo do Haiti, depois do terremoto que de- preocupação
vastou o país em janeiro de 2010, também con-
tratou cobertura especial para estas ocorrências
das seguradoras.
e para os fenômenos meteorológicos. É preciso o
No Brasil, onde não há incidência de terre- momento
motos e furacões, os riscos se concentram ape-
socioeconômico
nas nas inundações e geram um feito positivo,
segundo Steiner, que são os preços atrativos. brasileiro para
Mas como não há cultura de gerenciamento de criar a cultura
riscos no País, os parâmetros são desconhecidos. do seguro no
Estima-se que 10% da população brasileira (cer-
ca de 19 milhões de pessoas) estejam expostos a
consumidor ”
riscos de inundações no País. • Bosco Francoy

quente da história
Segundo o jornalista, este volume de Na opinião do debatedor Bosco Francoy,
emissão de poluentes está próximo do limite presidente da Mapfre Re, as seguradoras não
tolerado pelo planeta e, se for ultrapassado, estarão preparadas para enfrentar os riscos pro-
pode tornar irreversível o aumento da tem- vocados pelas catástrofes naturais se não colocar
peratura, provocando derretimento de ge- o assunto na sua pauta de prioridades. “A mudan-
leiras e chuvas torrenciais. A ONU já alertou ças climáticas estão na 20ª posição no ranking
também sobre o processo de desertificação de preocupações das seguradoras”, informou.
do planeta, que atinge 2 hectares por mi- Segundo ele, os riscos catastróficos só serão mi-
nuto e representa ameaças à produção de tigados quando a cobertura do seguro for com-
alimentos, além de riscos de doenças. partilhada por governos e iniciativa privada.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 27


INFORME ADICIONAL

Planeta não
sobreviverá ao
consumo desenfreado
estariam ocorrendo de forma consistente-
mente fora da série histórica”, analisa.
Por outro lado, ele concorda com a
Especialista em meio corrente majoritária dos cientistas que
ambiente relaciona atribui à humanidade parte da culpa pelos
desastres naturais associados à mudança
mudanças climáticas ao do clima. As chuvas intensas que provo-
consumismo e defende cam enchentes e deslizamentos de terra
em vários pontos do País teriam relação
novos hábitos para com a queima progressiva de petróleo,
salvar o planeta carvão e gás, a destruição das florestas,
a quantidade de lixo – especialmente de
matéria orgânica que se decompõe ao ar

N
ão é preciso retroceder muito livre e gera o gás estufa – e também com
Por no tempo para constatar que a ineficiência de alguns setores da indús-
MÁRCIA ALVES
as catástrofes naturais estão au- tria, que demandam muita energia. “Tudo
mentando. Os terríveis terremo- isso está dentro de um pacote civilizatório.
tos que assolaram o Haiti e, em seguida, Fazemos parte do problema e agora preci-
o Chile foram superados pelo terremoto samos fazer parte da solução”, diz.
seguido de tsunami que devastou parte
do Japão neste ano. É fato que os desas- Praga de
tres naturais estão aumentando, mas a gafanhotos
percepção das pessoas sobre a frequência A solução é frear o consumo, cujo efeito
e intensidade é influenciada pela mídia, para o planeta é comparável ao da praga
que também está mais ágil em registrar e de gafanhotos. “Em bom português: não dá
transmitir esses eventos. para todo cidadão ter um automóvel, comer
A avaliação é do jornalista especializado carne duas vezes ao dia, consumir um celular
em meio ambiente, André Trigueiro, defensor a cada seis meses, um iPad a cada oito me-
ferrenho da preservação da natureza e autor ses e ter um closet abarrotado de roupa. Es-
de livros sobre meio ambiente, que faz ques- tamos falando de um estilo de vida que, para
tão de separar o joio do trigo em relação não representar risco à nossa existência, de-
à ação humana na ocorrência de algumas termina novos hábitos de consumo”, opina
catástrofes naturais. “A Terra tem 4,5 bilhões Trigueiro. Considerando que o planeta é um
de anos e não estamos aqui há tanto tempo. só e que os recursos são finitos, o jornalista
Por isso, não acredito que esses fenômenos diz que o primeiro alvo dessa mudança de

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 28


divulgação
hábito devem ser as elites, que representam
20% da população mundial.
de viver com dignidade e de consumir
o que bem entender. Mas não podemos
“Se as classes C,
“Temos de desarmar as elites, fazendo negar que isso representa um aumento
D e E ascendem
com que se sintam constrangidas em con- brutal na demanda por roupa, eletrodo- socialmente
sumir”, sugere Trigueiro, destacando que mésticos, eletroeletrônicos e outros bens com o mesmo
o consumo consciente depende da evolu- de consumo”, diz.
apetite insaciável
ção da sociedade, que tem dado exemplos Para evitar que esta tendência se
com a substituição das sacolas plásticas, acentue, ele destaca a necessidade de de consumo
uma iniciativa que vem gerando debates e uma mudança cultural e sugere que as dos 20% que
campanhas pela eliminação deste tipo de classes emergentes também sejam edu- estão no topo,
embalagem. “Há dez anos consumíamos cadas para o consumo, acrescenta o jor-
como se não houvesse amanhã. Hoje, te- nalista. “Se as classes C, D e E ascendem
então esquece
mos mais consciência de que não se con- socialmente com o mesmo software que civilização e
some impunemente”. rege o apetite insaciável de consumo sustentabilidade,
daqueles 20% que estão no topo, então
porque não
Bens de esquece civilização e sustentabilidade,
consumo porque não haverá solução”, diz. Para Tri-
gueiro, o custo dessa mudança é menor
haverá solução ”
O jornalista também chama a aten-
André Trigueiro
ção para os hábitos de consumo da do que o custo da inércia. “Não podemos
grande parcela da população que ascen- perder essa janela de oportunidade. A
deu socialmente. “Todos têm o direito semente está lançada”, conclui. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 29


Microsseguros e
Seguros Populares

Popularização dos
produtos depende
da distribuição
chinês é a de que o seguro faça o máximo pos-
sível pela população, para que o governo faça
o mínimo possível”, comentou Bester.
Especialista também Para que os microsseguros e os seguros
defende a criação de populares de fato atinjam a população de
baixa renda, o primeiro passo é a distribuição
produtos com coberturas e o baixo custo. “Entre as alternativas, uma
atrativas que atendam a possibilidade é o canal bancário, cuja comer-
cialização pode ser regulamentada pela Su-
população de baixa renda perintendência de Seguros Privados (Susep)”,
disse Bester, sugerindo também a venda em
funerárias.
Em comentário à exposição de Bester,

O
Brasil caminha para a regulação Murilo Chaim, coordenador-geral de Seguros
Por
do microsseguro, mas alguns e Previdência Complementar da Secretaria de
KARIN FUCHS
desafios ainda são entraves à sua Política e Econômica do Ministério da Fazenda
popularização. O primeiro deles – que participou do debate ao lado de Pedro
é a inclusão social sustentável. “O Brasil tem Bulcão, presidente da Sinaf Seguros, membro
programas que são modelos para o mundo, do Conselho Diretor da CNseg e coordena-
como o ‘Bolsa Família’ e o ‘Brasil Sem Miséria’. dor da 5ª Conseguro –, afirmou que os altos
Porém, pela baixa capacidade de poupança da custos de distribuição limitam o alcance dos
população de menor renda, esses programas produtos e o seu valor para os clientes. “A
correm o risco de gerar dependência”, alertou sinistralidade é reduzida, o que é um excelen-
Hennie Bester, do Centro de Regulação Finan- te indicador para a solvência, mas mostra que
ceira e Inclusão (Cenfri), uma instituição sul- os valores pagos aos segurados são baixos e
africana que colabora para a formulação de que a maior parte está sendo consumida pela
modelos de regulação financeira para a inclu- distribuição”, afirmou.
são social, em sua palestra “Microsseguros e
Seguros Populares”. Produto atrativo
Além da poupança, são primordiais a edu- Segundo Bester, para chegar a este pú-
cação e a disseminação do seguro para garantir blico, o produto deve ser genérico, como as
a inclusão sustentável. “Na China, por exemplo, coberturas de seguro desemprego, despesas
um projeto-piloto de microsseguros abrangeu funerárias, entre outras. “A minha sugestão é
120 milhões de pessoas. A visão do governo escolher duas coberturas e ressaltá-las quan-

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 30


júlio fernandes/ ag. full time
do forem feitas campanhas de conscientiza-
ção a esse público sobre a importância em ter “ Na China, um
uma proteção.” projeto-piloto
Simplificar as transações também é neces- abrangeu 120
sário, em função do alto custo do papel. Entre milhões de
as propostas estão a documentação digital e a
venda de seguros pelo celular, a maneira mais
pessoas. A visão
barata de se trabalhar os seguros populares, do governo é a
que ainda levará um tempo para se tornar ha- de que o seguro
bitual no Brasil. “O governo brasileiro não gos-
faça o máximo
ta muito de abrir concessões, mas a redução
de impostos é uma maneira de todos saírem possível pela
ganhando”, expôs Bester. população,
para que ele
Rede varejista
Apesar do bem-sucedido modelo de dis-
faça o mínimo
tribuição por meio das redes varejistas, Chaim ”
possível
alertou que nem sempre os seguros vendidos Hennie Bester
por estes canais condizem com as necessidades
dos consumidores. “Muitas dessas vendas não
são tão importantes para o segurado, mas aca-
bam tendo grande valor para os distribuidores,
pois mitiga os riscos que eles mesmos têm.” ocorre com o seguro rural, mas em relação à
Por fim, ressaltou que é preciso buscar exigência de solvência das seguradoras, ele
canais alternativos de distribuição e atingir acha que não deve ser alterada. “O que está
a população que não tem conta em banco. sendo vendido nestes casos é uma promessa
Sobre a questão tributária, ele entende que a e as empresas precisam ser sólidas e ter regras
melhor forma é a subvenção ao prêmio, como de solvência bem seguras”, concluiu. •

DPVAT: um modelo
de sucesso
O diretor-presidente da Bradesco Segu- sobrevida e uma tranquilidade em termos de
ros e Previdência e também presidente da estabilidade familiar por algum tempo”.
FenaPrevi, Marco Antonio Rossi, mediador Rossi lembrou que a Seguradora Líder,
do debate, destacou o DPVAT como um mo- administradora do DPVAT, foi criada com a
delo de sucesso de seguro popular, pouco união de 70 seguradoras do mercado para
lembrado no Brasil. “Todos os anos, o DPVAT melhorar as condições de atendimento
paga cerca de R$ 2,6 bilhões em indenizações. nessa área. “Sem dúvida, é um case muito
Para muitos, o valor pode ser considerado positivo que muitas vezes não tem o devido
baixo. Porém, para as pessoas que recebem R$ valor quanto se observa o mercado de se-
13.500 de indenização podem significar uma guros como um todo”, finalizou.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 31


INFORME ADICIONAL

Nova classe média:


maior símbolo é a
carteira de trabalho
brasileiro tem sido inclusivo, o que é prepon-
derante para a nova classe média. A taxa de
Entre 2003 e 2011, crescimento na Região Nordeste, por exem-
plo, está muito maior do que no restante do
39,6 milhões de brasileiros país, inclusive em São Paulo, o estado mais
entraram na classe C rico”, comparou Neri.
O economista chamou a atenção para
e 9,2 milhões, na A e B o que considera um ‘padrão atípico’ no de-
sempenho socioeconômico do Brasil nos
últimos anos. “Os grupos que mais cresce-

A
nova classe média brasileira não só ram são os tradicionalmente excluídos, é um
Por
veio para ficar como já é a dominan- ponto fora da curva nos padrões de desen-
VANIA
MEZZONATO te do ponto de vista econômico. Um volvimento dos países do BRIC (Brasil, Rússia,
estudo feito pelo economista-chefe Índia e China)”, afirmou.
do Centro de Políticas Sociais da Fundação No período entre 2003 e 2011, de acor-
Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri, intitulado do com a pesquisa da FGV divulgado no
“A Nova Classe Média Veio para Ficar?”, a classe final de junho, 39,6 milhões de brasileiros
emergente, batizada de classe C, concentrou entraram na classe C, enquanto 9,2 milhões
46,24% do poder de compra dos brasileiros, ingressaram nas classes A e B. Já a classe
em 2009, superando as classes A e B, que res- D perdeu 7,9 milhões de pessoas (redução
ponderam por 44,12% no mesmo período. de 24,03%) e a classe E perdeu 24,6 milhões
Baseado em dados das economias brasilei- (menos 54,18%). Com isso, segundo o estu-
ra e internacional, nos resultados de pesquisas do, a “nova classe média” brasileira passou,
domiciliares e de estudos específicos sobre nos últimos dois anos, de 50,45% da popula-
a situação do brasileiro ao longo das últimas ção para 55,05%, contabilizando mais de 100
décadas, o economista da FGV disse que, entre milhões de integrantes.
2001 e 2009, a taxa de crescimento dos mais
pobres no Brasil foi muito maior do que a dos Emprego
mais ricos, o que aumentou o padrão de vida formal
de mais da metade da população. Na avaliação de Marcelo Neri, o cresci-
mento robusto do emprego formal, duplica-
Padrão do desde 2004, caracteriza a ascensão desta
atípico nova classe média, cujo principal símbolo
“A renda dos pobres cresceu 540% a é a carteira de trabalho. Em 2010 foram ge-
mais do que a dos ricos. O crescimento rados 2.136.947 novos empregos formais,

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 32


divulgação
“ Os grupos que
mais cresceram
no Brasil são os
tradicionalmente
excluídos, é
um ponto fora
da curva nos
padrões de
desenvolvimento
dos países
do BRIC ”
Marcelo Neri

contra 657.596 em 2000. “E isso foi feito sem Hierarquia


reforma trabalhista, o que é surpreendente”. social
Desde o final da recessão de 2003 que De 2003 a 2008, 19,5 milhões de brasi-
o Brasil cresce de forma praticamente con- leiros conseguiram sair da pobreza. Com
tínua. No ano passado, o Produto Interno mais 1 milhão registrados em 2009, são
Bruto (PIB) atingiu 6,5%. Na média, no perío- mais de 20 milhões de pessoas que, nos
do entre 2003 e 2009, a taxa de crescimento últimos sete anos, ascenderam na hierar-
do PIB per capita foi de 2,88%. Mas a renda quia social do Brasil. Entre 2008 e 2009, em
PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de pleno ano de crise, a taxa de pobreza caiu
Domicílios, da Fundação Instituto Brasileiro de 16,02% para 15,32% – uma queda de
de Geografia e Estatística, o IBGE) superou 4,32%. “O Brasil está crescendo, as
esse desempenho e alcançou, no mesmo pessoas estão sendo empurradas para
intervalo de tempo, 4,71% ao ano. Ultrapas- cima”, avaliou.
sou o PIB em 1,83 pontos percentuais. Apesar de as taxas de crescimento
“O crescimento brasileiro tem sido alta- do Brasil ainda permanecerem em níveis
mente inclusivo, o que é fator preponderante inferiores aos dos outros BRICS (Brasil, Rús-
para o surgimento de uma nova classe média. sia, Índia, China e África do Sul) – como
É diferente do que ocorre na Ásia”, explicou a China, em particular – a qualidade do
o economista Marcelo Neri. De 2001 a 2009, crescimento brasileiro é indiscutivelmente
segundo dados apresentados por ele, a renda melhor do que a do país asiático em vários
dos brasileiros mais pobres cresceu a uma aspectos, segundo Marcelo Neri. “O Brasil é
taxa de 6,79%. No período, a renda per ca- uma democracia, mas ainda enfrenta mui-
pita dos mais ricos aumentou 1,52% ao ano. tos obstáculos, incluindo um sistema de en-
Um dos principais reflexos desse quadro é a sino fraco, baixas taxas de poupança e um
tendência decrescente da pobreza nacional emaranhado de obstáculos regulatórios.
aferida a partir de 2003. Naquele ano, estudo Mas, para as perspectivas de crescimento
da FGV apontou a existência de 49 milhões futuro, o que importa não é o nível absolu-
de pessoas vinculadas à classe E, a mais baixa to desses fatores, mas como eles evoluem
do estrato social brasileiro. no tempo”, concluiu. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 33


Freakonomics

Grandes problemas
têm soluções simples
e objetivas
por ano, dedicando-se a sua execução. Como
exemplo, ele citou uma experiência própria:
Os incentivos são durante 10 anos concentrou-se em uma ou
duas boas ideias, que resultaram na criação de
fundamentais para criar seus best-sellers ‘Freakonomics’ e ‘SuperFre-
um ambiente propício akonomics’. Para ele, os incentivos são funda-
mentais para se criar um ambiente propício às
às ideias promissoras ideias promissoras no plano econômico.
Steven Levitt, que se notabilizou por de-

P
safiar a “sabedoria convencional”, conquistou
ense em uma ideia mirabolante ca- a medalha Clark, prêmio dado a contribuições
Por
VAGNER paz de mudar o mundo. Em segui- econômicas relevantes a economistas ameri-
RICARDO da, reflita sobre outra mais básica. canos com menos de 40 anos. Uma de suas
Se precisar escolher em qual investir, conclusões mais provocantes foi relacionar o
aposte as fichas naquela ideia mais linear. “A aborto à queda da criminalidade nos Estados
solução para todos os nossos grandes pro- Unidos nos anos 90.
blemas tem uma resposta simples e objetiva”, Na quinta edição da Conseguro ele vol-
assegurou o economista Steven Levitt, autor tou ao tema. “Crianças indesejadas têm mais
da palestra “Freakonomics: o lado oculto e propensão a virar criminosos quando adultos”,
Steven Levitt inesperado de tudo que nos afeta”. disse ele, cuja tese causou comoção nos EUA,
Segundo o expositor, no mundo corpora- já que os cerca um milhão e meio de abortos
Uma das tivo é preciso desrespeitar as regras para pro- feitos nos Estados Unidos são praticados por
conclusões mais mover mudanças e conclamou todos os parti- mulheres pobres, adolescentes e solteiras.
provocantes cipantes a pensar em um ou duas boas ideias Coordenador da palestra, o 1º vice-pre-
sidente da CNseg Patrick Larragoiti (também
do economista
júlio fernandes/ ag. full time

presidente do Conselho de Administração


e escritor foi da SulAmérica), lembrou que tanto os indi-
relacionar o cadores de fecundidade no Brasil e o núme-
aborto à queda ro de mortes em confrontos, no caso do Rio,
estão em declínio graças às ações combina-
da criminalidade das dos governos federal, estadual e a pre-
nos Estados feitura. Ao mesmo tempo, o crescimento do
Unidos nos consumo pela classe D é outro motivo de
alento para todas as atividades econômicas,
anos 90
inclusive o seguro.•

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 34


Solvência II

Europa consulta
mercado sobre as
regras de capital

júlio fernandes/ ag. full time


O grande desafio é ter
um modelo ajustado
para evitar excessos na
exigência de capital

N
a Europa, a implementação da “Sol-
Por vência II” (regras de capital baseado
JORGE CLAPP
em risco para as seguradoras) está Seguros, Samuel Monteiro dos Santos Junior,
sendo feita com base em ampla que participou do debate, há muitas diferen-
consulta ao mercado e a partir de troca de infor- ças entre o modelo brasileiro e aqueles aplica-
mações entre órgãos reguladores e supervisores. dos na Europa e nos EUA. “Somente aqui há o
A informação foi dada pela diretora geral do vínculo das reservas técnicas. E é bom lembrar
Comitê Europeu de Seguros (CEA), Michaela que, em 25 anos, apenas cinco seguradoras
Koller, na palestra “Experiência e Tendências na brasileiras quebraram – e, na maioria dos ca-
Europa”. “Há consultas formais e informais, um sos, por causa dos donos das companhias”.
diálogo intenso e estudos de impactos, custos Samuel Monteiro afirmou ainda que o
e benefícios”, disse ela, que também é executiva mercado brasileiro não é contra as regras da
da Federação Europeia de Seguros e Resseguros. Solvência II, mas quer discutir o assunto com
Para Michaela, o grande desafio é ter as autoridades. “Cada país tem suas caracte-
calibragem adequada e um modelo mais rísticas e precisamos discutir as regras entre
ajustado para evitar excessos na exigência de nós”, destacou.
capital. “Se não acertamos a mão, corremos o Outro debatedor, o professor Aloisio de
risco de ver o capital migrar para os regimes Araújo, da Fundação Getúlio Vargas, alertou
menos exigentes”, afirmou, acrescentando que que é preciso não agir com “mão pesada”. “O
houve experiências negativas de regulação mais adequado é ter uma dosagem correta,
do capital, no passado, implementadas sem até porque uma fragilidade residual sempre
consultas e troca de informações. O resultado vai existir”. No mesmo painel, Bruno Pereira,
final foi o aumento dos preços pagos pelos da Leblon Equities, disse que é preciso buscar
consumidores. novas fontes de capital e garantir retorno para
Para o vice-presidente do grupo Bradesco os investimentos feitos.•

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 35


Regulação, Concorrência
e Consumidor

Modelo de regulação
penaliza empresas de
pequeno porte
Fazendo uma analogia com as corridas
de Fórmula-1, Daniel Goldberg disse que
uma equipe não pode ser punida pelos fis-
Companhias de grande cais da prova por trocar os pneus dos seus
porte tendem a ser menos carros mais rapidamente que os demais
competidores. “No caso do seguro, o mais
prejudicadas pelo importante é precificar os riscos corretamen-
modelo vigente te”, observou, acrescentando que uma pos-
tura equivocada pode até mesmo induzir o
mercado à ineficiência, prejudicando os con-

O
Por regulador não pode obrigar sumidores finais de produtos de seguros.
JORGE CLAPP todo mundo a usar um casaco O presidente do Banco Morgan Stanley
GG. O alerta foi feito pelo presi- entende que a avaliação regulatória do
dente do Banco Morgan Stanley mercado deveria ser feita não com base
Brasil, Daniel Goldberg, ao apresentar a no acompanhamento anual, mas embasa-
palestra “A Regulação pela Perspectiva do da em “séries de tempos” e salientou tam-
Consumidor”. No caso específico do mer- bém que um “bom remédio” é a regulação
cado de seguros, esse casaco ficou grande
“Diz um antigo demais e desconfortável para as pequenas
prudencial, pois, no seguro, o custo do
fracasso pode ser desproporcionalmente
ditado: o que seguradoras, que estão retendo até 50% a grande em comparação a outras ativida-
mais de capital, em média. des. “É preciso haver uma margem de se-
engorda o boi é
Segundo Goldberg, diante desse cená- gurança regulatória para proteger os con-
o olho do dono. rio, é possível até que haja uma progressiva sumidores dessas possíveis consequên­cias
Contudo, no migração de fatias do mercado dessas desproporcionais”, assegurou.
caso do mercado pequenas companhias para as segurado-
ras maiores, que costumam trabalhar com Provisão de
de seguros, os os chamados multiprodutos e são menos informações
donos não estão penalizadas pelo modelo vigente no País. No mesmo painel, a coordenadora de
presentes para “Exigir demais não é regular bem, pois Estudos de Mercado de Regulação do Ipea
pode provocar a anomalia da concentra- (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Lu-
verem o boi
ção de negócios, o que levaria à falta de cia Helena Salgado, afirmou que há um novo
engordar ” concorrência”, acrescentou o palestrante, espaço para a regulação no mercado brasileiro.
Lucia Helena que foi secretário de Direito Econômico do “Os órgãos reguladores devem ajudar o indiví-
Salgado Ministério da Justiça. duo a tomar as suas decisões”, argumentou.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 36


“Exigir demais

júlio fernandes/ ag. full time


não é regular
bem, pois pode
provocar a
anomalia da
concentração de
negócios, o que
levaria à falta de
concorrência ”
Daniel Goldberg

A debatedora citou o caso do merca- surgido nos anos 1990. “Atualmente, vários
do de seguros em que, muitas vezes, uma setores querem ter agências reguladoras
pessoa tem o poder de tomar, sozinha, as próprias”, acrescentou.
decisões que dizem respeito aos interesses Para Carneiro, há momentos apropria-
de várias outras, como os investimentos dos para se fazer reformas e consolidar as
em fundos. “Diz um antigo ditado: o que normas e outras em que não é preciso fazer
engorda o boi é o olho do dono. No caso nada. Ele citou o exemplo do Poder Judiciá-
do mercado de seguros, os donos não estão rio, que experimentou uma fase muito bem-
“Por vezes, é presentes para verem o boi engordar”, com-
parou, justificando sua defesa pela presença
sucedida com a implantação dos juizados
de pequenas causas. “Por vezes, é prudente
prudente mexer de um agente externo. E acrescentou: “A tentar mexer no sistema de regulação, pois
no sistema de informação é, de fato, um bem público, mas há espaço para aperfeiçoamentos a partir da
regulação, pois o custo é muito elevado”. interação entre órgãos reguladores e agen-
tes do mercado”.
há espaço para
Agências Nesse sentido, o especialista entende
aperfeiçoamentos reguladoras que é possível ter alguns representantes
a partir da O outro debatedor do painel, o coorde- do mercado no Conselho Nacional de
interação entre nador Regional de Antitruste do escritório Seguros Privados (CNSP), ainda que não
Veirano Advogados, João Geraldo Piquet tenham direito a voto, para que possam
órgãos Carneiro, observou que o setor de seguros ter oportunidade de conhecer a realidade
reguladores é o mais antigo mercado regulado por me- como expectadores. Para ele, não haveria
e agentes do canismos estatais. E lembrou que prevalece problema se também os consumidores
mercado ” no Brasil uma tendência de se adotar novas
formas de regulação, consequência do “en-
fossem representados no Conselho. “Isso,
sem dúvida alguma, traria alguns benefí-
Piquet Carneiro cantamento” com as agências reguladoras, cios importantes”, assinalou. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 37


INFORME ADICIONAL

Seguradoras não
podem pagar por
erros de bancos

As perdas financeiras
geradas pelas crises
mundiais foram
concentradas nos bancos

S
Por eguro é seguro e seguradora não é
DENISE BUENO banco – e ponto! Esse é o mantra
dos principais executivos da indús-
tria de seguros do mundo que se
reúnem, por meio da Geneva Association,
com os órgãos reguladores internacionais.
“Estamos A missão da entidade, que reúne mais
alertando os de 80 CEOs do mundo, é informar que as
seguradoras não podem ser penalizadas
reguladores com uma regulamentação mais rígida, pois
sobre os distintos as perdas financeiras geradas pelas crises
papéis que mundiais foram concentradas nos bancos.
O esforço neste ano está mais intenso tar um risco sistêmico – que são abordados
seguradoras porque há projetos para todos os lados. nesta discussão de uma forma que nem
e bancos Há os regionais (Solvência II, na Europa), os sempre reflete as diferenças específicas dos
desempenham globais (International Financial Reporting modelos de negócios de seguro e outros
na economia, Standards – IFRS) e uma infinidade de refor- prestadores de serviços financeiros, como
mas da Associação Internacional de Super- os bancos.
para preservar visores de Seguros (IAIS).
os interesses Segundo Nikolaus von Bomhard, presi- Perdas
sociais que elas dente do Conselho da Geneva Association pontuais
garantem ” e da Munich Re, maior resseguradora do
mundo, a maior discussão é se as segura-
Estudo da Geneva afirma que as perdas
atreladas ao mercado de seguros foram
Patrick Liedtke doras e resseguradoras poderão represen- pontuais em companhias que atuavam

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 38


com seguros financeiros ligados às garan- setor, afirmam os executivos que participa-
tias de hipotecas de alto risco, conhecidos ram da pesquisa que irá balizar os estudos
como subprime. E o socorro dos governos da associação para os próximos anos.
aos bancos, entre setembro de 2008 e feve- Um forte argumento da indústria de
reiro de 2010, totalizou US$ 1,5 trilhão. seguros é que o setor tem regras rígidas,
Mas também houve casos de segura- que serão ainda mais severas com a im-
doras cujo volume quase chegou a US$ 200 plementação das normas de Solvência II
bilhões, praticamente para a AIG. A respos- previstas para 2012. Outra defesa é de que
ta dada pelos executivos é de que o pro- o mercado funciona como um amortece-
blema da AIG, que até setembro de 2008 dor para crises ao gerenciar riscos e pagar
era considerada a maior do mundo, foi ge- indenizações.
rado por uma divisão pequena do grupo,
divulgação

que faturava apenas US$ 2 bilhões por ano, Riscos


diante dos mais de US$ 100 bilhões de todo sistêmicos
o conglomerado. Para Patrick Liedtke, secretário-geral da
A experiência acendeu o farol amare- Geneva Association, entidade que repre-
lo dos governos, que correram para criar senta praticamente 80% do PIB mundial
regras com a esperança de evitar que de seguros, uma das formas de ajudar a ter
uma instituição gigantesca seja um risco uma regulamentação adequada é forne-
sistêmico para a economia mundial. Desde cer aos reguladores informações sobre o
então, os órgãos reguladores têm sinaliza- funcionamento do setor, de forma a deixar
do uma forte tendência de adotar normas claro como opera e quais são os riscos sis-
únicas para o sistema financeiro, englo- têmicos da indústria de seguros.
bando todas as operações do conglome- A Geneva Association tem buscado
rado internacional. esclarecer aos reguladores o quanto os
riscos sistêmicos de seguradoras diferem
Fluxo dos riscos dos bancos. ”Estamos alertando
de caixa os reguladores sobre os distintos papéis
Bomhard explicou que o modelo de que seguradoras e bancos desempenham
negócios securitários apresenta detalhes na economia. A chave é assegurar o bom
específicos que diferem significativamente funcionamento da indústria e preservar os
dos bancos. O seguro, disse, é financiado interesses sociais que ela garante”, diz.
por prêmios iniciais, propiciando às segura- Patrick Larragoiti, presidente do Conse-
doras um ótimo fluxo de caixa operacional, lho da SulAmérica e único brasileiro a fazer
Fachada da AIG: sem exigir financiamento no atacado. “As parte do conselho da Geneva Association,
governo apólices de seguro geralmente são de lon- explica que uma das lutas da associação é
americano go prazo, com saídas de fluxos controlados. mostrar aos órgãos reguladores que man-
socorreu Portanto, as seguradoras mantêm investi- ter a atividade de seguro regulada por um
mentos de longo prazo e não representam órgão especializado traz mais segurança ao
financeiramente um risco sistêmico”, defende o presidente sistema do que ter a indústria controlada por
a seguradora na da Geneva. uma autoridade monetária preocupada com
crise mundial A regulamentação poderá gerar um bancos, fundos e mercado acionário. “No
engessamento do setor e aumento dos Brasil temos a Susep com grande influência
deflagrada em custos para os segurados. Já os indicadores do Banco Central. E não sofremos qualquer
setembro macroeconômicos voláteis inibem os in- perda com a crise. Pelo contrário. Continua-
de 2008 vestimentos e retardam o crescimento do mos nosso ritmo de crescimento”. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 39


Seguros de Vida e
Previdência Privada

O Brasil ainda
engatinha no
seguro individual
Robert Kerzner abriu o painel destacando
que o Brasil é uma das economias que mais cres-
cem no mundo e surpreende pela ascensão de
A indústria de seguros terá classes sociais e o número de pessoas que saíram
de se reinventar com novos da linha de pobreza. “São 128 milhões de pessoas
nas classes C e D. No entanto, apenas 30 milhões
produtos e alternativas de têm algum seguro de vida. No mundo, muitas se-
distribuição guradoras estão utilizando alternativas inovadoras
para acessar o público popular”, afirmou.

P
rodutos, preços, coberturas, distribuição Autônomos
Por
KARIN FUCHS
e impostos são alguns dos empecilhos associados
para que o mercado de seguros de vida Kerzner comentou que no Japão as pessoas
individuais cresça no País. De acordo compram seguros pelo celular e que nos EUA
com Nilton Molina, presidente do Conselho de aumentou consideravelmente a participação de
Administração da Mongeral Aegon Seguros e Pre- autônomos associados às seguradoras na comer-
vidência e vice-presidente da CNseg, o resultado cialização de seguros de vida. “No Brasil, 75% da
é uma baixa penetração do produto. “A participa- distribuição são pelo canal bancário, enquanto
ção dos seguros de vida individuais na Argentina nos Estados Unidos são 38%. À medida que um
é de 8,6% do mercado; no Chile, é de 20,5%; e, no país amadurece, é preciso mudar os produtos e a
Brasil, de apenas 1,9%. Na comparação, mais signi- distribuição. O mercado brasileiro deveria ser mais
ficativo ainda é o número de prêmios em relação agressivo ou buscar alternativas”, sugeriu.
ao PIB: 0,05% na Argentina e de 0,03% no Brasil”. Segundo ele, a indústria de seguros precisa
Esses números demonstram uma enorme rapidamente desenvolver alternativas de distri-
oportunidade para o mercado brasileiro, segun- buição, como, por exemplo, o telemarketing ou
do Nilton Molina, que coordenou a palestra “Se- canais virtuais. “No Brasil, o número de linhas
guros de Vida Individuais e Previdência Privada” celulares em operação ultrapassou a população
– ao lado dos debatedores Fábio Lins de Castro, – em abril, totalizavam 212,6 milhões de linhas
presidente executivo da Prudential do Brasil – e as gerações X e Y compram produtos pela
Seguros de Vida, e Eugenio Velasquez, diretor internet. Nos Estados Unidos, por exemplo, em
da Bradesco Vida e Previdência – proferida por 2006, 38% da população utilizavam a internet
Robert Kerzner, CEO e presidente da Limra, Loma para obter informações sobre seguros. Percentu-
e LL Global, Inc. al que cresceu para 52%, em 2009”.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 40


Poupança

júlio fernandes / ag. full time


sistemática
No ano de 2030, pela primeira vez no
Brasil, o número de adultos dependentes da
Previdência será superior ao de crianças Isso
significa que o governo e as empresas terão
que pensar em como esse grupo irá poupar
de forma sistemática. “Talvez seja necessário
oferecer diferentes produtos para atingir esse
público. Cada vez mais, seguros de vida terão
uma participação importante para o acúmulo
de capital”, expôs Kerzner.
Considerando que até a metade deste
século 40% da população mundial terão 50
anos ou mais e uma expectativa de vida de
77,5 anos, o problema tende a se agravar. “As
pessoas não estão se planejando para tanta
longevidade. A expectativa de vida nos últi-
mos 50 anos aumentou mais do que em 5 mil
anos”, comparou.
O desafio, concluiu Kerzner, é exatamente
a inclusão de novos consumidores no seguro
de vida, com produtos amplos, que ofereçam
mais benefícios, sejam mais elaborados e que
despertem nas pessoas a importância de se
pensar em suas aposentadorias. “É preciso
incentivar a população a poupar.” •
“À medida
Da inclusão analisar o risco, mas também acompa-
nhar o cliente, em todos os ciclos, para
que um país
amadurece, é
financeira
que o seguro de vida possa sempre
corresponder às suas necessidades. preciso mudar
“Nós podemos trabalhar com precifi- os produtos e
à proteção cações diferenciadas para diferentes
riscos”, validou.
Eugênio Velasques, da Bradesco
a distribuição.
O mercado
Vida e Previdência, afirmou que é pre- brasileiro
ciso educar o consumidor e conscien- deveria ser
Para Fábio Lins de Castro, execu- tizá-lo sobre a importância mais agressivo
tivo da Prudencial, o mercado precisa da proteção. “A educação passou a
avaliar se os produtos vendidos estão fazer parte do nosso planejamento ou buscar
adequados, se eles protegem 100% estratégico. Os ciclos de inclusão no alternativas ”
dos segurados e se os corretores estão Brasil são o social, o de moradia, o Robert Kerzner
preparados para fazer esta análise – financeiro e o da proteção através do
pois o papel deles não é apenas o de seguro”, ressaltou.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 41


INFORME ADICIONAL

Como tornar o futuro


economicamente
mais saudável
ceiras. Por isso, a saída é ensinar o be-a-bá da
economia para que a população possa tomar
O acesso ao financiamento decisões melhores.
A educação financeira é a solução para
facilita a realização de possibilitar um futuro economicamente mais
sonhos, mas estimula saudável para todos. O tema, que já era discu-
tido no mundo inteiro antes da crise financeira
o consumismo global de 2008, ganha força na medida em
que governos têm perdas significativas e famí-

P
esquisas realizadas em vários países da lias entram para o ciclo de endividamento.
Por
América Latina dão conta de que boa Trata-se de um esforço conjunto que
DENISE BUENO
parte da população tem pouca habili- envolve governo, escolas, famílias, empresas
dade para tomar decisões relacionadas e instituições financeiras. As parcerias público-
ao seu dinheiro. Há muitas pessoas saindo da privadas são consideradas essenciais para que
pobreza e procurando oportunidades. São mi- este objetivo seja conquistado. Embora seja
lhões de indivíduos que ascenderam na classe visto com um investimento caro, o retorno é
social e estão ávidas por consumir produtos e imensurável no longo prazo.
serviços que até então não tinham acesso.
Todos querem o consumo imediato, sem Ascensão
pensar muito no futuro – e com a melhor dis- social
Santa Marta: tribuição de renda, os desejos podem ser con- “O Brasil está mudando rapidamente
O projeto ‘Estou quistados com uma linha de crédito, paga em e a ascensão social é uma fantástica prova
muitas parcelas e sem entrada. O avanço do
Seguro’ mostrou
crédito deve alcançar 41% do Produto Interno
como algumas Bruto (PIB) na América Latina, em 2015, confor-
comunidades me expectativas do Santander. No Brasil, o cré-
do Rio de dito representou 46% do PIB no ano passado.

Janeiro lidam Be-a-bá


com situações da economia
inesperadas que, O fácil acesso ao financiamento facilita
a realização de sonhos, mas estimula o forte
em sua maioria,
consumo embalado pelo marketing publicitá-
trazem prejuízos rio. E o crescente endividamento da população
financeiros acende uma luz amarela nas instituições finan-

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 42


Programa ensina a
lidar com dinheiro
Outra iniciativa inovadora do mercado é a perintendência de Seguros Privados) e da SPC
criação da Estratégia Nacional de Educação Fi- (Secretaria de Previdência Complementar).
nanceira (ENEF), um programa que visa incluir De acordo com a autarquia, todos são
temas relacionados à economia no cotidiano beneficiados com a implantação da educa-
e na formação dos brasileiros. A ENEF também ção financeira no País. As empresas ligadas
servirá como um termômetro com ações es- aos setores econômicos ganham na facili-
tratégicas para medir o nível de conhecimento dade de se comunicar com os clientes que,
da população brasileira quando o assunto é por sua vez, passam a entender melhor do
finanças pessoais e investimentos. assunto, trazendo dinamismo para as rela-
O trabalho é executado por um grupo ções financeiras. Os trabalhos desenvolvidos
especializado do Coremec (Comitê de Regu- em meio à ENEF são divulgados num por-
lação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, tal criado exclusivamente para a iniciativa
de Capitais, de Seguros e de Previdência e (www.vidaedinheiro.gov.br). O site funciona
Capitalização), coordenado pela CVM (Comis- como um inventário dessas ações, reunindo
são de Valores Mobiliários) e composto por as experiências de educação financeira exis-
representantes do Banco Central, da Susep (Su- tentes no Brasil.

disso. Mas será preciso qualificar essa ascen- grandes aliadas na disseminação da educa-
são, gerando poupança, segurança, saúde e ção financeira. Afinal, compartilhar experiên-
bem-estar para essas famílias. Esse papel é cias otimizam tempo e recursos. No Brasil, é
da indústria de seguros”, analisou Pedro Bul-
cão, membro do Conselho Diretor da CNseg
ainda mais difícil quebrar as barreiras: além
do analfabetismo financeiro, há o elevado
“ O Brasil
está mudando
e presidente da Sinaf seguros. custo do acesso à internet.
A mulher, que geralmente cuida do No mercado de seguros, a preocupa-
rapidamente
controle dos gastos, monitorando os filhos e ção quanto à educação financeira dos con- e a ascensão
o marido, e as redes sociais são vistas como sumidores cresce. Em uma iniciativa pionei- social, vivida
ra, a CNseg e o IETS (Instituto de Estudos
por milhões de
CLAUDIA MARA

do Trabalho e Sociedade) desenvolveram, a


partir de um convite da Organização Inter- brasileiros, é uma
nacional do Trabalho (OIT), o projeto Estou fantástica prova
Seguro. A ação mostrou como as comu- disso. Mas será
nidades Santa Marta, Chapéu Mangueira
e Babilônia, no Rio de Janeiro, lidam com
preciso qualificar
situações inesperadas. essa ascensão
O projeto contou com o apoio da e esse papel é
Escola Nacional de Seguros (Funenseg) e
da indústria de
da Federação Nacional dos Corretores de
Seguros (Fenacor). Participaram da iniciativa seguros”
17 seguradoras. • Pedro Bulcão

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 43


Nova marca, Prêmio,
Informe e Balanço Social

Nova marca
comemora os 60 anos
da CNseg
trico e estável que dá estrutura ao símbolo.
As cores foram mantidas, com alteração
O Prêmio Inovação, o apenas nas tonalidades para facilitar a sua
reprodução em processos gráficos”, afirmou
Informe Anual e o Balanço Solange Beatriz. A separação dos caracteres
Social de 2010 também CN do ‘seg’ no logotipo, explicou a diretora,
teve o objetivo de proporcionar mais ritmo à
foram lançados no evento leitura, que ficava quebrada com o agrupa-

O
palco das discussões da 5ª Conse-
Por
guro, em Brasília, foi também ce-
VANIA
MEZZONATO nário para o lançamento da nova
identidade visual da CNseg, apre-
sentada ao mercado pela diretora executiva
da Confederação, Solange Beatriz Palheiro
Mendes. A nova marca pontua a comemo-
ração dos 60 anos da CNseg – sucessora da
Fenaseg – e visa transmitir os conceitos de in-
tegração, dinamismo e evolução do mercado.
“A forma básica dos símbolos das quatro
Federações que compõem a CNseg foi de-
senvolvida a partir de um diagrama geomé-

Balanço Social: prestando


A edição unificada 2010 do Informe do, havia 1.785 empresas em atuação no
Anual e do Balanço Social do Mercado mercado.
Segurador está disponível para o merca- O Balanço Social, que compreende
do desde junho. O Informe Anual apre- os segmentos de Seguros, Previdência
senta os principais dados econômicos do Complementar Aberta e de Capitaliza-
mercado segurador, que teve receita de ção, é uma ampla prestação de contas
R$ 183,89 bilhões em 2010, 14,24% a mais à sociedade sobre os recursos adminis-
que o totalizado em 2009. No ano passa- trados pelas instituições que operam

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 44


Prêmio Mercado,
Logomarca e Balanço Social

Prêmio vai reconhecer


ideias inovadoras
Lançado pelo presidente da CNseg, A iniciativa da CNseg é também uma
Jorge Hilário Gouvêa Vieira, durante a ple- homenagem ao empresário Antonio Carlos
nária de encerramento da 5ª Conseguro, o de Almeida Braga, um incentivador do desen-
Prêmio Antonio Carlos de Almeida Braga volvimento do mercado segurador brasileiro
“Inovação em Seguros” vai reconhecer as que, na segunda metade do século 20, impul-
melhores e mais inovadoras ideias desen- sionou o setor ao mostrar que a inovação e
volvidas pelo mercado brasileiro no relacio- o desenvolvimento econômico estão lado a
namento com o consumidor. O prêmio é lado. “Braga representa a combinação de tra-
dirigido aos colaboradores de seguradoras balho bem feito com qualidade de vida. Ele é
e de corretoras de seguros, além de alunos um exemplo de empresário, visionário e ami-
da graduação da Funenseg. go”, disse Jorge Hilário, ao lançar a premiação.

“ A nova
júlio fernandes/ ag. full time

mento das três consoantes iniciais.


Pautada em sua missão de reunir as lide- identidade
ranças, coordenar ações institucionais e po-
líticas, elaborar e executar o planejamento visual integra
estratégico do setor, além de representá-lo um processo de
perante as autoridades setoriais e governa- mudança para
mentais, a Confederação se reinventa e bus-
todos nós. É um
ca a modernização em todos os sentidos. “A
nova identidade visual integra um processo novo tempo para
de mudança para todos nós. É um novo o mercado de
tempo para o mercado de seguros brasileiro seguros brasileiro
e é fundamental que esta união permeie
e é fundamental
cada vez mais as nossas ações”. •
que esta união
permeie cada vez
contas à sociedade mais as nossas
ações ”
no setor. A intenção deste documento iniciativas sustentadas por 80 empresas Solange Beatriz
é demonstrar a importância do seguro do mercado, vale lembrar que as segu-
para a sociedade e a economia do Brasil. radoras devolveram à sociedade 66,54%
A publicação lista os programas do total de R$ 134,16 bilhões arreca-
sociais apoiados pelo setor, como aten- dados em prêmios em 2020 – 7,33% a
dimento a crianças carentes, capacita- mais que no ano anterior – na forma de
ção de menores e ações de defesa do indenizações, pagamento de benefícios,
meio ambiente, entre outros. Além das resgates e sorteios.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 45


Palestra
Judiciário

Regras mais claras


minimizam ações
na justiça
tem ação na justiça. Muito em breve será
um em cada três, já que renda e escolari-
Consumidor mais dade refletem diretamente no número de

consciente torna-se ações na justiça”, previu Falcão.


Segundo ele, um dos fatores que mostra
mais exigente com a expansão do Judiciário é o crescimento da

seus fornecedores regulação de todas as atividades – e quem


mais contribui para isso são as agências re-
guladoras. Como crescer com esta tendên-

O
mundo mudou e cada vez mais cia de regulação?”, questionou, provocando
Por
vivenciando a era do consumidor. uma reflexão.
KARIN FUCHS
Prova disso foi a edição do Có-
digo de Defesa do Consumidor, Ônus
em 1990, e, cinco anos depois, a criação do da prova
Juizado Especial Cível, um recurso que tem O Código de Defesa do Consumidor, di-
levado o cidadão a reivindicar seus direitos. ferentemente do passado, inverteu o ônus da
“O Juizado Especial Cível é o único integrante prova, que hoje é do fornecedor. Por precau-
do Judiciário em que cresce o número de ção e respeito ao consumidor, afirmou Falcão,
“ Hoje, um em novos processos. Estamos vivendo a justiça do
consumidor”. A afirmação é do professor de
cabe aos fornecedores serem cada vez mais
claros com seus clientes. “Muitas reclamações
cada quatro Direito e ex-membro da Corregedoria Nacio- que chegam aos Procons poderiam ser evita-
brasileiros tem nal de Justiça Joaquim Falcão, em palestra na das, se as empresas prestassem mais informa-
ação na justiça. 5º Conseguro. ções aos seus consumidores. Consumidor que
Esse novo perfil do consumidor, mais compra de forma mais consciente cumpre o
Muito em breve exigente e mais atento aos seus direitos, seu papel”, conclui.
será um em cada muda também a estrutura de poder do De acordo com o Instituto de Pesquisa
três, já que renda século 21, cujo principal poder será do Judi- Econômica e Aplicada (Ipea), para cada 1 ano
ciário. “Hoje, um em cada quatro brasileiros a mais na escolaridade média da população
e escolaridade
de um estado, aumenta a demanda por ser-
refletem
gabriel heusi

viços judiciários em 1.182 casos novos/100


diretamente no mil habitantes/ano. Já uma redução de 1
número de ações ponto no percentual de pobres na popula-


na justiça
ção de um estado, aumenta a demanda por
serviços judiciários em 115 casos novos/100
Joaquim Falcão mil habitantes/ano. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 46


Estandes

Espaços exibiram
vídeos e divulgaram
informações do setor

A
realização da Conse-
guro, evento bienal

fotos júlio fernandes/ ag. full time


organizado pela
CNseg, tem o objetivo
de discutir temas estratégicos
para a expansão do mercado
segurador e do País. Nesta quinta
edição, a conferência contou com
patrocínio de entidades de peso
Funenseg: a Escola Nacional do setor – sem o qual todos os Fenacor: apresentou vídeo
de Seguros teve dois estandes esforços dos organizadores não institucional com detalhes da
no evento. O primeiro espaço alcançariam o almejado êxito –, organização do XVII Congresso
informava sobre cursos e que montaram estandes na área Brasileiro dos Corretores de
publicações da instituição, de circulação do evento, divulgan- Seguros, que acontece em
e o outro permitia aos do informações para o público e novembro, além de distribuir pen-
congressistas navegar pelo exibindo vídeos institucionais. drive e folder com informações
portal “Tudo Sobre Seguros”. sobre o Código de Ética.

Seguradora Líder DPVAT: IRB Brasil-Re: a pausa para CNseg: disponibilizou a


lançou a 1ª edição dos boletins o cafezinho foi a aposta do edição 2010 do Informe
estatísticos trimestrais com estande. Os diferentes tipos de Anual e do Balanço Social e
informações sobre indenizações café oferecidos renderam ao exemplares do livro “Santa
pagas e perfil das vítimas de IRB novos contatos para futuros Marta, o morro e sua gente”.
acidente de trânsito. A iniciativa negócios. Quem visitava o Também distribuiu folder e
visa contribuir para estudos de espaço também podia deixar exibiu um vídeo institucional
prevenção de acidentes e de depoimentos e impressões sobre sobre a Central de Serviços e
educação no trânsito. o IRB e a Conseguro. Proteção ao Seguro.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 47


Seguros
de Saúde

O conhecimento
é essencial para a
cura de doenças
Ex-deputado americano
defende a necessidade de
se fomentar a pesquisa
sobre doenças mentais,
incluindo Alzheimer,
autismo e câncer

E
mpenhar esforços, tecnologia, recursos
Por
e conhecimento em prol do desenvol-
LENIR
CAMIMURA vimento e acesso à saúde são premissas
para atingir os desejos do consumidor
do futuro. Com este raciocínio, o palestrante do
painel “Seguros de Saúde para o Consumidor
do Futuro – O desafio do acesso à saúde”, o ex-
deputado americano Patrick Kennedy, descreveu causa de um câncer no cérebro, e outros paren-
a necessidade de se fomentar a pesquisa sobre tes desenvolveram doenças como Alzheimer,
doenças mentais, incluindo Alzheimer, autismo e demência e síndrome de Down.
câncer, entre outras. Patrick Kennedy também acredita que os ví-
Filho do ex-senador Ted Kennedy e sobri- cios são resultados de um problema cerebral, mas
nho do ex-presidente americano, John Kennedy, que podem ter cura. Enquanto estava no Congres-
Patrick cresceu sob os holofotes da política e da so americano, Kennedy defendeu a Saúde como
vida pública, o que o levou a se tornar um dos um direito civil. Agora, depois de 21 anos de carrei-
parlamentares mais jovens dos Estados Unidos, ra política, ele não concorreu à eleição, alegando
há 21 anos. No entanto, contou que enfrentou que sua prioridade é se tratar e buscar recursos
problemas sérios com o alcoolismo, depressão para investir em pesquisas sobre o funcionamento
e com um quadro de bipolaridade – e afirmou do cérebro. “O ideal é que a tecnologia e a informá-
que os problemas mentais fazem parte de sua tica sejam utilizadas como recursos para encontrar
genética. O pai dele, por exemplo, morreu por a cura para as doenças mentais”, disse.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 48


Como combinar
vontades infinitas
e recursos finitos
O presidente da FenaSaúde, Marcio O deputado Perondi apresentou
Coriolano - que coordenou o painel que dados do Sistema Único de Saúde (SUS),
contou com a participação do deputado e defendeu o fortalecimento do siste-
júlio fernandes/ ag. full time

federal Darcisio Perondi, presidente da ma de Saúde com a parceria entre os


Frente Parlamentar da Saúde; e do diretor braços público e privado. Ele ressaltou
da FenaSaúde, José Cechin – ressaltou que que existe uma ‘crise real’ na saúde que
algumas transições sociais têm ocorrido deve se acentuar, uma vez que não há
nos últimos anos, como reflexo do avanço recursos suficientes para manter a aten-
tecnológico, que tem levado à longevida- ção básica.
de da população. José Cechin lembrou que a mudança
Estas transformações culminam na demográfica precisa de soluções para
mudança da relação entre médico e serem aplicadas antes dos próximos
paciente, não apenas pelo acesso, mas 20 anos, quando o envelhecimento da
também pela consciência do consumidor população deve chegar a níveis ainda
sobre sua própria saúde e o poder de es- maiores. Para isso, é preciso reduzir a dis-
colha do melhor tratamento. Neste senti- sonância entre o perfil de renda e custo,
do, descobrir qual o desejo do consumidor uma vez que a solidariedade entre as
do futuro e combinar as vontades infinitas gerações está ameaçada. Para garantir o
aos recursos finitos se torna o maior desa- acesso à saúde, no futuro, uma das pro-
fio para o setor. postas é ser previdente.

“O ideal é que Valor porque precisa pagar um tratamento de saúde.


a tecnologia e emocional O que se precisa é de um bom diagnóstico para
a informática Segundo ele, com a transição epidemioló- evitar gastos com problemas que as pessoas não
gica – diminuição nos casos de doenças infec- têm”, afirmou.
sejam utilizadas
tocontagiosas, em contrapartida ao aumento Segundo ele, é preciso dar segurança às
como recursos nas doenças crônicas – é possível recorrer a pessoas de que o melhor tratamento está no
para encontrar um tratamento com uso de baixa tecnologia e hospital local. Desta forma, cria-se um sistema
a cura para custo. Para isso, Kennedy defendeu o uso de um melhor e evita que as pessoas se afundem em
tratamento domiciliar, por exemplo, que agrega dívidas para se tratar. “Para se investir em uma
as doenças valor emocional e ainda reduz os custos. Nos economia, é preciso se sentir seguro; e isto
mentais ” EUA, menos de 20% da população recebem esta só acontecerá na saúde, quando houver uma
Patrick Kennedy atenção no final da vida. base de dados que consiga antecipar uma
“É um insulto que uma doença faça alguém epidemia ou melhorar a assistência à popula-
se preocupar em criar os filhos e em não falir ção”, concluiu. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 49


INFORME ADICIONAL

Envelhecimento
causa aumento de
doenças crônicas
letais, como a Aids. Segundo o presidente da
Federação Nacional de Saúde Suplementar
A cada dia, descobertas (FenaSaúde), Márcio Coriolano, a Aids hoje
é uma doença absolutamente controlada e,
científicas criam vacinas e de letal, tornou-se uma doença crônica. “A
formas de controlar doenças, transição epidemiológica realmente é algo
impressionante. Antes muitas doenças eram
antes consideradas letais absolutamente letais, mas hoje as pessoas
podem se tratar e controlar seus riscos”.
Para ele, estas medidas fazem parte do

U
m dos resultados do aumento da desenvolvimento da sociedade, que busca
Por
longevidade da população brasi- melhores condições de existência. “Pode-
LENIR
CAMIMURA leira é a mudança no perfil epide- mos imaginar que, daqui para frente, outras
miológico. O avanço tecnológico, tantas doenças que hoje são letais podem
que fez com que as pessoas vivessem por deixar de matar. É possível que se descubra
mais tempo, também trouxe a solução para a cura do câncer, mas já existem tratamentos
muitas doenças infecto-contagiosas, redu- que trazem de volta à vida mesmo as pes-
zindo sua aparição. Em contrapartida, po-
rém, houve um aumento das doenças crôni-
“ O sistema cas, que estão diretamente relacionadas ao
privado, não é envelhecimento da população.
não pode ser Segundo dados do Ministério da Saúde,
doenças como isquemia do coração, cere-
considerado brovasculares, neoplasias (câncer), doenças
como do aparelho respiratório e diabetes figuram
concorrente do entre as dez primeiras causas de mortes no
SUS. (...) não há Brasil. O último levantamento produzido
pelo Ministério, para o estudo ‘Saúde Brasil
uma divisão 2009’, com dados de 2008, inclui ainda a
de trabalho. violência – tanto no trânsito como as agres-
Há, ao contrário, sões físicas – entre as “doenças” que mais
causam óbitos.
uma necessária
A cada dia, novas descobertas científicas
convergência ” desenvolvem vacinas e descobrem maneiras
de controlar doenças, antes consideradas
Marcio Coriolano

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 50


soas em situação limite, ainda que por um do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)
tempo restrito. Quem sabe daqui a algum como ferramenta primordial para controle
tempo não estaremos tratando e conside- das chamadas “doenças negligenciadas”,
rando o câncer como doença crônica?”. ou “doenças da pobreza”. A nota técnica
Márcio Coriolano lembrou, no entanto, do IOC/Fiocruz, enviada ao Ministério do
que estes avanços resultam em um custo Desenvolvimento Social para compor o
que pode se tornar impagável, caso não programa Brasil sem Miséria, do Governo
haja a definição de um limite de inovação Federal, inclui uma série de doenças diag-
tecnológica. “Esta não é uma discussão sim- nosticadas entre pessoas de baixa renda,
ples, mas também não é insolúvel”. como tuberculose, sífilis, dengue, doença
de chagas e vários tipos de verminoses.
Prática da Segundo o Instituto, apesar de o quadro
“ É preciso prevenção geral da saúde da população brasileira ter
conscientizar as Aliadas ao desenvolvimento tecnológi- evoluído das doenças transmissíveis para as
pessoas sobre co estão as medidas preventivas. A simples doenças crônicas, para algumas parcelas da
mudança de hábito das pessoas, adotando população, as doenças da pobreza ainda têm
a importância medidas saudáveis como boa alimentação, relevância e somam-se às doenças crônicas.
de se envolver prática de exercícios e redução do consumo Segundo a avaliação do Instituto, para
em programas de álcool e tabaco têm contribuído para combater a miséria no País é preciso desen-
preventivos, quer controlar e evitar o agravamento de doen- volver uma política competente e eficaz de
ças crônicas. Campanhas promovidas pelo saúde. Para tanto, apenas as medidas de pre-
seja ele uma Ministério da Saúde e pelo Setor de Saúde venção não serão suficientes: é necessário
mudança de Suplementar incentivaram a promoção da que haja uma ação multisetorial de enfren-
hábito, quer seja saúde e a prevenção de doenças. A visita tamento global da pobreza e, consequente-
periódica ao médico e o monitoramento mente, das enfermidades que a assolam.
uma campanha
dos doentes crônicos foram estimulados No sistema de saúde, já há um esforço
de vacinação ” tanto para as operadoras de planos de saú- conjunto do setor público e privado para
Martha Oliveira de e prestadores de serviço de saúde quan- conscientizar a população a participar de
to o próprio usuário. campanhas públicas, como a vacinação, o
divulgação

De acordo com a gerente geral de regula- combate a dengue e as mudanças de hábi-


ção assistencial da Agência Nacional de Saúde to, por exemplo. De acordo com a gerente
Suplementar (ANS), Martha Oliveira, tudo que da ANS, Martha Oliveira, “é preciso caminhar
é prevenível tem incentivo. “A saúde passou de juntos”. Neste sentido, o Ministério da Saúde
um estado epidemiológico para outro e é ne- e a Agência têm desenvolvido campanhas
cessário trabalhar em conjunto para combater em parceria, como o treinamento de médi-
e controlar não apenas o diagnóstico da do- cos sobre como lidar com a dengue, além
ença, mas também o estigma que o paciente do incentivo ao parto normal.
passa a sofrer. Por isso, é preciso conscientizar “O sistema privado, não é não pode
as pessoas sobre a importância de se envolver ser considerado como concorrente do SUS.
em programas preventivos, quer seja ele uma Aliás, a Constituição Federal estabelece que
mudança de hábito, quer seja uma campanha ele é suplementar, mas isso não implica dizer
de vacinação”. que há divisão de trabalho entre o SUS e o
sistema privado, ou pelo menos não deve
IOC/Fiocruz existir. Há, ao contrário, uma necessária con-
A prevenção por meio da educação vergência”, afirmou o presidente da Fena-
da população é citada em documento Saúde, Marcio Coriolano. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 51


Títulos de
Capitalização

Novas estratégias
para atender o
consumidor do futuro
pitalização também devem se preparar para
uma demanda mais acelerada proveniente
Mercado deverá do Norte e do Centro-Oeste do País, tendo

experimentar uma em vista a contínua melhoria dos indicadores


econômicos e sociais dessas duas regiões. “As
mudança na faixa etária novas estratégias comerciais precisam estar

de seu público, com maior em linha com os avanços tecnológicos, o que


significa estabelecer estratégias específicas
presença de idosos para internet, usuários de i-pod, i-pad, por

e de mulheres exemplo, incluindo-se aí as redes sociais e


suas influências na decisão de compra”, expli-
ca Macedo.

O
mercado de capitalização deve Consumir e poupar
Por
continuar ganhando musculatura De qualquer forma, pensando no con-
VAGNER
RICARDO nos próximos anos, mas precisa sumidor do futuro, os estrategistas das em-
definir estratégias para atender presas de capitalização terão de enfrentar o
ao consumidor do futuro e, em consequência, recorrente conflito entre consumir e poupar,
manter o tônus muscular. A mensagem é do oferecendo aos clientes produtos inovadores,
economista Roberto Macedo, ex-secretário de novos canais de distribuição e um exército de
Política Econômica do Ministério da Fazenda, agentes mais bem qualificado.
ao apresentar palestra “Títulos de capitaliza- Nessa altura, ele espera que o mercado
ção – sorteio e realizações dos tempos dos mil tenha solucionado alguns problemas de co-
réis à era digital”. Ele destacou que o futuro da municação com os consumidores – e desta-
capitalização deve considerar a alteração no cou que dois pontos carecem de maior trans-
perfil do público, avanços tecnológicos e mu- parência. Um é a questão do valor nominal
danças no comportamento de compra. integral ou não resgatado. O outro se refere à
No caso do consumidor, disse ele, o mer- probabilidade de premiação, que precisa ser
cado deverá experimentar uma mudança mais bem explicada por meio de exemplos.
na faixa etária de seu público, com maior Por fim, ele assinalou a importância de a in-
presença de idosos e de mulheres. O público formação ser simplificada, tendo em vista que
deverá ter maior escolaridade, tendo em vista hoje há prospecto de títulos com até 12 pági-
a perspectiva de mais anos de estudo e, natu- nas de texto.
ralmente, melhor qualificação. O mercado de capitalização apresentou
Nos próximos anos, as empresas de ca- crescimento anual na casa de dois dígitos nos

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 52


júlio fernandes/ ag. full time
Ainda há o Compra Programada, que
atende a clientes das classes B e C, com di-
ficuldades de obtenção de crédito ou de
comprovação de renda. Este nicho busca
possibilitar a aquisição de bens ou serviços ou
o resgate do valor pago, com participação de
1% nas vendas. Por fim, o título de Incentivo,
que é a nova vedete do mercado. Este produ-
to é contratado por empresas e está vinculado
a um evento promocional de incentivo ou de
premiação, não havendo devolução integral
do valor pago. Depois de responder por um
faturamento de 7% e 9%, em 2008 e 2009, res-
pectivamente, sua participação desses títulos
deu forte salto no ano passado, pulando para
13% e a perspectiva é de que se consolide na
faixa de dois dígitos também neste exercício.
últimos três anos, aproveitando-se da seg-
mentação de títulos em quatro modalidades
“As novas O debatedor Carlos Infante de Castro, da
Sul América Capitalização, acredita que o Ga-
e da conjuntura econômica favorável. Roberto
estratégias rantia de Aluguel, novo produto do mercado
Macedo explicou que o mercado de capitali- comerciais de capitalização, deverá ser a quinta modali-
zação apropria-se de dois públicos distintos. precisam estar dade regulamentada pela Susep mais à frente,
Um é formado pelo mercado que já existia an- dada sua forte demanda.
em linha com
tes de 2004, quando ocorreu um crescimento
mais acentuado da economia, tornando esse os avanços Propensão ao risco
público maior e mais fiel. O segundo grupo tecnológicos (...), Para o economista, além da segmentação
surge nos anos seguintes aos da estabilidade e por exemplo, por produtos, o sorteio é um dos principais
tem relação direta com o aumento dos empre- atrativos da capitalização. O especialista
incluindo-se aí
gos formais, pois, indiretamente, o mercado lembra que, na capitalização, as chances são
de capitalização apropria-se da entrada de as redes sociais e infinitamente maiores que outras modalidades
novos consumidores. suas influências de jogos. De quebra, a capitalização atende à
na decisão de propensão ao risco, que é típica da natureza
Carro-chefe
Com bases em dados da FenaCap, Ro-
compra ” humana. Para ele, os planos que incluem sor-
teios atendem a duas características imutáveis
berto Macedo afirmou que o carro-chefe das Roberto Macedo das pessoas: o interesse pelo jogo ou sorteio e
vendas ainda é o produto Tradicional, aquele alguma disciplina para poupar.
que restitui o valor total dos pagamentos efe- Neste ano, as vendas prosseguem eleva-
tuados no fim da vigência do contrato. Atende das. De janeiro a abril, a receita total alcançou
ao público das classes B, C e D, tendo em vista R$ 4,16 bilhões, aumento de 14,8% sobre o
os tíquetes cobrados para os mais variados mesmo período no ano passado. Já as pro-
bolsos, e responde por 80% do mercado. Já o visões técnicas cresceram 14,5%, passando
Popular, que permite a participação do con- de R$ 15,64 bilhões para os atuais R$ 17,91
sumidor em sorteios, sem que haja devolução bilhões, segundo a FenaCap. A estimativa da
integral dos valores pagos no fim do contrato, federação é que o mercado feche este ano
está mais concentrado entre os clientes das com um faturamento 15% maior do que o
classes C e D e detém um market share de 6%. exercício anterior. •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 53


Seguro
Garantia

Mercado tem
como aportar
os megaprojetos
terço de seus limites até o momento.
Em números, significa que há R$ 30 bi-
O setor de seguro lhões comprometidos de um total de R$ 90

garantia do Brasil teve bilhões de seguradoras e resseguradoras. “O


mercado tem capacidade para aportar a gran-
a maior expansão nos de maioria dos megaprojetos em estudo no

últimos anos na AL País”, afirmou o presidente da JMalucelli Re,


Alexandre Malucelli, autor da palestra “O siste-
ma de garantias competitivas como processo
de controle da eficácia econômica”, coordena-

A
mais importante pergunta envol- da por José Américo Peón de Sá, assessor da
Por
vendo o seguro garantia – e motivo Presidência da CNseg, com a participação de
VAGNER
RICARDO de rusgas entre governo e mercado Luis Claudio Barreto, da Odebrecht Adminis-
– acabou sendo respondida duran- tradora e Corretora de Seguros.
te a 5ª Conseguro. Afinal, as seguradoras têm
ou não capacidade para assumir os riscos dos Modalidades
megaprojetos de infraestrutura para as obras O dinamismo do mercado é evidente, to-
para a Copa do Mundo, Olimpíadas, Pré-sal e mando como base os números apresentados
PAC? A notícia é tranquilizadora: as segurado- por Alexandre Malucelli para comprovar que
ras estão sim capitalizadas e só utilizaram um o ramo vem ganhando corpo rapidamente

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 54


Novas formas de
contragarantias
Na política de Por ora, seis medidas são destacadas mercado possa apoiar mais fortemente
subscrição, alguns por Alexandre Malucelli, para atender seus projetos.
à demanda crescente que se avizinha. A análise tipo stand alone é outra me-
grupos criaram Uma é o estabelecimento de contratos dida relevante, que foca toda a subscrição
empresas de individuais de resseguros, para ampliar a nos mitigadores e na blindagem do pro-
gerenciamento capacidade das seguradoras e o escopo jeto, deixando ‘limites de operações’ dos
de risco, para das coberturas. Na política de subscrição, patrocinadores dos projetos num segundo
destaca-se a iniciativa de alguns grupos plano, que amplia a capacidade das segu-
acompanhar criarem empresas de gerenciamento de radoras.
todas as etapas risco, para acompanhar todas as etapas Por fim, o cosseguro – agora uma al-
dos projetos, dos projetos, mesmo após a emissão das ternativa muito usada pelas seguradoras
apólices. para ampliar a capacidade e garantir os
mesmo após
O aperfeiçoamento das chamadas projetos – e o estudo da PML (Perda Máxi-
a emissão das colaterais é outra iniciativa destacada, que ma Provável), uma ferramenta para men-
apólices consiste na oferta de novas formas de surar a real exposição de garantias de um
contragarantias pelos empreendedores projeto, cobrando preço sob medida para
(usufruto, alienação, pledge) para que o a necessidades.

nos últimos anos. Hoje, há cinco modalidades Coberturas


de garantias: financeiras, obrigações privados, estratégicas
“O mercado de obrigações públicas, concessões e judiciais à
disposição dos clientes. ”O mercado de segu-
Apesar do ritmo forte de crescimento, a
arrecadação totalizou somente US$ 1,7 bilhão
seguro garantia ro garantia brasileiro foi o que teve a maior no ano passado, ainda que este ramo ofereça
brasileiro foi o expansão nos últimos cinco anos na América coberturas estratégicas para grandes obras,
que teve a maior Latina, onde a taxa média de crescimento foi projetos e investimentos. É sinal também de
de 17% – no Brasil alcançou 44%”. que o melhor em termos de arrecadação estar
expansão nos A relação entre sinistralidade e prêmio ga- por vir.
últimos cinco nho também está entre as melhores da região. Afinal, lembrou Alexandre Malucelli, o
anos na América A taxa brasileira foi de 15% no ano passado, Brasil deverá aplicar US$ 1,2 trilhão em investi-
contra a média de 22%. Na República Domini- mentos até 2022, incluindo aí o trem-bala (US$
Latina, onde a
cana, por exemplo, esse percentual alcançou 120 bilhões), ferrovias (US$ 78 bi), óleo e gás
taxa média de 60%, o que, para Malucelli, deixa claro que a (US$573 bi), geração de energia (US$ 231 bi),
crescimento foi de carteira exige qualificação dos operadores. Ele portos
17% – no Brasil lembrou que também o Brasil experimentou (US$ 36 bi), aeroportos (US$ 12 bi),

alcançou 44% ” uma severidade da sinistralidade em 1997


(85%), 1999 (107%) e 2005 (46%). De lá para cá,
telecomunicações (US$ 60 bi), saneamento
básico (US$124 bi), infraestrutura para a Copa
Alexandre oscila entre o piso de 5% (2007) e o teto de de 2014 (US$ 17,7 bi) e obras para as Olimpía-
Malucelli 16% (2006). No ano passado, fechou em 11%. das de 2016 (US$ 8 bi). •

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 55


Encerramento

“Transição
demográfica é
oportunidade
de crescimento”
que o presidente Lula venceu as eleições, nós
ainda tivemos mais uma crise, com o câmbio
A quinta edição do a R$ 4,00. Mas depois do primeiro mandato do
presidente Lula, nós – eu, pelo menos –, tive-
Conseguro terminou em mos certeza absoluta de que não tem melhor
tom de otimismo e ânimo, país no mundo para se investir, para alcançar
o crescimento que vislumbramos no futuro,
trazidos por números do que o Brasil”.
apresentados por Eike Batista
Cenário positivo
O empresário ressaltou ainda o cenário

O
empresário, que começou a vida positivo de empregos e um índice de ex-
Por
Lenir vendendo seguros, ocupa hoje a portação de 11% do PIB e disse que, além da
Camimura 8ª posição no ranking dos homens estabilidade econômica, o País também está
mais ricos do Planeta, segundo vivendo o auge de sua formação social que,
a revista Forbes, e preside o Grupo EBX, que com grande parte da população em idade
desenvolve e administra negócios nos setores ativa, registra um alto potencial de desenvol-
de mineração, energia, logística, petróleo e vimento.
gás e indústria offshore. Em sua palestra, ele Segundo Eike Batista, há uma oportunidade
apontou o bom momento econômico vivido de crescimento no País, que combina o bom
pelo Brasil e seu potencial de exportação, momento econômico – um quadro bem dife-
tornando-o um local seguro de investimentos. rente do observado há duas décadas. “É preciso
Como estímulo ao empreendedorismo, aprender a pensar holisticamente, em 360º, para
Eike Batista apresentou suas empresas, sua ver onde estão as necessidades e superá-las. E
forma de atuação, os investimentos e o retor- o momento que estamos vivendo não poderia
no alcançado. Com uma vasta experiência no ser mais propício. É hora de buscar excelência,
exterior, o empresário ressaltou a capacidade tecnologia, superação e iniciativas que vão além
peculiar e espetacular do Brasil no cenário das tendências. O brasileiro não tem cultura do
de infraestrutura e de recursos naturais. “Dos risco ou das ações em longo prazo, mas é preci-
anos de 1980 a 2000, ninguém sabia se o Brasil so investir no futuro, buscando sempre o melhor
ia dar certo ou não. Acho que mesmo depois •
dos resultados”, concluiu.

Revista de Seguros – Edição Especial – 5a Conseguro – 56


“Ás vezes o resultado “Damos poder ao
dos debates não é beneficiário para que
o que o mercado possamos ser cada
gostaria, mas temos vez menos necessários
procurado ouvir, como agência
compreender e reguladora;
responder a todas a agência não pode
as demandas ” ser autocentrada ”
Paulo dos Santos Bruno Sobral
O painel de encerramento dos

Susep e ANS
debates contou com a coordenação
do jornalista George Vidor

avaliam o evento
fotos júlio fernandes/ ag. full time

Depois de dois dias de intensos de debate, os presidentes das


Federações que compõem a CNseg fizeram suas observações fi-
nais, destacando a qualidade do evento, a importante sinergia dos
setores que formam o mercado segurador, além de ressaltarem o
cenário específico de cada segmento. Eles também afirmaram a
importância da participação de parlamentares e das agências regu-
ladoras nas discussões realizadas durante o encontro.
O então superintendente da Superintendência de Seguros Pri-
vados (Susep), Paulo dos Santos, afirmou que a Susep acredita muito
no diálogo, inclusive com outros órgãos públicos e que, com o mer-
cado, este relacionamento se dá com a formulação da regulamenta-
ção, seja através das Câmaras Técnicas ou do processo de audiência
pública. “Ás vezes o resultado dos debates não é o que o mercado
gostaria, mas temos procurado ouvir, compreender e responder a
todas as demandas que surgem”.
“É preciso aprender a pensar Já o diretor de Desenvolvimento Setorial da ANS, Bruno Sobral,
disse que é preciso aplicar os conceitos de empreendedorismo tam-
holisticamente, em 360º, para ver onde bém na carreira pública, de forma a agregar valor ao País. Para ele,
estão as necessidades e superá-las. E o a ANS tem feito um trabalho muito importante, regulando o lado
momento que estamos vivendo da oferta e disciplinando o mercado de planos e seguros de saúde.
Depois dos primeiros dez anos desde a criação da Agência, o órgão
não poderia ser mais propício ” entra em uma segunda fase, na qual se prestigia o consumidor. “Da-
Eike Batista mos poder ao beneficiário para que possamos ser cada vez menos
necessários como agência reguladora”.

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Encerramento

A avaliação dos
presidentes das
Federações
O aumento da longevidade, destaque no evento, foi abor-
“Faço coro com os dado por um prisma empresarial positivo, com ênfase nos “Estamos
benefícios trazidos por uma maior parcela da população em atingindo o nível
demais: este evento
idade ativa. Esta posição foi comentada por todos os presiden-
superou todas tes das Federações que compõem a CNseg. Para eles, compar- da indústria,
as expectativas, tilhar as preocupações e vislumbrar soluções voltadas para a da mudança
em termos de sinergia entre os setores, garantiu o sucesso do encontro. de patamar de
excelência, temas e crescimento do
palestrantes. Houve “Foi uma injeção de ânimo e País. Observei
uma inovação, entusiasmo, desde a apresentação também um
mostrou este setor do perfil demográfico e as debate intenso
em perspectiva: oportunidades que nossa geração com os órgãos
não apenas as tem, nesse momento, para reguladores, que
realizações ou desenvolver o Brasil. O painel que eu coordenei, também estiveram
posicionamento foi mais sombrio, falando dos riscos catastróficos, presentes nos
que ele tem, mas acho que é importante para nós, seguradoras, debates e isso é
mas também os ter conhecido esta realidade. A densidade e a muito produtivo.
desafios que vêm qualidade do evento nos levaram ao sucesso ” Só poderemos
pela frente. Jayme Brasil Garfinkel (FenSeg) crescer se fizermos
Como bons este trabalho em
seguradores que conjunto com o
somos, nada “Sugiro que na próxima Conseguro governo. Canal,
melhor que possamos fazer um balanço do distribuição,
antecipar o futuro, quanto se conseguiu caminhar em regulação e as
para que direção ao que foi posto aqui. Além seguradoras – e
possamos disso, faço uma reflexão em relação isto foi conseguido
equacionar à logística: poderíamos agregar e capturar mais valor aqui, com muito
as questões se houvesse uma busca de sinergia entre as empresas, sucesso nestes
adequadamente ” em projetos comuns. Isto seria relevante, uma vez que dois dias ”
Marcio Coriolano construiríamos mais valor nos investimentos no Brasil ” Marco Antonio Rossi
(FenaPrevi)
(FenaSaúde) Ricardo José da Costa Flores (FenaCap)

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