Anda di halaman 1dari 148

LIVRO DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA - HERMENÊUTICA/LIBRO DE LA INTERPRETACIÓN DE LA

BIBLIA - BIBLICAL HERMENEUTICS

HERMENÊUTICA BÍBLICA/Apostila de Hermenêutica Bíblica

Ciência, arte e devoção

Por

RAFAEL N. ALMEIDA

Professor, Teólogo e Psicanalista

Ipatinga

Janeiro/2008

Palavras-chave: exegese, estudo, análise, bíblia, contexto,hermenêutica, regras de


interpretação, figuras de linguagem, hebraísmos, numerologia bíblica, símbolos bíblicos, tipos
e antítipos, apostila de hermenêutica.

Keywords: Exegesis, study, analysis, Bible, context, hermeneutics, interpretive rules, figures of
speech, Hebraisms, biblical numerology, biblical symbols, types and antitypes.
Palabras clave: Exégesis, el estudio, el análisis, la Biblia, el contexto, la hermenéutica, reglas
interpretativas, figuras retóricas, hebraísmos, la numerología bíblica, símbolos bíblicos, los
tipos y antitipos.

Mots-clés: Exégèse, l'étude, l'analyse, la Bible, le contexte, l'herméneutique, interprétation des


règles, des figures de style, hébraïsmes, la numérologie biblique, symboles bibliques, les types
et antitypes.

Ключевые слова: толкование, изучение, анализ, Библия, контекст, герменевтики,


интерпретации правил, фигуры речи, Hebraisms, библейская нумерология, библейские
символы, типы и antitypes.

Mensagem

A vida é um caminho composto de vales e montanhas. Às vezes estamos andando por


campinas planas e verdejantes, outras vezes por desertos montanhosos e secos.

Alento e desalento, choro e riso, alegria e tristeza, perdas e ganhos de toda ordem ocorrem
em nossas vidas sem que queiramos.

Em síntese, não importa o lugar ou a situação que você se encontre humanamente falando, o
que importa é o tipo de relação mantém com o Criador em cada instante. Importa que os seus
olhos estejam postos Nele sem jamais desviar. Não o perca de vista nos acidentes da vida.

Suor, lágrimas e dores são parte de uma colheita abundante. Sinto-me feliz por Ter vencido
mais esta etapa.

Sinopse
Este trabalho será exposto de maneira simples, iniciando pela parte devocional da matéria de
Hermenêutica que o perfil do estudante da Bíblia. Em seguida cuida da parte geral da matéria
que se compõe de regras práticas para compreensão do Livro Sagrado.

Ao final é apresentada a parte mais complexa da matéria que seu fundo especial composto de
figuras de estilo que compõem a linguagem figurada e de mais difícil interpretação.

Apresentamos também quadros elucidativos e a bibliografia utilizada para composição desta


obra.

Introdução

Nossa proposta ao escrever este livro é apresentar aos nossos alunos do Curso de Teologia e
aos estudantes da Bíblia em geral a compreensão do que seja moderna e pragmaticamente a
interpretação do Livro Sagrado. Também nos propomos a um trabalho que consolidasse as
nossas experiências de leituras, pesquisas e labor didático. Nosso alvo é alcançar tanto a
intelectualidade como a espiritualidade do aluno, convidando-o à pesquisa, expondo a matéria
de uma maneira simples e inteligível.

Afinal , desejamos que este livro possa contribuir para que muitos venham a conhecer melhor
a Mensagem de Deus aos homens. Esse será o nosso galardão.

Definições

Hermenêutica é a ciência e arte de interpretar textos.

Interpretar um texto é comentá-lo de forma a alcançar a capacidade de compreensão das


pessoas a quem se deseja comunicar a sua mensagem.
A palavra ‘hermenêutica’ deriva-se do verbo grego ‘hemenêuein’ (interpretar) que, por sua
vez, deriva-se do nome do deus Hermes, considerado pela mitologia grega como o deus
intérprete.

Considera-se a hermenêutica como ciência porque ela tem normas , ou regras, e essas podem
ser classificadas num sistema ordenado. É considerada como arte porque a comunicação é
flexível e, portanto, uma aplicação mecânica e rígida das regras, às vezes, distorcerá o
verdadeiro sentido de uma comunicação. Exige-se do bom intérprete que ele aprenda as
regras da hermenêutica bem como a arte de aplicá-las

Hermenêutica Bíblica é uma matéria do curso de teologia da mais alta importância por ser o
ponto de convergência de todo conhecimento bíblico, teológico e geral. Todo conhecimento
será importante no momento da exegese.

Através das regras da Hermenêutica , o estudante é capaz de organizar, compreender,


comentar e aplicar o material bibliográfico à sua disposição.

A Hermenêutica Bíblica pode ser divida em geral e especial. A Hermenêutica Geral cuida das
regras gerais de interpretação da Bíblia, enquanto a Hermenêutica Especial cuida das formas
especiais como os símbolos, tipos, figuras de linguagem e profecias. Aplica-se à Hermenêutica
Especial as mesmas regras da Hermenêutica Geral mais aquelas que são peculiares a cada
forma literária da Hermenêutica Especial, com as devidas exceções.

Veremos neste trabalho o perfil do estudante da Bíblia, sua biblioteca básica, as regras da
hermenêutica geral e especial, além de vários exemplos de interpretação de textos.

HERMENÊUTICA GERAL

CAPÍTULO I
PERFIL DO ESTUDANTE DA BÍBLIA

A Bíblia é um livro singular. Em suas páginas encontramos riquezas de conhecimentos de


teologia, psicologia, história, geografia, sociologia, antropologia, biologia, etc.

Não existe outro livro que, como a Bíblia, tenha sido escrito no decorrer de aproximadamente
1500 anos, por cerca de quarenta escritores, em três continentes diferentes, em meio ao calor
do deserto e no frescor de um palácio, em tempo de guerra e em tempo de paz. Seus
escritores variam de homens simples do povo a grandes sábios e doutores.

O maior mérito da Bíblia, no entanto, é o fato de ser ela a Revelação Escrita de Deus à
Humanidade, o Livro capaz de tornar o homem apto para a salvação eterna. Livro sobre o qual
Deus empenhou a sua Palavra e deseja que o homem também empenhe a sua.

Por tudo isso e muito mais, se fazem necessárias, além do conhecimento hermenêutico,
qualidades vocacionais e espirituais ao intérprete da Palavra de Deus.

A seguir enumeramos algumas qualidades indispensáveis ao estudante da Bíblia:

1 - Fé

Está escrito: “Sem fé é impossível agradar a Deus, por que é necessário que aquele que Dele se
aproxima, creia que Ele existe e que é galardoador dos que o buscam.”(Hb 11.6). Aquele que
ainda não tem fé não está apto para interpretar a Palavra de um Deus em quem não crê, no
entanto, deve lê-la e ouvi-la para adquirir fé, como também está escrito: “a fé vem pelo ouvir,
e o ouvir pela Palavra de Deus.”(Rm 10.17).

Considere o seguinte fato:

Um crente estava vendendo exemplares do Novo Testamento em certa região do Zimbábue,


na África. Um dos transeuntes, rejeitando o livro de Deus, respondeu com uma ameaça:
- Se você me der esse livro, vou enrolar as páginas dele e usá-las para fazer os meus cigarros.

O crente então respondeu com aquela originalidade que Deus coloca nos lábios dos
ganhadores de almas:

- Está bem, mas pelo menos prometa que você irá ler cada uma das páginas do livro antes de
fumá-lo.

O homem achou engraçado mas concordou. O crente lhe deu o Novo Testamento e se foi.
Anos depois, Glaylord Kambarani, Secretário Geral da Sociedade Bíblica do Zimbábue, foi
participar de uma convenção da Igreja Metodista do Zimbábue. Sentado no auditório, ficou
muito surpreso quando o orador apontou para ele lá da frente e disse: Este Homem aí não se
lembra de mim, mas 15 anos atrás ele tentou me vender um Novo Testamento. Como eu não
quis comprá-lo, ele me deu de presente – apesar de eu lhe ter dito que iria usar as páginas
para fazer cigarros. A verdade é que eu fumei Mateus, Marcos, Lucas, mas quando cheguei a
João 3.16, não consegui fumar mais. Minha vida se transformou naquele momento.

Hoje esse homem é um evangelista de tempo integral. Dedica a mostrar aos outros o caminho
da salvação que ele encontrou na Palavra de Deus.

A fé necessária para a compreensão dos escritos canônicos é a fé no seu conteúdo básico, ou


seja, a fé no Evangelho de Jesus Cristo. Essa fé é a primeira porta no corredor da exegese
bíblica. Ela torna a mensagem bíblica viva, atual e cheia de significado para o ledor. É através
da fé que o Deus da Bíblia passa a ser seu Pai eterno; Jesus, o seu salvador; o Espírito Santo,
seu encorajador; os anjos, seus aliados; e assim por diante.

Ateus e homens sem fé genuína têm empreendido interpretar a Bíblia e produzido horrores.

2 - Humildade
Jesus disse : “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra porque ocultaste estas coisas aos
sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”(Mt 11.25). Os que têm a si mesmos por
sábios e entendidos terão, com certeza, muita dificuldade para entender as Sagradas Letras. A
sabedoria humana é, muitas vezes, carnal e diabólica como disse o Apóstolo Paulo e, assim
sendo, impede que a revelação de Deus flua na vida do homem.

Para sermos ajudados na compreensão dos Estatutos do Senhor, precisamos deixar as finas
roupas da arrogância e nos vestirmos do saco e da cinza da humildade. É necessário que se dê
lugar ao Espírito da Revelação de Deus pois “os seus caminhos são mais altos do que os nossos
caminhos e os seus pensamentos mais altos que os nossos pensamentos.”(Is 55.9). São esses
caminhos e pensamentos que nós buscamos pela via da Hermenêutica Bíblica.

3 - Comunhão com Deus

Deus disse ao profeta: “Clama a mim e responder-te-ei e te mostrarei coisas grandes e ocultas
que ainda não sabes.”(Jr 33.3). Quem pretende entender a Revelação Escrita de Deus deve
viver em constante oração, louvor e meditação em sua Palavra.

O autor da Bíblia é Deus, seu assunto principal é o Senhor Jesus Cristo e seu fiel intérprete é o
Espírito Santo, sendo assim, a melhor maneira de compreendermos a Palavra é estarmos
cheios do Espírito.

A Palavra de Deus é como um oceano. Suas maiores belezas e riquezas estão nos lugares mais
profundos. As profundidades do conhecimento de Deus só se alcançam na intimidade com
Ele.(1Co 2.1-16).

4 - Persistência

Necessitamos de perseverança para obtermos bom resultado no estudo da Bíblia. Ela possui
um volume considerável. Precisamos lê-la toda e muitas vezes para termos uma idéia do
conjunto. Isto demanda tempo e esforço.
Na Bíblia, nada é dito de uma vez, nem uma vez por todas. Conclusão: se você não ler a Bíblia
toda não pode conhecer a verdade completa. Não espere compreender a Bíblia toda (Dt
29.29). É evidente que Deus sabe infinitamente mais que todos os homens juntos. A Bíblia
sendo um livro divino é inesgotável. Não existe entre os homens ninguém “formado” na Bíblia.
Como o irmão pensa em entender um livro que nem sequer leu todo ainda?

Paulo disse a Timóteo: “Persiste em ler, exortar e ensinar.”(1Tm 4.13). Para ensinar é preciso
aprender e, para aprender, é preciso estudar. Não podemos nos restringir ao que ouvimos. A
leitura, meditação e estudo das Escrituras devem fazer parte do cotidiano daquele que lida
com a Palavra de Deus.

5 - Amor

O amor é a essência de uma vida dedicada a Deus. Um certo salmista assim se expressou: “Ó
quanto amo a tua Lei, medito nela o dia todo”(Sl119.97). O amor a Deus e à sua Revelação
Escrita é uma chave importantíssima no molho hermenêutico. “O Livro de Deus é destinado à
nossa mente para ser compreendido e ao nosso coração para ser amado”.

Comove a história de uma garota francesa que era cega. Um dia ganhou de presente um
exemplar do evangelho de Marcos em Braille, sistema tipográfico que utiliza caracteres em
alto relevo, permitindo a leitura com as pontas dos dedos.

Como o passar do tempo surgiram alguns calos nos dedos da menina, e ela acabou por perder
completamente a sensibilidade. A leitura, daquela forma, se tornou impossível. Chorando, ela
se despediu do Livro que tanto amava. Beijou-o ternamente como se se despedisse mesmo de
uma pessoa. Para sua surpresa, percebeu que seus lábios conseguiam distinguir as letras. Sua
alma se iluminou de uma nova alegria. Sem dúvida podia ler com o toque dos lábios. E assim,
voltou a ler com o toque dos lábios.

Temos bons olhos, temos luz elétrica suficiente para tornar possível a leitura à noite como se
fosse dia claro, temos bíblias em fita cassete, em vídeo, em desenhos animados... Nossa
geração deveria ser conhecida como a que mais leu, ouviu e divulgou a Bíblia em toda a
história do mundo. E porque não somos?
6 - Obediência

Tiago escreveu que devemos ser “praticantes da Palavra e não apenas ouvintes.”(Tg 1.22).
Uma atitude espiritual correta e necessária à exegese bíblica é a de aplicarmos os ensinos
bíblicos primeiramente a nós mesmos e não aos outros. Quem não está disposto a tomar a
Palavra de Deus como o seu próprio “Manual de Instruções” terá sérias dificuldades em
compreender seu conteúdo.

A compreensão progressiva da Revelação Escrita de Deus depende da obediência também


progressiva às verdades que, no caminho da interpretação, sejam trazidas à luz.

7 - Bom senso

O estudante da Bíblia deve ter o mínimo bom senso de começar pelo mais simples, por textos
de mais fácil compreensão, progredindo cautelosamente para outros mais complexos, à
medida da sua própria evolução na lida interpretativa.

8 - Gosto pela Leitura e Escrita

Na lida exegética é preciso ler muito. Pessoas que não têm prazer na leitura enfrentarão sérias
dificuldades para interpretar textos.

Também não se admite num interpretador de textos a preguiça de escrever. Tudo o que se faz
deve ser anotado, sob pena de ter que se fazer de novo. A memória falha, mas a escrita não.

Nosso conselho ao estudante da Bíblia é ler, ler e ler; escrever, escrever e escrever. Leia e
anote tudo o que for útil para a compreensão do texto em estudo.
9 - Resistência a Monotonia

Pessoas inquietas sentirão muita dificuldade em passar horas a fio debruçadas sobre o Santo
Livro, tarefa corriqueira de qualquer estudioso da Palavra.

A melhor maneira de testar se você vai bem neste item é observar o tipo de sensação que tem
quando entra sozinho no ambiente tranqüilo de uma biblioteca. São necessárias muitas horas
de trabalho para a interpretação de um texto bíblico e sua formatação em um Estudo Bíblico
ou Pregação.

10 - Senso de Organização.

Terá sem dúvida maior sucesso na interpretação quem for organizado. O arquivamento de
anotações, ou o backup de um arquivo, pode livrar o estudante de um duplo trabalho. Manter
os livros de pesquisa organizados e em local próprio facilita sua consulta quando necessário.

Uma tarefa grande deverá sempre ser realizada em etapas para evitar o desânimo. As tarefas
mais fáceis devem ser concretizadas primeiro, a menos que uma outra ordem seja inevitável.

CAPÍTULO II

REGRAS DA HERMENÊUTICA BÍBLICA GERAL

As regras de interpretação das Escrituras, como se apresentam atualmente, são fruto do


trabalho milenar desenvolvido por servos fiéis de Deus no decorrer dos tempos.
A palavra contexto - que significa encadeamento de idéias, conjunto, totalidade - tornou-se o
grande trunfo da Hermenêutica Bíblica sadia.

A má interpretação despreza os vários contextos em que em que o texto bíblico em estudo


está inserido, retira doutrinas de textos isolados e de difícil compreensão, chama de literal ao
figurado e de figurado ao literal, produzindo, assim, seitas completamente divorciadas do
propósito de Deus com a sua Revelação Escrita.

Contexto, na exegese bíblica, é sinônimo de prudência e de sabedoria. Estudar um trecho das


Escrituras à parte do seu contexto bíblico, literário, histórico, geográfico, dispensacional, etc., é
o mesmo que querer estudar os fenômenos ocorridos na Terra à parte do Universo.

Eis as regras básicas da Hermenêutica Bíblica:

1 - A Bíblia deve ser interpretada por ela mesma.

Esta é a regra fundamental da Hermenêutica Bíblica. Vemos em Jesus e nos Apóstolos a


preocupação constante com essa norma de interpretação. Muito do que Jesus e os Apóstolos
disseram é repetição do que está exarado “em Moisés, nos Profetas e nos Salmos.”(Lc 24.44).
Jesus usava os textos do Antigo testamento, enquanto concebia o Novo. Ele dominava os que
estava escrito e a ninguém deixava sem uma resposta satisfatória.

O conselho que se dá aqui é que o estudante da Bíblia a leia toda, pelo menos uma vez por
ano, para que conheça o seu Contexto Geral, sem o qual não se pode entender as partes.

Além do contexto geral é importantíssimo atentar para o que chamaremos didaticamente de


Contexto Mediato, que abraça o Livro onde está o texto escolhido para o estudo, podendo se
alongar aos demais livros do mesmo autor bíblico; e para o Contexto Imediato , que é aquela
fração do Livro que onde está inserido o texto estudado e que está de relacionado
diretamente com o mesmo.

A Teologia sistemática, que é fruto da hermenêutica, utiliza-se do contexto geral da Bíblia


como fundamentação das doutrinas por ela desenvolvidas. O estudo sistemático das doutrinas
bíblicas é feito com base em todos os textos das Escrituras que tratam de um determinado
assunto. Exemplificando, quando se propõe estudar sobre a Salvação sistematicamente, faz-se
a exegese de todos versículos bíblicos que tratam desse assunto. Somente após estudar e
comparar tudo o que a Bíblia diz sobre algo é possível elaborar uma Doutrina Bíblica completa.

A interpretação de um texto envolve a compreensão de cada palavra ou expressão nele


contida. Existem palavras que encerram, em si mesmas, todo o seu significado. Outras têm o
sentido elucidado na frase, oração ou parágrafo onde está contida. Outras, ainda, poderão
depender do contexto imediato, mediato ou do contexto geral das Escrituras.

Um exemplo simples de erro da não observância do contexto imediato está na interpretação


da “nuvem de testemunhas” de Hebreus 12.1. Diz-se erradamente, no meio evangélico, que
essa nuvem de testemunhas são as pessoas que vivem ao nosso redor, quando, na verdade,
são os “heróis da Fé”, cujos nomes e feitos estão narrados no capítulo 11 do mesmo Livro. É
preciso tomar muito cuidado porque mudança de capítulo não significa mudança de assunto.
Os versículos por sua vez não são parágrafos completos e, por isso, é preciso ler com atenção
privilegiando a idéia e não a forma como o texto está dividido.

O autor aos Hebreus revela uma imaginação muito rica ao comparar a vida a uma grande
corrida. Deus já determinou o percurso, uma vida de santidade. Nas arquibancadas estão
multidões de espectadores – os crentes que já partiram desse mundo – que nos incentiva a
correr essa carreira da melhor maneira possível (Hb 12.1). Tanto o escritor como os seus
leitores poderiam visualizar claramente aqueles milhares de espectadores (eles próprios
antigos corredores) gritando para estimular os atletas.

Muitas bíblias trazem no rodapé, ou em outro lugar, passagens paralelas, indicadas por
pequenas letras ou números remissivos. Essas referências levam o leitor a outras partes da
Bíblia onde o mesmo assunto e/ou vocábulo indicado aparece.

Denominamos paralelos de idéias às passagens paralelas que tratam do mesmo assunto do


texto em estudo. Quando as passagens bíblicas referenciadas não tratam do mesmo assunto ,
mas apenas se referem a palavras que se repetem na Bíblia, elas são chamadas paralelos de
palavras. Os paralelos de idéias ajudam o estudante a conhecer um assunto determinado
longo de toda a Bíblia.

As Concordâncias Bíblicas são livros especializados em referências. Elas também têm paralelos
de idéias e paralelos de palavras. A diferença está em que as Concordâncias são muito mais
ricas, podendo indicar todas as vezes que uma palavra ocorre na Bíblia, principalmente se for
uma Concordância eletrônica.

2 - Tenha sempre em mente o Assunto Central das Escrituras.

Jesus Cristo é o assunto central da Bíblia. Daí dizermos que a Bíblia é um Livro Cristocêntrico.
Ele é o “Cordeiro...conhecido antes da fundação do mundo”(1Pe 1.19-20), é o que se
manifestou “na plenitude dos tempos”(Gl 4.4) para oferecer o sacrifício único pela redenção
da humanidade e é, finalmente, o que “descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e
com trombeta de Deus”(1Ts 4.16) para consumar a redenção no Reino de Deus para sempre.

Estudar a Bíblia tendo como foco principal o Filho de Deus dá ao intérprete a segurança de
quem tem um caminho único a seguir na lida interpretativa.

Uma das coisas que mais impressionou este autor, enquanto estudante de Teologia, foi o
imenso número de profecias a respeito de Jesus contidas no Antigo Testamento e proferidas
por um grande número de profetas. Alegra-nos saber que todas as profecias do passado que
se referiam a sua primeira vinda, tratavam da sua vida, obra, sofrimento, morte e ressurreição,
se cumpriram fielmente.

O Evangelista Mateus teve o cuidado especial de registrar o cumprimento de várias profecias


messiânicas:

“Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo
profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que
traduzido é: Deus conosco.” (Mt 1.22-23).

“Na cidade de Belém, na região da Judéia, pois foi isso o que o profeta escreveu: Você, Belém,
que fica na terra de Judá, de modo nenhum é a menor entre as cidades de Judá, pois de você
sairá o Líder que guiará o meu povo de Israel. ” (Mt 2.5,6).
“Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito e lá ficou até a
morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Do
Egito chamei o meu Filho.” (Mt 2.14-15).

“Assim aconteceu o que o profeta Jeremias havia dito: Ouviu-se um som em Ramá, o som de
um choro amargo. Era Raquel chorando pelos seus filhos; ela não quis ser consolada, pois
todos estavam mortos.” (Mt 2.17,18).

“Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para
lá; mas avisado em sonho por divina revelação, retirou-se para as regiões da Galiléia, e foi
habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas:
Ele será chamado nazareno.” (Mt 2,22-23).

“Isso aconteceu para se cumprir o que o profeta Isaías tinha dito: ‘Terra de Zebulom e de
Naftali, na direção do mar, no outro lado do rio Jordão, Galiléia, onde moram os pagãos! O
povo que vive na escuridão verá uma forte luz! E a luz brilhará sobre os que vivem na região
escura da morte!.” (Mt4.14-16).

“Caída a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele com a sua palavra expulsou os
espíritos, e curou todos os enfermos; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías:
Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças.” (Mt 8.17).

“Jesus, percebendo isso, retirou-se dali. Acompanharam-no muitos; e ele curou a todos, e
advertiu-lhes que não o dessem a conhecer; Isso aconteceu para se cumprir o que o profeta
Isaías tinha escrito: Disse Deus: Aqui está o meu servo que escolhi – aquele que amo e que dá
muita alegria ao meu coração. Eu porei nele o meu Espírito, e ele anunciará o meu julgamento
a todos os povos. Não discutirá nem gritará, nem fará discursos nas ruas. Não esmagará o
galho que está quebrado, nem apagará a luz que já está fraca. Ele agirá assim até que a causa
da justiça seja vitoriosa. E todos os povos vão por nele a sua esperança.” (Mt12.15-18).

“E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, e de maneira alguma
entendereis; e, vendo, vereis, e de maneira alguma percebereis.” (Mt 13.14).

“Todas estas coisas falou Jesus às multidões por parábolas, e sem parábolas nada lhes falava;
para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Abrirei em parábolas a minha boca;
publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo.” (Mt 13.34-35).
“ Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um
jumentinho com ela; desprendei-a, e trazei-mos. E, se alguém vos disser alguma coisa,
respondei: O Senhor precisa deles; e logo os enviará. Ora, isso aconteceu para que se
cumprisse o que foi dito pelo profeta: Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu Rei, manso e
montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de carga.” (Mt 21.2-5).

“Disse Jesus à multidão naquela hora: Saístes com espadas e varapaus para me prender, como
a um salteador? Todos os dias estava eu sentado no templo ensinando, e não me prendestes.
Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então todos os
discípulos, deixando-o fugiram.” (Mt 26.55-56).

“Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata,
preço do que foi avaliado, a quem certos filhos de Israel avaliaram, e deram-nas pelo campo
do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.” (Mt 27.9-10).

“Então, depois de o crucificarem, repartiram as vestes dele, lançando sortes, para que se
cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha
túnica deitaram sortes.” (Mt 27.35).

3 - Tome consciência do contexto histórico-geográfico.

Algumas perguntas interessantes de cunho histórico-geográfico podem ser feitas ao texto. Por
exemplo: Em que época o texto foi escrito? Onde estavam o autor e os destinatários à época
do escrito? Eram escravos ou livres? Eram abastados ou pobres? Eram cultos ou incultos?
Estavam sendo perseguidos ou em paz? Eram nômades ou sedentários? Viviam em sua terra
natal ou estavam longe da pátria? Viviam numa região árida ou em meio a mananciais de
água? Eram habitantes de cavernas, de casas, ou de tendas? Que tipo de tecnologia usavam?
Quais eram seus costumes, crenças, valores, e comportamentos? Como era a sua organização
social, política e econômica? Que tipo de alimentação usavam?

Haverá muito mais luz para se entender o texto se essas perguntas respondidas. Assim o
intérprete deve ponderar sobre essas situações no momento do estudo.
O fator cultural está presente não só na auto-revelação de Deus na Escritura, como também
em como a interpretamos...

O mais comum é ir direto às palavras do texto bíblico sem atentar para a diferença cultural do
autor e o do leitor. Este lê o texto como se estivesse escrito em sua própria língua, cultura e
tempo.

Reconhecemos que em boa parte a Escritura pode ser lida e compreendida desta maneira,
sobretudo se a tradução for boa. Pois Deus destinou sua Palavra à gente comum. Não se pode
considerá-la privilégio de eruditos. As verdades centrais da salvação são simples, para que
todos a percebam...

A restrição que se pode fazer a essa abordagem “popular”, entretanto, é que ela não procura
primeiro compreender o texto em sua situação original, correndo o risco de perder de vista o
significado verdadeiro que Deus pretende para nós, estando sujeita, portanto a substituí-lo por
outro.

O conhecimento da conjuntura histórica em que viveram os personagens bíblicos traz


revelações maravilhosas para a compreensão do que se lê. É de grande valia, neste ponto, unir
à Bíblia livros de boa procedência que tratem do assunto. Matérias do curso teológico como
Teologia do Antigo Testamento, Teologia do Novo Testamento, História de Israel, História da
Igreja, Geografia Bíblica, Arqueologia e outras serão de muita valia nesse momento.

4 - Procure reconhecer a forma literária do texto.

Precisamos saber se estamos diante de um escrito histórico, doutrinário, biográfico, poético ou


profético, ou ainda se é um texto misto. Não é tarefa difícil identificar formas literárias quando
se conhece o contexto geral das Escrituras.

A análise literária identifica a forma ou método literário usada em determinada passagem com
vistas às várias formas como: história, narrativa, cartas, exposição doutrinal, poesia e
apocalipse. Cada uma tem seus métodos únicos de expressão e interpretação.

São textos históricos aqueles que visam informar os fatos importantes a respeito de Israel, da
Igreja ou ainda de outros povos relacionados principalmente com Israel.
Constituem doutrina os ensinamentos de Jesus, dos apóstolos e dos profetas.

A poesia tem características singulares que são a conotação e/ou a metrificação e/ou a
repetição de idéias, etc.

No grego, devemos considerar o termo poietés - fazedor, realizador. No sentido literário um


poeta é alguém que exprime suas idéias mediante imagens verbais, metáforas e outros
artifícios literários. Um poeta prima pela brevidade

de expressão, em conjunção com expressões claras e eloquência.

A profecia tem como principal característica a predição de fatos históricos relativos a Israel,
como às outras nações e à igreja.

O texto misto contempla duas ou mais formas literárias. Assim sendo, o texto: “Quando, pois,
deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e
nas ruas, para ser glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua
recompensa. Mas tu, quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a
direita”(Mt 6.2-3). Esse texto é, ao mesmo tempo, doutrinário e poético. Nele o Senhor Jesus
doutrina usa uma figura de linguagem tornando-o mais belo e cheio de significado.

Os textos históricos e biográficos nos convidam à pesquisa histórica, ao conhecimento dos


fatos tais como se deram no tempo em que foram escritos.

O texto doutrinário exige uma extrema cautela do intérprete pois clama pela aplicação atual
das verdades nele contidas. Uma má aplicação dessas verdades pode incorrer em erros
doutrinários.

Veremos adiante como, principalmente, a poesia e a profecia, por usarem largamente a


linguagem figurada, merecerão uma atenção especial e regras especiais de interpretação.

A Bíblia está cheia de símbolos, tipos e figuras de retórica. Chamar de literal ao figurado, e de
figurado ao literal, tem sido causa do desvio e destruição espiritual de muitos.
5 - Localize o texto numa das Dispensações Bíblicas.

Dispensação é um período de tempo em que Deus trata com o homem de um modo


específico. (vide mapa das dispensações – anexo 1).

Deus está falando com um homem inocente? Com um homem pecador e sem Lei? Está
falando com um homem que tem conhecimento da Lei de Moisés? O escrito é aplicado aos
que estão debaixo da Graça? O escrito se refere ao Milênio de Cristo?

“Os dipensacionalistas partem de um estudo hermenêutico coerente, considerando a


interpretação normal, gramatical, um fundamento essencial à sua hermenêutica. Com essa
base, fazem distinção entre Israel e a igreja quanto à dispensação. Como expressou
Radmacher: “A interpretação literal é a ‘linha mestra’ do dispensacionalismo (...). Sem dúvida,
o mais significativo desses (princípios) é a manutenção da diferenciação entre Israel e a igreja”.
Ryrie também comentou essa questão: “Se a interpretação direta e normal consiste o único
princípio hermenêutico válido e se for aplicada coerentemente, a pessoa se tornará
dispensacionalista. Na medida que uma pessoa acredita que a interpretação normal é
fundamental nessa mesma medida ela se tornará obrigatoriamente dispensacionalista”.
Aceitar os termos Israel e igreja no sentido normal, literal, equivale a conservar sua distinção.
Israel sempre significa o Israel étnico, nuca se confundindo com o termo igreja, nem as
Escrituras jamais empregam igreja em substituição ou como sinônimo de Israel.”

Quando Jesus disse que haverá menos rigor no juízo para Sodoma e Gomorra do que para as
cidades que rejeitaram a pregação dos Apóstolos , pondera sobre o conhecimento espiritual
dessas cidades: “E, ao entrardes na casa, saudai-a; se a casa for digna, desça sobre ela a vossa
paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz. E, se ninguém vos receber, nem ouvir as
vossas palavras, saindo daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em
verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e Gomorra
do que para aquela cidade.” (MT 10.12-15).

Paulo afirma que “todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que
sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.” (Rm 2.12).
O escritor aos hebreus diz: “Mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz, também,
mudança na Lei.” (Hb 7.12). Ele está se referindo ao sacerdócio de Cristo.

Sob a orientação de Moisés e Josué, o povo de Israel punia em nome do Senhor, através de
grandes batalhas, os povos daquém e dalém do Rio Jordão, por causa de seus terríveis
pecados. Hoje, a instrução de Cristo é: “se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também
a outra”(Mt 5.39). Paulo completa dizendo: “Porque não temos de lutar contra a carne e o
sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra o príncipe das trevas
deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.”(Ef 6.12).

Deus tem mudado suas estratégias no trato com o homem no decorrer dos séculos e isso
precisa ser levado em consideração no momento do estudo.

6 - Considere o texto sob a ótica do povo a quem se destina.

A Bíblia divide a humanidade em três povos:

- Os Judeus, descendentes de Abraão, com quem foi feita a Antiga Aliança.

- Os Gentios, também chamados no Novo Testamento de povos ou nações ou gentes ou


gregos (esse último nome por causa da língua e cultura grega espalhada por todo o mundo de
então) são aquela parte da humanidade que ainda não havia feito aliança alguma com o Deus
eterno;

- E, por fim, a Igreja, composta de Judeus e Gentios que fizeram com Deus o pacto da Nova
Aliança em Cristo.

Confira esta classificação nas palavras de Paulo: “Não vos torneis causa de tropeço nem para
judeus, nem para gentios, nem para a igreja de Deus”(1Co 10.32).
Há textos na Bíblia que só se aplicam a judeus. Outros só se aplicam a Igreja. Outros ainda, só
dizem respeito aos gentios. Mas há também, textos de aplicação mista, que englobam dois dos
povos citados, e os de aplicação geral envolvendo os três povos.

Mateus destina seu Evangelho especialmente aos judeus e por isso, preocupa-se
constantemente em mencionar o cumprimento das profecias do Antigo Testamento na vida e
obra de Jesus, com o fito de convencer aos judeus de que Jesus é o Messias prometido a Israel.

Paulo escreve suas cartas à Igreja de Cristo e então preocupa-se em que os irmãos
permaneçam firmes na doutrina, na fé, no amor, na boa conduta e na esperança das
promessas de Deus.

Marcos destina seu Evangelho aos romanos, portanto, a gentios e, assim sendo, mostra com
dinamismo e beleza o extraordinário trabalho de Jesus em favor dos homens em obediência ao
seu Pai celestial. Apresenta-o como único e insubstituível meio de salvação para a
humanidade. Além disso, toma o cuidado de explicar costumes judaicos e expressões escritas
na língua dos judeus.

Em contraste com outras questões que envolvem o evangelho de Marcos, parece geralmente
aceito pelos estudiosos de que este evangelho foi escrito em Roma, provavelmente visando os
gentios daquela cidade.

7 – Analise a postura espiritual dos destinatários do texto.

Os Filipenses eram um povo generoso, amoroso e cooperante. Estavam sempre ajudando o


apóstolo Paulo em suas dificuldades. Que esperar de um Escrito dirigido a um povo desse
quilate? Está claro que a Epístola há de ter um tom amigável, íntimo, fraterno e abençoador.

Filipos, importante cidade da Macedônia e colônia romana, tinha sido evangelizada por Paulo
durante a sua segunda viagem, no ano 50 (At 16.12-40). Ele tornou a passar por lá duas vezes,
quando da sua terceira viagem no outono de 57 (At 20.1-2) e na Páscoa de 58 (At 20.3-6). Os
fiéis que ele conquistou lá para Cristo testemunharam uma tocante afeição por seu Apóstolo,
enviando-lhe socorros a Tessalônica (Fp 4.6) e depois a Corinto (2Co 11.9). E quando Paulo lhes
escreve é precisamente para agradecer-lhes novos recursos que ele acaba de receber por
intermédio do delegado deles, Epafrodito (Fp 4.10-20).
O Senhor Deus disse a Moisés, quanto à geração que foi libertada do Egito: “ Tenho observado
este povo, e eis que é povo de dura cerviz.” (Ex 32.9b). Ora, o tratamento divino com um povo,
assim duro, é diferente do tratamento que Ele daria a um povo dócil espiritualmente. O
profeta escreverá bênçãos ou maldições, da parte de Deus, dependendo da posição espiritual
que do povo em relação a Deus.

Detectada a situação espiritual do grupo de pessoas a quem é destinado o Texto, torna-se mais
fácil entender toda a linha de raciocínio do escritor e a forma como ele externa suas emoções
e sua posição espiritual em relação ao povo. Também fica mais simples compreender a postura
do próprio Deus em relação àquelas pessoas.

8 - Analise as características pessoais do escritor e das personagens do texto em estudo.

Deus é o autor das Escrituras, entretanto, coube ao homem ser canal usado por Ele para que
sua Palavra pudesse chegar até nós.
O homem tem uma personalidade determinada por sua herança genética, pelo meio em que
vive, e pelo seu “eu” consciente e dotado de livre-arbítrio. Tudo isso faz de cada escritor
bíblico um instrumento peculiar por onde ressoa a inspiração e a revelação divinas.

Schleiermacher... argumenta que, para compreender um texto, o intérprete deve


contextualizá-lo de acordo com a vida do autor; deve buscar por trás das palavras impressas a
mente que as pôs no papel.

Com esse objetivo, Schleiemacher fazia distinção entre dois aspectos da interpretação: o
gramatical e o psicológico. A compreensão gramatical procura a compreensão do significado
nas palavras e frases da obra em si. A compreensão psicológica procura por trás das palavras a
mente do autor expressa pelo texto escrito.

Também as personagens bíblicas agem dessa ou daquela forma dependendo de sua


personalidade, cultura, religião, usos e costumes locais, além, é óbvio, da ação de Deus em
suas vidas.

Podemos descobrir essas características de indivíduos na Bíblia através de um estudo que


focalize o personagem ou escritor bíblico ao longo de todas as passagens bíblicas em que esse
escreve e/ou aparece.
É mais fácil compreender um texto onde a personalidade de seu escritor e os personagens são
conhecidos do estudante. Podemos identificar o temperamento e o caráter de determinados
personagens da Bíblia, por suas atitudes, à medida que aparecem no cenário bíblico.

Tomando o Apóstolo Pedro como exemplo, distinguimos duas fases em sua personalidade: A
primeira, antes da sua completa conversão: “ Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos
cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te
converteres, fortalece teus irmãos.” (Lc 22.31-32). E a Segunda, após a conversão total e o
batismo no Espírito Santo.

Assim, vemos primeiramente um Pedro espontâneo, líder, impulsivo, agressivo, etc. É


espontâneo, quando faz muitas perguntas a Jesus cujas respostas nos é de extrema valia para
o povo de Deus através dois séculos. É imprudente quando tenta convencer ao próprio Jesus a
não morrer na cruz. É impulsivo quando avança sobre as ondas sem ter fé para tal, culminando
no ridículo do quase afogamento, ou quando se propõe a morrer com Jesus embora não
estivesse preparado para isso. É violento quando se arremete contra a guarda e fere um
soldado.

Na Segunda fase de sua vida temos um Pedro equilibrado, pacífico, sofredor, corajoso, cheio
de fé e da graça de Deus e um grande líder. Equilibrado quando é capaz de apoiar e incentivar
a Paulo no seu trabalho entre os gentios e, ao mesmo tempo, conviver com os judaizantes
dirigindo a Igreja entre eles. Pacífico quando é repreendido por Paulo na cara e não rompe
com ele. É sofredor quando é surrado pelos judeus por causa do Evangelho. É corajoso quando
desafia as autoridades judaicas que queriam emudecê-los para que não pregassem o
Evangelho, não temendo açoites e nem mesmo a morte. Mostra-se cheio de fé e da graça de
Deus quando cura multidões de enfermos com o passar da sua sombra sobre eles. Tornou-se
um grande líder entre os apóstolos e foi contado entre as “colunas” da Igreja que estava em
Jerusalém.
A personalidade de Pedro é uma das mais empolgantes da bíblia. Esse apóstolo tornou-se um
exemplo daquilo que Deus pode fazer na vida de um homem que a Ele se dedica e Nele tem fé.

9 – Descubra o objetivo do texto.

É muito importante descobrir o objetivo do texto em tela, pois, através dele, temos uma linha
mestra para a interpretação. Às vezes, o próprio texto ou contexto nos informa o objetivo
como é o caso dos sinais registrados no Evangelho de João. “Jesus, na verdade, operou na
presença de seus discípulos ainda muitos outros sinais que não estão escritos neste livro;
estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que,
crendo, tenhais vida em seu nome.”(Jo 20.31).

Quando o objetivo não está explícito no texto, o conselho é lê-lo o texto várias vezes até
descobri-lo. Estando evidente o propósito com que um determinado texto foi escrito tem-se a
coluna vertebral de todos os argumentos usados pelo escritor, podendo-se facilmente detectar
o que é principal e o que é acessório.

A descoberta do objetivo central do texto livra o exegeta de uma interpretação marginal ou


secundária.

É preciso tomar em consideração o objetivo ou desígnio do livro ou passagem em que ocorrem


as palavras ou expressões obscuras...

O desígnio alcançado pelo estudo diligente nos oferece auxílio admirável para a explicação de
pontos obscuros, para a aclaração de textos que parecem contraditórios e para conseguir um
conhecimento mais profundo de passagens em si claras.

10 – Verifique se o texto é numenológico ou fenomenológico.

Fenômeno é aquilo que os sentidos do homem percebem e númeno é a realidade que está de
fato ocorrendo, independente de como a percebem os sentidos, é a coisa em si.
Os sentidos humanos são facilmente enganados pelo que é a aparência da realidade e daí
surge a narração fenomenológica. Um texto clássico desse tipo de narração está no Livro de
Josué onde o texto afirma que o sol parou. Hoje, pelos conhecimentos científicos, sabemos
que se o sol parar não perceberemos que o mesmo parou, desde que a terra continue girando
normalmente em seus movimentos de rotação e translação. Não temos aqui um exemplo de
linguagem figurada. O que o escritor disse é aquilo que percebeu por meio dos sentidos,
portanto, pensava estar narrando a realidade tal como se deu.

O estudante da bíblia precisa buscar o máximo de conhecimento científico em todas as áreas


para que possa diferenciar o real do sensitivo, embora nunca poderá conhecer aquilo que a
ciência ou o próprio Deus ainda não revelou e que, por isso mesmo, permanece sob a miopia
dos sentidos humanos.

Outra narrativa fenomenológica importante se encontra na passagem bíblica em que Saul


consulta a necromante de En-Dor:

“Vendo Saul o arraial dos filisteus, temeu e estremeceu muito o seu coração. Pelo que
consultou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim,
nem por profetas. Então disse Saul aos seus servos: Buscai-me uma necromante, para que eu
vá a ela e a consulte. Disseram-lhe os seus servos: Eis que em En-Dor há uma mulher que é
necromante. Então Saul se disfarçou, vestindo outros trajes; e foi ele com dois homens, e
chegaram de noite à casa da mulher.

Disse-lhe Saul: Peço-te que me adivinhes pela necromancia, e me faças subir aquele que eu te
disser. A mulher lhe respondeu: Tu bem sabes o que Saul fez, como exterminou da terra os
necromantes e os adivinhos; por que, então, me armas um laço à minha vida, para me fazeres
morrer? Saul, porém, lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Como vive o Senhor, nenhum castigo te
sobrevirá por isso. A mulher então lhe perguntou: Quem te farei subir? Respondeu ele: Faze-
me subir Samuel. Vendo, pois, a mulher a Samuel, gritou em alta voz, e falou a Saul, dizendo:
Por que me enganaste? pois tu mesmo és Saul.

Ao que o rei lhe disse: Não temas; que é que vês? Então a mulher respondeu a Saul: Vejo um
deus que vem subindo de dentro da terra. Perguntou-lhe ele: Como é a sua figura? E disse ela:
Vem subindo um ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-
se com o rosto em terra, e lhe fez reverência.
Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então disse Saul: Estou muito
angustiado, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e já
não me responde, nem por intermédio dos profetas nem por sonhos; por isso te chamei, para
que me faças saber o que hei de fazer. Então disse Samuel: Por que, pois, me perguntas a mim,
visto que o Senhor se tem desviado de ti, e se tem feito teu inimigo? O Senhor te fez como por
meu intermédio te disse; pois o Senhor rasgou o reino da tua mão, e o deu ao teu próximo, a
Davi. Porquanto não deste ouvidos à voz do Senhor, e não executaste o furor da sua ira contra
Amaleque, por isso o Senhor te fez hoje isto. E o Senhor entregará também a Israel contigo na
mão dos filisteus. Amanhã tu e teus filhos estareis comigo, e o Senhor entregará o arraial de
Israel na mão dos filisteus. Imediatamente Saul caiu estendido por terra, tomado de grande
medo por causa das palavras de Samuel; e não houve força nele, porque nada havia comido
todo aquele dia e toda aquela noite.” (1Sm 28)

Claro está que Satanás, conhecedor das limitações humanas, criou todo um ambiente de
engano para que fosse passada a impressão de que Samuel houver saído do Paraíso de Deus
para participar daquele culto espírita.

É interessante notar que o escritor do texto citado, que não foi Samuel por já estar morto,
narrou os fatos como percebidos pelos sentidos daqueles que lá estiveram ou por terceiros
que deles tiveram notícia.

A não compreensão da narrativa fenomenológica e o engano de Satanás tem subsidiado até


hoje os espíritas que encontram, nesse texto, uma base para sua doutrina de consulta aos
mortos.

11 - Retire do texto suas verdades temporais e intemporais.

Depois de todo o estudo indicado acima, chega o momento final da interpretação, onde o
estudante vai procurar traduzir o que o texto significava para o povo de sua época e como
essas verdades podem ser aplicadas em nossa época e cultura. Chamamos de verdades
temporais, as que duram apenas um período de tempo e intemporais, as que permanecem
para sempre.

Com a Nova Aliança, ficaram ultrapassados vários costumes, ritos e ensinos da Velha Aliança.
Por isso precisamos estar atentos para as coisas que a própria Palavra fez perecer e que certos
intérpretes fazem questão de ressuscitar contrariamente aos ensinos de Cristo e dos
Apóstolos. O discernimento sobre as verdades temporais e intemporais baseia-se
principalmente na comparação dos demais escritos bíblicos com aquilo que é a Doutrina de
Jesus.

Os ensinos de Jesus constituem o que é essencial para o homem. Jesus não se detém em
miudezas, mas trata do que é substancial para que o perdido pecador seja reconciliado com
Deus e viva uma vida que lhe seja agradável. Jesus ensina o que é moral e espiritual. Ele lança
sabiamente um novo e maravilhoso mandamento: “Um novo mandamento vos dou: que vos
ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos
outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo
13.34-35).

Em seu diálogo, com um determinado doutor da lei, Jesus disse: “Amarás ao Senhor teu Deus
de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e
primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti
mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mt 37b – 40).

É o amor que cumpre a lei e os profetas. Quem ama de verdade não faz mal ao próximo nem
desobedece de forma escarnecedora a Deus.

Na primeira carta aos coríntios, o apóstolo Paulo, cheio do Espírito de Cristo (Rm 8.9), define o
amor protagonizado e pregado por Jesus nos seguintes termos: “O amor é sofredor, é benigno;
o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta
inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal;
não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo
espera, tudo suporta. O amor jamais acaba.” (1Co 13.4-8a). E completa: “A ninguém devais
coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei. Com
efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro
mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O
amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.” (Rm 13.8-10).

As verdades que estão relacionadas com a Lei do Amor são intemporais. Todo ensinamento
bíblico que aperfeiçoa o leitor para a prática do amor reverente a Deus e respeitoso ao
próximo é para sempre.

12 – Compare suas conclusões com as de bons exegetas .


Comparando sua exegese com a de escritores bem recomendados e tarimbados, poderá medir
seu grau de capacidade de interpretação, ao mesmo tempo que terá mais segurança para
expor suas conclusões e se envolver em outras jornadas exegéticas.

Um dos grandes erros das mais famosas seitas heréticas existentes entre nós é o desprezo por
tudo o que já foi feito pelos estudiosos de todas as épocas sobre as Escrituras. Desconsideram
o labor de santos, doutos e dedicados homens de Deus à tarefa de estudar, interpretar,
compilar e traduzir os escritos canônicos e isto numa época em que tudo era feito à mão. Os
hereges surgem com novas interpretações, traduções e acréscimos ao material canônico,
como se toda a revelação e interpretação divinas lhes fossem confiadas particularmente,
levando multidões às trevas da ignorância do bom e sadio conhecimento a respeito de Deus.

CAPÍTULO III

BIBLIOTECA BÁSICA DO ESTUDANTE DA BÍBLIA

1 - Bíblias em várias versões.

2 - Dicionário Bíblico.

3 - Dicionário do Vernáculo.

4 - Atlas Bíblico.
5 - Livro de História Geral das Nações.

6 - Concordância Bíblica Exaustiva.

7 - Manuais de Doutrinas.

8 - Comentários Bíblicos.

9 - Atlas Geográfico.

10 – Enciclopédia Bíblica.

CAPÍTULO IV

EXERCITANDO HERMENÊUTICA (Exegese)

1 - Faça uma oração sincera a Deus

Ore a Deus desejando de todo o coração compreender a sua Palavra para aplicá-la à sua vida e
também compartilhar com outras pessoas.

2 - Escolha o texto a ser estudado


O texto escolhido não deve ser grande nem complexo. A princípio, não se deve exceder a cinco
versículos. Deve ser tomado um texto que tenha o máximo de sentido literal por ser de mais
fácil interpretação.

3 - Leia o texto várias vezes e em várias Versões.

Ninguém é capaz de interpretar qualquer texto lendo-o uma só vez. Aconselha-se que o
estudante leia o texto pelo menos dez vezes antes de qualquer outra iniciativa. Cada vez que
se lê a passagem bíblica, mais clara ela se torna para o ledor e coisas jamais encontradas na
mesma passam a emergir de uma maneira impressionante. Se possível, leia o texto em várias
versões.

As línguas originais devem ser lidas e compreendidas, ou então o estudioso precisa ter acesso
a textos fidedignos, que transmitam fielmente o sentido texto original. O estudioso também
deveria consultar não apenas uma, mas muitas traduções, para então julgar os seus méritos
comparativos, quanto a casos específicos.

4 - Leia o Contexto Imediato.

É preciso ler o contexto imediato, pelo menos, umas três vezes antes de começar a
interpretação. Provavelmente, outras vezes serão necessárias à medida que o estudo for
evoluindo. Não admita a dúvida, nem tenha preguiça de ler. Leia quantas vezes for necessário.

5 - Examine as palavras desconhecidas no dicionário bíblico.

À medida que se lê o texto, várias palavras desconhecidas vão aparecendo. O estudante


deverá ter à mão lápis e papel e um bom dicionário bíblico para que escreva o significado das
palavras desconhecidas além de detalhes importantes. Essas informações serão de muita valia
para pesquisas posteriores ou quando da preparação de uma Pregação ou Estudo Bíblico.
Existem palavras que julgamos saber o seu significado mas, quando vamos ao dicionário,
descobrimos, atônitos, que o sentido é completamente diferente do que pensávamos.

Cuidado com os corinhos, alguns deles trazem conceitos e informações torcidas ou


inexistentes na Bíblia. Não confie cegamente em tudo o que todo pregador diz, não raro
aparecem conceitos errados. Confira. Pesquise. Não saia repetindo o que outro falou, também
não seja um mero reflexo de livros. Procure formar a sua própria idéia sobre todos os
assuntos.

6 – Pesquise e anote sobre todo o material disponível, tendo em mente as regras de


interpretação.

Não consulte ainda outras exegeses para que a interpretação não seja induzida.

7 - Traduza o texto em palavras atuais dando ênfase às lições nele contidas.

A essa altura do labor exegético, e com o texto quase de cor, o estudante deve traduzi-lo em
palavras sinônimas com a ajuda do dicionário bíblico e de outras versões da Bíblia. Essa
tradução deve ser no sentido de simplificar o que está dito no texto.

Exemplo:

Texto: João 3.16

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho Unigênito, para que todo
aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”
Exegese

O escritor desse texto é o apóstolo João. Ele é o evangelista que apresenta a Jesus como o
Filho de Deus.

No texto em tela, João fala do grande amor de Deus. Ele repete a palavra amor 30 vezes em
seus escritos. Doze vezes das quais, somente em sua primeira Epístola. João gozava de uma
grande intimidade com Jesus, fazia parte do seu círculo mais íntimo de amizades e foi aquele a
quem Jesus confiou sua velha mãe Maria, quando estava pendurado no madeiro. João foi
ainda o último Apóstolo a falecer. Viveu quase cem anos.

O texto é proferido por Jesus. É doutrinário, literal, numenológico e está inserido no contexto
da evangelização de um mestre judeu chamado Nicodemos. Nessa passagem, vemos a
disposição de Jesus em evangelizar tanto sábios quanto a ignorantes.

Nicodemos era um fariseu e líder dos judeus. Ele tomou a iniciativa do encontro com Jesus.
Esse encontro aconteceu à noite. O mesmo Nicodemos aparece em mais dois lugares na Bíblia:
Em João 7.50, aparece defendendo a Jesus diante dos judeus: “Nicodemos, um deles, que
antes fora ter com Jesus, perguntou-lhes: A nossa lei, porventura, julga um homem sem
primeiro ouvi-lo e ter conhecimento do que ele faz?” Depois aparece em João 19, juntamente
com José de Arimatéia, por ocasião do sepultamento de Jesus:

“E Nicodemos, aquele que anteriormente viera ter com Jesus de noite, foi também, levando
cerca de cem libras duma mistura de mirra e aloés. Tomaram, pois, o corpo de Jesus, e o
envolveram em panos de linho com as especiarias, como os judeus costumavam fazer na
preparação para a sepultura. No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim, e nesse
jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda havia sido posto. Ali, pois, por ser a véspera
do sábado dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro, puseram a Jesus.” (19.39-42).

Apesar de estar sendo dirigido a um judeu, o texto é de aplicação geral e intemporal pois trata
da maior expressão da graça e do amor de Deus a todos os homens, que é salvação por meio
de Jesus Cristo.
Essa passagem se localiza em plena transição da Dispensação da Lei para a Dispensação da
Graça. Essa seria inaugurada com a descida do Espírito Santo após a ressurreição de Jesus e
aquela dava seus últimos suspiros: “ Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre
graça. Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer.”
(Jo 1.15-17).

Toda mudança provoca as mais variadas reações humanas e é neste período convulsivo que se
dá esse texto, assim como todo o Evangelho. Mas são também, historicamente, nesses
momentos de grande comoção social que surgem os maiores feitos humanos, tanto negativos
como positivos.

Nicodemos entrava para história naquele momento como o homem que teve o privilégio de
ouvir diretamente de Jesus aquilo que elegemos como o “texto áureo” da Bíblia. Entrementes,
outros contemporâneos de Nicodemos se preparavam para entrar para a história como os
protagonistas do maior escândalo que a humanidade já conheceu: a crucificação de Cristo.

O amor de Deus, conforme está expresso no versículo, constitui a essência do próprio Deus
“porque Deus é amor”(João 4.8). Amar de tal maneira a ponto de oferecer o Filho Único em
um sacrifício de cruz é amar incompreensivelmente.

O objeto do amor de Deus conforme o texto é o mundo. A palavra mundo (kósmos, no grego)
pode ter vários significados como por exemplo: O mundo cósmico, a humanidade, o submundo
do pecado, etc. Pelo sentido do texto, notamos que mundo aqui é a humanidade por quem
Jesus morreu.

Dar Deus o seu Filho é, conforme o contexto imediato, entregar-lhe para ser humilhado e, em
seguida, suspenso na cruz assim como Moisés suspendeu a serpente no deserto. A serpente,
neste caso, se torna um tipo de Jesus. O sacrifício de Jesus é, de acordo com o contexto geral
das Escrituras, o único meio pelo qual o homem pode ser redimido de seus pecados e
reconciliado com Deus: “E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum
nome há, dado entre os homens em que devamos ser salvos.”(At 4.12).

Na cruz se encontram o amor e a justiça de Deus: “Portanto, assim como por uma só ofensa
veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça
veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida.”(Rm 5.18).
O homem pecou e ficou destituído da glória de Deus: “ Porque todos pecaram e destituídos
estão da glória de Deus.”(Rm3.23). É o ato de justiça, a morte pelo pecado; e o ato de amor, a
reconciliação do homem por meio de Jesus Cristo, “porque há um só Deus, e um só Mediador
entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual se deu a si mesmo em resgate por todos,
para servir de testemunho a seu tempo.” (1Tm 2.4-6).

O sacrifício do Filho de Deus é o sacrifício do próprio Deus. No seu sofrimento e no desejo de


reconciliar o homem, está o seu grande amor. “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco,
em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5.8).

As construções do verbo crer (pisteúõ) com (eis) e (epi), como aparecem neste texto (inserção
nossa), definem uma atitude salvadora de confiança pessoal em Jesus e descanso do espírito
nele e sobre sua redenção, havendo mútua interpenetração e união das personalidades do
crente e do salvador. (grifo nosso).

O verbo perecer significa estar “entregue à miséria eterna” (Thayer). Além disso, perecer no
versículo estudado, faz antítese com vida eterna, logo, significa a morte eterna (Ap 20.13-15).

Conclusão

a - Deus ama os homens com um grandíssimo amor.

b - Deus foi capaz entregar o seu único Filho ao sacrifício que resultou em morte, por causa
deste amor aos homens.

c - O objetivo de Deus ao dar o seu Filho é que o homem que confiar e descansar totalmente
Neste, vivendo conforme o seu exemplo, não seja lançado no inferno, mas viva eternamente
com Ele.

9 - Consulte os Comentários Bíblicos.


Os Comentários Bíblicos contêm explanações, informações externas, interpretações e
aplicações de textos bíblicos. São de grande valia para o estudante da Bíblia uma vez que são
produzidos por eruditos que geralmente conhecem as línguas originais em que a Bíblia foi
escrita, além da bagagem de muitos anos de estudo bíblico-teológico e geral.

Consultando bons comentários bíblicos, o estudante compara a sua interpretação com a de


vários estudiosos da Bíblia podendo tirar conclusões magníficas sobre o texto em tela,
comparar e enriquecer sua exegese, além de auto avaliar-se.

10 - Organize e guarde suas anotações.

Toda anotação deve ser passada a limpo, organizada e guardada. Um microcomputador se


torna um instrumento de grande valia nesse momento. Arquive suas anotações por assunto.
Isso vai ser muito útil quando precisar delas novamente.

Aconselha-se que o estudante da Bíblia arquive todas as suas anotações, por assunto, usando
pastas de arquivo tipo A-Z, por exemplo. Uma sugestão útil para uniformizar o material a ser
empastado é xerocá-lo, outra opção é colá-lo em folhas de papel ofício. Para uma rápida
identificação e localização do material arquivado, deve-se construir um índice alfabético-
remissivo a ser exibido na primeira página.

HERMENÊUTICA ESPECIAL

CAPÍTULO I
FIGURAS DE LINGUAGEM

Figuras de linguagem são recursos que tornam a língua viva e expressiva e podem ser
utilizadas com o fim de esclarecer, ocultar, enriquecer, ou dar mais inteligência à comunicação.

O conhecimento da estrutura de cada figura de linguagem permitirá ao estudante da Bíblia


extrair do texto figurado o seu sentido real ou concreto. A chave para a interpretação da figura
de linguagem é traduzir o sentido conotativo (secundário) da figura através do conhecimento
das suas características estruturais, retornando o texto ao sentido denotativo ou comum.

Linguagem figurada diz respeito à significação secundária (conotativa), além da significação


habitual. Na língua diária usamo-la muito freqüentemente, sem nos darmos conta disso.

O profeta Ezequiel era acusado por seus contemporâneos de falar somente por meio de
comparações: “Eu respondi: - Ó Senhor Eterno, não me faças dizer essas coisas, pois todos
estão dizendo que eu falo somente por meio de comparações.”(Ez 20.49 – A Bíblia na
Linguagem de Hoje - SBB).

O próprio Senhor Jesus utiliza-se e admite utilizar a linguagem figurada em seus ensinos: “Estas
coisas vos tenho dito por meio de figuras; vem a hora quando não vos falarei por meio de
comparações, mas vos falarei claramente a respeito do Pai.” (João 16.25).

A Linguagem aliteral é uma forte característica do povo hebreu, bem como dos povos orientais
em geral. Mergulhar nas figuras bíblicas é uma experiência fascinante e, ao mesmo tempo,
desafiante. A linguagem figurada é, comumente, de interpretação difícil e requer do estudioso
da Bíblia muito conhecimento bíblico, teológico e geral. A linguagem figurada é, comumente,
de interpretação difícil e requer do estudante muito conhecimento específico.

São muitas as figuras de linguagem utilizadas na Bíblia. A seguir passaremos a estudá-las.

1 – Símile
É a comparação que se faz entre coisas e/ou pessoas por causa das suas semelhanças.

Exemplo:

a) “Como flechas na mão do valente, assim são os filhos da mocidade.” (Sl 127.4).

Flechas na mão de um valente simbolizam respeitabilidade e poder. Os filhos adultos àquela


época impunham respeito pela sua força física. O contexto imediato remete a possíveis
inimigos que viessem a um enfrentamento com um homem que possuísse vários filhos
homens. Então esses filhos seriam como as “flechas nas mãos de um guerreiro”(A Bíblia de
Jerusalém), ou seja, causariam terror aos inimigos do pai de família.

b) “Sou como um vaso quebrado.” (Sl 31.12b).

Em seu lamento por causa de uma tribulação pela qual estava passando, Davi se compara a um
morto, na primeira parte do versículo, e a um vaso quebrado, nessa segunda parte. O
sentimento que Davi tinha era de total incapacidade diante dos problemas que o rodeavam.
Este versículo faz lembrar o Grande Oleiro em cujas mãos o vaso estragado, às vezes, precisa
ser refeito. (Jr 18.1-6). Não obstante, nos versículos posteriores, Davi confia totalmente no
Senhor para livrá-lo das dificuldades pelas quais estava passando. (Sl 31.14-24).

2 - A Parábola.

A parábola consiste de uma narração constituída de um conjunto de comparações ou símiles


em que a realidade é figurada por uma história ou estória.

Exemplo:

“A Parábola dos Trabalhadores na Vinha


O Reino do Céu é semelhante a um pai de família que saiu de madrugada para contratar
trabalhadores para sua vinha. E, tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia,
mandou-os trabalhar.

Perto da hora terceira, ele saiu e viu, na praça, outros que estavam desocupados. Disse-lhes:
Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.

Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo. Perto da hora undécima, ele saiu e
encontrou outros que estavam desocupados, e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui
desocupados o dia todo? Responderam-lhes: Porque ninguém nos contratou. Disse-lhes: Ide
vós também para a vinha, e recebereis o que for justo.

Chegada a tarde, disse o dono da vinha ao seu administrador: Chama os trabalhadores e paga-
lhes o seu salário, começando pelos últimos, indo até os primeiros.

Vindo os da hora undécima, receberam um denário cada um. Vindo, porém, os primeiros,
pensaram que receberiam mais. Porém, também eles receberam um denário cada um.

Tendo-o recebido, murmuravam contra o pai de família. Disseram: Estes últimos trabalharam
só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e o calor do dia. Mas ele disse
a um deles: Amigo, não te faço injustiça. Não combinaste comigo um denário? Toma o que é
teu e retira-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti. Não tenho o direito de fazer o que
quiser com o que é meu? Ou é mau o teu olho porque sou bom?

Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros, últimos.” (Mt 20.1-16).

Para se interpretar uma parábola é preciso atentar, principalmente, para o seu objetivo e para
o contexto geral das Escrituras, a fim de se determinar que elementos da realidade estão
representados nas símiles. Não é aconselhável descer a todos os detalhes de uma parábola em
sua interpretação. Deverão ser deixados de lado elementos que não estejam em harmonia
com a doutrina toda da Palavra de Deus.

Interpretando a Parábola dos Trabalhadores da Vinha:

O Pai de família / Deus.

A vinha do Senhor / a Sua Obra sobre a terra.

Os Trabalhadores / os servos de Deus.

As diversas horas do dia / Os judeus iniciaram na primeira hora do dia, ou seja, desde Abraão.
A Igreja inicia seu trabalho na última hora do dia, perto do “fim”.

O salário / A recompensa (salvação) dos fiéis da lei é a mesma dos fiéis da graça (todos
dependem de Cristo para serem salvos).

Os primeiros e os últimos / Se atentarmos para o contexto imediato que vem desde o capítulo
19, quando Jesus se encontra com um jovem hebreu rico, veremos que Jesus fala da primazia
da Igreja sobre Israel. Aqueles que naquele momento eram os primeiros, ou seja, se arrogavam
herdeiros dos Mandamentos de Deus e Filhos de Abraão, serão no futuro julgados pelos
Apóstolos que eram os últimos, reputados por “escória do mundo.” (1Co4.13).
3 – Metáfora.

A metáfora é o desvio de significado que consiste em dar uma qualidade literalmente


incompatível ao sujeito. A compreensão da metáfora se dá porque, embora incompatível, a
qualidade tem alguma semelhança com o sujeito.

Exemplos:

a) “Vós sois o sal da terra” (Mt 5.13).

b) “Lembra-te, ó Deus, de que a minha vida é um sopro” (Jó 7.7).

Para se compreender a metáfora é preciso transformá-la primeiramente numa símile e, a


seguir, procurar encontrar no contexto imediato e na simbologia bíblica o significado dos seus
elementos conotativos.
Assim, no primeiro exemplo teríamos:

1 – Vós sois como o sal para a terra.

2 – Vós - referindo-se aos seus discípulos - sois as pessoas responsáveis pela conservação e a
propagação dos valores espirituais do Reino de Deus entre os homens (a terra). Assim como o
sal que conserva – conservação, e atinge toda a massa – propagação, dando-lhe sabor - valores
espirituais.

4 – Sinédoque

Sinédoque é o desvio de significado que consiste no uso do todo pela parte, do plural pelo
singular, do gênero pela espécie, etc., ou vice-versa.
Exemplos:

a) “Os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus...” (Lc 5.30).

Somente uma parte dos fariseus e de seus escribas murmuravam: os presentes. E talvez nem
todos os presentes.

b) “Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos.” (At 5.12).

Os sinais eram feitos através dos apóstolos e não apenas por suas mãos.

5 - Metonímia
Desvio de significado que consiste em designar um objeto por palavra designativa de outro
objeto que tem com o primeiro uma relação de causa e efeito, continente e conteúdo, lugar e
produto, matéria e objeto, abstrato e concreto, autor e obra, etc.

Exemplos:

a) “Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.” (Mt 16.29).

Moisés e os profetas significam, nessa metonímia, os escritos de Moisés e dos profetas. Nesse
caso, toma-se os autores pelas obras.

b) “E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a
inimizade.” (Ef 2.16).
Não é a cruz de madeira que reconcilia o homem com Deus, e sim, o sacrifício realizado na cruz
por Jesus Cristo. Logo, toma-se nesse texto o continente pelo conteúdo.

c) “ Levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos
para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” (1Pe
2.24).

Madeiro é uma peça ou tronco grosso de madeira, logo, o material de que foi feito a cruz.
Nesse exemplo, o objeto é substituído pela matéria da qual foi feito.

6 – Prosopopéia.

É o mesmo que personificação. Figura pela qual se dá vida, ação, movimento e voz a coisas
inanimadas, e se empresta voz a pessoas ausentes ou mortas e a animais.
Exemplos:

a) “Os rios batam palmas, regozijem-se à uma as montanhas.” (Sl 98.8).

b) “Respondeu-lhes Jesus: Digo-vos que se estes se calarem, as próprias pedras clamarão.” (Lc
19.40).

7 – Ironia.

Modo de exprimir-se que consiste em dizer o contrário daquilo que se está pensando ou
sentindo, ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em
relação ao outro.

Exemplos:
a) “O mensageiro que fora chamar a Micaías disse-lhe: As palavras dos profetas a uma voz
predizem coisas boas para o Rei. Seja a tua palavra como a palavra de um deles e fala o que é
bom. Porém Micaías disse: Tão certo como vive o Senhor, o que o Senhor me disser, isso direi.
Vindo ele à presença do rei, este lhe disse: Micaías, iremos a Ramote-Gileade à peleja ou
deixaremos de ir? Respondeu-lhe ele: Sobe e triunfarás porque o Senhor a entregará nas mãos
do rei. Disse-lhe o rei: Quantas vezes te conjurarei que não me fales senão a verdade em nome
do Senhor? Então disse ele: Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm
pastor, e disse o Senhor. Estes não têm senhor. Torne cada um em paz para sua casa.” (1Rs
22.13-18)

b) “E logo um deles, correndo, tomou uma esponja embebeu-a em vinagre e, pondo-a numa
cana, dava-lhe de beber. Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livrá-lo.” (Mt
27.49)

8 – Hipérbole.

Figura que engrandece ou diminui exageradamente a verdade das coisas.


Exemplos:

a) “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita,
cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem.” (Jo 21-25).

O que o apóstolo quis dizer na realidade é que os atos de Jesus dariam muitos livros.

b) “E os jovens que haviam crescido com ele responderam-lhe Assim dirás a este povo, que te
falou, dizendo: Teu pai fez pesado nosso jugo, mas tu o alivia de sobre nós; assim lhe falarás: o
meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu pai.” (2Cr 10.10).

Nesse texto, o rei Roboão responde aos rebelados de Israel sob a liderança de Jeroboão. Com
esta hipérbole, ele quer dar a impressão de ser mais rigoroso para subjugar o povo do que seu
pai.

9 – Fábula.
Narração breve, de caráter alegórico, em verso ou em prosa, destinada a ilustrar um preceito,
em que se personificam as coisas e/ou animais.

Exemplo:

“A Fábula de Jotão.

Tendo sido avisado disto, Jotão foi, pôs-se no cume do monte gerizim, levantou a voz e
clamou: Ouvi-me, cidadãos de Siquém, e Deus vos ouvirá a vós.

Foram certa vez as árvores ungirem para si um rei. Disseram à oliveira: Reina sobre nós. Mas a
oliveira respondeu: Deixaria eu a minha gordura, que os deuses e os homens em mim prezam,
e iria dominar sobre as árvores?

Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós. Mas a figueira lhes respondeu:
Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, e iria dominar sobre as árvores.
Então disseram as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós. Mas a videira respondeu:
Deixaria eu o meu vinho, alegra a Deus e os homens, e iria dominar sobre as árvores?

Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós. Respondeu o
espinheiro às árvores: Se, na verdade, me ungis rei sobre vós, vinde refugiar-vos debaixo da
minha sombra, se não, saia fogo dos espinheiros e consuma os cedros do Líbano.” (Jz 9.7-15).

Decifra-se a fábula, descobrindo-se através da simbologia bíblica e do contexto bíblico, as


pessoas simbolizadas nas coisas e/ou animais personificados.

Interpretando a Fábula de Jotão:

As árvores – os habitantes de Siquém. As árvores em geral representam as outras nações além


de Israel. Jesus disse: “Olhai para a figueira e para todas as árvores.”(Lc 21.29). A cidade de
Siquém, apesar de estar no território de Israel era, à época dos Juízes, um centro de adoração
pagã ao deus Baal-Berite.

A oliveira, a figueira e a videira – um representante de Israel, neste caso, um dos filhos de


Gideão.
O espinheiro – Abimeleque, filho de uma concubina de Gideão.

Ficar debaixo da sombra do espinheiro – submeter-se a Abimeleque.

Sair fogo do espinheiro – guerra entre Abimeleque e os moradores de Siquém. Abimeleque


destruiu a cidade e incendiou sua fortaleza.

10 – Enigma.

Descrição ambígua e obscura de alguma coisa para que seja difícil decifrá-la.

Exemplos:

a) “Então dele foi enviada aquela parte da mão e escreveu esta escritura. Esta é a escritura que
se escreveu: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. Esta é a interpretação daquilo:

MENE: Contou Deus o teu reino e o acabou.

TEQUEL: Pesado foste na balança e foste achado em falta.


PERES: Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas.” (Dn 5.24-28).

c) Disseram eles: Dá-nos o teu enigma para que o ouçamos. Respondeu ele: Do comedor saiu
comida, do forte saiu doçura.” (Jz 14.14).

Este enigma é proposto por Sansão aos filisteus quando de seu casamento com uma filha
daquele povo. Ele havia matado um leão em cuja carcaça, dias depois, as abelhas fizeram mel.
Diante desse fato, Sansão propõe esse inteligente enigma que só foi decifrado pelos filisteus
com a ajuda de sua mulher.

O contato constante com enigmas, além de um bom conhecimento geral, pode facilitar a
decifração de um enigma novo, por analogia.

Existem casos na Bíblia em que só através de um dom especial dado por Deus foi possível
decifrar os enigmas, como é o caso do primeiro exemplo. O rei Salomão era um exímio
decifrador de enigmas(1Rs 10.1-3).

Em várias ocasiões, na Bíblia, Deus fala ao homem através de sonhos enigmáticos, inclusive a
ímpios. Dentre estes sonhos destacam-se, por exemplo, o de Faraó, na época de José do Egito
(Gn 41), sobre a grande seca que sobreviria a toda a terra do Egito; e o de Nabucodonozor, na
época do profeta Daniel, acerca dos grandes reinos mundiais. (Dn 2).
11 – Alegoria.

Seqüência harmônica de metáforas formando um todo que representa perfeitamente


elementos da realidade. Na alegoria, os elementos reais e figurados são mesclados,
transitando-se, ao longo do discurso alegórico, do real para o fictício e vice-versa.

Exemplo:

“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade,

Antes que venha os maus dias e os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles
contentamento;

Antes que se escureçam o sol, a luz, a lua e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da
chuva;
No dia em que tremem os guardas da casa,

E se curvarem os homens fortes,

E cessarem os moedores, por já serem poucos,

E se escurecerem os que olham pelas janelas;

E as portas da rua se fecharem, e for baixo o ruído da moedura;

No dia em que os homens se levantarem à voz das aves, e todos os seus cânticos diminuírem;

Quando temerem o que é alto, e houverem espantos no caminho,

Quando florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e falhar o desejo.

Então o homem vai à sua eterna casa, e os pranteadores andarão rodeando pela praça.

Lembra-te Dele antes que se rompa a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro,

E se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço,

E o pó volte à terra, como era, e o espírito volte à Deus, que o deu.


Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade.” (Ec 12. 1- 8).

A interpretação de uma alegoria é semelhante à de uma parábola. Vejamos os elementos reais


dessa alegoria:

O escurecimento do ambiente – a fraqueza dos olhos.

Os guardas da casa – os braços.

Os homens fortes – as pernas.

Os moedores – os dentes.

Os que olham pela janela – os olhos.

As portas da rua – os ouvidos.

Levantar à voz das aves – acordar cedo por causa do pouco sono.

O medo do que é alto e os espantos do caminho – a dificuldade de subir em lugares altos e até
de caminhar.
O florescimento da amendoeira – os cabelos brancos.

O falhar do desejo – perda do prazer de viver pelo enfraquecimento geral dos sentidos.

O rompimento da cadeia de prata e o despedaçar do copo de ouro – O fim de toda glória,


beleza e riqueza terrena do homem.

O cântaro quebrado – o corpo morto.

A roda( roldana) quebrada – não há retorno para a vida física daqueles que já morreram a não
ser em casos muito especiais de ressurreição.

O pó que volta à terra – o sepultamento do corpo.

12 – Antítese.

É a figura pela qual se salienta a oposição entre duas palavras ou idéias.


Exemplos:

a) “Viste um homem diligente em sua obra? Perante reis será posto; não será posto perante
homens obscuros.” (Pv22.29).

b) “Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas; não vim para destruí-los, mas para
cumpri-los.” (Mt 5.17).

c) “Eu vos envio como ovelhas ao meio de lobos. Portanto sede prudentes como as serpentes e
simples como as pombas.” (Mt10.16).

13 – Apóstrofe.

Figura que consiste em dirigir-se o orador ou escritor, normalmente fazendo uma interrupção,
a uma pessoa ou coisa presente ou ausente, real ou fictícia.
Exemplos:

a) “Quanto ao evangelho, eles na verdade, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à
eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são irretratáveis.
Pois, assim como vós outrora fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia
pela desobediência deles, assim também estes agora foram desobedientes, para também
alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada. Porque Deus encerrou a todos
debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis
são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a
mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que
lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a
ele eternamente. Amém.” (Rm 11. 28.36).

b) “É este homem Conias algum vaso desprezado e quebrado, um vaso de que ninguém se
agrada? Por que razão foram ele e a sua linhagem arremessados e arrojados para uma terra
que não conhecem?

Ó terra, terra, terra; ouve a palavra do Senhor.


Assim diz o Senhor: Escrevei que este homem fica sem filhos, homem que não prosperará nos
seus dias; pois nenhum da sua linhagem prosperará para assentar-se sobre o trono de Davi e
reinar daqui em diante em Judá.” (Jr 9.28-30).

14 – Clímax ou Gradação.

Apresentação de uma seqüência de idéias em andamento crescente ou decrescente.

Exemplos:

a) “Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus
Cristo, mediante quem tivemos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos
gloriamos na esperança da glória de Deus. Não somente isto, mas também nos gloriamos nas
tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança; e a perseverança, experiência; e
a experiência, esperança. Ora a esperança não traz confusão, porque o amor de Deus está
derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”( Rm 5.1-5).
b) “Ora, estando estas coisas assim preparadas, entram continuamente na primeira tenda os
sacerdotes, celebrando os serviços sagrados; mas na segunda só o sumo sacerdote, uma vez
por ano, não sem sangue, o qual ele oferece por si mesmo e pelos erros do povo; dando o
Espírito Santo a entender com isso, que o caminho do santuário não está descoberto,
enquanto subsiste a primeira tenda, que é uma parábola para o tempo presente, conforme a
qual se oferecem tanto dons como sacrifícios que, quanto à consciência, não podem
aperfeiçoar aquele que presta o culto; sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e
várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma. Mas Cristo,
tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito
tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de bodes e
novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo
obtido uma eterna redenção.” (Hb 9. 6-12).

15 – Interrogação.

Ocorre a interrogação, como figura de estilo, quando o orador ou escritor faz uma pergunta de
resposta óbvia que o público responde em silêncio.

Exemplos:
a) “Estarás para sempre irado contra nós? Estenderás a tua ira a todas as gerações?”(Sl 85.5).

A resposta óbvia a essa interrogação é um não categórico como o mesmo salmista dá a


entender no versículo 12: “O Senhor deveras dará o que é bom, e a nossa terra produzirá o seu
fruto.”

b) “Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as
noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?” (Lc 15.4).

A esta pergunta responderiam sem vacilar os ouvintes de Jesus:

- Qualquer um de nós.

16 – Provérbio.

Máxima ou sentença de caráter prático e popular, comum a todo um grupo social, expressa
em forma sucinta e geralmente rica em imagens.
Exemplos:

a) “Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, pois semelhante remendo rompe o
vestido, e faz-se maior a rotura.” (Mt 9.16).

Este provérbio é uma resposta de Jesus aos discípulos de João Batista que lhe perguntaram
porque os seus discípulos não jejuavam, enquanto eles e os fariseus o faziam. Jesus respondeu
que há um tempo e uma maneira sábia de fazer as coisas. Também mostrou que seu poder era
bastante para sustentar espiritualmente seus discípulos enquanto estivesse com eles na terra.
Remendar um vestido velho com um pano novo seria tão inútil como jejuarem os discípulos de
Jesus enquanto Ele estivesse com eles. No sentido geral, o provérbio aplica-se a tudo o que é
feito inutilmente.

a) “O que ama a correção ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é um bruto”
(Pv 12.1).
17 – Acróstico.

Composição poética em que o conjunto das letras iniciais, mediais ou finais compõem
verticalmente uma palavra ou frase ou uma seqüência alfabética.

Há uma dificuldade na exemplificação dos acrósticos bíblicos uma vez que foram escritos
originalmente em Hebraico e, portanto, a letra inicial das palavras não são as mesmas na
língua portuguesa. Os textos foram escritos em forma de acrósticos originalmente.

Exemplos bíblicos :

Salmos 119; 25; 34; 111; 112; os últimos 22 versículos de Provérbios; a maior parte de
lamentações de Jeremias.

Exemplos práticos:

a) Jesus,
Eu sou teu servo.

Sou teu discípulo.

Uni-me a Ti.

Somente a Ti!

b) Amanhã será um novo dia.

Bom dia há de ser!

Cuidará de si mesmo.

Deus está conosco!

Ele nos dá a cada dia a sua porção.

18 – Paradoxo.
Conceito que é ou parece contrário ao senso comum.

Exemplos:

a) “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.”

É impossível, senso comum, um morto fisicamente sepultar outro. Jesus quis dizer ao seu
discípulo, que queria primeiro sepultar o seu pai para depois segui-lo, que havia muitas
pessoas mortas espiritualmente para sepultar o pai dele. O discípulo deveria segui-lo, pois isso
seria mais útil.

b) “O que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca, isto sim é o
que contamina o homem.” (Mt 15.11).

Os fariseus estavam muito preocupados com a tradição dos anciãos que mandava lavar as
mãos com muito cuidado antes de comer qualquer coisa: “Foram ter com Jesus os fariseus, e
alguns dos escribas vindos de Jerusalém, e repararam que alguns dos seus discípulos comiam
pão com as mãos impuras, isto é, por lavar. Pois os fariseus, e todos os judeus, guardando a
tradição dos anciãos, não comem sem lavar as mãos cuidadosamente; e quando voltam do
mercado, se não se purificarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para
observar, como a lavagem de copos, de jarros e de vasos de bronze.” (Mc 7.1-4).

Jesus aproveitou então a oportunidade para, poeticamente, dar-lhes uma lição espiritual. A
cerimônia de lavar as mãos, os alimentos e as vasilhas, não podia purificar as almas deles dos
seus pecados. Era necessário que o seu manancial interior fosse sarado para que dele pudesse
sair coisas boas, pois estavam impuros em suas ofensas a Deus. O que sai da boca é o que vem
do coração e isso é o que contamina o homem. É do coração que “procedem as fontes da
vida.” (Pv 4.23b).

19 – Antropomorfismo.

Figura que atribui a Deus formas ou atributos humanos.

Exemplos:

a) “ Tu tens um braço poderoso; forte é a Tua mão, e elevada a Tua destra.” (Sl 89.13).
b) “Aquele que está sentado nos céus se rirá; o Senhor zombará deles.” (Sl 2.4).

A incapacidade que o homem tem de ver a Deus e as limitações da linguagem humana levam-
no a atribuir a Deus características humanas e ações humanas. O antropomorfismo é uma
figura vastamente usada no Antigo Testamento.

20 – Antropatismo.

Atribuição de sentimentos humanos a qualquer coisa não humana como objetos inanimados,
animais, poderes da natureza, seres espirituais e Deus.

a) “A ira de Deus se acendeu, porque ele ia, e o anjo do Senhor pôs-se-lhe no caminho por
adversário. Ora, ele ia montado na sua jumenta, tendo consigo os seus dois servos.” (Nm
22.22).
b) “Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso lhe pesou no
coração.” (Gn 6.6).

O que precisa ser colocado é que a realidade em que vivem Deus e os demais seres não é a
mesma que a humana, portanto, não devemos imaginar, por exemplo, que os sentimentos de
Deus sejam idênticos aos humanos.

21 – Catacrese.

Aplicação de um termo figurado por falta de um termo próprio.

Exemplos:
a) “E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços.”(
Gn 2.10).

b) “E Moisés levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus; e puseram-se ao pé do


monte.(Gn 19.17).
CAPÍTULO II
SÍMBOLOS BÍBLICOS.

Símbolo é qualquer coisa ou pessoa que represente uma outra coisa ou pessoa com que se
assemelha de alguma forma. O símbolo é permanente, ou seja, seu significado não perece com
o tempo.

Listamos a seguir alguns símbolos bíblicos importantes na lida diária do pregador. A maioria
deles é usada por Jesus e por seus Apóstolos:

Adultério / idolatria.

“Sim viu que, por causa de tudo isso, por ter cometido adultério a pérfida Israel, a despedi, e
lhe dei o seu libelo de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também
ela mesma se prostituiu. E pela leviandade da sua prostituição contaminou a terra, porque
adulterou com a pedra e com o pau.” (Jr 3.8,9)
Água / a Palavra de Deus.

“Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, a fim de a santificar, tendo-a
purificado com a lavagem da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa,
sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5.25b-
27).

“Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado.” (Jo 15.3).

Águas vivas / o Espírito Santo.

“Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva. Ora, isto
ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito
ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.” (João 7.38-39).
“ Respondeu-lhe Jesus: Se tivesses conhecido o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de
beber, tu lhe terias pedido e ele te haveria dado água viva. Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não
tens com que tirá-la, e o poço é fundo; donde, pois, tens essa água viva? És tu, porventura,
maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual também ele mesmo bebeu, e os
filhos, e o seu gado? Replicou-lhe Jesus: Todo o que beber desta água tornará a ter sede; mas
aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe
der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.” (Jo 4.10-14).

Arca de Noé / Cristo.

“ Pois como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto,
assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em
casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e
os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem.”(Mt 24.37-39).
Arca do Concerto / a presença de Deus.

“ E os filisteus se dispuseram em ordem de batalha contra Israel; e, travada a peleja, Israel foi
ferido diante dos filisteus, que mataram no campo cerca de quatro mil homens do exército.
Quando o povo voltou ao arraial, disseram os anciãos de Israel: Por que nos feriu o Senhor
hoje diante dos filisteus? Tragamos para nós de Siló a arca do pacto do Senhor, para que ela
venha para o meio de nós, e nos livre da mão de nossos inimigos. Enviou, pois, o povo a Siló, e
trouxeram de lá a arca do pacto do Senhor dos exércitos, que se assenta sobre os querubins; e
os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, estavam ali com a arca do pacto de Deus. Quando a arca
do pacto do Senhor chegou ao arraial, prorrompeu todo o Israel em grandes gritos, de modo
que a terra vibrou. E os filisteus, ouvindo o som da gritaria, disseram: Que quer dizer esta
grande vozearia no arraial dos hebreus? Quando souberam que a arca do Senhor havia
chegado ao arraial, os filisteus se atemorizaram; e diziam: Os deuses vieram ao arraial. Diziam
mais: Ai de nós! porque nunca antes sucedeu tal coisa. (1Sm 4.2-7)

Babilônia / poder idólatra e perseguidor.


“E na sua fronte estava escrito um nome simbólico: A grande Babilônia, a mãe das
prostituições e das abominações da terra. E vi que a mulher estava embriagada com o sangue
dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus. Quando a vi, maravilhei-me com grande
admiração. (Ap 17.5,6).

Balança / justiça

“ Se eu tenho andado com falsidade, e se o meu pé se tem apressado após o engano (pese-me
Deus em balanças fiéis, e conheça a minha integridade).”(Jó 31.6).

Batismo / a morte do velho homem e o nascimento do novo homem.

“Tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no
poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.” (Cl 2.12).
Besta / poder tirano e usurpador.

“E adoraram o dragão, porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta, dizendo:
Quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela? Foi-lhe dada uma boca que
proferia arrogâncias e blasfêmias; e deu-se-lhe autoridade para atuar por quarenta e dois
meses. E abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome e do seu
tabernáculo e dos que habitam no céu. Também lhe foi permitido fazer guerra aos santos, e
vencê-los; e deu-se-lhe autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação. E adorá-la-ão
todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro
que foi morto desde a fundação do mundo.” (Ap 13.4-8)

Braço / força e poder.

“ Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços governarão os
povos; as ilhas me aguardam, e no meu braço esperam.” (Is 51.5).
Cão e porco / ímpio.

“ Deste modo sobreveio-lhes o que diz este provérbio verdadeiro; volta o cão ao seu vômito, e
a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal.” (2Pe 2.22).

“ Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não
acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem.” (Mt 7.6).

Ceia do Senhor / a apropriação do sacrifício de Cristo.

“E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que
é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois da ceia, tomou o
cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós.” (Lc
22.19-20).

Ceifa / ganho de almas para o reino de Deus.

“Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes,


como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: Na verdade, a seara é grande,
mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores
para a sua seara.” (Mt 9.36-38).

“Não dizeis vós: Ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Ora, eu vos digo: levantai os
vossos olhos, e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa. Quem ceifa já está
recebendo recompensa e ajuntando fruto para a vida eterna; para que o que semeia e o que
ceifa juntamente se regozijem.” (Jo 4.35-36).

Chave / autoridade.
“ Porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro; ele abrirá, e ninguém fechará; fechará, e
ninguém abrirá.”(Is 22.22).

“ Eu sou o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre! e tenho as chaves
da morte e do inferno.” (Ap 1.18).

Cordeiro / mansidão.

“Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao
matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a
boca.” (Is 53.7).

Coroa / autoridade conferida, recompensa, honra, glória.


“ Então Moisés fez chegar Arão e seus filhos, e os lavou com água, e vestiu Arão com a túnica,
cingiu-o com o cinto, e vestiu-lhe o manto, e pôs sobre ele o éfode, e cingiu-o com o cinto de
obra esmerada, e com ele lhe apertou o éfode. Colocou-lhe, então, o peitoral, no qual pôs o
Urim e o Tumim; e pôs sobre a sua cabeça a mitra, e sobre esta, na parte dianteira, pôs a
lâmina de ouro, a coroa sagrada; como o Senhor lhe ordenara.” (Lv 8.6-9).

“ Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me
está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas
também a todos os que amarem a sua vinda.” (2Tm 4.7-8).

“ Os seus olhos eram como chama de fogo; sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha
um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo.” (Ap 19.12).

Criança / humildade, dependência.

“ Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que se
não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos
céus. Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.”
(Mt 18.2-4).

“ Agora, pois, ó Senhor meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi, meu pai. E eu
sou apenas um menino pequeno; não sei como sair, nem como entrar.” (1Rs 3.7).

Cruz / sacrifício, sofrimento, tribulação.

“ E disse-lhes: É necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado
pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e escribas, que seja morto, e que ao terceiro dia
ressuscite. Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome
cada dia a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem
perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará. Pois, que aproveita ao homem ganhar o
mundo inteiro, e perder-se, ou prejudicar-se a si mesmo? Porque, quem se envergonhar de
mim e das minhas palavras, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua
glória, e na do Pai e dos santos anjos. Mas em verdade vos digo: Alguns há, dos que estão aqui,
que de modo nenhum provarão a morte até que vejam o reino de Deus.” (Lc 9.22-27).
Enxofre / tormento.

“ Seguiu-os ainda um terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua
imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus,
que se acha preparado sem mistura, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e
enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.” (Ap 14.10).

Fermento / heresia, pecado.

“ Então entenderam que não dissera que se guardassem, do fermento dos pães, mas da
doutrina dos fariseus e dos saduceus.” (Mt 16.12)
“ Expurgai o fermento velho, para que sejais massa nova, assim como sois sem fermento.
Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado. Pelo que celebremos a festa, não com o
fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da
sinceridade e da verdade.” (1Co 5.7,8).

Fogo / purificação.

“ Então voou para mim um dos serafins, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar
com uma tenaz; e com a brasa tocou-me a boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a
tua iniqüidade foi tirada, e perdoado o teu pecado.” (Is 6.6,7).

Homem / toda a humanidade.

“ Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste,
que é o homem, para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?” (Sl 8.3-4).

Incenso / oração.
“ Suba a minha oração, como incenso, diante de ti, e seja o levantar das minhas mãos como o
sacrifício da tarde!” (Sl 141.2).

“ Logo que tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se
diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que
são as orações dos santos.” (Ap5.8).

Lobo / Falsos profetas e falsos obreiros.

“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente
são lobos devoradores.” (MT 7.15).
“Eu sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão o
rebanho.” (At 20.29).

Mãos Limpas / atos puros, atos justos.

“ Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo
de mãos e puro de coração; que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente.
Este receberá do Senhor uma bênção, e a justiça do Deus da sua salvação.” (Sl 24.3-5).

Óleo da unção / o Espírito Santo.

“Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de eqüidade
é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te
ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros.” (Hb 1.8-9).
Olhos / conhecimento.

“Ora, quem despreza o dia das coisas pequenas? pois estes sete se alegrarão, vendo o prumo
na mão de Zorobabel. São estes os sete olhos do Senhor, que discorrem por toda a terra.” (Zc
4.10).

Ouro / realeza e poder.

“ Disse mais Faraó a José: Vê, eu te hei posto sobre toda a terra do Egito. E Faraó tirou da mão
o seu anel-sinete e pô-lo na mão de José, vestiu-o de traje de linho fino, e lhe pôs ao pescoço
um colar de ouro. Ademais, fê-lo subir ao seu segundo carro, e clamavam diante dele:
Ajoelhai-vos. Assim Faraó o constituiu sobre toda a terra do Egito.” (Gn 41.42).

“ Então Davi ajuntou todo o povo, e marchou para Rabá; pelejou contra ela, e a tomou.
Também tirou a coroa da cabeça do seu rei; e o peso dela era de um talento de ouro e havia
nela uma pedra preciosa; e foi posta sobre a cabeça de Davi, que levou da cidade mui grande
despojo.” (2Sm 12.29-30).

Ovelha / os seguidores de Jesus.


“Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me
conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.” (Jo 10.14-15).

Ovelha desgarrada / o homem sem Deus.

“Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes,


como ovelhas que não têm pastor.” (Mt 9.36).

Pão / Cristo.

“ Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome,
e quem crê em mim jamais terá sede.” (Jo 6.35).

Pão da Ceia / o corpo de Jesus.


“ Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos,
dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo.” (Mt 26.26).

Pedras preciosas / magnificência e formosura.

“ Estiveste no Éden, jardim de Deus; cobrias-te de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio,
o ônix, a crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti se faziam os
teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados.” (Ez 28.13).

“ E aquele que estava assentado era, na aparência, semelhante a uma pedra de jaspe e sárdio;
e havia ao redor do trono um arco-íris semelhante, na aparência, à esmeralda.” (Ap 4.3).

Pó / fragilidade do homem.
“ Todos vão para um lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão.” (Ec 3.20).

“ Ele me lançou na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.” (Jó 30.19).

Pomba / o Espírito Santo, mansidão.

“ Batizado que foi Jesus, saiu logo da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito
Santo de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele” ( Mt 3.16).

“ Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as
serpentes e simples como as pombas.” (Mt 10.16).
Porta / acesso.

“ Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.”
(Jo 10.9).

“ Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes no sangue do Cordeiro para que tenham
direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.” (Ap22.14)

Prumo / justiça.

“ Mostrou-me também assim: eis que o senhor estava junto a um muro levantado a prumo, e
tinha um prumo na mão. Perguntou-me o Senhor: Que vês tu, Amós? Respondi: Um prumo.
Então disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo Israel; nunca mais
passarei por ele. Mas os altos de Isaque serão assolados, e destruídos os santuários de Israel; e
levantar-me-ei com a espada contra a casa de Jeroboão.” (Am 7.7,9).
Púrpura / realeza.

“ E ordenou o rei em alta voz, que se introduzissem os encantadores, os caldeus e os


adivinhadores; e falou o rei, e disse aos sábios de Babilônia: Qualquer que ler esta escritura, e
me declarar a sua interpretação, será vestido de púrpura, e trará uma cadeia de ouro ao
pescoço, e no reino será o terceiro governante.” (Dn 5.7).

Ramos ou rebentos / filhos, descendentes.

“ Então brotará um rebento do toco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E
repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito
de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.” (Is 11.1-2)

Raposa / astúcia, engano.

“ Naquela mesma hora chegaram alguns fariseus que lhe disseram: Sai, e retira-te daqui,
porque Herodes quer matar-te. Respondeu-lhes Jesus: Ide e dizei a essa raposa: Eis que vou
expulsando demônios e fazendo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia serei consumado.” (Lc
13.32).
Rocha / fortaleza, abrigo, refúgio.

“ O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, o meu
rochedo, em quem me refúgio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto
refúgio.” (Sl 18.2).

Sal / tempero, conservação.

“ Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o
sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.” (Mt
5.13).

Sangue / vida.
“ A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.” (Gn 9.4).

Unção / poder espiritual.

“Então Samuel tomou o vaso de azeite, e o ungiu no meio de seus irmãos; e daquele dia em
diante o Espírito do Senhor se apoderou de Davi. Depois Samuel se levantou, e foi para Ramá.”
(1Sm 16.13).

Vinho da Ceia / o sangue de Jesus.

“ E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu
sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados.” (Mt
26.27-28).

Virgem / servos fiéis que não se contaminaram com a idolatria, a Igreja.


“ Estes são os que não se contaminaram com mulheres; porque são virgens. Estes são os que
seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes foram comprados dentre os homens para
serem as primícias para Deus e para o Cordeiro.” (Ap 14.4)

“ Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só Esposo, Cristo,
para vos apresentar a ele como virgem pura.” (1Co 11.2).
CAPÍTULO III
TIPO E ANTÍTIPO.

Tipo é um símbolo profético. A finalidade dos tipos é prefigurar pessoas e coisas futuras. São
sombras ou modelos daquilo que se torna pleno no futuro. Quando um Tipo se cumpre ou
temos a certeza do que ele representa, estamos diante do Antítipo.

Exemplos:

O maná - Jesus Cristo.

“ Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Do céu deu-lhes pão a comer.
Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do
céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce
do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. Declarou-
lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem
crê em mim jamais terá sede.” (Jo 6.31-35).

Elias - João Batista.

“ Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.”
(Ml 4.5).

“ E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os
violentos o tomam de assalto. Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se
quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir.” (Mt 11.12-14).
A serpente de metal - Jesus Cristo.

“ E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja
levantado.” (Jo 3.14).

Jonas no ventre do peixe - Jesus no sepulcro.

“ Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o
Filho do homem três dias e três noites no seio da terra.” (Mt 12.40).

José do Egito - Jesus Cristo.

“ Faraó chamou a José Zafnate-Paneã, que significa salvador do mundo (grifo nosso), e deu-lhe
por mulher Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Depois saiu José por toda a terra do
Egito.” (Gn 41.45).
O cordeiro pascal - Jesus Cristo.

“ Expurgai o fermento velho, para que sejais massa nova, assim como sois sem fermento.
Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado.” (1Co 5.7).

Moisés - Jesus Cristo.

“ Do meio de seus irmãos lhes suscitarei um profeta semelhante a ti; e porei as minhas
palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.” (Dt 18.18).

O sacerdócio de Melquizedeque - O sacerdócio de Jesus.


“ Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de
Melquisedeque.” (Hb 7.17).

Adão - Jesus.

“ No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à
semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir. Mas não é assim
o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a
graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou para com muitos.”
(Rm 5.14-15).

O Sumo sacerdote - Jesus.

“ Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e
mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de
bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar,
havendo obtido uma eterna redenção.” (Hb 9.11-12).
O sacrifício de animais - o sacrifício de Jesus.

“ Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os
contaminados, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo
Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa
consciência, para servirdes ao Deus vivo? E por isso é mediador de um novo pacto, para que,
intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os
chamados recebam a promessa da herança eterna.” (Hb 9.13-15).

A geração contemporânea de Noé – A geração contemporânea ao arrebatamento.

“ Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.
Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se
em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o
dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem.” (Mt 24.37-39).

O santuário do Templo - o Céu.


“ Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão no céu fossem purificadas com
tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Pois
Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu,
para agora comparecer por nós perante a face de Deus.” (Hb 9.23-24).

A tipologia foi muito usada pelo escritor da Carta aos hebreus para convencer aos Judeus de
que a Nova Aliança em Cristo cumpriu uma enormidade de símbolos proféticos da Antiga
Aliança. Há inclusive quem aponte, não sem razão, o escritor desconhecido da Carta aos
Hebreus como sendo Apolo, um exímio pregador intérprete da Antiga Aliança que, “com
grande poder refutava publicamente os judeus, demonstrando pelas Escrituras que Jesus era o
Cristo.” (At 18.28).

Dicas especiais para a compreensão dos Tipos:

1 - Descobrir evidências bíblicas de que o Tipo foi indicado por Deus para representar o
Antítipo.

2 - Determinar semelhanças e diferenças entre o Tipo e o Antítipo.


3 - Localizar o Tipo e o Antítipo na História da Salvação.

Estudando o Tipo – José do Egito.

O José significa no hebraico – Ele(Jeová) acrescenta. Nasceu em Padã-Arã e é filho do Patriarca


Jacó com sua esposa Raquel. A maior evidência bíblica de que José foi indicado como Tipo de
Jesus é o título de Zafnate-Paneã (salvador do mundo) que recebeu do Faraó do Egito.

“ Faraó chamou a José Zafnate-Paneã, e deu-lhe por mulher Asenate, filha de Potífera,
sacerdote de Om. Depois saiu José por toda a terra do Egito.” (Gn 41.45).

Semelhanças e diferenças entre o Tipo, José, e o Antítipo, Jesus:


José era o filho predileto de Jacó.

José desde adolescente cuidava dos negócios de Jacó.

José tinha revelações divinas.

José era odiado por seus irmãos.

José foi lançado numa cisterna, teve a sua morte cogitada e foi dado como morto.

José foi despido, teve suas vestes sujas de sangue de um cabrito.


José foi traído por seus irmãos e vendido por vinte moedas de prata.

José era um homem de caráter ilibado.

José ficou prisioneiro no Egito.

José era um líder e administrador exímio.

José revelou o destino de dois presos quando estava no cárcere.

José não murmurou diante dos sofrimentos pelos quais passou.

José foi chamado o salvador do mundo.


José recebeu de faraó todo o poder para dirigir o Egito.

José salvou o povo do Egito da morte pela fome.

José era o segundo homem do

Egito.

José subiu no segundo carro de Faraó.

José teve seus ossos removidos do sepulcro e levados para Canaã.

Jesus é o amado Filho de Deus

Jesus desde adolescente cuidava dos negócios de seu Pai.


Jesus veio nos revelar o Pai.

Jesus foi odiado pelos judeus.

Jesus foi morto na cruz do calvário.

Jesus verteu o seu sangue na cruz e é “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.”

Jesus foi traído por Judas que cobrou trinta moedas de prata pela traição.

Jesus é o santo Filho de Deus.


Jesus foi preso pelos judeus.

Jesus é o cabeça da Igreja.

Jesus desceu ao Hades e pregou a espíritos em prisão.

Jesus foi levado como cordeiro mudo ao matadouro.

Jesus é o salvador do mundo.

Jesus recebeu do pai todo o poder no céu e na terra.

Jesus nos salva da morte eterna.


Jesus tem sujeitas a si todas as coisas, exceto Aquele que tudo lhe sujeitou.

Jesus se assentou-se a direita do Pai nas alturas.

Jesus ressuscitou ao terceiro dia e subiu ao céu.

O Tipo, José do Egito, se relaciona com a história da salvação no momento em que Deus
escolhe e usa um homem para prefigurar o caráter e o ministério de seu Filho Jesus Cristo que
havia de se manifestar, na plenitude dos tempos, trazendo salvação a todos os homens.

José é uma figura tão importante de Jesus Cristo que aumenta a fé de qualquer pessoa que
estude com visão tipológica a sua vida. Como mostramos acima, é incrível a quantidade de
detalhes coincidentes entre a vida de José e a vida de Jesus.

Outro aspecto importante a ser salientado é o exemplo puramente humano de um caráter


íntegro que vemos em José. O bom caráter de José tem inspirado a muitos homens de Deus
pelos séculos. Homens que são estimulados a vencerem as diversas tentações da vida
pautados na vida íntegra de José. Leia toda a história de José no Livro de Gênesis.
CAPÍTULO IV

NÚMEROS SIMBÓLICOS

A Bíblia tem uma numerologia própria. À medida que se desenrola a revelação escrita de Deus
ao homem vários números vão aparecendo de uma maneira importante e, muitas vezes, com
um significado conotativo.

Citamos alguns números que se destacam:


Número um.

Fala daquilo que é único, da unidade.

“Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” (Dt 6.4).

“ Eu e o Pai somos um.” (Jo 10.30).

“ Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o
homem.” (Mt 19.6).
Número dois.

Indica fortaleza, segurança, dupla energia. Fala de dualidade, de testemunho. Fala tanto de
unidade como de divisão.

“ Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os
criou.” (Gn 1.27).

“ E chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois, e dava-lhes poder sobre os


espíritos imundos.” (Mc 6.7).

“ E Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o
Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal, segui-o. O povo, porém, não lhe respondeu nada.” (1Rs
18.21).

“ Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à
perdição, e muitos são os que entram por ela.” ( Mt 7.13).
Número três.

Fala da Trindade. Fala também dos atos poderosos de Deus.

“ Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e
do Espírito Santo.” (MT 28.19).

“E estejam prontos para o terceiro dia; porquanto no terceiro dia descerá o Senhor diante dos
olhos de todo o povo sobre o monte Sinai.” (Ex 19.11).

Número quatro

Número global. Indica o cósmico natural. Fala daquilo que é completo.


“ Depois disto vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, retendo os quanto ventos da
terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore
alguma.” (Ap 7.1).

Número seis.

Fala do homem, de sua formação, de sua falibilidade.

“ Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os
criou. E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia
sexto.” (Gn1.27,31).

“ Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o
número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.” (Ap 13.18)
Número sete.

Indica perfeição, plenitude, união do céu e terra, o sagrado. É o número de Deus e também o
número dos mistérios.

“As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada numa fornalha de barro,
purificada sete vezes.” (Sl 12.6).

“A sabedoria já edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas.” (Pv 9.1).

“ Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as
estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto.” (Ap 3.1).
“ E vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos, e ouvi um dos quatro seres viventes dizer
numa voz como de trovão: Vem!” (Ap 6.1).

Número dez.

Simboliza plenitude, o completo. Um exemplo clássico são os dez mandamentos.

“ Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas,
saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco prudentes.” (Mt 25.2).

Número doze.

Fala dos propósitos eletivos de Deus.


“E, chamando a si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos,
para expulsarem, e para curarem toda sorte de doenças e enfermidades.” (Mt 10.1).

“ E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de


Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, tendo a glória de Deus; e o seu brilho era
semelhante a uma pedra preciosíssima, como se fosse jaspe cristalino; e tinha um grande e
alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os
nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Ao oriente havia três portas, ao norte três portas,
ao sul três portas, e ao ocidente três portas. O muro da cidade tinha doze fundamentos, e
neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.” (Ap 21.10-14).

Número quarenta.

Fala das intervenções de Deus na História da humanidade especialmente no que se refere à


salvação do homem. Simboliza provação, santificação.
“ Quando subi ao monte a receber as tábuas de pedra, as tábuas do pacto que o Senhor fizera
convosco, fiquei no monte quarenta dias e quarenta noites; não comi pão, nem bebi água.” (Dt
9.9).

“ E quando tiveres cumprido estes dias, deitar-te-ás sobre o teu lado direito, e levarás a
iniqüidade da casa de Judá; quarenta dias te dei, cada dia por um ano.” (Ez 4.64).

“E começou Jonas a entrar pela cidade, fazendo a jornada dum dia, e clamava, dizendo: Ainda
quarenta dias, e Nínive será subvertida.” (Jn 3.4).

“ Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo. E, tendo
jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome. (Mt 4.1-2).

“ Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo quanto Jesus começou a fazer e ensinar, até
o dia em que foi levado para cima, depois de haver dado mandamento, pelo Espírito Santo,
aos apóstolos que escolhera; aos quais também, depois de haver padecido, se apresentou
vivo, com muitas provas infalíveis, aparecendo-lhes por espaço de quarenta dias, e lhes
falando das coisas concernentes ao reino de Deus. (At 1.1-3).

Número setenta.
Fala da administração de Deus sobre o mundo.

“ Disse então o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, que sabes
serem os anciãos do povo e seus oficiais; e os trarás perante a tenda da revelação, para que
estejam ali contigo. Então descerei e ali falarei contigo, e tirarei do espírito que está sobre ti, e
o porei sobre eles; e contigo levarão eles o peso do povo para que tu não o leves só.” (Nm
11.15-16).

“ E toda esta terra virá a ser uma desolação e um espanto; e estas nações servirão ao rei de
Babilônia setenta anos. Acontecerá, porém, que quando se cumprirem os setenta anos,
castigarei o rei de Babilônia, e esta nação, diz o Senhor, castigando a sua iniqüidade, e a terra
dos caldeus; farei dela uma desolação perpetua. (Jr 25.11-12).

“ Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer
cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça
eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo.” (Dn 9.24).

“ Depois disso designou o Senhor outros setenta, e os enviou adiante de si, de dois em dois, a
todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir. E dizia-lhes: Na verdade, a seara é grande,
mas os trabalhadores são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores
para a sua seara.” (Lc 10.1-2).
CAPÍTULO V

PROFECIA

Profecia é, no sentido lato, o discurso emanado da inspiração divina e, no sentido especial, a


predição do futuro sob a inspiração de Deus. É da predição do futuro que cuidamos aqui.

A primeira carta de Pedro diz algo interessante sobre o conteúdo preditivo da Bíblia:
“Nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi
produzida por vontade dos homens, mas os homens santos da parte de Deus falaram movidos
pelo Espírito Santo.” (1Pe 1.20b-21).

Cerca de vinte e cinco por cento da revelação divina tem natureza preditiva. Esse fato
demonstra a importância do assunto. As teologias mais antigas de modo geral negligenciavam
o assunto; mas, nos tempos modernos, à medida em que os eventos preditos se aproximam,
desperta-se um interesse cada vez maior sobre a questão...
Vão aqui algumas dicas especiais para a interpretação das profecias:

1 - Procurar descobrir se a profecia já se cumpriu ou não.

2 - Estar atento ao sentido figurado.

3 - Analisar se mais de um profeta vaticinou sobre o mesmo assunto para fazer comparações
úteis.

4 – Analisar se a profecia pode ter mais de uma fase de cumprimento.


5 - Analisar se há profecias para épocas diferentes no mesmo texto.

As profecias mais importantes que se cumpriram até a conclusão dos escritos bíblicos estão
interpretadas na própria bíblia como vimos no tópico sobre o cristocentrismo bíblico.

As profecias apocalípticas forma um grande corpo tornado inviável o estudo de um só assunto


separadamente. A exegese das profecias sobre os últimos acontecimentos são estudadas em
livro específicos. A matéria que cuida da interpretação das profecias para os últimos tempos
chama-se escatologia.

ANEXO 1
NOTAS IMPORTANTES

1 - Uma característica comum na poesia hebraica é o Paralelismo.

a) No paralelismo sinônimo a mesma idéia é repetida em outras palavras.

Exemplo:

“Livra-me Deus meu dos meus inimigos; põe-me acima do alcance dos meus adversários.” (Sl
59.1).

b) No paralelismo sintético a segunda linha amplifica ou completa a primeira.


Exemplo:

“Quem me dera asas como de pomba, voaria e acharia repouso.” (Sl 55.6).

b) O paralelismo antitético usa expressões contrastantes para reforçar a idéia.

Exemplo:

“ Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.” (Sl 1.6)

d) No paralelismo gradativo há uma intensificação ao efeito na segunda parte do verso.


Exemplo:

“Pois não era um inimigo quem me afrontava; então , eu o teria suportado; nem era o que me
odiava que se engrandecia contra mim, por que dele me teria escondido; mas eras tu, homem
meu igual, meu guia e meu íntimo amigo.” (Sl 55.12).

2 – Os hebreus costumavam designar os descendentes pelo nome do patriarca.

Exemplos:

a) “Fala a Roboão, filho de Salomão, Rei de Judá, e a toda a casa de Judá, e a Benjamin.” (1Rs
12.23).

b) “Judá ficará no seu território ao sul.” (Js 18.5).


3 – A palavra “filho” pode significar qualquer descendente.

Exemplos:

a) “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim.” (Mc 10.48).

b) “somos filhos de Abraão e nunca servimos a ninguém.” (Jo 8.33).

4 - As negativas nas comparações nem sempre têm sentido absoluto.


Exemplos:

a) “Qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou.” (Mc 9.7).

b) “não mentiste aos homens, mas a Deus.” (At 5.4).

5 - Os números bíblicos, às vezes, são arredondados.

Exemplo:

a) “Então disse o Senhor a Abrão: Sabe com certeza que a tua descendência será peregrina em
terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos.” (Gn 15.13).
“Ora, o tempo que os filhos de Israel moraram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos. E
aconteceu que, ao fim de quatrocentos e trinta anos, naquele mesmo dia, todos os exércitos
do Senhor saíram da terra do Egito.” (Ex 12.40.41).

b)“Assim Davi, filho de Jessé, reinou sobre todo o Israel. E foram os dias que reinou sobre
Israel 40 anos.” (1Cr 29.26-27).

“Em Hebrom reinou sete anos e seis meses sobre Judá, e em Jerusalém reinou trinta e três
sobre todo o Israel e Judá.” (2Sm 5.5).

6 – Pessoas e lugares diferentes têm o mesmo nome ou título.


Exemplos:

a) César foi o título que identificou doze dos imperadores romanos, de Augusto (63aC-14) a
Adriano (76-138). O César, que reinava quando Jesus foi crucificado, era Tibério. O imperador,
para o qual apelou Paulo, era Nero.

b) Faraó, que significa regente, era o nome comum a todos os reis do Egito desde o tempo de
Abraão até a invasão dos persas, quando foi mudado para Ptolomeu.

c) A cidade de Antioquia pode ser a da Psídia ou a da Síria. (At 13.14; IITm 3.11).

7 – Freqüentemente, lugares recebiam o nome de seu primeiro habitante ou conquistador.

Exemplos:

a) Os Territórios de cada uma das doze tribos de Israel receberam o nome de um Patriarca
filho de Jacó. (Js13).
b) Canaã é o nome de um neto de Noé e também o da Terra Prometida. (Gn 9.18; Gn 17.18).

8 - Uma mesma pessoa ou lugar pode possuir mais de um nome.

Exemplos:

a) Mar da Galiléia, Lago de Genesaré, Mar de Quinerete ou Mar de Tiberíades se tratam do


mesmo grande lago, esses variados nomes derivam-se de suas regiões costeiras (Mt 4.18; Jo
21.1).

b) Mateus e Levi são nomes do mesmo apóstolo de Jesus (Mt 9.9; Mc 2.14).
ANEXO 2

MAPA DAS DISPENSAÇÕES

Dispensação Inocência Consciência


Texto Básico (Gn1.28;2.23). (Gn3.8,23).

Limitação Criação até a queda. Queda do homem até ao dilúvio.

Duração Desconhecida. 1656 anos.

Condição Homem em inocência. Em pecado. (Gn6.5,6).

Obrigação Não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Fazer o bem e escolher o
que é reto. (Gn4.6,7).

Transgressão Desobedeceu e comeu. Fez o mal. (Mt24.37-39).

Condenação Maldição sobre o homem. (Gn3.14-19). Deus destruiu a carne. (Gn 6.13).

Culminação Expulsão do Jardim. (Gn 3.24). Dilúvio, 8 salvos.


Dispensação Governo

Humano Promessa

Texto (Gn8.1). (Gn12.1).

Limitação Dilúvio até a Torre de Babel. Chamada de Abrão até ao Sinai.

Duração 427 anos. 430 anos.

Condição Noé agora líder justo. Homem governando. Idolatria e nação dispersa.

Obrigação Governo para Deus. (Gn9.5,6). Permanecer na Terra da Promessa.

(Gn 12.5).

Transgressão Construindo a Torre de Babel. (Gn11.4). Ida para o Egito.

Condenação Confusão de línguas. (Gn 11.7). Escravidão.

Culminação Povo disperso. (Gn11.8). No Egito sob Faraó.

Predição Confusão no governo. Promessa de semente através de Abraão. Mais definida agora.
(Gn22.18).
Conclusão Nenhuma esperança no governo humano. Deus não abandonou o mundo quando
escolheu a Abraão.

Dispensação Lei Graça

Texto Básico (Ex19.8). (Jo1.17).

Limitação Sinai até ao Calvário. Descida do Espírito Santo até à descida de Cristo.

Duração 1491 anos. 1900 anos.

Condição Servidão à obediência e à desobediência. Todo o mundo culpado perante Deus.

Obrigação Guardar a Lei. Aceitar a Cristo Crendo.

Transgressão Falhou em guardar a Lei. Falhou em aceitar a Cristo.


Condenação

Divisão de Reinos Norte e Sul. (1Rs11.29-40). Juízo e condenação eterna.

Culminação

Calvário. Cristo cumpriu a lei. Arrebatamento da Igreja do mundo.

Predição (Is9.6,7). (1Ts 4.16-17).

Conclusão A Lei não salvará. (Ef2.8-9).

Dispensação

Tribulação Reino
Textos Básicos (Dn12.1;

Jr30.7). (Ef.1.1).

Limitação Ascensão da Igreja até a descida de Cristo.

Descida de Cristo até ao Grande trono Branco.

Duração 7 anos. 1000 anos,

Condição Sofrimento intenso. Vivendo no Reino de Glória.

Obrigação Adorar a Deus e recusar a adorar a Besta. Submeter-se ao Filho.

Transgressão Não se arrependeu. Adorou a Besta. Obediência fingida.

Condenação Batalha do Armagedom.

Destruição. Fogo os devora. (Ap 20.9).

Culminação Armagedom. Lançado no lago de fogo.

Predição (Mt 24.29-31). Novo céus e nova terra.


Conclusão

Edwin Hartil, Principles of Biblical Hermeneutics (Grand Rapids:Zondervan,1947), p.18


BIBLIOGRAFIA

A BÍBLIA DE JERUSALÉM – Nova edição revista – Edições Paulinas – São Paulo Brasil – Impresso
na Espanha – 1986.

A BÍBLIA SAGRADA/edição contemporânea revisada e aumentada - com ajudas adicionais. –


Publicada por Alfalit do Brasil - Impressa na Suécia – 1996.

A BÍBLIA SAGRADA/tradução na linguagem de hoje. – 1ª Edição – São Paulo – SP – Sociedade


Bíblica do Brasil - 1988

A. VIRKLER, Henry – Hermenêutica – Princípios e Processos de Interpretação Bíblica – Miami –


Flórida – Editora Vida – 1987.
ABILA FILHO, José – Enciclopédia Ilustrada Para o Ensino Fundamental – 15ª Edição – Curitiba
Paraná – Editora Educacional Brasileira AS – 1979.

B. ZUCK, Roy – A Interpretação Bíblica – 1ª Edição em Português – São Paulo – SP – Edições


Vida Nova – 1994.

BÍBLIA SAGRADA – Europa Multimédia – Thélos – Associação Cultural – Programação Leandro


Calçada.

BOYER, Orlando - Pequena Enciclopédia Bíblica - 7ª Edição - Pindamonhangaba - São Paulo -


Instituto Bíblico das Assembléias de Deus - 1982.

BRAGA, James - Como Estudar a Bíblia - Traduzido do original inglês How To Study the Bible -
Deerfied - Flórida - Editora Vida - 1989.

BUARQUE DE HOLANDA FERREIRA, Aurélio - Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa - 2ª


Edição - Editora Nova Fronteira.

CAREY TAYLOR, Willian – Dicionário do Novo Testamento Grego – 8ª Edição – Rio de Janeiro –
RJ – 1986.

CAREY TAYLOR, Willian – Introdução ao Estudo do Novo Testamento Grego – 7ª Edição – Rio
de Janeiro – RJ – Junta de Educação Religiosa e Publicações – 1983.

L. COLEMAN, Willian – Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos – Tradução de Myrian Thalita
Lins – 1ª Edição – Belo Horizonte – MG – Editora Betânia S/C – 1991.

D. WINTER, Ralph e C. HAWTORN Steven - Missões Transculturais

E. LUND/P.C.NELSON Hermenêutica - traduzido da 7ª Edição do original castelhano por Etuvino


Adiers - Miami, Flórida - Editora Vida - 1968.
FERREIRA DE ALMEIDA, João - A Bíblia Sagrada, Edição Contemporânea - Rio de Janeiro - RJ -
Alfalit Brasil - 1996.

FRIBERG, Bárbara e Timothy – O Novo Testamento Grego Analítico – 1ª Edição – São Paulo – SP
– Sociedade Religiosa Edições Vida Nova – 1987.

GILBERTO SILVA, Antonio - A Bíblia Através dos Séculos - 4ª Edição - Rio de Janeiro - RJ - CPAD -
1983.

GILBERTO SILVA, Antonio – Manual da Escola Bíblica Dominical - 4ª Edição - Rio de Janeiro - RJ -
CPAD - 1983.

GRANJEIRO SOBRINHO, Antonieto – Hermenêutica Bíblica – 3ª Edição – Rio de Janeiro – RJ –


CPAD – 1986.

J. D., Douglas - O Novo Dicionário da Bíblia - Tradução do original inglês The New Bible
Dictionary por João Bentes - 4ª Edição em português - São Paulo - SP - Sociedade Religiosa
Edições Vida Nova - 1981.

MELO MESQUITA, Roberto e RIVAS MARTOS Cloder – Gramática Pedagógica – 9ª Edição – São
Paulo – SP - Editora Saraiva – 1984.

PEDRO LUFT, Celso – Novo Manual de Português – 9ª Edição – São Paulo – SP – Editora Globo –
1986.

PEDRO LUFT, Celso – Novo Manual de Português – 9ª Edição – São Paulo – SP – Editora Globo
S. A. – 1990.

SALETE DA SILVA NOVAH, Maria – Apocalipse, Livro Aberto – 2ª Edição – São Paulo – SP –
1989. S. E. Mc Nair – A Bíblia Explicada – 4ª Edição – Rio de Janeiro – RJ – CPAD – 1983. J.Grens
Stanley – Pós-Modernismo – Tradução de Antivan Guimarães Mendes – 2ª Edição – São Paulo
– SP – Sociedade Religiosa Edições Vida Nova – 1999. SANTANA, Edson –
www.terravista.pt/nazaré/2190/matéria/htm – 1998 SCHELP W., Paul - Concordância Bíblica -
Brasília - DF - Sociedade Bíblica do Brasil – 1975. SILVA, Eronildes –
www.sepoangol.org/herme.htm – 1997 SILVEIRA BUENO, Francisco – Dicionário Escolar da
Língua Portuguesa – 11ª Edição – Rio de Janeiro – RJ – FAE – 1986. SOARES DA FONSECA, João
– Conta Outra, Histórias para Sermões e Estudos Criativos – 2ª Edição – São Paulo – SP –
Exodus Editora – 1999.

POR FAVOR, DEIXE SEU COMENTÁRIO NA PÁGINA INICIAL.