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Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito

Disciplina: Direito Processual e Cinema


Professor: Rogerio Pacheco
Aluna: Juliana Batista de Vasconcelos

Análise do filme “A Onda” (2008)

O filme em questão chama-se A Onda (tradução do original Die Welle), dirigido


por Dennis Gansel, trata da implantação de autocracias e controle das massas por meio
da narrativa de um professor incumbido de ensinar para sua turma as características do
regime de governo autocrático em um projeto da escola sobre formas de governo.
Diante do desinteresse de seus alunos em estudarem o tema, sob a justificativa que
jamais poderia haver a ascensão de outro regime autocrata e autoritário, o professor
Rainer inicia uma simulação com os alunos inserindo traços de regimes autocráticos e
ditaduras à turma.
A partir de então é possível destacar alguns conceitos imagem apresentados pelo
filme. Um conceito que se apresenta logo de início é liderança. As autocrias tem como
característica primordial a concentração de poder em um único governante, podendo ser
deduzida até mesmo pela própria etimologia da palavra autocracia, a qual é traduzida do
grego como poder por si próprio. Diante disso, o professor propõe a eleição de um líder
e, por maioria, é eleito o líder do grupo e passa a ser chamado apenas pelo nome de
Senhor Wenger.
O líder passa então a impor regras ao grupo, chegando então ao segundo conceito
imagem a ser destacado, a disciplina. Os alunos só podem então se referir ao professor a
após pedirem permissão e quando esta é concedida, devem ficar em pé ao falar.
Tratamento semelhante é observado na história na Juventude Hitlerista, instituição
nazista que os jovens alemães eram obrigados a fazer parte, marcada pela disciplina
imposta aos jovens integrantes, que passavam por um processo educativo de disciplina
rígida, bem como treinamentos militares e doutrinação nazista.
Não apenas disciplina, mas a unidade, outro conceito imagem, se desenvolve no
grupo. Os alunos passam a trabalhar juntos e a se engajar nos projetos do grupo, criando
um uniforme (camisas brancas), uma saudação própria, logotipos, páginas na internet e
se intitulando “A Onda”, ou “Die Welle” no idioma original. Outra cena que merece ser
observada é quando um dos alunos do A Onda é importunado por alunos da turma que
estudava a Anarquia, e outros alunos do A Onda levantam-se para defende-lo. O filme
deixa claro que esse comportamento não era comum antes, mas passou a ser com a
criação do grupo.
A partir dessa cena e também analisando a cena em que o Sr. Wenger conduz os
alunos a marchar sobre a sala de aula da turma de Anarquia, evidencia-se a criação de
um inimigo comum, este é usado na história das ditaduras e dos governos do mundo
para trazer mais união a um grupo de pessoas distintas. Assim como os judeus e os
soviéticos, os alunos da turma anarquia tornam-se os inimigos da Onda. Os alunos
chegam a pintar o símbolo da Onda sobre um símbolo anarquista, levando a uma real
ameaça de violência quando um grupo de anarquistas os questiona e tem uma arma
apontada para sua cabeça pelo aluno do A Onda.
Esse mesmo aluno é o exemplo do efeito que tais grupos com viés fascista, o
fanatismo. Tim, garoto antes ignorado até mesmo por seus pais, passa não só a ser parte
de um grupo, mas a vive-lo. Ele queima todas as suas roupas, exceto seu uniforme, cria
um site para o grupo com símbolos de armas e textos agressivos, a ponta uma arma os
anarquistas, chegando a se oferecer como guarda-costas do professor Rainer. Tim não
consegue mais ver sua vida fora do grupo, ficando incondicionalmente devoto à Onda.
O movimento logo ultrapassa os limites daquela sala de aula e logo atinge toda a
escola, iniciando um processo de segregação de alunos que não se filiavam a ele.
Alguns dos jovens discriminados os acusam de ser um movimento fascista e são
impedidos de entrar no jogo de polo aquático do colégio.
Por fim, o professor Rainer reconhece a proporção que sua simulação ganhou e
resolve encerra-la, demostrando para os alunos como é possível a ascensão de um
regime autocrático nos tempos atuais e conscientizando-os de que o grupo era, não só
autocrático, como fascista. O líder então declara o fim da Onda, causando grande
comoção dos alunos que entendiam estar fazendo parte de um bem maior.
Principalmente de Tim, o qual ameaça o professor e os alunos com uma arma e após
ferir um deles, tira a própria vida. O filme se encerra com o professor Rainer sendo
preso enquanto seus alunos se desesperam.
O filme traz uma reflexão sobre a constante ameaça de surgimento de grupos e
movimentos fascista e fanáticos ainda que na modernidade líquida, em que ideias e
ideologias são passageiros. O fascismo ainda pode causar danos irreparáveis a
humanidade.
Análise do filme: “As Bruxas de Salem” (1996)

O filme dirigido por Nicholas Hytner, com roteiro de Arthur Miller, escritor do
livro homônimo, trata do fatídico acontecimento em Salem, Massachusetts, quando
mais de 20 pessoas foram mortas acusadas de bruxaria, em sua maioria mulheres, no
ano de 1692.
Numa noite, um grupo de meninas e uma escrava negra chamada Tituba iniciam
um ritual de magia na floresta invocando o nome dos homens com quem desejavam se
casar. Entretanto, uma das jovens, a sobrinha do reverendo da cidade, faz um ritual de
magia negra, desejando a morte da esposa do homem que desejava. Os rituais são
interrompidos pelo reverendo, e as meninas fogem, entretanto duas delas ficam
paralisadas e, mesmo após serem levadas para casa, continuam sem exprimir qualquer
manifestação. Quando então um médico é chamado e as pessoas da cidade passam a
desconfiar e acusar outros de bruxaria.
Com medo da reação das pessoas da cidade, puritanos muito religiosos, as
meninas afirmam que Tituba praticou um ritual de magia negra e invocou demônios. A
mesma nega a acusação, entretanto após ser agredida e ameaçada afirma ter feito o
ritual e visto duas mulheres junto com o diabo, as duas parteiras da cidade. Essas
mulheres eram acusadas de atos de bruxaria que levaram a morte os filhos de Ann
Putnam ainda no parto, ficando a mesma extremamente perturbada pois sua única filha
sobrevivente era uma das meninas que estavam desacordadas. Por não terem confessado
a prática da bruxaria, as mulheres são condenadas a morte.
A partir de então, uma grande desconfiança paira sobre Salem, e todos os
acontecimentos estranhos, ainda que coincidência passam a ser tratados como bruxaria.
Se aproveitando da situação, os pais de algumas meninas, consideradas as vítimas do
crime de bruxaria, passam a usa-las para acusar seus inimigos e condena-los a morte em
uma acirrada disputa de terras, levando a morte dezenas de pessoas que se recusam a
confessar ter feito pactos satânicos.
Dois conceitos imagem podem ser destacados ao longo de todo o filme, o medo e
a religiosidade. A série de condenações se inicia pelo medo das meninas em serem
castigadas pelo ritual que iniciaram, numa sociedade ultraconservadora marcada pela
violência doméstica, onde mulheres eram comumente agredidas. Qualquer ato fora do
padrão de comportamento puritano era passível de condenação, pois atentava contra a
moral cristã e a própria religião, de forma que política e religião se confundem. O ritual
iniciado na floresta pelas meninas, ainda que inofensivo, era considerado uma grave
infração pela sociedade do local naquela época.
O tribunal montado para julgar os supostos crimes de bruxaria refletia o
maniqueísmo do pensamento da época. O juiz entende que por ser um crime invisível,
não há razão para a defesa produzir provas em favor do réu, apenas a vítima poderá
dizer o que de fato aconteceu. A única prova a ser produzida era a confissão, conduzida
pelo próprio juiz em julgamento. Se o réu confessar que estava em conluio com o
demônio, então seria livrado solto, entretanto se manter-se fiel a sua inocência, era
condenado a forca. Outro conceito imagem que pode ser destacado a partir disso é a
honra. O acusado que confessasse era obrigado a assinar o seu termo de confissão, o
qual era pregado nas portas da igreja para ser visto por toda população, tendo seu nome
para sempre maculado. Isso fica claro quando John Proctor, temendo por sua vida após
se acusado do crime de adultério, é obrigado a assinar sua confissão e a toma das mãos
dos acusadores alegando que única coisa que lhe restara era o seu nome e não o queria
ver manchado.
O filme nos leva a questionar os processos de produção de verdade. Na situação
narrada pelo filme, diversos motivos levaram a acusação criminal daquelas pessoas.
Medo, vingança, disputas de poder, comoção social. As pessoas acusadas não tinham
direito à ampla defesa e, conforme o modelo inquisitorial, a serem julgadas por um
julgador isento, uma vez que nesse modelo a figurado do julgador e do acusador se
misturam, podendo o juiz exercer ambas as funções.
Em nenhum momento houve a tentativa de se apurar o ocorrido por outras
perspectivas, e a sentença era dada ao início do julgamento, cabendo a defesa apenas
produzir forçadamente a confissão, única prova capaz de mudar a sentença. É difícil não
refletir sobre o processo judicial a partir da análise do evento histórico das Bruxas de
Salem. Ao observar o sistema jurídico brasileiro e os dados do sistema penitenciário,
percebemos um padrão de marginalização de pessoas de determinada classe social e cor
de pele, as quais muitas vezes não é dada o pleno direito de defesa e a simples notícia
do crime torna-se a sentença pela sociedade, antes mesmo da apreciação do judiciário,
perpetuando incidentes históricos.