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Maria Eduarda Paschoalini 83797

Raíssa Fernanda Pedro Bom 83495


Karine Felix de Jesus 83235

PROJETO ESTÁGIO ESPECÍFICO


EIXO SAÚDE

ARARAS-SP
2018
Sumário

Tema........................................................................................................................... 3
Introdução Teórica...................................................................................................... 4
População Alvo......................................................................................................... 10
Objetivos................................................................................................................... 10
Intervenção/Metodologia.......................................................................................... 11
Cronograma.............................................................................................................. 12
Análise………………………………………………………………………………………15
Referências Bibliográficas.........................................................................................20
Tema

Grupo como possibilidade de elaboração e ressignificação do trabalho na


área social no CEDECA (Centro de defesa dos direitos da criança e do adolescente
de limeira).
Introdução teórica

O Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, conhecido como


CEDECA, é uma instituição denominada como (OSC) Organização da Sociedade
Civil, ou seja, uma organização não governamental, que atua na garantia e defesa
dos direitos humanos, a qual tem seu foco voltado para os direitos da criança e
adolescente. O CEDECA, situado no município de Limeira, é um dos 32 centros de
defesa existentes em todo território nacional, sendo seis deles localizados no
município de São Paulo e dois no interior do Estado de São Paulo, ao qual está
incluído o serviço da cidade de Limeira; é importante ressaltar que nem todo centro
de defesa terá seu foco voltado para a população criança e adolescente.
O CEDECA foi fundado no ano de 1997 e atua nas áreas de defesa dos
direitos humanos e promoção social, tendo em vista o empoderamento e
protagonismo das famílias, comunicação, formação de direitos humanos, articulação
política e comunitária e fortalecimento institucional; atualmente conta com três
projetos diferentes e financiados por órgãos públicos e privados, assim como
colaborações de seus parceiros, e estes projetos apresentam o mesmo objetivo,
que é assegurar e defender os direitos das crianças e adolescentes.
A instituição é composta por uma gestão que envolve coordenadoria geral,
executiva, financeira, secretaria e conselho fiscal, sem hierarquização referente às
funções dos profissionais do local, há também uma equipe interdisciplinar de serviço
social, da psicologia e da área jurídica, uma equipe de abordagem social, e também
uma equipe de formação em direitos humanos, contam com um colaborador da área
administrativa e um profissional de comunicação.
O Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, conhecido como
CEDECA, é uma instituição de ordem fiscalizadora que trabalha fundamentada
pelos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e supervisiona se
as Políticas Públicas estão sendo implementadas corretamente, tendo como
objetivo evitar a violação dos direitos das crianças e adolescentes, de assegurá-los
e defendê-los.
O trabalho realizado pelo CEDECA é composto de três tipos de projetos que
contribuem para a garantia da não violação dos direitos das crianças e dos
adolescentes. Um deles é o “Atendimento às Famílias”, que tem como objetivo
trabalhar para a garantia dos direitos de adolescentes que frequentam ou
frequentaram a Fundação CASA, de modo a buscar caminhos para que estes
possam ser vistos novamente como adolescentes pela sociedade, assegurando a
proteção e garantia de seus direitos através do apoio e acompanhamento não
apenas dos adolescentes, mas também de suas famílias.
O segundo projeto existente na instituição é o da “Equipe de Abordagem”,
que trabalha através da abordagem de crianças, adolescentes e pessoas em
situação de rua que tem os seus direitos violados; a equipe, por intermédio da
criação de um vínculo com essa população, chega à possibilidade de fazer
encaminhamentos necessários a fim de proteger os direitos destes. E o terceiro e
último projeto que compõe o trabalho realizado pela instituição, é o “CEDECA em
Formação”, que tem como objetivo Educar para a Cidadania com base na educação
voltada para os direitos humanos; é conhecido comumente pela sigla TDH.
O CEDECA como instituição fiscalizadora trabalha em conjunto com a rede
de serviços de proteção e assistência da cidade de Limeira, órgãos estes
responsáveis por assegurar a não violação de direitos da população, no que se
refere a encaminhamentos de crianças e adolescentes que tiveram seus direitos
violados e mesmo das famílias destes que estejam necessitando de orientação e/ou
acompanhamento.
Assim, é importante apontar que a rede de serviços em Limeira conta com o
Conselho Tutelar, que fica no centro da cidade, o CREAS, responsável pelo PAEFI
(Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos) no
bairro Vila Cláudia, seis unidades CRAS, sendo estas no centro da cidade, no bairro
Jardim Aeroporto, no Jardim Caieiras, no Jardim Presidente Dutra e no Conjunto
Residencial Victor D’Andrea e o CREAS que oferece Serviço de Proteção Social a
Adolescentes em cumprimento de medidas Socioeducativas de Liberdade Assistida,
no bairro Vila Cláudia.
A atuação do CEDECA, que visa garantir os direitos da criança e do
adolescente, se dá com base no ​Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que é
uma lei federal (8.069 promulgada em julho de 1990), referente aos direitos das
crianças e adolescentes em todo território nacional. Segundo o parágrafo único do
artigo 3º do ECA (Brasil, 2017, p. 19) ​incluído pela Lei nº 13.257, de 2016, todos os
direitos da criança e do adolescente devem ser respeitados:

(...) sem discriminação de nascimento, situação familiar, idade,


sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença, deficiência,
condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem,
condição econômica, ambiente social, região e local de
moradia ou outra condição que diferencie as pessoas, as
famílias ou a comunidade em que vivem (BRASIL, 2017)

Assim, parte-se do princípio que crianças e adolescentes brasileiros devem


ser reconhecidos como sujeitos de direitos e deveres, e considerados como
pessoas em desenvolvimento a quem se deve prioridade absoluta do Estado. O
ECA (Brasil, 2017) considera, deste modo, como criança a pessoa até doze anos de
idade incompletos, e como adolescente, aquela entre doze e dezoito anos de idade.
Conjuntamente a essa disposição, a adolescência da qual aqui se fala está
fundamentada a partir de uma perspectiva sócio histórica, que, como aponta Bock
(2007), é entendida como uma construção e fenômeno social, não como algo
natural, mas sim como um período do desenvolvimento que se constituiu
historicamente.
Retomando então a discussão, o Estatuto da Criança e do Adolescente
(Brasil, 2017), portanto, determina o direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à
liberdade, à convivência familiar e comunitária, assim como designa questões de
políticas de atendimento, medidas protetivas ou medidas socioeducativas, entre
outras providências que são tidas como direito de todos.
No que se refere ao trabalho do CEDECA, realizado pela equipe do
“Atendimento às Famílias”, voltado para o atendimento das famílias de adolescentes
em cumprimento de medidas socioeducativas, é importante citar o que prevê o ECA
(Brasil, 2017) a respeito da prática de ato infracional e quais são as medidas
socioeducativas, pois essa é a legislação que norteia o trabalho da instituição.
Deste modo, considera-se como ato infracional uma “conduta descrita como
crime ou contravenção penal” (BRASIL, p.71, 2017) sendo penalmente inculpáveis
aqueles menores de dezoito anos, sujeitos às medidas previstas na Lei.
As medidas socioeducativas de acordo com o ECA (Brasil, 2017 p.71),
portanto, são as medidas a serem aplicadas verificada a prática do ato infracional
por uma autoridade competente, pressupondo a existência de provas suficientes da
autoria e materialidade da infração, sendo estas: I) advertência; II) obrigação de
reparar o dano; III) prestação de serviços à comunidade; IV) liberdade assistida; V)
inserção em regime de semiliberdade; VI) internação em estabelecimento
educacional e VII) qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.
A ação realizada pelas estagiárias no projeto de “Atendimento às Famílias”,
juntamente a equipe psicossocial composta por um Psicólogo e uma Assistente
social, é a busca ativa junto às famílias dos adolescentes ingressos e egressos da
Fundação Casa. De acordo com os dados da Cartilha de Perguntas e Respostas:
Serviço Especializado em Abordagem Social, Brasil (2013) a Tipificação Nacional de
Serviços Socioassistenciais (2009) disserta quanto a essa forma de acesso a família
que, deve ir de encontro com a consideração que se tem da participação e
relevância da família em todo processo, desde a apreensão do jovem até sua
soltura. E também pode ser para analisar se haverá possibilidades do retorno do
adolescente ao convívio familiar, e prepará-los para isso, ou se é uma demanda
para encaminhamento a um serviço de acolhimento em que a situação deve ser
levada a uma autoridade judiciária para uma avaliação do caso.
A busca ativa é um procedimento essencial, pensando que pode ser
elaborado durante sua ação um trabalho de escuta qualificada, a criação de vínculo
com a equipe e um olhar para além das necessidades, as potências e possibilidades
daquela família. Este trabalho impede que o serviço fique esperando a população
buscar por ele, já que as populações em situação de risco nem sempre conseguem
buscar ajuda.
Pensando na perspectiva da intenção a qual o grupo elaborado vai se voltar,
que é saúde dos trabalhadores da instituição, é necessário um olhar para muitas
das questões que perpassam essa relação entre saúde e trabalho. Entendendo
segundo Borsoi (2007, p.105-106) há muitos aspectos relevantes nesta relação, a
autora vai dizer que “Quando um indivíduo ingressa no mundo do trabalho, começa
a organizar sua vida em função das exigências desse novo lugar, e é lá que deixa a
maior parte de suas melhores horas do dia – durante a maior parte de sua vida, daí
em diante”. Partindo disso, podemos pensar o quão importante é um momento para
a reflexão em meio à rotina de trabalho desta instituição e uma troca interativa no
grupo em que possam ser compartilhadas angústias, dificuldades, expectativas e,
além disso, as conquistas que também vão emergindo de pequenas a grandes
ações.
Considerando o trabalho social e suas implicações percebe-se a partir de
diálogos dos funcionários do CEDECA o quão importante é ver o resultado positivo
de todo um trabalho elaborado tanto com as famílias quanto com os adolescentes.
Assim, fica como fundamental para pensar a relação saúde e trabalho, enfatizar aos
trabalhadores as potências produzidas e o quão bom e importante é sentir o
reconhecimento por isso.
Pensando nessas questões que perpassam a saúde psíquica do profissional
da área social, entendemos o grupo enquanto uma estratégia para possibilitar ao
trabalhador uma elaboração dos conflitos existentes e possíveis ressignificações
acerca disso.
Partindo do pressuposto de Bastos (2010, p. 161), a atividade em grupo
possibilita integração, novas elaborações acerca do conhecimento, e também pode
proporcionar questionamentos de si e dos outros. O autor traz também o conceito
de grupo operativo proposto por Pichón-Rivière (1998) apud Bastos (2010, p. 161),
que seria um trabalho com o objetivo de possibilitar um processo de aprendizagem,
sendo esta uma forma de se criar uma visão crítica da realidade na qual
experienciam, assim como uma atitude investigadora e uma abertura para as
inquietações e dúvidas. (BASTOS, 2010, p. 161)
Nesse sentido, Reboredo (1994), apresenta muito bem no trecho abaixo, que,
sendo tarefa da psicologia compreender as nuances do comportamento humano e
de sua interação com o meio, é ela quem pode oferecer através de seu
conhecimento um movimento de transformação e conscientização social:
Entender o movimento de consciência dos indivíduos,
que se dá em relação às atividades que eles
desenvolvem, em interação com outros indivíduos,
conhecer os processos grupais que produzem as
identidades pessoais e ao mesmo tempo produzem um
sentido de Nós, através da cooperação e da
compreensão de determinantes histórico-sociais, é
tarefa que compete à psicologia, tornando a sua práxis
um movimento de conscientização social e de
atividades transformadores da sociedade.
(REBOREDO, 1994, p. 14 apud LANE, Silvia, T. M.;
SAWAIA)

Pensando no grupo enquanto uma ferramenta de intervenção, segundo


Reboredo (1994, p. 14), ele é também uma possibilidade de intervenção política, e a
psicologia enquanto uma área que estuda o comportamento humano, pode oferecer
uma compreensão maior e contribuir muito para que isso ocorra. Portanto, quando
colocado em pr​ática, possibilita a elaboração e ressignificação, apresentando uma
nova aprendizagem diante de diferentes questões que podem surgir.
​População alvo

A população para a qual a presente intervenção foi proposta são os


funcionários acima de dezoito anos, do sexo feminino e masculino, que trabalham
no Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA) do município de
Limeira - SP, sendo estes profissionais trabalhadores da equipe de Atendimento às
Famílias.

Objetivo

O projeto teve como intuito possibilitar espaços para escuta e discussões


acerca de temas que envolvem a saúde do trabalhador, mais especificamente
aqueles da área social, uma vez que conflitos dessa ordem foram presenciados
pelas estagiárias desde as primeiras visitas. Através dos relatos dos próprios
trabalhadores e segundo o que foi observado na dinâmica do serviço, o contato com
a realidade de uma população em situação de vulnerabilidade, com os poucos
recursos que eram oferecidos para a realização do trabalho, requer um trabalho de
articulação da rede e mesmo com todo o movimento e estratégias há muitos casos
que o trabalho não se faz efetivo, o que causa uma grande frustração.
Intervenção/Metodologia

Durante as primeiras visitas ao CEDECA, foi possivel perceber que


determinados funcionários comentavam, com bastante ênfase, sobre as
particularidades de se trabalhar na área social, mais especificamente acerca das
dificuldades que enfrentavam para poder realizar de fato aquilo que pretendiam; ou
seja, as angústias, frustrações e decepções. Diante dessa situação, notou-se que
durante as discussões, os trabalhadores iam elaborando e até mesmo tendo ideias
a respeito dos conflitos apresentados.
A partir disso, as estagiárias passaram a pensar em uma possível intervenção
com base na percepção que se teve acerca desses momentos de diálogo com os
profissionais do serviço, os quais suscitaram a possibilidade de ressignificação de
suas práticas; assim, pensou-se no grupo como uma ferramenta que possibilite essa
dinâmica de elaboração e identificação acerca de diferentes temas e situações.
A intenção foi iniciar as atividades em grupo no dia 13 de agosto,
apresentando a proposta para os profissionais e explicando quais eram os objetivos.
Depois de apresentar a proposta, na semana seguinte, ocorreria um momento para
ouvir e discutir as nuances de se trabalhar na área social. E então, no próximo
encontro, seria levado um tema que se relacionasse com a saúde do profissional
com o intuito de abrir uma discussão para pensar em possibilidades frente aos
conflitos mencionados.
Desta forma, a programação seria realizada de dois modos: Em uma semana
a escuta e a discussão de pontos positivos e negativos apresentados pelos
profissionais, e na outra um tema que se refere à saúde destes sujeitos, ou seja,
seria alternada semanalmente.

Tabela 1 - Cronograma de Atividades.


Data Atividade Objetivo

13/08/2018 Início do grupo no Iniciar o grupo com o objetivo de


CEDECA. apresentar aos profissionais a
proposta da intervenção.

20/08/2018 Escuta e Possibilitar um espaço de fala


discussão junto para possíveis elaborações e
aos profissionais. ressignificações.

27/08/2018 Início do primeiro Através desse tema, é possível


tema proposto pensar nas práticas exercidas na
pelas estagiárias: realidade social brasileira. São
“O que é humanizadas? Sim? Não? Quais
humanização?” são os motivos que levam a isso?

03/09/2018 Escuta e Possibilitar um espaço de fala


discussão junto para possíveis elaborações e
aos profissionais. ressignificações.

10/09/2018 Tema proposto Trazer quais são os pressupostos


para discussão: “O e dificuldades para ser possível
que é uma humanização no âmbito
humanização no profissional.
trabalho?”

17/09/2018 Escuta e Possibilitar um espaço de fala


discussão junto para possíveis elaborações e
aos profissionais. ressignificações.
24/09/2018 Tema proposto: Discutir com os trabalhadores os
“Impactos e impactos e vantagens que
vantagens da
resultam de seu trabalho.
escuta e da
orientação no
espaço de
trabalho.”

01/10/2018 Escuta e Possibilitar um espaço de fala


discussão junto para possíveis elaborações e
aos profissionais. ressignificações.

08/10/2018 Tema proposto: “A Discutir com o grupo a importância


importância de se de cuidar da saúde psíquica.
cuidar da saúde
mental.”

15/10/2018 Escuta e Possibilitar um espaço de fala


discussão junto para possíveis elaborações e
aos profissionais. ressignificações.

22/10/2018 Tema proposto: “A Discutir a importância de se


importância do autoconhecer para saber quais
autoconhecimento são as possibilidades de ação no
no trabalho.” ambiente de trabalho.

29/10/2018 Escuta e Possibilitar um espaço de fala


discussão junto para possíveis elaborações e
aos profissionais. ressignificações.

05/11/2018 O que você acha Discutir os anseios e a realidade


que sua atuação do trabalho exercido no CEDECA.
produz e o que ela
realmente produz?
12/11/2018 Escuta e Possibilitar um espaço de fala
discussão junto para possíveis elaborações e
aos profissionais. ressignificações.

19/11/2018 Emenda do feriado Emenda do feriado da


da Consciência Consciência negra.
negra.

26/11/2018 O que é vínculo? Discutir como esse vínculo se


O que está mostra e suas implicações.
atrelado ao
vínculo?

03/12/2018 Escuta e Possibilitar um espaço de fala


discussão junto para possíveis elaborações e
aos profissionais. ressignificações.

10/12/2018 Feedback da Discutir com o grupo os resultados


proposta do grupo. obtidos.

17/12/2018 Confraternização Comes e bebes para encerrar o


de encerramento. ano letivo.
Análise

Como apresentado anteriormente, este projeto estabeleceu como objetivo


proporcionar um espaço de escuta, assim como de discussões referentes à saúde
do trabalhador, voltado para os profissionais que compõem uma das equipes do
serviço no qual as estagiárias estiveram presentes ao longo de quase um ano; para
isso, o intuito era que se utilizasse como meio para tal, a realização de um grupo
semanal onde essas questões pudessem ser contempladas.

Deste modo, foi construído um cronograma de possíveis datas e temas para


que essa intervenção se materializasse, no entanto, frente às possibilidades
apresentadas pelo serviço, referentes às suas demandas de funcionamento, assim
como pelas estagiárias, referentes ao calendário acadêmico, não foi viável que o
grupo se iniciasse na data proposta.

Assim, ao longo do tempo em que o projeto foi apresentado e discutido com


um dos profissionais e, enquanto o cronograma era repensado pelas estagiárias em
conjunto com o grupo de estágio em supervisão, foi possível refletir através da
vivência em campo com mais profundidade acerca da realidade do serviço e das
demandas da equipe de trabalhadores.

Desta maneira, passou-se a entender que os sofrimentos, angústias e


frustrações advindos do contexto de trabalho e da própria vida pessoal desses
profissionais talvez pudesse ser expressado, compartilhado e escutado de outra
forma, que não através da palavra, ao menos não do modo que havia sido
inicialmente estruturado neste projeto de intervenção.

Passou-se a compreender que talvez na estrutura inicialmente proposta, o


grupo resgatasse questões demasiadamente pesadas para serem contempladas
nesses encontros, possivelmente propiciando apenas o emergir do sofrimento, sem
que este pudesse de fato ser acolhido ou ressignificado, devido ao modo como
fosse enunciado.

Logo, ao buscar outros meios de considerar essas questões, as estagiárias


se depararam com o trabalho realizado no Instituto de Psicologia da Universidade
de São Paulo, no qual em estilo clínico são desenvolvidas Oficinas Terapêuticas de
Criação que “visam facilitar a comunicação emocional entre os membros do grupo”
(​AIELLO-VAISBERG et al.​, p. 66, 2003) através de materialidades de diversas
naturezas.

De acordo com ​Aiello-vaisberg et al. (p. 67, 2003), a viabilidade de diferentes


materialidades poderia favorecer “a presentificação menos angustiosa de questões
existenciais, cruciais e prementes, as quais, sendo humanamente comuns, são
vivenciadas por cada ser humano de acordo em sua trajetória dramática particular
(BLEGER, 1963 apud ​AIELLO-VAISBERG et al.​, p. 67, 2003).

Assim, com inspiração nas ideias trazidas por ​Aiello-vaisberg et al. ​(2003),
optou-se por reformular as atividades anteriormente propostas e realizar o grupo
utilizando diferentes tipos de materialidades, como por exemplo, a argila, a música,
a dança, para abranger as questões e demandas advindas dos profissionais do
serviço e de sua prática de trabalho.

Foi realizada uma atividade pensada para o grupo, utilizando a argila como
um meio para elaborar as questões acontecidas na semana ou o que emergisse. A
argila foi dividida entre todos e foi orientado que o grupo a manuseasse da forma
que quisesse podendo também moldar alguma coisa a partir dela; também foi dito
que seria interessante deixar as conversas fluírem de acordo com o que estivessem
sentindo naquele momento. As estagiárias colocaram uma música relaxante para
propiciar este momento, pensando o grupo como um lugar que também pudesse ter
essa finalidade, dependendo das questões que fossem colocadas.

Ao longo da atividade muitas coisas interessantes foram aparecendo, como


por exemplo, uma fala trazida por uma das assistentes sociais, na qual ela disse
que, embora compreenda a importância de se cuidar devido ao seu contexto
profissional, muitas vezes acaba adoecendo sem perceber.
Ela comentou que, como profissionais da área social, eles se deparam com
inúmeras demandas que geram sofrimento: demandas duras, ou demandas que
muitas vezes são dos próprios profissionais e mesmo demandas das quais muitos
têm medo que possam vir a ser deles; com isso foi dialogado sobre como nos
tempos atuais a nossa própria existência pode ser entendida como resistência e
sobre como que trabalhar fazendo o que fazem também pode ser compreendido
como tal, algo que muitas vezes se torna um esforço de se lembrar em meio a esse
adoecimento do profissional.
Outro assunto que emergiu foi sobre a importância do tato ao lidar uns com
os outros dentro do serviço entre os trabalhadores, porque acabam havendo
divergências nas formas de trabalho, no modo como pensam e é preciso estar
atento nessas relações para que também não haja a produção de adoecimento
entre eles, é necessária uma abertura para essa compreensão.
Todos foram moldando pequenas esculturas e, aqueles que se sentiram à
vontade para fazê-lo, dividiram o que motivou isso com o grupo. A atividade
aconteceu do modo como havia sido planejada, tornando possível colocar em
prática aquilo que as estagiárias tinham como objetivo: emergir possíveis questões
que poderiam estar presentes na subjetividade dos funcionários do CEDECA,
podendo estar ou não relacionadas ao trabalho.
Nesse sentido, os profissionais e as estagiárias, logo de início, modelaram
através da argila aquilo que sentiam vontade e dessa forma também explicaram o
sentido de estar fazendo aquilo. Alguns disseram ter relação com o que estavam
experienciando no momento, como foi o caso, por exemplo, da assistente social,
que por ter se decepcionado amorosamente modelou um coração partido e disse
que estava se sentindo desta forma. Karine, uma das estagiárias, produziu uma
concha, dizendo que em meio ao momento que nos encontramos é bom um olhar
para dentro das pessoas que consiga enxergar as pérolas que cada um tem,
pensando no sentido das coisas boas.
Houve uma certa dificuldade por parte das estagiárias em seguir o
cronograma proposto no projeto inicialmente, na verdade apenas uma atividade
programada foi realizada. Isso devido a questões que foram sendo observadas
como: os horários dos trabalhadores que não se encontravam, o tempo com outras
atividades do serviço, e percebeu-se que o fato de marcar um horário e separar um
tempo para grupo era algo um pouco aversivo para os trabalhadores. Entretanto, o
grupo acontecia de diferentes modos.
Levando em conta que a nossa proposta tinha como objetivo realizar os
grupos mencionados, foi percebido que havia uma certa dificuldade de colocá-lo em
prática enquanto algo ​“formal”,​ ​“obrigatório” ​e consciente, talvez. Todas as vezes em
que o aviso era dado com antecedência, os profissionais tinham um certo ​“embate”
para se dispor a iniciar a proposta apresentada.
As estagiárias tiveram muita abertura da parte da equipe para conversarem
sobre assuntos diversos que muitas vezes caminhavam para discussões muito
interessantes, tanto com relação ao trabalho que é elaborado lá, quanto coisas da
vida que se entrelaçam neste ambiente. O intuito do grupo foi um cuidado com eles
enquanto profissionais pensando nas questões que vão emergindo neste cotidiano.
Compreendeu-se que isso foi acontecendo naturalmente na inserção das
estagiárias por lá, o grupo ocorria indiretamente. Desta forma, considerou-se uma
não necessidade de taxar esse momento, ele ocorria naturalmente. A presença das
estagiárias no serviço de certa forma abriu espaço e possibilidades para que os
profissionais pudessem dizer de si e dos afetos que fazem parte de seus cotidianos
no contexto em que se encontram.
Nesse sentido, o cronograma apresentado não seguiu aquilo que estava
estipulado, pois como mencionado anteriormente, a falta de abertura dos
profissionais e o sentimento de ​“taxar” ​algo que ocorria naturalmente até então,
foram elementos que dificultaram esse processo. No entanto, as reflexões e
conversas, quando não taxadas como ​“grupo” ​ocorriam de uma forma bastante
fluída. Portanto, as estagiárias consideraram que dessa forma, aquilo que tínhamos
como objetivo seria muito mais executado do que o próprio cronograma.
Contudo, o medo de não estar conscientizando os profissionais daquilo que
se tinha como intenção, era muito grande. Devido à isso, deixamos claro as
percepções das estagiárias e da transformação da nossa prática dentro do
CEDECA.
O estágio no CEDECA foi extremamente significativo para todas as
estagiárias, pois foi possível apreender aquilo que muitas vezes parece estar
distante da realidade de uma estudante universitária e de classe média. Parece que
o sentido fica muito mais fácil de ser compreendido quando nos aproximamos do
fenômeno e é desta forma que se vê a prática exercida durante todo o ano dentro
do CEDECA, espaço de muita aprendizagem, mas, também, de muita angústia.
Angústia por saber que a realidade de crianças e adolescentes, majoritariamente da
periferia, é potencialmente adoecedora e de difíceis perspectivas. Poder perceber
que essa realidade existe e que é possível fazer um saber psicológico e social, de
modo a combatê-la, é de grande importância para a formação de um profissional da
psicologia.
Segundo Rodrigues e Almeida (2014, p.253) “Os adolescentes autores de
atos infracionais frequentemente alavancam o mal-estar coletivo em virtude do
medo que provocam por sua simples existência”, é duro pensar no quanto isso se
faz presente em nossa realidade, os atos vão “definindo” e consequentemente
separando a sociedade em grupos bons e ruins, sem levar em conta todas as
questões sociais e de infraestrutura que levam esses jovens a cometerem os atos
infracionais. ​Goffman (1975) fala sobre o estigma que faz referência a um atributo
que socialmente é considerado depreciativo e que marca o sujeito que o tem, assim
ocorre com essas crianças e adolescentes, uma marca social como uma ferida que
não tem muito amparo para ser curada.

A partir do período de estágio realizado na instituição é possível afirmar que o


serviço apresenta de fato demandas que requeiram a presença de estagiários. Uma
das demandas pode mesmo ser exemplificada ao longo deste projeto, referente a
questões que dizem respeito a saúde do trabalhador, o que atualmente se faz
bastante necessário de ser pensado na instituição. As estagiárias perceberam a
necessidade devido a sobrecarga emocional e burocrática que existe no trabalho no
âmbito da área social, sendo este cenário de dificuldades eminentemente políticas e
de aspecto cultural.

“Trabalhar na área social é trabalhar levando em consideração a militância” ​-


fala apresentada durante o estágio por um dos profissionais da instituição. A fala
apresenta a ideia de que o trabalho exercido no CEDECA é de cunho militante, e
que por sua vez, devido às dificuldades no contexto, pelo olhar da população como
um todo às crianças e adolescentes que cumprem medidas socioeducativas, acaba
por pormenorizar e dificultar o trabalho. A dificuldade de colocar em prática aquilo
​ iante de
que se tem como objetivo, a sensação de estar de ​“mãos atadas” d
situações que são apenas sintomas de uma sociedade desigual e injusta, traz a
possibilidade do adoecimento do profissional.

Além disso, há a necessidade de auxílio frente ao próprio trabalho realizado


pelos profissionais do CEDECA, uma vez que são responsáveis por atender e
realizar ações para o acompanhamento de um grande número de famílias, de modo
a possibilitar a garantia de direitos dos adolescentes em cuprimento de medidas
socioeducativas e de seus familiares, responsabilizando-se, portanto, pela
realização de um trabalho de busca ativa, de atendimento, orientação, acolhimento,
encaminhamentos, assim como a realização do Grupo de Famílias que ocorre uma
vez ao mês.

Deste modo, essas são ações que podem ser fortalecidas em sua realização
com a presença dos estagiários, oferecendo apoio aos profissionais de forma que
estes não fiquem sobrecarregados e também beneficiando de forma significativa a
formação dos estudantes de psicologia que por ali passarem. Além da possibilidade
de auxiliar na parte burocrática do serviço com as ligações que são muitas por dia
tanto para avisar sobre o grupo de família que ocorre uma vez ao mês, quanto para
uma manutenção do vínculo em perguntar como andam as coisas com as famílias,
e a organização dos arquivos. São atividades que fazem o serviço andar e se
organizar, são fundamentais no dia-a-dia.

Uma outra questão a ser levantada nesse projeto, é a ideia da participação


dos estagiários no grupo de famílias que ocorre mensalmente. As estagiárias
acreditam que o grupo tem um papel eminentemente importante dentro do CEDECA
e daquilo que ele tem como objetivo; nesse sentido, a experiência do estágio
poderia ser muito mais proveitosa se isso pudesse de fato ser efetivado.
Referências bibliográficas

AIELLO-VAISBERG, Tânia et al. Oficina Psicoterapêutica de Cartas, Fotografias e


Lembranças: Uma experiência Dramática. ​Cadernos Ser e Fazer​: Apresentação e
Materialidade, São Paulo, p.66-81, 2003.

BASTOS, Alice Beatriz B. Izique. A técnica de grupos-operativos à luz de


Pichon-Rivière e Henri Wallon. ​Psicol inf.,​ São Paulo , v. 14, n. 14, p. 160-169, out.
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<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-8809201000010
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BOCK, Ana Mercês Bahia. A adolescência como construção social: estudo sobre
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