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Arterite viral equina supraorbital; edema do escroto e do prepúcio dos garanhões

e de glândula mamária das éguas.


A arterite viral equina é uma enfermidade infecciosa
causada pela ação de um RNA vírus do gênero Arterivirus, A doença é aguda e grave, podendo ocorrer mortes sem
membro da família arteriviridae e se manifesta clinicamente invasão bacteriana secundária e a evolução dos casos não
por uma infecção aguda das vias respiratórias superiores e fatais, em geral, vai de 3 a 8 dias. O aborto ocorre dentro de
por aborto em éguas, caracterizando-se por lesões poucos dias do início da doença clínica (cerca de 7 a 14
específicas nas pequenas artérias, uma vez que o sistema dias), diferente dos abortos muito mais tardios que ocorrem
vascular é o principal alvo. na rinopneumonite viral equina. Em éguas gestantes o risco
de aborto é de 40 a 80%. Muito embora a morbidade possa
Apesar de o vírus ter sido identificado na Europa, em 1953, ser alta, a letalidade é muito pequena, só ocorrendo nos
a maior parte das informações vem dos Estados Unidos, casos mais graves devido à desidratação, ou ao edema
onde a ocorrência é principalmente em raças puras, com pulmonar com possível hidrotórax.
baixos níveis em cavalos mestiços. Normalmente o surto
ocorre em haras de criação. Levantamentos epidemiológicos Diagnóstico:
têm demonstrado a ocorrência da infecção de equinos pelo
vírus da arterite em países da América do Norte, Europa, O diagnóstico se baseia nos sinais clínicos, onde se verifica
África ou em regiões bem definidas como na Austrália, doença respiratória e os abortos precoces ajudam a
Nova Zelândia e Oriente Médio. Descrições de surtos fundamentar a suspeita. Para detectar anticorpos específicos
epizoóticos foram feitas em poucos países, podendo destacar contra o vírus da arterite equina, utiliza-se a técnica de
aqueles caracterizados no Canadá, nos Estados Unidos, na soroneutralização em microplacas.
Polônia e na Inglaterra. O diagnostico da infecção aguda pode ser feito através do
No Brasil, o primeiro surto de arterite viral equina ocorreu isolamento viral. O vírus pode ser isolado a partir dos
no Município de Ibiúna, Estado de São Paulo, numa pulmões e baço de fetos abortados e do baço de animais
propriedade de criação de animais da raça Mangalarga mortos, porém não há corpúsculos de inclusão nem lesões
Paulista, onde foi observado abortamento em uma égua que específicas no feto. Alguns autores dizem que o vírus pode
estava no 5º mês de gestação. Outros onze animais ser isolado na urina e sêmen de animais infectados. Isola-se
apresentaram corrimento nasal e ocular, blefaroedema, também a partir de células de swabs de mucosa nasal ou
alguns deles com edema de ventre e membros, além de conjuntival. As lesões não são comuns em fetos abortados e,
orquite em dois machos que compunham o grupo. se presentes, são suaves, e não frequentemente detectáveis
na placenta fetal.
Transmissão:
Como diagnóstico diferencial, pode ser citada a púrpura
Equinos de todas as idades são suscetíveis a contrair a hemorrágica, linfangite fúngica ou bacteriana, pênfigo
arterite viral. Sua ocorrência acomete potros desde o foliáceo e outros distúrbios sistêmicos em que o edema
desmame até um ou dois anos de idade, manifestando-se, subcutâneo pode ser proeminente. Influenza e
sobretudo, de forma mais grave em cavalos adultos. Tem Rinopneumonite também devem ser incluídas no
ocorrido em áreas onde há uma alta concentração de diagnóstico diferencial.
animais, pois a doença se dissemina rapidamente num grupo
de equinos suscetíveis e, apesar da evolução curta, um surto A doença é uma causa significativa de aborto em éguas e
pode persistir por diversas semanas. pode apresentar um dilema diagnóstico se os sinais
respiratórios forem mínimos. A leptospirose também pode
A transmissão pode ocorrer de forma venérea ou apresentar um quadro clínico um pouco semelhante.
respiratória, além do contato com fetos abortados e placenta.
No entanto, a infecção se instala com maior frequência Tratamento e prevenção:
através das vias respiratórias, por aerossol, por via oral, por O tratamento é sintomático e restringe-se a impedir
fômites, água e alimentos contaminados por secreções e infecções bacterianas secundárias com o uso de tetraciclinas
excreções dos enfermos, e pelo contato direto com equinos a 10-20 mg/kg durante 7 a 10 dias por via intramuscular, ou
infectados. Os líquidos e tecidos de fetos abortados por via oral 50-100 mg por litro de água, ou misturada à
constituem perigosa fonte de infecção, pois contém grande ração, quando são muitos os animais a serem tratados. A
quantidade de vírus, justificando os cuidados que se deve ter hidratação deve ser feita pela via intravenosa utilizando-se
após qualquer aborto até que o diagnóstico sorológico do fluidoterapia.
mesmo seja realizado. O vírus também é eliminado na urina
e no sêmen. Garanhões infectados pelo vírus da arterite são Geralmente o problema se resolve em duas semanas. Os
capazes de infectar as éguas durante a cobertura. animais devem ficar em repouso, sobre estrita vigilância, e
os casos mais graves devem ser mantidos em baias arejadas,
Sintomas: livres de correntes de ar com cama alta e macia.
As manifestações clínicas da enfermidade observadas em Em outros países há a possibilidade de realizar a profilaxia
casos de infecção natural por este vírus apresentam uma pela vacinação, onde uma rápida imunização pode ser
variada combinação dos seguintes sintomas: febre de até observada após a vacinação. Evitar doenças infecciosas nos
41°C; apatia, depressão e anorexia; leucopenia; edema da equinos requer, além de um bom programa de vacinação,
porção distal dos membros, principalmente dos posteriores; isolamento de todos os equinos que chegam (quarentena)
secreção ocular e nasal; conjuntivite e rinite; edema da para observação e controle de endo e ecto parasitas.
região periorbital ou supraorbital; edema do escroto e do
prepúcio dos garanhões e de glândula mamária das éguas; e Na ocorrência de qualquer tipo de surto, os equinos
abortamento em éguas no terço final da gestação. saudáveis que mantiverem contato com os doentes devem
ser considerados fontes potenciais de doença. Como forma
O período de incubação da doença é de 2 até 10 dias, as de minimizar a disseminação da doença, nenhum equino
manifestações clínicas da enfermidade observadas em casos deve ser transferido para outro rancho, hípica, sítio ou
de infecção natural por este vírus apresentam uma variada mesmo a outro lugar na mesma fazenda.
combinação dos seguintes sintomas: febre de até 41°C;
quando o vírus está presente no sangue e pode ser
transmitido a equinos suscetíveis, apatia, anorexia;
leucopenia, edema palpebral e da porção distal dos
membros, principalmente dos posteriores; secreção ocular e
nasal; conjuntivite e rinite; edema da região periorbital ou