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Apostila
Formação de Mecânicos
Mecânica - Hidráulica - Eletricidade

Código: MHETA-P01 Edição: Maio de 2004

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


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Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


Indice
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1 - Mecânica

1- Grandezas e unidades de medida


1.1 - Introdução............ ...................................................................................................... 9

2- Conceitos básicos e cálculo


2.1 - Perímetros e circunferência ................................................................................... 10
2.2 - Área..... ................................................................................................................... 11
2.3 - Volume ................................................................................................................... 12
2.4 - Massa, peso e massa específica .......................................................................... 13
2.5 - Velocidade .............................................................................................................. 14
2.6 - Força..... .................................................................................................................. 17
2.7 - Trabalho (W) ........................................................................................................... 22
2.8 - Potência (P) ............................................................................................................ 23
2.9 - Eficiência de máquinas .......................................................................................... 23
2.10 - Regra da alavanca .................................................................................................. 24
2.11 - Relação de transmissão ......................................................................................... 25
2.12 - Pressão ................................................................................................................... 28
2.13 - Compressão e taxa de compressão ...................................................................... 29

3- Instrumentos de medição
3.1 - Calibres ..................................................................................................................... 31
3.2 - Goniômetro .............................................................................................................. 32
3.3 - Torquímetros ............................................................................................................ 33
3.4 - Balanças dinamométricas para verificar torques de giro ........................................ 35
3.5 - Paquímetro universal ................................................................................................ 36
3.6 - Micrômetros ............................................................................................................ 39
3.7 - Relógio comparador ................................................................................................ 41
3.8 - Súbito ou intramés .................................................................................................. 44

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Indice
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4- Medidas e ajustes mais comuns na mecânica


4.1 - Folgas e interferência: axiais e radiais ..................................................................... 45
4.2 - Ovalização ................................................................................................................ 46
4.3 - Empenamento .......................................................................................................... 47
4.4 - Raio de concordância .............................................................................................. 47
4.5 - Conicidade e inclinação ........................................................................................... 48
4.6 - Excentricidade .......................................................................................................... 48
4.7 - Paralelismo e perpendicularismo ............................................................................. 49
4.8 - Tensão de correias e correntes ................................................................................ 50
4.9 - Torque de aperto de parafusos e porcas ................................................................. 52
4.10 - Alinhamento de eixos, polias e engrenagens ....................................................... 54
4.11 - Pré-carga de rolamentos: conceito ....................................................................... 55
4.12 - Folga entre dentes (back-lash) ............................................................................... 56
4.13 - Ponto de injeção de motores diesel ...................................................................... 58

5- Noções básicas de elementos de máquinas


5.1 - Materiais de construção mecânica ......................................................................... 60
5.2 - Parafusos e porcas ................................................................................................... 63
5.3 - Dispositivos contra o desparafusamento espontâneo ........................................... 66
5.4 - Chavetas ................................................................................................................... 68
5.5 - Anéis de elásticos de retenção ............................................................................... 69
5.6 - Engrenagens ............................................................................................................ 70
5.7 - Correias e polias ....................................................................................................... 73
5.8 - Correntes de transmissão ........................................................................................ 76
5.9 - Rolamentos .............................................................................................................. 78
5.10 - Retentores .............................................................................................................. 82
5.11 - Conexões de transmissão flexíveis ....................................................................... 83
5.12 - Cabos de aço ......................................................................................................... 86

6- Princípios de funcionamento
6.1 - Motores Diesel ......................................................................................................... 87
6.2 - Embreagens ............................................................................................................. 94
6.3 - Redutores de velocidade ......................................................................................... 98
6.4 - Caixas de câmbio ................................................................................................... 102
6.5 - Polias variadoras .................................................................................................... 106
6.6 - Diferencial .............................................................................................................. 108
6.7 - Sistema de freios ................................................................................................... 110

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Indice
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2 - Hidráulica

7- Conceitos básicos
7.1 - Conservação da energia ........................................................................................ 116
7.2 - Lei de Pascal ........................................................................................................... 116
7.3 - Força e pressão ...................................................................................................... 116
7.4 - Pressão hidrostática ............................................................................................... 117
7.5 - Princípio de Bernoulli ............................................................................................. 118
7.6 - Perdas de carga em escoamento .......................................................................... 118
7.7 - Vazão............. ......................................................................................................... 120

8- Fluidos hidráulicos
8.1 - Viscosidade ............................................................................................................ 121
8.2 - Óleos minerais ....................................................................................................... 122
8.3 - Propriedades dos óleos ......................................................................................... 122

9- Reservatório - componentes e finalidades


9.1 - Funções do reservatório ........................................................................................ 122
9.2 - Dimensionamento do reservatório ........................................................................ 124
9.3 - Acessórios ............................................................................................................. 124

10 - Filtragem
10.1 - Filtro químico ........................................................................................................ 126
10.2 - Filtro mecânico ..................................................................................................... 126
10.3 - Exemplos de filtros utilizados em máquinas MF ............................................... 127

11 - Atuadores hidráulicos
11.1 - Tipos de cilindros ................................................................................................. 129
11.2 - Vedações dos cilindros ........................................................................................ 133
11.3 - Cálculo de velocidade e força de cilindros .......................................................... 134

12 - Bombas hidráulicas
12.1 - Bombas de engrenagens .................................................................................... 135
12.2 - Bomba centrífuga ................................................................................................. 136
12.3 - Bomba de rotores tipo gerotor ............................................................................ 136
12.4 - Bomba de palhetas .............................................................................................. 137
12.5 - Bomba de pistões ................................................................................................ 138

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13 - Motores hidráulicos
13.1 - Motor a engrenagens ......................................................................................... 141
13.2 - Motor tipo gerotor................................................................................................ 141
13.3 - Motor de palhetas ................................................................................................ 142
13.4 - Motor a pistões .................................................................................................... 142

14 - Válvulas
14.1 - Válvula limitadora de pressão .............................................................................. 143
14.2 - Válvula de alívio e segurança ............................................................................... 143
14.3 - Válvula de descarga ............................................................................................. 143
14.4 - Válvula redutora de pressão ................................................................................ 144
14.5 - Válvula supressora de choque ............................................................................. 144
14.6 - Válvulas de controle direcional ............................................................................ 145
14.7 - Válvula anti-retorno (ou fluxo único) .................................................................... 148
14.8 - Válvula reguladora de vazão ................................................................................ 148
14.9 - Válvula de bloqueio .............................................................................................. 150
14.10 - Válvula divisora de fluxo tipo prioritária ............................................................. 151

15 - Acumuladores hidráulicos
15.1 - Função/funcionamento ........................................................................................ 152
15.2 - Aplicações dos acumuladores ............................................................................. 153

16 - Trocadores de calor
16.1 - Resfriador a ar ...................................................................................................... 154
16.2 - Resfriador a água ................................................................................................. 155

17 - Manômetros e vacuômetros
17.1 - Princípio de funcionamento ................................................................................. 156
17.2 - Usos e aplicações ............................................................................................... 157
17.3 - Testes hidráulicos ................................................................................................. 158

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Indice
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3 - Eletricidade

18 - Conceitos gerais
18.1 - Conceitos fundamentais da eletricidade ............................................................. 162
18.2 - Corrente elétrica (I) ............................................................................................... 169
18.3 - Tensão (V) ............................................................................................................. 170
18.4 - Corrente Contínua - C.C. ...................................................................................... 171
18.5 - Corrente Alternada - CA ....................................................................................... 172
18.6 - Resistência elétrica .............................................................................................. 173
18.7 - Capacitância.. ....................................................................................................... 175
18.8 - Potência....... ......................................................................................................... 176
18.9 - Lei de Ohm ........................................................................................................... 177
18.10 - Fontes em Série ou Paralelo .............................................................................. 179
18.11 - Capacitores em Série e/ou Paralelo ................................................................... 180

19 - Dispositivos elétricos
19.1 - Interruptores ......................................................................................................... 181
19.2 - Baterias e pilhas ................................................................................................... 182
19.3 - Lâmpadas ............................................................................................................. 183
19.4 - Diodos............. ..................................................................................................... 184
19.5 - Fusíveis.......... ....................................................................................................... 185
19.6 - Relés ................................................................................. ................................... 186
19.7 - Resistores ............................................................................................................. 188
19.8 - Capacitores ......................................................................................................... 189
19.9 - Indutores: Bobinas e transformadores ................................................................ 190
19.10 - Potenciômetro .................................................................................................... 191
19.11 - Sensores de nível ............................................................................................... 192
19.12 - Sensores de rotação .......................................................................................... 192
19.13 - Sensores de temperatura (termostatos e termistores) ..................................... 193
19.14 - Alternadores ....................................................................................................... 194
19.15 - Motores elétricos ............................................................................................... 196

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Indice
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20 - Exemplos de circuitos e diagramas

20.1 - Acionamento de uma lâmpada (ou um conjunto de lâmpadas) ......................... 197

20.2 - Acionamento de uma buzina com relê ................................................................ 198

20.3 - Sistema de segurança de partida ....................................................................... 198

20.4 - Sistema indicador de nível de combustível ......................................................... 199

21 - Aparelho multi-teste

21.1 - Orientações gerais importantes .......................................................................... 200

21.2 - Informações de segurança .................................................................................. 201

21.3 - Medidas de tensão (V) ......................................................................................... 202

21.4 - Medindo Resistência (W) ..................................................................................... 203

21.5 - Testando diodos ................................................................................................... 204

22 - Anexos

22.1 - Equivalência entre unidades ................................................................................ 205

22.2 - Unidades do Sistema Internacional - SI ............................................................... 205

22.3 - Prefixos das unidades SI ...................................................................................... 208

22.4 - Tabela geral de conversão de unidades .............................................................. 210

22.5 - Símbolos de hidráulica ......................................................................................... 212

22.6 - Dispositivos rotativos ........................................................................................... 216

22.7 - Instrumentos e acessórios .................................................................................. 217

22.8 - Válvulas de controle direcional ............................................................................ 218

22.9 - Válvulas de controle de pressão .......................................................................... 219

22.10 - Válvulas de controle de vazão ........................................................................... 220

22.11 - Significado dos símbolos elétricos .................................................................... 221

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Apresentação
9

Esta apostila é o produto da união de tres módulos de ensino: Mecânica,


Hidráulica e Elétrica. E logicamente será dividida em tres módulos: Mecânica,
Hidráulica e Elétrica.
O domínio destes conceitos é fundamental para um mecânico profissional.
Somente o profissional capaz de aliar a prática ao conhecimento teórico, pode-se
dizer apto a enfrentar o desafio atual, o de manter-se atualizado e preparado, diante
da velocidade das inovações tecnológicas e o mundo "globalizado".
Porém, tendo em vista a complexidade e a abrangência destes assuntos, não é
possível o aprofundamento nesta Apostila, mas gostaríamos que a mesma sirva de
impulso e base, no sentido de que você busque, cada vez mais, um excelente nível
de informação e portanto, seu aprimoramento profissional.
A finalidade desta Apostila é lhe auxiliar nesta tarefa.

Um bom estudo!

1 - Grandezas e unidades de medida


1.1 - Introdução

Por longo tempo cada país, cada região, teve o seu próprio sistema de medidas,
baseado em unidades arbitrárias e imprecisas, por exemplo, aquelas baseadas no
corpo humano: palmo, pé, polegada... Isso criava muitos problemas para o comércio,
porque as pessoas de uma região não estavam familiarizadas com o sistema de
medida das outras regiões. Imagine a dificuldade em comprar ou vender produtos
cujas quantidades eram expressas em unidades de medida diferentes e que não
tinham correspondência entre si.
Em 1789, numa tentativa de resolver o problema, o Governo Republicano Francês
pediu à Academia de Ciências da França que apresentasse uma solução; foi criado
então, o Sistema Métrico Decimal, adotado também pelo Brasil. Este sistema, era
baseado inicialmente em três unidades básicas de medida: o metro, o litro e o
quilograma.
Entretanto, o desenvolvimento científico e tecnológico passou a exigir medições
cada vez mais precisas e diversificadas. Por isso, em 1960, o sistema métrico decimal
foi subtituído pelo Sistema Internacional de Unidades - SI, mais complexo e
sofisticado, adotado também pelo Brasil em 1962 e ratificado pelo Conselho Nacional
de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - CONMETRO, tornando-se de
uso obrigatório em todo o Território Nacional.

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2 - Conceitos básicos e cálculo
10

2.1 - Perímetros e circunferência

Perímetro é a soma da distância dos lados de


uma área com formato qualquer. Circunferência é a
distância de uma volta completa, em torno de um

R"
círculo ou esfera. D

io "

m
et

Ra
ro
Raio "R": "D
"
É a distancia entre um ponto qualquer da
circunferência (ou esfera) e o seu centro. Centro
Diâmetro "D":
É o dobro do raio.

D=2xR
Perímetro "Per":
No caso do círculo, é o comprimento da
Per = 2 x ¶ x R ou:
circunferência. Em outras palavras, perímetro
equivale ao trajeto percorrido por uma roda, ao Per = ¶ x D
completar uma volta.

Per = ¶ x D
Exemplo:
5,0 = 3,1415 x D
Qual é o diâmetro da roda do desenho abaixo, se
D = 5,0 / 3,1415
para completar uma volta esta percorreu 5,0 m?
D = 1,59 m

Uma volta completa


Diâmetro = 1,59 m
Perímetro = 5,0 m

L5
No caso de outras figuras geométricas, para obter o
perímetro, basta somar todos os lados: L1 + L2 +
L3 + L4 + L5...
L1
L4

L2
L3

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2 - Conceitos básicos e cálculo
11

2.2 - Área

Área é a medida de uma superfície plana, delimitada.


Para o cálculo da área, aplique a fórmula especificada para cada caso:

b
Quadrados e Triângulo equilátero
h Retângulos: A = 0,433 x l²
A=bxh
L² = l x l

h Paralelogramos
A=bxh
b Círculo
A = ¶ x R²

Triângulo retângulo ¶ = 3,14159


h
A = (b x h) / 2 R² = r x r

b Pentágono
A = 2,378 x r²
Triângulo acutângulo
A = (b x h) / 2 R² = r x r

Triângulo obtusângulo
A = (b x h) / 2 Hexágono
A = 2,598 x l² ou
A = 2,598 x r²

b OBS: R e L são iguais

Trapézio
A = (b' + b) x h
b'
2
Elipse

Quadrilátero A=¶xaxb

A = (h'+h)a + bh +ch'
2 ¶ = 3,14159

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2 - Conceitos básicos e cálculo
12

2.3 - Volume

Volume é o espaço ocupado por um corpo.


Para o cálculo, aplique a fórmula especificada para cada caso:

Paralelepípedo
V = Área da base x h
Tronco de pirâmide
V=h x (a1+a2+ a1xa2)
V=axbxh
3

Cilindro Tronco de cone


V = Área da base (Ab) V=h x (a1+a2+ a1xa2)
x Altura (h) 3

Ab = ¶ x R²

V = Ab x h

Cone
V = Ab x h .
Prisma
3
V = Área da base (Ab)
x Altura (h)
Para "Ab", veja a pág.
anterior
V = Ab x h

Toróide
Esfera
V = 19,739 x R x r²
V = 4,1888 x R³

R³ = r x r x r

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2 - Conceitos básicos e cálculo
13

2.4 - Massa, peso e massa específica

O conceito de massa e peso geram confusão,


quando não corretamente interpretadas.

Massa (m):
É a quantidade de matéria de um corpo, sendo
constante para um dado corpo, independente de
onde este se encontra.

Peso (P):
O peso é uma grandeza que varia na mesma Exemplo - massa x peso:
proporção em que varia a aceleração da gravidade Sabe-se que a aceleração da gravidade na terra é de
"g". Quanto mais nos afastamos da terra (rumo ao 9,81 m/s²
espaço), menor é a aceleração da gravidade e
Considerando que o peso de uma pessoa seja de
portanto, menor será o nosso peso. Mas a massa
70 kg, aqui na terra, pergunta-se:
do nosso corpo, obviamente, não muda: esta é a
Qual seria o peso desta pessoa, na lua, onde a
diferença.
aceleração da gravidade é de 1,62 m/s²

Peso = Massa (m) x g Vamos aplicar a regra de 3 simples:


9,81 70 kgf (na terra)
Peso específico ou densidade (d)
1,62 P na lua? (na lua)
É o peso de um corpo ou líquido, por unidade Pna lua = (1,62 x 70) / 9,81
de volume. Adotou-se como padrão, o peso
Pna lua = 11,55 kgf
específico da água, que é igual a 1,0 - ou seja, esta
pesa exatamente:
Veja a densidade (ou peso específico) de algumas
- 1,0 kg por litro ou,
substâncias:
- 1,0 grama por centímetro cúbico.
Substância kg/litro kg/m³
Fórmula; Água 1,0 1.000
d = p/V Gelo 0,92 920

Onde: Álcool 0,79 790


Ferro 7,8 7.800
d = densidade em g/cm³, kg/l ou kg/m³
Caliça
p = peso do corpo, em g ou kg
areia
V = volume do corpo, em cm³, l, ou m³
Terra
Soja
Milho
Trigo
Cevada
Arroz
Sorgo
Girassol

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2 - Conceitos básicos e cálculo
14

Exemplo - densidade 2
Um caminhão transporta álcool combustível, com tanque
cilíndrico nas dimensões indicadas ao lado.
Pede-se: qual é o peso da carga?
- Peso (P) = V x d
densidade (d) do álcool (vide tabela anterior) = 790 kg/m³
- Volume do cilindro
V = ¶ x r² x l
V = ¶ x 0,9² x 15 V = 38 m³
123456789012
123456789012
123456789012
- P=Vxd 123456789012
123456789012
123456789012
123456789012 l
123456789012
r
123456789012
P = 38 x 790 P = 30.020 kg 123456789012
123456789012
123456789012
123456789012 r = 0,9 m
123456789012
123456789012
123456789012
123456789012
123456789012
123456789012
123456789012

2.5 - Velocidade

Geralmente não nos interessa saber apenas a distância percorrida por um carro
ou outro objeto qualquer: precisamos saber também o tempo que se leva para
percorrer tal trajeto. Surgiu então, o conceito de velocidade, que relaciona o
deslocamento com o tempo gasto.

A) Velocidade linear uniforme ou Movimento Retilineo Uniforme (M.R.U.)

V=D/t
Onde:
D = Deslocamento, dado em mm, cm, m ou km
t = Tempo, dado em s, min ou h
OBS: A unidade da velocidade vai depender das unidades usadas para "D" e "t".
Exemplos:
1- Uma tartaruga leva 5 min para percorrer 10 m.
Qual é a velocidade média*?
Deslocamento (D) = 10 m
Tempo (t) = 5 min
V=D/t V = 10 m / 5 min V = 2 m/min

2- Sabe-se que um cheeta alcança a velocidade de 110 km/h! Qual o tempo neces-
sário para percorrer 15 km, nesta velocidade?
Deslocamento (D) = 15 km
Velocidade = 110 km/h
110 = 15 .
t
110 t = 15 t = 15 / 110
t = 0,13 h (x 60 = minutos) t = 8,18 min

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2 - Conceitos básicos e cálculo
15

B) Velocidade linear variando com o tempo


Neste caso, entra uma outra grandeza da física, chamada de "aceleração", que expressa
a variação da velocidade ao longo do tempo.
Observe que a velocidade pode aumentar ou diminuir. Então temos o seguinte:
- Velocidade aumentando = aceleração positiva
- Velocidade diminuindo = aceleração negativa
Fórmula:

a = Vf - Vi
Onde:
t
a = aceleração, normalmente dada em m/s², ou seja, a variação da velocidade em
metros por segundo a cada segundo.
Vf e Vi são, respectivamente, Velocidade final e Velocidade inicial no intervalo de
tempo considerado.
t = tempo

Exemplos:
1- Numa prova de arrancada de tratores, verifica-
se a seguinte situação:
O trator parte do repouso e após 30 s a veloci-
dade é de 11 m/s (metros por segundo).
Qual foi a aceleração "a" neste intervalo?
a = (Vf - Vi) / t
Vf = 11 m/s
Vi = 0 (zero, pois parte do repouso)
a = (11 - 0) / 30
a = 11 / 30 = 0,36 m/s²
Vi = 50 m/s
Ou seja: a cada segundo que se passa, a velo-
cidade e aumenta 0,36 m/s Vf = 0 (pois a pedra tem de parar para retornar)
a = -9,81 (desaceleração)

2- Uma pedra é jogada para cima, com velocida- a = (Vf - Vi) / t


de inicial de 50 m/s -9,81 = (0 - 50) / t
A aceleração que age sobre o objeto, no senti- -9,81 t = -50
do de "puxá-lo de volta à terra", é a da gravida- t = -50 / -9,81
de, que é igual a 9,81 m/s² no globo terrestre.
t = 5,09 s
Pergunta-se: após quantos segundos a pedra
atinge seu ponto mais alto, iniciando o retorno OBS 1: a aceleração da gravidade, também
ao chão? identificada por "g", normalmente é
arredondada para 10 m/s² nos cálculos.
OBS: A velocidade da pedra vai diminuindo até
OBS 2: A gravidade na lua é 1,62 m/s² (6,05 vezes
parar. Logo, a aceleração é negativa (-9,81 m/
menor que a da terra), razão pela qual os
s²). corpos pesam menos na lua. Veja os
conceitos de massa e peso mais adiante.

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2 - Conceitos básicos e cálculo
16

C) Velocidade de rotação (ou simplesmente, rotação)

A rotação (velocidade de giro de componentes


mecânicos), na prática, é mensurada em rpm, ou
1
seja, Rotações Por Minuto.
Os contagiros de motores (ou cilindro de trilha, nas
colheitadeiras), possuem escala (1) em rpm. 2

Rotação do motor
Indicada através de um contagiros (2), permite
selecionar a velocidade correta de deslocamento do
trator, da rotação da TDP ou simplesmente,
assegurar que o motor opere dentro da faixa correta
3
de trabalho.
4
O horímetro (3) trabalha em função do
contagiros (2). As horas marcadas pelo mesmo,
coincidem com as do relógio (sistema sexagesimal), Tratômetro dos tratores MF: contagiros (2) e
quando o motor trabalha a 1800 rpm, na maioria dos horímetro (3).
casos. Esta informação consta no campo (4).

Rotação dos eixos de colheitadeiras


Nas máquinas atuais, com o desenvolvimento
da eletrônica, todos os eixos podem ter a rotação
monitorada através de sensores (5) como o ilustrado
ao lado.
5
Isso é de grande importância, já que revela o
correto funcionamento ou por outro lado, a
ocorrência de anormalidades.
Sensor de rotação do eixo da descarga de grãos
das colheitadeiras MF 34 e 38

☞ NOTA:
Quando se deseja medir a rotação de
um eixo qualquer, pode-se utilizar um
tacômetro portátil, como o ilustrado 7
ao lado.
A ponteira (6) deve ser encostada na
extremidade do eixo e indicação da
rotação é exibida no visor (7). 6
TACÔMETRO LUMIG: FOTO DE DIVULGAÇÃO - WEB

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2 - Conceitos básicos e cálculo
17

2.6 - Força

Força é toda causa capaz de produzir ou


modificar um movimento. A força pode se manifestar
de diversas formas na Física e na mecânica. Veremos
a seguir, os principais exemplos: "F"

A) Força linear (tração ou empuxo)


O exemplo mais comum no nosso meio, é a
força de tração "F" realizada pelo trator, sobre
implementos.
Para medir a força realizada por máquinas, se
utilizam dinamômetros como o mostrado ao lado.
São os chamados "Ensaios de Tração", à que os
tratores são submetidos na fase de protótipo.

Força resultante da aceleração de um corpo:


A aceleração (aumento da velocidade) de um Unidades mais usuais de força: N, kgf, lbf...
corpo é proporcional à Força "F" que lhe é aplicada.
Estas grandezas são relacionadas pela fórmula:

F=mxa
Onde:
F = Força (em newtons - N)
m = Massa do corpo
a = aceleração

Exemplos:
1- Qual a força necessária para acelerar um veí- 2- Se aplicarmos uma força de 20 N sobre um
culo de 2.000 kg, no plano, com aceleração de corpo de 5 kg, sobre um plano e sem atrito,
2 m/s²? qual será a aceleração imposta ao corpo?
F=mxa F=mxa
m = 2.000 kg m = 5,0 kg
a = 2,0 m/s² F = 20,0 N
F = 2.000 x 2,0 a=?
F = 4.000 N
20 = 5,0 x a
OBS: Desprezamos aqui as forças de atrito, ou
a = 20 / 5.0
seja, a resistência imposta ao movimento pe-
a = 4,0 m/s²
las rodas e pelo ar.
Por esta razão, se a aceleração fosse 0 (zero),
ou seja, velocidade constante, a Força resul-
tante seria também nula.

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2 - Conceitos básicos e cálculo
18

B) Força de rotação (torque)


O torque (bem como a potência - veja abaixo),
é também medido em dinamômetros, também
chamados de "freio dinamométrico". Unidades mais
O dinamômetro simula uma frenagem ao giro usuais de torque:
do motor, gerando assim a força "F", que permite N.m, kgf.m, lbf.pol,
medir o torque resultante. lbf.pé, kgf.cm.
A figura ao lado é uma referência sobre o
conceito de torque e que pode ser calculado pela
fórmula:

T=FxD F

D
Onde:
T= Torque, normalmente dado em kgf.m ou N.m
F= Força exercida na extremidade da alavanca
D= Comprimento da alavanca, ou distância entre
o ponto de aplicação da força "F" e o centro de
30 cm
giro.

Exemplos - aceleração, Força e Torque:


1- Qual é a força necessária para elevar a carga
de 50 kg de massa da figura ao lado, em velo- "F"
cidade constante?
F=mxa
m = 50 kg
a = mesmo em velocidade constante, a acele-
50 kg
ração não é zero. Isto porque, o corpo está su-
jeito à aceleração da gravidade, que na terra é
de 9,81 m/s². Logo:
F = 50 x 9,81
F = 490,5 N
2- Se para o mesmo caso acima, for aplicada uma 3- Para o exemplo "2", qual é o torque que deve
aceleração adicional de 2 m/s², ou seja, aumen- ser aplicado à manivela para levantar o peso
tando-se a velocidade para cima, qual seria a de 50 kg? O raio do tambor (30 cm ou 0,3 m), é
força? a alavanca "D".
F=mxa T=FxD
m = 50 F = 590,5
a = 9,81 + 2,0 = 11,81 m/s² D = 0,3 m
F = 50 x 11,81 T = 590,5 x 0,3
F = 590,5 N T = 177,15 N.m

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2 - Conceitos básicos e cálculo
19

C) Força centrífuga
Todo corpo que percorre uma trajetória circular, é R
continuamente forçado fora, mais precisamente,
Fc
para a direção tangencial.
m
Daí a expressão popular, muitas vezes usada sem
conhecimento, de "sair pela tangente".

Fc = m x V² / R ou:
Fc = 0,011 . m . R . n²
Onde:
m = massa do corpo, em kg
R = raio da trajetória
n = rotação em rpm

Exemplos: Fc Tangente
1- Qual é a Força Centrífuga Fc de um corpo, com
massa de 3 kg, que gira a 800 rpm, numa traje-
tória R = 0,5 m P
Fc = 0,011 . m . R . n²
Fc P
m = 3,0 kg
R = 0,5 m
n = 800 rpm
Fc = 0,011 x 3,0 x 0,5 x 800²
Fc = 10.560 N ou 1.076,45 kgf
OBS: 9,81 N = 1 kgf

2- Qual é a velocidade mínima da moto para que


conseguir percorrer o círculo do "globo da mor-
te".
m = moto + piloto = 180 kg
n = 222,95
R = 4,0 m
n = 14,93 rpm, ou seja, voltas por minuto.
OBS: A força centrífuga Fc deverá ser igual ou
Como o raio do globo é de 2 m, a circunferên-
superior ao peso P (moto + piloto).
cia é de 6,28 x 4 = 25,12 m
Fc = P 180 x 9,81 = 1765,8 N > Esta conver-
Assim, por minuto a moto deve percorrer (14,93
são é necessária, pois a fórmula do Fc está con-
voltas x 25,12 m) = 375,04 m
figurada para obter a força em newtons (N).
Por hora, serão (60 x 375,04) = 22.502,5 m
Fc = 0,011 . m . R . n²
Ou seja, 22,5 km/h; pode parecer pouco, mas
1765,8 = 0,011 x 180 x 4,0 x n²
lembre-se: é a velocidade mínima para que a
1765,8 = 7,92 n² moto não caia. Além disso, a trajetória é circu-
n² = 1765,8 / 7,92 = 222,95 lar, impondo uma força insuportável ao piloto.

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2 - Conceitos básicos e cálculo
20

D) Força de atrito
É a resistência ao deslocamento de um corpo sobre a trajetória.

Fa = µ x P
Onde:
Fa = Força de atrito, em newtons - N
P = Peso do corpo
µ = coeficiente de atrito:
- Coeficiente estático: é aquele verificado na posição de repouso do corpo.
- Coeficiente dinâmico: ocorre na situação em que o corpo se encontra em movi-
mento e varia com a velocidade: quanto maior a velocidade, menor o atrito.
(todo motorista deveria saber disso!)
OBS 1: O coeficiente de atrito estático de uma determinada situação é sempre
superior ao coeficiente dinâmico. Isto explica a perda de controle sobre um
veículo a partir do momento em que as rodas se arrastam no piso.
OBS 2: O coeficiente de atrito depende da natureza das superfícies em conta-
to: grau de rugosidade, lubrificadas ou não, etc.
OBS 3: O meio em que o corpo se encontra (ar ou líquido) também oferece
uma resistência ao deslocamento, mas que será desconsiderada aqui.
Atrito benéfico:
É o atrito necessário, por exemplo, para manter
o controle de veículos sobre a pista, permitir a força
de tração de tratores e o atrito nas lonas ou discos
de freio, etc.
Sob certas condições, como piso molhado ou
barro, o "coeficiente de atrito - µ " às vezes é
insuficiente para manter a aderência. Em
conseqüência, a "Força de atrito - Fa" também será
Força de tração Força de atrito
insuficiente.
No caso de tratores, teoricamente a força de
tração máxima, é igual a força de atrito entre as rodas
e o solo.
Mas há também o "atrito ao rolamento", que
deve ser descontado e que vem a ser a força
necessária para deslocar o trator com a transmissão
em neutro e freios livres (sem acionar).

Atrito indesejado
São as situações em que se deseja diminuir ao
máximo o atrito, através de lubrificação e rugosidade
mínima da superfície das peças em contato..
Exemplos: atrito em rolamentos, engrenagens,
pistões, etc.

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2 - Conceitos básicos e cálculo
21

Exemplos - força de atrito


1- Qual é a força necessária (Fa) para deslocar o Observe que a Força de atrito - Fa e a Força de tração
corpo de massa = 20 kg, sobre a superfície - Ft são iguais, porém, opostas.
plana, com coeficiente de atrito estático µe de
0,7? 12345678901234567890
Fa 12345678901234567890
12345678901234567890
12345678901234567890 Ft
12345678901234567890
12345678901234567890
12345678901234567890
Fa = µ x P 12345678901234567890
m = 20 kg
12345678901234567890
12345678901234567890
12345678901234567890
P = m x 9,81 = 200 x 9,81 = 196,2 newtons
Fa = 0,7 x 196,2 µe = 0,7
Fa = 137,34 N

2- Um carro com massa de 1000 kg, percorre uma


curva com raio de 40 m, a uma velocidade de Fc
60 km/h.
Sabendo-se que o coeficiente de atrito dinâmi-
co µd entre as rodas e a pista é de 0,6
Fa
Pergunta-se: Há risco do carro derrapar, ou seja,
sair pela tangente da curva?
0
1 passo: cálculo da Força de atrito - Fa.
Fa = P x µd
40 m
Fa = 1000 x 9,81 x 0,6
Fa = 5.886 newtons - N
20 passo: cálculo da Força centrífuga - Fc.
Fc = m . V² / R
V = 60 km/h: para uso na fórmula, este dado
deve ser convertido para metros/s, compatível
com o Sistema Internacional de unidades.
- Divida km/h por 3,6 para obter m/s
- Multiplique m/s por 3,6 para obter km/h
V = 60 / 3,6 = 16,66 m/s
Fc = 1000 x 16,66² / 40
Fc =6.938,9 N

Conclusão: Como a força centrífuga é maior que a


Força de atrito, cuidado! O carro irá desgovernar-
se. Sempre lembre-se desta possibilidade ao fazer
curvas!

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2 - Conceitos básicos e cálculo
22

2.7 - Trabalho (W)

Trabalho - “W”, é o produto de uma força (F)


realizada:

- Na direção horizontal, ao longo de uma distân-


cia (D).

W=FxD
Exemplo 1

- Uma força-peso (P) no decorrer de uma altura


(H).

W=P xH

Exemplo 1: trabalho de deslocamento do


carrinho sobre o piso.
Supondo ser necessária uma força (F) constante
de 20 kgf para deslocar o carrinho, a uma distância
(D) de 30 metros, o trabalho será:
W= F x D
F = 20 x 9,81 = 196,2 N
W = 196,2 x 30
W = 5.886,0 joules

Exemplo 2: trabalho de levantamento.


Para levantar um peso (P) de 15 kg, a uma altura (H)
de 10 metros, teremos aplicado um trabalho de:
W=PxH
P = 15 x 9,81 = 147,15 newtons
Exemplo 02
W = 1.471,5 joules

☞ NOTA:
Na Física, só há trabalho se houver deslocamento produzido. Se por exemplo,
você segurar, imóvel, um peso de 50 kg suspenso, pode ter passado o maior
trabalho, mas para a física, não houve trabalho algum!

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2 - Conceitos básicos e cálculo
23

2.8 - Potência (P)


A) Conceito geral B) Potência de giro
O Trabalho - conceito apresentado Para um trabalho efetuado na forma rotativa,
anteriormente - fornece a energia dispendida para utiliza-se geralmente uma fórmula prática, que
gerar um certo movimento, sem se preocupar com relaciona a Força (Torque) e velocidade em rpm
a velocidade com que isso ocorre... (rotações por minuto).
Potência, é o Trabalho realizado por unidade de P = (T x Rpm) / 716,2
tempo.
Onde:
- P = Potência dada diretamente em cv
Vamos retomar o exemplo 2: Trabalho para levantar
OBS: Um cv equivale a 735,7 watts
um balde de 15 kg, à uma altura (H) de 10 m.
- T = torque em kgf.m
O Trabalho, como vimos é de:
- Rpm = Rotações Por Minuto).
W = 15 kg x 10 m x 9,81 = 1.471,5 joules. Exemplo
1- Um cilindro de trilha de colheitadeira requer
A fórmula para o cálculo da potência (P): um torque de 20 kgf.m, à 600 rpm
Qual é a potência requerida?
P=W/t P = (T x Rpm) / 716,2
P = Potência, em watts (W) P = (20 x 600) / 716,2
W = Trabalho, em joules (J) P = 16,75 cv
t = Tempo para realizar o trabalho, em (s)
C) Potência de tração
OBS: 1 Watt = 1 joule por segundo Também pode-se utilizar uma fórmula prática:

Voltando ao exemplo: se o tempo para o levan- P = (F x V) / 270


tamento do balde com água fosse de 25 se- Onde:
gundos, a potência seria de: - P = Potência dada diretamente em cv

P = W / t P = 1.471,5 / 25 P = 58,86 watts - F = Força em kgf

Conclusão: A potência para levantar o balde, é - V = Velocidade em km/h.


comparável ao consumo de uma lâmpada de 60W.
Exemplos - potência / eficiência:

2.9 - Eficiência de máquinas 1- Qual é a eficiência "Ef" de uma motobomba,


que consome 500 watts, para elevar 1000 li-
Nenhuma máquina, por mais elaborada que
tros d´água, a uma altura de 30 m, em 730 s
seja, possui eficiência de 100 %. Isso significa que
P = m . h . 9,81 .
nem toda a energia ou potência fornecida é
t . Ef
convertida em trabalho.
P = 500 watts m = 1000 l = 1000 kg,
Uma bomba d´água centrífuga, por exemplo,
h = 30 m t = tempo = 730 s
geral mente possui eficiência da ordem de 70 a 85%,
500 = 1000 x 30 x 9,81 .
ou seja, 15 a 30% da potência de eixo, fornecida
730 x Ef
pelo motor, é perdida em função do atrito e
500 x 730 Ef = 1000 x 30 x 9,81
turbilhonamento do fluido bombeado.
365.000 Ef = 294.300
Ef = 294.300 / 365.000

Ef = 0,806 (x 100) = 80,6 %

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2 - Conceitos básicos e cálculo
24

2- Tem-se a potência de 86 cv na entrada de um


câmbio, para uma dada marcha engatada.
Verifica-se uma saída de 84,28 cv.
Qual é a eficiência deste câmbio, na marcha
em questão?
OBS: Quanto maior a redução (marchas me- 84,28 cv
86 cv
nores), menor é a eficiência.
Ef = Potência de saída / Potência de entrada
Ef = 84,28 cv / 86 cv
Ef = 0,98 (x 100) = 98 %
Eficiência de máquinas trabalhando em série:
Neste caso, para obter a eficiência do conjunto das máquinas trabalhando em série,
deve-se multiplicar as eficiências.
Exemplo - conjunto motobomba:
- Eficiência do motor elétrico = 99%
- Eficiência da bomba centrífuga = 75%
Eficiência total "Eft" = 0,99 x 0,75 = 0,74 %

Exemplo de cálculo de força, potência e


eficiência.
Deseja-se escolher um trator, com a potência
adequada, para subsolagem:
10 Passo: Eficiência total - Eft
- Subsolador com 5 hastes, onde cada haste re-
Eft = 0,80 x 0,95 x 0,96 = 0,729
quer uma força de tração de 420 kgf
20 Passo: Força de tração total requerida pelo
- Velocidade desejada: 8 km/h
subsolador:
- Eficiência da tração (devida a perda por atrito
5 hastes x 420 kgf = 2.100 kgf
das rodas com o solo) = 0,80
- Eficiência do eixo traseiro = 0,95 30 Passo: Potência do motor

- Eficiência do câmbio = 0,96 P = F x V / 270 x Eft

Qual é a potência necessária para o motor? P = 2100 x 8 / 270 x 0,729


P = 16.800 / 196,83 P = 85,35 cv

2.10 - Regra da alavanca

A alavanca, por mais simples que pareça, tem infinitas aplicações na mecânica.
Além de simplesmente transmitir movimentos entre 2 órgãos, ela permite a
multiplicação de força, conforme analisado a seguir.

Regra da alavanca
F1 x D1 = F2 x D2
Onde:
F = Forças
D = Distâncias

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2 - Conceitos básicos e cálculo
25

Exemplo:
1- Qual é a força resultante F2, ao ser aplicada
uma força de 100 N em F1?
Basta substituir os valores na fórmula:
F1 x D1 = F2 x D2
100 x 70 = F2 x 50
7000 = 50 F2
F2 = 140 kgf

2.11 - Relação de transmissão

Um dos conceitos mais importantes na mecânica, é sem dúvida a relação de


transmissão. É através do uso de engrenagens e polias corretamente dimensionadas,
que se projetam as mais modernas transmissões e adequam-se máquinas às mais
diferentes tarefas e suas variações.

A) Relação de transmissão em polias e


correias
Numa transmissão por polias e correias, vale o N2
seguinte princípio:
N1
- A velocidade é inversamente proporcional ao
diâmetro da polia.
- Por outro lado, o torque (força) é diretamente
proporcional ao diâmetro da polia, ou seja, a
polia maior terá também o maior torque.
Exemplos:
OBS 1: A relação de torques e velocidade, 1- Para a figura acima, qual é a rotação "N" da po-
independe de a polia ser acionada ou aciona- lia "2", se:
dora
D1 = 40 cm D2 = 20 cm
N1 = 50 rpm N2 = ?
Fórmula para a relação de rotação x
D1 x N1 = D2 x N2
diâmetros
40 x 50 = 20 x N2
D1 x N1 = D2 x N2 200 = 20 N2

- D = diâmetros N = rotação N2 = 2000 / 20 N2 = 100 rpm

Fórmula para a relação de torque x diâmetros 2- Para o exemplo anterior, qual é o torque "T" da
polia "2", se o torque da polia "1" for de 10 N.m?
D1 x T2 = D2 x T1 D1 x T2 = D2 x T1
Onde: 40 x T2 = 20 x 10
- D = diâmetros 40 T2 = 200
- T = Torques T2 = 200 / 40 T2 = 5 N.m

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2 - Conceitos básicos e cálculo
26

B) Relação de transmissão em engrenagens


Valem os mesmos princípios da relação por correias e polias, com uma diferença
básica: ao invés de diâmetros, o que determina as relações entre rotação e torque, é
o N0 de dentes "Z". Assim, as fórmulas ficam conforme apresentado na seqüência:

Fórmula para a relação entre rotação "N" e


Número de dentes "Z"

Z1 x N1 = Z2 x N2
Z2 = 20
Onde: N2=250 rpm

- Z = N0 de dentes Z1 = 10
N1=500 rpm

- N = rotação em rpm

Fórmula para a relação entre Torque "T" e Número


de dentes "Z":

Z1 x T2 = Z2 x T1
Onde:
- Z = N0 de dentes
- T = Torque

☞ NOTA:
Na situação ilustrada abaixo, onde uma ou mais engrenagens intermediárias
são montadas, estas não interferem na relação de transmissão: basta conside-
rar o N0 de dentes da primeira e da última.
Z2 = 20
N2 = 250
Engrenagens
intermediárias:

Z1 = 10
N1 = 500

O uso de engrenagens intermediárias normalmente Caixa de distribuição - motor Cummins Série C


tem 2 objetivos:
- Obter um sentido de giro contrário do eixo aci-
onado
- Preencher a distância entre engrenagem acio-
nadora e acionada.
Exemplo: comando de válvulas ou bomba
injetora de motor diesel - figura ao lado.

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2 - Conceitos básicos e cálculo
27

Na figura abaixo, temos um exemplo de cadeia cinemática, ou seja, relações


sucessivas, em série.
Qual é o torque e a rotação das engrenagens "2, 3 e 4", considerando os dados
apresentados na própria figura?
OBS: Compare a solução abaixo com a das polias - ver páginas anteriores:

Z3 = 20 Z4 = 40
N3= ? N4= ?
T3= ? T4= ?

Z2 = 40
N2= ?
T2= ?

Z1 = 20
N1=500rpm
T1=15 kgf.m

Rotações - "N" Torques - "T"


- Engrenagens "2 e 3" - montadas sobre os mes- - Engrenagens "2 e 3" - montadas sobre os mes-
mo eixo": mo eixo":
Z1 x N1 = Z2 x N2 Z1 x T2 = Z2 x T1
20 x 500 = 40 x N2 20 x T2 = 40 x 15
10.000 = 40 N2 20 T2 = 600
N2 = N3 = 250 rpm T2 = T3 = 30 kgf.m
- Engrenagem "4": - Engrenagem "4":
Z3 x N3 = Z4 x N4 Z3 x T4 = Z4 x T3
20 x 250 = 40 x N4 20 x T4 = 40 x 30
5.000 = 40 N4 20 T4 = 1.200
N4 = 5.000 / 40 T4 = 1.200 / 20
N4 = 125 rpm T4 = 60 kgf.m

OBS: A relação entre dentes de engrenagens ou No caso do exemplo acima, para calcularmos a
diâmetros de polias, é chamada de "relação de relação de transmissão total - i
t
transmissão", a qual é representada pela letra " i ".
Por convenção, o " i " deve ser calculado assim:
it = i21 x i43
i= n0 de dentes* da engrenagem movida . it = (40/20) x (40/20)
0
n de dentes* da engrenagem movida
* N0 de dentes ou diâmetro de polias.
it = 2 x 2 = 4:1 (redução total de "4 por 1")

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2 - Conceitos básicos e cálculo
28

2.12 - Pressão

Se aplicarmos uma força “F” sobre uma Força Pressão


superfície de Área “A”, definimos como pressão “P”,
a razão entre a força “F” e a superfície “A”.

P=F/A
F=PxA
Onde:
P = Pressão: kgf/cm² - N/m² (Pa) - lbf/pol²
F = Força: kgf - newton (N) - lbf
A = Área: cm² - m² - pol²

Exemplo:
Em um motor Diesel, em que se atinge a
pressão de 17 kgf/cm² ao final do curso de
compressão e o diâmetro dos cilindros é de 10 cm
Pede-se: qual é a força exercida pelas bielas, para
Pressão

levar os pistões ao final da compressão. D


F=PxA
P = 17 kgf/cm²
A = 0,7854 x D² > D = 10 cm
A = 78,54 cm²
Força

F = 17 x 78,54
F = 1.335 kgf

Para este mesmo exemplo, qual é a pressão no


momento da combustão, considerando que neste
momento, a força do pistão sobre a biela é de 4.360
☞ NOTA:
Os dados do exemplo ao lado, são
apenas ilustrativos, porém, fornecem
kgf?
uma idéia bastante próxima à realida-
P=F/A
de, das forças envolvidas no funcio-
F = 4.360 kgf namento de um motor diesel.
A = 78,54 cm² Agora imagine você, um motor com diversos ci-
P = 4.360 / 78,54 lindros, funcionando em torno de 2.000 rpm, sob
P = 55,51 kgf/cm² altas cargas, temperaturas e contaminação em
função da queima do combustível (presença de
enxofre, umidade do ar, etc.)!
Dá para entender a importância de cui-
dar da manutenção, em especial, a lubrificação,
não é mesmo?

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2 - Conceitos básicos e cálculo
29

2.13 - Compressão e taxa de compressão

☞ NOTA:
Geralmente se confunde Pressão de Compressão e Taxa de Compressão.
A taxa é apenas uma relação de volumes, que não se altera mesmo com o desgaste
interno do motor.
Já a Compressão (pressão do ar atingida no cilindro no final da fase de compressão),
sofre um decréscimo com o desgaste dos pistões, anéis, camisas e válvulas. A compres-
são pode ser medida com manômetros - veja abaixo.

A medição da compressão (ou pressão de


comprerssão) em motores é muito útil para avaliar Manômetro,
o nível de desgaste. montado no lugar do
bico injetor
Compressões baixas normalmente indicam
peças com desgaste acentuado, exigindo revisões
ou recondicionamento.
Talvez a maior utilidade do teste de compressão
seja mesmo a análise comparativa entre cilindros.
Diferenças acentuadas nas leituras acusam
irregularidades de forma bem evidente.
O procedimento para esta medição, você
encontra na apostila de motores.

Estimativa teórica da pressão de compressão que


deve ser atingida no teste:

P = Patm x Tc1,2
Onde:
P Pressão atingida (ou compressão)
Patm Pressão atmosférica: ao nível do mar é de 1
kgf/cm Em regiões mais elevadas, esta
pressão vai diminuído gradualmente.
Tc Taxa de compressão: conforme foi dito, a "Tc"
não pode ser confundida com a Compressão
"P", porém, a mesma interfere na pressão
alcançada no PMS - Ponto Morto Superior dos
pistões.
1,2 Fator constante, adiabático.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


2 - Conceitos básicos e cálculo
30

Exemplo (compressão):
Qual é a compressão esperada para um motor, com Taxa de compressão de 16:1, ao
nível do mar (Patm = 1).
P = Patm x Tc1,2
P = 1,0 x 161,2
P = 27,85 kgf/cm²
OBS: Estes dados são teóricos. O ideal, é ver sempre a especificação do fabricante
do motor. Além disso, são necessários parâmetros de máximo e mínimo para avaliar
o estado de um motor.

Taxa de compressão:
É a proporção de volumes entre o PMI (Ponto Morto
Inferior) e o PMS (Ponto Morto Superior) do pistão.
Note que o pistão estando embaixo (PMI), o volume
é grande: V + v
V = Volume do cilindro:
V = 0,7854 x Diâmetro² x Curso do pistão
OBS: 0,7854 é a simplificação de ¶ / 4 da fórmula
v volume da câmara de combustão.

☞ NOTA:
Determinação de "v": como o forma-
to da câmara de combustão é com-
plexo, cálculos seriam imprecisos.
Por isso, se utiliza encher a cavidade
com óleo (com o pistão no PMS),
medindo-se o volume de óleo intro-
duzido.

A taxa de compressão "Tc", é calculada com a


fórmula:

Tc = (V + v) / v
Exemplo: se um motor tiver uma taxa de A taxa de compressão dos motores diesel
compressão de 16:1, isto significa que quando o (normalmente entre 15 e 18 por 1) é maior que a
pistão está no PMS, todo o ar que antes enchia os dos motores a gasolina (7 a 11 por 1).
volumes V + v, agora é obrigado à ocupar o espaço Esta é uma das razões pelas quais o motor diesel
"v", 16 vezes menor! é mais eficiente, ou seja, transforma uma maior
Este processo promove o aquecimento do ar parcela da energia química do combustível em
para algo em torno de 500 a 700 ° C - o que é trabalho mecânico, potência útil.
responsável pela queima do diesel, finamente
pulverizado pelo injetor.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
31

3.1 - Calibres
A) De lâminas
Consiste de um jogo de lâminas, com diferentes
espessuras, e valor estampado sobre cada lâmina.
Estas, pode ser milimétricas ou em polegadas.
Por definição, os calibres não fazem medida,
apenas permitem, por comparação, verificar folgas
entre peças: A lâmina que se ajustar de forma mais
exata, é a medida da folga.

Folga de válvulas
de motor

Folga em pacotes de engrenagens de câmbio.

B) Calibres de raios
Para verificação de raios internos e externos. O
princípio é o mesmo do calibre de lâminas, ou seja:
A lâmina cujo raio melhor se encaixa no ponto
verificado, corresponde ao raio pesquisado e se
encontra estampado sobre cada lâmina..
O exemplo mais clássico, são os raios de
concordância em árvores de manivela (virabrequins).
Caso numa retífica, estes raios não forem
observados, o virabrequim terá grande probabilidade
de quebrar, devido à concentração de tensões.

C) Calibres de roscas
Usados para verificar passos de roscas.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
32

3.2 - Goniômetro

Goniômetros são dispositivos para medição de ângulos.

Antes, porém, vamos conceituar "ângulo":


Existem duas unidades de medida de ângulos que são utilizadas mais
freqüentemente. A mais familiar é a que utiliza o grau como unidade de medida: um
círculo é subdividido em 360 partes iguais, chamado de "graus". Este é o chamado
sistema sexagesimal.
Observe que a contagem dos ângulos, entre 0 e 360 graus, é feita no sentido contrário
ao dos ponteiros do relógio (ângulos positivos).

OBS 1: A unidade grau, pode ser representada por "0" - exemplo: 50 = cinco graus.
OBS 2: O grau possui divisões e sub-divisões, porém, normalmente não são utilizados
a nível de oficina. Para medi-los, são necessários instrumentos eletrônicos.
- Dividindo o grau por 60, tem-se os "minutos" , representado pelo símbolo (´)
- Dividindo os minutos, por 60, tem-se os "segundos", representados pelo símbolo
(´´).
Exemplo: 100 20´ 30´´: 10 graus, 20 minutos e 30 segundos.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
33

Aplicações do goniômetro na oficina


Um dos exemplos mais freqüentes, é o ângulo das válvulas e respectivas sedes. É
necessário que exista uma diferença "a", da ordem de 1 grau, para que o contato
entre válvula e sede fique linear - ver pontos indicados pelas setas.
A finalidade, é proporcionar o efeito "quebra-carvão".

Goniômetro típico utilizado em oficinas

3.3 - Torquímetros

O uso de torquímetros, para um trabalho de qualidade, é indispensável. Veja qual o


torquimetro certo para cada tipo de operação.

1 3 4 2

Os torquímetros indicam diretamente o torque


"T" que está sendo aplicado ao parafuso ou porca.
A figura mostra um torquímetro simplificado,
para entender o funcionamento: ao aplicar a força OBS: Sempre utilize torquímetros com a ca-
"F", a barra (1) sofre flexão. A escala (2), por ser fixada pacidade adequada, ou então, utilize
à extremidade da barra (1), acompanha a flexão. multiplicadores de torque.
A haste fixa (3), por não flexionar, indica o torque
aplicado, sobre a escala (2) através da ponteira (4).

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
34

Uso do torquímetro com extensão:


Há situações em que precisamos utilizar uma
chave de extensão no torquímetro, em locais com
dificuldade de acesso.
Neste caso, deve-se usar a chave a 90° com o
torquímetro. Isto se faz necessário para não alterar
a alavanca (distância D), que altera o torque
realmente aplicado pela chave.

Em casos especiais, quando for indispensável


usar a chave de extensão na direção longitudinal do
Chave de
torquímetro (a 1800), deve ser feita a correção do
extensão
valor do torque a ser lido no torquímetro, pela
fórmula:

Ti
Tr

Onde:
Ti = Tr x D / (D + A)
Tr= Torque recomendado
Ti= Torque que deve ser indicado pelo torquímetro
D = Comprimento do torquímetro
A = Comprimento da chave de extensão.
Uso do torquímetro com multiplicador de
torque:
Isto se faz necessário em parafusos ou porcas
de grandes dimensões.
Ao utilizar um multiplicador, devemos saber qual
Ti = Tr / Fm
é o Fator de Multiplicação "Fm" do mesmo. Existem Fm
no mercado diversas opções, como: 2:1, 3:1, 4:1,
Ti
5:1, etc.
Exemplo:
Tr
Se o multiplicador for de 4:1, isto significa que
ele multiplica o torque por 4. Neste caso, para saber
o torque "Ti" que o torquímetro deverá indicar, divida
o torque recomendado "Tr" por 4.
Se o multiplicador for do tipo 3:1, divida o torque
recomendado por 3 e assim sucessivamente.
Apoio

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
35

3.4 - Balanças dinamométricas para verificar torques de giro


Quando se deseja medir torques de giro baixos,
pode-se utilizar torquímetros especiais, de
dimensões reduzidas e maior sensibilidade.
No entanto, por questões de custo, uma
alternativa prática e barata, consiste em utilizar
balanças dinamométricas, o que requer apenas
algum cuidado maior no controle das medidas e
cálculos.
Temos basicamente 2 casos:

2
A) Enrolando-se o cordel (1) diretamente
sobre a peça cuja pré-carga se deseja
medir. 1

Neste caso, deve-se dispor da especificação de


kg ou N que a balança (2) deve indicar.
O exemplo da figura ao lado, mostra a medição da


pré-carga do pinhão de um eixo Carraro.
IMPORTANTE:
Em ambos os casos (A e B), a leitura
B) Utilizando-se uma roldana (3) em
combinação com a balança (2) da balança deve ser feita com a peça
já em movimento, ou seja,
A roldana (com Raio "R" conhecido), deve ser
desconsiderar a leitura para arranca-
fixada ao eixo cuja pré-carga (ou torque de giro) se
da.
deseja medir.
Passe um cordel na roldana conforme mostrado Parafuso de
ao lado e puxe a balança: quando o eixo estiver em "Alavanca"
fixação da
movimento, faça a leitura da carga (em kg ou N) e roldana ao eixo
divida-a pelo Raio "R":

Roldana
Tg = FxR e F = Tg/R
Onde: Eixo cuja pré-
Tg= Torque de giro (ou pré-carga), normalmente carga se deseja
dado em N.m, kg.cm ou lbf.pol, por se tratar de medir Força "F"
valores muito pequenos.
F = Força: em kg, N ou lbf Cordel
R = Raio da roldana: em cm ou pol.
OBS: A ferramenta especial para tratores MF, Balança
FT-4020, é uma roldana com raio de 5 cm. dinamométrica:
Neste caso, se for especificada uma pré-carga de precisão e
de 20 kgf.cm, a força a ser indicada na balança aferida.
é de (20 / 5) = 4 kgf.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
36

3.5 - Paquímetro universal


Forma CORRETA de utilização

Medindo largura Medindo profundidade


Veja a NOTA abaixo.

Medindo diâmetros
Medindo espessura

☞ NOTA:
A figura ao lado,
mostra um
paquímetro espe-
cial para medir
profundidade.
O procedimento
para leitura, é idên-
tico ao paquímetro
universal.
Forma INCORRETA de utilização

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
37

Identificações do paquímetro

Orelhas Cursor Fixador Escala Haste de profundidade

Impulsor

Encosto fixo Encosto móvel Nônio (escala do cursor)

Leitura do paquímetro universal ou de profundidade (Ver página anterior)


Os paquímetros podem ser classificados, quanto a precisão, em diversas
categorias, sendo as mais comuns:
- Com 10 divisões de nônio > Precisão = 0,1 mm (1 / 10)
- Com 20 divisões de nônio > Precisão = 0,05 mm (1 / 20)
- Com 50 divisões de nônio > Precisão = 0,02 mm (1 / 50).

☞ NOTAS:
1 - Atualmente, existem também os
paquímetros eletrônicos, que
proporcionam grande facilidade
de leitura. Basta observar ape-
nas a forma correta de medir,
conforme ilustrado na página
anterior. PAQUÍMETRO DIGITAL, IMPAC: FOTO DE DIVULGAÇÃO - WEB
2 - Independente de ser eletrônico ou não, os
paquímetros e todos os demais dispositivos
4 - Limpe-o ao final do uso e lubrifique-o com
de medição, requerem o máximo de zelo
óleo fino, periodicamente
quanto ao manuseio e armazenagem. Para
5 - Ao realizar uma medição, não pressione o
ter uma idéia, para que estes instrumentos
cursor através do impulsor. Isto faz com que
assegurem a precisão, é necessário que a
os encostos pressionem desnecessariamen-
temperatura ambiente esteja dentro de cer-
te a peça, podendo danifica o paquímetro.
tos limites (em torno de 20 0C).
3 - Deve ser manejado com cautela, evitando- 6 - Além do cuidado no manuseio, é importante
se quedas e batidas. Qualquer empeno do que seja feita a calibração periódica, segun-
paquímetro, por menor que seja, prejudica do normas e procedimentos do INMETRO -
o rigor da medição; Instituto Nacional de Metrologia.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
38

Leitura de paquímetro, com 10 divisões (precisão


0,1 mm)

Escala principal

Escala do
Nônio

Exemplo 1 (10 divisões, precisão 0,1 mm):


- Traço da escala principal (A) = 6,0 mm
- Traço da escala do nônio (B), que coincide com
A
o traço da escala principal (A) = 0,3 mm
- Leitura = 6,0 + 0,3
Leitura = 6,3 mm

Leitura de paquímetro, com 20 divisões (precisão 0,05 mm)

Exemplo 2 (20 divisões, precisão 0,05 mm):


- Traço da escala principal (A) = 4,0 mm A
- Traço da escala do nônio (B), que coincide com
o traço da escala principal (A) = 0,75 mm
- Leitura = 4,0 + 0,75
Leitura = 4,75 mm

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
39

3.6 - Micrômetros

Quando a precisão do paquímetro não é suficiente para se realizar determinadas


medidas, utiliza-se o micrômetro (ou Palmer), que possui precisão de 0,01 mm (1
centésimo de mm) ou superior.

Identificações:
Fixador Escalas

Encosto móvel
Tambor
Encosto fixo
Catraca

Cilindro

Capacidade - exemplo: 25 a 50 mm

Precisão - exemplo: 0,05 mm

Arco Placa protetora (isolante): sempre segurar


o micrômetro por esta placa.

Observações:
✔ Nos micrômetros são encontradas identifica-
ções na placa protetora ou logo abaixo do
fixador: A
A- Capacidade de medição - exemplos: 0 a 25 mm; 25-50 mm
25 a 50 mm; 50 a 75 mm, etc. B
0,01 mm
B- Precisão: corresponde à menor divisão do
micrômetro. O mais comum é o de 0,01 mm Arco

Cuidados no manuseio:
✔ Nunca force o tambor: gire-o apenas até a apro-
ximação e em seguida, gire apenas a catraca.
Como é de se imaginar, a rosca interna é de
elevadíssima precisão e, portanto, sensibilida-
de.
✔ Limpe-o ao final do uso e lubrifique-o com óleo
fino, periodicamente.
Os instrumentos de medida devem ser guar-
dados sempre no estojo, como o mostrado ao
lado.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
40

✔ A exemplo dos paquímetros, existem também


os micrômetros eletrônicos, como o mostrado
ao lado.

✔ Independente do tipo, sempre segure o


micrômetro pela placa protetora (1), pois a mes- 1
ma impede a transmissão do calor da mão ao
MICRÔMETRO DIGITAL MITUTOYO: FOTO DE DIVULGAÇÃO -
instrumento, o que pode afetar a precisão!
WEB

✔ Também valem para o micrômetro, as demais


recomendações citadas para o paquímetro -
página 37.

Leitura de micrômetros:
Exemplo de uso do
micrômetro
1 , 0 0 Escalas do

1 volta = 0,50 mm

0 , 5 0
Cada divisão = 0,01

Exemplo 01:
A
- Neste exemplo a seta (A) indica 2 mm
- A seta (B) mostra que o traço de 0,50 mm já foi C
ultrapassado, isto é, a escala móvel já deu uma B
volta, sendo então necessário acrescentar 0,50
mm na leitura.
- A seta (C) indica a leitura da escala móvel: 0,28
mm
Portanto, como valor final de leitura teremos:
2,00 + 0,50 + 0,28
Leitura = 2,78 mm

Micrômetro para medidas internas:


Apenas o formato é diferente. O procedimento
para leitura, no entanto, é idêntico ao descrito
anteriormente.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
41

3.7 - Relógio comparador


Identificações: Prolongador do encosto

Ponteiro: cada traço Trava


percorrido na escala,
equivale à precisão do Escala para ressaltos
relógio, no caso da fig.,
0,01 mm Precisão

Escala para milímetros


inteiro

Escala para rebaixos

Aro: ao ser girado, permite zerar a


escala de ressaltos e rebaixos, ou
seja, alinhar o zero com o ponteiro.

Encosto ou haste móvel


Como o próprio nome diz, este instrumento
na realidade não faz medidas; apenas
Ponteira / apalpador
compara.
Então, para sabermos a distância entre duas
posições, precisamos sempre calcular a
diferença de leitura entre as duas posições
extremas.

Por exemplos:
1- Figura ao lado: Folga axial da árvore do coman-
do de válvulas:
- Empurre a árvore totalmente para dentro
- Apóie a ponteira do relógio sobre a árvore
- Zere a escala ou anote o valor mostrado
- Force a árvore totalmente para fora
- Faça a leitura do relógio e calcule a diferença.

2- Projeção das válvulas sobre a face usinada do


cabeçote:
Apóie a ponteira do relógio sobre a face do
cabeçote e depois sobre a válvula.
A diferença nas leituras, é o valor da projeção
da válvula.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
42

☞ NOTAS:
1 - À exemplo dos demais instrumentos, existem relógios
comparadores eletrônicos, que proporcionam grande
facilidade de leitura e precisão.
2 - Cuidados no manuseio - tanto para relógios convenci-
onais quanto eletrônicos: siga as mesmas recomenda-
ções citadas para os demais instrumentos.
Leia também, as instruções do respectivo fabricante.

Leitura do relógio comparador


O ponteiro maior indica centésimos de RELÓGIO COMPARADOR ELETRÔNICO
milímetro, sendo que cada volta nesta escala MITUTOYO: FOTO DE DIVULGAÇÃO -
corresponde a um milímetro. Isto vale tanto a escala WEB
para ressaltos (externa) quanto para a escala de
rebaixos (interna)

Na figura ao lado: Escala para


É importante observar o sentido do movimento dos ressaltos
ponteiros, ao fazer as leituras.
- Ponteiro pequeno: milímetros inteiros
- Ponteiro grande: centésimos.
Com o deslocamento da haste móvel para cima
(veja a figura) o sentido dos ponteiros obedece a
ordem indicada pelas setas e, logicamente, quando
a haste se desloca para baixo, o movimento dos
ponteiros será contrário ao que aparece na figura.

Aro

☞ NOTA:
Para todas as medidas, aplique uma
pré-carga à haste móvel, ou seja, para
Haste móvel se
movendo para
cima: medida de
ressaltos
a posição inicial da medida, deixe a
haste deslocada em 2 a 3 mm para
dentro. Em seguida, faça a zeragem
da escala, girando o aro.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
43

Exemplo de medida 01: medindo ressaltos

B
A

3,28 mm
3,00 mm

Na figura (A) o relógio comparador indica uma pré-carga de três milímetros, ou


seja, a haste móvel se deslocou 3 mm para cima.
Na figura (B) o ponteiro da escala maior se deslocou de 0,28 mm (vinte e oito
centésimos de milímetro) e o ponteiro da escala menor encontra-se entre 3 e 4; A
leitura, portanto, será 3,28 - 3,00 mm = 0,28 mm (vinte e oito centésimos de milímetro)
pois não ocorreu mais que uma volta do ponteiro maior.

Exemplo 02: medindo rebaixos

A B

4,88 mm

2,77 mm

Aro para zeragem

A figura (A) indica uma pré-carga de 4,88 mm* (quatro milímetros e oitenta e
oito centésimos). Na figura (B), o ponteiro da escala menor se deslocou para 2 mm:
como o ponteiro maior deu duas voltas e parou na marca de 0,77 mm (setenta e sete
centésimos); teremos como leitura 2,77 mm (dois milímetros e setenta e sete
centésimos).
Leitura = 4,88 - 2,77 mm = 2,11 mm (Dois milímetros e onze centésimos).
*OBS: Sempre após fazer a pré-carga, zere a escala do ressalto/rebaixo, girando o
aro.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


3 - Instrumentos de medição
44

3.8 - Súbito ou intramés


Relógio comparador
Consiste de um dispositivo para medidas
precisas de diâmetros internos.
Exemplos: Medida de diâmetro ou ovalização de Hastes apalpadoras
cilindros (figura abaixo), buchas, etc.
O princípio de leitura deste instrumento é idêntico
ao relógio comparador.

Forma correta de
segurar o intramés Empunhadura

Haste tubular

Cabeça de medição

Exemplo de medição: diâmetro


interno de um cilindro
a) Escolha uma haste apalpadora que
proporcione a medida "L", que é a me-
dida a ser feita "D" + uma pré-carga
adequada. Faça esta medida com um
micrômetro, impondo uma pré-carga* 5,50 mm
à haste apalpadora, que proporcione
um valor inteiro para "L", ou seja, sem
centésimos. *No exemplo, esta pré-
carga é de 2 mm
b) Anote a medida "L" (do micrômetro) e
a medida registrada no relógio
Cabeça de
comparador (zere a escala dos centé-
simos) - Exemplo: medição
L:120,00 mm Rel. comp: 2,00 mm
c) Insira o intramés no cilindro, manten-
do-o bem alinhado: para isso, fique
atento à leitura do ponteiro maior, con-
Haste apalpadora
siderando a menor leitura obtida.
Exemplo: 5,50 mm
d) Diferença de leitura obtida no relógio
do súbito: 5,50 - 2,00 = 3,20 mm 2,00 mm
e) Medida "D" = 120,00 - 3,20
D = 116,80 mm

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
45

4.1 - Folgas e interferência: axiais e radiais

Folga é um espaço necessário entre duas ou mais peças, que tenham movimento
relativo.
Por isso, a expressão "eliminar folga" é equivocada. Na realidade, o objetivo é
manter a folga dentro de determinados limites, tanto máximo quanto mínimo:
- Folga insuficiente pode impedir a lubrificação das peças, gerando a destruição
de componentes;
- Folga excessiva gera ruído anormal, vibração, mau funcionamento e às vezes
também a danificação de componentes.

A) Folga radial
É a folga na direção do raio (daí o termo radial )
e é verificada entre eixos e mancais, pistões e
camisas, etc.
A folga radial "Fr" é a diferença entre diâmetros
de tais peças.
De = Diâmetro externo Df = Diâmetro do furo

Fr = De - Df

Medindo o diâmetro
interno de uma bucha,
para posteriormente,
calcular a folga entre a
mesma e o eixo.

B) Interferência (ou folga negativa)


Temos interferência quando o diâmetro do eixo
"De" é maior que o diâmetro do furo "Df".
Neste caso, não há movimento relativo entre
1
as peças e a interferência é a responsável pela
fixação das mesmas.
Um grande exemplo disso, são as esteiras
utilizadas em colheitadeiras versão arrozeira: os
pinos (1) são montados com força de dezenas de
toneladas nos elos (2).
2

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
46

C) Folga axial
É a folga na direção longitudinal do eixo, sendo verificada geralmente em eixos,
engrenagens e pacotes de engrenagem.
A forma mais prática para verificar a folga axial, é através de relógio comparador ou
calibre de lâminas

4.2 - Ovalização

A ovalização é a diferença no diâmetro entre 2 direções perpendiculares, devida


ao desgaste.
O exemplo mais clássico, é o que ocorre em cilindros de motores: o desgaste
tende a ser maior na direção transversal, devido ao esforço dos pistões nesta direção.

Ovalização = D1 - D2

D1

D2

Verificando a ovalização com o uso de "súbito"

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
47

4.3 - Empenamento

Empenamento é a deformação permanente de uma peça submetida à esforços


excessivos de flexão, flambagem, carga térmica ou pressão; caso do cabeçote e
bloco de motor.

Para verificar o empenamento em eixos e Para peças planas, como cabeçotes, utilize uma
hastes, utilize o relógio comparador. O régua retificada e calibre de lâminas: a lâmina que
empenamento, neste caso, é a diferença entre a melhor se ajustar, no ponto de maior folga,
leitura mínima e máxima, no ponto central do eixo. corresponde ao empenamento.

4.4 - Raio de concordância

Esta medida tende a ser vista sem importância. Porém, os raios cumprem função
estrutural em muitas peças. Exemplo clássico: virabrequins.
Quando por ocasião da retífica, os raios de concordância ficarem abaixo do
recomendado, quebras ocorrerão com grande probabilidade.

Concentração de tensão em virabrequim, num


dos pontos mais críticos

Procedimento para verificação


do raio de concordância: a
lâmina que melhor se encaixa,
corresponde ao raio em
questão, no caso, 4,5 mm

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
48

4.5 - Conicidade e inclinação


D1
A conicidade normalmente é considerada a
diferença de diâmetro ao longo de um cilindro,
tendendo a formar um cone, dai o termo
"conicidade".
As paredes ficam, portanto, inclinadas em
relação ao eixo normal.

Conicidade = D1 - D2

Inclinação
É o ângulo formado por uma superfície ou linha
em relação ao eixo normal.
D2

Veja o exemplo da chaveta ao lado, onde a


inclinação relativa (dada em percentual), pode ser
calculada: A
Inclinação (%) = (B / A) x 100 B

Relógio comparador com a ponteira apoiada


4.6 - Excentricidade
de forma que sua direção intercepte o centro
É o desvio (afastamento) do centro de uma peça, de giro da peça.
giratória ou não.
Exemplo: volante de motor.
Para a verificação, apóie um relógio comparador
conforme ilustrado; a excentricidade é a diferença
entre as leituras extremas obtidas, ao girar o volante
uma volta completa.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
49

4.7 - Paralelismo e perpendicularismo


Duas superfícies ou linhas se dizem paralelas,
quando o ângulo entre as mesmas é de 1800 , ou
seja, não se cruzam.
Linhas e planos
paralelos
Perpendicularismo é o inverso: as linhas ou
planos se cruzam, sob um ângulo de 900 (chamado
também de ângulo "reto").

Em caso de peças giratórias, como volante de


motor e polias, a verificação do perpendicularismo
destes em relação ao respectivo eixo de giro, é
fundamental, pois interfere no balanceamento.
Não sendo observado o correto
perpendicularismo, a máquina irá vibrar, os mancais
sofrerão desgaste prematuro e outros componentes
podem sofrer ruptura.

1- A ponteira do micrômetro deve ser posicionada num ponto extremo


da circunferência da peça e de forma perpendicular à superfície.
2- Mantenha a peça comprimida durante a verificação.
3- O perpendicularismo é a diferença entre as leituras extremas indicadas
pelo relógio, ao girar o volante uma volta completa.

Perpendicularismo

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
50

4.8 - Tensão de correias e correntes

O ajuste da tensão de trabalho de correias, é o principal


cuidado a ser tomado com este tipo de transmissão.
Além de determinar a vida útil das correias em si, outros
componentes, em especial os mancais, são afetados por este
ajuste:

Carga sobre os rolamentos


- Tensão insuficiente: correia(s) pode(m) patinar, prejudican-
do a transmissão e danificando as correias por supera-
quecimento.
- Tensão excessiva: além da tensão excessiva imposta às
correias, os mancais sofrerão sobrecarga (perigo de rup-
tura).

Ajuste correto
Sempre que não houver recomendação específica, adote
a seguinte regra:
A tensão está correta se a deflexão "X", no trecho livre mais
longo estiver entre 10 e 20 % da distância "L", entre eixos.

F = força aplicada
sobre a correia para
gerar a deflexão

X = L / 10 a 15

☞ NOTA:
Em casos especiais, como correias denta-
das de comandos de válvula de motores vei-
culares, existem dispositivos como o mos-
trado ao lado, que fornecem diretamente a
tensão da correia.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
51

Formas de ajuste
1 - Por deslocamento ou giro do componente acionado
Neste caso, deve-se soltar os parafusos de fixação do componente,
deslocá-lo ou girá-lo conforme necessário e reapertar os parafusos ou porcas.
Exemplos: Alternadores e bombas hidráulicas.

2 - Através de polias tensoras


Há 3 casos:
A) Polia tensora fixa: solte os parafusos de fixação do suporte da polia tensora,
desloque-a conforme necessário e reaperte os parafusos.
Exemplo: correia do ventilador, motor Deutz.
B) Polia tensora com ação de mola: neste caso, o ajuste da tensão consiste em
deixar o comprimento da mola conforme recomendado para cada caso.
Exemplo: na MF 34 e 38, para todas as correias o comprimento "L" das molas
deve ficar entre 100 e 105 mm
C) Tensores automáticos (com mola espiral interna): não são necessários ajustes
periódicos, apenas uma verificação de rotina quanto ao funcionamento do sis-
tema. Exemplo: motores Cummins, Série B e C.

A
Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica
4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
52

Tensão (ou folga) de correntes de transmissão


O princípio para verificação da folga é o mesmo que o recomendado para as
correias, ou seja, 1 a 2% da distância entre eixos, no trecho livre mais longo.
Para o ajuste, geralmente é utilizada uma engrenagem tensora intermediária
somente para esta finalidade.

4.9 - Torque de aperto de parafusos e porcas


Um parafuso, porca ou prisioneiro, não pode Parafuso
ser encarado como um simples elemento de
fixação. É preciso entender que, ao apertá-los,
ocorre uma certa deformação, devida à tensão
aplicada.
Tensão incorreta pode se enquadrar nas
seguintes hipóteses:
- Aperto insuficiente: o parafuso ou porca pode
solta-se, o que em muitos casos pode ter con-
seqüências muito sérias - exemplos: compo- Prisioneiro
nentes que afetam a segurança e peças inter-
nas de motor ou transmissão
- Aperto excessivo: o parafuso, prisioneiro ou até
mesmo as peças fixadas, podem sofrer defor-
mações excessivas e permanentes, inutilizan-
do-os.

Existem basicamente 2 sistemas de aperto ou


reaperto:

Por torque especificado (N.m ou kgf.m):


Através de um torquímetro, mede-se o torque
aplicado.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
53

OBS: O aperto por torque poderá acarretar um problema se as roscas dos parafusos
ou alojamento dos mesmos, estiverem sujas ou danificadas; na medição do torque
o aperto não será uniforme e, portanto, não confiável.
É preciso entender que, ao aplicar o torque correto aos parafusos e porcas, o objetivo
na realidade não é o torque em si, mas sim, a tensão imposta ao parafuso ou
prisioneiro.

Aperto angular (graus):


Ao realizar um aperto angular, o que se mede
é o giro que efetua o parafuso. Utiliza-se um
goniômetro (1) específico para este fim.
Neste caso, faz-se um aperto inicial com
torquímetro e na segunda etapa, o aperto defi-
nitivo através de um ângulo adicional, especifi-
cado para cada caso.

Exemplo de sobre-torque recomendado para


cabeçote de motor (Perkins)
NOTAS:
1 - Não existe equivalência entre graus e torque (em kgf.m ou N.m); veja o porquê:
Se rosqueamos dois parafusos baseado no torque de aperto, e um exigir maior
esforço do que o outro (devido a problemas na rosca, por exemplo), ao aplicar-se o
mesmo torque para ambos, resultará uma diferença no aperto, ficando o parafuso
que exigiu maior esforço sem a tensão correta.
Se apertarmos estes parafusos com ângulo especificado, ambos serão rosqueados
por igual no bloco e, conseqüentemente se obterá um aperto mais preciso e unifor-
me.

2 - Use a quantidade de lados do 1


sextavado como referência, partindo do
fato de que cada lado (ou face) 2 1800 (3 x 60)
corresponde a 600 (360 / 6). Assim, para
um aperto de 1800, gire o parafuso 3 3
lados - veja ao lado.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
54

4.10 - Alinhamento de eixos, polias e engrenagens

Além da correta tensão das correias e correntes, é necessário sempre certificar-


se do correto alinhamento das polias e paralelismo dos eixos.

Alinhamento e
paralelismo

Corretos

Polias

desalinhadas
entre si


Eixos não paralelos

Alinhamento das polias (ou engrenagens


1 2
de correntes de transmissão)
O alinhamento das polias e engrenagens,
normalmente se faz deslocando estes componentes
em relação ao eixo.
Exemplo: polia (1) de acionamento das navalhas
da plataforma Hyperflex e engrenagem (2), de
acionamento do caracol: solta-se os parafusos (3)
para permitir o deslocamento da polia e/ou
engrenagem sobre o eixo.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
55

Paralelismo entre eixos


Para este ajuste, deve-se atuar sobre o posicionamento dos mancais do(s) eixo(s)
em relação aos respectivos suportes.

Exemplo: Acionamento do ventilador e tela rotativa - MF 3640 e 5650


Ao ajustar a tensão das correias (4 e 5), através dos tensores (6), utilize uma
régua (7) para assegurar o alinhamento conforme mostrado na figura abaixo.
Os tensores (6) devem ser ajustados por igual, para manter o alinhamento e
paralelismo, entre as polias e eixos.

6
5 Régua

7 4

4.11 - Pré-carga de rolamentos: conceito


O que é a pré-carga:
É a resistência (ou torque) de giro de um eixo,
apoiado em mancais e que traduz a folga existente
nos rolamentos (do tipo cônico).
A folga axial de pacotes de engrenagens ou
simplesmente eixos, apoiados sobre rolamentos
cônicos, é mínima. Por esta razão, normalmente o
parâmetro de ajuste é o torque de giro do eixo,
medido com torquímetros de alta sensibilidade
(figura ao lado) ou balanças dinamométricas. Verificando a pré-carga do eixo do pinhão - eixo
4x4 ZF - APL
Como é ajustada a pré-carga
Independente da forma de ajuste, este consiste
sempre em aproximar ou afastar os rolamentos
cônicos entre si.
Veja na figura ao lado: se comprimir os rolamentos
da direita (ver setas), diminui a folga e aumenta a
pré-carga dos mesmos.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
56

4.12 - Folga entre dentes (back-lash)

Este ajuste deve ser efetuado em diferenciais, de eixo dianteiro e traseiro.


Em função do tipo de engrenagem (pinhão e coroa com dentes hipoidais), o ajuste
da folga e do contato entre dentes é fundamental para a resistência e durabilidade
destes conjuntos.
O ajuste entre pinhões e coroas, segue 3 etapas ao todo:
1- Ajuste da pré-carga dos rolamentos, do pinhão e coroa - veja o descrito ante-
riormente.
2- Ajuste da folga entre dentes
3- Análise do contato (ajuste fino)

Ajuste da folga entre dentes


Antes de falarmos nos procedimentos, vamos
esclarecer um conceito fundamental no ajuste entre
coroas e pinhões: o ponto virtual.
Como esquematizado ao lado, todo o ajuste
entre coroa e pinhão, consiste no deslocamento axial
destes componentes, de modo que, o
prolongamento do diâmetro primitivo dos dentes de
ambos, se cruzam sobre um só ponto, localizado
sobre o ponto de cruzamento das linhas de centro Ponto virtual
do pinhão e da coroa. Isto é o "Ponto Virtual".
Universalmente, o conjunto coroa e pinhão são
fabricados e ajustados de forma "casada",
obedecendo a condição do "Ponto Virtual".
O Manual de oficina das máquinas MF descreve a
Na prática, porém, é possível visualizar e seqüência específica para cada caso.
determinar o ponto onde se localizaria o
Ponto Virtual.
Por esta razão, utiliza-se como
parâmetros, a folga entre dentes e a
análise visual da forma de contato entre
dentes .

OBS: É fundamental que os Eixo traseiro - tratores MF


procedimentos sejam conduzidos na
seqüência correta, utilizando
instrumentos e dispositivos adequados
e sob condições de organização e
limpeza na área de trabalho.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
57

Interpretação das marcas de contato.


OBS: As figuras mostram dentes do tipo Gleason (utilizados
nos tratores MF).
Neste dente, o perfil (largura) muda ao longo do comprimento.
Já os dentes do tipo Oerlikon, o perfil é constante:

Gleason

Oerlikon

INCORRETO 1:
Pinhão muito próximo da coroa (avançado): recuar o pinhão,
aumentando espessura dos calços de posicionamento.
1- Lado côncavo dos dentes (coroa e pinhão): contato baixo 1
na parte externa
2- Lado convexo dos dentes (coroa e pinhão): contato baixo


na parte interna.

INCORRETO 2:
Pinhão muito afastado da coroa (recuado): Diminuir espessura
dos calços de posicionamento. 3
3- Lado convexo dos dentes (coroa e pinhão): contato alto na
parte externa
4- Lado côncavo dos dentes (coroa e pinhão): contato alto


na parte interna.
4

CORRETO:
5- Pinhão CORRETAMENTE POSICIONADO:
Marcas localizadas à meia altura e ligeiramente deslocadas
para o lado interno.
5


Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica
4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
58

4.13 - Ponto de injeção de motores diesel

Muitas vezes nos deparamos com a expressão "colocar o motor no ponto".


O presente item, visa apenas esclarecer o conceito, sem envolver-se com detalhes
de procedimento, já que estes variam conforme o motor e bomba injetora.

Ponto de injeção Bomba injetora BOSCH em linha (motores


Cummins)
Como você sabe, a combustão se desenvolve
mediante à injeção do diesel sob alta pressão na
câmara de combustão.
Com o motor a 2200 rpm, teremos 1100 injeções
por minuto, em cada cilindro.
Conclui-se, que cada injeção dura apenas alguns
milésimos de segundo e deve ocorrer no instante,
ou melhor, no ponto exato.
O ponto de injeção é sincronizado com o
movimento dos pistões. Para efeito de ajuste, se
utiliza o pistão N0 1 (dianteiro) como referência.
O início da injeção ocorre alguns milímetros
antes dos pistões atingirem o PMS (Ponto Morto
Superior = ponto mais alto do curso).
OBS: Ao invés de mm APMS (mm Antes do Ponto
Morto Superior), utiliza-se também graus APMS,
identificada pelas marcas (7) - veja a seguir.

Legenda - ver próxima página


1- Bomba injetora (representação simbólica)
2- Bico injetor
3- Engrenagem do virabrequim
4- Engrenagem da bomba injetora: possui o do-
bro de dentes da engrenagem (3), pois ocorre 9
uma só injeção a cada 2 voltas do virabrequim.

A sincronização da bomba injetora compreende


os seguintes requisitos
8
5- Alinhamento das marcas das engrenagens:
cuidar na montagem do motor.
2
6- Pistão N0 01 no ponto certo: alguns mm APMS,
o que pode ser determinado por: 8- Alinhamento das marcas de sincronização en-
- Relógio comparador tre o flange da bomba injetora e o motor.
- Pelo alinhamento das marcas de referência (7) Para alinhar estas marcas, deve-se soltar as
existentes na polia do virabrequim ou volante porcas (9) e girar o corpo da bomba conforme
e carcaça do motor. necessário.

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4 - Medidas e ajustes mais comuns na mecânica
59

12

13

PMS
PEI
Ponto
Estático de
Injeção

4
7

1
8 Comando de
válvulas

5 3 11 10

Sincronização do comando de válvulas


Se resume à montagem correta da engrenagem (10) em relação a engrenagem
acionadora (3): isto é feito coincidindo as marcas de referência (11) conforme
esquematizado acima. Além disso, é necessário ajustar a folga dos balancins (12) em
relação as válvulas (13).

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
60

5.1 - Materiais de construção mecânica


A) Ferro Gusa
O aço é obtido com a fundição do ferro, elemento químico abundante na natureza,
que na queima se liga ao carbono originando o aço carbono ou ferro fundido. Nesse
primeiro estágio de beneficiamento do metal, o material obtido é o “ferro gusa”.
O aço carbono é o material ferroso mais comum e conhecido que se tem, é
muito utilizado na indústria em geral e na construção civil.

B) Ferros Fundidos
✔ Ferros fundidos são ligas Ferro (Fe) com Carbono (C), com concentração acima
de 2.1 % C (tipicamente entre 3 e 4.5 %).
✔ Nesta faixa de concentrações, a temperatura de fusão é substancialmente me-
nor que a dos aços, o que facilita o processo de fundição e moldagem.
✔ As propriedades dos ferros fundidos mudam radicalmente em função da con-
centração de C e outras impurezas (Si, Mg. Ce) e do tratamento térmico.

B1) Ferro fundido nodular


✔ Adicionando Magnésio ou Cério ao Ferro Fundido cinzento, eleva-se a ductilidade
e resistência, a ponto de se aproximar das propriedades dos aços.
✔ Bastante utilizado em carcaças de transmissão.
✔ Usado em válvulas hidráulicas, corpos de bombas, engrenagens,...

B2) Ferro cinzento


OBS: O nome vem da cor típica de uma superfície fraturada.
✔ Teor de C entre 2,5 e 4.0 % - Silício (Si) entre 1,0 e 3,0
✔ Fraco e quebradiço sob tração.
✔ Mais resistente e dúctil sob compressão.
✔ Ótimo amortecedor de vibrações.
✔ Resistente ao desgaste, baixa viscosidade quando fundidos, permitindo moldar
peças complexas.
✔ Mais barato de todas os materiais metálicos.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
61

C) Aços
✔ Aços são ligas Fe-C que podem conter outros elementos.
✔ As propriedades mecânicas dependem do teor de C.
✔ Classificação em função do teor de C
- Menor que 0.25% = baixo carbono (também chamado de “aço doce”)
- 0.25% < %C < 0.60% => médio carbono (aço meio-doce)
- 0.60% < %C < 1.4% => alto carbono
✔ Aços carbono: Baixíssima concentração de outros elementos de liga.
✔ Aços liga: Possui, além de C, outros elementos em concentração apreciável.

C1) Aços de Baixo Carbono


✔ Macios e pouco resistentes, muito dúcteis e tenazes
✔ Insensíveis a tratamentos térmicos
✔ Custo mais baixo de produção
✔ Usos em painéis, tubos, pregos, arame...

Alta resistência, baixa liga (HSLA)


✔ Contém outros elementos tais como Cu, Va, Ni e Mo
✔ Mais resistentes e mais resistentes à corrosão
✔ Aceitam tratamentos térmicos
✔ Usos em estruturas para baixas temperaturas, chassis de caminhões, vagões...

C2) Aços Médio Carbono


✔ Usos em facas, martelos, talhadeiras, serras de metal...
✔ Tratáveis termicamente
✔ A presença de impurezas aumenta a resposta a tratamentos térmicos.
✔ São mais resistentes, porém menos dúcteis e tenazes.
✔ Uso em molas, pistões (hidráulico), engrenagens...

C3) Aços Alto Carbono


✔ Aços Planos e Ferramenta
✔ Extremamente duros e fortes, pouco dúcteis.
✔ Resistentes ao desgaste e mantém o fio.
✔ Combinados com Cromo (Cr), Vanádio (V) e Tungstênio (W), formam ligas extre-
mamente duras e resistentes.
✔ Uso em moldes, facas, lâminas de barbear, molas...

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
62

D) Ligas não-ferrosas
D1) Ligas de cobre
✔ O Cobre puro é extremamente macio, dúctil e deformável a frio. É também
resistente à corrosão.
✔ Ligas não são tratáveis termicamente. A melhora das propriedades mecânicas
deve ser obtida por trabalho a frio ou solução sólida.
✔ As ligas mais comuns são os latões, com Zinco (Zn), com propriedades que
dependem da concentração deste e outros fatores;
✔ Os bronzes incluem Sn, Al, Si e Ni, sendo assim mais fortes do que os latões.
✔ Novas ligas com Berílio (Be) possuem diversas propriedades excepcionais

D2) Ligas de Alumínio


✔ O Alumínio é pouco denso (2.7 g/cm³, 1/3 da densidade de aço), ótimo condutor
de temperatura e eletricidade, resistente à corrosão e possui alta ductilidade.
A maior limitação é a baixa temperatura de fusão (660 °C).
✔ A resistência mecânica pode ser aumentada através de ligas com Cobre (Cu),
Magnésio (Mg), Silício (Si), Manganês (Mn) e Zinco (Zn).
✔ Novas ligas com Magnésio (Mg) e Titânio (Ti) tem aplicação na indústria auto-
mobilística, proporcionando redução do peso.
De 1976 a 1986 o peso médio dos automóveis caiu cerca de 16% devido à
redução de 29% do uso de aços, ao aumento de 63% no uso de ligas de Al e de
33% no uso de plásticos.

D3) Ligas de magnésio (Mg)


✔ O Mg é o menos denso de todos os metais estruturais (1.7 g/cm³).
✔ Muito utilizado em aviação.
✔ Baixo ponto de fusão (651 °C).

D4) Ligas de titânio (Ti)


✔ O Ti é pouco denso (4.5 g/cm³) e tem alto ponto de fusão (1.668 °C).
✔ Ligas de titânio são muito resistentes com limites de resistência de até 14 tone-
ladas por cm²;
✔ Produção cara e complexa.

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5 - Noções básicas de elementos de máquinas
63

5.2 - Parafusos e porcas


Roscas
As roscas, porcas, parafusos e vários outros itens de fixação, são padronizados,
segundo Normas conhecidas internacionalmente, embora nem sempre adotadas em
todos os países.
Existem diversos tipos de rosca, sendo as mais difundidas em nosso país:
- Rosca métrica - Sistema Internacional
- Rosca Whitworth
- Rosca Whitworth para tubos de gás e líquidos

Rosca métrica - Sistema Internacional

Note que estas roscas se caracterizam por ter


a crista dos filetes achatada e o fundo com raio,
tanto da porca quanto do parafuso.

Porca Parafuso

Rosca Whitworth
Diferenças em relação à rosca métrica ISO:
✔ Ângulo de filete de 550 ao invés de 600
✔ Crista dos filetes, do parafuso e porca, Porca
arredondados.
✔ Especificação do diâmetro "D" é dada
em polegadas e a ISO métrica em
milímetros.

Parafuso

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
64

Rosca métrica ISO Rosca Whitworth Representação genérica

Na prática, os parafusos são caracterizados e especificados com os seguintes dados:


- Diâmetro externo da rosca "D" - exemplo: M12 = parafuso com rosca de diâme-
tro "D" de 12 mm
- Comprimento total da haste "L" - exemplo: M16 x 30 (D = 16 mm e L = 30 mm)
- No caso de rosca fina (passo "P" menor), a identificação inclui o passo da rosca
- exemplo: M16 x 30 x 1,5 (D = 16 mm, L = 30 mm, P = 1,5 mm).
- k = altura da cabeça m = altura da porca s = largura da chave

Especificação de rosca grossa (ou normal) e rosca fina


Este dado refere-se ao passo da rosca: fino (passos menores) e rosca grossa (passos
maiores).
Pela tabela abaixo, observe que para cada diâmetro "D", o passo na rosca fina é
menor que o equivalente na rosca grossa (ou rosca normal).
OBS: A distinção de rosca grossa e rosca fina não existe para roscas tipo Whitworth.
Esta rosca é especificada em polegadas e identificada pela letra "W"
Exemplo: 3/4 W (Rosca Whitworth com diâmetro "D" = 3/4" ).

Diâmetro "D" Passo "P"


Para rosca grossa Para rosca fina
OBS: O trecho desta tabela é
8 1,25 1,00
apenas para referência. Consulte
10 1,50 1,25
guias técnicos adequados para
12 1,75 1,25 obter tabelas completas e outros
14 2,00 1,150 dados.
16 2,00 1,50
18 2,50 1,50

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
65

Classificação dos parafusos hexagonais de acordo com o material


Os parafusos mais utilizados na mecânica, sem dúvida são os hexagonais
(também chamados de sextavados).
Estes parafusos podem ser fabricados com materiais de diferentes resistências
mecânicas, em função do tipo de aplicação. Temos assim as chamadas "Classes" de
parafusos.
Temos duas normas diferentes para classificar os parafusos pela Classe. Em
ambos os casos, a referência é gravada na cabeça do parafuso:
Pela Norma ABNT, são utilizados números e pela Norma SAE, a identificação da
classe é feita por traços:

Tabela de Classes segundo SAE e ABNT:

SAE / Marcação ABNT / Marcação Material


0 / não tem não tem equivalente --
1 / não tem 4.6 Aço baixo Carbono
2 / não tem 5.6 Aço baixo Carbono
3 / 2 traços 6.8 Aço médio Carbono
5 / 3 traços 8.8 Aço médio Carbono tratado termicamente
6 / 4 traços não tem equivalente --
7 / 5 traços não tem equivalente --
8 / 6 traços 10.9 Aço liga tratado termicamente

Classes - ABNT (Números)

Classes - SAE (Traços)

☞ NOTA:
O valor do torque de aperto aplicado aos parafusos, deve levar em conta
a Classe dos mesmos.

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5 - Noções básicas de elementos de máquinas
66

5.3 - Dispositivos contra o desparafusamento espontâneo


1
Uma questão crítica, que envolve segurança e integridade de uma máquina, é
evitar o afrouxamento de porcas e parafusos. 2
Existem, para isso, recursos de travamento, que podem ser classificadas em 2
tipos: travamento mecânico e travamento químico
3
A) Formas de travamento mecânico: Veja a legenda na
próxima página
4

Formas de 5
utilização das
cupilhas (14)
6

Porca com entalhe para


9
montagem de anel de
segurança: utilizada em
eixos de transmissão.
10

Uso de
contraporca 11
9
16
12

12
14 1
2

14

15

12 4 16

16

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
67

1- Mola em forma de taça 10 - Porca autoblocante "Cleveloc"


2- Arruela elástica (ou de pressão) 11 - Aro elástico "Simmonds"
3- Arruela elástica dentada 12 - Anéis de segurança "Dubo"
4- Arruela ondulada 13 - Porca com entalhes e arruela de segurança para
5- Parafuso com gota de resina "Eslok" pontas de eixo (aplicação naval)
6- Porcas sextavadas de segurança com calota 14 - Cupilha
7- Porcas sextavadas de segurança 15 - Arruela de segurança com grampo
8- Porcas de segurança 16 - Arruela de segurança com lingüeta
9- Porcas sextavadas autoblocante "Nyloc" com 17 - Arruela e plaqueta de segurança.
anel de Nylon incorporado

B) Formas de travamento químico (Produtos Loctite)

Loctite 241/242: Trava de média resistência para parafusos e


porcas.
Trava de média resistência à desmontagem para parafusos
e porcas. Facilita a montagem, elimina sistemas mecânicos
de travamento, evita afrouxamento por vibração, impede
corrosão e ferrugem, impede vazamentos, elimina reapertos
e permite desmontagem com ferramentas convencionais.

Loctite 277: Trava de alta resistência à desmontagem para


parafusos, porcas e prisioneiros.
Facilita a montagem, elimina sistemas mecânicos de
travamento, evita afrouxamento por vibração, impede
corrosão e ferrugem, impede vazamentos, elimina reapertos.
Permite desmontagem com ferramentas convencionais.

Loctite 290: Trava e veda parafusos após a montagem


PRODUTOS LOCTITE: DIVULGAÇÃO -
Penetra por capilaridade preenchendo todos espaços vazios.
WEB
Elimina sistemas mecânicos de travamento, evita
afrouxamento por vibração, impede corrosão e ferrugem,
Loctite 515 ou Three Bond
impede vazamentos, elimina reapertos e veda
microporosidades. Produtos utilizados no lugar de
juntas.
Permite desmontagem com ferramentas convencionais.
Exemplos (em tratores): tampa
hidráulica, montada sobre a carcaça
Loctite 601: Fixação de rolamentos, buchas e outras peças central, tampa superior de
cilíndricas. fechamento de todos os câmbios e
Permite a montagem por deslizamento e previne corrosão união da carcaça do câmbio com a
entre as partes. Dispensa acabamento polido das peças; carcaça central (eixo traseiro).
desmontagem com ferramentas convencionais.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
68

Loctite 660: Fixação de rolamentos e buchas com grandes folgas,


chavetas etc.
Preenche grandes folgas, não necessitando de superfícies
retificadas; fixa e veda as peças
Permite desmontagem com ferramentas convencionais.

Loctite 567: Veda roscas com Teflon®


Para qualquer conjunto rosqueado. Evita entupimentos, não
contamina o sistema, veda instantaneamente conexões NPT até
17 bar (250 PSI). Facilita o posicionamento das peças e
equipamentos (ex.: cotovelo, “T”, manômetro, etc).

5.4 - Chavetas

São dispositivos de travamento de polias e engrenagens à eixos de transmissão.


São montados em rasgos longitudinais, com certa interferência. Veja os principais
tipos e montagens:

Chaveta rebaixada com


Chaveta reta
ressalto

Chaveta tangencial
Chaveta arredondada

Lingüeta reta
Chaveta com ressalto

Lingüeta arredondada
Chaveta rebaixada

Chaveta côncava com


Chaveta tipo "meia-lua"
ressalto

Chaveta côncava ☞ NOTA:


As setas indicam o deslocamento da
chaveta para montagem e desmon-
tagem.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
69

5.5 - Anéis de elásticos de retenção

São anéis montados em canaletas, sobre eixos


ou no interior de furos, com o objetivo de promover
a retenção de componentes como rolamentos,
polias, engrenagens, etc.
Veja o exemplo ao lado: anel de retenção da
planetária, dos redutores finais de eixo Carraro.

OBS: Para montar e desmontar anéis elásticos,


deve-se utilizar alicates de pontas e tomar muito
cuidado, pois sendo montados sob pressão,
tendem a "escapar", podendo projetar-se
violentamente contra o rosto ou outras partes do 8 1
corpo.
Utilize óculos de segurança!

9
2

10

11

12

13

14

15

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
70

5.6 - Engrenagens

É difícil imaginar o que seria da mecânica, sem as engrenagens, tamanha a


importância das mesmas.
OBS: Por definição, o nome técnico é "Rodas dentadas", já que o termo
"Engrenagem", são duas ou mais rodas dentadas trabalhando juntas (engrenadas).

A) Características gerais da transmissão por engrenagens


✔ Podem ser utilizadas em eixos paralelos ou não
✔ A relação de transmissão é constante
✔ Transmitem força sem deslizamento
✔ Possuem longa vida útil em relação a outras formas de transmissão
✔ Alta resistência à sobrecargas
✔ Baixa manutenção: basta não faltar lubrificação
✔ Possuem bom rendimento
✔ O índice de ruído, sob determinadas condições e em relação à outras transmis-
sões, pode ser maior.

B) Tipos de engrenagens
1 - Engrenagens cilíndricas de dentes retos
Apresenta maior facilidade de cálculo e fabricação - em conseqüência, menor custo.
Apresentam alguns inconvenientes, basicamente pelo fato de não haver continuidade
no engrenamento (mudança de um dente à outro).
- Maior ruído
- Menor resistência mecânica.
Bomba de
engrenagens de
dentes retos

Engrenamento
interno

Engrenamento
com cremalheira

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
71

2 - Engrenagens cilíndricas de dentes


helicoidais
Os dentes formam uma hélice em relação ao
eixo de rotação.
Estas engrenagens se destacam pela alta re-
sistência e baixo nível de ruído. Podem ser: 2A
- Montadas em eixos paralelos (2A)
- Montadas em eixos cruzados ou perpendicula-
res (900) - (2B).

3 - Engrenagem cônica de dentes retos


Utilizada em transmissões de menor solicita-
ção e velocidade.

4 - Engrenagem cônica de dentes helicoidais


retos (4A) ou helicoidais curvos (4B) Bombas de engrenagens
(palóides) 2B com dentes helicoidais
Utilizada em diferenciais - conjunto coroa e pi-
nhão, da maioria das máquinas.

5 - Engrenagem cônica de dentes helicoidais


curvos com pinhão deslocado em relação
ao centro (hipóides) 6 - Engrenagem tipo coroa e rosca sem-fim
Utilizada em diferenciais, em especial, quando Utilizadas geralmente em redutores onde a re-
se deseja um nível de ruído mínimo, como nos lação de redução é elevada.
automóveis.

Hipóide

5
6

3 Dente perfil
4B Oerlikon
4A

Perfil Gleason
(usado na
linha MF)

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
72

C) Identificação dos principais dados que caracterizam uma engrenagem

Di Diâmetro interno
Dp Diâmetro primitivo
De Diâmetro externo
p Passo: distância entre dente, sobre a circunfe- Z Número de dentes
rência primitiva h Altura dos dentes
b Altura do dente até a circunferência primitiva
OBS: A partir das características acima, obtemos (relativa ao diâmetro ou raio primitivo)
o módulo "m", que é a característica mais a Altura do dente a partir da circunferência primi-
importante a nível de projeto de uma engrenagem, tiva
pois além de determinar o tamanho dos dentes, se
constitui de um parâmetro para as Normas que
Sistema Internacional (métrico ou
regulamentam o projeto, permitindo a
modular)
padronização, como ocorre com os demais
Valem as seguintes fórmulas:
elementos de máquina.
p = (¶ x Dp) / Z
Normas mais utilizadas:
m = Dp / Z
- Sistema Inglês (Diametral Pitch)
De = m . (Z + 2)
- Sistema Internacional (métrico ou modular)
Di = m . (Z - 2,334)

OBS: O procedimento de cálculo no sistema inglês


h = 2,167 . m
(Diametral Pitch) é diferente ao do Sistema Distância entre centros "I"
Internacional
I = m . (Z1 ± Z2) / 2
±: Usar + para engrenamento externo e - para
engrenamento interno

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
73

5.7 - Correias e polias

A transmissão por correias e polias é bastante


utilizada em máquinas agrícolas. Basta imaginar uma
colheitadeira... As correias podem transmitir
movimento entre diversas polias ao mesmo tempo,
a exemplo do que ocorre também nos modernos
automóveis, equipados com diversos acessórios

De um modo geral, as correias são fabricadas


em borracha, com vários cordonéis de material
sintético, proporcionando alta resistência,
durabilidade e mínima deformação com o uso, ou
seja, baixa freqüência para retensionamentos.

Vantagens da transmissão por correia:


✔ Simplicidade
✔ Baixo nível de ruído
✔ Capacidade de absorver choques mecânicos
✔ Bom rendimento: em torno de 95%
✔ Preço baixo
✔ Facilidade de montagem
✔ Pouca manutenção: basicamente manter a ten-
são correta.

Isolante
Envelope
Tipos de correia
Cordonéis de Elemento tensor
material sintético
Elemento de compressão

ia
rre
al Co
oid
ez
rap lisa lti-V
ia t mu
rre V")
Co e m"
(ou ou
idal (
zo
tr ape tada
rre
ia den
Co "V")
em
a
plan
ia
rre
Co

ada i-V
ent ia Pol
ia d rre s)
rre Co mmin
Co (Cu

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
74

1 - Correias planas
São utilizadas para transmissões com relação de até 1:5 2
Estas correias muitas vezes são vendidas abertas, em metros e
no local de aplicação corta-se o comprimento necessário, 1
fazendo-se a emenda através de grampos.
Mas este recurso só pode ser utilizado em aplicações de
menor responsabilidade, normalmente instalações estacionárias.

2 - Correias trapezoidais (em "V")


Estas correias podem ser lisas (2A) ou dentadas internamente
(2B). O denteado proporciona maior resistência à trincas em
função da flexão que a correia sofre continuamente. 2A

São as mais utilizadas, por razões como:


- Permite grande variedade de relações de velocidade 2B
- Dimensões reduzidas
- Menor deslizamento, pois com o aumento da carga as cor-
reias são forçadas para dentro dos canais das polias.
- Permitem intercambialidade, por serem padronizadas entre
os diversos fabricantes.

Tabela - padrões de correia trapezoidal:


Designação Largura Ld Largura Altura h
Superior Ls
A 11 13,0 8
B 14 17,0 11
C 19 22,5 14
D 27 32,0 19
E 32,5 38,5 23,5
3

3 - Correias trapezoidais (em "V")


múltiplas
Possuem as mesmas características
que as correias trapezoidais normais.
Porém, representam uma opção
vantajosa em relação ao uso de diversas
correias normais em conjunto.

OBS: O diâmetro primitivo da polia é


definida entre as larguras Ld (Largura
Datum). Nesta linha, localizam-se os
cordonéis.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
75

4 - Correias "Poli-V" (Cummins)


Em função da pequena espessura, a resistência ao fissuramento é grande.
Como possui vários filetes e polias com o mesmo número de pequenos canais (4A),
a aderência é muito boa.
Características:
✔ Possui alta resistência
✔ Possui baixo coeficiente de atrito, proporcionando alto rendimento e baixo des-
gaste por abrasão
✔ Podem trabalhar com relação de transmissão elevada, trabalhar com polias de
diâmetro reduzido e trabalhar
✔ Não necessitam lubrificação
✔ São silenciosas, limpas e leves e possuem alta flexibilidade.
✔ Podem transmitir movimento entre diversas polias.

5 - Correias dentadas
Possuem as mesmas características da correia Poli-V.
Além disso, assegura o sincronismo entre as polias acionadas (principal caracteristica),
razão pela qual é largamente empregada em comandos de válvulas e acionamento
de bombas injetoras em motores veiculares.

4A

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5 - Noções básicas de elementos de máquinas
76

5.8 - Correntes de transmissão

A transmissão por corrente é empregada nos


seguintes casos:
- Quando a distância entre eixos é pequena (in-
ferior a 3 m, porém, não suficiente para o em-
prego de engrenagens
- Quando é exigida uma relação de transmissão
precisa e constante
- Quando a velocidade não é alta. Há exceções,
como no caso de correntes especiais, utiliza-
das, por exemplo, em transmissões
automomáticas - figura ao lado.
- Quando houver diversos eixos a serem aciona-
dos simultaneamente.
OBS: Neste caso, deve ser assegurado o per-
feito alinhamento e paralelismo das engrena-
gens.
- Quando se necessita de uma transmissão de Buchas
menor custo comparado às engrenagens.
Talas ou chapinhas Pinos

Principais tipos de corrente


1 - Correntes de buchas (ou ZOBEL)
Não são empregadas com muita freqüência.
Por não possuírem os rolos, podem ser feitos 1
mais grossos. São mais ruidosas e propensas
a desgaste, exigindo maior cuidado com a lu-
brificação.
Passo
2 - Correntes de rolos (ou RENOLD)
São largamente empregadas, tanto em aplica-
ções industriais, agrícolas e até veiculares (cor-
rente de motocicleta).

Corrente simples Corrente dupla Corrente tripla...

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
77

Nas correntes de rolos, o atrito é menor, pois


os rolos geralmente trabalham lubrificados sobre os
pinos, oferecendo, portanto, menor resistência ao
movimento em relação aos dentes das engrenagens.

No caso das colheitadeiras e plataformas da


AGCO, utilizam-se correntes de rolos de 2 tipos:
- ASA 50
- ASA 60: idem à anterior, porém, mais reforçada
Corrente de rolos quádrupla

Dp - Diâmetro primitivo
d- Diâmetro dos roletes
P- Passo: distância entre pinos Corrente de rolos tipo ASA 60

☞ NOTA:
Sempre monte os grampos (2A) ou
as travas (2B), do elo de emenda das
3 - Corrente de dentes

correntes de rolos, com a abertura


voltada para o lado oposto ao senti-
do de rotação.

2A

É empregada em aplicações de grande


velocidade, por serem silenciosas. Isso graças ao
formato das chapinhas (ou talas), que se encaixam
2B
de forma progressiva e suave sobre os dentes.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
78

5.9 - Rolamentos

Atualmente, há uma diversidade muito grande


de rolamentos no mercado.
Veja a seguir, a descrição dos principais tipos.

A) Rolamento de esferas
✔ É o mais popular e o mais utilizado de todos os
rolamentos.
✔ É adequado para trabalhar em altas rotações e
não requer muita manutenção.

✔ Pode ser fornecido com placa de vedação, em


um ou ambos os lados

As setas indicam
as placas de
vedação.

✔ Suportam cargas axiais e radiais em ambos os


sentidos.

☞ NOTAS:
1 - Carga axial: é quando um eixo,
e portanto os rolamentos, são
submetidos a esforço atuante ao
longo do eixo.
Carga RADIAL Carga RADIAL
Este tipo de carga é provocado,
por exemplo, por engrenagens
helicoidais.
2 - Carga radial é a carga que atua
na direção do raio (perpendicu-
lar ao eixo).
3 - Carga mista ou combinada: en-
volve ambos os tipo de solicita- Carga AXIAL
ção.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
79

Mancal compensador de oscilação,


normalmente até 1,5 a 3 graus
A2
A1

Tipos particulares de rolamentos de esferas:


A1 - Rolamento de esferas fixo, de dupla carreira:
Utilizado para cargas maiores, com predominância da
carga tipo radial.

A2 - Rolamento de contato angular, de uma carreira de A3


esferas:
Suporta altas cargas do tipo axial, em função do de-
senho angular das pistas interna e externa. Mas ob-
serve: a carga axial só pode ser aplicada no sentido
indicado pela seta.

A3 - Rolamento de contato angular duplo:


Suporta altas cargas axiais, nos dois sentidos, por exis-
tir um apoio angular duplo para as esferas.

A4 - Rolamento auto-compensador (não-fixo), de esferas


Este tipo de rolamento permite que o eixo trabalhe A4
com uma certa oscilação angular - veja o desenho ao
lado.
OBS: Estes rolamentos podem ser equipados tam-
bém com placa(s) protetora(s) na(s) lateral(is) das
esferas.
Neste caso, não se faz a lubrificação periódica e os
rolamentos NÃO devem ser lavados nem aquecidos
para a montagem.

A5 - Rolamento axial de esferas A5


Absorve unicamente esforço axial. Pode ser de esco-
ra simples (uma só carreira de esferas) ou escora du-
pla (duas carreiras)

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
80

B1 B2 B3

A figura ao lado mostra


B4 como o rolamento é
separáveis da pista
B5
externa
B6

B) Rolamentos de rolos
OBS: Estes rolamentos podem ser equipados
B1 - Rolamento de rolos cilíndricos:
também com placa(s) protetora(s) na(s)
Suporta cargas radiais elevadas. Não suporta lateral(is) dos rolos.
carga axial.
Vale repetir: não se faz a lubrificação periódi-
ca e os rolamentos NÃO devem ser lavados
B2 - Rolamento de rolos cônicos: nem aquecidos para a montagem.
Suporta altas cargas do tipo radial e axial. Po-
rém, para suportar carga axial em ambos os B4 - Rolamento axial de rolos cilíndricos ou côni-
sentidos, é necessário instalar 2 destes rola- cos (a fig. mostra o tipo cônico)
mentos, opostos entre si. A folga (pré-carga) é
Com rolos cilíndricos, absorve unicamente es-
ajustável, aproximando ou afastando os rola-
forço axial, mas com maior capacidade. Por
mentos um em relação ao outro.
isso, são montados onde o rolamento esférico
Este ajuste permite montagens bastante rígi- não seria suficiente.
das e precisas, como é necessário nos dife-
Já os de rolos cônicos, suporta também car-
renciais, caixas de câmbio, etc.
gas radiais relativamente altas.
São utilizados para grandes cargas, porém, só
B3 - Rolamento auto-compensador (não-fixo) podem ser lubrificados à óleo, pelo fato de os
Idem ao rolamento de esferas (item A4), po- rolos (B5) trabalharem fortemente pressionados
rém, suporta cargas radiais bem superiores. contra o flange (B6).

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
81

C) Rolamento de agulhas
São empregados principalmente quando o espaço radial é limitado.
OBS: Estes rolamentos são muito utilizados em engrenagens de câmbio, que
giram livres sobre o respectivo eixo.

Algumas dicas sobre manutenção de rolamentos


(Conteúdo extraído de catálogo SKF)

✔ Uma das maneiras ✔ Rolamento abertos


mais práticas de podem ser lavados,
avaliar o estado de mas os blindados,
um rolamento, é o nunca! Evite secar o
nível de ruído... rolamento com ar
comprimido.
Desmontagem:
E/ou a temperatura ✔ Prenda as peças
do mesmo. para a desmonta-
gem. OBS: Sempre
monte os rolamen-
tos na mesma
posição. Para isso,
✔ Rolamentos não marque-os antes da
são exigentes em desmontagem.
termos de manuten- ✔ Usando sacadores,
ção, mas não des- as garras devem
puxar a pista que
cuide da lubrifica-
possui a interferên-
ção
cia.
✔ Se tiver que ser na
✔ Ao abrir um conjun- outra pista, faça-o
to mecânico, não o girando o rolamen-
deixe exposto para to enquanto puxa.
entrada de pó!

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
82

5.10 - Retentores 1

Existe uma variedade muito grande de retentores, em


2
função da infinidade de aplicações e situações de operação.
Os retentores podem ser: 3
1- De vedação estática ou dinâmica.
2- Os de vedação dinâmica podem vedar componentes 4
girantes (como eixos) ou deslizantes (cilindros hidráuli-
cos).
5
3- Os do tipo girante podem ser de contato frontal (como
o selo de bomba d´água de motor) ou contato circular
(vedação de eixos de transmissão). 6

7
- Os retentores do número (1 a 12), são do tipo contato
circular;
8
- Do número (13 a 16), são de contato frontal (ou axial).
- Do número (17 a 20), são vedações sem contato: a
9
estanqueidade é assegurada por "obstáculos", chama-
dos de labirintos.
10

- A figura abaixo, mostra o exemplo mais comum de ve-


11
dação de contato frontal: uma bomba d´água de siste-
ma de arrefecimento de motor. Em função da alta tem-
peratura, utilizam-se selos de material cerâmico, altamen- 12
te resistentes ao desgaste.

13

14
Selo de vedação
(contato frontal)
15

16

17

18

19

20

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
83

5.11 - Conexões de transmissão flexíveis

São elementos utilizados para transmitir


movimento rotativo em ângulos, constantes ou
variáveis.
Classificação:
A) Conexões elásticas
B) Conexões móveis:
B1) Acoplamentos
B2) Juntas tipo cardan
B3) Juntas homocinéticas
OBS: As conexões do tipo rígidas (não trata-
das aqui), consistem simplesmente de flanges
aparafusados entre si, que interligam 2 eixos,
de máquinas fixadas rigidamente uma em re-
Conexão (ou acoplamento) rígido
lação à outra, ou seja, não há problema de
desalinhamento entre os eixos.

A) Conexões elásticas
Efetuam uma conexão entre 2 flanges ou discos (1), fixos às extremidades dos
respectivos eixos, com a interposição de um meio elástico (2).
Principais objetivos:
✔ Proporcionar uma pequena compensação de desvios de alinhamento, constan-
tes ou não e pequenos deslocamento axiais relativos entre os eixos.
✔ Atuar como amortecedor de impactos torcionais.

2
2

Junta elástica tipo "Rotex" Junta elástica tipo "Periflex"

O componente elástico possui o formato de O componente elástico (2) é constituído por tiras
uma roda dentada, com elevado poder de de borracha ou correia plana, prensadas em torno
amortecimento interno, resistente ao desgaste, aos da periferia dos flanges (1).
óleos e às altas temperaturas.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
84

B) Conexões móveis: 2

B1) Articulações
Permitem a transmissão de movimento entre
eixos ligeiramente desalinhados ou com peque-
1 1
na inclinação relativa.
Os dentes dos cubos (1) são abaulados nas ex-
tremidades, permitindo a inclinação dos mes-
mos entre si e em relação à luva central (2). Articulação de dentes tipo "Bowex"

A figura ao lado mostra as 3 situações de compensação proporcionada pela articulação


"Bovex".
X = As linhas de centro dos eixos não coincidem
Y = As linhas de centro dos eixos estão deslocadas angularmente
Z = Combinação das 2 situações anteriores.

X Y Z

B2) Juntas tipo cardan


b
Estas encontram larga aplicação em máquinas
agrícolas, tanto em tratores, colheitadeiras, quanto 2 3
implementos.
São formadas basicamente pelas cruzetas (1) e
garfos (ou forquilhas - 2, 3 e 4). 4
Quando os dois primeiros garfos (2 e 3) formam
1
um ângulo "a", as juntas transmitem o movimento
de maneira não uniforme, como era na entrada. Para
impedir este inconveniente, adota-se geralmente a
uma junta dupla.
Ou seja: a distorção no movimento que ocorre a b
do garfo (2) para o (3), é compensada pela distorção
inversa, de mesma magnitude, gerada entre o garfo
(3) e o de saída (4), desde que o ângulo "b" seja igual
ao ângulo "a".
Desta maneira, o movimento que entra pelo
garfo (2) é liberado de forma homogênea (ou quase
homogênea) no garfo de saída (4).

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
85

Junta (dupla) utilizada na articulação das


extremidades dos eixos 4x4

☞ NOTA:
Pelo exposto anteriormente, observe
com atenção a montagem correta dos
Junta (dupla) utilizada no acionamento de
implementos com a TDP

cardans, especialmente os de imple-


mentos, onde a barra e tubo (5) são
quadrados e permitem montagem a
defasada:
os garfos (3A e 3B) devem ficar alinhados. Nor-
malmente, existem setas (6) de referência. x x
A não-observância desta regra, irá impor um sobe/
desce na rotação do implemento acionado, cau-
sando vibração e sobrecarga ao cardan, ao 3A 3B
implemento e à TDP!

3A 5 3B

Outros cuidados com os cardans


7
✔ Nunca ultrapasse o ângulo "a": normalmente o
ângulo máximo recomendado é em torno de
300 .
✔ Após acoplar um implemento pela primeira vez, ✔ Procure utilizar sempre cardans com a prote-
verifique se permaneceu uma folga "X" mínima ção.
de 30 mm no tubo e barra (5).
Do contrário, tome cuidado redobrado: não se
✔ Lubrifique diariamente as cruzetas, asseguran- aproxime do cardan em movimento!
do um movimento suave e por longo tempo.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


5 - Noções básicas de elementos de máquinas
86

B3) Juntas homocinéticas


São muito utilizadas em automóveis. Possuem
a mesma função das juntas tipo cardan, sem o
inconveniente da distorção na rotação em função
do ângulo de trabalho "a".
O termo Homo + Cinética significa velocidade
constante e as juntas homocinéticas tem a
propriedade de transmitir torque sem variações nem
vibrações.

5.12 - Cabos de aço


A) Forma correta de medir o diâmetro
dos cabos
Como a escolha dos cabos é em função do
diâmetro, dai a importância de medi-los da forma
correta.
Veja as figuras ao lado.
INFORMAÇÕES - CABOS CIMAF: DIVULGAÇÃO - WEB

B) Colocação correta dos grampos


Um aspecto importante para a conservação e
para um bom rendimento dos cabos de aço é a
correta colocação dos grampos nas extremidades:
há uma só maneira correta. A base do grampo
colocada no trecho mais comprido do cabo.
Para cabos com diâmetro até 5/8" (16 mm) use,
no mínimo, três grampos. Este número deve ser
aumentado para cabos de diâmetros maiores.

C) Identificação da hora da troca


✗ Se os arames rompidos visíveis atingirem 6 fios
em um passo ou 3 fios em uma perna;
✗ Se aparecer corrosão acentuada no cabo;
✗ Se os arames externos se desgastarem mais 2
do que 1/3 de seu diâmetro original;
1
✗ Se o diâmetro do cabo diminuir mais do que
5% em relação ao diâmetro nominal;
✗ Se houver danos por alta temperatura ou qual- D) Cuidado com os nós
quer outra distorção no cabo (como dobra, Nunca deixe que o cabo tome a forma de um
amassamento ou “gaiola de passarinho”) não pequeno laço (1). Isto é o começo de um nó, e por
hesite em substitui-lo por um novo. isso deve ser imediatamente desfeito.
Com o nó feito (2), a resistência do cabo é reduzida
drástica e perigosamente.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
87

6.1 - Motores Diesel


A) Principais partes do motor:
1 - Cabeçote:
Aloja as válvulas de admissão e escape e os bicos injetores;
2 - Bloco:
Aloja o conjunto de cilindros, pistões e bielas, além da árvore de manivelas
(virabrequim);
3 - Cárter:
Reservatório de óleo lubrificante. No cárter encontram-se também a bomba de óleo
lubrificante e, no caso dos motores Perkins de 4 cilindros, o balanceador dinâmico.

Motor Cummins Série C: utilizado nas colheitadeiras MF 34 e 38

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
88

B) O ciclo de 4 Tempos diesel:


Independente do número de cilindros que o motor possua (3, 4 ou 6), o funcionamento
em cada um destes cilindros é idêntico, conforme descrito a seguir.
Cada pistão descreve um ciclo, composto por 4 etapas (4 Tempos). Para cada ciclo
completo, o virabrequim terá girado 2 voltas - veja figuras a seguir:

Válvula de
escape

Válvula de
admissão

Bico injetor

Pistão

Biela

Virabrequim

1° Tempo: Admissão 2° Tempo: Compressão 3° Tempo: Combustão 4° Tempo: Escape

1 - Admissão: 3 - Combustão:
A válvula de admissão abre e o pistão desce. O Um pouco antes de o pistão chegar ao PMS
espaço deixado pelo pistão é preenchido pelo ar, (Ponto Morto Superior), o bico injetor pulveriza o
proveniente do sistema de filtragem. O virabrequim combustível na câmara de combustão (espaço entre
gira meia (1/2) volta neste processo. o pistão e cabeçote). No momento em que o pistão
tiver atingido efetivamente o PMS, a combustão já
2 - Compressão: estará acontecendo de maneira enérgica,
empurrando o pistão para baixo, gerando assim a
Tão logo o pistão chegar no PMI (Ponto Morto
força.
Inferior), a válvula de admissão se fecha.
Quando o pistão estiver no PMI, o virabrequim
O pistão inicia o seu movimento de retorno
terá girado volta e meia.
(subida). Como o ar admitido antes não tem por onde
sair (ambas as válvulas fechadas), ele é
violentamente comprimido, numa proporção em 4 - Escape:
torno de 16:1, conforme a Taxa de Compressão do Finalmente, o pistão retornará ao PMS, mas
motor. antes, a válvula de escape abrirá, a fim de dar
A pressão atingida pelo ar, no final da passagem de saída aos gases da combustão que
compressão, é da ordem de 20 a 25 atmosferas e se encontram no cilindro. Os gases são conduzidos
devido à alta velocidade em que tudo acontece, a para o coletor de escape.
sua temperatura atinge normalmente, 500 a 700 °. Terminado o tempo de escape, a válvula de
No final do tempo de compressão, o virabrequim escape fechará e simultaneamente se abre a válvula
terá girado 1 volta completa no ciclo. de admissão para iniciar um novo ciclo e assim
sucessivamente.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
89

Outros pontos a entender:


✔ O ciclo de 4 Tempos descrito, ocorre em alta velocidade - por exemplo: se um
motor está a 1800 rpm (rotações por minuto), significa que ocorrem 900 com-
bustões por minuto (1 a cada 2 voltas do virabrequim.
✔ Os tempos nos diversos cilindros do motor, não ocorrem simultaneamente, ou
seja, enquanto um está em combustão, outro está em admissão, outro em es-
cape. Temos assim o conceito de Ordem de Combustão.

Ordem de combustão:
A numeração dos cilindros de um motor, normalmente é feita a partir da frente, ou
seja, lado do ventilador: cilindro 1 - 2 - 3 - 4... conforme o número de cilindros do
motor.
A ordem de combustão é a seqüência em que ocorrem as combustões no motor. No
nosso caso, a ordem de combustão é a seguinte:
- Motores de 3 cilindros = 1 - 2 - 3
- Motores de 4 cilindros = 1 - 3 - 4 - 2
5 3 2 4
- Motores de 6 cilindros (Perkins e ~
Cummins) = 1 - 5 - 3 - 6 - 2 - 4.

C) Caixa de distribuição e comando de


válvulas
A caixa de distribuição localiza-se na parte frontal
do motor. Dentro desta, localizam-se as engrenagens
de que acionam todos os componentes necessários
1
ao funcionamento.
1- Engrenagem do virabrequim
2- Engrenagem intermediária: cumpre apenas a
Balancim
função de levar o movimento às demais engre-
nagens Vareta
3- Engrenagem do comando de válvulas*
Mola de retorno
4- Engrenagem da bomba injetora*
* Observe que estas engrenagens possuem Válvula
exatamente o dobro de dentes da engrenagem
acionadora (1): para cada 2 voltas do virabre-
quim, o comando e a bomba injetora devem
Tucho
dar apenas 1 volta.
5- Engrenagem utilizada para acessórios, como
bomba(s) hidráulica(s). 2
Árvore
de comando 1
Comando de válvulas
É composto pelos componentes identificados
na figura ao lado:

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6 - Princípios de funcionamento
90

D) Sistema de lubrificação do motor:

Manômetro -
Engrenagens de distribuição

Lubrificação dos balancins indicador de


pressão do óleo

Galeria de distribuição principal

Filtro(s)

Válvula de
Bomba de óleo

alívio

Cárter (óleo) Trocador de calor (Se


equipado): nos motores de 4
tempos

As condições em que um motor trabalha, são as mais severas e muitas vezes


desforáveis possíveis: altas temperaturas, elevadas pressões e esforços nos
componentes móveis, operação contínua durante muitas horas e em outras épocas
longos períodos inativos, às vezes umidades do ar elevada e ainda, um certo nível de
contaminação resultante da combustão, principalmente devido ao enxofre presente
no combustível.
Ou seja, o motor é sem dúvida nenhuma o item mais crítico em termos de
lubrificação.
A lubrificação é realizada pela bomba, acionada por uma engrenagem na parte
dianteira do virabrequim (caixa de distribuição).
No caso dos motores de 4 cilindros, a bomba de óleo é incorporada à carcaça
do balanceador dinâmico, acionada pelo mesmo eixo.
Da bomba, o óleo passa pela válvula de alívio, que deixa escapar o excesso de óleo
diretamente para o cárter.
Seguindo o fluxo, o óleo passa pelo trocador de calor (quando equipado), pelo(s)
filtro(s) e em seguida, é distribuído, por galerias internas no bloco e cabeçote, à
todas as partes móveis do motor. O retorno ao cárter ocorre por gravidade.

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6 - Princípios de funcionamento
91

E) Sistema de arrefecimento
O sistema de arrefecimento é responsável pela manutenção da temperatura
correta de funcionamento do motor.

☞ NOTAS:
1 - Normalmente o sistema é denominado de "sistema de refrigeração".
Tecnicamente esta designação é errônea, uma vez que refrigeração é o
sistema que reduz a temperatura de corpos para uma temperatura inferior à
ambiente, tal como ar condicionado e freezers.
2 - É fundamental entender que o arrefecimento não tem por objetivo simples-
mente resfriar o motor. Para o correto funcionamento (bom desempenho e
economia de combustível), é importante trabalhar na maior temperatura
possível! O cuidado consiste em não deixar a água ferver, através da corre-
ta manutenção do sistema:
- Uso de aditivo na água
- Limpeza do radiador
- Tensão correta da(s) correia(s) da bomba d´água e ventilador
- Conservação da tampa do radiador e válvula termostática.

A B
7 6 5 9

8
3

1- Bomba d'água: força a circulação da água pelo Com o motor frio (esquema A), permanece fe-
sistema chada e a água retorna direto ao bloco pela
2- Ventilador: promove fluxo de ar para dissipa- derivação (6). Com o motor quente (esquema
ção de calor pelas aletas (colméia) do radiador B), fecha a derivação (6) e a água quente flui
pelo radiador (4).
3- Correia de acionamento: nos motores Perkins
Série 100, a bomba é acionada por engrena- 7- Tampa do radiador: aumenta a pressão interna
gens para elevar o ponto de ebulição da água

4- Radiador: realiza a troca de calor da água para 8- Sensor de temperatura.


o meio externo (ar). Parte do calor também é 9- Indicador e/ou luz de aviso no painel de instru-
dissipado pelo próprio bloco e cabeçote. mentos.
5- Válvula termostática: controla a temperatura da
água.

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6 - Princípios de funcionamento
92

F) Sistema de combustível
A combustão se dá pela pulverização de combustível no interior da câmara de
combustão, através dos bicos injetores, no instante exato e sincronizado com o
movimento dos pistões... Os componentes responsáveis por esta complexa tarefa,
estão representados abaixo.

OBS: Todos os motores Perkins e Cummins, são do tipo "injeção direta", ou seja, a
câmara de combustão é a própria cavidade existente na cabeça do pistão:

P 4000 T e 4.41 (Reentrante) Motores Série 1000 (Quadram)

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6 - Princípios de funcionamento
93

G) Turboalimentação
A velocidade com que acontecem os movimentos internos no motor, é elevada.
No tempo de admissão, a válvula de admissão abre e o pistão desce, em frações de
segundo, especialmente em alta rotação. Devido a inércia do ar e a perda de carga
nos dutos, filtros e válvulas, o enchimento do cilindro com ar nunca é completo.
Com o objetivo de eliminar este inconveniente (ou limitação), adota-se o
turbocompressor, que promove uma "sobrealimentação" de ar.
Na realidade, o turbo supera a pressão atmosférica. Exemplo: ao dizer que a pressão
do turbo está regulada em 1,2 atm, significa que a pressão ultrapassou a atmosférica
em 20% Este dado depende de cada projeto (relação do turbo x motor).

Eixo
Compressor (lado frio)

Turbina (ou "roda


quente"

2
1

Válvula limitadora
de pressão

Pistão

Proveniente do escape

Como funciona um Turbocompressor


Turbocompressor é a combinação de turbina + compressor.
A turbina aproveita o fluxo dos gases de escape, que a atravessam em alta velocidade,
girando o respectivo rotor, que por sua vez, está ligado à um segundo rotor, o do
compressor, que força o ar para a admissão do motor.

Válvula limitadora de pressão:


Em alguns casos, emprega-se esta válvula, para limitar a pressão, da seguinte
forma: a passagem (1) transmite a pressão gerada pelo compressor à câmara com
diafragma (2).
Ao atingir o limite de pressão, o diafragma (2) vence a ação da mola e levanta a
válvula (3), que desvia parte dos gases de escape diretamente para a saída do escape.
Esta parcela de gases deixa de acionar a turbina, controlando a rotação de
acionamento do compressor e em conseqüência, a pressão.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
94

6.2 - Embreagens

A embreagem tem por função desacoplar e reacoplar, mecanicamente, o motor à


transmissão, para permitir:
- Saídas e paradas da máquina
- Efetuar mudança de marchas no câmbio

Classificação das embreagens:


A) Embreagem seca
- Simples: Utilizada em tratores sem TDP, colheitadeiras e retroescavadeira
de reversão mecânica e tratores MF 660 (câmbio ZF T3500)
- Dupla: Utilizada em tratores com TDP dependente (10 e 20 estágios)
- Split-torque: Utilizada em tratores com TDPI (Independente)
- Bi-disco: Tratores de maior potência (MF 680 e Opcional para MF 660).
Neste caso, se utiliza 2 discos para a transmissão.
- Classificação de acordo com o tipo de disco: Orgânico ou cerametálico
- Classificação segundo o tipo de mola: Molas helicoidais ou mola membrana
(chapéu chinês)
- Classificação segundo o tipo de colar destacador: Com folga ou sem folga (con-
tato constante).

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6 - Princípios de funcionamento
95

Embreagem da TDPI (Tomada de Potência Independente)

Como você sabe, a tomada de potência


independente - TDPI, não necessita que a
embreagem seja acionada para o acoplamento.
Isto é possível graças à uma embreagem úmida
multi-disco, localizada na carcaça central do trator.
Esta embreagem funciona de maneira semelhante
à descrita na página anterior, exceto:
- A embreagem encontra-se normalmente
desaplicada (TDPI desligada). Somente ao aci-
onar a TDPI, ocorre o acionamento.
- O acionamento é por via hidráulica.
Através da alavanca e válvula de controle (1), é 7
dirigido um fluxo de óleo à 17 bar atrás do pistão (2), 2 8
que passa a comprimir o pacote de discos
1
intercalados (3 e 4), acionando a TDPI:
10
- Discos (3): Lisos, são motrizes, ligados exter-
namente ao tambor (5) 9
- Discos (4): Rugosos, movidos, ligados ao cubo
estriado de saída (6).

Freio de segurança
Ao colocar a alavanca na posição desligada,
o mesmo fluxo de óleo é desviado ao cilindro (7),
cujo pistão aciona a pinça (8). Esta, exerce a
frenagem do eixo de saída (9) através do disco
(10).

5 2 3 6

2 4 3

10

Mola de retorno dos


4
discos

10
5 6

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
96

C) Embreagens elétromagnéticas
Muito utilizadas em colheitadeiras, possuem uma bobina que gera uma forte
atração elétro-magnética, comprimindo a as partes, acionada e acionadora, realizando
a transmissão.

Exemplo 1: Acionamento da plataforma - MF 3640 e 5650


1 2 3 4
2 3 4 5

5 3a
6

1a

2 3 6
4
1

3a
1a

O disco (2) gira solidário ao eixo (5) do batedor traseiro, enquanto que a polia (4)
acionadora da plataforma, mais o anel (3), giram soltos sobre o eixo (5), pois são
montados sobre o rolamento de esferas e blindado (6).
Ao acionar a plataforma, através de um interruptor elétrico no painel, a bobina
(1) recebe corrente (12 V) através do cabo (1a). A bobina produz um intenso campo
magnético que puxa o anel (3) ao encontro do disco (2). As molas (3a) são levemente
flexionadas, permitindo a aproximação do anel (2) ao disco (3) e, ao desligar, promover
o afastamento entre as peças (2 e 3).

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
97

Exemplo 2: Acionamento da plataforma - MF 34 e 38

4 3
1

6 2
1a
5

1a

Esta embreagem funciona de modo muito parecido com a descrita


anteriormente: ao energizar o cabo (1a), a bobina (1), atrai fortemente o disco (2),
comprimindo-o e transmitindo o movimento à polia (4), que aciona a plataforma e o
canal, após passar por uma embreagem de segurança. Note que a bobina (1) gira
solidária ao eixo (5) do batedor traseiro e à polia principal (3), que recebe o movimento
da tomada de força do motor. Já o disco (2) é ligado à polia (4), conjunto este que gira
livre sobre os rolamentos (6).
Assim, ao comprimir as peças (2 e 3) entre si, inicia a transmissão à plataforma.

1 2 3 4 6
D) Embreagens de segurança

Também utilizadas nas colheitadeiras, com a função


de evitar sobrecargas aos mecanismos do sistema de
colheita.
5
Estas embreagens se encontram sempre pressionadas
(acopladas) e somente em caso de sobrecarga, os discos
patinam, interrompendo a transmissão.

Exemplo: Embreagem de segurança do acionamento


das peneiras e sistema de retrilha
A árvore (1) transmitem o movimento aos itens
acionados através da polia (2). 6
Para que a transmissão ocorra, os discos de fricção (3)
são comprimidos através das molas (4), contra o flange
(5), que gira solidário à árvore (1). 4

A pressão das molas (4) pode ser ajustada através dos


parafusos (6).

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6 - Princípios de funcionamento
98

6.3 - Redutores de velocidade

Existem basicamente 3 tipos de redutores de


Eixo de entrada (proveniente
velocidade:
do câmbio)
A) Tipo coroa e pinhão
B) Tipo coroa e sem-fim Z1 = 17
C) Tipo epicíclico Z2 = 34

A) Tipo coroa e pinhão Z3 = 12


A relação de transmissão, neste caso, segue o Z4 = 50
descrito na página 26, ou seja, número de dentes
da engrenagem movida / número de dentes da
engrenagem motriz.
No caso do redutor ao lado, temos uma dupla
redução, em 2 estágios.
Se o número de dentes das engrenagens for o
especificado na figura, a redução total seria:
R = (Z2 / Z1) x (Z4 / Z3)
R = (34 / 17) x (50 / 12)
R = 2,0 x 4,16666
R = 8,333:1
Eixo de saída (flange da
Ou seja: a cada 8,333 voltas dadas pelo eixo de roda)
entrada, a roda dará uma só volta.
Redutor final - colheitadeiras MF 34 e 38
Por outro lado, o torque será multiplicado pela
mesma proporção. Se o torque de entrada for de 50
kgf.m, o de saída para as rodas será (50 x 8,333) =
416,65 kgf.m Ze

B) Tipo coroa e sem-fim


É utilizado para aplicações estacionárias, em
componentes que requerem baixa velocidade, como
esteiras transportadoras.
Relação de transmissão: Zc

Rt = Número de dentes da coroa - Zc .


Número de entradas do sem-fim - Ze

OBS 1: O número de entradas do sem-fim (Ze)


equivale ao número de dentes de uma engrenagem OBS 2: Os redutores tipo coroa e sem-fim são
normal e normalmente varia de 1 a 5 neste tipo de irreversíveis. Em função do atrito e da geometria,
redutor. o movimento só pode ocorrer do sem-fim (ou
rosca) para a coroa.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
99

C) Redutores epicíclicos

As reduções finais dos eixos dianteiros e traseiros de todos os tratores MF, são
do tipo epicíclica.
Estes redutores se caracterizam por:
- Possuem dimensões reduzidas.
- O sentido de giro na saída é igual ao da entrada
- São robustos e resistentes
- Não requerem cuidados especiais, além da lubrificação.

Funcionamento:
A engrenagem solar gira as planetárias. Estas por sua vez, tendem a girar a
coroa externa (engrenagem anelar); mas como a coroa é fixa, as planetárias assumem
um movimento de translação em torno da engrenagem solar, ou seja: as planetárias
descrevem o duplo movimento, de rotação e translação, tal como os planetas em
volta do sol - daí o nome de engrenagem solar e planetárias.
Desta forma, as planetárias "arrastam" o porta-planetárias, que está ligado ao
eixo de saída ou, no caso dos eixos dianteiros, constitui-se no próprio flange de
fixação da roda, que girará com velocidade reduzida e torque multiplicado.

Relação de transmissão (para todos os redutores


epicíclicos)

R = (Zcoroa / Zsolar) + 1
OBS: O número de dentes das planetárias não
interfere na relação de transmissão.

Redutores finais dianteiros


Todos os eixos dianteiros, ZF e Carraro,
utilizados nos tratores MF, utilizam redutores com
redução de 6,0:1
3 planetárias

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
100

As planetárias, em número de 3 ou 4, são montadas sobre a "cartola" ou porta-


planetárias, que gira em velocidade reduzida, movimentando as rodas.

Coroa
Redutor de 3
planetárias
Planetárias (3 ou
4 unids.)

Engrenagem solar
Redutor de 4
planetárias
Porta-planetárias
- "Cartola"

Redutores finais traseiros


Com exceção do MF 250X, todos os demais tratores Coroa
utilizam redução final no eixo traseiro. Planetárias (sempre 3 unids.)

As relações utilizadas são: 3,14:1 - 4,8:1 - 6,0:1 - Porta-planetárias


8,47:1. Quanto maior a potência do trator, maior é a
redução.

Eixo de saída (ligado ao


porta-planetárias)

Alavanca seletora de vel.


normal ou super-reduzida

Outras aplicações dos redutores epicíclicos


1- Creeper: consiste de um redutor montado após o câm-
bio.
O Creeper proporciona uma faixa de velocidades super-
reduzidas, para aplicações especiais. O funcionamento,
inclusive os componentes, são idênticos ao seletor de
Reduzida e Direta, descrito na seqüência.
Creeper

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
101

2- Nos tratores com câmbio de 6x6, 8x2 e 12x4


velocidades, a seleção da Reduzida e Direta é
feita através de um redutor epicíclico montado
na saída do câmbio.
1
✔ Ao deslocar a luva (1) para frente (Direta = ala-
vanca menor do câmbio para trás), ocorre a co- 2
nexão direta da árvore (2) à árvore de saída (3)
do câmbio. Não há redução.
✔ Deslocando-se a luva (1) para trás (Reduzida =
alavanca menor do câmbio para frente), a ex- Rumo ao eixo
tremidade frontal da luva se acopla ao dentado 5
traseiro
do porta-planetárias (4), que gira em velocida-
de reduzida, em função do trabalho da engre-
3 4
nagem solar / árvore de saída (3), planetárias
6 Seletor de Reduzida e Direta
(5) e coroa (6).

Redutor epicíclico duplo


Só para efeito de ilustração, este tipo de redutor
é aplicado em aviões do tipo turbo-hélice, ou seja,
2
uma turbina combinada com hélice. 3
Como as turbinas giram em rotação muito
elevada e as hélices de avião normalmente não
passam de 3000 a 4000 rpm (sob pena de entrar em
vácuo), existe a necessidade de dispor de uma
elevada redução, mas que seja simples e robusta. B A
A- Eixo de entrada (proveniente da turbina)
1
B- Eixo de saída para a hélice
1- Engrenagem de entrada
2 e 3 - Trem de planetárias 4

A relação de redução fica:

Ao contrário do que ocorre com os


R = (Z2 / Z1) x (Z4 / Z3) redutores descritos anteriormente, a coroa
(4) não é fixa: gira em velocidade reduzida,
solidária ao eixo (B)

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
102

6.4 - Caixas de câmbio


Alavanca de marchas
Câmbio

Eixo trambulador
Diferencial
Garfo

Motor 2b 1b

Embreagem

Árvore de saída (ou


principal)

Árvore de entrada (ou


1a
2a primária)

O câmbio representado acima, possui 2 marchas:


- 1a marcha - engrenagens (1a e 1b): para engatá-la, a alavanca de marchas deve
ser deslocada para frente.
- 2a marcha - engrenagens (2a e 2b): a alavanca deve ser deslocada para trás.

O câmbio representado abaixo, se aproxima mais da realidade, pelas seguintes razões:


✔ Possui um número razoável de marchas (1a, 2a e 3a)
✔ Possui marcha a ré: ao engatar a ré, o sentido de rotação da árvore de saída (3)
é invertido pela engrenagem inversora (4).
✔ A árvore de entrada (ou eixo-piloto - 5) é montada na mesma linha de centro da
árvore de saída (3).
✔ As engrenagens da 1a e Ré são de dentes retos, enquanto as demais são de
dentes helicoidais.

✔ O câmbio possui uma árvore


5
intermediária (6), no fundo da 3
caixa.
OBS: O sistema de engate (alavan-
ca e trambuladores) para este
caso, é mostrado na seqüência.

Frente do
câmbio

4 6

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
103

Sistema de engate: alavanca(s) e trambuladores

Normalmente, uma alavanca é utilizada para


comandar até 3 eixos trambuladores.
1a
Como cada eixo trambulador é utilizado para engatar
e desengatar 2 marchas, conclui-se que uma 3a
8
alavanca pode comandar até 6 marchas.

OBS: Além de promover o engate e desengate, o


sistema trambulador deve cumprir as seguintes
funções:
- Segurar as engrenagens (ou acopladores) na Ré
posição. Isto é conseguido pelos pinos e mo-
las (7) 2a
- Impedir que 2 ou mais eixos trambuladores
sejam deslocados simultaneamente. Isto en-
gataria 2 pares de engrenagens, com relações
diferentes, simultaneamente. É o chamado
"acavalamento" das marchas. O câmbio trava
a transmissão e se for forçado, poderá que-
7
brar.
Este inconveniente é evitado pelos pinos (8):
quando um eixo é tirado da posição neutra Trambulador para o câmbio de 3 marchas + ré
(ponto morto), o(s) outro(s) fica(m) apresentado na figura anterior
impedido(s).

Ré 2a
OBS: Na alavanca de câmbio, as posições serão
invertidas, ficando conforme representado ao lado:

1a 3a

Sistema de
alavancas e
trambulador -
trator com 12 x 4
marchas,
alavancas sobre o
câmbio.

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6 - Princípios de funcionamento
104

Sistema de alavancas laterais - Side-Shift, Série Sistema de alavancas laterais - Side-Shift, Série
5200 com 12 x 4 marchas 600 com 12 x 4 marchas

Sistemas de acoplamento (ou engate)


Os esquemas apresentados até aqui, são do tipo
engrenagens deslizantes, pois as engrenagens cuja
marcha se quer engatar, deslizam sobre uma árvore
estriada até engrenar com a correspondente.
A figura ao lado mostra um exemplo: o câmbio de 8
x 2 marchas, disponível nos tratores MF de menor
porte.
Mas existem outras opções:

Câmbio tipo engrenamento constante - Constant


Mesh
A diferença em relação ao câmbio de engrenagens
deslizantes, é que as engrenagens permanecem sempre
Eixo movido

engrenadas - veja o desenho ao lado:


B1
A luva deslizante (1) possui dentes internos, acoplados
ao cubo denteado (2).
O cubo (2) gira solidário com o eixo movido.
As engrenagens acionadas (B e D) são "loucas", ou seja, Saída
D
soltas sobre o eixo movido, porém, engrenadas com (A e C) B
respectivamente.
Deslocando a luva (1) para a esquerda, esta se engrena 2 1
sobre o denteado (B1) da engrenagem (B).
Desta forma, se estabelece a conexão da engrenagem A
(B) com o eixo movido, transmitindo o movimento, com
rotação que depende da relação de transmissão. C
Entrada
Deslocando a luva (1) para a direita, o movimento se
transmite segundo a relação das engrenagens (C e D).

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
105

Câmbio sincronizado
Este câmbio também é de engrenamento
constante, funcionando de maneira muito
semelhante ao visto anteriormente.
1
Há porém um recurso, os sincronizadores (5), 3
que facilitam ainda mais os acoplamentos e os
tornam mais silenciosos, sem risco de "arranhar". 4a 8

A luva deslizante (1) se desloca sobre o cubo 7


5
denteado (2), que gira solidário à árvore, em função
6
das estrias (2a). As engrenagens (4a e 4b) giram
soltas sobre a árvore, apoiadas sobre buchas ou 2 4b
rolamentos tipo agulha (4c).
Antes da luva (1) acoplar-se no dentado (3) das
engrenagens (4a e 4b), os anéis sincronizadores (5),
2a
um em cada lado, se acoplam à superfície cônica
sincronizadora dos anéis dentados (5), indicadas 4c
pelas setas na figura.
Desta forma, a rotação da engrenagem
escolhida (4a ou 4b) ficará sincronizada com a 8 4b
rotação do cubo (2) - dai o nome de câmbio 7
"sincronizado".
2
6
1
Para concluir o acoplamento (engate da marcha),
a luva (1) avança até o fim do curso, ou seja, até
engrenar-se completamente no dentado (3).
Note que isto ficou facilitado, pois a rotação entre 3
as partes (cubo (2) e denteado (3)), foi sincronizada
5
(igualada).
Superfícies cônicas
As molas (6), os pinos (7) e sapatas (8), na sincronizadoras
5 2a
quantidade de 3 em cada cubo (2), tem a finalidade
de manter posicionada a luva de engate (1) nas 3
posições: neutro (no meio) e as 2 marchas (para Luva deslocada para frente
frente e para trás. (engrenada)
OBS 1: Em alguns câmbios, temos acoplamentos
de 2 tipos: o engrenamento constante (para
ré e 1a marcha ) e acopladores sincronizadores
(para as demais marchas).
OBS 2: Os anéis dentados (3) podem ser removí-
veis ou não.
OBS 3: Os anéis sincronizadores (5) são feitos de
material macio, geralmente uma liga de co-
bre ou latão. Quando atingirem o limite de des-
gaste, devem ser substituídos.
Marcha engatada

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
106

6.5 - Polias variadoras

Por falarmos em câmbio, é oportuno falar sobre as polias variadoras, que também
permitem alterar a relação de transmissão, inclusive com algumas vantagens.
Trata-se um sistema relativamente simples, que é utilizado em colheitadeiras há
muitos anos, normalmente em 2 sistemas: transmissão da máquina MF 3640 e 5650
e acionamento do ventilador de limpeza (todas as colheitadeiras).
A utilização de correias e polias variadoras, tem diversas vantagens, como:
- Permite variação contínua (infinitas relações)
- Suavidade e simplicidade
- Não requer (nem admite) a parada da transmissão para a regulagem.

12345678
Variador do ventilador de limpeza: 12345678
Posição de 12345678
12345678
12345678
máxima 2
4 rotação 12345678
12345678
12345678
12345678
12345678

Lado
externo
1

12345678
12345678
12345678
12345678
Posição de 12345678
Ao movimentar a polia variadora para cima,
através da alavanca (1), a semi-polia intermediária mínima
12345678
rotação 12345678
12345678
(2) se desloca para fora (ver seta). Isto porque, a 12345678

correia acionada (3) é forçada para dentro da polia e


com isso, a polia superior (4) sai para a periferia. Correia superior (4)
Com isso, a velocidade resultante no ventilador Correia inferior (3)
diminui. Abaixando as polias, ocorre o contrário.

Transmissão da máquina (MF 3640 e 5650)


Trabalha como recurso adicional ao câmbio (de
3 marchas para frente), pois, para cada marcha pode-
se obter uma variação contínua (infinita) de
velocidade, sem necessidade acionar a embreagem.

Este variador funciona de forma idêntica. A


diferença é que ao invés de alavanca, o comando é
5
feito a partir da cabina por sistema hidráulico, por
intermédio do cilindro (5).

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
107

Posições limites das polias variadoras da transmissão da MF 3640 e 5650

Velocidade
máxima

Velocidade
mínima

Variador do cilindro de trilha da MF 34 e 38


1
(sistema DronningTork).
2
O princípio é o mesmo do mostrado acima. As
diferenças são:
✔ A polia é formada por duas partes, ao invés de
três, sendo que a externa (1) se movimenta.
✔ O comando da fechamento da polia é feito in-
ternamente, na câmara (2), ao pressurizar a en-
trada (3). Quando isto ocorre, a polia acionada
3
(da trilha) se abre contra a ação de uma mola
helicoidal.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
108

6.6 - Diferencial

A função do diferencial, é permitir que uma roda Roda externa


gire com velocidade diferente que a outra, do
mesmo eixo.
Isto é necessário basicamente por duas razões:
- Ao fazer curvas: a roda externa precisará per-
correr um trajeto maior que a interna; logo, pre-
cisará andar com mais velocidade.

- Compensar irregularidades do terreno: a roda


que passa por um buraco ou saliência, também
deverá percorrer um trajeto maior.

Como funciona o diferencial 4e 3 4d 1


Lado
A figura ao lado, não corresponde bem à
esquerdo
realidade, mas facilita a compreensão.
O pinhão (1) gira a coroa (2), com uma relação
de redução.
Temos, além destas engrenagens, as satélites (3) e 8e
8d
as planetárias (4d e 4e).
2
As satélites (3) podem girar livres no eixo em 3
2 6
que são montadas (este eixo é a chamada cruzeta -
1
item 5). Geralmente se utilizam 4 satélites, como 3
mostrado nas figuras seguintes.
A carcaça (6) gira solidária com a coroa (7) e
arrasta as satélites, num movimento de translação,
em torno das planetárias (4d e 4e).
5
As planetárias (4), são ligadas rigidamente aos
semi-eixos (8e e 8d), ligados às rodas. 4e 4d 8d

Analise agora as seguintes situações:

1 - O veículo (ou máquina) anda em linha reta 2 - A roda esquerda (e portanto o semi-eixo 8)
sobre um piso plano e nivelado: é bloqueado
Todo o conjunto (coroa, carcaça, satélites, Com isso, a planetária (4e) do lado esquer-
planetárias e semi-eixos) gira solidário, como do também para. Porém, a carcaça (6) conti-
se fosse uma só peça. A ação do diferencial é nua girando como antes. Com isso, as satéli-
nula, pois as satélites (3) não tem movimento tes (3) serão forçadas a girar sobre o próprio
relativo com as planetárias (4d e 4e). eixo. O movimento de translação continua.
Como resultado, a planetária da direita (4d) é
forçada a girar com o dobro da velocidade.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
109

3 - Situações intermediárias (que ocorrem na 8d 2 4d


maior parte do tempo) 5
Ao fazer curvas, uma das rodas não chega a 3
parar, apenas a interna terá sua velocidade re-
duzida e a externa deverá compensar com o 4e
aumento da velocidade, na mesma proporção,
8e
ou seja: se uma das rodas reduz a velocidade 1
em 30%, a outra terá que girar em velocidade
30% superior.

Curiosidade:
Você deve ter observado que, ao levantar um
3 Lado
eixo e girar uma das rodas, a outra girará na mesma
velocidade, mas em sentido contrário. esquerdo
Diferencial de caminhão
Agora isso pode ser entendido: considerando
que a coroa permaneça parada e ser girada uma das
planetárias (4), as satélites (3) provocam a inversão
do sentido de giro da outra planetária, e portanto,
da respectiva roda.

Bloqueio do diferencial
O efeito "diferencial", de permitir a diferença de velocidade entre as 2 rodas de
um mesmo eixo, por vezes se torna um inconveniente, como num atoleiro: nesta
situação, a tendência é uma das rodas parar e a outra girar sozinha (como vimos
anteriormente, esta roda passa a girar com o dobro da velocidade).
Nestas condições, perde-se a tração por completo, aumentando ainda mais a
dificuldade de sair do atoleiro.
Para isso, existe o bloqueio do diferencial: como o nome já diz, ocorre um
bloqueio do efeito "diferencial", ou seja, ambos os semi-eixos, e portanto ambas as
rodas, são forçadas a girar solidárias.

Nos tratores MF, temos basicamente 3 tipos de


bloqueio:
1- Bloqueio acionado por pedal: utilizado no eixo
traseiro de quase todos os tratores MF
1 2
2- Diferencial auto-blocante: utilizado nos eixos
dianteiros, ZF e Carraro

3- Diferencial acionado de forma elétro-hidráuli- 3


ca: opcional para os tratores da Série 5300,
tanto para o eixo traseiro quanto dianteiro (Car-
raro). O acionamento em ambos os eixos é
simultâneo, através de uma tecla no painel.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
110

6.7 - Sistema de freios

O funcionamento dos freios é baseado também


no atrito, à exemplo do que ocorre com diversos
outros sistemas.
O princípio é sempre o mesmo, independente
do sistema adotado: coloca-se em contato 2 partes
com atrito: a móvel (A) e a estática (B). Obtém-se
assim a frenagem do eixo da máquina.
B

Existem basicamente 3 tipos de freio:


1- Freio a tambor A
2- Freio a disco (seco)
3- Freio multi-disco em banho de óleo (utilizado
em todos os tratores MF

1 - Freio a tambor
Ao forçar as sapatas (1) contra o tambor (2), ocorre o travamento do semi-eixo
do respectivo lado. No caso de tratores e colheitadeiras, o sistema de freio é duplo,
independente para as rodas motrizes: um pedal para cada lado.
O acionamento pode ser hidráulico, através de cilindros (3) ou mecânico, por cabos
(4) ou tirantes.

4
3

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
111

2 - Freio a disco (seco)


Este tipo de freio é sempre de acionamento
hidráulico. É muito utilizado em automóveis e
também na colheitadeira MF 38 e MF 3640 / 5650
Advanced.
Junto a cada roda é montado um disco (1) no
semi-eixo. Dois pistões (2) pressionam duas
pastilhas (3) contra o disco (1) frenando-o.
Se forem acionados ambos os pedais de freio,
a frenagem ocorre em ambos os lados.
1
MF 3640 e 5650 Advanced
3
3
2

4
1
Cilindros

5
MF 38:
1 4- Marcas de limite de desgaste das pastilhas
5- Bujões de sangria do circuito de acionamento

3 - Freio multi-disco em banho de óleo


Em função da alta freqüência e severidade no
uso, os tratores MF possuem freios constituídos de
diversos discos, lisos e rugosos, intercalados,
hermeticamente fechados e em banho de óleo.
Isto garante eficiência e longa vida útil ao
sistema. Além de sofrer menor desgaste, a
dissipação do calor ocorre de forma mais eficiente,
devido a presença de óleo.
Há um freio para cada roda, de acionamento
independente (2 pedais). Os discos localizam-se no
interior das trombetas do eixo traseiro.
rasgos nas placas de fechamento dos freios.
OBS: A quantidade de discos ativos (rugosos, que
No caso da figura acima, o trator possui 4 discos
giram com os semi-eixos), pode ser vista
ativos em cada lado.
externamente e corresponde à quantidade de

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
112

Funcionamento do sistema de freio a discos múltiplos em banho de óleo:

6 7 3 2
8
7
Diferencial
6

1a

1 Molas de retorno das placas

Ao acionar o freio, o mecanismo de placas expansoras (1) se abre.


A haste (1a) é puxada para fora da trombeta e as placas (1) giram em sentido contrário
entre si.
Em função do formato dos alojamentos (2) e das esferas de aço (3), as placas se
afastam entre si.
As placas expansoras encontram-se montadas no meio do pacote de discos:

4- Discos ativos: ligados aos 2


semi-eixos (6) através de es- 1
trias, após o diferencial. São
rugosos, confeccionados em 5
liga de bronze sinterizado.
5- Discos estáticos: são lisos, de
aço-liga. São mantidos está- 3
ticos através das "orelhas" (7)
e pino (8), fixo à trombeta (9).

Quando as placas (1) se expandem


(ao acionar o freio), os discos ativos
(4) e estáticos (5) são prensados
entre si, travando o giro dos semi-
4
eixos (6) e portanto, as rodas.

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


6 - Princípios de funcionamento
113

Formas de acionamento dos freios

A
A

De forma mecânica, através de


tirantes (A) ou cabos (B).

De forma hidráulica, através de B


cilindros-mestres (C) e cilindros-
servos (ou escravos) - (D)

D D

Freio de estacionamento (ou freio-de-mão)


E
Em alguns tratores, o freio de estacionamento consiste
em travar os pedais na posição acionada.

Nos demais, há uma alavanca (E), que através de cabos F


(F) atua diretamente sobre a articulação (1a) de comando das
placas expansoras (1), junto às trombetas - figura ao lado.

1 1a

Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


Anotações
114

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Apostila - Formação de Mecânicos / Mecânica


Introdução à Hidráulica
115

A hidráulica está cada vez mais presente nas máquinas agrícolas. Pode-se dizer
que a evolução tecnológica foi proporcional ao avanço da hidráulica, ou seja, a
multiplicidade de aplicações nas máquinas.
Antigamente, a hidráulica nos tratores se resumia ao levante hidráulico. Em
seguida, a direção hidráulica também se tornou comum... até chegarmos aos dias
atuais, onde vários sistemas funcionam graças à hidráulica. A hidráulica é o braço
do trator, ou braço do operador, como queira.
Nas colheitadeiras e retroescavadeiras, tradicionalmente a hidráulica sempre
foi importante e largamente aplicada. A evolução nestes casos, é marcada
principalmente pela associação da hidráulica com a eletricidade. Modernos sistemas
de monitoramento, controle e acionamento, se constituem de um verdadeiro
“casamento” da hidráulica com a eletrônica e exemplos disso são apresentados
nesta Apostila.
Diante dessa realidade, o domínio de conceitos envolvendo a tecnologia
hidráulica, é vital para os profissionais da oficina atualmente.
A presente Apostila, tem por objetivo dar uma contribuição neste sentido. Bom
proveito!

Divisão de Treinamento - AGCO, Canoas, RS

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
7 - Conceitos básicos
116

7.1 - Conservação da energia Usina hidrelétrica


vazão de água gerador
Antigamente, se pensava que perdia-se a
energia após a sua utilização. Mas o francês
Lavousier propôs a teoria de que em um sistema
fechado, “a massa total permanece constante” ou
seja, nada se cria, nada se perde, tudo se
transforma. Partindo deste princípio, deduzimos que
válvula
a energia pode ser transformada, como exemplo: reguladora
A energia potencial da água pode ser transformada
em energia mecânica ao fazer girar uma turbina.
Esta por sua vez, pode ser transformada em energia
elétrica ao girar um gerador (geralmente
alternadores).
turbina
Concluímos, que a energia provém da natureza, ou
seja, não podemos criar nem destruir energia, Na figura acima está representado um exemplo da
porém, podemos transformá-la. conservação da energia.

7.2 - Lei de Pascal


força
O matemático francês Blaise Pascal sugeriu a teoria de que em um
recipiente fechado, a pressão em um ponto de um líquido ou gás é pistão
transmitida igualmente em todas as direções e partes do fluido. A partir fluido
desta teoria, pode-se descobrir inúmeras utilizações para os fluidos, como
no caso da hidráulica, que se baseia nesta teoria para multiplicar a força,
mover implementos e até girar motores hidráulicos. pressão

Na figura ao lado está representado um recipiente com várias saídas. O


fluido do recipiente está recebendo uma pressão exercida pelo pistão.
Esta pressão atua em todos os pontos do fluido, e por isso, no momento
que a pressão for maior do que a resistência das vedações, elas abrirão
simultaneamente. vedações

7.3 - Força e pressão Exemplo:

A força está presente em tudo ao nosso redor: o vento Para calcularmos a força aplicada sobre a
exerce uma força quando sopra; a gravidade é a força que superfície de 5 x 5 cm, que sofre uma
gera o peso, direcionado ao centro da terra... Podemos pressão de 10 kgf/cm2, aplicamos a fórmula
definir força, como qualquer causa capaz de realizar que relaciona força, pressão e área:
trabalho.
Se, aplicarmos uma força “F” sobre uma superfície “A”, P=F/A ou F = P x A
definimos pressão “P”, a razão entre a força “F” e a
superfície “A”, dessa forma, saberemos dizer a força Dados:
aplicada por área considerada. Exemplo, se temos uma Pressão= 10 kgf/cm²
pressão de 25 kgf/cm² distribuída em uma superfície de
A = 5 x 5 cm = 25 cm²
25 cm2, dizemos que a cada quadrado de lado igual a 1
Força (F) = P x A
cm da superfície, temos uma força de 25 kgf e temos 625
kg de força atuando sobre o corpo. F = 10 x 25 F = 250 kgf
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
7 - Conceitos básicos
117

7.4 - Pressão hidrostática Pressão


(1 atm)
Como sabemos, o nosso planeta está envolto
por uma camada de gases. A essa camada, damos
o nome de atmosfera. Essa camada de ar possui
um peso determinado e, a partir disso, ao nível do
mar (nível = zero), ficou convencionado dizer-se
que, a pressão exercida pela coluna de ar, é igual a nível
1 atmosfera (1 atm). do mar
Consideramos um reservatório com líquido ao
nível do mar. Devemos notar que, como vimos pela
lei de Pascal, a pressão exercida sobre ele será de
1 atm. Portanto, a pressão existente em qualquer
ponto da massa fluida, será igual à soma da pressão
atmosférica com a pressão exercida pela coluna de
fluido sobre este ponto. A esta pressão, damos o
nome de pressão hidrostática.
10 cm 2 cm
Dois reservatórios, um com 2 cm de diâmetro
e outro com 10 cm.
Se colocarmos uma altura de 10 m de água em
ambos os reservatórios, a pressão registrada nos
10 m

manômetros será a mesma, pois, aos manômetros A B


não importa o diâmetro dos reservatórios, e sim a
força aplicada a cada cm2 da área livre do líquido.
No reservatório “A” temos uma força aplicada
sobre sua base 5 vezes maior do que em “B”, pois
a área da base de “B” é 5 vezes menor do que a de
água 1 kg/cm²
“A”.

A figura ao lado mostra um recipiente com 3


furos laterais. Nela é possível verificar a variação da
pressão com a variação da coluna do líquido.
No furo mais próximo à base sai o jato mais
forte, pois, a pressão hidrostática é maior, em função
do peso da coluna d´água e o jato de líquido irá
mais longe.

_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
7 - Conceitos básicos
118

7.5 - Princípio de Bernoulli

Ao escoar por um tubo, o fluido possui uma velocidade e uma pressão. No


entanto, conforme o diâmetro da secção do tubo vai diminuindo, a velocidade tende
a aumentar e a pressão diminuir.
Assim, Bernoulli enunciou o seguinte princípio. “A soma da pressão e energia
cinética, nos vários pontos de um sistema, é constante para uma vazão constante”,
ou seja, a pressão está relacionada de forma inversa com a velocidade. Isto pode
ser verificado através da fórmula:

P1 x V1 = P2 x V2
Exemplo:
A pressão do fluido cai de 80 bar (tubo de P1=80 bar
2 2
secção 10 cm ) para 40 bar (tubo de secção 5 cm ).
Se a velocidade do fluido no primeiro tubo é 100 P2=40 bar
m/min, qual a velocidade do fluido no segundo
tubo?

Solução: A2 = 5 cm2

P1 x V1 = P2 x V2 V1=100 m/min A1 = 10 cm2

80 x 100 = 40 x V2 40 x V2 = 8.000

V2 = 8.000 / 40 V2 = 200 m/min

7.6 - Perdas de carga em


escoamento

A) Tipos de escoamento Onde:


Existem dois tipos de escoamento; v = velocidade do fluido, em cm/seg
- Escoamento laminar D = diâmetro do tubo, em cm
- Escoamento turbulento. ν = viscosidade cinemática do fluido, em stokes.
A ocorrência de um ou outro tipo de escoamento Para óleo hidráulico (fluido), varia de 0,45 a 0,50

depende de fatores como: OBS: O “ν“ para óleo à 38 oC é de 220 SSU


(ou 47,5 centistokes).
- A rugosidade interna do tubo
- O diâmetro do tubo (ou mangueira)
Número de Reynolds “ R”:
- A vazão, e portanto, a velocidade do fluido
- A viscosidade do fluido, etc. - Entre 0 e 2000 = escoamento laminar

De posse destes dados, podemos definir qual é o - Acima de 3000 = escoamento turbulento

tipo de escoamento presente em uma tubulação, - Na faixa entre 2000 a 3000 não se pode afir-
calculando o número de Reynolds “R”, pela fórmula: mar com certeza qual o tipo de escoamento,
podendo ocorrer qualquer um dos dois tipos.

R = (v . D) / ν
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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
7 - Conceitos básicos
119

B) Perdas de carga
O líquido ao escoar em um tubo, sofre uma
resistência. Essa resistência tende a impedir o fluxo
do fluido devido a vários fatores.
Na figura ao lado está representada uma
situação onde fica fácil entender a perda de carga:
a pressão do fluido proveniente da bomba passa
pelo primeiro manômetro a uma determinada
Escoamento laminar pressão. Devido às curvas, o comprimento da
tubulação e outros fatores, a pressão do fluido no
segundo manômetro será menor do que no
primeiro.
A esse fenômeno da-se o nome de perda de carga.

pressão
pressão
Escoamento turbulento maior
menor

bomba
válvula

Restrição suave

Restrição brusca

As duas últimas figuras, demonstram que


obstáculos existentes no circuito, também irão
determinar a natureza do escoamento. Na realidade,
qualquer acessório, como curva, registro, válvula...
irá afetar o Número de Reinolds.

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
7 - Conceitos básicos
120

7.7 - Vazão Exemplo 1:

Vazão é o volume de fluido que circula por Supondo que uma mangueira gasta o tempo de 1
unidade de tempo. Desta forma: hora para encher um tanque de 1000 litros de
capacidade.

Q=V/t Qual seria, neste caso, a vazão da água em litros/


min?
Q = Vazão: em l/seg, l/min, m³/h, etc.
vazão = 16,66 l/min
V = Volume: em litros (l) ou metros cúbicos (m³).
t = tempo, em segundos, minutos ou horas
A vazão pode ser determinada, pelas seguintes
formas:
- Experimental, ou seja, cronometrar o tempo
necessário para encher um reservatório de vo-
capacidade = 1000 litros mangueira
lume “V” conhecido e aplicando a fórmula
Q=V/t Dados:
- Multiplicando a velocidade do fluido pela área V = 1000 litros;
transversal do tubo, mangueira, riacho, etc. t = 1 hora = 60 minutos
Q = Vel x A Q = V / t;
- Através de aparelhos (fluxômetros). Q = 1000 / 60 Q = 16,66 litros/minuto
Exemplo: uma bomba de combustível em pos-
tos de abastecimento.

Exemplo 2:
Na figura abaixo, quando o operador deseja descarregar a caçamba, aciona a
válvula que direciona o fluxo do controle remoto do trator no sentido de estender
o cilindro. Para abaixar a caçamba, o fluxo do controle remoto é dirigido para o
lado da haste do cilindro hidráulico;
10 litros 7 litros
Supondo que:
- O volume do cilindro no lado opos-
to da haste é 10 litros. Este lado é
pressurizado para bascular a carre- 40 litros / min
ta e descarregá-la.
- O volume do cilindro no lado da has-
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012
te é 7 litros. Este lado é pressuriza- 12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012
12345678901234567890123456789012123456789012345678901234567890121234567890123456789012

do para abaixar a carreta. O volume


a) Levantar a carreta?
é menor neste lado em função do
Q=V/t
volume ocupado pela haste
40 = 10 / t t = 10 / 40
- A vazão do controle remoto é 40 l/
t = 0,25 min = 15 seg (0,25 x 60)
min...
b) Para abaixar:
Pergunta-se: qual o tempo gasto para:
Q=V/t
40 = 7 / t t = 7 / 40
t = 0,175 min = 10,5 seg (0,175 x 60)
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
8 - Fluidos hidráulicos
121

Os líquidos e gases fluem quando uma força se aplica sobre eles. Por isso, são
conhecidos como fluidos.
Os fluidos não possuem forma definida, e adquirem a forma do recipiente que
os contém. Quando os fluidos são pressionados, a força é transmitida a todas as
outras partes do fluido. Este é o Princípio de Pascal, que é usado para vários fins.
No freio hidráulico, por exemplo, a força aplicada no pedal é transmitida aos
atuadores pelo fluido de freio. Ao pressionar o pedal, o cilindro-mestre impulsiona o
fluido para o cilindro-escravo. Através de uma articulação, o cilindro-escravo aciona
os discos e atuadores que executam a frenagem.

8.1 - Viscosidade
Cada tipo de fluido possui uma viscosidade
característica. Uns possuem menor resistência para
escoar do que outros, ou seja, quanto maior for a
viscosidade do fluido maior será a dificuldade para
escoar.
A eficiência da lubrificação que um determinado
fluido proporciona, também está relacionada com
Baixa
à viscosidade do mesmo. Se a viscosidade do óleo
viscosidade
for muito baixa, o desgaste das superfícies
metálicas em contato será muito maior, pois a Alta
lubrificação será deficiente. viscosidade
A medida da viscosidade (SSU) de um óleo, se
dá pelo tempo, em segundos, que 60 ml de um
fluido levam para escoar através de um orifício
determinado, a uma temperatura constante de 38
o
C (100 oF). Portanto, um controle de temperatura adequado
evita que a viscosidade saia dos limites, mínimo e
A temperatura influencia na viscosidade dos
máximo. O maior exemplo disso, ocorre na
fluidos de forma que, em geral, a viscosidade
lubrificação de motores.
diminui à medida que a temperatura se eleva.

_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
8 - Fluidos hidráulicos
122

8.2 - Óleos minerais

Normalmente, o óleo utilizado nos sistemas hidráulicos é do


tipo mineral. Este óleo é obtido a partir do petróleo através de um
cuidadoso processo de refinamento, que consiste em separar os
diversos produtos derivados do petróleo.
Para que se possa obter um bom rendimento no sistema, o
óleo deve apresentar uma série de qualidades, algumas naturais e
outras que são adquiridas através da adição de aditivos.

8.3 - Propriedades dos óleos

Teoricamente, poderíamos utilizar qualquer tipo de fluido. No entanto, para um


trabalho eficiente, os sistemas hidráulicos exigem certas propriedades que só alguns
fluidos podem satisfazer.
Para o uso em sistemas hidráulicos, é muito importante que o óleo utilizado
possua uma boa estabilidade química, ou seja, deve ser resistente à oxidação. Deste
modo evita-se a formação e acúmulo de sujeira ao longo do sistema. A viscosidade
do fluido também tem grande importância na sua aplicação, devendo possuir uma
viscosidade relativamente baixa, de modo que o fluido terá menor resistência ao
deslocar-se pelas tubulações e mangueiras do sistema, e com isso, consumirá menos
energia.

9 - Reservatório - componentes e finalidades


9.1 - Funções do reservatório

Os reservatórios hidráulicos possuem diversas funções, além de servir


simplesmente como “depósito” de fluido.
Porém, os reservatórios possuem outras funções importantes como: resfriar o
fluido, proporcionar uma filtragem e a precipitação de impurezas.
menos
A) Armazenamento de óleo
óleo
O armazenamento correto do fluido em um
sistema hidráulico, deve ser feito de tal forma que válvula
direcional
possa atender as necessidades mínimas e máximas
do sistema.
Vejamos o exemplo de um cilindro de haste
simples e duplo efeito, onde o diâmetro da haste
seja a metade do diâmetro do pistão. Para um avanço
mesmo deslocamento da haste, precisaremos de
retorno
um volume de fluido maior para estender o cilindro mais
do que para retorná-lo. óleo
reservatório
Sendo assim, haverá uma variação no nível de
fluido no reservatório, e este, deve ser
dimensionado de tal forma que essa variação não
altere as condições de operação do sistema. bomba
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
9 - Reservatório - componentes e finalidades
123

B) Resfriamento do fluido condução


de calor
Num circuito hidráulico existe geração de calor.
Este calor provém de vários fatores que atuam sobre
o óleo durante sua circulação pelo sistema, tais como:
✔ Perdas mecânicas na bomba ou motor hidráulico.
✔ Restrições na linha devido a curvas ou introdução
de válvulas, tais como reguladoras de pressão e
vazão.
fluido
✔ Acionamento de válvula de alívio quente
✔ Manifolds (coletores) com excesso de válvulas
✔ Atrito nas vedações internas dos cilindros, etc.
Esse calor em grande parte é levado para o
reservatório pelo próprio fluido. Quando o óleo quente convexão
parede do
entra em contato com as paredes do reservatório, ele reservatório
perde calor, pois o calor sempre flui do corpo mais
quente para o mais frio.

C) Precipitação de impurezas
duto de duto de
Devido a circulação do óleo em todo o circuito, sucção retorno
existe uma formação de impurezas durante o
percurso, e essas são levadas ao reservatório pelo
fluxo de fluido. Para que essas impurezas não voltem
ao sistema e fiquem retidas no reservatório, é
recomendado que se coloque uma semi-divisão no
reservatório. Dessa forma, os dutos de sucção e
retorno não estarão próximos, e com isso,
proporcionando uma melhor precipitação de
impurezas. impurezas

D) Circulação interna de ar
Toda vez que se succiona óleo do reservatório,
o seu nível baixa e o espaço que antes era ocupado
pelo óleo precisa ser ocupado por alguma outra
coisa, caso o contrário, teríamos a formação de uma
pressão baixa e não conseguiríamos succionar o
ar respiro
fluido para o reservatório.
Na condição oposta, ou seja, quando o fluido
retorna ao reservatório, o nível de óleo irá se elevar
novamente e teremos que desocupar algum espaço
para este óleo.
Em outra palavras, a pressão interna do
reservatório deverá ser sempre igual a pressão
atmosférica. Assim fica evidente a utilização do
respiro, que é um orifício que possibilita a variação
do volume de ar no reservatório. fluido
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
9 - Reservatório - componentes e finalidades
124

9.2 - Dimensionamento do reservatório


Para dimensionar um reservatório existe uma regra prática.
Esta diz que o volume de fluido no reservatório deve ser três vezes vazão
maior do que a vazão da(s) bomba(s) que alimenta(m) o sistema. 15,14 l/min
Exemplo, Um sistema hidráulico onde uma bomba fornece (4 galões)
uma vazão de 15,14 l/min (4 galões por minuto), o volume mínimo 45,42 litros
do reservatório deverá ser de: 15,14 x 3 = 45,42 litros (12 galões). (12 galões)
bomba

☞ NOTA:
Essa regra nem sempre pode ser aplicada, pois em
sistemas mais complexos, devemos estudá-los como
se fossem um caso particular. Tanto o excesso quan-
to a falta de fluido são desvantajosas.

9.3 - Acessórios

A) Bocal de enchimento
O bocal pode ser equipado com um filtro tela, com malha de
aproximadamente 200 m (0,2 mm).
Este filtro tem a função de evitar que qualquer objeto sólido
entre no reservatório, pois caso o sistema não tenha filtro de filtro
sucção, esse objeto será succionado pela bomba, danificando-a
de forma irreparável.

B) Filtro de sucção Duto de


Se o filtro de sucção não estiver completamente sucção nível do vórtice
submerso, ocorrerá entrada de ar no sistema, fluido
altamente prejudicial, pois provoca a cavitação.
Se, entretanto, o filtro estiver mergulhado à h
pouca distância da superfície do fluido, pode ocorrer
a formação de vórtices (redemoinhos) na sucção,
também ocasionando a entrada de ar no sistema.
h1
Recomenda-se a altura mínima do duto de
sucção e a superfície do fluido seja 76,2 mm. (3
polegadas). Formulou-se como cota mínima, uma
vez e meia o diâmetro do duto de sucção. Observe
a altura mínima do filtro de sucção em relação ao
chicana vórtice
fundo do reservatório “h1”. Esta altura deve ser no
mínimo 50 mm, a fim de evitar que as impurezas
precipitadas no fundo do reservatório sejam
succionadas pelo filtro.
Na impossibilidade de estabelecer a cota “h”,
é comum o uso de uma “chicana” um pouco abaixo
do nível do fluido. Se ocorrer a formação de um
vórtice, ele se extinguirá antes de chegar ao filtro.
filtro da bomba
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
9 - Reservatório - componentes e finalidades
125

C) Bocal e respiro
O respiro impede a entrada de impurezas no
bocal +
reservatório e permite a livre entrada e saída do ar
respiro
no reservatório.
Para impedir por completo a entrada de impurezas
ao reservatório, adota-se um pequeno filtro,
instalado no interior do bocal.


visor de
NOTA: nível
Frequentemente tem-se respiro incor-
porado ao bocal - figura ao lado.

filtro de
sucção retorno

MF 3640 e 5650: reservatório do sistema


D) Visor de nível hidráulico
Os visores transparentes permitem visualizar
externamente o nível do fluido.

Em certas aplicações (figura abaixo), pode ser


incorporado um termômetro no visor.

Visor de nível
com
termômetro

E) Bujões magnéticos
É normal que os bujões de dreno de óleo lubrificante
e reservatórios de fluido, tenham uma parte
magnética, com a função de captar partículas
metálicas (limalhas) contidas no fluido.
Essas limalhas podem ter origem no desgaste dos
equipamentos hidráulicos (ou engrenagens) ou
mesmo estarem contidas em um fluido
contaminado com esse tipo de impureza.
rosca de
fixação ímãs
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
10 - Filtragem
126

As impurezas estão presentes em quase tudo. Geralmente são pequenas


partículas quase que imperceptíveis aos nossos olhos. No entanto, quando essas
impurezas entram em um sistema hidráulico, elas podem danificar e diminuir a vida
útil do sistema.
Portanto, a função do filtro é impedir que essas impurezas entrem no sistema,
assegurando assim, o bom funcionamento do circuito.
Existem dois tipos de filtros:
- Filtro químico
- Filtro mecânico

10.1 - Filtro químico

É bem menos utilizado do que o filtro mecânico, pois só é utilizado quando se


necessita de uma filtragem absoluta do fluido.
O filtro químico funciona a partir de um reator que anula o efeito ácido ou
básico do óleo, transformando a substância nociva em água e cloreto de sódio.
Estes são retidos pelo filtro que só permite a passagem do óleo puro.

10.2 - Filtro mecânico


Ao contrário do filtro químico, o filtro mecânico
está presente em todos os sistemas hidráulicos,
pois sua aplicação é decisiva e obrigatória.
É constituído de uma série de malhas ou poros. fluido
purificado
A quantidade de malhas existente por polegada
linear do filtro é chamada de “mesh”. Na figura ao
lado, a filtragem é feita de forma sucessiva, ou seja,
a cada camada do filtro, o tamanho dos poros vai
diminuindo, retendo assim, partículas cada vez
menores, até conseguir uma filtragem total ou quase
total do fluido. simbologia
Quando a maioria dos poros estiverem com a impurezas malhas poros
passagem de fluido bloqueada, o filtro estará sentido do fluxo
entupido e deverá ser limpo ou trocado.
É comum encontrar filtros que possuem
incorporado uma válvula de retenção simples em
by-pass (em paralelo).
Essa válvula abre a passagem para o fluido a
partir de uma determinada pressão. Este tipo de
válvula é também utilizado nos filtros de retorno (ou
filtro de pressão).
Na realidade, esta válvula age como uma
proteção para evitar o estouro do elemento filtrante,
o que causaria um dano maior ao sistema do que anel de retenção mola
não se filtrar o fluido. da mola
simbologia
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
10 - Filtragem
127

Alguns filtros possuem um indicador de contaminação que indica quando se


deve fazer a troca do mesmo. O manômetro indica a pressão de passagem do fluido.
Quanto maior a pressão, maior é a restrição existente, em função da saturação do
filtro.

10.3 - Exemplos de filtros utilizados em máquinas MF

A) Filtro tipo tela (sucção)


Exemplos: bomba (ISYP) do levante hidráulico tipo Ferguson (1) e filtro de sucção
do sistema hidráulico auxiliar (2) - Série MF 5300.

B) Filtro tipo cartucho


A figura abaixo mostra o reservatório hidráulico da MF 34/38
1- Bocal + respiro
2- Filtro (cartucho substituível)
3- Indicador de nível com sensor “Reed” que acusa no Datavision a ocorrência de
nível baixo.

4- Sensor de temperatura: informa o valor da tem-


peratura do fluido ao Datavision e desliga o
motor em caso de superaquecimento.

2
1
2

_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
10 - Filtragem
128

Outro exemplo de cartucho substituível, localizado na


sucção: sistema de direção hidrostática com reservatório
próprio - MF 250 X

elemento filtrante (cartucho)


C) Elemento filtrante de sucção, tipo inteiriço,
substituível
É utilizado na maioria dos tratores, para o óleo comum
à transmissão e sistemas hidráulicos (de levante e sistemas
auxiliares).

Válvula by-pass
1234
1234 1234
1234
Conforme descrito anteriormente, trata-se de um item 1234
1234 1234
1234
de segurança, que equipa tanto os filtros de sucção quanto 1234
1234 1234
1234
elemento 1234
1234 1234
1234
os de pressão. No caso dos filtros ao lado, a válvula é 1234 1234
filtrante 1234
1234
1234
1234
incorporada ao suporte do filtro. Já nos filtros de retorno 1234 1234
1234
1234 1234
1234
(ou de pressão), esta válvula geralmente faz parte do filtro. 1234
1234 1234
1234
Em ambos os casos, se ocorrer saturação do filtro, abre- válvula by- 1234
1234 1234
1234
1234
1234 1234
1234
se a válvula, assegurando a lubrificação e/ou funcionamento pass 1234
1234 1234
1234
do sistema hidráulico e evitando o colapso do filtro.

D) Filtro substituível de retorno (ou de pressão)


São montados normalmente no retorno ao reservatório.
Possuem tamanho menor comparado aos filtros de sucção.
Isto porque, na sucção é necessário aumentar a área de 1
passagem do óleo, visando diminuir a restrição.
Exemplos de aplicação:
1 - Retorno da transmissão hidrostática da MF 34/38.
2 - Lubrificação de motores.

E) Filtro centrífugo
Utilizado para a filtragem do óleo da transmissão e
sistemas hidráulicos auxiliares dos tratores MF Série 5300.
É localizado sempre no retorno, pois o seu funcionamento
requer a passagem do óleo sob pressão. Este filtro já foi
2
descrito nesta apostila.
A cada 500 Horas, basta fazer a limpeza da câmara ,
dispensando a troca de filtros.

_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
11 - Atuadores hidráulicos
129

O cilindro hidráulico é um atuador linear, isto é, o movimento e a força que ele


executa são transmitidos linearmente.
A função dos atuadores é transformar pressão hidráulica em força mecânica.
Esta transformação se baseia no “Princípio de Pascal”.
Basicamente, os cilindros hidráulicos são compostos pelos componentes da figura
abaixo:

tampa do vedações camisa do


lado da haste do êmbolo cilindro tampa do lado da
cabeça
haste
olhal Cilindro de
dupla ação

mancal da haste
Simbologia
e retentor
tomadas de
pressão/retorno
11.1 - Tipos de cilindros duplo efeito

Existem vários tipos de cilindros, no entanto


podemos destacar os dois tipos principais:
- de simples ação ou simples efeito
- de dupla ação ou duplo efeito tomada para o
fluido vedação

A) Cilindro de simples ação ou simples


efeito
O cilindro de simples ação ou simples efeito, é respiro
assim chamado em virtude de possuir o movimento
exercido através da vazão ou pressão hidráulica, em
apenas um sentido.
vedação
O movimento de retorno da haste geralmente
respiro vedação tomada para o fluido
é exercido pelo peso do implemento levantado ou
pela ação de molas.
Na figura ao lado, são apresentadas 2 configurações Cilindros de simples ação simbologia
de cilindro de simples ação:
- No primeiro, o avanço da haste é exercido pela
pressão
- No segundo, o peso executa o movimento de Em ambos os casos, existe um respiro no lado
recolhimento da haste. oposto ao da tomada de fluido, para permitir a
circulação de ar.
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
11 - Atuadores hidráulicos
130

Exemplos de cilindros (ou atuadores) de simples ação


1 - Macaco hidráulico
Uma pequena força aplicada à um cilindro de menor diâmetro resulta numa grande
força realizada em um cilindro com diâmetro diversas vezes maior.
Funcionamento:
- O pistão do cilindro (1) retorna (sobe) pela ação da mola, enquanto a válvula (A)
abre, permitindo a sucção de fluido do reservatório. Terminado este ciclo, a
válvula (A) fecha-se pela ação da respectiva mola.
- Ao acionar o pistão do cilindro (1) - para baixo, abre-se a válvula (B), permitindo
a passagem de fluido para o cilindro (2), ou seja, levantando o peso apoiado
sobre o macaco.
Como o volume bombeado pelo cilindro (1) é pequeno e o volume do cilindro
(2) é grande, resulta uma velocidade reduzida, mas com força multiplicada pela
mesma proporção.
- Quando se abre manualmente a válvula (C), o cilindro (2) volta para a posição
inicial e o fluido retorna para o reservatório.
Representação simbólica

força 2
cilindro (2) força 1
cilindro (1)

mola de
retorno
reservatório

Válvula A
Válvula B
Válvula C

2 - Cilindros de levante da plataforma de colheita


Normalmente são utilizados dois cilindros. Em casos
especiais, pode ser montado 1 cilindro adicional no
lado esquerdo.

_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
11 - Atuadores hidráulicos
131

3 - Levante hidráulico de tratores agrícolas


Nestes casos, o(s) cilindro(s) são sempre do tipo
simples efeito, pois a descida do implemento se dá
pela ação do próprio peso.
Para tratores menores, normalmente se utiliza
apenas um cilindro de levante (1), localizado no
interior da carcaça central.

Já para sistemas de levante de maior capacidade,


se utilizam dois ou três cilindros auxiliares,
1
montados externamente.
Diagrama do sistema de levante Boschtronic

Diagrama do sistema de levante Ferguson

4 - Cilindro telescópico Haste 1 Haste 2 Haste 3 Cilindro

Em algumas situações, é necessário que o cilindro


tenha uma haste muito comprida e quando retraído,
ser o mais curto possível.
Nestes casos, são utilizados os cilindros
telescópicos. Seu funcionamento é parecido com Simbologia
o de uma antena de rádio.

Exemplo de aplicação:
Levante de containers ou caçambas.

_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
11 - Atuadores hidráulicos
132

5 - Acionamento das polias variadoras do sistema de trilha - MF 34 e 38


É um caso particular de atuação hidráulica. A semi-polia (1) é forçada para a direita
(fechando as polias), sob a ação da pressão hidráulica.
O fechamento ocorre por ação da mola (2) na polia acionada.
O óleo entra pela galeria (3), indo até a câmara em formato de anel (4), vedada pelos
anéis (5 e 6), onde é gerada a força para o deslocamento da semi-polia (1). Neste
momento, a correia se afasta do centro, forçando a abertura da polia acionada (contra
a ação da mola (2)), já que o comprimento da correia não varia.

1
4
5 6

2 Parte do circuito hidráulico responsável


pelo acionamento das polias variadoras
da trilha - sistema “DronningTork”.
Conjunto da
polia
acionada

_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
11 - Atuadores hidráulicos
133

11.2 - Vedações dos cilindros

Os cilindros normalmente são formados por duas câmaras (cilindro de duplo


efeito), ou somente uma (cilindro de simples efeito). Por razões óbvias, é necessário
que exista uma perfeita vedação entre estas câmaras ou mesmo entre o cilindro e o
ambiente. Do contrário, teríamos uma perda muito grande de pressão e vazão, e,
com isso, o trabalho do cilindro não seria eficiente.
Veremos a seguir representações de alguns tipos de vedações.

Anéis de segmento Anéis do tipo “O”

Vedação do pistão
Observe que existe uma infinidade de com a camisa
configurações de vedadores, em função da
infinidade de aplicações diferentes. Temos assim
os mais variados desenhos e materiais empregados.
Além disso, são empregados muitos anéis não
diretamente envolvidos na vedação em si: são os
anéis de escora, os anéis raspadores, anéis de
proteção, etc.
Vedação da haste
Figuras: cilindro de direção de um eixo 4x4 ZF: com o pistão
Vedação da haste

Vedação da camisa
Anel raspador

com a tampa

com a tampa

_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
11 - Atuadores hidráulicos
134

1- Anel raspador (também chamado de protetor ou guarda-pó)


3- Vedador entre haste e a cabeça (ou tampa 2)
4- Anel-O de vedação entre a cabeça (2) e a camisa (10)
6- Anel de vedação (de Teflon)
7- Anel-O (mantém o anel (6) comprimido contra a camisa e veda a passagem
pelo sulco do pistão.

11.3 - Cálculo de velocidade e força de cilindros Ac Ah Ap

A) Exemplo de cálculo de força


Para calcular a força de avanço e retorno de um
Dh=5 cm
cilindro, é necessário saber o diâmetro do pistão
(Dp), o diâmetro da haste (Dh) e a pressão “P”
fornecida pelo sistema.
Considerando um cilindro com:
Dp = 10 cm
Dh = 5 cm OBS: ¶ = 3,14159
P = 100 kgf/cm 2 Pressão = 100 bar

Qual é a força da haste quando avança (F1) e quando


retorna (F2) ? Força de avanço “F1”: pressão atuando sobre toda
Dp = 10 cm - logo: a área do pistão, ou seja, “Ap”
Área do pistão (Ap) = (¶ x Dp²) / 4 F1 = 100 x 78,53
Ap = 78,53 cm² F1 = 7.853 kgf
Dh = 5 cm - logo: Força de retorno “F2”: pressão atuando apenas
Área da haste (Ah) = (¶ x Dh²) / 4 sobre a área da coroa “Ac”
Ah = 19,63 cm² Ac = Ap - Ah = 78,53 - 19,63 = 58,9 cm²
Força “F” = P x A F2 = 100 x 58,9
F2 = 5.890 kgf
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
12 - Bombas hidráulicas
135

As bombas são responsáveis pela geração da vazão dentro de um sistema


hidráulico e portanto, pelo acionamento dos atuadores. As bombas, portanto,
transformam energia mecânica em energia hidráulica. Existem diversos tipos de
bombas, sendo as principais ou mais comuns de encontrar:
- Bomba de engrenagens
- Bomba centrífuga
- Bomba de rotor interno/externo
- Bomba de pistões
- Bomba de palhetas

12.1 - Bombas de engrenagens volume por dente


engrenagem
Sem dúvida, é o tipo de bomba hidráulica mais
motriz
utilizada, em função da simplicidade, baixo custo,
dimensões reduzidas, pouca manutenção e obtenção
de altas pressões. entrada
de fluido
A vazão gerada pela bomba, equivale ao volume
entre os dentes.
Com o constante desengrenamento dos dentes
cria-se uma descompressão na câmara de sucção,
fazendo com que o fluido seja succionado do saída de
reservatório e conduzido perifericamente pelos dentes engrenagem fluido
das engrenagens até a câmara de saída e devido ao movida
engrenamento constante, o fluido é forçado para fora carcaça
da bomba.
O deslocamento (D), ou seja, o volume bombeado Espinha de peixe Helicoidal
a cada rotação da bomba de engrenagens pode ser
determinado com a formula:

µ
D = v . n . z .µ
Onde:
v = volume deslocado por dente
z = número de dentes da engrenagem
A figura acima mostra uma bomba que, ao invés
n = número de engrenagens da bomba (2)
de dentes retos (que é o mais comum), possui
µ = fator de eficiência da bomba
engrenagens com dentes em formato especial:
O fator de eficiência “µ” leva em conta o fato de espinha de peixe e helicoidal.
que nem todo o óleo contido entre os dentes ser
A razão de se utilizar este tipo, é o menor nível de
efetivamente deslocado para a saída, devido à vedação
ruído, haja visto que a maior restrição às bombas de
na periferia dos dentes.
engrenagens, é justamente o ruído.
A vazão da bomba é proporcional à rotação da
Uma outra limitação da bomba de engrenagens,
mesma, ou seja, o deslocamento “D” multiplicado pela
é o de não permitir a variação no deslocamento “D”,
rotação.
ou seja, mudar a vazão sem alterar a rotação.
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
12 - Bombas hidráulicas
136

12.2 - Bomba centrífuga descarga

A bomba centrífuga possui este nome por palhetas


utilizar o princípio da força centrífuga para bombear
fluidos. É constituída de um eixo com um rotor de
carcaça
palhetas e uma carcaça por onde o fluido escoa.
Com o giro do eixo, o fluido é succionado pela
abertura de admissão e, devido a força centrífuga,
é expelido pelas extremidades das palhetas para o eixo
orifício de descarga.
Este tipo de bomba normalmente é utilizada
onde se requer grande vazão e pressões menores. abertura de
admissão
Entretanto, existem bombas centrífugas multi-
estágio (diversos rotores em série), que alcançam
direção do fluido
pressões consideráveis.
A figura ao lado, mostra uma bomba deste tipo,
utilizada para bombeamento de água.

OBS: a bomba tipo centrífuga não é muito utilizada


em sistemas hidráulicos. Nas máquinas MF, esta é
utilizada apenas para a circulação de água no
sistema de arrefecimento.

Bomba centrífuga multi-estágio: muito utilizada em


sistemas de irrigação.

12.3 - Bomba de rotores tipo gerotor


fluido sendo
Neste tipo de bomba há 2 rotores: o interno (motriz) rotor interno
admitido
e o externo (movido). galeria de galeria de
pressão sucção
O rotor interno possui sempre um número de
dentes menor do que o externo.
Os dois rotores giram no mesmo sentido.
No momento da passagem pela entrada de
fluido (sucção da bomba), a distância entre os
dentes dos rotores começa aumentar, gerando o
espaço vazio, succionando o fluido para a bomba.
Na seqüência do movimento, ao se aproximar
da galeria de saída, a distância vai diminuindo e o
fluido é forçado para a saída.
espaço vazio eixo rotor externo
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
12 - Bombas hidráulicas
137

A bomba do tipo “gerotor” (ou rotores interno e


externo), é muito usada em sistemas de lubrificação
de motores.

saída entrada (sucção)

A Verificando a folga entre rotores, de uma bomba


B
de lubrificação - motor Perkins 6 cilindros

☞ NOTA:
Um outro tipo de bomba tipo rotor é
apresentado ao lado. Observe que há
duas câmaras de sucção (A) e duas
câmaras de pressão (ou saída) - (B).
Os raspadores (1 a 6) tem seu ângu-
lo determinado em função da posi-
A
ção que ocupam, através de um me-
B canismo específico.

12.4 - Bomba de palhetas

Estas bombas são constituídas de uma carcaça, eixo ranhuras saída


dentro da qual, gira um rotor, montado for a de
centro. Este rotor possui diversas ranhuras radiais
ou levemente inclinadas, nas quais estão colocadas C
as palhetas.
Sob as palhetas, geralmente são colocadas
pequenas molas, que mantém as palhetas
comprimidas contra a carcaça. Já em outros casos, B
há uma fina galeria que conduz a pressão da saída
da bomba aos espaços sob as palhetas,
impulsionando-as também para fora.
Com o giro do rotor (no sentido anti-horário, na
figura ao lado), o pequeno espaço (A) na sucção vai
sendo gradativamente aumentado até o máximo -
ponto (B). Termina então a fase da sucção e o A
espaço começa a ser reduzido até o ponto de saída
(C), forçando o fluido a sair da bomba, já que as
palhetas seguintes no permitem retorno. carcaça palhetas sucção rotor

_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
12 - Bombas hidráulicas
138

Note que o movimento de afastamento/


aproximação das palhetas em relação ao rotor, se
deve à montagem fora de centro do rotor.

OBS: Existem bombas de palhetas com


deslocamento variável, ou seja, permitem variar a
vazão sem alterar a rotação.
Isto se consegue, deslocando o eixo (e portanto o
rotor), nos sentidos indicados pelas setas - ver
figura anterior: quanto mais para o centro for A única aplicação de bomba de palhetas, nas
deslocado o rotor, menor será a vazão da bomba, máquinas MF, é a bomba de transferência de
podendo até mesmo ser anulada. combustível das bombas injetoras Lucas-CAV.

12.5 - Bomba de pistões


B
As bombas à pistão, de um modo geral, são próprias
para altas pressões.
Existem diversas configurações de bombas à pistão,
quanto a disposição dos pistões:
A - De pistões opostos (bomba ISYP)
B - De pistões axiais
C - De pistões radiais
Quanto ao fluxo (deslocamento):
- Fixo C
- Variável

A) Bomba de pistões opostos, tipo ISYP


Esta bomba é utilizado no sistema de levante
Ferguson (sistema ISYP).
Possui 4 pistões, opostos dois a dois, acionados
através de um eixo com ressaltos.

☞ filtro tela quadrantes


NOTA:
Esta bomba em si, e do tipo desloca-
mento fixo. Porém, com o uso de da A
“válvula de controle” na sucção,
pode-se aumentar, diminuir ou zerar a admissão,
conforme requerido pelo levante.
Observe que a possibilidade da bomba trabalhar
horas e horas, sem que passe óleo pela mesma,
alojamento
só é possível pelo fato de estar imersa no pró-
das válvulas
prio óleo, assegurando a lubrificação das partes
móveis. eixo de válvula de controle
excêntricos
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
12 - Bombas hidráulicas
139

Representação esquemática da bomba ISYP utilizada nos tratores com levante hidráulico Ferguson

válvula de alívio
cilindro de levante

Retorno
eixo de quadrante
excêntricos
Válvula de admissão bloco de bronze
(admitindo)

alavanca de válvula de
controle descarga
(expelindo)
válvula de controle
(controla a
admissão e o
pistões
retorno do cilindro)

filtro-tela
reservatório
de óleo
(transmissão)

Funcionamento da bomba de pistões axiais, tipo ISYP:


O eixo de excêntricos é acionado pela transmissão e movimenta os dois blocos
de bronze alojados nos quadrantes. Com o giro, os blocos movimentam os
quadrantes, que, ligados aos pistões, promovem o movimento alternativo destes.
A sucção e recalque é controlada através de duas válvulas para cada pistão:
uma de admissão e outra de descarga. Quando a válvula de um pistão está admitindo
óleo do reservatório, a válvula do outro pistão está permitindo a passagem de óleo
para o cilindro de levante.
No caminho ao cilindro, há uma válvula de alívio para proteger o sistema.

B) Bomba de pistões axiais


Na bomba de pistões axiais, os pistões e os
cilindros estão paralelos e giram agrupados ao eixo.
Através do giro do eixo motriz, os pistões fazem
um movimento alternado bombeando o fluido.
Existe uma placa de válvula que direciona o
fluido para dentro e para fora do cilindro.
Os pistões são conectados ao eixo motriz
através de uma junta universal de articulações. Cada Bomba da
pistão está ligado ao prato deslizante. transmissão -
MF 34 e 38
_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
12 - Bombas hidráulicas
140

Descrição - Bomba de deslocamento variável, do sistema de transmissão hidrostática


da MF 34 e 38
Prato deslizante:
O prato deslizante pode ter sua inclinação variável pela ação dos pistões de
controle. Com isso, altera-se o curso de bombeamento dos pistões, alterando assim
a vazão da bomba, de um máximo (prato na posição ilustrada) até vazão nula (prato
perpendicular ao eixo motriz, ou seja, os pistões ficam com o curso zerado).

Prato de válvulas:
Controla a admissão de óleo aos cilindros bombeadores, bem como a saída do
óleo comprimido.
O funcionamento desta válvula consiste em alinhar furos de passagem de óleo,
para a admissão ou recalque, conforme a posição ocupada.

Pistões de controle:
Acionados por uma pequena bomba de engrenagens incorporada à carcaça da
bomba de pistões e controlada por uma válvula operada por cabo desde a cabina;
estes 2 pistões inclinam o prato deslizante e, com isso, se obtém a vazão desejada.

Simbologia
carcaça da bomba corpos do cilindros

prato
deslizante

pistões
bombeadores
eixo motriz (04 unidades)

rolamento

prato de válvulas
pistões de controle
de vazão (02 unidades)

☞ NOTA:
Os pistões de controle são utilizados somente em bombas com controle de
vazão por comando hidráulico. Na maioria dos casos, este controle é feito atra-
vés de uma alavanca, manualmente.

_______________________________________________________________________________________________
Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
13 - Motores hidráulicos
141

Nos motores hidráulicos a energia hidráulica fornecida para o motor é


transformada em energia mecânica na forma de rotação. Ou seja: os motores
hidráulicos realizam o trabalho inverso ao das bombas.
Os motores hidráulicos são muito semelhantes às bombas hidráulicas, porém,
executam uma aplicação inversa a da bomba. Em alguns casos o equipamento pode
trabalhar tanto como bomba quanto como motor.

13.1 - Motor a engrenagens

O motor de engrenagem possui sua construção Simbologia


muito parecida com a bomba de engrenagens.
A utilização do defletor na entrada,
normalmente só é utilizada em motores, e tem por
objetivo conduzir melhor o fluido sob pressão frente
aos dentes das engrenagens.
As bombas de engrenagem unidirecional
podem ser utilizadas como motor de rotação saída entrada
inversa, porém, deve-se cuidar com a contrapressão
na linha de descarga do motor (sucção da bomba).
defletor

engrenagem engrenagem
externa interna

13.2 - Motor tipo gerotor

Constituído basicamente pelos mesmos


componentes da bomba tipo gerotor, ou seja, um
rotor interno e um externo. Os dentes do interno,
se engrenam com o rotor externo. saída entrada

Um exemplo de aplicação dos motores


hidráulicos tipo gerotor (1) é o motor do molinete
da plataforma de corte das colheitadeiras MF.

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
13- Motores hidráulicos
142

13.3 - Motor de palhetas saída entrada


Podemos dizer que alguns tipos de bombas de palhetas
podem trabalhar como motor.
Porém no caso das bombas de palhetas por efeito centrífugo
A
(sem molas de pressão), não sendo possível utilizar a bomba
como motor, pois o fluido passaria entre a carcaça e a palheta
que não estaria totalmente estendida.
Na figura ao lado está representado um motor de palhetas.
As palhetas (1 e 4) estão em posição para receber o fluxo de
B
entrada e gerar torque no rotor, ocasionando o início do giro.
Observe que as palhetas sempre trabalham duas a duas:
após as palhetas (1 e 4), é a vez das palhetas (3 e 6) e depois,
das palhetas (2 e 5). Isto é possível graças às duas galerias de
pressão (A e B), proporcionando um equilíbrio de forças em torno
do rotor e uniformidade no torque gerado.

13.4 - Motor a pistões

A) Motor a pistões radiais


Neste tipo de motor, existe um rotor onde estão alojados
os pistões. Este rotor possui dois orifícios por pistão, o primeiro
tem a função de avançar o cilindro e o segundo de direcionar o
fluido existente no cilindro de volta para o tanque.
Seu funcionamento é muito simples. Os pistões se
movimentam de forma perfeitamente sincronizada, assim,
sempre existirá 4 (quatro) cilindros avançando, 4 (quatro) orifícios orifício
retornando e 2 (dois) em posição neutra, ou seja,
momentaneamente parado. pressão de pressão

As colheitadeiras MF 34 & 38 utilizam os motores de pistões pistões


radiais em suas rodas traseiras.

B) Motor de pistões axiais


O motor de pistões axiais possui o mesmo princípio das
bombas de pistões axiais.
Porém não é regra geral a dupla função desse carcaça eixo
equipamento, para isso, deve-se consultar o fabricante.

Este tipo de motor pode ser usado, por exemplo, na


transmissão hidrostática das colheitadeiras MF 34 e 38 -
Figura ao lado.

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
14 - Válvulas
143

As válvulas são dispositivos indispensáveis em todos os sistemas hidráulicos,


são através delas que se pode manipular, controlar e direcionar o fluxo e pressão do
fluido. Assim como as várias funções atribuídas a elas, existem vários tipos de
válvulas e cada uma delas possui características particulares que iremos estudar
neste capítulo.

14.1 - Válvula limitadora de pressão


entrada mola parafuso de ajuste
Em alguns sistemas hidráulicos a geração de
vazão se dá através de bombas de deslocamento
fixo. Neste caso, muitas vezes se necessita de uma
válvula de limitadora de pressão, pois quando o
cilindro chega ao final do curso, a pressão tende a
saída
aumentar até um nível que causaria danos ao
sistema.
esfera mola parafuso de
regulagem
14.2 - Válvula de alívio e segurança

As válvulas de alívio e segurança são muito


semelhantes às válvulas limitadoras de pressão. O
objetivo é proteger o sistema hidráulico dos picos
de pressão causados, por exemplo, quando os
cilindros atingem o final de curso.
Entrada (ligada ao
Através de uma mola é dada a regulagem da
circuito protegido
pressão de abertura da válvula (esfera, no caso do
exemplo ao lado), ou seja, de acordo com a tensão Descarga do
aplicada sobre a mola, aumenta ou diminui a excesso
pressão de abertura da válvula. Ajustando a pressão do
circuito hidráulico da MF
3640 e 5650

14.3 - Válvula de descarga

A válvula de descarga se difere da válvula de duto para


válvula de
alívio por apresentar piloto externo (na válvula de o atuador
retenção
alívio o piloto é interno). válvula de
descarga
A figura ao lado mostra um exemplo. Quando
inicia o ciclo, as duas bombas fornecem grande
vazão ao circuito. Quando o cilindro começa a
deslocar-se, a pressão no sistema aumenta e
através do duto piloto abre-se a válvula de descarga bomba de
que desvia toda a vazão da bomba de deslocamento duto
deslocamento
piloto
fixo para o tanque, ao mesmo tempo que a válvula variável
de retenção serve como proteção a essa bomba e
impede que também a vazão da outra bomba se bomba de
dirija para o reservatório. deslocamento
fixo
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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
14 - Válvulas
144

14.4 - Válvula redutora de pressão

A construção da válvula redutora é idêntica a das


válvulas anteriores com as seguintes diferenças: spool mola válvula de retenção
- O “spool” é montado invertido, de tal forma a
tornar a válvula “normalmente aberta” (ao con-
trário das anteriores que eram normalmente
fechadas).
- A válvula redutora possui uma válvula de re-
tenção, onde é feita a regulagem da pressão
saída entrada saída a tanque
máxima que a válvula deve deixar passar.
- O fluido proveniente da bomba chega ao simbologia
“spool” através da entrada de pressão e passa
para a saída da válvula.
- Quando a pressão exceder o limite estabeleci-
do, o “spool” tende a se deslocar contra a ação
da mola, e assim, restringir o fluxo de fluido
através da válvula.
- Com o excesso de pressão, a válvula de re-
tenção se abre e permite a passagem de fluxo
diretamente para o tanque.

14.5 - Válvula supressora de choque

Existem dois tipos de choque hidráulico, por


compressão e por descompressão. O choque Este pequeno “atraso” é suficiente para que a
hidráulico deve ser evitado sempre que possível, pressão se eleve acima do limite estabelecido para
pois estes são sempre os maiores suspeitos por o sistema. Assim, a válvula supressora de choque
uma eventual quebra. Quando acontece um pico tem a função de absorver esse impacto até que a
de pressão, a válvula de alívio se abre fazendo o válvula de alívio entre em ação e estabilize o sistema.
fluxo ir direto para o reservatório. No entanto, essa É, portanto, uma válvula auxiliar ao trabalho da
válvula de alivio possui um tempo de resposta, ou válvula de alívio.
seja, ela leva alguns milésimos de segundo para se
abrir e impedir que uma alta pressão se instale no Válvula supressora de choque
sistema. mola de alta resistência

simbologia da válvula
supressora de choque

mola de baixa saída entrada


resistência
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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
14 - Válvulas
145

14.6 - Válvulas de controle direcional

São utilizadas para controlar a direção e sentido


do fluxo do fluido. acionamento
manual
Este controle pode ser basicamente de duas
formas:

A) Válvulas tipo registro


simbologia
As válvulas de registro, por serem de
acionamento demorado, possuem sua aplicação
limitada em sistemas óleo-hidráulicos, até porque,
não permitem o controle direcional do fluxo, esfera
requerido na grande maioria das aplicações.. vazada

Na figura ao lado está representado uma válvula


de registro do tipo esfera, mas há outros tipo, como
o registro gaveta.
cilindro
B) Válvula direcional tipo carretel
deslizante
Este é o tipo de válvula de controle direcional entrada de
mais difundido. Uma peça cilíndrica (carretel ou pressão
spool), com diversos rebaixos, desloca-se dentro
de um furo usinado com alta precisão, no interior carretel
de um corpo metálico. Este corpo contém diversas
passagens deixadas na fundição, por onde circula
haste da simbologia
o fluido hidráulico. válvula
se desloca retorno
Os rebaixos do carretel são utilizados para para
para
intercomunicar as diversas passagens de fluido, a esquerda o tanque
determinando assim o sentido do fluxo - para o lado
da haste ou oposto do(s) cilindro(s) acionado(s).
Movendo a alavanca, altera-se o caminho do
fluxo: puxando a alavanca (figura acima), o pistão
recolhe a haste.

Na figura ao lado está representada a válvula pistão não


na posição neutra com a haste de comando se move
centralizada: não há fluxo para as vias de saída da orifício carretel
válvula e o pistão não avança e nem retrocede. bloqueando
Observe que o fluido contido no cilindro fica as vias
confinado, em ambos os lados, assegurando a simbologia
imobilidade da haste. Veja também, que o orifício
interno do carretel permite o fluxo da bomba
tanque
diretamente ao retorno (tanque). haste da
válvula
centralizada
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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
14 - Válvulas
146

Esta figura ao lado, mostra a haste da válvula


deslocada para a direita. lado da
cabeça
Nesta posição, o carretel abre contato entre a
entrada de pressão e o lado da cabeça do cilindro lado da
fazendo a haste avançar. haste
Ao mesmo tempo, o carretel abre passagem
para o fluido contido no lado da haste do cilindro se
dirigir para o tanque. entrada de
pressão

Formas de acionamento das válvulas direcionais:


Nas máquinas MF, as formas mais utilizadas são
a manual e a elétrica.
simbologia
Porém, existem também as válvulas acionadas haste da válvula tanque
pneumaticamente. deslocada para
a direita

Válvulas controladas eletricamente (elétro-


válvulas)
Estas válvulas são largamente empregadas nas
De simples efeito
colheitadeiras, em especial na MF 34 e 38.
A MF 3640 e 5650 equipada com controles
automáticos da plataforma (CAAP e Lateral-Tilt),
também possui elétro-válvulas na parte do circuito
que controla a plataforma.

Válvulas de CENTRO ABERTO


Nestas válvulas, quando o carretel está em
neutro, os condutos A e B (que vão ao cilindro), tem
comunicação com o retorno T.
De duplo efeito: centro fechado ou aberto

A B

P T

Válvulas de CENTRO FECHADO


Quando o carretel está em neutro, os condutos
A e B não tem comunicação com o retorno T.
A B

Válvulas solenóide da MF 3640 e 5650


P T Advanced
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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
14 - Válvulas
147

C) Válvula de controle direcional com carretel rotativo (Unidade hidrostática de direção)

A unidade hidrostática utilizada no sistema de direção de todas as máquinas Massey


Ferguson é da marca Danfoss. Este sistema não possui ligações mecânicas entre
volante e rodas direcionais.
A válvula é composta basicamente de uma carcaça fixa, uma luva e um carretel
rotativo acoplado à barra de direção.
Quando o volante está centralizado, o carretel da válvula se posiciona de tal forma
que o óleo que chega à válvula vai direto para o retorno. Quando o volante é girado
no sentido horário, o carretel permite a passagem de fluxo para um lado direito do
cilindro de direção e o retorno de fluxo do lado esquerdo do cilindro para o tanque.
Já quando o volante é girado no sentido anti-horário, o lado que antes era pressurizado
agora retorna a tanque, sendo o outro lado do cilindro pressurizado: o esterçamento
das rodas será para a esquerda.

Volante centralizado (posição neutra) Volante girado para a direita

Fluxo do tanque para a bomba


Fluxo do tanque para a bomba
Fluxo da bomba para a válvula Fluxo da bomba para a bomba auxiliar
Sem fluxo para a bomba auxiliar
Fluxo da bomba auxiliar para o cilindro
Sem fluxo para o cilindro
Fluxo de retorno do cilindro para o tanque
Fluxo de retorno para o tanque

A vista explodida e o circuito, mostram a


unidade modelo OSPC - ON, centro fechado.

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
14 - Válvulas
148

14.7 - Válvula anti-retorno (ou fluxo único)

A função da válvula anti-retorno é permitir o


Válvula em linha
fluxo livre do fluido em apenas um sentido (não esfera
permitir o retorno).
As válvulas anti-retorno são basicamente
constituídas por um corpo, pistão ou esfera
mantidos contra uma sede no interior do corpo por
ação de uma mola. mola

Esse tipo de válvula pode ser montado em linha ou


em placa - veja figuras.
Quando existe um fluxo no sentido correto da
sede
válvula, a esfera ou pistão empurra a mola e liberam
a passagem de fluido. Já o contrário não acontece,
pois se o fluxo estiver no sentido errado ele tende a Válvula em placa
empurrar a esfera ou pistão contra a sede, e, com
parafuso
isso, aumentar a vedação da válvula. esfera

Representação simbólica:

mola
sede

sentido permitido

14.8 - Válvula reguladora de vazão

Dependendo do tipo de circuito, aplicações,


simbologia
seqüência de movimentos... diferentes serão os
tipos de válvulas reguladoras de vazão. parafuso regulador
Basicamente temos:

A) Válvula reguladora de vazão sem


compensação de pressão
Este é o tipo mais simples de válvula reguladora
de vazão. Seu funcionamento pode ser comparado
ao de uma torneira, pois a regulagem da vazão é
feita simplesmente diminuindo ou aumentando a
passagem de fluido. base de
Para diminuir a vazão através da válvula, basta vedação
girar o parafuso regulador e vice-versa.

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
14 - Válvulas
149

B) Válvula de restrição 1

Um emprego da válvula reguladora de vazão,


sem compensação de pressão, é restringir o fluxo, 2
com o objetivo de controlar a velocidade de descida
da plataforma das colheitadeiras MF 3640 e 5650.
Esta válvula é regulável (através do parafuso 1)
e atua somente na descida da plataforma. Na
subida, a válvula de retenção (2) permite a passagem
do óleo livremente.
restrição

C) Válvula reguladora de vazão com compensação de pressão

estrangulamento orifício 1

válvula
compensadora
de pressão
(spool)

orifício 2
entrada

saída
parafuso
regulador

válvula reguladora de vazão orifício 3

A válvula reguladora de vazão com compensação de pressão é usada em


circuitos onde os atuadores possuem uma velocidade rigorosamente controlada. A
função do compensador é manter um diferencial de pressão constante entre a câmara
(A - antes da válvula reguladora de fluxo) e a câmara (B - após a válvula reguladora de
fluxo).
Quando a válvula reguladora está totalmente aberta, o fluxo entra e vai
diretamente para a saída. No entanto, conforme vai se fechando a válvula reguladora
(através do parafuso regulador), a pressão aumenta na câmara (A). Assim, a alta
pressão na câmara (A) exerce, através dos orifícios (1 e 2), uma pressão no spool
contra a ação da mola.
Esta pressão faz com que o estrangulamento diminua a passagem de fluido
para a câmara (A) e, assim, a pressão também diminui na câmara (A).
Porém, quanto mais abrimos a válvula reguladora, a pressão na câmara (B)
tende a aumentar. Com isso, o fluxo que passa pelo orifício (3), exerce junto com a
mola, uma pressão contra o spool (para a esquerda), que se move aumentando a
passagem do estrangulamento. Assim, a pressão na câmara (A) tende a aumentar
e, dessa forma, manter o diferencial de pressão entre a câmara (A e B) da válvula.
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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
14 - Válvulas
150

14.9 - Válvula de bloqueio

Normalmente, ao ser utilizada uma válvula de controle direcional de centro aberto,


utiliza-se uma válvula de bloqueio no circuito, entre a válvula de controle e o(s) cilindro(s)
acionado(s). O objetivo é evitar a movimentação da haste do(s) cilindro(s), já que existe
ligação entre as tomadas (A e B).
Quando a válvula de controle está em neutro, a parte posterior (A1 e B1) das válvulas
está em comunicação com o circuito comum de retorno, assegurando que a alta pressão
não possa atuar sobre as válvulas de retenção ou sobre os cilindros, ocasionados por
exemplo, por uma eventual fuga de óleo na válvula carretel (válvula de controle
direcional). Quando o óleo é dirigido ao ramal "A", a válvula de retenção se abre no
ponto "A1" devido a pressão de óleo que atua em sua extremidade, permitindo ao mesmo
tempo O carretel de empuxo (C) que existe no centro da válvula se move para direita,
abrindo a válvula de retenção para a saída "B1". Com isto permite que o óleo volte do
cilindro para o circuito comum de retorno através do ponto "B" e da válvula solenóide.
Ocorre o contrário quando o cilindro é acionado na direção oposta.

C
AeB Provenientes da válvula de controle
A1 e B1 Saída / retorno do cilindro

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
14 - Válvulas
151

14.10 - Válvula divisora de fluxo tipo prioritária

A válvula divisora de fluxo do tipo prioritária, é Prioridade para a direção


utilizada em casos onde uma mesma válvula dirige saída p/ a direção ao controle remoto e
o fluxo hidráulico para mais de uma via, sendo que, hidráulica levante hidráulico
uma das vias exige prioridade sobre a outra.
Funcionamento da válvula prioritária utilizada na
Série 600 a mola b
Na figura superior, a válvula está priorizando o c
fluxo para a direção, já que esta envolve a
segurança. Ao acionar a direção, o fluxo entra e
passa diretamente para a via da direção e só
conseguirá ir para a via do controle remoto quando carretel
a via da direção parar de solicitar fluxo.
Esta “prioridade” acontece devido a pressão da entrada
mola e do tubo de pressão-piloto (b) sobre o spool
que se desloca abrindo a via da direção e fechando Passagem para o controle remoto aberta
a do controle remoto.
Na figura inferior: quando a direção para de
solicitar fluxo, ocorre uma contrapressão na câmara b
a
(a). Esta contrapressão, exerce uma força na câmara
(c) deslocando o carretel contra a ação da mola e, c
dessa forma, fechando a passagem para a via da
direção e abrindo a do controle remoto e levante
hidráulico.
P- Linha de pressão
LS - Tubo de pressão piloto
EF - Fluxo para o controle remoto
CF - Fluxo dosado para unidade hidrostática simbologia
T- Retorno para o tanque

Diagrama geral da aplicação da válvula prioritária

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
15 - Acumuladores hidráulicos
152

15.1 - Função/funcionamento

Os acumuladores são utilizados para atender aos seguintes objetivos:


- Acumular uma energia potencial (sob a forma de líquido sob pressão), para
restitui-la no momento requerido e com a rapidez desejada;
- Amortecer impactos sobre o sistema hidráulico.
Há diversos tipos de acumulador, todos possuindo características próprias de
funcionamento, no entanto, o princípio de funcionamento é semelhante.

A) Acumulador a peso ou por gravidade peso

Constitui-se de um reservatório conectado a


símbolo
linha de pressão do circuito. pistão
Esta pressão entra no reservatório e levanta o
peso que é o elemento pressurizador.
Quando cai a pressão no sistema, este peso
cilindro
exerce uma pressão no acumulador de forma a
manter o nível de pressão no circuito.

linha de pressão

B) Acumulador por mola símbolo


mola
Se caracteriza por apresentar uma pressão
variável, pois, a medida que o fluido vai se
pistão
descarregando, a tensão da mola vai diminuindo,
ocorrendo o mesmo com a pressão do fluido.
cilindro

linha de
pressão

tomada
para o gás
C) Acumulador a gás
gás
Neste caso, o trabalho de pressurização é feito pistão
através de um gás existente sobre o pistão, no lado
ao que se encontra o fluido da linha hidráulica. vedação

Este tipo de acumulador é o utilizado nas máquinas cilindro símbolo


MF.

linha de pressão
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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
15 - Acumuladores hidráulicos
153

15.2 - Aplicações dos acumuladores

Como fonte auxiliar


atuador
Neste caso, o acumulador supre uma acumulador
necessidade momentânea de maior pressão,
suprindo eventuais quedas na mesma. Isto é
possível porque durante certa parte do ciclo de
trabalho, o acumulador é carregado, para depois
descarregar o fluido armazenado, completando o
ciclo de maneira mais rápida, em auxílio à bomba.
Neste caso, a função do acumulador no circuito
hidráulico pode ser comparada com a de um bomba
capacitor em circuitos elétricos.

Como compensador de vazamentos


internos e/ou externos
válvula
Um bom circuito hidráulico não deve possuir
direcional
vazamentos externos. acumulador
No entanto, sabemos que existem vazamentos
internos no sistema, isto é, vazamentos entre o
carretel e o corpo das válvulas, vazamentos entre o
êmbolo e a camisa do cilindro, etc...
Em sistemas que ficam pressurizados durante
longo período, por exemplo, em vez de mantermos
a bomba em constante trabalho, podemos introduzir
atuador
um acumulador, que após carregado com uma
pressão máxima, dispensa a ação da bomba. bomba

Neste caso a utilização de um acumulador tem-


se benefícios como menor consumo de potência e
menor aquecimento do óleo (por descargas na
válvula de alívio).

atuador
Como compensador da expansão térmica
válvula de acumulador
Em circuitos fechados, existe uma grande descarga
geração de calor. Por isso, tanto o fluido como as
tubulações e equipamentos sofrerão um aumento
de volume (dilatação). Porém, o fluido dilata muito
mais do que os metais, gerando um considerável
aumento de pressão no sistema, que, para não ser
prejudicial, pode ser absorvido pelo acumulador.

bomba

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
16 - Trocadores de calor
154

Em circuitos hidráulicos é muito importante que o fluido se mantenha dentro


da faixa de viscosidade recomendada pelo fabricante. Sabemos que a viscosidade
varia com a temperatura, portanto, se a temperatura variar de forma excessiva, a
viscosidade do fluido ficará imprópria para o circuito e poderá causar danos ao
sistema.
Para este controle, se utiliza os trocadores de calor, quando necessário.

16.1 - Resfriador a ar motor

O funcionamento deste, é idêntico ao radiador


d´água. O fluido circula em dutos envoltos em aletas
para aumentar a superfície de troca de calor.
A circulação de ar pode ser natural ou forçada
através de um ventilador. O coeficiente de
transmissão de calor, por parte do ar, é menor que ventilador
o da água. Por esta razão, em condições de
temperatura muito elevada (maior de 40 0C), bem
como a disponibilidade de pouco espaço, se prefere
a utilização de trocadores tipo fluido / água.
Porém, por possuírem uma boa resistência a
vibrações, são aplicados em máquinas móveis
como: tratores, colheitadeiras, retroescavadeiras,
etc ... 1

A figura ao lado mostra radiador do fluido hidráulico


(1) utilizado nas colheitadeiras MF 34 & 38.

A figura ao lado mostra um resfriador de ar (2)


utilizado em alguns tratores MF.

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
16 - Trocadores de calor
155

16.2 - Resfriador a água

Se não haver restrições ao uso dos resfriadores tomadas de óleo


a água, eles devem ser os escolhidos, pois além de
serem econômicos, são muito mais compactos,
tomadas
comparando com os resfriadores a ar. de água
São constituídos de vários tubos de cobre, que
se encontram fechados por um tubo de aço. O
cobre é geralmente utilizado por ser um ótimo
condutor de calor e possuir uma boa resistência à tubo
de aço
corrosão.
Existem placas divisórias internas por tubos, por placas separadoras
onde circula (chicanas)
intermédio de placas visando aumentar a área e o a água
tempo da troca de calor.
O fluido refrigerador pode passar por fora ou
por dentro dos tubos, sendo que geralmente a
entrada é feita do lado oposto à entrada de fluido a
2
ser arrefecido, a fim de evitar o choque térmico e
melhorar a eficiência do sistema.

Nas máquinas fabricadas pela AGCO não são


utilizados trocadores deste tipo para sistemas
hidráulicos. Porém, todos os motores diesel/turbo
o utilizam para arrefecer o óleo da lubrificação - veja
as figuras;

1a 2

2a
1 = Trocador incorporado ao suporte do filtro de 2 = Trocador incorporado ao bloco do motor.
óleo. 1a = Mangueiras de ida e retorno da água. 2a = Mangueiras de ida e retorno do óleo
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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
17 - Manômetros e vacuômetros
156

Os manômetros são instrumentos que indicam a pressão em um determinado


local, ou circuito. Sobre o conceito de pressão, veja as páginas 116 e 117.
Os vacuômetros funcionam de acordo com o mesmo princípio dos manômetros,
com a diferença de que medem o vácuo, ou seja, pressões menores que a
atmosférica.

☞ NOTA:
O vácuo muitas vezes é entendido e conceituado como “pressão negativa”.
Ocorre porém, que não existe pressão negativa, ou seja, abaixo de zero.
Portanto, temos vácuo sempre que a pressão for inferior a pressão atmosférica
do local em questão.

Os manômetros normalmente são do tipo analógico (com ponteiros) ou eletrônicos


(com display - ou visor).
Deve-se prestar atenção à unidade utilizada na escala dos aparelhos: em bar, kgf/
cm² ou PSI. Muitas vezes, há uma dupla escala.

17.1 - Princípio de funcionamento elemento ponteiro


sensor
O funcionamento do manômetro “Bourdon”, é
baseado na deformação sofrida por um elemento
engrenagem
metálico denominado “elemento de pressão” ou
“elemento sensor”.
Este elemento é geralmente um tubo fechado
em forma de “C” ou em espiral. A pressão entra
pelo orifício existente na conexão e o elemento
sensor se deforma, produzindo um movimento na
extremidade livre.
Este movimento, por ser proporcional à pressão cremalheira
sofrida, é aproveitado para acionar um sistema de visor
alavancas e engrenagens (pinhão-cremalheira) que graduado
conexão com o
multiplicam esse movimento, acionando um circuito
ponteiro.

Este movimento rotativo


faz girar o ponteiro no
mostrador graduado
indicando assim, a
pressão (ou vácuo) da
linha.

MANÔMETRO ANALÓGICO (COM GLICERINA) MANÔMETRO DIGITAL


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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
17 - Manômetros e vacuômetros
157

Válvula isoladora de manômetro


Em linhas onde ocorrem pulsações na pressão, ligação do desvio do fluxo
manômetro ao tanque
não é recomendado o uso de manômetro do
manômetro de “Bourdon” descrito anteriormente.
Nestes casos haveria um desgaste excessivo manípulo de
dos componentes internos do manômetro, controle
problema este que pode ser resolvido com uma
válvula isoladora de manômetro - veja ao lado, ou
utilizando manômetros de glicerina, que por
apresentarem o indicador mergulhado em glicerina,
absorvem as vibrações, assegurando uma vida útil
satisfatória ao equipamento, além de proporcionar
leitura confiável (sem oscilação do ponteiro).
Na válvula isoladora de manômetro, ao fechar ligação do circuito de pressão
o manípulo, a pressão se dirige ao manômetro,
permitindo fazer a leitura. Quando o manípulo é
aberto, a válvula retorna e a pressão contida no
manômetro é desviada para o tanque.

17.2 - Usos e aplicações

Há uma ampla variedade de manômetros no


mercado, em função das várias aplicações e
situações.
Esta aplicação vai desde uma simples medição
de pressão em um circuito (veja a próxima página)
até o monitoramento de sistemas (pressão de óleo
lubrificante por exemplo) e controle de sistemas - 1
veja o exemplo da colheitadeira MF 34 e 38.
A pressão da plataforma sobre o solo é
monitorada com base na indicação da pressão nos
cilindros de levante da plataforma.
O manômetro (1) serve apenas de referência
para o operador programar o sistema no Datavision.
O pressostato (2), informa a pressão ao
manômetro e também para o sistema eletrônico
computadorizado Datavision, que passa a manter a
pressão do circuito de tal forma, que uma pequena
parcela do peso da plataforma incida sobre o solo.
Observe que isto só é possível graças ao
sistema medidor da pressão em jogo - dai a
importância do manômetro, que, mesmo sendo
com ponteiros, é do tipo eletrônico, trabalhando em
conjunto com o pressostato (2).
2
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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
17 - Manômetros e vacuômetros
158

17.3 - Testes hidráulicos

Agora que já vimos os conceitos básicos de pressão, válvulas de alívio e


manômetros, estamos aptos a entender o assunto “testes hidráulicos”.
Sabemos que todo e qualquer circuito hidráulico, possui uma válvula limitadora
de pressão.Isto porque, há diversas situações em que a pressão pode ficar excessiva,
apresentar picos, etc.
É o que ocorre por exemplo, no momento em que o(s) atuador(es) do circuito
atingir(em) o fim de curso: o fluxo continua e precisa ser descarregado de alguma
forma.
Entram em jogo as válvulas de alívio (ou limitadoras de pressão).
Geralmente aproveita-se tais válvulas, para permitir o ajuste do valor da pressão
máxima, que varia para cada projeto.
Este ajuste é verificado e ajustado nos chamados “testes hidráulicos”.
OBS: Em alguns casos, além de medir a pressão, é verificada a vazão proporcionada
pela bomba para uma dada pressão. O objetivo, é revelar eventuais problemas de
desgaste ou fugas internas dos circuitos - veja o item B).

☞ NOTA:
Todo e qualquer teste hidráulico deve ser feito com: o óleo no nível correto, uso
de óleo correto, filtros (5) em bom estado e a temperatura do óleo deve ser a de
trabalho do sistema.

A) Teste hidráulico de pressão (exemplo) b) Acelere o motor até a rotação de trabalho;

Neste caso, a verificação da pressão de ajuste da c) Acione o comando de um dos itens acionados
válvula de alívio (1) é verificada com um manômetro pelo circuito, até atingir o batente do cilindro
(2) instalado entre a bomba (3) e a válvula de controle (6), como representado na figura;
direcional (4). d) Continue segurando a alavanca nesta posição,
Satisfeitas as condições da nota acima fazendo a válvula de alívio (1) abrir.

a) Acione o sistema hidráulico, ou seja, o motor Rapidamente, faça a leitura do manômetro (2),
que aciona a bomba; que é a pressão ajustada na válvula (1).

6 2

4
3
5

reservatório
1

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
17 - Manômetros e vacuômetros
159

B) Teste hidráulico de pressão x vazão

2a 2b

6 2c
bar l/min
A B

4 P 3
5

1
T reservatório

retorno a tanque “T”

A fim de permitir uma análise mais completa dos componentes de um circuito, em


especial a bomba, torna-se necessário fazer um teste de pressão x vazão, ou seja,
para uma dada pressão, a bomba deve manter uma determinada vazão.
Para proceder a este teste, utiliza-se normalmente um aparelho combinado,
manômetro (2a) e medidor de fluxo (2b).
O procedimento deste teste é semelhante ao anterior (somente pressão).
Para medir a pressão da válvula de alívio (1), há duas opções para fazer a mesma
“disparar” (abrir):
- Acionar o comando (4) até obter o fim de curso do cilindro (6);
- Fechar o registro (2c) do aparelho de teste, até obter a leitura da pressão reco-
mendada no manômetro (2a).
OBS: Se a pressão recomendada não for atingida, ajuste a válvula de alívio
(1) - veja o item C) na seqüência. Se mesmo assim não for atingida a pressão,
a causa pode ser desgaste da bomba ou fuga interna em algum dos demais
componentes, também devido a desgaste.
Se confirmando esta hipótese, não leve o teste adiante: troque as peças gas-
tas.
- Verificando a vazão: Com a válvula de alívio “disparada” e manômetro indican-
do a pressão recomendada, faça a leitura do fluxômetro (2b): se a vazão apre-
sentada estiver abaixo do mínimo recomendado, deve-se investigar a causa.

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
Anotações
160

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Apostila - Formação de Mecânicos / Hidráulica
Introdução à Eletricidade
161

As aplicações da eletricidade no mundo moderno tornam-se cada dia maiores,


mais diversificadas e mais importantes. Na indústria, em nossas casas, no transporte,
nas comunicações e na agricultura.
Em máquinas agrícolas, está se tornando cada vez mais comum o emprego da eletricidade
e a eletrônica, ou seja, a inovação tecnológica das máquinas passa necessariamente
pela eletricidade e eletrônica.
Atualmente, a evolução da própria mecânica e hidráulica, está vinculada ao emprego
de recursos elétro-eletrônicos.
Você deve ter notado esta transformação, em máquinas como nos tratores MF 5300 a
5320 e nas colheitadeiras. As colheitadeiras MF 34 e 38, por exemplo, representam o
que há de mais avançado, contando com recursos como computador, GPS (sistema de
posicionamento global), monitores de rendimento e perdas de grãos.
Num primeiro momento, você pode imaginar uma grande dificuldade em assimilar esta
nova realidade, haja visto que a eletricidade costuma ser vista como algo “misterioso,
invisível. . .”
A presente Apostila propõe um desafio: temos aqui uma boa oportunidade de nos
aprimorarmos, no sentido de acompanhar a evolução e permanecermos preparados
profissionalmente para a nova realidade.
Ao ler com atenção a presente Apostila, participando de cursos ministrados pelo
Treinamento da AGCO, trocando idéias com colegas, organizando grupos de estudo nas
Concessionárias. . ., você verá que a Eletricidade está ao alcance de qualquer pessoa.
Você certamente já se perguntou coisas como:
1- Qual a diferença entre a eletricidade utilizada em máquinas e veículos em relação à
eletricidade encontrada nas tomadas residenciais?
2- Por que os cabos de bateria costumam ser tão grossos, se a potência envolvida
não é tão grande?
3- Como e por que um alternador gera corrente do tipo alternada, se a corrente
consumida no veículo é do tipo contínua?
4- Para que serve um relé, um diodo, um potenciômetro. . .?
Se estas e/ou outras dúvidas já lhe “incomodaram”, você está apto a topar qual-
quer desafio. Esta apostila contém o esclarecimento de todos estes pontos e
muitos outros mais.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
162

18.1 - Conceitos fundamentais da eletricidade


Antes de “mergulharmos” na eletricidade, é
conveniente recordar alguns conceitos básicos:

a) Matéria:
É tudo aquilo que possui massa e ocupa lugar no
espaço, composta de um ou mais elementos
químicos.
Exemplos de elementos químicos: H (Hidrogênio), O
(Oxigênio), Fe (Ferro), Cu (Cobre), Pb (Chumbo), Ag
No exemplo acima, uma porção de matéria,
(Prata), C (Carbono), Na (Sódio), Cl (Cloro), etc.
(corpo), constituído basicamente de Ferro
A matéria pode ser:
fundido + Carbono.
1- Simples: quando é formado por apenas um com-
ponente químico. Ex.: O2 (Oxigênio), Fe (Ferro),
Núcleo do átomo:
Cu (Cobre), etc.
Contém as partículas positivas (+) chamadas prótons
2- Composta: formada por mais de um elemento
e partículas neutras (N) chamadas de neutrons.
químico - ex.: H2O (Água), H2SO4 (Ácido sulfúri-
co = usado nas baterias), HCl (Ácido clorídrico),
NaCl (Cloreto de sódio = sal de cozinha).
A “matéria” existe em 4 estados diferentes:
1- Sólido - ex.: Fe, Madeira, Alumínio, Borracha, etc.
2- Líquido - ex.: água, leite, óleo diesel, etc.
3- Gasoso - ex.: ar, hidrogênio, oxigênio, hélio, etc.
4 - Plasma - ex.: gás eletrificado,

b) Corpo:
É uma porção de matéria, que possui formato
definida para atender à aplicação específica -
exemplos: uma pedra, uma barra de madeira ou ferro,
uma ferramenta, um bloco de motor, etc.
Eletrosfera:
c) Molécula: É formada por partículas negativas ( - ) chamadas
É a menor porção de uma substância. Capaz de de elétrons, que circulam em órbitas ao redor do
existência independente, conservando suas núcleo. Os elétrons ( - ) mais próximos do núcleo, são
propriedades químicas fundamentais. ex: (ferro, ouro, mais difíceis de serem deslocados, devida a atração
oxigênio.....) .Molécula é um agrupamento de átomos. mais forte exercida pelas partículas opostas, os
prótons (+).
d) Átomo
Já os elétrons mais distantes do núcleo, que
É a menor porção de um elemento, capaz de
ocupam as órbitas mais periféricas, são os chamados
proporcionar propriedades específicas ao elemento.
elétrons livres, que podem deslocar-se de um átomo
Em outras palavras: qualquer matéria existente no
a outro.
universo, inclusive os gases como o ar, é formada por
OBS: é o movimento dos elétrons de um átomo ao
átomos. O que faz um material ser diferente do outro,
outro que gera a circulação de corrente através de
é a configuração dos componentes do átomo, ou seja,
um condutor.
os prótons, nêutrons e elétrons.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
163

e) Lei da atração e repulsão de cargas


elétricas
Cargas elétricas do mesmo tipo (sinal), se
repelem, enquanto cargas elétricas diferentes se Atração
atraem.

f) Condutores (figura abaixo)


Na eletricidade, significam cabos e fios. Repulsão
Na teoria fundamental, condutor é todo o material
que permite a fácil passagem de corrente elétrica
(fluxo de elétrons), ou seja, os átomos possuem
bastante elétrons livres.
Exemplos: Cobre (Cu), Ferro (Fe), Alumínio (Al), Ouro
(Au), etc.
Os elétrons livres só irão deslocar-se se houver
uma tensão aplicada sobre o condutor, ou seja,
corrente circulando.

Isolante Átomos Elétrons livres Condutor

ddp = diferença de potencial ou tensão,


conforme definido mais adiante.

g) Isolantes
Diferente dos materiais condutores, os isolantes
oferecem grande resistência a passagem de corrente
elétrica, em virtude da pequena quantidade de
elétrons livres na sua configuração dos átomos.
Por isso os materiais isolantes são muito úteis:
para isolar um condutor (fio ou cabo), os isolantes são
de extrema importância.
Exemplos: madeira, borracha, vidro, plásticos,
baaquelite, etc.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
164

h) Carga elétrica
Para finalizar os conceitos fundamentais que dão origem à eletricidade tal como a
vemos no dia-a-dia, é oportuno esclarecer o conceito de “carga elétrica”.
Vimos que a eletricidade existe graças à migração dos elétrons livres de um átomo à
outro.
Como é de se imaginar, a quantidade de eletricidade (carga) de cada elétron é
incrivelmente pequena, uma vez que uma pequena partícula de material condutor possui
milhões de átomos.
Para quantificar a carga elétrica (Q), existe a unidade Coulomb (C).
Assim:
1 Coulomb = 6,28 x 1018 elétrons, ou seja:
1 Coulomb = 6.280.000.000.000.000.000 elétrons
Este valor (6,28 x 1018 ) é conhecido por N° de Avogadro, em homenagem ao seu
descobridor.

i) Eletromagnetismo

☞ IMPORTANTE:
Embora o magnetismo e eletromagnetismo não seja corrente elétrica propria-
mente dita, é fundamental entender a relação entre tais fenômenos.
Como você sabe, é possível transformar energia elétrica em energia mecânica,
através dos motores e de maneira inversa, transformar energia mecânica em elétri-
ca, através dos alternadores e dínamos.
É aí que o eletromagnetismo e indução eletromagnética precisam ser bem enten-
didos.

Magnetismo
Magnetismo é a propriedade de certos materiais Material magnético (ímã) ou magnetizado (Ferro,
em atrair partículas metálicas. Cobalto ou Níquel)

Tal fenômeno se deve à possibilidade de os


átomos destes materiais se orientar de maneira
ordenada.
Na realidade, todos os átomos funcionam como
pequenos ímãs, porém, somente o Ferro, o Cobalto
e o Níquel tem a propriedade de permitir a
magnetização, ou seja, orientar os átomos conforme
esquema ao lado, onde os átomos são representados
em forma de retângulos apenas para melhor
visualização.

Material não-magnético: o efeito de ímã dos


átomos é anulado, por não estarem orientados de
forma regular

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
165

Magnetismo natural
O ímã é o único material que possui seus átomos
orientados de maneira ordenada naturalmente, ou
seja, é capaz de atrair ou repelir outros ímãs ou
partículas metálicas.
Um ímã exerce ação oposta entre as
extremidades (ou pólos), denominados
universalmente de Norte (N) ou Sul (S).
Pelo princípio apresentado anteriormente, pólos
opostos se atraem e pólos iguais se repelem,
conforme esquema ao lado.

Experiência:
Tome 2 pedaços de ímã e aproxime-os: ocorrerá
atração ou repulsão.
Inverta um dos ímãs e ocorrerá o contrário.
Cartolina Linhas de campo Ímã

Campo magnético (natural) ou eletromagnético


(obtido por ação de uma corrente elétrica).
É o conjunto de linhas de força, de atração ou repulsão,
produzidas pelo magnetismo.

Experiência:
Para visualizar as linhas do campo magnético,
espalhe pó de ferro sobre uma cartolina e por baixo,
aproxime um ímã conforme esquema ao lado.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
166

Eletromagnetismo
Como dissemos anteriormente, um corpo pode
ser magnetizado por ação de corrente elétrica.
É o eletromagnetismo.
Os materiais que podem ser magnetizados, para
recordar, são o Níquel, o Cobalto e o Ferro e suas ligas,
como o aço.
Veja no esquema ao lado: enrolando um fio em
torno de um bastão de ferro e energizando os
terminais do fio (que possui forma de bobina),
magnetiza-se o ferro, fazendo aparecer o campo
ilustrado em forma de linhas pontilhadas.
Temos aí um “elétro-imã”, pois o núcleo (bastão
de ferro) possui seus átomos ordenados de forma a
funcionar como um ímã - daí o nome: elétro + ímã.

Experiência
Enrole um fio (em forma de bobina), em torno de
um prego conforme ilustrado ao lado.
Alimente os terminais da bobina com uma pilha e
verá que o prego ficará “imantado”, capaz de atrair
objetos metálicos pequenos.

Quando se interrompe a corrente elétrica,


anula-se o campo magnético, ou, para ser mais
exato, o campo eletromagnético, pois neste caso,
temos um campo gerado por eletricidade através
de um indutor (ou bobina).

Quanto mais voltas de fio se fizer, maior será a


intensidade do campo magnético, sem alterar a tensão
ou corrente aplicada.
Por esta razão, as bobinas são genericamente
chamadas de indutores - veja descrição mais adiante.

Circuito interrompido ou aberto

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
167

Indução eletromagnética
Assim como é possível produzir magnetismo por
meio de uma corrente elétrica, pode-se fazer o inverso,
ou seja, produzir corrente elétrica com um campo
magnético.
É o princípio de funcionamento de geradores
elétricos (alternadores e dínamos), conforme descrito
mais adiante.
No esquema ao lado: em torno de um tubo de
papel, enrola-se um fio (indutor ou bobina), cujos
terminais são ligados à uma lâmpada de potência bem
pequena (1 watt ou menos).
Ao introduzir um ímã natural no interior da bobina,
surge uma ddp (diferença de potencial = tensão) nos
terminais da bobina, capaz de acender a lâmpada.
Após completar a inserção do ímã, a lâmpada apaga-
se; durante a retirada do ímã, a lâmpada acende
novamente, ou seja, a corrente elétrica é formada
durante a movimentação do ímã.
Por que isso ocorre: ao redor de um ímã natural,
há permanentemente uma série de linhas de campo,
ou seja, um campo magnético, conforme visto
anteriormente.
Este campo, em movimento em relação ao fio da
bobina, enrolada em forma helicoidal, gera corrente
elétrica.

Indução elétrica
Bobina 1
De maneira semelhante à experiência acima,
podemos usar um elétro-imã ao invés de um ímã
permanente ou natural. Fonte: pilha, bateria

Ao invés de introduzir e retirar o elétro-imã do


interior da bobina, podemos ligar e desligar o circuito Núcleo de ferro
através do interruptor, fornecendo ou cortando a
corrente fornecida pela pilha.
Lâmpada
Portando, indução elétrica é a transferência de
corrente de um circuito a outro, através dos campos
Interruptor
magnéticos, ou seja, sem ligação elétrica direta por
meio de condutores.

Bobina 2

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
168

Transformação de energia elétrica em mecânica e


vice-versa.
Agora você já tem como entender o princípio
básico da transformação de energia mecânica em
elétrica e vice-versa.
A “mágica” desse processo pode ser resumida
numa palavra: eletromagnetismo.
Além disso, existe também a energia hidráulica e
qualquer dos 3 tipos de energia pode ser convertida
em outro, como por exemplo: um motor elétrico +
bomba, transforma energia elétrica em energia
hidráulica (de pressão).

j) Energia (E) e Trabalho (W)


Por falar em energia, é oportuno esclarecer mais
este conceito, antes de prosseguir nos conceitos de
eletricidade.
Trabalho - “W”, é o produto de uma força (F)
realizada no decorrer de uma distância (D) ou uma
força-peso (P) no decorrer de uma altura (H).
Assim: Exemplo 2: trabalho de levantamento - veja acima.
Para levantar um peso (P) de 15 kg, a uma altura (H)
W=FxD ou W=P xH
de 10 metros, teremos aplicado um trabalho de 10 x
15 = 150 kgm, ou seja:
Para entender melhor a diferença entre Energia e Trabalho (W) = Altura (H) x Peso (P)
Trabalho, veja o seguinte raciocínio: “Para realizar um
Como cada kgm = 9,81 Joules, o trabalho efetuado é
Trabalho “W”, consumimos Energia “E” na mesma
de 150 x 9,81 = 1.471,5 Joules, ou, em outras palavras,
quantidade”
a Energia consumida para efetuar este trabalho foi de
1.471,5 Joules.

Exemplo 1 - esquema abaixo: trabalho de


deslocamento do carrinho sobre o piso.
Supondo ser necessária uma força (F) constante de
20 kgf para deslocar o carrinho, a uma distância (D)
de 30 metros, o trabalho será:
W = F x D = 20 kgf x 30m = 600 kgf.m
ou: 600 kgf.m x 9,81m/s² = 5886 joules

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
169

18.2 - Corrente elétrica (I)

A Corrente elétrica ou intensidade, representada pela letra (I), é a quantidade de carga


elétrica que atravessa um condutor a cada segundo.
A unidade que quantifica a corrente é o Ampère (A).
Um Ampère equivale a um coulomb por segundo: (I=A/s)

I (Ampères) = Q (Coulombs) / T (segundos)

Em eletricidade, uma corrente pode ser de muitos Ampères.


Já em eletrônica, um Ampère costuma ser subdividido em:
* Mili-ampères (mA) = 1 x 10-3 A (a milésima parte de um Ampère)
* Micro-smpères (µA) = 1 x 10-6 A (a milionésima parte de um Ampère).

Analogia com hidráulica:


Eletricidade: quantidade de elétrons (ou
coulombs) que circulam pelo condutor
a cada segundo.
Coulombs / seg

Na hidráulica, temos a vazão, ou seja, a Litros / seg


quantidade de litros de fluido que escoa
por minuto através de um tubo ou
mangueira.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
170

Sentido de circulação da corrente:


A) Teoria eletrônica:
O movimento dos elétrons se dá do pólo negativo
( - ) da fonte para o pólo positivo (+).

B) Sentido convencional - veja esquema ao lado:


Usado na prática, convencionou-se a considerar o fluxo
no sentido do positivo (+) para o negativo ( - ), ou seja,
a corrente sai do pólo (+) e vai para o ( - ).

18.3 - Tensão (V)

Assim como numa tubulação hidráulica é preciso


que haja uma força (pressão) para que o fluido escoe,
na eletricidade ocorre algo semelhante: a tensão faz
com que os elétrons livres migrem entre os milhões
d.d.p.
de átomos do condutor, gerando a corrente.
(volts)
A tensão normalmente também recebe as
seguintes denominações:
✔ f.e.m. = força elétro-motriz
✔ d.d.p. = diferença de potencial
✔ voltagem: relativo a unidade “volt”, tecnicamen-
te incorreta.
A tensão normalmente é representada pelas letras “E” Pressão
ou “V”. (kgf/cm²)
Nesta Apostila, usaremos o “V”.
A unidade de tensão é o volt (V), muitas vezes usado
com sub-múltiplos ou múltiplos:
* Micro-volt (µV) = 10-6 volts = milionésima parte
do volt
* Mili-volt (mV) = 10-3 volts = milésima parte do
volt.
# Kilo-volt (kV) = 103 volts = 1000 volts
# Mega-volt (MV) = 106 volts
A tensão é gerada por geradores, baterias ou pilhas.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
171

18.4 - Corrente Contínua - C.C.

É a corrente elétrica cuja tensão pode variar com


o tempo, porém, permanece sempre positiva (+) ou
Gráfico tensão (V) x tempo (s)
negativa ( - ).
Isto equivale a dizer qual corrente circula num
único sentido ao longo do tempo, o que não ocorre
com a corrente alternada. A corrente contínua é
utilizada em pilhas, baterias e no circuito elétrico de
todos os veículos automotores: carros, tratores, Escala para
colheitadeiras, retroescavadeiras. . . C.C.
Por esta razão, a corrente contínua será priorizada
como objeto de estudo desta apostila.
Terminal

☞ NOTAS:
1 - Nos máquinas acima, o compo-
nente responsável pela geração
vermelho: no
pólo (+) da
pilha.
de eletricidade é o alternador, que Terminal preto
gera corrente do tipo alternada.
Porém, no interior do próprio alternador, exis-
tem os diodos retificadores, que transformam
a corrente alternada em contínua.
2 - Corrente pulsante: é a corrente tipo contínua,
que varia com o tempo, sem no entanto, ser
alternada. Veja representação:

Corrente pulsante (no


caso, positiva)
Terminal

Polaridade (figuras ao lado): vermelho

Ao inverter os terminais do multímetro em relação


a 2 pontos com ddp, inverte-se o sinal da corrente,
pois o sentido de deslocamento também é invertida.
Terminal preto
Veja os esquemas ao lado:
Ao alto, os terminais do multímetro são colocados
na forma convencionalmente correta: terminal
vermelho (+) ligado ao pólo (+) da fonte (no caso,
uma pilha).
Abaixo, terminais invertidos: a corrente atravessa
Pontas do multímetro invertidas:
o multímetro em sentido inverso (polaridade invertida),
gerando uma leitura com mesmo valor (módulo), leitura negativa
porém, com sinal (-).

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
172

18.5 - Corrente Alternada - CA

É a corrente elétrica cuja tensão varia no tempo, - A tensão agora se inverte, chegando novamente
ou seja, ora o sentido é positivo ora é negativo. até um ponto de pico, só que, no lado inferior do
É também a corrente que chega à nossas casas pela gráfico (sinal negativo, ou seja, o sentido de cir-
rede elétrica, devido ao menor custo para a sua culação é invertido).
transmissão e menores perdas no trajeto a longas - A tensão volta à zero, terminando um ciclo.
distâncias. Este ciclo se repete 60 vezes por segundo, ou seja, a
Vejo o gráfico ao lado, que possui forma de onda freqüência é de 60 hertz, no caso do Brasil.
senoidal: Em muitos países, a corrente alternada é de 50 Hz.
- A tensão parte do zero (0 volts) no instante t = 0 Logo, Freqüência é a quantidade de ciclos ou períodos
e cresce até um ponto máximo, chamado de “ten- descritos pela senóide a cada segundo.
são de pico”. Isto equivale a dizer o seguinte: a cada 1/60 (0,016666)
- Em seguida, a tensão volta a descer, chegando segundos a corrente completa um ciclo.
a zero.

Tensão de pico Senóide Amplitude Eixo dos tempos (t) - segundos

Período ou ciclo 1 (1/60 s) Ciclo 2 (1/60 seg.)

Tensão média eficaz


A tensão, da corrente alternada, que realmente nos
interessa em eletricidade, é a tensão eficaz.
Ou seja, a tensão eficaz é aplicada nos cálculos e Tensão de pico Tensão eficaz
dimensionamentos de instalações como se a corrente
fosse do tipo contínua.
Por isso, a tensão medida pelos instrumentos numa
tomada por exemplo, é a tensão eficaz: 110, 220 ou
380 volts.
Qual é, então, a tensão de pico, no caso de uma
instalação de 110 volts?
Tensão de pico = tensão eficaz x 1,4142 - logo:
Tensão de pico = 110 x 1,4142 = 155,56 volts
É a situação ilustrada nos gráficos apresentados aqui. OBS: A tensão Eficaz pode ser entendida como uma
Para uma tensão eficaz de 220 V, a tensão de pico média entre a tensão de pico e os pontos onde a
será 220 x 1,4142 = 311,12 V. tensão é zerada para inversão de sentido.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
173

18.6 - Resistência elétrica

É a propriedade dos condutores, oferecer certa dificuldade para a circulação de corrente


elétrica, ou seja, migração de elétrons livres entre os átomos.
Na realidade, todos os materiais possuem alguma resistência, por menor que ela seja.
No caso de cabos e condutores, isto é indesejável. Já em outras situações, a resistência
tem aplicação útil: é o caso dos resistores (veja próxima página) e de equipamentos como o
chuveiro elétrico, aquecedores de ambiente, solda, etc. O efeito da resistência, tanto em
condutores quanto em resistores ou resistências, é o mesmo: aquecimento, que, no caso de
condutores, representa simplesmente perda.

Resistência de condutores:
Mesmo os condutores mais apropriados, como o cobre e o alumínio, oferecem certa
resistência a passagem da corrente (fluxo de elétrons). A resistência de um condutor é
transformada em calor, significando uma certa perda. Isto é normal e aceitável, contanto que
não ultrapasse certos limites, levados em consideração no dimensionamento de circuitos
elétricos.
A circulação de excesso de corrente pode fundir o condutor, provocado até incêndio na máquina.

Analogia de resistência elétrica dos


condutores com hidráulica Tubo grosso e curto, maior vazão

Da mesma forma que em um tubo hidráulico, a


resistência ao fluxo será diretamente proporcional ao
Tubo fino e longo,
comprimento e inversamente proporcional ao
com curvas, menor vazão.
diâmetro interno do tubo.
Em outras palavras: um fio fino e comprido, comporta-
se como um tubo comprido e de pequeno diâmetro,
pois ambos oferecem resistência ao fluxo, quer seja
de fluido ou elétrons. Fio grosso e curto, mais luz (tensão maior)

☞ NOTA:
Pela razão acima, existe a recomenda-
ção de não instalar acessórios nos cir-
cuitos de uma máquina, sem consulta
ou autorização técnica devida.

A resistência é representada pela letra R e a


unidade é o ohm, representada pela letra grega ômega
(Ω), em homenagem ao cientista com o mesmo Fio fino e comprido, menos luz (tensão menor)
sobrenome.
OBS:
É comum também o uso de sub-múltiplos e
1 K Ω = 1000 Ω ου 103 Ω
múltiplos como: micro-ohms (10-6 ohms), mili-ohms
(10-3 ohms), kilo-ohms (10³ ohms) e Mega-ohms (106 1 mili-ohm = 10-3 Ω
ohms). 1 micro-ohm = 10-6 Ω

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
174

Determinação da resistência de condutores Exemplo: qual a resistência de um cabo de cobre de


D’entre os materiais mais comumente usados 100 metros de comprimento, cujo diâmetro é de 4
como condutor, estão o Alumínio, o Cobre, ou seja, mm
estes materiais possuem as menores “resistividades” R’Cobre = 0,017 Ω / m / mm²
- veja exemplos:
Material ...................... Resistividade R’
* Alumínio ...................... 0,03 ohms.m / mm²
* Cobre comercial ......... 0,017 ohms.m / mm² Condutor de Cobre
* Chumbo ...................... 0,21 ohms.m / mm²
* Ferro ............................ 0,12 ohms.m / mm²
1° passo: calcular a área transversal (A) do condutor.
Raio (R) = Diâmetro / 2
A resistência total de um cabo é inversamente
Raio (R) = 4 / 2 = 2 mm
proporcional ao diâmetro, ou seja, quanto mais grosso
o condutor, menor a resistência. Área (A) = 3,1415 x R² = 3,1415 x 2²

A fórmula para o cálculo da resistência é: A = 12,56 mm²

R = (R’ x L) / A onde: 2° passo: calcular a resistência (R):


R = (R’ x L ) / A
R = Resistência total do condutor, em ohms (Ω)
R = (0,017 x 100) / 12,56
R’ = Resistividade do material, conforme tabela aci-
ma. R= 0,1353 Ω

L = Comprimento do condutor, em metros


A = Área transversal do condutor

Hidráulica: registro,
Resistência em resistores
torneira ou válvula,
capaz de variar a
Os resistores ou resistências são representados por pressão.
símbolos:

Resistores fixos

Resistores Eletricidade: um resistor variável (reostato), em


variáveis corrente contínua, pode-se regular a intensidade do
brilho da lâmpada, devido a variação da tensão.

Os resistores, por oferecerem resistência,


provocam uma queda de tensão.
Na hidráulica, isto equivale a uma válvula redutora
de pressão ou algum registro para limitar a pressão e/
ou vazão.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
175

✔ Reatores: usados em Corrente Alternada - CA,


possui indutância bem elevada, com o objetivo
Tensão
de aumentar a tensão e reduz a corrente através
Corrente
da defasagem da mesma em relação a tensão.
Ex.: em lâmpadas fluorescentes, a corrente e a
tensão estão em “quadratura”, ou seja, a corren-
te está atrasada 90° em relação a tensão - veja o
gráfico ao lado.
Neste caso, a defasagem é intencional.
Circuito puramente indutivo e respectivo


gráfico I x V
NOTA:
No caso dos motores elétricos operan-
do em CA, o circuito indutivo
(enrolamentos), gera um inconvenien- Defasagem Corrente Tensão
te na rede, que é a diminuição do fator
de potência, ou seja, a defasagem en-
tre corrente e tensão, que representa
uma perda de eficiência da energia.
Tal inconveniente, em instalações in-
dustriais, normalmente precisa ser cor-
rigido mediante o emprego de
capacitores. Circuito tipo RL
(Resistor + Indutor) e
respectivo gráfico.

18.7 - Capacitância (C)


Terminais do capacitor
É a capacidade de armazenamento de energia na
forma eletrostática, de aparelhos denominados
capacitores ou condensadores. Placas ou armaduras
A Capacitância é representada pela letra “C” e a
unidade é o Farad, representado por “F”
A exemplo do que ocorre com as demais
grandezas elétricas, o farad muitas vezes é expresso
em sub-múltiplos múltiplos:
- µF = 10-6 F (milionésima parte do farad)
Dielétrico Simbologia de capacitor
- mF = 10-3 F (milésima parte do farad)
- kF = 10³ F (1000 F)

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


3 - Conceitos gerais
176

18.8 - Potência

Antes de falar sobre potência, vamos recordar o


conceito de “Trabalho”, descrito na página 168.
Vimos que “Trabalho” é uma ação exercida sobre um
corpo, a ponto de movimentá-lo. O Trabalho é
representado pela letra “W” e é medido em kgm ou
joules.
W = Força (F) x Deslocamento (D) x 9,81 ou
W = Peso (P) x Altura (H) x 9,81
Vamos retomar um dos exemplos vistos na página
168: Trabalho para levantar um balde com água, sendo
que o conjunto representa um peso (P) de 15 kg, sendo
a altura (H) de 10 metros.
O Trabalho será igual a:
W = 15 kg x 10 m x 9,81 = 1.471,5 joules.
Sabendo qual a energia gasta ou trabalho
efetuado para realizar uma determinada operação,
surge uma pergunta: Em quanto tempo (segundos)
se realizou esta operação?
É aí que a Potência entra em jogo, pois:
Potência é o Trabalho realizado por unidade de
tempo.
No Sistema Internacional de unidades (SI), a unidade
fundamental de potência (P) é o watt, representado
pela letra W.
1 watt = 1 joule por segundo
A fórmula para o cálculo da potência (P), pois, é:
P=W/t onde:
P = Potência, em watts (W)
W = Trabalho, em joules (J)
t = Tempo necessário para realizar o trabalho, em
segundos

No exemplo acima, se o tempo para o levantamento


do balde com água fosse de 25 segundos, a potência
☞ NOTA:
A potência assim calculada, é a
consumida exclusivamente para execu-
consumida seria de: tar o trabalho.
P = W / t = 1.471,5 / 25 = 58,86 watts Se fôssemos dimensionar um motor
Conclusão: A potência necessária para levantar o para realizar esta operação, teríamos
balde, em 25 seg., é comparável ao consumo de uma que considerar as perdas devido ao
lâmpada de 60 watts. atrito da corda, mancais do rolo, etc.
Com isso, a potência do motor seria
maior.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
177

OBS: Como o watt é uma unidade relativamente Analogia de potência elétrica com potência
pequena, normalmente utilizam-se múltiplos, como: hidráulica:

✔ kW = kilowatt = 1000 watts Além da unidade utilizada, que é o watt, e vale tanto
✔ MW = Megawatt = 106 watts para mecânica, hidráulica e eletricidade, veja o
seguinte:
✔ GW = Gigawatt = 109 watts
- Hidráulica: P = Pressão x Vazão
Unidades práticas:
- Elétrica: P = Tensão (V) x Corrente (I)
✗ 1 cv = 735,7 watts
Conforme exposto até aqui, a Pressão se equivale
✗ 1 hp = 646 watts
a Tensão e a Vazão, a Corrente elétrica.

18.9 - Lei de Ohm

Como você deve ter percebido, há 3 grandezas


básicas, que sempre estarão presentes, onde quer
NOTA:
que haja fluxo de elétrons:
V = Tensão: diferença de potencial elétrico, respon-
Estas relações valem tanto para CC
sável pela circulação da corrente. quanto para CA, com a condição de
que, para C.A. deve-se usar sempre o
I = Corrente: “Vazão” de elétrons, ou seja, a carga
valor da tensão eficaz.
elétrica que flui a cada segundo.
No caso das tensões nominais “110,
R = Resistência: pode ser originada pela resistividade
220, 380 V. . ., estes valores são os
dos condutores (sempre presente), ou pela ado-
ção de resistores, com finalidades específicas.
eficazes, podendo ser utilizados dire-
tamente nas fórmulas.
A Lei de Ohm estabelece a relação existente entre
estas 3 grandezas básicas.
A Potência (P), derivada das 3 grandezas básicas,
Para facilitar a memorização das fórmulas, existe o
também é equacionada pela Lei de Ohm, nas
“triângulo de Ohm”:
seguintes relações:
P=VxI
P = R x I²
P = V² / R
Nas páginas seguintes, você encontrará exemplos

V de cálculo, aplicando o que foi visto até aqui, em


especial a Lei de Ohm.
Após, serão tratados os componentes ligados em
Série ou Paralelo nos circuitos, incluindo também
I R exercícios como exemplo e outros para fixação da
teoria vista até aqui.

I=V/R R=V/I V=IxR

Onde:
I = Corrente, em Ampères (A)
V = Tensão, em volts (V)
R = Resistência, em ohms (W)

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
178

Exemplos de cálculo - Lei de OHM:

1- Calcule é a resistência (R) que a lâmpada repre-


senta no circuito ao lado.
A fonte fornece 12 volts (C.C.) e a potência da
lâmpada é de 55 watts.
A fórmula que relaciona P, V e R é:
P = V² / R - substituindo temos:
55 = 12² / R
55 R = 144
R = 144 / 55
R = 2,618 Ω

☞ NOTA:
No caso de lâmpadas, para determinar a resistência que ela representa no circuito,
é necessário usar o cálculo, de posse da tensão e da potência ou corrente.
A medida feita com multímetro, entre os pólos (+ e - ) da lâmpada, não representa
a resistência real, pois:
- Ao aquecer o filamento da lâmpada, a resistividade do material altera-se;
- Nem toda a energia dissipada pela lâmpada é na forma de calor. Aliás, a maior
parcela é dissipada em forma de energia luminosa.

2 - Qual é a Corrente (I) que circula através do resistor


“R”, do circuito ao lado.
A resistência é de 5 Ω e a tensão é de 24 V.
A fórmula que relaciona V, I e R é:
I=V/R
I = 24 / 5
I = 4,8 A

E para este mesmo circuito, qual seria a


Po t ê n c i a ?
Temos diversas formas de calcular a potência, pois
dispomos de diversos dados: I, R e V.
Todas as fórmulas, naturalmente, devem dar o mesmo
resultado:
P = V x I = 24 x 4,8 = 115,2 W
P = R x I² = 5 x 4,8² = 115,2 W
P = V² / R = 24² / 5 = 115,2 W

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
179

18.10 - Fontes em Série ou Paralelo

É bastante comum encontrarmos baterias ou


pilhas ligadas em Série ou Paralelo.
Pilhas em geral são ligadas em Série, para aumentar
a tensão. No caso de veículos, com sistema elétrico
de 24 Volts, usam-se 2 baterias de 12 Volts ligadas
em Série.

A) Associação em Série
O terminal (+) de uma fonte é ligada ao terminal
( - ) da fonte seguinte
✔ Somam-se as tensões (f.e.m. ou d.d.p.);
✔ A capacidade é mantida nos terminais.
A capacidade em corrente, de todas as fontes,
deve ser igual.

B) Associação em Paralelo
O terminal (+) é ligado ao (+) e o ( - ) ao ( - ) da
fonte seguinte.
✔ Somam-se as correntes;
✔ Mantém-se a tensão.
A tensão de todas as fontes deve ser igual.

C) Associação tipo mista (Série /


Paralelo):
Quando se deseja ampliar a tensão e a corrente
a partir de fontes existentes.

☞ NOTA:
Fontes ou geradores de Corrente Alter-
nada também podem ser associados,
porém, neste caso, são necessários re-
cursos eletrônicos complexos para sin-
cronizar a freqüência da senóide de
ambas as fontes.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


18 - Conceitos gerais
180

18.11 - Capacitores em Série e/ou Paralelo

De maneira semelhante à associação dos


resistores, os capacitores também podem ser
agrupados ou associados, visando aumentar a
☞ NOTA:
O resultado da associação de
capacitores é inversa ao dos resistores,
capacidade, ou seja a Capacitância (C), medida em
ou seja, na associação em Série, por
“Farads”.
exemplo, a Capacitâncias total ou equi-
valente é obtida mediante a soma dos
inversos e não pela soma direta, como
é o caso dos resistores.

A) Associação em Paralelo
Como a Capacitância é proporcional à área total
das armaduras (sobre capacitores, ver pág. 189), a
capacitância, na associação em paralelo é a soma
direta.
Isto porque, a área total é também somada.

Ct = C1 + C2 + C3

No caso do circuito ao lado:


C1 = 5 x 10-3
C2 = 1,0 F
C3 = 0,1 x 10³ = 100 F
Ct = 0,005 + 1,0 + 100
Ct = 101,005 F

B) Associação em série
Neste caso, a Capacitância total (Ct) é a soma
dos inversos das Capacitâncias parciais.

1/Ct = 1/C1 + 1/C2 + 1/C3 + 1/Cn

Para o circuito ao lado:


1 / Ct = 1 / 5 + 1 / 8,5 + 1 / 10
1 / Ct = 0,2 + 0,1176 + 0,10
1 / Ct = 0,4176
Ct = 1 / 0,4176
Ct = 2,3943 mF (mili-Farads)

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
181

19.1 - Interruptores

Dispositivo constituído de dois ou mais terminais, ligando as extremidades de um


circuito externo, de modo a poderem ser manobrados e colocados em contato um com
o outro realizando o fechamento do circuito e equipados de modo a poderem ser
destacados e mantidos separados um do outro, realizando a abertura do mesmo circuito.
Existem vários tipos de interruptores, cada um com características particulares a
fim de realizar uma função específica, no entanto, todos seguem o mesmo princípio. Os
tipos mais comuns são os de 2 e 3 terminais como mostram as figuras.

Tipo 2 terminais
O interruptor de 2 contatos é bastante utilizado,
porém tem sua função limitada em ligar e desligar o
circuito AB e não pode ser utilizado em um circuito
que solicita um interruptor de 3 contatos (comutador).

Tipo 3 terminais
O interruptor de três contatos possui três
funções: Ligar o circuito BA, ficar em neutro e ligar o
circuito BC.
Possui uma vantagem em relação ao interruptor
anterior, pois pode ser utilizado em circuitos que
solicitem interruptores de 2 contatos.

☞ NOTA:
A posição neutro significa que tanto o
circuito BA como o BC estão desliga-
dos.

A figura acima mostra um tipo de interruptor, com


diferente N° de terminais

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
182

Analogia com hidráulica


Na hidráulica também utiliza-se dispositivos para
acionar ou desligar os circuitos. Neste caso, é utilizado
válvulas direcionais. Elas tem a função de liberar e
obstruir a passagem de fluxo pelas vias.
No exemplo ao lado, a válvula é do tipo 3 funções,
ou seja, libera a primeira via, fica em neutro ou libera
a segunda via, agindo como uma chave comutadora.

19.2 - Baterias e pilhas

As pilhas e as baterias são dispositivos que Pólo +


armazenam e produzem energia elétrica, por meio de
reações químicas. A corrente elétrica desenvolvida por
esses geradores é contínua, isto é, não alternada. Carvão
As pilhas e os acumuladores recebem o nome geral
de baterias. Zinco

Construção e funcionamento
A construção das baterias baseia-se no fato de
Pólo -
que, quando dois corpos sólidos condutores, de
naturezas diferentes, são mergulhados num líquido
também condutor (constituído pela solução de uma Pasta de amoníaco, dióxido de
substância química em água), aparece entre os dois manganês e grãos de carvão.
pólos uma corrente elétrica. O líquido condutor chama-
se eletrólito e os corpos condutores (geralmente são
metais, ou, então, carvão) são os elétrodos. A corrente
que aparece entre os elétrodos é, na maioria das Elétrodos
vezes, muito pequena, e além disso desaparece (+) (-)
Eletrólito
rapidamente, por causa de um fenômeno parasita
chamado polarização.
Para obter um gerador que tenha utilidade prática,
é necessário escolher convenientemente os elétrodos,
bem como os eletrólitos a serem empregados. Dessa
forma, embora seja muito grande o número de
combinações diferentes que se podem fazer,
escolhendo diferentes elétrodos e eletrólitos, poucas
são aquelas que realmente apresentam interesse
prático. Em qualquer caso, a corrente que se pode
obter depende unicamente dos materiais que se
constituem os elétrodos e o eletrólito. Sentido de fluxo da Corrente

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
183

19.3 - Lâmpadas

As lâmpadas elétricas podem ser subdivididas


em: Lâmpadas de arco, de incandescência e
fluorescentes. Lâmpada incandescente

Gás
A) Lâmpada de arco
Ampola de vidro
A luz é produzida pelo arco voltaico que se forma
entre duas pontas de carvão através das quais faz-se Filamento
passar uma corrente elétrica; funcionando, os carvões
Elétrodos de
se gastam e, para que o arco não se apague, é
necessário que depois de um certo intervalo de tempo alimentação do
eles sejam aproximados, daí a necessidade de prover filamento
uma lâmpada de arco de um regulador.

Suporte do
B) Lâmpada incandescente filamento
São constituídas por uma ampola de vidro
completamente fechada e em seu interior um Corpo metálico com
filamento metálico é levado à incandescência pela (-)
rosca
corrente elétrica.
(+)
Geralmente a ampola é esférica, mas pode
também ter outras formas (de pêra, de tubo, etc.); ela
é fixada à um corpo metálico com rosca. Na maioria
das vezes a rosca é do tipo Edson, variando sua
dimensão de acordo com a potência e o tamanho da
Filamento de
lâmpada. Nos veículos são usados os contatos tipo
tungstênio
baioneta. Tubo de
vidro

C) Lâmpada fluorescente
Fios para
A lâmpada fluorescente, funciona devido a uma
proteção do
descarga elétrica em um tubo fechado, onde exista
filamento
gás em baixa pressão. Esses fatores combinados,
provocam um fenômeno luminoso, que se dá através Gases
Terminais
do choque entre os elétrons emitidos pelos elétrodos


e os átomos do gás, esse choque provoca emissões
NOTA:
de radiações luminosas (raios catódicos).
A lâmpada incandescente tradicional,
As lâmpadas fluorescentes são constituídas por
tem um filamento fino e espiralado que
um tubo de vidro completamente fechado e revestido
aquece até ficar branco.
internamente por uma substância fluorescente. O tubo
contém vapor de mercúrio a baixa pressão e com gás Boa parte da energia (~80%), porém , perde-se
inerte, tendo a função de facilitar o início da descarga; na forma de calor. A lâmpada fluorescente não tem
nos extremos do tubo existem dois elétrodos filamento e, por não desperdiçar energia, usa me-
alimentados pela corrente elétrica. nos eletricidade para gerar a mesma luz. A econo-
mia seria enorme se todos adotassem essa ilumi-
nação eficiente.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
184

19.4 - Diodos

Diodo, é um componente eletrônico que possui dois terminais (ânodo e cátodo) e


que permite a passagem de corrente em apenas um sentido, ou seja, do ânodo para o
cátodo.

A) Diodo por efeito termiônico (válvula)


O primeiro diodo que foi inventado, funcionava ânodo tensão positiva potencial negativo
por efeito termiônico. Constituía-se de uma ampola
de vidro a vácuo muito forte e de dois eletrodos, ou
seja, a placa (ânodo) de forma geralmente tubular e o
cátodo interno à placa, que, quando aquecido por
meio de uma corrente elétrica, emite elétrons por
efeito termiônico.
Aplicando uma tensão positiva ao ânodo, os cátodo
elétrons emitidos pelo cátodo são atraídos por ele.
Dessa forma se obtém uma corrente dirigida do ânodo
para o cátodo. Se, ao contrário, o ânodo é levado a
um potencial negativo em relação ao cátodo, não
poderá existir corrente no diodo.

☞ NOTA:
Estes diodos termiônicos são também
conhecidos como válvula eletrônica e
se encontram praticamente em desu-
so nos dias atuais.

B) Diodo semi-condutor Sentido da corrente permitida pelo diodo

Este tipo de diodo, possui dois componentes: um


metal (P) e um semi-condutor (N) ou dois semi-
condutores (P,N). Neste caso, consegue-se obter a
passagem de corrente de P para N, onde P será o
ânodo e aquele conectado a N será o cátodo. ânodo
O diodo semi-condutor não precisa de corrente
p
para aquecimento, e, por isso, sua utilização é mais
simples que a do diodo termiônico.
Porém, se conectado invertido, permite a
V n
passagem de uma corrente muito fraca, denominada cátodo
inversa.
Dentre as várias aplicações dos diodos,
destacam-se a retificação da corrente alternada, que,
por só poder percorrer o diodo em um sentido, torna-
se unidirecional, ou seja, pulsante; e a detecção dos
sinais de radio-freqüência.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
185

Analogia com hidráulica diodo válvula de


Como os diodos, as válvulas de retenção simples, sentido único
tem a função de permitir o fluxo de fluído em apenas
um sentido. Quando uma certa pressão é aplicada
sobre a esfera, ela empurra a mola deixando o fluxo
livre, já o contrário não acontece, pois a pressão no
sentido contrário tende a aumentar a vedação da mola
contra a sede.

Sede Esfera
19.5 - Fusíveis

Os fusíveis são dispositivos que se rompem a tubo de vidro


temperaturas relativamente baixas, são ligados em
série ao circuito que querem proteger. A potência
filamento
elétrica é dissipada pelo fusível por efeito Joule
(dissipação de calor) e é proporcional ao quadrado da
intensidade da corrente que o atravessa. Enquanto a
corrente se manter dentro dos limites do fusível, ele
se comporta como uma resistência pouco
significativa. Caso a intensidade da corrente ultrapasse
terminais de
o limite do fusível, a potência dissipada aumenta
contato
proporcionalmente ao quadrado da corrente, a
temperatura do fusível sobe até atingir o ponto de
fusão. Em função disso o filamento interno se rompe
e o circuito é interrompido.

buzina

interruptor
fusível
indicação da filamento proteção de
5A
capacidade plástico

Analogia com hidráulica


Os fusíveis se comparam as válvulas de alívio,
pois elas também tem a função de proteger o circuito
(hidráulico). Ao ocorrer um excesso de pressão, a
esfera (1) empurra a mola (2) aliviando a pressão no
sistema.
1 2

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
186

19.6 - Relés
Interruptor
Os Relés nada mais são do que interruptores
Mola de
comandados eletricamente. São constituídos por um retorno
elétro-imã e um interruptor com retorno por mola, cujo
alongamento pode ser regulável, variando a
sensibilidade do relê.
No caso do relê de 5 terminais, mantendo o relê
desligado, ou seja, a bobina sem corrente, fecha-se
um par de contatos e abre-se o outro. Cada contato
alimenta um circuito específico.
Quando o elétro-imã é percorrido por uma
corrente maior que a de referência da mola de retorno,
o interruptor troca o circuito energizado, ou seja,
fecham-se os contatos abertos e abrem-se os
Base Elétro-imã ou
fechados. Tem-se, assim, o acionamento de um
bobina
circuito em detrimento de outro. Exemplo: seleção
de luz Alta ou Baixa.
Terminais ou “patas”
No relê de 4 patas, só ocorre o acionamento de
um circuito, através de um par de contatos
(interruptor). Isso ocorre quando a bobina do elétro-
ímã recebe corrente. Ao interromper esta corrente,
os contatos abrem-se pela ação da mola de retorno e
nenhum circuito será acionado.

Analogia com hidráulica


Os relés podem ser comparados às válvulas
direcionais. Comparando uma válvula hidráulica
elementar com um relê de 4 patas:
Energizando a bobina (ou elétro-ímã) do relê ou
solenóide da válvula (pelos terminais “85 e 86”), fecha-
se um circuito elétrico ou abre-se a passagem de fluido
hidráulico, respectivamente.
Para melhor entendimento, “emprestou-se” os Tipos de Relé:
códigos usados nos relês para a válvula hidráulica. Existem três tipos de relés acionados por elétro-
Assim, a entrada (de corrente ou fluido), se dá pelo imã, dependendo da função os relé pedem ter mais
terminal ou via “30” e a saída pelo terminal ou via “87”. de quatro terminais e até estarem equipados com
No caso do relê, o solenóide fecha um contato diodo (para circuitos mais sensíveis). Há um código
elétrico, enquanto que na válvula hidráulica desloca- para identificar os terminais de cada relé, esses
se o carretel liberando o fluxo para a via. códigos não variam suas posições, variando somente
a quantidade de códigos de acordo com cada relé.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
187

A) Relê de 4 (quatro) terminais A


O relé de quatro terminais, possui todos os
componentes básicos de um relé. No entanto, sua
função é comparada à de um interruptor de dois
contatos, ou seja, quando o elétro-ímã recebe uma
corrente elétrica, ele aciona o interruptor que liga o
circuito; quando a corrente que percorre a bobina
cessa, o interruptor volta para a posição inicial e o
circuito é desligado.

B) Relé de 5 (cinco) terminais


B
O relé de cinco terminais tem sua função
comparada com um comutador, ou seja, quando o
elétro-imã não está ligado um circuito está aberto e o
outro fechado; quando se aciona a bobina o circuito
que estava fechado se abre e o que estava aberto se
fecha.

C) Relé de 5 (cinco) terminais com diodo C

Este relé possui o funcionamento idêntico ao relé


de cinco terminais comum, no entanto, está equipado
com um diodo. O diodo tem a função de impedir um
fenômeno que acontece quando o relé é desacionado.
Este fenômeno se dá devido ao campo
magnético que a bobina produz. Quando este campo
magnético se desfaz, aparece uma corrente de sentido
contrário, embora muito pequena, está corrente pode
afetar os componentes dos circuitos integrados.

☞ NOTA:
Cada terminal dos relés possuem um número que corresponde a sua função, sen-
do assim:
* 85 e 86: Terminais da bobina;
* 30: Terminal positivo - alimentação do relê com a corrente que vai ao circuito;
* 87 e 87a: Terminais ligados aos circuitos.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
188

19.7 - Resistores

Todos os materiais possuem uma certa resistência elétrica: Com muita resistência
(materiais isolantes), com média resistência (materiais semi-condutores) e com baixa
resistência (materiais condutores); essa resistência é expressa em ohm (Ω). Os resistores
são fabricados com uma grande variedade de valores, que vão milionésimos de ohm
até muitos milhões de ohms.
Os resistores de grande potência possuem seus valores expressos no corpo do
resistor, já os resistores pequenos utilizados em eletrônica, apresentam faixas pintadas
em diferentes cores. Estas faixas seguem um código que identifica o valor do resistor
em ohms.
Os resistores podem ser comparados com as válvulas redutora de pressão, utilizadas
em hidráulica e pneumática.

Cor Dígitos Multiplicador Tolerância


significativos

Tolerância Preto 0 1x
Resistor Marrom 1 10x
Multiplicador
Vermelho 2 100X

Segundo algarismo Laranja 3 1000x

Amarelo 4 10000x
Primeiro algarismo
Verde 5 100000x

Azul 6 1000000x
Analogia com a hidráulica: válvula reguladora de Violeta 7
pressão
Cinza 8

Branco 9

Ouro 0,1x ± 5%

Prata 0,01x ± 10%

Sem cor ± 20%

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
189

19.8 - Capacitores

Os tipos de capacitores se diferenciam uns dos outros basicamente pela natureza do


dielétrico que utilizam, ou seja, pelo tipo de isolamento entre uma placa e outra. Os
capacitores também podem variar quanto ao seu tamanho e/ou capacitância (indicada
em farad = F ).

A) Capacitores de mica
Este capacitor possui sua armadura formada por placas (armadura) dielétrico (mica)
lâminas de estanho ou de alumínio. O material utilizado
para o isolamento das placas são lâminas muito finas
de mica. Possuem grande aplicação em circuitos
eletrônicos, como rádios, amplificadores, etc. São
capacitores de baixa capacidade, no máximo até
poucos milhares de µF.

armadura móvel alojamento


B) Capacitores de ar
Também são capacitores de pequena capacidade.
Possuem sua armaduras constituídas de placas
paralelas separadas por uma certa espessura de ar.
Estes capacitores podem ser fixos ou variáveis. No
caso dos capacitores variáveis, as armaduras são
montadas sobre um eixo móvel, onde girando o eixo,
uma das armaduras se move em relação a outra. O
capacitor pode variar de 100% até 10% da sua eixo móvel armadura fixa
capacidade total.

C) Capacitores de papel
São capacitores de bastante importância para
eletrônica. Sua armadura se constitui de lâminas de dielétrico (papel) estanho
papel, de estanho ou de alumínio. O dielétrico isolante
é formado por uma camada muito fina de papel
especial e impregnado de verniz. Este tipo de capacitor
possui grande aplicação na indústria, por ser bastante
econômico. Suas dimensões variam de acordo com
a capacidade e a tensão.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
190

D) Capacitores eletrolíticos
Estes capacitores se distinguem dos demais por
película de óxido
apresentarem apenas uma de suas armaduras (dielétrico)
constituídas por uma placa metálica, enquanto a outra
é um eletrólito (Solução química especial).
O dielétrico (isolante) utilizado é uma película
muito fina de óxido de alumínio, que se forma sobre a
placa metálica, sendo esta, ligada ao pólo positivo.
Isso quer dizer que os capacitores eletrolíticos são eletrólito
polarizados e por isso só podem ser utilizados em
circuitos de Corrente Contínua - CC.
Os capacitores eletrolíticos possuem o
inconveniente de não resistirem a tensões elevadas. A
tensão de ruptura desses condensadores não bateria
ultrapassa, em geral, por volta de 500 volts, porém são pólo
os que possuem maior capacitância concentrada em central recipiente
menor volume. (placa negativa)

19.9 - Indutores: Bobinas e transformadores

Da mesma forma que é possível criar um campo magnético por meio de uma
corrente elétrica, também podemos produzir uma corrente elétrica através de um campo
magnético.
Isto se dá pelo processo de indução eletromagnética. Podemos definir então indução
elétrica como a transferência de uma corrente elétrica de um circuito a outro, através de
campos magnéticos.
corrente
induzida
Bobinas
Bobina nada mais é do que um fio condutor, bobina
enrolado em forma de espira, onde com o auxilio de
um campo indutor, pode-se produzir uma corrente linhas de
força
induzida (f.e.m).
(campo)
Na figura ao lado, verifica-se o caso de uma
bobina em forma de anel, por onde passa as linhas
de força de um campo magnético. Com a variação corrente induzida corrente indutora
desse campo magnético, tende a se produzir um fluxo
campo
de corrente na bobina.
magnético
Do mesmo modo, se produzirmos um fluxo de
corrente indutora ao longo da bobina (fio enrolado),
aparecerá um campo magnético ao seu redor. bobina

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
191

Transformadores circuito A núcleo circuito B


Transformadores são dispositivos utilizados para
variar a diferença de potencial desenvolvida em dois
circuitos, ou seja, tanto pode aumentar a voltagem _
+
recebida, como diminuir a mesma.
_
Seu funcionamento consiste em um núcleo de +
bobina, onde estão dispostos os dois circuitos
envolvidos. Os valores eficazes das duas tensões não
serão o mesmo, ao contrário, a relação entre elas será
aproximadamente a relação existente entre o número
de espiras dos dois circuitos. sentido das linhas de força
Exemplo: n1 Número de espiras do circuito 1
Se tivermos uma tensão de entrada (V1) de 110 V e n2 Número de espiras do circuito 2
número de espiras no circuito 1 (n1) de 50, qual é o V1 Tensão no circuito 1
número de espiras no circuito 2 (n2) para obter 220 V,
V2 Tensão no circuito 2
na saída (V2)?
50 x 220 = n2 x 110 n1 . V2 = n2 . V1
n2 = 100 espiras

19.10 - Potenciômetro bobina


marcador
bateria
Os potenciômetros são resistores variáveis
acionados mecanicamente, ou seja, possuem uma
resistência mínima e uma máxima, podendo variar
entre elas.
fio resistivo bóia
Os potenciômetros mais comuns são compostos
barra deslizante
de um parafuso rotativo ou pino deslizante, dois
terminais e uma barra de carvão ou carbono na forma
de grafita. O primeiro terminal está fixo na barra de tanque
carvão, enquanto o outro fica móvel podendo deslizar
por toda a extensão da barra, fazendo assim, variar a
resistência entre eles.
Nas figuras, estão representados os esquemas
de um marcador de nível de combustível. É utilizado
um potenciômetro para variar a tensão no marcador, Esquema do indicador do nível de
ou seja, quando o nível de combustível está alto no combustível
tanque, a bóia sobe aproximando a barra do pólo
positivo. Isto faz a resistência diminuir e a tensão
aumentar no marcador, fazendo o ponteiro girar no Esquema elétrico
sentido horário. Quando a tanque está vazio, ocorre
o contrário, a bóia desce e distancia a barra do pólo
positivo, aumentando assim a resistência e
diminuindo a tensão. Isso leva o ponteiro do marcador
a girar no sentido anti-horário.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
192

Existem também potenciômetros de dupla ação, terminal de saída


neste caso com três terminais: dois nas extremidades terminal (+)
da barra (geralmente de grafite), enquanto o terceiro,
terra
desliza sobre uma barra.
A tensão de entrada (+) é variada de forma
contínua no terminal de saída - utilizada no item
acionado, como uma lâmpada, controle de volume,
etc.
botão

Atualmente, os potenciômetros possuem uma grande


variedade de aplicações, como por exemplo:
- Os “botões” de volume;
barra cursor móvel (ligado
- Equalizadores;
grafitada ao terminal (+)
- Marcadores de combustível;
- Controladores de altura de plataformas de corte;
- Luzes de cinema que se apagam gradativamente.

terminais

19.11 - Sensores de nível

Os sensores de nível são utilizados para acionar


um alarme sonoro ou visual quando o nível de um
fluído está abaixo ou acima do nível correto.
Funcionam basicamente através de uma bóia que
se move ao longo de um cilindro. cilindro

Essa bóia possui um imã que ao se aproximar plástico


contato
dos contatos faz com que estes fechem o circuito imã
móvel
que aciona o alarme no painel de instrumentos.
Para controlar o nível baixo de um fluido, o sensor
é montado com a bóia para baixo.

contato fixo bóia

19.12 - Sensores de rotação

Os sensores de rotação (RPM), são geralmente


utilizados como interruptores magnéticos, ou seja, um
imã é preso à roda e a cada giro ele passa sobre um
interruptor.
Este se liga devido ao campo magnético do imã.
Assim a variação de movimentos que o interruptor
sofre, envia sinais para um microprocessador,
tornando possível calcular a rpm da roda.
Sensor de rotação da descarga de grãos - MF 34/38

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
193

No caso dos sensores HALL, o sensor é


composto de duas partes: a parte fixa constituída de
uma capa de plástico (1) com um circuito interno e
1 2
um cabo conectado à CPU.
Na parte giratória, fixada ao eixo monitorado, está
um tarugo de alumínio (2), que possui dois imãs (3),
com polaridade inversa entre si.
Ao passarem pelo circuito, cada imã induz uma
pequena corrente, ora num sentido ora n’outro, devida
3
a polaridade inversa dos ímãs.
Com base na freqüência de troca de sentido da
corrente, o microprocessador pode determinar a
rotação, normalmente dada em rpm.

19.13 - Sensores de temperatura (termostatos e termistores)


São sensores de temperatura indicam a variação
da temperatura, de motores, sistemas hidráulicos...
permitindo evitar superaquecimentos.
Existem dois tipos de sensores de temperatura:
símbolo de termistor
os termistores e os termostatos.

A) Termistores
O termistor é constituído de um resistor com
coeficiente de temperatura elevado, ou seja, apresenta
grandes variações de resistência elétrica com a
variação de temperatura.
São muito utilizados em termômetros eletrônicos,
pois com a variação da resistência, um
microprocessador pode calcular a temperatura e
1
apresentá-la em um “display” digital. Abaixo: testando um
termostato de
condicionador de ar,
B) Termostatos
com auxílio de um
Os termostatos são dispositivos que controlam
multi-teste.
o funcionamento de sistemas com base na
temperatura, controlando-a.
É constituído de um elemento sensível ao calor
(1), que com a variação de temperatura, sofre uma
dilatação térmica. As variações de volume ou as
deformações do elemento sensível são utilizadas para
comandar sistemas hidráulicos, pneumáticos,
elétricos ou eletrônicos.
Assim, podem inserir, interromper ou regular o
fluxo de calor no ambiente.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
194

19.14 - Alternadores

Alternadores são responsáveis pela geração da


energia elétrica empregada nos veículos automotores
em geral.
Em veículos e máquinas mais antigas (até por
volta de 1980), empregavam-se os dínamos, que
geram corrente do tipo Contínua diretamente.
Já os alternadores, que tem a vantagem de ser
mais eficientes, geram Corrente Alternada trifásica,
que é convertida (retificada) em Corrente Contínua
dentro do próprio alternador, através dos diodos.
A principal diferença dos alternadores em relação
aos dínamos, é o fato de os enrolamentos serem
estáticos e o campo magnético é produzido pelo rotor. Esquema de um alternador elementar, com
Por esta razão, a tensão gerada é alternada, ou seja, bobinas ligadas em “Y”
os pólos do campo magnético invertem
constantemente.
3 bobinas: trifásico
Nas figuras ao lado, é representado um alternador
(B1, B2 e B3)
elementar, cujo rotor é um ímã natural.
A tensão gerada se assemelha ao gráfico V x t ao lado
Rotor: ímã
- tensão esta ainda não retificada.
OBS: Os alternadores reais, ao invés de um rotor
constituído de um ímã natural, possuem um elétro-
ímã, denominado de “bobina de campo”.

Freqüência da corrente gerada:

f = (p x n) / 120

onde: 3 terminais: A, B e C
f = freqüência em Hertz. No caso de veículos, esta
freqüência varia conforme a rotação do motor. 1 ciclo ou 1 volta completa do rotor
Em eletricidade doméstica e industrial, a freqüên-
cia é fixa em 50 ou 60 Hz, já que os geradores de
uma usina hidro ou termo-elétrica funcionam em
rotação constante e controlada.
p = Número de pólos do alternador
n = Rotações por segundo = rpm / 60
120 = Constante

V1, V2 e V3 = tensões resultantes das 3 bobinas,


B1, B2 e B3 respectivamente.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
195

Regulador de tensão Escovas Regulador


Em rotação elevada, torna-se necessário limitar
a tensão do alternador fornecida à bateria.
Isto é feito atuando sobre a corrente de excitação da
bobina de campo: quanto menor a corrente de campo,
menor será o campo eletromagnético no rotor e em
conseqüência, menor será a tensão de saída.
O regulador e as escovas, são montadas em um
só conjunto, facilitando em muito a manutenção do
alternador. Como a causa mais comum de falha,
devido a desgaste natural, se localiza nas escovas e
no regulador, nada mais racional.

Figura abaixo: alternador BOSCH em corte


Fonte: Catálogo BOSCH

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


19 - Dispositivos elétricos
196

19.15 - Motores elétricos

Funcionamento: Embreagem roda livre


Ao girar a chave de partida, energiza-se a bobina
Tem como objetivo proteger o motor de partida
do solenóide montado sobre o motor de partida. O
na eventualidade deste ser acionado durante o
núcleo móvel se desloca para frente, realizando 2
funcionamento do motor à combustão ou o motor de
operações, simultaneamente:
partida continuar sendo acionado inadvertidamente
1- Desloca o pinhão sobre a cremalheira do volan- após a partida.
te do motor;
Esta embreagem impede que a elevada rotação
2- Fecha os contatos (ver ponte de contatos nas proveniente da cremalheira x pinhão seja imposta ao
figuras), transferindo a elevada corrente prove- induzido.
niente da bateria diretamente para o motor.
Isto poderia destruir o motor de partida, já que a
A corrente chega até o solenóide através de um relação de engrenamento é muito elevada, além do
cabo grosso, conectado à um dos bornes fron- que, o motor irá atingir uma rotação elevada.
tais. Com o deslocamento do núcleo móvel do
solenóide, a ponte de contatos promove a liga-
ção elétrica entre os bornes, transferindo a cor-
rente às sapatas polares do motor, acionando-o.
Como o engrenamento do pinhão já foi realiza-
do, ocorre o giro do motor a combustão.
Solta-se a chave de partida, o motor elétrico cessa
a força, o núcleo móvel do solenóide retorna por ação
das molas e o pinhão é recolhido.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


20 - Exemplos de circuitos e diagramas
197

Introdução:

O presente capítulo, tem por objetivo ilustrar e comentar diversos tipos de circuitos,
encontrados em máquinas MF, desde os mais elementares até circuitos mais complexos.
Para melhor ilustrar, será colocado o diagrama dos componentes de cada circuito e
também o respectivo esquema, em forma de símbolos para assimilação.
Isto permite uma fácil interpretação de circuitos com os quais você se deparará na
prática.

20.1 - Acionamento de uma lâmpada (ou um conjunto de lâmpadas)

4 3
3

4
1 5
5
2 1
2

Diagrama Circuito
No exemplo ilustrado acima, são acionadas 2 A representação esquemática de uma instalação
lâmpadas incandescentes (5), a 12 Volts, a partir de elétrica, é universalmente a forma mais utilizada.
uma bateria (1). Conhecendo o significado de cada símbolo, pode-se
No caso, utiliza-se um interruptor tipo tecla (2) para entender o funcionamento do sistema, obter
acionar o relê (3) através dos terminais (85 e 86) da especificações e fazer o diagnóstico de falhas.
bobina (elétro-ímã).
OBS: Em muitos casos, para acionar lâmpadas de
pequena potência, não se utiliza o relê. O acionamento
é feito diretamente pelo interruptor (2).
Após o relê (3), normalmente é montado um fusível
(4), de capacidade adequada (em Ampères), para a
proteção do circuito e sistema elétrico como um todo.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


20 - Exemplos de circuitos e diagramas
198

20.2 - Acionamento de uma buzina com relê

4
3

5
1 2

Trata-se de um circuito quase idêntico ao anterior, que 1- Bateria


aciona 2 lâmpadas em paralelo. 2- Interruptor tipo botão
A diferença está no tipo de interruptor, que no caso da 3- Relê
buzina normalmente é um botão com retorno por mola.
4- Fusível
Buzinas normalmente são acionadas por intermédio
5- Buzina
de um relê, evitando assim, sobrecargas no interruptor.

20.3 - Sistema de segurança de partida

4 1 4
2
5 5
2

Em todos os tratores MF e nas colheitadeiras MF 34 o relê (3) que por sua vez irá acionar o solenóide (5)
e 38, há um sistema de segurança que impede a do motor de partida.
partida com a alavanca de marchas (ou da reversão) O solenóide (5) é responsável pelo fechamento do
fora da posição neutra. contato interno, que transfere a elevada corrente ao
Ao acionar a chave de partida (1), a corrente chega motor de partida propriamente dito.
até o sensor/interruptor (2): com o câmbio em neutro, Além disso, o solenóide desloca o pinhão (6) ao
o interruptor (2) fecha o circuito, permitindo acionar encontro da coroa, durante a partida.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


20 - Exemplos de circuitos e diagramas
199

20.4 - Sistema indicador de nível de combustível

Bobina do marcador
Marcador

Mola de retorno do ponteiro

Apalpador

Fio resistivo

Bóia

Tanque de
combustível

Funcionamento:
A bóia do tanque aciona o potenciômetro, que é uma resistência variável, de zero (tanque
cheio) até um determinado valor que depende de cada caso.

Posições extremas:
1 - Tanque cheio: 2 - Tanque vazio:
Apalpador fica no extremo superior onde o O apalpador agora fica no extremo inferior, onde o
comprimento do fio da resistência se aproxima de zero comprimento do fio da resistência é máximo e,
e, portanto, a resistência também será quase zero. portanto, a resistência também será máxima.
Nesta situação, a tensão liberada no terminal “A” do A tensão liberada no terminal “A” do potenciômetro
potenciômetro será máxima, ou seja, 12 Volts. será mínima neste caso.
Assim, o ponteiro do marcador será levado para a Assim, o ponteiro do marcador ficará na posição
posição máxima, contra a ação da mola de retorno mínima, forçado pela mola de retorno (espiral).
representada em forma de espiral. O que gira o Como normalmente o nível de combustível está em
ponteiro é um sistema parecido com um motor de posições intermediárias, o potenciômetro e em
Corrente Contínua, cujo campo eletromagnético é conseqüência o marcador, assumirão as posições
gerado pela bobina do marcador. correspondentes.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


21 - Aparelho multi-teste
200

21.1 - Orientações gerais importantes

Assim como na mecânica utilizamos


equipamentos para medir pressão, vazão, etc. na 2
eletricidade também é possível utilizar equipamentos
para medir as grandezas envolvidas. Neste caso
utilizamos voltímetros, amperímetros, ohmímetros,
watímetros, etc. 1

Tipos de multímetros 3 4
Os multímetros se distinguem pelas funções que
apresentam e pela forma de apresentação das
medidas.
Os mais comuns possuem somente as funções 5
6
mais importantes como voltímetro, amperímetro e
ohmímetro, e seu visor geralmente é do tipo analógico.
Já os mais modernos, possuem funções extras como
teste de diodos, Capacímetro (para capacitância), Seletor
freqüencímetro, etc. e seu visor é na maioria das vezes 7 10
do tipo digital.
1- Botão liga e Desliga 9 8
2- Display digital
3- Faixa de medição de tensões de CC *
4- Faixa de medição de tensões de CA *
5- Faixa de medição de corrente de CC * 11
6- Faixa de medição de corrente de CA *
7- Faixa de medição de resistência e continuidade * 12
12 - Ponta de prova preta: sempre ligada a saída
“COM” (8);
13 - Ponta de prova vermelha (+): ligada à saída (9) 13
para medir resistência e tensão e às saídas (10
ou 11) para amperagem. As indicações “10 A” e Figura abaixo:em cada uma das faixas
“300 mA” indica o limite de corrente tolerado. de medição, de (3 a 7), existe uma escala com múltiplos
e sub-múltiplos: sempre coloque o seletor num ponto
Leitura das informações no display do acima do valor a ser medido.
multímetro
Seletor
As informações mostradas pelo display (nos
digitais) ou pelo ponteiro (nos analógicos), podem
estar sendo mostradas em múltiplos e submúltiplos.
Em alguns multímetros esta variação pode ser
selecionada de acordo com a grandeza da medida a
ser feita.
1 KW = 1.000 W
1 M W= 1.000.000 W
L ou 1 significa resistência infinita.
1 mV = 0.001 V
1

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


21 - Aparelho multi-teste
201

21.2 - Informações de segurança


A) Preliminares
Quando usamos um multímetro, devemos observar todas as condições normais de
segurança.
1- Proteção contra perigo de corrente elétrica.
2- Proteção do multímetro contra uso errado.

B) Durante o uso
3- Nunca use valores no limite indicados nas especificações de cada faixa de medi-
ção.
4- Quando o multímetro está conectado no circuito a ser medido, não encoste nos
terminais sem uso.
5- Quando o valor da escala for desconhecido selecione para a posição de maior
valor.
6- Antes de selecionar a chave rotativa para outra função, desconecte as pontas de
prova do circuito que está sendo testado.
7- Nunca efetue medidas de resistência no circuito em funcionamento.
8- Sempre fique seguro quando trabalhar com tensões acima de 60 V em Corrente
Contínua ou 30 V em Corrente Alternada: Mantenha os dedos na parte isolada das
pontas de prova durante as medições.
9- Antes de tentar inserir os transistores para teste, sempre fique seguro de que as
pontas de prova estão desconectadas do circuito.

IMPORTANTE!
Antes de utilizar um multi-teste pela 1a vez e sempre que
encontrar dúvidas, leia o respectivo Manual.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


21 - Aparelho multi-teste
202

21.3 - Medidas de tensão a) IMPORTANTE: Coloque a chave seletora do


multímetro na posição indicada nas figuras
Os multímetros são fabricados de forma à terem abaixo e sempre na escala adequada!
uma leitura fácil e rápida, porém para que se possa
b) Ligue os terminais de prova no multímetro: pre-
confiar que a medida adquirida é a correta, é to na saída “COM” e vermelho na saída R e V
necessário que se siga as instruções abaixo. (para medidas de Resistência e Voltagem);

☞ NOTA:
As instruções abaixo são de forma ge-
nérica, ou seja, dependendo do tipo e
c)

d)
Encoste as pontas de prova: Preto no ( - ) e ver-
melho no ( + ). Veja observação 1 abaixo;
Ligue o multi-teste em Paralelo, com a fonte -
conectada ou não à carga, conforme o objetivo
fabricante do multímetro, elas podem
da medição.
variar.

Medindo tensão Contínua Medindo tensão Alternada

OBS:
1- Na Corrente Contínua, a inversão dos termi-
nais apenas irá provocar leitura negativa. Na
Corrente Alternada, a posição dos terminais
é indiferente.
2- Muito cuidado ao ligar os terminais de me-
dição ao aparelho multi-teste: o preto sem-
COM pre deve ser ligado na saída identificada por
“COM”. COM
Já o vermelho vai depender de cada tipo de
medição e isso depende muito de cada
multímetro.

IMPORTANTE!
Antes de utilizar um multi-teste pela 1a
vez e sempre que encontrar dúvidas, leia
o respectivo Manual.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


21 - Aparelho multi-teste
203

21.4 - Medindo Resistência (Ω)

a) Ligue os terminais de teste ao multímetro conforme mostrado: preto na saída “COM”


e vermelho na saída V e/ou R (para medida de Voltagem e Resistência).
b) Coloque a chave na posição indicada e sempre na escala adequada!
Leitura = 0: resistência Zero (bom condutor)
Leitura = 1: escala estrapolada ou material isolante (resistência infinita).
c) Ligue o multi-teste em Paralelo com os terminais do resistor ou condutor (para
teste de continuidade).
OBS: Geralmente os multi-testes possuem uma posição específica na escala para
medir continuidade em condutores. Veja o respectivo Manual.

ATENÇÃO!
A fonte deve estar DESLIGADA para medir a resistência de um com-
ponente.

IMPORTANTE!
Antes de utilizar um multi-teste pela 1a
vez e sempre que encontrar dúvidas, leia
o respectivo Manual.

OBS: A figura mostra a medição da resistência


de um resistor. No entanto, a resistência muitas
vezes deve ser medida em cabos, bobinas e
demais componentes.

Apostila - Formação de Mecânicos / Eletricidade


21 - Aparelho multi-teste
204

21.5 - Testando diodos

Ligue o multi-teste em Paralelo com os terminais do


diodo.
OBS: Geralmente os multi-testes possuem uma
posição específica na escala para testar diodos.
IMPORTANTE!
Antes de utilizar um multi-teste pela 1a
ATENÇÃO! vez e sempre que encontrar dúvidas, leia
A fonte deve estar desligada para o respectivo Manual.
testar um diodo!

Coloque a chave na posição indicada.

Sentido bloqueado: o diodo deve se comportar Sentido liberado: o diodo se comporta como um
como um isolante (resistência infinita). condutor (resistência Zero).

COM
COM

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22 - Anexos: Grandezas e unidades de medida
205

22.1 - Equivalência entre unidades

Grandezas Unidades

SIST. INTERN. SI SISTEMA INGLÊS PRÁTICAS OU DERIVADAS


Distância m pé mm, cm, km
Área m² pé² mm², cm², km², ha, alqueire...
Volume m³ pé³ mm³, cm³, l, galão
Massa kg lb g
Massa específica kg/m³ lb/pé³ g/cm³, g/l, kg/l
Volume específico m³/kg pé³/lb cm³/g, l/kg
Força newton - N lbf kgf, dina
Velocidade m/s pé/s km/h, m/min
Rotação rad/s grad/s rpm, rps
Torque N.m lbf.pé kgf.m, kgf.cm
Pressão N/m² (ou Pa) lbf/pé² kgf/m², kgf/cm², kgf/mm²,Bar, ATM
Vazão m³/s pé³/s m³/h, l/h, l/min, l/s
Tempo s s min, h
Trabalho J lb.pé kgf.m
Potência W Btu hp, cv

22.2 - Unidades do Sistema Internacional - SI

☞ NOTA:
Deve-se respeitar algumas regras básicas, porém fundamentais ao expressar
grandezas físicas no SI.

✔ As unidades SI devem ser escritas por seus nomes ou representadas símbolo.


Exemplos: metro (ou m) - segundo (ou s) - quilograma (ou kg)...
✔ Devem ser escritas em letra minúscula, exceto em início de frases e graus
Celsius (o "C" deve ser sempre maiúsculo)
✔ Alerta: Símbolo não é abreviatura, portanto, não deve ser seguido de ponto.
CERTO ERRADO
segundo s s. seg.
metro m m. mtr.
quilograma kg kg. kgr.
hora h h. hr.
✔ Formação do plural das unidades: veja na Tabela 02, o uso correto do plural.
OBS: Os símbolos não tem plural - exemplo: 5 m (e não 5 ms).

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22 - Anexos: Grandezas e unidades de medida
206

✔ É importante escrever corretamente os valores das medidas - exemplo:

Valor numérico prefixo da unidade: no caso, "c", de centi


Veja a pág. 208 sobre prefixos

21,7 cm
unidade: no caso, o metro
Vírgula para separar
casas decimais (e não
o ponto) Espaço de um caractere

✔ Unidades Compostas: não misture nome com símbolo.


CERTO ERRADO
quilômetro por hora km/h quilômetro/h ou km/hora
metro por segundo m/s metro/s ou m/segundo
✔ O Grama: pertence ao gênero masculino. Veja os exemplos
CERTO ERRADO
quinhentos miligramas quinhentas miligramas
duzentos e dez gramas duzentas e dez gramas
oitocentos e um gramas oitocentas e uma gramas
✔ Use o prefixo quilo da maneira correta.
CERTO ERRADO
quilômetro kilômetro
quilograma kilograma
quilolitro kilolitro
✔ Medidas de Tempo: observe o uso correto dos símbolos para hora, minuto e
segundo.
CERTO ERRADO
9 h 25 min 6 s 9:25 h 9 h 25‘ 6“
OBS: Os símbolos ‘ e “ representam minuto e segundo em unidades de ângu-
lo e nunca de tempo.

Unidades SI
Grandeza Nome Plural Símbolo
comprimento metro metros m
área metro quadrado metros quadrados m²
volume metro cúbico metros cúbicos m³
ângulo plano radiano radianos rad
tempo segundo segundos s
freqüência hertz hertz Hz
velocidade metro por segundo metros por segundo m/s
aceleração metro por segundo por segundo metros por segundo por segundo m/s²
massa quilograma quilogramas kg

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22 - Anexos: Grandezas e unidades de medida
207

Unidades SI - continuação
Grandeza Nome Plural Símbolo
massa específica quilograma por metro cúbico quilogramas por metro cúbico kg/m³
vazão metro cúbico por segundo metros cúbicos por segundo m³/s
força newton newtons N
pressão pascal pascals Pa
trabalho, energia
quantidade de calor joule (pronúncia = "jaule") joules J
potência, fluxo de
energia watt watts W
corrente elétrica ampère ampères A
carga elétrica coulomb coulombs C
tensão elétrica volt volts V
resistência elétrica ohm ohms Ω
temperatura Celsius grau Celsius graus Celsius ºC
temperatura
termodinâmica kelvin kelvins K

Unidades em uso com o SI, sem restrição de prazo


Grandeza Nome Plural Símbolo Equivalência
volume litro litros l 0,001 m³
massa tonelada toneladas t 1 000 kg
tempo minuto minutos min 60 s
tempo hora horas h 3 600 s
velocidade angular rotação por minuto rotações por minuto rpm p/ 30 rad/s

Unidades fora do SI, admitidas temporariamente


Grandeza Nome Plural Símbolo Equivalência
pressão atmosfera atmosferas atm 101 327 Pa
pressão bar bars bar 100 000 Pa
pressão milímetro de mercúrio milímetros de merc. mmHg 133,322 Pa (aprox.)
qte. de calor caloria calorias cal 4,1868 Joules
área hectare hectares ha m²
força quilograma-força quilogramas-força kgf 9,806 65 N
comprimento milha marítima milhas marítimas não tem 1 852 m
velocidade nó nós não tem 1852/3600 m/s

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
208

22.3 - Prefixos das unidades SI

☞ NOTA:
Antes de apresentar os prefixos, convém estabelecer a relação existente com a
estrutura dos números.
Inicialmente, note a diferença entre algarismo e número:
- Algarismo é cada parte integrante de um número, e que popularmente é cha-
mado de "casa".
- Já o número é o todo, ou seja, um conjunto de um ou mais algarismos.

Número

34782,35

Algarismos vírgula

À direita da vírgula, é colocada a parte fracionária do número (décimos, centési-


mos, milésimos...) e à esquerda, a parte inteira (unidades, dezenas, centenas...)
- veja a estrutura na seqüência.

Como se lê medidas números decimais:


26,3 mm .......... Lê-se: vinte e seis milímetros e três décimos
44,26 mm ........ Lê-se: quarenta e quatro milímetros e vinte e seis centésimos
6,325 mm ........ Lê-se: seis milímetros e trezentos e vinte e cinco milésimos
0,1 mm ............ Lê-se: um décimo de milímetro
0,05 mm .......... Lê-se: cinco centésimos de milímetro
0,005 mm ........ Lê-se: cinco milésimos de milímetro
0,075 mm ........ Lê-se: setenta e cinco milésimos de milímetro.

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
209

Exemplos de uso dos prefixos:


✔ Para formar o múltiplo ou submúltiplo de uma unidade, basta colocar o nome do
prefixo desejado na frente da unidade. O mesmo se dá com o símbolo.
Para multiplicar a unidade volt por 1000: quilo + volt = quilovolt e k + V = kV
Para dividir a unidade volt por 1000: mili + volt = milivolt e m + V = mV
✔ Estes prefixos também podem ser empregados com unidades fora do SI:
milibar; quilocaloria; megatonelada; hectolitro...
✔ Por motivos históricos, o nome da unidade de massa, contém um prefixo:
quilograma. Por isso, os múltiplos e submúltiplos dessa unidade são formados a
partir do grama.

Tabela 05: Nome dos prefixos


Nome Símbolo Fator de multiplicação da unidade
yotta Y 1024 = 1 000 000 000 000 000 000 000 000
Símbolos
zetta Z 1021 = 1 000 000 000 000 000 000 000 em
exa E 1018 = 1 000 000 000 000 000 000 maiúsculo
peta P 1015 = 1 000 000 000 000 000
tera T 1012 = 1 000 000 000 000
giga G 109 = 1 000 000 000
mega M 106 = 1 000 000
quilo k 10³ = 1 000 Múltiplos
hecto h 10² = 100
deca da 10
deci d 10-1 = 0,1
centi c 10-2 = 0,01 Símbolos
mili m 10-3 = 0,001 Sub- em
micro µ 10-6 = 0,000 001 múltiplos minúsculo

nano n 10-9 = 0,000 000 001


pico p 10-12 = 0,000 000 000 001
femto f 10-15 = 0,000 000 000 000 001
atto a 10-18 = 0,000 000 000 000 000 001
zepto z 10-21 = 0,000 000 000 000 000 000 001
yocto y 10-24 = 0,000 000 000 000 000 000 000 001

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
210

22.4 - Tabela geral de conversão de unidades

Exemplo como usar a tabela de conversão de unidades

DISTÂNCIA: mm(milímetro) cm(centímetro) m(metro) EXEMPLOS


mm (milimetro) 1 0,1 0,001 1mm = 0,1cm
cm (centímetro) 10 1 0,01 1cm = 10mm
m (metro) 1000 100 1 1m = 1000m

DISTÂNCIA: mm(milímetro) cm(centímetro) m(metro) pol(polegada) pé(pé)


mm (milimetro) 1 0,1 0,001 0,03937 0,00328
cm (centímetro) 10 1 0,01 0,3937 0,0328
m (metro) 1000 100 1 39,37 3,281
pol (polegada) 25,4 2,54 0,0254 1 0,0833
pé (pé) 304,8 30,48 0,3048 12 1

ÁREA: mm² cm² m² pol² pé²


mm² 1 0,01 0,00001 0,00155 0,0000108
cm² 100 1 0,0001 0,155 0,001076
m² 1000.000 10.000 1 1.550,003 10,764
pol² 645,16 6,4516 0,000645 1 0,00694
pé² 92.903,04 929,0304 0,09290 144 1

ÁREA
m² (met. ha(hectare) Alqueiro Alqueire Quadra Acre(EUA)
AGRÁRIA: quadrado) (paulista) (mineiro) (Arroz)
m² (met. quadrado) 1 0,0001 0,00004 0,00002 0,00006 0,00025
ha (hectare) 10.000 1 0,41 0,205 0,574 2,741
Alqueiro (paulista) 24.400 2,44 1 0,5 1,40 6,03
Alqueire (mineiro) 48.800 4,88 2,0 1 2,80 12,06
Quadra (Arroz) 17.424 1,7424 0,714 0,357 1 4,31
Acre (EUA) 4.046,83 0,4047 4,306 0,083 0,232 1

VOLUME: l m³ pé³ Galão(UK) Galão(USA) Buschel(USA)


l 1 0,001 0,0353 0,22 0,264 0,0284
m³ 1000 1 35,315 220 264 28,366
pé³ 28,317 0,0283 1 6,229 7,481 0,803
Galão (UK) 4,546 0,004546 0,1605 1 1,201 0,129
Galão (USA) 3,785 0,003785 0,1337 0,833 1 0,107
Buschel (USA) 35,254 0,035254 1,245 7,755 9,314 1

VAZÃO: 1/seg. 1/min. m³/seg. m³/min. g.p.m.(USA)


1/seg. 1 0,1667 0,001 0,06 15,852
1/min. 0,01667 1 0,0000167 0,001 0,264
m³/seg. 1.000 60.000 1 60 15.852.32
m³/min. 16.,667 1.000 0,01667 1 264,2
g.p.m.(USA) 0,06309 3,7854 0,0000631 0,003785 1

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
211

MASSA: g(grama) kg(quilograma) lb(libra) t(tonelada) Arroba


g (grama) 1 0,001 0,0022 0,000001 14.700
kg (quilograma) 1000 1 2,20 0,001 14.7
lb (libra) 453,6 0,4536 1 0,00045 6.681
t (tonelada) 1.000.000 1.000 2.204,59 1 0,0147
Arroba- 0,0000068 0,06802 32,34 68,02 1

VOLUME: N x cm Nxm kgf x cm kgf x m lbf x pol lbf x pé


N x cm 1 100 10 0,001 0,0868 0,00723
Nxm 100 1 0,1097 0,102 8,6796 0,7376
kgf x cm 10 0,1 1 0,01 0,86796 0,0723
kgf x m 1000 9,80665 100 1 86,796 7,233
lbf x pol 0,56 0,1130 1,152 0,01152 1 0,08333
lbf x pé 6,72 1,3558 13,826 0,1383 12 1

PRESSÃO: kPa kgf/cm² bar atm lif/pol²(PSI)


kPa 1 0,0102 001 0,00987 0,145
kgf/cm² 98,0665 1 0,98 0,9678 14,22
bar 100 1,02 1 0,9869 14,50
atm 101,325 1,033 1,0133 1 14,70
lif/pol² (PSI) 6,895 0,0703 0,069 0,0680 1

VELOCIDADE: km/h Milhas/h metros/s


km/h 1 0,6214 0,2778
Milhas/h 1.608,9 1 0,44704
metros/s 3,6 2,2369 1
1
1

POTÊNCIA: CV HP W kW
CV 1 0,9836 735,7 0,7357
HP 1,014 1 746 0,746
W 0,00136 0,00134 1 0,001
kW 1,36 1,341 1000 1
1

FORÇA: kgf Newton Libra força


kgf 1 9,81 2,205
Newton 0,102 1 0,2247
Libra força 0,453 4,448 1
1
1

TEMPERATURA: °C °F
°C 1 5/9 x (°F-32)
°F (°Cx1,8) + 32 1
1
1
1

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
212

22.5 - Símbolos de hidráulica

A simbologia hidráulica foi criada para facilitar a representação gráfica dos circuitos.
Os símbolos são universalmente reconhecidos, salvo algumas discordâncias. Assim, é
muito importante memorizar o significado dos diversos símbolos. Enquanto esta prática
não fizer parte do dia-a-dia, é bom ter sempre à mão uma tabela com esses símbolos
para sanar eventuais dúvidas ao se consultar um circuito.

A) Linhas i) Círculos (bombas, motores, o) Seta curta a 90o (compensa-


instrumentos de medição, re- ção de pressão)
a) Linha cheia (dutos principais)
tenção)

b) Linha com traço longo (dutos


piloto)
j) Semicírculos (osciladores) p) Seta curvada (sentido da ro-
tação)
c) Linha com traço curto (dreno,
exaustão)

l) Triângulos (indicação de
d) Linha com traço - ponto entrada ou saída de fluido q) Traço com ponto (efeito ou
(invólucro) em bombas, motores, causa de temperatura)
osciladores)

e) Linhas de cruzamentos de
dutos

r) Quadrados (dispositivos)
m) Seta (direção de escoamento,
ajuste regulável ou compen-
sado)

f) Linha de junção de dutos s) Retângulos (dispositivos)

n) Exemplos de ajustes

g) Linha cheia (eixo ou haste de t) Mola


cilindro)

h) Linha cheia (linha elétrica)

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
213

u) Estrangulamento v) Estrangulamento não x) Sangria de ar (purga)


influenciável pela viscosida- influenciável pela viscosida-
de do fluido de do fluido.

B) Dutos
d) Entrada ou saída vedada e.4) Engate-rápido com duas re-
a) Saída do duto (orifício com
tenções, desconectado
conector)

e) Engates rápidos: e.5) Engate-rápido com uma re-


tenção conectado
b) Duto com restritor fixo e1) Sem retenção, conectado

e.6) Engate-rápido com uma re-


e.2) Engate-rápido sem retenção,
tenção, desconectado
desconectado
c) Duto flexível

f) Acoplamento giratório (com


e.3) Engate-rápido com duas re-
três linhas de fluxo.
tenções, conectado

C) Reservatórios e acumuladores

a) Reservatório livre d) Reservatório com duto abai- f.1) Acumulador a gás


xo do nível do fluido

b) Reservatório pressurizado e) Coletor ou distribuidor ven- f.2) Acumulador a gás com bexi-
tado ga.

c) Reservatório com duto aci-


ma do nível do fluido f) Acumulador (símbolo básico) f.3) Acumulador a gás com
membrana.

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
214

f.4) Acumulador por gás com f.5) Acumulador por mola f,6) Acumulador por peso
pistão

D) Condicionadores de fluido
a) Símbolo básico c.2) O meio resfriador é gasoso e.1) Filtro separador com dreno
manual

b) Aquecedor
d) Conservador de tempera-
tura e.2) Separador com dreno auto-
mático

b.1) O meio aquecedor é líquido

d.1) O meio conservador é líqui-


do
e.3) Filtro separador com dreno
b.2) O meio aquecedor é gasoso
manual

d.2) O meio conservador é gaso-


so
c) Resfriador

e.4) Filtro separador com dreno


automático

e) Filtros (símbolo básico)


c.1) O meio resfriador é líquido

E) Atuadores lineares (cilindros)


a) Atuador de haste simples e c) Atuador de haste simples e e) Macaco hidráulico
simples efeito (simplific.) duplo efeito (simplificado)

b) Atuador de simples efeito d) Atuador de haste simples e


(detalhado) duplo efeito (detalhado)

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
215

f) Atuador de simples ação com j) Atuador de dupla haste e p) Atuador de dupla ação com
retorno por mola. (simplificado) duplo efeito (simplificado) amortecimento regulável no
avanço ou fim de curso

l) Atuador de dupla haste


(detalhado) q) Atuador de dupla ação com
g) Atuador de simples ação com amortecimento regulável no
retorno por mola (detalhado) retorno ou princípio de curso

m) Atuador de dupla ação com


amortecimento fixo no
avanço ou fim de curso

h) Atuador de simples ação r) Atuador de dupla ação com


com avanço por mola amortecimento regulável em
(simplificado) ambos os lados
n) Atuador de dupla ação com
amortecimento fixo no
retorno ou princípio de curso
s) Atuador com cilindro
telescópico de simples ação

i) Atuador de simples ação com o) Atuador de dupla ação com


avanço por mola (detalhado) amortecimento fixo em
ambos os lados t) Atuador com cilindro
telescópico de dupla ação.

F) Comandos e controles
a) Acionamento por mola e) Acionamento por pedal h.1) Solenóide com duas bobi-
nas que operam em senti-
dos opostos

b) Acionamento manual
f) Acionamento mecânico tipo
rolete
h.2) Solenóide com ajuste
(bobina operando proporci-
c) Acionamento por botão
onalmente)

g) Acionamento com detente

h.3) Solenóide com duas bobi-


d) Acionamento com alavanca h) Acionamento com
nas e ajuste (operando
dispositivo elétrico -
proporcionalmente)
solenóide com uma bobina

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
216

i) Por motor com n) Solenóide ou piloto r) Comando térmico - com


reversibilidade. sensor local

o) Solenóide e piloto s) Com sensor remoto

j) Piloto (hidráulico). Por contro-


le remoto (externo)

p) Piloto por despressurização t) Servo


(hidráulico). Por controle
remoto externo
j.1) Por controle remoto (interno)

u) Exemplo - ou solenóide ou
p.1) Por controle remoto interno piloto ou manual
l) Comandos por pilotos inter-
nos e centragem por mola

q) Piloto por despressurização v) Solenóide, piloto ou manual


m) Piloto (pneumático) (pneumático)

22.6 - Dispositivos rotativos


a) Símbolos básicos com entra- d) Bomba hidráulica de deslo- g) Bidirecional com
da e saída camento variável compensador de pressão
(unidirecional)

ou

b) Bomba hidráulica de desloca-


mento fixo. (unidirecional) e) Bomba hidráulica de deslo- h) Exemplo: conjunto
camento variável motobomba com motor
(bidirecional) elétrico reversível, bomba
bidirecional de desloca-
mento variável e
c) Bomba hidráulica de desloca-
compensador de pressão
mento fixo (bidirecional)
f) Bomba unidirecional com
compensador de pressão

ou

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
217

i) Motor hidráulico de desloca- j) Conjunto motobomba - ope- m) Motores:


mento fixo (unidirecional) rando em uma direção como Elétrico
bomba e na direção oposta
como motor.

i.1) Motor hidráulico de desloca- m.1) Elétrico reversível


mento fixo (bidirecional)
j.1) Operando em uma direção
como bomba ou como motor.

m.2) Térmico
i.2) Motor hidráulico de desloca-
mento variável (unidirecional)
j.2) Operando em ambas as dire-
ções como bomba ou motor.

n) Conversor de torque (com


i.3) Motor hidráulico de desloca-
bomba e/ou motor de deslo-
mento variável (bidirecional)
camento variável)
l) Osciladores

22.7 - Instrumentos e acessórios


a) Manômetros ou vacuômetros e) Medidor de vazão cumulativo g.1) Fluxostato

f) Sensores:
b) Manômetro diferencial f1) Venturi g.2) Termostato

c) Termômetro f.2) Ejetor g.3) Chave de nível (fixa)

d) Medidor de vazão g) Acessórios: Pressostato g.4) Chave de nível (variável)

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
218

g.5) Chave de nível por mola fixa h.1) Indicador de fluxo l) Respiro de ar com filtro

g.6) Chave de nível por mola va- h.2) Indicador de nível (visor)
riável m) Acoplamento

i) Válvula seletora de
g.7) Chave de nível manual manômetros (simples) n) Acoplamento com protetor

g.8) Chave de nível elétrica i.1) Com manômetro integral o) Flange motobomba

h) Indicadores de pressão j) Bocal de enchimento p) Junta de expansão

22.8 - Válvulas de controle direcional


a) Válvula de controle direcional d) Entrada e saída para válvula f) Válvula de controle
- envelope para uma de 4 vias direcional de duas vias -
posição A B A B abertura e fechamento
manual (registros)

P T P T
b) Envelope para duas e) Entrada e saída bloqueadas
posições g) Válvula manual de quatro
na posição indicada
A B vias com retorno por mola

P T
g.1) Válvula com solenóide e
c) Envelope para três posi- OBS: Por convenção retorno por mola
ções denominamos de “P” o duto da
bomba, de “T” o duto do tanque
e de “A” e “B” os dutos do(s)
atuador(es).

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
219

h) Válvula de retenção - retenção h.4) Retenção dupla com fluxo em j) Válvula de controle direcional
simples dois sentidos (válvula de 4 vias - de duas posições
alternadora) A B

h.1) Válvula de retenção pilotada


para a abertura P T
h.4) Sistema de distribuição com j.1) De três posições
controle de vazão

A B

h.2) Válvula de retenção pilotada P T


para o fechamento i) Válvula de controle direcional l) Tipos de centros mais utiliza-
de três vias - de duas posi- dos nas válvulas de 4 vias e
ções
3 posições.
A B

h.3) Válvula de retenção dupla


P
com fluxo unidirecional i.1) De três posições

22.9 - Válvulas de controle de pressão


a) Válvula normalmente fechada d) Válvula de alívio - de opera- d.3) De operação indireta ou pi-
ção direta lotada - piloto interno e dre-
no externo

b) Válvula normalmente aberta


com estrangulamento d.1) De operação indireta ou pilo-
tada - piloto interno e dreno e) Válvula redutora de pressão
interno - de operação direta

c) Válvula normalmente fechada


com dois estrangulamentos
d.2) De operação indireta ou pilo- e.1) De operação indireta ou pi-
tada - piloto externo e dreno lotada
interno

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
220

22.10 - Válvulas de controle de vazão


a) Controle de vazão fixo d) Vazão variável com derivação f) Intensificadores de Pressão
(sistema “by-pass”) - simplificado

b) Controle de vazão variável

c) Válvula de vazão variável com g) Detalhado


compensadores de pressão e
temperatura (simplificado)

e) Divisora de fluxo

h) Conversor hidro-pneumático
c.1) Válvula de vazão variável com
compensadores de pressão
(detalhado)

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
221

22.11 - Significado dos símbolos elétricos


Provavelmente uma das coisas que mais O presente capítulo identifica cada um dos
“assusta” quando se fala em eletricidade, é a símbolos encontrados na Apostila. Como todos os
interpretação de circuitos elétricos. componentes costumam ser representados por


símbolos, é fundamental saber interpretá-los.
IMPORTANTE:
Um circuito ou sistema elétrico, pode Uma maneira de assimilar mais facilmente os
parecer complexo quando analisado no conceitos de elétrica, é comparar a corrente com um
conjunto. fluxo hidráulico.
Mas lembre-se: o sistema na realidade não passa
de um conjunto de pequenos circuitos, que, anali-
No capítulo 3 é utilizado este artifício, para
sados separadamente, são elementares e fáceis de descrever cada uma das grandezas físicas e diferenciar
serem interpretados. umas das outras.

1 - Interruptor 6 - Diodos Relé de 5 patas com diodo

7 - Capacitores
2 - Fonte:
Corrente contínua 11 - Motor com solenóide
8 - Indutores ou bobinas

Corrente alternada 12 - Alternador com circuito tipo


9 - Potenciômetros “estrela”

3 - Fusível 10 - Relés
Relé de 4 patas 13 - Conectores

4 - Resistor

Relé de 5 patas 14 - Terminais

5 - Resistor variável (ou


reostato)

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22 - Anexos: grandezas e unidades de medida
222

Simbologia elétrica - MF 34 e 38

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